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SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M. Thereza de B. Camargo 1/176 
Há apenas duas Há apenas duas Há apenas duas Há apenas duas coisas entre as quais escolher:coisas entre as quais escolher:coisas entre as quais escolher:coisas entre as quais escolher: 
sua realidade com Deus, sua realidade com Deus, sua realidade com Deus, sua realidade com Deus, o espírito,o espírito,o espírito,o espírito, ou qualquer outra coisa. ou qualquer outra coisa. ou qualquer outra coisa. ou qualquer outra coisa. 
Só oSó oSó oSó o espírito é espírito é espírito é espírito é verdadeiro, verdadeiro, verdadeiro, verdadeiro, íntíntíntínteeeegro e permanente. gro e permanente. gro e permanente. gro e permanente. 
Só uma é real, sempre. A outraSó uma é real, sempre. A outraSó uma é real, sempre. A outraSó uma é real, sempre. A outra, sempre il, sempre il, sempre il, sempre iluuuusãosãosãosão 
Essa é a Essa é a Essa é a Essa é a 
SSSSSSSSUUUUUUUUAAAAAAAA 
RRRRRRRREEEEEEEEAAAAAAAALLLLLLLLIIIIIIIIDDDDDDDDAAAAAAAADDDDDDDDEEEEEEEE 
IIIIIIIIMMMMMMMMOOOOOOOORRRRRRRRTTTTTTTTAAAAAAAALLLLLLLL 
Como romper 
o Ciclo Repetitivo de 
Nascimento e Morte 
para sempre. 
GARY R. RENARD 
O autor do best-seller “O Desaparecimento do Universo” 
TraduçãoTraduçãoTraduçãoTradução 
M. THEREZA DE B. CAMARGOM. THEREZA DE B. CAMARGOM. THEREZA DE B. CAMARGOM. THEREZA DE B. CAMARGO 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M. Thereza de B. Camargo 2/176 
Tu és como Deus te criou. Tu és como Deus te criou. Tu és como Deus te criou. Tu és como Deus te criou. 
É loucura acreditar em qualquer outra coisa, É loucura acreditar em qualquer outra coisa, É loucura acreditar em qualquer outra coisa, É loucura acreditar em qualquer outra coisa, aaaalém disso. lém disso. lém disso. lém disso. 
Através deste únicAtravés deste únicAtravés deste únicAtravés deste único pensamento, todos são libo pensamento, todos são libo pensamento, todos são libo pensamento, todos são libeeeerados. rados. rados. rados. 
Através dessa Através dessa Através dessa Através dessa úúúúninininicccca verdade, todas as ilusões da verdade, todas as ilusões da verdade, todas as ilusões da verdade, todas as ilusões deeeesaparecem. saparecem. saparecem. saparecem. 
Através desse único fato, a impecabilidade é prAtravés desse único fato, a impecabilidade é prAtravés desse único fato, a impecabilidade é prAtravés desse único fato, a impecabilidade é prooooclamada clamada clamada clamada 
como parte de tudo para sempre, como parte de tudo para sempre, como parte de tudo para sempre, como parte de tudo para sempre, 
o núcleo central da existênciao núcleo central da existênciao núcleo central da existênciao núcleo central da existência de tudo de tudo de tudo de tudo 
e a garantia da imortale a garantia da imortale a garantia da imortale a garantia da imortaliiiidade pdade pdade pdade para todas as coisas. ara todas as coisas. ara todas as coisas. ara todas as coisas. 
(E-pI.191.4:2-6) 
Essa éEssa éEssa éEssa é a a a a 
SSSSSSSSUUUUUUUUAAAAAAAA RRRRRRRREEEEEEEEAAAAAAAALLLLLLLLIIIIIIIIDDDDDDDDAAAAAAAADDDDDDDDEEEEEEEE IIIIIIIIMMMMMMMMOOOOOOOORRRRRRRRTTTTTTTTAAAAAAAALLLLLLLL 
Se você ceder um milímetro ao ego, Se você ceder um milímetro ao ego, Se você ceder um milímetro ao ego, Se você ceder um milímetro ao ego, 
ele tomará um quilômele tomará um quilômele tomará um quilômele tomará um quilômeeeetrotrotrotro.... 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M. Thereza de B. Camargo 3/176 
Também de autoria de Gary R. Renard 
O Desaparecimento do Universo – Conversa direta sobre Ilusões, Vidas Passadas, Reli-
gião, Sexo, Política, os Segredos do Universo e os Milagres do Perdão. 
Cartas para Iluminação – Pensamentos de 
“O Desaparecimento do Universo” 
(Baralho de 72 cartas) 
 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M. Thereza de B. Camargo 5/176 
E haverá, afinal, o dia quando E haverá, afinal, o dia quando E haverá, afinal, o dia quando E haverá, afinal, o dia quando 
não haja mais necessidade para dias. não haja mais necessidade para dias. não haja mais necessidade para dias. não haja mais necessidade para dias. 
E você viverá cE você viverá cE você viverá cE você viverá coooomo mo mo mo UM,UM,UM,UM, para sempre, para sempre, para sempre, para sempre, 
na santidade de na santidade de na santidade de na santidade de 
SSSSSSSSUUUUUUUUAAAAAAAA 
RRRRRRRREEEEEEEEAAAAAAAALLLLLLLLIIIIIIIIDDDDDDDDAAAAAAAADDDDDDDDEEEEEEEE 
IIIIIIIIMMMMMMMMOOOOOOOORRRRRRRRTTTTTTTTAAAAAAAALLLLLLLL 
Como romper 
o Ciclo Repetitivo 
de Nascimento e Morte 
para sempre. 
GARY R .RENARD 
Autor do best seller “O Desaparecimento do Universo” 
Tradução 
MARIA THEREZA DE BARROS CAMARGO 
Íbis Libris Editores
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M. Thereza de B. Camargo 6/176 
Copyright © 2008 por Maria Thereza de Barros Camargo 
Publicado e distribuído no Brasil por Íbis Libris Editores Ltda. www.ibislibris.com.br 
Supervisão editorial: João José de Melo Franco 
Supervisão gráfica: Íbis Libris Editores Ltda. 
Supervisão técnica: Thereza Christina Rocque da Motta 
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte pode ser reproduzida por nenhum proces-
so mecânico, fotográfico ou eletrônico ou na forma de gravação fotográfica, nem pode 
ser arquivado ou transmitido por qualquer sistema de memorização, ou de qualquer ou-
tra forma copiado para uso público ou particular – a não ser para utilização de “boa fé”, 
como citações ligeiras incluídas em artigos ou comentários – sem prévia permissão es-
crita e explícita da editora. O propósito do autor é apenas oferecer informação de natu-
reza geral para ajudá-lo em sua busca de bem-estar emocional e espiritual. Na circuns-
tância do uso de qualquer informação contida neste livro para si mesmo, que é seu direi-
to constitucional, o autor, a tradutora e a editora desobrigam-se da responsabilidade por 
seus atos. 
Classificação bibliográfica na fonte 
Renard, Gary R. 
Sua Realidade Imortal – como vencer o ciclo repetitivo de nascimento e morte /Gary R. 
Renard – tradução: Maria Thereza de Barros Camargo; revisão técnica: Thereza Chris-
tina Rocque da Motta 
Inclui referências bibliográficas e índice 
ISBN – (capa) 
ISBN – (capa) 
ISBN – (encadernação) 
1 – vida espiritual. 2 – Curso em Milagres. 3 – Mestres ascensos. 4 – Evangelho de To-
mé. I – Título. 
00000000000 
00000000000 00000000000 
 
Capa dura : ISBN 0000000000000000 
Capa mole: ISBN 0000000000000000 
09 08 07 06 4 3 2 1 
1ª impressão dez, 2007 
Impresso na Republica Federativa do Brasil 
 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M. Thereza de B. Camargo 7/176 
ConteúdoConteúdoConteúdoConteúdo 
A respeito de Um Curso em Milagres 
Referências e Notação 
A respeito do autor 
A respeito da tradutora 
Introdução 
Prólogo 
1: Arten e Pursah! 
2: Poder real 
3: Vida de Gary 
4: Assassinatos sem cadáveres 
5: O “Herói” do sonho 
6: É esta existência, seu bobo 
7: O Evangelho de Tomé de Pursah 
8: Olhando para o futuro, Parte II 
9: Quem é Arten? 
10: Os surrados brinquedos da Terra 
11: Sua Realidade Imortal 
Índice de Referências 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M. Thereza de B. Camargo 9/176 
Este livro é amorosa e respeitosamente dedicado 
a todos que amam Um Curso em Milagres, 
e aos que estejam prestes a descobri-lo para si próprios.
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M. Thereza de B. Camargo 11/17
6 
Quem é o “tu” que está vivendo nesse mundo?O espírito é imortal e a imortalidade é um estado constante. 
diz Jesus 
em Um Curso em Milagres T-4.II.11:8-9
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M. Thereza de B. Camargo 13/17
6 
A respeito de A respeito de A respeito de A respeito de Um Curso em MilagresUm Curso em MilagresUm Curso em MilagresUm Curso em Milagres 
 Curso é um documento espiritual, de auto-estudo, composto de três livros em um, 
que inclui, no 1º livro, um Prefácio, com o relato do registro desse livro e um Tex-
to, com toda a teoria do que ensina; no 2º livro, um Livro de Exercícios para Estudan-
tes, com um programa de um ano de estudo, que muitas vezes as pessoas levam mais do 
que um ano para fazer, que treina o estudante a aplicar o Curso para a vida do dia-a-dia; 
no 3º livro, um Manual para Professores, com reforço e detalhamento do que foi ensi-
nado e um Esclarecimento de Termos, com definição e explicação de palavras, expres-
sões e sentido dos termos empregados no livro. 
O Curso foi dado por Cristo Jesus, durante um período de sete anos – 1965 a 
1971 – por canalização para uma médica psiquiatra, pesquisadora e professora, Helen 
Schucman, na cidade de Nova York. Ela tomou nota de tudo que Jesus disse a ela, em 
seu caderno de notas de taquigrafia, ditando-o depois, paulatinamente, dia a dia, ao seu 
colega e chefe, psiquiatra pesquisador e professor Bill Thetford, na Universidade de 
Columbia, onde trabalhavam, que o datilografou integralmente, como uma amorosa 
tarefa compartilhada de ambos. 
O volume editado autêntico de Um Curso em Milagres, em português do Brasil, 
com 1327 páginas, traduzido por um grupo de brasileiros no Rio de Janeiro e depois, 
durante 10 anos aperfeiçoado, consolidado e terminado por Lillian Sales de Oliveira 
Paes, nos EUA, integraliza, como o original, os três tomos em um só volume, Prefácio e 
Texto, Livro de Exercícios para Estudantes, Manual para Professores e Esclarecimento 
de Termos, especialmente escrito por Helen, datilografado por Bill, editado por Helen e 
Bill, em conjunto, e revisado e montado por Kenneth Wapnick, Ph. D, junto com Helen 
e Bill, publicado pela primeira vez, em inglês, em 1976, pela Foundation for Inner 
Peace, criada especialmente para isso, hoje auxiliada pela Foundation for A Course in 
Miracles no gerenciamento e direção das traduções que estão sendo feitas em todos os 
idiomas falados no mundo, assim como auxiliar estudantes e praticantes do Curso a 
aprenderem, com exatidão e pureza, a mensagem de Jesus, por seu intermédio. 
De acordo com Um Curso em Milagres, nossa casa é na realidade, Céu, o Reino 
de Deus; um reino espiritual de pura unidade e alegria ilimitada que nunca podem ser 
danificadas. Nós tentamos atacar a realidade, nos separar dela, fazendo uma identidade 
separada-o ego e o mundo do espaço e do tempo. Mas a separação só aconteceu em nos-
sas mentes; com a nossa realidade nada aconteceu. 
Ainda assim nós acreditamos que realmente fizemos isto. Nós pensamos que jo-
gamos fora a nossa felicidade para sempre. Então nós projetamos a causa de nosso so-
frimento sobre o mundo e as pessoas, produzindo as ilusões de que alguém ou algo nos 
roubou a nossa felicidade, parecendo eles serem os culpados de nossas perdas. Nossa 
solução ilusória: Mudar o mundo, mudar as pessoas, pegar de volta o que foi nos rouba-
do. Mas essa nossa "solução", é um ataque que só faz repetir o problema original. 
Nós perdemos o contato com a realidade e assim precisamos da ajuda do Espíri-
to Santo para que a nossa sanidade seja restabelecida. Sua mensagem é que nunca pe-
camos, nunca mudamos. Nós precisamos somente mudar nossas mentes. Para mudar 
nossa percepção, temos que entregar nossas ilusões à verdade do Espírito Santo. Sua 
solução é: Perdoe o mundo e as pessoas pelo que não fizeram. Estendendo o perdão para 
outros, nós também somos perdoados. Esta se torna nossa única função. O perdão tam-
O 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 14/176
bém desfaz os muros que nos separam das pessoas, permitindo-nos vivenciar o fato de 
que nós somos um. 
Tendo o perdão como nossa ferramenta, e o Espírito Santo como nosso Guia, vi-
ajamos para a verdadeira percepção, que é a nossa meta. Quando nós e o mundo inteiro 
atingirmos a verdadeira percepção, Deus dará o passo final e nos levará de volta para 
casa. 
Vendido em livrarias especializadas, é disponível no Brasil, em capa dura, en-
comendado nos seguintes locais: 
1 – grupos de estudo de UCEM, com seus professores, facilitadores e dirigentes, como a 
tradutora deste livro: mtbcamargo@terra.com.br, 21 2521.6444 e 21 9965.2115; 
2 – livrarias especializadas em temas espiritualistas e de auto-ajuda; 
3 – Editora Abalone, em São Paulo, capital, sua publicadora autorizada no Brasil, 
editora@editora-abalone.com.br, 11 3085.6578; 
4 – livrarias de livros usados, especializadas ou não. 
 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M. Thereza de B. Camargo 15/17
6 
Referências e NotaçãoReferências e NotaçãoReferências e NotaçãoReferências e Notação 
As citações e referências neste livro são seguidas das notações dos tomos do livro Um 
Curso em Milagres, seus 2 Suplementos e o livro de poemas The Gifts of God, (As Dá-
divas de Deus) de Helen Schucman, a saber: 
T Texto 
E Livro de Exercícios 
M Manual de Professores 
ET Explicação de Termos 
 
PR Prefácio – de UCEM 
P Psicoterapia: Propósito, Processo e Prática – panfleto, Suplemento de UCEM 
CO A Canção da Oração – panfleto, Suplemento de UCEM 
DD As Dádivas de Deus – poemas, Helen Schucman 
 
A notação empregada aqui obedece a notação oficial da tradução brasileira de Um Cur-
so em Milagres, 1995, a saber: 
Sentença
Parágrafo
Seção
Capítulo
Texto
T-26.IV.4:7
Sentença
Parágrafo
Lição
Parte
Exercício
E-pl.169.5:2
Sentença
Parágrafo
Questão
Manual
M-13.3:2
Sentença
Parágrafo
Termo
Esclarecimento
de Termos
ET-6.4:6
Sentença
Parágrafo
Seção
Capítulo
Psicoterapia*
P-2.VI.5:1
Sentença
Parágrafo
Seção
Capítulo
Canção da Oração**
CO-2.II.7:7
 
 
Cada citação está identificada com a notação oficial UCEM, exemplificada acima, em 
obras em português, para remeter o leitor ao trecho do livro, a que se refere, ou de tre-
cho abordado sem citação, no interesse do leitor. 
 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M. Thereza de B. Camargo 17/17
6 
A respeito do AutorA respeito do AutorA respeito do AutorA respeito do Autor 
Gary R. Renard1, o autor do livro best-seller O Desaparecimento do Universo, nasceu 
na histórica praia norte do estado de Massachusetts, EUA. Tornou-se um músico guitar-
rista profissional bem sucedido, mas durante a convergência harmônica de 1987, ele 
ouviu um Chamado e começou, desde então, a imprimir uma diferente orientação à sua 
vida. No início da década de 1990, muda-se para o estado do Maine, EUA, ao norte de 
Massachusetts, fronteira com o Canadá, onde passou por um poderoso despertar. Con-
forme foi instruído, lenta e cuidadosamente ele escreveu O Desaparecimento do Uni-
verso, (agora citado por muitos leitores como “ODDU”) ao longo de um período de 
nove anos. 
No outono de 1993, depois de muito encorajamento pessoal de outros palestran-
tes e estudantes, Gary começou a realizar palestras e seminários em público. Sua carrei-
ra de palestrante ascendeu destacadamente rápida, e hoje faz palestras internacionais 
bem como leciona na faculdade do Instituto Omega, considerada por muitos a primeira 
organização de ensino espiritual do mundo. Combinando um senso de humor desarma-
do com uma informação e uma prática experimental metafísica cortante, Gary tem sido 
descrito como um dos mais interessantes e corajosos palestrantes espirituais no mundo. 
Em 2004 e 2005, Gary ensinou Um Curso em Milagres em 35 estados dos EUA, no 
Canadá, Austrália, Inglaterra e Costa Rica; e ele foi o palestrante destacado na Confe-
rênciaInternacional de Um Curso em Milagres na cidade de Salt Lake em 2005. suas 
viagens ceguem no mesmo ritmo. 
Site na Internet: www.GaryRenard.com 
 
1 N.T. – Gary R.Renard é hoje um autor que escreve, viaja, leciona e debate princípios metafísicos com 
outros buscadores espirituais. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M. Thereza de B. Camargo 18/17
6 
A reA reA reA respeito da tradutoraspeito da tradutoraspeito da tradutoraspeito da tradutora 
Maria Thereza de Barros Camargo, (Limeira, SP. 1928- ), tradutora de O Desapare-
cimento do Universo, é arquiteta graduada pela Faculdade de Arquitetura da Universi-
dade Mackenzie, São Paulo, SP, em 1953. Especializou-se em habitação popular nos 
mais de 40 anos em que trabalhou na COHAB-GB, depois CEHAB-RJ, no Rio de Ja-
neiro, RJ, onde passou a residir depois de casada. 
Desde menina buscou incansável o sentido espiritual para entendimento da vida, 
nas mais variadas opções filosóficas, teosóficas, teológicas e espiritualistas disponíveis 
no mundo, até que, na primavera de 1993, foi convidada a participar de um grupo de 
estudo de Um Curso em Milagres, em casa de Anna Sharp, no Rio de Janeiro, RJ. Fez 
sua opção definitiva. Nunca mais se apartou do estudo e da prática estrita, constante e 
permanente do Curso, que considera a coroação de sua busca de Deus, à qual se sente 
em permanente chamamento. O conhecimento do sistema de pensamento do Divino 
Espírito Santo, ensinado no Curso, lhe trouxe todas as respostas que sempre pediu, e 
toda compreensão do sentido da vida buscado por toda sua existência. 
Nenhuma das religiões e seitas correntes – ocidentais ou orientais – conseguiu 
preenchê-la, ensiná-la e responder-lhe mais do que fez Um Curso em Milagres, que a 
partir de 1993 se constituiu no seu re-ligare a Deus, hoje sua natureza. Criou em 2006, 
com auxílio do poeta, escritor e professor de grego, João José de Melo Franco, o nome 
psicortosofia para o sistema de pensamento do Divino Espírito Santo, base e fundamen-
to de ensino do Curso. 
Depois de traduzir O Desaparecimento do Universo, seguiu-se – em conseqüên-
cia necessária e imperiosa – esta tradução, do mesmo autor, pois ambos compõem os 
únicos textos, escrita por autor não ligado às Fundações que velam por Um Curso em 
Milagres, que, até o momento, melhor completa, detalha e suplementa o estudo do Cur-
so para seus estudantes, em minúcias e nuances, em linguagem popular, o que o texto 
do Curso, erudito para a maioria, mantém em diapasão elevado. 
Maria Thereza não é uma tradutora de livros em geral, pois só traduz ou escreve 
livros sobre o sistema de pensamento de Um Curso em Milagres, a psicortosofia, por 
estudar e se dedicar só e exclusivamente a isso, atualmente, e para atender a necessidade 
de estudantes do Curso, que não lêem senão em português. Em março/2007 lançou O-
REMAS – Orações em poemas, pela Íbis Libris Editores, do Rio de Janeiro, para difu-
são da psicortosofia sem didatismo. 
Seguidora e praticante de Um Curso em Milagres – diz-se apenas psicortósofa – 
é convidada a ler seus OREMAS – considerado um oráculo bibliomântico por seu pre-
faciador, poeta e compositor Tavinho Paes, definido, na orelha do livro, pelo poeta mai-
or João José de Melo Franco, como “sem máximas canônicas ou dogmáticas,.... um sim-
ples e direto retorno à condição natural do homem, filho de deus “Só Deus basta!”, atra-
vés da abdicação às imposições do ego” e por seus leitores, que fizeram dele seu livro 
de cabeceira – em muitos lugares pelo Brasil, tanto em grupos de leitura de poesia como 
de estudo do Curso, uma maneira de ensiná-lo e divulgá-lo de forma poética, não didá-
tica, mas sem tergiversações nem concessões deformantes da mensagem de unicidade 
de Um Curso em Milagres: “Nada real consegue ser ameaçado. Nada irreal existe.” 
 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M. Thereza de B. Camargo 19/17
6 
IntroduçãoIntroduçãoIntroduçãoIntrodução 
s que, dentre vocês, ainda não leram meu primeiro livro, O Desaparecimento do 
Universo, com toda certeza, queimarão no inferno. Estou só brincando. Entretanto, 
uma leitura desse livro, originalmente publicado em 2003, fará com que Sua Realidade 
Imortal se torne ainda mais significativo para você, sendo este uma continuação desse 
livro inicial. Se há uma diferença entre os dois é que este livro é mais solto, menos line-
ar, e salta de tema em tema ainda mais. Essa é uma maneira de ajudar a generalizar as 
idéias ensinadas, a todos aspectos da vida do leitor, enquanto mantém um foco, des-
compromissado mas inteiramente consistente, numa disciplina espiritual radical, que, se 
utilizada, produz resultados imediatos e práticos e, no final, conduz à iluminação e ao 
fim das reencarnações. Por tratar do fim das reencarnações, o fim do corpo tem de ser 
enfatizado, também, desde o início, pois o que você realmente é – sua realidade imortal 
– nada tem a ver, absolutamente, com o que quer que seja que você faça com seu corpo 
ou com seu cérebro. 
À medida que a raça humana fica exposta a novas idéias, torna-se cada vez mais 
evidente que os ensinamentos dados pelos mestres neste livro são, e continuarão a ser, 
demonstrados pela ciência como verdadeiras, e mostrarão a superação das idéias anti-
gas. Com os atalhos da psicologia moderna, bem como da física quântica, estamos a-
prendendo que não há tal coisa chamada separação, mesmo no nível do mundo, exceto 
como uma idéia na mente. A superação das idéias antigas não acontece sem uma tre-
menda resistência generalizada, pois à medida que nos aproximamos da oculta pedra 
angular da mente, nossas identidades, aparentemente separadas, individuais, se sentem 
ameaçadas. Isso é a morte para o ego coletivo, e ele não partirá em quietude.2 
Durante os últimos três anos, tem sido meu privilégio pessoal me encontrar com 
milhares de estudantes de espiritualidade e de metafísica. Alcancei a visão interior de 
que as pessoas estão prontas para muito mais do que a maioria dos professores, ou a 
mídia, estejam dispostos a dar-lhes. Aprendi a respeitar a disponibilidade das pessoas 
em, não apenas, receber novas idéias, mas questionar idéias antigas que, no mínimo, são 
os caminhos pelos quais os grandes mestres espirituais, como Jesus e Buda, hajam sido 
apresentados a nós, pelas tradicionais religiões organizadas. 
Nesse espírito, o texto a seguir relata eventos verdadeiros ocorridos de dezembro 
de 2003 a setembro de 2005. Exceto por minha narrativa, eles são apresentados dentro 
da estrutura do diálogo de três participantes: Gary (esse sou eu) e Arten, e Pursah, 
dois mestres ascensos que apareceram para mim na carne. Minha narração não é rotula-
da, a menos que isso interrompa o diálogo, quando, simplesmente, ela é rotulada de 
“NOTA”. As muitas palavras em itálico que você verá indicam uma ênfase, por parte 
dos interlocutores. 
Não é absolutamente essencial crer que o aparecimento dos mestres ascensos te-
ve lugar, de fato, para gerar benefícios às informações aqui contidas. No entanto, posso 
garantir a extrema impossibilidade desses escritos conseguirem ser feitos por um leigo 
não estudado, como eu, sem a inspiração desses professores. Em qualquer caso, deixo a 
você, leitor, a opção de pensar o que escolha a respeito da origem do livro. 
 Tive todo empenho em fazer este livro correto, mas não sou perfeito, então este 
livro não é perfeito, também. Entretanto, se há qualquer erro factual nestas páginas, vo-
cê pode ficar certo que os erros sejam meus, e não cometidos por meus visitantes. Tam-
bém, como mencionei previamente, o relato dessas conversas nem sempre é linear. Al-
 
2 N.T. – nem muito menos sem luta, que pode vir a ser agitada, feroz e malvada, até mesmo pondo em 
risco a segurança física. 
O 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 20/176
gumas vezes,coisas que foram ditas antes são incluídas depois no livro e, algumas ve-
zes, coisas ditas depois, são apresentadas antes. 
Este não é seu livro espiritual típico. Creio que meus professores aparecem para 
mim como pessoas porque querem que as conversas que temos sejam humanas. Essa é a 
única maneira que teríamos para conseguir o estilo de conversas que temos. Nós acaba-
mos falando como as pessoas, de fato, falam. Isso pode, ou não, ser do seu agrado. Al-
gumas pessoas querem ter sua espiritualidade coberta com açúcar. Mas o mundo não é 
coberto por açúcar, e temos de ser conduzidos para fora das ilusões do tempo e do espa-
ço, onde cremos estar. Cheguei a dar-me conta de que o estilo que meus professores 
querem usar tem uma boa razão, e que o meu trabalho é, simplesmente, o de ser eu mes-
mo e de cumprir a minha parte. 
As referências a Um Curso em Milagres, inclusive as citações introdutórias de 
cada capítulo, são notadas e listadas num Índice no final do livro.3 Gratidão ilimitada é 
rendida à Voz do Curso, cuja verdadeira Identidade é dita nesse documento 
Quero também agradecer ao meu consultor de publicação, D. Patrick Miller. Pa-
trick trabalhou por mais de duas décadas como jornalista, revisor e editor no campo de 
espiritualidade alternativa. Foi ele o primeiro a reconhecer a importância das mensagens 
que divulgo, e é o mais diretamente responsável por meu sucesso, do que qualquer outra 
pessoa. Ele ganhou não apenas minha gratidão, mas meu respeito. Também quero agra-
decer ao meu agente literário (e um bom novelista), Laurie Fox. Com Laurie em meu 
time, eu não conseguiria perder. 
Há muito mais pessoas a quem devo agradecer por me ajudarem nos últimos vá-
rios anos. Espero que me perdoarão por não listá-los todos aqui. Meus escritos e minhas 
falas são meu ministério, e há muitas pessoas que contribuíram de forma importante 
para isso. Nunca os esquecerei. Mas quero agradecer, publicamente, a Reid Tracy, o 
presidente e executivo principal da Hay House, de fazer com que me juntasse ao seu 
barco e de tornar possível a esta mensagem alcançar uma audiência mundial. E, final-
mente, minha gratidão vai para Jill Kramer, diretora editorial na Hay House, pelo dis-
cernimento de realizar seu trabalho experiente e de, ao mesmo tempo, manter as pala-
vras dos meus professores intactas. 
Este livro contém muitas citações de Um Curso em Milagres, que são notadas 
para assisti-lo, leitor, em estudar o Curso mais tarde, se assim escolhaer O autor e o 
editor expressam suas gratidões aos membros da Fundação para a Paz Interior em 
Mill Valley, Califórnia, e da Fundação para Um Curso em Milagres em Temecula, 
Califórnia, por suas décadas de importante trabalho que têm resultado em tornar Um 
Curso em Milagres disponível ao mundo.4 Informações sobre pedido do Curso estão 
inscritas no início deste livro. 
Finalmente, apesar de eu não ser filiado a elas, gostaria de aproveitar esta opor-
tunidade para estender meus profundos agradecimentos a Gloria e Kenneth Wapnick, 
Ph.D., fundadores da Fundação para Um Curso em Milagres em Temecula, Califór-
nia, sobre cujo trabalho muito deste livro é baseado. Fui guiado muito cedo sobre isso 
por Arten e Pursah para também me tornar um estudante do ensino de Wapnick, e este 
livro não tem como senão refletir toda experiência desse meu aprendizado. 
─ Gary Renard, 
em algum lugar entre Maine e Hawaii. 
 
3 N.T. – Nesta tradução as notações mencionadas estão no rodapé em pé da página e quando transcritas 
estão após a citação. 
4 N.T. – Pelas dezenas de traduções já feitas em muitos idiomas, serviço permanente, incessante e impe-
cável das duas Fundações, até que todos os idiomas falados hoje no mundo tenham sua tradução.. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M. Thereza de B. Camargo 21/17
6 
Prólogo Prólogo Prólogo Prólogo 
a década de 1980 vivia no Texas, USA, um rancheiro rico. Ele não era exatamente 
um janota espiritual, mas ele era muito bom na manifestação de abundância, fa-
zendo com que alguns de seus vizinhos suspeitassem que nele ambas as coisas não eram 
necessariamente conectadas. Ele reivindicava ser um cristão, mas suas ações no mundo 
faziam duvidar dessa reivindicação. 
Um dia, um fazendeiro pobre que não tinha comida, esgueirou-se dentro das ter-
ras do rancheiro rico e roubou-lhe uma de suas galinhas, para alimentar sua família. Ele 
foi apanhado por empregados do rancheiro e trazido à presença dele. Havia uma porção 
de palavras que o rancheiro poderia lhe dizer, porém tudo que lhe disse foi: “Enfor-
quem-no! Isso lhe ensinará uma lição.! 
Alguns anos mais tarde, algumas pessoas do México estavam invadindo as terras 
do rancheiro. Eram muito pobres, esperando encontrar uma nova vida. O que encontra-
ram foram os empregados do rancheiro, que os levaram para seu patrão. Depois de olhá-
los bem, tudo que o rancheiro disse foi: “Enforque-os! Isso lhes ensinará uma lição.” 
Houve muitos episódios como esse na vida do rancheiro rico, nos quais ele ja-
mais parou para se colocar no lugar das outras pessoas, mas simplesmente reagia na 
raiva e os julgava e condenava, usualmente encerando com a frase padrão: “Enforque-
os! Isso lhes ensinará uma lição.” 
Então, uma noite, o corpo do rancheiro morreu, e ele se viu sendo levado aos pe-
rolados portões do Céu. O rancheiro estava esperançoso de que ninguém o reconheceria 
e que, talvez, ele conseguisse, apenas,0 entrar. Mas, exatamente antes que ele alcançasse 
o portão, São Pedro deu um passo e, pondo-se diante dele, disse: “Espere um minuto. 
Jesus quer lhe falar!” 
Agora o rancheiro ficou muito preocupado. Ele se lembrou de algumas das coi-
sas que cometeu em sua vida, e aí estava ele, prestes a ser julgado pelo próprio Jesus. O 
rancheiro se pos a tremer todo. Jesus apareceu. Movendo-se a passos lentos até o ran-
cheiro, olha-o bem demorado dentro de seus olhos e, virando-se, diz a São Pedro: “Per-
doa-o!... Isso lhe ensinará uma lição.” 
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 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 23/176 
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Arten e Pursah!Arten e Pursah!Arten e Pursah!Arten e Pursah! 
... um bom tradutor, embora também tenha de alterar a forma do que traduz, 
nunca muda o significado. De fato, todo o seu propósito é mudar a forma 
de tal modo que retenha o significado original. (T-7;II.4:3-4) 
os dois anos desde que Arten e Pursah se despediram, minha vida havia virado de 
ponta à cabeça, e eu ignorava que isso estava sendo só o começo. Eu não tinha 
certeza se meus amigos-mestres ascensos, que me apareceram de lugar nenhum como 
corpos de ótima aparência, alguma vez retornariam. De fato, a última pergunta que lhes 
fiz havia sido: “Voltarei a vê-los outra vez?” ao que Arten respondeu: “Isso depende de 
você e do Divino Espírito Santo, querido irmão. Você deveria falar com Ele sobre isso, 
como você deve falar com Ele sempre sobre tudo mais.” 
Eu, de fato, falei com o Divino Espírito Santo, e pus-me a ouvir. Usei o método 
da oração verdadeira, que, efetivamente, é uma forma de aquietação meditativa e união 
com Deus, que Arten e Pursah haviam me ensinado. Um benefício acessório disso era 
inspiração, uma forma de receber Orientação pela mente quanto ao que eu devia fazer 
ou que decisão deveria tomar. 
Na última vez em que Arten e Pursah deixaram de ser vistos, ouvi suas vozes 
combinadas numa única Voz, a Voz do Divino Espírito Santo. Isso me relembrou uma 
experiência anterior que tive, ouvindo a voz de Jesus, que meus professores usualmente 
simplesmente se referiam com “J”. Ponderando a diferença entre a voz de J e a de ou-
tros, eu não conseguia deixar de pensar em Brian Wilson, dos Beach Boys. Como músi-
co e admirador de Wilson, eu sabia que ele jamais ouvira sua própria música em esté-
reo, por ele ser surdo num dos ouvidos. Então ele só ouvia parte dela. Quando eu ouvi a 
voz de J, foi como se eu estivesse ouvindo estéreo pela primeiravez. Toda voz que eu 
ouvi antes dessa, tinha algo lhe faltando, mas a voz de J era cheia, íntegra e completa. 
Exatamente como Wilson certamente ficaria maravilhado ao ouvir toda a gama de sons 
de sua grande música, eu estava espantado por ouvir toda gama de sons da voz de J, 
sabendo que era, ao mesmo tempo, minha própria voz – a Voz que fala por Deus. 
Isso era, também, o que soavam, combinadas, a Voz de Arten e Pursah, e ela 
permaneceu comigo. Agora eu conseguia ouvi-la com muito mais clareza, e a Orienta-
ção que recebi não me faltou. Ela, nem sempre, se ajustava às minhas imagens, mas 
sempre parecia funcionar, de alguma forma, que fosse a melhor para todos, não apenas 
para mim. De fato, isso era a marca honrosa da Orientação do Divino Espírito Santo. 
Ele consegue ver tudo, onde eu só consigo ver uma pequena parte. Então, a Orientação 
do Divino Espírito Santo se torna boa para um e para todos. Isso, algumas vezes, ficava 
incômodo. Eu quero o que seja bom para mim, e o quero agora mesmo! Mesmo assim 
sou forçado a admitir que, em retrospecto, minhas idéias têm falhado, e as idéia do Di-
vino Espírito Santo têm dado certo. Além disso, o Divino Espírito Santo já conhece to-
do o acontecido, e eu não. Isso seria como a variante de uma antiga anedota. Se você 
quer fazer o Divino Espírito Santo dar uma boa gargalhada, basta contar a Ele quais são 
os seus planos. 
NOTA: O Divino Espírito Santo é Um e íntegro, não é macho nem fêmea, 
conceito de separação e de seus resultantes opostos, símbolo de “dua-lidade” 
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e não unicidade. A palavra correta que descreve o Divino Espírito Santo seri-
a, então, Isso. Porém, numa forma artística, Arten e Pursah usaram Ele, e eu 
também. Isso deverá ser entendido como uma metáfora, nem literal nem de-
signativo de gênero. Se houve quem preferisse chamar o Divino Espírito San-
to de Ela, então quanto a mim, são mais do que bem-vindos a fazê-lo, mas is-
so não é em nada mais acertado que usar Ele. 
Essa minha atitude havia começado a mudar, lentamente, a partir de minha ida, 
pela primeira vez, à Conferência anual de Um Curso em Milagres, em Bethel, Maine, 
em outubro de 2001, logo após à tragédia de 11 de setembro. Na década de 1990, eu me 
havia feito quase um recluso, vivendo no Maine rural, sem muito contato social. Uma 
exceção a isso foi o grupo de estudo de Um Curso em Milagres que comecei a freqüen-
tar em 1993, uns seis meses após a primeira visita de Arten e Pursah. Era um grupo pe-
queno e confortável que eu freqüentaria por 11 anos, fazendo alguns bons amigos, mas 
sem me desafiar a interagir com pessoas. 
Ouvi primeiro falar da Conferência anual de Bethel em 1993 e me decidi a ir, 
mas não fui. Também tive intenção de ir todo ano, a partir de 1994 até 2000, mas nunca 
fui. Em 2001, por nove anos seguidos me prometendo ir, finalmente consegui. O evento 
é uma coisa boa. Seria a última vez que a realizariam. Por certo, não há tal coisa a que 
chamamos acaso. O fato de saber que o meu livro, O Desaparecimento do Universo, 
estava quase pronto (Arten e Pursah me haviam prometido mais uma visita pelo fim do 
ano) combinado com a tragédia de 11/9, haviam iniciado um fogo abaixo de mim. Não 
sou uma pessoa de alta energia, e é sempre bom para mim ter uma motivação extra. 
Encontrei as pessoas em Bethel, a maioria da área da Nova Inglaterra5 e de Nova 
York, como as mais amorosas que conheci até agora, e isso me despertou a vontade de 
me encontrar com mais estudantes de espiritualidade. Entretanto, falar em público ainda 
não constava do meu radar. Estando na Conferência, também conheci um dos primeiros 
professores de Um Curso em Milagres, Jon Mundy. Jon desempenharia um papel na 
mudança de minha mente a respeito de falar em público. No tempo em que ele foi uma 
livraria substituta vendendo alguns de seus produtos, ele se tornou a primeira pessoa 
que eu procurei e disse que dois mestres ascensos estavam aparecendo para mim e que 
eu estava escrevendo um livro a esse respeito. Sua reação não foi exatamente entusiásti-
ca, mas também não foi julgadora. 
Depois de 21 de dezembro, que foi a visita final de meus amigos Mestres Ascen-
sos, eu dediquei os próximos três meses para terminar a datilografia e a leitura de revi-
são do manuscrito. Meus professores me haviam dito o que fazer com o livro. Essa era a 
única informação que me deram que, por suas instruções, não estava incluída no Desa-
parecimento. Seu plano não combinava com o meu. Minha idéia teria sido levar o livro 
a uma editora grande de Nova York, vender milhões de cópias dele por seis meses e 
mudar-me para o Hawaii. Eles disseram não e me entregaram seu projeto. Eu era muito 
ingênuo, e nada sabia da realidade da edição e publicação de livros ou da política da 
família dividida, mesmo que na maioria amorosa, conhecida como a “Comunidade do 
Curso”, que me aguardava. 
A primeira surpresa agradável viria, como resultado de seguir a orientação de 
meus visitantes, foi a facilidade surpreendente em conseguir a aprovação de usar a cen-
 
5 N.T. – Nova Inglaterra é a região dos Estados Unidos localizada a nordeste do canto do país, 
constituído dos estados de Connecticut, Maine, Massachusetts, New Hampshire, Rhode Island e 
Vermont. 
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tena de citações do Curso, que meus professores disseram no livro, pela Fundação para 
Um Curso em Milagres, FACIM. Fazia muitos anos que um único livro era autorizado a 
usar tantas transcrições do Curso, e ouvi histórias de pessoas esperando por um ano para 
uma resposta e depois receberem um não! 
Fui a Roscoe, Nova York, algumas vezes, para freqüentar workshops de Ken 
Wapnck, o amigo da escriba do Curso, Helen Schucman, que era agora o principal pro-
fessor do Curso, de quem meu professores falaram no livro, e quem controlava seu di-
reito autoral. Reuni-me com Ken entre uma sessão e outra, fazendo contato com ele, 
conforme guiado a adotar uma atitude de respeito e cooperação. Ele respondeu com 
bondade e um bom senso de humor. Mais tarde, em abril de 2002, mandei a Ken o ma-
nuscrito para que o lesse, aprovasse e autorizasse as citações do Curso. A Fundação 
mandou-me uma carta de permissão para todas as transcrições usadas, um mês depois. 
NOTA: Não muito depois, um juiz individualista, não convencional, que de-
monstrou pouco respeito público por Um Curso em Milagres, invalidaria o di-
reito autoral do Curso, alegando “distribuição prévia” do original, antes do 
pedido de registro de direito autoral. 
A surpresa agradável seguinte que viria como resultado de seguir a orientação de 
meus visitantes foi a surpreendente facilidade que tive em publicar o livro. Eu era um 
autor completamente desconhecido, sem credenciais e com uma estranha história a res-
peito de dois seres aparecendo a mim no sofá de minha sala de estar. Eu não sabia que 
não tinha a sorte dos ingênuos no inferno para encontrar um editor da “corrente princi-
pal”, mas eu sabia que me havia sido dito que mandasse o manuscrito para D. Patrick 
Miller, o único proprietário, e único empregado da Fearless Books em Berkley, Califor-
nia. Patrick jamais havia publicado um livro de quem quer que fosse, senão seus pró-
prios. Quando ele leu meu manuscrito, disse: “Penso que você tem algo aqui,” e decidiu 
fazer uma exceção. Em outubro tínhamos um trato feito. A data oficial de publicação foi 
1º de maio de 2003, apesar de cópias antecipadas a nossos primeiros 100 clientes on line 
houvessem sido distribuídas em março de 2003. Esses primeiros leitores compraram o 
livro baseados nas citações que Patrick havia colocado em seu site na Internet. 
De fato, houve três livros que estiveram sendo feitos, ao longo de muitos anos, 
publicados ao mesmo tempo: Além da Crença: O Secreto Evangelho de Tomé, por Elai-
ne Pagels; O Código Da Vinci, por Dan Brown; eO Desaparecimento do Universo, que 
alguns leitores começaram a chamar de “D.U.”6 Surpreendeu a mim como certas idéias 
agitavam o inconsciente e depois surgiam à superfície do consciente coletivo quando 
chegava as hora certa. Esses três livros exploravam muito os mesmos temas. A diferen-
ça com D.U. era de que ele continha, não apenas ensinamentos de Um Curso em Mila-
gres, que os outros livros não continham, mas também uma clarificação muito destaca-
da desses ensinamentos. Isso foi uma dádiva para estudantes de longo curso do Curso, 
bem como para iniciantes, que assim conseguiam ser introduzidos ao Curso por inter-
médio de D.U., apesar de que a maioria dos iniciantes, provavelmente, não conseguia 
apreciar quanto tempo estava sendo economizado para eles por lê-lo. 
Lembro-me de ter ouvido, há menos de um ano, Doug Hough, um professor na 
Associação de Pesquisa e Iluminação (o Grupo de Edgar Cayce em Virginia Beach), 
dizer a seus estudantes que ler D.U. lhes economizaria 20 anos quando fossem estudar o 
Curso. Dei-me conta que isso não apenas era verdadeiro, como ficava claro que esse 
resultado não conseguiria ser alcançado apenas por mim mesmo. Isso evitou que isso 
 
6 N.T. – O apelido no Brasil é ODDU 
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me subisse à cabeça. Se eu não era responsável pela maior parte do conteúdo do livro, 
então não havia qualquer razão para eu me sentir especial a seu respeito. 
Em outubro de 2002, já tendo um editor, mandei um e-mail a Mundy e lhe contei 
mais detalhes sobre o livro. Ele nada me respondeu. Aborrecido, eu o perdoei depois de 
pouco tempo. Mesmo não perdoando sempre as coisas imediatamente, sempre as perdo-
ava no final. Era essa qualidade de perseverança que me capacitaria a continuar a práti-
ca do Curso ao longo do que ainda estava por vir. 
Na primavera de 2003, depois da publicação do livro, recebi um telefonema. Era 
Jon Mundy. Ele me diz que estava lendo o livro, e sua reação foi: “Oba!” Ele também 
me disse que estaria vindo para Portland, Maine, para um workshop na Unity Church, e 
ele pensava que seria uma boa idéia eu ir também. Ele disse que eu não teria de falar, 
mas que ele me apresentaria ao pessoal e lhes falaria do livro. Fui, e quando Jon me 
apresentou, rapidamente me levantei e, tímido, disse: “Alô!” e então me sentei, tão rápi-
do quanto me levantei. Essa foi minha primeira fala em público. 
Fomos jantar mais tarde, e Jon disse: “Você vai ter de estar lá e falar sobre isso, 
certo?” Eu disse não, eu não pensava conseguir isso. Jon disse: “Está tudo bem, Gary, 
mas se você não falar, então as pessoas jamais saberão, com certeza, qual foi sua expe-
riência. Algumas pessoas não terão a certeza se tudo é verdade, ou se você fabricou al-
guma parte.disso”. Isso me fez pensar. Então, na continuação da conversa, Jon me con-
vidou a ir à cidade de Nova York no outono e fazer um workshop que ele dirigiria. Eu 
quase nem acreditei quando me ouvi dizer sim. Tão cedo quanto me fui naquela noite, 
comecei a tentar pensar num jeito de sair disso. 
Eu continuava a não ter nenhuma real intenção de falar diante de pessoas e não 
fiz qualquer esforço para isso. Também estava procrastinando em dizer a Jon que eu não 
queria ir a Manhattan. Então decidi cuidar do meu problema de procrastinação, para 
conseguir sair dele. 
Daí, nesse verão, recebi um chamado de Vicki Poppe,.uma mulher de Massachu-
setts Ela me disse que estava vindo ao Maine para fazer um círculo de oração em Peaks 
Island, no mar fora da barra de Portland, Maine. Ela me convidou a vir. Isso me pareceu 
bem legal, pois o Maine é agradável no verão, e eu jamais havia saido numa balsa antes. 
Vicki trouxe umas dez pessoas com ela. Então, quando estávamos na ilha, de repente, 
ela disse: “Oi, Gary, por que você não nos conta a respeito de sua experiência com Ar-
ten e Pursah?” Eu estivera deixando o Divino Espírito Santo vir, e eu estava bem rela-
xado, nessa tarde quente e ensolarada. Fui em frente e contei para as pessoas no círculo 
como foi ser visitado por meus professores. Depois, voltando para a balsa, Vicki veio a 
mim e disse: “Você sabe, Gary, você contou sua história para apenas dez pessoas. Se 
você consegue contar sua história para dez pessoas, consegue contá-la para cem pesso-
as. Qual é a diferença? Isso é tudo uma ilusão.” 
Vicki sabia que eu deveria ir a Nova York em novembro, e ela disse: “Digo-lhe 
uma coisa. Você pode vir para um workshop, em minha casa. Se você não gostar disso, 
então não terá de ir outra vez. Mas, pelo menos, experimente ao menos isso uma vez.” 
Eu acedi e disse sim. Pensei: Quantas pessoas irão à casa dela? 
Vicki tem uma casa na rua Adams, em Quincy, Massachusetts, do outro lado da 
rua onde fica a casa do presidente John Quincy Adams. O meu livro estava sendo lido, e 
fiquei deslumbrado pela quantidade de pessoas que vieram, nesse primeiro fim de se-
mana de setembro. Mas o que verdadeiramente me surpreendeu foram as próprias pes-
soas. Elas eram tão abertas, tão amorosas, e tão encorajadoras que quase fiquei embas-
bacado. Então entendi: se é assim que isso vai ser, então como vou conseguir perder? 
Com essas pessoas espiritualizadas, mesmo que me atrapalhe todo, elas vão me perdo-
ar! 
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Apesar de eu ter feito um trabalho bem bom para meu primeiro workshop, eu es-
tava tão nervoso antes de prosseguir, que eu disse a mim mesmo: “Eu não quero fazer 
isso outra vez.” Mas algo interessante aconteceu, cerca de 20 minutos depois de eu co-
meçar. Fiz o grupo realizar uma forma de meditação que meus professores me ensina-
ram, que também é uma forma de oração e união com Deus. Depois de fazê-la, senti-me 
estar ligado a algo maior que eu mesmo. Depois desse ponto na apresentação, era como 
se não fosse mais eu que estivesse fazendo o workshop. Mais parecia eu estar me vendo 
enquanto o Divino Espírito Santo mandava as mensagens através de mim. Então pensei: 
Ei, talvez eu deva deixar o Divino Espírito Santo assumir mais cedo! Na próxima vez 
que falei, fiz exatamente isso. Dois meses depois eu estava na cidade de Nova York, o 
lugar em que pensei que estaria mais nervoso, falando cerca da quarta vez em público, e 
me sentindo menos nervoso em frente de uma multidão de pessoas, como nunca estive. 
O livro estava ganhando ímpeto, vendendo cópias todo mês mais que o anterior. 
A venda ainda não era enorme, mas estava começando a ser notado, e mais convites 
para falar chegavam. Eu não sabia ainda quão longe eu queria que isso fosse. Eu só ia 
querer falar algumas vezes, ou será que eu ia querer levar isso a sério de fazer mais, e 
mesmo começar a viajar para longe? Ainda não havia voado para parte alguma. Apenas 
fui de carro a alguns lugares na Nova Inglaterra, e uma vez para Nova York. Eu sabia 
que me encontrava nua encruzilhada. 
Daí, em 20 de dezembro de 2003, encontrei-me outra vez em casa de Vicki Pop-
pe, desta vez para uma festa de Natal. Fui com Karen, minha mulher há 21 anos. Passa-
mos a noite lá, e então no dia seguinte, 21 de dezembro, preparado para guiar de volta 
para casa, eu disse à Vicki: “Sabe de uma coisa, tenho a sensação de que algo está para 
acontecer.” Ela respondeu: “Eu sinto isso também, e tenho idéia do que isso seja.” Não 
havia necessidade de dizer mais nada. 
Tarde naquela mesma noite, eu estava sentado na sala de estar do mesmo apar-
tamento em Auburn, Maine, onde Arten e Pursah estiveram em sua última visita. Tendo 
me mudado para lá da casa de Poland Springs onde suas aparições começaram há 11 
anos atrás, nesse mesmo dia do calendário, senti uma presença na sala. Tive de me virar 
para a minha esquerda, porque o sofá apontava para a mesma direção da cadeira onde eu 
estava, no sentido do aparelho de TV. Olhei para lá e me tornei estático à vista de meus 
dois amigos, sentados ali, no mesmo sofá em que se sentaram,por quase todas suas visi-
tas. Exclamei “Arten e Pursah” e daí corri para lá e os abracei a ambos. Não havia me 
dado conta, até então, que essa estava sendo a primeira vez que toquei Arten, o homem, 
mesmo apesar de ter tocado Pursah, a mulher, uma vez antes. 
Eles se mostravam os mesmos de sempre, minha linda Pursah e aquele cara. A-
chei que havia sido interessante que eu, de fato, não os vira aparecer, porque compreen-
di que isso também fora assim durante a primeiríssima visita que me fizeram, há 11 a-
nos atrás. Sentei-me, joelhos em tremedeira, pela grata emoção em vê-los. Pursah então 
começou a falar. 
PURSAH: Alô, querido irmão. Como tudo vai? Alguma coisa interessante acon-
teceu desde a última vez que nós vimos você? Estou só brincando. Você sabe que esta-
mos sempre a par de tudo que você faz; 
ARTEN: Sim. Por exemplo, você exatamente agora estava lendo a respeito do 
cara na Alemanha que matou alguém e depois o comeu. Essa é uma grande história lá. 
Ele está sendo acusado de canibalismo. E agora o estão pondo em julgamento. 
GARY: É isso. Nada melhor que um almoço grátis. 
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PURSAH: Estou contente em ver que suas tendências a sabichão não estejam 
completamente curadas. Vai precisar delas até quando terminarmos nossos papos com 
você. 
GARY: É mesmo? O que vocês têm em mente? 
ARTEN: Tudo a seu tempo, Gary. 
GARY: Esperem. Deixem-me ligar o gravador. É tão formidável ver vocês, ca-
ras! Mal consigo crer nisso. Mesmo assim, eu tinha uma sensação disso acontecer, sen-
do nosso aniversário e tudo mais. 
NOTA: Pursah se identificou como São Tomé, um homem, naquela encarna-
ção há 2.000 anos atrás e 21 de dezembro, hoje, é a festa de São Tomé. Arten 
havia se identificado como sendo São Tadeu7 naquele tempo. 
PURSAH: Nós sabemos. Então vamos tratar do que temos de fazer, exatamente 
como antes. Voltamos para, por assim dizer, dar palmadinhas no ombro das pessoas. 
Mesmo que, para alguns, isso possa parecer o mesmo que receber toques no ombro com 
um marrão. Há uma razão importante para isso. Queremos ajudar a manter as pessoas 
focadas. Isso é por aplicar o perdão avançado, ou quantum, que explicaremos, para que 
você consiga, mais rapidamente, experienciar sua realidade imortal. Estamos aqui para 
instruí-lo em como romper o ciclo repetitivo de nascimento e morte, de uma vez por 
todas. 
GARY: Isso é tudo? Estava esperando conseguir aprender a medir minha cons-
ciência. 
ARTEN: Você está fazendo graça. Mas o que você disse agora é uma das razões 
de estarmos aqui. É importante destacar que a atenção das pessoas está sendo desviada 
por coisas que, como iscas, podem parecer fascinantes para elas mas que, realmente, são 
apenas colocadas ali para desviar sua atenção e seu conhecimento do que seja importan-
te para seu despertar do sonho e, em vez disso, pelo contrário, atá-las a coisas que ape-
nas as manterão cada vez mais apegadas aqui. 
PURSAH: Vamos aprofundar isso mais. Mas para começar, destaquemos que a 
maioria dos estudantes espirituais despende a maior parte de seu tempo na fase de reu-
nir informações. Isso é encorajado pela crença de que quanto mais informação espiritual 
coloque em suas cabeças, mais iluminados ficarão. Então eles pulam por aí, de uma 
coisa para outra, lendo dúzias de livros sobre diferentes temas espirituais. Durante nossa 
primeira série de visitas a você, referimo-nos a isso como a “fila do bufê espiritual.” 
Nada há de errado em aprender informações. De fato, isso dá às pessoas um pa-
no de fundo, um estofo necessário e útil. O problema é que as pessoas fazem do fato de 
reunir informações um ídolo, e como todo ídolo, falso, e isso não os leva a parte algu-
ma. Isso é um engodo, um truque, uma cenoura na ponta de uma vara. É por isso que o 
que é realmente importante não é o que você sabe, mas o que faz com o que sabe. Em 
termos de apressar seu desenvolvimento espiritual o que realmente importa, é a fase da 
aplicação. 
Em algum ponto, o estudante e o professor espiritual sério terão de tomar tudo 
que ele ou ela haja aprendido e, efetivamente, aplicá-lo, generalizadamente, em toda 
pessoa, situação, ou evento que surja diante de sua face, algum dia. Isso se aplica a tudo. 
E, usualmente, isso não é um mistério. O que quer que seja que esteja ocorrendo em sua 
vida, essa é a lição a qual o Divino Espírito Santo quer que você aplique os ensinamen-
tos, e o grande instrumento de salvação é o perdão. Mas, como você sabe, esse não é o 
 
