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Autora: Profa. Roberta Cristina da Silva Colaboradoras: Profa. Cristiane Nagai Profa. Christiane Mazur Doi Ciências Contábeis Integrada Professora conteudista: Roberta Cristina da Silva Mestra em Ciências Contábeis e Atuariais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), especialista em Gestão Tributária pelo Centro de Pós- Graduação, Pesquisa e Extensão das Faculdades Oswaldo Cruz e contadora pelo Centro Universitário Sant’Anna, atualmente é pós-graduanda em Formação em EAD pela Universidade Paulista (UNIP-SP). Membro editorial da Revista Cafi (Contabilidade, Atuária, Finanças e Informação) da PUC/SP e pesquisadora do Núcleo de Análise da Conjuntura Internacional (Naci) do departamento de Economia da PUC-SP. Também é autora de artigos publicados em periódicos e capítulos de livros voltados à área de Contabilidade. Atuou ainda como consultora tributária na identificação e controle de créditos tributários via Perd/Comp. Atua como docente no ensino superior presencial e a distância, com tutoria de fóruns, orientação de estágio e como professora conteudista de livros-texto para o segmento de EaD. © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) S586c Silva, Roberta Cristina da. Ciências Contábeis Integrada / Roberta Cristina da Silva. – São Paulo: Editora Sol, 2021. 196 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. 1. Pronunciamento. 2. Reconhecimento. 3. Divulgação. I. Título. CDU 657 U510.38 – 21 Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora de Unidades Universitárias Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez Vice-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez Vice-Reitora de Graduação Unip Interativa – EaD Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcello Vannini Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Prof. Ivan Daliberto Frugoli Material Didático – EaD Comissão editorial: Dra. Angélica L. Carlini (UNIP) Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR) Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT) Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD Profa. Deise Alcantara Carreiro – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Talita Lo Ré Vera Saad Sumário Ciências Contábeis Integrada APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................8 Unidade I 1 PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 05-R1 – DIVULGAÇÃO SOBRE PARTES RELACIONADAS ................................................................................................................................... 16 1.1 Divulgação............................................................................................................................................... 20 2 PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 10-R1 – PAGAMENTO BASEADO EM AÇÕES ................. 29 2.1 Reconhecimento ................................................................................................................................... 34 2.2 Divulgação............................................................................................................................................... 42 3 PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 24 – EVENTO SUBSEQUENTE ................................................ 47 3.1 Divulgação............................................................................................................................................... 58 4 PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 29 – ATIVO BIOLÓGICO E PRODUTO AGRÍCOLA ........... 62 4.1 Reconhecimento e mensuração ..................................................................................................... 69 4.2 Subvenção governamental ............................................................................................................... 75 4.3 Divulgação............................................................................................................................................... 77 Unidade II 5 PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 31 – ATIVO NÃO ......................................................................... 94 5.1 Mensuração de ativo não circulante como mantido para venda ...................................102 5.2 Apresentação e divulgação ............................................................................................................113 6 PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 33-R1 – BENEFÍCIOS A EMPREGADOS ...........................128 6.1 Reconhecimento e mensuração ...................................................................................................132 7 PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 41 – RESULTADO POR AÇÃO ..............................................161 7.1 Divulgação.............................................................................................................................................167 8 PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 47 – RECEITA DE CONTRATO COM CLIENTE .................171 8.1 Reconhecimento .................................................................................................................................172 8.2 Divulgação.............................................................................................................................................178 7 APRESENTAÇÃO A contabilidade tem passado por grandes transformações desde os tempos mais remotos. Com a evolução do mundo e dos negócios de maneira geral, especialmente os empresariais, a ciência contábil precisou se adequar à nova realidade, que contou ainda com os avanços tecnológicos e novos comportamentos mercadológicos. Surgiram novas propostas de trabalho, novas profissões e novas ferramentas de gestão, exigindo da área e de seus agentes uma postura mais assertiva e atualizada, aspecto que se evidencia mediante as inúmeras necessidades sociais, culturais e socioeconômicas atuais. Novas práticas de mercados e novos mercados buscam profissionais que, além da habilitação técnica, possuam visão dinâmica, postura ética, incentivem a transparência corporativa e tenham um olhar crítico para realizar análises estratégicas, táticas e operacionais. O contador, antes visto como um profissional operacional, mecanizado, hoje se converteu em um agente de transformação nas empresas, sendo peça fundamental para a tomada de decisão. Em outras palavras, da mecanização para a gestão, da repetitividade para a inovação (não só tecnológica, mas que permeia todas as vertentes possíveis), do mero guarda-livros ao consultor! Além das circunstâncias mencionadas, que certamente influenciaram a mudança de escopo desse profissional, estão as condições particulares desse trabalhador, que se viu questionado e testado, instigado a mudar sua postura, suas atividades rotineiras e sua carreira. Atualmente o contador ainda cuida da essência contábil, do crédito e débito e das demais tarefas essenciais e pertinentes à ciência contábil, mas trata também de outras questões relevantes à empresa. Mais do que apresentar a informação contábil fidedigna ao usuário, o contador participa da tomada de decisão e corrobora para o alcance de metas e objetivos, além de promover a harmonização nas relações pessoais corporativas e contribuir significativamente para o desenvolvimento do negócio. Um elemento bastante positivo da contabilidade está no fato de que muitas são as áreas de atuação do contador e, para tanto, quanto maiores as opções,maior será a necessidade de buscar conhecimento e atualização. Nesse cenário, nossa disciplina visa promover o estudo sobre assuntos distintos que dialogam entre si por pertencerem à contabilidade; tem por finalidade, ainda, buscar a integração entre esses assuntos e apresentar os termos técnicos condizentes a cada tema abordado, além de unir os conceitos teóricos aos exemplos práticos. Portanto, diante das menções sobre as mudanças, sejam as tecnológicas, as do mundo em geral ou sobre a carreira e desempenho do profissional, iniciamos este livro-texto com uma introdução sobre as grandes transformações contábeis e os temas que serão abordados na disciplina. 8 INTRODUÇÃO Ao longo do tempo, mediante as transformações ocorridas no mundo e, consequentemente, nos negócios empresariais, a contabilidade, além de relevante, foi se tornando peça fundamental para as decisões empresariais. Conjuntamente à sua essencialidade cada vez maior, surgiram inúmeros questionamentos no sentido da certificação de que as práticas contábeis e as informações prestadas eram fidedignas e consistentes em relação à realidade empresarial. A convergência internacional se deu pela necessidade de uma linguagem de informação contábil homogênea que atendesse todos os países. Todavia, pelo fato de a contabilidade ser uma ciência social aplicada e receber significativa influência do meio em que está inserida, há tendências nem sempre positivas para a imagem da empresa, uma vez que interesses pessoais podem ser tendenciosos quanto à informação contábil reportada. No Brasil, essa necessidade se tornou essencial mediante a criação da Bolsa de Valores e a entrada de capital estrangeiro no país. Outro ponto impactante para a convergência relaciona-se aos investidores e à entrada desse dinheiro estrangeiro com objetivo de investimento em empresas localizadas nos mais diversos países. A estrutura da contabilidade internacional baseia-se nas normas contábeis vigentes em cada país, objetivando a melhora e a adaptação dos relatórios às diferentes regras normativas. Esses aspectos se correlacionam aos interesses comerciais e às operações de exportação/importação ou entre empresas situadas em diferentes países. Assim, tais estudos mostram-se fundamentais porque possibilitam a integração de informações entre o mercado internacional e a interação de pesquisas e trabalhos acadêmicos com compreensão lógica e factível acerca das práticas contábeis. A proposta é estabelecer uma concordância com as normas contábeis para que uma forma padronizada facilite a compreensão na troca de informações entre os diferentes mercados no âmbito globalizado. Para a realização desse processo, observam-se os seguintes antecedentes: • tratamento distinto em transações semelhantes; • diversidade de terminologias e idiomas; • pontos controversos quanto ao modelo de conversão das demonstrações financeiras para outras moedas; • prazos diferentes; • enfoque da informação contábil para atender usuários distintos. 9 No Brasil, a regulamentação é realizada segundo as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC), emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), as quais são produto do trabalho inicial de emissão dos pronunciamentos técnicos por meio do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). O CPC surgiu mediante a adoção das normas internacionais de forma globalizada. Neste livro-texto, abordaremos especificamente oito pronunciamentos técnicos, os quais estão dispostos no quadro a seguir. Quadro 1 – CPCs contemplados CPC Propósito 05 - R1 Divulgação sobre partes relacionadas 10 – R1 Pagamento baseado em ações 24 Evento subsequente 29 Ativo biológico e produto agrícola 31 Ativo não circulante mantido para a venda e operação descontinuada 33 – R1 Benefícios a empregados 41 Resultado por ação 47 Receita de contrato com cliente Os principais aspectos e a relevância individual dos pronunciamentos serão tratados neste livro- texto para que você, aluno, possa compreender objetivamente o assunto contemplado em cada pronunciamento mencionado. Por vezes, diante da complexidade do tema e da quantidade de páginas dos pronunciamentos, sentimos dificuldade ao realizar uma leitura assertiva a fim de identificar os pontos principais para o entendimento daquele CPC, porém, acredito que da maneira sistematizada utilizada neste livro-texto, a compreensão ocorrerá com plenitude. O que me diz, caro aluno? Vamos conhecer os oitos pronunciamentos e seus principais aspectos? Desejo a você um excelente estudo! 11 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Unidade I O surgimento da contabilidade internacional objetivou definir um ponto comum entre os relatórios financeiros elaborados nas empresas pelos distintos contextos abrangidos nos diversos países, estabelecendo métodos que pudessem adaptar as práticas contábeis aos padrões internacionais. Em 2007, com a publicação da Lei Federal n. 11.638, iniciou-se o processo da convergência brasileira aos padrões internacionais e em 2009, com a Resolução CFC n. 1.156, as Normas Brasileiras de Contabilidade – NBC’s devem seguir os padrões internacionais contidos no International Financial Reporting Standards (IFRS) publicados pelo International Accounting Standards Board (IASB), órgãos importantes para a convergência e padronização das normas contábeis. Assim, a partir do ano de 2010, todas as empresas ficaram obrigadas a elaborar demonstrativos financeiros que estivessem de acordo com as novas normas. O momento da convergência no Brasil decorreu em um grande dilema, dada a necessidade de atualização constante dos profissionais contábeis mediante a reciclagem de conhecimento constante sobre o complexo assunto. Desde então, o contador se vê diante de inúmeras e significativas questões a serem aprendidas e aperfeiçoadas. Saiba mais Os textos indicados a seguir servirão para aprofundar seu conhecimento acerca do período da convergência. COSTA, R. T. Convergência contábil. Ibracon, São Paulo, 21 dez. 2017. Disponível em: http://ftp.ibracon.com.br/ibracon/Portugues/detNoticia. php?cod=5029. Acesso em: 7 out. 2020. IFRS: o que são as normas internacionais de contabilidade? BLB Brasil, Ribeirão Preto, 4 mar. 2016. Disponível em: https://www.blbbrasil. com.br/blog/ifrs-o-que-sao/. Acesso em: 7 out. 2020. O estudo e a ambientação em relação aos CPCs são imprescindíveis nas atividades diárias do profissional contábil. Desse modo, precisamos inicialmente compreender o que é CPC e qual a sua finalidade. 12 Unidade I O CPC foi idealizado a partir da união de esforços e da comunhão de objetivos das seguintes entidades: • Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca); • Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec Nacional); • B3 Brasil Bolsa Balcão; • Conselho Federal de Contabilidade (CFC); • Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon); • Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi); • entidades representativas de investidores do mercado de capitais. O CPC foi criado em 2005 por meio da Resolução CFC n. 1.055, tendo como objetivo: [...] o estudo, o preparo e a emissão de documentos técnicos sobre procedimentos de contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza, para permitir a emissão de normas pela entidade reguladora brasileira, visando à centralização e uniformização do seu processo de produção, levando sempre em conta a convergência da Contabilidade Brasileira aos padrões internacionais (CPC, [s.d.]). O CPC tem como função principal traduzir e adequar as normas internacionais à realidade brasileira. Então, após a emissão do pronunciamento, o CFC pode emitir a NBC. Os produtos desenvolvidos pelo CPC são: • pronunciamentos técnicos; • interpretações; • orientações; • comunicados. Vale destacar que os pronunciamentos técnicos são obrigatoriamente submetidos a audiências públicas, já as orientações e interpretações podem ou não sofreresse processo.Podemos observar, nesse sentido, a importância da atuação do CPC no cotidiano das práticas contábeis e no trabalho do contador, tendo em vista que este deverá atentar e seguir o que consta nos pronunciamentos e, consequentemente, nas NBCs para atender de maneira adequada seus clientes nas mais diversas situações. 13 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Faz-se necessário reafirmar a importância do trabalho realizado pelo CPC, uma vez que esse trabalho ocorre de maneira constante até os dias atuais, não se restringindo apenas ao período da convergência. Sendo assim, fica mais fácil compreender o que significa a sigla “R1”, constante em alguns pronunciamentos técnicos: o “R” indica revisão e o número que o acompanha refere-se à quantidade de revisões que o pronunciamento já teve. Por exemplo, no caso de encontrarmos um “R1”, deve-se entender como “Revisão 1”, ou seja, a primeira revisão do material. Seguindo o mesmo raciocínio, para pronunciamentos na segunda, terceira, quarta revisão, teremos as siglas “R2”, “R3”, “R4”, respectivamente. Outro alerta importante é sobre a data de emissão dos pronunciamentos. Ao consultar o site próprio do CPC, haverá o histórico relacionado às datas (de aprovação, divulgação e de revisão). Diante das habituais transformações, não apenas no âmbito dos negócios, bem como no mundo de maneira geral, é do conhecimento de todos que o contador necessita de atualização constante em vista das legislações e normativas regulatórias que se modificam aceleradamente, e, nesse cenário, os órgãos competentes não ficam atrás. Os órgãos devem caminhar em busca de adequações, além das melhores e mais atualizadas orientações aos profissionais de contabilidade e da tratativa que estes devem apresentar aos aspectos vislumbrados nos negócios e às exigências quanto às práticas contábeis realizadas. Sobremaneira, se faz necessária também a observação quanto à estrutura dos pronunciamentos, que seguem um certo padrão ao contemplar os elementos. Tais elementos nos auxiliarão a identificar as particularidades de cada pronunciamento estudado neste livro-texto, além de ter uma função de caráter sumarizada nos pronunciamentos. Esse padrão de elementos é descrito a seguir: • objetivo; • alcance; • reconhecimento; • divulgação. O objetivo discorre sobre aquilo que se pretende alcançar ao abordar o assunto específico de que trata e o qual intitula o pronunciamento. O alcance explicita os entes e situações que são alcançados pelo pronunciamento, os quais devem pautar suas atividades nas práticas dispostas no pronunciamento. Por fim, o reconhecimento e a divulgação contemplam as diretrizes e a forma, orientando, assim, sobre o que deve ser feito pela entidade alcançada para atingir o objetivo do CPC e de que maneira deve ser divulgado. Muitos pronunciamentos trazem em sua composição, além dos itens citados, apêndices, exemplos ilustrativos e outros elementos que são relevantes para uma melhor compreensão do tema correspondente. Atualmente, os pronunciamentos técnicos emitidos pelo CPC são: 14 Unidade I Quadro 2 – Pronunciamentos Técnicos do CPC Documento Título Data de aprovação Data de divulgação CPC 00 Estrutura Conceitual para Relatório Financeiro 01/11/2019 10/12/2019 CPC 01 Redução ao Valor Recuperável de Ativos 06/08/2010 07/10/2010 CPC 02 Efeitos das Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de Demonstrações Contábeis 03/09/2010 07/10/2010 CPC 03 Demonstração dos Fluxos de Caixa 03/09/2010 07/10/2010 CPC 04 Ativo Intangível 05/11/2010 02/12/2010 CPC 05 Divulgação sobre Partes Relacionadas 03/09/2010 07/10/2010 CPC 06 Arrendamentos 06/10/2017 21/12/2017 CPC 07 Subvenção e Assistência Governamentais 05/11/2010 02/12/2010 CPC 08 Custos de Transação e Prêmios na Emissão de Títulos e Valores Mobiliários 03/12/2010 16/12/2010 CPC 09 Demonstração do Valor Adicionado (DVA) 30/10/2008 12/11/2008 CPC 10 Pagamento Baseado em Ações 03/12/2010 16/12/2010 CPC 11 Contratos de Seguro 05/12/2008 17/12/2008 CPC 12 Ajuste a Valor Presente 05/12/2008 17/12/2008 CPC 13 Adoção Inicial da Lei n. 11.638/07 e da Medida Provisória n. 449/08 05/12/2008 17/12/2008 CPC 14 Instrumentos Financeiros: Reconhecimento, Mensuração e Evidenciação (Fase I) - Transformado em OCPC 03 ---------- ----------- CPC 15 Combinação de Negócios 03/06/2011 04/08/2011 CPC 16 Estoques 08/05/2009 08/09/2009 CPC 17 Contratos de Construção (revogado a partir de 01/01/2018) 19/10/2012 08/11/2012 CPC 18 Investimento em Coligada, em Controlada e em Empreendimento Controlado em Conjunto 07/12/2012 13/12/2012 CPC 19 Negócios em Conjunto 09/11/2012 23/11/2012 CPC 20 Custos de Empréstimos 02/09/2011 20/10/2011 CPC 21 Demonstração Intermediária 02/09/2011 20/10/2011 CPC 22 Informações por Segmento 26/06/2009 31/07/2009 CPC 23 Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro 26/06/2009 16/09/2009 CPC 24 Evento Subsequente 17/07/2009 16/09/2009 CPC 25 Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes 26/06/2009 16/09/2009 CPC 26 Apresentação das Demonstrações Contábeis 02/12/2011 15/12/2011 CPC 27 Ativo Imobilizado 26/06/2009 31/07/2009 CPC 28 Propriedade para Investimento 26/06/2009 31/07/2009 CPC 29 Ativo Biológico e Produto Agrícola 07/08/2009 16/09/2009 CPC 30 Receitas (revogado a partir de 01/01/2018) 19/10/2012 08/11/2012 CPC 31 Ativo Não Circulante Mantido para Venda e Operação Descontinuada 17/07/2009 16/09/2009 CPC 32 Tributos sobre o Lucro 17/07/2009 16/09/2009 CPC 33 Benefícios a Empregados 07/12/2012 13/12/2012 CPC 34 Exploração e Avaliação de Recursos Minerais (Não editado) CPC 35 Demonstrações Separadas 31/10/2012 08/11/2012 CPC 36 Demonstrações Consolidadas 07/12/2012 20/12/2012 CPC 37 Adoção Inicial das Normas Internacionais de Contabilidade 05/11/2010 02/12/2010 CPC 38 Instrumentos Financeiros: Reconhecimento e Mensuração (revogado a partir de 01/01/2018) 02/10/2009 19/11/2009 15 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Documento Título Data de aprovação Data de divulgação CPC 39 Instrumentos Financeiros: Apresentação 02/10/2009 19/11/2009 CPC 40 Instrumentos Financeiros: Evidenciação 01/06/2012 30/08/2012 CPC 41 Resultado por Ação 08/07/2010 06/08/2010 CPC 42 Contabilidade em Economia Hiperinflacionária 07/12/2018 21/12/2018 CPC 43 Adoção Inicial dos Pronunciamentos Técnicos CPCs 15 a 41 03/12/2010 16/12/2010 CPC 44 Demonstrações Combinadas 02/12/2011 02/05/2013 CPC 45 Divulgação de Participações em outras Entidades 07/12/2012 13/12/2012 CPC 46 Mensuração do Valor Justo 07/12/2012 20/12/2012 CPC 47 Receita de Contrato com Cliente 04/11/2016 22/12/2016 CPC 48 Instrumentos Financeiros 04/11/2016 22/12/2016 CPC 49 Contabilização e Relatório Contábil de Planos de Benefícios de Aposentadoria 06/04/2018 18/04/2018 CPC PME Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas com Glossário de Termos 08/04/2011 27/04/2011 Saiba mais O CPC é um órgão de extrema importância para a Contabilidade no Brasil. Acesse o site indicado a seguir e conheça elementos interessantes e estudos divulgados pela entidade: www.cpc.org.br A contabilidade, ciência tão importante para a sociedade, passa por inúmeras transformações de maneira constante. Essa prerrogativa acaba por exigir do profissional contador um grau de disponibilidade a se atualizar, buscar readequação nas suas atividades diárias e reaprender de maneira constante. Tais aspectos incorrem em uma postura que percorre não somente o campo da ética, elemento essencial para esse profissional, mas também o da pesquisa, do conhecimento e da vontade em aprender. Para tanto, o CPC é imprescindível e indispensável, promovendo orientações quanto à forma correta de tratamento, alcance, mensuração e divulgação das ocorrências nas entidades. Lembrete É importante recordar que a contabilidade passou e continua passando por inúmeras transformações, isso é algo constante, demandando do profissional contador a disponibilidade para se atualizar e aprender de maneira contínua. 16 UnidadeI 1 PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 05-R1 – DIVULGAÇÃO SOBRE PARTES RELACIONADAS O Pronunciamento Técnico CPC 05-R1 apresenta o seguinte objetivo: [...] assegurar que as demonstrações contábeis da entidade contenham as divulgações necessárias para chamar a atenção dos usuários para a possibilidade de o balanço patrimonial e a demonstração do resultado da entidade estarem afetados pela existência de partes relacionadas e por transações e saldos, incluindo compromissos, com referidas partes relacionadas (CPC, 2010d, p. 2). O alcance desse pronunciamento incorre: (a) na identificação de relacionamentos e transações com partes relacionadas; (b) na identificação de saldos existentes, incluindo compromissos, entre a entidade que reporta a informação e suas partes relacionadas; (c) na identificação de circunstâncias sob as quais a divulgação dos itens (a) e (b) é exigida; e (d) na determinação das divulgações a serem feitas acerca desses itens (CPC, 2010d, p. 2). Figura 1 – Partes relacionadas A priori, precisamos entender o que são as chamadas partes relacionadas. Diz-se parte relacionada a pessoa ou entidade (empresa) que está de alguma forma relacionada com a entidade/empresa/ organização/companhia que está elaborando as demonstrações contábeis, ou seja, é alguém (pessoa ou empresa) que se relaciona com alguma empresa que reporta a informação contábil por meio da elaboração dos seus demonstrativos. 