Prévia do material em texto
1 Cruzadas medievais Aula 17 5A História As Cruzadas são tradicionalmente definidas como expedições organiza das por cristãos do Ocidente – incentivados pelo Papa – para libertar a Terra Santa, que estava em poder dos turcos. O movimento das Cruzadas foi uma espécie de extensão das lutas que estavam sendo travadas contra os muçul- manos (Guerra de Reconquista) na Espanha e na Sicília. As Cruzadas também podem ser consideradas uma contraofensiva da cristandade diante dos sucessivos avanços dos muçulmanos. É possível, portanto, afirmar que as Cruzadas foram também um movimento de expansão geral, que ocorreu na Europa durante a Idade Média. Enfim, as Cruzadas devem ser entendidas como expedições organizadas pelos cristãos entre os séculos XI e XIII com o objetivo de combater o expansionismo islâmico, libertar a Terra Santa (Jerusalém) do domínio muçulmano e propagar o cristianismo. Durante praticamente 200 anos de luta contra as populações não cristãs (1096 - 1270), milhares de cavaleiros, a serviço da Igreja, engajaram-se nas longas expedições que partiam de diferentes regiões da Europa em direção ao Oriente Médio, conforme você pode observar no mapa a seguir. Cruzadas medievais Ta lit a Ka th y Bo ra Diversos fatores conjugados contribuíram para o engajamento de milhares de cristãos ao movimento das Cruzadas. A partir do século X, ocorreu um grande aumento populacional no Oci dente. O excedente populacional estava disposto a arrebatar dos infiéis as terras férteis do Oriente. Acrescente-se ainda que a sucessão baseava-se no direito da primogenitura, que garan tia aos filhos primogênitos vantagens especiais de herança, por isso muitos nobres viram nas Cruzadas um meio de obter feudos no Oriente. O papa Urbano II, o pregador da Primeira Cruzada, desejava restabelecer a unidade do cristia nismo, rompida com o Cisma do Oriente (1054). Acreditava que, libertando a Palestina e a Síria, debilitando os muçulmanos, favorecendo os bi zantinos, estaria dando um passo gigantesco no sentido de reconci liar o Oriente com o Ocidente. Como já vimos, o homem medie val era extremamen- te belicoso. Para conter esse ímpeto guerreiro, a Igre ja adotou a Paz de Deus (proibição de lutas em determina- dos locais) e a Trégua de Deus (proibição de conflitos em determinadas épocas do ano). Era muito difícil, contudo, evitar os conflitos. As Cruzadas vieram a canalizar essa energia para lutar contra os infiéis, provocando um certo alívio no Ocidente. A religiosidade do homem medie val foi, portanto, o fator fundamental das Cruzadas. Vivia-se numa época em que as peregrinações aos santu ários provocavam o deslocamento de multidões. Jerusalém era considera da “o umbigo do mundo” e visitá-la era o sonho de todo peregrino. Vale acrescentar que, enquanto os árabes dominavam a região, os cristãos podiam visitar os luga- res sagrados sem serem molestados. A ocupação turca reverteu a situação. Os cristãos passaram a ser ultrajados e repri midos pelos turcos seldjúcidas e seu fanatismo religioso. Além disso, o espírito aventureiro do homem me- dieval, a intenção das ricas ci dades italianas (Gênova e Veneza, especialmente) de dominarem o Mediterrâneo Oriental e o desejo de salvação da alma foram fatores importantes que também contribuíram para as Cruzadas. “Deus o quer” No Concílio de Clermont, o papa Urbano II lan çou um apelo aos cristãos. Sob o lema “Deus o quer”, tentou fazer com que os nobres cavaleiros deixassem de lado as rivalidades e se unissem para libertar o Santo Sepulcro, com a seguinte prega- ção: Deixai os que outrora estavam acostumados a se baterem impiedosamente contra os fiéis, em 2 Extensivo Terceirão guerras particulares, lutarem contra os infiéis... Deixai os que até aqui foram ladrões tornarem-se soldados. Deixai aqueles que outrora se bateram contra seus irmãos e parentes lutarem agora con- tra os bárbaros como devem. Deixai os que outro- ra foram mercenários, a baixo soldo, receberem agora a recompensa eterna. Uma vez que a terra que vós habitais (...) é dema siadamente pequena para a vossa grande população (...). Tomai o ca- minho do Santo Sepulcro, arrebatai aquela terra à raça perversa e submetei-a a vós mesmos. Papa Urbano II, 27 nov. 1095. Gl ow Im ag es /A la m y/ N at io na l G eo gr ap hi c Cr ea tiv e Peregrinos cristãos atendendo à convocação do papa, em mar- cha nos arredores de Jerusalém Cruzada popular O monge Pedro, o Eremita, graças às suas pre gações comoventes, conseguiu reunir uma multidão. Auxiliados por um cavaleiro, Gautier Sans Avoir, os pe regrinos atra- vessaram a Alemanha, Hungria, Bulgária, chegando em péssimas condições à Constantinopla. O imperador bi- zantino Aleixo Commeno, desejando afas tar esse “bando turbulento” de sua capital, procurou incentivá-los a atacar os infiéis. Foi um desastre, pois a Cruzada dos Mendigos foi arrasada. As oito Cruzadas (segundo a tradição) A Primeira Cruzada foi conhecida como a Cruzada dos Senhores, pois contou com a liderança de nobres cavaleiros como o duque Godofredo de Bulhões. No ano de 1099, após longo cerco, os cruzados tomaram a cidade de Jerusalém. A repressão foi violenta. Segundo o arcebispo Guilherme de Tiro, a cidade oferecia tal es- petáculo, tal carnificina de ini migos, tal derramamento de sangue que os próprios vencedores ficaram impres- sionados de horror e descontentamento. Aula 17 3História 5A © Sh ut te rs to ck /A IS A - E ve re tt Batalha durante a Primeira Cruzada (1096 - 1099) Após a vitória, era preciso organizar a conquista. Surgiram quatro unida- des políticas: o Reino de Jeru salém (Godofredo de Bulhões – “Defensor do Santo Sepulcro”), o Condado de Edessa, o Condado de Trípoli e o Principa- do de Antioquia. A perda do Condado de Edessa provocou a organi zação da Segunda Cruzada (1147 - 1149). Pregada por São Bernardo, essa cruzada foi liderada por Con rado III, da Alemanha, e por Luís VII, da França. Os cruzados foram derrotados e fracassaram ao tentarem ocupar Damasco e Ascalon. A Terceira Cruzada (1189 - 1192) foi denominada a Cruzada dos Reis. Dela participaram: Filipe Augusto (França), Frederico Barbaruiva (Sacro Império) e Ricardo Coração de Leão (Inglaterra). Frederico, apesar de ter vencido os muçulmanos, morreu afogado. Ricardo e Filipe tomaram São João D’Acre. Ricardo recebeu terras entre Tiro e Jaffa e assinou um armistício com o sultão Saladino. A Quarta Cruzada (1202 - 1204) foi prepara da pelo papa Inocêncio III, porém deturpada pela influência de Veneza, que exigia uma soma enorme para transportar os cruzados. Foi feito um acordo: os cruzados ajudariam os venezianos na tomada de Zara, no Adriático, rival comercial daquela cidade italiana. Após a tomada de Zara, resolveram, ainda instigados pelos venezia- nos, tomar Constantino pla, que foi completamente saqueada. Fundou-se o Império Latino de Constantinopla, que durou meio século. Com a ajuda de Gênova, foi restaurado o Império Bizantino. Entre a Quarta e a Quinta Cru zada, houve a chamada Cruzada das Crian- ças. Foi um desastre, pois a maioria das crianças mor reu de fome ou de frio. As que sobreviveram foram escravizadas pelos turcos. A Quinta Cruzada (1217 - 1221), também pregada por Ino cêncio III, par- tiu em 1217 e foi lide rada por André II, rei da Hungria, e Leopoldo VI, duque da Áustria. Os resultados foram nulos. A Sexta Cruzada (1228 - 1229) foi liderada pelo imperador Frederi- co II, que tinha sido excomungado pelo Papa. Aproveitando-se das discórdias entre os muçulmanos, Frederico II conseguiu, por intermé- dio de diplomacia, que os turcos lhe entregassem Jerusalém, Belém e Nazaré. Mais tarde, essas regiões caíram novamente sob o domínio dos turcos. A Sétima Cruzada (1248 - 1250) e a Oitava Cruzada (1270) foram lideradas pelo rei da França, Luís IX (São Luís). Na sua primeira Cruzada, São Luís foi derrotado, caiu prisio- neiro e os cristãos tive ram de pagar umpesado resgate pela sua liber- tação. Na sua segun da tentativa, São Luís atacou Túnis, mas acabou morrendo devido a uma forte disenteria. Diversas razões contribuíram para o fracasso das Cruzadas, entre elas: os europeus eram minoria, em meio a uma população geralmente hostil; a opressão à população nativa fez com que o domínio fosse cada vez mais difícil; as diversas lutas entre os próprios cristãos contribuíram para enfra quecê-los enormemente. As ordens militares No Oriente Latino, com o triunfo da Primeira Cruzada, fo- ram criadas ordens religiosas. Os Cavaleiros de São João (Hospita- lários) nasceram como instituição de caridade e se transformaram numa ordem mili tar para defesa dos peregrinos que visitavam a Terra Santa. Já os Cavaleiros do Templo (Templários) originaram- -se por volta de 1115, dedicados à proteção dos peregrinos, dando apoio àqueles que se dirigiam ao Oriente. 4 Extensivo Terceirão Com a consolidação das monarquias e a diminuição do poder papal, as ordens militares foram pouco a pouco perdendo sua utilidade, sendo obrigadas a se dedicar a atividades beneficentes e missionárias. “Ao contrário dos Hospitalários, a quem in- fluenciaram, os Templários empenharam-se pri- mordialmente em campanhas militares contra os muçulmanos. Muitíssimo populares e enriqueci- dos por doações durante as Cruzadas, tornaram-se poderosos na Europa e no Oriente, dedicando-se a atividades bancárias. A queda de Acre (1291) e sua transferência para Chipre deixou-os sem ob- jetivo definido e, como banqueiros, impopulares. Resistiram às tentativas de fusão com seus rivais Hospitalários e conflitos com Filipe IV da França levaram o Monarca, de acordo com o papa Cle- mente V, a planejar a extinção da ordem. Acusa- ções de heresia provocaram sua supressão (Con- cílio de Vienne, 1312). O grão-mestre Jacques de Molay e outros foram executados e os bens da or- dem confiscados, passando para os Hospitalários e príncipes seculares. A ordem foi restabelecida em Portugal como Ordem de Cristo.” LOYN, H. R. Dicionário da Idade Média. Rio de Janeiro. Jorge Zahar Editor, 1998, p. 85 Consequências As Cruzadas contribuíram para dinamizar as relações comerciais entre o Oriente e o Ocidente, pondo fim ao bloqueio do Mar Mediterrâneo, até então dominado pelos muçulmanos. A burguesia foi a classe social que mais se bene ficiou pois os negociantes enriqueceram à custa dos nobres e cavaleiros. As cidades se desenvolveram. O mercado expandiu-se, bem como a economia monetária. Difundiu-se o espírito de lucro e o racionalismo econômico. O contato com as requintadas civilizações bizantina e muçulmana despertou um refinamento no modo de vida europeu. Uma grande quantidade de produtos orientais foi introduzida no Ocidente. Entre os produtos, podemos destacar canela, pimenta, cravo, açúcar, arroz, algodão, café e perfumes. Os europeus adotaram também técnicas de cultivo, de produção de ferro, de fabricação de tecidos, bem como importantes práticas financeiras e comerciais, tais como a letra de câmbio e o cheque. As Cruzadas comprometeram o prestígio da Igreja Católica e do papado, bem como o da própria nobreza. Um resultado indireto, extrema mente negativo, foi o au- mento do antissemitismo na Europa. Em muitas cidades os judeus, por não serem cristãos, foram massacrados. Testes Assimilação 17.01. (UECE) – Considerando a Idade Média, relacione corretamente os acontecimentos apresentados a seguir aos valores do código de Cavalaria Medieval, numerando a Coluna II de acordo com a Coluna I. COLUNA I COLUNA II 1. Guerra Santa ( ) Ação de libertação da Espanha do domínio árabe. 2. Cruzadas ( ) Liberação do domínio da Terra Santa dos muçulmanos. 3. Reconquista ( ) Combate que tem como objetivo a defe- sa da verdadeira fé. A sequência correta, de cima para baixo, é: a) 2, 1, 3. b) 3, 1, 2. c) 3, 2, 1. d) 1, 3, 2. e) 1, 2, 3. 17.02. (PUC – SP) – As Cruzadas tiveram caráter: a) exclusivamente religioso, buscando resgatar a Terra Santa das mãos dos árabes e expandir o catolicismo. b) exclusivamente comercial, buscando novas terras para a agricultura e mercado para os produtos europeus. c) religioso e comercial, buscando conciliar a ação expan- sionista religiosa à abertura de novas rotas comerciais. d) político e religioso, buscando ampliar o poder do Papado e produzir uma fusão entre o catolicismo e o islamismo. e) político e comercial, buscando expandir o absolutismo monárquico e abrir mercados para produtos do Vaticano. 17.03. (UFPel – RS) – “São ditas justas as guerras que vingam injustiças, quando um povo ou um Estado, a quem a guerra deve ser feita, deixou de punir os erros dos seus ou de restituir aquilo que foi saqueado em meio a essas injustiças.” Santo Agostinho A declaração de Santo Agostinho a respeito das guerras revela uma postura da Igreja que: a) rejeitava a violência e condenava a guerra; b) determinava a trégua de Deus em dias santos; c) punia severamente àqueles que se dedicavam às ativida- des militares em detrimento das religiosas; d) tolerava o conflito bélico desde que fosse considerado como uma guerra justa; e) pregava a tolerância religiosa como meio de evitar con- flitos militares. Aula 17 5História 5A 17.04. “Já no século XIV a.C., os fenícios, excelentes marinheiros, detinham o monopólio do comércio de especiarias no Mediterrâneo, a tal ponto que elas foram chamadas de ‘mercadorias fenícias’. (...) as especiarias partiram para Roma provenientes do Egito, no início do século II a.C. (...). A cozinha medieval usava carnes em excesso, e tanto para conservá-las como para dissimu- lar seu gosto, quando em princípio de decomposição, apelava obrigatoriamente para as especiarias (...). Os cruzados apaixonaram-se pelas especiarias por volta do século XI, quando chegaram à Terra Santa (...).” (Adaptado de Fernanda de Camargo-Moro. “Veneza; O encontro do Oriente com o Ocidente”. Rio de Janeiro: Record, 2003) A referência contida no texto a respeito do uso e do acesso às especiarias durante a Idade Média nos permite associar à (ao): a) interrupção total da ligação entre Ocidente e Oriente du- rante o feudalismo, dado o fim das atividades mercantis. b) papel das Cruzadas na integração entre Oriente e Ociden- te e seus possíveis interesses extrarreligiosos. c) importância da caça, que impediu que houvesse fome e garantiu alimento farto a toda a população da Europa medieval. d) facilidade de conservação dos alimentos no período me- dieval, evidenciada no emprego das especiarias para tal fim. e) uso das especiarias em rituais religiosos católicos, justifi- cado por sua exploração fácil no território europeu. Aperfeiçoamento 17.05. (FGV – SP) – “(...) as Cruzadas não foram as responsá- veis pelas grandes transformações econômicas, mas produ- tos delas. Contudo, elas não deixaram de contribuir para os avanços daquelas transformações. (...) O intenso comércio praticado pelas cidades italianas, Gênova e Veneza, cresceu bastante com a abertura dos mercados orientais, para o que as Cruzadas desempenharam papel decisivo (...) Hilário Franco Júnior, “As cruzadas” Além da decorrência apresentada, pode-se atribuir a essas expedições: a) o desaparecimento das ordens mendicantes – espe- cialmente franciscanos e dominicanos –, assim como a superação das heresias católicas. b) o fortalecimento nas relações de vassalagem em toda a Europa Ocidental e um forte retraimento do poder econômico da burguesia comercial. c) a estagnação das atividades comerciais entre algumas cidades comerciais do mar do Norte – como Bruges e Gand – e as cidades do litoral oeste da África. d) a radicalização no processo de fragmentação político- -territorial da Europa, com a importante ampliação do poder econômico da nobreza togada. e) a relação entre os cruzados com bizantinos e muçulma- nos, permitindo que a Europa voltasse a ter contato com algumas obras de filosofia greco-romana. 17.06. (FUVEST– SP) – As Cruzadas representaram para a sociedade feudal: a) uma aventura militar que levou a Cristandade a perder importantes territórios e a conhecer a Peste Negra. b) uma saída para o excedente populacional e a satisfação da necessidade espiritual da peregrinação a Jerusalém. c) um movimento nobiliárquico que ao reforçar o feudalismo atrasou a centralização política em dois séculos. d) um reforço importante no prestígio da Ordem Dominica- na, que as idealizou, organizou, financiou e, teoricamente, comandou. e) uma abertura para o exterior, responsável pela entrada na Europa de elementos da cultura clássica, como o gótico e a escolástica. 