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Direito Constitucional I - Teoria Constitucional e Direitos Fundamentais

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Indaial – 2020
Direito ConstituCional i-
teoria ConstituCional e 
Direitos FunDamentais
Prof.ª Miriany Stadler Ilanes 
Prof.ª Rosana Antunes
Prof.ª Maytê Ribeiro T. Meleto Barboza
Prof.ª Rodrigo Flores Fernandes
1a Edição
2020
Elaboração:
Prof.ª Miriany Stadler Ilanes 
Prof.ª Rosana Antunes
Prof.ª Maytê Ribeiro T. Meleto Barboza
Prof.ª Rodrigo Flores Fernandes
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Conteúdo produzido
Copyright © Sagah Educação S.A.
Impresso por:
III
apresentação
Olá Caro Acadêmico!
Esta disciplina abordará as questões relativas ao Direito Constitucional 
I, principalmente aos assuntos pertinentes a teoria constitucional e os direitos 
fundamentais.
Na Unidade 1 será trabalhado uma breve introdução ao direito 
constitucional, em que será estudado os conceitos fundamentais do direito 
constitucional, explorando a questão da ciência do Direito Constitucional e o 
seu objetivo, como também será exposto a relação do Direito Constitucional 
com os outros ramos do Direito e como é determinar o Direito Constitucional 
como o nível fundamental do ordenamento jurídico brasileiro.
Nesta unidade trabalhar-se-á a evolução histórica do 
constitucionalismo, desde a Antiguidade até à época contemporânea, como 
também você poderá reconhecer a existência do pós-constitucionalismo 
e neoconstitucionalismo e será apresentado ainda a dinâmica político-
constitucional na experiência brasileira.
Serão analisados ainda, os sentidos do termo Constituição, o poder 
constituinte e a reforma da constituição.
Na Unidade 2 trabalhar-se-á o Direito constitucional em si, 
buscando compreender as normas constitucionais, em que procurar-se-á 
explicar as características e o conteúdo material da norma constitucional, 
além de identificar as diversas classificações quanto à eficácia das normas 
constitucionais.
Também serão trabalhados nesta unidade as diferenças entre 
princípios e regras constitucionais, como também a questão da hermenêutica 
constitucional, para assim poder analisar os métodos de interpretação 
constitucional e compreender os diferentes planos de análise da interpretação 
constitucional.
Serão estudados ainda, os objetivos e princípios fundamentais da 
República Federativa do Brasil, a teoria dos direitos fundamentais.
Na Unidade 3 será estudado os direitos individuais e coletivos, como 
também a questão das garantias constitucionais e direitos sociais, direito da 
nacionalidade e direitos políticos.
Bons estudos!
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto 
para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também 
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
NOTA
V
VI
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela 
um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer teu conhecimento, construímos, além do livro 
que está em tuas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela terás 
contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementares, 
entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar teu crescimento.
Acesse o QR Code, que te levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para teu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nessa caminhada!
LEMBRETE
VII
UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO AO DIREITO CONSTITUCIONAL .............................................1
TÓPICO 1 – CONCEITOS FUNDAMENTAIS ....................................................................................3
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................3
2 CIÊNCIA DO DIREITO CONSTITUCIONAL E O SEU OBJETO ...............................................3
3 RELAÇÃO DO DIREITO CONSTITUCIONAL COM OS OUTROS RAMOS DO DIREITO .... 6
4 DIREITO CONSTITUCIONAL COMO O DIREITO DE NÍVEL FUNDAMENTAL DO 
 ORDENAMENTO JURÍDICO .............................................................................................................8
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................11
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................12
TÓPICO 2 – CONSTITUCIONALISMO ............................................................................................13
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................13
2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO CONSTITUCIONALISMO: DO ANTIGO AO 
 CONTEMPORÂNEO ...........................................................................................................................13
3 EXISTÊNCIA DO PÓS-CONSTITUCIONALISMO E NEOCONSTITUCIONALISMO ......17
4 DINÂMICA POLÍTICO-CONSTITUCIONAL NA EXPERIÊNCIA BRASILEIRA ................20
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................24
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................25
TÓPICO 3 – CONSTITUIÇÃO .............................................................................................................27
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................27
2 SENTIDOS DO TERMO CONSTITUIÇÃO ............................................................ 27
3 CONCEPÇÕES DE CONSTITUIÇÃO..............................................................................................29
4 AS DIVERSAS TIPOLOGIAS DAS CONSTITUIÇÕES ........................................... 32
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................36
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................37
TÓPICO 4 – PODER CONSTITUINTE ...............................................................................................39
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................39
2 VISÃO GERAL DO PODER CONSTITUINTE: CONCEITO, ORIGENS E 
 GENERALIDADE .................................................................................................................................39
3 TITULARIDADE E LEGITIMIDADE DO PODER CONSTITUINTE ......................................42
4 ESPÉCIES DE PODERCONSTITUINTE E LIMITES IMPLÍCITOS E EXPLÍCITOS ............43
4.1 PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO ........................................................................................ 44
4.2 PODER CONSTITUINTE DERIVADO .........................................................................................45
RESUMO DO TÓPICO 4........................................................................................................................48
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................49
TÓPICO 5 – REFORMA DA CONSTITUIÇÃO ................................................................................51
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................51
2 REFORMA E REVISÃO CONSTITUCIONAIS .............................................................................51
3 O PROCESSO E OS LIMITES DA REFORMA CONSTITUCIONAL .......................................53
sumário
VIII
4 A REVISÃO DA CONSTITUIÇÃO DE 1988 E MAIS CASOS DE REFORMAS 
 CONSTITUCIONAIS ..........................................................................................................................56
5 CASOS DE REFORMA CONSTITUCIONAL ................................................................................57
RESUMO DO TÓPICO 5........................................................................................................................59
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................60
UNIDADE 2 – DIREITO CONSTITUCIONAL .................................................................................61
TÓPICO 1 – NORMAS CONSTITUCIONAIS ..................................................................................63
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................63
2 CARACTERÍSTICAS DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS ....................................................63
3 CONTEÚDO MATERIAL DA NORMA CONSTITUCIONAL ...................................................64
4 CONTEÚDO FORMAL DA NORMA CONSTITUCIONAL ......................................................64
5 EFICÁCIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS ........................................................................65
6 CLASSIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS QUANTO À SUA EFICÁCIA ...66
6.1 NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA PLENA ..........................................................66
6.2 NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA CONTIDA ....................................................66
6.3 NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA LIMITADA ...................................................67
7 PRINCÍPIOS E REGRAS CONSTITUCIONAIS ...........................................................................68
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................70
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................71
TÓPICO 2 – HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL .....................................................................73
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................73
2 INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL .............................................................73
3 MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL ..........................................................75
4 PRINCÍPIOS DA INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL .................................................. 77
5 CONFLITOS DE NORMAS CONSTITUCIONAIS ......................................................................79
6 RESOLUÇÃO DE CONFLITOS ENTRE NORMAS ......................................................................80
CONSTITUCIONAIS .............................................................................................................................80
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................82
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................83
TÓPICO 3 – PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS...................................................................................85
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................85
2 FUNDAMENTOS DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL...............................................85
3 PRINCÍPIO REPUBLICANO .............................................................................................................86
4 FUNDAMENTOS DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL...............................................87
5 PRINCÍPIO DA SEPARAÇÃO DOS PODERES ............................................................................89
6 OBJETIVOS FUNDAMENTAIS DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL .....................90
7 RELAÇÕES INTERNACIONAIS DA REPÚBLICA ..................................................91
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................95
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................96
TÓPICO 4 – TEORIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS I .........................................................97
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................97
2 GERAÇÕES DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS .........................................................................97
3 DIREITOS FUNDAMENTAIS NA ORDEM CONSTITUCIONAL ...........................................99
4 ART. 5º, § 2º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL ............................................................................100
RESUMO DO TÓPICO 4......................................................................................................................103
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................104
IX
