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Avaliação de Depósitos Aspectos gerais e conceitos básicos da avaliação de recursos minerais Prof. Dr. Luis Eduardo de Souza Visão geral A vida de uma mina não inicia no dia que começa a produção, mas muitos anos antes, quando a companhia inicia a exploração de um depósito mineral. Uma grande quantia de tempo e dinheiro é gasta simplesmente procurando, localizando e quantificando uma ocorrência mineral promissora. Não são muitas as ocorrências que virão a ser encontradas e menos ainda serão aquelas que apresentarão potencial para tornarem-se minas. Não é difícil que se gaste de 5 a 10 anos procurando por um depósito explotável e mais 5 ou 10 anos até o start up da mina. É uma prática comum em exploração, iniciar-se a avaliação técnica e econômica tão logo possível e atualizar estas avaliações em paralelo com os trabalhos de exploração, a medida que a base de dados e informações é melhorada. O propósito deste processo contínuo é ter uma base pronta para a tomada de decisão de seguir ou não seguir (“go/no- go”) com os estágios seguintes do projeto que, normalmente, implicam em aumento gradativo de custos e investimentos. Qualquer avaliação econômica de projetos mineiros necessita de informações a respeito de tonelagens e teores. No entanto, nos estágios iniciais de exploração, há apenas uma idéia sobre os volumes e distribuição de teores e as únicas indicações físicas vêm de observações de trincheiras ou de um número limitado de furos de sonda. Com o avanço da exploração de um possível depósito e a consolidação de um banco de dados gradativamente mais detalhado, são obtidas estimativas do potencial de tonelagem e teor. Diversas técnicas de estimativa estão disponíveis e, geralmente, a sofisticação das mesmas também acompanha as etapas em que a exploração se encontra e, conseqüentemente, do nível de detalhamento dos corpos de minério. Estudo Acuracidade Conceituais ± 30% Preliminares ± 20% Viabilidade ± 10% Capacidade relativa de influenciar nos custos. Sell product Mine and process Develop mine extraction facilities Demand for mineral product Changes in market Ocurrence of ORE deposit A d v a n c e in t e c h n o lo g y Exploration Discovery Delineation $ $ Prospecção Exploração Avaliação? Conforme já salientado anteriormente, empreendimentos mineiros são sujeitos às etapas de: ● prospecção mineral + pesquisa mineral; ● planejamento mineiro; ● abertura e desenvolvimento; ● lavra; ● beneficiamento; ● comercialização. É importante ter claro que, apesar de apresentarem uma seqüência lógica, estas etapas não são estanques. Elas estão todas inter-relacionadas, interferindo umas nas outras, ao longo de toda a vida da mina. Assim, são atribuições do planejamento a definição: ● dos recursos minerais e da reserva lavrável; ● da taxa de produção; ● do teor de corte e do teor lavrável; ● dos parâmetros econômicos (preço de mercado, receita, custos operacionais, investimentos, etc). Introdução O investimento necessário para iniciar uma mina é da ordem de dezenas a centenas de milhões de dólares. Para que o investimento seja lucrativo, o potencial produto no terreno precisa estar presente em uma quantidade e qualidade adequada, de maneira a justificar a decisão de investir. As operações de lavra e tratamento utilizadas para extrair o produto devem, então, operar de maneira a produzir uma receita que compense o investimento planejado e forneça um lucro aceitável. Atenção! Lucros (L) = Receita (R) – Despesa (D) Receita (R) = material x preço/ vendido (MV) unidade(P) Custos ou = material x custo/ Despesas vendido (MV) unidade (C) Lucros = MV x P – MV x C = MV x (P – C) Sendo: ● o preço do material vendido é afetado pela oferta e demanda mundial; ● onde