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LOCAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO DE IMÓVEIS CURSO EAD LOCAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO DE IMÓVEIS LOCAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO DE IMÓVEIS LOCAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO DE IMÓVEIS 2 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. INTRODUÇÃO O contrato imobiliário mais celebrado no Brasil é o de locação de imóvel urbano. Os procedimentos pertinentes à locação estão dispostos na Lei nº 8.245 de 18 de outubro de 1991, co- mumente conhecida por “Lei do Inquilinato”. A Lei do Inquilinato, ao longo do tempo sofreu algumas alterações por inserções realizadas pela Lei nº 10.931 de 2004, que dispõe sobre o patrimônio de afetação de incorporações imobiliárias e pela Lei nº 11.196 de 2005, que altera dispositivos sobre os fundos de investimento para garantia de locação imobiliária. Os artigos 53 e 63 da Lei do Inquilinato também receberam nova redação pela Lei nº 9.256 de 1996; e para aperfeiçoar as regras e procedimentos sobre locação de imóvel urbano, a Lei do Inquilinato recebeu nova redação pela Lei nº 12.112 de 2009. Por fim, a Lei nº 12.744 de 2012 incrementou a Lei do Inquilinato para dispor sobre a locação nos contratos de construção ajustada. Esses são os contratos conhecidos por “built to suit”. No passado, em 1934 foi emitido um decreto regulando aspectos da locação e em 1979 foi emitida uma Lei do Inquilinato, que recebeu nova redação em 1985 e em janeiro de 1991. Mas foi em outubro de 1991 que surge a Lei do Inquilinato atualmente vigente. Ainda que se fizessem contratos de locação há séculos no Brasil, foi somente a partir de 1934 que os legisladores entenderam a necessidade de legislar a tal respeito e foi em 1991 que essa Lei ficou mais ampla e abrangente para a realidade atual. Locatário é aquele que usufrui da posse de um imóvel cedida pelo locador Muitas vezes nos valemos daquilo que estiver estabelecido no Código Civil e no Có- digo de Processo Civil, conforme estabelece o artigo 79 da própria Lei do Inquilinato. IMPORTANTE! Qual parte pode usar os serviços de um corretor de imóveis? O corretor de imóveis pode ser contratado por qualquer uma dessas partes. Na verdade, quando uma dessas partes contrata um corretor de imóveis, compete a ele buscar a outra parte. Esse é o prin- Conteúdo da apostila: Serão abordados os ele- mentos fundamentais da locação, seja no que diz respeito ao que importa para uma intermediação, seja ao que importa para a administração de con- tratos de locação, o que comumente é chamado no mercado de administração imobiliária ou administra- ção de imóveis. Em se tratando de locação, tudo começa na cap- tação do imóvel e do cliente. Uma vez que a locação de um imóvel obrigato- riamente envolva duas partes, o Locador e o Locatá- rio, para que haja essa transação sendo intermedia- da pelo Corretor de Imóveis, é necessária a obtenção dessas duas partes, bem como a celebração de um contrato. O Locador é aquele que detém o direito de dispor de um imóvel. Locador é aquele que detém o direito de dispor de um imóvel Na maioria das vezes, o locador é o próprio proprietário. cípio da intermediação. Somente na concretização dessa intermediação do contrato de locação é que o corretor de imóveis terá o direito aos seus honorá- rios. Caso o corretor de imóveis esteja atuando numa imobiliária, é nesse momento que a imobiliária terá direito ao seu faturamento. 3Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Quem pode ser locador? Na maioria das vezes, o locador é o proprietário do imóvel, mas nem sempre é assim. Eventualmente, quem tem o direito de dispor do imóvel não é o pro- prietário, mas sim um usufrutuário. Usufrutuário é quem usufrui algo ou usufrui de algo. É quem tem o direito dos frutos. No mercado imobiliário, é quem usufrui do imóvel, ou seja, quem tem o direito daquilo que provém desse imóvel. Nes- te caso, a propriedade do imóvel continua sendo do seu proprietário, mas quem o usufrui pode ser outra pessoa a quem esse proprietário transmitiu o direito. Essa outra pessoa é o usufrutuário. Ao captar um imóvel para ser locado, é impor- tante verificar quem tem o direito de ser seu locador. Caso contrário, teremos problemas na celebração do contrato de locação. Deve-se Captar Imóvel Urbano! Contrato de locação de imóvel urbano so- mente pode ser celebrado com imóveis que te- nham destinação urbana. Para efeito da Lei nº 8.245 de 1991, imóvel urbano é aquele que tenha o seu uso em conformidade com a vida urbana e as necessidades urbanas, seja para residência, comércio ou indústria. A destinação que se dá ao imóvel é que determina sua urbanidade. O imó- vel que seja destinado às atividades rurais, como plantação ou criação de animais, por exemplo, mesmo que esteja dentro do perímetro urbano das cidades não se sujeitam às regras da Lei nº 8.245 de 1991, mas, ao Código Civil e legislações específicas, como o Estatuto da Terra, por exem- plo. Isso tem que ficar bem claro! A Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 dispõe especificamente sobre as LOCAÇÕES DOS IMÓVEIS URBANOS e os procedimentos a elas pertinentes. Então, captar o imóvel, exige verificar se o imó- vel, para o nosso contexto, seja um imóvel urbano, captar o locador, exige verificar se a pessoa de nosso contato tenha o direito de locar esse imóvel. Quem pode ser Locatário? Essencialmente devemos verificar se a pessoa tem condições de honrar com o valor do aluguel. Simples assim. Cuidados: Existem alguns cuidados que devem ser tomados no processo da captação para que, futu- ramente, não apareçam surpresas desagradáveis. E são cuidados que devem ser tomados já nesse mo- mento de captação que podem evitar problemas tanto na celebração do contrato de locação, quanto no andamento dessa locação. Há de ser claro quem pode ser locador; quem pode ser locatário; e que imóvel pode ser locado. Em resumo, de forma bem simplista, em se tratando de locação de imóveis urbanos, faz-se necessário ter: • um imóvel urbano, que se destine à residência, comércio ou indústria; • um locador, sendo aquele que tenha o direito de dispor desse imóvel; • um locatário com condições de honrar com o pagamento do aluguel; • um contrato de locação que estabelece essencialmente a obrigação do locador ceder o imóvel para uso e gozo do locatário, o qual, por sua vez, tem a obrigação de honrar com uma retribuição, ou seja, o aluguel. O Corretor de Imóveis atua como intermedia- dor de todo esse processo e, para tanto, é essencial que tenha conhecimento da legislação sobre: • Diferença entre Locação e Empréstimo • Obrigações do Locador e do Locatário • Locação, Sublocação e Cessão do imóvel a terceiros • O Aluguel • O Prazo da Locação e as multas • Garantias Locatícias • Inadimplência do locatário e Ações de Despejo • Análise do locatário • Vistoria antes, durante e depois da locação • Locação não residencial • Contrato “built to suit” - locação com construção ajustada • Ação Renovatória • Locação para temporada • Ação Revisional de Aluguel • Ação de Despejo 4 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Definição jurídica do que é uma locação: O as- sunto é tratado pela Lei do Inquilinato. Contudo, a locação de imóvel urbano também está prevista no Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002, em especial em seu Capítulo 5 que trata da locação de coisas, o qual se estende do artigo 565 ao artigo 578. A definição de locação está clara no artigo 565. Artigo 565 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: Na locação de coisas, uma das partes se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição. Juridicamente, uma locação é a cessão deuso e gozo de coisa não fungível, por tempo determinado ou não, mediante certa retribuição. Entendendo: A palavra “coisa” que é usada no sentido de expressar tudo aquilo que exista, seja de forma real ou abstrata, mas que possa ser alvo de apropriação, ou seja, que alguém possa ter. No nosso caso, estamos falando dos bens imóveis, sejam edifi- cados ou apenas terrenos. “Fungível” quer dizer um bem móvel que se gasta pela utilização e que pode ser substituído por outro de mesma espécie ou mes- ma natureza. Se fungível é um bem móvel, então, não fungível é um bem imóvel. E quanto à “certa re- tribuição”, quer-se dizer a contrapartida que é dada pelo uso dessa coisa. No caso de locação de imóveis o mais comum é o aluguel em forma pecuniária, ou seja, em dinheiro. Então, no mercado imobiliário, Locação de imó- vel urbano é a entrega do direito de uso de um bem imóvel urbano, temporariamente, por prazo deter- minado ou não, mediante o pagamento de aluguel. Se o bem for entregue, mas não houver essa con- traprestação, ou seja, sem que haja a necessidade do pagamento do aluguel, então não estaríamos falando de contrato de locação, mas sim de um contrato de comodato ou ainda outra espécie de contrato, mas que não seria de locação. Qual a diferença entre locação e empréstimo? Artigo 579 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis. Perfaz-se com a tradição do objeto. A Locação exige uma retribuição e o Comodato não. O Código Civil estabelece que no comodato perfaz-se com a tradição do objeto. O termo “tra- dição” é a ação ou efeito de transmitir, de fazer uma transferência. Portanto dizer que o comodato perfaz-se com a tradição do objeto, significa dizer que há a necessidade de que haja a entrega efetiva da coisa emprestada. Então, em ambos os casos, na locação ou no co- modato, a coisa infungível deve ser efetivamente en- tregue à outra pessoa, num dos casos mediante uma retribuição e no outro caso gratuitamente. Diferença entre Locação e Empréstimo Na Locação: • Quem cede o bem é o Locador; • Quem recebe o bem para o uso é o Locatário. No Comodato: • Quem cede o bem é o Comodante; • Quem recebe o bem para o uso é o Comodatário. Artigo 585 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: Se duas ou mais pessoas forem simultane- amente comodatárias de uma coisa, ficarão soli- dariamente responsáveis para com o comodante. Então podemos ter quantos comodatários a si- tuação pedir. Num comodato de um imóvel, por exemplo, podemos ter um casal como comoda- tários, de modo que ambos os cônjuges assinam como comodatários e, conjuntamente, são respon- sáveis para com aquele que empresta esse imóvel, ou seja, o comodante. O Código Civil apresenta apenas 7 artigos acerca do comodato, do artigo 579 ao artigo 585. Nós já vimos o primeiro e o último artigos. Veja- mos os demais. Artigo 580 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: Os tutores, curadores e em geral todos os administrado- res de bens alheios não poderão dar em comodato, sem autorização especial, os bens confiados à sua guarda. 5Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Portanto, para aquele que administra o bem de outra pessoa somente poderá celebrar um contrato de comodato desse bem, se for autorizado. Sem essa autorização, não se pode fazer isso. Segundo o Código Civil, tutor, em resumo, é aquele que se responsabiliza pelo tutelado. Tutelado é uma pessoa menor de idade que, segundo o arti- go 1.728 tenha seus pais falecidos, julgados ausentes ou que perderam o poder familiar. Segundo os arti- gos 1.740 e 1.741 o tutor deve dirigir ao tutelado a educação, deve defendê-lo e prestar-lhe alimentos, assim como administrar os bens do tutelado, em pro- veito do tutelado. Já o Curador é a pessoa que, segundo os limites determinados jurídica e legalmente, cuide dos inte- resses de alguém que não possa licitamente adminis- trá-los. Isso inclui administrar-lhe os bens. Portanto, tanto o curador quanto o tutor admi- nistram os bens de outra pessoa. Ambos adminis- tram bens de outra pessoa e somente poderiam ser comodantes ou tornar essa outra pessoa um como- dante se tiverem autorização especial para tanto. Artigo 581 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: Se o comodato não tiver prazo convencional, presumir-se-lhe-á o necessário para o uso concedi- do; não podendo o comodante, salvo necessidade imprevista e urgente, reconhecida pelo juiz, suspen- der o uso e gozo da coisa emprestada, antes de findo o prazo convencional, ou o que se determine pelo uso outorgado. O prazo do comodato, portanto, é aquele que for especificado no contrato de comodato. Mas se isso não for especificado, então, o prazo do como- dato é aquele que seja necessário para o completo uso daquilo que tenha sido emprestado. O contrato de comodato não é solene, ou seja, não exige esta ou aquela formalidade legal, podendo, portanto, ser redigido de forma livre. Assim sendo, poderia, até mesmo, ser feito oralmente. Contudo, por cautela, obviamente é conveniente que seja estipulado por escrito. Supondo, então, apenas como exemplo, que num contrato de comodato, esteja estabelecido que o presente contrato tem como OBJETO, a transferên- cia, pelo COMODANTE ao COMODATÁRIO, dos direi- tos de uso e gozo do imóvel residencial X, o qual de- verá ser utilizado para o fim específico de residência do comodatário pelo prazo que vigorar seus estudos em curso de Pós-graduação. Supondo ainda que, por zelo, o contrato ainda estabeleça que, expirado tal prazo, o imóvel deve ser entregue pelo comodatário ao comodante nas mesmas condições às quais foi re- cebido, e mais uma série de outras cláusulas. O imóvel objeto do comodato deve ser usado como residência do comodatário pelo prazo que vi- gorar seus estudos em curso de Pós-graduação. Isso significa que, neste exemplo, apenas para ilustrar o conceito, dispensando quaisquer outros dispositivos jurídicos e eventuais interpretações, se o comodatá- rio terminar um curso de pós-graduação e imediata- mente iniciar outro curso também de pós-graduação, os seus estudos em curso de Pós-graduação continu- am vigentes e, portanto, o contrato também. O co- modante não pode suspender o uso e gozo da coisa emprestada antes de terminado o prazo determi- nado de seu uso, a não ser que o comodante tenha alguma necessidade imprevista e urgente, mas se, e somente se, reconhecida pelo juiz. Artigo 582 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: O comodatário é obrigado a conservar, como se sua própria fora, a coisa emprestada, não podendo usá-la senão de acordo com o contrato ou a natureza dela, sob pena de responder por perdas e danos. O comodatário constituído em mora, além de por ela responder, pagará, até restituí-la, o aluguel da coisa que for arbitrado pelo comodante. Este artigo estabelece 4 coisas bem interessan- tes a favor do comodante: 1. O comodatário é obrigado a conservar o que lhe foi emprestado, nas mesmas condições de como essa a coisa fosse sua. 2. O comodatário somente pode usar o que lhe foi emprestado de acordo com o contrato ou com a especificidade da sua natureza. 3. Se o comodatário usar o que lhe foi empres- tado de forma diferente da estabelecida no contra- to ou de forma distinta da natureza daquilo que lhe foi emprestado, sofrerá a pena de responder por perdas e danos. 4. O comodatário constituído em mora, ou seja, para o período de tempo que se prolongar após o prazo de encerramento do comodato, sem que tenha devolvido ao comodante o que lhe foi emprestado, então, continua respondendo por ela e deverá pagar aluguel ao comodante até o momento que lhe res- tituir o que lhe foi emprestado. Esse aluguel deverá ser arbitrado pelo comodante e, portanto, sempre se sugere que seja estabelecido no contrato de como- 6 Todos os direitos reservados.É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. dato como uma cláusula de penalidade. Mas não confunda! Supondo um contrato de co- modato de um imóvel, se o prazo do comodato expi- rar e o comodatário não devolver o imóvel ao como- dante, esse contrato NÃO se tornar um contrato de aluguel. Ainda que a situação possa se assemelhar, o aluguel num contrato de locação, é uma retribuição pelo uso e gozo da coisa que foi cedida, enquanto que no comodato trata-se de uma penalidade autên- tica, uma vez que o prazo de uso do imóvel já expi- rou. A natureza do aluguel pela mora no comodato é de coagir o comodatário a restituir a coisa empresta- da dentro do prazo, ou o mais rapidamente possível. Outra diferença importante é que no contrato de lo- cação, o valor do aluguel deve ser estabelecido antes do início da locação e deve ser aceito pelo locatário, enquanto que no comodato, o valor do aluguel pela mora será estipulado pelo comodante, de maneira unilateral, podendo, até mesmo, vir a ocorrer após a recusa do comodatário em restituir o bem empresta- do, não havendo obrigação de estabelecer o valor do aluguel de mora no contrato de comodato. Isso pode ser definido depois. Mas, o comodante não define o valor que qui- ser. O comodante é quem arbitra o valor, mas deve respeitar os princípios da boa-fé e evitar o abuso de direito, ainda que se mantenha o objetivo de ser esse aluguel uma pena ao comodatário. Superior Tribunal de Justiça – Informativo de Jurisprudência nº 504 Período: 10 a 19 de setembro de 2012 TERCEIRA TURMA DIREITO CIVIL. CONTRATO DE COMODATO. ALUGUEL-PENA EM RAZÃO DE MORA NA RESTITUIÇÃO. O comodante pode fixar aluguel de forma unilateral em caso de mora do comodatário na restituição da coisa emprestada, desde que em montante não superior ao dobro do valor de mercado. O art. 582, 2ª parte, do CC dispõe que o comodatário constituído em mora, além de por ela responder, pagará, até restituir a coisa, o aluguel que for arbitrado pelo comodante. A natureza desse aluguel é de uma autêntica pena privada, e não de indenização pela ocupação indevida do imóvel emprestado. O objetivo central do aluguel não é transmudar o comodato em contrato de locação, mas sim coagir o comodatário a restituir o mais rapidamente possível a coisa emprestada, que indevidamente não foi devolvida no prazo legal. O arbitramento do aluguel-pena não pode ser feito de forma abusiva, devendo respeito aos princípios da boa-fé objetiva (art. 422/CC), da vedação ao enriquecimento sem causa e do repúdio ao abuso de direito (art. 187/CC). Havendo arbitramento em valor exagerado, poderá ser objeto de controle judicial, com eventual aplicação analógica da regra do parágrafo único do art. 575 do CC, que, no aluguel-pena fixado pelo locador, confere ao juiz a faculdade de redução quando o valor arbitrado se mostre manifestamente excessivo ou abusivo. Para não se caracterizar como abusivo, o montante do aluguel-pena não pode ser superior ao dobro da média do mercado, considerando que não deve servir de meio para o enriquecimento injustificado do comodante. RECURSO ESPECIAL 1.175.848-PR, Relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, julga- do em 18/9/2012. 7Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Portanto, fica estabelecido que o comodante ar- bitra o valor do aluguel em caso de mora do como- datário na restituição daquilo que lhe foi empresta- do, até o valor máximo do que seja o dobro do valor de mercado. Artigo 583 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: Se, correndo risco o objeto do comodato jun- tamente com outros do comodatário, antepuser este a salvação dos seus abandonando o do comodante, responderá pelo dano ocorrido, ainda que se possa atribuir a caso fortuito, ou força maior. Este artigo estabelece o que acontece no caso de haver algum risco, mas atribui uma situação especí- fica, que é um risco a um conjunto de coisas com- posto pelo objeto do comodato, que no nosso caso é o imóvel, e outros bens quaisquer do comodatário. A isso, temos uma condição que é especificamente se o comodatário antepuser a salvação dos seus, ou seja, se ele antecipadamente salvar os seus bens, se ele prioritariamente conservar ou preservar os seus bens, abandonando o bem do comodante, ou seja, deixando de preservar o imóvel, por exemplo. Se isso acontecer, então, o comodatário responderá pelo dano ocorrido com o objeto do comodato, no nosso exemplo, como o imóvel. E essa responsabilidade se mantém mesmo que o comodatário alegue que o que aconteceu foi um caso fortuito ou de força maior. Um caso fortuito ou de força maior existe quando uma determinada ação gera consequências ou efeitos que sejam imprevisíveis, impossíveis de impedir ou mes- mo inevitáveis. E mesmo nesses casos, o comodatá- rio que resguardar seus bens em detrimento do bem objeto do comodato, é responsabilizado pelo dano no objeto do comodato. Artigo 584 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: O comodatário não poderá jamais recobrar do comodante as despesas feitas com o uso e gozo da coisa emprestada. Importa destacar o uso do termo “jamais”, ou seja, nunca, de maneira nenhuma, em nenhuma cir- cunstância. Portanto, é terminantemente vedado ao comodatário recobrar do comodante as despesas fei- tas com o uso e gozo da coisa emprestada. 4 hipóteses em que o contrato de comodato se encerra: 1. Em decorrência do término do prazo contra- tual. Se o contrato não tem prazo definido, como vi- mos, fica entendido que o prazo termina quando se encerrar o período de utilização da coisa emprestada para o fim que tenha sido acordado. 2. Pela resolução do contrato feita pelo como- dante em decorrência de quebra de cláusula contra- tual. Neste caso, destaca-se, como exemplo, o uso inadequado do bem por parte do comodatário. 3. Por sentença do juiz, a pedido do comodante, quando provada a necessidade urgente, prevista no artigo 581 do Código Civil. 4. Na ocorrência de morte do comodatário no caso em que a coisa emprestada era para seu uso exclusivo e pessoal, de modo que não se repassa aos herdeiros. Obrigações do Locador e do Locatário As principais obrigações do locador estão lista- das, enquanto deveres, no artigo 22 da Lei do Inquili- nato, enquanto que os deveres do locatário estão no artigo seguinte da mesma lei, o artigo 23. Vejamos uma de cada vez. Artigo 22 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato O locador é obrigado a: I - entregar ao locatário o imóvel alugado em es- tado de servir ao uso a que se destina; II - garantir, durante o tempo da locação, o uso pacífico do imóvel locado; III - manter, durante a locação, a forma e o desti- no do imóvel; IV - responder pelos vícios ou defeitos anteriores à locação; V - fornecer ao locatário, caso este solicite, des- crição minuciosa do estado do imóvel, quando de sua entrega, com expressa referência aos eventuais defeitos existentes; VI - fornecer ao locatário recibo discriminado das importâncias por este pagas, vedada a quita- ção genérica; VII - pagar as taxas de administração imobiliária, se houver, e de intermediações, nestas compreendi- das as despesas necessárias à aferição da idoneidade do pretendente ou de seu fiador; VIII - pagar os impostos e taxas, e ainda o prêmio 8 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. de seguro complementar contrafogo, que incidam ou venham a incidir sobre o imóvel, salvo disposição ex- pressa em contrário no contrato; IX - exibir ao locatário, quando solicitado, os comprovantes relativos às parcelas que estejam sen- do exigidas; X - pagar as despesas extraordinárias de condomínio. Parágrafo único.Por despesas extraordinárias de condomínio se entendem aquelas que não se re- firam aos gastos rotineiros de manutenção do edifí- cio, especialmente: a) obras de reformas ou acréscimos que interes- sem à estrutura integral do imóvel; b) pintura das fachadas, empenas, poços de aera- ção e iluminação, bem como das esquadrias externas; c) obras destinadas a repor as condições de habi- tabilidade do edifício; d) indenizações trabalhistas e previdenciárias pela dispensa de empregados, ocorridas em data an- terior ao início da locação; e) instalação de equipamento de segurança e de incêndio, de telefonia, de intercomunicação, de es- porte e de lazer; f) despesas de decoração e paisagismo nas par- tes de uso comum; g) constituição de fundo de reserva. Obrigações comumente repassadas aos corre- tores de imóveis e/ou imobiliárias: Se a locação es- tiver sendo administrada por um corretor de imóveis ou uma imobiliária, algumas dessas obrigações, nor- malmente, ficam a cargo deles, ao invés de o locador ter que fazê-las. Os deveres do locador que, comu- mente, são transferidos à imobiliária ou ao corretor de imóveis que administre a sua locação, são os lista- dos nos incisos 5, 6 e 9, ou seja, fornecer ao locatá- rio descrição do estado do imóvel, a qual é resultan- te da vistoria do imóvel, assunto que abordaremos mais adiante; fornecer ao locatário recibo dos seus pagamentos; e exibir ao locatário os comprovantes daquilo que se esteja cobrando. Existem situações em que o inciso 10 também fica a carga da imobili- ária ou corretor de imóveis, que se refere a pagar as despesas extraordinárias de condomínio. Essa é uma questão que pode ser livremente pactuada entre o locador e quem vai administrar sua locação, seja a imobiliária ou o corretor de imóveis. Essa relação se estabelece por um contrato de prestação de serviço, que tem como objeto a administração da locação do imóvel locado. Nesse contrato, deve-se estabelecer os direitos e deveres de cada parte, sendo que a imo- biliária ou o corretor de imóveis é a parte contratada e o locador é a parte contratante. Numa administração de locação, o locatário realiza o pagamento do aluguel a esse contratado, ou seja, ao corretor de imóveis ou imobiliária, e do valor pago de aluguel, esse contrata- do retém um percentual referente aos seus honorários e repassa o restante do valor ao locador. Dessa forma, se for pactuado que o contratado realize os pagamen- tos das despesas extraordinárias de