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1 www.greenpeace.org GUIA PRÁTICO Projeto Multiplicadores Solares Energia SolaR 2 www.greenpeace.org Capítulo I Introdução 03 Capítulo II Energia Solar Térmica e Fotovoltaica 04 Capitulo III Módulos Fotovoltaicos 07 Capítulo IV Curvas Características das Células 10 Fotovoltaicas Capítulo V Conceitos Elétricos 12 Capítulo VI Radiação Solar, Massas de Ar, Irradiância, 15 Insolação e Mapas Solarimétricos Capítulo VII Dimensionamento de Sistemas 19 Solares Fotovoltaicos Capítulo VIII História e Situação Atual da Energia 41 Solar Fotovoltaica no Mundo Capítulo IX Oficina de Lanterna Solar 43 Capítulo X Oficina de Cozinha Solar 50 Fontes de Pesquisa 57 INDICE 3 www.greenpeace.org O aproveitamento da energia gerada pelo Sol tanto como fonte de calor quanto de luz, é hoje uma das alternativas energéticas mais promissoras para prover a energia necessária ao desenvolvimento humano. O Relatório Especial sobre Fontes Renováveis de Energia e Mitigação das Mudanças Climáticas publicado pelo IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), agrupou a energia solar direta em cinco categorias: 1) solar passiva, onde se insere a arquitetura bioclimática; 2) solar ativa, onde se inserem o aquecimento e a refrigeração solares; 3) solar fotovoltaica, para produção de energia elétrica com e sem concentradores; 4) a geração de energia elétrica a partir de concentradores solares térmicos para altas temperaturas; 5) um processo inspirado na fotossíntese através do qual, em um reator alimentado por dióxido de carbono (CO 2 ), água e metal ou óxido metálico, exposto à radiação solar, produz-se hidrogênio, oxigênio e monóxido de carbono (técnica ainda em desenvolvimento). Esta apostila tem como objetivo auxiliar nos projetos de formação de outros multiplicadores solares, de forma que possamos espalhar conhecimento sobre energia solar e realizar a Revolução Solar! introducao Capítulo I 4 www.greenpeace.org ENERGIA SOLAR TÉRMICA É a transformação da radiação solar em calor, de forma que um dos fatores mais importantes para sua eficiência é a quantidade de calor que um corpo é capaz de absorver a partir da radiação incidente nele. A utilização dessa forma de energia implica não somente em saber captá-la, mas também em como armazená-la. Os equipamentos mais difundidos com o objetivo específico de se utilizar a energia solar térmica são conhecidos como coletores solares. Os coletores solares são aquecedores de fluidos (líquidos ou gasoso) e são classificados em coletores concentradores e coletores planos, em função da existência ou não de dispositivos de concentração da radiação solar. O fluido aquecido pode ser mantido em reservatório termicamente isolados até o seu uso final. Os coletores concentradores estão associados a aplicações em temperaturas superiores a 100°C podendo alcançar até 400°C para o acionamento de turbinas a vapor e posterior geração de eletricidade. Já os coletores planos são usados para aplicações residenciais e comerciais em baixa temperatura (por volta de 60°C), tais como: água aquecida para banho, ar quente para secagem de grãos, aquecimento de piscinas, etc. Capítulo II Energia Solar TErmica e Fotovoltaica Coletor Concentrador Plano Coletor SOLAR TÉRMICO 5 www.greenpeace.org ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA A energia solar fotovoltaica é obtida através da conversão direta da luz em eletricidade (efeito fotovoltaico). A célula fotovoltaica é um dispositivo fabricado com silício, unidade fundamental desse processo de conversão. O silício é o segundo material mais abundante no mundo e geralmente se apresenta no estado de areia. Através de métodos adequados obtém-se o silício em forma pura. O cristal de silício puro não possui elétrons livres e portanto é um mau condutor elétrico. Para alterar isto acrescentam-se porcentagens de outros elementos. Este processo denomina-se dopagem. Mediante a dopagem do silício com o fósforo obtém-se um material com elétrons livres ou material com portadores de carga negativa (silício tipo N). Realizando o mesmo processo, mas acrescentando boro ao invés de fósforo, obtém-se um material com características inversas, ou seja, déficit de elétrons ou material com cargas positivas livres (silício tipo P). Cada célula solar compõe-se de uma camada fina de material tipo N e outra com maior espessura de material tipo P. Separadamente, ambas as capas são eletricamente neutras. Mas ao serem unidas, exatamente na união P-N, gera-se um campo elétrico devido aos elétrons do silício tipo N que ocupam os vazios da estrutura do silício tipo P. Ao incidir a luz sobre a célula fotovoltaica, os fótons que a integram chocam-se com os elétrons da estrutura do silício dando-lhes energia e transformando-os em condutores. Devido ao campo elétrico gerado na união P-N, os elétrons são orientados e fluem da camada "P" para a camada “N". Por meio de um condutor externo, conecta-se a camada negativa à positiva. Gera-se assim um fluxo de elétrons (corrente elétrica) na conexão. Enquanto a luz continuar a incidir na célula, o fluxo de elétrons se manterá. A intensidade da corrente gerada variará proporcionalmente conforme a intensidade da luz incidente. 6 www.greenpeace.org VANTAGENS FUNDAMENTAIS DA ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA: • Não produz ruídos • Não polui nem contamina o meio ambiente • Não necessita de combustível • Durabilidade, tem uma vida útil superior a 20 anos • É resistente a diversas condições climáticas (vento, chuva, granizo) • Exige pouca manutenção, é necessário fazer a limpeza dos painéis • É modular, permite aumentar a potência instalada • Pode trabalhar de forma independente (em locais remotos), ou combinada com a rede elétrica convencional. PRINCIPAIS APLICAÇÕES: Suas principais aplicações são: • Eletrificação urbana (conectada à rede elétrica convencional) • Eletrificação rural: luz, TV, rádio, comunicações, bombeamento de água • Eletrificação de cercas • Iluminação exterior • Sinalização • Náutica • Sites de telecomunicação 7 www.greenpeace.org Cada módulo fotovoltaico é formado por uma determinada quantidade de células conectadas em série. Como se viu anteriormente, ao unir-se a camada negativa de uma célula com a positiva da seguinte, os elétrons fluem através dos condutores de uma célula para a outra. Este fluxo repete-se até chegar à última célula do módulo, da qual fluem para o acumulador ou a bateria. Cada elétron que abandona o módulo é substituído por outro que regressa do acumulador ou da bateria. O cabo da interconexão entre módulo e bateria contém o fluxo, de modo que quando um elétron abandona a última célula do módulo e encaminha-se para a bateria outro elétron entra na primeira célula a partir da bateria. Capítulo III Modulos Fotovoltaicos FUNCIONAMENTO DO MÓDULO SOLAR É por isso que se considera inesgotável um dispositivo fotovoltaico. Produz energia elétrica em resposta à energia luminosa que entra no mesmo. Deve-se esclarecer, entretanto, que uma célula fotovoltaica não pode armazenar energia elétrica. 