7 N.T. – São Judas Tadeu, como é chamado hoje. 
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gênero antiquado de perdão. Esta não é a espiritualidade de seus pais. Este é um jogo 
novo, um novo paradigma. 
É unicamente por meio da aplicação disciplinada do que aprendeu que o prati-
cante consegue entrar na gloriosa fase de experiência. E eu lhe garanto, querido irmão, 
que a experiência é a única coisa que alguma vez tornará você feliz. Palavras jamais 
farão isso; conceitos intelectuais, teologia, especulação filosófica – esqueça-se disso 
tudo. Em Um Curso em Milagres, que como você sabe é J – nosso símbolo em idioma 
ocidental para Y’shua, falando a palavra de Deus – quem diz: 
“... palavras não são senão símbolos de símbolos. Estão, assim, dupla-
mente afastadas da realidade.” (M-21.1:9-10) 
E daí você pensa a respeito disso, como é que um símbolo de um símbolo, duplamente 
afastado da realidade, alguma vez vai conseguir fazer você feliz? Não. A única coisa 
que fará você feliz é a experiência do que realmente você é. O que verdadeiramente 
satisfará você não é um símbolo de realidade, mas uma experiência de realidade. 
Num ponto naquele mesmo Curso, J está falando a respeito de todas as pergun-
tas que as pessoas têm, e ele faz esta declaração extraordinária: 
“... não há nenhuma resposta, apenas uma experiência. Busca somente is-
so, e não deixes que a teologia te atrase.’ (ET-in.4:4-5) 
Essa experiência vem como um resultado da permissão, dada à sua mente, para 
ser treinada pelo Divino Espírito Santo, a pensar e ver os outros como Ele os considera 
e vê. Mas isso requer um bom sistema, como o budismo ou Um Curso em Milagres, 
para avançar na estrada para conseguir chegar lá. Deixada entregue aos seus próprios 
meios,8 a mente não consegue ser curada. Como J também diz em seu Curso: 
Uma mente sem treino nada consegue realizar. (E-pI.in.1:3) 
Essa é uma declaração e tanto, porque ela afirma que 99,9% de todas as pessoas na terra 
nada estão conseguindo. Até que a mente seja treinada, você fica apenas girando suas 
rodas em falso. 
GARY: É isso. Eu me dei conta, mais e mais, quão importante é o Caderno de 
Exercícios do Curso a esse respeito, e creio que também me dei cota de que não importa 
o que sobrevenha, tudo tem sempre o mesmo propósito, que é o perdão. Não quero dizer 
com isso que eu o faça de pronto. Não o faço. Mas faço-o, sempre, afinal. E quanto mais 
cedo o faça, menos sofro. Seja, por exemplo, falar em público, que nunca pensei que 
faria. Eu estava realmente nervoso a esse respeito, mas por deixar o Divino Espírito 
Santo me ajudar, comecei a me dar conta de que eu não estava nervoso pela razão que 
pensei. É como diz o Curso: 
Nunca estou transtornado pela razão que penso. (E-pI,5.h) 
ARTEN: Isso está correto, sabidão. Todos têm sempre medo de algo neste mun-
do, e mesmo que isso possa parecer difícil às pessoas acreditar – porque para elas isso é 
inconsciente – todos os temores que as pessoas têm conseguem ser detectados direta-
mente no nível da mente inconsciente, por causa do medo que sentem de Deus, resulta-
 
8 N.T. – Os “próprios meio” da mente são interpretar, escolher, decidir e querer sem a regência do Divino 
Espírito Santo, como se tudo soubesse, sem o Pai. Só o ego pensa que sabe, ardiloso mas insano.SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 30/176
do de sua crença na aparente separação Dele e da culpa inconsciente, aparentemente 
sentida, que resulta desse medo. 
GARY: Veja bem! Isso quer dizer que vamos fazer um outro livro? Porque se 
formos fazê-lo, há pessoas que possam não entender o que você acabou de dizer. 
ARTEN: Bem, por que então você não nos dá uma pequena revisão, então? Con-
te-nos os ensinamentos numa casca de noz para que, tanto os praticantes não iniciados e 
os experimentados, tenham uma idéia melhor do que estamos falando. Você consegue 
fazer isso. As coisas estão indo muito bem em suas falas, assim como para O Desapare-
cimento do Universo, até agora, certo? 
GARY: Sim, tudo está sob controle. Erros foram cometidos, mas outros foram 
apontados como culpados. Estou brincando. Mas não sei se eu deveria avançar mais 
nessa coisa de falar. Quero dizer, eu fiz o que queria fazer. Fui lá, mesmo em Manhat-
tan, e disse que isso é a minha experiência. O livro é apenas a forma pela qual ela acon-
teceu. As pessoas podem acreditar nisso ou não, mas se não acreditarem, pelo menos 
não será porque não lhes contei. 
PURSAH: Temo que suas lições de perdão estejam apenas começando. O que 
será se eu lhe disser que, a partir do fim de fevereiro, você vai começar a voar mais de 
100.000 milhas por ano, para ensinar espiritualidade? 
GARY: Eu diria que você está brincando, certo? 
ARTEN: Isso será o melhor que possa dizer, irmão. Incluindo você mesmo, você 
conseguiria contar em dois dedos de uma mão o número de pessoas que estão lá na es-
trada ensinando, com apuro, essa mensagem. Mas não pense que se trata realmente dis-
so. Ao mesmo tempo em que você esteja viajando e falando, queremos que cumpra seu 
real encargo, que é o perdão. 
PURSAH: Você está disposto a proceder drásticas mudanças em seu estilo de 
vida pessoal, sabendo que não importa como as coisas aparentem, essas aparências são 
apenas um truque para convencê-lo de que seja um corpo, e então perdoar isso? 
GARY: Ah, não. 
ARTEN: Bem, nós sabemos melhor. Então ponha seus assuntos em ordem, ami-
gão. Vamos ter uma boa rodada chegando por aí. Agora, que tal aquela revisão de que 
falamos? 
GARY: Que tal esses que já sabem esse troço? Não seria repetitivo? 
PURSAH: Não se esqueça de algo que lhe contamos na primeira vez que nos 
encontramos? Repetição não apenas é certo fazer, ela é obrigatória. Você não consegue 
ouvir idéia certas além da conta. Leva tempo para que elas mergulhem nos profundos 
vales de sua mente inconsciente. Nós já dissemos que não é o volume de informação 
espiritual que você põe na mente que determina quão iluminado você esteja, e isso é 
verdade. Entretanto, ao mesmo tempo, providos por conhecer a metafísica de um ensi-
namento como Um Curso em Milagres, os antecedentes conseguem ajudar você a tomar 
a decisão de aplicar o que você sabe, que é a parte mais importante da aplicação. Uma 
vez haja entendido a verdade, então lembrar-se dela quando o troço bate no ventilador, é 
a parte árdua. Se e quando você adquire o hábito de se lembrar da verdade em situação 
difíceis, isso se torna como uma segunda natureza, para você aplicá-la. Quando isso 
vem a você, você estará progredindo anos luz em direção à experiência do que estamos 
falando. Como o Curso se refere a isso: 
Essa é a experiência no sentido da qual o Curso está dirigido. (ET-in. 
2:6) 
GARY: Tudo bem. Posso lhes contar uma piada antes? Gosto de contar piadas 
em meus workshops. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 31/176 
ARTEN: Você foi a Manhattan no mês passado. Conte-nos aquela piada de No-
va York que você gosta. 
GARY: Sem problema. Um budista está andando no Central Park. Vai até um 
vendedor de cachorro-quente e diz: “Faça-me um com tudo.” O vendedor dá ao budista 
um cachorro-quente, e depois que o budista paga por ele, pede seu troco. Mas o vende-
dor de cachorro-quente lhe diz: “Mudança vem do interior.”9 
PURSAH: Você ganha uma boa risada com essa. Gostamos que você mantenha 
um bom senso de humor em suas apresentações. Isso é importante: lembrar-se de rir. 
Lembre-se do que J disse no Texto: 
Na eternidade, onde tudo é um, introduziu-se sorrateira uma ínfima idéia 
insana, da qual o Filho de Deus se esqueceu de rir. (T-27.VIII.6:2) 
GARY: E, por certo, essa ínfima idéia insana é o pensamento de que conseguirí-
amos uma identidade individual e, com isso, ficaríamos separados de Deus. Então, para 
essa revisão que vocês pediram, o Curso é um documento espiritual de três livros em 
um que inclui um Texto, com toda a teoria do que ensina; um Caderno de Exercícios 
para Estudantes, com um programa de um ano de estudo, que freqüente as pessoas 
levam mais do que um ano para fazer, que treina o estudante a aplicar o Curso para a 
vida do dia-a-dia; acrescido há um Manual para Professores, com reforço de tudo que 
foi ensinado, contendo uma Explicação de Termos, esclarecendo termos que até ali 
não haviam, ainda sido explicados. O Curso foi dado por J, num período de sete anos e 
meio para uma médica psiquiatra pesquisadora na cidade de Nova York, Helen Schuc-
man. Ela tomou nota de tudo que J disse a ela, em seu caderno de notas de taquigrafia, 
ditando-o depois, paulatinamente, dia a dia, ao seu colega, Bill Thetford, que o datilo-
grafou integralmente. 
Caras, quando vocês apareceram para mim, vocês me deram, por meio de seus 
ensinamentos, uma visão diferente de J de 2.000 anos atrás, cujo nome verdadeiro era 
Y’shua, um rabino judeu, que nunca teve a intenção de iniciar uma religião. A partir daí, 
comecei a ter lembranças próprias. Quando vocês me falaram a respeito de minhas vidas 
passadas, descobri que isso disparava gatilhos de mais lembranças dessas existências 
passadas, nas semanas e meses seguintes às conversas. Por exemplo, vocês me disseram 
que a cerca de 1.000 anos atrás eu era amigo e estudante de um índio americano ilumi-
nado, conhecido como o Grande Sol. Isso fez surgir sentimentos, memórias e visões 
dessa minha existência como um índio em Cahokia [Cahokia se situa hoje em Collins-
ville, Illinois, e representa a mais sofisticada pré-história da sociedade nativa americana 
ao norte do México]. Até mesmo me lembrei que deveria colocar a acentuação tônica na 
terceira sílaba, quando pronunciasse o nome Cahokia, em vez da segunda sílaba, Caho-
kia, que é a maneira que brancos a pronunciam. 
ARTEN: Está correto. Nós a pronunciamos de maneira moderna, por estarmos 
falando com você em inglês e agora, mas você a pronunciou exatamente da forma que 
um índio de 1.000 anos atrás a pronunciava. 
GARY: E quando você me contou quem eu era, há 2.000 anos, com J, isso tam-
bém disparou gatilhos de mais memórias daquele tempo. 
PURSAH: Você pode nos contar disso mais tarde, porque queremos a revisão 
agora mesmo. Mas como isso fez você se sentir, descobrir que você foi São Tomé a esse 
tempo de J, e que eu sou você no futuro? 
 
9 N.T. – “Change”, em inglês “troco”, em inglês também pode ser “mudança, ou “troca”. O budista 
estava pedindo o “troco” do que pagou. Na resposta o vendedor responde “troco” significando “mudan-
ça”, por se tratar de um budista: “A troca [mudança] vem do interior.” Em português não há piada. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 32/176
GARY: Eu sei que você sabe a resposta a isso, e que está apenas me fazendo 
perguntas retóricas. Você sabe tudo. E eu ainda não consigo crer que estejam de novo 
aqui! Mas quando eu descobri quem eu era, no tempo de J, me senti realmente bacana, 
por uns dois dias. Quero fizer, isso realmente foi uma sensação legal. Mas então, depois 
de algum tempo, você se põe de pé e se dá conta que você tem a mesma porcaria, bem 
diante de sua cara. As lições de perdão estão ali mesmo, na sua cara, e não importa 
quem você foi em outra existência. Você tem sempre de escolherperdoar, o que quer 
que seja que esteja acontecendo agora mesmo. 
PURSAH: Muito bom, querido irmão. Todos, de certa forma, foram, em alguma 
existência, na aparência, enormemente famosos e importantes, e todos foram, alguma 
outra vez, a escória da terra. Isso é dualidade. O que importa, agora, é cumprir seu en-
cargo de perdão, sem tardança, sem falta. Essa é a saída. Mas não se trata do perdão 
velho, de forma alguma. Você se importa de explicar o por quê disso? 
GARY: Vou explicar o melhor que consiga. Darei algumas informações, agora, 
como revisão, e deixarei as memórias específicas de vidas passadas para mais tarde. 
Antes de tudo, como um rabino e um místico, J entendeu bem os ensinamentos do anti-
go misticismo judaico. Entre esses seria a idéia de que o Céu é a proximidade com 
Deus, e o inferno é o distanciamento de Deus. Mas J, sendo um cara do gênero intransi-
gente, não parou por aí. Para ele, o Céu não era apenas a proximidade com Deus, seria a 
Unicidade com Deus. De fato, isso seria a perfeita Unicidade com Deus. E inferno não 
seria apenas o distanciamento de Deus, mas seria qualquer coisa que o levasse a estar 
separado de Deus. Isso reduz tudo a duas escolhas distintas, e apenas uma delas é real, 
porque perfeita Unicidade não consegue ter um contraponto, ou então ela não seria per-
feita, ou seja, não seria de Deus, onde só há perfeição; 
Então, para J, Deus é imutável, perfeito e eterno. E, para J, Deus é sinônimo de 
espírito, porque nada do que Ele faz conseguiria ser diferente Dele, ou senão não seria 
perfeito. E, além disso, para J, se Deus conseguia fazer algo que não fosse perfeito, en-
tão Ele Próprio também Ele não seria perfeito, seria? Além disso, para J, o espírito não 
evolve, ou então, não era perfeito e completo, imutável e eterno, não seria Deus. 
Além disso, com certeza, Deus não é Ele ou Ela, e estou usando linguagem bí-
blica, como o Curso a usa. Eu poderia chamar a Deus Isso,10 mas exatamente essa forma 
não faria qualquer pessoa inclinar-se, necessariamente, por nenhuma delas. Então, de 
imediato, notamos duas coisas a respeito de nosso amigo J. Primeiro, ele é intransigente. 
Segundo, não importam quão complicadas podem parecer as coisas, há sempre apenas 
uma de duas coisas entre as quais escolher, e só uma delas é real. A outra escolha seria 
uma ilusão, que foi ensinada pelos hindus e budistas muito antes de J, mas ele elevou a 
alternativa da escolha para uma versão impecável de um Deus que, realmente, é Perfeito 
Amor, em vez de um Deus conflitado e imperfeito. 
Depois disso, você tem de se lembrar que J era do Oriente Médio. Ele deveria 
conter em si mais tendência para oriental que para ocidental. Então ele, certamente, era 
familiarizado com os ensinamentos do budismo. Ele conheceria a respeito do conceito 
budista de ego. Ele entenderia e experienciaria que há, unicamente, um ego, se mostran-
do como muitos, o que os hindus chamam de mundo da multiplicidade e os budistas 
chamam de impermanência. Então, há apenas um de nós que pensa que esteja aqui, e 
esse sou eu. Não há, realmente, ninguém mais. Não há ninguém lá fora. Só há a aparên-
cia disso. Isso é um truque. A parte consciente da mente olha para fora e vê todo gênero 
de separações, corpos e formas diferentes, mas isso é só ilusão. E a parte inconsciente 
da mente – cuja maior parte fica oculta, exatamente da maneira que um iceberg fica 
 
10 N.T. – Em português só há 2 gêneros, masculino e feminino. Só a palavra “Isso” em português, “It” 
em inglês, até certo ponto, expressa o sentido do gênero neutro, do inglês, à frase em português. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 33/176 
oculto sob a superfície da água – sabe que há, real e indubitavelmente, apenas um de 
nós. 
Tempo e espaço e diferenças se tornam, para todos, na continuação do aprendi-
zado da realidade, inverdades, apesar das aparências. A razão pela qual tudo é conecta-
do entre si, é porque há apenas uma única ilusão, assim como há apenas um único Deus. 
Mas Deus nada tem a ver com a ilusão. Isso foi uma falsa assunção por parte das pesso-
as. As pessoas, a partir daí, fizeram um Deus à sua imagem, que foi como eles criam a si 
mesmos serem. Mas, originalmente, Deus nos fez à Sua imagem: perfeita, inocente e 
Uma. A unicidade que existe na ilusão é uma unicidade de imitação, porque o ego tenta 
ser um mimo pantomimando Deus. 
Hoje em dia, físicos quânticos estão confirmando que tempo e espaço são ape-
nas, também, ilusão. Passado, presente e futuro todos ocorrem juntos, simultaneamente. 
Somos, de fato, seres não locais tendo uma aparente experiência localizada. Pode pare-
cer que você esteja lá e eu aqui, mas isso é, na realidade, uma mentira. Espaço é apenas 
uma idéia de separação, como é o tempo. Nós dividimos o tempo e o espaço para fazer 
com que se pareçam como distanciamentos e intervalos diferentes de tempo e de lugares 
distintos, quando isso, realmente, é todo fabricado, pois tudo é o mesmo, mesmo que 
aparentem ser diferentes e distanciados, por tudo ser uma ilusão, baseada no pensamen-
to de separação. Apenas que, os físicos não sabem essa parte, ainda. Eles apenas sabem 
que a nossa experiência é uma ilusão, quando comparada com a maneira que as coisas 
são, realmente, quando você as vê bem mais de perto! Eles não têm todo o quadro disso, 
ainda. Ciência e espiritualidade não se encontraram, ainda, mas estão chegando lá. 
Por exemplo, eles sabem que se eu olhar para uma estrela que esteja afastada a 
20 bilhões de anos luz da terra, eu provoco, instantaneamente, que ela mude, no nível 
subatômico. Como é possível isso? Isso é porque a estrela que vejo não está, realmente, 
afastada 20 bilhões de anos luz; ela está, na realidade, em minha mente. Ou mais preci-
samente, isso é uma projeção de minha mente, e ela não é nem mesmo matéria, até que 
eu olhe para ela, ou a toque. Ela é energia, que realmente é só o pensamento humano, 
pelo que a energia não consegue ser destruída. E matéria é apenas uma forma diferente 
de energia, de pensamento, retornando à energia e daí sendo reciclada. 
PURSAH: E como J fez há 2.000 anos atrás, usando tudo do conhecimento mís-
tico budista e judaico, que combina com os descobrimentos dos físicos de hoje? 
GARY: Bem, ele concluiu algo que as pessoas ainda não entendem, mesmo até 
hoje, com todos esses avanços no conhecimento, inclusive psicologia, que é isto: Se há, 
realmente, apenas nós aqui, e se a parte inconsciente da mente sabe disso, então o que 
estamos fazendo quando nos pomos a julgar e condenar? O que quer que seja que pen-
semos – julgar e condenar – a respeito dos outros, é, exatamente, o mesmo que mandar 
uma mensagem diretamente para nossa própria mente inconsciente, de que somos mere-
cedores de julgamento e de condenação. O que quer que seja que pensemos a respeito 
dos outros é o mesmo, realmente, que mandar uma mensagem a respeito de nós mes-
mos, para nós mesmos. Então J decidiu que, se há real e unicamente só um de nós, que 
pensa estar aqui, e se sua mente inconsciente sabe disso, então ele iria seguir, ao longo 
da existência, vendo todos como sendo o que eles realmente são, que é espírito perfeito, 
em vez de os ver como corpos, que é, realmente, apenas, a falsa idéia de separação. Ele 
iria ver a todos, e a cada um, como sendo o Cristo, puro e inocente. Ele pensaria deles 
como sendo o que eles realmente são: imortais, invulneráveis e algo que não consegue 
nem mesmo ser tocado por nada nem ninguém deste mundo. 
Então, a chave para a iluminação repousa num segredo que muito poucas pesso-
as alguma vez tomaram conhecimento, mas que J sabia muito bem. A maneira pela qual 
você experienciará e sentirá a respeito de você mesmo não é, absolutamente, determina-
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 34/176
da pelo que as outras pessoas vêm em você ou pensam a respeito de você. A maneira 
que você experienciae se sente a respeito de você é, em verdade, determinado por como 
você olha para eles e pensa a respeito deles! Em suma, isso é o que determina a sua i-
dentidade! Você se identificará a si mesmo quer seja como um corpo, ilusório e inexis-
tente, ou como espírito perfeito, real e verdadeiro, ou como dividido ou integrado, de-
pendendo de como você vê todos e cada um dos outros. E uma vez tendo entendido is-
so, eu penso e creio que você, a partir de agora, vai querer tomar muito bom cuidado de 
como pensa e o que pensa a respeito de outras pessoas! 
PURSAH: Você nos homenageia como professores. E, por certo, você sabe 
quem era nosso professor. Por favor, continue. 
GARY: O que... ? Vocês querem que eu faça o discurso completo? 
PURSAH: Nós temos muito a dizer, inclusive a contribuir, para essa revisão. 
GARY: Devo desejar que assim seja. Falando nisso, por causa da forma que 
nossas conversas anteriores tomaram, estive pensando, eu tive muita coisa pessoal no 
outro livro. Não me importo de falar a respeito de minhas lições de perdão pessoal, mas 
um casal de pessoas, que mencionei na narração, não ficou muito entusiasmados pelo 
fato de ter-me retratado como os perdoando. Há sempre dois lados em cada história. 
Isso é dualidade, certo? No entanto, tudo que consigo fazer é apresentar a minha experi-
ência. Você têm algum conselho para mim de como falar a respeito de coisas pessoais? 
PURSAH: Não fique apreensivo, Gary. Por causa da direção que sua vida está 
tomando agora, estaremos conversando sobre as suas lições de perdão profissional mais 
do que os pessoais. Tudo vai funcionar bem. Confie em nós. Você gostaria de continuar 
com nossa revisão? 
GARY: Você pediu isso, mas tenho de dizer, você está mais bonita que alguma 
vez aparentou ser. Diga-me algo, só entre você e eu. Seria incesto fazer amor com seu 
futuro ser? 
PURSAH: Não, mas isso seria estranho. Por favor, prossiga. 
GARY: Muito bem, aceito a dica, por enquanto. Continuando, toda vez que J 
perdoou, ele, de fato, rejubilava-se consigo próprio. 
ARTEN: Dá para você entender o sentido maior disso? 
GARY: Entendo. Ele estava em verdade indo de uma experiência de separação 
para a integração. E a palavra santo, do latim, sancire, tornar inviolável. Inviolável, por 
sua vez, é íntegro. Então, sair da separação é entrar na integração, na inviolabilidade, no 
santo.11 Como ele disse, no Evangelho de Tomé: 
Sou aquele que veio do que é inteiro, fui dado das coisas de meu Pai. Por-
tanto, digo-vos que se um for inteiro, esse será tomado pela luz, mas divi-
dido, será tomado pela falta dela. 
Então você não consegue ter ambas as maneiras. Você não consegue ser só um pouco 
inteiro. Sua lealdade tem de ser indivisa, senão você está dividido. Não importa quão 
complicadas as coisas aparentem ficar, só há realmente duas escolhas. Uma é por intei-
reza, ou sacralidade [inviolabilidade], atributo do que é uno e perfeito. É por isso que a 
antiga oração dizia: “O Senhor nosso Deus é Um.” A outra escolha é por qualquer coisa 
que não seja perfeita unicidade, que é a divisão. Não há como apartar-se disso. Então J 
perdoou completamente o mundo. Seu amor e perdão eram totais e todo abrangentes. 
Ele sabia que se você parcialmente perdoa o mundo, então você será parcialmente per-
 
11 N.T. – Recorri a santo e inviolável (íntegro), de base latina. No original holy (santo) e whole (íntegro), 
de base anglo-saxônica, sem trocadilho em português. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 35/176 
doado, o que significa que permanece dividido. Mas se você perdoa por completo o 
mundo, então você será completamente perdoado. 
Assim, o grande ensinamento de J, e do Divino Espírito Santo, é pelo perdão, 
mas num sentido quântico, mais do que no feitio fora de moda, newtoniano, perdão no 
feitio de sujeito-e-objeto. O perdão fora de moda diz, “Muito bem, estou perdoando 
você porque sou melhor que você, você realmente fez isso, e você é realmente culpado, 
mas vou tirar você do gancho, mesmo assim você ainda vai p’ro inferno.” Tudo o que 
isso faz é manter os cordéis da crença em separação do que realmente temos a nosso 
respeito, reciclado em nossa própria mente inconsciente. Isso não é realmente perdão. J, 
por outro lado, sabia a respeito da profunda e inconsciente culpa que está na mente de 
todos e cada um de nós, cobrindo a aparente crença de separação original de Deus, e de 
que há um tipo diferente de perdão que é o caminho mais rápido de desfazê-la, o equi-
valente de desfazer o ego. 
ARTEN: Penso que talvez você deva explicar isso um pouco mais, talvez com 
uma versão expedita da história da criação equivocada, para destacar de onde veio essa 
culpa. Além do mais, você não consegue romper o ciclo repetitivo de nascimento e mor-
te e parar de comparecer à fila da reencarnação, enquanto essa culpa inconsciente per-
manece em sua mente. 
GARY: Por certo, mas faça-me um favor. Conte-me mais a respeito da idéia dis-
so tudo ser um sonho. Nas poucas aparições que fiz, recebi muitas perguntas a esse res-
peito. E eu ainda não consigo crer que vocês estejam aqui! 
PURSAH: Nenhum de nós está aqui, Gary, nem você, como você sabe. Então fa-
lemos sobre o sonho. Digamos que você seja um dos pais, e você tem uma filha de qua-
tro anos, que está na cama, à noite, e ela está sonhando. Você dá uma espiadela sorratei-
ra nela, para ver como ela está, e consegue saber que ela está sonhando: ela se agita e se 
vira um pouco, e você consegue ver que ela está desconfortável. Para ela, o sonho se 
tornou sua realidade. Ela reage às imagens no sonho, como se elas fossem reais. Agora, 
você não consegue ver o sonho. Por que? Porque o sonho não está realmente lá, e sua 
filha de quatro anos nunca, realmente, saiu da cama. Ela continua, a salvo, em casa, mas 
ela não consegue ver isso. Isso está fora de seu conhecimento, e o sonho, em sua mente, 
se tornou a sua realidade. 
Você a quer despertar para que não sinta mais medo. Então que faz? Você vai a 
ela e a sacode com força? Não, porque isso a assustaria ainda mais. Então você a des-
perta quieto e gentil. Talvez você sussurre a ela coisas como: “Olhe, isso é apenas um 
sonho. Você não tem de se atormentar. O que você está vendo não é verdadeiro. E todos 
os problemas, todas as perturbações, todos os medos e as dores que você sente são, re-
almente, apenas, de certa forma, bobas, porque não há necessidade delas, e elas estão 
ocupando lugar dentro de um sonho, em sua mente, que, na realidade, não existe. Elas 
são o produto das mesma idéias bobas que produziram o sonho, em primeiro lugar. E se 
você consegue ouvir a minha voz neste momento, você já está começando a acordar.” 
Isso é assim porque a verdade – graças a Deus – consegue ser ouvida no sonho. 
Lembre-se, a verdade não está no sonho, mas ela consegue ser ouvida no sonho. Sua 
criança de quatro anos ouve você e começa a relaxar. Ela desperta, lenta e gentilmente. 
Seu sonho se torna mais feliz. E daí, quando finalmente desperta, vê que ela nunca dei-
xou sua cama. Ela estava, de fato, em casa todo o tempo. O lar continuava ali, mas havia 
ficado fora de seu conhecimento. Quando a atenção retorna, ela desperta, e o fato de que 
ela esteja em segurança em casa, se torna a sua realidade, novamente. Você sabia que 
ela esteve ali, todo o tempo. Não houve necessidade de ver seu sonho, ou de reagir em 
relação a ele. E onde fica o sonho quando ela desperta dele? 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 36/176
GARY: Em parte alguma. Ele desaparece porque jamais esteve, realmente, ali, 
de nenhuma forma. Ele pode ter parecido real e ser sentido como real, mas não esteve 
jamais, realmente, lá. As imagens que vemos, em nossos sonhos à noite, são projeções 
de nossa mente. Estamos vendo-as com apenas uma parte da nossa mente, e elas, efeti-
vamente, estão sendo projetadas por uma outra parte de nossa mente, mas essaparte se 
mantém oculta. 
PURSAH: Muito bom. Como você mesmo disse, isso é um truque. E aqui fica a 
parte divertida. Quando a criança de quatro anos desperta do sonho, isso fica sendo, 
apenas, mais um sonho. E, quando você despertou esta manhã, em sua cama, essa foi, 
apenas, outra forma de sonhar. Trata-se de uma função de níveis, que não existem na 
realidade do espírito puro. De fato, você poderia dizer que a razão pela qual esse sonho 
dá a sensação de ser mais convincente do que seus sonhos noturnos é para convencer 
você, com ênfase, da efetiva realidade deles, aqui, mas onde você realmente está – no 
Céu – permanece fora do seu conhecimento. E convincente ele é, mas não está, real-
mente, lá. E as pessoas que você pensa que estejam lá fora, também não estão lá. Quan-
to a você, o sonho se tornou sua realidade, e onde você, realmente, está, se mantém fora 
do seu conhecimento. É como descreve Um Curso em Milagres: 
Todo teu tempo é aplicado em sonhar. Teu dormir e teus sonhos desperto 
têm formas diferentes e isso é tudo. Seu conteúdo é o mesmo. (T-18.II. 
5:12-14) 
O Divino Espírito Santo está sussurrando o mesmo tipo de coisas para você ago-
ra mesmo nesse sonho, que você sussurraria para uma criança de quatro anos que sonha 
agitado, na cama, à noite. Ele está dizendo coisas como: “Olhe, isso é apenas um sonho. 
Você não tem de se atormentar. O que você está vendo não é verdadeiro. E todos os 
problemas, todas as perturbações, todos os medos e as dores que você sente são, real-
mente, apenas, de certa forma, bobas, porque não há necessidade delas, e elas estão o-
cupando lugar dentro de um sonho que, na realidade, não existe. Elas são o produto das 
mesma idéias bobas que produziram o sonho, em primeiro lugar. E se você consegue 
ouvir a minha Voz neste momento, você já está começando a acordar, porque a verdade 
consegue ser ouvida no sonho.” 
A verdade não está no sonho, mas ela consegue ser ouvida no sonho. E quando 
você começa a conhecer a verdade, que é comunicada a você pelo Divino Espírito Santo 
de muitas formas diferentes, você começa a relaxar. Você desperta lenta e gentilmente 
por meio de um processo casulo chamado perdão. Assim como a lagarta, por meio do 
processo casulo, vai ser preparada para uma forma de vida mais elevada e menos restri-
ta, você se prepara para uma forma de vida mais elevada pela mudança de sua percep-
ção do mundo, usando o perdão, seu processo casulo. Como resultado disso, seu sonho 
se torna mais feliz. Mas essa felicidade não depende do que aparenta acontecer no so-
nho. Ela é uma paz interior [constante, estável, imutável e permanente], que consegue 
permanecer ali, com você, à sua disposição, o tempo todo, independente do que, na apa-
rência, esteja ocorrendo em seu sonho. E daí, quando finalmente você desperta, você vê 
que você nunca, jamais, em tempo algum, realmente, saiu de casa, que é a sua perfeita 
Unicidade com Deus. Você esteve, de fato, todo tempo em casa, sem se dar conta disso. 
Sua casa continuava ali mesmo, à sua volta, envolvendo você, mas fora do alcance do 
seu conhecimento. 
É como J diz no Evangelho de Tomé: 
O Reino do Pai se estende sobre toda a terra, e as pessoas não O vêem. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 37/176 
Com o retorno do conhecimento você desperta para a realidade do Reino, e você read-
quire o conhecimento de que está, e sempre esteve, a salvo, [resguardado e tranqüilo] 
em casa. 
GARY: Mas, se tudo isso é verdade, então significa que Deus nem ao menos sa-
be que eu esteja aqui! 
ARTEN: Você está, completamente, sem entender coisa alguma. O ponto a en-
tender é: você não está aqui, e Deus sabe onde você realmente está. E, em vez de mer-
gulhar todo nele e tornar real um sonho irreal, Deus tem uma idéia melhor. Ele quer que 
você desperte e se dê conta de que sempre esteve com Ele. No final você desperta para o 
Céu, onde Deus sabe que você sempre está e esteve e de onde jamais saiu. Não houve 
necessidade de Deus ver seu sonho ou reagir a ele. 
Como Um Curso em Milagres diz: 
Estás em casa em Deus, sonhando com o exílio, mas perfeitamente capaz 
de despertar para a realidade. (T-10.I.2:1) 
E, diga-me, Gary onde fica o sonho do tempo e do espaço quando você desperta dele? 
GARY: Em lugar algum. Ele desaparece, porque como qualquer sonho, ele é 
uma miragem que desaparece, um bruxedo que é desfeito. E agora a realidade se torna a 
minha realidade. 
ARTEN: Sim, então quando você desperta do sonho do tempo e do espaço, não 
há mais tempo nem espaço, o que significa que você não tem mais de ficar por aí por 
um milhão de anos esperando pelo despertar de todos. Não há mais ninguém para des-
pertar. Não há ninguém lá fora, senão você, o único ego, se mostrando como se fossem 
muitos. E os que você pensou que estivessem lá fora, estão todos já com você no Céu, 
não como corpos, mas como eles realmente são, espírito. Ninguém consegue ser deixa-
do fora da unicidade, e nada consegue estar faltando na integridade. Então, todos que 
você amou ou que importaram para você, incluindo animais, estão lá em seu conheci-
mento. Mais uma vez, não como algo que foi alguma vez separado mas como algo que 
jamais consegue ser separado. Nada consegue estar faltando na perfeição. Tudo isso é 
perfeitamente um, e isso é constante, o que é um atributo que não existe no universo do 
tempo e do espaço. No entanto, isso consegue ser experienciado por você, mesmo que 
você consiga aparentar estar num corpo. 
GARY: Eu já tive essa experiência. 
PURSAH: Nós sabemos disso, e nós conseguimos falar mais a respeito disso 
mais tarde, porque é a resposta a todas as perguntas. A despeito de sua forma de agir, 
nós sabemos que você nunca mais consegue completamente crer no ego outra vez. E, 
uma vez tenha tido essa experiência, então se torna mais fácil construir sua casa sobre a 
rocha, em vez de sobre a areia. A areia representa as areias moventes do tempo e do 
espaço, onde nada consegue realmente ser firme, exceto o fato de que vai mudar, porque 
esse é um mundo do tempo e da mudança. Então a única coisa que você sabe, com cer-
teza, é que isso não será o mesmo daqui a um minuto. Mas a rocha é permanente, é algo 
com que conseguimos contar. 
GARY: Certo. Uma vez você tendo experienciado a realidade, mesmo que bre-
ve, então tudo nesse mundo fica sendo apenas um tipo de cocõ de galinha, comparado 
ao que está à sua disposição. 
ARTEN: Sim, e você faz bem em lembrar-se de fazer a escolha certa entre os 
dois. Você não é perfeito, mas está indo bem, e estamos contentes por isso. 
GARY: Obrigado. Olha! Posso usar algum desse material em meus workshops? 
ARTEN: Você usa o primeiro livro em seus workshops, não usa? 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 38/176
GARY: Eu tomo isso como um sim. Então, o que parece acontecer aqui no 
mundo pode parecer e ter a sensação de real, mas não é. As imagens que vejo em meus 
sonhos à noite são projeções da minha mente. Eu as estou vendo com uma parte da mi-
nha mente, e elas, de fato, estão sendo projetadas por outra parte da minha mente, mas 
essa parte que projeta está oculta. 
E, durante o dia, tudo o que estou vendo, com os olhos do corpo, é a projeção de 
algo em minha mente que eu, secretamente, creio ser verdade a respeito de mim mesmo, 
feita por minha própria mente inconsciente. Exatamente como Freud disse que todos em 
seus sonhos são realmente você mesmo, acaba sendo que todos em nossa vida são tam-
bém um símbolo de nós mesmos. J sabia disso, e sendo um cara bem esperto, ele se deu 
conta de que, ao julgar e condenar os outros, resulta que tudo que as pessoas conseguem 
é manter suas próprias falsas identidades do ego em seu lugar. Mas se perdoarem, no 
verdadeiro sentido do perdão, então desfazem a identidade falsa do ego e retornam ao 
espírito. 
ARTEN: Sim, e é interessante notar que Freud não usou, exatamente, a palavra 
ego. Ele usou a palavra ich, que em alemãosignifica “eu”, e que designa a identidade 
pessoal. Você poderia combinar isso com o termo budista todo abrangente ego, e o que 
você vai ter é um ser que, incorretamente, pensa ter uma identidade separada de sua 
Fonte. 
PURSAH: E estou contente que você esteja falando a respeito de desfazer o ego. 
É definitivamente insuficiente apenas dizer às pessoas que o mundo não seja real. Isso 
não leva ninguém a lugar algum. É verdade que saber que o mundo seja uma ilusão é 
uma parte necessária do retrato. Mas é unicamente o perdão verdadeiro, a respeito do 
qual falaremos muito mais no final, que desfaz o ego. Sem o perdão, pouco progresso é 
feito. Tudo gira em torno de como você pensa e em que acredita. Se você pensa [crê] 
que a pessoa que você está vendo [ou lembrando-se dela] seja um corpo, então você 
pensa [crê] ser, também, um corpo. Se você pensa [crê] que a pessoa seja espírito, então 
você é [crê ser] espírito. É assim que é traduzido seu pensamento [crença] por sua pró-
pria mente inconsciente. Não há com escapar disso. A maneira que você pensa da outra 
pessoa determina como você, afinal, se sente a seu próprio respeito. Nós faremos um 
pouco mais da revisão com você, mais tarde. 
GARY: É engraçado como o Curso, um documento espiritual que usa termino-
logia cristã, consegue incorporar nele tantas idéias budistas. Talvez seja por isso que 
alguns cristãos ficam relutantes em abraçá-lo. 
ARTEN: Sim. Cristãos conservadores não reconhecem o Curso. 
GARY: Isso está bem. Eles também não se reconhecem no Hooters.12 
PURSAH: É isso. E dessa maneira as pessoas nos reconhecerão, queremos dei-
xar claro que nós só aparecemos para você e jamais apareceremos para ninguém mais 
ou daremos informação canalizada para ninguém mais. 
.GARY: Não estou reclamando, mas por quê isso? 
PURSAH: Isso é simples. Helen Schucman levou sete anos e meio escrevendo 
Um Curso em Milagres. Antes disso, todos os que canalizavam eram canalizadores em 
transe. Quer tenha sido o médico e leitor psíquico Edgar Cayce, ou Jane Roberts, que 
canalizava Seth, pessoas que recebiam informações de uma fonte mais elevada, elas 
próprias não as ouviam, e por isso precisavam de um instrumento que as tirasse do ca-
minho e permitisse que a informação viesse através delas. Como o próprio Um Curso 
em Milagres diz: 
 
