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H IS T Ó R IA A D 3 .a S HISTÓRIA Curso Extensivo – A Curso Extensivo – D 3.a Série – Ensino Médio REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 03/09/2020 15:09 Página A H IS T Ó R IA A D 3 . aS REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 03/09/2020 15:09 Página B 1. (UNESP) – “Em 1500, fazia oito anos que havia presença europeia no Caribe: uma primeira tentativa de colonização que ninguém na época podia imaginar que seria o prelúdio da conquista e da ocidentalização de todo um continente e até, na realidade, uma das primeiras etapas da globalização. A aventura das ilhas foi exemplar para toda a América, espanhola, inglesa ou portuguesa, pois ali se desenvolveu um roteiro que se reproduziu em várias outras regiões do continente americano: caos e esbanjamento, incompetência e desperdício, indiferença, massacres e epidemias. A experiência serviu pelo menos de lição à Coroa espanhola, que tentou praticar no resto de suas possessões americanas uma política mais racional de dominação e de exploração dos vencidos: a instalação de uma Igreja poderosa, dominadora e próxima dos autóctones, assim como a instalação de uma rede administrativa densa e o envio de funcionários zelosos, que evitaram a repetição da catástrofe antilhana.” (Serge Gruzinski. A passagem do século: 1480-1520: as origens da globalização, 1999. Adaptado.) A afirmação de que os primeiros traços da presença europeia na América foram “o prelúdio da ocidentalização” e “uma das primeiras etapas da globalização” é correta porque a conquista do continente americano representou a) a definição da superioridade militar e religiosa do Ocidente cristão e o início da perseguição sistemática a judeus e muçulmanos. b) a demonstração da teoria de Cristóvão Colombo sobre a esfericidade da Terra e o fracasso dos novos instrumentos de navegação. c) o encerramento das relações comerciais da Europa com o Oriente e o imediato declínio da venda das especiarias produzidas na Índia. d) o encontro e o choque entre culturas e o gradual deslocamento do eixo do comércio mundial para o Oceano Atlântico. e) o avanço da monetarização da economia e o lançamento de projetos de regulação e controle centralizado do comércio internacional. RESOLUÇÃO: A alternativa contempla dois aspectos distintos da Expansão Marítimo- Comercial Europeia e seus desdobramentos: primeiramente, o encontro das culturas pré-colombianas com o etnocentrismo europeu, o que levou à superposição do segundo sobre as primeiras, dentro do processo da conquista e colonização da América; e, em segundo lugar, o deslocamento do eixo econômico europeu para o Atlântico, deixando em segundo plano as tradicionais rotas do Mediterrâneo. Resposta: D 2. (FGV) – “A colonização do Novo Mundo na época moderna apresenta-se como peça de um sistema, instrumento da acumulação primitiva, da época do capitalismo mercantil. Na realidade, nem toda colonização se desenrola dentro das travas do sistema colonial, pois a colonização inglesa na América do Norte, colônias de povoamento, deu-se fora dos mecanismos definidores do sistema colonial mercantilista.” (Fernando Novais. Portugal e Brasil na crise do antigo sistema colonial, 1989. Adaptado.) A partir do texto, é correto afirmar que a) coexistem, no processo de colonização na Idade Moderna, dois tipos de colônias: as de exploração e as de povoamento, sendo estas as mais encontradas, uma vez que se baseiam em pequena propriedade, trabalho livre e mercado interno; além disso, o Antigo Sistema Colonial assegurava superlucros às respectivas metrópoles. b) dois tipos de colonização significam a coexistência de dois processos históricos diferentes, um ligado à Idade Média e outro ligado à Idade Moderna, com caracterís ticas semelhantes, como o comércio triangular, a grande e a pequena propriedades, o autogoverno e o exclusivo metropolitano. c) a colonização de povoamento, típica do Sistema Colonial Mercantilista, baseia-se em grande proprie dade, trabalho escravo e produção voltada para o mercado externo, o que implica o exclusivo metropo litano como base das relações entre metrópole e colônia. d) os dois tipos de colonização, de exploração e de povoa mento, explicam-se por processos diferentes: a de explo ração está ligada à acumulação de riqueza para a metrópole moderna, com grande propriedade e trabalho escravo, enquanto a colonização de povoa - mento liga-se à metrópole industrializada. e) o sentido profundo da colonização moderna é comer cial e capitalista, pois as colônias de exploração, típicas do Antigo Sistema Colonial, nasceram para as metró poles acumularem riqueza; e é dentro desse processo de análise de conjunto que se torna inteligível a existência do outro tipo, a colonização de povoamento. RESOLUÇÃO: A colonização de exploração, conforme o próprio nome indica, destinava- se a explorar economicamente as colônias para promover a acumulação primitiva de capitais nas metrópoles europeias. Foi em torno desse processo que se definiram as normas do Pacto Colonial, tendo no exclusivo comercial metropolitano seu elemento essencial. Quanto às colônias de povoamento, de importância secundária no contexto econômico do período, foram implantadas em condições distintas das primeiras, tendo em consequência estrutura e características diferenciadas em relação ao colonialismo mercantilista. Resposta: E – 1 H IS T Ó R IA A D 3 .a S Sistema Colonial11 REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 1 2 – 3. (UNESP) – “Na colônia, a justiça era exercida por toda uma gama de funcionários a serviço do rei. A violência, a coerção e a arbitrariedade foram suas principais características. [...] Nas regiões em que a presença da Coroa era mais distante, os grandes proprietários de terras exerciam considerável autoridade administrativa e judicial. No sertão, os potentados impunham seus interesses à popula ção livre.” (Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. História do Brasil: uma interpretação, 2008.) Ao analisar o aparato judiciário no Brasil Colonial, o texto a) identifica a isonomia e a impessoalidade na adminis tração da justiça e seu embasamento no direito romano. b) explicita a burocratização do sistema jurídico nacional e reconhece sua eficácia no controle interno. c) indica o descompasso entre as determinações da Coroa portuguesa e os interesses pessoais dos governadores-gerais. d) distingue o sistema oficial da dinâmica local e atesta o prevale - cimento de ações autoritárias em ambas. e) diferencia as funções do Poder Judiciário e do Poder Executivo e caracteriza a ação autônoma e indepen dente de ambos. RESOLUÇÃO: Interpretação de texto, explicitando o autoritarismo administrativo do Antigo Sistema Colonial e, nas áreas onde o poder da Coroa era pouco sentido, o papel dos grandes senhores de terras no preenchimento do vácuo deixado pela administração oficial. Resposta: D 4. (UNISA) – Nas Américas Espanhola e Portuguesa, os regimes de trabalho estavam em sintonia com os princípios mercantilistas de acúmulo de riquezas. Sobre as relações de trabalho nas colônias espanholas e portuguesa, é correto afirmar que a) o regime de trabalho assalariado foi predominante, tendo em vista que era mais rentável numa economia de mercado. b) o regime de trabalho compulsório foi uma das características do processo de colonização, gerando lucros a proprietários e comerciantes. c) o regime de trabalho escravista explorou a mão de obra africana, que se tornou predominante e muito lucrativa. d) vários regimes de trabalho foram criados para explorar os nativos, que se tornaram a mão de obra mais rentável. e) os regimes de trabalho foram caracterizados pela prestação de serviços temporários e pelo pagamento de baixos salários. RESOLUÇÃO: As colônias ibéricas utilizaram o trabalho compulsório, ainda que de forma diferenciada: na América Portuguesa foi implantada a escravidão indígena e africana; na América Espanhola, além daescravidão africana, utili - zada em menor escala, o trabalho compulsório indígena foi larga mente explorado, sob as formas da mita e da encomienda. Resposta: B 5. (MACKENZIE-adaptado) – No Brasil do século XVI, a sociedade tinha, no engenho, o centro de sua organização. Assinale a alternativa que não atesta a importância do engenho no Período Colonial. a) A grande propriedade era monocultora e também escravocrata, voltada para o mercado externo, sendo a montagem da estrutura de produção açucareira um empreendimento de alto custo. b) Os senhores de engenhos, por serem proprietários de terras e escravos, detinham o poder político e controlavam as Câmaras Municipais, sendo denominados de “homens bons”, estendendo tal poder para o interior de sua família. c) Alguns engenhos funcionavam como unidades de produção autossuficientes, pois além de oficinas para reparos de suas instalações, produziam alimentos necessários à sobrevivência de seus moradores. d) No engenho também havia alguns tipos de trabalhadores assala - riados, como o feitor, o mestre de açúcar, o capelão ou padre, que se sujeitavam ao poder e à influência do grande proprietário de terras. e) Os grandes engenhos contavam com toda a infraestrutura não apenas para atender às necessidades básicas de sobrevivência, mas voltadas à atividade intelectual que tornava o engenho centro de discussões comerciais. RESOLUÇÃO: Os engenhos foram a grande unidade produtiva durante a maior parte do Período Colonial, possuindo um elevado grau de autossuficiência. Todavia, até mesmo pela limitada formação de seus proprietários, não se configuravam como centros intelectuais, nem mesmo para a realização de “discussões comerciais”. Resposta: E 6. (UNICAMP-Adaptado) – “Engenheiros, naturalistas, matemá - ticos e artistas, sob o mecenato de Nassau, investigaram a natureza e trans formaram a paisagem nordestina. Recife tornou-se uma das cidades mais importantes da América, com modernas pontes e prédios. Além do incentivo à arte, o governo [de Nassau] promulgou leis que eram iguais para todos, impedindo injustiças contra os antigos habitantes.” (Ronald Raminelli, “Invasões Holandesas”, em Ronaldo Vainfas (dir.), Dicionário do Brasil Colonial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 315.) As transformações durante o governo de Maurício de Nassau (1637- 44), em Pernambuco, são exemplos de um contexto em que a) o mecenato e a aplicação de leis idênticas para holandeses e luso- brasileiros eram uma continuidade do modelo renascentista, representando um período de modernização da região. b) a economia açucareira da região foi dinamizada, com a reativação de engenhos e perdão de dívidas dos antigos proprietários, impul - sionando a remodelação da cidade de Recife. H IS T Ó R IA A D 3 . aS REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 2 c) foram aplicados princípios mercantilistas para a obtenção de lucros e houve a perseguição, por parte dos holandeses calvinistas, a judeus, cristãos-novos e católicos. d) o trabalho dos artistas e cientistas tinha o propósito de retratar a paisagem local e identificar a potencialidade econômica da região, pois o açúcar estava em declínio no comércio internacional. e) o cientificismo dominante na Europa incentivava a investigação de territórios ainda inexplorados, com o objetivo de fornecer subsídios para as novas teorias sobre a origem das espécies. RESOLUÇÃO: A administração de Maurício de Nassau (1637-44) representou um hiato no conjunto da administração do Brasil holandês, marcada pela intolerância para com os católicos e pelo mer cantilismo extremado, direcionado para a acumulação capitalista. Nassau, pertencente à alta nobreza alemã, possuía uma mentalidade com valores intelectuais diferentes do pragmatismo burguês. Daí sua preocupação com a modernização de Recife (ou “Mauriceia”, numa clara manifestação que nos remete aos mecenas renascentistas), e também com as atividades artísticas e científicas. Resposta: A 7. (FGV) – “A estratégia da penetração para o sertão, se foi amplamente aproveitada pelos colonos de São Paulo, nasce na prática da conversão jesuítica. Embora por razões opostas, tanto as incursões dos jesuítas, tímidas é verdade, não se embrenhando muito além do núcleo piratiningano, como as entradas e bandeiras dos colonos, tinham um mesmo objetivo: o índio.” (Amílcar Torrão Filho, “A cidade da conversão: a catequese jesuítica e a fundação de São Paulo de Piratininga.” Revista USP. São Paulo, n.º 63, 2004.) O fragmento apresenta parte das condições que originaram a) a guerra entre a Igreja Católica, a favor da escravização dos índios, e os colonos, defensores do trabalho livre. b) o conflito entre colonos e religiosos pelo controle da mão de obra indígena presente no entorno de São Paulo. c) a leitura, com forte viés ideológico, que considerava desnecessária a exagerada violência dos jesuítas contra os povos indígenas. d) o isolamento econômico de São Paulo em relação ao restante da colônia, agravado pela carência de mão de obra. e) o fracasso das missões religiosas em São Paulo, pois coube apenas ao Estado Português o controle direto sobre os indígenas. RESOLUÇÃO: Os conflitos entre colonos e jesuítas com relação aos índios ocorreram com certa frequência no Brasil Colônia, estendendo-se de São Paulo até o Maranhão, com os inacianos sempre se opondo à escravização dos ameríndios. Na presente questão, o choque entre as duas partes foi circunscrito ao “entorno” da vila de São Paulo, o que constitui uma interpretação reducionista do problema. Resposta: B 8. (FGV) – “Podem-se apanhar muitos fatos da vida daqueles sertanejos dizendo que atravessaram a época do couro. De couro era a porta das cabanas, o rude leito aplicado ao chão duro, e mais tarde a cama para os partos; de couro todas as cordas, a borracha para carregar água, o mocó ou alforge para levar comida, a maca para guardar roupa, a mochila para milhar cavalo, a peia para prendê-lo em viagem, as bainhas de faca, as broacas e surrões, a roupa de entrar no mato, os banguês para curtume ou para apurar sal.” (Capistrano de Abreu. Capítulos de história colonial: 1500-1800, 2000.) O texto descreve a cultura material da pecuária, que a partir do século XVI estendeu-se ao interior nordestino da colônia do Brasil. A criação de gado a) empregava predominantemente a mão de obra escrava africana e consolidou a pequena propriedade rural às margens dos grandes rios da região. b) contribuía com o complexo econômico litorâneo e funcionou em um regime de contenção econômica de gastos devido ao aprovei - tamento de recursos locais. c) transgredia os ordenamentos legais da administração metropolitana e jamais se caracterizou como atividade econômica lucrativa. d) deslocava o centro dinâmico da exploração econômica da colônia e contribuiu para o adensamento demográfico em novos territórios. e) favorecia o surgimento de cidades autoadministradas e revelou a existência de jazidas de metais preciosos nas áreas recém-descobertas. RESOLUÇÃO: A alternativa descreve o chamado “ciclo do couro”, que teve grande importância nas áreas do Sertão Nordestino ocupadas pela atividade criatória. De fato, além de fornecer alimento, força motriz e meios de transporte para a região açucareira do litoral, o aproveitamento do couro para a produção dos mais diversos utensílios tornou a pecuária sertaneja uma atividade lucrativa, pois dispensava a importação de objetos destinados à vida nas áreas dedicadas à criação. Resposta: B – 3 H IS T Ó R IA A D 3 .a S REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 3 4 – H IS T Ó R IA A D 3 . aS 1. (UNESP) – “Em meados do século o negócio dos metais não ocuparia senão o terço, ou bem menos, da população. O grosso dessa gente compõem-se de mercadores de tenda aberta, estalajadeiros, taberneiros, advogados, médicos, cirur giões-barbeiros, burocratas, clérigos, mestres-escolas, tropeiros,soldados da milícia paga. Sem falar nos escravos, cujo total, segundo os documentos da época, ascendia a mais de cem mil. A necessidade de abastecer-se toda essa gente provocava a formação de grandes currais; a própria lavoura ganhava alento novo.” (Sérgio Buarque de Holanda. “Metais e pedras preciosas”. História geral da civilização brasileira, vol. 2, 1960. Adaptado.) De acordo com o excerto, é correto concluir que a extração de metais preciosos em Minas Gerais no século XVIII a) impediu o domínio do governo metropolitano nas áreas de extração e favoreceu a independência colonial. b) bloqueou a possibilidade de ascensão social na colônia e forçou a alta dos preços dos instrumentos de mineração. c) provocou um processo de urbanização e articulou a economia colonial em torno da mineração. d) extinguiu a economia colonial agroexportadora e incorporou a população litorânea economicamente ativa. e) restringiu a divisão da sociedade em senhores e escravos e limitou a diversidade cultural da colônia. RESOLUÇÃO: O texto transcrito, ao mencionar a grande variedade de atividades propiciadas pela mineração, aponta para uma sociedade essencialmente urbana, com um entorno de propriedades ligadas à agropecuária, em última análise destinadas ao abastecimento das cidades e vilas locais. Convém acentuar que a articulação da mineração brasileira do século XVIII vai além do que o texto deixa transparecer, pois Minas Gerais, no período citado, tornou-se centro consumidor de produtos originários das diversas regiões da colônia, inclusive importações realizadas pelo Rio de Janeiro. Resposta: C 2. (FGV) – Entre as mudanças operadas no Brasil pela intervenção do Marquês de Pombal estão a/o: a) criação da Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão, a exploração direta das minas de diamante e o incentivo à ampliação dos colégios jesuíticos. b) expulsão da Companhia de Jesus, a extinção das capitanias hereditárias e a redução dos impostos coloniais. c) exploração direta das minas de diamante, a extinção da Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão e a criação do Estado do Maranhão. d) apoio e financiamento da Companhia de Jesus, a redução de impostos coloniais e a extinção da Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão. e) incentivo às instalações manufatureiras na Colônia, a expulsão da Companhia de Jesus e a criação da Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão. RESOLUÇÃO: O despotismo esclarecido português, criado pelo marquês de Pombal, repercutiu no Brasil através de algumas medidas reformistas, como a expulsão dos jesuítas, a instalação de manufaturas e a criação de companhias de comércio destinadas a estimular o Renascimento Agrícola na Colônia. Resposta: E 22 Crise do Sistema Colonial e Independências na América REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 4 – 5 H IS T Ó R IA A D 3 .a S 3. (FUVEST) – “Os ensaios sediciosos do final do século XVIII anunciam a erosão de um modo de vida. A crise geral do Antigo Regime desdobra-se nas áreas periféricas do sistema atlântico – pois é essa a posição da América portuguesa –, apontando para a emergência de novas alternativas de ordenamento da vida social.” (István Jancsó, “A Sedução da Liberdade”. In: Fernando Novais, História da Vida Privada no Brasil, v.1. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. Adaptado.) A respeito das rebeliões contra o poder colonial português na América, no período mencionado no texto, é correto afirmar que, a) em 1789 e 1798, diferentemente do que se dera com as revoltas anteriores, os sediciosos tinham o claro propósito de abolir o tráfico transatlântico de escravos para o Brasil. b) da mesma forma que as contestações ocorridas no Maranhão em 1684, a sedição de 1798 teve por alvo o monopólio exercido pela companhia exclusiva de comércio que operava na Bahia. c) em 1789 e 1798, tal como ocorrera na Guerra dos Mascates, os sediciosos esperavam contar com o suporte da França revolucionária. d) tal como ocorrera na Guerra dos Emboabas, a sedição de 1789 opôs os mineradores recém-chegados à capitania aos empresários há muito estabelecidos na região. e) em 1789 e 1798, seus líderes projetaram a possibili dade de rompimento definitivo das relações políticas com a metrópole, diferentemente do que ocorrera com as sedições anteriores. RESOLUÇÃO: A questão trata dos movimentos emancipacionistas ocorridos no Brasil em fins do século XVIII, quais sejam a Inconfidência Mineira de 1789 e a Conjuração Baiana de 1798. Diferentemente das rebeliões nativistas que as precederam (Revolta de Beckman, Guerra dos Emboabas, Guerra dos Mascates e Revolta de Felipe dos Santos), que refletiam problemas locais e não postulavam separar-se da metrópole portuguesa, os outros dois eventos citados tinham propostas claramente independentistas. Resposta: E 4. (PUC-Campinas) – A transferência da família real portuguesa para o Brasil foi sucedida por algumas mudanças importantes na relação entre Portugal e sua principal colônia, que ocorreram ao longo do governo de D. João VI, tais como: a) o acirramento do Pacto Colonial e a liberação da criação de manufaturas e fábricas no território brasileiro, aumentando a integração econômica entre metrópole e colônia. b) a abertura dos portos às nações amigas de Portugal e a assinatura do Tratado de Comércio e Navegação, que estabeleceu tarifas preferenciais produtos ingleses. c) a transformação da colônia em Reino Unido a Portugal e Algarves, e a proibição do tráfico de escravos. d) a definição das fronteiras que hoje compõem o mapa político atual do Brasil e o estreitamento de laços econômicos com a Inglaterra. e) a concretização da União Ibérica, por meio da atuação política de Carlota Joaquina, e a distribuição de títulos nobiliárquicos como estratégia de troca de favores. RESOLUÇÃO: A alternativa faz referência a duas medidas diferentes tomadas por D. João: a Abertura dos Portos brasileiros às Nações Amigas (1808), que permitia à Inglaterra comercializar seus produtos diretamente no mercado brasileiro, e o Tratado de Comércio e Navegação (parte dos Tratados de 1810), que estabelecia uma tarifa preferencial de 15% para as mercadorias inglesas e de 24% para produtos dos demais países que entrassem no Brasil. Resposta: B REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 5 6 – 5. (MACKENZIE) – “(...). Conquistar a emancipação definitiva e real da nação, ampliar o significado dos princípios constitucio nais foi tarefa delegada aos pósteres”. (Emília Viotti da Costa. Da monarquia à república: momentos decisivos. São Paulo; Livraria Editora Ciências Humanas, 1979. p. 50.) A análise acima, da historiadora Emília Viotti da Costa, refere-se à proclamação da independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822. A análise da autora, a respeito do fato histórico, aponta que a) apesar dos integrantes da elite nacional terem alcan çado seu objetivo: o de romper com os estatutos do plano colonial, no que diz respeito às restrições à liberdade de comércio, e à conquista da autonomia administrativa, a estrutura social do país, porém, não foi alterada. b) a independência do Brasil foi um fato isolado, no contexto americano de luta pela emancipação das metrópoles. Isso se deu porque era a única colônia de língua portuguesa e porque adotava, como regime de trabalho, a escravidão africana. c) caberia, às futuras gerações de brasileiros, o esforço no sentido de impor seus valores para Portugal, rompendo, definitivamente, os impasses econômicos impostos à Colônia pela metrópole portuguesa desde o início da colonização. d) apesar de alguns setores da elite nacional possuírem interesses semelhantes à burguesia mercantil lusitana e, portanto, afastando- se do processo emancipatório na cional, com a iminente vinda de tropas portuguesas para o país, passaram a apoiar a ideia de independência. e) assim como Portugal passava por um processo de reestruturação, após a Revolução Liberal do Porto, no Brasil, essemovimento emancipatório apenas havia começado e só fora concluído, com a subida antecipada ao trono de D. Pedro II, em 1840. RESOLUÇÃO: Há uma contradição entre o trecho transcrito (“Con quistar a emancipação definitiva da nação [...] foi tarefa delegada aos pósteres.”) e a alternativa escolhi da por eliminação (“apesar dos integrantes da elite nacional terem alcançado seu objetivo: o de romper com os estatutos do plano colonial...”), pois o primeiro projeta a concretização da Independência do Brasil para o futuro, enquanto a segunda fixa esse objetivo político como tendo sido alcançado já em 1822. De qualquer forma, é inegável que a eman cipação do País não alterou a ordem socioeconô mica herdada do Período Colonial. Resposta: A 6. (UNESP) – “Todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, entre os quais figuram a vida, a liberdade e a busca da felicidade. Para assegurar esses direitos, entre os homens se instituem governos, que derivam seus justos poderes do consentimento dos governados. Sempre que uma forma de governo se dispõe a destruir essas finalidades, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la, e instituir um novo governo, assentando seu fundamento sobre tais princípios e organizando seus poderes de tal forma que a ele pareça ter maior probabilidade de alcançar-lhe a segurança e a felicidade.” (Declaração de Independência dos Estados Unidos (1776). In: Harold Syrett (org.). Documentos históricos dos Estados Unidos, 1988.) O documento expõe o vínculo da luta pela independência das treze colônias com os princípios a) liberais, que defendem a necessidade de impor regras rígidas de protecionismo fiscal. b) mercantilistas, que determinam os interesses de expansão do comércio externo. c) iluministas, que enfatizam os direitos de cidadania e de rebelião contra governos tirânicos. d) luteranos, que obrigam as mulheres e os homens a lutar pela própria salvação. e) católicos, que justificam a ação humana apenas em função da vontade e do direito divinos. RESOLUÇÃO: A Declaração de Independência dos Estados Unidos foi o primeiro documento oficial a corporificar as teorias iluministas correntes na época, entre as quais se destacavam a defesa da liberdade, da igualdade civil e do direito de rebelião contra governos opressores. Resposta: C H IS T Ó R IA A D 3 . aS REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 6 – 7 H IS T Ó R IA A D 3 .a S 7. (MACKENZIE) – “Em agosto de 1791, passados dois anos da Revolução Francesa e dos seus reflexos em São Domingos, os escravos se revoltaram. Em uma luta que se estendeu por doze anos, eles derrotaram, por sua vez, os brancos locais e os soldados da monarquia francesa. Debelaram também uma invasão espanhola, uma expedição britânica com algo em torno de sessenta mil homens e uma expedição francesa de semelhantes dimensões comandada pelo cunhado de Bonaparte. A derrota da expedição de Bonaparte, em 1803, resultou no estabelecimento do Estado negro do Haiti, que permanece até os dias de hoje”. (C. L. R. James. Os jacobinos negros: Toussaint L’Ouverture e a revolução de São Domingos. São Paulo: Bomtempo, 2000, p. 15.) Acerca da independência do Haiti e de seus reflexos em outras regiões da América, assinale a alternativa correta. a) O movimento foi realizado sob a égide dos ideais liberais e nacionalistas, defendidos, por sua vez, pelo Iluminismo francês. Seu sucesso foi determinante para a realização de importantes transformações estruturais nas sociedades das novas nações latino- americanas. b) Trata-se de uma articulação escrava que, sob influência direta dos interesses geopolíticos estadunidenses e dos ideais iluministas, colocou em xeque o controle francês sobre a ilha. Seu sucesso incentivou o surgimento do movimento zapatista, em 1994. c) Resultado de insatisfações sociais e políticas da população escrava, demonstrou a força popular no contexto do surgimento dos Estados nacionais na América Latina. Seu sucesso influenciou Simon Bolívar e San Martín a iniciarem as lutas pelas independências na América do Sul. d) Apesar de seu sucesso, o movimento resultou na ascensão de governantes corruptos que, longe de resolverem as desigualdades sociais, contribuíram para a consolidação de grupos oligárquicos no poder. Esses aspectos determinaram o surgimento do caudilhismo no contexto da América Latina independente. e) Foi a única revolta escrava bem-sucedida da História americana e as dificuldades que tiveram que superar coloca em evidência a magnitude dos interesses envolvidos. No Brasil, sua influência pôde ser sentida na articulação que levaria à Revolta dos Malês, em 1835. RESOLUÇÃO: A rebelião dos escravos da colônia francesa de Saint-Domingue (futuro Haiti) foi efetivamente a única revolta dessa camada social na América Latina que obteve sucesso e, apesar das dificuldades, resultou na formação de um Estado negro que se mantém independente desde 1804*. A “magnitude dos interesses envolvidos”, mencionada na alternativa, refere- se menos à importância intrínseca da colônia em questão, enfatizando em seu lugar o grande significado da instituição escravista para as colônias de exploração localizadas no Novo Mundo. No Brasil, a insurreição haitiana gerou inquietação entre os senhores de escravos, mas somente se traduziu na Revolta dos Malês, reprimida na Bahia em 1835. *A independência oficial do Haiti foi proclamada em primeiro de janeiro de 1804 por Jean-Jacques Dessalines, que se autoproclamou imperador do país. Resposta: E 8. (VUNESP) – “Era o fim. O general Simón José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar y Palacios ia embora para sempre. Tinha arrebatado ao domínio espanhol um império cinco vezes mais vasto que as Europas, tinha comandado vinte anos de guerras para mantê-lo livre e unido, e o tinha governado com pulso firme até a semana anterior, mas na hora da partida não levava sequer o consolo de acreditarem nele. O único que teve bastante lucidez para saber que na realidade ia embora, e para onde ia, foi o diplomata inglês, que escreveu num relatório oficial a seu governo: ‘O tempo que lhe resta mal dá para chegar ao túmulo’. ” (Gabriel García Marquez. O general em seu labirinto, 1989.) O perfil de Simón Bolívar, apresentado no texto, acentua alguns de seus principais feitos, mas deve ser relativizado, uma vez que Bolívar a) foi um importante líder político, mas jamais desempenhou atividades militares no processo de independência da América Hispânica. b) obteve sucesso na luta contra a presença britânica e norte-americana na América Hispânica, mas jamais conseguiu derrotar os colonizadores espanhóis. c) defendeu a total unidade das Américas, mas jamais obteve sucesso como comandante militar nas lutas de independência das antigas colônias espanholas. d) teve papel político e militar decisivo na luta de independência da América Hispânica, mas jamais governou a totalidade das antigas colônias espanholas. e) atuou no processo de emancipação da América Hispânica, mas jamais exerceu qualquer cargo político nos novos Estados nacionais. RESOLUÇÃO: Embora Bolívar seja o responsável, direto ou indireto, pela libertação de cinco Estados sul-americanos (Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Alto Peru/Bolívia), jamais administrou diretamente esse vasto conjunto territorial, menos ainda “a totalidade das antigas colônias espanholas”. Apesar de suas intenções unionistas, não conseguiu viabilizá-las devido às diversidades regionais e às ambições de seus lugar-tenentes. Bolívar foi presidente da Venezuela, da Grã-Colômbia (Venezuela e Colômbia), do Peru e do Alto Peru, embora nos dois últimos casos seu título fosse praticamente honorífico. Resposta: D REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 7 8 – H IS T Ó R IA A D 3 . aS 1. “Art. 90. As nomeações dos deputados e senadores para a Assembleia Geral, e dos membros dos Conselhos Gerais das províncias,serão feitas por eleições, elegendo a massa dos cidadãos ativos em assembleias paroquiais, os eleitores de província, e estes, os representantes da nação e província. Art. 92. São excluídos de votar nas assembleias paroquiais: I. Os menores de vinte e cinco anos, nos quais se não compreendem os casados, os oficiais militares, que forem maiores de vinte e um anos, os bacharéis formados e os clérigos de ordens sacras. II. Os filhos de famílias, que estiverem na companhia de seus pais, salvo se servirem a ofícios públicos. III. Os criados de servir, em cuja classe não entram os guarda-livros, e primeiros caixeiros das casas de comércio, os criados da Casa Imperial, que não forem de galão branco, e os administradores das fazendas rurais e fábricas. IV. Os religiosos e quaisquer que vivam em comunidade claustral. V. Os que não tiverem de renda líquida anual cem mil réis por bens de raiz, indústria, comércio, ou emprego.” (BRASIL. Constituição de 1824. Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 4 abr. 2015. Adaptado.) De acordo com os artigos do dispositivo legal apre sentado, o sistema eleitoral instituído no início do Império é marcado pelo(a) a) representação popular e sigilo individual. b) voto indireto e perfil censitário. c) liberdade pública e abertura política. d) ética partidária e supervisão estatal. e) caráter liberal e sistema parlamentar. RESOLUÇÃO: A Constituição outorgada de 1824 dividiu os votantes brasileiros em “eleitores de paróquia” e “eleitores de província”, cabendo aos primeiros eleger os segundos, que por sua vez escolheriam os deputados provinciais. Essa característica fazia com que as eleições para a Câmara dos Deputados do Império fossem realizadas em dois graus, ou seja, de maneira indireta. Ademais, exigiam-se níveis de renda diferenciados para que o cidadão se tornasse eleitor de paróquia ou pudesse se candidatar a eleitor de província, deputado provincial ou senador, – o que configura um sistema eleitoral censitário. Resposta: B 2. (FGV) – Examine o mapa Com base no mapa, é correto afirmar: a) A separação da província de Cisplatina, que posteriormente se tornaria o Uruguai, ocorreu devido à lealdade de suas lideranças políticas à monarquia portuguesa. b) Os conflitos registrados no Grão-Pará, Maranhão, Piauí e Bahia tinham caráter republicano e revelavam o descontentamento com o arranjo politico que estabeleceu a monarquia no Brasil. c) A província de Pernambuco perdeu parte de seu território, corres - pondente à margem esquerda do Rio São Francisco, como represália do poder central, logo após o final da Confederação do Equador. d) O mapa reforça a perspectiva de que o processo de emancipação política no Brasil foi completamente pacífico e resumiu-se às articulações em São Paulo e Rio de Janeiro. e) A Confederação do Equador tinha como objetivo estabelecer uma monarquia constitucional no Nordeste, tendo como base a província de Pernambuco. RESOLUÇÃO: Tendo a Confederação do Equador sido um movimento separatista republicano que teve como epicentro a província de Pernambuco, o governo de D. Pedro I, depois de derrotar a rebelião, reduziu as dimensões do território pernambucano, em um ato de represália à sedição: a porção mencionada na alternativa foi retirada da jurisdição de Pernambuco e incorporada à província da Bahia. Resposta: C 33 Primeiro Reinado e Regências REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 8 – 9 H IS T Ó R IA A D 3 .a S 3. “Uns viam na abdicação uma verdadeira revolução, sonhando com um governo de conteúdo republicano; outros exigiam o respeito à Constituição, esperando alcançar, assim, a consolidação da Monarquia. Para alguns, somente uma Monarquia centralizada seria capaz de preservar a integridade territorial do Brasil; outros permaneciam ardorosos defensores de uma organização federativa, à semelhança da jovem República norte-americana. Havia aqueles que imaginavam que somente um Poder Executivo forte seria capaz de garantir e preservar a ordem vigente; assim como havia os que eram favoráveis à atribuição de amplas prerrogativas à Câmara dos Deputados, por entenderem que somente ali estariam representados os interesses das diversas províncias e regiões do Império.” (I. R. Mattos; M. A. Gonçalves. O Império da boa sociedade: a consolidação do Estado imperial brasileiro. São Paulo: Atual, 1991. Adaptado.) O cenário descrito revela a seguinte característica política do período regencial: a) Instalação do regime parlamentar. b) Realização de consultas populares. c) Indefinição das bases institucionais. d) Limitação das instâncias legislativas. e) Radicalização das disputas eleitorais. RESOLUÇÃO: O texto deixa claro que, durante o Período Regencial, diferentes grupos políticos e sociais possuíam diversos projetos para o Brasil, que variavam de republicanismo à monarquia, de governo centralizado a uma federação no estilo dos Estados Unidos, e de um executivo forte a um governo no qual o legislativo fosse predominante. Resposta: C 4. (FATEC) – Leia o texto. “Em abril de 1831, Dom Pedro I abdicou ao trono do Brasil em favor de seu filho, Dom Pedro de Alcântara, que tinha, então, cinco anos de idade. Uma regência foi criada para governar até que Dom Pedro II, como ficaria conhecido, atingisse a maioridade e pudesse ser coroado.” Durante o Período Regencial, a política brasileira foi marcada a) pela intensificação da política expansionista do regente Feijó, que acentuou os conflitos internacionais no Cone Sul (Guerras da Cispla tina e do Paraguai), e pelo aumento progressivo da dívida externa brasileira. b) pela fragmentação do Império, marcada pela perda de territórios fronteiriços (Província Cisplatina, Amazônia Colombiana) nos comba tes com as tropas de Simón Bolívar e José de San Martín. c) pelo pacto federativo, conduzido pelo jovem imperador, que favoreceu as demandas dos regionalistas, concedendo autonomia administrativa às províncias. d) pela promulgação da primeira Constituição do Império, que sofreu forte resistência das elites regionais por seu caráter centralizador, pela criação do poder Moderador e pela extensão do direito de voto aos analfabetos. e) pela criação das Assembleias Legislativas Provinciais e pela eclosão de rebeliões em diversas províncias, sendo algumas de caráter popular (como a Cabanagem) e outras comandadas pelas elites regionais (caso da Guerra dos Farrapos). RESOLUÇÃO: Alternativa aborda dois aspectos relevantes do Período Regencial (1831- 40). Um, de caráter político-institucional, foi a promulgação do Ato Adicional de 1834 que, além de criar as Assembleias Legislativas Provinciais, implantou a Regência Una eleita por voto direto, criou o Município Neutro do Rio de Janeiro e extinguiu o Conselho de Estado. Outro, de caráter político-social, foram as numerosas rebeliões do período, motivadas por aspirações federalistas ou expressando reivindicações de grupos sociais aristocráticos ou populares, conforme o caso. Resposta: E 5. (FGV) – Sobre as revoltas no Brasil na primeira metade do século XIX, é correto afirmar: a) A Balaiada (1838-1840) manteve-se, até o final, dirigida pelas elites maranhenses. b) A Cabanagem (1835-1840) e a Sabinada (1837-1838) foram revoltas restauradoras. c) A Revolta dos Malês (1835), em Salvador, é um exemplo de revolta popular. d) A Revolta dos Cabanos (1832-1835) foi uma revolta iniciada por populares e depois dirigida por restauradores. e) Todas as revoltas tinham como motivação a revogação da Lei de Terras e o livre acesso à propriedade fundiária. RESOLUÇÃO: A Revolta dos Malês, que congregou escravos islamizados originários do Golfo da Guiné e de etnia sudanesa, tentou reproduzir em Salvador o exemplo do Haiti, cujos escravos criaram um Estado negro independente. Resposta: C 6. (FUVEST) – Farroupilha no Rio Grande do Sul, Sabinada na Bahia e Balaiada no Maranhão foram algumas daslutas que ocor re - ram no Brasil em um período caracterizado a) pela concentração dos poderes na pessoa do imperador, o que inviabilizou a formação de partidos políticos e a realização de transformações na estru tu ra agrária. b) pelo estabelecimento de uma estrutura monárquica descen tra li za da, na qual as províncias teriam até o direito de en ca minhar uma solução para a questão ser vil. REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 9 10 – c) por mudanças na organização partidária, com vistas a fortalecer o fe de ra lismo, e por transformações na estrutura fundiária de base es - cra vista. d) por uma fase de transição política e econômica, cujos resultados seriam, respectivamente, a im plantação da República e o início do processo de industrialização. e) pela redefinição do poder imperial e pela formação dos parti dos políticos, sem que se alterassem as estruturas sociais e econômi cas estabelecidas. RESOLUÇÃO: O Período Regencial assistiu ao embate entre as tendências centralista e federalista, com a primeira fazendo algumas concessões à segunda por meio do Ato Adicional de 1834. O surgimento dos Partidos Liberal e Con - servador (originalmente Progressista e Regressista), nessa mesma época, estreitou as relações entre o imperador e a elite agrária, pro por cio nando a estabilidade política que caracterizaria o Segundo Reinado até 1870. Resposta: E 7. (FGV) – “Documentos descobertos na Inglaterra relatam que, treze anos depois de proclamada a Independência, o governo brasi leiro pediu apoio militar às grandes po tên cias da época – Inglaterra e França – para reprimir a Cabanagem no Pará. Em 1835, o regente Diogo Antônio Feijó reuniu-se secretamente com os embaixadores daqueles países, pedindo a cada um deles o envio de 300 a 400 homens, para ajudar o governo central brasileiro a acabar com a rebelião.” (Luís Indriunas, Folha de S. Paulo, 13/10/1999. Adaptado.) A partir das informações apresentadas, é correto afirmar que o Período Regencial a) foi marcado pela disputa política entre regres sistas e progressistas, que defendiam respecti vamente a escravidão e a imediata abolição da escravatura. b) pode ser considerado parte de um momento especial de construção do Estado Nacional Brasileiro, durante o qual a unidade territorial do País esteve em perigo. c) não evidenciou grande preocupação, pelas autoridades regenciais ou pela aristocracia rural, com as inúmeras rebeliões que convulsionavam o País. d) teve como característica marcante a ampliação da participação popular, graças à instituição do voto universal e à criação do Conselho de Estado. e) teve como momento mais importante a apro vação do Ato Adicional de 1834, que estabe leceu medidas voltadas para a centralização das instituições do Império. RESOLUÇÃO: A alternativa reflete uma concepção clássica sobre o Período Regencial (1831-1840), considerado como uma fase de consolidação do Estado Brasileiro, devido aos seguintes fatores: manutenção da unidade nacional contra os movimentos secessionistas; preservação da ordem monárquico- aristocrático-latifundiário-escravista contra as insurreições populares; e superação das cisões dentro da aristocracia rural, o que resultaria na estabilidade político-institucional do Segundo Reinado. Resposta: B 8. (UNICAMP) – “O escritor José de Alencar relata como ocorriam as reu niões do Clube da Maioridade, realizadas na casa de seu pai em 1840. Discutia-se nessas ocasiões a antecipação da maioridade do imperador D. Pedro II, então com apenas 14 anos, para que ele pudesse assumir o trono antes do tempo determinado pela Constituição. No