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1 Neste capítulo, vamos tratar de assuntos relacionados ao comporta- mento do produtor. Particularidades sobre a função de produção, sobre produto marginal, médio e total são alguns pontos que trataremos para entendermos o que cerca o perfil do produtor. Também abordaremos as particularidades dos fatores de produção, que são os insumos necessá- rios para o desenvolvimento e venda de um produto. Por fim, serão apre- sentados entendimentos sobre práticas de curto e longo prazo, além de economias, deseconomia de escala e economia de escopo. A partir desses entendimentos, o objetivo desse capítulo é demons- trar que os fatores de produção de uma empresa são utilizados a fim de produzir produtos conforme a demanda do mercado e a oferta dos consumidores dispostos a consumi-los. Vamos à aula ?! Capítulo 5 Comportamento do produtor 2 Estratégias econômicas empresariais Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .1 Produção O processo que transforma os fatores que as empresas possuem em produtos a serem vendidos é chamado de produção. Além dos bens materiais produzidos, esse conceito se refere à serviços ofertados para população, como por exemplo, os transportes, as atividades bancárias, e outras tantas atividades. O processo de produção consiste na combinação de diferentes insu- mos, fatores de produção, com o objetivo de produzir um bem para ser ofertado para o mercado consumidor. As formas, as maneiras como esses insumos são alocados é chamado de processos ou métodos de produção, e estes processos podem ser intensivos em mão de obra, em capital ou em terra. Para decidir qual o processo de produção mais eficiente, do ponto de vista técnico ou tecnológico, deve-se comparar qual método utiliza menor quantidade de insumos para produzir uma certa quantidade de um bem. Já a eficiência econômica se relaciona aos menores custos de produção, ao processo mais barato. Cabe ao empresário combinar de forma mais eficiente os fatores de produção, para obter a quantidade de produto que deseja produzir (KRUGMAN, 2014; VARIAN, 2018). A relação entre quantidade de bem produzido e de insumos é cha- mada de função de produção, e cada uma é única para cada empre- sa. A teoria da produção trata justamente dessa relação tecnológica/ técnica entre a e os fatores de produção (inputs) e a quantidade física de produtos (outputs). Já, a teoria dos custos de produção relaciona os preços dos fatores de produção e a quantidade física de produtos (VASCONCELLOS, 2012). Ainda, de acordo com Vasconcellos (2012) a teoria da produção trata apenas de relações físicas, enquanto a teoria dos custos de produção envolve também os preços dos insumos. 3Comportamento do produtor M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. A fórmula abaixo representa a função de produção, que depende da quantidade de insumos utilizados. q = f (x1, x2, x3, ..., xn) = q Onde: q = é a quantidade produzida do bem ou serviço em um período de tempo; • x1, x2, x3, ..., xn = referem-se às quantidades utilizadas dos fato- res de produção; • f = indica que “q” depende de “x1, x2, x3, ..., xn”. Para efeitos didáticos, a função de produção utiliza somente duas variáveis N e K, e é apresentada como: q = f (N, K) Onde: • N = quantidade utilizada de mão de obra; • K = quantidade utilizada de capital; • Todas as variáveis (q, N, K) são adotadas em função de um perí- odo de tempo, como por exemplo, uma produção anual, mensal, trimestral; • Considera-se o nível tecnológico como dado (VASCONCELLOS, 2012). 2 Fatores de produção variáveis e fixos Os fatores de produção, ou seja os insumos a serem utilizados para se produzir um bem, variam entre os fatores de produção variáveis e os fatores de produção fixos. 4 Estratégias econômicas empresariais Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Os fatores de produção variáveis referem-se a quantidade de insumos utilizada que se alteram quando o volume de produção varia, como por exemplo, o número de funcionários, e quantidade de matérias-primas. Já as quantidades dos fatores de produção fixos não mudam, mes- mo quando a quantidade do produto varia, como por exemplo, as má- quinas de uma fábrica, os prédio de uma empresa, os computadores, e demais tecnologias. No entanto, esses insumos podem se alterar no longo prazo, ou seja, um período que é considerado suficientemente prolongado, a partir do momento que as empresas podem ajustar a quantidade de qualquer insumo alocado para a produção de seus pro- dutos (VASCONCELLOS, 2012, KRUGMAN, 2014). IMPORTANTE A situação é dita de longo prazo no momento que todos os fatores da função de produção são considerados variáveis. Já, o curto prazo é definido como o período em que ao menos um fator de produção se mantém fixo. Os fatores de curto e longo prazo se alteram de acordo com o tipo de produção. Por exemplo, o curto prazo para uma fábrica de tecelagem, que produz produtos que demandam a troca de maquinário com uma certa frequência é um. Já, quando analisamos uma empresa siderúrgi- ca, na qual suas instalações e tecnologias demoram mais para se de- preciarem, a definição de curto prazo é de um tempo maior. 