12 N.T. – Rede de restaurantes casuais que já dispõe de rede com cerca de 300 estabelecimentos, dentro e 
fora dos EUA, havendo um único no Brasil, em São Paulo, capital. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 39/176 
Só alguns poucos ouvem de fato a Voz por Deus... (M-12.3:3) 
Mas então, depois que o Curso saiu e as pessoas ouviram que essa mulher estava sim-
plesmente ‘ouvindo’ a Voz de Jesus, a manifestação do Divino Espírito Santo, então, de 
uma hora para outra, todo mundo passou a ‘ouvir’ a Voz de J, ou do Divino Espírito 
Santo, mesmo que você tivesse o Curso dizendo que não conseguiam! A razão é obvia. 
Se as pessoas conseguiam ouvir a Voz do Divino Espírito Santo, então eles não precisa-
vam, realmente, entender o Curso ou fazer o trabalho de perdão que ele pedia deles, 
precisariam? Eles não precisariam olhar para o ego ou para sua culpa inconsciente, ou 
fazer nada a respeito disso. Em vez de aceitar o desafio de alcançar todo um novo nível 
que J lhes estava oferecendo, pelo mesmo tipo de trabalho de perdão que ele praticou, 
eles conseguiriam simplesmente fazer seu próprio Curso, à sua vontade. Então, imedia-
tamente, você teve pessoas atuando como professores do Curso que não conseguiam, 
possivelmente, ter tido tempo para aprendê-lo e fazer o trabalho, e antes que você per-
cebesse, você tinha pessoas reportando que J estava dizendo coisas a eles que, em ver-
dade, contradiziam o que ele havia dito em Um Curso em Milagres. 
Nós não queremos pessoas fazendo a mesma coisa com nossas palavras. Então 
aqui há um renegador. Se alguém, alguma vez, disser que Arten ou Pursah estejam apa-
recendo a eles ou falando com eles e dando a eles informação, agora ou no futuro, então 
estão enganados. Isso não seremos nós. Nós jamais faremos isso. Dessa forma ninguém 
conseguirá alguma vez contradizer nossas palavras em nossos nomes ou comprometer o 
que estamos dizendo. Deixaremos os defeituosos relatos dos ensinamentos de J e do 
Divino Espírito Santo para esses que reivindicam estarem inspirados pelo Curso sem 
jamais, realmente, tê-lo aprendido. 
GARY: Essa é uma declaração bem provocante, e alguns podem tomá-la como 
um tanto áspera. Ademais, eles não conseguem sentir sua atitude amorosa sem vê-los. 
PURSAH: Sinto muito, Gary, mas alguém tem de destacar essas coisas. Leva 
muitos anos de prática para atingir um progresso significativo, mas uma porção de pes-
soas quer saltar para o fim sem utilizar os meios, que é o perdão. Eles querem ser um 
mestre, sem ter sido um estudante. É por isso que estamos contentes que você se apre-
sente apenas como um estudante que compartilha suas experiências e passa adiante o 
ensinamento. 
Se você tentar ser mais que isso, então coisas estranhas acontecem. Por exemplo, 
há um casal dos assim chamados professores do Curso, que se puseram como líderes de 
culto. Algumas vezes isso é óbvio de que isso é o que está ocorrendo, e algumas vezes 
isso é mais sutil. Em qualquer caso, se um professor ou seus assistentes tenta fazer você 
deixar alguma propriedade pessoal para eles, ou fazer grandes doações, algo está podre 
na Dinamarca. O mesmo seria se eles quiserem que você more em suas instalações. 
Isso fica claro que o Curso não tenciona ser usado como uma fuga da sociedade, 
mas usado como uma ferramenta para perdoar a sociedade. Invariavelmente, líderes de 
culto apresentarão uma fachada de serem infalíveis. Em vez de dar poder a você para 
que faça seu próprio trabalho de perdão, que claramente é a intenção do Curso, eles 
tentarão levar você a pensar que é estando em sua presença e seguindo-os que leva à 
iluminação. De fato, você experienciará um deles pessoalmente dentro de poucos meses. 
Não reaja a ele. Em vez disso, perdoe-o, e saiba que ele é um bom exemplo do que a-
contece quando você não sente a necessidade de aprender e praticar o Curso e decide, 
em lugar disso, mascarado de mestre, o tempo todo, usar as pessoas. 
NOTA: Os tipos de professores a que Pursah se refere nas palavras acima não 
incluem os filiados a Pathways of Light® em Kiel, Wisconsin, EUA, dirigido 
pelos Revs. Robert e Mary Stoelting, uma boa organização de ensino. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 40/176
GARY: Nada disso é novo no mundo, mas por que esses líderes de culto preci-
sam dizer que estão ensinando o Curso? Por que eles apenas não usam a bíblia ou al-
guma outra coisa? 
PURSAH: Algumas vezes usam a bíblia, e outras coisas, e misturam-nas com o 
Curso, o que você mesmo também não deveria fazer, a não ser que esteja sendo absolu-
tamente verdadeiro à mensagem do Curso e esteja usando essas outras coisas como fer-
ramenta de contraste ou suporte. 
GARY: É possível fazer as duas coisas, ensinar e praticar o Curso? 
ARTEN: Possível? Sim. Difícil? Absolutamente sim, também. A única maneira 
de fazer isso é de sempre se lembrar para quê tudo serve, que é o perdão. Você, querido 
irmão, nem sempre se lembra, imediatamente, disso, mas, no final, acaba se lembrando. 
Seu perdão não é perfeito, mas é persistente. E, desde que o faça, você fará bom pro-
gresso. O tempo de demora do perdão, simplesmente contribui para seu sofrimento! 
GARY: Então, o tipo de perdão, de que você está falando, deve também ser apli-
cado aos líderes de culto a quem você se referia agora. 
ARTEN: Sim, e como dissemos, você terá a oportunidade de perdoar um deles 
em pessoa, assim como você terá muitas novas experiências para perdoar nos próximos 
vários anos. 
GARY: Ótimo. É como eu preciso... mais oportunidades de perdão. 
ARTEN: Lembre-se, isso é o quelevará você para casa mais depressa. 
GARY: E o que dizer da meditação? 
PURSAH: A melhor forma de meditação é do tipo que ensinamos a você antes, 
no final do capítulo chamado “Oração e Abundância”. Esse tipo de meditação de fato 
reflete a forma de oração original, silente e realmente que trata da união com Deus. Co-
locando Deus em primeiro lugar, e reconhecendo-O como sua verdadeira Fonte, isso 
não apenas ajuda você a desfazer a separação, em sua mente, mas também consegue 
resultar no efeito posterior de inspiração. Estou contente que você continua a fazer essa 
meditação, por cinco minutos, pela manhã e por mais cinco minutos, á noite. Isso é, 
realmente, tudo que você precisa. Não há melhor maneira de ficar inspirado. Você, sim-
plesmente, se perde no Amor de Deus, sente gratidão em relação a Ele, e se imagina 
sendo perfeitamente uno a Ele. 
Lembre-se sempre de algo, no entanto. Não há substituto da prática do perdão, e 
isso é “a vida espiritual na pista rápida” que nosso irmão J ensinava pelas nas duas pa-
lavras há 2.000 anos atrás. 
GARY: O que há a respeito de estar no agora? 
ARTEN: Onde a prática do “esteja aqui agora” levará você é para o aqui. Com 
certeza, isso relaxará você, mas, sozinha, não levará você para casa. Um aspecto desse 
tipo de sistema é de vigiar seus julgamentos. Mas vigiar seus julgamentos não é, exata-
mente, perdoá-los. E o agora, experienciado, não é o eterno sempre do Céu, exatamente, 
que só consegue ser, consistentemente, experienciado quando o ego haja sido desfeito 
pelo Divino Espírito Santo, completamente. Isso exige que você cumpra sua parte no 
perdão, e que o Divino Espírito Santo cuide da parte do encargo dele, na profundeza de 
sua mente inconsciente, que você não enxerga,. Então, à medida que você segue, você 
terá experiências que lhe indicarão estar você no trilho certo. Algumas vezes será, sim-
plesmente, uma sensação de profunda, e consistente, paz interior. Isso é muito mais im-
portante do que você consegue se dá conta. Se a paz é a condição inerente do Reino, 
então sua mente tem de ser retornada a uma condição de paz, antes que ela consiga re-
entrar no Reino. De outra forma, ela não se acomodaria Nele. Isso seria o mesmo que 
tentar acomodar um bloco quadrado num espaço circular. A “paz de Deus que traz en-
tendimento”, é um pré-requisito para retornar ao lar. Repetindo, ela não é conquistada, 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 41/176 
em base permanente, até que toda culpa inconsciente haja sido removida da mente, pelo 
Divino Espírito Santo. E lembre-se do que lhe dissemos a respeito de ensinar: nada há 
de errado com a repetição. De fato, repetir é essencial. 
GARY: Você já disse isso. 
ARTEN: Engraçado. No entanto, você sem dúvida teve a experiência de ler um 
parágrafo no Curso, que você sabe já ter lido antes, mas sente como se você o estivesse 
lendo pela primeira vez. Isso também acontece quando as pessoas relêem O Desapare-
cimento do Universo. Elas sabem que já viram as palavras antes, mas aí as estão acei-
tando num nível completamente diferente. As palavras não mudaram, mas as pessoas 
mudaram. Um pedacinho a mais do ego foi desfeito, e agora elas estão vendo as pala-
vras por outro ângulo. A repetição é importante, não apenas no aprendizado dessas idéi-
as, mas na prática do perdão, também. 
Algumas vezes, isso pode parecer como se você estivesse perdoando a mesma 
coisa, outra e outra vez. Você perdoa as pessoas com quem trabalha. Daí você retorna 
no outro dia, e elas continuam ali. Mas mesmo que pareça que você esteja perdoando a 
mesma coisa, isso é uma ilusão, também. O que realmente está acontecendo é que mais 
culpa inconsciente está vindo à superfície de sua mente, e isso é a oportunidade para 
você liberá-la e se livrar dela pela reiteração do perdão. 
PURSAH: Nós nos vamos em breve, mas estaremos de volta em dois meses. 
Quando retornarmos falaremos de poder. Poder real. O que ele é e de como usá-lo. Isso, 
no final, conduzirá a uma prática mais profunda do perdão, que mostrará a você como 
acabar com a reencarnação, usando as próprias coisas que surjam diante de sua cara, no 
mundo onde você parece existir e trabalhar. 
GARY: Eu não trabalho aqui. Sou um consultor. 
ARTEN; Você quererá romper o ciclo repetitivo de nascimento e morte, não é? 
GARY: Com certeza, mas você me disse, na última vez, que irei ainda voltar pa-
ra mais uma existência, então que história é essa? Se vou aprender como terminar a re-
encarnação, então por que tenho de voltar outra vez? 
ARTEN: Jamais se esqueça, Gary: o Divino Espírito Santo consegue ver tudo e 
você consegue apenas ver parte disso. O Curso ensina que o Divino Espírito Santo 
...reconheceu tudo que o tempo contém, e o deu a todas as mentes para 
que cada uma consiga determinar, de um ponto em que o tempo esteja 
acabado, quando estaria liberada para a revelação e a eternidade. (E-
pI.169.8:2) 
Você já parou para pensar que o seu retorno, mais uma vez, consegue ser uma 
grande ajuda para outros? Você, realmente, só precisa ter uma grande lição de perdão a 
aprender nessa existência. Pela prática do perdão em pequenas coisas, bem como aquela 
coisa grande, você servirá de exemplo a outros. Como Pursah, você também é uma 
grande ajuda para mim. Usualmente, sua existência final não é apenas uma grande exis-
tência para você pessoalmente, mas é uma onde você desempenha um tremendo serviço 
a outros, talvez publicamente, mas muitas vezes não. Tudo se encaixa junto, como o 
holograma que é. Para que todas as mentes determinem quando são liberadas, cada um 
tem de cumprir sua parte para trazer 
... uma cadeia interligada de perdão que, quando completa, é a Expiação. 
(T-1.I.25:1) 
Então cumpra a sua parte, irmão, e seja grato. Você tem tempos fascinantes à sua 
frente. Outros também o terão. Lembre-se de que dissemos que há mais pessoas hoje do 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 42/176
que jamais houve nesse planeta que, tanto estão iluminados, ou serão iluminados, nesses 
tempos. Você está ajudando pessoas a chegarem a isso por compartilhar os ensinamen-
tos. Algumas delas não terão nem de retornar outra vez, parcialmente por sua causa! 
Não há melhor vocação que compartilhar a verdade com outros e perdoar, enquanto 
você segue em frente. 
PURSAH: A dois meses de agora você vai estar viajando pela primeira vez, vo-
ando por todo o país e difundindo a mensagem. Você estará um tanto nervoso e sendo 
provado no início, mas isso passará, se usar isso – como sempre – para o perdão. Para 
isso que serve. Pratique e você está bem. Estaremos de volta com mais, logo depois do 
retorno de sua primeira viagem cruzando o país. 
GARY: Opa! Isso é bacana. Nunca estive em tantos lugares, vocês sabem. 
ARTEN: Apenas de lembre que isso tudo é um sonho, e quão feliz seja esse so-
nho tudo depende de seu perdão. 
Arten e Pursah então desapareceram, instantaneamente, mas eu senti uma satis-
fação profunda que meus amigos estivessem em minha vida outra vez. Eu havia me 
maravilhado com tudo que havia acontecido no ano anterior, e me senti bem por ter al-
gum treino. Não tive idéia no momento da profunda extensão em que eu seria desafiado 
por ambos e em minha vida, nos próximos dois anos. 
-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M. Thereza de B. Camargo 43/17
6 
2 
Pode r Rea lPode r Rea lPode r Rea lPode r Rea l 
O poder de decisão é a única liberdade que te restou como prisioneiro 
deste mundo. Consegues decidir vê-lo de modo certo. (T-12.VII. 9:1-2) 
urante os dois meses seguintes, muitas vezes pensei a respeito do que Pursah havia 
dito a respeito de experiência. No ano anterior não haviam faltado lições de perdão 
relacionadas à publicação do livro. A jamais vista maldade de uma pequena minoria de 
estudantes, supostamente espirituais, na Internet, chegou como uma grande surpresa 
para mim. Algunsdeles difamaram o livro sem jamais tê-lo lido, por terem algum moti-
vo político individual a contentar. Jamais teria acreditado que pessoas assim pudessem 
existir, dentro da chamada comunidade de Um Curso em Milagres. Tendo sido iniciado 
nessa comunidade, depressa comecei a vê-la como uma família que haveria de demons-
trar, em seus atos, a prática do próprio Curso no qual proclamavam crer. 
Felizmente, para mim, por meio de minhas viagens, eu estava ainda por encon-
trar a real comunidade do Curso em pessoa, e entender que, diferente do que eu estava 
algumas vezes vendo na Internet, a esmagadora maioria das pessoas dessa comunidade 
era realmente interessada em fazer o tipo de progresso espiritual espantoso que o Curso 
lhes oferece. Ao mesmo tempo, havia uma conversa on-line sobre O Desaparecimento 
do Universo (que, como já mencionei previamente, os participantes imediatamente co-
meçaram a referir-se a ele como “D.U.”) que começava a crescer. Depois de um início 
agitado, por causa de alguns visitantes que queriam tentar atacar o livro e a mim, o fó-
rum estava se tornando num dos grupos mais amorosos e apoiadores na Internet. 
O sucesso nem sempre fazia parte do meu quadro. Mesmo com o livro come-
çando a estar muito bem, sempre parecia haver obstáculos a vencer. Isso incluía ataques, 
que algumas vezes eram sutis e outras vezes ultrajantes. Quando as coisas não pareciam 
ir como eu queria, eu fazia o máximo para praticar o perdão, sabendo que o hábito da 
aplicação resultaria em experiência espiritual, quer fosse na forma de paz interior ou no 
tipo de experiências místicas imprevisíveis, às quais já havia me acostumado. O Curso 
me ensinou que eu não conseguia, realmente, ser atacado no nível de minha mente, mes-
mo que isso conseguisse, certamente, parecer que alguém estivesse me atacando. Mes-
mo assim, por vezes a prática era muito difícil, e eu demoraria em trazer a minha deci-
são de escolher o Divino Espírito Santo como meu professor, em lugar do ego. Isso me 
fez imaginar por que eu não conseguia sempre viver a diretriz do Curso de que tanto 
gostava, que diz: 
O amor não guarda mágoas. (E-pI.68.h) 
Porque era possível perdoar algumas pessoas e tão difícil perdoar a outras? 
Eu sabia que o Curso também ensinava: 
Como tu o vês, vês a ti mesmo. (T-8.III.4:2) 
Como quer que eu olhasse e pensasse a respeito de outra pessoa, certamente, criaria 
como eu experienciava a mim mesmo e, por fim, determinava minha própria identidade, 
D 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 44/176
fosse como um espírito ou um corpo. Eu queria saber por que isso era, algumas vezes, 
tão duro de fazer a escolha certa. 
Arten e Pursah me disseram que eu iria viajar muito. Ficava cada vez mais óbvio 
que escrever e falar, e o meu perdão do que eu tinha de fazer em conexão a eles, ia ser 
meu trabalho. Somente há seis meses antes, nunca eu havia falado em público. Mas ago-
ra, depois de apenas um punhado de palestras e workshops, eu estava por pegar a estra-
da e me engajar, regularmente, numa nova vocação. 
Não consigo deixar de pensar em outubro de 1992, dois meses antes de meus 
amigos primeiro aparecerem para mim. As coisas financeiramente não andavam bem 
para mim, e eu fortemente considerava retornar a tocar minha guitarra, o que havia feito 
por vinte anos, para ganhar algum dinheiro. Tirei minha roupa Les Paul do armário, 
coloquei-a em meu ombro, em pé, na sala, e comecei a tocar. Ambas as minhas mãos 
estavam ocupadas tocando o instrumento. De repente, para meu espanto, senti outra 
mão empurrando o final do braço da guitarra devagar mas firme para o chão, e eu junto 
com ela. Era como se uma entidade invisível estivesse me fazendo parar de tocar, inter-
ferindo de forma firme, mas gentil, e entregando-me uma mensagem inescapável: Não, 
isso não é mais o que você vai fazer. Entendi a mensagem. Eu ainda não sabia exata-
mente o que deveria fazer, mas depois dessa experiência, tive a sensação de que isso se 
mostraria. Dois meses depois vi Arten e Pursah pela primeira vez e no final descobri 
que a mim estava sendo oferecida uma chance de dedicar o resto da minha vida a nada 
menos do que uma maneira de retornar para casa em Deus. 
Em minha primeira viagem para a Califórnia, no final de fevereiro, fui ver o fil-
me recém saído de Mel Gibson, A Paixão de Cristo. Fiquei desconcertado pela descri-
ção deprimente do sofrimento de J e da horrífica violência do filme. Eu esperava, com 
interesse, conversar com meus visitantes ascensos sobre isso. Não tive de esperar muito. 
Dois meses depois de sua aparição anterior, enquanto estava sentado em minha sala de 
estar, Arten e Pursah estavam lá comigo, outra vez. Como sempre,,sua aparência foi 
instantânea, como se eu estivesse vendo um canal de televisão e então apertasse o con-
trole remoto, provocando a imagem a mudar no mesmo instante. As entradas e saídas de 
meus amigos eram bem similares a isso. Era como se eles estivessem mudando de fre-
qüência ou mesmo dimensões, mesmo que eu, certamente, não quisesse limitá-los 
ARTEN: Você está com muita coisa em sua mente, bacanão. Onde você gostaria 
de começar? 
GARY: Como estou certo que vocês sabem, fui ver o filme de Mel Gibson, A 
Paixão de Cristo. Eu gostaria de falar um pouquinho a respeito disso. 
ARTEN: Talvez um pouco, irmão, mas penso que hoje seria melhor atendido 
conversando outras coisas. 
GARY: Realmente? Vocês usualmente falam a respeito do que eu quero falar! 
PURSAH: Há um assunto que nós queremos abordar mais tarde, que consegue 
melhor incorporar a visão da Crucificação de Mel, mas você, de fato, notou o pequeno 
truque que usamos com você em relação ao filme, não é mesmo? 
NOTA: Pursah havia me contado, durante a primeira série de visitas que, se 
eu queria ver o cristianismo numa casca de noz, tudo que eu teria de fazer era 
retornar à antigas escrituras (eles nunca o chamavam de Velho Testamento) e 
ler o Livro de Isaías, Capítulo 53, versículo 10. Sua declaração foi publicada 
um ano antes em que a Paixão foi liberada. Essa parte da bíblia fala de um 
carneiro sendo levado ao matadouro, e diz: “Por seus ferimentos somos cura-
dos.” Essa é a antiga idéia ela qual, de alguma forma, você consiga expiar os 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 45/176 
pecados de outras pessoas pelo sacrifico de um inocente. O problema é que 
isso foi escrito 700 anos antes de J, e nada tinha a ver com ele. Isso se referia 
a outro profeta. Mais tarde, as pessoas tentariam fazer uma profecia com base 
nisso e relacioná-la a ele, mas não se referia a ele de forma alguma. Eles en-
tão tomaram essa crença, mesmo que nada tivesse com o que J estava ensi-
nando, e a apegaram a ele, assumindo que, como eles, ele cria num sistema de 
pensamento de pecado, culpa, medo, sofrimento, sacrifício e morte. 
O “truque” a que Pursah se refere é que eles me disseram que lesse essa se-
ção, Isaias, Capítulo 53, versículos de 5 a 10, sabendo que a declaração seria 
publicada antes do filme ser lançado. Então quando fui ver A Paixão de Cris-
to, a primeira coisa que Mel Gibson colocou na tela foi uma citação. Ela era 
do Livro de Isaías, Capítulo 53, versículos de 5 a 10! O que se segue é uma 
amostra desses versículos da bíblia, do qual Mel Gibson também usou como 
uma transcrição. O texto exibe um sistema de pensamento que já estava na 
mente inconsciente, e estava sendo expresso pelo autor: 
Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões, e moído por 
nossas iniqüidades: 
O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e por suas pisaduras 
fomos curados. 
Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um as des-
viava pelo caminho, 
Mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. 
Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca: como cordeiro 
foi levado ao matadouro; 
E como ovelha, muda perante seus tosquiadores, ele não abriu a sua 
boca. 
Designaram-lhe a sepultura com os perversos,mas com o rico este-
ve em sua morte, 
Posto que nunca fez injustiça, nem dolo algum se achou em sua bo-
ca. 
Todavia, era a vontade do Senhor moê-lo, fazendo-o enfermar 
Quando ele se fez uma oferta pelo pecado... 
Muitos séculos mais tarde, Saulo de Tarso, melhor conhecido como Apóstolo 
Paulo, que estava em profunda culpa por ter matado muitos cristãos, teve uma 
conflitada (parte-ego) experiência na estrada de Damasco, que lhe causou o 
que ele acreditou ser assumir a causa de Jesus. Sendo um judeu que cria na 
antiga escritura, não foi surpreendente ou difícil para Paulo incorporar as 
crenças dos versos acima em sua teologia em desenvolvimento a respeito de 
J. Isso conduziu tudo para uma religião que perdeu a maior parte da verdadei-
ra mensagem de J e substituiu-a por um sistema de pensamento deles pró-
prios. 
Minha experiência com A Paixão não foi a primeira vez que meus professores 
haviam me dito algo, por estarem cientes de que mais tarde eu veria ou ouvi-
ria isso em filme, que eles sabiam ser meu passatempo favorito. Eles me dis-
seram algo parecido, “As pessoas são como espíritos, exceto num aparente 
nível diferente. Pensam que seus corpos estão vivos, mas não estão. Elas só 
vêem o que querem ver.” 
Alguns anos depois, vi o excelente filme O Sexto Sentido, escrito e dirigido 
por M. Night Shyamalan. Quando o menino no filme decidiu que era a hora 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 46/176
de contar ao psicólogo seu segredo, duas das frases que ele disse a respeito 
dos espíritos que ele estava vendo foram: “Eles pensam que estão vivos. Eles 
apenas vêem o que querem ver.” Quase caí da cadeira quando ouvi essas fra-
ses durante esse filme algo assustador e muito fascinante, sabendo que meus 
amigos já me haviam dito isso. Mas eu também sabia que eles estavam fazen-
do mais do que apenas contando uma piada. Eles conseguiram enfatizar ain-
da mais esse ponto para mim. 
ARTEN: Sim, estávamos vendo você no início do filme para ver sua reação. 
GARY: Você se refere à citação no início, “por suas pisaduras fomos curados.” 
Acho que se fomos curados por elas, então isso explicaria porque Mel mostrou tantas 
delas. 
ARTEN: Esse é o sistema de pensamento do ego, irmão. Falaremos mais a res-
peito disso mais tarde. Há uma seção em Um Curso em Milagres chamada “O Herói do 
Sonho”. Quando chegarmos a ela, também conversaremos de A Paixão e de como as 
crenças do mundo são profundamente enraizadas no corpo. 
PURSAH: E falando de corpos, você sabe, a idéia “o amor não guarda mágoas”, 
que tanto você ponderou, consegue ser considerada como o antídoto para o corpo. Co-
mo aquela lição do Curso diz: 
Guardar uma mágoa é esquecer-te de quem és. Guardar uma mágoa é 
ver a ti mesmo como um corpo. (E-pI.68.1:2-3) 
Você tem tido um tempo duro com algumas lições de perdão ultimamente. 
GARY: Você bem sabe. Por que será que a algumas pessoas parece ser tão fácil 
perdoar, e a outras tão difícil? 
PURSAH: Você tem de se lembrar de que a mente inconsciente sabe tudo. Ela 
sabe de todo relacionamento que você já teve, em qualquer existência. Você tem tam-
bém de considerar que as existências, em que você aparenta atravessar, são como uma 
dança, na qual você representa o papel de vítima em uma existência e de vitimador nu-
ma seguinte. Então um assassino nesta existência é morto na próxima, algumas vezes 
até mesmo pela mesma pessoa a quem matou, na outra existência. Isso é verdade com 
ações bem como com ocupações. Um ministro nesta existência poder vir a ser uma 
prostituta na próxima, e vice-versa. De fato, a prostituta que J salvou de ser apedrejada 
até a morte, que não era Maria Madalena, ajudou J numa existência anterior a essa. Vo-
cê está sempre trocando de papeis. Você pode ser um policial numa de suas existências 
de sonho e depois um criminoso na próxima. 
GARY: Ou pior, um político. 
PURSAH: Políticos têm problemas. Seja gentil com eles. Daí você estará sendo 
gentil com você mesmo. 
GARY: Estou tentando. Que coisa, até que progredi muito. Costumava ficar irri-
tado quando um certo político, vou deixar vocês adivinharem qual é, aparecia na tela da 
TV. Eu reagia e me aborrecia com o que eu percebia, quanto ele estava escangalhando o 
país e o mundo. Daí, uma vez, ele apareceu na tela e eu comecei a reagir contra ele, e 
me lembrei da verdade, e comecei a perdoá-lo. Assim como vocês me ensinaram, essa é 
a parte mais difícil... lembrar-me da verdade quando a porcaria bate no ventilador. En-
tão comecei a perdoá-lo e daí pensei, Você sabe, ele nem ao menos tem conhecimento 
de que eu esteja olhando! Então quem é o cara que está sofrendo aqui? Ele, provavel-
mente, está se divertindo muito. Ele pensa que ele, realmente, seja o Presidente. 
PURSAH: Sim, perdão é sempre uma dádiva que você está dando a si próprio, 
não à pessoa a quem você está perdoando. Você é quem recebe os benefícios, em ambos 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 47/176 
os termos, práticos e metafísicos. Em verdade, você está atuando como um lembrete, 
um toque, uma alusão à verdade para a outra pessoa. Todo pensamento produz efeitos 
em algum nível13, e isso é bom para a outra pessoa, também. Não que a outra pessoa 
esteja realmente lá. Estou me referindo a um aparente aspecto vindo de sua própria 
mente. 
GARY: Sim, penso que isso seja realmente legal. Eu, de fato, fico me rejubilan-
do comigo mesmo, no nível da mente, quando eu consigo perdoar. Eu estou me tornado 
íntegro, outra vez. Além disso, se eu perdôo, eu não sofro. E se eu perdôo apenas um 
minuto depois em vez de 30 minutos depois, então são 29 minutos de minha vida que 
não passei sofrendo. 
ARTEN: Sim, você se lembra de como seu sogro costumava ficar muito contur-
bado, quando Bill Clinton aparecia na TV? 
GARY: Claro que me lembro. Ele até costumava ficar vermelho algumas vezes. 
Até mesmo tinha de mudar de canal de quando em vez ou sair da sala. Ele sofreu por 
oito anos, e daí morreu. E eu consigo quase garantir a você que Bill Clinton estava pas-
sando muito bem. 
Retornando ao nosso “café da manhã de instante de reencarnação” aqui, você pa-
rece estar atinando que a razão de eu ter mais dificuldade em perdoar algumas pessoas 
mais do que outras seja porque eu conhecia a pessoa difícil de perdoar, em outra exis-
tência, e há algo rolando entre eu e ele, ou ela, que eu não esteja ciente agora mesmo. E 
eu entendo o que você diz a respeito de como isso aparenta estarmos reencarnando, mas 
na realidade não estamos; isso é realmente apenas uma gigantesca enormemente assus-
tadora viagem mental. Nós não vamos a parte alguma. É como diz o Curso: 
... [estamos] revisando, mentalmente, o que já se foi. (E-pI.158,4:5) 
Estamos vendo nossa própria projeção, que, de fato, está vindo de nossa própria 
mente inconsciente. Isso é como ir ao cinema. Eu quero me esquecer de que o que estou 
vendo não é real. Eu quero que seja real, e minha atenção é desviada para a tela. Talvez 
eu comece a reagir em relação à tela, à medida que acompanho a história, mas nada está 
acontecendo lá. A tela é apenas um efeito, e as imagens que estou vendo estão, efetiva-
mente, de outro lugar. Se eu quiser consertar a tela para mudar o que está sobre ela, na-
da resultaria. Mas há um projetor. Ele está oculto lá atrás. Não é para eu pensar a respei-
to dele. Mesmo assim essa é a causa. É daí, realmente, que vem o que estou vendo. 
Se eu quero ter poder real, então eu faria muito melhor lidando com a causa do 
que com o efeito. Se eu conseguir mudar o que esteja no projetor, exatamente o filme, 
então isso mudaria tudo. Mas na vida, ou o que passa por vida, a maioria das pessoas 
despende todas suas vidas tentando consertar o que esteja na tela, que é apenas um efei-
to, em lugar de mudar o projetor e o que esteja nele, que é a mente e qual seja o sistema 
de pensamento ao qual ele se ligou. 
Os pensamentos vêm primeiro. Lembro-me de ler a respeito de médicosfazendo 
um estudo sobre pessoas deprimidas e seus pensamentos. Os médicos supuseram que os 
pacientes estavam tendo todos esses pensamentos maus porque estavam deprimidos. 
Mas o que encontraram foi bem espantoso. Acabaram entendendo que os pacientes es-
tavam deprimidos porque eles estavam tendo todos esses pensamentos maus! 
ARTEN: Muito bom. Sabe de uma coisa? Você, por vezes, é quase coerente. 
GARY: Não conte para ninguém. 
PURSAH: Aliás, você usará essa analogia do cinema de causa-e-efeito em seus 
workshops. Seu ensinamento em público, junto com seu primeiro livro, forçará outros 
 
13 N.T. – T-2.VI.9:14 “Todo pensamento cria forma em algum nível”. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 48/176
professores do Curso a se tornarem mais acurados a respeito do que o Curso esteja en-
sinando. Agora há uma porção deles que diz uma coisa e faz outra em relação à mensa-
gem do Curso. Se você destacar para eles o que estão ensinando não é o mesmo que o 
Curso está dizendo, então dirão a você que você é um “fundamentalista do Curso!” 
Aparentemente, um fundamentalista do Curso é qualquer um que pense que você deve 
seguir o que o Curso, de fato, ensina. Você irá longe no sentido de acabar com toda essa 
bobeira. Sua mensagem é tão clara que outros professores não serão capazes de fugir 
dela, e terão de se adaptar a ela ou então passarem a idéia de que não sabem o Curso 
muito bem. 
Tenho outro cumprimento para você, também. Eu creio que nos últimos dois a-
nos você se tornou, genuinamente, um homem espiritual. 
GARY: Isso está bom, menino. 
PURSAH: Então conseguimos ver como é tolo cuidar do efeito e como é impor-
tante tratar da causa, que está na mente. É aí que está o poder real. Antes de fazermos 
um pouco mais de nossa revisão, queremos ter a certeza de que você entende isto: que 
todos os seus relacionamentos difíceis foram montados antes do tempo e que você os 
queria. 
GARY: É isso, então vem pessoas a quem prejudiquei numa existência anterior, 
que me esqueci, e me causam dificuldades, ou pior, e eu apenas penso que a culpa é 
delas. A verdade é que, numa existência anterior, eu causei dificuldades a elas, ou coisa 
pior, e elas estão, apenas, na fase de cobrança. Usualmente, nenhum de nós sabe por que 
temos tanta dificuldade de conviver um com o outro. Mas tudo foi, realmente, armado 
antes do tempo, num roteiro de tempo e espaço, escrito pelo ego, onde cada um repre-
senta, a vítima e o vitimador, por sua vez. Você diria que assim está correto? 
PURSAH: Tão verdadeiro como consegue ser um sonho. A razão pela qual al-
gumas de suas lições de perdão ficam tão difíceis é porque sua mente inconsciente se 
recorda do mau relacionamento que você teve com a outra pessoa, numa existência an-
terior, então vocês foram agora postos frente a frente, para terem uma resistência in-
consciente para perdoar-se mutuamente, nesta existência. Acresce, há a resistência de 
abrir mão de sua identidade pessoal que está sempre presente, porque o ego sente que se 
você pratica o perdão, então esse é o fim dele. Todas as pessoas tem esses relaciona-
mentos de existências passadas, e as lembranças delas são inconscientes. Por isso é que 
fica muito mais difícil de perdoar seus relacionamentos especiais de ódio, do que seus 
relacionamentos especiais de amor. 
GARY: É fácil perdoar seus relacionamentos especiais de amor – sua família, 
amigos e amores – exatamente porque você os ama. Por outro lado, seus relacionamen-
tos especiais de ódio, as pessoas de quem você não gosta, bem, você nunca irá perdoar 
esses bastardos, porque eles não merecem ser perdoados. Mas você crê que as pessoas a 
quem você ama só merecem tudo de bom. Então, mesmo que alguém em sua família 
haja matado alguém, você estará lá no tribunal, encorajando-o a vencer. Mesmo assim, 
amor e perdão reais não excluiriam ninguém. Aplicam-se a todos. Eles não são especi-
ais, mas universais. A integridade deles é o que os torna reais. 
PURSAH: Sim. Agora, parte do que faz o irreal parecer possível é que você tor-
na alguns corpos mais especiais que outros, e isso é um truque para que você considere 
alguns desses corpos culpados em sua mente e projete sua própria culpa inconsciente 
sobre eles, que é a razão pela qual você as fabricou, em primeiro lugar. Mas, imagine se 
você, realmente, entendesse que esses corpos não sejam assim tão especiais, ou que se-
ja, apenas pela diáfana quantidade deles que você e os que são próximos a você ocupa-
ram? 
GARY: Quantos corpos eu ocupei? 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 49/176 
ARTEN: Milhares deles. 
GARY: Você, durante sua última visita da primeira série, mencionou algo perto 
de milhares de existências, mas isso parece como uma enorme quantidade. 
ARTEN: Realmente? Você gostaria de vê-los? 
GARY: O que você quer dizer? 
ARTEN: Segure-se firme, irmão. Você está metido num espanto. 
GARY: Ah, sim. Eu não sei se gosto disso. 
NOTA: O que aconteceu a seguir me fez ofegar. Arten e Pursah começaram a 
mudar, rapidamente, para diferentes corpos diante de meus olhos. Pursah se 
tornou um homem negro, e Arten uma mulher idosa. Ele permaneceram as-
sim por três segundos para eu conseguir vê-los e daí mudaram de novo. Dessa 
vez Pursah era um menina adolescente, talvez de 16 ou 17 anos, e Arten era 
um menino da mesma idade em geral, refletindo a dualidade de macho e fê-
mea. Todos esses corpo pareciam perfeitamente reais, exatamente como os 
outros corpos de Arten e Pursah. De repente começaram a mudar ainda mais 
depressa. Dentro de um minuto, havia duas correntes de corpos fluindo em 
frente a mim, mostrando incontáveis encarnações de diferentes formas e rou-
pas de diferentes períodos de tempo. Eu então me lembrei que Arten havia me 
perguntado, “Você gostaria de vê-los?” Foi quando entendi. Todos esses cor-
pos eram eu! Eles estavam me mostrando todas as minhas diferentes encarna-
ções, milhares delas. 
A rápida exibição de corpos era hipnótica. Senti-me quase afogado no 
fluxo dentro da corrente de formas, como se eu conseguisse me unir a Arten e 
Pursah e mudar de corpos eu mesmo. Foi quando me dei conta de que eu já 
estivera mudando de corpos desde que o tempo começou, o que explicava 
porque eu parecia estar aqui agora, em primeiro lugar. De repente, a idéia de 
ser “Gary” passou a ser sentida muito menos significante. Se eu parecia en-
carnar como todos esses corpos, então quão especial seria essa em que eu pa-
recia estar agora? Arten e Pursah continuaram mudando. Parecia haver uma 
energia rodopiando através da sala, cujo ponto mais alto estava na área do so-
fá, onde eles se sentavam. À medida que os corpos vinham, um ocasional-
mente pareceria que não fosse realmente de aspecto humano, mesmo que fos-
se definidamente humanóide. Intuí que essas fossem, talvez, existências alie-
nígenas, mas elas passavam tão depressa que não consegui ter uma visão mui-
to clara, apenas um breve relance. A maioria dos corpos era uma variedade de 
homens e mulheres (e outros não reconhecíveis) de formatos variados, tama-
nhos, e cores: jovens e velhos, bebês e idosos, bem vestidos ou praticamente 
nus. Para o que aparentou ser como uma hora, isso seguiu fluindo – esse espe-
táculo rápido, holográfico de imagens corporais aparentemente reais – e daí 
isso tudo parou instantaneamente, com Arten e Pursah aparecendo mais uma 
vez nos mesmos lugares onde eles começaram. 
GARY: Ei, espere! Volte uma! 
NOTA: Pursah então se tornou uma perfeita imagem de meu corpo como ele 
aparece agora, mas Arten desapareceu. 
GARY: Onde está Arten? 
PURSAH APARECENDO COMO GARY: Boa tentativa, mas ainda não está na 
hora de você ver quem é Arten nesta existência. Falaremos sobre isso mais tarde. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 50/176
GARY: Tudo bem, tudo bem. Você consegue voltar mais uma? 
NOTA: Agora Pursah mudououtra vez e apareceu como um homem de apro-
ximadamente 30 anos, e outro homem apareceu onde Arten esteve sentado. 
Devido a lembranças que eu tive depois da visita final de Arten e Pursah na 
primeira série de encontros, dei-me conta que eu estava olhando para Tomé e 
Tadeu, que mais tarde foram chamados santos. O aspecto mais notável dos 
dois, além de seu jeito muito bondoso, era o fato de que pareciam muito mais 
baixos do que as pessoas de hoje. Não me foi dado muito tempo para admirá-
los, pois Arten e Pursah retornaram muito depressa à forma dos corpos que 
ocuparam em sua existências finais, que ocorreu em nosso futuro. Uma parte 
desse entendimento seria que o tempo é holográfico: passado, presente e futu-
ro todos ocorrem simultaneamente e, de acordo com o Curso, já terminou. 
Mas nós temos de completar nossas lições para tornar isso real em nossa ex-
periência. 
PURSAH: É isso. Então agora você viu a si mesmo como você apareceu no pas-
sado como Tomé, como você aparenta no presente, e como eu no futuro. Você também 
viu Tadeu como ele apareceu no passado, e como Arten no futuro. Acho que seria bom 
deixar você relaxar por um minuto. 
NOTA: Depois de sentar-me ali por outro minuto ou pouco mais, com minha 
boca escancarada em estupefacto silêncio, tentando absorver a estupenda via-
gem visual da hora anterior, comecei a focalizar um pouco, e Pursah recome-
çou a falar. 
PURSAH: Os corpos, que você ocupa em suas variadas encarnações de sonho, 
são símbolos da dualidade. Assim, você tem tantas existências nas quais você é rico 
como pobre, bom assim como mau, bem apessoado como não atraente à visão, famoso 
como obscuro, saudável como doentio; e toda polaridade, dualidade, e opostos que você 
conseguiria pensar. Tudo isso é um truque. Você é a sua própria contraparte. Afinal de 
contas, os corpos que não são sua própria aparente encarnação são também você. Como 
seus próprios corpos, eles refletem a duplicidade da dualidade, porque eles simbolizam 
a condição de separação de Deus. No entanto, não consegue haver, realmente, nenhuma 
separação de Deus. Só Deus existe, e tudo mais é falso. O Curso é completamente in-
transigente nisso, para os que se importam em ver isso. 
ARTEN: Lembre-se do que eu lhe disse antes a respeito da idéia de separação de 
Deus. Devido ao fato de que sua idéia não é de Deus, Ele não responde a ela. Responder 
a ela seria dar a ela realidade, torná-la real. Se o Próprio Deus reconhecesse qualquer 
coisa, exceto a idéia de perfeita unicidade, então não haveria mais a perfeita unicidade. 
Não haveria mais um perfeito estado de Céu, para o qual você retorna. Como você verá, 
você realmente nunca o deixou. Você continua lá, mas você entrou num estado ilusório 
de pesadelo. 
GARY: Foi por isso que Bill Thetford se referiu ao Curso como o Vedanta cris-
tão? 
ARTEN: Sim! Bill entendeu o que o Curso dizia. Unicamente a perfeita, não du-
alística unicidade de Deus é real, e nada mais é real, que é exatamente o que o antigo 
texto hindu, o Vedanta, diz, mesmo que certamente, as pessoas então o tomaram e o 
interpretaram equivocadamente, muito da mesma maneira que estão hoje fazendo com o 
Curso. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 51/176 
É imperativo que você estritamente se atenha à mensagem. Não transija sobre 
ela. Um Curso em Milagres é puramente não dualista. Nós não queremos que aconteça a 
mesma coisa à mensagem do Curso que aconteceu à mensagem de J, 2.000 anos atrás. 
Essa é uma das principais razões pelas quais retornamos: para ajudar manter as pessoas 
focalizadas, inclusive você. Nós queremos que você fale do Curso como ele é, e se al-
guém criticar você ou a sua mensagem, então, depois de você perdoá-los, diz a eles que 
estão em erro. Você tem o direito de não se manter em silêncio. 
GARY: O que dizer da lição do Livro de Exercícios do Curso: 
Se me defendo eu sou atacado. (E-pI.135.h) 
PURSAH: Lembre-se que os ensinamentos do Curso são sempre aplicados no 
nível da mente, e nunca no nível da forma ou do físico. É por isso que 
Esse é um curso sobre a causa, e não sobre o efeito. (T-21.VII.7:8) 
Em sua mente você usa idéias da mentalidade certa. Então, algumas vezes, depois de 
você perdoar, você sente como se estivesse sendo guiado, de alguma forma, pelo Divino 
Espírito Santo, para o que deve fazer ou não. Isso não tem de ocorrer com essa freqüên-
cia. Você não tem de ser bombardeado com idéias inspiradas. Apenas uma idéia inspi-
rada consegue fazer uma diferença de efeito posterior ao perdão, mais ou menos da 
mesma forma como isso vem do efeito posterior a uma oração verdadeira. 
GARY: Esses corpos que você me mostrou, que são todos eu mesmo... o que me 
diz dos que pareciam ser alienígenas? O que vem a ser isso? 
PURSAH: A você será dito tudo que você precisa saber, irmão. Algumas vezes 
uma encarnação não acontece como de um ser humano, mesmo que os que sejam hu-
manos despendem a maior, mas não toda, parte de suas existências como humanos. Isso 
tem a ver com a maneira pela qual o universo foi estabelecido. O que é importante é que 
você se dê conta de para que serve sua existência, que é usá-la para chegar em casa. 
GARY: Não vai ser fácil para mim descrever o que acabei de ver. 
ARTEN: Não se incomode com isso, apenas faça-o. De qualquer forma, eu po-
deria repetir um conselho que já lhe dei antes. Não passe muito tempo tentando nos des-
crever, e isso inclui como parecemos sendo Tomé e Tadeu. O propósito aqui não é nos 
fixar em corpos. O que fazemos é usar corpos para ensinar você sobre a irrealidade de 
todos os corpos e, enfatizando isso ao extremo, para que aprenda que nenhum corpo é 
mais importante ou mais real que nenhum outro corpo. Isso é o que faz o Divino Espíri-
to Santo. Ele usa a ilusão para conduzir você para fora da ilusão. O perdão é uma ilusão, 
também, mas ela leva você para casa. Sem ele, você ficaria apegado aqui, na infeliz 
terra do sonho, para sempre. 
GARY: Ele não é infeliz sempre. 
ARTEN: Apenas mais um truque, irmão. Não estou afirmando que ele não seja 
bom algumas vezes. Mas mesmo então, sem integridade, isso nos faz sentir como se lhe 
faltasse algo. O que falta é a sua perfeita unicidade com Deus. O universo do tempo e 
do espaço é destinado a acobertar o único e solitário problema, a aparente separação de 
Deus, e especialmente a única e solitária solução, retornar à casa pelo perdão. Como diz 
o Curso, e isso é muito importante: 
O senso de separação de Deus é a única falta que, realmente, precisas 
corrigir. (T-1.VI.2:1) 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 52/176
Se essa é a única falta, então todas as outras são, simplesmente, simbólicas da primeira e 
única falta. 
Incidentalmente, assim como não despenda muito tempo nos descrevendo, eu 
gostaria de destacar que você tomou a decisão certa em não nos fotografar da primeira 
vez e também de se ver livre das fitas gravadas, o que você deve fazer, também, desta 
vez. 
GARY: Uma tentação muito grande em que tive de me agüentar, vocês sabem. 
PURSAH: Nós sabemos. Mas se elas fossem divulgadas, isso distrairia as pesso-
as. Em vez de focalizarem nos ensinamentos, agora a conversa se tornaria a respeito da 
autenticidade ou da fraude das fitas gravadas. Quem realmente está nas fitas? Já existe 
distração demais lá fora. Use as fitas apenas para seu próprio propósito de exatidão, daí 
livre-se delas, outra vez. Se alguém não gosta disso, ou não pensa que você esteja expli-
cando suas ações adequadamente, que assim seja. A imagem maior é maias importante. 
Mantenhamos o foco das pessoas onde precisa estar, irmão. 
GARY: Irmão? Você está me lembrando do Hawaii. Só estive lá, até agora, duas 
vezes, você sabe. 
ARTEN: Anime-se, irmão. Você irá lá mais umas duas vezes dentro do próximo 
ano, uma vez no caminho de volta da Austrália. 
GARY: Austrália! Está falando sério? 
ARTEN: Não tão sério, mas você irá a esses lugares compartilhar osensinamen-
tos. 
GARY: Não consigo acreditar nisso. Quando eu era menino, um lugar como a 
Austrália poderia muito bem ser Marte, por parecer tão inalcançável. 
ARTEN: Bem, não é mais inalcançável. Chegando lá, lembre-se de que é tudo, 
apenas, uma viagem da mente. Além disso, as pessoas são basicamente as mesmas em 
qualquer parte. Podem falar de modo diferente, mas pensam bem quase a mesma coisa. 
No final você estará indo a lugares onde precisará de um tradutor. 
GARY: Esperemos que façam um serviço melhor de tradução do que aquela en-
genhoca do computador que experimentamos. 
NOTA: Depois da publicação de O Desaparecimento do Universo, meu pri-
meiro editor, D.Patrick Miller, e eu soubemos que havia alguma conversa so-
bre o livro na Internet, em outros países. Uma delas era na Holanda. Encon-
tramos uma página na Rede onde alguém falava a respeito do livro e tentamos 
ter um programa de computador para traduzir isso. No entanto, um programa 
de computador só sabe dar uma tradução literal, e simplesmente provê as pa-
lavras mais aproximadas da tradução. O computador não consegue traduzir o 
sentido, o que um tradutor de verdade faz. Eu disse, no início do livro, que 
me senti como se eu houvesse tido um relacionamento com Jesus, a tradução 
saiu assim: “O escritor se banhou com Jesus.” 
PURSAH: Essa idéia de banhar-se-com-Jesus pode se alastrar na Holanda. 
GARY: Prefiro banhar-me com você. 
PURSAH: Serei boazinha e vou deixar isso de lado. Você continua extremamen-
te agitado por ter visto todos esses corpos. 
GARY: Sim, e você sabe, alguns deles não eram de todo maus. 
ARTEN: Que tal irmos adiante e economizarmos algumas existências aqui? A-
inda não terminamos nossa revisão dos ensinamentos. Por exemplo, falamos da culpa 
inconsciente, que está na mente, e de como ela tem de ser removida pelo Divino Espíri-
to Santo. Por que? Como ela chegou lá? Você gostaria de compartilhar um pouco mais 
do seu conhecimento conosco? 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 53/176 
GARY: Por certo, desde que você me corrija, se necessário. Digamos que você 
tenha Deus, e Deus seja unicidade perfeita. Não há nada mais. Deus cria, mas o que Ele 
cria é exatamente o mesmo que Ele é. É um compartilhamento de amor perfeito que se 
situa além de tudo que consiga ser entendido por uma mente que ainda não esteja ínte-
gra. Mesmo assim a experiência disso é tão enorme que se torna sublime. De qualquer 
forma, há esse pensamento que aparenta ocorrer. É um pensamento insignificante que 
vem, por apenas um instante. Ele é totalmente insignificante. É um pensamento de sepa-
ração como, Como seria para mim ir-me por aí afora e criar por minha conta? Essa 
idéia implica uma existência individual. 
Como vocês mencionaram, Deus não replica a isso. Ele não é nenhum tolo e 
mantém a realidade perfeita e uma, mas aquele pensamento de separação faz algo dife-
rente parecer acontecer em nossa experiência. Agora vem a parte difícil: isso, realmen-
te, não acontece. Isso apenas tem a aparência de acontecer. Pode-se dizer, assim como 
fica sendo possível, a um sonho que eu tenha à noite, parecer totalmente real, não o sen-
do, esse sonho consegue também parecer totalmente real, se bem que, também, não seja. 
De fato, outras partes do sonho são feitas para parecerem menos reais, para que pense-
mos que as partes mais claras do sonho fiquem sendo reais. Essa é uma função de ní-
veis, que nem ao menos existem na unicidade perfeita. 
Essa experiência diferente que parece ocorrer a nós está ocorrendo num nível 
metafísico massivo. Chamaremos essa experiência de consciência. Tanto quanto eu sei, 
Um Curso em Milagres é o único ensinamento espiritual no mundo que expõe – escan-
cara – a consciência ao que ela realmente seja. O Curso diz: 
A consciência, o nível da percepção, foi a primeira divisão introduzida na 
mente, depois da separação, fazendo com que a mente seja um perceptor 
ao invés de criador. A consciência é corretamente identificada como o 
domínio do ego. (T-3.IV.2:1-2) 
As pessoas crêem que a consciência seja, realmente, significante, porque nós queremos 
que o que criamos se torne relevante. Então o glorificamos e o medimos e apegamos 
especialismo a ele, quando ele é, apenas e nada mais que, um símbolo da nossa separa-
ção de nossa Fonte. Isso é separação, porque para ter consciência, você tem de ter mais 
de uma coisa. Você tem de ter um sujeito e um objeto.você tem de ter algo mais para 
ficar consciente de. Isso é de onde veio a ‘duocidade’,14 substituto da unicidade. Isso é o 
que engendra os ilusórios opostos, polaridades e dualidades. 
Então da ‘duocidade’ brota a multiplicidade, mas isso tudo é simbólico da idéia 
original de separação. A multiplicidade engendra o caos. Mas, por debaixo de tudo isso, 
há idéias básicas, e essas idéias unicamente conseguem parecer ser reais quando você 
experiencia a si mesmo como sendo apartado da unicidade – por exemplo, nas idéias de 
escassez e de morte. Não consegue haver escassez na plenitude, mas uma vez havendo 
idéias como separação e opostos, então você libera a possibilidade de toda espécie de 
coisas estranhas se exibirem. É por isso que é dito no Livro de Gênesis, 
... do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus, dele não come-
reis, nem tocareis nele, para que não morrais. Porque Deus sabe que no dia 
em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhece-
dores do bem e do mal. (Gen 3:3-5) 
 
14 N.T. – Algo composto de duas partes. Neologismo que crio para traduzir o neologismo do original 
“twoness”, que também não existe em inglês, não tendo sido encontrado em dicionários do idioma. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 54/176
Repare, o bem e o mal são opostos, e uma vez você esteja nos opostos, então você en-
contra a morte. Não há morte no Céu, onde há, apenas e unicamente, vida eterna, mas 
uma vez você se ponha em opostos, então você encontra um aparente oposto da vida, 
que é a morte. Ela, realmente, não existe. É por isso que o Curso diz, bem na Introdução 
que:0 
O oposto do amor é o medo, mas, o que tudo abrange, não consegue ter o-
postos. (T-in. 1:8) 
O que é todo inclusivo é verdadeiro, e o que não seja todo inclusivo, ou perfeitamente 
íntegro, realmente, não existe. 
ARTEN: O Curso também diz, a respeito de sua salvação, que: 
Restaura à tua consciência a integridade dos fragmentos que percebes 
como quebrados e separados. E é isso o que supera o medo da morte. 
Pois fragmentos separados têm de decair e morrer, mas a integridade é 
imortal. (M-19.4:2-4) 
GARY: Imortal. Não me recordo do Curso usar essa palavra muitas vezes. 
ARTEN: Você ficaria surpreso. Por favor, continue. 
GARY: Muito bem. Como uma resposta à falsa condição de separação, o perdão 
real nega o que não consegue ser verdadeiro e aceita o que seja verdadeiro. Como J diz 
em seu Curso: 
Nega que qualquer coisa que não venha de Deus tenha a capacidade de 
afetar-te. (T-2.II1:11) 
ARTEN: Isso reflete o conhecimento do Curso de que 
O que é imortal não consegue ser atacado; o que seja apenas temporal 
não tem efeito. (T-24.VII.5:4) 
GARY: Muito bem, cara imortal. Para a maioria de nós, nossa experiência de 
que estamos aqui parece bem real, mas entender por que, isso é o caso, temos de ir de 
volta ao nível metafísico, que agora fica inconsciente para nós. Vamos ver porque em 
um minuto. Mas nesse nível metafísico, antes do universo do tempo e do espaço ter sido 
feito, sentimos uma absoluta perda terrível, e nós a experienciamos numa escala que nós 
não conseguimos, agora, nem ao menos começar a imaginar. 
PURSAH: Muito bem. Acresce a isso o seguinte: você precisa entender que, an-
tes disso, tudo era perfeito em sua experiência. Você era, totalmente cuidado, totalmente 
provido, sem qualquer problema e nada havia para você senão êxtase. A perfeita alegria 
disso não consegueser traduzida em palavras. Mas agora, com essa idéia de separação, 
é como se você houvesse cometido um tropeço magno. Isso é como se você houvesse 
perdido Deus, o que seria como perder tudo! A única experiência neste mundo que mais 
se aproxima para descrever o que você sentiu ao tempo da separação original de Deus 
seria o que você sentiria se a pessoa que você mais ama neste mundo houvesse morrido. 
O que acontece quando uma pessoa assim morre? Você fica separado. Você pensa que 
nunca mais vai tê-la de volta. Por certo que isso não é verdade, porque ninguém real-
mente morre, mas para você isso é sentido e aparentado assim. Isso é, realmente, um 
símbolo da primeira separação acontecendo aqui fora, no mundo. E a separação origi-
nal, que foi de Deus naquele nível metafísico, fez você se sentir péssimo. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 55/176 
ARTEN: Por ser que os opostos seguem como um resultado da ‘duocidade’, a-
gora há duas maneiras possíveis de pensar a respeito disso tudo: a maneira correta, que 
chamaremos de a interpretação do Divino Espírito Santo, e a maneira errada, que cha-
maremos de a interpretação do ego. Deus não mandou o Divino Espírito Santo para 
resgatar você. O Divino Espírito Santo poderia ser descrito como sua memória de sua 
verdadeira casa com Deus, que é a parte certa de sua mente. O ego é a parte errada de 
sua mente. No princípio do estudo do Curso, as pessoas pensam que o Curso esteja fa-
lando com eles como pessoa, porque isso é o que pensam ser. Mas o “tu”15 a quem o 
Curso está se dirigindo é, por certo, a sua mente aparentemente separada, que precisa 
escolher ouvir ao professor certo, em lugar de ouvir ao professor errado. 
Isso não é fácil, porque você se sente péssimo, e o ego vai brincar com seus me-
dos. Nessa nova experiência de consciência, você pensa que perdeu tudo, e o ego está 
mais do que feliz em fazer você pensar ter feito tudo errado. “Você está nisso, homem. 
Deus está muito zangado pelo que você fez.” Agora, se você fez algo de errado, o que 
vem a ser isso senão a idéia de pecado? E se você pecou, então isso significa você ser 
culpado. E se você é culpado, isso significa que você vai ser punido. Mas neste nível, 
você pensa que vai ser punido pelo Próprio Deus! Isso resulta no medo de Deus, que 
você continua tendo, mesmo que ele esteja enterrado aí, mas como a mente é holográfi-
ca, a experiência de verdade continua enterrada aí também. 
PURSAH: Sim, e essa verdade, dada a você pelo Divino Espírito Santo é uma 
história completamente diferente. A mensagem do Divino Espírito Santo é: “Qual é o 
seu problema? Você conhece Deus. Você esteve com Ele para sempre. Ele lhe dá tudo. 
O que ele alguma vez fez senão amar você? Tudo que você tem a fazer é esquecer-se 
dessa idéia boba e ir para casa. Problema resolvido.” 
ARTEN: O ego tem de inventar algo rápido. Ele gosta da idéia de ter uma iden-
tidade separada. Ele lhe diz: “Olhe, você tem de dar o pira, e eu tenho um lugar para 
onde conseguimos ir.” O ego sabe que você está mal e não se importaria de sair dali se 
você conseguisse, mas você não sabe como. Então o ego lhe diz: “Se você vier comigo, 
você se livrará dessa dor terrível que está sentindo.” Isso é exatamente o que você quer 
para se afastar disso, mas você continua sem certeza quanto à desistir do que o Divino 
Espírito Santo está dizendo. Então o ego tem de atirar-lhe uma bonificação. Ele diz: 
“Olhe, se você vier comigo, então você consegue ser Deus. Você consegue montar sua 
própria vida. Você terá sua própria identidade pessoal. Você consegue ser dono da bola. 
Você consegue ser especial.” Esse é o ‘glacê do bolo’. Agora não só você vai ficar lon-
ge dessa sensação terrível que você tem, mas sobretudo, você conseguirá ser Deus! 
GARY: Eu pensei que fosse eu que estivesse fazendo a revisão. 
PURSAH: É exatamente por isso que você estava falando com você mesmo um 
pouco durante a apresentação de Arten? 
GARY: Ora, se eu não consigo falar comigo mesmo, então quem consegue? 
ARTEN: Vamos rapidamente explicar por que tudo isso parece tão real a você 
hoje. O ego tem um plano engenhoso. Quando você escolhe o ego [como seu professor] 
no nível metafísico de que estávamos falando, é o mesmo que unir-se a ele. Faz-se en-
tão uma negativa maciça de todas as coisas que estejam na mente, de que conversamos. 
Entretanto, quando você nega algo, isso tem de deslocar-se para algum lugar. Você crê 
estar escapando disso, por negá-lo, mas não está. Você, realmente, só o está empurrando 
para que se posicione abaixo da superfície e fora de sua atenção. Isso faz com que ele se 
torne inconsciente. Então todas as novas idéias que não conseguiriam existir na inteireza 
– idéias como pecado, culpa, medo, morte, ataque, aquela caixa de minhocas inteira – 
 