8 www.greenpeace.org TIPOS DE CÉLULAS Existem basicamente três tipos de células, conforme o método de fabricação: SILÍCIO MONOCRISTALINO: Estas células obtêm-se a partir de barras cilíndricas de silício monocristalino produzidas em fornos especiais. As células são obtidas por corte das barras em forma de pastilhas finas (0,4-0,5 mm de espessura). A sua eficiência na conversão de luz solar em eletricidade é superior a 12%. SILÍCIO POLICRISTALINO: Estas células são produzidas a partir de blocos de silício obtidos por fusão de silício puro em moldes especiais. Uma vez nos moldes, o silício arrefece lentamente e solidifica-se. Neste processo, os átomos não se organizam num único cristal. Forma-se uma estrutura policristalina com superfíciesde separação entre os cristais. Sua eficiência na conversão de luz solar em eletricidade é ligeiramente menor do que nas de silício monocristalino. FILME FINO OU SILÍCIO AMORFO: Estas células são obtidas por meio da deposição de camadas muito finas de silício ou outros materiais semicondutores sobre superfícies de vidro ou metal. Sua eficiência na conversão de luz solar em eletricidade varia entre 5% e 7%. 9 www.greenpeace.org FABRICAÇÃO DOS MÓDULOS FOTOVOLTAICOS O módulo fotovoltaico é composto por células individuais conectadas em série. Este tipo de conexão permite adicionar tensões. A tensão nominal do módulo será igual ao produto do número de células que o compõem pela tensão de cada célula (aprox. 0,5 Volt). Geralmente produzem-se módulos formados por 30, 32, 33 e 36 células em série, conforme a aplicação requerida. Procura-se dar ao módulo rigidez na sua estrutura, isolamento elétrico e resistência aos fatores climáticos. Por isso, as células conectadas em série são encapsuladas num plástico elástico (Etilvinilacetato-EVA) que faz também o papel de isolante elétrico, um vidro temperado com baixo conteúdo de ferro, na face voltada para o sol, e uma lamina plástica multicamada (Poliéster) na face posterior. Em alguns casos o vidro é substituído por uma lâmina de material plástico transparente. O módulo tem uma moldura composta de alumínio ou poliuretano e caixas de conexões às quais chegam os terminais positivo e negativo da série de células. Nos bornes das caixas conectam-se os cabos que ligam o módulo ao sistema. 10 www.greenpeace.org Capítulo IV Curvas Caracteristicas das Celulas Fotovoltaicas CURVA DE CORRENTE X TENSÃO (CURVA I -V) A representação típica da característica de saída de um dispositivo fotovoltaico (célula, módulo, sistema) denomina-se curva corrente tensão. A corrente de saída mantém-se praticamente constante dentro da amplitude de tensão de funcionamento e, portanto, o dispositivo pode ser considerado uma fonte de corrente constante neste âmbito. A corrente e a tensão em que opera o dispositivo fotovoltaico são determinadas pela radiação solar incidente, pela temperatura ambiente, e pelas características da carga conectadas ao mesmo. Os valores desta curva são: Corrente de curto-circuito (ICC): Máxima corrente que pode entregar um dispositivo sob condições determinadas de radiação e temperatura correspondendo a tensão nula e conseqüentemente a potência nula. Tensão de circuito aberto (VCA): Máxima tensão que pode entregar um dispositivo sob condições determinadas de radiação e temperatura correspondendo à circulação de corrente nula e conseqüentemente à potência nula. Potência Pico (PPM): É o valor máximo de potência que pode entregar o dispositivo. Corresponde ao ponto da curva no qual o produto V x I é máximo. Corrente a máxima potência (IMP): corrente que entrega o dispositivo a potência máxima sob condições determinadas de radiação e temperatura. É utilizada como corrente nominal do mesmo. Tensão a máxima potência (Vmp): tensão que entrega o dispositivo a potência máxima sob condições determinadas de radiação e temperatura. É utilizada como tensão nominal do mesmo. 11 www.greenpeace.org POTÊNCIA MÁXIMA DE SAÍDA DURANTE O DIA A característica I-V do módulo varia com as condições ambientais (radiação, temperatura). Isto quer dizer que haverá uma família de curvas I-V que nos mostrará as características de saída do módulo durante o dia numa época do ano. Figura ao lado: A curva de potência máxima de um módulo em função da hora do dia tem a forma indicada neste diagrama de carga ao lado: A quantidade de energia que o módulo é capaz de entregar durante o dia é representada pela área compreendida sob a curva da figura ao lado, e mede-se em Watts.hora/dia. Observa-se que não é possível falar de um valor constante de energia entregue pelo módulo em Watts hora uma vez que varia conforme a hora do dia. Será necessário então trabalhar com os valores da quantidade de energia diária entregue. (Wh/dia). 12 www.greenpeace.org TENSÃO E CORRENTE A eletricidade é o fluxo de partículas carregadas (elétrons) que circulam através de materiais condutores (como cabos ou barras de cobre). Estas partículas adquirem energia numa fonte (gerador, módulo fotovoltaico, bateria de acumuladores, etc) e transferem esta energia a uma carga (lâmpada, motor, equipamento de comunicações, etc.) e a seguir retornam à fonte para repetir o ciclo. Se imaginarmos um circuito básico como uma bateria de acumuladores conectada a uma lâmpada teremos a seguinte figura: A bateria de acumuladores é uma fonte de eletricidade, ou uma força eletromotriz (FEM). A magnitude desta FEM é o que chamamos tensão e mede-se em Volts. Capítulo V Conceitos Eletricos 13 www.greenpeace.org TENSÃO ELÉTRICA Tensão elétrica é a diferença de potencial entre dois pontos e é medida em Volts (V). Com exemplo podemos medir 12V entre os pólos de uma bateria, podemos também medir 220V entre os pinos de uma tomada. Enquanto a bateria apresenta uma tensão contínua, A tensão da tomada se inverte de polaridade 60 vezes por segundo e é chamada, portanto, de tensão alternada de 60Hz. Como mostra a figura ao lado. CORRENTE Corrente elétrica é o fluxo de elétrons que percorre um circuito elétrico quando este é conectado a uma fonte de tensão elétrica. Sua unidade de medida é o Ampere. Sua intensidade varia de acordo com a carga, ou seja, para uma mesma intensidade de tensão, quanto maior a carga, maior a corrente elétrica. Uma fonte de tensão contínua, como a bateria ou o painel solar, provoca uma corrente contínua no circuito, enquanto que, uma fonte de tensão alternada, como a tomada, provoca no circuito uma corrente alternada. POTÊNCIA Potência elétrica é a capacidade de produzir trabalho, em um circuito simples é calculada como sendo um produto da tensão pela corrente: Potência (P) = Tensão (V) x Corrente (I) 14 www.greenpeace.org RESUMINDO: TENSÃO, CORRENTE, RESISTÊNCIA, POTÊNCIA E ENERGIA Tensão Elétrica “voltagem" Símbolo = V Unidade = Volt, V Diferença de potencial entre dois condutores elétricos (fase e neutro) Corrente Elétrica “amperagem" Símbolo = I Unidade = Ampere, A Passagem de energia elétrica por um condutor elétrico submetido a uma diferença de potencial Resistência Elétrica Símbolo = R Unidade = Ohm Resistência à passagem de corrente elétrica em um condutor elétrico Potência Símbolo = P Unidade = Watt, W Energia instantânea, o consumo em cada instante de um aparelho elétrico Energia Símbolo = E Unidade = Watt-hora, Wh Capacidade de realizar trabalho; potência num intervalo de tempo 15 www.greenpeace.org RADIAÇÃO SOLAR A radiação solar é formada de ondas eletromagnéticas com frequências e comprimentos de ondas diferentes que chegam a Terra por meio do espaço extraterrestre. Sabe-se que frequência e comprimento de onda são grandezas inversamente proporcionais, entretanto energia e frequência se relacionam de forma direta. MASSAS DE AR Conceitua-se como massas de ar a porção individualizada