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9 7 8 6 5 5 7 4 2 1 2 0 8
ISBN 978-65-5742-120-8
MANUAL DO 
PROFESSOR
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PRISMA
1a edição
São Paulo – 2020
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Ci
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Maria Angela Gomez Rama
• Mestra em Ciências (Geografia Humana) pela 
Universidade de São Paulo (USP).
• Bacharela e licenciada em Geografia pela 
Universidade de São Paulo (USP).
• Especialista em Ensino de Geografia pela Pontifícia 
Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
• Licenciada em Pedagogia pela Universidade de 
Franca (Unifran-SP).
• Formadora de professores. Atuou como professora 
no Ensino Fundamental e Médio das redes pública 
e privada e no Ensino Superior.
Gislane Campos Azevedo Seriacopi 
• Mestra em História Social pela Pontifícia 
Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
• Professora universitária, pesquisadora e 
ex-professora de História do Ensino Fundamental e 
Médio nas redes pública e privada.
Isabela Gorgatti Cruz
• Bacharela em Geografia pela Universidade de São Paulo (USP).
• Especialista em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP).
• Editora de livros didáticos.
Leandro Calbente Câmara
• Bacharel em História pela Universidade de São Paulo (USP).
• Bacharel em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP).
• Mestre em Ciências (História Econômica) pela Universidade
de São Paulo (USP).
• Editor de livros didáticos.
Reinaldo Seriacopi
• Bacharel em Letras pela Faculdade de Filosofia, 
Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). 
• Bacharel em Jornalismo pelo Instituto Metodista de Ensino 
Superior (IMS-SP).
• Editor especializado na área de História.
MANUAL DO 
PROFESSOR
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Prisma : ciências humanas : espaços em 
transformação : desigualdades e conflitos : 
ensino médio / Maria Angela Gomez Rama ... 
[et al.]. – 1. ed. – São Paulo : FTD, 2020.
Área do conhecimento : Ciências humanas e sociais 
aplicadas
Vários autores : Gislane Campos Azevedo 
Seriacopi, Isabela Gorgatti Cruz, Leandro Calbente 
Câmara, Reinaldo Seriacopi
Bibliografia
ISBN 978-65-5742-119-2 (Aluno)
ISBN 978-65-5742-120-8 (Professor)
1. Ciências (Ensino médio) 2. Tecnologia I. 
Seriacopi, Gislane Campos Azevedo II. Cruz, Isabela 
Gorgatti III. Câmara, Leandro Calbente IV. Seriacopi, 
Reinaldo
20-44111 CDD-372.7
Índices para catálogo sistemático:
1. Ciências : Ensino médio 372.7
Aline Graziele Benitez - Bibliotecária - CRB-1/3129
 
Copyright © Maria Angela Gomez Rama, Gislane Campos Azevedo Seriacopi, Isabela 
Gorgatti Cruz, Leandro Calbente Câmara e Reinaldo Seriacopi, 2020
Direção-geral Ricardo Tavares de Oliveira
Direção editorial adjunta Luiz Tonolli
Gerência editorial Flávia Renata Pereira de Almeida Fugita
Edição João Carlos Ribeiro Junior (coord.)
Bárbara Berges, Carolina Bussolaro, Maiza Garcia Barrientos Agunzi,
Siomara Sodré Spinola
Preparação e revisão de textos Maria Clara Paes (sup.)
Danielle Costa, Diogo Souza Santos, Eliana Vila Nova de Souza, 
Felipe Bio, Fernanda Rodrigues Baptista, Graziele Cristina Ribeiro, 
Jussara Rodrigues Gomes, Kátia Cardoso da Silva, 
Lívia Navarro de Mendonça, Rita Lopes, Thalita Martins da Silva Milczvski, 
Veridiana Maenaka
Gerência de produção e arte Ricardo Borges
Design Daniela Máximo (coord.), Sergio Cândido
Imagem de capa A. Enrico/Shutterstock.com
Arte e Produção Vinicius Fernandes (sup.)
Ana Suely Silveira Dobon, Karina Monteiro Alvarenga, 
Jacqueline Nataly Ortolan (assist.)
Diagramação C2 Artes 
Coordenação de imagens e textos Elaine Bueno Koga
Licenciamento de textos Érica Brambila, Bárbara Clara (assist.)
Iconografia Priscilla Liberato Narciso, Ana Isabela Pithan Maraschin (trat. imagens)
Ilustrações Andreia Vieira, Davi Augusto, Eber Evangelista, Leandro Ramos, Ricardo 
Sasaki, Sonia Vaz
Em respeito ao meio ambiente, as folhas 
deste livro foram produzidas com fibras 
obtidas de árvores de florestas plantadas, 
com origem certificada.
Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD
CNPJ 61.186.490/0016-33
Avenida Antonio Bardella, 300
Guarulhos-SP – CEP 07220-020
Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375
Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 
de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à
EDITORA FTD.
Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo – SP
CEP 01326-010 – Tel. 0800 772 2300
Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970
www.ftd.com.br
central.relacionamento@ftd.com.br
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APRESENTAÇÃO
Diariamente, somos bombardeados por notícias e informações na internet, 
na televisão, nos jornais, o que torna muito difícil entender o que acontece no 
mundo e identifi car aquilo que é signifi cativo para nós e que pode infl uenciar 
nosso cotidiano e impactar nossa comunidade. Se muitas vezes você tem a sen-
sação de que não consegue analisar satisfatoriamente esse imenso volume de 
informações, saiba que não está sozinho.
As Ciências Humanas e Sociais Aplicadas são uma ferramenta importante para 
nos ajudar a refl etir sobre o mundo em que vivemos. Os saberes desenvolvidos 
pela História, pela Geografi a, pela Sociologia e pela Filosofi a permitem mobilizar 
competências e habilidades fundamentais para o exercício do pensamento crítico, 
essencial para transformarmos as informações recebidas diariamente em conhe-
cimentos capazes de nos ajudar a modifi car a realidade que nos cerca.
Para auxiliá-lo nessa tarefa, selecionamos um conjunto de temas importan-
tes para a compreensão dos tempos atuais. Por meio de textos, mapas, gráfi cos, 
tabelas, fotografi as e muitos outros documentos, você terá condições de interpre-
tar e analisar criticamente não só a sua realidade, mas o mundo de uma maneira 
mais ampla. Com isso, esperamos ajudá-lo no exercício da cidadania e no desen-
volvimento de práticas colaborativas que contribuam para a construção de uma 
sociedade mais justa, em busca do bem-estar coletivo.
Esperamos oferecer o conhecimento necessário para você desenvolver uma 
visão crítica da realidade e se sentir seguro para adotar uma postura protagonista 
em seu dia a dia.
Os autores
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78
UNIDADE
78
3
A produção 
aumenta. E a 
fome... acaba?
Apesar da grande produção agropecuária 
no mundo e no Brasil, ainda há muitas pessoas 
que passam fome ou não têm uma alimenta-
ção adequada. Por que isso ocorre? Além disso, 
por que nas últimas décadas muitos grupos 
ou povos passaram a ter problemas de saúde 
relacionados a mudanças nos hábitos alimen-
tares? Discutiremos essas e outras questões 
nesta unidade.
 1. Os alimentos que consumimos podem con-
tar muito sobre quem somos, nossa cultura, 
história, saúde, costumes, a economia do 
país em que vivemos, entre outros aspec-
tos. Como seus hábitos alimentares revelam 
informações sobre você e a comunidade 
onde vive?
 2. Na sua opinião, as mudanças nos hábitos 
e tradições alimentares que ocorreram no 
Brasil e no mundo têm relação com a pro-
dução industrial e agropecuária?
NÃO ESCREVA 
NO LIVRO
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■ Na cidade de Belém (PA), pratos 
tradicionais são saboreados em 
diversos pontos da cidade, em 
especial, nas várias barracas nas 
ruas. A ilustração, que reúne alguns 
elementos da capital do Pará, 
representa jovens comendo o 
tacacá, um prato típico feito com o 
tucupi (caldo extraído da mandioca), 
entre outros ingredientes.
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79
ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL 
Atualmente, há um consumo crescente de produtos industrializados, que são pouco nutritivos 
e, em geral, têm grande quantidade de açúcar, sal e gordura. Diante disso, o resgate da alimen-
tação tradicional e sua relação com práticas de consumo conscientes e sustentáveis pode ser 
um caminho para promover hábitos mais saudáveis. 
A proposta deste projeto é utilizar a entrevista como prática de pesquisa para investigar 
como nossos antepassados se recordam da alimentação na sua infância, encontrando nesses 
relatos referências que, comparadas com práticas atuais, possam gerar ações que visem à 
saúde e ao bem-estar da comunidade.
ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL 
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CAPÍTULO
3 A origem das cidades
Habilidade
Conhecimento apreen-
dido por meio de trei-
namento ou experiência 
para obter um resultado 
desejado. As habilidades 
sociais são aquelas que 
utilizamos no cotidiano 
para expressar desejos, 
sentimentos, atitudes etc.
46
Eu enxergo o grafite como um grito da cidade. Em meio ao caos urbano 
ele vem para contrapor a cor cinza, transmutando a rotina intensa dos 
transeuntes em cores 
LIMA, T. apud CANCIAN, V. Artista mineira Criola celebra cultura afro-brasileira através do grafite. Opera 
Mundi, 6 fev. 2015. Disponível em: https://operamundi.uol.com.br/samuel/39397/artista-mineira-criola-
celebra-cultura-afro-brasileira-atraves-do-grafite. Acesso em: 11 jun. 2020. 
É assim que Tainá Lima (1990-), mais conhecida como Criola, uma das 
mais renomadas grafiteiras do Brasil, explica a relação entre a cidade e 
sua arte. Para essa mineira de Belo Horizonte (MG), a cidade dá visibi-
lidade aos artistas negros, ajudando, assim, a quebrar estereótipos e 
preconceitos.
Com base nos argumentos de Criola, podemos dizer que as cidades 
têm também uma função educadora, ou seja, seus diferentes espaços 
podem funcionar como agentes pedagógicos, assumindo uma inten-
cionalidade educativa. E, com a confiança em sua arte, ela segue 
registrando a herança afro-brasileira nos muros e prédios dos centros 
urbanos, como vemos na imagem a seguir.
Viver em cidades é um processo marcado por permanências e rup-
turas. De fato, desde que os seres humanos se tornaram sedentários, há 
cerca de 10 000 anos, e as primeiras comunidades permanentes come-
çaram a florescer, a humanidade tem vivenciado diferentes experiências 
em cidades.
As razões que levam as pessoas a viver em cidades são muitas e 
variaram ao longo da história e dos lugares, como veremos neste 
capítulo. Mas algo que até os dias atuais continua importante é o desen-
volvimento das habilidades sociais. Viver em cidades é, antes de mais 
nada, saber viver coletivamente, ter respeito pelos outros e pelas regras 
de convivência. Como você se avalia a esse respeito? 
■ Criola enquanto trabalha 
em um grafite em 
homenagem a Nelson 
Mandela, em um edifício 
de São Paulo (SP), 2017.
Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o capítu-
lo e sobre o trabalho com as atividades.
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32
Leia a letra do rap e faça a atividade a seguir:
Sorriso favela
[Refrão]
Eu vim devolver o seu sorriso, favela
Leve e solta pra cantar
Nunca esquecer como sua paz é bela
Dá força pra continuar
Eu vim devolver o seu sorriso, favela
Leve e solta pra cantar
Nunca esquecer como sua paz é bela
Dá força pra continuar
Eles tentam te convencer
Que sua sina é sofrer vendo seus filhos morrer
Não, não, não, não é, eu posso entender
E pelas esquinas ver suas lágrimas correr
E acabar sua fé
Vendo homens, barracos e morros sem socorro
Num lugar, sem esperança, nada
Sem luz que possa inspirar
Resta buscar o melhor pra construir seu lar
E esse sorriso lindo é o que vai libertar
[Refrão]
E eles querem te ver chorar
E desacreditar que pode conquistar
Ao pensar, jamais, sua cara é lutar
Vencer e prosperar, correr e alcançar
Mostrar que é capaz
Pois nóis tem o sol, o calor
Tem os gritos na feira
O futebol, as mina e os banheiro de mangueira
As criança feliz, só o dinheiro é pouco
Mas lembre-se: nada como um dia após o outro!
[Refrão]
EMICIDA; SANY PITBULL. Sorriso favela. Intérprete: Emicida. In: ROCKSTAR GAMES. MAX PAINE 3. Nova York: Rockstar Games, 2012.
• No rap "Sorriso favela", Emicida, autor da letra, entende que a sociedade tenta convencer 
os moradores das favelas/comunidades que eles levam uma vida sem esperança e defende 
que é importante devolver a eles o sorriso. Essa ideia pode ser entendida como a adoção 
de ações e políticas que contribuam para melhorar a vida nas favelas. Pense em algumas 
medidas que podem ser adotadas nesses casos. Em seguida, elabore em seu caderno um 
texto, uma letra de uma música, uma charge ou uma HQ com suas ideias.
■ Representação de jovens 
dançando passinho.
DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS> NÃO ESCREVA NO LIVRO
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Abertura dos 
capítulos
Todos os capítulos iniciam-se 
com algum assunto do presente, 
para que você possa começar 
a entender como as Ciências 
Humanas e Sociais Aplicadas se 
relacionam com o seu cotidiano.
Atividades
Conjunto de atividades que 
aparece ao final de muitos 
capítulos. É o momento em 
que você aplica os saberes 
aprendidos e exercita sua 
reflexão a respeito de diferentes 
temas estudados. 
Linguagens e leituras
Esta atividade trabalha habilidades de leitura e 
interpretação de diferentes tipos de documentos, 
como mapas, gráficos, tabelas, charges, fotografias, 
textos impressos etc. Muitas vezes, você será 
convidado a relacionar informações em documentos 
distintos. A seção encontra-se no meio dos capítulos, 
mas pode aparecer também ao final deles. 
Esta coleção é composta de seis volumes. A seguir, apresentaremos 
algumas das principais características das obras.
Este ícone 
aparece junto 
das atividades 
em que é 
proposto o 
trabalho em 
grupo.
60
NÃO ESCREVA 
NO LIVROATIVIDADES>
 1. Na abertura do capítulo, Tainá Lima, mais conhecida como Criola, afirma ver no gra-
fite um grito da cidade. E para você, qual seria o grito de sua cidade ou comunidade? 
Justifique sua resposta.
 2. Quais são os principais problemas que os primeiros grupos sedentários enfrentaram? 
Agora, reflita considerando o oposto, ou seja, quais seriam as dificuldadesque uma 
pessoa ou um grupo de pessoas (como ciganos, tuaregues etc.) sem moradia fixa 
provavelmente enfrenta nos dias atuais. Você conhece alguém que viva dessa forma? 
 3. Uma das características das cidades gregas na Antiguidade era a valorização do debate 
público. Para isso, a capacidade de argumentação era fundamental. No texto a seguir, 
dois professores justificam a importância do desenvolvimento dessa habilidade para 
o ambiente escolar. Após a leitura, responda ao que se pede.
[...] é nosso objetivo defender uma proposta de educação de cunho argumen-
tativo que, em linhas gerais, fundamenta-se na racionalidade argumentativa 
– também denominada de retórica – e que deve valorizar as diversas opiniões dos 
sujeitos e incentivar a interrogatividade a fim de chegar a acordos plausíveis, sendo 
passíveis de renovações sempre que necessário. Uma educação argumentativa é 
aquela que não nega a problematização e que acolhe as questões trazidas pelos 
diferentes auditórios.
Consideramos que pensar numa educação de cunho argumentativo ou de abor-
dagem argumentativa não é tarefa fácil, pois estamos vivendo em uma sociedade 
em que há cada vez menos disposição para ouvir o outro, considerar seus interes-
ses, suas necessidades, inquietações e questões. Também observamos indivíduos 
que estão vivenciando um completo desânimo por não haver acolhimento às suas 
colocações. Está havendo, gradativamente, um momento de esfriamento das rela-
ções pessoais, ou seja, percebemos que há um aumento significativo da solidão 
e do egocentrismo. Esse pano de fundo certamente gera influências no cenário 
escolar que inclusive atuam, em alguns momentos, reproduzindo tais ações sociais. 
Entendemos que, em alguma medida, estamos vivendo um dilema ético.
[...]
[...] retórica é a arte de persuadir pelo discurso. Por discurso entendemos toda 
produção verbal, escrita ou oral, constituída por uma frase ou por uma sequência 
de frases, que tenha começo e fim e apresente certa unidade de sentido.
OLIVEIRA, H. S. J. de; OLIVEIRA, R. J. de. Retórica e argumentação: contribuições para a educação escolar. 
Educar em Revista, Curitiba, v. 34, n. 70 , p. 197-212, jul./ago. 2018. Disponível em: 
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40602018000400197. Acesso em: 15 jun. 2020.
a) Com base no texto, explique o que vem a ser uma educação de cunho argumen-
tativo e a quais valores ela está associada.
 b) Quais dificuldades uma abordagem argumentativa vem enfrentando na escola?
 c) Amparados na definição de retórica que o texto traz, reúna-se com seu grupo e, juntos, 
organizem uma cena dramática de até 5 minutos que aborde algum dos temas do arti-
go. Para isso, sigam estas orientações:
D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 60D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 60 18/09/20 16:0918/09/20 16:09
Glossário
As palavras destacadas nos 
textos ganham uma explicação 
aprofundada no glossário.
CONHEÇA
SEU LIVRO
Nossa comunidade
Por meio desta seção, você e seus colegas desenvolverão um projeto que impactará a 
comunidade em que vivem. É o momento de exercerem o protagonismo. São dois projetos 
por livro, cada um composto de quatro etapas que aparecem ao final de cada capítulo. 
Abertura das 
unidades
Texto e imagem apresentam 
o tema central da unidade. 
Também encontram-se 
perguntas que auxiliam na 
reflexão sobre o assunto. 
Muitas imagens presentes 
nas aberturas são trabalhos 
de artistas plásticos 
contemporâneos. Todos os 
volumes estão divididos 
em quatro unidades, e cada 
unidade tem dois capítulos.
D3-CH-EM-3075-V4-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 4D3-CH-EM-3075-V4-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 4 19/09/20 16:5319/09/20 16:53
INVESTIGAÇÃO>
Memes, agronegócio e agricultura familiar
É bem provável que vocês já tenham visto muitos memes de internet nas redes 
sociais e até mesmo tenham compartilhado algum deles. O meme é um gênero 
textual que pode combinar diferentes elementos, como texto, recursos gráficos, 
imagem e som, e se tornou possível graças às novas tecnologias digitais de infor-
mação e comunicação.
Assim como os memes, outros gêneros, como as charges, os anúncios publicitá-
rios e os manuais de instrução, combinam também recursos diversos, além do texto 
escrito, para comunicar ideias. Esses gêneros híbridos são chamados de multissemi-
óticos ou multimodais.
No espaço cibernético, os usuários utilizam a palavra meme para se referir a 
postagens de conteúdo humorístico que têm relação com as notícias do cotidiano 
e se espalham rapidamente na rede, ou seja, tornam-se virais. Os memes se carac-
terizam ainda por serem criados e recriados constantemente e por qualquer pessoa.
Observem o meme a seguir e, em seguida, o analisem respondendo às pergun-
tas que estão na sequência.
■ Meme sobre como as pessoas imaginam a vida de um universitário.
 1. Que recursos de linguagens são utilizados no meme?
 2. Quais são as imagens destacadas no meme? Por que vocês acham que elas foram 
escolhidas?
 3. Que sentidos essas imagens e seu respectivo texto verbal produzem?
 4. Como esses elementos constroem o tom humorístico do meme?
SOU UNIVERSITÁRIO!
Como 
meus pais 
me veem...
Como os 
jornalistas 
me veem...
Como sou na 
realidade!!!
Como meus 
vizinhos me 
veem...
TO
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Divididos em grupos e usando o meme analisado como exemplo, elaborem um meme, esco-
lhendo entre dois temas: o agronegócio e a agricultura familiar. Observem a seguir as dicas para 
criar o meme.
• Retomem as características do agronegócio e da agricultura familiar e esbocem ideias 
de textos e imagens possíveis para compor o meme. Pensem em aspectos positivos ou 
negativos que queiram destacar.
• Selecionem artigos, reportagens e imagens atuais sobre o tema escolhido para servir de 
base para compor o meme.
• Pesquisem na internet diferentes modelos de memes para ter outros parâmetros além do 
exemplo analisado.
• Escolham os diferentes tipos de imagem que pretendem utilizar no meme (como imagem 
de grandes latifúndios, de famílias trabalhando, de tecnologia no campo etc.) e pensem 
ainda nos recursos gráficos que podem destacar as ideias (tipos e tamanhos de letra, cores, 
molduras, sombras e outros efeitos).
• Organizem os materiais selecionados e iniciem a montagem do meme no computador ou 
mesmo em papel. Sites geradores de memes podem ajudar na montagem e são facilmente 
encontrados na internet – basta digitar “gerador de memes” no campo de busca.
• Lembrem-se de que o humor é um ingrediente imprescindível ao meme, mas é muito impor-
tante tomar cuidado para que a produção de vocês não seja ofensiva nem preconceituosa.
• Antes de apresentar o resultado do trabalho, certifiquem-se de que a mensagem do meme 
foi compreendida por todos no grupo, a fim de garantir que ela será entendida pelos 
demais colegas da turma.
• Para encerrar, troquem os memes entre os grupos para que sejam interpretados e comen-
tados pelos colegas.
	■ Meme criado 
a partir da 
imagem de uma 
cena do filme 
A fantástica 
fábrica de 
chocolates, 
lançado em 
1971, em que 
o comediante 
estadunidense 
Gene Wilder 
(1933-2016), 
interpreta a 
personagem 
Willy Wonka.
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40
DIÁLOGOS> EU TAMBÉM POSSO>
Protagonismo abre as portas da escola
O protagonismo juvenil é hoje um tema de destaque na sociedade e os jovens 
e adolescentes participam cada vez mais ativamente do processo de aprendiza-
gem, dos movimentos sociais e da construção de uma sociedade melhor. A primeira 
coisa a ter em mente para ser protagonista é pensar que você pode atuar de forma 
positiva e cidadã em transformações na sua escola, na comunidade onde vive e na 
sociedade em geral. 
Em 2019, estudantes do 1º e 2º ano do Ensino Médio do Instituto Estadual de 
Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (Iema), na Unidade Plena Itaqui-
Bacanga, localizada na periferia de São Luís (MA), se uniram para colocar em prática 
o projeto Escola pra quê? Quando o protagonismo juvenil saiu da escola e 
mexeu na peça do dominó.
■ Estudantes em reunião discutem ações do projeto Escola pra quê? Quando o protagonismo 
juvenil saiu da escola e mexeu na peça do dominó, em São Luís (MA), 2019.
Esses jovens da periferia da capital maranhense identificaram a falta de integra-
ção entre a escola e a comunidade, percebendo, por exemplo, que os moradores do 
entorno da escola não sabiam quais eram as atividades desenvolvidas por estudantes 
e professores. A partir disso, criaram o projeto e organizaram ações voltadas a apro-
ximar o Instituto da comunidade. Entre elas, se destacaram campanhas de doações 
de alimentos para famílias vulneráveis, cursos de especialização em informática e 
línguas estrangeiras, atividades extracurriculares e eventos como o Dia da Família e 
a Feira de Profissões, fazendo que a comunidade local usufruísse do espaço escolar. 
Foi idealizada ainda uma proposta de intercâmbio juvenil denominada “AMEI conhe-
cer minha futura escola”, com oficinas direcionadas ao protagonismo juvenil. 
Esse projeto ofereceu aos moradores da comunidade, estudantes ou não, 
novas possibilidades de lazer, bem como a oportunidade de desenvolver habili-
dades sociais e exercer a cidadania. Além disso, dentro de um contexto de uma 
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41
realidade de violência urbana e altos índices de criminalidade registrados na capital 
do Maranhão, o projeto contribui para criar uma atmosfera mais segura, inclusiva e 
solidária na comunidade. 
Para compreender melhor como esse projeto mudou a vida de jovens da comu-
nidade, leia o depoimento a seguir atentando para a opinião de uma estudante que 
participou dessa iniciativa: 
[...]
“Eu mesma vim de escola pública e sei que é muito difícil seguir estudando 
sem estrutura e sem muito apoio. Fico muito feliz de me envolver nesse projeto 
porque quero passar minha experiência de estudar numa escola melhor e quero 
que todas as pessoas que estão na minha antiga escola também possam ter essa 
oportunidade.”, comentou a [...] aluna do 1o ano de Ensino Médio do IEMA e uma 
das participantes do AMEI.
[...]
XAVIER, A. Adolescentes combatem violência urbana abrindo escola para comunidade. Criativos da Escola, 7 nov. 2019. 
Disponível em: https://criativosdaescola.com.br/adolescentes-combatem-violencia-urbana-abrindo-escola-para-
comunidade/. Acesso em: 31 jul. 2020.
Inspirados na ação protagonista dos estudan-
tes de São Luís, façam a atividade proposta a seguir.
 1. Debatam com seus colegas e levantem uma 
lista de problemas em sua escola ou comu-
nidade local, elencando alguns que possam 
ser amenizados por meio de uma ação que 
integre a escola em que vocês estudam e a 
comunidade onde está inserida. 
 2. Coletivamente, pensem em exemplos de 
ações voltadas a combater um ou mais dos 
problemas elencados. Vocês podem recorrer 
a uma pesquisa na internet de forma a buscar 
outros exemplos de ações protagonizadas por 
jovens em suas escolas ou comunidades. 
 3. Escrevam uma proposta de ação protagonis-
ta, com ajuda do professor, para ser apresen-
tada à diretoria, coordenação ou supervisão 
de sua escola. A proposta deve apresentar o nome do projeto, os principais objetivos 
a serem alcançados, como será organizado, o papel a ser desempenhado por vocês, 
os materiais necessários etc.
 4. Se possível, coloquem em prática o projeto idealizado e realizem o registro das ações 
propostas por meio de telefones celulares com câmera fotográfica e/ou de vídeo. 
HTTPS://CRIATIVOSDAESCOLA.
COM.BR/ADOLESCENTES-
COMBATEM-VIOLENCIA-URBANA-
ABRINDO-ESCOLA-PARA-
COMUNIDADE/
	■ Estudantes da Unidade Plena São Luís do Iema em 
evento para aproximar a comunidade e o ambiente 
escolar e combater a violência urbana. Fotografia de 
2019, em São Luís (MA).
D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 41D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 41 18/09/20 17:0818/09/20 17:08
Arte urbana
Por meio da linguagem artística, seja em manifestações materiais ou imateriais, qualquer 
grupo social pode se expressar de maneira a afirmar sua identidade. Expressões artísticas per-
mitem inúmeros significados e também possibilita a esses grupos se relacionar com seus lugares 
de vivência, de forma a exercer sua territorialidade.
A arte urbana inclui expressões artísticas desenvolvidas no espaço urbano, como o grafite; 
as apresentações de rua que envolvem estilos musicais, danças e performances; a prática de colar 
cartazes “lambe-lambe” e adesivos (sticker art); entre outros exemplos de manifestações que se 
utilizam de diferentes técnicas.
Quando uma expressão da arte urbana é realizada em um espaço público, de forma que a 
linguagem artística passa a se relacionar e se comunicar diretamente com o espaço físico das 
cidades, chamamos de intervenção urbana. Tanto quanto as contraculturas urbanas, é uma 
forma de questionar, com suas obras, temas de interesse social, como desigualdade, racismo 
e problemas socioambientais. Muitas vezes, essas intervenções são realizadas em locais pouco 
convencionais e buscam interagir com o local em questão de alguma forma, promovendo a 
relação entre a obra e o meio (no caso, o espaço público). Assim, buscam chamar atenção para 
determinados temas e/ou transmitir mensagens que provoquem reflexões no observador. 
	■ Grafiteiro faz intervenção 
na própria obra 
incluindo máscara para 
chamar atenção aos 
métodos de prevenção 
contra o coronavírus 
durante a pandemia de 
covid-19 em Londrina 
(PR), 2020.
> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Em grupo, utilizem telefones celulares com câmera para registrar exemplos de intervenções e arte 
urbana na comunidade ou município onde moram ou estudam. Se não houver, façam uma busca 
de imagens na internet ou em materiais impressos. Para cada manifestação artística, elaborem 
comentários relatando as impressões do grupo. 
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54
As primeiras 
cidades brasileiras
Se você fosse escolher um símbolo para 
representar a sua comunidade, o que seria? 
Uma edificação, uma árvore, uma flor ou um 
produto típico? Muita coisa pode simbolizar 
uma cidade, o poder da pessoa ou do grupo 
que a governa. 
Durante o período em que o atual Brasil foi 
colônia de Portugal, o pelourinho, instalado nos 
pontos centrais das vilas, era o símbolo da admi-
nistração portuguesa, da autoridade e da justiça. 
Em 1532, quando foi fundada São Vicente, 
a primeira vila do atual território brasileiro, lá 
estava o pelourinho e, ao seu lado, uma capela, 
um pequeno forte e uma cadeia. Durante 
muito tempo, as vilas da colônia eram bastante 
acanhadas e parecidas comSão Vicente. Observe, por exemplo, o mapa 
acima, que representa Belém, no Pará, em 1640.
Um processo mais intenso de crescimento urbano na colônia só viria 
a ocorrer após a descoberta do ouro na região das Minas Gerais, na 
virada do século XVII para o XVIII. A busca por enriquecimento originou 
uma “corrida de pessoas” em direção à região das minas, o que provo-
cou um crescimento urbano veloz e desorganizado, dando origem a 
cidades como Ouro Preto (MG) e Mariana (MG).
As viagens dos bandeirantes em busca de novas zonas auríferas, 
de tropeiros e viajantes que atravessavam o atual território brasileiro 
vendendo alimentos, tecidos e ferramentas, assim como de boiadei-
ros que percorriam longas distâncias com seus rebanhos em busca de 
pastagem, também contribuíram para dar origem a vilas e cidades no 
período colonial.
	■ Mapa conhecido 
como De Stat Ende 
Fort van Grand 
Para (em português, 
“cidade e forte do 
Grão-Pará”), de autoria 
desconhecida, 1640. 
Legenda: 1. Forte do 
Presépio; 2. pelourinho; 
3. igreja; 4. construções 
protegidas por 
muralhas e palhiças; 
5. moradias com 
quintal coletivo; 6. 
igarapé; e 7. moradias.
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3
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5
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NÃO ESCREVA 
NO LIVRO> LEITURA DE IMAGEM
• O mapa reproduzido nesta página foi elaborado em 1640 e é uma das mais antigas representa-
ções da cidade de Belém (PA). Por meio dele, é possível entender alguns aspectos da formação 
das vilas. Observe todos os detalhes da imagem e descreva como o espaço foi organizado pelos 
colonizadores. Em seu caderno, estruture suas informações em cerca de dois parágrafos e apre-
sente para a classe.
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77
Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil
Disponível em: http://www.atlasbrasil.org.br/2013/pt/home/. Acesso em: 13 jul. 2020.
O Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil oferece vasto material sobre as Regiões 
Metropolitanas, com indicadores de demografia, educação, renda, trabalho, habitação e 
vulnerabilidade das 20 maiores RMs do Brasil, extraídos dos censos demográficos de 1991, 2000 
e 2010. Também há um documento, lançado em 2019, com dados sobre as RMs de 2012 a 2017.
Manguebeat 20 Anos
Disponível em: https://infograficos.estadao.com.br/especiais/20-anos-manguebeat/. Acesso em: 
13 jul. 2020.
No ano em que o manguebeat completou 20 anos, a publicação aqui indicada trouxe informações 
sobre as origens do movimento, com textos, vídeo e fotografias.
Projeto de Pesquisa de Çatalhöyük Research Project
Disponível em: http://www.catalhoyuk.com/. Acesso em: 13 jul. 2020.
Página oficial do projeto de pesquisas desenvolvidas no sítio arqueológico de Çatalhüyük, na 
Turquia, com fotos, vídeos, ilustrações e outros documentos. Em inglês.
Rome Reborn
Disponível em: https://www.romereborn.org/. Acesso em: 13 jul. 2020.
Reconstituição digital em 3D da cidade de Roma no século IV. É possível fazer um passeio virtual pela 
cidade por meio de animações e ilustrações que procuram reconstituir a capital do Império Romano. 
Em inglês. 
Tropical spray: viagem ao coração do grafite brasileiro
Julien Seth Malland. São Paulo: Martins Fontes, 2012.
O livro apresenta um painel do grafite produzido no Brasil. Seu autor é um grafiteiro francês que 
viajou por seis capitais brasileiras – Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Porto Alegre (RS), Recife 
(PE), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP) – para conhecer a arte de rua e seus artistas.
As primeiras civilizações
Jaime Pinsky. São Paulo: Atual, 1994.
Nesse livro, o historiador Jaime Pinsky traz informações a respeito do surgimento de algumas 
das primeiras civilizações, como as que floresceram no Egito, na Mesopotâmia e na Palestina. Um 
dos capítulos é dedicado ao surgimento das primeiras cidades.
Sapiens: uma breve história da humanidade. 
Yuval Noah Harari. Porto Alegre: L&PM, 2017.
Relacionando conhecimentos da Arqueologia, Antropologia, Filosofia, Biologia, entre outras 
disciplinas, o autor busca explicar como o ser humano conquistou todo o planeta Terra, construindo 
cidades, reinos e impérios, desenvolvendo complexos sistemas econômicos, sociais e políticos.
> SAIBA MAIS
O crescimento das cidades e a periferização
Direção: Jorge Mansur. Brasil, 2015. Vídeo (13 min). Publicado pelo Canal Futura. Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=puIh8Hr8tX4. Acesso em: 26 ago. 2020.
O vídeo trata do crescimento de cidades brasileiras, com depoimentos e análises de moradores e 
urbanistas, analisando a periferização e a segregação socioespacial.
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De mãos dadas
Atividades que relacionam 
temas do capítulo com a 
sua realidade, como seus 
amigos, sua escola, seu 
bairro, seu município etc. 
Aparece de forma aleatória 
nos capítulos.
Saiba mais
Aqui você encontra 
sugestões de 
filmes, sites, 
vídeos, podcasts, 
livros e outros 
materiais que 
ampliam os 
saberes explorados 
nas unidades. 
Leitura de 
imagem
Atividade de leitura 
e análise de mapas, 
gráficos, charges e outras 
linguagens imagéticas. 
Aparece de forma 
aleatória nos capítulos.
Meus argumentos
Momento em que você expõe 
suas ideias, pois esta seção 
explora sua capacidade de 
analisar, refletir e argumentar 
a respeito de determinado 
assunto. Aparece de forma 
aleatória nos capítulos.
Eu também posso
Esta seção apresenta exemplos de jovens que exerceram o 
protagonismo e promoveram mudanças na comunidade em que 
vivem. O texto vem acompanhado de atividades que exploram, 
entre outros itens, suas competências socioemocionais. Esta seção 
aparece duas vezes por volume.
InvestigAção
Esta seção estimula o pensamento crítico. Aliando criatividade com 
diferentes práticas de pesquisa, você será convidado a solucionar 
problemas e desafios relacionados ao seu cotidiano. Esta seção 
aparece duas vezes por volume.
Agroecologia
De modo geral, a agroecologia é 
um sistema de produção que procura 
reunir as práticas tradicionais dos agri‑
cultores aos atuais conhecimentos 
científicos de diversas áreas (agrono‑
mia, biologia, economia, geografia, 
sociologia etc.). Seu objetivo é contri‑
buir para o desenvolvimento de uma 
agricultura ecológica e sustentável, 
mas que considere também o desen‑
volvimento social.
Alguns dos princípios defendidos 
pela agroecologia:
• ser socialmente justa, ou seja, 
valorizar o agricultor e sua família e preocupar‑se com 
suas condições de vida e saúde;
• ser economicamente viável e ter como princípio a garan‑
tia de renda e boas condições de vida a longo prazo;
• ser ecologicamente viável e relacionar‑se com o res‑
peito à dinâmica da natureza, reduzindo os impactos 
ambientais ao garantir a renovação natural do solo, 
a reciclagem de nutrientes e a manutenção da 
biodiversidade.
Os conhecimentos produzidos pela agroecologia, por‑
tanto, visam modificar a agricultura moderna, fruto da 
Revolução Verde, que introduziu inovações na agricultura 
como os agrotóxicos, a fertilização do solo e a mecanização 
da produção, como você estudou no capítulo 5. Por isso, as 
práticas agrícolas agroecológicas são chamadas também 
de alternativas, sustentáveis, pós‑industriais ou pós‑mo‑
dernas, pois se apresentam como alternativas ao modelo 
predominante.
> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• A agroecologia e outras práticas de produção no campo consideradas alternativas envolvem a 
criação de animais. É nesse contexto que vem crescendo a chamada pecuária orgânica, prática na 
qual está presente, por exemplo, a preocupação com a maneira como os animais são criados e com 
o tipo de alimento que consomem. Diante do que você estudou no capítulo 5, sobre a pecuária, 
qual é a importância das práticas agroecológicas nessa atividade?
■ Agricultor adubando 
canteiros com esterco 
animal e casca de 
arroz em um cultivo 
agroecológico em 
Santa Maria (RS), 2014.G
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■ Princípios da 
agroecologia.
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Uma cidade para 
todos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
UNIDADE
1
> Capítulo 1 Vivências urbanas . . . . . . . . . 12
Territórios e territorialidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
Juventudes urbanas, identidade e 
território . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
Contestações e contraculturas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
As tribos urbanas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
Lazer, arte e ocupação do espaço . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
Comunidades tradicionais na cidade . . . . . . . . . . . . 22
Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .24
Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
> Capítulo 2 Morar nas cidades . . . . . . . .26
Direito à cidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .28
Favela, comunidade, vila, grotão... . . . . . . . . . . . . . . 30
Urbanização de favelas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
Gentrificação e lutas atuais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
Os megaeventos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
Mobilidade urbana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .36
Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .38
Eu também posso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .42
Saiba mais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .43
Origem e crescimento 
das cidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
UNIDADE
2
> Capítulo 3 A origem das cidades . . . .46
A cidade tem memória? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
Como chegamos até aqui? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
Mudanças e permanências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52
As primeiras cidades brasileiras . . . . . . . . . . . . . . . . . . .54
O século XX e a cidade moderna . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
Reformas urbanísticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .56
Vida urbana moderna . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .58
Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60
Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61
> Capítulo 4 Crescimento das 
cidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .62
Urbanização: mundo e Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64
As megacidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .66
Adensamento urbano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
Integração nas Regiões Metropolitanas . . . . . . . .68
As atuais Regiões Metropolitanas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .69
Segregação socioespacial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72
InvestigAção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74
Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76
Saiba mais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77
SUMÁRIO
D3-CH-EM-3075-V4-INICIAIS-001-009-LA-G21_AVU1.indd 6D3-CH-EM-3075-V4-INICIAIS-001-009-LA-G21_AVU1.indd 6 19/09/20 17:2719/09/20 17:27
A produção aumenta. 
E a fome... acaba? . . . . . . . . . .78
UNIDADE
3
> Capítulo 5 Expansão da produção 
no campo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80
Modernização do campo e seus impactos . . . . . .82
Expansão da pecuária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84
Impactos da pecuária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .85
Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .86
Brasil: modernização conservadora e 
expansão da agropecuária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87
Primeiro momento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87
Segundo momento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .88
Expansão da fronteira agropecuária . . . . . . . . . . . . .89
Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90
Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91
> Capítulo 6 Transformações na 
alimentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . .92
Muito mais que necessidade básica . . . . . . . . . . . . . .93
Segurança alimentar e nutricional . . . . . . . . . . . . . . 94
Segurança alimentar: um resgate 
histórico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .96
Nas mãos de quem está a segurança 
alimentar? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97
Os alimentos transgênicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .98
As polêmicas em relação aos OGMs . . . . . . . . . . . . . . . . . .99
Transição alimentar e nutricional . . . . . . . . . . . . . . . 100
Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101
Homogeneização e resistências . . . . . . . . . . . . . . . . . 102
Vegetarianismo e veganismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102
Aprendendo com os povos indígenas . . . . . . . . . 104
Técnicas agrícolas e cultivos resistentes . . . . . . . . . . . 104
Alimentos e tradições que podem ajudar 
a expandir e diversificar as dietas . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104
Preservação da biodiversidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 105
Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106
Eu também posso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 108
Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110
Saiba mais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111
Por um campo justo 
e saudável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112
UNIDADE
4
> Capítulo 7 Agricultura familiar e 
produções 
sustentáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114
Agricultura familiar no Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 116
Agricultura familiar no mundo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118
Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119
Sustentabilidade econômica e 
socioambiental no campo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . 120
Agroecologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 121
Agricultura orgânica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 122
Permacultura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 124
Agrofloresta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125
Pesquisas no setor agrícola . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 126
Agricultura na cidade? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127
Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 128
Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129
> Capítulo 8 Concentração de 
terras no Brasil . . . . . . . . . . . . . 130
A questão agrária no Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131
Aspectos históricos da concentração de 
terras no Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132
Lei de Terras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 133
Luta pela terra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134
Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135
Reforma agrária, função social da terra e 
assentamentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 136
Terras indígenas e quilombolas . . . . . . . . . . . . . . . . . 138
Terras Indígenas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 138
Terras quilombolas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 139
Movimentos sociais no campo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 140
Conflitos no campo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 141
Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 142
InvestigAção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 144
Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 146
Saiba mais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 147
> FICHAS DE AUTOAVALIAÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . 148
> BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR . . . 150
> BIBLIOGRAFIA COMENTADA . . . . . . . . . . . . . . . . . . 156
Orientações para o professor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 161
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NESTE VOLUME
 Objetivos, justificativas, competências e habilidades
Você já parou para pensar por que e para quê estuda os conteúdos escolares? Eles devem ter importância 
para sua vida, sendo uma ferramenta a mais para que você, com seus colegas e professores, pensem em solu-
ções para diferentes problemas do cotidiano, da sociedade brasileira e do mundo em geral.
Apresentamos, a seguir, as justifi cativas (importância) e os objetivos (para que) de cada unidade deste 
livro e também indicamos competências e habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), cujos textos 
se encontram no fi nal do livro.
UNIDADE 1 Uma cidade para todos
Justificativa • Por que é importante estudar este 
conteúdo?
A vida em muitas das cidades brasileiras é repleta de desa-
fi os, em especial para os grupos que vivem nas periferias e em 
áreas onde não é possível ter o direito à moradia adequada. E 
é nas cidades que também se verifi cam diferentes manifesta-
ções de culturas juvenis e lutas por melhores condições de vida. 