2.1 Análise de curto prazo Para uma análise de curto prazo, tomemos uma função de produção com dois fatores, um variável e um fixo. A função é dada por: q = f(N, K) 5Comportamento do produtor M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Onde: q = quantidade; N = fator de produção variável. Nesse exemplo, é a mão de obra K = fator de produção fixo. Nesse exemplo, é o capital. No curto prazo, a quantidade produzida depende somente da varia- ção da quantidade utilizada de um fator variável, assim, quando há uma alteração na quantidade de mão de obra, a quantidade produzida tam- bém sofre alteração (VASCONCELLOS, 2012; VASCONCELLOS, 2015). A nova função de produção pode ser expressa como: q = f(N) 2.1.1 Produto total, produtividade média e produtividade marginal O produto total é definido como a quantidade produzida, por meio da utilização do fator variável de produção, mantendo fixa a quantidade dos demais fatores. Considerando dois fatores em uma fábrica de vidro, má- quinas (fixo) e número de funcionários (variável). Se várias combinações de máquinas e mão de obra forem feitas para produzir os potes de vidro, e se a quantidade de máquinas for mantida constante, os aumentos da pro- dução dependerão do aumento de funcionários trabalhando na fábrica. A produtividade média é dada pela relação entre a quantidade total produzida e a quantidade utilizada do fator. Considerando o cálculo para os fatores fixos e variáveis tem-se: a. produtividade média do capital b. produtividade média da mão de obra PMe$ = quantidade de produto número de máquinas PMe$ = quantidade de produto número de trabalhadores 6 Estratégias econômicas empresariais Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un om at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Por fim, a produtividade marginal é definida como quanto a produ- ção total varia, em relação à variação do fator de produção. Assim, Segundo Vasconcellos (2012, p. 73), produtividade marginal do fator “(…) é a relação entre as variações do produto total e as variações da quantidade utilizada do fator. Ou seja, é a variação do produto total quando ocorre uma variação no fator de produção”. Pode-se calcular as produtividades marginais para cada fator. a. produtividade marginal do capital, é definida pela fórmula: b. produtividade marginal da mão de obra, é definida pela fórmula: Especificamente no caso da agricultura, pode-se definir a produtivi- dade do fator terra, que refere-se à área cultivada em relação a produ- ção agrícola. Tem-se então: a. produtividade marginal da terra, é definida pela fórmula: b. produtividade média da terra, é definida pela fórmula: Exemplificando graficamente, a curva na figura 1 demonstra que, dada uma quantidade de insumo fixo, a quantidade de um bem produ- zido depende da quantidade de insumo variável, e essas combinações determinam a curva de produto total. PMg$ = quantidade de produto acréscimo de 1 unidade de capital PMg$ = quantidade de produto acréscimo de 1 unidade de mão de obra PMg$ = variação do produto acréscimo de 1 unidade de área cultivada PMe$ = quantidade produzida área cultivada 7Comportamento do produtor M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Gráfico 1 – Função de produção de sacas de trigo e curva do produto total Fonte: Adaptado de Krugman (2014). Nesse exemplo da figura, suponhamos uma fazenda produtora de trigo, e sua função de produção é determinada pela combinação de tra- balhadores e sacas produzidas. Nesse gráfico, o eixo vertical mede a quantidade de sacas de trigo e o eixo horizontal mostra o número de tra- balhadores empregados. Assim, o fator variável é o “trabalho”, e o fator fixo é a “quantidade de terra arável”. Observa-se que a curva de produto total tem uma inclinação crescente, o que significa que quanto mais tra- balhadores são empregados, maior será o número de sacas produzidas (KRUGMAN, 2014). Apesar de a curva de produto total ter inclinação crescente, à medida que se move mais à direita ela se torna mais achatada, assim, sua incli- nação não é constante. Quando nos referimos à variação na quantidade do produto que é gerada, a partir da adição de mais um trabalhador, estamos falando de produto marginal do trabalho (PMT). Quantidade de trigo (sacas) Quantidade de trabalhadores (trabalhadores)0 100 432 51 876 80 60 40 20 Produto total (PT)A adição de um segundo trabalhador leva a um aumento na produção de 17 sacas. A adição de um sétimo trabalhador leva a um aumento na produção de apenas 7 sacas. 