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A ADAPTAÇÃO CELULAR, OS ACÚMULOS CELULARES, E OS PIGMENTOS
FATORES QUE INFLUENCIAM NA MANUTENÇÃO DA VIDA DA
CÉLULA
A estrutura e a função celulares dependem de vários fatores, de
modo a ser mantida a homeostasia, isto é, o equilíbrio do meio interno,
que possibilita a vida:
Genoma íntegro;
Metabolismo (anabolismo e catabolismo) / Substratos
disponíveis (carboidratos, lipídeos, proteínas, sais minerais,
vitaminas etc.);
Interações intercelulares e das células com os
componentes da matriz extracelular (MEC);
Graus de diferenciação e de especialização celulares.
OBSERVAÇÃO: Homeostasia (equilíbrio do meio interno).
FATORES QUE PROMOVEM O ESTRESSE CELULAR E INFLUENCIAM
NA CAPACIDADE DE ADAPTAÇÃO CELULAR, PODENDO
FAVORECER O SURGIMENTO DE LESÃO CELULAR
Hipoxia / isquemia / reperfusão (deficiência de oxigênio /
redução ou obstrução das circulações arterial ou venosa /
acúmulo de excretas e sobrecarga de radicais livres -
espécies reativas do oxigênio e do óxido nítrico);
Agentes físicos (frio; calor; traumatismo; radiações
ionizante e não ionizante);
Agentes químicos ácidos; bases; radicais livres; sais de
metal; produtos tóxicos do metabolismo intermediário;
poluentes ambientais; drogas; peçonhas (aranhas, cobras),
etc.;
Agentes infecciosos e parasitários (príon; vírus; bactérias;
protozoários; fungos; trematódeos; platelmintos;
nematódeos; insetos; ácaros etc.)
Reações inflamatórias e imunológicas (ação enzimática dos
leucócitos; proteases do plasma; mediadores químicos da
inflamação; citocinas; reações de hipersensibilidade etc.)
Defeitos genéticos (mutações; aneuploidias; síndromes
genéticas);
Distúrbios nutricionais (desnutrição; obesidade; alcoolismo)
Distúrbios metabólicos diabetes mellitus; distúrbios
endócrinos (hiper- ou hipotireoidismo; hiper- ou
hipoparatireoidismo; hiperaldosteronismo; Síndrome de
Cushing); etc..
OBSERVAÇÃO: Lesão celular que depende do tipo, intensidade e
duração do estímulo X adaptabilidade celular
As células têm capacidades diferentes de se adaptarem aos estímulos
fisiológicos ou patológicos, conforme os seus graus de diferenciação e
especialização, o tipo de estímulo, a sua intensidade e a sua duração.
As células lábeis, com grande capacidade de multiplicação (epiteliais e
germinativas, totipotenciais) e as células estáveis (parenquimais) têm
maiores capacidades de se adaptarem aos estresses do que as células
permanentes, especializadas (neurônio, células musculares estriadas).
Há várias formas de adaptação celular, a saber:
Hiperplasia, hipoplasia;
Hipertrofia, hipotrofia, atrofia;
Metaplasia;
Acúmulos intracelulares e pigmentos.
A HIPERPLASIA
A hiperplasia, ou proliferação, é o aumento no número de células em
um tecido ou órgão, o qual pode mostrar também aumento de volume,
ficando hipertrofiado.
A hiperplasia pode ocorrer por estímulos fisiológicos ou patológicos.
A hiperplasia fisiológica ocorre, por exemplo, no útero na gravidez
(hiperplasia e hipertrofia) (figura 1); no endométrio durante a fase
estrogênica do ciclo menstrual; na mama durante a gravidez e
lactação (figuras 2 e 3), etc. Pode ser compensatória como a
observada no fígado, após hepatectomia de um segmento; no rim
contralateral, após nefrectomia ou por atrofia num dos rins (figura
4); pulmonar, após ressecção de segmento, lobo ou do pulmão inteiro
contralateral; etc.
Figura 1A - Corpo de útero puerperal aberto. Hiperplasia e hipertrofia
das fibras musculares lisas e hiperplasia estromal. Figura 1B - Fibras
musculares lisas hipertróficas de útero puerperal. H&E.
Figura 2 - Mama com ácinos proliferados na gravidez, lactação.
Figura 3 - Ácinos mamários com secreção apócrina (lactação).