Analisar e compreender tais questões é um dos primeiros passos 
para pensar e praticar ações individuais e coletivas em busca da 
transformação da realidade e de justiça social.
Objetivos • Devo estudar este conteúdo para...
1. Valorizar a diversidade cultural nas cidades, analisando de 
que forma os grupos sociais criam identidades nos espaços 
urbanos.
2. Compreender que territórios, territorialidades e frontei-
ras são resultantes das relações de poder e da afi rmação 
de identidade de diferentes grupos sobre seus lugares de 
vivência.
3. Entender o papel de contestação social da contracultura, 
refl etindo sobre valores e práticas de grupos sociais no 
espaço urbano, com destaque para as culturas juvenis.
4. Compreender como a cultura desempenha um papel 
fundamental para a coesão e afi rmação da identidade indi-
vidual e coletiva dos grupos sociais.
5. Reconhecer os direitos e a importância das lutas de comu-
nidades indígenas e quilombolas em áreas urbanas. 
6. Analisar as condições de vida do lugar onde vive e propor 
soluções para os problemas, com base nos conceitos de 
moradia adequada e direito à cidade.
7. Identifi car e propor ações para melhoria das condições de 
moradia no bairro ou município, com base no conceito de 
direito à moradia adequada, reconhecendo a necessidade 
de políticas públicas voltadas para o tema. 
8. Entender o papel da especulação imobiliária e os processos 
de gentrifi cação, conhecendo ações e movimentos sociais 
que lutam por uma ocupação mais justa e menos desigual 
nas cidades.
Competências e habilidades
Competências gerais 1, 2, 3, 4, 9 e 10
Competências específi cas 1, 2, 5 e 6
Habilidades EM13CHS101, EM13CHS102 ,EM13CHS104, EM13CHS106, 
EM13CHS204, EM13CHS205, EM13CHS206, EM13CHS502, 
EM13CHS601
UNIDADE 2 Origem e crescimento 
das cidades
Justificativa • Por que é importante estudar este 
conteúdo?
A História evidencia e as projeções indicam que vivemos em 
um mundo cada vez mais urbano com cidade e campo integrados. 
Hoje, com tantas pessoas vivendo em cidades, temos a impressão 
de que sempre foi assim. Mas, até bem pouco tempos atrás, o Brasil, 
assim como muitos países, tinha a maior parte de sua população 
vivendo e trabalhando no campo. Compreender essa mudança é 
importante para entendermos o que somos, como vivemos e que 
ações poderiam contribuir para melhorar as condições de vida 
diante dos problemas sociais que se apresentam.
Objetivos • Devo estudar este conteúdo para...
1. Compreender que o surgimento das cidades não foi um pro-
cesso uniforme nem linear, reconhecendo a diversidade de 
organizações sociais ao longo do tempo e nos dias atuais.
2. Relacionar os processos históricos que originaram as 
cidades às habilidades sociais dos grupos humanos em 
diversas sociedades, refl etindo sobre a ideia de cooperação.
3. Compreender que as cidades atuais, no mundo e no Brasil, 
são marcadas por permanências e rupturas, que resultam das 
ações de diferentes grupos humanos ao longo do tempo.
4. Problematizar o conceito de memória, vinculando-o às 
interações individuais e coletivas com a cidade, a fi m de evi-
denciar a relação entre a memória e a história pessoal e entre 
o sentimento de identidade e de pertencimento a um grupo.
5. Analisar aspectos do crescimento, de integração e distribui-
ção das cidades, em diferentes tempos e escalas espaciais, 
de modo a identifi car contradições.
6. Desenvolver princípios do raciocínio geográfi co, como ana-
logia e conexão, a fi m de relacionar fenômenos urbanos em 
diferentes escalas espaciais.
7. Descontruir estereótipos sobre o modo de vida urbano e rural, 
problematizando visões dicotômicas de campo e cidade. 
8. Compreender o conceito de segregação socioespacial nas 
cidades, relacionando-o ao de desigualdade social.
9. Refl etir e sugerir ações para melhorar as condições de vida 
diante dos problemas sociais que se apresentam nas cidades.
Competências e habilidades
Competências gerais 1, 2, 3, 4 e 9
Competências específi cas 1, 2 e 6
Habilidades EM13CHS101, EM13CHS102, EM13CHS103, EM13CHS104, 
EM13CHS105, EM13CHS106, EM13CHS203, EM13CHS205, 
EM13CHS206, EM13CHS606
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UNIDADE 3 A produção aumenta. 
E a fome... acaba? 
Justificativa • Por que é importante estudar este 
conteúdo?
A produção agropecuária no mundo como um todo e no 
Brasil apresentaram grande crescimento, especialmente, a partir 
das décadas de 1960 e 1970. Um dos fatores para isso foi a 
chamada modernização do campo que, no Brasil, promoveu a 
expansão do agronegócio e contribuiu para gerar ou aprofundar 
problemas socioambientais. Tais questões se relacionam direta-
mente com aspectos econômicos, sociais e políticos do país, e 
com muitos aspectos da sua vida, como as mudanças relaciona-
das à sua alimentação e à de sua família.
Objetivos • Devo estudar este conteúdo para...
1. Entender como a relação entre as atividades agropecuárias 
e a indústria resultam da expansão capitalista no campo, 
reconhecendo a integração entre campo e cidade no 
mundo contemporâneo.
2. Reconhecer que, apesar do aumento da produção agrope-
cuária, ainda há muitas pessoas que passam fome ou não 
têm uma alimentação adequada.
3. Compreender como os alimentos que consumimos estão 
integrados a diversos aspectos da economia, do território 
e da cultura.
4. Compreender o conceito de modernização conserva-
dora no campo brasileiro e analisar os dois momentos do 
seu desenvolvimento, refl etindo sobre os seus impactos 
ambientais e sociais.
5. Relacionar as transformações nos padrões alimentares das 
pessoas no mundo e no Brasil à expansão da industrializa-
ção, à intensa urbanização e à globalização, refl etindo sobre 
a homogeneização de hábitos e costumes. 
6. Reconhecer a importância de organismos multilaterais, 
organizações não governamentais (ONGs) e órgãos de 
governo locais na promoção de ações em prol de uma ali-
mentação saudável para todas as pessoas. 
7. Conhecer opções individuais e de grupos, relacionadas à 
alimentação, que são formas de manifestar identidades 
culturais e posições políticas, por exemplo.
8. Reconhecer a importância de comunidades e povos tradi-
cionais para a segurança alimentar no mundo.
Competências e habilidades
Competências gerais 1, 2, 5, 7, 8, 9 e 10
Competências específi cas 1, 2, 3, 5 e 6
Habilidades EM13CHS103, EM13CHS106, EM13CHS202, EM13CHS302, 
EM13CHS304, EM13CHS502, EM13CHS504, EM13CHS605
UNIDADE 4 Por um campo justo 
e saudável
Justificativa • Por que é importante estudar este 
conteúdo?
No mundo todo, cada vez mais, são discutidos e colocados 
em prática técnicas e sistemas de produção agropecuária que não 
causam impactos ambientais, como os relacionados à chamada 
agricultura moderna. No Brasil, embora venha crescendo, ainda é 
pequena a parcela da produção que utiliza práticas sustentáveis e 
agroecológicas, por exemplo. E tais práticas estão mais presentes 
na agricultura familiar, que é responsável por grande parte dos ali-
mentos consumidos no mundo todo. No Brasil, ao longo do tempo, 
a agricultura familiar foi afetada pela grande concentração de terras, 
que está no centro de confl itos e de lutas de movimentos sociais.
Objetivos • Devo estudar este conteúdo para...
1. Reconhecer a necessidade de modelos de produção que 
conciliem ganhos econômicos, produtividade, consciência 
ambiental e respeitem os direitos conquistados pelas popu-
lações que vivem no e do campo, refl etindo sobre ações 
que promovam a sustentabilidade socioambiental.
2. Reconhecer a importância de políticas públicas que esti-
mulem a presença de jovens no campo e o fortalecimento 
da agricultura familiar.
3. Compreender algumas das consequências da concentração 
de terras no Brasil, como a permanência do latifúndio e da 
violência no campo.
4. Entender como a legislação brasileira atual defi ne a função 
social da terra, percebendo que, segundo os critérios esta-
belecidos, há um grande número de propriedades passíveis 
de desapropriação.
5. Compreender a importância da reforma agrária no Brasil, de 
modo a identifi car os diversos avanços sociais decorrentes 
de uma distribuição mais justa e inclusiva das terras no país.
6. Caracterizar os movimentos sociais no campo no passado e 
no presente, relacionando-os à defesa do acesso à terra e de 
modelos sustentáveis de produção rural, como a agroecologia. 
7. Avaliar a situação das terras indígenas e quilombolas no 
Brasil atual, reconhecendo suas práticas agrícolas, extra-
tivistas e o seu compromisso com a sustentabilidade no 
passado e no presente.
Competências e habilidades
Competências gerais 1, 2, 5, 7 e 9
Competências específi cas 1, 2, 3, 4, 5 e 6
Habilidades EM13CHS101, EM13CHS102, EM13CHS103, EM13CHS105, 
EM13CHS106, EM13CHS204, EM13CHS206, EM13CHS302, 
EM13CHS304, EM13CHS305, EM13CHS306, EM13CHS401, 
EM13CHS404, EM13CHS503, EM13CHS601, EM13CHS606
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10
UNIDADE
10
■ A artista Alexsandra Ribeiro, conhecida como Dinha, 
começou a grafitar em 2008, em Fortaleza (CE) e, atualmente, 
fortalece a presença feminina nas intervenções artísticas no 
espaço urbano brasileiro. Fotografia em Fortaleza (CE), 2019.
Uma cidade 
para todos
A cidade costuma ser vista como espaço 
de encontros, oportunidades de trabalho, 
estudo, lazer e atividades culturais, por 
exemplo. No entanto, o acesso a determi-
nados locais e serviços não se dá de forma 
igualitária. Por isso, diversos grupos e indi-
víduos lutam por direitos e empreendem 
com o objetivo de mudar a realidade de sua 
comunidade e de sua vida. Nesta unidade, 
veremos esses e outros aspectos que se rela-
cionam com a vida nas cidades. 
 1. Na fotografia, você vê um exemplo de ação 
para transformar a realidade. Você já ouviu 
falar ou participou de outras formas de ação 
e luta com esse mesmo objetivo? Quais?
 2. Se você mora em uma cidade, em sua opi-
nião, como ela poderia ser um lugar me-
lhor para todos os jovens? Se você mora 
em área rural, considere a área urbana de 
seu município.
NÃO ESCREVA 
NO LIVRO
1
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SOLUÇÕES PARA NOSSA COMUNIDADE EM 
MAPAS COLABORATIVOS
Como pensar o lugar em que vivemos, identificar problemas e propor soluções? 
Os mapas colaborativos, construídos coletivamente, são uma forma de reunir diversas 
informações sobre o município, bairro ou comunidade onde vivemos, como a localização 
de áreas de lazer, trajetos das linhas de transporte e ruas sem iluminação pública. Neste 
projeto, você e seus colegas vão investigar algum problema do munícipio onde vivem, 
reunir e analisar informações e elaborar um mapa colaborativo para pensar em ações que 
promovam a melhoria das condições de vida.
SOLUÇÕES PARA NOSSA COMUNIDADE EM 
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CAPÍTULO
1 Vivências urbanas
Você sabe o que significa identidade? Esse conceito, bastante traba-
lhado pelas Ciências Humanas, diz respeito ao reconhecimento de sua 
individualidade perante a sociedade.
A identidade se constitui pelo conjunto de características cultu-
rais que permitem que você se diferencie de determinados grupos de 
pessoas ou se identifique com outros. Mais do que isso, a identidade é 
formada a partir do sentimento de pertencimento a um território e é 
parte essencial da interação entre indivíduos, configurando a base para 
a existência de grupos sociais.
Tomemos como exemplo a capoeira. Durante muito tempo, essa 
manifestação cultural de origem afro-brasileira foi criminalizada. 
Historicamente, serviu como instrumento de afirmação da identidade 
da população afro-brasileira. Posteriormente, a capoeira se transformou 
em expressão da própria identidade nacional brasileira e, desde 2008, é 
considerada Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. 
Exemplos como este nos permitemcompreender de que maneira a 
cultura de grupos específicos se relaciona com o território e a sociedade, 
inclusive, se transformando ao longo do tempo. Neste capítulo iremos 
estudar, dentro do contexto das vivências urbanas e dos muitos contras-
tes socioculturais existentes nas cidades brasileiras, de que modo grupos 
sociais criam identidades, atuam nos territórios e propiciam a formação 
de fronteiras culturais nesses espaços cada vez mais multiculturais.
sociais criam identidades, atuam nos territórios e propiciam a formação 
de fronteiras culturais nesses espaços cada vez mais multiculturais.
■ Roda de capoeira em 
em Salvador (BA), 2015.
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12
Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o capítu-
lo e sobre o trabalho com as atividades.
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Territórios e territorialidades
Qual é o seu território? Você e sua turma têm uma “quebrada”? 
Antes de responder a essa pergunta, vamos discutir o conceito de ter-
ritório. Nas Ciências Humanas, território está associado à influência, à 
ocupação ou ao domínio de parte do espaço por um indivíduo, uma 
instituição, um grupo etc. À primeira vista, podemos pensar que as rela-
ções com o território envolvem apenas o exercício de poder, mas os 
territórios também podem ser definidos ou delimitados por relações 
de identificação cultural.
O compartilhamento de ele-
mentos culturais, por exemplo, a 
música, a dança, o esporte, as gírias, 
a culinária e também os modos de 
se vestir e se divertir estão dire-
tamente relacionados à maneira 
como as pessoas enxergam a si 
e aos outros. Esses elementos 
possibilitam uma afirmação da 
identidade cultural e ajudam a dar 
significado aos lugares de vivência.
Yi-Fu Tuan (1930-), geógrafo 
chinês radicado nos Estados Unidos, 
criou o termo topofilia (a partir da 
junção das palavras gregas topus e 
filo, que significam respectivamente 
“lugar” e “afinidade”) para descrever o estudo da percepção dos lugares 
pelas pessoas a partir de seus sentimentos e experiências, da relação de 
identidade com o ambiente e dos elementos culturais. Com base nessa 
interpretação, a afetividade que um indivíduo ou grupo apresenta em 
relação a determinados lugares e a afirmação da identidade cultural no 
espaço urbano produzem territórios e fronteiras. 
Essa manifestação de identidade cultural em parte do espaço é 
chamada territorialidade, processo gradual e contínuo capaz de criar 
novos territórios (territorialização), reconstruir territórios (reterritorializa-
ção) ou acabar com territórios existentes (desterritorialização).
Nos espaços urbanos, territórios e territorialidades são resultantes 
das relações de poder e da afirmação de identidade de diferentes 
grupos sobre seus lugares de vivência. Assim, diferentes grupos 
ocupam espaços distintos e entre eles existem fronteiras que separam 
os territórios. 
	■ Jovens em pista de 
skate realizando o 
“Samba do Bowl”, 
evento cultural na 
Brasilândia, São Paulo 
(SP), 2017. Eventos e 
expressões culturais 
organizados e frequen-
tados pelos jovens 
da periferia são uma 
maneira de afirmar sua 
identidade cultural.
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Juventudes urbanas, 
identidade e território
A palavra juventude, em geral, se refere 
ao período de vida entre a infância e a idade 
adulta, cheio de significados e desafios e inti-
mamente ligado à formação da identidade. 
No entanto, como os jovens vivem realida-
des distintas e têm diferentes necessidades, 
desejos, aspirações, valores e crenças, con-
sidera-se mais adequado usar o termo no 
plural: juventudes.
Ao mesmo tempo que se descobrem 
e constroem suas identidades, os jovens 
criam afetos com seus lugares de vivência e 
exercem sua territorialidade.
A descoberta de seu grupo social e as 
vivências no território ajudam a criar uma 
sensação de pertencimento, que pode ser obtida com o compartilha-
mento dos elementos culturais materiais e imateriais.
O termo culturas juvenis é usado para se referir aos conjuntos de 
práticas, saberes, costumes, tradições e relações que marcam a expe-
riência das juventudes no mundo contemporâneo. Inclui, portanto, as 
diferentes formas pelas quais os jovens se expressam, tanto consumindo 
padrões culturais impostos pelas mídias hegemônicas quanto criando 
suas próprias expressões de modo a afirmar sua identidade. 
> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
O Estatuto da Juventude é uma lei que trata dos direitos dos jovens com 
idade entre 15 e 29 anos. Entre outros aspectos, valoriza a participação social e 
política dos jovens; garante meios e equipamentos públicos que promovam 
o acesso à produção cultural, à prática esportiva, à mobilidade territorial e à 
fruição do tempo livre; e destaca a importância da promoção da criatividade 
e da participação dos jovens para o desenvolvimento do Brasil. 
Com base nessas informações e considerando sua realidade, escolha um 
dos aspectos apresentados nesta lei e analise se são respeitados no seu muni-
cípio, bairro ou comunidade. Apresente argumentos para embasar sua respos-
ta. Depois, discuta com os colegas como governos, empresas, escolas e outras 
instituições poderiam agir para promover ou garantir os aspectos citados.
Elementos culturais 
materiais
Bens materiais tangíveis, 
como monumentos, 
obras de arte, igrejas, 
construções e 
objetos em geral.
Elementos culturais 
imateriais
Representações corpo-
rais (dança ou esportes), 
manifestações espirituais 
(religiões) e conhecimen-
tos, como técnicas e/ou 
estilos artísticos, arquite-
tônicos e culinários.
	■ Campo de futebol em 
comunidade no Rio 
de Janeiro (RJ), 2016. O 
futebol é um esporte 
muito importante da 
cultura dos jovens que 
vivem nas periferias 
das cidades brasileiras.
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Mirna Moreira (1994-) é cotista e estudante de medicina na Universidade 
Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). No texto a seguir, no qual ela conta um 
pouco de sua história como mulher negra e pobre, é possível relacionar 
conceitos trabalhados neste capítulo. Após a leitura, faça as atividades.
“Lembro que quando me perguntavam o que eu queria cursar e 
eu falava medicina, tinha gente que virava e falava: ‘ah, mas você 
quer isso mesmo? Você não tem cara de médica’. Uma vez numa aula 
no pré vestibular, um professor entrou em algum tema de redação, 
que eu não lembro qual foi, e falou: ‘olha pro lado e me diz quantos 
negros tem nessa sala. Foi aquele momento que todos os olhares da 
sala se viraram pra mim.’
O meu maior acerto foi ter assumido minha estética enquanto 
mulher negra antes de entrar nesse espaço da universidade, eu entendi 
que é muito importante estar ali porque existe a questão da represen-
tatividade, que se estende para fora da academia também. Quando eu 
visto meu jaleco branco e subo o Morro dos Macacos representando a 
instituição Uerj, como fiz em uma ação sobre sexualidade na adoles-
cência numa escola pública, e as meninas negras dessa escola pedem 
para tirar fotos comigo, elogiam meu cabelo crespo, e de alguma forma 
me veem como referência, eu só tenho mais certeza disso. 
No dia dessa ação na escola eu voltei no mesmo ônibus que uma 
aluna, e quando eu desci no mesmo ponto que ela aqui no Complexo, 
ela perguntou: o que você tá fazendo aqui? 
Ela não esperava que eu descesse aqui na favela. Eu chorei muito. 
Isso me marcou demais, até porque eu nunca tive uma representação 
física e próxima que eu pudesse me espelhar nesse campo profissio-
nal, essa mulher, negra, médica. Sabe? 
Por isso, principalmentenos espaços acadêmicos, eu faço questão 
de afirmar que sou do Complexo do Lins. Esse lugar faz parte da 
minha identidade. Sei da onde eu vim, quem me ajudou a chegar 
até aqui, e não foi nenhum médico de formação, foi minha mãe que 
trabalhou como diarista por muitos anos, meu pai que já trabalhou 
como pedreiro, e que sempre priorizaram meus estudos. Eu sei quem 
são os pretos que construíram a base pra que hoje eu esteja aqui.”
SOBRINHO, A. et al. Caderno juventudes. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho 2017. p. 96. 
Disponível em: http://futurabucket2017.s3.amazonaws.com/
wp-content/uploads/2018/02/caderno_ juventudes_v_digital.pdf
 1. No depoimento Mirna afirma sua identidade relacionando-a com seu 
lugar de vivência. Cite o trecho onde isso ocorre.
 2. Em seu texto a autora afirma “voltei no mesmo ônibus que uma aluna, 
e quando eu desci no mesmo ponto que ela aqui no Complexo, ela per-
guntou: o que você tá fazendo aqui?” Em sua opinião qual a razão da 
dúvida da estudante? 
 3. Segundo Mirna, a representatividade é algo importante. Você concorda 
com ela? Justifique.
NÃO ESCREVA 
NO LIVRO
DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS>
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Contestações e contraculturas
A cidade é um espaço de diversidades e desigualdades. A expansão 
da sociedade de consumo tende a levar a uma uniformização de ten-
dências e a segregação socioeconômica cria um cenário no qual nem 
todos têm as mesmas condições de acesso ao consumo.
A busca por afirmação de jovens das periferias urbanas, excluídos 
pela desigualdade econômica, propiciou o surgimento de manifesta-
ções culturais e padrões estéticos criados no contexto de movimentos 
de contestação, que são formas criativas de contestar sistemas, valores 
e padrões dominantes.
Nesse contexto, a indignação em relação às desigualdades e à segre-
gação nos espaços urbanos e à imposição de tendências culturais levou 
à afirmação de contraculturas, típicas (embora não únicas) de grupos 
segregados das periferias das cidades. A busca pela afirmação da iden-
tidade, nesse caso, em grande parte se dá por meio da contestação e 
da apropriação do espaço urbano. 
O conceito de contracultura foi criado na década de 1960 para se 
referir a movimentos que contestavam os valores sociais e culturais das 
sociedades capitalistas. Inicialmente, esse conceito foi utilizado para se 
referir a movimentos sociais, como o movimento hippie, e artísticos, o 
rock and roll, por exemplo, que questionavam a maneira como a socie-
dade se organizava e as artes eram produzidas.
Aos poucos, o conceito de con-
tracultura foi ampliado, passando 
a descrever outras experiências 
históricas. 
Na década de 1970, por exemplo, 
o hip-hop despontou no bairro 
do Bronx, em Nova York, Estados 
Unidos. Criado pela juventude negra 
a partir da junção de elementos, 
como o rap e o DJ, a dança (break) e 
o grafite, esse movimento era uma 
forma de empoderamento e afirma-
ção da identidade para uma parcela 
da sociedade que não se contentava 
em reproduzir a cultura dominante 
nem tinha acesso aos mesmos ser-
viços e possibilidades de consumo 
em relação aos jovens brancos das 
classes média e alta. 
Sociedade de 
consumo
Expressão usada para 
se referir à atual socie-
dade capitalista na qual 
amplas dimensões da 
vida em sociedade são 
baseadas na aquisição 
de bens e serviços.
	■ Hippies em show em 
Londres, Reino Unido, 
1969.
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O conceito de contracultura, portanto, passou a expressar a ideia 
de que existe uma cultura dominante, que reforça valores e práticas 
sociais adequadas às necessidades do capitalismo, marcando o imagi-
nário social e influenciando as pessoas de maneira significativa, mas que 
não é aceita por todos sem contestação, surgindo movimentos contrá-
rios a ela que propõem novos valores e práticas sociais. 
Porém, há pensadores que defendem que a relação entre cultura 
dominante e contracultura não é marcada pela simples oposição. Há 
também movimentos de cooptação da contracultura de modo a incor-
porá-la na cultura dominante e enfraquecer suas críticas. 
O movimento hippie, por exemplo, nasceu como contestador de 
valores dominantes, mas foi transformado em uma prática que fun-
ciona de acordo com a lógica capitalista. É por isso, por exemplo, que 
músicas e roupas que simbolizam o movimento hippie foram transfor-
madas em mercadorias.
Isso não significa que a contracultura perde seu importante papel 
de contestação social, mas que há uma tensão entre a contestação e 
a reafirmação da ordem vigente. Assim, aspectos dos movimentos de 
contestação podem ser cooptados pelos valores dominantes da socie-
dade capitalista, como o consumo.
> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Em grupo, pesquisem exemplos de letras de rap que abordem proble-
mas sociais presentes nas periferias urbanas brasileiras e realizem um 
levantamento dos temas que são explorados nessas letras.
	■ Desfile de moda inspi-
rado na cultura hippie 
em Milão, na Itália, 
2014.
	■ Jovem dançando break em 
Nova York, Estados Unidos, 
em 1981.
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O manguebeat
Na década de 1990, surgiu na periferia da cidade de Recife (PE) o 
movimento de contracultura manguebeat. Criado por Chico Science 
(1966-1997), Fred Zero Quatro (1965-) e Helder Aragão (1966-), conhecido 
como DJ Dolores, esse movimento artístico mistura o maracatu, ritmo 
tradicional de Pernambuco, com elementos da música pop. O termo 
manguebeat resulta da junção das palavras mangue e beat (batida, em 
inglês), em alusão às áreas de mangue em Recife, onde muitas pessoas 
vivem em palafitas e sobrevivem do extrativismo do caranguejo. 
A “batida”, segundo os criadores do movimento, nasceu como uma 
tentativa de “desbloquear as artérias culturais” de uma cidade que 
estaria “morrendo econômica e culturalmente”. Os chamados “homens 
caranguejos”, marginalizados nos “bairros de lamas”, localizados na 
periferia da capital pernambucana, e sem acesso a serviços de sanea-
mento básico, saúde e educação, ganharam com o manguebeat uma 
nova identidade urbana em uma metrópole profundamente segregada 
– uma voz de contestação e uma forma de conscientização em relação 
aos problemas urbanos da cidade. 
Fred Zero Quatro lançou, em 1992, o manifesto Caranguejos com 
cérebro, conhecido como o Manifesto Mangue, inspirado nas obras 
Geografia da fome (1946) e Homens-caranguejos (1967), do médico, 
geógrafo e sociólogo Josué de Castro (1908-1973), que comparava a vida 
dos jovens das periferias recifenses aos caranguejos. Leia um trecho:
	■ Escultura em sucata de ferro 
intitulada Carne da minha 
perna, de Augusto Ferrer, 
Eddy Polo, Jorge Alberto 
Barbosa e Lúcia Padilha, 
realizada em 2004-2005, 
exposta em Recife (PE). 
Fotografia de 2016. O caran-
guejo é uma homenagem à 
cidade de Recife, ao cantor e 
compositor Chico Science, um 
dos criadores do movimento 
manguebeat, e ao geógrafo 
Josué de Castro.
LEIA o manifesto ‘Caranguejos com cérebro’. G1, 18 set. 2009. Disponível em: 
http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL1308779-7085,00-LEIA+O+MANIFESTO+ 
CARANGUEJOS+COM+CEREBRO.html. Acesso em: 10 jul. 2020. 
[...]
Emergência! Um choque rápido ou 
o Recife morre de infarto! Não é preciso 
ser médico para saber que a maneira 
mais simples de parar o coração de um 
sujeito é obstruindo as suas veias. O 
modo mais rápido, também, de infartar 
e esvaziar a alma de uma cidade como 
o Recife é matar os seus rios e aterrar 
os seus estuários. O quefazer para 
não afundar na depressão crônica que 
paralisa os cidadãos? Como devolver 
o ânimo, deslobotomizar e recarregar 
as baterias da cidade? Simples! Basta 
injetar um pouco de energia na lama e 
estimular o que ainda resta de fertili-
dade nas veias do Recife.
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http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL1308779-7085,00-LEIA+O+MANIFESTO+CARANGUEJOS+COM+CEREBRO.html
As tribos urbanas 
O conceito de tribos urbanas foi 
criado pelo sociólogo franco-tunisiano 
Michel Maffesoli (1944-), na década de 
1980, e é utilizado, em geral, para des-
crever grupos de indivíduos que vivem 
em cidades e se unem em torno de uma 
identidade, compartilhando elemen-
tos em comum, como gostos musicais, 
ideias, preferências de consumo e 
lazer. Exemplos de tribos urbanas são 
punks, emos, góticos, funkeiros, rappers, 
grunges, entre outros.
A identidade formada em torno de elementos culturais é constru-
ída e transformada ativamente pelos indivíduos, podendo ser pouco 
duradoura. O comprometimento dos jovens com esses grupos, por-
tanto, pode ser bastante fraco ou passageiro, mas mostra uma forte 
necessidade humana por sociabilidade, que o sociólogo francês Émile 
Durkheim (1858-1917) chamava de necessidade “religiosa”. No caso das 
tribos urbanas, essa necessidade também tem um aspecto de reação 
ao processo de homogeneização de tendências ditadas pela indústria 
cultural, como formas de pensar e agir, gostos e estilos.
O desenvolvimento das tecnologias digitais de informação nas 
últimas décadas, sobretudo a expansão do acesso à internet e a proli-
feração das redes sociais digitais e de ciberculturas, contribuiu para a 
formação de grupos que podem ser considerados novas tribos urbanas. 
Um exemplo são as e-girls (electronic girls), grupo que emergiu nas plata-
formas digitais em torno de um estilo inspirado em tribos já existentes, 
como emos e góticos. A formação da identidade das e-girls se dá pelo 
compartilhamento de elementos culturais que as diferenciam dos 
demais grupos, como a maquiagem carregada, os cabelos coloridos e 
um estilo musical próprio, de maneira a exercer sua territorialidade nas 
redes digitais.
Indústria cultural
Termo criado na Alemanha, 
na década de 1940, por 
sociólogos como Theodor 
Adorno (1903-1969) e 
Max Horkheimer (1895-
1973), da chamada Escola 
de Frankfurt. Para esses 
pensadores, expressões 
culturais das sociedades 
capitalistas, como filmes 
e músicas, são fabricadas 
e vendidas como mer-
cadorias, provocando 
a homogeneização das 
tendências e criando con-
formismo na população.
Cibercultura
Termo criado pelo filósofo 
francês Pierre Lévy (1956-), 
na década de 1980, unifica 
as palavras cultura e 
cibernética para se referir 
a modos de pensamento, 
práticas e valores que se 
desenvolvem no ciberes-
paço, denominação dada 
ao espaço virtual da rede 
mundial de computado-
res. Esse espaço dialoga 
com o espaço real dos 
territórios urbanos, pro-
porcionando aos grupos 
e tribos um meio físico de 
comunicação e expressão 
de sua cultura.
> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Fazer parte de uma tribo urbana ou outro grupo pode estar relacionado 
à necessidade humana por sociabilidade. No entanto, uma pessoa pode 
sofrer preconceito ou discriminação por pertencer a determinada tribo 
ou não participar de nenhum grupo. Reflita sobre isso, pensando em 
situações do seu cotidiano. Tente se colocar no lugar de quem sofreu 
discriminação: como você acha que a pessoa se sente?
■ Representação das 
diversas tribos urbanas.
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Lazer, arte e ocupação do espaço 
Os espaços urbanos periféricos são, em geral, carentes de opções de espaços públicos de 
lazer e serviços de entretenimento que se encontram em áreas centrais, onde se concentram 
grupos de maior renda. Nesse contexto, algumas manifestações realizadas por jovens da periferia 
ganharam relevância nos últimos anos ao se configurarem como expressões voltadas ao lazer.
O fenômeno denominado rolezinho, por exemplo, popularizado no início da década de 2010, na 
cidade de São Paulo (SP), e organizado pelas redes sociais, ganhou amplo destaque ao proporcionar 
a ocupação de shopping centers pelos jovens de periferia. A reação a esse acontecimento foi diversa, 
no entanto, marcada por intolerância de uma parcela da sociedade, que considerou a prática impró-
pria ou ameaçadora. Outros classificaram o fenômeno como uma forma de protesto ou apenas uma 
maneira de os jovens se divertirem. Vestidos com suas melhores roupas, esses jovens demonstraram 
a vontade de passear, paquerar, comer um lanche e mostrar seu desejo por consumir produtos que, 
para muitos deles, são inacessíveis. Dessa forma, chamaram a atenção da sociedade para o direito 
ao consumo e para a exclusão à qual estão sujeitos os jovens pobres das periferias urbanas. 
Outro exemplo é o baile funk. De origem estrangeira e atrelado às contraculturas, essa mani-
festação cultural se apresenta como uma forma de afirmação da identidade e opção de lazer para 
muitos jovens de periferia. Os bailes têm repercussões sociais amplas e influenciam vários aspectos 
da vida dos jovens, como sua forma de falar e de vestir. Apesar de criticados ou mesmo criminali-
zados por parte da sociedade, os bailes funk se tornaram um fenômeno tão amplo e significativo 
que o estilo musical passou a ser considerado também uma expressão da cultura popular brasileira 
(a despeito de sua origem estrangeira) e foi apropriado por jovens que moram em áreas nobres 
de cidades brasileiras. 
■ Baile funk na 
comunidade de 
Paraisópolis, São 
Paulo (SP), em 2019.
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Arte urbana
Por meio da linguagem artística, seja em manifestações materiais ou imateriais, qualquer 
grupo social pode se expressar de maneira a afirmar sua identidade. Expressões artísticas per-
mitem inúmeros significados e também possibilita a esses grupos se relacionar com seus lugares 
de vivência, de forma a exercer sua territorialidade.
A arte urbana inclui expressões artísticas desenvolvidas no espaço urbano, como o grafite; 
as apresentações de rua que envolvem estilos musicais, danças e performances; a prática de colar 
cartazes “lambe-lambe” e adesivos (sticker art); entre outros exemplos de manifestações que se 
utilizam de diferentes técnicas.
Quando uma expressão da arte urbana é realizada em um espaço público, de forma que a 
linguagem artística passa a se relacionar e se comunicar diretamente com o espaço físico das 
cidades, chamamos de intervenção urbana. Tanto quanto as contraculturas urbanas, é uma 
forma de questionar, com suas obras, temas de interesse social, como desigualdade, racismo 
e problemas socioambientais. Muitas vezes, essas intervenções são realizadas em locais pouco 
convencionais e buscam interagir com o local em questão de alguma forma, promovendo a 
relação entre a obra e o meio (no caso, o espaço público). Assim, buscam chamar atenção para 
determinados temas e/ou transmitir mensagens que provoquem reflexões no observador. 
	■ Grafiteiro faz intervenção 
na própria obra 
incluindo máscara para 
chamar atenção aos 
métodos de prevenção 
contra o coronavírus 
durante a pandemia de 
covid-19 em Londrina 
(PR), 2020.
> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Em grupo, utilizem telefones celulares com câmera para registrar exemplos de intervenções e arte 
urbana na comunidade ou município onde moram ou estudam. Se não houver, façam uma busca 
de imagens na internet ou em materiais impressos. Para cada manifestação artística, elaborem 
comentários relatando as impressões do grupo.G
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Comunidades 
tradicionais na cidade 
No Brasil, são considerados Povos e Comunidades Tradicionais:
[...] grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem 
como tais, que possuem formas próprias de organização social, que 
ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para 
sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, uti-
lizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos 
pela tradição;
[...]
BRASIL. Decreto n. 6.040, de 7 de fevereiro de 2007. Institui a Política Nacional de Desenvolvimento 
Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 8 fev. 2007.
Povos indígenas, quilombolas, 
extrativistas, ribeirinhos, caboclos, 
pescadores artesanais, pomera-
nos, entre muitos outros, estão 
entre os Povos e Comunidades 
Tradicionais. Embora se encon-
trem predominantemente em 
áreas rurais, há grupos que vivem 
em áreas urbanas, nas quais 
muitas vezes são ameaçados pelo 
crescimento das cidades e pelos 
interesses econômicos.
De acordo com o Instituto 
Socioambiental (ISA), atualmente 
existem 256 povos indígenas no Brasil, somando aproximadamente 896 
mil indivíduos (IBGE, 2010), a maioria deles em Terras Indígenas. Cerca de 
36% dessa população vive em cidades, em aldeias urbanas ou de forma 
independente, muitos deles aculturados.
Nas cidades, os povos indígenas também lutam pelo direito ao seu 
espaço e reprodução de sua cultura. Um exemplo é a Aldeia Maracanã, 
na Zona Norte da capital fluminense. Em 2013, o governo do Estado do 
Rio de Janeiro anunciou a desocupação do terreno para a construção 
do Complexo do Maracanã. Os indígenas e movimentos populares orga-
nizaram ações e protestos, e aguardam um processo judicial para obter 
a posse definitiva do terreno.
Os jovens indígenas que vivem nas cidades apresentam realidades dis-
tintas, mas em sua maioria compartilham características comuns a outros 
jovens não indígenas. São estudantes e/ou trabalhadores, integram às suas 
vidas elementos culturais e estilos de vida próprios da vida urbana. 
	■ Indígenas do grupo de 
rap Brô MCs em apre-
sentação em Dourados 
(MS), 2019. 
Aculturação
Processo por meio do 
qual um indivíduo, grupo 
ou povo assimila traços 
significativos de outra(s) 
cultura(s), de modo 
impositivo, em geral 
perdendo elementos 
de sua cultura original.
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No caso das comunidades quilombolas, seus territórios são ocupações 
coletivas baseadas na ancestralidade, no parentesco e na perpetuação 
de tradições culturais próprias. Milhares de afrodescendentes vivem em 
áreas remanescentes de quilombos, que existem no campo e nas cidades. 
Os jovens nessas comunidades vivem, em muitos casos, situação similar 
à de indivíduos indígenas de comunidades localizadas nas cidades, inte-
grando elementos de suas culturas tradicionais com elementos da cultura 
de outros grupos sociais com os quais convivem.
As comunidades indígenas e os quilombos localizados nas cidades 
diferem dos localizados no campo em diversos aspectos. Essas comu-
nidades estão inseridas em uma realidade marcada pela segregação 
socioespacial e pelo multiculturalismo, sofrendo uma pressão ainda 
maior de processos como a aculturação e a ameaça de perder suas 
terras em razão da especulação imobiliária. 
Assim, embora tenham direito à autodeter-
minação, indivíduos de comunidades indígenas 
e quilombolas localizadas em áreas urbanas 
sofrem com problemas como a discriminação 
por parte da sociedade e o não reconhecimento 
legal de seus territórios, vivendo sob o risco cons-
tante de desapropriação por causa da expansão 
urbana e de interesses econômicos. Por essas e 
outras razões, são consideradas comunidades 
de resistência, as quais batalham pelo direito 
da perpetuação de suas tradições e pela manu-
tenção de sua cultura e território.
A comunidade quilombola Pedra do Sal, 
no Rio de Janeiro (RJ), é um exemplo de resis-
tência. É considerada um dos locais de maior 
significância para a origem de expressões 
religiosas e culturais afro-brasileiras e berço 
do samba, que é de matriz africana e um dos 
principais estilos da música popular brasileira.
	■ Roda de samba tra-
dicional realizada na 
Pedra do Sal, Rio de 
Janeiro (RJ), em 2016.
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> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
 1. A situação dos indígenas nas cidades brasileiras é marcada pelo preconceito, que se baseia nas 
ideias de que o indígena “pertence à natureza” e de que aqueles que vivem na cidade “deixam de 
ser indígenas”. Apresente argumentos contrários a essas ideias.
 2. Pesquise na internet exemplos de comunidades quilombolas em áreas urbanas que lutam pelo 
reconhecimento e manutenção de seus territórios e vivem sob ameaça da especulação imobiliária. 
Com base nos resultados da pesquisa, debata com seus colegas sobre a legitimidade da desocupa-
ção de territórios quilombolas em áreas urbanas, argumentando a favor de sua manutenção ou de 
sua realocação.
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NÃO ESCREVA 
NO LIVROATIVIDADES>
 1. Leia os trechos de texto a seguir e faça as 
atividades:
Para os jovens da periferia do Distrito 
Federal, o rap é uma opção de lazer e um 
canal de expressão da revolta por se senti-
rem excluídos.
ROCHA, J.; DOMENICH, M.; CASSEANO, P. Hip-hop: a periferia grita. 
São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2001. p. 68. 
O hip-hop me leva onde eu vou. O hip-hop
me faz quem eu sou.
ROCHA, J.; DOMENICH, M.; CASSEANO, P. Hip-hop: a periferia grita. 
São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2001. contracapa.
• Interprete as frases relacionando-as com 
os conceitos de identidade, território e 
contracultura. 
 2. Leia, a seguir, depoimentos de jovens sobre o 
fenômeno do rolezinho. Na sequência, debata 
com seus colegas sobre as críticas feitas por 
parte da sociedade a esse fenômeno, conside-
rando-o “bagunça” ou “prática inapropriada”,
e sobre o papel das redes sociais na articula-
ção dos jovens que vivem nas periferias das 
cidades brasileiras.
[...] “A gente precisa ter mais lugar para 
ir. Pancadão tem de segunda a segunda, 
mas não um local para passar a tarde e 
sua mãe ficar de boa”, diz Beatriz, 13 anos. 
Jefferson Luís, organizador de um dos pri-
meiros rolês que acabaram com a presença 
da polícia, em Guarulhos, também reclama 
da falta de espaços públicos e atividades. 
“Fora o shopping, aqui a única coisa que 
posso fazer é jogar bola, empinar pipa e ficar 
no Facebook. Todo mundo precisa se diver-
tir. É fácil proibir e criticar o funk. Difícil 
é instruir e fazer um centro cultural para 
ensinar música para os jovens”, afirma. [...]
MONTENEGRO, R. Rolezinho: violência e preconceito. Isto É, 
17 jan. 2014. Disponível em: https://istoe.com.br/343733_
ROLEZINHO+VIOLENCIA+E+PRECONCEITO/. Acesso em: 31 jul. 2020.
3. Observe a charge e interprete seu significado, 
relacionando-o ao conceito de intervenção 
urbana.
■ Charge do cartunista Moisés, publicada em 2014.
 4. Leia as manchetes de notícias selecionadas e, 
com base no que você estudou, escreva um 
breve texto sobre as ameaças enfrentadas por 
comunidades quilombolas localizadas em ci-
dades e explique por que elas são considera-
das comunidades de resistência. 
Primeiro quilombo urbano 
resiste prensado por um dos metros 
quadrados mais caros de
Porto Alegre
CANOFRE, F. Primeiro quilombo urbano resiste prensado por um 
dos metros quadrados mais caros de Porto Alegre. Sul 21, 20 nov. 
