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SOCIEDADE 
CONTEMPORÂNEA
SOCIEDADE 
CONTEMPORÂNEA
Adriana Duarte de Souza Carvalho da Silva
Márcio Mendes da Luz
© Copyright 2017 da Dtcom. É permitida a reprodução total ou parcial, desde que sejam respeitados os 
direitos do Autor, conforme determinam a Lei n.º 9.610/98 (Lei do Direito Autoral) e a Constituição Federal, 
art. 5º, inc. XXVII e XXVIII, “a” e “b”. 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Ficha catalográfica elaborada pela Dtcom. Bibliotecária – Andrea Aguiar Rita CRB)
S586s 
Silva, Adriana Duarte de Souza Carvalho da 
Sociedade contemporânea / Adriana Duarte de Souza Carvalho da Silva, Márcio 
Mendes da Luz. – Curitiba: Dtcom, 2017.
152 p. 
ISBN: 978-859-368-527-9
1. Aspecto organizacional. 2. Contemporâneo. 3. Aspectos humanos. 
CDD 614.2
Reitor Prof. Celso Niskier
Pro-Reitor Acadêmico Maximiliano Pinto Damas
Pro-Reitor Administrativo e de Operações Antonio Alberto Bittencourt
Coordenação do Núcleo de Educação a Distância Viviana Gondim de Carvalho 
Redação Dtcom
Análise educacional Dtcom
Autoria da Disciplina Adriana Duarte de Souza Carvalho da Silva, Márcio Mendes da Luz
Validação da Disciplina Veronica Eloi
Designer instrucional Milena Rettondini Noboa
Banco de Imagens Shutterstock.com
Produção do Material Didático-Pedagógico Dtcom
Sumário
01 Conceitos teóricos dos séculos XVII e XVIII ....................................................................... 7
02 Revolução industrial e revoluções burguesas ..................................................................15
03 Burgueses e proletários.........................................................................................................22
04 Émile Durkheim .......................................................................................................................30
05 Karl marx ..................................................................................................................................37
06 Max Weber ...............................................................................................................................44
07 Brasil: do engenho ao ouro ...................................................................................................51
08 O europeu e a ocupação territorial ......................................................................................58
09 Colonização: cultura indígena e a luta pela posse da terra ............................................65
10 O negro: cultura e o trabalho escravo .................................................................................73
11 Democracia racial ...................................................................................................................80
12 Cultura.......................................................................................................................................87
13 Desigualdades sociais no Brasil ..........................................................................................93
14 Mudanças na cultura da sociedade contemporânea ................................................... 100
15 Os movimentos sociais ...................................................................................................... 107
16 Constituição de 1988 e a sociedade contemporânea .................................................. 114
17 Globalização: origens e definições ................................................................................... 122
18 Globalização: Impactos Econômicos (1980 – 2010) ................................................... 129
19 Globalização: Impactos Políticos (1980 – 2010) .......................................................... 137
20 Globalização: Impactos Sociais e Culturais (1980 – 2010) ........................................ 145
Conceitos teóricos dos 
séculos XVII e XVIII
Márcio Mendes da Luz
Introdução
Sabemos que a forma como nossa sociedade atual pensa e age é consequência de anos de 
mudanças e quebras de paradigmas. Essas modificações são fruto, principalmente, de ideias e 
conceitos propostos por grandes pensadores em sua época. Nesta aula, vamos refletir sobre os 
pressupostos teóricos que fundamentaram a sociedade contemporânea.
Estudaremos sobre os teóricos dos séculos XVII e XVIII que ajudaram a formar as concep-
ções políticas, sociais e econômicas da nossa sociedade atual. Aprenderemos sobre Thomas 
Hobbes e sua noção de Estado, a desigualdade social em Rousseau, a noção de liberdade de 
Voltaire, a divisão de poderes de Montesquieu e o liberalismo econômico de Adam Smith. Vamos 
começar? Então, acompanhe-nos e bons estudos.
Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • conhecer os pressupostos teóricos que formaram a sociedade contemporânea;
 • entender sobre o Iluminismo e Liberalismo.
1 Thomas Hobbes: o contrato social inglês
Thomas Hobbes (1588 – 1679) nasceu na Inglaterra no final do governo de Elizabeth I (1558 
– 1603), da Dinastia Tudor. Esta Dinastia conseguiu consolidar o poder absolutista na Inglaterra 
ao vencer a Guerra das Duas Rosas (1455 – 1485) e também garantiu independência em relação 
à igreja católica ao fazer o Ato de Supremacia (1532). O que seria isso? Foi a ruptura com a Igreja 
Católica e criação da Igreja Anglicana. Mas apesar da consolidação do poder do rei, na história 
política inglesa, o poder dele nunca foi total devido ao forte poder também do parlamento. 
SAIBA MAIS!
O parlamento inglês surgiu em 1212, quando o rei João, o sem-terra, teve seu poder 
restrito ao assinar a Magna Carta, forçado pelos nobres após a fracassada tentativa 
de invasão da França. A partir de então, nenhum rei inglês pôde tomar uma decisão 
sem a permissão do parlamento.
 – 7 – 
TEMA 1
Figura 1 – Parlamento inglês
Fonte: Leonid Andronov/Shutterstock.com.
Hobbes acompanhou a Guerra Civil Inglesa (1642-1649), que encerrou com a decapitação do 
Rei Carlos I. Após finalizar o conflito, Hobbes retorna à Inglaterra e publica o Leviatã, em 1651, em 
que discute sobre a natureza do homem e a função do Estado. A extensão do conflito e seus efei-
tos na sociedade, principalmente o elevado número de mortes, causou no autor um pessimismo 
sobre o ser humano.
Para Hobbes, inicialmente, nos primórdios o ser humano vivia em uma condição de anarquia 
e barbárie conhecida como Estado Natural. Neste estágio, todos são iguais, todos têm os mesmos 
direitos, há a ausência do soberano e, guiados apenas pelos seus instintos, paixões e desejos, os 
homens são levados ao constante estado de guerras (RIBEIRO, 1989). 
Para evitar os conflitos entre as pessoas, Hobbes defende o Estado Soberano, que deverá ser 
regido por um soberano. Na concepção deste autor, esse Estado que será regido por um corpo de 
leis dará ao ser humano a tranquilidade e paz de que ele necessita para viver. Se o Estado Natural 
dá a liberdade sem limites à população, então, leva ao caos e anarquia. Por outro lado, o Estado 
Soberano restringe a liberdade individual, mas permite a ordem e a tranquilidade de que as pessoas 
necessitam. Em resumo: o Leviatã seria o “monstro” que resulta do Estado Civil que é a união da 
vontade de todos na figura do soberano, que representa a lei que dará a tranquilidade necessária. 
Portanto, Hobbes oferece à nossa sociedade a ideia de um Estado de Direito cujo corpo de 
regras, chamadas de lei, deve trazer ordem, paz e proteção à população e estar acima dos interes-
ses pessoais. Perceba que este conceito permeará grande parte dos Estados ocidentais contem-
porâneos (RIBEIRO, 1989).
Agora, vejamos o contraponto deste pensamento? Acompanhe-nos para conhecer as ideias 
de Voltaire. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 8 – 
2 Voltaire e o conceito de liberdade
Os próximos três autores que vamos estudar (Voltaire, Rousseau e Montesquieu) possuem 
em comum o fato de serem denominados iluministas. E o que significa isso? O Iluminismo surgiu 
na Europa no século XVIII como uma oposição a tudo que representasseo Antigo Regime: poder 
absolutista, a fusão de Estado com a Igreja, interferência do Estado na economia e os privilégios 
da nobreza. Voltaire, pseudônimo de François Marie-Arouet (1694 – 1778), trabalha com afinco o 
conceito de liberdade. 
SAIBA MAIS!
O nome Iluminismo vem de luz, pois, segundo os seus teóricos, por meio da razão e 
da luz do conhecimento, a sociedade humana conseguiria desfazer suas amarras e 
seguir sua liberdade. Para aprofundar sugerimos a leitura do seguinte texto: <http://
www.scielo.br/pdf/seq/n66/14.pdf>.
Diferentemente da concepção grega clássica de liberdade, que era a participação do cidadão 
nas decisões políticas, no século XVIII, a noção de liberdade é ampliada para a autodeterminação 
do indivíduo sem que tenha que obedecer passivamente a outros. Para isso, o Estado absolutista 
e a sua característica intervencionista no cotidiano das pessoas eram opostos aos interesses dos 
iluministas (COULANGES, 1971). Para os iluministas e, sobretudo Voltaire, a população deveria ter 
o direito à liberdade de expressar sua opinião, de comercializar e professar a sua fé. 
FIQUE ATENTO!
Assim como outros conceitos, a liberdade não é um bem natural do ser humano, 
ela é historicamente construída, para depois ser inserida no cotidiano das pessoas.
Perceba que a filosofia iluminista influenciará as revoltas e revoluções da segunda metade 
do século XVIII e início do século XIX na Europa e continente americano, sobretudo na Revolução 
Francesa e Independência das treze colônias, atualmente os Estados Unidos. Os governos resul-
tantes delas que asseguraram a liberdade e autodeterminação de seus indivíduos passaram a ser 
chamados de governos liberais, os quais serão predominantes nos séculos XIX e XX.
Na sequência, continue conosco para conhecer o pensamento de Montesquieu, outro autor 
que era favorável à formulação de um conceito de liberdade. Vamos lá?
3 Barão de Montesquieu e o poder tripartite
Uma das contestações ao Antigo Regime resultava no acúmulo de poder nas mãos de um 
soberano, no caso do governo francês, a figura do rei. Neste sentido, Charles Louis de Secondat, o 
barão de Montesquieu (1689 – 1755), em seu livro “O Espírito das Leis” (1748) critica e defende a 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
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divisão dos poderes em três: Legislativo (aquele que faz as leis), Executivo (aquele que as põe em 
prática) e Judiciário (aquele que julga as leis). 
EXEMPLO
A divisão de poderes é a prática política das principais democracias contemporâne-
as. No Brasil, em nível federal, o Executivo é exercido pelo Presidente, o Legislativo 
por deputados e senadores, e o Judiciário pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Para o autor, aquele que detém o controle dos três poderes, isto é o rei, tende a abusar dele 
na condução do país. Por isso, a divisão e a isonomia (ou seja, a igualdade de todos perante as 
leis) entre esses poderes é necessária para assegurar uma sociedade mais justa e que garante os 
direitos de autodeterminação de seus indivíduos ao respeitar as leis.
FIQUE ATENTO!
No caso brasileiro, a divisão em três poderes é feita tanto no nível federal como no 
estadual e municipal.
Acompanhe na imagem a seguir uma demonstração do que seria a diferença entre o Antigo 
Regime e os Governos Liberais.
Figura 2 – Antigo Regime versus governos liberais
Antigo
Regime
Governos
Liberais
Rei
Executivo
(Presidente ou Rei)
Legislativo
(Parlamento)
Judiciário
(Juízes)
Executivo
Legislativo
Judiciário
Fonte: Elaborada pelo autor, 2017.
Vamos conhecer o terceiro autor que expôs seus pensamentos sobre governos e liberdade? 
Então, acompanhe-nos!
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
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4 Rousseau e a desigualdade entre os homens
Jean Jacque Rousseau (1712–1778) foi um dos principais filósofos iluministas do século 
XVIII e, dentre seus estudos, o destaque é para aquele sobre a desigualdade entre os homens e a 
crítica sobre a sua existência. 
Primeiro de tudo, saiba que na sociedade francesa do século XVIII, a desigualdade entre os 
homens era vista como natural. Seguindo tradições e costumes medievais, a nobreza francesa 
possuía mais direitos e privilégios que o restante da população, como o acesso à propriedade rural 
e a isenção de impostos. Contra esta desigualdade e privilégios de uma classe social é que Rous-
seau escreve sua crítica na obra “Discurso sobre a origem e a formação da desigualdade entre os 
homens” (ROUSSEAU, 1989). 
Para Rousseau, havia dois tipos de diferenças entres os homens: uma natural ou física, que 
seria a distinção sexual, de altura, racial, etc., e para o autor essa diferença não deveria ser objeto 
de pesquisa, pois é imutável. A outra diferença é política ou moral, e surgiu a partir do momento 
em que o homem natural se organizou em comunidades e passou a ter posse da propriedade e da 
ambição humana em se distinguir de seus pares e o desejo de aumentar o seu poder. Com isso, 
dividiria a população entre ricos e pobres, governantes e governados e que aí está a origem da 
opressão e a falta de liberdade. 
FIQUE ATENTO!
A noção de homem natural para Rousseau é diferente da de Hobbes. Para o iluminis-
ta, o homem natural é aquele capaz de compaixão, misericórdia e solidariedade para 
com seus pares e que foi a criação da propriedade privada que corrompeu o homem.
A busca de igualdade de direitos e o fim de privilégios é a base jurídica dos principais gover-
nos do século XIX e XX, em que a premissa permanece que todos são iguais perante as leis.
Figura 3 – A diferença entre os homens trazida pelo poder
Fonte: Prazis/Shutterstock.com.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
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Agora, vejamos quem é Adam Smith e o que o autor fala a respeito do liberalismo econômico. 
Vamos lá? Então, acompanhe-nos!
5 Adam Smith e o liberalismo econômico
Alguns o consideram como iluminista ou, simplesmente, um herdeiro dos fisiocratas iluminis-
tas, que defendiam o fim do mercantilismo e do intervencionismo estatal na economia, sintetizado 
no termo francês Laissez-Faire que pode ser traduzido como “deixe estar”. Aliás, esta expressão é 
símbolo do liberalismo econômico, que, em linhas gerais, determina que o mercado funcione livre-
mente, sem interferência do Estado, contando apenas com regulamentos que protejam os direitos 
de propriedade. Esta filosofia foi dominante nos Estados Unidos e nos países da Europa ocidental 
sobretudo a partir do final do século XIX.
 O inglês Adam Smith (1723 – 1790) é tido como pai do liberalismo econômico. Em seu livro 
“A Riqueza das Nações” (1776), o economista inglês defende a necessidade de ter um Estado que 
não interfira na economia e que deixa que ela se autorregule, segundo a lei do mercado (Lei da 
oferta e da procura). Este tipo de Estado é conhecido como Estado Mínimo.
Figura 4 – Estátua do inglês Adam Smith
Fonte: Heartland Arts/Shutterstock.com.
Perceba que o Estado Mínimo não interfere no cotidiano das relações comerciais, é função 
do governo proteger sua população. A cobrança de impostos e a intervenção econômica, segundo 
Smith, são prejudiciais às empresas e à economia (SMITH, 1985). Até a crise de 1929, quase todos 
os países europeus e americanos adotavam a prática do liberalismo econômico.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Mercado
https://pt.wikipedia.org/wiki/Estados_Unidos
https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XIX
https://www.shutterstock.com/pt/g/heartlandarts
EXEMPLO
Os EUA é o maior exemplo da prática do Estado Mínimo, onde a taxa de juros de 
cobrança à população é baixa e, para o cidadão americano, a função do governo é 
a proteção. Por isso, atentados como o 11 de Setembro de 2001 comovem e indig-
nam tanto a população. A interpretação e a sensação é de que o governo falhou.
Hoje, o liberalismo econômico concebido por Adam Smith é amplamente visto em prática 
nos grandes blocos econômicos como a União Europeia, Mercosul e Nafta. 
SAIBA MAIS!
A discussão sobre os limites e possibilidades de um Estado mínimo deve ser 
observada. Para aprofundar,sugerimos a leitura do seguinte texto: <http://www.
cartacapital.com.br/economia/o-estado-deve-intervir-no-processo-economico>.
Fechamento 
Chegamos ao fim desta aula que nos possibilitou aprender que, apesar de a sociedade con-
temporânea ter surgido em fins do século XVIII, com a Revolução Francesa, seus pressupostos 
teóricos que fundamentam a sociedade surgiram 150 anos atrás, como a noção de Estado de 
Direito, liberdade individual, igualdade de direitos e divisão de poderes. 
Nesta aula, você teve a oportunidade de:
 • conhecer os pressupostos teóricos que formaram a sociedade contemporânea;
 • entender sobre o Iluminismo e Liberalismo.
Referências
COULANGES, Fustel. A Cidade Antiga. Lisboa: Clássica, 1971. 
FISS, Owen.A ironia da liberdade de expressão: Estado, regulação e diversidade da esfera pública.
Rio de Janeiro:Renovar, 2005. 
FREITAS, Riva Sobrado de; CASTRO, Matheus Felipe de. Liberdade de Expressão e Discurso de 
Ódio: um exame sobre possíveis limitações à liberdade de expressão. Rev. Seq., Florianópolis, n. 
66, p. 327-355, jul. 2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/seq/n66/14.pdf>. Acesso em: 
04 fev. 2017.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
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MONTESQUIEU, Charles de Secondat.O Espírito das Leis.São Paulo:Saraiva, 2000. 
DANIEL, Paulo. O Estado deve intervir no processo econômico? Carta Capital [online]. Publicado 
em: 08 abr. 2011. Disponível em: <http://www.cartacapital.com.br/economia/o-estado-deve-inter-
vir-no-processo-economico>. Acesso em: 15 fev. 2017.
RIBEIRO, Renato Janine. Hobbes: o medo e a esperança. In WEFFORT, Francisco (Org). Os Clássi-
cos da política: Maquiavel, Hobbes, Locke, Montesquieu e Rousseau. O Federalista, v.1, São Paulo: 
Ática, 1989.pp. 51-77. 
ROUSSEAU, Jean Jacques. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os 
homens. São Paulo: Ática, 1989. 
SMITH, Adam. A riqueza das Nações: investigação sobre a sua natureza e suas causas. 2. ed. São 
Paulo: Nova Cultural, 1985. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 14 – 
Revolução industrial e 
revoluções burguesas
Márcio Mendes da Luz
Introdução
Nesta aula estudaremos as revoluções dos séculos XVII e XVIII que ajudaram na formação 
da sociedade contemporânea. O termo “Revolução” ganhou espaço na política ao referir-se a uma 
mudança em um sistema político, cultural, econômico e/ou social. Vamos conhecê-las? Então, 
Acompanhe-nos!
Objetivos de aprendizagem:
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • Compreender a importância da Revolução Industrial e os fatores que levaram a este 
fenômeno histórico; 
 • Entender os diferentes modos de produção: doméstico, artesanal e manufatureiro;
 • Compreender a importância das revoluções burguesas.
1 Revolução Industrial
Se você der uma olhada ao redor, certamente o que irá visualizar é fruto de um longo pro-
cesso que foi a Revolução Industrial, a partir do século XVIII na Inglaterra, determinada pela evolu-
ção dos meios de produção que vinha ocorrendo desde a Antiguidade.
FIQUE ATENTO!
Os modos de produção referem-se à maneira de fabricar um produto, que varia 
conforme os séculos.
De forma geral, a produção humana passou por três processos de produção: modo artesanal, 
manufatureiro e maquinofatura. Mas qual a distinção entre eles?
 – 15 – 
TEMA 2
Quadro 1 – Modos de produção e suas características
Meio de produção Artesanal Manufatura Maquinofatura
Características
Um dos meios mais 
antigos surgiu na An-
tiguidade e é quando 
apenas uma pessoa 
detém todas etapas de 
produção. 
Do latim “feito à mão”, sur-
giu no final da Idade Média 
com o Renascimento Co-
mercial. Diferencia-se do 
artesanal devido à divisão 
de tarefas. 
Surgiu no século XVIII, 
mantém a divisão de 
tarefas, mas agora temos a 
introdução das máquinas. 
É o modo de produção da 
Revolução Industrial.
Fonte: elaborado pelo autor, adaptado de Adam Smith, 1778.
Com a mudança nos meios de produção, a Revolução Industrial afetou a vida dos trabalhado-
res. Suas condições de moradia, trabalho e saúde degradaram rapidamente, enquanto a burguesia 
industrial lucrava cada vez mais. O cenário social da época era marcado por baixos salários, con-
dições insalubres, exploração do trabalho infantil e nenhum direito trabalhista.
Figura 1 – Modo de produção industrial inglês
Fonte: Everett Historical/Shutterstock.com.
A seguir, vejamos outra importante revolução histórica para a Inglaterra.
2 Revolução Puritana
A Guerra Civil Inglesa, conhecida como Revolução Puritana, ocorreu entre 1642 e 1649 como 
resultado do longo processo de conflito entre o Rei e o Parlamento - a Câmera dos Comuns.
O conflito entre as duas instituições (Coroa e Parlamento) tinha características políticas, reli-
giosas e sociais. Do ponto de vista político, a condução do Império Inglês iniciava sua expansão 
com a colonização das Treze Colônias na América; da perspectiva religiosa, era o conflito entre os 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 16 – 
reis católicos que contavam com apoio da nobreza anglicana e os representantes da câmera dos 
comuns puritanos e sociais - nobreza e burgueses.
FIQUE ATENTO!
Hoje, na Inglaterra, há a Câmara dos Comuns e a Câmara dos Lordes, que podem 
ser comparadas com a de deputados e senadores para a nossa realidade.
Por não concordar com a interferência do Parlamento, o Rei Carlos I mandou fechar o Parla-
mento (1629) sem previsão de reabertura. Quando chamou o Parlamento novamente para resolver 
um conflito na Escócia (1641), a Câmara dos Comuns exigiu respeito ao Parlamento, o que foi 
nega do pelo monarca, iniciando o conflito. Após sete anos de embate, ele chegou ao fim após a 
prisão e a decapitação do rei. 
A burguesia chegou ao poder e controlou os destinos políticos e econômicos de uma nação. 
Ficou no poder entre 1649 e 1659, e Oliver Cromwell era o líder. Após a sua morte e inaptidão do 
filho Ricardo, o Parlamento aceitou o retorno da monarquia desde que o novo rei, Carlos II, respei-
tasse as suas decisões.
SAIBA MAIS!
O período entre 1649 e 1659, quando Oliver e Richard Cromwell ficaram no poder, 
foi o único período na história inglesa sem monarquia. Leia mais: <http://ler.letras.
up.pt/uploads/ficheiros/1671.pdf>.
Não bastando o que representou a Revolução Puritana, a Inglaterra ainda foi palco de mais 
um conflito: a Revolução Gloriosa. 
3 Revolução Gloriosa
Também ocorrida no século XVII, podemos afirmar que esta revolução foi a complementação 
da anterior. Após a morte de Carlos II e sem herdeiros, o seu irmão mais novo, James II, assumiu 
o trono inglês, o qual contrariou o Parlamento ao não renunciar da fé católica. Em um momento 
após a Reforma Protestante e a Guerra dos Trinta Anos, a existência de um rei católico em um país 
protestante poderia ser um risco à soberania. 
O monarca vinha constantemente desrespeitando o Parlamento e suas decisões. Para evitar 
outro conflito sangrento em 1688, o Parlamento decidiu depor o rei e chamou para seu lugar o 
seu sobrinho e genro Guilherme III de Orange, que era anglicano, e exigiu que assinasse a Lei de 
Direitos (Bill of Rights), a qual retirou totalmente o poder real e o entregou ao Parlamento e seu 
representante, o primeiro-ministro. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 17 – 
A Inglaterra foi o primeiro país a adotar a Monarquia parlamentarista e isto serviu de exemplo 
à burguesia dos demais países, pois agora controlava um país politicamente e, assim, poderia 
fazer leis que atendessem aos seus interesses econômicos. 
EXEMPLO
Assim como a Inglaterra, Espanha, Bélgica, Holanda, Noruega, Suécia, Dinamarca, 
Tailândia e Japão são exemplo de Monarquias parlamentaristas na atualidade.
O controle burguês na política inglesa permitiu a Revolução Industrial no século XIX e tornou 
a Inglaterra uma potência econômica, que dominou um terço de todo território mundial no início 
do século XX, influenciando o mundo inteiro com sua cultura e costumes.
4 Independência das 13 Colônias
No final do século XVI, na dinastia Tudor, quando buscavam uma passagempelo Noroeste 
para chegar às Índias e, assim, fazer o comércio de especiarias, os ingleses descobriram terras na 
América do Norte. Foram criadas as Treze Colônias, hoje Estados Unidos, divididas de acordo com 
sua localização geográfica:
 • norte– New Hampshire, Massachusetts, Rhode Island, Connecticut; 
 • centrais– Nova Iorque, Nova Jersey, Pensilvânia, Delaware; 
 • sul– Maryland, Virgínia, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Geórgia.
Figura 2 – Mapa das 13 Colônias
Fonte: I. Pilon/Shutterstock.com.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 18 – 
Com exceção das colônias do Sul, as do Norte e Centrais não interessaram à Inglaterra 
devido ao clima parecido ao da metrópole. Isso significava que teriam produtos parecidos com os 
que eram obtidos na Inglaterra. As províncias do Sul foram mais exploradas em virtude do algodão, 
cana-de-açúcar e tabaco. 
Porém, a situação mudou após a Guerra dos Sete Anos (1756 – 1763), que reuniu duas for-
ças antagônicas, lideradas por Inglaterra e França, e resultou na vitória inglesa. Apesar da vitória, 
devido à extensão do conflito, a Inglaterra teve gastos exorbitantes e precisava repor os custos da 
guerra. Então, o Parlamento inglês decidiu cobrar taxas dos colonos na América, representadas 
pela Lei do Selo, Lei do Chá, Lei do Açúcar. Com isso, aumentou a repressão sobre os colonos. 
As lideranças coloniais, muitos dos quais seguidores da filosofia iluminista, questionaram o 
domínio inglês na América. Criticando, principalmente, a intervenção inglesa na economia ame-
ricana, por meio da repressão (atos intoleráveis), desejam a liberdade política. Por isso, em 4 de 
julho de 1776, na Filadélfia, as lideranças coloniais declararam a Independência das 13 Colônias. 
O conflito aconteceu entre 1776 e 1783, terminando com a vitória americana, com ajuda do 
exército francês e a assinatura do Tratado de Paris, em que a Inglaterra reconheceu a indepen-
dência. Em 1787, foi aprovada a Constituição Americana, claramente iluminista, isto é, a divisão 
tripartite do seu governo, a existência de um Estado Mínimo e o direito inviolável da liberdade de 
seus cidadãos. 
FIQUE ATENTO!
No Brasil, a constituição de inspiração iluminista só veio após a Proclamação da 
República, em 1889. Já a nossa Constituição é de 1988.
O governo americano dos Estados Unidos é considerado capitalista liberal, de Estado Mínimo, 
isto é, ele não interfere tanto nas questões econômicas, promovendo relações econômicas mais 
livres, deixando mais livre a própria iniciativa privada. 
EXEMPLO
No Brasil não há o Estado Mínimo, pois o governo garante serviços para a popula-
ção, como saúde e educação pública, por meio dos impostos. Mas, por ser também 
um país de tendência liberal, as relações comerciais se tornem cada vez mais autô-
nomas com relação ao Estado.
A importância do processo de independência das 13 Colônias está no fato de ser o primeiro 
país com uma constituição iluminista, a qual será exemplo a ser seguido por quase todas as ex-co-
lônias americanas, repúblicas e monarquias parlamentaristas na Europa. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 19 – 
5 Revolução Francesa
Nos séculos XVII e XVIII, a França era considerada o país onde o absolutismo foi exercido de 
forma plena, isto é, onde os reis governavam absolutos. Mas no governo de Luís XVI, a situação 
econômica na França deteriorou-se muito. Para piorar, a seca de 1787 e 1790 ocasionou fome na 
população camponesa.
Além disso, o sistema tributário francês ainda mantinha as características medievais de pri-
vilegiar os nobres com isenção fiscal e com salários pagos pela Coroa e direitos à propriedade, 
mesmo que improdutivas. Em 1789, a situação da economia francesa beirava o colapso. Para 
evitar a ruína, o rei francês convocou, após 150 anos, a Assembleia dos Estados Gerais, a qual era 
composta por três Estados: 1º Estado – Clero; 2º Estado – Nobreza; e 3º Estado – burgueses e 
trabalhadores. Estes três Estados deveriam auxiliar o rei a superar a crise econômica. 
O 3º Estado propôs tributar o 1º e o 2º Estado, que detinham grande parte da renda e dos 
gastos do governo francês. No entanto, estes Estados contestarama ideia e tiveram o apoio do Rei. 
Devido à impossibilidade de reverter a situação, o 3º Estado, com o apoio da população, iniciou 
uma revolta contra a Coroa francesa, que resultou na Revolução Francesa, a qual durou, oficial-
mente, de 1789 a 1799.
Figura 3 – Tomada da Bastilha
Fonte: Everett Historical/Shutterstock.com.
A Revolução Francesa foi marcante, pois o Iluminismo foi posto em prática sem restrição. 
Criou-se uma constituição que abolia os privilégios da nobreza, dividia os poderes, separava Estado 
e Igreja, dava a liberdade econômica, de expressão e política para a população. Nosso destaque 
é para a Declaração dos Diretos do Homem e do cidadão em 1789, que reconhecia a todos como 
cidadãos, assim como assegurava seus direitos. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
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SAIBA MAIS!
Para conhecer mais sobre esta revolução, sugerimos a leitura do artigo “A Revolução 
Francesa e seu eco”, de Michel Vovelle, disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141989000200003&lng=pt&nrm=iso>.
A Revolução Francesa foi importante, pois ao abolir a monarquia no país símbolo do Absolu-
tismo, a burguesia demonstrou que poderia subir ao poder e, com isso, garantir aquilo que ela con-
sidera seus direitos: liberdade (econômica e de expressão), igualdade (de direitos) e fraternidade 
(tolerância entre todos os cidadãos), palavras que compunham o lema da revolução.
Fechamento
Chegamos ao fim desta aula sobre as principais revoluções que ocorreram nos séculos XVII 
e XVIII. Nesta aula, você teve a oportunidade de:
 • compreender a importância da Revolução Industrial e os fatores que levaram a este 
fenômeno;
 • entender os diferentes modos de produção: doméstico, artesanal e manufatureiro;
 • compreender a importância das revoluções burguesas.
Referências
BRAUDEL, Fernand. Civilização Material, Economia e Capitalismo: SéculosXV – XVIII.São Pau-
lo:Martins Fontes, 1995.
FERREIRA, J.Carlos Viana. Cromwell: Puritanismo, providencialismo e pragmatismo. Disponível 
em: <http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/1671.pdf>. Acesso em: 12 fev. 2017.
KARNAL, Leandro et al. História dos Estados Unidos: das origens ao século XXI.São Paulo:Con-
texto, 2007.
THOMPSON, Edward Palmer. A Formação da Classe Operária Inglesa. Rio de Janeiro:Paz e Terra, 
1987. 
VOVELLE, Michel. A Revolução Francesa e seu eco. Estud. av., São Paulo, v. 3, n. 6, p. 25-45, ago. 
1989. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-401419890 
00200003&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 07 fev. 2017.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 21 – 
Burgueses e proletários
Adriana Duarte de Souza Carvalho da Silva
Introdução
No século XIX, início da sociedade contemporânea, antes restrita à Inglaterra, a industrializa-
ção espalhou-se ao restante do continente europeu e, mais tarde, também chegou nos Estados 
Unidos e Japão. Mas não veremos somente prosperidade nessa relação, há também tensão entre 
operários e patrões que irá se expressar no campo político e social. Este será o tema desta aula. 
Vamos começar?
Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • compreender a formação social dos séculos XIX e XX;
 • conhecer as relações sociais que moldaram as revoltas e revoluções sociais no século 
XIX e início do século XX.
1 Operários e patrões no século XIX
No século XIX, a relação entre patrões e empregados ficaram mais tensas devido ao aumento 
de exploração. Com a industrialização e a demanda por mão de obra que as fábricas exigem, 
milhões de pessoas deixaram o campo para viver nas cidades. Resumindo: deixam de ser campo-
neses e passam a ser operários, também conhecidos como proletários (THOMPSON, 1987). 
Perceba que as condições de trabalho do campo para a indústria são totalmente diferentes. 
Como? No campo, o tempo da natureza l dita o ritmo de trabalho, ouseja, trabalha-se enquanto houver 
sol. Se está chovendo, então, não há trabalho; há folga nos dias santos; e podem produzir o que irão se 
alimentar. Na cidade, ao trabalhar em uma indústria, é o relógio quem dita o ritmo, não importa se está 
chovendo ou escuro: o ambiente fechado e a eletricidade permitem que a linha de montagem nunca 
pare de segunda à sábado. As condições de vida fora das fábricas não eram melhores. O péssimo 
salário apenas permitia aos operários viverem em moradias em condições insalubres. 
Enquanto isso, a classe burguesa continuava a prosperar, impondo à sociedade seu modo 
de vida e hegemonia cultural. No entanto, saiba que nem todos aceitaram essas condições e foi 
assim que começaram a se organizar para combater esta exploração.