TÓPICO 5 – TEORIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS II ......................................................105
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................105
2 OS DIREITOS E AS GARANTIAS FUNDAMENTAIS DA CONSTITUIÇÃO DE 1988 .....105
3 CLASSIFICAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS ............................................................107
4 AS CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS ................................................110
5 TITULARES E DESTINATÁRIOS DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS ..111
6 APLICABILIDADE, LIMITES E RESTRIÇÕES DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS .........115
RESUMO DO TÓPICO 5......................................................................................................................119
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................120
UNIDADE 3 – DOS DIREITOS ..........................................................................................................121
TÓPICO 1 – DOS DIREITOS INDIVIDUAIS .................................................................................123
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................123
2 CONCEITO .................................................................................................................123
3 DIFERENCIAÇÃO ENTRE DIREITOS INDIVIDUAIS E COLETIVOS ................................125
4 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE ......................................................................................126
4.1 DIREITO À VIDA ..........................................................................................................................126
4.2 DIREITO À LIBERDADE ..............................................................................................................128
4.3 DIREITO À IGUALDADE ............................................................................................................129
4.4 DIREITO À PROPRIEDADE ........................................................................................................130
4.5 DIREITO À SEGURANÇA ...........................................................................................................131
5 ANÁLISE DE JURISPRUDÊNCIAS A RESPEITO DOS DIREITOS INDIVIDUAIS ..........132
5.1 DIREITO À VIDA ..........................................................................................................................132
5.2 DIREITO À PROPRIEDADE ........................................................................................................133
RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................135
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................136
TÓPICO 2 – DAS GARANTIAS CONSTITUCIONAIS ................................................................137
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................137
2 CONCEITO E OBJETIVO ................................................................................................................137
3 ANÁLISE DOS DIVERSOS CASOS DE GARANTIAS INDIVIDUAIS ................................139
4 CASOS DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ENVOLVENDO O EXERCÍCIO 
 DAS GARANTIAS .............................................................................................................................143
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................145
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................146
TÓPICO 3 – DOS DIREITOS SOCIAIS ............................................................................................147
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................147
2 DIREITOS SOCIAIS E OS PRINCÍPIOS RELACIONADOS ..................................147
3 DIREITOS SOCIAIS CONSTITUCIONALMENTE GARANTIDOS .....................................149
4 CASOS DAS CORTES SUPERIORES ENVOLVENDO DIREITOS SOCIAIS ......................153
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................155
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................156
TÓPICO 4 – DOS DIREITOS DA NACIONALIDADE .................................................................157
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................157
2 DA NACIONALIDADE E QUASE NACIONALIDADE ............................................................157
3 ESPÉCIES DE NACIONALIDADE .................................................................................................159
4 CASOS DO STF E O EXERCÍCIO DOS DIREITOS DA NACIONALIDADE ......................163
RESUMO DO TÓPICO 4......................................................................................................................165
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................166
X
TÓPICO 5 – DOS DIREITOS POLÍTICOS ......................................................................................167
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................167
2 DIREITOS POLÍTICOS POSITIVOS E NEGATIVOS, E O PRINCÍPIO DA 
 ANTERIORIDADE ELEITORAL .....................................................................................................167
3 OS PARTIDOS POLÍTICOS E OS SISTEMAS ELEITORAIS ...................................................171
4 SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL E O EXERCÍCIO DOS DIREITOS POLÍTICOS ...........174
RESUMO DO TÓPICO 5......................................................................................................................176
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................177
REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................179
1
UNIDADE 1
INTRODUÇÃO AO DIREITO 
CONSTITUCIONAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• Explorar a ciência do Direito Constitucional e o seu objetivo.
• Expor a relação do Direito Constitucional com os outros ramos do 
Direito.
• Determinar o Direito Constitucional como de nível fundamental 
no ordenamento jurídico.
• Explicar a evolução histórica do constitucionalismo: da Antiguidade 
à época contemporânea.
• Reconhecer a existência do pós-constitucionalismo e 
neoconstitucionalismo.
• Apresentar a dinâmica político-constitucional na experiência 
brasileira.
• Analisar os sentidos do termo Constituição.
• Identificar as diversas concepções de Constituição.
• Apontar as diversas tipologias das Constituições.
• Descrever o conceito, as origens e a generalidade do Poder 
Constituinte.
• Reconhecer a quem pertence a titularidade e a legitimidade do 
Poder Constituinte.
• Identificar as diversas espécies de Poder Constituinte, sua natureza 
e limites implícitos e explícitos.
• Apontar as diferenças entre reforma e revisão constitucional.
• Explicar o processo de reforma e os limites da reforma 
constitucional.
• Descrever os casos de revisão da Constituição de 1988 e alguns 
casos de reformas constitucionais.
2
PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em 5 tópicos. No decorrer da unidade você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – CONCEITOS FUNDAMENTAIS
TÓPICO 2 – CONSTITUCIONALISMO
TÓPICO 3 – CONSTITUIÇÃO
TÓPICO 4 – PODER CONSTITUINTE
TÓPICO 5 – REFORMA DA CONSTITUIÇÃO
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
CONCEITOS FUNDAMENTAIS
1 INTRODUÇÃO
O Direito Constitucional ou Direito Constitucional Positivo é o conjunto 
de normas jurídicas constitucionais, isto é, o conjunto de normas que forma o 
Estado, define os direitos e as garantias fundamentais, disciplina a relação entre 
os Poderes, entre outros assuntos.
O Direito Constitucional é o ramo do Direito especializado no estudo da 
Constituição, ou seja, das leis máximas de um Estado. Também chamada de Carta 
Magna ou Lei Maior, a Constituição se insere no topo do ordenamento jurídico, 
que é a relação hierárquica entre as leis. No Brasil, a Constituição é seguida por leis, 
decretos e jurisprudência, então, pelos atos normativos e, na base, pelas demais 
normas. Tal analogia pressupõe que nenhuma lei subordinada pode desrespeitar 
a Constituição, ocasião em que se configura ação de inconstitucionalidade. Nesse 
ramo, avaliam-se as origens, a natureza e osefeitos do Texto Constitucional, bem 
como os responsáveis por redigi-lo. Neste tópico, você vai ler sobre os principais 
elementos do Direito Constitucional.
2 CIÊNCIA DO DIREITO CONSTITUCIONAL E O SEU OBJETO
O Direito Constitucional está situado na clássica dicotomia jurídica entre 
Direito Público e Privado, como um dos ramos do primeiro. Essa tese clássica 
é imprestável na atualidade, tendo em vista a supremacia da Constituição e a 
constitucionalização do Direito (TAVARES, 2012).
Podemos distinguir o Direito Constitucional dos demais ramos do Direito 
Público pela natureza específica do seu objeto e pelos princípios peculiares 
que o informam. “Configura-se como Direito Público fundamental por referir-
se diretamente à organização e ao funcionamento do Estado, à articulação dos 
seus elementos primários e ao estabelecimento das bases da estrutura política” 
(SILVA, 2017, p. 35).
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO DIREITO CONSTITUCIONAL
4
Vocaciona-se à estruturação do Poder, fornecendo-lhe os contornos de 
atuação e limites da sua atividade, tendo sido, desde o final do século XX, o 
berço natural da positivação dos direitos humanos. Pragmaticamente, o Direito 
Constitucional (escrito) se identifica como um conjunto normativo especial: 
a Constituição do Estado, as suas leis constitucionais (no Brasil, chamadas de 
emendas à Constituição) e a jurisprudência constitucional definitiva (prolatada 
pelo Supremo Tribunal Federal, no Brasil, e por tribunais constitucionais, na 
maioria dos países da Europa) (TAVARES, 2012).
A Constituição (positivada de um país) é considerada um conjunto 
normativo fundamental, adquirindo, por isso, cada um dos seus preceitos à 
característica da superioridade absoluta, ou seja, da supremacia, em relação às 
demais normas de um mesmo ordenamento jurídico estatal (TAVARES, 2012).
A estrutura escalonada do Direito apresenta como ápice a Constituição, base a 
partir da qual todas as demais normas se desenvolvem e auferem sua validade última dentro 
do sistema. Dizemos que há um sistema quando as normas se reconduzem a uma única 
fonte de produção, mais ainda quando o Direito se reconduz, formal e procedimentalmente, 
a uma idêntica norma fundamental.
ATENCAO
Resumidamente, então, podemos definir o Direito Constitucional como 
o ramo do Direito Público que expõe, interpreta e sistematiza os princípios e as 
normas fundamentais do Estado. Como esses princípios e normas fundamentais 
do Estado compõem o conteúdo das Constituições, podemos afirmar que o Direito 
Constitucional é a ciência positiva das Constituições (SILVA, 2017).
Jorge Miranda (1990, p. 138) define o Direito Constitucional como a:
[...] parcela da ordem jurídica que rege o próprio Estado, enquanto 
comunida- de e enquanto poder. É o conjunto de normas (disposições 
e princípios) que recordam o contexto jurídico correspondente à 
comunidade política como um todo e aí situam os indivíduos e os 
grupos uns em face dos outros e frente ao Estado-poder e que, ao 
mesmo tempo, definem a titularidade do poder, os modos de formação 
e manifestação da vontade política, os órgãos de que esta carece e os 
atos em que se concretiza.
A ciência do Direito Constitucional, portanto, significa a parcela dos es- 
tudos científicos que têm por objeto de pesquisa as normas constitucionais. Esse 
conjunto de estudos, por ter status científico, deve seguir uma série de princípios 
e regras que busquem assegurar a sua objetividade.
TÓPICO 1 |CONCEITOS FUNDAMENTAIS
5
Maurice Hauriou (apud SILVA, 2017) declara que o Direito Constitucional 
tem por objeto a constituição política do Estado. Essa assertiva seria essencial- 
mente verdadeira não fosse o sentido tão restrito que ele empresta ao conceito de 
constituição política.