2016. Disponível em: https://www.sul21.com.br/cidades/2016/11/
primeiro-quilombo-urbano-resiste-prensado-por-um-dos-metros-quadrados-mais-caros-de-porto-alegre/. Acesso em: 31 jul. 2020. 
Quilombo ameaçado por ação 
judicial no Rio luta para manter 
atividades culturais
VIEIRA, I. Quilombo ameaçado por ação judicial no Rio luta para 
manter atividades culturais. Agência Brasil, 20 ago. 2016. Disponível 
em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-08/
quilombo-ameacado-por-acao-judicial-no-rio-luta-para-manter-
atividades. Acesso em: 31 jul. 2020.
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https://istoe.com.br/343733_ROLEZINHO+VIOLENCIA+E+PRECONCEITO/
https://www.sul21.com.br/cidades/2016/11/primeiro-quilombo-urbano-resiste-prensado-por-um-dos-metros-quadrados-mais-caros-de-porto-alegre/
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-08/quilombo-ameacado-por-acao-judicial-no-rio-luta-para-manter-atividades
PLANEJAMENTO E DIAGNÓSTICO DA REALIDADE 
Reúnam-se em grupos, com quatro ou cinco pessoas, e escolham um tema 
para ser investigado, por exemplo: saúde, educação, moradia, saneamento 
básico, poluição, segurança pública, trabalho, transporte público e mobilidade 
urbana, turismo e patrimônio histórico, espaços públicos de lazer, lixo e coleta 
de resíduos sólidos.
Conversem sobre o tema que escolheram, discutindo o que sabem sobre ele 
no município, comunidade ou bairro onde estudam e/ou moram.
Iniciem a conversa elaborando perguntas. Questionem o que familiares e 
colegas sabem sobre o tema escolhido, quais setores da sociedade (governo, 
empresas, organizações comunitárias e outras instituições) têm maior capaci-
dade de ação em relação aos problemas identificados e se esse tema foi notícia 
na imprensa recentemente. Elaborem hipóteses para responder às perguntas 
formuladas. Registrem as questões elaboradas e os resultados da discussão 
no caderno.
Veja exemplos de perguntas que podem ser feitas na discussão caso o tema 
seja os espaços públicos de lazer:
• Existem espaços públicos de lazer no município, comunidade ou bairro? 
Onde?
• Eles atendem toda a população?
• Os jornais locais já noticiaram algo sobre esses espaços?
• O que seus familiares e amigos pensam sobre os espaços públicos de lazer 
do município? (É possível montar uma entrevista com um questionário.)
Nesta etapa, o grupo deverá definir se o mapa colaborativo será criado no 
formato impresso ou digital (ou ambos).
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Etapa
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■ Praça da República em Belém (PA), 2018.
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CAPÍTULO
2 Morar nas cidades
26
O texto a seguir é um depoimento fictício, mas que poderia ser de 
muitos jovens brasileiros:
■ Representação de uma 
casa em periferia de 
cidade brasileira.
No lugar onde moro, tem muita coisa para melhorar, a rua é de 
barro e tem muito buraco e lixo espalhado. Outra coisa é que é longe 
do centro da cidade. Minha mãe pega três conduções para chegar 
ao trabalho.
Mas nossa casa até que é boa. Quando eu era pequeno, a gente 
dormia no mesmo cômodo, eu, meus dois irmãos e minha mãe. Aos 
poucos, com a ajuda dos meus tios fizemos dois quartos na parte 
de cima. E ainda tem a laje para pendurar a roupa e até fazer um 
churrasco de vez em quando. 
Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o 
capítulo e sobre o trabalho com as atividades.
■ Representação de uma 
casa em periferia de 
cidade brasileira.
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27
Muitas pessoas no Brasil vivem em moradias como a da imagem da página ante-
rior. Outras, porém, vivem em condições bem mais precárias. Vamos analisar essa 
situação com base na questão do direito à moradia adequada.
Moradia adequada é um dos direitos fundamentais para a vida e baseia muitas 
das diretrizes de políticas públicas do mundo todo. Ainda assim, até hoje, garantir 
esse direito é um grande desafio na maior parte dos países. 
Uma moradia adequada não se limita apenas à própria casa, mas a um lar e uma 
comunidade onde seja possível viver com dignidade.
O esquema a seguir apresenta alguns dos aspectos que definem uma moradia 
adequada, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).
• Segurança da posse: direito de morar sem medo de sofrer remoção 
e ameaças. 
• Disponibilidade de serviços, infraestrutura e equipamentos públicos: a 
moradia deve ter acesso às redes de água e de energia elétrica e ao 
saneamento básico; nas suas proximidades deve haver escolas, postos 
de saúde, áreas de esporte e lazer, transporte público, coleta de lixo etc.
• Custo acessível: os custos com aluguel ou aquisição da moradia, além 
da manutenção da casa, devem ser acessíveis, não comprometendo 
a renda familiar.
• Habitabilidade: a moradia deve proteger contra intempéries, como 
desmoronamentos, inundações e outros tipos de risco à saúde e 
à vida das pessoas; o tamanho da moradia e os cômodos devem 
atender ao número de moradores e às funções básicas.
• Não discriminação e priorização de grupos vulneráveis: idosos, mulhe-
res, crianças, pessoas com deficiência, pessoas com HIV, vítimas de 
desastres naturais e outros grupos vulneráveis devem ter prioridade 
nas políticas habitacionais e não sofrer discriminações.
• Localização adequada: nas proximidades da moradia deve haver 
oportunidades de desenvolvimento econômico, cultural e social, 
como oferta de emprego e acesso a comércio.
• Adequação cultural: a forma de construir a moradia e a escolha dos 
materiais devem expressar a diversidade cultural dos moradores.
NÃO ESCREVA 
NO LIVRO> MEUS ARGUMENTOS
• De acordo com o depoimento apresentado na página 26, por que o direito à moradia 
adequada não está sendo atendido? E no município onde você vive, todos os habitan-
tes têm o direito à moradia adequada plenamente atendido? Apresente argumentos 
para sustentar sua resposta.
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28
Direito à cidade
O direito à moradia adequada está relacionado ao direito à cidade. 
Atualmente, esse conceito está presente em muitos trabalhos acadêmi-
cos, documentos e políticas nacionais e internacionais, e é utilizado por 
diversas organizações e movimentos que lutam por cidades melhores 
para todas as pessoas. Leia no esquema abaixo como, em geral, o direito 
à cidade é entendido por esses atores:
O conceito de direito à cidade nem sempre foi ou é entendido como 
apresentado acima, tendo sido revisto ao longo do tempo.
O primeiro pensador que chamou a atenção para o direito à cidade 
no sentido de que o habitar é muito mais do que ter direito a um teto 
e quatro paredes foi o francês Henry Lefebvre (1901-1991). Seu livro O 
direito à cidade, lançado em março de 1968, aborda a construção do 
espaço urbano nas sociedades capitalistas. Essa obra foi concebida e 
publicada em um contexto de crescimento das insatisfações sociais na 
França, o que culminou no movimento de Maio de 1968.
Para Lefebvre, o direito à cidade, que pensa o espaço urbano como 
um local de encontros e trocas que deve ser usufruído plenamente por 
todos, seria muito mais importante para trabalhadores que, morando 
nas periferias distantes do trabalho, não tinham acesso a espaços de 
encontros da cidade.
Fonte: PLATAFORMA GLOBAL PELO DIREITO À CIDADE. What's the right to the city? [S. l.], 2016. p. 2. 
Tradução nossa. Disponível em: https://www.cnm.org.br/cms/images/stories/Links/29092016_
WhatisR2C24June2016.pdf. Acesso em: 25 jun. 2020.
Maio de 1968, na 
França
Em maio de 1968, 
jovens universitários 
entraram em greve em 
Nanterre, nos arredores 
de Paris, reivindicando 
mudanças no ensino, 
e foram duramente 
reprimidos pela polícia.
O movimento se 
estendeu a Paris, e o 
que era apenas uma 
manifestação estudan-
tilchegou às fábricas e 
tornou-se um protesto 
generalizado contra o 
governo do presidente 
Charles de Gaulle. 
Cerca de 10 milhões de 
pessoas entraram em 
greve. Slogans como: 
“É proibido proibir”, “A 
imaginação ao poder” 
e “Sejam solidários e 
não solitários” mobili-
zavam a multidão. Os 
jovens franceses des-
cobriram a sua força 
e muitas das ideias 
de transformação da 
sociedade que defen-
diam influenciaram o 
pensamento da juven-
tude de outros países.
DEFINIÇÃO 
O direito à cidade é o direito 
de todos os habitantes, 
presentes e futuros, de 
utilizar, ocupar e produzir 
cidades justas, inclusivas e 
sustentáveis, definido como 
um bem comum essencial 
para uma vida completa e 
decente. 
Pilares 
Distribuição de 
recursos espa-
cialmente justa; 
participação 
política; diversidade 
sociocultural. 
Componentes
Uma cidade com 
economias inclusivas; 
diversidade cultural; 
espaços públicos de 
qualidade; ampla 
participação política; 
igualdade de gênero; 
cidadania inclusiva; 
livre de discrimina-
ção e sustentável. 
UM DIREITO 
COLETIVO E DIFUSO 
UMA CIDADE COMO 
UM BEM COMUM Responsabilidades 
Governos e moradores 
urbanos têm a respon-
sabilidade de assegurar 
esse direito. 
Apropriação 
Habitantes; grupos de 
habitantes; associações 
de moradores; ONGs; 
promotores públicos; 
defensores públicos 
etc. ED
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https://www.cnm.org.br/cms/images/stories/Links/29092016_WhatisR2C24June2016.pdf
29
Ele entendia o direito à cidade como um elemento fundamental para assegurar 
a participação dos trabalhadores e outros grupos excluídos das políticas e ações 
de transformação do espaço urbano. Isso seria uma forma de reduzir as desigual-
dades e evitar que a cidade se tornasse simplesmente uma mercadoria que visa 
essencialmente ao lucro, ignorando os efeitos sociais negativos desse processo de 
mercantilização. 
Ao longo do tempo, o conceito do direito à cidade se ampliou, passando cada 
vez mais a ser utilizado para descrever direitos sociais variados, como o acesso a ser-
viços públicos e infraestrutura urbana de qualidade, o fortalecimento da democracia 
e da participação política, a diversidade sociocultural e a sustentabilidade.
Com isso, diferentes grupos e organizações sociais se articularam para exigir que 
governos e instituições privadas respeitem e assegurem esse direito em diversas 
partes do mundo. No Brasil, a pressão da sociedade civil possibilitou a criação do 
Estatuto da Cidade, em 2001. Essa lei regulamenta diferentes aspectos do direito à 
cidade no país. Leia um trecho do Estatuto da Cidade a seguir:
Art. 2º A política urbana tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento 
das funções sociais da cidade e da propriedade urbana, mediante as seguintes 
diretrizes gerais:
I – garantia do direito a cidades sustentáveis, entendido como o direito à terra 
urbana, à moradia, ao saneamento ambiental, à infraestrutura urbana, ao trans-
porte e aos serviços públicos, ao trabalho e ao lazer, para as presentes e futuras 
gerações;
BRASIL. Lei no 10.257, de 10 de julho de 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes 
gerais da política urbana e dá outras providências. Estatuto da Cidade. Brasília, DF: Casa Civil, 2001. Disponível em: http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10257.htm. 
Acesso em: 26 jun. 2020.
A pandemia que escancarou nossa 
questão urbana
TRINDADE, T. A pandemia que escancarou nossa questão urbana. 
CartaCapital, São Paulo, 1o maio 2010. Disponível em: https://www.
cartacapital.com.br/blogs/br-cidades/a-pandemia-que-escancarou-
nossa-questao-urbana/. Acesso em: 26 jun. 2020.
Por que as periferias são mais vulneráveis 
ao coronavírus
LIMA, J. D. de. Por que as periferias são mais vulneráveis ao 
coronavírus. Nexo, São Paulo, 18 mar. 2020. Disponível em: 
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2020/03/18/
Por-que-as-periferias-s%C3%A3o-mais-vulner%C3%A1veis-ao-
coronav%C3%ADrus. Acesso em: 26 jun. 2020.
> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
Leia as manchetes e, a seguir, faça a atividade:
• Em 2020, a pandemia da covid-19 trouxe discussões importantes em relação à questão urbana e 
à desigualdade, já que determinadas áreas das cidades brasileiras se mostraram mais vulneráveis 
à disseminação do coronavírus. Com seus colegas, analise de que forma a garantia prevista no 
artigo 2o do Estatuto da Cidade poderia ter contribuído para diminuir a propagação do vírus em 
seu município ou em municípios próximos. Registrem suas conclusões em um vídeo de cerca de 
10 minutos.
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10257.htm
https://www.cartacapital.com.br/blogs/br-cidades/a-pandemia-que-escancarou-nossa-questao-urbana/.
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2020/03/18/Por-que-as-periferias-s%C3%A3o-mais-vulner%C3%A1veis-ao-coronav%C3%ADrus
30
Favela, comunidade, 
vila, grotão...
Quando analisamos a realidade dos moradores 
das cidades brasileiras, não é difícil concluir que o 
direito à cidade se torna um grande objetivo a ser per-
seguido, em especial nos lugares em que os demais 
direitos não são atendidos. Entre esses lugares, estão 
as favelas, espaços que, em nível mundial, ocorrem 
principalmente nas grandes cidades do Sul Global.
Também chamadas de comunidade, vila, grotão, 
mocambo, entre outras denominações, no Brasil as 
favelas são classificadas pelo Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística (IBGE) como aglomerados 
subnormais, definidos como um conjunto de no 
mínimo 51 moradias, em sua maioria carentes de 
serviços públicos essenciais (energia elétrica, coleta de lixo e redes de 
água e de esgoto), que ocupam terreno de propriedade alheia (pública 
ou particular) e dispostas, em geral, de maneira desordenada e/ou 
densa. A ocupação desordenada é refletida por vias de circulação estrei-
tas e de alinhamento irregular, lotes de tamanhos e formas desiguais e 
construções não regularizadas por órgãos públicos. 
Muitas das favelas se encontram em áreas de risco, geralmente 
terrenos planos próximos a rios e córregos sujeitos a inundações peri-
ódicas, ou áreas com maior declive, em que a intervenção no terreno 
aumenta o risco de escorregamentos. São locais em que não é recomen-
dada ou é proibida a ocupação urbana e, por isso, menos valorizados 
pela especulação imobiliária, mas são ocupados pela população de 
menor renda, que não tem acesso a locais mais adequados. Assim, a 
característica do relevo é um importante aspecto na análise da distri-
buição das favelas.
Especulação 
imobiliária
Ocorre quando proprie-
tários mantêm a posse de 
seus imóveis à espera de 
valorização e posterior 
venda a um valor mais 
elevado.
	■ Área de risco em 
Osasco (SP), 2020.
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> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Viver em moradias adequadas depende principalmente de políticas públicas que promovam infra-
estrutura básica e muitas outras condições para se ter uma vida digna. Em muitos lugares, organi-
zações de moradores, Organizações Não Governamentais (ONGs), universidades, igrejas e outras 
instituições são atuantes na promoção ou reivindicação por melhores condições de vida. Discuta 
com seus colegas se no município onde vocês estudam há atuação de organizações ou instituições 
que ajudam a trazer melhorias na infraestrutura urbana da comunidade. Se há, como isso ocorre? 
Se não há, pensem em formas de os moradores se organizarem para buscar melhorias na infraes-
trutura urbana.
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31
Urbanização de favelas
Em geral, no Brasil e em outros países do mundo onde as favelas se 
concentram, as ações mais comunsdos governos em relação a elas são 
a erradicação, por meio do despejo e da realocação de moradores em 
conjuntos habitacionais ou moradias populares, e a urbanização.
O despejo dos moradores viola o pressuposto da moradia como 
direito humano, não garantido a elas outro local para viver. A realocação 
de moradores tem se mostrado ineficaz por gerar altos custos. Ademais, 
geralmente, as moradias são construídas em lugares distantes da área 
central da cidade e, portanto, longe dos locais de trabalho e de servi-
ços. Assim, muitos pesquisadores e a ONU afirmam que a ação mais 
viável para a melhoria das condições de vida e a busca pela moradia 
adequada é a chamada urbanização de favelas.
A urbanização das favelas é constituída por um conjunto de ações, 
como instalação ou melhoria de infraestrutura básica (abastecimento de 
água e coleta de esgoto, rede de energia elétrica, iluminação pública, 
coleta de lixo, drenagem de águas pluviais e prevenção de inundações 
etc.); apoio técnico para reformas de moradia; regularização da posse; 
construção ou reforma de equipamentos públicos, como creches, 
escolas e postos de saúde; programas sociais voltados à segurança, ao 
combate ao uso de drogas etc.; remoção de habitações em área de risco; 
oportunidades de geração de renda por meio de treinamento e créditos 
para empreendedores etc.
	■ Praça do Conhecimento construída por projeto de 
reurbanização do conjunto de favelas denominado 
Complexo do Alemão, no município do Rio de Janeiro 
(RJ). Fotografia de 2016.
	■ Escadarias reformadas 
na Comunidade 
Jenipapo, Recife (PE). 
Fotografia de 2016.
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Leia a letra do rap e faça a atividade a seguir:
Sorriso favela
[Refrão]
Eu vim devolver o seu sorriso, favela
Leve e solta pra cantar
Nunca esquecer como sua paz é bela
Dá força pra continuar
Eu vim devolver o seu sorriso, favela
Leve e solta pra cantar
Nunca esquecer como sua paz é bela
Dá força pra continuar
Eles tentam te convencer
Que sua sina é sofrer vendo seus filhos morrer
Não, não, não, não é, eu posso entender
E pelas esquinas ver suas lágrimas correr
E acabar sua fé
Vendo homens, barracos e morros sem socorro
Num lugar, sem esperança, nada
Sem luz que possa inspirar
Resta buscar o melhor pra construir seu lar
E esse sorriso lindo é o que vai libertar
[Refrão]
E eles querem te ver chorar
E desacreditar que pode conquistar
Ao pensar, jamais, sua cara é lutar
Vencer e prosperar, correr e alcançar
Mostrar que é capaz
Pois nóis tem o sol, o calor
Tem os gritos na feira
O futebol, as mina e os banheiro de mangueira
As criança feliz, só o dinheiro é pouco
Mas lembre-se: nada como um dia após o outro!
[Refrão]
EMICIDA; SANY PITBULL. Sorriso favela. Intérprete: Emicida. In: ROCKSTAR GAMES. MAX PAINE 3. Nova York: Rockstar Games, 2012.
• No rap "Sorriso favela", Emicida, autor da letra, entende que a sociedade tenta convencer 
os moradores das favelas/comunidades que eles levam uma vida sem esperança e defende 
que é importante devolver a eles o sorriso. Essa ideia pode ser entendida como a adoção 
de ações e políticas que contribuam para melhorar a vida nas favelas. Pense em algumas 
medidas que podem ser adotadas nesses casos. Em seguida, elabore em seu caderno um 
texto, uma letra de uma música, uma charge ou uma HQ com suas ideias.
■ Representação de jovens 
dançando passinho.
DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS> NÃO ESCREVA NO LIVRO
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Gentrificação e lutas atuais
As intervenções urbanas, como as que envolvem megaeventos, a 
exemplo da Copa do Mundo de Futebol e dos Jogos Olímpicos (veja a 
página 35), ou mesmo outras mais pontuais em apenas determinadas 
áreas da cidade, muitas vezes resultam em um processo denominado 
gentrificação, versão em português para o termo em inglês gentrification 
(de gentry, que significa pequena nobreza). Esse conceito foi criado por 
Ruth Glass (1912-1990), socióloga britânica, para se referir e analisar as 
transformações ocorridas em bairros operários de Londres, Reino Unido, 
que, a partir de melhorias em infraestrutura, passavam a ser valorizados 
e atrair grupos de maior poder aquisitivo.
Posteriormente, esse conceito passou a ser usado para analisar 
processos semelhantes em outras cidades. A reestruturação urbana, 
muitas vezes localizada nas áreas centrais, por meio do investimento 
em infraestrutura (linhas de metrô, grandes avenidas, parques etc.), 
promove a grande valorização dos imóveis, sua ocupação por pessoas 
de maior poder aquisitivo e expulsão da população mais pobre para 
lugares cada vez mais distantes das áreas centrais.
Entre as consequências da gentrificação estão os problemas de mobi-
lidade urbana, uma vez que os deslocamentos diários de trabalhadores 
se tornam mais longos; a elevação do custo de vida em função da valo-
rização do lugar gentrificado; o fechamento de pequenos comércios em 
decorrência do aumento de preços de aluguéis; o aumento da segrega-
ção socioespacial; maior demanda por moradias populares, entre outras.
Em cidades europeias são comuns leis antigentrificação e políticas 
públicas voltadas à moradia para evitar a exclusão de pessoas de menor 
renda das áreas onde ocorreu valorização. Um exemplo dessas políticas, 
subsidiadas pelos governos, é destinar uma parcela da área onde novos 
empreendimentos são lançados à moradia de pessoas que não teriam 
renda para ali morarem.
Reestruturação 
urbana 
Transformações nas 
cidades, não restritas 
apenas a intervenções no 
espaço urbano, por meio 
de obras e novas infra-
estruturas, mas também 
mudanças nas relações 
sociais nesses espaços.
	■ Manifestação em 
Berlim, Alemanha, 
contra o aumento 
dos aluguéis, 2018. A 
tradução do texto do 
cartaz escrito é: “Por 
favor, não alimente 
tubarões do aluguel”.
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Há muitos exemplos de intervenções urbanas ligadas a empreendimentos imo-
biliários de empresas privadas em cidades brasileiras que levam à valorização das 
áreas, expulsando populações que já viviam no lugar e reduzindo o acesso às áreas 
onde ocorrem intervenções a uma minoria privilegiada. Um desses exemplos é o 
projeto Novo Recife, que propôs a construção de prédios comerciais e residenciais, 
na antiga área do Cais José Estelita, às margens do Rio Capibaribe, no centro de 
Recife (PE), causando indignação e a manifestação de grupos críticos que lutam 
pelo direito à cidade, como o movimento Ocupe Estelita que lutou para evitar que 
as construções do cais fossem demolidas para dar lugar a prédios comerciais e resi-
denciais de alto padrão previstos no projeto.
Além do exemplo do movimento Ocupe Estelita, existem outros tipos de ações 
e movimentos sociais que lutam por uma ocupação mais justa e menos desigual 
nas cidades brasileiras. Entre esses movimentos estão os que reivindicam o direito 
à moradia, um direito social inserido na Constituição federal no ano 2000.
Assim, é papel do Estado, nas esferas municipal, estadual e federal, viabilizar 
políticas públicas para garantir esse direito. Diversos tipos de políticas habitacionais 
foram implantados pelos governos brasileiros ao longo dos anos. No entanto, essas 
políticas não foram capazes de resolver a crise habitacional no país e reforçaram a 
periferização das cidades brasileiras e a segregação socioespacial.
Importante destacar que a crise da moradia não é causada pela “falta de moradia”, 
mas sim pela dificuldade de acesso a moradias existentes que, em diversas áreas 
das cidades, se encontram desocupadas, como parte daespeculação imobiliária. 
É comum, por exemplo, haver prédios fechados e sem uso em centros de grandes 
cidades, não cumprindo a chamada função social, prevista na Constituição, e que 
inclui, entre outras finalidades, a destinação para moradias. Daí a ação de movimen-
tos por moradia em promover a ocupação desses espaços por aqueles que não têm 
onde morar.
	■ Na fotografia, manifestação do movimento Ocupe Estelita, em Recife (PE), 2015. O movimento 
reivindicava que a área do Cais José Estelita fosse utilizada pela população local, para que 
todos tivessem direito a seu acesso e uso.
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Os megaeventos
Grandes intervenções urbanas, especial-
mente as ligadas a megaeventos esportivos, 
como a Copa do Mundo de Futebol e os Jogos 
Olímpicos, costumam ser lembradas como 
“legados para as cidades”. Os defensores do 
processo de sediar grandes eventos esporti-
vos consideram que as cidades se tornam mais 
conhecidas, atraindo turistas, investimentos e 
eventos, e que as estruturas construídas, como 
sistema de transporte público e equipamentos 
esportivos, são posteriormente utilizadas pela 
população.
Entretanto, muitos urbanistas e movimen-
tos sociais são críticos às formas como ocorrem 
as intervenções urbanas realizadas para sediar 
os megaeventos. Esses críticos consideram que esses eventos serviriam 
para vender a cidade ao capital global e não beneficiariam a comu-
nidade local. As obras realizadas nas cidades visariam ao turista e à 
propaganda da cidade para o mundo. Além disso, apontam que os equi-
pamentos esportivos se tornam “elefantes brancos”, pois têm pouco uso 
após os eventos ou são abandonados; também ocorrem remoções da 
população em função das obras, de forma autoritária e desvantajosa, e 
têm sido identificados casos de corrupção e abuso do uso do dinheiro 
público na organização desses tipos de evento.
Em alguns países e cidades, a população rejeitou megaeventos. 
Foi o caso de Hamburgo, na Alemanha, em que os cidadãos votaram 
contra a candidatura da cidade para os Jogos Olímpicos de 2024. No 
Brasil houve protestos contrários à Copa do Mundo de Futebol de 2014, 
que levantaram bandeiras como: “Não vai ter Copa!”. Esses protestos 
afirmavam que, sem a consolidação dos direitos sociais (saúde, educa-
ção, moradia, transporte e tantos outros), não seria possível admitir que 
o evento fosse realizado no Brasil.
	■ As instalações do 
Estádio Olímpico 
Aquático foram 
abandonadas após 
os Jogos Olímpicos 
de 2016, sediado pela 
cidade do Rio de 
Janeiro (RJ). Fotografia 
de 2017.
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> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Imagine que o município onde você mora sediará um grande evento, que atrairá pessoas de di-
versos lugares do Brasil e do mundo. Para tanto, será necessário ampliar a rede hoteleira e a infra-
estrutura de transporte, entre outras ações que serão custeadas principalmente pelos governos 
municipal e estadual. Existem grupos a favor e grupos contrários à realização do evento, alegando 
os motivos citados no texto acima. Com qual dos grupos você concordaria? Debata a questão com 
a turma e apresente seus argumentos de acordo com a realidade do município. 
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Mobilidade urbana
A discussão sobre mobilidade urbana está diretamente relacionada ao 
conceito de direito à cidade. Afinal, para uma cidade justa e inclusiva, na 
qual os habitantes tenham acesso a diferentes lugares, é necessário que eles 
se desloquem pelo espaço urbano, a pé ou utilizando meios de transporte.
No Brasil, e em muitos outros países, a expansão das cidades para 
as periferias e a concentração de atividades de trabalho e serviços nas 
áreas centrais ampliaram a distância entre o lugar de morar e o lugar de 
trabalhar, configurando nas periferias o que pesquisadores denominam 
bairros-dormitórios e até cidades-dormitórios. Esses bairros são assim 
denominados porque seus moradores saem bem cedo de suas casas, 
para trabalhar ou estudar, e retornam à noite no mesmo dia, apenas para 
dormir, o que caracteriza as chamadas migrações pendulares.
Em muitas cidades brasileiras, entre os principais problemas relacio-
nados à mobilidade urbana estão congestionamentos, precariedade do 
transporte público, alto índice de acidentes de trânsito, poluição do ar, 
entre outros. Esses problemas geram desde perdas de vidas e danos à 
saúde das pessoas (sequelas por causa de acidentes, cansaço, estresse, 
problemas respiratórios) até prejuízos econômicos (maior gasto de com-
bustível pelo aumento do tempo das viagens, elevação do custo de 
manutenção de vias, entre outros).
Em relação aos congestionamentos, muitas vezes são tomadas 
medidas paliativas, como restrição de veículos grandes em determina-
das vias, rodízio de veículos, pedágios para o acesso a áreas centrais, 
ampliação de avenidas etc. No entanto, muitos especialistas concordam 
que deve ser priorizado o transporte coletivo e a intermodalidade, 
com ampliação e melhorias de áreas para pedestres.
Para além dos congestionamentos e ações que envolvem diretamente 
os meios de transportes, soluções em torno da mobilidade urbana devem 
incluir o uso e a ocupação do solo, buscando aproximar moradia e 
Intermodalidade
Integração dos diversos 
modais de transporte 
urbano: ônibus, metrô, 
carros, bicicletas, entre 
outros.
	■ O ponto lotado de 
passageiros que 
aguardam para 
embarcar em ônibus 
em São Paulo (SP), 
em 2017, evidencia 
um dos problemas 
relacionados à 
mobilidade urbana.
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trabalho. Isso deve ser feito com base em 
mudanças no zoneamento urbano, por meio 
de medidas como ampliação das zonas de uso 
misto nas cidades, permitindo o uso comercial 
e residencial dos imóveis. Ao mesmo tempo, 
outras ações podem colaborar para a melhora 
da mobilidade urbana, como:
• possibilidade de acesso a moradias para 
as pessoas de menor renda nas áreas 
centrais das cidades, combatendo a 
especulação imobiliária;
• incentivo e/ou criação de oportunidades 
de trabalho nas periferias;
• promoção de maior flexibilização de horários de funcionamento 
de comércio e serviços, com horários diversos de entrada e saída 
de trabalhadores e estudantes das empresas e escolas, respecti-
vamente, contribuindo, assim, para reduzir os congestionamentos 
em horários de pico.
Propor soluções para a modalidade urbana em uma perspectiva do 
direito à cidade requer, portanto, pensar o território da cidade como um 
todo e em políticas que promovam um transporte público de qualidade, 
principalmente, para grupos de baixa renda, ampliando as possibilida-
des de essa população ter acesso a atividades de trabalho, serviços de 
saúde, de educação, entre outros.
Há algum tempo, muitas cidades europeias têm os serviços de trans-
porte urbano como um serviço público totalmente gratuito. No Brasil, 
essas experiências vêm se ampliando, como nos municípios de Volta 
Redonda (RJ), Vargem Grande (SP), Ivaiporã (PR), Muzambinho (MG), 
Itatiaiuçu (MG), Eusébio (CE), Anicuns (GO), Pitanga (PR), entre outras.
Desde 2012, o Brasil conta com a Política Nacional de Mobilidade 
Urbana (PNMU), lei composta por diretrizes que têm o objetivo de 
melhorar a mobilidade nas cidades brasileiras em diversos aspectos, 
por exemplo, o incentivo ao uso de fontes de energia renováveis.
	■ A integração entre 
terminais de ônibus 
e metrôs e ciclovias 
é um exemplo de 
intermodalidade. Na 
fotografia, bicicletas 
disponíveis para 
aluguel ao lado de 
estação de metrô no 
Rio de Janeiro (RJ), 
2015.
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> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVANO LIVRO
• Segundo a PNMU, municípios brasileiros com mais de 20 mil habitantes ou que fazem parte 
de uma Região Metropolitana devem apresentar um Plano de Mobilidade Urbana (PMU) para 
coordenar o encaminhamento de soluções de acordo com as necessidades locais, o que pode 
incluir ações diversas, como discutimos no texto acima. Imagine que vocês deverão elaborar o 
PMU para o município onde vivem. Que problemas vocês acham que deveriam ser resolvidos e 
que soluções podem ser adotadas?
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NÃO ESCREVA 
NO LIVROATIVIDADES>
 1. Leia os textos a seguir. O primeiro é o trecho de um estudo, de diversos pesquisadores, sobre as 
intervenções urbanas nas favelas. O segundo faz parte da apresentação do livro Um país chamado 
favela, escrita pelo rapper carioca MV Bill (1974-).
Esses territórios [favelas] têm sido historicamente definidos pelo que não são ou pelo que 
não têm – ou seja, pela ausência.
NASCIMENTO, D. M. O que é extensão? Incertezas e provocações. In: FERREIRA, L.; OLIVEIRA, P.; IACOVINI, V. (org.). Dimensões do intervir 
em favelas: desafios e perspectivas. São Paulo: Peabiru TCA: Coletivo LabLaje, 2019. p. 245. Disponível em: http://praxis.arq.ufmg.br/
textos/lablaje.pdf. Acesso em: 30 jun. 2020.
Nasci e cresci na favela, na Cidade de Deus. Se, de vez em quando, saio dela, ela não sai 
de mim um único instante. Tenho orgulho disso. A favela não é somente um lugar para morar, 
mas para formular, produzir, aprender e viver. 
Infelizmente, por causa do padrão vigente de produção da informação, o Brasil desconhece a 
favela, uma vez que seus funcionários em geral têm horror a ela. Então, a favela é retratada na 
mídia como um conjunto de estereótipos, passando, assim, para as pessoas, conceitos prontos, 
cristalizados. 
Com certeza, a favela é o lugar onde o Estado não se instalou de fato (nem por isso deve 
ser associada à carência, pois esta existe em todas as classes), mas é o lugar em que precisa 
ser ativada a qualidade de todos os serviços públicos para evitar o medo, a escuridão, o lixo 
largado, a insegurança, a ilegalidade. 
A favela é reduto da criatividade, da invenção, do empreendedorismo pleno, das artes, dos 
afetos e da solidariedade. E, se concordamos, a carência não é uma característica daqui. 
Nas últimas décadas, temos tentado desmistificar esse lugar. Contamos de suas mazelas e 
de suas glórias.
MEIRELLES, R.; ATHAYDE, C. Um país chamado favela: a maior pesquisa já feita sobre a favela brasileira. 
São Paulo: Gente, 2014. p. 17.
 a) Relacione, em seu caderno, os textos com a atual definição de favela do IBGE apresentada no 
capítulo. O que há de comum entre eles? 
 b) Com base no segundo texto, como é possível ter uma visão diferente da favela?
 2. Com base no que você estudou neste capítulo, explique a crítica representada na charge frente a 
questões urbanas atuais.
	■ Charge de Bruno 
Galvão, publicada em 
publicada em 2010.
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http://praxis.arq.ufmg.br/textos/lablaje.pdf
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 3. Em projetos de intervenções urbanas, muitas vezes, é usado o termo revitalização. 
No entanto, assim como qualquer outro conceito, é necessário fazer uma análise do 
seu significado em relação ao contexto em que é usado. Leia o significado de revi-
talização segundo o dicionário e responda se você o considera um termo adequado 
para se referir a áreas da cidade que são objeto de reestruturações que acabam por 
remover grupos populacionais mais pobres:
Revitalização
1. ação, processo ou efeito de revitalizar, de dar nova vida a alguém ou a algo.
1.1 série de ações mais ou menos planejadas, geralmente provenientes de um 
grupo, comunidade etc., que buscam dar novo vigor, nova vida a alguma coisa
REVITALIZAÇÃO. In: DICIONÁRIO eletrônico Houaiss da língua portuguesa. São Paulo: Objetiva, 2009.
 4. Compartilhar espaços e ter uma boa convivência em uma moradia pode ser um de-
safio para muitas pessoas. Conviver em harmonia está relacionado, entre outros 
aspectos, ao desenvolvimento de habilidades socioemocionais, em especial, ne-
gociação, empatia, diálogo, cooperação etc. Essas habilidades devem ser desen-
volvidas ao longo da vida, de acordo com o amadurecimento, o trabalho com o 
autoconhecimento de cada pessoa e com as vivências e experiências que cada um 
tem para desenvolvê-las. Diante disso, reúnam-se em grupos e façam as atividades 
a seguir:
 a) Criem uma história em que ocorram situações de conflito entre pessoas que con-
vivem em uma moradia ou de uma família. A história pode ser criada com base 
em uma situação fictícia ou real.
 Inicialmente, procurem relatar que pessoas estavam envolvidas, o tipo de relação 
entre elas, o motivo do conflito etc. Vocês podem registrar a história em um 
texto escrito ou gravar um áudio.
 b) Depois, vocês vão se colocar como 
mediadores do conflito. Lembrem 
que a mediação requer levar em 
conta todos os lados envolvidos 
e buscar o diálogo com objetivo 
de trazer soluções. Como media-
dores, tentem fazer com que as 
personagens envolvidas se colo-
quem no lugar do outro.
 c) Em uma roda de conversa, cada 
grupo apresentará a situação 
de conflito e as ações para me-
diação. Depois, identifiquem de 
que formas cada conflito poderia 
ter sido evitado, ou seja, como as 
personagens ou pessoas envol-
vidas poderiam ter agido para 
que não houvesse o desacordo.
	■ Jovens conversando em Curitiba (PR), 2015.
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DIÁLOGOS> EU TAMBÉM POSSO>
Protagonismo abre as portas da escola
O protagonismo juvenil é hoje um tema de destaque na sociedade e os jovens 
e adolescentes participam cada vez mais ativamente do processo de aprendiza-
gem, dos movimentos sociais e da construção de uma sociedade melhor. A primeira 
coisa a ter em mente para ser protagonista é pensar que você pode atuar de forma 
positiva e cidadã em transformações na sua escola, na comunidade onde vive e na 
sociedade em geral. 
Em 2019, estudantes do 1º e 2º ano do Ensino Médio do Instituto Estadual de 
Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (Iema), na Unidade Plena Itaqui-
Bacanga, localizada na periferia de São Luís (MA), se uniram para colocar em prática 
o projeto Escola pra quê? Quando o protagonismo juvenil saiu da escola e 
mexeu na peça do dominó.
■ Estudantes em reunião discutem ações do projeto Escola pra quê? Quando o protagonismo 
juvenil saiu da escola e mexeu na peça do dominó, em São Luís (MA), 2019.
Esses jovens da periferia da capital maranhense identificaram a falta de integra-
ção entre a escola e a comunidade, percebendo, por exemplo, que os moradores do 
entorno da escola não sabiam quais eram as atividades desenvolvidas por estudantes 
e professores. A partir disso, criaram o projeto e organizaram ações voltadas a apro-
ximar o Instituto da comunidade. Entre elas, se destacaram campanhas de doações 
de alimentos para famílias vulneráveis, cursos de especialização em informática e 
línguas estrangeiras, atividades extracurriculares e eventos como o Dia da Família e 
a Feira de Profissões, fazendo que a comunidade local usufruísse do espaço escolar. 
Foi idealizada ainda uma proposta de intercâmbio juvenil denominada “AMEI conhe-
cer minha futura escola”, com oficinas direcionadas ao protagonismo juvenil. 
Esse projeto ofereceu aos moradores da comunidade, estudantes ou não, 
novas possibilidades de lazer, bem como a oportunidade de desenvolver habili-
dades sociais e exercer a cidadania. Além disso, dentro de um contexto de uma 
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realidade de violência urbana e altos índices de criminalidade registrados na capital 
do Maranhão, o projeto contribui para criar uma atmosfera mais segura, inclusiva e 
solidária na comunidade. 
Para compreender melhor como esse projeto mudou a vida de jovens da comu-
nidade, leia o depoimento a seguir atentando para a opinião de uma estudante que 
participou dessa iniciativa: 
[...]
“Eu mesma vim de escola pública e sei que é muito difícil seguir estudando 
sem estrutura e sem muito apoio. Fico muito feliz de me envolver nesse projeto 
porque quero passar minha experiência de estudar numa escola melhor e quero 
que todas as pessoas que estão na minha antiga escola também possam ter essa 
oportunidade.”, comentou a [...] aluna do 1o ano de Ensino Médio do IEMA e uma 
das participantes do AMEI.
[...]
XAVIER, A. Adolescentes combatem violência urbana abrindo escola para comunidade. Criativos da Escola, 7 nov. 2019. 
Disponível em: https://criativosdaescola.com.br/adolescentes-combatem-violencia-urbana-abrindo-escola-para-
comunidade/. Acesso em: 31 jul. 2020.
Inspirados na ação protagonista dos estudan-
tes de São Luís, façam a atividade proposta a seguir.
 1. Debatam com seus colegas e levantem uma 
lista de problemas em sua escola ou comu-
nidade local, elencando alguns que possam 
ser amenizados por meio de uma ação que 
integre a escola em que vocês estudam e a 
comunidade onde está inserida. 
 2. Coletivamente, pensem em exemplos de 
ações voltadas a combater um ou mais dos 
problemas elencados. Vocês podem recorrer 
a uma pesquisa na internet de forma a buscar 
outros exemplos de ações protagonizadas por 
jovens em suas escolas ou comunidades. 
 3. Escrevam uma proposta de ação protagonis-
ta, com ajuda do professor, para ser apresen-
tada à diretoria, coordenação ou supervisão 
de sua escola. A proposta deve apresentar o nome do projeto, os principais objetivos 
a serem alcançados, como será organizado, o papel a ser desempenhado por vocês, 
os materiais necessários etc.
 4. Se possível, coloquem em prática o projeto idealizado e realizem o registro das ações 
propostas por meio de telefones celulares com câmera fotográfica e/ou de vídeo. 
HTTPS://CRIATIVOSDAESCOLA.
COM.BR/ADOLESCENTES-
COMBATEM-VIOLENCIA-URBANA-
ABRINDO-ESCOLA-PARA-
COMUNIDADE/
	■ Estudantes da Unidade Plena São Luís do Iema em 
evento para aproximar a comunidade e o ambiente 
escolar e combater a violência urbana. Fotografia de 
2019, em São Luís (MA).
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https://criativosdaescola.com.br/adolescentes-combatem-violencia-urbana-abrindo-escola-para-comunidade/.
4242
COLETA DE DADOS E INFORMAÇÕES
Nesta etapa, os grupos irão coletar informações sobre o tema escolhido para responder aos 
questionamentos elaborados na etapa 1 e obter outras informações. Também vão pesquisar 
mapas do município que podem servir de base para a confecção do mapa colaborativo.
Consultem fontes diversas: livros, sites de órgãos governamentais e ONGs, publicações da 
imprensa (revistas, jornais etc.), especialistas, legislações etc.
Combinem com o professor a realização de um trabalho de campo ou convidem algum espe-
cialista ou representante do governo para uma roda de conversa. Também podem ser realizadas 
entrevistas com moradores, com questionário e amostra previamente discutidos e definidos. 
Veja o exemplo:
 Você acha que os espaços públicos de lazer são adequados na cidade?
Faixa 
etária Sim Não Por quê?
15-17 anos x
Perto da minha casa não existem parques, nem 
quadras. Gostaria de ter acesso a cinema.
No exemplo do tema espaços públicos de lazer, é preciso identificar no mapa do município 
os locais de lazer. E, em um trabalho de campo, verificar se esses espaços realmente existem 
e se são de fácil acesso ao público, o estado de conservação, se os equipamentos presentes 
atendem às necessidades dos moradores de diferentes faixas etárias, como playground para 
as crianças, e se há outros espaços de lazer não registrados no mapa.