 – 22 – 
TEMA 3
2 Revolta de operários: Ludismo
Uma das primeiras reações à exploração que os operários viviam foi o Ludismo. O nome 
deriva do líder do movimento Ned Ludd que, junto de outros operários, era contrário ao intenso 
processo de industrialização. Segundo eles, as máquinas retiravam o seu trabalho.
Figura 1 – Quebra de Máquinas, ação típica do Ludismo 
Fonte: anthonycz/Shutterstock.com.
Com isso, em 1811, os operários passaram a quebrar as máquinas. Em virtude disso, os 
industriais pressionaram o Parlamento para criar leis mais duras para quem participasse do movi-
mento (THOMPSON, 1987). Dezenas de fábricas tiveram máquinas quebradas ou incendiadas. 
Muitos participantes do movimento foram mortos ou enviados às colônias e o destino de seu líder 
desconhecido. Mas é fato que o movimento se espalhou a outros países da Europa.
3 Movimento Sindical
O sindicato é uma organização criada para defender os interesses da classe trabalhadora. 
Apesar de na Idade Média serem criadas as corporações de ofício com a finalidade de defender os 
interesses de certa classe de artesão, o sindicato, como conhecemos hoje, surgiu com a intensifi-
cação da industrialização no século XIX. 
FIQUE ATENTO!
Com a organização dos sindicatos ingleses, surge o esporte preferido da classe 
operária: o futebol e os primeiros times ingleses.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 23 – 
Com o fracasso de reações violentas à exploração dos patrões, os trabalhadores europeus, 
principalmente os ingleses, resolveram organizar associações que os representariam na luta con-
tra a opressão. Os primeiros sindicatos modernos surgem na Inglaterra em 1824 e, por volta da 
década de 1870, ganham o formato que conhecemos hoje.
Figura 2 – Trabalhadores unidos
Fonte: Andrey_Popov/Shutterstock.com.
Os sindicatos lutavam por melhores condições de trabalho, como diminuição da jornada 
diária, o aumento de salário, e o direito de voto masculino não censitário. Quando o parlamento 
recusou os pedidos, consequentemente vieram as greves e manifestações por toda a Inglaterra. 
Os direitos trabalhistas só foram plenamente assegurados graças à atuação dos sindicatos no 
final do século XIX e início do século XX, quando as instituições estavam melhor organizadas 
(THOMPSON, 1987). 
SAIBA MAIS!
A atuação do sindicato ainda é importante hoje, pois estes órgãos asseguram 
os direitos dos trabalhadores. Leia mais sobre o assunto em: <http://www.
dominiopublico.gov.br/download/teste/arqs/cp067640.pdf>.
Tendo em vista todas essas mudanças na estrutura da sociedade, principalmente no que se 
refere à classe operária, vejamos o que estes eventos ocasionaram no cenário político.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 24 – 
4 Política século XIX: Capitalismo Liberal, Socialismo 
e Anarquismo
A Europa e a América do século XIX viram o surgimento do Capitalismo Liberal e seus anta-
gonistas políticos: o Socialismo e o Anarquismo. Mas quais as características de cada um deles 
afinal? Vejamos a seguir.
O Capitalismo Liberal atendia aos interesses da burguesia industrial, pois acabava com a 
distinção jurídica entre nobreza e os outros súditos comuns. Além disso, não permitia qualquer 
interferência estatal na economia, possibilitando autonomia às indústrias em suas decisões e o 
poder pelo Parlamento, controlado por eles. Mas não assegurou a igualdade social, fazendo com 
que o proletariado ficasse submisso e explorado pela burguesia industrial. (HOBSBAWM, 2009)
Por outro lado, a corrente política do Socialismo surgiu na primeira metade do século XIX, 
como uma reação ao Capitalismo Liberal. Os teóricos desta fase eram chamados de utópicos e 
propunham a criação de uma sociedade igualitária, sem exploração econômica. Ao final da pri-
meira metade do século XIX surgiram os socialistas científicos. Eles propunham analisar a socie-
dade em seus aspectos históricos e filosóficos e não apenas por meio dos ideais de justiça social. 
FIQUE ATENTO!
Os países socialistas que surgem no século XX vão se inspirar no Socialismo Cien-
tífico de Karl Marx e Friedrich Engels.
Por fim, o Anarquismo que ao contrário do Socialismo, enxergava a adoção de um Estado 
como um dos elementos de dominação e exploração sobre o trabalhador. O Anarquismo é sus-
tentado sob três pilares: crítica à dominação, defesa da auto-gestão e coerência na transformação 
social. Devido à dificuldade em assimilar suas ideias, o Anarquismo teve pouca repercussão entre 
a classe trabalhadora europeia, já que eram vistos como radicais (BEER, 2006). 
Agora que tivemos uma ideia geral do que foi a política no século XIX, acompanhe-nos para 
conhecer as revoluções ocorridas na sequência.
5 Revoluções: 1830, 1848, 1870 e 1917
1830
Após o fim da Era Napoleônica no Congresso de Viena, a família Bourbon retornou ao poder 
na França com os Reis Luís XVIII e Carlos X, irmãos mais novos de Luís XVI. O primeiro monarca 
realizou um governo de respeito à burguesia francesa, com medo de reviver as tensões da Revolu-
ção de 1789, mas o segundo quis reviver a monarquia absolutista de tempos anteriores. 
Após as Ordenações de Julho, as quais tinham a intenção de aumentar o poder absolutista 
do Rei, a burguesia e a população de Paris novamente a se revoltam contra o Rei. Temendo ter o 
mesmo fim de seu irmão mais velho em 1789, Carlos X renuncia ao poder e parte ao exílio na Ingla-
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 25 – 
terra. E quem fica em seu lugar? Seu primo distante Luís Felipe de Orleans o qual será conhecido 
como o “Rei Burguês” por favorecer a política burguesa (HOBSBAWM, 2009).
Figura 3 – Liberdade guiando o povo
Fonte: Oleg Golovnev/Shutterstok.com
1848
Conhecida como a “Primavera dos Povos”, a classe trabalhadora de Paris revolta-se contra 
a exploração da burguesia industrial e o amparo que o Estado francês dá a esta exploração sob o 
governo do Rei Burguês. Centena de milhares de trabalhadores tomam o centro de Paris e exigem 
a deposição do Rei e políticas públicas de apoio aos trabalhadores. Mesmo com a reação violenta, 
o apoio popular à causa apenas aumentou, restando ao Rei apenas abdicar ao trono.
Com isso, nasce a Segunda República Francesa (1848 – 1852), criada a partir da aliança 
da grande e pequena burguesia e socialistas. Tensões internas entre os grupos levaram a mais 
agitações sociais e conflitos abertos nas ruas de Paris. Nas eleições de novembro de 1848, o can-
didato dos trabalhadores ganhou: Luís Napoleão Bonaparte, sobrinho de Napoleão I (HOBSBAWM, 
2009). Luis Napoleão Bonaparte assumiu a presidência com o apoio dos trabalhadores franceses 
e depois os traiu ao declarar o 2º Império.
FIQUE ATENTO!
Marx e Engels participam da “Primavera dos Povos” e, a partir dessa experiência, 
escrevem o “Manifesto do Partido Comunista”.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 26 – 
Luís Napoleão deveria entregar o cargo de presidente em 1852, mas, assim como tio, articu-
lou um golpe e conseguiu acabar com a Segunda República e proclamar-se imperador dos fran-
ceses sob o título de Napoleão III. Este tipo de golpe também repercutiu em outros países, como 
Prússia, Áustria, Piemonte e Brasil.
EXEMPLO
No Brasil, a “Primavera dos Povos” vai inspirar a Revolta Praieira no Recife, em que 
grupos locais lutavam contraa monarquia e o controle político da família Cavalcante.
1871
Com a derrota francesa na Guerra Franco-Prussiana, houve a queda do imperador Napoleão 
III e a adoção da Terceira República Francesa. Durante a negociação de termos de rendição, a 
população de Paris, sob a liderança da Guarda Nacional, queria resistir à invasão prússica. Com 
isso, declaram independência política do governo francês e criam a Comuna de Paris.
SAIBA MAIS!
A Primeira República Francesa surgiu durante a Revolução Francesa. Para saber 
mais sobre este evento, leia o artigo “A Revolução Francesa e seu eco”, de Michel 
Vovelle, disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ea/v3n6/v3n6a03.pdf>.
De inspiração socialista, suas lideranças fazem uma série de reformas com o intuito de melho-
rar as condições de vida dos trabalhadores parisienses, como a redução da jornada de trabalho, 
o aumento dos salários, a igualdade de gênero e a autogestão fabril. Alguns teóricos consideram 
que a Comuna de Paris foi a primeira experiência socialista conscientemente política na Europa. 
Após de consolidar a paz com o recém-criado Estado Alemão, herdeiro da Prússia, o governo 
francês, sob a liderança de Thiers, ataca e massacra a Comuna de Paris, restabelecendo a autori-
dade da Terceira República na capital (HOBSBAWM, 2009).
1917 
O historiador Eric Hobsbawm, define que o século XIX histórico perdurou até os anos da Pri-
meira Guerra Mundial (1914 – 1918), pois a sociedade europeia manteve os mesmos costumes e 
hábitos até este evento. A Revolução Russa de 1917 é um desses exemplos.
Considerada a primeira Revolução Socialista a perdurar na História, contrariando Marx, ocor-
reu em um país agrário, com poucos centros urbanos industrializados e uma classe operária 
pequena, que vivia sob o governo absoluto opressor do Czar (imperador) Nicolau II. Apesar de 
avanços políticos nas Revoltas de 1905, a opressão do Czar ainda era grande. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 27 – 
EXEMPLO
O governo socialista que se instaura dará origem à União das Repúblicas Socialis-
tas Soviéticas (URSS), que durará de 1917 a 1991.
Figura 4 – Bandeira Soviética
Fonte:patrice6000/Shutterstock.com.
Sob a liderança de Vladimir Lênin, operários de Moscou e Petrogrado, com o apoio dos cam-
poneses, derrubam o governo liberal, o qual substitui o governo czarista, em fevereiro daquele ano, 
e deu início ao governo socialista (HOBSBAWM, 2009). 
Fechamento
O século XIX na Europa e na América foi moldado sob tensão entre a classe burguesa indus-
trial e os operários. Neste contexto, surgiram teorias políticas, revoltas a resoluções em 1848, 1871 
e 1917.
Nesta aula, você teve a oportunidade de:
 • compreender a formação social dos séculos XIX e XX;
 • conhecer as relações sociais que moldaram as revoltas e revoluções sociais no século 
XIX e início do século XX.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 28 – 
Referências
BEER, Max. História do Socialismo e das lutas sociais.São Paulo:Expressão Popular, 2006. 
HOBSBAWM, Eric J. A Era das Revoluções. São Paulo: Paz e Terra, 2009. 
SANTOS, Daniel Moita, Flexibilização da Norma Trabalhista no Brasil, Universidade de Caxias do 
Sul, 2005. 
THOMPSOM, Edward P. A formação da classe operária inglesa: a árvore da liberdade. Rio de 
Janeiro: Ed. Paz e Terra, 1987.
VOVELLE, Michel, A Revolução Francesa e seu eco, Estud. av., São Paulo, v. 3, n. 6, p. 25-45, Ago. 
1989. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ea/v3n6/v3n6a03.pdf>. Acesso em: 15 fev. 2017.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 29 – 
Émile Durkheim
Márcio Mendes da Luz
Introdução
Nesta aula, vamos analisar a obra do teórico Émile Durkheim e sua contribuição no surgi-
mento da Sociologia, que nasceu da necessidade de o homem compreender as mudanças da 
sociedade, o conflito entre a modernidade e a tradição. 
Vamos começar? Então, acompanhe-nos e bonsestudos! 
Objetivos de aprendizagem:
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • Entender a formação da sociologia na sociedade industrial. 
1 O surgimento da Sociologia 
A Sociologia é considerada como a mais nova de todas as Ciências Humanas (ARON,2007), 
surgindo no século XIX como consequência da industrialização, que transformava a sociedade e 
afetava as pessoas em seus aspectos econômicos, culturais e sociais. Mas o que é a Sociologia? É 
a ciência que analisa o ser humano em sua coletividade. Ou seja, neste tipo de estudo, analisamos 
os fenômenos sociais e a interação dos seres humanos com seu ambiente social.
Figura 1 – Sociedade e interação 
Fonte: tattoostock/Shutterstock.com.
Mas não há um consenso sobre a origem da Sociologia. Por quê? Alguns consideram que 
Montesquieu seja seu criador, enquanto que outros consideram Auguste Comte, por ter sido o pri-
meiro a utilizar o termo Sociologie. Para ele, deveria haver uma ciência que conseguisse analisar a 
 – 30 – 
TEMA 4
interação do ser humano com seus pares (na raiz da palavra: socio – coletividade, logos – ciência). 
No entanto, a contribuição de Emile Durkheim foi fundamental para a construção da Sociologia.
Perceba que a Sociologia surgiu como uma curiosidade de teóricos de entender as mudan-
ças que ocorriam na sociedade após a Revolução Francesa e Industrial. Lembre-se de que esses 
dois eventos permitiram a ascensão política da burguesia e consolidação do controle econômico 
com o nascimento do capitalismo industrial do século XIX.
FIQUE ATENTO!
A burguesia saiu da condição de classe subalterna para a condição de classe domi-
nante econômica e politicamente após estes dois eventos.
Essas mudanças ocorridas nos campos político e econômico afetaram diretamente o campo 
social. Por qual o motivo? O crescimento da urbanização com o êxodo rural aumentou o número 
de operários e acentuou a distinção social entre burgueses e operários. Consequentemente, gerou 
inúmeros conflitos entre as classes sociais. Essas mudanças acarretaram uma transformação 
brusca de comportamento social e, consequentemente, uma série de contrastes. A partir daquele 
momento, a sociedade estava em constante conflito entre a tradição e a modernidade.
FIQUE ATENTO!
Para Durkheim, estes conflitos sociais eram fruto da anomia e precisavam ser estu-
dados e combatidos para a manutenção da sociedade em seu ritmo normal.
A Sociologia desenvolveu-se na Europa com o intuito de compreender essas mudanças 
sociais. Como marco inicial, podemos destacar a criação por Durkheim do departamento de Socio-
logia da Universidade de Bordeauxe a sua dissociação da Psicologia e Filosofia (ARON, 2007). 
SAIBA MAIS!
Para mais informações sobre Durkheim e sua teoria sobre Sociologia, leia o texto 
disponível em: <http://wp.ufpel.edu.br/franciscovargas/files/2014/03/A-sociologia-
de-%C3%89mile-Durkheim.pdf>.
Hoje, a Sociologia é uma das principais ciências humanas, auxiliando no desenvolvimento 
do raciocínio crítico e na percepção da realidade e da sociedade onde vivemos, para que assim 
possamos interferir nela de forma consciente e solidária. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 31 – 
2 Objeto de Estudo Sociológico – Os Fatos Sociais
Para compreender melhor a construção do conhecimento humano, podemos dizer que ele 
passa por fases. A primeira é conhecida como pensamento mítico e foi dominante no período em 
que a sociedade humana desconhecia as razões de fenômenos naturais e isto era um mistério, 
logo, responsabilizava as divindades e seres sobrenaturais por esses acontecimentos (ISRAEL, 
2009). Posteriormente, em busca de uma explicação mais lógica, foi desenvolvido o pensamento 
filosófico. Sobre o que ele trata? Isto ocorreu porque a sociedade humana estava em um desenvol-
vimento social e político mais complexo, como a democracia ateniense. Somente no século XVIII, 
com a descoberta e formulação da teoria da gravidade de Isaac Newton, podemos afirmar que a 
sociedade ocidental entrou no pensamento científico (KHUN, 2001). 
O que seria o pensamento científico relacionado às ciências naturais? Podemos defini-lo 
assim, pois segue o seguinte método de análise: problematização– hipótese – análise – experi-
mentação – comprovação – para tornar-se uma lei (KHUN, 2001). Por exemplo: a 1ª Lei de New-
ton, a Lei de Lavoisier etc. Portanto, a ciência que surgiu a partir do século XVIII se diferencia das 
demais, pois há uma metodologia de análise.
Figura 2 – Isaac Newton e a macieira: ele formula a teoria da gravidade, 
após supostamente uma maçã cair em seu colo 
Fonte: bilhagolan/Shutterstock.com.
No século XIX, o que antes era restrito às Ciências da Natureza foi ampliado para Ciências 
Humanas pela Escola Alemã de Ciências Humanas sob a influência de filósofos e teóricos que, 
posteriormente, contribuíram para a formação da Escola Metódica Positivista, que também seria 
referência para Emile Durkheim. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 32 – 
SAIBA MAIS!
A escola alemã (ou prussiana) e seus adeptos irão influenciar todas as ciências 
sociais no século XIX: além da Sociologia, também inspiram a História, a Geografia, 
a Filosofia, a Política e a Antropologia. Saiba mais sobre o assunto no artigo 
disponível em:< https://www.revistas.ufg.br/teoria/article/view/28629>.
E o que vem a ser o Fato Social? Para Durkheim (2012), seria o objeto de estudo da Sociologia: 
as maneiras de agir, de pensar dos indivíduos dentro de uma norma social vigente na sociedade 
onde habita. Alguns são informalmente definidos pelo senso comum como valores, hábitos e cos-
tumes. O método sociológico de Durkheim determina que o objeto de estudo seja tomado como 
“coisa”, para assegurar a imparcialidade e a objetividade do pesquisador.
Podemos dividir as características dos Fatos sociais em três tipos (DURKHEIM, 2012). Acom-
panhe quais são eles no quadro a seguir.
Quadro 1 – Os Fatos Sociais segundo Durkheim
Coercitividade
São imposições de uma norma social que obrigam o indivíduo a ter certo padrão 
de comportamento. Podemos citar como exemplo o ato de vestir-se em nossa 
sociedade como um comportamento padrão obrigatório. 
Exterioridade
São hábitos exteriores aos indivíduos, que já estão vigentes em nossa sociedade 
e que são, posteriormente, apropriados pelo indivíduo. Por exemplo, as normas 
sociais de etiqueta. 
Generalidade
São costumes que estão generalizados nas sociedades, que definem não apenas 
o comportamento do indivíduo, como também da coletividade onde vive. Por 
exemplo, os rituais religiosos.
Fonte: Elaborado pelo autor, adaptado de Durkheim, 2012.
Por isso, perceba que todo o sistema de educação, seja ela formal ou informal, institucional 
ou familiar, consiste em passar fatos sociais às crianças para adequá-las às normas sociais em 
que vivemos. 
3 A Solidariedade orgânica e mecânica
Segundo a Sociologia (DURKHEIM, 2012), a vida em sociedade faz com que os seus indivíduos 
vivam conectados uns aos outros de forma harmônica. E essa ligação harmônica é denominada 
solidariedade. Saiba que sua função é manter intacta a coesão do grupo social e seus indivíduos.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 33 – 
Figura 3 – Coesão e solidariedade
Fonte: PHOTOCREO Michal Bednarek/Shutterstock.com.
Além disso, Durkheim (2012) definiu o termo solidariedade em dois conceitos distintos: Soli-
dariedade Mecânica e Orgânica. Vejamos o que seria cada um deles?
A Solidariedade Mecânica é comum em sociedades primitivas pré-industriais. Com pouco 
espaço para divergências e com um padrão social rígido, nessas sociedades há uma grande homo-
geneidade social e cultural pautada pela religião e o senso comum. Este tipo de solidariedade é 
pautado pela semelhança que há entre os indivíduos.
EXEMPLO
As sociedades teocráticas da América Pré-colombiana possuíam uma solidarie-
dade mecânica quando auxiliavam seus pares, mas atacavam os povos vizinhos 
diferentes para sacrifícios ritualísticos.
Por outro lado, a Solidariedade Orgânica é aquela em que, conforme há a industrialização e a 
divisão social do trabalho, cria-se uma interdependência entre pessoas e cresce a individualidade 
de suas consciências. A coercitividade das sociedades primitivas dá lugar ao código legislativo 
que reforça os conceitos de justiça, liberdade e fraternidade. Então, agora, o que une as pessoas 
não é mais uma consciência coletiva repressora, mas sim interesses em comum com base em um 
código de regras e moral próprios. 
FIQUE ATENTO!
O Iluminismo e a Revolução Francesa possibilitaram a consolidação da Solidarieda-
de Orgânica em nossa sociedade.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 34 – 
Segundo Durkheim, a sociedade capitalista e a divisão social de trabalho que dela decorreu 
permitiu que os indivíduos pudessem viver uma Solidariedade Orgânica devido à criação de uma 
sociedade com base em direitos e deveres. Os seus componentes aceitam o papel que lhes cabe, 
desde que sejam atendidos por uma ordem social e justiça. 
Mas nem sempre a divisão social do trabalho ocorre como deveria, do contrário, pode resultar 
na desintegração social e enfraquecimento da consciência coletiva, que o autor nomeia de ano-
mia. E este assunto será melhor estudado a seguir. 
4 A anomia
Segundo Durkheim (2012), a anomia é um estágio em que há uma desintegração social, oca-
sionando um enfraquecimento da consciência coletiva. A anomia pode atingir um indivíduo ou 
até mesmo um grupo que passa a ser influenciado negativamente por ela, fazendo com que os 
integrantes comecem a agir de forma patológica socialmente, ocasionando comportamentos que 
fogem às normas sociais. 
O conceito desenvolvido por Durkheim será posteriormente também trabalhado por Robert K. 
Merton (ARON, 2007), o qual define que a anomia se intensifica a partir do momento em que o indiví-
duo abandona as normas sociais estabelecidas para satisfazer seus desejos e impulsos. Isso ocorre 
porque há uma dissociação entre as expectativas do indivíduo e os seus métodos de realização. 
O comportamento anômico ocorre quando não há um suporte social ao indivíduo ou ao grupo 
em que ele pertence, resultando em comportamentos sociais que fogem das normas estabeleci-
das. Este comportamento pode manifestar-se por meio de uma situação de coerção ou ausente 
de qualquer tipo de regulação (DURKHEIM, 2012).
EXEMPLO
O conceito de anomia pode explicar o que vemos em bairros periféricos, quando 
os índices de violência são maiores, pois a presença do Estado (saúde, segurança, 
educação) é menor que nos bairros mais centrais. Este é um conceito importante 
para pensarmos sobre a ausência de regras sociais e suas conseqüências para a 
manutenção e o funcionamento dos grupos. 
O conceito de anomia em Durkheim e Merton será, posteriormente, argumento de explicação 
do motivo pelo qual determinados grupos são mais expostos a comportamentos não condizentes 
com as normas sociais que outros. A crítica a estes estudos é que eles ocultam a existência de 
uma opressão hegemônica de certos grupos sociais, os quais estabelecem certas normas em 
detrimento dos demais grupos. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 35 – 
Fechamento
Chegamos ao fim desta aula sobre Émile Durkheim. Vimos que seus estudos contribuíram 
para a Sociologia e aprendemos a sua relevância para compreender a sociedade contemporânea. 
Nesta aula, você teve a oportunidade de:
 • entender a formação da Sociologia na sociedade industrial.
Referências
ARON, Raymond. Etapas do Pensamento Sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 2007. 
BENTIVOGLIO, Júlio. Cultura Política e Historiografia alemã no século XIX: A Escola Histórica Prus-
siana e Historische Zeitschrift, Revista Teoria de História, Goiânia, a. 1, v. 3, Jun. 2010, p. 20-58. 
Disponível em: <https://www.revistas.ufg.br/teoria/article/view/28629/16070>. Acesso em: 15 fev. 
2017.
DURKHEIM, Émile. A Divisão Social do Trabalho. São Paulo:Martins Fontes, 2012. 
ISRAEL, Jonathan. Iluminismo radical – A filosofia e a construção da modernidade. São Paulo: 
Madras, 2009. 
KHUN, Thomas. Estrutura das revoluções científicas. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 2001.
VARGAS, Francisco E.B. A Sociologia de Emile Durkheim (1858 -1917). Pelotas, abr. 2015. Dis-
ponívelem: <http://wp.ufpel.edu.br/franciscovargas/files/2014/03/A-sociologia-de-%C3%89mile-
-Durkheim.pdf>. Acesso em: 09 fev. 2017.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 36 – 
Karl marx
Márcio Mendes da Luz
Introdução
Neste tema, vamos estudar alguns aspectos sobre a vida e a obra do filósofo socialista do 
século XIX: Karl Marx (1818 – 1883), considerado um dos maiores filósofos e pensadores do seu 
tempo. Ao aprofundar seus estudos, Marx criou o Socialismo Científico ou Marxismo, o qual influen-
ciaria os regimes socialistas estabelecidos no século XX. Nesta aula, vamos abordar alguns conceitos 
elaborados por Marx, como luta de classes e materialismo histórico; mais-valia; planificação social e 
sociedade comunista. Vamos começar?
Objetivos de aprendizagem:
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • compreender a formação da sociedade industrial.
1 Burgueses e Proletários
O século XVIII foi marcado pelo início da industrialização na Inglaterra que se espalhou para 
o restante da Europa Ocidental, EUA e Japão. Consequentemente, as mudanças econômicas e de 
técnicas de cultivos no campo, junto com a grande oferta e demanda de mão de obra nas indús-
trias urbanas, atraíram um grande contingente de trabalhadores para as cidades, fazendo com os 
centros urbanos expandissem em um crescimento demográfico vertiginoso.
FIQUE ATENTO!
A industrialização também ocasionou não só a migração para as cidades, como 
a imigração intercontinental, deslocando 50 milhões de pessoas da Europa para a 
América entre 1850 e 1950.
Mas a consolidação e a ascensão política e econômica da burguesia com as revoluções do 
século XVII e XVIII fizeram com que burgueses se distanciassem de seus subalternos, aumen-
tando a exploração sobre os operários, deixando-os em péssimas condições de vida e trabalho. 
Perceba que justamente isso implicará em diversos conflitos entre operários e burgueses a partir 
do início do século XIX.
 – 37 – 
TEMA 5
Figura 1 – Operários, essenciais para a produção 
Fonte: fuyuliu/Shutterstock.com.
De acordo com o conceito materialismo histórico, os processos de mudança social são gerados 
pela realidade material dos indivíduos (MARX; ENGELS, 1848). A história de toda sociedade até hoje 
é a história da luta de classes. O mundo sempre foi dividido entre opressores e oprimidos, seja na 
Roma Antiga, seja no Feudalismo ou no Capitalismo. Neste sentido, a burguesia apenas simplificou, 
mas não eliminou os antagonismos. Ela simplificou os antagonismos porque dividiu a sociedade em 
duas classes sociais apenas: a burguesia e o proletariado. A existência de classes sustenta-se na 
exploração não só econômica, mas social, política, intelectual etc. (QUINTANEIRO, 2000).
EXEMPLO
Para os teóricos marxistas, atualmente, a luta de classes acontece nos conflitos 
sociais, tais como a luta por moradia, educação e saúde.
Marx percebeu que a luta de classes ocorria entre burgueses e proletariados e que o objetivo 
seria superar esta luta, o que ocorreria somente com a ascensão do proletariado ao poder, pois, 
assim, acabaria com a exploração burguesa. 
SAIBA MAIS!
Para conhecer a teoria de Marx e de seu companheiro Engels, leia o Manifesto 
do Partido Comunista, disponível em: <http://www.histedbr.fe.unicamp.br/acer_
fontes/acer_marx/tme_07.pdf>.
Você já deve ter ouvido falar em mais-valia ou de outras ideias marxistas, certo? Vamos 
conhecer mais uma delas? Continue conosco!
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 38 – 
2 A mais-valia
Engels, companheiro de Marx, ao analisar a situação penosa com que a classe operária vivia, 
em seu livro “As condições da classe trabalhadora inglesa”, relatou essas péssimas condições. 
Portanto, por meio de cartas e conversas, os dois desenvolveram o conceito de mais-valia, que, de 
certa maneira, já aparece no “Manifesto do Partido Comunista” (MARX; ENGELS,1848) e se conso-
lida em “O Capital” (MARX, 2004). E o que seria a mais-valia?
Segundo os autores, a mais-valia seria o ganho sobre a exploração do trabalho alheio. Resumindo: 
é o lucro que um patrão ganha sobre o trabalho de seu empregado. Mas muito além de uma explicação 
simplista, a crítica é direcionada ao fato de que este lucro é exorbitante comparado aos péssimos salá-
rios que são pagos aos trabalhadores, que não lhes permite uma condição digna de vida. 
EXEMPLO
Se um operário ganha mensalmente R$ 2.500,00 em uma fábrica de bicicletas e 
cada bicicleta sai do local para o lojista a um custo de R$ 250,00, este operário 
precisa fabricar 10 bicicletas para poder cobrir o seu provimento. Mas vamos supor 
que este operário fabrique 5 bicicletas por dia, totalizando ao final do mês, após 22 
dias úteis de trabalho a fabricação de 110 bicicletas, totalizando um faturamento à 
empresa de R$ 27.500 e ganho de R$ 25.000, ou seja, 11 vezes mais que o neces-
sário para o seu ganho mensal. Mesmo com a incidência desses gastos anterior-
mente descritos (18% de imposto, 5% de energia e água, e 23% de matéria-prima), o 
ganho do patrão ainda seria de R$ 12.350,00.
Para alguns, isso pode parecer natural, pois o patrão precisa lucrar. Aos olhos de Marx e 
Engels tal situação torna-se uma exploração, pois o patrão teve um ganho quase cinco vezes 
maior que seu empregado sem ao menos se desgastar na linha de montagem. O esforço foi todo 
do operário, mas, quem ganhou cinco vezes mais foi o burguês. 
Figura 2 – Karl Marx e o conceito da mais-valia mudaram os panoramas da história
Fonte: Everett Historical/Shutterstok.com.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 39 – 
Perceba que Marx encontra na mais-valia a origem de toda a exploração que a classe burguesa 
faz ao operariado e para negar a naturalização desta prática, declara na obra “Manuscrito Econô-
micos-Filosóficos” (MARX, 2008): “Se o trabalhador tudo produz, a ele tudo pertence”. Para Marx 
e Engels, a única forma de acabar com a exploração operária que o sistema capitalista burguês 
impunha seria oferecer o controle do poder para a classe operária, consequentemente, existiria um 
nivelamento social e, por fim, eliminaria a mais-valia e a luta de classes resultante dela.
3 A ideologia da igualdade
De acordo com Quintaneiro (2000, p. 88),
A sociedade capitalista baseia-se na ideologia da igualdade, cujo parâmetro é o mercado. 
Por um lado, o trabalhador que vende sua força de trabalho e por outro, o empregador que 
a paga com um salário. A idéia [sic] de ‘equivalência’ na troca é fundamental para a estabili-
dade da sociedade capitalista. Os homens aparecem como iguais diante da Lei, do Estado, 
no mercado e assim eles se vêem [sic] a si mesmos. 
Mas, a mais valia faz com que este processo não seja equivalente, já que é do salário mal pago 
que o burguês obtém seu lucro. Logo, a ideologia da igualdade serve apenas para falsear a realidade.
SAIBA MAIS!
Sugerimos a leitura do texto da Andreia Galvão sobre o marxismo e os movimentos 
sociais para que você possa conhecer mais sobre o assunto. Disponível em: <http://
www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/artigo235artigo5.pdf>.
Os autores também propunham que o Socialismo seria possível a partir do momento em que 
a população percebesse que o sistema capitalista não se sustentaria mais. Mas ao contrário dos 
utópicos que achavam que isto ocorreria naturalmente, para Marx e Engels esta mudança apenas 
ocorreria se houvesse uma revolução que colocasse a classe operária no poder. 
A partir do momento que o operariado estivesse no poder haveria a socialização das riquezas 
nacionais, por isso o uso do termo socialista, em que as pessoas ainda manteriam seus bens pes-
soais e individualidades, mas o lucro das indústrias seria revertido para a sociedade, a educação 
pública seria universal e de qualidade. Além disso, seria feita a reforma agrária, em que toda a 
população poderia usufruir das mesmas condições de vida. 
Por acreditar que o socialismo apenas seria possível pela revolução proletária, Marx também 
propunha que o socialismo, primeiramente, iria consolidar-se em países que tivessem forte industriali-zação e uma classe operária já estabelecida, ou seja, possivelmente, algum país da Europa Ocidental. 
Apesar de experiências como a Comuna de Paris, a Revolução Socialista somente foi possível 
no século XX, após a morte de Marx e Engels e, apesar de inspirada na obra desses dois autores, 
ocorreram em sua larga maioria em países cuja classe operária era pequena e os camponeses 
maioria (Rússia, 1917; Mongólia, 1924; China, 1949; Cuba, 1959; Vietnã, 1963). 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 40 – 
FIQUE ATENTO!