17.07. (UEL – PR) – Uma das consequências das Cruzadas foi a consolidação do renascimento comercial europeu, ao: a) interromper a expansão dos francos do Norte da Europa e ao impedir que o comércio ficasse monopolizado pelas cidades de Antuérpia e Amsterdã. b) expulsar os árabes do Mediterrâneo e ao permitir o domínio do comércio pelas cidades italianas, na região, principalmente Gênova e Veneza. c) estender o controle comercial do pontificado romano a todo o continente, favorecendo as cidades de Flandres e Champagne. d) possibilitar a apropriação pelos mercadores europeus dos centros comerciais dominados pelos bretões e florentinos. e) generalizar o comércio baseado na troca direta, herdado dos povos germanos e saxões. 17.08. (FATEC – SP) – Apesar de não terem alcançado seu objetivo – reconquistar a Terra Santa –, as Cruzadas provo- caram amplas repercussões, porque: a) favoreceram a formação de vários reinos cristãos no Orien- te, o que permitiu maior estabilidade política à região. b) consolidaram o feudalismo, em virtude da unificação dos vários reinos em torno de um objetivo comum. c) facilitaram a superação das rivalidades nacionais graças à influência que a Igreja então exercia. d) uniram os esforços do mundo cristão europeu para eli- minar o domínio árabe na Península Ibérica. e) estimularam as relações comerciais do Oriente com o Ocidente, graças à abertura do Mediterrâneo a navios europeus. 17.09. (UFPE) – Analise as afirmativas abaixo relacionadas com a existência das Cruzadas: 1) As Cruzadas eram expedições organizadas pelos senhores feudais, com a finalidade de reativar a vida nos feudos. 2) As Cruzadas, expedições marcadas por interesses religio- sos e econômicos, contavam com a participação da Igreja Católica. 6 Extensivo Terceirão 3) As Cruzadas não trouxeram contribuições para a econo- mia no Ocidente, pois criaram conflitos inexpressivos e exacerbaram o fanatismo religioso. 4) A participação da população pobre nas Cruzadas foi significativa e aponta para um dos momentos de crise do sistema feudal. 5) Os lucros dos nobres nas Cruzadas contribuíram para revitalizar a economia feudal, com a adoção do trabalho assalariado. Está(ão) correta(s): a) 1, 2, 3, 4 e 5; d) 2 e 3 apenas; b) 2 e 4 apenas; e) 1 apenas. c) 5 apenas; 17.10. (PUC – RS) – Responda à questão, com base nas afirmativas a seguir, sobre as Cruzadas na Baixa Idade Média: I. Vários setores da sociedade europeia tinham interesses nas Cruzadas: a Igreja, o Império Bizantino, os nobres sem terra e as cidades comerciais italianas. II. As Cruzadas fracassaram como empreendimento religio- so militar, inclusive porque terminaram interrompendo o rico comércio europeu com o Oriente Médio. III. Uma nova classe social surgiu, ligada à atividade co- mercial, e o poder dos nobres começou gradualmente a declinar. IV. Foi a partir da renovação do poder da Igreja, com o mo- vimento das Cruzadas, que se construíram as grandes catedrais românicas na Europa Ocidental. Pela análise das alternativas, conclui-se que somente estão corretas: a) I e II. d) II e IV. b) I e III. e) III e IV. c) I, II e III. Aprofundamento 17.11. (FATEC – SP) – Leia atentamente as afirmações a se- guir, sobre o empreendimento militar-religioso denominado Cruzadas. I. O apelo do Papado à conquista dos locais sagrados na Ásia Ocidental foi o eixo religioso das campanhas. II. Entre os interesses que moveram este empreendimento estava, fundamentalmente, o combate ao protestantis- mo e ao islamismo, que estavam em plena expansão na região do Mediterrâneo. III. As análises do sucesso ou não do empreendimento são inúmeras, mas é certo que as Cruzadas representaram um importante marco para o renascimento do comércio na região do Mediterrâneo. Dessas afirmações está(ão) correta(s) a) apenas II. b) apenas III. c) I e II somente. d) I e III somente. e) II e III somente. 17.12. (UPF – RS) – Em 1095, durante o Concílio de Clermont Ferrand, o papa Urbano II conclamou os guerreiros da fé para participarem de um movimento que iniciaria o avanço da cristandade sobre os povos não cristãos na Terra Santa: “Ces- sem, pois, os ódios intestinos, apaguem-se os contenciosos, aplaquem-se as guerras e sossegue toda discórdia e inimizade. Empreendei o caminho do Santo Sepulcro, arrancai aquela terra àquele povo celerado e submetei-la a vós”. Considerando essas incursões, denominadas Cruzadas, avalie as seguintes afirmativas e marque V para as verdadeiras e F para as falsas. ( ) A Europa estava vivenciando um período de harmonia e concórdia interna quando do apelo do Papa para as Cruzadas. ( ) O Santo Sepulcro seria reconquistado para fins de colo- nização e aquisição de escravos. ( ) Os muçulmanos foram considerados inimigos de todos os cristãos. Assim, os cristãos se uniram para o enfren- tamento dos então considerados infiéis muçulmanos. ( ) As Cruzadas constituíram-se de várias expedições ao Oriente visando à reconquista da Terra Santa. Foram destaques a Cruzada Popular e a dos Nobres. ( ) As Cruzadas foram empreendimentos militares impulsio- nados pela ideia de guerra santa em defesa da fé católica. A sequência que preenche corretamente os parênteses é: a) V – F – V – F – V. c) F – F – V – F – F. e) F – F – F – F – F. b) V – V – F – F – V. d) F – F – V – V – V. 17.13. (FGV – RJ) – Da mesma forma que a Terra Santa, ainda que com identidade menor, a Península Ibéri- ca possibilitava a reunião das ideias de paz (luta no exterior da Cristandade), de Guerra Santa (engrande- cimento da Igreja em terra anteriormente cristã) e de peregrinação (corpo santo apostólico em Santiago de Compostela). A Reconquista revelou-se especialmente atraente, o que é significativo, para o centro-sul francês (...) cujos cavaleiros foram os mais constantes partici- pantes ultramontanos da luta antimoura na Península. FRANCO JÚNIOR, Hilário. Peregrinos, monges e guerreiros. Feudo-clericalismo e religiosidade em Castela Medieval. São Paulo: Hucitec, 1990, p. 161. Sobre a Reconquista Ibérica, é correto afirmar que se trata de a) um conjunto de guerras e conquistas territoriais cujas motivações foram semelhantes àquelas que estimularam a ação dos cristãos durante as Cruzadas. b) um movimento dirigido pelos comerciantes castelhanos, interessados em se apropriar das riquezas e rotas mercan- tis do mundo islâmico. c) um movimento sem vinculação às crenças religiosas e devocionais cristãs e estimuladas pelo avanço científico precoce da Península Ibérica. d) uma incursão de cavaleiros a serviço da monarquia francesa com o intuito de anexar a Península Ibérica e reestruturar o antigo Império Carolíngio. e) um movimento essencialmente religioso que visava a combater o fanatismo muçulmano e estabelecer mo- narquias cristãs que respeitassem a liberdade religiosa na Península Ibérica. Aula 17 7História 5A 17.14. (UEPG – PR) – A respeito das Cruzadas, movimento religioso e militar que opôs católicos e muçulmanos entre os séculos XI e XIV, assinale o que for correto. 01) A Ordem dos Cavaleiros Templários teve destacada par- ticipação em defesa do cristianismo. 02) A retomada do comércio entre Ocidente e Oriente foi uma das consequências deixadas pelas Cruzadas. 04) Um dos principais motivos que levaram à ocorrência das Cruzadasfoi a tentativa de retomada de Jerusalém, então controlada pelos turcos seljúcidas, pelos cristãos. 08) Além de motivações religiosas, as Cruzadas também encobriam o desejo de conquista de novas terras por parte da nobreza feudal europeia. 16) O papa Urbano II, líder da Igreja Católica no início das Cruzadas, sempre foi contrário aos conflitos com os mu- çulmanos por acreditar no princípio do ecumenismo. 17.15. (UEPG – PR) – Entre os séculos XI e XIII, o Ocidente cristão e o Oriente muçulmano travaram uma longa batalha. Os cristãos invadiram o território árabe em nome da fé, mas, ao mesmo tempo, preocupavam-se com possíveis conquistas econômicas. A respeito das Cruzadas Medievais, assinale o que for correto. 01) Ao final de dois séculos de lutas entre cristãos e mu- çulmanos, a cidade de Jerusalém foi retomada pelos primeiros e, desde então, é um símbolo exclusivo da fé cristã no Oriente. 02) As Cruzadas fortaleceram a autoridade real, o que favore- ceu a criação dos Estados Nacionais Modernos. Da mesma forma, as Cruzadas impulsionaram o comércio Ocidente- -Oriente e reforçaram a identidade cristã no Ocidente. 04) Saladino (Salah al-Din) foi um líder islâmico que defen- deu o diálogo e a não agressão com os cruzados cató- licos. Para ele, a melhor saída para cristãos e muçulma- nos seria a divisão de Jerusalém em áreas controladas distintamente por cada um desses grupos. 08) Pimenta-do-reino, cravo, noz-moscada e canela foram alguns dos produtos levados do Ocidente para o Orien- te a partir do contato estabelecido entre cristãos e mu- çulmanos durante as Cruzadas. 16) Além de cavaleiros bem armados, as Cruzadas também tiveram a participação de pobres, camponeses, mendi- gos e crianças. Todos partiram da Europa com a inten- ção de conquistar Jerusalém, então controlada pelos turcos seldjúcidas. 17.16. (UEM – PR) – Sobre as cruzadas, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 01) A primeira cruzada tinha como objetivo a conquista da Terra Santa, a ajuda aos bizantinos e a união da cristan- dade contra os mulçumanos. 02) As cruzadas foram uma demonstração de força e de prestígio da nobreza, em um mundo com forte senti- mento religioso, mas já com a perda do poder papal após a Querela das Investiduras. 04) Os estados cristãos, que surgiram com as cruzadas na Terra Santa, abandonaram o feudalismo e reproduzi- ram as instituições do Oriente. 08) O fracasso das cruzadas levou à estagnação do comércio entre o Oriente e o Ocidente, atividade reaberta apenas com as Grandes Navegações dos séculos XV e XVI. 17.17. (UEPG – PR) – Expedições militares ocorridas nos séculos XI e XII d.C., as cruzadas medievais foram promovidas pelas potências cristãs europeias, para combater o domínio muçulmano na Terra Santa. A respeito desse importante episódio histórico, assinale o que for correto. 01) Mercadores emergentes aproveitaram as Cruzadas para ampliar seus negócios, abrindo novos mercados e au- mentando seus lucros. 02) O Concílio de Clermont marcou um dos primeiros mo- mentos em que a Igreja Católica pediu que seus fiéis se levantassem contra os muçulmanos infiéis. 04) Ao longo de cerca de dois séculos, oito expedições partiram da Europa. Todas chegaram até Jerusalém e foram vencidas pelos católicos. 08) Apesar de conclamar todos os fiéis para apoiar a luta contra os muçulmanos, os batalhões católicos que se dirigiram para Jerusalém eram formados apenas por pessoas originárias da nobreza europeia. 17.18. (UEPG – PR) – As Cruzadas foram expedições militares promovidas sob o comando da Igreja Católica. Motivadas por fins religiosos e econômicos que ocorreram entre os séculos XI e XIII, tinham como justificativa a tomada de Jerusalém, então sob o domínio dos turcos seldjúcidas. A respeito desse tema, assinale o que for correto. 01) Ao final das Cruzadas, a Igreja Católica manteve sua unidade. A Igreja Católica Ortodoxa, fundada no Orien- te, correspondeu ao avanço unificado do cristianismo para além do território europeu. 02) O intenso comércio gerado pela movimentação das tropas europeias em direção ao Oriente fez com que produtos restritos a Europa chegassem a Ásia. A noz-moscada, a pi- menta-do-reino e a canela são algumas das especiarias eu- ropeias que se disseminaram pelo mundo a partir de então. 04) Não se pode afirmar que a Igreja era a única instituição interessada no avanço para o Oriente. A nobreza feudal e os comerciantes (especialmente mediterrâneos) também possuíam razões para apoiar e participar das Cruzadas. 08) O fortalecimento do poder real, a expansão do merca- do e o enfraquecimento da aristocracia feudal foram algumas das consequências geradas pelas Cruzadas. 16) Templários era a denominação dada pelos cristãos aos turcos durante as Cruzadas. Por sua vez, estes chama- vam os católicos de infiéis. Desafio 17.19. (FGV – SP) – Aproveitando-se do reforço populacio- nal e espiritual, os reinos cristãos acentuaram sua ofensiva contra os domínios muçulmanos. Em 1492, concluía-se a conquista da península, com a incorporação de Granada. A reconquista representou, para os ibéricos, uma primeira expansão feudal. Caracterizou-se pela incor- poração de novas terras, pelo crescimento demográfi- co, pelo desenvolvimento das cidades, das atividades mercantis e pela expansão cristã. No entanto, 1492 não se encerra em Granada. Meses depois, em outu- bro, Colombo daria continuidade à conquista mate- rial e espiritual. Do outro lado do Atlântico. (Flavio de Campos. Folha de S. Paulo, 17.10.2000. Adaptado) 8 Extensivo Terceirão A Reconquista Ibérica a) remonta aos meados do século IX, momento no qual os cristãos ibéricos, refugiados no norte da península, constituíram-se em pequenos reinos independentes e, a despeito das suas diferenças étnicas e das rivalidades, edificaram uma identidade cultural e política, porque objetivavam vencer militarmente os muçulmanos. b) contrapõe-se ao movimento das Cruzadas porque a luta e as ofensivas contra o poder mulçumano não foram realizadas como uma conquista militar, mas por meio de lenta e progressiva incorporação de novas terras, obtidas com as relações de vassalagem, em especial a partir do século XII. c) significou uma recomposição das forças cristãs ocidentais e parte das orientais, a partir do início do século XIV, unificadas pelo Concílio de Trento, que estabeleceu uma nova mística em torno da figura de Jesus Cristo, que passou a ser tratado como tendo essência divina e não humana. d) constitui-se em um processo que tem as suas origens localizadas após a formação das nações ibéricas, Portugal e Espanha, em fins do século XIV, porque a expulsão dos invasores mouros dependia de uma enorme ação militar que apenas Estados unificados podiam organizar e arcar com os custos. e) dependeu menos da ação das forças cristãs ibéricas e muito mais da progressiva fragilização dos domínios mouros nessa região, condição do califado de Granada, no século XIII, que foi obrigado a mandar forças militares para conter uma série de invasões aos seus domínios no Norte da África. 17.20. (UNICAMP – SP) – “Guerreiros a pé e cavaleiros fizeram um caminho através dos cadáveres. Mas tudo isso ainda era pouca coisa. Fomos ao Templo de Salomão, onde os sarracenos tinham o costume de celebrar seus cultos. O que se passou nestes lugares? Se dissermos a verdade, ultrapassaremos o limite do que é possível crer. Será suficiente dizer que, no Templo e no pórtico de Salomão, cavalgava-se em sangue até os joelhos dos cavalei- ros e até o arreio dos cavalos. Justo e admirável julgamento de Deus, que quis que este lugar recebesse o sangue daqueles que blasfemaram contra Ele durante tanto tempo.” (Raymond d’Aguiller, Historia Francorum qui ceperunt Jerusalem. http://www.fordham.edu/halsall/source/raymond-cde.asp#jerusalem2. Acessado em 01/10/2014.) O texto acima se refere à Primeira Cruzada (1096-1099). Responda às questões abaixo. a) Identifique um motivo econômico e um motivo políticopara o movimento das Cruzadas. b) Que grupo social liderou esse movimento e como o cronista citado identifica o apoio de Deus ao empreendimento cru- zadístico? Gabarito 17.01. c 17.02. c 17.03. d 17.04. b 17.05. e 17.06. b 17.07. b 17.08. e 17.09. b 17.10. b 17.11. d 17.12. d 17.13. a 17.14. 15 (01+02+04+ 08) 17.15. 18 (02 + 16) 17.16. 01 17.17. 03 (01 + 02) 17.18. 