Como domínio científico, o Direito Constitucional procura ordenar 
elementos e saberes diversos, relacionados a aspectos normativos do poder 
político e dos direitos fundamentais, que incluem:
• as reflexões advindas da filosofia jurídica, política e moral — filosofia 
constitucional e teoria da Constituição;
• a produção doutrinária acerca das normas e dos institutos jurídicos — dogmática 
jurídica;
• a atividade de juízes e tribunais na aplicação prática do Direito — jurisprudência.
Embora o conceito de ciência, quando aplicado às ciências sociais e, em 
particular, ao Direito, exija qualificações e delimitações de sentido, a ciência do 
Direito Constitucional desempenha papel análogo ao das ciências em geral. Nele 
estão incluídos (BARROSO, 2010):
• a identificação ou elaboração de determinados princípios específicos;
• a consolidação e sistematização dos conhecimentos acumulados;
• o oferecimento de material teórico que permita a formulação de novas hipóteses, 
a especulação criativa e o desenvolvimento de ideias e categorias conceituais 
inovadoras testadas na vida prática.
A singularidade da ciência do Direito é que ela não pode servir-se, em 
escala relevante, da ambição de objetividade que caracteriza as ciências exatas ou 
as ciências naturais. Nesses domínios, as principais matérias-primas intelectuais 
são a observação, a experimentação e a comprovação, todas elas passíveis 
de acompanhamento e confirmação objetiva por parte dos demais cientistas e 
da comunidade em geral. O Direito, todavia, não lida com fenômenos que se 
ordenem independentemente da atividade do intérprete, da sua subjetividade e 
da sua ideologia.
Ao contrário, por exemplo, do astrônomo, que observa e revela algo que lá já 
está, o jurista cria ele próprio o objeto da sua ciência. O Direito, a norma jurídica, não é um 
dado da realidade, mas uma criação do agente do conhecimento (BARROSO, 2010).
ATENCAO
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO DIREITO CONSTITUCIONAL
6
De modo geral, cabe ao Direito Constitucional o estudo sistemático 
das normas que integram a Constituição do Estado. Sendo ciência, há de ser 
forçosamente um conhecimento sistematizado sobre determinado objeto, e este 
é constituído pelas normas fundamentais da organização do Estado, isto é, pelas 
normas relativas a (SILVA, 2017):
• estrutura do Estado;
• forma de governo;
• modo de aquisição e exercício do poder;
• estabelecimento de seus órgãos;
• limites de sua atuação;
• direitos fundamentais do homem e respectivas garantias;
• regras básicas da ordem econômica e social.
3 RELAÇÃO DO DIREITO CONSTITUCIONAL COM OS 
OUTROS RAMOS DO DIREITO
O Direito Constitucional costuma ser inserido como ramo do Direito 
Público, junto com o Direito Administrativo, Internacional, Criminal, Tributário 
e Processual. Essa ideia, contudo, não pode mais prosperar, na medida exata 
em que a Constituição passou a ocupar um papel central para todos os ramos 
do Direito, sejam matérias públicas ou privadas. Assim, por exemplo, o Código 
Civil, classicamente compreendido dentro do Direito Privado, não deixa de sofrer 
o influxo constante dos preceitos constitucionais. Essa constitucionalização 
do Direito — que exige a leitura de todas as leis, sejam públicas ou privadas, 
administrativas ou civis e comerciais, a partir e de acordo com os ditames da 
Constituição do País — aloca o Direito Constitucional (e a Constituição é seu 
coração) na posição especial de tronco dos sistemas normativos atuais de modelo 
ocidental. Nesse sentido, podemos dizer que: “[...] o Direito Constitucional 
alimenta os demais Direitos, que só podem prosperar e florescer validamente 
dentro desse sistema de alimentação” (TAVARES, 2012, p. 46).
Na realidade, portanto, o Direito Constitucional é a base de todos os 
demais Direitos disciplinados, no Brasil, por leis (leis complementares, ordinárias, 
delegadas), medidas provisórias e decretos. Portanto, o Direito Constitucional é a 
base, o fundamento dos demais Direitos, seja qual for a repartição que se queira 
(ou não) realizar entre eles (TAVARES, 2012).
O Direito Constitucional não poderia estar contido, portanto, em um dos 
clássicos ramos do Direito, pois é superior, englobante e serve de fundamento 
de validade a todos. Alocando-ono Direito Privado, teríamos a equivocadíssima 
impressão de que não guarda relação ou contato com o Direito Privado, a não 
ser secundária e episodicamente, quando é justamente o oposto que deve ocorrer 
(TAVARES, 2012).
TÓPICO 1 |CONCEITOS FUNDAMENTAIS
7
Direito Constitucional e Direito Administrativo — O Direito 
Constitucional antecede o Direito Administrativo. Este tem como origem o 
limite de poder que se inaugura com a submissão do Estado ao princípio da 
legalidade. Quando a norma jurídica igualmente vincula o administrado e o 
administrador, é possível constituir, com autonomia científica, uma área própria 
de conhecimento dedicada ao estudo do regime jurídico da Administração 
Pública. O Direito Administrativo é considerado o setor do Direito mais afim ao 
Direito Constitucional, ou seja, são as duas disciplinas mais próximas em seus 
institutos e conceitos. Entre Direito Constitucional e Direito Administrativo, 
há uma diferença de grau. O Direito Constitucional trata das regras gerais da 
função pública. Já o Direito Administrativo realiza o detalhamento das funções. 
Além disso, há um conjunto de regras na Constituição que pertencem ao Direito 
Administrativo propriamente dito: as normas sobre desapropriação (arts. 182, 
184 e 185); sobre os poderes do Presidente e as funções dos ministros de Estado 
(arts. 84 e 87, parágrafo único); e, finalmente, as normas sobre Administração 
Pública (arts. 37 a 43).
Direito Constitucional e Direito Tributário — Todos os princípios 
aplicáveis à atividade tributária do Estado encontram-se consignados na 
Constituição. Por esse motivo, assinala com absoluta propriedade Carrazza 
(1993 apud TAVARES, 2012, p. 48) que “A Constituição Federal, no Brasil, é a 
lei tributária fundamental, por conter as diretrizes básicas aplicáveis a todos os 
tributos”. Íntimo se mostra o relacionamento entre esses dois setores do Direito. 
Tendo em vista que a maior parte da arrecadação do Estado se deve à tributação, 
a estreita proximidade entre o Direito Constitucional e o Tributário não poderia 
ser ignorada. Por ser atividade estatal, há de subsumir-se às normas jurídicas, 
como, de resto, toda a ação praticada pelo Poder Público. No caso, contudo, há 
o componente constitucional, que, basicamente, decorre de dois elementos. Em 
primeiro lugar, é preciso mencionar que a tributação interfere na liberdade e na 
propriedade das pessoas, direitos fundamentais que só poderiam ser alcançados 
pelo próprio contorno que lhes conferiu o constituinte em seu ato originário de 
elaborar as normas constitucionais. Em segundo lugar, a tributação sustenta, 
no caso dos Estados federativos, a autonomia dos diversos membros federados. 
Por isso, seria inimaginável atribuir ao Poder Legislativo central a competência 
para realizar a partilha de competências tributárias, uma vez que equivaleria a 
praticamente negar qualquer possibilidade de contar com uma federação forte.
Direito Constitucional e Direito Penal — A relação entre Direito Penal e 
Direito Constitucional é profunda e inegável. A Constituição é o marco fundamental 
do ordenamento jurídico de um Estado Democrático de Direito, o que faz todas 
as normas estarem vinculadas e subordinadas aos comandos constitucionais. Isso 
quer dizer que o Direito Constitucional exerce influência sobre todos os ramos 
do Direito e, particularmente, sobre o Direito Penal. Os próprios bens jurídico-
penais encontram raízes materiais na Carta Magna, assim, cabe ao Direito Penal 
a tarefa de tutelar os direitos fundamentais nela insculpidos. A leitura atenta dos 
direitos fundamentais consagrados pelas diversas Constituições bem demonstra 
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO DIREITO CONSTITUCIONAL
8
que em todas encontraremos normas próprias (em sua origem histórica) do 
campo penal. Assim, podemos mencionar, verbi gratia, o princípio de que não 
há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal. A 
Constituição brasileira de 1988 trata de diversas garantias dessa índole (art. 5º, 
XXXVII a LXVII).
Direito Constitucional e Direito Processual — No campo do processo, 
houve a constitucionalização, a exemplo do que ocorrera com o Direito Penal, 
de inúmeros princípios. Assim, temos um conjunto de normas que podemos 
chamar de princípios constitucionais do processo. Podemos citar, na Constituição 
brasileira de 1988, as seguintes normas processuais: a) assistência judiciária (art. 