fim da vida, José de Alencar rememora os episódios de sua infância e chega a uma surpreendente conclusão: os políticos que frequentavam sua casa na ocasião iam lá não porque estavam pensando no futuro do país, mas apenas para devorar tabletes e bombons de chocolate. Conforme o relato do escritor, os membros do Clube da Maioridade, discutindo altos assuntos na sala de sua casa, pareciam realmente gente séria e preocupada com os destinos do Brasil, até que chegava a hora do chocolate. Para Alencar, a discussão política no Brasil se resumia a um ‘devorar de chocolate’, isto é, cada um defendia apenas seus interesses particulares e nada mais.” (Daniel Pinha Silva, “O império do chocolate”, em http://www.revistadehistoria.com.br/secao/leituras/o-imperio-do-chocolate. Acesso em: 01 ago. 2016. Adaptado.) Sobre o Golpe da Maioridade e a visão de José de Alencar a esse respeito, é correto afirmar que: a) O golpe foi uma manobra das elites políticas, que cria ram uma forma de alterar a Constituição e contemplar os seus interesses durante o período regencial, fato criticado por Alencar ao fazer uma anedota com o chocolate. b) Ao entregar o poder a um jovem de 14 anos, alegando ser maior de 18, os políticos do Império manifestavam uma ousada visão política para evitar a influência da Inglaterra nos assuntos brasileiros, preservando seus interesses como donos de escravos. c) O golpe foi uma resposta dos conservadores às propostas liberais que pretendiam estabelecer a República no país, e Alencar apontou uma prática política dos parlamentares que é recorrente na história do país. d) José de Alencar expressou sua decepção com os polí ticos e, ao registrar sua visão sobre o Clube da Maiori dade, o escritor contribuiu para inibir procedimentos semelhantes durante o Império, assegurando uma transição pacífica e legal para a República, em 1889. RESOLUÇÃO: O Golpe da Maioridade, ainda que engendrado pelos liberais, não sofreu oposição dos conservadores, visto que foi entendido como uma solução para a crise regencial, na qual as rebeliões provinciais – populares ou não – representavam um risco para a integridade do Império e para a preservação da ordem monár quico-aristocrático-latifundiário-escravista, cuja ma nu - tenção interessava tanto aos políticos liberais como aos conservadores. Resposta: A H IS T Ó R IA A D 3 . aS REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 10 – 11 H IS T Ó R IA A D 3 .a S 1. (UFMG) – Acerca do Segundo Reinado, é correto afirmar que a) a alternância dos dois principais partidos no comando do Estado expressava o poder e a vontade política do Imperador. b) a supressão do Conselho de Estado foi compensada com a criação do cargo de presidente do Conselho de Ministros. c) a eliminação do Poder Moderador, necessária para a implementação do “parlamentarismo às avessas”, estabilizou o regime. d) o fortalecimento das elites locais nas províncias permitiu que fossem aprovadas leis de caráter descentralizador. e) as correntes federalistas, que haviam sido reprimidas no Período Regencial, finalmente chegaram ao poder. RESOLUÇÃO: O exercício privativo do Poder Moderador fazia de Dom Pedro II o árbitro supremo da política brasileira. Para evitar que liberais ou conservadores se tornassem hegemônicos, o imperador alternava-os no governo, por meio do “parlamentarismo às avessas”. Resposta: A 2. (FATEC) – Promulgada em 1850, a chamada Lei de Terras determinou as normas sobre a posse, manutenção, uso e comercialização das terras no período do Segundo Reinado, modificando as relações fundiárias no Brasil. A partir desta data, ficou estabelecido que as terras a) seriam tomadas pelo Estado e transformadas em coope ra tivas, visando aumentar a produtividade e combater o problema da fome nas cidades. b) seriam demarcadas e entregues a membros da aris to cra cia imperial, em um regime de administração que ficou conhecido como Capitanias Hereditárias. c) passariam a ser adquiridas por meio de compra e venda ou por doação do Estado, com registro em cartório, ficando proibida a obtenção de terras por meio de ocupação. d) seriam divididas em pequenos lotes e distribuídas a escravos alforriados e imigrantes europeus, em um sistema que ficou conhecido como colonato. e) pertenciam ao Estado e seriam geridas por funcionáriospúblicos concursados, por meio do Instituto de Colo ni zação e Reforma Agrária (Incra). RESOLUÇÃO: A Lei n.º 601, de 18 de setembro de 1850, mais conhecida como “Lei de Terras”, homologou todas as formas de posse e propriedade fundiárias existentes até então, além de determinar que a compra seria a única forma de aquisição permitida a partir da promulgação da referida lei. A possibilidade de doação pelo Estado foi estabelecida em relação às áreas de fronteira. Resposta: C 3. (UNESP) – “O Rio de Janeiro dos primeiros anos da República era a maior cidade do país, com mais de 500 mil habitantes. Capital política e administrativa, estava em condições de ser também, pelo menos em tese, o melhor terreno para o desenvolvimento da cidadania. Desde a independência e, particularmente, desde o início do Segundo Reinado, quando se deu a consolidação do governo central e da economia cafeeira na província adjacente, a cidade passou a ser o centro da vida política nacional. O comportamento político de sua população tinha reflexos imediatos no resto do país. A Proclamação da República é a melhor demonstração dessa afirmação.” (José Murilo de Carvalho. Os bestializados, 1987.) O texto afirma que a consolidação do Rio de Janeiro como “o centro da vida política nacional” ocorreu com a) a reunião dos órgãos administrativos na capital e o fechamento das assembleias provinciais. b) a proclamação da independência política e a implantação do regime republicano no país. c) a concentração do poder nas mãos do imperador e a ascensão econômica de São Paulo. d) o declínio da economia açucareira nordestina e o início da exploração do ouro nas Minas Gerais. e) o crescimento populacional da capital e a democra tização política no Segundo Reinado. RESOLUÇÃO: Superada a difícil conjuntura do Período Regencial, a consolidação do Império Brasileiro, ocorrida na primeira década do Segundo Reinado, fez do Rio de Janeiro a capital efetiva do Império, graças sobretudo ao caráter centralizador da estrutura do Estado. A essa preeminência política, deve- se acrescentar a pros peridade econômica da vizinha (e não propriamente “adjacente”) província de São Paulo, em função do boom da cafeicultura. Resposta: C 44 Segundo Reinado REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 11 12 – H IS T Ó R IA A D 3 . aS 4. (FGV) – “Terra do sonho é distante/e seu nome é Brasil/ plantarei a minha vida/ debaixo de céu anil/ Minha Itália, Alemanha/ Minha Espanha, Portugal/ talvez nunca mais eu veja/ minha terra natal.” (Milton Nascimento. Sonho imigrante.) Acerca do processo de imigração para o Brasil, registrado no século XIX, é correto afirmar: a) O Brasil tornou-se o destino preferencial dos imigrantes europeus graças à possibilidade de se constituírem pequenos proprietários rurais devido à promulgação da Lei de Terras em 1850. b) Desde a proclamação da independência do Brasil, a imigração europeia foi estimulada pelo governo central como uma maneira de atender às pressões inglesas pelo fim da escravidão no país. c) O fluxo imigratório só deslanchou no Brasil após as alterações nas leis trabalhistas que garantiram condições de trabalho análogas àquelas oferecidas no continente europeu. d) A partir da década de 1870, com as iniciativas do governo de São Paulo, intensificou-se o fluxo imigratório de europeus para a província paulista destinados, sobretudo, à produção cafeeira. e) A modernização das atividades agrícolas brasileiras iniciou-se a partir do declínio da produção canavieira e com o desenvolvimento do complexo cafeeiro na região do Recôncavo Baiano e do Sul da Bahia. RESOLUÇÃO: A necessidade de mão de obra imigrante para a lavoura cafeeira do Oeste Paulista, motivada tanto pela expansão dos cafezais como pelo declínio da escravidão, tornou-se mais premente a partir de 1870. Para estimular a vinda de trabalhadores europeus, o governo provincial uniu esforços com os fazendeiros interessados, e também com as autoridades italianas que controlavam o processo emigratório de seus cidadãos. Como exemplos dessa ação conjunta, podemos citar a construção da Hospedaria do Imigrante, no Brás (uma iniciativa do governo da província de São Paulo) e a criação da Sociedade Promotora da Imigração, conveniada com as autoridades do Império, ambas em 1886. Resposta: D 5. (UNESP) – “Art. 3.º – O governo paraguaio se reconhece obrigado à celebração do Tratado da Tríplice Aliança de 1º de maio de 1865, entendendo-se estabelecido desde já que a navegação do Alto Paraná e do Rio Paraguai nas águas territoriais da república deste nome fica franqueada aos navios de guerra e mercantes das nações aliadas, livres de todo e qualquer ônus, e sem que se possa impedir ou estorvar- se de nenhum modo a liberdade dessa navegação comum.” (Acordo Preliminar de Paz Celebrado entre Brasil, Argentina e Uruguai com o Paraguai (20 junho 1870). In: Paulo Bonavídes e Roberto Amaral (org.). Textos políticos da história do Brasil, 2002. Adaptado.) O tratado de paz imposto pelos países vencedores da guerra contra o Paraguai deixa transparente um dos motivos da participação do Estado brasileiro no conflito: a) o domínio de jazidas de ouro e prata descobertas nas províncias centrais. b) o esforço em manter os acordos comerciais celebrados pelas metrópoles ibéricas. c) a garantia de livre trânsito nas vias de acesso à províncias do interior do país. d) o projeto governamental de proteger a nação com fronteiras naturais. e) o monopólio governamental do transporte de mercadorias a longa distância. RESOLUÇÃO: Considerando a dificuldade de comunicações terrestres entre o Rio de Janeiro e as províncias do Centro-Oeste no século XIX, os contatos entre esses dois pontos do território brasileiro eram realizados por via marítimo- fluvial. Nessa rota, os rios Paraná e Paraguai tinham enorme importância, ainda que parte deles fluísse por territórios sob jurisdição argentina ou paraguaia. Esse quadro evidenciava claramente o contraste entre as posições do Império Brasileiro e da República do Paraguai: o primeiro, defendendo a livre-navegação daqueles rios; a segunda, pretendendo dominar a bacia do Paraná-Paraguai em busca de uma saída para o mar. Resposta: C 6. (MACKENZIE) – “Na década de 1870, as relações entre o Estado e a Igreja se tornaram tensas. A união entre trono e altar, prevista na Constituição de 1824, representava, em si mesma, fonte potencial de conflito.” (Boris Fausto) Identifique a causa fundamental do conflito mencionado pelo texto acima. a) O Estado Imperial Brasileiro reconhecia a religião católica como oficial, mas não interferia nas questões eclesiásticas. b) Na década de 1870, o clero passou a exigir maior autonomia ao Estado, reivindicando a supressão do beneplácito. c) Em decorrência do beneplácito, a proibição do papa ao ingresso de maçons nas irmandades desencadeou um atrito entre Estado e Igreja. d) Pelo fato de a Maçonaria não ter nenhuma expressão na política interna do Império, a proibição papal não provocou repercussões. e) O Estado laico foi implantado logo após o conflito com a Igreja, para contornar a oposição do clero ao imperador. RESOLUÇÃO: A Questão Religiosa (1872-74) foi a primeira crise entre o Estado Imperial Brasileiro e a Igreja. Sua origem foi a negação do beneplácito (autorização) ao cumprimento, no Brasil, da proibição de que maçons frequentassem as irmandades (ou confrarias). Quando os dois bispos que haviam obedecido REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 12 – 13 H IS T Ó R IA A D 3 .a S à determinação papal foram condenados à prisão, o episcopado brasileiro solidarizou-se com eles, abrindo uma crise com o governo imperial. Resposta: C 7. (UNICENTRO) – “Apareceu a 1.º do corrente [janeiro de 1888] em Piracicaba o primeiro número de uma folha trisemanal intitula da O Lavrador Paulista, e consagrada aos (...) interesses negreiros das fazendas” [interesses dos grandes proprietáriosde escravos] (Diário Popular (jornal de São Paulo), 03/01/1888.) “O órgão escravocrata que sob este título [O Lavrador Paulista] apareceu em Piracicaba, deu três números e morreu. O povo não esteve para sustentar folhas de semelhante jaez” [espécie/qualidade/laia] (Diário Popular (jornal de São Paulo), 10/01/1888.) Considerando o contexto histórico em que as notícias acima foram divulgadas, assinale a alternativa que apresente uma explicação satisfatória para a falta de apoio popular ao O Lavrador Paulista. a) No momento em que o jornal foi publicado, a população não tinha aderido ao abolicionismo, portanto a principal causa de sua extinção foi o desinteresse popular pelos destinos reservados aos negros após a Lei Áurea, assinada naquele contexto. b) Era consenso, naquele momento, que a abolição fosse uma questão de tempo, por isso a população não deu atenção ao jornal que defendia os interesses escravistas da burguesia cafeeira do Oeste paulista e sua indenização, caso a Lei Áurea fosse assinada. c) O interesse escravista, predominante naquele momento, tentou influenciar as populações rurais de São Paulo a não aderirem ao abolicionismo, daí a necessidade de fundação de um jornal naquele sentido, apesar de sua extinção alguns dias depois. d) O abolicionismo, predominante na sociedade brasileira da época, contava com a adesão de diversos sujeitos sociais – camadas médias urbanas, intelectuais, políticos, jornalistas dentre outros – assim como a ação efetiva dos negros na luta pelo fim da escravidão. e) É preciso levar em consideração, na análise, a situação financeira do município citado – Piracicaba – uma vez que, afastado dos grandes centros produtores de café, não foi possível aos seus cidadãos o financiamento do jornal citado. RESOLUÇÃO: A alternativa faz um apanhado dos grupos envolvidos na campanha abolicionista que, naquele mesmo ano de 1888, culminaria com a assinatura da Lei Áurea. Convém acrescentar que Piracicaba era uma importante cidade do Oeste Paulista, ainda que do chamado “Oeste Velho” (já destacado produtor agrícola no final do século XVIII); e, por esta razão, não contava com tantos defensores do escravismo como existiam no Vale do Paraíba. Resposta: D 8. (MACKENZIE) – “O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava. Muitos acreditavam sincera - mente estar vendo uma parada.” (Aristides Lobo) O texto refere-se à Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889. Dele podemos depreender que a) o movimento contou com sólido apoio popular, envolveu choques armados e enfrentou forte resistência dos monarquistas. b) a vitória do movimento resultou da união entre parte do Exército, fazendeiros do Oeste Paulista e classes médias urbanas. c) a Guerra do Paraguai não influenciou o crescimento das ideias republicanas e positivistas, fundamentais para o advento da República. d) o “Terceiro Reinado” era visto de forma positiva pela população, sobre a qual a princesa Isabel exercia expressiva liderança. e) as críticas à centralização monárquica e o surgimento de novos segmentos sociais pouco influenciaram o movimento republicano. RESOLUÇÃO: Alternativa escolhida por eliminação porque as classes médias não participaram da Proclamação da República. Prova disso é o célebre comentário de Silva Jardim (principal líder dos republicanos da classe média) ao assistir à movimentação militar de 15 de novembro: “Acho que está acontecendo alguma coisa...” Resposta: B REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 13 14 – H IS T Ó R IA A D 3 . aS 1. (UNICAMP) – Compare as duas ilustrações de Ângelo Agostini (1843-1910) sobre o reconhecimento da República brasileira pela Argentina (fig.1) e pela França (fig.2). fig.1 (Ângelo Agostini, Reconhecimento da República brasileira pela Argentina, em Revista Ilustrada, dez.1889.) fig.2 (Ângelo Agostini, Reconhecimento da República brasileira pela França, em Revista Ilustrada, dez.1889.) Assinale a alternativa correta. a) As alegorias expressam visões diferentes sobre o imaginário da República brasileira: na primeira ela é representada com um olhar de proximidade e, na segunda, o olhar expressa admiração, remetendo à visão corrente do gravurista sobre as relações entre Brasil, França e Argentina. b) O reconhecimento da França traz a confraternização entre dois países com tradições políticas muito diferentes, porém unidos pelo constitucionalismo monárquico e, posteriormente, pelo ideário republicano. c) No reconhecimento da Argentina ao regime republicano brasileiro, as duas repúblicas ocupam a mesma posição, indicando ter a mesma idade de fundação do regime e a similaridade de suas histórias de passado colonial ibérico. d) As duas imagens usam a figura feminina para representar as três repúblicas, característica não usual para a representação artística do ideário republicano, protagonizado por lideranças masculinas. RESOLUÇÃO: As gravuras de Ângelo Agostini, um republicano convicto, expres sam a concepção já então consagrada da imagem da República: uma figura feminina com veste longa, braços desnudos e com a cabeça coberta pelo barrete frígio (símbolo da liberdade que a Revolução Francesa associou à ideia de república). A equivalência entre as figuras das Repúblicas Brasileira e Argentina expressa o ideal de fraternidade pan-americana. Já a maior dimensão da República Francesa em relação à nascente República Brasileira, que observa a primeira em atitude de admiração e respeito, deve ser entendida como uma referência à anterioridade da França na implantação do regime republicano, inspirando todos os movimentos congêneres subsequentes. Obs.: Nas ilustrações em questão, Ângelo Agostini revela – incons - cientemente ou não – a enorme influência política e cultural da França sobre a intelectualidade brasileira, influência essa responsável por “esquecer” os Estados Unidos como fundadores da primeira república do Ocidente a partir do século XVIII. Resposta: A 55 Primeira República REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 14 – 15 H IS T Ó R IA A D 3 .a S 2. (FAMERP) – Observe a charge de Storni, publicada na revista Careta em 19.02.1927. (Renato Lemos (org.). Uma história do Brasil através da caricatura: 1840-2006, 2006.) Divulgada durante a Primeira República brasileira, a charge faz referência a uma a) ação corrupta que permitia o desvio de verbas públicas. b) prática política que facilitava a continuidade do domínio oligárquico. c) proposição constitucional que determinava a obrigatoriedade do voto. d) experiência política que favorecia a soberania do voto popular. e) lei eleitoral que visava garantir a fidelidade do eleitor. RESOLUÇÃO: A questão faz referência a uma prática corrente ao longo da República das Oligarquias (1894-1930): o “voto de cabresto”, no qual o eleitor, sofrendo alguma forma de coerção ou sendo cooptado pelo clientelismo político, votava de acordo com a vontade do “coronel” a quem estivesse subordinado. Resposta: B 3. (MACKENZIE) – O isolamento local ou regional e a omissão ou violência do Estado provocaram, na República Velha, movimentos messiânicos que reagiram, dentre outros fatores, contra a crise econômica e a modernidade. Identifique-os nas alternativas abaixo. a) Revolução Farroupilha e Balaiada b) Intentona Comunista e Revolução de 1932 c) Revolta de Canudos e Contestado d) Revolta do Forte de Copacabana e Coluna Prestes e) Revolta da Chibata e Vacina RESOLUÇÃO: A Revolta de Canudos e do Contestado foram manifestações sociais decorrentes da concentração fundiária e da opressão política exercida por coronéis na República Velha. As duas revoltas tiveram conteúdo religioso representado pelo fanatismo das lideranças messiânicas de Antonio Conselheiro em Canudos e do monge José Maria no Contestado. Resposta: C 4. (UEL) – É preciso compreender que a vacinação é um objeto de difícil apreensão, constituindo-se, na realidade,em um fenômeno de grande complexidade onde se associam e se entrechocam crenças e concepções políticas, científicas e culturais as mais variadas. A vacinação é também, pelas implicações socioculturais e morais que envolve, a resultante de processos históricos nos quais são tecidas múltiplas interações e onde concorrem representações antagônicas sobre o direito coletivo e o direito individual, sobre as relações entre Estado, sociedade, indivíduos, empresas e países, sobre o direito à informação, sobre a ética e principalmente sobre a vida e a morte. (A. Porto; C. F. Ponte. Vacinas e campanhas: imagens de uma história a ser contada. História, Ciências, Saúde. Manguinhos, vol. 10, Suplemento 2, p. 725-742, 2003. Adaptado.) No Brasil, a vacina esteve no centro de um grande embate social no início do século XX, denominado “Revolta da Vacina”, ilustrado na charge ao lado. REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 15 16 – H IS T Ó R IA A D 3 . aS Sobre a Revolta da Vacina, é correto afirmar que foi a) um movimento cuja base social eram os trabalhadores imigrantes pobres não reconhecidos pelo Estado brasileiro como portadores de direitos sociais e, portanto, excluídos da campanha de vacinação em massa proposta por Oswaldo Cruz. b) uma mobilização popular que reivindicava ao governo Rodrigues Alves políticas de saúde pública, em particular o combate a doenças como febre amarela, peste bubônica e varíola. c) deflagrada em razão dos altos custos financeiros dos medicamentos e das vacinas contra a varíola e a febre amarela, então acessíveis apenas às camadas sociais médias urbanas e às elites rurais. d) uma reação das classes populares a um conjunto de medidas sanitárias, entre as quais uma reforma urbana (eliminação de cortiços, construção de ruas e avenidas largas), realizada com truculência por funcionários do governo federal. e) uma iniciativa dos intelectuais positivistas brasileiros para os quais aquelas medidas de saúde pública, voltadas às camadas pobres da população, deveriam ser obrigatórias. RESOLUÇÃO: A alternativa “d” é a correta, pois desde o início de 1904 havia proposta do governo federal, no Rio de Janeiro, de tornar a vacinação obrigatória, como forma de combater as diversas epidemias então existentes no Estado, tais como varíola, febre amarela, peste bubônica. Com a aprovação da Lei, em outubro de 1904, proliferaram as manifestações de caráter popular contra as medidas sanitárias do governo e seu caráter autoritário, que eram acompanhadas de uma reforma urbana conduzida por Pereira Passos. Resposta: D 5. (UNICAMP–Adaptado) – “O Rio civiliza-se! Eis a exclamação que irrompe de todos os peitos cariocas. Temos a Avenida Central, a Avenida Beira Mar (nossos Campos Elísios), estátuas em toda parte, cafés e confeitarias, um assassinato por dia, um escândalo por semana, cartomantes, médiuns, automóveis, autobus, autores dramáticos, grandmonde, demi-monde, enfim todos os apetrechos das grandes capitais.” (“O Chat Noir”, em Fon-Fon!. N.