12 (04 + 08) 17.19. a 17.20. a) Em termos econômicos, é possível identificar, como motivos para as Cruzadas, a busca por terras e pela ampliação das atividades comerciais. No âmbito político, impulsionavam o movimento cruzadista a tentativa de união da cristandade em torno da Igreja Católica Romana bem como o desejo de ampliar os domínios da Igreja Católica no Oriente. b) O movimento cruzadista foi liderado pela nobreza. O cronista identifica o apoio divino aos cruzados ao apon- tar que Deus quis que o sangue dos infiéis, que “blasfemaram contra Ele durante tanto tempo”, fosse derra- mado. 9História 5A Renascimento comercial e urbano Aula 18 5A História Revolução agrícola Em torno do ano 1000, a produção ocidental era baixíssima. A fome era uma ameaça concreta. Essa situação mudaria com a chamada Revolução Agrícola, que consistiu numa série de inovações que contribuíram decisivamente para o aumento da produtividade no de- correr do século XI. A invenção da coalheira (arreio em forma de coleira, que não sufocava os cavalos), a adoção da ferradura, para proteger os cascos dos cavalos, e a utilização dos arados de ferro, que sulcavam a terra mais profundamente, foram inovações importantes. O clima também ajudou, pois entre 1000 e 1300 o clima europeu foi mais quente e seco. A ruralização da classe dominante fez com que os servos fossem mais exigidos e produzissem mais. Houve ainda a invenção do moinho d’água e do moinho de vento, a secagem de pântanos, os arroteamentos, ou seja, a ampliação das áreas de cultivo, bem como a rota- ção trienal (divide-se a terra em três partes – folhas – e a cada três anos deixa-se uma parte em pousio). Ano 1 300 1 200 1 150 1 050 45 50 60 75 Milhões de pessoas Aumento da população europeia Renascimento do comércio O aumento populacional, a redução dos conflitos armados, os aperfeiçoamentos nos transportes e nas comunicações e o uso de novas técnicas de cultivo per- mitiram a liberação de mão de obra para as atividades artesanais e comerciais. Ser comerciante na Idade Média era exercer uma profissão perigosa e difícil: os caminhos estavam recheados de salteadores e os conhe- cimentos náuticos e geográficos eram precários. Apesar das adversidades, todavia, o comércio conheceu, do século XI ao XIII, um surto espetacular. A vida mercantil penetrou bastante em todo o mundo ocidental aumen- tando o uso da moeda, favorecendo novas atividades industriais e firmando novas mentalidades. Mediterrâneo As cidades italianas controlavam o tráfico de pro- dutos orientais. Desde o século X, Veneza, uma república aristo- crática, tinha se tornado a primeira potência marítima do Mediterrâneo, graças à sua posição estratégica entre o Oriente e o Ocidente. O governante da cidade era o Doge, auxiliado pela aristocracia mercantil. Os venezianos tinham muitas festas populares. Uma das mais conhecidas era o casamento do Doge com o mar, cerimônia na qual o Doge jogava duas alianças ao mar, simbolizando o casamento da cidade com o mar. A expansão veneziana se consolidou durante a Quar- ta Cruzada, quando foi estabelecido o Império Latino de Constantinopla. Gênova possuía a segunda força marítima do Medi- terrâneo. Em 1261, os genoveses ajudaram os bizantinos a expulsar os venezianos de Constantinopla. Em troca, recebe- ram importantes pontos de apoio no litoral do mar Negro, na Crimeia e até nas regiões distantes do mar de Azov. Rotas marítimas As invasões normandas provocaram importantes transações, da Mancha ao Báltico. Os normandos do- minaram as vias comerciais russas e atingiram o mundo muçulmano. A circulação de mercadoria entre o Ocidente e o Oriente se fazia por Bizâncio, pois a passagem pelo Mediterrâneo era controlada pelos árabes. Existia um intenso comércio entre normandos e muçulmanos. A rota do mar do Norte e do mar Báltico tornou-se uma das mais ativas do comércio internacional, pois completava o circuito que ligava o Oriente Médio às cidades italianas e a Flandres. Flandres foi um grande centro comercial euro peu durante a Idade Média. Nessa região, existia uma desenvolvida indústria de tecidos. 10 Extensivo Terceirão No norte da Europa, o controle do comércio estava nas mãos da Grande Hansa (liga de comerciantes) germânica. Rotas comerciais Lu ci an o D an ie l T ul io Rotas terrestres A rota terrestre mais fre quentada pelos merca- dores era a que ligava o norte da Itália a Flandres. O conjunto de vias que ligava o norte da Itália a Flandres era chamado de rota de Champagne. Evi dentemente existiam as rotas secundárias, como a do Reno, dos Pireneus e da Bretanha. Depois do século XI, as feiras impulsionaram grande- mente as trocas realizadas na Europa. Essa atividade comercial surgiu nas cidades, porém o local preferido das feiras internacionais era o nó de trânsito, cruzamento de rotas, onde a afluência de co merciantes era muito grande. As feiras eram protegidas pelos senhores feudais ou pelos reis, pois esses lucravam com elas, cobran do impostos dos comerciantes. Em troca, davam salvos- -condutos e proteção aos comerciantes. A sedentarização do comércio, o desenvol vimento da indústria têxtil italiana, a ascensão econômica de Gênova – que provocou a falência de casas comerciais que operavam na região das grandes feiras da Cham- pagne – são as razões apontadas para explicar a crise das feiras no final do século XIII. Economia monetária O desenvolvimento do comércio propiciou o retorno do uso (em larga escala) da moeda. No século XI, o direito de cunhagem era privilégio dos certos senhores feudais. Devido às necessidades dos mercados, sur gem peças fortes e pesadas: os matapans de prata, de Ve- neza (1192); os sous, da França; os florins, de Florença, ducados, de Veneza, etc. Um sério obstáculo à acumulação de capital era a condenação da usura. Mas, afinal, o que era usura? Usura era tudo aquilo pedido em troca de um em- préstimo, além do próprio bem emprestado. Diante das necessidades prementes de um novo tipo de econo mia, a Igreja procurou suavizar as proibições mais radicais e até fez vistas grossas em muitos casos. Ricardo de Midletown, em sua obra Questões dispu- tadas foi condescendente com a usura. Para alguns autores, a po sição da Igreja em relação aos empréstimos a juros retardou o desenvolvimento do capitalis mo. Para outros, ao impedir os empréstimos a juros, a Igreja forçava os que detinham capi tais a investi- rem em atividades produtivas. Aula 18 11História 5A Já o justo preço era o preço de um produto que de- via ser correspondente ao seu custo efetivo acrescido de uma pequena soma, relativa às necessidades mínimas de sobrevivência do produtor. É interessante destacar que os judeus, que não eram cristãos, emprestavam dinhei ro a juros. Muitos tornaram-se banqueiros. Cidades medievais Além dos feudos com seus castelos, existiam tam- bém as ci dades, ou burgos, habitadas pelos chamados burgueses, que vão originar uma importante classe social. Além das antigas cidades, como Roma, novas foram apa recendo, por causas diversas, como, por exemplo, agrupamento de pequenos núcleos visando à proteção. M ün ch en er D ig ita lis ie ru ng sZ en tr um D ig ita le B ib lio th ek Cercadas de altas muralhas, as cidades medievais apresen tavam péssimas condições de higiene, pois não possuíam esgo tos, e o lixo era atirado às ruas, causas de frequentes epidemias (como, por exemplo, a Peste Negra). As cidades, de acordo com as regiões onde se situa- vam, re cebiam diversas denominações: Comunas, na França; República,na Itália; Conselhos, na Espa nha. Entre os séculos XI e XIII, as cidades procuraram se emanci par dos senhores feudais. Esse movimento ficou conhecido pelo nome de Movimento Comunal. As cida- des que obtinham suces so procuravam assegurar suas conquistas por meio das Cartas de Franquia. Confrarias Os artesãos se reuniam em corporações de ofício, e os comerciantes, em guildas. As guildas surgiram a partir do século XI, nas cidades da Europa Se tentrional. Garantiam a seus associados o livre comércio dentro da cidade e a isenção de tributos. As associações que se processaram entre as cidades eram chamadas de Hansas ou Ligas. Ficou famosa a Liga Hanseática ou Hansa Teutônica, reunindo noventa cidades alemãs sob a liderança de Lubeck. As corporações de ofício reuniam os artesãos e ti- nham as seguintes funções: mantinham o monopólio em suas localidades, estabeleciam a qualidade e quantidade das produções e o regulamento dos preços, amparavam viúvas e órfãos de seus associados, pagavam pensões aos inválidos que pertenciam à corporação, bem como prote- giam seus asso ciados contra eventuais abusos do poder. Na oficina, o mestre-artesão era o dono da matéria- -prima e das fer ramentas. Era ele que ficava com o lucro. Os oficiais ou companheiros recebiam um salário pelo seu trabalho, enquanto os aprendizes ficavam subordi- nados diretamente ao mestre, aprendendo a profissão. Testes Assimilação 18.01. Sobre as associações de importantes grupos sociais da Idade Média, um historiador escreveu: “Eram cartéis que tinham por objetivo a eliminação da concorrência no interior da cidade e a manutenção do monopólio de uma minoria de mestres no mercado urbano.” Jacques Le Goff, A CIVILIZAÇÃO DO OCIDENTE MEDIEVAL. O texto caracteriza de maneira típica a) as universidades medievais. c) as corporações de ofício. e) as seitas heréticas. b) a atuação das ordens mendicantes. d) o domínio dos senhores feudais. 12 Extensivo Terceirão 18.02. (UNESP – SP) – A fim de satisfazer as necessidades do castelo, os comerciantes começaram a afluir à frente da sua porta, perto da ponte: mercadores, comerciantes de artigos caros e, depois, donos de cabaré e hoteleiros que alimentavam e hospedavam todos aqueles que negocia- vam com o príncipe (...) Foram construídas assim casas e instalaram-se albergues onde eram alojados os que não eram hóspedes do castelo (...) As habitações multiplica- ram- se de tal sorte que foi logo criada uma grande cidade. (Jean Long, cronista do século XIV.) De acordo com o texto, o nascimento de algumas cidades da Europa resultou da: a) transformação do negociante sedentário em comerciante ambulante. b) oposição dos senhores feudais à instituição do mercado no seu castelo. c) atração exercida pelos pregadores religiosos sobre a população camponesa. d) insegurança provocada pelas lutas entre nobres feudais sobre a atividade mercantil. e) fixação crescente de uma população ligada às atividades mercantis. 18.03. (UEL – PR) – No contexto da Baixa Idade Média, relacionam-se com o movimento das Cruzadas, a) o fortalecimento do império Bizantino, a tomada de Constantinopla e o desprestígio dos senhores feudais. b) a hegemonia muçulmana sobre os reinos europeus, o desenvolvimento da indústria têxtil na Itália e a escravidão branca na Turquia. c) o enriquecimento cultural das sociedades mediterrânicas, a reabertura do comércio com o Oriente e o fortalecimen- to da vida urbana. d) a epidemia da peste negra nos países do Mediterrâneo, o estímulo a uma economia baseada na troca simples e a construção de estradas transcontinentais. e) o comprometimento do prestígio da Igreja católica, a unificação do Estado alemão e a intensificação do antissemitismo na Europa. 18.04. Os últimos anos do século X foram marcados, na Europa Ocidental, pela diminuição das invasões bárbaras e pela queda da mortandade por epidemias. Tais fatos geraram estabilidade e crescimento demográfico. A partir do século XI, o continente experimentaria profundas transformações que levariam ao que se conhece como Renascimento Comercial. Com relação ao acima exposto, é correto afirmar que a) o Iluminismo gerou uma mentalidade de busca pela prosperidade material, o que levou ao incremento de práticas comerciais. b) o restabelecimento de rotas comerciais com a Oceania favoreceu o estabelecimento de novas empresas de comércio na Europa. c) os avanços tecnológicos elevaram a quantidade da produção agrícola e o excedente passou a ser vendido. d) as Cruzadas impediram a circulação de mercadorias entre o Ocidente e o Oriente. e) a intensificação do comércio provocou o enfraquecimento de feiras regulares nos cruzamentos das rotas comerciais. Aperfeiçoamento 18.05. (PUC – RS) – A respeito do Renascimento Comercial e Urbano na Europa dos séculos XII e XIII, considere as afir- mações a seguir. I. As cidades situavam-se no cruzamento de rotas comer- ciais ou à beira de rios, eram cercadas por muralhas, e o crescimento populacional provocava a ocupação de terrenos extramuros. II. O processo de expansão urbana estava ligado ao cresci- mento da produção agrícola e ao fortalecimento de rotas comerciais terrestres entre as cidades portuárias italianas, as feiras francesas e as cidades da região de Flandres. III. “O ar das cidades torna os homens livres” era um ditado do período, referindo-se ao costume de considerar livre o servo que trabalhasse por determinado período de tempo no burgo. IV. A autonomia administrativa e jurídica das cidades era conquistada através do pagamento de franquias aos senhores feudais ou da compra de cartas de privilégios. Estão corretas as afirmativas a) I e II, apenas. b) III e IV, apenas. c) I, II e III apenas. d) I, II, III e IV. 18.06. (UEL – PR) – Durante os séculos XI a XIII verifi- cou-se nas atividades agrícolas e artesanais da Europa Centro-Ocidental um conjunto de transformações (...) que repercutiram no crescimento das trocas mercantis. Situa-se aí historicamente o chamado renascimento urbano medieval.” RODRIGUES, A. E.; FALCON, F. “A formação do mundo moderno”. 2. ed. Rio de Janeiro: Elesevier, 2006, p. 9. Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, é correto afirmar que tais mudanças econômicas: a) Caracterizaram-se pelo desenvolvimento das técnicas de produção e amplo emprego de recursos energéticos, tais como carvão e petróleo. b) Implicaram o capitalismo mercantil incrementado pelo amplo comércio atlântico, fomentado por negociantes italianos e príncipes alemães. c) Aumentaram a produção no campo e na cidade e fo- mentaram a circulação de bens e moedas, viabilizados por novos instrumentos de crédito a governantes e comerciantes. d) Privatizaram as terras e introduziram um modelo de pro- dução fabril, promovido pelo governo britânico. e) Reforçaram o predomínio político e comercial dos senho- res feudais sobre os governos citadinos. Aula 18 13História 5A 18.07. (PUC – RS) – Considerando o Renascimento Comercial e Urbano da Europa nos séculos XII e XIII, analise as sentenças abaixo e preencha os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso). ( ) A Itália, Flandres e a região da Champagne eram os principais eixos econômicos da Europa Ocidental no período. ( ) Os habitantes das cidades que se dedicavam ao comér- cio constituíram uma nova classe social – a burguesia. ( ) A economia urbana começava a se libertar do domínio das corporações de ofício e a estabelecer o livre comér- cio, provocando o fim dos privilégios da nobreza e dos monopólios comerciais reais. ( ) As condições de higiene das cidades medievais melho- raram com a implantação do urbanismo e de serviços de esgoto e água encanada, dificultando a dissemina- ção de epidemias. ( ) As principais cidades comerciais queriam mostrar sua riqueza e importância através da construção de gran- des catedrais góticas, o que se tornou possível pela adoção de novas técnicas de construção. O correto preenchimentodos parênteses, de cima para baixo, é a) V – F – V – F – F b) V – F – F – V – V c) V – V – F – F – V d) F – V – F – V – F e) F – V – V – V – F 18.08. (PUCCAMP – SP) – O processo de crescimento da população urbana não ocorreu apenas no Brasil contempo- râneo. Na Europa Ocidental, o renascimento urbano ocorrido na Baixa Idade Média estava relacionado, entre outros fatores, a) ao dinamismo das relações de troca e da produção artesanal advindas do renascimento comercial a partir do século XI. b) ao surgimento dos burgos, que eram fortalezas construí- das pelos senhores feudais para proteger sua família das grandes epidemias no século XII. c) à intensa atividade comercial que existia entre senhores feudais e seus vassalos no auge do desenvolvimento da sociedade feudal. d) ao intenso processo de produção artesanal realizada pelos povos mulçumanos e judeus em quase toda a Europa Ocidental. e) ao papel desempenhado pelas corporações de ofício que, ao estabelecerem livremente o lucro obtido nas manufa- turas, desvincularam-se das normas impostas pela Igreja. 18.09. (PUC – RS) – Por trás do ressurgimento da indústria e do comércio, que se verificou entre os séculos XI e XIII, achava-se um fato de importância econômica fundamen- tal: a imensa ampliação das terras aráveis por toda a Euro- pa e a aplicação de métodos mais adequados de cultivo. (LEWIS, Munford, A Cidade na História. Ed. Itatiaia Limitada, Belo Horizonte, 1965, vol I, p. 336). Com base no texto, é correto afirmar que a) a Alta Idade Média caracterizou-se pela reorganização espacial das áreas rurais, aumentando significativamente a produção de grãos para abastecer a emergente popu- lação urbana. b) o contexto descrito foi também decorrência da aber- tura dos portos europeus no mar Mediterrâneo, que ampliou o comércio e favoreceu a criação de novos núcleos urbanos. c) as condições climáticas mais severas na porção oeste do continente europeu contribuíram, nesse período, para a introdução de um sistema de uso intensivo do solo. d) a presença de uma atividade industrial organizada, associada à queda da produção de têxteis e ao desen- volvimento comercial, favoreceu a redução das áreas de florestas na região. 