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PORTUGUÊS PROF. FRANCIS MADEIRA PORTUGUÊS 3 CONCORDÂNCIA VERBAL 1ª REGRA GERAL (concordância do verbo com o sujeito simples): o verbo concorda com o sujeito simples em número (singular/plural) e em pessoa (1ª/2ª/3ª). • Eu estudo para a prova. • Tu estudas para a prova. • O aluno estuda para a prova. • Os alunos estudam para a prova. CUIDAR A REGRA GERAL NOS SEGUINTES CASOS 1. SUJEITO POSPOSTO • Foi encontrado uma prova incriminadora. (DESVIO) • Foi encontrada uma prova incriminadora. (PADRÃO) • Falta cinco minutos para o término do exame. (DESVIO) • Faltam cinco minutos para o término do exame. (PADRÃO) 2. SUJEITO RECEBENDO MODIFICADOR • A adoção de crianças nos grandes núcleos urbanos cresceram nas últimas décadas. (DESVIO) • A adoção de crianças nos grandes núcleos urbanos cresceu nas últimas décadas. (PADRÃO) • A adulteração de placas em veículos alertaram os órgãos de fiscalização. (DESVIO) • A adulteração de placas em veículos alertou os órgãos de fiscalização. (PADRÃO) CASOS ESPECIAIS (SUJEITO SIMPLES) 1. SUJEITO FORMADO POR EXPRESSÃO PARTITIVA • Grande parte dos alunos terminou a tarefa. • Grande parte dos alunos terminaram a tarefa. • A maioria dos funcionários aceitou as novas regras. • A maioria dos funcionários aceitaram as novas regras. 4 2. SUJEITO PERCENTUAL • Somente 1% concordou. • Somente 1,8% concordou. • Somente 2% concordaram. • Somente 2% da população se vacinou contra o vírus. • Somente 2% da população se vacinaram contra o vírus. • Somente 1% dos brasileiros se vacinou contra o vírus. • Somente 1% dos brasileiros se vacinaram contra o vírus. 3. SUJEITO “QUE”: concorda com o antecedente. • Fui eu que escolhi o texto. • Foste tu que escolheste o texto. • Foram eles que escolheram o texto. 4. SUJEITO “QUEM”: fica na 3ª pessoa do singular ou concorda com antecedente. • Fui eu quem escolheu o texto. • Fui eu quem escolhi o texto. • Foste tu quem escolheu o texto. • Foste tu quem escolheste o texto. 5. EXPRESSÃO “UM DOS QUE”: 3ª pessoa do singular ou 3ª pessoa do plural. • Ele foi um dos que mais se dedicou. • Ele foi um dos que mais se dedicaram. 6. SUJEITO: PRONOME INDEFINIDO PLURAL ou INTERROGATIVO PLURAL + DE ou DENTRE + NÓS (ou VÓS) • Muitos dentre nós fogem dessas discussões. • Muitos dentre nós fugimos dessas discussões. • Quantos de nós votaram naquele candidato? • Quantos de nós votamos naquele candidato? • Vários de vós alegaram inocência. • Vários de vós alegastes inocência. ATENÇÃO: pronome no singular. • Qual de nós fez isso? • Um de vós precisa sair. PORTUGUÊS | FRANCIS MADEIRA 5 7. PLURAL APARENTE: cuidado com o artigo. • Minas Gerais elegeu o novo governador. • Alagoas está em festa. • As Minas Gerais elegeram o novo governador. • As Alagoas estão em festa. • Os Estados Unidos atacaram o Iraque. • “Memórias Póstumas de Brás Cubas” inaugurou nosso Realismo. (sem artigo) • “Os Lusíadas” merece / merecem uma leitura atenta. (com artigo) • “Os imperdoáveis” conquistou / conquistaram o Oscar de melhor filme. (com artigo) 2ª REGRA GERAL (concordância do verbo com o sujeito composto): o verbo fica no plural respeitando a prevalência da 1ª pessoa sobre as demais e da 2ª sobre a 3ª). • O aluno e a professora encontraram-se na biblioteca. (ele + ela = eles) • O aluno e eu chegamos atrasados. (ele + eu = nós) • Tu e teu irmão devereis sair daqui. (tu + ele = vós) Observação: Tu e teu irmão deverão sair daqui. (tu + ele = vocês) 1. SUJEITO COMPOSTO POSPOSTO • Entraram o aluno e a professora. • Entrou o aluno e a professora. 2. NÚCLEOS EM GRADAÇÃO • Uma visita, um telefonema, uma simples mensagem o deixará animado. 3. NÚCLEOS RESUMIDOS POR APOSTO RECAPITULATIVO • As noites sem sono, as horas de estudo, os sacrifícios, tudo isso será recompensado. 5. NÚCLEOS LIGADOS POR “OU” • Berinjela ou abóbora te farão bem. • Bernie Sanders ou Joe Biden receberá a nomeação democrata em 2020. REGRA ESPECIAL 1 (expressão HAJA VISTA): vista é invariável. • Todos serão ouvidos, haja vista os problemas que ocorreram. • Todos serão ouvidos, hajam vista os problemas que ocorreram. • Todos serão ouvidos, haja vista aos problemas que ocorreram. 6 REGRA ESPECIAL 2 (verbos DAR, BATER e SOAR informando horas). • Deu uma hora no relógio da Central. • Deram duas horas no relógio da Central. • Deu duas horas o relógio da Central. • Soou uma hora no sino da igreja. • Soaram duas horas no sino da igreja. • Soou duas horas o sino da igreja. REGRA ESPECIAL 3 (pronome apassivador). 1. CONSTRUINDO A VOZ PASSIVA ANALÍTICA VOZ ATIVA O homem perturba o meio ambiente. SUJ VTD OD VOZ PASSIVA O meio ambiente é perturbado pelo homem. SUJ LOCUÇÃO PASSIVA ADP VOZ ATIVA O homem forneceu dados aos investigadores. SUJ VTDI OD OI VOZ PASSIVA Dados foram fornecidos pelo homem aos investigadores. SUJ LOCUÇÃO PASSIVA ADP OI 2. CONCORDÂNCIA NA VOZ PASSIVA • Foi encontrado um projétil dentro do carro. • Foram encontrados projéteis dentro do carro. • Foi encontrada uma pista do crime. • Foram encontradas pistas do crime. 3. VOZ PASSIVA SINTÉTICA: constrói-se com um verbo transitivo direto (VTD) ou verbo transitivo direito e indireto (VTDI) acompanhado da partícula apassivadora “se”. • Destruiu-se a prova do crime. • Deu-se ao aluno a nota da prova. • Não se forneceu ao investigador prova contundente. PORTUGUÊS | FRANCIS MADEIRA 7 4. CONCORDÂNCIA NA VOZ PASSIVA SINTÉTICA: quando se liga ao pronome apassivador o verbo concorda com o sujeito da voz passiva (aquele que, na ativa, era o objeto direto). • Destruiu-se a prova do crime. • Destruíram-se as provas do crime. • Deu-se ao aluno a nota da prova. • Deram-se ao aluno as notas das provas. • Não se forneceu ao investigador prova contundente. • Não se forneceram ao investigador provas contundentes. 5. CUIDADO: em concursos, é comum induzir o aluno ao erro. • Deu-se aos alunos a nota da prova. (sujeito: a nota da prova) • Não se forneceu aos investigadores prova contundente. (sujeito: prova contundente) REGRA ESPECIAL 4 (índice de indeterminação do sujeito). 1. Quando o verbo se liga ao índice de indeterminação do sujeito, deve ficar na 3ª pessoa no singular, sempre. • Precisa-se de um novo empregado. • Precisa-se de novos empregados. 2. O índice de indeterminação do sujeito só se liga a verbos que não apresentam OBJETO DIRETO: verbos transitivos indiretos (VTI), verbos intransitivos (VI) e verbos de ligação (VL). • Trata-se de um problema grave. • Trata-se de problemas graves. • Quando se é jovem, chega-se a conclusões precipitadas. 3. PRONOME APASSIVADOR x ÍNDICE DE INDETERMINAÇÃO DO SUJEITO • Contrata-se secretária. • Contratam-se secretárias. • Precisa-se de secretária. • Precisa-se de secretárias. 4. Em locuções verbais, o raciocínio é o mesmo. • Não se pode chegar a conclusões como essas. (chegar a algo) • Não se podem extrair conclusões como essas. (extrair algo) 8 REGRA ESPECIAL 5 (verbos impessoais). Verbos impessoais são verbos que não têm sujeito, portanto não apresentam o termo com o qual deveriam estabelecer concordância. É necessário memorizá-los. Ficam, por convenção, na 3ª pessoa do singular, com uma única exceção, que será sinalizada. 