do ar atmosférico cujas características e propriedades representam as condições gerais do tempo de onde são formadas. Deslocam-se, portanto, a partir da diferença de pressão entre e temperatura das diversas áreas da superfície. Quando a radiação solar atravessa a atmosfera sofre diversas alterações ocasionadas por fatores, tais como: vapor de água, ar, partículas em suspensão, sujidade, dentre outros. Deste modo, ao incidirem na atmosfera terrestre, a radiação solar pode perfazer um percurso maior ou menor na massa de ar: esse trajeto será determinado pelo ângulo de incidência dos raios solares (ângulo zenital) em relação à linha do zênite. IRRADIÂNCIA A irradiância, também chamada de irradiação, é uma grandeza que mensura a potência da radiação solar em uma determinada área através da unidade W/m² (watt por metro quadrado).Considera-se potência como a grandeza que expressa a energia transportada durante um certo intervalo de tempo; assim, quanto maior a potência da radiação solar, maior é a quantidade de energia transportada em um dado instante de tempo. A irradiância é medida através de sensores de radiação solar. Sabe-se que na superfície da Terra, registra-se cerca de 1000W/m² de potência – valor adotado como padrão na indústria fotovoltaica – entretanto no espaço sideral, entre o Sol e a Terra, estima-se que irradiância solar seja de, aproximadamente, 1353W/m². O cálculo da irradiância em W/ m² configura-se como uma importante ferramenta na avaliação da eficiência dos dispositivos e sistemas fotovoltaicos, servindo, ainda, de parâmetro de teste da qualidade das células e módulos fotovoltaicos fornecidas pelos fabricantes. INSOLAÇÃO Denomina-se insolação a medida expressa, em unidade de Wh/m² (watt-hora por metro quadrado), referente a energia solar que incide sobre uma área de superfície plana num dado intervalo de tempo. Os dados práticos de insolação são utilizados no dimensionamento dos sistemas fotovoltaicos e estão disponibilizados em mapas de insolação ou através de ferramentas como a calculadora solar. O mapa de insolação contém o valor da energia do Sol, recebida diariamente por metro quadrado nas diversas regiões brasileiras. Capítulo VI Radiacao Solar Massas de Ar Irradiancia Insolacao e Mapas Solarimetricos 16 www.greenpeace.org Componentes da Radiação Solar Sombreamento Massa de Ar Movimento do Sol - Verão/Inverno O sombreamento é outro fator importante neste tipo de sistema. As sombras provocadas por edifícios, obstáculos ou vegetação variam na sua amplitude ao longo do ano, resultado fundamentalmente dos diferentes valores de altura solar e azimute solar ao longo do ano. 17 www.greenpeace.org Mapas Solarimétricos Brasil e América do Sul 18 www.greenpeace.org Mapa Solarimétrico Mundial 19 www.greenpeace.org DIRETAMENTE LIGADOS A UMA CARGA É o sistema mais simples de todos. O gerador fotovoltaico liga-se diretamente à carga, geralmente um motor de corrente contínua. Utiliza-se este modelo sobretudo em bombeamento de água. Por não existirem baterias de acumuladores nem componentes eletrônicos melhora-se a confiabilidade do sistema, mas torna-se difícil manter um desempenho eficiente ao longo do dia. Ver figura abaixo. SISTEMA FOTOVOLTAICO ISOLADO COMPOSTO POR: PAINEL SOLAR, BATERIA, CONTROLADOR DE CARGA E INVERSOR É a configuração utilizada com módulos de 33 ou 36 células na qual se liga o gerador fotovoltaico a uma bateria através de um controlador para que esta não se sobrecarregue. As baterias de acumuladores alimentam cargas em corrente contínua. Quando se necessitar energia em corrente alternada poderá ser incluído um inversor. A potência gerada no sistema fotovoltaico poderá ser transformada integralmente em corrente alternada ou poderão alimentar-se simultaneamente cargas de corrente contínua (CC) e de corrente alternada (CA). Ver figura abaixo. Capítulo VII Dimensionamento de Sistemas Solares Fotovoltaicos 20 www.greenpeace.org SISTEMAS HÍBRIDOS Sistemas híbridos são aqueles que, desconectado da rede convencional, apresenta várias fontes de geração de energia como por exemplo: turbinas eólicas, geração diesel, módulos fotovoltaicos entre outras. A utilização de várias formas de geração de energia elétrica torna-se complexo na necessidade de otimização do uso das energias. É necessário um controle de todas as fontes para que haja máxima eficiência na entrega da energia para o usuário. Em geral, os sistemas híbridos são empregados para sistemas de médio a grande porte vindo a atender um número maior de usuários. Por trabalhar com cargas de corrente contínua, o sistema híbrido também apresenta um inversor. Devido a grande complexidade de arranjos e multiplicidade de opções, a forma de otimização do sistema torna-se um estudo particular para cada caso. 21 www.greenpeace.org DADOS NECESSÁRIOS PARA DIMENSIONAR UM SISTEMA ISOLADO - OFF GRID Tensão nominal do sistema: Refere-se à tensão típica em que operam as cargas a conectar. Deve-se, além disso,distinguir se a referida tensão é alternada ou contínua. Potência exigida pela carga: A potência que cada carga exige é um dado essencial. Os equipamentos de comunicações requerem potências elevadas quando funcionam em transmissão e isto, muitas vezes, ocorre só durante alguns minutos por dia. Durante o resto do tempo requerem uma pequena potência de manutenção (stand by). Esta diferenciação deve ser levada em conta no dimensionamento do sistema. Horas de utilização das cargas – Perfil de Carga: Juntamente com a potência requerida pela carga deverão especificar-se as horas diárias de utilização da referida potência. Multiplicando potência por horas de utilização serão obtidos os Watts hora requeridos pela carga ao fim de um dia. Localização geográfica do sistema (Latitude, Longitude e a altura relação ao nível do mar do local da instalação) Estes dados são necessários para determinar o ângulo de inclinação adequado para o módulo fotovoltaico e o nível de radiação (médio mensal) do lugar. Autonomia prevista: Isto refere-se ao número de dias em que se prevê que diminuirá ou não haverá geração e que deverão ser tidos em conta no dimensionamento das baterias de acumuladores. Para sistemas rurais domésticos tomam-se de 3 a 5 dias e para sistemas de comunicações remotos de 7 a 10 dias de autonomia. 22 www.greenpeace.org DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA SOLAR ISOLADO - OFF GRID O dimensionamento do sistema solar é simples quando aplicado a uma só voltagem de trabalho e alguns pontos de consumo. Para um dimensionamento correto, o conhecimento básico de alguns valores e grandezas são necessários: Volts (V) é a grandeza usada para medir Tensões Ampère (I) é a grandeza usada para medir a Corrente Watt (W) é a medida da potência e é o resultado da multiplicação de tensão pela corrente: [W]att = [V]olts x [I]Ampère Desta forma, tendo dois valores de grandezas, podemos calcular o terceiro. Outras medidas encontradas em sistemas solares são: • Wp = Watt de pico: é a máxima potência gerada pelo painel solar em uma condição ideal. • Wh = Watt hora: a potencia gerada ou consumida por hora. • Ap ou Ip = Ampère de pico: é a corrente máxima possível em uma determinada condição especial. • Ah ou Ih= Ampère hora: a corrente máxima obtida ou consumida por hora. Para iniciar o dimensionamento é preciso saber o quanto será consumido. Para isso, faça a relação e quantidade de todos os equipamentos, luzes, etc..., que pretende ligar no sistema solar. Verifique o consumo individual (em Watts) como mostra o exemplo abaixo e faça uma estimativa de horas que cada equipamento ou grupo ficará ligado por dia. Multiplique os valores totais de consumo pelas horas de uso. Some os resultados e obtenha a demanda diária de energia, ou seja, o valor em Watt x dia. Conclui-se que o sistema deverá gerar um mínimo de 4.500 Watts por dia para a aplicação. Quando o consumo não for regular, tais como residências de final de semana, é preferível trabalhar com o valor de demanda mensal e depois dividir por 30 (a conta de energia elétrica mostra o consumo mensal em Kwh/mês). 