18.10. A Baixa Idade Média motivou uma série de mudanças sociais e culturais com o revigoramento do comércio e das cidades, entre os séculos XI e XIII, na Europa. Nas alternativas abaixo, assinale aquela que se relaciona com o surgimento da burguesia. a) Os avanços tecnológicos adotados na agricultura não foram suficientes para ampliar o comércio de alimentos, incentivando a produção e comercialização de bens manufaturados. b) A intensificação das invasões bárbaras motivou o surgimento de cidades fortificadas onde a prática comercial era intensa. c) A Peste Negra, por ser mais facilmente combatida nas cidades, onde havia melhores condições de higiene, fez com que as cidades multiplicassem suas populações e ampliassem as trocas comerciais. d) O crescimento do comércio com o Oriente e o surgimento de feiras nas principais rotas comerciais da Europa favo- receram o estabelecimento de uma nova classe social de mercadores e artesãos, assim como o surgimento de várias cidades no interior europeu. e) O advento da Guerra Santa desmotivou as práticas comer- ciais entre os artesãos e os organizadores das Cruzadas, em função de sérias ameaças às rotas comerciais no Oriente, limitando o comércio ao continente europeu. Aprofundamento 18.11. (UFU – MG) – Os especialistas em demografia histórica são mais ou menos concordes em estimar que a população global do reino da França no mínimo duplicou entre os anos mil e 1328, passando de cerca de 6 milhões de habitantes para 13,5 milhões, e de 16 a 17 milhões, considerando as regiões que desde então se tornaram francesas. LE GOFF, Jacques. O apogeu da cidade medieval. Trad. Antônio Danesi, São Paulo: Martins Fontes, 1992, p. 4. (Adaptado). 14 Extensivo Terceirão De acordo com a citação, pode-se afirmar que o principal fator que permitiu o crescimento da população europeia foi a) o controle da Peste Negra por meio da implantação de medidas de saneamento das grandes cidades europeias. b) o fim dos conflitos entre os reinos, especialmente o da “Guerra dos Cem Anos”, entre França e Inglaterra. c) a relativa estabilidade política e econômica, que fomentou a expansão dos burgos e o aumento da produção agrícola nos campos. d) o incremento da agricultura, que impulsionou o sistema de trocas de mercadorias promovendo a prosperidade nos feudos. 18.12. (UFRGS) – Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo, sobre o período da chamada Idade Média. ( ) A prática da vassalagem foi incorporada pelo império carolíngio e definiu uma das características principais do feudalismo. ( ) Os servos, de origem camponesa, eram submetidos aos vilões, indivíduos residentes nas cidades, para quem era devido o tributo conhecido como corveia. ( ) O chamado “movimento das cruzadas” articulou inte- resses religiosos da Igreja com motivações econômicas da nobreza feudal, na busca de riquezas e conquistas de territórios. ( ) O desenvolvimento dos núcleos urbanos e das práti- cas comerciais acarretou transformações nas formas da educação, com o aparecimento das primeiras univer- sidades voltadas para a formação de profissionais em áreas como medicina e direito. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é a) V – V – F – F. b) V – F – V – V. c) V – F – V – F. d) F – F – V – V. e) F – V – F – V. 18.13. (FAMERP –SP) – O Ocidente havia conhecido somen- te três modos de acesso ao poder: o nascimento, o mais importante, a riqueza, muito secundário até o século XIII salvo na Roma Antiga, o sorteio, de alcance limitado entre os cidadãos das cidades gregas da Antiguidade. (Jacques Le Goff. Os intelectuais na Idade Média, 1985. Adaptado.) O excerto sustenta que o acesso ao poder por meio da riqueza era secundário na Europa Ocidental até o século XIII, quando a) as monarquias nacionais sobrepuseram-se aos direitos da nobreza senhorial sobre os seus feudos. b) o esfacelamento do poder imperial romano transferiu as funções de defesa militar para os burgueses das cidades. c) os reis absolutistas constituíram seus exércitos com recursos de impostos arrecadados de banqueiros e co- merciantes. d) as atividades comerciais e artesanais produziram novos grupos sociais no interior das cidades medievais. e) a fragmentação econômica do continente europeu foi substituída por um só padrão monetário. 18.14. (UPF – RS) – Sobre as cidades europeias da Idade Média, leia as afirmativas abaixo. I. Praticamente não havia cidades, pois o comércio feudal era frágil, sustentado por feiras esparsas. II. Desapareceram depois das invasões bárbaras, restando pequenas cidades no sul da França. III. Muitas cidades medievais tiveram seu crescimento rela- cionado com as grandes feiras. IV. Algumas cidades italianas, como Veneza, eram importan- tes comercialmente. V. As cidades cresceram com o planejamento do poder público e o grande incentivo da Igreja Católica. Estão corretas apenas: a) II e V b) III e IV c) I e V d) I e IV e) II, III e IV 18.15. (UFSCAR – SP) – Um dos temas que se foi tor- nando cada vez mais popular em finais do século XII numa literatura criada para as reuniões cavaleirescas é a do vilão esperto, o homem de origem rústica que subiu alguns degraus da escala social e tomou o lugar de homens de bem, nascidos no exercício da autori- dade senhorial, mediante dinheiro e, ao imitar as suas maneiras, conseguia apenas tornar-se ridículo e odiado por todos. O que era chocante no novo-rico era o fato de ele não ser generoso, nem altruísta, nem estar cheio de dívidas, como o nobre. Georges Duby, “Guerreiros e camponeses”. O contexto histórico que explica os valores presentes na literatura da época aponta para o fato de que: a) na medida em que a economiamonetária se expandia, por se sentirem ameaçados, os nobres condenavam mais asperamente a motivação do lucro e a ânsia de riqueza pessoal. b) as narrativas orais eram o meio das classes populares ma- nifestarem seu repúdio aos comportamentos desviantes da nobreza, que ascendia com a manufatura. c) a ordem social organizava-se em função de novos valores, incentivados e difundidos pela nobreza, como o indivi- dualismo, o luxo, a riqueza e os juros. d) as ideias reforçavam o papel social dos homens rústicos, sem ameaçar o poder da nobreza sobre as terras ou seus privilégios econômicos. e) a economia doméstica da nobreza permanecia forte o bastante para dela serem extraídos recursos monetários para reprimir o poder dos mercadores. 18.16. (FUVEST – SP) – A prosperidade das cidades medie- vais (séculos XII a XIV), com seus mercadores e artesãos, suas universidades e catedrais, foi possível graças: a) à diminuição do poder político dos senhores feudais sobre as comunidades camponesas que passaram a ser protegidas pela Igreja. b) à união que se estabeleceu entre o feudalismo, que dominava a vida rural, e o capitalismo, que dominava a vida urbana. Aula 18 15História 5A c) à subordinação econômica, com relação aos camponeses, e política, com relação aos senhores feudais. d) ao aumento da produção agrícola feudal, decorrente tanto da incorporação de novas terras quanto de novas técnicas. e) à existência de um poder centralizado que obrigava o campo a abastecer prioritariamente os setores urbanos. 18.17. (UEM – PR) – “[...] Com a continuação, para satisfa- zer as faltas e necessidades dos da fortaleza, começaram a afluir diante da porta, junto da saída do castelo, nego- ciantes, ou seja, mercadores de artigos custosos, em se- guida taberneiros, depois hospedeiros para a alimentação e albergue dos que mantinham negócios com o senhor, muitas vezes presente, e dos que construíam casas e preparavam albergarias para as pessoas que não eram admitidas no interior da praça. O seu dito era: ‘vamos a ponte’. Os habitantes de tal maneira se agarraram ao local que em breve aí nasceu uma cidade importante que ainda hoje conserva o seu nome vulgar de ponte, porque brugghe significa ponte em linguagem vulgar [...]” (PEDRERO-SÁNCHEZ, Maria Guadalupe. O aparecimento de um burgo novo: Bruges, Sec. XIII. In: História da Idade Média: textos e testemunhos. São Paulo: Edito- ra Unesp, 2000, p. 149-150). Tomando como referência o fragmento acima e os conhe- cimentos sobre a formação das cidades na Idade Média, assinale o que for correto. 01) A carta de Franquia (Foral) subscrita pelo rei foi uma das formas de os mercadores alcançarem as isenções fiscais nas cidades medievais. 02) Diferentemente das cidades da Antiguidade clássica, as cidades da Idade Média eram construídas de forma pla- nejada e voltada para satisfazer o bem comum. 04) Entre outros fatores, em algumas regiões da Europa Ocidental, o ressurgimento do comércio urbano na Idade Média foi responsável pelo desmoronamento das relações servis. 08) Na constituição das cidades medievais, surgiram confli- tos entre os interesses dos mercadores e os interesses dos senhores feudais. 16) Devido à ausência de moeda e às transações econômi- cas serem realizadas pela troca de produtos, as cidades medievais não contribuíram para a formação das cida- des modernas. 18.18. (UEM – PR) – O surgimento das cidades comerciais no final da Idade Média foi muito importante para enfraquecer o Feudalismo e criar condições para o desenvolvimento da Sociedade Moderna. A respeito desse assunto, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 01) A burguesia mercantil ocupava um lugar de destaque nessas cidades, participando da administração política e usufruindo de maior grau de liberdade do que a po- pulação rural. 02) As corporações eram importantes instituições dessas cidades, funcionando como instrumento de proteção e apoio político-econômico aos comerciantes, aos ar- tesãos e aos proprietários de manufaturas. 04) Era nessas cidades que os servos que fugiam da servi- dão feudal encontravam apoio e outra atividade pro- fissional alternativa à exploração imposta pelos barões feudais; assim surgiram o artesanato e o comércio ur- bano nos burgos. 08) Essas cidades contribuíram para a modernização e a ex- pansão da agricultura na medida em que funcionavam como um mercado consumidor de produtos agrícolas em contínuo crescimento. 16) Os principais aliados dessas cidades comerciais eram os senhores feudais, que isentavam completamente os comerciantes do pagamento de impostos, de taxas e de pedágios. Desafio 18.19. (FGV – SP) – Perante esta sociedade, a burguesia está longe de assumir uma atitude revolucionária. Não protesta nem contra a autoridade dos príncipes territoriais, nem contra os privilégios da nobreza, nem, principalmente, contra a Igreja. (...) A única coisa de que trata é a conquista do seu lugar. As suas reivindi- cações não excedem os limites das necessidades mais indispensáveis. Henri Pirenne. História econômica e social da Idade Média, 1978. Segundo o texto, é correto afirmar que a) a burguesia, nascida da própria sociedade medieval, nela não tem lugar; para conquistá-lo, suas reivindicações são a liberdade de ir e vir, elaborar contratos, dispor de seus bens, fazer comércio, liberdade administrativa das cidades, ou seja, não tem o objetivo de destruir a nobreza e o clero. b) os burgueses, enriquecidos pelo comércio, reivindicam privilégios semelhantes aos da nobreza e do clero na sociedade moderna; acentuadamente revolucionários, os seus interesses significam título, terras e servos para garantirem um lugar compatível com sua riqueza. c) o território da burguesia é o solo urbano, a cidade como sinônimo de liberdade, protegida da exploração da nobreza e do clero; para isso, cria o direito urbano, isto é, leis para o comércio, a justiça e a administração que, de forma revolucionária, asseguram-lhe um lugar na sociedade moderna. d) a sociedade medieval tem um lugar específico para os burgueses, pois as liberdades, as leis, a justiça e a admi- nistração estão em suas mãos; tal situação tem o objetivo de brecar o poder político e econômico dos nobres e da Igreja, fortalecidos pela expansão da servidão e pelo declínio do comércio. e) com exigências revolucionárias, como liberdade comer- cial, jurídica e territorial, a burguesia, cada vez mais rica, visa destruir a sociedade medieval; esta, por sua vez, barra a ascensão econômica e política da burguesia, ao fortalecer a servidão no campo e impedir as transações comerciais na cidade. 16 Extensivo Terceirão 18.20. (UFG – GO) – O usurário, que adquirir lucro sem nenhum trabalho e até dormindo, vai contra a palavra de Deus que diz “Comerás teu pão com o suor de teu rosto”. Assim, o usurário não vende ao devedor nada que lhe pertença, apenas o tempo, que pertence a Deus. Disso não pode tirar qualquer proveito. CHOBHAM, Thomas de, apud LE GOFF, J. “A bolsa e a vida”. São Paulo: Brasiliense, 1989. p. 39. [Adaptado]. O texto acima apresenta o posicionamento da Igreja Católica diante da crescente atividade dos usurários, nas cidades comer- ciais europeias (século XIII). Relacione usura, tempo e trabalho no discurso eclesiástico. Gabarito 18.01. c 18.02. e 18.03. c 18.04. c 18.05. d 18.06. c 18.07. c 18.08. a 18.09. b 18.10. d 18.11. c 18.12. b 18.13. d 18.14. b 18.15. a 18.16. d 18.17. 13 (01 + 04 + 08) 18.18. 15 (01+02+04+08) 18.19. a 18.20. A Igreja condena a usura ou empréstimo a juros com dois argumentos: o tempo é divino, não pode ser comercializado nesse tipo de transação. Antagonismo entre trabalho e usura, com a valoriza- ção positiva do primeiro. O lucro deve advir do trabalho, conforme a citação bíblica do documento, e não da venda do tempo divino. 17História 5A A crise do século XIV Aula 19 5A O modo de produção feudal que se consolidou no século X teve seu apogeu entre os séculos XI e XIII. A situaçãose alterou nos sécu los seguintes. Daí os séculos XIV e XV terem ficado conhecidos como o “outono” da Idade Média. As causas da crise eram várias. Eis, resumidamente, algumas delas: • agravavam-se as contradições entre a cidade e o campo, em virtude, por um lado, da estagna ção do comércio e, por outro, da profunda crise da agricultura; • a estagnação comercial resulta va da insuficiência de mercados e da falta de metais preciosos; • a crise agrícola, por sua vez, era motivada pela insuficiência e pelo esgotamento das terras, pela deficiência das técnicas de cul tivo e pela lenta subs- tituição do trabalho servil pelo assalariado; • a superexploração feudal ocor reu porque os no- bres, em crise, reforçaram os seus laços de servi dão explorando de forma inten sa os camponeses; • como reação à superexploração feudal, explodiram sangrentas insurreições camponesas co nhecidas como “jacquerie” (ex pressão derivada de Jacques bon homme = Jacques, o sim ples, apelido depreciativo que os nobres davam aos campone ses). Ocorreram também revol tas urbanas: 1378 em Floren ça, revolta dos Ciompi; 1381, em Gand, e 1382, em Paris; • a grande fome que assolou a Europa de 1315 a 1317; • a epidemia de peste que se alastrou pelas cidades europeias em meados do século XIV, tendo seu ápice entre 1348 a 1350, provocando um alto índice de mortalidade (cerca de 20 a 25 milhões de vítimas). A grande fome A partir de 1300, tornam-se claros os registros de sérias e prolonga das fases de fome no Ocidente, tanto no campo como nas cidades. Domenico di Bartolo. Pilgrims Lane in Santa Maria della Scala Hospital (Siena). Hospital of Santa Maria della Scala, Siena. DETALHE. Os especialistas sugerem duas razões gerais: uma mudança climáti ca e uma saturação da economia. Acredita-se que, durante o século XIV, o clima europeu tornou-se mais frio e mais úmido. Porém, não devemos nos limitar ao determinismo geográfico para explicarmos a grande fome de 1315-1317, pois outros fatores também devem ser analisados. O aumento populacional foi maior que o aumento da produção agríco la, gerando um desequilíbrio entre produção e consumo. Além disso, é correto afirmar que o empobrecimento dos solos (devido ao uso constante) e o regime de produção feudal, considerado rudimentar, contribuíram decisivamente para acentuar este flagelo que atingiu a sociedade medieval. A peste negra Segundo os estudiosos, a peste existia em estado en- dêmico na Ásia Cen tral. Em 1347, os mongóis, por meio de catapultas, lançaram cadáveres empestados sobre o estabelecimento mercantil de Caffa, no mar Negro. Um navio, que partiu de Caffa, semeou a peste na Itália e daí ela se propa gou pela Europa. História 18 Extensivo Terceirão A doença atacava de três formas, propagadas pelo mesmo bacilo (Yersinia pestis). A mais conhecida era a peste bubônica devido aos tumores (bubões) que nasciam na virilha e sob as axilas. A peste pneu mônica atacava os pulmões e a septicêmica infectava a corrente san guínea. A conjugação de dois fatores transmitia a peste ao homem: um roe dor qualquer e a pulga (o vetor). O rato transportava a pulga, a qual ino culava no homem os bacilos pela picada. Foi o rato negro que contribuiu deci- sivamente para disseminar a peste na Europa. Na época, as pessoas buscavam explicações para o terrível mal. A maioria acreditava que era a punição de Deus aos pecados humanos. Alguns colocaram a culpa num cometa, outros no movimento dos plane tas e houve até aqueles que chacinaram judeus, pois acreditavam que estes tivessem envenenado a água. A peste era contagio- sa; daí que o isolamento e a fuga foram o melhor remédio. As cidades de Milão e Nuremberg (cujos governan- tes adotaram um rígido programa de saúde pública e remoção dos dejetos, limpeza das ruas, isolamento dos doentes, etc.) conseguiram diminuir o número de vítimas. Segundo Froissart, entre 1348-1351 “a terça parte do mundo” [entenda-se a Europa] morreu. Acre ditava-se que aproximadamente entre 20 a 25 