1. VERBO “HAVER”, no sentido de existir ou de acontecer. • Houve uma discussão acalorada. • Houve discussões acaloradas. • Haverá acidentes se for reduzida a fiscalização. • Pode haver muitos problemas escondidos. ATENÇÃO (EXISTIR e ACONTECER não são impessoais): • Houve uma discussão acalorada. • Aconteceu uma discussão acalorada. • Houve discussões acaloradas. • Aconteceram discussões acaloradas. • Haverá acidentes se for reduzida a fiscalização. • Acontecerão acidentes se for reduzida a fiscalização. • Pode haver muitos problemas escondidos. • Podem existir muitos problemas escondidos. 2. VERBOS “HAVER” E “FAZER”, INDICANDO TEMPO DECORRIDO. • Ela graduou-se há um ano. • Ela graduou-se há dois anos.• Ela graduou-se faz um ano. • Ela graduou-se faz dois anos. • Vai fazer cinco meses que ele nasceu. 3. VERBOS QUE EXPRESSAM FENÔMENOS DA NATUREZA • Choveu chuvas fortes em agosto. • Faz dez graus em Curitiba. • Amanheceu nublado em Porto Alegre. • Amanhã vai fazer trinta graus. 3. VERBOS QUE EXPRESSAM FENÔMENOS DA NATUREZA Observação: • Choveram xingamentos naquela briga. (não é impessoal) PORTUGUÊS | FRANCIS MADEIRA 9 4. “CHEGA DE” E “BASTA DE” • Chega de lágrimas. • Basta de reclamações. 5. “PASSAR DE” (horas) • Passava das dez quando eles chegaram. 6. “SER” nas indicações de datas, horas e distância (exceção: concorda com o predicativo). • É uma hora. à São duas horas. • Deve ser uma hora. à Devem ser dez horas. • É dia primeiro de maio. à É dia dois de maio. • É primeiro de maio. à São dois de maio. • Daqui até minha casa é um quilômetro. à Daqui até minha casa são dois quilômetros. REGRA ESPECIAL 6 (concordância especial do verbo SER 1. Oscila a concordância entre o sujeito e o predicativo. Prefere o segundo, quando o sujeito é singular e o predicativo é plural. • Nem tudo são flores. • Isso são calúnias. 2. Volta a concordar com o sujeito, mesmo que o predicativo esteja no plural, caso o sujeito seja pessoa. • Teu marido é tuas queixas. • Aquele médico era só decepções. 3. Volta a concordar com o predicativo, quando houver pronome pessoal. • “Esse cara sou eu.” • O professor és tu. • O problema somos nós. 4. Entre dois pronomes pessoais, concorda com o sujeito. • Eu não sou tu. Tu não és eu. 5. Impessoal (indicando hora, data e distância, ver regra especial anterior). 6. Quando o sujeito é quantidade, e o predicativo é formado por expressões como “é muito”, “é bastante”, “é suficiente”, e similares, fica no singular. • Cinco reais é pouco. • Vinte mil ingressos é o bastante. 10 REGRA ESPECIAL 7 (concordância siléptica). É possível estabelecer concordância com a ideia, e não com a palavra. • Vossa Excelência está preocupado. (homem) • Vossa Excelência está preocupada. (mulher) É possível estabelecer concordância com a ideia, e não com a palavra. • A torcida estava em festa. Comemoravam euforicamente o gol. É possível estabelecer concordância com a ideia, e não com a palavra. • Todos sabem isso. • Todos sabemos isso. • Os estudantes somos o futuro. 1. “PÔR” E SEUS DERIVADOS • O governador põe as reformas em risco. • Os governadores põem as reformas em risco. • Há gente que impõe sua opinião. • Há pessoas que impõem sua opinião. 2. “TER” E SEUS DERIVADOS • Ele tem muito a provar. • Eles têm muito a provar. • O professor nem sempre obtém as respostas que deseja. • Os professores nem sempre obtêm as respostas que desejam. 3. “VIR” E SEUS DERIVADOS • Ele vem de muito longe. • Eles vêm de muito longe. • Ele intervém em tudo. • Eles intervêm em tudo. 11 QUESTÕES 1. (BANCO DO BRASIL - 2014) Que frase está de acordo com a norma-padrão, no que concerne à concordância? a) O amigo lhe contou que aconteceu muitos fatos engraçados com o tio. b) Cada um dos objetos do narrador cismam de atormentá-lo. c) Já deu dez horas no relógio e ainda não encontrei minhas chaves. d) Fazia quatro meses que o amigo não encontrava o tio distraído. e) Chegaram para uma visita inesperada o amigo, o tio e eu. 2. (BANCO DO BRASIL - 2014) De acordo com as exigências da norma-padrão da língua portuguesa, o verbo destacado está corretamente empregado em: a) No mundo moderno, conferem-se às grandes metrópoles importante papel no desenvolvimento da economia e da geopolítica mundiais, por estarem no topo da hierarquia urbana. b) Conforme o grau de influência e importância internacional, classificou-se as 50 maiores cidades em três diferentes classes, a maior parte delas na Europa. c) Há quase duzentos anos, atribuem-se às cidades a responsabilidade de motor propulsor do desenvolvimento e a condição de lugar privilegiado para os negócios e a cultura. d) Em centros com grandes aglomerações populacionais, realiza-se negócios nacionais e internacionais, além de um atendimento bastante diversificado, como jornais, teatros, cinemas, entre outros. e) Em todos os estudos geopolíticos, considera-se as cidades globais como verdadeiros polos de influência internacional, devido à presença de sedes de grandes empresas transnacionais e importantes centros de pesquisas. Gabarito: 1. D 2. C PORTUGUÊS PROF. FRANCIS MADEIRA PARTE II PORTUGUÊS 3 COLOCAÇÃO PRONOMINAL INTRODUÇÃO - PRONOMES PESSOAIS PESSOA CASO RETO CASO OBLÍQUO ÁTONO TÔNICO 1ª SING. eu me mim, comigo 2ª SING. tu te ti, contigo 3ª SING. ele, ela se, o, a, lhe si, consigo, ele, ela 1ª PL. nós nos nós, conosco 2ª PL. vós vos vós, convosco 3ª PL. eles, elas se, os, as, lhes si, consigo, eles, elas INTRODUÇÃO - PRONOMES PESSOAIS 1. CASO RETO: exercem função de sujeito • Eu trouxe os livros ontem. • Ele não quis ficar. 2. CASO OBLÍQUO: exercem as demais funções sintáticas (objeto direto, objeto indireto, adjuntos, complemento nominal, agente da passiva...). Eu não a vi ontem. (átono: fraco) Ela viu-me ontem. (átono: fraco) O trabalho foi feito por mim. (tônico: forte) Ela deu as ideias a mim. (tônico: forte) 4 3. PRONOMES PESSOAIS DE TRATAMENTO: não apresentam caso, e por isso podem ocupar qualquer função sintática; são pronomes de 3ª pessoa gramatical. • Vossa Excelência está preocupado. • Eu gostaria de cumprimentar Vossa Excelência. • Os livros foram entregues a Vossa Excelência. • Você está preocupado. • Eu gostaria de cumprimentar você. • Os livros foram entregues a você. Observação 1: embora não tenham caso, podem usar os oblíquos da terceira pessoa. • Vossa Excelência está preocupado. • Eu gostaria de cumprimentar Vossa Excelência. → Gostaria de cumprimentá-lo. • Os livros foram entregues a Vossa Excelência. → Os livros foram-lhe entregues. Observação 2: tais pronomes nada têm a ver com “vós”. • Vossa Alteza precisais de vossos livros? (DESVIO) • Vossa Alteza precisa de seus livros? (PADRÃO) 4. COLOCAÇÕES DOS PRONOMES OBLÍQUOS ÁTONOS • Revelaram-me coisas horríveis a teu respeito. (ênclise) • Nunca me revelaram nada sobre ti. (próclise) • Revelar-me-ão coisas horríveis no próximo encontro. (mesóclise) ORTOGRAFIA DA ÊNCLISE E DA MESÓCLISE: 1. PRONOME “NOS” EM ÊNCLISE: quando a forma verbal termina em “mos”, o pronome “nos” obriga que o verbo perca o “s” no final. • Cumprimentamo-nos e saímos. • Conhecemo-nos há anos. • Dissemo-nos coisas horríveis um ao outro. 