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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA
DEPARTAMENTO DE LETRAS E ARTES
COLEGIADO DE LETRAS VERNÁCULAS
DISCIPLINA – ESTUDOS FONÉTICOS
ELLEN MILDE FELÍCIO DE LOYOLA MELO
GLOSSÁRIO DE CONCEITOS EXPLANADOS EM AULA
CACHOEIRA - BA
2021
	
	UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA
DEPARTAMENTO DE LETRAS E ARTES
	
	Curso: Letras – Língua Portuguesa - 1º semestre
Disciplina: Estudos Fonéticos
Aluna: Ellen Milde Felício de Loyola Melo
Professor: Lívia Mendonça
Trabalho: Glossário
1. LÍNGUA
A Língua é uma forma de linguagem composta por signos vocálicos e visuais, utilizada como meio de comunicação entre uma comunidade linguística ou de determinado grupo social. Ademais, cada língua possui sua estrutura específica de códigos, regras e palavras. 
Para Saussure (1916, p.17), “a língua constitui algo adquirido e convencional”, é “ao mesmo tempo, um produto social da faculdade da linguagem e um conjunto de convenções necessárias, adotadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos”. O linguista suíço continua definindo e afirma que a língua é “o conjunto dos hábitos linguísticos que permitem a uma pessoa compreender e fazer-se compreender” (p.92), “uma soma de sinais depositados em cada cérebro, mais ou menos como um dicionário cujos exemplares, todos idênticos, fossem repartidos entre os indivíduos” (p.27).
O autor do famigerado Curso de Linguística Geral ratifica ainda que a língua é a “a parte social da linguagem, exterior ao indivíduo, que, por si só, não pode nem criá-la nem modificá-la; ela não existe senão em virtude de uma espécie de contrato estabelecido entre os membros da comunidade” (SAUSSURE, 1916, p. 22).
Similarmente, Eduardo Martelotta (2011, p.16), em seu Manual de Linguística, afirma que "língua" é normalmente definido como um sistema de signos vocais1 utilizado como meio de comunicação entre os membros de um grupo social ou de uma comunidade linguística. Ele reitera que “nenhuma língua é intrinsecamente melhor ou pior do que outra, uma vez que todo sistema linguístico é capaz de expressar adequadamente a cultura do povo que a fala.” (MARTELOTTA, 2011, p.19)
Assim, nota-se como a língua (langue) é vista como um produto social presente na mente de cada falante, ou seja, como um acervo gramatical “homogêneo”, visto que é algo impossível de se recriar ou alterar em um mesmo grupo linguístico-social. Constitui-se como uma convenção social coletiva, sistemática, abstrata e fundamental para a comunicação em uma comunidade linguística.
2. LINGUAGEM
Por sua vez, a Linguagem é uma forma de comunicação humana bastante ampla que abarca diversas modalidades, como por exemplo: a linguagem escrita, corporal, visual, dentre outras. Através dela é possível os seres humanos se comunicarem e expressarem informações, opiniões e sentimentos. Há diversos tipos de línguas faladas no mundo, mas todas estão abarcadas dentro da Linguagem.
Saussure divide a linguagem em diversas dicotomias. Dentre elas, uma das mais conhecidas é a: langue X parole. Para ele, “a linguagem tem um lado individual (parole) e um lado social (langue), sendo impossível conceber um sem o outro” (SAUSSURE, 1916, p.16)
Martelotta (2011, p.18) explana que “a linguagem é importante não só para a organização do pensamento, como também para a compreensão e categorização do mundo que nos cerca” e que “a linguagem determinaria a percepção e o pensamento: as pessoas que falam diferentes línguas veem o mundo de modos distintos.”