15 N.T. – Usei “tu’ porque todo o Curso dirige-se ao leitor na 2ª pessoa, do singular ou do plural, enquan-
to que nesta tradução uso o coloquial “você”, usual no português brasileiro. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 56/176
são negadas e depois projetadas para fora. Mesmo no nível do mundo, um psicólogo lhe 
dirá que a projeção sempre segue a negação. Mas aqui estamos falando a respeito de 
algo numa escala incrível. Como J a coloca no Curso: 
Não te dás conta da magnitude desse único erro. (T-18.I.5:2) 
Ele também diz: 
Ouvir a voz do ego significa que tu crês ser possível atacar a Deus, e que 
uma parte Dele foi dilacerada por ti. Medo da retaliação de fora se segue, 
pois a severidade da culpa é tão aguda que tem de ser projetada. (T-
5.V;3:10-11) 
Você alcança as estonteantes implicações de tudo isso? 
GARY: Não consigo acreditar que esteja indo para a Austrália. 
ARTEN: Seguindo em frente, vemos que todas as coisas das quais você queria 
escapar, todas as coisas terríveis que você pensava serem verdadeiras a seu respeito, que 
conseguem ser sumariadas em apenas duas palavras, como culpa, assim como o medo 
de punição, pela retaliação que você crê estará acontecendo em seguida, por você ser 
culpado... tudo isso é negado, projetado para fora, e visto como estando fora de você. 
Isso ocasiona a feitura do universo do tempo e do espaço, começando pelo big-bang. O 
propósito real desse universo, mesmo que você o haja esquecido por intermédio da ne-
gação, é para você parecer escapar do que esteja sentindo e crendo a respeito de si 
mesmo. Agora o que sente e crê não está mais em você, está lá fora! 
Por certo que não há, realmente, coisa alguma lá, mas parecer ser assim. É uma 
ilusão de ótica, apenas feita numa escala multissensória que explicaremos num segundo. 
A coisa a se lembrar aqui é o que o Curso diz a respeito do fato de que 
... idéias não deixam sua fonte. (E-pI.156.1:3) 
Então, sim, isso consegue aparentar que você escapou das coisas que via, projetando-as 
para fora de você, mas isso é apenas uma ilusão, e elas continuam em sua mente, pois 
“idéias não deixam sua fonte.” Isso apenas não parece ser assim, porque isso foi negado 
e você está desatento em relação a isso. Então isso aparenta estar fora de você, e você se 
esqueceu de que quando você se uniu ao ego, você o fez. Isso traz um princípio muito 
importante do Curso: 
A projeção faz a percepção. (T-21.in.1:1) 
De fato, porque você não lê apenas as primeiras sentenças dessa parte do Texto? 
GARY: Bem no topo: 
A projeção faz a percepção. O mundo que vês é o que deste ao mundo, 
nada mais que isso. Mas, embora não seja mais que isso, não é menos. 
Portanto, é importante para ti. Ele é a testemunha do teu estado mental, 
o retrato externo de uma condição interna. (T-21.in.1:1-6) 
Nossa! Eu nunca pensei a esse respeito exatamente assim. Eu fiz o que estou vendo? 
PURSAH: Você entendeu isso, irmão. Mas isso não é sentido assim por causa de 
uma massiva negação. Isso também se aplica a todos os corpos que você vê, inclusive o 
seu próprio. Opropósito do corpo é fazer com que a ilusão seja real. Mas sendo o corpo 
parte da ilusão, dificilmente consegue-se contar com ele para dizer da ilusão da irreali-
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 57/176 
dade. A ele foi dado forma pela mesma decisão de ser separado pela projeção, que foi o 
que fez toda a ilusão, em primeiro lugar. Você quis a separação para que a culpa ficasse 
em outros corpos e não no seu, e assim fora de você e neles. Mas como a projeção fez a 
percepção de tudo, a causa de tudo continua ali mesmo, em sua mente, e, o que é me-
lhor, as mentes conseguem ser mudadas. Como o Curso diz: 
O resultado de uma idéia nunca está longe de sua fonte. A idéia de sepa-
ração produziu o corpo e permanece conectada a ele fazendo com que o 
corpo seja doente devido à identificação da mente com ele. (T-19.I.7: 6-7) 
Então agora você se sente preso num corpo para viver com todos esses outros 
corpos. Todos os seus sentidos, não apenas a visão, dizem a você que o mundo seja 
completamente real. Ele é visto e sentido totalmente autêntico. Do momento em que 
você nasce ao momento em que morre, tudo gira em torno da sobrevivência e sucesso 
do corpo, de atingir conforto material a receber amor especial. Isso não requer muito 
poder de observação para ver que sua sociedade é enlouquecida a respeito de corpos e 
de atingir sexo.16 
GARY: Consigo entender isso. Numa vez em que fiz sexo, isso foi um dos mi-
nutos mais felizes da minha vida. 
PURSAH: Não se esqueça de algo, querido. Na dualidade, mesmo os tempos 
bons, têm de tornar-se ruins, no final, mesmo que seja meramente pela morte. Isso é 
porque o que realmente se passa aqui é o reviver da separação de Deus, muitas e muitas 
vezes, das mais diferentes formas. É como rodar um DVD da mesma coisa, repetidas e 
repetidas vezes, separação. A maneira que J coloca isso a respeito de sua vida é: 
A cada dia e em cada minuto de cada dia e em cada instante que cada 
minuto contém, tu apenas revives o único instante em que o tempo do 
terror tomou o lugar do amor. (T-26.V.13:1) 
GARY: Eu gosto desse Jesus. Ele realmente se mantém no Curso. Então, pode 
aparentar haver todas essas coisas e pessoas lá fora, mas nada há ali. Não são pessoas 
reais; elas só têm a aparência disso. Eu fiz o que estou vendo, daí me esqueci que fiz. E 
eu queria que isso fosse da maneira que é para que o que eu secretamente cria fosse ver-
dade, a respeito de mim mesmo, aquilo que o Curso chama 
... os pecados secretos e os ódios ocultos... (T-31.VIII.9:2) 
a respeito de mim mesmo, que enterrei em minha mente, durante a separação original, 
estão agora sendo vistos como se estivessem sobre os outros e sobre o mundo. E o que 
segura todas as coisas em seus lugares, são o meu julgamento e a minha condenação dos 
outros. 
PURSAH: Sim! Exatamente. E isso é tudo montado para garantir que você con-
tinuará a julgar e a condenar, assegurando a manutenção de todo o círculo vicioso em 
ação sob a superfície. É dessa forma que o ego sobrevive, por intermédio da projeção da 
culpa inconsciente. Nunca é sua a culpa por você não se sentir feliz e em paz, a culpa é 
deles [e aí você mostra o culpado apontando o dedo]. Você vê isso atuando em relacio-
 
16 N.T. – Acrescento: a humanidade é submissa a apenas duas leis, a lei da sobrevivência (do corpo) e a 
 lei do mínimo esforço (em relação a esse mesmo corpo). Todos os relatos, históricos ou fantasiosos, 
científicos ou outros, destacam de como isso foi atingido. É, até certo ponto, a versão aceita como digna 
da ‘lei do Gerson”, ter benefício em tudo, pois sobreviver e fazer pouco ou nada para conseguir isso é a 
meta geral da esperteza mais refinada, em todos os países, raças, credos, correntes e grupos. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 58/176
namentos, individuais ou entre países. A menos que sejam um dos seus amores especi-
ais, ou um aliado, é sempre o outro o culpado, e eles nem estão lá. Não realmente, mes-
mo que certamente aparente ou sinta dessa maneira, que é o testemunho de como tudo 
foi bem arranjado para você, em primeiro lugar. E mesmo que, de fato, você se culpe, 
do que você está se culpando? Apenas outro corpo, porque quando você põe a sua mão 
diante de sua face e a olha, o que é isso? Foi um corpo que foi projetado. Por certo que 
você pensa que seja um corpo muito especial, por crer que ele seja você, mas ele não é. 
Ele é apenas um de todos os corpos que você projetou. O corpo que você vê quando se 
olha no espelho não é mais real do que os outros corpos que você vê no espelho que 
você chama mundo. 
GARY: E o mundo e todos os corpos são símbolos da separação, e da culpa 
massiva, ontológica que sentimos por ela, e daí a necessidade de escapar dela por inter-
médio da negação e da projeção? 
ARTEN: Isso é o que é o universo, irmão, seu bode expiatório. Como J diz em 
seu Curso: 
Essa foi a primeira projeção do erro para fora. O mundo surgiu para es-
condê-lo e veio para ser a tela na qual ele fora projetado e colocado entre 
tu e a verdade. (T-18.I.6:1-2) 
Agora seu encargo se torna desfazer isso em sua mente, para que você consiga 
retornar à sua casa. O que traz a solução única, perdão, para o problema único, separa-
ção. Falaremos mais a respeito do perdão à medida que avançarmos. Essa é uma manei-
ra mais importante que a maioria das pessoas crêem. É vital que se mantenham focali-
zados nisso. 
O perdão verdadeiro significa que você não julga e nem condena o outro. Não 
há realmente nenhum pecado e culpa lá fora, porque nada daquilo que falaram, aconte-
ceu, exceto num sonho, e sonhos não são reais. Então J aconselha você em seu Curso 
para não formar idéias de pecado e culpa real em pessoas, eventos e situações que você 
vê no mundo: 
Não chames isso de pecado, mas de loucura, pois foi assim e assim ainda 
permanece. Não invistas aí a culpa, pois a culpa implica que isso tenha 
sido realizado na realidade. E, acima de tudo, não tenhas medo disso. 
Quando pareces ver alguma forma distorcida do erro original 
surgindo para amedrontar-te apenas dize: “Deus não é medo, mas amor” 
e ela desaparecerá. (T-18.I.6:7-7:1) 
GARY: Se ao menos fosse assim tão fácil. 
ARTEN: Nós jamais dissemos que seria fácil, Gary. Mas a verdade é simples. O 
que o ego fez é que é complicado. E é isso que precisa ser desfeito por seu perdão. 
Quanto mais o ego seja desfeito, mais fácil será para você. Você já está fazendo bem. 
Vamos explicar o perdão de traz para frente e de frente para traz, ao longo das visitas 
deste ciclo. Ao terminarmos nossa conversa com você, você saberá o que fazer em 
qualquer oportunidade, não apenas intelectualmente, mas experimentalmente. 
Por agora, lembre-se de que, se idéias não deixam sua fonte, então o que você 
está vendo nunca deixaram a mente. Se isso está na mente, e se a mente consegue ser 
mudada, então a mente é onde o poder real está. O que tornou J e Buda quem eles eram 
foi o fato de que eles não se deixaram ser enganados pelas aparências. A ilusão existe 
para fazer você pensar que você pôs distância entre você e a sua culpa, mas por torná-la 
real e julgá-la e condená-la, você simplesmente a mantém, intocada, em seu lugar. O 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 59/176 
ego enganou você. Para garantir sua própria sobrevivência, ele fez de você o juiz dos 
outros. Agora que você já sabe a verdade, está na hora de acabar com toda essa boba-
gem e voltar para casa, que é aonde você pertence. Você, em verdade, continua lá, mas 
isso fica fora de sua atenção, mesmo que você seja bastante afortunado de haver tido 
lindos vislumbres disso. 
Chamamos a ele verdadeiro perdão porque não é o mesmo como o mundo usu-
almente pensa que ele seja e você terá uma resistência inconsciente para esse gênero de 
perdão, porque o ego sente que esse é o seu fim, e ele prefere matá-lo do que deixarque 
você o mate. Há professores que lhe dirão para ser amigo de seu ego, ou fazer as pazes 
com seu ego, como uma maneira de lidar com ele. Tudo isso garantirá que se mantenha 
em seu lugar. Além disso, se você praticar o perdão verdadeiro, que é a única saída, 
então o ego não estará interessado em ser seu colega. Como J lhe diz: 
... estás ameaçando todo o sistema defensivo do ego de modo por demais 
grave para que ele se incomode em fingir que é teu amigo. (T-21.IV.3:3) 
Seu encargo é não conservar o ego em seu lugar; seu encargo é desfazê-lo por intermé-
dio da dinâmica do pensamento da mente certa, da qual lhe falaremos a respeito. Como 
diz o Curso: 
A salvação é desfazer. (T-31.VI.2:1) 
Já é hora para você sair do conforto, irmão. Não apenas para você, mas para todos que 
estejam prontos a ouvir. Você está pronto? 
GARY: Ora bolas, estou! 
PURSAH: Uma das coisas mais importantes é não fazer o universo do tempo e 
do espaço real. Você é inocente porque ele não é real. Não espiritualize o universo! Não 
espiritualize matéria ou energia. Energia parece matéria para você, algumas vezes, ape-
nas porque, da forma que você a percebe e se percebe a si mesmo. Você se percebe co-
mo estando num corpo, e então o corpo lhe diz o que sentir. Mas você deveria ser o que 
diz ao corpo o que sentir. Você não está no corpo; o corpo está em sua mente. Quando 
você coloca sua mente na perspectiva correta, então você fica a cargo da causa e não à 
mercê do efeito. Daí você consegue escolher o Divino Espírito Santo e Sua Resposta em 
lugar das indagações do ego. Assim você é retornado à integridade. Por causa disso, 
como você experiencia coisas mudarão nesse nível, e o Divino Espírito Santo cuidará 
do encargo em escala maior, metafísica. 
Não se equivoque: há uma diferença de nível entre este e outros ensinamentos. O 
restante deles está movendo coisas em roda num universo que não está realmente lá. 
Isso é mesmo que mudar os móveis de lugar numa casa que está em chamas. Sim, isso 
pode parecer um pouco mais bonito por um tempo, mas está negando o problema real. 
Um Curso em Milagres, por outro lado, é o desfazer de todo ele, e o retorno à única 
coisa que é real. Lembre-se do que dissemos até aqui e o integre. Haverá mais. Use o 
falar e o viajar da melhor forma que consiga, como lições de perdão, e estaremos de 
volta em dois meses. 
Daí Arten e Pursah desapareceram, e me sentei ali, pensando a respeito de tudo 
que haviam dito, e nas muitas viradas e voltas que minha vida havia tomado, ao longo 
dos anos. Eu me dei conta de tudo para que era. Isso era para ser usado para desfazer o 
que o fez, e retornar ao nosso real Criador. Por alguma razão, me lembrei lá atrás quan-
do eu era um adolescente deprimido, sofrendo de escoliose, e sem nada para esperar 
pela frente. Certamente poderia ter usado o conhecimento que nessa época dispunha e 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 60/176
saber para que servia isso tudo. Mas eu havia vivido tempo bastante para encontrar o 
Divino Espírito Santo, e transformar uma existência sem sentido numa vida com propó-
sito... e afinal, o único propósito real. 
-x-x-x-x-x-x-x-x-x-
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A Vida de GaryA Vida de GaryA Vida de GaryA Vida de Gary 
... Ninguém que aprenda pela experiência que uma escolha traz paz e alegria 
enquanto outra traz caos e desastre, necessita de persuasão adicional. (T-4;VI.3:3) 
as semanas que se seguiram, ocasionalmente, eu me lembraria do que Arten havia 
dito a respeito do ego. Ele, realmente, preferiria me matar, do que me deixar matá-
lo? Eu sabia que o Curso, em si mesmo, dizia que: 
O ego é capaz de suspeita, na melhor das hipóteses e de perversidade, na 
pior. Esse é o seu escopo. (T-9.VII.3:7-8). 
Esse não era um pensamento bonito. Mas eu também sabia que o Curso disse: 
Não tenhas medo do ego. Ele depende da tua mente e, como tu o fizeste 
por acreditar nele, da mesma forma podes dissipá-lo, retirando a tua 
crença nele. (T-7.VIII.5:1-2) 
Então senti que Arten não estava tentando me amedrontar, mas, simplesmente, me fazer 
saber contra o que eu estava. Como que um problema consegue ser corrigido, se você 
não sabe de que problema se trata? Eu também pensei que era interessante que o Curso 
usava a palavra desfazer, porque eu estava me dando conta de que isso era, exatamente, 
o que o universo de tempo e do espaço é, um gigantesco bruxedo de assustar, debaixo 
do qual me coloquei. Agora, meu encargo era dissolvê-lo, pela desistência completa de 
minha crença no ego, um professor a quem ouvi demais, por tempo em demasia. Minha 
crença agora estava no Divino Espírito Santo, mas isso não significava que eu não seria 
tentado, ainda, pelo ego. 
Fui tentado por ele toda minha vida. De fato, a idéia do Curso quanto à forma de 
tentação do ego, servia para me lamentar por ser um corpo. 
A tentação tem uma lição a ensinar em todas as suas formas, sempre que 
ocorre. Ela quer persuadir o santo Filho de Deus de que ele é um corpo, 
nascido no que tem de morrer, incapaz de escapar à sua fragilidade, e 
limitado ao que o corpo ordena que ele sinta. (T-31.VIII.1:1-2) 
Para esse fim, como todo mundo mais, eu nasci como uma perfeita pequena vítima. Eu 
me esqueci do que vinha antes do meu nascimento e, sinceramente, acreditei que esse 
fosse o meu começo. Agora eu estava sob o efeito de todas as coisas, e não de sua cau-
sa. Agora eu era um corpo causado por outros corpos. Dessa maneira, isso fazia com 
que nada fosse culpa minha. Eu não pedira para nascer. Isso era culpa de meus pais. 
Eles o fizeram. Então, toda essa história seguia adiante, dessa maneira, a respeito de 
porque as coisas eram como eram. Mas, por certo, a verdade é que pedi para nascer, e o 
mundo que eu encontrava era, exatamente, o que pedi para nele nascer. 
Nasci em Salem, Massachusetts, USA. Ignore o que soube antes sobre essa cida-
de. Não houve bruxas em Salem, há 300 anos – todas elas se mudaram para lá na década 
de 1970. Agora Salem é um bom ponto turístico. Meus professores me disseram que o 
N 
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julgamento das bruxas em Salem foi “um exemplo clássico de projeção da culpa in-
consciente.” É sempre outra pessoa que tem de ser apontada como a causa do problema, 
e qualquer desculpa fica sendo o suficiente, desde que seja alguém mais, e não você. 
Mas o que vai, volta, e sua vez sempre chega, no final. 
Minha mãe era uma virgem. Ela apenas não era muito boa nisso. Tudo bem, ela 
não era uma virgem. Com certeza, a mãe de J também não fosse uma virgem, mas essa é 
uma história bonitinha. Eu nasci de sete meses. Eu pesava menos de 1,300 k e não con-
tavam que eu sobrevivesse. Bebês, pequenos assim, nessa época, não sobreviviam. Eles 
me enfiaram numa incubadora, me entocaram num canto como para dizer “Boa sorte, 
garoto,” e, por enquanto, era tudo. As mães não se ligam de cara a seus pequenos, como 
fazem hoje. Isso estava perfeito. Eu tive todas as desculpas e justificativas do mundo 
para me tornar um desgraçado. 
Nasci com escoliose, uma curvatura na espinha muito acentuada e, mesmo as-
sim, só fiquei sabendo disso, aos 31 anos de idade. Não tínhamos nenhum dinheiro. Lá 
atrás, nos anos 50, as pessoas que não tinham dinheiro, ou seguro de saúde, não conse-
guiam bom tratamento de saúde, e é bacana saber que algumas coisas não mudam. 
Numa percepção tardia, constato que a escoliose roubou toda minha energia. 
Quando a espinha é malformada, como foi então a minha, a energia não consegue circu-
lar bem pelo corpo. É como se o cérebro ficasse mandando um sinal para o corpo, mas a 
linha de telefone está interrompida, e a mensagem não consegue ser entregue, aonde 
tem de chegar. Nessa época eu não sabia que é a mente, e não o cérebro, que diz ao cor-
po o que fazer. Eu ainda acreditavaestar sob efeito das coisas. 
Como resultado disso, eu não tinha muita energia na adolescência, de maneira 
alguma. Eu ia à escola, unicamente, porque tinha de ir. Mesmo assim, eu perdia cerca de 
30 dias por ano, e eles até me ameaçaram de expulsão. Depois da escola, usualmente, eu 
apenas me sentava diante da TV e nada mais queria fazer. Meus pais começaram a ficar 
preocupados: todos meus amigos estavam encontrando emprego, arranjando namoradas, 
e se divertindo, e eu ficava ali sentado, sem desejo ou ambição. Isso me fez sentir-me 
diferente, como se houvesse algo de errado comigo. Isso é, exatamente, a estrada do 
ego. O que é a culpa, senão a sensação que haja algo errado com você? Tenho certeza 
que eu era deprimido, mas as pessoas, na década de 1960, não se importavam com de-
pressão. Agora todo mundo está deprimido, e você tem a dopagem da América seguindo 
em frente. Mas, nessa época, era assim: “Deprimido? O que você quer dizer quando 
afirma se sentir deprimido? Arranje um emprego.” 
Felizmente, para mim, um grupo chamado os Beatles, veio da Inglaterra para a 
América. Lembro-me de estar andando um dia em Beverly, Massachusetts, (a cidade 
onde morei a maior parte da metade de minha vida), ao norte de Salem, à beira mar. Fui 
a uma loja chamada Hayes Music, que toca discos para as pessoas ouvirem e se decidam 
se querem ou não comprá-los. Alguém pediu ao dono para tocar um disco desse novo 
grupo, que estava tendo muita publicidade, e que estaria, por esses dias, no Show de Ed 
Sullivan. A música era She Loves You. Depois de ouvir essa canção, por dois minutos e 
meio, nunca mais fui o mesmo. A interpretação da guitarra por George Harrison me 
mandou arrepios, que subiram e desceram minha coluna, o que foi ótimo, porque jamais 
senti qualquer coisa em minha coluna. Eu soube, de pronto, exatamente o que eu queria 
fazer. Eu ia me tornar um guitarrista. 
Eu me tornei, de fato, um guitarrista. A idéia não era tão difícil de alcançar. Meu 
pai, Rollie, tocava guitarra, e meu tio, Doug, era um dos melhores professores de guitar-
ra, na Nova Inglaterra.17 Ele tocou em radio nacional (NBC), antes da televisão, quando 
 
17 N.T. - A Nova Inglaterra (em inglês, New England) é uma região dos EUA, localizada na ponta 
nordeste do país. Boston é seu centro cultural e econômico, bem como sua cidade mais povoada. A região 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 63/176 
o rádio era, ainda, a grande mídia. Se ele houvesse se disponibilizado para viajar, ele 
teria tornado grande seu show. O mesmo era verdade com meu pai, que também era um 
bom cantor. Ambos estavam num grupo famoso na década de 1940, chamado The Mo-
onlight Serenaders, mas ambos escolheram não sair viajando com o espetáculo, por 
considerações familiares. Eles ficaram fazendo seu ganha pão, da melhor maneira pos-
sível, na área da Nova Inglaterra, ambos como solistas, e em várias bandas juntos. 
Meu futuro tio apresentou meus pais um ao outro. Eles eram pessoas gentis, am-
bos piscianos, e se entenderam imediatamente. Eu nasci peixes também. Minha mãe, 
Louise, e meu avô, também eram músicos, mas, até ouvir os Beatles, não tivera o desejo 
de me tornar um músico eu mesmo. George Harrison, que Deus o abençoe, foi meu 
primeiro falso ídolo. Eu configurei minha maneira de tocar guitarra como ele tocava, e 
mesmo tendo aprendido o meu básico com o tio Doug, não me tornei um grande guitar-
rista. Isso requer muita animação, energia e ambição, para ser grande em qualquer coisa, 
não importa o que seja. Talento natural não é o bastante. É preciso dedicação e esforço 
para desenvolver isso. Eu me tornei um bom guitarrista, mesmo assim. Eu tinha sufici-
ente capacidade musical, que herdei, e completo bom gosto para me fazer soar bem. No 
final, cheguei até a ser bem sucedido nisso. 
Quando chegou a época de formar-me no secundário, em 1969, encontrei-me 
numa situação difícil. Eu não queria ir para a faculdade. Eu detestava escola. Eu não 
conseguia imaginar como eles tomavam assuntos tão fascinantes e, de alguma forma, 
faziam com que se tornassem aborrecidos, mas eles conseguiam isso. Eu também não 
conseguia suportar a exclusividade e a animação de pertencer a um grupo e não a outro, 
eu queria sair disso. Tudo que eu queria era tocar a minha guitarra. Mas havia essa coisa 
em curso, chamada a guerra do Vietnam. Havia cerca de cem homens americanos sendo 
mortos lá, todas as semanas, e isso nem incluía os dez vezes mais que isso, que ficavam 
feridos e incapacitados. 
Eu não estava animado a respeito da idéia de ir para a guerra, mas a América ti-
nha um recrutamento militar. Eu não queria ir para a faculdade, mas se não fosse não 
conseguiria uma dispensa de faculdade na convocação, seria classificado 1A, o que sig-
nifica que eu me dispunha a ser convocado e mandado para o Vietnam, a qualquer mo-
mento. Eu não tinha suficiente convicção política para ir-me para o Canadá, ou de ati-
vamente evitar a convocação, de alguma outra forma. Minha escoliose não me manteria 
fora da convocação militar, a não ser que eu fosse rico, ou politicamente ligado o sufici-
ente, para ter influência. Afinal de contas, eu conseguia andar. Fui classificado 1A em 
março de 1970. 
Felizmente, para mim, um homem foi eleito presidente dos Estados Unidos da 
América, em 1968, e tomou posse em 1969, de nome Richard Nixon. Eu o desprezava e 
à sua promessa de campanha, de que ele tinha um “plano secreto” para terminar a guer-
ra. Quando tomou posse, ele, com certeza, sabia como guardar um segredo. Eu imagi-
nava como o povo americano conseguia ser tão estúpido. (No final levou mais tempo 
para retirar nossas tropas do Vietnam do que levou aos Estados Unidos da América ga-
nhar a IIª Guerra Mundial.) 
No entanto, depois de tomar posse, Nixon fez um dos maiores favores que qual-
quer pessoa jamais fez para mim. Ele fez o Congresso mudar a convocação militar para 
algo chamado “sistema de convocação lotérica”. A forma pela qual a convocação lotéri-
ca funciona é por pequenas bolas com datas escritas nelas, como uma loteria. Jogam 
todos os 365 dias ou 366, se for bissexto, e a ordem das datas sorteadas determina a 
 
inclui os seguintes estados: Connecticut, Maine, Massachusetts, New Ham0pshire, Rhode Island e 
Vermont. 
 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 64/176
ordem pela qual uma data natalícia é jogada, e seu aniversário é o seu número de sortei-
o. Se seu aniversário for sorteado no primeiro terço dos números, de 1 a 122, com toda 
certeza você será convocado. Se seu aniversário for sorteado no segundo terço dos nú-
meros, de 122 a 244, é incerta sua convocação. Mas se seu aniversário for sorteado no 
terceiro terço dos números, de 244 a 366, então você quase não tem chance alguma de 
ser convocado. 
Em 1º de julho, 1970, a loteria da convocação foi conduzida para meu ano de 
nascimento. Lembro-me de ter rezado à moda antiga, “Por favor, Deus, faça com que 
meu número saia perto dos 300, para que eu não tenha de me preocupar com essa porca-
ria.” Quando meu aniversário, 6 de março, foi sorteado, fiquei sendo número 296. Oba! 
Aos 19 anos, eu ficara livre. Eu joguei pelas regras e tive sorte. Não tinha de me preo-
cupar a respeito de ser convocado. Eu estava livre para apenas tocar minha guitarra e 
viver feliz para sempre, certo? 
Essa não é a maneira das coisas funcionarem no mundo. Se você resolve um 
problema no universo do tempo e do espaço, então o que você consegue é outro pro-
blema. Dessa maneira é que isso é montado, para que você fique procurando respostas 
no lugar errado, lá fora no mundo, onde os problemas não parecem estar, em lugar de 
onde ele realmente está, que é a mente que causou o único problema real, em primeiro 
lugar. O problema seguinte,que fabriquei, foi começar a beber. Daí comecei a beber 
mais. Depois comecei a fumar um montão de erva. E isso bem que consome toda a mi-
nha década de 1970. 
Eu sabia que isso não era boa coisa e que eu estava arruinando minha vida. Eu 
não tocava muito minha guitarra, e eu estava bêbado bastante tempo. Eu era um filho 
porcaria, e eu só vivia para a minha próxima chance ser perdida. Ambos meus pais mor-
reram na década de 70, e eu me senti terrivelmente culpado, pela forma que atuei em 
relação a eles e por algumas das coisas que eu havia dito a eles. 
Durante esse sombrio tempo de minha vida, tentei encontrar maneiras de lidar 
com meu excesso de bebida e fumo, mesmo que eu, certamente, não visse a maconha 
como o problema principal. Nunca me meti em encrencas por apenas fumar erva. Era 
quando eu bebia é que o lado negro assumia. Por alguma razão, nunca me senti confor-
tável com o AA, mesmo sabendo que ele funcionava para uma porção de pessoas. Eu 
era um bebedor imoderado. Eu não bebia o tempo todo, então usava isso como uma 
razão para não me considerar um alcoólatra. Pelo menos, no mínimo, eu reconhecia que 
eu tinha um problema. 
Numa tentativa de controlar isso, decidi que iria me tornar um cristão renascido. 
Tornei-me sim, mas isso se esvaiu depois de algum tempo. Mais tarde tentei isso outra 
vez. De fato, eu renasci algumas vezes, ao longo da década de 70. O que isso teve de 
bom foi que li a Bíblia, e isso foi, de fato, uma experiência muito interessante. Havia 
uma porção de coisas na Bíblia com o que eu conseguia concordar; por exemplo a idéia 
de que “Deus é amor.” Isso fazia sentido para mim. Num trecho ela até mesmo diz que 
“Deus é perfeito amor.” Isso fez sentido perfeito para mim. O único problema era que, 
se eu olhasse em algum outro lugar na Bíblia, Ele era um matador, Ele era irado e vin-
gativo e ajustava as contas com as pessoas. Isso não fazia sentido para mim. Como Ele 
conseguia ser as duas coisas? 
A Bíblia era muito contraditória para soar verdadeira para mim; no entanto, 
quando eu olhava as partes onde Jesus fala, como o Sermão da Montanha, que continha 
tantas passagens lindas a respeito do amor e perdão, ela, de fato, me soava verdadeira. 
Mas ela era mais que isso. Havia algo a respeito da natureza da voz de J, que me parecia 
familiar. Eu sentia como se eu o conhecesse. Eu não conseguia exatamente pôr minha 
mão nisso, mas por alguma razão, eu senti como se ele fosse meu amigo e que eu con-
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seguia falar com ele. Não era algo religioso. Nunca fui religioso. Eu gosto de fazer gra-
ça de que no inverno eu sou budista e no verão eu sou nudista. Mas, mesmo não conse-
guindo me apegar ao cristianismo, nunca desisti desse relacionamento caloroso que sen-
ti com J, e isso continua até hoje. 
Mesmo depois de Arten e Pursah começarem a aparecer para mim, continuava 
sendo J com quem eu falava entre uma visita e outra. Ele é a manifestação do Divino 
Espírito Santo para mim, mesmo que Arten e Pursah sejam também, certamente, mani-
festações do Divino Espírito Santo. Eu não me dava conta, exatamente, porque eu sentia 
essa conexão tão forte com J, até que veio a explicação de Arten e Pursah a mim, no 
final de sua primeira série de aparições. 
Depois de minha incursão em religião organizada, que incluiu dois batismos, eu 
voltei a beber. Eu não sei se alguma vez eu teria parado isso, se não fosse pela oportuni-
dade de participar numa experiência de dois fins de semana, que veio da Califórnia para 
a Nova Inglaterra, chamada treinamento est.18 Desenvolvido por Werner Erhard, o 
“treinamento”, como o chamávamos, tomava emprestado conceitos de outras discipli-
nas, incluindo Zen19 e Cientologia.20 Ele era uma fusão brilhante de idéias metafísicas 
avançadas, um conhecimento sofisticado de como a mente trabalha, e exercícios desti-
nados a produzir uma experiência, por parte dos participantes. Fiz o treinamento no 
Ramada Inn, no lado leste de Boston, em dezembro de 1978. Esse foi o ponto de muta-
ção do meu caminho espiritual, nesta existência. Nas décadas de 1970 e 1980 eu não 
pensei em termos de espírito, mas, olhando para trás, vejo que o Divino Espírito Santo 
trabalhava em minha mente, todo o tempo. O treinamento est, em si mesmo, foi, no fi-
nal, vendido e evolveu para outras formas. 
Um dos temas do est era assumir a responsabilidade por sua vida. Isso dizia res-
peito a não ser vítima. Ela continha algumas idéias que eu conseguia ver explicado em 
mais detalhes, mais tarde, no Curso, como a grande lição do Livro de Exercícios para 
estudantes: 
 
18 N.T. – Com o nome de est a organização de Erhard, ao ser aberta em 1971, ficou conhecida na Califór-
nia pelos seminários que abusavam de sessões catárticas em grupo. Autodidata, Erhard criou um método 
cujas linhas mestras são seguidas até hoje. Foi logo acusado de plagiar a Igreja da Cientologia, a corrente 
de pensamento filosófico-religioso criada nos anos 50 pelo guru americano L. Ron Hubbard. Erhard a-
crescentou linhas terapêuticas baseadas na psicologia motivacional, para montar sua doutrina. As acusa-
ções de charlatanismo e de lavagem cerebral, por parte de entidades religiosas e de psicologia, chegaram 
aos tribunais. Muita gente torceu o nariz ao fato de a organização visar lucro, como uma empresa qual-
quer. Erhard chegou a ser acusado de sonegação de impostos e de praticar incesto, mas foi absolvido. 
Mesmo assim, afastou-se da est em 1991, vendendo o know-how dos cursos para a equipe que ficou. Seu 
irmão, Harry Rosenberg, assumiu a presidência, mudou o nome da organização para Landmark Education 
e comandou o processo de expansão, até torná-la uma gigante da auto-ajuda. O guru Erhard soube seguir 
o que pregou. Vive hoje no Caribe e dedica a maior parte do tempo aos prazeres da gastronomia. 
 
19 N.T. – Zen é o nome japonês de um ramo do Budismo Mahayana, praticado sobretudo na China, 
Japão, Vietnam e Coréia. A prática básica do Zen é o Zazen, um tipo de meditação contemplativa que 
visa levar o praticante à "experiência direta da realidade", com o que atinge a tranqüilidade suprema e a 
paz. 
 
20 N.T. – A Cientologia é um sistema de crenças fundado, em 1952, pelo autor de ficção cientifica L. 
Ron Hubbard (1911-1986 n. Tilden, Nebraska). A Cientologia foi oficializada como religião em 1954. 
Esta religião baseia-se nos livros de Hubbard Dianética: A Moderna Ciencia da Saude Mental (1950), 
Dianética: A Evolução da Ciência e Ciência da Sobrevivência. Hubbard considerava a Dianética como 
uma subdisciplina da Cientologia. Até morrer, em 1986, Hubbard publicou centenas de livros sobre 
cientologia e apenas alguns sobre Dianética. 
 
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Eu não sou vítima do mundo que vejo. (E-pI. 31.h) 
Est também explicou o que era o ego, de uma perspectiva budista, como a mente é uma 
máquina sobrevivente, e a realidade não é o que supomos que seja. De fato, ele explica-
va como é que o que vemos com nossos olhos não é real, e o que não é visto com os o 
lhos da cara, é mais real. Isso era uma introdução muito auspiciosa para temas espiritu-
ais e metafísicos, bem como um pano de fundo experiencial. 
Foi durante o est que eu tive, o que eu descreveria hoje como minha primeira 
experiência mística. Num momento do treinamento, foi dito a um grupo de 20 de nós, 
para se levantar e ir ao palco, diante de outras 200 pessoas, permanecer lá em pé, ficar 
silente, imóvel, e apenas olhar de lá para os que estavam na platéia. Depois de alguns 
minutos, dei uma segunda olhada surpreso, e olhei de novo para os que estavam diante 
de nós. Para mim era como se todos na sala estivessem se movendo em câmara lenta. 
Notei que, em muitas experiências assim, há uma intuição associada a elas que diz a 
quem observa, de modo não articulado, o que significam. De alguma forma, você ape-
nas sabe.Nesse caso, mesmo que houvesse durado apenas um minuto ou pouco mais, 
quando eu vi a multidão se mover dessa maneira surrealista, em câmara lenta, a experi-
ência associada a ela foi que era eu que estava fazendo aquilo. Agora, me parecia, que 
eu estava a cargo do tempo e do espaço. Eu conseguia fazê-la acelerar ou retardar. O 
tempo não era algo que estivesse sendo feito a mim, mas estava sendo feito por mim. 
Isso, me parecia, não estava vindo para mim; estava vindo de mim. Isso, me parecia, 
era um reverso de causa e efeito. Isso, me parecia, era apenas o começo de um processo 
de aprendizado sobe o sujeito, mas era fascinante. Ele também era o primeiro de uma 
série de experiências místicas, usualmente, em verdade visuais, que pareciam que iriam 
durar pelo resto de minha existência. 
Como um resultado de fazer o treinamento est, e de assumir a responsabilidade 
por minha vida, a partir desse instante, algo mudou em minha mente inconsciente. As 
pessoas crêem que é o que acreditam que têm em suas mentes conscientes, que os co-
manda, e que eles conseguem controlar sua mente, mudando seus pensamentos do nega-
tivo para o positivo. Isso não é verdade, ao nível da grande imagem. Isso terá, unica-
mente, um impacto útil temporário. O que realmente nos comanda são as nossas crenças 
inconscientes que mantemos, as coisas que não conseguimos ver. Um Curso em Mila-
gres apresenta uma maneira de curar e remover, de fato, as coisas ocultas nos vales pro-
fundos da mente inconsciente. Muito poucos ensinamentos espirituais conseguem al-
gum resultado nesse nível. O treinamento est, por reconhecer a diferença entre causa e 
efeito, teve um impacto na mente inconsciente de muitos de seus participantes, inclusive 
em mim. Isso aconteceu, a despeito do fato de que o treinamento, como muitas de suas 
disciplinas, não entendeu a imagem total ou incluiu o método relativamente rápido de 
desfazer o ego, que eu aprenderia, de meus amigos ascensos, ao longo de um período de 
anos. 
NOTA: Est foi desenvolvido ao longo de 1974, e Um Curso em Milagres foi 
publicado em 1976, 11 anos após seu registro escrito ter começado, 1965. Eu 
jamais havia visto um exemplar do Curso até a primeira semana de 1993. 
Apenas provando um pequeno gole do poder real, criou uma situação onde tomei 
uma decisão inconsciente, de que eu iria mudar minha vida e ficar bem. Mesmo que 
essa decisão haja sido feita fora da minha atenção, então, ela se mostrou como um efeito 
na forma dos meus pensamentos e comportamentos conscientes. Como resultado, dentro 
de poucos anos, eu me tornei quase o oposto de mim mesmo. Meu amigo Dan Stepe-
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nuck e eu começamos junto uma banda. Dan era um grande cantor, e nós havíamos tra-
balhado juntos, em outras bandas antes, mas, desta vez, estávamos comprometidos e 
disciplinados nisso. Foi Dan que me introduziu no treinamento est. Nosso grupo era 
excelente, e eu passei de um guitarrista, que não tocava muito, para um que, no final, 
estava trabalhando cinco ou seis noites toda semana, quase sempre duas vezes ao dia, 
nos fins de semana. Eu também organizei os compromissos da banda e, em poucos a-
nos, eu tinha nos engajado em apresentações, com até dois anos de antecedência. Come-
çamos a ser bem conhecidos na Nova Inglaterra, e eu estava fazendo bom dinheiro. Era 
divertido ter sucesso. As pessoas, por me verem tocar, estavam me reconhecendo na 
rua, e meus parentes não acreditavam mais que eu fosse um idiota. 
Eu recuperei o tempo perdido e vivi duas décadas significativas em 1980, para 
compensar pelos dez anos que eu estourei. Eu estava saindo e fazendo tudo que o tempo 
permitia: andando sobre carvão em brasa, saltando de aviões, e tendo todo o divertimen-
to que acreditava ter perdido. Eu, apenas, ainda não sabia que tudo era um sonho. Eu 
pensava que fosse real, e eu estava determinado a fazer o máximo disso. 
Depois de uns dois anos na banda, eu encontrei uma mulher chamada Karen. Ela 
era o meu tipo (mulher), mas eu tinha sido, por muitos anos, dolorosamente tímido a 
respeito de mulheres. Quando eu completei 14 anos de idade, um péssimo caso de acne 
destruiu minha confiança. Daí em diante, ficou impossível para mim, apenas, andar em 
direção de uma mulher e falar com ela. Por alguma razão, Karen e eu nos demos muito 
bem. Sentimo-nos confortável um com o outro, e, depois de nos encontrarmos, estáva-
mos casados dentro de um ano e cinco meses. O casamento foi muitas vezes difícil e eu, 
mais tarde, diria em público, que fomos, um para o outro, nossas melhores lições de 
perdão. 
Foi um ano depois que a minha decisão de melhorar traria para meu “espaço”, 
como o chamamos em est, outro caminho, para essa decisão ser cumprida. Ouvi falar de 
um quiroprático chamado Bruce Hedendal, com um consultório em Gloucester e que 
também era o quiroprático do Boston Ballet. Ele era um gênio no que fazia. Eu fui lá, 
com a mesma insuficiente energia, para fazer as coisas que eu queria fazer na vida, e ele 
me contou a respeito de minha escoliose. Ele tomou um espelho e me mostrou a curva-
tura na minha espinha, que eu jamais havia visto. Bruce trabalhou em mim e, dentro de 
dois meses, a maior parte já havia desaparecido. Nem todos quiropráticos são iguais, 
mas eu havia encontrado um dos grandes. Dois anos mais tarde, muito para minha tris-
teza, Bruce mudou-se para a Florida. Mas ele me ajudou a trazer meu nível de energia 
perto do suficiente, para que eu conseguisse fazer o que eu precisasse, sem sofrimento. 
Minha escoliose não estava, ainda, completamente curada. Até hoje eu não sou, ainda, 
uma pessoa de energia alta e, provavelmente, nunca serei, mas, por 1982, eu conseguia 
funcionar satisfatoriamente, o que, para mim, parecia como um milagre. 
Durante os 80, minha caminhada espiritual começou a acelerar. Para lhe mostrar 
como eu, no início da década, era novato na espiritualidade, eu me lembro de ter parti-
cipado de um seminário da est, no Hotel Bradford, em Boston. Eles nos dividiram em 
grupos pequenos de compartilhamento de quatro pessoas, para conseguirmos relatar 
nossas experiências. Eu me sentava em frente a uma mulher muito inteligente, e bastan-
te sofisticada, professora em Harvard e, tenho de admitir, que fiquei intimidado por seu 
sucesso e educação. De um momento para outro, ela começou a falar a respeito de uma 
mulher chamada Jane Roberts, e de como ela estava canalizando esse ser antigo chama-
do Seth, que tinha milhares de anos de vida. Seth falaria e daria informações ilumina-
das, por intermédio dessa mulher. 
Lembro-me de olhar para essa professora e de pensar, incredulamente, com meu 
botões:”Isso é sério? Ela realmente acredita nisso? Ela realmente pensa que isso con-
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seguiria acontecer? Vinte e três anos depois, eu me encontraria de pé, diante de grupos 
de pessoas, contando a eles que dois mestres ascensos apareceram para mim, em pessoa, 
no sofá de minha sala de estar. Nada eu conseguia fazer senão imaginar que, lá fora no 
auditório, provavelmente, deveria haver alguém pensando, com seus botões: “Isso é 
sério? Ele realmente acredita nisso? Ele realmente pensa que isso conseguiria aconte-
cer? 
Li alguns livros espirituais nos anos seguintes. Eu não era bem um leitor, mas 
apreciei alguns deles. Quando li a respeito de coisas como budismo, hinduismo e taoís-
mo, dei-me conta de que eu já sabia a maior parte das coisas que estavam sendo ensina-
das. Estudando reencarnação, veio-me a idéia de que a razão de eu já saber a maioria 
dessas coisas, intuitivamente, era por que eu já as havia estudado antes, em outra exis-
tência. Minhas memórias espirituais estavam despertando, outra vez, em minha mente. 
Em 1983, quatro anos depois do passamento de minha mãe e sete anos depois do 
de meu pai, eu tive um sonho, que nem se parecia com um sonho. Ele havia sido real, 
ou,ao menos, tão real como qualquer outra experiência que eu já tivera. Ambos meus 
pais vieram a mim, e nós três nos abraçamos, muito estreitamente, por um logo tempo. 
Foi uma experiência de amor total. Eu os senti, ali, comigo; seus toques eram reais. E 
eles estavam me dizendo, não com palavras, mas, em minha mente, com seu amor, que 
tudo estava bem. Eles estavam me absolvendo, me perdoando, e me amando. Isso foi 
tão real que eu, assim, soube que eles estavam bem e, quanto a eles, tudo estava perdoa-
do. Isso não quer dizer que eu houvesse perdoado, completamente, a mim mesmo, mas 
essa experiência era tanto um símbolo, como uma ponte, para eu cruzar e ter a compre-
ensão de que eu não precisaria passar o resto de minha vida em culpa. Eu entendi que 
tudo que meus pais, alguma vez, quiseram para mim foi felicidade e amor, e a compre-
ensão da beleza e da liberação disso, sempre permaneceria comigo, na estrada à minha 
frente. 
Eu também experimentei meditação. Mais do que aprender o que outros estavam 
fazendo, eu parecia saber o que eu deveria fazer e desenvolvi minha própria técnica 
meditativa. No entanto, não dei tempo, realmente, para praticar o suficiente e aperfei-
çoá-la. Isso viria mais tarde. 
Nos próximos anos seguintes, houve um aumento de minha capacidade visual 
mística. Eu cheguei ao ponto de ir para cama, à noite, e fechar os olhos e, enquanto esti-
vesse lá deitado, ainda acordado, eu via cenas desfilando diante de meus olhos, como 
num filme. As imagens que vi pareciam ser de vidas passadas, muitas vezes com som. 
De quando em vez, eu fazia uma conexão entre uma pessoa, que eu estava vendo em 
meu “cinema do terceiro olho”, como o denominei, e umas pessoas, a quem conheci 
nesta existência. As cenas, frequentemente, eram espantosas. Uma envolvia um índio 
americano caçando, falando num grupo, ou andando ao longo de um rio. Outra poderia 
ser num navio, outra em frente de uma lareira, numa casa pequena. 
Nem sempre eu entendia o que eu estava vendo, ou onde ou quando os eventos 
aconteciam. A despeito do mito popular, o Divino Espírito Santo nem sempre explica as 
coisas, claramente, para você. É como o Espírito guiando você, dando a você dicas até 
que você esteja pronto para ter a experiência do “Ah bom!” à qual está sendo conduzi-
do. A você são mostradas peças do quebra-cabeça, as que sejam boas e úteis para aquele 
instante e, então, mais tarde, usualmente, você encaixa todas juntas, quando esteja pron-
to para entendê-las, exatamente, no momento em que deve fazer isso. 
Por vezes, tais experiências foram fascinantes, e eu queria desenvolver minha 
vida espiritual. Depois de permanecer, por sete anos, na banda, que se chamava “Hush” 
(não confundir com outra banda do mesmo nome que existe hoje), eu me dei conta de 
que não estava realmente feliz, uma compreensão chocante para mim. Nos últimos anos, 
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eu havia feito quase tudo que eu quis fazer, mas isso não me preencheu. Algo faltava. 
Eu não sabia o que era, mas eu sabia que tinha de encontrá-lo. Isso era perturbador, por-
que não fazer coisa alguma não me fazia feliz e, agora, fazendo de tudo, também não 
me fez feliz. Cheguei a me indagar se eu seria alguma vez feliz. 
 Em agosto de 1987, durante a Convergência Harmônica, tomei outra decisão 
que mudou minha vida. Quando um alinhamento interplanetário, como a Convergência 
Harmônica ocorre, aparenta estar ocorrendo lá fora, no céu espacial, isso é apenas um 
símbolo. Onde realmente isso está acontecendo é na mente inconsciente. Daí, ela se 
mostra, lá no céu. Numa época dessas, as pessoas tomam decisões, em nível coletivo, 
que mudarão suas atitudes e objetivos e, em alguns, casos até mesmo seus locais de re-
sidência, e suas carreiras. Eu me dei conta de que queria deixar minha vida de pista ve-
loz e encontrar um lugar quieto, onde conseguisse pensar. Essa decisão foi tomada por 
mim na Convergência Harmônica de 1987.21 
Por ter meu nome assinado em vários contratos, levei mais de dois anos para eu 
conseguir deixar a banda, mas, no começo de 1990, eu me encontrei dirigindo meu car-
ro para a cidade de Poland Spring, Maine, com Karen e nosso cão Nupey. Isso era a 
apenas 193 km de Beverly, Massachusetts, mas é um mundo à parte. O norte de Por-
tland, Maine, em nada se parece com Massachusetts, que é veloz e sofisticada. O norte 
do Maine é lento e simples. É o estado mais intensamente florestado nos Estados Uni-
dos; 90 por cento do território é coberto de árvores. Lá o ar á limpo, água é limpa, e tem 
o menor índice criminal do país. 
Se eu queria paz e quietude, eu vim para o lugar certo. Se eu quisesse dinheiro, 
não era. Eu tinha uma vaga idéia de começar ali um negócio, e fazer disso um ganha-
pão. Quando cheguei a Poland Spring, não havia calçadas de pedestres, e nem muita 
gente. Eu deveria ter feito mais pesquisa, mas a minha vida em Massachusetts consumia 
muito meu tempo. Tentei ser um corretor do mercado financeiro, mas não importava 
quanto eu aprendia, meu conhecimento do mercado, e de como ele trabalhava, não me 
capacitou a ganhar muito dinheiro para pagar as despesas, e ainda ter um lucro. Isso foi 
muito frustrante. 
Um avanço bem-vindo veio da meditação. Cheguei ao ponto de conseguir deixar 
de fora todos os pensamentos interferentes, e conquistar absoluta quietude. Com uma 
mente aquietada, algumas vezes, senti como se estivesse entrando em contato com algo 
mais profundo, aquele vasto inconsciente coletivo tão falado, que fica sob a superfície, 
como a maior parte do iceberg fica sob a superfície do oceano. A magnitude dessas ex-
periências era muito maior do que eu teria alguma vez esperado. Isso era como se eu 
estivesse me conectando com algo imenso, e surpreendente. 
Minhas meditações sempre proviam um intervalo bem-vindo do restante de mi-
nha vida atual, que estava em torvelinho. Depois de algum tempo, me dei conta de que 
eu não gostava, realmente, do Maine, e de seus invernos frios e cruéis. Eu era um meni-
no de cidade. Algumas vezes eu me perguntava, “O que faço por aqui?” Eu nem me 
dava conta de que o Maine era, exatamente, o lugar certo para eu estar preparado para 
facilitar o que estava por vir. Havia muita tensão financeira durante esses três primeiros 
anos. Minha mulher e eu, às vezes, discutíamos alterados. Esse era um contraponto bi-
zarro à quietude de minhas meditações. Ninguém no mundo conseguia apertar meus 
 