condomínio, en- tão quando estas existirem, a imobiliária ou corretor de imóveis deverá reter os seus honorários calculados percentualmente sobre o valor bruto do aluguel, do saldo pagará essas despesas e o restante repassará ao locador. Mas se fora assim, deverá sempre prestar contas ao locador de que estiver sendo pago. Artigo 23 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato O locatário é obrigado a: I - pagar pontualmente o aluguel e os encargos da locação, legal ou contratualmente exigíveis, no prazo estipulado ou, em sua falta, até o sexto dia útil do mês seguinte ao vencido, no imóvel locado, quan- do outro local não tiver sido indicado no contrato; II - servir-se do imóvel para o uso convenciona- do ou presumido, compatível com a natureza deste e com o fim a que se destina, devendo tratá-lo com o mesmo cuidado como se fosse seu; III - restituir o imóvel, finda a locação, no estado em que o recebeu, salvo as deteriorações decorren- tes do seu uso normal; IV - levar imediatamente ao conhecimento do lo- cador o surgimento de qualquer dano ou defeito cuja reparação a este incumba, bem como as eventuais turbações de terceiros; V - realizar a imediata reparação dos danos ve- rificados no imóvel, ou nas suas instalações, provo- cadas por si, seus dependentes, familiares, visitantes ou prepostos; VI - não modificar a forma interna ou externa do imóvel sem o consentimento prévio e por escrito do locador; VII - entregar imediatamente ao locador os do- cumentos de cobrança de tributos e encargos con- dominiais, bem como qualquer intimação, multa ou exigência de autoridade pública, ainda que dirigida a ele, locatário; VIII - pagar as despesas de telefone e de consu- mo de força, luz e gás, água e esgoto; IX - permitir a vistoria do imóvel pelo locador ou por seu mandatário, mediante combinação pré- via de dia e hora, bem como admitir que seja o mesmo visitado e examinado por terceiros, na hi- 9Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. pótese prevista no art. 27; X - cumprir integralmente a convenção de con- domínio e os regulamentos internos; XI - pagar o prêmio do seguro de fiança; XII - pagar as despesas ordinárias de condomínio. § 1º Por despesas ordinárias de condomínio se entendem as necessárias à administração respec- tiva, especialmente: a) salários, encargos trabalhistas, contribuições pre- videnciárias e sociais dos empregados do condomínio; b) consumo de água e esgoto, gás, luz e força das áreas de uso comum; c) limpeza, conservação e pintura das instalações e dependências de uso comum; d) manutenção e conservação das instalações e equipamentos hidráulicos, elétricos, mecânicos e de segurança, de uso comum; e) manutenção e conservação das instalações e equipamentos de uso comum destinados à prática de esportes e lazer; f) manutenção e conservação de elevadores, porteiro eletrônico e antenas coletivas; g) pequenos reparos nas dependências e instala- ções elétricas e hidráulicas de uso comum; h) rateios de saldo devedor, salvo se referentes a período anterior ao início da locação; i) reposição do fundo de reserva, total ou par- cialmente utilizado no custeio ou complementação das despesas referidas nas alíneas anteriores, salvo se referentes a período anterior ao início da locação. § 2º O locatário fica obrigado ao pagamento das despesas referidas no parágrafo anterior, desde que comprovadas a previsão orçamentária e o rateio mensal, podendo exigir a qualquer tempo a compro- vação das mesmas. § 3º No edifício constituído por unidades imobiliá- rias autônomas, de propriedade da mesma pessoa, os locatários ficam obrigados ao pagamento das despesas referidas no § 1º deste artigo, desde que comprovadas. Deveres comumente repassadas aos correto- res de imóveis e/ou imobiliárias: Nesse artigo 23 da Lei do Inquilinato, os incisos 1, 4 e 7 listam de- veres que o locatário tem junto ao locador e que, normalmente, acaba sendo estabelecido no contra- to de locação que deverá tê-lo junto à imobiliária ou ao corretor de imóveis, ou seja, ao administrador da locação. Portanto, o pagamento do aluguel que deve ser feito ao locador, poderá ser definido que seja feito ao administrador da locação para que este, depois de retidos seus honorários, faça o repasse ao locador. A notificação quanto a necessidade de re- parações que deve ser feita ao locador, também po- derá se estabelecer que seja feito ao administrador da locação. Assim como a entrega dos documentos listados no inciso 7, que deveria ser feita ao locador também poderá figurar no contrato de locação que seja feita ao administrador da locação. O inciso 9 desse artigo 23 da Lei do Inquilinato, que obriga o locatário a permitir a vistoria do imóvel pelo loca- dor ou seu mandatário, também estabelece que o locatário deve ainda permitir a vistoria de terceiros, especificamente no caso descrito no artigo 27 (que aborda a situação em que o proprietário do imóvel locado oferece esse mesmo imóvel à venda, duran- te a vigência do contrato de locação). Locação, Sublocação e Cessão do imóvel a terceiros SUBLOCAÇÃO A Lei nº 8.245 de 1991, a Lei do Inquilinato, ape- sar de estabelecer na Seção 2 um total de 3 artigos referentes às sublocações, não estabelece uma defi- nição específica sobre o que seria a sublocação. Con- clui-se, portanto, que os legisladores entendem que esse termoé autoexplicativo. Portanto, sublocação é o ato ou efeito de sublo- car, ou seja, de alugar a terceiro. O locador é uma parte, o locatário é a segunda parte e quando este aluga para outra parte, um ter- ceiro. Esse terceiro é um sublocatário. A sublocação ocorre quando o inquilino de um imóvel aluga esse imóvel para outra pessoa. É considerado sublocação quando o locatário de um imóvel aluga, para um terceiro, o imóvel INTEIRO ou ainda PARTE DELE. Numa relação jurídica de sublocação, o subloca- tário passa a ter encargos como subaluguel, condo- mínio, ou parte dele, entre outros encargos, tal qual na locação, a critério do sublocador. Artigo 21 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: O aluguel da sublocação não poderá exceder o da locação; nas habitações co- letivas multifamiliares, a soma dos aluguéis não po- derá ser superior ao dobro do valor da locação. 10 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Portanto, quando o locatário subloca o imóvel, ele passa a ser um sublocador e o seu inquilino é o sublo- catário. O valor que o sublocatário pagará de subalu- guel poderá ser o valor que o sublocador estabelecer, sendo que o limite superior, o teto, é o valor que esse sublocador paga de aluguel enquanto locatário. Já no caso das habitações coletivas multifamiliares, a soma dos subalugueis poderá ser de, no máximo, o valor equivalente ao dobro do valor da locação. Habitação coletiva: a habitação destinada ao uso residencial de um grupo de pessoas ligadas por interesses diversos que não necessariamente sejam laços familiares. Daí o termo habitação coletiva mul- tifamiliar. Portanto, quando um imóvel é subdividido em áreas para utilização por diversas famílias, temos uma habitação coletiva multifamiliar. São exemplos os cortiços, ou casas de cômodos, assim como as pensões e hospedaria, desde que ocupados. Em resumo, sendo um imóvel locado, temos o locador e o locatário. O locatário se torna subloca- dor e teremos um sublocatário, assim como tere- mos um subaluguel. Parte Cedente Quem cede o imóvel ao outro Parte Cessionária Quem obtém o direito de uso e gozo do imóvel LOCADOR LOCATÁRIO SUBLOCADOR SUBLOCATÁRIO Contrato de LOCAÇÃO Contrato de SUBLOCAÇÃO CESSÃO DA LOCAÇÃO Artigo 13 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: A cessão da locação, a su- blocação e o empréstimo do imóvel, total ou parcial- mente, dependem do consentimento prévio e escrito do locador. § 1º Não se presume o consentimento pela sim- ples demora do locador em manifestar formalmente a sua oposição. § 2º Desde que notificado por escrito pelo locatá- rio, de ocorrência de uma das hipóteses deste artigo, o locador terá o prazo de trinta dias para manifestar formalmente a sua oposição. Lembrando, o empréstimo ocorre quando o loca- tário deseja dispor gratuitamente para outra pessoa o uso de todo o imóvel ou de parte dele. A cessão da lo- cação é quando se transfere para outra pessoa todos os direitos e obrigações do contrato. Então, diferente do empréstimo, na cessão de locação, a outra pessoa irá substituir o locatário no contrato, tornando-se o novo locatário. Já a sublocação é quando o locatário subaluga para outra pessoa todo o imóvel ou parte dele, por tempo e valor determinados. 11Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. 12 CESSÃO DA LOCAÇÃO Artigo 13 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: A cessão da locação, a sublocação e o empréstimo do imóvel, total ou parcialmente, dependem do consentimento prévio e escrito do locador. § 1º Não se presume o consentimento pela simples demora do locador em manifestar formalmente a sua oposição. § 2º Desde que notificado por escrito pelo locatário, de ocorrência de uma das hipóteses deste artigo, o locador terá o prazo de trinta dias para manifestar formalmente a sua oposição. Lembrando, o empréstimo ocorre quando o locatário deseja dispor gratuitamente para outra pessoa o uso de todo o imóvel ou de parte dele. A cessão da locação é quando se transfere para outra pessoa todos os direitos e obrigações do contrato. Então, diferente do empréstimo, na cessão de locação, a outra pessoa irá substituir o locatário no contrato, tornando-se o novo locatário. Já a sublocação é quando o locatário subaluga para outra pessoa todo o imóvel ou parte dele, por tempo e valor determinados. Todas essas relações jurídicas que podem ser estabelecidas diretamente com o inquilino, ou seja, com o locatário, devem ter a autorização do locador. EXEMPLOS DE CLÁUSULA VETANDO SUBLOCAÇÃO E AFINS EM CONTRATO DE LOCAÇÃO: Exemplo 1, no caso geral de locação: “O LOCATÁRIO não poderá sublocar, transferir ou ceder o imóvel, sendo nulo de pleno direito qualquer ato praticado com este fim sem o consentimento prévio e por escrito do LOCADOR.” Exemplo 2, no caso específico de locação para fins residenciais: EXEMPLOS DE CLÁUSULA VETANDO SUBLOCA- ÇÃO E AFINS EM CONTRATO DE LOCAÇÃO: Exemplo 1, no caso geral de locação: “O LOCATÁRIO não poderá sublocar, transferir ou ceder o imóvel, sendo nulo de pleno direito qualquer ato praticado com este fim sem o consentimento prévio e por escrito do LOCADOR.” Exemplo 2, no caso específico de locação para fins residenciais: “O LOCATÁRIO declara, que o imóvel ora locado, destina-se única e exclusivamente para o seu uso residencial e de sua família, sendo expressamen- te proibido sublocar, transferir ou ceder o imóvel, sendo nulo de pleno direito qualquer ato praticado com este fim sem o consentimento prévio e por es- crito do LOCADOR.” Em ambos os exemplos, apesar de vetada a su- blocação, a cessão e a transferência ou empréstimo, fica essa possibilidade permitida, no caso de haver consentimento prévio e por escrito do locador. Referente ao parágrafo primeiro do citado artigo 13, se o locatário apresenta ao locador um pedido de autorização para sublocação, ou mesmo para um em- préstimo, o fato de o locador permanecer em silên- cio não caracterizará sua permissão. Contudo, o pa- rágrafo segundo estabelece um prazo de 30 dias para a manifestação de oposição do locador. Esse prazo somente existe no caso de o locatário apresentar seu pedido por escrito ao locador. Portanto, uma vez que o locador tenha sido expressamente notificado pelo locatário a respeito da sublocação ou empréstimo do imóvel locado, o locador tem 30 dias para mani- festação sua oposição, caso contrário, caracteriza-se aceitação tácita ou anuência tácita, ou seja, aceite ou consentimento percebido apesar de não declarado. Em outras palavras, um aceite subentendido. Artigo 14 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Aplica-se às sublocações, no que couber, as disposições relativas às locações. Todas essas relações jurídicas que podem ser estabelecidas diretamente com o inquilino, ou seja, com o locatário, devem ter a autorização do locador. 12 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Artigo 565 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: Na locação de coisas, uma das partes se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição. O aluguel é a retribuição de uma das partes, pelo uso e gozo de coisa não fungível a esta cedida pela outra parte, por tempo determinado ou não, numa locação. Conforme o artigo 566 do Código Civil, o locador é obrigado a entregar ao locatário a coisa alugada, com suas pertenças, em estado de servir ao uso a que se destina, e a mantê-la nesse estado, pelo tem- po do contrato, salvo cláusula expressa em contrário,bem como a garantir-lhe, durante o tempo do contra- to, o uso pacífico da coisa. Conforme o artigo 569 do Código Civil, o loca- tário é obrigado a servir-se da coisa alugada para os usos convencionados ou presumidos, conforme a natureza dela e as circunstâncias, bem como tratá-la com o mesmo cuidado como se sua fosse; a pagar pontualmente o aluguel nos prazos ajustados, e, em falta de ajuste, segundo o costume do lugar; a levar ao conhecimento do locador as turbações de tercei- ros, que se pretendam fundadas em direito; tanto quanto a restituir a coisa, finda a locação, no estado em que a recebeu, salvas as deteriorações naturais ao uso regular. Artigo 17 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: É livre a convenção do aluguel, vedada a sua estipulação em moeda es- trangeira e a sua vinculação à variação cambial ou ao salário mínimo. Parágrafo único. Nas locações residenciais serão observados os critérios de reajustes previstos na le- gislação específica. O aluguel é livremente convencionado entre as partes, respeitando essas proibições, podendo esta- belecer o pagamento do aluguel por qualquer outra forma, seja pecuniária ou não. A legislação específica a que se refere esse artigo é a Lei nº 9.069 de 29 de junho de 1995, a qual dis- põe sobre o Plano Real, o Sistema Monetário Nacio- nal, e estabelece as regras e condições de emissão do REAL e os critérios para conversão das obrigações para o REAL. Essa lei é conhecida como a lei que ins- tituiu o Sistema Monetário Brasileiro, e implantou o “Real” como moeda brasileira. Interessa-nos o artigo 28 dessa lei, especificamente o parágrafo 1º e as alí- neas 3 e 4 do parágrafo 3º. Trechos do Artigo 28 da Lei nº 9.069 de 29 de junho de 1995 – Lei do Sistema Monetário Brasileiro: Nos contratos celebrados ou convertidos em REAL com cláusula de correção monetária por índices de preço ou por índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, a periodicidade de aplicação dessas cláusulas será anual. § 1º É nula de pleno direito e não surtirá nenhum efeito cláusula de correção monetária cuja periodici- dade seja inferior a um ano. § 3º A periodicidade de que trata o caput deste artigo será contada a partir: III - da contratação, no caso de obrigações con- traídas após 1º de julho de 1994; e IV - do último reajuste no caso de contratos de locação residencial. Portanto, num contrato de locação de imóvel, o prazo mínimo para haver o reajuste é de 1 ano. Mas, conforme a alínea 4 do parágrafo 3º desse artigo 28 Lei do Sistema Monetário Brasileiro, essa regra de reajuste somente se torna obrigatória no caso de contratos de locação residencial. O cálculo do reajuste: Primeiro, temos que ter claro que por reajuste também se entende a correção monetária. Portan- to, mudar o valor do aluguel para outro valor ou corrigir monetariamente o seu valor, para efeito dessa regra mencionada é a mesma coisa. Esse reajuste é calculado pelo índice que foi livremen- te escolhido pelo locador e pelo locatário, em co- mum acordo, e que, obviamente, consta expresso no contrato de locação. Normalmente se utilizam índices mais comuns de mercado. O cálculo é mui- to simples. Ao valor do aluguel aplica-se o índice acumulado do ano transcorrido. Índices mais comuns: IGP-M é o índice Geral de Preços e Mercado, di- vulgado pela Fundação Getúlio Vargas, cujo cálculo é feito por análise do IPA, que é o Índice de Preço por Atacado; do IPC, que é o Índice de Preços ao O Aluguel 13Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Consumidor; e do INCC, que é o Índice Nacional de Custo de Construção. IPCA é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, que é divulgado pelo IBGE. O IPCA mede a variação dos gastos em saúde, alimentação, habitação e mobi- lidade, levando em conta os hábitos das famílias que moram em áreas urbanas. INPC, é o Índice Nacional de Preços ao Consumi- dor, também divulgado pelo IBGE, o qual é definido considerando a variação de gastos previstos no IPCA e a diferença que é projetada para famílias com ren- da entre 01 e 05 salários mínimos. A maioria dos contratos de locação atualmente fazem uso, para efeito de reajuste, dos índices IGP- -M, IPCA e INPC. Mas, como vimos, outros índices podem ser usados. Alguns contratos de locação utilizam o IPC - Ín- dice de Preços ao Consumidor, divulgado pela FIPE e o IGP-DI - Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas. Resumindo, o valor do aluguel, a sua forma de pagamento e a forma de reajuste são acordados en- tre o locador e o locatário e fixados no contrato de locação. Desde que não seja em moeda estrangeira, o pagamento do aluguel pode ser qualquer coisa, di- nheiro, bens, direitos ou serviços. E o reajuste, desde que seja realizado num período mínimo de 1 ano, e não esteja vinculado à variação cambial ou ao salário mínimo, pode ser definido da forma que for conven- cionado entre as partes. Artigo 18 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: É lícito às partes fixar, de comum acordo, novo valor para o aluguel, bem como inserir ou modificar cláusula de reajuste. Definição de Ato Ilícito: Na doutrina jurídica, temos, basicamente, 2 tipos de atos ilícitos, conforme estabelece o Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: - Ato ilícito puro (art. 186: Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que ex- clusivamente moral, comete ato ilícito): O ato ilícito puro se caracteriza quando um direito é violado ou um dano é causado, mesmo que apenas moral, seja por ação ou omissão voluntária, por negligência ou por imprudência. Ação voluntária é ter feito algo sem constrangimento nem coação, enquanto que omissão voluntária é ter deixado de fazer algo que se entende que deveria ter sido feito. Negligência é a omissão no cumprimento daquilo que era de própria responsabilidade. Diferente da omissão, caracteriza- -se a negligência pela ausência de intencionalidade. De qualquer forma, a negligência não passa de um descuido, uma displicência, desatenção, desleixo ou mesmo desmazelo. Imprudência é aquilo que se opõe ao que é prudente, ou seja, é o comportamento sem precaução nem sensatez, é uma ação irrespon- sável, sem cautela, uma falta de observação àquilo que poderia evitar um mal. Portanto, ato ilícito puro é causar dano ou violar direito, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, ainda que exclusivamente moral. - Ato ilícito equiparado (art. 187. Também come- te ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes): O ato ilícito equiparado, é chamado assim por ser comportamento que, ainda que seja diferen- te dos que acabem de mencionar, se equiparam para efeito jurídico, se igualam com o mesmo peso de im- portância. Contudo, há uma diferença fundamental. No ato ilícito puro a conduta adotada já nasce ilícita, o comportamento já é naturalmente ilícito, enquan- to que no ato ilícito equiparado o autor é alguém que tem o direito e, portanto, poderia exercer o ato, mas que o faz de forma exagerada, indo além do que seja considerado normal, considerando os limites pelo fim econômico ou social, os limites da boa-fé ou ain- da os limites dos bons costumes. Isso significa que, mesmo que alguém tenha um determinado direito, vão existir limites, ainda que implícitos ou ocultos. É preciso entender que, no caso de ato ilícito equipara- do, a origem do ato é totalmente lícita, uma vez que é conduzido por quem de direito, mas a maneira usa- da para realizar o ato excede claramente a fronteira do admissível ou tolerável da probidade, da integri- dade e da boa-fé. Dessa forma, aquilo que era lícito converte-separa ilícito e se equipara a outros atos eminentemente ilícitos. Portanto, ato ilícito equipa- rado, portanto, é o chamado abuso de poder. No contexto da locação, existem 4 requisitos para a configuração do ato ilícito: 1. o dano: o prejuízo em si, entendendo-se que deva ter havido algum; 2. a conduta humana: alguém deve ter feito ou dei- xado de fazer algo e esse alguém deve ser identificado; 14 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. 3. o nexo: o vínculo entre o efeito e a causa, sendo a comprovação de que o dano foi causado pela conduta humana, pela conduta daquela pes- soa identificada; 4. a culpa: a comprovação de que a pessoa, por sua conduta, causou o dano. Consequências do Ato Ilícito: Artigo 927 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: Aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. A consequência do ato ilícito é a reparação. Essa reparação é calculada na proporção do dano, ou seja, em conformidade com o prejuízo gerado, segundo o artigo 944 do Código Civil. Artigo 944 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: A indenização mede-se pela extensão do dano. Artigo 935 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando es- tas questões se acharem decididas no juízo criminal. Exemplo: Imagine a situação em que o locador decide alterar o valor do aluguel, sem o consenti- mento do locatário, sem avisá-lo, sem nenhum acor- do. Existe um contrato de locação residencial, o lo- catário está habitando o imóvel locado por alguns meses, tendo feito o pagamento do aluguel adequa- damente. O locador, antes do prazo de 1 ano, altera o valor do aluguel e substitui a página que tem essa informação na sua via do contrato. O locatário, de- satento, por 2 meses pagou o boleto do aluguel com valor aumentando, quando, então, percebeu o fato. Este é um bom exemplo de um ato ilícito na esfera civil e na esfera criminal. Segundo o artigo 186 do Código Civil, o locador cometeu ato ilícito, como já vimos. Segundo o Código Penal, o locador cometeu ato ilícito de falsificação de documento particular. Artigo 298 do Código Penal, Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940: Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento particular verdadeiro: Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa. Dessa forma, o locador poderá responder nas duas esferas, civil e criminalmente. Agora imagine que um corretor de imóveis, ou uma pessoa jurídica inscrita no CRECI, esteja admi- nistrando esse contrato de locação. O locador deci- de alterar o valor do aluguel, notifica ao corretor de imóveis ou à essa pessoa jurídica, digamos, uma imo- biliária, o valor é alterado no sistema e na emissão do boleto de pagamento dos meses seguintes pas- sa figurar o novo valor. Então, na visão do locatário, quem cometeu ato ilícito foi quem está administran- do o contrato de locação, seja o corretor de imóveis ou a imobiliária. Ainda assim, o locador, que, nesse caso, originou tudo isso, também tem a responsabi- lidade pelo ato e, portanto, também responderá por ele, conforme o artigo 942 do Código Civil. Artigo 942 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos à reparação do dano causado; e, se a ofensa tiver mais de um autor, todos responderão solidariamente pela reparação. Parágrafo único. São solidariamente responsá- veis com os autores os co-autores e as pessoas desig- nadas no art. 932. Este artigo, na verdade aborda 2 questões importantes: 1. Se a ofensa tiver mais de um autor, todos respon- derão solidariamente pela reparação. No nosso exem- plo, tanto aquele que administra o contrato de locação, seja o corretor de imóveis ou a imobiliária, quanto o lo- cador, responderão solidariamente pela reparação. 