Prévia do material em texto
PRÁTICA JURÍDICA EM DIREITO PENAL Arquivo de aula PANORAMA DA PERSECUÇÃO PENAL “Persecução Criminal é todo o caminho trilhado pelo Estado a fim de se apurar a autoria e a materialidade de um delito para que ao final seja prolatada uma sentença penal justa.” (BELL0, 2020) Pode ser dividida em duas fases: investigativa e processual. INVESTIGAÇÃO PRELIMINAR Consiste na apuração da verdade (esclarecimento de fato) por meio de coleta de elementos de convicção sobre materialidade e autoria de suposta infração penal, com função de preservar direitos fundamentais e contribuir com a persecução penal, seja para subsidiar ação penal ou para fundamentar arquivamento. É atividade essencial e exclusiva do Estado exercida pela Polícia Judiciária, com presidência do Delegado de Polícia (art. 144, CF/88 e art. 2º, § 1º, Lei nº 12.830/13) ≠ preservação da ordem pública (prevenção) ≠ Acusação (art. 129, I, II e VIII, CF/88) ≠ Investigação criminal defensiva (Lei nº 13.432/17) ≠ Inteligência (art. 1º, § 2º, Lei nº 9.883/99) PROCEDIMENTOS DE INVESTIGAÇÃO POLICIAL TERMO CIRCUNSTANCIADO DE OCORRÊNCIA (TCO) – art. 61, Lei nº 9.099/95 BOLETIM DE OCORRÊNCIA CIRCUNSTANCIADO (BOC) – art. 173, ECA INQUÉRITO POLICIAL (IP) – art. 5º, CPP VERIFICAÇÃO DE PROCEDÊNCIA DA INFORMAÇÃO (VPI) – art. 5º, § 3º, CPP POLÍCIA ADMINISTRATIVA X POLÍCIA JUDICIÁRIA POLÍCIA ADMINISTRATIVA POLÍCIA JUDICIÁRIA Prevenção de infrações penais Repressão de infrações penais por meio de apuração (investigação) criminal PM, PRF, PFF Guarda municipal Polícia legislativa Polícia Civil Polícia Federal POLÍCIA ADMINISTRATIVA Polícia Militar: policiamento ostensivo das vias públicas (art. 144, § 5º, CF88; art. 3º, DL 667/69; art. 2º, D. 88.777/83); Polícia Rodoviária Federal: patrulhamento ostensivo das rodovias federais (art. 144, § 2º, CF/88; art. 2º-A, Lei nº 9.654/98); Polícia Ferroviária Federal: patrulhamento das ferrovias federais (art. 144, § 3º, CF/88); d) Guarda Municipal: policiamento ostensivo para proteção de bens e serviços e instalações municipais (art. 144, §8º, CF/88; art. 3º, III, Lei nº 13.022/14); e) Polícia Legislativa: manutenção da ordem pública, tanto não por haver autorização expressa para investigar, quanto por ser a atividade de polícia judiciária da União exclusiva da PF (art. 51, IV, 52, XIII e 32, § 3º, CF/88); f) Polícia Federal: polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras (art. 144, § 1º, II e III, CF/88). Órgãos de trânsito (art. 144, § 10, CF/88) – evitar ilícitos de trânsito, o que acata por evitar ilícitos penais. Sistema penitenciário (art. 144, VI, CF/88) – evitar cometimento de faltas disciplinares, o que evita a prática de crimes também. Perícia/polícia científica/polícia técnica – ajuda a desvendar crimes. POLÍCIA JUDICIÁRIA Polícia Federal (art. 144. § 1º, I e II, CF/88) Crimes contra a Segurança Nacional (Lei nº 7.170/83 + Lei nº 13.260/16) Crimes federais (art. 109, IV, CF/88) Crimes graves (repercussão interestadual e internacional – Lei nº 10.446/02) b) Polícia Civil (art. 144, § 4º, CF/88) – crimes estaduais, municipais e contra as SEM federais. QUAL A POSTURA DO ADVOGADO DURANTE A FASE PRELIMINAR? Durante a investigação, a função principal do advogado é proteger os direitos e garantias de seu cliente, ora indiciado, termo mais técnico para ser utilizado nesse momento, até porque acusado é o nome daquele que já está sendo processado. Eventuais arbitrariedades ou desrespeitos devem ser objeto de intervenção jurídica protetiva por parte do advogado. Ainda, eventuais medidas judiciais só são permitidas por quem tem capacidade postulatória, como os pedidos de relaxamento de prisão, liberdade provisória e revogação da prisão preventiva. Evidentemente que o habeas corpus também poderá ser impetrado, mas não existe a necessidade de isso ocorrer por meio de advogado, como todos nós sabemos (BELLO, 2020). DEVIDO PROCESSO LEGAL x art. 6º, CPP CONTRADITÓRIO Art. 7º, EOAB (Lei nº 8.906/1994: XXI – assistir a seus clientes investigados durante a apuração de infrações, sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento e, subsequentemente, de todos os elementos investigatórios e probatórios dele decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no curso da respectiva apuração. AMPLA DEFESA CF/88: Art. 5.º (...) LXIII – o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado. CPP: Art. 186. Depois de devidamente qualificado e cientificado do inteiro teor da acusação, o acusado será informado pelo juiz, antes de iniciar o interrogatório, do seu direito de permanecer calado e de não responder perguntas que lhe forem formuladas. (Redação dada pela Lei 10.792, de 1.º.12.2003) Mandado de Segurança. 2. Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados. Instauração de processo por quebra de decoro parlamentar contra deputado federal. Ampla defesa e contraditório. Licença médica. 3. As garantias constitucionais fundamentais em matéria de processo, judicial ou administrativo, estão destinadas a assegurar, em essência, a ampla defesa, o contraditório e o devido processo legal em sua totalidade, formal e material (art. 5.º, LIV e LV, da Constituição). 4. O processo administrativo-parlamentar por quebra de decoro parlamentar instaurado contra deputado federal encontra sua disciplina no Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados e no Regulamento do Conselho de Ética daquela Casa Legislativa, a partir do disposto nos incisos III e IV do art. 51 da Constituição, e se legitima perante o rol dos direitos e garantias fundamentais da Carta de 1988 quando seus dispositivos são fixados pela competente autoridade do Poder Legislativo e preveem ampla possibilidade de defesa e de contraditório, inclusive de natureza técnica, aos acusados. 5. Tal como ocorre no processo penal, no processo administrativo-parlamentar por quebra de decoro parlamentar o acompanhamento dos atos e termos do processo é função ordinária do profissional da advocacia, no exercício da representação do seu cliente, quanto atua no sentido de constituir espécie de defesa técnica. A ausência pessoal do acusado, salvo se a legislação aplicável à espécie assim expressamente o exigisse, não compromete o exercício daquela função pelo profissional da advocacia, razão pela qual neste fato não se caracteriza qualquer espécie de infração aos direitos processuais constitucionais da ampla defesa ou do contraditório. 6. Ordem indeferida (MS 25.917/DF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 01.06.2006). SIGILO CPP: Art.20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. CF/88: Art. 5.º (...) LX – a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem; Súmula Vinculante 14: É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa. EOAB: XIV – examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital. A REDAÇÃO FORENSE SABBAG: “O Direito é a profissão da palavra, e o operador do Direito, mais que qualquer outro profissional, precisa saber usá-la com conhecimento, tática e habilidade. Deve-se prestar muita atenção à principal ferramenta de trabalho que é a apalavra escrita e falada, procurando transmitir melhor o pensamento com elegância, brevidade e clareza.” SABBAG: “Não se pode confundir a linguagem polida ou solene com expressões de subserviência, oriundas de um anacronismo extemporâneo, tais como os termos ‘suplicante’e ‘suplicado’. Tais vocábulos são resquícios de vassalagem, vindos do tempo da Casa de Suplicação, já sepultada pela inexorabilidade dos séculos, mas não por alguns profissionais menos avisados. Como enfatiza Cândido Dinamarco, ‘O Juiz é homem de seu tempo’, que exerce uma das mais nobres atribuições conferidas às pessoas na sociedade organizada” SABBAG: “Por seu turno, o advogado exercita nobre mister ao meio social. Ambos, juiz e advogado, não necessitam expressar-se com a utilização de linguagem esotérica e retórica, quando não servil, sob pena de lhes servir o rótulo de ‘chatos’. Quem é o chato? Walter Winchell define com argúcia: ‘Chato: um sujeito que envolve uma ideia de dois minutos num palavreado de duas horas’”. A BOA LINGUAGEM Organização das ideias Correção Concisão Clareza Precisão Naturalidade Originalidade Nobreza Harmonia A PETIÇÃO INICIAL NASCIMENTO: “ constitui lição velha, desde os praxistas, que a Petição Inicial deve ser ‘silogismo’. O silogismo é um raciocínio, mediante o qual ‘da posição de duas coisas, decorre, outra, só por estas terem sido postas’ (Aristóteles); ou, mais simplesmente, é um argumento dedutivo formado de três proposições encadeadas, de tal modo que das duas primeiras se infere necessariamente a terceira. Essas proposições chamam-se premissa maior, premissa menor e conclusão.” FATO → premissa menor DIREITO → premissa maior PEDIDO → conclusão A articulação da petição TESE: é a exposição do tema, por meio de elaboração do parágrafo introdutório. Neste se transmite a ideia central, delineando o que se pretende expor nos articulados que serão a seguir expostos. Na introdução define-se o problema/objeto. DESENVOLVIMENTO OU ARGUMENTAÇÃO: a exposição dos argumentos norteadores da tese. Representa os parágrafos seguintes à introdução ou tese, nos quais fará o desenvolvimento da linha argumentativa, por meio de uma visão crítica do tema ora proposto. CONCLUSÃO: condensa a essência do conteúdo desenvolvido, reafirmando o posicionamento exposto na ‘tese’, permitindo-se uma efetiva ‘retomada’ daquela. SUBSTANTIVO ADJETIVO SENTENÇA Respeitável sentença ACÓRDÃO Venerando acórdão TRIBUNAL Egrégio Tribunal CÂMARA/TURMA JULGADORA Colenda Câmara RELATOR/DEFENSOR Culto Relator/ Nobre Defensor PATRONO Culto Patrono JUIZ Meritíssimo Juiz JUÍZO Digníssimo Juízo JULGADOR Ínclito Julgador PROMOTOR/PROCURADOR DE JUSTIÇA Nobre Promotor Elementos de ligação I Elementos de ligação II Qualificativo verbo Latim Nesse sentido Necessário se faz mencionar Ilustre Fulano Preconiza In verbis A esse propósito Faz-se mister trazer à colação Eminente Fulano Assevera Ipsis litteris Nesse diapasão Impende destacar o Renomado Fulano Aduz Verbis A corroborar o exposto acima Insta transcrever Ínclito Fulano Preleciona Ad litteram Nesse passo É de todo oportuno trazer à baila Preclaro Fulano obtempera Verbo ad verbum EVITE TROQUE POR Face às dificuldades, .... Em face das dificuldades,.... Diante das dificuldades,.... Ante as dificuldades, .... Perante o ocorrido, ..... Perante o ocorrido, .... Ante a isso, ..... Ante isso, .... Latimacetes Mutatis mutandis Sic A priori e a posteriori In casu Venia concessa In verbis Ex positis Ex vi In albis In pari causa In fine V.g./E. g. I. e. Apud Pari passu Inaudita altera parte Ipso facto (De) Per se Sine die Sine qua non Punctum pruriens – punctum saliens Habeas corpus Ab initio Ab irato Absente reo Ad cautelam Ad instar Ad libitum Ad nutum Ex professo In loco – in situ NOTITIA CRIMINIS NOME: Notícia crime ARTIGO: CPP: Art.5.º Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado: I – de ofício; II – mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou a requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo. PRAZO: - SERVE PARA: Iniciar o Inquérito Policial OBSERVAÇÕES: Não precisa ser elaborada por advogado Tem o único intuito de comunicar um eventual delito para que a Polícia Judiciária tenha condições mínimas de iniciar as investigações. Não gera obrigatoriedade na autoridade policial em iniciar o procedimento investigativo. Pode ser apresentada de forma oral. As testemunhas serão arroladas, evidentemente, se tivermos subsídios para inserirmos. A capitulação jurídica pode ser colocada, apesar de não ser exigido pelo noticiante conhecimento jurídico. MODELO DE PEÇA EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DELEGADO DE POLÍCIA TITULAR DA DELEGACIA DE ______________ DO ESTADO______________ (linhas) ________________ (nome + qualificação completa), vem por seu advogado infra-assinado, com fundamento no artigo 5.º, II,1 do Código de Processo Penal apresentar, NOTÍCIA-CRIME pelos motivos a seguir aduzidos: I – Dos Fatos → narrar os fatos de forma simples e reduzida. II – Do Direito → adaptação do que ocorreu no mundo dos fatos com preceitos legais. Colocar dispositivo de lei. III – Do Pedido Diante do exposto, requer a abertura do Inquérito Policial com intuito de se iniciarem as devidas investigações com o objetivo de se obter os indícios de autoria e a materialidade do delito. Requer ainda a notificação das testemunhas abaixo arroladas. Termos em que, Pede Deferimento, Município, data Advogado Inscrição n.º ROL DE TESTEMUNHAS: PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL Lourdes e sua família resolvem passar o feriado da semana santa em sua casa deverão no litoral fluminense na cidade de Búzios. Sua casa é lindíssima, bem localizada, perto da Rua das Pedras. A viagem transcorre com bastante tranquilidade, todos bem animados para curtir praias, piscina e esportes. Entretanto, ao chegarem perto da casa, notam 2 pessoas saindo correndo da mesma. Por ser noite, Lourdes e sua família não possuem condições de identificar quem seriam. Aproximam-se da casa e percebem que ela está arrombada. O marido de Lourdes é o primeiro a entrar e nota a casa revirada. No quarto do casal algumas joias que Lourdes havia deixado no final de semana anterior sumiram e seu marido nota que sumiram R$ 2.000,00 de seu armário. Inconformados, Lourdes e o marido ligam para você, advogado, a adotar a medida escrita inicial cabível para o fato apresentado. RELAXAMENTO DE PRISÃO NOME: Relaxamento de Prisão ARTIGO: Art. 5.º, LXV, da CF: a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária; Art. 310, I, do CPP: Ao receber o auto de prisão em flagrante, o juiz deverá fundamentadamente: I – relaxar a prisão ilegal; PRAZO: - SERVE PARA: Contracautela específica de uma prisão ilegal OBSERVAÇÕES: Peça jurídica interposta ao magistrado, na qual deve ser apenas demonstrada a ilegalidade da prisão. Muito utilizada para flagrantes considerados ilegais, tais como o forjado ou até mesmo em desrespeito ao art. 306 do Diploma Processual Penal. Nesse instante não se deve analisar o mérito da questão, e sim apenas o título prisional. Seu objetivo é o alvará de soltura. MODELO DE PEÇA EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA CRIMINAL DA COMARCA __________ DO ESTADO ______________ ________________ (nome + qualificação completa), vem por seu advogado infra-assinado, com fundamento no art. 5.º, LXV, da Constituição da República c/c art. 310, I, do CPP, requerer, por ser medida de justiça, com base nos fatos e fundamentos abaixo RELAXAMENTO DE PRISÃO, I – Dos Fatos II – Dos Fundamentos (demonstração da ilegalidade da prisão) III – Do Pedido Isto posto, requer, imediatamente, que seja reconhecida a ilegalidade da prisão e, concedido o presente Relaxamento de Prisão, nos termos do já citado artigo constitucional, com a consequente expedição de Alvará de Soltura. N. Termos P. Deferimento, Município, Data Advogado PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – VI EXAME No dia 10 de março de 2011, após ingerir um litro de vinho na sede de sua fazenda, José Alves pegou seu automóvel e passou a conduzi-lo ao longo da estrada que tangencia sua propriedade rural. Após percorrer cerca de dois quilômetros na estrada absolutamente deserta, José Alves foi surpreendido por uma equipe da PolíciaMilitar que lá estava a fim de procurar um indivíduo foragido do presídio da localidade. Abordado pelos policiais, José Alves saiu de seu veículo trôpego e exalando forte odor de álcool, oportunidade em que, de maneira incisiva, os policiais lhe compeliram a realizar um teste de alcoolemia em aparelho de ar alveolar. Realizado o teste, foi constatado que José Alves tinha concentração de álcool de um miligrama por litro de ar expelido pelos pulmões, razão pela qual os policiais o conduziram à Unidade de Polícia Judiciária, onde foi lavrado Auto de Prisão em Flagrante pela prática do crime previsto no art. 306 da Lei 9.503/1997, c/c art. 2.º, inciso II, do Decreto 6.488/2008, sendo-lhe negado no referido Auto de Prisão em Flagrante o direito de entrevistar-se com seus advogados ou com seus familiares. Dois dias após a lavratura do Auto de Prisão em Flagrante, em razão de José Alves ter permanecido encarcerado na Delegacia de Polícia, você é procurado pela família do preso, sob protestos de que não conseguiam vê-lo e de que o delegado não comunicara o fato ao juízo competente, tampouco à Defensoria Pública. Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima, na qualidade de advogado de José Alves, redija a peça cabível, exclusiva de advogado, no que tange à liberdade de seu cliente, questionando, em juízo, eventuais ilegalidades praticadas pela Autoridade Policial, alegando para tanto toda a matéria de direito pertinente ao caso. PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL 2 Vitinho, famoso assaltante de carros na área do Batel em Curitiba – Paraná, está sendo procurado pela polícia local. Ao que tudo indica, em todos os finais de semana o famoso gatuno ataca perto da área de bares e restaurantes. O Delegado com atribuição na área, pressionado pelo Governo do Estado, adota algumas medidas urgentes para prender o assaltante o mais rápido possível. Destaca dois agentes de sua equipe para montarem uma operação na área. Primeiramente utilizam um carro importado dos mais caros que se localiza apreendido no pátio da delegacia com a intenção de colocá-lo em uma das ruas do Batel com a luz interna ligada com a intenção única e exclusiva de motivar a ação criminosa. Em segundo lugar, os dois agentes, disfarçados, se colocam em pontos estratégicos da localidade com uma boa visão do carro importado e de toda a área. No segundo dia de operação, o famoso assaltante aparece no local e, sem pestanejar, se interessa pelo carro importado colocado pelos policiais. Já dentro do carro, tentando fazer a famosa ligação direta, Vitinho é abordado e preso pelos policiais. Encaminhado ao Distrito Policial, todas as formalidades são cumpridas, inclusive a comunicação ao advogado. Você, nesta condição, qual medida, exclusiva de advogado, adotaria? LIBERDADE PROVISÓRIA NOME: Liberdade Provisória ARTIGOS: Art. 5.