2. PRONOMES “O, A, OS, AS”: quando a forma verbal termina em “R”, “S” ou “Z”, o verbo deverá perder essas letras, e os pronomes “O, A, OS, AS” tornar-se-ão “LO, LA, LOS, LAS”. • Precisamos dizer a verdade. → Precisamos dizê-la. • Tu encontras teu caminho. → Encontra-lo sempre. • Precisas encontrar teu caminho. → Precisas encontrá-lo. • Ele fez os exercícios. → Fê-los. • Tu pões sempre os livros no lugar. → Põe-los sempre no lugar. • Encontramos as folhas na gaveta. → Encontramo-las na gaveta. PORTUGUÊS | FRANCIS MADEIRA 5 3. PRONOMES “O, A, OS, AS”: quando a forma verbal terminar em ditongo nasal /õy/, /ẽy/ ou / ãw/, os pronomes “O, A, OS, AS” tornar-se-ão “NO, NA, NOS, NAS”. • Ele põe os livros sempre no lugar. → Põe-nos sempre no lugar. • Divulgaram as contas da empresa. → Divulgaram- nas. • Ele retém toda a informação confidencial. → Retém-na. 4. DEMAIS PRONOMES: não exigem ajustes ortográficos. • Revelamos-te a verdade. • Dissemos-vos tudo. • Demos-lhe tudo que tínhamos. 5. FORMAÇÃO DA MESÓCLISE: separar o infinitivo das desinências do futuro do presente e do futuro do pretérito. FUTURO DO PRESENTE • revelarei → revelar ei • revelarás → revelar ás • revelará → revelar á • revelaremos → revelar emos • revelareis → revelar eis • revelarão → revelar ão FUTURO DO PRETÉRITO • revelaria → revelar ia • revelarias → revelar ias • revelaria → revelar ia • revelaríamos → revelar íamos • revelaríeis → revelaríeis • revelariam → revelar iam Revelar-te-ei a verdade. Revelar-vos-ia a verdade, se a soubesse. Entregar-lhe-íamos os bens, se os possuíssemos. Queres a verdade? Revelá-la-ei a ti (revelar + a + ei). 6. MESÓCLISE DOS VERBOS DIZER, FAZER E TRAZER • direi → Dir-lhe-ei a verdade. • diria → Dir-te-ia tudo, se me pedisses. • faremos o bolo → Fá-lo-emos amanhã. • farias o bolo → Fá-lo-ias ontem. • trarei os livros → Trá-los-ei amanhã. • traria → Trar-te-ia os livros ontem, mas esqueci-os. 6 COLOCAÇÃO PRONOMINAL (COM UM VERBO) 1. Os pronomes oblíquos átonos ME, TE, SE, O, A, LHE, NOS, VOS, SE, OS, AS e LHES assumem como posições padrão a mesóclise (nos futuros do presente e do pretérito) e a ênclise (nos demais tempos). • Encontrá-la-ei amanhã. (futuro do presente: mesóclise) • Encontrá-la-ia ontem. (futuro do pretérito: mesóclise) • Ela encontrou-me na festa. (demais tempos: ênclise) • Encontro-a todos os dias. (demais tempos: ênclise) 2. Jamais se aceita a ênclise com verbo no futuro do presente e no futuro do pretérito. • Darei-lhe a resposta amanhã. (DESVIO) • Diria-lhe a verdade, se pudesse. (DESVIO) • Dar-lhe-ei a resposta amanhã. (PADRÃO) • Dir-lhe-ia a verdade, se pudesse. (PADRÃO) 3. Jamais se aceita a ênclise ao particípio passado. • Dada-lhe a resposta, saí da sala. (DESVIO) • Dada a resposta a ele, saí da sala. (PADRÃO) 4. A próclise é aceita como posição alternativa, desde que não inicie oração. • Ela deu-me a resposta. (PADRÃO) • Ela me deu a resposta. (PADRÃO BRASIL) • Me disseram a verdade. (DESVIO) • Disseram-me a verdade. (PADRÃO) • Dar-lhe-ei a resposta amanhã. (PADRÃO) • Eu lhe darei a resposta amanhã. (PADRÃO BRASIL) • Dir-lhe-ia a verdade, se pudesse. (PADRÃO) • Eu lhe diria a verdade, se pudesse. (PADRÃO BRASIL) 5. COLOCAÇÕES INADMISSÍVEIS NO PORTUGUÊS PADRÃO • Depois que pedi, me disseram a verdade. (DESVIO) • Trarei-lhe os livros amanhã. (DESVIO) • Se soubesse, diria-te a verdade. (DESVIO) • Feita-lhe a pergunta, saí. (DESVIO) 6. A próclise é de regra (obrigatória), se houver fator de próclise. Fatores de próclise são condições morfossintáticas que fazem a próclise ser a única colocação possível. PORTUGUÊS | FRANCIS MADEIRA 7 FATORES DE PRÓCLISE 1. FATOR DE PRÓCLISE: se o verbo está antecedido de palavras negativas (não, nunca, jamais, nada, ninguém...), a próclise é obrigatória, desde que não haja pausa entre a palavra e o verbo. • Não te disse a verdade ontem. • Ninguém lhe perguntou isso. • Jamais te revelarei a verdade. Observação: • Você mentiu para mim? • Não, disse-te a verdade ontem. • Você pretende mentir para mim? • Jamais, revelar-te-ei a verdade. 2. FATOR DE PRÓCLISE: se o sujeito do verbo contém pronomes indefinidos (alguém, algo, tudo, nada, ninguém, outrem, todo...), a próclise é obrigatória. • “Alguém me disse que tu andas novamente...” • Tudo me incomoda no que ele diz; nada me faz crer nele. • Todos os amigos o convidavam para as festas, mas algo o fazia declinar dos convites. 3. FATOR DE PRÓCLISE: se o sujeito do verbo contém o numeral AMBOS, a próclise é obrigatória. • Ambos os filhos a decepcionaram. 4. FATOR DE PRÓCLISE: se o sujeito do verbo é pronome demonstrativo substantivo ISSO, ISTO ou AQUILO, a próclise é obrigatória. • Isso me cheira mal. • Aquilo nos incomodava demais. 5. FATOR DE PRÓCLISE: se o verbo está antecedido de advérbios e locuções adverbiais (hoje, aqui, muito, talvez, certamente, não, provavelmente...), a próclise é obrigatória, desde que não haja pausa entre a palavra e o verbo. • Hoje me convidaram para o baile. • Hoje, convidaram-me para o baile. • Certamente o trataram mal. • Certamente, trataram-no mal. • Aqui se faz, aqui se paga. • Provavelmente o impedirão de assumir o cargo. • Provavelmente, impedi-lo-ão de assumir o cargo. • No sábado te procuro. • No sábado, procuro-te. 8 6. FATOR DE PRÓCLISE: se a oração é subordinada introduzida por pronome relativo (que, o qual, quem, cujo, como, quando, onde...), a próclise é obrigatória. • Os livros que te emprestei eram novos. • Os pais cujos filhos me desobedeceram foram chamados à diretoria. • Encontrei-a no lugar onde nos conhecemos. • As crianças diante das quais os adultos se portam mal repetem comportamentos indesejados. 8. FATOR DE PRÓCLISE: se a oração é subordinada introduzida por conjunções adverbiais, a próclise é obrigatória. • Ela me ajudou porque me conhece há tempos. (causal) • Ela me ajudou mais do que eu a ajudei. (comparativa) • Embora os alunos se esforçassem, não entendiam a matéria. (concessiva) • Se tu me ajudares, eu a ajudarei. (condicional) • Conforme lhe dissemos, a situação é grave. (conformativa) • Ela estava tão triste que nos causava dó. (consecutiva) • Estudavam para que me ajudassem no futuro. (final) • À medida que lhe revelávamos as informações, ela se desesperava. (proporcional) • Quando os alunos me perguntarem isso, direi que nada sei. (temporais) 9. FATOR DE PRÓCLISE: se a oração é coordenada introduzida por conjunção alternativa (OU, ORA... ORA, QUER... QUER), a próclise é obrigatória. • Ou me dizes a verdade, ou te expulsarei daqui. • Ela ora me dizia a verdade, ora se contradizia. 10. FATOR DE PRÓCLISE: se a frase é optativa (expressa desejo, introduzida por QUE, ou em que cabe um QUE inicial), a próclise é obrigatória, se o pronome não iniciar a oração. • Deus te abençoe. • “A terra lhes seja leve!” • Proteja-nos Deus de todo o mal. • Deus nos proteja de todo o mal. 11. FATOR DE PRÓCLISE: se o gerúndio é regido pela preposição EM, a próclise é obrigatória. • Em se tratando de crimes, ele era perito. 