° 41, 1907. Extraído de www.objdigital.bn.br/acervo_digital/div_periodicos/fonfon/fonfon1907.) A partir do excerto, que se refere ao período da Belle Époque no Brasil, no início do século XX, é correto afirmar que a) o Rio de Janeiro procurava apagar aspectos da época do Império e impulsionar a cultura francesa, renegada por D. Pedro II. b) a cidade expressava as contradições de um processo de transfor - mações urbanas, sociais e políticas nas primeiras décadas da República. c) os costumes franceses eram elementos incorporados pela socie dade carioca como sinônimo da modernização republicana obtida pelo tenentismo. d) a modernização representou um processo de exclusão cultural patro ci nado pelo governo da França, que impunha os produtos franceses aos brasileiros. e) a capital federal, nas primeiras décadas do século XX, sofreu um processo de cosmopolitização que destruiu suas verdadeiras raízes culturais. RESOLUÇÃO: A questão aborda a persistência de conceitos ligados às transformações políticas criadas pelo regime republicano brasileiro, instaurado em 1889, ou seja, a ideia de que a República significaria o advento de uma época de progresso e de modernidade. Na impossibilidade de estender esse processo a todo o País, o esforço dos dirigentes republicanos concentrou-se na capital federal, que deveria espelhar-se nas metrópoles europeias. O projeto de embelezamento do Rio ganhou impulso com o “Quadriênio Progressista de Rodrigues Alves” (1902-06), que saneou e reurbanizou a cidade. Deve- se porém observar que esse progresso, responsável pela formação de uma sociedade elitista e afrancesada, apresentou uma contrapartida social excludente, manifestada desde a Revolta da Vacina, de 1904: a marginalização das camadas populares e seu deslocamento para áreas com menor visibilidade, como os morros e subúrbios. Resposta: B 6. (UEA) – O poder constituído da República Velha (1889-1930) foi combatido, na década de 1920, pelos jovens oficiais do Exército Brasileiro. No governo do presidente Artur Bernardes (1922-26), ocorreram revoltas militares que a) procuravam imitar os governos de extrema direita instalados no continente europeu, organizando partidos políticos nacionalistas e antidemocráticos. b) projetavam implantar no Brasil um Estado Nacional mais empenhado na defesa dos valores sociais cristãos do que no progresso econômico e político. c) foram influenciadas pelo movimento anarquista europeu e pelas transformações políticas, sociais e econômicas por que passava a União Soviética. d) tomaram o poder e estabeleceram um regime autoritário que endividou o Estado Brasileiro, mas também promoveu o desenvolvimento econômico. e) criticavam o monopólio do poder político pelas oligarquias estaduais e insurgiram-se contra elas em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Manaus. REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 16 – 17 H IS T Ó R IA A D 3 .a S RESOLUÇÃO: O quadriênio de Artur Bernardes foi marcado pelo clímax do tenentismo – movimento de jovens oficiais do Exército, imbuídos de um espírito reformista movido por um intenso nacionalismo e pelo ideal de salvação nacional. Resposta: E 7. (UNIVAG) – Observe um dos mais famosos quadros de Tarsila do Amaral. (www.ufgd.edu.br) É correto afirmar que o quadro representa o movimento modernista, pois a) destaca o papel das mulheres na construção de um Brasil socialista. b) enfatiza a globalização tecnológica, destacado pela vanguarda artística. c) expressa a realidade do Brasil urbano em ascensão. d) discute os problemas do Brasil rural em tensão com o Estado burguês. e) apresenta uma estética comprometida com os padrões românticos. RESOLUÇÃO: Na década de 1920, contra o elitismo e o europeísmo que marcavam a cultura brasileira, rebelou-se o movimento modernista brasileiro. Seu ponto alto foi a Semana de Arte Moderna (1922), realizada em São Paulo com o objetivo de criar uma cultura moderna, baseada em elementos genuinamente brasileiros. Os modernistas foram buscar inspiração nas imagens da indústria, da máquina, da metrópole, do burguês e do proletário, do homem da terra e do imigrante. Resposta: C 8. (MACKENZIE) – A Grande Depressão iniciada nos Estados Unidos, em 1929 , teve consequências de caráter mundial e modificou economias, adaptando-as às novas condições de exceção. Seus reflexos, no Brasil, foram diversos, englobando as esferas econômicas, sociais e políticas e, manifestou-se, entre outros aspectos a) pela tranquilidade com que a oligarquia cafeeira nacional enfrentou a quebra da Bolsa de Nova York, pois controlavam o governo da República e tinham mecanismos suficientes para defender o café perante a crise internacional. b) pelo rompimento do acordo “café-com-leite”, entre o PRP e o PRM, pois Minas Gerais enxergava a possibilidade de, perante a crise econômica, superar São Paulona liderança das exportações nacionais. c) pela queda na exportação de café para os Estados Unidos, nosso maior consumidor, o que acarretou prejuízos exclusivamente para os grandes cafeicultores nacionais. d) pelo enfraquecimento econômico da oligarquia cafeeira, o que contribuiu para desestruturar as bases políticas que sustentavam a Primeira República, permitindo a vitória do movimento de 1930. e) pela vitória do movimento tenentista, que agregando todas as aspirações da sociedade brasileira, apresentou-se como o único setor social capaz de superar a crise econômica e reerguer o país. RESOLUÇÃO: A Grande Depressão, no Brasil, atingiu duramente um setor da economia que já se encontrava em crise de superprodução: a cafeicultura. Em consequência, enfraqueceu politicamente a oligarquia paulista – principal controladora daquela atividade e que não teve forças para contra-arrestar a Revolução de 30. Esta última pôs fim à República Oligárquica e abriu ao País novas perspectivas políticas, econômicas e sociais propiciadas pela era Vargas. Resposta: D REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 17 18 – H IS T Ó R IA A D 3 . aS 1. (FATEC) – Em alguns países latino-americanos, surgiram, a partir de 1930, regimes populistas como os de Getúlio, no Brasil, Lázaro Cárdenas, no México e Juan Domingo Perón, na Argentina. Esses regimes caracterizavam-se por defender a) a redistribuição de renda entre as camadas mais pobres. b) reformas sociais limitadas, para manter o apoio popular. c) o aumento salarial para todos. d) a ampliação do mercado interno. e) a reforma agrária. RESOLUÇÃO: O populismo latino-americano, cujos principais representantes estão citados no enunciado, constituiu uma nova forma de atuação política: ganhar o apoio das camadas trabalhadoras urbanas, concedendo-lhes benefícios parciais, de forma a satisfazê-las sem alterar a ordem econômica e social. Resposta: B 2. “O marco inicial das discussões parlamentares em torno do direito do voto feminino são os debates que antecederam a Constituição de 1824, que não trazia qualquer impedimento ao exercício dos direitos políticos por mulheres, mas, por outro lado, também não era explícita quanto à possibilidade desse exercício. Foi somente em 1932, dois anos antes de estabelecido o voto aos 18 anos, que as mulheres obtiveram o direito de votar, o que veio a se concretizar no ano seguinte. Isso ocorreu a partir da aprovação do Código Eleitoral de 1932.” (Disponível em: http://tse.jusbrasil.com.br. Acesso em: 14 maio 2018.) Um dos fatores que contribuíram para a efetivação da medida mencionada no texto foi a a) superação da cultura patriarcal. b) influência de igrejas protestantes. c) pressão do governo revolucionário. d) fragilidade das oligarquias regionais. e) campanha de extensão da cidadania. RESOLUÇÃO: Embora a expressão “campanha de extensão da cidadania” possa parecer exagerada para o contexto da época mencionada, tendo em vista a manutenção da exclusão do voto dos analfabetos, a questão do sufrágio feminino estava em plena discussão no Brasil dos anos 1920-1930, até certo ponto influenciada pelo movimento sufragista europeu e norte-americano. Resposta: E 3. Durante a fase do Governo Provisório (1930-34), Vargas legalizou os sindicatos, mas conseguiu manter o controle sobre eles. Uma das medidas varguistas para viabilizar esse poder foi a) o controle do governo federal sobre a escolha dos dirigentes sindicais. b) a intervenção permanente de autoridades policiais e judiciárias nos sindicatos. c) a subordinação dos sindicatos ao Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. d) a elaboração da CLT, que regulamentava as relações entre empregados e patrões. e) a nomeação de líderes sindicais para altos postos da administração federal. RESOLUÇÃO: Os sindicatos somente seriam legalizados depois de registrados no Ministério do Trabalho, o qual possuía o poder de intervir nas organizações de trabalhadores. Obs.: Outro recurso varguista para controlar os sindicatos foi a prática do “peleguismo”. Resposta: C 66 EraVargas REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 18 – 19 H IS T Ó R IA A D 3 .a S 4. (FUVEST-Adaptado) – Com respeito à Ação Integralista no Brasil, na década de 1930, é correto afirmar que a) foi uma cópia fiel do fascismo italiano, inclusive nas cores escolhidas para o uniforme usado nas manifestações públicas. b) foi um movimento sem expressão política, pois não tinha líderes intelectuais, nem adesão popular. c) tinha como principais marcas o nacionalismo, o anticomunismo e a supremacia do Estado. d) elegeu católicos, comunistas e positivistas como antagonistas mais significativos. e) foi um movimento financiado pelo governo getulista, o que explica sua sobrevivência. RESOLUÇÃO: No contexto da polarização ideológica ocorrida na Europa a partir da década de 1920, surgiu no Brasil, em 1932, a Ação Integralista Brasileira. Fundada pelo escritor Plínio Salgado, a AIB baseava-se no modelo proporcionado pelo fascismo. Assim, as ideias anticomunistas e de Estado totalitário, bem como o nacionalismo extremado, constituíam elementos fundamentais do integralismo. Entretanto, como ocorreu com as diversas variantes do fascismo na Europa, também o fascismo brasileiro apresentou peculiari dades, como demonstra a escolha do lema “Deus, Pátria e Família”. Observe-se ainda que os integralistas adotavam o verde como cor emblemática, enquanto a Itália fascista usava a cor negra e a Alemanha Nazista, a marrom. Resposta: C 5. (MACKENZIE) – Em 10 de novembro de 1937, Getúlio Vargas, por meio de um pronunciamento em rede nacional de rádio, lançou um manifesto à nação, no qual dizia que era necessário “reajustar o organismo político às necessidades econômicas do País”. Era o início do Estado Novo, regime político que iria vigorar, até 1945, no Brasil. Considere as afirmativas abaixo. I. A adoção de uma política de intervencionismo estatal, refutando alguns princípios liberais, anteriormente aplicados na economia, como livre mercado, possibilitaram que o Estado pudesse atuar para impulsionar o setor da indústria de base, com a criação da Companhia Siderúrgica Nacional, de Volta Redonda. II. No setor petrolífero, as realizações do novo regime foram de suma importância, pois com a criação da Petrobrás, ficou garantido o monopólio estatal na extração de petróleo e reservas minerais, elementos importantes no processo de industrialização. III.A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) foi criada por Vargas, após um acordo diplomático, entre os governos brasileiro e estadunidense, que previa a construção de uma usina siderúrgica capaz de fornecer aço para os aliados, durante a Segunda Guerra Mundial e, na paz, ajudasse no desenvolvimento do Brasil. Assinale a) se somente a I estiver correta. b) se somente a II estiver correta. c) se somente a III estiver correta. d) se somente a I e a III estiverem corretas. e) se somente a II e a III estiverem corretas. RESOLUÇÃO: A proposição II é incorreta porque a política petrolífera do Estado Novo limitou-se à criação do Conselho Nacional do Petróleo em 1938, que não avançou no campo da exploração mineral. Quanto à Petrobras, que teria o monopólio sobre a prospecção e a exploração do petróleo no País, sua criação pelo próprio Vargas somente se deu em 1953 – portanto, fora do Estado Novo. Resposta: D 6. (PUC) – “[...] poderíamos dizer que o Estado getulista promoveu o capitalismo nacional, tendo dois suportes: no aparelho de Estado, as Forças Armadas; na sociedade, uma aliança entre a burguesia industrial e setores da classe trabalhadora urbana.” (Boris Fausto. História do Brasil. São Paulo: EDUSP, 2013.) Em relação ao governo de Getúlio Vargas, podemos afirmar que a) principalmente no período do Estado Novo, alinhava-se ao modelo autoritário e centralizador que entendia como pressuposto para o crescimento da nação e capacidade de governar,o controle das Forças Armadas, o corporativismo e a aproximação com a Igreja Católica. b) logo após a tomada do poder em 1930, Vargas contou com apoio total das Forças Armadas, sobretudo da Marinha; e das elites paulistas que, em 1932, garantiam-lhe apoio econômico necessário para a implementação de seu modelo político. c) se apropriava de ideias marxistas, a fim de promover plenamente o capitalismo para, superando este modelo, poder implantar o comunismo no Brasil, o que se daria pela aliança entre as classes. d) foi marcado, no Estado Novo, pelo crescimento e divulgação de uma propaganda a favor do governo, liderada pelo DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda – que, entre outras coisas, estimulava a livre produção das artes. RESOLUÇÃO: O Estado Novo (1937-45) implantado por Getúlio Vargas inspirou-se – ao menos parcialmente – no modelo fascista italiano; daí a influência do corporativismo mussoliniano, que estabelecia o controle do Estado sobre as classes trabalhadoras e também sobre o patronato. Quanto à aproximação com a Igreja Católica, tratava-se de um recurso utilizado por Vargas para conseguir a aceitação dos segmentos mais conservadores da sociedade brasileira. Finalmente, é preciso reconhecer que o apoio das Forças Armadas ao regime varguista constituía um elemento fulcral para a sustentação do estadonovismo. Resposta: A REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 19 20 – H IS T Ó R IA A D 3 . aS 7. (MACKENZIE) – “A Segunda Guerra Mundial foi o divisor de águas nos rumos do Estado Novo: garantiu o protagonismo do projeto de modernização proposto pelo regime, ao mesmo tempo que revelou o esgotamento da sua natureza autoritária.” (Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Sterling. Brasil: uma biografia. São Paulo: Cia das Letras, 2015, p. 383.) A partir do trecho dado, analise as afirmações abaixo. I. O projeto de modernização está relacionado à entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, pois garantiu empréstimos que resultaram na criação da Cia. Vale do rio Doce e na construção de uma usina siderúrgica em Volta Redonda. II. Associada à luta pela democracia, o fim da guerra revelava a contradição de combater o fascismo na Europa e manter um regime autoritário no país. Essa contradição será fundamental para o questionamento da validez do Estado Novo. III. A queda do Estado Novo está ligada diretamente a uma pressão diplomática norte-americana e à ação dos ministros Dutra e Góis Monteiro, homens de confiança de Vargas, que se posicionaram pelos Aliados desde o início da guerra. São corretas as afirmações. a) I, apenas. b) I e II, apenas. c) I, II e III. d) II, apenas. e) II e III, apenas. RESOLUÇÃO: A afirmação III é incorreta porque a queda de Vargas decorreu das contradições do próprio Estado Novo (sobretudo de sua participação na guerra contra as ditaduras nazifascistas), sem que houvesse pressão norte- americana nesse sentido. Resposta: B 8. (PUC-SP) – “1930: Vamos deixar como está para ver como fica. 1945: Vamos deixar como está para ver como eu fico.” (Máximas e Mínimas do Barão de Itararé. Rio de Janeiro: Record, 1987. p. 67.) As frases, atribuídas pelo humorista Aparício Torelly (pseudônimo: Barão de Itararé) a Getúlio Vargas, são, evidentemente, uma brinca - deira com o presidente da República e com a situação em 1930 e 1945. As alusões à posição de Vargas nos dois momentos históricos referem- se, respectivamente, à a) ausência de uma proposta de reformulação constitucional e à tentativa de manter-se na Presidência em um contexto de redemocratizações. b) aliança com a “Política do Café com Leite” e à candidatura de Vargas à Presidência por meio do sufrágio universal direto. c) manutenção do modelo econômico de base agroexportadora e à política industrialista voltada para a busca da autossuficiência. d) reiteração da proposta federalista da Primeira República e à defesa de um Estado centralizado na pessoa do presidente da República. e) dependência econômica em relação às grandes potências capita - listas e à tentativa de consolidar um Estado Nacional autônomo. RESOLUÇÃO: Recém-empossado na chefia do Estado em 1930, Vargas suspendeu a Constituição de 1891 e procurou retardar ao máximo a promulgação de uma nova Carta Magna, pois assim gozaria de poderes ditatoriais. Já em 1945, com o Estado Novo em crise, Vargas tentou permanecer no poder por meio do “movimento queremista”; acabou, no entanto, sendo derrubado por um golpe militar que levou o País a concluir o processo de redemocratização. Resposta: A REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 20 – 21 H IS T Ó R IA A D 3 .a S 1. (UEL-Adaptado) – O processo de redemocratização, instaurado no Brasil, em 1946, ocorreu de forma limitada durante o governo de Eurico Gaspar Dutra, em razão da sua posição política, uma vez que o presidente a) alinhou-se à União Soviética, o que provocou pressões políticas e econômicas dos Estados Unidos. b) cassou os mandatos dos representantes do Partido Trabalhista Brasileiro, por ser um partido de oposição ao seu governo. c) perseguiu os integralistas e tornou ilegal a Ação Integralista Brasileira, prendendo, inclusive, o seu líder Plínio Salgado. d) desenvolveu uma política econômica planificada, que provocou insatisfação das multinacionais instaladas no país. e) colocou o Partido Comunista do Brasil na ilegalidade, rompendo inclusive relações diplomáticas com a URSS. RESOLUÇÃO: Desde o início da Guerra Fria, o Brasil alinhou-se aos Estados Unidos contra o comunismo defendido pela União Soviética. Essa posição acabou tendo como reflexos o fechamento do Partido Comunista do Brasil e o rompimento de relações diplomáticas com a URSS. Resposta: E 2. (UNESP) – A respeito do período da história política do Brasil que se estendeu de 1951 a 1954, quando Getúlio Vargas exerceu a presidência da República, pode-se afirmar que a) a inflação atingiu índices mínimos, o que garantiu o apoio dos empresários e da classe média ao governo, assim como o fim das greves. b) o grande partido político, a União Democrática Nacional (UDN), sustentou a política de desenvolvimento econômico implementada pelo governo. c) o governo aboliu a legislação trabalhista criada e aplicada pela ditadura varguista durante o Estado Novo. d) o Alto Comando das Forças Armadas, em particular da Força Aérea, manteve-se neutro face às disputas que levaram ao suicídio de Vargas. e) foi aprovado no Congresso o projeto de criação da Petrobras, empresa estatal, embora fosse permitida a algumas empresas estrangeiras a distribuição dos derivados do petróleo. RESOLUÇÃO: A criação da Petrobras foi a mais importante realização de Vargas em seu segundo governo, seguindo o nacionalismo econômico que sempre o caracterizou. A essa empresa de economia mista (sob o controle acionário do Estado Brasileiro) caberia o monopólio da prospecção e refinação do petróleo encontrado no País. A distribuição seria compartilhada com algumas outras empresas e as refinarias já em funcionamento continua - riam a existir. Resposta: E 77 Do Populismo à Ditadura REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 21 22 – H IS T Ó R IA A D 3 . aS 3. (FAMERP) – O Plano de Metas foi uma experiência sistemática de planejamento implementada pelo governo Juscelino Kubitschek (1956-1961). O Plano favoreceu a instalação de empresas estrangeiras especializadas na montagem de automóveis no Brasil, fato que a) mudou a estrutura econômica do país, devido à destruição do antigo parque automobilístico brasileiro. b) enfraqueceu a capacidade do Estado brasileiro em garantir os direitos dos trabalhadores urbanos. c) promoveu uma expansão da economia industrial com o surgimento de fábricas de autopeças. d) concentrou a produção em um setor econômico em prejuízo das indústrias de produtos eletrônicos e de outros bens de consumo duráveis. e) permitiu a exploração de todas as etapas da produção dosveículos pelos empresários estrangeiros. RESOLUÇÃO: A questão destaca um aspecto do plano de governo de Juscelino Kubitschek, constituído por 31 metas: o desenvolvimento da indústria automobilística no Brasil. Juntamente com a abertura de rodovias, os projetos de hidrelétricas e a construção de Brasília, a implantação do parque automobilístico brasileiro foi um dos pontos altos do projeto desenvolvimentista de JK, sintetizado no célebre slogan de “Cinquenta anos de progresso em cinco de governo”. Resposta: C 4. (MACKENZIE) – “Juiz de Fora, Minas Gerais, 31 de março de 1964. Um general [...] põe na rua equipamentos e tropas do Exército sob seu comando. Destino: Rio de Janeiro. Objetivo: derrubar o governo. O golpe está desencadeado. [...]” (R. C. Couto. História Indiscreta da Ditadura e da Abertura: Brasil 1964-1985. 