17 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Vejamos os elementos que podem se enquadrar na condição de parte relacionada descritos pelo próprio CPC. O documento esclarece que uma pessoa ou, ainda, um membro próximo da família pode ser considerado parte relacionada da entidade que reporta a informação nas seguintes condições: (i) tiver o controle pleno ou compartilhado da entidade que reporta a informação; (ii) tiver influência significativa sobre a entidade que reporta a informação; ou (iii) for membro do pessoal-chave da administração da entidade que reporta a informação ou da controladora da entidade que reporta a informação (CPC, 2010d, p. 3). Devemos considerar membros próximos da família de uma pessoa aqueles que nos fazem subentender que poderiam exercer alguma influência ou que poderiam ser influenciados por tal pessoa nos negócios desses membros com a entidade, incluindo (CPC, 2010d): • filhos, cônjuge ou companheiro; • filhos do cônjuge ou companheiro da pessoa; • dependentes do cônjuge/companheiro e da própria pessoa. Nesse sentido, podemos observar uma proximidade de relações pessoais, o que incorre em uma intimidade da qual poderá decorrer a busca por interesses individuais, que se separam dos interesses empresariais, os quais devem procurar, sobremaneira, atender aos objetivos do negócio de maneira globalizada com vistas a metas de desenvolvimento para a organização. Assim sendo, é preciso chamar a atenção para a transparência e a ética com as quais a empresa e todos os envolvidos devem operacionalizar as atividades e negócios empresariais. Figura 2 – Ética empresarial 18 Unidade I Na figura anterior o bonequinho tenta equilibrar os cubos que formam a palavra ethics, que, traduzida para nosso idioma, significa ética. Tal imagem traz a reflexão acerca das práticas empresariais, da cobrança feita ao contador sobre a forma como este realiza o seu trabalho e, especialmente, sobre a forma como elabora as demonstrações contábeis, ofertando a informação (contábil) ao usuário. A reflexão estende-se à condição de segurança que o usuário tem mediante a informação apresentada; se consegue entender claramente ou se há obscuridade; se o usuário pode se sentir seguro em relação ao que é apresentado para tomar a melhor decisão. Exemplo de aplicação Segundo Santos (2014), a ética empresarial no ambiente de negócios é de fundamental importância. Ele afirma que tanto a implantação quanto a manutenção de políticas éticas precisam ser reestruturadas constantemente tendo em vista que atualmente há uma exigência globalizada no sentido de as empresas promoverem a capacitação de profissionais para praticar tais políticas, observando na formação dos profissionais a inclusão da ética. Sendo assim, convido você a refletir sobre a condição da prática da ética empresarial, classificando-a como uma tarefa fácil ou difícil, mediante todo o conhecimento já adquirido, sua experiência profissional e notícias recebidas sobre empresas. Você acredita que a figura condiz com a realidade, no sentido de que a ética tem um peso que, muitas vezes, a entidade não consegue sustentar? Agora que tratamos das características relativas à condição necessária para que uma pessoa seja considerada parte relacionada, devemos compreender quais fatores tornam uma entidade/empresa parte relacionada. Ainda segundo o texto do próprio CPC 05-R1, para que a entidade seja considerada parte relacionada, ela precisa se enquadrar nos seguintes aspectos: • a entidade e a entidade que reporta a informação são membros do mesmo grupo econômico (o que significa dizer que a controladora e cada controlada são inter-relacionadas, bem como as entidades sob controle comum são relacionadas entre si); • a entidade é coligada ou controlada em conjunto (joint venture) de outra entidade (ou coligada ou controlada em conjunto de entidade membro de grupo econômico do qual a outra entidade é membro); • ambas as entidades estão sob o controle conjunto (joint ventures) de uma terceira entidade; • uma entidade está sob o controle conjunto (joint venture) de uma terceira entidade e a outra entidade é coligada a essa terceira entidade; • a entidade é um plano de benefício pós-emprego cujos beneficiários são os empregados de ambas as entidades, a que reporta a informação e a que está relacionada com a que reporta a informação. 19 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Se a entidade que reporta a informação for ela própria um plano de benefício pós-emprego, os empregados que contribuem com ela serão também considerados partes relacionadas com a entidade que reporta a informação; • a entidade é controlada, de modo pleno ou sob controle conjunto, por uma pessoa identificada ou um membro da família considerado próximo que se relaciona com a entidade; • uma pessoa ou membro próximo da família que se relaciona com a entidade que reporta a informação e que este detenha o controle de maneira plena ou ainda que de forma compartilhada tenha influência significativa sobre a entidade, ou se for membro do pessoal-chave da administração da entidade (ou de controladora da entidade); • a entidade, ou qualquer membro de grupo do qual ela faz parte, fornece serviços de pessoal-chave da administração da entidade que reporta ou à controladora da entidade que reporta. Coligada é a entidade sobre a qual o investidor tem influência significativa, ou seja, mediante ações e decisões empresariais. Segundo os parágrafos 1º e 2º do artigo 243 da Lei Federal n. 6.404/1976 (Lei das S/A): Consideram-se coligadas as sociedades quando uma participa, com 10% ou mais, do capital da outra, sem controlá-la e controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores (PORTAL DE CONTABILIDADE, [s.d.]). Quanto à transação com parte relacionada, tal é entendida como a transferência de recursos, serviços, obrigações entre a empresa que reporta a informação contábil e uma parte relacionada. Tão importante quanto a forma legal das relações existentes na entidade é a identificação da essência dessas relações, inferindo que talvez, diante de um relacionamento que não se configure relevante no âmbito societário, possa ainda assim haver representatividade mediante as transações realizadas, o que deve ser descrito de forma clara na apresentação das demonstrações contábeis. Observação Orienta o CPC 05-R1 que, quanto a cada um dospossíveis relacionamentos com partes relacionadas, a atenção deve ser direcionada sobretudo para sua essência e não apenas para sua forma legal. Nesse sentido, muito mais do que atender as normativas, é preciso analisar de maneira imparcial a realidade da empresa como uma ação preventiva à possível obscuridade na informação reportada que poderá decorrer em consequências sérias e prejudiciais à entidade. 20 Unidade I 1.1 Divulgação Sobre a divulgação estabelecida pelo pronunciamento, devemos observar que os relacionamentos entre controladora e controladas (como partes relacionadas que são) precisam ser divulgados ainda que não tenham ocorrido transações entre essas entidades. O pronunciamento determina que a entidade deve divulgar o nome da sua controladora direta e se for diferente da controladora final. Se ambas as entidades não elaboram demonstrações consolidadas nem as disponibilizam ao público, na observância da estrutura societária que o grupo possui, o nome da controladora do nível seguinte que elaborar demonstração consolidada deverá ser divulgado (CPC, 2010d). Figura 3 – A engrenagem A formação do quadro societário de uma empresa pode ser comparada a um conjunto de engrenagens em todas as peças se encaixam e se movimentam para que o todo funcione adequadamente. Quando um grupo de agentes se reúne para abrir um negócio, muitos podem ser os motivos e muitas relações podem já existir (e certamente novas relações surgirão). No momento inicial de um empreendimento, o grupo de interessados deverá refletir acerca de vários aspectos em busca de organizar as pessoas envolvidas de tal modo que a sociedade que surge tenha nuances que se complementem naquele novo negócio, no intuito de não apenas abrir uma empresa, mas de tomar conta de todos os detalhes pertinentes, para que essa abertura se prolongue por toda a perpetuidade. Se os agentes agrupados já despontam para discordâncias e atritos, qual a chance de a empresa prosperar? Talvez essa chance até exista, mas em grau diminuto. Contrariamente, se há uma harmonização inicial, os processos que se sucederão a partir de então possivelmente terão um grau elevado para uma caminhada positiva. No grupo econômico, as relações não se restringem apenas a atingir as metas e demais aspectos econômico-financeiros, elas se diversificam como podemos ver nos vários aspectos que serão abordados neste livro-texto. 21 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Nesse sentido, para reconhecimento, mensuração e divulgação dos objetivos, é preciso observar, além dos dispositivos societários, o que realmente ocorre entre as entidades mediante as transações que realizam, atentando à essência de cada uma delas e a quais entidades estão envolvidas. Para compreender acerca da hierarquia societária, devemos observar que a controladora do nível seguinte é a primeira controladora do grupo, a que está acima da controladora direta imediata, que elabora as demonstrações de maneira consolidada disponíveis ao grupo empresarial. Os itens apresentados a seguir esclarecem aspectos importantes: Item 13. Os relacionamentos entre controladora e suas controladas devem ser divulgados independentemente de ter havido ou não transações entre essas partes relacionadas. A entidade deve divulgar o nome da sua controladora direta e, se for diferente, da controladora final. Se nem a controladora direta tampouco a controladora final elaborarem demonstrações contábeis consolidadas disponíveis para o público, o nome da controladora do nível seguinte da estrutura societária que proceder à elaboração de ditas demonstrações, também deve ser divulgado. Item 14. Para possibilitar que os usuários de demonstrações contábeis formem uma visão acerca dos efeitos dos relacionamentos entre partes relacionadas na entidade, é apropriado divulgar o relacionamento entre partes relacionadas quando existir controle, tendo havido ou não transações entre as partes relacionadas. Item 15. A obrigatoriedade de divulgação de relacionamentos de partes relacionadas entre controladoras e suas controladas é uma exigência adicional ao já requerido nos Pronunciamentos Técnicos CPC 35 – Demonstrações Separadas e CPC 45 – Divulgação de Participações em Outras Entidades. Item 16. O item 13 deste Pronunciamento Técnico refere-se à controladora do nível seguinte da estrutura societária. A controladora do nível seguinte da estrutura societária é a primeira controladora do grupo, acima da controladora direta imediata, que produz demonstrações contábeis consolidadas disponíveis para o público (CPC, 2010d, p. 7). Vejamos, segundo o CPC 05-R1 (CPC, 2010d, p. 9), alguns exemplos de transações entre partes relacionadas que devem ser divulgadas: (a) compras ou vendas de bens (acabados ou não acabados); (b) compras ou vendas de propriedades e outros ativos; (c) prestação ou recebimento de serviços; 22 Unidade I (d) arrendamentos; (e) transferências de pesquisa e desenvolvimento; (f) transferências mediante acordos de licença; (g) transferências de natureza financeira (incluindo empréstimos e contribuições para capital em dinheiro ou equivalente); (h) fornecimento de garantias, avais ou fianças; (i) assunção de compromissos para fazer alguma coisa para o caso de um evento particular ocorrer ou não no futuro, incluindo contratos a executar (reconhecidos ou não); e (j) liquidação de passivos em nome da entidade ou pela entidade em nome de parte relacionada. Ainda que não tenham ocorrido transações entre as partes relacionadas durante o período, é fundamental a divulgação para que o usuário da informação contábil tenha conhecimento acerca dos relacionamentos existentes. O item 17 (CPC, 2010d, p. 7) evidencia a necessidade de divulgar a remuneração do pessoal-chave da administração do montante total, bem como para cada uma das seguintes categorias: (a) benefícios de curto prazo a empregados e administradores; (b) benefícios pós-emprego; (c) outros benefícios de longo prazo; (d) benefícios de rescisão de contrato de trabalho; e (e) remuneração baseada em ações. Há também uma previsão para quando a entidade faz a obtenção de serviços do pessoal-chave da administração de outra entidade, sendo desobrigada a aplicar os dispositivos contemplados pelo item 17 na remuneração paga ou que esteja a pagar pela entidade administradora aos empregados da entidade administradora (CPC, 2010d). Além de ser escopo desse pronunciamento, a obrigatoriedade da divulgação de partes relacionadas encontra-se também como exigência adicional nos pronunciamentos técnicos CPC 35-R2 e CPC 45. 23 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Mediante devida comprovação por parte da empresa, essa poderá se valer da divulgação sobre as transações entre partes relacionadas em termos equivalentes às transações ocorridas entre partes independentes (CPC, 2010d). Isso condiz com o fato de que os pronunciamentos dialogam entre si, conforme já mencionado em prol de um atendimento integral à contabilidade. Quando há planos de benefícios definidos que compartilham riscos entre as empresas que compõem o grupo econômico, com a participação de controladora ou controlada, tal será considerado uma transação entre partes relacionadas, conforme determina o CPC 33-R1 (CPC, 2012). Portanto, observamos que não apenas um pronunciamento trata do tema, mas que outros CPCs reafirmam a importância da divulgação sobre as partes relacionadas e que essa ratificação recai sobre a transparência empresarial à medida que a divulgação é feita de forma clara, para que não reste nenhuma dúvida ao usuário da informação, seja interno ou externo. Além da divulgação da transação entre partes relacionadas, faz-se necessário divulgar também as circunstâncias nas quais a transação se realizou. No caso da ocorrência de transações que sejam consideradas como atípicas (em outras palavras, que ultrapassam as consideradas como habituais e normais dentro da atividade da entidade), essas também deverão ser divulgadas. Os elementos quepossuam natureza semelhante poderão ser divulgados de maneira agregada, porém, existindo a necessidade, em prol de um melhor entendimento, a divulgação se realizará separadamente (CPC, 2010d). Exemplo de aplicação Neste momento, façamos uma análise de quantos detalhes essenciais compõem o pronunciamento técnico de que estamos tratando, quais e quão diversificadas são as circunstâncias e condições apresentadas até o momento. Vale ressaltar que as condições precisam ser analisadas com atenção e racionalidade pela equipe contábil no momento da elaboração das demonstrações contábeis. Podemos refletir também acerca do caráter norteador que possui o pronunciamento técnico, emitido pelo CPC, uma vez que o contador não apenas pode, mas deve, e de maneira constante, consultar tais documentos em busca de respostas para suas perguntas, além de ser uma fonte de orientação e fundamentos para procedimentos e atividades cotidianas. Assim, os pronunciamentos técnicos do CPC corroboram as práticas contábeis de forma assertiva e adequada. Segundo o CPC 05-R1 (CPC, 2010d), há mais uma condição, acerca das transações com partes relacionadas, que deve ser tratada com cautela. Existe a isenção da exigência de divulgação sobre as transações, saldos mantidos e compromissos com partes relacionadas à entidade que reporta, quando a parte for: • um ente estatal que tenha o controle, o controle de forma conjunta ou que exerça influência significativa sobre a entidade; 24 Unidade I • outra entidade que seja parte relacionada pelo motivo de o mesmo ente deter o controle ou o controle conjunto, ou exercer influência significativa sobre ambas as partes, a entidade que reporta a informação e a outra entidade. No que toca às entidades relacionadas ao Estado, observemos o que diz o item 25 (CPC, 2010d, p. 9-10): A entidade que reporta a informação está isenta das exigências de divulgação do item 18 no tocante a transações e saldos mantidos com partes relacionadas, incluindo compromissos, quando a parte for: a) um ente estatal que tenha controle, controle conjunto ou que exerça influência significativa sobre a entidade que reporta a informação; e b) outra entidade que seja parte relacionada, pelo fato de o mesmo ente estatal deter o controle ou o controle conjunto, ou exercer influência significativa, sobre ambas as partes (a entidade que reporta a informação e a outra entidade). Porém, ao aplicar a isenção, a entidade deverá, sobre os saldos mantidos e as transações, divulgar: a) o nome do ente estatal e a natureza de seu relacionamento com a entidade que reporta a informação (por exemplo, controle, pleno ou compartilhado, ou influência significativa); b) a informação que segue, em detalhe suficiente, para possibilitar a compreensão dos usuários das demonstrações contábeis da entidade dos efeitos das transações com partes relacionadas nas suas demonstrações contábeis: (i) natureza e montante de cada transação individualmente significativa; e (ii) para outras transações que no conjunto são significativas, mas individualmente não o são, uma indicação qualitativa e quantitativa de sua extensão (CPC, 2010d, p. 10). Quando ocorrer julgamento para determinação do nível a ser divulgado, gestores e administradores da empresa deverão levar em consideração a proximidade do relacionamento, além de outros fatores significativos para a entidade na métrica de importância da transação ocorrida, e avaliar, segundo o CPC 05-R1 (CPC, 2010d), se essa: • é significativa em termos de magnitude; • foi realizada fora das condições de mercado; • foge das operações normais do dia a dia dos negócios (como a compra e venda de negócios); 25 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA • é divulgada para autoridades de supervisão ou regulação; • foi reportada a administradores seniores; • é sujeita à aprovação de acionistas. A título de exemplo, pense na seguinte situação: um grupo econômico é formado por três entidades X, Y e Z. A entidade X controla de modo conjunto a entidade Y e, simultaneamente, exerce influência significativa e controla de modo conjunto a entidade Z. Empresa X Empresa Y Empresa Z Figura 4 – Pessoa investidora Para fins de elaboração das demonstrações contábeis da entidade Y, a entidade Z é considerada parte relacionada com a entidade Y. De maneira semelhante, para fins das demonstrações contábeis da entidade Z, a entidade Y é considerada parte relacionada com a entidade Z. Já em outra situação, temos membros próximos à família detentora de holding de investimentos, sendo o Sr. Benedito sócio do Sr. Feitosa. O Sr. Benedito tem investimento na entidade Alfa e o Sr. Feitosa é investidor na entidade Beta. Empresa Alfa Empresa Beta Sr. Benedito Sr. Feitosa Figura 5 – Membros familiares e investimentos Nesse caso, alguns aspectos devem ser observados no momento da elaboração das demonstrações contábeis, os quais são descritos a seguir: • Nas demonstrações contábeis da entidade Alfa, se o Sr. Benedito controlar, de maneira plena ou em conjunto a entidade Alfa, a entidade Beta é considerada parte relacionada com Alfa quando o Sr. Feitosa controlar de maneira plena ou conjunta ou, ainda, exercer influência significativa sobre a entidade Beta. 26 Unidade I • Nas demonstrações contábeis da entidade Beta, se o Sr. Benedito controlar de maneira plena ou conjunta a entidade Alfa, esta será considerada como parte relacionada à empresa Beta, quando o Sr. Feitosa controlar de forma plena ou conjunta ou, ainda, exercer influência significativa sobre Beta. • Se o Sr. Benedito exercer influência significativa sobre a entidade Alfa e o Sr. Feitosa exercer influência significativa sobre Beta, as entidades Alfa e Beta não são consideradas partes relacionadas uma da outra. Para a definição de coligadas e controladas, vejamos o exemplo a seguir, constante no CPC 05-R1, que define parte relacionada. EI4. A entidade controladora detém o controle das entidades A, B e C e exerce influência significativa sobre as entidades 1 e 2. A controlada C exerce influência significativa sobre a coligada 3. Controlada A Controlada B Controladora Controlada C ColigadaColigada Coligada Figura 6 EI5. Para fins das demonstrações contábeis separadas e individuais, as controladas A, B e C e as coligadas 1, 2 e 3 são consideradas partes relacionadas [item 9(b)(i) e (ii)]. EI6. Para fins das demonstrações contábeis da controlada A, a controladora, as controladas B e C e as coligadas 1, 2 e 3 são consideradas partes relacionadas. Para fins das demonstrações contábeis separadas e individuais da controlada B, a controladora, as controladas A e C e as coligadas 1, 2 e 3 são consideradas partes relacionadas. Para fins das demonstrações contábeis da controlada C, a controladora, as controladas A e B e as coligadas 1, 2 e 3 são consideradas partes relacionadas [item 9(b)(i) e (ii)]. 27 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA EI7. Para fins das demonstrações contábeis das coligadas 1, 2 e 3, a controladora e as controladas A, B e C são consideradas partes relacionadas. As coligadas 1, 2 e 3 não são consideradas partes relacionadas entre elas [item 9(b)(ii)]. EI8. Para fins das demonstrações contábeis consolidadas da controladora, as coligadas 1, 2 e 3 são consideradas partes relacionadas com o grupo econômico [item 9(b)(ii)]. Fonte: CPC (2010d, p. 13). Vejamos um outro exemplo do CPC 05-R1, sobre pessoal-chave da administração. EI9. A pessoa X detém 100% de investimento na entidade A e é membro do pessoal-chave da administração da entidade C. A entidade B detém 100% de investimento na entidade C. Entidade A Entidade C Pessoa X Entidade B Figura 7 EI10. Para fins das demonstrações contábeis da entidade C, a entidade A é parte relacionada com a entidade C em função de a pessoa X controlar a entidade A e ser membro do pessoal-chave da administração da entidade C [item 9(b)(vi)-(a)(iii)]. EI11. Para fins das demonstrações contábeis da entidade C, a entidade A também é parte relacionadacom a entidade C se a pessoa X for membro do pessoal-chave da administração da entidade B e não for da entidade C [item 9(b)(vi)-(a)(iii)]. EI12. Ademais, as possíveis situações descritas nos itens EI10 e EI11 produzem os mesmos efeitos se a pessoa X controlar de modo compartilhado a entidade A [item 9(b)(vi)-(a)(iii)]. (Se a pessoa X exercer tão somente influência significativa sobre a entidade A e não controlá-la de modo pleno ou em conjunto, então as entidades A e C não são consideradas partes relacionadas uma da outra). EI13. Para fins das demonstrações contábeis da entidade A, a entidade C é parte relacionada com a entidade A em função de a pessoa X controlar a entidade A e ser membro do pessoal-chave da administração da entidade C [item 9(b)(vii)-(a)(i)]. 28 Unidade I EI14. Ademais, a possível situação descrita no item EI13 produz o mesmo efeito se a pessoa X controlar de modo conjunto a entidade A. Produzirá também o mesmo efeito se a pessoa X for membro do pessoal-chave da administração da entidade B e não for da entidade C [item 9(b)(vii)-(a)(i)]. EI15. Para fins das demonstrações contábeis consolidadas da entidade B, a entidade A é parte relacionada como grupo econômico, se a pessoa X for membro do pessoal-chave da administração do grupo [item 9(b)(vi)-(a)(iii)]. Fonte: CPC (2010d, p. 13-14). Exemplo de aplicação Após a compreensão dos diversos aspectos abordados, referentes ao Pronunciamento Técnico CPC 05-R1, busque as respostas para as perguntas lançadas a seguir. Nos mais variados relacionamentos que conhecemos e vivemos (profissionais, familiares, amizades etc.), muitas vezes não nos vemos diante de situações confusas e incertas que nos demandam um certo tempo para resolvê-las? Nas empresas, os relacionamentos são tão importantes quanto os mencionados anteriormente e, para evitar qualquer obscuridade e confusão, o atendimento ao pronunciamento com o objetivo de deixar tudo às claras é imprescindível para que os interessados na informação contábil possam se sentir seguros e esclarecidos mediante aquilo que observam. Na resolução de seus problemas pessoais e/ou profissionais você costuma agir prontamente ou prefere postergar? O Pronunciamento Técnico apresenta um elemento intitulado “Notas explicativas”, disposto no quadro a seguir. Quadro 3 – Notas explicativas Item Conteúdo NE1 Esta nota explicativa acompanha, mas não é parte integrante do Pronunciamento. Destina-se a evidenciar situações em que o Pronunciamento possui certas diferenças com relação às Normas Internacionais de Contabilidade emitidas pelo IASB e, após isso, comentá-las. NE2 O item 22A não existe na versão do IASB; assim, trata-se de um requerimento adicional no Brasil, mas não necessariamente em outras jurisdições. NE3 O exemplo 7, item EI 27, do anexo exemplos ilustrativos, que acompanha, mas não é parte integrante do Pronunciamento, não existe na versão do IASB; esse foi um exemplo adicional que não contradiz o Pronunciamento. NE4 O IASB, por meio do seu documento denominado Statement of Best Practice: Working Relationships between the IASB and other Accounting Standard-Setters, admite que as jurisdições façam exigências de informações adicionais às requeridas por ele. E declara que isso não impede que as demonstrações contábeis assim elaboradas possam ser declaradas como estando conforme as Normas Internacionais de Contabilidade por ele emitidas. 