21 N.T. - Convergência Harmônica – Foi a primeira das ativações importantes do planeta, que ocorreu 
em 16 e 17 de agosto de 1987. Naquele momento, houve uma elevação, ancorando-nos à quarta dimen-
são, ou seja, no plano astral, o plano das emoções. Assim, o acesso ao plano astral ficou muito mais fácil, 
permitindo uma limpeza emocional em nível planetário, onde planetas e a humanidade se alinharam em 
oração, trazendo Bênçãos de Graça e Esperança para a humanidade. Observação da tradução: essa ocor-
rência se passa no sonho humano e não na realidade de Deus. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 70/176
botões da maneira que ela fazia. Algumas vezes estive pronto a mandar tudo p’ro infer-
no e ir dormir numa praia do Hawaii. Minha vida não havia afundado tanto, desde a 
década de 70, mesmo assim havia uma sensação presente, mas não óbvia, que me man-
tinha em movimento. Eu não conseguia confirmar isso com qualquer evidência, mas 
havia um pensamento que se repetia em minha mente, o pensamento de que isso tudo 
acontecia por alguma razão. 
No outono de 1992, todo o meu aprendizado espiritual dos 14 anos anteriores 
sazonaram. Eu cheguei à conclusão de que a única coisa viável, para mim, era remover, 
de uma vez por todas, o conflito de minha vida. Qualquer bêbado que alguma vez esteve 
no esgoto, de boca no chão, e sobreviveu, disse, de alguma forma, “Tem de haver uma 
maneira melhor que essa.” 
No final de 1992,depois de três anos no Maine, Arten e Pursah fizeram sua pri-
meira aparição, diante de mim. Dentro de algumas semanas, comecei a me dar conta, 
consistentemente, de que eu havia vindo para o Maine por alguma razão relevante. À 
medida que o tempo avançava, eu não conseguia ver como os eventos que transpiraram 
poderiam, possivelmente, ter ocorrido para mim, em qualquer outro lugar. Não há aci-
dentes nem acasos, e o que era para ocorrer no restante da década, e além, me permitiu 
avaliar o fato de que quando as coisas não se apresentam como eu espero que sejam, é 
hora de parar de fazer perguntas, e começar a confiar. 
Em abril de 2004 fiz minha segunda viagem do ano à Califórnia. Eu visitei tanto 
a área de San Francisco, como a parte sul do estado. Um dia, hospedado no Hyatt, na 
Sunset Strip, em Hollywood, quando eu estava por tomar o elevador, e subir ao topo do 
prédio, onde ficava a piscina, para uma olhada na vista de lá, de repente, quatro pessoas 
vieram em minha direção. Uma delas, uma mulher, se pôs diante de mim, e disse, “Você 
não se importa de esperar pelo próximo elevador, se importa?” Fiquei surpreso, mas, 
prestei atenção, e vi que uma das pessoas do grupo era, nada mais nada menos, que Lit-
tle Richard, ícone das estrelas do rock. Na década de 80, eu toquei minha guitarra com 
mais de 3.000 gigas, por isso tinha grande respeito por músicos. Disse à mulher, “Por 
certo. Vá em frente.” Entendi que era sua incumbência mantê-lo longe de admiradores 
entusiasmados e fotógrafos, e eu estava contente por deixá-los usar o elevador primeiro. 
Daí, algo muito legal aconteceu. Vendo que eu estava deixando-o ir primeiro, 
Little Ricahrd veio a mim e me disse, “Isso fica bem para você?” Eu respondi. “Sem 
problema. É muito bom ver você.” Daí, Little Richard, uma legenda para qualquer um 
que conheça a história do rock’n’roll, olhou-me, bem nos olhos, e disse, “É bom ver 
você, também.” Enquanto ele entrava no elevador, eu pensei, “Nossa! Esse é o cara 
cuja voz o Paul McCartney imitava em “Long Tall Sally”, dizendo que é bom me ver, 
também.” Esse foi um momento alegre para mim, e logo pensei ser um Encontro Santo. 
Também, quando cheguei em casa, fiz questão de alugar e ver um filme que eu havia 
visto uma vez antes, chamado Down and Out in Beverly Hills, no qual Little Richard 
estava excelente, como o visinho estrela de rock. 
No final de abrl, era tempo da próxima visita prometida de Arten e Pursah. Eu 
sabia que eles não deixariam de vir ao compromisso. 
PURSAH: Oi, professor de Deus. O que você anda aprontando? 
GARY: Ó, você sabe, o de sempre: curando algum doente aqui, ressuscitando 
algum morto lá 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 71/176 
PURSAH: ‘Tá gostando da Califórnia? 
GARY: Eu a amei! Como estou certo que vocês sabem, eu vi muito mais dela 
desta vez. Isso foi ótimo. 
PURSAH: Bom. Você irá lá muitas vezes. Aproveite. 
ARTEN: Nesta visita vamos nos manter no básico, porque queremos que você 
sempre seja claro a respeito de onde você está vindo. Por exemplo, a Introdução a Um 
Curso em Milagres diz: 
“Nada real pode ser ameaçado.” (T-in. 2:2) 
Como você interpreta o significado disso? 
GARY: Bem, o real é o Espírito. E Espírito é sinônimo de Deus e de Cristo. No 
Céu não há diferença entre você e Deus. Nós só precisamos de palavras, enquanto pen-
sarmos estar aqui, para, no final, nos conduzirmos para além das palavras. Isso sendo 
entendido, o espírito com Deus seria imortal, invulnerável, e algo que não consegue ser 
ameaçado, de nenhuma forma, por este mundo. Ele seria eterno e imutável, por ser per-
feito. Ele é algo que, literalmente, não consegue ser tocado por coisa alguma neste 
mundo. Essa é a nossa realidade, e a nossa realidade está além de qualquer coisa que 
consiga ser ameaçada, ou seja, posta em risco. Nós conseguimos experienciar essa rea-
lidade mesmo quando nós continuamos a parecer, para nós, estar aqui. 
PURSAH: Muito bem. Essa mesma Introdução afirma: 
Nada irreal existe. (T-in. 2:3) 
O que você diz disso? 
GARY: Isso se refere a algo que não seja imutável, perfeito, imortal e invulne-
rável. Obviamente, o corpo cairia nessa categoria. Todos esses corpos, que eu vejo lá 
fora, não existem, realmente. Isso é porque eles são o produto, a projeção, da minha 
mente. Unicamente com a minha atitude, frente a esses corpos, admitindo que eles não 
existam, consigo experienciar meu corpo como não existente, e que sou, realmente, a-
quilo que não consegue ser ameaçado, de forma alguma. 
ARTEN: Bem suave. Você está indo mito bem no caminho, aliás. Eu mesmo 
não teria conseguido fazer melhor. Bem, sim, eu conseguiria, mas estou tentando fazer 
você se sentir bem. 
GARY: Engraçado, você, o menos famoso dos discípulos. Eu tenho tido um 
tempo legal viajando, apesar de tudo. Eu me sinto como Dan Aykroyd, naquele filme 
Blues Brother. Eu estou numa missão de Deus. 
ARTEN: Excelente, desde que você não a tome demasiada a sério. 
PURSAH: A linha seguinte, naquela Introdução do Curso, é: 
Nisso está a paz de Deus; (T-in.2:4) 
Isso é auto-explicativo. Trazemos a Introdução aqui para 
reafirmar o fato de que quando estamos falando a respeito 
de perdão, estamos nos referindo a uma escolha. A esco-
lha é: o que é você? Algo separado de Deus? Um indiví-
duo? Está, realmente, vivendo neste mundo? É imortal? É 
um corpo? Ou você é espírito, uno com sua Fonte, imutá-
vel e eterno, imortal e totalmente invulnerável? Se você é 
o último, então nada há a perdoar. Só um corpo tem quei-
xas, reclamações e ressentimentos a perdoar. Então o per-
O perdão é uma 
escolha do que 
você quer se crer 
ser, ditado pela 
escolha que você 
vai fazer a respeito 
do que a outra 
 pessoa seja. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 72/176
dão é uma escolha do que você quer se crer ser, ditado 
pela escolha que você vai fazer, a respeito do que a outra 
pessoa seja. 
O Curso diz isso desta maneira: 
O que está nele é imutável, e a tua imutabilidade é reconhecida, no reco-
nhecimento disso. A santidade em ti pertence a ele. E se a vês nele, ela re-
torna a ti. (T-24.VII.2:3-5) 
O ego, a parte de sua mente que quer ser especial e ter uma identidade individual, quer 
que você veja os outros como corpos separados, para conseguir se perpetuar, em sua 
mente. O ego não é você, mas enquanto você vir seus irmãos e irmãs como corpos, em 
vez de espírito perfeito, você está jogando no time dele – ego – que deseja que você 
escolha, e ao escolher reforce, o seu sistema de pensamento. Como o Curso também 
diz: 
Tu que acreditas que é mais fácil ver o corpo do teu irmão, do que a sua 
santidade, estejas certo de compreender o que é que fez esse julgamento. 
(T-24.VI.13:1) 
O que o fez, como corpo, foi o ego, e o Divino Espírito Santo está, agora, tentando al-
cançar a parte de sua mente que escolheu o ego, para escolher outra vez, para conseguir 
escolher certo. 
Escolhe outra vez o que queres que ele seja, lembrando-te de que cada 
escolha que fazes estabelece a tua própria identidade, assim como tu a 
verás e acreditarás que é. (T-31.VIII.6:5) 
GARY: Ouço você alto e bom som, mas isso é mais fácil dito do que feito. 
ARTEN: Muito poucos, alguma vez, chegaram ao ponto onde fizeram isso, con-
sistentemente, pela disciplina de uma mente treinada, até e inclusive perdoar a morte de 
seu próprio corpo. É por isso que Nietzsche disse, “Houve apenas um cristão, e ele mor-
reu na cruz.” 
O treinamento da mente é a chave de todo esse processo. Quantas pessoas no 
mundo, realmente, têm uma mente treinada em só pensar idéias da mente certa? Você 
teria de examinar milhares de pessoas, para encontrar uma. Por causa da disseminação 
do budismo, e de Um Curso em Milagres, há, de fato, mais delas agora do que em qual-
quer outra época da história, mas também agora há mais pessoas. 
Isso nos mostra a importância de fazer as Lições, do Livro de Exercícios para 
Estudantes,do Curso. O próprio Curso diz que: 
... é a prática dos exercícios que fará com que a meta do Curso seja possí-
vel. (E-pI.in.1:2) 
A mente fará muitos esforços para evitar, e burlar, o que o Curso está dizendo, bem 
como retardar, e procrastinar, a clarificação dele, e as pessoas lerão o Texto e o interpre-
tarão, usualmente, de forma incorreta e imperfeita. Elas ignorarão as afirmações defini-
tivas do Curso, a respeito do que mais adiante falaremos mais, e começaremos a pinçar 
e focalizar, em palavras individuais, ou frases, que, quando tomadas fora do contexto, 
parecem apoiar suas interpretações equivocadas. No entanto, tudo que o Curso diz pre-
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 73/176 
cisa e deve ser colocado dentro do contexto do ensinamento maior do Curso, que se 
mostra, inquestionavelmente, nesses depoimentos definitivos. 
Fazer as Lições, do Livro de Exercícios para Estudantes, ajuda o estudante a fo-
calizar bem ao aplicar o ensino mais amplo do Curso, em vez de deixar-se levar pela 
tentação de ver só as árvores, em vez da floresta com conjunto. Elas treinam a mente a 
pensar ao longo das linhas da teoria que é, realmente, posta em marcha no Texto. Se as 
pessoas lerem o Texto, sem fazerem as Lições, então não fizeram o Curso. É simples 
assim. O próprio Curso diz isso. No Manual para Professores, J fala em quanto tempo 
quieto o professor deveria passar com Deus, no início do dia, daí ele diz: 
Isso tem de depender do próprio professor de Deus. Ele não pode reivin-
dicar esse título, enquanto não tiver terminado o livro de exercícios, já 
que estamos aprendendo dentro da estrutura do nosso curso. (M-16.3:6-
7) 
GARY: Menino, eu me esqueci disso. Eu fiz o Livro de Exercícios para Estu-
dantes, mas só uma vez. Isso é o bastante, não é? 
PURSAH: Sim, absolutamente. Você fez todas as lições e não fez mais de uma 
lição por dia. Essas são as únicas regras. Acontece que eu sei que você fará o Livro de 
Exercícios para Estudantes uma segunda vez, mas, para a maioria, agora, é tudo que 
você precisa fazer e, depois de tê-lo feito completo, lê-lo, de quando em vez, relem-
brando, ou reconfirmando o que tenha se lembrado. É sempre bom ler as diferentes par-
tes do Curso, como uma revisão. Isso evita que o ego pule de volta ao palco, o que ele, 
certamente, sem a vigília atenta de sua parte, fará. 
ARTEN: Lembre-se que o que é imortal é permanente, e o que é mortal é im-
permanente. A razão de falarmos sobre o desaparecimento do universo é porque, quan-
do você acorda de um sonho, ao despertar na cama, o sonho desaparece da sua visão. 
Isso é só possível porque isso nunca foi real, em primeiro lugar. Algumas pessoas pen-
sarão que isso signifique que estejam abrindo mão de alguma coisa. 
GARY: Apenas do universo. 
ARTEN: Não do universo real. É o que você desperta para é o que importa. O 
universo, do tempo e do espaço, é impermanente. Aquilo, para o qual você desperta, é 
permanente. Sua realidade imortal é algo constante, imutável. Ela jamais trepida, oscila 
ou balança. O que as pessoas precisam captar é quão melhor sua vida real é, do que essa 
que eles pensaram ser sua vida. 
GARY: Bem, de acordo com o que você disse, toda vez que eu escolha ver as 
pessoas da forma que o Divino Espírito Santo gostaria que eu as visse, em vez da forma 
que o ego quer que eu as veja, é um passo adiante para chegar a casa. 
ARTEN: Sim. Pense na analogia hindu de desfazer o ego. É como descascar 
uma cebola. Para adaptar essa analogia para nossos propósitos, digamos que você per-
doe uma pessoa, no sentido do perdão do Curso. Isso corresponde a tirar uma camada 
de casca de uma cebola ou, nesse caso, uma camada do ego. Talvez isso pareça a você 
como se nada houvesse acontecido. Por que? Quando você descasca a camada de uma 
cebola, ela continua se parecendo com uma cebola inteira. Ela segue, por muito tempo, 
como se fosse a mesma. Mas, realmente, ela já não é a mesma, porque uma camada dela 
foi tirada e jogada fora. 
Agora, digamos que você persevere. Talvez você tenha, ocasionalmente, experi-
ência de ficar muito pacífico, o que encoraja você. Ou, talvez, algo haja acontecido que, 
no passado, tenha feito você se sentir mal e, desta vez, não fez você se sentir assim. Vo-
cê se dá conta de que isso é assim, porque você está praticando o perdão, e que o Divino 
Espírito Santo está curando sua mente, no nível do inconsciente. Então você segue adi-
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 74/176
ante, e perdoa outra vez, e mais outra vez, paciente, persistente e firme. O que acontece 
é que mais uma camada da cebola é descascada. Ela pode ainda continuar parecendo a 
mesma. Então, indo ao lavatório, e olhando-se no espelho, você pensa, ‘esse é o sempre 
velho eu’, mas... fique certo... você já não é mais o mesmo. 
Talvez você esteja vendo a TV, ou perdoando um relato do noticiário que esteja 
vendo nela. Outra camada da cebola está sendo descascada, mas você crê que nada haja 
acontecido. No meio do tempo, o Divino Espírito Santo está iluminando seu perdão, por 
toda parte, em toda a mente que esteja projetando o universo, e assim, por meio da pro-
jeção também. O perdão corta através da culpa inconsciente e sua projeção do carma, 
como um raio laser. Isso passa através de todas suas existências passadas, todo através 
das diferentes dimensões de tempo, em todas as partes do universo da energia e da for-
ma, e através de todo universo paralelo, que pareça existir. Coisas incríveis estão acon-
tecendo! O Divino Espírito Santo está, de fato, colapsando o tempo, enquanto você – 
sem se aperceber disso – está sentado ali, apenas perdoando, como se nada estivesse 
fazendo. 
Por causa da sua prática constante do perdão, há lições que você já não tem mais 
necessidade de aprender, e o Divino Espírito Santo está, em verdade, apagando as fitas, 
retirando dimensões de tempo que mantiveram lições que você deveria precisar apren-
der, se não praticasse o perdão, fazendo essas dimensões desaparecer. E como você não 
consegue ver todas as coisas que o Divino Espírito Santo consegue ver, você está ape-
nas sentado aí, pensando, Isso é aborrecido. Nada está acontecendo. Mas algo surpre-
endente está acontecendo. Enquanto você, sentado aí, pensando nada estar fazendo, 
perdoa consistentemente, mais camadas de cebola estão sendo descascadas, por toda 
parte, e saindo fora, e ao mesmo tempo, seu ego está sendo des-fei-to! 
Se você persevera, incansável, e continua a praticar 
o perdão, então, em algum ponto, você chega à última ca-
mada da cebola. Quando você descascar fora essa última 
camada da cebola, então nada restará. A cebola se foi. E 
essa é a maneira que se faz com o ego. Depois de suas úl-
timas lições de perdão, o ego se vai; ele foi desfeito, e na-
da restará dele, para interferir com sua plena e total expe-
riência de quem você é. Não mais há, nem haverá, nenhu-
ma razão para você reencarnar. Praticar o perdão incondi-
cional, da maneira que continuaremos a instruir você, é 
como se faz para romper o ciclo repetitivo de nascimento e 
morte, de uma vez por todas. 
GARY: Isso se refere à outra parte da Introdução, que fala sobre 
... remover os bloqueios à consciência da presença do amor... (T-in. 1:7) 
PURSAH: Você captou a idéia. Isso é exatamente o que se passa quando você 
escolhe o Divino Espírito Santo em lugar do ego. Qualquer ato de perdão desfaz o ego, 
e o Divino Espírito Santo remove os bloqueios ao entendimento de Deus, ou presença 
do espírito. Os bloqueios são essas paredes de culpa, na mente, que mantêm você afas-
tado do seu entendimento de quem, realmente, você é. 
GARY: Tenho usado essa Introdução antes de eu iniciar meus workshops. Uno-
me com J, e digo: 
“J, eu sou o que você é. Nada real consegue ser ameaçado. Isso é o espírito, 
que em realidade eu sou. Nada irreal existe. Isso inclui todos esses corpos lá 
fora, com quem eu penso que irei falar. E se issoinclui esses corpos, então 
Praticar o perdão 
incondicional, 
é como se faz 
para romper 
o ciclo repetitivo de 
nascimento e morte, 
de uma vez 
por todas. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 75/176 
inclui meu corpo, também. E, então, se eu não sou um corpo, e eles não são 
corpos, então não tenho nada do que me defender, e nada com que me preo-
cupar.” 
Faço isso toda vez. 
PURSAH: Muito bem. Eu também gosto quando você usa aquele trecho do iní-
cio do Curso, a respeito de onde ser verdadeiramente útil. Isso convida o Divino Espíri-
to Santo a ficar a cargo de todo o dia, e isso funciona muito bem. 
GARY: Olha só! Você tem estado olhando o que faço! 
PURSAH: Por que você não o recita agora? J deu-o a Helen, logo no início da 
escrita do Curso, mas ele foi, realmente, intencionado ao Bill, em primeiro lugar. Por 
certo, afinal, isso é dirigido a todos. Mas o Bill tinha de fazer uma palestra para um gru-
po de psiquiatras, em Princeton, e ele não era o tipo de pessoas que, normalmente, sem 
cerimônia, se levantasse e falasse. Ele era muito como você; ele era introvertido, o que a 
maioria das pessoas místicas são. Ele estava muito habituado a interiorizar-se, e não 
sair, com facilidade, para o lado de fora. Então, quando Bill pensava nas palavras de J, 
isso o relaxava, porque ele sabia que o Divino Espírito Santo estava ali mesmo, junto a 
ele, assumindo. 
GARY: Está bem. Isso é mais ou menos assim. De fato, isso vai exatamente as-
sim: 
Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil. 
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou. 
Eu não tenho de me preocupar com o que dizer e o que fazer, porque Aque-
le Que me enviou me dirigirá. 
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje, sabendo que Ele vai 
comigo. 
Eu serei curado na medida em que eu permita que Ele me ensine a curar. 
(T-2.V.18:2-6) 
ARTEN: Então, acrescentemos a terceira maneira para estar inspirado, ou no es-
pírito. Você se une com o Divino Espírito Santo. É simples assim. Ao entregar ao espí-
rito, que esteja a cargo do que se passa, você fica absolvido de qualquer responsabilida-
de, e de qualquer culpa. Agora, é tudo da responsabilidade do Divino Espírito Santo, o 
que também é verdade em seus livros. Com certeza, quanto mais você faz seu dever de 
casa de perdão, mais sua mente fica livre dos bloqueios para o ouvido espiritual. E 
quanto mais você pratica a união com Deus, na forma silenciosa da prece de que lhe 
falamos, cada vez mais claro fica, para você, ouvir o espírito. Daí, finalmente, aqui está 
o terceiro método, que é o ato consciente de se unir ao espírito, quando quer que isso 
seja apropriado, para ajudar a si mesmo, ou a outros, numa situação que requeira isso. 
Lembre-se disto, também: o Divino Espírito Santo nem sempre se mostrará a 
você, como uma Voz distinta. O Divino Espírito Santo pode se mostrar na forma de 
intuição, de uma idéia ou de uma sensação, e pode falar a você por intermédio de outra 
pessoa, a quem você esteja ouvindo e, de repente, você pode se dar conta de que, o que 
você está ouvindo, é uma boa idéia. O espírito pode ensiná-lo em seu sonho. Há nume-
rosas maneiras para o Divino Espírito Santo se mostrar a você. Esteja sempre aberto a 
isso, é tudo que precisa. 
GARY: Ah, sim. Creio ser, de certa forma, aberto a isso. Estou enganado, ou 
vocês caras, simplesmente, espocaram de lugar nenhum? Olha! Vocês se lembram da 
primeira vez que vocês apareceram para mim? Eu não sabia que raio pensar! 
PURSAH: Sim, mas nós sabíamos que você estava pronto para isso. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 76/176
GARY: Ambos pareciam muito pacíficos, então isso foi tranqüilizador, e a ma-
neira com que vocês falavam, bem, eu, simplesmente, fiquei cativado de cara. Fora do 
comum foi quão normal isso parecia. Eu, simplesmente, me pus a falar com vocês, e me 
esqueci das circunstâncias, por um minuto ou dois e, então, de repente, pensei, Jesus 
Cristo, essas pessoas, simplesmente, se materializaram a partir do ar! Daí começava a 
parecer estranho. Daí, você diria alguma coisa, e eu começaria a falar com você outra 
vez, e tudo parecia, outra vez, normal. Então, prosseguíamos assim, por algum tempo, e 
daí, de repente, eu pensaria, outra vez, Jesus Cristo, essas pessoas simplesmente se ma-
terializaram a partir do ar! Isso foi de endoidar. 
ARTEN: Talvez tenha sido, mas o fato de que estávamos aparecendo a você não 
é mais estranho do que o fato de você pensar que você próprio esteja aparecendo agora 
mesmo. O aparecimento de nossos corpos diante de você não está acontecendo da mes-
ma forma pela qual você está acostumado, mas, mesmo assim, ela não é mais estranha 
do que o aparecimento do corpo de outras pessoas no mudo. A diferença principal, nes-
se caso, é que são distintos de outros corpos, projetados como resultado do pensamento 
de separação, e nossos corpos são projetados pela parte certa da mente, onde mora e 
rege o Divino Espírito Santo. O propósito de nossos corpos é ensinar, de uma forma que 
você consiga entender, que toda separação é irreal. Isso, de nossos corpos serem proje-
tados pela parte certa da mente, onde mora e rege o Divino Espírito Santo, não significa 
que o Divino Espírito Santo esteja projetando esses corpos. É o amor do Divino Espírito 
Santo que está por detrás das aparências. Então é a parte certa da mente que dá forma a 
esse amor. Isso é também verdadeiro para a Voz do Divino Espírito Santo. Ele pode 
soar a você como algum cara que fale inglês. Mas o Divino Espírito Santo não é ne-
nhum cara que fale inglês. O amor por trás da Voz é do Divino Espírito Santo, mas a 
forma disso vem da parte da mente certa da mente separada. 
Falando a respeito da parte certa da mente, vamos dar a você dois processos de 
pensamento de perdão, que queremos que você pratique. Queremos que você use um 
deles, em você mesmo, e o outro deve ser usado em corpos que você veja como estando 
fora de você. Ambos os processos são, realmente, a mesma coisa, mas estamos dando a 
você essa idéia, dessa forma, para que você tenha alguém sobre quem praticar, não ha-
vendo ninguém por perto. Quando você estiver só, ou talvez quando você esteja se o-
lhando no espelho, você pode pensar a seu respeito, enquanto diz este primeiro. Esse 
será um bom momento para você dizer estas palavras. Repita depois de mim: 
Eu sou um espírito imortal 
Este corpo é apenas uma imagem. 
Ele nada tem a ver com o que eu sou. 
GARY: Eu sou um espírito imortal. Este corpo é apenas uma imagem. Ele nada 
tem a ver com o que eu sou. 
ARTEN: Bom. Você é uma pessoa típica, no sentido de que você tem a tendên-
cias de projetar sua culpa inconsciente em outras pessoas e, à vista disso, julgá-las erra-
do. Mas, há vezes, em que todas as pessoas culpam-se a si mesmas. Esse processo que 
explicamos é para essas oportunidades. Quando você estiver espancando a si mesmo, 
lembre-se deste processo de pensamento de perdão a si próprio. Agora, esse será espe-
cialmente útil para os que têm o hábito de culpar a si próprios. Há pessoas que projetam 
suas culpas inconscientes em seu próprio corpo, em vez do corpo dos outros. Isso traz à 
baila um tema perturbador. 
O suicídio é o maior problema no mundo, que todo o mundo nega totalmente. 
Esse é o segredinho sujo do ego. Claro, as pessoas sabem a respeito do suicídio, mas 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 77/176 
elas não têm a mínima déia de quão difundido ele está. Mais pessoas morrem pelo sui-
cídio, do que são mortas por todas as guerras, e todos os crimes no mundo, combina-
dos. Apenas como um exemplo, mais bombeiros do fogo morrem por suicídio, do que 
são, alguma vez, mortos no fogo. Ninguém quer falar disso. Ninguém quer examinar 
isso. Se alguém está deprimido, o sistema vai pô-lo sob drogas, e nunca irá examinar as 
razões. Isso é porque o ego recusa-se a olhar para o tema da culpa inconsciente,a real 
causa do suicídio. O ego sai correndo, tão rápido quanto possível, de olhar para ela. 
No Japão, há grupos de jovens que se encontram pela Internet, saem juntos em 
vans, e matam-se juntos. Isso também se espalhou um pouco pela Europa. Suponho que 
você consiga imaginar como os pais, na América, reagiriam a esse tipo de situação. 
GARY: Sim. Primeiro, eles perderiam a compostura, depois, colocariam mais 
pessoas sob drogas. É surpreendente como os americanos não fazem qualquer restrição 
a drogas, desde que o dinheiro ganho nisso esteja indo para as mãos certas. As corpora-
ções, e o governo que elas comandam, mantém todos sob lavagem cerebral. Eu digres-
siono. 
PURSAH: Lembre-se, como uma medida temporária para as pessoas, algumas 
dessas drogas são necessárias. Não são muitos os que conseguem tolerar serem curados 
num estalar de dedos. Isso seria por demais ameaçador, para seus egos. Daí, sentindo-se 
ameaçado, o ego se tornaria bélico, e encontraria outro meio de feri-los, talvez uma ma-
neira ainda pior. Não se esqueça de que a natureza da dualidade é tal, que você tem bom 
e ruim. Sim, as corporações mantêm a lavagem cerebral nas pessoas. As pessoas votam 
contra elas mesmas, em seu país. Mas, ao mesmo tempo, há uma porção de remédios 
novos, que ajudam as pessoas, especialmente os mais velhos, para não sofrerem da ma-
neira que costumavam. Seus pais poderiam ter usado alguns desses remédios que há 
hoje. Suas vidas teriam sido mais confortáveis, e menos dolorosas. Eles não estavam 
bem prontos para aceitar a idéia de que tudo seja feito pela mente. Não procure, apenas, 
o que seja ruim. Você não quer ser dos que crêem no pior. Você quer ser amor. 
GARY: Muito bem, lindo. Eu gostaria de uma sugestão. 
PURSAH: A cura, a longo prazo, para tudo isso, é só o perdão. Como já indica-
mos antes, e isso é muito importante, o Curso diz: 
A Expiação não cura os doentes, pois isso não é uma cura. Ela retira a 
culpa que faz com que a doença seja possível. E isso é, de fato, a cura. 
(E-pI.140.4:4-6) 
GARY: Parece no que você ouve a respeito de suicídios, e é isso. Não há mais 
discussão a esse respeito. 
PURSAH: Sim. Considerando que o Curso é o ú-
nico ensinamento que, não apenas fala, mas, completa-
mente, explica o tema da culpa inconsciente, ele mostra a 
você quão vital é tornar esse ensinamento disponível às 
pessoas. Agora mesmo, a maioria das pessoas que o ensi-
nam, nem ao menos entendem isso. E os que o citam, sem 
ensiná-lo, certamente não o entendem. Eles tomam trechos 
dele, fora do contexto, em suporte ao que ensinam. Mas, o 
que o Curso está ensinando, é que você consegue desfazer 
o ego, que está em sua mente, ter o Divino Espírito Santo 
curando toda sua culpa inconsciente, e, definitivamente, 
ficar livre dele! A maneira, mais rápida, de fazer isso é 
mudar a maneira que você olha às pessoas, eventos, e situ-
ações. Ele também ensina você como fazer isso. Seja grato 
O que o Curso 
está ensinando, é 
que você consegue 
desfazer o ego, 
que está em sua 
mente, ter o 
Divino Espírito San-
to curando toda sua 
culpa inconsciente, 
e, definitivamente, 
ficar livre dele. 
! 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 78/176
por você ser uma das pessoas privilegiadas que difundem 
essa mensagem. Mas não fique só nisso. A parte mais im-
portante do Curso é o que ele significa. A parte mais im-
portante de fazer o Curso é aplicá-lo à sua vida. 
ARTEN: Isso nos leva ao segundo processo de pensamento, que queremos que 
você pratique e, assim, compartilhe-o com os demais. É a maneira pela qual você deve-
ria pensar de outra pessoa, sempre. Memorize-o e diga-o, em sua mente, aos outros, 
quando for apropriado. Obviamente, haverá momentos que você possa estar conversan-
do com alguém. Não pare. Siga sua conversação normal. Apenas, pense nisso, e depois 
diga isso a eles, em sua mente. Sempre seja oportuno e adequado, não seja estranho. 
Quando você não precisa falar, e você tem a oportunidade de mandar essas palavras em 
sua mente, para a outra mente, pense no seguinte. Repita depois de mim: 
Você é Cristo. 
Puro e inocente. 
Tudo está perdoado e liberado. 
GARY: Você é Cristo. Puro e inocente. Tudo está perdoado e liberado. ... Legal! 
ARTEN: Sim, muito legal. Eu costumava dizer algo, muito semelhante, a meus 
pacientes, em minha última existência. Dizer essas palavras, em sua mente, para o outro, 
é uma maneira de fazer isso verdade a seu respeito, em sua própria mente inconsciente, 
e isso permite, ao Divino Espírito Santo, curar e liberar a culpa inconsciente, que amarra 
você ao universo da forma. O segredo do despertar para sua imortalidade está em ser 
mestre, não das coisas deste mundo, mas de como você vê este mundo. 
Deixe-me dar-lhe um exemplo. Há certas pessoas 
que estudam Um Curso em Milagres, há muito tempo, que 
se consideram muito inteligentes. Elas pensam que sabem 
o que o Curso significa. Em alguns casos, talvez até sai-
bam mesmo, e em outros casos, talvez nem isso. Mesmo 
assim, o que importa é que você toma seu entendimento 
do Curso, qualquer que seja ele, e o aplica. O intelectual 
que usa seu entendimento do Curso, para provar-se ser in-
telectualmente superior aos outros, não está, realmente, 
fazendo o Curso, jamais. 
Eu discutiria com você que uma pessoa, a quem o mundo julgasse mentalmente 
deficiente, com muito pouca inteligência, atravessando a vida vendo as pessoas com 
amor e sem julgamento, faz mais progresso espiritual nesta existência, do que o intelec-
tual, bem dotado, que vai pela vida julgando-se certo e os outros errados, a respeito do 
que Um Curso em Milagres significa. 
Repetindo, isso não se trata de influenciar o mundo, trata-se de como você olha 
para ele. Madre Teresa foi um excelente exemplo disso. Ela olhava para todas as pesso-
as, igualmente, com amor e perdão. Em suma, não importava para ela que teologia fosse 
a dela. A maioria das pessoas que ela cuidou, ao longo de sua vida, não eram nem 
membros de sua própria religião. Isso não lhe importava. Ela via cada um como sendo 
completa e perfeitamente merecedor do amor de Deus, sem exceção. Seu amor e seu 
perdão nunca foram negados a ninguém. Então sua mente já estava, completamente, 
curada pelo Divino Espírito Santo. Ela se iluminou nesta sua existência e rompeu o ci-
clo repetitivo de nascimento e morte, de uma vez por todas 
GARY: Excelente. Então ela não tem de voltar, é isso? 
ARTEN: Isso está correto. 
O segredo do 
despertar para sua 
imortalidade está 
em ser mestre, não 
das coisas deste 
mundo, mas de 
como você vê 
este mundo. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 79/176 
GARY: Isso confirmaria que não é a teologia que importa, mas o que você faz 
com ela. E você sabe, há uma escola de pensamento que diz que J teve de pôr o Curso 
da forma que o pôs, ou então os intelectuais não o tomariam a sério. Se você lhes desse 
algo simples, eles não o respeitariam! Então, ele o ditou, com essa apresentação longa, 
intelectual, bíblica e erudita, para que ficasse suficientemente marcante, para eles quere-
rem ouvi-lo. 
ARTEN: Há alguma verdade nisso, mas não é assim tão simples. Isso é porque, 
como já dissemos, o ego não é simples. Então, isso continua dando muito trabalho para 
desfazer o ego, e outra razão, para a extensão e o estilo do Curso, é que tanto a extensão 
como o estilo, facilitam isso. O que é simples, é que, realmente, há só duas coisas, entre 
as quais escolher, e apenas uma é verdadeira. 
GARY: Você sabe que algumas pessoas podem dizer que não é muito amoroso, 
da parte de Deus, permitir que sonhemos um sonho como esse, que sempre se torna num 
pesadelo, no final. O que você diria disso? 
ARTEN: É essa sempre a forma com que essas mesmas pessoas dão voltas ao 
tema, para desviar a atenção, conseguindo, a partir daí, confirmar que Deus criou o 
mundo! Falar a respeito de Deus não ser amoroso. Em resposta à sua pergunta, Deusnão está deixando você sonhar isso. Para deixar você sonhar isso, Ele teria de reconhe-
cer, em primeiro lugar, a existência da idéia de separação, ou seja, reconhecer o seu 
sonho. Nós já dissemos que Ele não reconhece, nem a separação e, muito menos, o seu 
sonho. Unicamente por Ele não os reconhecer, é que, exatamente, é possível continuar 
havendo a perfeita Unicidade, a realidade, para a qual você desperta. 
GARY: Bem, há pessoas que crêem que Deus não conseguiria experienciar-Se a 
Si Mesmo na Unicidade, e a única maneira Dele conseguir fazer isso, seria, dizem eles, 
criar esse mundo e viver nele. Uma porção delas parece ouvir autores e professores que 
dizem isso, como os livros Conversando com Deus. 
PURSAH: Se eles olhassem mais fundo, dar-se-iam conta de que estão conside-
rando Deus como insano. Você teve a experiência mística do que seja estar com Deus 
no Céu, certo? 
GARY: Sim. 
PURSAH: E como comparar o Céu a este mundo? 
GARY: Não há comparação possível. No Céu você é Deus. 
PURSAH: Mas isso é uma experiência, é um conhecer, não é isso? 
GARY: Certamente que é! É uma experiência maior do que qualquer coisa que 
este mundo tenha a ofertar. 
PURSAH: Tudo certo, então. A idéia de pensar que Deus teria, obrigatoriamen-
te, de fazer esse mundo para experienciar dualidade, como o meio de conseguir apreciar 
e desfrutar a Si Mesmo, é o equivalente à idéia de que, para experienciar e desfrutar do 
sexo, você teria também de experienciar levar, ao mesmo tempo, um tiro na barriga. 
Não! A dor é o resultado da culpa, que veio por pensar que você se separou de Deus, e 
você não precisa – necessariamente – experienciar dor, para experienciar o prazer da 
realidade. Mas você tem, por certo, de perdoar a dor e o sofrimento, que só estão em sua 
mente, e desistir deles, para retornar à realidade. J não conseguiria ser mais claro do que 
foi, a esse respeito, em seu Curso, e ele é quem deve ser ouvido sobre isso: 
Do ego vieram o pecado, a culpa e a morte, em oposição à vida e à ino-
cência e à Vontade do próprio Deus. Onde pode estar tal oposição senão 
nas mentes doentes dos insanos, dedicados à loucura e estabelecidos con-
tra a paz do Céu? Uma coisa é certa: Deus, que não criou a morte nem o 
pecado, não determinou, em Sua Vontade, que sejas limitado por eles. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 80/176
Ele não conhece o pecado, nem os seus resultados. As figuras amortalha-
das, na procissão do funeral, não marcham em honra ao seu Criador, 
Cuja Vontade é de que elas vivam. Elas não estão seguindo a Sua Vonta-
de, estão se opondo a ela. (T-19.IV.C.i.3) 
GARY: Menino, ele vai ter de parar de ficar guardando tudo e dizer como, efeti-
vamente, se sente. Então, aqui há pessoas dizendo que Deus fez opostos, apenas para 
que Ele conseguisse experienciar a Si Mesmo, e aqui temos J dizendo que tudo, que é 
todo inclusivo, não com-se-gue ter opostos, e que, unicamente, os insanos pensariam ou 
que conseguiriam, como também deveriam! Isso é uma declaração correta? 
PURSAH: Sim. 
GARY: Você sabe, algumas vezes pessoas me perguntam por que Um Curso em 
Milagres não é mais popular. Admitamos, o Curso não é obscuro, e há, até agora, quase 
dois milhões de cópias distribuídas. Mesmo assim, comparado a algumas coisas que 
andam por aí, ele não é assim tão popular. 
PURSAH: De fato, você, Gary, está começando a mudar isso, com a nossa aju-
da, por certo. Uma das razões pela qual o Curso não era tão popular, quanto outros a-
presentados, era porque nenhum professor popular, realmente, explicou isso a elas, en-
tão começam a estudar o Curso e daí, não sendo capazes de entendê-lo, frustradas, de-
sistem dele. Agora, quando lerem os seus livros, e depois forem ler o Curso para elas 
mesmas, conseguirão entendê-lo22. 
GARY: Muito bom, mas, retornando ao que eu dizia, quando pessoas me per-
guntarem por que o Curso não é mais popular, vou responder: levando em conta o teor 
do que ele diz, é um milagre ter se feito tão popular quanto já se fez. 
PURSAH: Esse é um bom argumento. Lembre-se, nunca dissemos que o Curso 
sirva para todas as pessoas. De fato, ele não é para todas as pessoas. Mas ele é para 
mais pessoas do que as que o estudaram até agora, e quanto melhor as pessoas entende-
rem o que ele diz, mais elas tenderão a ficar interessadas nele. E você tem de ver que 
este é, apenas, o começo. O Curso, nesta data, tem apenas quase 30 anos. É sempre a 
aplicação que conduz à experiência, o sentido para o qual o Curso está direcionado. 
GARY: Nisso está a paz de Deus, certo? 
PURSAH: Você entendeu isso, e essa paz tem de ser experienciada, para ser 
vaçprada. 
GARY: Lindo! E acredito que a nossa revisão foi concluída, em algum ponto 
nesse caminho agora? 
PURSAH: Sim, mas você pode usar revisões, sempre. De fato, entre uma e outra 
idéia nova que surja, o Curso, em si mesmo, é uma contínua revisão. Aquela citação 
que usei, há minutos atrás, ecoa os princípios ensinados na Introdução do Curso, que 
você mencionou; tudo que é todo inclusivo não consegue ter opostos. Mas J diz isso, de 
outra forma, e num nível mais profundo. 
O oposto do amor é o medo, mas o que tudo abrange não pode ter opos-
tos. (T-ín.1:8) 
Essa é a parte do método que J usa para desfazer o ego. 
GARY: Muito bem, eu tenho uma pergunta. De quando em vez leio a respeito de 
um desses nazistas, que escaparam para a América do Sul, e surge um relato de que o 
cara morreu, e que ele parecia estar em seus 80 ou 90, ou perto disso. Agora me tem 
 
22 N.T. – Disso posso testemunhar. É o que ocorre em meus grupos de estudo de UCEM. Depois de le-
rem “O Desaparecimento do Universo’ o entendimento de UCEM foi facilitado, ampliado e aprofundado. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 81/176 
sido dito, nos meus últimos 25 anos, que o meu pensamento determina minha saúde. 
Então, como é que esses repulsivos conseguem viver para chegar a quase os 100? Quero 
dizer, que qualidade de pensamento eles têm tido, na maior parte de suas vidas? 
ARTEN: ‘Pera aí, Gary. Seus pensamentos determinam sua experiência de vida, 
não os acontecimentos em sua vida. O que acontece, no nível da forma – quanto tempo 
você vive, quão rico ou pobre você é, se enfrenta ou não o desafio de doença do cora-
ção, enfarte, câncer, o que você possui – isso tudo já foi determinado antes de você pa-
recer que ia nascer. No instante em que você escolheu o ego, naquele nível metafísico, a 
partir daí, tudo mais foi um contrato. É por isso que a vida aqui não é justa. E não per-
gunte, porque você nem deveria se importar 0com isso! Eu apenas disse que você, de 
fato, determina sua experiência com seus pensamentos, e sua experiência é o que lhe 
importa. Em sua experiência é que você aprende, não importando os acontecimentos.. 
O único real poder que você tem aqui é o poder de escolha, entre o ego e o Divi-
no Espírito Santo. No processo, se acontecer que você mude as dimensões do tempo, 
por intermédio do Divino Espírito Santo colapsando o tempo, e com isso ter um cenário 
diferente se apresentando, dentro do roteiro fixo, então você deveria considerar isso 
como um benefício acessório. Mas isso não é do que trata o Curso. Quanto ao tempo 
em colapso, lembre-se de que, só o Divino Espírito Santo conhece o que seja melhor 
para cada um. Coloque-O a cargo do tempo e do espaço. Ponha-os a cargo Daquele Que 
conheça tudo. Se você estiver doente, e seus sintomas mudarem por meio da escolha de 
perdão, então considere que isso seja um benefício acessório, também. A meta real é o 
Céu, mas a meta, a curto prazo, é a paz, e o fim de toda dor e sofrimento, físicos e mo-
rais. Está absolutamente dentro de sua capacidade, aprender a pôr fim a toda dor e so-
frimento, a despeito do qualquer coisa que pareça estar acontecendo no mundo, e sem 
nem ao menos levar em consideração de quais pareçam ser os seus sintomas. Essa é a 
respostado Divino Espírito Santo ao roteiro de culpa, dor, sofrimento e morte do ego 
GARY: Então, aquele nazista poderia ter vivido até os 90, ou mais, de qualquer 
forma, mas a qualidade de sua vida, e como ele experiencia esses anos é determinado 
por seus pensamentos, e isso vale também para seu progresso espiritual e para quantas 
existências mais ele tenha de retornar, ou não, para isso. 
ARTEN: Exatamente. Excelente, Gary. Agora, está 
chegando a hora de partirmos. Fique em vigília, especial-
mente nesta sua próxima viagem, pela rodovia, querido 
irmão. Você verá porque eu digo isso. Mas aproveite bem, 
também! 
GARY: Muito grato! Estou fazendo o meu melhor. 
PURSAH: Nós sabemos disso, e isso é tudo que 
qualquer pessoa consegue pedir, professor de Deus. Lem-
bre-se dos dois processos de perdão que lhe demos! E, 
além disso, fique atento, se alguma vez você estiver numa 
longa viajem de avião, e não consiga tirar um cochilo, por 
causa da turbulência, ou por outro motivo qualquer. Pense 
nessas palavras do Curso. Então, enquanto faz uma pausa 
dos hábitos da Terra, você será relembrado da verdade 
espantosa que reside em seu interior: 
O Filho da Vida não pode ser morto. Ele é imortal como o seu Pai. (T-
29.VI.2:3-4) 
Está absolutamente 
dentro de sua 
capacidade aprender 
a pôr fim a toda dor e 
sofrimento, a despeito 
de qualquer coisa 
que pareça estar 
acontecendo no 
mundo, e sem nem ao 
menos levar em 
consideração de quais 
pareçam ser os seus 
sintomas 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 82/176
Perto de três semanas depois, eu voltava de uma viagem para o Meio Oeste, vo-
ando para Portland, Maine. Ouvi uma batida forte do lado direito da aeronave e vi pas-
sar pela janela o que me pareceu ser um lampejo de fogo. 
O assistente de bordo, em seguida, passou às pressas corredor abaixo, em dire-
ção à cabine de comando. As pessoas no avião, cerca de 60 delas, se tornaram muito 
quietas, por certo, imaginando se algo muito terrível pudesse ter ocorrido à capacidade 
do avião de funcionar. Eu, nervoso, pensei, Porcaria. Justo agora quando tudo ia tão 
bem. 
Daí me lembrei do que Pursah me havia dito, nessa última visita, bem antes dela 
e Arten desaparecerem, e repeti, compenetrado, as palavras do Curso que ela me disse 
para usar, nessa eventualidade: 
O Filho da Vida não pode ser morto. Ele é imortal como o seu Pai. 
Pensei sobre a natureza imortal do que realmente sou, e pedi a J para que estivesse co-
migo, e me ajudasse a ver essa situação diferentemente. Senti-me melhor, imediatamen-
te, mesmo que eu ainda não soubesse, exatamente, o que se passava. 
Não demorou nada saber o que tinha havido. Depois do que, provavelmente, não 
foi mais que um minuto, o assistente de bordo veio ao interfone e disse: “Tudo está em 
ordem, pessoal. O avião foi atingido por um relâmpago, mas tudo está em ordem.” 
Tudo que eu disse foi “Obrigado a você”, me dirigindo a J e ao Divino Espírito 
Santo. Daí tirei o cochilo rápido, enquanto o piloto fez sua aproximação final a Por-
tland. 
-x-x-x-x-x-x-x-x-x-
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M. Thereza de B. Camargo 83/17
6 
4444 
Assassinatos sem cadáveresAssassinatos sem cadáveresAssassinatos sem cadáveresAssassinatos sem cadáveres 
O ataque, sob qualquer forma, é igualmente destrutivo. Seu propósito não muda. 
Sua única intenção é assassinar e que forma de assassinato serve para encobrir a 
culpa maciça e o medo frenético da punição que o assassino não pode deixar de 
sentir? Ele pode negar que seja um assassino e justificar a sua selvageria com 
sorrisos, à media em que ataca. No entanto, ele irá sofrer e olhará para a sua 
intenção em pesadelos, nos quais os sorrisos terão desaparecido e o propósito 
vem à tona, para encontrar a sua consciência horrorizada e continuar 
perseguindo-o. Pois ninguém pensa em assassinato e escapa da culpa que o 
pensamento acarreta. Se o intento é a morte, que importância tem 
a forma que tome? (T-23.III.1:3-9) 
aquela mesma viagem para o Meio Oeste, fui ao estado de Wisconsin, em Wiscon-
sin Dells, onde minha amiga Linda arranjara um workshop para mim. Isso ficava a 
alguns quilômetros pela estrada, onde um culto usa Um Curso em Milagres para seus 
próprios propósitos. De fato, o líder desse culto se refere a si próprio, incrivelmente, 
como “O Mestre Professor de Um Curso e Milagres”. Ouvindo falar que eu estava fa-
zendo um workshop perto dali, um dos companheiros do professor me convidou a visi-
tá-lo. Como Linda e eu participamos da “Endeavor Academy”,23eu não tinha dúvida que 
minha visita deveria ser útil para algumas pessoas que estivessem lá. Se elas querem 
viver, ou estudar, em algum lugar, então deve haver uma razão em que acreditam, que 
os atende. O que encontrei foi uma atmosfera altamente incomum, especialmente se 
comparada ao que se poderia esperar de seguidores de um curso de auto-estudo. 
Havia uma sala lateral onde alguém lia a Lição do dia, do Livro de Exercícios do 
Curso. Havia cerca de 40 pessoas ouvindo e elas riam em momentos inapropriados. 
Sim, o Curso encorajava risadas, mas essas pessoas estavam rindo em instantes sérios, 
em que deveriam estar pensando a respeito do que estava sendo lido, e se aprofundando 
em maior nível. Era como se houvesse algum sentido engraçado nas palavras, dentro de 
um sistema de pensamento próprio das pessoas, só conhecido particularmente por elas. 
O que efetivamente faziam era ignorar o real significado do texto, como um meio de 
negar a mensagem do Curso. Daí o “Mestre Professor” fez sua entrada, descendo pela 
escada, e o grupo inteiro foi em sua direção, juntando-se à sua volta. Elas o seguiram, 
como eu fiz, para uma sala maior, que elas chamaram de “Sessão”. 
O homem falou por cerca de uma hora. Ninguém era autorizado a falar, ou fazer 
perguntas. Devido à leitura, e ao compartilhamento de meu primeiro livro no ano ante-
rior na Academy, aparentemente havia contribuído para que um número grande de pes-
soas de lá descobrissem o que, de fato, o Curso significava e, por isso, terem saído do 
culto, o homem veio até mim, várias vezes, durante essa hora e me confrontou, numa 
das vezes me empurrou e me estapeou na cabeça. Afastando-se de mim, numa dessas 
confrontações, ele me chamou de “merda idiota”. Tentei buscar essa didática particular 
 