23 www.greenpeace.org Valores estimados de consumo médio mensal de alguns equipamentos elétricos. 24 www.greenpeace.org Segue abaixo uma tabela para auxílio no cálculo do consumo em Ah de diversos tipos de equipamentos comumente utilizados em sistemas fotovoltaicos em vários regimes de operação: 25 www.greenpeace.org DIMENSIONAMENTO DO PAINEL SOLAR O resultado da soma da demanda diária de energia (no exemplo anterior 4.500W/dia), deve ser dividido pelo tempo médio de insolação do local onde será instalado o sistema. Obtém-se o valor estimado necessário a ser gerado pelos painéis solares. Para se obter uma quantidade alta de energia, utiliza-se daassociação de vários painéis que, uma vez interligados, fornecem a potência necessária de geração elétrica. A escolha do painel solar deve ser feita escolhendo-se um ou mais painéis semelhantes que, sozinhos ou reunidos darão a potência maior e mais próxima do valor Watt / dia encontrado. Os painéis solares geram eletricidade em corrente contínua (igual ao que é gerado em automóveis) e fornecem a energia polarizada, ou seja, um pólo é POSITIVO (+) e o outro pólo é NEGATIVO (-). Em sua grande maioria, são fabricados para atender a uma tensão nominal de 12 ou 24 Volts. Exemplo: Estando na média de 6h de insolação: 4500 Watts / 6 = 750Wh Será necessário gerar 750 Watts por hora para suprir o consumo de um dia. Seu sistema deverá ter no mínimo tal capacidade. A associação de painéis é recomendada somente para painéis com potência e características elétricas semelhantes. Como respondem à Lei de Ohm, com a associação obtemos: • Se conectarmos um painel a outro em PARALELO (positivo com positivo e negativo com negativo), as correntes “I” serão somadas. • Se conectarmos em SÉRIE (positivo com negativo), as tensões "V"serão somadas. Consequentemente, podemos associar e ter um sistema em múltiplos de tensões (12V / 24V / 48V ... 96V, 108V, etc); E com múltiplos de corrente, conforme mostrado a seguir. 26 www.greenpeace.org Ligação em série Se os elementos de um circuito se conectarem em série (polo positivo com polo negativo), isso quer dizer que todo o fluxo de elétrons deve passar por cada um dos seus elementos. Isto equivale a dizer que numa ligação em série as pressões somam-se. Recordando a analogia elétrica, o equivalente de pressão é tensão . Portanto se dispormos de dois módulos fotovoltaicos em que cada um entregue 12 Volts, 5 Amperes e se pretendermos implementar um sistema de 24 Volts e 5 Amperes deve-se montar um circuito conforme a figura ao lado. Conclusão: Quando se ligam módulos em série, a tensão resultante é a soma das tensões de cada um deles e a corrente resultante coincide com a menor das correntes entregues pelos módulos. Ligação em paralelo Painéis podem ser instalados interligados em série ou paralelo, obedecendo à Lei de Ohm, ou seja, quando interligados dois ou mais unidades em paralelo (pólo positivo com pólo positivo e negativo com negativo) a tensão não se altera, mas a corrente é somada. Se necessitarmos fornecer à carga 12 volts, 20 Amperes, o circuito será o da figura ao lado. Conclusão: Quando se ligam módulos em paralelo, a corrente resultante é a soma das correntes de cada um deles e a tensão resultante coincide com a que é entregue por cada módulo. 27 www.greenpeace.org Ligação em Série Paralelo Pode-se também conjugar uma instalação com painéis ligados em série e paralelo para atingir valores de tensão e corrente compatíveis com a aplicação desejada. Quando há a instalação de conjuntos de painéis ou painéis com capacidades diferentes, é imprescindível a instalação de diodos para proteção e equalização da carga. Ligação de Baterias 28 www.greenpeace.org Controladores de Carga A função do controlador de carga é a de proteger as baterias de serem sobrecarregadas, ou descarregadas profundamente, e assim garantir que toda a energia produzida pelos painéis fotovoltaicos seja armazenada com maior eficácia nas baterias. O controlador de carga é um dos principais componentes de um sistema solar fotovoltaico, sendo o responsável pela duração da vida útil dos bancos de baterias, os quais são os ítens mais dispendiosos nesse tipo de sistema. Os controladores de carga possuem uma série de dispositivos que informam permanentemente sobre o estado de carga do sistema e alertam o utilizador para que este possa adaptar a instalação às suas necessidades particulares, aumentando assim o tempo de vida útil das baterias. Os controladores de carga são utilizados principalmente em sistemas isolados da rede, ou Off Grid. São encontrados em dois tipos: • WM (Pulse Width Modulation) são os mais utilizados, pois apesar da menor eficiência se justificam pelo custo. •MPPT (Maximum Power Point Tracking), possuem maior eficiência e são cerca de duas vezes mais caros. Dimensionamento do Controlador de Carga O controlador de carga é definido pela tensão de trabalho do sistema e pela maior corrente exigida. A capacidade do controlador deve superar a corrente dos painéis ou as de consumo, naquele em que for maior o valor. Devem ser calculadas ambas as correntes (corrente dos painéis solares e a corrente a ser consumida) sendo seleccionada a corrente mais elevada. O valor total de corrente é o consumo dividido pela tensão de trabalho do equipamento. Verifique a corrente máxima exigida pelos equipamentos que serão ligados ao sistema solar. Para os painéis solares, deve-se basear na corrente discriminada na tabela de características do produto. A corrente do sistema será a soma das correntes máximas geradas pelo(s) painel(is) solar(es). Obtenha o total, levando em consideração a associação dos painéis conectados. Defina o controlador pelo maior valor encontrado (painel ou consumo). EXEMPLO: Para um consumo diário de Watt/hora, sendo a produção de 750W. Divide-se este valor pela tensão do sistema, obtendo-se a corrente que será necessária para escolher o controlador: 750 W / 12 V = 62,5 Amperes 29 www.greenpeace.org Caso a corrente total supere a capacidade de um controlador, divida sua instalação em duas ou mais linhas (barramentos) de energia, executando o mesmo princípio de balanceamento de carga de uma instalação eléctrica convencional. Se a instalação for em 12V será necessária a divisão da carga em dois controladores de 30A + 20A + 20A = 70A que será maior que os 62,5A. PWM MPPT 30 www.greenpeace.org Banco de Baterias (acumuladores) A função prioritária das baterias num sistema de geração fotovoltaico é acumular a energia que se produz durante as horas de luminosidade a fim de poder ser utilizada à noite ou durante períodos prolongados de mau tempo. Outra importante função das baterias é prover uma intensidade de corrente superior àquela que o dispositivo fotovoltaico pode entregar. É