Logo Passei Direto
Buscar

TEXTO E EXERCÍCIOS 3 ANO PARA 18-10-21 TEMA^J ORG. SOCIAL^J ECON.^J CULTURAL E POLÍTICA DOS PAÍSES (2)

Ferramentas de estudo

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Professor: Júlio Éber 
Aluno: 
Série: 3ª _____ Turma:______ Período: IV Bimestre 03-11-21 
Componente Curricular: GEOGRAFIA 
Tema: ORG. SOCIAL, ECON., CULTURAL E POLÍTICA DOS PAÍSES 
 
. Organização social, ECONÔMICA, CULTURAL E 
POLÌTICA DOS PAÍSES 
Chamamos organização social o fenômeno que permite diversos elementos 
distintos vivendo em comunidade. Para além da estrutura social básica, há 
a organização de um todo complexo (sociedade) dividido em partes distintas 
(indivíduos). A gestão dessas partes individuais e subjetivamente diferentes é a 
organização social. A organização social implica modelos políticos, econômicos 
e sociais que devem garantir o pleno funcionamento da ordem dentro de uma 
sociedade. 
O que é organização social 
Pense, primeiramente, no mundo animal: entre os animais não há lei (exceto a 
lei da natureza), ou seja, não há lei civil. Se não há lei civil, não há 
civilização. Não havendo civilização, tampouco racionalidade humana, também 
não há moral entre os animais. Não havendo todos esses elementos, não há 
sociedade e sim comunidade primitiva. Também não há economia, noções de 
valores, distinção, trocas etc. Não havendo esse conjunto de elementos no 
mundo animal, a comunidade primitiva na qual algumas espécies vivem é regida 
apenas pelos instintos e pela lei de natureza. O ser humano é diferente. 
 
 
https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/o-que-moral.htm
 
A organização social é o modo como a sociedade constitui-se para manter as 
suas instituições em funcionamento. 
O ser humano desenvolveu a linguagem e o raciocínio. Com isso a vida em 
comunidade (as comunidades primitivas eram as famílias e os clãs) permitiu a 
quebra de barreiras naturais com o desenvolvimento de leis morais, de leis de 
convivência e da troca entre famílias. Para o antropólogo franco-belga Claude 
Lévi-Strauss, a troca mais antiga entre famílias que permitiu a formação de 
sociedades com mais de uma delas foi o casamento, pois as mais arcaicas 
sociedades já não consideravam o incesto como algo moralmente desejável. 
Com base nessa formação mais complexa, os seres humanos começaram a 
desenvolver novas formas de convívio, o que necessitou de 
uma gradativa organização para gerir a sociedade na medida em que ela fosse 
crescendo. Na esteira desse desenvolvimento social, veio a política; as noções 
de governo, de Estado, de economia, de valor, e de moeda para facilitar as trocas 
comerciais; e todos os elementos que constituem a formação social atual. 
A organização social é um complexo conjunto de fatores que constitui as 
sociedades em suas facetas política, econômica e moral. 
Formas de organização social e política e a noção de Estado 
As sociedades organizaram-se de distintas maneiras ao longo dos séculos. 
A noção de Estadosurgiu, ainda na Antiguidade, para suprir a necessidade de 
uma organização social que abarcasse um grande número de indivíduos e sofreu 
diversas modificações ao longo dos tempos. Ademais, antes do surgimento do 
Estado, havia outras organizações sociais menores que perduram até hoje, 
apesar de serem abarcadas pelo Estado, que é a organização maior. 
No começo os seres humanos agrupavam-se por famílias, tendo em comum o 
laço sanguíneo que unia as pessoas em prol da proteção e alimentação. As 
famílias começaram a crescer, formando união de famílias, que eram 
https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/antropologia.htm
https://brasilescola.uol.com.br/historiag/civilizacoes.htm
os clãs. Começa aqui também a troca interfamiliar de membros para a instituição 
do matrimônio, pois o incesto passou a ser percebido como algo negativo nesse 
tipo de constituição. 
A união de clãs formou as tribos. Das tribos vimos nascer as cidades, e, com 
as cidades, nasceu a noção de política e governo. Com elas também veio o 
sentimento de pertencimento nacional e patriótico com base na origem e na terra 
onde os cidadãos nascem. Percebemos que o sentimento de coesão e de 
organização evoluiu do simples laço sanguíneo para o sentimento de 
pertencimento ao mesmo local. 
Mesmo com o desenvolvimento do Estado, a família não deixou de existir, sendo 
ela a primeira forma de socialização dos indivíduos existente. É no seio da família 
que surge a socialização primária, que é o ensinamento das primeiras leis 
morais e sociais que o indivíduo aprende pelo afeto. Na medida em que cresce, 
o indivíduo passa a ter contato com a socialização secundária, na qual ele 
conhece outras instituições sociais, como a escola, o trabalho e o Estado. Nessa 
forma de socialização, o afeto já não é mais suficiente, dando lugar ao 
ensinamento das leis civis e das normas da rígida estrutura social. 
Ao analisarmos as formas de socialização e as organizações mencionadas, 
podemos perceber uma mudança de papéis ao longo da história, pois cada 
indivíduo deve desempenhar um papel social no modelo organizacional, e 
esses papéis mudam conforme o tempo e a sociedade. A criança, por exemplo, 
era vista, na Grécia Antiga, como um cidadão em potencial que deveria aprender 
toda a educação necessária para tornar-se um bom cidadão quando adulta. 
Em Atenas esse aprendizado era político e filosófico, enquanto em Esparta era 
militar. Já na Idade Média e na Idade Moderna, a criança era vista como uma 
espécie de adulto em miniatura, devendo ser ensinada e comportar-se como um 
pequeno adulto. Somente as teorias educacionais, surgidas a partir de meados 
do século XIX e do século XX, entendem a criança como um ser singular, dotado 
de necessidades, direitos, deveres e vontades diferentes das necessidades, 
direitos, deveres e vontades dos adultos. Entende-se, portanto, que 
a organização social foi alterada e, com isso, alterou-se também o papel social 
desenvolvido pela criança na sociedade. 
https://brasilescola.uol.com.br/historiag/grecia-antiga.htm
https://brasilescola.uol.com.br/politica/
https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/
https://brasilescola.uol.com.br/historiag/idade-media.htm
https://brasilescola.uol.com.br/historiag/idade-moderna.htm
 