Figura 4 - Rim, à direita, com hiperplasia e hipertrofia
compensatórias ao rim atrófico, à esquerda na imagem.
A hiperplasia patológica ocorre, por exemplo, por excesso de estímulos,
por anticorpos anti-receptores de tireotrofina (TSH = hormônio
estimulante da tireoide), levando à hiperplasia difusa dos folículos da
tireoide no hipertireoidismo primário (doença de Graves) (figura 5); pelo
hormônio corticotrófico (ACTH) na hiperplasia cortical difusa das
adrenais na doença de Cushing (figura 6), devido à adenoma hipofisário
secretor de ACTH; no endométrio no hiperestrogenismo (hiperplasia
polipoide) (figura 7); hiperplasia endometrial devido à adenocarcinoma
endometrioide; na próstata por ação da testosterona e outros
estímulos (figura 8); a hiperplasia folicular linfoide reativa nos
linfonodos (figura 9), baço, amígdalas, e outros órgãos linfoides; a
hiperplasia relacionada com as neoplasias, como no leiomioma uterino
(hiperplasia de fibras musculares lisas, dispostas em feixes em várias
direções) (figura 10), etc.
Figura 5 - Tireoide com hiperplasia difusa (microscopia) e hipertrofia
(macroscopia) (hipertireoidismo primário - doença de Graves,
autoimune). Note no corte histológico à esquerda, de tireoide, os
folículos linfoides no estroma da tireoide (doença autoimune). À
direita, observe os folículos tireoidianos hiperplásicos e a captura da
tireoglobulina pelas células foliculares colunares, funcionalmente
hiperativas (imagens em "saca-bocado").
Figura 6 - Hipertrofia das adrenais por hiperplasia cortical difusa
(doença de Cushing - por adenoma hipofisário secretor de hormônio
adrenocorticotrófico - ACTH).
Figura 7 - Útero aberto mostrando, no corpo, hiperplasia endometrial
polipoide.
Figura 8 - Próstata, cortada no plano horizontal, com hiperplasia
nodular benigna (macro- e microscopia). A hiperplasia envolve as
glândulas e o estroma fibromuscular.
Figura 9 - Cortes de linfonodo normal (à esquerda) e com hiperplasia
folicular linfoide reativa, com centros germinativos (à direita).
Figura 10 - Útero cortado, com neoplasia benigna no miométrio
caracterizada por grande leiomioma subseroso. À direita, corte
histológico mostrando as fibras musculares lisas hiperplásicas do
leiomioma.
A HIPOPLASIA
A hipoplasia é a diminuição da população celular de um tecido, órgão ou
parte do corpo.
A hipoplasia pode ser fisiológica ou patológica.
A hipoplasia fisiológica ocorre, por exemplo, no timo durante a
puberdade; nas gônadas durante o climatério; no útero na pós-
menopausa (figura 11); etc.
Figura 11 - Corte histológico de corpo uterino hipotrofiado, na pós-
menopausa. Observe, no centro, delimitando a cavidade uterina, a
hipoplasia cística do endométrio atrófico e, em continuidade, a
parede miometrial hipotrofiada, com hipoplasia, e vasos sanguíneos
esclerosados, com paredes espessadas (esclerose de Monckeberg).
A hipoplasia patológica é vista, por exemplo, no timo em crianças com
desnutrição ou doenças crônicas infecciosas e não infecciosas; na
medula óssea nas anemias aplásticas (aplasia da medula óssea) (figura
12), por ação de medicamentos, tóxicos, agentes infecciosos; nas
hipoplasias pulmonar (figura 13) e renal congênitas; na hipoplasia linfoide
observada na SIDA; na hipoplasia endometrial por compressão por
leiomiomas submucosos (figuras 14), etc.
Figura 12 - Medula óssea com acentuada hipoplasia das células
hematopoéticas, restando, praticamente, apenas células adiposas.
Figura 13 - Acentuada hipoplasia (atrofia) pulmonar direita congênita.
Figuras 14 - Úteros cortados no plano frontal, com grandes
leiomiomas submucosos que, ao se projetarem ocupando a cavidade
do corpo uterino, tornam o endométrio hipoplásico (hipotrofiado) por
compressão.