o caso de um motor, que no momento do arranque pode exigir uma corrente de 4 a 6 vezes sua corrente nominal durante uns poucos segundos. Normalmente o banco de baterias de acumuladores e os módulos fotovoltaicos trabalham em conjunto para alimentar as cargas. Durante a noite toda a energia pedida pela carga é fornecida pelo banco de baterias. Utiliza-se principalmente baterias estacionárias de 12V./150Ah. Recomenda-se o uso de baterias seladas de ciclos constantes, livres de manutenção. Baterias não devem ser instaladas diretamente sobre o solo ou piso: devem sempre ser assentadas sobre uma base plástica ou de madeira. Observar que o local esteja sempre livre de umidade e impurezas, e seja ventilado. Mantenha a bateria em local abrigado do sol e da chuva. A eficiência do sistema de energia solar depende diretamente da qualidade e do estado das baterias. Baterias velhas aceitam menos carga e ainda desperdiçam a energia de carga fornecida. A capacidade de armazenagem de energia de uma bateria depende da velocidade de descarga. A capacidade nominal que a caracteriza corresponde de uma maneira geral a um tempo médio de descarga de 10 horas. Quanto maior for o tempo de descarga, maior será a quantidade de energia que a bateria fornece. Dimensionamento do Banco de Baterias Some a corrente (Ampere) produzida pelos painéis, respeitando a regra da associação (Lei de Ohm). Multiplique pelas horas diárias de insolação e utilize um fator de segurança de 50% a mais. Deste valor encontrado, escolha a bateria ou o arranjo de baterias que acumulem essa energia. Quanto maior a quantidade de baterias, maior seráa autonomia de seu sistema. É conveniente ter a energia excedente acumulada para dias chuvosos ou nublados. No caso de 12Volts, temos : 4500W/dia / 12V = 375A 375 + 50% = 562,5 A Se escolhermos baterias de 115Ah: 562 / 115 = 4,8 ou seja 5 baterias. Agora multiplique este valor pelo número de dias/autonomia Ex: 5 baterias x 3 dias = 15 31 www.greenpeace.org Sistemas Conectados à Rede Elétrica - Grid Tie Os Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede (SFCR) dispensam o uso de acumuladores (baterias), pois a energia por eles produzida pode ser consumida diretamente pela carga, ou injetada diretamente na rede elétrica convencional, para ser consumida pelas unidades consumidoras conectadas ao sistema de distribuição. Estes sistemas são basicamente de um único tipo e são aqueles em que o gerador fotovoltaico representa uma fonte complementar ao sistema elétrico ao qual está conectado. Instalações deste tipo vêm se tornando cada vez mais populares em diversos países europeus, Japão, Estados Unidos, e mais recentemente no Brasil. As potências instaladas vão desde poucos kWp em instalações residenciais, até alguns MWp em grandes sistemas operados por empresas. Estes sistemas se diferenciam quanto à forma de conexão à rede, que, dentre outras características, depende também da legislação vigente. Micro e Minigeração Fotovoltaica - Resolução Aneel 482/2012 No Brasil, os sistemas fotovoltaicos como sistemas de micro e minigeração, são regulamentados pela Resolução Normativa Aneel No. 482/2012, e devem atender aos Procedimentos de Distribuição (PRODIST), Módulo 3, e às normas de acesso das distribuidoras locais. A Resolução 482 estabelece as condições gerais para o acesso de microgeração e minigeração distribuídas aos sistemas de distribuição de energia elétrica e o sistema de compensação de energia elétrica, cujas definições são: • Microgeração distribuída: central geradora de energia elétrica, com potência instalada menor ou igual a 100kW e que utilize fontes com base em energia hidráulica, solar, eólica, biomassa ou cogeração qualificada, conforme regulamentação da Aneel, conectada na rede de distribuição por meio de instalações de unidades consumidoras. • Minigeração distribuída: central geradora de energia elétrica, com potência instalada superior a 100kW e menor ou igual a 1 MW para fontescom base em energia hidráulica, solar, eólica, biomassa ou cogeração qualificada, conforme regulamentação da Aneel, conectada na rede dedistribuição por meio de instalações de unidades consumidoras. • Sistema de compensação de energia elétrica: sistema no qual a energia ativa injetada por unidade consumidora com microgeração distribuída ou minigeração distribuída é cedida, por meio de empréstimo gratuito, à distribuidora local e posteriormente compensada com o consumo de energia elétrica ativa dessa mesma unidade consumidora ou de outra unidade consumidora de mesma titularidade da unidade consumidora onde os créditos foram gerados, desde que possua o mesmo Cadastro de Pessoa Física (CPF), ou Cadastro de Pessoa Jurídica (CNPJ), junto ao Ministério da Fazenda. Nesses sistemas, a energia consumida e energia injetada na rede de distribuição são registradas separadamente pelo medidor bidirecional. A cada instante apenas o registro em um dos sentidos será realizado, dependendo da diferença instantânea entre a demanda e a potência gerada pelo sistema fotovoltaico. 32 www.greenpeace.org Passo a passo do sistema fotovoltaico conectado à rede elétrica - Grid Tie 1) Painel Solar Fotovoltaico - Produz energia elétrica em corrente contínua. 2) Inversor Solar inverte a corrente contínua em corrente alternada e equaliza com a rede elétrica - Desta forma a energia gerada pelo painel solar fica idêntica à energia que você consome da rede elétrica, e assim pode utilizá-la para o seu consumo próprio. 3) Quadro de Luz - A energia que sai do inversor solar vai para o seu "quadro de luz" e assim é distribuída para a sua casa, comércio ou indústria. 4) Eletricidade gerada pelos painéis solares alimenta utensílios, eletrodomésticos, equipamentos e máquinas. 5) Excesso de Eletricidade volta para a rede elétrica através do Relógio de Luz fazendo ele "rodar ao contrário", gerando assim um "crédito de energia" para ser utilizado de noite ou em até 36 meses. Em outras palavras: você produz energia limpa com a luz do Sol e reduz a sua conta de luz!! Quanto custa a energia solar fotovoltaica? O custo de um sistema de energia solar fotovoltaico depende principalmente do tamanho e da complexidade da instalação. Residências: (preço aproximado em Janeiro/2015) Casa pequena, até 2 pessoas = Sistema de 1.5Kwp = R$ 12.000 a R$ 15.000 Casa pequena, até 3 pessoas = Sistema de 2Kwp = R$ 16.000 a R$ 20.000 Casa grande, 5 pessoas = Sistema de 5Kwp = R$ 40.000 a R$ 50.000 Comércios e Indústrias: 100Kw = R$ 650.000 – R$ 900.000 500Kw = R$ R$3Mi – R$3.5Mi 1MW = R$ 5mi – R$ 6Mi Usinas de Energia Solar Fotovoltaica: 5MW = R$20Mi 30MW = R$120Mi 33 www.greenpeace.org Dimensionamento do Sistema Fotovoltaico Conectado à Rede - Grid Tie Para participar do Sistema de Compensação de Energia, é necessária a contratação de profissional que possua conhecimentos técnicos em eletricidade e energia solar fotovoltaica, o qual será o responsável técnico pelo sistema junto à concessionária de energia elétrica local. Durante a visita técnica, o projetista/instalador irá avaliar as condições físicas da edificação, seu consumo no período de um ano através da conta de luz, de modo que o projeto atenda às necessidades energéticas do local. Após a visita, o projetista/ instalador deverá preparar um projeto das instalações de conexão à rede (memorial descritivo) e, se aprovado pelo cliente, dar entrada no projeto junto à concessionária. Isso inclui