12. FATOR DE PRÓCLISE: pronomes interrogativos (QUEM, O QUE, QUE, QUAL, QUANTO) e advérbios interrogativos (COMO, QUANDO, ONDE, POR QUE), quando antecedem a forma verbal, obrigam a próclise. • Por que te preocupas com isso? • Onde a encontraste? • Quem te disse isso? • Quantos alunos se apresentarão amanhã? • Revela para mim quem te disse isso! PORTUGUÊS | FRANCIS MADEIRA 9 13. FATOR DE PRÓCLISE: as conjunções integrantes QUE e SE obrigam a próclise nas orações que iniciam. • Ela confessou que me amava demais. • Ele não sabe que eu a odeio. • Ela tem medo de que eu a abandone. • Ela não disse se me ama ou não. SITUAÇÕES ESPECIAIS 1. Caso o infinitivo do verbo esteja regido por uma preposição, aceita-se tanto a ênclise quanto a próclise, independentemente de haver fator de próclise ou não. • Fiz isso para ajudar-te nas tarefas. • Fiz isso para te ajudar nas tarefas. • Há riscos de o vírus disseminar-se no país. • Há riscos de o vírus se disseminar no país. • Fiz isso para não magoá-la mais. • Fiz isso para não a magoar mais. 2. Se o infinitivo é regido pela preposição A, e os pronomes átonos colocados forem O, A, OS, AS, deve-se optar pela ênclise. • Estávamos ali a a observar. (DESVIO) • Estávamos ali a observá-la. (PADRÃO) • Comecei a os acompanhar cedo. (DESVIO) • Comecei a acompanhá-los cedo. (PADRÃO) 3. APOSSÍNCLISE: é possível que o pronome oblíquo átono se coloque antes de um advérbio. • Ela disse que me amava. • Ela disse que não me amava. • Ela disse que me não amava. • Juro que te farei mal. • Juro que jamais te farei mal. • Juro que te jamais farei mal. COLOCAÇÃO PRONOMINAL (COM LOCUÇÕES VERBAS) Se a locução verbal traz o verbo principal no infinitivo, e não há fator de próclise, as colocações padrão são três. • Posso ajudar-te na tarefa. • Posso-te ajudar na tarefa. (preferida em Portugal) • Posso te ajudar na tarefa. (preferida no Brasil) 10 2. Se a locução verbal traz o verbo principal no infinitivo, e há fator de próclise, as colocações padrão são três. • Não posso ajudar-te na tarefa. • Não te posso ajudar na tarefa. (preferida em Portugal) • Não posso te ajudar na tarefa. (preferida no Brasil) 3. Se a locução verbal traz o verbo principal no gerúndio, e não há fator de próclise, as colocações padrão são três. • Estou dizendo-lhea verdade. • Estou-lhe dizendo a verdade. (preferida em Portugal) • Estou lhe dizendo a verdade. (preferida no Brasil) 4. Se a locução verbal traz o verbo principal no gerúndio, e há fator de próclise, as colocações padrão são três. • Não estou dizendo-lhe a verdade. • Não lhe estou dizendo a verdade. (preferida em Portugal) • Não estou lhe dizendo a verdade. (preferida no Brasil) 5. Se a locução verbal traz o verbo principal no particípio passado, e não há fator de próclise, as colocações padrão são duas. • Tenho ajudado-te nas tarefas. (DESVIO: ênclise a particípio) • Tenho-te ajudado. (preferida em Portugal) • Tenho te ajudado. (preferida no Brasil) 6. Se a locução verbal traz o verbo principal no particípio passado, e não há fator de próclise, as colocações padrão são duas. • Não tenho ajudado-te nas tarefas. (DESVIO: ênclise a particípio) • Não te tenho ajudado. (preferida em Portugal) • Não tenho te ajudado. (preferida no Brasil) 11 QUESTÕES EXERCÍCIOS – BANCO DO BRASIL 2014 1. Dentre os trechos abaixo, a alteração da colocação do pronome oblíquo está feita de acordo com a norma-padrão em: a) “a olhar-me desapontado.” – a me olhar desapontado b) “lapsos que me têm ocorrido”(. 40) – lapsos que têm ocorrido-me c) “Trata-se de um desses” (. 44) – Se trata de um desses d) “Contou-me ainda o sobrinho” (. 54) – Me contou ainda o sobrinho e) “Já lhe aconteceu” (. 57) – Já aconteceu-lhe RESPOSTA: a) “a olhar-me desapontado.” – a me olhar desapontado b) “lapsos que me têm ocorrido” – lapsos que têm ocorrido- me c) “Trata-se de um desses” – Se trata de um desses d) “Contou-me ainda o sobrinho” – Me contou ainda o sobrinho e) “Já lhe aconteceu” (. 57) – Já aconteceu-lhe 2. O pronome destacado foi utilizado na posição correta, segundo as exigências da norma-padrão da língua portuguesa, em: a) Quando as carreiras tradicionais saturam-se, os futuros profissionais têm de recorrer a outras alternativas. b) Caso os responsáveis pela limpeza urbana descuidem-se de sua tarefa, muitas doenças transmissíveis podem proliferar. c) As empresas têm mantido-se atentas às leis de proteção ambiental vigentes no país poderão ser penalizadas. d) Os dirigentes devem esforçar-se para que os funcionários tenham consciência de ações de proteção ao meio ambiente. e) Os trabalhadores das áreas rurais nunca enganaram-se a respeito da importância da agricultura para a subsistência da humanidade. RESPOSTA a) Quando as carreiras tradicionais saturam-se, os futuros profissionais têm de recorrer a outras alternativas. b) Caso os responsáveis pela limpeza urbana descuidem-se de sua tarefa, muitas doenças transmissíveis podem proliferar. c) As empresas têm mantido-se atentas às leis de proteção ambiental vigentes no país poderão ser penalizadas. d) Os dirigentes devem esforçar-se para que os funcionários tenham consciência de ações de proteção ao meio ambiente. e) Os trabalhadores das áreas rurais nunca enganaram-se a respeito da importância da agricultura para a subsistência da humanidade. PORTUGUÊS PROF. FRANCIS MADEIRA PARTE IIi PORTUGUÊS 3 PONTUAÇÃO UNIDADE I – ESTUDO DA VÍRGULA A vírgula pode aparecer no interior da oração (,) ou entre orações (,). • Apesar do frio, saiu sem casaco. • Embora estivesse frio, saiu sem casaco. USO DA VÍRGULA (no interior da oração) 1. A vírgula separa elementos coordenados, ou seja, que exercem a mesma função sintática. Pode ser dispensada quando o último termo é introduzido por conjunção “e”, “nem” e “ou”. • Comprei arroz, feijão, ervilha e carne. • Pedro, Paulo, João e José vieram à reunião. • Encontrou uma mulher inteligente, honesta e parceira. Obs.1 Se houver polissíndeto, a vírgula antes da conjunção coordenativa é obrigatória. • Comprei arroz, e feijão, e ervilha, e carne. • Pedro, e Paulo, e João, e José vieram à reunião. • Nem o amor, nem a paixão, nem o ódio, nem a raiva poderiam mudá-lo. Obs.2 Caso se deseje realçar o último elemento, a vírgula antes da conjunção coordenativa é aceita. Pode ser também usado o travessão. • Comprei arroz, feijão, ervilha e carne. • Comprei arroz, feijão, ervilha, e carne. • Comprei arroz, feijão, ervilha – e carne. 2. A vírgula isola o vocativo. • O problema, minha amada, é a angústia. • Meu caro amigo, perdoe-me. • Perdoai nossas falhas, ó Deus! 4 3. A vírgula isola o aposto explicativo. • O inverno, estação das comidas quentes, ainda nem começou. • Ela soube viver a vida, esse presente divino. • Getúlio Vargas, 14º presidente brasileiro, estudou Direito em Porto Alegre. 4. A vírgula isola expressões de natureza explicativa (ou seja, isto é, por exemplo, ou melhor). • Ela não se dedicou aos estudos, isto é, não se dedicou o suficiente. • Pedi silêncio a todos, ou seja, não só àqueles dois alunos. 