milhões de pessoas pereceram. As consequências da peste foram várias. O de clínio da população fez com que a mão de obra se tornasse cara e escassa. Os preços da terra e dos produtos agrícolas caíram. Cultos místicos tornaram- se populares. Multiplicaram-se cortejos de flagelantes, peniten tes que faziam procissão com o dorso nu chicoteando o de seu predecessor. Na arte religiosa, a imagem da morte passou a ser o tema predileto da época. Com a peste, o clero, que se mostrava falível, perdeu impor tância. Ganhou ênfase a busca da salvação pessoal. Muitos, diante da iminência da morte, entregaram-se às devassidões, enquanto outros mergulhavam numa religiosidade profunda. W el lc om e Li br ar y, Lo nd on Obra de Bocaccio As rebeliões e as guerras Em função da grave crise econômica, era natural que a situação favorecesse a eclosão de revoltas, especialmente entre os camponeses. A servidão pas- sou a ser cada vez mais questionada, principalmente quando a nobreza feudal, em crise, tentava superar as dificuldades econômicas com o aumento da explora- ção sobre o trabalho servil. A opressão dos senhores feudais, os impostos cada vez mais pesados e a miséria do camponês foram fatores que, combinados, levaram a uma série de rebeliões camponesas, especialmente na França e na Inglaterra. Na Inglaterra, o movimento mais significativo foi a rebelião ocorrida em 1381, lide- rada pelo camponês Wat Tyler, que teve início com um pequeno protesto contra a cobrança de impostos, mas que tomou maior dimensão com a adesão de milhares de trabalhadores descontentes com a excessiva explo- ração dos senhores feudais. Castelos foram tomados pelos camponeses que queimaram documentos que registravam os tributos que deveriam ser pagos pelos servos. Na França, o movimento de contestação dos camponeses foi genericamente chamado de jacque- ries, denominação derivada da alcunha depreciativa (Jacques, o simples) utilizada pela nobreza francesa para se referir aos servos. O auge das rebeliões cam- ponesas em território francês ocorreu em meados do século XIV (1358). Saques às propriedades feudais, invasão de castelos e violência contra os senhores e seus familiares foram atos comuns entre os rebeldes franceses nas chamadas jacqueries. Em Florença ocorreu, em 1378, a insurreição dos Ciompi, nome que se dava aos jornaleiros diaristas que trabalhavam nas manufaturas têxteis. Os Ciompi chegaram a tomar a senhoria, ou seja, a sede do go- verno florentino. Os empresários fecharam seus esta- belecimentos, gerando desemprego e fome. Os Ciompi tentaram re agir, mas a sublevação foi esmagada. Guerra dos Cem Anos Durante um longo período, que se estendeu por 116 anos (1337-1453), França e Inglaterra, dois dos mais poderosos reinos da Europa Medieval, disputaram a pro- priedade de regiões economicamente importantes que lhes interessavam. Essa rivalidade originou um conflito denominado Guerra dos Cem Anos, confronto que, jun- tamente com a fome e a peste, completou o quadro de crise do século XIV. Diversas razões explicam a rivalidade entre ingleses e franceses, mas o ponto principal de discórdia e causa imediata da guerra foi a disputa pela região de Flandres. Essa região era economicamente importante e atraía interesses de ambos, em virtude do seu próspero comércio e da sua indústria têxtil. Aula 19 19História 5A Os comerciantes flamengos (moradores de Flandres) eram grandes consumidores de lãs inglesas, por isso Flandres e Inglaterra estabeleceram uma aliança comer- cial, não aceita pelos franceses, também interessados na região. Flandres estava vinculada economicamente à Inglaterra, mas, politicamente, pertencia ao Reino da França, que não admitia a interferência inglesa na região. Movidos, portanto, por ambições territoriais e questões dinásticas (problemas de sucessão imperial), os exércitos de França e Inglaterra provocaram um conflito feudal que se estendeu pormais de um século. No início dos confrontos, a guerra foi amplamente favorável ao exército inglês graças à sua superioridade militar, mas na fase final desse longo conflito, os franceses conseguiram reconquistar quase a totalidade dos territó- rios ocupados pelos ingleses durante a guerra. Somente a cidade de Calais permaneceu sob o controle da Inglaterra após 1453. Nesse contexto de recuperação francesa, ao final da guerra, merece destaque a importante participa- ção de uma jovem camponesa que muito contribuiu para despertar o sentimento nacionalista entre os franceses: Joana d’Arc. A visionária camponesa Joana d’Arc revelou ao imperador Carlos VII seu desejo de lutar pela libertação de seu país, pois, segundo suas visões místicas, essa seria sua “missão”. Atendendo à “vontade divina”, Carlos VII autorizou a simples camponesa a comandar um exército de cerca de 5 000 homens em direção a Orleans. Lá, Joana d’Arc e seu exército conseguiram libertar a cidade do jugo inglês, rumando posteriormente para Reims, onde os franceses também alcançaram significativa vitória. No entanto, ela foi capturada e levada a Ruão, na Normandia, onde ficou presa e, posteriormente, foi julgada pelo Tribunal de Inquisição, sendo condenada à morte na fogueira, em 1431, quando tinha apenas 19 anos de idade. No final do século XIX, o martírio de Joana d’Arc foi resgatado historicamente pelos franceses, que consolidaram sua imagem como expressão do nacionalismo francês, além da heroína ter sido canonizada, a pedido do bispo de Orleans. Ta lit a Ka th y Bo ra © Fl ic kr /T he B rit ish L ib ra ry Batalha de Crécy – A primeira fase da guerra foi marcada por contun- dentes vitórias dos britânicos. Merecem destaque as célebres bata- lhas de Eclusa (1340), Crécy (1346) e Poitiers (1356). Joana D’Arc © iS to ck ph ot o. co m /D un ca n W al ke r 20 Extensivo Terceirão Testes Assimilação 19.01. No século XIV, a Europa Ocidental passou por diversas crises que levaram à transformação do Antigo Sistema Feu- dal. Dentre os eventos que marcaram essas crises, podemos destacar: a) As Cruzadas e o Renascimento Comercial b) Cisma da Igreja e as Invasões Vikings e Mouras c) As Grandes Navegações e Perseguições aos judeus d) A Guerra dos Cem Anos e a Peste Negra e) As revoltas camponesas e a expansão marítima europeia. 19.02. (UTFPR) – A Peste Negra, que dizimou grande parte da produção europeia no século XIV, provocando escassez de mão de obra e alimentos, e sendo uma das causas da decadência do feudalismo, pode ser descrita como: a) a peste bubônica, transmitida por ratos que carregavam pulgas infectadas. b) uma seca violenta que devastou as lavouras. c) nuvens de gafanhotos provenientes do norte da África. d) a cólera, trazida pelos cruzados quando retornavam da Terra Santa. e) fungos que surgiram pelo excesso de umidade, atacando as plantações de cereais. 19.03. (UFU – MG) – Observe a imagem. Pintura medieval de 1411. Disponível em: <http://brasilescola.uol.com. br/o-que-e/historia/o-que-foi-a-peste-negra.htm> Essa pintura retrata um dos fatores que contribuíram para a derrocada do sistema feudal na Europa Medieval. Sobre o contexto abordado, é correto afirmar que a rápida disseminação da peste negra decorreu em grande parte em função a) da circulação de mercadorias na Europa totalmente urbanizada. b) do reforço do sistema servil, que debilitou ainda mais os camponeses. c) da crença na ira divina, que dificultava a cura pela me- dicina. d) do baixo nível nutricional e das precárias condições sani- tárias dos indivíduos. 19.04. (UEL – PR) – “ ... o aumento demográfico, ocorrido do século XI ao XIV, permitiu uma multiplicação da nobreza cada vez mais parasitária. Seus hábitos de consumo tornaram-se mais exigentes e maiores, o que determinava uma necessi- dade de renda cada vez mais elevada. Segue-se, pois, uma superexploração do trabalho dos servos, exigindo-se destes um maior tempo de trabalho...” O texto descreve uma das causas, na Europa, da: a) formação do modo de produção asiático. b) consolidação do despotismo esclarecido. c) decadência do comércio que produziu a ruralização. d) crise que levou à desintegração do feudalismo. e) prosperidade que provocou o processo de industriali- zação. Aperfeiçoamento 19.05. (UPF – RS) – “Desde as últimas décadas do século XIII, assistia-se a uma perda da vitalidade que carac- terizara o Feudalismo... vinham ocorrendo profundas transformações, que se revelaram com toda a força a partir de princípios do século XIV. Esta crise foi glo- bal, com todas as estruturas feudais sendo fortemente atingidas.” (FRANCO JR, Hilário. O Feudalismo. São Paulo: Brasiliense, 1993, p. 78) Das alternativas a seguir, apenas uma não explica as razões fundamentais da crise apontada no texto. Qual? a) A exagerada exploração pelos nobres da mão de obra dos servos, exigindo destes cada vez mais um maior tempo de trabalho. b) O descobrimento de novas minas de ouro e prata em territórios poloneses, o que gerou uma violenta disputa entre várias nações pela sua exploração. c) As revoltas camponesas e urbanas decorrentes da miséria que passou a caracterizar a vida dessa parcela da população. d) O esgotamento das forças de produção acentuado pela crise demográfica, resultado da Peste Negra. e) A falência do modelo de produção baseado no campo e nas grandes áreas de terras controladas por senhores feudais. Aula 19 21História 5A 19.06. (UFPE) – A disseminação da Peste Negra na Europa, durante a Idade Média, provocando uma grande mortalida- de, contribuiu para: a) o aumento crescente das atividades manufatureiras, devido à concentração da população nas cidades; b) o êxodo de parte da população para o oriente, esvaziando as cidades mais importantes; c) o aumento das superstições e da religiosidade, devido ao desespero e ao medo da morte; d) o aumento relativo da população do campo, uma vez que ocorreu a morte de boa parte dos habitantes das cidades; e) o enfraquecimento do poderio militar europeu, que so- freu, na época, frequentes invasões dos povos bárbaros. 19.07. (PUC – PR) – A peste negra matou mais da metade da população europeia em meados do século XIV. Causada pela bactéria Yersinia pestis, a doença representou uma ameaça às áreas mais pobres e infestadas de ratos. A partir do contexto das adversidades vividas na Europa desse período, marque a alternativa correta: a) Esse período também é marcado pelo fortalecimento do poder e do prestígio do papado. O ideal medieval de uma comunidade cristã unificada e guiada pelo papa foi reforçado. b) Marca esse período a assinatura do Tratado de Verdun, que acabou com o reino construído por Carlos Magno. c) A peste negra influenciou, positivamente, o fortalecimen- to do poder dos senhores feudais e marcou o declínio das atividades comerciais. d) O pensamento escolástico de Santo Agostinho (1225 - 1274) predomina nesse contexto em detrimento da perspectiva cristã de São Tomás de Aquino (354 - 430). e) Pertence a esse período a série de conflitos conhecida como Guerra dos Cem Anos (1337 - 1453). Entre franceses e ingleses, essa guerra se iniciou no século XIV, perdu- rando até o século XV, e contribuiu para a formação dos Estados Nacionais inglês e francês. 19.08. No contexto de crise do feudalismo (século XIV) ocorreu um grande conflito entre duas regiões economi- camente importantes da Europa medieval. Este conflito foi denominado Guerra dos Cem Anos e consistiu na (o): a) guerra entre Flandres e Inglaterra pelo domínio da região de Champagne, grande centro comercial da Baixa Idade Média e que terminou com a vitória inglesa. b) guerra entre Flandres e Champagne pelo domínio das rotas comerciais do mar Báltico e que terminou com a vitória dos flamengos, graças à aliança e ao importante apoio militar fornecido pela Inglaterra. c) guerra entre França e Inglaterra pelo domínio da região de Flandres, importante centro comerciale que terminou com a vitória francesa. d) guerra entre França e Inglaterra pelo domínio da região de Champagne, região economicamente estratégica e que terminou com a vitória inglesa. e) guerra entre Flandres e Inglaterra pelo domínio da região de Champagne, grande centro comercial da Baixa Idade Média e que terminou com a vitória francesa. 19.09. Aponte V ou F, conforme seja verdadeiro ou falso o que se afirma a seguir sobre a epidemia que ficou conhecida como “peste negra” que, em sua fase crítica entre 1348 e 1350, causou a morte de pelo menos um terço da população do continente europeu. ( ) Evitavam-se os encontros públicos; as pessoas acome- tidas pela doença deviam permanecer em suas casas e, em alguns casos, eram expulsas da cidade. ( ) Os funerais públicos foram proibidos; os corpos dos mortos deixaram de ser sepultados nos arredores ou dentro das igrejas e passaram a ser enterrados fora dos muros da cidade. ( ) Vinagre, água de rosas e cravo-da-índia, dentre outros recursos com substâncias aromáticas, eram utilizados como remédios para tentar evitar a peste negra. ( ) Médicos, padres e tabeliões, cujo dever profissional deveria ser zelar pelos aspectos sanitários, espirituais e jurídicos, foram proibidos de visitar ou assistir os mo- ribundos. Está correta, de cima para baixo, a seguinte sequência: a) F, V, F, V. b) V, F, V, F. c) V, V, V, F. d) F, F, F, V. e) V, V, F, F. 19.10. (UFRGS) – Assinale a alternativa correta sobre a cha- mada Guerra dos Cem Anos (1337-1453), entre Inglaterra e França. a) O conflito marcou a gradual transformação dos exércitos feudais em forças militares profissionalizadas e iniciou o lento processo de decadência da aristocracia feudal nos respectivos países. b) A guerra foi vencida pela Inglaterra e teve como conse- quência a eclosão de rebeliões na França que culminaram com a deposição da dinastia dos Valois do trono francês. c) O confronto consolidou a transformação da Inglaterra na principal potência econômica do período moderno, por meio do processo de pacificação interna que se seguiu à guerra. d) A consequência da guerra para os dois países foi a conso- lidação de estruturas sociais feudais, tornadas mais fortes com o enfraquecimento das monarquias centrais. e) A origem do conflito foi a invasão da Inglaterra pela França e a subsequente instalação de uma dinastia pró-França no trono inglês, derrubada ao longo da guerra. 22 Extensivo Terceirão Aprofundamento 19.11. “Vamos pôr de lado a circunstância de um cida- dão ter repugnância de outro; de quase nenhum vizinho socorrer o outro; de os parentes, juntos, pouquíssimas vezes ou jamais se visitarem, e quando faziam visita um ao outro, ainda assim só o fazerem de longe...” BOCCACCIO, G. O Decamerão. São Paulo: Abril Cultural, 1981. O trecho acima, extraído da obra de Boccaccio, descreve o comportamento dos moradores de Florença, atingidos pela Peste Negra em 1347. Sobre esse período, não podemos afirmar que: a) embora as cidades tenham crescido a partir do século XIV, o comércio não se tornou uma atividade permanente; b) a Peste Negra foi interpretada por muitos médicos e leigos medievais como um castigo divino; c) nesse momento, o comércio na Europa encontrava-se em desenvolvimento, tendo como principais polos cidades como Veneza, Gênova e Pisa; d) a Peste Negra, conhecida hoje como peste bubônica, teve como elemento facilitador as péssimas condições de higiene das cidades feudais; e) a grande circulação de diferentes moedas por ocasião das feiras fez surgir um novo personagem responsável por fazer a troca de moedas e emprestar dinheiro a juros. 19.12. (FGV – SP) – Caro, o pão faltava nas mesas dos pobres. Na Inglaterra, após mais de cem anos de estabi- lidade, seu valor quintuplicou em 1315. Na França, aumentou 25 vezes em 1313 e multiplicou-se por 21 em 1316. A carestia disseminou-se por toda a Europa e perdurou por décadas. (...) Faltava comida não por ausência de braços ou de terras. (...) Afinal, se os camponeses – esteio do crescimento demográfico verificado desde o ano 1000 – não con- seguiam produzir mais, era porque já haviam cultiva- do toda a terra a que tinham acesso legal. Já os senhores não faziam pura e simplesmente porque não queriam. Moeda sonante não era exata- mente a base de seu poder e glória. (Manolo Florentino, Os sem-marmita, Folha de S.Paulo, 07.09.2008) O texto traz alguns elementos da chamada crise do século XIV, sobre a qual é correto afirmar que a) resultou da discrepância entre o aumento da produtivida- de nos domínios senhoriais desde o século XI e o recuo da produção urbana de manufaturas. b) foi decorrência direta da peste negra, que assolou o norte da Europa durante todo o século XIV, e fez com que os salários fossem fixados em níveis muito baixos. c) resultou do recrudescimento das obrigações feudais, que gerou a concentração da produção de trigo e cevada nas mãos de poucos senhores feudais da França. d) foi deflagrada, após as inúmeras revoltas operárias, no campo e na cidade, que quebraram com a longa estabi- lidade do mundo feudal europeu. e) teve ligação com as estruturas feudais que impediam que a produção crescesse no mesmo ritmo do crescimento da população em certas regiões da Europa. 