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Dermatozoonoses
FELIPE MARINHO ROCHA DE MACÊDO, MR1 - DERMATOLOGIA
Dermatozoonoses
Conceito: doenças de pele provocadas por insetos, vermes, protozoários ou celenterados que
tenham vida parasitária ou não.
• Escabiose
• Sarna crostosa
• Pediculose
• Dermatite vesicarnte por Paederus
• Miíase
• Larva migrans
• Pulicose
• Tungíase
• Cimidíase
• Ixodidiase (Dermatite produzida 
pela picada de carrapatos)
• Doença de Lyme
• Oncocercose
Escabiose (ou Sarna)
o Agente patogênico: ácaro Sarcoptes scabiei var. hominis, ordem Acarina, família Sarcoptidae,
gênero Sarcoptes, espécie scabiei;
o Fora do hospedeiro, sobrevive por 24 a 36h;
o Parasitas obrigatórios de mamíferos e aves; Transmissão: contato pessoal;
o Número de ácaros no indivíduo contaminado: cerca de 10-60 parasitas;
o Doença cíclica nos países subdesenvolvidos (intervalo de 10 a 15 anos), e não cíclica nos países
desenvolvidos.
Escabiose (ou Sarna)
Quadro Clínico:
◦ Prurido: pior à noite;
◦ Início: 3 a 4 semanas após a infecção, coincide com o aparecimento de pápulas inflamatórias;
◦ Lesões papulovesiculares: no local dos sulcos provocados por ácaros adultos e larvas;
◦ Lesões eritematopapulosas: disseminada generalizado relacionado a uma resposta
imunológica;
◦ Lesão patognomônica: sulco (pequena saliência linear de 1cm, sinuoso, ligeiramente
pigmentado), com uma vesicopápula perlácea em uma das extremidades na qual se encontra a
fêmea do ácaro;
◦ Distribuição clássica: axilas, mamas, pênis, nádegas, espaços interdigitais das mãos, cintura e
pés.
Escabiose (ou Sarna)
Escabiose dos recém-natos e jovens:
◦ Infestação em face e couro cabeludo pode ocorrer;
◦ Lesões nas regiões palmo-plantares;
◦ Lesões eczematosas ou urticadas podem dificultar o diagnóstico, principalmente em
lactentes.
Escabiose (ou Sarna)
Escabiose dos adultos:
◦ Nas pessoas muito higiênicas, as lesões podem passar despercebidas, e muitas vezes o(a)
companheiro(a) não se queixa de prurido.
Escabiose dos idosos:
◦ A pele reage menos ou de maneira atípica;
◦ Prurido intenso, principalmente noturno: principal sintoma;
◦ Com frequência há lesões no dorso que são tratadas como prurido senil.
Escabiose (ou 
Sarna)
Escabiose nodular:
◦ Nódulo pruriginoso que se mantém 
mesmo após o tratamento da 
escabiose;
◦ Alguns casos de sarna nodular 
podem simular mastocitose em 
crianças pequenas.
Escabiose (ou Sarna)
Sarna crostosa (ou Norueguesa):
◦ É uma forma de hiperinfestação cujo número de ácaros chega a superar 1 milhão;
◦ Associada a todos os doentes imunodeprimidos (ex.: quimioterapia, câncer,
transplantados, HIV, HTLV-1);
◦ Lesões hiperqueratósicas, crostosas, com fissuras na pele e unhas espessadas e
distróficas - pruriginosas;
◦ Pode ocorrer infecções por gram-negativos, como Pseudomona, Streptococcus
pyogens ou Staphylococcus aureus; pode ser acompanhada de eosinofilia e
linfadenopatia
◦ Diagnóstico diferencial: doença de Darier e psoríase.