“O termo "linguagem" apresenta mais de um sentido. Ele é mais comumente empregado para referir-se a qualquer processo de comunicação, como a linguagem dos animais, a linguagem corporal, a linguagem das artes, a linguagem da sinalização, a linguagem escrita, entre outras.” (MARTELOTTA, 2011, p.15)
Para Jhon Lyons (1987), a profundidade do questionamento “O que é a lingua(gem)?" é comparável a "O que é a vida?", visto que se trata de algo tão complexo e imenso como a vida. Em seu livro “Linguagem e linguística: uma introdução”, Lyons trás importantes definições acerca da linguagem e concorda, questiona e refuta com diversas delas. Eis algumas das definições: 
1) Conforme Sapir (1929:8) "A linguagem é um método puramente humano e não instintivo de se comunicarem ideias, emoções e desejos por meio de símbolos voluntariamente produzidos''. Tal definição apresenta alguns defeitos[...]
3) Em seu Essay on Language, Hall (1968: 158) nos diz que a lingua(gem) é "a instituição pela qual os humanos se comunicam e interagem uns com os outros por meio de símbolos arbitrários orais-auditivos habitualmente utilizados"[...]
5) Chomsky (1957:13), em seu Syntactic Structures, diz que "Doravante considerarei uma lingua(gem) como um conjunto (finito ou infinito) de sentenças, cada uma finita em comprimento e construída a partir de um conjunto finito de elementos. De acordo com Chomsky, todas as línguas naturais são, seja na forma falada, seja na escrita, linguagens, no sentido de sua definição: uma vez que (a) toda língua natural possui um número finito de sons [...] e (b), embora possa haver um número infinito de sentenças distintas na língua, cada sentença pode ser representada como uma sequência finita desses sons (ou letras). (LYONS, 1987, p.17-20)
3. FALA
A fala, nas palavras de Saussure, é "um ato individual de vontade e de inteligência" (1916, p.22). De acordo com ele, “é a fala (parole) que faz evoluir a língua (langue): são impressões recebidas ao ouvir os outros que modificam nossos hábitos linguísticos” (p.27). A língua é a condição da fala, haja vista que ao falarmos, estamos subordinados ao sistema de regras dispostos que correspondem a língua.
“A parole, ao contrário da langue, Saussure a apresenta multifacetada e heterogênea. Diz o mestre que “a parole é um ato individual de vontade e inteligência, no qual convém distinguir: 1) as combinações pelas quais o falante realiza o código da langue no propósito de exprimir seu pensamento pessoal; 2) o mecanismo psico-físico que lhe permite exteriorizar essas combinações“. Saussure classifica a parole como o "lado executivo” da linguagem, cuja "execução jamais é feita pela massa; é sempre individual e dela o individuo e sempre senhor; nós a chamaremos fala (parole)” (SAUSSURE, 1916, p.22, apud CARVALHO, 1976, p.12)
Outrossim, Martelotta (2011. p.21) afirma que é na fala que “a linguagem se manifesta de modo mais natural.” Ele diz que:
“pelo fato de a fala refletir o funcionamento da linguagem de modo mais natural e espontâneo do que a escrita, que é mais planejada, [...] faz da fala um material mais interessante para que se possa compreender o funcionamento da linguagem humana.” (MARTELOTTA, 2011, p.24)
“Todas as comunidades humanas existentes, ou que já existiram, possuem a capacidade de se comunicar através da fala.” (MARTELOTTA, 2011, p.26)
“A fala expressa as idiossincrasias particulares de cada falante. Em termos fonético/fonológico podemos dizer que fonologia e língua, e fonética e fala são termos relacionados.” (CARDOSO, 2009, p.11-12)
4. FONE (SOM DA FALA)
Os fones dizem respeito ao som da fala e constituem as partículas mínimas da fala. Castelar de Carvalho (1976, p.77) define como:
 “Os fones, elementos sonoros sem valor distintivo, objeto de estudo da Fonética, a ciência dos sons da parole. No signo gata temos quatro fones, a saber: [g], [a], [t], [a]. As variações de um fone (os alofones) também devem ser encaradas como elementos da substância da expressão.” (CARVALHO, 1976, p.77)
“Fone diz respeito aos sons efetivamente produzidos na fala, que varia de região para região.” (MARTINS, 2005, on-line)
“Unidade mínima da fonética, transcrita entre colchetes, por exemplo.” (CARDOSO, 2009, p.45)
"As unidades básicas da Fonética são os fones, transcritos entre colchetes [p], [t], [k].” (MORI, 2001, p.149).