5. Em cabeçalhos de correspondências e periódicos, a vírgula separa o local da data. • Rio de Janeiro, 25 de março de 2020. • Nova Iorque, 11 de setembro de 2001. 6. A vírgula isola o adjunto adverbial, facultativamente, caso se deseje realçá-lo, quando ele aparece na ordem direta. SUJEITO VERBO COMPLEMENTOS ADJUNTOS ADVERBIAIS • Ela disse a verdade, em todos os momentos. • Enfrentei a todos, apesar da dificuldade. • Requeri ajuda, ontem. • Não havia ninguém, nas ruas. • Irei ao baile, certamente. • Brigaram comigo, por bobagem. 6. Entretanto, caso o adjunto adverbial seja deslocado, a vírgula será obrigatória para isolá-lo (se for extenso) ou facultativa (se for curto). ADJUNTOS ADVERBIAIS SUJEITO VERBO COMPLEMENTOS • Em todos os momentos, ela disse a verdade. • Apesar da dificuldade, enfrentei a todos. • Ontem requeri ajuda. 6. Entretanto, caso o adjunto adverbial seja deslocado, a vírgula será obrigatória para isolá-lo (se for extenso) ou facultativa (se for curto). SUJEITO VERBO COMPLEMENTOS ADJUNTOS ADVERBIAIS • Nas ruas não havia ninguém. • Certamente irei ao baile. • Por bobagem brigaram comigo. PORTUGUÊS | FRANCIS MADEIRA 5 SUJEITO AADV VERBO COMPLEMENTOS • Aquele senhor, apesar de velho, é muito ativo. • Nossas vidas, no presente, estão em risco. • O mundo, em alguns meses, estará diferente. SUJEITO VERBO AADV COMPLEMENTOS • Indiquei-lhe, de maneira cautelosa, um psiquiatra. • Indiquei-lhe, ontem, um psiquiatra. (PADRÃO) • Indiquei-lhe ontem um psiquiatra. (PADRÃO) • Indiquei-lhe ontem, um psiquiatra. (DESVIO) • Indiquei-lhe, ontem um psiquiatra. (DESVIO) 7. O predicativo do sujeito, quando o verbo não é de ligação, pode ser isolado na ordem direta, mas deve obrigatoriamente isolar-se em ordem inversa. SUJEITO VERBO COMPLEMENTO PREDICATIVO DO SUJEITO • Maria chegou ao cinema, assustada. • Entrei em sala, ofegante. • Cumprimentei meus colegas, eufórico. SUJEITO VERBO PREDICATIVO DO SUJEITO COMPLEMENTO • A professora chegou, assustada, ao cinema. • Entrei, ofegante, em sala. • Cumprimentei, eufórico, meus colegas. SUJEITO, PREDICATIVO DO SUJEITO, VERBO COMPLEMENTO • A professora, assustada, chegou ao cinema. • A professora assustada chegou ao cinema. (CORRETO, mas muda o sentido → passa a ser ADJUNTO ADNOMINAL) PREDICATIVO DO SUJEITO, SUJEITO VERBO COMPLEMENTO • Assustada, a professora chegou ao cinema. • Ofegante, entrei em sala. • Eufórico, cumprimentei meus colegas. 6 NÃO USO DA VÍRGULA (NO INTERIOR DA ORAÇÃO) 1. A vírgula NÃO pode separar o sujeito do predicado. • Os alunos e os professores, estavam atônitos. (DESVIO) • Os alunos e os professores estavam atônitos. (PADRÃO) • Existem, muitos problemas a resolver. (DESVIO) • Existem muitos problemas a resolver. (PADRÃO) • Foi encontrado, um livro na gaveta. (DESVIO) • Foi encontrado um livro na gaveta. (PADRÃO) 1. A vírgula NÃO pode separar o sujeito do predicado. Se houver intercalação de algum termo, as vírgulas devem isolar este termo. • Existem, em nossas vidas muitos problemas a resolver. (DESVIO) • Existem, em nossas vidas, muitos problemas a resolver.(PADRÃO) • Foi encontrado na semana passada, um livro na gaveta. (DESVIO) • Foi encontrado, na semana passada, um livro na gaveta. (PADRÃO) 2. A vírgula NÃO pode separar o verbo de seu complemento (direto ou indireto). • Entreguei o livro, aos clientes. (DESVIO) • Entreguei o livro aos clientes. (PADRÃO) • Ela demitiu, o funcionário e o amigo. (DESVIO) • Ela demitiu o funcionário e o amigo. (PADRÃO) 2. A vírgula NÃO pode separar o verbo de seu complemento (direto ou indireto). Se houver intercalação de algum termo, as vírgulas devem isolar este termo. • Entreguei o livro, apesar das dificuldades, aos clientes. (PADRÃO) • Ela demitiu, na semana passada, o funcionário e o amigo. (PADRÃO) 2. Se aparecer o pleonástico, o objeto direto e o indireto podem ser realçados, isolados pelas vírgulas, o que será obrigatório na ordem inversa. • A mim, ela nunca me cumprimentou. (OD; OD pleonástico) • Aqueles rapazes, eu não os conheço. (OD; OD pleonástico) • A mim, ela nunca me disse nada. (OI; OI pleonástico) • Àqueles funcionários, eu não lhes obedeço jamais. (OI; OI pleonástico) • Eles me disseram verdades a mim. • A mim, eles me disseram verdades. PORTUGUÊS | FRANCIS MADEIRA 7 3. A vírgula NÃO pode separar o verbo de ligação do predicativo. • O problema real era, o desemprego. (DESVIO) • O problema real era o desemprego. (PADRÃO) • Ela estava, preocupada com os amigos. (DESVIO) • Ela estava preocupada com os amigos. (PADRÃO) 4. A vírgula NÃO pode separar o nome do complemento nominal. • Ela tinha medo, de todos os amigos. (DESVIO) • Ela tinha medo de todos os amigos. (PADRÃO) • Estava preocupado, com o término da prova. (DESVIO) • Estava preocupado com o término da prova. (PADRÃO) 5. A vírgula NÃO pode separar a locução verbal do agente da passiva. • O trabalho foi realizado, por todos. (DESVIO) • O trabalho foi realizado por todos. (PADRÃO) • Esses livros serão revisados, por mim. (DESVIO) • Esses livros serão revisados por mim. (PADRÃO) USO DA VÍRGULA (ENTRE ORAÇÕES) 1. A vírgula separa orações coordenadas assindéticas entre si, ou seja, orações que se justapõem, que se acumulam de maneira sucessiva. • Ela saiu, comprou alguns mantimentos, voltou para casa, fez o jantar. 2. Se as orações coordenadas são ligadas por conjunção aditiva (e, nem, não só... mas também), é possível dispensar a vírgula, mas apenas quando os sujeitos das duas orações são idênticos. • Ela voltou para casa, e fez o jantar. (PADRÃO) • Ela voltou para casa e fez o jantar. (PADRÃO) • Ela voltou para casa, e o marido fez o jantar. (PADRÃO) • Ela voltou para casa e o marido fez o jantar. (DESVIO) 2. Se as orações coordenadas forem ligadas por polissíndeto, a vírgula será obrigatória separando-as. • Ela ria, e chorava, e gritava, e pulava. 3. Se as orações coordenadas forem ligadas por conjunções alternativas (ou, ou... ou, ora.. ora, quer... quer, seja... seja), valerá a mesma regra das aditivas. • Os alunos ou farão o trabalho ou ficarão sem nota. • Os alunos ou farão o trabalho, ou ficarão sem nota. • Ou os alunos farão o trabalho, ou os deixarei sem nota. 8 4. Se as orações coordenadas forem ligadas por conjunções explicativas (pois, que), a vírgula deverá separar as orações. • Ela não veio à aula, pois sua bolsa não está aqui. • Entre logo, que o professor está chamando. 5. Se as orações coordenadas forem ligadas por conjunções adversativas (mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto), a vírgula deverá separar as orações. • Ela faltou à aula, mas estudou a matéria depois. • Estudei, porém não entendi o conteúdo. • A lei foi aprovada no Legislativo, entretanto ainda não foi sancionada. 