3. ed. Rio de Janeiro: Record, 1999, p. 24.) Nas lembranças dos cinquenta anos do golpe civil-militar que instaurou um regime autoritário no Brasil entre 1964 e 1985, deve-se levar em consideração a) a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, que reuniu milhares de pessoas em São Paulo e no Rio de Janeiro a favor do governo Goulart e, por isso, fortemente reprimida pelas forças armadas. b) a participação decisiva dos Estados Unidos, com receio dos vultosos empréstimos realizados pela União Soviética ao governo brasileiro em troca da construção de uma base militar soviética no Brasil. c) forte instabilidade política na ocasião; o temor estadunidense e de empresários brasileiros, considerando o país vulnerável ao comunismo soviético; as fortes oposições internas ao governo Goulart. d) o apoio estudantil a João Goulart, com passeatas e organização armada da luta contra os militares, fazendo o golpe – a princípio agendado para 1965 – ser antecipado para evitar maiores agitações no país. e) o número de ações de membros do governo Goulart, que não impediram o golpe militar e se colocaram prontamente a favor na intervenção, por considerarem o presidente incapaz, como foi o caso de Leonel Brizola. RESOLUÇÃO: A questão aborda os principais fatores para o desencadeamento do golpe civil-militar que instaurou no País um regime autoritário, o qual se estenderia de 1964 a 1985. Como ocorreu com outros governos populistas latino-americanos da época, a presidência de João Goulart passava por um processo de crescente esquerdização, sintetizada em sua proposta de “reformas de base”. O receio de que esse processo desembocasse na “cubanização” (mais do que a vulnerabilidade à implantação de um “comunismo soviético”) inquietava os setores conservadores nacionais: grupos socioeconômicos dominantes, classe média, a hierarquia da Igreja Católica e a cúpula das Forças Armadas. Contando com um eventual respaldo dos Estados Unidos, esses segmentos desencadearam o movimento armado de 1964 – o primeiro de uma série que desmontaria os governos populistas do Cone Sul. Resposta: C REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 22 – 23 H IS T Ó R IA A D 3 .a S 5. (UEA) – “Para o jornalista Zuenir Ventura, o ano de 1968, no Brasil, ‘começou com um réveillon e terminou com algo parecido a uma ressaca – ressaca de uma geração e de uma época’. De fato, no decorrer daqueles doze meses, houve muita esperança, agitação cultural, efervescência estudantil, enormes manifestações de massa, greves, pronunciamentos oposicionistas, articulações de esquerda e ações armadas de guerrilha urbana.” (Edgard Luiz de Barros. Os governos militares. Texto adaptado.) Na história do Brasil, a ressaca à qual Zuenir Ventura se refere tem relação com a a) promulgação do Ato Institucional n-º 5 – AI-5 –, que permitia ao presidente da República, entre outros direitos, decretar o recesso do Congresso Nacional, assim como cassar os direitos políticos de qualquer cidadão. b) escolha do general João Figueiredo para suceder, na presidência da República, o marechal Artur Costa e Silva, fato que atrasou a abertura política, que fora prometida para começar em 1972, em mais de uma década. c) decretação de uma legislação que anistiava os crimes cometidos pelas forças de repressão política, ao mesmo tempo que extinguia todos os partidos políticos e criava o bipartidarismo, com a Arena e o MDB. d) imposição da Lei de Segurança Nacional, que era uma atribuição exclusiva das casas legislativas e que atingiu todos os setores da sociedade brasileira, em especial os magistrados e os professores das universidades públicas. e) outorga de uma nova Constituição, imposta pelo presidente da República, que cancelava as eleições diretas para os governos estaduais prometidas para 1970 e impunha, pela primeira vez, o voto obrigatório. RESOLUÇÃO: Em 1968, sob a inspiração das violentas agitações estudantis que eclodiram na Europa e em particular na França, registraram-se graves tumultos de rua em várias capitais do País, que colocaram em risco o Movimento Revolucionário de 1964. A conduta contrária dos líderes políticos da oposição diante das medidas propostas pelo Executivo para conter a evolução da crise interna fez com que o governo reforçasse o Poder Executivo, através do AI-5. Resposta: A 6. (UEL) (J. R. Aguilar. FutebolI. Spray s/tela. 114 x 146 cm. 1966.) A obra de Aguilar foi produzida no contexto da ditadura militar, que se iniciou com o golpe de 1964 e recrudesceu a partir do Ato Institucional nº 5 em 1968. A ditadura militar fez uso político da conquista do tricampeonato mundial de futebol em 1970. Quais das ações a seguir caracterizam esse período da história brasileira? a) O ingresso do Brasil na ONU e a participação de militares brasileiros nas forças de paz do Oriente Médio. b) As eleições diretas e as concessões sociais para atingir a igualdade de classes. c) A privatização das empresas estatais e a inserção do Brasil no Comitê de Segurança da ONU. d) O milagre econômico e o fechamento político por intermédio da doutrina de segurança nacional. e) A aquisição de equipamentos nucleares dos EUA e o distancia - mento da tecnologia nuclear alemã. RESOLUÇÃO: A historiografia reconhece que o Golpe de 1964, assim como seu dispositivo editado 04 anos depois, bem como a conquista do tricampeonato mundial de futebol, correspondem ao “fechamento político” e ao “milagre econômico”. Resposta: D REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 23 24 – H IS T Ó R IA A D 3 . aS 7. (UNICAMP) – “A crise levaria o último governo da ditadura, chefiado pelo general João Figueiredo (1979-85), a tomar medidas drásticas. O objetivo inicial era deter a depreciação da moeda nacional, incentivar as exportações e fazer frente ao aumento do déficit em conta- corrente. Assim, a moeda foi desvalorizada em 30% no final de 1979. A medida acentuou a desaceleração econômica, o descontrole inflacionário e o desarranjo nas contas públicas. Em 1980, a inflação batia a simbólica marca de 100% ao ano e em 1981 o país entrava em uma recessão.” (Gilberto Marangoni, “Anos 1980, década perdida ou ganha?”. Revista Desafios do Desenvolvimento. São Paulo, Ano 9, Edição 72, 2012. Adaptado.) A partir do texto acima e de seus conhecimentos sobre a Nova República no Brasil, assinale a alternativa correta. a) A concentração de renda gerada pelo milagre econômico, as bolhas especulativas no mercado financeiro brasileiro, as flutuações no preço do petróleo e a alta internacional dos juros ao longo da década de 1970 foram elementos decisivos para a superação da crise econômica dos anos de 1980. b) No Brasil dos anos de 1980, a desaceleração econômica, o descontrole inflacionário e o desarranjo nas contas públicas foram acompanhados pelo silenciamento dos movimentos pelas “Diretas Já” e dos direitos civis, sendo essa década conhecida como a “década perdida”. c) A crise econômica que se instalou no Brasil a partir de meados dos anos de 1970 gerou pressão sobre o governo militar do General Figueiredo, que, em resposta, aprovou a Leida Anistia e a Lei Orgânica dos Partidos, incentivou o movimento grevista e garantiu a realização de eleições de forma lenta, gradual e segura. d) A chamada década perdida no Brasil foi marcada por grave crise econômica, pela transição para o regime democrático, pela gradual normalização das instituições políticas próprias da democracia, pelo fortalecimento dos movimentos sociais e civis e pela efervescência cultural. RESOLUÇÃO: Deu-se o nome de “década perdida” ao decênio iniciado em 1980, cobrindo os governos presidenciais de João Figueiredo e José Sarney. A denominação destaca a crise econômico-financeira e a hiperinflação que afligiram o País, levando ao descontrole das contas públicas e ao enfraquecimento do regime autoritário vigente desde 1964. Esse quadro levou a uma progressiva abertura política, com a eclosão de movimentos da sociedade civil (“Diretas Já”) e de cunho social (reorganização do movimento sindical e das reivindicações de reforma no campo). Houve também uma importante inovação na produção cultural, com críticas a problemas políticos e sociais do momento. Pressionado por essas circunstâncias, o governo militar cedeu e o País pôde passar por uma transição política cujo desfecho seria o restabelecimento da democracia: Lei da Anistia (1979), volta do pluripartidarismo (1979), eleições diretas para governador (1982), nova Constituição (1988) e primeira eleição presidencial direta em quase três décadas (1989). Resposta: D 8. (UDESC) – “(...) longe de ser o resultado necessário de uma evolução moral da humanidade, a democracia é algo incerto e improvável e nunca deve ser tida como garantida. É sempre uma conquista frágil que precisa ser defendida e aprofundada. Não existe nenhum limiar de democracia que, uma vez alcançado, possa garantir a continuidade da sua existência.” (Chantal Mouffe. O regresso do político, 1996.) Sobre a experiência democrática, no Brasil, assinale a alternativa correta. a) A instauração da democracia, no Brasil, ocorreu com a procla - mação da República, em 1889, uma vez que toda república é, essencialmente, democrática. b) O primeiro período democrático brasileiro foi experienciado entre 1930 e 1969. c) As eleições diretas e o sufrágio universal são características da experiência democrática contemporânea brasileira, iniciada como processo de redemocratização, ocorrido durante a década de1980. d) Contrariamente ao que postula a citação, uma vez instaurada a democracia no Brasil, em 1945, esta foi sempre mantida por todos os governos que se sucederam desde então. e) A redemocratização do Brasil foi um processo iniciado e consolidado, exclusivamente, por meio da vontade e da ação popular. RESOLUÇÃO: A Constituição de 1988 estabeleceu as eleições diretas e garantiu o direito de voto aos analfabetos, instituindo o sufrágio universal no Brasil. Por causa disso, essa Carta Magna ficou conhecida como “Constituição Cidadã”. Resposta: C REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 24 – 25 H IS T Ó R IA A D 3 .a S 1. (UEFS) – Leia o trecho de Odisseia, poema grego composto no final do século VIII a.C. “Tenho uma serva velha, muito compreensiva, que amamentou e criou o meu pobre marido, recebendo-o nos braços no dia em que a mãe o deu à luz. [...] Anda lá, ó sensata Euricleia, levanta-te agora: lava os pés de quem tem a idade do teu amo.” (Homero. Odisseia, 2011.) O trecho apresenta as palavras da rainha Penélope no momento da chegada de Ulisses ao palácio da ilha de Ítaca. Considerando o conteúdo do trecho e a organização social na Grécia Antiga, pode-se sustentar a a) predominância do poder político feminino nas cidades monárquicas. b) existência de relações escravistas no interior das famílias nobres. c) natureza pacífica das relações entre gregos e bárbaros. d) tendência à libertação dos escravos depois da Guerra de Troia. e) resistência passiva dos trabalhadores estrangeiros nos palácios dos reis. RESOLUÇÃO: A sociedade grega antiga era dividida em, basicamente, três segmentos: cidadãos (eupátridas), metecos e escravos. Esses últimos, geralmente obtidos como resultado de guerras, faziam trabalhos diversificados (agricultura, construções, comércios e domésticos). A “serva”, citada no texto, era uma escrava de uma família rica. Resposta: B 2. (UEPA) – Apesar das semelhanças quanto à língua e à religião entre os gregos das diversas pólis, a Grécia do Período Clássico em diante era um mosaico de cidades autônomas em termos políticos e econômicos. A criação das cidades-Estado seguiu por caminhos diferentes em função da relação entre populações autóctones e povos estrangeiros. Particularmente, a história da fundação de Atenas e de Esparta teve clara relação com sua organização sociopolítica, pois a) ocorreu em Atenas a partilha de poder administrativo entre jônios e demais estrangeiros, enquanto em Esparta se deu a dominação política dos dórios. b) o domínio jônico submeteu os povos autóctones na formação de Atenas, enquanto os dórios partilharam o governo de Esparta com os nativos lacedemônios. c) Atenas tornou-se centro cosmopolita do mundo antigo, dada a proeminência social dos estrangeiros, enquanto a elite dórica manteve-se predominante no governo de Esparta. d) a formação de Atenas esteve vinculada ao trabalho agrícola das populações camponesas, enquanto os guerreiros dóricos de Esparta constituíram uma sociedade militarizada. e) Atenas formou-se com a reunião de jônios e populações locais pré- helênicas, enquanto Esparta resultou da invasão dórica, marcada pela submissão dos habitantes autóctones. RESOLUÇÃO: Somente a proposição [E] está correta. A questão remete às diferenças entre Atenas e Esparta em sua gênese, formação e desenvolvimento sociopolítico. Atenas, localizada na região da Ática, foi fundada pelos jônios, e Esparta, localizada na Península do Peloponeso, foi fundada pelos dórios. Daí as diferenças entre estas duas importantes pólis. Atenas foi aberta, educadora, democrática e voltada para a filosofia, enquanto Esparta foi guerreira, militarista e aristocrática. Resposta: E 88 Antiguidade Clássica REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 25 26 – H IS T Ó R IA A D 3 . aS 3. (UNESP–2019) – São uma formosura os governantes que tu modelaste, como se fosses um estatuário, ó Sócrates! [...] – Ora pois! Concordais que não são inteiramente utopias o que estivemos a dizer sobre a cidade e a constituição; que, embora difíceis, eram de algum modo possíveis, mas não de outra maneira que não seja a que dissemos, quando os governantes, um ou vários, forem filósofos verdadeiros, que desprezem as honrarias atuais, por as considerarem impróprias de um homem livre e destituídas de valor, mas, por outro lado, que atribuem a máxima importância à retidão e às honrarias que dela derivam, e consideram o mais alto e o mais necessário dos bens a justiça, à qual servirão e farão prosperar, organizando assim a sua cidade? (Platão. A República, 1987.) O texto, concluído na primeira metade do século IV a.C., caracteriza a) a predominância das atividades econômicas rurais sobre as urbanas e enfatiza o primado da racionalidade. b) a organização da pólis e sustenta a existência de um governo baseado na justiça e na sabedoria. c) o caráter aristocrático da pólis durante o período das tiranias em Atenas e defende o princípio da igualdade social. d) a estruturação social da pólis e destaca a importância da democracia, consolidada durante o período de Clístenes. e) a importância da ação de legisladores, como Drácon e Sólon em Atenas, e apoia a consolidação da militarização espartana. RESOLUÇÃO: O grande filósofo grego Platão foi um crítico da democracia e defensor da “Sofocracia”, o governo dos sábios, dos reis filósofos vinculados ao “Mundo das Ideias. Resposta: B 4. “A ignorância atribuía a doença como uma punição de deusescaprichosos, a elementos malignos ou a uma confluência negativa dos astros. Segundo o general e historiador Tucídides, em sua História da Guerra do Peloponeso, a doença provocou a morte de um terço de suas tropas e um maior número de cidadãos. Como se calcula que a população da cidade à época era de 500 mil pessoas, aproximadamente, o custo humano atingiu algo em torno de 150 mil vítimas. Inclusive o grande líder Péricles, que sucumbiu à doença, em 429 a.C.” A Peste de Atenas, hoje conhecida como febre tifoide, atingiu Atenas em 430 a.C. Sobre ela, podemos afirmar: a) Atingiu a cidade de Esparta e provocou a derrota dela na chamada Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.) e demonstra o grande conhecimento científico sobre a origem das doenças. b) Devastou toda a Grécia e demonstrou um enorme atraso intelectual sobre as origens das conformidades de saúde, na chamada Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.). c) Atingiu Atenas durante a Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.) provocando uma enorme mortalidade, agravada pelos péssimos hábitos de higiene e desconhecimento das origens das doenças. d) Atacou Atenas que, sabedora da origem da peste, a usou como arma biológica contra as forças persas que sitiavam a cidade. Isso se deu devido ao racionalismo helênico, e) A enorme ignorância sobre as causas da doença prejudicou a defesa de Atenas contra os ataques dos macedônios de Felipe II, que acabaram por conquistar a cidade. RESOLUÇÃO: Originária da Etiópia e trazida por navios de mercadores, a doença logo se espalhou. A febre tifoide é causada pala bactéria Salmonella typhi, que se desenvolve nos intestinos e no sangue. A bactéria é geralmente transmitida pelo consumo de alimentos ou água contaminados com as fezes de uma pessoa infectada. A causa de tal peste foi descoberta por médicos e cientistas infectologistas da Universidade de Atenas, em 2006, que identificaram o mal como sendo o tifo, analisando restos humanos em uma cova coletiva. A epidemia atingiu a cidade durante o cerco espartano na Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.). Resposta: C REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 26 – 27 H IS T Ó R IA A D 3 .a S 5. (MACKENZIEN-2019) – No processo histórico da Roma Antiga, a República, como regime político foi substituída pelo Império. Sobre a ordem imperial, é correto afirmar que a a) concentração dos poderes na figura do imperador tranquilizava a classe dos patrícios e senadores que concordavam com esse tipo de regime; de acordo com eles, tal regime seria o único capaz de sufocar a anarquia e as rebeliões de escravos. b) criação do império, obra elaborada pelo Primeiro e Segundo Triunvirato, expressou o triunfo da vontade dos generais, para os quais o regime imperial seria o tipo de governo ideal, para controlar a crise social do final da República. c) base do império foi sustentada pelo poder dos camponeses romanos, nos campos, e pela plebe nos centros urbanos, principais interessados na existência de uma ordem que lhes assegurasse o domínio da terra e a permanência da prática do pão e circo. d) vitória da participação popular no cerne da vida política marcou, profundamente, o novo regime político, diferente do que ocorreu tanto no período monárquico, quanto no período republicano. e) crise econômica pelo qual Roma passava nos últimos anos da República, decorrente das inúmeras derrotas militares enfrentadas pelos romanos e os gastos despendidos para consolidar a conquista do Mediter râneo, levaram o povo a apoiar o novo regime. RESOLUÇÃO: O Império foi proclamado após a ocorrência de dois Triunviratos, oriundos da ação de generais romanos que consideravam que o Exército, responsável direto pela expansão territorial, deveria ser o centro de poder em Roma. Além disso, tais generais consideravam que, por conta do poder do Exército, os problemas sociais existentes em Roma seriam sanados. O general Otávio, vitorioso após o Segundo Triunvirato, foi o responsável pela mudança na forma de governo em Roma. Resposta: B 6. (UFJF-PISM-1) – Esse é um fragmento de uma obra produzida no século I a.C. “Os romanos apossavam-se de escravos por procedimentos extremamente legítimos: ou compravam do Estado aqueles que fossem vendidos “debaixo de lança” como parte do butim; ou um general poderia permitir àqueles que fizessem prisioneiros de guerra conservá- los, juntamente com o resto do produto do saque”. (Dionísio de Halicarnasso. “História Antiga dos Romanos”, IV, 24. - Citado em CARDOSO, C. Trabalho compulsório na Antiguidade. Rio de Janeiro: Graal, 2003. p. 141.) Em relação à escravidão na Roma antiga, assinale a alternativa correta: a) Os escravos possuíam entre si uma forte identidade étnica e cultural, pois apresentavam uma origem territorial africana única. b) O número de escravos diminuiu fortemente com o processo expansionista, pois havia a prática de libertá-los em massa para que se tornassem soldados. c) A utilização da mão de obra escrava dos derrotados de guerra foi ampliada com o término da prática de escravizar indivíduos livres por dívidas. d) Revoltas de escravos durante a crise republicana, como a liderada por Espártaco, caracterizaram-se por serem movimentos urbanos limitados à cidade de Roma. e) A escravidão foi abolida em definitivo pelo Édito Máximo do imperador Otávio