29 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Item Conteúdo NE5 Assim, a existência das diferenças comentadas nos itens NE2 e NE3 não faz com que as divulgações sobre partes relacionadas conforme este Pronunciamento não estejam em conformidade com as normas do IASB. Adaptado de: CPC (2010d). As notas explicativas trazem aspectos que o pronunciamento julga necessário apresentar, especialmente quanto à comparação destes com a norma internacional, relembrando o processo de convergência e harmonização tratado neste livro-texto. Mediante as situações relatadas, podemos visualizar conceitos apresentados no CPC 05-R1 e constatarmos que as particularidades devem ser atendidas de maneira criteriosa e individualizada e, para tanto, as diversas situações apresentadas nas entidades precisam ser analisadas individualmente de acordo com os ditames constantes no pronunciamento apresentado. 2 PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 10-R1 – PAGAMENTO BASEADO EM AÇÕES O objetivo do CPC 10-R1 é apresentar os procedimentos para reconhecimento e divulgação das transações com pagamento baseado em ações realizado pela entidade nas demonstrações contábeis. Essas transações, bem como os seus efeitos, devem estar refletidos no resultado do período e também no balanço patrimonial da companhia, incluindo as despesas decorrentes das opções de ações concedidas a empregados (CPC, 2010f). Figura 8 – Grupo acionário Em uma empresa por ações, os acionistas são os principais usuários da informação contábil. Esse pronunciamento é direcionado especificamente às empresas por ações, que são conhecidas pela sigla “SA” e, assim, constatamos que os pronunciamentos são objetivos e específicos. 30 Unidade I Observação Ação é uma pequena fração do capital social de uma empresa. Quando um investidor adquire uma ação, torna-se sócio do negócio e passa a correr os riscos pertinentes a ele, além de participar dos lucros e prejuízos mediante a decisão de investir (XP INVESTIMENTOS,[s.d.]). Lembrete Este tópico traz uma informação importante ao contador: o profissional dessa área deve lançar mão de pesquisa constante para atender os mais variados clientes e as mais diversas situações que se apresentem. Isso corrobora a importância da contabilidade e das normativas pertinentes em prol de que as mais distintas circunstâncias sejam avaliadas e que o profissional busque as alternativas possíveis dentro do que é regulatório e pertinente. Agindo desta maneira, o contador, além de atuar de maneira adequada para com o seu cliente, tem a sua ética e profissão resguardadas, o que resulta em valorização, bem como na indicação de seu trabalho por aqueles que nele confiam – e sabemos que o contador deve ser um profissional de confiança. Ao observar as peculiaridades e determinações contempladas pelos pronunciamentos, percebemos que seus elementos vêm ao encontro da transparência empresarial, algo fundamental para garantir um mercado competitivo composto de empresas com boas práticas e ética diante da informação contábil reportada. Observação Nos dias atuais, cumprir o que dispõem os normativos regulatórios não é sinônimo de virtude, mas, sim, de condição básica. Já a transparência apresentada espontaneamente é classificada como virtude empresarial. A aplicação desse pronunciamento deve ser realizada pela entidade para contabilizar as transações com pagamento em ações observando: a) transações com pagamento baseado em ações liquidadas pela entrega de instrumentos patrimoniais; 31 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA b) transações com pagamento baseado em ações liquidadas em caixa; c) transações por meio das quais a entidade recebe ou adquire produtos e serviços e cujos termos do acordo conferem à entidade ou ao fornecedor desses produtos ou serviços a liberdade de escolha da forma de liquidação da transação, a qual pode ser em caixa (ou outros ativos) ou mediante a emissão de instrumentos patrimoniais, exceto conforme indicado nos itens 3A a 6. Na ausência de produtos ou serviços especificadamente identificáveis, outras circunstâncias podem indicar que os produtos ou serviços tenham sido (ou serão) recebidos, caso em que este Pronunciamento Técnico deve ser aplicado (CPC, 2010f, p. 2). Uma transação com pagamento baseado em ações pode ser liquidada por outra entidade do grupo ou por acionista de qualquer entidade do grupo mediante interesse da entidade que recebe ou adquire produtos ou serviços. O CPC 10-R1 aplica-se ainda a quem: a) recebe produtos ou serviços quando outra entidade do mesmo grupo (ou acionista de qualquer outra entidadedo grupo) tem a obrigação de liquidar a transação com pagamento baseado em ações; b) tem a obrigação de liquidar a transação com pagamento baseado em ações quando outra entidade do mesmo grupo recebe os produtos ou serviços, a menos que a transação seja claramente voltada a qualquer outro propósito que não seja o pagamento de produtos ou serviços fornecidos à entidade que os recebe (CPC, 2010f, p. 2). Tratemos da abrangência com relação aos produtos. Inicialmente, é necessário explicitar que são considerados produtos os estoques, materiais de consumo, itens imobilizados, bens intangíveis e outros ativos não financeiros. Porém, a entidade não deverá aplicar esse pronunciamento no caso da aquisição de produtos que integrem os ativos líquidos adquiridos em operação pertinente a combinação de negócios, pois tais operações devem ater-se às diretrizes contidas no CPC 15, ou ainda quando a transação se referir à contribuição de negócio na formação de empreendimento controlado em conjunto (tema alcançado pelo CPC 19). Segundo o CPC 10-R1, temos: – Conforme o disposto no item 2, este Pronunciamento Técnico deve ser aplicado às transações com pagamento baseado em ações por meio das quais produtos ou serviços são adquiridos por uma entidade. 32 Unidade I – Assim, a emissão de instrumento patrimonial em combinação de negócios para efetivar a obtenção do controle de outra entidade não está dentro do alcance deste Pronunciamento Técnico. – Apesar disso, os instrumentos patrimoniais outorgados aos empregados da entidade adquirida (em retorno pela continuidade dos serviços prestados) é uma transação que está dentro do alcance deste Pronunciamento Técnico. – Similarmente, o cancelamento, a substituição ou outra modificação dos acordos com pagamento baseado em ações em decorrência de combinação de negócios ou outra reestruturação societária devem ser contabilizados de acordo com este Pronunciamento Técnico (CPC, 2010f, p. 3-4). Caro aluno, você pode estar se perguntando se existe, de maneira individual, um pronunciamento para cada situação. Não, isso não ocorre, mas há, sim, um para cada assunto ou grupo de assuntos que se correlacionem, contemplando todos os assuntos pertinentes à contabilidade. Podemos fazer uma analogia com uma colcha de retalhos, daquelas que as avós de antigamente faziam: elas conseguiam diversos retalhos de tamanhos pequenos e variados entre si e os costuravam um a um de maneira sistematizada, mediante as cores e tamanhos, até formar uma bela colcha capaz de cobrir toda a cama. A contabilidade de uma empresa pode ser comparada a esse processo: existem, ao longo de um ano na empresa, diversas transações, em relação às quais há entradas e saídas de dinheiro. Todas essas transações devem ser registradas (como os retalhos sendo costurados um a um) para que, ao final do exercício, a contabilidade possa emitir o balanço patrimonial, a DRE e demais exigências contábeis-fiscais (colcha de retalhos pronta). Para que isso ocorra, cada registro de transação deve ser feito de forma adequada, conforme determinam os pronunciamentos. Há ainda outras considerações que devem ser ressaltadas no CPC 10-R1. Vejamos: 6. Este pronunciamento não deve ser aplicado às transações com pagamento baseado em ações por meio das quais a entidade recebe ou adquire bens ou serviços por força de contrato dentro do alcance dos itens 8 a 10 do CPC 39 – Instrumentos Financeiros: Apresentação ou dos itens 2.4 a 2.7 do CPC 48 – Instrumentos Financeiros. 6A. Este Pronunciamento Técnico usa o termo valor justo de forma diferente em alguns aspectos da definição de valor justo do Pronunciamento Técnico CPC 46 – Mensuração do Valor Justo. Portanto, quando for aplicar este Pronunciamento Técnico, a entidade deve mensurar o valor justo de acordo com este Pronunciamento Técnico, e não pelo Pronunciamento Técnico CPC 46 (CPC, 2010f, p.4). 33 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Dessa forma, temos mais duas circunstâncias que não são contempladas pelo CPC 10-R1, as quais deverão ser tratadas mediante as diretrizes estabelecidas em outros CPCs. Vejamos os itens mencionados do Pronunciamento Técnico CPC 39 (CPC, 2009j). Quadro 4 – CPC 39 – Instrumentos Financeiros: Apresentação Item Conteúdo 8 Este pronunciamento deve ser aplicado aos contratos de compra ou venda de item não financeiro que possa ser liquidado pelo seu valor líquido em caixa ou com outro instrumento financeiro, ou pela troca de instrumentos financeiros, como se os contratos fossem instrumentos financeiros, com exceção dos contratos que foram celebrados e são mantidos com a finalidade de recebimento ou entrega de item não financeiro, de acordo com a expectativa da entidade na compra, venda ou exigências de uso. Entretanto, este pronunciamento deve ser aplicado àqueles contratos que a entidade designa como mensurados ao valor justo por meio do resultado, de acordo com o item 2.5 do CPC 48. 9 Há diversas maneiras pelas quais um contrato para compra ou venda de item não financeiro pode ser liquidado pelo seu valor líquido em caixa, outro instrumento financeiro ou pela troca de instrumentos financeiros. Elas incluem: a) quando os termos do contrato permitem que ambas as partes do contrato liquidem-no pelo valor líquido em caixa, outro instrumento financeiro ou pela troca de instrumentos financeiros; b) quando a capacidade de liquidar pelo valor líquido em caixa, outro instrumento financeiro ou pela troca de instrumentos financeiros, não está explícita nos termos do contrato, porém a entidade tem a prática de liquidar contratos semelhantes em caixa ou outro instrumento financeiro, ou pela troca de instrumentos financeiros (seja com a contraparte, celebrando contratos de compensação ou vendendo o contrato antes do seu exercício ou prescrição); c) quando, para contratos similares, a entidade tenha a prática de aceitar a entrega do ativo subjacente e vendê-lo num curto período após a entrega com o propósito de obter resultado de curto prazo pelas flutuações no preço ou margem do negociante; e d) quando o item não financeiro, que é objeto do contrato, é facilmente conversível em caixa. Um contrato no qual (b) ou (c) pode ser aplicado não é celebrado com o propósito de receber ou entregar um item não financeiro, de acordo com os requisitos de compra, venda ou uso esperados pela entidade, e, portanto, está dentro do alcance deste Pronunciamento. 10 A opção lançada de compra ou venda de item não financeiro que pode ser liquidada pelo valor líquido em caixa, ou por outro instrumento financeiro ou pela troca de instrumentos financeiros, de acordo com o item 9(a) ou (d), encontra-se dentro do alcance deste Pronunciamento. Adaptado de: CPC (2009j). Para completar, vejamos alguns itens citados pelo Pronunciamento Técnico CPC 48. Quadro 5 – CPC 48 – Instrumentos Financeiros Item Conteúdo 2.4 Este pronunciamento deve ser aplicado àqueles contratos de compra e venda de item não financeiro que puderem ser liquidados pelo valor líquido à vista ou por outro instrumento financeiro, ou pela troca de instrumentos financeiros, como se os contratos fossem instrumentos financeiros, com exceção dos contratos que foram celebrados e continuam a ser mantidos para fins de recebimento ou entrega de item não financeiro, de acordo com os requisitos de compra, venda ou uso esperados da entidade. 34 Unidade I Item Conteúdo 2.5 O contrato para comprar ou vender um item não financeiro, que pode ser liquidado pelo valor líquido à vista ou por outro instrumento financeiro, ou pela troca de instrumentos financeiros, como se o contrato fosse um instrumento financeiro, pode ser irrevogavelmente designado como mensurado ao valor justo por meio do resultado, mesmo se foi celebrado para fins de recebimento ou entrega de item não financeiro, de acordo com os requisitos de compra, venda ou uso esperados da entidade. Essa designação está disponível apenas no início do contrato e apenas se eliminar ou reduzir significativamenteuma inconsistência de reconhecimento (algumas vezes referida como descasamento contábil) que de outra forma surgiria do não reconhecimento desse contrato porque foi excluída do alcance deste pronunciamento (ver item 2.4). 2.6 Há diversas formas em que um contrato para compra ou venda de item não financeiro pode ser liquidado pelo valor líquido à vista ou por outro instrumento financeiro ou pela troca de instrumentos financeiros. Essas formas incluem: a) quando os termos do contrato permitem que uma das partes o liquide pelo valor líquido à vista ou por outro instrumento financeiro, ou pela troca de instrumentos financeiros; b) quando a capacidade de liquidar pelo valor líquido à vista ou por outro instrumento financeiro, ou pela troca de instrumentos financeiros, não estiver explícita nos termos do contrato, mas a entidade tiver a prática de liquidar contratos similares pelo valor líquido à vista ou por outro instrumento financeiro, ou pela troca de instrumentos financeiros (se com a contraparte, celebrando o contrato de compensação, ou vendendo o contrato antes de seu exercício ou prescrição); c) quando, para contratos similares, a entidade tiver a prática de obter a entrega do item subjacente e vendê-lo dentro de curto período após a entrega, para a finalidade de gerar lucro de flutuações de curto prazo no preço ou margem do revendedor; e d) quando um item não financeiro que for objeto do contrato for prontamente conversível em caixa. O contrato ao qual seja aplicada a alínea (b) ou (c) não é celebrado para fins de recebimento ou entrega de item não financeiro, de acordo com os requisitos de compra, venda ou uso esperados da entidade e, consequentemente, está dentro do alcance deste pronunciamento. 2.7 A opção lançada de compra ou venda de item não financeiro, que pode ser liquidada pelo valor líquido à vista ou por outro instrumento financeiro, ou pela troca de instrumentos financeiros, de acordo com o item 2.6(a) ou 2.6(d) está dentro do alcance deste pronunciamento. Esse contrato não pode ser celebrado para fins de recebimento ou entrega do item não financeiro, de acordo com os requisitos de compra, venda ou uso esperados da entidade. Adaptado de: CPC (2016b). 2.1 Reconhecimento Quanto ao reconhecimento, a entidade deverá reconhecer serviços ou produtos adquiridos em transação com pagamento baseado em ações quando estes forem obtidos ou à medida que os serviços forem prestados. Como contrapartida, a entidade deverá reconhecer também o respectivo aumento do patrimônio líquido se os produtos ou serviços forem recebidos mediante a transação com pagamento em ações liquidadas em instrumentos patrimoniais e ainda reconhecer no passivo se os produtos e serviços são adquiridos em transação cujo pagamento seja baseado em ações liquidadas por meio de caixa ou outros ativos (CPC, 2010f). Para transações com pagamento baseado em ações liquidadas pela entrega de instrumentos patrimoniais, a entidade deve mensurar os produtos ou serviços recebidos, e o aumento correspondente no patrimônio líquido, de forma direta, pelo valor justo dos produtos ou serviços recebidos, a menos 35 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA que o valor justo não possa ser estimado com confiabilidade. Se a entidade não consegue mensurar com confiabilidade o valor justo dos produtos e serviços recebidos, ela deve mensurar os seus respectivos valores justos, e o correspondente aumento no patrimônio líquido, de forma indireta, tomando como base o valor justo dos instrumentos patrimoniais outorgados (CPC, 2010f, p. 5). É importante ressaltar, conforme mencionado pelo CPC 10-R1, que os produtos ou serviços que não se qualifiquem como ativos para fins de reconhecimento devem ser tratados como despesa do período. Ao identificar uma despesa, nota-se que ela surge usualmente do consumo, seja de produtos ou de serviços. De certo modo, os serviços são costumeiramente consumidos de forma imediata e, nessa situação, a despesa será reconhecida à medida que esse serviço esteja sendo prestado. Figura 9 – Aquisição e pagamento No caso dos produtos que podem ser consumidos durante um período de tempo, ou ainda, se pensarmos nos estoques, que são vendidos em momento futuro, o reconhecimento da despesa ocorrerá somente quando os produtos forem consumidos ou vendidos. Porém, em certas ocasiões pode surgir a necessidade do reconhecimento da despesa antes mesmo que seu consumo ou venda sejam efetuados, e isso se dá por eles não se qualificarem como ativos (CPC, 2010f). Para exemplificar melhor a situação, suponhamos que uma entidade adquira mercadorias como parte da fase de pesquisa de projeto de um novo produto que esteja desenvolvendo. Mesmo que essas mercadorias ainda não tenham sido consumidas, elas podem não ser caracterizadas para fins de reconhecimento como ativos, conforme determinam as diretrizes contempladas pelas normas contábeis que se aplicam aos ativos (CPC, 2010f). O CPC 10-R1, apresenta os itens que tratam do reconhecimento, listados a seguir. 36 Unidade I Quadro 6 – Reconhecimento Item Conteúdo 7 A entidade deve reconhecer os produtos ou os serviços recebidos ou adquiridos em transação com pagamento baseado em ações quando ela obtiver os produtos ou à medida que receber os serviços. Em contrapartida, a entidade deve reconhecer o correspondente aumento do patrimônio líquido se os produtos ou serviços forem recebidos em transação com pagamento baseado em ações liquidada em instrumentos patrimoniais, ou deve reconhecer um passivo, se os produtos ou serviços forem adquiridos em transação com pagamento baseado em ações liquidada em caixa (ou com outros ativos). 8 Os produtos ou serviços recebidos ou adquiridos em transação com pagamento baseado em ações que não se qualifiquem para fins de reconhecimento como ativos devem ser reconhecidos como despesa do período. Adaptado de: CPC (2010f). Vejamos algumas transações que exemplificam situações sujeitas à aplicação desse pronunciamento com seus aspectos e características. • Transação com pagamento baseado em ações liquidada com instrumentos patrimoniais: a mensuração feita pela entidade deve dispor acerca dos produtos ou serviços recebidos e o respectivo aumento do patrimônio líquido, de maneira direta, pelo valor justo. Porém, se o valor justo não exprimir confiabilidade, a entidade poderá realizar o registro de maneira indireta utilizando-se da forma indireta que incorre na utilização do valor mensurado na data de outorga, ou seja, na data em que ações e opções de ações ou outros instrumentos patrimoniais foram entregues a empregados como parte de sua remuneração (CPC, 2010f). Conforme disposto no item 12 do pronunciamento (CPC, 2010f, p. 5): “em função da dificuldade de mensuração direta do valor justo dos serviços recebidos, a entidade deve mensurá-los de forma indireta, ou seja, deve tomar como base o valor justo dos instrumentos patrimoniais outorgados”. Para as transações com outras partes que não sejam os empregados, deve-se observar a premissa refutável de que o valor justo dos produtos ou serviços recebidos pode ser estimado com confiabilidade e, no caso de não ser, a entidade deverá se valer da maneira indireta e similar, tomando por base o valor justo dos instrumentos patrimoniais outorgados, mensurados na data em que a entidade obtém os produtos ou ocorre a prestação dos serviços contratados (CPC, 2010f). • Transação por meio do qual serviços são recebidos: se o direito aos instrumentos patrimoniais outorgados for adquirido imediatamente, não haverá a exigência de um específico período de tempo a ser completado em relação à prestação de serviços da contraparte. No caso de o direito aos instrumentos patrimoniais outorgado não ser adquirido até que a prestação de serviços ocorra por completo em um determinado espaço de tempo, a entidade deverá presumir que isso se dará no futuro, contabilizando à medida que os serviços são prestados, ao longo do período de aquisição do direito como aumento de patrimônio líquido correspondente (CPC, 2010f). A título de exemplificação, analisemos os seguintes casos: (i) um empregado recebeu a outorga de ações condicionadas ao período de três anos de prestação de serviços. Nesse sentido, há uma 37 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA presunção, por parte da entidade, de que os serviços a serem prestados por esse colaborador serão recebidos futuramente ao longo do período de três anos como período de aquisição de direito: vesting period; ii) um empregado recebeu a outorga de ações com base em metas de desempenho a alcançar (performance condition) e ainda na condição de sua permanência no quadro de pessoal até que as metas estabelecidas sejam alcançadas (performance condition is satisfied). Para tanto, a duração do período de aquisição de direito passará por variação mediante as metas atingidas. Assim sendo, a entidade deverá presumir que os serviços a serem prestados pelo colaborador serão recebidos no futuro ao longo do período esperado de aquisição de direito e, assim, realizar um cálculo estimado embasado no provável resultado da condição de desempenho que é esperada (CPC, 2010f). • Transação mensurada com base no valor justo do instrumento patrimonial outorgado: a mensuração por parte da entidade deverá se realizar com base nos preços disponíveis de mercado, atentando-se aos aspectos que permeiam a outorga. Se os valores de mercado forem indisponíveis, a entidade deverá calcular de maneira estimada um valor pelo qual poderá negociar os instrumentos patrimoniais (CPC, 2010f). Os instrumentos patrimoniais sob outorga podem muitas vezes estarem sujeitos a condições, intituladas “aquisição de direito especificadas”, como a outorga de ações ou opções de compra de ações ao empregado que usualmente é condicionada à sua permanência na entidade por certo tempo determinado (CPC, 2010f). No Pronunciamento CPC 10-R1 há também a possibilidade de modificação nos termos e condições sob os quais o instrumento patrimonial foi outorgado, incluindo cancelamento e liquidação. Portanto, a entidade pode modificar os termos e condições da outorga realizada. A entidade também pode reduzir o preço de exercício das opções outorgadas a empregados que, consequentemente, aumentarão o valor justo dessas. Ressalta-se ainda que poderão sofrer modificações as realizadas com outras partes que não sejam colaboradores da entidade (CPC, 2010f). No caso de cancelamento ou liquidação da outorga durante o período de aquisição de direito, com exceção de o caso ter ocorrido em razão de as condições não terem sido cumpridas, resultando em decaimento do direito, a entidade deverá: — contabilizar o cancelamento ou liquidação como fator de aceleração do período de aquisição de direito e, assim, reconhecer o valor que seria admitido como serviços recebidos ao longo do período restante de aquisição de direito imediatamente (CPC, 2010f); — registrar qualquer pagamento feito ao empregado quando do cancelamento ou liquidação da outorga, sendo contabilizado como recompra de instrumento patrimonial, em conta redutora do patrimônio líquido, com exceção para o pagamento que exceder o valor justo do instrumento patrimonial outorgado mensurado na data da recompra, ou seja, qualquer valor excedente deve ser mensurado como despesa do período (porém, se para o pagamento baseado em ações, elementos do passivo forem os acordados, a entidade deverá remensurar seu valor justo correspondente na data de cancelamento ou liquidação e qualquer pagamento 38 Unidade I feito no intuito de liquidar os componentes do passivo deve ser contabilizado como extinção no passivo) (CPC, 2010f); — diante de novos instrumentos patrimoniais que forem outorgados aos empregados, em que na mesma data for identificado pela empresa que esses novos representam substituição aos cancelados, a entidade deverá contabilizar como modificação dos instrumentos patrimoniais outorgados. Vejamos por meio do quadro os itens que dispõem da modificação nos termos e condições sob os quais o instrumento patrimonial foi outorgado, incluindo o cancelamento e a liquidação. Quadro 7 – Modificação dos termos: itens 26 ao 29 Item Conteúdo 26 A entidade pode modificar os termos e condições sob os quais os instrumentos patrimoniais foram outorgados. Por exemplo, ela pode reduzir o preço de exercício das opções outorgadas a empregados (isto é, reprecificar as opções), o que aumenta o valor justo dessas opções. As exigências contidas nos itens 27 a 29 para contabilizar os efeitos das modificações estão no contexto das transações com pagamento baseado em ações com empregados. 