os engenheiros/tecnólogos podem e devem atuar é (i) nos custos e (ii) no desenvolvimentos de novas técnicas ou tecnologias; ● para permanecer lucrativo a longo prazo, é necessário que um processo contínuo de busca de melhores práticas para redução do custo operacional. Assim, claramente pode-se perceber que todas as decisões tecnológicas e financeiras com respeito à produção planejada estão baseadas na pressuposição de que os recursos minerais efetivamente existam e sejam passíveis de serem extraídos. Neste sentido, a estimativa dos teores e localização do material no terreno (recursos in situ) precisa ser conhecida com um grau aceitável de confiança. Essa premissa se verifica especialmente para depósitos grandes e de baixos teores para os quais o teor está apenas levemente acima do mínimo necessário para garantir níveis lucrativos ou para depósitos de metais preciosos onde apenas uma pequena percentagem da mineralização pode ser minerada com lucro. Como os lucros da mineração estão fortemente nivelados pelo preço do produto e o teor realizado do material minerado, uma pequena diferença entre o teor planejado (estimado) e o realizado ou uma pequena mudança no preço do metal pode ter um impacto enorme na lucratividade da mina. Para permanecerem competitivas, as empresas de mineração precisam otimizar a produtividade de cada operação mineira. As maneiras de alcançar esta meta são: (i) movimentar e processar mais toneladas com a mesma quantidade ou menos equipamentos; (ii) controle e gerenciamento rigoroso de insumos e consumíveis (brocas, bits, explosivos, combustíveis, peças, etc); (iii) adquirir novos e melhores equipamento que permitam maior produtividade e/ou menores custos operacionais. Cada uma destas ações vai ter um custo e um potencial retorno do investimento. Outra maneira de aumentar a produtividade é aumentar o conteúdo de produto no material sendo minerado e processado, isto é, aumentar o controle de teores durante a lavra. Isso pode ser obtido: (i) aumentando o teor para a mesma tonelagem; (ii) aumentando a tonelagem enquanto é mantido o mesmo teor médio; (iii) alguma combinação que envolva melhoria da seleção de minério versus estéril (aumento de seletividade). A estimativa do minério, o planejamento de lavra e o controle dos teores são tarefas complementares em qualquer operação de mineração eficiente. Conceitos essenciais para o inventário mineral Os relatórios de inventários minerais têm tradicionalmente empregado uma vasta gama de termos ou jargões profissionais, que nem sempre são de utilização padrão para qualquer lugar ou empreendimento. Em alguns casos, certas terminologias técnicas são amplamente empregadas, ao passo em que outros termos, por serem muito específicos, não são apreciados ou utilizados pela indústria de maneira geral. Neste sentido, a seguir serão definidos alguns dos termos e conceitos mais largamente integrados aos trabalhos de inventário de recursos. Minério: Definição 1: um agregado natural de um ou mais minerais sólidos que pode ser lavrado (minerado) ou do qual um ou mais produtos minerais podem ser extraídos, com lucro. Definição 2: um agregado natural de um ou mais minerais sólidos que pode ser minerado, processado e vendido com lucro. É importante se atentar para a distinção entre o termo minério (a porção que pode ser lavrada com lucro) do estéril (a porção que contém valor insuficiente para garantir lucro). No entanto, esta distinção não é fixa e imutável! Ela pode e vai variar de acordo com a oferta e demanda do mercado. Ex.: pilhas de “estéril” de Carajás diferença entre minério de Carajás e minério do Quadrilátero Ferrífero (MG) Teor de corte (cutoff grade): Em termos práticos, o teor de corte é um teor abaixo do qual o valor de metal/mineral