Escabiose (ou Sarna)
Diagnóstico:
◦ Exame direto: colocam-se duas gotas de óleo mineral sobre as lesões e depois escarifica-se
com uma lâmina de bisturi ou cureta para remover o teto do sulco, que é colocado sobre a
lâmina de vidro e examinada ao microscópio, pesquisando-se ácaros e ovos
◦ PCR: para casos clinicamente atípicos;
◦ Dermatoscopia (visualização de estruturas triangulares – asa delta);
Dermatoscopia - achados
Escabiose (ou Sarna)
Diagnóstico diferencial:
◦Doenças pruriginosas:
◦ Dermatite atópica;
◦ Erupção medicamentosa;
◦ Urticária papulosa;
◦ Picadas de insetos;
◦ Piodermites.
Escabiose (ou Sarna)
Tratamento:
◦ Tratar todos os habitantes do domicílio;
◦ Permetrina: creme ou loção a 5%; crianças (maiores de 2 meses), adultos, gestantes e
nutrizes; em todo o corpo, à noite, e tomar banho pela manhã, por 2 noites consecutivas; no
3º dia pela manhã, toda a roupa de cama deve ser removida e lavada;
◦ Enxofre precipitado: a 5 ou 10% em vaselina; crianças gestantes e nutrizes; em todo o corpo,
por 4 noites seguidas, remover de dia;
◦ Monossulfiram: monossulfato de tetraetiltiuram; diluir em água (2 partes adulto, 3 para
crianças); 4 noites seguidas, retirar pela manhã; efeito antabuse.
Escabiose (ou Sarna)
Tratamento:
◦ Benzoato de benzila: loção a 25%; todo o corpo por 4 noites; pode provocar irritação na pele;
◦ Ivermectina: via sistêmica; > 5 anos de idade; 200mcg/Kg, dose única, podendo ser repetida
após 7 dias; pode ser usada por via tópica diluída a 1%em propilenoglicol na dose de
400mcg/Kg. Em imunodeprimidos, fazer 2 doses com intervalo de 1 semana. Na sarna
crostosa, associar queratolíticos tópicos (vaselina salicilada 5%);
◦ Sarna nodular: corticoide potente tópico 2 a 3 vezes ao dia; com ou sem oclusão; pode-se
infiltrar triancinolona 3 a 4 mg/ml.
◦ Controle do prurido (pós-tratamento*) com uso de anti-histamínicos (sedativos:
dexclorfeniramina / não-sedativos: Loratadina; Cetirizina)
Salavastru CM, Chosidow O, Boffa MJ, Janier M, Tiplica GS. European guideline for the management of scabies. Journal of the European Academy of Dermatology
and Venereology. 2017 Aug;31(8):1248-53.
Pediculose
Parasitas da ordem Phthiraptera;
Os seres humanos são parasitados por 3 espécies da subordem Anoplura:
◦ Pediculus humanus capitis – piolho da cabeça;
◦ Pediculus humanus humanus – piolho do corpo;
◦ Pthirus púbis – piolho da região pubiana;
◦ Todos são sugadores de sangue.
Pediculose
Etiologia e patogenia – pediculose do couro 
cabeludo:
◦ Pediculus humanus capitis;
◦ Tempo de vida: 30 a 40 dias – período no qual as fêmeas 
produzem cerca de 300 ovos;
◦ Os ovos se prendem aos cabelos por um material quitinoso 
produzido pela fêmea e eclodem em cerca de 8 dias.
Pediculose
Etiologia e patogenia – pediculose do corpo:
◦ Pediculus humanus humanus;
◦ Habitat natural: roupas do hospedeiro – só vão à pele para se alimentar;
◦ Podem atuar como vetor para:
◦ Rickettisia prowazeki – tifo epidêmico;
◦ Bartonella quintana – febre das trincheiras e endocardite;
◦ Borrelia recurrentis – febre recorrente.
Pediculose
Etiologia e patogenia – pediculose do 
púbis (ou ftiríase):
◦ Pthirus púbis (“piolho caranguejo”, 
“chato”);
◦ Pêlos da região genitoanal, tronco, coxas, 
axilas, supercílios e cílios, barba;
◦ Transmissão por contato físico, 
frequentemente sexual.