19.13. (PUCPR) – Considere o texto a seguir. Jean Delumeau, em sua obra História do medo no ocidente 1300-1800: uma cidade sitiada, escreve acerca da peste negra no continente europeu: “Até o final do século XIX, ignoraram-se as cau- sas da peste que a ciência de outrora atribuía à po- luição do ar, ela própria ocasionada seja por funes- tas conjunções astrais, seja por emanações pútridas vindas do solo ou do subsolo. Daí as precauções, aos nossos olhos inúteis, quanto se aspergia com vinagre cartas e moedas, quando se acendiam fogueiras pu- rificadoras nas encruzilhadas de uma cidade conta- minada, quando se desinfetavam indivíduos, roupas velhas e casas por meio de perfumes violentos e de enxofre, quando se saía para a rua em período de contágio com uma máscara em forma de cabeça de pássaro cujo bico era preenchido com substâncias odoríferas.” DELUMEAU, Jean. História do medo no ocidente 1300-1800: uma cidade sitiada. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 159. Podemos deduzir por meio do texto e da história da Baixa Idade Média que a) sua forma de transmissão, exclusivamente pelas fezes dos ratos, era desconhecida, por isso, mesmo evitando as casas em que havia doentes, o fato de continuarem circulando normalmente nas ruas infestadas fez com que a doença continuasse a se espalhar. b) a peste negra chegou do Oriente até a Europa com os ratos e produtos por eles contaminados, fato comprova- do pelos comerciantes de Gênova e Veneza, logo após o início da epidemia, com grande incidência da doença nas cidades portuárias. c) o local onde a peste se originou foi provavelmente a China, onde não se tornou epidêmica até meados do século XVI, contudo, devido a condições mais propícias à contaminação, como a grande quantidade de lixo e esgoto a céu aberto, ela se desenvolveu como surto no continente europeu. d) devido à grande mortandade causada pela epidemia, houve grande número de pessoas que se isolaram em feudos, fortalecendo senhores feudais e as obrigações a serem pagas, devido à proteção que a vida no campo passou a representar. e) os medievos atuavam de maneira a tentar evitar sua propagação com medidas como o isolamento de doentes, uso de ervas e perfumes para evitar os maus odores, e muitos chegaram a fugir para longe das grandes cidades. Aula 19 23História 5A 19.14. (UFRS) – Leia o texto abaixo. “Tão grande era o número de mortos que, escas- seando os caixões, os cadáveres eram postos em cima de simples tábuas. Não foi um só o caixão a receber dois ou três mor- tos simultaneamente. Também não sucedeu uma vez apenas de esposa e marido, ou dois e três irmãos, ou pai e filhos, serem enterrados no mesmo féretro[...]. Para dar sepultura à grande quantidade de corpos que se encaminhavam a qualquer igreja, todos os dias, quase toda hora, não era suficiente a terra já sagrada; e menos ainda seria suficiente se desejasse dar a cada cor- po um lugar próprio, conforme o antigo costume. Por isso passaram-se a edificar igrejas nos cemitérios, pois todos os lugares estavam repletos, ainda que alguns fos- sem muito grandes; punham-se nessas igrejas, às cente- nas, os cadáveres que iam chegando; e eles eram empi- lhados como as mercadorias nos navios [...].” BOCCACCIO, Giovanni. “Decamerão”. São Paulo: Abril, 1981. O testemunho do escritor italiano Boccaccio faz referência ao advento da Peste Negra na Europa ocidental, a qual acelerou a crise do sistema feudal dos séculos XIV e XV. Assinale, entre as alternativas abaixo, o fator ao qual essa crise pode ser relacionada. a) Nos séculos XIV e XV, a economia europeia tornou-se predominantemente urbana, o que acarretou falta de trabalhadores no campo para a produção agrícola. Sem boas condições de alimentação, a população ficou mais sujeita às doenças. b) O crescimento demográfico afirmou-se ao longo da Baixa Idade Média até um ponto em que a produção do sistema feudal não foi mais capaz de alimentar a população, que ficou fragilizada. c) As técnicas de produção eram muito desenvolvidas para a época, a ponto de provocarem uma superprodução que gerou o desequilíbrio do sistema. d) A servidão, instaurada como forma predominante de traba- lho na Europa ocidental a partir do século XV, enfraqueceu a população e levou à mortalidade endêmica. e) Como resultado da mortalidade provocada pela Peste Negra, os nobres decretaram leis para auxiliar a população camponesa. 19.15. (UEM – PR) – No contexto da Baixa Idade Média, a Europa Ocidental passou por significativas transformações sociais, políticas e religiosas. Sobre essas transformações, assinale o que for correto. 01) Ocorreu um aumento de trocas de produtos em espé- cie, em detrimento do uso e da circulação de moedas. 02) No reino da França, as relações feudo-vassálicas foram, paulatinamente, substituídas pela centralização do po- der monárquico. 04) Com o declínio da aristocracia rural e com a ascensão da burguesia urbana, a dinâmica da vida social passou do campo para a cidade. 08) Com a Guerra dos Cem Anos, houve o enfraquecimen- to dos exércitos profissionais e nacionais e, em seu lu- gar, desenvolveram-se a ética e a tática de guerra dos cavaleiros feudais. 19.16. (UEL – PR) – A Peste Negra, ou Morte Negra, era as- sim chamada porque no seu desenvolvimento provocava hemorragias subcutâneas, que assumiam uma coloração escura no momento terminal da doença. A morte dava-se entre três e sete dias, depois de contraída a patologia, e levava de 75% a 100% dos acometidos. O agente causador da peste era transmitido pelo rato, por meio das pulgas e sua penetração na pele humana causava uma adenite aguda, que recebia o nome de “bubão”, principal sintoma da doença. Daí também o nome de peste bubônica. (SIMONI, K. De peste e literatura: imagens do Decameron de Giovanni Boccac- cio. Anuário de Literatura Umbral. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index. php/literatura/article/viewFile/5447/4882>. Acesso em: 27 jun. 2017.) A dança macabra. Xilogravura italiana de 1486. (FRANCO JUNIOR, H. A Idade Média, nascimento do Ocidente. SP: Brasiliense, 2006. p. 30) A Peste Negra, que atingiu a Europa no séc. XIV, espalhou o pânico e transformou a maneira como se concebia a morte. A Dança Macabra, expressão artística surgida nesse período, re- presentava temas fúnebres e sombrios, como a decrepitude dos corpos já em forma cadavérica ou esquelética. Ao chamar a atenção para a fragilidade e a finitude da vida, sugeria que todos, independentemente de sua posição social, haviam de compartilhar o mesmo destino. Com base na figura, nos textos e nos conhecimentos sobre a Baixa Idade Média, assinale a alternativa correta. a) Em uma sociedade dividida em ordens, a Dança Macabra foi interpretada como uma crítica social que nivelava os estamentos em face do fenômeno da morte. b) Na gravura, dois personagens são conduzidos por figuras macabras, revelando que, devido às péssimas condições de vida, os camponeses eram os que mais temiam a morte. c) Na maioria dos países, a epidemia de Peste Negra assolou burgos e castelos, mas preservou os camponeses do contágio, por estarem eles isolados no campo. d) Por viverem nos mosteiros, os membros da Igreja foram poupados da Peste Negra, reforçando a imagem do clero como estamento de origem divina. e) Devido ao grande número de vítimas da Peste Negra, a so- ciedade na Baixa Idade Média se tornou indiferente à morte, entendendo-a apenas como uma passagem à vida eterna. 24 Extensivo Terceirão 19.17. (UFSC) – Na Idade Média, entre os séculos XII e XV, verificou-se uma ascensão da economia europeia. No entan- to, dentro desse período, em meados do século XIV, ocorreu uma significativa retração econômica. Em relação a este assunto, é CORRETO afirmar que: 01) a crise econômica verificada em meados do século XIV se deveu às Cruzadas, movimento religioso que deslo- cou milhares de homens em idade produtiva rumo ao Oriente Médio. 02) a Peste Negra acarretou uma drástica diminuição da população, com reflexos diretos na economia. 04) tudo indica que a Peste Negra originou-se no Oriente, matando mais de um terço da população europeia. 08) A crise econômica do século XIV foi um dos marcos de- cisivos para o fim do sistema feudal. 16) como forma de fugir da Europa infectada pela Peste Negra, milhares de europeus se dispuseram a seguir as Cruzadas para libertar Jerusalém sitiada. 32) a ascensão econômica entre os séculos XII e XV foi uma realidade exclusiva dos países ibéricos, em função das grandes navegações lá iniciadas. 19.18. (UFJF – MG) – Leia com atenção o texto a seguir sobre o fim do período medieval. ... o final do milênio medieval costuma ser visto sob a forma de uma crise profunda e generalizada. Brutal, a mortalidade provocada pelo bacilo da peste espalha-se rápida e maciçamente. Os doentes sucumbem em al- guns dias, sem remédio nem alívio possíveis. No dizer das testemunhas, toda organização social, até os laços familiares, foi violentamente perturbada por isso. BASCHET, J. A civilização feudal: do ano mil à colonização da América. São Paulo: Globo, 2006, p. 247-248. Adaptado. Acerca da chamada “Crise do século XIV”, assinale a alternativa CORRETA: a) a expansão agrícola que precedeu a crise do século XIV foi realizada à custa de arroteamentos, o que contribuiu para minimizar o impacto ambiental e conter o processo inflacionário. b) a diminuição da produtividade levou a uma maior explora- ção da mão de obra camponesa. Nesse momento a teoria das três ordens foi responsável pela aceitação do aumento da tributação, evitando, assim, as revoltas camponesas. c) os deslocamentos de camponeses que fugiam para as cidades ajudaram na eliminação da epidemia nas zonas rurais, já que a peste apenas atingia as populações mais pobres e desnutridas. d) tentando fazer frente à crise do século XIV, a Igreja trans- feriu sua sede de Roma para Avignon, na França. Essa medida contribuiu para manter a unidade da cristandade, a autonomia e o caráter universalista da Igreja. e) nesse contexto, a fome e as epidemias contribuíram para o processo de desintegração do feudalismo e o fortaleci- mento do poder dos reis, que aos poucos foram tomando para si a autoridade administrativa e militar até então em mãos senhoriais. Desafio 19.19. (FGV – SP) – Este documento, do século XIV, encontra-se nos arquivos de Assize, na ilha de Ely, na Inglaterra: Adam Clymne foi preso como insurgente e traidor de seu juramento e porque traiçoeiramente com outros celebrou uma insurreição em Ely. Penetrando na casa de Thomas Somenour onde se apossou de diversos documentos e papéis selados. E ainda, que o mesmoAdam no momento da insurreição, estava andando armado e oferecendo armas, levando um estandarte, para reunir insurgentes, ordenando que nenhum homem de qualquer condição, livre ou não, deveria obedecer ao senhor e prestar os serviços habituais, sob pena de degola. O acima mencionado Adam é culpado de todas as acusações. Pela ordem da justiça, o mesmo Adam foi levado e enforcado. (Leo Huberman. História da riqueza do homem, 2008. Adaptado) Considerando o documento, é correto afirmar que, no século XIV, a) as violentas revoltas e mortes de camponeses foram provocadas pelo desespero em não conseguir pagar, em dinheiro, aos senhores feudais, as novas taxas e o aumento das já existentes, além da exigência de mais tempo de trabalho nas reservas senhoriais. b) as revoltas camponesas aconteceram, tanto na Inglaterra como na França, contra os cercamentos, que empobre- ceram os trabalhadores e os obrigaram a deixar a terra pelo não pagamento do aumento dos aluguéis, o que enriqueceu ainda mais os senhores da terra. c) a impossibilidade de juntar dinheiro para a compra da terra onde trabalhavam fez com que muitos camponeses se revoltassem, porque se colocaram contra os senhores que aumentaram os impostos e exigiram o pagamento de novos; algo considerado ilegal. d) o recrudescimento da servidão decorria de uma nova estrutura econômica presente na Inglaterra, onde as pequenas propriedades rurais e os campos comunais perdiam espaço para os latifúndios produtores de matéria- -prima para a nascente indústria. e) as insurreições camponesas ocorridas na Inglaterra e parte do Norte da Europa decorreram do rápido processo de dissolução dos laços servis de produção, dirigido por uma nova elite de proprietários rurais, que detinha forte representação no Parlamento inglês. Aula 19 25História 5A 19.20. (UFPR) – Sobre Joana d’Arc, o historiador Jules Michelet escreveu: “Pela primeira vez, sente-se, a França é amada como uma pessoa, e ela torna-se tal desde o dia em que a amam. Até ali era uma reunião de províncias, um vasto caos feudal, um país imenso, de ideia vaga. Mas desde esse dia, pela força do coração é uma pátria”. MICHELET, Jules. Joana d’Arc. São Paulo: Fulgor, 1964, p. 16. Comente esse excerto, explicando as consequências da Guerra dos Cem Anos (1337-1453) para a França e para o sistema feudal. Gabarito 19.01. d 19.02. a 19.03. d 19.04. d 19.05. b 19.06. c 19.07. e 19.08. c 19.09. c 19.10. a 19.11. a 19.12. e 19.13. e 19.14. b 19.15. 06 (02 + 04) 19.16. a 19.17. 14 (02 + 04 + 08) 19.18. e 19.19. a 19.20. O texto aborda a participação de Joana d’Arc na Guerra dos Cem Anos. A jovem camponesa francesa Joana d’Arc ajudou seu país na guerra contra a Inglaterra. Morreu queimada em Rouen aos 19 anos de idade em 1431. Esta guerra ter- minou em 1453 com a vitória da França que expulsou os ingleses de seu territó- rio, contribuiu para a centralização do poder nas mãos do rei, afinal Carlos VII foi coroado como rei em Reims no norte do país seguindo antigas tradições, tam- bém contribuiu para a consolidação do Estado Nacional Francês e para a con- sequente crise do sistema feudal que gradativamente deu lugar a um novo sistema, o capitalista, que vai se conso- lidando no decorrer da Idade Moderna (séculos XV ao XVIII). 26 Extensivo Terceirão Processo de centralização do poder político As mudanças socioeconômicas que ocorreram na Eu- ropa foram acompanhadas de transformações polí ticas. Uma das mais importantes transformações ocorridas no contexto de formação do mundo moderno foi o processo de centralização política e o consequente surgimento dos Modernos Estados Nacionais, cuja principal característica era o absolutismo monárquico (absoluta concentração de poderes nas mãos dos reis). As primeiras monarquias absolutistas da Europa (Por- tugal, Espanha, França e Inglaterra) surgiram a partir de uma aliança entre a burguesia (classe social emergente) e os monarcas que desejavam aumentar o seu poder e fortalecer o Estado em uma época na qual a Igreja ainda interferia de maneira frequente nos assuntos de cada reino. Muito interessada em ampliar seus negócios e su perar as dificuldades para o desenvolvimento do comér cio, a burguesia busca uma aliança com o rei, ao qual também interessa a centralização política. Para concretizar esta aliança, a burguesia oferece recursos para formação do aparelho burocrático, tais como: fun- cionários para a administração e legistas para justificar o poder monárquico nascente, e tam bém dotação finan- ceira para recrutamento de forças militares e armas de fogo. Desse modo, os monar cas feudais foram impondo sua autoridade sobre a nobreza feudal, unificando ter- ritórios e centralizando o poder, originando, a partir do século XV, o Estado Moderno. A centralização do poder avançou para o absolutis- mo monárquico, passando o rei a ser identificado com o Estado e a constituir um dos elementos de unidade nacional, enquanto a população assume a condição de fiéis súditos de um mesmo monarca. Principais características dos Estados Modernos: • formação de um exército nacional permanente; • imposição da justiça real e absolutismo monárquico; • centralização e unificação administrativa; • unificação do sistema de pesos e medidas; • arrecadação de impostos “reais”; • formação de uma burocracia. Teóricos A concentração e o fortalecimento do poder real, principais características do absolutismo monárquico, foram justificadas pelas teorias que defendiam a forma- ção de um Estado forte e centralizador. Muitos teóricos absolutistas (filósofos que viveram entre os séculos XV a XVII) defenderam teorias de que o rei deveria governar de maneira autoritária para garantir a formação de um reino forte. De diferentes maneiras, esses teóricos contribuíram para que as monarquias nacionais abso- lutistas fossem aceitas, pois suas obras influenciaram o pensamento daquela época. Nicolau Maquiavel O livro “O Príncipe” (1513) – foi oferecido a Louren ço de Médici, porém só foi publicado em 1532. Características da obra: • Utilitarismo – Escrever coisas úteis. • Empirismo – Procurar efetivamente a verdade das coisas. • Antiutopismo – Crítica aos que imaginaram repú- blicas e principados nunca vistos nem conhecidos como realidade. • Realismo – mostrar com exemplos a diferença entre o modo como se vive e aquele como se deveria viver. “Realismo político é o princípio enunciado por Maquiavel, segundo o qual a ação política encon- tra em si mesma a própria justificação, a garantir a ordem e a liberdade da convivência civil. A po- lítica, portanto, constitui uma ciência autônoma e independente de qualquer sistema ético ou re- ligioso.” NICOLA, Ubaldo. Antologia ilustrada de filosofia das origens à Idade Moderna. Rio de Janeiro: Editora Globo, 2005, p. 196 Thomas Hobbes (1588-1679) O inglês Thomas Hobbes escreveu o livro “Levia tã”, no qual procurou justificar o poder absoluto dos reis. Em sua obra, Hobbes defendeu a tese de que a sociedade vivia na mais completa anarquia, em estado natural. 