5. FONEMA (SOM DA LÍNGUA)
Os fonemas dizem respeito ao som da língua e constituem as partículas mínimas da língua. Para Martelotta, os fonemas são: “Elementos não dotados de significado ou fonemas. Os elementos da segundaarticulação ou fonemas /g/, /a/, /l/ e /a/ compõem o vocábulo "gala": 
 gala gala gala gala
mala gula gata galo.” (MARTELOTTA, 2011, p.40)
“Essa função é a de distinguir significações e o som que tem essa função é chamado de Fonema. Concebido sob o ponto de vista funcional, o fonema toma-se então o som ideal, abstrato, acima das diferenças individuais de pronúncia, aquele que os falantes julgam pronunciar ou ouvir. Por se tratar de um som supraindividual, diz-se que o fonema é o som da langue e compreende-se assim sua definição clássica: menor unidade (é indivisível) sonora distintiva.” (CARVALHO, 1976, p.67)
“Os fonemas são, antes de tudo, entidades opositivas, relativas e negativas.” (SAUSSURE, 1916, p.138)
“De acordo com a fonologia desenvolvida em Praga, os fonemas, definidos como elementos mínimos do sistema linguístico, não são elementos mínimos em si, mas feixes ou conjuntos de traços distintivos simultâneos. Por exemplo, o fonema /p/ é constituído dos traços: oclusivo, bilabial, surdo; enquanto o fonema/b/ reúne os traços: oclusivo, bilabial, sonoro. Logo, /p/ e /b/ diferem quanto à sonoridade, e é esse traço [+ ou - sonoro] que distingue pares mínimos, como as palavras "/>ata" e "£ata" ou "/>ico" e "£ico.” (MARTELOTTA, 2011, p.160)
“Jakobson demonstrou que um som linguístico para ser classificado como fonema depende de certos traços distintivos, cuja presença ou ausência é que irão determinar, por oposição paradigmática, o seu valor em relação aos demais fonemas da língua.” (CARVALHO, 1976, p.67)
[...] os sons não são fenômenos puramente físicos, mas psicofísicos por definição [...] o que distingue o fonema do som não é o seu caráter puramente psíquico, mas antes seu caráter diferencial – o que faz dele um valor linguístico (TRUBETZKOY, 1933, p. 16-17).
“[...] os morfemas e os fonemas. [...] Os segundos são elementos não significativos, tendo função distintiva.” (MARTELOTTA, 2011, p.39)
6. DUPLA ARTICULAÇÃO
Definida por André Martinet, a dupla articulação é uma das características essenciais da linguagem humana, chega a ser uma das funções que distinguem a comunicação humana da comunicação dos animais. Segue-se algumas das definições: 
“Afirmar que a linguagem humana é articulada significa dizer, portanto, que os enunciados produzidos em uma língua não se apresentam como um todo indivisível. Ao contrário: podem ser desmembrados em partes menores, j á que constituem o resultado da união de elementos, que, por sua vez, podem ser encontrados em outros enunciados.” (MARTELOTTA, 2011, p.38)
“E podemos também compreender o termo "dupla articulação": existem dois tipos diferentes de unidades mínimas: os morfemas e os fonemas. Os primeiros são elementos significativos, já que, como vimos anteriormente, dão alguma informação acerca da estrutura semântica ou da estrutura gramatical dos vocábulos. Os segundos são elementos não significativos, tendo função distintiva.” (MARTELOTTA, 2011, p.39)
“a teoria da Dupla Articulação da Linguagem. Partindo da concepção saussuriana, que vê a langue constituída de dois planos interdependentes (o das ideias e o dos sons), o linguista francês postula que ao plano das ideias ou do significado corresponde a 1 articulação da linguagem, - 68 - cujas unidades mínimas seriam os Monemas” (CARVALHO, 1976, p.67-68)