Pediculose
Quadro clínico – pediculose do couro 
cabeludo:
◦ Prurido: reação de hipersensibilidade à saliva do 
ácaro, introduzida na pele durante sua alimentação;
◦ Visualização dos ovos (lêndeas) presos nos 
cabelos;
◦ Minúsculas crostas hemáticas: onde o piolho se 
alimentou.
Pediculose
Quadro clínico – pediculose do corpo:
◦ Prurido;
◦ Máculas eritematosas, pápulas, crostas e escoriações, maculae caerulae (mancha
cinza azulada), principalmente no tronco, axilas e nádegas;
◦ Podem ocorrer: infecção secundária, hiperpigmentação, liquenificação;
◦ Achado dos parasitas nas pregas das roupas.
Pediculose 
pubiana (fitiríase)
◦ Prurido;
◦ Parasita encontrado na pele, 
geralmente com a parte da 
cabeça introduzida no folículo 
piloso;
◦ Lêndeas presas próximas à base 
dos pelos;
◦ Maculae caerulae nas coxas e 
tronco (foto) 
Pediculose
Tratamento – Pediculose do couro cabeludo:
◦ Permetrina 1% xampu, deixar agir por 10 minutos e depois enxaguar; (Id > 2anos)
◦ Permetrina 5% loção, à noite, remover no dia seguinte;
◦ Repetir após 7 a 10 dias, pois nesse período as lêndeas eclodem.
◦ Piperonil-butóxido 15% xampu;
◦ Malathion 0,5%: no Reino Unido;
Pediculose
Outros tratamentos – pediculose do couro cabeludo:
◦ Ivermectina loção 0,5%: aplicar por 10 min e enxaguar; ação ovicida;
◦ Ivermectina 200 mcg/Kg, dose única;
◦ Repetir após 7 a 10 dias, pois nesse período as lêndeas eclodem.
◦ SMT+TMT* 400mg+80mg VO 2x/dia por 3 dias;
Pediculose
Tratamento – pediculose do couro cabeludo:
◦ Remover as lêndeas: solução de vinagre 50% e solução de ácido fórmico 8% facilitam a
remoção;
◦ Escovas e pentes devem ser colocados em contato com os pediculicidasdurante 10 a 15
minutos e depois lavados com água bem quente.
Pediculose
Tratamento – pediculose do corpo:
◦ Melhora da condição de higiene e lavagem das roupas.
Tratamento – pediculose do púbis (ou ftiríase):
◦ Permetrina 5% ou Deltametrina 0,02% creme, à noite, remover no dia seguinte,
por 2 dias, e repetir após 7 a 10 dias;
◦ Tratar contatos sexuais;
◦ Nos cílios: Vaselina 2x/dia por 8 dias, removendo as lêndeas mecanicamente.
Dermatoses causadas por pulgas ou 
Pulicose
o Pulgas são insetos da ordem Siphonaptera. Pulam até 18 cm de altura; sugam sangue;
o Três famílias de interesse médico: Tungidae, Pulicidae e Ceratophyllidae;
oA espécie de maior importância é a Pulex irritans cosmopolita;
o Principal hospedeiro: homem, mas também encontrado no cão, gato, porco e rato. Encontrado nas
roupas, tapetes, cortinas, assoalhos, móveis;
oPessoas não sensibilizadas: pápulas urticadas X Pessoas sensibilizadas: o antígeno salivar causa lesões
no local e à distância
Dermatoses causadas por pulgas ou 
Pulicose
o P. irritans raramente transmite a peste, que tem como principais vetores a Xenopsylla cheopes e
a Xenopsylla brasiliense, que infestam ratos e podem transmitir a bactéria Yersinia pestis;
o Pulgas parasitas de gatos: podem ser vetores da Bartonella henselae, que causa a doença da
arranhadura do gato e a angiomatose bacilar;
o Tratamento para picada de pulga: cremes de corticoide, anti-histamínico VO;
o Prurigo agudo: vacina com antígenos de insetos VO para dessensibilização. Profilaxia: inseticida
nos alojamentos e tratar os animais domésticos para eliminar as pulgas.