5AAula 20 Os modernos Estados Nacionais: absolutismo e mercantilismo História Aula 20 27História 5A O rei e o con sentimento dos súditos têm poderes ilimitados. Em nome do soberano, os indivíduos abrem mão de seus direitos para se protegerem da violência. Desenvolve a teoria do “homo homini lupus” (o homem é lobo do próprio homem), segundo a qual apenas um Estado forte e organizado pode proteger os mais fracos das ambições e violências dos mais fortes. HOBBES, Thomas. Leviathan. 1651 “Diz-se que um Estado foi instituído quando uma multidão de homens concordam e pactuam, uns com os outros, que qualquer homem ou assembleia de homens a quem seja atribuído pela maioria o direito de representar a pessoa de todos eles (ou seja, de ser seu representante), todos sem exceção, tanto os que votaram a favor dele como os que votaram contra ele, deverão autorizar todos os atose decisões desse homem ou assembleia de homens, tal como se fossem seus próprios atos e decisões, a fim de viverem em paz uns com os outros e serem protegidos do restante dos homens. É desta instituição do Estado que derivam todos os direitos e as faculdades daquele a quem o poder soberano é conferido. (...) Por esta instituição de um Estado, cada indivíduo é autor de tudo quanto o soberano fizer; por consequência, aquele que se queixar de uma injúria feita por seu soberano estar-se-á queixando daquilo de que ele próprio é autor; portanto, não deve acusar ninguém a não ser a si próprio; e não pode acusar-se a si próprio de injúria, pois causar injúria a si próprio é impossível. (...)” Thomas Hobbes, Leviatã Jean Bodin (1530-1596) Em sua obra “Seis Livros da República”, o francês Jean Bodin afirma que a soberania deve ser absolu ta, que nada deve limitar os poderes do monarca. A obediência dos súditos para com o rei está na mesma proporção da obediência dos filhos para com o pai. Jacques Bossuet (1627-1704) Escreveu “Política Tirada da Sagrada Escritura” e destaca-se como o principal representante da teoria do direito divino dos reis. Defende, em sua obra, que o povo deve abdicar de seus direitos, devendo obediên cia ab- soluta ao rei. O monarca, enquanto uma repre sentação divina, presta contas somente a Deus. Bossuet procurou justificar o poder de Luís XIV da França: “(...) Não há poder sem a vontade de Deus, todo governo, seja qual for sua origem, justo ou injusto, pacífico ou violento, é legítimo; todo de- positário da autoridade, seja qual for, é sagrado; revoltar-se contra ele é cometer um sacrilégio.” Jacques Bossuet Hugo Grotius (1583-1645) Este jurista holandês publicou, em 1625, a impor- tante obra “De jure bellis ac pacis” (Do direito da guerra e da paz), onde expôs os elementos de um di reito universal, no qual são definidos os princípios que regulam as relações entre Estados soberanos, tanto na paz como na guerra, e dessa forma visa proteger as pessoas envolvidas nos embates. Para Grotius, mediante um contrato, os membros de uma sociedade decidem voluntariamente delegar a auto ridade pública a uma instância soberana e perpétua, que tem como missão garantir a paz e a concórdia. Controvérsias e contradi- ções do antigo regime Por mais que os monarcas procurassem se aliar à burguesia e por mais que a ideologia do absolutismo os colocasse acima das classes sociais, eles estavam diretamente ligados à nobreza de origem feudal. A essa estrutura feudal absolutista, na qual se entre- laçam antigas relações feudais e novas relações capita- listas de produção, dá-se o nome de Antigo Regime. A natureza do Estado absolutista tem provocado muitas divergências entre os historiadores. Eis uma síntese delas. © Tr us te es o f t he B rit ish M us eu m 28 Extensivo Terceirão Estado capitalista Segundo os defensores dessa tese, o Estado ab- solutista tinha um “caráter burguês”, pois nascera da aliança entre o rei e a burguesia. Equilíbrio de classes Para os defensores dessa tese, o Estado absolu tista representava os interesses da nobreza e da bur guesia. Segundo Paul Sweezy, “períodos ocorrem em que classes antagônicas se equilibram umas às outras, de tal modo que o poder do Estado como mediador ostensivo adquire, por momento, um certo grau de independência”. Estado feudal Segundo Perry Anderson, Christopher Hill e Louis Althusser, o Estado absolutista era um Estado feudal. Para esses autores, as monarquias absolutistas cons- tituíram uma nova forma de poder da nobreza, observe nos fragmentos de texto reproduzidos a seguir. Metalismo A doutrina mercantilista media a riqueza de uma na- ção pela quantidade de metais preciosos acumulados. Portugal e Espanha procuraram entesourar metais preciosos (bulionismo). Balança comercial favorável “Vender sempre, comprar nunca ou quase nunca”. Este era o “slogan” da época. Em razão disso, as na ções tomavam todas as medidas possíveis para cresce rem as exportações e reprimirem as importações, isto é, o país deveria captar mais divisas do que perder. Protecionismo alfandegário Para efetuar o equilíbrio favorável de suas balanças comerciais, os Estados passaram a tributar pesada mente os produtos que adentravam em suas alfânde gas e a estimular toda a produção nacional que con corresse vantajosamente nos mercados externos. Exploração colonial e concessão de monopólios Visando a um maior controle do rei sobre os lu cros das transações comerciais, o Estado delegava a algumas companhias de comércio direitos exclusivos sobre os novos mercados instalados nas colônias de exploração. Incentivo à construção naval A crescente importância do comércio marítimo para a economia do país e a necessidade de equipar o Estado para sua defesa determinavam a efetivação de medidas, buscando desenvolver a indústria naval. A aplicação do mercantilismo variou de país para país. O metalismo predominou na Espanha e Portugal; a busca da balança comercial favorável (comercialis mo) vingou na Inglaterra enquanto os franceses adota ram uma política manufatureira e protecionista. Investimento maciço em navegação e exploração de colônias foram características do mercantilismo europeu. Cr ea tiv e Co m m on s “A monarquia absolutista foi uma forma de monarquia feudal diferente da monarquia dos Estados medievais que a precedera; mas a classe dominante permaneceu a mesma...” Christopher Hill “Essencialmente, o absolutismo, era apenas isto: um aparelho de denominação feudal reco- locado e reforçado, destinado a sujeitar as mas- sas camponesas à sua posição social tradicional... Em outras palavras, o Estado absolutista nunca foi um árbitro entre a aristocracia e a burguesia, e menos ainda um instrumento da burguesia nas- cente contra a aristocracia: ele era a nova carapaça política de uma nobreza atemorizada.” Perry Anderson Como você pode perceber, o assunto é bastante polêmico e complexo. Quanto a nós, entendemos que o Estado absolutista era um Es tado de caráter predomi- nantemente aristocrático e feudal e que só foi liquidado com as Revoluções Burguesas. Mercantilismo O mercantilismo foi a política econômica adotada pelos modernos esta dos nacionais europeus entre os sé- culos XV e XVIII. Foi a política econômica de acumulação primitiva de capi tal. As suas principais características foram: Aula 20 29História 5A Testes Assimilação 20.01. (ESPCEX – SP) – Durante a Idade Moderna, ocorreu o fortalecimento gradual dos governos das monarquias na- cionais em grande parte da Europa. Desse processo resultou o absolutismo monárquico. Dentre os argumentos usados para se justificar tal condição, havia um que definia o poder absoluto como condição necessária para a manutenção da paz e do progresso. Assinale a alternativa abaixo que apre- senta o responsável por tal pensamento. a) Thomas Hobbes b) Immanuel Kant c) John Locke d) Jean Le Rond D’ Alembert e) Jacques Bossuet 20.02. (PUCCAMP – SP) – Quando a circulação do di- nheiro se faz no Reino, serve de alimentar o Reino; mas, quando sai do Reino, faz nele a mesma falta que o sangue quando sai do corpo humano. MACEDO, Duarte Ribeiro O conhecimento histórico permite afirmar que o comentário do autor a) refere-se a um dos fatores da decadência do comércio na Europa ocidental no século IV. b) revela uma das mais puras formas de pensar da sociedade feudal europeia no século IX. c) identifica uma das mais puras expressões da mentalidade mercantilista do século XVII. d) opunha-se a uma das práticas mercantilistas que alimen- tavam o Estado no século XV. e) expressa uma das mais fortes crenças do pensamento liberal europeu, do século XIX. 20.03. (IFCE) – A Formação das Monarquias Nacionais ocor- reu na Baixa Idade Média, entre os séculos XII e XV, nos países da Europa Ocidental. É correto afirmar-se que a) o processo de consolidação das monarquias foi umdos mais evidentes sinais das transformações que assinalavam o apogeu do sistema feudal. b) na França, considerada exemplo máximo do absolutismo europeu, esse processo só foi consolidado com a Revo- lução de 1789. c) Portugal e Espanha começaram o processo de formação dos estados nacionais após a expulsão dos mouros (muçulmanos) que habitavam a península ibérica desde o século VIII. d) o Estado Monárquico buscava a manutenção e preserva- ção das tradições medievais e dos seus mecanismos de organização política. e) com a formação do Estado Moderno os burgueses e os camponeses foram rapidamente liberados do pagamento de taxas e impostos tão presentes durante a Idade Média. 20.04. (ACAFE – SC) – A formação dos Estados Modernos, o Absolutismo Monárquico e o Mercantilismo caracterizaram a centralização política em várias partes da Europa, em opo- sição ao poder político descentralizado do sistema feudal. Nesse sentido é correto afirmar, exceto: a) O mercantilismo foi caracterizado pelo controle estatal da economia e priorizava o domínio de colônias para fornecer matérias-primas e criar mercados consumidores para a metrópole. b) O casamento de Fernando, herdeiro do trono de Aragão, com Isabel, do trono de Castela, consolidou a formação do território que corresponde à Espanha. c) O processo de fortalecimento do poder real atingiu seu ápice com o absolutismo. O monarca passou a exercer o controle total sobre o comércio, as manufaturas e sobre a máquina administrativa. d) As Guerras da Reconquista, ao expulsarem os muçul- manos da Europa, contribuíram decisivamente para a formação da Monarquia francesa numa aliança com setores da nobreza. Aperfeiçoamento 20.05. (FAMERP – SP) – A base comum das ideias mer- cantilistas consiste na atuação de dois novos fatores: os Estados modernos nacionais, ou seja, as monarquias absolutas, e os efeitos de toda ordem provocados pelas grandes navegações e descobrimentos sobre a vida das sociedades europeias. (Francisco Falcon. Mercantilismo e transição, 1986. Adaptado.) Os dois fatores mencionados no texto expressam-se, res- pectivamente, a) no intervencionismo econômico dos Estados modernos e no aumento dos metais nobres entesourados. b) na redução significativa do comércio interno europeu e na colonização da América e da África. c) no desenvolvimento de teorias voltadas à defesa do livre comércio e na política de degredo de encarcerados. d) na difusão das ideias sociais libertárias e no aperfeiçoa- mento dos instrumentos e das técnicas de navegação. e) no controle político burguês dos Estados modernos e no surgimento de órgãos regradores do comércio internacional. 30 Extensivo Terceirão 20.06. (UPF – RS) – Entende-se por mercantilismo o conjunto de ideias e práticas econômicas dominantes na Europa entre os séculos XV e XVII. Seu período de domi- nação corresponde à fase de transição do feudalismo para o capitalismo e ficou marcado pela intervenção estatal na economia, caracterizado: a) Pela limitação das atividades das companhias comer- ciais privadas, em função dos privilégios concedidos às empresas estatais. b) Pela preocupação com o enriquecimento da burguesia em detrimento da nobreza feudal, garantindo a aliança de burgueses de vários países. c) Pelo monopólio metropolitano sobre as colônias da Amé- rica, o qual passou a estimular as disputas entre as grandes empresas comerciais de propriedade da burguesia. d) Pelas teorias metalistas, que,ao defender práticas protecionistas,promoveram grande rivalidade entre as nações europeias. e) Pelo controle exclusivo externo, em contraposição à livre concorrência interna, tanto nas áreas coloniais quanto nas metropolitanas. 20.07. (PUCCAMP – SP) – O filósofo humanista Nicolau Maquiavel escreveu “O príncipe”, espécie de manual de como governar. Nessa obra ele a) formulou a concepção da bondade natural humana e sua capacidade de criar um governo capaz de construir mesmo a felicidade da população. b) defendeu que a vontade do povo deve expressar-se sempre mediante o voto e essa vontade deve prevalecer sobre qualquer outra consideração. c) considerava que a principal obrigação do governante era manter o poder e a segurança e, para isso, devia fazer uso de todos os meios. d) afirmava que os governos têm por finalidade respeitar os direitos naturais e, caso não o façam, cabe à sociedade civil o direito de se rebelar. e) negava o direito dos governantes de se autoaplicar o princípio do direito divino, e de outras prerrogativas fundamentadas em preconceitos. 20.08. (FURG – RS) – No processo de transição entre a Idade Média e a Moderna houve uma lenta transformação das men- talidades. Enquanto no medievo os homens viviam dentro de uma ordem social estamental, na modernidade o privado passou a ser valorizado. Essa nova forma de pensar foi repre- sentada pela busca dos bens materiais, caracterizada – na Idade Moderna – por dois fenômenos históricos, o primeiro chamado de Mercantilismo e o segundo, de Navegações. Sobre estes, considere as afirmativas: I. O mercantilismo foi um movimento voltado para a aquisição de metais, com o objetivo de aumentar as reservas de riquezas das monarquias, apoiado pela Igreja e direcionado para conquistar a Terra Santa; II. As navegações marítimas não tiveram como motivador apenas os interesses comerciais, mas, também, o desejo de conhecer o maravilhoso, o fantasioso e o desconhecido; III. O mercantilismo foi uma teoria econômica que privile- giava a aquisição da mercadoria, mas desprezava o metal; IV. Os Estados mercantilistas investiram nas navegações como forma de ampliar territórios, de buscar metais preciosos e de explorar as novas colônias como mercados fornecedores de matéria-prima e ao mesmo tempo como consumidores; V. O que auxiliou os navegadores da Idade Moderna foi a abundância de mapas, que contava muito com a contri- buição dos mapas antigos; VI. As práticas mercantilistas tiveram como principais ca- racterísticas a intervenção do Estado na economia e a regulamentação dos investimentos públicos, de forma a acumular capital. Leia atentamente e assinale a alternativa que apresenta todas as afirmativas corretas: a) Somente a I e a V estão corretas. b) Apenas a VI está correta. c) A I, a III e a V estão corretas. d) A II, a IV e a VI estão corretas. e) Apenas a I está correta. 