“Por outro lado, o plano dos sons ou do significante, Martinet chama de 2ª articulação. Nesta as unidades mínimas são os Fonemas, identificados como a menor unidade fonológica capaz de estabelecer diferença de significado entre dois signos. A 2ª articulação diz respeito, portanto, à Fonologia. No exemplo dado, teríamos, desse modo, nove fonemas: /e/ /š/ /t/ /u/ /d/ /ã/ /m/ /u/ /š/.” ” (CARVALHO, 1976, p.68)
“A teoria da Dupla Articulação é a contribuição mais brilhante de Martinet e nos conduz a uma conclusão fundamental: o princípio da economia linguística. Com um número limitado de fonemas, o falante consegue formar um número ilimitado de monemas. O Português, por exemplo, com apenas 28 fonemas (19 consonantais, 7 vocálicos silábicos e 2 vocálicos assilábicos: as semivogais) nos possibilita produzir n enunciados ou monemas. Tais fonemas se relacionam entre si na memória do falante (relações paradigmáticas) e no discurso (relações sintagmáticas).” (CARVALHO, 1976, p.68)
7. FONÉTICA
“A fonética estuda os sons da linguagem sem preocupar-se com a língua à qual pertencem, enquanto que a fonologia os considera em função dessa língua.” (MARTINET, 1974, p.36) 
“o estudo do som enquanto tal, como entidade de natureza puramente física e articulatória, deve ser objeto da Fonética. Quer dizer, a Fonética deve estudar o som real, aquele que é efetivamente pronunciado pelo falante, despido, portanto, de qualquer valor significativo. (CARVALHO, 1976, p.66)
“Como define Trubetzkoy, a Fonética é: ‘a ciência da face material dos sons da linguagem humana.” (Trubetzkoy, 1933, p.162, apud CARVALHO, 1976, p. 66-67)
“A fonética é definida como a ciência da face material dos sons da linguagem humana.” .” (CARDOSO, 2009, p.11)
“A fonética estuda a substância, a materialidade dos sons vocais.” (CARDOSO, 2009, p.10)
“A fonética estuda os significantes do signo da parole (uso individual).” (CARDOSO, 2009, p.11)
“A fonética se relaciona com a fala e expressa as particularidades da fala de cada indivíduo.” (CARDOSO, 2009, p.12)
“a fonética é uma ciência histórica, analisa acontecimentos, transformações e se move no tempo. A fonologia se coloca fora do tempo, já que o mecanismo da articulação permanece sempre igual a si mesmo.”(SAUSSURE, 1975, p. 43)
“A fonética pode ser feita de três pontos de vista: a) da maneira como eles são produzidos (ou seja, mostrando que movimentos do aparelho fonador estão envolvidos na produção dos sons da fala) – Fonética Articulatória; b) da maneira como eles são transmitidos (isto é, a partir das propriedades físicas – acústicas – dos sons que se propagam através do ar) – Fonética Acústica; c) da maneira como eles são percebidos pelo ouvinte – Fonética Auditiva.” (MASSINI-CAGLIARI; CAGLIARI, 2001, p.106)
8. FONOLOGIA
“A fonologia estuda a estruturação dos sons em um sistema de relações opositivos e combinatórios para a constituição dos signos de uma língua.” (CARDOSO, 2009, p.10)
Segundo Trubetzkoy, a fonologia não objetiva estudar os sons, mas os fonemas, os elementos imateriais constitutivos do significante linguístico. Além do mais, para Trubetzkoy, “a fonética procura descobrir o que de fato se pronuncia ao falar uma língua, e a fonologia o que se crê pronunciar” (TRUBETZKOY, 1933, p. 19).
