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1 Análise do Discurso Adilson do Nascimento Gomes 1 2 2 AULA Michel Foucault na Análise do Discurso A análise do discurso passou por diversas reformulações conceituais e teóricas. Essas reformulações não foram produto exclusivo das reflexões de Michel Pêcheux, a quem é atribuída a paternidade da AD. Elas permitiram a entrada de reflexões de outros pensadores que se tornaram importantes para a constituição da Análise do Discurso como disciplina. 3 4 3 Se a Análise do Discurso “[...] experimentou certa longevidade, isso se deve ao fato de ela ter sido ampliada, repensada por meio da continuidade constituída pela atividade de pesquisadores em torno de Michel Pêcheux” (MAZIÈRE, 2007, p.45). Foucault na Análise do Discurso Sem ter a intenção de constituir um campo de estudos ou uma teoria da linguagem, o filósofo francês Michel Foucault se debruçou sobre questões amplas que traziam à tona as relações entre o saber e o poder na sociedade ocidental, e essas relações eram construídas a partir de práticas discursivas e não discursivas: Foucault compreende que são as práticas discursivas que constituem e determinam os objetos. Desse modo, ainda que não fosse seu objetivo fundar uma teoria, seus escritos instauram um modo de olhar/ analisar os discursos. Figura 1 – Michel Foucault Fonte: http://g1.globo.com/platb/maquinadeescrever/2011/03/13/michel-foucault-entre-a- filosofia-e-a-historia/ 5 6 4 Foucault (2008) contribuiu para a análise do discurso quando observou e “[...] pensou sobre as articulações entre o discurso e a história e, portanto, elaborou conceitos e indicou direções para uma teoria e análise do discurso” (GREGOLIN, 2007, p. 19), o que consolida, assim, sua importância para os estudos do discurso. Conceito de Formação Discursiva Por meio das publicações As Palavras e as Coisas, A Arqueologia do Saber e A Ordem do Discurso, Foucault “[...] pensou sobre as articulações entre o discurso e a história [...] elaborou conceitos e indicou direções para uma teoria do discurso” (GREGOLIN, 2004, p.19). 7 8 5 É na Arqueologia do Saber, publicada em 1969, que encontramos grande parte dos conceitos dos quais nos fala Gregolin (2004), e que podemos compreender na metodologia do pensamento de Foucault. Ao construir um método de compreensão dos discursos, Foucault se preocupa também com as questões relativas às estruturas que compõem o discurso ou a ele estão ligados. Assim sendo, o método arqueológico se constrói na definição dos principais objetos: o discurso, o enunciado e o saber. Para tal elabora, na Arqueologia do Saber, conceitos nucleares para compreender a relação entre cada elemento: enunciado, função enunciativa, discurso, formação discursiva, prática discursiva e arquivo. 9 10 6 [...] é fugir das explicações de ordem ideológica, das teorias conspiratórias da história, de explicações mecanicistas de todo tipo: é dar conta de como nos tornamos sujeitos de certos discursos, de como certas verdades se tornam naturais, hegemônicas, especialmente de como certas verdades se transformam em verdades para cada sujeito, a partir de práticas mínimas, de ínfimos enunciados, de cotidianas e institucionalizadas regras, normas e exercícios. (FISCHER, 2003, p. 385-386). Referências Bibliográficas FISCHER, R. M. B. Foucault revoluciona a pesquisa em educação? Perspectiva. Florianópolis, v. 21, n. 2, 2003, p. 371-389. FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008. GREGOLIN, Maria do Rosário. Análise do discurso e mídia: a (re)produção de identidades. Comunicação mídia e consumo, São Paulo, v. 4, n. 11, p. 11-25, nov. 2007. Disponível em: <http://revistacmc.espm.br/index.php/revistacmc/article/view/105/106>. Acesso em: 12 jan. 2015. ______. Michel Foucault: o discurso nas tramas da história. In: FERNANDES, C. A.; SANTOS, J. B. C. Análise do discurso: unidade e dispersão. Uberlândia: Entremeios, 2004. p. 19-42. MAZIÉRE, F. Análise do Discurso: histórias e práticas. São Paulo: Parábola Editorial, 2007. 11 12