A HIPERTROFIA
A hipertrofia é o aumento do tamanho das células e,
consequentemente, dos órgãos e de parte do corpo. As células
hipertróficas têm aumento na síntese das suas estruturas
(citoplasma, citoesqueleto, organelas, inclusões). A hipertrofia pode ser
apenas secundária à hiperplasia, sem que as células estejam
hipertrofiadas. Pode, igualmente, haver hipertrofia de um tecido, órgão
ou membro,devido à tumefação celular generalizada, ou ao edema
(acúmulo de líquido no interstício conjuntivo). No edema generalizado,
anasarca, há hipertrofia de todo o corpo (leia no tópico de distúrbios
hemodinâmicos).
A hipertrofia fisiológica é observada, por exemplo, nas fibras
musculares lisas no útero gravídico ou puerperal (figura 1), que por
estímulos hormonais também se hiperplasiam. Ocorre também na
mama durante a gravidez e a lactação, como consequência da
hiperplasia dos ácinos glandulares (figuras 2 e 3); na musculatura
estriada esquelética no exercício físico com peso etc.
A hipertrofia patológica é notada no miocárdio nos pacientes com
hipertensão arterial ou miocardiopatia hipertrófica (figuras 15 e 16); na
próstata devido às hiperplasias glandular e estromal (figura 8); nas
quatro paratireoides hiperplasiadas, no hiperparatireoidismo
secundário (hipocalcemia crônica e hiperfosfatemia) (figura 17), devido
à insuficiência renal progressiva, esteatorreia, deficiência de vitamina
D, pouca ingesta de cálcio; na hidronefrose (hipertrofia renal, com
hipoplasia, hipotrofia, do parênquima renal, por aumento da pressão no
sistema pielocalicial, devido à obstrução nas vias urinárias) (figura 22);
etc.
Figura 15 - Hipertrofia do ventrículo esquerdo (hipertensão arterial).
Figura 16 - Cardiomiopatia hipertrófica (as cardiomiopatias, no sentido
estrito, são enfermidades do miocárdio, em geral, de origem
genética, com disfunções contrátil e, ou de condução do impulso
elétrico (arritmias), apresentando hipertrofia ou dilatação
ventriculares. Podem ser dos tipos: dilatada, hipertrófica ou
restritiva e, primariamente, cardíacas, ou secundárias à doença
sistêmica).
Figura 17 - Hiperplasia e hipertrofia das quatro paratireoides (macro-
e microscopia) no hiperparatireoidismo secundário hipocalcemia
crônica + hiperfosfatemia por: insuficiência renal progressiva; pouca
ingesta de cálcio; esteatorréia; deficiência de vitamina D (1,25 di-
hidroxicolecalciferol).
A HIPOTROFIA / ATROFIA
A hipotrofia representa uma redução do volume menos acentuada do
que a atrofia.
A hipotrofia/atrofia é a redução do volume das células, por redução
na quantidade de suas estruturas, podendo levar, consequentemente,
à redução do volume dos tecidos, órgãos ou de parte do corpo.
A hipotrofia/atrofia fisiológica é observada, por exemplo, no útero e
anexos após a menopausa (figura 11); no timo na puberdade; no
envelhecimento (figura 18); na notocorda e ducto tireoglosso, durante
o desenvolvimento embrionário etc.
http://patologia.medicina.ufrj.br/index.php/histopatologia-geral/147-adaptacao/hipertrofia
http://patologia.medicina.ufrj.br/index.php/histopatologia-geral/147-adaptacao/hipertrofia
Figura 18 - Corações normal à esquerda, e com atrofia, na imagem
do meio, devido ao envelhecimento (atrofia parda, devido ao acúmulo
de lipofuscina nas fibras musculares). Note o corte histológico com
as fibras miocárdicas hipotrofiadas e o aumento relativo do
interstício conjuntivo.
A hipotrofia/atrofia patológica ocorre, por exemplo, na desnutrição
protéico-calórica grave (marasmo), de modo generalizado (figura 19);
no desuso de membro ou órgão, como a dos membros imobilizados por
longo tempo devido à fratura óssea, ou nos membros de pacientes
com paralisia por lesão do neurônio motor na medula espinhal; nos
órgãos ou membros com redução do fluxo sanguíneo (isquemia); na
falta de estímulos por deficiência hormonal ou de fatores de
crescimento; na desnervação; por pressão (compressão intrínseca ou
extrínseca) (figuras 14 e 20); no cérebro na doença de Alzheimer
(figura 21) e na aterosclerose cerebral; no parênquima renal na
hidronefrose (figura 22); etc.