“Os trabalhos de Trubetzkoy lançaram os fundamentos para o desenvolvimento da fonologia de um modo geral.” (MARTELOTTA, 2011, p.160)
“A fonologia se preocupa com os fonemas, os significantes da langue (sistema social, convencional de signos). Trubetzkoy diferencia fonética de fonologia em planos distintos, pela seguinte proporção: langue: fonema : fonologia 
Parole: som : fonética.” (CARDOSO, 2009, p.11)
“Para Trubetzkoy, a Fonologia tem como objeto o som que “preenche uma determinada função na língua.” (Trubetzkoy, 1933, p.163, apud CARVALHO, 1976, p. 66-67)
“A fonologia se relaciona com a língua (em termos de sistema linguístico) por definir um sistema sonoro compartilhado em princípio por todos os falantes de uma determinada língua.” (CARDOSO, 2009, p.12)
“A fonologia é uma ciência linguística porque estuda as unidades distintivas da langue. A realização fônica em si interessa à fonética enquanto à fonologia interessa a oposição dos sons dentro do contexto de uma língua determinada. A fonologia só se interessa pelos traços distintivos, enquanto a fonética se interessa por todos os traços fônicos.” (CARDOSO, 2009, p.11)
9. TRANSCRIÇÃO FONÉTICA
“Chamamos transcrição fonética o ato de registrar os sons linguísticos por meio do uso do alfabeto fonético. ” (CARDOSO, 2009, p.66)
“Quando fazemos uma transcrição fonética ou fonológica precisamos que a representação do fonema seja exatamente aquela e não outra. Dizemos que deve haver uma representação biunívoca, istoé, cada fonema deve corresponder a apenas um símbolo, e um símbolo corresponde apenas a um fonema. Foi assim que surgiu a necessidade de se criar um alfabeto fonético.” (CARDOSO, 2009, p.66)
“Usam-se colchetes para a transcrição fonética, ou seja, a transcrição de pronúncia.” (CARDOSO, 2009, p.67)
“Quando transcrevemos fielmente a fala de alguém, estamos fazendo uma transcrição fonética.” (SEARA; NUNES; LAZZAROTTO-VOLCÃO, 2015, p. 16)
“Para a transcrição fonética, utilizamos outros símbolos:
(CARDOSO, 2009, p.67)
10. TRANSCRIÇÃO FONOLÓGICA
“Uma transcrição fonológica porque só se especificam as variantes que são pertinentes à nossa língua. Usamos, entretanto, o mesmo alfabeto fonético, pois os símbolos se resumem a uma simples expressão gráfica de um determinado som.” (CARDOSO, 2009, p.66)
“Usam-se barras inclinadas para a transcrição fonológica, ou seja, a transcrição padrão. /’kawzS/ = [‘kalzs] ou [‘kawza] = causas. Os símbolos devem ser grafados com letra minúscula, porque a maiúscula indica o arquifonema” (CARDOSO, 2009, p.67)
“A transcrição fonética e fonológica serve para representar os fonemas.” (CARDOSO, 2009, p.76)
“Quando fazemos transcrição usamos os símbolos do Alfabeto Fonético Internacional.” (CARDOSO, 2009, p.77)
11. IDIOSSINCRASIA
De acordo com o dicionário Priberam (2021, on-line), a palavra idiossincrasia se refere a uma característica peculiar/única do comportamento de uma pessoa ou de um grupo. Ademais, o dicionário Educalingo (2021, on-line), traz a etimologia desse termo e elucida a definição de forma ainda mais clara: 
Idiossincrasia (do grego ἰδιοσυγκρασία (idiosynkrasía), “temperamento peculiar”, composto de ἴδιος (idios) “peculiar” e σύγκρασις (synkrasis) “mistura”) é uma característica comportamental ou estrutural peculiar a um indivíduo ou grupo. O termo também pode ser aplicado para símbolos. Símbolos idiossincrásicos são símbolos que podem significar alguma coisa para uma pessoa em particular [...]. Pelo mesmo princípio, linguistas preconizam que palavras não são apenas arbitrárias, mas também importantes sinais idiossincráticos. 
Nesse sentido, percebe-se como a língua, a fala e o seu respectivo sistema fonético possuem vastas idiossincrasias, visto que a fonética leva em consideração “a variação linguística, a fisiologia dos indivíduos e as idiossincrasias relativas às características individuais dos falantes.” (SEARA; NUNES; LAZZAROTTO-VOLCÃO, 2015, p. 15).
12. MORFEMA
Os morfemas fazem parte da primeira articulação da linguagem, definida por André Martinet, ele representa a menor unidade capaz de expressar sentido gramatical.