contido em um volume de rocha não atende as premissas técnicas e/ou econômicas definidas. Os teores de corte são utilizados para distinguir (selecionar) blocos de minério de blocos de estéril. O conceito de teor de corte está fortemente ligado à conectividade dos blocos de minério no estágio de produção. Com o aumento do teor de corte, o volume de minério diminui e se torna compartimentalizado em um crescente número de volumesmenores e separados. A conectividade dos blocos de minério e o efeito no volume com a variação no teor de corte. Exemplo de curva de parametrização: teor de corte versus massa de minério. Blocos a serem lavrados pois seu custo de lavra foi suportado por blocos ricos e seu benefício paga o custo de tratamento e indiretos tc = teor de corte tm = teor marginal tu = teor de utilização Mínimo teor com tecnologia de processo disponível Quando tm < tu tm = tu Não são lavrados Se desmontados, estes blocos serão enviados ao bota-fora, caso contrário permanecerão in situ Se já desmontados, vão para usina ou pilha de minério marginal Continuidade: Na análise de depósitos minerais, esta definição espacial é geralmente utilizada de maneira ambígua, para descrever tanto a ocorrência de feições geológicas que controlam a mineralização, como a distribuição dos valores dos teores. Copper Queen Mine, Montana, EUA. Seção horizontal, nível 900. Silver Queen Mine, British Columbia, Canadá. Recursos e reservas: Todos os projetos e planos mineiros são elaborados a partir do inventário mineral, resultado da pesquisa geológica e tecnológica, ou seja, é o inventário mineral que sumariza os recursos minerais disponíveis. O inventário mineral é considerado em termos de recursos minerais e reservas de minério. As definições variam de um país para outro, mas há pressões crescentes no sentido de internacionalizar os códigos e os critérios de classificação. Um recurso é uma ocorrência mineral in situ, quantificada com base nos dados geológicos e em um teor de corte geológico. O termo reserva é utilizado apenas se um estudo utilizando critérios técnicos e econômicos foi realizado, respeitando restrições políticas, ambientais e sociais, e é expresso sempre em termos de toneladas lavráveis. No entanto, as reservas lavráveis são o que efetivamente se consegue produzir e definir o que é reserva lavrável é um problema de engenharia e não de geologia! Localização dos furos de sondagem e classes de carvão in situ EMPRESAS GUGLIELMI CARBONíFERA METROPOLITANA S.A. Camada Bonito Escala: 1 : 40.000 Avaliação de Recursos de Carvão, Projeto Fontanella Data: 06/2010 LPM / METROPOLITANA BG01A BG02 BG03 BG04 BG05 BG06 BG07 BG08BG09BG10 BG11 BG12 BG124 BG125 BG126 BG13BG14BG15BG16BG17BG18 BG19BG20 BG21 BG22 BG23 BG24 BG25 BG26BG27 BG28 BG29 BG30BG31 BG32 BG33BG34 BG35BG36BG37 BG38 BG39BG40BG41 BG42BG43BG44 BG45 BG46 BG47BG48BG49 BG50BBG51BG52 BG53 BG54 BR06 BR07 BR10 E01 E02 E03 E04 E05 E06 E07 E08 E09 E10 E100 E101 E102 E104 E105 E106 E11 E111 E117 E12 E13 E130 E14 E15 E16 E165 E166 E167 E168 E169 E17 E170 E171 E172 E173 E174 E175 E176 E177 E178 E179 E18 E180 E181 E182 E183 E184 E185 E186 E188 E19 E190 E195E197 E199 E20 E200 E201 E202 E203 E204 E205 E206 E207 E208 E209 E21 E210 E211 E212 E22 E23 E24 E243 E244 E248 E25 E250E251 E252 E253E254 E255 E256 E257 E258 E259 E260 E265 E266 E267 E27 E270 E273 E278 E279 E28 E280 E282 E283 E284 E285 E286 E287 E288 E289 E29 E290 E291 E292 E293 E294 E295 E30 E302 E303 E304 E305 E31 E311 E312 E313 E314 E315 E316 E317 E318 E319 E32 E321 E322 E323 E324 E325 E326 E327 E328E33 E330 E338 E340 E341 E343 E344 E345 E346 E347 E350 E351 E352 E353 E354 E355 E356 E357 E358 E359 E36 E360 E361 E362 E363 E364 E365 E366 E367E368 E37 E370 E376 E38 E380 E381 E382 E384 E387 E389 E39 E390 E391 