especificar os equipamentos mais adequados (tipo, modelo e quantidade de módulos fotovoltaicos e inversores), como os módulos fotovoltaicos devem ser ligados, qual o melhor posicionamento para garantir a melhor eficiência, qual a melhor estrutura para fixação dos módulos e se serão necessárias obras estruturais para, por exemplo, suportar o peso do sistema ou para proteger o telhado. A grande diferença entre um sistema isolado e o conectado à rede, é que o último, por se comunicar com a rede elétrica, exige documentação específica, e cuidados adequados para que o sistema de distribuição não sofra danos. O sistema isolado não deixa de merecer cuidados por não estar ligado à rede, já que ele também é um gerador de energia elétrica, e que dependendo da potência, pode causar incêndios, explosões e acidentes fatais. Do ponto de vista dos componentes, um sistema fotovoltaico Grid Tie é composto por painéis solares e inversores. Os inversores Grid Tie, além de transformar a corrente contínua em alternada, devem sincronizar o sistema com a rede pública. Por o sistema estar conectado à rede, a falta de energia é compensada pela mesma, o que elimina a necessidade de baterias. Os inversores para sistemas conectados à rede são diferentes daqueles usados nos sistemas isolados. Veja a seguir como projetar um Sistema Fotovoltaico Conectado à Rede. 34 www.greenpeace.org Cálculo do Número de Módulos Necessários Devem-se conhecer os níveis de radiação solar típicos da região (ver tabela abaixo com as principais cidades do Brasil). Como já se viu, a capacidade de produção dos módulos varia com a radiação. A tabela indica qual é a radiação média em kWh/m2.dia para cada um dos meses do ano. Por uma questão de facilidade iremos tomar a média anual referida na última coluna.Para realizar um cálculo aproximado da quantidade de módulos necessários para uma instalação pode-se proceder da seguinte forma: 1) Calcular o Consumo Total da instalação em Ah. 2) Determinar em que local se realizará ainstalação. 3) Com base nos valores da tabela de radiação identificar qual das cidades mais se aproxima do local de sua instalação. Identificar qual é a radiação média anual desta localidade em kWh/m2.dia (última coluna da tabela). 4) Multiplicar o valor encontrado pela corrente nominal do módulo solar escolhido. Para isto recorrer à tabela do fabricante do módulo solar. 5) Supondo que a localidade da instalação seja em Teresina e o módulo solar escolhido seja o modelo com corrente nominal de 4.4Ah, teremos: Geração do Módulo = Radiação x Corrente Nominal = 5.49(Teresina) x 4.4 Ah= 24.15 Ah/dia 6) O número de módulos solares para este sistema será: no módulos = Consumo Total / Geração Módulo = 23.21 / 24.15 = 0.96 = 1 7) Arredonda-se o valor encontrado para um múltiplo inteiro. Portanto um módulo de 4.4 A de corrente nominal é suficiente para esta instalação. 35 www.greenpeace.org Instalação de Módulos Fotovoltaicos Durante a instalação de módulos solares, algumas variáveis devem ser observadas para melhor aproveitamento da captação dos raios solares. Devem ser considerados, portanto, a inclinação do eixo de rotação da Terra, o ângulo da altura solar, o ângulo de inclinação dos módulos e o ângulo azimutal do Sol. Assim, enquanto descreve uma trajetória elíptica em torno do Sol, conhecida por movimento de translação; concomitantemente, a Terra gira em torno do seu próprio eixo, desenvolvendo um movimento de rotação. A inclinação do eixo de rotação da Terra, em relação à órbita elíptica em torno do Sol, forma um ângulo de 23,5°, aproximadamente, e determina as estações do ano a depender da posição do planeta em sua trajetória de translação. O ângulo da altura solar é determinado a partir do ângulo de inclinação da trajetória do sol com o plano horizontal. É influenciado pela localização geográfica, bem como pelo ângulo da declinação solar. Conforme Villalva e Gazoli (2012, p. 56), “a altura do Sol no céu é maior nos dias de verão, o que significa que nessa época os raios solares incidem sobre a cabeça do observador com um ângulo azimutal menor, percorrendo uma massa de ar reduzida ”. No inverno, acontece o contrário, a altura do Sol no céu é menor, ângulo azimutal é maior e as massas de ar também. Vide figuras abaixo: Algumas regras devem ser observadas durante a instalação de um módulo solar. A primeira delas refere-se à orientação do equipamento que deve estar voltado para o norte geográfico; uma segunda observação deve ser feita quanto ao ajuste do ângulo de inclinação do módulo em relação ao solo. Este deverá ser escolhido a partir do ângulo da latitude geográfica da localidade onde o sistema será instalado. 36 www.greenpeace.org Inclinação Módulos Fotovoltaicos A posição ideal para os seus painéis fotovoltaicos no Brasil é voltado para o Norte. O Sol nasce no leste, sobe se inclinando ao Norte e se põe no Oeste, como na figura abaixo. A Direção Ideal para o Painel Solar no Brasil é virado para o Norte. Então, se você possui um telhado com face voltada ao norte e não há sombras nesta parte do telhado, deveria instalar o seu painel solar fotovoltaico nesta face. Desta forma o seu gerador de energia solar produzirá mais energia. Para sistemas fotovoltaicos conectados a rede elétrica, o ângulo de inclinação igual ao da Latitude é normalmente o melhor ângulo para se instalar um painel fotovoltaico. Ex: A Latitude do Rio de Janeiro é 22° , portanto a melhor posição possível para um painel fotovoltaico no RJ é: Face Norte a 22° de inclinação. Para aqueles que não têm uma face do telhado voltada ao Norte, não se preocupem! A perda de geração da energia solar fotovoltaica não é tão grande se o sistema for instalado nas faces voltadas ao Leste e Oeste: • As perdas direcionais para telhados com face NE ou NO variam entre 3% e 8%. • Para um telhado com face Leste ou Oeste, você pode perder entre 12% e 20%. Dica: No Brasil, devido a sua posição privilegiada em relação ao Sol, é melhor o sistema fotovoltaico ter um grau de Inclinação menor do que o da Latitude, do que um maior. Ex: se a sua propriedade encontra-se em São Paulo (Latitude aproximada de 23°), a sua casa possui dois telhados com face norte: o Primeiro é bem inclinado, com uma inclinação aproximada de 32°. O segundo Telhado é mais plano, com uma inclinação de aproximadamente 10°. Se você tiver que escolher entre os dois, o com a inclinação menor do que a latitude deve gerar mais energia. 