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RAÍZES
Danieli Cristina Aveda da Rocha
Luiza Amalia Pitz Stüpp
Rayssa Nayara Stuhler de Oliveira
Introdução
A raiz é o órgão da planta que tem duas funções principais:
servir como meio de fixação ao solo
como órgão absorvente de água, compostos nitrogenados e outras substâncias minerais como potássio e fósforo (matéria bruta ou inorgânica). Quase sempre subterrânea.
Formação das raízes
Quando a semente germina a primeira estrutura a emergir é a radícula, que é responsável pela formação da primeira raiz da planta. Nas gimnospermas e dicotiledôneas esta raiz, geralmente, permanece toda a vida da planta e a partir dela se formam as raízes laterais.
Nas pteridófitas, as raízes se desenvolvem nos primeiros estágios do desenvolvimento do esporófito, quando ainda preso ao gametófito. Nas plantas com sementes, raízes têm origem no embrião. O precursor da raiz no embrião, a radícula, é o primeiro órgão a se desenvolver no ato da germinação da semente. Nas dicotiledôneas e Gimnospermas, esta raiz primordial desenvolve-se e torna-se a raiz principal, da qual a maior parte do sistema radicular é derivado. Leva o nome de axial. Já em monocotiledôneas, a radícula se degenera, e todas as raízes brotam a partir da base do caule, conhecidas neste caso como raízes adventícias, ou fasciculada.
Estruturas
Nas Angiospermas, é possível distinguir anatomicamente as raízes de caules subterrâneos por apresentarem xilema na parte mais externa do cilindro vascular e floema na mais interna, quando no caule essa configuração é inversa. Além disso, as raízes não apresentam gemas foliares, que estão presentes nos caules.
Estruturas
Outra característica é a presença da coifa, uma estrutura semelhante a um capuz nas extremidades das raízes, que protegem o meristema apical contra danos causados pelo atrito com o substrato. A coifa é um revestimento de células mortas produzidas pelo próprio meristema. Alguns associam a coifa ao geotropismo positivo das raízes, pois detectaram em suas células grande quantidade de grãos de amido, que se depositam de acordo com a gravidade. Estes grãos orientariam o posicionamento das células em relação ao centro da Terra, fazendo com que as raízes tendessem a crescer para baixo.
Além da coifa, muitas raízes produzem mucilagem, que lubrifica a passagem do meristema na medida em que este avança pela terra, facilitando seu crescimento. Em alguns casos, essa mucilagem é tóxica para outras plantas, impedindo seu crescimento próximo à planta e diminuindo, assim, a competição por espaço, água e nutrientes.
Estruturas
Certas figueiras podem, por vezes, germinar sobre outras árvores. Incapazes de absorver a matéria orgânica presente nos galhos do hospedeiro, como as epífitas, essas figueiras produzem raízes longas e finas que crescem em direção ao solo. Uma vez firmes, essas raízes se engrossam e produzem novas raízes secundárias, que, aos poucos, envolvem a árvore hospedeira. A figueira continua a crescer em volta da árvore até que suas raízes apertem seu tronco e destrua seu sistema vascular. Desta forma, a figueira assume o lugar da árvore onde originalmente germinou.
Estruturas
Em algas e briófitas não há raízes propriamente ditas. Nas primeiras, podem ocorrer apressório, prolongamentos da base do talo com a função de fixação no substrato. Nas últimas, existem pelos absorventes responsáveis por algumas funções desempenhadas pelas raízes, mas não passam de uma série de células dispostas em sequência.
Órgão cilíndrico, aclorofilado, que se distingue do caule por não se apresentar dividida em NÓS e INTERNÓS e por não formar folhas ou gemas.
- Radícula: RESPONSÁVEL PELA FORMAÇÃO DA PRIMEIRA RAIZ DA PLANTA
ANATOMIA DA RAIZ
Embrião de Lepidium sp
Estrutura Primária
Origem no Meristema Apical/Promeristema.