27 A entidade deve reconhecer, no mínimo, os serviços recebidos, mensurados na data da outorga, pelo valor justo dos instrumentos patrimoniais outorgados, a menos que esses instrumentos patrimoniais não proporcionem a aquisição de direito (do not vest) em função do não cumprimento de alguma condição de aquisição de direito especificada na data da outorga (exceto se for condição de mercado). 28 Se a outorga de instrumento patrimonial for cancelada ou liquidada durante o período de aquisição de direito (exceto quando o cancelamento da outorga ocorrer por decaimento do direito de aquisição, quando as condições de aquisição de direito não forem cumpridas): (a) a entidade deve contabilizar o cancelamento ou liquidação como aceleração do período de aquisição de direito e, portanto, deve reconhecer imediatamente o montante que seria reconhecido como serviços recebidos ao longo do período remanescente de aquisição de direito; (b) qualquer pagamento feito ao empregado quando do cancelamento ou da liquidação da outorga deve ser contabilizado como recompra de instrumento patrimonial, ou seja, em conta redutora do patrimônio líquido, exceto se o pagamento exceder o valor justo do instrumento patrimonial outorgado, mensurado na data da recompra. Qualquer excedente deve ser reconhecido como despesa do período; (c) se novos instrumentos patrimoniais forem outorgados aos empregados e na data da outorga desses novos instrumentos patrimoniais a entidade identificar os novos instrumentos patrimoniais outorgados como substituição dos instrumentos patrimoniais cancelados, a entidade deve contabilizar a outorga dos novos instrumentos patrimoniais (em substituição aos cancelados) da mesma forma que seria tratada uma modificação dos instrumentos patrimoniais originalmente outorgados, em conformidade com o disposto no item 27 e com as orientações contidas no Apêndice B. 28A Se a entidade ou a contraparte puderem optar por atender ou não uma condição de não aquisição de direito, a entidade deve tratar essa falha da entidade ou da contraparte no cumprimento de referida condição de não aquisição de direito ao longo do período de aquisição de direito (vesting period) como cancelamento. 29 Se a entidade recomprar instrumentos patrimoniais que tenham proporcionado a aquisição de direito (vested equity instruments), o pagamento feito aos empregados deve ser contabilizado em conta redutora do patrimônio líquido, exceto pelo montante que exceder o valor justo dos instrumentos patrimoniais recomprados, mensurado na data da recompra. Qualquer excesso deve ser reconhecido como despesa do período. Adaptado de: CPC (2010f). 39 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Há ainda, para essa situação, disposições sobre o valor justo: O valor justo incremental advindo da nova outorga deve ser a diferença entre o valor justo dos novos instrumentos patrimoniais dados em substituição e o valor justo líquido dos instrumentos patrimoniais cancelados, na data da outorga dos novos instrumentos patrimoniais dados em substituição. O valor justo líquido dos instrumentos patrimoniais cancelados é o seu valor justo, imediatamente antes do cancelamento, menos o montante de qualquer pagamento feito aos empregados, quando do cancelamento dos instrumentos patrimoniais, o qual deve ser contabilizado em conta redutora do patrimônio líquido,em conformidade com o item 28(b). Se a entidade não identificar os novos instrumentos patrimoniais outorgados como substituição dos instrumentos patrimoniais cancelados, a entidade deve contabilizá-los como nova outorga de instrumentos patrimoniais (CPC, 2010f, p. 11). No caso da possibilidade de optar por atender ou não alguma condição de não aquisição de direito, seja por parte da entidade ou da contraparte, deverá esta ser tratada como falha de cumprimento da condição de não aquisição de direito, ao longo do período de aquisição de direito como cancelamento (CPC, 2010f). Se a entidade recomprar instrumentos patrimoniais que tenham proporcionado a aquisição de direito, deverá contabilizar o pagamento a empregados em conta redutora do patrimônio líquido, com exceção para o montante que exceder o valor justo dos instrumentos que tenham sido recomprados mensurado na data da transação, sendo reconhecido como despesa do período qualquer excesso (CPC, 2010f). • Transação com pagamento baseado em ações liquidadas em caixa: a mensuração dos bens ou serviços adquiridos e o passivo incorrido deverão contemplar o valor justo do passivo. Ao longo do período, até que o passivo seja liquidado, a entidade deverá remensurar o seu valor ao término de cada período, bem como na data de liquidação, observando qualquer mudança no valor justo e devendo reconhecê-la no resultado do período. Como exemplo, a entidade tem o poder de outorgar direitos acerca da valorização de suas ações aos seus empregados como parte componente de sua remuneração, incorrendo no direito ao recebimento de pagamentos futuros de caixa em vez de instrumentos patrimoniais, embasado no aumento do preço das ações partindo de um nível especificado, bem como ao longo de certo período de tempo também especificado (CPC, 2010f). Esse direito se estende também ao pagamento futuro mediante direito a ações que sejam resgatáveis ou compulsórias ao final do contrato de trabalho, por exemplo, ou ainda por ação do próprio empregado. Essas situações mencionadas representam alguns exemplos de transações de pagamento baseado em ações liquidados em caixa. O pagamento baseado em ações liquidado em caixa pode estar condicionado ao atendimento de certas condições de aquisição especificadas, entre as quais podem estar o desempenho de crescimento da entidade e o resultado positivo, ou o aumento de preço das ações (CPC, 2010f). 40 Unidade I As condições de aquisição especificadas, que não são as de mercado, em outras palavras, as que são estabelecidas pela entidade, não devem ser consideradas na estimativa do valor justo do pagamento baseado em ações liquidado em caixa na data da mensuração, sendo ajustado o número de prêmios incluídos na mensuração do passivo incorrido da transação (CPC, 2010f). Há ainda a operação de pagamento baseado em ações com característica de liquidação pelo valor líquido com retenção de tributos na fonte, na qual, por motivo de lei ou regulamentos fiscais, obriga-se a entidade a realizar a retenção de uma certa quantia mediante a obrigação fiscal de empregado associada ao pagamento ocorrido com base em ações, tornando a entidade responsável por transferir esse montante para a autoridade fiscal em nome do empregado (CPC, 2010f). Para o cumprimento dessa obrigação, o CPC 10-R1 discorre que: [...] o contrato pode permitir ou exigir que a entidade retenha o número de instrumentos patrimoniais igual ao valor monetário da obrigação tributária do empregado do número total de instrumentos de capital que, de outra forma, teria sido emitido ao empregado no exercício (ou aquisição) do pagamento baseado em ações (ou seja, o acordo de pagamento baseado em ações tem o “critério de liquidação pelo valor líquido”) (CPC, 2010f, p. 13). É possível constatar que, na extensão do pronunciamento em questão, os diversos elementos pertinentes ao pagamento baseado em ações são tratados de maneira criteriosa e detalhada, possibilitando que o contador se depare com um guia completo a respeito do assunto. O pronunciamento apresenta também a transação com pagamento baseado em ações cujos termos do acordo permitem à contraparte a escolha na forma de liquidação, ou seja, tal feito decorre na outorga por parte da entidade permitindo assim, à contraparte, o direito de escolher se a transação com pagamento baseado em ações será mediante a liquidação em caixa ou se o empregado prefere por meio da emissão de instrumentos patrimoniais (CPC, 2010f). Nessa circunstância, a entidade terá outorgado um instrumento financeiro composto no qual há a caracterização de um componente de dívida, com o direito de a contraparte solicitar a liquidação em instrumentos patrimoniais no lugar de caixa. Já para as outras partes que não sejam empregados, o pronunciamento prevê que a transação seja: [...] por meio das quais o valor justo dos produtos ou serviços recebidos é diretamente mensurado, a entidade deve mensurar o componente de patrimônio líquido do instrumento financeiro composto por meio da diferença entre o valor justo dos produtos ou serviços recebidos e o valor justo do componente de dívida, na data em que os produtos ou serviços forem recebidos (CPC, 2010f, p. 15). Diante de outras transações, incluindo as que ocorram com os empregados, a entidade deverá fazer a mensuração do valor justo do instrumento financeiro composto na data da mensuração, contemplando as condições e termos sob os quais foram outorgados. Para o instrumento financeiro composto, a 41 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA entidade deverá contabilizá-lo em separado, ou seja, os produtos ou os serviços recebidos ou adquiridos em relação a cada componente individualmente (CPC, 2010f). O passivo a pagar pelos produtos ou serviços adquiridos deve ser mensurado à medida que sejam realizados tanto os produtos quanto os serviços, em conformidade ao que já foi mencionado e ao que determina o pronunciamento. No caso da existência de componente de patrimônio líquido, além do reconhecimento dos produtos e serviços, há também a mensuração do aumento de patrimônio líquido, à medida que os produtos ou serviços ocorrem mediante atuação da contraparte (CPC, 2010f). Ocorrendo a liquidação, a entidade deverá observar a data e remensurar o passivo ao valor justo. Se na liquidação a entidade emitir instrumentos patrimoniais, em vez de liquidar a operação com pagamento pelo caixa, o passivo deve ser transferido diretamente para o patrimônio líquido como contrapartida dessa emissão (CPC, 2010f). Se ocorrer o oposto (o pagamento por meio de caixa), esse deverá ser utilizado para liquidação de todo o passivo, sendo válido observar que todo componente de patrimônio líquido que fora previamente reconhecido deverá permanecer dentro do patrimônio líquido (CPC, 2010f). Diante da opção em recebimento via caixa, a contraparte perde o direito ao recebimento de instrumentos patrimoniais, porém, tal exigência não extingue a necessidade do reconhecimento por parte da entidade em registrar a transferência internamente no patrimônio líquido, ou seja, de um componente para outro dentro do PL (CPC, 2010f). Uma outra possibilidade prevista no pronunciamento é a transação com pagamento baseado em ações cujos termos do acordo permitem à entidade a escolha da forma de liquidação (CPC, 2010f). Para tanto, só se realizará no caso de a entidade ter uma obrigação presente de liquidação feita pelo caixa; se, por qualquer motivo, a escolha pela liquidação em instrumentos patrimoniais não tiver substância comercial que possa resultar na sua realização, no caso, por exemplo, de circunstâncias que fogem do controle da entidade, como o momento no qual a entidade esteja proibida de emitir ações, ou ainda mediante a existência nesta entidade de prática ou política já definida de liquidação em caixa, ou de maneira generalizada realiza liquidações em caixa mediante solicitação da contraparte (CPC, 2010f). Para a transação com pagamento baseado em ações entre entidades do mesmogrupo, nas demonstrações contábeis separadas ou individuais, a mensuração pela entidade beneficiária dos produtos e serviços deverá ser realizada como transação com pagamento baseado em ações liquidadas em caixa ou por meio de instrumentos patrimoniais mediante avaliação: (i) da natureza dos prêmios outorgados e (ii) seus direitos e obrigações (CPC, 2010f). A beneficiária poderá reconhecer valor diferente do montante reconhecido pelo grupo de forma consolidada ou por outra entidade do grupo que esteja liquidando a transação com pagamento baseado em ações (CPC, 2010f). 42 Unidade I O pronunciamento CPC 10-R1 ainda nos esclarece acerca das transações com pagamento baseado em ações liquidadas em instrumentos patrimoniais quando: (a) os prêmios outorgados forem seus próprios instrumentos patrimoniais; ou (b) a entidade não tiver qualquer obrigação de liquidar a transação com pagamento baseado em ações (CPC, 2010f, p. 17). A entidade deverá ainda, subsequentemente, remensurar essa transação com pagamento baseado em ações somente para mudanças em condições de aquisição de direito que não sejam condições de mercado (CPC, 2010f). Nas demais circunstâncias, a entidade deverá realizar a mensuração da transação com pagamento baseado em ações liquidada em caixa. O item 19 traz os apontamentos significativos sobre a outorga de instrumentos patrimoniais. Vejamos. Quadro 8 – Outorga de Instrumentos Patrimoniais: item 19 Item Conteúdo 19 A outorga de instrumentos patrimoniais pode ser condicional, sujeitando-se ao cumprimento de condições de aquisição de direito especificadas (vesting conditions). Por exemplo, a outorga de ações ou opções de compra de ações ao empregado está normalmente condicionada à permanência do empregado na entidade por determinado período de tempo. Além disso, podem existir condições de desempenho a serem atendidas, tais como o alcance de determinado crescimento nos lucros ou de determinado aumento no preço das ações da entidade. As condições de aquisição, desde que não sejam condições de mercado, não devem ser levadas em conta quando da estimativa do valor justo das ações ou das opções de compra de ações na data da mensuração. Por outro lado, as condições de aquisição de direito, desde que não sejam condições de mercado, devem ser consideradas no ajuste do número de instrumentos patrimoniais incluídos na mensuração do valor da transação, de tal forma que o montante reconhecido dos produtos ou serviços, recebidos em contrapartida aos instrumentos patrimoniais outorgados, seja estimado com base na quantidade de instrumentos patrimoniais para os quais o direito seja eventualmente adquirido (eventually vest). Assim, em bases cumulativas, nenhum valor deve ser reconhecido para os produtos ou serviços recebidos, se os instrumentos patrimoniais outorgados não tiverem o direito adquirido (do not vest) em razão do não atendimento das condições de aquisição de direito, desde que não sejam condições de mercado – por exemplo, a contraparte não cumpriu o prazo especificado de prestação de serviços ou a condição de desempenho não foi alcançada, sujeitando-se às exigências do item 21. Adaptado de: CPC (2010f). 2.2 Divulgação Agora trataremos sobre a divulgação das transações já mencionadas e direcionadas pelo pronunciamento. A ação de divulgar é de extrema relevância para as empresas que buscam trazer transparência e fundamentação sobre a informação contábil divulgada. Todavia, para os usuários da informação a relevância se realiza mediante a confiabilidade que aquela informação promove. Portanto, a divulgação realizada pela entidade por meio das demonstrações 43 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA contábeis deve possibilitar aos usuários que esses consigam identificar a natureza, a extensão e as características presentes nos acordos de pagamentos baseados em ações que ocorreram no período. Saiba mais Acerca da importância e da utilidade que a informação contábil infere à tomada de decisão empresarial, leia os artigos indicados a seguir para aprofundar o conhecimento e descobrir como se processa esse conceito. MACHADO, J. R.; RAPÉ, S. F. L.; SOUZA, S. R. Contabilidade gerencial e sua importância para a gestão e tomada de decisão das empresas contemporâneas. [s.d] Disponível em: http://www.opet.com.br/faculdade/ revista-cc-adm/pdf/n11/ARTIGO-CONTABILIDADE-GERENCIAL-OPET. pdf. Acesso em: 7 out. 2020. PASSOS, Q. C. A importância da contabilidade no processo de tomada de decisão nas empresas. [s.d.] Disponível em: https://lume.ufrgs.br/bitstream/ handle/10183/25741/000751647.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 7 out. 2020. MARCELINO, C. V.; SUZART, J. A. S. O papel das informações contábeis no processo decisório das indústrias situadas na região metropolitana de Salvador. In: XVI CONGRESSO BRASILEIRO DE CUSTOS, 16., 2009, Fortaleza. Anais […]. Fortaleza: Associação Brasileira de Custos, 2009. Disponível em: https://anaiscbc.emnuvens.com.br/anais/article/download/1090/1090. Acesso em: 7 out. 2020. Para tanto, o CPC 10-R1 (CPC, 2010f) dispõe como deverá ser a forma adequada e os quesitos mínimos que devem compor essa divulgação. • Cada acordo estabelecido durante o período deve ser mensurado apresentando as condições de maneira detalhada e contemplando todos os aspectos que observamos até aqui: — termos pertinentes aos requisitos de aquisição de direito; — prazo das opções outorgadas e o método de liquidação: pagamento em caixa ou em instrumentos patrimoniais; — tipos de acordos semelhantes, com exceção para a divulgação em separada, conforme já mencionado. 44 Unidade I • A quantidade e o preço médio ponderado de exercício das opções de ações para cada um dos seguintes grupos de opções: — em circulação no início do período; — outorgadas durante o período; — com direito prescrito durante o período; — exercidas durante o período. • Para as opções de ações exercidas durante o período, o preço médio ponderado das ações na data do exercício. Se as opções forem exercidas em base regular durante todo o período, a entidade pode fazer a divulgação pelo preço médio ponderado das ações durante o período. • Para as opções de ações em circulação no final do período, a faixa de preços de exercício e a média ponderada da vida contratual remanescente. Se a faixa de preços de exercício for muito ampla, as opções em circulação devem ser divididas em faixas que possuam um significado para avaliar a quantidade e o prazo em que ações adicionais possam ser emitidas e o montante em caixa pelo qual, por meio de expectativa, possa ser recebido por ocasião do exercício dessas opções. • A entidade deve divulgar informações que permitam aos usuários das demonstrações contábeis entender como foi determinado, durante o período, o valor justo dos produtos ou serviços recebidos ou o valor justo dos instrumentos patrimoniais outorgados, em outras palavras, que se possa conhecer as condições inerentes (CPC, 2010f). Observação Valor justo é o preço recebido pela venda de um ativo ou pela transferência de um passivo em uma transação não forçada, sem beneficiamento ou prejuízo a nenhuma das partes. Diante do exposto, pode-se perceber que a extensão do pronunciamento CPC 10-R1 traz inúmeros e consistentes aspectos que devem ser atendidos em detrimento das transações com pagamento baseado em ações. Faz-nos refletir, também, sobre o fato de que essas transações ocorrem somente em empresas por ações, de grande porte, e que tais características incorrem em substancial cobrança por transparência da sociedade de maneira geral. 45 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Observação Compreende-se que as empresas de grande porte, especialmente as chamadas “SA”, têm um volume significativo de transações, implicando um maior cuidado relacionado à divulgação com destaque nas normativas regulatórias. Nesse sentido, o pronunciamento implica importância significativa à tratativa e mensuração adequadas servindo como um guia para as práticasdo profissional contábil no atendimento das ocorrências de pagamento baseado em ações. Trata-se de uma prática comum nas empresas por ações que buscam e trabalham com alternativas, desde que passíveis de licitude com previsão em lei, no intuito de transacionar os ativos que dispõem e movimentar fluxos de caixa, além de ofertar a possibilidade aos seus colaboradores na posse de uma parte do capital da empresa, ainda que representada por uma pequena fração. Colaboradores que muitas vezes trabalham por toda a vida na companhia contribuindo para o seu desenvolvimento e que, em certos casos, almejam inclusive investir na entidade por meio da aquisição de ações. Nesse cenário, o colaborador pode se sentir satisfeito com parte de sua remuneração sendo paga por meio de ações, visualizando essa possibilidade como bastante atrativa. Ao aceitar esse acordo, a entidade deverá se valer de todos os quesitos abordados no nosso livro-texto, os quais, conforme já mencionado, integram o escopo do CPC 10-R1. Nesse cenário, ocorrrendo o consentimento do colaborador ou ainda para aquele que não é funcionário da companhia, mas ocupante do posto de contraparte e ficando a transação satisfatória para ambas as partes: entidade e contraparte que oferta produtos e serviços, a transação se realiza mediante o disposto no pronunciamento resultando em uma divulgação consistente e objetiva para atender aos usuários da informação contábil. Saiba mais O pagamento por ações é um instrumento bastante utilizado nas empresas que possuem realidades diversas. Leia o artigo indicado a seguir e aprofunde seu conhecimento a respeito. MAPURUNGA, P. V. R. Disclosure de informações acerca do pagamento baseado em ações e sua associação com os atributos das firmas. Journal of Accounting, Management and Governance, v. 18, n. 1, 2015. Disponível em: https://www.revistacgg.org/contabil/article/view/608. Acesso em: 7 out. 2020. 46 Unidade I O CPC 10-R1, em seu apêndice B, traz considerações importantes sobre a tratativa para os dividendos esperados, item tão importante nas empresas por ações. B31. Determinar se os dividendos esperados devem ser levados em consideração, quando da mensuração do valor justo das ações ou opções de ações outorgadas, depende de a contraparte ter ou não o direito a dividendos ou equivalentes de dividendos. B32. Por exemplo, se aos empregados forem outorgadas opções de ações e eles tiverem o direito aos dividendos das ações subjacentes ou a equivalentes de dividendos (que podem ser pagos em caixa ou aplicados na redução do preço de exercício) entre a data da outorga e a data de exercício, as opções outorgadas devem ser avaliadas como se nenhum dividendo fosse pago sobre as ações subjacentes, ou seja, o dado de entrada referente aos dividendos esperados deve ser zero. B33. Da mesma forma, quando o valor justo das ações outorgadas a empregados for estimado na data da outorga, nenhum ajuste será requerido em relação aos dividendos esperados, se os empregados tiverem o direito de receber os dividendos, a serem pagos durante o período de aquisição de direito (vesting period). B34. Por outro lado, se os empregados não tiverem direito de receber os dividendos ou equivalentes de dividendos durante o período de aquisição de direito (ou antes da data de exercício, no caso de opção), a avaliação, na data da outorga, dos direitos às ações ou opções deve levar em conta os dividendos esperados. Isso significa dizer que, quando o valor justo de opção outorgada for estimado, os dividendos esperados devem ser incluídos na aplicação do modelo de precificação de opções. Quando o valor justo de ação outorgada for estimado, essa avaliação deve ser reduzida pelo valor presente dos dividendos esperados, a serem pagos durante o período de aquisição de direito (vesting period). B35. Os modelos de precificação de opções geralmente consideram a taxa de retorno do dividendo esperado. Contudo, os modelos podem ser modificados para permitir o uso do montante de dividendo esperado em vez da taxa de retorno. A entidade pode usar ou a taxa de retorno esperada ou os pagamentos esperados. Se a entidade utilizar os pagamentos esperados, ela deve considerar o padrão histórico dos aumentos nos dividendos. Por exemplo, se a política da entidade tem sido geralmente aumentar os dividendos em aproximadamente 3% ao ano, seu valor de opção estimado não deve assumir um montante de dividendo fixo durante toda a vida da opção, a menos que exista evidência que suporte essa premissa. B36. Geralmente, as premissas sobre os dividendos esperados devem estar baseadas em informações publicamente disponíveis. A entidade que não paga dividendos e não tem planos para fazê-lo deve assumir a taxa de retorno sobre o dividendo esperado igual a zero. Contudo, a entidade em crescimento (emergente), sem histórico de pagamento de dividendos, pode esperar iniciar o pagamento de dividendos durante as vidas esperadas das 47 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA opções de ações de seus empregados. Essas entidades podem usar uma média entre suas taxas de retorno passadas de dividendos (zero) e a taxa de retorno média de dividendos de grupo similar, apropriadamente comparável. Fonte: CPC (2010f, p. 30-31). A taxa de retorno de dividendo esperado direciona muitos aspectos, sendo, inclusive, o principal atrativo para possíveis investidores. Porém, esse retorno esperado é influenciado por diversas questões, como as de mercado. Vale destacar também os efeitos da estrutura de capital (em outras palavras, trata-se do momento em que as opções de ações são disponibilizadas, como pode ser visto no quadro a seguir). Quadro 9 – Efeitos da estrutura de capital Item Conteúdo B38 Normalmente terceiros, e não a entidade, lançam opções de ações negociadas. Quando essas opções de ações são exercidas, o lançador entrega as ações ao titular das opções. Essas ações são adquiridas dos acionistas existentes. Portanto, o exercício de opções de ações negociadas não tem efeito de diluição. B39 Em contraste, se as opções de ações são lançadas pela entidade, novas ações serão emitidas quando referidas opções de ações forem exercidas (emitidas de fato ou em essência, se tais ações forem previamente recompradas e mantidas em tesouraria). Dado que as ações devem ser emitidas ao preço de exercício, em vez do preço corrente de mercado na data do exercício, essa diluição real ou potencial pode reduzir o preço da ação de forma tal que o titular da opção não consiga um ganho tão grande no seu exercício quanto obteria no exercício de opção similar negociada que não produza diluição no preço das ações. B40 Para isso ter efeito significativo no valor das opções de ações outorgadas, incorrem vários fatores, como o número de novas ações que serão emitidas no exercício das opções comparado com o número de ações já emitidas. Além disso, se o mercado já espera que as opções outorgadas serão exercidas, o mercado pode já ter computado, na data da outorga, a diluição potencial no preço das ações. B41 Contudo, a entidade deve considerar se o possível efeito de diluição do exercício futuro das opções de ações outorgadas poderá ter impacto em sua estimativa do valor justo na data da outorga. Modelos de precificação de opções podem ser adaptados para considerar esse potencial efeito de diluição. Adaptado de: CPC (2010f). Percebemos que muitos são os reflexos acerca das transações por meio de ações, inclusive quanto à diluição de exercícios futuros que poderá impactar a estimativa de valor justo no momento da outorga. Assim, todos esses aspectos precisam ser avaliados com cautela por parte da companhia, tendo-se em mente que o dividendo esperado é item relevante para os acionistas e para a entidade, estendendo-se as projeções e expectativas de mercado (CPC, 2010b). Sabendo que existem inúmeras opções de investimentos na atualidade, incluindo as que são bastante acessíveis, o dividendo esperado é certamente um atrativo para o aumento de capitale uma prerrogativa para potenciais investidores. 