2. Para a reparação do dano, o responsável, ou os responsáveis solidariamente, responderão com seus bens, se preciso for. O Prazo da Locação e as multas Artigo 4º da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Durante o prazo estipula- do para a duração do contrato, não poderá o locador reaver o imóvel alugado. Com exceção ao que esti- pula o § 2o do art. 54-A, o locatário, todavia, poderá devolvê-lo, pagando a multa pactuada, proporcional ao período de cumprimento do contrato, ou, na sua falta, a que for judicialmente estipulada. Parágrafo único. O locatário ficará dispensa- 15Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. do da multa se a devolução do imóvel decorrer de transferência, pelo seu empregador, privado ou pú- blico, para prestar serviços em localidades diversas daquela do início do contrato, e se notificar, por es- crito, o locador com prazo de, no mínimo, trinta dias de antecedência. Portanto, após assinado o contrato de locação, o locador não poderá retomar o imóvel locado até que se encerre o prazo estabelecido nesse contrato. Por outro lado, o locatário pode devolver o imóvel quan- do quiser, mas se o locatário devolver o imóvel antes do encerramento do prazo de locação estabelecido no contrato, e somente nesse caso, terá que pagar uma multa ao locador. Mas o locatário não precisará pagar essa multa se o motivo da devolução do imóvel for uma trans- ferência de trabalho para outro local que force a sua mudança de residência. Neste caso, o locatário deve- rá notificar o locador, por escrito, com antecedência de, pelo menos, 30 dias. É comum que um contrato de locação tenha prazo de 30 meses. Contudo, ainda que isso possa ser um padrão de mercado, a Lei do Inquilinato permite que sejam celebrados contratos de locação com qualquer prazo. Prazo de Locação: Artigo 3º da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: O contrato de locação pode ser ajustado por qualquer prazo, dependendo de vênia conjugal, se igual ou superior a dez anos. Parágrafo único. Ausente a vênia conjugal, o cônju- ge não estará obrigado a observar o prazo excedente. Portanto, o contrato de locação pode ser ajustado por qualquer prazo, ou seja, pode ser combinado entre as partes, locador e locatário e, portanto, estabelecido no contrato de locação, o prazo que assim definirem em comum acordo. Como não há distinção acerca da destinação do imóvel, fica claro que se aplica a todos os contratos de locação de imóveis urbanos, conforme trata a lei, seja residencial ou comercial. Por vênia, entende-se a permissão ou o consenti- mento. Portanto, vênia conjugal seria a permissão ou consentimento do cônjuge tanto do locador, quanto do locatário. Mas isso somente é requerido se o con- trato de locação tiver prazo de 10 anos ou mais. Se não houver a vênia conjugal, nem o cônjuge do locador tampouco o cônjuge do locatário deve respeitar o prazo que exceder os 10 anos. Isso sig- nifica que o cônjuge que não anuiu com o contrato, que não deu seu consentimento, poderá pedir judi- cialmente a ineficácia do contrato ou que ele seja in- validado, a partir de completado o décimo ano. A vênia é requerida independentemente do re- gime de bens adotado pelo casal. Pode-se entender que deva se aplicar a todos os casos, seja regime de comunhão total de bens, de comunhão parcial de bens, de separação total de bens, ou, até mesmo, em casos de união estável. Artigo 1.647 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; Esse artigo vai ao encontro do requerimento da vênia conjugal no contrato de locação, contudo exce- tuando-se no casode regime da separação absoluta, ou regime separação total de bens. Grande questão: A Lei do Inquilinato é de 1991 e o Código Civil em vigor é de 2002. Aparentemente, os legisladores entenderam que não haveria mais a necessidade de vênia conjugal em caso de regime da separação absoluta. Se, nesse caso, para vender ou hipotecar não há necessidade de vênia conjugal, então para alugar que é uma transação menor, digamos assim, não haveria de necessitar. Dessa forma, o artigo 3º da Lei do Inquilinato perderia sua razão de ser, nesse contexto de regime separação total de bens. Contudo, vale ressaltar 16 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. que esta exposição é fruto de interpretação e, como tal, pode ser controversa. Ocorre que alguns doutrinadores concordam com essa argumentação, mas ou- tros afirmação que o artigo 3º, uma vez que não tenha recebido nova redação, deva ser seguido tal qual se apresenta. Na dúvida, o melhor que o corretor de imóveis pode fazer nesta situação de locação com prazo igual ou superior a 10 anos é requerer a vênia conjugal no contrato de locação, tanto para o locador quanto para o locatário. Em resumo, os cônjuges das partes assinam o contrato juntamente com as partes, dando anu- ência. Mas, não é muito comum encontrar con- tratos de locação com prazo tão grande. Como mencionado anteriormente, o prazo mais comum é de 30 meses. O contrato de locação pode ser ajustado por qualquer prazo. Mas, existem algumas diferenças para os contratos de locação com prazo inferior a 30 meses. Artigo 47 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Quando ajustada verbal- mente ou por escrito e como prazo inferior a trinta meses, findo o prazo estabelecido, a locação prorro- ga-se automaticamente, por prazo indeterminado, somente podendo ser retomado o imóvel: I - Nos casos do art. 9º; II - em decorrência de extinção do contrato de trabalho, se a ocupação do imóvel pelo locatário re- lacionada com o seu emprego; III - se for pedido para uso próprio, de seu côn- juge ou companheiro, ou para uso residencial de as- cendente ou descendente que não disponha, assim como seu cônjuge ou companheiro, de imóvel resi- dencial próprio; IV - se for pedido para demolição e edificação licenciada ou para a realização de obras aprovadas pelo Poder Público, que aumentem a área construí- da, em, no mínimo, vinte por cento ou, se o imóvel for destinado a exploração de hotel ou pensão, em cinquenta por cento; V - se a vigência ininterrupta da locação ultrapas- sar cinco anos. § 1º Na hipótese do inciso III, a necessidade de- verá ser judicialmente demonstrada, se: a) O retomante, alegando necessidade de usar o imóvel, estiver ocupando, com a mesma finalidade, outro de sua propriedade situado na mesma locali- dade ou, residindo ou utilizando imóvel alheio, já ti- ver retomado o imóvel anteriormente; b) o ascendente ou descendente, beneficiário da retomada, residir em imóvel próprio. § 2º Nas hipóteses dos incisos III e IV, o re- tomante deverá comprovar ser proprietário, pro- missário comprador ou promissário cessionário, em caráter irrevogável, com imissão na posse do imóvel e título registrado junto à matrícula do mesmo. Exemplo: Uma locação com prazo de 1 ano (12 meses). Uma pessoa decidiu fazer um curso de pós- -graduação em outra cidade e, por isso, aluga um imóvel para residir pelo tempo do curso. Apesar de terminado o curso, a pessoa decide fazer outro curso e, portanto, não desocupa o imóvel. O locador fica tranquilo quanto a isso e, portanto, não pede o imó- vel. Portanto, o contrato foi automaticamente pror- rogado por prazo indeterminado. Contudo, depois de 10 meses da prorrogação (1 ano e 10 meses após a assinatura do contrato de locação), o locador, deseja reaver o imóvel. Este artigo 47 da Lei do Inquilinato lista as condições para que o imóvel possa ser reto- mado neste caso. A primeira condição (inciso I), cita o artigo 9º da Lei do Inquilinato: A locação também poderá ser desfeita: I - por mútuo acordo; II - em decorrência da prática de infração legal ou contratual; III - em decorrência da falta de pagamento do aluguel e demais encargos; IV - para a realização de reparações urgentes deter- minadas pelo Poder Público, que não possam ser nor- malmente executadas com a permanência do locatário no imóvel ou, podendo, ele se recuse a consenti-las. Retomando o exemplo do aluno da pós-gradua- ção, o contrato de locação tinha prazo de 1 ano, foi prorrogado automaticamente, já se passaram 10 me- ses e o locador somente poderá reaver seu imóvel na existência de uma dessas condições. Imaginando que: 1. o imóvel está em bom estado de conservação e, portanto, não necessite de reforma urgente; 2. que não há nenhuma demanda do Poder Público; 3. que o locatário paga o aluguel e tenha con- 17Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. duta lícita; 4. que o imóvel não se tornará um hotel nem pensão; 5. que não haverá a extinção do contrato de tra- balho do locatário, visto que neste exemplo, o locatá- rio não trabalha, só estuda; Então, o locador somente conseguirá reaver seu imóvel se provar a necessidade de uso como sua residência ou de um familiar próximo. Caso contrário, terá que esperar mais 3 anos e 2 me- ses, para completar os 5 anos de vigência ininter- rupta da locação. Contratos de locação com prazo menor do que 30 meses, quando prorro- gados automaticamente, para o locador reaver o imóvel, deverá apresentar a chamada Denuncia Cheia (também chamada de Denúncia Motivada), ou deverá entrar em acordo com o locatário. A Denúncia Cheia é uma notificação extrajudicial entregue ao inquilino, por escrito, na qual se informa, obrigatoriamente, um motivo para reaver o imóvel. É importante que a notificação seja feita em duas vias, sendo uma entregue ao inquilino e a outra, assinada pelo inquilino, fica com o proprietário, como prova da entrega desse documento. Se o motivo é uso próprio, então, assim que desocupado o imóvel, o proprietário deverá, de fato, residir no imóvel retomado, pelo menos, por algum tempo. Atualmente, militantes do direito entendem que esse tempo deva ser de, pelo me- nos, 1 ano (12 meses), contínuos e ininterruptos. Do contrário, o locatário que teve que devolver o imóvel poderá ingressar com um processo ju- dicial de indenização por fraude à legislação. O mesmo acontece nos casos de pedido para reaver o imóvel para uso do cônjuge, de ascendente ou de descendente. Provavelmente, devido a essas diferenças há uma preferência de uso de con- tratos de locação com prazo de 30 meses. Artigo 46 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Nas locações ajustadas por escrito e por prazo igual ou superior a trinta meses, a resolução do contrato ocorrerá findo o prazo esti- pulado, independentemente de notificação ou aviso. § 1º Findo o prazo ajustado, se o locatário conti- nuar na posse do imóvel alugado por mais de trinta dias sem oposição do locador, presumir-se-á prorro- gada a locação por prazo indeterminado, mantidas as demais cláusulas e condições do contrato. § 2º Ocorrendo a prorrogação, o locador poderá denunciar o contrato a qualquer tempo, concedido o prazo de trinta dias para desocupação. Perceba que no contrato de locação igual ou superior a 30 meses, a locação termina ao final do prazo, sem que haja a necessidade de notificação ou de aviso de encerramento do contrato. Basta que o locador solicite o imóvel ao locatário. Esta é a reto- mada por Denúncia Vazia ou Denúncia Imotivada. O locatário também pode entregar o imóvel, sem que o locador possa negar, nem aplicar multa compensa- tória ou pedir indenização. Contudo, se o locatário permanecerno imóvel por mais de 30 dias após o encerramento do prazo do contrato de locação, o contrato é considerado, automaticamente, prorrogado nas suas mesmas condições, tornando-se o prazo indeterminado. Depois disso, se o locador quiser reaver o imóvel, deverá apresentar ao locatário o pedido com 30 dias de antecedência para a sua desocupação. As- sim como o locatário também poderá, voluntaria- mente, entregar o imóvel e encerrar o contrato da mesma forma, ou seja, notificando o locador com 30 dias de antecedência. Artigo 408 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: Incorre de pleno direito o devedor na cláusula penal, desde que, culposamente, deixe de cumprir a obrigação ou se constitua em mora. Aquele que não cumprir a obrigação ou atrasar em cumpri-la poderá sofrer as sanções estabelecidas na cláusula penal do contrato de locação. O não com- primento da obrigação poderá permitir a aplicação de multa compensatória e o atraso em multa moratória: 18 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. - Multa compensatória: também conhecida por multa contratual, é estabelecida no contrato de loca- ção na chamada cláusula penal. Multa compensató- ria (multa contratual) não é multa moratória. A multa contratual se refere a uma indenização previamente estabelecida por perdas e danos no caso de descum- primento parcial ou total das obrigações estabele- cidas no contrato. Se o locatário estiver pagando os alugueis em dia, mas quiser devolver o imóvel antes do término do prazo do contrato, seria um exemplo de descumprimento daquilo que tenha sido estabe- lecido no contrato tornando possível, portanto, a aplicação da multa compensatória. - Multa moratória: se refere ao atraso no paga- mento. O termo ‘mora’ quer dizer prolongamento de tempo, demora, adiamento ou ainda atraso de um pagamento. Portanto, a multa compensatória tem caráter indenizatório, enquanto a multa moratória tem ca- ráter punitivo. Tanto a multa compensatória quanto a multa moratória são multas penais que representam san- ções pecuniárias ou não, proveniente de infrações previstas em leis e em acordos (contratos de loca- ção). O objetivo das cláusulas penais é assegurar que os prejuízos, ou pelo menos parte deles, sejam res- sarcidos caso uma das partes não cumpra o contrato. Por isso que é fundamental que um contrato de loca- ção tenha essas cláusulas penais. Se cada uma destas multas tiver fundamento específico próprio, torna-se possível a cumulação das multas, ou seja, a aplicação de ambas conjunta- mente. Mas, a cumulação só pode existir no caso de acumular a multa moratória com a multa compensa- tória, uma vez que a finalidade e a natureza de cada uma se diferenciam e se estipulam em cláusulas pe- nais respectivas. De maneira nenhuma pode haver dupla penalização para o mesmo fato, ou seja, não se cumula penalidades cujo objetivo seja o mesmo. Cláusula penal moratória: CÓDIGO CIVIL – Lei nº 10.406 de 2002 - Art. 406: Quando os juros moratórios não forem convencio- nados, ou o forem sem taxa estipulada, ou quando provierem de determinação da lei, serão fixados se- gundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Art. 161: O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de ga- rantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. LEI DE CRIMES CONTRA A ECONOMIA POPULAR – Lei nº 1.521, de 26 de dezembro de 1951 - Art. 4º: Constitui crime da mesma natureza a usura pecuniá- ria ou real, assim se considerando: a) cobrar juros, comissões ou descontos percen- tuais, sobre dívidas em dinheiro superiores à taxa permitida por lei; cobrar ágio superior à taxa oficial de câmbio, sobre quantia permutada por moeda es- trangeira; ou, ainda, emprestar sob penhor que seja privativo de instituição oficial de crédito. Discorrido sobre juros, vejamos a multa morató- ria. O parágrafo primeiro do artigo 52 do Código de Defesa do Consumidor estabelece que as multas de mora decorrentes do inadimplemento de obrigações no seu termo não poderão ser superioras a dois por cento do valor da prestação. Contudo, esse limite não pode ser imposto à multa moratória quanto ao pagamento do aluguel num contrato de locação de imóvel urbano, visto que essa relação locatícia não é uma relação de consumo, sendo plenamente regida por lei específica, notadamente a Lei do Inquilinato. Limite de multa moratória se estabelece pelo ar- tigo 412 do Código Civil. Artigo 412 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal. No caso da multa moratório referente ao aluguel, a obrigação principal é o próprio aluguel. Portanto, essa multa não poderia exceder o valor do aluguel. Artigo 413 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: A penalidade deve ser reduzida equitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for manifes- tamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio. A prática tem demonstrado que multas morató- rias entre 10% e 20% são consideradas adequadas. 19Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Para imóveis residenciais, é mais comum o uso de 10% para a multa moratório do aluguel, enquanto que em imóveis comerciais a situação é mais especí- fica para cada caso. Em resumo, inquilino atrasou o aluguel, cobra- -se multa de 10%, mais juros de 1% ao mês. Cláusula penal compensatória: Artigo 409 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: A cláusula penal estipulada conjuntamente com a obrigação, ou em ato posterior, pode referir- -se à inexecução completa da obrigação, à de alguma cláusula especial ou simplesmente à mora. Portanto, a Cláusula Penal é uma prévia avalia- ção das perdas e danos, já que servirá como prefixa- ção dessas perdas e danos. Artigo 410 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: Quando se estipular a cláusula penal para o caso de total inadimplemento da obrigação, esta converter- -se-á em alternativa a benefício do credor. Somente após a ocorrência da violação da obri- gação é que surge a figura deste credor e deste de- vedor, de modo que o credor terá esta alternativa estabelecida pela cláusula penal, contudo, o devedor terá uma obrigação que não será facultativa. Se feita a escolha pelo credor de cobrar o que estabelece na cláusula penal, a opção se tornará irretratável. Ao credor é alternativa, ao devedor é obrigação! Artigo 411 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: Quando se estipular a cláusula penal para o caso de mora, ou em segurança especial de outra cláusula determinada, terá o credor o arbítrio de exi- gir a satisfação da pena cominada, juntamente com o desempenho da obrigação principal. Portanto, seja na aplicação de multa compensa- tória ou moratória, o credor as tem como alternativa, mas, em havendo a sua aplicação, o devedor as terá como obrigação. Artigo 412 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: O valor da cominação imposta na cláusula pe- nal não pode exceder o da obrigação principal. Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Art. 4º Art. 4º Durante o prazo estipula- do para a duração do contrato, não poderá o locador reaver o imóvel alugado. Com exceção ao que esti- pula o § 2o do art. 54-A, o locatário, todavia, poderá devolvê-lo, pagando a multa pactuada, proporcional ao período de cumprimento do contrato, ou,na sua falta, a que for judicialmente estipulada. Parágrafo único. O locatário ficará dispensado da multa se a devolução do imóvel decorrer de trans- ferência, pelo seu empregador, privado ou público, para prestar serviços em localidades diversas daque- la do início do contrato, e se notificar, por escrito, o locador com prazo de, no mínimo, trinta dias de an- tecedência. Art. 54-A - § 2º Em caso de denúncia antecipa- da do vínculo locatício pelo locatário, compromete- -se este a cumprir a multa convencionada, que não excederá, porém, a soma dos valores dos aluguéis a receber até o termo final da locação. Portanto, se o locatário devolver o imóvel loca- do, deverá pagar a mula compensatório referente à rescisão do contrato de locação, exceto se essa de- volução for motivada pela transferência profissional para outra localidade, desde que o locatário notifi- que o locador com antecedência de 30 dias. Essa multa deverá ser proporcional e não poderá exceder a soma dos alugueis a receber até o final do prazo no contrato de locação. Exemplo: Contrato de locação com prazo de 30 meses, cujo aluguel seja de R$ 5.000,00. O contrato de locação contém cláusula penal referente à resci- são contratual no valor equivalente a 3 alugueis. A multa será de R$ 15.000,00. Se o locatário permane- ceu no imóvel por, por exemplo, 20 meses, faltando, então, 10 meses para o vencimento do prazo. Deve- -se calcular a proporcionalidade dessa multa. Para isso, divide-se o valor da multa pelo prazo firmado em contrato. Se a multa é de R$ 15.000,00 e o prazo do contrato é de 30 meses, dividindo-se 15.000 por 30, temos R$ 500,00. Esse é o valor proporcional da multa compensatória para cada mês. Multiplica-se esse valor pela quantidade de meses que o contrato não foi cumprido. Neste exemplo são 10 meses, já que o contrato de locação é de 30 meses e o loca- tário cumpriu 20 meses. O resultado de R$ 500,00 multiplicados por 10 meses é de R$ 5.000,00. Esta é a multa compensatória proporcional, conforme es- tabelece a legislação, que o locador poderá cobrar do locatário por essa rescisão antecipada do contra- to de locação. 20 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Dispensa de multa: Esta é uma estratégia muito utilizada para que o locador tenha as características de um contrato de locação com prazo igual ou supe- rior a 30 meses, conforme o artigo 46 da Lei do In- quilinato. Caso o locatário desejar devolver o imóvel antes de decorridos os 30 meses, na prática de mer- cado, é comum que seja feito um contrato com prazo de 30 meses e que se dispense o locatário da multa compensatória em caso de rescisão após decorrido o prazo que esse locatário alegou que ficará no imóvel. Exemplo: O locatário deseja devolver o imóvel após 1 ano. Então, o contrato terá o prazo de 30 me- ses, mas, na cláusula penal, estará estabelecida a dis- pensa da multa rescisória após 12 meses. Supondo que após decorridos os 12 meses, o locatário conti- nue desejando permanecer no imóvel, nada precisa ser feito, pois o contrato tem prazo de 30 meses e, neste caso, sequer será considerada a prorrogação automática, pois o prazo estabelecido ainda não terminou. A prorrogação somente se caracterizaria após transcorridos os 30 meses. Por outro lado, ima- ginemos o contrário. Suponha que depois de 6 me- ses da data de assinatura desse contrato de locação o locatário desejar devolver o imóvel. Neste caso, a dispensa da multa seria após transcorridos 12 meses. Em sendo transcorridos apenas 6 meses, esse loca- tário, terá que pagar a multa. Mas, temos aqui um potencial erro conceitual de interpretação legal que, muitas vezes, é cometido, principalmente pelos lo- catários em casos similares. Ainda que a dispensa da multa se estabeleça após 12 meses, não significa que seu cálculo deva ser feito apenas sobre 12 meses, mas deve-se calcular a proporcionalidade do prazo do contrato que, nesse exemplo, é de 30 meses. Exemplo com valores: Contrato de locação com prazo de 30 meses, cujo aluguel é de R$ 5.000,00 e a multa por rescisão tenha sido estipulada em R$ 15.000,00, equivalente a 3 alugueis. Diferente do exemplo anterior, neste exemplo, na cláusula penal, está estabelecido que o locatário está dispensado dessa multa após decorridos 12 meses. Se o loca- tário rescindir o contrato de locação após decorri- dos 6 meses, então, ele não estará dispensado da multa, a qual será calculada proporcionalmente ao prazo total da locação, que é de 30 meses. Se a mul- ta é de R$ 15.000,00 e o prazo do contrato é de 30 meses, divide-se R$ 15.000,00 por 30 e temos o va- lor de R$ 500,00, que é o valor proporcional da mul- ta para cada mês do contrato. Agora, multiplica-se o valor proporcional da multa pela quantidade de meses que o contrato não foi cumprido. Mas aten- ção! Não é para multiplicar esse valor pelo tempo não cumprido até o prazo em que a multa passa a ser dispensada, mas sim pela quantidade de meses que o contrato, como um todo, não foi cumprido. Estamos falando de um contrato de 30 meses. O locatário somente passaria a estar dispensado da multa se ficar no imóvel por, pelo menos, 12 meses. Mas, estamos considerando que o locatário tenha permanecido no imóvel por apenas 6 meses. Por- tanto, ele não estará dispensado da multa. O cál- culo da multa não muda. A única coisa que muda é se o locatário estará ou não dispensado dela. Por- tanto, neste caso, multiplicamos R$ 500,00 (valor da multa proporcional por cada mês do contrato intei- ro) pela quantidade de meses que o locatário não cumprirá se devolver o imóvel no final do 6º mês de vigência do contrato. Então, 30 meses, menos 6 meses, são 24 meses. Os R$ 500,00 multiplicados pelos 24 meses, resulta em R$ 12.000,00. Este é o valor da multa, neste caso. Caso o locatário tenha permanecido no imóvel por 10 meses, igualmente não estaria dispensado da multa, já que a dispen- sa somente se aplicaria após decorridos 12 meses. Neste caso, ainda faltarão 20 meses para o término do contrato. Portanto, multiplicamos R$ 500,00 por 20. O resultado é a multa de rescisão, a qual será de R$ 10.000,00. Veja que, neste caso, o valor da multa é exatamente igual ao valor dos 2 alugueis. Coinci- dentemente, faltam 2 meses para que o inquilino superasse o prazo de 12 meses e fosse dispensado da multa. Financeiramente falando, se considerar- mos apenas o valor do aluguel, ignorando possíveis valores de condomínio ou de outras taxas que pos- sam existir, estaríamos diante de uma situação em que, para o locatário, tanto faz devolver o imóvel ao final do décimo mês, pagar a multa e parar de pagar o aluguel, ou ficar com imóvel por mais 2 meses, pagar o aluguel de 2 meses e devolver o imóvel ao final de 12 meses, sendo dispensado da multa. Se o aluguel é de R$ 5.000,00, em ambos os casos ele terá que pagar R$ 10.000,00. Artigo 413 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: A penalidade deve ser reduzida equitativa- mente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio. O propósito das cláusulas penais, como já vimos, é o de basicamente fazer cumprir a obrigação, punir o inadimplemento e ressarcir perdas e danos. Por- tanto, se o valor previamente estipulado no contrato 21Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. de locação quanto à penalidade for, de fato, exage- rado quanto ao objetivo da penalidade, então, o juiz poderá reduzir esse valor. Assim como o juiz poderá igualmente descontar valores proporcionais àquilo que tenha sido, eventualmente, cumprido. Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: Art. 414. Sendo indivisível a obrigação, todos os devedores,caindo em falta um deles, incorrerão na pena; mas esta só se poderá demandar integralmen- te do culpado, respondendo cada um dos outros so- mente pela sua quota. Parágrafo único. Aos não culpados fica reservada a ação regressiva contra aquele que deu causa à apli- cação da pena. Art. 415. Quando a obrigação for divisível, só incorre na pena o devedor ou o herdeiro do de- vedor que a infringir, e proporcionalmente à sua parte na obrigação. Cada uma das partes pode ser constituída de mais de uma pessoa. Podemos, dessa forma, por exemplo, ter como locador, um casal, e como loca- tário, outro casal. Dessa forma, na cláusula penal, teremos uma pluralidade de devedores, assim como uma pluralidade de credores. Independentemente disso, se a obrigação é indivisível, ela será reclama- da por inteiro. Por outro lado, se a obrigação for di- visível, então, será cobrada proporcionalmente de cada codevedor. Artigo 416 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: Para exigir a pena convencional, não é neces- sário que o credor alegue prejuízo. Parágrafo único. Ainda que o prejuízo exceda ao previsto na cláusula penal, não pode o credor exigir indenização suplementar se assim não foi conven- cionado. Se o tiver sido, a pena vale como mínimo da indenização, competindo ao credor provar o pre- juízo excedente. A parte lesada não precisa alegar prejuízo, bastan- do apenas que se prove o descumprimento da obriga- ção que figure na cláusula penal. Em adição, o parágrafo único deixa claro que não se pode haver dupla pena- lização, ou seja, havendo a compensação previamen- te estabelecida pela cláusula penal, não se pode pedir adicionalmente indenização suplementar. Contudo, no caso de inexistência do estabelecimento de multa con- tratual, pode-se recorrer ao Judiciário para que seja es- tipulada uma indenização por perdas e danos. Garantias Locatícias Artigo 37 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: No contrato de locação, pode o locador exigir do locatário as seguintes mo- dalidades de garantia: I - caução; II - fiança; III - seguro de fiança locatícia. IV - cessão fiduciária de quotas de fundo de investimento. Parágrafo único. É vedada, sob pena de nulida- de, mais de uma das modalidades de garantia num mesmo contrato de locação. Garantia locatícia é uma segurança conferida por lei ao locador de imóvel, em face da eventualidade do inadimplemento do contrato de locação por parte do locatário. CAUÇÃO: modalidade de garantia locatícia na qual o inquilino oferece al- gum bem de valor em garantia do pagamento do aluguel. A caução também é conhecida no mercado por garantia de aluguel. O artigo 38 da Lei do Inquilinato apresenta alguns aspectos sobre isso. 22 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Artigo 38 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: A caução poderá ser em bens móveis ou imóveis. § 1º A caução em bens móveis deverá ser re- gistrada em cartório de títulos e documentos; a em bens imóveis deverá ser averbada à margem da res- pectiva matrícula. § 2º A caução em dinheiro, que não poderá ex- ceder o equivalente a três meses de aluguel, será depositada em caderneta de poupança, autoriza- da, pelo Poder Público e por ele regulamentada, revertendo em benefício do locatário todas as vantagens dela decorrentes por ocasião do levan- tamento da soma respectiva. § 3º A caução em títulos e ações deverá ser substituída, no prazo de trinta dias, em caso de concordata, falência ou liquidação das socieda- des emissoras. RESOLUÇÃO BNH - BANCO NACIONAL DA HABITAÇÃO Nº 09/79 A DIRETORIA DO BANCO NACIONAL DA HABITAÇÃO, como executora da orientação emanada do CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, no uso de suas atribuições estatutá- rias, em reunião realizada em 13 de agosto de 1979 e tendo em vista o disposto no parágrafo único do artigo 32 da Lei nº 6.649, de 16 de maio de 1979, R E S O L V E: 1. As entidades do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo – SBPE poderão re- ceber em depósito, em garantia de contrato de locação, quantia equivalente a até 3 (três) meses do aluguel convencionado. 2. O depósito terá o prazo de duração da locação. 3. O depósito será aberto em conta conjunta, não solidária, em nome do locador e do locatário. 4. Aplicar-se-ão ao depósito objeto desta Resolução as normas regulamentares do BNH para as cadernetas comuns, no que se referem a correção monetária, taxa de juros e prazo de carência. 5. Qualquer retirada somente poderá ser efetuada: 5.1. pelo locatário, com anuência por escrito do locador; 5.2. pelo locador, com anuência por escrito do locatário; 5.3. pelo locatário, contra apresentação da quitação, pelo locador, das obrigações do primeiro no contrato que deu origem ao depósito; 5.4. pelo locatário ou pelo locador devidamente autorizado por sentença judicial transitada em julgado. 6. Não se aplica ao depósito objeto desta Resolução a proibição contida na RC nº 29/74 com relação às pessoas jurídicas de direito privado com finalidade de lucro. 7. Os saldos das contas de depósitos objeto desta Resolução serão integralmente garantidos pelo BNH, através do Fundo de Garantia de Depósito e Letras Imobiliá- rias – FGDLI. 23Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. 8. As contas de depósito mencionadas no item 3 serão computadas no saldo dos Depósitos de Poupança para efeito do reconhecimento da contribuição da entidade de depósito ao FGDLI. 9. O Diretor da Área de Poupança e Empréstimo baixará os atos complementares a esta Resolução, que entra em vigor nesta data, revogadas as disposições em contrário. Rio de Janeiro, 13 de agosto de 1979. JOSÉ LOPES DE OLIVEIRA Presidente Artigo 1.428 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: É nula a cláusula que autoriza o credor pignora- tício, anticrético ou hipotecário a ficar com o objeto da garantia, se a dívida não for paga no vencimento. Parágrafo único. Após o vencimento, poderá o de- vedor dar a coisa em pagamento da dívida. Artigo 20 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Salvo as hipóteses do art. 42 e da locação para temporada, o locador não poderá exigir o pagamento antecipado do aluguel. O artigo 42 da Lei do Inquilinato aborda situação em caso de contrato de locação que não se estabele- ça nenhuma modalidade de garantia e a locação para temporada tem 3 artigos específicos na Lei do Inquili- nato. Desconsiderando essas situações, num contrato de locação que seja definida alguma das 4 modalida- des de garantias locatícias elencadas no seu artigo 37, é proibido que o locador exija o pagamento antecipado de aluguel. Dessa forma, caso aquilo que deveria ser percebido como caução em dinheiro, se for confundido com aluguel antecipado poderá resultar em uma série de problemas ao locador. FIANÇA: modalidade de garantia locatícia que se refere à responsabilidade ou à obrigação que uma pessoa assume de responder pelos atos de outra pes- soa. Fiança é o que abona a obrigação de outrem. O artigo 37 da Lei do Inquilinato distingue a fian- ça em duas modalidades: • FIANÇA: modalidade de garantia locatícia que se estabelece quando uma terceira pessoa natural ou jurídica, diferente do locador e do locatário, se res- ponsabiliza pelo pagamento do aluguel, se o inquili- no não o realizar. • SEGURO DE FIANÇA LOCATÍCIA: modalidade de garantia locatícia que consiste em um valor acer- tado por operadoras de seguro, de modo que, na ocorrência do sinistro, a empresa repassa ao proprie- tário os valores contratualmente segurados. No mer- cado de seguro, sinistro é o prejuízo sofrido pelo item segurado. No caso do seguro-fiança nos contratos de locação, o sinistro é o não pagamento do aluguel. Artigo 818 do Código Civil, Leinº 10.406 de 2002: Pelo contrato de fiança, uma pessoa garante satisfazer ao credor uma obrigação assumida pelo devedor, caso este não a cumpra. Aquele que assume a responsabilidade da fian- ça é o fiador, já o locatário, sendo a pessoa a favor da qual se prestou fiança, é o afiançado. Antes de tudo, é importante distinguir a diferença entre fia- dor e avalista, sendo o avalista a pessoa que dá aval. No aval a responsabilidade é solidária, ou seja, tanto o devedor quanto o avalista são responsáveis pelo montante integral da dívida. Na prática, no aval, não existe preferência de ordem, de modo que o credor pode executar qualquer uma das partes. Já na fian- ça a responsabilidade é subsidiária, ou seja, o fiador somente será acionado caso o devedor principal não cumpra a obrigação. Para os contratos de locação não existe a figura do avalista, mas sim do fiador, em respeito ao artigo 37 da Lei do Inquilinato. 24 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. É comum que seja usado um fiador que seja proprietário de algum imóvel quitado para au- mentar a garantia no contrato de locação que ele figure. Contudo, se o contrato de locação estabe- lecer como garantia locatícia a existência de um fiador e o qualifica-lo corretamente, quem res- ponde pela dívida da inadimplência do locatário é o fiador e não o seu imóvel. Em outras palavras, se no contrato de locação estiver qualificado ape- nas a pessoa do fiador, se esse fiador vender o seu próprio imóvel e não tiver outros bens, ainda que continue sendo o fiador, na prática, não haverá garantia. Entendamos: o contrato de locação tem garantia: o fiador. Mas esse fiador não tem bens para serem usados para quitar a dívida. Então, ainda que no papel exista a garantia, na prática o locador terá dificuldades em receber algum valor em dinheiro. Para que o imóvel do fiador seja a garantia da dívida, é preciso que no contrato de locação seja usada a modalidade de caução ao in- vés de fiança. Dessa forma, essa pessoa que, até então era o fiador, passará a ser chamada de cau- cionante e o seu imóvel será o objeto da caução. Lembrando que a caução pode ser de um bem imóvel e o caucionante pode ser o locatário ou uma terceira pessoa. Mas também vale lembrar que deve-se realizar averbação na matrícula do imóvel caucionado no Registro de Imóveis. Por- tanto, se for usada a garantia locatícia de fiança, o fiador é quem responde pela dívida e não seus bens. Ainda assim, seus bens poderão ser usados para quitar a dívida mediante sentença judicial para tanto. Diferente disso é a caução, que já vi- mos anteriormente, cujo bem caucionado é que, na prática, responde pela dívida. Em sendo usa- do um fiador, é importante, portanto, que esse fiador comprove uma renda mensal suficiente para arcar com o aluguel por algum tempo, que seja pessoa idônea, que tenha bens que possam, eventualmente, ser usados. Normalmente é pedi- do que o fiador possua um imóvel próprio. Caso o fiador seja casado em regime diferente ao da separação absoluta de bens, então seu cônjuge deverá autorizar, sob pena de nulidade. Artigo 12 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Em casos de separação de fato, separação judicial, divórcio ou dissolução da união estável, a locação residencial prosseguirá au- tomaticamente com o cônjuge ou companheiro que permanecer no imóvel. § 1º Nas hipóteses previstas neste artigo e no art. 11, a sub-rogação será comunicada por escrito ao locador e ao fiador, se esta for a modalidade de garantia locatícia. § 2º O fiador poderá exonerar-se das suas res- ponsabilidades no prazo de 30 (trinta) dias conta- do do recebimento da comunicação oferecida pelo sub-rogado, ficando responsável pelos efeitos da fiança durante 120 (cento e vinte) dias após a noti- ficação ao locador. Artigo 11 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Morrendo o locatário, fica- rão sub-rogados nos seus direitos e obrigações: I - nas locações com finalidade residencial, o cônjuge sobrevivente ou o companheiro e, sucessi- vamente, os herdeiros necessários e as pessoas que viviam na dependência econômica do de cujus, des- de que residentes no imóvel; II - nas locações com finalidade não residencial, o espólio e, se for o caso, seu sucessor no negócio. Artigo 40 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: O locador poderá exigir novo fiador ou a substituição da modalidade de ga- rantia, nos seguintes casos: I - morte do fiador; II – ausência, interdição, recuperação judicial, falên- cia ou insolvência do fiador, declaradas judicialmente; III - alienação ou gravação de todos os bens imóveis do fiador ou sua mudança de residência sem comunicação ao locador; IV - exoneração do fiador; V - prorrogação da locação por prazo indetermi- nado, sendo a fiança ajustada por prazo certo; VI - desaparecimento dos bens móveis; VII - desapropriação ou alienação do imóvel. VIII - exoneração de garantia constituída por quotas de fundo de investimento; IX - liquidação ou encerramento do fundo de in- vestimento de que trata o inciso IV do art. 37 desta Lei. X – prorrogação da locação por prazo indeter- minado uma vez notificado o locador pelo fiador de sua intenção de desoneração, ficando obrigado por todos os efeitos da fiança, durante 120 (cento e vinte) dias após a notificação ao locador. Parágrafo único. O locador poderá notificar o locatário para apresentar nova garantia locatícia no prazo de 30 (trinta) dias, sob pena de desfazi- mento da locação. Súmula nº 214 do STJ – Superior Tribunal de Jus- tiça: O fiador na locação não responde por obriga- ções resultantes de aditamento ao qual não anuiu. 25Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Outorga Uxória: Outorga significa aprovação, consentimento ou concordân- cia. Uxória significa aquilo que se refere à mulher casada. Portanto, outorga uxó- ria é o consentimento que a esposa dá a um ato do seu marido. Contudo, atual- mente, por outorga uxória entende-se o consentimento que um cônjuge fornece ao outro, independentemente do sexo. Em resumo, a fiança prestada no contrato de lo- cação sem que haja a anuência do cônjuge do fia- dor é nula. Súmula nº 332 do STJ – Superior Tribunal de Justiça: A fiança prestada sem autorização de um dos cônju- ges implica a ineficácia total da garantia. RECURSO ESPECIAL Nº 752.856 - RJ – Superior Tribunal de Justiça: Embargante: Locador Embargada: Cônjuge do fiador O embargante argumenta que (...) conforme se depreende do disposto no contrato de locação, a embargada figura na condição de fiadora, “e jamais na singela posição para aprovar o ato de seu marido”. (...) Sobre o mesmo tema, o decisum ora embargado, no julgamento do agravo regimen- tal da embargada, todavia, assinalou que, “em verdade, o que houve foi mera outorga uxória por parte da autora, em razão de exigência legal, o que de per si descaracteri- za-se o preceito da fiança singuli in solidum.” Observa-se, portanto, que a resolução da controvérsia em apreço, consistente em sa- ber se a embargada aderiu à avença locatícia como fiadora ou simplesmente cumpriu a exigência legal do consentimento uxório, passa necessariamente pelo exame do instrumento do contrato de locação. De uma breve leitura do contrato de locação, verifica-se, que, logo no cabeçalho do referido documento, tanto a embargada quanto seu finado cônjuge estão qualifica- dos como fiadores, sendo que, ao final, assinam o pacto também na condição de ga- rantes. Não há, no corpo do instrumento da avença, qualquer termo ou palavra que indique ser a embargada mera autorizadora da garantia fidejussória prestada pelo seu falecido marido. Assim sendo, demonstrado que a garantia foi prestada pelocasal, o óbito do cônjuge varão, no caso, não extinguiu a fiança, persistindo seus efeitos em relação à embargada, conforme assinalado na primeira decisão, que negou provimento ao recurso especial. CESSÃO FIDUCIÁRIA DE QUOTAS DE FUNDO DE INVESTIMENTO: modalidade de garantia locatícia na qual o devedor transfere a titularidade de cotas de sua propriedade ao credor, em caráter resolúvel, até o adimplemento da obrigação garantida. Trata-se, basicamente, de um investimento realizado pelo locatário ou por um terceiro, cuja propriedade das respectivas cotas do fundo é cedida ao locador, possibilitando, em caso de inadimplência, a transferência das cotas para o credor após um breve e descomplicado procedimento extrajudicial. 26 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Artigo 88 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005 – A Lei do Bem: As instituições autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM para o exercício da administração de carteira de títulos e va- lores mobiliários ficam autorizadas a constituir fun- dos de investimento que permitam a cessão de suas quotas em garantia de locação imobiliária. § 1º A cessão de que trata o caput deste artigo será formalizada, mediante registro perante o ad- ministrador do fundo, pelo titular das quotas, por meio de termo de cessão fiduciária acompanhado de 1 (uma) via do contrato de locação, constituin- do, em favor do credor fiduciário, propriedade re- solúvel das quotas. § 2º Na hipótese de o cedente não ser o locatário do imóvel locado, deverá também assinar o contrato de locação ou aditivo, na qualidade de garantidor. § 3º A cessão em garantia de que trata o caput deste artigo constitui regime fiduciário sobre as quo- tas cedidas, que ficam indisponíveis, inalienáveis e impenhoráveis, tornando-se a instituição financeira administradora do fundo seu agente fiduciário. § 4º O contrato de locação mencionará a existên- cia e as condições da cessão de que trata o caput des- te artigo, inclusive quanto a sua vigência, que poderá ser por prazo determinado ou indeterminado. § 5º Na hipótese de prorrogação automática do contrato de locação, o cedente permanecerá respon- sável por todos os seus efeitos, ainda que não tenha anuído no aditivo contratual, podendo, no entanto, exonerar-se da garantia, a qualquer tempo, mediante notificação ao locador, ao locatário e à administradora do fundo, com antecedência mínima de 30 (trinta) dias. § 6º Na hipótese de mora, o credor fiduciário notificará extrajudicialmente o locatário e o cedente, se pessoa distinta, comunicando o prazo de 10 (dez) dias para pagamento integral da dívida, sob pena de excussão extrajudicial da garantia, na forma do § 7º deste artigo. § 7º Não ocorrendo o pagamento integral da dí- vida no prazo fixado no § 6º deste artigo, o credor poderá requerer ao agente fiduciário que lhe trans- fira, em caráter pleno, exclusivo e irrevogável, a titu- laridade de quotas suficientes para a sua quitação, sem prejuízo da ação de despejo e da demanda, por meios próprios, da diferença eventualmente existen- te, na hipótese de insuficiência da garantia. § 8º A excussão indevida da garantia enseja res- ponsabilidade do credor fiduciário pelo prejuízo cau- sado, sem prejuízo da devolução das quotas ou do valor correspondente, devidamente atualizado. § 9º O agente fiduciário não responde pelos efei- tos do disposto nos §§ 6º e 7º deste artigo, exceto na hipótese de comprovado dolo, má-fé, simulação, fraude ou negligência, no exercício da administração do fundo. § 10. Fica responsável pela retenção e recolhi- mento dos impostos e contribuições incidentes sobre as aplicações efetuadas nos fundos de investimento de que trata o caput deste artigo a instituição que administrar o fundo com a estrutura prevista neste artigo, bem como pelo cumprimento das obrigações acessórias decorrentes dessa responsabilidade. A CMV - Comissão de Valores Mobiliários é uma entidade autárquica em regime especial, vinculada ao Ministério da Fazenda, com personalidade jurídica e patrimônio próprios, dotada de autoridade admi- nistrativa independente, ausência de subordinação hierárquica, mandato fixo e estabilidade de seus di- rigentes, e autonomia financeira e orçamentária. A CVM foi criada em 1976, com o objetivo de fiscalizar, normatizar, disciplinar e desenvolver o mercado de valores mobiliários no Brasil. Essa cessão das quotas do fundo em garantia da locação constitui regime fiduciário sobre as quotas cedidas. Dessa forma, essas quotas ficam indispo- níveis, inalienáveis e impenhoráveis, tornando-se a instituição financeira administradora do fundo seu agente fiduciário. Portanto, nenhuma transação po- derá ser feita com essas quotas do fundo, uma vez que sejam, agora, a garantia do locador. É por isso que o contrato de locação deve mencionar a existên- cia e as condições da cessão dessas quotas do fundo, inclusive quanto a sua vigência, que poderá ser por prazo determinado ou indeterminado. Normalmen- te, quando se opta pelo prazo determinado, estipula- -se o mesmo prazo que aquele do contrato de loca- ção. Por outro lado, se for por prazo indeterminado, é comum que se mencione que a vigência será atre- lada à vigência do contrato de locação, incluindo-se o tempo em que este se prorrogar. Dessa forma, no caso de prorrogação automática do contrato de loca- ção, o cedente das quotas do fundo continua sendo responsável por todos os seus efeitos. Contudo, nes- te caso, e a partir da data da prorrogação do contrato de locação, é possível o cedente, que não seja o lo- catário, exonerar-se da garantia. Para isso, o cedente deve notificar o locador, o locatário e a administra- dora do fundo, com antecedência mínima de 30 dias. No caso de mora, ou seja, atraso no pagamento do aluguel por parte do locatário, o credor fiduciário, ou seja, o locador, deverá notificar extrajudicialmen- te o locatário e o cedente, se este não for o locatá- 27Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. rio, comunicando o prazo de 10 dias para pagamento integral da dívida. Caso contrário, não ocorrendo o pagamento da dívida nesse prazo, o locador, sendo o credor, poderá requerer ao agente fiduciário, que no caso é a administradora do fundo, que lhe transfira a titularidade de quotas suficientes para a quitação da dívida. Essa transferência deverá acontecer em cará- ter pleno, exclusivo e irrevogável, ou seja, de forma completa, para o nome do locador, e de forma que não possa ser anulado. Contudo, isso não elimina a possibilidade de uma ação de despejo e da demanda da diferença eventualmente existente da dívida, caso a totalidade das quotas do fundo não alcance valor suficiente da garantia. O § 8º do artigo 88 da Lei 11.196 de 2005 versa que a excussão indevida da garantia enseja responsa- bilidade do credor fiduciário pelo prejuízo causado, sem prejuízo da devolução das quotas ou do valor correspondente, devidamente atualizado. Por excus- são, quer-se dizer o ato de executar os bens dados em garantia pelo devedor. Portanto, pela excussão indevida da garantia, quer-se dizer passar o direito dos bens da garantia do devedor ao credor, ou seja, de quem deve para quem deveria receber o valor de- vido. Os bens dados em garantia a que se refere esse parágrafo são as quotas do fundo de investimento. Já o verbo ensejar significa possibilitar, motivar ou dar origem. O credor fiduciário, neste caso, é o locador. Portanto, se os bens dados em garantia, se as quo- tas do fundo de investimento dadas em garantia do aluguel, forem executadas de forma indevida, injus- ta, então, dará origem à responsabilidade do locador pelo prejuízo causado ao cedente dessas quotas, seja o locatário ou um terceiro. Além disso,deverá haver a devolução dessas quotas ou ainda do valor corres- pondente atualizado. Por isso, o locador deve docu- mentar tudo. A notificação extrajudicial mencionada anteriormente quanto a inadimplência do locatário, deve ser feita por escrito e deve haver algum proto- colo de recebimento. Esta notificação pode ser en- tregue em mãos ao locatário e deve ser colhida sua assinatura de recebimento, ou ainda pode ser envia- da pelos Correios pela modalidade de carta com AR, ou seja, carta com Aviso de Recebimento. Artigo 39 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Salvo disposição contratu- al em contrário, qualquer das garantias da locação se estende até a efetiva devolução do imóvel, ainda que prorrogada a locação por prazo indeterminado, por força desta Lei. Artigo 41 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: O seguro de fiança locatícia abrangerá a totalidade das obrigações do locatário. O seguro de fiança locatícia deve abranger a tota- lidade das obrigações do locatário, ou seja, por tudo o que o locatário deve pagar, conforme estabelecido no contrato de locação, como IPTU e condomínio, se assim for estabelecido. Artigo 37 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Parágrafo único. É vedada, sob pena de nulidade, mais de uma das modalidades de garantia num mesmo contrato de locação. Artigo 43 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Constitui contravenção pe- nal, punível com prisão simples de cinco dias a seis me- ses ou multa de três a doze meses do valor do último aluguel atualizado, revertida em favor do locatário: I - exigir, por motivo de locação ou sublocação, quan- tia ou valor além do aluguel e encargos permitidos; II - exigir, por motivo de locação ou sublocação, mais de uma modalidade de garantia num mesmo contrato de locação; Diferença entre garantia real e garantia fidejussória: • Garantia real: garante o cumprimento de de- terminada obrigação por meio de um bem móvel ou imóvel. • Garantia fidejussória: prestada por pessoas, e não por bens. Dentre as garantias locatícias, temos como ga- rantias reais o seguro de fiança locatícia e a cessão fiduciária de quotas de fundo de investimento, en- quanto que a fiança é uma garantia fidejussória. Já a caução, pode ser real ou fidejussória. O termo fi- dejussória é vem do latim FIDEJUSSORIUS, formado pelos termos FIDES, que significa “fé”, e JUBERE que quer dizer “ato de garantir”. ATENÇÃO! Numa locação, se o locador solicitar a garantia fidejussória, um fiador, e exigir do fiador có- pia da matrícula do imóvel de sua propriedade, vin- culando esse imóvel no contrato de locação e aver- DUPLA GARANTIA LOCATÍCIA É CONTRAVENÇÃO PENAL 28 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. bando isso no Cartório de Registro de Imóveis, então, no mesmo contrato de locação haverá uma garantia fidejussória, o fiador, e uma garantia real, a caução de um bem imóvel. Ainda que o fiador e o caucionan- te sejam a mesma pessoa física, caracteriza-se, sim, duas garantias locatícias, a caução e a fiança, ou seja, alíneas I e II, conjuntamente, do artigo 37 da Lei do Inquilinato. Isto constitui duas garantias locatícias. A nulidade das cláusulas de garantia não acarre- ta em nulidade do contrato de locação. O contrato continua vigente, mas apenas a garantia locatícia em excesso é que será anulada. Definir qual das moda- lidades de garantia deve prevalecer em oposição da outra, vai depender de qual é a garantia mais one- rosa ao locatário, e de qual modalidade de garantia surtiu efeitos jurídicos em primeiro lugar. A garantia contratual que primeiro surtiu efeito no mundo jurí- dico é a garantia