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Filme Nell O filme narra a história de Nell, uma jovem que vive sozinha em uma cabana primitiva na floresta, desde a infância. Ela morava com a mãe e a irmã gêmea, que morreu ainda criança. Vivendo longe da civilização e do contato com as pessoas, ela adquiriu uma linguagem por meio da observação da mãe que tinha paralisia facial e, consequentemente, não pronunciava corretamente as palavras. Nell foi crescendo reproduzindo a maneira de falar da mãe, o que prova que a língua está baseada nas relações sociais do indivíduo e é compartilhada pelos membros de uma sociedade (no caso de Nell, sua mãe e irmã). A Mãe de Nell, por ser a única referência social, tornou-se um espelho para a jovem, o único exemplo, a origem de sua linguagem. Intrigados, um grupo de médicos e psicólogos faz uma análise psicológica, social e linguística minuciosa da nativa. O médico Jerry e a psicóloga Paula passam a observar a jovem gravando suas ações 24 horas. Paula reúne elementos necessários para concluir que a linguagem de Nell tem origem no inglês. Isto se dá pelo estudo da fonética das palavras pronunciadas pela jovem. A psicóloga escreve em um caderno algumas palavras e seu possível significado: May – I Kay – cry Bin – been Spee – speak Af – after Os profissionais conforme analisavam Nell, estabeleciam um contato com ela. De início foi difícil e havia uma barreira comunicacional devido às diferenças linguísticas e socioculturais. Jerry foi o primeiro a manter contato com a nativa. Na medida em que o médico assimilava a linguagem de Nell, ele conquistava a confiança da selvagem. Jerry tenta várias vezes decifrar o que significa a palavra pedindo que a jovem o mostre – através da linguagem não verbal – o significado. A aproximação se deu por meio da linguagem. O médico tenta, em vão, se comunicar com Nell em inglês (idioma que ela desconhece). Após meses de constante observação, estudo e convivência, ele passa, aos poucos, a dialogar com a jovem fazendo uso da linguagem dela. Ao passo que entende o sentido de uma nova palavra, Jerry repete-a diversas vezes. Paula e Jerry levam Nell para a cidade. A experiência chama a atenção da garota e desperta seus sentidos para uma nova realidade cultural e linguística: civilização, cidade grande, língua diferente, grande circulação de pessoas e o barulho de carros e motos. Durante a viagem Nell é “bombardeada”, a todo o momento, por uma linguagem que não lhe é familiar. A câmera focaliza em sequência os seguintes elementos nas ruas: pessoas conversando (linguagem verbal), o barulho das buzinas (linguagem sonora), o menino dando língua para Nell (linguagem de sinais), o letreiro do ônibus com o número (linguagem verbal), música no bar (linguagem musical). Com o passar do tempo, Jerry passa a entender perfeitamente a linguagem de Nell e consegue, desta forma, estabelecer uma comunicação favorável (o que antes não era possível). A prova da compreensão se consolida durante o julgamento, quando Jerry atua com intérprete de Nell. Durante o julgamento, além de provar que não era doente mental, ela mostra que o fato de possuir uma linguagem diferente não a impedia de expressar seus sentimentos e tão pouco significava que ela era anormal. Segundo Ahmad Amin, “Uma linguagem organizada atua sobre a organização do pensamento, e um pensamento organizado atua sobre a organização da linguagem.” Nell tinha uma linguagem organizada com base nos padrões estabelecidos no núcleo familiar em que ela pertencia. A comunicação entre as três era satisfatória e permitia o convívio e o entendimento. A prova é que as tradições, costumes e ritos foram passados de mãe para a filha. Como exemplos temos o momento em que as duas irmãs, ainda pequenas, brincam no rio se expressando através do idioma próprio; a forma como Nell preparou o corpo da mãe (com uma flor em cada olho) antes de enterrá-la; as atividades diárias, como tomar banho no rio, juntar lenha para fazer o fogo. Ou seja, para elas a linguagem própria fazia sentido, era funcional. No entanto, Nell foi alvo de constantes estudos, sendo vista como doente mental em função de sua linguagem, considerada estranha aos olhos daqueles que se comunicavam de uma outra forma, partilhando de uma outra linguagem e idioma (inglês). A jovem teve suas formas de expressão, linguagem (verbal e não-verbal) e ações vigiadas e julgadas. Eles achavam que Nell tinha problemas mentais, pelo fato de se expressar de uma maneira diferente da civilização. Para eles, a linguagem de Nell não era organizada e, portanto, seu pensamento era igualmente desorganizado. Sua capacidade mental foi colocada a prova na medicina e no tribunal. Contundo, a linguagem utilizada por ela não significava que ela era louca, só tinha um modo diferente de se expressar. Ao final do filme, Nell ensina à filha algumas palavras de seu dialeto e diz “Nunca se esqueça disso”, em uma tentativa de perpetuar a linguagem, passando-a para futuras gerações. Como exemplo de linguagem podemos destacar no filme: Linguagem verbal – a palavra falada e escrita (parte em que aparece as anotações de Paula relacionando o inglês com o idioma da jovem). Linguagem sonora – gritos de aflição de Nell. Linguagem dos sinais – movimento de expressão de corpo e cabeça da selvagem. Linguagem sonora – Jerry trocando o sino avisando que havia chegado em casa. O filme também faz uso de variação linguística. Diafásica - “vossas”, “sua excelência”, “doutor”, “minha senhora”, “senhorita Kelty”.