E392 E393E394 E395 E396 E398 E399 E40 E400 E401 E402 E403 E404 E405 E406 E407 E408 E409 E41 E410 E411 E412 E413 E414 E415E416 E417 E418 E419 E42 E420 E421 E422 E423 E424 E425 E426 E427E428 E429 E43 E430 E431 E432 E433 E434 E435 E436E437 E438 E439 E44 E440 E441 E442 E443 E444 E445 E446 E447 E448E449 E45 E450 E451 E452 E453 E454 E455 E456 E457 E458 E459 E46 E460 E461 E462E463 E464E465 E466 E467 E468 E469 E47 E470 E471 E472 E473 E474 E475 E476 E477 E479-A E48 E480 E481 E482 E483 E484 E485 E486 E487 E488 E489 E49 E490 E491 E492 E493 E494 E495E496E497 E498E499 E500 E501 E502 E503 E504 E505 E506 E507 E508 E509 E51 E510 E511 E512 E513 E514 E515 E516 E517 E518 E519 E52 E522 E523 E524 E525 E526 E527 E528 E529 E53 E530 E531 E532 E533 E534 E535 E536 E537 E538 E539 E54 E540 E541 E542 E543 E544 E545 E546 E547 E548 E549E550 E552 E553 E554 E555 E556 E557 E558 E559 E56 E560 E561 E562 E563 E564 E565 E566 E568 E569 E57 E570 E571 E572 E573 E574 E575 E576 E577 E578 E579 E580 E581 E582 E583 E584 E585 E586 E587 E588 E589 E59 E590 E591 E592 E593 E594 E595 E596 E597 E598 E599 E600 E601 E602 E603 E604 E62 E64 E65 E66 E67 E68 E69 E70 E71 E72 E73 E74 E75 E76 E77 E78 E79 E80 E81 E82E83 E85 E86 E87 E88 E89 E90 E91 E92 E93 E94 E95 E96 E97 E98 E99 EP01 EP02EP03 EP05 EP07 EP08 EP09 EP10 EP11 EP12 EP13EP14 EP16 EP17 EP18 EP19 EP20 EP21 EP22 FB01 FB02 FB03 FO01 FO02 FO03 FO04 FO05 FO06 FO07FO08 FO09 FO10 FO11 FO12 FO13 FO14 FO15 FO17 FO18 FT03 FT04 FT05 FT06 FT07 FT08 FT11 FT12 FT13 FT14 FT15 FT16 FT17 FT19 LM30 LM54 LM63 PB17 PB18 PB30 PB31 PB33 PB35 PB36 PB40 PB43 PB44 PB46 16 17 53 52 51 50 49 33 3231 3029 2827 26 25 2423 2221 20 19 18 15 14 13 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 58 65 64 63 62 61 60 59 55 54 48 47 46 45 42 41 40 39 38 37 36 3534 1 57 56 44 43 6864000 6862000 6860000 6858000 6856000 6854000 6852000 6850000 6848000 6846000 6844000 6842000 6840000 642000 644000 646000 648000 652000650000 656000654000 658000 NN 350 P1 P2 P B 19 P B1 8 Carvão in situ inferido Carvão in situ medido Carvão in situ indicado Cobertura estéril > 350 m Reserva ambiental Perímetro urbano Limite de concessão para o projeto Fontanella Limites de sill de diabásio ou Furos de sonda mantidos Furos de sonda descartados paleocanais de arenito Espessura camada < 1,75 m 350 350 350 3 5 0 350 350 Descartado do inventário de recursos: ● área de preservação ambiental; ● perímetro urbano; ● cobertura > 350 m; ● espessura da camada < 2 m; ● sill´s/diques de diabásio; ● zona de falha. Variável regionalizada: É uma variável distribuída no espaço de uma maneira, ao menos, parcialmente estruturada, de forma que algum grau de auto-correlação espacial exista. Uma regionalização de teores é consistente com a ocorrência de zonas de alto teor em um campo de teores baixos, como é freqüente em mineralizações. Muitas variáveis relacionadas com a mineração são regionalizadas como, por exemplo, espessura, teores, densidade de fraturas, acumulações de metais (teor x tamanho e/ou comprimento). Diluição vs. seletividade: É o resultado da mistura de um material que não possui teor de minério com outro material que possui teor de minério, durante a produção, levando a um aumento em termos de tonelagem e a uma diminuição em termos de teor médio com relação às expectativas originais. Representação esquemática de contatos entre minério (O=ore) e estéril (W=waste). O contato passa de brusco (esquerda) a gradacional (do centro para a direita). Contatos complexos podem ser caracterizados por uma zona de interdigitação entre rocha mineralizada e rocha hospedeira. Contato gradacional Estimativa de pontos e de blocos: É importante distinguir entre o conceito de estimar: (i) o teor de um ponto (ou um volume muito pequeno = mesmo suporte da amostra) e, (ii) estimar