5º, LXXIV); b) mandado de segurança (art. 5º, LXIX); c) ação popular (art. 5º, 
LXXIII).
Direito Constitucional e Direito Internacional — O art. 4º, I a X, da 
Constituição trata dos princípios que regem a atuação internacional do Estado 
brasileiro. Assim, Tavarres (2012, p. 49) menciona:
I — independência nacional; 
II — direitos humanos;
III — autodeterminação dos povos; e 
IV — igualdade entre os Estados.
Direito Constitucional e Direito do Trabalho — Ramo do Direito Privado, 
formado por um conjunto de normas que regem as relações entre trabalha- 
dores e empregadores. Amplo é o rol de direitos do trabalhador assegurados 
constitucionalmente (arts. 6º a 9º).
Direito Constitucional e Direito Privado — A Constituição trata do 
amparo à família, aos filhos e aos idosos (arts. 226 a 230) e da defesa do consumidor 
(art. 5º), entre outras normas voltadas para a regulamentação do Direito Privado.
4 DIREITO CONSTITUCIONAL COMO O DIREITO DE NÍVEL 
FUNDAMENTAL DO ORDENAMENTO JURÍDICO
Recebe o nome de ordenamento jurídico todo o conjunto de leis de 
um Estado, que agrupa Constituição, leis, emendas, decretos, resoluções, me- 
didas provisórias, entre outras. No Brasil, o ordenamento jurídico nacional tem 
origem na tradição romano-germânica ou civilista. A Constituição da República 
Federativa do Brasil, em vigor desde 5 de outubro de 1988, é a lei suprema do País, 
definindo-o como uma República Federativa, formada pela união indissolúvel de 
Estados, municípios e Distrito Federal.
O Direito Constitucional é um ramo do Direito Público, fundamental à 
organização, ao funcionamento e à configuração política do Estado. Nesse papel 
de direito público fundamental, o Direito Constitucional estabelece:
TÓPICO 1 |CONCEITOS FUNDAMENTAIS
9
• a estrutura do Estado;
• a organização de suas instituições e órgãos;
• o modo de aquisição e exercício do poder;
• a limitação desse poder, por meio, especialmente, da previsão dos direitos e 
das garantias fundamentais.
O Direito Constitucional é muito mais do que um ramo do Direito 
Público. Ele consubstancia a matriz de toda a ordem jurídica de um específico 
Estado. Figurativamente, o Direito Constitucional é representado como o tronco 
do qual derivam todos os demais ramos da grande árvore que é a ordem jurídica 
de determinado Estado (essa imagem tem o mérito de representar a unidade do 
Direito — por definição, indivisível —, consubstanciada na árvore, e esclarecer 
que a alusão a ramos tem função puramente didática) (SILVA, 2017).
Como produto legislativo máximo do Direito Constitucional, encontramos 
a própria Constituição, elaborada para exercer dupla função: garantia do existente 
e programa ou linha de direção para o futuro.
A Constituição deve ser idealizada como lei fundamental do sistema 
jurídico. Para que uma norma possa ser válida, devemos descobrir seu valor nessa 
lei afirmada como fundamental. Ela tem a obrigação de estar em conformidade 
com o ordenamento jurídico, na medida em que a lei fundamental dispuser, ou 
seja, a Constituição irá indicar a direção, pois é o conjunto de teorias de onde 
os conhecimentos derivam, a direção para as demais normas de hierarquia 
inferior, pois estas assim obterão a validade necessária, encontrarão sua base na 
lei fundamental, passando a integrar o ordenamento jurídico (MORAES, 2003).
Ensina Hans Kelsen que a Constituição é a norma fundamental, a qual dá 
validade a todas as demais normas de um sistema jurídico, e salienta:
Mas a criação da Constituição realiza-se por aplicação da norma 
fundamental. Por aplicação da Constituição,opera-se a criação 
das normas jurídicas gerais através da legislação e do costume; 
e, em aplicação destas normas gerais, realiza-se a criação das 
normas individuais através das decisões judiciais e das resoluções 
administrativas. Somente a execução do ato coercivo estatuído por 
estas normas individuais — o último ato do processo de produção 
jurídica — se opera em aplicação das normas individuais que a 
determinam sem que seja, ela própria, criação de uma norma. A 
aplicação do Direito e, por conseguinte, criação de uma norma 
inferior com base numa norma superior ou execução do ato coercivo 
estatuído por uma norma (KELSEN, 2003, p. 261).
Significa que a Constituição se coloca no vértice do sistema jurídico do 
País, a que confere validade, e que todos os poderes estatais são legítimos na 
medida em que ela os reconheça e na proporção por ela distribuídos. É, enfim, a 
lei suprema do Estado, pois é nela que se encontram a própria estruturação deste 
e a organização de seus órgãos; é nela que se acham as normas fundamentais 
de Estado, e só nisso se notará sua superioridade em relação às demais normas 
jurídicas (KELSEN, 2003).
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO DIREITO CONSTITUCIONAL
10
Podemos afirmar que a estabilidade da Constituição Federal está ligada à 
aplicação exata do princípio constitucional da segurança jurídica. E, para se obter 
essa estabilidade e segurança, dispõe a Constituição do controle concentrado de 
constitucionalidade, com a previsão da ação declaratória de constitucionalidade 
e de inconstitucionalidade e também do controle difuso, aprimorado por meio 
da Emenda Constitucional nº 45, de 30 de dezembro de 2004. A emenda instituiu 
a concessão para a edição de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, 
buscando, com essa modificação constitucional, a estabilidade e a segurança 
proclamadas, para as hipóteses em que a Suprema Corte não mantém o controle 
concentrado de constitucionalidade.
Para saber mais sobre a Constituição Federal como vértice do sistema jurídico, 
leia o livro A força normativa da Constituição, de Konrad Hesse, traduzido por Gilmar 
Ferreira Mendes.
DICAS
11
Neste tópico, você aprendeu que:
• Vimos que o Direito Constitucional é um ramo do Direito Público capaz de 
expor, interpretar e sistematizar os princípios e as normas fundamentais do 
Estado. 
• Estudamos que é a ciência positiva das Constituições, focada no estudo dos 
princípios e das normas que organizam o Estado, os poderes e os órgãos 
públicos, bem como os direitos individuais e coletivos. 
• Vimos que está acima de todos os outros ramos do Direito e seu objeto de estudo 
é a Constituição do Estado, principal documento a ser respeitado e obedecido.
• Aprendemos sobre a ciência do Direito Constitucional e compreender a relação 
existente entre este e os outros ramos do Direito. 
• Entendemos também, por que essa área é considerada fundamental no 
ordenamento jurídico. 
RESUMO DO TÓPICO 1
12
1 Enquadra-se na subdivisão de "Público" o Direito:
a) comercial
b) civil
c) do trabalho
d) empresarial
e) internacional privado
2 Sobre Direito Público e Direito Privado, assinale a alternativa correta.
a) O Direito Público é o conjunto de normas que rege as relações em que o 
sujeito é somente o Estado.
b) O Direito Constitucional faz parte do Direito Público Externo.
c) O Direito Público tutela os interesses gerais e visa ao fim social, quer perante 
os seus membros e a ele, quer perante outros Estados .
d) O Direito Penal é o complexo de normas do Direito Privado que definem 
crimes, contravenções e suas formas de punição.
e) O Direito Financeiro, norma de caráter de Direito Privado, regula as questões 
atinentes à economia do País, tais como taxa de juros, etc.
AUTOATIVIDADE
13
TÓPICO 2
 CONSTITUCIONALISMO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Constitucionalismo é como designamos o movimento social, político, 
jurídico e até mesmo ideológico a partir do qual surgem as constituições nacionais. 
Em termos genéricos e supranacionais, constitui-se de normas fundamentais de um 
ordenamento jurídico de um Estado, situadas no topo da pirâmide normativa, ou 
seja, a sua Constituição.
Neste tópico, você verá como surgiu o constitucionalismo e como se deu a 
sua evolução ao longo da história, tanto no cenário mundial quanto no brasileiro.
2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO CONSTITUCIONALISMO: DO 
ANTIGO AO CONTEMPORÂNEO
“O constitucionalismo antigo é o conjunto de princípios escritos ou 
consuetudinários alicerçadores da existência de direitos estamentais perante 
o monarca e simultaneamente limitadores do seu poder” (CANOTILHO, 
1998, p. 48).
Como exemplo de constitucionalismo antigo, podemos citar os constitu- 
cionalismos hebreu e grego, os quais unicamente almejavam descentralizar a vida 
política, vez que não existiam leis escritas que regulamentassem a ordem civil nem 
as penalidades aplicáveis para quem as descumprisse. Esse constitucionalismo 
apenas objetivava:
[...] limitar alguns órgãos do poder estatal como reconhecimento de 
certos direitos fundamentais, cuja garantia se cingia no esperado 
respeito espontâneo do governante, uma vez que inexistia sanção 
contra o príncipe que desrespeitasse os direitos de seus súditos 
(CUNHA JÚNIOR, 2006, p. 24).