Entre os líderes e teóricos socialistas do século XX, de inspiração marxista, pode-
mos citar Georg Lukacs, Vladimir Lênin, Leon Trotsky e Antônio Gramsci, todos com 
obras importantes publicadas.
Falamos tanto em socialismo e é comum ouvirmos o termo comunismo também, não é 
mesmo? Você sabe a distinção entre eles? Então, acompanhe-nos para entender do que se trata.
4 O comunismo
O termo comunismo vem de domínio comum. Para Marx, um exemplo disso são as comu-
nidades primitivas. Por quê? Pois partilhavam suas ferramentas e esforços, não havia diferenças 
sociais e nem materiais entre seus habitantes. Para Marx e Engels, a volta ao comunismo seria o 
último estágio de evolução da sociedade humana, que ocorreria após a Revolução Socialista. Este 
seria o estágio da sociedade perfeita em que há a ausência de um Estado regulador das relações 
sociais e as pessoas seriam responsáveis pela sua autogestão. Perceba na figura a seguir a evolu-
ção da sociedade humana na visão de Marx e Engels.
Figura 3 – Evolução da sociedade humana, segundo Marx e Engels
Sociedade 
Primitiva
Sociedade 
Antiga
Sociedade 
Feudal
Sociedade 
Mercantilista
Sociedade Capitalista 
Industrial
Sociedade 
Socialista
Comunismo
 • REVOLUÇÃO
Fonte: Elaborada pelo autor, adaptada de Marx e Engels, 2005.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 41 – 
O modo de vida comunista seria igual ao das sociedades primitivas quando falamos em parti-
lha, mas manteria o desenvolvimento tecnológico e industrial. A diferença em relação às sociedades 
capitalistas estaria nos meios de produção, os quais pertenceriam não mais ao burguês, mas sim à 
população, com a divisão igualitária de sua produção e dos rendimentos provenientes dela.
FIQUE ATENTO!
Mesmo nos países que se dizem socialistas atualmente, apenas a Coreia do Norte 
mantém o governo e economia socialistas.Os demais são classificados como mis-
tos, isto é, politicamente socialistas e economicamente liberais.
Mesmo com a intenção das Revoluções Socialistas no século XX (1917, na Rússia; 1949, na 
China; 1959, em Cuba e outros países), elas não atingiram o sucesso da sociedade comunista, pois 
nessas sociedades, mesmo ocorrendo a estatização das indústrias, reforma agrária e acessos da 
população à saúde e educação, que melhorou a qualidade de vida da população nesses países, os 
conflitos não conseguiram acabar com a distinção social.
Figura 4 – Revolução Russa, outubro de 1917.
Fonte: Everett Historial/Shutterstock.com.
No caso dos países socialistas, sempre havia uma elite que regia o governo nesses países, no 
caso da União Soviética (que substitui a Rússia Czarista), esse grupo chamava-se Politurbo. Muitos 
teóricos definiam este socialismo como socialismo real, pois permeou politicamente todo o século XX. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 42 – 
Fechamento
Vimos que a teoria socialista surge como uma reação e alternativa à opressão que a classe 
burguesa exercia sobre a classe operária social. Marx e Engels apropriaram-se do socialismo utó-
pico, criaram o socialismo científico, termos e conceitos como materialismo histórico, mais-valia e 
comunismo, os quais permearam os estudos socialistas nos séculos XIX e XX.
Nesta aula, você teve a oportunidade de:
 • compreender a formação da sociedade industrial.
Referências
ENGELS, Friedrich. A Situação da Classe Trabalhadora Inglesa. Tradução de B.A. Schuman. São 
Paulo: Boitempo Editorial, 2008. 
GALVÃO, Andreia. Marxismo e movimentos sociais. Campinas: Unicamp, 2011. Disponível em: 
<http://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/artigo235artigo5.pdf>. Acesso 
em: 15 fev. 2017.
QUINTANEIRO, T. (Org.). Um toque de clássicos: Durkheim, Marx e Weber. 2. ed. Belo Horizonte: 
UFMG, 2000.
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. O Manifesto do Partido Comunista. Domínio Público, 1848, tradu-
ção livre do espanhol. 
MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004.
MARX, Karl. Manuscritos Econômicos-Filosóficos. São Paulo: Boitempo, 2008. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
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Max Weber
Adriana Duarte de Souza Carvalho da Silva
Introdução
Max Weber (1864 -1920) é um dos mais importantes pensadores do século XX, e suas obras 
permitiram um novo olhar sobre a sociedade contemporânea, especialmente porque ele mostrou 
que a cultura tem um forte impacto na construção de instituições políticas e econômicas, e é defi-
nidora da conduta humana. 
Max Weber teve uma ampla formação acadêmica, mas é, sobretudo, conhecido como um 
dos pensadores fundadores da ciência denominada Sociologia. Vamos conhecer mais sobre ele? 
Então, acompanhe-nos e bons estudos!
Objetivo de aprendizagem:
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • reconhecer a cultura e a organização do capitalismo. 
1 A ação social
Para começarmos, o que é ação social? O conceito de ação social é central na obra de Max 
Weber e foi definido na sua obra magistral chamada “Economia e Sociedade” (1999). Por meio 
desse conceito, o autor quis entender de que forma o comportamento e ações de cada indivíduo 
são transformadores da sociedade que o cerca. Primeiro, vamos definir o conceito para, depois, 
explicá-lo melhor. Segundo Quintaneiro (2000, p. 107):
O conceito de ação social é, portanto, um dos mais importantes da Sociologia de Weber. Ele 
o define como uma conduta humana (ato, omissão, permissão) dotada de um significado 
subjetivo dado por quem o executa, o qual orienta seu próprio comportamento, tendo em 
vista a ação – passada, presente ou futura – de outro ou de outros que, por sua vez, podem 
ser “individualizados e conhecidos ou uma pluralidade de indivíduos indeterminados e com-
pletamente desconhecidos”. (WEBER, Economía y Sociedad, 1984, p. 18).
FIQUE ATENTO!
Ação social, na obra “Economia e Sociedade”, não é sinônimo de caridade. A tradução 
pode ser confusa do alemão para o português. Entenda melhor o conceito a seguir.
 – 44 – 
TEMA 6
Aron (2000, p. 491) define a ação social weberiana, isto é, definida por Weber, da seguinte forma:
A ação social é um comportamento humano (...), em outras palavras, uma atividade interior 
ou exterior voltada para a ação, ou para a abstenção. Esse comportamento é a ação quan-
do o autor atribui à sua conduta um certo sentido. A ação é social quando, de acordo com 
o sentido que lhe atribui o ator, ela se relaciona com o comportamento de outras pessoas. 
Para compreender esse conceito, observe a imagem.
Figura 1 – Trabalho
Fonte: Rawpixel.com/Shutterstock.com. 
Aqui podemos observar indivíduos trabalhando em grupo, ou seja, uma situação cotidiana. 
Além disso, perceba que se trata de uma ação que o indivíduo atribui um sentido pessoal. Por 
exemplo, talvez para o homem de óculos na imagem, trabalhar tenha um sentido de realização 
pessoal, de conquista de objetivos e sonhos. Por outro lado, talvez para a mulher, que aparece de 
costas, trabalhar seja cansativo e apenas uma obrigação. Note que cada indivíduo atribui um sen-
tido para ação, que se relaciona com sua história de vida e personalidade. 
Figura 2 – Movimento Social 
Fonte: Peter Scholz/Shutterstock.com. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 45 – 
Por outro lado, nessa imagem, podemos observar um movimento social e indivíduos cla-
mando por justiça social. Novamente, cada indivíduo atribuirá um sentido diferente para a ação 
social que empreende. Talvez para determinada pessoa se manifestar seja uma forma de mudar 
sua realidade social e, para outra, apenas uma maneirade aparecerna mídia. Não há, em Weber 
(1999), a intenção de fazer julgamentos de valores sobre a ação de cada indivíduo, mas apenas de 
compreender como cada ator social atribui um sentido diferente para suas atitudes. Além disso, o 
conceito de ação social possibilita-nos compreender como a sociedade é transformada pela ação 
de cada indivíduo (WEBER, 2000). 
SAIBA MAIS!
Conheça mais sobre a obra “Economia e Sociedade” por meio do artigo “Máquinas 
petrificadas: Max Weber e a sociologia da técnica”, de Carlos Eduardo Sell. O material 
está disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-
31662011000300006&lng=pt&nrm=iso>.
Quando nascemos, um conjunto de regras nos é imposto. Aprendemos a diferença entre o 
certo e o errado. Aprendemos como nos vestir, como comer, como nos portar em diferentes situ-
ações sociais. Aprendemos que devemos estudar, trabalhar, constituir uma família. Mas é a ação 
de cada indivíduo que transforma a sociedade.
EXEMPLO
O movimento social feminista possibilitou que as mulheres tivessem o direito ao 
voto. Ainda, as pesquisas realizadas por cientistas desenvolveram tecnologias que 
tornam a nossa vida mais confortável, por meio de uso de computadores, auto-
móveis, smartphones. Sim, nascemos em uma sociedade de regras prontas, mas 
nossas ações sociais cotidianas têm o potencial de transformá-la.
Aron (2000) explica ainda que as ações sociais se apresentam no contexto de relações 
sociais. Ou seja, transformamos a realidade à medida que interagimos com os outros, que criamos 
laços – sejam eles afetivos, familiares, profissionais, políticos, entre outros.
SAIBA MAIS!
No artigo científico “Max Weber e a história cultural da modernidade”, de Gangolf 
Hübinger, você poderá conhecer um pouco mais sobre Weber e sua obra. Sugerimos 
a leitura da Introdução (pág. 119 a 121), disponível em: < http://www.scielo.br/
scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-20702012000100007&lng=pt&nrm=iso>.
Agora vejamos outras contribuições de Weber para a Sociedade Contemporânea? Acompa-
nhe-nos para conhecer sobre a ética protestante e o espírito do capitalismo.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 46 – 
2 A ética protestante e o espírito do capitalismo
Onde surgiu o capitalismo como assunto na obra de Weber? A obra “A Ética Protestante e o 
Espírito do Capitalismo” (2000) teve como objetivo central explicar as condições culturais do surgi-
mento desse sistema econômico, que colocou fim no sistema feudal de produção. Weber (2000) 
mostra que há duas importantes características nesse sistema econômico que rompem com o 
modelo anterior: o lucro e o trabalho assalariado. Dessa forma, mais do que meramente romper 
com o sistema de produção anterior, era preciso que ocorresse uma profunda mudança no plano 
da cultura, não é mesmo? Para isso, essa ruptura teria que levar a sociedade europeia da época a 
privilegiar o lucro e o trabalho, em detrimento de outros valores.
Um dos métodos de Weber para realizar suas pesquisas em Sociologia da religião é o método 
estatístico e a construção de tipos ideais, que são instrumentos de abstração que se aproximam 
da realidade. 
EXEMPLO
Esse “capitalista”, ao qual se refere Weber (2000), é o típico industrial que dedica sua 
vida à exploração do trabalho assalariado, almejando o crescimento da sua empresa.
Primeiro de tudo, lembre-se de que, enquanto no modelo feudal havia o catolicismo, que des-
prezava o lucro como algo pecaminoso e uma nobreza que desprezava o trabalho como algo 
indigno, por outro lado, no modelo do capitalismo, há uma ruptura com tais percepções. Weber 
(2000) mostra que, para que surgissem as condições que tornassem possível o capitalismo, era 
fundamental romper com a percepção de que o lucro era diabólico e de que o trabalho era despre-
zível. Apenas uma cultura de valorização do lucro, que tornasse o trabalho como algo central na 
sociedade, poderia justificar a acumulação do capital.
Weber (2000) percebeu que tais valores faziam parte do sistema de valores do protestan-
tismo calvinista, que crescia na Europa no fim do sistema feudal. No entanto, o calvinismo ascé-
tico valoriza o trabalho como algo que é requerido por Deus dos homens e autoriza o lucro, con-
trariando justamente os princípios católicos. Riesebrodt (2012), sobre esse assunto, explica que 
até então não havia qualquer ideologia que defendia, por motivos religiosos, uma vida voltada ao 
trabalho e à obtenção de lucro. 
Conforme a análise de Riesebrodt (2012), Weber, ao estudar o protestantismo ascético, per-
cebeu que este dava bastante ênfase ao trabalho e ao exercício profissional. Os calvinistas acre-
ditavam que, aqueles que haviam sido escolhidos por Deus para serem salvos, poderiam ter a 
demonstração dessa escolha divina manifesta no sucesso financeiro. Posteriormente, essa con-
cepção de vida voltada para o trabalho foi denominada de utilitarismo.
Na obra de Weber (2000), o conceito de ascetismo é muito importante. Por quê? Pois o asce-
tismo é uma concepção de vida com base na ideia de que a busca de qualquer prazer mundano 
não é correta e que o prazer deve ser evitado. Resumindo: uma vida ascética é aquela voltada 
exclusivamente ao trabalho, à família, à igreja. O trabalho é o centro daqueles indivíduos que pre-
gam o ascetismo. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 47 – 
Figura 3 – Indivíduo ascético
Fonte: ivector/Shutterstock.com. 
Não é difícil visualizarmos este tipo de indivíduo em nossa sociedade atual, certo?
FIQUE ATENTO!
Essa concepção ascética de vida promove um tipo de trabalhador que é compatível 
com o trabalhador assalariado das indústrias capitalistas. É o indivíduo que vive a 
sua vida dedicada, exclusivamente, ao trabalho.
Façamos agora uma leitura atual do que representa o pensamento de Weber. Vamos pensar, 
por meio de um exemplo, como as percepções de Weber ainda são atuais.
Figura 4 – O trabalho na contemporaneidade
Fonte: SasinTipshai/Shutterstock.com. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
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Vamos refletir sobre esse soldador. Imagine que ele acorda muito cedo para entrar às 7 horas 
da manhã na fábrica. Trabalha oito horas diárias e ainda quatro horas no sábado. Trata-se de um 
trabalho insalubre, pelo qual ele não é bem remunerado. A insalubridade causa danos à sua saúde 
e ele pode ter problemas como dores nas costas, tendinite e problemas respiratórios causados 
pela inalação do pó. Esse homem tem uma família e não consegue sustentá-la apenas com o salá-
rio de soldados. Ele faz “bicos” aos finais de semana para complementar sua renda. Esse homem 
vive uma vida ascética. O lazer não faz parte da sua rotina ou faz muito pouco, porque atividades 
de lazer são caras e ele tem pouco tempo para isso. 
Perceba que Weber escreveu sua obra há cerca de um século, mas o capitalismo continua 
exigindo uma vida voltada para o trabalho. O lucro ainda é fundamental para que o proprietário se 
mantenha no negócio, especialmente, tendo em vista o aumento da competição internacional e, 
para isso, geralmente paga mal ao trabalhador. Vivemos uma cultura voltada para o trabalho, por-
que isso é essencial para a manutenção da vida com dignidade. 
FIQUE ATENTO!
Weber (2000) analisa a famosa expressão “tempo é dinheiro”. Isso mostra o quanto 
o autor é contemporâneo, porque, atualmente, vivemos essa realidade, e a maior 
parte da nossa vida é voltada para a busca de renda por meio do trabalho.
Hoje há um discurso midiático sobre a busca do prazer. Essa busca relaciona-se, especial-
mente, com viagens, frequência a clubes e resorts, visitas a shoppings, bares e restaurantes, den-
tre tantas outras atividades. Mas todas elas, de alguma forma, relacionam-se ao consumo e para 
consumi-las, é necessário trabalhar. Isso mostra como nossa sociedade mudou, mas também 
indica como o pensamento de Weber continua atual. 
Fechamento
Conhecemos duas das mais importantes obras de Max Weber: “Economia e sociedade” e a 
“A ética protestante e o espírito do capitalismo”. Você aprendeu que o autor estudou a ação social 
e avaliouas condições culturais de surgimento do modo de produção capitalista. 
Nesta aula, você teve a oportunidade de:
 • conhecer oconceito de ação social e a forma pela qual os indivíduos atribuem sentido 
à sua conduta;
 • aprender sobre as condições culturais de origem do capitalismo e a relação entre capi-
talismo e trabalho assalariado;
 • refletir sobre o ascetismo do protestantismo calvinista.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
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Referências
ARON, Raymond. As Etapas do Pensamento Sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 2000. 
HUBINGER, Gangolf. Max Weber e a história cultural da modernidade. Tempo soc., São Paulo, 
v. 24, n. 1, p. 119-136,2012. Disponível em:<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S0103-20702012000100007&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 06 jan. 2017. 
QUINTANEIRO, Tania (Org.). Um toque de clássicos: Durkheim, Marx e Weber. 3. ed. Editora UFMG, 
2000.
RIESEBRODT, M. A ética protestante no contexto contemporâneo.Tempo soc., São Paulo, v. 24, 
n. 1, p. 159-182, 2012. Disponível em:<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S0103-20702012000100010&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em 21 dez. 2016.
SELL, Carlos Eduardo. Máquinas petrificadas: Max Weber e a sociologia da técnica. Sci. Stud., São 
Paulo, v. 9, n. 3, p. 563-583, 2011. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_art-
text&pid=S1678-31662011000300006&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 12 jan. 2017.
WEBER, Max. Economia e Sociedade. Brasília: UNB, 1999. 
WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Pioneira, 2000. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
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Brasil: do engenho ao ouro
Adriana Duarte de Souza Carvalho da Silva
Introdução
Toda ação de colonização implica em uma relação de poder de um povo sobre o outro. Assim, 
o foco desta aula é compreender de que forma Portugal deu início ao processo colonizador no Bra-
sil, dominando os habitantes originais dessa terra conquistada. 
Os portugueses chegam ao Brasil com o intuito de explorar economicamente o espaço e 
obter lucro. Era o momento do capitalismo mercantil e a exploração de colônias e da mão de obra 
escrava, era a estratégia do capital. Por isso, vamos estudar o ciclo do açúcar e o ciclo do ouro. 
Então, acompanhe-nos e bons estudos!
Objetivos de aprendizagem:
Ao finalizar o estudo desse tema, você será capaz de:
 • conhecer o início do processo de colonização do Brasil;
 • compreender os impactos sociais destes dois ciclos econômicos na nossa sociedade;
 • entender a formação social da nossa sociedade atual.
1 Brasil e o Império Colonial português
Primeiro de tudo, precisamos compreender: qual era a motivação dos povos da Península Ibé-
rica, por exemplo, Portugal? A expansão marítima e a conquista de novos territórios no além-mar 
era o projeto nacional do portugueses (FAUSTO, 2000). Na época das grandes navegações, Por-
tugal era um país unificado, já constituído como um Estado-nação e a monarquia estava sedenta 
por novas fontes de riqueza. Além disso, é importante ressaltarmos que Portugal possuía a tec-
nologia necessária para desbravar os mares e encontrar novos territórios. E foi justamente nesse 
contexto que chegou ao território hoje denominado Brasil. Fausto (2002) enfatiza a importância de 
entendermos que o Brasil nunca foi descoberto pelos portugueses, já que muitos séculos antes 
de chegarem aqui já havia presença humana. Dessa forma, vamos nos referir ao evento como a 
chegada dos portugueses no Brasil, fato que deu início do processo colonizador, iniciado em 1500 
e encerrado em 1822. 
Sabemos que os povos nativos do Brasil foram devastados pelos portugueses. Como o colo-
nizador não chegou aqui para povoar o novo território, mas sim para explorar e dele tirar lucro, 
então a mão de obra indígena foi escravizada com esse propósito. Lembre-se de que colonizar é 
sempre sinônimo de estabelecer relações de poder e de dominação. O povo mais forte dominando 
aquele que, belicamente, era mais fraco.
 – 51 – 
TEMA 7
Figura 1 – Habitantes nativos do Brasil
Fonte: Filipe Frazao/Shutterstock.com. 
Teixeira (2006) menciona que um dos significados do processo colonizador é a constituição 
da periferia do capitalismo mundial, por meio do que ele chama de escravismo-mercantil, que é 
uma forma de acumulação de capital utilizando a mão de obra escrava nas colônias. 
FIQUE ATENTO!
Segundo Fausto (2002), o mercantilismo é uma forma de política econômica com 
as seguintes características: criação de estoques de ouros; política protecionista aos 
produtos nacionais; redução da tributação; criação de obstáculos para a entrada de 
bens estrangeiros, intervenção do Estado na economia e estímulo à exportação.
Agora que já vimos como iniciou o processo de chegada dos portugueses ao Brasil, acompa-
nhe-nos para conhecer mais sobre a ocupação do nordeste brasileiro e o açúcar como elemento 
principal dessa parte da história.
2 Brasil -ocupação do nordeste brasileiro 
(século XVI): o papel do açúcar neste processo
Perceba que, no contexto do capital mercantil, predominou no Brasil uma economia agroe-
xportadora com base na grande propriedade e na escravidão (FAUSTO, 2002). Nesse contexto, o 
cultivo e a exportação de cana-de-açúcar foi fundamental para que o empreendimento colonizador 
português tivesse sucesso. Sobre isso, Forman (2009, p. 32) explica: “A colonização portuguesa no 
Brasil baseou-se desde os seus primórdios no desenvolvimento de uma agricultura comercial de 
exportação. A produção de açúcar para o mercado europeu em expansão no século XVI estabele-
ceu uma economia de “plantation” [...]”.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 52 – 
Figura 2 – Plantação de cana-de-açúcar
Fonte: Isara Kaenla/Shutterstock.com. 
Forman (2009) explica que as plantations tinham como bases a monocultura e o trabalho 
escravo. Para o autor, esse sistema atendia aos interesses de Portugal, de gerenciar o novo terri-
tório conquistado e de explorá-lo comercialmente. Fausto (2002) mostra que a plantation de cana-
-de-açúcar iniciou na faixa litorânea do Nordeste e, dessa forma, também significou a origem do 
processo de urbanização na nova colônia.
3 A União Ibérica (1580 -1640) e seus efeitos no Brasil
A chamada União Ibérica surgiu de uma sequência de fatos históricos que tiveram início em 
1578. Conforme Cardoso (2011), nesse ano morreu o rei de Portugal, Dom Sebastião. A conse-
quência disso foi uma crise do processo de sucessão do rei. Perceba que uma nação é sempre 
enfraquecida quando há crises sucessórias e, com isso, o trono foi reclamado pelo sobrinho de 
Dom Sebastião, o rei na Espanha, Felipe II. Cardoso (2011) explica que, com o apoio do exército 
espanhol, Felipe II torna-se rei de Portugal e Espanha, dando início à União Ibérica. 
Confira no mapa a seguir quais são as nações que compõem a Península Ibérica:
Figura 3 – Península Ibérica
Fonte: Naruedom Yaempongsa/Shutterstock.com.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 53 – 
Cardoso (2011, p.318-319) explica os desdobramentos desse processo:
Durante 60 anos, Portugal e Espanha deram novo sentido à Monarquia Católica, contro-
lando além das possessões europeias, grandes áreas ultramarinas na América, África e 
Ásia. Assim, nas primeiras duas décadas do século XVII o objetivo central da burocracia 
hispano-lusa era assegurar a posse das imensas regiões de ultramar, nas quatro partes do 
mundo conhecido, constantemente ameaçadas pelos concorrentes oceânicos: França, In-
glaterra, e principalmente Holanda. No caso do Estado do Brasil essa política iria traduzir-se 
na criação de novas unidades administrativas que desembocariam na criação do Estado 
do Maranhão e Grão-Pará em 1621.
A mudança da monarquia portuguesa não poderia deixar de ter consequências importantes 
em suas metrópoles, que acabaram sofrendo dos desdobramentos nefastos desses processos, 
conforme veremos a seguir. 
SAIBA MAIS!
Conheça a União Ibérica com mais detalhes por meio do artigo “A conquista do 
Maranhão e as disputas atlânticas na geopolítica da UniãoIbérica”, de Alírio Car-
doso (2011), disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S0102-01882011000100016&lng=pt&nrm=iso>.
As mudanças profundas na política da metrópole não poderiam deixar de ter efeitos nas colô-
nias, não é mesmo? Mas quais as consequências disso em nosso país? Vejamos alguns exemplos 
da União Ibérica para a colônia brasileira.
EXEMPLO
 • Invasão holandesa no Nordeste.
 • Criação do Estado do Maranhão.
 • Fortalecimento das atividades agroexportadoras lucrativas. 
 • Intensificação das bandeiras na conquista do interior do território brasileiro. 
E o que aconteceu com o interior do Brasil? Quando foi colonizado e por quem? É isso que 
veremos a seguir. Vamos lá?
4 Ocupação do interior brasileiro
Precisamos ressaltar que, quando falamos em ocupação do interior brasileiro, isso não quer 
dizer que o interior do país estivesse vazio. Existiam sim tribos indígenas por todo o território. A 
ocupação a que nos referimos aqui é do europeu colonizador, aquele que chegou ao território 
antes habitado apenas por nativos.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 54 – 
FIQUE ATENTO!
Para os indígenas que ocupavam o interior do Brasil, essa invasão do colonizador 
costumava ser bastante violenta. Era comum a prática do estupro das índias.
Quando os portugueses chegaram ao Brasil, iniciaram o processo de colonização pela costa 
do Atlântico, justamente pela possibilidade de exploração comercial dessas terras. Conforme 
veremos, o ciclo do ouro é que inicia os primeiros deslocamentos para o interior do território. De 
qualquer forma, por anos, o interior do Brasil permaneceu inexplorado. É importante lembrar que 
Portugal constituiu no Brasil uma colônia de exploração, não de povoamento. O que significa isso 
na prática? Quer dizer que a única justificava para a metrópole era explorar determinada região 
caso houvesse alguma atividade comercial que pudesse desenvolver ali. Mas, com o passar do 
tempo, não é difícil imaginarmos que cidades foram sendo criadas e atividades como pecuária e 
agricultura de subsistência passaram a fazer parte da colônia. 
EXEMPLO
Um dos exemplos de povoamento do interior do Brasil foi a ação dos jesuítas. Faus-
to (2002) explica que os jesuítas foram importantes na ocupação do interior do Bra-
sil, com o objetivo de catequizar indígenas. Sobre isso, Fausto (2002, p. 93) explica: 
Em 1554, os padres Nóbrega e Anchieta fundaram no planalto a povo-
ação de São Paulo, convertida em vila em 1561, aí instalando o colégio 
dos jesuítas. Separados da costa pela barreira natural, os primeiros 
colonizadores e os missionários se voltaram cada vez mais para o ser-
tão, percorrendo caminhos com a ajuda dos índios e utilizando-se da 
rede fluvial formada pelo Tietê, o Paranaíba e outros rios.
Os jesuítas tinham um propósito educacional e religioso com a ocupação, mas acabavam 
tirando o índio de sua própria cultura, ao forçá-los a se tornarem cristãos. 
Os estudos de John Monteiro (1994) sobre a resistência dos povos indígenas chamam a 
atenção para o fato de que ainda que muitos índios tenham morrido por causa das doenças e 
pelos assassinatos causados pelos colonizadores ou mesmo estimulados por estes, por meio 
de conflitos entre tribos indígenas, não podemos esquecer de sua resistência frente aos brancos 
colonizadores.
Agora, continue conosco para compreender um pouco mais sobre o ouro e o seu impacto na 
trajetória do Brasil. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 55 – 
5 Sociedade do Ouro
Os interesses de Portugal na colônia brasileira sempre foram econômicos, visando ao enri-
quecimento da Corte. Como no século XVI não foram encontrados metais preciosos no Brasil, a 
metrópole decidiu utilizar a agricultura para enriquecimento. Mas, com a descoberta do ouro, os 
interesses iniciais da metrópole de achar metais preciosos voltaram a ser prioridade, pois, con-
forme Fausto (2002), isso ajudaria a equilibrar a balança comercial entre Portugal e Inglaterra. 
Para a colônia, a descoberta do ouro significou a ampliação do processo migratório, formada 
por indivíduos que vinham de Portugal e das ilhas do Atlântico para o Brasil. Furtado (2002), por 
sua vez, explica que é a pobreza de Portugal, no século XVIII, que pode nos ajudar a entender a rapi-
dez com que ocorreu a corrida pelo ouro no interior da colônia. Furtado (2002, p. 78) ainda afirma 
que “A exportação do ouro cresceu em toda a primeira metade do século e alcançou seu ponto 
máximo em 1760, quando atingiu cerca de 25 milhões de libras. Entretanto, o declínio do terceiro 
quartel do século foi rápido e, por volta de 1780, não alcançava um milhão de libras”.
Figura 4 – A exploração do ouro no Brasil e os benefícios para Portugal
Fonte: Andrey Burmakin/Shutterstock.com.
Furtado (2002) explica ainda que a mineração foi fundamental para o desenvolvimento de 
uma nova forma de ocupação do novo território, agora composta primordialmente por homens 
livres, especialmente migrantes portugueses que vinham para o Brasil em busca de ouro e de 
sonhos de grandes riquezas. Com isso, perceba que surge um pequeno mercado interno na região 
mineira, que possibilitava a sobrevivência desses homens livres. Um exemplo é o surgimento da 
pecuária, necessária para a alimentação dessa população que chegava a Minas Gerais.
FIQUE ATENTO!
O ciclo do ouro foi particularmente lucrativo para Portugal porque a metrópole cobra-
va impostos do ouro encontrado, o chamado quinto do ouro, equivalente a 20% do 
valor total.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 56 – 
Um dos desdobramentos da imigração portuguesa para a região mineradora durante o perí-
odo colonial foi o desenvolvimento do mercado interno.
As regiões onde foi encontrado ouro localizam-se, especialmente, em Minas Gerais, Goiás e 
Mato Grosso. Contudo, ainda no fim do século XVIII, o metal precioso começou a se esgotar. Daí, 
Portugal voltou a seu projeto de obter lucro por meio da lavoura. Logo após o encerramento do 
ciclo do ouro, teve início o ciclo do café. 
É importante ressaltar que o ciclo do ouro incentivou o povoamento do interior do Brasil, 
sobretudo nas Minas Gerais.
Fechamento
A história brasileira é usualmente contada a partir da chegada do colonizador europeu às 
nossas terras, mas é fundamental lembrar que os povos que aqui habitavam têm sua própria his-
tória, apesar de não apresentarem registros escritos. A história da chegada do colonizador narra 
a exploração europeia sobre as terras brasileiras, principalmente a partir da análise dos ciclos 
econômicos e da escravidão. 
Nesta aula, você teve a oportunidade de:
 • conhecer o início do processo de colonização do Brasil;
 • compreender os impactos sociais destes dois ciclos econômicos na nossa sociedade;
 • entender a formação social da nossa sociedade colonial.
Referências
CARDOSO, Alírio. A conquista do Maranhão e as disputas atlânticas na geopolítica da União Ibé-
rica (1596-1626). Rev. Bras. Hist. São Paulo, v. 31, n. 61, p. 317-338, 2011. Disponível em: <http://
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-01882011000100016&lng=pt&nrm=iso>. 
Acesso em: 6 jan. 2017.
FAUSTO, Bóris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2002. 
FORMAN, Shepard. Camponeses: sua participação no Brasil [online]. Rio de Janeiro: Centro Edels-
tein de Pesquisas Sociais, 2009. Além da casa-grande e da senzala: um campesinato no Brasil. pp. 
32-51. Disponível em: <http://books.scielo.org/id/c26m8/pdf/forman-9788579820021-03.pdf>. 
Acesso em: 6 jan.2017.
FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil. São Paulo: Cia Editora Nacional, 2001. 
TEIXEIRA, Rodrigo Alves. Capital e colonização: a constituição da periferia do sistema capitalista 
mundial. Estud. Econ. São Paulo, v. 36, n. 3, p. 539-591, Set. 2006. Disponível em: <http://www.
scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-41612006000300005&lng=en&nrm=iso>. 
Acesso em: 26 dez. 2016.
MONTEIRO, John. Negros da terra: índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo: 
Companhia das Letras, 1994.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA– 57 – 
O europeu e a ocupação territorial
Adriana Duarte de Souza Carvalho da Silva
Introdução
A colonização portuguesa no Brasil faz parte do processo de consolidação do capitalismo 
mercantil e, portanto, a utilização da terra e a exploração de metais preciosos também faziam 
parte da necessidade de acumulação de capital. Dessa forma, perceba que tudo o que era feito 
aqui no Brasil tinha como fundamento o enriquecimento da Corte portuguesa.
Enquanto na colônia inglesa na América – os Estados Unidos – estabeleceu-se uma colô-
nia de povoamento, no Brasil, é estabelecida uma colônia de exploração. Mesmo que tempos 
depois o Brasil tenha sido povoado, ainda assim o território era para atender os interesses colo-
nizadores. Essa é a principal reflexão que propomos realizar nestaaula. Vamos começar? Então, 
acompanhe-nos!