o teor médio de um volume maior tal como uma unidade de produção ou bloco (um volume que pode ser muitas ordens de magnitude maior do que o tamanho de uma amostra). Pontos ou estimativas puntuais são utilizadas na mineração principalmente como: (i) ferramenta de validação ou comparação entre técnicas de estimativa ouparâmetros utilizados em um dado métodos de estimativa e, (ii) para estimar malhas regulares (grids) como base para obtenção de mapas de isocontorno. Blocos também são estimados a partir de amostras (pontos), mas ao contrário da estimativa pontual, os blocos vão responder por um volume (3D) ou uma área (2D) estimada. São utilizados em todas as fases de planejamento (curto e longo prazo), principalmente na cubagem do depósito. Ao conjunto de blocos de cubagem que compõe o depósito denomina-se modelo tridimensional de blocos. Matematicamente, o cálculo de reservas nada mais é que a integração numérica da função teor (expressa em peso por unidade de volume) dentro do depósito de volume V. dv.)v(TR V = A figura representa no slide anterior mostra um depósito hipotético de volume V em que a função T(v) é conhecida. Nesse caso, a reserva poderia ser facilmente determinada como a integral definida da função T(v) no domínio V, ou seja, o cálculo da equação aprsentada. Contudo, isso não é tão simples, pois é preciso conhecer a função T(v), ou seja, a descrição numérica do teor no depósito de volume V. Conhecer a função T(v) implica ter, a cada ponto do depósito, o valor do teor e, além disso, a função que a descreve matematicamente. O que é interpolação? Por que temos que interpolar os dados? Em princípio, quanto maior a quantidade de informações sobre o fenômeno que estamos estudando estiver disponível, melhor! Nenhum tipo de técnica, seja ela indireta (soft data) ou matemática, substitui uma informação física (hard data). No entanto, há um problema: dados custam caro! ● A coleta dos dados custa caro; ● Os dados analíticos, resultantes de análises químicas custam caro. Além disso, por maior que fosse nosso orçamento, seria praticamente impossível amostrar um depósito, numa malha tão densa, que dispensasse o cálculo de valores em algum ponto da jazida. Assim, sempre precisaremos calcular os valores para nossas variáveis de interesse em locais não amostrados! SMU (selective mining unit): Geralmente, é o menor bloco no qual a seleção minério- estéril é passível de ser realizada. O tamanho de um SMU é determinado a partir de restrições associadas com o método de lavra a ser utilizado, bem como a escala das operações. As dimensões vão ser dependentes de fatores como: espaçamento dos furos de desmonte durante a produção, especificações dos equipamentos de lavra, altura da bancada, etc. Enquanto os teores e preços de alguns commodities (tais como Cu, Fe e Zn) estarem sempre relacionados ao metal de interesse, para outros materiais esta questão pode variar consideravelmente. No caso do tugstênio (W), por exemplo, os teores algumas vezes se referem ao elemento W, enquanto também é comum se trabalhar com o óxido WO3. Molibdênio e antimônio são também frequentemente descritos, em termos de teor, em relação aos sulfetos MoS2 e Sb2S3, respectivamente, da mesma forma em que é comum encontrar o teor apenas do elemento Mo ou Sb. Conteúdo metálico Portanto, para efeitos de comparação é necessário se calcular quanto de Mo pode estar contido em MoS2. Exemplo: Massa atômica do Mo: 95,95 Massa atômica do S: 32,06 × 2 64,12 160,07 Assim, o conteúdo metálico de Mo é: 95,95 ÷ 160,07 = 0,60 e, dessa forma, o fator de conversão de MoS2 em Mo é 0,60. Assim, um teor de 1% de MoS2 equivaleria a um teor de 0,6% do metal Mo e, da mesma forma, o fator de conversão de Mo em MoS2 é 1 ÷ 0,60 = 1,67. Além destas