A inserção da mulher no mercado de trabalho alterou a configuração da 
organização social ocidental. 
O papel das mulheres e dos homens e a concepção de gênero também sofreram 
modificações de acordo com o tempo e a sociedade analisada. 
Na sociedade patriarcal tradicional, o homem é o provedor de alimentos e 
protetor da família, enquanto à mulher é delegada a função do cuidado do lar. 
Durante milênios, as mulheres foram excluídas de qualquer atividade fora do lar, 
inclusive política. Essa situação começou a mudar no século XVIII, quando as 
mulheres de classes mais baixas começaram a trabalhar fora de casa, e a 
mudança tornou-se mais perceptível no século XIX, quando elas começaram a 
ter acesso à política. 
A configuração social, sobretudo das sociedades ocidentais, também mudou 
com essa inserção da mulher no mercado de trabalho e na política, pois se antes 
o cuidado do lar e dos filhos era visto como papel exclusivo da mãe, agora deve 
ser visto como um papel da mãe e do pai. 
A alteração da constituição familiar também é perceptível. Se antes a família 
era considerada a união por laço afetivo entre um homem, uma mulher e seus 
filhos, após o divórcio, a liberdade sexual e a possibilidade do casamento 
homoafetivo, a família pode ser composta por uma mãe solteira, um pai solteiro, 
dois pais, duas mães, um casal sem filhos, avós que cuidam dos netos, entre 
outras constituições possíveis. 
Também é possível notar uma alteração na concepção de Estado, desde que 
ela surgiu na Antiguidade até os dias atuais. Quando surgiu, o Estado era 
essencialmente teocrático (modelo estatal que une política e uma crença 
religiosa como laços indissociáveis). Mesmo nos períodos de democracia na 
Grécia Antiga ou de república na Roma Clássica, o Estado greco-romano não 
era laico (quando há a separação entre governo e religião). Esse modelo 
https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/democracia.htmhttps://brasilescola.uol.com.br/sociologia/democracia.htm
https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/estado-laico.htm
perdurou até o início da Modernidade, tendo forte constituição na Idade Média, 
quando o clero católico e os senhores feudais nutriam fortes pactos. 
 