5. Se as orações coordenadas forem ligadas por conjunções adversativas (mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto), a vírgula deverá separar as orações. ATENÇÃO: a vírgula não deve suceder a conjunção. • Ela faltou à aula, mas, estudou a matéria depois. (DESVIO) • Estudei, porém, não entendi o conteúdo. (DESVIO) • A lei foi aprovada no Legislativo, entretanto, ainda não foi sancionada. (DESVIO) 5. Se as orações coordenadas forem ligadas por conjunções adversativas (mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto), a vírgula deverá separar as orações. ATENÇÃO: a vírgula não deve suceder a conjunção, apenas se houver termo intercalado. • Ela faltou à aula, mas, depois de tudo, estudou a matéria. (PADRÃO) • Estudei, porém, apesar de meus esforços, não entendi o conteúdo. (PADRÃO) • A lei foi aprovada no Legislativo, entretanto, como sabemos, ainda não foi sancionada. (PADRÃO) 6. Se as orações coordenadas forem ligadas por conjunções conclusivas (logo, portanto, por conseguinte), a vírgula deverá separar as orações. • Ela faltou à aula, logo deverá estudar a matéria depois. • Estudei muito, portanto serei recompensado. • A lei foi aprovada no Legislativo, por conseguinte será encaminhada à sanção presidencial. 6. Se as orações coordenadas forem ligadas por conjunções conclusivas (logo, portanto, por conseguinte), a vírgula deverá separar as orações. ATENÇÃO: a vírgula não deve suceder a conjunção. • Ela faltou à aula, logo, deverá estudar a matéria depois. (DESVIO) • Estudei muito, portanto, serei recompensado. (DESVIO) • A lei foi aprovada no Legislativo, por conseguinte, será encaminhada à sanção presidencial. (DESVIO) PORTUGUÊS | FRANCIS MADEIRA 9 6. Se as orações coordenadas forem ligadas por conjunções conclusivas (logo, portanto, por conseguinte), a vírgula deverá separar as orações. ATENÇÃO: a vírgula não deve suceder a conjunção , apenas se houver termo intercalado. • Ela faltou à aula, logo, ainda hoje, deverá estudar a matéria. (PADRÃO) • Estudei muito, portanto, depois de tudo, serei recompensado. (DESVIO) • A lei foi aprovada no Legislativo, por conseguinte, como sabemos, será encaminhada à sanção presidencial. (DESVIO) 7. A vírgula isola as orações adjetivas explicativas, mas não as restritivas. • Os alunos da Casa que estudaram Português terão bom desempenho no concurso. (restritivas → reduzem o universo de referência) • Os alunos da Casa, que estudaram Português, terão bom desempenho no concurso. (explicativas → não reduzem o universo de referência) • Os alunos da Casa que estudaram Português, terão bom desempenho no concurso. (DESVIO) • As mulheres que lutam por igualdade merecem nosso reconhecimento. (restritivas → reduzem o universo de referência) • As mulheres, que lutam por igualdade, merecem nosso reconhecimento. (explicativas → não reduzem o universo de referência) • As mulheres que lutam por igualdade, merecem nosso reconhecimento. (DESVIO) • O mundo, que enfrenta a pandemia da Covid-19, está paralisado. (explicativa) • Este é o diretor a cujos filmes fiz referência. (restritiva) 8. A vírgula isola orações adverbiais quando antepostas ou intercaladas na principal. Se pospostas, a vírgula é facultativa. A) CAUSAIS • Uma vez que choveu, não fui à aula. • Recusei a oferta porque me pareceu injusta. • Recusei a oferta, porque me pareceu injusta. • Os alunos, como estudaram, obtiveram êxito no exame. B) COMPARATIVAS • Como um herói, ele arriscou a própria vida. • Ela estudava mais do que todos nós. • Ela estudava, mais do que todos nós. • As crianças, mais do que nos parece, são muito vulneráveis. 10 C) CONCESSIVAS • Embora estivesse cansada, ela não dormiu. • Irei ao cinema mesmo que chova. • Irei ao cinema, mesmo que chova. • Aquela mulher, por mais que me fizesse sofrer, merece minha admiração. D) CONDICIONAIS • Se me ajudares, conseguirei. • Irei ao cinema desde que não chova. • Irei ao cinema, desde que não chova. • Nosso investimento, caso se pague, não terá sido em vão. E) CONFORMATIVAS • Conforme te disse, não comparecerei ao evento. • Os casos se agravaram segundo me disseram. • Os casos se agravaram, segundo me disseram. • A História, como o sabemos, é implacável. F) CONSECUTIVAS• Esforçou-se tanto que foi reconhecido. • Esforçou-se tanto, que foi reconhecido. • Ela foi tão cruel, que me disse palavras indizíveis. G) FINAIS • Para que nos concentremos, é preciso esforço. • Estude a fim de que seja aprovado. • Estude, a fim de que seja aprovado. • Todos, para alcançarem o sucesso, devem estudar. H) PROPORCIONAIS • À medida que me esforçava, compreendia a matéria. • Ela desesperava-se ao passo que o filme avançava. • Ela desesperava-se, ao passo que o filme avançava. • Todos vocês, quanto mais estudarem, mais serão recompensados. PORTUGUÊS | FRANCIS MADEIRA 11 I) TEMPORAIS • Depois que nos despedimos, ela desapareceu. • Saí de casa antes que o filme terminasse. • Saí de casa, antes que o filme terminasse. • Os alunos, quando terminarem a prova, terão uma surpresa. 9. A vírgula não separa orações substantivas das principais. • É preciso que nos esforcemos. • Ela disse que virá à aula. • Não sei se poderei ir. • Ela duvidava de que fôssemos irmãos. • Ela tem medo de que os pais sofram. • O problema é que nos preocupamos demais. 9. A vírgula não separa orações substantivas das principais. Porém, a oração apositiva deve ser separada (por vírgula, travessão ou dois- pontos). • Desejo-te uma coisa: que te tornes médico. • Desejo-te uma coisa – que te tornes médico. • Desejo-te uma coisa, que te tornes médico. 10. As orações intercaladas (ou interferentes) podem ser isoladas por vírgulas, embora o mais comum seja o uso do travessão em nossa tradição literária, ou por parênteses. • O problema, disse o ministro, é falta de leitos. • O que você deseja?, perguntou-me o atendente. • O problema – disse o ministro – é falta de leitos. • O que você deseja? – perguntou-me o atendente. 11. As orações reduzidas (de infinitivo, de gerúndio ou de particípio) devem ser pontuadas da mesma forma que as desenvolvidas. • Chegando cedo, iremos ao cinema. • Se chegarmos cedo, iremos ao cinema. • Terminada a prova, saí para comemorar. • Depois que terminei a prova, saí para comemorar. • A persistirem os sintomas, um médico deverá ser consultado. • Caso persistam os sintomas, um médico deverá ser consultado. • As crianças, por serem vulneráveis, merecem cuidado. • As crianças, uma vez que são vulneráveis, merecem cuidado. 12 • Ela revelou a todos ser uma grande artista. • Ela revelou a todos que era uma grande artista. • É preciso estar atento e forte. • É preciso que se esteja atento e forte. USO DA VÍRGULA (MARCANDO SUPRESSÃO) 12. A vírgula é usada para marcar apagamento de partes da oração, principalmente quando contêm verbo. • Eu comprei um livro; meu irmão, um disco. (comprou) • Ela fez os exercícios hoje de manhã; eu, ontem. (fiz os exercícios) PORTUGUÊS PROF. FRANCIS MADEIRA PARTE IV PORTUGUÊS 3 PONTUAÇÃO II UNIDADE II – ESTUDO DO PONTO E VÍRGULA O ponto e vírgula é sinal que serve à separação de segmentos e orações coordenadas. Não deve jamais separar orações subordinadas de suas principais. • Cheguei atrasado; ninguém o percebeu. (PADRÃO) • Depois que saímos; todos notaram nossa ausência. (DESVIO) 1. Usa-se o ponto e vírgula para separar orações coordenadas assindéticas, como alternativa ao uso da vírgula. • Chegou cedo; cumprimentou os colegas; sentou-se em seu lugar. • O diretor fez uma declaração; o gerente a contradisse. 