37 www.greenpeace.org Inversor para Conexão à Rede - Grid Tie Inversor para conexão à rede (Grid Tie), é um dispositivo eletrônico que permite aos usuários de energia fotovoltaica ou eólica interligar seus sistemas com a rede da concessionária e injetar na rede o excedente de energia produzido pelos sistemas (fotovoltaico ou eólico). Sistemas fotovoltaicos conectados à rede (SFVCR) são muito comuns em países da Europa e nos EUA, sendo o excedente de energia gerada envido para a concessionária (durante o dia) e compensado quando o consumo aumenta (por exemplo, à noite). O inversor funciona convertendo a tensão e a corrente elétrica contínuas, que recebe dos módulos fotovoltaicos (ou de geradores eólicos), em corrente alternada. A principal característica de um inversor para conexão à rede é a capacidade de se interligar com a rede da concessionária, sincronizando sua frequência (60 Hz, no Brasil) e tensão de saída (CA) com a mesma, e se desconectar da rede quando esta deixa de fornecer energia como, por exemplo, devido a desligamento para reparo ou falha na rede. Funcionamento O inversor funciona captando a tensão fornecida por um gerador CC - módulos fotovoltaico ou aerogeradores - e convertendo para a forma de corrente alternada (CA), podendo assim alimentar diretamente a rede. O inversor deve estar também em sincronia com a frequência da rede (60 Hz, no Brasil), usando um oscilador local e limitar a tensão para que a mesma não seja superior à tensão da rede.Os modernos inversores têm a unidade de fator de potência fixa, isso significa que a tensão de saída e a corrente estão perfeitamente alinhadas. O inversor possui um computador de bordo que analisa a frequência da onda da rede e "corrige" tensão e frequência provindas do gerador. Os sistemas fotovoltaicos de conexão à rede são caracterizados por estarem integrados à rede elétrica que abastece a população. Diferente dos sistemas isolados que atendem a um propósito específico e local, estes sistemas também são capazes de abastecer a rede elétrica com energia que pode ser utilizada por qualquer consumidor da rede. Sistemas de conexão à rede podem ser utilizados tanto para abastecer uma residência, ou então simplesmente produzir e injetar a energia na rede elétrica, assim como uma usina hidroelétrica ou térmica. 38 www.greenpeace.org Dimensionando o Inversor Grid Tie Assim como o dimensionamento do inversor para sistemas isolados, faz-se necessária uma análise da necessidade de produção de energia em função do consumo (carga), a escolha dos painéis, e sua forma de instalação (como mostrado nas páginas 27 e 28 deste guia). De posse desses valores, será possível calcular o número e potência dos inversores. 39 www.greenpeace.org Fiação para Sistema Solar Fotovoltaico Utilize somente fiação de qualidade comprovada e dentro das normas da ABNT e com aprovação do Inmetro. Fios de baixa qualidade ou fora de especificação irão comprometer o rendimento do sistema, provocando perda de energia, aquecimento e mau contato. Veja na tabela abaixo a bitola de fio a ser utilizada x a distância e amperagem de seu sistema. A recomendação é para fio flexível, singelo com perda máxima até 5% para tensão em 12 Vdc. Para sistemas em 24 Vdc multiplique a distância por 2. Conectores Os conectores para instalação de sistema solar fotovoltaico são específicos. Os mais utilizados são o MC4 40 www.greenpeace.org EstruturaMetálica para Fixação dos Módulos Fotovoltaicos Considerando-se que um sistema solar fotovoltaico tem duração aproximada de 20 anos, torna-se importante que o material utilizado para fixação dos módulos seja de excelente qualidade, grande durabilidade, e leve, a fim de não gerar carga extra aos telhados e estruturas existentes. Recomenda-se o uso de alumínio, preferencialmente junto a empresas que desenvolvem produtos voltados à energia solar, e que garantam a perfeita fixação, prevenindo-se possíveis danos ao sistema em caso de ventos fortes e demais intempéries. 41 www.greenpeace.org Os principais eventos associados ao desenvolvimento dos equipamentos de conversão da energia solar fotovoltaica podem ser visualizados na figura ao lado. O efeito fotovoltaico foi descoberto por Edmond Becquerel em 1839.Em 1873, Willoughby Smith descobriu o efeito fotovoltaico em sólidos com o selênio. A produção da primeira célula fotovoltaica neste metal veio quatro anos mais tarde, com W. G. Adams e R.E. Day. Em 1904 Albert Einstein publicou um artigo sobre o efeito fotovoltaico, ao mesmo tempo em que divulgava ao mundo sua teoria da relatividade. E foi com a explicação do efeito fotovoltaico que Einstein ganhou seu primeiro Prêmio Nobel, em 1923. O primeiro agente impulsionador desta tecnologia foi a necessidade de empresas do setor de telecomunicações encontrar fontes de energia para sistemas instalados em localidades remotas. O segundo foi a chamada “corrida espacial”. A célula solar fotovoltaica era, e continua sendo o meio mais adequado para abastecer equipamentos eletrônicos no espaço. Em 1973 a crise do petróleo renovou e ampliou o interesse por aplicações terrestres da tecnologia fotovoltaica. Empresas americanas do petróleo começaram a gerar e investir em energia solar. Em 1998 a produção mundial de céluas fotovoltaicas atingiu a marca de 150MWp. Em 2009 a China já ocupava a liderança na fabricação de módulos. Embora abundante na Terra, a energia solar fotovoltaica ainda é pouco utilizada. Capítulo VIII Historia e Situacao Atual da Energia Solar Fotovoltaica no Mundo 42 www.greenpeace.org Abaixo, Evolução da potência instalada em sistemas fotovoltaicos no mundo (EPIA 2013) 43 www.greenpeace.org ALanterna Solar é um modelo reduzido de um sistema fotovoltaico completo. Ela contém os mesmos componentes em versão simples: um painel solar, uma bateria (pilha recarregável), um aparelho (carga - lâmpada LED), um controlador da carga (diodo) e um inversor (composto pelo micro chip e indutor). Nesta oficina você irá compreender melhor, para multiplicar melhor, como funciona um sistema solar. E diferentemente de um sistema solar fotovoltaico isolado, devido a suas proporções, a lanterna poderá ser apresentada em eventos públicos a título de demonstração. Capítulo IX OFIcina de Lanterna Solar Placa PCB com chip, Painel Solar, Interruptor, Pilha Recarregável, Lâmpada LED, Diodo, Indutor de 100MHz e Suporte da Pilha Elementos do sistema fotovoltaico isolado Elementos da lanterna solar 44 www.greenpeace.org A solda Soldar é o método utilizado para unir duas partes de metal (cobre, ferro..), com ajuda de um terceiro metal para a fusão (neste caso, estanho). Antes de iniciar a solda, certifique-se que todas as partes estejam limpas e livres de impurezas, e que a voltagem do ferro de solda seja o mesmo da corrente elétrica em que estiver trabalhando (110/220V) EstanhoFerro de Solda 45 www.greenpeace.org O primeiro elemento é a lâmpada LED Ela tem duas pernas: a mais longa é positiva (+), e a mais curta é negativa (-). Insira as pernas em seus respectivos orifícios LED+ e LED -, indicados na placa. Deixe aproximadamente 8mm entre a placa e o LED. Na parte de baixo, dobre as pernas para mantê-las na posição durante a solda. Solde uma perna de cada vez, tomando cuidado para aquecer as partes a serem soldadas antes de colocar o fio de estanho. Espere alguns minutos para a soldagem esfriar, vire a placa e corte as pernas que estavam dobradas no lado de baixo, usando um cortador de unhas ou alicate. Dobre as pernas do Led até que estejam em 90 graus. 46 www.greenpeace.org O próximo elemento é o Indutor Junto ao pequeno chip negro (fixado à placa), transforma a voltagem de 1,2V da pilha, em 3,6V do LED. O Indutor não tem polaridade, então não devemos nos preocupar com os polos negativo e positivo. Coloque-o nos pequenos orifícios próximos ao chip negro. Pelo lado de baixo, dobre as pernas para deixá-lo no local exato a ser soldado. Após a solda, vire do lado oposto e corte a sobra das pernas. Nosso terceiro elemento é o Diodo Ele evita que o fluxo de energia retorne à Placa Solar durante a noite. Ele tem polaridade. Portanto, o lado com a linha cinza, deve ser inserido no orifício B+, e o outro no PV+. O próximo passo é cortar pequenos pedaços de cabo Você pode consegui-los cortando o excesso dos cabos que vem no suporte da pilha. Não se esqueça de cortar as pontas. Use um cortador de unhas ou alicate. 