0 1 2 3 4 5 0 19 36 51 64 75 19 17 15 13 11 9 6 7 8 84 91 96 7 5 Quantidade de trabalhadores Quantidade de trigo (sacas) Produto marginal do trabalho (sacas por trabalhador) 8 Estratégias econômicas empresariais Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .IMPORTANTE Segundo Krugman (2014, p.270) o produto marginal do trabalho é de- finido como: “a quantidade adicional de produto gerada por usar uma unidade a mais de trabalho, isto é, um trabalhador a mais. Em geral, o produto marginal de um insumo é a quantidade adicional de produto que é produzida através da utilização de mais uma unidade desse insumo”. O cálculo da produtividade marginal do trabalho é dado por: A figura 1 apresenta um gráfico mostrando a função de produção, e a tabela com os respectivos exemplos de valores de produto marginal do trabalho, dadas diferentes quantidades de trabalhadores, e suas res- pectivas produções de trigo. Assim, a curva mede a relação entre a quantidade de insumo variá- vel, número de trabalhadores, e a quantidade de sacas de trigo produzi- da, considerando um insumo fixo. A função de produção apresenta as relações entre o produto total e as quantidades de trabalhadores, com inclinação ascendente, assim, maior o número de trabalhadores empre- gados, mais trigo é produzido. Ao mesmo tempo, quanto mais empre- gados trabalham na fazenda, mais achatada a curva se torna, o que mostra que o produto marginal do trabalho é decrescente. Por meio da análise da tabela, é possível confirmar os valores do produto marginal do trabalho dada a variação do número de empregados e da quantidade produzida (KRUGMAN, 2014; VASCONCELLOS, 2015). IMPORTANTE O produto marginal de um insumo variável cai à medida que o número desse fator aumenta. Em geral, o produto marginal de um insumo cai à medida que o número de insumo utilizado aumenta, ou seja, há rendi- mentos decrescentes do insumo. No caso do insumo trabalho, mão de PMT = ∆Q ∆L 9Comportamento do produtor M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. obra, uma vez que observa-se rendimentos decrescentes do trabalho, a curva PMT é inclinada negativamente, e a quantidade de todos os outros insumos são fixos. Para ficar mais claro, consideremos agora um outro exemplo, este de produção de café, também com somente dois fatores, a terra onde se planta o café (insumo fixo) e a mão de obra utilizada (insumo vari- ável). Tomemos a figura a seguir, e consideremos agora um aumento maior do número de trabalhadores empregados. Figura 2 - Produto total Fonte: Adaptado de Vasconcellos (2012). Com esse panorama, pode-se disponibilizar diferentes combinações de terra e profissionais para trabalhar na lavoura, mantendo a área de terra arável. Com isso, os aumentos da produção dependerão do au- mento da mão de obra utilizada, e a produção de café crescerá somen- te até certo ponto, mas depois decrescerá. Isto é, a maior quantidade de homens trabalhando, associada à área fixa de terra, fará com que a produção aumente inicialmente a taxas crescentes. Porém, após um Produto total (toneladas) Número de trabalhadores 45 40 35 30 25 20 15 10 5 432 51 97 86 Produto total 10 Estratégias econômicas empresariais Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .determinado ponto a produção continuará aumentando, mas com taxas decrescentes, até atingir um máximo, e depois, finalmente cairá. Em outras palavras, num primeiro momento, o fazendeiro pode con- tratar mais e mais funcionários para trabalhar em sua lavoura, mas a partir de um dado momento, eles terão dificuldades cada vez maiores para trabalhar naquela terra, usando o número fixo de ferramentas e es- paço determinado de terra arável, uma vez que todos os demais fatores são mantidos fixos (KRUGMAN, 2014; VASCONCELLOS, 2012). Afigura abaixo representa as curvas de produtividade média e margi- nal, e estas são construídas a partir da curva do produto total. A chama- da lei dos rendimentos decrescentes deve obedecer dois parâmetros que ocorre somente no curto prazo, a produção depende de pelo menos um fator variável, e um insumo fixo. Mas se, por exemplo, a quantidade de terra produtiva variar, aumentado o tamanho da fazenda, a análise não seria mais de curto prazo e sim de longo prazo. Figura 3 - Produtividades média e marginal. Fonte: Adaptado de Vasconcellos (2012). Ainda de acordo com o gráfico, o