que deve prevalecer. Por outro lado, na questão da onerosidade, estabelece-se uma ana- logia ao artigo 805 do Código de Processo Civil. Artigo 805 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 – CPC – Código de Processo Civil: Quando por vários meios o exequente puder promover a execu- ção, o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o executado. Artigo 43 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Constitui contravenção pe- nal, punível com prisão simples de cinco dias a seis me- ses ou multa de três a doze meses do valor do último aluguel atualizado, revertida em favor do locatário: I - exigir, por motivo de locação ou sublocação, quan- tia ou valor além do aluguel e encargos permitidos; II - exigir, por motivo de locação ou sublocação, mais de uma modalidade de garantia num mesmo contrato de locação; III - cobrar antecipadamente o aluguel, salvo a hi- pótese do art. 42 e da locação para temporada. Lembrando, o locador que exigir mais de uma modalidade de garantia pode ser punido com prisão simples ou com multa a favor do locatário. E, por- tanto, a mesma pena se aplica no caso de cobrança antecipada do aluguel. LOCAÇÃO SEM GARANTIA Artigo 42 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Não estando a locação garantida por qualquer das modalidades, o locador poderá exigir do locatário o pagamento do aluguel e encargos até o sexto dia útil do mês vincendo. Desta forma, imaginando um contrato de loca- ção com início no primeiro dia do mês de março, por exemplo, o locatário deverá pagar o aluguel re- ferente ao mês de março, até o dia 6 desse mesmo mês de março. Portanto, o aluguel é cobrado ante- cipadamente ao término do mês. Caso haja alguma garantia locatícia no contrato de locação, essa práti- ca seria irregular. Inadimplência do locatário e Ações de Despejo Primeiramente, temos que entender que os loca- tários, mesmo inadimplentes, têm direitos. O fato de o locatário não ter cumprido com uma obrigação contra- tual, que, neste caso, estamos abordando o pagamento do aluguel, não faz com que ele perca seus direitos, nem tampouco que permita ao locador fazer o que quiser. Artigo 5º da Constituição da República Federati- va do Brasil De 1988: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, GARANTINDO- -SE aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a INVIOLABILIDADE DO DIREITO à vida, à liber- dade, à igualdade, à segurança e à propriedade, NOS TERMOS SEGUINTES: (...) XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, nin- guém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desas- tre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial; (...) XXII - é garantido o direito de propriedade; XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; (...) XLI - a lei punirá qualquer discriminação atenta- tória dos direitos e liberdades fundamentais; 29Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. O locatário de um imóvel residencial, por exem- plo, constitui nesse imóvel sua moradia, sendo esta sua casa. Portanto, conforme estabelece a alínea 11 do artigo 5º da Constituição Federal, mesmo que o locatário esteja inadimplente, mesmo que tenha descumprido uma cláusula do contrato de locação, ainda assim, o locador não tem o direito de invadir a casa desse locatário, independentemente desse imóvel ser de propriedade desse locador. Mas a alí- nea 22 da Constituição Federal garante o direito de propriedade. E a propriedade desse imóvel continua sendo de seu proprietário, que neste caso é o loca- dor. Isso continua garantido. Ocorre que no contrato de locação, a fruição, ou seja, o uso desse imóvel foi concedido a um terceiro, o locatário, mediante o pa- gamento do aluguel. Se o aluguel não foi pago, volta- mos à alínea 11 que estabelece a inviolabilidade da casa do locatário, salvo se por determinação judicial. Portanto, somente no caso de ser sentenciado pelo juiz é que o locador poderá invadir o imóvel,o que deverá acontecer apenas durante o dia. Então, o lo- cador somente poderá reaver seu imóvel nos trâmi- tes legais, do contrário, o locador estaria atentando contra a lei, ou seja, estaria contrariando um direito do locatário e, nesse caso, a alínea 41 do artigo 5º da Constituição Federal deixa claro que a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e li- berdades fundamentais. Artigo 23 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: O locatário é obrigado a: I - pagar pontualmente o aluguel e os encargos da locação, legal ou contratualmente exigíveis, no prazo estipulado ou, em sua falta, até o sexto dia útil do mês seguinte ao vencido, no imóvel locado, quan- do outro local não tiver sido indicado no contrato; O aluguel não pago, que será pago em mora (com atraso), terá seu valor acrescido de multa, correção monetária diária e juros moratórios, calculados con- forme estabelecidos no contrato. Portanto, o contra- to deve prever cada um desses encargos de mora. Protesto em Cartório: Além dessas penalidades pela mora, o locatário estará sujeito a medidas mais intensas que o locador poderá tomar de forma am- parada e autorizada pela lei. Uma delas é que o lo- cador poderá levar a protesto esse título que não foi pago. Dessa forma, o locatário receberá a notifica- ção do cartório de protesto para liquidar a dívida e, caso contrário, o título será protestado. A liquidação da dívida poderá ser feita no cartório ou diretamen- te com o locador. O protesto é um ato formal pelo qual se prova a inadimplência e o descumprimento de obrigação. Importa ressaltar que não existe pra- zo para protestar um título. O locatário que teve seu título protestado deverá quitar a dívida em cartório, ou então, quitá-la junto ao locador. No caso de uma locação administrada por um corretor ou uma imo- biliária, o locatário poderá quitar essa dívida junto a estes. Quitada a dívida, o credor (seja o locador, a imobiliária ou o corretor de imóveis) deve fornecer uma declaração de anuência, com firma reconheci- da. Essa declaração deve informar que o valor em questão foi recebido e trazer os dados do título. Com isso, o locatário deverá comparecer ao cartório onde ocorreu o protesto (se a quitação não foi feita direta- mente no cartório), levando a declaração de anuên- cia. Se o locatário quitar esse débito em cartório, no prazo estabelecido na intimação, deverá ainda pagar taxas relativas a custas. Contudo, se a quitação for feita posteriormente com o próprio credor, o locatá- rio precisará pagar, além das taxas relativas a custas, taxas referentes ao cancelamento do protesto. Ação judicial visando a cobrança dos valores em aberto: Independentemente do protesto prévio des- se aluguel, como mencionado, o locador tem o direi- to de promover a execução da quantia devida pelo inquilino. Neste caso, se essa dívida não for paga após a citação do locatário, este terá seus bens pe- nhorados para que seja possível quitar a dívida. Por citação, entendamos ser quando o locatário toma conhecimento formal do processo judicial. Trata- -se de um processo judicial que envolve um juiz e a penhora dos bens do locatário somente poderá ser executada pela sentença desse juiz. Portanto, não é uma solução imediata e nem tão rápida assim. Certa- mente leva um tempo para que isso ocorra. De qual- quer forma, é um direito do locador. Enfim, a terceira possibilidade do locador para lidar com um locatário inadimplente é a instauração da ação judicial de des- pejo por falta de pagamento. Neste caso, que igual- mente constitui um processo judicial que envolve juiz e julgamento, o locatário será citado da ação, ou seja, tomará conhecimento disso, e poderá evitar o des- pejo se pagar a dívida que está em aberto dentro do prazo de 15 dias. Esse pagamento é feito em juízo e, juridicamente, se intitula “purgação da mora” e signi- fica a liquidação ou pagamento dos valores em atra- so. Se esse devedor não quitar a dívida, o contrato de locação será rescindido e o despejo será executado por decisão judicial. Significado de “sentença judicial transitada em julgado”: Sentença é uma decisão final para a qual não cabe mais nenhum recurso, seja porque todas as 30 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. possibilidades de recursos foram esgotadas, seja por- que não se interpôs recurso dentro do prazo legal. Judicial tem relação com o judiciário. Então, senten- ça judicial é uma decisão final proferida por um juiz. Para entendermos claramente o que significa “transi- tado em julgado”, vale a pena resgatar o Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942, considerando todas as alterações dadas por diversas lei até agora. Esse Decreto-Lei é conhecido como a “Lei de Introdu- ção às normas do Direito Brasileiro”. Vejamos o pará- grafo terceiro do seu artigo sexto. Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 – Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro: Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquiri- do e a coisa julgada. § 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já con- sumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. § 2º Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por ele, possa exercer, como aqueles cujo começo do exercício tenha termo pré-fixo, ou condição pré-estabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. § 3º Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso. Aquilo que foi julgado é aquilo que finalizou o julgamento e, portanto, é uma decisão final. Enfim, transitado significa que a coisa transitou, ou seja, que percorreu por um caminho, ou ainda que sofreu uma transição para algo. Então, transitado em julgado é aquilo que transitou em julgamento finalizado. “Sen- tença judicial transitada em julgado” é a decisão fi- nal dada por um juiz encerrando o julgamento e que, portanto, não cabe mais nenhum recurso. EXECUTANDO A GARANTIA LOCATÍCIA DE CAU- ÇÃO: O locador somente poderá obter o item caucio- nado mediante sentença judicial transitada em julga- do. Para o locador poder obter o item caucionado no contrato de locação, devido à inadimplência do loca- tário, ele deverá ingressar uma ação judicial. Depois de todo o processo judicial, de posse da sentença, o locador poderá obter o item caucionado. Se for um bem móvel, ele deverá se dirigir ao cartório de títulos e documentos onde foi feito o registro e apresentar a sentença para obter a propriedade desse bem, as- sim como deverá se dirigir a outras instituições de- pendendo do bem caucionado. Se for um carro, por exemplo, ele deverá se dirigir ao Detran para fazer a transferência da propriedade do veículo. Se o veículo já estiver em sua posse, bastará adequar o documen- to no Detran e pronto. Mas se o veículo estiver em posse do locatário, então é interessante que no pro- cesso judicial já seja requerida a busca e apreensão do veículo. Se for um bem imóvel, deverá se dirigir ao Cartório de Registro de Imóveis com a sentença judicial para fazer a transferência de propriedade do imóvel, assim como é possível que tenha que entrar com ação de despejo, caso o imóvel esteja ocupado, sendo que esse pedido também já poderia constar no processo inicial. Se a caução for em dinheiro, o lo- cador, de posse da sentença judicial, apresenta esse documento no banco para poder realizar a retirada do valor depositado na conta poupança conjunta não solidária. Por fim, se for caução em títulos e ações, o locador deverá dirigir-se à instituição emissora des- sas ações ou títulos, com a sentença judicial para re- alizar a transferência de titularidade. EXECUTANDO A GARANTIA LOCATÍCIA DE FIAN- ÇA: Antes de qualquer coisa, deve ser verificado como isso foi estabelecido nesse contrato, no que diz respeito às responsabilidades eà ordem de cobran- ça quando da inadimplência. O contrato de locação pode estabelecer que o fiador seja o principal paga- dor, seja devedor solidário, ou ainda, que ele somen- te seja cobrado após esgotada a cobrança ao locatá- rio. Resgatemos os artigos 827 e 828 do Código Civil. Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: Art. 827. O fiador demandado pelo pagamento da dívida tem direito a exigir, até a contestação da lide, que sejam primeiro executados os bens do devedor. Parágrafo único. O fiador que alegar o benefício de ordem, a que se refere este artigo, deve nomear bens do devedor, sitos no mesmo município, livres e desembargados, quantos bastem para solver o débito. Art. 828. Não aproveita este benefício ao fiador: I - se ele o renunciou expressamente; II - se se obrigou como principal pagador, ou de- vedor solidário; III - se o devedor for insolvente, ou falido. A questão, portanto, reside no tal benefício de ordem, pelo qual se estabelece a sequência da co- brança da dívida primeiramente ao locatário e, ape- nas se este não a honrar ou não puder honrá-la, somente então, é que o locador poderá cobrar essa dívida do fiador. Se o locatário for comprovadamente insolvente ou falido, obviamente que o fiador pode- rá ser cobrado diretamente. Afora essa condição, a questão do benefício de ordem é respondida pelo que esteja estabelecido no contrato de locação que 31Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. tenha usado a fiança como modalidade de garantia locatícia. O artigo 828 do Código Civil apresenta, nas suas duas primeiras alíneas, três condições que per- mite ao locador cobrar a dívida do fiador antes mes- mo de cobrá-la do locatário. Primeira situação é se o fiador renunciou por escrito o benefício de ordem. Isso acontece se o contrato de locação apresentar cláusula que estabeleça essa renúncia por parte do fiador que assina esse contrato. A segunda situação é se o fiador se obrigou como principal pagador. Situa- ção que igualmente pode estar estabelecida em cláu- sula específica do contrato de locação. Neste caso, o fiador seria de quem o locador receberia o paga- mento do aluguel, mas, como o locatário realiza esse pagamento, o locador dá a quitação, mesmo que não tenha sido feita pelo fiador. A terceira situação é se o fiador se obrigou como devedor solidário, o que também pode estar estabelecido em cláusula espe- cífica no contrato de locação e, com isso, o locador poderá cobrar a dívida de ambos, locatário e fiador, conjuntamente, no mesmo processo judicial. Então, a definição de quem o locador poderá, judicialmen- te, cobrar a dívida, deve estar estabelecida no con- trato de locação. Caso esse contrato não apresente cláusulas sobre essas situações, então o fiador terá direito ao benefício de ordem e o locador terá que, primeiramente, cobrar a dívida do locatário. Artigo 836 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: A obrigação do fiador passa aos herdeiros; mas a responsabilidade da fiança se limita ao tempo de- corrido até a morte do fiador, e não pode ultrapassar as forças da herança. Portanto, o locador só poderá cobrar dos her- deiros do fiador as dívidas que existiam antes do seu falecimento. Na existência de dois ou mais fiadores: Situa- ção totalmente possível e permissível pela lei. Vale lembrar que o que é proibido é a exigência de mais de uma modalidade de garantia locatícia, mas nada impede que, no uso de uma modalidade, se exija vá- rios elementos garantidores. Caso sejam estabeleci- dos, no contrato de locação, dois ou mais fiadores, é importante que nesse contrato se estipule pelo quê cada fiador se responsabiliza, ou se defina a propor- ção de responsabilidade. Na ausência dessa defini- ção, fica entendido que cada fiador se responsabiliza pela proporção da divisão da dívida pela quantidade de fiadores, ou seja, se forem 2 fiadores, então cada um responde por 50 por cento da dívida, mas se fo- rem 4 fiadores, então cada um responde por 25 por cento da dívida, conforme previsto nos artigos 829 e 830 do Código Civil. Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: Art. 829. A fiança conjuntamente prestada a um só débito por mais de uma pessoa importa o compromisso de so- lidariedade entre elas, se declaradamente não se re- servarem o benefício de divisão. Parágrafo único. Estipulado este benefício, cada fiador responde unicamente pela parte que, em pro- porção, lhe couber no pagamento. Art. 830. Cada fiador pode fixar no contrato a parte da dívida que toma sob sua responsabilidade, caso em que não será por mais obrigado. EXECUTANDO A GARANTIA LOCATÍCIA DE SE- GURO DE FIANÇA LOCATÍCIA: Primeiramente, é preciso ter o sinistro. Sinistro qualquer dano havido em bem colocado no seguro. O sinistro num seguro de fiança locatícia sempre é decorrente do não pa- gamento do aluguel, mas é caracterizado por três situações, sendo a decretação de despejo, o aban- dono do imóvel, ou ainda a entrega amigável das chaves. Então, se o locatário estiver inadimplente, existe uma expectativa de sinistro. Mas o sinistro somente será caracterizado quando acontecer um desses três eventos: decretação de despejo, aban- dono do imóvel ou entrega amigável das chaves. O locador tem a obrigação, de avisar a seguradora após o vencimento do segundo aluguel não pago. Ou seja, considerando um vencimento do aluguel como sendo todo dia 10, se o locatário não pagar o aluguel vencido em 10 de março, este é o primeiro aluguel não pago. O próximo aluguel vencerá em 10 de abril. Portanto, o locador somente deverá avisar a seguradora se esse inquilino não pagar o aluguel que vencer em 10 de abril. Com isso estaríamos no momento de expectativa de sinistro. Nesse período, a seguradora poderá realizar pagamentos ao loca- dor, em forma de adiantamentos dos alugueis atra- sados. Chama-se adiantamento, porque a indeniza- ção completa somente será paga após a caracteriza- ção do sinistro e, por enquanto, estamos no período de expectativa de sinistro. Mas para receber esses adiantamentos, o locador deverá apresentar à se- guradora o comprovante de ingresso na Justiça de ação de despejo. A partir da data de entrega desse documento, a seguradora fará o primeiro adianta- mento no prazo de até 30 dias. Já os demais adian- tamentos dos outros alugueis não pagos, serão fei- tos mensalmente, de acordo com o vencimento dos aluguéis, até a caracterização do sinistro. Existem seguradoras que, ao invés de exigir que o locador 32 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. contrate um advogado e apresente comprovante de ingresso na Justiça de ação de despejo, a própria seguradora nomeia um advogado que recorrerá à justiça dando início a ação de despejo. Nesse caso, devem ser verificadas as cláusulas contratuais para entender quem arca com os honorários desse advo- gado. De qualquer forma, a indenização completa somente será paga após 30 dias da comprovação da desocupação do imóvel por parte do locatário. Essa comprovação poderá ser por despejo, pela entrega amigável das chaves ou por abandono do imóvel. Importa lembrar que o valor da indenização cor- responde ao limite máximo definido na apólice. O locador recebe esse valor descontados os adianta- mentos já realizados pela seguradora. Para receber a indenização, além da sentença de despejo, o lo- cador deverá apresentar, a cópia da petição inicial e uma prova de desocupação efetiva do imóvel ou cópia do mandado de retomada da posse ou cópia do documento de entrega amigável das chaves. Este último deve ser assinado pelo inquilino e deve re- lacionar a dívida total de aluguéis e outros eventu- ais encargos, discriminados por mês. Também deve apresentar carta de comunicação da inadimplência do inquilino, identificando os valores nãopagos, re- cibos originais de pagamento dos aluguéis e relató- rio mensal do andamento da ação judicial. O segu- ro de fiança locatícia possui uma cobertura básica e coberturas adicionais. A cobertura básica inclui o valor dos alugueis, multas de mora, custas judiciais e honorários advocatícios. Não existe seguro de fiança locatícia que não inclua, pelo menos, obriga- toriamente esses itens. Já as coberturas adicionais são opcionais, incluem outros itens e vão encare- cendo o preço do seguro. Na lista de itens adicionais podemos citar o condomínio, IPTU, conta de água, conta de gás canalizado, conta de luz, danos mate- riais causados ao imóvel, pintura interna e externa, multa por rescisão contratual, podendo, até mesmo incluir serviços emergenciais como chaveiro, mão de obra para conserto de eletrodomésticos, entre outros. Portanto, os alugueis atrasados serão pagos em forma de adiantamento durante o período de expectativa de sinistro e, depois de caracterizado o sinistro, a seguradora pagará os valores de todos os itens contratados. A seguradora pagará os alugueis atrasados a partir do momento que tenha sido avi- sada. Isso significa que os alugueis atrasados que existiam antes do locador avisar a seguradora, não serão pagos. EXECUTANDO A GARANTIA LOCATÍCIA DE CES- SÃO FIDUCIÁRIA DE QUOTAS DE FUNDO DE INVESTI- MENTO: Nesta garantia, quando da inadimplência do locatário, promove-se a transferência da titularidade para o locador, das quotas de determinado fundo de investimento, até então, em nome do locatário, ou de um terceiro cedente. Essas quotas de fundo de investimento, durante a vigência do contrato de lo- cação, estão sob a guarda de uma instituição finan- ceira, conceituada como o agente fiduciário. Não há qualquer imposição restritiva, seja quanto à quanti- dade, quanto ao tipo ou ao valor das quotas cedidas pelo locatário em garantia ao locador. Estas quotas de fundo de investimento tornam-se indisponíveis, inalienáveis e impenhoráveis, enquanto estiverem figurando como garantia da locação. Isso significa que o locador, o locatário, e o agente fiduciário, que é a instituição financeira que administra o fundo de investimento, nenhum deles e ninguém mais pode disponibilizar essas quotas para negociações. Tam- bém não podem vender essas quotas, nem mesmo o titular pode vende-las. E, enfim, essas quotas não po- derão, em hipótese alguma, ser usadas para quitação de dívidas para outros credores, a não ser que sejam aqueles previstos no contrato de locação. As quotas estão em nome do locador, em caráter resolúvel, ou seja, a titularidade do locador sobre essas quotas estará subordinada a uma condição que, quando al- cançada, fará com que a titularidade sobre as quo- tas retorne do locador para quem as cedeu, seja o locatário ou um terceiro cedente. Essa condição é o encerramento do contrato de locação, sem que te- nham restado débitos não quitados e tenha, o loca- tário, cumprido todas as obrigações estabelecidas no contrato de locação. Se restarem pendências finan- ceiras ou mesmo se não forem cumpridas obrigações que resultem em consequências patrimoniais nega- tivas em desfavor do locador, as quotas não retorna- rão para a titularidade do locatário, ou de terceiro cedente. A propriedade dessas quotas permanece- rá com o locador. Simples assim. Mas, obviamente, existem procedimentos a seguir, seja na esfera extra- judicial, seja na esfera judicial. Extrajudicialmente, o locador deve notificar o locatário e o cedente das quotas, se for um terceiro, comunicando o prazo de dez dias para quitação integral da dívida, sob pena de, em caso de descumprimento, ser promovida a excussão extrajudicial da garantia locatícia. Se a dívi- da não for quitada, o locador deve apresentar à ins- tituição financeira agente fiduciária uma requisição de transferência, caráter exclusivo e irrevogável, de uma quantidade de quotas cedidas em garantia. Essa quantidade deve ser calculada de modo a represen- tar o montante da dívida e nunca mais do que isso, sendo limitada à quantidade cedida em garantia. Fei- ta a transferência, as quotas passam a fazer parte do patrimônio do locador, quem poderá negociá-las ou 33Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Análise do locatário O potencial de sucesso de uma boa locação é, fundamentalmente, determinado pela adequada análise do locatário. Corretores de imóveis devem realizar uma análise bem criteriosa de quem pretende ser locatário e infor- mar tudo a esse respeito ao locador. Isso é essencial. aliená-las, se desejar. Se a quantidade de quotas cedidas não for suficiente para suprir a dívida, o locador deverá busca na justiça o valor faltante. Feita a transferência das quotas, o locador po- derá mover ação de despejo contra o locatário, para reaver o imóvel. Optando pela esfera judi- cial diretamente, o locador move ação contra o locatário para a quitação da dívida e execução do despejo. A transferência das quotas ocorrerá por sentença do juiz. Superior Tribunal de Justiça RECURSO ESPECIAL Nº 1.103.658 - RN (2008/0245977-7) EMENTA RELATOR: MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO RECORRENTE: A Imobiliária RECORRIDO: o Locador 1. (...) não cabe à imobiliária que agiu diligentemente a responsabilidade pelo paga- mento de aluguéis, cotas condominiais ou tributos inadimplidos pelo locatário - res- salvadas as hipóteses de previsão contratual nesse sentido -, porquanto ausente sua culpa, elemento imprescindível em sede de responsabilidade civil subjetiva. 2. Ao revés, configura-se a responsabilidade da administradora de imóveis pelos pre- juízos sofridos pelo locador quando ela não cumpre com os deveres oriundos da re- lação contratual. 3. A recorrente é parte legítima para figurar no polo passivo da presente demanda, uma vez que a pretensão veiculada na petição inicial não diz respeito à mera cobrança de alugueres atrasados, mas à responsabilização civil da imobiliária pelo descumprimento do contrato. No caso concreto, o Tribunal a quo consignou a efetiva existência de falha na aprovação do cadastro do locatário e do fiador, uma vez que a renda auferida por eles não alcançava o patamar mínimo exigido contratualmente, resultando na frustra- ção da execução que visava à cobrança dos alugueres e débitos relativos às cotas con- dominiais e tributos inadimplidos. 