Meristemas primários dão origem aos tecidos primários da raiz:
- PROTODERME origina a EPIDERME
- PROCÂMBIO forma o CILINDRO VASCULAR
- MERISTEMA FUNDAMENTAL da origem à REGIÃO CORTICAL/CÓRTEX
Coifa: Estrutura que reveste o ápice radicular, protegendo o meristema apical. Células parenquimáticas e vivas, secretam mucilagens (bainha de substância que cobre a superfície de raízes) que auxiliam na penetração da raiz através do solo.
Epiderme: Revestimento primário da raiz. Células vivas, de paredes primárias e cutículas delgadas.
Geralmente, unisseriada.
Em raízes jovens, a epiderme é especializada para absorção, desenvolvendo PÊLOS RADICAIS, ou absorventes – expansões tubulares das células epidérmicas.
Córtex: Entre epiderme e cilindro vascular. Células parenquimáticas, isodiamétricas de paredes delgadas, com espações intercelulares.
Aclorofilado.
Amido como substância de reserva.
Diferencia-se em ENDODERME e EXODERME.
Endoderme: camada celular mais interna do córtex, caracterizada pela presença de estrias de Caspary – reforços de lignina e/ou suberina que atingem paredes anticlinais.
Exoderme: uma ou mais camadas de células abaixo da epiderme, diferentes das da região cortical.
- Frequentemente, apresentam estrias de Caspary.
Cilindro Vascular: Diferencia-se a partir do procâmbio .
Formado por uma ou mais camadas de tecido não vascular:
- Periciclo – camada externa do cilindro vascular. Localiza-se abaixo da endoderme.
- Floema.
- Xilema.
- Protoxilema – primeira parte do xilema primário que amadurece durante o alongamento do órgão vegetal no qual se encontra.
- Metaxilema – Porção do xilema primário que se diferencia depois do protoxilema; atinge a maturidade depois do alongamento da planta.
ESTRUTURA SECUNDÁRIA
Funções
Essencialmente mecânicas e fisiológicas
Promover a fixação da planta. No caso de plantas que crescem no solo, dependendo da granulometria do substrato, a raiz desenvolve-se e ramifica-se mais ou menos. O aspecto das raízes muda de planta para planta: a azinheira tem raízes desenvolvidas em profundidade, enquanto o choupo as desenvolve superficialmente. No caso das Tillandsia, as raízes são especializadas para cumprir apenas a função de ancoragem.
A absorção de água e nutrientes do solo e seu transporte para o resto da planta para crescimento e para as folhas para fotossíntese. O transporte é realizado pela pressão na raiz devido à absorção da água. A maior parte da absorção é oferecida pelos pelos radiculares.
Funções
Suporte para associações simbióticas complexas com micro-organismos (bactérias e fungos) que ajudam a dissolver o fósforo, fixar o nitrogênio atmosférico e desenvolver raízes secundárias.
Pode assumir funções de reserva (como no caso da mandioca).
Criação de solo. As moléculas e enzimas secretadas pelas raízes e suas relações simbióticas contribuem para a formação do solo. As raízes de muitas árvores secretam ácidos orgânicos poderosos o suficiente para dissolver o calcário e liberar cálcio e outros minerais úteis para as espécies que produzem e exploram o húmus.
Funções
Desenvolve-se a partir da radícula do embrião, é destituída de clorofila (na maioria dos casos) e nunca possui folhas o que, juntamente com a estrutura interna, permite distinguir em caso de dúvida, como no de certos tubérculos, uma raiz de um caule.
Comunicação - As plantas podem interagir umas com as outras em seu ambiente por meio de seus sistemas de raízes. Estudos têm demonstrado que a interação planta-planta ocorre entre sistemas radiculares via solo como meio. Os pesquisadores testaram se as plantas que crescem em condições ambientais mudariam seu comportamento se uma planta próxima fosse exposta a condições de seca. Como as plantas próximas não mostraram alterações na abertura do estômato, os pesquisadores acreditam que o sinal de seca se espalhou pelas raízes e pelo solo, não pelo ar como um sinal químico volátil.