3 PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 24 – EVENTO SUBSEQUENTE A palavra subsequente significa “que segue imediatamente”, “que vem a seguir”, “após”, “imediato”, “seguinte”. Quando nos deparamos com evento subsequente, podemos compreender que algum evento ocorre na entidade após algo ou algum período. O CPC 24 trata desse assunto, vamos conhecê-lo. 48 Unidade I O Pronunciamento Técnico CPC 24 Evento subsequente objetiva determinar: (a) quando a entidade deve ajustar suas demonstrações contábeis com respeito a eventos subsequentes ao período contábil a que se referem essas demonstrações; e (b) as informações que a entidade deve divulgar sobre a data em que é concedida a autorização para emissão das demonstrações contábeis e sobre os eventos subsequentes ao período contábil a que se referem essas demonstrações (CPC, 2009c, p. 1). Inicialmente, observemos os termos com os respectivos significados. Quadro 10 – Definições no CPC 24 Item Conteúdo 3 Os termos a seguir são usados neste Pronunciamento com os seguintes significados. Evento subsequente ao período a que se referem as demonstrações contábeis é aquele evento, favorável ou desfavorável, que ocorre entre a data final do período a que se referem as demonstrações contábeis e a data na qual é autorizada a emissão dessas demonstrações. Dois tipos de eventos podem ser identificados: (a) os que evidenciam condições que já existiam na data final do período a que se referem as demonstrações contábeis (evento subsequente ao período contábil a que se referem as demonstrações que originam ajustes); (b) os que são indicadores de condições que surgiram subsequentemente ao período contábil a que se referem as demonstrações contábeis (evento subsequente ao período contábil a que se referem as demonstrações que não originam ajustes). 4 O processo envolvido na autorização da emissão das demonstrações contábeis varia dependendo da estrutura da administração, das exigências legais e estatutárias, bem como dos procedimentos seguidos na preparação e na finalização dessas demonstrações. 5 Em algumas circunstâncias, as entidades têm que submeter suas demonstrações contábeis à aprovação de seus acionistas após sua emissão. Em tais casos, consideram-se as demonstrações contábeis autorizadas para emissão na data da emissão, e não na data em que os acionistas aprovam as demonstrações. Adaptado de: CPC (2009c). Para a realização da mensuração quantitativa adequada tão necessária à contabilidade, é preciso conhecer e compreender os termos técnicos para adquirir um maior e melhor embasamento teórico. O pronunciamento estabelece ainda que a entidade não deverá elaborar suas demonstrações contábeis segundo o pressuposto da continuidade no caso dos eventos subsequentes ao período contábil ao qual se referem as demonstrações, no caso de esses eventos indicarem que o pressuposto da continuidade não é apropriado, ou seja, mediante a identificação de uma possível falência e inexistência futura da empresa, situação que implica a inexistência de uma sequência e, por conseguinte, de um evento subsequente (CPC, 2009c). 49 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Observação O princípio da continuidade pressupõe que a entidade continuará em atividade no futuro permanentemente, afinal, toda empresa que se inicia deve trabalhar para seu próprio desenvolvimento e consecução dos negócios. Prepondera-se, nesse cenário, que muitas condições adversas acontecem no âmbito empresarial, e isso significa que, para analisar as condições em que uma empresa está em determinado momento, fazem-se necessárias diligência e observação bastante individuais, exigindo ainda um bom detalhismo por parte daquele que está em ação. Em outras palavras, podemos dizer que, para se alcançar a constatação de continuidade ou de encerramento das atividades de uma entidade, é preciso proceder com investigação, olhar imparcial e pesquisa. Isso se reflete no fato de que muitos aspectos podem estar envolvidos em ambas as situações, falência e continuidade. Assim, apenas observar as condições numéricas da empresa não resultará em garantia absoluta para a determinação da esfera em que a empresa está nos mais variados momentos de sua história. Antes de dar continuidade na análise do pronunciamento em questão, vamos entender o que é considerado como evento subsequente. Figura 10 – Evento subsequente Um evento subsequente é um evento que pode ser favorável ou desfavorável e que ocorre entre a data final do período a que se referem as demonstrações contábeis – 31 de dezembro – e a data na qual é autorizada a emissão dessas demonstrações (CPC, 2009c). Portanto, é um evento ocorrido posteriormente à data final do período (geralmente anual, daí a menção do último dia do ano). 50 Unidade I Nesse cenário, dois são os tipos de eventos considerados (CPC, 2009c): • aqueles que evidenciam condições que já existiam na data final do período a que se referem as demonstrações contábeis, sendo que esses eventos originam ajustes nos demonstrativos; • aqueles que indicam condições que surgiram posteriormente ao período contábil às referidas demonstrações contábeis, sendo que esses eventos não originam ajustes nos demonstrativos. A autorização de emissão das demonstrações contábeis é um processo que varia de empresa para empresa, pois dependerá da estrutura administrativa, das normativas legais e estatutárias e, ainda, dos procedimentos sequenciais acerca da preparação e da finalização dessas demonstrações (CPC, 2009c). Valer destacar que tais aspectos são diferentes também em relação ao porte da empresa, uma vez que empresas de grande porte possuem um volume maior quando comparadas a pequenas e médias organizações, o que torna os processos mais lentos, complexos e extensos, incorrendo tais circunstâncias na variação do procedimento mencionado (CPC, 2009c). Há ainda casos em que, mediante as circunstâncias existentes, as entidades devem submeter suas demonstrações contábeis à aprovação de seus acionistas após a emissão. Nesse caso, consideram-se as demonstrações contábeis como autorizadas a partir da data da emissão, e não da data em que os acionistas aprovaram as demonstrações (CPC, 2009c). Vejamos um exemplo de ocorrência de evento subsequente para uma melhor compreensão do assunto. 1. A administração de uma entidade conclui, em 28 de fevereiro de 20x8, a minuta das demonstrações contábeis referentes ao período contábil encerrado em 31 de dezembro de 20x7. 2. Em 15 de março de 20x8, a diretoria examina as demonstrações e autoriza a sua emissão. A entidade anuncia, em 16 de março de 20x8, o seu lucro e outras informações financeiras pertinentes. 3. As demonstrações contábeis são disponibilizadas aos acionistas e a outras partes interessadas em 31 de março de 20x8. 4. Os acionistas aprovam as demonstrações contábeis na sua reunião anual em 30 de abril de 20x8, e as demonstrações contábeis aprovadas são, em seguida, encaminhadas para registro no órgão competente em 16 de maio de 20x8. 5. No dia 15 de março de 20x8 dá-se a emissão das demonstrações contábeis autorizada pela diretoria. Para o reconhecimento e a mensuração, o pronunciamento percorre (CPC, 2009c): • evento subsequente ao período contábil a que se referem as demonstrações contábeis que originam ajustes; 51 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA • evento subsequente ao período contábil a que se referem as demonstrações contábeis que não originam ajustes; • dividendos. No que se refere ao evento subsequente ao período contábil a que estão relacionadas as demonstrações contábeis que originam ajustes, a entidade deve efetuar ajustes aos valores reconhecidos nas demonstrações contábeis para que esses possam refletir os eventos subsequentes com a capacidade de explicitar condições existentes desde a data final do período contábil a que se refiram as demonstrações contábeis (CPC, 2009c). Há eventos subsequentes que determinam que a entidade promovaajuste aos valores reconhecidos ou reconheça elementos que não tenham sido previamente reconhecidos. Caso, por exemplo, de um processo judicial que decorreu em decisão ou no pagamento após o final do período contábil a que se referem as demonstrações contábeis, confirmando, assim, que a entidade já tinha a obrigação presente ao final daquele período contábil (CPC, 2009c). Sendo assim, a entidade deverá ajustar qualquer provisão referente ao processo anteriormente reconhecida, conforme determina o CPC 25 – Provisões, passivos contingentes e ativos contingentes, ou fazer o registro de uma nova provisão. A pergunta que você pode estar se fazendo neste momento é: por que a entidade não divulga simplesmente um passivo contingente? A resposta é bem simples: porque a decisão é capaz de propiciar prova suplementar que seria considerada de acordo com o item 16 do CPC 25. • Em quase todos os casos será claro se um evento passado deu origem a uma obrigação presente. Em casos raros (como em um processo judicial), pode-se discutir tanto se certos eventos ocorreram quanto se esses eventos resultaram em uma obrigação presente. • Nesse caso, a entidade deve determinar se a obrigação presente existe na data do balanço ao considerar toda a evidência disponível, incluindo, por exemplo, a opinião de peritos. • A evidência considerada inclui qualquer evidência adicional proporcionada por eventos após a data do balanço. • Com base em tal evidência: — (a) quando for mais provável que exista uma obrigação presente na data do balanço, a entidade deve reconhecer a provisão (se os critérios de reconhecimento forem satisfeitos); e — (b) quando for mais provável que não exista uma obrigação presente na data do balanço, a entidade divulga um passivo contingente, a menos que seja remota a possibilidade de uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos (CPC, 2009c). 52 Unidade I Quando há obtenção de alguma informação após o período contábil a que se referem as demonstrações contábeis indicando que um ativo ao final daquele período encontrava-se desvalorizado, que o valor da perda previamente reconhecido precisa ser corrigido ou a venda de estoques após o período contábil a que se referem as demonstrações contábeis pode evidenciar o valor de realização líquido desses estoques ao final do período, será feito ajuste (CPC, 2009c). Outro motivo seria a falência de cliente após o período contábil. Costumeiramente essa ocorrência confirma perda por redução ao valor recuperável no crédito ao final do período. Outra situação que decorrerá em ajuste é a determinação, após o período contábil, do custo de ativos adquiridos ou, ainda, o valor de ativos que foram recebidos por transação de troca de ativos vendidos antes do final do período a que se referem as demonstrações contábeis (CPC, 2009c). A determinação do valor correspondente ao pagamento de participação nos lucros ou de gratificações, que a entidade tenha ao final do período, uma obrigação legal presente ou construtiva de realizar esses pagamentos mediante eventos que aconteceram antes daquela data, conforme estabelece o “CPC 33 Benefícios a empregados” também resultará em ajuste. Conforme o Pronunciamento Técnico CPC 33-R1 – Benefícios a empregados (item 61): A entidade deve contabilizar não somente a sua obrigação legal segundo os termos formais de plano de benefício definido, mas também qualquer obrigação construtiva que surja a partir das práticas informais da entidade. As práticas informais dão origem a uma obrigação construtiva quando a entidade não tiver alternativa realista a não ser pagar os benefícios aos empregados. Um exemplo de obrigação construtiva é quando uma alteração nas práticas informais da entidade causaria um dano inaceitável no seu relacionamento com os empregados (CPC, 2012b, p. 18). Por fim, outro evento que decorre em ajuste é a ocorrência de fraudes ou erros que comprovam que as demonstrações contábeis possuem inconsistências (CPC, 2009c). Tratemos agora do evento subsequente ao período contábil a que se referem as demonstrações contábeis que não originam ajustes. O item 21 do CPC 24 (CPC, 2009c) elucida que eventos subsequentes que não originam ajustes, mas que possuem relevância e, por esse motivo, podem influenciar substancialmente as decisões que são tomadas por gestores, administradores e outros usuários embasadas nas demonstrações contábeis, devem ser divulgados. Para tanto, orienta que: [...] a entidade deve divulgar as seguintes informações para cada categoria significativa de eventos subsequentes ao período contábil a que se referem as demonstrações contábeis que não originam ajustes: 53 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA (a) a natureza do evento; (b) a estimativa de seu efeito financeiro ou uma declaração de que tal estimativa não pode ser feita (CPC, 2009c, p. 6). Percebemos, além do atendimento à normativa legal (CPC 24), a relevância e consistência na divulgação de eventos subsequentes os quais, ainda que não resultem na realização de ajustes, exerçam influência na tomada de decisão devem ser levadas em consideração. Vejamos alguns exemplos de eventos subsequentes que não originam ajustes, mas que devem ser divulgados (CPC, 2009c): • Combinação de algum negócio importante ou alienação de uma subsidiária importante após o período contábil a que se referem as demonstrações contábeis observando as diretrizes do Pronunciamento Técnico CPC 15 – Combinação de negócios. • Anúncio de plano para descontinuar uma operação. • Aquisição relevante de ativos, classificação de ativos como mantidos para a venda de acordo com o Pronunciamento Técnico 31 – Ativo não circulante mantido para venda e operação descontinuada. • Outras alienações de ativos ou desapropriações feitas pelo governo de ativos importantes. • Ocorrência de incêndio que destruiu a produção após o período contábil. • Anúncio ou início de implementação de uma reestruturação importante conforme determinações constantes no Pronunciamento Técnico CPC 25 – Provisões, passivos contingentes e ativos contingentes. • Efetivas e potenciais transações importantes que envolvam ações ordinárias. • Preços de ativos ou taxas de câmbio que sofram alterações extraordinariamente grandes após o período contábil. • Alíquotas de tributos que passem por modificações, bem como alterações na legislação tributária promulgadas ou anunciadas após o período contábil que tenham sobre ativos e passivos fiscais correntes e diferidos impacto relevante conforme orientações do Pronunciamento Técnico CPC 32 – Tributos sobre o lucro. • Compromisso ou contingência passiva significativa que tenha sido assumido, por exemplo, por meio de concessão de garantias significativas. • Início de litígio importante, originado especificamente de eventos que aconteceram após o período contábil a que se referem as demonstrações contábeis. 54 Unidade I Acerca do evento subsequente ao período contábil a que se refiram as demonstrações contábeis que não originam ajustes, a entidade não deve ajustar valores que foram reconhecidos em demonstrações contábeis por eventos subsequentes que são indicadores de condições que surgiram após o período a que se referem as demonstrações (CPC, 2009c). Por exemplo, o declínio do valor justo de investimentos que venha a ocorrer no período entre o final do período contábil ao qual se refiram as demonstrações contábeis e sua data de autorização de emissão. Costumeiramente, o declínio de valor justo não tem relação com a condição dos investimentos no final do período contábil, mas diz respeito às circunstâncias que surgem no período subsequente e, por essa razão, não deve a entidade promover ajuste para os investimentos. Não deve a entidade, por conseguinte, atualizar valores divulgados aos investimentos na data do balanço (CPC, 2009c). Observação A não divulgação de elementos que são relevantes para a tomada de decisão tem previsão no item 21 e deve ser observada com atenção, alémde revertida em procedimento de divulgação. Conforme já tratado, todo e qualquer elemento que tenha relevância (ou que possa vir a ter relevância) no processo da tomada de decisão por parte dos gestores da entidade não deve ser deixado de lado no quesito divulgação. No entanto, podem ocorrer dúvidas com relação ao grau de importância, uma vez que a relevância acaba por permear aspectos subjetivos. Sendo assim, o conselho mais adequado que posso oferecer é: divulgue. Exemplo de aplicação Se o campo de dúvidas recebe questões sobre o grau de relevância acerca de algum evento ocorrido na empresa e se esse deve ou não ser divulgado, algumas análises podem ser feitas. Vamos praticar? Observe as questões a seguir, reflita a respeito e responda mentalmente qual seria sua decisão, levando em consideração que todas as ocorrências são eventos subsequentes ao período contábil. a) A ocorrência é clara, não deixando dúvidas sobre o que aconteceu envolvendo alguma área específica da empresa (tributária, comercial, marketing ou departamento de exportação). Você divulgaria? b) A ocorrência é clara, não deixando dúvidas sobre algo que ocorreu, como o lançamento de uma nova linha de produtos no qual a entidade aplicou grande montante de recursos. Você divulgaria? c) A ocorrência é clara, não deixando dúvidas sobre o que aconteceu a respeito de um processo trabalhista a que a empresa precisou responder no período, do qual resultou uma significativa quantia monetária paga ao reclamante. Você divulgaria? 55 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Você achou as questões difíceis de serem respondidas? Respondeu com “depende” para a maioria? Pensou bastante e não conseguiu chegar a uma resposta? Esse exercício é realmente muito difícil de se realizar. Nesse sentido, podemos compreender que tal dificuldade também ocorre, e mais intensamente, nas empresas quando o contador precisa refletir e tomar a decisão quanto ao grau de relevância, quanto ao que é importante para a decisão que os gestores precisam tomar (muitas vezes de maneira urgente). Por isso, reafirmo que o Comitê de Pronunciamentos Contábeis é o órgão indispensável para ampliar seu conhecimento mediante o estudo que o profissional contábil precisa, pois não se trata de opção, mas de uma real necessidade quanto a sua atualização constante para lidar com as adversidades que surgem nas empresas, tornando-se, assim, um profissional autônomo mediante a pesquisa e a prática de reaprender constantemente (modificações pertinentes as leis, normas, tributos etc.). Esses preceitos trarão ao contador autonomia e discernimento que serão desenvolvidos de maneira natural com o passar do tempo: o profissional acaba, por disponibilidade própria, por aprofundar seu conhecimento e se atualizar, ultrapassando barreiras e dificuldades e criando um elo solidificado entre a capacitação técnica e a capacidade colaborativa para as decisões. Figura 11 – A dúvida A dúvida existe em qualquer área, apresentando-se diante de todo profissional durante algum ou vários momentos de sua carreira. Acertar e errar são condições que devem ser encaradas com naturalidade. Entretanto, há os que erram mais e os que erram menos. Como isso funciona? Os que erram menos se preparam mais, adquirem conhecimento, pesquisam, dialogam com colegas, buscam se atualizar. Aliás, elemento importante que também está no escopo do pronunciamento CPC 24 e que veremos a partir de agora: os dividendos. 56 Unidade I Os dividendos estão previstos nos itens 12 e 13 (CPC, 2009c). No caso em que a entidade declarar dividendos aos detentores de instrumentos patrimoniais, conforme o que preconiza o Pronunciamento Técnico CPC 39 – Instrumentos financeiros, após o período contábil a que se refiram as demonstrações contábeis, não deverá reconhecer tais dividendos como passivo ao final daquele período. Se os dividendos declarados se referirem após o período contábil, mas antes da data de autorização de emissão das demonstrações contábeis, eles também não devem ser reconhecidos como passivo ao final daquele período (CPC, 2009c). Por motivo do não atendimento aos critérios estabelecidos no Pronunciamento Técnico CPC 25 – Provisões, passivos contingentes e ativos contingentes, em conformidade sobre ser uma obrigação presente na data das demonstrações contábeis (CPC, 2009d), o Pronunciamento Técnico CPC 26-R1 – Apresentação das demonstrações contábeis (CPC, 2011b) esclarece que tais dividendos devem ser divulgados nas notas explicativas. Vejamos os itens constantes no CPC 24 pertinentes aos dividendos: Quadro 11 – Dividendos Item Conteúdo 12 Se a entidade declarar dividendos aos detentores de instrumentos de patrimônio (como definido no Pronunciamento Técnico CPC 39 – Instrumentos Financeiros: Apresentação) após o período contábil a que se referem as demonstrações contábeis, a entidade não deve reconhecer esses dividendos como passivo ao final daquele período. 13 Se forem declarados dividendos após o período contábil a que se referem as demonstrações contábeis, mas antes da data da autorização de emissão dessas demonstrações, esses dividendos não devem ser reconhecidos como passivo ao final daquele período em virtude de não atenderem aos critérios de obrigação presentes na data das demonstrações contábeis como definido no Pronunciamento Técnico CPC 25 – Provisões, passivos contingentes e ativos contingentes. Tais dividendos devem ser divulgados nas notas explicativas em conformidade com o Pronunciamento Técnico CPC 26 – Apresentação das demonstrações contábeis. Adaptado de: CPC (2009c). Há mais um elemento importante disposto no CPC 24 – Evento subsequente, a característica da continuidade. O pressuposto da continuidade não deve subsidiar a elaboração das demonstrações contábeis sob a pretensão existente para liquidação da entidade ou na possibilidade de sua não operacionalização (em outras palavras, diante da possibilidade de falência ou da falta de atividade, o pressuposto da continuidade não poderá subsidiar a elaboração das demonstrações contábeis) (CPC, 2009c). Se porventura, após o período contábil a que se referem as demonstrações contábeis, a entidade estiver diante da ocorrência de uma piora nos resultados operacionais ou de sua situação financeira, tal piora pode ser um indício para a reconsideração acerca do pressuposto da continuidade. Se, por constatação, o pressuposto se tornar inadequado, o pronunciamento implicará uma substancial mudança dos critérios adotados no lugar de apenas haver a realização de um ajuste dos valores pelos critérios originais adotados (CPC 24, 2009c). 