produto marginal pode atingir va- lores negativos, no entanto na prática, se considerarmos uma fábrica Produtividades média e marginal da mão de obra (toneladas) Número de trabalhadores (milhares) 10 5 0 -5 PMeN PMgN 432 51 7 8 96 11Comportamento do produtor M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. como exemplo, antes disso ocorrer, o empresário racional irá investir em novos maquinários, ou aumentar o tamanho das instalações, ou simplesmente não contratar novos empregados. Agora consideremos outro exemplo, conforme tabela abaixo. Tomemos uma fazenda produtora de trigo, onde o valor fixo de capital, nesse caso é terra arável medida em metros quadrados, e esse fator não se altera. Verificamos que a produtividade média da mão de obra é crescente até o número de trabalhadores 400, e a partir de 500 traba- lhadores na fazenda, o aumento da produtividade começa a decair. O valor trabalho é o fator variável, e Produto Médio do Trabalho (PMeL) é calculado decorrente do produto total e número de trabalhadores. Quadro 1 – Relação entre as variáveis e a Produtividade média e marginal K = Capital (m²) L = Trabalho (cem trabalhadores) PT = Q (toneladas) PMeL = Q/L (toneladas/ cem trabalhadores) PMgL=ΔQ/ΔL 1.000.000 1 6 6 ≤ 6 1.000.000 2 14 7 8 1.000.000 3 24 8 10 1.000.000 4 32 8 8 1.000.000 5 38 7,6 6 1.000.000 6 42 7 4 1.000.000 7 44 6,3 2 1.000.000 8 44 5,5 0 1.000.000 9 42 4,7 - 2 12 Estratégias econômicas empresariais Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .2.2 Análise de longo prazo Diferente do modelo de curto prazo, a hipótese de que todos os fa- tores são variáveis caracteriza a análise de longo prazo. A função de produção, simplificadamente, considera a participação de dois insumos de produção, e é representada por: q = f(N, K) Onde: • q = quantidade; • f = indica que “q” é função de “N” e “K”. • N = fator de produção variável. • K = fator de produção fixo. Como no longo prazo todos fatores de produção variam, como a ter- ra cultivável de uma fazenda, ou ainda, o tamanho de uma fábrica, surge o conceito de economias de escala (KRUGMAN, 2014; VASCONCELLOS, 2015; VARIAN, 2018). 2.2.1 Economias de escala ou rendimentos de escala No momento que uma empresa aumenta de tamanho, ou seja, quan- do há uma variação na quantidade de todos os insumos de produção utilizados, tem-se rendimentos de escala ou economias de escala. Os rendimentos de escala podem ser divididos em: • Economias de escala, rendimentos crescentes de escala • Rendimentos constantes de escala • Deseconomias de escala, rendimentos decrescentes de escala 13Comportamento do produtor M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Dizemos que há uma Economia de escala quando a variação na quantidade do produto total é mais do que proporcional à mudança da quantidade utilizada dos insumos de produção. Assim, economia de escala ocorre quando há aumento de escala de produção, leva a que- da no custo médio por item fabricado. Imaginemos o exemplo, onde a produtividade dos fatores aumenta, como um aumento de 20% de um fator, e com isso se obtém um aumento de produção de 60%, o que significa que a produtividade dos fatores cresceu. Esse modelo acontece, quando, por exemplo a empresa cresce, ou quando há maior especialização no trabalho. Nos Rendimentos constantes de escala a variação da produção acontece na mesma proporção ao aumento ou diminuição da quantida- de utilizada dos fatores de produção, mantendo-se o custo médio cons- tante. Como em um exemplo, que haja crescimento de utilização dos fatores em 20%, e o produto também cresce em 20%. Por fim, temos uma deseconomia de escala quando a alteração do produto é menor do que a variação na utilização dos fatores ocorre dese- conomia de escala, e os custos médios são crescente. Quando há queda na produtividade, há um aumento, por exemplo da utilização dos fatores em 20% e o produto cresce em 15%. A deseconomia acontece quando o aumento de produção obtido não responde a um crescimento de inves- timento na empresa, como uma ampliação de uma fábrica, por exemplo (VASCONCELLOS, 2012; VASCONCELLOS, 2015; VARIAN, 2018). 