Utilidades para o homem
Algumas raízes são usadas como alimento:
Mandioca
Rabanete
Cenoura
Beterraba
Inhame
As raízes são a parte mais calórica das plantas, sendo ricas em amido.
Usadas como matéria-prima paraFitoterápicos:
Cimicifuga (Actaea racemosa)
- Forma de uso: cápsula, comprimido, extrato.
- Alívio dos sintomas da menopausa, como suadouro, vermelhidão, mudanças de humor, ansiedade e depressão.
Kava-kava (Piper methysticum)
- Forma de uso: cápsula, comprimido ou extrato.
- Estágios leves a moderados de ansiedade ou insônia.
Tipos de raízes
Raízes Aéreas
Além das funções de fixação e absorção, muitas raízes podem auxiliar na sustentação do vegetal, na absorção de gases, na reserva de nutrientes. Em muitos desses casos, as raízes ficam, pelo menos em parte, fora do solo, ou seja, são raízes aéreas.
Em plantas altas com raízes muito superficiais, como é o caso do milho, as raízes aéreas do tipo escora podem ajudar na fixação e na sustentação da planta. A mesma coisa acontece com plantas que crescem em terrenos moles ou pantanosos. Em ambos os casos, a parte subterrânea dessas raízes participa do processo de absorção de água e sais minerais.
Raiz suporte ou raiz escora - quando uma planta possui um caule ou um conjunto de raízes muito fraco e essas raízes suportes são responsáveis pela ajuda na sustentação da planta. Mas recentemente foi descoberto que são simplesmente extensões do caule da planta ou seja não são raízes
Raiz estrangulante - também conhecidas de cinturas ou estranguladoras. São adventícias que abraçam outro vegetal, e muitas vezes seu hospedeiro morre por falta de seiva. ex: araçá, mata-pau.
Raiz tabular - é uma raiz lateralmente achatada, como uma tábua. Esse tipo de raiz ocorre em árvores de grande porte e ajuda na fixação e estabilidade da árvore. O xixá e a Figueira são bons exemplos de raízes tabulares.
Raiz velame ou raiz cintura - é uma estrutura presente nas raízes aéreas das orquídeas; Tem a função de absorver água da atmosfera.
Raiz grampiforme - prendem o vegetal em suportes, emitem uma espécie de grampo que os prende, como muros e estacas. Ex: a raiz da hera.
Raiz respiratória ou pneumatóforo - são raízes de algumas plantas que se desenvolvem em locais alagadiços. Nesses ambientes, como os mangues, o solo é geralmente muito pobre em gás oxigênio. Essas raízes partem de outras existentes no solo e crescem verticalmente, emergindo da água; possuem poros que permitem a absorção de oxigênio atmosférico.
Raiz sugadora ou raiz haustório - As plantas que possuem esse tipo de raiz são considerados parasitas , pois vivem à custa da outra planta. Essas raízes são adaptadas a extração de alimentos de plantas hospedeiras, sendo característica de planta parasita como:cipó chumbo e a erva-de-passarinho.
Raízes Aquáticas
Como o próprio nome sugere, são raízes que se desenvolvem em plantas que normalmente flutuam na água. Sua função, além da absortiva, é de fixação, uma vez que o meio aquático oferece um ambiente fluido. Elas são adaptadas a estocar ar entre as células para favorecer a flutuação.
Raízes tuberosas
São raízes que armazenam reserva de alimentos. Em várias espécies, as raízes ficam dilatadas e recebem o nome de raízes tuberosas. Muitas destas raízes são usadas na alimentação humana, como a cenoura, a beterraba, a mandioca e o nabo.
Exemplos
ACÔNITO: Aconiti radix
A droga vegetal consiste de raízes tuberosas de Aconitum napellus L., contendo, no mínimo, 0,5% de alcaloides totais expressos em aconitina (C34H47NO11, 645,74), calculados em relação ao material dessecado.