Etapa
2
■ Estudantes do Ensino Médio pesquisando em biblioteca do Instituto Federal de Educação, 
Ciência e Tecnologia do Mato Grosso, em Pontes e Lacerda (MT), 2018.
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43
> SAIBA MAIS
Recife, cidade roubada
Realização: Ernesto de Carvalho, Leon Sampaio, Luis Henrique Leal, Marcelo Pedroso e Pedro 
Severien. Brasil, 2014. Vídeo (13 min). Publicado pelo canal Ocupe Estelita. Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=dJY1XE2S9Pk. Acesso em: 14 jul. 2020.
“Nem tudo que é novo é bom. E nem tudo que é novo é novo. O Projeto Novo Recife nem é novo, 
nem é bom.” Esse é um dos trechos desse documentário que analisa de forma crítica um projeto 
de intervenção urbana em Recife.
Habitação social: projetos de um Brasil. Episódio 1 – Vila Maria Zélia (SP). 
Direção: André Manfrim. Brasil, 2020. Vídeo (26 min). Publicado pelo canal Pique Bandeira Filmes. 
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ByN9DTDXDvE. Acesso em: 14 jul. 2020.
A série documental Habitação social: projetos de um Brasil apresenta, ao longo de 13 episódios, 
um panorama da habitação de interesse social no Brasil, desde as primeiras vilas operárias no 
início do século XX aos atuais movimentos de luta por moradia. O primeiro episódio traz como 
tema a Vila Maria Zélia, construída para abrigar operários de uma fábrica de tecidos em São Paulo, 
em 1917.
CHICO Science - Movimento Manguebeat
Brasil, 2011. Vídeo (54min).Publicado pelo canal Eterno Chico Science. Disponível em: https://
www.youtube.com/watch?v=JsC86QWHY-Y&t=592s. Acesso em: 18 set. 2020.
O documentário apresenta o Movimento Manguebeat, criado com a proposta de recuperação 
cultural do Recife (PE) e que agrega elementos da música pop com ritmos de Pernambuco, 
como o maracatu e a embolada. Explora a relação da música com a afirmação da identidade dos 
povos das periferias de Recife, dentro do contexto do histórico desse movimento que até hoje é 
referência aos jovens de comunidades localizadas no ambiente dos manguezais da cidade.
Um país chamado favela: a maior pesquisa já feita sobre a favela brasileira.
Renato Meirelles e Celso Athayde. São Paulo: Gente, 2014. 
O livro é resultado de uma pesquisa em favelas brasileiras que apresenta informações 
reveladoras desse território, unindo a pesquisa científica com a vivência dos moradores.
Hip Hop: a periferia grita
Janaina Rocha, Mirella Domenich, Patrícia Casseano. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 
2001.
O livro traz um breve histórico do movimento hip-hop no Brasil. Além de apresentar o hip-hop
como forma de afirmação da identidade dos jovens da periferia dos centros urbanos, as 
autoras dão voz aos manos e às minas que contribuíram e contribuem para que esse 
movimento evolua e se firme como uma expressão cultural m oderna e contestadora. Assim, 
mostram que mais que um estilo, o hip-hop carrega as revoltas e os anseios de jovens que se 
sentem excluídos da sociedade.
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https://www.youtube.com/watch?v=dJY1XE2S9Pk
https://www.youtube.com/watch?v=ByN9DTDXDvE
44
UNIDADE
44
 1. Que características da cidade de Salvador 
(BA) esta paisagem revela? Elas podem ser 
observadas em outras cidades brasileiras? 
Você sabe o que explica as origens dos pri-
meiros núcleos urbanos no Brasil? Converse 
sobre essas questões com seus colegas.
 2. Imagine que você seja um cientista da área 
das Ciências Humanas e Sociais, como um 
historiador, geógrafo, sociólogo ou filóso-
fo. O que você investigaria sobreas cidades 
brasileiras ou sobre o lugar onde você vive? 
Que importância sua pesquisa teria para a 
ciência e para a sociedade?
Origem e 
crescimento
das cidades
Nas Ciências Humanas e Sociais, as cidades 
são estudadas em diferentes aspectos e 
escalas. É possível, por exemplo, uma análise 
em escala global, relacionando a distribuição 
das cidades a aspectos da desigualdade eco-
nômica, ou, ainda, uma análise em escala local, 
como a ocupação da cidade pelos diferentes 
grupos sociais. Nesta unidade, este e outros 
temas serão estudados, buscando em alguns 
momentos relacioná-los com o lugar onde 
você vive e com suas experiências.
2
NÃO ESCREVA 
NO LIVRO
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■ Representação de jovens observando 
paisagem a partir da laje de uma 
casa em Salvador (BA), na atualidade.
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CAPÍTULO
3 A origem das cidades
Habilidade
Conhecimento apreen-
dido por meio de trei-
namento ou experiência 
para obter um resultado 
desejado. As habilidades 
sociais são aquelas que 
utilizamos no cotidiano 
para expressar desejos, 
sentimentos, atitudes etc.
46
Eu enxergo o grafite como um grito da cidade. Em meio ao caos urbano 
ele vem para contrapor a cor cinza, transmutando a rotina intensa dos 
transeuntes em cores 
LIMA, T. apud CANCIAN, V. Artista mineira Criola celebra cultura afro-brasileira através do grafite. Opera 
Mundi, 6 fev. 2015. Disponível em: https://operamundi.uol.com.br/samuel/39397/artista-mineira-criola-
celebra-cultura-afro-brasileira-atraves-do-grafite. Acesso em: 11 jun. 2020. 
É assim que Tainá Lima (1990-), mais conhecida como Criola, uma das 
mais renomadas grafiteiras do Brasil, explica a relação entre a cidade e 
sua arte. Para essa mineira de Belo Horizonte (MG), a cidade dá visibi-
lidade aos artistas negros, ajudando, assim, a quebrar estereótipos e 
preconceitos.
Com base nos argumentos de Criola, podemos dizer que as cidades 
têm também uma função educadora, ou seja, seus diferentes espaços 
podem funcionar como agentes pedagógicos, assumindo uma inten-
cionalidade educativa. E, com a confiança em sua arte, ela segue 
registrando a herança afro-brasileira nos muros e prédios dos centros 
urbanos, como vemos na imagem a seguir.
Viver em cidades é um processo marcado por permanências e rup-
turas. De fato, desde que os seres humanos se tornaram sedentários, há 
cerca de 10 000 anos, e as primeiras comunidades permanentes come-
çaram a florescer, a humanidade tem vivenciado diferentes experiências 
em cidades.
As razões que levam as pessoas a viver em cidades são muitas e 
variaram ao longo da história e dos lugares, como veremos neste 
capítulo. Mas algo que até os dias atuais continua importante é o desen-
volvimento das habilidades sociais. Viver em cidades é, antes de mais 
nada, saber viver coletivamente, ter respeito pelos outros e pelas regras 
de convivência. Como você se avalia a esse respeito? 
■ Criola enquanto trabalha 
em um grafite em 
homenagem a Nelson 
Mandela, em um edifício 
de São Paulo (SP), 2017.
Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o capítu-
lo e sobre o trabalho com as atividades.
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	■ A requalificação de espaços 
públicos, a conservação do 
patrimônio histórico e a 
manutenção da memória 
da cidade a tornam um 
espaço de aprendizagem e 
formação dos indivíduos. Na 
fotografia, jovens trabalham 
em uma intervenção artística 
na escadaria da comunidade 
Solar do Unhão, em Salvador 
(BA), 2018.
47
A cidade tem memória?
Pense em você daqui a trinta anos dando um 
depoimento a um historiador a respeito de sua vida 
atual. Quanto de sua história não estará relacionada 
à cidade? 
É provável que as brincadeiras com amigos do 
bairro, as festas na escola ou as conversas com a 
galera na escadaria da praça estariam presentes no 
seu depoimento, não é mesmo? Talvez até mesmo 
o cheiro da pipoca vendida na frente do parque 
ou o som do carro do vizinho façam parte de suas 
memórias.
De fato, boa parte de nossa vida está relacionada 
ao lugar em que vivemos. Mesmo quem mora em 
uma área rural sempre tem um centro urbano perto 
que atrai as atenções e os desejos: é ali que estão o 
cinema, a igreja, o supermercado, a sorveteria... Como 
sintetizou Ecléa Bosi (1936-2017), uma das mais rele-
vantes pesquisadoras de Psicologia Social do Brasil:
[...] Cada geração tem, de sua cidade, a memória de 
acontecimentos que são pontos de amarração de sua 
história [pessoal]. [...]
BOSI, E. Memória da cidade: lembranças paulistanas. Estudos Avançados, São Paulo, v. 17, n. 
47, p. 199-200, jan/abr. 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-
40142003000100012&script=sci_arttext&tlng=pt. Acesso em: 11 jun. 2020.
Isso significa dizer que são essas memórias comuns a um conjunto 
de pessoas que se entrelaçam e criam um sentimento de identidade e 
de pertencimento a um mesmo grupo.
E quando a memória vira história? Maurice Halbwachs (1877-1945), 
importante cientista social, explica:
[...] A necessidade de escrever a história de um período, de uma sociedade 
e até mesmo de uma pessoa, só desperta quando elas já estão bastante 
distantes do passado, para que ainda se tenha por muito tempo a chance 
de se encontrar em volta diversas testemunhas que conservam alguma lem-
brança. Quando a memória de um acontecimento não tem mais por suporte 
um grupo, [...] então o único meio de preservar essas lembranças é fixá-las 
por escrito em uma narrativa, pois os escritos permanecem, enquanto as 
palavras e os pensamentos morrem. 
HALBWACHS, M. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, 1990. p. 80-81.
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Estratificação social
Distinção ou hierarquia 
entre pessoas ou grupos 
decorrente de condições 
socioeconômicas, políti-
cas e religiosas.
Processo histórico
Sequência de fatos, 
acontecimentos ou 
mudanças. A ideia de 
processo supõe a ação 
do tempo e envolve a 
noção de movimento. O 
processo de formação 
do Brasil como país, 
por exemplo, envolveu 
muitos acontecimentos, 
entre os quais o povoa-
mento do território pelos 
indígenas, a chegada dos 
portugueses em 1500, 
entre outros.
48
Como chegamos até aqui?
Cooperação! Essa é a palavra central para entendermos como os grupos 
humanos transformaram pequenas vilas compostas de poucas cabanas em 
imponentes cidades. Como reforça o historiador Yuval Noah Harari (1976-):
Homo sapiens é antes de mais nada um animal social. A cooperação 
social é essencial para a sobrevivência e a reprodução. [...]
HARARI, Y. N. Sapiens: uma breve história da humanidade. Porto Alegre: L&PM, 2017. p. 31.
De fato, ao longo de pelo menos 200 mil anos, o Homo sapiens viveu 
em pequenos grupos, caçando e coletando alimentos. Aos poucos, esses 
grupos passaram a viver em assentamentos permanentes. Esse processo 
foi acompanhado pelo lento domínio da agricultura e da domesticação 
de animais. Todas essas transformações provocaram o aumento popu-
lacional dessas comunidades.
No entanto, a vida sedentária exigia um esforço coletivo muito 
grande para solucionar problemas antes inexistentes aos grupos 
nômades. Por exemplo, a construção de diques e reservatórios para 
garantir água nos períodos de seca, obras para controlar as cheias dos 
rios e a abertura de canais para irrigar as plantações.
A sobrevivência do grupo dependiade muita organização e pla-
nejamento. Alguns indivíduos com maior habilidade de liderança 
assumiam essas funções. Outros, pela imposição dos mais fortes ou por 
causa das habilidades que possuíam, passaram a se dedicar a tarefas 
específicas, como agricultura produção de cerâmica, construção de 
obras e defesa contra ataques de outros grupos. E havia ainda aqueles 
respeitados por possuírem conhecimento sobre as ervas curativas.
No conjunto, esse processo fez que algumas atividades e profissões 
assumissem, ao longo do tempo, maior importância ou valorização 
social, e assim surgia a estratificação social.
A formação de aglomerações populacionais, nas quais a maioria 
dos habitantes não trabalha na agricultura, a existência de uma classe 
dominante e a divisão do trabalho são algumas das características que 
marcam o surgimento das cidades. Como esses núcleos urbanos eram 
autossuficientes e autogovernados, não dependendo de outros terri-
tórios ou povos, os historiadores os denominam de cidades-Estados. 
Este não foi um processo histórico uniforme e nem aconteceu 
ao mesmo tempo em todos os lugares do planeta. Até hoje existem 
sociedades que nunca viveram ou se organizaram dessa forma e isso 
não significa que são melhores ou piores do que outras. Os indígenas 
brasileiros e os aborígenes australianos, por exemplo, possuem uma 
organização igualitária e, em sua maioria, não chegaram a constituir 
cidades. Mas o fato é que esse processo aconteceu em várias regiões 
do globo. Veja os exemplos a seguir.
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• Mohenjo-Daro e a preocupação com o urbano: por volta de 3000 a.C., no atual Paquistão, 
um povo que os historiadores chamam de dravidiano começou a erguer cidades ao longo 
do rio Indo. Eram núcleos urbanos bem estruturados, edificados segundo um cuidadoso 
traçado, que privilegiava ruas largas, e construídos sobre plataformas de terra batida de 
até 12 metros de altura para evitar as cheias causadas pelo degelo anual do Himalaia. Além 
disso, seus habitantes contavam com eficientes sistemas de água e esgoto.
	■ Reconstituição 
de Çatalhüyük 
elaborada com base 
em investigações 
arqueológicas. Uma 
das características 
dessa cidade é que 
não existiam ruas, e os 
habitantes circulavam de 
uma moradia a outra por 
escadas, atravessando 
os telhados.
	■ O sítio arqueológico de 
Mohenjo-Daro, no Paquistão, 
descoberto na década de 
1920, foi declarado Patrimônio 
Histórico da Humanidade 
em 1980. Nesta fotografia de 
2017, as ruínas da cidade com 
destaque para a área dedicada 
ao banho público.
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• Çatalhüyük, um dos mais antigos centros urbanos: situada na 
atual Turquia, as ruínas dessa cidade, de cerca de 7000 a.C., foram 
encontradas em uma escavação arqueológica em 1960. Alguns 
estudos indicam que chegou a contar com aproximadamente 10 
mil moradores. Também foram encontradas evidências de rela-
ções comerciais com outras regiões.
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50
• Atenas e o debate público: por volta do 
século VIII a.C., surgiu na região da Grécia atual um 
tipo específico de cidade que ficou conhecido como 
pólis. Entre as principais características da pólis, des-
tacam-se um sistema de defesa rígido e composto de 
fortificações e exércitos bem treinados, assim como a 
participação dos cidadãos nas decisões de interesse 
público. Os homens livres se reuniam na ágora, praça 
central da pólis, para discutir e votar questões de 
interesse da vida na cidade. As mulheres e os escra-
vizados eram excluídos das discussões políticas na 
ágora. Foi dessa experiência histórica que nasceu a 
figura do político, pessoa que se dedica a participar 
■ Pesquisas arqueológicas 
encontraram sete 
pirâmides de diferentes 
tamanhos e outras 
estruturas menores nas 
ruínas de Caral-Supe, no 
Peru. Fotografia de 2016.
■ Na fotografia, ruínas 
da Ágora Antiga em 
Atenas (Grécia), 2018.
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da vida pública. A necessidade de falar bem em público, defendendo 
seu ponto vista e usando habilidades como argumentação e clareza, 
originou a retórica – a “arte de falar bem”.
• Caral-Supe, a cidade sagrada: localizada no atual Peru, a cidade de 
Caral-Supe foi fundada em 2627 a.C., considerada, portanto, a mais antiga 
do continente americano. Sua arquitetura, formada por salas ovaladas, 
pirâmides e anfiteatro circular, revela, entre outros aspectos, o alto grau de 
conhecimento técnico e artístico, a importante função religiosa da cidade 
e a capacidade de organização de seus governantes.
NÃO ESCREVA 
NO LIVRO> MEUS ARGUMENTOS
• Cooperação, organização e planejamento são algumas das habilidades ci-
tadas no texto para o surgimento das cidades. Em sua opinião, que outras 
habilidades teriam sido necessárias aos grupos sociais do passado para a 
construção e a consolidação das cidades? E hoje, que habilidades você con-
sidera importantes para viver em cidades?
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DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS>
51
As cidades citadas nas páginas 49 e 50 são hoje consideradas pela Organização das Nações 
Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) Patrimônio Mundial da Humanidade, por 
sua importância histórica e arqueológica. É comum dizer que esses bens são “bens tombados”. 
Isso porque o termo tombamento, nesse contexto, significa o reconhecimento do valor histórico, 
artístico ou cultural de um bem, transformando-o em patrimônio oficial público.
Sobre esse assunto, leia o texto a seguir e responda às questões: 
Preservar é respeitar o direito de nossos descendentes. É garantir às gerações futuras o 
conhecimento de suas próprias histórias. 
[...]
Não existem critérios definidos, mas é evidente que não se pode preservar tudo o que foi pro-
duzido por gerações. É preciso fazer uma seleção. Tudo o que se preserva é marco de um tempo 
dentro da história [...]. toda a nossa história, toda a nossa produção, nosso saber e fazer são bens 
culturais e, pelo menos, uma parcela representativa de cada período deve ser preservada como 
documento referencial.
O patrimônio pode ser dividido em três grandes categorias:
Natural: São os elementos pertencentes à natureza, ao meio ambiente. Por exemplo: as 
cachoeiras, os rios, as matas, os animais etc.
O saber fazer [cultura imaterial]: É todo o conhecimento [...] aplicado no meio em que 
vive. Por exemplo: o polir a pedra, o cortar uma árvore, o transformá-la em outro objeto. Enfim, 
todas as técnicas que envolvam o conhecimento humano. São os bens intangíveis. Neste grupo 
incluem-se também os usos e costumes, crenças, músicas, danças, festas, e a religiosidade, 
chamado de patrimônio imaterial [...].
Os objetos [cultura material]: Neste grupo estão presentes os bens tangíveis, sólidos, 
resultantes do saber fazer. Por exemplo: os edifícios, artefatos em geral, os sítios arqueológicos, 
documentação histórica escrita, fotografia, objetos de arte etc.
Existem dois caminhos principais para a preservação:
1. Através da educação – [...] todas as atividades [...] que visem à conscientização da comu-
nidade, direcionando-a ao conhecimento de si própria e de seus valores como um todo.
2. Pelo tombamento – ação do Estado. Regida pelo Decreto-Lei 25/37, que normatiza a ação 
de proteção.
VILANOVA JUNIOR, A. de A. A preservação do patrimônio! Parque da Ciência Newton Freire Maia, Pinhais, [set. 2013?]. Disponível em: http://
parquedaciencia.blogspot.com/2013/09/a-preservacao-do-patrimonio.html. Acesso em: 15 jun. 2020.
 1. Com base na leitura do texto, escolha duas cidades apresentadas nas páginas49 e 50 e justifique a 
importância de sua preservação. 
 2. O texto aqui reproduzido afirma que não é possível preservar tudo e que “é preciso fazer uma seleção”. 
Reúna-se com seu grupo e, juntos, pensem sobre bens naturais ou patrimoniais do município em que 
vivem que poderiam ser preservados. Após o levantamento, escolham apenas um local ou objeto que 
vocês gostariam de ver tombados. Amparados em pesquisas, e até mesmo uma visita de campo, se 
possível, justifiquem a escolha do grupo. Entre outras questões, busquem evidenciar nos argumentos:
• Por que esse bem, imóvel ou conjunto arquitetônico deveria ser tombado?
• Que importância ele tem para a cidade?
• Que sensações ou sentimentos esse lugar ou objeto desperta?
• É um local ou objeto que deveria ser conhecido por futuras gerações?
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NO LIVRO
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52
Mudanças e permanências
Você já parou para pensar como, de tempos em tempos, a vida muda? Às vezes, 
as mudanças são provocadas por um fato, por exemplo, se uma família mudar para 
outra cidade. 
Mesmo sem um fato específico, também passamos por mudanças. Por exemplo, 
mudamos de opinião sobre um estilo de música que achávamos chato. Após ouvir 
com mais atenção, pensamos: Essa música é muito boa. Nem sei onde estava com a 
cabeça de não gostar. E há ainda aquelas coisas que permanecem iguais na nossa 
vida, mesmo com o passar do tempo.
Guardadas as devidas proporções, a história da humanidade também é feita de 
mudanças e permanências. Ou seja, trata-se de estruturas sociais, políticas, econômi-
cas e culturais, modos de organização da sociedade, crenças e valores que mudam 
ou permanecem os mesmos ao longo do tempo. Os processos envolvidos nessas 
mudanças e permanências são os objetos centrais dos estudos dos historiadores. 
No entanto, mesmo as permanências históricas sofrem transformações.
Nos últimos milênios antes da Era Cristã (a.C.), mas, principalmente depois 
desse período (d.C.), ocorreu um processo lento e contínuo no qual governantes de 
cidades-Estados passaram a ampliar o poder, incorporando outras cidades ou 
territórios. Esse domínio resultou na formação de reinos e impérios. Veja a seguir 
algumas cidades que se tornaram o centro de irradiação de poder desses reinos 
e impérios. 
• Tenochtitlán, a capital do Império Asteca: os astecas eram um grupo 
que, fugindo da seca, passou a viver, a partir de 1325, no local em que hoje 
se encontra a Cidade do México, no México. Em 1428, assumiram o controle 
da região e transformaram-se em um grande império. Tenochtitlán, sua 
capital, tinha canais navegáveis, pirâmides, escrita própria e ouro. Em 1521, 
a cidade foi atacada pelos europeus e o império, dizimado.
	■ RIVERA, D. A grande 
cidade de Tenochtitlán. 
1945. Palácio Nacional, 
Cidade do México 
(México). Esse afresco de 
Diego Rivera (1886-1957), 
aqui em um detalhe, 
representa a cidade de 
Tenochtitlán construída 
sobre um lago em ilhas 
artificiais. Observe no 
centro da imagem a 
representação do Templo 
Maior, um dos principais 
templos religiosos 
dos astecas.
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53
• Roma, de pequena vila a grande império: Roma nasceu no 
século VII a.C. da junção de sete vilas e, em pouco tempo, se tornou 
uma cidade poderosa. A partir do século III a.C., seus sucessivos 
governos iniciaram um processo de expansão contínuo. Com isso, 
a cidade se transformou na capital de um dos maiores impérios 
que o mundo já conheceu.
	■ Reconstrução da 
paisagem urbana de 
Roma em 320 d.C. 
Esta imagem foi feita 
em tecnologia digital 
3D por uma equipe 
de profissionais 
de universidades 
estadunidenses que 
participaram do projeto 
Roma Renascida, iniciado 
na década de 1990.
• Pequim, o centro do poder 
político: sua origem não é 
precisa, mas um de seus marcos 
é 1215 d.C., quando o governo 
do mongol Genghis Khan (1162-
1227) invadiu a região, arrasou o 
antigo núcleo urbano e recons-
truiu a cidade para ser uma 
das capitais do seu império. 
Atualmente, mais de 20 milhões 
de pessoas moram em Pequim.
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• Para representar as cidades dessa dupla de páginas, foram utilizados diferentes recursos, como 
tecnologia digital 3D, maquete e pintura muralista. Com qual você mais se identifica? Escolha uma 
dessas técnicas como inspiração para produzir uma representação do centro urbano do município 
em que mora. Lembre-se de que esse projeto pode ser desenvolvido de forma mais conceitual. 
Dessa forma, você terá liberdade artística e poética para retratar suas ideias e emoções. Apresente 
sua obra para a classe e explique a proposta e a técnica utilizada. 
	■ Maquete do desenvolvimento 
urbano de Pequim exposta ao 
público em Pequim (China), 2019.
> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
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54
As primeiras 
cidades brasileiras
Se você fosse escolher um símbolo para 
representar a sua comunidade, o que seria? 
Uma edificação, uma árvore, uma flor ou um 
produto típico? Muita coisa pode simbolizar 
uma cidade, o poder da pessoa ou do grupo 
que a governa. 
Durante o período em que o atual Brasil foi 
colônia de Portugal, o pelourinho, instalado nos 
pontos centrais das vilas, era o símbolo da admi-
nistração portuguesa, da autoridade e da justiça. 
Em 1532, quando foi fundada São Vicente, 
a primeira vila do atual território brasileiro, lá 
estava o pelourinho e, ao seu lado, uma capela, 
um pequeno forte e uma cadeia. Durante 
muito tempo, as vilas da colônia eram bastante 
acanhadas e parecidas com São Vicente. Observe, por exemplo, o mapa 
acima, que representa Belém, no Pará, em 1640.
Um processo mais intenso de crescimento urbano na colônia só viria 
a ocorrer após a descoberta do ouro na região das Minas Gerais, na 
virada do século XVII para o XVIII. A busca por enriquecimento originou 
uma “corrida de pessoas” em direção à região das minas, o que provo-
cou um crescimento urbano veloz e desorganizado, dando origem a 
cidades como Ouro Preto (MG) e Mariana (MG).
As viagens dos bandeirantes em busca de novas zonas auríferas, 
de tropeiros e viajantes que atravessavam o atual território brasileiro 
vendendo alimentos, tecidos e ferramentas, assim como de boiadei-
ros que percorriam longas distâncias com seus rebanhos em busca de 
pastagem, também contribuíram para dar origem a vilas e cidades no 
período colonial.
	■ Mapa conhecido 
como De Stat Ende 
Fort van Grand 
Para (em português, 
“cidade e forte do 
Grão-Pará”), de autoria 
desconhecida, 1640. 
Legenda: 1. Forte do 
Presépio; 2. pelourinho; 
3. igreja; 4. construções 
protegidas por 
muralhas e palhiças; 
5. moradias com 
quintal coletivo; 6. 
igarapé; e 7. moradias.
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NÃO ESCREVA 
NO LIVRO> LEITURA DE IMAGEM
• O mapa reproduzido nesta página foi elaborado em 1640 e é uma das mais antigas representa-
ções da cidade de Belém (PA). Por meio dele, é possível entender alguns aspectos da formação 
das vilas. Observe todos os detalhes da imagem e descreva como o espaço foi organizado pelos 
colonizadores. Em seu caderno, estruture suas informações em cerca de dois parágrafos e apre-
sente para a classe.
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55
O século XX e a 
cidade moderna
O que é uma cidade ideal para você? Aquela que tem 
prédios altos e elegantes, grandes vias públicas ou uma 
cuja administração busque atender aos interesses de seus 
múltiplos moradores, se preocupando também com o 
abastecimento de água, a coleta de esgoto, o transporte, 
a educação, a moradia e o lazer? Os caminhos que levam 
uma cidade a ser adequada para a sua população são muitos, mas qual-
quer um deles depende de políticas públicas eficientes, planejadas e 
capazes de promover o bem-estar da sociedade. 
Em meados do século XIX, a população brasileira ainda era majori-
tariamente rural. Recife, a terceira maior cidade do país na época, tinha 
menos que 50 mil habitantes. Somente Rio de Janeiro e Salvador apre-
sentavam uma população maior. A primeira, capital do império, tinha 
274 972 habitantes; Salvador, antiga capital, tinha 129 109 habitantes.
No final do século XIX, as cidades brasileiras passaram a viver um 
grande afluxo de pessoas. Em 1872, 5,9% da população brasileira vivia 
nas cidades; em 1900, esse número cresceu para 9,4%; e, em 1920, corres-
pondia a 10,7%. São Paulo, por exemplo, que passava por um processo 
de industrialização, viu sua população crescer de 31 385 habitantes, em 
1872, para 240 000, em 1900.
Além de imigrantes estrangeiros, brasileiros que fugiam das más 
condições de vida agravadas pela seca (principalmente no interior do 
Nordeste) se dirigiam às cidades. Também ex-escravizados, que ficaram 
sem acolhimento ou perspectiva de vida no campo após a abolição da 
Escravatura em 1888, viam o espaço urbano como uma opção de vida.
A imigração para a colonização da região Sul do Brasil também contribuiu 
para a urbanização. Por causa do incentivo do governo federal, grupos de 
imigrantes de diversas nacionalidades – como italianos, alemães, poloneses 
– se dirigiram para a atual região Sul do país. 
Com isso, pequenas vilas se transformaram 
em cidades e outros centros urbanos foram 
criados. Foi assim que nasceram cidades como 
Joinville (SC), Blumenau (SC), São Leopoldo (RS) 
e Bento Gonçalves (RS).
	■ Jovem em concurso 
de break na Praça da 
República, em São Paulo 
(SP), 2018. O break é um 
dos componentes do 
hip-hop, movimento que 
promove a ocupação 
do espaço público por 
jovens.
	■ Na fotografia, rua na Colônia de 
Caxias, atual munícipio de Caxias 
do Sul (RS), entre 1885 e 1897.
Política pública
Conjunto de programas, 
ações e decisões tomadas 
pelos governos (federal, 
estaduais ou munici-
pais) que visa assegurar 
determinado direito de 
cidadania aos grupos que 
compõem a sociedade. 
São as políticas públicas 
adotadas pelos poderes 
Executivo e Legislativo 
de seu município, por 
exemplo, que resultam 
(ou não) em escolas, 
transporte e hospitais.
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56
Reformas urbanísticas
A vida nas grandes cidades era bastante 
difícil. Sem qualquer tipo de direito trabalhista e 
ganhando remunerações baixas, muitas pessoas 
moravam em casas deterioradas e subdivididas, 
localizadas nas regiões centrais das cidades. Eram 
ambientes insalubres, comumente sem janelas, 
em que um único banheiro tinha de ser utilizado 
por dezenas de pessoas. Eram locais em que os 
moradores ficavam vulneráveis a doenças, que 
de tempos em tempos assolavam as cidades. 
Esse tipo de coabitação, conhecida como corti-
ços, ainda hoje faz parte das condições de vida da 
população pobre das grandes cidades brasileiras.
Além da moradia precária, no início do século XX as cidades brasi-
leiras não contavam com sistemas de coleta de esgoto e abastecimento 
de água; as ruas eram malcheirosas, não tinham calçamento nem ilu-
minação elétrica; o transporte coletivo público era quase inexistente.
Nesse contexto e inspiradas nas experiências europeias, as elites 
políticas começaram a discutir a necessidade de reformas urbanas nas 
cidades brasileiras. As reformas implantadas no Brasil seguiram, prio-
ritariamente, a linha do método conhecido como “Planos de reforma” 
(veja o quadro a seguir). De modo geral, isso significou promover refor-
mas apenas em alguns pontos das cidades, ignorando os impactos e 
a situação do restante da população, principalmente as necessidades 
dos mais pobres e carentes.
Métodos de intervenção urbana em área construída
O aumento populacional vivenciado após a Revolução Industrial resultou em diversos 
problemas nas cidades europeias. Assim, ao longo do século XIX, uma série de reformas 
urbanas foi implementada na Europa. As estratégias de intervenção utilizadas variaram. 
Porém, pesquisas recentes desenvolvidas por cientistas sociais mostram que as interven-
ções do século XIX se resumiam a dois métodos diferentes: 
• Planos de reforma: as intervenções ocorriam em regiões específicas da cidade, 
geralmente na área mais central ou de maior circulação. O tecido urbano era modi-
ficado com a abertura de ruas e praças e a introdução de novos elementos, como 
monumentos ou edificações importantes.
• Plano regulador: com uma visão global da cidade e trabalhando o seu conjunto, o plano 
regulador era introduzido para evitar ações contrárias ao interesse comum. Teve, por-
tanto, um papel ativo na intervenção, visando a corrigir equívocos e situações incorretas.
	■ Na fotografia, cortiço 
em São Paulo (SP), na 
década de 1940.
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57
Em 1902, o presidente da República, Rodrigues Alves 
(1848-1919), iniciou uma remodelação urbana no Rio de 
Janeiro, então capital do Brasil. As ruas centrais foram alar-
gadas e instaladas linhas de bondes elétricos e postes de 
iluminação elétrica. Além da construção de edifícios públi-
cos, como a Biblioteca Nacional e o Teatro Municipal.
Em uma ação que ficou conhecida como Bota-Abaixo, 
promovida pelo então prefeito do Rio de Janeiro, Francisco 
Pereira Passos, centenas de pequenas casas e cortiços da 
região central foram derrubados. Grande parte da popula-
ção da área central da cidade, principalmente aquela que 
habitava os cortiços, foi obrigada a se mudar para bairros 
periféricos ou passou a ocupar os morros, dando origem 
às favelas, locais onde a reforma urbanística não chegou.
Além do Rio de Janeiro (RJ), outras cidades, entre as quais 
Salvador (BA) e Recife (PE), passaram por remodelações urba-
nísticas que, da mesma maneira, provocaram a expulsão dos 
pobres da região central, obrigando-os a se instalarem em 
moradias precárias na periferia.
De modo geral, é esse modelo de intervenção urbanís-
tica que orientou as reformas urbanas realizadas em boa 
parte do século XX no Brasil. As elites brasileiras combina-
vam o ideal modernizador dos novos tempos sem alterar 
as antigas desigualdades sociais.
NÃO ESCREVA 
NO LIVRO> MEUS ARGUMENTOS
• As reformas urbanas implantadas no Brasil, no começo do 
século XX, seguiram modelos europeus. Explique, em seu 
caderno, por que elas não privilegiaram um olhar sobre o 
conjunto da cidade.
NÃO ESCREVA 
NO LIVRO> DE MÃOS DADAS
• Para conhecer e refletir sobre a tomada de decisões políticas em uma 
cidade, a classe deve organizar uma visita à Câmara Municipal do muni-
cípio em que estudam. Como primeiro passo, a turma precisa levantar 
informações sobre o funcionamento da Câmara e suas funções e checar 
se é realizada a visita guiada. Também é possível tentar marcar encon-
tro com vereadores e/ou com o presidente da Câmara. Não deixem de 
levar perguntas previamente elaboradas e materiais para anotações. 
Ao final, preparem uma apresentação sobre a visita. 
	■ Esta sequência defotografias ilustra 
aspectos da Reforma Urbana do 
Rio de Janeiro. De cima para baixo, 
a primeira imagem apresenta 
a demolição de casarões para a 
ampliação de ruas, em 1904. 
A segunda ilustra a ocupação do 
Morro da Providência (fotografia 
c. 1920), considerada a primeira 
comunidade formada pela 
expulsão dos moradores do 
centro da cidade. A última 
fotografia retrata a construção 
do Theatro Municipal do 
Rio de Janeiro, c. 1908, obra 
do contexto da reforma. 
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Vida urbana moderna
A partir do século XIX e ao longo do XX, muitas cidades do mundo 
passaram por grandes transformações que visavam modernizar esses 
espaços. Como vimos, isso ocorreu em grandes cidades da Europa e de 
outros continentes, inclusive no Brasil.
A modernização das cidades modificou o espaço urbano e a 
organização das construções, como casas, prédios, lojas, prédios 
públicos etc. Essas transformações trouxeram novos serviços para 
as grandes cidades, como o desenvolvimento de meios de trans-
porte público (trens, metrôs, ônibus etc.), a criação de vias amplas e 
largas que possibilitavam a circulação de automóveis, o surgimento 
de grandes lojas de comércio e centros comerciais e a criação de 
sistemas de iluminação pública e serviços de comunicação (como 
os primeiros telefones).
Tudo isso ajudou a criar um novo modo de vida, a chamada vida 
urbana moderna. Uma característica central da vida moderna é que 
ela é marcada pela aceleração do tempo. Hoje em dia, vivemos em um 
mundo extremamente acelerado, no qual as pessoas realizam inúmeras 
tarefas por dia e é possível circular mais rapidamente de um ponto a 
outro da cidade. 
	■ MEIRELES, C. Fontes. 
1992. Tate Modern, 
Londres (Inglaterra), 
2008. A instalação 
Fontes, do artista 
brasileiro Cildo Meireles 
(1948-), explora a 
posição do indivíduo no 
mundo diante de tantos 
números, relógios e 
métricas. Essa obra nos 
permite refletir sobre 
como as emoções, os 
espaços e os tempos 
vividos pelo indivíduo 
podem escapar às 
medições de sistemas 
convencionais. EXIBIÇÃO: TATE MODERN, LONDRES, INGLATERRA
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59
Uma cena muito comum nas grandes cidades brasileiras é vermos 
pessoas apressadas no transporte público ou em seus carros para 
chegar na hora ao trabalho, à escola ou à consulta médica. Porém, tal 
relação com o tempo não é natural e nem sempre existiu. Essa ideia 
de que temos um tempo contado para realizar nossas obrigações está 
relacionada com o nascimento da cidade moderna e o modo como isso 
modificou a forma como vivemos.
Cada vez mais, o tempo do relógio, cronometrado de forma 
precisa, substitui o tempo da natureza, mais lento e menos rígido. 
Perder tempo se torna sinônimo da perda de oportunidades; por isso, 
há uma valorização crescente da pressa e da eficiência.
Esse processo de aceleração do tempo afetou a vida humana de muitas 
formas, e diversos pensadores das Ciências Humanas se dedicaram a refletir 
sobre os impactos individuais e coletivos da vida moderna. Um desses pen-
sadores foi o alemão Walter Benjamin (1892-1940). Ele presenciou algumas 
das transformações urbanas do período e analisou obras de muitos artistas 
que refletiram sobre o nascimento da vida moderna, como o poeta francês 
Charles Baudelaire (1821-1867). Em suas análises, Benjamin enfatizou o 
modo como a vida moderna e a aceleração do tempo afetaram a maneira 
como os indivíduos podem compartilhar suas experiências entre si.
O conceito de experiência é utilizado para definir o conjunto de saberes 
e tradições acumulados ao longo do tempo pelos grupos humanos. Não 
é somente um conhecimento científico do mundo, mas a forma como 
vemos o mundo e nos relacionamos com o outro. Por isso, uma das formas 
de transmitir a experiência é por meio da narração de histórias.
Para Benjamin, a transmissão da experiência assegurava a estabi-
lidade do mundo, orientando as ações dos indivíduos e dos grupos. 
Porém, com a aceleração do tempo, ocorre um processo de perda dessa 
experiência. Na cidade moderna, a experiência acumulada pelas gera-
ções começa a ter uma importância cada vez menor.
O tempo acelerado significa que o mundo está se modificando a 
todo o momento. A cidade e as relações sociais estão em constante 
mudança. Com isso, a experiência acumulada passa a ser vista como 
algo sem tanta importância na orientação das ações dos indivíduos. Para 
Walter Benjamin, o sujeito moderno é um sujeito pobre em experiência, 
já que vive sem o auxílio das tradições do passado, sempre aprendendo 
e reaprendendo a lidar com o mundo, muitas vezes incapaz de aprender 
com os erros e acertos do passado.
Charles Baudelaire
É considerado fundador 
da poesia moderna e 
um dos precursores do 
Simbolismo, influen-
ciando artistas do século 
XIX e XX.
NÃO ESCREVA 
NO LIVRO> MEUS ARGUMENTOS
• Você acredita que a experiência dos mais velhos pode ajudar a resolver problemas práticos do 
mundo em que vive, como conseguir um emprego ou se relacionar com as outras pessoas? Elabore 
um texto em seu caderno que dialogue com as ideias propostas por Walter Benjamin.
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60
NÃO ESCREVA 
NO LIVROATIVIDADES>
 1. Na abertura do capítulo, Tainá Lima, mais conhecida como Criola, afirma ver no gra-
fite um grito da cidade. E para você, qual seria o grito de sua cidade ou comunidade? 
Justifique sua resposta.
 2. Quais são os principais problemas que os primeiros grupos sedentários enfrentaram? 
Agora, reflita considerando o oposto, ou seja, quais seriam as dificuldades que uma 
pessoa ou um grupo de pessoas (como ciganos, tuaregues etc.) sem moradia fixa 
provavelmente enfrenta nos dias atuais. Você conhece alguém que viva dessa forma? 
 3. Uma das características das cidades gregas na Antiguidade era a valorização do debate 
público. Para isso, a capacidade de argumentação era fundamental. No texto a seguir, 
dois professores justificam a importância do desenvolvimento dessa habilidade para 
o ambiente escolar. Após a leitura, responda ao que se pede.
[...] é nosso objetivo defender uma proposta de educação de cunho argumen-
tativo que, em linhas gerais, fundamenta-se na racionalidade argumentativa 
– também denominada de retórica – e que deve valorizar as diversas opiniões dos 
sujeitos e incentivar a interrogatividade a fim de chegar a acordos plausíveis, sendo 
passíveis de renovações sempre que necessário. Uma educação argumentativa é 
aquela que não nega a problematização e que acolhe as questões trazidas pelos 
diferentes auditórios.
Consideramos que pensar numa educação de cunho argumentativo ou de abor-
dagem argumentativa não é tarefa fácil, pois estamos vivendo em uma sociedade 
em que há cada vez menos disposição para ouvir o outro, considerar seus interes-
ses, suas necessidades, inquietações e questões. Também observamos indivíduos 
que estão vivenciando um completo desânimo por não haver acolhimento às suas 
colocações. Está havendo, gradativamente, um momento de esfriamento das rela-
ções pessoais, ou seja, percebemos que há um aumento significativo da solidão 
e do egocentrismo. Esse pano de fundo certamente gera influências no cenário 
escolar que inclusive atuam, em alguns momentos, reproduzindo tais ações sociais. 
Entendemos que, em alguma medida, estamos vivendo um dilema ético.
[...]
[...] retórica é a arte de persuadir pelo discurso. Por discurso entendemos toda 
produção verbal, escrita ou oral, constituída por uma frase ou por uma sequência 
de frases, que tenha começo e fim e apresente certaunidade de sentido.
OLIVEIRA, H. S. J. de; OLIVEIRA, R. J. de. Retórica e argumentação: contribuições para a educação escolar. 
Educar em Revista, Curitiba, v. 34, n. 70 , p. 197-212, jul./ago. 2018. Disponível em: 
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40602018000400197. Acesso em: 15 jun. 2020.
a) Com base no texto, explique o que vem a ser uma educação de cunho argumen-
tativo e a quais valores ela está associada.
 b) Quais dificuldades uma abordagem argumentativa vem enfrentando na escola?
 c) Amparados na definição de retórica que o texto traz, reúna-se com seu grupo e, juntos, 
organizem uma cena dramática de até 5 minutos que aborde algum dos temas do arti-
go. Para isso, sigam estas orientações:
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61
ANÁLISE DA REALIDADE E PROPOSTA DE AÇÕES
Nesta etapa, será realizada a organização e a análise dos dados pesquisados 
e das informações coletadas no trabalho de campo e nas entrevistas. Com base 
nos dados obtidos, analisem as hipóteses levantadas na etapa 1, considerando 
se o que foi discutido pode ser confirmado, refutado ou complementado.