3 Economia de Escopo A economia de escopo ocorre quando uma empresa produz mais de um tipo de bem, e, geralmente esses bens estão relacionados. As empresas que trabalham em economia de escopo, geralmente tem vantagens de produção ou de custo. Por exemplo, mais de um produto produzido podem compartilhar a mesma administração empresarial, ou 14 Estratégias econômicas empresariais Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .usar custos mais reduzidos de estratégias de marketing similares, ou utilizar a mesma estrutura de produção ou insumos. Como por exemplo, o dono de uma granja que vende frangos e ovos, ou uma indústria automotiva que utilizando alguns insumos iguais para produzir bens diferentes, como a produção de carros e caminhões. Podem ocorrer também casos em que uma fábrica produz um produto, e sua produção gera resíduos, como a fabricação de chapas de aço, que gera sucata, ou rebarbas do material que podem ser revendidas, ou até mesmo reutilizadas. Assim, enquanto outras empresas se concentram na fabricação de um produto somente, a economia de escopo trabalha com mais de um (PINDYCK, RUBINFIELD, 2010). O entendimento de que uma empresa diversifica seus bens produzi- dos está associado com a otimização dos negócios e redução de custos. Consideramos dois produtos tratores e carros, não necessariamente pro- duzidos na mesma fábrica, porém com a mesma administração, que pre- cisam de mão de obra especializada e equipamentos semelhantes. Para esse exemplo, tem-se o gráfico abaixo, que mostra as diferentes combi- nações entre os dois bens, nas chamadas curvas de transformação. IMPORTANTE A curva de transformação se refere as combinações de produção de dois bens, utilizando a mesma quantidade de insumos. Assim, conforme apresentado na figura a seguir, a curva O1 utiliza uma combinação de máquinas e mão de obra menor que a curva O2. A concavidade das curvas refere-se ao fato de que existem economias de escopo de produção, assim se fosse uma reta, a produção conjunta não teria ganhos. Isso ocorre, porque com os mesmos insumos é possível produzir uma quantidade maior dos dois bens, do que se produzissemem estruturas totalmente separadas. 15Comportamento do produtor M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 4 –Curva de transformação Fonte: Adaptado de Pindyck, Rubinfield (2010). É interessante notar, que quando há economia de escopo, o custo de produção de uma empresa, que opte por produzir bens diversos é me- nor do que empresas que produzem separadamente. Em outras pala- vras, tomando ainda o exemplo do setor automobilísitico, se existe uma fábrica (A) que produz trator e carros, e outra fábrica (B) que produz somente trator. Nesse caso, a empresa A oferta tratores com um custo menor que a fábrica B, assim, entende-se que quando há economia de escopo, o custo de produção de se produzir mais de um bem, é menor que fabricar um produto somente. Considerações finais Neste capítulo demonstramos que os fatores de produção de uma empresa utilizados determinam a função de produção, que representa a relação entre os insumos e o bem produzido. Observa-se dois momen- tos, de curto e longo prazo. No curto prazo, somente há variação de um insumo, o variável, e não há mudança na quantidade de insumo fixo. Já no longo prazo, as quantidades de todos os fatores podem variar. Número de automóveis Número de tratores 01 02 0 16 Estratégias econômicas empresariais Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .No curto prazo, a curva de produção, ou curva de produto total, apre- senta as relações entre quantidade de produto e quantidades de insumo variável. A partir dessa função, é possível determinar a curva de produto marginal de um insumo, que se refere ao aumento de produto quando se utiliza uma unidade de insumo a mais na produção. Esse produto marginal decresce conforme o insumo é utilizado, considerando fixas as quantidades de todos os demais fatores. Esses comportamentos têm como consequência, rendimentos decrescentes de um insumo. Já o produto marginal de um fator refere-se à relação entre a quantidade total produzida e a quantidade utilizada do fator. No longo prazo, os rendimentos crescentes de escala ocorrem, quando a variação na quantidade do produto total é mais do que pro- porcional à mudança da quantidade utilizada dos insumos de produ- ção. Já, quando a variação da produção ocorre na mesma proporção da variação da quantidade utilizada dos fatores de produção, tem-se rendimentos constantes de escala. Rendimentos decrescentes de es- cala ocorrem se a alteração do produto for menor do que a variação na utilização dos fatores. E, por fim, economia de escopo refere-se a quan- do uma empresa produz mais de um tipo de bem, e, geralmente essas empresas tem vantagens de produção ou de custo. Referências KRUGMAN, P. Microeconomia. São Paulo: Atlas, 2014. E-book PINDYCK, R. S.; RUBINFIELD, D. L. Microeconomia. 4a edição. São Paulo: Makron Books, 2010. VASCONCELLOS, M. A. S. Economia Micro E Macro. São Paulo: Atlas, 2015. E-book VASCONCELLOS, M. A. S.; PINHO, D. B.; TONETO JR., R. Introdução à economia: São Paulo: Saraiva, 2012. Edição digital. VARIAN, H. Microeconomia: Uma abordagem moderna. São Paulo: Atlas, 2018. E-book