23 N.T. – A Endeavor Academy (Academia Empenho), localizada em 501 East Adam St., Wisconsin Dell, 
WI, USA, baseada em Um Curso em Milagres, propicia um encontro intenso com a Realidade Singular e 
trabalha por meio de um fórum para a completa transformação interior de cada pessoa para a sua Ilumina-
ção, pela Expiação, que para eles é o inescapável destino da humanidade.. 
N 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 84/176
mais tarde no Manual para Professores do Curso, mas não a encontrei em parte alguma 
dele. 
Com tudo isso, no entanto, não reagi a ele, praticando o tipo de perdão ensinado 
no Curso. Meus professores chamaram minha atenção para tais situações, como oportu-
nidades de praticar o perdão. Eu, praticando o perdão sem titubear, imaginei, então, ser 
esse homem uma projeção que eu fiz, para que eu conseguisse ver o que eu, secretamen-
te, cria ser verdade, a respeito de mim mesmo, externamente, em vez de internamente. 
Isso me permitiu relembrar-me de que ele não estava realmente ali, e nem eu tampouco, 
então não havia, realmente, ninguém contra quem reagir, nem ninguém havia atacado 
nem sido atacado. Um elemento adicional a isso é o conhecimento de que só Deus é 
real e qualquer coisa, que não seja de Deus, não consegue me afetar. Eu, então, o libe-
rei ao Divino Espírito Santo, em paz. Num determinado momento, o chamado Mestre 
Professor pareceu frustrado por minha recusa de me deixar ser perturbado por ele, então 
exclama, “Olhem para ele, está rindo!” 
Enquantopermaneci lá, vi membros do grupo sendo manipulados e confronta-
dos, uns contra os outros. As pessoas eram, verbalmente, intimidadas e injuriadas. 
Mesmo que esse homem estivesse, literalmente, ensinando numa forma ininteligível, 
que nada tinha a ver com o Curso, alguns dos participantes atuavam como se o enten-
dessem, ao mesmo tempo fazendo dele seu professor especial, em lugar de ouvirem ao 
que a Voz do Curso estivesse, de fato, comunicando. Se você não entendesse o que o 
Mestre Professor estivesse dizendo, e não havia nenhuma razão pela qual deveria fazê-
lo, então você seria rotulada como “dos mortos” (nos dois gêneros). Se você concordas-
se com ele, você era de pronto acolhido. Era uma atmosfera de culto clássico. Quem não 
quer ser acolhido? 
Esse professor também, na fala, misturava partes da Bíblia, que não diziam a 
mesma coisa que o Curso. Ele exortava a virtude de “corpos leves”, e encorajava seus 
seguidores a buscarem exaltação na energia do kundalini, aparentemente esquecido do 
fato de que, de acordo com o Curso, energia nada mais é senão ilusão, e não é para ser 
valorizada. Por definição, qualquer coisa que consegue mudar, ou ser mudada, não é 
real, como diz o Curso: 
Qualquer coisa que seja verdadeira é eterna e não pode mudar nem ser 
mudada. (T-1.V.5:1) 
Fiquei lá por uma hora, ouvi tudo e perdoei o tempo todo. Depois o professor co-
locou um vídeo dele mesmo, e aí, Linda e eu saímos. Eu também visitei o seu “Centro 
de Cura”, dos quais o culto tem muitas divisões. De fato, eles se apresentam para a mai-
or parte do mundo por intermédio de sua parte visualmente sadia, os “Centros de Cura”, 
como uma forma de induzir as pessoas a se juntarem a eles. 
No dia seguinte, fiz meu workshop num hotel amplo, mais adiante na mesma es-
trada. Muitos antigos integrantes do culto, moradores da vizinhança, estavam presentes, 
bem como outros que moravam mais longe, que viajaram para estar lá. Vinte membros 
da Academia Endeavor também vieram, sem permissão. Muitos dos antigos integrantes 
do culto, que estão espalhados por toda parte do país, têm uma ligação entre si e se man-
têm em contato. Foi um prazer sentir o amor na sala, bem como compartilhar a mensa-
gem, com eles. Uma das minhas partes favoritas do workshop é a sessão de perguntas e 
respostas, quando interajo com o auditório. Mas essa não é a única parte que interajo 
com eles. Gosto de encontrar pessoas e de falar com elas durante todo o dia, desde a 
hora que chego até quando tenho, durante os intervalos, o almoço, ou quando seja que 
tenha chance. Gosto também de autografar livros. Isso me faz sentir eu que seja, real-
mente, um autor. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 85/176 
No dia seguinte, me encontrei na cidade rural de Kiel, Wisconsin, não longe de 
Green Bay, para outro workshop meu, desta vez para um ensino de Um Curso em Mila-
gres, mas diferente, chamado “Pathways of Light”. Nos dois dias que passei lá, fiquei 
surpreendido pela similitude entre os diretores da organização, Robert e Mary Stoelting, 
e o que ouvi a respeito da escriba do Curso, Helen Schucman. 
Quando, na década de 70, se espalhou a notícia de que Helen estava ouvindo a 
voz de Jesus, as pessoas ocasionalmente tentavam que ela lhe fizesse uma pergunta por 
eles. Em vez de fazer isso, Helen se sentava com eles, e pedia-lhes que ouvissem, com 
ela, a resposta. Como uma alternativa de tê-los se apoiando nela para saberem a resposta 
de a Voz por Deus, a idéia de Helen era dar-lhe poder para ouvirem a Voz por Deus, por 
eles mesmos. Encontrei essa forma de agir também no Pathways of Light. Em lugar de 
dizer às pessoas o que fazer, eles estavam ensinando as pessoas como ouvir a Voz do 
Divino Espírito Santo, por elas mesmas, para também serem guiadas pelo espírito, sem 
precisar de outro humano, mediando por eles. 
Por certo, o melhor e o mais rápido contato para fazer isso acontecer, de modo 
permanente, é pelo processo de perdão, que desfaz os bloqueios na mente das pessoas, 
para “audição” dessa Voz por cada um. É sábio também se lembrar que a “Voz” conse-
gue, de fato, surgir de muitas formas diferentes, não somente como uma Voz, propria-
mente dita. 
Gostei muito dos Stoelting e estou desejoso de retornar ao Pathways of Light. 
Eu estava falando em algum lugar diferente no país, quase que toda semana ago-
ra, e, um mês depois, em maio de 2004, fiz minha primeira viagem ao Canadá, para uma 
apresentação em Halifax, Nova Scotia. Como uma forma de ilustrar quão pouco viajei, 
antes do lançamento do meu primeiro livro, nasci e morei toda minha vida na Nova In-
glaterra, limítrofe do Canadá, e nunca havia estado no Canadá! Amei as pessoas em 
Halifax. Depois do workshop, hpuve uma comemoração com música, bebidas e dança. 
Achei muito reconfortante que eles não considerassem que ser espiritual e se divertir 
fossem mutuamente excludentes. 
Em Halifax, recebi a notícia estimulante de que a Hay House, uma das mas pro-
eminentes editoras de livros de auto-ajuda/espiritual no mundo, estava interessada em 
assumir a publicação de O Desaparecimento do Universo. Mesmo sabendo que teria de 
conversar o assunto com meu editor original, D.Patrick Miller, da Fearless Books, eu 
senti que isso estava destinado a acontecer, e eu não conseguia esperar para agradecer a 
Arten e à Pursah, por seu plano para o livro. De repente, nasceu em mim a idéia de que 
eles sabiam o que faziam, todo o tempo, e que o caminho que escolheram era fazer o 
livro se provar a si mesmo primeiro por meio das vendas, o que permitiria a ele encon-
trar o caminho para um editor maior, e uma audiência mundial, sem que a mensagem 
nele contida jamais fosse mudada. 
Algumas semanas depois, Patrick e eu estávamos em Chicago para encontrar 
com a Hay House, na Book Expo América. Foi um evento palpitante, e o a nota marcan-
te foi o discurso de Bill Clinton. Chegamos a um entendimento tal com a Hay House, 
que Patrck e eu saímos para jantar para comemorar, festivamente. No dia seguinte esta-
va marcado para eu voar para Nova Jersey, para um workshop. 
Era um dia bonito, sem nuvens, quando o avião se levantou e voou sobre a Sears 
Tower e adiante, sobre o Lago Michigan. A vista era maravilhosa. Quando chegamos a 
Newark, voamos sobre a Estátua da Liberdade. Eu conseguia claramente ver Manhattan, 
com o legendário Empire State Building dominando a linha do horizonte. De repente 
pensei, Deus meu. Estou sendo pago para isto? Foi então que me dei conta de que, de 
uma maneira boa, minha vida nunca mais seria a mesma. Eu estava inundado de grati-
dão. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 86/176
No final de junho, eu tinha uma porção de coisas a conversar com meus mento-
res ascensos. Arten e Pursah apareceram e me olharam com suas expressões bondosas e 
olhos amorosos. Eu os esperava porque sabia que viriam a cada dois meses, e quando o 
tempo de suas aparições está próximo, eu colocava minha cadeira longe da televisão, 
que eu via cada vez menos quanto mais eu viajava, e a apontava para o sofá, onde esta-
va programado aparecerem. 
Quando chegaram, Arten falou primeiro: 
ARTEN: Olá, cupincha. Como foi o jogo? 
NOTA: Eu havia ido a um jogo de beisebol no Fenway Park, na semana ante-
rior, em 22 de junho. Fui com um amigo de Naples, Maine, que me conseguiu 
o melhor lugar em que já me sentei, num jogo dos Red Sox, apenas algumas 
fileiras atrás do abrigo de jogadores e do treinador desse time. 
GARY: Foi ótimo! Devo ter ido ao Fenway uma centena de vezes, mas essas ca-
deiras eram demais. Curt Schilling arremessou, eles ganharam o jogo, e até cheguei a 
ver Nomar bater um grand slam. 
NOTA: O jogador Nomar Garciaparra, do Red Sox, foi negociado pelo Chi-
cago Cubs mais tarde na estação, o que ao mesmo tempo enfureceu a que nós, 
da Nova Inglaterra, chamamos de “Nação Red Sox”. 
GARY: E você sabe, não me lembro dos Sox alguma vez terem arremessado tão 
bem assim. Ou estoubêbado, ou eles vão bem assim esse ano? 
ARTEN: Bem, você não está bêbado. 
GARY: Tudo bem. Acho que você não me diria algo sobre isso. Mas sinto algo a 
esse respeito. Quero dizer, se ao Patriots conseguem vencer os jogos Super Bowls de-
pois de vir sem nada por 40 anos, então tudo pode acontecer, não é mesmo? 
ARTEN: Não posso discutir sobre isso. Você teve progressos fora do mundo dos 
esportes também? 
GARY: Ó sim! O livro está indo realmente bem. Todo mês ele vende um pouco 
mais do que no mês anterior. E eu tenho estado por toda parte. Além de espalhar a pala-
vra a respeito do Curso, também tenho empregado minhas viagens e palestras para o 
que você disse: perdão... pelo menos, quando me lembro. Na Califórnia foi surpreen-
dente, e aquela visita a Wisconsin foi realmente boa, exceto a sessão que foi meio cabe-
luda com aquele professor, a respeito da qual você me chamou a atenção. Eu fiz minha 
parte, mesmo assim. A A.R.E. está realmente amadurecendo, também. Esse é um avan-
ço de várias maneiras. 
NOTA: Uma vez Um Curso em Milagres foi bem recebido no grupo Edgar 
Cayce de Virginia Beach, a Association for Research and Enlightenment 
(A.R.E.) [Associação para Pesquisa e Iluminação]. A amizade de Hugh Lynn 
Cayce com Helen Schucman e Bill Thetford ajudou o Curso a deslanchar 
com o pé direito entre eles. Nos últimos dez anos, no entanto, o Curso caiu 
em desfavorecimento lá, por alguns estudantes das leituras de Cayce interpre-
tarem que o Curso não estivesse sempre dizendo as mesmas coisas que Cay-
ce. Eles não queriam mais o Curso na A.R.E.e ele não estava sendo ensinado 
lá há muito tempo. Quando O Desaparecimento do Universo saiu, ele logo foi 
aceito antes de que essas pessoas, de repente, se dessem conta de que ele tra-
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 87/176 
tava do Curso, em parte porque O Desaparecimento não menciona o Curso 
na capa. Em pouco tempo, O Desaparecimento se tornou a livro número um 
na A.R.E., e a organização tomou isso como um sinal de que, talvez, eles de-
vessem ser mais abertos para o Curso. 
Eu fui convidado a fazer um workshop de dia inteiro lá. Aconteceu em março, 
pela primeira vez, e fui muito bem recebido. Isso abriu as portas para um no-
vo começo para o Curso na A.R.E. e, depois disso, ele foi bem-vindo e pas-
sou a ser estudado, de novo, por uma porção de membros, pela primeira vez, 
em muitos anos. A inclusão de O Desaparecimento no catálogo da organiza-
ção, que tem mais de 200.000 membros, e uma excelente resenha em sua re-
vista, Venture Inward,[Risco Interior] também não fez mal a ninguém. 
ARTEN: Excelente, e nós vimos seu processo de perdão com aquele professor 
em Wisconsin. Mantenha-o, sempre, onde quer que vá. Incidentalmente, você pode, 
algumas vezes, achar que seja mais difícil perdoar na Internet do que pessoalmente. Isso 
é porque muita gente tem a tendência de falar mais livremente nela e, algumas vezes, 
dizem coisas a seu respeito online, que não diriam nunca a alguém, de viva voz, em 
pessoa. Uma vez você acione aquele botão “enviar”, não consegue mais cancelar a men-
sagem. E não apenas será difícil de perdoar alguém que condene você. Seja cuidadoso a 
respeito de não fazer isso aos outros24. Julgar e condenar alguém mais da Internet que, 
por certo, é a projeção da culpa inconsciente, é uma tentação para todos, hoje em dia. 
GARY: Eu sei disso. A Internet tende a pôr para fora o pior em mim. Não fre-
qüente, mas de vez em quando. Como eu não estive muito delicado com aquela mulher, 
que arrasou com nosso livro. 
NOTA: O Desaparecimento estava rapidamente se tornando o livro mais fa-
lado, amplamente lido e criticamente aclamado a respeito do Curso, ao longo 
de uma década, mesmo assim, a maior organização, dentro da comunidade do 
Curso, que exibe e divulga livros de outros autores, recusou-se até mesmo a 
vendê-lo! Eu não conseguia crer nisso. Por que, então, nem ao menos deixam 
os estudantes decidirem, por eles mesmos, o que querem ler? A mulher, que 
fundou essa organização, escolheu, em vez disso, tentar impedir a distribuição 
do livro, dentro da comunidade do Curso. 
Nenhuma razão viável foi oferecida na justificativa dessa atitude e, fa-
ce ao sucesso do livro, as políticas do Curso tinham de ser a razão. O proble-
ma era composto pelo fato de que essa mulher, que se recusou a vender o li-
vro em sua organização, mentiu ao meu editor e a mim, dizendo que a razão 
por não aceitar vendê-lo era que “o livro apenas não diz nada a nenhum de 
nós aqui.” 
Mais tarde, tomei conhecimento de que a pessoa que examina livros 
para essa organização, havia dado a O Desaparecimento um entusiástico sinal 
verde, e que a recomendação havia sido denegada por essa mulher. Também 
recebi evidências de que ela estava trabalhando para ajudar outro autor do 
Curso com um ponto de vista diferente do expresso em meu livro, e qualquer 
desculpa para não exibir O Desaparecimento bastaria, incluindo o fato de que 
muito da informação nele havia vindo de “Mestres Ascensos”. Isso partiu de 
uma vendedora de livros de um Curso que fora canalizado de Jesus, por in-
termédio de uma mulher! O Desaparecimento era especificamente a respeito 
de J e seu Curso e, rapidamente, um crescente número de estudantes estavam 
 
24 N.T. – É a “Regra de Ouro” do relacionamento: “Só faça ao outro o que gosta que seja feito a você.” 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 88/176
dizendo que ele, de fato, clarificou Um Curso em Milagres e fez com que o 
Curso tivesse sentido para eles, pela primeira vez, como nunca havia feito. 
Muitos outros leitores estavam sendo apresentados ao Curso por meio dele. O 
revigoramento e o novo entusiasmo a respeito do Curso estavam sendo ine-
gáveis. 
Essa mulher vendeu centenas de livros por outros autores que não 
continham nenhuma citação de Um Curso em Milagres, e o meu inclui cente-
nas de citações do Curso. Era a primeira vez, em muitos anos depois do lan-
çamento do Curso, que qualquer livro havia feito isso, com a permissão dos 
editores do Curso. Ela também se apresentou ao público como uma “câmara 
de compensação” para livros sobre o Curso, e levantou fundos dos que pen-
savam que eles estavam dando dinheiro para ajudar o Curso. De fato, ela, a-
bertamente, encorajou-os a, em seus testamentos, deixar dinheiro para a orga-
nização dela. E, aí estava ela, deliberadamente, excluindo um livro com o 
qual muitas pessoas estavam, pela primeira vez, aprendendo a respeito do 
Curso. Mais tarde, quando algumas dessas mesmas pessoas, inevitavelmente, 
se tornaram fregueses dela, ela também tentaria tomar-lhes dinheiro empres-
tado. Considerei isso aético. 
Isso foi, para mim, uma oportunidade clássica de perdão, mas uma que 
não aceitei facilmente. Isso não era porque as ações dessa mulher estivessem 
prejudicando o sucesso do livro. As pessoas, simplesmente, o compravam 
noutro lugar, inclusive membros de seu próprio staff. Não dar apoio a um li-
vro, é uma coisa. Ela poderia oferecer o livro à venda, sem apoiar ou anunciá-
lo. Mas tentar suprimi-lo, não o vendendo, de forma alguma, isso é outra coi-
sa. O Desaparecimento era, obviamente, o mais visível dos livros do Curso 
por aí. E ela era, obviamente, a mais visível vendedora desses livros. Nem ao 
menos tê-lo, isso era um tapa na cara público. 
PURSAH: Gary, Gary, Gary. Você, usualmente, é mais atento quanto ao que se 
passa, do que está mostrando nesta situação. Você não percebe? Foi feita uma armação 
para você. Esse é um caso clássico do ego com sua armadilha montada, esperando para 
você cair nela, feito pato. Não importa quanto isso pareça com que você esteja coberto 
de razão e, no nível da forma, no sonho, você certamente está com toda a razão. Mas 
isso não lhe trará paz. É por isso que o Curso pergunta, com limpidez: 
Preferes estar certo ou ser feliz? (T-29.VII.1:9) 
Qual é o pensamento central que o Cursotenta ensinar aí? 
GARY: Que: 
Não há nenhum mundo! (E-pI.132.6:2) 
PURSAH: Sinto muito. Eu não ouvi muito bem isso. Repita, por favor, devagar. 
GARY: 
Não há ne-nhum mun-do! (E-pI.132.6:2) 
PURSAH: Isso está certo. E ele não diz: “Não há nenhum mundo, sim, mas tal-
vez.” Ele diz, com todas as letras, sem deixar dúvidas: 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 89/176 
... Não há nenhum mundo! Esse é o pensamento central que o curso tenta 
ensinar. (E-pI.132.6:2-3) 
Essa é uma declaração definitiva. Falaremos a respeito de declarações definiti-
vas logo mais, mas agora, faça-me um favor. Leia-me essa parte do parágrafo do Livro 
de Exercícios. Está na Lição 132. Leia até a palavra reconhecer, no parágrafo seguinte. 
Você já o ouviu antes, mas, desta vez, você o tomará num nível mais profundo. 
GARY: Tudo bem. Usualmente, quando você me faz ler algo do Curso, isso me 
faz me sentir melhor a respeito da situação que tratamos. 
... Não há nenhum mundo! Esse é o pensamento central que o curso tenta 
ensinar. Nem todos estão prontos para aceitá-lo e cada um tem de ir tão 
longe quanto possa se permitir ser conduzido ao longo da estrada para a 
verdade. Ele voltará e irá ainda mais adiante, ou talvez recue por um 
momento para retornar outra vez. 
Mas a cura é a dádiva daqueles que estão preparados para apren-
der que não existe nenhum mundo e que podem aceitar a lição agora. A 
sua prontidão para isso lhes trará a lição sob alguma forma que possam 
compreender e reconhecer. (E-pI.132.6:2-7:2). 
PURSAH: Obrigada a você, Gary. Agora, você deverá sempre se lembrar de que 
não importa o que quer que pareça acontecer, tudo é apenas e nada mais que um sonho. 
A razão pela qual o Curso diz que a reencarnação não é verdade25 é porque ela é uma 
ilusão. Ela parece acontecer, mas você, realmente, nunca vai estar num corpo. Isso ape-
nas é visto dessa maneira, pelos olhos do corpo, e percebido pelos outros 4 sentidos do 
corpo. O que você vê é uma ilusão de ótica. Por que? Bem, por uma coisa, o Curso en-
sina que o corpo nem ao menos existe. 
O corpo não existe, exceto como instrumento de aprendizado para a 
mente. (T-2.V.1:9) 
Então, não havendo corpo, como você conseguiria realmente estar num? O Curso diz: 
O corpo não existe, exceto como instrumento de aprendizado para a 
mente. Esse instrumento de aprendizado não está sujeito a erros pró-
prios, porque não pode criar. É óbvio, então, que induzir a mente a desis-
tir de suas criações equivocadas é a única aplicação da capacidade criati-
va que é verdadeiramente significativa. (T-2.V..1:9-11) 
GARY: Ó, muito bacana. O corpo não existe e não consegue criar, e tudo que a 
mente consegue fazer é escolher o espírito, em vez do ego e suas projeções. Uma proje-
ção é qualquer coisa que aparente ser separado de qualquer outra coisa, e isso inclui o 
corpo, excluídas as presentes companhias, porque vocês vêm através da parte certa da 
mente, o que é extremamente raro, em se tratando de corpos. E se estou ouvindo essa 
citação corretamente, ela diz que nada há significativo no conceito de ser um “co-
criador” com Deus, no nível do mundo. Isso porque J está dizendo aí que a única coisa 
significativa que a mente consegue fazer aqui, que envolva qualquer tipo de habilidade 
criativa, é desistir de qualquer coisa que seja de aparência separada. Isso não significa 
que você abra mão disso fisicamente, o que iria apenas torná-la real para a mente; você 
 
25 M-24.1-4:2 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 90/176
abre mão não mais crendo nela e, em lugar disso, escolhe crer apenas no espírito perfei-
to, como sua identidade real. ... Per’aí, eu estou aqui no centro do campo de baseball? 
PURSAH: Você entendeu. 
GARY: Maravilha! Vocês têm algo mais que possa nos ajudar a vender um mi-
lhão de exemplares? 
PURSAH: É engraçado, mas considerando o lado prático das coisas, se você 
quer fazer um milhão de dólares, ou que moeda seja, então é visível que você deveria 
escrever um livro a respeito de como ganhar um milhão de dólares, ou a moeda que 
você escolha. Não importa se qualquer pessoa de fato ganha um milhão, de que moeda 
seja, depois de lê-lo. Você simplesmente pode lhes dizer que eles não estão fazendo 
direito o que querem fazer. Mas esse não é o nosso negócio. Nosso negócio é desfazer o 
ego e levar você de volta para casa. Se você quer desfazer o ego, então voltemos ao nos-
so negócio. 
Eu disse a você que foi montada uma armação para você. Nós mencionamos a 
você que você encontra, nesta existência, com quem você lidou antes, em outras exis-
tências, quer seja por um amor especial, ou ódio especial. Por certo que essa é uma 
perspectiva linear. Isso, de fato, aconteceu tudo de uma vez, como um holograma, e daí 
parece representar-se, para você, de maneira linear. Quando você encontra alguém nesta 
existência que você conheceu antes em outras existências, isso é porque vocês estão 
orbitando um ao outro. Assim como planetas orbitam o sol, afastam-se um do outro em 
suas órbitas e então, depois de alcançarem o ponto mais distante, retornam ao ponto 
mais próximo, outra vez, as pessoas orbitam-se, umas às outras, no holograma do tempo 
e do espaço, de maneira similar. 
GARY: Então opostos realmente se atraem? 
PURSAH: Sim, mas o resultado nem sempre é bonito, por causa do pacto. As-
sim, como no caso de amor especial, pessoas com quem você teve interesses de ódio 
especial, no passado, retornarão ao ponto mais próximo em sua órbita com você e, por 
causa da mente inconsciente ter retido a memória disso, você terá conflito no relacio-
namento, algumas vezes de imediato, e algumas vezes mais tarde. Isso se mostra como 
um problema para você, mas também é uma ótima oportunidade, se você tem suficiente 
disciplina mental para usá-la. J é muito eloqüente a esse respeito quando ele diz: 
O mais santo de todos os lugares da terra é aquele onde um antigo ódio 
veio a ser um amor presente. (T-26.IX.6:1) 
Agora, nós nunca dissemos que o Curso seja o único caminho para casa. Temos 
sugerido que é o mais rápido, e J faz uma porção de declarações a respeito da economia 
de tempo no Curso. Alguns podem até zombar disso, mas se o fizerem, é porque eles, 
realmente, não alcançam o que o Curso está dizendo. Mesmo assim, o Curso não é o 
único caminho, como J destaca, naquela citação que você acabou de ler: 
A sua prontidão para isso lhes trará a lição sob alguma forma que pos-
sam compreender e reconhecer. (E-pI. 132.7:2) 
Então isso poderia ser outra coisa qualquer, como budismo, mas nos manteremos 
no método usado por J, em sua existência final, a qual ele está ensinando, bem detalha-
da, por meio do Curso, porque as pessoas estão, agora, na posição de entender tudo me-
lhor. Talvez haja algumas pessoas que pensem haver, hoje, outros professores no mun-
do, que consigam levá-los para casa mais depressa do que J. Estão enganadas, mas por-
que o Curso não é para todas as pessoas ao mesmo tempo, então isso, realmente, não 
tem a menor importância. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 91/176 
GARY: E aquela observação, no trecho que li, atrás: 
Ele voltará e irá ainda mais adiante, ou talvez recue por um momento, 
para retornar outra vez. (E-pI.132.6:5) 
Isso quer dizer entre existências você consegue retardar, voltar outra vez e ficar 
por aí, no éter, lendo os Registros Akashicos26 e coisas assim? 
ARTEN: Algo do gênero. Talvez demos a você um pequeno giro, a esse respei-
to, alguma vez. Mas Pursah estava dizendo? 
PURSAH: Essa mulher que você menciona, de quem você disse ter prejudicado 
seu livro, é um bom exemplo de alguém retornando à sua órbita. Você teve existências 
nas quais se conheceram. Foram até casados, uma vez. Ela morreu bem jovem, e você, 
de certa forma, se culpou de sua morte. 
GARY: Por que? 
PURSAH: Você a matou. 
GARY: Ó!PURSAH: Essa é uma longa história, mas não precisa dizer, quando um orbita 
em torno do outro, é sinal de conflito irresoluto aí, não importa o tamanho. Hoje você 
tem um livro que uma porção de gente está lendo, mas no mesmo segundo em que o 
viu, sua mente inconsciente ela teve uma aversão a ele. Da última vez, ela foi a vítima e 
você o vitimador, mas para que você não se sinta assim tão mal, você teve tempos antes 
em que você foi a vítima e ela o vitimador. Por certo, vocês trocaram de gênero por ve-
zes. E assim vai. Desta vez, em sua conjunção com ela, você está sendo a vítima. Para-
béns! A pergunta é: o que você vai usar nesta vez, liberdade ou servidão? O tratamento 
pode ser: vai fazer com que você não seja uma vítima e assumir a responsabilidade por 
estar sonhando, ou vai tornar isso real e ficar preso, mais uma vez, aqui? 
GARY: Mas é uma bandida. Não ela, é claro, mas a situação. 
PURSAH: Por certo que é, ou então não seria uma armação! Vocês dois deviam 
se aproximar um da órbita do outro. Você pode usar seu relacionamento para os propó-
sitos do ego ou do Divino Espírito Santo. J, no Curso, se refere a isso assim: 
Aqueles que têm de encontrar-se, encontrar-se-ão, pois juntos têm o po-
tencial para um relacionamento santo. Estão prontos um para o outro. 
(M-3.1:7-8) 
GARY: Bem, nós não poderíamos ter estado bem prontos um para o outro da-
quela vez em que liquidei com ela. 
PURSAH: Primeiro de tudo, ela havia matado você, antes disso, em outro sonho, 
então as coisas, numa única existência, nem sempre são tão simples quanto parecem. O 
mais importante, o que interessa não é o que vocês fazem um ao outro, é como vocês 
pensam a respeito um do outro. O que você aparenta fazer é apenas um efeito do que 
você pensa. Porque o que você faz está ocorrendo dentro de um sonho, esse não é o foco 
do Curso. Nosso foco está na causa do sonho e em como desfazê-la. E se, como J tam-
 
26 N.T. – Registros Akashicos - Akasha é uma palavra sânscrita significando “céu”, “espaço”, ou “éter”, 
um termo teosófico denotando uma coleção de conhecimento místico codificada num plano não físico da 
existência. Os Registros supostamente devem conter todo o conhecimento, inclusive toda a experiência 
humana, contida no universo. Os Registos Akashicos são metaforicamente descritos como uma biblioteca 
e são também comparados a um computador universal ou a ‘Mente de Deus’. Os Registros supostamente 
devem ser constantemente atualizados. O conceito se originou no movimento teosófico, no século 19, e 
permanece prevalente no discurso da Nova Era. 
 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 92/176
bém ensina, não há graus, aspectos ou intervalos na realidade e níveis só existem no 
sonho de separação, 
A percepção não existia até a separação introduzir graus, aspectos e in-
tervalos. O espírito não tem níveis e todo conflito surge do conceito de ní-
veis. Só os Níveis da Trindade são capazes de Unidade. (T-3.IV.1:5-7) 
então isso significa que, realmente, só há duas coisas que você consegue fazer. Todo 
pensamento de perdão é uma expressão de amor, todo pensamento sem perdão é um 
assassinato. Não importa se não haja cadáver. Todo dia que começa na terra é um dia 
cheio de assassinatos sem cadáveres... pessoas pensando pensamentos sem perdão em 
relação aos outros. É como J diz, no Curso, em termos sem incertezas: 
O que não é amor é assassinato. O que não é amoroso, não pode deixar 
de ser um ataque. (T-23.IV.1:10-11) 
GARY: Então todo pensamento sem amor é o mesmo, e a intensidade aparente 
que demonstre nada significa. Mas, da mesma forma, todo pensamento de amor é tam-
bém o mesmo. É por isso que diz bem no primeiro princípio dos milagres: 
Todas as expressões e amor são máximas. (T-1.I.1:3) 
PURSAH: Muito bonito. Você sabe que isso é verdade, Gary. Mas nós não con-
seguimos fazer você praticá-la. Praticá-la na maior parte do temo não é suficiente. Por 
certo, você tem mais sorte de várias maneiras, mas a única passagem de saída daqui é 
por meio da aplicação universal. Se você se recorda de que são realmente suas próprias 
crenças a respeito de si mesmo em sua mente inconsciente que você escolhe para vê-las 
nelas, como o meio de escapar delas, então você consegue saber que você é o que está 
sendo libertado através de seu perdão. Como o Curso diz: 
Estariam dispostos a aceitar o fato de que o seu selvagem propósito é di-
rigido contra eles próprios? (T-23.III.5:4) 
GARY: Estou ouvindo você. Farei o melhor que consiga. Entendo o que você 
diz em relação a porque algumas lições são mais difíceis do que outras, e eu tentarei me 
lembrar de que eu me ponho a partir de um nível ilusório mais alto! Eu fiz aquela mu-
lher por uma razão, e daí nós atuamos nas coisas aqui para que consiga parecer que a 
minha falta de paz seja culpa dela, quando na verdade, a minha falta de paz, não importa 
que forma tome, é sempre um resultado de minha própria decisão de não perdoar. Mas 
decisões conseguem ser mudadas. Eu consigo reconhecer a verdade, que é de que nada 
está realmente acontecendo. Isso é tudo um sonho, e eu sou quem está sonhando. É co-
mo o Curso diz: 
A consciência do sonhar é a função real dos professores de Deus. (M-
12.6:6) 
NOTA: Eu continuava ainda um pouco transtornado, mas me dei conta de 
que o que Pursah disse era verdade. Apesar de eu ter aprendido muito e fre-
qüentemente o aplicava, eu não fazia isso imediatamente, em qualquer situa-
ção que surgisse, em minha vida diária. E, se não o fizesse, então não conse-
guiria completar minhas lições. Eu sabia além do mais que, se eu apenas per-
doasse parcialmente, então eu seria perdoado apenas parcialmente. Se eu 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 93/176 
perdoar completamente, então eu seria completamente perdoado, Não im-
porta o que esteja sendo perdoado, e isso era verdade para a política do Cur-
so, bem como para qualquer oportunidade de perdão. 
PURSAH: Excelente. Veja, nós temos sido sérios por tanto tempo. Diga algo 
engraçado. 
GARY: Muito bem. Adão e Eva estão deitados sob uma árvore no Jardim do 
Éden. Adão olha para Eva e diz: “Você sabe, não consigo deixar de sentir que haja um 
livro sobre isso.” 
PURSAH: Bonitinha. E você conseguiu dar a ela um toque erótico. 
GARY: Bem, Pursah, falando de toques eróticos, quando é que você e eu vamos 
nos enganchar? 
PURSAH: Hum... deixe-me ver. Nunca serviria para você? 
GARY: Continua dando uma de difícil, hein? 
ARTEN: Você sabe, amigão, essa que você vê e com quem você fala, é a ima-
gem da minha mulher, mesmo que ela seja você, também. 
GARY: Desculpe-me, amigão, eu me esqueci. É difícil manter o rastro de todo 
mundo. É uma coisa boa que haja apenas um de nós, hein? Diga, Pursah, você se lembra 
da última série de visitas, aquela vez quando você veio só por sua conta? Você por aca-
so ao vai fazer isso de novo, vai? 
PURSAH: Você está pronto para prosseguir? 
GARY: Ó, tudo bem. Quando vocês falaram a respeito de declarações definiti-
vas no Curso, acho que a idéia não há nenhum mundo seria uma delas, certo? 
PURSAH: Sim. uma declaração definitiva é uma idéia no Curso que é tão clara 
que define o que o Curso está ensinando e ela encapsula, sumaria, o que o Curso diz. Se 
não há mundo, então nada há a perdoar, e reconhecendo esse fato nos eventos, situa-
ções e pessoas que você vê perdão avançado, porque agora você não está perdoando 
outras pessoas por algo que realmente tenham feto, você está reconhecendo, antecipa-
damente, que eles, realmente, não praticaram nenhum ato. Então você de fato está per-
doando a si mesmo, por sonhá-los. Essa distinção é vital. Sem ela, você estará praticado 
o antigo tipo de perdão, que não consegue desfazer o ego. 
GARY: Que tal outra idéia definitiva? 
ARTEN: Outra seria a idéia de que raiva nunca tem justificativa, como diz o 
Curso: 
A raiva nunca é justificada. (T-30.VI.1:1)Se foi você mesmo que fez tudo que está diante de você, então quem há aí para ficar 
com raiva? E uma idéia definitiva relacionada a isso seria: 
O segredo da salvação é apenas esse: tu estás fazendo isso a ti mesmo. 
(T-27.VIII.10:1) 
As duas idéias se encaixam como uma mão na luva e, uma vez você realmente as enten-
da, não há como afastar-se delas. 
GARY: Legal. Dêem-me mais outra. 
ARTEN: Certo. 
O mundo que vês é uma ilusão de um mundo. Deus não o criou, pois o 
que Ele cria tem de ser eterno, como Ele próprio. (ET-4.1:1-2) 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 94/176
,E, encaixando-se perfeitamente a essa idéia, temos: 
Qualquer coisa que seja verdadeira é eterna e não pode mudar nem ser 
mudada. O espírito é, portanto, inalterável porque já é perfeito, mas a 
mente pode eleger a que escolhe servir. O único limite imposto à sua es-
colha é que não pode servir a dois senhores. (T-1.V.5:1-3) 
GARY: Sim, e não importa se você já ouviu isso antes, você apenas continua, a 
cada vez que a ouve ou lê, a entendê-la cada vez mais profundo, se você se mantém na 
prática do perdão avançado. E se alguma coisa que consiga mudar ou ser mudada, não é 
verdadeira, então isso tem de incluir todas as coisas, no universo do tempo e do espaço. 
ARTEN: Sim, e isso também inclui todas as coisas usadas para medir, pesar, 
contar, testar, ou calibrar qualquer coisa no universo do tempo e do espaço. Isso não é 
verdade, da qual falaremos a respeito mais tarde. 
PURSAH: Uma declaração definitiva a mais, antes de partirmos. 
GARY: Manda! 
PURSAH: Direto do Curso: 
O perdão reconhece que o que percebeste que o teu irmão fez, não ocor-
reu. Ele não perdoa pecados tornado-os reais. Ele vê que não há pecado. 
E, nesse modo de ver, todos os teus pecados são perdoados. (E-pII.1.1:1-
4) 
Eu poderia acrescentar aqui que, unicamente sob esse ângulo, são perdoados to-
dos seus pecados. Se o mundo for real, então os pecados são reais também, e os que os 
cometeram são culpados, o que significa que você é culpado, ou, pelo menos, essa é a 
maneira pela qual ele é traduzido para o seu inconsciente. Entendeu isso? Se eles forem 
inocentes porque, realmente, nada fizeram, então você é inocente, porque você, real-
mente, nada fez Repetindo, essa é o tipo de idéia definitiva. Você não tem com afastar-
se dela. E, torná-la uma parte de você, tornará você íntegro. 
 GARY: Então o que faz o perdão? 
PURSAH: J tem a sua resposta, irmão: 
O milagre nada faz. Tudo o que ele faz é desfazer. (T-28.I.1.1:2) 
E quando o ego é desfeito, irmão, a verdade é tudo que resta. 
ARTEN: Na próxima vez, nós poderemos falar, um pouquinho, a respeito da-
quele filme, sobre o qual você queria conversar. Nós também gostaríamos de falar a 
respeito de algumas memórias que você recuperou de suas existências passadas, desde a 
primeira série de visitas. Em acréscimo, falaremos a respeito de sofrimento, sacrifício, 
crucificação e morte. 
GARY: Oba! Temas populares. Especialmente morte. Oprah, me aguarde.27 
PURSAH: De alguma forma, com você, Gary, nosso encontro sempre termina 
sendo agradável e interessante. Amamos você por isso. 
 
27 N.T. - Oprah Gail Winfrey (n.jan/1954- ) é a entrevistadora multi Premio Emmy americana, do The 
Oprah Winfrey Show, o programa de entrevistas mais conhecido na história da televisão americana. Ela 
também é uma comentarista de livros influentes, uma atriz premiada da Academia Americana de Artes 
Cênicas e uma editora de revista. Ela tem sido cotada como a mais rica afro-americana do século 20, a 
mais filantrópica afro-americana de todos os tempos e a única bilionária negra do mundo, por três anos 
consecutivos. Ela é hoje, também, de acordo com alguns avaliadores, a mulher mais influente no mundo. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 95/176 
GARY: Amo vocês também, Pursah. Ó, você também, Arten. Grato por falarem 
comigo através do Divino Espírito Santo. Isso é muito importante para mim, inclusive 
por me guiarem a respeito do que fazer com o livro. Vocês mantêm tudo no rumo, sem 
qualquer piada nisso. 
ARTEN: Sem problemas. Mantenha-se em prática, irmão. Estaremos em vigília. 
Com isso, eles pareceram terem ido embora, e eu pareci estar me aprontando pa-
ra outra viagem ao Canadá. O tempo estava quente, e eu me senti grato pelo verão, por 
meus dois amigos, e por todos os novos amigos que estava fazendo, por causa deles. 
-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M. Thereza de B. Camargo 97/17
6 
5555 
O “Herói” do SonhoO “Herói” do SonhoO “Herói” do SonhoO “Herói” do Sonho 
Agora está sendo mostrado a ti que podes escapar. Tudo que é necessário é que 
olhes ao problema assim como é, e não do modo como o tinhas colocado. 
(T-27.VII.2:1-2) 
s dois meses que se seguiram foram felizes para mim, vendo lugares em que nunca 
estive antes, como Alberta, Canadá, Santa Fé, Novo México, e Lansing, Michigan. 
Entretanto, viajar trazia seus revezes. Devido à instabilidades do tempo e cancelamentos 
de vôos, a viagem de Portland, Maine, a Santa Fé, Novo México, dependeu de quatro 
percursos em um só dia. Putzgrila! Também, quando meu vôo foi cancelado, e eu tive 
de trocar meu registro no aeroporto, o computador mostrou que eu havia acabado de 
comprar meu bilhete. O programa no sistema não indicou que a linha aérea é que havia 
cancelado meu vôo, havendo eu comprado meu bilhete com mês e meio de antecedên-
cia. Pelo sistema ter acusado, por equívoco, que eu havia adquirido o bilhete nas últimas 
24 horas, isso me tornou no que eles classificam como um ‘risco na segurança’, pelo 
que fui rotulado, no sistema, de “sorteado”. Um sorteado é, automaticamente, apartado, 
observado, pesquisado e vigiado, e sua bagagem de mão é examinada com pente fino, 
cuidado, vagar, resultando em embaraço, retardamento e frustração ao passageiro. 
Era desconcertante pensar que, não obstante a maioria dos seqüestradores de a-
vião em 11 de setembro de 2001 serem da Arábia Saudita, aqui estava meu governo 
pesquisando e vigiando um viajante aéreo freqüente como eu, mais crianças e mulheres 
idosas. Enquanto isso, toda a família bin Laden teve autorização de vôo para deixar os 
Estados Unidos, apenas a uma semana depois do 11 de setembro, sem nem ao menos ser 
retida para prestar informações que fosse, sendo que quase todo mundo mais no país 
estava tolhido para voar. 
Mais tarde, indo a outros países, vi que seus aeroportos tinham equipamento de 
esquadrinhamento mais sofisticado, eu não precisava tirar meu computador laptop de 
minha mala e nem sacá-lo de sua maleta, para exame, da maneira que me obrigaram a 
fazer no meu próprio país. Mesmo as gôndolas de bagagem, lá fora, eram mais avança-
das tecnologicamente. Eu começava a pensar que os Estados Unidos estavam ficando 
atrasados, devido a inabilidade de traçar polícias inteligentes, e que nosso país era diri-
gido por favoritismo e corrupção corporativo. Escolhi ver cada um desses tropeços co-
mo apenas mais uma oportunidade de perdão (ou, abreviadamente, AMUODP), e eu, 
conforme previsto, fui bem sucedido. Mas isso significa que algo não deva ser feito a 
respeito da inaptidão do meu pais? E, se necessário, fazer o quê? Quão dispostos estari-
am os americanos a tomar uma atitude, numa eleição nacional, exceto dar uma resposta 
ao medo? Nada mais precisei fazer que dar uma rápida vista d’olhos, no noticiário da 
Internet, para constatar que a maioria de meus compatriotas estava sendo manipulada 
por peritos que pretendiam fazer todo o possível para tirar proveito da tragédia do 11 de 
setembro, em seu próprio benefício. 
Na maior parte, entretanto, viajar foi animado para mim, e a energia que me pas-
saram as pessoas que assistiram meus workshops, algumas vezes, me deixaram sentindo 
melhor no final do longo dia, mais do que no início. Minha experiênciafoi de que algo 
estava de fato sendo expresso por meu intermédio e, ocasionalmente, a informação fluía 
O 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 98/176
tão suave que era como se eu estivesse fora de meu corpo, vendo-me dar o workshop, e 
que não era eu, exatamente, quem o realizava. 
As pessoas muitas vezes me diriam ter visto luzes, de diferentes formas e cores, 
ao meu redor, e por vezes alguém diria ter visto meu rosto mudado, tornando-me, subi-
tamente, mais jovem. Houve momentos, durante o dia, em que falei com muitas das 
pessoas que vieram, e uma experiência comum que me relataram era de sentirem grati-
dão, tanto pelo evento do dia, como pelo livro. Isso me fez muito feliz por ter sido guia-
do a viajar. Se eu não houvesse saído estrada afora, jamais eu saberia o quanto Um Cur-
so em Milagres e O Desaparecimento do Universo significavam para as pessoas. Mes-
mo quando alguém escreve a você um e-mail amigável, você não consegue ver a ex-
pressão em seu rosto, ou sentir a ênfase do tom de sua voz. Pessoalmente, sua emoção, 
ao vivo, mostra isso muito claramente, é mais calorosa. 
Eu aguardava, mais do que jamais, encontrar-me com Arten e Pursah em sua es-
perada próxima visita, no final de agosto. Como sempre, quando chegavam, eles não 
desperdiçavam nenhum tempo para começar. 
ARTEN: Você queria falar, antes de tudo, a respeito do filme A Paixão de Cris-
to. A grande parte do tempo Jesus no filme, ou J, como continuaremos a chamá-lo – 
GARY: Você poderia chamá-lo J cão. 
ARTEN: No filme, a grande parte do tempo J foi retratado como uma figura so-
fredora, tomada de angústia. Isso não era como ele, em pessoa, se sentia, e nos fazia 
sentir que fosse, de forma alguma. Ela era uma figura em paz, que nos transmitia essa 
paz que sentia, de sorriso gentil, sempre. Seus olhos eram límpidos, e seu olhar amoro-
so. Não havia medo nele, porque ele sabia, com certeza, que nada havia a temer. Sabia 
que nada do que o mundo conseguisse fazer a ele, conseguiria afetá-lo. Ele não era um 
corpo, e sabia disso. Ele nem se considerava a si mesmo especial. Ele não era a paixão; 
ela era um símbolo da compaixão. 
PURSAH: Você viu o filme. Como se sentiu a respeito do filme? 
GARY: Bem, eu cheguei lá e havia pessoas em longa fila, dando volta no quar-
teirão. Elas estavam realmente inflamadas. Era como se fosse a Segunda Vinda, ou coi-
sa parecida. A segunda vinda de que, não descobri senão depois que entrei. Foi um fil-
me sanguinolento, horrífico. Estar ali sentado foi uma tortura, mas sem proveito algum. 
Eles, de fato, mostraram o corpo de J sendo rasgado. Mesmo no início do filme, J atua 
como um cara tipicamente amedrontado. Ele está bravo. Ele pisa numa cobra e a mata, 
porque, supostamente, Satã está na cobra, e nada há, em todo o filme, que sugira o tipo 
de homem, a respeito do qual Arten acaba de falar. 
Sabe o que mais? Logo no início do filme, Judas chega junto a J, no jardim, e o 
beija, e aí fazem J pronunciar aquela famosa frase da Bíblia, “Judas, com um beijo trais 
o Filho do homem?”28 Imediatamente me lembrei daquela seção do Curso, chamada “A 
Mensagem da Crucificação”, onde J ensina qual é a mensagem verdadeira da crucifica-
ção, em oposição à concocção literária produzida depois pela religião organizada e, a 
um ponto dessa seção, ele diz, e eu a tomo aqui e a leio agora, para não estragá-la toda. 
Ele declara: 
Eu não poderia ter dito “Com um beijo traís o Filho do homem?”, a não 
ser que eu acreditasse em traição. Toda a mensagem da crucificação era 
simplesmente que eu não acreditava. A “punição” que se diz que eu in-
 
28 N.T. – Luc 22:28 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 99/176 
voquei para Judas é outro equívoco similar. Judas era meu irmão e um 
Filho de Deus, tão parte da Filiação como eu mesmo. Seria provável que 
eu o tivesse condenado quando estava pronto para mostrar que a conde-
nação é impossível? (T-6.I.15:5-9) 
Ao longo de todo o filme, o corpo de J é tornado muito especial. A pressuposi-
ção é de que ele tem de ser sacrificado, para expiar pelos pecados das outras pessoas. 
Mas, a citação de Isaias que você me deu, demonstra que essa idéia já era mais antiga 
que as montanhas, e a religião que veio, mais tarde, apenas a superpôs em J. Nenhuma 
atenção é alguma vez dada ao fato de que toda a premissa nos dá um Deus que é igual à 
humanidade – em outras palavras, insano. O filme, como a religião que ele trata, exalta 
e glorifica o sofrimento e o sacrifício. E as pessoas estavam trazendo seus filhos, de 
nove e dez anos, para ver essa coisa, e quando saíam do cinema, você conseguia ver a 
expressão em seu rosto, como se dissessem a seus filhos, “Pois é, viram bem? Vocês 
vêem o que Jesus fez por vocês? Vocês vêem como ele sofreu e se sacrificou por vocês? 
Vocês, seus porcarias cheios de culpa. Agora o que vocês vão fazer por ele? Vocês vão 
ser cristãos, certo?” 
ARTEN: Sim, e, com isso aí, você tem a feitura de uma religião muito bem su-
cedida. Porque, se você quer ter pessoas arregaçando as mangas, e fazendo algo neste 
mundo, incluindo crianças impressionáveis, faça com que se sintam culpadas. Você 
conseguiria fazê-las acreditar em Papai Noel até os 30 anos, se você encontrasse uma 
maneira de usar a culpa e ninguém lhes contou nada melhor. E, nesse caso, ninguém 
está lhes contando nada melhor. Toda a coisa também torna o corpo muito real, e a des-
truição dele fica sendo, então, algo muito importante. 
GARY: Mas se a mente inocente não consegue sofrer, como diz o Curso: 
A mente sem culpa não pode sofrer. (T-5.V.5:1), 
então não importaria o que tivessem feito a J. Ele não reagiu ao que fizeram a ele e nem 
sentido tem toda aquela dor que o filme o exibe sofrendo, o tempo todo. 
PURSAH: Sim, e isso é muito importante. Essa é outra idéia definitiva no Cur-
so. A mente inocente não consegue sofrer. Ela, numa golfada de vento, põe no chão 
toda a idéia de glorificar o sacrifício na fonte. Porque, como já lhe contamos antes, a dor 
não é um processo físico, é um processo mental, então você não conseguiria sentir ne-
nhuma dor. Isso muda a mensagem da crucificação da idéia de exaltar e adorar o sofri-
mento e o sacrifício, para uma demonstração de que se você fosse curado, então seria 
impossível a você sentir qualquer dor ou sofrimento. Mas o sofrimento, como as pessoas 
acreditam que J sofreu, é um apanágio da religião com a qual ele nada tinha a ver, mas 
que foi fundada em seu nome. 
GARY: Eles têm uma cruci - fixação. 
ARTEN: Sim, mas a real mensagem de J é o oposto de fazer o corpo real. De fa-
to, se você quer ser como J, então, no final, você quer experienciar que o corpo é insig-
nificante. Em lugar de acreditar no corpo, você quer chegar ao ponto no qual você já 
não consegue mais crer nele. 
GARY: Eu ainda não consigo acreditar que os Sox venderam Nomar. 
ARTEN: Um prerrequisito para não acreditar no corpo é um entendimento do 
sonho, e do lugar do corpo nele. Vou dar a você algumas citações do Curso, e depois 
quero que você faça um pouco de leitura para mim. Primeiro falamos a respeito de co-
mo a falsa crença de que o sofrimento do corpo, uma idéia que agora você entende, é 
causada pela mente inconsciente, poderia ter alguma coisa com J. Em relação a isso, 
ouça o que ele diz na seção do Curso, chamada “A Ponte para o Mundo Real: 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 100/176
Fica contente por teres escapado à caricatura de salvação que o ego te o-
fereceu e não olhes para trás com saudade do travesti grotesco que ele fez 
dos teus relacionamentos. Agora ninguém precisa sofrer, pois chegaste 
longe demais para ceder à ilusão da beleza e da santidade da culpa. Só os 
totalmente insanos poderiam olhar para a morte e o sofrimento, a doença 
e o desespero e vê-los dessa forma. (T-16.VI.10:1-3) 
O Divino Espírito Santo fará umexcelente negócio com você, se o aceitares, 
com J afirma, aqui, na seção “Os Obstáculos à Paz”: 
A tua pequena parte é apenas dar ao Divino Espírito Santo toda a idéia 
de sacrifício. E aceitar a paz que Ele te dá em seu lugar, sem os limites 
que iriam deter a sua extensão, e assim limitariam a tua consciência dela. 
(T-19.IV.B.i.9:1-2) 
Ele prossegue dizendo, na mesma seção: 
Por que deveria o corpo ser alguma coisa para ti? Com certeza, aquilo de 
que é feito não é precioso. E, com a mesma certeza, ele não tem sentimen-
to. Ele te transmite os sentimentos que queres. Como qualquer veículo de 
comunicação, o corpo recebe e envia as mensagens que lhe são dadas. 
Não tem nenhum sentimento por elas. Todo o sentimento que nelas está 
investido é dado pelo remetente e pelo destinatário. Tanto o ego, como o 
Divino Espírito Santo, reconhecem isso e ambos reconhecem, também, 
que, aqui, o remetente e o destinatário são os mesmos. O Divino Espírito 
Santo te diz isso com alegria. O ego o esconde de ti, pois quer manter-te 
inconsciente disso. Quem iria enviar mensagens de ódio e ataque, se ape-
nas compreendesse que essas mensagens são enviadas a si mesmo? Quem 
iria acusar, culpar e condenar a si mesmo? (T-19.IV.B.i.14) 
GARY: Acho que ter essa convicção, de que é você que está fazendo isso a si 
mesmo, seja muito importante, porque, quando você se lembra dela, então, você passa a 
não querer se machucar e, quanto mais você acreditar nisso, mais você se treina em se 
tornar capaz de se lembrar disso, em situações corriqueiras, até do dia-a-dia. 
ARTEN: Exatamente. E uma vez você comece a questionar suas antigas crenças, 
algumas coisas interessantes conseguem acontecer, como as que você ouviu de alguns 
leitores de seus livros. 
NOTA: Algumas vezes ouvi de leitores relatos de que estavam experiencian-
do sintomas de vertigem, durante ou depois da leitura de O Desaparecimento 
do Universo. Um amigo meu, Reverendo Doug Lee, deu uma aula sobre o li-
vro, e me disse que vários de seus estudantes relataram a mesma coisa. Isso 
me lembrou do que se passava comigo, anos atrás, quando eu fazia o Livro de 
Exercícios do Curso. Houve várias vezes em que despertei, pela manhã, olhei 
para cima, e vi que o teto estava girando em círculos. Eu não me senti mal, ou 
nauseado, mas, ver o teto rodando desse jeito, isso foi estarrecedor. Isso não 
durou mais do que algumas semanas, e jamais interferiu com minha capaci-
dade de funcionar. Quando, mais tarde, ouvi o relato de coisas semelhantes 
ocorrendo a pessoas, enquanto liam O Desaparecimento, eu pensei que isso 
era bem legal. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 101/176 
GARY: Sim, você quer dizer vertigem! Ouvindo a respeito disso, me fez sentir 
que o livro deve, realmente, ter algo, se estava causando reações semelhantes em pesso-
as, como o Curso fez comigo. Seria para entender que esses sintomas se conectam ao 
questionamento do sistema de pensamento do ego, no qual toda nossa vida terrena se 
baseou? 
ARTEN: Sim, curiosamente, há outra citação no Curso, de uma seção da qual 
acabei de ler, “A Ponte para o Mundo Real”, que se refere ao mesmo tema. Você não 
estabeleceu a conexão antes, mas você a fará agora. Aqui, J fala a respeito do processo 
de cruzar a ponte de sua experiência antiga de viver no ego, para passar a viver no mun-
do real, com o Divino Espírito Santo. 
A ponte em si mesma nada mais é que uma transição, na perspectiva da 
realidade. Desse lado, tudo o que vês é grosseiramente distorcido, e com-
pletamente fora de perspectiva. O que é pequeno e insignificante é en-
grandecido, e o que é forte e poderoso reduzido à pequenez. Na transi-
ção, há um período de confusão, no qual um sentimento de desorienta-
ção, de fato, pode ocorrer. Mas não tenhas medo, pois só significa que 
tens estado disposto a soltar o teu apego ao quadro de diferenças distor-
cido, que aparentava manter o teu mundo no lugar. (T-16.VI.7:1-5) 
GARY: Isso é tudo? Isso unicamente significa que eu tenho estado afim de dei-
xar ir o que apenas aparentava manter meu mundo inteiriço? Que inferno, eu não preci-
so de coisa alguma para manter meu mundo inteiriço. 
ARTEN: O Divino Espírito Santo é tudo que você precisa. Daí você consegue 
deixar ir o mundo que você pensou ser seu, e trocá-lo pelo mundo real. 
GARY: Penso que sei o que seja o mundo real, mas você pode rever isso para 
mim? 
ARTEN: Uma citação sucinta, irmão, e é isto: 
... O mundo real é o símbolo de que o sonho de pecado e de culpa termi-
nou, e o Filho de Deus não está mais dormindo. Seus olhos despertos per-
cebem o reflexo seguro do Amor de seu Pai, a promessa certa de que foi 
redimido. O mundo real significa o fim do tempo, pois, percebê-lo, faz 
com que o tempo não tenha nenhum propósito. (E-pII.8:4) 
GARY: Essa deve ter sido a condição na qual, no percurso final, J se encontrava, 
certo? 
ARTEN: Sim, e sua mensagem era tão clara quanto conseguia ser. Ele nunca 
transigiu a respeito dela, e nem deve você aceitar transigência quanto a ela. Se você 
ceder um milímetro ao ego, ele tomará um quilômetro. É por isso que estamos felizes 
em ver que você se fixa ao Curso, e não muda a mensagem. Você tem respeito pelo 
material. Isso é excelente, porque uma das razões de aparecermos para você é para aju-
dar a defender a mensagem de J de ser distorcida, da forma que foi há 2.000 anos atrás. 
Se um número suficiente de pessoas fosse alterar o sentido do ensinamento, ou mesmo 
as palavras em si mesmas, então depois de um século ou dois, você nem ao menos seria 
capaz de reconhecer o Curso. 
GARY: Sim, mas você já deve saber se a mensagem se perde outra vez. Será? 
ARTEN: Nós dissemos antes, que não iríamos dizer-lhe muito a respeito do fu-
turo, por muitas razões. O que você deve desejar fazer é, apenas, cuidar dela agora. 
GARY: Bem, no tema da mensagem ser distorcida, vendo a Paixão, me lembrou 
aquela série de livros, que anda por ai, gora, a série Left Behind. Tive um tempinho ex-
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 102/176
tra no aeroporto, e entrei numa das livrarias, e estava vendo um dos livros recentes da 
série. Ele é baseado no Livro do Apocalipse (Revelação)29. Tenho um amigo na Florida 
que ama essa coisa. Acho que essa série de livros já vendeu cerca de 60 milhões de có-
pias. De qualquer forma, o Livro do Apocalipse, que parece ter sido escrito por alguém 
drogado ou coisa parecida, tem J retornando ao corpo e incitando à guerra contra os não 
seguidores. E na série Left Behind, o narrador conta o mito dessa guerra, que contrapõe 
as forças do bem contra o mal. 
O livro recente que eu lia tinha J levantando uma de suas mãos, e esse grande a-
bismo se abre e engole todos os não crentes, e eles são tragados, morrendo aos gritos. 
Em outro trecho, J apenas fala e os companheiros do inimigo são partidos ao meio. Os 
crentes têm de se mover com cuidado, para evitar se chocar com corpos dilacerados e 
lancetados, de homens e mulheres, e mesmo cavalos. Creio que não deviam ser cavalos 
cristãos. Sob o olhar dos cristãos, a carne dos caras maus se dissolve, seus olhos se der-
retem, e suas línguas se desintegram. É uma cena danada. 
Parece a mim que o que fizeram aqui é tomar J, o Príncipe da Paz, e fazer dele 
seu próprio matador contratado. Agora ele está matando seus inimigos por eles. Há um 
sutil racismo envolvido nisso tudo, também, porque os não crentes, que você também 
pode chamar de infiéis, estão, recentemente, sendo colocados no contexto de guerra ao 
terror. É a mesma e clássica projeção da culpa inconsciente. Nós temos Deus, eles não 
O têm e, por isso, eles merecem morrer. 
Bem, sinto muito, mas não vejo nenhuma diferença entre esse tipo de fundamen-
talismo insano, e o fundamentalismo que voou esses aviões contra o World Trade Cen-
ter, em Nova York, na manhã de 11 de setembro, 2001. É a mesma coisa, numa emba-
lagem nova, diferente. E o sistema de pensamento do ego,egolatria, rola solto. Tudo 
que conseguirá é levar a mais tragédia, e isso é exatamente o oposto de tudo que J era, é 
e ensina. Alguém tem de estar disposto a se por de pé e dizer que o suficiente é o sufici-
ente – não porque o mundo tenha de mudar, mas para encorajar as pessoas a mudar suas 
cabeças e escolher, de uma vez por todas, o perdão. 
ARTEN: Então porque você não se põe de pé e diz isso? 
GARY: Eu sei. Levou um tempo para eu me dar conta disso, mas consigo ver 
que uma das razões de vocês me escolherem foi porque eu nada tinha a perder. Eu con-
seguiria entregar sua mensagem, e não me importar com o que as pessoas pensassem, 
dissessem ou fizessem a respeito. Com nada a perder, se alguém não me respeite, e daí? 
PURSAH: Muito bem, querido irmão. Siga pondo tudo para fora. Não se impor-
te com o que as pessoas digam. Dr. Georg (escrito sem um e no final) Groddeck uma 
vez disse, “Respeito é tão duro de renunciar quanto à vaidade.” Apenas seja você mes-
mo e diga a mensagem. 
Quanto aos resultados, tudo se passa da forma que deve se passar, de qualquer 
maneira. Se algo não tem de acontecer, você, ou quem quer que seja, jamais será capaz 
de fazer com que aconteça. E se algo tem de acontecer, então não há coisa, ou pessoa 
alguma no mundo, que consiga impedi-la. Então, porque apenas não ser verdadeiro em 
relação à verdade do Divino Espírito Santo, e deixar o resto cuidar de si mesmo? 
Quanto à política, agora você sabe para que ela serve. Se você usá-la para o per-
dão, seu progresso está assegurado. 
 