Objetivos de aprendizagem:
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • analisar o processo de colonização do Brasil;
 • compreender a influência portuguesa na nossa formação social e cultural.
1 Aspectos da sociedade colonial açucareira
Se compararmos o colonizador português com outros povos colonizadores, é possível per-
ceber que eles foram pioneiros em tornar a colônia uma produtora de riquezas (FREYRE, 2002). 
Enquanto os demais colonizadores se desgastavam em busca de metais precisos, os portugueses 
iniciaram o cultivo da cana-de-açúcar. Freyre (2002, p. 91) mostra as primeiras características da 
sociedade colonial açucareira:
[…] a colônia de plantação, caracterizada pela base agrícola e pela permanência do colono-
na terra, em vez do furtuito contato com o meio e com agente nativa […]. A utilização e o 
desenvolvimento de riqueza vegetal pelo capital e pelo esforço particular; a agricultura; a 
sesmaria; a grande lavoura escravocrata.
 – 58 – 
TEMA 8
Figura 1 – Escravidão
Fonte: Everett Historical/Shutterstock.com.
O autor explica que foi justamente a união dessas características que possibilitou que Portu-
gal tivesse aqui no Brasil uma colônia agrícola e estável, fornecedora de riquezas para a metrópole. 
Assim, explica Freyre (2002), ao contrário das colônias espanholas, no Brasil formaram-se muitas 
famílias e, com isso, grande mistura de raças. O autor ainda explica que:
[…] a formação brasileira tem sido, na verdade [...], um processo de equilíbrio de antagonis-
mos. Antagonismos de economia e de cultura. A cultura europeia e a indígena. A Africana e 
a indígena. A economia agrária e a pastoral. A agrária e a mineira. O católico e o herege. O 
jesuíta e o fazendeiro. O bandeirante e o senhor de engenho. (FREYRE, 2002, p. 115).
FIQUE ATENTO!
Gilberto Freyre foi um grande pesquisador sobre a vida colonial brasileira. Sua obra 
“Casa-grande e Senzala”, que estamos estudando aqui, é uma das mais importan-
tes pesquisas sobre o Brasil colônia.
Marquese (2006) explica que no período de construção dos engenhos do açúcar, o coloni-
zador utilizou a mão de obra indígena de forma mais sistemática. Contudo, depois da metade do 
século XVI, os primeiros africanos chegaram à colônia e passaram a ser utilizados na lavoura da 
cana. Com o crescimento do tráfico negreiro, milhares de escravos chegaram ao Brasil e sabemos 
que os engenhos da cana renderam muito dinheiro para Portugal naquela época.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 59 – 
SAIBA MAIS!
Para conhecer mais sobre a sociedade colonial açucareira, sugerimos a se-
guinte leitura do artigo “A dinâmica da escravidão no Brasil: resistência, trá-
fico negreiro e alforrias, séculos XVII a XIX”, de Rafael de Bivar Marquese. O 
material está disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S0101-33002006000100007&lng=en&nrm=iso>.
Agora, vejamos como funcionava a relação de dominação que existia entre os europeus e os 
povos dominados? Continue conosco!
2 Relação de dominação: europeus, 
indígenas e negros
Perceba que o homem europeu que chegou ao Brasil era belicamente mais forte que os povos 
indígenas que habitavam o território. Evidentemente, não era interessante para Portugal que os 
povos nativos se considerassem donos da terra, já que, assim, não poderiam explorá-la como dese-
jassem, não é mesmo? A solução para isso foi a dominação dos povos indígenas habitantes do ter-
ritório por meio do extermínio ou da escravidão. As ações de catequização também tinham como 
objetivo torná-los mais dóceis aos interesses da metrópole. Sobre isso, Fausto (2002, p. 49) explica
Ela consistiu no esforço em transformar o índio, através do ensino, em ‘bons cristãos’, reu-
nindo-os em pequenos povoados ou aldeias. Ser ‘bom cristão’ significava também adquirir 
os hábitos de trabalho dos europeus, com o que se criaria um grupo de cultivadores indíge-
nas flexível às necessidades da Colônia. 
FIQUE ATENTO!
Enquanto o homem europeu desenvolvia uma economia de produção de excedente 
para obtenção de lucros, o índio tinha uma economia de subsistência e de caráter 
comunitário. Ou seja, produziam aquilo que era necessário para suas necessidades, 
sem que fosse preciso a exploração comercial.
Por outro lado, os negros chegaram da África ao Brasil por meio do tráfico. Como não eram 
considerados seres humanos, então, eram vendidos como mercadoria e considerados propriedade, 
assim como gado e terra. A Igreja Católica não impunha obstáculos à escravidão dos negros, por isso, 
não havia problemas para a utilização dessa mão de obra. Sobre isso Fausto (2002, p. 50) explica que
(...) ao percorrer a costa africana no século XV, os portugueses haviam começado o tráfico 
de africanos, facilitado pelo contato com sociedades que, em sua maioria, já conheciam o 
valor mercantil do escravo. Nas últimas décadas do século XVI, não só o comércio negreiro 
estava razoavelmente montado como vinha demonstrando lucratividade. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 60 – 
O processo colonizador, não apenas o português, mas a colonização de maneira geral, acentuou 
o chamado etnocentrismo europeu. O que é isso? Etnocentrismo é uma percepção que define que 
determinada etnia é superior às demais. O etnocentrismo europeu definia o índio e o negro inferiores 
aos povos europeus e, com isso, justificavam todo tratamento desumano dado àqueles indivíduos.
Figura 2 – O etnocentrismo europeu e a dominação dos povos indígenas e africanos
Fonte: RomoloTavani/Shutterstock.com.
Atualmente, vivemos em uma sociedade de valorização da diversidade e que, consequente-
mente, condena a discriminação. Mas o etnocentrismo deixou marcas até hoje na sociedade brasi-
leira, que ainda traz o preconceito em sua bagagem e faz a distinção entre pessoas negras e indígenas.
3 Características de ocupação e urbanização dos sé-
culos XVI e XVII
Primeiramente, saiba que os índios que habitavam o Brasil na época da chegada do europeu eram 
povos tribais e não viviam em cidades. Eles moravam em meio à selva, de onde tiravam seu alimento.
Figura 3 – Florestas eram o território dos indígenas
Fonte: GalynaAndrushko/Shutterstock.com.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 61 – 
Dessa forma, podemos dizer que a urbanização e a criação de cidades são empreendimen-
tos típicos do colonizador português.Além disso, a ocupação do Brasil e, posteriormente, o pró-
prio processo de urbanização, ocorreram porque era economicamente interessante para a Corte. 
Assim, Maricato (2000) enfatiza que o Brasil já possui cidades grandes no período colonial, ao 
contrário de outras colônias americanas. 
É fundamental compreendermos que o processo de ocupação do Brasil seguiu o da explora-
ção comercial do território. Como assim? Significa que iniciou na costa do Atlântico, na região da 
lavoura da cana e, posteriormente, seguiu para Minas Gerais, na região do ouro. Oliven (2010, p.9) 
explica a importância da criação de cidades para o desenvolvimento do capitalismo: “Para Weber, a 
cidade é pré-condição do capitalismo na medida em que é necessária para a existência do mesmo, 
mas mais tarde o desenvolvimento do capitalismo intensifica o crescimento das cidades”. Porisso, para Portugal acumular capital e, consequentemente, ampliar as receitas da monarquia, per-
ceba que foi fundamental ocupar e urbanizar o país. 
SAIBA MAIS!
Conheça mais sobre a formação do povo brasileiro a partir dodocumentário “O Povo 
Brasileiro”, de Darcy Ribeiro, com base na obra homônima de um dos mais impor-
tantes antropólogos brasileiros. O material está disponível em: <https://www.you-
tube.com/watch?v=wfCpd4ibH3c&list=PLyz4LUAInoJJgiAJBM-MqfA69gClLt1uz>.
Continue conosco para aprendermos mais sobre a expansão da fé católica e a sua relação 
direta com o europeu. Vamos lá?
4 O europeu e a expansão da fé católica
No período colonial, não havia separação entre Igreja e Estado em Portugal (FAUSTO, 2002). 
Assim, a Igreja Católica foi uma importante instituição na organização da vida colonial.
EXEMPLO
O Brasil, atualmente, é um país em que Estado e Igreja estão separados. Nenhu-
ma religião pode interferir em assuntos de Estado e o Estado não pode utilizar ar-
gumentos religiosos para escrever uma lei. Mas não era assim durante o período 
colonial. Estado e Igreja católica mantinham profundas relações de interferência.
Um dos mais importantes papéis que a Igreja Católica exerceu no Brasil foi de catequização 
dos povos indígenas, por meio da Companhia de Jesus e de seus padres jesuítas. Shigunov Neto 
e Maciel (169, p.172) enfatizam que
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 62 – 
O trabalho de catequização e conversão do gentio ao cristianismo, motivo formal da vinda 
dos jesuítas para a Colônia brasileira, destinava-se à transformação do indígena em “ho-
mem civilizado”, segundo os padrões culturais e sociais dos países europeus do século XVI, 
e à subsequente formação de uma “nova sociedade”. Essa preocupação com a transforma-
ção do indígena em homem civilizado justifica-se pela necessidade em incorporar o índio 
ao mundo burguês, à “nova relação social” e ao “novo modo de produção”. Desse modo, 
havia uma preocupação em inculcar no índio o hábito do trabalho [...].
Portanto, perceba que os objetivos da Companhia de Jesus estavam alinhados aos objetivos 
da metrópole portuguesa, ou seja, utilizar a mãodeobra indígena na lavoura da cana-de-açúcar e, 
com isso, tornar os empreendimentos portugueses mais lucrativos.
Figura 4 – Padre Antônio Vieira, missionário no Brasil no século XVI 
Fonte: Olga Popova/Shutterstock.com.
Perceba que a imagem retrata Padre Antônio Vieira, que esteve no Brasil no século XVII. Ele era 
um dos jesuítas que se manifestava contra a escravidão, mas era a favor da catequização dos índios.
FIQUE ATENTO!
Qualquer ação que obrigasse o indígena a abandonar a sua própria cultura para 
interesses de outros, que não seus próprios, é uma ação de violência, ainda que a 
violência física propriamente dita não fosse utilizada.
Hoje as políticas públicas brasileiras em relação aos índios manifestam-se justamente no 
oposto daquilo que fez o colonizador. Hoje os índios têm sua cultura valorizada e até ensinada nas 
escolas. Ninguém pode obrigar um índio a ser cristão. Os índios têm o direito a escolher sua religião. 
Mas, ainda há muito o que se fazer na direção da construção de um mundo mais respeitoso 
entre as diferentes culturas que habitam o território brasileiro. E precisamos lidar com as conse-
qüências nefastas do massacre imposto aos indígenas pelos colonizadores e aos povos africanos 
que foram escravizados no Brasil, se quisermos construir uma nova história.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 63 – 
Fechamento
Estudamos mais detalhes da História do Brasil colônia, dando ênfase à sociedade que se 
estabeleceu no Nordeste, com o cultivo da cana. 
Nesta aula, você teve a oportunidade de:
 • analisar o processo de colonização do Brasil;
 • compreender a influência portuguesa na nossa formação social e cultural.
Referências
FAUSTO, Bóris. História do Brasil.São Paulo: Edusp, 2002. 
FREYRE, Gilberto. Casa-grande e senzala. São Paulo: Record, 2002. 
MARICATO, Ermínia. Urbanismo na periferia do mundo globalizado: metrópoles brasileiras. São Paulo 
Perspec., São Paulo, v. 14, n. 4, p. 21-33, Out. 2000. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?s-
cript=sci_arttext&pid=S0102-88392000000400004&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 11 jan. 2017.
MARQUESE, Rafael de Bivar. A dinâmica da escravidão no Brasil: resistência, tráfico negreiro e alforrias, 
séculos XVII a XIX. Novos estud. - CEBRAP, São Paulo, n. 74, p. 107-123, Mar. 2006. Disponível em: <http://
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-33002006000100007&lng=en&nrm=iso>. 
Acesso em: 11jan. 2017.
OLIVEN, Ruben George. Urbanização e mudança social no Brasil [online]. Rio de Janeiro: Centro Edels-
tein, 2010. Disponível em: <http://static.scielo.org/scielobooks/z439n/pdf/oliven-9788579820014.
pdf>. Acesso em: 11 jan. 2017. 
SHIGUNOV NETO, Alexandre. MACIEL, Lizete Shizue Bomura. O ensino jesuítico no período colonial 
brasileiro: algumas discussões. Educ. rev., Curitiba, n. 31, p. 169-189, 2008. Disponível em: <http://
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40602008000100011&lng=pt&nrm=iso>. 
Acesso em: 11 jan.2017. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 64 – 
Colonização: cultura indígena 
e a luta pela posse da terra
Adriana Duarte de Souza Carvalho da Silva
Introdução
Os europeus chegaram ao continente americano no século XV. Antes disso, porém, considere 
que foi construído um imaginário sobre o que poderia haver além dos mares que viam em terra 
firme. Assim, nesta aula, vamos estudar justamente o imaginário europeu sobre o além-mar e o 
que esse europeu imaginava sobre o homem que encontraram quando finalmente cruzaram os 
mares, ou seja, o imaginário do europeu sobre o índio. 
Também vamos entender como o olhar do europeu colonizador sobre o índio foi bastante 
preconceituoso e justificou o genocídio desses povos e a expropriação de suas terras. Vamos 
começar? Então, acompanhe-nos e bons estudos!
Objetivos de aprendizagem:
Ao final desta aula, você será capaz de: 
 • compreendero impacto da presença europeia na sobrevivência indígena;
 • discutir sobre a influência e presença da cultura indígena na nossa formação.
1 Presença pré-cabralina
A historiografia denominou de pré-cabralino o período histórico anterior à chegada dos por-
tugueses ao Brasil, período este em que o Brasil era habitado pela sua população nativa.
As pesquisas em arqueologia indicam que o Brasil já era habitado há milhares de anos antes 
da chegada por portugueses. Neves (2015) afirma que os arqueólogos encontraram cerâmicas 
que foram produzidas há 3.800 anos na América do Sul.
FIQUE ATENTO!
Neves (2015) aponta que as pesquisas arqueológicas indicam que a América do Sul é 
habitada há 11 mil anos, no mínimo, e que esta foi a última região a ser ocupada por 
agrupamentos humanos no planeta. O autor destaca ainda que os grupos humanos 
dessa região mostravam grande diversidade social, cultural, econômica e política, não 
sendo, portanto, grupos destituídos de cultura, como pensavamos colonizadores.
 – 65 – 
TEMA 9
Figura 1 – Mapa da América do Sul feito no século XIX
Fonte: mattalia/Shutterstock.com.
Neves (2015) explica que a América do Sul é uma região do planeta que ficou em grande iso-
lamento geográfico. Por quê? Pois pesquisas em arqueologia indicam que o subcontinente ficou 
isolado até a chegada dos colonizadores no século XVI. Assim, muito embora seus grupos formados 
sejam pequenos, a América do Sul, quando houve a chegada dos europeus, tinha grupos de imensa 
riqueza cultural e bastante diferentes entre si, inclusive falando idiomas diferentes. A figura a seguir 
mostra um exemplo da riqueza cultural desses povos, índios do Xingu em um ritual de dança.
Figura 2 – Ritual de dança da tribo Xingu
Fonte: celio messias silva/Shutterstock.com.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
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A riqueza cultural das tribos brasileiras era tão grande que antropólogos estrangeiros vieram 
estudar essas tribos. Lévi-Strauss, um dos mais importantes antropólogos de todos os tempos,escreveu o livro “Tristes Trópicos”, publicado pela primeira vez em 1955, sobre a cultura indígena 
brasileira, especialmente das tribos Bororo e Nambiquara. 
SAIBA MAIS!
Conheça mais sobre a cultura das populações nativas do Brasil por meio do artigo 
“Existe algo que se possa chamar de “arqueologia brasileira?”, de Eduardo Góes 
Neves. O material está disponível em:<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S0103-40142015000100007&lng=pt&nrm=iso>. 
Agora conhecemos estudos científicos que mostram a riqueza da cultura indígena pré-cabra-
lina. Vamos conhecer o imaginário bastante etnocêntrico do europeu sobre ela? Acompanhe-nos!
2 Imaginário europeu sobre os indígenas
Perceba que o homem europeu, ao olhar para o grande e desconhecido mar, criou um ima-
ginário do que poderia haver ali. Souza (1986) explica que nesse imaginário prevalecia a ideia de 
mares e mundos povoados por seres diabólicos e monstros. Sobre isso, explica Souza (1986, p. 
21): “Numa época em que ouvir valia mais do que ver, os olhos enxergavam primeiro o que se 
ouvia dizer; tudo quanto se via era filtrado pelos relatos de viagens fantásticas, de terras longín-
quas, que homens monstruosos que habitavam os confins do mundo conhecido”. 
Figura 3 – Imaginário europeu sobre os confins do mar
Fonte: Melkor3d/Shutterstock.com.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
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As desbravar os mares, os europeus perceberam que não havia monstros nem seres diabólicos. 
Porém, a chegada ao Novo Mundo gerou um novo encontro: com o indígena. Todorov (1999) afirma 
que a chegada do europeu às Américas gerou o encontro com o “outro”, ou seja, com seres humanos 
absolutamente diferentesdo homem europeu em termos culturais. E esse encontro gerou conflitos. 
Todorov (1999, p. 4) explica que “O encontro nunca mais atingirá tal intensidade, se é que esta é a 
palavra adequada. O século XVI veria perpetrar-se o maior genocídio da história da humanidade”.
Veja a seguir alguns exemplos do olhar europeu sobre os indígenas.
EXEMPLO
O colonizador que chega às Américas é sempre cristão e considera o catolicismoa úni-
ca religião legítima. Este é o primeiro estranhamento, que leva o europeu a julgar que, 
portanto, o índio não tinha religião e, como consequência, não tinha alma. Outro estra-
nhamento é a própria nudez, pois, segundo Todorov (1999), uma das principais marcas 
da cultura europeia é o uso de roupas. Não há a percepção, por parte do europeu, de que 
a ausência de vestimentas ou vestimentas diferentes também são marcas culturais.
Todorov (1999) aponta que há antagonismos no imaginário europeu sobre o índio, ora visto 
como o “bom selvagem”, como um ser de inocência e incorporado à natureza, ora visto como 
um povo preguiçoso e avesso ao trabalho. Todorov (1999, p. 45), ao estudar as impressões de 
Colombo sobre os índios, coloca que:
Colombo, nesse momento, esquece sua própria impressão, e declara logo depois que os 
índios, longe de serem generosos, são todos ladrões (inversão paralela àquela que os tinha 
transformado de melhores homens do mundo em selvagens violentos). Imediatamente, 
impõe-lhes castigos cruéis, os mesmos que se costumava então aplicar na Espanha.
Todorov (1999) constata, então, que no imaginário do colonizar há duas visões sobre os 
índios, conforme você poderá verificar no esquema a seguir.
Quadro 1 – Duas percepções dos portugueses sobre os índios 
PRIMEIRA PERCEPÇÃO
 • Os índios são seres humanos, então, podem assimilar facilmente os valores europeus.
SEGUNDA PERCEPÇÃO
 • Os índios não são seres humanos e a cultura europeia seria superior.
Fonte: Adaptada de Todorov, 1999.
Depois de compreendermos como era nosso território do ponto de vista de ocupação humana 
e a percepção do europeu colonizador, agora, vejamos quais os impactos causados pela ocupação 
europeia entre os séculos XV e XVIII. Acompanhe-nos!
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 68 – 
Para saber mais sobre a colonização e os indígenas, sugerimos a leitura dos textos do historiador 
John Monteiro, em especial “Negros da terra” (1994). O autor ajudou a construir uma historiografia que 
passou a considerar os índios como sujeitos históricos, deixando de serem observados como vítimas 
passivas e sem resistência ao processo de colonização brasileira. A pesquisa de Monteiro ressalta 
as rebeliões anticoloniais dos indígenas, ou seja, a capacidade de resistência indígena frente à domi-
nação portuguesa nos séculos XVI e XVII, com os assaltos à vila de São Vicente e às fazendas das 
redondezas. O autor reconhece que as rebeliões não chegaram a alterar significativamente as relações 
entre senhores e oprimidos, mas serviram para mostrar os limites do sistema escravista, obrigando “[...] 
os administradores a reconhecer que os índios eram mais que objetos passivos a serem explorados 
desenfreadamente” (MONTEIRO, 1984, p. 36).
Segundo Maria Regina Celestino Almeida (2013), para Monteiro “[...] dar voz e vez aos índios na 
condição de agentes históricos é tarefa dos historiadores e deverá resultar no enterro definitivo de 
uma historiografia, muitas vezes, conivente com políticas de apagamento de identidades indígena”.
3 Impactos da ocupação europeia século XV-XVIII
O fim da Idade Média e o começo da Idade Moderna marcam o período das grandes navegações, 
que levaram à chegada dos europeus no continente americano. Fausto (2002) observa que o primeiro 
impacto do processo colonizador é o desenvolvimento técnico, como podemos ver no exemplo.
EXEMPLO
Fausto (2002) aponta que tecnologias de navegação foram desenvolvidas pelos 
europeus, para que pudessem desbravar os mares, dentre elas: o quadrante, o as-
trolábio e as caravelas.
Fausto (2002) também aponta que o processo colonizador significou uma profunda mudança 
na mentalidade europeia, que abandona ideias equivocadas do homem medieval e passa a bus-
car o conhecimento em sua forma empírica, ou seja, aquele conhecimento obtido por meio da 
experiência. O monopólio da Igreja sobre a interpretação da realidade é questionado e o antropo-
centrismo entra em voga. O que isso quer dizer na prática? Significa que o homem passa a ser o 
centro da explicação, não mais os conceitos teológicos.
FIQUE ATENTO!
O Antropocentrismo significou uma profunda modificação no homem europeu, 
agora não mais submetido aos dogmas católicos e impossibilitado de questioná-
-los. O europeu ganha sua autonomia de pensamento e se emancipa da Igreja.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 69 – 
O processo de ocupação também teve como resultado para o homem europeu grande 
desenvolvimento econômico e, por parte das monarquias europeias, acumulação de capital. Mas, 
se para o europeu a colonização foi benéfica, ela foi perversa para os povos nativos, que, conforme 
já vimos, foram dizimados. 
4 Uma população sem direito à terra e à fé
Ao analisar a relação entre colonizadores europeus e povos indígenas, Todorov (1999) utiliza 
de três conceitos para avaliar essa relação: compreender, tomar e destruir. Trata-se, evidente-
mente, de uma recusa em compreender, uma recusa em aceitar o outro como diferente, mas igual 
em valor. Não há sequer tolerância para com o outro indígena. Há espaço para tomar a terra que 
era dos povos indígenas e de destruir sua cultura. 
SAIBA MAIS!
Conheça a Fundação Nacional do Índio - uma instituição que tutela os direitos dos 
indígenas – no seguinte endereço eletrônico: <http://www.funai.gov.br/>.
No caso brasileiro, o território que era ocupado pelos indígenas, de onde tiravam sua alimen-
tação, foi utilizado para fins comerciais, especialmente para agricultura de exportação. Tirando seu 
território, o europeu tirou as próprias condições de sobrevivência desses povos. Mas não foi só a 
terra que tiraram, mas também a cultura. Vejamos a seguir um exemplo desse abuso cometido 
com os povos indígenas quanto à sua cultura:
Souza (1986, p.46) aponta que os missionários da Companhia de Jesus pouco compreende-
ram sobre a cultura do outro indígena: 
A preocupação com a especificidade do NovoMundo foi totalmente alheia aos jesuítas 
que estiveram no Brasil, entre o final do século XVI e o início do século XVII. Entre nós, são 
os representantes máximos da incompreensão do universo colonial. Mais do que o mundo 
vegetal e animal, foram os homens o alvo privilegiado da má vontade jesuítica. 
Muito embora os povos ameríndios tivessem seus próprios sistemas de crenças, não tinham 
direito a eles, pois o colonizar não os considerava legítimos. Apenas o cristianismo era a religião 
legítima. Souza (1986) explica que levar o cristianismo ao índio foi a justificativa utilizada para o 
empreendimento colonial. Ou seja, tiravam os índios de sua cultura e de sua terra, mas davam a 
eles o cristianismo: essa era a justificativa.
Por outro lado, estudos históricos revisionistas levaram a outras concepções sobre o papel 
dos jesuítas na colonização brasileira. Isto porque eles aprenderam o tupi-guarani e elaboraram 
uma gramática para entenderem o dialeto dos índios, catequizando-os na sua língua materna, 
o que sugere certa inculturação nas culturas indígenas. Além disso, ao serem evangelizados, já 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 70 – 
que seriam considerados humanos, para os jesuítas, os indígenas não deveriam ser tratados com 
tanta desigualdade. Havia entre os religiosos e os colonos uma tensão constante por conta da 
questão do trabalho indígena na economia colonial.
FIQUE ATENTO!
É fundamental que você compreenda que não há culturas mais ou menos evoluí-
das. O conceito de evolução é da Biologia e não deve ser de nenhuma forma empre-
gado na avaliação das culturas. As culturas são únicas e apenas pela perspectiva 
da sua singularidadeelas devem ser avaliadas e estudadas.
Dessa forma, podemos notar a contradição gerada pelo preconceito e pelo etnocentrismo. 
De um lado, temos o colonizar europeu, mais forte belicamente que, no ímpeto de dominar, afir-
mou que a cultura indígena era irrelevante. Do outro lado, temos os povos indígenas, com uma 
cultura que poderia ter sido preservada e que tinha muito a ensinar, mas que foi dominada em 
nome de interesses econômicos.
No século XVI, não havia separação entre o Estado e a Igreja. Por isso, a colonização trouxe a 
evangelização. Para o rei, converter os índios em cristãos era o mesmo que ter vassalos e garantir 
a fidelidade à coroa e a Igreja. Mas, isso não quer dizer que não havia tensões entre os colonos e 
os jesuítas. Monteiro afirma:
Realmente, ao passo que os colonos não se mostravam unívocos a favor da escravidão 
como forma singular do trabalho indígena, nem todos os jesuítas se opunham ao cativeiro. 
Afinal de contas, todos – excluindo os índios, é claro – concordavam que a dominação nua 
e crua proporcionaria a única maneira de garantir, de uma vez por todas, o controle social 
e a exploração econômica dos indígenas. (MONTEIRO, 1994, p. 41).
Muito embora, atualmente, os índios do inicio da colonização brasileira sejam vistos como 
povos de resistência e luta, a ênfase recai sobre a destruição dos povos nativos. Fome, doenças, as 
longas viagens de volta do sertão e os maus-tratos causavam as mortes dos índios (MONTEIRO, 
1994, p. 157). Neste sentido, não só as armas, mas as doenças também foram fundamentais para 
a destruição destes povos indígenas (MONTEIRO, 1984, p. 29). Conforme observa Monteiro: “Sem 
dúvida, o choque do contato, agravado pelos surtos de doenças infecciosas, enfraqueceu e desar-
ticulou as sociedades indígenas” (MONTEIRO, 1994, p. 155).
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 71 – 
Fechamento
A reflexão proposta nesta aula possibilita-nos pensar sobre a grande discriminação à qual foram 
submetidos os povos indígenas brasileiros e ajuda-nos a entender que o preconceito que ainda per-
siste em nossa sociedade é fruto de um processo histórico, que se inicia no próprio imaginário do colo-
nizador e materializou-se por meio da escravidão, da violência e das tentativas de aculturação. Hoje, 
por outro lado, a discriminação manifesta-se em qualquer gesto de exclusão e deve ser combatida. 
Nesta aula, você teve a oportunidade de:
 • compreender o impacto da presença europeia na sobrevivência indígena;
 • discutir sobre a influência e presença da cultura indígena na nossa formação.
Referências
FAUSTO, Bóris. História do Brasil São Paulo: Edusp, 2002. 
FUNAI. Narigueira Emplumada Nambiquara.Disponível em: <http://museudoindio.gov.br/nari-
gueira-emplumada-nambiquara>. Acesso em: 04 jan. 2017.
NEVES, EduardoGóes. Existe algo que se possa chamar de “arqueologia brasileira”?.Estud. av., 
São Paulo,v. 29,n. 83,p. 07-17, abr. 2015. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?scrip-
t=sci_arttext&pid=S0103-40142015000100007&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 16jan. 2017.
SOUZA, Laura de Mello e. O diabo e a Terra de Santa Cruz. São Paulo: Cia. Das Letras, 1986. 
TODOROV, Tzvetan. A conquista da América: a questão do outro. São Paulo: Martins Fontes, 1999. 
ALMEIDA, Maria Regina Celestino de. John Manuel Monteiro (1956-2013): um legado inestimável 
para a Historiografia. Rev. Bras. Hist. [online]. 2013, v. 33, n. 65, p. 399-403. Disponível em: <http://
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102=01882013000100017-&lng=en&nrm-
iso>. Acesso em: 12 fev. 2017.
MONTEIRO, John Manuel. “Vida e morte do índio: São Paulo Colonial”. In: BORELLI, Sílvia (Org.). Os 
índios do estado de São Paulo: resistência e transfiguração. São Paulo: Yankatu, 1984.
______. Negros da Terra: Índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo: Cia das 
Letras, 1994.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 72 – 
O negro: cultura e o trabalho escravo
Adriana Duarte de Souza Carvalho da Silva
Introdução
Para compreender a sociedade contemporânea é importante entender os diferentes proces-
sos históricos, como os relacionados aos povos africanos. A partir de agora vamos aprender sobre 
a chegada dos portugueses à África, a escravidão, a chegada dos negros ao Brasil e a resistência 
deles a esse regime. Ao estudar todos esses aspectos, vamos conhecer as causas da exclusão do 
negro na sociedade e da discriminação ainda presentes.
Objetivos de Aprendizagem
Assim, ao final dos estudos, você será capaz de:
 • entender o processo de escravidão negra no Brasil;
 • compreender a influência da cultura negra na sociedade brasileira.
1 Raízes na África
Ao começarmos nosso estudo é importante ressaltar que há uma percepção bastante equi-
vocada sobre o continente africano à época da exploração do tráfico negreiro (OLIVA, 2003). Criou-
-se o imaginário de um povo de cultura limitada, inferior à cultura europeia. Contudo, é fundamental 
ficar claro que a África era um continente habitado por povos de rica cultura que foram brutal-
mente escravizados pelo europeu. 
Figura 1 – Continente Africano
Fonte: Bardocz Peter/Shutterstock.com
 – 73 – 
TEMA 10
Segundo Costa e Silva (1994), já no período em que os europeus passaram a invadir a costa 
africana, esta já possuía milhares de habitantes. O autor menciona que haviam nações organiza-
das com comércio, idioma, história, religião e festas próprios.
 Então, é fundamental romper com o olhar discriminatório sobre a África.
SAIBA MAIS!
Conheça mais detalhes sobre esse olhar equivocado em relação à África lendo “A 
História da África nos bancos escolares. Representações e imprecisões na literatura 
didática”, página 421 a 461. O texto está disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/
eaa/v25n3/a03v25n3.pdf.>
E como o povo europeu chegou à África e converteu habitantes em escravos? É o que vamos 
conhecer a seguir, Acompanhem-nos!
2 Século XV: os primeiros contatos 
com os portugueses
 Precisamos lembrar que Portugal teve seus primeiros contatos com a costa do continente 
africano ainda no começo do século XV, no contexto nas Grandes Navegações. Mas, diferente-
mente do que aconteceu na América, os europeus já conheciam o continente africano. Portugal 
estabeleceu algumas colônias de povoamento na África, começando por Ceuta, em 1415, e rapi-
damente percebeu que o tráfico de escravos poderiaser lucrativo. 
Figura 2 – Portugal estabeleceu colônia em Ceuta
Fonte: Dmitry Kaminsky/Shutterstock.com
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 74 – 
http://www.scielo.br/pdf/eaa/v25n3/a03v25n3.pdf
http://www.scielo.br/pdf/eaa/v25n3/a03v25n3.pdf
Na época havia constantes conflitos entre os povos que habitavam a África. De acordo com 
Albuquerque e Fraga Filho (2006), existia a prática de os vencedores tornarem escravos os per-
dedores. Era a chamada escravidão doméstica. Os portugueses aproveitaram-se dessa prática 
trocando os escravos domésticos por inúmeros objetos desejados pelos africanos. 
