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Cuidados paliativos, conceitos e aplicabilidade

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Julia M

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Cuidados paliativos, 23.05.22, semana 02.
Conceitos e aplicabilidade
Conceitos
	Ortotanásia
Significa morte correta, no tempo correto, com alívio adequado dos sintomas, sem adiantar ou atrasar a morte, ou seja, a morte pelo seu processo natural e com sofrimento paliado.
Foco: proporcionar conforto ao paciente com doença em fase terminal que, diante do inevitável, terá uma morte menos dolorosa e mais digna.
	Distanásia
É a prática pela qual se prolonga, através de meios artificiais e desproporcionais, a vida de um enfermo incurável, com sofrimento. Também pode ser conhecida como “obstinação terapêutica”. A distanásia é uma questão bioética, pois representa o prolongamento não da vida, mas do processo de morte.
Exemplo: 97 anos, acamado há 15 anos, doença de Alzheimer, gastromizado, presença de úlcera grau IV, se houver uma PCR, não é obrigatório o médico reanimá-lo, pois as consequências da reanimação irão piorar ainda mais a condição atual. Se reanimar, levar para a UTI, dependente de hemodiálise, inúmeras fraturas pela reanimação distanásia. 
Não requer autorização formal da família, requer informações. 
O médico está respaldado a não fazer o que não é de benefício ao paciente. 
Extubação paliativa é um tema polêmico.
A obstinação terapêutica leva à superlotação de Unidades de Terapia Intensiva e Unidades de Urgência e Emergência, com aumento de custos em atendimentos de baixa qualidade, percebida por pacientes e seus familiares. Além disso, cada vez mais evidências corroboram que a distanásia, além de ser cara e sofrida, resulta em piores desfechos clínicos, como redução da sobrevida.
	Eutanásia
É o ato intencional de proporcionar a alguém uma morte indolor para aliviar o sofrimento causado por uma doença incurável ou dolorosa. A eutanásia é realizada por um profissional de saúde mediante pedido expresso da pessoa doente.
É permitido em alguns países.
	Suicídio assistido
É quando o próprio doente, tomando medicamentos letais prescritos por um médico, põe fim a sua vida.
Eutanásia nada tem a ver com cuidados paliativos.
	Mistanásia
Quando um indivíduo vulnerável socialmente é acometido de uma morte precoce, miserável e evitável como consequência da violação de seu direito à saúde.
Na maioria dos casos, a mistanásia atinge indivíduos excluídos do seio social que dependem das políticas públicas de saúde na garantia de sua dignidade, e mesmo assim, são expostos a situações de risco, em razão da burocracia exagerada, má gestão hospitalar, financeira e governamental, além da omissão estrutural.
Abandono terapêutico.
	Quando, onde e por quem?
Todas as medidas adequadas, proporcionais e que aliviam o sofrimento, respeitando os valores do paciente são ações paliativas.
O cuidado paliativo é contínuo no cuidado e caminha junto com o tratamento modificador de doença.
Cuidado paliativo soma, não subtrai.
Engloba desde o diagnóstico até a fase de luto.
No mundo ideal, o cuidado paliativo deve iniciar no diagnóstico.
	A família ou o paciente precisa autorizar o cuidado paliativo?
Não, não é preciso autorização para cuidar, para aliviar o sofrimento ou fazer o que é nosso dever ético e moral.
A família não precisa aceitar cuidados paliativos, ela precisa entender qual é o objetivo de cuidado adequado e nos ajudar com parceria a identificar isto.
	Onde é feito o CP?
Hospitalar: enfermarias, TUI, day hospital, urgência e emergência.
Ambulatorial: clínicas e consultórios. Ideal
Domiciliar.
Hospice.
Anualmente, mais de 100 milhões de pessoas necessitarão de cuidados paliativos, entretanto menos de 8% terão acesso a esses serviços.
	Pilares dos CP
- Apoio ao binômio família-paciente.
- Controle de sinais e sintomas.
- Comunicação eficaz.
- Equipe multidisciplinar.
	Indicações
De preferência desde o diagnóstico.
- Doença oncológica agressiva, metastática;
- Doenças crônico-degenerativas;
- Doenças cardiológicas – IC;
- Doenças renais;
- Doenças hepáticas;
- Doenças neurológicas;
- Doenças infecciosas.
Mais comum em doenças cardiológicas e oncológicas.
	SPICT – BR
	Paciente como centro do cuidado
É mais importante conhecer a pessoa que tem a doença do que a doença que a pessoa tem.
Deve ser abrangente e integral, contemplando os aspectos multidimensionais. 
É importante compreender quem é a pessoa doente, biografia, valores e preferências.
Binômio paciente família é muito importante.
	Aspectos do sofrimento humano
Dores visíveis: ansiedade, medo, sintomas depressivos, preocupação, irritabilidade e dificuldade de concentração.
Dores invisíveis: culpa, isolamento psíquico, luto antecipatório, perda de autonomia, entre outros.
	Ferramentas
	Comunicação;
	Trabalho em equipe;
	Avaliação prognóstica;
COMPLETAR.
	Comunicação
É um dos pilares da prática paliativista.
Nunca perguntamos à família diretamente sobre decisões e procedimentos técnicos, principalmente, os que não são indicados. Portanto, a família não decide sobre intubação, hemodiálise, reanimação etc. Da mesma forma que não decide sobre qual antibiótico ou técnica cirúrgica deve ser usada ou decide sobre realização de terapias que tecnicamente não tem indicação.
Não se entrega à família um cardápio para decidirem o que preferem. 
NUNCA perguntar a família: “quer que faça tudo?”.
	Ferramentas prognósticas
Influência COMPLETAR.
São scores semelhantes.
- PPS: quanto menor mais perto da morte.
- KPS
- ECOG
- PaP Score
- PPi
Cada especialidade tem seu diagnosticador. 
Cuidado paliativo não é uma alternativa de tratamento e sim uma parte complementar e vital de todo o acompanhamento do paciente.

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