2. Usa-se o ponto e vírgula para separar orações coordenadas sindéticas das assindéticas, como alternativa ao uso da vírgula. A) ADITIVAS • Fiz o comunicado aos funcionários; e ganhei o respeito de todos. • Eu fiz o comunicado aos funcionários; e todos me ouviram. B) ALTERNATIVAS • Teremos de reduzir a produção; ou ficaremos com excesso de estoque. C) EXPLICATIVAS • É preciso ter cuidado; pois todos estão em risco. D) ADVERSATIVAS (mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto) • Estes riscos existem, mas não são tão grandes. • Estes riscos existem; mas não são tão grandes. • Estes riscos existem; mas, ao contrário do que dizem, não são tão grandes. 4 • Estudei, porém a prova estava difícil. (PADRÃO) • Estudei, porém, a prova estava difícil. (DESVIO) • Estudei; porém, a prova estava difícil. (PADRÃO) • Estudei; porém a prova estava difícil. (PADRÃO) • Estudei. Porém, a prova estava difícil. (PADRÃO) • Estudei. Porém a prova estava difícil. (PADRÃO) • Estudei, a prova, porém, estava difícil. (DESVIO) • Estudei; a prova, porém, estava difícil. (PADRÃO) • Estudei. A prova, porém, estava difícil. (PADRÃO) • Estudei; a prova estava difícil, porém. (PADRÃO) • Estudei. A prova estava difícil, porém. (PADRÃO) E) CONCLUSIVAS (portanto, por conseguinte, logo) • Estudei, portanto estou tranquilo. • Estudei, portanto, estou tranquilo. (DESVIO) • Estudei; portanto estou tranquilo. • Estudei; portanto, estou tranquilo. • Estudei; portanto, como vês, estou tranquilo. • Estudei. Portanto estou tranquilo. • Estudei. Portanto, estou tranquilo. • Estudei. Portanto, como vês, estou tranquilo. • Estudei, estou, portanto, tranquilo. (DESVIO) • Estudei; estou, portanto, tranquilo. (PADRÃO) • Estudei. Estou, portanto, tranquilo. (PADRÃO) • Estudei; estou tranquilo, portanto. (PADRÃO) • Estudei. Estou tranquilo, portanto. (PADRÃO) 3. Usa-se o ponto e vírgula ou o ponto para separar orações coordenadas quando existe pausa próxima à que separa as duas orações. • Ela trouxe os livros; eu, as revistas. • Ela trouxe os livros. Eu, as revistas. 4. Usa-se o ponto e vírgula para separar todas as partes de uma enumeração quando uma delas for extensa ou tiver vírgula interna. • Cumprimentei toda a família dela: o pai, a mãe, o irmão, o avô e os tios. • Cumprimentei toda a família dela: o pai; a mãe, de quem eu não gostava; o irmão; o avô; e os tios. PORTUGUÊS | FRANCIS MADEIRA 5 5. Usa-se o ponto e vírgula para separar elementos de enumerações em leis, textos normativos, regimentos e afins. Art. 5º (...) Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade: I – pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos; II – pelo casamento; III – pelo exercício de emprego público efetivo; IV – pela colação de grau em curso de ensino superior; V – pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. UNIDADE III – ESTUDO DOS DOIS-PONTOS Os dois-pontos sinalizam esclarecimentos após sua ocorrência. Servem para indicar que algum elemento ou ideia anterior não restou plenamente clara ou completa. • Encontrei os livros: estavam dentro da gaveta. • Cumprimentei todos os presentes: meu pai, meu irmão, minha irmã e meus primos. 1. Os dois-pontos introduzem apostos de natureza enumerativa e distributiva. • Encontrei os livros: um de Machado de Assis, dois de Graciliano Ramos e cinco de Eça de Queirós. • Meu pai e minha mãe chegaram atrasados: ele, porque ficou preso no trânsito; ela, porque teve um imprevisto. 2. Os dois-pontos introduzem a oração subordinada substantiva apositiva. • Desejo-te uma coisa: que te tornes um bom homem. • Disse a eles a verdade: não estávamos oficialmente casados. 3. Os dois-pontos introduzem a fala de personagens em discurso direto. Entrou na sala e disse ao pai: – Por favor, saia agora! 4. Os dois-pontos anunciam orações assindéticas que objetivam esclarecer, informar causas, conclusões, consequências ou sínteses do que se disse na oração anterior. • Estava chovendo: ninguém viria à sua festa. • Chegou cedo à escola: o portão ainda estava fechado. • A cidade estava em luto: o prefeito falecera na noite anterior. 6 UNIDADE IV – ESTUDO DOS TRAVESSÕES E DOS PARÊNTESES 1. TRAVESSÕES Os travessões intercalam as falas das personagens no discurso direto. Fui até a sala e pergunteiao pai: – Onde está meu casaco? – Não faço a mínima ideia, ele respondeu. Os travessões intercalam as explicações do narrador no discurso direto. Fui até a sala. Todos estavam em silêncio. Onde está meu casaco? – perguntei – Não o acho em lugar algum. Não faço a mínima ideia – respondeu meu pai – Pergunte a seu irmão! Os travessões isolam explicações, como apostos, orações apositivas e orações adjetivas explicativas. • Nosso objetivo – a saúde de todos – será alcançado. • Revelei-lhes meu plano – desmascarar o impostor. • O amor – que nos é inerente – é caridoso e altruísta. • Meu pai e minha mãe chegaram atrasados – ele, porque ficou preso no trânsito; ela, porque teve um imprevisto. Os travessões destacam elementos coordenados, ao separá-los do resto do segmento oracional. • Comprei um carro, uma casa – e um iate. • Pedro, Paulo – e o pai deles – estavam na festa. Os travessões isolam orações intercaladas ou interferentes. • Era um impostor – como poderíamos saber? – e teve o que mereceu. • Todos admiravam o bebê – que olhos bonitos tinha! –, enquanto a mãe o ninava. 2. PARÊNTESES Os parênteses informam ideias incidentais no texto: tudo que é secundário, mas que o escritor deseja compartilhar com o leitor (como notas explicativas e comentários). • Era um impostor (como poderíamos saber?) e teve o que mereceu. • Todos admiravam o bebê (que olhos bonitos tinha!), enquanto a mãe o ninava. Os parênteses informam ideias incidentais no texto: tudo que é secundário, mas que o escritor deseja compartilhar com o leitor (como notas explicativas e comentários). • O OMS (Organização Mundial da Saúde) repudiou as declarações. • A Organização das Nações Unidas (ONU) fará amanhã uma reunião extraordinária para debater o tema. PORTUGUÊS | FRANCIS MADEIRA 7 Os parênteses informam ideias incidentais no texto: tudo que é secundário, mas que o escritor deseja compartilhar com o leitor (como notas explicativas e comentários). • A vida (bem jurídico último) deve ser preservada. • O verão (estação do amor) inicia-se nesta semana. 3. PARÊNTESES RETOS (COLCHETES) De uso mais restrito, os colchetes servem para sinalizar inserções dentro de parênteses. • Existem substantivos concretos (os que têm existência em si mesmos [homem, fada, cachorro, etc.]) e substantivos abstratos (aqueles que só existem quando se manifestam em outro ser [beleza, nudez, esperança, vontade, etc.]). Os colchetes também servem para inserir informações em um texto citado. • “... a primeira [consideração] é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa [ou seja, a morte] foi outro berço...” [M.A.] UNIDADE V – ESTUDO DAS ASPAS As aspas, simples (‘ ’) ou duplas (“ ”), servem para destacar uma informação ante o resto da estrutura frasal. • O uso da expressão “tirar de letra” caracterizou o registro como informal. 