Este é um momento de formular explicações sobre problemas discutidos na 
primeira etapa, fazer novas perguntas e refletir sobre propostas de interven-
ções no município, comunidade ou bairro que tragam melhorias nas condições 
de vida da população, como novos espaços públicos de lazer e indicação de 
locais para a construção de escolas, moradias populares ou postos de saúde, 
ampliação ou instalação de rede de coleta de esgoto.
Registrem os resultados da análise dos dados, das discussões e das pro-
postas de intervenções no espaço urbano, justificando a importância da 
construção dos novos equipamentos ou ações.
Etapa
3
 I. Escolham um tema e definam os objetivos da dramatização. 
 II. Pensem em qual mensagem o grupo deseja transmitir.
 III. Não deixem de considerar os recursos disponíveis na escola, assim como o 
espaço da encenação.
 IV. É preciso discutir um roteiro, o que significa uma produção textual com diálo-
gos e sequências que sejam capazes de tornar a obra compreensível a todos. 
Também é importante caracterizar as personagens física e emocionalmente.
 V. Preparem a apresentação, distribuindo os papéis e verificando a necessidade 
de roupas, adereços, som, luz etc.
 VI. Organizem ensaios para exercitar as falas e fazer ajustes no roteiro e nas 
interpretações.
■ Estudantes de uma 
escola em São Paulo 
(SP) analisando matérias 
pesquisadas para a 
realização de trabalho em 
grupo. Fotografia de 2019.
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CAPÍTULO
4 Crescimento das cidades
62
Muito provavelmente você já assistiu a séries, filmes ou novelas 
que se passavam em cidades, reais ou não. As imagens abaixo são 
de Metrópolis e de Gotham City, as cidades fictícias dos quadrinhos 
Superman e Batman, com paisagens que revelam características 
opostas. A cidade do Superman é diurna e reluzente, palco de ações 
do super-herói que tem como lema: “Para o alto e avante!”. Já Gotham 
City é noturna e sombria, assim como sua principal personagem.
A escolha de metrópoles como cenário 
das histórias de super-heróis revela o que elas 
representam: a grandiosidade, a concentra-
ção de poder, a atração que exercem sobre as 
pessoas, mas também os problemas a serem 
resolvidos, como a desigualdade social e a vio-
lência urbana.
A leitura da paisagem dessas cidades fictícias serve como um exercí-
cio de análise da sociedade em que vivemos. O que uma cidade revela 
sobre a vida de seus moradores? Ao olhar para a cidade em que você 
vive ou, se você vive no campo, para o centro urbano de seu município 
ou para a capital de seu estado, você acha que se parece mais com 
Gotham City ou com Metrópolis? Ou tem características das duas? Ou 
não se parece com nenhuma delas, é muito diferente de ambas? 
Sabemos que a realidade não é maniqueísta – bem versus mal –, 
como nas histórias dos super-heróis; ao contrário, tem infinitas nuances 
entre o claro e o escuro. Além disso, o poder para solucionar os proble-
mas não está nas mãos de um super-herói, mas nas de cada pessoa e 
cada grupo que compõem a sociedade.
■ Metrópolis (à direita), 
a cidade fictícia do 
Superman, e Gotham 
City (à esquerda), do 
Batman.
Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o capítulo 
e sobre o trabalho com as atividades.
Metrópole
Cidade de grande 
importância por causa da 
sua elevada população 
e influência política e 
econômica.
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63
Cidade e campo, urbano e rural
Quando você pensa em campo e cidade, o que vem à sua cabeça? Embora esses 
espaços tenham características próprias (por exemplo, paisagem e atividades econômi-
cas que, em um primeiro momento, podem levar muitas pessoas a pensarem que são 
opostos), eles são bastante integrados.
No século XIX, com a expansão da urbanização em algumas regiões do mundo, como 
Europa e Estados Unidos, pesquisadores começaram a construir a ideia de que existia 
uma oposição entre cidade e campo. A cidade seria o espaço das atividades industriais, do 
comércio e dos serviços e representava o que havia de mais moderno. Já o campo seria o 
local de desenvolvimento das atividades agropecuárias e representava o arcaico e o atraso.
A partir de meados do século XX, essa oposição começou a ser questionada e pes-
quisadores criaram o conceito de continuum rural-urbano, utilizado para refletir sobre a 
inter-relação entre campo e cidade. Segundo essa interpretação, o que ocorre é uma apro-
ximação, e a expansão do urbano (modos de vida, atividades industriais etc.) influencia o 
rural. Mas a vida urbana também é influenciada por práticas oriundas do campo, como o 
crescente desenvolvimento da agricultura urbana.
A industrialização das atividades agropecuárias faz parte da 
expansão do urbano no campo, que inclui, por exemplo, o uso 
de máquinas agrícolas e de modernas tecnologias de produção, 
a difusão de agroindústrias etc. Além disso, o desenvolvimento 
do setor de serviços contribuiu para uma diversificação das ativi-
dades econômicas no campo, como o turismo rural. 
Os meios de comunicação também têm um papel importante na aproximação entre 
o campo e a cidade. A expansão da internet intensificou a circulação de práticas culturais, 
como estilos musicais e padrões de comportamento entre esses espaços.
	■ Na fotografia, trator com computador de bordo utilizado na agricultura de precisão em plantio de 
soja, em Unaí (MG), 2017.
Agroindústria
Estabelecimento que 
processa ou transforma 
matérias-primas produ-
zidas pelas atividades 
agropecuárias.
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Fonte: UNITED NATIONS. Department of Economic and Social Affairs. World Urbanization 
Prospects: the 2018 Revision. New York, 2019. p. 23-25. Disponível em: https://population.
un.org/wup/Publications/Files/WUP2018-Report.pdf. Acesso em: 8 jun. 2020.
Gráfico 1 – Mundo: população rural 
e urbana, 1950-2050*
20
0
30
70
60
50
40
80
Ano
População (%)
1970 20181990 2030* 2050*1950
Urbana
Rural
*Projeção. Os dados apurados vão de 1950 a 2018.
64
Urbanização: 
mundo e Brasil
Quando Metrópolis e Gotham City, claramente inspiradas na 
cidade de Nova York, nos Estados Unidos, apareceram pela primeira 
vez nos quadrinhos,no final da década de 1930, a maior parte da 
população dos Estados Unidos 
vivia em cidades, assim como 
ocorria em alguns países euro-
peus, em contraposição aos 
países latino-americanos, africa-
nos e asiáticos, cuja maioria da 
população vivia no campo. No 
entanto, desde 2007, a popula-
ção mundial urbana ultrapassou 
a população rural. Observe o 
gráfico 1 ao lado.
Na década de 1970, mais de 
65% da população dos então 
chamados países desenvolvi-
dos (Estados Unidos, Alemanha, 
Reino Unido, Japão etc.) vivia nas 
cidades. Nessa mesma década, 
pela primeira vez, a população 
urbana ultrapassou a rural dos 
então chamados países sub-
desenvolvidos industrializados 
(Brasil, México, África do Sul etc.), 
resultado de uma urbanização 
rápida e intensa. Esse processo 
esteve ligado à industriali-
zação tardia desses países, 
com uma grande migração 
SO
N
IA
 V
AZ
campo-cidade: em geral, com a mecanização do campo e a concen-
tração de terras (temas que serão retomados nas unidades 3 e 4), os 
trabalhadores rurais passaram a buscar emprego nas cidades, que 
cresciam com a expansão industrial. Além do aumento da população 
das cidades, a urbanização envolveu diversos outros aspectos, como 
as transformações ocorridas no mundo do trabalho e nos hábitos e 
costumes das pessoas.
Industrialização tardia
Processo de industrializa-
ção que ocorreu após a 
Segunda Guerra Mundial, 
tardiamente em relação 
aos países que se indus-
trializaram primeiro, como 
os Estados Unidos e países 
da Europa ocidental.
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https://population.un.org/wup/default.aspx?aspxerrorpath=/wup/Publications/Files/WUP2018-Report.pdf
Fontes: IBGE. Atlas geográfico escolar. 8. ed. Rio de Janeiro, 2018. p. 
143; IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Tabela 
1.1 - População residente, por situação do domicílio e sexo, segundo 
os grupos de idade - Brasil - 2015. Rio de Janeiro, [201-?]. Disponível 
em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9127-
pesquisa-nacional-por-amostra-de-domicilios.html?=&t=resultados. 
Acesso em: 9 jun. 2020.
Gráfico 2 – Brasil: população rural e urbana, 
1940-2015
20
40
60
80
100
120
140
160
180
1940 19701950 1960 1980 19912000 2010 2015
0
Milhões de 
habitantes
Urbana Rural
Ano
Gráfico 3 – Continentes/grandes regiões: 
população urbana, 1950-2050*
1960 1970 200019901980 2010 2020 2030 2040 2050
0
20
10
40
30
90
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70
60
50
100
Ano
População 
urbana (%)
1950
Ásia
América Latina e Caribe
Oceania
África
Europa
América do Norte
*Projeção. Os dados apurados vão de 1950 a 2018.
Fonte: UNITED NATIONS. Department of Economic and Social Affairs. 
World Urbanization Prospects: the 2018 Revision. New York, 2019. 
p. 27. Disponível em: https://population.un.org/wup/Publications/
Files/WUP2018-Report.pdf. Acesso em: 9 jun. 2020.
65
Analisando o gráfico 2 a seguir, que apresenta a evolução da população urbana e rural 
no Brasil, é possível ver que na década de 1970 a população urbana brasileira superava a 
população rural. As cidades da região Sudeste – principalmente São Paulo (SP) e Rio de 
Janeiro (RJ) – foram as que mais atraíram migrantes durante o processo de industrialização 
e urbanização do país, intensificado na segunda metade do século XX.
Atualmente, ainda há muitos países com a maior parte da população no campo, dedican-
do-se a atividades agropecuárias. Esses países se concentram na África e na Ásia, continentes 
que têm as maiores projeções de crescimento da população urbana nas próximas décadas. De 
acordo com projeções da Organização das Nações Unidas (ONU), os demais continentes e regiões 
não terão um ritmo de crescimento da população das cidades tão elevado, pois já passaram, em 
grande medida, pelo processo de urbanização. Observe o gráfico 3.
Com o crescimento das cidades e o aumento da população mundial, as projeções indicam 
que, em 2050, haverá um acréscimo de 2,5 bilhões de pessoas na população urbana. Quase 
90% desse aumento estará concentrado na Ásia e na África. Nas próximas décadas haverá, 
portanto, profundas alterações no tamanho e na distribuição espacial da população urbana 
mundial.
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NÃO ESCREVA 
NO LIVRO> LEITURA DE IMAGEM
 1. Com base na leitura dos gráficos 1 e 3, analise a evolução da população urbana mundial e as proje-
ções para as próximas décadas. 
 2. Observe os dados do gráfico 2 e relacione-os com a análise realizada na atividade anterior.
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https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9127-pesquisa-nacional-por-amostra-de-domicilios.html?=&t=resultados.
https://population.un.org/wup/Publications/Files/WUP2018-Report.pdf.
Países do Norte e do Sul
Essa classificação se 
refere à regionalização 
que divide o mundo em 
dois grandes blocos de 
países, considerando 
indicadores econômicos, 
sociais e políticos. Não 
é uma divisão com base 
em Hemisfério Norte e 
Hemisfério Sul, divididos 
pela linha do equador.
Mundo: maiores cidades em p opulação, 2018
Fontes: UNITED NATIONS. Department of Economic and Social Affairs. World Urbanization Prospects: the 2018 Revision. New 
York, 2019. p. 65. Disponível em: https://population.un.org/wup/Publications/Files/WUP2018-Report.pdf. Acesso em: 9 jun. 
2020; GIRARDI, G.; ROSA, J. V. Atlas geográfico. São Paulo: FTD, 2016. p. 175.
Fonte: UNITED NATIONS. Department of Economic and Social Affairs. 
World Urbanization Prospects: the 2018 Revision. New York, 2019. p. 
76. Disponível em: https://population.un.org/wup/Publications/Files/
WUP2018-Report.pdf. Acesso em: 9 jun. 2020.
Mundo: aglomerações urbanas com mais de 20 
milhões de habitantes em 2018, 1970-2030*
0
10
5
35
30
25
20
15
40
Ano
População 
(milhões)
*Os dados apurados vão de 1950 a 2018. A partir de 2018
são projeções.
19
70
19
75
19
80
19
85
19
90
19
95
20
00
20
05
20
10
20
15
20
20
20
25
20
30
Nova Délhi
Cidade do México
Tóquio
Xangai
São Paulo
Cairo
Círculo Polar Ártico
Círculo Polar Antártico
Trópico de Câncer
Trópico de Capricórnio
Equador
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0º
0º
Londres
Moscou 
Paris
Nova York Los Angeles
Cidade do
México 
Istambul 
São Paulo 
Rio de Janeiro
Buenos
Aires 
Bogotá 
Lima
Guangzhou 
ManilaChennai
Dacca
Bangcoc
Calcultá
Jacarta
Pequim
Shenzhen 
Tóquio 
Tianjin
Mumbai
KarachiCairo
Lagos
Luanda
Nova
Délhi
Lahore
Bangalore
Osaka 
Chongqing
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
ÍNDICO
OCEANO GLACIAL ÁRTICO
0 2885
10 milhões ou mais
5 a 10 milhões
1 a 5 milhões
Linha Norte-Sul
População da cidade
66
As megacidades
O grande crescimento das cidades é um fenômeno registrado 
em muitos países. Ele ocorre de formas diferenciadas, especialmente 
comparando-se países do Norte e do Sul – também chamados Norte 
Global e Sul Global, respectivamente –, se observado o aumento do 
número de megacidades, ou seja, de aglomerações urbanas com mais 
de 10 milhões de habitantes. Veja no mapa as megacidades e outras 
grandes aglomerações urbanas em 2018.
Em décadas passadas, as megacidades 
se localizavam principalmente nos países do 
Norte Global. Hoje, a maioria delas está nos 
países do Sul Global. As projeções indicam que 
nesses países aumentará o número de grandes 
e megacidades, assim como o crescimento 
populacional será mais acelerado. Observe ao 
lado o gráfico das aglomerações urbanas que, 
em 2018, contavam com 20 milhões de habitan-
tes ou mais, e as projeções para 2030.
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https://population.un.org/wup/Publications/Files/WUP2018-Report.pdf
https://population.un.org/wup/default.aspx?aspxerrorpath=/wup/Publications/Files/WUP2018-Report.pdf67
Adensamento urbano
O crescimento das cidades e 
seu adensamento estão relacio-
nados ao processo de conurbação, 
no qual as áreas urbanas de dife-
rentes municípios se integram, 
ultrapassando os limites político-
-administrativos municipais.
No Brasil, desde a década de 
1990, o adensamento urbano e a 
conurbação se intensificaram nas 
áreas urbanas já consolidadas, 
como as grandes cidades de São 
Paulo (SP), Recife (PE) e Salvador 
(BA). Embora as grandes cidades 
concentrem a maior parte da população nacional, as cidades médias, 
com menos de 500 mil habitantes – por exemplo, Montes Claros (MG), 
Campina Grande (PB), Rio Branco (AC), Maringá (PR) e Anápolis (GO) –, 
são as que mais crescem. Tal fato se relaciona com o aumento da saída 
de pessoas de cidades menores em busca de atividades de trabalho e 
a saturação da infraestrutura e piora de condições de vida nas grandes 
cidades. Além disso, o crescimento das cidades médias tem relação, em 
muitos casos, com o processo de desconcentração industrial, aliado 
ao desenvolvimento das redes de transporte e de comunicação. 
Ao analisarmos a urbanização brasileira atual, devemos observar 
também os mais recentes fluxos e arranjos populacionais urbanos em 
todo o território nacional, em diferentes escalas espaciais. Tais arranjos 
correspondem a agrupamentos de municípios com grande integração 
populacional, resultado principalmente de dois fatores: as migrações 
pendulares, ou seja, os intensos fluxos de pessoas que realizam des-
locamentos diários entre municípios para atividades de trabalho e 
estudo, e/ou a contiguidade urbana, isto é, a conurbação entre os 
municípios. 
	■ Conurbação das áreas 
urbanas dos municípios 
de Belo Horizonte (MG) 
e Contagem (MG), 2014. 
Desconcentração 
industrial
Processo em que as 
indústrias se deslocam 
das regiões industriais 
tradicionais para outras. 
No Brasil, por exemplo, 
muitas indústrias dei-
xaram a cidade de São 
Paulo (SP) para se instalar 
no interior do estado de 
São Paulo e em outros 
estados do Brasil.
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NÃO ESCREVA 
NO LIVRO> MEUS ARGUMENTOS
• O crescimento das cidades brasileiras não foi acompanhado pela ampliação de infraestrutura urba-
na e serviços públicos de qualidade para todos os seus moradores. Considerando o que você sabe 
sobre as cidades brasileiras, discuta essa afirmação com seus colegas e apresente argumentos que 
a corroborem ou contraponham.
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68
Integração nas Regiões 
Metropolitanas
A Região Metropolitana (RM), constituída por municípios limítrofes, 
é criada por lei estadual com o objetivo de integrar e organizar o plane-
jamento e a execução de funções públicas comuns aos municípios para 
atender às necessidades da população. Essa integração é importante, pois 
entre os municípios ocorrem intensos fluxos populacionais e há questões 
que vão além dos limites territoriais administrativos, como os sistemas de 
transporte.
O texto a seguir é o trecho de uma notícia sobre uma das dificulda-
des de moradores de Guarulhos (SP), município vizinho de São Paulo 
(SP). Leia-o com atenção.
EMTU [Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo] 
aumenta passagem de ônibus de forma desigual na Grande SP
[...]
“Nós que moramos em Guarulhos e trabalha-
mos em São Paulo sofremos muito. Atualmente 
estou empregada, porém a empresa quer me 
pagar a passagem do ônibus até São Miguel 
Paulista [na zona leste de São Paulo], porque 
para eles sai mais em conta”, diz Josyane [...].
No caso de Marcelo Brasil, 35, que atual-
mente está desempregado, o valor da condução 
foi o motivo para a dispensa em duas seleções 
de emprego. Morador do distrito Pimentas 
[Guarulhos], além da passagem intermunicipal 
(R$ 7,15) [...] ele também gastaria o valor do 
metrô (R$ 4,30) para chegar ao trabalho.
“Fiz uma entrevista em Santana e outra no 
Tucuruvi [Santana e Tucuruvi são bairros da 
cidade de São Paulo]. Na primeira, o motivo da dispensa foi o preço da 
passagem. Na segunda, a distância. Tenho alguns amigos que passaram 
pelo mesmo problema”, conta.
[...]
TALARICO, P. et al. EMTU aumenta passagem de ônibus de forma desigual na Grande SP. Agência Mural, [s. 
l.], 24 abr. 2019. Disponível em: https://www.agenciamural.org.br/emtu-aumenta-passagem-de-onibus-
de-forma-desigual-na-grande-sp/. Acesso em: 9 jun. 2020.
Assim como Josyane e Marcelo, citados na notícia, muitos mora-
dores de Guarulhos trabalham ou buscam emprego na cidade de São 
Paulo. No entanto, como você leu, eles são prejudicados por causa dos 
gastos com condução entre as duas cidades. 
Esse é um problema que demonstra a falta de integração entre polí-
ticas de municípios próximos e até entre municípios que formam as 
	■ Passageiro aguarda 
ônibus intermunicipal 
em Guarulhos (SP), 
2020.
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https://www.agenciamural.org.br/emtu-aumenta-passagem-de-onibus-de-forma-desigual-na-grande-sp/
69
RMs, como ocorre na RM de São Paulo, também chamada Grande São 
Paulo. Muitas vezes, por causa de divergências políticas entre muni-
cípios de uma mesma RM pode haver diferentes regras, por exemplo 
sobre sistema de transportes, coleta de resíduos sólidos, entre muitas 
outras.
No Brasil, em 2015, foi criado o Estatuto da Metrópole, ou Lei da 
Metrópole, obrigando governos estaduais e municipais a formar con-
selhos para decidir sobre questões metropolitanas e, assim, promover 
uma melhor integração entre municípios. Apesar da lei, a gestão das 
RMs brasileiras ainda tem muito 
a avançar quando comparada a 
regiões de outros países. Cidades 
como Paris (França), Nova York 
(Estados Unidos) e Londres (Reino 
Unido), por exemplo, contam há 
várias décadas com um órgão que 
cuida dos assuntos metropolitanos. 
Em Nova York, meios de transportes 
e até pontes de mais de dez muni-
cípios são administrados por um 
único órgão.
As atuais 
Regiões 
Metropolitanas 
Até 2019, havia no Brasil 74 
Regiões Metropolitanas. Para você 
ter uma ideia da grande importância 
das RMs no aspecto populacional, 
cerca de 44% da população brasi-
leira vivia nas regiões com mais de 1 
milhão de habitantes. Veja o gráfico 
ao lado.
Brasil: Regiões Metropolitanas com mais 
de 1 milhão de habitantes, 2019
0 5 10 15 20 25
São Paulo
Rio de Janeiro
Belo Horizonte
Porto Alegre
Fortaleza
Recife
Salvador
Curitiba
Campinas
Manaus
Goiânia
Vale do Paraíba e Litoral Norte
Belém
Sorocaba
Grande Vitória
Baixada Santista
Ribeirão Preto
Grande São Luís
Natal
Norte/Nordeste Catarinense
Maceió
João Pessoa
Florianópolis
Londrina
Vale do Rio Cuiabá
Região Metropolitana
Milhões de habitantes
21 734 682
12 763 459
5 961 895
4 340 733
4 106 245
4 079 575
3 929 209
3 654 960
3 264 915
2 676 936
2 560 625
2 552 610
2 510 274
2 143 786
1 979 337
1 865 397
1 720 469
1 633 117
1 604 067
1 419 518
1 310 520
1 278 401
1 209 818
1 111 577
1 041 307
Fonte: IBGE. Estimativas 2019 população Regiões Metropolitanas. Agência IBGE 
Notícias, Rio de Janeiro, [2019 ou 2020]. Disponível em: https://agenciadenoticias.
ibge.gov.br/agencia-detalhe-de-midia.html?view=mediaibge&catid=2103&id=3109. 
Acesso em: 9 jun. 2020.
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NÃO ESCREVA 
NO LIVRO> DE MÃOS DADAS
• Vimos que a falta de integração entre municípios de uma RM pode gerar problemas para a vida de 
seus habitantes. Imagine que no contexto de uma epidemia, como a da covid-19, os municípios de 
uma RM tenham diferentes ações e adotem distintas medidas quanto à contenção da transmissão 
da doença. Em grupos, discutam os problemas que isso pode causar e a importância de serem 
encaminhadas ações integradas.
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https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-detalhe-de-midia.html?view=mediaibge&catid=2103&id=3109.
70
Segregação socioespacial
Em geral, o crescimento das cidades, espe-
cialmente nos países do Sul Global, foi e continua 
sendo marcado pela segregação socioespa-
cial, principalmente aquela relacionada à má 
distribuição de renda: a população com maior 
renda e condições financeiras mora em locais 
com melhor infraestrutura básica (redes de 
abastecimento de água e coleta de esgoto, ruas 
pavimentadas, áreas de lazer etc.), com serviços 
públicos (unidades de saúde, transporte, coleta 
de resíduos sólidos, segurança, entre outros) e 
concentração de empregos, enquanto os mais 
pobres ocupam áreas periféricas, muitas em 
situação irregular, caracterizadas pela carência e 
má qualidade de equipamentos e serviços públicos. No entanto, a segre-
gação socioespacial não ocorre apenas entre áreas centrais e periféricas, 
sendo também visível em uma escala bem próxima. Por exemplo, nas 
áreas em que muros ou avenidas separam moradias mais ricas das mais 
pobres. Observe a fotografia desta página.
Ao contrário do que muitos podem pensar, a segregação socioespa-
cial nas cidades não é algo natural ou normal, sobre a qual não há o que 
se fazer. Ela é um fenômeno ligado à desigualdade social, que deve 
ser combatida principalmente com políticas sociais de distribuição de 
renda, com a ampliação do acesso à educação de qualidade e a geração 
de empregos formais, entre outras ações. Ao mesmo tempo, é impor-
tante que haja ações do poder público que promovam a diminuição 
da segregação espacial, como a ocupação de áreas centrais também 
pela população de baixa renda, por meio de moradias populares ou 
formas de aluguel social, implantadas há várias décadas em cidades 
como Londres, no Reino Unido, e Paris, na França.
NÃO ESCREVA 
NO LIVRO> DE MÃOS DADAS
• O tipo de segregação socioespacial retratado na fotografia acima ocorre 
na cidade em que você vive ou em cidades que conhece? Ocorrem ou-
tros tipos de segregação socioespacial? Em grupos, discutam que ações 
poderiam ser encaminhadas para reduzir a segregação socioespacial. 
Pesquisem exemplos de iniciativas, no Brasil ou em outros países, e dis-
cutam como poderiam ser aplicadas no lugar em que vivem. Depois, 
apresentem o resultado da discussão para toda a turma.
	■ Muitas vezes, a 
segregação espacial 
é delimitada por 
avenidas e muros 
construídos entre 
comunidades de 
baixa renda e 
condomínios fechados. 
Na fotografia, 
Johanesburgo (África 
do Sul), em 2016.
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NÃO ESCREVA 
NO LIVRO
71
As expressões artísticas, como a música, o cinema, o teatro, a dança, literatura, 
entre outras, podem nos ajudar a refletir sobre questões sociais importantes. A 
arte, muitas vezes, carrega críticas sociais, denunciando injustiças sofridas por 
determinados grupos. 
Leia a letra e, se possível, ouça a música “A cidade”, que faz parte do 
álbum lançado em 1994 por Chico Science & Nação Zumbi, grupo pernam-
bucano precursor do manguebeat.
DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS>
■ Estátua de 
Chico Science, 
em Recife (PE), 
2018.
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[Refrão]
[2x] Eu vou fazer uma embolada, um samba, 
um maracatu
Tudo bem envenenado, bom pra mim e bom
 pra tu
Pra gente sair da lama e enfrentar os urubus
Num dia de sol Recife acordou
Com a mesma fedentina do dia anterior
[Refrão]
A CIDADE. Intérprete: Chico Science & 
Nação Zumbi. In: DA LAMA ao caos. 
Rio de Janeiro: Chaos, 1994. Faixa 3.
 1. Que crítica social é feita na canção “A cidade”? Com base em seus conhecimentos, você acha que 
essa crítica vale para outras cidades brasileiras, além de Recife? Explique, se possível, com base em 
exemplos de sua realidade.
 2. Em grupo, citem outras músicas que trazem questões sociais importantes. Depois, analisem a crítica 
social presente na música selecionada e exponham a análise para a turma.
 3. Em grupo ou sozinho, escolha uma expressão artística para refletir sobre um problema do lugar em 
que vive. Após a apresentação de todas as produções, juntos, discutam de que formas as questões 
sociais expostas poderiam ser resolvidas ou ao menos minimizadas.
A cidade
O sol nasce e ilumina as pedras evoluídas
Que cresceram com a força de pedreiros
suicidas
Cavaleiros circulam vigiando as pessoas
Não importa se são ruins, nem importa se 
são boas
E a cidade se apresenta centro das ambições
Para mendigos ou ricos e outras armações
Coletivos, automóveis, motos e metrôs
Trabalhadores, patrões, policiais, camelôs
[Refrão]
A cidade não para, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce
A cidade não para, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce
A cidade se encontra prostituída
Por aqueles que a usaram em busca de saída
Ilusora de pessoas de outros lugares
A cidade e sua fama vai além dos mares
No meio da esperteza internacional
A cidade até que não está tão mal
E a situação sempre mais ou menos
Sempre uns com mais e outros com menos
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NÃO ESCREVA 
NO LIVROATIVIDADES>
 1. Leia o texto a seguir, observe a fotografia e faça as atividades:
As cidades, em especial as metrópoles, são lugares onde a intensa con-
centração de pessoas, de construções e de fluxos traz grandes desafios 
para seus gestores e moradores. Tais desafios tornam-se ainda maiores 
nos países do chamado Sul Global, onde as cidades crescem em ritmo 
acelerado, como vimos neste capítulo. Assim, políticas públicas são ne-
cessárias para garantir um crescimento que inclua toda a população e 
não apenas uma minoria mais favorecida.
Organismos internacionais apontam a importância de políticas destina-
das a uma distribuição mais equilibrada do crescimento urbano, evitan-
do excessiva concentração econômica em apenas uma ou duas grandes 
aglomerações urbanas dentro de um único país, como São Paulo e Rio 
de Janeiro no caso brasileiro. Ao mesmo tempo, iniciativas locais devem 
ocorrer em busca de soluções. 
	■ Segundo a ONU, a Nigéria, 
um dos países mais 
populosos do mundo, terá 
o terceiro maior aumento 
absoluto no tamanho da 
população urbana até 
2050. As projeções indicam 
que serão 189 milhões 
de habitantes a mais nas 
cidades no mundo entre 
2018 e 2050, ou seja, quase 
o dobro da população 
urbana registrada em 
2018. Na fotografia, Lagos 
(Nigéria), 2020.
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 a) Explique os fatores que impulsionam a urbanização mundial, levando 
à formação de megacidades nos países do chamado Sul Global.
 b) Dê continuidade ao texto inicial, discutindo pelo menos um problema 
decorrente do rápido crescimento das cidades e soluções que envol-
vam diferentes atores (governos, empresas privadas, organizações 
não governamentais, associação de moradores etc.). Depois, dê um 
título para o texto.
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73
 2. O município em que você mora tem integração populacional com ou-
tro(s) município(s)? Uma das formas de você perceber isso é verificar se os 
moradores costumam ir a municípios próximos para atividades diversas, 
como trabalhar, estudar, fazer compras ou ir ao médico. Ou se seu mu-
nicípio atrai pessoas para essas atividades. Converse com seus colegas 
sobre como a centralização de determinados serviços em um município 
afeta o cotidiano das pessoas que têm de se deslocar, às vezes por horas, 
e como as tecnologias digitais de comunicação podem interferir nessa 
dinâmica. Procurem citar exemplos de sua realidade.
 3. O espaço do cidadão é o título de um dos muitos livrosde Milton Santos 
(1926-2001), geógrafo brasileiro reconhecido e premiado internacional-
mente, que foi grande crítico das desigualdades e injustiças sociais do 
Brasil. O livro foi lançado em 1987, mas continua atual. Leia dois pequenos 
trechos dele e faça as atividades.
Cada homem [ser humano] vale pelo lugar 
onde está: o seu valor como produtor, consumidor, 
cidadão depende de sua localização no território. 
Seu valor vai mudando, incessantemente, para 
melhor ou para pior, em função das diferenças de 
acessibilidade (tempo, frequência, preço), inde-
pendentes de sua própria condição. Pessoas com 
as mesmas virtualidades, a mesma formação, 
até mesmo o mesmo salário têm valor diferente 
segundo o lugar em que vivem: as oportunidades 
não são as mesmas. Por isso, a possibilidade de ser 
mais, ou menos, cidadão depende, em larga pro-
porção, do ponto do território onde se está. Enquanto um lugar vem a ser 
condição de sua pobreza, um outro lugar poderia, no mesmo momento 
histórico, facilitar o acesso àqueles bens e serviços que eles são teorica-
mente devidos, mas que, de fato, lhes faltam. 
[...]
Na grande cidade há cidadãos de diversas ordens ou classes, desde 
o que, farto de recursos, pode utilizar a metrópole toda, até o que, por 
falta de meios, somente a utiliza parcialmente, como se fosse uma 
pequena cidade, uma cidade local.
SANTOS, M. O espaço do cidadão. 7. ed. São Paulo: Edusp, 2007. p. 107, 140.
 a) Explique como o “utilizar a metrópole”, no sentido em que é usado 
na citação, tem relação, por exemplo, com a falta de políticas para 
integração dos municípios. 
 b) Relacione o primeiro parágrafo da citação com situações vivenciadas 
por você ou relatadas por outras pessoas e discuta com os colegas a 
relação entre o preconceito associado ao “endereço” e o conceito de 
segregação socioespacial. Em sua opinião, por que isso acontece e o 
que poderia ser feito para que mudasse?
	■ Ilustração 
representando o 
geógrafo Milton 
Santos, elaborada 
por Saulo Nunes e 
publicada em 2014.
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INVESTIGAÇÃO>
74
Migr antes além dos números
Quando estudamos aspectos de uma sociedade, 
muitas vezes faz-se necessária uma análise de números. 
Ao estudar o processo de urbanização no Brasil, por 
exemplo, analisamos a evolução do percentual de 
população que migrou do campo para a cidade.
No entanto, para se compreender um fenômeno 
social em suas diversas dimensões, é preciso ir além 
dos números, analisando-o de maneira mais próxima 
e aprofundada, com base em casos particulares. Por 
isso, muitas vezes, as Ciências Humanas e Sociais usam 
a estratégia de pesquisa conhecida como estudo de 
caso.
Nas pesquisas sobre migrações, o estudo de caso 
pode se dar por meio de relatos ou entrevistas com 
migrantes para, por exemplo, analisar as redes sociais
de apoio e solidariedade com as quais contou. 
■ As igrejas estão entre 
as instituições que 
promovem ações de 
acolhida a migrantes, 
integrando redes 
sociais de apoio e 
solidariedade. O cartaz 
da 32ª Semana do 
Migrante foi inspirado 
no tema da Campanha 
da Fraternidade de 
2017, da Igreja Católica, 
“Fraternidade: biomas 
brasileiros e defesa 
da vida”.
O conceito de redes sociais foi criado pela Sociologia em 
meados do século XX para definir um grupo de pessoas ou 
organizações, com origens, objetivos ou valores comuns, que 
estabelecem interações. Posteriormente, com o desenvolvi-
mento das tecnologias de comunicação digitais, esse conceito 
também passou a ser utilizado para definir diversas plataformas 
que funcionam a partir da interação dos usuários na internet.
Em grupo, você e os colegas vão usar a estratégia de estudo de 
caso para aprofundar o olhar sobre as migrações no Brasil, com foco 
nas redes sociais de apoio e solidariedade. Acompanhem as etapas de 
trabalho a seguir: 
I. Quem vai ser entrevistado
Identifiquem na comunidade em que vocês vivem uma pessoa que 
migrou, no território brasileiro, do campo para a cidade. Pode ser um 
familiar, um vizinho, um conhecido ou outra pessoa que concorde em 
participar da pesquisa. 
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75
II. Roteiro
Antes da conversa com o participante da pesquisa, o grupo deverá elaborar 
um roteiro para orientar a entrevista e ajudar a lembrar dos tópicos de interesse. É 
importante que as perguntas estimulem o entrevistado a relatar sua história de 
vida, em especial o contexto como migrante que se estabeleceu no novo muni-
cípio e/ou estado. 
III. Entrevista
Combinem com o entrevistado um momento para encontrá-lo presencial ou 
virtualmente. Durante a entrevista, deixem o entrevistado à vontade para falar, evi-
tando que o roteiro seja um guia rígido a ser seguido. De preferência, gravem a fala 
do entrevistado. Se isso não for possível, façam uma transcrição do que foi dito.
IV. Relatório e produção de livro
Com base na entrevista e em pesquisa bibliográfica sobre as migrações no 
Brasil, vocês vão produzir um relatório analisando a experiência do migrante, suas 
dificuldades, as estratégias utilizadas, pessoas ou organizações que formaram sua 
rede social de apoio etc.
Os relatórios deverão compor um livro de toda a turma. Para ajudar na produ-
ção, observem as partes que compõem um livro, como capa, contracapa, sumário 
etc. Procurem ser criativos no nome do livro e na capa, pois esses são os elementos 
que convidam à leitura.
V. Divulgação
Combinem um dia para o “lançamento do livro”, com um momento para os 
autógrafos com a participação de toda a comunidade. Vocês também podem fazer 
uma versão digital do livro, divulgando nas redes sociais digitais.
	■ Jovens realizando uma 
entrevista com uma 
mulher, em São Paulo 
(SP), 2012.
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76
PRODUTO FINAL E DIVULGAÇÃO 
Esse é o momento de construir um mapa colaborativo com os dados pesquisa-
dos e as propostas de ações e intervenções definidas, indicando, por exemplo, 
os locais que poderiam receber novas infraestruturas urbanas, como espaços de 
lazer e postos de saúde, e onde deveriam ser melhorados os serviços públicos, 
como segurança, transporte, coleta de lixo e iluminação pública.
O mapa deve conter os elementos básicos, como título, legenda, escala, 
orientação e coordenadas geográficas. No mapa devem ser representadas e 
devidamente localizadas as propostas de construção ou melhoramento do equi-
pamento público. A apresentação pode ser feita de forma digital ou impressa, de 
acordo com a escolha definida na etapa 1, garantindo que todos visualizem os 
problemas identificados e as propostas de intervenção formuladas pelo grupo 
para a melhoria da condição de vida da população. 
Ao apresentar o mapa, o grupo deve explicar:
• a situação do bairro ou município em relação ao tema escolhido. Podem ser 
utilizados recortes de manchetes de jornal, fotografias, gráficos e tabelas ela-
borados com base nas entrevistas e observações;
• as melhorias propostas; explicando como, onde e por que foram escolhidas as 
alternativas apresentadas e justificando de que maneira elas podem melhorar 
a vida da população.
Os mapas podem ser expostos para toda a comunidade e encaminhados, com 
textos sobre as análises e sugestões, para representantes do poder público.
■ Grupo de estudantes criando um mapa colaborativo sobre problemas urbanos no entorno da 
escola, em Campo Mourão (PR), 2016.
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Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil
Disponível em: http://www.atlasbrasil.org.br/2013/pt/home/. Acesso em: 13 jul. 2020.
O Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil oferece vasto material sobre as Regiões 
Metropolitanas, com indicadores de demografia, educação, renda, trabalho, habitação e 
vulnerabilidade das 20 maiores RMs do Brasil, extraídos dos censos demográficos de 1991, 2000 
e 2010. Também há um documento, lançado em 2019, com dados sobre as RMs de 2012 a 2017.
Manguebeat 20 Anos
Disponível em: https://infograficos.estadao.com.br/especiais/20-anos-manguebeat/. Acesso em: 
13 jul. 2020.
No ano em que o manguebeat completou 20 anos, a publicação aqui indicada trouxe informações 
sobre as origens do movimento, com textos, vídeo e fotografias.
Projeto de Pesquisa de Çatalhöyük Research Project
Disponível em: http://www.catalhoyuk.com/. Acesso em: 13 jul. 2020.
Página oficial do projeto de pesquisas desenvolvidas no sítio arqueológico de Çatalhüyük, na 
Turquia, com fotos, vídeos, ilustrações e outros documentos. Em inglês.
Rome Reborn
Disponível em: https://www.romereborn.org/. Acesso em: 13 jul. 2020.
Reconstituição digital em 3D da cidade de Roma no século IV. É possível fazer um passeio virtual pela 
cidade por meio de animações e ilustrações que procuram reconstituir a capital do Império Romano. 
Em inglês. 
Tropical spray: viagem ao coração do grafite brasileiro
Julien Seth Malland. São Paulo: Martins Fontes, 2012.
O livro apresenta um painel do grafite produzido no Brasil. Seu autor é um grafiteiro francês que 
viajou por seis capitais brasileiras – Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Porto Alegre (RS), Recife 
(PE), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP) – para conhecer a arte de rua e seus artistas.
As primeiras civilizações
Jaime Pinsky. São Paulo: Atual, 1994.
Nesse livro, o historiador Jaime Pinsky traz informações a respeito do surgimento de algumas 
das primeiras civilizações, como as que floresceram no Egito, na Mesopotâmia e na Palestina. Um 
dos capítulos é dedicado ao surgimento das primeiras cidades.
Sapiens: uma breve história da humanidade. 
Yuval Noah Harari. Porto Alegre: L&PM, 2017.
Relacionando conhecimentos da Arqueologia, Antropologia, Filosofia, Biologia, entre outras 
disciplinas, o autor busca explicar como o ser humano conquistou todo o planeta Terra, construindo 
cidades, reinos e impérios, desenvolvendo complexos sistemas econômicos, sociais e políticos.
> SAIBA MAIS
O crescimento das cidades e a periferização
Direção: Jorge Mansur. Brasil, 2015. Vídeo (13 min). Publicado pelo Canal Futura. Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=puIh8Hr8tX4. Acesso em: 26 ago. 2020.
O vídeo trata do crescimento de cidades brasileiras, com depoimentos e análises de moradores e 
urbanistas, analisando a periferização e a segregação socioespacial.
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http://www.atlasbrasil.org.br/2013/pt/home/
https://infograficos.estadao.com.br/especiais/20-anos-manguebeat/
http://www.catalhoyuk.com/
https://www.romereborn.org/
https://www.youtube.com/watch?v=puIh8Hr8tX4
78
UNIDADE
78
3
A produção 
aumenta. E a 
fome... acaba?
Apesar da grande produção agropecuária 
no mundo e no Brasil, ainda há muitas pessoas 
que passam fome ou não têm uma alimenta-
ção adequada. Por que isso ocorre? Além disso, 
por que nas últimas décadas muitos grupos 
ou povos passaram a ter problemas de saúde 
relacionados a mudanças nos hábitos alimen-
tares? Discutiremos essas e outras questões 
nesta unidade.
 1. Os alimentos que consumimos podem con-
tar muito sobre quem somos, nossa cultura, 
história, saúde, costumes, a economia do 
país em que vivemos, entre outros aspec-
tos. Como seus hábitos alimentares revelam 
informações sobre você e a comunidade 
onde vive?
 2. Na sua opinião, as mudanças nos hábitos 
e tradições alimentares que ocorreram no 
Brasil e no mundo têm relação com a pro-
dução industrial e agropecuária?
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NO LIVRO
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■ Na cidade de Belém (PA), pratos 
tradicionais são saboreados em 
diversos pontos da cidade, em 
especial, nas várias barracas nas 
ruas. A ilustração, que reúne alguns 
elementos da capital do Pará, 
representa jovens comendo o 
tacacá, um prato típico feito com o 
tucupi (caldo extraído da mandioca), 
entre outros ingredientes.
