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Aluno: Mateus Americo de Aquino RA: 113970 1) No Brasil, o que tivemos como organização econômica, desde o início da colonização, foi a escravidão servindo de base a uma economia mercantil. Com a abolição legal da escravidão (precedida de um processo de substituição progressiva do trabalho escravo pelo trabalho livre, desde a supressão do tráfico africano), era natural que as classes dominantes e senhoras dos meios e fatores de produção, inclusive e sobretudo a terra, procurassem se aproveitar da tradição escravista ainda muito próxima e viva, para o fim de intensificarem a exploração do trabalhador. 2) Sendo o Brasil muito afetado pela crise de 29 na produção do café, produto o qual o Brasil era responsável por 70% do comercio mundial, tendo 80% do café dos EUA comprado nosso. Com essa recessão, o café estagnou-se no mercado brasileiro e o preço despencou. Os cafeicultores tiveram prejuízos gigantescos. O governo de Getúlio Vargas fez mudanças políticas indiretamente da recessão sobre o nosso pais. Além disso, as exportações do café reduziram-se por volta de 60%, e o preço do café no mercado internacional caiu cerca de 90%. Com isso, o governo , para proteger o principal produto do país, criou o Conselho Nacional do Café em 1931. Para conter a queda no valor do café, o governo decidiu realizar a compra das sacas que estavam paradas para aumentar o calor do café no mercado internacional. As sacas comparadas eram incendiadas. Essa prática estendeu-se durante treze anos, resultando na destruição de 78,2 milhões de sacas de café. 3) O modelo voltado para fora desenvolveu-se no Brasil por volta do Século XIX até 1930, de acordo com o modelo primário-exportador. Modelo utilizado devido ao grande desenvolvimento do comércio internacional e da DIT, ocorrido a partir de meados do século XIX. A partir de 1930, com o Crash da bolsa americana, a crise do sistema capitalista internacional, o Brasil deu início do segundo modelo de desenvolvimento econômico: o modelo de substituição de importações, ou seja, modelo voltado para dentro. A industrialização brasileira realizou-se de acordo com esse modelo, a relação entre importações e a renda baixou violentamente e a industrialização realizou-se com substituição dos bens anteriores importados, enquanto as exportações permaneciam relativamente estagnadas. A economia sofreu profundas modificações. Um grande parque industrial, integrado e tecnologicamente sofisticado, foi montado no sul do país, tendo como polo São Paulo. Modificações estruturais correspondentes ocorrem no plano social, político e ideológico. 4) Antes da primeira guerra mundial já se haviam dado algumas manifestações incipientes desta nova etapa. Mas foi preciso que sobreviessem, com o primeiro conflito bélico universal, sérias dificuldades de importação, para que os fatos demonstrassem as possibilidades industriais daqueles países (latino-americanos), e que, em seguida, a grande depressão dos anos trinta corroborasse a ideia de que era necessário aproveitar tais possibilidades para compensar, assim, mediante o desenvolvimento interno, a notória insuficiência do impulso que, de fora, havia estimulado até então a economia latino-americana; corroboração ratificada durante a segunda guerra mundial, quando a indústria da América Latina, com todas as suas improvisações e dificuldades, se transforma, entretanto, em fonte de emprego e consumo para uma parte apreciável e crescente da população 5) Afetado pela crise de 1929, o setor cafeeiro, até então superior na economia brasileira, com foco na exportação, mesmo amparado por políticas públicas de apoio à produção, viveu uma grande recessão nos anos que seguiram. Setores como o industrial, cujo foco era o mercado interno, apesar de sofrerem, também, uma recessão, viram uma recuperação mais veloz que o setor cafeeiro, tendo em 1933 já recuperado os níveis econômicos de 1929. Com setores destinados ao mercado interno tendo uma maior rentabilidade, à pouca grande parte do investimento, antes destinado a produção para “fora”, migrou para indústrias, que ofereciam uma maior rentabilidade e tinham enfoque no mercado de “dentro”. 6) João Manuel observava a industrialização, não apenas no Brasil, como em toda América Latina, forçada e tardia. Economias que antes eram baseadas na exportação de bens primários e agrícolas, após a crise de 1929, foram forçadas a desenvolverem internamente sua economia, através da industrialização 7) Na visão Cepalina, enquanto a produção econômica dos países latinos fosse voltada para “fora”, de bens primários, a economia internacional estaria dividida entre periférica e central, sendo a latino-americana representada pela periférica, pela dependência da demanda das economias consideradas centrais. Esta dependência, para os Cepalinos, é um resquício do imperialismo, onde os estados-nações que se submetem a uma economia fincada na exportação, se comportam como colônia. A partir disto, a industrialização se inicia muito tarde, quando as economias periféricas já sofrem consequências de crises nos mercados centrais 8) O papel do setor exportador era produzir em larga escala produtos coloniais destinados ao mercado mundial. Essa produção é organizada pelos meios de produção e o trabalhador está direto sujeito à compulsão. Porém, parte do tempo de trabalho do setor pode ser empregada na produção de subsistência. 9) Não basta, no entanto, admitir que a industrialização latino-americana é capitalista. É necessário, também, convir que a industrialização capitalista na América Latina é específica e que sua especificidade está duplamente determinada: por seu ponto de partida, as economias exportadoras capitalistas nacionais, e por seu momento, o momento em que o capitalismo monopolista se torna dominante em escala mundial, isto é, em que a economia mundial capitalista já está constituída. É a esta industrialização capitalista que João Manoel chama de retardatária.