1. As aspas destacam palavras e expressões que se encontram em registro distinto: neologismos, arcaísmos, gírias, estrangeirismos. • Trabalhadores temiam a “uberização” do setor. • Alguns jovens se achavam “descolados” demais para adotar a medida. • A atuação estava muito “over”. 2. As aspas reforçam o sentido irônico de uma palavra ou expressão. • O problema do tráfico de drogas é que ele “emprega” muitas pessoas. • Os “defensores da vida” pregavam abertamente a morte de idosos. 3. As aspas isolam a fala das personagens no discurso direto. Fui até a sala. Todos estavam em silêncio. “Onde está meu casaco?”, perguntei, “Não o acho em lugar algum”. “Não faço a mínima ideia”, respondeu meu pai, “Pergunte a seu irmão!”. 4. As aspas isolam a citação direta, ou seja, a reprodução de enunciado atribuído a outra pessoa. • E assim nos remetemos à máxima machadiana: “Lágrimas não são argumentos”. • “Lágrimas não são argumentos.” Com essa máxima, Machado de Assis combatia explicitamente o apelo à emoção. 8 5. As aspas dão destaque a nomes de obras. • Tudo em “1917” parece funcionar como um longo plano-sequência. • Ela nunca lera “Memórias Póstumas de Brás Cubas” antes: estava encantada. 6. As aspas conferem a outra pessoa a parte do discurso do qual o escritor se apropria para criticar ou corroborar. • Continuavam com suas festas semanais: alegavam estarem “imunes” ao vírus. • O jurista ressaltava que a “norma fundamental” não era o texto da Constituição, mas outra coisa. 7. Usam-se as aspas simples (‘ ’) apenas dentro das duplas (“ ”), caso haja necessidade. • Os “defensores da vida” pregam abertamente a morte de idosos. • Em sua coluna semanal, o jornalista fez uma crítica contundente: “os ‘defensores da vida’ pregavam abertamente a morte de idosos”. UNIDADE VI – ESTUDO DAS RETICÊNCIAS As reticências marcam a interrupção ou suspensão do raciocínio por diversas razões. • Ah! O som do mar... 1. As reticências são usadas para indicar o discurso interrompido, a fala que não se chegou a completar no diálogo. • Gostaria de pedir... • Pedir? Agora vens me pedir? O qu... • Calma! Nem terminei de fal... • E precisa? 2. As reticências são usadas para suspender o raciocínio quando este é difuso, confuso, hesitante ou inseguro. • Tenho... Acho que... Pensei em começar... Desculpe, estou nervoso. 3. As reticências são usadas para interromper a frase, sugerindo que o leitor complete o raciocínio. • Se eu tivesse o dom que ele tem... • Você sabe que ela é... 4. As reticências são usadas para marcar ironias e outras inflexões de natureza psicológica e emocional. • Quem poderia pensar que ele seria esse rapaz robusto e educado... • Sentia ardendo em si as chamas do amor... 5. As reticências marcam as citações incompletas. “... eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor...” (M.A.) PORTUGUÊS | FRANCIS MADEIRA 9 UNIDADE VII – ESTUDO DOS PONTOS 1. PONTO O ponto é a pausa máxima do discurso. Serve para marcar o fechamento das frases. • Era da casa o rei. • Encontrei os livros: estavam dentro da gaveta. • Depois que saímos, todos nos acompanharam. O ponto marca o fim das frases declarativas. • Perguntei muitas coisas. • A Terra não é plana. • Vacinas imunizam contra doenças. O ponto pode marcar o término das frases optativas e imperativas. • Deus te abençoe. • Saia daqui, por favor. O ponto não deve separar subordinadas de principais. • Ela ficou. Embora estivesse tarde. (DESVIO) • Ela ficou, embora estivesse tarde. (PADRÃO) • As ruas estão alagadas. Porque choveu muito. (DESVIO) • As ruas estão alagadas porque choveu muito. (PADRÃO) O ponto pode separar orações coordenadas. • Ela ficou. Mas não por muito tempo. • O concurso está chegando. Portanto, estude. • Estudou muito durante a manhã. E descansou à tarde. 2. PONTO DE EXCLAMAÇÃO O ponto de exclamação sinaliza a melodia emotiva, com inflexões diversas, como surpresa, espanto, raiva, susto, alegria, prazer, entre outras. • Como era bom sair de casa! • Que triste isso! O ponto de exclamação marca a natureza emotiva das interjeições. • Bah! Não creio! • Égua! Que filme bom! • Oxe! Não fala isso, não! • Avante! O ponto de exclamação pode marcar as frases imperativas e as optativas. • Que Deus te abençoe! • Saia já daqui! 10 O ponto de exclamação marca as frases exclamativas. • Que belo livro! • Como é bom respirar este ar! • Muito bonito isso! 3. PONTO DE INTERROGAÇÃO O ponto de interrogação marca as interrogativas diretas. • Quem estava contigo? • Você vai ao cinema comigo? O ponto de interrogação marca as interrogativas diretas completas. • Você vai ao cinema comigo? • Houve crime? • Ela disse isso? • Será que ela está no hospital? O ponto de interrogação marca as interrogativas diretas incompletas. • Quem vai ao cinema comigo? • O que houve? • Quais livros você leu? • Quantos livros você tem? • Quem me acompanha ao cinema? • O que se passou? • Quais livros me deste? • Quantos livros lhe vendi ontem? • Por que me dizes isso? • Como a trataste ontem? • Onde ela se hospedou?• Quando vocês se casaram? O ponto de interrogação NÃO marca as interrogativas indiretas. • Quero saber quem me acompanha ao cinema. • Não sei quais livros me deste. • Não sei por que me dizes isso. • Diz a ele onde ela se hospedou. • Ela revelou quando vocês se casaram. O ponto de interrogação NÃO marca as interrogativas indiretas. Observe a diferença de sentido: Você sabe quem matou o cachorro. → Você sabe isso. Você sabe quem matou o cachorro? → Você sabe isso? 11 QUESTÕES 1. (BB – 2014) Considere o emprego do sinal de dois-pontos no trecho “e se ergueu logo, dizendo para sua mulher: ‘Vamos, meu bem, que já está ficando tarde’.” Esse sinal é empregado com a mesma função em: a) “não é distração: é memória fraca mesmo” b) “para me atormentar: eles se escondem” c) “Até agora estou vencendo: quando eles se escondem, saio de casa sem chaves” d) “me conta o sobrinho: — O que eu estudo é medicina” e) “Não, eu não sabia: para dizer a verdade, só agora o estava identificando” 2. (BB – 2018) De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, a pontuação está corretamente empregada em: a) O conjunto de preocupações e ações efetivas, quando atendem, de forma voluntária, aos funcionários e à comunidade em geral, pode ser definido como responsabilidade social. b) As empresas que optam por encampar a prática da responsabilidade social, beneficiam-se de conseguir uma melhor imagem no mercado. c) A noção de responsabilidade social foi muito utilizada em campanhas publicitárias: por isso, as empresas precisam relacionar-se melhor, com a sociedade. d) A responsabilidade social explora um leque abrangente de beneficiários, envolvendo assim: a qualidade de vida o bem-estar dos trabalhadores, a redução de impactos negativos, no meio ambiente. e) Alguns críticos da responsabilidade social defendem a ideia de que: o objetivo das empresas é o lucro e a geração de empregos não a preocupação com a sociedade como um todo. Gabarito: 1. D 2. A apostila-bb-portugues-francis-madeira apostila-bb-portugues-02-francis-madeira apostila-bb-portugues-03-francis-madeira apostila-bb-portugues-04-francis-madeira