Augusto no contexto em que o cristianismo tornou-se a religião oficial. RESOLUÇÃO: A partir da expansão territorial empreendida por Roma durante a República, a prática do escravismo de guerra substituiu a prática da escravidão por dívida e assumiu o papel de base da economia romana. Resposta: C REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 27 28 – H IS T Ó R IA A D 3 . aS 7. (UFPR-2020) – “Para assegurar a ordem entre os conquistados, os romanos tinham de manter postos avançados e acampamentos militares espalhados pelo território imperial. Era preciso alimentar e armar os soldados onde estivessem.” (FUNARI, Pedro P. A. Grécia e Roma. São Paulo: Editora Contexto, 2001, p. 91.) Sobre o exército romano, no período imperial, é correto afirmar: a) Foi decisivo nas conquistas territoriais durante o período republi - cano, perdendo seu prestígio durante o período imperial. b) Permaneceu distante das atividades de manutenção das fronteiras dos territórios. c) Deixou de exercer sua influência no governo após as reformas de Augusto. d) Desempenhou diferentes papéis administrativos e econômicos na manutenção do poder imperial. e) Era limitado em tamanho, o que se refletiu num papel político secundário. RESOLUÇÃO: O povo romano na Antiguidade era caracterizado pelo seu aspecto militarista, belicoso, expansionista e prático. Desta forma, o exército romano teve um papel fundamental tanto no contexto da República quanto do Império, exercendo as mais diversas funções sociais: defesa do território, administração, manutenção do poder imperial etc. Resposta: D 8. (UEL-2018) – Durante o século II, o Império Romano atingiu sua máxima extensão territorial, dominando quase toda a atual Europa, o norte da África e partes do Oriente Médio. No final do século IV, porém, essa unidade começaria a ser desfeita com a divisão do império em duas porções: a ocidental, com a capital em Roma, e a oriental, com a capital em Bizâncio. Nos séculos IV e V, a fragmentação territorial se aprofundou ainda mais e o Império Romano do Ocidente acabou desaparecendo para dar lugar a diversos reinos germânicos. Quanto à desagregação e à queda do Império Romano do Ocidente, assinale a alternativa correta. a) O êxodo rural causado pelos ataques dos povos germânicos resultou num crescimento desordenado das cidades, criando instabilidade e desordem política nos centros urbanos e forçando a abdicação do último imperador romano. b) O paganismo introduzido no Império Romano pelas tribos germânicas enfraqueceu o cristianismo e causou a divisão entre cristãos católicos e ortodoxos, encerrandoo apoio da Igreja ao imperador e consequentemente fazendo ruir o império. c) A língua oficial do Império Romano, o latim, ao se fundir com os idiomas falados pelos invasores, deu origem às línguas germânicas, dificultando a administração dos territórios que se tornaram cada vez mais autônomos até se separarem de Roma. d) A disputa entre os patrícios romanos e a plebe pelas terras férteis facilitou a invasão do império pelos “povos bárbaros”, pois o exército romano foi obrigado a deixar as fronteiras desguarnecidas para defender os proprietários das terras das constantes rebeliões. e) Com o fim das conquistas territoriais, o escravismo e a produção entraram em declínio, somado às “invasões bárbaras” e à ascensão do cristianismo, que aceleraram a fragmentação e queda de Roma. RESOLUÇÃO: Com a Pax Romana, interrompe-se a expansão territorial do Império. Uma vez que não se conquistam novos territórios, os escravos, em geral prisioneiros de guerra, começam a escassear, dando início a uma profunda crise de mão de obra e de produção agrícola. As invasões das tribos germânicas se tornam cada vez mais comuns, e a ascensão do cristianismo choca-se com a tradição religiosa romana. Resposta: E REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 28 – 29 H IS T Ó R IA A D 3 .a S 1. (FUVEST-2019) – “Os comentadores do texto sagrado (…) reconhecem a submissão da mulher ao homem como um dos momentos da divisão hierárquica que regula as relações entre Deus, Cristo e a humanidade, encontrando ainda a origem e o fundamento divino daquela submissão na cena primária da criação de Adão e Eva e no seu destino antes e depois da queda.” (CASAGRANDE, C., “A mulher sob custódia”, in: História das Mulheres, Lisboa: Afrontamento, 1993, Sv. 2, pp. 122-123.) O excerto refere-se à apreensão de determinadas passagens bíblicas pela cristandade medieval, especificamente em relação à condição das mulheres na sociedade feudal. A esse respeito, é correto afirmar: a) As mulheres originárias da nobreza podiam ingressar nos conventos e ministrar os sacramentos como os homens de mesma condição social. b) A culpabilização das mulheres pela expulsão do Paraíso Terrestre servia de justificativa para sua subordinação social aos homens. c) As mulheres medievais eram impedidas do exercício das atividades políticas, ao contrário do que acontecera no mundo greco-romano. d) As mulheres medievais eram iletradas e tinham o acesso à cultura e às artes proibido, devido à sua condição social e natural. e) A submissão das mulheres medievais aos homens esteve desvinculada de normatizações acerca da sexualidade. RESOLUÇÃO: Como o próprio enunciado destaca, o papel da mulher na sociedade feudal era de submissão à figura masculina. Tal lógica era amparada pela versão bíblica do pecado original. Resposta: B 2. (UNICAMP-2019) – “Os estudiosos muçulmanos adaptaram a herança recebida dos povos arabizados. Entre os domínios conquistados pelos muçulmanos estavam a Mesopotâmia e o antigo Egito, civilizações que desde cedo observaram os fenômenos astronômicos. O estudo dos fenômenos naturais no Crescente Fértil possibilitou a agricultura e perdurou por milênios. Nas costas do Mar Egeu, na região da Jônia, surgiram no século VI a.C. as primeiras explicações dos fenômenos naturais desvinculadas dos desígnios divinos. E as conquistas de Alexandre permitiram o início do intercâmbio entre o conhecimento grego, de um lado, e o dos antigos impérios egípcio, babilônico e persa, de outro. Além disso, houve trocas científicas e culturais com os indianos. O império árabe-islâmico foi, a partir do século VII, o herdeiro desse legado científico multicultural, ao qual os estudiosos muçulmanos deram seus aportes ao longo da Idade Média.” (Beatriz Bissio, O mundo falava árabe. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012, pp. 200-201. Adaptado.) Considerando o texto acima sobre o islã medieval e seus conhe - cimentos, assinale a alternativa correta. a) A extensão do território sob domínio islâmico e a liberdade religiosa e cultural implementada nessas áreas aceleraram a construção de novos conhecimentos pautados na cosmologia ocidental. b) A partir do século VII, o avanço dos exércitos islâmicos assegurou a expansão do império de forma ditatorial sobre antigos núcleos culturais da Índia até as terras gregas do Império Bizantino, chegando à Espanha. c) Os conhecimentos sobre os fenômenos naturais construídos por mesopotâmicos, egípcios, macedônicos, babilônicos, persas, entre outros povos, foram ignorados pelo islã medieval, marcado pelo fundamentalismo religioso. d) A difusão de saberes multiculturais foi uma das marcas do Império árabe-islâmico, sendo ele a via de transmissão do sistema numérico indiano para o Ocidente e de obras da filosofia greco-romana para o Oriente. RESOLUÇÃO: O crescimento da civilização árabe na chamada Alta Idade Média proporcionou uma conexão e um intercâmbio entre Ocidente e Oriente não antes visto. Por isso, conhecimentos orientais – como o sistema numérico indiano – chegaram ao Ocidente e conhecimentos ocidentais – como os livros de Ptolomeu – chegaram ao Oriente por intermédio dos árabes. Resposta: D 99 Idade Média REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 29 30 – H IS T Ó R IA A D 3 . aS 3. (MACKENZIE-2019) – “É permitido a qualquer, sem punição, auxiliar o seu senhor, se alguém o ataca, e obedecer-lhe em todos os casos legítimos, exceto no roubo, no assassinato e naquelas coisas que não são consentidas a ninguém, sendo reconhecidas como infames pelas leis. O senhor deve proceder da mesma maneira com o conselho e a ajuda; e deve ir em auxilio do seu homem em todas as vicissitudes, sem malícia. É permitido a todo o senhor convocar o seu homem, que deve estar à sua direita no tribunal; e mesmo que seja residente no mais distante mansus de quem o protege, deverá ir ao pleito se o seu senhor o convocar.” (Pedrero-Sanchez, M. Guadalupe. História da Idade Média: textos e testemunhos. São Paulo: Unesp, 1999, p. 95.) O trecho acima foi extraído de um documento inglês do século XI e diz respeito a uma típica relação feudal. A relação em evidência é a a) vassalagem: relação recíproca entre senhores em que fica acordada a proteção por parte do suserano e o trabalho nos campos por parte do vassalo. b) servidão: relação vertical entre senhores e camponeses que, uma vez presos à terra, não podem abandonar suas obrigações nos feudos. c) vassalagem: relação horizontal entre senhores a qual cria uma teia de alianças políticas e uma maior descentralização do poder. d) servidão: relação entre senhores e servos a qual estabelece um acordo de proteção e ajuda econômica em troca de terras para o plantio. e) vassalagem e servidão: relações equivalentes entre nobres e servos em que os vassalos asseguram o trabalho nas terras senhoriais. RESOLUÇÃO: A relação descrita é a de suserania e vassalagem, que ligava dois senhores feudais por um laço de fidelidade iniciado por uma doação de terra. A relação gerava, para os vassalos, as responsabilidades descritas no texto. Resposta: C 4. (UECE) – Durante o período medieval, a Igreja Católica, herdeira das tradições romanas, sobressaiu como a mais poderosa instituição e grande baluarte da cultura europeia. À medida que avançava e convertia novos povos ao cristianismo, ampliava mais ainda seu poderio espiritual e material, e fundia a cultura romana com a dos povos convertidos. No que se refere ao papel da Igreja Católica na cultura europeia medieval, é correto afirmar que a) a literatura medieval era dominada pelo tema religioso imposto pela Igreja Católica; nesse período não se escreveu sobre nada que não estivesse no Livro Sagrado. b) a educação formal espalhou-se pela Europa por meio da Igreja Católica, à qual estavam ligadas as escolas e as universidades medievais. c) a filosofia escolástica nascida nas universidades católicas opunha-se à fusão da fé cristã com o pensamento racional humanista. d) apesar de controlar a literatura, as artes plásticas ficaram livres de qualquer tipo de cerceamento religioso por parte da Igreja Católica. RESOLUÇÃO: No Baixo Império Romano, séculos III, IV e V, as ideias cristãs, as invasões bárbaras e a crise interna contribuíram para o fim do Império Romano do Ocidente no ano de 476. Esta data marca o final da Idade Antiga e o início da Idade Média. Diante do caos político, econômico e social em que estava mergulhada a Europa, a Igreja Católica surgiu como a única instituição capaz de organizar a sociedade em torno das ideias cristãs atuando no processo de conversão dos bárbaros, criando escolas, mosteiros e universidades. Resposta: B REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 30 – 31 H IS T Ó R IA A D 3 .a S 5. (FGV-2018) – “Este documento, do século XIV, encontra-se nos arquivos de Assize, na ilha de Ely, na Inglaterra: Adam Clymne foi preso como insurgente e traidor de seu juramento e porque traiçoeiramente com outros celebrou uma insurreição em Ely. Penetrou na casa de Thomas Somenour onde se apossou de diversos documentos e papéis selados. E, ainda, que o mesmo Adam no momento da insurreição, estava andando armado e oferecendo armas, levando um estandarte, para reunir insurgentes, ordenando que nenhum homem de qualquer condição, livre ou não, deveria obedecer ao senhor e prestar os serviços habituais, sob pena de degola. O acima mencionado Adam é culpado de todas as acu sações. Pela ordem da justiça, o mesmo Adam foi levado e enforcado.” (Leo Huberman. História da riqueza do homem, 2008. Adaptado.) Considerando o documento, é correto afirmar que, no século XIV, a) as violentas revoltas e mortes de camponeses foram provocadas pelo desespero em não conseguir pagar, em dinheiro, aos senhores feudais, as novas taxas e o aumento das já existentes, além da exigência de mais tempo de trabalho nas reservas senhoriais. b) as revoltas camponesas aconteceram, tanto na Ingla terra como na França, contra os cercamentos, que empobreceram os trabalhadores e os obrigaram a deixar a terra pelo não pagamento do aumento dos aluguéis, o que enriqueceu ainda mais os senhores da terra. c) a impossibilidade de juntar dinheiro para a compra da terra onde trabalhavam fez com que muitos camponeses se revoltassem, porque se colocaram contra os senhores que aumentaram os impostos e exigiram o pagamento de novos, algo considerado ilegal. d) o recrudescimento da servidão decorria de uma nova estrutura econômica presente na Inglaterra, onde as pequenas propriedades rurais e os campos comunais perdiam espaço para os latifúndios produtores de matéria-prima para a nascente indústria. e) as insurreições camponesas ocorridas na Inglaterra e parte do Norte da Europa decorreram do rápido processo de dissolução dos laços servis de produção, dirigido por uma nova elite de proprietários rurais, que detinha forte representação no Parlamento inglês. RESOLUÇÃO: As rebeliões camponesas, que ajudaram a compor o quadro que levou o feudalismo a ruir, se explicam pelas dificuldades de produção e financeira dos camponeses derivadas da grave crise agrícola que abateu a Europa Ocidental entre os séculos XII e XIV. Tais dificuldades levaram os camponeses a não mais conseguir cumprir com suas obrigações junto aos seus senhores feudais. Resposta: A 6. (UNIOESTE) – Sobre as cidades ao longo da História: “Uma vertente importante do pensamento sobre a cidade e o urbanismo está hoje ancorada na História. Isto vale não só para o Brasil, mas para muitos outros países. Diversas são as formas que tomam esse renovado interesse pela História: de um lado, mais pragmático, comparecem a valorização do patrimônio histórico – quase sempre de olho nas perspectivas oferecidas pelo desenvolvimento turístico – e a criação de novos espaços, consistente ou banal, inspirada em formas urbanas tradicionais; de outro, o enorme desenvolvimento de pesquisas que buscam conhecer a história de nossas cidades, os processos de sua transformação no tempo, os projetos realizados e não realizados, os protagonistas que ajudaram a dar-lhes uma nova forma e um novo sentido, as inflexões da constituição do urbanismo enquanto disciplina reflexiva e propositiva sobre a cidade”. (FERNANDES, Ana; GOMES, Marcos Aurélio A. História da cidade e do urbanismo no Brasil: reflexões sobre a produção recente. Ciência e Cultura. São Paulo, v. 56, n. 2, p. 01, 2004.) Assinale a alternativa incorreta. a) As cidades inglesas do início da Revolução Industrial cresceram principalmente após os chamados “cercamentos”, fenômeno que provocou a expulsão dos camponeses de suas terras e uma crescente proletarização das áreas urbanas. b) Os chamados “discursos de patrimônios culturais” estão presentes nas sociedades nacionais modernas e relatam a história de determinada coletividade e seus “heróis”. Ao fazer uso dessas narrativas, contribuem para a construção de identidades, tradições e memórias. c) No Brasil, o discurso modernista debruçou-se acerca da construção de uma identidade nacional. Os intelectuais deste movimento iriam criticar um Brasil “europeizado”, característico do século XIX, e valorizar o século XVIII, considerando traços mais genuínos da cultura brasileira antes vistos como atrasados. d) O governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961) foi marcado pela elaboração do “Plano de Metas”, dividido em seis grandes partes. Trazia como grande destaque a construção da cidade de Brasília, que viria a ser a sede da nova capital federal. e) No início da Idade Média, com o renascimento comercial e urbano, as cidades voltaram a desenvolver-se, tendo como elemento incentivar os burgos, como centros culturais e comerciais. RESOLUÇÃO: O excerto remete para o surgimento das cidades e a questão do urbanismo na Europa e no Brasil. Foi na Europa na Baixa Idade Média, séculos XII- XV, no contexto do Renascimento Comercial e Urbano, que surgiram inúmeras cidades na Europa (e não no início da Idade Média). O surgimento da burguesia no século XII contribuiu para a crise do sistema feudal ao dinamizar a economia tornando-a monetária, urbana e comercial. Resposta: E REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 31 32 – H IS T Ó R IA A D 3 . aS 7. (UFPR) – “Segundo a historiadora Miri Rubin, ‘longe de serem estéreis e previsíveis, as universidades medievais produziram não apenas servidores civis e burocratas eclesiásticos como também pensadores radicais, cuja obra teve impacto real e que, apesar de suas críticas desafiadoras, morreram em suas próprias camas, e não na cela de uma prisão’.” (Revista Ensino Superior, Unicamp, 25 abr. 2012.) A partir desse excerto e dos conhecimentos sobre o período medieval europeu, assinale a alternativa que relaciona as universidades com seu contexto de surgimento e expansão. a) As universidades foram patrocinadas pelo papado, para fornecerem profissionais preparados para atuar num contexto de expansão marítima e comercial e de declínio da Igreja Católica perante a formação dos Estados Nacionais, ao mesmo tempo em que estimulariam a autonomia do conhecimento escolástico. b) As universidades foram patrocinadas pelos comerciantes burgueses, a fim de fornecerem profissionais para atuar num contexto de iluminismo científico e de feudalização da sociedade, com o propósito de substituir os mosteiros como fonte produtora de conhecimento científico e tecnológico. c) As universidades foram patrocinadas pelo papado ou por reis e príncipes, a fim de fornecerem profissionais para atuar num contexto de renascimento urbano e comercial e de formação dos primeiros Estados Nacionais, tornando-se espaços autônomos de valorização do conhecimento científico. d) As universidades surgiram patrocinadas pelo papado, a fim de fornecerem profissionais para atuar num contexto de declínio do poder da nobreza,com o intuito de criar espaços autônomos para estudo do Direito e da Matemática, de modo a servir à nascente administração eclesiástica. e) As universidades surgiram patrocinadas por reis, príncipes ou pelo papado, a fim de fornecerem profissionais tanto para o gerenciamento eclesiástico das cidades pertencentes à Igreja Católica quanto para as cortes das nascentes monarquias nacionais, em um contexto de revolução científica. RESOLUÇÃO: Patrocinadas pela Igreja e por nobres, as universidades foram importantes no contexto da transição entre a Idade Média e a Idade Moderna, num período de surgimento do Renascimento, de ressurgimento das cidades e do comércio e do início da formação dos Estados Nacionais. Resposta: C 8. (UEG-Adaptada) – “Quatro, cinco milhões de mortos em alguns meses do verão: os sobreviventes, estarrecidos após semanas de medo, partilham as heranças e veem-se, por consequência, metade menos pobres do que eram antes.” (George Duby. A Europa Medieval na Idade Média. São Paulo: Martins Fontes, 1988, p. 113.) Após a grande mortandade provocada pela peste negra, no período subsequente ao ápice da praga, registrou-se a) uma diminuição das taxas de fertilidade, como resultado das sequelas observadas entre as mulheres que sobreviveram ao flagelo. b) um aumento no número de casamentos e nascimentos, promovido pela melhoria nas condições econômicas dos herdeiros das vítimas. c) equilíbrio entre as taxas de natalidade e mortalidade, uma vez que os números de nascimentos e mortes ficaram praticamente iguais. d) estabilidade nos níveis de emprego e de renda, uma vez que a diminuição da população fez aumentar o valor da mão de obra. e) uma paralisação das atividades mercantis, pois várias rotas de comércio europeias foram interrompidas por causa da epidemia. RESOLUÇÃO: Interpretação de texto. A alternativa escolhida complementa o fragmento transcrito no enunciado, mostrando que a melhora nas condições econômicas dos sobreviventes da epidemia estimulou a realização de casamentos, trazendo como consequência um aumento no número de nascimentos. Mesmo assim, somente no século XV a Europa voltaria a apresentar um nível populacional semelhante ao que antecedeu a passagem da peste. Resposta: B REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 32 – 33 H IS T Ó R IA A D 3 .a S 1. (IFSP) – As mudanças econômicas e políticas que ocorreram na Europa no início da Idade Moderna levaram a profundas modificações religiosas. Assinale a alternativa que apresenta uma das principais causas da Reforma Protestante. a) Proibição, pela Igreja Católica, de empréstimos financeiros com cobrança de juros, operados pelos fiéis. b) Caça às bruxas com a morte em fogueira das condenadas. c) Conflito entre burguesia e nobres. d) Empobrecimento da burguesia. e) Altas taxas cobradas pelo alto clero. RESOLUÇÃO: Em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero deu início à Reforma Protestante rompendo com a unidade católica. Uma das causas desse movimento foi a doutrina do preço justo defendida pela Igreja Católica, que proibia o lucro nas atividades comerciais. Resposta: A 2. (FGV) – Leia trechos do Manifesto dos camponeses, documento de 1525. “(...) nos sejam dados poder e autoridade, para que cada comunidade possa eleger o seu pastor e, da mesma forma, possa demiti-lo, caso se porte indevidamente. (...) somos prejudicados ainda pelos nossos senhores, que se apoderaram de todas as florestas. Se o pobre precisa de lenha ou madeira, tem de pagar o dobro por ela. (...) preocupam-nos os serviços que somos obrigados a prestar e que aumentam dia a dia (...)”