Figura 19 - Marasmo (desnutrição acentuada). Figura 20 - Hipotrofia
muscular do membro inferior direito por compressão de nervo
espinhal, comprometendo o neurônio motor.
Figura 21 - Hipotrofia cerebral (Doença de Alzheimer) - giros
estreitos e sulcos largos e profundos, em ambos os hemisférios
cerebrais.
Figura 22 - Rim normal, e rim hipertrófico, com hidronefrose,
associada com hipotrofia do parênquima, devido ao aumento da
pressão no sistema pielocalicial, por obstrução das vias urinárias. (As
imagens dos rins acima não estão na mesma escala de tamanho).
A METAPLASIA
A metaplasia é uma alteração benigna, reversível, onde um tipo de
célula epitelial diferenciada é substituída por outro tipo de célula
epitelial diferenciada.
Também envolve a substituição de um tipo de tecido mesenquimal por
outro tipo, usualmente, não presente no local.
Exemplos:
Epitélio colunar Epitélio escamoso.
Epitélio colunar simples → Epitélio colunar mucossecretor
com células caliciformes (intestinal).
Epitélio colunar simples → Epitélio mucossecretor
(endocervical) ou colunar ciliado (tubário).
A metaplasia epitelial escamosa usualmente é observada no epitélio do
trato respiratório em fumantes, onde o epitélio pseudoestratificado
cilíndrico ciliado é substituído por epitélio estratificado escamoso
(figura 23).
Figura 23 - Acima observa-se o epitélio pseudoestratificado cilíndrico
ciliado do trato respiratório e, embaixo, laringe com a substituição do
epitélio normal, por epitélio estratificado escamoso (metaplasia
escamosa).
A metaplasia epitelial escamosa também é observada na junção
escamocolunar do colo uterino, sendo substituído o epitélio colunar
mucossecretor da endocérvice, por epitélio estratificado escamoso
(figura 24).
Figura 24. Junção escamocolunar (seta amarela) do colo uterino
mostrando a metaplasia escamosa. Observe as glândulas mucosas da
endocérvice, à esquerda.
As metaplasias epiteliais gástrica e intestinal ocorrem nos pacientes
com esofagite crônica por refluxo gastroesofagiano, onde o epitélio
estratificado escamoso é substituído por epitélio de padrão gástrico
(figura 25), e depois de padrão intestinal, colunar mucossecretor, com
células caliciformes (figura 26).
Figura 25 - Esôfago com metaplasia glandular.
Figura 26 - Esôfago - Imagens endoscópica (esquerda) e à
microscopia (direita) de metaplasia intestinal.
A metaplasia intestinal é observada nas gastrites crônicas atróficas,
onde o epitélio glandular da mucosa gástrica é substituído por epitélio
colunar mucossecretor com células caliciformes, associadas, ou não
com células de Paneth (estas do intestino delgado) (figura 27).
Figura 27 - Mucosa do estômago com metaplasia intestinal. Note as
células colunares mucossecretores e caliciformes, típicas do
intestino.
A metaplasia epitelial tubária (epitélio colunar ciliado) é vista nos
epitélios do endométrio, colunar simples, e da endocérvice, colunar
mucossecretor (figura 28).
Figura 28 - Detalhe de mucosa de endométrio (epitélio e córion)
evidenciando metaplasia epitelial do tipo tubário (epitélio colunar
simples ciliado).
A metaplasia mucinosa (epitélio colunar mucossecretor), com padrão
de epitélio da endocérvice, pode ser observada no endométrio (figura
29).
Figura 29 - Endométrio apresentando glândulas com metaplasia
mucinosa, devido à substituição do epitélio colunar simples, visto em
algumas glândulas, por epitélio colunar simples mucossecretor
endocervical.
Tecido conjuntivo propriamente dito → Tecido
conjuntivo ósseo / hematopoiético / cartilaginoso /
adiposo.
Tecido conjuntivo propriamente dito, ou tecido
conjuntivo adiposo → Tecido hematopoiético.
A metaplasia mesenquimal compreende a substituição do tecido
conjuntivo propriamente dito, ou outro tipo de tecido conjuntivo, em
tecidos cartilaginoso, ósseo, hematopoético, ou adiposo, em sítios onde
normalmente não ocorrem.