º, LXVI, da CF: ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança; Art. 310, III, do CPP: Ao receber o auto de prisão em flagrante, o juiz deverá fundamentadamente: (...) III – conceder liberdade provisória, com ou sem fiança. Parágrafo único. Se o juiz verificar, pelo auto de prisão em flagrante, que o agente praticou o fato nas condições constantes dos incisos I a III do caput do art. 23 do Decreto-lei n.º 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal, poderá, fundamentadamente, conceder ao acusado liberdade provisória, mediante termo de comparecimento a todos os atos processuais, sob pena de revogação. ARTIGO: Art. 321. Ausentes os requisitos que autorizam a decretação da prisão preventiva, o juiz deverá conceder liberdade provisória, impondo, se for o caso, as medidas cautelares previstas no art. 319 deste Código e observados os critérios constantes do art. 282 deste Código. I – Revogado II – Revogado Art. 322. A autoridade policial somente poderá conceder fiança nos casos de infração cuja pena privativa de liberdade máxima não seja superior a 4 (quatro) anos. Parágrafo único. Nos demais casos, a fiança será requerida ao juiz, que decidirá em 48 (quarenta e oito) horas. PRAZO: - SERVE PARA: Contracautela específica de uma prisão em flagrante legal, porém não necessária. OBSERVAÇÕES: Mais uma peça jurídica direcionada ao magistrado e que tem por objetivo possibilitar que o indiciado ou acusado possa responder em liberdade. Não uma liberdade plena, mas uma liberdade vinculada, principalmente com o comprometimento de comparecer a todos os atos processuais. Esta peça também se reveste de certa simplicidade em sua feitura, pois se exige apenas a demonstração dos requisitos autorizadores da medida de liberdade provisória. Não se enfrenta o mérito da questão. → Sistema polimorfo → A liberdade provisória é uma medida alternativa, de caráter substitutivo em relação à prisão preventiva, que fica efetivamente reservada para os casos graves, em que sua necessidade estaria legitimada. → É a liberdade provisória uma forma de evitar que o agente preso em flagrante tenha sua detenção convertida em prisão preventiva. Daí por que, quando um juiz nega o pedido de liberdade provisória da defesa, homologa a prisão em flagrante e decreta a prisão preventiva atendendo o requerimento do Ministério Público, o habeas corpus impetrado será para obter a concessão de liberdade provisória (que deveria ter sido concedida antes, mas não o foi) e não para revogação da prisão preventiva; ou ainda para obter a substituição da prisão preventiva por uma medida cautelar diversa (LOPES JR., 2020). E quando há prisão em flagrante, servindo de medida preparatória para a decretação da prisão preventiva, e, posteriormente, esse fundamento (periculum libertatis) desaparece, é caso de revogação ou de concessão de liberdade provisória? É caso de revogação. O desaparecimento do suporte fático, da situação acautelatória que suporta a prisão preventiva (periculum libertatis), conduz à revogação da medida cautelar (LOPES JR., 2020). Regime Jurídico da Liberdade Provisória a) Liberdade provisória com fiança; b) Liberdade provisória com fiança e outra(s) medida(s) cautelar(es) diversa(s) prevista(s) no art. 319 do CPP; c) Liberdade provisória sem fiança, mas com a submissão à(s) medida(s) cautelar(es) diversa(s) prevista(s) no art. 319 do CPP; d) Liberdade provisória sem fiança, mas com obrigação de comparecer a todos os atos do processo, quando o agente praticar o fato ao abrigo de uma causa de exclusão da ilicitude (art. 310, parágrafo único). Da Fiança: é uma contracautela, uma garantia patrimonial, caução real, prestada pelo imputado e que se destina, inicialmente, ao pagamento das despesas processuais, multa e indenização, em caso de condenação, mas, também, como fator inibidor da fuga (LOPES JR., 2020). Art. 336. O dinheiro ou objetos dados como fiança servirão ao pagamento das custas, da indenização do dano, da prestação pecuniária e da multa, se o réu for condenado. Parágrafo único. Este dispositivo terá aplicação ainda no caso da prescrição depois da sentença condenatória. A fiança passa a ter duas dimensões de atuação: Aplicada no momento da concessão da liberdade provisória – art. 310 – portanto, como condição imposta neste momento e vinculada à liberdade provisória; 2. Como medida cautelar diversa (art. 319). a) Valor: - Fixada em salários mínimos, a fiança deve observar o binômio gravidade do delito e possibilidade econômica do agente, nos termos dos arts. 325 e 326 do CPP. Art. 330. A fiança, que será sempre definitiva, consistirá em depósito de dinheiro, pedras, objetos ou metais preciosos, títulos da dívida pública, federal, estadual ou municipal, ou em hipoteca inscrita em primeiro lugar. b) Quem pode conceder: A fiança, conforme as situações anteriormente explicadas, poderá ser imposta em qualquer fase da investigação ou do processo (até o trânsito em julgado), tanto pela autoridade judicial com também policial. A fiança imposta pela polícia está limitada pelo art. 322 c) Dispensa depagamento: Se as condições econômicas do imputado forem desfavoráveis e ele não tiver condições de arcar com a fiança, o art. 350 autoriza o juiz a conceder a liberdade provisória sem o pagamento, mas subordinando as condições dos arts. 327 e 328. Além delas, poderá o juiz aplicar outras medidas cautelares diversas, previstas no art. 319, conforme a necessidade da situação. d) Reforço: Nos termos do art. 340 do CPP, será exigido o reforço da fiança, ou seja, um acréscimo a ser pago pelo imputado, quando: I. a autoridade tomar, por engano, fiança insuficiente; II. houver depreciação material ou perecimento dos bens caucionados; III. for inovada a classificação do delito, nos termos dos arts. 383 ou 384, para um crime mais grave. e) Destinação: Se o réu for condenado e se apresentar para cumprir a pena imposta, ser-lhe-á devolvido o valor dado em garantia, abatendo-se o valor das custas, multa e indenização (aquela fixada na sentença penal). Se absolvido, a fiança é deixada sem efeito, devolvendo-lhe todos os valores. Neste sentido, é importante a leitura dos arts. 336 e 337. f) Cassação: Quando incabível a fiança, nos termos dos arts. 338 e 339, deverá a fiança ser cassada e os valores serem devolvidos integralmente ao réu. Não se impõe prisão automática pela cassação. A situação fática deve ser avaliada à luz do sistema cautelar e, se necessários e presentes o fumus commissi delicti e o periculum libertatis, poderá ser aplicada outra medida cautelar diversa, de forma isolada ou cumulativa e, em último caso, decretada a prisão preventiva. g) Quebramento: Art. 341. Julgar-se-á quebrada a fiança quando o acusado: I – regularmente intimado para ato do processo, deixar de comparecer, sem motivo justo; II – deliberadamente praticar ato de obstrução ao andamento do processo; III – descumprir medida cautelar imposta cumulativamente com a fiança; IV – resistir injustificadamente a ordem judicial; V – praticar nova infração penal dolosa. h) Consequências do quebramento: Art. 343. O quebramento injustificado da fiança importará na perda de metade do seu valor, cabendo ao juiz decidir sobre a imposição de outras medidas cautelares ou, se for o caso, a decretação da prisão preventiva. i) Perda: Art. 344. Entender-se-á perdido, na totalidade, o valor da fiança, se, condenado, o acusado não se apresentar para o início do cumprimento da pena definitivamente imposta. MODELO DE PEÇA EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA CRIMINAL DA COMARCA __________ DO ESTADO ______________ ________________ (nome + qualificação completa), vem por seu advogado infra-assinado, com fundamento no art. 5.º, LXVI, da Constituição da República combinado com o art. 321 do Código de Processo Penal, requerer, com base nos fatos e fundamentos abaixo LIBERDADE PROVISÓRIA, I – Dos Fatos II – Dos Fundamentos (demonstração da possibilidade de responder em liberdade provisória) III – Do Pedido Isto posto, requer, imediatamente, que seja concedida a liberdade provisória, nos termos do já citado artigo constitucional, com a consequente expedição de Alvará de Soltura. Caso V. Exa. entenda cabível, que se determine também a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão do art. 319 CPP. N. Termos P. Deferimento, Município, Data Advogado Inscrição n.º PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL Anderson é muito nervoso e quando ingere bebidas alcoólicas fica muito agressivo. Certa noite resolve sair para dançar com sua namorada em famosa boate de Belo Horizonte. A noite transcorria maravilhosamente bem até que, ao retornar do bar, vê sua namorada conversando com outro homem. Inconsequente, Anderson empurra o homem e quebra a garrafa de cerveja no braço da vítima, a deixando levemente sangrando. Os seguranças da boate levam os dois para fora do estabelecimento e chamam a polícia. Ambos dirigem-se ao distrito policial mais próximo e no caminho Anderson descobre que a vítima era amigo de infância de sua namorada. Mesmo assim é feito o relato do ocorrido com a vítima se mostrando interessada na persecução penal e Anderson é preso em flagrante com todas as formalidades cumpridas pelo ilustríssimo Delegado de Polícia. Anderson não se conforma com a prisão, informa a autoridade policial que nunca se envolveu em nenhum crime, tem bons antecedentes, é trabalhador de uma grande multinacional, tem residência fixa e ainda informa que cumprirá a qualquer intimação do Delegado. Anderson não imagina passar um minuto sequer no cárcere e está arrependido. Você, advogado, é acordado de madrugada para tomar a medida jurídica, exclusiva de advogado, mais urgente possível segundo recomendação de Anderson. REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA NOME: Revogação da Prisão Preventiva ARTIGO: Art. 316 do CPP: O juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no correr do processo, verificar a falta de motivo para que subsista, bem como de novo decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem. PRAZO: - SERVE: Contracautela específica de uma prisão preventiva legal, porém desnecessária, tendo em vista o desaparecimento dos requisitos desta. Utilizada para demonstrar que os requisitos ensejadores da prisão preventiva desapareceram. Este, na verdade, é o único objetivo dessa medida judicial, que também tem como consequência o pedido de alvará de soltura. Mais uma vez não se questiona o mérito da questão e sim apenas o título prisional. PRISÃO PREVENTIVA ANÁLISE DO ART. 311 DO CPP ANTES DA LEI Nº 13.964/19 DEPOIS DA LEI Nº 13.964/19 Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz, de ofício, se no curso da ação penal, ou a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial. Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial. LEI Nº 11.340/06 Art. 20. Em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal, caberá a prisão preventiva do agressor, decretada pelo juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou mediante representação da autoridade policial. PRESSUPOSTOS, FUNDAMENTOS E ADMISSIBILIDADE DA PRISÃO PREVENTIVA a) pressupostos positivos: para que a prisão preventiva seja decretada, é preciso estar presente a fumaça do cometimento do delito (fumus comissi delicti), prevista no caput do art. 312 do CPP que se caracteriza pela prova da existência do crime e indícios suficientes de autoria; b) fundamentos: para a decretação da prisão preventiva, é preciso estar presente perigo de colocar ou manter o agente em liberdade (periculum libertates), previsto no caput do art. 312 do CPP: c) pressupostos negativos: a prisão preventiva em nenhum caso será decretada se o juiz verificar pelas provas constantes dos autos ter o agente praticado o fato nas condições previstas no art. 23, CP. d) condições de admissibilidade da prisão preventiva ou também chamado de juízo de legalidade da prisão preventiva: deve haver a presença de ao menos uma das condições de admissibilidade (art. 313 do CPP): É última ratio. Art. 282 § 6º A prisão preventiva somente será determinada quando não for cabível a sua substituição por outra medida cautelar, observado o art. 319 deste Código, e o não cabimento da substituição por outra medida cautelar deverá ser justificado de forma fundamentada nos elementos presentes do caso concreto, de forma individualizada. ANTES DA LEI Nº 13.964/19 DEPOIS DA LEI Nº 13.964/19 Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria. Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instruçãocriminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria e de perigo gerado pelo estado de liberdade do imputado. § 1º A prisão preventiva também poderá ser decretada em caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas por força de outras medidas cautelares (art. 282, § 4º). §2° A decisão que decretar a prisão preventiva deve ser motivada e fundamentada em receio de perigo e existência concreta de fatos novos ou contemporâneos que justifiquem a aplicação da medida adotada. ORDEM PÚBLICA Admite a jurisprudência como conceito integrante de ordem pública: a) probabilidade de reiteração de condutas criminosas que pode ser aferida por investigações e ações penais em andamento. Nesse sentido: “inquéritos policiais e processos em andamento, embora não tenham o condão de exasperar a pena-base no momento da dosimetria da pena, são elementos aptos a demonstrar eventual reiteração delitiva, fundamento suficiente para a decretação da prisão preventiva” (STJ, RHC 055365/CE; RHC 054750/DF; RHC 052402/BA); b) probabilidade de reiteração de condutas criminosas que pode ser verificada pelos atos infracionais praticados quando era adolescente. Nesse sentido: A prática de atos infracionais anteriores serve para justificar a decretação ou manutenção da prisão preventiva como garantia da ordem pública, considerando que indicam que a personalidade do agente é voltada à criminalidade, havendo fundado receio de reiteração. Não é qualquer ato infracional, em qualquer circunstância, que pode ser utilizado para caracterizar a periculosidade e justificar a prisão antes da sentença. É necessário que o magistrado analise: a) a gravidade específica do ato infracional cometido; b) o tempo decorrido entre o ato infracional e o crime; e c) a comprovação efetiva da ocorrência do ato infracional (STJ. 3a Seção. RHC 63.855-MG, Rel. para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 11/5/2016). c) gravidade concreta do crime: A alusão genérica sobre a gravidade do delito, o clamor público ou a comoção social não constituem fundamentação idônea a autorizar a prisão preventiva (STJ, RHC 055070/MS; HC 311162/SP; HC 299666/SP; RHC 048058/BA; HC 270156/CE). A prisão cautelar deve ser fundamentada em elementos concretos que justifiquem, efetivamente, sua necessidade (STJ, HC 315093/SP; HC 311440/SP; RHC 056167/BA). Clamor social ou clamor público x ordem pública Não é lícito ao juiz emitir julgamentos com esteio em fatos que chegam ao seu conhecimento por vias estranhas ao processo. Os fatos que justificam a prisão preventiva devem ser contemporâneos à decisão que a decreta (STJ, HC 214921/PA; HC 299733/RJ). O entendimento jurisprudencial foi adicionado ao art. 312, § 2º, do CPP pela Lei Anticrime. Garantia da ordem pública: seria o risco de reiteração delituosa. É com base JUÍZO DE PERICULOSIDADE. Garantia da ordem econômica: seria o RISCO DE REITERAÇÃO DELITUOSA, só que nesse caso a reiteração do crime está relacionada aos crimes contra a ordem econômico-financeira (Lei 9.613/98; Lei 8.137 e Lei 7.492/86). Garantia de aplicação da Lei Penal: dados concretos demonstram que o acusado pretende fugir, inviabilizando assim a futura e possível aplicação da pena. Conveniência da instrução criminal: o correto é dizer que a prisão preventiva será decretada por NECESSIDADE da instrução criminal, e não por mera conveniência, uma vez que sua decretação visa impedir que o agente perturbe ou impeça a produção de provas, seja ameaçando as testemunhas, destruindo documentos, etc. CONDIÇÕES DE ADMISSIBILIDADE DA PRISÃO PREVENTIVA Art. 313. Nos termos do art. 312 deste Código, será admitida a decretação da prisão preventiva: I - nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos; II - se tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado, ressalvado o disposto no inciso I do caput do art. 64 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal; III - se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência; IV - (revogado). (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011). § 1º Também será admitida a prisão preventiva quando houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la, devendo o preso ser colocado imediatamente em liberdade após a identificação, salvo se outra hipótese recomendar a manutenção da medida. § 2º Não será admitida a decretação da prisão preventiva com a finalidade de antecipação de cumprimento de pena ou como decorrência imediata de investigação criminal ou da apresentação ou recebimento de denúncia. CPP: Art. 313. Nos termos do art. 312 deste Código, será admitida a decretação da prisão preventiva: I - nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos; Contravenção penal: não cabe prisão preventiva. Crimes culposos: não cabe prisão preventiva. E se nos casos houver qualificadoras? Majorantes? Privilégios? Nos casos em que houver já a estipulação do quanto pode ser aumentado ou diminuído, será levado em consideração o quantum para fins de fixação da decretação da prisão preventiva. CPP: Art. 313. II - se tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado, ressalvado o disposto no inciso I do caput do art. 64 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal; Reincidente específico em outro crime doloso, não basta a reincidência genérica. Na hipótese da prisão preventiva ser decretada com base no inciso II, não interessa o quantum da pena. CPP: Art. 313. III - se o crime envolver violência domestica e familiar contra a mulher (Lei 11.340/2006 – que define a violência doméstica – arts. 5º e 7º), criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência; Nessa hipótese, pouco importa o quantum de pena. Da análise do dispositivo acima transcrito, contemplamos que o legislador ampliou os sujeitos envolvidos na violência doméstica, englobando: Mulher; Criança – pessoa com ate 12 anos, segundo o art. 2° do ECA; Adolescente – pessoa entre 12 anos e 18 anos (Art. 2°, ECA); Idoso (Art. 1° - Estatuto do Idoso: ); Deficiente; Enfermo; CPP: § 1º Também será admitida a prisão preventiva quando houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la, devendo o preso ser colocado imediatamente em liberdade após a identificação, salvo se outra hipótese recomendar a manutenção da medida. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) Trata-se a referida hipótese de decretação da prisão preventiva para fins de realização da identificação criminal do sujeito. MODALIDADES DE PRISÃO PREVENTIVA Caberá prisão preventiva: a) como providência cautelar autônoma; b) como conversão do auto de prisão em flagrante em preventiva; c) como consequência do descumprimento de obrigação relativa à cautela pessoal imposta anteriormente (312, § 1º). SISTEMA RECURSAL Se o juiz de primeiro grau indeferir requerimento de prisão preventiva, ou revogar a medida, colocando o agente em liberdade, as duas decisões podem ser combatidas por meio do recurso em sentido estrito. Já se o juiz nega o pedido de revogação da preventiva, ou decreta a mesma, estas decisões, por ausência de previsão legal, não comportam recurso, cabendo a defesa invocar a ação de habeas corpus. APRESENTAÇÃO ESPONTÂNEA A apresentação espontânea do agente à autoridade ilide a prisão em flagrante, por ausência de previsão legal autorizando o flagrante nestas situações. Nada impede, uma vez presentes os requisitos legais, que se represente pela decretação da prisão preventiva (art. 312, CPP), ou até mesmo pela temporária (Lei nº 7.960/89). PREVENTIVA X EXCLUDENTE DE ILICITUDE A prisão preventivaem nenhum caso será decretada se o juiz verificar pelas provas constantes dos autos ter o agente praticado o fato sob o manto de excludente de ilicitude (art. 314, CPP). No caso de análise de auto de prisão em flagrante, se o juiz verificar que o agente praticou o fato em qualquer das condições das excludentes de ilicitude, poderá, fundamentadamente, conceder ao acusado liberdade provisória, mediante termo de comparecimento obrigatório a todos os atos processuais, sob pena de revogação (art. 310, § 1º, CPP). Em que pese o dispositivo legal tenha sido inserido pelo legislador no título relativo à “prisão, medidas cautelares e liberdade provisória”, resta evidente pela redação dada ao § 2º que não se aplica apenas no regime de prisões, mas também em qualquer sentença ou decisão no âmbito do processo penal dada a utilização da redação “qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão”. CARÁTER PROVISÓRIO DA PRISÃO PREVENTIVA (ART. 316, CAPUT, DO CPP) ANTES DA LEI Nº 13.964/19 DEPOIS DA LEI Nº 13.964/19 Art. 316. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no correr do processo, verificar a falta de motivo para que subsista, bem como de novo decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem. Art. 316. O juiz poderá, de ofício ou a pedido das partes, revogar a prisão preventiva se, no correr da investigação ou do processo, verificar a falta de motivo para que ela subsista, bem como novamente decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem. PRAZO PARA REVISÃO DA PRISÃO PREVENTIVA (ART. 316, PARÁGRAFO ÚNICO, CPP) ANTES DA LEI Nº 13.964/19 DEPOIS DA LEI Nº 13.964/19 Art. 316. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no correr do processo, verificar a falta de motivo para que subsista, bem como de novo decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem. Art. 316. (...) Parágrafo único. Decretada a prisão preventiva, deverá o órgão emissor da decisão revisar a necessidade de sua manutenção a cada 90 (noventa) dias, mediante decisão fundamentada, de ofício, sob pena de tornar a prisão ilegal. MODELO DE PEÇA EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA CRIMINAL DA COMARCA __________ DO ESTADO ________________ ________________ (nome + qualificação completa), vem por seu advogado infra-assinado, com fundamento no art. 310, II c/c art. 316 do Código de Processo Penal, requerer, com base nos fatos e fundamentos abaixo REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA, I – Dos Fatos II – Dos Fundamentos (demonstração do desaparecimento dos requisitos da prisão preventiva) III – Do Pedido Isto posto, requer, imediatamente, que seja concedida Revogação da Prisão Preventiva, nos termos do já citado artigo constitucional, com a consequente expedição de Alvará de Soltura. Subsidiariamente, caso Vossa Excelência entenda necessário e adequado que se adotem medidas cautelares diversas da prisão insculpidas no art. 319 do Diploma Processual Penal. N. Termos P. Deferimento, Município, Data Advogado Inscrição n.º PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL Rafael resolve entrar no mundo do crime. Sem esperança e sem emprego, entende que a única solução é falsificar notas de reais e colocá-las em circulação o mais rápido possível. Usa toda sua experiência de gráfico, desenhista e engenheiro. Adquire maquinário e monta, em sua residência, num dos cômodos, uma verdadeira sala de falsificações. As primeiras notas são idênticas, Rafael começa a gastá-las e seu comportamento extravagante começa a chamar a atenção de vizinhos que não o veem trabalhar e mesmo assim desfilando com carros importados e roupas novas. O fato é noticiado à polícia e a investigação começa. O ilustre Delegado procede com algumas diligências sigilosas, ouve testemunhas, recebe informações da receita federal e as suspeitas se tornam veementes. Lojistas e vendedores são ouvidos. Em um determinado dia, ao sair de uma loja de uma grife masculina famosa, um dos policiais se identifica à atendente e pergunta como Rafael pagou as mercadorias. A atendente informa que a compra alta foi toda paga em dinheiro vivo. Uma das notas é trocada pelo policial e este a leva para perícia. O resultado sai em alguns dias e é de falsificação quase perfeita de notas de R$ 100, R$ 50 e R$ 20. Munido desta informação, com base no art. 311 do CPP, o Delegado requer a imediata prisão preventiva de Rafael com base nos indícios de autoria, de materialidade, de garantia da ordem econômica, da garantia da ordem pública e da conveniência da instrução criminal. A ordem é deferida e o mandado judicial é expedido pelo juízo competente, mencionando-se inclusive que Rafael pode ser perigoso e integrar organização criminosa internacional de falsificadores. Rafael é preso em casa por volta das 12h do dia seguinte, levado à Delegacia e confessa ao Delegado informando que irá contribuir com as investigações. Você, contratado por Rafael, interponha medida jurídica cabível específica, diversa de Habeas Corpus, abordando todos os fatos e fundamentos jurídicos pertinentes. AÇÃO PENAL AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA: CP: Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça: Pena – reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave. Parágrafo único. A pena é duplicada: Aumento de pena I – se o crime é praticado por motivo egoístico; II – se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência. AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO CP: Art. 145. Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante queixa, salvo quando, no caso do art. 140, § 2.º, da violência resulta lesão corporal. Parágrafo único. Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso do inciso I do caput do art. 141 deste Código, e mediante representação do ofendido, no caso do inciso II do mesmo artigo, bem como no caso do § 3.º do art. 140 deste Código. (Redação dada pela Lei 12.033, de 2009). AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA A REQUISIÇÃO DO MINISTRO DA JUSTIÇA CP: Art. 141. As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço, se qualquer dos crimes é cometido: I – contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro; (...) Art. 145. (...) Parágrafo único. Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso do inciso I do caput do art. 141 deste Código, e mediante representação do ofendido, no caso do inciso II do mesmo artigo, bem como no caso do § 3.º do art. 140 deste Código. (Redação dada pela Lei 12.033, de 2009) AÇÃO PENAL PRIVADA PROPRIAMENTE DITA CP: Art. 145. Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante queixa, salvo quando, no caso do art. 140, § 2.º, da violência resulta lesão corporal. AÇÃO PENAL PRIVADA PERSONALÍSSIMA CP: Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento Art. 236. Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente, ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior: Pena – detenção, de seis meses a dois anos. Parágrafo único. A ação penal depende de queixa do contraente enganado e não pode ser intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que, por motivo de erro ou impedimento, anule o casamento. AÇÃO PENAL PRIVADA SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA CPP: Art.46. O prazo para oferecimento da denúncia, estando o réu preso, será de 5 dias, contado da data em que o órgão do Ministério Público receber os autos do inquérito policial, e de 15 dias, se o réu estiver solto ou afiançado. No último caso, se houver devolução do inquérito à autoridade policial (art. 16), contar-se-á o prazo da data em que o órgão do Ministério Público receber novamente os autos. REQUISITOS (Arts. 41 a 44 do CPP) CONDIÇÕES (Art. 395 do CPP) PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS Exposição do Fato Criminoso + Qualificação do Acusado ou Características + Classificação do Crime + Rol de Testemunhas+ Se for Ação Penal Privada, Procuração com Poderes Especiais Legitimidade da Parte + Interesse de Agir + Possibilidade Jurídica do Pedido + Justa Causa Existência: – Partes – Juiz Investido – Demanda Validade: – Juiz Competente – Imparcialidade – Capacidade dos Atos – Legitimidade Postulatória – Citação Válida QUEIXA-CRIME NOME: QUEIXA-CRIME ARTIGOS: Art. 38. Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou seu representante legal, decairá no direito de queixa ou de representação, se não o exercer dentro do prazo de seis meses, contado do dia em que vier a saber quem é o autor do crime, ou, no caso do art. 29, do dia em que se esgotar o prazo para o oferecimento da denúncia. ARTIGOS: Art.41. A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas. Art.44. A queixa poderá ser dada por procurador com poderes especiais, devendo constar do instrumento do mandato o nome do querelante e a menção do fato criminoso, salvo quando tais esclarecimentos dependerem de diligências que devem ser previamente requeridas no juízo criminal. PRAZO: 6 meses a contar do conhecimento da autoria. Serve para: Iniciar a fase processual da persecução criminal para aqueles crimes passíveis de ação penal privada. Observações: - Peça privativa do advogado. - Sua elaboração é bem simples (art. 41 do CPP), pois se trata de uma breve apresentação dos fatos narrados com sua devida demonstração da capitulação jurídica e final pedido de condenação. - Exige-se procuração com poderes especiais (art. 44 do CPP). - Vale ainda observar que é possível, na queixa-crime, no caso de concursos de crimes, mencionar, no mérito da peça, a modalidade de concurso, ou seja, material, formal ou crime continuado (arts. 69, 70 e 71 do CP). Exemplos: Calúnia (art. 138 do CP), difamação (art. 139 do CP), injúria (art. 140 do CP), esbulho possessório em propriedade particular sem violência (art. 161, II, do CP), dano por motivo egoístico arts. 163, IV, e 167 do CP), abandono de animais (arts. 164 a 167 do CP), fraude à execução (art. 179 do CP), violação aos direitos do autor (arts. 184 a 186 do CP), exercício arbitrário das próprias razões sem violência (art. 345 do CP). MODELO DE PEÇA EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ _______ DA(O) ____ DA COMARCA __________ DO ESTADO __________________ (linhas) ________________ (nome + qualificação completa), vem, por seu advogado infra-assinado, cuja procuração com poderes especiais nos moldes do art. 44 do CPP se apresenta, com fundamento nos arts. 30 e 41 do Código de Processo Penal combinado com o art. 100, § 2.º, do Código Penal, oferecer, tempestivamente, a presente QUEIXA-CRIME em face de __________________ (qualificação do acusado) pelos motivos a seguir aduzidos: I – Dos Fatos (...) → narrar os fatos de forma simples, reduzida, com descrição de todas as circunstâncias em que o crime ocorreu fornecidas no enunciado da questão. II – Do Direito (...) → adaptação do que ocorreu no mundo dos fatos com preceitos legais. Colocar dispositivo de lei. III – Dos Pedidos Diante do exposto, tendo o acusado infringido o(s) art.(s) ____ da Lei Penal Brasileira, requer a Vossa Excelência: a) recebimento da presente ação; b) que seja dada vista ao representante do Ministério Público; c) seja o mesmo citado para oferecimento de resposta; d) processado e ao final condenado criminalmente; e) que se determine a indenização a título do art. 387, IV, do CPP; f) notificação das testemunhas abaixo arroladas. Termos em que, Pede Deferimento, Município, data Advogado Inscrição n.º ROL DE TESTEMUNHAS: _________________ _________________ _________________ PEÇA PRÁTICO PROFISSIONAL – XV EXAME Enrico, engenheiro de uma renomada empresa da construção civil, possui um perfil em uma das redes sociais existentes na Internet e o utiliza diariamente para entrar em contato com seus amigos, parentes e colegas de trabalho. Enrico utiliza constantemente as ferramentas da Internet para contatos profissionais e lazer, como o fazem milhares de pessoas no mundo contemporâneo. No dia 19.04.2014, sábado, Enrico comemora aniversário e planeja, para a ocasião, uma reunião à noite com parentes e amigos para festejar a data em uma famosa churrascaria da cidade de Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Na manhã de seu aniversário, resolveu, então, enviar o convite por meio da rede social, publicando postagem alusiva à comemoração em seu perfil pessoal, para todos os seus contatos. Helena, vizinha e ex-namorada de Enrico, que também possui perfil na referida rede social e está adicionada nos contatos de seu ex, soube, assim, da festa e do motivo da comemoração. Então, de seu computador pessoal, instalado em sua residência, um prédio na praia de Icaraí, em Niterói, publicou na rede social uma mensagem no perfil pessoal de Enrico. Naquele momento, Helena, com o intuito de ofender o ex-namorado, publicou o seguinte comentário: “não sei o motivo da comemoração, já que Enrico não passa de um idiota, bêbado, irresponsável e sem vergonha!”, e, com o propósito de prejudicar Enrico perante seus colegas de trabalho e denegrir sua reputação acrescentou, ainda, “ele trabalha todo dia embriagado! No dia 10 do mês passado, ele cambaleava bêbado pelas ruas do Rio, inclusive, estava tão bêbado no horário do expediente que a empresa em que trabalha teve que chamar uma ambulância para socorrê-lo!”. Imediatamente, Enrico, que estava em seu apartamento e conectado à rede social por meio de seu tablet, recebeu a mensagem e visualizou a publicação com os comentários ofensivos de Helena em seu perfil pessoal. Enrico, mortificado, não sabia o que dizer aos amigos, em especial a Carlos, Miguel e Ramirez, que estavam ao seu lado naquele instante. Muito envergonhado, Enrico tentou disfarçar o constrangimento sofrido, mas perdeu todo o seu entusiasmo, e a festa comemorativa deixou de ser realizada. No dia seguinte, Enrico procurou a Delegacia de Polícia Especializada em Repressão aos Crimes de Informática e narrou os fatos à autoridade policial, entregando o conteúdo impresso da mensagem ofensiva e a página da rede social na Internet onde ela poderia ser visualizada. Passados cinco meses da data dos fatos, Enrico procurou seu escritório de advocacia e narrou os fatos acima. Você, na qualidade de advogado de Enrico, deve assisti-lo. Informa-se que a cidade de Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, possui Varas Criminais e Juizados Especiais Criminais. Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima, redija a peça cabível, excluindo a possibilidade de impetração de habeas corpus, sustentando, para tanto, as teses jurídicas pertinentes. A peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão. PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL 2 Renata, idealizando o sonho de que um dia exerceria a profissão de advogada, se inscreve no famoso exame da “OAB”. A bacharel, empolgada, conta para seu pai Reynaldo, que residia com ela e que pagava seus estudos, sobre a expectativa com a futura prova. O dia tão esperado chegou e como corolário Renata não obteve êxito no exame. Isso aconteceu por mais duas vezes. Renata não seguia as dicas dos professores para se acalmar e, achando que sabia demais, não fazia a linha do tempo do procedimento sugerida pela maioria dos professores. Quando o professor dizia que era para visualizar o procedimento, Renata achava que não precisava fazer isso. No dia 24 de janeiro de 2013, Renata foi numa festa sem a aprovação de seu pai, pois ele havia aconselhado a filha a não sair, pois deveria estudar. Desobedecendo-o, Renata saiu com os amigos André e Felipe, de forma sorrateira enquanto seu pai dormia. No meio da madrugada o pai descobriu que a filha não estava em casa. Em seguida se dirigiu ao localda festa, num badalado Hotel praiano, mandando parar a música e dizendo em alto e bom som: “Renata, sua vagabunda, você não trabalha, eu te sustento, você depende de mim, eu que mando em você”. A bacharel assustada e muito envergonhada com a presença do pai, tenta se esconder, não adiantando muito, pois seu pai se voltara para todo o público presente na ocasião dizendo: “É assim que vocês querem ficar? Reprovados na OAB? Eu faço de tudo para essa menina. Os melhores cursos, eles corrigem peças, são pacientes com os alunos, fazem monitoria, respondem e-mails e essa infeliz só quer saber de badalar, ficar no ‘facebook’ e comprar maquiagem. Chega bêbada em casa e diz que um dia vai ser juíza. O Brasil está perdido. Ouviram? Ela chega em casa transtornada e no dia seguinte fica o dia inteiro na cama dormindo e reclamando de dor de cabeça”. Enquanto todos riam, André e Felipe, que presenciaram tudo, levam Renata embora e procuram você, que foi amigo dela na época de faculdade e já possui habilitação da categoria tanto sonhada na ilustração acima. Foi inclusive colega dela de sala no curso preparatório, mas fez todas as peças, possuía letra boa e seguia as recomendações dos professores de não inventar e fazer a linha do procedimento para saber exatamente o que pedir nas peças. Assim, após ouvir o relato do que ocorrera, adote a medida judicial cabível no último dia do prazo. A DEFESA NO PROCESSO PENAL Dificuldades para capitulação penal “Demonização do direito ao silêncio” Absolvição nem sempre é possível recebimento da inicial trânsito em julgado *____________*___________*_________*________*_____ Data do crime publicação de sentença início da execução CP: Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, salvo o disposto no § 1o do art. 110 deste Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada ao crime, verificando-se: I - em vinte anos, se o máximo da pena é superior a doze; II - em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a oito anos e não excede a doze; III - em doze anos, se o máximo da pena é superior a quatro anos e não excede a oito; IV - em oito anos, se o máximo da pena é superior a dois anos e não excede a quatro; V - em quatro anos, se o máximo da pena é igual a um ano ou, sendo superior, não excede a dois; VI - em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1 (um) ano. CP: Art. 107 - Extingue-se a punibilidade: I - pela morte do agente; II - pela anistia, graça ou indulto; III - pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso; IV - pela prescrição, decadência ou perempção; V - pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação privada; VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite; VII - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005) VIII - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005) IX - pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei. Outras linhas argumentativas: - Hipóteses de nulidade (vide art. 564, CPP) Atipicidade do fato Se crime consumado ou tentado (art. 14 do CP) Se houve alguma interrupção voluntária nos atos de execução, configurando a desistência voluntária e o arrependimento eficaz (art. 15 do CP), se houve intenção, vontade (art. 18, I, do CP), ou falta do dever de cuidado (art. 18, II, do CP), e se houve erro. - Excludentes de ilicitude: legítima defesa (art. 23, II c/c o art. 25 do CP), estado de necessidade (art. 23, I c/c o art. 24 do CP), estrito cumprimento do dever legal (art. 23, III, do CP), exercício regular do direito (art. 23, III, do CP) e a causa supralegal de excludente de ilicitude, que é o consentimento do ofendido, em raros e poucos casos. Desclassificação. Sugerirmos um crime menos grave, retirarmos qualificadoras e até mesmo reconhecimentos de causas de diminuição. RESPOSTA DO ACUSADO OU RESPOSTA À ACUSAÇÃO Nome: Resposta à acusação Artigos: Art. 396. Nos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a denúncia ou queixa, o juiz, se não a rejeitar liminarmente, recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias. Art. 396-A. Na resposta, o acusado poderá arguir preliminares e alegar tudo o que interesse à sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo sua intimação, quando necessário. Serve para: Responder à acusação formalizada na inicial acusatória (denúncia ou queixa-crime). Observações: - Peça essencial para a defesa, em que deverão ser abordadas TODAS as teses defensivas, seguindo sempre aquela linha já estipulada da melhor tese em primeiro lugar. A melhor orientação no momento de elaboração desta peça processual é analisarmos se temos exceções (art. 95 do CPP) e preliminares. - Observemos que as exceções na prática podem e devem vir em apartado, como reza o art. 396-A, § 1.º, do CPP. Entretanto, para efeitos desta elaboração, elas deverão ser inseridas antes das preliminares. MODELO DE PEÇA EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA CRIMINAL DA COMARCA __________ DO ESTADO ______________ (linhas) Proc. n.º____________ ________________ (nome), já qualificado, vem por seu advogado infra-assinado, com fundamento nos arts. 396 e 396-A do CPP, apresentar RESPOSTA DO ACUSADO pelos motivos a seguir aduzidos. 1 – Dos Fatos (...) 2 – Das Exceções (art. 95, CPP) (...) 3 – Pelo Não Recebimento da Ação Penal (art. 395, CPP) (...) 4 – Das Preliminares (...) 5 – Do Direito (...) 6 – Das Provas (...) 7 – Do Pedido (...) 8 – Das Testemunhas (...) Termos em que, Pede Deferimento, Município, data Advogado Inscrição n.º PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – II EXAME A Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Sul recebe notícia-crime identificada, imputando a Maria Campos a prática de crime, eis que mandaria crianças brasileiras para o estrangeiro com documentos falsos. Diante da notícia-crime, a autoridade policial instaura inquérito policial e, como primeira providência, representa pela decretação da interceptação das comunicações telefônicas de Maria Campos, “dada a gravidade dos fatos noticiados e a notória dificuldade de apurar crime de tráfico de menores para o exterior por outros meios, pois o ‘modus operandi’ envolve sempre atos ocultos e exige estrutura organizacional sofisticada, o que indica a existência de uma organização criminosa integrada pela investigada Maria”. O Ministério Público opina favoravelmente e o juiz defere a medida, limitando-se a adotar, como razão de decidir, “os fundamentos explicitados na representação policial”. No curso do monitoramento, foram identificadas pessoas que contratavam os serviços de Maria Campos para providenciar expedição de passaporte para viabilizar viagens de crianças para o exterior. Foi gravada conversa telefônica de Maria com um funcionário do setor de passaportes da Polícia Federal, Antônio Lopes, em que Maria consultava Antônio sobre os passaportes que ela havia solicitado, se já estavam prontos, e se poderiam ser enviados a ela. A pedido da autoridade policial, o juiz deferiu a interceptação das linhas telefônicas utilizadas por Antônio Lopes, mas nenhum diálogo relevante foi interceptado. O juiz, também com prévia representação da autoridade policial e manifestação favorável do Ministério Público, deferiu a quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados, tendo sido identificado um depósito de dinheiro em espécie na conta de Antônio, efetuado naquele mesmo ano, no valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais). O monitoramento telefônico foi mantido pelo período de quinze dias, após o que foi deferida medida de busca e apreensão nos endereços de Maria e Antônio. A decisão foi proferida nos seguintes termos: “diante da gravidade dos fatos e da real possibilidade de serem encontrados objetos relevantes para investigação, defiro requerimento de busca e apreensãonos endereços de Maria (Rua dos Casais, 213) e de Antônio (Rua Castro, 170, apartamento 201)”. No endereço de Maria Campos foi encontrada apenas uma relação de nomes, que, na visão da autoridade policial, seriam clientes que teriam requerido a expedição de passaportes com os nomes de crianças que teriam viajado para o exterior. No endereço indicado no mandado de Antônio Lopes nada foi encontrado. Entretanto, os policiais que cumpriram a ordem judicial perceberam que o apartamento 202 do mesmo prédio também pertencia ao investigado, motivo pelo qual nele ingressaram, encontrando e apreendendo a quantia de cinquenta mil dólares em espécie. Nenhuma outra diligência foi realizada. Relatado o inquérito policial, os autos foram remetidos ao Ministério Público, que ofereceu a denúncia nos seguintes termos: “o Ministério Público vem oferecer denúncia contra Maria Campos e Antônio Lopes, pelos fatos a seguir descritos: Maria Campos, com o auxílio do agente da polícia federal Antônio Lopes, expediu diversos passaportes para crianças e adolescentes, sem observância das formalidades legais. Maria tinha a finalidade de viabilizar a saída dos menores do país. A partir da quantia de dinheiro apreendida na casa de Antônio Lopes, bem como o depósito identificado em sua conta bancária, evidente que ele recebia vantagem indevida para efetuar a liberação dos passaportes. Assim agindo, a denunciada Maria Campos está incursa nas penas do artigo 239, parágrafo único, da Lei 8.069/1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), e nas penas do art. 333, parágrafo único, c/c o art. 69, ambos do Código Penal. Já o denunciado Antônio Lopes está incurso nas penas do art. 239, parágrafo único, da Lei 8.069/1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente) e nas penas do art. 317, § 1.º, c/c art. 69, ambos do Código Penal”. O juiz da 15.ª Vara Criminal de Porto Alegre, RS, recebeu a denúncia, nos seguintes termos: “compulsando os autos, verifico que há prova indiciária suficiente da ocorrência dos fatos descritos na denúncia e do envolvimento dos denunciados. Há justa causa para a ação penal, pelo que recebo a denúncia. Citem-se os réus, na forma da lei”. Antônio foi citado pessoalmente em 27.10.2010 (quarta-feira) e o respectivo mandado foi acostado aos autos dia 01.11.2010 (segunda-feira). Antônio contratou você como Advogado, repassando-lhe nomes de pessoas (Carlos de Tal, residente na Rua 1, n. 10, nesta capital; João de Tal, residente na Rua 4, n. 310, nesta capital; Roberta de Tal, residente na Rua 4, n. 310, nesta capital) que prestariam relevantes informações para corroborar com sua versão. Nessa condição, redija a peça processual cabível desenvolvendo TODAS AS TESES DEFENSIVAS que podem ser extraídas do enunciado com indicação de respectivos dispositivos legais. Apresente a peça no último dia do prazo. PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL Durval está enfurecido por ter sido demitido de seu emprego de carteiro da Agência de Correios e Telégrafos. Trabalhou durante anos e em sua visão era um ótimo funcionário. Com quase 50 anos, está sem emprego e resolve se vingar. Perto de onde mora, em sua humilde comunidade, existe uma agência dos correios comunitária onde toda a vizinhança faz uso dos serviços postais. Com uma máscara ninja, para não ser reconhecido pelos moradores, Durval primeiramente assalta munido de um facão Anderson, novo carteiro que ficara em seu lugar. Anderson, com 65 anos, é adorado na comunidade e os Correios lhe dão essa oportunidade de novo emprego, seguindo, assim, política institucional. Rouba corrente, relógio e todas as cartas. Logo em seguida, dirige-se à agência comunitária, agora munido de coquetéis molotov, e com uma arma de brinquedo leva pânico à agência. Rende funcionários, grita ferozmente e ainda agride superficialmente alguns clientes da agência. O fogo se espalha com os coquetéis lançados e todo o pouco dinheiro da agência comunitária é levado por Durval. O delegado abre inquérito policial e todos os presentes naquela tarde na agência são ouvidos e demonstram intenção na apuração dos fatos. Teresinha, ex-amante de Durval, o identifica pelo fato de ele estar usando uma das camisas que foram dadas de presente por ela em um dos aniversários na época do relacionamento. Durante o inquérito, a polícia invade, por volta das 20h, a simples casa de Durval na comunidade e realiza uma busca domiciliar e pessoal. Durval, primário e de bons antecedentes, é denunciado com base na diligência efetuada e pelas demais informações colhidas. Segundo o ilustre membro do Ministério Público, estaria incurso nos crimes de roubo qualificado, incêndio, sequestro e lesão corporal grave em concurso material. O Ministério Público apenas menciona em sua exordial os tipos penais. O magistrado da 12.ª Vara Criminal da Comarca da Capital recebe a denúncia cujo número recebido fora 2012.098.098-32 e cita Durval para apresentar a medida jurídica cabível. Durval recebe o mandado em 10.09.2012, uma quinta-feira, todavia foi juntada aos autos somente na terça-feira seguinte. Apresente no primeiro dia do prazo a medida cabível exclusiva de quem possui capacidade postulatória. ALEGAÇÕES FINAIS ESCRITAS POR MEMORIAIS Nome: Alegações Finais Artigo: Art. 403, § 3.º, do CPP: O juiz poderá, considerada a complexidade do caso ou o número de acusados, conceder às partes o prazo de 5 (cinco) dias sucessivamente para a apresentação de memoriais. Nesse caso, terá o prazo de 10 (dez) dias para proferir a sentença. Artigo: Art. 404. Ordenado diligência considerada imprescindível, de ofício ou a requerimento da parte, a audiência será concluída sem as alegações finais. Parágrafo único. Realizada, em seguida, a diligência determinada, as partes apresentarão, no prazo sucessivo de 5 (cinco) dias, suas alegações finais, por memorial, e, no prazo de 10 (dez) dias, o juiz proferirá a sentença. Prazo: 5 dias (art. 403, § 3.º c/c art. 404, parágrafo único, do CPP). Serve para: Exposição final das teses de acusação e defesa. Observações: A Lei 11.719/2008, recente reforma do CPP, alterou de forma significativa as Alegações Finais. Primeiramente, surge uma certa dúvida e preocupação com a terminologia. Seria apenas Alegações Finais ou Alegações Finais por Memoriais? Acreditamos que esta é uma preocupação desnecessária. Ambos os termos, a nosso ver, são corretamente utilizados. Observações: A principal mudança foi trazer as Alegações Finais, como regra, orais. Uma das intenções dessa recente reforma processual penal foi em relação à celeridade processual, assim, temos a possibilidade de apresentar de forma escrita, quando tivermos diligências, peça fundamentada pelo art. 404, parágrafo único, e quando o fato for considerado complexo ou pelo número de acusados, fundamentada a peça pelo art. 403 § 3.º, do CPP. Essas hipóteses possibilitam a apresentação das Alegações Finais por escrito em cinco dias. Observações: No mais, é uma peça final, de último momento antes da sentença penal e que serve para demonstrar e condensar todas as teses acusatórias e defensivas. É importante colocarmos em sua elaboração o maior número de teses possível, alternativas, se for o caso, e, logicamente, demonstrando em primeiro plano a melhor tese. Observações: Vale observar, ainda, que, nos demais procedimentos (sumário, sumaríssimo, júri etc.), as alegações finais serão somente orais, todavia a prática jurídica vem permitindo a aplicação por analogia do procedimento ordinário, conforme o art. 394, § 1.º, II, do CPP – sumário, quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada seja inferior a 4 (quatro) anos de pena privativa de liberdade; MODELO DE PEÇA EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA CRIMINAL DA COMARCA ____________ DO ESTADO ______________ Processo n.º _________ _________________ (nome), já qualificado nos autos do processo crime em epígrafe, vem respeitosamente, por seu advogado infra-assinado, com fundamento no art. 404 e seu parágrafo único13 do Código de Processo Penal,apresentar ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS, pelos motivos de fato e de direito a seguir aduzidos: 1 – Dos Fatos (...) 