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79
ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL 
Atualmente, há um consumo crescente de produtos industrializados, que são pouco nutritivos 
e, em geral, têm grande quantidade de açúcar, sal e gordura. Diante disso, o resgate da alimen-
tação tradicional e sua relação com práticas de consumo conscientes e sustentáveis pode ser 
um caminho para promover hábitos mais saudáveis. 
A proposta deste projeto é utilizar a entrevista como prática de pesquisa para investigar 
como nossos antepassados se recordam da alimentação na sua infância, encontrando nesses 
relatos referências que, comparadas com práticas atuais, possam gerar ações que visem à 
saúde e ao bem-estar da comunidade.
ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL 
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CAPÍTULO
5 Expansão da produção no campo
80
 Quando você toma um suco, come feijão ou carne, pode ser que não 
pense em como esses alimentos foram produzidos e quais trajetos per-
correram para chegar ao mercado ou à feira. Pode ser que você imagine 
que têm origem no campo. Mas em que tipo de propriedade rural? 
Em qual município, estado ou país? A distância entre o local da produ-
ção e o do consumo é muito grande? Isso traz impactos? Que pessoas 
foram responsáveis pela produção? Esses alimentos foram produzidos 
por pequenos agricultores? Foram usados agrotóxicos nas plantações 
ou antibióticos e hormônios na criação dos animais para abate? Existe 
relação entre a produção agropecuária e o desmatamento na Floresta 
Amazônica? Os alimentos que consumimos hoje são os mesmos com 
os quais as gerações passadas se alimentavam?
As respostas a essas perguntas indicam como os alimentos que você 
consome estão integrados a diversos aspectos da economia, do territó-
rio e da sociedade e podem ajudar a entender suas escolhas e hábitos 
alimentares.
A agropecuária, setor que envolve a agricultura e a pecuária, é 
desenvolvida principalmente no meio rural, sendo responsável pela 
produção de alimentos in natura e pelo fornecimento de produtos para 
diversos tipos de indústria. Veja a seguir alguns exemplos:
• Indústria alimentícia, na qual ocorre o processamento de pro-
dutos agrícolas, como a secagem e acondicionamento de grãos 
em embalagens, e pecuários, por exemplo, seleção e corte de 
■ Colheitadeiras em 
plantio de soja em 
Chapadão do Sul (MS), 
2020.
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Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre 
o capítulo e sobre o trabalho com as atividades.
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81
carne, produção de embutidos e laticínios etc., e fabricação de alimentos diversos, como 
comidas congeladas e enlatadas, biscoitos, sorvetes etc.;
• Usina de biocombustíveis, na qual produtos agropecuários, por exemplo, cana-de-açúcar, 
soja, palma, milho, são utilizados como matéria-prima para a fabricação de combustíveis;
• Indústriatêxtil, que utiliza fibras vegetais, como algodão, sisal, linho, juta e bambu na 
fabricação de tecidos utilizados em peças de vestuário e artigos para uso doméstico, como 
toalhas e lençóis, entre outros;
• Indústria moveleira, na qual são utilizadas madeiras e fibras na fabricação de móveis;
• Indústria de cosméticos e farmacêutica, que utiliza derivados vegetais e animais para a 
fabricações de remédios e produtos de higiene pessoal, por exemplo.
Assim, um dos aspectos da relação da agropecuária com a indústria está no fornecimento 
de matérias-primas e no processamento de produtos, além do uso de produtos industrializados 
no campo, como equipamentos agrícolas, fertilizantes, agrotóxicos, rações, medicamentos e 
vacinas para os animais, entre outros. 
A relação das atividades agropecuárias com a indústria resulta da expansão capitalista 
no campo, que também integra cada vez mais campo e cidade, gera espaços com novos sig-
nificados, além de novos elementos na paisagem, como as agroindústrias. Além disso, muitos 
trabalhadores rurais contratados vivem nas cidades e trabalham no campo; outras pessoas 
passaram a viver no campo e a trabalhar nas cidades. 
A expansão capitalista no campo resultou também em mudanças do ciclo produtivo. Em 
muitos casos, as etapas da produção agrícola e do processamento industrial são comandadas 
pelo mesmo grupo empresarial, em especial do ramo alimentício.
	■ Multinacionais do ramo de alimentos e do agronegócio atuam em várias áreas do setor. Na fotografia, unidade 
agroindustrial em Rancho Alegre do Oeste (PR), 2017.
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82
Modernização do campo 
e seus impactos
O comércio mundial e a produção de gêneros agrícolas para a indústria são 
dominados pela chamada agricultura moderna, que está relacionada ao agrone-
gócio. Também chamado de agribusiness, o agronegócio corresponde a atividades 
produtivas, de diversos setores da economia, relacionadas à agricultura e à pecu-
ária, como indústria, transporte e comércio, formando uma cadeia integrada.
A agricultura moderna está bastante integrada ao processo industrial e é carac-
terizada pelo uso de técnicas e equipamentos agrícolas modernos, fertilizantes, 
agrotóxicos, sementes geneticamente modificadas, entre outros insumos agrí-
colas, e, predominantemente, pela monocultura (cultivo de um só produto) em 
grandes propriedades.
Esse tipo de produção expandiu-se no mundo com a chamada Revolução 
Verde, resultando em um grande aumento da produção agrícola, a partir da 
década de 1950, e no crescimento dos lucros com o agronegócio. No entanto, ao 
longo das décadas, ocorreram inúmeros imp actos sociais e ambientais negativos, 
como os apresentados a seguir:
• Aumento da concentração de terras, principalmente em países da 
América Latina, África e Ásia, resultando em intensas migrações do 
campo para as cidades. Para o sucesso das novas técnicas, o modelo 
ideal era o de grandes propriedades monocultoras, onde seria possível 
padronizar as técnicas e usar grande quantidade de insumos, reduzindo 
os custos.
• Expansão das monoculturas, levando à perda da variedade de produtos 
e consequente mudança nos hábitos alimentares, impactando as cul-
turas locais e reduzindo a oferta de alimentos nutricionalmente ricos. 
Hoje, muitas espécies de plantas comestíveis estão em extinção ou são 
pouco cultivadas, pois foram priorizadas as que geram maiores lucros. A 
grande maioria dos grãos consumidos atualmente no mundo são trigo, 
arroz, milho e soja.
• Novo padrão de alimentos in natura grandes e bonitos, por serem atra-
entes para a venda, mas que não são necessariamente mais nutritivos 
e saudáveis.
• Dependência dos agricultores em relação à indústria de sementes e 
insumos, uma vez que o cultivo de sementes geneticamente modifica-
das demanda a aplicação de determinados insumos. Esse fato alterou RIC
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83
a cultura tradicional de uso de sementes nativas (também chamadas 
crioulas), ou seja aquelas que não são alteradas geneticamente por meio 
de técnicas de laboratório, a exemplo de melhoramento genético. As 
sementes nativas têm relação direta com as comunidades tradicionais, 
como indígenas, quilombolas, ribeirinhos e outros, que têm conheci-
mento sobre os melhores períodos para o plantio, o desenvolvimento 
das espécies em cada região etc. Os produtos se tornaram menos diver-
sos, já que determinadas variedades passaram a ser privilegiadas em 
detrimento de muitas outras. 
• Impactos no ambiente e na saúde de agricultores e consumidores em 
consequência do uso excessivo de fertilizantes e agro tóxicos. 
• Degradação dos recursos naturais, como erosão, contaminação e com-
pactação do solo; poluição das águas por agrotóxicos e fertilizantes, 
entre outros problemas.
• Redução da biodiversidade, causando desequilíbrio nos ecossistemas. 
Com isso, é mais recorrente a perda da fertilidade natural dos solos e o 
surgimento de pragas que prejudicam as lavouras. Diante desse cenário, 
os agricultores ficam mais dependentes do uso de agrotóxicos e de 
fertilizantes.
• Uso de combustíveis fósseis tanto em máquinas como em agrotóxicos 
e fertilizantes. A queima de combustíveis está entre as fontes de gases 
de efeito estufa (GEEs). 
Os defensores da agricultura moderna argumentam que os impactos negativos 
podem ser reduzidos com o avanço dos conhecimentos científicos que contribui-
riam para corrigir ou evitar alguns problemas; também afirmam que as vantagens, 
como a alta produtividade, a padronização e o controle da produção, compensam 
os impactos. Já os críticos defendem alternativas que incluem práticas de agricul-
tura sustentável, agroecologia, resgate de técnicas tradicionais, agricultura familiar, 
entre outros.
NÃO ESCREVA 
NO LIVRO> MEUS ARGUMENTOS
Em geral, agricultores que trabalham diretamente com a terra, como os que fazem parte da 
agricultura familiar, incluindo aqueles de comunidades tradicionais, utilizam o termo “veneno” 
para se referir aos agrotóxicos. Já os grandes produtores do agronegócio e setores do governo, 
por exemplo, preferem “defensivos agrícolas”. Em sua opinião, quais significados cada um desses 
termos carrega?
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Aspe cto sanitário
Condição higiênica 
das instalações e dos 
indivíduos que trabalham 
no processo de limpeza, 
preparo e embalo dos 
alimentos. 
Barreira tarifária
Tarifas de importação 
sobre produtos, muitas 
vezes são medidas prote-
cionistas para proteger o 
produtor nacional.
84
Expansão da pecuária
Produtos de origem animal são a principal fonte de proteína para 
cerca de um terço da população mundial. Segundo estudo da Fundação 
Heinrich Böll, nos chamados países emergentes (China, Índia, Brasil, 
África do Sul etc.), estima-se um crescimento no consumo de carne de 
80% até 2022, o que se deve, entre outros fatores, a mudanças de hábitos 
alimentares e ao aumento do poder aquisitivo da população em geral. 
Em muitos outros países, no entanto, como os da Europa e nos Estados 
Unidos, o consumo de carne se estabilizou ou vem crescendo mais len-
tamente, o que está relacionado ao aumento de práticas alimentares 
mais saudáveis e ao consumo ético e consciente, como veremos no 
capítulo 6. 
Grande parte da produção mundial de carne se destina à indústria 
alimentícia, como para a produção de embutidos (mortadela, presunto, 
salame, linguiças salsicha etc.) e outros alimentos (hambúrgueres, frango 
empanado etc.). 
O Brasil é grande produtor e exportador de carne de boi, porco e 
ave. A criação bovina é o principal destaque, formada por gado de corte 
(produção de carne)e gado leiteiro. Segundo o IBGE, em 2018 o Brasil 
apresentava o maior rebanho comercial do mundo, era líder na expor-
tação mundial de carne bovina, segundo maior produtor de carne e 
sexto maior produtor de leite. Em valor de produção, a pecuária bovina 
de corte perde apenas para a soja. 
Em relação à exportação, o Brasil avançou nos aspectos sanitá-
rios, com novas leis e exigências de fiscalização, mas ainda apresenta 
dificuldades para alcançar países que têm regras mais rigorosas para a 
importação de carne e se utilizam de barreiras tarifárias para prote-
ger seus mercados. Nos últimos anos, também cresceram as exigências 
por produções que causem menos impactos socioambientais e que se 
preocupem com o bem-estar dos animais.
■ Criação de gado de 
corte no sistema de 
confinamento, em 
Juara (MT), 2018.
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85
Impactos da pecuária
Embora seja um setor importante do agronegócio, especialmente 
em alguns países, como o Brasil, a pecuária causa muitos impactos 
ambientais: 
• Áreas de florestas nativas são transformadas em pastos e planta-
ções de matéria-prima (soja, milho etc.) para a fabricação de ração, 
aumentando o desmatamento e as queimadas.
• Há inúmeras críticas sobre as condições de estresse nas quais são 
criados e abatidos os animais. Além da preocupação ética, pesqui-
sas indicam que tal tratamento acarreta a liberação de toxinas na 
carne, que posteriormente será consumida pelas pessoas. Além 
disso, medicamentos aplicados 
nos animais, como antibióticos 
e hormônios, podem ser absor-
vidos pelos consumidores. 
• O solo, ao ser pisoteado pelo 
gado, sofre com a compactação, 
o que aumenta processos erosi-
vos e de desertificação.
• O estrume do gado, quando não 
aproveitado em um sistema sus-
tentável, contamina o solo, as 
águas subterrâneas e superficiais.
• O processo de produção da 
carne é, entre todas as ativida-
des agropecuárias, a que mais 
gasta água. Além do emprego 
direto na criação, no abate e no 
corte, a água também é usada 
na irrigação de pastos e nos 
diversos processos da indústria 
de ração. Toda a água usada 
direta e indiretamente na pro-
dução é denominada água 
virtual. Veja o gráfico ao lado, 
que apresenta o uso de água na 
produção de carne bovina e de 
outros produtos agropecuários.
Desertificação
Processo de degradação 
ambiental generalizada 
que leva a condições 
semelhantes às dos 
desertos e é resultante 
de intensa exploração 
de recursos naturais e 
de atividades humanas, 
como a agricultura e 
a pecuária. Ocorre em 
regiões de climas áridos, 
semiáridos e subúmidos. 
Fonte: HEINRICH BÖLL FOUNDATION. Atlas da carne: fatos e números sobre os animais que 
comemos. Rio de Janeiro, 2015. p. 41. Disponível em: 
https://br.boell.org/sites/default/files/atlas_da_carne_2_edicao_- 
_versao_final-_bollbrasil.pdf. Acesso em: 27 jul. 2020.
Essa quantidade de água é necesária para produzir 1 kg ou 1 litro de:
: cerca de 140 L de água
Carne bovina
Queijo
Arroz
15 455 L
5 000 L
3 400 L
3 300 L
Ovos
1500 L
Açúcar
1300 L
Trigo
1000 L
Leite
255 L
Batatas
184 L
Tomates
Água virtual
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Além dos impactos citados na página anterior, a pecuária gera gases de efeito 
estufa, como óxido nitroso (N2O), dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4). Observe 
estes gráficos e depois faça as atividades:
Fonte: HEINRICH BÖLL FOUNDATION. Atlas da carne: fatos e números sobre os animais que comemos. Rio de Janeiro, 2015. p. 45. Disponível em: 
https://br.boell.org/sites/default/files/atlas_da_carne_2_edicao_-_versao_final-_bollbrasil.pdf. Acesso em: 21 jul. 2020.
DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS>
Mundo: emissão de gases do efeito estufa na pecuária (%), 2013
Um coquetel de gases: mudanças climáticas geradas a partir dos campos e estábulos
 1. No geral, o que os gráficos informam sobre a fonte de produção dos gases de efeito 
estufa pela pecuária?
 2. O metano (CH4), que resulta do processo de digestão animal, tem relação, entre ou-
tros fatores, com o modelo de criação do gado. Leia o texto a seguir e discuta com 
seus colegas as possibilidades de uma pecuária no Brasil que gere menores impactos 
ambientais.
Sem dúvida, é verdade que os bovinos emitem metano: produzem até 28% desse 
gás especialmente nocivo para o clima. Mas o metano pode ficar quase totalmente 
retido no solo se os animais pastam nos campos naturais. E não se deve optar por 
uma alimentação com cereais ou soja como suplemento. Uma vaca alimentada 
dessa maneira mais saudável e sustentável não produz tanta carne por hectare 
como uma alimentada com concentrados, mas o custo ambiental em termos de 
emissões de gases de efeito estufa é muito menor.
HEINRICH BÖLL FOUNDATION. Atlas da carne: fatos e números sobre os animais que comemos. Rio de Janeiro, 2015. p. 45. 
Disponível em: https://br.boell.org/sites/default/files/atlas_da_carne_2_edicao_-_versao_final-_bollbrasil.pdf. 
Acesso em: 27 jul. 2020.
NÃO ESCREVA 
NO LIVRO
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46,5
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3,8
5,4
2,2 6,1
7,4
0,7 0,7
10,9
Manejo de esterco, 
CH4
Energia direta 
e indireta, CO2
Emissões fora do 
estabelecimento
agrícola, CO2
Manejo de esterco, 
N2
Leite de vaca Carne bovina Porcos Aves Ovos
Esterco aplicado 
e depositado, N2O
Resíduos de 
fertilizantes
e cultivos, N2O
Mudança no uso 
do solo: soja, CO2
Digestão, CH4
Mudança no uso 
do solo: expansão
de pastagens, CO2
Forragem, CO2
12,73,1
19,2
8,2
3,5 5,7 5,5
0,9
1,4
0,53,6
42,6
14,8
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9
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87
Brasil: modernização conservadora 
e expansão da agropecuária 
A expansão da agropecuária no Brasil, ocorrida principalmente a partir da década de 
1960, foi marcada por um processo denominado por muitos pesquisadores moderniza-
ção conservadora: modernização da grande propriedade e manutenção da estrutura 
fundiária concentrada, ou seja, grandes extensões de terra nas mãos de pequena parcela 
de proprietários. Esse processo pode ser dividido em dois momentos. 
Primeiro momento
O primeiro momento, entre as décadas de 1960 e 1980, caracterizou-se pela 
adoção da Revolução Verde, desenvolvimento de complexos agroindustriais (CAIs) 
e forte atuação do Estado.
A Revolução Verde foi responsável pela chegada de novas técnicas e produtos 
agropecuários, resultando no aumento da produtividade. As mercadorias eram des-
tinadas principalmente ao exterior e à indústria nacional. Neste contexto, diversos 
setores do agronegócio se desenvolveram e ocorreu a formação dos complexos 
agroindustriais, que consistem na integração dos capitais bancários, industriais e 
agrários, na produção de insumos (tratores, sementes, fertilizantes, agrotóxicos, rações 
para animais etc.), na industrialização de produtos agropecuários, na logística de 
armazenamento, no transporte e distribuição, nas pesquisas, nas políticas de finan-
ciamentos etc.
Neste primeiro momento, o governo promoveu grandes projetos agropecuários 
para a ocupação das regiões Centro-Oeste e Norte, principalmente na década de 
1970, sendo abertas novas áreas de produção, momento em que ocorreu a chamada 
expansão da fronteira agropecuária. O Estado também atuou no processo de criação 
dos CAIs, promovendo a participação de grandes produtores e de empresas estatais e 
multinacionais. No entanto, as ações do Estado beneficiaram principalmente os grandes 
produtores, enquanto os peque-
nos e médios agricultores foram 
excluídos das políticas de crédito 
e comercialização dos produtos, e 
grande parte deles não conseguiu 
manter suas atividadesno campo, 
intensificando o êxodo rural e a 
concentração fundiária. 
	■ Construção da BR-163 em Mato 
Grosso, na década de 1970.
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88
Segundo momento
No segundo momento, a partir da década de 1990, desenvolveu-se 
a chamada agricultura científica globalizada, que consistiu em um 
novo padrão agropecuário, caracterizado principalmente pelo uso de 
novas tecnologias da informação e comunicação (NTIC). Como exem-
plos das novas tecnologias, podem ser citados a agricultura de precisão, 
a nanotecnologia, a biotecnologia, a engenharia genética, o uso de 
softwares, entre outros. Nesse período houve aumento da produção de 
commodities, principalmente a soja.
Ocorreu uma menor atuação do Estado em algumas etapas, insti-
tuições públicas foram privatizadas e as agroindústrias e as tradings
tiveram grande participação no financiamento, no fornecimento de 
insumos e na logística de transporte da produção. As tradings, com 
escritórios fixados principalmente na cidade de São Paulo (SP), são res-
ponsáveis por negociar os grãos no mercado internacional. A produção, 
integrada a uma rede mundial, é comandada por grandes corporações 
nacionais e internacionais e dependem das cotações das principais 
bolsas de mercadorias.
Quanto às pesquisas para o setor agropecuário, o Brasil é uma 
potência mundial. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária 
(Embrapa), instituição vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária 
e Abastecimento (Mapa), por exemplo, desenvolve tecnologias voltadas 
à agropecuária desde sua criação, na década de 1970. Apesar de haver 
diversas pesquisas e apoio técnico à produção familiar e à agroecolo-
gia, as tecnologias de ponta, relacionadas à agricultura científica, são 
voltadas essencialmente para o agronegócio.
Nanotecnologia 
Tecnologia que trabalha 
com a construção de 
estruturas e novos mate-
riais a partir de partículas 
com dimensões minús-
culas, como moléculas e 
átomos.
Commodities
Produtos primários, em 
estado bruto ou com 
algum processamento 
industrial, produzidos 
em grande quantidade e 
negociados mundialmente 
nas bolsas de mercadorias. 
Podem ser estocados por 
certo período sem perdas 
significativas de quali-
dade. Há diversos tipos 
de commodities, como as 
agrícolas (soja, café, trigo 
etc.) e as minerais (minério 
de ferro, ouro etc.).
Trading
Empresas comerciais que 
atuam como interme-
diárias entre empresas 
fabricantes e compra-
doras, em operações 
de exportação ou de 
importação.
■ Técnico da Embrapa 
testa drone em 
plantação de milho em 
São Carlos (SP), 2019.
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89
Nos dois momentos da moder-
nização da agropecuária no Brasil, 
a expansão da fronteira agrícola 
se deu com intensa ocupação do 
bioma Cerrado, que apresenta 
características favoráveis à agri-
cultura, como: extensas áreas com 
relevo plano e solos profundos, 
estações do ano bem definidas 
(uma chuvosa e outra seca) e intensa 
luminosidade. Somam-se a essas 
condições naturais, os resultados 
de diversos estudos realizados 
na década de 1970 pela Embrapa, 
como a correção da acidez do solo 
e o desenvolvimento de sementes 
geneticamente modificadas, em 
associação com empresas privadas 
multinacionais, em períodos mais 
recentes. Observe o mapa ao lado.
A soja é a principal commodity
produzida no Cerrado, onde também se destacam as produções de 
milho, algodão e café, além da criação de gado. Nos dois momentos 
da modernização conservadora, ocorreu expansão da agropecuária 
também na Amazônia. Nos últimos anos se intensificou o desmata-
mento ilegal, relacionado principalmente à abertura de pastos e à 
produção de soja. 
Expansão da fronteira agropecuária
Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 8. ed. Rio de Janeiro, 2018. p. 125.
Brasil: distribuição da soja em diferentes biomas, 2016
Equador
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
PACÍFICO
Trópico de Capricórnio
50° O
0°
AC
AM
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APRR
RO
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MS ES
RJ
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SC
SP
COLÔMBIA
VENEZUELA
GUIANA
SURINAME
GUIANA FRANCESA (FRA)
PERU
BOLÍVIA
PARAGUAI
CHILE
ARGENTINA
URUGUAI
Produção municipal
(1 000 t)
De 10,0 a 100,0
De 100,1 a 250,0
De 250,1 a 500,0
De 500,1 a 1 771,2
Pantanal
Pampa 
Cerrado
Caatinga
Amazônia
Mata Atlântica
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NÃO ESCREVA 
NO LIVRO> MEUS ARGUMENTOS
A partir da manchete a seguir, argumente por que o desmatamento da Amazônia pode não 
ser lucrativo para o agronegócio:
UE [União Europeia] quer boicote a produtos de áreas desmatadas
Órgão executivo do bloco quer acelerar medidas para evitar que itens derivados de áreas des-
truídas da Amazônia cheguem às prateleiras de países europeus.
UE QUER boicote a produtos de áreas desmatadas. Deutsche Welle Brasil, 19 jun. 2020. Disponível em: 
https://www.dw.com/pt-br/ue-quer-boicote-a-produtos-de-%C3%A1reas-desmatadas/a-53875332. Acesso em: 21 jul. 2020.
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90
 a) Analise os dados representados no gráfico 
acima e, a partir deles e das informações ex-
traídas do texto, explique se a evolução da 
produção de soja no Brasil corresponde ao 
crescimento mundial dessa cultura.
 b) Como os dados representados no gráfico se 
relacionam a aspectos políticos e técnicos da 
chamada modernização conservadora?
 2. A forma como ocorreu e ainda ocorre a expan-
são da produção agropecuária no Brasil trouxe 
inúmeros impactos socioambientais. Ao mesmo 
tempo, a importância do agronegócio para a 
economia brasileira é muito grande. Selecione 
um desses impactos que foram estudados e, 
em grupo, coletem informações sobre avanços 
técnico-científicos para reduzi-los ou evitá-los. 
Apresentem a informação pesquisada de forma 
oral ou em um mural e discutam a importância 
de tais avanços para a economia e o ambiente. 
 3. Observe o mapa e responda às questões.
 a) Quais elementos do primeiro momento do 
processo de expansão da agropecuária no 
Brasil podem ser observados no mapa?
 b) Qual é a relação entre o que é retratado na 
fotografia da página 87 e as informações 
apresentadas no mapa?
NÃO ESCREVA 
NO LIVROATIVIDADES>
 1. Em 2020, em plena pandemia da covid-19, o 
único setor da economia brasileira que não 
apresentou perdas foi o agronegócio. Com 
safras recordes e aumento nas exportações, 
os resultados foram comemorados por em-
presários do setor e pelo governo. Entre as 
commodities do agronegócio brasileiro, a soja 
ocupa lugar de destaque. Observe o gráfico 
a seguir, leia o trecho do texto que se segue 
e faça as atividades:
Brasil: produção de soja em grão, 
1975-2020*
1950 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2010 2015 2020*
0
20
40
60
80
100
120
140
160
180
200
Milhões de
toneladas
10 15
18 20 26
33
51
69
97
191
Ano
*Projeção
Nota: Os números das safras foram arredondados.
Fonte dos dados: IBGE. Sidra – Banco de Tabelas Estatísticas. 
Produção agrícola municipal, 2018. D isponível em: https://
sidra.ibge.gov.br/tabela/5457; EM MAIO, IBGE prevê alta 
de 1,8% na safra de grãos de 2020. Agência IBGE, 9 jun. 
2020. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.
br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/
releases/27911-em-maio-ibge-preve-alta-de-1-8-na-safra-de-
graos-de-2020. Acessos em: 21 jul. 2020.
A soja é a cultura agrícola que, glo-
balmente, vem crescendo em ritmo mais 
acelerado nas últimas décadas, estimulada 
pelo forte aumento do consumo de carnes, 
principalmente nos chamados países 
emergentes. Estima-se que 90% da soja 
produzida no mundo tenha como destino 
a fabricação defarelo utilizado em rações 
animais, como fonte de proteínas.
HEINRICH BÖLL FOUNDATION. Atlas da carne: fatos e números sobre 
os animais que comemos. Rio de Janeiro, 2015. p. 16. Disponível em: 
https://br.boell.org/sites/default/files/atlas_da_carne_2_edicao_-_
versao_final-_bollbrasil.pdf. Acesso em: 27 jul. 2020.
SO
N
IA
 V
AZ
Fonte: MARGARIT, E. O processo de ocupação do espaço ao longo da BR-163: uma leitura 
a partir do planejamento regional estratégico da Amazônia durante o governo militar. 
Geografia em Questão, Marechal Cândido Rondon (PR): Associação dos Geógrafos 
Brasileiros, v. 6, n. 1, p. 22, 2013. Disponível em: http://e-revista.unioeste.br/index.php/
geoemquestao/article/view/6634/5786. Acesso em: 27 jul. 2020.
Macapá
Manaus
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COLÔMBIA
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FRANCESA (FRA)
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Oficiais
Projetos de
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De 100 a 190
De 100 a 500
Até 100
Até 100
Rodovias
Capital de estado
Amazônia legal
Nota: A Amazônia Legal é uma divisão regional administrativa instituída
em 1953 pelo governo federal brasileiro, com o objetivo de definir áreas 
a serem beneficiadas por projetos de desenvolvimento regional. 
Inclui os estados da região Norte, o Mato Grosso e parte do Maranhão.
0 445
Amazônia Legal*: projetos de 
colonização, décadas de 1970-1980
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Nota: A Amazônia Legal é uma divisão regional administrativa instituída
em 1953 pelo governo federal brasileiro, com o objetivo de definir áreas 
a serem beneficiadas por projetos de desenvolvimento regional. 
Inclui os estados da região Norte, o Mato Grosso e parte do Maranhão.
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Nota: A Amazônia Legal é uma divisão regional administrativa instituída
em 1953 pelo governo federal brasileiro, com o objetivo de definir áreas 
a serem beneficiadas por projetos de desenvolvimento regional. 
Inclui os estados da região Norte, o Mato Grosso e parte do Maranhão.
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https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/27911-em-maio-ibge-preve-alta-de-1-8-na-safra-degraos-de-2020
http://e-revista.unioeste.br/index.php/geoemquestao/article/view/6634/5786
91
ENTREVISTAS: REDESCOBRINDO HÁBITOS 
DO PASSADO 
Vocês já pararam para pensar que nem sempre as pessoas se alimentaram 
da mesma maneira? Será que nossos atuais hábitos de alimentação são iguais 
aos das gerações anteriores?
Ao longo do tempo, mudanças econômicas e sociais alteraram hábitos coti-
dianos, incluindo a maneira como as pessoas se relacionam com os alimentos. 
A esse processo dá-se o nome de transição alimentar. O Brasil passou por 
um importante processo de transição alimentar nas últimas décadas, como 
aponta o documento “Política Nacional de Alimentação e Nutrição”, publicado 
em 2013:
A população brasileira, nas últimas décadas, experimentou 
grandes transformações sociais que resultaram em mudanças 
no seu padrão de saúde e consumo alimentar. Essas transforma-
ções acarretaram impacto na diminuição da pobreza e exclusão 
social e, consequentemente, da fome e desnutrição. Por outro 
lado, observa-se aumento vertiginoso do excesso de peso em 
todas as camadas da população, apontando para um novo 
cenário de problemas relacionados à alimentação e nutrição.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Política Nacional de Alimentação e Nutrição. 1. ed. Brasília, 2013. 9. 6. 
Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_alimentacao_
nutricao.pdf. Acesso em: 5 set. 2020.
Nesta etapa vocês vão investigar como as pessoas se alimentavam no 
passado. A proposta é entrevistar familiares mais velhos (avós, bisavós, 
tios) que possam contar como eram os hábitos alimentares deles na infância 
e juventude.
A turma pode se dividir em grupos e cada um deve pensar em entrevistados 
que tenham um perfil que contribua para a discussão sobre mudanças das 
práticas alimentares. Selecionado o entrevistado, os grupos devem realizar 
um contato inicial, explicando os objetivos da entrevista e solicitando auto-
rização para sua realização. 
Após o aceite do entrevistado, o grupo precisa fazer o planejamento da 
entrevista. A conversa precisa ser agendada, definindo-se local e horário. 
A seguir, é necessário elaborar um roteiro para a conversa, formulando as 
perguntas e definindo quem do grupo ficará responsável por conduzir a entre-
vista e aqueles que vão cuidar do registro. Para a gravação da entrevista, em 
áudio ou vídeo, é fundamental solicitar autorização do entrevistado.
Na realização da entrevista deve-se ter cuidado com o registro de todo o 
processo, de modo a ter todas as informações necessárias para a próxima 
etapa deste projeto.
Etapa
1
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http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_alimentacao_nutricao.pdf
CAPÍTULO
6 Transformações na alimentação
Que memórias você tem do que comia na escola quando era criança? 
As refeições servidas mudaram ao longo dos anos? Há ou havia algum 
alimento de sua preferência?
Em geral, ao longo do tempo, os programas de alimentação nas 
escolas públicas brasileiras passaram por importantes melhorias, prin-
cipalmente em termos de uma nutrição mais adequada. Isso ocorreu 
em função da implementação de políticas públicas voltadas especifi-
camente ao tema. Leia o texto sobre um desses programas.
[...] no Brasil, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) 
distribui diariamente 43 milhões de refeições para os estudantes da rede 
pública, muitos dos quais contam apenas com essa refeição diária.
[...]
Fomos o modelo internacional de políticas públicas virtuosas, capazes 
de gerar ganhos múltiplos: no caso da alimentação escolar adquirida da 
agricultura familiar, por exemplo, ganha-se com a melhora nutricional dos 
alunos; com a consequente maior capacidade cognitiva; e com a inserção 
socioeconômica das famílias produtoras. 
RONDÓ, M. Brasil é modelo a ser seguido quando se trata de alimentação escolar. Carta Capital, 29 jul. 2020. 
Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/OPINIAO/BRASIL-E-MODELO-A-SER-SEGUIDO-
QUANDO-SE-TRATA-DE-ALIMENTACAO-ESCOLAR/. Acesso em: 31 ago. 2020.
A garantia de que estamos consumindo alimentos saudáveis e nutriti-
vos depende de muitos fatores. Além de políticas 
públicas, como citado no texto acima, há fatores 
relacionados à renda das famílias, à cultura local 
e regional, a interesses econômicos de grandes 
empresas alimentícias, entre outros. 
Neste capítulo, traremos algumas dessas 
questões e analisaremos as transformações que 
a alimentação vem sofrendo ao longo do tempo, 
abordando temas como transição alimentar e 
nutricional, segurança alimentar, relações entre 
alimentação e ética, conhecimentos dos povos 
indígenas, entre outros.
■ Uma alimentação 
balanceada e que se 
integre às tradições 
brasileiras, como o 
feijão, arroz, carne e 
salada, é uma opção 
de nutriçãopara as 
escolas brasileiras.
Fotografia de merenda 
escolar em Itaituba 
(PA), 2019.
Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o capítu-
lo e sobre o trabalho com as atividades.
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https://www.cartacapital.com.br/OPINIAO/BRASIL-E-MODELO-A-SER-SEGUIDO-QUANDO-SE-TRATA-DE-ALIMENTACAO-ESCOLAR/
Muito mais que necessidade básica
Nas últimas décadas, no Brasil e no mundo, a maneira como as pessoas se ali-
mentam no dia a dia vem se transformando em diversos aspectos, como o tipo de 
alimento consumido, o tempo destinado à refeição, o número de refeições realizadas 
e o intervalo entre elas. Você pode perceber o impacto que a alimentação tem sobre 
nossas vidas através de mudanças nos seus hábitos alimentares, ou nos hábitos de 
seus familiares, e isso pode ter consequências positivas ou negativas sobre a saúde. 
Tais transformações não são apenas uma questão de escolhas individuais ou pre-
ferências, estando relacionadas a processos do mundo contemporâneo, a exemplo 
da industrialização, da urbanização, da globalização e do aumento dos conhecimen-
tos científicos sobre a influência da alimentação sobre a saúde humana. 
Como vimos no capítulo anterior, a modernização do campo ocorrida no Brasil 
e em muitos outros países afetou a produção de alimentos diversificados, com o 
agronegócio privilegiando aqueles destinados à indústria e à exportação.
Ao refletirmos sobre hábitos alimentares e suas transformações ao longo do 
tempo, devemos considerar a alimentação dentro de suas diferentes dimensões: é 
uma necessidade biológica, ao mesmo tempo que é uma prática social; os alimentos 
são parte de nossa cultura, mas também mercadorias; sua produção e consumo têm 
relação com a saúde física e emocional das pessoas, com os ambientes físico-natu-
rais – como o solo, os rios, as florestas – e com o desenvolvimento das economias 
locais, nacional e global, entre outros exemplos. 
	■ A alimentação como prática social contribui para o bem-estar e a interação entre as pessoas. Família reunida no 
café da manhã em São Paulo (SP), 2016.
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Segurança alimentar e nutricional 
Em pleno século XXI, depois de inúmeros avanços tecnológicos relacionados à 
agricultura e à produção de alimentos de modo geral, pode parecer surpreendente 
que, dos quase 8 bilhões de pessoas do mundo, um número superior a 800 milhões 
ainda passa fome, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), ou seja, 
não dispõe de alimentos suficientes no dia a dia para ter uma vida ativa e saudável. 
Observe o mapa a seguir.
Fonte: GLOBAL HUNGER 
INDEX. 2019 Global Hunger 
Index by severity. 
Disponível em: https://www.
globalhungerindex.org/. 
Acesso em: 31 ago. 2020.
Objetivos de 
Desenvolvimento 
Sustentável (ODS)
Conjunto de 17 metas 
estabelecidas em 2015 
pela ONU como bases para 
atingir o desenvolvimento 
sustentável, com as quais 
os 193 países-membros se 
comprometeram. Reúnem 
diferentes temas, como 
questões ambientais e 
combate ao aquecimento 
global, promoção da saúde, 
educação e igualdade 
de gênero.
Organismos multilaterais como a Organização das Nações Unidas 
para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Fundo das Nações Unidas 
para a Infância (Unicef) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) desen-
volvem diversos programas e estudos para combater a fome no mundo 
em parcerias com instituições e governos locais. 
Para tanto são necessárias ações e políticas públicas direcionadas ao 
auxílio a pessoas que convivem com a insegurança alimentar e apoio a 
agricultura familiar e jovens empreendedores no campo. O segundo dos 17 
Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), por exemplo, 
consiste em:
Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da 
nutrição e promover a agricultura sustentável.
NAÇÕES UNIDAS BRASIL. Fome zero e agricultura sustentável. 2015. Disponível em: 
https://nacoesunidas.org/pos2015/ods2/. Acesso em: 3 set. 2020.
No Brasil, as políticas de erradicação da fome tiveram grande expan-
são na década de 2000 e foram implementadas em diversos setores, 
proporcionando geração de renda para famílias vulneráveis, instalação 
de cisternas na região do Semiárido, construção de restaurantes popu-
lares, distribuição de suplementos alimentares e desenvolvimentos de 
programas de educação alimentar. Como resultado de tais ações, em 
Mundo: Índice da fome, 2019
Trópico de Capricórnio
Trópico de Câncer
Equador
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Círculo Polar Antártico
Círculo Polar Ártico
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0°
OCEANO
ÍNDICO 
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO GLACIAL ÁRTICO
OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO
0 3 140
≥5035 - 49,920 - 34,9 10 - 19,9≤ 9,9
Dados
insuficientes, 
preocupação
significativa
Índice não
calculado ou
dados insuficientes
Extremamente
alarmanteAlarmanteGraveModeradoBaixo
Índice da fome, por gravidade
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https://nacoesunidas.org/pos2015/ods2/
2014 o Brasil saiu do mapa global da fome composto por países nos quais 
mais de 5% da população ingere menos do que o mínimo de calorias 
diárias necessárias em suas refeições.
No entanto, o segundo objetivo dos ODS não cita apenas acabar 
com a fome, mas também melhorar a nutrição e alcançar a segurança 
alimentar. Portanto, não basta alimentar uma população de um país ou 
de determinado grupo social, mas garantir a segurança alimentar e 
nutricional, ou seja, o direito de todos ao acesso regular e permanente 
a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente, tendo como base 
práticas que promovam o respeito à diversidade cultural e sejam social, 
econômica e ambientalmente sustentáveis.
Para tanto, as ações para se garantir a segurança alimentar e nutricio-
nal devem contemplar as quatro dimensões evidenciadas no esquema 
a seguir.
 Quatro dimensões da segurança alimentar
Fonte dos dados: FAO. O estado da segurança alimentar e nutricional no Brasil: um retrato multidimensional. Brasília, DF, 2014. p. 17. Disponível 
em: http://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/seguranca_alimentar/SANnoBRasil.pdf Acesso em: 31 ago. 2020.
> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Leia a primeira meta do segundo objetivo dos ODS e depois faça as atividades em grupo:
Até 2030, acabar com a fome e garantir o acesso de todas as pessoas, em particular os 
pobres e pessoas em situações vulneráveis, incluindo crianças, a alimentos seguros, nutritivos 
e suficientes durante todo o ano.
NAÇÕES UNIDAS BRASIL. Fome zero e agricultura sustentável. 2015. Disponível em: https://nacoesunidas.org/pos2015/ods2/. 
Acesso em: 3 set. 2020.
 a) Tendo como base esse princípio e levando em conta a realidade da comunidade ou município 
em que vivem, vocês consideram que a meta descrita acima está completamente alcançada? 
Considerando que a resposta seja “não”, proponham ações para alcançar essa meta.
 b) Imaginem que vocês compõem uma equipe da FAO que deve pensar soluções para alcançar essa 
meta em um dos países que apresentam índice de fome alarmante ou extremamente alarmante 
(vejam o mapa da página 94). Que programas ou ações vocês proporiam? Para responder, pesqui-
sem informações sobre as causas da fome no país escolhido.
Disponibilidade
Disponibilidade de alimentos 
para todos, o que envolve 
questões de produção, 
comércio internacional e 
nacional, abastecimento e 
distribuição de alimentos.
Estabilidade
Estabilidade se refere a manter as condições citadas acimas, sendo necessárias 
ações tanto das famílias quanto de políticas públicas.
Acesso
Acessoa alimentos de forma 
socialmente aceitável.
Utilização
Utilização dos alimentos, que é 
influenciada por condições de 
saneamento básico, conhecimento 
nutricional, escolhas e hábitos alimentares, 
e o papel social da alimentação na 
família e na comunidade.
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https://nacoesunidas.org/pos2015/ods2/
Segurança alimentar: um 
resgate histórico 
A dificuldade de acesso a alimentos durante a Primeira Guerra 
Mundial (1914-1918) levantou, de maneira inédita entre os Estados 
modernos, a questão da necessidade de controle do fornecimento e 
da distribuição de alimentos, garantindo a oferta de comida para todos. 
A produção de alimentos assumiu a partir de então um significado polí-
tico associado à segurança nacional.
No contexto da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), as questões 
relativas à segurança alimentar se tornaram ainda mais críticas, levando 
à criação da FAO, em 1945. Essa agência da ONU foi criada com o obje-
tivo de combater a fome e a insegurança alimentar no mundo.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, em seu 
Artigo XXV, reconhece a alimentação como um dos direitos humanos 
básicos universais:
	■ Símbolo da FAO.
	■ Crianças vítimas da Segunda Guerra Mundial recebem assistência humanitária em Berlim 
(Alemanha), 1945. "Anjos perdidos" foi a designação usada para se referir às crianças órfãs, 
vítimas da Segunda Guerra Mundial, sobretudo na Alemanha.
Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de asse-
gurar-lhe, e a sua família, saúde e bem-estar, inclusive alimentação, 
vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispen-
sáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, 
viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora 
de seu controle.
ONU. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Rio de Janeiro, 2009. Disponível em: 
https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2018/10/DUDH.pdf. Acesso em: 31 ago. 2020. 
FR
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https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2018/10/DUDH.pdf
Nas mãos de quem está a 
segurança alimentar? 
A luta pela segurança alimentar e nutricional 
encontra resistências nos modelos de produção 
e consumo que prevalecem no mundo atual, 
direcionados, em larga medida, pelos interesses 
econômicos que envolvem as cadeias de produ-
ção e distribuição de alimentos.