Exemplos:
Nos locais de inflamação crônica com necrose, pode haver
calcificação distrófica e surgimento de tecido ósseo com ou sem
medula óssea, metaplásicos, como, por exemplo, nas sinovites crônicas,
ou nas osteocondromatoses sinoviais (figura 30), nas dermatitescrônicas (figura 31), etc.
Tecido hematopoético metaplásico pode ser observado em vários
órgãos e situações como: no interstício de rins com displasia
multicística congênita; em pacientes com hemoglobinopatias, como a
Talassemia (figura 32); em pacientes com anemias hemolíticas, com
síndromes mielodisplásicas, etc.
Metaplasia de células da linhagem hematopoética eosinofílica ocorre
nos espaços-porta de pacientes com esquistossomose mansônica
hepatoesplênica.
No tecido adiposo associado com as adrenais pode surgir massa com
tecido hematopoético metaplásico, caracterizando os mielolipomas
(figuras 33 e 34).
Figura 30 - Sinóvia (membrana sinovial) com metaplasias
cartilaginosa (tecido azul) e óssea (tecido róseo).
Figura 31 - Pele com metaplasia óssea na derme, a qual apresenta
infiltrado inflamatório.
Figura 32 - Talassemia (hemoglobinopatia): detalhes de polpa
vermelha do baço, à esquerda, com metaplasia eritroide (agregado de
células com núcleo hipercromático, arredondado) e, à direita, com
metaplasia megacariocítica (células com núcleo grande).
Figuras 33 (esquerda) e 34 (direita - detalhe da figura 33) - Tecido
hematopoético metaplásico em tecido adiposo, associado à adrenal
(mielolipoma).
ACÚMULOS INTRACELULARES
As células podem apresentar acúmulos de diferentes origens, a
saber:
Constituintes celulares normais (água, lipídeos, proteínas e
carboidratos).
Substâncias anormais endógenas (produtos de síntese ou
metabolismo anômalo, por erros inatos do metabolismo,
hiperlipidemias, esteatose).
Substâncias anormais exógenas mineral (sílica), produtos de
agentes infecciosos e parasitários, aspiração de óleo
mineral
Pigmentos exógenos (pigmento antracótico, ouro, prata,
tatuagem)
Pigmentos endógenos (lipofuscina, melanina, bilirrubina,
hematoidina, hemossiderina etc.).
CONSTITUINTES CELULARES NORMAIS (FIGURA 35, 36, 37)
Água e eletrólitos
Figura 35 - Fígado: hepatócitos normais e com tumefação, ou
degeneração hidrópica, por acúmulo de água e eletrólitos no
citoplasma.
Figura 36 - Rim - Túbulos proximais com tumefação das células
epiteliais por acúmulos de água e eletrólitos, devido aos distúrbios
hidroeletrolíticos.
Lipoproteínas e proteínas
Figura 37 - Células epiteliais do túbulo proximal renal com acúmulos
de lipoproteínas e proteínas (PAS), devido à síndrome nefrótica
(hipoalbuminemia e hiperalbuminúria, hiperlipidemia e lipidúria,
edema, decorrentes de glomerulopatia).
SUBSTÂNCIAS ANORMAIS ENDÓGENAS (FIGURAS 38, 39, 40, 41,
42 E 43)
Alfa-1-antitripsina
Figura 38 - Fígado. Hepatócitos periespaços-porta com glóbulos PAS
(Ácido Periódico - Schiff) positivos no citoplasma, por acúmulo da
enzima alfa-1-anti-tripsina (doença da deficiência de alfa-1-
antitripsina sérica). (A diastase elimina o glicogênio).
Glicocerebrosídeo
Figura 39 - Baço. Detalhe dos macrófagos repletos de
glicocerebrosídeos, um tipo de lipídeo, na doença de Gaucher (lipidose
- doença por erro inato do metabolismo).
ESTEATOSE OU DEGENERAÇÃO GORDUROSA
É o acúmulo de gorduras neutras (mono, di ou triglicerídios)
no citoplasma de células, que normalmente não as
armazenam.
A forma clássica é a esteatose hepática.
Pode ocorrer também no miocárdio, no epitélio tubular renal,
em músculos esqueléticos, pâncreas.
Cerca de 25% das pessoas com esteatose hepática não
alcoólica desenvolvem esteato-hepatite, que evolui para
cirrose.