. (In: “Antologia humanística alemã”, apud Marques e outros. História moderna através de textos, 2010.) A partir do documento, é correto afirmar que, no território da atual Alemanha, a) os movimentos camponeses foram liderados por Lutero contra a exploração feita pelos nobres que, de forma ilegal, apropriavam-se das florestas e reprimiam violentamente os movimentos trabalhistas. b) os movimentos dos trabalhadores em favor das mudanças propostas por Lutero baseavam-se na solidariedade entre os homens e em contraposição ao individualismo tão característico da Idade Média. c) a liderança dos movimentos camponeses defendeu a exploração dos trabalhadores, na Alemanha, apoiada por Lutero, e, juntos, receberam proteção dos nobres locais contra a perseguição feita pela Igreja Católica. d) as revoltas camponesas irromperam exigindo reformas sociais e religiosas que prejudicariam parte da nobreza apoiada por Lutero, o qual se colocou abertamente contra os movimentos. e) as experiências dos camponeses contra os nobres, apoiados por Lutero, restringiram-se aos aspectos religiosos, isto é, de domínio da Igreja Católica, pois a cooperação entre os trabalhadores e os proprietários marcava a sociedade alemã. RESOLUÇÃO: A partir da discussão trazida à tona pela Reforma Protestante, surgiram revoltas, em especial nos campos, as quais acabaram por contrariar os interesses defendidos por Lutero e seus seguidores, majoritariamente saídos da nobreza. Resposta: D 3. (UEA) – Escrito entre 1601 e 1602, Hamlet é uma tragédia de autoria de William Shakespeare. A peça conta a história de Hamlet, príncipe da Dinamarca, que volta ao país depois de ter recebido a notícia da morte de seu pai. Ao retornar ao castelo de Elsenor, percebe que sua mãe, recém-viúva, casou-se com Cláudio, irmão do rei morto, que se apossou do trono. O conflito agrava-se quando o espectro do falecido rei aparece a Hamlet, relatando-lhe que ele havia sido assassinado pelo irmão. Hamlet procura vingar a morte do pai e expulsar o usurpador. As consequências do conflito interno da monarquia dinamarquesa resultam em sofrimento, mortes e conquista do país por um exército estrangeiro. Situando-se a peça no período histórico em que foi escrita e analisan- do-se seu conteúdo político, pode-se afirmar que a) a preservação do poder legítimo do monarca é entendida como con - dição necessária à manutenção da estabilidade do reino. b) a centralização política antidemocrática produz a oposição e a rebelião das populações mais pobres do reino. c) o poder absoluto dos reis é considerado causa de desentendi mento, sem que isso altere a estabilidade política dos reinos. d) a fragilidade e a incompetência política e militar dos monarcas ingleses impediram a consolidação do absolutismo. e) as monarquias absolutistas conseguiram impor a religião cristã à sociedade de todos os países europeus. RESOLUÇÃO: Shakespeare (1564-1616) viveu a maior parte de sua vida sob o reinado de Isabel I (Elizabeth), soberana pertencente à Dinastia Tudor, que implantou na Inglaterra um absolutismo de fato. Essa circunstância, aliada ao predomínio do absolutismo de direito nas demais monarquias europeias, fez com que o dramaturgo inglês fosse influenciado pela ideia de que a preservação da autoridade real é fundamental para a estabilidade dos Estados monárquicos. Resposta: A 11 00 Idade Moderna REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 33 34 – H IS T Ó R IA A D 3 . aS 4. (UNICAMP-2019) – “Antes de Copérnico, Kepler e Galileu, os cosmólogos elaboravam sistemas que representavam os corpos celestes por meio de esferas encaixadas umas nas outras, propostas e desenvolvidas por Eudoxo e Aristóteles, de modo a distinguir os mundos celeste e terrestre. É nesse contexto, caracterizado pela tese de que o cosmo é composto de dois mundos distintos (céu e Terra), e pelo axioma platônico, que deve ser entendido o conteúdo da carta de Kepler (1604). Ele apresenta uma etapa do processo de rompimento com essa distinção e com o axioma platônico. Na carta, Kepler apresenta os procedimentos para obter as duas primeiras leis dos movimentos planetários. A importância disso é tão grande que a segunda lei aparece antes da primeira, e a lei das áreas só se torna operante numaórbita elíptica, não podendo ser aplicada às órbitas circulares sem produzir discrepâncias com relação aos dados observacionais de Tycho Brahe.” (Claudemir Roque Tossato. “Os primórdios da primeira lei dos movimentos planetários na carta de 14 de dezembro de 1604 de Kepler a Mästlin”. Scientiae Studia, São Paulo, v. 1, n. 2, p. 199- 201, jun. 2003. Adaptado.) Considerando o contexto histórico descrito e as leis físicas apresentadas por Kepler, assinale a alternativa correta. a) Copérnico, Kepler e Galileu fazem parte da chamada Revolução Científica, que rompe com leituras especulativas do Universo, baseadas em premissas aristotélicas e tomistas, e propõe análises empiristas do mundo natural. O conceito de órbitas circulares para o movimento dos planetas em torno do Sol, em que a distância entre o planeta e o Sol permanece constante durante o movimento, foi abandonado por Kepler. b) A Revolução Científica da época Moderna propõe a ruptura com o ideal divino, sendo, por isso, combatida pela Igreja Católica, que defendia a orquestração divina sobre o mundo humano e natural. O conceito de órbitas circulares para o movimento dos planetas em torno do Sol, em que a distância entre o planeta e o Sol é variável durante o movimento, foi abandonado por Kepler. c) Copérnico, Kepler e Galileu foram perseguidos pela Igreja Católica do período Moderno, por representarem o questionamento dos ideais medievais sobre a organização do céu e da Terra e sobre a onipresença divina. O conceito de órbitas circulares para o movimento dos planetas em torno do Sol, para as quais a distância entre o planeta e o Sol é variável durante o movimento, foi aban - donado por Kepler. d) A Revolução Científica da época Moderna, incen tivada pela Igreja Católica, propõe a manu tenção do antropocentrismo medieval, associado aos conhecimentos empíricos para a leitura e repre - sentação do mundo natural. O conceito de órbitas circulares para o movimento dos planetas em torno do Sol, para as quais a distância entre o planeta e o Sol permanece constante durante o movimento, foi abandonado por Kepler. RESOLUÇÃO: A chamada Revolução Científica, ocorrida durante o Renascimento, promoveu estudos e explicações científicas e naturais para diversos fenômenos da Natureza. Os trabalhos de Copérnico, Galileu e Kepler fazem parte desse contexto. Resposta: A 5. (UEG-Adaptada) – “Após a decapitação do rei, o Parlamento sofreu nova depuração. Um Conselho de Estado, com 41 membros, passou a exercer o Poder Executivo. Mas o controle do governo estava de fato nas mãos de Cromwell. Ofereceram-lhe a coroa, mas ele a recusou: na prática, já era um soberano e podia até fazer seu sucessor.” (Nelson Piletti; José Jobson de A. Arruda. Toda a História. São Paulo: Ática, 2000, p. 228.) Após a morte de Cromwell, em 1658, o destino da República Puritana foi marcado pela(o) a) deposição, já no ano seguinte, de seu filho e sucessor, Richard Cromwell, permitindo o início da fase de Restauração. b) reformulação e fortalecimento do Parlamento inglês, num golpe militar conhecido como “Revolução Gloriosa”. c) proibição das práticas puritanas, fazendo com que muitos membros do movimento migrassem para a América. d) invasão de Guilherme de Orange, que implantou a Lei do Teste, obrigando todos os funcionários públicos a se declararem católicos. RESOLUÇÃO: A questão remete às Revoluções Inglesas no século XVII. O texto aponta para a República Puritana, liderada por Oliver Cromwell, 1649-1659. Oliver Cromwell morreu e seu filho Richard Cromwell assumiu o trono sem sucesso. Desta forma, ocorreu a Restauração Monárquica, tendo como soberano o rei Carlos II, 1660-1685. Em 1689 aconteceu a importante Revolução Gloriosa substituindo a monarquia absolutista pela monarquia parlamentarista que reina no país até hoje. Resposta: A 6. (IFCE-2019) – O iluminismo (ou ilustração) foi uma corrente de ideias que teve origem no século XVII e se desenvolveu sobretudo no século XVIII. O referido movimento é considerado importante por transformar a visão tradicional do homem moderno. O iluminismo expressou a a) consolidação dos dogmas religiosos como importantes na vida humana. b) negação dos princípios do uso da razão, pois não contribuía para o conhecimento humano. c) consolidação do uso da razão, ou racionalismo, como elemento essencial do ser humano. d) consolidação da providência divina dos reis. e) negação dos valores do humanismo e do uso da razão. RESOLUÇÃO: O iluminismo começou no final do século XVII na Inglaterra com o pensamento de John Locke, um grande crítico do absolutismo, e ganhou força na França no século seguinte. O movimento iluminista acredita no homem e no uso da razão para conquistar a autonomia no campo da ética e da política. Resposta: C REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 34 – 35 H IS T Ó R IA A D 3 .a S 7. (UFJF-2020) – “Aqueles que são contratados experienciam uma distinção entre o tempo do empregador e o seu “próprio” tempo. E o empregador deve usar o tempo de sua mão de obra e cuidar para que não seja desperdiçado: o que predomina não é a tarefa, mas o valor do tempo quando reduzido a dinheiro. O tempo agora é moeda: ninguém passa o tempo, e sim o gasta” [...] “Havia muitos relógios em Londres na década de 1790: a ênfase estava mudando do “luxo” para a “conveniência”; até os colonos podiam ter relógios de madeira. Na verdade (como seria de esperar), ocorria uma difusão geral de relógios portáteis e não portáteis no exato momento em que a Revolução Industrial requeria maior sincronização do trabalho.” (THOMPSON, E. P. “Tempo, disciplina de trabalho e o capitalismo industrial”. In: Costumes em comum: estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 272 e 279.) O texto acima aborda a transição para a sociedade industrial, as mudanças na percepção interna de tempo e o surgimento de uma disciplina de trabalho nos finais do século XVIII e início do século XIX. Das alternativas abaixo, assinale a opção correta: a) Com o advento da sociedade industrial e da disciplina do trabalho, os trabalhadores passaram a ter o controle de sua vida produtiva, cuja dinâmica oscilava entre momentos de trabalho volumoso e de ociosidade intensa. b) Durante o estabelecimento do processo industrial inglês, os padrões de trabalho tinham como característica a irregularidade, com tarefas semanais ou quinzenais, fazendo com que o dia de trabalho fosse moldado pelo trabalhador. c) No contexto da transição para a sociedade industrial, a posse e o uso do relógio de bolso ficaram restritos à elite, sendo, portanto, artigo de luxo, feito de metais preciosos e utilizado para acentuar status. d) A introdução da disciplina de trabalho gerou melhorias nas condições de vida dos trabalhadores, pois, com ela, passaram a usufruir de benefícios, como gratificações por pontualidade, pagamento de horas extras, férias remuneradas. e) A divisão do trabalho, a supervisão do trabalho, o uso de relógios, o uso racional do tempo foram alguns dos recursos utilizados pelos industriais para formar novos hábitos e nova disciplina de tempo entre os trabalhadores. RESOLUÇÃO: Antes da Revolução Industrial, havia o tempo da natureza, um ritmo de trabalho mais flexível, orientado pela natureza e pelas tradições da comunidade. Com a Revolução Industrial, o trabalho nas fábricas com as máquinas passou a ser repetitivo, mecanizado, disciplinado, controlado pelo relógio, um instrumento para regular o ritmo de trabalho dos operários. Resposta: E 8. (CPS-2020) – Iniciada em 1789, a Revolução Francesa tinha como um de seus principais objetivos a abolição da sociedade de Antigo Regime, com o fim dos privilégios e das desigualdades entre os diferentes grupos sociais. Pouco antes da Revolução, a sociedade francesa estava dividida entre a) apoiadores de Napoleão e de Robespierre,importantes lideranças políticas conservadoras que lutavam pela manutenção da monarquia francesa. b) burguesia e trabalhadores rurais e urbanos, já que o clero e a nobreza não tinham participação significativa na política francesa no período pré-revolucionário. c) girondinos e Sans Culottes, grupos rivais que disputavam a hegemonia política e representavam os diferentes interesses da burguesia na relação com o rei Luís XVI. d) Primeiro e Segundo Estados (clero e nobreza), que reuniam cerca de 3% da população, e Terceiro Estado, que abrigava a burguesia, os trabalhadores urbanos e rurais e pagava, sozinho, todas as taxas e os impostos diretos cobrados pela monarquia. e) Primeiro e Segundo Estados (clero e nobreza), que reuniam a minoria da população, mas pagavam, sozinhos, todas as taxas e os impostos diretos que financiavam os programas assistenciais que mantinham parte do Terceiro Estado. RESOLUÇÃO: Na França pré-revolucionária a divisão social era hierarquizada, sendo que o Primeiro e o Segundo Estados (clero e nobreza) eram privilegiados, possuíam isenção fiscal e direitos políticos, e o Terceiro Estado (trabalhadores e burguesia) sustentava o reino, mas não possuía direitos políticos e sociais. Resposta: D REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 35 36 – 1. (UEG) – Em 1804, Napoleão Bonaparte recebeu o título de impera dor, mediante um plebiscito. Durante sua cerimônia de coroação, ele retirou do Papa a coroa e colocou-a em sua cabeça com as próprias mãos. Esse gesto ousado representou a) o rompimento entre a Igreja Católica Romana e o novo Estado Revolucionário Francês. b) que Napoleão estava assumindo todas as responsabilidades do Poder Moderador na França. c) que Napoleão, símbolo máximo da força da burguesia, considerava- se mais importante que a tradição da Igreja. d) a criação de uma religião de Estado, tendo como figura central o imperador, a exemplo do anglicanismo inglês. RESOLUÇÃO: O governo de Napoleão representou a continuidade da Revolução Francesa e da defesa dos interesses econômicos da burguesia. Apesar de iniciar uma ditadura, contrariando o princípio de liberdade política, seu governo preservou os ideais e as instituições sob a óptica burguesa, eliminando as concepções que valorizassem as tradições da nobreza ou da Igreja. Resposta: C 2. (UFC) – Entre 1792 e 1815, a Europa esteve em guerra quase permanente. No final, os exércitos napoleônicos foram derrotados. Em seguida, as potências vencedoras, Rússia, Prússia, Grã-Bretanha e Áustria, conjuntamente com a França, reuniram-se no Congresso de Viena, que teve como consequência política a formação da Santa Aliança. A partir do comentário acima, assinale a alternativa que contenha duas decisões geopolíticas aprovadas pelo citado Congresso: a) defesa do liberalismo e auxílio aos movimentos socialistas na Europa. b) restabelecimento das fronteiras anteriores a 1789 e isolamento da França do cenário político europeu. c) valorização das aristocracias em toda a Europa continental e ascensão dos girondinos no governo da França a partir de 1815. d) reentronização das casas reais destituídas pelos exércitos napoleônicos e criação de um pacto político de equilíbrio entre as potências europeias. e) apoio aos movimentos republicanos e concentração de poderes na coroa britânica, permitindo a esta a utilização da sua marinha de guerra como instrumento contrarrevolucionário. RESOLUÇÃO: A ideia dos países líderes do Congresso de Viena, após a derrota de Napoleão, era reorganizar o mapa europeu, combater novas revoluções e movimentos liberais, bem como restaurar a antiga ordem europeia. Resposta: D 3. (CPS-2020) – Oficialmente, a Conferência de Berlim, realizada entre novembro de 1884 e fevereiro de 1885, na Alemanha, serviria para assegurar a livre circulação e comércio na Bacia do Rio Congo e no Rio Níger, bem como o compromisso das potências europeias de lutar pelo fim da escravidão no continente. Entretanto, o maior objetivo das negociações era a) assegurar os direitos portugueses de colonização sobre toda a área que se estende entre Angola e Moçambique, na África Austral, já que Portugal foi o primeiro país a se instalar nos territórios africanos. b) resolver os conflitos entre as potências europeias, que tinham interesse em adquirir a maior extensão possível de territórios e possessões na África, continente rico em recursos naturais e em matérias-primas. c) concretizar os planos de Martinho Lutero que, no contexto da Reforma Protestante, preconizou a conversão dos povos africanos ao cristianismo evangélico. d) apoiar a expansão do Partido Nazista alemão com a anexação de novos territórios e, consequentemente, de novos cidadãos para a formação do III Reich. e) impedir a participação dos países emergentes da América do Sul no comércio de longa distância de produtos como ouro, diamantes e marfim. RESOLUÇÃO: A Conferência de Berlim estabeleceu as regras para a Partilha da África, definindo como as potências europeias dividiriam o continente africano sem entrar em conflito entre si. Resposta: B 4. (UFG) – “Por mais que retrocedamos na História, acharemos que a África está sempre fechada no contato com o resto do mundo, é um país criança envolvido na escuridão da noite, aquém da luz da história consciente. O negro representa o homem natural em toda a sua barbárie e violência; para compreendê-lo, devemos esquecer todas as representações europeias. Devemos esquecer Deus e as leis morais.” (HEGEL, Georg W. F. “Filosofia de la historia universal”. Apud HERNANDEZ, Leila M. G. A África na sala de aula: visita à história contemporânea. São Paulo: Selo Negro, 2005. pp. 20-21. Adaptado.) O fragmento é um indicador da forma predominante como os europeus observavam o continente africano, no século XIX. Essa observação relacionava-se com uma definição sobre a cultura, que se identificava com a ideia de a) progresso social, materializado pelas realizações humanas como forma de se opor à natureza. b) tolerância cívica, verificada no respeito ao contato com o outro, com vistas a manter seus hábitos. H IS T Ó R IA A D 3 . aS 11 11 Idade Contemporânea I REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 36 c) autonomia política, expressa na escolha do homem negro por uma vida apartada da comunidade. d) liberdade religiosa, manifesta na relativização dos padrões éticos europeus. e) respeito às tradições, associado ao reconhecimento do valor do passado para as comunidades locais. RESOLUÇÃO: O texto da questão expressa a visão europeia de dominação com o olhar exótico para as populações africanas. Para a burguesia europeia do final do século XIX, que vivia um período de grande expansão do sistema capitalista por todo o planeta, o continente africano era uma região a ser incorporada e explorada a partir das necessidades do capitalismo. O pensamento eurocêntrico apontava para a “missão civilizadora” do europeu no momento do neocolonialismo e do imperialismo do século XIX. A África, bem como a Ásia, deveria ser “civilizada” pelo contato com o europeu. Resposta: A 5. (UFJF-2019) – Leia a charge e o texto a seguir. (Disponível em: <http://twixar.me/zMG3>. Acesso em 9 out. 2018.) “Todos esses capitalistas, exploradores dos pobres, sanguessugas do povo. Ninguém reclama, ninguém protesta e eles fazendo dos humildes gato e sapato. Aumentando os preços de tudo quando querem, sem o mínimo respeito, sem a mínima consideração. Uns atrevidos soltos nas suas ganâncias. Uns atrevidões! […] Aqueles que estudam o passado acabam deparando-se com duas conclusões contraditórias. A primeira é que o passado era muito diferente do presente. A segunda é que ele era muito parecido […]. Por isso, quando me perguntavam sobre como era minha família, eu dizia: são anarquistas, anarquistas graças a Deus” (GATTAI, Zélia. Anarquistas, graças a Deus.São Paulo: Record, 1979.) Sobre o anarquismo, é correto afirmar: a) Os anarquistas condenavam a violência como meio de ação, angariando, assim, o apoio da burguesia industrial. b) O anarquismo era um movimento de base rural, que propunha a manutenção dos padrões sociais vigentes. c) Os anarquistas defendiam uma educação libertária e a necessidade de eliminar quaisquer formas de intervenção estatal e representação política. d) Seus teóricos defendiam a intervenção do Estado na economia e contavam com o apoio do clero e da burguesia. e) Sua força de organização foram os partidos políticos que lutavam para a tomada do controle administrativo do Estado. RESOLUÇÃO: O movimento anarquista no século XIX defendia um comunismo libertário, com ampla liberdade humana e bem-estar social. Criticava o Estado bem como os partidos políticos que buscavam muito mais o poder político e econômico e não libertar o homem. Resposta: C 6. (UNIOESTE-2019) – Analise a afirmação a seguir. “Definir a diferença entre partes avançadas e atrasadas, desenvolvidas e não desenvolvidas do mundo, é um exercício complexo e frustrante, pois tais classificações são por natureza estáticas e simples, e a realidade que deveria adequar-se a elas não era nenhuma das duas coisas.” (E. J. Hobsbawm. A Era dos Impérios. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988, p. 46.) A menção do autor remete às justificativas, muitas vezes apontadas, sobre a ocupação imperialista em África e Ásia nos séculos XIX e XX. Sua indicação sugere certa complexidade a esse processo. Portanto, permite que façamos as seguintes afirmações, exceto: a) O apartheid na África do Sul foi uma proposta de superação da segregação e da supremacia holandesa e inglesa. Após 70 anos do início dessa prática, a população sul-africana se tornou exemplo mundial na construção de um país após domínios estrangeiros. b) A experiência do Timor Leste é significativa para observarmos a dificuldade de assegurar a autonomia de uma nação, pois essa região permaneceu como território português até meados da década de 1970 e, após isso, os timorenses lutaram contra o domínio da Indonésia até início do século XXI, dizimando grande parte da população. c) A morte de Gandhi, em 1948, – após a independência e perda de territórios indianos na constituição de outros países –, é expressão da luta estabelecida pela independência e, também, os limites dessa conquista. d) A Guerra Fria impulsionou determinadas ações para a independência, as quais foram promovidas tanto pelos Estados Unidos quanto pela União Soviética. Entretanto, a Conferência de Bandung, em meados do séc. XX, procurava assegurar o não alinhamento e preservar interesses das nações afro-asiáticas. e) A tensão vivenciada em face do grande número de civis mortos e os abusos cometidos tanto na ocupação estrangeira quanto no processo de independência causaram imensos problemas para a reestru - turação das nações afro-asiáticas. RESOLUÇÃO: O regime do apartheid que ocorreu na África do Sul na segunda metade do século XX foi um exemplo de segregação racial na qual uma minoria branca dominava e discriminava a maioria negra. Resposta: A – 37 H IS T Ó R IA A D 3 .a S REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 37 38 – 7. (UNESP) – “Nem todos os homens se renderam diante das forças irresistíveis do novo mundo fabril, e a experiência do movimento dos quebradores de máquina demonstra uma inequívoca capacidade dos trabalhadores para desencadear uma luta aberta contra o sistema de fábrica. De um lado, esse movimento de resistência visava investir contra as novas relações hierárquicas e autoritárias introduzidas no interior do processo de trabalho fabril, e nessa medida a destruição das máquinas funcionava como mecanismo de pressão contra a nova direção organizativa das empresas; de outro lado, inúmeras atividades de destruição carregaram implicitamente uma profunda hostilidade contra as novas máquinas e contra o marco organizador da produção que essa tecnologia impunha.” (Edgar de Decca. O nascimento das fábricas, 1982. Adaptado.) De acordo com o texto, os movimentos dos quebradores de máquinas, na Inglaterra do final do século XVIII e início do XIX, a) expunham a rápida e eficaz ação dos sindicatos, capazes de coordenar ações destrutivas em fábricas de diversas partes do país. b) representavam uma reação diante da ordem e da disciplinarização do trabalho, facilitadas pelo emprego de máquinas na produção fabril. c) indicavam o aprimoramento das condições de trabalho nas fábricas, que contavam com aparato de segurança interna contra atos de vandalismo. d) revelavam a ingenuidade de alguns trabalhadores, que não percebiam que as máquinas auxiliavam e facilitavam seu trabalho. e) simbolizavam a rebeldia da maioria dos traba lhadores, envolvidos com partidos e agrupamentos políticos de inspiração marxista. RESOLUÇÃO: O movimento citado no texto – quebra das máquinas – era o ludismo. Ele simbolizava uma resistência a duas coisas: (1) a rigidez do trabalho nas fábricas e (2) o desemprego gerado pela maquinofatura. Resposta: B 8. (UFJF-2019) – Observe os dados a seguir. I – Produtividade na indústria inglesa de tecidos de algodão (FREITAS, Gustavo de. 900 textos e documentos de História. v. III. Lisboa: Plátano, s/d.) II – Projeções em torno do mercado de trabalho mundial até 2020 A partir dos dados apresentados a respeito dos cenários de trabalho e emprego no mundo desde o advento da Revolução Industrial, é possível afirmar que a) enquanto na primeira tabela são revelados aspectos sobre a qualidade de vida da população operária no período posterior à Revolução Industrial, no segundo informe são trazidos aspectos relativos à partição mundial da riqueza entre os trabalhadores. b) a tendência de automação observada desde o advento da Revolução Industrial vem produzindo cenários de crise derivados de um desemprego estrutural típico da economia capitalista. c) os dados sobre o contexto contemporâneo revelam um cenário de equilibrado crescimento econômico global e são explicados em virtude do aumento dos empregos, o que vem acontecendo desde a Revolução Industrial. d) os dados sobre o contexto do século XIX revelam um cenário de retração econômica e podem ser explicados pela ausência de capitais a serem investidos na indústria. e) as transformações nas formas de produção e organização do trabalho produzidas no contexto da Revolução Industrial tiveram caráter local e regional, com frágeis impactos nos períodos históricos posteriores. RESOLUÇÃO: A Revolução Industrial desde a Primeira Fase, no final do século XVIII, tem provocado transformações significativas no mundo econômico e social, no entanto, a partir da Terceira Fase, depois da década de 1970, ocorreu uma grande Revolução Tecnológica pautada em novas tecnologias, inovações, conhecimentos, culminando em um desemprego estrutural. As novas demandas de emprego estão ligadas a outras modalidades de trabalho, conforme aponta a projeção do mercado de trabalho. Resposta: B Anos Número de horasde trabalho Produção por operário 1829-1831 100 100 1844-1846 87 372 1859-1861 87 708 1880-1882 82 948 H IS T Ó R IA A D 3 . aS REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 38 1. Surgido entre 1917 e 1919, o vírus H1N1 (que depois voltaria a se manifestar em 2009), espalhou-se por todos os países participantes do conflito. A censura militar escondeu a doença da imprensa, o que fez com que a mortalidade atingisse grandes parcelas da população na Tríplice Aliança e na Tríplice Entente. Na Espanha neutra morreu o rei Afonso XIII. Como a Espanha era neutra, a censura militar liberava informações sobre o país, o que erroneamente denominou a doença. Com base nas imagens e nos seus conhecimentos, podemos identificar o conflito como a) a Segunda Grande Guerra Mundial, na qual a censura militar ajudou a disseminar a ideia da tecnológicaguerra biológica alemã que se somou à prática da guerra química. b) a Revolução Russa de 1917, na qual a violência do conflito e o caráter antidemocrático do czarismo propiciaram informações errôneas sobre a a natureza da pandemia. c) a Primeira Grande Guerra Mundial, na qual a inovação das práticas militares e a manipulação da população pela censura dos contendores acabou por facilitar a disseminação da doença. d) a Primeira Guerra Mundial, na qual as ótimas condições de higiene e o forte conhecimento científico na área de infectologia rapidamente contiveram a disseminação da enfermidade. RESOLUÇÃO: A H1N1 surgiu nos campos de batalha, na fase final da Primeira Grande Guerra Mundial (1914-1918). Alguns afirmam que ele é um cruzamento de vírus humanos com os da gripe suína. As péssimas condições de higiene, a ignorância e a manipulação dos meios de comunicação na guerra colaboraram para sua rápida e mortal disseminação. Resposta: C Imagens acima: – Recomendações das autoridades para evitar o contágio – Família com máscaras de proteção. – Soldados norte-americanos na França. – 39 H IS T Ó R IA A D 3 .a S 11 22 Idade Contemporânea II REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 39 40 – 2. (PUC-Campinas) – “Regimes que se dizem cristãos e que derivam sua autoridade de um determinado corpo de textos já variaram do reino feudal de Jerusalém aos shakers, do império dos tsares russos à República Holandesa, da Genebra de Calvino à Inglaterra georgiana. Em épocas distintas, a teologia cristã absorveu Aristóteles e Marx. Todos afirmavam provir dos ensinamentos de Cristo – embora em geral desagradando a outros cristãos igualmente convencidos de sua cristandade.” (Eric Hobsbawm. Como mudar o mundo. Marx e o marxismo (1840-2011). São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 312.) Sobre o império dos tsares russos a que o texto se refere, pode-se afirmar que, na década de 1860, o czar Alexandre II, com empréstimos franceses, inicia a) uma intensa reforma social e política como a abolição da escravidão, da prisão por dívida, reformas educacionais e restabelecimento de liberdade de culto e uma ampla reforma agrária com confisco das terras dos nobres emigrados. b) um forte desenvolvimento industrial e militar na Rússia provocando algumas mudanças socioeconômicas, como o do controle operário sobre a produção e a distribuição igualitária do que for produzido pelos membros da sociedade. c) uma crescente intervenção do Estado russo sobre a economia provocando muitas mudanças, como a decadência dos dogmas do liberalismo, a falência do pequeno proprietário de terra e a emissão de moedas para conter a inflação. d) um acentuado período de planejamento econômico na Rússia, por meio de medidas como o financiamento das obras públicas, com o intuito de minimizar o desemprego, estimular o consumo, aumentar o salário do trabalhador. e) uma concentrada industrialização na Rússia provocando diversas modificações sociais, como o surgimento de um vigoroso movimento operário e o início da disputa política entre a jovem burguesia e a nobreza russa. RESOLUÇÃO: A Rússia deu início tardiamente à sua Revolução Industrial. As péssimas condições de trabalho impostas ao campesinato russo foram transferidas para as fábricas, para seus trabalhadores urbanos, o que deu margem para o surgimento de um organizado movimento operário russo e do Partido Social Democrata Russo. Tais surgimentos foram precedentes da Revolução Russa. Resposta: E 3. (MACKENZIE) – “Em 30 de janeiro de 1933, Hitler se tornou chanceler da Alemanha (...) [e] agiu rápido para extinguir a democracia [no país]. Um Decreto de Emergência, aprovado pelo Reichstag em 5 de fevereiro, desapropriava todos os prédios e todas as prensas tipográficas do Partido Comunista e fechava as organizações pacifistas. Os Camisas-Marrons atacaram os prédios da federação dos sindicatos e surraram opositores políticos nas ruas. (...) A partir de 9 de março, o terror encontrou uma base segura atrás de arames farpados. O processo se iniciou no dia em que a SS enviou milhares de críticos do regime, entre eles comunistas, sociais-democratas, sindicalistas e judeus de toda sorte para um assim chamado ‘campo de concentração’ criado em Dachau, perto de Munique, coordenado por um dos pelotões mais brutais da SS na Baviera”. (Martin Gilbert. A História do Século XX. São Paulo: Planeta, 2016, pp. 243-244.) O texto aponta a ideologia e as ações levadas adiante pelo regime nazista na Alemanha. Sobre o assunto, assinale a alternativa correta. a) Profundamente antissemita e avessa à democracia e ao comunismo, a política nazista pautou-se pela concretização de um Estado totalitário de extrema direita. Para isso, ações terroristas, perseguição e eliminação de amplos setores sociais e políticos foram armas utilizadas, visando à legitimação e à consolidação do regime idealizado por Hitler. b) O regime nazista, uma vez no poder, perseguiu e eliminou os opositores, destacadamente comunistas e judeus. Sua ligação com movimentos sindicais de esquerda, na Alemanha, foi importante na estratégia nazista de tomada de poder, mas não foi suficiente para evitar o extermínio dos comunistas nos campos de concentração. c) Racismo, xenofobia e aversão aos princípios democráticos foram características fundamentais do Estado nazista implantado na Alemanha. Para legitimar suas ações perante a população, Hitler, uma vez no poder, criou campos de extermínio por todo o país e confinou neles antigos aliados, tais como os comunistas. d) O regime nazista consolidou-se a partir da década de 1930. Sua gestação, porém, iniciou-se anos antes, quando Hitler, com apoio da SS, promoveu atentados a sinagogas, sindicatos e prédios públicos e conseguiu uma ampla rede de apoio entre jovens nacionalistas frustrados com a política e a economia do país. e) O nacionalismo que surgiu com o regime nazista estruturou-se em bases racistas e terroristas, ao perseguir e eliminar exclusivamente judeus e comunistas. Por isso, agrupamentos como os Camisas- Marrons e a SS foram fundamentais, pois atuavam como o braço armado de um poderoso sentimento de pertencimento gerado na população do país. RESOLUÇÃO: O texto remete à implantação do Terceiro Reich na Alemanha em 1933. Hitler, líder do Partido Nazista, liderou um processo de extermínio aos judeus, com o uso dos campos de concentração, criticou a democracia, as ideias comunistas e liberais e defendeu um Estado totalitário pautado em um forte nacionalismo e militarismo. Resposta: A H IS T Ó R IA A D 3 . aS REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 40 4. (ACAFE-2019) – Em 2019 completaram-se 80 anos do início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Acerca dos antecedentes que contribuíram para este conflito e das ações realizadas durante esta guerra, é correto afirmar: a) Antes do início da guerra, alemães e soviéticos assinaram um pacto de não agressão. Uma das cláusulas deste pacto previa a divisão da Polônia entre a Alemanha e a União Soviética. b) A Operação Barbarossa visava assegurar a hegemonia alemã no Canal da Mancha, iniciando a ocupação da França. c) Os alemães venceram a Batalha de Stalingrado e forçaram o recuo do Exército Vermelho. Os britânicos foram decisivos para a reorganização do Exército Soviético e para seu posterior avanço rumo a Berlim. d) Durante a Segunda Guerra, o mapa da Europa modificou-se, surgiram a Iugoslávia e a Romênia, e a República Tcheca separou- se da Eslováquia. RESOLUÇÃO: O pacto de não agressão germano-soviético, conhecido como Ribbentrop- Molotov, é considerado o estopim da Segunda Guerra Mundial, 1939-1945. O pacto desagradou muito Inglaterra e França, que imaginavam um conflito entre Hitler e Stálin. A grande vítima desse acordo foi a Polônia, que foi dividida entre alemães e soviéticos. Esse pacto também permitiu à URSS expandir-se pelo Báltico. Resposta: A5. (UFPR-2020) – Com o fim da Segunda Guerra Mundial, foram constituídas zonas de influência geopolítica caracterizadas pela hegemonia ostentada por duas superpotências econômicas e militares que emergiram do conflito: Estados Unidos e União Soviética. Sobre o período que se convencionou denominar como “Guerra Fria”, é correto afirmar: a) Índia, Egito e Indonésia, entre outros, permaneceram neutros durante a Guerra Fria, não se alinhando ao sistema bipolar. b) Acordos econômicos eram efetivados entre o Japão e a China, que se mantiveram neutros em relação aos conflitos do Ocidente. c) Na década de 1950, os Estados Unidos e a União Soviética assinaram um pacto para evitar a proliferação de armas nucleares. d) O macarthismo, movimento político desenvolvido nos Estados Unidos durante a década de 1950, manifestou-se pelo fim das hostilidades entre soviéticos e estadunidenses. e) Com a morte do líder soviético Stálin, ocorrida no ano de 1953, o sistema mundial de dominação bipolar foi dissolvido, sendo criada no ano seguinte a Liga das Nações. RESOLUÇÃO: A Guerra Fria permaneceu apesar da morte de Stálin em 1953. O macarthismo, década de 1950 nos Estados Unidos, foi caracterizado por uma verdadeira “caça aos comunistas” ou simpatizantes. EUA e URSS não assinaram acordos para evitar a proliferação de armas nucleares na década de 1950. Em 1955 ocorreu a Conferência de Bandung na Indonésia, os países dela participantes defenderam a autodeterminação dos povos, criticaram o imperialismo, apoiaram o anticolonialismo e o combate ao racismo. Surgiu a expressão “Terceiro Mundo”, o bloco dos países não alinhados com EUA ou URSS; é o caso do Egito liderado por Nasser, Índia liderada por Nehru e a Indonésia de Sukarno, entre outros. Resposta: A 6. (UFRGS-2020) – Em agosto de 1969, foi realizado, no estado de Nova Iorque, um grande festival de música e arte que ficou conhecido como “Woodstock”, considerado marco e expressão do movimento de contracultura. A respeito dos objetivos desse movimento, é correto afirmar que a) era composto, majoritariamente, por jovens apoiadores da expansão imperialista dos Estados Unidos no Oriente Médio. b) representou os ideais conservadores de artistas e intelectuais do Partido Republicano, contrários à expansão de uma nova cultura juvenil que pregava a liberdade sexual. c) foi um movimento engajado na luta pacifista e contrário à participação dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. d) foi um movimento que, fundado por jovens oriundos do sul do continente, pregava a valorização do folclore e da cultura da América Latina. e) foi liderado por artistas como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Joan Baez e Bob Dylan, defensores do caráter neutro da cultura em relação aos assuntos políticos. RESOLUÇÃO: Em meio à bipolaridade típica da Guerra Fria, foi realizado o Festival de Woodstock em NY. Reunindo um público adepto da cultura hippie e do rock and roll, o Festival acabou tornando-se uma bandeira pela retirada dos EUA da Guerra do Vietnã, então vigente. Resposta: C – 41 H IS T Ó R IA A D 3 .a S REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 41 42 – 7. (UFMS-2020) – Leia a frase a seguir. “Esse é um pequeno passo para um homem, um salto gigante para a humanidade.” (Neil Armstrong). A frase dita por Neil Armstrong em 20 de julho de 1969, quando o norte-americano foi o primeiro homem a pisar na Lua, se tornou uma das mais simbólicas do período denominado Guerra Fria, um conflito político-ideológico que polarizou o mundo na segunda metade do século XX. Em relação à corrida espacial, assinale a alternativa correta. a) Foi um período de intensa corrida bélica entre os países que compunham a Tríplice Entente e a Tríplice Aliança, já que havia um clima de tensões e animosidades, podendo desencadear-se uma guerra a qualquer momento. b) Foi um acordo assinado entre Estados Unidos e União Soviética para não transferir a tecnologia espacial aos demais países. A ideia era promover um uso racional do espaço. c) Foi uma corrida tecnológica entre Estados Unidos e União Soviética a partir de 1957. Os Estados Unidos logo obtiveram vantagem quando inauguraram, em 1961, a Estação Espacial Modular, que permitiu avanços significativos na tecnologia aeroespacial. d) Foi uma corrida tecnológica entre Estados Unidos e União Soviética a partir de 1957. A ideia era desenvolver tecnologia para a construção de aeronaves espaciais e satélites que ajudassem na exploração do espaço. e) Foi uma corrida tecnológica desenvolvida em parceria entre Estados Unidos e União Soviética a partir de 1945, para a construção de aeronaves espaciais e satélites que ajudassem na exploração do espaço. RESOLUÇÃO: A Guerra Fria, 1945-1991, foi um conflito ideológico entre o mundo capitalista liderado pelos Estados Unidos contra o mundo socialista liderado pela URSS. Em 1957, comemorando os 40 anos da Revolução Russa, a URSS iniciou a corrida espacial com o satélite Sputnik 1; poucos meses depois, os EUA também entraram na corrida espacial. Resposta: D 8. (UFJF-2019) – 1968 foi o ano em que milhares de estudantes e militantes franceses saíram às ruas contra a repressão e a desigualdade entre os sexos nas universidades, contra um grande espectro de posturas conservadoras e contra o então presidente Charles de Gaulle. Os protestos se espalharam por grande parte dos países ocidentais, ganhando contornos diversos, conforme cada contexto. Observe abaixo algumas frases pichadas pelos manifestantes nos muros franceses e usadas em cartazes em maio de 1968: “A humanidade nunca será feliz até o último capitalista ser enforcado nas tripas do último burocrata.” “A mercadoria, nós a queimaremos.” “Corra, camarada, o velho mundo está atrás de você.” “É proibido proibir.” “Faça amor, não faça guerra.” “Meu corpo é meu.” “O patrão precisa de ti; tu não precisas do patrão.” “Professores, vocês nos fazem envelhecer.” “Quanto mais eu faço amor, mais eu tenho vontade de fazer revolução; quanto mais eu faço revolução, mais eu tenho vontade de fazer amor.” “Você está sendo intoxicado: rádio, televisão, jornal, mentira.” (Disponível em: <https://bit.ly/2w3el4Z>. Acesso em: 10 out. 2018.) Sobre os movimentos de 1968 e seus desdobramentos, é correto afirmar que a) consideravam a mídia um poderoso instrumento de contestação. b) criticavam o status quo, o sistema capitalista e a sociedade de consumo. c) defendiam a estrutura da educação formal vigente. d) eram contra a liberdade sexual e a igualdade entre os sexos. e) exigiam maior integração dos jovens às fileiras dos exércitos nacionais. RESOLUÇÃO: Os movimentos de 1968, iniciados na França e replicados em vários lugares do mundo, tiveram em comum uma agenda básica de reivindicações: o fim da sociedade de consumo e das desigualdades sociais criadas pelo sistema capitalista de produção, uma maior valorização dos trabalhadores e a ampliação dos seus direitos, o direito às decisões sobre o que fazer em relação ao próprio corpo, em especial no caso das mulheres, e o pacifismo ao invés dos conflitos armados. Resposta: B H IS T Ó R IA A D 3 . aS REV_GERAL1_AD_HIS_2020_JR.qxp 25/08/2020 15:31 Página 42