Dermatoses por Hemípteros
Cimicidíase:
◦ Cimicídeos: insetos hematófagos de aves e mamíferos;
◦ Gênero Cimex, espécies Lectularius e Hemiptera: parasitam seres humanos;
◦ “Bedbugs”: hábitos noturnos, vivem nas fendas e buracos dos móveis, colchões; “raramente
vistos pelo hospedeiro”
◦ Lesões urticadas, pruriginosas: face, pescoço, braços e mãos;
◦ Podem ser um vetor do T. cruzi e transmitir Chagas;
◦ Tratamento: creme de corticoide, anti-histamínico; usar inseticidas para erradicação dos
percevejos.
Tungíase ou Tuguíase
o Tunga penetrans: menor das pulgas; zonas rurais, chiqueiros e currais; hematófagas;
Hospedeiros: porcos e homens;
o Nódulo amarelado com um ponto enegrecido no meio; prurido; dor; pregas ungueais dos
dedos dos pés, espaços interdigitais e regiões plantares;
o Favo de mel: lesões muito próximas
oTratamento: retirada da pulga com agulha; Tiabendazol 25mg/kg/10dias nos casos
generalizados; Dimeticona de baixa viscosidade (NYDA)por 7 dias nas lesões – estudos mostram
ser eficaz e segura;
Barbosa MM, Barbosa AD. Tungiasis. New England Journal of Medicine. 2019 Apr 4;380(14):e19.
Dermatose causada por 
Dípteros
Miíases:
o Originam-se de larva de moscas (Dermatobia hominis); se 
alimentam de tecidos vivos ou mortos; acometem mais areas expostas 
da pele
◦ Miíase primária: a larva da mosca invade obrigatoriamente o 
tecido sadio para se desenvolver, sendo um parasita obrigatório 
nesse período evolutivo;
◦ Miíase secundária: os ovos são colocados pelas moscas em 
ferimentos da pele ou em mucosas, havendo desenvolvimento 
das larvas nos tecidos – são parasitas ocasionais.
Dermatose causada por Dípteros
Miíase secundária:
◦ Dependendo de onde os ovos são depositados, pode ser cutânea, cavitária ou intestinal;
◦ Cutânea: ovos em ulcerações; tratamento – retirada das larvas após colocação de éter;
◦ Cavitária: ovos em cavidades naturais (narinas, ouvidos, órbitas oculares, vagina); tratamento –
Ivermectina 200mcg/kg;
◦ Intestinal acidental: ingestão dos ovos; sintomas dependem do número de ovos ingeridos, da
espécie da mosca e da imunidade da pessoa.
Larva Migrans Cutânea
Dermatite linear serpiginosa, bicho geográfico ou de praia, verme 
da areia;
Contato com areia ou solo contaminado com fezes de cães e gatos;
Ancylostoma brasiliensis: agente etiológico mais frequente;
Clínica:
◦ Lesões lineares, salientes, eritematosas, serpenteantes, muito 
pruriginosas, provocadas pelo deslocamento da larva na pele, 
em pernas, pés e nádegas;
◦ Eosinofilia em 30% dos casos;
◦ Síndrome de Loffler: infestação intensa, com infiltração 
transitória em placas no pulmão com eosinofilia e esputo;
Tratamento: 
Albendazol 400mg DU (<60kg) ou 
15mg/kg/dia por 3 dias; 
Ivermectina 200mcg/kg DU repetir 
após 7 dias; 
Tiabendazol 25mg/kg DU (náuseas, 
vômitos, tontura); 
Referência:
BELDA JUNIOR, Walter; CHIACCHIO, Nilton di; CRIADO, Paulo Ricardo. Tratado de 
dermatologia, vol. 1, 2010.
Arenas R. Dermatología: Atlas, diagnóstico y tratamiento 7a ed.
Obrigado!
“A VIDA É BREVE, A ARTE É LONGA” - HIPOCRATES

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