E assim como o europeu criou um imaginário em relação ao africano, este também criou fanta-
sias sobre o europeu. Os autores Albuquerque e Fraga Filho (2006, p.22) descreveram essa relação:
Já sabemos que o comércio de escravos na África existia antes da chegada dos euro-
peus. Ali mesmo nas proximidades do rio Senegal, os reis jalofos há muito participavam 
do comércio transaariano [sic] fornecendo escravos, ouro, malagueta, plumas e peles de 
animais. Mas então as coisas mudaram de rumo. O embarque dos cativos, naquele bar-
co assombrosamente grande, trouxe inquietação aos africanos. Havia, por exemplo, uma 
crença entre os africanos de que os europeus eram ferozes canibais, capazes de devorar a 
carne negra e guardar o sangue para tingir tecidos ou preparar vinho.
3 Sem direito a alma, a escravidão
Assim, os povos africanos foram levados para o regime de escravidão no Brasil.
Saiba que a mão de obra escrava foi intensamente utilizada no Brasil durante todo o periodo 
colonial até as vésperas da República, no século XIX. Costa (1999) explica que essa mão de obra 
escrava foi usada em todas as colônias cuja exploração estivesse ligada ao comércio internacional 
e nas quais os indígenas não suprissem todas as necessidades. Tratava-se de um sistema base-
ado na propriedade do escravo pelo senhor.
EXEMPLO
Para você entender melhor, imagine um proprietário de fábrica de automóveis nos 
dias de hoje. Ele é dono do imóvel onde funciona o negócio, é proprietário das má-
quinas e da materia-prima. Tudo isso forma seu capital. Para construir os auto-
móveis, contrata trabalhadores assalariados. Costa (1999) mostra, contudo, que o 
escravo é trabalho e capital ao mesmo tempo, gerando grandes contradições.
O trabalho dos escravos era compulsório, sem qualquer salário. E havia punições físicas para 
garangir a execução do trabalho. A questão racial era um argumento tão forte à época, que se afir-
mava que o negro não tinha alma, o que tirava deles a condição de seres humanos. Evidentemente 
esse argumento era utilizado para justificar a escravidão e a violência, da mesma forma como fora 
feito com os índios.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 75 – 
FIQUE ATENTO!
O Direito Penal brasileiro reconhece que há, no Brasil, o chamado trabalho análogo 
ao escravo. Trata-se de um forma ilegal de trabalho que ainda persiste. O critério 
não é racial, mas da pobreza. Homens, mulheres e crianças pobres são atraídos 
com promessas de bons salários e levados a fazendas longínguas, onde trabalham 
em condições desumanas, com poucas possibilidades de fuga.
O trabalho escravo logo provocou reação e mobilizações pelo fim deste regime. 
4 Movimentos de resistência
A escravidão desencadeou vários movimentos de resistência por parte dos negros, insatis-
feitos com o cativeiro, com a violência, com o trabalho forçado e desumano. Muitos escravos 
conseguiam fugir e formavam quilombos. O mais importante deles foi o Quilombo dos Palmares, 
por agregar o maior número de negros fugidos.
EXEMPLO
Além do Quilombo de Palmares, o Quilombo de Ambrósio também ficou bastante 
conhecido. Localizou-se em Minas Gerais, sendo ocupado por cerca de 15 mil es-
cravos fugidos.
Figura 3 – Estátua do líder Zumbi, do Quilombo dos Palmares
Fonte: Cassiohabib/Shutterstock.com
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 76 – 
Leite (1999, p. 127) define quilombo da seguinte forma: “(…) reação guerreira a uma situação 
opressiva.” A autora explica que é uma palavra do povo banto, da África, que significa acampa-
mento guerreiro. Segundo ela, os quilombos foram espaços organizados que possibilitavam aos 
negros fugidos viverem e foram mantidos por meio de lutas por gerações.
FIQUE ATENTO!
Os quilombos possibilitaram a formação de famílias, de espaços produtivos de agri-
cultura e pecuária, de relações de poder e de espaços de lazer. Devido às invasões 
externas houve a necessidade de criação, também, de estratégias de defesa.
O trabalho escravo se perpetuou no Brasil até o fim do século XIX, ou seja, toda a nossa histó-
ria colonial e imperial é marcada pelo trabalho escravo. A abolição da escravidão ocorreu um ano 
antes da Proclamação da República, justamente porque a escravidão era a última instituição que 
sustentava a monarquia portuguesa. 
Os sinais da resistência contra o racismo ainda hoje estão bastante presentes.
5 Vozes da África no Brasil
As vozes da África permanecem no Brasil sob diversas formas. Uma delas são os grupos 
remanescentes de quilombos que têm inclusive proteção constitucional. Sobre isso, Villas (2005, 
p. 187) explica:
A figura “remanescente de quilombo” significa uma nova dimensão de quilombo no Brasil, 
para além da concepção arqueológica, inaugurada desde a promulgação da Constituição 
da República Federativa do Brasil de 1988 que reconhece, no artigo 68, a posse definitiva 
da terra e a obrigatoriedade do Estado na emissão dos títulos correspondentes a toda co-
munidade remanescente de quilombo.
Conforme o Ministério da Justiça e da Cidadania (2017), o Programa Brasil Quilombola asse-
gura aos remanescentes de quilombos os seguintes direitos: acesso à terra; acesso a serviços 
públicos; apoio ao desenvolvimento econômico local e garantia da partipação social dos quilom-
bolas nas discussões políticas que envolvam essas populações.
FIQUE ATENTO!
O processo que levou ao reconhecimento do direito à terra aos quilombolas foi de 
muita pressão sobre os poderes públicos, mas hoje esses povos têm o direito re-
conhecido.
Além da proteção constitucional sobre as populações descendentes de quilombolas, tam-
bém está obrigatório por lei federal o ensino da cultura africana nas escolas. Essa temática neces-
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 77 – 
sariamente deve estar presente nos currículos escolares, pois se tata de uma política pública fun-
damental para manter as vozes do continente africano.
Figura 4 – Algemas de ferro que eram usadas em escravos
Fonte: Diego Grandi/Shutterstock.com
SAIBA MAIS!
Conheça mais sobre a lei da obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-
brasileira no Brasil, acessando <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/
L10.639.htm>.
Ensinar a cultura africana nas escolas tem como objetivo enfrentar nosso histórico racista, 
de exclusão do negro, e resgatar a contribuição do negro nas áreas social, econômica e politica na 
História do Brasil. É o que esperamos que ocorra. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.639.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.639.htm
Fechamento
A escravidão foi nefasta para o africano, que foi roubado de seu território e sua cultura, para 
viver em trabalho forçado. Vivemos ainda nos dias de hoje as consequências desse regime preda-
tório de trabalho com a discriminação contra o negro. 
Nesta aula você teve a oportunidade de:
 • como viviam os africanos antes do processo colonizatório.
 • o início do tráfico negreiro.
 • os movimentos de resistência contra a escravidão.
 • o movimento quilombola. 
Referências
ALBUQUERQUE, Wlamyra, R.; FRAGA FILHO, Walter. Uma história do negro no Brasil. Salvador: 
Centro de Estudos Afro-Orientais; Brasília: Fundação Cultural Palmares, 2006. 
BRASIL. Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/cci-
vil_03/leis/2003/L10.639.htm. Acesso em: 5 jan. 2017.
COSTA, Emília Viottida.Monarquia à República: momento decisivos.São Paulo: Unesp, 1999.
LEITE, Ilka Boaventura. Quilombos e Quilombolas: cidadania ou folclorização? Horizontes Antro-
pológicos, Porto Alegre, ano 5, n. 10, p. 123-149, maio 1999. Disponível em: <http://www.scielo.br/
pdf/ha/v5n10/0104-7183-ha-5-10-0123.pdf>. Acesso em: 07 jan.2017. 
VILAS, Paula Cristina. A voz dos quilombos: na senda das vocalidades afro-brasileiras. Horizontes 
Antropológicos. Porto Alegre, v. 11, n. 24, p. 185-197, dez. 2005. Disponível em <http://www.scielo.
br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000200009&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em 
05 jan. 2017. 
COSTA eSILVA, Alberto da. O Brasil, a África e o Atlântico no século XIX. Estudos. Avançados. São 
Paulo, v. 8, n. 21, p.21-42, 1994. Disponível em:<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttex-
t&pid=S0103-40141994000200003&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 06 jan. 2017. 
OLIVA, Anderson Ribeiro. A História da África nos bancos escolares. Representações e impreci-
sões na literatura didática. Estudos Afro-Asiáticos, ano 25, no 3, 2003, pp. 421-461. Disponível em: 
<http://www.scielo.br/pdf/eaa/v25n3/a03v25n3.pdf>. Acesso em: 06 jan.2017. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
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http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei 10.639-2003?OpenDocument
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.639.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.639.htm
http://www.scielo.br/pdf/ha/v5n10/0104-7183-ha-5-10-0123.pdf
http://www.scielo.br/pdf/ha/v5n10/0104-7183-ha-5-10-0123.pdf
http://www.scielo.br/pdf/eaa/v25n3/a03v25n3.pdf
Democracia racial
Adriana Duarte de Souza Carvalho da Silva
Introdução 
Vamos conhecer o pensamento de importantes sociólogos e antropólogos que fundaram um 
olhar sobre a sociedade brasileira, entendendo-a a partir da mistura de raças e culturas. Também 
estudaremos a releitura de autores contemporâneos que mostram como a sociedade brasileira é 
ainda discriminatória.
Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • compreender o debate sobre a formação social brasileira;
 • conhecer as obras de pensadores sobre a formação social brasileira, como Gilberto 
Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Darcy Ribeiro.
1 Conceito de democracia racial
Para compreender melhor, primeiro precisamos conhecer o que significa democracia racial. 
Segundo essa interpretação, todas as raças e etnias de uma determinada nação poderiam viver 
em harmonia, sem qualquer forma de exclusão e sem negação de direitos a indivíduos de determi-
nadas raças (GUIMARÃES, 2006). 
A democracia racial pode ser entendida como um mito, que nunca existiu em sociedade 
alguma. Guimarães (2006) explica que se trata de uma ideologia construída culturalmente, para 
servir a determinados interesses políticos que desejam estimular a ideia de que não havia precon-
ceito racial no Brasil. E o que é preconceito racial?
Nogueira (2006, p. 292) afirma que
Considera-se como preconceito racial uma disposição (ou atitude) desfavorável, cultural-
mente condicionada, em relação aos membros de uma população, aos quais se têm como 
estigmatizados, seja devido à aparência, seja devido a toda ou parte da ascendência étnica 
que se lhes atribui ou reconhece.
Vamos conhecer como foi criado o conceito de democracia racial e depois desconstruído por 
diferentes autores?
 – 80 – 
TEMA 11
2 Gilberto Freyre
Na obra de Gilberto Freyre “Casa-Grande & Sensala”, de 1933, podemos encontrar não o con-
ceito de democracia racial, mas a ideia que viria a caracterizar esse conceito, de que no Brasil euro-
peus, negros e índios viveriam em harmonia. O autor narra a vida privada de escravos e senhores 
e, estudando a vida sexual de senhores, escravas e índias, e apresenta a tese da miscigenação na 
formação da sociedade brasileira. Leia a afirmação de Freyre (2002, p. 364): “Os homens não ‘gos-
tavam de casar para toda a vida’, mas de unir-se ou de amasiar-se; as leis portuguesas e brasileira, 
facilitando o perfilamento dos filhos ilegítimos, só favoreciam essa tendência para o concubinato 
e para as ligações efêmeras.”
SAIBA MAIS!
Para uma leitura atualizada a respeito das relações raciais no Brasil, leia “Depois da 
democracia racial”. O texto está disponível em <http://www.scielo.br/pdf/ts/v18n2/
a14v18n2.pdf>.
A percepção de Freyre (2002) sobre as relações entre senhores e escravos recebeu críticas, 
porque o autor as considerava como harmoniosas e quase isentas de conflitos. A obra “Casa-
-Grande & Senzala” ameniza a violência da escravidão.
Um outro viés sobre essas relações está na obra de Sérgio Buarque de Holanda.
3 Sérgio Buarque de Holanda e o homem cordial
Buarque de Holanda escreveu a obra “Raízes do Brasil”, na qual ele apresenta o conceito de 
homem cordial. No senso comum um homem cordial é aquele que é educado, gentil e tem boas 
maneiras. Mas para Holanda (1995) o significado é outro: é aquele que se utiliza do que é público 
(de toda a sociedade) ao ocupar um cargo público para realizar seus próprios interesses privados. 
Essa ausência de distinção entre o público e o privado é chamada de patrimonialismo.
EXEMPLO
Imagine o vereador de determinado município que tem o direito a utilizar um veículo 
da administração pública para viagens oficiais. Contudo, em um feriado prolonga-
do, esse representante decide usá-lo para viajar à praia com a família.
Perceba que essa não é uma prática incomum no Brasil, como é noticiado diariamente na mídia.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
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http://www.scielo.br/pdf/ts/v18n2/a14v18n2.pdf
http://www.scielo.br/pdf/ts/v18n2/a14v18n2.pdf
Figura 1 – Corrupção é exemplo de patrimonialismo
Fonte: shutterlk/Shutterstock.com.
A corrupção é um exemplo atual do patrimonialismo a que se refere Holanda (1995). Quando 
um político desvia dinheiro de uma obra pública para sua própria conta bancária, ele está sendo o 
homem cordial, confundindo o público com o privado. 
4 Darcy Ribeiro e a miscigenação
A realidade do país foi também estudada pelo antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro. Ele dedi-
cou-se a compreender o impacto da mistura de raças que fundou a sociedade brasileira, ou seja, 
o europeu branco, o negro africano e o indígena. Esse foi o objetivo da sua obra “O Povo Brasileiro” 
(1995), ou seja, analisar as consequências da miscigenação e da construção da cultura brasileira 
como conjunto da cultura de todas essas raças.
Figura 2 – Povo multiétnico 
Daniel M Ernst/Shutterstock.com.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 82 – 
Ribeiro (1995) defende que todas essas tradições culturais diferentes ao se unirem formam 
a gênese de um novo povo, que é o brasileiro. Para o autor, temos uma sociedade multiétnica, 
que surge a partir de uma história de trabalho escravo, de violência, de repressão e do que o autor 
chama de etnocídio, que é o assassinato de culturas inteiras.
A crítica feita à obra de Darcy Ribeiro é que, ao estudar a mestiçagem e supor a construção 
de uma cultura quase homogênea, que é a cultura do povo brasileiro, o autor tenha tido um olhar 
ingênuo para a complexidade das relações raciais no Brasil. 
Depois de conhecer a síntese do pensamento desses importantes estudiosos, voltamos à 
questão inicial, sobre a democracia racial. 
5 Há mesmo uma democracia racial?
Não há democracia racial no Brasil, já que a violência racial se manifesta de várias maneiras. 
Por exemplo, há violência quando um empregador remunera seu empregado negro com salário 
menor do que o pago ao empregado branco. 
Guimarães (2006) enfatiza que o movimento negro, que luta pelos direitos dos negros e pelo 
fim da violência, denuncia o conceito da suposta democracia racial brasileira como racista, porque 
essa concepção nega que existam ainda atos discriminatórios.
FIQUE ATENTO!
É evidente que seria muito bom se o Brasil fosse, de fato, uma democracia racial. O 
problema é a forma como essa interpretação foi criada no início do século XX. Ela 
veio para mascarar relações de poder entre brancos, negros e índios.
6 As desigualdades raciais: preconceitode marca e 
preconceito de origem em Oracy Nogueira
Para compreender o pensamento de Nogueira (2006) é fundamental compreender as diferen-
ças históricas entre a manifestação do preconceito racial no Brasil e nos Estados Unidos.
FIQUE ATENTO!
O racismo acompanha a história da humanidade em todo o globo.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 83 – 
Nogueira (2006, p. 291-2) define a seguinte classificação: “Na falta de expressões mais adequa-
das, o preconceito, tal como se apresenta no Brasil, foi designado por preconceito de marca, reservan-
do-se para a modalidade em que aparece nos Estados Unidos a designação de preconceito de origem”.
EXEMPLO
Nos EUA, o preconceito racial já foi muito direto. Os negros eram proibidos, por 
exemplo, de entrar em restaurantes frequentados por brancos. No Brasil, o precon-
ceito não ocorria dessa maneira, mas de forma tácita, em atos de exclusão, como 
quando o empresário que promove somente pessoas brancas.
Para ficar mais claro, acompanhe no quadro a seguir as diferenças entre os dois conceitos, 
relembrando que o preconceito de marca ocorre sobretudo no Brasil, e o preconceito de origem 
nos Estados Unidos.
Quadro 1 – Preconceito de marca e de origem
Preconceito de marca
exercido em relação à aparência, incluindo fisionomia, biotipo, movimentos corporais e formas de falar.
Preconceito de origem
exercido em relação a todo grupo étnico, independentemente de qualquer outra variável. 
Fonte: adaptado de NOGUEIRA, 2006.
De acordo com Nogueira (2006), no Brasil, o preconceito de marca elege o fenótipo (a aparên-
cia racial) como critério para a discriminação. Diversas gradações classificatórias consideram não 
só as nuances da cor – “preto”, “mulato”, “mulato claro”, “escuro”, “pardo”, “branco” – como aspectos 
fisionômicos como lábios, nariz, cor dos olhos, tipo de cabelo, dentre outros. Já nos Estados Uni-
dos, o preconceito de origem elege como critério de discriminação a ascendência: qualquer que 
seja a presença de ancestrais do grupo discriminador ou discriminado na ascendência de uma 
“pessoa mestiça”, ela é classificada junto ao grupo discriminado.
Nogueira (2006) criou essa classificação para melhor compreender as manifestações do pre-
conceito. Mas, qualquer que seja ela, precisa ser combatida com políticas públicas e com a puni-
ção de quem comete qualquer forma de discriminação racial. 
7 Kabengele Munanga e a educação
Para o antropólogo e professor Munanga, estudioso do racismo, a escola é um espaço de 
construção da cidadania, e a temática do multiculturalismo faz parte do preparo para a cidadania. 
O multiculturalismo é o respeito à diversidade cultural. O autor propõe uma educação que faça 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 84 – 
a defesa da diversidade e, ao mesmo tempo, promova a defesa daquilo que assemelha todo ser 
humano. Leia a crítica que Munanga (2015, p.22) faz às obras de Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro:
O Brasil, um país que nasceu justamente do encontro de culturas e civilizações, não pode se 
ausentar desse debate. O melhor caminho, a meu ver, é aquele que acompanha a dinâmica 
da sociedade através das reivindicações de suas comunidades e não aquele que se refugia 
numa abordagem superada da mistura racial que, por dezenas de anos, congelou o debate 
sobre a diversidade cultural e racial no Brasil (...). 
SAIBA MAIS!
Para conhecer melhor as ideias do professor Munanga, assista à videoaula “Relações 
Étnico-Raciais”, que está disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=7Fx-
JOLf6HCA>.
 Munanga (2015) defende para o combate ao preconceito uma educação que ensine a impor-
tância da convivência igualitária e o respeito às diferenças, que nunca devem ser negadas.
8 Críticas às cotas raciais
As cotas raciais, que fazem parte das chamadas políticas de ações afirmativas, garantem 
reservas de vagas para negros e índios em universidades públicas e concursos públicos. Esse é 
um tema polêmico, que divide a sociedade brasileira. No esquema abaixo, apresentaremos o posi-
cionamento crítico às cotas e o pensamento que é a favor delas. Acompanhe!
Quadro 2 – Cotas raciais
Pensamento crítico
Afirma que as cotas raciais favorecem a desigualdade, ao promorcionar um tratamento mais benéfico a 
determinadas raças, criando um sistema de privilégio. Os críticos destacam que as cotas rompem com 
a meritocracia e que são injustas. Defedem que o critério para entrar em universidades e concursos 
públicos deve ser meritocrático. 
Pensamento apologético
Defende que as cotas são uma questão de justiça social, já que negros e índios têm uma história de 
exclusão da esfera de direitos, desde o período colonial. Os apologetas defendem que as injustiças 
cometidas precisam ser corrigidas e que, enquanto houver discriminação, são necessárias as políticas 
afirmativas. Dizem, ainda, que enquanto houver desigualdade no tratamento de negros e índios, devem 
haver políticas públicas - como as cotas - que promovam seus direitos. 
Fonte: elaborada pela autora, 2017.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
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https://www.youtube.com/watch?v=7FxJOLf6HCA
https://www.youtube.com/watch?v=7FxJOLf6HCA
FIQUE ATENTO!
No Brasil temos também políticas afirmativas para pessoas com deficiência. Por 
exemplo, há uma lei que obriga empresas com determinado número de emprega-
dos a contratar pessoas com deficiência. Mas tradicionalmente não há oposição no 
Brasil a essas políticas afirmativas. 
Como você pode perceber, a discussão das cotas envolve questões políticas e ideológicas 
complexas e não há consenso na sociedade brasileira sobre elas. Você também pôde entender 
como se formaram os diferentes pensamentos a respeito da questão racial no país. 
Fechamento
Nesta aula, você teve a oportunidade de:
 • entender a construção do conceito de democracia racial no início do século XX no Brasil;
 • compreender a desconstrução dessa ideologia pela antropologia atual;
 • conhecer o papel da educação no combate ao racismo;
 • saber quais são os dois lados da discussão sobre as cotas raciais. 
Referências 
FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala. Rio de Janeiro: Record, 2002.
GUIMARÃES, Antônio Sérgio Alfredo. Depois da democracia racial. Tempo Social, revista de socio-
logia da USP. v. 18, n. 2, nov. 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ts/v18n2/a14v18n2.
pdf>. Acesso em: 09 jan. 2017. 
HOLANDA, Sérgio Buarque. Raízes do Brasil. São Paulo: Cia das Letras, 1995. 
MUNANGA, Kabengele. Por que ensinar a história da África e do negro no Brasil de hoje? Revista 
do Instituto de Estudos Brasileiros, São Paulo, n. 62, p. 20-31, dez. 2015. Disponível em: <http://
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0020-38742015000300020&lng=pt&nrm=iso>. 
Acesso em: 10 jan. 2017. 
NOGUEIRA, Oracy. Preconceito racial de marca e preconceito racial de origem: sugestão de um 
quadro de referência para a interpretação do material sobre relações raciais no Brasil. Tempo 
Social, revista de sociologia da USP, v. 19, n. 1, p. 287-308, nov. 2006.
RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das 
Letras, 1995. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
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http://www.scielo.br/pdf/ts/v18n2/a14v18n2.pdf
http://www.scielo.br/pdf/ts/v18n2/a14v18n2.pdf
Cultura
Adriana Duarte de Souza Carvalho da Silva
Introdução
O conceito de cultura é muito amplo nas Ciências Humanas. Nesse tema, vamos estudá-lo 
a partir de autores da Sociologia e da Antropologia que avaliam a questão cultural a partir do 
chamado relativismo cultural. Discutiremos ainda a homofobia, a transfobia e a xenofobia de uma 
perspectiva crítica. Você entenderá a cultura a partir de suas diversas formas de expressão.
Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • entender a cultura a partir de suas diversas formas de expressão.
1 O que é cultura?
Você saberia dizer o que é cultura? Aqui vamos conhecer o que é cultura não a partir do sig-
nificado que usamos no dia a dia, mas a partir do conceito sociológico, antropológico. No senso 
comumutilizamos a palavra cultura para qualificar uma pessoa.
EXEMPLO
É comum ouvirmos de uma pessoa o seguinte: “Maria é uma pessoa de muita cul-
tura. Ela estudou muito e é culta.” Podemos também fazer a seguinte afirmação: 
“Para ter cultura, é preciso frequentar a escola.”Ambos são exemplos do conceito 
de cultura que a relaciona com a aquisição de conhecimento.
Do ponto de vista da Antropologia, a cultura é o âmbito do simbólico. Para Mintz (2010, p. 223)
Define-se cultura como uma propriedade humana ímpar, baseada em uma forma simbóli-
ca, ‘relacionada ao tempo’, de comunicação, vida social, e a qualidade cumulativa de inte-
ração humana, permitindo que as ideias, a tecnologia e a cultura material se “empilhem” no 
interior dos grupos humanos. 
Para o autor a cultura é uma característica ímpar dos seres humanos porque nenhum outro 
ser vivo possui cultura. A cultura está também relacionada ao tempo, porque não há cultura está-
tica, ela está sempre em movimento, transformando a sociedade e os indivíduos. Além disso, a 
cultura é criada no contexto das relações sociais e, ao ser acumulada, passa de geração para 
geração, que pode transformá-la.
 – 87 – 
TEMA 12
SAIBA MAIS!
Para conhecer mais sobre a obra de Sidney Mintz, não deixe de ler o artigo “Cultura: 
uma visão antropológica”. O texto está disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/
tem/v14n28/a10v1428.pdf>. 
Figura 1 – Casamento 
Fonte: Halfpoint/Shutterstock.com
A celebração de casamento também é a manifestação simbólica de instiuições sociais, 
como a família e a monogamia. Segundo Mintz (2010), o comportamento das pessoas não está 
dado pelo seu código genético, mas sim por códigos que foram socialmente formados ao longo 
das gerações. Dentro desse código, as pessoas têm alternativas: podem escolher entre casar-se 
ou não casar. De qualquer forma, independentemente dessa escolha a instituição do casamento 
continuará a existir.
Depois de conhecermos o que é cultura, ficará mais fácil entender subculturas.
2 Subculturas
Tenha em mente que o conceito de cultura é utilizado no contexto do Estado-nação. Fala-
mos em cultura brasileira ou ainda cultura japonesa. Se comemos sushi, dizemos que comemos 
comida japonesa, ou seja, da cultura que existe dentro do Estado-nação chamado Japão. Dentro 
de um país não há uma única cultura, mas sim um conjunto de culturas e subculturas, que se mani-
festam no comportamento de grupos sociais específicos. Um exemplo é o movimento hippie, que 
foi bastante popular nos anos 60.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
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http://www.scielo.br/pdf/tem/v14n28/a10v1428.pdf
http://www.scielo.br/pdf/tem/v14n28/a10v1428.pdf
Figura 2 – Movimento hippie
Fonte: Radharani/Shutterstocks.com
As subculturas mantêm a autenticidade de determinados grupos. Portanto, lembre-se de que 
não é possível haver uma sociedade de cultura homogêna, em que valores e padrões de com-
portamento sejam igualmente compartilhados por todos. A cultura além de não ser singular está 
sempre em transformação. É o que veremos a seguir. Acompanhe-nos!
3 Relativismo cultural
Na Biologia costumamos utilizar o conceito de evolução ao contar a História Natural do pla-
neta. De forma bem simples, evoluir é passar de um estágio para outro, ou seja, de um estágio 
menos evoluído para um mais evoluído. Dessa forma, podemos concluir que, quando algo evolui, 
ele também melhora. 
 Esse conceito começou a ser utilizado por alguns pensadores sociais, ainda nos séculos 
XVIII e XIX. Esses pensadores afirmavam que as sociedades também evoluem e, que, portanto, há 
culturas mais avançadas e outras menos. No entanto, essa percepção além de equivocada, gera 
muito preconceito. É fundamental compreender, portanto, que não existe evolução cultural. As 
sociedades apenas são diferentes e mudam.
Figura 3 – Mudanças na sociedade
Fonte: katatonia82/Shutterstock.com
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 89 – 
EXEMPLO
Atualmente, vivemos em uma época em que se comunicar é muito fácil. Temos 
smatphones, e-mails, redes sociais. Talvez você se pergunte: não é melhor viver em 
uma sociedade na qual é mais fácil se comunicar? A sociedade não evoluiu ao criar 
a internet? Não, a sociedade apenas mudou. A comunicação trouxe várias facilida-
des, mas ao mesmo tempo problemas foram criados, como o descarte cada vez 
maior de equipamentos eletrônicos.
Bastian (1971) explica que o relativismo cultural combate a ideia de que haveria valores cultu-
rais absolutos e que cada valor cultural só pode ser avaliado no contexto histórico-social em que foi 
Depois de conhecer o que significa relativismo cultural, vamos a outro importante conceito, o 
de diversidade cultural. Continue conosco!
4 A diversidade cultural
 Diversidade cultural não é apenas reconhecer que a sociedade brasileira é composta por 
várias culturas, mas também reconhecer que essa diversidade é fundamental a essa sociedade e 
a enriquece. Canen e Xavier (2011, p. 641) afirmam que
As questões que envolvem a diversidade cultural brasileira têm sido alvo de inúmeros estu-
dos na última década no cenário educacional. Cada vez mais conceitos como diversidade, 
diferença, igualdade e justiça social têm se configurado como uma preocupação por parte 
daqueles que lutam por uma educação verdadeiramente cidadã.
Canen e Xavier (2011) defendem a necessidade do multiculturalismo e da superação da ideia 
de homogeneização cultural. E o que acontece quando ocorre o contrário, ou seja, estabelecem-se 
barreiras? É o que vamos ver a seguir.
FIQUE ATENTO!
A cidadania plena só será efetivamente consolidada no Brasil quando houver o re-
conhecimento de que a diferença faz parte da construção de qualquer sociedade e 
que todos os indivíduos, independente da cultura, devem ser incluídos e protegidos 
pelo Estado.
5 Etnocentrismo e xenofobia
Quando há uma exacerbação do etnocentrismo, de considerar-se como parte de uma cultura 
superior, temos a xenofobia. O tema é bastante debatido pelas organizações internacionais dentro da 
lógica dos direitos humanos. Atualmente, há milhões de refugiados de países em guerra ou vítimas 
de desastres naturais que migram para a Europa ou para a América, em busca de uma vida melhor.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 90 – 
Figura 4 – Refugiados
Fonte: Fishman64/Shutterstock.com
FIQUE ATENTO!
O que acirra o debate sobre os imigrantes no Brasil é a hipótese de que poderiam 
tirar o emprego dos brasileiros. Contudo, como deixar seres humanos morrerem de 
fome em países em guerra? Esse é o argumento das organizações internacionais.
Costa (2012) menciona que o preconceito contra imigrantes tem aumentado em países 
desenvolvidos, polarizando as sociedades. 
Veremos, a seguir, outras formas de expressão de preconceito.
6 Homofobia e transfobia
Há uma corrente filosófica chamada de dogmática que defende haver apenas valores abso-
lutos, que o certo e o errado são inquestionáveis (BASTIAN, 1971). Esta é a concepção presente no 
pensamento homofóbico e transfóbico. 
O pensamento homofóbico considera que a única forma de viver a sexualidade seja a hete-
rossexual, o que leva à ampla intolerância, porque é incapaz de olhar o outro e entender a dife-
rença e respeitá-la.
SAIBA MAIS!
Para conhecer mais a respeito do pensamento dogmático, sugerimos a leitura “O 
relativismo cultural é válido nas ciências da saúde? Exame de suas bases filosó-
ficas”. Acesse: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89 
101971000100010&lng=pt&nrm=iso>.
Há amplo preconceito contra toda forma de sexualidade diferente daquela do padrão hete-
rossexual. Mott (2006, p. 509) afirma: “Nestes últimos quatro mil anos da história humana, o Oci-
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dente repetiu, ad nauseam, que o amor e o erotismo entre pessoas do mesmo sexo eram ‘o mais 
torpe, sujo e desonesto pecado’, e que por causa dele Deus castigava a humanidade com pestes, 
inundações, terremotos etc.” Atualmente, entidades e organizações lutam para que homossexuais 
e transexuais tenham os mesmosdireitos de heterossexuais.
FIQUE ATENTO!
A legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo e a adoção são exemplos 
de direitos que entidades e organizações buscaram no Brasil e agora alcançaram.
A temática da cultura torna-se uma discussão complexa quando nos negamos a tratar a 
todos com dignidade. Por isso os Direitos Humanos têm imposto essa necessidade.
Fechamento 
Você conheceu o conceito de cultura e outros importantes aspectos a ela relacionados, e 
aprendeu que não há uma cultura única, absoluta.
Nesta aula, você teve a oportunidade de:
 • compreender que cada cultura tem seu valor;
 • avaliar que o relativismo cultural é fundamental para acabar com o preconceito;
 • analisar criticamente a homofobia e xenofobia;
 • discutir que as culturas mudam, mas que não há evolução cultural.
Referências
BASTIAN, Erna. O relativismo cultural é válido nas ciências da saúde? Exame de suas bases filosó-
ficas. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 5, n. 1, p. 83-88, 1971. Disponível em: <http://www.scielo.
br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89101971000100010&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 
11 jan. 2017. 
CANEN, Ana; XAVIER, Giseli Pereli de Moura. Formação continuada de professores para a diversi-
dade cultural: ênfases, silêncios e perspectivas. Rev. Bras. Educ., dez 2011, v. 16, n. 48, p.641-661. 
Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v16n48/v16n48a07.pdf>. Acesso em: 11 jan.2017. 