“Os morfemas identificam-se com radicais, vogais temáticas, prefixos, sufixos e desinências e constituem a menor unidade significativa da estrutura gramatical de uma língua.” (MARTELOTTA, 2011, p.39)
“[...] os morfemas e os fonemas. Os primeiros são elementos significativos, já que, como vimos anteriormente, dão alguma informação acerca da estrutura semântica ou da estrutura gramatical dos vocábulos.” (MARTELOTTA, 2011, p.39)
No português, por exemplo, há um morfema -a cuja função é indicar feminino; portanto, não precisamos criar palavras diferentes para designar feminino, basta colocar o morfema -a no final do vocábulo: "cantor/cantora", "professor/professora", "aluno/ aluna", e assim por diante.” (MARTELOTTA, 2011, p.40)
“Elementos dotados de significado ou morfemas. Os elementos da primeira articulação ou morfemas in—, -feliz- e -mente compõem o vocábulo "infelizmente":
In/felizmente
/feliz/mente
feliz/”. (MARTELOTTA, 2011, p.39)
“Na construção desses enunciados, os falantes unem morfemas para formar vocábulos, vocábulos para formar frases e frases para formar unidades ainda maiores, que compõem o discurso.” (MARTELOTTA, 2011, p.43)
No nível morfológico, os morfemas se unem para formar a palavra, ou sintagma vocabular, como caracterizam alguns autores. Desse modo, prefixos e sufixos respectivamente antecedem e sucedem o radical (com Rad (= radical), VT (= vogai temática), Pref (= prefixo) e Suf (= sufixo)).” (MARTELOTTA, 2011, p.121)
 
REFERÊNCIAS:
CARDOSO, Denise Porto. Fonologia da língua portuguesa. São Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe, CESAD, 2009.
CARVALHO, Castelar de. Para compreender Saussure. 2º. ed. Rio de Janeiro: Editora Rio, 1976.
IDIOSSINCRASIA. In: PRIBERAM, Dicionário da língua portuguesa. Lisboa: Priberam Informática, 2008-2021. Disponível em: https://dicionario.priberam.org/idiossincrasia. Acesso em: 4 mar. 2021.
IDIOSSINCRASIA. In: EDUCALINGO, O dicionário para pessoas curiosas [on-line]. Disponível em: https://educalingo.com/pt/dic-pt/idiossincrasia/amp#definicao. Acesso em: 3 mar. 2021.
LYONS, John. Linguagem e linguística: uma introdução. Trad. de Marilda W. Averburg e Clarisse S. de Souza, Rio de Janeiro: LTC, 1987.
MARTELOTTA, Mário Eduardo (org.). Manual de Linguística. 2ª ed., 1ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2011.
MARTINS, Raquel Fontes. Fone In: Glossário Caeli, Universidade Federal de Lavras- UFLA / Departamento de Ciências Humanas-DHC, 2005. Disponível em: < http://www.ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/fone#:~:text=Dessa%20forma%2C%20s%C3%A3o%20fones%20do,djia%E2%80%9D)%20em%20outras%20regi%C3%B5es.>. Acesso em: 03 mar. 2021.
MASSINI-CAGLIARI, Gladis; CAGLIARI, Luiz Carlos. Fonética. In: MUSSALIM, Fernanda; BENTES, Anna Christina (org.). Introdução á linguística: domínios e fronteiras. 1. ed. São Paulo: Editora Cortez, 2001. v. 1, cap. 3, p. 105-146.
MORI, Angel Corbera. Fonologia. In: MUSSALIM, Fernanda; BENTES, Anna Christina (org.). Introdução á linguística: domínios e fronteiras. 1. ed. São Paulo: Editora Cortez, 2001. v. 1, cap. 4, p. 147-179.
SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de Linguística Geral. Tradução Antônio Chelini, José Paulo Paes, Isidoro Blikstein. 25.ed. São Paulo: Cultrix, 1999.
SEARA, Izabel Christine; NUNES, Vanessa Gonzaga; LAZZAROTTO-VOLCÃO, Cristiane. Para conhecer fonética e fonologia do português brasileiro. 2º. ed. São Paulo: Editora Contexto, 2015. 208 p.
TRUBETZKOY, Nikolaj S. Principes de phonologie. Paris, Klincksieck. Trad. J. Cantineau do orig. al. 1. ed. 1939.
 
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