IDENTIFICAÇÃO:
Descrição macroscópica Raiz tuberosa, cônica, de coloração cinza-escura ou amarronzada na superfície, com 3 a 12 cm de comprimento e 1 a 3 cm de largura na porção superior, onde se observam restos da base do caule; podem ocorrer raízes laterais tuberosas, também cônicas, ou suas cicatrizes junto à porção superior da raiz principal, ligadas entre si por um pedículo delgado, e numerosas raízes laterais não tuberosas, ou suas cicatrizes, distribuídas ao longo das raízes tuberosas. Internamente, as raízes tuberosas são de coloração parda ou castanho-claro.
Descrição microscópica Em secção transversal, a raiz apresenta quatro ou mais camadas de células alongadas transversalmente, de paredes suberificadas, relativamente espessas e de coloração alaranjada, correspondentes à periderme, seguidas de células corticais parenquimáticas com alguns grãos de amido; segue endoderme constituída por células alongadas no sentido transversal, de paredes suberizadas que mostram coloração vermelho alaranjada quando coradas com Sudan III; o periciclo é formado por mais de 20 camadas de células parenquimáticas preenchidas com grãos de amido. O câmbio vascular tem formato de estrela e o floema secundário não é facilmente distinguível entre as células parenquimáticas do periciclo. O xilema secundário forma feixes intercalados por parênquima amilífero. Os elementos de vaso do xilema secundário são relativamente estreitos e apresentam placas de perfuração simples e paredes reticuladas ou pontoadas.
Exemplos
ALCAÇUZ: Liquiritiae radix
A droga vegetal consiste de raízes e estolões secos de Glycyrrhiza glabra L., inteiros ou fragmentados, contendo, no mínimo, 2,5% de ácido glicirrizínico (C42H62O16, 822,94), calculado em relação ao material dessecado.
IDENTIFICAÇÃO:
Descrição macroscópica Fragmentos de raízes e estolões possuem de 5 a 25 mm de diâmetro e comprimentos variados, alcançando até 20 cm. A casca é de coloração castanho-escuro, rugosa, marcada por estrias longitudinais e lenticelas transversais. A fratura da raiz e estolões é fibrosa.
Descrição microscópica Em secção transversal, a periderme das raízes e estolões apresenta várias camadas de súber, com células retangulares. As células da feloderme são maiores que as do súber e podem conter grãos de amido. Internamente à periderme, o córtex é formado por parênquima amilífero com feixes de fibras esclerenquimáticas remanescentes do floema primário e floema secundário inativo, cujas células foram obliteradas. O floema secundário apresenta-se em fileiras compostas por elementos de tubo crivado e células companheiras, parênquima do floema e feixes de fibras, intercaladas por parênquima radial amilífero em uma ou até cinco fileiras. Os grãos de amido são arredondados ou ovais. O câmbio vascular é bem visível e formado por células retangulares. O xilema secundário também se apresenta em fileiras compostas por células traqueais, parênquima não lignificado e feixes de fibras, intercaladas por parênquima radial contínuo com o do floema secundário, porém, com número menor de fileiras. Uma pequena região medular parenquimática é encontrada nos estolões, mas está ausente nas raízes. Em secção longitudinal, os feixes de fibras do floema e do xilema estão envolvidos por uma camada de idioblastos contendo cristais prismáticos, a qual é circundada por uma bainha de células parenquimáticas sem grãos de amido.
Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Raiz
https://pt.wikipedia.org/wiki/Raiz#Forma%C3%A7%C3%A3o_das_ra%C3%ADzes
file:///C:/Users/Rayssa/Downloads/PLANTAS%20MEDICINAIS.pdf
Farmacopéia Brasileira
http://www.anatomiavegetal.ib.ufu.br/exercicios-html/Raiz.htm#:~:text=A%20raiz%20%C3%A9%20caracterizada%20como,na%20sua%20parte%20superior%20(Fig.
http://www.itaya.bio.br/BotanicaII/raiz%20ANATOMIA%20INTERNA2006.pdf
http://profaerica-ciencias.blogspot.com/2016/02/morfologia-interna-das-raizes-anatomia.html
https://professores.unisanta.br/maramagenta/meristemastecidos.asp
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