29 N.T. - lat.tar. apocalypsis,is, do gr. apokalúpsis,eós 'ato de descobrir, descoberta; revelação', no Novo 
Testamento 'revelação divina', de apkalúptó 'desmascarar, forçar a falar; fig. revelar'; f.hist. XIV apoca-
lipsi, sXIV apocalise, sXV apocalipse, sXV apocalisse 
 
 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 103/176 
GARY: Sim. Eu derrapo um pouco, algumas vezes, mas sempre acabo me lem-
brando da verdade, bem depressinha. É muito interessante observar os ativistas da paz, e 
do meio ambiente. Conheço alguns ativistas da paz que odeiam pessoas. Eles estão por 
aí protestando contra a guerra, que é legal, mas o que querem mesmo fazer é apanhar 
seus oponentes políticos, a quem odeiam, ou os porcos ambiciosos das corporações, que 
eles pensam estar explorando todo mundo. Mas, esses líderes corporativos são apenas 
pessoas, como todos os demais. Sim, talvez tenham o vício do dinheiro, mas, no ego, 
quase todo mundo está, compulsivamente, atrás de algo. A coisa interessante para mim 
é, se você está contra a guerra, pensando a respeito do quanto você se opõe a seus opo-
entes políticos, então você está fazendo guerra, tendo convidado o ego como seu profes-
sor. Mas você poderia fazer, exatamente o mesmo, convidando o Divino Espírito Santo 
como seu professor, e isso seria uma experiência totalmente diferente. 
Dessa perspectiva, não se trata de apanhar seus oponentes políticos ou expressar 
seu ultraje, diante dos poderes constituídos. Assim você está protestando contra a guer-
ra, como uma expressão do que você é, que é amor, com a idéia de ter um mundo mais 
amoroso. Essa é uma postura completamente diferente da qual partir. Então, não é o que 
você faz que importa. De ambas as formas você poderia estar na rua protestando. Nin-
guém seria mais capaz de dizer o que se passa em sua mente, mas para você, isso agora 
se trata de amor. No que você faz, não é a forma que importa; é o conteúdo. 
PURSAH: Ei, ‘pera aí, quem é o professor aqui? Rs rs rs rs! Estou só brincando. 
Você está certo, Gary. Não é o que você faz. É com quem você faz que importa, o ego 
ou o Divino Espírito Santo, que determinam o conteúdo do que você faz.. Cada escolha 
leva a uma experiência completamente diferente. As pessoas podem pensar que conse-
guem julgar os outros pelo que fazem, mas esse não é sempre o caso. Alguém pode ter 
um encargo, pelo qual faz coisas que possam parecer espirituais para o mundo. Mas 
mesmo assim, qualquer encargo pode ser espiritual, se você escolhe o Divino Espírito 
Santo para guiar você. Então nenhum encargo é mais espiritual que qualquer outro. O 
que determina isso é com quem você o faz. 
Agora, mesmo que o que você faça não seja o foco, nós também destacamos que 
o que você faz é um resultado do que você pensa. Então, algumas vezes você pode dizer 
muita coisa a respeito de pessoas, pela maneira que elas atuam. Por exemplo, se alguém 
está bravo com freqüência e diz coisas rudes aos outros, a toda hora, o que você acha 
que isso revela a respeito deles? 
GARY: Bem, eles, provavelmente, se odeiam. 
PURSAH: Sim. Como você trata outras pessoas é uma indicação bem boa de 
como você se sente, a respeito de si mesmo. Se você olha para elas com hostilidade, 
você está revelando que você tem uma mente em conflito. Se você olha para elas com 
bondade, isso é um sintoma de uma mente que está em paz. Não apenas isso, mas isso 
determinará, e reforçará, como você se sente a respeito de si mesmo. Isso é um ciclo, 
tanto pacífico como selvagem. É verdade que há pessoas que são muito boas para os 
outros, mas não necessariamente se sentem bem a respeito de si próprios, no entanto, 
usualmente, estão próximas de uma revelação. Se expressam amor, isso é um símbolo 
de que estão no trilho certo, e eles apenas precisam de uma pequena ajuda para entender 
a escolha disponível para eles. Uma vez escolham, então é mais provável que escolham 
sua força, o Divino Espírito Santo neles, em vez de sua própria fraqueza, que é o ego. 
GARY: Ouvi grandes figuras, do Dalai Lama a Ken Wapnick, enfatizarem a im-
portância de ser bom. Agora eu entendo o que querem dizer. Se, como você olha às pes-
soas, diz muito como você se sente, interiormente, nesse instante, agora, e também de-
termina como você se sentirá, a seu próprio respeito, no futuro, você realmente está fa-
zendo um favor a você mesmo em ser bom e compassivo agora. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 104/176
PURSAH: Muito verdade. Aliás, nossos cumprimentos a como você trata as pes-
soas, quando você está na estrada. Muitos professores, sob pressão da viagem e dos 
programas, acabam aliviando a pressão que acumulam em si sobre os outros. Até aqui 
você ganha um A+ por sua forma de interagir, com todas essas pessoas que você encon-
tra, pessoalmente. Você encarna e representa o Curso em tudo que ele ensina. 
GARY: Ei, obrigado. Fico contente com isso. Mas isso é fácil. Eu amo esses ca-
ras! E você sabe, o que você disse a respeito de que nenhum serviço é realmente mais 
espiritual que qualquer outro, isso está correto. Quero dizer, tive pessoas vindo a mim e 
me perguntam: “Como é possível os Mestres ascensos terem aparecido a você? Por que 
você?” E eu lhes respondo depressinha, que, primeiro de tudo, como eles garantem que, 
numa vida passada, eles não foram uma das crianças que viram a Virgem Maria em 
Lourdes? Ou em Fátima? Ou talvez, viram anjos ou outras manifestações? 
Acho que todos nós detemos os mesmos tipos de dons, mas não os usamos todos 
ao mesmo tempo, na mesma encarnação, na ilusão. É por isso que o Manual para Pro-
fessores diz: 
... ninguém tem qualquer poder que não seja disponível para todos. (M-
25.3:7) 
Eu costumava pensar que seria realmente legal se eu conseguisse ser um líder espiritual; 
você sabe, ir por aí pondo a mão nas pessoas, curando-as e coisas assim. Eu pensei que 
isso seria o máximo. Mas acho que esse não é um dom para mim, nesta existência. Se 
eu tentar curar alguém, já terei sorte se eles não morrerem. 
O ponto é que acho que isso, apenas, não é um dom meu, nesta rodada, mas sei 
que já fui um grande curador, noutra existência. Todas as pessoas, numa encarnação, 
estão nalgum ponto. E quanto a ver Mestres ascensos, isso é, exatamente, o que está 
destinado a mim, nesta rodada, e outros fazem, ou fizeram isso, nalguma outra encarna-
ção deles.Seria um tanto tolo ter bilhões de pessoas todas elas tratando com Mestres 
ascensos, na mesma encarnação. Então ninguém estaria usando os demais dons. 
Uma coisa que digo às pessoas, e isso as surpreende, e não quero ofender nin-
guém com isso, é que ver, estar e conversar com vocês dois não é a experiência espiri-
tual máxima para mim. A maior experiência que alguma vez tive, é a que o Curso cha-
ma de revelação, a comunicação direta, ou união, com Deus. Isso ganha longe de qual-
quer outra coisa, no mundo da percepção. 
PURSAH: Nenhuma ofensa reconhecida, irmão. J diz, no Curso, que mesmo que 
a reverência seja uma resposta apropriada à revelação, porque você está tendo uma ex-
periência direta com Deus, ele também diz: 
... Iguais não devem se reverenciar uns aos outros, pois a reverência im-
plica desigualdade. É, portanto, uma reação inadequada a mim. (T-
1.II.3:5-6) 
Então, não apenas você não deve nos tratar como especiais, nem nos reverenciar, você 
não deve pensar de J como sendo alguma coisa especial, ou reverenciá-lo, também. 
GARY: Impressionante. Desculpe. Então, eu digo às pessoas que revelação –
aquela experiência de sua unicidade com Deus – é a coisa que eles deveriam estar bus-
cando, porque isso é uma experiência de realidade, enquanto que ver vocês, por mais 
formidável que seja, e é p’ra lá de formidável, é algo que acontece no reino da percep-
ção, dos 5 sentidos, satisfazendo os sentidos, o corpo, mais do que outra coisa. Por mais 
espiritualizados que sejam nossos temas, e são, o grande comprazido continua sendo o 
ego. E, é preciso dizer que, depois da revelação, tudo no mundo fica sendo como um 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 105/176 
sonho disparatado, sem paralelo com a realidade. Mas isso não significa que você não 
consiga se divertir e achar graça nas coisas do sonho, enquanto, aparentemente, esteja 
aqui. 
Quando vou ao cinema eu sei que o que eu vejo, no filme, não é real, mas isso 
não me impede de apreciá-lo ou, até mesmo, ter prazer em assisti-lo. E isso é como o 
mundo se parece. De fato, eu diria que, se você tem menos culpa inconsciente em sua 
mente, pela prática do perdão, você consegue apreciar mais o mundo, em todo seu espe-
táculo. Quero dizer que, hoje, amo mais ouvir música, do que jamais gostei. Então não 
se trata de abrir mão da bela arte, e do pôr de sol romântico. Penso que, se você entra 
em contato com sua inocência, tudo é mais apreciado, porque você está experienciando 
tudo com menos culpa e, por fim, sem nenhuma culpa. Como acontece com o sexo? Se 
você não tivesse nenhuma culpa em sua mente, você não apreciaria mais o sexo? 
PURSAH: Acho que isso é uma questão retórica. 
GARY: Isso é enquanto Arten esteja aqui. Inciden-
talmente, as pessoas, em meus workshops, ficam também 
surpresas de encontrarem que entre uma e outra visita de 
vocês, quando eu falo com o Divino Espírito Santo, é re-
almente em J que eu penso, e não em vocês. Ele para mim, 
sempre foi a representação do Divino Espírito Santo, e eu 
sempre senti que conseguiria falar com ele, e que ele me 
ajudaria. Vocês não se importam com isso, se importam? 
Sei que quando ouço a Voz do Divino Espírito Santo, são 
sempre vocês. 
PURSAH: Como já disse, não somos especiais. 
Então, o que melhor atenda você, entre uma visita e outra, 
é tudo o que importa. Sabemos que você pensa em nós, e 
sabe que estamos sempre com você, bem como está J. 
GARY: Ah, não fique toda melosa comigo agora. Mas, se somos todos um, isso 
não importa realmente, não é? Ó, outra coisa. Estive pensado sobre aquela história do 
trabalho espiritual. Digamos, por exemplo, alguém é contador e acontece que eles não 
acham que tenham quaisquer dons espirituais particulares nesta existência, não estou 
afirmando que contadores não os tenham, mas digamos que, especificamente, este não 
achava que eles os tivessem. Bem, se eles entregassem sua capacidade em contabilidade 
ao Divino Espírito Santo, e só a usassem sob Sua direção, isso não a tornaria um dom 
espiritual? Então podemos definir: não importa qual seja ele, dom espiritual é algo que 
você entrega ao Divino Espírito Santo; usado sob Sua Direção, ele é espiritual, por defi-
nição,. E, quem sabe, além de manter seu emprego diário, talvez você encontre uma 
organização espiritual, ou individual, que poderia aproveitar a sua ajuda. E, agora, seu 
dom está ajudando pessoas a difundir a verdade. O que poderia ser melhor que isso? 
 ARTEN: Muito bonito, irmão. Você pode generalizar isso para qualquer traba-
lho. Talvez, para alguns, o Divino Espírito Santo queira que usem seu trabalho para a 
prática do perdão. Se eles o usarem assim, então, é um trabalho espiritual. Não importa 
que atividade seja. 
GARY: Ei, vocês me disseram que desta vez iríamos falar a respeito de morte. 
Eu estive esperando tanto por isso. 
ARTEN: Tudo bem, sabidão. Vamos entrar nisso, logo, logo, mas é essencial pa-
ra você entender, e também, como resultado de seu perdão, efetivamente experienciar 
antes a natureza onírica deste mundo. Então já está na hora de você ler um pouco para 
nós. Vá à página 628, no Texto. 
Não importa 
qual seja ele, 
dom espiritual 
é algo que você 
entrega ao Divino 
Espírito Santo; 
usado sob 
Sua Direção, 
ele é espiritual, 
por definição. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 106/176
GARY: Ah, deixe-me ver aqui. “O Herói do Sonho?” Não tenho lido isso, já há 
algum tempo. 
ARTEN: Sim. Quero que você leia isso, de novo, pelo menos cinco vezes, nos 
próximos dois meses. 
GARY: Cinco vezes? Ele tem de ser bom. 
ARTEN: Ele é melhor que bom. Ele é a verdade. Só vou querer que, agora, você 
leia os quatro primeiros parágrafos. Depois leia, para você, todas as quatro páginas a 
cada duas semanas, ou quase isso, num total de cinco vezes. Pense bem a respeito das 
idéias da leitura, e considere o que elas significam, em relação ao que você vê em sua 
vida de todo o dia. Mas, agora, leia esses quatro primeiros parágrafos, para nós. 
O corpo é a figura central no sonhar do mundo. Não há sonho sem 
ele, e nem ele existe sem o sonho no qual age como se fosse uma pessoa 
que se vê e na qual se acredita. Ele ocupa o lugar central em todos os so-
nhos, que contam a história de como ele foi feito por outros corpos, nas-
ceu para o mundo do lado de fora, vive um pouco e depois morre para 
ser unido, no pó, a outros corpos, que morrem como ele. No pequeno es-
paço de tempo que lhe é dado viver, ele busca outros corpos para serem 
seus amigos e seus inimigos. A sua segurança é a sua preocupação prin-
cipal. O seu conforto é a regra que o guia. Ele procura buscar prazer e 
evitar as coisas que poderiam feri-lo. Acima de tudo, procura ensinar a si 
mesmo que as suas dores e alegrias são diferentes e que pode distinguir 
umas das outras. 
O sonhar do mundo toma muitas formas porque o corpo busca de 
muitos modos provar que é autônomo e real. Ele coloca sobre si mesmo 
coisas que comprou com pequenos discos de metal e tiras de papel que o 
mundo proclama como valiosas e reais. Trabalha para consegui-las, fa-
zendo coisas sem sentido, e as joga fora em troca de coisas sem sentido 
das quais ele não precisa e nem mesmo quer. Ele emprega outros corpos 
de modo que eles o protejam e coleciona ainda mais coisas sem sentido 
que possa chamar de suas. Ele olha em volta procurando corpos especiais 
que possam compartilhar seu sonho. Às vezes, sonha que é um conquis-
tador de corpos mais fracos do que ele. Mas, em algumas fases do sonho, 
ele é o escravo de outros corpos que querem feri-lo e torturá-lo. 
A série de aventuras do corpo, da hora do nascimento até a morte, 
é o tema de todos os sonhos que o mundo jamais teve. O “herói” desse 
sonho nunca vai mudar e nem o seu propósito. Embora o sonho, propri-
amente dito, tome muitas formas e pareça mostrar uma grande varieda-
de de locais e de eventos em que seu “herói” se encontra, o sonho tem a-
penas um propósito,ensinado de muitas formas. Essa única lição é o que 
ele tenta ensinar uma e outra vez e ainda mais uma vez: que ele é causa e 
não efeito. E tu és o seu efeito e não podes ser a sua causa. 
Assim tu não és o sonhador, mas o sonho. E assim vagas em vão, 
entras e sais de lugares e acontecimentos que ele inventa. Que isso é tudo 
o que o corpo faz é verdade, pois ele não é senão uma figura em um so-
nho. Mas quem reage às figuras em um sonho a não ser que as veja como 
reais? No instante em que ele as vê como são, elas não mais têm efeito so-
bre ele, porque compreende que foi ele que lhes deu os seus efeitos pelo 
fato de as causar e fazer com que parecessem reais. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 107/176 
Quanto estás disposto a escapar dos efeitos de todos os sonhos que 
o mundo jamais teve? (T-27.VIII.1-5:1) 
Ó, espere, eu deveria parar. Isso é tão profundo, que eu queria continuar indo em 
frente. 
ARTEN: Você continuará, mas isso já está perfeito, irmão. J continua, e fala a 
respeito de como o sonho foi feito. Tenha a certeza de ler toda essa seção, mais tarde, 
cinco vezes. Repetindo a leitura cinco vezes, você irá entrando num nível cada vez mais 
profundo, e a você jamais será dado uma descrição mais espantosa, tanto do caminho de 
entrada no sonho, como o caminho de saída dele. Perto do fim dessa seção, ele diz: 
... Quando perdoares o mundo pela tua culpa, estarás livre dela. (T-
27.VIII.13:2) 
GARY: Livre da minha culpa, ou livre do mundo? 
ARTEN: Livre de uma, você não tem mais necessidade da outra. Sua culpa, que 
agora é inconsciente, é a razão da presença do mundo diante de você. Seu encargo é 
desfazê-la. É assim que o ciclo repetitivo de nascimento e morte é rompido. 
PURSAH: Falando de morte... 
GARY: Você deveria ter recebido um rufar de tambores, antes do que acaba de 
dizer. 
PURSAH: Falando em morte, o que eu ia dizer era que estaremos entrando nesse 
assunto em um minuto. Mas primeiro, lembre-se de que quanto mais você perdoa, me-
nos você se deixa levar pelos truques do ego. Como diz J, mais adiante no Curso, a res-
peito dos professores de Deus: 
... Eles observam as figuras dos sonhos ir e vir, se deslocar e mudar, so-
frer e morrer. Apesar disso, não são enganados pelo que vêem. Reconhe-
cem que contemplar uma figura de sonho como doente e separada não é 
mais real do que considerá-la saudável e bonita. (M-12.6:7-8) 
Então corpos, doentes ou saudáveis, são todos a mesma coisa, porque nenhum deles é 
verdadeiro. E não há, da mesma forma, realmente, nenhuma diferença entre doença e 
morte. Elas apenas são níveis diferentes da ilusão do pensamento de separação de Deus. 
GARY: Então a única diferença entre um sulco e uma sepultura é a fundura. 
PURSAH: Sim, senhor humorista. E a própria profundidade é, também, por sua 
vez, uma ilusão. Aquela última citação feita foi do Manual para Professores, e essa pró-
xima citação, é do Texto. Queremos mostrar a você que o Curso está dizendo a mesma 
coisa, em todo lugar que seja lido. Do Texto ao Livro de Exercícios, e ao longo do Ma-
nual e na Explicação de Termos, dentro do Manual, o Curso é ensino puramente não 
dualista. Ele é consistente. E se isso é verdade, e certamente é, então isso significa que 
há apenas um único meio autêntico de interpretá-lo. 
No Texto J diz: 
As aparências só são capazes de enganar a mente que quer ser enganada. 
E podes fazer uma simples escolha que te colocará, para sempre, muito 
além do engano. (T-30.IV.6:1-2) 
Essa simples escolha é o perdão, aplicado sempre, e da mesma forma, em tudo, até, e 
inclusive, à morte. Considere estas palavras do Livro de Exercícios: 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 108/176
Pensas que a morte é do corpo. No entanto é apenas uma idéia irrelevan-
te ao que é visto como físico. Um pensamento está na mente. Pode ser a-
plicado, então, segundo a direção da mente. Mas, para haver mudança, é 
na sua origem que o pensamento tem de ser mudado. As idéias não dei-
xam a sua fonte. A ênfase que esse curso dá a essa idéia se deve à sua cen-
tralidade nas nossas tentativas de mudar a tua mente sobre ti mesmo. É a 
razão pela qual podes curar. É a causa da cura. É por isso que não podes 
morrer. A verdade dessa idéia te estabeleceu uno com Deus. (E-pI.167.3) 
E ele diz, no início do parágrafo seguinte: 
A morte é o pensamento de que estás separado do teu Criador. (E-
pI.167.4:1) 
Mais adiante, naquela mesma Lição do Livro de Exercícios, J diz: 
O que parece morrer é apenas o sinal da mente adormecida. (E-
pI.167.6:7) 
E um pouco mais adiante, ainda: 
... A sua forma pode mudar, pode parecer ser o que não é. Mas a mente é 
a mente, desperta ou adormecida. (E-pI.167.7:3-4) 
E aqui está mais uma citação, a respeito da mente, daquela mesma Lição: 
Quando uma mente opta por ser o que não é, e por assumir um papel a-
lheio que não tem, um estado estranho no qual não pode entrar, ou uma 
condição falsa que não esteja dentro de Sua Fonte, ela apenas parece ir 
dormir um pouco. Sonha com o tempo, um intervalo em que o que pare-
ce acontecer nunca ocorreu, em que as mudanças forjadas são sem subs-
tância e em que todos os eventos não estão em parte alguma. Quando a 
mente desperta, apenas continua tal como sempre foi. (E-pI.167.9:2-4) 
GARY: Então isso, realmente, é tudo apenas um sonho, e eu acho que quando 
desfizermos o ego, e despertarmos, nós experienciaremos que nunca, realmente, jamais 
e nem em tempo algum, saímos de casa. Daí então, quando o corpo é posto de lado, pela 
última vez, e não há mais necessidade de retornar, a experiência de ser um com Deus 
retorna, como nossa realidade permanente, para jamais ser interrompida. 
ARTEN: É do que há, irmão. Não importa se você esteja sonhando que esteja 
vivo, ou sonhando que esteja morto. Nenhum dos dois é verdade. É tudo sonho. Mas 
lembre-se: dormir é dormir; despertar é acordar por completo. Isso está dito no Curso: 
... o recuo para a morte não é o fim do conflito. (T-19.IV.C.7:3) 
GARY: Então não há nenhuma saída fácil. Você tem de fazer seu trabalho de 
perdão, ou então se manterá sonhando que retorna, até que termine suas lições e desper-
te, de vez. 
ARTEN: Sim, estamos nos aproximando do final desta nossa visita, e queremos 
completar nossa conversa a respeito de morte. Deve ficar claro o seguinte: a morte não 
é mais real do que a vida no corpo. Nenhuma das duas é verdade. Vida real é total e 
permanente. Disso diz o Curso: 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 109/176 
A curiosa crença segundo a qual parte das coisas que morrem pode con-
tinuar vivendo à parte daquilo que vai morrer, não proclama um Deus 
amoroso, nem restabelece qualquer terreno para a confiança. (M-
27.4:1) 
GARY: Então, o que algumas pessoas pensam ser sua alma, que segue em frente 
por aí, atrás da morte é, realmente, uma mente separada ilusória. 
ARTEN: Essa é uma observação brilhante, e bem budista. O espírito real é ínte-
gro e permanente. Essa é a sua realidade imortal. Então, não importa o que aparente 
estar ocorrendo, morte e a vida no entremeio, inclusive, a verdade é que há apenas duas 
coisas, entre as quais escolher: sua realidade com Deus, ou qualquer outra coisa, que é 
sempre ilusão, ou coisa nenhuma. Agora, tudo que você tem a fazer é: usar a mente para 
escolher entre Deus e qualquer outra coisa, ou seja, nada. 
PURSAH: Você foi bondoso o suficiente para ler para nós, e agora, antes de par-
tirmos, seremos também bons o suficiente para recitar algo para você, que J diz, a res-
peito de morte. Eu começarei, e Arten se unirá à récita. Isso serve para fixar, com firme-
za, em sua mente, a idéia a respeito da escolha que você tem de fazer, quando quer que 
seja que o pensamento de morte, com sua cabeça horrenda, desponte em sua mente. 
O herói do sonho sempre terá um fim em sua história, e isso é tudo o que ela é, 
apenas uma história. Comcerteza o herói retornará sob outra forma, ou figura, até que 
você ponha fim à sua crença em formas e figuras. Perdoe, perdoe sempre, o tempo todo, 
querido irmão, e você não terá mais nenhum uso para o sonho de morte do ego. Expon-
do-o, vendo-o pelo que ele é, e perdoando-o, ficará livre. Ouça o que J diz aqui: 
A morte é o sonho central do qual brotam todas as ilusões. Não é loucura 
pensar na vida como nascimento, envelhecimento, perda de vitalidade e 
morte no final? Colocamos essa questão anteriormente, mas agora temos 
de considerá-la com mais cuidado. É uma crença fixa e imutável do 
mundo que todas as coisas dentro dele nascem somente para morrer. Isso 
é considerado como a “forma da natureza”, não para ser questionado, 
mas para ser aceito como a lei “natural” da vida. O cíclico, o mutável e o 
incerto; o imprevisível e o instável, o crescente e o minguante de um certo 
modo em um caminho dado – tudo é tido como a Vontade de Deus. E 
ninguém pergunta se essa poderia ser a Vontade de um Criador benigno. 
(M-27.1) 
ARTEN: 
A “realidade” da morte está firmemente enraizada na crença, segundo a 
qual, o Filho de Deus é um corpo. E, se Deus tivesse criado corpos, a 
morte, certamente, seria real. Mas Deus não seria amoroso. (M-27.5:1-3) 
PURSAH: 
Se o universo que percebemos fosse tal como Deus o criou, seria impossí-
vel pensar que Deus é amoroso. Pois quem decretou que todas as coisas 
morram, terminando em pó, desapontamento e desespero, só pode ser 
temido. Ele mantém a tua pequena vida nas mãos apenas por um fio, 
pronto para rompê-lo sem pena ou cuidado, talvez hoje. Ou, caso ele es-
pere, ainda assim o fim é certo. Quem ama um deus assim não conhece o 
amor, pois negou que a vida é real. A morte veio a ser o símbolo da vida. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 110/176
Seu mundo é agora um campo de batalha, onde reina a contradição e o-
postos guerreiam sem cessar. Onde há morte, a paz é impossível. (M-
27.2) 
ARTEN: 
A morte é o símbolo do medo de Deus. Seu Amor é apagado nessa idéia, 
que o mantém fora da consciência como um escudo erguido para obscu-
recer o sol. A qualidade sinistra do símbolo basta para mostrar que ele 
não pode coexistir com Deus. Ele mostra uma imagem do Filho de Deus 
na qual ele “é posto para descansar” nos braços da devastação, onde os 
vermes esperam para saudá-lo e para durar um pouco mais através de 
sua destruição. No entanto, também os vermes são igualmente condena-
dos à destruição, com a mesma certeza. E assim todas as coisas vivem de-
vido à morte. Devorar é a “lei da vida” dentro da natureza. Deus é insano 
e só o medo é real. (M-27.3) 
Como você consegue ver, J nada escamoteia a respeito da verdadeira natureza deste 
mundo, e o que o mundo diria de Deus se Ele, realmente, fosse o responsável por ele. 
GARY: Bonito. Você sabe, provavelmente eu conseguiria compor uma canção a 
partir daí. Mas, seriamente, eu componho o quadro. 
PURSAH: Eu consigo ver isso. É perturbador, mas verdadeiro. Aquela citação 
“devorar é a ‘lei da vida’” me traz uma idéia; você nunca foi vegetariano, foi? 
GARY: Nunquinha, mas firmemente creio que há um lugar já reservado a toda 
criatura de Deus – no prato, usualmente, bem ao lado do purê de batatas. 
PURSAH: Isso está certo, irmão, desde que você não o torne real. Como tudo 
mais, se ser vegetariano for decisão tomada a partir de um enfoque de amor, e como 
uma expressão de amor, então é algo bonito, útil e importante. Se isso for feito para 
colocar as outras pessoas em erro, ou em inferioridade, por não serem vegetarianas, en-
tão isso aprisionará a mente. Digo isso porque você encontra, agora, muitas pessoas que 
são vegetarianas, e entender isso é bom para você para, se questionado a respeito, ajudá-
las a manter as coisas na perspectiva correta sobre isso. 
ARTEN: E, sobre isso note, está na hora de você, por algum tempo, ficar sozi-
nho para pensar a respeito de tudo isso que falamos. Você pode querer também começar 
a pensar a respeito de um título para o nosso livro. Desta vez, vamos deixar você dar-lhe 
o nome. Da última vez, naquela nossa primeira visita, Pursah deu a você o título do li-
vro, bem nas primeiras quatro sentenças que falou com você, mas você levou anos para 
encontrá-lo. Desta vez, vamos deixar você escolhê-lo. Pode começar a pensar nele. 
GARY: Legal. Grato. 
ARTEN: E lembre-se de sua tarefa de leitura. É importante. 
PURSAH: Vamos dar a você um dito do Curso, para você, durante os próximos 
dois meses, usar e ponderar a respeito, antes de cada vez que você vá entrar no palco, 
para falar. Você está indo bem, nessa área, com seu perdão. Esse dito ajudará a acelerar 
você. Aliás, você está no caminho de ter uma grande surpresa, antes de retornarmos. 
Desfrute dela. 
GARY: Algo bom? Adoro boas surpresas. 
PURSAH: Ó, você gostará dessa. Você saberá ao que estou me referindo, quan-
do ela acontecer. Isso irá acontecer nos próximos dois meses. Veremos você depois de 
seu retorno do Texas. Fique bem, e pense nestas palavras por um minuto, ou dois, antes 
de aparecer diante das pessoas ali reunidas para ouvi-lo. Isso transformará sua experiên-
cia. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 111/176 
Eu que permaneço tal como Deus me criou, 
quero liberar o mundo de tudo que eu pensei que ele fosse. 
 Pois sou real porque o mundo não o é, 
e quero conhecer a minha própria realidade. 
(E-pI.132.15:2-3) 
Daí Arten e Pursah retornaram ao espírito, saindo de meu campo visual, e eu fi-
quei pensando, por horas, a respeito de tudo que havia sido dito. Também fiquei na ex-
pectativa da surpresa que Pursah anunciou. Quando ela chegou, tendo sido vagamente 
avisada, nada perdeu de sua emoção, porque eu continuei sem crer nela. 
-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M. Thereza de B. Camargo 113/1
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6666 
É É É É esta existência, seu boboesta existência, seu boboesta existência, seu boboesta existência, seu bobo!!!! 
Se estiveres disposto a renunciar ao papel de guardião do teu sistema 
de pensamento e abri-lo para mim, eu o corrigirei muito gentilmente 
e te conduzirei de volta a Deus. (T-4.I.4:7) 
m 27 de outubro, 2004, o impossível aconteceu. Naquela noite disseram que porcos 
foram vistos voando sobre a Nova Inglaterra; o dia de São Nunca havia chegado; e 
Elvis, falecido há 27 anos, havia sido contratado antecipadamente para dar um concerto 
no Maine na noite depois que morreu, finalmente saiu do prédio. 
Meu pai foi torcedor do Red Sox toda sua vida, mas até fazer sua transição, ele 
jamais os havia visto ganhar as Séries Mundiais. Nem tampouco eu. Mesmo assim, ha-
via sentido isso, a despeito dos resultados do time, eu estava animado quanto às suas 
expectativas naquela noite de outubro por duas razões: primeira, um eclipse total da lua 
estava programado para ocorrer durante o jogo, e se os Sox estavam, de fato, para ga-
nhar as Séries, pela primeira vez em 86 anos, isso estava destinado a ser agora. Segun-
do, o time estava tinindo. 
Não apenas eu realmente queria que o Sox vencesse, mas eu esperava que ven-
cessem essa noite, porque estava programado meu vôo para Austin, Texas, na manhã 
seguinte, para fazer um workshop de três dias em “The Crossings.”30 
Lembrei-me dos meus seis anos quando meu pai levou meu irmão Paul e eu ao 
Fenway Park, pela primeira vez. Nada se compara as memórias da infância. Ir ao Fen-
way Park é um rito de passagem regional, da Nova Inglaterra, passado de uma geração à 
outra. É do que são feitos os sonhos das crianças. Agora, numa noite em que a Nova 
Inglaterra nunca se esqueceria, eu me uni a meu pai, no nível da mente e lhe disse: “Es-
sa é sua, pai. Eu sei que você estará assistindo o jogo comigo.” 
Era 2 de novembro, a noite da eleição presidencial, quando Arten e Pursah apa-
receram para mim, outra vez. Eu fui quem primeiro falou: 
GARY: Você me pegou, Pursah.Eu esperava uma boa surpresa, mas não aquilo. 
PURSAH: Essa é uma das razões de não falarmos muito a respeito de seu futuro, 
Gary. Não apenas por não querermos privar você de suas oportunidades de perdão, mas 
pode haver surpresas felizes, também. Isso por aqui é uma dualidade. Aqui você conse-
gue ambos, o bom e o ruim. 
 
30 N.T. – “The Crossings”(As Encruzilhadas), fundado por Ken e Joyce Beck em 2003, na cidade de 
Austin, TX, é um hotel-boutique, um spa para bem estar e um espaço de eventos de cultura e de evolução, 
com uma oferta única de muitos programas individuais e organizacionais. Sua proposta é prover experi-
ências de aprendizado da expansão da atenção e de suporte de escolhas conscientes, num trabalho de 
transformação e renovação individual, organizacional e cultural. Foi criada uma comunidade que pretende 
inspirar as pessoas a encontrar paz e equilíbrio em sua vida de trabalho, pessoal e espiritual. 
 
E 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 114/176
GARY: Bem, fiquei emocionado. Eu estava com um sorriso permanente na cara 
por seis dias. Quando cheguei ao Texas, alguns leitores do livro me levaram para comer. 
Senti-me como se estivesse comemorando. Nunca havia visto cobra cascavel frita, num 
menu antes, então pedi um pouco e comi. Sim, tinha gosto de frango. 
De qualquer forma, foi muito divertida essa semana. Um torcedor de basebol, e 
leitor de O Desaparecimento, me mandou um e-mail e me agradeceu por perdoar os 
Red Sox no livro, para que eles conseguissem, finalmente, ganhar! Lembram-se quando 
eu disse: “Qualquer time consegue ter um século ruim”? Agora, tudo que há a fazer é ter 
os White Sox e os Cubs31 vencerem, e podemos aposentar esse dito. 
ARTEN: Coisas estranhas aconteceram. 
PURSAH: Aproveite, irmão. Então você voltou ontem e votou hoje? 
GARY: É isso. Não suponho que você vá me contar o resultado? 
PURSAH: Bem, talvez sim e... talvez não. 
GARY: Muito bem. Vou arriscar. O Kerry vai ganhar? 
PURSAH: Bem, sim e... não. 
GARY: Vamos lá. O que significa isso? 
PURSAH: Eu não digo isso para ser cínica, apenas para lhe dar alguns fatos no 
sonho, tudo para você perdoar. De 1980 em diante, se um democrata quis vencer para 
ser eleito presidente dos Estados Unidos, ele ou ela teve de vencer por, no mínimo, dois 
milhões de votos. Isso é porque por todo o país, o candidato democrata é, rotineiramen-
te, roubado de, no mínimo, um milhão e, muitas vezes, dois milhões de votos, em cada 
eleição nacional. Desta vez não é diferente. Se alguém vence, por uma margem confor-
tável, como Bill Clinton fez, então sim, um democrata consegue ser eleito presidente. 
Mas, neste dia e época, você pode se esquecer que um democrata vença os da preferên-
cia. Se ele, ou ela, de fato vencer um preferido, será porque ele, ou ela, realmente, ven-
ceu por muito mais votos do que a contagem mostrou. 
GARY: Você está me dizendo que Bush vai vencer de novo esta noite, mas isso 
se cada votação que for dada nos Estados Unidos for honestamente contada, não é? 
PURSAH: Sim. Sinto muito. Por certo, boa parte dela é racista. Um milhão de 
votos de negros é descartado na América, em cada eleição nacional. E há muitos truques 
usados, por demais numerosos, para mencionar agora. Enquanto as pessoas estiverem 
dispostas a permiti-lo, então o único recurso que seu partido político favorito tem é de 
vencer a eleição por alguns milhões de votos. Isso pode ainda parecer curto, mas, pelo 
menos, eles vencerão. 
Você notará, em Ohio as votações iniciais mostrarão que Kerry venceu, porque 
as pessoas saindo das seções de eleição, de forma ingênua admitiram que seus votos 
seriam, de fato, contados. Mas Kerry será trapaceado em cerca de 3% dos votos lá, e 
Bush vencerá entre os votos que, de fato, são explicitamente contados. 
GARY: Você está me afirmando que nossas eleições apertadas são jogo de car-
tas arcadas? Isso é o fim! E eu estava tão contente com os Red Sox! 
ARTEN: Alegre-se, irmão. Não há nenhum mundo, lembra-se? 
GARY: Você sabe, efetivamente ponho-me a me sentir dessa maneira, muitas 
vezes, quando há algo a perdoar. Isso é como tudo que tenho de fazer, é me lembrar 
exatamente disso: Não há nenhum mundo. Daí toda a verdade retorna a mim, mas não 
se trata de palavras; o pensamento dispara uma experiência. 
PURSAH: É como você disse quando o Sox venceu: “Sim! Sim!” É isso. É as-
sim que é, à medida que você progride em seu caminho. Você se torna tão bom no per-
 
31 N.T. – O Chicago White Sox é um time de basebol profissional sediado em Chicago, Illinois, e o Chi-
cago Cubs, outro time de basebol profissional, também de Chicago, localizado na parte norte da mesma 
cidade. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 115/176 
dão que começa a ficar mais fácil. Pensamentos da mente certa disparam a experiência 
da verdade em você. Eu não teria trazido essa coisa a respeito de eleição esta noite, em 
primeiro lugar, se eu não soubesse que você estaria pronto a perdoá-la. Você está pron-
to, certo? 
GARY: Sim, eu estou. Quero dizer, como posso tomar George Bush seriamente 
de qualquer forma? Olhe para ele. Ele não é real. Ele é como um cartaz de um menino 
de papelão recortado da corrupção corporativa. Na história do sonho, eles mandaram 
Martha Stewart p’ra cadeia por menos do que aquela história da negociata de informan-
te que ele fez, quando o pai dele foi presidente. E em lugar “dos que têm e dos que não 
têm”, ele jogou a piada em público de que sua base política se consistia “dos que têm e 
dos que têm mais”. É nada mais que uma piada que esse cara seja presidente. Até há 
pouco tempo atrás eu me esquecia de rir. Eu pensava que ele fosse real. Mas ele não é. 
Eu me pus a odiar esse cara, e agora consigo ver que ele nem ao menos está lá. Tudo 
isso é um truque. Eu o fiz o culpado para que ele fosse o culpado em meu lugar. Ele é o 
bode expiatório. Mas se eu o libertar, então me ponho em liberdade, também. 
ARTEN: Nada mal para um comedor de cascavel, e muito harmonizado com o 
que J diz aqui no Curso: 
Uma questão simples, entretanto, ainda permanece e necessita de respos-
ta. Gostas do que fizeste? – Um mundo de assassinato e ataque, através 
do qual teces o teu caminho tímido através de perigos constantes, solitá-
rio e assustado, esperando que no máximo a morte se demore um pou-
quinho mais para levar-te e desaparecerás. Tu inventaste isso. É um qua-
dro do que pensas que és; de como vês a ti mesmo. (T-20.III.4:1-4) 
É apenas depois de que o ego seja suficientemente desfeito que você consegue 
olhar para trás e ver quão insano seu sistema de pensamento do ego era. É por isso que J 
também diz isto: 
Não podes avaliar um sistema insano de crenças estando dentro dele. Seu 
escopo exclui isso. Só podes ir além dele, olhar em retrospectiva de um 
ponto onde a sanidade exista e ver o contraste. Só através desse contraste 
é que a insanidade pode ser julgada como insana. (T-9.VII.6:1-4) 
GARY: É isso. É como tenho pensado sobre tudo aquilo, a respeito do corpo. Eu 
fiz meu dever de casa de leitura, vocês sabem, e daí consegui observar uma porção das 
coisas que ocorrem. É como tudo na vida, ou o que chamamos vida, se referir ao corpo e 
estar relacionado ao corpo. Se você ganha um jogo, ou se você perde, ou se você é um 
sucesso em sua carreira, ou um fracasso, e eu já fui ambos, se você conquista a garota 
ou é rejeitado, se você é famoso ou ridicularizado, se você está com fome de comida, de 
qualquer espécie que aprecie, se você está tarado por sexo, do jeito que gostar, se você 
quer um novo lugar para viver ou um carro novo, ou você apenas quer um repouso. O 
que é que fica com essas coisas e quer todas essas coisas? O que qualquer um deles 
seria sem um corpo? E quando ficamos horrorizados com tragédias, o que é isso que 
vemos morrendo? Por quem nos sentimos mal?E quando alguém que amamos morre, o 
que é isso que pensamos que morreu? Tudo é sempre a respeito do corpo. Sem o corpo 
nada disso significaria coisa alguma. Aquele herói da coisa do sonho é realmente verda-
deiro. E quanto mais eu perdôo, mais o corpo é sentido como sendo apenas uma figura 
de sonho. Ele fica mais leve. Ele parece, cada vez mais, que não sou eu. 
Comecei a ir a um grupo de estudo em Leeds, apenas alguns meses depois de 
vocês dois apareceram pela primeira vez. A última vez que fui, e tenho ido lá por 11 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 116/176
anos agora, um dos freqüentadores regulares me disse que eu pareço mais jovem hoje 
do que quando comecei a ir lá. Isso é engraçado. Não estou dizendo que os benefícios 
vão se mostrar, da mesma maneira, para todas as pessoas. Mas, se todo pensamento 
produz forma em algum nível, então sabemos que o perdão está fazendo comigo seu 
trabalho, em algum lugar, em algum nível. 
ARTEN: Excelente. Você não consegue despertar de um sonho enquanto estiver 
enterrado nele. Estar ciente do sonho desfaz a sujeição. E quanto mais você perdoa, 
mais você se torna ciente de que você está, apenas e nada mais do que sonhando. 
PURSAH: Vamos fazer um exercício de viagem temporal que ajudará você a en-
tender a natureza não linear das coisas, e a saber, ainda mais, que isso é tudo algo feito 
por você mesmo. 
GARY: Sem dúvida que sim! 
ARTEN: Você tem uma porção de viagens interessantes vindo aí. Sabemos que 
você está animado a respeito de ir à Austrália, e notamos que você acabou de arranjar 
um workshop no Hawaii, no caminho de volta. Bem, podemos começar a chamar você 
de mano todo o tempo, irmão. Você estará indo para lá por três vezes, dentro do próxi-
mo ano e três meses, por aí. 
GARY: Três vezes! Só estive lá duas vezes na minha vida! 
ARTEN: Aproveite! Você tem grandes pessoas que deve encontrar lá. Não há 
acidentes na salvação. Isso sempre parece ser outra coisa, acabando sempre por se re-
sumir em relacionamentos. Mas, para ficarmos no assunto de nosso exercício de viagem 
temporal, outro lugar que você estará indo, dentro de seis meses, é St. Louis. 
GARY: Legal. Ei! Cahokia! Bem que eu poderia ir para lá! 
ARTEN: Como o tempo é holográfico, e não linear, sua viagem já foi feita. Va-
mos nos transportar seis meses no futuro. Você não nos verá até que chegue perto do 
monte do Grande Sol. Você estará com duas pessoas, com quem você já se encontrou, 
pelo tempo em que você irá a Cahokia com eles, daqui a seis meses, mas porque você 
está sendo transportado para lá daqui e, neste tempo, com sua atual atenção, você não os 
conhecerá desta vez. Isso não tem importância. Vocês não falam muito nessa viagem 
porque vocês três respeitam aonde estão indo. Nós pensaremos você no holograma no 
ponto em que você chega a Cahokia. 
Por vezes você notará Pursah e eu andando lá por perto, a uma certa distância de 
você. Por certo você nada dirá a seus amigos sobre nós. Eles leram o livro, mas não fa-
rão a conexão do livro conosco, porque nós estaremos afastados o suficiente deles para 
que não pensem a nosso respeito. Sem se dar conta disso, você fará tudo exatamente 
como irá fazer dentro de seis meses de agora. É que exatamente daqui a seis meses você 
estará fazendo isso numa segunda vez. Quando transportarmos você de volta aqui, dessa 
vez, será como se você tenha a memória de algo que não aconteceu realmente ainda em 
sua estrutura de tempo linear, mas já aconteceu em tempo holográfico. Entoa, daqui a 
seis meses quando você for a Cahokia, queremos que você observe como é isso e nos 
relate sua experiência de volta a nós. Você está pronto? 
GARY: Você está brincando? Vamos em frente! 
NOTA: Fiquei estupefacto quando, instantaneamente, me encontrei num car-
ro que estava parando numa vaga de estacionamento. A pessoa na direção 
desligou o motor, saiu do carro e eu também. Havia um edifício de aparência 
contemporânea perto de nós, enquanto caminhávamos para sair do estacio-
namento. Dirigimo-nos para uma rua estreita, em direção ao que aparentava 
ser a rua principal e daí a cruzamos. Havia dois homens comigo, a quem não 
reconheci. O segundo deles esteve sentado no banco de trás. Não falamos 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 117/176 
muito mas falamos em gera, quase que sussurros a respeito de Cahokia. Eu 
tive uma sensação lúgubre de dejà vu, à medida que cruzei a rua e entrei num 
campo. Eu conseguia ver um monte gigantesco de terra e imediatamente o re-
conheci como a casa do Grande Sol, o mestre espiritual índio americano, de 
mil anos atrás. As pessoas haviam edificado uma casa para ele, sobre esse 
monte, e eu havia sonhado, tido visões disso, e pensado a respeito da existên-
cia que tive aqui, no tempo em que o Grande Sol governara. 
Andamos em direção ao monte. Era um dia quente, de sol, mas pare-
cia mais primavera que verão. Quando chegamos lá, vi que seria uma subida 
de dois níveis diferentes de escada para alcançar o topo. Havia placas dizendo 
que a área era um sítio histórico, e eles explicavam detalhes a respeito do que 
eu estava vendo, mas eu estava admirado pelo que estava ocorrendo ao lê-los. 
Foi então que também notei Arten e Pursah a uns 30 metros dali, vestidos 
com calças jeans e falando entre si. Eles estavam discretos, e esses dois caras 
com quem eu estava não demonstravam tê-los notado. Notei então, mesmo 
assim, porque Pursah tinha sua blusa amarrada e expunha sua barriguinha. 
Que tentação, pensei, porque eu tinha essa coisa por umbigo de mulher, mas 
eu não estava assim tão perto para ver o dela. 
Fiquei surpreso quando os dois homens com quem eu estava pararam 
e mencionaram que eu fosse em frente por minha conta. Era como se eles es-
tivessem mostrando respeito por minha privacidade, e foi unicamente então 
quando me dei conta de que eu tinha um desejo de subir até o topo do monte 
sozinho e experienciar estar ali. Tomei isso como um sinal de respeito que os 
dois homens fariam isso por mim, e senti outra familiaridade, desta vez com 
os próprios homens, e me dei conta de que eles estavam ali há mil aos atrás, 
também, mesmo que eles em nada se parecessem hoje com o que tivessem si-
do então. Havia outras pessoas no local, mas ninguém estava indo ao topo do 
monte, ao mesmo tempo. 
Comecei a subir o monte, lentamente pela escada e olhando em volta. 
Quando eu estava a cerca de 6 metros do topo do primeiro patamar, eu conse-
guia enxergar a linha do horizonte de uma cidade não muito longe à distância. 
Dei-me conta de que tinha de ser St. Louis, mesmo sem ter a certeza de quão 
longe ela estava. Supus que deveria ser cerca de 10 a 16 km. A área do entor-
no era muito plana e verde, mas havia também muitas árvores e uma sensação 
de muita paz. 
Depois de observar o terreno circundante, comecei a subir o próximo 
lance de escada, em direção ao segundo patamar, o topo do monte. Era o pon-
to mais alto, plano, mas a casa onde o Grande Sol morara, não estava mais lá. 
Depois de que Arten e Pursah vieram à minha casa, no Maine, quando pri-
meiro me visitaram anos antes, e pela primeira vez me falaram a respeito do 
Grande Sol e eu, comecei a ter numerosas lembranças fascinantes dele e de 
como a vida havia sido em Caokia. Conseguia me lembrar de visitá-lo aqui 
em sua casa no topo do monte. Não obstante sermos amigos era, mesmo as-
sim, ainda considerado uma honra, entre os índios, ser convidado a subir ao 
topo do monte e entrar em sua casa. 
Observei a área, dei-me conta de que algo mais estava faltado. O rio! 
Onde estava o rio? Daí me lembrei de ter ouvido falar da ocorrência de um 
terremoto de abalo continental, há 300 anos, nesta mesma área, o que causou 
um refluxo no Rio Mississippi, afastando-o dali por muitos km. Sabia, por 
minhas lembranç0as, que, há mil anos atrás, o rio era importante para Caho-
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 118/176kia, porque era um lugar de grande concentração de pessoas e de comércio. 
Também eu sabia que, se aquele grande terremoto ocorresse hoje, nessa 
mesma área, a perda de vidas humanas, o desastre e o sofrimento seria muito 
além do que a maioria das pessoas conseguiria imaginar. 
Fui aos quatro cantos do topo do monte, observando em diferentes di-
reções e deleitando-me da experiência de estar ali. Conseguia ver os dois ho-
mens com quem vim, a quem ainda não havia sido apresentado, de pé, con-
versando um pouco entre si, à uma certa distância, abaixo de mim. Arten e 
Pursah se mantinham afastados o suficiente, para não serem notados pelos 
dois homens, e achei divertido ser o único a saber que eles estivessem ali. 
Também anotei na mente provocar Pursah a respeito de sua escolha da roupa 
que usava. 
Daí, enquanto estive sozinho no topo do monte elevado e dei uma o-
lhada nos arredores tranqüilos, tive uma súbita visão. Como a maioria das vi-
sões, durou apenas alguns segundos. De repente, vi muitas pessoas, milhares 
delas. Havia uma ampla praça comercial num grande mercado, uma grande 
vila com pilares e muitas casas. Havia uma atmosfera festiva e agitada. Ho-
mens jogavam, mas eu não conseguia exatamente ver que jogo era, por esta-
rem todos aglomerados. Daí, tão de repente como isso começou, a visão se 
foi. Senti que a casa no topo do monte estivera perto de mim, mas não houve 
tempo de olhar para ela antes da visão se desfazer. Mesmo assim, eu estava 
espantado de como real tudo isso parecia. Isso não era apenas uma visão. Eu 
estava ali, na Cahokia, tão legendária e sagrada para os índios americanos. Eu 
estava em casa, de novo, mesmo que isso tivesse sido só por alguns segundos. 
Houve mais de um líder “Grande Sol”, ao longo dos anos, em Cahoki-
a, mas o que viveu ali, que conheci, há mil anos, não teve igual. Ele não foi 
apenas um gênio em governar pessoas, ele foi o equivalente espiritual de Bu-
da e J a seu tempo. Quando ele governou, Cahokia foi um dos lugares mais 
pacíficos em qualquer parte do mundo, e em qualquer tempo na história, 
mesmo que nessa sua fase particular, houvesse durado só algumas décadas. 
Eu tinha muitas lembranças saudosas desse lugar, e de minha vida como um 
índio, que viajou pelos rios como um negociante de peles. Mas eu sempre re-
tornava à minha casa, para ver minha família, meus amigos, e uma cidade de 
paz, que não conseguiria durar indefinidamente, porque fazia parte de um 
mundo baseado em separação, mudança e finitude. 
Depois que desci do monte, falei aos dois homens a respeito de minha 
visão. Eles entenderam completamente tudo e não pareceram nem um pouco 
surpresos. Daí voltamos andando ao estacionamento e fomos ao edifício 
chamado The Interpretive Center32. Entramos pela porta do Center, mas 
 