Algumas causas de esteatose
Alcoolismo
Desnutrição protéica
Oferta excessiva de lipídeos
Hipóxia (diminuição de ATP)
Hepatotoxidade
Medicamentos
Obesidade
Diabetes mellitus
Figura 40 - Esquema simplificado da Patogenia da esteatose hepática.
Figura 41 - Fígado alaranjado esteatótico. Cortes histológicos de
fígado corados pela H&E (hepatócitos vacuolados pela retirada dos
lipídeos no processamento histológico com xilol) e pelo Sudan IV
(lipídeos em laranja).
Figuras 42 e 43 - Cortes de pele apresentando, na derme, inúmeros
macrófagos xantomatosos, pelo acúmulo de lipoproteínas no
citoplasma (xantoma devido à hiperlipidemia). H&E.
SUBSTÂNCIAS ANORMAIS EXÓGENAS (FIGURAS 44, 45, 46, 47)
Figura 44 - Pulmão, detalhe de granuloma, caracterizado por
agregado de macrófagos, com cristais de sílica no citoplasma (nódulo
silicótico), observado na pneumoconiose chamada silicose. H&E.
Figura 45 - Células (neurônios cerebrais, pneumócitos, e neurônios
da retina) com efeitos citopáticos, como corpos de inclusão, nuclear
("olho de coruja") e citoplasmáticos (pequenas, arredondadas e
basofílicas), típicos de infecção por citomegalovírus (CMV).
Figura 46A (esquerda) - Hepatite crônica pelo VHB. Citoplasma dos
hepatócitos, em "vidro despolido," com acúmulo de antígenos de
superfície do vírus da hepatite B (HBsAg). H&E. Figura 46B (direita) -
Hepatite crônica pelo VHB. Detalhe de Hepatócito com acúmulo de
HBsAg (corpos filamentosos) nas cisternas do retículo
endoplasmático liso. MET
http://anatpat.unicamp.br/lamresp24.html
Figura 47 - Pneumonia lipoídica por aspiração de óleo mineral.
Macrófagos alveolares repletos de lipídeo (alaranjado). Corte
congelado. Histoquímica, Sudan IV.
PIGMENTOS EXÓGENOS (FIGURAS 48 E 49)
Figuras 48 e 49 - Antracose pulmonar e em linfonodo. Superfícies
pleurais com manchas e desenho dos vasos linfáticos delimitando os
lóbulos pulmonares, devido aos macrófagos com acúmulo de pigmento
negro antracótico.
O pigmento antracótico (micropartículas de carvão inspiradas, devido
à poluição atmosférica) é também observado nos cortes histológicos
do pulmão (fotomicrografia pequena, acima, à direita) e do linfonodo
hilar (embaixo, à direita).
PIGMENTOS ENDÓGENOS (FIGURAS 50, 51, 52, 53, 54, 55, 56)
Melanina
Figura 50 - Pele com queratinócitos basais da epiderme com
pigmento de melanina, derivada da tirosina, que dá diferentes
tons à pele, segundo a sua maior ou menor concentração nos
queratinócitos, conforme os grupos étnicos.
Lipofuscina
Figuras 51 (Esquerda) - Fígado com hepatócitos com pigmento
acastanhado de lipofuscina. Pele de idoso com pigmento de
lipofuscina (pigmento do desgaste, pigmento do envelhecimento,
pigmento ceroide, lipocromo). Figura 51 (Direita) - Note os
hepatócitos com pigmento acastanhado de lipofuscina no citoplasma.
A lipofuscina acumula-se nas células, nos lisossomos ou no citossol,
como produtos da degradação oxidativa de várias moléculas: proteínas,
ácidos graxos poli-insaturados, triglicerídeos, colesterol, fosfolipídeos,
lipoproteínas, carboidratos etc. Além destes constituintes a
lipofuscina pode também apresentar em pequenas quantidades (2%)
ferro, cobre, zinco, alumínio, manganês e cálcio.
A degradação dá-se pela ação de enzimas chamadas calpaínas,
através do sistema ubiquitina/proteassomo, e por autofagia. A
lipofuscina tende a se acumular nos neurônios, células musculares
estriadas, esqueléticas e cardíacas, fígado, neurônios da retina etc.