47 www.greenpeace.org A placa solar Você vai precisar de dois pedaços de cabos. Use um pedaço vermelho no contato (+), e um pedaço preto no contato (-). Encoste a ponta do ferro de solda por alguns segundos nos elementos, e somente depois de aquecidos, coloque o fio de solda. Solde o cabo vermelho no contato PV+ , e o preto no PV- da placa. O interruptor Ele é composto por muitas partes plásticas. Para que ele não derreta com o calor do ferro de solda, lixe os orifícios com uma lixa de unhas, coloque um pedaço de fio em cada orifício e solde por no máximo 3 segundos. Não importa a posição dos fios. Caso seu interruptor tenha três orifícios, solde um fio no orifício central e outro numa das extremidades. 48 www.greenpeace.org Agora, solde as pontas dos fios nas linhas vermelhas marcadas na placa. Não importa a ordem, de acordo com a imagem ao lado. Pilha Recarregável Para finalizar, vamos soldar a pilha. Retire a pilha do suporte antes da solda. Solde a ponta vermelha do cabo no contato (B+) e a ponta negra no contato (B-) da placa. Após a solda, insira a pilha no suporte e fixe-a com um pedaço de fita . Cheque se todos os pontos de solda estão firmes, organize os elementos e teste o Interruptor, caso sua pilha esteja carregada, o LED irá acender. Se não acender, coloque a placa solar por alguns minutos sob a luz do sol e teste novamente , ligando e desligando o interruptor. Caso o problema persista, troque a pilha. E se ainda assim persistir, reveja todos os pontos de solda, refaça os que não estiverem firmes e brilhantes. O ideal é que o sistema seja deixado sob a luz solar por algumas horas para a carga completa da pilha. 49 www.greenpeace.org Pronto, sua lanterna solar está pronta para ser usada! Mas, não esqueça que ela deverá ser carregada no mínimo durante uma hora sob a luz solar direta para cada hora de luz do LED. Se ela estiver sendo carregada através da janela de vidro, o carregamento será um pouco mais lento. Quando a bateria estiver completamente carregada, você terá seis horas de luz. E lembre-se que as pilhas recarregáveis comportam até 1.000 recargas. Agora, é usar a criatividade para escolher um objeto que receberá sua lanterna! 50 www.greenpeace.org Além de aquecer a água do banho, gerar energia elétrica, suprir de energia equipamentos espaciais e secar roupa no varal, a energia do Sol pode ser usada para cozinhar alimentos. Os primeiros registros encontrados sobre fogões solares, datam do Século Dezoito. Capítulo X OFIcina de Cozinha Solar Fogão Parabólico Moderno Livro de 1882 51 www.greenpeace.org Desde que descobriu o fogo, o homem passou a cozinhar seu alimento. Primeiro usava-se lenha, e depois combustíveis fósseis. Ainda nos dias de hoje, milhares de pessoas continuam usando madeira para cozinhar seus alimentos, principalmente os habitantes de regiões afastadas no Brasil, Índia e África. Afumaça gerada pela queima da lenha causa inúmeros problemas de saúde, e em algumas regiões se torna cada vez mais difícil encontrar galhos secos que sirvam para alimentar os fogões. A maior parte da humanidade usa energia elétrica oriunda de combustíveis fósseis para cozinhar. Uma outra parte também usa combustíveis fósseis, dois tipos de gases: GÁS BUTANO É o conhecido gás de cozinha. O butano é um combustível gasoso derivado do petróleo utilizado principalmente para cozinhar e em isqueiros. Ele é misturado com o gás propano e vendido comercialmente como GLP, ou gás de petróleo liquefeito. GPL é usado em veículos e aparelhos de aquecimento também GÁS NATURAL O gás natural é um combustível usado para aquecer edifícios, cozinhar alimentos, e até mesmo para ajudar a produzir eletricidade. Às vezes é chamado de combustível. Mas não confunda isso com a gasolina que roda de seu carro. A gasolina é um líquido enquanto o gás natural é um gás, mesmo ambos podendo ser usados em carros que são capacitados para isso. O gás natural é composto por uma mistura de gases que se formaram a partir de restos fósseis de plantas e animais antigos enterrados no fundo da terra. O principal ingrediente de gás natural é o metano. Agora, é usar a criatividade para escolher um objeto que receberá sua lanterna! 52 www.greenpeace.org O forno solar O forno solar é um tipo de forno descrito por Nicholas de Saussure por volta de 1770 e criado por Horace de Saussure em 1767. É constituído de uma caixa com fundo preto e tampa de vidro, com abas refletoras. O fundo preto absorve a luz solar e converte-a em radiação infravermelha, que não passa pela tampa de vidro, criando o efeito estufa. Desta forma, possui a capacidade de atingir 150ºC, cozinhando qualquer alimento sem dificuldade O forno solar não usa gás, nem lenha, nem energia elétrica: o calor que cozinha o alimento vem diretamente do sol, cujos raios multiplicam-se ao encontrar as superfícies espelhadas do forno. Claro que, apesar de atingir temperaturas surpreendentes, possibilitando assar um bolo em uma hora e meia, o forno solar é totalmente dependente da condição climática . Mas, em regiões pobres, principalmente na África, onde o sol é constante e a lenha responde por quase 100% da energia consumida, os fornos solares podem provocar uma verdadeira revolução. A lenha tem pelo menos dois grandes problemas associados ao seu uso como fonte de energia: sua "colheita" destrói ecossistemas e sua queima libera gases de carbono, que poluem o ar e intensificam o efeito estufa. O forno solar não só é capaz de cozinhar sem poluir como também esteriliza a água em meros 20 minutos, quando atinge 65 ºC, temperatura necessária para matar todos os microorganismos capazes de causar alguma doença. 53 www.greenpeace.org Fogão solar parabólico O modelo em formato parabólico usa a angulação de 90º para melhor aproveitamento dos raios solares que são refletidos na superfície aluminizada para um ponto focal, que no caso é o fundo da panela. A temperatura pode atingir 120ºC, e em dias claros com sol forte, ferve-se 3 litros de água em até 10 minutos. É o modelo mais rápido e eficiente. Quanto maior for sua superfície, maior também será sua potência. Lembramos que o Sol derrama 1.oooW por metro quadrado em horário de pico. 54 www.greenpeace.org Fogão solar painel O modelo painel é muito simples, rápido de execução, eficiente (caso se adote o uso de panelas pretas bem vedadas). O tempo médio de cocção do alimento depende da radiação solar disponível no momento, e caso adequada, cozinha meio quilo de arroz em 50 minutos. No Quênia, com o mesmo valor usado para comprar carvão, donas de casa podem comprar este montante de alimentos. Figura ao lado. 55 www.greenpeace.org 56 www.greenpeace.org Cepel / Cresesb - www.cresesb.cepel.br Wikipedia - www.wikipedia.org Empresa Sun Lab Power - www.sunlab.net.br Organização America do Sol - www.americadosol.org ANEEL Agência Nacional de Energia Elétrica - www.aneel.gov.br Greenpeace Brasil - www.greenpeace.org.br Guia Prático formulado para atender aos treinamentos do Projeto Multiplicadores Solares do Greenpeace Brasil Vânia Stolze Consultoria e Treinamentos em Energia Solar Rio de Janeiro, 24 de fevereiro de 2015. fontes de pesquisA 57 www.greenpeace.org VocE escolheu ser um Multiplicador Solar Compilamos muitas informações nessa apostila para que você possa criar ferramentas, articular eventos de multiplicação deste conhecimento e espalhar o conhecimento sobre energia solar no Brasil! Vamos, juntos, promover a Revolução Solar!