MINTZ, Sidney W. Cultura: uma visão antropológica. Tempo, Jun. 2010, v. 14, n. 28, p.223-237. Dis-
ponível em: <http://www.scielo.br/pdf/tem/v14n28/a10v1428.pdf>. Acesso em: 11 jan.2017. 
MOTT, Luis. Homo-afetividade e direitos humanos. Rev. Estud. Fem., Florianópolis, v. 14, n. 2, 
p. 509-521, set. 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S0104-026X2006000200011&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 11 jan. 2017. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
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http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v16n48/v16n48a07.pdf
http://www.scielo.br/pdf/tem/v14n28/a10v1428.pdf
Desigualdades sociais no Brasil
Adriana Duarte de Souza Carvalho da Silva
Introdução
Neste tema vamos estudar um problema social que tem se intensificado na sociedade bra-
sileira: a desigualdade social. Refletir sobre a desigualdade social provoca a necessidade de com-
preender o funcionamento do sistema capitalista, a questão do desemprego e da vulnerabilidade 
a que estão submetidas as famílias que estão sem emprego.
Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • entender a realidade brasileira a partir das suas desigualdades sociais. 
1 A realidade brasileira e a questão da cidadania
Para começarmos nosso estudo, entenda que a experiência da vida em sociedade é distinta 
para indivíduos de diferentes classes sociais. Pensar a realidade brasileira da população que vive 
abaixo da linha da pobreza é refletir sobre famílias que vivem diariamente situações de extrema 
vulnerabilidade, insegurança e instabilidade. O governo federal considera extremamente pobre as 
famílias que vivem com menos de 77 reais mensais (PORTAL BRASIL, 2017).
Figura 1 – Pobreza 
Fonte: Roman Bodnarchuk/Shutterstock.com
Quando direitos como alimentação e trabalho são negados aos indivíduos, então geralmente 
outros direitos sociais, como saúde, educação e lazer, também o são. Será que há cidadania 
quando os direitos mais básicos de um indivíduo são negados?
O conceito de vulnerabilidade social tem sido muito utilizado por autores para explicar a con-
dição em que vivem as pessoas a quem são negados os direitos de cidadania. 
 – 93 – 
TEMA 13
https://www.shutterstock.com/pt/g/roman+bodnarchuk
Benevides (1994, p.7) traz uma definição de cidadania:
Na teoria constitucional moderna, cidadão é o indivíduo que tem um vínculo jurídico com 
o Estado. É o portador de direitos e deveres fixados por uma determinada estrutura legal 
(Constituição, leis) que lhe confere, ainda, a nacionalidade. Cidadãos são, em tese, livres e 
iguais perante a lei, porém súditos do Estado. 
Todo cidadão tem um conjunto de direitos individuais, que, em nossa Constituição Federal, 
está apresentado no Artigo 5º. São inúmeros direitos que protegem a nossa liberdade. Veja alguns 
exemplos a seguir:
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
III - ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante [...]
Perceba como os incisos mencionados determinam a proteção das liberdades individuais. 
A cidadania não é apenas ter liberdade, mas também poder usufruir de alguns bens coletivos, 
que foram definidos no artigo 6º. da Constituição Federal.
Uma família que esteja abaixo da linha da pobreza tem sua liberdade garantida pelo artigo 
5º., mas não tem o acesso aos direitos mencionados no artigo 6º. Veja, por exemplo, que o artigo 
6º. determina que haja o direito ao trabalho. Mas se não há emprego para todos, então como esse 
direito será garantido?
EXEMPLO
O Programa Bolsa Família é uma política social que tem como finalidade garantir o di-
reito humano à alimentação. É uma estratégia, utilizada pelos governos, de garantir o 
direito à alimentação previsto em nosso texto constitucional (ZIMMERMANN, 2006).
É justamente essa inacessibilidade aos direitos mencionados no artigo 6º. que deixa tantos 
brasileiros na situação de vulnerabilidade social que mencionamos anteriormente. 
2 Desigualdade social, educação e violência urbana
E qual é a origem das desigualdades sociais? A explicação precisa ser buscada no 
sistema econômico, ou seja, no capitalismo.
SAIBA MAIS!
Conheça alguns programas sociais lendo o artigo “Pobreza, desigualdade e polí-
ticas públicas: caracterizando e problematizando a realidade brasileira”, que pode 
ser acessado em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414- 
49802010000200002&lng=en&nrm=iso>.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 94 – 
Em nossa sociedade há basicamente duas formas de os indivíduos obterem renda: por meio 
do trabalho ou por meio de bens. Evidentemente, são poucos aqueles que têm bens suficientes a 
ponto de não precisarem trabalhar, então, para a maioria da população, o trabalho é fundamental 
à obtenção de renda.
Figura 2 – Diminuição dos postos de trabalho
Fonte: Lightspring/Shutterstock.com
É importante que você entenda que a falta de trabalho é parte fundamental do sistema capi-
talista. É justamente porque há um excedente de mão de obra, que as pessoas aceitam trabalhar 
por tão pouco. Sobre isso, explica Silva (2010, p. 156): “(...) o pleno emprego é incompatível com o 
processo de acumulação gerado nas formações sociais capitalistas”.
FIQUE ATENTO!
A forma como se organiza o sistema capitalista, gerando cada vez mais pobreza, é 
uma fonte de violência. A falta de renda pode ser associada à violência, mas não é 
de forma alguma sua única motivação.
A educação aumenta as chances de obtenção de uma colocação no mercado de trabalho, e 
pode gerar mobilidade social ascendente. A educação pode ser transformadora para o indivíduo, 
mas é importante entender que a abertura de vagas em escolas, cursos profissionalizantes e uni-
versidades não implica, necessariamente, em crescimento do número de postos de trabalho, já 
que o uso da tecnologia tem excluído mais postos de trabalho do que gerado emprego na socie-
dade capitalista.
FIQUE ATENTO!
Existe uma ideologia que afirma que a qualificação gera trabalho. Contudo, se não há 
vagas para pessoal qualificado, então a qualificação não implica em empregabilidade.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 95 – 
https://www.shutterstock.com/pt/g/lightspring
Silva (2010) menciona que, há, no Brasil, uma massa de indivíduos que nunca conseguiu 
obter um emprego formal. Isso tem consequência: esse indivíduo vive de “bicos”, o que o impedirá 
de ter uma aposentadoria formal, ou ele vive de caridade, o que também o exclui da proteção da 
previdência social. 
O fenômeno da desigualdade social pode estar relacionado, no Brasil, à violência urbana. 
Uma sociedade excludentecomo a nossa, que gera pouco emprego e muita desigualdade social, 
também é uma sociedade produtora de violência. Segundo Silva (2010), segregamos territorial-
mente os mais pobres para as chamadas favelas e, ao mesmo tempo, as tememos. 
SAIBA MAIS!
Para conhecer mais sobre a exclusão territorial da pobreza, sugerimos a leitura 
de “Violência urbana, segurança pública e favelas - o caso do Rio de Janeiro atu-
al”, disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103 
-49792010000200006&lng=pt&nrm=iso>.
Veja que é preciso haver políticas de segurança urbana, mas também são necessárias políti-
cas de inclusão e de trabalho para reduzir a violência no país e as formas de exclusão e segregação. 
3 Desigualdades sociais no Brasil: 
avanços e continuidades
O capitalismo funciona a partir de uma lógica própria que, se rompida de alguma forma, que-
bra todo o sistema. Por isso o sistema capitalista tem crises constantes. Na figura você poderá 
observar o funcionamento padrão do sistema capitalista. 
Figura 3 – Capitalismo
produção trabalho consumo
Fonte: elaborada pela autora, 2017.
O capitalismo é baseado em um sistema de produção em massa.O trabalho é necessário 
para que a produção se mantenha e precisa haver mais trabalhadores do que postos de trabalho, 
para que estes aceitem trabalhar por baixos salários. Por sua vez, o trabalho gera remuneração, 
que gera consumo. 
Um dos fatores que leva à crise do capitalismo é a superprodução, gerando, como conse-
quência, o desemprego, que ocorre também devido ao uso da tecnologia, que destrói postos de 
trabalho, e consequentemente leva à queda do consumo. O desemprego revela a crise no capita-
lismo, mas, por sua vez também é fruto dele.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 96 – 
FIQUE ATENTO!
É importante lembrar que parte da população brasileira se encontra abaixo da linha 
da miséria, o que a exclui do consumo.
Contudo, vivemos um momento histórico em que a mão de obra está sendo substituída por 
máquinas, especialmente com o desenvolvimento da engenharia robótica. Sobre isso, Antunes 
(2010, p. 633) menciona:
Estamos presenciando, no meio do furacão da crise global do sistema capitalista - que vem 
atingindo o coração do sistema capitalista, ou seja, o conjunto dos países centrais do Norte 
do mundo -, a erosão do trabalho contratado e regulamentado, herdeiro das eras taylorista 
e fordista, que foi dominante no século XX e que está sendo substituído pelas diversas 
formas de “empreendedorismo”, “cooperativismo”, “trabalho voluntário”, “trabalho atípico”, 
formas que mascaram frequentemente a autoexploração do trabalho. 
Antunes (2010) explica que vivemos um momento de ampla redução dos postos de trabalho 
e, dessa forma, podemos estruturar o esquema acima de uma forma diferente:
Figura 4 – Desemprego
pouco
trabalho e
muitas
máquinasdiminuição
do consumo
baixa na
produção
crise do capitalismo
Fonte: elaborada pela autora, 2017.
O desemprego, explica Antunes (2010), leva a um fenômeno conhecido como precarização 
das relações de trabalho, que se manifesta de diversas formas. Vamos conhecê-las.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 97 – 
 • Trabalho terceirizado.
 • Trabalho por tempo determinado.
 • Trabalho informal 
 • Trabalho parcial. 
 • Empreendedores que não conseguem nem mesmo arcar com o pagamento de impos-
tos para manter uma empresa aberta.
EXEMPLO
Um exemplo de empreendedorismo informal está, por exemplo, naquela senhora que 
faz um conjunto de atividades, em seu próprio lar, que proporciona alguma renda, 
como fazer bolos, doces para festas, enfeites para casamentos, entre outros. O pro-
blema é que a informalidade retira a trabalhadora da tutela dos direitos trabalhistas. 
A desigualdade social é um desdobramento histórico do desemprego estrutural que faz parte 
da sociedade capitalista. Uma economia mais sólida, que atraia investidores e políticas de incen-
tivo à abertura de vagas de trabalho são algumas das possíveis alternativas para esse problema. 
Fechamento
Nesta aula, você teve a oportunidade de:
 • entender a origem das desigualdades sociais;
 • saber qual o papel do Estado frente às desigualdades;
 • compreender a crise do emprego no Brasil.
 • As crises cíclicas do capitalismo. 
Referências
ANTUNES, Ricardo. A crise, o desemprego e alguns desafios atuais. Serv. Soc. Soc., São Paulo, n. 
104, p. 632-636, dez. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S0101-66282010000400003&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 16 jan. 2017. 
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Federal. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. 
Acesso em: 11 abr. 2017
BENEVIDES, Maria Victoria de Mesquita. Cidadania e democracia. Lua Nova, São Paulo, n. 33, 
p. 5-16. 1994 . Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010 
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SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
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PORTAL BRASIL. Um país menos desigual: pobreza extrema cai 2,8% da população. Disponível em: 
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ma-cai-a-2-8-da-populacao>. Acesso em: 14 jan.2017.
SILVA, Maria Ozanirada Silva. Pobreza, desigualdade e políticas públicas: caracterizando e pro-
blematizando a realidade brasileira. Revistakatálysis, Florianópolis, v. 13, n. 2, p. 155-163, 
2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-4980 
2010000200002&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 16 jan. 2017.
SILVA, Luiz Antonio Machado da. “Violência urbana”, segurança pública e favelas: o caso do Rio 
de Janeiro atual. CadernoCRH, Salvador, v. 23, n. 59, p. 283-300, ago. 2010. Disponível em: <http://
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-49792010000200006&lng=pt&nrm=iso>. 
Acesso em: 16 abr. 2017.
ZIMMERMANN, Clóvis Roberto. Os programas sociais sob a ótica dos direitos humanos: o caso do 
Bolsa Família do governo Lula no Brasil. Sur, RevistaInternacional de Direitos humanos, São Paulo, 
v. 3, n. 4, p. 144-159, jun. 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttex-
t&pid=S1806-64452006000100009&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 16 jan. 2017. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 99 – 
http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2015/11/um-pais-menos-desigual-pobreza-extrema-cai-a-2-8-da-populacao
http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2015/11/um-pais-menos-desigual-pobreza-extrema-cai-a-2-8-da-populacao
Mudanças na cultura da 
sociedade contemporânea
Adriana Duarte de Souza Carvalho da Silva
Introdução
Nesta aula veremos que a sociedade contemporânea ocidental tem características que a 
distinguem, além de se tratar de uma sociedade predominantemente cristã, ainda que haja outras 
religiões ganhando mais espaço. 
Além disso, em relação às configurações familiares, percebemos que há outras configura-
ções, além das formações tradicionais. 
Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • entender as mudanças nos padrões morais na contemporaneidade: família, religião, 
consumo e estilos de vida. 
1 Os padrões morais na contemporaneidade: 
família, religião, consumo e estilos de vida
Saiba que a forma como se estabelecem as relações sociais faz parte da cultura de cada 
sociedade. Isso significa que cada sociedade, em cada momento histórico, é única em determinar 
seus padrões morais e suas instituições sociais.
Figura 1 – Família nuclear 
Fonte: Monkey Business Images/Shutterstock.com
 – 100 – 
TEMA 14
https://www.shutterstock.com/pt/g/monkey+business+images
No contexto da cultura ocidental, a família nuclear é formada por pai, mãe e filhos. Mas será 
que esse é o único padrão familiar ou forma de organizar as relações de parentesco?
EXEMPLO
Daniel, Cravo e Posse (1995) mostram que no povo trobriandes, que vive na Ocea-
nia, é o tiomaterno quem realiza as funções que nós, ocidentais, tradicionalmente, 
atribuímos ao pai. Nessa sociedade não há relação de parentesco entre o genitor 
biológico e seus filhos.
O Cristianismo naturalizou e legitimou a ideia da família nuclear. Contudo, não existe forma 
certa ou errada de criar as relações de parentesco, e cada sociedade as constrói baseadas em sua 
história. Nas sociedades ocidentais, conforme explica Oliveira (2009, p.67), vemos a “nova família”
que se caracteriza pelas diferentes formas de organização, relação e em um cotidiano mar-
cado pela busca do novo. Os arranjos diferenciados podem ser propostos de diversas for-
mas, renovando conceitos preestabelecidos [sic], redefinindo os papéis de cada membro 
do grupo familiar.
Figura 2 – Família homoafetiva
Fonte: Monkey Business Images/ Shutterstock.com
As famílias homoafetivas são um exemplo da nova construção de relações de parentesco e 
da própria família, que dissolve a fórmula de vida familiar a partir de um casal heterossexual. Outra 
forma que tem se tornado bastante comum de constituição familiar é a família monoparental, na 
qual há apenas a figura da mãe (muito comum no Brasil) ou apenas a figura do pai.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 101 – 
https://www.shutterstock.com/pt/g/monkey+business+images
Figura 3 – Família monoparental
Fonte: Sylvie Bouchard/Shutterstock.com
FIQUE ATENTO!
Oliveira (2009) explica que anteriormente os papéis dentro das famílias eram rigida-
mente definidos. Atualmente, as relações são mais fluidas, tendo como um dos fatores 
a ascensão da mulher no mercado de trabalho. Isso faz com que os filhos sejam cria-
dos por indivíduos que não são suas mães, como acontecia até meados do século XX.
As famílias nucleares e as novas configurações familiares mostram que as sociedades estão 
em constante transformação. Oliveira (2009, p.70) explica que
Essas novas famílias estão cada vez mais presentes e começam a ter visibilidade, pois fazem 
parte do cotidiano das pessoas e não podemos negá-las. Apesar de fazer parte do cotidiano 
das pessoas, não podemos afirmar que são socialmente aceitas, pois o embate entre a reali-
dade e a ideologia existente não permitiu ainda sua superação por toda a população.
EXEMPLO
Entrevistas para vaga de trabalho são consideradas situações formais. Logo, é 
adequado usar linguagem leve, polida, clara e objetiva, permitindo ao interlocutor 
conhecer a personalidade do falante e, assim, entender que ele sabe adequar a sua 
linguagem ao contexto situacional.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 102 – 
https://www.shutterstock.com/pt/g/sylvie+bouchard
EXEMPLO
Os cristãos acreditam na existência de um céu e de um inferno, e estabelecem 
critérios para pensar sobre a vida após a morte, sobre o sofrimento, a superação e 
o sentido da vida.adequado usar linguagem leve, polida, clara e objetiva, permitindo 
ao interlocutor conhecer a personalidade do falante e, assim, entender que ele sabe 
adequar a sua linguagem ao contexto situacional.
Durkheim (2008) afirma que as religiões não precisam ser definidas necessariamente pela exis-
tência de um deus. Há, segundo o autor, religiões sem deus, como é o caso do budismo. O que define 
a religiãoé a separação entre o sagrado e o profano e a existência de rituais que façam a mediação 
entre esses planos, como na eucaristia católica e na meditação em algumas religiões orientais. 
Para Durkheim (2008) a religião traz coesão social. De fato, não há consenso na literatura, 
mas sabemos que a religião forma diferentes sentidos para a vida social, uma vez que é um sis-
tema de crenças baseado na dicotomia ente o sagrado e o profano e um conjunto de rituais que 
faz mediação entre eles.
Na sociedade contemporânea as características dos estilos de vida também se transforma-
ram, como podemos ver a seguir: 
 • Hedonismo: estilo de vida voltado para a busca do prazer;
 • Narcisismo: culto ao “eu” e a consequente negação do “outro”; 
 • Consumismo: a finalidade última da vida é o consumo; 
 • Relações sociais líquidas: as relações são constituídas de forma fluida e são tem-
porárias (BAUMAN, 2001).
FIQUE ATENTO!
Freire Filho (2003, p.72) resume o estilo de vida da pós-modernidade:
(...) estamos todos envolvidos no projeto de construção e manuten-
ção de uma aparência, de uma imagem, de um estilo, ao mesmo 
tempo particular e socialmente desejável. Numa conjuntura histórica 
habitualmente conceituada como tardo moderna, neo-moderna ou 
pós-moderna, temos consciência de que nossas disposições corpo-
rais, a maneira como articulamos nosso discurso, nossas opções de 
férias e lazer, nossas preferências em termos de música, cinema, TV, 
roupa, comida, qualquer objeto ou expressão cultural submetido a 
julgamento de gosto, serão avaliados como principais indicadores de 
nossa personalidade, de nossa individualidade.
Assim, vivemos em uma sociedade da exibição, pois nosso perfil nas redes sociais parece tão 
essencial e tão definidor do “eu”. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 103 – 
2 O consumo na sociedade contemporânea
Para Retondar (2008), a sociedade contemporânea é uma sociedade de consumo, tendo-o 
como um mediador das relações sociais, das relações de poder e status social. O autor baseia o 
consumo contemporâneo em três características. Acompanhe!
 • Consumo do supérfluo.
 • Consumo do excedente.
 • Consumo do luxo.
Figura 4 – Consumo
Fonte: oneinchpunch/Shutterstock.com
Atualmente, os padrões de consumo definem as identidades individuais, conforme explica 
Retondar (2008, p.138): “(...)o universo do consumo passou a ganhar centralidade tanto como 
motor do desenvolvimento econômico quanto através da expansão do consumismo como ele-
mento de mediação de novas relações e processos que se estabelecem no plano cultural das 
sociedades modernas.”
SAIBA MAIS!
Para conhecer mais sobre a sociedade do consumo, leia “A (re)construção do indivíduo: 
a sociedade de consumo como ‘contexto social’ de produção de subjetividades”, 
de Anderson Retondar. O texto está disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S0102-69922008000100006&lng=pt&nrm=iso>.
Retondar (2008) explica ainda que na sociedade contemporânea o indivíduo está sendo mini-
mizado. O consumo passa a ser definidor do indivíduo, separando aqueles indivíduos que são 
consumidores daqueles que não são. Para o autor, as marcas ganham significados sociais e o 
indivíduo que consome determinada marca em detrimento de outra é julgado socialmente pelo 
seu padrão de consumo.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 104 – 
https://www.shutterstock.com/pt/g/oneinchpunch
FIQUE ATENTO!
É comum identificar o status que o indivíduo mantém em sociedade com a marca 
que utiliza.Dessa forma, os indivíduos que participam pouco ou não participam do 
mercado consumidor são excluídos de determinadas relações sociais.
Caniato e Nascimento (2010) mencionam que essa sociedade do consumo é uma sociedade 
de excessos, mas é também uma sociedade da privação, já que o consumo é limitado pela renda 
de cada indivíduo. Sobre isso, Caniato e Nascimento (2010, p. 28) afirmam: “O exagero produz a 
escassez: é porque poucos têm demais que muitos sofrem com a falta; em outras palavras, é o 
mesmo processo a produzir o excesso que gera a privação”.
SAIBA MAIS!
Aprenda mais sobre a sociedade do consumo e da privação por meio do texto“A 
subjetividade na sociedade de consumo: do sofrimento narcísico em tempos de 
excesso e privação”, de Caniato e Nascimento. Acesse: <http://pepsic.bvsalud.org/
scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-52672010000200004&lng=pt&nrm=iso>.
Contudo, se o consumo é critério de distinção social, cada vez mais são marginalizados e 
excluídos aqueles que não consomem, aumentando, assim, a desigualdade. A sociedade do con-
sumo é, portanto, também a sociedade da exclusão. 
Fechamento
Nesta aula, você teve a oportunidade de:
 • entender que família é um conceito naturalizado e que há sociedades com diferentes 
configurações familiares, diferentes da sociedadeocidental. 
 • compreender que religião é um sistema de crenças que separa o sagrado do profano.
 • perceber que estilos de vida da sociedade contemporânea são baseados no consumo.
 • saber que o consumo cria uma sociedade da exclusão. 
Referências
BAUMAN, Zygmunt. A modernidade líquida. São Paulo: Jorge Zahar, 2001.
CANIATO, Ângela Maria Pires; NASCIMENTO, Merly Luane Vargas.A subjetividade na sociedade 
de consumo: do sofrimento narcísico em tempos de excesso e privação. Arq. bras. psicol., Rio 
de Janeiro, v. 62, n. 2, p. 25-37, 2010. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?scrip-
t=sci_arttext&pid=S1809-52672010000200004&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 19 jan. 2017.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
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http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-52672010000200004&lng=pt&nrm=iso
DANIEL, Jungla Maria Pimentel; CRAVO, VeraluzZicarelli; POSSE, Zulmara C. Sauner. A diversidade 
cultural e a reprodução humana. Educ. rev., Curitiba, n. 11, p. 63-74, dez. 1995. Disponível em: <http://
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40601995000100008&lng=pt&nrm=iso>. 
Acesso em: 18 jan. 2017. 
DURKHEIM, Émile. As formas elementares de vida religiosa. São Paulo: Paulus, 2008. 
FREIRE FILHO, João. Mídia, consumo cultural e estilo de vida na pós-modernidade. ECO-Pós. v.6, 
n.1. 2003.
FREUD, Sigmund. O futuro de uma ilusão. São Paulo: LM Pocket, 2012. 
OLIVEIRA, Nayara Hakime Dutra. Recomeçar: família, filhos e desafios [online]. São Paulo: Editora 
UNESP; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2009. Disponível em: <http://books.scielo.org/id/965tk/
pdf/oliveira-9788579830365-03.pdf>. Acesso em: 18 jan. 2017 
RETONDAR, Anderson Moebus (re)construção do indivíduo: a sociedade de consumo 
como “contexto social” de produção de subjetividades. Soc. estado. Brasília, v. 23, n. 1, p. 
137-160, abr. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S0102-69922008000100006&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 19 jan. 2017. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 106 – 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40601995000100008&lng=pt&nrm=iso
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40601995000100008&lng=pt&nrm=iso
http://books.scielo.org/id/965tk/pdf/oliveira-9788579830365-03.pdf
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Os movimentos sociais
Adriana Duarte de Souza Carvalho da Silva
Introdução
Os movimentos sociais estão em crescimento no Brasil, mostrando como nossa sociedade 
está engajada em sua luta por direitos. Desde 2013 os movimentos sociais se fortalecem em 
nosso país, exigindo, por exemplo, melhorias nos serviços públicos e fim da corrupção política. 
Objetivos de Aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • identificar o surgimento dos movimentos sociais e das questões impactantes na cul-
tura que propõem atualmente. 
1 Os movimentos sociais
Os movimentos sociais são manifestações da sociedade civil. Mas, afinal, o que é a sociedade 
civil? Dentro da perspectiva teórica da Sociologia política, Scherer-Warren (2006, p.110) diz que
Nesta perspectiva teórica, a sociedade civil, embora configure um campo composto por for-
ças sociais heterogêneas, representando a multiplicidade e diversidade de segmentos sociais 
que compõem a sociedade, está preferencialmente relacionada à esfera da defesa da cidada-
nia e suas respectivas formas de organização em torno de interesses públicos e valores (...). 
Nessa definição, a autora indica que a sociedade civil é marcada por interesses múltiplos, 
contudo, de maneira geral, trata-se de uma esfera preocupada com a questão da conquista de 
direitos. Do ponto de vista didático, podemos afirmar que os movimentos sociais são divididos em 
dois, que posteriormente se ramificam. Vamos entendê-los. Acompanhe!
Temos os movimentos contra o Estado, que se configuram a partir da insatisfação com res-
postas dadas por governos às necessidades da sociedade civil e movimentos contra a própria 
sociedade civil e suas ações predatórias ou de exclusão.
EXEMPLO
Um movimento social que pede melhoria do atendimento médico no Sistema Único 
de Saúde, no Brasil, é um movimento contra o Estado, porque critica políticas so-
ciais de saúde.
 – 107 – 
TEMA 15
Scherer-Warren (2006) indica que os movimentos sociais colocam nos mesmos espaços de 
luta atores sociais distintos, mas que possuem interesses comuns. Para a autora, os movimentos 
sociais podem ser “[...] de gênero, étnica, de classe, regional, mas também dimensões de afinida-
des ou de opções políticas e de valores [...]” (SCHERER-WARREN, 2006, p. 115).
EXEMPLO
Um movimento social que exige de empresários a diminuição da emissão de gás 
carbônico na atmosfera é um movimento contra um grupo específico da sociedade 
civil, que são os donos de empresas poluidoras.
SAIBA MAIS!
Para você conhecer mais a respeito dos movimentos sociais, não deixe de ler “Das mobi-
lizações às redes de movimentos sociais”. No texto a autora, Ilse Scherer-Warren, explica 
aspectos relacionados a como se organiza a sociedade civil. Acesse: <http://www.scielo.
br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69922006000100007&lng=pt&nrm=iso>
Perceba que os movimentos sociais têm um importante significado no sentido da transfor-
mação da sociedade civil, em dois aspectos:
 • sua emancipação;
 • sua capacidade de organização.
Mas o que significa emancipar? É ganhar consciência de si, tornar-se independente e autônomo. 
Uma das formas mais importantes para ganhar autonomia é a busca do conhecimento. A sociedade 
que se educa reconhece que pode lutar por aquilo que a deixa insatisfeita (AVRITZER, 2012).
Figura 1 – Sociedade do conhecimento
Fonte: Matej Kastelic/Shutterstock.com
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 108 – 
https://www.shutterstock.com/pt/g/matej+kastelic
A sociedade brasileira tem passado por um processo de emancipação, e os brasileiros têm 
ganhado autonomia para lutar por seus interesses. 
FIQUE ATENTO!
Avritzer (2012) menciona a importância de a sociedade civil ganhar autonomia fren-
te ao Estado. Isto é, que a sociedade civil reconheça que, nas democracias, ela deve 
exigir a efetivação de seus direitos. 
De qualquer forma, não basta que a sociedade ganhe autonomia, pois os movimentos sociais 
necessitam que ela também se organize. De acordo com Bem (2006, p.1138)
Os movimentos sociais realizam, de fato, um papel histórico maior do que simplesmente 
revelar as tensões e contradições sociais de cada momento histórico.Eles são acima de 
tudo uma bússola para a ação social, impulsionando o campo social para formas superio-
res de organização e buscando a institucionalização jurídico-legal das conquistas. 
Para o autor, o processo de modernização praticado adulterou a introdução de um modelo de 
democracia com pequena participação popular, e desenhou “novas facetas nos modos de estru-
turação da tensa e contraditória relação entre Estado e sociedade, forçando-o a uma permanente 
negociação e integração das demandas sociais” (BEM, 2006, p. 1154). 
2 Os novos movimentos sociais
Há muitos movimentos sociais que marcam o século XX e XXI. Você saberia citar alguns? 
Os primeiros movimentos sociais, especialmente os de maior destaque, tiveram cunho trabalhista, 
operário e sindical. Atualmente, há novas demandas dos movimentos sociais, em torno de lutas 
que extrapolam a questão dos direitos trabalhistas. De acordo com Rohden (1996), a partir dos 
anos 60, os movimentos sociais adquiriram novas características, pois se articularam em torno 
de interesses que não se resumiam à classe social. Como os movimentos feministas, ecológicos, 
ambientalista, de consumidores e de defesa de minorias.
Figura 2 – Movimento ambientalistaFonte: Chinnapong/Shutterstock.com
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
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https://www.shutterstock.com/pt/g/noipornpan
Como todo movimento social, o movimento ambientalista também se diversifica. Há desde 
pessoas que se declaram veganas até grupos que se organizam e lutam contra testes clínicos de 
medicamentos e de cosméticos em animais. De maneira geral, esses grupos mobilizam-se por 
justiça ambiental, que tem, inclusive, base constitucional.
FIQUE ATENTO!
A Constituição Federal (CF/88), no artigo. 225, prevê que “todos têm direito ao meio 
ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à 
sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de 
defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”
A CF/88 atribui ao Estado e à sociedade a obrigação de proteger o meio ambiente. Essa é, 
portanto, a ideia central dos movimentos por justiça ambiental. Acselrad (2010, p.111) que
Na experiência recente, essa noção de justiça surgiu da criatividade estratégica dos movi-
mentos sociais que alteraram a configuração de forças sociais envolvidas nas lutas am-
bientais e, em determinadas circunstâncias, produziram mudanças no aparelho estatal e 
regulatório responsável pela proteção ambiental.
O movimento ambientalista cresce em todo o mundo, especialmente a partir da percepção 
de que o capitalismo é um grande consumidor de recursos ambientais não renováveis e de que a 
vida na terra depende da natureza para continuar existindo. 
Outro movimento que tem ganhado espaço e conquistado direitos é o chamado movimento 
LGBT, que é o acrônimo para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros.
Figura 3 – Movimento LGBT
Fonte: Rawpixel.com/Shutterstock.com
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 110 – 
https://www.shutterstock.com/pt/g/rawpixel.com
Vianna (2015) explica que o contexto do surgimento do movimento LGBT tem origem na ausên-
cia de reconhecimento da identidade coletiva de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e 
transgêneros pela sociedade brasileira e pela negação de seus direitos. Vianna (2015, p.7) explica:
O movimento homossexual entrou em cena no final de 1960 e início da década de 1970, na 
luta contra a ditadura militar (GREEN, 2000), e, mais tarde, em diálogo com os movimentos 
sociais nascidos durante o processo de transição para a democracia, na década de 1980. 
 Vianna (2015) insiste na importância de se pensar as questões de gênero e de diversidade 
sexual como um processo de luta pela aquisição de direitos igualitários.
Para Rohden (1996) os novos movimentos sociais têm um eixo plural de atuação, valorizam 
a diversidade de grupos, defendem a convivência em igualdade de condições no mesmo espaço 
social, econômico e político, e questionam valores e instituições da sociedade
Há, também, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), um movimento social 
típico brasileiro. O MST questiona a existência da grande propriedade de terra não utilizada e 
defende a necessidade da reforma agrária.
Figura 4 – Movimento dos sem terra
Fonte: Konstanttin/Shutterstock.com
O MST tem como característica suscitar o debate sobre a desigualdade social no Brasil e 
sobre a necessidade de luta contra a concentração de renda. Caldart (2001, p. 207) explica que “O 
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, também conhecido como Movimento dos Sem 
Terra ou MST, é fruto de uma questão agrária que é estrutural e histórica no Brasil”.
SAIBA MAIS!
Para conhecer mais sobre o MST, sugerimos a leitura “O MST e a formação dos 
sem terra: o movimento social como princípio educativo”, que está disponível em: 
<http://www.scielo.br/pdf/ea/v15n43/v15n43a16.pdf>.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 111 – 
https://www.shutterstock.com/pt/g/konstanttin
http://www.scielo.br/pdf/ea/v15n43/v15n43a16.pdf
FIQUE ATENTO!