4. A pretensão do proprietário do imóvel nasceu com a ciência do defeito na pres- tação do serviço consubstanciado na desídia relacionada à aprovação cadastral do locatário e do fiador, (...) VOTO (...) resta evidente que a empresa recorrente não exigiu do locatário ou do fiador a demonstração efetiva da capacidade econômica para que fosse firmado o con- 34 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. trato de locação e também omitiu tal situação do locador, situação que enseja de forma clara a responsabilidade daquela pelos danos sofridos pelo locador em razão da ausência da capacidade econômica do locatário e do fiador indicados pelo recorrente. Ademais, a título de reforço de argumento, extrai-se da senten- ça que “a aprovação dos cadastros do locatário e do seu fiador teria ocorrido em virtude da amizade do diretor da empresa com os mesmos” (...) Destaca-se, portanto, que num contrato de lo- cação, ainda que a imobiliária, o corretor de imó- veis autônomo, esteja fazendo a administração desse contrato, não cabe a este a responsabilidade pelo pagamento de aluguéis, cotas condominiais ou tributos inadimplidos pelo locatário. Por outro lado, cabe, sim, tanto à imobiliária quanto ao cor- retor de imóveis que esteja administrando o con- trato de locação a responsabilidade pelos prejuízos sofridos pelo locador quando estes não cumprem com os deveres oriundos da relação contratualde administração imobiliária. Neste caso apresenta- do, com relação aprovação cadastral do locatário e do fiador, o relator menciona ter havido desídia, ou seja, a imobiliária se esquivou de qualquer es- forço físico e moral na realização da atividade de sua responsabilidade, em outras palavras, não teve a atenção ou o cuidado necessário. Enfim, houve negligência na análise do locatário e do fia- dor. E, conforme manifestado no voto do relator, fica clara a responsabilidade da imobiliária pelos danos sofridos pelo locador em razão da ausência da capacidade econômica do locatário e do fiador indicados pela imobiliária. Então, a imobiliária não terá que pagar os alugueis atrasados, mas terá que indenizar o locador pelos danos sofridos. Garantias Locatícias • RG; • Certidão de nascimento ou de casamento; • CPF; • Comprovante de residência; • Informações bancárias; • Comprovante de renda. LISTA DE DOCUMENTOS PARA ANÁLIS DE LOCATÁRIO PESSOA FÍSICA Cada uma desses documentos, exige uma aná- lise. Quanto ao RG, deve-se verificar se a foto é atu- al. Caso não seja, deve-se solicitar que atualize o RG ou, então, pode-se usar a CNH, a Carteira Nacional de Habilitação, que, devido à validade, normalmente traz uma foto mais atual. Devem-se verificar todos os dados que qualifiquem o proponente locatário como, data de nascimento, naturalidade, nome do pai e da mãe. Também não se pode aceitar documentos que estejam manchados ou rasurados e, muito menos, rasgados. Se o proponente for solteiro, deve-se pedir a Certidão de Nascimento e, caso contrário, a Cer- tidão de Casamento com as devidas averbações no caso de divorciado ou viúvo. Deve-se certificar-se de que seja uma certidão atual, que não esteja vencida. A validade dessas certidões é de 90 dias da data de sua emissão. Se a certidão apresentada tenha mais do que 90 dias, é necessário pedir que o proponen- te apresente certidão atualizada. A certidão de ca- samento demonstra qual é o regime de bens dessa união. Isso é fundamentalmente importante, pois se o regime for de comunhão de bens, seja parcial ou total, o cônjuge também deverá assinar o contra- to de locação como locador do imóvel. Nesse caso, também é necessário que todos os documentos de pessoa física também sejam requeridos do cônjuge. O Cadastro de Pessoa Física, CPF, é necessário, princi- palmente para que se possam fazer consultas impor- 35Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. tantes. Primeiramente, deve-se verificar na Receita Federal se os dados do CPF são verdadeiros e se esse cadastro está regular. Feito isso, deve-se consultar instituições de análise de crédito, tais como SERASA e SPC. A sigla SERASA, antigamente, era o acrônimo de Serviços de Assessoria S/A, uma instituição privada de análise de crédito criada em 1968 por iniciativa da Federação Brasileira de Bancos, a FEBRABAN, e que, atualmente, sua razão social é Centralizadora dos Serviços dos Bancos S/A. Já o SPC é acrônimo de Ser- viço de Proteção ao Crédito, sendo prestado pela ins- tituição Boa Vista Serviços S/A. Ambos, tanto SERA- SA, quanto SPC, são capazes de identificar o histórico do proponente e podem oferecer um diagnóstico das suas compras e pagamentos. Essas informações são importantes para compor a análise das condições de consumo do proponente locatário e de seu cônjuge. Já o comprovante de residência tem uma função in- formativa e cadastral. Neste caso, podem ser usadas contas de água, de luz ou de telefone em nome do proponente ou do cônjuge. Quanto às informações bancárias, é interessante obter uma cópia do cartão do banco, o qual tenha os dados bancários a respeito do banco, agência e número da conta do proponente, para efeito de cadastro. Já o comprovante de renda é importantíssimo para que se possa analisar se o pro- ponente, realmente, tem condições de arcar com o aluguel e todas as demais taxas e impostos inerentes a esse contrato de locação, como o IPTU, caso seja in- serido no contrato, a taxa de condomínio, se houver, entre outras taxas. A comprovação de renda pode ser feita pela apresentação do holerite, se o proponente for empregado assalariado, ou, então, pela DECORE, que é a Declaração Comprobatória de Percepção de Rendimentos, emitida por um contador, se o propo- nente for empresário, ou extrato bancário, se o pro- ponente for profissional liberal ou autônomo. Princi- palmente nestes dois últimos casos, é importante pe- dir também cópia da última declaração de imposto de renda e o documento de movimentação da conta nos últimos seis meses, ou seja, o extrato bancário. Com os dados do proponente é importante obter as certidões negativas de processos judiciais, que po- dem ser conseguidas gratuitamente pela Internet, sendo a Certidão Negativa de Débitos da Receita Fe- deral e as Certidões Negativas Cível e Criminal tanto da Justiça Estadual quanto Federal. Se o proponente já estiver negativado numa ins- tituição de análise de crédito, as chances de inadim- plência aumentam bastante. Outro risco é se o pro- ponente locatário tiver algum problema criminal. Com relação à análise da renda do proponente, é comum adotar uma renda ideal de, no mínimo, três vezes o valor da locação. A renda líquida é a renda to- tal menos os impostos, as contas fixas, as prestações do parcelamento de dívidas, as parcelas de financia- mentos e outras obrigações financeiras recorrentes. Se o proponente locatário for casado, é im- portante analisar, também, a situação financeira do cônjuge. • CNPJ; • Certidão de Débitos Relativos a Créditos Tributários Federais e à Dívida Ativa da União; • Certificado de regularidade do FGTS; • Certidão Negativa de Débito Estadual; • Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas; • Certidão Negativa de Tributos Mobiliários e Imobiliários • Cópia da Declaração de Imposto de Renda (3 anos); • Contrato Social (ou outro documento constitutivo da Pessoa Jurídica). LISTA DE DOCUMENTOS PARA ANÁLISE DE LOCATÁRIO PESSOA JURÍDICA O CNPJ é o número dessa empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica e se faz necessário para realizar algumas importantes consultas. A primeira delas é buscar esse número de CNPJ na Receita Fede- ral e obter o Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral, no qual constam diversas informações so- bre essa Pessoa Jurídica para qualifica-la adequada- mente no contrato e verificar sua situação cadastral. Também deve-se consultar instituições de análise de crédito, tais como SERASA e SPC. Também deve-se obter certidões para verificar a situação da empresa. A Certidão de Débitos Relativos a Créditos Tributários 36 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Federais e à Dívida Ativa da União pode ser obtida gratuitamente no website da Receita Federal, bas- tando informar o número de CNPJ, e é emitida se a empresa não possuir pendências relativas a débitos, a dados cadastrais e à apresentação de declarações, inclusive pendências relativas às contribuições pre- videnciárias. O Certificado de regularidade do FGTS que pode ser obtido no website da Caixa Econômi- ca Federal, se refere à regularidade do empregador. Para tanto, a empresa deve estar em dia com todas as obrigações legais junto ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, FGTS, seja quanto às contribui- ções, assim como quanto a eventuais empréstimos com recursos originários do FGTS. Outra certidão im- portante é a Certidão Negativa de Débito Estadual, a qual é apresenta a regularidade fiscal desse contri- buinte Pessoa Jurídica referente aos créditos tributá- rios estaduais administrados pela Secretaria Estadual da Fazenda. Portanto, cada estado brasileiro possui critérios próprios para a emissão do documento. No website do Tribunal Superior doTrabalho é possível obter a Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas, a qual se baseia nas informações dos 24 Tribunais Re- gionais do Trabalho do Brasil, sendo que, somente será negativa se a pessoa jurídica não estiver inscri- ta como devedora no Banco Nacional de Devedores Trabalhistas, o BNDT. Por fim, a Certidão Negativa de Tributos Mobiliários e Imobiliários, emitida pela Prefeitura, também se faz importante, pois se baseia em dados constantes no Cadastro de Contribuinte Mobiliários, atestando, se negativa, a inexistência de débitos referentes ao Imposto sobre Serviços e a ta- xas relacionadas à prestação de serviços, bem como a inexistência de dívidas relacionadas ao IPTU ou a outras taxas imobiliárias existente no município. Para obter todas essas certidões, basta ter em mãos o nú- mero do CNPJ da Pessoa Jurídica. Mas também é im- portante solicitar uma cópia da declaração de impos- to de renda dos últimos três anos, a fim de verificar a saúde financeira da empresa. As Pessoas Jurídicas são administradas e representadas por pessoas físi- cas. Portanto, é necessário analisar o documento do ato constitutivo da Pessoa Jurídica. Esse documento pode ser o Contrato social, ou o Estatuto social junta- mente com a Ata da assembleia de fundação ou cons- tituição e da assembleia de eleição e possa da atual diretoria. É nesse documento que consta a informa- ção de quem é o responsável legal e o administrador dessa pessoa jurídica. Para cada uma dessas pessoas que constam como sócios ou membros da diretoria, deve-se obter todos os documentos mencionados anteriormente usados para análise de pessoa física. Vistoria antes, durante e depois da locação A vistoria do imóvel a ser locado é uma atividade fundamental e deve, obrigatoriamente, estar presente no procedimento de locação. É na vistoria que se des- creve de forma detalhada o imóvel a ser locado, suas condições, estrutura, assim como todo e qualquer mó- vel, equipamento ou acabamento existente no imóvel. Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Art. 22. O locador é obrigado a: I - entregar ao locatário o imóvel alugado em es- tado de servir ao uso a que se destina; III - manter, durante a locação, a forma e o desti- no do imóvel; IV - responder pelos vícios ou defeitos anteriores à locação; V - fornecer ao locatário, caso este solicite, des- crição minuciosa do estado do imóvel, quando de sua entrega, com expressa referência aos eventuais defeitos existentes; (...) Art. 23. O locatário é obrigado a: II - servir-se do imóvel para o uso convenciona- do ou presumido, compatível com a natureza deste e com o fim a que se destina, devendo tratá-lo com o mesmo cuidado como se fosse seu; III - restituir o imóvel, finda a locação, no estado em que o recebeu, salvo as deteriorações decorren- tes do seu uso normal; IV - levar imediatamente ao conhecimento do lo- cador o surgimento de qualquer dano ou defeito cuja reparação a este incumba, bem como as eventuais turbações de terceiros; V - realizar a imediata reparação dos danos ve- rificados no imóvel, ou nas suas instalações, provo- cadas por si, seus dependentes, familiares, visitantes ou prepostos; VI - não modificar a forma interna ou externa do imóvel sem o consentimento prévio e por escrito do locador; IX - permitir a vistoria do imóvel pelo locador ou por seu mandatário, mediante combinação prévia de dia e hora, bem como admitir que seja o mesmo visi- tado e examinado por terceiros, na hipótese prevista no art. 27; (...) 37Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Dada a importância da vistoria, o locatário tem o di- reito de exigir que o locador lhe forneça descrição minu- ciosa do estado do imóvel, quando de sua entrega, com expressa referência aos eventuais defeitos existentes. Esse detalhamento é o próprio termo de vistoria. Por outro lado, o locador também tem o direito de agendar com o locatário data e horário para nova vistoria, durante a vigência da locação e o locatário deve permitir que isso seja feito. Dessa forma, o locador poderá ter a ciência de que o imóvel esteja sendo cuidado adequadamente. O locatário também deve permitir, desde que agendado com antecedência, que o imóvel seja visitado por tercei- ros, caso o locador, ou o proprietário, tenham ofertado esse imóvel à venda. Preferência na aquisição do imóvel locado: Se- gundo esse artigo 27 da Lei do Inquilinato, o locatá- rio tem preferência para adquirir o imóvel locado, em igualdade de condições ofertadas a terceiros. É por isso que o locador deve dar conhecimento ao loca- tário dessa oferta de venda, de promessa de venda, de cessão ou de promessa de cessão de direitos, ou ainda, de dação em pagamento. O locador poderá dar conhecimento disso ao locatário mediante notificação judicial, ou notificação extrajudicial ou qualquer outro meio de ciência, desde que seja inequívoca, como, por exemplo, uma carta com aviso de recebimento. TERMO DE VISTORIA O presente termo refere-se à vistoria de imóvel urbano residencial, sito à Rua XXX, nº 999 – bairro ZZZ, Cep 12345-000, na cidade de YYYY – UF, o qual é de propriedade de PPPPP, sendo parte integrante do Contrato de Locação nº 5555, cujo locatário é LLLL. A vistoria foi realizada em DD de MMM de AAAA, a partir das HH horas e NN minutos, pelo corretor de imóveis CCC, acompanhado por... Segue relação completa de cada cômodo e com- partimento do imóvel, descrevendo-se seu o estado de conservação e dos móveis, utensílios e equipa- mentos existentes. Registro Fotográfico: Não há previsão legal que obrigue uma vistoria ter registro fotográfico. Então, não é algo imprescindível. Por outro lado, a foto- grafia de cada elemento descrito na vistoria amplia a percepção dos dados da descrição, criando maior compreensão e contextualização do que foi visto- riado. Portanto, em se tratando de impingir exce- lência na vistoria, poderíamos até dizer que seria imprescindível. As fotos são elementos adicionais e opcionais, mas que incrementam a qualidade dos serviços prestados. Mas a presença das fotos não pode inibir as descrições, ou seja, a leitura do texto deve ser suficiente para a compreensão das carac- terísticas daquilo que foi vistoriado. • Sobre o terreno: • Tipo de implantação: (condomínio, vila, rua); • Área Terreno/Lote (m²); • Nº de frentes e Testada (m) da frente principal; • Topografia (plana, acidentada, em aclive, em declive, passível de alagamento); • Posição/situação do terreno (esquina, meio da quadra); • Superfície (seco, alagável, brejoso, arenoso, outro); • Sobre a edificação: • Posição/situação da construção (isolada, geminada de um lado, geminada dos dois lados, junto aos fundos, junto a uma lateral, junto às duas laterais, ocupa todo o terreno); • Posição em relação à rua (no mesmo nível, abaixo no nível, acima do nível); • Uso (residencial, comercial, misto); • Tipo do Imóvel (casa, apartamento, casa em condomínio); • Posição (frente para que ponto cardeal); • Estado de conservação (aparentemente novo, em bom estado, razoável, ne- cessita acabamento, necessita reforma); • Quantidade de pavimentos; PRINCIPAIS ELEMENTOS A SEREM VISTORIADOS: 38 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. • Quantidade e tipificação de cômodos (sala, cozinha, copa, banheiro, dor- mitório, lavanderia, sacada etc) • Quantidade de suítes; • Quantidade de quartos (não sendo suíte); • Quantidade de dormitórios (soma da quantidade de suíte e quartos sem suíte); • Quantidade de banheiros sociais; • Quantidade de lavabos; • Total de Banheiros (soma da quantidade de banheiros e lavabos); • Quantidade de vagas na garagem; • Situação da Vaga na garagem (subterrânea, coberta, demarcada, livre,com acesso coberto à área social); • Padrão de acabamento (descrever pisos, paredes e teto de cada cômodo); • Fechamento de paredes (madeira, alvenaria, drywall, parede de concre- to, outros); • Esquadrias (descrever a moldura de cada porta e de cada janela); • Cobertura/telhado (laje, telha cerâmica, telha fibrocimento, telha concre- to, outro); • Teto (laje, telhado aparente, forro, gesso); • Solução sanitária (esgoto encanado, fossa séptica e sumidouro, não possui); • Abastecimento de água (encanada, poço artesiano, sem abastecimento); • Outros abastecimentos (eletricidade, gás, Tv a cabo, Internet etc)Infraes- trutura/serviços/equipamentos (piscina, quadra, interfone, portão eletrôni- co, churrasqueira, cftv, sauna, salão de festas, salão de jogos, cinema, gera- dor, outros). • Se for imóvel em condomínio vertical, em adição: • Tipo do apartamento (convencional, loft, cobertura, kitnet, du- plex, tríplex); • Posição na edificação (frente, frente/canto, meio, fundos, fundos/ canto, lateral); • Uso predominante no condomínio (residencial multifamiliar, resi- dencial unifamiliar, comercial, industrial); O imóvel vistoriado é entregue ao LOCATÁRIO em conformidade com o que se descreve neste termo e em bom estado de limpeza e utilização, tal qual re- conhece reciprocamente locador e locatário. Por ser expressão da verdade, as partes firmam o presente termo de vistoria em duas vias de igual teor e forma, juntamente com 2 (duas) testemunhas. TERMO DE VISTORIA - Encerramento Locação não residencial Locação de imóvel rural = arrendamento rural (Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964 - Estatuto da Terra) Arrendamento rural: cessão do uso de imóvel ru- ral, mediante algum pagamento. Artigo 55 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Considera-se loca- ção não residencial quando o locatário for pes- soa jurídica e o imóvel, destinar-se ao uso de seus titulares, diretores, sócios, gerentes, executivos ou empregados. 39Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Dois critérios para que a locação seja considera- da como não residencial de imóvel urbano: • O locatário deve ser uma Pessoa Jurídica. • O imóvel deve destinar-se ao uso dos propó- sitos dessa Pessoa Jurídica na pessoa de seus só- cios ou funcionários. Art. 11 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Morrendo o locatário, fica- rão sub-rogados nos seus direitos e obrigações: I - nas locações com finalidade residencial, o cônjuge sobrevivente ou o companheiro e, sucessi- vamente, os herdeiros necessários e as pessoas que viviam na dependência econômica do de cujus, des- de que residentes no imóvel; II - nas locações com finalidade não residencial, o espólio e, se for o caso, seu sucessor no negócio. Então, quando o locatário vai a óbito, na locação residencial, tanto os direitos quanto as obrigações passam para os sobreviventes que residem no imó- vel locado, seja o cônjuge ou companheiro e, suces- sivamente, os herdeiros e as pessoas que dependiam economicamente desse locatário. Mas, na locação não residencial, é conforme o que se estabelece em herança e o sucessor da Pessoa Jurídica. Art. 51 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Nas locações de imóveis destinados ao comércio, o locatário terá direito a renovação do contrato, por igual prazo, desde que, cumulativamente: I - o contrato a renovar tenha sido celebrado por escrito e com prazo determinado; II - o prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos prazos ininterruptos dos contratos escritos seja de cinco anos; III - o locatário esteja explorando seu comércio, no mesmo ramo, pelo prazo mínimo e ininterrupto de três anos. § 1º O direito assegurado neste artigo poderá ser exercido pelos cessionários ou sucessores da locação; no caso de sublocação total do imóvel, o direito a renovação somente poderá ser exercido pelo sublocatário. § 2º Quando o contrato autorizar que o locatário utilize o imóvel para as atividades de sociedade de que faça parte e que a esta passe a pertencer o fundo de comércio, o direito a renovação poderá ser exerci- do pelo locatário ou pela sociedade. § 3º Dissolvida a sociedade comercial por mor- te de um dos sócios, o sócio sobrevivente fica sub- -rogado no direito a renovação, desde que continue no mesmo ramo. § 4º O direito a renovação do contrato estende- -se às locações celebradas por indústrias e socieda- des civis com fim lucrativo, regularmente constituí- das, desde que ocorrentes os pressupostos previstos neste artigo. § 5º Do direito a renovação decai aquele que não propuser a ação no interregno de um ano, no máxi- mo, até seis meses, no mínimo, anteriores à data da finalização do prazo do contrato em vigor. Todos os 3 critérios devem ser atendidos para a renovação do contrato de locação de imóvel destina- do ao comércio: • Que exista um contrato, por escrito, com prazo determinado, já que se o prazo for indeterminado, não faz sentido haver renovação. Só se renova um contrato cujo prazo expirou. • Que o prazo da locação seja de, no mínimo, 5 (cinco) anos. • Que o locatário esteja em atividade comercial há, pelo menos, três anos. O direito à renovação é estendido aos cessioná- rios ou sucessores da locação, ou seja, aqueles que passaram a ser os proprietários da Pessoa Jurídica que explora a atividade comercial no imóvel locado; assim como para o sublocatário, se o imóvel foi su- blocado, ou seja, se o locatário alugou esse imóvel a outro, desde, obviamente, a sublocação não tenha sido impedida no contrato de locação. Atenção! Caso o locatário seja um e a empresa que explora o comércio no imóvel seja outro. Se o lo- catário for sócio dessa empresa e isso estiver autori- zado no contrato de locação, então tanto o locatário quanto a empresa que ele é sócio, podem exercem o direito à renovação. Nas locações com finalidade não residencial, quando o locatário morre, os direitos e obriga- ções ficam sub-rogados ao espólio e ao seu suces- sor no negócio. Quanto à renovação, a ideia é a mesma. Portanto, se um dos sócios não for mais sócio da empresa, seja por morte ou dissolução social, o sócio que restar terá o direito à renova- ção. Mas para isso, deve continuar exercendo a mesma atividade comercial. Respeitados os pressupostos desse artigo, esse dispositivo se estende aos contratos de locações com indústrias e com quaisquer outras sociedades civis com fim lucrativo. Englobam-se aqui, portanto, os escritórios de prestação de serviços entre outras pessoas jurídicas. 