2 – Das Preliminares14 3 – Do Direito (colocação das teses defensivas, sempre começando pela melhor tese em forma de títulos e com dispositivos de lei) (...) 4 – Do Pedido Diante do exposto, requer-se: I) O Reconhecimento (...) com a consequente (...); II) Caso V. Exa. não entenda pela tese acima exposta que (...); III) Ainda, se, porventura, as teses acima expostas não prosperem que (...). Termos em que Pede Deferimento. Município, data Advogado Inscrição n.º PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL - IX EXAME Gisele foi denunciada, com recebimento ocorrido em 31.10.2010, pela prática do delito de lesão corporal leve, com a presença da circunstância agravante, de ter o crime sido cometido contra mulher grávida. Isso porque, segundo narrou a inicial acusatória, Gisele, no dia 01.04.2009, então com 19 anos, objetivando provocar lesão corporal leve em Amanda, deu um chute nas costas de Carolina, por confundi-la com aquela, ocasião em que Carolina (que estava grávida) caiu de joelhos no chão, lesionando-se. A vítima, muito atordoada com o acontecido, ficou por um tempo sem saber o que fazer, mas foi convencida por Amanda (sua amiga e pessoa a quem Gisele realmente queria lesionar) a noticiar o fato na delegacia. Sendo assim, tão logo voltou de um intercâmbio, mais precisamente no dia 18.10.2009, Carolina compareceu à delegacia e noticiou o fato, representando contra Gisele. Por orientação do delegado, Carolina foi instruída a fazer exame de corpo de delito, o que não ocorreu, porque os ferimentos, muito leves, já haviam sarado. O Ministério Público, na denúncia, arrolou Amanda como testemunha. Em seu depoimento, feito em sede judicial, Amanda disse que não viu Gisele bater em Carolina e nem viu os ferimentos, mas disse que poderia afirmar com convicção que os fatos noticiados realmente ocorreram, pois estava na casa da vítima quando esta chegou chorando muito e narrando a história. Não foi ouvida mais nenhuma testemunha e Gisele, em seu interrogatório, exerceu o direito ao silêncio. Cumpre destacar que a primeira e única audiência ocorreu apenas em 20.03.2012, mas que, anteriormente, três outras audiências foram marcadas; apenas não se realizaram porque, na primeira, o magistrado não pôde comparecer, na segunda o Ministério Público não compareceu e a terceira não se realizou porque, no dia marcado, foi dado ponto facultativo pelo governador do Estado, razão pela qual todas as audiências foram redesignadas. Assim, somente na quarta data agendada é que a audiência efetivamente aconteceu. Também merece destaque o fato de que na referida audiência o parquet não ofereceu proposta de suspensão condicional do processo, pois, conforme documentos comprobatórios juntados aos autos, em 30.03.2009, Gisele, em processo criminal onde se apuravam outros fatos, aceitou o benefício proposto. Assim, segundo o promotor de justiça, afigurava-se impossível formulação de nova proposta de suspensão condicional do processo, ou de qualquer outro benefício anterior não destacado, e, além disso, tal dado deveria figurar na condenação ora pleiteada para Gisele como outra circunstância agravante, qual seja, reincidência. Nesse sentido, considere que o magistrado encerrou a audiência e abriu prazo, intimando as partes, para o oferecimento da peça processual cabível. Como advogado de Gisele, levando em conta tão somente os dados contidos no enunciado, elabore a peça cabível. PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL Bia resolveu voltar sozinha de uma festa a duas quadras de sua casa. Com medo de que suas amigas adentrassem a madrugada, resolveu voltar para casa caminhando sozinha. Percebeu que estava sendo seguida e apressou os passos, todavia, como estava de salto alto, rapidamente dois homens a abordaram, com as mãos dentro da camisa, afirmando que queriam dinheiro e telefone. Assustada, Bia entregou seus pertences, momento este em que os homens caminharam em direção oposta. Minutos depois passa uma viatura policial e Bia consegue informar aos policiais que acabara de ser assaltada por dois rapazes de porte médio, pele clara e cabelos curtos. Os policiais, cerca de 500 metros adiante, encontram dois rapazes nas mesmas características e os prendem. Em seguida, os policiais os conduzem à Delegacia, onde é lavrado o auto de flagrante. João Marcos e Edgar são denunciados como incursos na prática do crime previsto no art. 157, § 2.º, I e II, c/c art. 29, todos do Código Penal. A denúncia é recebida. Ambos, primários, com residência fixa e com bons antecedentes, foram liberados pelo juiz. Constituíram advogados distintos. Já em audiência de instrução e julgamento conforme o art. 400 do CPP, João Marcos em interrogatório, com a presença de seu advogado, relata que o autor do crime é Edgar, que não fora intimado para o ato. No dia seguinte, em seu interrogatório, Edgar, na presença de seu advogado e de João Marcos, nega que tenha realizado o roubo. Bia é ouvida em seguida aos interrogatórios e não sabe afirmar se eram João Marcos e Edgar os autores do crime. Configurada a complexidade, o Ministério Público apresenta tese pela condenação de João Marcos e Edgar pela prática do crime previsto no art. 157, § 2.º, I e II, c/c art. 29, todos do Código Penal. Considerando a situação hipotética descrita, procurado por Edgar, já que destituiu seu antigo advogado, formule, na condição de advogado recém-contratado, a peça a ser apresentada no processo. RECURSOS RECURSOS AÇÕES AUTÔNOMAS Taxativos Taxativos Tempestivos Sem prazo Voluntários HC pode ser de ofício Inconformismo HC preventivo nem sempre acontece uma constrição à liberdade Impedem trânsito em julgado Revisão criminal só após o trânsito em julgado RECURSOS AÇÕES AUTÔNOMAS Mero desdobramento da mesma relação Processual Uma nova relação processual Reexame de decisão Possibilidade de um novo objeto jurídico sendo discutido Interposição no Juízo que proferiu a Decisão Regras de competências próprias Elaboração de Folha de Rosto (juízo de admissibilidade) e Folha de Razões (juízo de mérito), salvo embargos de declaração e carta testemunhável Peça única Forma de interposição do recurso RECURSOS FOLHA DE ROSTO RAZÕES Peça de Interposição direcionada ao próprio juízo que proferiu a decisão. É por meio desta peça que é feito o juízo de admissibilidade. Peça de Mérito do Recurso onde serão colocados os Fatos, Fundamentos e Pedido. É por meio desta peça que é feito o juízo de mérito do recurso. RECURSO EM SENTIDO ESTRITO Vara Criminal, Vara Criminal do Tribunal do Júri, Vara Federal (1.ª instância) Tribunal de Justiça, Tribunal Regional Federal (2.ª instância) RECURSOS FOLHA DE ROSTO RAZÕES AGRAVO EM EXECUÇÃO Vara de Execuções Penais Tribunal de Justiça, (2.ª instância) APELAÇÃO Vara Criminal, Vara Criminal do Tribunal do Júri, Juiz Presidente, Vara Federal (1.ª instância), Juizado Especial Criminal Tribunal de Justiça, Tribunal Regional Federal (2.ª instância), Turma Recursal RECURSOS FOLHA DE ROSTO RAZÕES EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Vara Criminal, Vara Federal, Juiz-Presidente, Câmara, Turma, Juizado Especial Criminal Vara Criminal, Vara Federal, Juiz-Presidente, Câmara, Turma, Juizado Especial Criminal, Turma Recursal EMBARGOS INFRINGENTES Câmara, Turma, Tribunal de Justiça, Tribunal Regional Federal Câmara, Turma, Tribunal de Justiça, Tribunal Regional Federal (podendo ser Grupo de Câmaras) RECURSO ESPECIAL Câmara, Turma, Tribunal de Justiça, Tribunal Regional Federal STJ RECURSOS FOLHA DE ROSTO RAZÕES RECURSO EXTRAORDINÁRIO Câmara, Turma, Tribunal de Justiça, Tribunal Regional Federal, STJ STF RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL Câmara, Turma, Tribunal de Justiça, Tribunal Regional Federal, STJ STJ STF CARTA TESTEMUNHÁVEL Escrivão, Secretário do Tribunal Escrivão, Secretário do Tribunal Fundamentação RECURSO ARTIGO PRAZO EM FACE DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO Art. 581 do CPP 5 dias (art. 586) 5 dias por instrumento + 2 diaspara razões (arts. 587 e 588) Decisões interlocutórias APELAÇÃO Art. 593 do CPP Art. 82 da Lei 9.099/1995 5 dias (art. 593) 5 dias por termo + 8 para razões (art. 600) 10 dias (art. 82, Lei 9.099/1995) Sentença penal RECURSO ARTIGO PRAZO EM FACE DE EMBARGOS INFRINGENTES E DE NULIDADE Art. 609, parágrafo único, do CPP 10 dias (art. 609, parágrafo único) Acórdão não unânime EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Arts. 382 e 619 do CPP e art. 83 da Lei 9.099/1995 2 dias (arts. 382 e 619) 5 dias (art. 83, § 1.º, da Lei 9.099/1995) Sentença penal ambígua, obscura, omissa, Contraditória RECURSO ARTIGO PRAZO EM FACE DE RECURSO ESPECIAL Art. 105, III, da CF - Acórdão que desrespeita lei Federal RECURSO EXTRAORDINÁRIO Art. 102, III, da CF - Acórdão que desrespeita a Constituição CARTA TESTEMUNHÁVEL Art. 639 do CPP 48 horas Decisões que denegam recurso e/ou de não Prosseguimento dos recursos AGRAVO EM EXECUÇÃO Art. 197 da Lei 7.210/1984 Súmula 700 do STF 5 dias (segue o rito procedimental do Recurso em Sentido Estrito – art. 586 do CPP) Incidentes na execução Penal RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS Art. 30 da Lei 8.038/1990 5 dias (art. 30 da Lei 8.038/1990) Decisões denegatórias de habeas corpus nos Tribunais RESE NOME: Recurso em Sentido Estrito ARTIGOS: Art.581 do CPP: Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença: I – que não receber a denúncia ou a queixa; II – que concluir pela incompetência do juízo; III – que julgar procedentes as exceções, salvo a de suspeição; IV – que pronunciar ou impronunciar o réu; IV – que pronunciar o réu; (Redação dada pela Lei n.º 11.689, de 2008) V – que conceder, negar, arbitrar, cassar ou julgar inidônea a fiança, indeferir requerimento de prisão preventiva ou revogá-la, conceder liberdade provisória ou relaxar a prisão em flagrante; VI – Revogado; VII – que julgar quebrada a fiança ou perdido o seu valor; VIII – que decretar a prescrição ou julgar, por outro modo, extinta a punibilidade; IX – que indeferir o pedido de reconhecimento da prescrição ou de outra causa extintiva da punibilidade; X – que conceder ou negar a ordem de habeas corpus; XI – que conceder, negar ou revogar a suspensão condicional da pena; XII – que conceder, negar ou revogar livramento condicional; XIII – que anular o processo da instrução criminal, no todo ou em parte; XIV – que incluir jurado na lista geral ou desta o excluir; XV – que denegar a apelação ou a julgar deserta; XVI – que ordenar a suspensão do processo, em virtude de questão prejudicial; XVII – que decidir sobre a unificação de penas; XVIII – que decidir o incidente de falsidade; XIX – que decretar medida de segurança, depois de transitar a sentença em julgado; XX – que impuser medida de segurança por transgressão de outra; XXI – que mantiver ou substituir a medida de segurança, nos casos do art.774; XXII – que revogar a medida de segurança; XXIII – que deixar de revogar a medida de segurança, nos casos em que a lei admita a revogação; XXIV – que converter a multa em detenção ou em prisão simples. PRAZO: 5 dias ou por instrumento 5 + 2 razões Art. 586. O recurso voluntário poderá ser interposto no prazo de cinco dias. Art. 587. Quando o recurso houver de subir por instrumento, a parte indicará, no respectivo termo, ou em requerimento avulso, as peças dos autos de que pretenda traslado. Parágrafo único. O traslado será extraído, conferido e concertado no prazo de cinco dias, e dele constarão sempre a decisão recorrida, a certidão de sua intimação, se por outra forma não for possível verificar-se a oportunidade do recurso, e o termo de interposição. Art. 588. Dentro de dois dias, contados da interposição do recurso, ou do dia em que o escrivão, extraído o traslado, o fizer com vista ao recorrente, este oferecerá as razões e, em seguida, será aberta vista ao recorrido por igual prazo. SERVE PARA: Impugnar as decisões interlocutórias do art. 581 do CPP. OBSERVAÇÕES: Recurso cuja particularidade é a possibilidade do juízo de retratação por parte do juízo que proferiu a decisão. Vejamos o art. 589 do CPP: Art. 589 do CPP: Com a resposta do recorrido ou sem ela, será o recurso concluso ao juiz, que, dentro de dois dias, reformará ou sustentará o seu despacho, mandando instruir o recurso com os traslados que lhe parecerem necessários. OBSERVAÇÕES: Além disso, algumas decisões do art. 581 atualmente são impugnadas por outro recurso, o Agravo em Execução, que segue, na verdade, o mesmo rito procedimental do Recurso em Sentido Estrito. Isso ocorre porque nossa legislação acerca do tema de Execução Penal é posterior ao antigo Código datado de 1941. A LEP (Lei 7.210) é de 1984. Vejamos quais seriam essas decisões: Incisos XI, XII, XVII, XIX-XXIII. No mais, alertamos para uma recente novidade trazida pela reforma do CPP, Lei 11.689/2008, que alterou a sistemática recursal para as decisões de impronúncia e absolvição sumária no Tribunal do Júri, agora atacadas pelo recurso de apelação, conforme o art. 416 do CPP: “Contra a sentença de impronúncia ou de absolvição sumária caberá apelação.” MODELO DE PEÇA EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA CRIMINAL DA COMARCA ____________ DO ESTADO ____________________ (linhas) _________________ (nome), já qualificado nos autos do processo crime n.º ___________ se fornecido em epígrafe, vem por seu advogado infra-assinado, tempestivamente, não se conformando, data venia, com a r. decisão de fls. _____, que ______________ descrever o teor da decisão, com fundamento no artigo 581, inciso ________, do CPP, interpor RECURSO EM SENTIDO ESTRITO, pelos fatos e fundamentos jurídicos que se seguem nas anexas razões: Isto posto, se porventura Vossa Excelência entenda que deva manter a decisão, requer o recorrente que este recurso seja remetido ao Tribunal competente, com base no art. 589 do CPP. Termos em que, requerendo seja ordenado o processamento do presente recurso, com as anexas razões, pede deferimento. Município, data Advogado RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO Recorrente: ___________________________ Recorrido: ____________________________ Origem: _______________________________ Processo n.º: _________________________ Egrégio Tribunal, Colenda _________ Excelentíssimos Senhores Desembargadores, No caso em tela, _________________ (transcrição da decisão), é necessária a reforma da decisão, consequentemente vem dela recorrer em sentido estrito, esperando que ao final seja reformada pelas razões ora expostas: I – Dos fatos II – Das Preliminares III – Do Direito IV – Dos Pedidos Ante o exposto, requer seja dado provimento ao presente recurso, para tornar sem efeito a decisão impugnada. Nestes Termos, Pede Deferimento, Município, data Advogado PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL OFICIAL (III EXAME UNIFICADO): No dia 17 de junho de 2010, uma criança recém-nascida é vista boiando em um córrego e, ao ser resgatada, não possuía mais vida. Helena, a mãe da criança, foi localizada e negou que houvesse jogado a vítima no córrego. Sua filha teria sido, segundo ela, sequestrada por um desconhecido. Durante a fase de inquérito, testemunhas afirmaram que a mãe apresentava quadro de profunda depressão no momento e logo após o parto. Além disso, foi realizado exame médico legal, o qual constatou que Helena, quando do fato, estava sob influência de estado puerperal. À míngua de provas que confirmassem a autoria, mas desconfiada de que a mãe da criança pudesse estar envolvida no fato, a autoridade policial representou pela decretação de interceptação telefônica da linha de telefone móvel usado pela mãe, medida que foi decretada pelo juiz competente. A prova constatou que a mãe efetivamente praticara o fato, pois, em conversa telefônica com uma conhecida, de nome Lia, ela afirmara ter atirado a criança ao córrego, por desespero, mas que estava arrependida. O delegado intimou Lia para ser ouvida, tendo ela confirmado, em sede policial, que Helena de fato havia atirado a criança, logo após o parto, no córrego. Em razão das aludidas provas, a mãe da criançafoi então denunciada pela prática do crime descrito no art. 123 do Código Penal perante a 1.ª Vara Criminal (Tribunal do Júri). Durante a ação penal, é juntado aos autos o laudo de necropsia realizada no corpo da criança. A prova técnica concluiu que a criança já nascera morta. Na audiência de instrução, realizada no dia 12 de agosto de 2010, Lia é novamente inquirida, ocasião em que confirmou ter a denunciada, em conversa telefônica, admitido ter jogado o corpo da criança no córrego. A mesma testemunha, no entanto, trouxe nova informação, que não mencionara quando ouvida na fase inquisitorial. Disse que, em outras conversas que tivera com a mãe da criança, Helena contara que tomara substância abortiva, pois não poderia, de jeito nenhum, criar o filho. Interrogada, a denunciada negou todos os fatos. Finda a instrução, o Ministério Público manifestou-se pela pronúncia, nos termos da denúncia, e a defesa, pela impronúncia, com base no interrogatório da acusada, que negara todos os fatos. O magistrado, na mesma audiência, prolatou sentença de pronúncia, não nos termos da denúncia, e sim pela prática do crime descrito no art. 124 do Código Penal, punido menos severamente do que aquele previsto no art. 123 do mesmo código, intimando as partes no referido ato. Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima, na condição de advogado(a) de Helena, redija a peça cabível à impugnação da mencionada decisão, acompanhada das razões pertinentes, as quais devem apontar os argumentos para o provimento do recurso, mesmo que em caráter sucessivo. PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL OFICIAL (XXVIII EXAME UNIFICADO): Túlio, nascido em 01.01.1996, primário, começa a namorar Joaquina, jovem que recém completou 15 anos. Logo após o início do namoro, ainda muito apaixonado, é surpreendido pela informação de que Joaquina estaria grávida de seu ex-namorado, o adolescente João, com quem mantivera relações sexuais. Joaquina demonstra toda a sua preocupação com a reação de seus pais diante desta gravidez quando tão jovem e, em desespero, solicita ajuda de Túlio para realizar um aborto. Diante disso, no dia 03.01.2014, em Porto Alegre, Túlio adquire remédio abortivo cuja venda era proibida sem prescrição médica e o entrega para a namorada, que, de imediato, passa a fazer uso dele. Joaquina, então, expele algo não identificado pela vagina, que ela acredita ser o feto. Os pais presenciam os fatos e levam a filha imediatamente ao hospital; em seguida, comparecem à Delegacia e narram o ocorrido. No hospital, foi informado pelos médicos que, na verdade, Joaquina possuía um cisto, mas nunca estivera grávida, e o que fora expelido não era um feto. Após investigação, no dia 20.01.2014, Túlio vem a ser denunciado pelo crime do art. 126, caput, c/c o art. 14, inciso II, ambos do Código Penal, perante o juízo do Tribunal do Júri da Comarca de Porto Alegre/RS, não sendo oferecido qualquer instituto despenalizador, apesar do reclamo defensivo. A inicial acusatória foi recebida em 22.01.2014. Durante a instrução da primeira fase do procedimento especial, são ouvidas as testemunhas e Joaquina, assim como interrogado o réu, todos confirmando o ocorrido. As partes apresentaram alegações finais orais, e o juiz determinou a conclusão do feito para decisão. Antes de ser proferida decisão, mas após manifestação das partes em alegações finais, foram juntados aos autos o boletim de atendimento médico de Joaquina, no qual consta a informação de que ela não estivera grávida no momento dos fatos, a Folha de Antecedentes Criminais de Túlio sem outras anotações e um exame de corpo de delito, que indicava que o remédio utilizado não causara lesões na adolescente. Com a juntada da documentação, de imediato, sem a adoção de qualquer medida, o magistrado proferiu decisão de pronúncia nos termos da denúncia, sendo publicada na mesma data, qual seja, 18 de junho de 2018, segunda-feira, ocasião em que as partes foram intimadas. Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Túlio, redija a peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do prazo para interposição, considerando-se que todos os dias de segunda a sexta-feira são úteis em todo o país. PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL Murilo, famoso farmacêutico, é preso em flagrante pelo crime previsto no art. 273, § 1.º-B, I, do CP – importação e posse de medicamento sem registro no órgão competente, durante uma fiscalização da Receita Federal, quando trazia consigo anabolizantes sem o devido registro da Anvisa, em um ônibus procedente da cidade de Foz do Iguaçu. Confessa que seria o responsável pela aquisição dos medicamentos no Paraguai e por seu ingresso no território nacional. É impetrado habeas corpus em favor de Murilo no juízo competente para que este possa responder em liberdade, já que contribui ativamente para a persecução criminal. O juiz nega a liberdade mencionando que se trata de um crime contra a incolumidade pública e que sua prisão é exemplo para a ilegalidade da conduta. Interponha medida adequada, exclusiva de advogado, capaz de reformar tal decisão judicial. HABEAS CORPUS NOME: Habeas Corpus ARTIGO: Art. 5.º, LXVIII, da CF: conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder; Art.647 do CPP: Dar-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar na iminência de sofrer violência ou coação ilegal na sua liberdade de ir e vir, salvo nos casos de punição disciplinar. PRAZO: - SERVE PARA: Proteção à liberdade. OBSERVAÇÕES: Ação Autônoma de Impugnação, Remédio Jurídico Constitucional que serve para proteger o bem jurídico mais importante, a liberdade. Evidentemente que o habeas corpus não é somente utilizado na fase procedimental, de investigação, ou seja, apesar de estar sendo visto neste momento, fica a ressalva de que ele pode ser impetrado a qualquer momento e em qualquer fase procedimental ou processual. MODALIDADES Habeas corpus preventivo Art.660 do CPP: Efetuadas as diligências, e interrogado o paciente, o juiz decidirá, fundamentadamente, dentro de 24 (vinte e quatro) horas. (...) §4.º Se a ordem de habeas corpus for concedida para evitar ameaça de violência ou coação ilegal, dar-se-á ao paciente salvo-conduto assinado pelo juiz. Habeas corpus propriamente dito Art.654 do CPP:O habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer pessoa, em seu favor ou de outrem, bem como pelo Ministério Público. Habeas corpus de ofício Art.654 do CPP:O habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer pessoa, em seu favor ou de outrem, bem como pelo Ministério Público. (...) §2.ºOs juízes e os tribunais têm competência para expedir de ofício ordem de habeas corpus, quando no curso de processo verificarem que alguém sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal. MODELO DE PEÇA EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR _____ DA ________ (linhas) ______ (impetrante + qualificação completa) vem, respeitosamente, com base no art. 5.º, LXVIII, da Constituição Federal, impetrar o presente HABEAS CORPUS, com pedido de liminar, em favor de __________________nome paciente, identificável pelo agente coator, o____________________, que em exercício _______________(descrição do ato realizado), sendo este ato ilegal e abusivo pelas seguintes razões: A – Dos Fatos B – Do Direito → Seguem abaixo alguns modelos de início de parágrafos: Não assiste razão, porém, ao julgador, ora autoridade coatora, ao indeferir o pedido, uma vez que_____________(artigos legais) determinam o contrário. C – Da Liminar D – Do Direito E – Do Pedido Diante do exposto, vem requerer que, depois de solicitadas as informações à autoridade coatora, seja concedida a ordem impetrada, para_______________ (descrever o ato). Termos em que Pede Deferimento. Município, data Advogado PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL Júlio, famoso lobista em Brasília, dono deconstrutora, é convocado para se apresentar no mês seguinte à famosa Comissão Parlamentar de Inquérito (art. 58, § 3.º, da CF) para apurar supostos desvios públicos federais da área da saúde. Estão sendo investigados nesta CPI alguns senadores da República, deputados federais e governadores. A mídia noticia o fato fervorosamente e Júlio teme sofrer represálias e ataques à sua liberdade individual durante seu depoimento. Com base nos fatos narrados, você, advogado, é contratado pelo famoso construtor a adotar a medida cabível para que se protejam todas as garantias fundamentais da testemunha Júlio. FASE EXECUTIVA DENOMINAÇÕES EXCÊNTRICAS 1. REGRAS DE TÓQUIO Palavra de ordem: alternativas penais. Esse discurso não é novo, desde a clássica obra “Dos delitos e das penas” (1764), Beccaria criticou o sistema repressivo então vigente, exigindo respeito aos direitos fundamentais do ser humano. Há reflexos das propostas das Regras de Tóquio em nosso ordenamento jurídico? No Brasil, a construção de alternativas ao encarceramento ganhou novos ares com: - Lei 9.099/95 (novas medidas despenalizadoras); - Lei 9.714/98 (reformou o CP e conferiu status privilegiado às PRD, substitutivas às PPL). Com efeito, hoje temos um extenso rol de penas não privativas de liberdade: multa; prestação pecuniária; prestação de outra natureza em favor da vítima; perda de bens e valores; prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas; limitação de fim de semana; proibição do exercício de “cargo” (sentido amplo) público; proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial, licença ou autorização do poder público; proibição ou suspensão da permissão ou habilitação para dirigir veículo automotor; proibição de frequentar determinados lugares... etc. 2. REGRAS DE MANDELA Palavras de ordem: Dignidade dos presos e Gestão humanizada do sistema prisional. Quais são seus objetivos? - Fornecer instruções para o enfrentamento da negligência estatal, prestigiando a dignidade dos presos para devolver‐lhes a essência de seres humanos que são. - Impor o respeito pelo Estado aos direitos do preso, e a proteção destes contra qualquer espécie de tratamento ou castigo degradante ou desumano. Regra 43. 1. Em nenhuma hipótese devem as restrições ou sanções disciplinares implicar em tortura ou outra forma de tratamento ou sanções cruéis, desumanos ou degradantes. As seguintes práticas, em particular, devem ser proibidas: a) confinamento solitário indefinido; (R.D.D. possui prazo) b) confinamento solitário prolongado; c) encarceramento em cela escura [art. 45, §2º] ou constantemente iluminada; d) castigos corporais ou redução da dieta ou água potável do preso; e) castigos coletivos. [art. 45, §3º] 3. REGRAS DE BANGKOK Palavras de ordem: Alternativas penais + Dignidade das presas. As Regras de Bangkok são as Regras das Nações Unidas para o tratamento de mulheres presas e medidas não privativas de liberdade para mulheres infratoras. As regras de Bangkok não excluem as de Mandela nem as de Tóquio MINISTRO LEWANDOSWKI: “Essas Regras propõem olhar diferenciado para as especificidades de gênero no encarceramento feminino, tanto no campo da execução penal, como também na priorização de medidas não privativas de liberdade, ou seja, que evitem a entrada de mulheres no sistema carcerário. [...] Embora se reconheça a necessidade de impulsionar a criação de políticas públicas de alternativas à aplicação de penas de prisão às mulheres, é estratégico abordar o problema primeiramente sob o viés da redução do encarceramento feminino provisório. De acordo com as Regras de Bangkok, deve ser priorizada solução judicial que facilite a utilização de alternativas penais ao encarceramento, principalmente para as hipóteses em que ainda não haja decisão condenatória transitada em julgado.” Mulheres grávidas podem ser algemadas? Lei 13.434/2017: CPP, art. 292, parágrafo único: “É vedado o uso de algemas em mulheres grávidas durante 1) os atos médico-hospitalares preparatórios para a realização do parto e 2) durante o trabalho de parto, bem como 3) em mulheres durante o período de puerpério imediato.” Decreto 8.858/2016 (regulamentou o art. 199 da LEP), art. 3º, prevê expressamente as Regras de Bangkok: É vedado emprego de algemas em mulheres presas em qualquer unidade do sistema penitenciário nacional durante 1) o trabalho de parto, 2) no trajeto da parturiente entre a unidade prisional e a unidade hospitalar e 3) após o parto, durante o período em que se encontrar hospitalizada.” Efeitos na jurisprudência: HC Coletivo n. 143.641 (2ªT.STF): “Ementa: HABEAS CORPUS COLETIVO. ADMISSIBILIDADE. DOUTRINA BRASILEIRA DO HABEAS CORPUS. MÁXIMA EFETIVIDADE DO WRIT. MÃES E GESTANTES PRESAS. RELAÇÕES SOCIAIS MASSIFICADAS E BUROCRATIZADAS. GRUPOS SOCIAIS VULNERÁVEIS. ACESSO À JUSTIÇA. FACILITAÇÃO. EMPREGO DE REMÉDIOS PROCESSUAIS ADEQUADOS. LEGITIMIDADE ATIVA. APLICAÇÃO ANALÓGICA DA LEI 13.300/2016. MULHERES GRÁVIDAS OU COM CRIANÇAS SOB SUA GUARDA. PRISÕES PREVENTIVAS CUMPRIDAS EM CONDIÇÕES DEGRADANTES. INADMISSIBILIDADE. PRIVAÇÃO DE CUIDADOS MÉDICOS PRÉNATAL E PÓS-PARTO. FALTA DE BERÇARIOS E CRECHES. ADPF 347 MC/DF. SISTEMA PRISIONAL BRASILEIRO. ESTADO DE COISAS INCONSTITUCIONAL. CULTURA DO ENCARCERAMENTO. NECESSIDADE DE SUPERAÇÃO. DETENÇÕES CAUTELARES DECRETADAS DE FORMA ABUSIVA E IRRAZOÁVEL. INCAPACIDADE DO ESTADO DE ASSEGURAR DIREITOS FUNDAMENTAIS ÀS ENCARCERADAS. OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO E DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. REGRAS DE BANGKOK. ESTATUTO DA PRIMEIRA INFÂNCIA. APLICAÇÃO À ESPÉCIE. ORDEM CONCEDIDA. EXTENSÃO DE OFÍCIO. […] X – Incidência de amplo regramento internacional relativo a Direitos Humanos, em especial das Regras de Bangkok, segundo as quais deve ser priorizada solução judicial que facilite a utilização de alternativas penais ao encarceramento, principalmente para as hipóteses em que ainda não haja decisão condenatória transitada em julgado. 4. REGRAS DE PEQUIM (BEIJING) Palavra de ordem: Regras de Mandela tendo como foco adolescentes infratores São as Regras de Pequim são inseridas no contexto da humanização do cumprimento de medidas socioeducativas. 5. DIRETRIZES DE RIAD Palavra de ordem: Fixa diretrizes para a prevenção da delinquência juvenil. 1º Princípio Fundamental: A prevenção da delinquência juvenil é parte essencial da prevenção do delito na sociedade. Dedicados a atividades lícitas e socialmente úteis, orientados rumo à sociedade e considerando a vida com critérios humanistas, os jovens podem desenvolver atitudes não criminais. COMO SE INICIA O PROCESSO DE EXECUÇÃO? PPL: Art. 105. Transitando em julgado a sentença que aplicar pena privativa de liberdade, se o réu estiver ou vier a ser preso, o Juiz ordenará a expedição de guia de recolhimento [extraída pelo escrivão – art. 106] para a execução. Art. 107. Ninguém será recolhido, para cumprimento de pena privativa de liberdade, sem a guia [...]. PRD: Art. 147. Transitada em julgado a sentença que aplicou a pena restritiva de direitos, o Juiz da execução, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, promoverá a execução, podendo, para tanto, requisitar, quando necessário, a colaboração de entidades públicas ou solicitá-la a particulares. MS: Art. 171. Transitada em julgado a sentença que aplicar medida de segurança, será ordenada a expedição de guia para a execução. Art. 172. Ninguém será internado em Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, ou submetido a tratamento ambulatorial, para cumprimento de medida de segurança, sem a guia [...]. Art. 173. A guia de internamento ou de tratamento ambulatorial, extraída pelo escrivão, que a rubricará em todas as folhas e a subscreverá com o Juiz, será remetida à autoridade administrativa incumbida da execução e conterá: Quais são as funções da guia de recolhimento? MIRABETE: “Em primeiro lugar, constitui-se em medida de garantia individual, pois somente ela possibilita a execução de uma pena privativa de liberdade.Em segundo, é o instrumento do título executório constituído pela sentença condenatória transitada em julgado, não permitindo que na execução se extravase a punição além dos limites fixados pela decisão. Por fim, é também um documento que orienta a individualização da pena, já que deve fornecer elementos sobre os antecedentes e o grau de instrução do condenado, o relato do fato criminoso e outros dados reputados indispensáveis ao adequado tratamento penitenciário.” E se o juiz não expedir a guia de recolhimento? AVENA: “Cabível, nesse caso, o pedido de correição parcial, já que a guia de recolhimento é indispensável para que tenha início a execução, caracterizando-se a sua ausência em manifesto error in procedendo. Segundo a doutrina [Mirabete, Marcão etc.], não é possível, aqui, a interposição de agravo da execução ou a impetração de habeas corpus, já que a expedição da carta de guia insere-se no âmbito das providências administrativas do juiz, não se inserindo no âmbito de sua competência jurisdicional. Data venia, não concordamos com essa posição e reputamos plenamente possível o manejo dessas vias impugnativas com vistas à obtenção de pronunciamento judicial determinando a expedição de guia de recolhimento quando omisso o juízo [...].” QUEM SÃO AS PARTES? Sujeito ativo: A execução penal é monopólio do Estado, qualquer que tenha sido a natureza da APn que redundou na condenação Sujeito passivo (“executado”): - Ordinariamente: Definitivamente condenado + sujeito à m.s. (sentença absolutória imprópria) Mas a LEP se aplica ainda ao: Preso provisório (LEP, art. 2º, § ún) sem condenação (direitos e deveres do preso) + Preso condenado em 1º grau que aguarda julgamento de recurso (STF/716) + Réu solto condenado em 2º grau (ainda que pendentes REsp e RE) + Não se aplica a LEP: Réu solto condenado em 1º grau na pendência da apelação + Sujeito à medidas socioeducativas. HÁ PRISÃO ESPECIAL DEPOIS DA CONDENAÇÃO? - Em regra: CPP, art. 295. Serão recolhidos a quartéis ou a prisão especial [§1º: consiste exclusivamente no recolhimento em local distinto da prisão comum], à disposição da autoridade competente, quando sujeitos a prisão antes de condenação definitiva: - Excepcionalmente: LEP, art. 84, § 2°. O preso que, ao tempo do fato, era funcionário da Administração da Justiça Criminal ficará em dependência separada. LC 75/93, art. 18. São prerrogativas dos membros do MPU (aplicáveis aos Ministérios Públicos Estaduais): II. processuais: e) ser recolhido à prisão especial ou à sala especial de Estado-Maior, com direito a privacidade e à disposição do tribunal competente para o julgamento, quando sujeito a prisão antes da decisão final; e a dependência separada no estabelecimento em que tiver de ser cumprida a pena; LC 80/94, art. 44. São prerrogativas dos membros da DPU: III. ser recolhido a prisão especial ou a sala especial de Estado Maior, com direito a privacidade e, após sentença condenatória transitada em julgado, ser recolhido em dependência separada, no estabelecimento em que tiver de ser cumprida a pena; Lei 4.878/65 [funcionários policiais civis da União e do DF], art. 40, § 3º. Transitada em julgado a sentença condenatória, será o funcionário encaminhado a estabelecimento penal, onde cumprirá a pena em dependência isolada dos demais presos [...]