57 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Lembrete O princípio da continuidade está relacionado à certeza que de que a entidade continuará em operação, sem qualquer indício de encerramento de suas atividades. Figura 12 – A continuidade Os itens 14, 15 e 16 (CPC, 2009c, p. 5) dispõem sobre a continuidade, vejamos. 14. A entidade não deve elaborar suas demonstrações contábeis com base no pressuposto de continuidade se sua administração determinar após o período contábil a que se referem as demonstrações contábeis que pretende liquidar a entidade, ou deixar de operar, ou que não tem alternativa realista senão fazê-lo. 15. A deterioração dos resultados operacionais e da situação financeira após o período contábil a que se referem as demonstrações contábeis pode indicar a necessidade de considerar se o pressuposto da continuidade ainda é apropriado. Se o pressuposto da continuidade não for mais apropriado, o efeito é tão profundo que esse Pronunciamento requer uma mudança fundamental nos critérios contábeis adotados, em vez de apenas um ajuste dos valores reconhecidos pelos critérios originais. 16. O Pronunciamento Técnico CPC 26 – Apresentação das Demonstrações Contábeis especifica as divulgações exigidas se: (a) as demonstrações contábeis não forem elaboradas com base no pressuposto de continuidade; ou 58 Unidade I (b) a administração estiver ciente de incertezasrelacionadas a eventos ou condições que possam gerar dúvidas significativas sobre a capacidade de a sociedade continuar em operação. Os eventos e as condições que requerem divulgação podem surgir após o período contábil a que se referem as demonstrações contábeis. CPC (2009c, p. 5). Após observados os principais aspectos acerca do conceito de evento subsequente, bem como das situações possíveis, estudaremos a divulgação estabelecida pelo Pronunciamento Técnico CPC 24 – Evento Subsequente, incluindo o certame da continuidade. 3.1 Divulgação Nesse cenário, é possível observar o que exige o Pronunciamento Técnico CPC 26-R1 (CPC, 2011b) Apresentação das Demonstrações Contábeis quanto às especificações sobre essas divulgações. Vejamos: (a) as demonstrações contábeis que não forem elaboradas com base no pressuposto de continuidade; ou (b) a administração estiver ciente de incertezas relacionadas a eventos ou condições que possam gerar dúvidas significativas sobre a capacidade de a sociedade continuar em operação. Os eventos e as condições que requerem divulgação podem surgir após o período contábil a que se referem as demonstrações contábeis (CPC, 2011b, p. 11). Com relação à data de autorização das demonstrações contábeis para emissão, é importante mencionar que para os usuários da informação contábil trata-se de um quesito bastante relevante, tendo em vista que os eventos ocorridos posteriormente não se encontram ali refletidos, fazendo com que a leitura do usuário seja mais assertiva diante dessa menção temporal. Portanto, a divulgação da data e de quem expediu a autorização deve ser realizada e também apresentada, caso exista a possibilidade de sócios ou outros agentes terem o poder de modificar as demonstrações contábeis após sua emissão (CPC, 2009c). Assim sendo, mais uma vez podemos observar que todas as situações e transações ocorridas nas empresas devem ser observadas com olhar criterioso pela equipe contábil, além de serem mensuradas em conformidade com os pronunciamentos técnicos, o que implica tratativas com riqueza de detalhes para que a informação contábil seja fidedigna e útil ao seu usuário. O CPC 24 (CPC, 2009c) também chama a atenção para a atualização da divulgação sobre condições existentes ao final do período a que se referem as demonstrações contábeis. Se, após o período a que se referem as demonstrações contábeis, a entidade receber alguma informação sobre condições que existam até aquela data, deverá promover a atualização de divulgação pertinente, correlacionando tal fato ao conhecimento das novas informações. 59 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Ainda que novas informações não tenham o efeito de impactar os valores reconhecidos, como quando há evidências acerca de contingência passiva ao final do período contábil a que se refiram as demonstrações contábeis, conforme determinações constantes no Pronunciamento Técnico CPC 25 – Provisões, passivos contingentes e ativos contingentes. Assim, a atualização será feita em detrimento da evidência existente (CPC, 2009c). Acerca do passivo contingente, o CPC 25 – Provisões, passivos contingentes e ativos contingentes esclarece que se trata de: (a) uma obrigação possível que resulta de eventos passados e cuja existência será confirmada apenas pela ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros incertos não totalmente sob controle da entidade; ou (b) uma obrigação presente que resulta de eventos passados, mas que não é reconhecida porque: (i) não é provável que uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos seja exigida para liquidar a obrigação; ou (ii) o valor da obrigação não pode ser mensurado com suficiente confiabilidade (CPC, 2009d, p. 4). Ainda sobre o esclarecimento do conceito, o CPC 25 (CPC, 2009d, p. 17) afirma: “uma contingência passiva também é originada em casos extremamente raros nos quais há um passivo que não pode ser reconhecido porque não pode ser mensurado confiavelmente”. A divulgação (CPC, 2009c, p. 5-7) traz itens que a subdividem, os quais veremos, iniciando pela data de autorização para emissão. Item 17. A entidade deve divulgar a data em que foi concedida a autorização para emissão das demonstrações contábeis e quem forneceu tal autorização. Se os sócios da entidade ou outros tiverem o poder de alterar as demonstrações contábeis após sua emissão, a entidade deve divulgar esse fato. Item 18. É importante que os usuários saibam quando foi autorizada a emissão das demonstrações contábeis, já que elas não refletem eventos posteriores a essa data. A segunda subdivisão contempla os itens 19 e 20 acerca da atualização da divulgação sobre condições existentes ao final do período a que se referem as demonstrações contábeis: Item 19. Se a entidade, após o período a que se referem as demonstrações contábeis, receber informações sobre condições que existiam até aquela 60 Unidade I data, deve atualizar a divulgação que se relaciona a essas condições, à luz das novas informações. Item 20. Em alguns casos, a entidade precisa atualizar a divulgação de suas demonstrações contábeis de modo que reflitam as informações recebidas após o período contábil a que se referem as demonstrações contábeis, mesmo quando as informações não afetam os valores reconhecidos nessas demonstrações. Um exemplo da necessidade de atualização de divulgação é quando fica disponível, após o período contábil a que se referem as demonstrações, evidência de contingência passiva que existia ao final do período contábil a que se referem as demonstrações contábeis. Além de considerar se deve reconhecer ou modificar uma provisão com base no Pronunciamento Técnico CPC 25 – Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes, a entidade deve atualizar sua divulgação sobre a contingência passiva à luz daquela evidência (CPC, 2009c, p. 5-6). Por fim, a última subdivisão compreendida pela divulgação abarca o evento subsequente ao período contábil a que se referem as demonstrações contábeis que não originam ajustes. Item 21. Se os eventos subsequentes ao período contábil a que se referem as demonstrações contábeis são significativos, mas não originam ajustes, sua não divulgação pode influenciar as decisões econômicas a serem tomadas pelos usuários com base nessas demonstrações. Consequentemente, a entidade deve divulgar as seguintes informações para cada categoria significativa de eventos subsequentes ao período contábil a que se referem as demonstrações contábeis que não originam ajustes: (a) a natureza do evento; (b) a estimativa de seu efeito financeiro ou uma declaração de que tal estimativa não pode ser feita. Item 22. Exemplos de eventos que não originam ajustes, porém que são divulgados habitualmente: (a) combinação de negócios importante após o período contábil a que se referem as demonstrações contábeis (o Pronunciamento Técnico CPC 15 – Combinação de Negócios exige divulgação específica em tais casos) ou a alienação de uma subsidiária importante; (b) anúncio de plano para descontinuar uma operação; (c) compras importantes de ativos, classificação de ativos como mantidos para venda de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 31 – Ativo Não Circulante Mantido 61 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA para Venda e Operação Descontinuada, outras alienações de ativos ou desapropriações de ativos importantes pelo governo; (d) destruição por incêndio de instalação de produção importante após o período contábil a que se referem as demonstrações contábeis; (e) anúncio ou início da implementação de reestruturação importante (ver Pronunciamento Técnico CPC 25 – Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes); (f) transações importantes, efetivas e potenciais, envolvendo ações ordinárias subsequentes ao período contábil a que se referem as demonstrações contábeis; (g) alterações extraordinariamente grandes nos preços dos ativos ou nas taxas de câmbio após o período contábil a que se referem as demonstrações contábeis; (h) alteraçõesnas alíquotas de impostos ou na legislação tributária, promulgadas ou anunciadas após o período contábil a que se referem as demonstrações contábeis que tenham efeito significativo sobre os ativos e passivos fiscais correntes e diferidos (ver Pronunciamento Técnico CPC 32 – Tributos sobre o Lucro); (i) assunção de compromissos ou de contingência passiva significativa, por exemplo, por meio da concessão de garantias significativas; (j) início de litígio importante, proveniente exclusivamente de eventos que aconteceram após o período contábil a que se referem as demonstrações contábeis. Fonte: CPC (2009c, p. 6-7) Após todos os aspectos abordados pelo CPC 24 – Evento Subsequente, foi possível compreender que o senso crítico do contador, além da análise minuciosa diante dos eventos ocorridos, é especialmente necessário para atender ao que preconiza o pronunciamento e para atuar como um agente propulsor de decisões quanto à transparência. O contador deve levar em consideração que tudo o que ocorre na empresa é importante, que todas as ocorrências e eventos têm sua razão de existência, razão essa que deve ser sempre racionalizada, e que o grau de relevância poderá exigir do contador uma postura decisória que contribuirá para o processo de tomada de decisão por parte de gestores e administradores. Esse cenário nos faz compreender que o contador está muito além do ato de reconhecer, registrar e divulgar o evento subsequente; compreendemos também que certas vezes, antes desses procedimentos, haverá a análise, por parte do contador, acerca do evento, para, a partir disso, iniciar os atendimentos de acordo com o CPC 24. 62 Unidade I 4 PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 29 – ATIVO BIOLÓGICO E PRODUTO AGRÍCOLA Sabendo que o contador possui uma grande diversidade de áreas de atuação e que o agronegócio, no Brasil, é um dos nossos principais setores econômicos, pode-se presumir tal mercado como um cenário promissor para o profissional contador. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA, 2020), que faz parte do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), pertencente à Universidade de São Paulo (USP), nos primeiros cinco meses de 2020 o setor de agronegócios teve um PIB (Produto interno bruto) de R$ 76 bilhões, correspondendo a um aumento de 4,62%, O Pronunciamento Técnico CPC 29 – Ativo Biológico e Produto Agrícola atua como um guia específico para os produtores rurais e os contadores que atuam no segmento, determinando o tratamento contábil que devem receber os ativos biológicos e os produtos agrícolas. Não somente um setor próspero e promissor, especialmente pelos recursos naturais valorosos do país, mas também essencial e significativo para toda a sociedade mediante a grandiosa produção e geração de empregos crescente, o mercado de agronegócios tem impactos econômicos e sociais bastante significativos e consistentes. Mas, antes de nos embrenharmos em tal assunto, devemos entender melhor o que significa atividade agrícola. Figura 13 – Atividade agrícola A atividade agrícola é realizada por entidades e consiste no gerenciamento da transformação biológica e da colheita de ativos biológicos para venda ou, ainda, que passarão por processo de manipulação para conversão em produtos agrícolas ou em ativos biológicos adicionais (CPC, 2009g). Observe no quadro a seguir exemplos de ativos biológicos, de produto agrícola e de produtos que resultam de processo de manipulação após a colheita. 63 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Quadro 12 – Exemplificação da atividade agrícola Ativos biológicos Produto agrícola Produtos resultantes do processamento após a colheita Carneiros Lã Fio, tapete Plantação de árvores Árvore cortada Tora, madeira serrada Gado de leite Leite Queijo Porcos Carcaça Salsicha, presunto Plantação de algodão Algodão colhido Fio de algodão, roupa Cana-de-açúcar Cana colhida Açúcar Plantação de fumo Folha colhida Fumo curado Arbusto de chá Folha colhida Chá Videira Uva colhida Vinho Árvore frutífera Fruta colhida Fruta processada Palmeira de dendê Fruta colhida Óleo de palma Seringueira Látex colhido Produto da borracha Fonte: CPC (2009g, p. 2-3). Vale refletir sobre a importância do agronegócio e dessas atividades, não apenas para o país, mas também para a sociedade como um todo, por meio de produtos essenciais ao ser humano (para se alimentar, para se agasalhar com a utilização da lã, por exemplo, e ainda com os inúmeros utensílios que necessitam da borracha e da madeira, por exemplo, para serem fabricados). Figura 14 – Ativo biológico e produto agrícola 64 Unidade I De tal importância decorre a essencialidade da profissão contábil e do empenho com que nós, como profissionais, precisamos nos dispor à pesquisa constante a fim de atender os mais variados tipos organizacionais e atividades que esses entes realizam. As chamadas empresas rurais são as que exploram a capacidade produtiva do solo mediante o cultivo da terra, da criação de animais e da transformação de certos produtos agrícolas. Pode-se fazer uma divisão em três grupos distintos de acordo com as atividades realizadas por cada empresa (MARION, 2014): • produção vegetal: atividade agrícola; • produção animal: atividade zootécnica; • indústrias rurais: atividade agroindustrial. Vejamos a seguir as principais vertentes dessas empresas. ATIVIDADE AGRÍCOLA: Divide-se em dois grandes grupos ATIVIDADE ZOOTÉCNICA: Criação de animais ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL CULTURAS HORTÍCOLA E FORRAGEIRA: • cereais (feijão, soja, arroz, milho, trigo, aveia...); • hortaliças (verduras, tomate, pimentão...); • tubérculos (batata, mandioca, cenoura....); • plantas oleaginosas(mamona, amendoim, menta...); • especiarias (cravo, canela...); • fibras (algodão....); • floricultura, forragens, plantas industriais. ARBORICULTURA: • florestamento (eucalipto, pinho...); • pomares (manga, laranja, maçã...); • vinhedos (olivais, seringas...). • apicultura (criação de abelhas); • avicultura (criação de aves); • cunicultura (criação de coelhos); • pecuária (criação de gado); • piscicultura(criação de peixes); • ranicultura (criação de rãs); • sericultura (criação do bicho-da-seda); • outros pequenos animais. • beneficiamento do produto agrícola (arroz, café, milho...); • transformação de produtos zootécnicos (mel, laticínios, casulos de seda...); • transformação de produtos agrícolas (cana-de-açúcar em álcool e aguardente; sola em óleo; eva em milho e vinagre; moagem de trigo e milho...). Figura 15 – Empresas rurais 65 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Ao observar a figura, constatamos que as empresas rurais contemplam uma extensa e diversificada produção, à qual correspondem elementos essenciais e com alta demanda. Pensemos no caso do bicho-da-seda. No processo de metamorfose, quando a lagarta está prestes a se tornar uma mariposa, ela, como em uma atividade artesanal, tece em volta de si mesma um casulo para se proteger. Trata-se de uma fibra leve e suave que é descartada pelo inseto, tornando-se, então, matéria-prima para a fabricação da seda, um dos tecidos mais valorizados na indústria da moda. A criação do bicho-da-seda pode ser realizada em uma pequena estrutura, exigindo dedicação por parte do produtor e podendo tornar-se um negócio bastante rentável. A sericultura é uma prática que já era usada há 4.000 anos na China Imperial, e, diferentemente do que temos hoje, naquela época o objetivo dessa criação era o vestuário dos membros da nobreza. No Brasil, essa cultura representou uma das primeiras atividades desenvolvidas a partir da chegada da família real, no início do século XII (COMO..., [s.d.]). Figura 16 – Bicho-da-seda Acerca dos itens relacionados às atividades agrícolas alcançados pelo CPC 29 (CPC, 2009g), temos: • ativos biológicos, com exceção das plantas portadoras; • produção agrícola no ponto da colheita; • subvenções governamentais previstas nos itens 34 e 35. Antesde prosseguirmos, vale dizer que examinar um CPC e compreendê-lo é tarefa que necessita, na maioria das vezes, da ação de desmembrar o pronunciamento em partes menores a fim de obter os conceitos individuais, para, então, chegarmos à compreensão do todo. Nesse sentido, trataremos primeiramente do conceito de planta portadora. 66 Unidade I Figura 17 – Planta portadora Arbustos de chá, videiras, palmeiras de dendê e seringueiras atendem geralmente a definição de planta portadora e são alcançadas pelo CPC 27 – Ativo Imobilizado. Porém, os produtos que resultam da planta portadora após o processo de transformação, como as folhas de chá, uvas, o óleo de palma e o látex são alcançados pelo CPC 29 (CPC, 2009g). Para que o conceito fique mais claro, devemos explicitar que não são consideradas plantas portadoras aquelas: • cultivadas para serem colhidas como produto agrícola, como as árvores cultivadas para o uso como madeira; • cultivadas para a produção de produtos agrícolas, quando há a real possibilidade de que a entidade também colherá e venderá a planta em questão como produto agrícola (exceto no caso de vendas de sucatas incidentais, como as árvores que são cultivadas por seus frutos); • cultivadas em caráter anual, como o milho e o trigo. Dessa forma, podemos constatar uma segregação entre o ativo em si e seu produto (produto decorrente do processo que ocorre depois da colheita do ativo biológico) e que cada parte conceitual deve ser entendida individualmente para chegarmos ao conceito por completo (CPC, 2009g). A partir do momento no qual as plantas portadoras não são mais utilizadas, elas podem ser vendidas como sucata incidental, para uso como lenha, por exemplo. 67 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Figura 18 – Sucata incidental: a lenha Um dos elementos presentes nesse pronunciamento é a subvenção governamental. Conforme discorre o CPC 07-R1 – Subvenção e Assistências Governamentais, a subvenção governamental corresponde a: [...] uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade. Não são subvenções governamentais aquelas que não podem ser razoavelmente quantificadas em dinheiro e as transações com o governo que não podem ser distinguidas das transações comerciais normais da entidade (CPC, 2010e, p. 11). Podemos entender, desse modo, que trata de um benefício governamental oferecido às entidades mediante concessão pecuniária em detrimento de condições pertinentes à atividade-fim da entidade. Quanto à subvenção governamental, temos nos itens 34 e 35 do CPC 29 as seguintes considerações: 34. A subvenção governamental incondicional relacionada a um ativo biológico mensurado ao seu valor justo, menos a despesa de venda, deve ser reconhecida no resultado do período quando, e somente quando, se tornar recebível. Se a subvenção governamental relacionada com o ativo biológico mensurado ao seu valor justo menos a despesa de venda for condicional, inclusive quando exigir que a entidade não se envolva com uma atividade agrícola especificada, deve ser reconhecida no resultado quando, e somente quando, a condição for atendida (CPC, 2009g, p. 8). 68 Unidade I Entre os elementos que não são abrangidos pela aplicação do CPC 29, temos: • terras relacionadas com atividades agrícolas, pois a observação deve recair sobre os pronunciamentos CPC 27 – Ativo Imobilizado e CPC 28 – Propriedade para Investimento; • plantas portadoras relacionadas com a atividade agrícola (conforme já explicado, aplicando-se somente ao produto originado dessas plantas); • subvenção e assistência governamentais relacionadas às plantas portadoras conforme o CPC 07-R1 – Subvenção e Assistências Governamentais; • ativos intangíveis relacionados com atividades agrícolas tratados pelo pronunciamento CPC 04-R1 – Ativo Intangível; • ativos de direito de uso decorrentes de arrendamento de terrenos relacionados à atividade agrícola mediante as diretrizes contidas no “CPC 06-R1 – Operações de Arrendamento Mercantil” (CPC, 2009g). Portanto, esse pronunciamento deve ser aplicado à produção agrícola obtida no momento e no ponto da colheita dos produtos advindos dos ativos biológicos da entidade. Posteriormente à ocasião da colheita, o CPC 16-R1 – Estoque atuará, ou ainda, dependendo da circunstância, a tratativa ocorrerá advinda de um outro pronunciamento técnico mais adequado. Para uma compreensão melhor acerca da produção agrícola, tomemos como limite o momento da colheita, e não o posterior a esta. Pensemos, por exemplo, no processamento das uvas para sua transformação em vinho. Ainda que o processo de transformar a uva em vinho seja a sequência lógica pela qual o ativo biológico (uva) passará, a produção agrícola se restringe ao momento da colheita, e não ao processo posterior (CPC, 2009g). Vejamos outros conceitos importantes para a compreensão do CPC 29 – Ativos Biológicos e Produtos Agrícolas no quadro a seguir. Quadro 13 – Conceitos importantes do CPC 29 Termo Conceituação Produção agrícola Trata-se do produto colhido de ativo biológico da entidade Transformação biológica Compreende o processo de crescimento, degeneração, produção e procriação que causam mudanças qualitativa e quantitativa no ativo biológico Colheita Desgina a extração do produto de ativo biológico ou a cessação da vida desse ativo Adaptado de: CPC (2009g). 69 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA A atividade agrícola abrange uma série de atividades, as quais se dão por: aumento de rebanhos, silvicultura, colheita anual ou constante, cultivo de pomares e de plantações, floricultura e cultura aquática (incluindo a criação de peixes). A transformação biológica é resultado de alguns eventos. Vejamos a seguir quais são eles (CPC, 2009g). • Mudanças de ativos por meio de: — crescimento (aumento em quantidade ou melhoria na qualidade do animal ou planta); — degeneração (redução na quantidade ou deterioração na qualidade de animal ou planta); — procriação (geração adicional de animais ou plantas). • Geração de produtos agrícolas, como látex, folhas de chá, lã, leite. Diante do apresentado, podemos identificar que um elemento pertinente e importante para a atividade agrícola é o tempo, caracterizado por períodos diferentes que precisam ser levados em consideração em cada ocorrência. 4.1 Reconhecimento e mensuração O Pronunciamento Técnico CPC 29 (CPC, 2009g) orienta a entidade quanto às circunstâncias essenciais para o reconhecimento de um ativo biológico ou produto agrícola quando: (a) controla o ativo como resultado de eventos passados; (b) for provável que benefícios econômicos futuros associados com o ativo fluirão para a entidade; e (c) o valor justo ou o custo do ativo puder ser mensurado confiavelmente (CPC, 2009g, p. 5). O controle na atividade agrícola poderá ser evidenciado, por exemplo, pela propriedade legal do gado e a sua marcação no momento da aquisição, no nascimento ou, ainda, no momento da desmama. A mensuração dos significativos atributos físicos é capaz de evidenciar os possíveis benefícios econômicos futuros que poderão se realizar sobre aquele gado, por exemplo (CPC, 2009g). Para uma ideia mais assertiva sobreo assunto, vejamos a cotação do boi em 4 de setembro de 2020. 