A Constituição Federal, em seu artigo 5º., inciso XXIII, garante a função social da 
propriedade, argumento muito usado pelo MST para justificar seu movimento.
Como vimos, há muitos movimentos no Brasil que têm buscado maior justiça social e condi-
ções de igualdade. 
Fechamento
Nesta aula, você teve oportunidade de:
 • entender o que é a sociedade civil;
 • saber o que é um movimento social;
 • compreender o que é a sociedade civil emancipada e organizada;
 • identificar movimentos sociais específicos: ambientalistas, LGBT e MST. 
Referências
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Estud. av., São Paulo, v. 24, n. 68, p. 103-119,2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?s-
cript=sci_arttext&pid=S0103-40142010000100010&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 24 jan. 2017.
AVRITZER, Leonardo. Sociedade civil e Estado no Brasil: da autonomia à interdependência política. 
Opinião Pública, Campinas. v. 18, n. 2, p. 383-398, nov. 2012. Disponível em: <http://www.scielo.
br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-62762012000200006&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 
24 jan. 2017. 
BEM, Arim Soares do. A centralidade dos movimentos sociais na articulação entre o Estado e a socie-
dade brasileira nos séculos XIX e XX. Educ. Soc., 2006, v. 27, n.97, p.1137-1157. Disponível em: <http://
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101=73302006000400004-&lng=en&nrm-
iso>. Acesso em: 19 abr.2017. 
BRASIL. Constituição Federal de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constitui-
cao/constituicaocompilado.htm>. Acesso em: 24 jan.2017.CALDART, Roseli Salete. O MST e a forma-
ção dos sem terra: o movimento social como princípio educativo. Estudos Avançados, v. 15, n. 43, 
2001. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ea/v15n43/v15n43a16.pdf>. Acesso em: 24 jan. 2017.
ROHDEN, Fabíola. Filantropia empresarial: a emergência de novos conceitos e práticas. Anais do 
Seminário Empresa Social. São Paulo, set. 1996. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 112 – 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73302006000400004&lng=en&nrm=iso
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73302006000400004&lng=en&nrm=iso
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73302006000400004&lng=en&nrm=iso
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm
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http://www.scielo.br/pdf/ea/v15n43/v15n43a16.pdf
SCHERER-WARREN, Ilse. Das mobilizações às redes de movimentos sociais. Soc. estado. Brasília, 
v. 21, n. 1, p. 109-130, abr. 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttex-
t&pid=S0102-69922006000100007&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 23 jan. 2017. 
VIANNA, Claudia Pereira. O movimento LGBT e as políticas de educação de gênero e diversi-
dade sexual: perdas, ganhos e desafios. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 41, n. 3, p. 791-806, 
set. 2015. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-970220 
15000300791&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 24 jan. 2017.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 113 – 
Constituição de 1988 e a sociedade 
contemporânea
Adriana Duarte de Souza Carvalho da Silva
Introdução
Vamos conhecer a Constituição de 1988, que se destaca entre as Constituições brasileiras 
por não ser apenas um conjunto de leis que definem a organização política e legal do país. Ela 
apresenta leis que garantem a cidadania e determina que o Estado implemente políticas públicas 
de forma que a cidadania seja plena para todos.
Objetivos de Aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • entender as influências da Constituição de 1988 na nossa sociedade;
 • conhecer os movimentos sociais atuais;
 • identificar as ações afirmativas e os seus impactos sociais. 
1 Contexto Histórico e Social da Constituição de 1988
Ao começarmos, é importante identificar o contexto histórico que levou à elaboração da 
Constituição de 1988. Segundo Fausto (2002), o período foi marcado pelo fim da ditadura militar e 
o restabelecimento das instituições democráticas no Brasil.Para garantir a estabilidade da demo-
cracia, a Constituição de 1988 (BRASIL, 1988) passou a considerar:
 • a soberania popular;
 • a separação dos poderes;
 • o voto universal e secreto;
 • o pluripartidarismo;
 • os direitos individuais;
 • os direitos sociais;
 • a proteção às minorias.
 – 114 – 
TEMA 16
Figura 1 – Democracia
Fonte: Filipe Frazao/Shutterstock.com
Segundo Fausto (2002), efetivamente a Constituição foi um grande avanço na ampliação dos 
direitos sociais, na busca de garantir a cidadania plena a todos. É por isso mesmo, que, em seu artigo 
3º, o texto constitucional determina a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades sociais. 
FIQUE ATENTO!
Fausto (2002) menciona que a Constituição de 1988 apresenta uma grande lacuna 
entre o que está nela determinado e a prática. Erradicar a pobreza não é algo que se 
faz por decreto, por mera determinação legal. São necessários amplos investimen-
tos públicos para que isso ocorra.
O direito a ser candidato para um cargo público é um direito político. O direito ao trabalho, e 
a proteção à maternidade são direitos sociais. Os direitos à livre manifestação do pensamento e à 
vida privada são direitos civis. 
Ao criar artigos que garantam direitos universais, a Constituição promove também a garantia 
de direitos humanos, igualmente previstos em legislação internacional. A seguir, vamos conhecer 
mais sobre os avanços trazidos pela Constituição de 1988 na esfera dos direitos sociais. 
2 Ecos da Constituição de 1988: ECA, LDB e outros
Um dos mais importantes desdobramentos da Constituição de 1988 foi a posterior elabora-
ção de uma legislação protetiva a grupos sociais vítimas de algum tipo de vulnerabilidade, como 
os listados a seguir.
 • Estatuto da Criança e do Adolescente, promulgado em 1990.
 • Estatuto do Idoso, promulgado em 2003.
 • Estatuto da Igualdade Racial, promulgado em 2010. 
 • Estatuto da Pessoa com Deficiência, promulgado em 2015. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 115 – 
https://www.shutterstock.com/pt/g/filipefrazao
FIQUE ATENTO!
No Brasil, as mulheres também são consideras minorias e, devido ao machismo e 
o paternalismo da nossa sociedade, são frequentemente vítimas de violência. A Lei 
n. 11340, de 7 de agosto de 2006, intitulada Maria da Penha, é também um exemplo 
de legislação protetiva.
O Brasil é um país marcado por enormes vulnerabilidades sociais, e a Constituição de 1988 
estabelece um projeto para combatê-la. Mas, efetivamente, o que é vulnerabilidade social? Con-
forme Palma e Mattus (2001, p.575-6): “(...) todo e qualquer processo de exclusão, discriminação 
ou enfraquecimento de grupos sociais”.
As legislações que foram mencionadas acima, criadas a partir da Constituição de 1988, têm 
como objetivo obrigar o Estado a garantir os direitos dos indivíduos em vulnerabilidade e, além 
disso, obrigar a sociedade a tratá-los com dignidade.
Figura 2 – Vulnerabilidade Social
Fonte: Ocskay Bence/Shutterstock.com
Entenda que a vulnerabilidade não é apenas uma questão econômica, conforme explicam 
Palma e Mattus (2001). Um idoso, por exemplo, cujas habilidades motoras e cognitivas estejam 
prejudicadas, será considerado vulnerável, independente da renda.
A seguir, vamos compreender a atuação dos movimentos sociais na nossa sociedade. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 116 – 
https://www.shutterstock.com/pt/g/ocskay+bence
3 Atuação dos movimentos sociais recentemente
Os movimentos sociais são fundamentais para as democracias e nossa Constituição de 
1998 garante esse direito no artigo 5º., justamente o artigo sobre direitos e liberdades individuais:
Art.5. XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, 
independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente 
convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competen-
te (BRASIL, 1988).
Veja, portanto, que a possibilidade de se reunir, desde que sem violência, é um direito. Dessa 
forma, contanto que a mobilização social seja realizada nas condições em que prevê o artigo, ela 
poderá acontecer.
Figura 3 – Movimento Social
Fonte: a katz/Shutterstock.com
 Rosa e Mendonça (2011, p.664) afirmam sobre os movimentos sociais: “As últimas déca-
das foram marcadas pela mobilização política em diversas localidades do mundo. Movimentos 
feministas, ambientalistas, antiglobalização, antirracistas e de trabalhadores rurais são exemplos 
contemporâneos de ações organizadas por minorias.” 
SAIBA MAIS!
Conheça mais sobre o conceito de minoria lendo o artigo Movimentos sociais e 
análise organizacional: explorando possibilidades a partir da teoria de frames e a de 
oportunidades políticas. Acesse:<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttex-
t&pid=S1984-92302011000400005>.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 117 – 
https://www.shutterstock.com/pt/g/a+katz
 Considerando que a Constituição de 1988 determina várias obrigações ao Estado no sen-
tido de proteção das minorias, então, ela abre espaço para que os movimentos sociais venham 
solicitar seus direitos.
FIQUE ATENTO!
Os movimentos sociais são uma forma de as minorais buscarem o reconhecimento 
estatal de suas demandas e lembrar aos poderes públicos de seus direitos e da 
necessidade de efetivá-los.
A Constituição de 1988 cumpriu um papel importantíssimo ao estabelecer a dignidade da 
pessoa humana em seu artigo 1º. Os movimentos sociais têm a missão de pressionar o Estado 
para criar formas de garanti-la. 
A seguir, você estudará como algumas minorias têm sido alvo das chamadas políticas afirmativas.
4 Anos 2000 e as ações afirmativas
As ações afirmativas indicam que, em determinada sociedade, há grupos sociais em situa-
ção de vulnerabilidade e de exclusão. 
Mas, afinal, o que é uma ação afirmativa? Moehlecke (2002, p.203) as descreve da seguinte forma:
(...) podemos falar em ação afirmativa como uma ação reparatória/compensatória e/ou 
preventiva, que busca corrigir uma situação de discriminação e desigualdade infringida a 
certos grupos no passado, presente ou futuro, através da valorização social, econômica, 
política e/ou cultural desses grupos, durante um período limitado. 
A sociedade brasileira está repleta de grupos sociais que foram vítimas de discriminação e 
desigualdade social. Negros, mulheres, índios, pessoas com deficiência, homossexuais, idosos, 
entre outros foram e são vítimas de exclusão. As ações afirmativas têm como função reparar essa 
injustiça e desigualdade históricas.
EXEMPLO
Sabe-se que as mulheres, historicamente, sempre ganharam menos que os ho-
mens, além de dificilmente ocuparem cargos de chefia. Para corrigir essa situação, 
a Constituição, em seu artigo 7º., determina: XX - proteção do mercado de trabalho 
da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei.
Assim, diante de desigualdades, cabem ações específicas do Estado para corrigi-las. Hoje, as 
cotas para negros e indígenas nas universidades não são aceitas por toda a população e nem por 
todos os partidos políticos, mas, ainda assim, têm sido implementadas, com o intuito de repara-
rem a desigualdade racial, a qual estes grupos foram submetidos ao longo da história.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 118 – 
Figura 4 – Política de Cotas
Fonte: ESB Professional/Shutterstock.com
De qualquer forma, temos um texto constitucional que protege a cidadania e as minorias, por 
isso, mesmo não havendo um consenso social, as políticas afirmativas são importantes e devem 
ser discutidas em sociedade. 
Agora que você entendeu sobre as políticas afirmativas, vamos estudar outras formas de 
garantia da cidadania.
5 Exercício da cidadania no século XXI
A cidadania é plena quando os governos possibilitam que todos tenham acesso aos mesmos 
direitos e bens sociais. Segundo Carvalho (2016), a cidadania é o acesso de toda a sociedade aos 
direitos civis, políticos e sociais.
EXEMPLO
Não há cidadania plena se apenas os filhos de pessoas de alta renda frequentam a 
escola, porque podem pagar por ela.É preciso que todos frequentem a escola, com 
os governos garantindo a educação pública de qualidade.
Mas a cidadania não envolve apenas aquilo que o governo garante como direito. A cidadania 
exige que a sociedade também se envolva com as questões públicas. Veja como Assis, Kantorski 
e Tavares (1995, p. 330) definem participação social:
(...) entendendo ser um espaço social, onde se articulam diferentes sujeitos e uma popula-
ção com suas necessidades e interesses individuais e/ou grupais. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 119 – 
https://www.shutterstock.com/pt/g/esb+professional
 Assis, Kantorski e Tavares (1995) apresentam a saúde como exemplo de direitos ou bens 
de consumo coletivo, mas há outros, como alimentação, moradia, educação, cultura e transporte. 
Todos eles estão assegurados na Constituição de 1988.
SAIBA MAIS!
Para aprender mais sobre o conceito de participação social, não deixe de ler “Par-
ticipação social: um espaço em construção para a conquista da cidadania”, dos 
autores Assis, Kantorski e Tavares.Acesse em:<http://www.scielo.br/scielo.php?s-
cript=sci_arttext&pid=S0034-71671995000400003&lng=pt&nrm=iso>.
Dessa forma, com a participação social, cada vez mais a sociedade civil pressiona os gover-
nos para efetivarem seus direitos.
Fechamento
Nesta aula, você teve oportunidade de:
 • entender o impacto da Constituição de 1988 no âmbito da sociedade brasileira 
contemporânea;
 • identificar a proteção constitucional às minorias;
 • compreender a participação social e a proteção estatal aos direitos.
Referências 
ASSIS, Marluce Maria Araújo; KANTORSKI, Luciane; TAVARES, José Lucimar. Participação social: 
um espaço em construção para a conquista da cidadania. Rev. bras. enferm., Brasília, v. 48, n. 
4, p. 329-340, dez. 1995. Disponível em:<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S0034-71671995000400003&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 27 jan. 2017. 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: <http://www.pla-
nalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm>. Acesso em: 28 jan.2017. 
_______. Lei n. 11340, de 7 de agosto de 2006. Cria mecanismos para coibir a violência domés-
tica e familiar contra a mulher. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
2006/2006/lei/l11340.htm>. Acesso em: 06. Maio. 2017.
CARVALHO, José Murilo. A Cidadania no Brasil: o longo caminho. São Paulo: Civilização Brasileira, 
2016.
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2002. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
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MOEHLECKE, Sabrina. Ação Afirmativa: História e Debates no Brasil. Cadernos de Pesquisa, n. 
117, p. 197-217, novembro/ 2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/cp/n117/15559.pdf>. 
Acesso em: 26 jan.2017. 
PALMA, Alexandre; MATTOS, Ubirajara. A. O. Contribuições da ciência pós-normal à saúde pública 
e a questão da vulnerabilidade social. Hist. Cienc. Saúde-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 8, n. 
3, p. 567-590, dez. 2001. Disponível em:<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S0104-59702001000400004&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 26 jan. 2017. 
ROSA, Alexandre Reis; MENDONCA, Patrícia. Movimentos sociais e análise organizacional: explo-
rando possibilidades a partir da teoria de frames e a de oportunidades políticas. Organ. Soc. Salva-
dor, v. 18, n. 59, p. 643-660, dez.2011. Disponível em:<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S1984-92302011000400005&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 29 jan. 2017. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 121 – 
http://www.scielo.br/pdf/cp/n117/15559.pdf
Globalização: origens e definições
Adriana Duarte de Souza Carvalho da Silva
Introdução
O conceito de globalização está em evidência na sociedade contemporânea, e muitos proble-
mas sociais têm causas atribuídas a este fenômeno. É isso que iremos estudar a seguir.
Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • compreender as origens do movimento de globalização;
 • conhecer as definições teóricas de globalização;
 • identificar os exemplos atuais de globalização.
1 O que é globalização?
Segundo Buss (2007), a globalização tem como referência histórica a internacionalização da 
economia e a diminuição da soberania estatal. 
Vamos começar, também, rompendo com algumas ideias sobre a globalização que são 
construídas a partir do senso comum e não do conhecimento científico. Por exemplo, a de que a 
comunicação via internet poderia explicar sua origem, quando é apenas uma das consequências 
da globalização. Vamos entender melhor. Acompanhe!
Para compreender a globalização, pense em uma pequena fábrica de chapéus, aberta no 
início do século XX no Brasil, na grande cidade de São Paulo, com 200 operários e 20 técnicos 
administrativos. A fábrica certamente buscará mão de obra na própria cidade, de preferência em 
bairros próximos a suas instalações. Moradores desses bairros preencherão as 220 vagas, e o 
mercado consumidor possivelmente será o mercado interno do Estado de São Paulo e, se houver 
boas estratégias comerciais, o proprietário poderá expandir seu negócio a outros Estados.
SAIBA MAIS!
Conheça mais sobre globalização lendo o seguinte artigo: “A centralidade das 
aglomerações metropolitanas na economia globalizada: fundamentos econômicos 
e possibilidades políticas”. O texto está disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S2236-99962016000300623&lng=en&nrm=iso>. 
 – 122 – 
TEMA 17
Figura 1 – Tecnologia na produção industrial
Fonte: Zapp2Photo/Shutterstock.com.
Vamos prosseguir no exemplo da fábrica de chapéus. Certamente ela não será especializada 
em produzir um único item e expandirá a variedade de produtos. Além de chapéus, talvez faça 
sapatos e bolsas. E, veja, ela não precisará produzir no mesmo país onde foi criada. Poderá instalar 
sua produção em países onde a mão de obra tenha menor custo, em países asiáticos, por exem-
plo. Evidentemente, essa situação é prejudicial, pois nada justifica a exploração de trabalhadores, 
pagando baixos salários e negando a eles condições dignas de vida. Porém, muitas vezes essa é 
a lógica da globalização.
Tornou-se comum que empresas centralizem sua parte estratégica no país de origem e trans-
firam a produção. Além disso, as empresas também podem transferir sua produção em busca de 
incentivos fiscais, leis de proteção ambiental mais brandas e de insumos mais baratos.
EXEMPLO
Segundo Ferreira (2000), a Tailândia é um país procurado por investidores japoneses 
devido à mão de obra barata. Isso a torna atraente para empresas transnacionais. 
As empresas também podem comprar matéria-prima e insumos para produção em países 
onde estes forem mais baratos. Com a transnacionalização da produção, o comércio exterior 
ganha maior fôlego, e as mercadorias são vendidas em diversos países. Com o crescimento das 
vendas é comum que elas passem a vender ações em Bolsa de Valores, e o capital financeiro toma 
proporções nunca antes vistas. Observe nesse contexto que o comércio deixa de ter uma dimen-
são territorial e nacional e ocorre no plano do capital financeiro, na compra e venda de papéis nas 
Bolsas. Mas, por outro lado, Sanfelici (2016, p. 625-6) afirma: 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 123 – 
(...) se, por um lado, a globalização favoreceu efetivamente o comércio de longa distância e 
viabilizou, através das tecnologias da informação, práticas mais sofisticadas de coordena-
ção global das estratégias empresariais, por outro, não eliminou a necessidade de proximi-
dade territorial na organização das atividades econômicas.
Perceba que para Sanfelici (2016), a globalização não nega a necessidade de uma base terri-
torial para que a empresa se organize, para que planeje e crie estratégias de negócios. 
FIQUE ATENTO!
É dessa forma que surge o complexo processo chamado globalização: com a in-
ternacionalizaçãoda economia. Isso implica que barreiras impostas pelos Estados 
nacionais sejam rompidas, ampliando a lógica da economia transnacional.
A seguir, vamos conhecer mais sobre o processo histórico que levou ao surgimento da 
globalização.
2 Origens da globalização
A globalização é reflexo de um processo histórico, que determinou condições específicas 
para seu surgimento. Rattner (2005, p.68) resume o processo que deu origem à globalização:
Em retrospectiva histórica, a globalização iniciou-se no pós-guerra, com a expansão ace-
lerada e ininterrupta da internacionalização da economia, configurada pelo crescimento 
do comércio e dos investimentos externos, a taxas bem mais altas do que o aumento da 
produção mundial (PMB - Produto Mundial Bruto).
Figura 2 – Internacionalização do capital
Fonte: muratart/Shutterstock.com.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 124 – 
Quando o autor menciona o pós-Guerra, refere-se à II Guerra Mundial. Esse período, até hoje, 
apresenta algumas características específicas, como define Rattner (2005):
 • Economia organizada internacionalmente, não mais localmente.
 • Consumo voltado ao mercado internacional.
 • Novo estilo de vida, agora voltado ao consumo, conforme interesse do mercado.
 • Consumo de bens estéticos e culturais também dentro do padrão internacional, espe-
cialmente norte-americano.
 • Fortalecimento dos meios de comunicação pela internet. 
FIQUE ATENTO!
Alguns autores afirmam que a globalização começou ainda no período das Grandes 
Navegações. Contudo, aqui vamos estudar a globalização do período contemporâ-
neo. Os historiadores consideram que o evento que inaugura a contemporaneidade 
é a Revolução Francesa, no final do século XVIII. 
Conforme Silva e Lopes Junior (2008), outro fato histórico que é uma das causas explicativas 
do processo de globalização é o fim do chamado Estado de bem-estar social e o acirramento do 
chamado neoliberalismo. Em outras palavras, encerra-se o momento em que os Estados inter-
vinham mais fortemente na economia e tinham maior investimento orçamentário em políticas 
sociais, para um momento em que o Estado se afasta da economia e da sociedade, deixando o 
mercado se autonomizar. Sobre isso Silva e Lopes Junior (2008, p.11) afirmam:
Dessa forma, ao tentar enxergar a globalização com o olhar do cidadão comum, podemos 
perceber a mutilação gradativa das sociedades contemporâneas, mesmo a proposta de 
universalização dos movimentos sociais como forma de se contrapor ao avanço neoliberal 
parece não ter fôlego para suportar a avalanche neoliberal, que de forma mordaz corrói as 
estruturas da luta em prol do bem-estar social, do resgate da cidadania, do direito à vida.
A imagem a seguir é um exemplo dessa situação.
Figura 3 – fila em hospital público
Fonte: Doucefleur/Shutterstock.com.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 125 – 
Com o fim do Estado de bem-estar social, cada vez menos pessoas têm acesso aos serviços 
públicos de qualidade e são deixadas dependentes do mercado, que privilegia os mais ricos. Com 
isso, quem não pode pagar por um plano de saúde fica em situação de vulnerabilidade social.
SAIBA MAIS!
Para conhecer mais a respeito do neoliberalismo, não deixe de ler “Globalização – 
de sua gênese mercantilista ao neoliberalismo burguês”, que pode ser acessado em 
<http://cchla.ufrn.br/interlegere/revista/pdf/3/es01.pdf>. 
Vamos agora conhecer os modelos de globalização e como ela afeta os países de forma 
diferente.
3 Modelos de globalização
O impacto da globalização é absolutamente diferente para países desenvolvidos e para os 
países periféricos. Nestes, a globalização amplia problemas nacionais já históricos, como fome, 
desemprego, falta de acesso a serviços públicos e muitas outras situações geradoras de desigual-
dade social. Assim, países ricos ficam ainda mais ricos às custas das nações mais pobres.
EXEMPLO
Os países localizados ao norte, incluindo a América do Norte e a Europa, são os que 
se aproveitam das consequências mais benéficas da globalização. Por outro lado, 
países da América Latina, África e alguns países asiáticos ampliam suas desigual-
dades sociais. 
Neste sentido, a imagem a seguir mostra o resultado da globalização: a desigualdade social 
e a falta de acesso aos direitos sociais, como alimentação e moradia. 
Figura 4 – Resultado da globalização
Fonte: A_Lesik / Shutterstock.com.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 126 – 
A divisão estimulada pela globalização, entre Sul pobre e Norte rico, efetivamente cria dois 
modelos do fenômeno: enquanto os países do Norte enriquecem, os países do Sul ampliam suas 
desigualdades sociais. Giraud (2007, p. 396) nos fornece um exemplo desse fenômeno: 
Os países africanos – inclusive da África do Norte –, mas também a maioria dos países 
da América Latina, permanecem posicionados em mercados de produtos com baixo valor 
agregado ou cujos circuitos internacionais são intensamente controlados por multinacio-
nais do Norte, para que consigam realizar um verdadeiro ciclo de desenvolvimento, ou seja, 
de autonomização. As produções agrícolas, a energia, a matéria-prima ou as indústrias de 
transformação de baixo nível tecnológico, que constituem as principais especializações 
dessas economias – com a notável exceção do Brasil –, não permitem que esses dois 
continentes modifiquem radicalmente as hierarquias econômicas.
Como vimos anteriormente, a dinâmica econômica produzida pela globalização amplia o 
desemprego e o trabalho precário em países com mão de obra barata, intensificando assim ainda 
mais a distância entre os países do Norte e os do Sul.
FIQUE ATENTO!
Não existe mais a distinção, anteriormente bastante mencionada, entre país de Pri-
meiro, Segundo e Terceiro Mundo. Com o fim da União Soviética, essa classificação 
perdeu o sentido. 
Uma vez que um dos desdobramentos da globalização é o acirramento do neoliberalismo e o 
fim do Estado interventor, podemos verificar a diminuição de políticas sociais.
Fechamento
Nesta aula, você teve oportunidade de:
 • conhecer o que é globalização;
 • entender a origem da globalização;
 • compreender modelos de globalização.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 127 – 
Referências 
BUSS, Paulo Marchiori. Globalização, pobreza e saúde. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 12, 
n. 6, p. 1575-1589, dez. 2007. Disponível em: <http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_art-
text&pid=S1413-81232007000600019&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 26 abr. 2017. 
FERREIRA, João Sette Whitaker. Globalização e urbanização subdesenvolvida. São Paulo Pers-
pec., São Paulo, v. 14, n. 4, p. 10-20, out. 2000. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?s-
cript=sci_arttext&pid=S0102-88392000000400003&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 30 jan. 2017. 
GIRAUD, Olivier. A globalização vista do norte e do sul: quais os seus mecanismos sociais? Cad. CRH, 
Salvador, v. 20, n. 51, p. 389-399, dez. 2007. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?scrip-
t=sci_arttext&pid=S0103-49792007000300002&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em 31 jan. 2017. 
RATTNER, Henrique. Globalização: em direção a um mundo só? Estud. av. São Paulo, v. 9, n. 
25, p. 65-76, Dez. 1995. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S0103-40141995000300005&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 30 jan. 2017. 
SANFELICI, Daniel. A centralidade das aglomerações metropolitanas na economia globalizada: 
fundamentos econômicos e possibilidades políticas. Cad. Metrop., São Paulo , v. 18, n. 37, p. 
623-646, Dec. 2016 . Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S2236-99962016000300623&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 30 jan. 2017.
SILVA, Lemuel Rodrigues e LOPES JUNIOR, Orivaldo Pimentel. Globalização – de sua gênese mer-
cantilista ao neoliberalismo burguês. Revista Eletrônica Inter-Legere, n. 3, jul/dez 2008. Disponível 
em: http://cchla.ufrn.br/interlegere/revista/pdf/3/es01.pdf. Acesso em: 31 jan. 2016.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 128 – 
Globalização: Impactos Econômicos 
(1980 – 2010) 
Adriana Duarte de SouzaCarvalho da Silva
Introdução
A globalização impacta na sociedade contemporânea nos âmbitos social, cultural, político, 
demográfico, jurídico e econômico. Nesta aula vamos aprofundar nosso estudo a respeito de como a 
globalização afeta as economias e abre mercados. E, ainda, conhecer como o Brasil se insere nessa 
lógica do comércio mundial.
Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • compreender os impactos da globalização na economia brasileira e ocidental;
 • entender os fenômenos econômicos que dela são consequências.
1 Mercado global
Inicialmente, é preciso entender que o mercado global formou-se nas duas últimas décadas, 
fruto do fenômeno da globalização (ORTIGOZA; CORTEZ, 2009). Neste contexto, os mercados glo-
bais não estão sob o controle dos Estados-nação ou países e possuem algumas características, 
conforme Ortigoza e Cortez (2009, p.12):
Ser global quer dizer que as principais atividades produtivas estão organizadas em escala 
global. Ser global significa estar diretamente ligada a uma rede planetária de conexões que 
liga diversos agentes econômicos. Nessa dinâmica, a própria produtividade e também a 
concorrência respeitam a lógica de interação de uma rede geográfica global.
Compreenda, então, que o mercado global ultrapassa os limites dos Estados nacionais e se 
internacionaliza. Com isso há um grande aumento da concorrência, pois os mercados passam a 
disputar espaço e consumidores em nível transnacional. 
 – 129 – 
TEMA 18
Figura 1 – Mercado global
Fonte: Atiketta Sangasaeng/Shutterstock.com.
Em sua lógica, o mercado global possibilita que os países mais ricos produzam grandes 
riquezas, especialmente por meio do capital financeiro. Dupas (1998) explica ainda que o mercado 
global é impulsionado pelo fim das barreiras protecionistas, isto é, pela retirada de medidas adota-
das pelos países para resguardar seus mercados internos. Um exemplo de barreira protecionista 
são os altos impostos cobrados sobre produtos importados. 
Outro importante impacto econômico da globalização é o neoliberalismo, que estudaremos 
a seguir.
2 Avanços do neoliberalismo
Muitos países têm adotado o neoliberalismo como forma de governar, especialmente a partir 
da década de 80 do século passado. Vamos conhecer algumas características desses governos? 
Acompanhe!
 • Os governos neoliberais evitam interferir na atividade econômica. 
 • Deixam de promover ou promovem poucas políticas sociais. 
 • Pouco controlam as relações entre empregados e empregadores e legislam minima-
mente sobre isso. 
 • Entendem que os indivíduos devem buscar no mercado o atendimento de suas neces-
sidades sociais.
 • Acreditam que a economia pode se autorregular.
Devido a essas características, os governos neoliberais geralmente promovem o Estado 
Mínimo.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 130 – 
FIQUE ATENTO!
Saiba que a denominação Estado Mínimo refere-se a uma pouca aproximação do 
Estado em relação à sociedade e ao mercado, promovendo uma maior vulnerabili-
dade social dos indivíduos. 
Esse sistema tem sido criticado por autores atualmente, como Ibarra (2011, p. 239):
O neoliberalismo propugna a redução do intervencionismo estatal e do raio de ação da po-
lítica, ao criar interferências contrárias à liberdade individual e ser uma fonte de corrupção. 
Na ordem nacional, o desideratum se finca em conseguir o funcionamento automático da 
economia e dos mercados, livres de toda distorção governamental ou de cidadãos organi-
zados coletivamente.
De acordo com o autor, o neoliberalismo propõe um conjunto de medidas apresentadas 
como solução à ordem mundial, de forma utópica. Sabe-se que o capitalismo não consegue se 
autorregular sem ocasionar crises, e, portanto, a ação estatal é fundamental para manter o mínimo 
dos níveis de emprego e proteção social. 
Com a globalização, o neoliberalismo avança. No Brasil ele também está presente e pode ser 
percebido na redução de investimentos em políticas sociais.
EXEMPLO
Podemos citar a Emenda Constitucional 95, de 2016, que limita por vinte anos os 
gastos públicos no Brasil, como um exemplo de política neoliberal.
A seguir, vamos aprender mais sobre globalização, identificando como se organizam interna-
cionalmente os países, em blocos econômicos.
3 Nafta, União Europeia e Mercosul
No mercado global há três grandes blocos econômicos, o Nafta, a União Europeia e o Merco-
sul. Vamos conhecê-los!
O Nafta, cuja sigla significa North American Free Trade Agreement ou Tratado Norte-Ame-
ricano de Livre Comércio, na tradução ao português, é formado por Canadá, Estados Unidos e 
México. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 131 – 
Figura 2 – EUA, Canadá e México integram o Nafta
Fonte: Lightspring/Shutterstock.com.
O Nafta foi criado em 1994, para estabelecer um comércio livre entre os países envolvidos. 
Reis, Azevedo e Lélis (2014, p.371 e 376) realizaram análises quantitativas sobre os efeitos deste 
bloco para os três países participantes. Eles afirmam:
(...) o Nafta apresentou coeficientes positivos e significativos a 99% para suas importações 
intra e extrazona.
No Nafta, que foi formado em 1994, percebe-se a presença do efeito antecipação sobre 
os fluxos de comércio dois anos antes de o bloco ter sido formado. Dessa forma, mesmo 
antes do bloco ter sido constituído formalmente, Estados Unidos, Canadá e México comer-
cializaram, entre 1992 e 1993, respectivamente, 29% e 36% a mais que o modelo previa. 
Outro bloco econômico existente é o Mercosul, formado por países da América Latina e, por-
tanto, com força comercial reduzida. 
Figura 3 – Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai constituem o Mercosul
Fonte: Mar Photography/Shutterstock,com.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 132 – 
Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai fazem parte do Mercosul (2017), que surgiu como em 
1991, por meio do Tratado de Assunção.
SAIBA MAIS!
Para conhecer em mais detalhes a história do Mercosul, sugerimos a seguinte leitura:
“MERCOSUL”, que está disponível em: <http://www.mercosul.gov.br/saiba-mais-
sobre-o-mercosul>.