relações úteis fornecerem os coeficientes de conversão entre teores de metais e teores de sulfetos ou óxidos, para os minerais de minério, podemos associá-los com o conteúdo estequiométrico máximo do elemento de interesse em cada mineral. Assim, se o mineral de minério for uma hematita, por exemplo, sabemos que não poderão ser observadas amostras com teores maiores que 69,9% Fe. Hematita: Fe2O3 Massa atômica do Fe: 55,85 × 2 111,70 Massa atômica do O: 16 × 3 48,00 159,70 Assim, o máximo teor de Fe que pode ser observado em uma hematita: 111,70 ÷ 159,70 = 0,699 × 100 = 69,9%. Teor equivalente Se diversos elementos contribuem para o valor econômico de um depósito de minério, para se poder comparar depósitos diferentes (com diferentes composições mineralógicas) é necessário estabelecer um denominador comum para esta comparação. Este denominador comum é chamado de metal ou teor equivalente e, em um depósito multi-elemento, ele obrigatoriamente deve ser considerado inclusive na definição do teor de corte. Exemplo: avaliação de um depósito pórfiro de cobre- molibdênio. a) preço do cobre refinado 0,90 US$/lb como a mina não produz cobre refinado, mas apenas concentrado de cobre, é necessário deduzir os custos metalúrgicos (de fundição e refino), além dos custos de transporte da mina até a fundição. Para este caso, assume-se estes custos como 0,30 US$/lb e, assim, o que a mina recebe pelo concentrado de cobre é: US$ 0,90 - US$ 0,30 = 0,60 US$/lb. b) recuperação de 90% como o retorno só incide sobre o metal recuperado, é necessário levar em consideração as perdas do beneficiamento e, assim, a mina vai receber por lb de Cu no minério ROM. 0,90 × US$ 0,60 = 0,54 US$/lb Cu. c) retorno devido ao Mo assumindo um valor de 4,75 US$/lb Mo no concentrado de MoS2 como o retorno da mina e uma recuperação de 80%, a mina recebe por lb de Mo contida no ROM: 0,80 × US$ 4,75 = 3,80 US$/lb Mo. d) fator de conversão de Mo para Cu-Equivalente (CuE) K = 3,80 ÷ 0,54 = 7,04. Assim, para este exemplo, a equação de conversão para obtenção do teor equivalente de Cu é: Cu-Equivalente (CUE) = % Cu + (7,04 × % Mo). e) em um corpo de minério que tivesse teores de 0,40% de Cu e 0,03% de Mo, o teor equivalente de Cu seria: Cu-Equivalente (CUE) = 0,40+ (7,04 × 0,03) = 0,61%. Obs.: se o teor tivesse sido dado em MoS2 ele teria que ser convertido pelo fator correspondente ao conteúdo metálico de Mo no MoS2. Exemplo: Qual o teor equivalente de cobre em um corpo de minério com teor de 0,40% de Cu e 0,04% de MoS2? 1% MoS2 0,6% Mo 0,04% MoS2 ?% Mo Cu-Equivalente (CUE) = 0,40+ (7,04 × 0,024) = 0,57% Atenção: (i) o uso de teor equivalente necessariamente implica em uma relação constante de preço entre os metais, o que raramente é verdadeiro; (ii) várias hipóteses para a determinação do teor equivalente precisam ser assumidas, como o preço e a recuperação, sendo que estes valores podem mudar significativamente durante um trabalho de exploração. Assim, os códigos internacionais de classificação de recursos e reservas não recomendam a utilização de teor equivalente, mas sim o teor original dos dados. Bibliografia HUSTRULID, W. & KUCHTA, M. 1995. Open Pit Mine Planning & Design, Volume 1 – Fundamentals, A.A. Balkema, Rotterdam, 636 p., ISBN 90 5410 173 3. SINCLAIR, A.J. & BLACKWELL, G.H. 2002. Applied Mineral Inventory Estimation, Cambridge University Press, UK, 381 p., ISBN 0-521-79103-0. WELLMER, F.-W., DALHEIMER, K. & WAGNER, M. 2008. Economic Evaluations in Exploration, 2nd ed., Springer, Germany, 250 p., ISBN 978-3-540-73557-1. YAMAMOTO, J.K. 2001. Avaliação e Classificação de Reservas Minerais, Editora da USP, São Paulo, 226 p., ISBN 85-314-0626-9. ANNELS, A. E. 1991. Mineral Deposit Evaluation: Chapman & Hall, Salisbury, UK, 436 p.