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO DIREITO CONSTITUCIONAL
14
Os primórdios do movimento do constitucionalismo surgiram entre 
os hebreus, por meio da lei do Senhor, em um Estado Teocrático, governado 
pela casta sacerdotal, logo existia um limite no poder político (TAVARES, 2004). 
Posteriormente, ocorreu o movimento do constitucionalismo nas cidades 
gregas, onde os cidadãos eram eleitos para cargos públicos por meio de um 
regime de votação peculiar na época. Por mais primitiva que fosse essa votação, 
existia uma participação do povo na vida política, consolidando, assim, uma 
real democracia (TAVARES, 2004).
A Idade Média, por sua vez, foi marcada pela época do despotismo, ou 
seja, pela soberania dos governantes tratados como deuses. Uma verdadeira 
forma absolutista de governar, vez que não existiam limitações às suas condutas. 
Aplicavam penalidades e impunham condutas desumanas não previstas em leis, 
pois não havia um poder maior do que o do próprio governante. Assim, este 
estava imune de qualquer sanção (TAVARES, 2004).
Todavia, foi durante a Idade Média, mais precisamente na Inglaterra, 
que culminou o anseio por uma luta de liberdades e garantias fundamentais 
ao indivíduo, objetivando romper com o padrão absolutista e centralizador 
até então vigente (TAVARES, 2004). Contudo, ainda na Idade Média, o cons- 
titucionalismo reapareceu como o movimento de conquista de liberdades 
individuais, como bem demonstra a aparição de uma Magna Carta. Não se 
limitou a impor balizas para a atuação soberana, mas também representou o 
resgate de certos valores, como garantir direitos individuais em contraposição à 
opressão estatal (TAVARES, 2004).
O maior legado deixado pela Idade Média, em relação ao constitucionalismo, 
foi o fato de que todo poder político deve ser limitado em lei para ser justo e democrático, 
respeitando as garantias e os direitos individuais.
ATENCAO
O constitucionalismo moderno eclodiu em meados do século XVII com carac- 
terísticas próprias e com a ideologia de limitação do poder estatal, preservando os 
direitos e as garantias fundamentais, bem como transcrevendo os anseios populares 
com a lei do povo: a Constituição escrita (CUNHA JÚNIOR, 2006). Nesse mo- 
vimento, a noção de Constituição envolvia uma força capaz de limitar e vincular 
todos os órgãos do poder político. Por isso, era concebida como um documento 
escrito e rígido, manifestando-se como uma norma suprema e fundamental, porque 
era hierarquicamente superior a todas as outras, das quais constituía o fundamento 
de validade, que só poderia ser alterado por procedimentos especiais e solenes 
TÓPICO 2 | CONSTITUCIONALISMO
15
previstos no seu próprio texto. Consequentemente, institui-se um sistema de res- 
ponsabilização jurídico-políticado poder que a desrespeitar, inclusive por meio de 
controle de constitucionalidade dos atos do Parlamento (CUNHA JÚNIOR, 2006). O 
constitucionalismo moderno rompeu com as barreiras de garantias fundamentais 
limitadas pelos Estados absolutistas, destruindo o paradigma de soberania e 
supremacia das forças estatais. Trouxe o ideal de justiça, de direito igualitário e, 
acima de tudo, de organização na seara da política governamental, limitando o 
poder de atuação do Estado e descentralizando os Poderes Executivo, Legislativo 
e Judiciário, pautando em um documento de lei: a Constituição. Portanto, a 
Constituição deixou de ser concebida como simples manifesto político para ser 
compreendida como uma norma jurídica fundamental e suprema, elaborada 
para exercer dupla função: garantia do existente e programa ou linha de direção 
para o futuro (CANOTILHO, 1998).
A primeira Constituição escrita, formalmente elaborada com as leis que 
regulamentavam as condutas e determinavam a estrutura de poder, foi a Constituição da 
França, editada em 1791, a qual tinha como preâmbulo a Declaração Universal dos Direitos 
Humanos promulgada em 1789 (TAVARES, 2004).
ATENCAO
Com o fim da Primeira Guerra, os Estados perceberam a necessidade 
de intervir na sociedade de forma a promover o bem-estar social, a paz e a 
recondução à vida pública dos cidadãos, por meio de serviços públicos, saúde, 
alimentação, tratamentos médicos e educação, com fulcro sempre na promoção 
do desenvolvimento econômico-social, haja vista a barbárie social que eclodia no 
mundo (TAVARES, 2004).
A Constituição brasileira de 1988 elenca, nos seus arts. 170 e 193, ideais de 
um constitucionalismo moderno, em uma política democrática socioliberal, o 
conhecido Estado Democrático de Direito (TAVARES, 2004).
Por fim, insta salientar que a elaboração do Texto Constitucional teve 
formação e influência nos movimentos contratualistas que justificavam a 
agremiação do homem em sociedade com base em um pacto, o famoso contrato 
social de Rousseau (TAVARES, 2004).
Atualmente, o constitucionalismo não se deu por pronto e acabado. Está em 
constante desenvolvimento, sempre observando as necessidades dos cidadãos e o 
desenvolvimento socioeconômico.
O constitucionalismo deverá ser influenciado até se identificar com a ver- 
dade, a solidariedade, o consenso, a continuidade, a participação, a integração e a 
universalização (TAVARES, 2004).
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO DIREITO CONSTITUCIONAL
16
Para André Tavares (2004), o constitucionalismo da verdade existe em 
duas categorias de normas:
• uma parcela constituída de normas que jamais passam de programáticas e são 
praticamente inalcançáveis pela maioria dos Estados;
• uma outra sorte de normas que não são implementadas por simples falta de 
motivação política dos administradores e governantes responsáveis.
As primeiras precisam ser erradicadas dos corpos constitucionais, podendo 
figurar, no máximo, apenas como objetivos a serem alcançados a longo prazo, 
não como declarações de realidades utópicas, como se bastasse a mera declaração 
jurídica para transformar-se o férreo em ouro. As segundas precisam ser cobradas 
do Poder Público com mais força, o que envolve, em muitos casos, a participação 
da sociedade na gestão das verbas públicas e a atuação de organismos de controle 
e cobrança, como o Ministério Público, na preservação da ordem jurídica e na 
consecução do interesse público vertido nas cláusulas constitucionais (TAVARES, 
2004).
O autor quis evidenciar que, em uma norma jurídica posta, não podem 
existir normas mortas, sem eficácia concreta na sociedade. Se a lei é posta, ela deve 
ser cumprida; se existem leis programáticas, elas devem atender às necessidades 
dos indivíduos e não permanecer estáticas e cristalizadas como meras declarações 
utópicas (TAVARES, 2004).
Em relação àquelas não implementadas pelo Poder Público, deve haver 
uma participação popular cobrando a presteza dos serviços públicos, pois se trata 
de um direito coletivo, o qual não é respeitado pelo gestor responsável. Assim, 
somente a força popular é capaz de mobilizar o aparelho estatal e fiscalizá-lo, para 
que tenha consentimento de suas obrigações, a fim de que cumpra com deveres 
preestabelecidos em lei e ofereça uma continuidade na prestação de serviços 
públicos e sociais.
Em contrapartida, quanto ao constitucionalismo da continuidade, o autor 
assevera que é muito perigoso em nosso tempo conceber Constituições que 
produzam uma ruptura da lógica dos antecedentes, uma descontinuidade com 
todo o sistema precedente (TAVARES, 2004).
No tocante à globalização, é notório que a União Europeia visa consolidar 
uma Constituição única para os países que integram o bloco econômico. Com a 
ocorrência de tal fato, poderíamos falar em um constitucionalismo globalizado 
com uma miscigenação de povos, culturas, costumes, princípios, regras e 
condutas que acabariam por eclodir na formação de uma única nação, com 
uma única Constituição, a qual propagaria a unificação dos ideais humanos 
consagrados juridicamente (TAVARES, 2004).
TÓPICO 2 | CONSTITUCIONALISMO
17
3 EXISTÊNCIA DO PÓS-CONSTITUCIONALISMO E
NEOCONSTITUCIONALISMO
O pós-constitucionalismo (novo Direito Constitucional — ou 
neoconstitucionalismo) identifica, nas palavras de Barroso (2005, p.11-12):
[...] um conjunto amplo de transformações ocorridas no Estado e no 
direito constitucional, em meio às quais podem ser assinalados, (i) 
como marco histórico, a formação do Estado constitucional de direito, 
cuja consolidação se deu ao longo das décadas finais do século XX; 
(ii) como marco filosófico, o pós-positivismo, com a centralidade dos 
direitos fundamentais e a reaproximação entre Direito e ética; e (iii) 
como marco teórico, o conjunto de mudanças que incluem a força 
normativa da Constituição, a expansão da jurisdição constitucional 
e o desenvolvimento de uma nova dogmática da interpretação 
constitucional. Desse conjunto de fenômenos resultou um processo 
extenso e profundo de constitucionalização do Direito.