. REVISTA ÍNTIMA: - Lei 13.271, de 15 de abril de 2016 (Dispõe sobre a proibição de revista íntima [toque ou exposição dos órgãos genitais da pessoa revistada] de funcionárias nos locais de trabalho e trata da revista íntima em ambientes prisionais). Art. 1º. As empresas privadas, os órgãos e entidades da administração pública, direta e indireta, ficam proibidos de adotar qualquer prática de revista íntima de suas funcionárias e de clientes do sexo feminino. Art. 3º. Nos casos previstos em lei, para revistas em ambientes prisionais e sob investigação policial, a revista será unicamente realizada por funcionários servidores femininos. [Cuidado!!! Art. 3º foi vetado] Motivação do veto presidencial: “A redação do dispositivo possibilitaria interpretação no sentido de ser permitida a revista íntima nos estabelecimentos prisionais. Além disso, permitiria interpretação de que quaisquer revistas seriam realizadas unicamente por servidores femininos, tanto em pessoas do sexo masculino quanto do feminino.” - Conclusão1: A Presidência da República quis evitar que a Lei institucionalizasse a “revista íntima em presídios”. - Conclusão2: Conquanto a ementa da lei continue dizer que a lei “trata da revista íntima em ambientes prisionais”, isto não procede, haja vista que o único dispositivo que versava sobre o tema foi vetado. Afinal: a revista íntima em presídios pode ser feita? 1ª C: Não. A revista íntima em presídios, muitas vezes envolvendo métodos como nudez e agachamento, é extremamente vexatória e atentatória à dignidade da pessoa humana. 2ª C: Sim. Há por parte do Estado um poder-dever de evitar a entrada de produtos proibidos/ilícitos nos estabelecimentos prisionais, particularmente, armas e drogas. Portanto, na tutela do direito difuso à segurança pública, com viés preventivo, torna-se possível a revista íntima, observando-se a necessidade de que a providência, quando feita em mulheres, seja levada a efeito por servidoras públicas (sexo feminino). Há precedente do STJ a respeito? Em que sentido? - Hipótese em que a ré foi submetida à revista íntima por agentes penitenciárias do sexo feminino, ocasião em que foram encontradas, no interior de seu canal vaginal, 52,10 gramas de maconha, retirado pela própria acusada, procedimento que não pode ser acoimado de ilegal. - Na esteira da jurisprudência desta Corte, não viola o princípio dignidade da pessoa humana, a revista íntima realizada conforme as normas administrativas que disciplinam a atividade fiscalizatória, e quando há fundada suspeita de que a visitante esteja trazendo a seu corpo droga para o interior do estabelecimento prisional, pois, diante da inexistência de direito absoluto, a proteção da intimidade do agente não pode ser usada como escudo para práticas ilícitas. [...]. - Havendo fundada suspeita de que a visitante do presídio esteja portando drogas, armas, telefones ou outros objetos proibidos, é possível a revista íntima que, por si só, não ofende a dignidade da pessoa humana, notadamente quando realizada dentro dos ditames legais, sem qualquer procedimento invasivo.(AgRg no REsp 1687496/RS, 5ªT.STJ, DJe 27/03/2018) Revista íntima: Regras de Bangkok e de Mandela Regras de Bangkok: Regra 20. Deverão ser desenvolvidos outros métodos de inspeção, tais como escâneres, para substituir revistas íntimas e revistas corporais invasivas, de modo a evitar os danos psicológicos e possíveis impactos físicos dessas inspeções corporais invasivas. Regras de Mandela: Regra 60, 2. [...]. Revistas em partes íntimas do corpo devem ser evitadas e não devem ser utilizadas em crianças. Regra 51: As revistas íntimas e inspeções não serão utilizadas para assediar, intimidar ou invadir desnecessariamente a privacidade do preso. Para os fins de responsabilização, a administração prisional deve manter registros apropriados das revistas íntimas e inspeções, em particular daquelas que envolvam o ato de despir e de inspecionar partes íntimas do corpo e inspeções nas celas, bem como as razões das inspeções, a identidade daqueles que as conduziram e quaisquer resultados dessas inspeções. Regra 52: 1. Revistas íntimas invasivas, incluindo o ato de despir e de inspecionar partes íntimas do corpo, devem ser empreendidas apenas quando forem absolutamente necessárias. As administrações prisionais devem ser encorajadas a desenvolver e utilizar outras alternativas apropriadas ao invés de revistas íntimas invasivas. As revistas íntimas invasivas serão conduzidas de forma privada e por pessoal treinado do mesmo gênero do indivíduo inspecionado. DEVERES DO CONDENADO Art. 39. Constituem deveres do condenado [Parágrafo único. Aplica-se ao preso provisório, no que couber, o disposto neste artigo]: I. comportamentodisciplinado e cumprimento fiel da sentença; II. obediência ao servidor e respeito a qualquer pessoa com quem deva relacionar-se; III. urbanidade e respeito no trato com os demais condenados; IV. conduta oposta aos movimentos individuais ou coletivos de fuga ou de subversão à ordem ou à disciplina; V. execução do trabalho, das tarefas e das ordens recebidas; VI. submissão à sanção disciplinar imposta; VII. indenização à vitima ou aos seus sucessores; [LEP, art. 29, 1º, a] VIII. indenização ao Estado, quando possível, das despesas realizadas com a sua manutenção, mediante desconto proporcional da remuneração do trabalho; IX. higiene pessoal e asseio da cela ou alojamento; X. conservação dos objetos de uso pessoal. LEP Art. 146-C. O condenado será instruído acerca dos cuidados que deverá adotar com o equipamento eletrônico e dos seguintes deveres: I - receber visitas do servidor responsável pela monitoração eletrônica, responder aos seus contatos e cumprir suas orientações; II - abster-se de remover, de violar, de modificar, de danificar de qualquer forma o dispositivo de monitoração eletrônica ou de permitir que outrem o faça; III - (VETADO); DIREITOS DO PRESO Art. 41. Constituem direitos do preso: (...) X. visita do cônjuge, da companheira, de parentes e amigos em dias determinados; - Obs1: A LEP não instituiu o direito à visita íntima. E na prática: esse direito existe? - Obs2: Res. CNPCP n. 4/2011 + Portaria MJ n. 1190/2008: regulamenta a visita íntima à pessoa presa em estabelecimentos prisionais. - Obs3: Regra 27 das Regras de Bangkok: “Onde visitas íntimas forem permitidas, mulheres presas terão acesso a este direito do mesmo modo que os homens.” Visitas íntimas à comunidade LGBT? - Art. 6º da Res. Conj. 01/2014 do CNPCP e do CNCD/LGBT: “É garantido o direito à visita íntima para a população LGBT em situação de privação de liberdade, nos termos da Portaria MJ n.1190/2008 e da Resolução CNPCP n. 4/2011. Os filhos menores do preso podem visitá-lo? - ECA, art. 19, §4º (incluído pela Lei 12.962/2014): “Será garantida a convivência da criança e do adolescente com a mãe ou o pai privado de liberdade, por meio de visitas periódicas promovidas pelo responsável ou, nas hipóteses de acolhimento institucional, pela entidade responsável, independentemente de autorização judicial.” + Regras de Bangkok (regra 28). XI. chamamento nominal; - Obs.: Res. Conj. 01/2014 do CNPCP e CNCD/LGBT: Art. 2º. A pessoa travesti ou transexual em privação de liberdade tem o direito de ser chamada pelo seu nome social, de acordo com o seu gênero. P. ún. O registro de admissão no estabelecimento prisional deverá conter o nome social da pessoa presa. XIV. representação e petição a qualquer autoridade, em defesa de direito; Pode: impetrar HC; dirigir-se ao MP solicitando providências administrativas; pleitear benefícios penitenciários (v.g.: progressão). Não pode: ingressar com Revisão Criminal, Agravo em Execução etc. XV. contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita, da leitura e de outros meios de informação que não comprometam a moral e os bons costumes. O preso pode ter acesso à internet? Sim. Pode ter aulas de informática e até ensino a distância. Art. 126, §2º. As atividades de estudo a que se refere o §1º deste artigo poderão ser desenvolvidas de forma presencial ou por metodologia de ensino a distância e deverão ser certificadas pelas autoridades educacionais competentes dos cursos frequentados É possível a apreensão de cartas por parte da Administração do Presídio? - Obs.: “A administração penitenciária, com fundamento em razões de segurança pública, de disciplina prisional ou de preservação da ordem jurídica, pode, sempre excepcionalmente, & desde que respeitada a norma inscrita no art. 41, paragrafo único [?*?], da Lei n. 7.210/84, proceder a interceptação da correspondência remetida pelos sentenciados, eis que a cláusula tutelar da inviolabilidade do sigilo epistolar não pode constituir instrumento de salvaguarda de praticas ilícitas.” (HC 70814, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 24-06-1994) - Exige-se ato motivado do diretor para a suspensão/restrição do direito. XVI. atestado de pena a cumprir, emitido anualmente, sob pena da responsabilidade da autoridade judiciária competente. A quem compete expedir esse atestado? LEP, Art. 66. Compete ao Juiz da execução: X. emitir anualmente atestado de pena a cumprir. Qual é o objetivo da medida? Permitir que o próprio preso exerça um controle de legalidade de sua prisão, sendo certo que seu encarceramento além do prazo permitido por lei pode redundar em crime de abuso de autoridade. Lei 13.869/2019 Art. 12. Deixar injustificadamente de comunicar prisão em flagrante à autoridade judiciária no prazo legal: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem: (...) IV - prolonga a execução de pena privativa de liberdade, de prisão temporária, de prisão preventiva, de medida de segurança ou de internação, deixando, sem motivo justo e excepcionalíssimo, de executar o alvará de soltura imediatamente após recebido ou de promover a soltura do preso quando esgotado o prazo judicial ou legal. RESTRIÇÃO ADMINISTRATIVA DE DIREITOS Art. 41, p. ún. Os direitos previstos nos incisos V [proporcionalidade na distribuição do tempo para o trabalho, o descanso e a recreação], X [visitação] e XV [contato com o mundo exterior] poderão ser suspensos ou restringidos mediante ato motivado do diretor do estabelecimento. - Obs: estas suspensões/restrições também estão previstas no art. 53, III: Art. 53. Constituem sanções disciplinares: III. suspensão ou restrição de direitos. Para a suspensão desses direitos impõe-se prévia instauração de procedimento administrativo disciplinar? 1ª C: Não. “A medida de suspensão ou restrição de caráter individual de direitos referida no art. 41, parágrafo único, não se confunde com a sanção disciplinar, aplicada após o procedimento específico, mas decorre de fatores excepcionais, tais como problemas de segurança, de moléstia e até de disciplina enquanto se procede à apuração da falta disciplinar” 2ª C: Sim. “Note-se, ainda, o disposto no art. 53, III, desta Lei, demonstrando que tais ações da direção devem ter por base a aplicação de sanção disciplinar. ” “NOVO DIREITO”: STF, RE 580252: Caso emblemático! - Fulano cumpre pena em regime fechado em um presídio localizado em Corumbá-MS. Em inspeção na unidade, a vigilância sanitária constatou: superlotação; sérios problemas de higiene; e risco de transmissão de doenças. Por isso, determinou a adoção de medidas para sanar tais deficiências. Passaram-se vários meses e nada foi feito pelo Estado! A Defensoria Pública, então, ajuizou ação de indenização por danos morais contra o Estado-MS, alegando que Fulano estava sendo submetido a tratamento desumano e degradante. A PGE contestou e invocou o princípio da reserva do possível. O pedido foi julgado improcedente em 1º grau, mas a sentença foi reformada, por maioria, em apelação. O valor da indenização por danos morais foi fixado pelo TJMS em R$ 2.000,00. Opostos embargos infringentes, estes restaram acolhidos, para restaurar a sentença. Por fim, a Defensoria Pública recorreu ao STF contra acórdão do TJMS que, embora tenha reconhecido que a pena vinha sendo cumprida “em condições degradantes por força do desleixo dos órgãos e agentes públicos”, entendeu, no julgamento de embargos infringentes, não haver direito ao pagamento de indenização por danos morais. Informativo STF 854 (RE 580252): A decisão! “Considerando que é dever do Estado, imposto pelo sistema normativo, manter em seus presídios os padrões mínimos de humanidade previstos no ordenamento jurídico, é de sua responsabilidade, nos termos do art. 37, § 6º, da Constituição, a obrigação de ressarcir os danos, inclusive morais, comprovadamente causados aos detentos em decorrência da falta ou insuficiência das condições legais de encarceramento. Com essa orientação, o Tribunal, em conclusão e por maioria, deuprovimento a recurso extraordinário para restabelecer o juízo condenatório nos termos e limites do acórdão proferido no julgamento da apelação, a qual fixara indenização no valor de dois mil reais a favor de detento. Consoante o acórdão restabelecido, estaria caracterizado o dano moral porque, após laudo de vigilância sanitária no presídio e decorrido lapso temporal, não teriam sido sanados os problemas de superlotação e de falta de condições mínimas de saúde e de higiene do estabelecimento penal. “Além disso, não sendo assegurado o mínimo existencial, seria inaplicável a teoria da reserva do possível [...]. Registrou-se, de início, a inexistência de controvérsia a respeito dos fatos da causa e da configuração do dano moral, haja vista o reconhecimento, pelo próprio acórdão recorrido, da precariedade do sistema penitenciário estadual, que lesou direitos fundamentais do recorrente, quanto à dignidade, intimidade, higidez física e integridade psíquica. [...] Em seguida, consignou-se que a matéria jurídica está no âmbito da responsabilidade civil do Estado de responder pelos danos, até mesmo morais, causados por ação ou omissão de seus agentes, nos termos do art. 37, § 6º, da CF, preceito normativo autoaplicável, que não se sujeita a intermediação legislativa ou a providência administrativa de qualquer espécie.” Na prática, essa indenização pode se tornar regra? “SISTEMA PENITENCIÁRIO NACIONAL. SUPERLOTAÇÃO CARCERÁRIA. CONDIÇÕES DESUMANAS DE CUSTÓDIA. VIOLAÇÃO MASSIVA DE DIREITOS FUNDAMENTAIS. FALHAS ESTRUTURAIS. ESTADO DE COISAS INCONSTITUCIONAL. CONFIGURAÇÃO. Presente quadro de violação massiva e persistente de direitos fundamentais, decorrente de falhas estruturais e falência de políticas públicas e cuja modificação depende de medidas abrangentes de natureza normativa, administrativa e orçamentária, deve o sistema penitenciário nacional ser caraterizado como ‘estado de coisas inconstitucional’. FUNDO PENITENCIÁRIO NACIONAL – VERBAS – CONTINGENCIAMENTO. Ante a situação precária das penitenciárias, o interesse público direciona à liberação das verbas do Fundo Penitenciário Nacional. AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA – OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. “Estão obrigados juízes e tribunais, observados os artigos 9.3 do Pacto dos Direitos Civis e Políticos e 7.5 da Convenção Interamericana de Direitos Humanos, a realizarem, em até noventa dias, audiências de custódia, viabilizando o comparecimento do preso perante a autoridade judiciária no prazo máximo de 24 horas, contado do momento da prisão.” (ADPF 347 MC, Rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno do STF, DJe-031 de 19-02-2016) LIVRAMENTO CONDICIONAL Nome: Livramento Condicional Artigo: Art. 83, CP, c/c art. 66, III, e c/c art. 131, Lei 7.210/1984 Prazo: - Serve para: Pleitear o benefício do livramento condicional durante a execução penal Observações: Pedido que só existe na Execução Penal MODELO DA PEÇA EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA VARA DE EXECUÇÕES PENAIS DO ESTADO DO …. – CIDADE …. … (nome completo em negrito da parte), … (nacionalidade), … (estado civil), … (profissão), portador do CPF/MF nº …, com Documento de Identidade de n° …, residente e domiciliado na Rua …, n. …, … (bairro), CEP: …, … (Município – UF), vem respeitosamente perante a Vossa Excelência propor: LIVRAMENTO CONDICIONAL com fundamento no art. 83 e seus incisos, do Código Penal, para o que passa a expor o quanto segue: O requerente foi denunciado e posteriormente condenado nos Autos de Ação Penal sob nº …., à pena de …. (….) e …. (….) meses de reclusão e …. (….) dias de multa, como incurso nas sanções do art. 155 “caput” do Código Penal, em regime fechado, cuja sentença teve sua execução iniciada no dia …. de …. de …., conforme se comprova pelo Atestado de Permanência Carcerária em anexo. Atualmente, já passados …. (….) ano, …. (….) meses e …. (….) dias, desde a prisão do requerente, tendo em vista que o mesmo foi preso em …/…/…, tendo cumprido mais da metade da pena, regular e satisfatoriamente as condições impostas, conforme se infere da informação fornecida pela autoridade policial, ou seja, vem mantendo bom comportamento carcerário. (doc. em anexo). Prevê o art. 83 do CP, a concessão do LIVRAMENTO CONDICIONAL mediante atendimento de requisitos de ordem objetiva e subjetiva. A mais recente doutrina penal deixou de considerar o livramento condicional como incidente de execução para