32 N.T. – The Cahokian Interpretive Center – Um museu, mesa de informações, café e loja de presen-
tes,.localizado nos Montes Cahokia, preservam e mostram os remanescentes da mais sofisticada civiliza-
ção nativa norte americana pré-Colombo. O Monte do Frade (Monk's Mound) era a peça central de Caho-
kia. Esse monte-plataforma é a maior estrutura nativa americana, ao norte do México, e a construção em 
terra pré-histórica mais destacada no Novo Mundo, abrigava a moradia de “O Grande Sol”, governante e 
dirigente religioso de Cahokia. Construída ao longo de vários estágios, entre 900 e 1200 A.D, o Monte do 
Frade contém 623.000 metros cúbicos de terra. O Monte do Frase consiste de quatro terraços, O gover-
nante de Cahokia vivia, conduzia cerimônias religiosas, e governava a cidade do topo, onde morava. 
Dirigido pela Agência de Preservação Histórica de Illinois, esse sitio de 8.903.000 metros quadrados foi 
designado um Sitio de Herança Mundial, pela Organização Cultural e Científica das Nações Unidas, U-
NESCO, por sua importância no entendimento da herança cultural das civilizações nativas na América do 
Norte. Endereço:130 Ramey Street, Collinsville, Illinois 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 119/176 
quando fiz isso, fiquei mais uma vez atônito, desta vez por me ver a mim 
mesmo, instantaneamente, novamente sentado em minha cadeira, olhando pa-
ra Arten e Pursah, exatamente como eu estava, antes que a visita a Cahokia 
começasse. 
ARTEN: Bem, o que você achou? 
GARY: Inacreditável, de muitas maneiras. O lugar, em si mesmo era estupendo, 
mas a visão – essa foi uma das mais incríveis experiências que jamais tive. Ela parecia 
tão real, exatamente desta vez pareceu real, como se fosse estar lá em Cahokia. Mas 
isso não conseguia ser real. Vocês me transportaram para lá. Isso foi um evento que 
ainda não havia acontecido. E a visão que tive, do topo do monte, foi de mil anos atrás. 
Agora parece que estou aqui, e isso parece real, também. Meu Deus, eu não estou real-
mente nem ao menos aqui, estou? Vocês não me levaram para lá para que eu pensasse 
que fosse real; vocês me levaram para lá para fazer com que eu me desse conta de que 
nenhuma delas é real! 
ARTEN: Sim, e você experienciará isso num nível ainda mais profundo, a partir 
de agora. Deixe isso se evolver em seu reconhecimento. Você não é um corpo, e ne-
nhum corpo que você alguma vez viu era real. Nada que se extinga consegue ser real. 
Como J diz, no Curso: 
Podes pintar lábios cor-de-rosa em um esqueleto, vesti-lo com o que é be-
lo, agradá-lo e mimá-lo e fazê-lo viver? E podes ficar contente com uma 
ilusão de que estejas vivendo? (T-23.II.18:8-9) 
PURSAH: Da próxima vez que você se aborreça com o comportamento de al-
guém, saiba que seu corpo é apenas um brinquedo de dar corda. Se você realmente sou-
ber que o corpo é só um brinquedo de dar corda, então isso não conturba você, não im-
portando o que quer que seja que ele lhe diga ou faça, ou não diga e nem faça. Se você 
realmente entende que o que você está vendo não é verdadeiro, então isso não incomoda 
você, de forma alguma. É assim que você deve ser com pessoas que lhe causem mo-
mentos difíceis. 
GARY: Ora veja, consigo entender isso. Vou experimentar e treinar fazer assim. 
Realmente, mas que houve, que me diz daquela roupinha que usou em Cahokia? Você 
estava tentando me botar idéias na cabeça? 
PURSAH: Piadinha minha, Gary. Perdoe-me. Lembre-se, todo mundo tem suas 
preferências. Isso não se refere a abandoná-las, porque o Curso não cuida do compor-
tamento. Ao mesmo tempo, ajuda a lembrar, quando você conseguir, que nada do que 
você vê com os olhos do corpo, nesta existência, é verdadeiro, e tudo – sem exceção – é 
para ser perdoado. Muitos dos desejos que as pessoas têm, mesmo as filigranas intrinca-
das do relacionamento, tanto as boas quanto as más, são registros e continuações de 
temas de sonhos de existências passadas. 
Por exemplo, você viveu uma existência no que agora é Síria, onde você estava 
em posição de poder. Você desenvolveu, gravou e trouxe, dessa existência, o mesmo 
fetiche do umbigo de fora que você tem hoje. Nessa outra existência você assegurou 
para você mesmo sua quota de diversão da dança de ventre, onde o umbigo é parte des-
tacada. Você não deve sentir culpa por isso. A dança do ventre é uma arte primorosa e 
linda. Por certo, ela é também, sem dúvida alguma, sexy. Você foi também bem espiri-
tual naquela existência, e falava-se muito bem de você. O idioma sírio é hoje, de fato, a 
 
 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 120/176
linguagem mais próxima do aramaico. Em história bem recente, a Síria quase que come-
teu suicídio com a guerra civil. Ela se recobrará, no entanto. 
Meu ponto é que você consegue escolher perdoar qualquer coisa em qualquer 
existência, porque, como acabamos de demonstrar a você, o tempo não é linear, mas 
holográfico. Por essa razão, não há qualquer diferença entre escolhero Divino Espírito 
Santo agora mesmo, ou escolhê-Lo no exato instante da separação! As pessoas não se 
dão conta de que a história está acontecendo toda ela, ao mesmo tempo, neste exato 
momento, agora, e então é, também, ao mesmo tempo, o futuro, e, por isso, a única coi-
sa que importa é escolher o perdão agora! Quando você teve aquela visão em Cahokia, 
você estava, naquele mesmo instante, exatamente, rompendo através de alguns dos blo-
cos na mente, desfazendo-os. Mas isso, realmente, é sempre a respeito do agora, o ins-
tante único e perene. Então, não cuide de saber se você vai ou não vai retornar para ou-
tra existência. Não se importe a respeito de suas existências passadas. Tudo sempre se 
refere a exata e exclusivamente AGORA, e trata, também, sempre e só de PERDOAR. É 
única e exatamente esta existência que importa, sempre e somente, e daí você aprende 
que todo instante é, realmente, sempre o mesmo instante, de qualquer forma. 
Você se lembra daquela campanha política, em que você esteve uma vez, quan-
do a economia estava ruim, e o candidato vencedor, na campanha, se manteve relem-
brando às pessoas: “É a economia, seu bobo!” Eles se mantiveram focados no que im-
portava, e venceram. E quer saber uma coisa? Quando se trata de espiritualidade, lem-
bre-se “É esta existência, seu bobo!” Mantendo-se focado em perdoá-la, e tudo que a-
contece nela, então você consegue vencer, tudo corre bem, e não apenas nas ilusões. 
Então usamos o corpo, e as existências passadas, para ilustrar para você que há, apenas, 
um propósito, em tudo, e se você se mantiver focado no que realmente importa – esta 
existência em que você pensa estar vivendo – então você vencerá. 
GARY: E, para me ajudar, e a outras pessoas se manterem no foco, foi que vo-
cês voltaram? 
PURSAH: Sim. Trata-se, o tempo todo, de conceder o perdão verdadeiro e de 
manter o foco assestado, fixo e inabalável só r unicamente nesta existência. O que você 
vai estar perdoando, realmente, é sempre o instante da separação de Deus, sem se im-
portar com a aparência da circunstância da oportunidade de perdoar. E o propósito é, 
sempre, de se livrar do falso universo, e retornar para o Universo real, o Céu, pelo per-
dão do que quer que seja – não importa o que – que esteja diante de sua cara. Não se 
trata de saber se você volta ou não para outra existência no futuro, e, também, não diz 
respeito ao desenrolar da história. 
GARY: Eu gosto de história, mas não dou ênfase às figuras históricas tanto as-
sim. Quero dizer, considero que é um bocado de pessoas que aconteceu estarem todas 
no lugar certo, na hora certa, e que, então, apenas fizeram o que tinha de ser feito naque-
la circunstância, naquele instante, e agora ficamos dando crédito demasiado. Ei, espere 
um minuto. Isso até se parece comigo! 
PURSAH: Ajudar as pessoas a ficarem no foco, não é assim tão fácil quanto vo-
cê possa pensar. Por exemplo, o professor mais popular de Um Curso em Milagres, pelo 
menos até antes de você aparecer, repetidamente, tem posto as pessoas focalizando o 
sonho, em vez do despertar dele. 
GARY: Sim, eu a ouvi falando a alguém, que lhe contara ter visto uma aparição 
de uma mente dividida, que foi para o outro lado, e ela disse, à pessoa que teve a visão: 
“Isso é realidade.” Bem, de acordo com o Curso, isso não é realidade. Ela está confun-
dindo as pessoas. Confundir as pessoas obscurece a escolha que necessita ser feita. Rea-
lidade é perfeita unicidade com Deus, e nada mais existe, além dela – nada que mude, 
nada que pareça separado. Absolutamente nada mesmo. Também recebi e-mails dela, 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 121/176 
onde ela tenta fazer com que as pessoas tomem certas atitudes no mundo, como, por 
exemplo, parar o genocídio, e ela, de fato, incluiu, ainda, uma citação de Dante, aquela 
que diz: “Há um lugar especial no inferno, reservado àqueles que, em tempos de crise 
moral, permaneçam neutros”. Quero dizer, enfatizar às pessoas que façam algo na ilu-
são, fazendo-as sentirem-se culpadas! O que isso tem a ver com Um Curso em Mila-
gres? 
O Curso fala a respeito do corpo: 
Em si mesmo ele é neutro, como tudo no mundo da percepção. (P.xxi) 
Sim, o Curso ensina que não há pensamentos neutros, 
Eu não tenho pensamentos neutros. (E-pI.16.h) 
porque é um Curso em causa, que é a mente, e não em efeitos, que é o mundo e tudo 
que ele contém; e ela ainda diz coisas como “você tem de consertar o mundo e isso é 
que o torna num ‘sonho feliz’”, que não é esse o significado que o Curso a isso, de for-
ma alguma, mas ela coloca a ênfase em consertá-lo primeiro e daí você consegue ficar 
livre dele. Bem, absolutamente NÃO! O ‘sonho feliz’ nada tem a ver com o que esteja 
ocorrendo no mundo. Quando você alcança um estágio, como o de J ou de Buda, e você 
esteja tendo um ‘sonho feliz’, então você estará completamente pacífico, independente 
do que pareça estar ocorrendo no mundo. O que ela está fazendo é distrair as pessoas 
da verdade, induzindo-as a assestarem seu foco de atenção no lugar errado, na ilusão, 
em vez de manterem o foco no lugar certo, que é a decisão na mente de perdoar o que, 
realmente, não esteja lá. Como o Curso diz, nossa tarefa não é de trazer a verdade às 
nossas ilusões, mas trazer nossas ilusões à verdade. 
PURSAH: A citação exata é: 
Quando tentas trazer a verdade às ilusões, estás tentando fazer com que 
as ilusões sejam reais e estás tentando mantê-las, justificando as tuas 
crenças nelas. Mas, dar ilusões à verdade é permitir à verdade ensinar 
que as ilusões são irreais e assim permitir que escapes delas. Não reserves 
nenhuma idéia separada da verdade ou estabeleces ordens de realidade 
que, necessariamente, te aprisionam. Não há ordem na realidade, porque 
tudo nela é verdadeiro. (T-17.I.5:4-7) 
Então, há alguma coisa que você gostaria de acrescentar? 
GARY: Eu conseguiria, mas vou, apenas, ser polido. Quero dizer, obviamente, 
nada há de errado – filosoficamente – com tentar parar o genocídio. Mas se você quer 
apenas mudar os móveis de lugar numa casa, que está pegando fogo, em vez de focali-
zar o problema real, então por que confundir as pessoas dizendo-lhes que está ensinado 
Um Curso em Milagres? Por que não admite, apenas, que você está fazendo algo por 
conta própria? Se você vai ensinar o Curso, então ensine o Curso! Se você vai ensinar 
outra coisa, então ensine outra coisa, mas não o chame, indevidamente, de Curso. 
PURSAH: A razão pela qual eu a trouxe à baila foi porque ela não está, real-
mente, lá também. Então, lembre-se de uma coisa. Isto não se refere ao fato de estar 
certo, ou errado, em relação ao que o Curso quer dizer. Se você quer experienciar a di-
reção e o sentido do Curso, então, trata-se de unicamente usar o que você sabe para 
perdoar. Isso está claro para você? 
GARY: Sim. Você está certa. Eu me prendo demais às coisas, algumas vezes, e 
isso as torna reais, também. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 122/176
PURSAH: Desde que você se dê conta disso, vamos deixar você praticar o per-
dão nele. Isso é bom. Suas lições de perdão dizem respeito ao que, indiscriminadamen-
te, possa estar ocorrendo em sua vida. É por isso que conversamos com você a respeito 
dessas coisas, do dia-a-dia, aparentemente triviais ou mesmo irrelevantes. Tudo pede 
perdão, sem qualquer exclusão, até o que literalmente seriam consideradas bobagens, 
irrelevâncias tecnicamente falando. Dissemos a você que, desta vez, iríamos focalizar 
mais suas lições de perdão profissional, do que pessoal, e é o que temos feito. 
É óbvio, realmente não importa que isso seja profissional ou pessoal. Acontece, 
apenas, que você está tendo uma vida toda diferente, nos dois últimos anos. Quer seja 
profissional ou pessoal, eu lhe darei a definição de um relacionamento bem sucedido. 
Ouça com cuidado. Não importa quem seja, ou como se apresente. Você entendeu isso? 
Mesmo que o relacionamento pareça serruim, e as coisas aparentem ser terríveis, no 
nível da forma, isso não importa coisa alguma. Nunca se esqueça: um relacionamento 
bem sucedido é aquele no qual você é o perdoador, ou já perdoou, a outra pessoa. Isso 
é o que é preciso fazer, para transformá-lo num relacionamento santo, e isso é tudo que 
precisa ser feito. 
Como diz o Curso: 
Curar, então, é corrigir a percepção em teu irmão e em ti mesmo, com-
partilhando o Divino Espírito Santo com ele. Isso coloca ambos dentro do 
Reino e restaura a integridade do Reino na tua mente. Isso reflete a cria-
ção, porque unifica por aumentar e integra por estender. O que projetas 
ou estendes é real para ti. Essa é uma lei imutável da mente nesse mundo, 
assim como no Reino. Contudo, o conteúdo é diferente nesse mundo, 
porque os pensamentos que ela governa são muito diferentes dos Pensa-
mentos do Reino. (T-7.II.2:1-6) 
ARTEN: J também diz: 
A extensão da verdade, que é a lei do Reino, se baseia no conhecimento 
da que é a verdade, apenas. Essa é a tua herança e não requer nenhum 
aprendizado, mas quando deserdaste a ti mesmo, vieste a ser um apren-
diz da necessidade. (T-7.II.5:6-7) 
GARY: Muito claro, cara. Leio citações como essa no Curso, e fico imaginando 
como alguém consegue aparecer com uma interpretação dela, diferente do que vocês me 
ensinaram. 
ARTEN: As pessoas conseguem aceitar só aquilo para o que já estejam prepara-
das. Então, algumas pessoas aprenderão muita coisa de nossos livros e as usarão, e ou-
tras pessoas dirão que você está louco, ou ainda há pessoas que dirão que você mentiu a 
nosso respeito e que você queria fazer dinheiro disso. 
GARY: Isso é ridículo. Não é dinheiro o que amo; é o sexo que consigo comprar 
com ele. 
ARTEN: É verdade, você, em viagem, não teve assim tanta dificuldade com as 
pessoas, teve? Não houve confrontações de fato, e as pessoas, realmente, não se puse-
ram de pé, nem afirmaram que você era louco, também. Não que você não tenha um 
embate, de quando em vez. Isso depende do lugar, e das pessoas. Mas, em geral, você 
está indo muito bem. 
GARY: Sim, isso é bem verdade. Ei! Vocês provavelmente já sabem disso, mas 
me presentearam uma chamada, num artigo escrito a meu respeito, escrito por um psi-
quiatra, de New Hampshire, Dr. William Evans. É intitulado “Experiência Mística: se-
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 123/176 
rão Gary Renard e O Desaparecimento do Universo reais?” Deixe-me pegá-lo e ler para 
vocês um resumo bem legal. Começa com Bill, mais ou menos, me entrevistando, mas 
nos tornamos amigos, como mostra o artigo. Ele não é apenas psiquiatra, mas também 
tem muita experiência em espiritualidade e misticismo. Ele me autorizou a usar seu arti-
go como eu queira. Ouçam isto: 
“Recentemente, comecei ter uma forte intuição de que isso não era nenhum 
acidente, de fato isso poderia ser a maior parte do meu propósito na vida, que 
eu estava na posição de me tornar um psiquiatra conhecedor da documentação 
de Yogananda, a respeito de experiências similares às de Gary, e me tornar 
amigo pessoal de Gary. Certamente, sendo um psiquiatra com algum interesse 
especial em diagnosticar desordens delusórias clínicas, e distingui-las de ou-
tras desordens psicóticas clínicas, sou um perito em posição de assegurar a 
você que Gary não é delusório quando relata sua história das efetivas mani-
festações físicas dos mestres ascensos, Arten e Pursah (não seus nomes ver-
dadeiros, como muitos de vocês leram em seu livro, agora já conhecido.)” 
Bem certinho, não? Eu não sou delusório. 
ARTEN: O que ele sabe? Estou só brincando. Então isso só nos deixa duas pos-
sibilidades: ou você está dizendo a verdade em relação à sua experiência ou você está 
mentindo. Sem ofensa alguma, você não é suficientemente capaz de ter escrito Desapa-
recimento por conta própria. Você não é um ‘merda mudo’, como disse o Mestre Pro-
fessor, mas você não é capaz de escrever um livro, que conseguiu escrever aquilo que 
outras pessoas têm tentado fazer, há 30 anos: tornar Um Curso em Milagres verdadei-
ramente compreensível para uma pessoa comum. 
GARY: Um professor de inglês, amigo meu, de Nova Jersey, me disse que eu 
sou quem trouxe o Curso para o vernáculo. Vou procurar saber o que é isso. 
ARTEN: Bom menino. Iremos embora logo, então não se esqueça de sua priori-
dade número um, o perdão. Você trabalhou bem na semana passada, quando aquele car-
ro na estrada cortou você, e saiu na velocidade. Você teve vontade de gritar com o mo-
torista, e fazer-lhe aquele gesto... Mas você não fez, mesmo tendo ficado muito espanta-
do, pelo que ele cometeu. 
GARY: Sim. Esses policiais pensam que são donos da estrada. 
PURSAH: Não encontre maldade no que a estupidez seja capaz de explicar. 
ARTEN: Vamos deixar você desta vez com duas citações, uma do Curso e a ou-
tra de Shakespeare. 
GARY: Nunca lhes perguntei, mas Shakespeare era iluminado? 
ARTEN: Sim, ele era. 
GARY: Legal. Eu achava isso. 
PURSAH: Lembre-se, é por meio de sua própria escolha, pelo Divino Espírito 
Santo, e por Seu sistema de pensamento – em lugar do sistema do ego – que sua mente 
retorna à paz, ao Céu. Isso tem de ocorrer primeiro, antes de tudo mais, para depois vo-
cê conseguir tomar o seu caminho de casa. Você não pode nunca, jamais e em tempo 
algum deixar de fazer seu dever de casa de perdão. Todo mundo quer saltar para o final, 
e ser iluminado agora, já-já, mas não funciona assim. Se a paz é a condição básica do 
Reino, então a mente tem de estar primeiro, antes de tudo, em paz, completamente em 
paz, para conseguir se encaixar dentro dela. E para a mente estar completamente em 
paz, você tem – sem escapatória – de perdoar tudo e todos, o tempo todo, em qualquer 
lugar ou circunstância, oportunidade ou modo. Isso é simples assim. É tudo a fazer. 
Com isso em mente, pense a respeito desta citação do Curso, à luz de tudo que 
conversamos. Daí inscreva-a em seu coração, para sempre, indo onde quer que vá, e 
lembre-se de que amamos você, sem parar: 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 124/176
A fé no eterno é sempre justificada, pois o eterno é para sempre benigno, 
infinito em sua paciência, e totalmente amoroso. Ele te aceitará totalmen-
te e te dará paz. No entanto, ele só pode Se unir com o que já está em paz 
em ti, imortal como Ele próprio. (T-19.IV.B.i.10:1-3) 
ARTEN: À medida que você continue o processo de experienciar a insignificân-
cia do corpo, olhando além dele e pensando nas pessoas como realmente são, o espírito 
perfeito, você pode querer considerar esta citação de A Tempestade. Há uma similitude 
estupenda entre o que temos dito, as citações que temos usado de Um Curso em Mila-
gres, com essas linhas. A verdade é a verdade, e ninguém tem o monopólio dela. Depois 
de eu dizer estas palavras, sente-se aqui, silente, por um instante. Nós sabemos que você 
aproveitará muito bem a Austrália e o Hawaii. Fique bem legal para a escola, irmão. 
Nossos divertimentos agora terminaram. Esses nossos atores, 
como eu vos disse, eram todos espíritos e 
sumiram em pleno ar; 
e semelhante à matéria inconsútil desta visão, 
as altas torres sob um manto de nuvens, 
os suntuosos palácios, os templos solenes, 
até o imenso planeta, sim, e tudo o mais que ele contém, 
dissolver-se-á e, como este cortejo insubstancial 
desapareceu, sem deixar rastros. 
Somos feitos da mesma matéria dos sonhos, 
e nossa breve existência está envolta em sono. 
 (A Tempestade, W. Shakespeare, Ato IV, cena I, fala de Próspero, 
 tradução Thereza Christina Rocque da Motta) 
-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M. Thereza de B. Camargo 125/1
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7777 
O Evangelho de Tomé da PursahO Evangelho de Tomé da PursahO Evangelho de Tomé da PursahO Evangelho de Tomé da Pursah 
Eu estou constantemente sendo percebido como um professor que deve ser exalta-
do ou rejeitado, mas não aceito nenhumadas duas percepções para mim mesmo. 
(T-4.I.6:7) 
ais tarde, naquela mesma noite, parti para uma viagem de 32.000 km. Voei cinco 
horas para a Califórnia, e depois, num vôo direto, sem escalas, de treze horas e 
meia, fui para a Austrália, onde iria falar em quatro estados diferentes, e fazer um 
show radiofônico nacional. Isso tudo muito mais parecia ser um sonho, não apenas por-
que não podia crer que eu estivesse lá, mas devido a tudo que, meus professores e eu, 
havíamos conversado. Gostei muito da Austrália e consegui ver um pouco de Sydney, 
Melbourne, Tasmânia, Costa do Ouro, Brisbane, e um lindo lugar, no extremo leste do 
continente, chamada Byron Bay. Em geral, o povo na Austrália parecia mais solto, que 
o americano, e não tão materialista. Aproveitei as delícias das pequenas coisas, como 
ver um céu cheio de estrelas, com uma configuração estelar completamente diferente, 
incluindo a novidade do Cruzeiro do Sul, que, desde criança, eu quis ver, e observar a 
água sair pelo ralo no sentido anti-horário e não horário, pela mudança do magnetismo 
do hemisfério sul. Meus hóspedes, Raj e Suzanne, destacaram que eu não sou muito 
difícil de agradar. 
Depois, foi outro longo vôo para o Hawaii. Eu estava com sono quando cheguei 
lá, mas, mesmo assim, não consegui deixar de notar, quando me olhei no espelho no 
banheiro dos homens, no aeroporto, que eu tinha um sorriso estampado na cara. Eu es-
tava no Hawaii, ou pelo menos certamente parecia isso, e eu me sentia muito feliz. Ar-
ten tinha razão, havia pessoas importantes, que eu deveria encontrar aí. Encontrei-as, e 
eu estava seguro de que encontraria muitas mais. Amei o espírito Aloha do Hawaii, a 
camaradagem das pessoas, a beleza da ilha, e a gentileza do clima. Não tinha nenhuma 
ilusão a respeito do Hawaii ser perfeito, porque, no mundo, nenhum lugar é. Mas foram 
35 anos para conseguir chegar lá, pela primeira vez, e eu apreciei muito qualquer opor-
tunidade que tive de estar nesse lugar, considerado por mim, maravilhoso. Com todas as 
viagens que estava fazendo agora, isso de morar lá, ainda não me parecia prático, por 
enquanto, pois iria acrescentar cinco horas a todo vôo para workshops na América. 
Mesmo assim, eu tinha idéias de me mudar para as ilhas, na hora certa. 
No geral, minha vida tomara uma qualidade surreal. Ela estava agitada, mas me 
parecia que eu tinha tempo e energia suficientes, sempre, para tudo o que tinha de ser 
feito. Considerando ser eu um cara de baixa-energia, que nem ao menos tinha um assis-
tente pessoal, tinha de atribuir isso, unicamente, ao sucesso logístico da maestria do 
Divino Espírito Santo. 
Quando, de novo, chegou o 21 de dezembro, e eu estava de volta à minha casa, 
eu aguardava, interessado, a próxima visita de Arten e Pursah. Mesmo que eles, especi-
ficamente, não houvessem dito que apareceriam nesse dia, ou noite, eles haviam esco-
lhido essa data, para sua visita, muitas vezes, ao longo dos 12 anos anteriores em que 
temos nos encontrado. Fui ao cinema à tarde, vi um filme animado e, de alguma forma, 
sexy. Quando saí do cinema, estava um tanto frio, mesmo para o Maine, e dei-me conta 
de que eu não estava desejando, ainda, o inverno. Felizmente, estava programado a mim 
M
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 126/176
retornar ao Hawaii (desta vez para o Kauai, no meu aniversário em março), para fazer 
outro workshop tropical. De alguma forma, isso torna o inverno mais tolerável. Tam-
bém, fiz piada com J a respeito do frio, e ele me relembrou para o que ele, realmente, 
servia. 
Quando Arten e Pursah apareceram àquela noite, senti uma instantânea conexão 
de amor. As palavras que usaram, na última vez que nos vimos, me tocaram profunda-
mente. Eu estava, genuinamente, grato por desfrutar da companhia deles. Pursah falou 
primeiro. 
PURSAH: Ei, amigão. Como foi o filme? 
GARY: Foi muito provocador. 
PURSAH: Ótimo. E vimos que tudo correu bem com você na Austrália e no 
Hawaii. Parabéns. Você o merece. 
ARTEN: Absolutamente, e Mele Kilikimata. 
GARY: Obrigado! Feliz Natal para você, também. Ei, espere, isso é politicamen-
te correto? 
ARTEN: Quem se importa com isso? 
GARY: Você está certo. Mas, só para não fugir ao correto, Felizes Hanukah, 
Kwanzaa, Ramadan, Festival Yule do Wicca, Gita Jayanthi, Festa de São Tomé e Dia 
Nacional do Canadá. Brincando com a última festividade. 
É ótimo ver vocês dois outra vez. E, sim, amei toda a viagem. Vocês sabem o 
que, não obstante, foi estranho? Quando voava através da América, no primeiro trajeto, 
todo mundo estava tão tenso, nervoso e agitado – a segurança é tão pessoalmente intru-
siva e ilógica. Quero dizer, eles nem ao menos examinam o lugar mais provável onde 
uma bomba possa ser levada para bordo, que é no compartimento de carga, porque isso 
pode custar alguns dólares à corporação, ou então fazer alguma coisa para impedir um 
ataque de mísseis da superfície para o ar, e no meio tempo, pesa, por toda parte, apenas 
uma sensação depressiva, envolvendo todas as pessoas, tratadas como criminosos, ou 
coisa parecida. 
Isso não se refere à Administração de Segurança de Transporte fazendo alguma 
coisa que, de fato, funcione; isso se refere ao uso do medo para alcançar poder político e 
controlar o país, o que, por certo, envolve dinheiro. Daí, quando cheguei à Califórnia, e 
mudei para a linha aérea Australiana, Qantas, foi como receber uma lufada de ar fresco. 
Os empregados eram leves e brincalhões com os passageiros, e entre si, em boa disposi-
ção, houve uma atmosfera festiva, a segurança foi menos invasiva, e de tecnologia mais 
elevada, era como se, outra vez, fosse permitido à vida ser divertida. A América se tor-
nou um lugar triste, e tenho de pensar que isso foi causado por essa agenda oculta de 
querer possuir e dirigir o mundo, e o ressentimento que retorna a nós, como resultado 
disso. Ei, eu sinto muito. Não tive intenção de entrar em política, outra vez. Falemos de 
qualquer outra coisa. 
ARTEN: O que você diz, a respeito da diferença de atitude entre os dois países, 
é bem verdade. Na América tudo passou a girar em torno do dinheiro. Há um dito que 
países diferentes têm um a respeito do outro, mas no caso da América, isso é verdadeiro. 
Você poderia dizer que na América, as pessoas vivem para trabalhar, mas em muitos 
outros países, as pessoas acham que trabalham para viver. Viver para trabalhar é, exa-
tamente, o que as corporações querem, porque isso é que melhor para os lucros deles. 
Mas, quando tudo gira em torno do dinheiro, isso delineia um tipo de vida diferente. É 
verdade, tudo isso é ilusão, mas, nessa ilusão, você deveria sempre parar e perguntar ao 
Divino Espírito Santo que tipo de vida é melhor para você, mesmo na ilusão. 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 127/176 
GARY: Obrigado. Fico contente com isso. Então, tenho outras perguntas. 
ARTEN: Nós temos as respostas. O que você tem aí? 
GARY: Primeiro, notei que há ainda uma pequena controvérsia a respeito do fa-
to de que a versão final publicada de Um Curso em Milagres foi, ligeiramente, abrevia-
da, mais nos primeiros cinco capítulos, em relação às versões anteriores, que são referi-
das como o Urtext, designativo do Texto original, e aquele que é chamado a “Versão 
Hugh Lynn Cayce” do Curso, a cópia que, pessoalmente, Helen e Bill deram ao filho de 
Edgar Cayce, Hugh Lynn Cayce, durante sua visita à Virginia Beach. Essas duas ver-
sões iniciais não foram publicadas, e a Versão Hugh Lynn Cayce não inclui o Livro de 
Exercícios, nem o Manual para Professores. A Versão Hugh Lynn Cayce foi obtida ile-
galmente, eu acho, ou seja, foi furtada, pelos que a colocou na Internet. É por isso que, 
agora, está disponível, cópia livre. Em qualquer caso, só é importante – para mim – sa-
ber, com confiança, que as palavras que estou lendo no Curso publicado, são as que J 
intencionou a mim para estudar. 
Por exemplo, há uma pequena minoria de estudantesque acusa Ken Wapnick de, 
ao editar o Curso, mudá-lo, à sua vontade, depois do registro e da datilografia do ditado 
de J a Helen. Quando eu estava em Fairfax, Virginia, um desses estudantes me mostrou 
a Versão Hugh Lynn Cayce e disse, “Aqui, você vê o que o Curso era, antes de Ken 
Wapnck pôr as mãos nele, e alterá-lo.” Eles dizem que cerca de 25% dos cinco primei-
ros capítulos, que estão na Versão Hugh Lynn Cayce, estão faltando na versão publica-
da em 1ª edição, em 1976. Eles também dizem que J disse à Helen, no Urtext, que Bill 
deveria ficar a cargo do que iria ser mantido no Curso, e que a opinião de Bill está refle-
tida na Versão Hugh Lynn Cayce, mas que ele não foi consultado quanto à versão final. 
Eles afirmam que é por isso que o significado difere do Urtext para a publicação de 76. 
Eles dizem que o termo Filhos de Deus é bastante usado, e eles sabem que isso significa 
que Deus, de fato, criou indivíduos separados. Eles também contestam que o Curso diz 
que você deveria fazer certas coisas no mundo. Há uma citação inicial que diz 
... escuta a minha voz, aprende a desfazer o erro, e age para corrigi-lo. 
(T-1.III.1:6)33 
Vocês poderiam trazer alguma luz para essas coisas, para mim e para outros estudantes, 
leitores deste livro? 
ARTEN: Pursah, nesta visita, tem muito a dizer a respeito das palavras de J, en-
tão vou deixar que ela responda. 
PURSAH: Com certeza. Qual foi sua pergunta, por favor? Estou apenas brin-
cando com você. Posso dizer, não em termos inseguros, que as palavras de J que você 
estuda na versão autêntica, publicada de Um Curso em Milagres são exatamente as pa-
lavras corretas dele que você deve estudar. Aquele livro azul, que você tem bem ali, é o 
correto. Resumidamente, responderei ao que você acaba de dizer, para que você saiba 
que está, e porque está, apostando num vencedor. 
Primeiro, antes de eu começar a corrigir as informações equivocadas, vamos co-
locar uma coisa em seu ponto certo: desde o comecinho da escrita de Um Curso em Mi-
lagres, em 1965, ao longo de todo o percurso do registro do ditado, até, afinal, a publi-
cação do Curso, em 1976, houve apenas um editor do Curso, e esse foi a própria Helen 
Schucman. Bill Thetford jamais foi um editor do Curso. Ken Wapnick jamais foi um 
editor do Curso. Sob todas as circunstâncias, inclusive Bill, Helen era muito ciosa do 
material e o considerava como o “trabalho de sua vida”, no entendimento de que ela era 
 
33 N.T. – Toda a frase é poderosa: “Na medida em que compartilhas da minha recusa em aceitar o 
erro em ti e nos outros, não podes deixar de unir-te à grande cruzada para corrigi-lo; escuta...“ 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 128/176
o escriba e não o autor. Helen jamais teria permitido, a quem quer que fosse, lidar com 
o Curso, a não ser que estivessem sugerindo algo com que ela concordasse plenamente, 
e se sentisse inspirada, por Jesus, a fazê-lo. Espero que nada haja a esse respeito que 
você não entenda. 
Sim, J disse à Helen, muito cedo, no processo do registro do material que, se al-
guma vez houvesse um desacordo quanto o conteúdo do Curso, então Bill deveria ser 
quem decidisse o que deveria constar do Curso. Bill jamais viu qualquer razão para e-
xercer essa opção. Quando J disse isso, no início, Helen estava muito temerosa. O temor 
dela foi a razão dele dizer isso. Mas, à medida do passar do tempo, Helen se acostumou 
mais com o processo e ficou mais à vontade com o que fazia. Você vê o Curso fluindo 
mais e mais suavemente, com o passar dos anos, sendo cada vez mais ditado em pentâ-
metro iâmbico e culminando ao ponto em que, os últimos capítulos, foram ditados com-
pletamente em versos brancos shakespearianos. 
Quanto ao Bill, já dissemos antes, ele sabia o que o Curso significava. É por isso 
que ele se referia a ele como o “Vedanta cristão”. Ele entendeu muito bem que se trata-
va um ensinamento puramente não dualista. Falaremos sobre Bill dentro em pouco. 
Ken Wapnick entrou em cena com Helen e Bill, depois que o Curso já havia 
terminado seu registro. A primeira versão do Curso que Ken viu foi a Versão Hugh 
Lynn Cayce. Obviamente, Ken não poderia, jamais, ter sido responsável por nenhuma 
das mudanças feitas no Urtext, que produziu a Versão Hugh Lynn Cayce. Ele, de fato, 
sugeriu a Helen que o Curso poderia ser mais profissional, com capítulos titulados me-
lhor, subseções, uma capitalização e pontuação mais consistente, e coisas do gênero. 
Helen, enquanto isso, queria omitir algumas coisas que Jesus disse, consideradas pesso-
ais e claramente dirigidas a ela, e a Bill, ou mais profissionais, só propriamente entendi-
veis por quem estivesse no campo profissional deles. Ela, até mesmo no Prefácio do 
Curso, faz referência a essas omissões. Nunca houve qualquer tentativa de ocultar, ou 
mentir, sobre isso. Tudo aconteceu na inocência, sem dolo, e nenhuma das alterações 
editoriais feitas teve qualquer efeito modificador, no que o Curso significa. Durante a 
editoração, Helen foi, o tempo todo, inspirada por Jesus. J não ditou a editoração, pro-
priamente dita, mas isso foi, por certo, por Helen estar, continuadamente, junto com ele, 
em espírito. 
GARY: Há um erudito, de nome Richard Smoley, sem conexão alguma com na-
da da controvérsia, então ele não teria nenhum machado para amolar, que escreveu um 
relatório a respeito das diferenças entre as três versões do Curso, e chegou à conclusão 
de que as diferenças encontradas entre elas eram, e eu transcrevo “Muito insignifican-
tes”. Quer uma maneira melhor de dizer a mesma coisa? 
PURSAH: Isso está correto. Essas diferenças ‘insignificantes’ não mudaram o 
sentido geral do Curso em nem um fiapo. Então continuemos a ver por um minuto al-
gumas das coisas que estão sendo ditas por pessoas que querem dedicar seu tempo con-
vencendo outros que haja algo de errado com a versão publicada do Curso, em vez de 
aplicar seu tempo aprendendo-o. Por exemplo, você mencionou que cerca de 25% dos 
cinco primeiros capítulos estão faltando. Bem, 25% soa como muita coisa, não é mes-
mo? Mas, numa declaração dessas ou ela é honesta, ou ela é intencionalmente engano-
sa? Não há 5 capítulos no Texto, há 31. Colocado no contexto de todo o Texto, Helen 
não omitiu 25% dele, mas apenas 3%. Ela tinha um equivalente de 692 páginas de Tex-
to que, quando publicadas, reteve 669 páginas, ou seja 97%. E o Texto é apenas uma 
parte do Curso! 
Hoje, no original em inglês, são 1.248 páginas, incluindo o Livro de Exercícios e 
o Manual para Professores. Se olharmos para a situação honestamente, então encontra-
mos que o que Helen omitiu, de todo o Curso, não foram 25%, mas 1,7%. Esses 1,7%, e 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 129/176 
sua maior parte é dos cinco primeiros capítulos, scribados durante os poucos primeiros 
meses difíceis, de adaptação de um processo que durou mais de sete anos. Porque estão 
algumas pessoas, hoje, focalizando, tão duramente, algumas mudanças no registro feito 
durante os primeiros cinco capítulos? Seria isso porque, fazendo assim, eles não teriam 
de aprender o Curso, e conseguem, simplesmente, encontrar justificativa para fazer o 
seu próprio curso? Isso nada mais é que uma ação diversionista do ego, introduzindo um 
problema falso, para manter as pessoas afastadas da verdade, agitadas e julgadoras, ou 
seja, no ataque, em vez de no amor. 
Você mencionou que o termo Filhos de Deus é muito usado, e que algumas pes-
soas vêem isso ao lerem os cinco primeiros capítulos, e, simplesmente, “sabem” que 
isso significa que Deus, de fato, criou indivíduos. Mas o que, efetivamente, “sabem” é 
uma interpretação totalmente equivocada de iniciantes do Curso. O fato de que o Curso 
usa o termo Filhos de Deus dificilmente seria uma revelação. Isso é usado, ao longo de 
todo o Curso, para se referir às partes aparentemente divididas da Filiação, as que pen-
sam (acreditam) estaremseparadas. O Curso também usa o termo Filho de Deus, no 
singular, para descrever o Cristo, que é a perfeita unicidade com Deus, e que é o que 
eles, realmente, são. O Curso é tão consistente a respeito disso, todo o tempo ao longo 
de todos os três livros, que, para atribuir qualquer outro significado ao termo é, no mí-
nimo, em uma palavra, inepto. 
Você também levantou os que alegam, vigorosamente, que o Curso afirma, sem 
dúvida, que você deve fazer certas coisas no mundo. Há uma citação antiga, no Curso, 
que diz: 
... escuta a minha voz, aprende a desfazer o erro e age para corrigi-lo. 
(T-1.III.1:6) 
Bem, o fazer, em qualquer caso, é entregar o assunto ao Divino Espírito Santo, que ha-
bita na mente – e conseguimos chamar isso de fazer, por envolver uma decisão e uma 
ação, se bem que só mental. Nunca se trata de fazer alguma coisa física no mundo. 
Nunca, jamais, em temo algum! Se você estiver inspirado a fazer algo, fisicamente, de-
pois de perdoar, ótimo. Faça! Mas esse jamais é o foco do Curso. Ensinar as pessoas a 
fazer coisas no mundo, diferente disso é completamente incorreto, em relação ao Curso. 
Ken Wapnick, um excelente erudito e agora o maior professor do Curso, entrou 
em cena, no Curso, em 1972, depois que Helen e Bill já estavam trabalhando com o 
Curso por mais de sete anos. Ken não havia trabalhado com ele, de forma alguma, àque-
le tempo. Ele era muito mais novo que eles, e eles detinham uma posição mais elevada 
do que ele, no trabalho. Então, eu tenho uma pergunta para você. Faz algum sentido 
pensar que Helen e Bill deixariam Ken mudar o Curso, ao seu bel prazer? Porque fariam 
isso? Você consegue, provavelmente, pensar numa dúzia de razões pelas quais eles não 
o deixariam fazer isso, mas você consegue pensar em uma única razão pela qual o dei-
xariam? Ken leu o Curso, pela primeira vez, em 1973, e, a partir daí, ajudou Helen a 
preparar sua edição, durante os dois anos seguintes. A própria Helen repassou cada pa-
lavra da edição publicada, para se assegurar de que estava correta. Ela foi a verdadeira 
editora, e quem tomou todas as decisões. 
Agora, falemos de Bill Thetford. Os críticos da versão publicada parecem sem-
pre invocar seu nome, como se ele jamais fosse consultado quanto à editoração final. 
Sejamos generosos e digamos que essa posição é fruto de ignorância e não de desones-
tidade. Foi Bill que insistiu que houvesse 50 princípios dos milagres no início, não 43 
ou 53, como estavam nas várias vezes que Helen redatilografou. Então, houve 50 prin-
cípios na versão final por sugestão e insistência de Bill. Nenhum material foi acrescen-
tado, ou deletado do Texto, para conseguir isso. Foi simplesmente rearranjado. Bill 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B. Camargo 130/176
também foi inflexível em relação ao parágrafo final do Texto, que ele achava que deve-
ria aparecer em uma única página, e não dividido. É dessa maneira que ele aparece, com 
todo destaque e importância. 
Soa isso como um homem que tenha sido alijado, descartado, alheio ao que se 
passava, e não tivesse sido consultado ou permitido dar sua opinião? Absolutamente 
não! A verdade é, Bill não era o tipo de homem que gostasse de prestar demasiada aten-
ção a detalhes, comumente requeridos numa editoração. Mas a ele era sempre mostrado 
o material editorado, toda vez que era introduzida alguma mudança, como um parágrafo 
que estava sendo mudado de lugar, e quando ele considerava que algo era importante, 
ele chamava a atenção, opinando. Essa é a maneira como tudo se passou. Então agora 
façamos a nossa própria pergunta, a esses que sempre encontram algo de sinistro em 
decisões normais de editoração, em vez de fazerem o Curso. 
Helen e Bill não estavam ambos suficientemente satisfeitos com a edição final 
de Um Curso em Milagres, para publicá-la (junto com Ken Wapnick, Judy Skutch e 
Bob Skutch) em nome da organização sem fins lucrativos, a Fundação para a Paz Interi-
or? Não foram eles os cinco membros originais? Helen não veio em pessoa à Califórnia 
com Bill, Ken e Judy, compartilhando o Curso, recém publicado, com as pessoas? Bill 
não apareceu nas câmeras, em mais de uma ocasião, e fez citações da versão publicada, 
e também não o usou, ele próprio, em grupos de estudo, na região de San Diego, para 
onde foi depois de se aposentar da Universidade? Aí vem nossa pergunta: Helen, nos 
cinco anos que sobreviveu ao Curso publicado, ou Bill, nos dez anos em que sobreviveu 
ao Curso publicado, qualquer um dos dois alguma vez fez algo ou disse algo, ostensivo 
ou sub-reptício, que sugerisse, direta ou indiretamente, que a versão final publicada do 
Curso não fosse a versão correta que as pessoas deveriam estudar? 
Isso é incorreto, na melhor, e desonesto, na pior das hipóteses, apresentar Bill 
como alguém completamente afastado da versão final publicada do Curso. E não penso 
que seja exagero dizer que ambos, Bill e Helen, apoiariam completamente isso, se aqui, 
em corpos, estivessem hoje. Então, em quem você irá crer, as pessoas que estavam lá, 
ou as pessoas que vieram junto depois, e queriam o Curso para elas mesmas, aparente-
mente, para que conseguissem fazê-lo ter o significado que quereriam que tivesse, ao 
invés de ter de estudá-lo (com o sentido que lhe foi dado por J, mantido e preservado 
por quem o editorou)? 
GARY: Amo suas perguntas retóricas. Obrigado, Pursah. Isso é uma verdadeira 
ajuda para mim. Quanto aos outros, deixemos que decidam. Mas você sabe, os argu-
mentos das pessoas, que divulgavam a controvérsia, nunca soaram verdadeiros para 
mim. Quero dizer, se o Divino Espírito Santo consegue ver tudo todo o tempo, querem 
que eu creia que J não sabia o que estava fazendo quando ele ditou – por sete anos e 
meio – seu Curso a Helen e Bill? E estão esses críticos dizendo que J não sabia – ante-
cipadamente – que Ken e Judy viriam para a cena? Estarão eles dizendo que J passaria 
pela registro escriba de Helen, e fazê-la atravessar tudo que houve enquanto anotava o 
Curso, por mais de sete anos, sabendo que sua mensagem não seria dada da maneira que 
ele a queria? Isso não faz qualquer sentido. De fato, isso soa como excremento. Efeti-
vamente, isso soa como um imenso, enorme monte de excremento. 
PURSAH: Não exagere isso. O ponto importante é o que importa: você tem a 
versão correta do Curso! E, certamente, J, quando escolheu trabalhar com Helen e Bill, 
sabia de tudo que iria acontecer. Se ele soubesse que não surtiria o efeito que ele queria, 
então porque ele o faria da forma que o fez? Ele consegue enxergar tudo que aconteceu 
ou alguma vez acontecerá, a partir do fim dos tempos, como o Curso ensina: 
 SUA REALIDADE IMORTAL – Gary R.Renard – Tradução M.Thereza de B.Camargo 131/176 
Ele reconheceu tudo que o tempo contém e o deu a todas as mentes para 
que cada uma pudesse determinar, de um ponto em que o tempo estava 
acabado, quando estaria liberada para a revelação e a eternidade. Já re-
petimos várias vezes antes que apenas fazes uma jornada que já termi-
nou. (E-pI.169.8:2-3) 
Ele também diz: 
... eu não escolho os canais de Deus de modo errado. (T-4.VI.6:3) 
Esses que sugerem que outra versão do Curso seja necessária, em lugar da autêntica, 
estão caindo numa armadilha, e armadilhas são só do ego. Como J diz no Curso: 
... e aqueles que buscam a controvérsia vão achá-la. Porém aqueles que 
buscam esclarecimento também vão encontrá-lo. Entretanto, têm de es-
tar dispostos a deixar de ver a controvérsia, reconhecendo que ela é uma 
defesa contra a verdade na forma de uma manobra de adiamento. (ET-
in. 2:1-3) 
Os buscadores de controvérsia, e os que a defendem, ao fazerem isso, conse-
guem uma coisa e só uma coisa. Eles manobram para distrair estudantes potencialmente 
bons que, de outra forma poderiam estudar o Curso, fazendo-os focalizar nas árvores, 
ao invés da floresta, e, assim, retardam sua experiência da verdade. Se essa é a desejada 
vocação dessas pessoas, que sejam bem-vindas a ela.

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