De acordo com o Atlas da Carne, publicado 
pela Fundação Heinrich Böll, em 2015, a produ-
ção avícola, por exemplo, encontra-se cada vez 
mais concentrada em um pequeno número de 
empresas, o que afeta pequenos produtores 
que sobrevivem dessa atividade. Segundo essa 
publicação, os produtos disponibilizados ao con-
sumidor também são afetados, já que as grandes 
empresas do setor, em geral, fazem uso intenso de 
antibióticos na criação de animais, visando atingir 
a capacidade máxima de produção.
Outra questão importante quando se discute a 
segurança alimentar é o uso dos agrotóxicos, já que a chamada agricultura 
moderna utiliza intensamente esses produtos que, em geral, contaminam 
o ambiente (o solo e as águas superficiais e subterrâneas, por exemplo) e 
também os alimentos, que ao conter resíduos dessas substâncias podem 
prejudicar a saúde das pessoas que os consomem como também dos 
agricultores que utilizam esses produtos em suas plantações.
Por causa dos inúmeros fatores que contribuem para a insegurança ali-
mentar no mundo, especialistas e agricultores familiares defendem a ideia 
da soberania alimentar. De acordo com esse conceito, todos os povos 
devem ter direito de decidir sobre as suas políticas agrícolas e alimentares, 
participando de escolhas que envolvam os alimentos a serem cultivados, 
aspectos relativos à sua produção e comercialização, entre outros exem-
plos. Nesse âmbito há propostas e práticas de sistemas que promovam as 
chamadas agriculturas sustentáveis, como veremos no capítulo 7.
	■ Criação orgânica de 
galinhas em Cafarnaum 
(BA), 2019.
3075-CH-V4-C06-LA-F006
> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• O conceito de soberania alimentar tem relação com o poder de decisão sobre diferentes aspectos 
que envolvem a alimentação. Se ressignificarmos o conceito trazendo-o para o contexto de sua rea-
lidade e tendo em vista uma alimentação variada e nutritiva, você considera que sua comunidade 
participa de escolhas relativas aos alimentos que consome, onde os adquirir e como são produzidos? 
Discuta com os colegas e argumente de forma a justificar por que essa participação é importante 
e como ela poderia aumentar.
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Os alimentos transgênicos 
■ Cultivo in vitro de 
plantas geneticamente 
modificadas em 
laboratório na 
Alemanha, 2013.
■ Cultivo de soja em 
Santa Mariana (PR), 
2018. 
O desenvolvimento da biotecnologia permite ao ser humano intervir 
e modificar geneticamente a natureza em laboratório. Um dos resul-
tados desse processo foi a criação dos Organismos Geneticamente 
Modificados (OGMs), também chamados de transgênicos. 
Os alimentos transgênicos são aqueles que tiveram o seu DNA 
modificado a partir da inserção de genes de outro organismo ou que 
apresentam em sua constituição elementos que tenham passado por 
esse processo. Um dos principais objetivos de seu desenvolvimento 
é criar plantas resistentes a doenças e a pragas agrícolas, buscando 
aumentar a produtividade.
Segundo relatório do Serviço Internacional para Aquisição de 
Aplicações de Agrobiotecnologia (ISAAA), produzido em 2018, o Brasil 
ocupa o segundo lugar na plantação de transgênicos no mundo: são 
50,2 milhões de hectares de culturas transgênicas, o que representa 26% 
de todo o cultivo global.
Entre os cultivos transgênicos mais comuns no Brasil estão a soja e o 
milho, que originam produtos como óleos de cozinha, farinhas, extrato, 
leite e proteína texturizada de soja, salsichas, margarinas, massas, bola-
chas e cereais.
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As polêmicas em relação aos OGMs
Há muitas controvérsias sobre os benefícios e riscos que envol-
vem a produção e o consumo de OGMs, especialmente considerando 
os efeitos dos alimentos transgênicos para a saúde humana e os 
impactos ambientais e sociais resultantes de sua produção. A seguir, 
apresentamos alguns dos riscos que costumam ser apontados. 
Primeiramente, devemos considerar que as espécies transgêni-
cas são protegidas por patentes. Isso significa que o agricultor que 
decidir utilizá-las deverá pagar royalties para empresas detentoras 
da tecnologia, aumentando sua dependência em relação a elas. Por 
regra contratual, o agricultor não pode usar sementes do plantio 
anterior, sendo obrigado a comprá-las a cada nova safra.
Outro problema é o risco de contaminação entre plantações 
transgênicas e não transgênicas, inviabilizando garantir a venda de 
produtos provenientes de lavouras convencionais para consumidores 
que assim exigirem.
Além das consequências imediatas, existem ainda outras que 
não se pode dimensionar no curto prazo. Entre elas, riscos relativos à 
perda da diversidade genética de espécies cultivadas e outros danos 
ao ambiente e à saúde dos humanos. Há pesquisas que evidenciam 
que a transferência de genes de outras espécies, como de vírus e 
bactérias, em alimentos transgênicos, leva ao aumento de alergias e 
resistência a antibióticosem seres humanos. 
Por tudo isso, surge a necessidade de rotulagem obrigatória desse 
tipo de alimento, prevista em lei, assegurando tanto a prevenção 
aos danos que já se conhece quanto a precaução frente aos perigos 
potenciais. O uso do triângulo amarelo com a letra “T” nos rótulos de 
alimentos transgênicos no Brasil, contudo, ainda tem sido debatido; 
em 2020, estava em tramitação no Congresso Nacional um projeto de 
lei que buscava flexibilizar a obrigatoriedade do selo em embalagens 
de alimentos.
	■ Símbolo em 
embalagem de amido 
de milho produzido 
a partir de alimento 
transgênico. Fotografia 
em São Paulo (SP), 2012.
> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Observe as embalagens de alimentos e verifique quais delas possuem o rótulo de transgênico. 
Você já havia reparado nesse rótulo e tinha noção dos eventuais riscos? Discuta com seus colegas 
e professor em que medida esse instrumento legal protege os indivíduos dos supostos malefícios 
dos alimentos transgênicos ou simplesmente transfere a eles a responsabilidade pelo consumo 
desse tipo de alimento. 
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Transição alimentar 
e nutricional 
Ao longo do tempo, transformações econômicas e sociais acabam 
modificando hábitos cotidianos, incluindo a alimentação. A esse pro-
cesso de mudança nos padrões alimentares se dá o nome de transição 
alimentar, ao passo que a transição nutricional diz respeito a altera-
ções nas condições de saúde da população influenciadas por mudanças 
no tipo de alimentação.
Como vimos, o Brasil saiu do mapa da fome em 2014 em função de 
uma série de políticas públicas que tiraram muitas pessoas da situa ção 
de subnutrição. Por sua vez, verifica-se um crescimento no consumo de 
alimentos industrializados, processados e ultraprocessados no país, 
especialmente entre os jovens. Entre esses alimentos estão biscoitos 
recheados, salgadinhos, macarrão instantâneo, doces industrializados, 
refrigerantes, sucos de caixinhas, entre outros que, em muitos casos, 
substituem ou coexistem com os alimentos tradicionalmente consumi-
dos, a exemplo do tradicional e balanceado arroz com feijão.
Os alimentos ultraprocessados, em geral, contêm grandes quan-
tidades de açúcar, sal, gordura, aromatizadores, conservantes e outros 
aditivos químicos que os tornam nutricionalmente pobres e pouco 
saudáveis quando comparados a alimentos in natura ou minimamente 
processados, como frutas, legumes, verduras e grãos. Assim, o que se vê 
entre brasileiros, e populações de muitos outros países, é um excesso de 
ingestão de calorias e um desequilíbrio no consumo de nutrientes, ambos 
associados à maior incidência de obesidade e diabetes e outras doenças.
O aumento do consumo dos ultraprocessados é explicado, muitas 
vezes, pela renda das famílias e pelas dinâmicas da vida urbana. A pre-
paração da comida deixa de fazer parte do cotidiano de muitas pessoas 
e esses alimentos passam a ser opções mais práticas e mais baratas. 
Alimentos 
ultraprocessados
Alimentos produzidos 
na indústria a partir de 
substâncias extraídas de 
alimentos, de derivados 
de alimentos ou mesmo 
sintetizadas em labo-
ratório com base em 
materiais orgânicos. 
	■ A produção 
dos alimentos 
ultraprocessados 
envolve etapas e 
uso de técnicas 
mais sofisticadas 
de processamento, 
com inclusão 
de ingredientes 
industrializados. 
Fábrica de bombons 
na Alemanha, 2018.
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Diversos estudos no Brasil e no mundo evidenciam mudanças signifi-
cativas nos hábitos alimentares da população, com reflexos na saúde dos 
indivíduos. Leia o texto e observe o infográfico para fazer as atividades. 
A população mundial está ganhando peso rapidamente, principal-
mente crianças e adolescentes.
[...] a taxa global de obesidade em crianças disparou em 41 anos. Por 
outro lado, o índice de baixo peso caiu.
O Brasil segue na mesma direção. Entidades de saúde alertam que, se 
não houver uma mudança de rumo, o país, assim como a população global, 
enfrentará um forte crescimento de doenças associadas à obesidade, como 
diabetes, pressão arterial elevada e doenças de fígado.
[...] Nas últimas quatro décadas, o índice de obesidade entre meninos 
saltou de 0,93% para 12,7%. Entre meninas, o crescimento foi menor, mas 
ainda assim elevado: passou de 1,01% em 1975 para 9,37% [em 2016] [....].
De acordo com a Federação Mundial de Obesidade, o crescente nível 
de obesidade entre crianças e adultos coloca a saúde desse público “em 
perigo imediato”.
Estimativa da organização aponta que, em 2025, 150 mil crianças 
e jovens no Brasil desenvolverão diabetes tipo 2, enquanto 1 milhão 
terão pressão arterial elevada. Outro dado 
alarmante é o número de crianças e jovens 
brasileiros que sofrerão com gordura no fígado 
- cerca de 1,4 milhão, segundo a entidade. 
Fonte dos dados: SOUZA, A. de M. et al. ERICA: ingestão de macro e 
micronutrientes em adolescentes brasileiros. Revista Saúde Pública, 
São Paulo, v. 50, fev. 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/
rsp/v50s1/pt_0034-8910-rsp-S01518-87872016050006698.pdf. 
Acesso em: 12 set. 2020.0
Pressão arterial 
elevada
Também denominada 
hipertensão ou pressão 
alta, é caracterizada 
pelos níveis elevados da 
pressão sanguínea nas 
artérias. 
Diabetes tipo 2 
Doença caracterizada 
pelo excesso de açúcar 
no sangue e relacio-
nada ao sobrepeso, 
ao sedentarismo e a 
hábitos alimentares 
inadequados, além de 
fatores genéticos.
■ Prevalência dos 
20 alimentos mais 
consumidos entre os 
adolescentes brasileiros, 
em 2013-2014, segundo 
o Estudo de Riscos 
Cardiovasculares em 
Adolescentes, realizado 
pelo Ministério da Saúde 
e Universidade Federal 
do Rio de Janeiro (UFRJ).
DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS>
 1. Como os dados do infográfico se relacionam com a transição nutricional 
descrita no texto?
 2. Quais seriam as principais causas sociais para o padrão alimentar apre-
sentado no infográfico?
 3. Faça uma lista dos 20 alimentos que você mais consome e troque as infor-
mações com seus colegas. Depois, construam um modelo que expresse 
o perfil alimentar de sua turma e compare-o com os dados apresentados 
no infográfico.
 4. Qual seria, em sua visão, o menu ideal para ilustrar um perfil de alimen-
tação saudável?
NÃO ESCREVA 
NO LIVRO
Fonte dos dados: SOUZA, A. de M. et al. ERICA: ingestão de macro e 
micronutrientes em adolescentes brasileiros. Revista Saúde Pública, 
São Paulo, v. 50, fev. 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/
rsp/v50s1/pt_0034-8910-rsp-S01518-87872016050006698.pdf. 
Acesso em: 12 set. 2020.
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https://www.scielo.br/pdf/rsp/v50s1/pt_0034-8910-rsp-S01518-87872016050006698.pdf
https://www.scielo.br/pdf/rsp/v50s1/pt_0034-8910-rsp-S01518-87872016050006698.pdf
Homogeneização e resistências
As transformações nos padrões alimentares nas últimas décadas estão diretamente 
relacionadas ao processo de globalização que, no seu aspecto cultural, proporciona 
uma homogeneização de hábitos, comportamentos e costumes. Para ilustrar isso, veja 
o exemplo das grandes redes de fast food, 
nas quais os lanches são bastante parecidos 
em diferentes cidades do mundo, seja São 
Paulo (SP), no Brasil, Nova York, nos Estados 
Unidos, ou Tóquio, no Japão.
Esse processo provoca, em muitos casos, 
uma diluição das tradições culturais em prol 
de um modo de vida urbano e homogenei-
zado, principalmente nas cidades.
Embora essa homogeneização seja 
uma tendência global, é cada vez maior o 
número de indivíduose grupos que fazem 
resistência a ela, defendendo a preservação 
de culturas tradicionais, resgatando modos 
de preparar alimentos, festejos e celebra-
ções que incorporam a alimentação, os quais 
compõem patrimônios culturais imateriais. 
Por exemplo, a tradição doceira de Pelotas 
(RS), herança cultural de famílias portuguesas, africanas, alemãs e francesas que viveram 
no Brasil e se tornou patrimônio imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico 
e Artístico Nacional (Iphan), em maio de 2018. Há outros exemplos de modos de prepara-
ção tradicionais de alimentos que se tornaram patrimônios imateriais no Brasil. É o caso 
da produção artesanal do queijo Minas e do ofício das baianas do acarajé, que inclui o 
modo de preparar e de vender os alimentos.
Vegetarianismo e veganismo 
A carne e outros alimentos de origem animal são importantes fontes de proteí nas e 
nutrientes e sua aquisição, preparo e consumo envolvem aspectos culturais que podem ser 
evidenciados em pratos típicos e eventos tradicionais em muitos países e regiões. Apesar 
disso, é crescente o número de pessoas que não consomem carne e/ou produtos de 
origem animal e que se adequam em dois grupos principais: os vegetarianos e os veganos.
Os vegetarianos de modo geral não se alimentam com produtos de origem animal; 
há os que consomem derivados de leite e ovos. Já os veganos não consomem ou utilizam 
nenhum produto de origem animal, como alimentos e roupas, e não usam produtos que 
foram testados em animais. 
	■ Entre os elementos que fazem parte do “ofício das baianas do 
acarajé” estão as chamadas comidas de baiana. O acarajé, por 
exemplo, um bolinho de feijão, frito no azeite de dendê e, depois, 
recheado. Outro importante elemento é a indumentária (roupas e 
acessórios), característica do candomblé. Na fotografia, baiana do 
acarajé em Salvador (BA), 2012.
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Tanto o vegetarianismo como o veganismo estão presentes em 
grupos que criticam os padrões de produção e consumo dominan-
tes, posicionando-se contra a degradação ambiental e o sofrimento 
animal (abate de animais feito de forma cruel) causado, especial-
mente, pela chamada indústria da carne. Para muitos, portanto, além 
da busca por uma alimentação 
saudável, tais estilos de vida 
representam uma atitude polí-
tica e ética.
Além desses grupos, existem 
outros que promovem posturas 
alternativas referentes à alimen-
tação, a exemplo de setores do 
movimento punk, como o movi-
mento chamado Straight edge 
(do inglês “caminho reto”), que 
também defende a abstinência 
de álcool, cigarro e outras drogas.
A relação entre os humanos 
e os animais vem sendo objeto 
de discussão entre sociólogos e 
filósofos há séculos. Entre esses, 
o filósofo australiano Peter 
Singer (1946-) condena o que ele denomina de especismo, isto é, 
o fato de a espécie humana explorar outras espécies animais, justa-
mente por elas não pertencerem ao grupo humano. Para Singer, o fato 
de pertencer a uma espécie não confere nenhum tipo de superiori-
dade a seus integrantes. Trata-se de um critério totalmente arbitrário 
que procura justificar um suposto direito que nós, seres humanos, 
teríamos de subjugar os animais, considerados como “coisas”, justi-
ficando seu uso como recursos.
	■ Ativista na Alemanha, 
durante passeata do 
movimento "Fridays for 
Future" (Juventude pelo 
Clima) em 2020, segura 
o cartaz com os dizeres 
"Cure o mundo, 
torne-se vegano".
> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Muitas pessoas que deixam de comer carne não fazem as substituições adequadas em suas dietas 
para a ingestão de nutrientes importantes, podendo desenvolver, por exemplo, anemia em razão 
da deficiência de ferro. Por isso a necessidade de se fazer um acompanhamento com profissional da 
saúde e buscar informações ao realizar a transição para o vegetarianismo ou veganismo. Converse 
com alguém que deixou de comer carne e pergunte como foi essa transição. Depois, converse com 
seus colegas sobre o que descobriram e, caso algum entrevistado não tenha realizado a substituição 
adequada, discutam que soluções ele poderia tomar.
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Aprendendo com 
os povos indígenas 
Comer mandioca, milho, farinha e diversas espécies de peixe, por exemplo, 
são hábitos alimentares que herdamos de povos indígenas. Outros alimentos, hoje 
presentes no mundo todo, também foram domesticados e inicialmente cultivados 
por povos indígenas do continente americano, como o cacau, a batata e o tomate, 
levados pelos colonizadores europeus para outros continentes.
No entanto, há outros aspectos da vida dos povos indígenas que se relacionam 
com a alimentação no Brasil e no mundo, como você verá a seguir.
Técnicas agrícolas e cultivos resistentes
Os povos indígenas e comunidades tradicionais têm técnicas agrícolas sus-
tentáveis que conservam os solos e as águas, reduzem a erosão, diminuem o 
risco de desastres, como os deslizamentos de terra, e são adaptadas a regiões 
de relevo acidentado, de terras alagadas e ambientes áridos. Entre as técnicas 
usadas podemos citar a construção de terraços para evitar a erosão do solo 
e jardins flutuantes para fazer uso de 
campos inundados. 
Além disso, os produtos cultivados por 
esses povos são aqueles que melhor se 
adaptam às condições do ambiente, contri-
buindo para o equilíbrio e manutenção dos 
ecossistemas. Seus conhecimentos acerca 
do patrimônio genético (espécies animais 
e vegetais) e técnicas de produção podem 
contribuir para que os produtores rurais 
aumentem sua produtividade, produzam 
de forma mais sustentável e se adaptem 
às mudanças climáticas, entre outros 
exemplos. 
	■ Homem coletando frutos em área inundada em 
Bangladesh, 2015.
Alimentos e tradições que podem ajudar 
a expandir e diversificar as dietas
Atualmente, a alimentação humana está amplamente baseada em produtos de 
origem agrícola como arroz, trigo, milho, painço e sorgo, que fornecem cerca de 
50% das necessidades energéticas da população mundial.
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Porém, em geral, quanto mais diversifi-
cada uma dieta mais saudável ela se torna. 
Os povos indígenas de muitas regiões 
do mundo cultivam e coletam alimentos 
diversificados e altamente nutritivos, como 
diversos tipos de grãos, frutas, sementes, 
raízes e peixes, que podem contribuir para 
a diversificação da dieta da população em 
geral. A quinoa, por exemplo, é uma planta 
nativa da região andina e um alimento alta-
mente nutritivo que faz parte da dieta da 
população em países como Peru, Bolívia, 
Equador e Colômbia há muitos anos, e que 
recentemente passou a ser consumida em 
outros países.
Preservação da 
biodiversidade 
A preservação da biodiversidade é 
essencial à segurança alimentar e nutri-
cional, além de manter o equilíbrio dos 
ecossistemas. Cerca de 80% da biodi-
versidade da Terra está concentrada em 
territórios de povos indígenas, que contri-
buem para sua preservação. Nas áreas de 
vegetação nativa, como as florestas tropi-
cais, há uma alta diversidade de espécies 
que são usadas para alimentação e também 
como remédios tradicionais, muitos dos 
quais podem ser aproveitados também 
pela indústria alimentícia e farmacêutica. 
	■ Campo de cultivo de quinoa na Bolívia, 2013.
	■ A macaúba é uma palmeira nativa que pode ser 
encontrada em todo o território brasileiro, seus frutos 
são comestíveis e ricos em nutrientes e suas sementes 
utilizadas para a extração de óleo. Na fotografia, 
castanha de macaúba em Barbalha (CE), 2020.
> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVANO LIVRO
• Ao mesmo tempo que o conhecimento dos povos indígenas contribui para produção de alimentos 
e diversificação das dietas no mundo, os territórios em que vivem e a manutenção de sua cultura 
sofrem constantes ameaças, dentre elas a mudança em seus padrões de dieta. Pesquisas vêm de-
monstrando, por exemplo, uma maior incidência de doenças relacionadas a alterações nos hábitos 
alimentares desses povos. Busque pelo menos uma notícia relacionada a esse cenário no Brasil ou 
em outros países. Depois discuta com os colegas o que pode ser feito para que os povos indígenas 
consigam manter seus hábitos alimentares tradicionais.
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NÃO ESCREVA 
NO LIVROATIVIDADES>
 1. Leia fragmento de artigo a seguir e responda às questões:
Encorajadas a ficar em casa para não se expor ao novo coronavírus, muitas famílias têm 
preferido comprar alimentos industrializados, que duram mais tempo na despensa.
O problema é que a opção por esses itens - que tendem a ser mais calóricos e menos nutri-
tivos que comidas frescas - pode no médio prazo acabar deixando seus consumidores mais 
vulneráveis a adoecer gravemente pela covid-19. 
[...] a maior procura por alimentos industrializados em supermercados [também] tem prejudicado 
pequenos agricultores, muitos deles dependentes de feiras livres. Com o menor movimento nesses 
espaços, vários pequenos produtores temem não conseguir manter as atividades e começaram a 
descartar frutas, verduras e legumes.
FELLET, J. Piora da alimentação na pandemia deixa população mais vulnerável à covid-19, diz ex-chefe da FAO. BBC News Brasil, 16 maio 2020. 
Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-52626216. Acesso em: 3 set. 2020.
 a) Qual a relação entre a pandemia de covid-19 e a transição nutricional?
 b) Quais os principais impactos da pandemia para a segurança alimentar?
 2. Observe a charge e analise a mensagem transmitida relacionando-a com o conceito de soberania 
alimentar estudado no capítulo.
 3. Leia o texto para fazer as atividades.
	■ Charge de Pawel 
Kuczynski, 
publicada em 2018.
[...] Em geral, ignoramos os maus-tratos cometidos contra as criaturas vivas que estão por trás 
dos alimentos que ingerimos. A compra desses alimentos, num mercado ou restaurante, é a culmi-
nância de um longo processo, do qual tudo, exceto os produtos finais, é delicadamente afastado de 
nossos olhos. Compramos carnes e aves em embalagens limpas de plástico. Quase não sangram. 
Não há por que associar essa embalagem a um animal vivo, que respira, caminha e sofre. As 
próprias palavras que usamos escondem, muitas vezes, sua origem: comemos bife, e não boi [...].
SINGER, P. Libertação animal. São Paulo: Martins Fontes, 2010. p. 140.
• O vegetarianismo e o veganismo são maneiras eficazes de combater o sofrimento imposto aos 
animais? Quais outras medidas podem ser tomadas em relação a essa questão?
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https://www.bbc.com/portuguese/internacional-52626216
 4. Nas áreas urbanas, o aumento de número de pessoas em situação de rua leva à precariedade da 
alimentação. Para os brasileiros vivendo em situação de extrema pobreza, com renda de até R$ 140 
por mês, segundo dados do IBGE de 2018, a alimentação é somente uma possibilidade de matar a 
fome. Observe o gráfico a seguir e responda às questões.
Fonte: MENEZES, F. Pobreza e fome em ascensão. 
Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade 
Federal de Santa Catarina, 5 set. 2019. Disponível em: 
http://www.iela.ufsc.br/noticia/pobreza-e-fome-em-
ascensao. Acesso em: 31 ago. 2020.
Brasil: população em situação de pobreza e 
extrema pobreza, 1992-2017
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17
Em milhões
Ano
Extrema pobreza Pobreza
 a) O que ocorreu com a popula-
ção em situação de pobreza 
e extrema pobreza entre os 
anos 2004 e 2014? Apresente 
argumentos que expliquem os 
dados apresentados.
 b) Comente o que se observa no 
ano 2017. Que relações existem 
entre esse gráfico e a segurança 
alimentar no Brasil?
 5. Leia os trechos das matérias para fazer as atividades.
Segundo estudo da revista The Lancet, em 2017 uma em cada cinco mortes no mundo esteve 
associada à má alimentação, seja por consumo excessivo de sal, açúcar e carne, ou por carên-
cia de cereais integrais e frutas. A pesquisa destacou que quase 11 milhões de mortes foram 
provocadas por doenças cardiovasculares, câncer ou diabetes tipo 2, associada geralmente à 
obesidade, ao modo de vida sedentário e à alimentação desequilibrada. 
PANSERI, B.; MARTINS, L. Por que precisamos falar sobre segurança alimentar no Brasil. Nexo Jornal, 4 jun. 2020. Disponível em: https://www.
nexojornal.com.br/ensaio/debate/2020/Por-que-precisamos-falar-sobre-seguran%C3%A7a-alimentar-no-Brasil. Acesso em: 31 ago. 2020.
Um lugar onde se planta e colhe frutos – um pomar. Em língua xavante, Abahi Tebrezê é o 
nome do projeto abraçado há dois anos pelas mulheres indígenas Xavante, da Terra Indígena 
(TI) Pimentel Barbosa, MT. Trata-se de uma ação de resgate do conhecimento tradicional, a 
partir da revitalização do cultivo de batatas nativas. A ideia é, a longo prazo, amenizar – e até 
reverter – efeitos negativos das mudanças nos hábitos alimentares e a sedentarização causada 
pela introdução de alimentação industrializada na comunidade. 
MULHERES Xavante atuam no resgate e fortalecimento da alimentação tradicional. Funai, 12 out. 2019. Disponível em: 
http://www.funai.gov.br/index.php/comunicacao/noticias/5696-especial-iniciativa-das-mulheres- 
xavante-atua-no-resgate-e-fortalecimento-da-alimentacao-tradicional. Acesso em: 31 ago. 2020.
 a) Explique a relação da transição alimentar e nutricional com o conteúdo das duas matérias.
 b) Qual a ação das mulheres xavantes frente à introdução de alimentos industrializados? Discuta 
com os colegas se pode ser considerada uma forma de resistência aos padrões alimentares do-
minantes na sociedade urbano-industrial.
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http://www.iela.ufsc.br/noticia/pobreza-e-fome-em-ascensao
http://www.funai.gov.br/index.php/comunicacao/noticias/5696-especial-iniciativa-das-mulheres-xavante-atua-no-resgate-e-fortalecimento-da-alimentacao-tradicional.
Tecnologia no combate ao desperdício 
de alimentos
No Brasil e em muitos outros países, o desperdício de alimentos acontece em 
vários momentos, durante a produção, o transporte, a distribuição, o preparo e o 
consumo. Muitos alimentos ainda em condições de aproveitamento são descar-
tados. Isso sem falar nos recursos naturais e na energia gastos na produção e no 
transporte, na quantidade de resíduos produzidos e na oportunidade perdida de 
alimentar pessoas em situação de vulnerabilidade social. 
Você costuma deixar sobras de comida no prato? Na sua moradia há alimentos que 
costumam estragar por não serem consumidos? E na sua escola? O que você pode fazer 
sobre isso? Vamos conhecer a seguir o exemplo de dois grupos de jovens que desenvol-
veram aplicativos para celular que contribuem na redução do desperdício de comida. 
Os estudantes Murilo, Lucas, Victor, Jonatas e Dayvson, do curso técnico de 
Informática da Instituto Federal de Alagoas (Ifal), juntamente com o professor Edson 
Camilo, desenvolveram um aplicativo para celular visando melhorar a comunicação 
entre o refeitório e os estudantes.No Ifal já há um sistema para evitar desperdício de comida, pois os estudantes 
precisam agendar as refeições. Mas, com o aplicativo desenvolvido, isso ficou bem 
mais fácil, pois o agendamento acontece pelo celular. Também é possível avaliar a 
qualidade da comida e do atendimento e ainda ter orientações nutricionais. Leia o 
que Victor, de 17 anos, disse sobre o aplicativo:
A gente percebe que, hoje em dia, nas diversas universidades 
e até mesmo empresas, muitas pessoas necessitam desses refei-
tórios comunitários e, na maioria das vezes, o serviço nutricional 
não funciona da melhor forma. Como o aplicativo possibilita 
avaliar qual comida é melhor, qual comida está sendo jogada 
fora etc., você vai reduzir esse desperdício e melhorar o custo. É 
um dinheiro que pode ser investido em outras coisas.
ESTUDANTES do Ifal criam aplicativo que informa cardápio e organiza refeitório. G1, 9 set. 2014. 
Disponível em: http://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2014/09/estudantes-do-ifal-criam-
aplicativo-que-informa-cardapio-e-organiza-refeitorio.html. Acesso em: 31 ago. 2020.
■ Na tela do smartphone imagem 
do aplicativo desenvolvido pelos 
estudantes do Ifal. Fotografia em 
Alagoas, 2014.
O retorno do trabalho do grupo, que teve sua ideia premiada, 
veio logo no primeiro dia de lançamento, quando, ainda em fase 
de testes, já tinha mais de 70 usuários. 
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G1
Já as estudantes Ana Beatriz, Fernanda, Maria Julia, Mariana e Raquel, que cursam o 
Ensino Médio na Escola Estadual Professor Sebastião de Oliveira Rocha, em São Carlos 
(SP), desenvolveram com a professora Bárbara, um aplicativo que informa o cardápio 
semanal da escola e tem espaço para os estudantes darem sugestões e escolher opções 
vegetarianas.
108
DIÁLOGOS> EU TAMBÉM POSSO>
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http://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2014/09/estudantes-do-ifal-criam-aplicativo-que-informa-cardapio-e-organiza-refeitorio.html
Leia o que Julia, 17 anos, disse:
Por exemplo, na nossa escola sempre tem salada de ovo, mas nem todo mundo gosta. 
Com os mesmos ingredientes poderia ser feito, por exemplo, uma omelete. É uma forma 
de mudar para evitar desperdiçar a comida que sobra sem dar mais gastos [...].
ESTUDANTES de escola estadual de São Carlos criam aplicativo para evitar desperdício da merenda. G1, 10 dez. 2019. 
Disponível em: https://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2019/12/10/estudantes-de-escola-estadual-de-sao-
	■ Merendeira preparando a refeição para ser servida aos estudantes, professores e funcionários do 
período noturno, na Escola Estadual Professora Carolina Cintra da Silveira, em São Paulo (SP), 2018.
carlos-criam-aplicativo-para-evitar-desperdicio-da-merenda.ghtml. Acesso em: 31 ago. 2020
 1. Como é o sistema de escolha de cardápio, preparo dos alimentos e distribuição para 
os estudantes na escola em que vocês estudam? Existe desperdício de alimentos? 
Para descobrir essas informações, observem mais atentamente o momento em que 
a merenda é servida aos estudantes e conversem com funcionários que preparam os 
alimentos, além de outros que tenham as informações que vocês buscam. 
 2. Depois de levantar as informações, conversem sobre o que pode melhorar em relação 
às refeições, com foco em reduzir o desperdício de alimentos. Em sua opinião, é possível 
aplicar soluções semelhantes aos exemplos apresentados anteriormente? Que outras ideias 
poderiam ser realizadas?
 3. A solidariedade e a cooperação podem alimentar pessoas e ainda evitar desperdí-
cios. Para além da escola, pesquisem iniciativas que distribuem alimentos a quem 
deles precisa. Há, por exemplo, grupos e instituições que coletam, em restaurantes, 
alimentos que sobram ao final do dia e entregam a pessoas que necessitam. Depois, 
apresentem os resultados da pesquisa para os colegas e discutam se tais inciativas ou 
outras semelhantes poderiam ocorrer na comunidade onde vivem. 
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ANÁLISE DOS DADOS DE ENTREVISTA E ELABORAÇÃO 
DE RELATÓRIO 
Nesta etapa do projeto vocês vão analisar as informações obtidas na entrevista e elaborar 
um relatório.
O primeiro passo é estudar o material produzido na entrevista. Os registros obtidos, gravações 
em áudio ou vídeo e também as anotações feitas pelos entrevistadores precisam ser retoma-
dos e atentamente analisados pelo grupo. Os trechos mais relevantes da entrevista podem ser 
transcritos (passados para a forma de texto) para serem mais bem analisados.
Feita a análise do material da entrevista, os grupos devem compartilhar seus resultados, de 
modo que todos tenham uma visão geral do trabalho realizado e possam encontrar semelhan-
ças e diferenças nas informações obtidas por meio do que foi relatado pelos entrevistados. 
Podem ser organizadas breves apresentações, de no máximo 10 minutos, em que cada grupo 
apresente o perfil da pessoa que foi entrevistada e também compartilhe aquilo que considera 
mais relevante da entrevista, inclusive destacando alguns trechos.
A partir dessa reflexão coletiva sobre as entrevistas e comparações das informações coleta-
das, cada grupo deve elaborar um relatório escrito, de modo a sistematizar sua pesquisa. Os 
relatórios devem conter as seguintes seções:
Etapa
2
Os relatórios produzidos devem ser compartilhados com os outros grupos, de modo a todos 
terem acesso às análises realizadas pelos colegas. Esses materiais serão a base para as pró-
ximas etapas do projeto.
• Capa: deve conter o título do trabalho e a identificação dos integrantes do grupo. 
Também podem ser inseridas imagens para ilustrar.
• Introdução: elaborar um texto apresentando o tema trabalhado e explicando os 
objetivos da pesquisa.
• Apresentação do entrevistado: apresentar uma breve caracterização do entrevis-
tado, contento nome, sexo, idade, profissão, entre outras informações relevantes 
para a pesquisa.
• Análise da entrevista: desenvolver uma reflexão sobre o material colhido na 
entrevista, citando e analisando trechos considerados pelo grupo como os mais 
relevantes.
• Conclusão: apresentar as conclusões do grupo realizadas com base nas informa-
ções colhidas na entrevista.
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> SAIBA MAIS
Mapbiomas
Disponível em: https://plataforma.mapbiomas.org/map#transitions. Acesso em: 3 set. 2020.
O projeto de mapeamento anual da cobertura e uso do solo no Brasil, desenvolvido por uma rede 
colaborativa de especialistas, disponibiliza mapeamentos anuais sobre a cobertura e uso do 
solo do Brasil, importantes para a compreensão dos processos de avanço da fronteira agrícola e 
mudanças nos biomas brasileiros.
Fundação Heinrich Böll
Disponível em: https://br.boell.org/. Acesso em: 3 set. 2020.
A Fundação alemã Heinrich Böll tem como um de seus objetivos contribuir para uma sociedade civil 
atuante. No site da fundação você encontra materiais sobre temas diversos. No item Ecologia Política, 
há vídeos, dossiês e outras publicações, como o Atlas do Agronegócio e o Atlas da Carne, que trazem 
dados e análises críticas sobre os impactos da expansão agropecuária no Brasil e no mundo.
Rádio Brasil de fato
Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/radioagencia/podcasts. Acesso em: 10 set. 2020.
O site apresenta podcasts sobre temas diversos. Destacamos os seguintes:
Novo relatório da ONU sobre a fome no mundo é destaque do Programa Bem Viver. Disponível em: 
https:// www.brasildefato.com.br/2020/07/15/novo-relatorio-da-onu-sobre-a-fome-no-mundo-e-
destaque-do-programa-bem-viver. Acesso em: 31 ago. 2020 
Pastéis naturais feitos com sabedoria agroecológica fazem sucesso em Pernambuco. Disponível 
em: https://www.brasildefato.com.br/2020/04/28/pasteis-naturais-feitos-pela-sabedoria-agroecologica-em-pernambuco. Acesso em: 31 ago. 2020 
Descubra o segredo de Manoel Vitorino (BA) para ser o maior produtor de umbu no mundo. 
Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2020/04/07/descubra-o-segredo-de-manoel-
vitorino-ba-para-ser-o-maior-produtor-de-umbu-no-mundo. Acesso em: 31 ago. 2020
Abe
Direção: Fernando Grostein Andrade. Brasil/Estados Unidos, 2019. DVD (85min). 
O filme conta a história de Abe, menino de 12 anos que vive em Nova York e cozinha para unir 
a família que é metade de origem palestina e metade israelense. Enfrentando dificuldades em 
ambas tradições, ele conhece nas ruas um chefe de cozinha brasileiro que trabalha em uma feira 
gastronômica de rua, fazendo sucesso com a fusionfood (mistura de sabores).
O veneno está na mesa 
Direção: Silvio Tendler. Brasil, 2011. DVD (50 min).
O documentário apresenta como estamos nos alimentando mal por conta de um modelo agrário 
baseado no agronegócio. O perigo é tanto para os trabalhadores, que manipulam os venenos, quanto 
para toda a população do campo e das cidades, que consome os produtos agrícolas com agrotóxicos.
Muito além do peso 
Direção: Estela Renner. Brasil, 2012. DVD (84 min). 
Este documentário estuda o caso da obesidade infantil principalmente no Brasil, mas também 
em outros países, entrevistando pais, representantes das escolas, membros do governo e 
responsáveis pela publicidade de alimentos.
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https://plataforma.mapbiomas.org/map#transitions
https://br.boell.org/
https://www.brasildefato.com.br/radioagencia/podcasts
https://www.brasildefato.com.br/2020/07/15/novo-relatorio-da-onu-sobre-a-fome-no-mundo-e-destaque-do-programa-bem-viver
https://www.brasildefato.com.br/2020/04/28/pasteis-naturais-feitos-pela-sabedoria-agroecologica-em-pernambuco
https://www.brasildefato.com.br/2020/04/07/descubra-o-segredo-de-manoel-vitorino-ba-para-ser-o-maior-produtor-de-umbu-no-mundo
112
UNIDADE
4
112
 1. Os elementos naturais presentes na paisagem 
de uma comunidade, muitas vezes, tornam‑se 
temas de obras de arte. O rio São Francisco é 
um exemplo, tendo inspirado o artista Militão 
dos Santos a criar a pintura ao lado. Na comu‑
nidade, no bairro ou no município onde você 
vive há algum elemento natural que já tenha 
inspirado a criação de pintura, música, poesia 
ou outro tipo de expressão artística?
 2. Analise a importância do rio São Francisco 
para a comunidade representada na pin‑
tura de Militão dos Santos. Na sua opinião, 
que relações podem ser estabelecidas entre 
a conservação de elementos naturais e ati‑
vidades agrárias?
NÃO ESCREVA 
NO LIVRO
Por um campo 
justo e saudável
Na unidade 3, vimos que a expansão da 
agropecuária brasileira trouxe grandes impac‑
tos ambientais e, agora, veremos alguns dos 
problemas sociais gerados em decorrência 
dela. Por isso, são cada vez mais necessários 
modelos de produção que conciliem ao mesmo 
tempo ganhos econômicos, produtividade, 
consciência ambiental e respeito aos direitos 
conquistados pelas populações que vivem no 
e do campo. Nesta unidade teremos elemen‑
tos para discutir essas e outras questões.
4
■ SANTOS, M. dos. Rio São 
Francisco. 2008. Óleo e 
acrílico sobre tela painel,
50 x 50 cm.
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7
CAPÍTULO
Agricultura familiar e 
produções sustentáveis
Você gostaria de ter uma profissão relacionada ao campo? Em sua 
opinião, os jovens brasileiros que vivem no campo querem permanecer 
nele? Você ou alguém que conhece se encontra nessa situação?
Como vimos no capítulo 4, ao longo de décadas, o Brasil passou por 
um intenso êxodo rural no qual milhões de pessoas deixaram o campo em 
busca de melhores condições de vida nas cidades. Atualmente, embora a 
vida urbana ainda atraia os jovens, há exemplos daqueles que preferem 
ficar no campo e continuar as atividades da família. As reportagens a seguir 
apresentam a história de Mailson, Ana Luiza e Ana Lívia.
Jovem rural do Ceará melhora renda da família com venda de ovos 
caipiras pelo WhatsApp
[...]
Mailson tem 25 anos, [...] formou-se técnico em Agropecuária 
e teve várias oportunidades de exercer a profissão [...] “Optei por 
ficar no meio rural e junto com a minha família empreender”, des-
tacou. […]
Atualmente, cerca de 80% dos clientes de Mailson fazem seus 
pedidos através do WhatsApp. [...] A produção diária é de 100 a 
120 ovos e, com o sucesso do empreendimento, a família já pensa 
em expandir o negócio.
[...]
JOVEM rural do Ceará melhora renda da família com venda de ovos caipiras pelo WhatsApp. Fetraece, 18 jan. 
2019. Disponível em: http://www.fetraece.org.br/noticias_detalhes.php?cod_noticia=571#.XygjGShKiHs. 
Acesso em: 28 ago. 2020.
Por que mais jovens remam contra a maré e preferem ficar no 
campo
[...]
As gêmeas Ana Lívia e Ana Luiza, de 17 anos, já se embrenham 
na lida da fazenda. Ana Lívia, por exemplo, faz curso de degustação 
e manejo de café, mesmo ainda estando no Ensino Médio. [...]
Ana Luiza, por sua vez, ajuda o pai em atividades como mexer 
no terreiro de secagem dos grãos e até pilotar um dos tratores da família. 
“Sempre procuro ajudar meu pai e minha avó, e também gosto muito de 
Agronomia”, diz.
[...]
MARONI, J. R. Porque mais jovens remam contra a maré e preferem ficar no campo. Gazeta do Povo, 7 nov. 
2019. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/agronegocio/agricultura-familiar/renda-maior-e-
tecnologia-fixam-nova-geracao-de-produtores-no-campo/. Acesso em: 28 ago. 2020.
■ Mailson na comunidade 
de Riacho do Paulo, em 
Apuiarés (CE), 2018. 
Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o 
capítulo e sobre o trabalho com as atividades.
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Mailson, Ana Lívia e Ana Luiza são jovens que nasceram e cresceram no campo, 
fizeram cursos relacionados à agropecuária e, hoje, estão unindo os conhecimentos 
tradicionais da família aos conhecimentos da ciência e dos negócios agropecuá‑
rios para garantir a geração de renda. De acordo com o Censo 2010, realizado pelo 
IBGE, cerca de 15% da população brasileira vive em áreas rurais, entre os quais estão 
milhões de crianças e jovens que poderão se tornar futuros agricultores e empreen‑
dedores do campo. No entanto, nos últimos anos tem havido redução no percentual 
da população de jovens produtores. Veja o gráfico.