20.09. (FGV – SP) – O Estado era tanto o sujeito como o objeto da política econômica mercantilista. O mer- cantilismo refletia a concepção a respeito das relações entre o Estado e a nação que imperava na época (sé- culos XVI e XVII). Era o Estado, não a nação, o que lhe interessava. (Eli F. Heckscher, La epoca mercantilista, 1943, p. 459-461. Apud Adhemar Mar- ques e et alii (seleção), História moderna através de textos, 1989, p. 85. Adaptado) Segundo o autor, a) as relações profundas entre o Estado absolutista e o na- cionalismo levaram à intolerância e a tudo o que impedia o bem-estar dos súditos, unidos por regulamentações e normas rígidas. b) as práticas econômicas intervencionistas do Estado absolutista tinham o objetivo específico de enriquecer a nação, em especial, os comerciantes, que impulsionavam o comércio externo, base da acumulação da época. c) o mercantilismo foi um “sistema de poder”, pois o Estado absolutista implantou práticas econômicas intervencio- nistas, cujo objetivo maior foi o fortalecimento do poder político do próprio Estado. d) o Estado absolutista privilegiou sua aliada política, a nobreza, ao adotar medidas não intervencionistas, para preservar a concentração fundiária, já que a terra era a medida de riqueza da época. e) a nação, compreendida como todos os súditos do Estado absolutista, era o alvo maior de todas as medidas econô- micas, isto é, o intervencionismo está intimamente ligado ao nacionalismo. Aula 20 31História 5A 20.10. (UFSM – RS) – O mercantilismo, enquanto conjunto de políticas adotadas na transição entre o feudalismoe o capitalismo, tinha, como princípios e práticas: I. exportar cada vez mais e importar cada vez menos, a fim de obter uma balança comercial favorável e reter metais preciosos. II. desenvolver o livre comércio colonial, independente da nacionalidade das embarcações, opondo-se a qualquer intervenção estatal na economia. III. estimular a exportação de metais preciosos e a importa- ção de produtos manufaturados, a fim de intensificar a utilização de navios estrangeiros. IV. incentivar a produção nacional agrícola e manufatureira e desestimular as importações de mercadorias. V. adotar, dentro dos preceitos do pacto colonial, políticas que permitissem às colônias um bom desenvolvimento econômico, possibilitando a ruptura com suas metrópoles. Está(ão) correta(s) a) apenas I c) apenas II e V e) apenas III, IV e V b) apenas I e IV d) apenas II e III Aprofundamento 20.11. (PUC – SP) – “(...) a instituição social da monar- quia chega a seu maior poder na fase histórica em que uma nobreza em decadência já está obrigada a competir de muitas maneiras com grupos burgueses em ascensão, sem que qualquer um dos lados possa derrotar inapelavelmente o outro. A aceleração da mo- netarização e da comercialização no século XVI deu aos grupos burgueses um estímulo ainda maior e empurrou fortemente para trás o grosso da classe guerreira, a velha nobreza. Ao fim das Iutas sociais nas quais essa violen- ta transformação da sociedade encontrou expressão, crescera consideravelmente a interdependência entre partes da nobreza e da burguesia.” ELIAS, Norbert. O processo civilizador. Rio de Janeiro: Zahar, vol. II, p. 152. O texto considera que o regime monárquico na Europa moderna a) resulta da competição e da crescente interdependência entre a nobreza e a burguesia. Assim, a monarquia se equilibrava numa situação na qual nenhum dos grupos em luta poderia ainda tornar-se vencedor. b) atinge sua força máxima com a ascensão e a vitória dos grupos burgueses. Dessa forma, a monarquia pôde deixar de mediar as lutas entre a nobreza e os camponeses, e passou a apoiar-se na burguesia. c) expressa a capacidade da nobreza vitoriosa para financiar a estrutura política, e a da burguesia em fazê-la funcionar. De fato, a força do regime foi maior onde as transforma- ções econômicas foram mais aceleradas. d) representa exclusivamente os interesses do próprio mo- narca. Na verdade, o poder real pode afirmar-se no contex- to da vitória da burguesia sobre a velha nobreza guerreira, que tinha mantido o rei como seu representante. 20.12. (PUCPR) – “Acontece que Luís XIV provavel- mente tinha excelente faro para os negócios – sem falar que o monarca devia achar muito sem graça ver todo mundo vestido de preto constantemente –, pois ele convocou seu Ministro das Finanças, Jean- -Baptiste Colbert, para uma conversinha sobre indu- mentárias. Aconselhado pelo político, o rei proibiu a importação de tecidos estrangeiros e estabeleceu uma gigantesca indústria têxtil no país para suprir as necessidades da população mais abastada. Além disso, Luís XIV e Colbert determinaram que novos modelos de roupas fossem criados duas vezes ao ano com tecidos inéditos. Assim, os costureiros que atendiam à nobreza pas- saram a apresentar uma coleção de roupas no inverno e outra no verão – sem se esquecer de incluir aces- sórios como leques, capas, sombrinhas, casacos etc. entre os itens. O rei decretou ainda que os nobres que desejas- sem visitá-lo no Palácio de Versalhes deveriam se vestir apenas com modelos da última moda, e teve a ideia de financiar a produção de catálogos que apre- sentavam as novas coleções. Dessa forma, a aristocra- cia francesa e do resto da Europa podia selecionar os itens que desejava comprar.” Você sabia que Rei Luís XIV da França foi o inventor da alta costura? Por Maria Luciana Rincon. Disponível em: http://www.megacurioso.com.br/ personalidades/75642-voce-sabia-que-rei-luis-xiv-da-franca-foi-o-inventor-da- -altacostura.htm. Acesso em: 12 fev 2017. O Mercantilismo foi uma série de práticas de enriquecimento dos Estados Nacionais entre os séculos XV e XVIII, como exemplo, na França o Rei Luís XIV e seu ministro Colbert tentaram ampliar os ganhos da coroa com o aumento de taxas e também do comércio de artigos de luxo, o chamado Colbertismo. Acerca das práticas mercantilistas dos Estados Nacionais, marque a afirmativa correta: a) O protecionismo era aumentar as taxas dos produtos exportados e diminuir dos importados, assim ganharia mais com a venda e facilitaria a compra. b) Uma das práticas do Mercantilismo, usada ainda hoje para equilibrar as finanças dos países, é a balança comercial favorável que consiste em exportar mais do que importar para evitar o endividamento e aumentar os ganhos. c) Espanha e Portugal foram as primeiras a conquistar colônias e extrair metais para enriquecer, assim conse- guiram um excedente que propiciou serem pioneiras no investimento industrial. d) O metalismo foi uma prática portuguesa que consistia em acumular metais através da extração de ouro e prata das colônias ultramar, primeiramente descobertos no Brasil. e) A Inglaterra e a França se destacaram no comércio de artigos luxuosos, enquanto os ingleses produziam os ricos tecidos, os franceses os compravam para usar em suas roupas, uma espécie de colaboracionismo que perdurou durante todo o período. 32 Extensivo Terceirão 20.13. (FGV – SP) – A colonização do Novo Mundo na época moderna apresenta-se como peça de um sistema, instrumento da acumulação primitiva, da época do capitalismo mercantil. Na realidade, nem toda coloni- zação se desenrola dentro das travas do sistema colo- nial, pois a colonização inglesa na América do Norte, colônias de povoamento, deu-se fora dos mecanismos definidores do sistema colonial mercantilista. Fernando Novais. Portugal e Brasil na crise do antigo sistema colonial, 1989. Adaptado. A partir do texto, é correto afirmar que a) coexistem, no processo de colonização na Idade Mo- derna, dois tipos de colônias: as de exploração e as de povoamento, sendo estas as mais encontradas, uma vez que se baseiam em pequena propriedade, trabalho livre e mercado interno; além disso, o Antigo Sistema Colonial garantia superlucros às respectivas metrópoles. b) dois tipos de colonização significam a coexistência de dois processos históricos diferentes, um ligado à Idade Média e outro ligado à Idade Moderna, com característi- cas semelhantes, como o comércio triangular, a grande e a pequena propriedades, o autogoverno e o exclusivo metropolitano. c) a colonização de povoamento, típica do Sistema Colonial Mercantilista, baseia-se em grande propriedade, trabalho escravo e produção voltada para o mercado externo, o que implica o exclusivo metropolitano como base das relações entre Metrópole e Colônia. d) os dois tipos de colonização, de exploração e de po- voamento, explicam-se por processos diferentes: a de exploração está ligada à acumulação de riqueza para a Metrópole moderna, com grande propriedade e trabalho escravo, enquanto a colonização de povoamento liga-se à Metrópole industrializada. e) o sentido profundo da colonização moderna é comercial e capitalista, pois as colônias de exploração, típicas do Antigo Sistema Colonial, nasceram para as Metrópoles acumularem riqueza; e é dentro desse processo de análise de conjunto que se torna inteligível a existência do outro tipo, a colonização de povoamento. 20.14. (UFPR) – Tenho insistido também que a monar- quia deve ser atribuída exclusivamente aos varões, já que a ginecocracia vai contra a lei natural; esta deu aos homens a força, a prudência, as armas, o poder. A lei de Deus ordena explicitamente que a mulher se submeta ao homem, não só no governo de reinos e impérios, mas também na família. (...) Também a lei civil proíbe à mulher os cargos e ofícios próprios ao homem. (...) É extremamente perigoso que uma mulher ostente a so- berania. (...) No casode uma rainha que não contraia o matrimônio – caso de uma verdadeira ginecocracia –, o Estado está exposto a graves perigos procedentes tanto dos estrangeiros como dos súditos, pois caso seja um povo generoso e de bom ânimo suportará mal que uma mulher exerça o poder. (Jean Bodin, Los seis libros de la republica. Edição espanhola de 1973, p. 224.) A citação extraída do livro do jurista francês Jean Bodin (1530- 1596), publicado em 1576, refere-se ao exercício do poder soberano por mulheres, algo que seria contrário às leis da natureza, à lei de Deus e às leis civis, de acordo com o pensa- mento político da época. Contudo, uma importante monarca contemporânea a Bodin, Elizabeth Tudor, exerceu o poder político em condições adversas e muitas vezes ameaçadoras à sua integridade física, e seu longo reinado foi considerado pelos historiadores como a “época dourada” da Inglaterra. Sobre a monarquia e o exercício do poder soberano, é correto afirmar: a) Durante o século XVI, o poder soberano das monarquias europeias foi enfraquecido, devido ao renascimento dos impérios e do papado. b) A lei sálica, presente nas constituições de alguns reinos europeus, permitia que as mulheres exercessem o poder soberano, e é contra essa lei que se coloca Jean Bodin. c) O conceito de poder soberano foi determinante para o exercício da tirania dos reis absolutistas no século XVI, que governaram sozinhos ao fechar os parlamentos. d) Elizabeth exerceu o poder soberano por tanto tempo porque aceitou dividi-lo com a Igreja Anglicana. e) O poder soberano de monarcas como Elizabeth se funda- mentava no princípio de não reconhecer poder superior ao do rei, a não ser o poder divino. 20.15. (UEPG – PR) – Formados a partir da crise política e social que pôs fim ao feudalismo, os Estados Nacionais Modernos emergiram na Europa trazendo consigo novas organizações e estratégias econômicas, sociais e, especial- mente, políticas. É, portanto, neste cenário, que nasceram as chamadas monarquias absolutistas. A respeito desse tema, assinale o que for correto. 01) Em “O Príncipe”, Nicolau Maquiavel considera que não há limites morais ou éticos nas ações de um monarca, desde que os atos praticados por ele tivessem como objetivo manter o Estado funcionando de modo pleno. 02) Os Estados Modernos estão assentados no princípio do contrato social, ou seja, o princípio de que todos são iguais perante as leis e que nenhum grupo social poderia ter privilégios em relação a outros. Além disso, o contrato social estabelece que os meios de produção pertencem exclusivamente ao Estado e não aos indivíduos. 04) O principal vínculo social dos monarcas absolutistas foi com as camadas mais empobrecidas da sociedade. Em todos os Estados Modernos percebe-se um forte vínculo entre o rei e os camponeses, por exemplo. Ao mesmo tempo, há um nítido distanciamento entre o soberano e a burguesia nascente. 08) Formulada a partir das ideias de Jean Bodin e Jacques Bossuet, a teoria do direito divino dos reis partia do princípio que o poder real tem origem divina e, portan- to, voltar-se contra um rei era o mesmo que se voltar contra Deus. 16) Uma das características centrais dos Estados Nacionais Modernos foi o não investimento na formação de exér- citos. Na medida em que os reis centralizaram o poder e que as fronteiras nacionais foram definidas, as estru- turas militares foram consideradas desnecessárias. Aula 20 33História 5A 20.16. (UEM – PR) – Assinale o que for correto sobre a con- figuração política do Estado Moderno. 01) A Alemanha e a Itália foram os dois primeiros países que adotaram o Estado Moderno Absolutista como re- gime político. 02) Houve um processo de secularização da política com o afastamento da influência da Igreja Católica nos assun- tos do governo. 04) O poder nacional, centrado na figura do rei, estava aci- ma dos poderes regionais. 08) A criação de um exército permanente, assim como a unificação das leis, fazia parte da configuração do Es- tado Moderno. 16) Como um dos principais teóricos do Estado Moderno, Jean Bodin defendia que a tirania era a melhor forma política para manter a harmonia social. 20.17. (UEM – PR) – Sobre o absolutismo e a formação dos Estados Modernos, assinale o que for correto. 01) A oligarquia foi a primeira forma de governo do Estado Moderno. 02) O mercantilismo foi o modelo econômico mais signifi- cativo do período moderno. 04) O absolutismo é um regime em que o monarca possui o poder absoluto, podendo decretar leis, criar e cobrar impostos, nomear funcionários e manter exércitos per- manentes. 08) Para consolidar o Estado Moderno, as monarquias na- cionais adotaram algumas medidas para garantir o controle político, tais como uma burocracia adminis- trativa, leis e justiça unificadas e um sistema tributário centralizado. 16) A política monetária dos Estados Modernos era conhe- cida como monofisismo, ou seja, a adoção de uma mo- eda única para toda a Europa. 20.18. (UEPG – PR) – Os chamados Estados Nacionais Modernos emergiram na Europa a partir do final da Idade Média, sendo que os primeiros casos datam do século XII e apresentam características bastante peculiares. A respeito desse tema, assinale o que for correto. 01) A ascensão dos Estados Nacionais Modernos correspon- deu ao fim do absolutismo, uma forma secular de mo- narquia existente na Europa. A partir de então, todos os monarcas passaram a governar sob os limites de consti- tuições que delimitavam os direitos e as funções dos reis. 02) A partir das unificações regionais que deram origem aos Estados Nacionais Modernos, as forças militares acaba- ram perdendo espaço. Na medida em que a figura do monarca simbolizava a ideia de nação e a identidade na- cional, os exércitos perderam sentido e foram paulatina- mente enfraquecendo ao longo dos séculos XVII e XVIII. 04) Portugal foi o primeiro país europeu a se unificar em torno do que se entende por um Estado Nacional Mo- derno. Tal primazia se deu pelo esforço coletivo dos portugueses na reconquista cristã da Península Ibérica, então marcada pela presença dos árabes. 08) A não formação de quadros burocráticos especializa- dos foi um fator decisivo para o fracasso dos Estados Nacionais Modernos e que levou aos processos revolu- cionários dos séculos XVIII e XIX que puseram ao fim tal modelo. Geralmente, os monarcas indicavam parentes ou amigos para a gestão pública. 16) A organização administrativa, a unificação de taxas e leis e a liberdade comercial no espaço do reino, são fa- tores que explicam o apoio da nascente burguesia aos processos de centralização política que levou a forma- ção dos Estados Nacionais Modernos. Desafio 20.19. (UEM – PR) – Segundo René Rémond, na obra O Antigo regime e a Revolução (1974), “o absolutismo consiste num poder não partilhado, concentrado na pessoa do rei”. Sobre o absolutismo monárquico, assinale o que for correto. 01) Thomas Hobbes, autor de Leviatã, acreditava que o poder do monarca era divino e que o soberano era o representante de Deus na terra. 02) No século XVII, com a constituição do poder absoluto na França, houve três estamentos: o clero, a nobreza e o ter- ceiro estado. A camada social mais privilegiada era o ter- ceiro estado, que gozava de privilégios fiscais e de justiça. 04) O fim do absolutismo na Inglaterra foi estabelecido após a Revolução Gloriosa, quando Guillherme III, de Orange, assumiu o trono britânico e assinou a Declaração de Di- reitos (Bill of Rights) que limitava os poderes do rei. 08) Dentre os teóricos do poder absoluto estão Jacques Bousset, Jean Bodin e Nicolau Maquiavel. 16) Luís XIV, autor da célebre frase “L´État c´est moi” (O Es- tado sou eu), estimulou a ascensão da burguesia, con- trolou a nobreza e aboliu o Édito de Nantes. Gabarito 20.01. a 20.02. c 20.03. c 20.04. d 20.05. a 20.06. c 20.07. c 20.08. d 20.09. c 20.10. b 20.11. a 20.12. b 20.13. e 20.14. e 20.15. 09 (01 + 08) 20.16. 14 (02 + 04 + 08)20.17. 14 (02 + 04 + 08) 20.18. 20 (04 + 16) 20.19. 28 (04 + 08 + 16) 34 Extensivo Terceirão Anotações