A forma e o modus operandi do ordenamento jurídico brasileiro vem 
sofrendo reiteradas mudanças. Essa quebra de paradigmas na teoria jurídica e 
na prática dos tribunais, desenvolvidos sob a égide da Constituição da República 
de 1988, pode ser chamada de neoconstitucionalismo (BARROSO, 2005). O termo 
empregado para essa nova ordem, forma e modelo, é derivado da doutrina 
espanhola e italiana, mas a difusão do termo no Brasil se deve principalmente 
à coletânea do doutrinador mexicano Miguel Carbonell, que a intitulou de 
neoconstitucionalismo.
O marco histórico do neoconstitucionalismo foi estabelecido na Europa 
pós-guerra, marco que alterou a realidade mundial em diversos fatores e 
principalmente a mentalidade da sociedade da época, com um motivo simples: o 
receio de passar pela mesma experiência árdua novamente. Dessa forma, a Europa 
Ocidental se encontrava devastada e com a esperança de encontrar um modelo novo 
em que se sustentar, com base em aspectos suprimidos pelo contexto político e social 
da época, surgindo assim uma ênfase maior nos direitos fundamentais da pessoa.
A Constituição servia como base, mas não tinha força normativa, pois era 
um instrumento para o Legislativo se inspirar. Assim, só a partir da lei em si que 
poderia ocorrer qualquer proteção, punição ou caráter axiológico no ordenamento 
jurídico. A influência da Constituição só ocorreu com o fim da Segunda Guerra, 
primeiramente na Alemanha e, logo após, na Itália.
A principal referência no desenvolvimento do novo Direito 
Constitucional foi a Lei Fundamental de Bonn (Constituição alemã), de 
1949, e, especialmente, a criação do Tribunal Constitucional Federal, 
instalado em 1951. A partir disso, teve início uma fecunda produção 
teórica e jurisprudencial, responsável pela ascensão científica do Direito 
Constitucional no âmbito dos países de tradição romano-germânica. A 
segunda referência de destaque foi a Constituição da Itália de 1947 e 
UNIDADE1 | INTRODUÇÃO AO DIREITO CONSTITUCIONAL
18
a subsequente instalação da Corte Constitucional, em 1956. Ao longo 
da década de 1970, a redemocratização e a reconstitucionalização 
de Portugal (1976) e da Espanha (1978) agregaram valor e volume ao 
debate sobre o novo Direito Constitucional (BARROSO, 2005, p. 2-3). 
Esse novo contexto histórico que batia à porta da Europa Ocidental propiciava 
uma teoria jurídica diferente do modelo anterior, com base, como dito anteriormente, 
em uma Constituição normativa e de valor, sendo amplamente estruturada em 
proteção de direitos fundamentais e baseada principalmente na dignidade da pessoa 
como sustento da Carta normativa. O papel exercido pela Constituição teve um 
alcance maior e a finalidade de proteção a direitos extintos da sociedade no período 
que acabara, dessa forma, o que atribuiu valor e caráter axiológico à Constituição 
terminava por ser uma tentativa de modelo em que se privilegiava um respeito aos 
direitos mencionados (BARROSO, 2005).
Dessa forma, o papel da Constituição referente às instituições contemporâ- 
neas foi alterado, passando, assim, ao centro do ordenamento jurídico, com um 
peso de referência e também um caráter normativo atribuído, expressamente 
demonstrado no Texto Constitucional dessas cartas e facilmente percebido. Assim, 
com a introdução desse novo modelo na Europa, a segunda metade do século 
XX foi pautada no crescimento e na expansão desse novo formato constitucional. 
No Brasil, em 1988, com a promulgação da Constituição da República, ocorre 
sua recepção no País (BARROSO, 2005). A recepção no ordenamento jurídico 
brasileiro surgiu em um momento similar ao do contexto europeu. O Brasil 
acabava de passar por um regime totalitário, da mesma forma que a Europa. 
Assim, o fim da ditadura brasileira ficou caracterizado como o marco histórico da 
redemocratização e da recepção do neoconstitucionalismo (BARROSO, 2005).
A promulgação da Carta de 1988 trouxe esse novo modelo, com uma 
nova concepção de direitos e valores, tendo como proteção basilar os direitos 
fundamentais e a dignidade da pessoa, fruto de um momento de procura 
por suprir a falta de participação democrática no período da ditadura e todos 
os desrespeitos cometidos. A dignidade da pessoa passa a exercer um papel 
diferenciado, amplo e com um peso maior no sentido de relevância e base para 
os direitos fundamentais.
Diversos preceitos constitucionais inalienáveis se originam no princípio da 
dignidade da pessoa, como se observa na Lei Maior pátria de 1988 (BRASIL, 1988):
• a cidadania, os valores sociais do trabalho e da livre-iniciativa (art. 1º, II, III e 
IV);
• os objetivos fundamentais da República de construir uma sociedade livre, 
justa e solidária e promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, 
sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (art. 3º, I e IV);
• a prevalência dos direitos humanos (art. 4º, II).
TÓPICO 2 | CONSTITUCIONALISMO
19
Todos esses preceptivos revelam a preocupação do legislador constituinte 
com a dimensão em que a dignidade da pessoa se mostra superior em si e como 
razão de uma série de outras garantias e princípios de raiz constitucional. É devido 
à elevação e extensão da importância do homem no mundo que decorrem 
direitos fundamentais como os citados a seguir, entre outras prerrogativas 
essenciais à própria existência do ser humano, as quais podem ser encontradas 
na Constituição Federal brasileira:
• a liberdade;
• o direito de integridade física e moral, sendo possível o dever de indenização 
dos danos morais e materiais causados;
• o necessário respeito, mesmo pelo Estado, da vida privada e da intimidade das 
pessoas;
• o livre-arbítrio, tendo assim a liberdade para o exercício de profissões, reunião 
e credo religioso;
• a ajuda para casos de necessidades básicas como a alimentação;
• o trabalho como fonte de sobrevivência legítima e honesta, demonstrando 
assim o valor social do trabalho;
• a saúde;
• a educação;
• o lazer;
• o repouso corporal e mental;
• a não submissão a tratamento desumano;
• a justiça;
• a pluralidade de ideias e orientações políticas;
• a vedação ao preconceito e à discriminação racial.
Houve, a partir do texto promulgado, uma centralização da Constituição 
no ordenamento jurídico brasileiro. Sob a Constituição de 1988, o Direito 
Constitucional no Brasil passou da desimportância ao apogeu em menos de 
uma geração.
Uma Constituição não é só técnica. Tem de haver, por trás, a capacidade de 
simbolizar conquistas e de mobilizar o imaginário das pessoas para novos avanços. O 
surgimento de um sentimento constitucional no País é algo que merece ser celebrado. 
Trata-se de um sentimento ainda tímido, mas real e sincero, de maior respeito pela Lei 
Maior, a despeito da volubilidade do seu texto. É um grande progresso. Superamos a crônica 
indiferença que, historicamente, mantínhamos em relação à Constituição. E, para os que 
sabem, é a indiferença, não o ódio, o contrário do amor (BARROSO, 2005).
ATENCAO
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO DIREITO CONSTITUCIONAL
20
Como a realidade se alterou, a Constituição passou a disciplinar uma 
diversidade de temas antes não abordados. A lei antes valia muito mais, pois 
o peso das leis e decretos era mais significativo: antes, o Código Civil; hoje, a 
Constituição. Essa substituição de importância foi estabelecida exatamente nesse 
momento, quando a Carta de 1988 traz um elenco de temas antes não abordados: 
direitos individuais, políticos, sociais e difusos, além de trazer uma série de 
princípios dotados de carga axiológica, o que termina por dar ensejo ao processo 
de constitucionalização do Direito.
Nessa nova ordem constitucional, o papel do Poder Judiciário foi fortalecido 
e, em conjunto com o Ministério Público, ganhou uma maior autonomia, que, com 
o passar do tempo, resultou na questão do controverso ativismo judicial. Com essa 
Constituição dotada de diversos princípios abrangentes de diferentes aspectos, 
ocorreu a chamada filtragem constitucional, em que as matérias dos inúmeros 
ramos do Direito passariam pelo crivo constitucional, adiante analisado. Essa 
questão só se tornou possível pela importância que o Direito Constitucional 
passou a conter.
A participação da doutrina brasileira foi de fundamental importância 
para difundir esse novo modelo. A recepção do neoconstitucionalismo no 
Brasil foi pautada por esse momento histórico e baseada nele, sendo importante 
demonstrar essa questão no aspecto filosófico chamado pós-positivismo.