40 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Mas, a renovação não é algo automático pois, o locatário deve propor ao locador a renovação do contrato. Isso deve ser feito entre seis a doze meses antes da data de término do contrato de locação. Su- ponha que o contrato termine no dia 31 de dezem- bro, então esse prazo se estende do dia primeiro de janeiro desse mesmo ano até o dia 30 de junho. Encerrado o prazo do pedido de renovação, o lo- catário perde o direito à renovação. Contudo, o con- trato continua podendo ser renovado, mas, a critério do locador. Desta forma, se o locatário continuar cum- prindo com as obrigações da locação e o locador não apresentar oposição, o contrato de locação será auto- maticamente prorrogado nas mesmas condições. O direito que o locatário tem de renovação não pode ser negado pelo locador. Art. 52 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: O locador não estará obri- gado a renovar o contrato se: I - por determinação do Poder Público, tiver que realizar no imóvel obras que importarem na sua radical transformação; ou para fazer modifica-ções de tal natureza que aumente o valor do negó- cio ou da propriedade; II - o imóvel vier a ser utilizado por ele próprio ou para transferência de fundo de comércio existente há mais de um ano, sendo detentor da maioria do ca- pital o locador, seu cônjuge, ascendente ou descen- dente. § 1º Na hipótese do inciso II, o imóvel não pode- rá ser destinado ao uso do mesmo ramo do locatário, salvo se a locação também envolvia o fundo de co- mércio, com as instalações e pertences. § 2º Nas locações de espaço em shopping cen- ters, o locador não poderá recusar a renovação do contrato com fundamento no inciso II deste artigo. § 3º O locatário terá direito a indenização para ressarcimento dos prejuízos e dos lucros cessantes que tiver que arcar com mudança, perda do lugar e desvalorização do fundo de comércio, se a renova- ção não ocorrer em razão de proposta de terceiro, em melhores condições, ou se o locador, no prazo de três meses da entrega do imóvel, não der o destino alegado ou não iniciar as obras determinadas pelo Poder Público ou que declarou pretender realizar. Determinação do Poder Público para realizar obras no imóvel: Num contrato de locação que te- nha sido celebrado por escrito, com prazo determi- nado de, pelo menos, cinco anos e que o locatário te- nha explorado seu comércio no mesmo ramo por, no mínimo, três anos. Se o locatário propuser a renova- ção desse contrato de locação dentro do prazo para tanto, o locador é obrigado a renovar esse contrato. Contudo, isso pode ser diferente caso haja alguma determinação do Poder Público para realizar obras no imóvel, seja de total transformação, seja para au- mentar o valor do negócio ou da propriedade. Nesse caso, o locador não é obrigado a renovar o contrato de locação. Fundo de comércio: Um segundo caso em que o locador fica desobrigado a renovar o contrato de locação não residencial, tem relação com a transfe- rência do fundo de comércio. Entende-se por fundo de comércio o estabelecimento comercial. Portanto, nesse segundo caso o locador tem a possibilidade de retomar o imóvel para seu próprio uso ou se for para ali operar outro estabelecimento comercial. Mas um dos sócios desse estabelecimento comercial deve ser o locador, ou seu cônjuge, ou ascendente ou ainda descendente e esse sócio deve ter a maioria do ca- pital social. Outra coisa, é que esse estabelecimento comercial já exista, em outro lugar, há, pelo menos, um ano. Atenção nesse caso de transferência do fun- do de comércio, esse outro estabelecimento comer- cial não pode explorar o mesmo ramo daquele do locatário. A única exceção a isso é se o contrato de locação inicial não fosse somente do imóvel, mais do imóvel com o estabelecimento comercial, suas insta- lações e demais pertences. Mas, isso não se aplica no caso de Shopping Centers. Se houver proposta em melhores condições: O artigo 72 da Lei do Inquilinato estabelece que o loca- dor poderá contestar a ação renovatória peticionada pelo locatário se tiver proposta de terceiro para a lo- cação, em condições melhores. Indenização ao locatário: O locatário passa a ter direito à indenização em uma das seguintes 3 situações: • Se o locador não renovar o contrato de locação não residencial e retomar o imóvel sem ter recebido uma melhor proposta de terceiro; • Se o locador não der o destino alegado; • Se não se iniciarem as obras que foram deter- minadas pelo Poder Público ou que o locador decla- rou pretender realizar. Art. 53 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Nas locações de imóveis utilizados por hospitais, unidades sanitárias oficiais, asilos, estabelecimentos de saúde e de ensino auto- rizados e fiscalizados pelo Poder Público, bem como por entidades religiosas devidamente registradas, o 41Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. contrato somente poderá ser rescindido. I - nas hipóteses do art. 9º; II - se o proprietário, promissário comprador ou promissário cessionário, em caráter irrevogável e imitido na posse, com título registrado, que haja qui- tado o preço da promessa ou que, não o tendo feito, seja autorizado pelo proprietário, pedir o imóvel para demolição, edificação, licenciada ou reforma que ve- nha a resultar em aumento mínimo de cinquenta por cento da área útil. Em resumo, é restrita a possibilidade de resci- são do contrato de locação a hospitais, asilos, enti- dades religiosas e estabelecimentos do Poder Públi- co relacionados à saúde e ensino, em 5 (cinco) situ- ações (4 listadas no artigo 9º e mais uma no inciso II do artigo 53): • Por mútuo acordo; • Em decorrência da prática de infração legal ou contratual; • Em decorrência da falta de pagamento do alu- guel e demais encargos; • Para a realização de reparações urgentes de- terminadas pelo Poder Público, que não possam ser normalmente executadas com a permanência do locatário no imóvel ou, podendo, ele se recuse a consenti-las; • Se o proprietário, ou o promissário comprador ou ainda o promissário cessionário, que tenha a pos- se do imóvel com título registrado pedir o imóvel, em caráter irrevogável, para demolição, ou edificação, ou ainda reforma que torne a área útil do imóvel cin- quenta por cento maior. SHOPPING CENTER: Art. 54 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Nas relações entre lojistas e empreendedores de shopping center, prevalecerão as condições livremente pactuadas nos contratos de locação respectivos e as disposições procedimentais previstas nesta lei. § 1º O empreendedor não poderá cobrar do lo- catário em shopping center: a) as despesas referidas nas alíneas a, b e d do parágrafo único do art. 22; e b) as despesas com obras ou substituições de equipamentos, que impliquem modificar o proje- to ou o memorial descritivo da data do habite-se e obras de paisagismo nas partes de uso comum. § 2º As despesas cobradas do locatário de- vem ser previstas em orçamento, salvo casos de urgência ou força maior, devidamente demons- tradas, podendo o locatário, a cada sessenta dias, por si ou entidade de classe exigir a comprovação das mesmas. Numa locação em que o locatário seja um lojista e o locador um shopping center, figura uma maior autonomia da vontade entre as partes, já que a le- gislação estabelece que prevalecem as condições li- vremente pactuadas entre as partes. Contudo, temos que ressaltar que essa autonomia não é, em absolu- to, ilimitada, uma vez que esse artigo também de- termina que sejam consideradas as disposições pro- cedimentais previstas nesta lei, ou seja, tudo aquilo que se institui quanto ao modo ou método pelo qual essa relação contratual é desenvolvida. Portanto, logicamente, o contrato não poderia, por exemplo, impedir a renovação compulsória da locação, nem pode permitir a retomada, pelo locador, do imóvel locado, a qualquer tempo, sem que se necessite se- guir os procedimentos que já comentamos. Também é limita a cobrança de despesas àquilo que estiver previsto em orçamento, a não ser que seja uma si- tuação de força maior. E também não podem ser cobradas despesas relativas modificação do projeto ou do memorial descritivo do Shopping Center, nem despesas com paisagismo e, muito menos algumas daquelas despesas extraordinárias de condomínio, que, como já vimos, é o locador quem tem a obriga- ção de pagar, conforme estabelece o inciso 10 do, já comentado, artigo 22. Mas na relação entre lojista e shopping center, despesas extraordinárias de condo- mínio, o lojista locatário só não é obrigado a pagar as listas nas alíneas A, B e D do parágrafo único desse artigo, que se referem às obras de reformas ou acrés- cimos que interessem à estrutura integral do imóvel; à pintura das fachadas, empenas, poços de aeração, iluminação e das esquadrias externas; assim como referentes às indenizações trabalhistas e previden- ciárias pela dispensade empregados, ocorridas em data anterior ao início da locação. Se considerarmos a locação não residencial como uma categoria de locação, teríamos como sub- categoria a locação em que as partes sejam o lojista e o shopping center. Outra subcategoria com outras especificidades seria o que se conhece por contrato “built to suit”. Art. 56 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Nos demais casos de loca- ção não residencial, o contrato por prazo determina- do cessa, de pleno direito, findo o prazo estipulado, independentemente de notificação ou aviso. Parágrafo único. Findo o prazo estipulado, se o locatário permanecer no imóvel por mais de trinta dias sem oposição do locador, presumir-se-á pror- rogada a locação nas condições ajustadas, mas sem 42 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. prazo determinado. Nas locações não residenciais que estabele- çam uma relação entre lojista e shopping center ou que se baseiem num contrato “built to suit”, prevalecem as condições livremente pactuadas no contrato respectivo. Em todas as demais locações não residenciais, se a locação tem prazo determi- nado, dá-se o seu fim em conformidade com esse prazo, dispensando-se qualquer tipo de notifica- ção entre as partes, ocorrendo a prorrogação por prazo indeterminado se o locador não fizer oposi- ção à permanência do locatário no imóvel. Se o lo- cador desejar reaver o imóvel, bastaria apresentar solicitação ao locatário, dentro de trinta dias após finalizado o prazo da locação. Existem 2 (duas) possibilidades de se ter uma lo- cação não residencial por prazo indeterminado: • Se no contrato de locação não exista um prazo estipulado, ou mesmo se o contrato mencionar que o prazo é indeterminado. • Se um contrato de locação com prazo deter- minado é prorrogado, tornando-se uma locação por prazo indeterminado. Art. 57 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: O contrato de locação por prazo indeterminado pode ser denunciado por escri- to, pelo locador, concedidos ao locatário trinta dias para a desocupação. Portanto, a qualquer tempo em uma locação não residencial com prazo indeterminado. o locador porá reaver o imóvel, bastando notificar oficialmente o lo- catário com trinta dias de antecedência. Contrato “built to suit” – locação com construção ajustada Trata-se de uma locação de um imóvel não resi- dencial que tenha sido edificado ou substancialmen- te reformado para servir e atender às necessidades de um locatário específico. Este é o contrato de locação com construção ajustada (também conhecido, no mercado, por con- trato de locação por encomenda), regido pela Lei nº 12.744, de 19 de dezembro de 2012. Art. 4º da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Durante o prazo estipulado para a duração do contrato, não poderá o locador reaver o imóvel alugado. Com exceção ao que estipula o § 2º do art. 54-A, o locatário, todavia, poderá devolvê-lo, pagando a multa pactuada, proporcional ao período de cumprimento do contrato, ou, na sua falta, a que for judicialmente estipulada. Parágrafo único. O locatário ficará dispensa- do da multa se a devolução do imóvel decorrer de transferência, pelo seu empregador, privado ou pú- blico, para prestar serviços em localidades diversas daquela do início do contrato, e se notificar, por es- crito, o locador com prazo de, no mínimo, trinta dias de antecedência. Art. 54-A da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Na locação não residencial de imóvel urbano na qual o locador procede à prévia aquisição, construção ou substancial reforma, por si mesmo ou por terceiros, do imóvel então especificado pelo pretendente à locação, a fim de que seja a este locado por prazo determinado, prevalecerão as condi- ções livremente pactuadas no contrato respectivo e as disposições procedimentais previstas nesta Lei. § 1º Poderá ser convencionada a renúncia ao di- reito de revisão do valor dos aluguéis durante o prazo de vigência do contrato de locação. § 2º Em caso de denúncia antecipada do vínculo “built to suit” [do idioma inglês. “Built” significa “construído”; “to” significa “para”; e “suit” pode significar “servir”, “satisfazer”, “ajustar” ou “adequar”] “buit to suit” = “construído para se adequar ou ajustar” ou “construído para satisfazer” ou “construído para servir”. 43Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. locatício pelo locatário, compromete-se este a cum- prir a multa convencionada, que não excederá, po- rém, a soma dos valores dos aluguéis a receber até o termo final da locação. Critérios necessários para caracterizar o contrato “built to suit”: • O contrato deve estabelece a realização da construção ou da substancial reforma do imóvel que será locado. • A locação deverá ser por prazo determinado. • O contrato deve estabelecer as condições da lo- cação, as quais devem ser livremente pactuadas, con- siderando as disposições procedimentais previstas na Lei do Inquilinato, ou seja, como já vimos, entende-se tudo aquilo que se institui quanto ao modo ou méto- do pelo qual essa relação contratual é desenvolvida. Prorrogação por tempo indeterminado: Na prorrogação, todas as cláusulas do contrato con- tinuam valendo, com exceção da que estabeleça a renúncia ao direito de revisão do valor dos alu- guéis, uma vez que somente se pode convencionar essa renúncia durante o prazo de vigência do con- trato de locação. Multa por devolução: A multa pela devolução do imóvel pelo locatário ao locador também se difere de uma locação convencional. Esta multa pode che- gar ao valor total da soma de todos os alugueis não pagos até a data de término do prazo da locação. Por exemplo: num contrato com prazo de 120 meses (10 anos), em que o locatário devolva o imóvel após o pagamento do 12º aluguel (120 – 12 = 108). Se esti- ver estipulado no contrato, esse locatário deverá pa- gar uma multa equivalente ao valor de 108 alugueis. Ação Renovatória Art. 71 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Além dos demais requi- sitos exigidos no art. 282 do Código de Processo Civil, a petição inicial da ação renovatória deverá ser instruída com: I - prova do preenchimento dos requisitos dos incisos I, II e III do art. 51; II - prova do exato cumprimento do contrato em curso; III - prova da quitação dos impostos e taxas que incidiram sobre o imóvel e cujo pagamento lhe incumbia; IV - indicação clara e precisa das condições oferecidas para a renovação da locação; V - indicação do fiador quando houver no contrato a renovar e, quando não for o mesmo, com indicação do nome ou denominação completa, número de sua inscrição no Ministério da Fazenda, endereço e, tra- tando-se de pessoa natural, a nacionalidade, o estado civil, a profissão e o número da carteira de identidade, comprovando, desde logo, mesmo que não haja alte- ração do fiador, a atual idoneidade financeira; VI - prova de que o fiador do contrato ou o que o substituir na renovação aceita os encargos da fiança, autorizado por seu cônjuge, se casado for; VII - prova, quando for o caso, de ser cessio- nário ou sucessor, em virtude de título oponível ao proprietário. Parágrafo único. Proposta a ação pelo sublo- catário do imóvel ou de parte dele, serão citados o sublocador e o locador, como litisconsortes, sal- vo se, em virtude de locação originária ou reno- vada, o sublocador dispuser de prazo que admita renovar a sublocação; na primeira hipótese, pro- cedente a ação, o proprietário ficará diretamente obrigado à renovação. Atenção! Em 16 de março de 2015 foi sancio- nada a Lei número 13.105, pela qual se estabelece o atual Código de Processo Civil, comumente cha- mado somentede CPC. Segundo seu artigo 1.045, esse Código entra em vigor após decorrido um ano da data de sua publicação oficial. Portanto, desde março de 2016 está em vigência o Código de Processo Civil, que manteve alguns artigos do seu antecessor, alterou outros, suprimiu alguns e criou novos artigos. Acontece que o citado arti- go 282 do Código de Processo Civil, atualmente se refere ao artigo 319, o qual estabelece o que deve ser indicado na petição inicial. Art. 71 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Além dos demais requi- sitos exigidos no art. 282 do Código de Processo Civil, a petição inicial da ação renovatória deverá ser instruída com: I - prova do preenchimento dos requisitos dos incisos I, II e III do art. 51; II - prova do exato cumprimento do contrato 44 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. em curso; III - prova da quitação dos impostos e taxas que in- cidiram sobre o imóvel e cujo pagamento lhe incumbia; IV - indicação clara e precisa das condições oferecidas para a renovação da locação; V - indicação do fiador quando houver no contrato a renovar e, quando não for o mesmo, com indicação do nome ou denominação com- pleta, número de sua inscrição no Ministério da Fazenda, endereço e, tratando-se de pessoa natu- ral, a nacionalidade, o estado civil, a profissão e o número da carteira de identidade, comprovando, desde logo, mesmo que não haja alteração do fia- dor, a atual idoneidade financeira; VI - prova de que o fiador do contrato ou o que o substituir na renovação aceita os encargos da fiança, autorizado por seu cônjuge, se casado for; VII - prova, quando for o caso, de ser cessionário ou sucessor, em virtude de título oponível ao proprietário. Parágrafo único. Proposta a ação pelo sublo- catário do imóvel ou de parte dele, serão citados o sublocador e o locador, como litisconsortes, sal- vo se, em virtude de locação originária ou reno- vada, o sublocador dispuser de prazo que admita renovar a sublocação; na primeira hipótese, pro- cedente a ação, o proprietário ficará diretamente obrigado à renovação. Portanto, para que o locatário tenha direito à re- novação do contrato, por igual prazo, o contrato deve ter sido celebrado por escrito e com prazo determi- nado; o prazo mínimo do contrato deve ser de cinco anos e o locatário deve estar explorando seu comér- cio, no mesmo ramo, por, no mínimo, três anos. E na petição inicial deve-se incluir provas dis- so, bem como prova de que o contrato esteja sen- do cumprido, prova de pagamento de impostos e taxas, descrição das condições para a renovação da locação, indicação do fiador, prova de que o fiador aceita os encargos da fiança, bem como a autorização do seu cônjuge. Se o locatário for cessionário ou sucessor também deverá apresen- tar provas disso. Art. 72 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: A contestação do locador, além da defesa de direito que possa caber, ficará adstrita, quanto à matéria de fato, ao seguinte: I - não preencher o autor os requisitos esta- belecidos nesta lei; II - não atender, a proposta do locatário, o va- lor locativo real do imóvel na época da renova- ção, excluída a valorização trazida por aquele ao ponto ou lugar; III - ter proposta de terceiro para a locação, em condições melhores; IV - não estar obrigado a renovar a locação (incisos I e II do art. 52). § 1º No caso do inciso II, o locador deverá apresentar, em contraproposta, as condições de locação que repute compatíveis com o valor loca- tivo real e atual do imóvel. § 2º No caso do inciso III, o locador deverá juntar prova documental da proposta do terceiro, subscrita por este e por duas testemunhas, com clara indicação do ramo a ser explorado, que não poderá ser o mesmo do locatário. Nessa hipótese, o locatário poderá, em réplica, aceitar tais condi- ções para obter a renovação pretendida. § 3º No caso do inciso I do art. 52, a contesta- ção deverá trazer prova da determinação do Po- der Público ou relatório pormenorizado das obras a serem realizadas e da estimativa de valorização que sofrerá o imóvel, assinado por engenheiro devidamente habilitado. § 4º Na contestação, o locador, ou sublocador, poderá pedir, ainda, a fixação de aluguel provisório, para vigorar a partir do primeiro mês do prazo do contrato a ser renovado, não excedente a oitenta por cento do pedido, desde que apresentados elementos hábeis para aferição do justo valor do aluguel. § 5º Se pedido pelo locador, ou sublocador, a sentença poderá estabelecer periodicidade de re- ajustamento do aluguel diversa daquela prevista no contrato renovando, bem como adotar outro indexador para reajustamento do aluguel. Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Art. 73. Renovada a locação, as diferenças dos aluguéis vencidos serão executadas nos próprios autos da ação e pagas de uma só vez. Art. 74. Não sendo renovada a locação, o juiz de- terminará a expedição de mandado de despejo, que conterá o prazo de 30 (trinta) dias para a desocupa- ção voluntária, se houver pedido na contestação. Art. 75. Na hipótese do inciso III do art. 72, a sen- tença fixará desde logo a indenização devida ao loca- tário em consequência da não prorrogação da locação, solidariamente devida pelo locador e o proponente. Atenção! Apresentar uma proposta qualquer de um terceiro qualquer, só para impedir a renovação da locação seria uma atitude ilícita é uma fraude. 45Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Locação para temporada Art. 48 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Considera-se locação para tem- porada aquela destinada à residência temporária do locatário, para prática de lazer, realização de cursos, tratamento de saúde, feitura de obras em seu imóvel, e outros fatos que decorrem tão-somente de deter- minado tempo, e contratada por prazo não superior a noventa dias, esteja ou não mobiliado o imóvel. Parágrafo único. No caso de a locação envolver imóvel mobiliado, constará do contrato, obrigatoria- mente, a descrição dos móveis e utensílios que o guar- necem, bem como o estado em que se encontram. Em resumo, a locação para temporada é aquela cujo prazo de locação seja de até 90 dias, ou seja, 3 meses. Em locações para temporada, a vistoria ganha maior aspectos de importância, a tal ponto de se exi- gido que conste no contrato. Art. 49 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: O locador poderá receber de uma só vez e antecipadamente os aluguéis e encar- gos, bem como exigir qualquer das modalidades de garantia previstas no art. 37 para atender as demais obrigações do contrato. O prazo máximo de um contrato de locação para temporada é de 3 meses. O locador pode exigir o pagamento de uma só vez e antecipadamente. O valor total que o locatário deve pagar nesse tipo de locação é de 3 meses. A critério do locador, é possível que se exija qualquer uma das garantias locatícias. IMPORTANTE! Atenção! De todas as locações que possam ser ce- lebradas, a cobrança antecipada do aluguel somente pode acontecer se a locação não tiver garantia locatí- cia ou se for uma locação para temporada. Nas demais locações, cobrar o aluguel antecipadamente é uma contravenção penal, punível com prisão e multa. Art. 50 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Findo o prazo ajustado, se o locatário permanecer no imóvel sem oposição do locador por mais de trinta dias, presumir-se-á prorrogada a locação por tempo indeterminado, não mais sendo exigível o pagamento antecipado do alu- guel e dos encargos. Parágrafo único. Ocorrendo a prorrogação, o lo- cador somente poderá denunciar o contrato após trinta meses de seu inícioou nas hipóteses do art. 47. O contrato de locação para temporada tem pra- zo determinado, menor que 90 dias, podendo ser qualquer quantidade de dias. Terminado o prazo estabelecido nesse contrato, o locatário deve resti- tuir o imóvel ao locador. Caso o locatário permaneça no imóvel sem oposição do locador, após trinta dias essa locação passará a ser uma locação com prazo indeterminado e será tratada tal qual qualquer outra locação residencial com prazo indeterminado. Isso significa que o aluguel não mais poderá ser cobrado antecipadamente, devendo ser cobrado no sexto dia útil do mês seguinte ao vencido. E, além disso, o lo- cador somente poderá restituir o imóvel após trinta meses, a não ser que ocorra uma das situações lista- das no artigo 47 da Lei do Inquilinato. O artigo nono estabelece que a locação poderá ser desfeita por mútuo acordo; ou em decorrência da prá- tica de infração legal ou contratual; ou em decorrência da falta de pagamento do aluguel e demais encargos; ou ainda para a realização de reparações urgentes de- terminadas pelo Poder Público, que não possam ser normalmente executadas com a permanência do loca- tário no imóvel ou, se ele puder permanecer no imó- vel, mas se recusar a consentir essas reparações. Em resumo, a locação para temporada, se prorrogada, torna-se uma locação residencial com prazo indeterminado, mas a retomada do imóvel 46 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. fica restrita a 30 meses, salvo os casos listadas no artigo 47 da Lei do Inquilinato. Diferença entre locação para temporada e hospedagem: Artigo 565 do Código Civil, Lei nº 10.406 de 2002: Na locação de coisas, uma das partes se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição. Lei nº 11.771, de 17 de setembro de 2008 – Lei do Turismo: Art. 23. Consideram-se meios de hospeda- gem os empreendimentos ou estabelecimentos, independentemente de sua forma de constituição, destinados a prestar serviços de alojamento tem- porário, ofertados em unidades de frequência in- dividual e de uso exclusivo do hóspede, bem como outros serviços necessários aos usuários, denomi- nados de serviços de hospedagem, mediante ado- ção de instrumento contratual, tácito ou expresso, e cobrança de diária. Art. 24. Os meios de hospedagem, para obter o cadastramento, devem preencher pelo menos um dos seguintes requisitos: I - possuir licença de funcionamento, expedida pela autoridade competente, para prestar serviços de hospedagem, podendo tal licença objetivar so- mente partes da edificação; e II - no caso dos empreendimentos ou estabele- cimentos conhecidos como condomínio hoteleiro, flat, flat-hotel, hotel-residence, loft, apart-hotel, apart-service condominial, condohotel e similares, possuir licença edilícia de construção ou certifica- do de conclusão de construção, expedidos pela au- toridade competente, acompanhados dos seguin- tes documentos: (...) LOCAÇÃO é quando uma pessoa, física ou jurídica, possuidora de um bem, passa esse bem, temporariamente, a outra pessoa, física ou jurídica, em troca de alguma remuneração. HOSPEDAGEM não realiza essa transferência de posse, mas apenas uma prestação de um serviço, sempre por uma pessoa jurídica, licenciada e autoriza- da para isso. Sendo uma prestação de serviço, na hospedagem tem-se a figura do cliente, enquanto que na locação para temporada, tem-se o locatário. O cliente da hos- pedagem é consumidor de um serviço e pode se valer do Código de Defesa do Consumidor, Lei número 8.078, de 1990. Por outro lado, na locação para temporada não existe essa relação de consumo e, portanto, resta a inaplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor. Na locação para temporada, o que se