Hemossiderina
Figuras 52 (esquerda) e 53 (direita) - Fígado. Pigmento de
hemossiderina no citoplasma dos hepatócitos. O método histoquímico
de Perls (azul da Prússia) permite detectar o ferro presente na
hemossiderina.
O ferro acumula-se nas células sob a forma de ferritina ou
hemossiderina. A ferritina no citoplasma forma agregados moleculares
em suspensão, constituindo micelas.
Quando há excesso de ferro, as micelas de ferritina se agregam e
formam a hemossiderina, um complexo de ferritina, insolúvel. A
hemossiderina, ao microscópio óptico, mostra-se como grânulos
acastanhados ou amarelo-dourados, no citoplasma das células.
A deposição excessiva de hemossiderina nos tecidos caracteriza a
hemossiderose. Esta pode ser localizada, por exemplo, nos locais com
hemorragia, onde os macrófagos fagocitam as hemácias e acumulam
no citoplasma o ferro sob a forma de hemossiderina; nos
macrófagos alveolares pulmonaresem pacientes com hiperemia
passiva crônica devido à insuficiência cardíaca esquerda; ou pode ser
sistêmica (hemocromatose secundária), devido às anemias hemolíticas;
anemia falciforme; repetidas transfusões de sangue; por aumento da
absorção de ferro no intestino (excesso de ingestão de ferro), etc.
Na hemossiderose sistêmica (hemocromatose secundária), o acúmulo
de hemossiderina nas células de vários órgãos, em geral, não é
suficiente para causar danos nas células e distúrbios funcionais nos
órgãos.
A hemocromatose hereditária, ou primária, é doença genética (tipos 1,
2 e 3, como herança autossômica recessiva, e tipo 4, como herança
autosômica dominante), que se manifesta como hemossiderose
sistêmica, por excesso de absorção de ferro intestinal, com acúmulos
de hemossiderina nos macrófagos e nas células dos parênquimas do
fígado, pâncreas, na pele (derme), no coração, nas membranas
sinoviais das articulações, nos testículos, na hipófise, adrenais, tireoide,
paratireoides etc. Nesta enfermidade hereditária, devido ao acúmulo
de ferro ser tóxico para as células, os pacientes desenvolvem cirrose
hepática, diabetes mellitus, cardiomiopatia, artrite, pigmentação da
pele (macrófagos na derme), hipogonadismo etc.
Bilirrubina
Figura 54 - Síntese e excreção da bilirrubina. Figura 55 - Fígado -
Hepatócitos com pigmento de bilirrubina no citoplasma, à esquerda.
Note os trombos biliares, à direita, (colestase). H&E.
O catabolismo do grupo Heme da hemoglobina produz diretamente o
pigmento esverdeado chamado biliverdina, que pela ação da biliverdina
redutase, origina o pigmento amarelo conhecido como bilirrubina, cujo
acúmulo nos tecidos, devido à hiperbilirrubinemia, causa a icterícia.
A hiperbilirrubinemia pode ser devido às anemias hemolíticas; doenças
genéticas; colestases intra- e extra-hepáticas (hipoplasia de ductos
biliares intra-hepáticos; atresia de vias biliares extra-hepáticas; litíase
biliar; colangites; hepatites; cirrose hepática; neoplasias de cabeça do
pâncreas, etc).
Hematoidina
Figuras 56 - Meningioma (neoplasia benigna derivada das células
meningoteliais da meninge) com a deposição de cristais de
hematoidina, H&E. (Unicamp).
Este pigmento não contém ferro e é constituído por lipídeos e produtos
do metabolismo da hemoglobina, em áreas de hemorragia, após a
fagocitose das hemácias por macrófagos. H&E.
Outros termos relacionados com o desenvolvimento:
Agenesia: Não formação de um órgão ou tecido;
Hipoplasia: Renovação insuficiente de células em um
determinado tecido embrionário ou maduro;
Aplasia: Ausência total de renovação com desaparecimento
do tecido;
Displasia (disforme):
Órgão – Formação anômala de órgão (e.g., displasia renal
multicística);
Celular-epitelial – Alterações genéticas celulares, que
causam atipias nucleares e desorganizam a disposição das
células epiteliais, originando as neoplasias intraepiteliais (e.g.,
neoplasias intraepiteliais escamosas do colo uterino, vaginal,
vulvar, etc.).
http://anatpat.unicamp.br/nptmeningioma5.html
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