4 DINÂMICA POLÍTICO-CONSTITUCIONAL NA EXPERIÊNCIA 
BRASILEIRA
O Brasil já editou oito Constituições e, sem sombra de dúvidas, os 
movimentos constitucionalistas serviram de grande influência para cada Carta 
elaborada. Boa parte delas expressou, ao menos textualmente, as tendências 
globais da sua época. A questão brasileira foi a pouca efetividade das regras e o 
desrespeito às condicionantes do poder (TAVARES, 2004).
O avanço do constitucionalismo, como movimento político e jurídico, sobre 
o continente americano, teve importância primordial na independência das 
colônias em relação às suas metrópoles europeias. Nesse cenário de libertação, 
a Constituição era o instrumento mais precioso para selar a independência, 
rompendo com as amarras do regime de submissão à metrópole e instalando 
uma nova organização, de acordo com o poder de autodeterminação de cada 
Estado emergente naquele momento (TAVARES, 2004).
TÓPICO 2 | CONSTITUCIONALISMO
21
Essa extensão fulminante do movimento a todo o mundo civilizado não 
significa, porém, que em toda parte o governo moderado constitucional, tenha deitado 
raízes. Em muitos casos, o êxito do constitucionalismo não foi além das aparências, 
fornecendo roupagem brilhante para vestir uma realidade adversa.
ATENCAO
Diferentemente dos demais processos revolucionários americanos, o Brasil 
não imprimiu, no seu território, guerras sangrentas para se sagrar independente 
de Portugal. Contudo, a contradição destacada anteriormentetambém esteve 
presente no constitucionalismo brasileiro do século XIX (TAVARES, 2004).
A experiência constitucional brasileira teve início em 1824, ainda sob a 
forma de governo imperial, com a outorga da primeira Constituição do Brasil 
em 25 de março daquele ano. Descontente com os rumos da constituinte, o 
imperador D. Pedro I a dissolve e propõe a elaboração de um novo projeto da 
Constituição, que incorporou a cláusula de separação de poderes, estabelecendo 
a clássica divisão de funções estatais: Poder Legislativo, Poder Executivo e 
Poder Judiciário. Além desses, o Brasil instituiu a figura de um quarto poder, 
chamado de Poder Moderador, que permitia amplos direitos ao monarca e 
nenhum tipo de responsabilização deste. A proteção da Carta de 1824 foi dada 
ao Poder Legislativo. Para o Poder Judiciário, houve a criação de um órgão de 
cúpula, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ), mas sem qualquer controle sobre a 
constitucionalidade das leis (TAVARES, 2004).
Como podemos perceber, o início do constitucionalismo no Brasil foi 
tímido durante a Constituição de 1824, pois havia uma nítida incoerência entre 
a realidade social brasileira e o que se apregoava nos movimentos constitu- 
cionalistas (TAVARES, 2004).
A inovação trazida pela nova Constituição ao Poder Judiciário foi a criação 
de um novo órgão de cúpula, o Supremo Tribunal Federal (precedido pelo já 
citado STJ), com sua estrutura também federativa e dual, com uma Justiça Federal 
e outra Estadual (SOUZA NETO; SARMENTO, 2014).
No âmbito social, a Constituição de 1934 trouxe grande inovação ao prever 
não só as garantias dos direitos individuais e sociais, como também as ações 
estatais em defesa dessas garantias. O absenteísmo estatal não era mais bem visto, 
e o Estado, por meio dos poderes públicos, deveria atuar para a defesa de direitos 
dos seus governados. Essa Carta, porém, gozou de passagem efêmera, pois não 
suportou as pressões internas proporcionadas pela disputa entre capitalismo e 
socialismo.
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO DIREITO CONSTITUCIONAL
22
Já em 1937, o governo, sob o comando de Getúlio Vargas, outorgou uma 
nova Constituição brasileira, instaurando, no Brasil, a ditadura varguista. A 
legitimidade para a instauração desse novo regime foi trazida pela justificativa 
de uma possível invasão comunista.
O País permaneceu na escuridão da ditadura até o ano de 1946, quando 
então foi promulgada a terceira Constituição brasileira, com conteúdo predo- 
minantemente constitucionalista, tendo em vista que o mundo acabava de pôr 
fim à Segunda Guerra. Houve o retorno da figura do vice-presidente, ausente 
desde a Carta de 1934, e a Justiça do Trabalho foi integrada ao Poder Judiciário; 
houve também a recomposição da Justiça Eleitoral; além da instituição de um 
Tribunal Federal. O Supremo Tribunal Federal continuou o órgão de cúpula e aos 
magistrados foram dadas as seguintes garantias:
• vitaliciedade;
• inamovibilidade;
• irredutibilidade de subsídios.
As decisões sobre a inconstitucionalidade das leis proferidas pelos 
tribunais não mais poderiam ser submetidas ao Parlamento. Outro importante 
marco foi a consagração do direito à inafastabilidade da tutela jurisdicional.
O ano de 1964 marca a história brasileira, pois foi dado o maior golpe 
ditatorial sofrido pelo País, com os militares tomando o poder.
Em 1967, foi derrogada a Constituição de 1946. Durante quase 20 anos, o 
País viveu em quase plena democracia e estabilidade governamental.
Mesmo com a promulgação da Constituição, o governo ainda lançava 
mão de vários atos institucionais que, do dia para noite, modificavam o rol 
de garantias e liberdades individuais, bem como concentrava cada vez mais o 
poder nas mãos dos militares. O mais severo ato institucional foi o AI-5, que 
definitivamente deixou claro os novos traços do regime político que o País iria 
vivenciar até o ano de 1984.
A partir dessa data, o País passou por um novo processo de redemocratiza- 
ção, cuja solidificação se deu em 5 de outubro de 1988, com a promulgação da 
Carta cidadã. Essa nova Constituição brasileira de 1988 inovou porque tratou 
da matéria não no capítulo dedicado à Ordem Econômica e Financeira ou à 
Ordem Social. Antes, cuidou deles enquanto verdadeiros direitos fundamentais 
e não expressões de uma determinada ordem. Tratou como verdadeiros direitos 
fundamentais os contemplados no art. 6º (BRASIL, 1988):
• o direito à saúde, na verdade, à proteção da saúde;
• o direito ao trabalho, do qual o direito do trabalho é uma dimensão;
TÓPICO 2 | CONSTITUCIONALISMO
23
• o direito ao lazer, porque nem só de trabalho vive o homem;
• o direito à moradia, incorporado mais tarde pela Emenda Constitucional nº 26, 
de 14 de fevereiro de 2000;
• o direito à educação;
• o direito à previdência;
• o direito à segurança;
• o direito à assistência aos desamparados;
• o direito à proteção da infância;
• o direito à proteção da maternidade.
A Islândia, país com apenas 320 mil habitantes (menos da metade da 
população de Campo Grande/MS), decidiu por uma nova Constituição motivada pelo 
colapso econômico de 2008. Elegeu, então, um grupo de 25 cidadãos, entre 552 que 
se ofereceram como candidatos a representantes-constituintes, o qual apresentou uma 
proposta constitucional compilada a partir de contribuições enviadas por redes sociais, 
como Facebook, Twitter e YouTube (ISLÂNDIA, 2012, s.p.).
DICAS
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RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• Estudamos que o Constitucionalismo é a designação conferida ao movimento 
político, jurídico e social que gerou a evolução do conceito de Constituição, de 
seu conteúdo e do detentor do poder nos Estados. 
• Verificamos que a aludida evolução surgiu em duas frentes diversas: uma na 
Europa e outra nos Estados Unidos, sendo certo que ambas concorreram para 
a formação da ideia atual de Constituição. 
• Visualizamos como surgiu o contitucionalismo e como se deu a sua evolução 
ao longo da história, tanto no cenário mundial como no brasileiro.
25
1 O que assegura aos cidadãos o exercício dos seus direitos, a divisão dos 
poderes e a limitação do governo pelo direito é:
a) o constitucionalismo
b) a separação de poderes
c) o princípio da legalidade
d) o federalismo
e) o Estado democrático de direito
2 A palavra constitucionalismo, como apontam os juristas, é de origem recente 
e traduz o resultado dos movimentos contrários a determinados modelos 
de governo predominantes em denominada quadra histórica.
Nesse sentido, o constitucionalismo traduz: 
a) a centralização de governo
b) a limitação do poder
c) a vitória do proletariado
d) a democracia socialista
e) o governo das elites
AUTOATIVIDADE
26
27
TÓPICO 3
CONSTITUIÇÃO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
A Constituição é o conjunto de leis, normas e regras de um país ou de uma 
instituição. É a lei máxima que limita poderes e define os direitos e deveres dos 
cidadãos, regulando e organizando o funcionamento do Estado. Nenhuma 
outra lei no País pode entrar em conflito com a Constituição.
Neste tópico, você vai ler sobre os sentidos da Constituição, conhecer as 
diversas concepções acerca de Constituição e descobrir as diversas categorias 
existentes de constituições.