70 Unidade I Tabela 1 – Cotação do boi Tipo Valor R$ Referência Boi gordo 240,45 Esalq/B3 Boi gordo 240,82 Média SP a prazo Bezerro 2.105,08 Bezerro/Esalq/BM&F-MS Adaptado de: Notícias Agrícolas ([s.d.]). Ao observar a tabela, pode-se constatar que a variação de preço entre o boi gordo e o bezerro é significativa, ilustrando, assim, a relação entre os atributos físicos e os benefícios econômicos futuros que poderão advir. Por isso o boi, de acordo com suas características e atributos físicos, pode custar mais caro ou mais barato, o que se liga diretamenteaos benefícios econômicos que surgirão. Um boi gordo é um macho que tem, em média, 16 arrobas líquidas ou mais e idade até 42 meses, já o boi magro corresponde ao bovino que pesa até 12 arrobas (BOI SAÚDE, 2020). O gado Nelore, por exemplo, proveniente da Índia, tem predominância nos rebanhos brasileiros, com uma estimativa de cerca de 80% de toda a produção em território nacional (TECNOLOGIA NO CAMPO, 2019). O gado é um exemplo de fácil compreensão, pois existem feiras de exposição com animais de alta valoração que são expostos e negociados nas mais variadas regiões brasileiras, no entanto, outros exemplos quanto a tipos, variação de preço e benefícios econômicos futuros podem ser destacados em outros produtos agrícolas, como a soja, o arroz, milho, o café. Exemplo de aplicação Vamos pensar um pouco a respeito disso? Em uma contagem rápida, quantos produtos agrícolas abastecem os lares, restaurantes, lanchonetes, indústrias, feiras, mercados, sacolões, quitandas, mercearias, escolas, hospitais, academias (que possuam lanchonete), clubes, parques de diversões, cinemas (pense naquela pipoca quentinha), shoppings centers, hotéis, pousadas, confeitarias, padarias, açougues etc. Faltaram dedos para contar? Convido você a continuar acrescentando a essa lista outros estabelecimentos abastecidos com produtos advindos da atividade agrícola. Perceba, então, após finalizar a lista, quão importante é o CPC 29 para auxiliar os contadores que atuam no setor do agronegócio. Impossível mensurar a quantidade de transações, vendas e movimentações financeiras decorrentes do agronegócio e dos inúmeros ativos biológicos e produtos agrícolas que são produzidos no Brasil. Voltemos ao CPC para tratar da mensuração do ativo biológico. A entidade deve se valer do valor justo menos a despesa de venda no momento do reconhecimento inicial e a cada final de período de competência (CPC, 2009g). 71 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Lembrete Há uma exceção que deve ser considerada, a qual já foi mencionada no nosso livro-texto, sobre quando o valor justo não puder ser mensurado com confiabilidade. O produto agrícola colhido de ativos biológicos da entidade deverá ser mensurado ao valor justo menos a despesa de venda no momento da colheita, valor que representará o custo no momento em que se aplicarem as diretrizes contidas no Pronunciamento Técnico CPC 16 – Estoques, ou ainda mediante outro pronunciamento que possa ser aplicável (CPC, 2009g). Segundo Marion (2014, p. 4): Uma pergunta constante na atividade agropecuária é quanto ao término do exercício social: deveria ser encerrado normalmente em 31/12, como ocorre com a maioria das empresas comerciais, industriais e de serviços, coincidindo se ao ano civil? A resposta é não. Observe-se que as empresas, de maneira geral, têm receita e despesa constantes durante os meses do ano, não havendo dificuldade quanto à fixação do mês de encerramento do exercício social para a apuração de resultado [...] [...] Na atividade agrícola, porém, a receita concentra-se, normalmente, durante ou logo após a colheita. Ao contrário de outras atividades cuja comercialização se distribui ao longo dos 12 meses, a produção agrícola, essencialmente sazonal, concentra-se em determinado período que pode traduzir-se em alguns dias de um mês do ano. A entidade deve identificar os critérios que correspondam aos atributos usados no mercado como base de sua fixação de preço. A mensuração do valor justo, tanto do ativo biológico quanto do produto agrícola, pode ocorrer de maneira facilitada por meio do seu agrupamento de acordo com os atributos significativos reconhecidos no mercado, atributos com base nos quais os preços são baseados (características como idade ou qualidade (CPC, 2009g). Frequentemente, para realizar as vendas de ativos biológicos e produtos agrícolas, as entidades se utilizam de contratos em data futura. Os preços que constam nos contratos não são necessariamente importantes na mensuração do valor justo, pois refletem condições do mercado no momento da transação entre os que negociam, vendedores e compradores. Por esse motivo, o valor justo não deve ser ajustado devido à existência do contrato. Assim, levam-se em conta as flutuações que ocorrem naturalmente nos mais variados mercados, que sofrem reflexos de diversas frentes, como a inflação e o preço do dólar (CPC, 2009g). 72 Unidade I Sobre o reconhecimento e mensuração, vejamos os itens presentes nesse pronunciamento (CPC, 2009g, p. 5-7). Quadro 14 – Reconhecimento e mensuração Item Conteúdo 10 A entidade deve reconhecer um ativo biológico ou produto agrícola quando, e somente quando: (a) controla o ativo como resultado de eventos passados; (b) for provável que benefícios econômicos futuros associados com o ativo fluirão para a entidade; e (c) o valor justo ou o custo do ativo puder ser mensurado confiavelmente. 11 Em atividade agrícola, o controle pode ser evidenciado, por exemplo, pela propriedade legal do gado e a sua marcação no momento da aquisição, nascimento ou época de desmama. Os benefícios econômicos futuros são, normalmente, determinados pela mensuração dos atributos físicos significativos. 12 O ativo biológico deve ser mensurado ao valor justo menos a despesa de venda no momento do reconhecimento inicial e no final de cada período de competência, exceto para os casos descritos no item 30, em que o valor justo não pode ser mensurado de forma confiável. 13 O produto agrícola colhido de ativos biológicos da entidade deve ser mensurado ao valor justo, menos a despesa de venda, no momento da colheita. O valor assim atribuído representa o custo, no momento da aplicação do Pronunciamento Técnico CPC 16 – Estoques, ou outro pronunciamento aplicável. 15 A mensuração do valor justo de ativo biológico ou produto agrícola pode ser facilitada pelo agrupamento destes, conforme os atributos significativos reconhecidos no mercado em que os preços são baseados, por exemplo, por idade ou qualidade. A entidade deve identificar os atributos que correspondem aos atributos usados no mercado como base para a fixação de preço. 16 Entidades, frequentemente, fazem contratos para vender seus ativos biológicos ou produtos agrícolas em data futura. Os preços contratados não são, necessariamente, relevantes na mensuração do valor justo porque este reflete as condições do mercado corrente em que compradores e vendedores participantes do mercado realizariam a transação. Como consequência, o valor justo de ativo biológico ou produto agrícola não deve ser ajustado em função da existência do contrato. Em alguns casos, um contrato para venda de ativo biológico ou produto agrícola pode ser um contrato oneroso, como definido no Pronunciamento Técnico CPC 25 – Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes e que é aplicável aos contratos onerosos. 22 A entidade não deve incluir na estimativa de fluxo de caixa quaisquer expectativas de financiamento de ativos, tributos ou restabelecimento do ativo biológico após a colheita (por exemplo, o custo de replantio de árvores em plantação após a colheita). 24 Os custos podem, algumas vezes, aproximar-se do valor justo, particularmente, quando: (a) uma pequena transformação biológica ocorre desde o momento inicial (por exemplo, mudas plantadas no período imediatamente anterior ao de encerramento das demonstrações contábeis ou gado recém-adquirido); ou (b) não se espera que o impacto da transformação do ativo biológico sobre o preço seja material (por exemplo, para o crescimento inicial da plantação de pinos cujo ciclo de produção é de 30 anos). 25 Ativos biológicos são, muitas vezes, implantados na terra (por exemplo, árvores de floresta plantada). Pode não existir mercado separado para os referidos ativos, mas pode existir mercado ativo para a combinação deles, isto é, para os ativos biológicos, terra nua e terras com melhorias, como um conjunto. A entidade pode usar informações sobre ativos combinados para mensuraro valor justo dos ativos biológicos. Por exemplo, o valor justo da terra nua e da terra com melhorias pode ser deduzido do valor justo dos ativos combinados, visando obter o valor justo do ativo biológico. Notas Item 14: eliminado; Itens 17,18,19,20 e 21: eliminados pela revisão do CPC 03 Demonstração dos Fluxos de Caixa. Adaptado de: CPC (2009g). Certas vezes, o contrato de venda do ativo biológico ou do produto agrícola pode ser oneroso, como estabelece o Pronunciamento Técnico CPC 25 – Provisões, passivos contingentes e ativos contingentes. 73 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA E, na estimativa de fluxos de caixa, a entidade não deverá incluir qualquer perspectiva de financiamento de ativos, tributos ou restabelecimento de ativo biológico pós-colheita, como o custo decorrente do replantio de árvores depois da colheita (CPC, 2009g). O CPC 29 (CPC, 2009g) destaca uma importante observação com relação aos custos, esclarecendo que, certas vezes, eles podem se aproximar do valor justo, especificamente quando: (a) uma pequena transformação biológica ocorre desde o momento inicial (por exemplo, mudas plantadas no período imediatamente anterior ao de encerramento das demonstrações contábeis ou gado recém-adquirido); ou (Alterada pela Revisão CPC 08) (b) não se espera que o impacto da transformação do ativo biológico sobre o preço seja material (por exemplo, para o crescimento inicial da plantação de pinos cujo ciclo de produção é de 30 anos) (CPC, 2009q, p. 7). Uma característica bastante peculiar dos ativos biológicos é o fato de eles serem muitas vezes implantados na terra. Para compreender isso, basta pensar nas árvores plantadas nas florestas. Talvez não exista mercado individual para os ativos mencionados, mas pode existir mercado ativo que demande uma combinação deles, como a terra nua e a terra com melhorias (CPC, 2009g). Por terra nua entende-se, segundo o Cenofisco (2013): Considera-se terra nua o imóvel rural, por natureza, que compreende o solo com sua superfície e respectiva floresta nativa, despojado das construções, instalações e melhoramentos, das culturas permanentes, das árvores de florestas plantadas e das pastagens cultivadas ou melhoradas, que se classificam como investimentos (benfeitorias). Para a mensuração do valor justo dos ativos biológicos, a entidade pode se valer das informações sobre os ativos combinados, por exemplo, calculando a dedução do valor justo da terra nua e da terra com melhorias do valor justo dos ativos combinados, chegando, assim, no valor justo do ativo biológico (CPC, 2009g). O CPC 29 (CPC, 2009g, p. 7) contempla, nos itens 26 ao 29, os ganhos e as perdas pertinentes a atividade agrícola. Vejamos. Item 26: o ganho ou a perda proveniente da mudança no valor justo menos a despesa de venda de ativo biológico reconhecido no momento inicial até o final de cada período deve ser incluído no resultado do exercício em que tiver origem. 74 Unidade I Item 27: a perda pode ocorrer no reconhecimento inicial de ativo biológico porque as despesas de venda são deduzidas na determinação do valor justo. O ganho pode originar-se no reconhecimento inicial de ativo biológico, como quando ocorre o nascimento de bezerro. Item 28: o ganho ou a perda proveniente do reconhecimento inicial do produto agrícola ao valor justo, menos a despesa de venda, deve ser incluído no resultado do período em que ocorre. Item 29: o ganho ou a perda pode originar-se no reconhecimento inicial do produto agrícola como resultado da colheita. Sobre a incapacidade para mensurar o valor justo de maneira confiável, o pronunciamento nos alerta que é possível mensurar o valor justo de um ativo biológico de maneira confiável, porém que essa premissa poderá ser rejeitada se o ativo biológico em questão, cujo valor deveria ser cotado pelo mercado, está indisponível no mercado, restando para mensuração alternativas que não se mostram substancialmente confiáveis (CPC, 2009g). Os itens a seguir tratam dessa questão (CPC, 2009g, p. 8): Item 30. [...] em tais situações, o ativo biológico deve ser mensurado ao custo, menos qualquer depreciação e perda por irrecuperabilidade acumuladas. Quando o valor justo de tal ativo biológico se tornar mensurável de forma confiável, a entidade deve mensurá-lo ao seu valor justo menos as despesas de venda. Item 31. A presunção do item 30 pode ser rejeitada somente no reconhecimento inicial. A entidade que tenha mensurado previamente o ativo biológico ao seu valor justo, menos a despesa de venda, continuará a mensurá-lo assim até a sua venda. Item 32. Em todos os casos, a entidade deve mensurar o produto agrícola no momento da colheita ao seu valor justo, menos a despesa de venda. Este Pronunciamento assume a premissa de que o valor justo do produto agrícola no momento da colheita pode ser sempre mensurado de forma confiável. Item33. Na determinação do custo, da depreciação e da perda por irrecuperabilidade acumuladas, a entidade deve considerar os Pronunciamentos Técnicos CPC 16 – Estoques, CPC 27 – Ativo Imobilizado e CPC 01 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos. Diante desse cenário, o ativo biológico deverá ser mensurado ao custo, subtraindo-se qualquer depreciação e perda por irrecuperabilidade acumuladas. 75 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Segundo o Pronunciamento Técnico CPC 27 – Ativo Imobilizado: Para determinar se um item do ativo imobilizado está com parte de seu valor irrecuperável, a entidade aplica o Pronunciamento Técnico CPC 01 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos. Esse Pronunciamento determina como a entidade deve revisar o valor contábil de seus ativos, como determinar o seu valor recuperável e quando reconhecer ou reverter perda por redução ao valor recuperável (CPC, 2009e, p.13). No momento em que a mensuração do valor justo do ativo biológico apresentar-se confiável, a mensuração deve ser o valor justo menos as despesas de venda. Entretanto, conforme o próprio CPC 29 orienta, em todos os casos: [...] a entidade deve mensurar o produto agrícola no momento da colheita ao seu valor justo, menos a despesa de venda. Este Pronunciamento assume a premissa de que o valor justo do produto agrícola no momento da colheita pode ser sempre mensurado de forma confiável (CPC, 2009g, p. 8). Para determinar o custo, a depreciação e a perda por irrecuperabilidade acumuladas, a entidade deve observar os pronunciamentos técnicos CPC 16 – Estoques, CPC 27 – Ativo Imobilizado e CPC 01 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos. Lembrete Conforme já mencionado, os pronunciamentos são individualizados mediante o assunto de seu escopo, porém dialogam entre si a fim de promover a integralidade de um guia prático. 4.2 Subvenção governamental Já vimos o conceito de subvenção governamental, vamos agora contemplar os aspectos particulares relacionados ao atendimento desse elemento. O item 30 do CPC 29 esclarece que: A subvenção governamental incondicional relacionada a um ativo biológico mensurado ao seu valor justo, menos a despesa de venda, deve ser reconhecida no resultado do período quando, e somente quando, se tornar recebível (CPC, 2009g, p. 8). Em contrapartida, se a subvenção governamental for condicionada a alguma circunstância, inclusive mediante a exigência de que a entidade não se envolva com uma atividade agrícola especificada, esse fato deverá ser reconhecido no resultado somente quando tal condição for atendida. 76 Unidade I Segundo o CPC 07-R1 – Subvenção e assistências governamentais: Subvenções relacionadas a ativos são subvenções governamentais cuja condição principal para que a entidade se qualifique é a de que ela compre, construa ou de outra forma adquira ativos de longo prazo. Também podem ser incluídas condições acessórias que restrinjam o tipo ou a localização dos ativos, ou os períodos durante os quais devem ser adquiridos ou mantidos (CPC, 2010e, p. 2). As subvenções governamentais, em seus termos e condições, variam. Por exemplo,podem requerer que a entidade cultive por um período de x anos em uma certa localidade, com devolução integral se o cultivo ocorrer em período de tempo inferior. Assim, a subvenção não poderá ser reconhecida no resultado antes do término de tal período, porém, se no contrato existir a previsão de possível retenção do valor proporcional à medida de tempo, o reconhecimento contábil poderá também ocorrer de forma proporcional (CPC, 2009g). No caso de a subvenção governamental estar relacionada a um ativo biológico, o Pronunciamento Técnico CPC 07-R1 – Subvenção e Assistência Governamentais deve ser aplicado. Observemos alguns itens constantes do pronunciamento que tratam da subvenção governamental. Quadro 15 – Subvenção governamental Item Conteúdo 34 A subvenção governamental incondicional relacionada a um ativo biológico mensurado ao seu valor justo, menos a despesa de venda, deve ser reconhecida no resultado do período quando, e somente quando, se tornar recebível. 35 Se a subvenção governamental relacionada com o ativo biológico mensurado ao seu valor justo menos a despesa de venda for condicional, inclusive quando exigir que a entidade não se envolva com uma atividade agrícola especificada, deve ser reconhecida no resultado quando, e somente quando, a condição for atendida. 36 Os termos e as condições das subvenções governamentais variam. Por exemplo, uma subvenção pode requerer que a entidade agrícola cultive durante cinco anos em determinada localidade, devendo devolvê-la, integralmente, se o cultivo se der em período inferior. Nesse caso, a subvenção não pode ser reconhecida no resultado antes de se passarem os cinco anos. Contudo, se os termos contratuais permitirem a retenção do valor proporcional à passagem do tempo, seu reconhecimento contábil também deve ser proporcional. 37 Se a subvenção governamental estiver relacionada com ativo biológico mensurado ao custo menos qualquer depreciação ou perda irrecuperável acumuladas (ver item 30), o Pronunciamento Técnico CPC 07 – Subvenção e Assistência Governamentais deve ser aplicado. 38 Este Pronunciamento exige tratamento diferente do Pronunciamento Técnico CPC 07 se a subvenção do governo se referir a ativo biológico mensurado pelo seu valor justo menos despesas estimadas de venda ou a subvenção do governo exigir que a entidade não se ocupe de uma atividade agrícola específica. O Pronunciamento Técnico CPC 07 é somente aplicado à subvenção governamental relacionada a ativo biológico mensurado pelo seu custo menos qualquer depreciação acumulada e quaisquer perdas irrecuperáveis acumuladas. Adaptado de: CPC (2009g). 77 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Vale ressaltar, mais uma vez, que as atividades contábeis realizadas diariamente pelo contador devem ser embasadas na consulta dos atos normativos e regulatórios, a fim de que sejam atendidas adequadamente toda e qualquer situação ocorrida nas empresas. Nesse prospecto, a divulgação, como não poderia deixar de ser, é um elemento significativo desse pronunciamento. 4.3 Divulgação O ganho ou a perda do período corrente referente ao valor inicial do ativo biológico bem como do produto agrícola e ainda os decorrentes de mudança no valor justo subtraídos da despesa de venda dos ativos biológicos deverão ser objeto de mensuração da entidade. Os ganhos e perdas são contemplados nos itens 26 ao 29, conforme disposto no quadro a seguir. Quadro 16 – Ganhos e perdas Item Conteúdo 26 O ganho ou a perda proveniente da mudança no valor justo menos a despesa de venda de ativo biológico reconhecido no momento inicial até o final de cada período deve ser incluído no resultado do exercício em que tiver origem. 27 A perda pode ocorrer no reconhecimento inicial de ativo biológico porque as despesas de venda são deduzidas na determinação do valor justo. O ganho pode originar-se no reconhecimento inicial de ativo biológico, como quando ocorre o nascimento de bezerro. 28 O ganho ou a perda proveniente do reconhecimento inicial do produto agrícola ao valor justo, menos a despesa de venda, deve ser incluído no resultado do período em que ocorrer. 29 O ganho ou a perda pode originar-se no reconhecimento inicial do produto agrícola como resultado da colheita. Adaptado de: CPC (2009g). Cada grupo de ativos biológicos deve ser descrito pela entidade, podendo ser utilizada uma forma dissertativa ou quantitativa. O CPC 29 traz uma expressão bastante interessante a esse respeito ao mencionar, no item 43, que: “a entidade é encorajada a fornecer uma descrição da quantidade de cada grupo de ativos biológicos, distinguindo entre consumíveis e de produção ou entre maduros e imaturos, conforme apropriado” (CPC, 2009g, p.9). Quando o pronunciamento traz “a entidade é encorajada [...]”, explicita os aspectos que seriam importantes apresentar: “[...] a fornecer uma descrição da quantidade de cada grupo de ativos biológicos, distinguindo entre consumíveis e de produção ou entre maduros e imaturos [...]”; mais uma vez podemos observar a preocupação do CPC acerca do que é importante divulgar e quais os aspectos relacionados a tal preocupação, além do encorajamento que podemos entender como um incentivo, um estímulo à entidade para ser o mais transparente possível. Ainda no item 44, o pronunciamento explica que a entidade pode dispor, em sua divulgação, os totais de ativos biológicos passíveis de consumo e os disponíveis para a produção de forma segregada 78 Unidade I por grupos. Poderá, ainda, separar os totais em ativos maduros e imaturos, incorrendo em uma apresentação pormenorizada para que as distinções tenham efeito de utilização no conhecimento do tempo como influenciador no fluxo de caixa futuro. Por fim, deverá também divulgar a base utilizada que resultou em tais distinções, promovendo, dessa forma, objetividade e clareza aos critérios adotados à divulgação (CPC, 2009g). Nesse contexto, mostra-se particularmente importante compreender os conceitos mencionados: ativos biológicos passíveis de serem consumíveis, ativos biológicos para produção, ativos biológicos maduros e ativos biológicos imaturos. Cada um deles é especificado a seguir (CPC, 2009g). • Ativos biológicos consumíveis: são os que são colhidos como produto agrícola ou vendidos como ativos biológicos, como os rebanhos para a venda dos animais, os rebanhos para a produção de carne, a produção de peixes, plantações como de milho e trigo, produtos originados de plantas portadoras e árvores destinadas para a produção de madeira. • Ativos biológicos para a produção: aqui são enquadrados os demais tipos, como os rebanhos de animais para a produção de leite e as árvores que produzem frutos para venda ao consumidor (deve-se ressaltar que as plantas portadoras não se caracterizam como produtos agrícolas, mas como ativos biológicos de produção, mantidos para a produção de produtos, conforme já explicado anteriormente). • Ativos biológicos maduros: são os que se caracterizam no período de condição satisfatória para serem colhidos, ou seja, trata-se dos ativos biológicos consumíveis, ou, ainda, que se encontram em momento de aptidão para sustentar colheitas regulares, se enquadrando, nessa situação, como ativo biológico para produção. • Ativos biológicos imaturos: são aqueles que não se encaixam no caso anteriormente descrito, ou seja, não estão aptos para colheita ou para sustentação de colheita regular. O item 46 afirma que a entidade, caso já não tenha sido feito de outra maneira, deverá divulgar: (a) a natureza das atividades envolvendo cada grupo de ativos biológicos; e (b) mensurações ou estimativas não financeiras de quantidade físicas: (i) de cada grupo de cada grupo de ativos biológicos no final do período; e (ii) da produção agrícola durante o período (CPC , 2009g, p. 9-10). O item 49 do Pronunciamento Técnico CPC 29, alerta para a divulgação de: (a) a existência e o total de ativos biológicos cuja titularidade legal seja restrita, e o montante deles dado como garantiade exigibilidades; (b) o montante de compromissos relacionados com o desenvolvimento ou aquisição de ativos biológicos; e 79 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA (c) as estratégias de administração de riscos financeiros relacionadas com a atividade agrícola (CPC, 2009g, p. 10). Observam-se nesse item aspectos relevantes à produção agrícola, incluindo a exposição das estratégias adotadas pelos gestores da entidade referentes aos riscos financeiros pertinentes à atividade agrícola. Podemos perceber ainda a transparência novamente como peça-chave para uma divulgação consistente e que não dê margem a dúvidas. Quando a entidade conhece os riscos inerentes ao negócio que desenvolve, consegue realizar um planejamento para intervir com ações preventivas, a fim de mitigar consequências e ainda trabalhar na elaboração de ações corretivas futuras. Sobre o intervalo de tempo percorrido entre o início e o fim do período corrente, o item 50 (CPC, 2009g), alerta para que a entidade apresente a conciliação das mudanças ocorridas no valor contábil dos ativos biológicos referentes a: (a) ganho ou perda decorrente da mudança no valor justo menos a despesa de venda; (b) aumentos devido às compras; (c) reduções atribuíveis às vendas e aos ativos biológicos classificados como mantidos para venda ou incluídos em grupo de ativos mantidos para essa finalidade, de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 31 – Ativo Não Circulante Mantido para Venda e Operação Descontinuada; (d) reduções devidas às colheitas; (e) aumento resultante de combinação de negócios; (f) diferenças cambiais líquidas decorrentes de conversão das demonstrações contábeis para outra moeda de apresentação e, também, de conversão de operações em moeda estrangeira para a moeda de apresentação das demonstrações da entidade; e outras mudanças (CPC, 2009g, p.10). Mudanças físicas e preços de mercados podem implicar alteração do valor justo menos a despesa de venda de ativos biológicos e, quando a entidade reporta a informação mediante divulgações separadas, ela promove mais assertividade na avalição de desempenho do cenário em período corrente, bem como na avaliação de períodos futuros e suas projeções, especialmente quando o ciclo de produção abarca período superior a um ano (CPC, 2009g). 