A democracia, que é a forma de governo em que o povo tem participação direta 
por meio de votação, é uma forma de organização social. 
A concepção de Estado como conhecemos hoje somente surgiu na 
Modernidade, quando o Antigo Regime (monarquia baseada nos Estados 
Nacionais e herdeira do feudalismo medieval) foi questionado, dando origem a 
uma nova concepção de Estado baseada na democracia e a uma nova noção 
de economia baseada no capitalismo industrial e no livre comércio. 
A função do Estado mudou: se antes ele era justificado por divindades e o 
governo era uma representação de Deus na Terra, sua concepção moderna 
trouxe uma nova perspectiva, baseada na democracia estatal e na capacidade 
individual de gerir-se um Estado, para os governantes. Essa nova configuração 
também resultou em novas formas de organização social. 
Organização social e cultura 
A cultura é o mote pelo qual a organização social é passada aos indivíduos. 
Numa sociedade patriarcal, por exemplo, a cultura machista e patriarcal é 
passada tradicionalmente como modo de aprendizado para as novas gerações. 
Numa sociedade democrática, a cultura deve enaltecer a democracia para que 
as novas gerações aprendam a conviver em ambientes democráticos. 
Como a moral, o idioma, a religião e outros elementos culturais compõem a 
estrutura cultural de um determinado povo, esses mesmos elementos também 
são responsáveis por contribuir com a organização social de uma sociedade. 
Como a cultura não é algo fixo e rígido, modificando-se de acordo com o lugar 
e com o tempo, ela pode ser alterada, o que resulta na alteração da organização 
social das sociedades. 
https://brasilescola.uol.com.br/historiag/absolutismo-mercantilismo.htm
https://brasilescola.uol.com.br/historiag/feudalismo.htm
https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/cultura-1.htm
https://brasilescola.uol.com.br/religiao/
 
EXERCÍCIOS 
1 - (Enem/2011) Na década de 1990, os movimentos sociais camponeses e as 
ONGs tiveram destaque, ao lado de outros sujeitos coletivos. Na sociedade 
brasileira, a ação dos movimentos sociais vem construindo lentamente um 
conjunto de práticas democráticas no interior das escolas, das comunidades, 
dos grupos organizados e na interface da sociedade civil com o Estado. O 
diálogo, o confronto e o conflito têm sido os motores no processo de 
construção democrática. SOUZA, M.A. Movimentos sociais no Brasil contemporâneo: participação e 
possibilidades das práticas democráticas. Disponível em http:/www.ces uc. pt Acesso em: 30 abr. 2010 (adaptado). 
Segundo o texto, os movimentos sociais contribuem para o processo de 
construção democrática, porque: 
a) determinam o papel do Estado nas transformações socioeconômicas. 
b) aumentam o clima de tensão social na sociedade 
c) pressionam o Estado para o atendimento das demandas da sociedade. 
d) privilegiam determinadas parcelas da sociedade em detrimento das demais. 
e) propiciam a adoção de valores éticos pelos órgãos do Estado. 
 
 
2 - Na sociedade democrática, indivíduos e grupos organizam-se em 
associações, movimentos sociais e populares, classes se organizam em 
sindicatos e partidos, criando um contrapoder social que, direta ou 
indiretamente, limita o poder do Estado. 
Marilena Chauí, Convite à Filosofia 
Nesse sentido, a importância dos movimentos sociais para as reivindicações de 
grupos minoritários se dá porque: 
a) aumentam da insegurança e o caos social. 
b) tornam visíveis suas reivindicações e aumentam sua representatividade. 
c) geram de empregos e das movimentações de capital financeiro. 
d) enfraquecem das instituições do governo através de críticas e 
manifestações. 
e) Nenhuma das anteriores. 
 
3 - Qual das organizações abaixo não se configura como um movimento 
social? 
a) Greves trabalhistas 
b) Coletivos feministas 
c) Movimentos estudantis 
d) Câmaras municipais. 
e) Nenhuma das anteriores. 
 
 
4 - (Enem/2015) “Não nos resta a menor dúvida de que a principal contribuição 
dos diferentes tipos de movimentos sociais brasileiros nos últimos vinte anos foi 
no plano da reconstrução do processo de democratização do país. E não se 
trata apenas da reconstrução do regime político, da retomada da democracia e 
do fim do Regime Militar. Trata-se da reconstrução ou construção de novos 
rumos para a cultura do país, do preenchimento de vazios na condução da luta 
pela redemocratização, constituindo-se como agentes interlocutores que 
dialogam diretamente com a população e com o Estado.” (Adaptado de: 
GOHN, M. G. M. Os sem-terra, ONGs e cidadania. São Paulo: Cortez, 2003). 
No processo da redemocratização brasileira, os novos movimentos sociais 
contribuíram para. 
a) diminuir a legitimidade dos novos partidos políticos então criados. 
b) tornar a democracia um valor social que ultrapassa os momentos eleitorais. 
c) difundir a democracia representativa como objetivo fundamental da luta 
política. 
d) ampliar as disputas pela hegemonia das entidades de trabalhadores com os 
sindicatos. 
e) fragmentar as lutas políticas dos diversos atores sociais frente ao Estado.

Mais conteúdos dessa disciplina