catalogá-lo como “benefício”, quanto à forma e “medida penal alternativa de privação de liberdade”, quanto ao conteúdo. entretanto, o livramento condicional continua não sendo um favor, mas um “direito subjetivo do sentenciado, desde que preenchidos os requisitos que a lei fixa para a concessão”. (Celso Delmanto – C. P. Comentado). Segundo a recente doutrina, ainda: “uma vez reunidos os requisitos legais, o livramento condicional deve ser deferido como medida penal alternativa à privação da liberdade e não como mero benefício ou ato de graça em correspondência à boa conduta. A liberdade condicional, porém em meio livre”. (Reale Junior e outros – “in Código Penal e sua Interpretação Jurisprudêncial – ed. RT pág. 268 – 1987). DO ATENDIMENTO AOS REQUISITOS OBJETIVOS Tal como estampados no Art. 83 do Código Penal, atende o requerente a todos os requisitos de ordem objetiva para a concessão do benefício. Desta forma: a) quanto à natureza e quantidade de pena imposta, verifica-se que a mesma é de …. (….) anos e …. (….) meses de reclusão e …. (….) dias de multa. b) pertinente ao cumprimento de pena, verifica-se que o requerente está preso desde o dia …. de …. de …., o que perfaz, até a presente data, a …. (….) ano, …. (….) meses e …. (….) dias de efetivo cumprimento, o que corresponde ao atendimento do inciso II, do art. 83 do C. P., já que o requerente foi considerado reincidente na sentença, tendo portanto, cumprido mais da metade da pena que lhe foi imposta, e não há dano a ser reparado, já que os objetos subtraídos forma recuperados, conforme o mesmo consta da sentença. DO ATENDIMENTO AOS REQUISITOS DE ORDEM SUBJETIVA Da mesma forma, encontra-se plenamente satisfeitos os requisitos de ordem subjetiva, em prol do presente pedido. Vejamos: a) O art. 83, inc. III do Código Penal – “comprovado comportamento satisfatório durante a execução da pena …” este requisito existe em favor do requerente, conforme se vê do incluso atestado fornecido pela autoridade Policial. b) o requerente já tem proposta de emprego fornecida pela firma “….” (….), de propriedade do Sr. …., cuja proposta encontra-se anexada ao presente pedido, e continuará residindo na Rua …. nº …., quadra …. lote …., nesta Cidade. DO PEDIDO Ante o exposto e uma vez demonstrados estarem atendidos os requisitos que possibilitam seja deferido o presente pedido, aguarda o Requerente …., uma vez ouvido o digno Representante do Ministério Público, digne-se Vossa Excelência conceder-lhe LIVRAMENTO CONDICIONAL, obrigando-se a obedecer as condições que lhe forem impostas. Nestes termos, pede e espera deferimento. … (Município – UF), … (dia) de … (mês) de … (ano). ADVOGADO OAB n° …. – UF PROGRESSÃO DE REGIME Nome: Progressão de Regime Artigo: Art. 66, III, “b”, c/c art. 112 da Lei 7.210/1984 Prazo: - Serve para: Possibilitar a execução da pena em regime mais favorável Observações: Verificar os percentuais para progressão de regime introduzidos pelo Pacote Anticrime PROGRESSÃO (F→SA) Condenação Cumprimento de parcela de pena 16%: primário + crime sem violência/grave ameaça 20%: reincidente + crime sem violência/grave ameaça 25%: primário + crime com violência/grave ameaça 30%: reincidente + crime com violência/grave ameaça 40%: primário + hediondo 50%: primário + hediondo + morte OU comando de org. crim + hediondo 60%: reincidente + hediondo 70%: reincidente + hediondo + morte c) Bom comportamento carcerário d) Oitiva do MP e defesa e) Periculosidade do caso (exame criminológico) MODELO DE PEÇA EXCELENTÍSSIMO SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO DA … ° VARA DE EXECUÇÕES PENAIS DA COMARCA DE … RÉU PRESO PEDIDODE PROGRESSÃO DE REGIME Processo nº: … Réu: … … (nome completo em negrito da parte), … (nacionalidade), … (estado civil), … (profissão), portador do CPF/MF nº …, com Documento de Identidade de n° …, residente e domiciliado na Rua …, n. …, … (bairro), CEP: …, … (Município – UF), vem respeitosamente perante a Vossa Excelência propor: PEDIDO DE PROGRESSÃO DE REGIME o que se faz com fulcro nos fatos e fundamentos jurídicos a seguir arrolados: DA SUMA FÁTICA O réu desta ação penal, desde o dia (Dia) de (Mês) de (Ano), conforme a Guia de Execução Provisória (doc.1), dispõe do benefício de progressão para o regime SEMI-ABERTO. Inclusive, o réu desta ação penal dispõe de excelente comportamento carcerário, conforme o atestado de conduta carcerária (doc.2), expedido pelo VICE-DIRETOR da penitenciária Dr. Xxxxxxx, localizada no município de Nísia Floresta/RN. Desta feita, preclaro julgador, não há qualquer óbice a concessão da progressão de regime ao Sr. Requerente, consoante aos documentos acostados a esta peça. DA FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA Nos termos da legislação brasileira, o condenado dispõe da garantia à progressão de regime, nos termos do art. 33 do Código Penal e 112 da LEP, senão vejamos: Art. 33 § 2º – As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma progressiva, segundo o mérito do condenado, observados os seguintes critérios e ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais rigoroso: Art. 112. A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva com a transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento, respeitadas as normas que vedam a progressão. Manter o apenado, preso em regime inadequado por mais tempo a que foi condenado, além do agravamento social do condenado, é uma violência quanto aos seus direitos constitucionais, pois ninguém poderá ser condenado, a pagar mais do que deve ao Estado, nem ser mantido em regime prisional mais rigoroso, se já adquiriu por direito, a conquista ao regime mais brando. Emérito Julgador, o pedido deve ser deferido, o condenado Sr. Requerente, deverá ser agraciado com a progressão de regime, passar do regime fechado para o semiaberto, pois preenche os requisitos objetivos e subjetivos, conforme previsto no art. 112 da Lei de Execução Penal. Pois objetivamente o condenado progride de regime se cumprir, em regra, ao menos um sexto da pena no regime anterior, o que é justamente o caso dos autos, pois o requerente foi condenado a uma pena privativa de liberdade de 8 (anos), 11 (Onze) meses e 19 (dezenove dias), de reclusão por crime comum, conforme a GEP. Efetivamente, Culto Julgador, a data base de contagem deu início em (Dia) de (Mês) de (Ano), inicialmente em regime fechado, o qual está inclusive até a presente data. Portanto, o Sr. Requerente já está preso a xx (xx) dias a mais do que o necessário para progredir ao regime semiaberto. Desta feita, é imperioso destacar que resta preenchido o requisito objetivo, ao menos um sexto da pena no regime fechado. Já com relação ao requisito subjetivo, da mesma forma conforme se observa o atestado de conduta carcerária (doc.02), o requerente apresenta bom comportamento, haja vista não haver nenhuma conduta que o desabonasse, como evidenciou o VICE-DIRETOR do presídio, Sr. Xxxxxxx. Ademais, não tem registro de participação em grupo ou facção criminosa, nunca participou de rebelião na unidade prisional, também não há registro de regime disciplinar diferenciado na unidade, inclusive o condenado foi classificado nos termos da legislação vigente com o comportamento carcerário “bom”. Como estampado no próprio art. 112, já mencionado, o cumprimento de pena se fará de maneira progressiva, visando a readaptação do preso à vida fora do cárcere. Vale lembrar que nosso sistema de execução penal baseia-se na ideia de ressocialização do preso, isto é, não se tem a pena somente como retribuição, mas também como prevenção, com caráter educativo. Nada melhor, para atender ao espirito de nosso sistema, que conceder o benefício de modo a proporcionar ao sentenciado a gradual reinserção social. A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva com a transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento, respeitadas as normas que vedam a progressão. Sujeitando-se, portanto o requerente ao referido dispositivo legal, ou seja, cumprir ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom comportamento carcerário para ter o benefício da progressão de regime, pelos motivos supramencionados, preenche o condenado todos os requisitos para progredir do regime fechado para o semiaberto. DOS PEDIDOS Diante do exposto, requer, após o parecer do ilustre representante do Ministério Público, seja concedida ao requerente a progressão ao regime semiaberto, por ser medida de JUSTIÇA. Nestes termos, pede e espera deferimento. … (Município – UF), … (dia) de … (mês) de … (ano). ADVOGADO OAB n° …. – UF REMIÇÃO DA PENA Nome: Remição da Pena Artigo: Art. 66, III, “c”, c/c art. 126 da Lei 7.210/1984 Prazo: - Serve para: Remir, por trabalho ou por estudo, parte do tempo de execução da pena Observações: Súmula 341 STJ: A frequência a curso de ensino formal é causa de remição de parte do tempo de execução de pena sob regime fechado ou semiaberto. MODELO DE PEÇA EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DA …° VARA DE EXECUÇÃO PENAL DA COMARCA DE … Autos nº.: … (nome da parte em negrito), devidamente qualificado e representado apud acta, vem respeitosamente à augusta presença de Vossa Excelência expor e alfim requerer REMIÇÃO DE PENA, com fulcro no art. 126, caput, parte inicial e § 1º, II, da Lei nº.: 7.210/1984 (Lei de Execução Penal – LEP), sem prejuízo dos demais dispositivos aplicáveis ao caso, sustentando para tanto o que se segue. DOS FATOS E FUNDAMENTOS JURÍDICOS De acordo com a planilha de liquidação de pena em anexo, após as condenações que totalizaram em 37 (trinta e sete) anos, o Requerente/Sentenciado, conforme determinação legal, cumpre a sanção imposta em regime fechado. Assim, ainda que o presídio local não detenha apta fiscalização sobre o trabalho desenvolvido por presos cautelares e definitivos, o Sentenciado sempre (desde meados de dezembro de 2007) laborou no interior de sua cela, confeccionando diversos tipos de objetos comerciáveis, como carrinhos de madeira, porta-retratos, porta-joias, etc, o que lhe garantiu e até então garante sua subsistência (certidão elaborada pelo diretor do presídio de Caiapônia – GO em anexo). Por outro lado, diante do avançar da idade, o Sentenciado encontra-se acometido por várias moléstias, sendo elas: (i) hipertensão arterial; (ii) arritmia cardíaca; (iii) doença renal hipertensiva e; (iv) gastrite crônica – (laudo médico em anexo). Desta feita, havendo o desconto do tempo laborado na pena em que fora submetido, o Sentenciado poderá em breve progredir do regime fechado para o semiaberto e, com isso, buscar melhores formas de tratamento médico, uma vez que estando segregado diuturnamente, as dificuldades são patentes. O Sentenciado em outras oportunidades, pleiteou, de próprio punho, o direito à remição, contudo, teve seu pedido negado por “fundamentos infundados”[1]. Ao nosso ver, com o devido respeito, comungando com o entendimento de Guilherme Nucci (2014, p. 985), a remição é um direito do preso advindo de um dever imposto pelo Estado. Todavia, se no presídio não funciona corretamente tal fiscalização sobre o trabalho ou inexista a oportunidade deste labor, a deficiência é estatal, não podendo, para tanto, privar o detento de um direito que lhe pertence. Ainda amparando-se em Nucci (2014, p. 984), tem-se: Em aberto, permanece a antiga questão: no presídioonde inexistir oportunidade de trabalho ou estudo, o que se faz? […]. A deficiência é do Estado, podendo-se instaurar incidente de desvio de execução. […] Se nenhuma medida for tomada, parece-nos correto que o preso, permanecendo à disposição para trabalhar ou estudar, deva ter os dias computados para fins de remição. (g. N.) Trazendo para o caso em tela, mesmo frente à toda dificuldade local, o Sentenciado nunca deixou de trabalhar para se manter no interior do estabelecimento prisional, fato este que pode ser provado pelos plantonistas e demais detentos. E mais. Pensar diferente (não computar o tempo trabalhado na pena), é o mesmo que pensar em um retrocesso à um dos fundamentos da pena que é o da profissionalização, vertente da ressocialização (segunda faceta da Teoria Agnóstica da Pena). Para o Ministério Público (vide parecer de fls.: 119/120), “a atividade realizada pelo reeducando no interior do Presídio local não caracteriza trabalho para fins de remição, tendo em vista não possuir finalidade produtiva e educativa, além de não estar subordinada a carga horária de trabalho e tampouco ser possível a aferição de sua produtividade […]”. Data vênia, mas a fundamentação da ilustre representante do Parquet foge ao garantismo penal. Ora, toda e qualquer profissão detém uma finalidade produtiva (por óbvio), bem como educativa, principalmente aquela realizada por reeducandos, já que, conforme já salientado, ainda que a pena envolva-se de caráter punitivo, em contrapartida, visa que o transgressor saia do cárcere ressocializado e, por decorrência lógica, apto ao trabalho, independentemente de qual seja a profissão. A vedação trazida pelo art. 32, § 1º da LEP no tocante ao artesanato, é categórica em limitar tal prática sem expressão econômica, o que não é o caso dos autos, já que, como aduzimos anteriormente, o Sentenciado sempre se manteve monetariamente dentro do estabelecimento prisional com a venda dos objetos fabricados manualmente. Em recentíssimo julgado advindo do nosso Tribunal de Justiça, tem-se: AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL INTERPOSTO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO, POSTULANDO A DESCONSIDERAÇÃO DO TRABALHO ARTESANAL PARA FINS DE REMIÇÃO DA PENA. 1 – É viável o trabalho artesanal para fins de remição, bem como idôneas as folhas de frequência devidamente assinadas pelo coordenador da unidade prisional, conforme Súmula nº 10 da Corte Especial do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás. 2 – Conclusão: agravo desprovido, parecer acolhido. (TJGO, AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL 45193-90.2015.8.09.0000, Rel. DES. EDISON MIGUEL DA SILVA JR, 2A CÂMARA CRIMINAL, julgado em 28/05/2015, DJe 1809 de 22/06/2015) (grifos e realces meus) Quanto à jornada de trabalho (art. 33, caput, da Lei nº.: 7.210/1984), mesmo inexistindo fiscalização no presídio local sobre os horários, a jurisprudência pátria cimentou que deve-se considerar os dias efetivamente trabalhados e não a carga horária do labor. Destarte: AGRAVO – REMIÇÃO DA PENA PELO TRABALHO – CARGA HORÁRIA DE 6 HORAS DIÁRIAS – POSSIBILIDADE – Omissis – RECURSO PROVIDO. O art. 33 da LEP dispõe que a jornada normal de trabalho não será inferior a 06 (seis) horas, nem superior a 08 (oito) horas, não sendo considerado o dia trabalhado em que a jornada foi inferior ao mínimo cominado. Em se tratando de remição relacionada ao trabalho, devem ser considerados os dias efetivamente trabalhados, e não as horas diárias. Omissis. (TJ-MG – AGEPN: 10231100011882003 MG, Relator: Paulo Cézar Dias, Data de Julgamento: 12/08/2014, Câmaras Criminais / 3ª CÂMARA CRIMINAL, Data de Publicação: 20/08/2014). (grifos e realces meus) DO PEDIDO Desta forma, recapitulando às explanações acima, requer-se à Vossa Excelência, com o respeito de sempre e nos termos do art. 126, caput, parte inicial e § 1º, II, da LEP, a decretação de REMIÇÃO DA PENA imposta ao Sentenciado, ouvindo-se, previamente a ilustre representante do Ministério Público. Caso Vossa Excelência entenda que não seja suficiente toda a documentação em anexo trazida, o Sentenciado coloca-se à disposição de provar o alegado por todos os meios possíveis e solicitados. Nestes termos, pede e espera deferimento. … (Município – UF), … (dia) de … (mês) de … (ano). ADVOGADO OAB n° …. – UF DETRAÇÃO DA PENA Nome: Detração da Pena Artigo: Art. 66, III, “c”, da Lei 7.210/1984, c/c art. 42, CP Prazo: - Serve para: Abater o tempo de prisão cautelar, aquela durante a investigação e/ou processo criminal do tempo de condenação MODELO DE PEÇA EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA DE EXECUÇÃO PENAL DA COMARCA __________ DO ESTADO ____________ (linhas) ________________ (qualificação completa), vem por seu advogado infra-assinado, com fundamento no art. 66, III, “c”, da Lei 7.210/1984, c/c art. 42, CP, requerer pedido de DETRAÇÃO PENAL tendo em vista ______ (trabalho e/ou estudo) demonstrado nos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos: I – Dos Fatos II – Do Direito III – Do Pedido Isto posto, requer: A detração da pena em respeito aos mandamentos legais. Termos em que, Pede Deferimento, Local, data Município, data Advogado Inscrição n.º PEDIDO DE EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE Nome: Pedido de Extinção da Punibilidade Artigo: Art. 66, II, da Lei 7.210/1984, c/c art. 107___, CP Prazo: - Serve para: Pleitear a extinção da punibilidade, com a consequente perda do Estado no direito de punir EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA DE EXECUÇÃO PENAL DA COMARCA __________ DO ESTADO ____________ (linhas) ________________ (qualificação completa), vem por seu advogado infra-assinado, com fundamento no art. 66, II, da Lei 7.210/1984, c/c art. 107___, CP, requerer pedido de EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE pela ____________ (causa da extinção) pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos: I – Dos Fatos II – Do Direito III – Do Pedido Isto posto, requer: A extinção da punibilidade pela_______, conforme art.______ Termos em que, Pede Deferimento, Local, data Município, data Advogado Inscrição n.º