2 SENTIDOS DO TERMO CONSTITUIÇÃO
No século XIX, com a vitória do constitucionalismo, surgiu a ideia de 
Constituição ideal, com Carl Schmitt. O seu conceito está atrelado à ideologia 
político-liberal, considerando-se essenciais (TAVARES, 2006, p. 61): “a) a garantia 
das liberdades, com a participação política; b) a divisão dos poderes; c) a Constituição 
como documento escrito”.
Em sentido geral, a Constituição é a própria organização do Estado, isto 
é, são as instituições políticas e jurídicas que o formam e caracterizam a sua 
estrutura. Em sentido estrito, a Constituição é o conjunto de preceitos jurídicos, 
geralmente reunidos em um código — que discrimina os órgãos do Poder 
Público, fixa-lhes a competência —, declara a forma de governo, bem como 
proclama e assegura os direitosindividuais (TAVARES, 2006).
A palavra Constituição possui diversos significados, desde os mais 
amplos até os conceitos jurídicos dados por doutrinadores. Para Alexandre 
de Moraes (2009), a Constituição deve ser entendida como a lei fundamental e 
suprema de um Estado, que contém normas referentes a:
28
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO DIREITO CONSTITUCIONAL
• estruturação do Estado;
• formação dos poderes públicos;
• forma de governo e aquisição do poder de governar;
• distribuição de competências;
• direitos e deveres dos cidadãos.
O termo constituição, por sua vez, é empregado com vários significados, 
como (SILVA, 2004):
• conjunto dos elementos essenciais de alguma coisa — a constituição do 
universo, a constituição dos corpos sólidos;
• temperamentos, compleição do corpo humano — uma constituição 
psicológica explosiva, uma constituição robusta;
• organização, formação — a constituição de uma assembleia, a constituição de 
uma comissão;
• ato de estabelecer juridicamente — a constituição de dote, de renda, de uma 
sociedade anônima;
• conjunto de normas que regem uma corporação, uma instituição — a 
constituição da propriedade;
• lei fundamental de um Estado.
Todas essas acepções são analógicas. Exprimem, todas, a ideia de modo 
de ser de alguma coisa e, por extensão, a de organização interna de seres e 
entidades. Nesse sentido, dizemos que todo Estado tem Constituição, que é o 
simples modo de ser do Estado (SILVA, 2004).
A Constituição do Estado, considerada a sua lei fundamental, seria, então, 
a organização dos seus elementos essenciais: um sistema de normas jurídicas, 
escritas ou costumeiras, que regula:
• a forma do Estado;
• a forma de seu governo;
• o modo de aquisição e o exercício do poder;
• o estabelecimento de seus órgãos;
• os limites de sua ação;
• os direitos fundamentais do homem;
• as respectivas garantias.
Em síntese, a Constituição é o conjunto de normas que organiza os ele- 
mentos constitutivos do Estado (SILVA, 2004). A Constituição tem:
• como forma, um complexo de normas;
• como conteúdo, a conduta humana motivada pelas relações sociais;
• como fim, a realização dos valores que apontam para o existir da comunidade;
• como uma causa criadora e recriadora, o poder que emana do povo.
TÓPICO 3 | CONSTITUIÇÃO
29
Em outras palavras, a Constituição de um Estado se ajusta como um 
conjunto de regras que se destinam a regular os comportamentos da sociedade 
e do governo, bem como garantir-lhes direitos e impor-lhes deveres, sendo a 
diretriz de todo o ordenamento jurídico, expondo os limites de como governar e 
os limites para a formação de novas leis (SILVA, 2004).
Significa que a Constituição se coloca no vértice do sistema jurídico do 
País, a que confere validade, e que todos os poderes estatais são legítimos na 
medida em que ela reconheça e na proporção por ela distribuídos. É, enfim, a 
lei suprema do Estado, pois é nela que se encontram a própria estrutura deste 
e a organização de seus órgãos; é nela que se acham as normas fundamentais 
de Estado, e só nisso se notará sua superioridade em relação às demais normas 
jurídicas (SILVA, 2004).
Segundo Gomes Canotilho (1998), a Constituição é uma ordenação 
sistemática e racional da comunidade política, registrada em um documento 
escrito, mediante o qual garantem-se os direitos fundamentais e organiza-se, de 
acordo com o princípio da divisão de poderes, o poder político. A função da 
Constituição é reunir as normas que organizam os elementos constitutivos do 
Estado (população, território e governo).
O governo do País e o governo dos seus estados-membros e respectivos 
municípios estão vinculados às normas determinadas pela Constituição, visto que ela é a 
lei de maior força nacional, a lei reguladora das funções governamentais.
ATENCAO
3 CONCEPÇÕES DE CONSTITUIÇÃO
A noção de Constituição estatal expressa uma ideia parcial do seu 
conceito, porque a toma como algo desvinculado da realidade social, quando, 
na verdade, deve ser concebida como uma estrutura normativa, uma conexão 
de sentido, que envolve um conjunto de valores. Aqui surge um campo de 
profundas divergências doutrinárias: em que sentido devem ser concebidas as 
Constituições: no sociológico, no político ou no juramente jurídico (SILVA, 2004)
Ferdinand Lassalle entende as Constituições no sentido sociológico. 
Para ele, a Constituição de um país é, em essência, a soma dos fatores 
reais do poder que o regem, sendo esta a Constituição real e efetiva, 
não passando a Constituição escrita de uma folha de papel. Outros, 
como Carl Schmitt, emprestam-lhes sentido político, considerando-
as decisão política fundamenta, decisão concreta de conjunto sobre o 
modo e a forma de existência da unidade política, fazendo distinção 
entre Constituição e leis constitucionais (SILVA, 2004, p. 40):
30
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO DIREITO CONSTITUCIONAL
• a Constituição só se refere à decisão política fundamental;
• as leis constitucionais são os demais dispositivos inscritos no texto do 
documento constitucional, que não contenham matéria de decisão política 
fundamental.
Outra corrente, liderada por Hans Kelsen, as vê apenas no sentido jurídico; 
Constituição é, então, considerada norma pura, puro dever-ser, sem qualquer 
pretensão à fundamentação sociológica, política ou filosófica. A concepção 
de Kelsen toma a palavra Constituição em dois sentidos: no lógico-jurídico 
e no jurídico-positivo. De acordo com o primeiro, a Constituição significa 
norma fundamental hipotética, cuja função é servir de fundamento lógico 
transcendental da validade da Constituição jurídico-positiva que equivale à 
norma positiva suprema, conjunto de normas que regula a criação de outras 
normas, lei nacional no seu mais alto grau.
Essas concepções pecam pela unilateralidade. Vários autores, por isso, 
têm tentado formular conceito unitário de Constituição, concebendo-a em 
sentido que revele conexão das suas normas com a totalidade da vida coletiva; 
Constituição total, mediante a qual se processa a integração dialética dos 
vários conteúdos da vida coletiva na unidade de uma ordenação fundamental e 
suprema (SILVA, 2004).
Buscamos, assim, formular uma concepção estrutural de Constituição, 
que a considera no seu aspecto normativo, não como norma pura, mas como 
norma na sua conexão com a realidade social, que lhe dá o conteúdo fático e o 
sentido axiológico. Trata-se de um complexo, não de partes que se adicionam ou 
se somam, mas de elementos e membros que se enlaçam em um todo unitário. 
O sentido jurídico de Constituição não se obterá se a apreciarmos desgarrada da 
totalidade da vida social, sem conexão com conjunto da comunidade.
Pois bem, certos modos de agir em sociedade transformam-se em 
condutas humanas valoradas historicamente e constituem-se em fundamento 
do existir comunitário, formando os elementos constitucionais do grupo social, 
que o constituinte intui e revela como preceitos normativos fundamentais: a 
Constituição.
TÓPICO 3 | CONSTITUIÇÃO
31
A Constituição é algo que tem, como forma, um complexo de normas 
(escritas ou costumeiras); como conteúdo, a conduta humana motivada pelas relações 
sociais; como fim, a realização dos valores que apontam para o existir da comunidade; e, 
finalmente, como causa criadora e recriadora, o poder que emana do povo.
ATENCAO
Na concepção moderna, temos Konrad Hesse, que trata da força 
normativa da Constituição, criticando e rebatendo a concepção tratada por 
Ferdinand Lassalle. Para ele, a Constituição possui uma força normativa capaz 
de modificar a realidade, obrigando as pessoas. Nem sempre cederia frente aos 
fatores reais de poder, pois obriga. Tanto pode a Constituição escrita sucumbir 
quanto prevalecer, modificando a sociedade. O Supremo Tribunal Federal tem 
utilizado bastante esse princípio da força normativa da Constituição nas suas 
decisões (SILVA, 2004).
Com a evolução da sociedade, o convívio humano se tornou mais complexo. 
Avanços tecnológicos, transformação do processo

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