Já a União Europeia (EU) é um bloco econômico formado por 28 países europeus e foi criado 
em 1992. 
Figura 4 – Na União Europeia são 28 países-membros
Fonte: ilolab/Shutterstock.com.
Sobre a UE, Silva e Amaral (2013, p. 236) explicam:
A União Europeia (UE) é o mais bem-sucedido projeto de regionalismo político no mundo, o 
foi no século passado e continua sendo no presente. 
[...] foram muitos os avanços no processo de integração: traçou-se a união aduaneira, de-
senvolveram-se instituições políticas próprias, estabeleceu-se a moeda única, adotou-se 
um modelo de cidadania, desenvolveu-se uma política exterior e de segurança comum.
Veja, portanto, que em relação ao Nafta e ao Mercosul, a EU avançou muito mais, especial-
mente com a criação de uma moeda comum, o euro.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 133 – 
FIQUE ATENTO!
A posição do Reino Unido na União Europeia está indefinida, depois de plebiscito 
realizado em 2016, quando o país decidiu sair do bloco. 
Para continuar entendendo a economia global, vamos agora compreender o que são merca-
dos abertos.
4 Mercados abertos
Durante séculos, a economia foi compreendida por meio do conceito de Estado-nação, espe-
cialmente porque as atividades econômicas eram realizadas prioritariamente dentro dos países 
onde as empresas tinham sede. Os estudos de Economia levavam em conta os limites territoriais, 
porque mesmo as importações e exportações estavam sob o controle dos Estados. Essa reali-
dade mudou com a globalização. O comércio internacional se abriu, primeiro por meio dos blocos 
econômicos e, depois, da internacionalização da economia e do capital financeiro.
Um dos problemas dessa realidade é que as crises do capitalismo – cíclicas – afetam o planeta. 
EXEMPLO
A crise americana de 2007 é um exemplo. Ela começou no mercado imobiliário 
norte-americano e se expandiu para outros países.
Ao analisar a crise americana e os mercado abertos, Dulci (2009) alerta quenenhum país 
está a salvo das turbulências que um Estado-nação pode desencadear. 
E como se situa o Brasil nesse contexto? Acompanhe!
5 Brasil no mercado internacional
O Brasil na atualidade é um país em forte recessão econômica, amplo desemprego e crise 
política estrutural, por isso dificilmente poderíamos afirmar que se destaca no mercado interna-
cional. Para agravar, o país exporta bens primários, não tecnologia, o que deixa a nossa balança 
comercial bastante desfavorável.
FIQUE ATENTO!
O Brasil é considerado um grande exportador de commodities, que são bens de 
origem agropecuária e, portanto, de baixo valor agregado, comparando-se a bens 
que envolvem tecnologia, como máquinas industriais. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 134 – 
Moreira (1989, p.10) explica o problema de integração do Brasil no mercado internacional:
Dirigido à substituição de importações, sobretudo industriais, propulsionado pela ação do 
Estado e financiado pelo endividamento externo, tem de ser substituído por modelo de 
integração mais competitivo, que corresponda à nova concepção de desenvolvimento e de 
inserção no mundo, que procure responder tanto às novas realidades e aspirações internas 
quanto às transformações da economia mundial.
Há outros problemas que complicam a inserção do Brasil no mercado internacional. São eles: 
 • alta carga tributária.
 • alta taxas de juros.
 • alta inflação.
 • baixa qualificação profissional.
 • legislação trabalhista não atraente a investidores estrangeiros, mas cuja flexibilização 
é predatória ao trabalhador.
 • governos com alta taxa de endividamento.
 • gastos públicos desmedidos.
 • sistema previdenciário inconsistente com a realidade.
SAIBA MAIS!
Para conhecer de forma mais aprofundada os problemas brasileiros, leia “O Brasil no 
contexto internacional do final do século 20”. A obra está disponível em: http://www.
scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64451989000300002&lng=en&nr
m=iso.
Saiba que a inserção do Brasil no mercado internacional é fundamental, e o país precisa atrair 
investidores. Desta forma, haverá geração de empregos, aumento do consumo e de arrecadação.
Fechamento
Nesta aula, você teve oportunidade de:
 • conhecer como a globalização e a abertura de mercados impacta as economias 
nacionais;. 
 • entender que a economia global favorece o surgimento de blocos econômicos;
 • compreender quais os desafios do Brasil no mercado global.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 135 – 
Referências 
BRASIL. EMENDA CONSTITUCIONAL N. 95, DE 15 DE DEZEMBRO DE 2016. Disponível em: <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc95.htm>. Acesso em: 28 maio 2017. 
DUPAS, G. A lógica da economia global e a exclusão social. Estudos Avançados. São Paulo , v. 12, 
n. 34, p. 121-159, Dec. 1998. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttex-
t&pid=S0103-40141998000300019&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 02 fev. 2017. 
DULCI, Otávio Soares. S. Economia e política na crise global. Estudos Avançados. São Paulo, v. 
23, n. 65, p. 105-119, 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S0103-40142009000100008&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 03 fev. 2017. 
IBARRA, David. O neoliberalismo na América Latina. Revista de Economia Política. São Paulo, v. 
31, n. 2, p. 238-248, 2011. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S0101-31572011000200004&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 02 fev. 2017. 
MERCOSUL. Saiba mais sobre o Mercosul. Disponível em: http://www.mercosul.gov.br/saiba-mais-
-sobre-o-mercosul. Acesso em: 03 fev. 2017. 
MOREIRA, Marcílio Marques. O Brasil no contexto internacional do final do século XX. Lua Nova: 
Revista de Cultura e Política, São Paulo, n. 18, p. 05-23, 1989. Disponível em: <http://www.scielo.br/
scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64451989000300002&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 
04 fev. 2017.
ORTIGOZA, Sílvia Aparecida; CORTEZ, Ana Tereza. Da produção ao consumo: impactos socioam-
bientais no espaço urbano [online]. São Paulo: Editora Unesp; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2009, 
146 p.
REIS, Magnus dos; AZEVEDO, André Filipe Zago de; LÉLIS, Marcos Tadeu Caputi. Os efei-
tos do novo regionalismo sobre o comércio. Estudos Econômicos, São Paulo, v. 44, n. 2, 
p. 351-381, 2014. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S0101-41612014000200005&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 03 fev. 2017.
SILVA, Wanise Cabral. AMARAL, Nemo do Andrade. A imigração na Europa: a ação política da 
União Europeia para as migrações extracomunitárias. Sequência (Florianópolis), Florianópolis, n. 
66, p. 235-259, julho 2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S2177-70552013000100010&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 03 fev. 2017. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 136 – 
Globalização: Impactos Políticos 
(1980 – 2010)
Adriana Duarte de Souza Carvalho da Silva
Introdução
Nesta aula você conhecerá os aspectos políticos da globalização e saberá que esse é um 
processo que se fortalece desde o fim da Guerra Fria, constrói muros e aprofunda fronteiras. 
Você também compreenderá porque a globalização amplia a exclusão e as diferenças entre 
países ricos e pobres.
Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • compreender os impactos da globalização na política brasileira e ocidental;
 • entender os fenômenos políticos que dela são consequências. 
1 Final da Guerra Fria: o muro caiu?
Ao começar seus estudos sobre os aspectos políticos da globalização é importante identificar 
que ela surgiu no contexto da Guerra Fria, em que duas concepções de economia e política, o socia-
lismo e o capitalismo, polarizaram o mundo. Esses conflitos ideológicos se fortaleceram depois da 
Segunda Guerra Mundial, especialmente entre os Estados Unidos, país capitalista, e a antiga União 
das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Sato (2000) apresenta alguns fatores que levaram ao 
fim da Guerra Fria. São eles:
 • queda do muro de Berlim, que separava a Alemanha capitalista da socialista. 
 • fim da União Soviética;
 • crise nos fundamentos políticos e econômicos que mantinham os países socialistas;
 • mudanças de valores nas agendas internacionais.
 – 137 – 
TEMA 19
Figura 1 – O Muro de Berlim separava Alemanha capitalista da socialista
Fonte: Style-photography/Shutterstock.com.
Você deve ter em mente que a queda do muro de Berlim vem sendo utilizada como metáfora 
para se afirmar que o mundo não está mais polarizado. No entanto, estudaremos que essa reali-
dade é bem mais complexa do que parece.
SAIBA MAIS!
Para conhecer melhor os aspectos que envolveram o fim dessa divisão política 
mundial, você pode ler o artigo “A agenda internacional depois da Guerra Fria: novos 
temas e novas percepções”. O texto mostra que vários fatores levaram a essa 
mudança. Acesse em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-
73292000000100007&lng=pt&nrm=iso>.
Para Sato (2000), mudanças profundas nas relações internacionais e na própria agenda inter-
nacional levaram ao fim da Guerra Fria. Segundo ele, a polarização entre capitalismo e socialismo 
passou a não fazer mais sentido, já que o capitalismo tornou-se o vencedor desse embate de for-
ças e porque novas questões começaram a preocupar os governos. Sato (2000, p.139) apresenta 
exemplos: “(...) meio ambiente, narcotráfico, as novas bases da competitividade internacional, 
direitos humanos, conflitos étnico-religiosos, entre outros.”
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 138 – 
EXEMPLO
Para você entender esse processo de mudança, enquanto no século passado a 
ameaça comunista assustava os EUA, atualmente um dos principais motivos de 
preocupação é o terrorismo de grupos islâmicos extremistas.
A seguir, você conhecerá quais novas e múltiplas questões passaram a fazer parte da agenda 
dos países.
2 Do mundo bipolar ao multipolar
Um dos grandes dilemas da atualidade, que marcam as questões de política externa, é o dos 
refugiados.Cada vez mais, países atingidos por calamidades naturais, como é o caso do Haiti, 
ou em guerra civil, situação da Síria, promovem a saída de seus cidadãos, que partem em busca 
de uma vida melhor. Essa situação tornou-se um problema internacional de direitos humanos. O 
mundo ficou dividido de forma multipolar. 
Figura 2 – A situação dos refugiados
Fonte: Sinan Niyazi KUTSAL/Shutterstock.com
Entenda que essa questão das migrações é bastante antiga, mas os refugiados formam um 
novo tipo de imigração. Rocha e Moreira (2010, p. 17) definem da seguinte forma o surgimento 
desse fenômeno. 
As migrações não constituem um fenômeno recente [...]. O que é, de fato, novo é que, a 
partir de meados do século XX, diversos Estados participantes do sistema internacional 
passaram a reconhecer a fuga, por medo de perseguição em função de raça, religião, na-
cionalidade, convicções políticas ou filiação social, como um direito do indivíduo, protegido 
por uma legislação internacional.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 139 – 
É claro que nem sempre os países estão receptivos ao recebimento de refugiados. Os autores 
afirmam que organizações envolvidas com a causa humanitária muitas vezes frustram-se diante 
das dificuldades de aceitação desses grupos e da necessidade da instituição do refúgio. 
SAIBA MAIS!
No artigo intitulado “Regime internacional para refugiados: mudanças e desafios”, 
de Rossana Reis Rocha e Julia Bertino Moreira, você poderá saber mais a respeito 
das dificuldades e dos dilemas relacionados à questão dos refugiados. O texto 
está disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-
44782010000300003&lng=en&nrm=iso>.
Outra questão que divide o mundo é a temática do terrorismo internacional, especialmente de 
alguns grupos da religião islâmica. Um dos problemas é que parte do Ocidente tem generalizado 
o terrorismo, atribuindo-o a todo o mundo islâmico e não a grupos específicos dentro do islã. Essa 
generalização provoca grande preconceito. 
Para Procópio (2001), a forma como o terrorismo é combatido está equivocada, devendo ser 
substituída por práticas de construção de redes de solidariedade entre as nações. Ainda segundo 
o autor, precisamos de human intelligence. Ele se refere à necessidade de um olhar mais humano 
aos povos que são diferentes da cultura ocidental.
É preciso que as nações ocidentais tenham mais respeito e humanidade em relação às 
demais culturas. 
3 Um mundo sem fronteiras?
Você percebeu até aqui que vivemos em um mundo globalizado, mas cheio de fronteiras. As 
fronteiras estão abertas ao comércio internacional entre países desenvolvidos, mas nem sempre 
para permitir a inclusão de populações mais pobres e de cultura não ocidental. Assim, podemos 
afirmar que a globalização tem um caráter excludente, especialmente em relação às nações mais 
pobres. Santos (2001, p. 184) explica:
O que significa a globalização para as classes subalternas, em especial para os margi-
nados do sistema dominante? Sua crescente exclusão da riqueza social por ela gerada e 
seu afastamento dos centros de decisão política. Implica também a deterioração das suas 
condições de vida em termos de alimentação, saúde, habitação, saneamento e educação, 
entre outros aspectos. 
FIQUE ATENTO!
Veja que na realidade, a fronteira remete a como nosso mundo se fecha para a 
tutela dos direitos das populações que sofrem da insegurança e instabilidade pro-
vocadas pela desigualdade social. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 140 – 
Para Santos (2001), a exclusão é o desdobramento mais marcante da globalização. Ela inclui, 
além dos mais pobres, novas categorias de excluídos, aqueles que fogem de seus países, devido à 
guerra civil, à perseguição religiosa e intolerância, entre outros problemas.
EXEMPLO
O Haiti sofreu um grande desastre natural em 2010 e ficou ainda mais sob péssi-
mas condições econômicas e sociais. Haitianos têm saído em massa de seu país, 
em busca de uma vida melhor em países que possam dar-lhes trabalho e melhores 
condições de vida. O Brasil é um exemplo de país que recebe haitianos, embora 
nem sempre consiga empregá-los dignamente. 
Agora você compreenderá mais sobre essa temática, estudando outro aspecto político da 
globalização: o neoliberalismo
4 Avanço neoliberal
Um dos impactos da globalização no campo político é o crescimento no número de países 
que aderiram ao neoliberalismo. No campo político o neoliberalismo modifica as relações entre 
sociedade, mercado e Estado. De que forma isso ocorre? Veja a seguir alguns exemplos. O Estado 
vende ativos públicos para empresas privadas.
 • Os governos terceirizam a gestão dos serviços públicos.
 • Os governos fazem parcerias com ONGs para promover serviços sociais. 
 • O Estado diminui o orçamento para programas sociais. 
De acordo com Ibarra (2011, p. 239-40):
“Em síntese, a utopia neoliberal exalta as virtudes abstratas dos mercados, dos prêmios 
aos mais aptos, da competitividade, da eficiência, das ganâncias, dos direitos de proprie-
dade, e da liberdade de contratação. Critica, em contrapartida, a intervenção estatal e a 
própria política, taxando-as de perniciosas e ineficientes. Assim se articulam as teses e se 
prepara o salto à ideia de que os mercados constituem o miolo de um sistema social ideal, 
automático, o qual garante o bem-estar e a prosperidade.”
FIQUE ATENTO!
Conforme Beck (1999), a globalização rompe com a ideia de um Estado capaz de 
controlar a economia. 
Em função disso, podemos dizer que a globalização amplia a exclusão social. Essa política 
é um desdobramento das relações comerciais promovidas pela economia global. No neolibera-
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 141 – 
lismo, o Estado se omite de interferir para amenizar a exclusão e a desigualdade social por meio 
de programas sociais e por políticas de geração de empregos. Todos esses fatores ampliam a 
desigualdade social, conforme você pode visualizar no esquema a seguir.
Figura 3 – Globalização e neoliberalismo
Globalização
Neoliberalismo
Exclusão social
Desemprego
Fonte: elaborada pela autora, 2017.
A globalização é, também, um processo que incentiva o desenvolvimento tecnológico. Cada 
vez mais, a mão de obra humana é substituída por tecnologias robóticas, agravando a situação em 
países como o Brasil e outros da América Latina, no que diz respeito ao desemprego. Acompanhe!
5 Nova esquerda latino-americana
Em reação ao neoliberalismo surgiu uma nova esquerda nos países da América Latina que 
vem ganhando forças internacionalmente. O pensamento de esquerda inclui ideias bem específi-
cas, que questionam alguns posicionamentos neoliberais. São elas:
 • apoio aos direitos trabalhistas e a políticas de emprego.
 • defesa dos direitos humanos.
 • apoio às minorias (exemplo: defesa do casamento homoafetivo).
 • apologia às políticas ambientas e de reforma agrária. 
 • estímulo aos programas sociais. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 142 – 
Conforme Pereira (1990), essa nova esquerda defende a democracia e a distribuição de 
renda, e acredita parcialmente que o mercado pode coordenar a economia. Portanto, não rompe 
completamente com a crença no poder do mercado, mas também defende que a desigualdade 
seja amenizada pelo Estado.
FIQUE ATENTO!
Saiba que esquerda não é sinônimo de socialismo ou comunismo. Embora haja 
partidos de esquerda que defendam o socialismo, nem todo partido de esquerda 
é socialista. 
O neoliberalismo, que estamos estudando, é uma prática defendida em geral por partidos de 
direita. Na figura você pode compreender algumas distinções entre direita e esquerda. Acompanhe!
Figura 4 – As diferenças
Apoio aos investimentos públicos em
programas sociais
Confiança na capacidade do mercado
em empregar e se autorregular
Defesa da intervenção estatal na
economia Defesa do Estado Mínimo
Esquerda Direita
Fonte: elaborado pela autora, 2017.
Assim, contra os governos neoliberais, essa nova esquerda latino-americana defende a reto-
mada de um modelo de Estado que tenha como finalidadea proteção social.
Fechamento
Nesta aula, você teve a oportunidade de: 
 • entender o contexto da globalização e o fim da Guerra Fria;
 • identificar que o mundo passou a ter uma divisão multipolar;
 • saber que a globalização e o neoliberalismo ajudaram a criar mais muros e fronteiras; 
entre os povos e maior exclusão social;
 • aprender que em contraposição surgiu uma nova esquerda.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 143 – 
Referências 
BECK, Ulrich. O que é globalização? Equívocos do Globalismo e respostas à globalização. São 
Paulo: Paz e Terra, 1999. 
BRESSER PEREIRA, Luiz Carlos. Crise e renovação da esquerda na América Latina. Lua Nova, São 
Paulo, n. 21, p. 41-54, 1990. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S0102-64451990000100003&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 08 fev. 2017. 
HELD, David; MCGREW, Anthony. Prós e Contras da Globalização. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 
2001.
IBARRA, David. O neoliberalismo na América Latina. Rev. Econ. Polit., São Paulo, v. 31, n. 2, 
p. 238-248, 2011. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S0101-31572011000200004&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 08 fev. 2017.
PROCÓPIO, Argemiro. Terrorismo e relações internacionais. Rev. bras. polít. int., Brasília , v. 44, 
n. 2, p. 62-81, Dec. 2001. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S0034-73292001000200004&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 07 fev. 2017. 
ROCHA, Rossana Reis; MOREIRA, Júlia Bertino. Regime internacional para refugiados: mudanças e 
desafios. Rev. Sociol. Polit., Curitiba , v. 18, n. 37, p. 17-30, 2010. Disponível em: <http://www.scielo.
br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-44782010000300003&lng=en&nrm=iso>. Acesso 
em: 06 fev. 2017.
SANTOS, Tania Steren. Globalização e exclusão: a dialética da mundialização do capital. Sociolo-
gias, Porto Alegre, ano 3, n. 6, jul/dez 2001, p. 170-198. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/
soc/n6/a08n6.pdf>. Acesso em: 07 fev.2017. 
SATO, Eiiti. A agenda internacional depois da Guerra Fria: novos temas e novas percepções. Rev. bras. 
polít. int., Brasília, v. 43, n. 1, p. 138-169, jun. 2000. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?s-
cript=sci_arttext&pid=S0034-73292000000100007&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 06 fev. 2017. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 144 – 
Globalização: Impactos Sociais e 
Culturais (1980 – 2010) 
Adriana Duarte de Souza Carvalho da Silva
Introdução
Neste encontro, vamos nos debruçar sobre a globalização do ponto de vista cultural. A sociedade 
contemporânea é fortemente marcada pela globalização, que define novos padrões culturais, como a 
cultura ocidental de consumo e, certamente, é um fenômeno que tem provocado muitas mudanças. 
Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • compreender os impactos da globalização na cultura e sociedade brasileira e ocidental;
 • entender os fenômenos culturais que dela são consequências.
1 Sociedade globalizada?
Ao iniciarmos, é importante destacar que do ponto de vista cultural, a sociedade globalizada 
também é uma sociedade imperialista. Isso significa que a cultura dos países ricos ocidentais é 
apresentada como a única legítima e tem sido imposta, especialmente pela mídia, aos países da 
periferia. Perceba que a globalização estabelece uma hierarquia entre as culturas e, a partir dos 
meios de comunicação, inclusive a internet, cria relações de poder hierárquicas e desiguais, em um 
processo no qual algumas culturas são legitimadas e outras, negadas. É uma nova forma de colo-
nização: imperialismo cultural, sem uso de armas e cujo principal instrumento é a mídia. Casanova 
(2005, p.74) define imperialismo da seguinte forma:
A verdade é que hoje, mais do que nunca, o conceito do imperialismo como uma etapa do 
capitalismo e da História da humanidade continua sendo um conceito fundamental. Ao 
articular a História dos impérios com a História das empresas, o conceito de “imperialismo” 
pôs a descoberto o poder crescente das empresas monopolistas e do capital financeiro. 
Também reformulou a luta anti-imperialista [sic] combinando a luta das nações oprimidas 
com a luta das classes exploradas.
EXEMPLO
O cinema é um importante veículo de propagação dos modos de vida ocidental, 
principalmente as produções de Hollywood. Nossos cinemas e redes de televisão a 
cabo privilegiam esses filmes em detrimento dos demais.
 – 145 – 
TEMA 20
Figura 1 – Filmes
Fonte: Xavier GallegoMorell/Shutterstock.com.
Ortiz (2000, p.73) estudou a comunicação no processo de globalização e mostrou outro 
exemplo desse colonialismo, contudo, apontando que dificilmente essa hegemonia (supremacia) 
cultural consegue destruir por completo as demais culturas: 
Existe uma hegemonia do inglês, mas essa hegemonia não implica o desaparecimento das 
línguas nacionais e nem implicará nisso. O inglês vem sendo utilizado por grupos especiali-
zados, por exemplo, nas grandes empresas. Mas não vamos ver jornais brasileiros escritos 
em inglês. Nós vamos continuar a usar o português no rádio, na TV. Nós vamos continuar 
a usá-lo na linguagem diária. (ORTIZ, 2000, p.73).
Comparando a globalização ao processo de colonização no século XVII, Ortiz (2000) men-
ciona que atualmente as culturas não desaparecem, mas se encontram inseridas em um processo 
de lutas simbólicas, do hegemônico contra o periférico, para que nada seja extinto. Dessa forma, 
as marcas da cultura brasileira permanecem, mas em luta simbólica contra a hegemonia dos 
países centrais. 
FIQUE ATENTO!
O conceito de colonialismo da forma como empregamos aqui refere-se a um pro-
cesso em que países desenvolvidos impõem sua cultura aos países mais pobres, 
apresentando-a como livre de conflitos.
Agora que falamos sobre imperialismo cultural, vamos refletir sobre os padrões dissemina-
dos pela globalização.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 146 – 
2 Novos padrões disseminados
Entenda que a sociedade contemporânea é certamente uma sociedade em que determina-
dos temas e comportamentos deixaram de ser tratados como tabu. Um exemplo é a questão do 
casamento homoafetivo, que tem sido cada vez mais debatido e aceito, sendo reconhecido como 
direito civil. 
Figura 2 – Casamento homoafetivo
Fonte: Dubova/Shutterstock.com
No âmbito dos Direitos Humanos, a globalização e o fortalecimento de instituições interna-
cionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), foram muito positivas. Essas organiza-
ções têm a missão de defender as minorias e promover a luta pelo direito daqueles que estão à 
margem do capitalismo e se encontram em vulnerabilidade social.
EXEMPLO
Além da ONU, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) atua para assegurar 
condições justas de trabalho e manifesta-se contra o trabalho análogo ao escravo 
e contra o trabalho infantil. A organização mantém vários projetos de combate a 
essas práticas no Brasil, como o Projeto de Estruturação da Agenda Regional de 
Trabalho Decente de Carajás (OIT, 2017), que envolve 39 cidades da região e rela-
ciona-se ao trabalho e desenvolvimento sustentável.
Veja que a ONU tem uma atuação importante no Brasil em parceria com as agendas dos 
governos locais. No País, as agências da ONU desenvolvem projetos de forma coordenada em 
diferentes regiões, em conjunto com governos, com instituições de ensino, ONGs, sociedade civil e 
instituições privadas (ONU BRASIL, 2017). A atuação é no sentido de assegurar o desenvolvimento 
humano equitativo, isto é, contra as desigualdades sociais, e os direitos das minorias.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 147 – 
SAIBA MAIS!
Para conhecermais a respeito da atuação do trabalho realizado pela ONU no Brasil, 
você pode acessar o seguinte endereço eletrônico: <https://nacoesunidas.org/onu-
no-brasil/>.
Há, ainda, outros temas que a globalização traz ao debate internacional:
 • aborto;
 • refugiados;
 • terrorismo;
 • meio ambiente;
 • petróleo;
 • acesso à água potável;
 • paz no oriente.
FIQUE ATENTO!
Você deve lembrar-se de que nenhumdesses temas é consenso no âmbito inter-
nacional, pois nem sempre é do interesse do Estados-nação defender alguns deles. 
Por exemplo, ser ambientalmente correto é bastante caro e desinteressante para 
algumas empresas.
Agora que você entendeu como a globalização propaga novos padrões de cultura, vamos 
conhecer o impacto dessa globalização cultural.
3 Efeitos de uma cultura globalizada
Como vimos, embora a cultura ocidental se apresente hegemônica, ainda não destruiu outras 
culturas. Para você entender melhor, a cultura ocidental avançou, mas não se internacionalizou 
como a economia. 
Vamos a um exemplo. A cultura ocidental é marcadamente cristã e, mesmo sendo a cultura 
hegemônica, não conseguiu conter o crescimento da religião mulçumana, nem minimizar o juda-
ísmo. É fundamental que cada povo mantenha sua cultura e suas tradições.
E como podemos, então, perceber essa cultura hegemônica? Ortiz (1993) menciona que no 
mundo globalizado vamos entendê-la a partir da lógica do mercado, ou seja, do consumo. E a cul-
tura do consumo tem se expandido mundo afora por meio da publicidade global. O autor explica: 
“ [...] O que essa publicidade global faz é capitalizar determinados símbolos e referências culturais 
reconhecidos internacionalmente”. (ORTIZ, 1993, p. 290). Para ele, pensar uma cultura popular 
diferente da cultura do consumo é um desafio.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 148 – 
Figura 3 – O mundo de todas as culturas
Fonte: Maxstockphoto/Shutterstock.com.
SAIBA MAIS!
A leitura do artigo “Os Direitos Humanos como produto: reflexões sobre a in-
formação e a cultura da mídia, de Fábio Souza da Cruz e Marcelo Oliveira de 
Moura, ajuda a compreender melhor o papel da mídia em nossa sociedade. O 
texto está disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S2177-70552012000200005&lng=pt&nrm=iso>.
Do ponto de vista cultural, é fundamental que seja internacionalizada uma cultura de valoriza-
ção dos Direitos Humanos e não uma cultura de consumo de mercadorias ocidentais. Tendo isso 
em mente, vamos entender um pouco melhor as implicações da globalização sobre a comunicação.
4 Comunicação em um mundo globalizado
O desenvolvimento das tecnologias da comunicação foi fundamental para o processo de 
acirramento do consumo de bens ocidentais, segundo Ortiz (1993).
Os meios de comunicação criam a necessidade de consumir e constroem identidades a par-
tir daquilo que o indivíduo pode consumir. Dessa forma, eles o convencem da importância do 
consumo para que o status quo seja alcançado. Sobre isso, Ortiz afirma:
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 149 – 
O conjunto do aparato tecnológico, sobretudo na área das comunicações, constitui hoje a 
infraestrutura material de uma cultura que se mundializa. O planeta pode então ser pensa-
do como um sistema, uma rede informacional, cujas partes encontram-se interligadas. As 
chamadas novas tecnologias abrem de fato a perspectiva para uma cultura mundializada. 
Os satélites de comunicação possibilitam o desenvolvimento de cadeias televisivas pla-
netárias, da mesma forma que a informatização incentiva o surgimento dos jornais e das 
firmas globais. (ORTIZ, 1993, p. 295)
Figura 4 – Cultura do consumo
Fonte: carlodapino/Shutterstock.com.
Auxiliada pelas tecnologias, como menciona o autor, a publicidade é capaz de incentivar a 
criação da mentalidade coletiva internacional, pautada na legitimidade única da cultura ocidental. 
Assim, o pensamento lógico que se cria é o de que, se apenas a cultura ocidental é legítima, então 
é necessário consumi-la.
FIQUE ATENTO!
Conectar as pessoas de forma mais fácil e mais rápida torna também mais simples 
a internacionalização da identidade e estilo de vida do homem ocidental. Contudo, é 
fundamental entender que o consumo é ainda restrito. Parte da humanidade ainda 
se encontra abaixo da linha da pobreza, o que torna o consumo inacessível.
Portanto, conforme observa o autor, se a globalização cria uma mentalidade coletiva internacio-
nal de consumo de bens ocidentais, ela exclui de forma violenta aqueles que não podem consumir. 
No Brasil, apopulação que vive de programas sociais de transferência de renda do governo 
federal certamente está afastada do estilo de vida baseado no consumo. Segundo informações 
da Caixa Federal (2017), atualmente 13,9 milhões de famílias são atendidas pelo Programa Bolsa 
Família, ou seja, são milhões de famílias que dependem do governo para consumir e que, portanto, 
não estão inclusas nessa lógica do consumo globalizado.
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 150 – 
Compreenda que a globalização é um processo contraditório. Se, por um lado, segundo Ortiz 
(1993), cria um imaginário coletivo internacional, conectando as pessoas via redes sociais em 
segundos e rompendo limites territoriais, por outro lado exclui bilhões de pessoas que não têm 
acesso nem mesmo à alimentação e água potável. Permanecemos, portanto, em um mundo 
excludente, embora mais unido do que nunca, pelo menos do ponto de vista da comunicação. 
Fechamento
Nesta aula, você teve a oportunidade de:
 • entender que algumas culturas se impõem de forma imperialista sobre outras;
 • aprender que a cultura de consumo ocidental ainda não conseguiu destruir as culturas;
 • entender que esse estilo de vida ocidental é bastante excludente, porque parte do 
mundo vive na extrema miséria.
Referências 
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Paginas/default.aspx>. Acesso em: 10 fev. 2017. 
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<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413=77042005000100004-&lng=en&nrm-
iso>. Acesso em: 29 jun. 2017. 
CRUZ, Fábio Souza da; MOURA, Marcelo Oliveira de. Os Direitos Humanos como produto: refle-
xões sobre a informação e a cultura da mídia. Sequência (Florianópolis), Florianópolis, n. 65, 
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d=S2177-70552012000200005&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 29 jun. 2017. 
OIT. Organização Internacional do Trabalho. Projeto de Reestruturação da Agenda Regional de Tra-
balho Decente de Carajás, ago. 2017. Disponível em: <http://www.ilo.org/brasilia/programas-proje-
tos/WCMS_543719/lang--pt/index.htm>. Acesso em: 02 jun 2017.
ONU. ONU no Brasil. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/onu-no-brasil/>. Acesso em: 09 fev. 2017. 
ORTIZ, R. Cultura e mega-sociedade mundial. Lua Nova, São Paulo, n. 28-29, p. 283-296, abr. 
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00100014&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 09 fev. 2017.
ORTIZ, R. Identidades culturais no contexto da globalização. Comunicação & Educação, São Paulo, 
n 18, p. 68-80, 2000. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/comueduc/article/view/36922/ 
39644>. Acesso em: 09 fev. 2017. 
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
 – 151 – 
	Conceitos teóricos dos 
séculos XVII e XVIII
	Revolução industrial e 
revoluções burguesas
	Burgueses e proletários
	Émile Durkheim
	Karl marx
	Max Weber
	Brasil: do engenho ao ouro
	O europeu e a ocupação territorial
	Colonização: cultura indígena 
e a luta pela posse da terra
	O negro: cultura e o trabalho escravo
	Democracia racial
	Cultura
	Desigualdades sociais no Brasil
	Mudanças na cultura da 
sociedade contemporânea
	Os movimentos sociais
	Constituição de 1988 e a sociedade contemporânea
	Globalização: origens e definições
	Globalização: Impactos Econômicos (1980 – 2010) 
	Globalização: Impactos Políticos 
(1980 – 2010)
	Globalização: Impactos Sociais e 
Culturais (1980 – 2010) 
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