estabelece é uma relação de contratual de bens, para a qual existe regra- mento específico pela Lei número 8.245 de 1991, a Lei do Inquilinato, que regula a matéria. Ação Revisional de Aluguel No contexto jurídico, o termo AÇÃO se refere ao di- reito subjetivo de demandar, ou seja, o direito que um sujeito tem de ingressar em juízo para obter do Poder Judiciário uma solução para toda e qualquer pretensão ou conflito. Enfim, uma ação, juridicamente falando, é o meio para se obter um julgamento e uma sentença e, ob- viamente, depende de certos requisitos. Ação revisional de aluguel é um processo jurídico com o objetivo de ajustar o valor do aluguel. Artigo 18 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: É lícito às partes fixar, de comum acordo, novo valor para o aluguel, bem como inserir ou modificar cláusula de reajuste. Portanto, juntos, locador e locatário podem, de co- mum acordo, ajustar o valor do aluguel. Se não conse- guirem chegar a um acordo, tanto o locador, quanto o locatário pode ingressar com ação revisional de aluguel. Artigo 19 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Não havendo acordo, o lo- 47Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. cador ou locatário, após três anos de vigência do con- trato ou do acordo anteriormente realizado, poderão pedir revisão judicial do aluguel, a fim de ajustá-lo ao preço de mercado. A ação revisional de aluguel somente pode ser in- gressada após transcorridos, pelo menos, 3 anos conta- tos da data de início da locação. Mas também vale res- saltar que diferente da ação renovatória que já vimos, a qual é aplicável apenas às locações não residenciais, a ação revisional de aluguel se aplica tanto para locação não residenciais quanto para locações residenciais. Artigo 68 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Na ação revisional de aluguel, que terá o rito sumário, observar-se-á o seguinte: I - além dos requisitos exigidos pelos arts. 276 e 282 do Código de Processo Civil, a petição inicial deverá indi- car o valor do aluguel cuja fixação é pretendida; ATENÇÃO! Os citados artigos 276 e 282 do Código de Processo Civil, se referem ao antigo Código e não ao atual. No CPC atualmente vigente, os requisitos da pe- tição inicial estão dispostos nos artigos 319 a 321. Ou- tra coisa, no atual CPC não mais existe o rito sumário ou procedimento sumário. O artigo 318 do atual CPC esta- belece que se aplica a todas as causas o procedimento comum, salvo disposição em contrário no próprio CPC ou estabelecido em lei específica. Posto isso, vejamos os de- mais incisos do artigo 68 da Lei do Inquilinato. Artigo 68 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Na ação revisional de aluguel, que terá o rito sumário, observar-se-á o seguinte: I – além dos requisitos exigidos pelos arts. 276 e 282 do Código de Processo Civil, a petição inicial deve- rá indicar o valor do aluguel cuja fixação é pretendida; II – ao designar a audiência de conciliação, o juiz, se houver pedido e com base nos elementos forne- cidos tanto pelo locador como pelo locatário, ou nos que indicar, fixará aluguel provisório, que será devido desde a citação, nos seguintes moldes: a) em ação proposta pelo locador, o aluguel provisório não poderá ser excedente a 80% (oitenta por cento) do pedido; b) em ação proposta pelo locatário, o aluguel provisório não poderá ser inferior a 80% (oitenta por cento) do aluguel vigente; III – sem prejuízo da contestação e até a audiên- cia, o réu poderá pedir seja revisto o aluguel provisó- rio, fornecendo os elementos para tanto; IV – na audiência de conciliação, apresentada a con- testação, que deverá conter contraproposta se houver discordância quanto ao valor pretendido, o juiz tentará a conciliação e, não sendo esta possível, determinará a realização de perícia, se necessária, designando, desde logo, audiência de instrução e julgamento;V – o pedido de revisão previsto no inciso III deste artigo interrompe o prazo para interposição de recurso contra a decisão que fixar o aluguel provisório. § 1º Não caberá ação revisional na pendência de prazo para desocupação do imóvel (arts. 46, pará- grafo 2° e 57), ou quando tenha sido este estipulado amigável ou judicialmente. § 2º No curso da ação de revisão, o aluguel pro- visório será reajustado na periodicidade pactuada ou na fixada em lei. Uma solução consensual é aquela que seja conce- bida pelas próprias partes, em consenso, ou seja, em comum acordo. Autocompositiva quer dizer que a de- cisão não foi imposta, diferente da heterocompsição, em que um terceiro, o juiz, determina a sentença. En- tão, uma solução consensual autocompositiva é aque- la em que as partes, por si mesmas, sem interferência de terceiros, chegam à solução em comum acordo. Com isso, o acesso à justiça é feito sem lotar o judiciá- rio com processos. Só para entendermos o peso disso no judiciário, é interessante frisar a importância que os legisladores deram a esse assunto, estabelecendo, no segundo parágrafo do artigo terceiro do CPC que o Estado promoverá, sempre que possível, a solução consensual dos conflitos. Na sequência, o parágrafo quarto dispõe que a conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de conflitos deverão ser estimulados por juízes, advogados, defensores pú- blicos e membros do Ministério Público, inclusive no curso do processo judicial. Nesse sentido, o artigo 139 do CPC estabelece que incumbe ao juiz promover, a qualquer tempo, a autocomposição, preferencialmen- te com auxílio de conciliadores e mediadores judiciais. Citação, em termos jurídicos, é o momento da intimação. Se não houver acordo, apesar da audiência de conciliação, o juiz determinará a necessidade de no- mear um perito judicial. Se houver necessidade, ele nomeará um perito para apresentar um laudo peri- cial que contenha uma avaliação mercadológico do imóvel em questão determinando o valor de merca- do do seu aluguel. Independente disso, o juiz tam- bém já agenda a audiência de instrução e julgamen- to, na qual participam as partes, os seus advogados, as testemunhas, sem houverem, e auxiliares da justi- ça, que é o caso do perito judicial. 48 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. O pedido de revisão do aluguel provisório interrom- pe o prazo do agravo de instrumento. Mas, não é possível uma ação revisional de alu- guel se estiver correndo o prazo para desocupação do imóvel. E tanto faz se essa desocupação tenha sido originada por causa de um pedido do locador, seja num contrato residencial ou não residencial prorrogado por prazo indeterminado, seja quando o prazo para desocupação tenha sido estipulado judi- cialmente ou mesmo amigavelmente. Enquanto a ação revisional estiver em seu curso, o aluguel provisório será reajustado da mesma forma que estava estabelecido no contrato de locação ou, na ausên- cia disso, conforme estabelecer a lei. Artigo 69 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: O aluguel fixado na sentença retro- age à citação, e as diferenças devidas durante a ação de revisão, descontados os alugueres provisórios satisfeitos, serão pagas corrigidas, exigíveis a partir do trânsito em julgado da decisão que fixar o novo aluguel. § 1º Se pedido pelo locador, ou sublocador, a senten- ça poderá estabelecer periodicidade de reajustamento do aluguel diversa daquela prevista no contrato revisan- do, bem como adotar outro indexador para reajustamen- to do aluguel. § 2º A execução das diferenças será feita nos autos da ação de revisão. O juiz apresenta a sentença e o novo aluguel é de- finido. Durante todo esse processo, o locatário pagou o aluguel provisório. Agora, o locatário deverá pagar ao lo- cador a diferença e passar a pagar mensalmente o novo valor de aluguel. Também importa ressaltar que na peti- ção inicial, ou durante o processo, o locador poderá pedir que se passe a usar outro período de reajuste do aluguel, assim como outro indexador. Artigo 70 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Na ação de revisão do aluguel, o juiz poderá homologar acordo de desocupação, que será executado mediante expedição de mandado de despejo. Estamos falando numa ação judicial para rever o va- lor do aluguel. Mas, dependendo da situação, a solução poderá ser o despejo. Ação de Despejo O termo AÇÃO, já conceituamos anteriormente, como sendo o direito do sujeito de obter do Poder Judi- ciário uma solução para uma pretensão ou conflito. Já o termo DESPEJO significa o ato de despejar, ou seja, o ato de remover o que incomoda, ou o que seja um obstácu- lo, ou ainda aquilo que seja inútil. No contexto jurídico, portanto, a ação de despejo é a demanda ao judiciário pela qual o proprietário de um imóvel pleiteia a desocu- pação do imóvel pelo inquilino. Artigo 47 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Quando ajustada verbalmente ou por escrito e como prazo inferior a trinta meses, findo o prazo estabelecido, a locação prorroga-se automatica- mente, por prazo indeterminado, somente podendo ser retomado o imóvel: I - Nos casos do art. 9º; II - em decorrência de extinção do contrato de traba- lho, se a ocupação do imóvel pelo locatário relacionada com o seu emprego; III - se for pedido para uso próprio, de seu cônjuge ou companheiro, ou para uso residencial de ascendente ou descendente que não disponha, assim como seu cônjuge ou companheiro, de imóvel residencial próprio; IV - se for pedido para demolição e edificação licen- ciada ou para a realização de obras aprovadas pelo Po- der Público, que aumentem a área construída, em, no mínimo, vinte por cento ou, se o imóvel for destinado a exploração de hotel ou pensão, em cinquenta por cento; V - se a vigência ininterrupta da locação ultra- passar cinco anos. Artigo 9º da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: A locação também pode- rá ser desfeita: I - por mútuo acordo; II - em decorrência da prática de infração legal ou contratual; III - em decorrência da falta de pagamento do aluguel e demais encargos; IV - para a realização de reparações urgentes deter- minadas pelo Poder Público, que não possam ser nor- malmente executadas com a permanência do locatário no imóvel ou, podendo, ele se recuse a consenti-las. Denúncia cheia para ação de despejo é aquela cuja justificativa apresente, pelo menos, um dos itens listados no artigo nono e no artigo 47 da Lei do Inquilinato. Denúncia é vazia é a quebra do contrato de loca- 49Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. ção e, portanto, a retomada do imóvel pelo locador, sem que haja justificativa alguma. Isso se aplica ao caso em que a locação foi ajustada em contrato por escrito cujo prazo tenha sido igual ou superior a trin- ta meses e esse tempo já tenha passado. Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Art. 59 (...) § 1º Conceder-se-á liminar para desocupação em quinze dias, independentemente da audiência da parte contrária e desde que prestada a caução no valor equivalente a três meses de aluguel, nas ações que tiverem por fundamento exclusivo: I - o descumprimento do mútuo acordo (art. 9º, inciso I), celebrado por escrito e assinado pelas par- tes e por duas testemunhas, no qual tenha sido ajus- tado o prazo mínimo de seis meses para desocupa- ção, contado da assinatura do instrumento; II - o disposto no inciso II do art. 47, havendo pro- va escrita da rescisão do contrato de trabalho ou sen- do ela demonstrada em audiência prévia; III - o término do prazo da locação para tempo- rada, tendo sido proposta a ação de despejo em até trinta dias apóso vencimento do contrato; IV - a morte do locatário sem deixar sucessor le- gítimo na locação, de acordo com o referido no inciso I do art. 11, permanecendo no imóvel pessoas não autorizadas por lei; V - a permanência do sublocatário no imóvel, ex- tinta a locação, celebrada com o locatário. VI – o disposto no inciso IV do art. 9o, havendo a necessidade de se produzir reparações urgentes no imóvel, determinadas pelo poder público, que não pos- sam ser normalmente executadas com a permanência do locatário, ou, podendo, ele se recuse a consenti-las; VII – o término do prazo notificatório previsto no pa- rágrafo único do art. 40, sem apresentação de nova ga- rantia apta a manter a segurança inaugural do contrato; VIII – o término do prazo da locação não residen- cial, tendo sido proposta a ação em até 30 (trinta) dias do termo ou do cumprimento de notificação co- municando o intento de retomada; IX – a falta de pagamento de aluguel e acessórios da locação no vencimento, estando o contrato desprovido de qualquer das garantias previstas no art. 37, por não ter sido contratada ou em caso de extinção ou pedido de exoneração dela, independentemente de motivo. O inciso 2 do artigo 47 se refere à extinção do contrato de trabalho do locatário no caso de a ocu- pação do imóvel esteja relacionada com o emprego do locatário. Mas nesse caso, o locador deverá ter uma cópia, obviamente, por escrito, da rescisão do contrato de trabalho do locatário. Vale lembrar que, se o contrato de locação não este- ja sendo garantido por qualquer uma das quatro modali- dades de garantias locatícias, o locador poderá exigir do locatário o pagamento do aluguel e encargos até o sexto dia útil do mês vincendo. Nesse caso, o locatário deve pagar o aluguel até o sexto dia, por exemplo, do mês de maio, referente à sua ocupação do imóvel no mesmo mês de maio. Então o locatário paga o aluguel do mês, dentro do próprio mês. Lembrando, somente neste caso e no caso de locação para temporada é que se pode co- brar o aluguel antecipadamente. Mas neste caso de lo- cação sem garantia, se o locatário não pagar o aluguel, o locador poderá ingressar com ação de despejo e pedir liminar para desocupação do imóvel em quinze dias. Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Art. 59 (...) § 2º Qualquer que seja o fundamento da ação dar- -se-á ciência do pedido aos sublocatários, que poderão intervir no processo como assistentes. § 3º No caso do inciso IX do § 1o deste artigo, pode- rá o locatário evitar a rescisão da locação e elidir a liminar de desocupação se, dentro dos 15 (quinze) dias concedi- dos para a desocupação do imóvel e independentemen- te de cálculo, efetuar depósito judicial que contemple a totalidade dos valores devidos, na forma prevista no in- ciso II do art. 62. Em resumo, o locador deve comunicar o pedido aos sublocatários e que esse poderão participar no processo enquanto assistentes. Já o parágrafo terceiro estabelece uma forma para o locatário evite a rescisão da locação e cancele a liminar de desocupação. Essa possibilidade ao locatário somente se aplica no caso de inadimplên- cia numa locação sem garantia locatícia, que é o que se refere o mencionado inciso 9. Neste caso, basta que o locatário pague o que deve, considerando os aluguéis e acessórios da locação que vencerem até a data do paga- mento, as multas ou penalidades contratuais, os juros de mora e as custas e honorários do advogado do locador, fixados em dez por cento sobre o montante devido, se do contrato não constar disposição diversa. Especificamente nos casos em que a ação de despe- jo se fundamentar na denúncia posterior à prorrogação da locação em locações com prazo igual ou superior a trinta meses, assim como nos casos de pedido para uso próprio, ou ainda para demolição e edificação licencia- da ou realização de obras aprovadas pelo Poder Público, 50 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. que aumentem a área construída, em, no mínimo, vinte por cento. Nesses casos, se o locatário, ainda dentro do prazo da sua contestação, que é de quin- ze dias, manifestar sua concordância com a desocu- pação do imóvel, então, o juiz fixará o prazo de seis meses para a desocupação, contados a partir da data da citação. Se o locatário devolver o imóvel dentro desse prazo de seis meses, ele estará dispensado de pagar as custas do processo e os honorários advoca- tícios. Portanto, nesse caso, cada parte arcará com seus gastos respectivos no processo. Por outro lado, se o locatário não desocupar o imóvel dentro desses seis meses, então será expedido mandado de despe- jo e o locatário ainda terá a responsabilidade pelas custas e honorários advocatícios de vinte por cento sobre o valor dado à causa. Nas ações de despejo que se fundamentem no não pagamento do aluguel, o locador poderá pedir o despejo e o pagamento do aluguel. Neste caso, o locatário responde ao pedido de rescisão e o locatário junto com os fiadores, se houverem, respondem ao pedido de cobrança. Julgada procedente a ação de despejo, o juiz de- terminará a expedição de mandado de despejo. Esse mandado deverá conter um prazo de trinta dias para a desocupação voluntária do imóvel. Mas esse prazo poderá ser de quinze dias em duas situações. Primei- ra, se entre a citação e a sentença de primeira instân- cia houverem decorrido mais de quatro meses; segun- da situação, se o despejo houver sido decretado com fundamento em um dos itens do artigo nono ou no segundo parágrafo do artigo 46. O prazo de desocupação na sentença de despejo, no geral, é de trinta dias. Mas poderá ser de quinze dias se a ação tenha sido embasada num mútuo acor- do de desocupação que não tenha sido cumprido; ou em decorrência da prática de infração legal ou con- tratual; ou em decorrência da falta de pagamento do aluguel e demais encargos; ou para a realização de re- parações urgentes determinadas pelo Poder Público; ou ainda numa locação com prazo igual ou superior a trinta meses, a locação tenha sido prorrogada, o lo- cador, depois disso, tenha pedido a desocupação do imóvel e o locatário não o tenha devolvido. Contudo, se o locatário for uma instituição de en- sino autorizada e fiscalizada pelo Poder Público, o juiz determinará o prazo de desocupação de modo a que este coincida com o período de férias escolares, sendo que esse prazo não poderá ser menor que seis meses e nem maior do que um ano. Neste caso o prazo é bem mais estendido. No caso de hospitais, repartições públicas, unida- des sanitárias oficiais, asilos, estabelecimentos de saú- de e de ensino autorizados e fiscalizados pelo Poder Público, bem como por entidades religiosas devida- mente registradas, existe uma diferenciação no prazo que ocorre somente se o despejo for decretado com fundamento na realização de reparações urgentes de- terminadas pelo Poder Público ou se para demolição e edificação, licenciadas ou reforma que venha a re- sultar em aumento mínimo de cinquenta por cento da área útil. Nesses dois casos, e para essas instituições, o prazo será de um ano. No entanto, se entre a data da citação e a da sentença de primeira instância houver decorrido mais de um ano, então o prazo de desocu- pação será de seis meses. Nos demais casos não listados, é possível pedir a execução provisória do despejo. Nesses casos, a caução para essa execução provisória terá seu valor calculado na proporção que varia de seis a doze me- ses de aluguel. Se a ação for julgada improcedente, a caução neste caso e no caso anteriormente mencio- nado, servirá como indenização ao locatário. Se for procedente, o locador poderá pedir levantamento da caução para receber o valor de volta. Caso o locador não disponha, financeiramente, do valor para a caução: Uma das possibilidades é de substituir a caução em dinheiro por uma caução real, ou seja, oferecerum imó- vel, por exemplo. Outra possibilidade é uma caução fi- dejussória, ou seja, garantida por um terceiro, um fiador. Nesse caso, é muito comum a utilização de fiança ban- cária. Por fim, uma terceira possibilidade é da dispensa de aluguéis vencidos como caução, no caso específico de ação de despejo por falta de pagamento. Neste caso, deve-se apresentar essa alternativa ao juiz, que poderá ou não prover. Mas não deixa de ser uma possibilidade. Sentença provida. Ação de despejo finalizada. O locatário tem um prazo para desocupar o imóvel. Se o locatário não desocupar o imóvel e permanecer nele após encer- rado o prazo determinado, o locador poderá, se necessá- rio solicitar o emprego de força, inclusive arrombamento, como estabelece o artigo 65 da Lei do Inquilinato. O loca- dor não emprega a força, nem faz o arrombamento. Ele deve solicitar isso. Um advogado sabe o caminho legal para resolver essa questão. Corretores de imóveis devem saber que isso é possível, mas que seja feito dentro dos parâmetros e procedimentos legais. Se a desocupação for à força, e se o despejado não quiser retirar seus bens do imóvel, então seus móveis e utensílios deverão ser entregues à guarda de depositário, o qual deve ser provi- 51Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total deste material. denciado, a pedido do locador, ao oficial de justiça. Se o imóvel for abandonado após ajuizada a ação de despejo, o locador poderá retomar a posse do imóvel. Imóvel locado ofertado à venda que foi efeti- vada: Neste caso, o novo proprietário não pactuou nada com o, então, locatário e, portanto, não deveria ter que assumir os acordos feitos por terceiros. Caso haja interesse, o novo proprietário poderá manter a locação como uma oportunidade de renda. Do con- trário, não havendo esse interesse, o novo proprie- tário poderá denunciar o contrato, ou seja, poderá provocar a sua rescisão e promover a desocupação do imóvel pelo inquilino, voluntariamente ou por despejo, mas existem casos e casos. Essa situação es- pecífica, também está previsto na Lei do Inquilinato, notadamente em seu artigo oitavo. Art. 8º da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 – Lei do Inquilinato: Se o imóvel for alienado durante a locação, o adquirente poderá denunciar o contrato, com o prazo de noventa dias para a desocupação, salvo se a locação for por tempo determinado e o contrato contiver cláusula de vigência em caso de alienação e estiver aver- bado junto à matrícula do imóvel. § 1º Idêntico direito terá o promissário comprador e o promissário cessionário, em caráter irrevogável, com imissão na posse do imóvel e título registrado junto à matrícula do mesmo. § 2º A denúncia deverá ser exercitada no prazo de noventa dias contados do registro da venda ou do com- promisso, presumindo-se, após esse prazo, a concordân- cia na manutenção da locação. A alienação é a transferência do direito de pro- priedade de um bem para outra pessoa. Neste caso estamos falando da alienação de um imóvel durante a vigência de um contrato de locação desse mesmo imóvel. Nesse caso, o adquirente, o novo proprietá- rio, tem o direito de comunicar o atual inquilino para que, no prazo de noventa dias, desocupe o imóvel. Contudo, isso não se aplica se o contrato de locação responder a três critérios. Primeiro, se o contrato de locação for por tempo determinado e esse tem- po ainda não tenha vencido. Segundo, se o contrato contiver uma cláusula estabelecendo a vigência do contrato nesse tempo determinado ainda que seja alienado. E terceiro, se isso estiver averbado junto à matrícula do imóvel no cartório do registro de imó- veis. Essa averbação à matrícula do imóvel dá a pu- blicidade necessária ao conhecimento do adquirente de que existe essa situação com esse imóvel. Nesse caso, então o adquirente não poderá denunciar o contrato de locação e o terá que manter, pelo menos, até findar seu prazo de vigência. Caso o contrato for denunciado e o inquilino não de- socupe o imóvel no prazo de 90 dias, o atual proprietário poderá ingressar com ação de despejo. Na locação, para ampliar a proteção ao locatá- rio, há de se verificar a possibilidade de incluir essa cláusula conferindo vigência da locação em face de terceiros. Na compra e venda de um imóvel, sempre deve-se verificar se existe averbação junto à matrí- cula do imóvel acerca de locações vigentes. E não somente na compra e venda do imóvel, mas a aliena- ção também se refere à doação, permuta, aquisição judicial ou extrajudicial em leilão e constituição de usufruto. De fato, é uma informação importantíssi- ma. Imagine o problema que pode ser gerado pelo corretor de imóveis displicente que intermedeia uma compra de um imóvel em que o adquirente pretenda habitar, mas que esteja locado e contemple esses cri- térios. Vamos supor que esse negócio seja fechado e que haja a alienação do imóvel. Esse novo proprietá- rio desejando habitar o imóvel tenta a desocupação voluntária, comunicando ao inquilino que desocupe o imóvel e isso não acontece. Certamente ingressará com ação de despejo, mas será uma ação frustrada, pois o despejo não será provido. Supondo, agora, que o novo proprietário do imóvel locado não realize a denúncia, ou seja, não comunique o inquilino para desocupação. Nessa si- tuação, passados noventa dias, presume-se a con- cordância na manutenção da locação. Em outras pa- lavras, neste caso o novo proprietário será o locador pela vigência do antigo contrato de locação. Se o proprietário do imóvel locado pretende oferta-lo à venda, deverá primeiramente oferece-lo ao locatá- rio, pois este tem direito de preferência. Portanto, o proprietário locador deve comunicar o locatário de todas as condições da proposta recebida, principal- mente quanto ao preço, a forma de pagamento, a existência de ônus reais, como penhoras, ou hipo- tecas sobre o imóvel. Então, o locatário terá o prazo de trinta dias para exercer esse seu direito de prefe- rência, e, neste caso, deverá aceitar as condições de compra ofertadas. Se o locatário não se manifestar, então o proprietário poderá fechar o negócio com o terceiro. Por outro lado, se o locatário manifestar a aceitação das condições para aquisição do imóvel e depois não fechar o negócio, então, responderá pelos prejuízos causados ao proprietário.