80 Unidade I Nessas circunstâncias, o pronunciamento estimula que a divulgação seja realizada por grupo ou conforme o item 51 (CPC, 2009g, p. 10) elucida: “o total da mudança no valor justo menos a despesa de venda, incluído no resultado, referente às mudanças físicas e de preços no mercado”. Em contrapartida, o próprio CPC alerta que tal informação não possui significativa utilidade quando o ciclo de produção compreende um período inferior a um ano, como na criação de frangos ou no cultivo de cereais. Vejamos o trecho a seguir. O valor justo menos a despesa de venda de um ativo biológico pode se alterar devido a mudanças físicas e também de preços no mercado. Divulgações separadas são úteis para avaliar o desempenho do período corrente e para projeções futuras, particularmente quando há um ciclo de produção que compreende período superior a um ano. Em tais casos, a entidade é encorajada a divulgar, por grupo, ou de outra forma, o total da mudança no valor justo menos a despesa de venda, incluído no resultado, referente às mudanças físicas e de preços no mercado. Geralmente, essa informação não é tão útil quando o ciclo de produção é menor que um ano (por exemplo, quando se criam frangos ou se cultivam cereais) (CPC, 2009g, p. 10). A atividade agrícola, conforme temos percebido ao longo deste livro-texto e das especificações do pronunciamento CPC 29, corresponde a uma atividade bastante singular e repleta de minúcias exigindo, assim, um tratamento bastante atento e cuidadoso. Diversas são as mudanças físicas resultantes da transformação biológica alcançada pelos ativos biológicos e produtos agrícolas, como produção e procriação, crescimento, degeneração, passíveis cada qual de observação e mensuração. Os benefícios econômicos futuros almejados e alcançados pelas entidades têm relação direta com esses processos físicos e a mudança do valor justo do ativo biológico ocorrido pela colheita também se caracteriza como mudança física (CPC, 2009g). Existem elementos que impactam a atividade agrícola, como as condições climáticas, as doenças e outros riscos naturais. Diante de algum evento que origine um item material de receita ou despesa, tanto a natureza quanto o total dessa ocorrência devem ser divulgados, conforme estabelecido no Pronunciamento Técnico CPC 26 – Apresentação das Demonstrações Contábeis. Exemplificando essa situação, temos a seca, as inundações, as geadas, os surtos de virose e ainda pragas de insetos (CPC, 2009g). Segundo Marion (2014), há um elemento intitulado perdas extraordinárias (involuntárias) a que as culturas de ativos estão sujeitas. Essas culturas, concluídas ou em formação, estão de maneira constante suscetíveis a perdas extraordinárias que decorrem da natureza e que implicam perda de capacidade, certas vezes na sua totalidade e em outras parcialmente, da qual ocorrerá a baixa dos ativos e a inclusão no resultado do exercício como despesas não operacionais. 81 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Marion (2014, p. 24) complementa que: Normalmente, não se caracterizam perdas extraordinárias as que se apresentarem como simples frustração ou retardamento de safra agrícola. Todavia, tratando-se de perdas normais, inerentes à própria plantação, sendo previsíveis, fazendo parte da expectativa da empresa, farão parte do custo dos produtos agrícolas (não sendo baixado com perda extraordinária) Figura 19 – Safra e desastre natural O pronunciamento CPC 29 estabelece, ainda, uma divulgação de maneira adicional para o ativo biológico cujo valor justo não possa, por algum motivo, ser mensurado confiavelmente. Nesse cenário, o item 54 destaca que se a entidade mensura os ativos biológicos pelo seu custo, subtraindo-se qualquer depreciação e perda no valor recuperável acumuladas, conforme já mencionado anteriormente. Ao encerramento do período, a entidade deverá divulgar: (a) uma descrição dos ativos biológicos; (b) uma explicação da razão pela qual o valor justo não pode ser mensurado de forma confiável; (c) se possível, uma faixa de estimativas dentro da qual existe alta probabilidade de se encontrar o valor justo; (d) o método de depreciação utilizado; (e) a vida útil ou a taxa de depreciação utilizada; e 82 Unidade I (f) o total bruto e a depreciação acumulada (adicionada da perda por irrecuperabilidade acumulada) no início e no final do período (CPC, 2009g, p. 11). Ainda sobre essa, a entidade deverá também fazer a divulgação de todo e qualquer ganho ou perda reconhecidos sobre a venda desses ativos biológicos e a conciliação exigida pelo item 50 do pronunciamento, tratada aqui no livro-texto, evidenciando o total relacionado com esses ativos de forma separada. Adicionalmente à conciliação, devem estar incluídos no resultado decorrente das transações os valores referentes a “(a) perdas irrecuperáveis; (b) reversão de perdas no valor recuperável; e (c) depreciação” (CPC, 2009g, p. 11). Se, durante o período corrente, o valor justo se tornar mensurável de forma confiável, a entidade deverá divulgar: (a) uma descrição dos ativos biológicos; (b) uma explicação da razão pela qual a mensuração do valor justo se tornou mensurável de forma confiável; e (c) o efeito da mudança (CPC, 2009g, p. 11). A divulgação acerca da subvenção governamental deve mensurar: (a) a natureza e a extensão das subvenções governamentais reconhecidas nas demonstrações contábeis; (b) condições não atendidas e outras contingências associadas com a subvenção governamental; e (c) reduções significativas esperadas no nível de subvenções governamentais (CPC, 2009g, p. 11). Muitos são os aspectos sobre ativos biológicos e produtos agrícolas aos quais o contador deve dedicar especialatenção, atendo-se a detalhes e particularidades exigidos pelo pronunciamento em busca do reconhecimento adequado e da divulgação subsidiada por transparência e objetividade. 83 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Saiba mais Ao acessar os artigos indicados a seguir, você poderá aprofundar o conhecimento acerca de ativos biológicos e suas particularidades. CONGRESSO UFSC DE CONTROLADORIA E FINANÇAS, 7., 2017, Florianópolis. Anais […]. Florianópolis, 2017. Disponível em: http://dvl.ccn.ufsc.br/10congresso/ anais/7CCF/20170818132949.pdf. Acesso em: 7 out. 2020. MARCON, T.; PIASECKI, L. A. R. Tratamento contábil do ativo biológico de acordo com as normas brasileiras de contabilidade. In: ENCONTRO CIENTÍFICO CULTURAL INTERINSTITUCIONAL, 12., 2014. Anais […]. Disponível em: https://www.fag.edu.br/upload/ecci/anais/55953b431700b.pdf. Acesso em: 7 out. 2020. VARGAS, P. T.; PIENIZ, L. P. Nível de aderência ao pronunciamento CPC 29 (ativos biológicos) em empresas do agronegócio no segmento de papel e celulose. [s.d.]. Trabalho de Conclusão de Curso (Ciências Contábeis) – Unicruz, Cruz Alta, [s.d.]. Disponível em: https://home.unicruz.edu.br/wp-content/ uploads/2017/12/NIVEL-DE-ADER_NCIA-AO-PRONUNCIAMENTO -CPC-29-ATIVOS-BIOL_GICOS-EM-EMPRESAS-DO-AGRONEG_CIO.pdf. Acesso em: 7 out. 2020. A título de ilustração, vejamos alguns exemplos que constam no próprio Pronunciamento Técnico CPC 29. O Exemplo 1 ilustra como as evidenciações solicitadas no Pronunciamento podem ser utilizadas por uma fazenda de gado leiteiro. Este Pronunciamento encoraja a separação da mudança no valor justo menos despesa de venda dos ativos biológicos entre mudanças físicas e mudanças de preço. A separação é refletida no Exemplo 1. O Exemplo 2 ilustra como separar mudanças físicas e de preços. A demonstração contábil no Exemplo 1 não está de acordo com todos os requisitos exigidos de evidenciação e de apresentação de todos os Pronunciamentos do CPC. Portanto, alterações podem ser apropriadas. 84 Unidade I Exemplo 1 Tabela 2 XYZ Ltda. Balanço patrimonial Notas 31 dezembro/X1 31 dezembro/X0 ATIVO Ativo circulante Caixa Contas a receber e outros recebíveis Estoques Total do ativo circulante Ativo não circulante Ativo imobilizado Rebanho para leite – imaturos Rebanho para leite – maduros Subtotal – ativos biológicos Equipamentos (líquido) Total do ativo não circulante Total do ativo PATRIMÔNIO LÍQUIDO E PASSIVO Passivo circulante Fornecedores e outras contas a pagar Total do passivo circulante Patrimônio líquido Capital realizado Reservas Total do patrimônio líquido Total do patrimônio líquido e passivo (3) 10.000 88.000 82.950 180.950 52.060 372.990 425.050 1.462.650 1.887.700 2.068.650 165.822 165.822 1.000.000 902.828 1.902.828 2.068.650 10.000 65.000 70.650 145.650 47.730 411.840 459.570 1.409.800 1.869.370 2.015.020 150.020 150.020 1.000.000 865.000 1.865.000 2.015.020 (a) A entidade é encorajada, mas não obrigada, a fornecer uma descrição quantitativa de cada grupo de ativos biológicos, distinguindo entre ativos para consumo e para produção ou entre ativos maduros e imaturos, conforme apropriado. A entidade deve divulgar a base para a definição de tais distinções. 85 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Tabela 3 XYZ Ltda. Demonstração de resultado do período Notas Exercício encerrado em 31/12/20X1 Valor de venda do leite produzido Ganho decorrente da mudança de valor justo menos despesa estimada de venda do rebanho para produção de leite (3) 518.240 39.930 558.170 Materiais consumidos Mão de obra Depreciação Outros custos Lucro da operação Imposto sobre o resultado Lucro do período (137.523) (127.283) (15.250) (197.092) (477.148) 81.022 (43.194) 37.828 (*) Esta Demonstração do Resultado classifica os gastos conforme sua natureza, de acordo com o permitido pelo Pronunciamento Técnico CPC 26 – Apresentação das Demonstrações Contábeis, o qual determina que, se a demonstração não tiver esse formato, deve ter seus gastos assim dispostos em notas explicativas. O Pronunciamento Técnico CPC 26 encoraja a apresentação de análise das despesas da Demonstração do Resultado. Tabela 4 Demonstração da mutação do patrimônio líquido XYZ Ltda. Encerrada em 31 de dezembro de 20X1 Capital Lucros retidos Total Saldo inicial em 1º janeiro 20X1 Lucro do período Saldo final em 31 dezembro 20X1 1.000.000 1.000.000 865.000 37.828 902.828 1.865.000 37.828 1.902.828 Demonstração dos fluxos de caixa XYZ Ltda. Fluxo de caixa proveniente das atividades operacionais Recebimento das vendas de leite Recebimento das vendas de rebanho Pagamento de fornecedores e empregados Pagamento pela compra de rebanho Pagamento de tributos sobre resultados Caixa líquido das operações Exercício encerrado em 31/12/20X1 498.027 97.913 (460.831) (23.815) 111.294 (43.194) 68.100 86 Unidade I Demonstração dos fluxos de caixa XYZ Ltda. Fluxo de caixa proveniente de atividades de investimento Aquisição de imobilizado Caixa líquido das atividades de investimento Aumento líquido de caixa Caixa no início do período Caixa no final do período (68.100) (68.100) 0 10.000 10.000 (*) Esta Demonstração dos Fluxos de Caixa informa o caixa decorrente das operações usando o método direto. Notas 1 Atividades principais e operações A companhia XYZ Ltda. desenvolve a atividade de produção de leite para fornecimento a vários clientes. Em 31 de dezembro de 20X1, a companhia mantinha 419 cabeças de vacas para a produção de leite (ativos maduros) e 137 bezerros para produção futura de leite (ativos imaturos). A companhia produziu 157.584 kg de leite pelo valor justo, menos a despesa de venda, de $ 518.240 (que foi determinado no momento da extração do leite) no exercício social encerrado no dia 31 de dezembro de 20X1. 2 Políticas contábeis Rebanho de leite Os rebanhos são mensurados pelo valor justo menos a despesa de venda. O valor justo é determinado com base no preço de mercado de ativos com idade, raça e qualidades genéticas similares. O leite é inicialmente mensurado pelo valor justo menos a despesa de venda no momento da extração e com base no preço de mercado local. 3 Ativos biológicos Ver tabela a seguir: Tabela 5 Conciliação do total contabilizado do rebanho leiteiro 20X1 Total contabilizado em 1º de janeiro 20X1 459.570 Aumento em função de compras 26.250 Ganhos decorrentes de mudanças no valor justo menos a despesa de venda atribuído a mudanças físicas* 15.350 Ganho decorrente de mudança no valor justo, menos a despesa de venda atribuível a mudanças de preço* 24.580 Redução devido a vendas (100.700) Total contabilizado em 31 de dezembro 20X1 425.050 (*) A separação do aumento do valor justo, menos a estimativa da despesa de venda no momento da venda, entre a parte atribuível a mudanças físicas e a parte atribuível a mudanças de preços, não é obrigatória, porém, é estimulada. 87 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Exemplo 2 – Mudança física e mudança de preço O exemplo seguinte ilustra como separar a mudança física e de preço , que é estimulada pelo Pronunciamento. Havia um rebanho de dez unidades com 2 anos de idade em 1º de janeiro de 20X1. Um animal de 2,5 anos foi comprado em 1º de julho de 20X1 por $ 108 e nessa mesma data nasceu outro. Nenhum animal foi vendido ou colocado à disposição para venda durante o período. Os valores justos unitários, menos a despesa de venda, são os seguintes: Tabela 6 Animais de 2 anos de idade em 1º de janeiro de 20X1 Animal nascido em 1º de julho de 20X1 Animal de 2,5 anos de idade em 1º de julho de 20X1 Animal nascido no ano, em 31 de dezembro de 20X1 Animal de 0,5 ano de idade, em 31 de dezembro 20X1 Animal de 2 anos de idade em 31 de dezembro 20X1 Animal de 2,5 anos em 31 dezembro 20X1 Animais antigos com 3 anos de idade em 31 de dezembro 20X1 Valor justo menos a despesa de venda do rebanho em 1º de janeiro de 20X1 (10 x 100) Compra em 1ºde julho 20X1 (1 x 108) Aumento no valor justo menos a despesa de venda devido à mudança de preço: 10 × (105 – 100) 1 × (111 – 108) 1 × (72 – 70) Aumento no valor justo menos a despesa de venda devido à mudança física: 10 × (120 – 105) 1 × (120 – 111) 1 × (80 – 72) 1 × 70 Valor justo menos a despesa de venda do rebanho em 31 de dezembro de 20X1 11 × 120 1 × 80 100 70 108 72 80 105 111 120 50 3 2 150 9 8 70 1.320 80 1.000 108 55 237 1.400 Adaptado de: CPC (2009g). 88 Unidade I Exemplo de aplicação Após tratarmos e conhecermos um pouco mais sobre cada assunto contemplado nos quatro pronunciamentos, pode-se constatar que há temas com maior complexidade (com tratativas minuciosas) e outros com um grau menor. Nesse contexto, proponho que você reflita sobre qual tema, entre os estudados até aqui, lhe parece mais complexo quanto aos processos de reconhecimento, mensuração e divulgação. Resumo O Pronunciamento Técnico CPC 05-R1 – Divulgação sobre partes relacionadas apresenta as diretrizes para a divulgação sobre partes relacionadas recaindo sua essencialidade na transparência da divulgação inerente às transações ocorridas com a participação de partes relacionadas. O conceito de partes relacionadas compreende pessoa ou entidade que está de alguma maneira relacionada com a entidade que está reportando a informação contábil, ou seja, trata-se da divulgação das partes relacionadas com a entidade que elabora as demonstrações contábeis. Todas as determinações contempladas no CPC 05-R1 – Divulgação sobre partes relacionadas corroboram para que o usuário da informação contábil tenha uma visão integrada acerca dos relacionamentos entre partes relacionadas e que a divulgação do relacionamento deve ocorrer quando existir controle, mediante a ocorrência de transações, bem como quando da inexistência de qualquer transação no período. O Pronunciamento Técnico CPC 10-R1 – Pagamento baseado em ações tem por intuito apresentar as diretrizes para o reconhecimento e a divulgação das transações ocorridas na entidade com o pagamento baseado em ações pela entidade que elabora as demonstrações contábeis com a finalidade de reportar a informação contábil. Ressalta-se a importância de que tanto as transações quanto os efeitos decorrentes devem ser apresentados tanto no balanço patrimonial quanto no resultado da empresa com a inclusão das despesas incorridas das ações que são concedidas a empregados. Há alguns tipos de transações que podem ter seu pagamento com base em ações, compreendendo: (i) transação com pagamento baseado em ações 89 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA liquidadas com instrumentos patrimoniais; (ii) transação por meio do qual serviços são recebidos; (iii) transação mensurada com base no valor justo do instrumento patrimonial outorgado; (iv) transação com pagamento baseado em ações liquidadas em caixa. Por se tratar de um pronunciamento técnico direcionado às empresas de grande porte, em que a transparência é significativamente cobrada não apenas pelos agentes que estão envolvidos no negócio, mas também pela sociedade como um todo, entende-se a importância desse CPC para a busca de consistência contábil das informações prestadas mediante as transações ocorridas. No Pronunciamento Técnico CPC 24 – Evento subsequente, aborda-se a circunstância que implica o momento de ajuste das demonstrações contábeis. A divulgação sobre a data que autoriza a emissão dos demonstrativos, bem como sobre os eventos subsequentes ao período contábil a que se refiram tais documentos. O procedimento de autorização da emissão das demonstrações contábeis varia, habitualmente, de acordo com o porte da empresa, algo que influencia diretamente o volume de transações e informações e torna o procedimento mais alongado e complexo, além de suscitar reflexos na estrutura administrativa, nas normativas e legislações. Vimos também que há casos em que as demonstrações contábeis são submetidas à aprovação dos acionistas, situação na qual a entidade deve considerar as demonstrações contábeis como autorizadas na data de emissão (e não quando da aprovação pelo grupo acionário). Aprendemos que evento subsequente é aquele que ocorre entre a data final do período a que se refiram as demonstrações contábeis (ou seja, 31 de dezembro) e a data na qual é autorizada a emissão destas demonstrações; trata-se de um evento que ocorreu após a data final do período do exercício social. Existem dois tipos de eventos subsequentes: (i) os que evidenciam condições que já existiam na data final do período a que se refirem as demonstrações contábeis e que originam ajustes nas demonstrações e (ii) os que surgiram posteriormente ao período e que não originam ajustes nas demonstrações. O CPC 24, com emissão em 2009, discorre criteriosamente sobre esses eventos e como são as tratativas nas situações passíveis de ocorrência. 90 Unidade I Já os ativos biológicos e produtos agrícolas são compreendidos pelo CPC 29 – Ativo biológico e produto agrícola. Para tal, define-se a atividade agrícola como o gerenciamento da transformação biológica e da colheita de ativos biológicos para destinação a venda ou que passe por processo de conversão em produtos agrícolas ou em ativos biológicos adicionais. Vale destacar que o setor de agronegócio cresce constantemente e tem significância econômica bastante relevante ao país. Dessa forma, a atualização do profissional contador quanto ao conhecimento técnico pertinente à área se mostra algo de extrema importância. Outro ponto que faz o setor agrícola se destacar entre os demais é a sua essencialidade: identificamos facilmente que a sociedade de maneira geral não apenas consome produtos resultantes da produção agrícola, bem como necessita de muitos produtos oriundos a produção agrícola. As particularidades da atividade agrícola refletem na extensão e na complexidade dos aspectos abordados pelo pronunciamento, como os aspectos relacionados às mudanças físicas que são pertinentes e essenciais para a tratativa contábil. Entre as mudanças físicas que resultam da transformação dos ativos biológicos e produtos agrícolas, observamos a produção e a procriação, o crescimento, a degeneração, os quais, dentro de suas particularidades, são passíveis de controle observatório e mensuração, condição de grande importância, pois poderá refletir e alcançar diretamente os benefícios econômicos futuros da entidade. Além das modificações físicas, existem outras circunstâncias que impactam significativamente esse ramo de negócio, como as condições do clima e as pragas (de insetos), além do custo mensurado a valor justo e das condições e dos preços na oscilação dos mercados. Os ativos biológicos e produtos agrícolas são variados e necessitam de diretrizes específicas trazidas pelo pronunciamento em questão, objetivando, assim, auxiliar o contador atuante na área em prol de uma divulgação idônea e adequada. 91 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA Exercícios Questão 1. O CPC 24 – Evento Subsequente deve ser aplicado na contabilização e na divulgação de eventos subsequentes ao período a que se referem as demonstrações contábeis. Esse processo requer uma análise criteriosa das informações que possam exigir das entidades ajustes de valores reconhecidos em suas demonstrações ou que reconheçam itens que não tenham sido previamente reconhecidos. Nesse contexto, analise os eventos a seguir. I - Em 31/12/20X1, encerramento do período contábil. II - Em 28/02/20X2, conclusão da minuta das demonstrações contábeis. III - Em 31/03/20X2, autorização da emissão das demonstrações contábeis pela diretoria. IV - Em 15/04/20X2, disponibilização das demonstrações contábeis aos acionistas. V - Em 30/04/20X2, aprovação das demonstrações contábeis pelos acionistas. VI - Em 15/05/20X2, encaminhamento das demonstrações contábeis para registro. Com base no exposto e nos seus conhecimentos, assinale a alternativa correta. A) O evento subsequenteinicia em II e termina em V. B) O evento subsequente inicia em I e termina em III. C) O evento subsequente inicia em I e termina em IV. D) O evento subsequente inicia em III e termina em VI. E) O evento subsequente inicia em II e termina em IV. Resposta correta: alternativa B. Análise da questão De acordo com o CPC 24, evento subsequente é aquele que ocorre entre a data final do período a que se referem as demonstrações contábeis (31/12/20X1) e a data da autorização da emissão dessas demonstrações contábeis (31/03/20X2). 92 Unidade I Questão 2. O CPC 29, com correlação às normas internacionais de contabilidade – IAS 41, estabelece o tratamento contábil e as respectivas divulgações relacionados aos ativos biológicos e aos produtos agrícolas. Em relação ao pronunciamento em foco, analise as afirmativas a seguir. I - Os terrenos utilizados na propriedade agrícola encontram-se sob o alcance do CPC 29. II - Para facilitar a determinação do valor justo, os ativos biológicos ou produtos agrícolas de atributos semelhantes podem ser agrupados. III - Os ganhos e perdas decorrentes da mensuração a valor justo menos os custos de venda de ativos biológicos devem ser reconhecidos no resultado do exercício. IV - As mensurações realizadas de acordo com o CPC 29 sempre devem ser feitas a valor de custo. É correto o que se afirma em: A) I e II. B) I e IV. C) II e III. D) II e IV. E) I, III e IV. Resposta correta: alternativa C. Análise das afirmativas I – Afirmativa incorreta. Justificativa: as terras relacionadas com atividades agrícolas seguem as aplicações do CPC 27 – Imobilizado e do CPC 28 – Propriedade para Investimento. II – Afirmativa correta. Justificativa: o que consta na afirmativa é o que esclarece o item 15 do pronunciamento. III – Afirmativa correta. Justificativa: o que consta na afirmativa é o que esclarece o item 26 do pronunciamento. 93 CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTEGRADA IV – Afirmativa incorreta. Justificativa: o ativo biológico deve ser mensurado ao valor justo menos a despesa de venda. Somente quando o valor justo não puder ser mensurado de forma confiável, o ativo biológico deve ser mensurado a valor de custo (itens 12 e 30 do pronunciamento).