Fonte: IBGE. Censo agropecuário 2017: 
resultados definitivos. Rio de Janeiro, 
2019. p. 70. Disponível em: https://
biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/
periodicos/3096/agro_2017_
resultados_definitivos.pdf. Acesso em: 
28 ago. de 2020. p.70.
Brasil: distribuição percentual de produtores, 
segundo as classes de idade, 2006-2017
0
5
10
15
20
25
30
Em %
Menor
de
25 anos
De 25 a
menos
de
35 anos
De 35 a
menos
de
45 anos
De 45 a
menos
de
55 anos
De 55 a
menos
de
65 anos
De 65
e mais
 2006 2017
3,3
1,98
13,56
9,28
17,88
21,93
23,3424,22
20,35
23,47
17,52
23,17
> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Muitos especialistas concordam que a falta de jovens no campo pode comprometer 
o futuro da agropecuária brasileira. Por outro lado, o campo deve ser atrativo para 
que os jovens queiram nele permanecer. Em sua opinião, que atrativos seriam esses?
Comparando os dados do gráfico, observamos que houve um envelhecimento 
no campo com aumento da participação de produtores com mais de 45 anos e 
redução da participação de faixas etárias mais jovens (menos de 45 anos). Essa infor‑
mação é fundamental para que os governospossam planejar políticas públicas para 
os jovens, direcionar recursos e estruturar um planejamento para garantir desenvol‑
vimento econômico e social.
Neste capítulo, estudaremos aspectos da produção agrícola, como a agricultura 
familiar e a agroecologia, que estão diretamente relacionados com a permanência 
dos jovens no campo e com a adoção de sistemas e técnicas que têm como obje‑
tivo uma produção melhor para todos, integrando a sustentabilidade econômica e 
a socioambiental.
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https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/3096/agro_2017_resultados_definitivos.pdf
Agricultura familiar no Brasil
A agricultura familiar é muito importante para o abastecimento alimentar em 
todo o mundo. No Brasil não é diferente, a agricultura familiar é responsável pela 
produção da maior parte dos alimentos consumidos no cotidiano de muitas pessoas.
Afinal, o que é agricultura familiar? Segundo o decreto federal no 9 064, de 31 
de maio de 2017, a definição está na gestão da propriedade. Na agricultura familiar, 
a administração de todas as etapas, como atividade produtiva, compra de equi‑
pamentos e insumos e outras atividades de apoio, é compartilhada por membros 
da família. Além disso, é necessário que a família habite a unidade produtora ou 
local próximo.
Veja a seguir o gráfico com alguns produtos da agricultura familiar.
	■ Plantio de diversas hortaliças em propriedade de 
agricultura familiar em Santa Maria de Jetibá (ES), 2019.
Fonte dos dados: IBGE. Censo Agropecuário 2017. SIDRA banco de tabelas estatísticas. 
Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/6957. Acesso em: 28 ago. 2020.
Além dos produtos represen‑
tados no gráfico, quase metade da 
produção de café e banana consu‑
midos no Brasil e grande parte da 
produção de milho, arroz, beter‑
raba, vagens e demais verduras e 
legumes são cultivados nas lavou‑
ras de agricultura familiar. Esses 
exemplos nos ajudam a compreen‑
der a importância dessa atividade 
para a economia brasileira.
A agricultura familiar também 
reflete algumas das desigualda‑
des do país. Cerca de 80% dos 
proprietários são homens, o que 
revela uma forte desigualdade 
de gênero. Além disso, mais de 
60% dos produtores concluíram 
apenas o Ensino Fundamental 
e quase 24% deles não sabem 
ler nem escrever, o que dificulta 
o acesso ao crédito e o uso de 
novas tecnologias para melhor 
aproveitamento da terra. A agri‑
cultura familiar emprega mais de 
10 milhões de pessoas e é respon‑
sável por cerca de 23% de toda 
a riqueza produzida no campo, 
fornecendo alimentos que abas‑
tecem tanto o mercado interno 
como o externo.
Brasil: produtos da agricultura familiar 
(porcentagem do valor total produzido), 2017
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No Brasil, existem 3,9 milhões de estabe‑
lecimentos classificados como agricultura 
familiar, o que equivale a 77% de todas as uni‑
dades agrícolas. Veja esse e outros dados no 
gráfico ao lado.
Os estados de Pernambuco e Ceará têm as 
maiores proporções de áreas dedicadas à agri‑
cultura familiar (mais de 50%), enquanto a região 
Centro‑Oeste e o estado de São Paulo apresen‑
tam as menores taxas de ocupação (com menos 
de 15%).
Ainda que a agricultura familiar seja 
essencial para a produção de alimentos, 77% 
das terras agrícolas do Brasil são dedicadas a 
grandes unidades não familiares. Mesmo com 
grande poder financeiro e uma série de van‑
tagens, como máquinas e equipamentos de 
última geração, uso de engenharia genética e 
fertilizantes e agrotóxicos mais eficientes, a agricultura não familiar é a 
que menos gera empregos no campo. 
Cooperativa agropecuária
As cooperativas agropecuárias são organizações sociais que 
reúnem produtores familiares e não familiares para se ajudar, 
mutuamente, na administração de contas e na distribuição dos 
produtos, entre outros exemplos. Portanto, elas têm como base a 
participação ativa dos associados. No Brasil, de acordo com o Censo 
Agropecuário de 2017, existem 579 mil estabelecimentos agrícolas 
cooperados, sendo que 71% deles são de agricultura familiar.
NÃO ESCREVA 
NO LIVRO> LEITURA DE IMAGEM
 1. Escreva um texto sobre a importância da agricultura familiar no Brasil, citando dados 
dos gráficos apresentados anteriormente. Mencione ainda a presença de alimentos 
produzidos pela agricultura familiar na alimentação de sua família e na alimentação 
escolar.
 2. Observe novamente os gráficos e responda: A distribuição de terras entre agricultura 
familiar e não familiar é equilibrada? Apresente dados que comprovem sua resposta.
Fonte dos dados: IBGE. Censo Agropecuário 2017. SIDRA banco 
de tabelas estatísticas. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/
tabela/6884. Acesso em: 28 ago. 2020.
Brasil: distribuição dos estabelecimentos, 
área e pessoal ocupado por tipo de 
agricultura, 2017
0
50
100
Em %
23%
77%
23%
77%
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67%
Área
ocupada
Estabelecimentos Pessoal
ocupado
Agricultura familiar
Agricultura não familiar
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Agricultura familiar no mundo
A partir de resolução aprovada pela Assembleia Geral das Nações 
Unidas (ONU) em dezembro de 2017, a Organização das Nações Unidas 
para a Alimentação e Agricultura (FAO) instituiu o plano de ação Década 
das Nações Unidas da Agricultura Familiar 2019‑2028. O objetivo do plano 
é ampliar a visibilidade dos agricultores familiares, identificar maneiras 
eficientes de apoiá‑los e garantir a sustentabilidade da produção, o 
acesso ao crédito e a melhores condições de trabalho. 
Alguns aspectos explicam a estratégia, pois a agricultura familiar 
é, segundo a FAO, responsável por 80% da produção de alimentos no 
mundo, ocupa entre 70% e 80% de todas as terras agrícolas, gera menos 
impacto ambiental do que as monoculturas, promove a produção de 
alimentos orgânicos ou agroecológicos e sofre pressão tanto do cresci‑
mento populacional como das mudanças climáticas.
A Ásia apresenta o maior percentual de terras destinadas à agricul‑
tura familiar, enquanto a América Latina apresenta o menor. Observe 
o mapa a seguir.
■ Símbolo da Década da 
Agricultura Familiar 2019-2028 
da FAO.
Fonte: FAO. Family 
Farmers: feeding the 
world, caring for the 
earth. Disponível em: 
http://www.fao.org/
resources/infographics/
infographics-details/
en/c/230925/. Acesso 
em: 28 ago. 2020.
Um dos sete pilares do projeto para o decênio 2019‑2028 da ONU é a pro-
moção de equidade de gênero na agricultura familiar. Mundialmente, 
as mulheres representam metade da força de trabalho no campo, mas são 
proprietárias de apenas 15% das unidades produtoras. Em muitos casos, exer‑
cendo a mesma função e com as mesmas qualificações, as mulheres ganham 
menos do que os homens e têm limitadas as possibilidades de acesso ao 
crédito e à compra de insumos ou tecnologias para ampliar a produtividade, 
além de ter maior dificuldade de participar de processos de qualificação para 
melhorar a produtividade.
Equidade
Adaptação de uma regra 
existente a um caso 
específico, com o obje-
tivo de deixar essa regra 
mais justa para todos.
Mundo: participação da agricultura familiar 
no total de terras agrícolas, 2014
Equador0°
Trópico de Capricórnio
Círculo Polar Antártico
Trópico de Câncer
0°
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Círculo Polar Ártico
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
ÍNDICO
OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO
OCEANO GLACIAL ÁRTICO
AMÉRICA
DO NORTE
E AMÉRICACENTRAL
83%
AMÉRICA
DO SUL
18%
ÁFRICA
62%
ÁSIA
85%
EUROPA
68%
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O texto a seguir propõe perguntas sobre a mulher no campo e destaca a rotina de uma 
agricultora brasileira. Leia‑o para fazer as atividades.
Perfil e importância da mulher na agricultura familiar 
Você já pensou em como a presença 
da mulher na agricultura familiar 
é expressiva?
Em algum momento, você já se deu conta da importância da 
mulher no cenário das pequenas propriedades rurais brasileiras?
[...]
Um exemplo de agricultora familiar que é o alicerce da 
família na propriedade é Rosana Faleiro, produtora no município 
de Orizona-GO, que é responsável por muito do que acontece na 
fazenda Santa Bárbara.
Ela levanta cedo, faz o café, assa o biscoito e vai para o curral. 
Ela precisa ajudar seu esposo, já que a mão de obra da fazenda 
é, exclusivamente, familiar, como em todas as propriedades que 
se enquadram, devidamente, nesse modelo de fazenda.
Além do auxílio na ordenha, a parte de higienização também 
é por conta dela. Ordenhadeira e sala de ordenha limpas, é hora de mudar de serviço. Alimentar os 
porcos, as galinhas, cuidar da horta, fazer almoço e todos os demais afazeres da casa são por conta dela.
Enquanto cozinha Rosana se lembra que também precisa fazer as anotações dos gastos com 
a lavoura do plantio até a produção de silagem e anotar também os medicamentes utilizados nos 
bezerros, pois sabe que tudo que anota em sua caderneta é de extrema importância para os dados 
da gestão da propriedade.
Durante o mês ela fica por dentro de todos os gastos e contas a pagar pois ela também ajuda na 
administração da fazenda. O cuidado com as filhas também é notável. Duas meninas que seguem 
os passos dos pais e não perdem o vínculo com o campo pois, tanto elas quanto os pais, entendem 
a necessidade e a beleza da sucessão familiar.
Rosana é um exemplo das muitas mulheres que vivem essa mesma rotina.
E você? Já parou para pensar quantas “Rosanas” existem por aí?
[...]
RIBEIRO, M. C. Perfil e importância da mulher na agricultura. Rede Digital AgroMulher, 26 set. 2019. Disponível em: 
http://agromulher.com.br/perfil-e-importancia-da-mulher-na-agricultura-familiar/. Acesso em: 28 ago. 2020.
 1. A vida de Rosana não é diferente da de outras mulheres agricultoras do campo brasileiro. Em rela‑
ção à sobrecarga de trabalho e à diversidade de tarefas, não é diferente também da realidade de 
muitas mulheres que vivem na cidade. Faça um paralelo entre a rotina de Rosana e a rotina de mulhe‑
res que moram e trabalham nas cidades brasileiras. Você pode citar casos que conhece para ilustrar 
a comparação.
 2. Em grupo, pensem em como os diferentes atores sociais (família, governo, inciativa privada, asso‑
ciações, igreja etc.) podem contribuir para a promoção da equidade de gênero, ou seja, com ações 
voltadas à mulher. Por exemplo, como a família pode se organizar para dividir as tarefas de forma mais 
justa, se no município em que estudam há vagas suficientes nas creches etc. Vocês podem também 
pesquisar ações de movimentos sociais e outras organizações que já foram realizadas nesse sentido. 
Depois, compartilhem as ideias com os colegas e discutam a importância de cada uma delas.
■ Na fotografia, proprietária de um 
pequeno estabelecimento rural em 
Silveira Martins (RS), 2018, é um exemplo 
da importância da mulher no campo.
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Sustentabilidade econômica e 
socioambiental no campo
Como garantir produção de alimentos e matéria‑prima para a 
indústria sem causar impactos socioambientais no campo? Essa per‑
gunta gera inúmeros debates e não tem uma resposta única.
Entre consumidores e organizações do mundo todo são cada 
vez maiores as exigências de produções que não promovam crimes 
ambientais, como desmatamento ilegal, e sejam justas com as comuni‑
dades tradicionais. Por isso, estão aumentando também as pesquisas, 
políticas públicas e ações relacionadas a tais exigências, que combi‑
nam o conhecimento científico ao resgate de técnicas usadas por 
diferentes comunidades e 
povos tradicionais.
No Brasil, apesar de 
tais práticas terem ainda 
pouca força se comparadas 
à agricultura convencional, 
existem políticas públicas e, 
principalmente, alguns movi‑
mentos sociais do campo 
que vêm se preocupando 
com elas e desenvolvendo 
programas voltados, por 
exemplo, à agroecologia e 
à produção orgânica. Veja a 
imagem ao lado.
	■ Cartaz do XI Congresso 
Brasileiro de Agroecologia, 
realizado em Sergipe, 2019, com 
o apoio de instituições como a 
Empresa Brasileira de Pesquisa 
Agropecuária (Embrapa), 
o Instituto Nacional de 
Colonização e Reforma Agrária 
(Incra) e o Serviço Brasileiro 
de Apoio às Micro e Pequenas 
Empresas (Sebrae).
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Agroecologia
De modo geral, a agroecologia é 
um sistema de produção que procura 
reunir as práticas tradicionais dos agri‑
cultores aos atuais conhecimentos 
científicos de diversas áreas (agrono‑
mia, biologia, economia, geografia, 
sociologia etc.). Seu objetivo é contri‑
buir para o desenvolvimento de uma 
agricultura ecológica e sustentável, 
mas que considere também o desen‑
volvimento social.
Alguns dos princípios defendidos 
pela agroecologia:
• ser socialmente justa, ou seja, 
valorizar o agricultor e sua família e preocupar‑se com 
suas condições de vida e saúde;
• ser economicamente viável e ter como princípio a garan‑
tia de renda e boas condições de vida a longo prazo;
• ser ecologicamente viável e relacionar‑se com o res‑
peito à dinâmica da natureza, reduzindo os impactos 
ambientais ao garantir a renovação natural do solo, 
a reciclagem de nutrientes e a manutenção da 
biodiversidade.
Os conhecimentos produzidos pela agroecologia, por‑
tanto, visam modificar a agricultura moderna, fruto da 
Revolução Verde, que introduziu inovações na agricultura, 
como os agrotóxicos, a fertilização do solo e a mecanização 
da produção, como você estudou no capítulo 5. Por isso, as 
práticas agrícolas agroecológicas são chamadas também 
de alternativas, sustentáveis, pós‑industriais ou pós‑mo‑
dernas, pois se apresentam como alternativas ao modelo 
predominante.
> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• A agroecologia e outras práticas de produção no campo consideradas alternativas envolvem a 
criação de animais. É nesse contexto que vem crescendo a chamada pecuária orgânica, prática na 
qual está presente, por exemplo, a preocupação com a maneira como os animais são criados e com 
o tipo de alimento que consomem. Diante do que você estudou no capítulo 5, sobre a pecuária, 
qual é a importância das práticas agroecológicas nessa atividade?
■ Agricultor adubando 
canteiros com esterco 
animal e casca de 
arroz em um cultivo 
agroecológico em 
Santa Maria (RS), 2014. 
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■ Princípios da 
agroecologia.
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Agricultura orgânica
A chamada agricultura orgânica faz parte da agroecologia, porém nem toda 
prática de agricultura orgânica segue todos os princípios da agroecologia.
A agricultura orgânica é também conhecida como agricultura ecológica 
(Espanha, Dinamarca)ou agricultura natural (Japão). O adjetivo “orgânico” é mais 
usado nos países de língua inglesa, como Estados Unidos e Inglaterra, e no Brasil. 
Embora na Índia esteja o maior número de agricultores orgânicos, os maiores produ‑
tores e consumidores são os Estados Unidos, a China e países da Europa. O país que 
destina a maior parte das terras agrícolas para a agricultura orgânica é a Austrália, 
com mais de 35 milhões de hectares dedicados.
Algumas pessoas pensam que um produto orgânico é aquele que apenas foi 
produzido sem agrotóxicos e fertilizantes químicos. No entanto, a agricultura orgâ‑
nica vai além disso, considerando aspectos como fazer uso racional da água, com 
técnicas de irrigação econômicas; levar em conta as características da região, quanto 
à variação climática (produzindo culturas de acordo com a época); considerar os 
hábitos culturais da população local, entre outros.
No mundo todo, a produção orgânica vem crescendo de 20% a 30% ao ano, 
dependendo da safra e das condições climáticas dos países produtores. Veja o info‑
gráfico a seguir.
Fonte: WILLER, H. et al. The World of Organic Agriculture: statistics and emerging trends 2020. Suiça: FIBL/IFOAM, 2020. p. 30. Disponível em: 
 https://shop.fibl.org/CHen/mwdownloads/download/link/id/1294/?ref=1. Acesso em: 30 ago. 2020
(em milhões de hectares)
(em quantidade de produtores)
(mercado em bilhões de euros)
América do Norte
América Latina
Europa
Ásia
Oceania
África
3,3
8
15,6
2
36
35,6
3,6
3,1
6,5
Austrália
Argentina
China
1 149 371
210 3522
203 602
Índia
Uganda
Etiópia
40,6
10,9
9,1
Estados
Unidos
Alemanha
França
O número de 
PRODUTORES ORGÂNICOS 
está crescendo
Dinamarca
Dinamarca
e Suíça
França 15,4%
11,5%
312€
crescimento do 
mercado orgânico 
participação 
no mercado 
maiores 
consumo per capita 
(em milhões de hectares)
O MUNDO DA AGRICULTURA ORGÂNICA – 2018
TERRAS AGRÍCOLAS PARA CULTIVO 
DE PRODUTOS ORGÂNICOS PRODUTORES ORGÂNICOS 2018 MERCADO DE ORGÂNICOS 2018 
Existem 71,5 milhões de hectares de 
terras agrícolas cultivadas com orgânicos
3PRIMEIROS PAÍSES PRIMEIROS PAÍSES 
+55%
Desde 2009 
O mercado global está 
crescendo e a demanda 
dos consumidores 
aumentando 
3
3
PRIMEIROS PAÍSES 
186 Países produzem
AGRICULTURA ORGÂNICA
2,8
milhões
Fazendas 
orgânicas
Existem
Aprox.
97
Mercado global de 
comida orgânica 
(em bilhões de euros) 
NÚMERO DE PRODUTORES
Entre 2017 e 2018 esse valor 
teve um aumento de 2,9%
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Agricultura orgânica no Brasil
No Brasil, em 2003, a agricultura orgânica foi definida e regula‑
mentada como uma atividade que adota técnicas específicas para 
uso dos recursos naturais e socioambientais cujo objetivo é a susten‑
tabilidade econômica e ecológica da agricultura sem uso de materiais 
químicos, sintéticos nem organismos geneticamente modificados.
Para que um produtor rural seja cadastrado como produtor orgâ‑
nico é necessário cumprir uma série de protocolos, que são analisados 
pelos técnicos do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento. 
Após a constatação do cumprimento das regras, o produtor recebe 
autorização para estampar o selo de produto orgânico, que vai infor‑
mar aos consumidores que determinado produto foi produzido a 
partir dos princípios da agricultura orgânica.
Entre o Censo Agropecuário de 2006 e o de 2017, o número de pro‑
dutores orgânicos aumentou mais de dez vezes no Brasil. Em dez anos, 
o país passou de cerca de 5 mil produtores para mais de 60 mil. Desse 
total, a maior parte ainda se concentra na produção vegetal, ou seja, de 
legumes, frutas, verduras e hortaliças, mas já há uma grande quantidade 
de produtores de carne animal certificados. 
	■ Selo utilizado para 
certificação de produto 
orgânico no Brasil.
	■ Feira de produtos 
orgânicos em São 
José dos Campos 
(SP), 2018.
> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Você e sua família consomem alimentos orgânicos ou alimentos cuja forma de cultivo não utiliza 
agrotóxicos? Em caso afirmativo, quais são esses alimentos? Como vocês os adquirem? Se não 
consomem, por que isso acontece?
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Permacultura
Há princípios da agroecologia e da agricultura orgânica que estão 
presentes em outros sistemas agrícolas no Brasil e no mundo, como 
a permacultura. Do inglês, permaculture (de pemanent agriculture – 
agricultura pemanente), o termo foi criado na década de 1970 por um 
pesquisador australiano, a partir de estudos anteriores sobre técnicas 
e práticas agrícolas que não causassem o desequilíbrio no ciclo natural 
dos ecossistemas, ou seja, sem causar impactos ambientais.
Assim, como em outros sistemas que visam à sustentabilidade eco‑
nômica e socioambiental, a permacultura combina conhecimentos de 
povos e comunidades tradicionais com técnicas científicas modernas 
de forma consciente e sustentável, visando à preservação dos recur‑
sos naturais. Entre essas técnicas estão as rotações de cultura, o uso de 
adubos verdes, a instalação de cercas vivas e a fertilização natural do 
solo e sistema mandala. O sistema mandala, usado em diversos sistemas 
produtivos sustentáveis, é caracteri‑
zado por uma plantação em forma 
circular, na qual a fonte de água 
ocupa o centro, possibilitando um 
melhor aproveitamento da água e 
do solo. Observe a fotografia.
Ao ter como um dos princípios 
o equilíbrio dos ecossistemas, a per‑
macultura vai além da produção 
agrícola, buscando um equilíbrio 
entre o suprimento das necessi‑
dades humanas, como moradia, 
energia e alimentação, por meio de 
ferramentas como o design perma‑
cultural, que é um planejamento da 
ocupação do solo.
	■ Cultivo no sistema mandala 
na Suíça, 2020.
> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Considerando o que estudou, escreva um pequeno texto com base no trecho a seguir.
A agroecologia e a permacultura, entre outras práticas de produção consideradas sustentáveis, vão 
muito além de rever ou transformar sistemas produtivos. Elas se referem à mudança da maneira de ver 
as pessoas e a natureza, ou seja, no modo de entender a relação entre sociedade e natureza.
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Agrofloresta
A agrofloresta, também conhecida como 
sistema agroflorestal, é exemplo de produ‑
ção agrícola com foco na redução dos impactos 
ambientais. A ideia é unir a prática da agricul‑
tura com a preservação das florestas nativas. 
Alguns de seus objetivos são:
• diminuir os índices de desmatamento de 
florestas nativas;
• promover a conservação das nascentes e 
águas dos rios e lagos;
• preservar a qualidade do solo por meio 
da troca de nutrientes equilibrada entre 
produção agrícola e florestas originais;
• preservar e aumentar a biodiversidade 
local por meio da manutenção das relações de troca entre as 
espécies nativas.
Há diferentes modelos de sistemas agroflorestais, como o agrossil-
vipastoril, que mantém árvores e animais nativos associados ao cultivo 
agrícola, e o silvipastoril, que associa florestas com criação de gado.
Entre exemplos de agroflorestas estão os pomares caseiros, que 
reúnem a plantação de frutas, legumes e hortaliças com mata nativa 
em chácaras e sítios, e o sistema de quebra‑vento (veja ilustração a 
seguir), que, ao manter a vegetação nativa mais densa e alta nos arre‑
dores da propriedade, impede que o vento retire umidade do solo e 
traga doenças para a lavoura.
	■ Criação decabras em meio 
a vegetação nativa em 
Pernambuco, 2012.
Fonte: INICIATIVA VERDE. Conheça 
seis modelos de sistemas 
agroflorestais que promovem uso 
sustentável do solo. São Paulo, 
2018. Disponível em: https://
www.iniciativaverde.org.br/
comunicacao-artigos-e-noticias-
detalhes.php?cod=405. Acesso 
em: 30 ago. 2020.
Sistemas agroflorestais: modelo de transição 
ecológica quebra-ventos, 2018
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Pesquisas no setor agrícola
Cada vez mais são realizadas 
pesquisas científicas no setor agrí‑
cola com o intuito de combinar 
produtividade e preservação 
ambiental, associando os novos 
conhecimentos científicos, como 
os da informática e da engenharia 
genética, para reduzir os riscos de 
perdas por má formação das cul‑
turas, devastação por pragas ou 
doenças; reduzir o uso de agrotóxi‑
cos; usar a água de forma eficiente 
etc. 
As técnicas que utilizam imagens 
de satélite e drones, por exemplo, 
permitem, entre outras coisas, que o 
produtor acompanhe passo a passo 
a evolução das lavouras e identifique 
irregularidades, doenças e deficiência 
de nutrientes. Também por meio de dispositivos e até da Inteligência Artificial é possível 
fazer uma irrigação com precisão: um sistema automatizado calcula quanto e quando 
há necessidade de irrigação na lavoura.
	■ Imagem de satélite manipulada para monitoramento 
de produção de soja em Londrina (PR), 2014.
> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
No Brasil, o emprego de ferramentas de tecnologias de ponta na agricultura e a relação 
com questões sociais no campo vêm sendo estudados há décadas. Leia o trecho abaixo 
para fazer a atividade.
O peso dos novos componentes técnicos no campo permite diminuir e até mesmo 
eliminar muitas consequências de condições naturais adversas, mas ao mesmo tempo 
acentuam-se distorções na sociedade, fruto da imposição de inovações técnicas e 
ganhos cada vez mais concentrados. 
RAMOS, S. Sistemas técnicos agrícolas e meio técnico-científico-informacional no Brasil. In: SANTOS, M.; SILVEIRA, M. L. O 
Brasil: território e sociedade no início do século 21. Rio de Janeiro: Record, 2002. p. 379.
 1. Com base no que você já estudou e nos seus conhecimentos, explique por que a pes‑
quisadora Soraia Ramos, autora do texto acima, afirma que se acentuam as distorções 
na sociedade com as inovações tecnológicas.
 2. Em grupo, pesquisem e discutam ações ou ideias para políticas públicas voltadas ao 
acesso de agricultores familiares às tecnologias digitais que os auxiliem na produção e 
na administração dos negócios.
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Agricultura na cidade?
A agricultura urbana consiste no uso de áreas 
localizadas nas cidades para a criação de peque‑
nos animais e produção agrícola, destinados para o 
consumo dos produtores e suas famílias ou venda em 
mercados locais. De acordo com a Empresa Brasileira 
de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a agricultura 
urbana deve ser realizada dentro do perímetro urbano 
e não ser a única fonte de recursos dos produtores. 
Entre seus benefícios estão:
• segurança alimentar via produção de alimentos para 
consumo próprio e receita da venda dos excedentes;
• redução de quantidade de lixo, dada a reutilização 
de resíduos e rejeitos, como composto orgânico para 
adubação;
• aproveitamento de espaços ociosos da cidade;
• criação de áreas de lazer, já que esses espaços 
podem ser adaptados em parques e praças para 
uso coletivo;
• permeabilização do solo, minimizando alagamentos 
e enchentes provocados pelas chuvas nas cidades.
Em 2019, o Brasil aprovou a criação da Política 
Nacional de Agricultura Urbana, que visa promover a 
agricultura urbana agroecológica e orgânica e melho‑
rar o acesso a alimentos de qualidade com baixo custo. 
A proposta permite utilizar áreas ociosas da cidade, como imóveis e 
terrenos desocupados, para garantir a segurança alimentar e nutricional 
das populações em situação de vulnerabilidade.
	■ Horta comunitária em 
telhado de edifício em 
Hong Kong (China), 
2019.
> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• É possível unir os termos “agricultura” e “urbana”? Em sua opinião, como a agricultura 
urbana pode ser ampliada nas cidades brasileiras?
> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
Pesquise se no município em que reside existem práticas de agricultura urbana, o que 
se produz, qual é o destino da produção, quem cuida da plantação etc. Se não houver esse 
tipo de prática no município, pesquise exemplos que ocorrem em outras regiões de seu 
estado ou ainda em áreas mais distantes.
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NÃO ESCREVA 
NO LIVROATIVIDADES>
 1. No cerrado mineiro está localizado o Projeto Macaúba, uma iniciativa de produção agroflorestal 
junto às comunidades locais, iniciada em 2018. A macaúba é uma palmeira da qual se extrai óleo, 
que pode ser utilizado na produção de alimentos e na indústria de cosméticos. O plantio de mudas 
de macaúba em pastagens contribui, por exemplo, para fertilizar naturalmente o solo, reduzir o risco 
de erosão, aumentar a biodiversidade e, assim, garantir o sustento das comunidades parceiras. Leia 
a reportagem a seguir e faça as atividades.
[...]
A meta inicial do projeto é plantar 2000 hectares de macaúba no sistema silvipastoril, numa 
parceria que oferece valorização da propriedade e renda extra para pequenos produtores rurais 
[...].
Inicialmente, a iniciativa prevê que 100 famílias de agricultores sejam beneficiadas com a 
parceria, e a contrapartida é a de que eles ofereçam as terras e a mão de obra necessária para 
os tratos culturais das plantas, além da venda dos frutos.
[...]
MACHADO, C. Iniciativa socioambiental INOCAS auxilia pequenos produtores e preserva meio ambiente. Jornal de Patos, 6 jul. 2020. Disponível 
em: https://www.jornaldepatos.com.br/2020/07/iniciativa-socioambiental-inocas.html. Acesso em: 30 ago. 2020.
■ Frutos da macaúba em 
Aquidauana (MS), 2015.
 a) Por que o sistema agroflorestal é importante para o sucesso do Projeto Macaúba?
 b) Considerando o exemplo do Projeto Macaúba, o que estudaram neste capítulo, seus conheci‑
mentos prévios e informações que podem pesquisar, você e seus colegas devem produzir, em 
grupo, um podcast sobre a importância de integrar a preocupação com o ambiente, as comuni‑
dades locais e/ou tradicionais e a geração de renda no campo brasileiro. Caso não seja possível 
fazer o podcast, criem um roteiro como se fosse para um programa de rádio e apresentem para 
os demais colegas e o professor.
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PASSADO E PRESENTE: COMPARANDO 
HÁBITOS ALIMENTARES
As entrevistas realizadas na etapa 1 deste projeto foram importante instrumento 
para o levantamento dos hábitos alimentares do passado e os relatórios produzidos 
na etapa 2 proporcionaram análises permitindo traçar um quadro complexo de como 
se alimentavam nossos antepassados.
Quais são as semelhanças e diferenças desses hábitos relatados em relação ao 
presente? Será que a transição alimentar e nutricional do tempo de nossos avós para 
os dias de hoje foi muito radical? Para pensar sobre isso, a ideia é criar um quadro 
comparativo, que permita pensar nas continuidades e rupturas desse processo de 
transição.
A proposta desta etapa é mapear os hábitos alimentares do presente, para poder 
compará-los aos dados colhidos nas entrevistas e registrados no relatório. Para isso, 
cada membro dogrupo deve registrar, por uma semana, tudo aquilo que consumir 
durante as principais refeições (café da manhã, almoço e jantar), desenvolvendo 
uma espécie de “diário alimentar”. Além disso, deve também registrar a procedência 
dos alimentos consumidos, apontando em que local foram adquiridos (mercados, 
feiras, comércio local etc.) e como foram preparados (cozinhados em casa, compra-
dos prontos em restaurantes, alimentos congelados e processados etc.)
Ao final do processo, esses registros individuais devem ser apresentados e dis-
cutidos pelo grupo e, a partir deles, deve-se produzir um texto sobre os hábitos 
alimentares atuais, considerando o que os integrantes do grupo consomem, a pro-
cedência desses alimentos e as principais preocupações para o grupo em relação 
à alimentação.
Feito isso, os grupos precisam confrontar as informações registradas nos relató-
rios produzidos a partir das entrevistas e os dados que obtiveram nas anotações 
sobre os alimentos que consomem, produzindo um quadro comparativo que aponte 
continuidades e rupturas e apresente semelhanças e diferenças com os hábitos 
alimentares do presente e do passado.
Os quadros elaborados devem ser compartilhados para se verificar aquilo que é 
recorrente nas análises de todos os grupos e também possíveis diferenças.
Após essa análise em conjunto, os grupos devem discutir sobre práticas que pro-
movam hábitos alimentares saudáveis. Nessa conversa, é importante considerar o 
resgate de hábitos alimentares tradicionais, 
como o consumo de produtos locais, por 
exemplo, mas também alternativas moder-
nas de produção e consumo de alimentos 
realizadas com base em ações conscientes 
e sustentáveis.
Etapa
3
■ Apesar da transição alimentar da 
população brasileira, o arroz com feijão 
continua sendo um dos principais 
alimentos consumidos no Brasil.
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CAPÍTULO
8 Concentração de terras no Brasil
O Quilombo Cafundó, localizado no munícipio de Salto do Pirapora 
(SP), é uma das inúmeras comunidades tradicionais do Brasil. A comu-
nidade se formou por volta de 1728, em meio à movimentação de 
tropeiros e trabalhadores escravizados, e resistiu a diversas tentativas 
de invasão por parte de fazendeiros. Sua história está preservada na 
memória e nos costumes de seus habitantes, especialmente dos mais 
velhos, que ainda falam um dialeto conhecido como cupópia, formado a 
partir da mistura de palavras da língua kimbundu, usada principalmente 
em Angola, e termos em português.
Neste capítulo vamos entender como o reconhecimento da impor-
tância do território para a manutenção das memórias, da identidade e 
dos costumes dessas comunidades, por meio de leis específicas que 
garantem sua permanência nos locais onde sempre viveram, foi um 
avanço na luta pelo direito à terra no Brasil.
Ao retomar os aspectos históricos da formação da propriedade de 
terras em território nacional, buscaremos compreender algumas de suas 
consequências, como a permanência do latifúndio, a violência no campo 
e a atuação de movimentos sociais na luta por reforma agrária.
■ Vista do Quilombo 
Cafundó, em Salto do 
Pirapora (SP), 2006.
Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o capítu-
lo e sobre o trabalho com as atividades.
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A questão agrária no Brasil
Entre os fatores que influenciam a desigualdade social em um país 
está a concentração de terras nas mãos de uma pequena parcela de 
proprietários rurais. Em toda a América Latina, esse ainda é um pro-
blema grave, mas no Brasil ele ganha destaque: o país ocupa o quinto 
lugar quando se trata de desigualdade do uso da terra no mundo, 
atrás apenas de Paraguai, Chile, Venezuela e Colômbia. E essa desi-
gualdade vem aumentando nos últimos anos.
Da mesma maneira que existe no Brasil uma má distribuição de 
renda e grandes diferenças entre os brasileiros no acesso à saúde e 
à educação, a distribuição da posse da terra é desigual no país: há 
muitas pessoas sem acesso à terra ou com pouca terra, enquanto uma 
pequena parcela da população controla uma grande quantidade de 
terra. Esse fenômeno é chamado de concentração fundiária. As 
grandes porções de terra pertencentes a um mesmo dono ou empresa 
são chamadas de latifúndios e são muito comuns no Brasil.
Afinal, essa desigualdade no espaço agrário sempre existiu no 
Brasil? Ao buscar suas origens, compreendemos que essa dispari-
dade resulta de um encadeamento de ações que ocorrem desde os 
primeiros tempos da 
colonização do atual 
território brasileiro. 
Poucas foram as ações 
concretas para reverter 
tal situação, o que faz 
com que, ainda hoje, 
haja milhares de famí-
lias sem acesso à terra 
para produzir e sobrevi-
ver, dificultando, assim, 
a permanência dos tra-
balhadores no campo.
	■ O cartunista Angeli,
na charge, ironiza a
reforma agrária no
país transformando o
significado do slogan
“terra para todos”
em terra para todos
da família. Charge
publicada em 2003.
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Aspectos históricos 
da concentração 
de terras no Brasil
Para entender as raízes da concentração de terras no Brasil e sua 
permanência é importante relembrar o tripé que formou e sustentou o 
espaço agrário do país durante um longo período da história: grandes 
latifúndios, monocultura e trabalho escravo.
Nos primeiros tempos da colonização, o governo português insti-
tuiu as capitanias hereditárias, dividindo sua colônia na América em 15 
grandes extensões de terra. Essas terras foram doadas a militares e altos 
burocratas da Corte portuguesa, que ficaram conhecidos como donatá-
rios. Entre os direitos e atribuições dos donatários estavam fundar vilas 
e doar lotes de terras a quem estivesse interessado em iniciar um pro-
cesso de colonização. Conhecidos como sesmarias, esses lotes estão 
na origem da formação das grandes pro-
priedades rurais.
O sistema de doação de sesmarias 
vigorou até o início do século XIX e pre-
tendia garantir o suporte necessário à 
colonização, atraindo colonos cristãos e 
brancos, que deveriam cultivar a terra e 
respeitar os limites territoriais. Esses cul-
tivadores eram os sesmeiros.
Assim, logo no início da formação 
das propriedades no Brasil foi institu-
ído um sistema de exploração agrícola 
denominado pelos historiadores como 
plantation. Esse modo de produção 
combinava latifúndios, cultivo de um 
único produto (inicialmente cana-de-
-açúcar, depois outros produtos, como 
algodão, fumo e café), trabalho escravo e 
produção voltada ao mercado externo. A 
utilização de técnicas rudimentares que 
levavam ao esgotamento do solo e resul-
tavam em baixa produtividade foram 
também características da plantation.
	■ Carta de doação de 
sesmaria, de 1728.
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Lei de Terras
Em 1822, às vésperas da Independência do Brasil, o então príncipe regente dom 
Pedro de Alcântara (1798-1834) (futuro dom Pedro I) extinguiu o sistema das sesma-
rias. O período entre a extinção do regime das sesmarias (1822) e a instituição de 
uma nova lei (1850) para regulamentar o acesso à terra possibilitou a atuação dos 
posseiros, que usavam poder pessoal para se apropriar de grandes extensões de 
terras de forma ilegal.
Aprovada em 1850, logo após a proibição do tráfico de escravizados, a Lei de 
Terras determinou as regras para delimitar apropriedade no Brasil, regulamentando 
as antigas sesmarias e as novas propriedades. A partir dessa data, todas as terras 
consideradas ainda não exploradas (chamadas de terras devolutas) passariam a 
pertencer ao Estado e só poderiam ser adquiridas por meio de compra ou doação.
A lei estabeleceu dimensões mínimas para os lotes a ser comprados, proibiu a 
venda a prazo e determinou que os imigrantes só poderiam adquirir terras após 
dois anos de residência no Brasil. Ou seja, a medida dificultou o acesso dos pobres à 
terra e acabou favorecendo os latifundiários, que podiam comprar novos lotes dire-
tamente do governo. A lei, portanto, impediu a formação de uma camada social de 
pequenos proprietários dedicados à agricultura familiar e, por favorecer os grandes 
latifundiários, contribuiu de maneira significativa para a manutenção da distribuição 
de terras vigente.
	■ Fazenda produtora de café no estado de São Paulo, em 1895.
> DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• A permanência da concentração de terras afeta a vida de muitos brasileiros. Que proble-
mas a distribuição desigual da terra causou e ainda causa na vida dos que não tinham 
e ainda não têm acesso à terra? De que forma a concentração de terras no campo tem 
relação com as cidades? Reúnam-se em grupos para responder a essas questões.
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Luta pela terra
Nos primeiros tempos da República no Brasil, quando a maioria da população 
ainda vivia no campo, a elite agrária ampliou seus poderes por meio do fortaleci-
mento dos chefes políticos locais e de práticas como a manipulação de votos para a 
defesa de seus interesses. Isso não impediu que camadas mais baixas da população 
reivindicassem seus direitos à terra. Em alguns casos, essas reivindicações resultaram 
em grandes conflitos armados, como os ocorridos na Bahia e na divisa do Paraná 
com Santa Catarina.
No sertão da Bahia, camponeses sem acesso à terra formaram, em uma fazenda 
abandonada na região de Canudos, uma comunidade organizada com base 
no direito à terra e na agricultura familiar, em 1893, sendo liderados por Antônio 
Conselheiro (1830-1897). O local, contudo, passou a ser alvo de ataques das elites 
locais e do governo federal. Entre 1896 e 1897, quatros expedições militares foram 
organizadas para destruir a comunidade. O confronto, conhecido como Guerra de 
Canudos, só se encerrou após a destruição total da comunidade e a morte de pelo 
menos 30 mil sertanejos.
Cerca de 15 anos depois, na região Sul do Brasil, aconteceu outro conflito de 
grandes proporções, a Guerra do Contestado. Ela ocorreu na divisa entre Paraná e 
Santa Catarina, onde viviam cerca de 60 mil pessoas cujas terras eram contestadas 
por ambos os estados. O governo doou essas terras para empresas dos Estados 
Unidos a fim de que pudessem construir ali uma estrada de ferro. Milhares de famí-
lias foram expulsas das terras sem indenização.
Em meio à miséria, a população buscou refúgio nas palavras de um líder messiâ-
nico, José Maria (188-?-1912), que se dizia um eleito de Deus e prometia o advento 
de um reino de justiça. Após seu assassinato por forças policiais em 1912, a comuni-
dade de camponeses sofreu ataques das tropas estaduais e federais. O confronto 
se estendeu até 1916 e deixou cerca de 20 mil mortos.
■ Oficiais do 
exército 
brasileiro e da 
polícia militar 
do Paraná 
na região do 
Contestado, na 
década de 1910.
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Os dados da tabela a seguir, extraídos do Censo agropecuário 2017, realizado 
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam aspectos da distri-
buição das propriedades rurais no território nacional. Observe a tabela e responda 
às questões a seguir.
Grupos de área total (ha) Total de estabelecimentos Área total
Maior 0 a menos 0,1 74 379 3 264
De 0,1 a menos 0,2 54 438 7 586
De 0,2 a menos 0,5 174 299 58 493
De 0,5 a menos 1 303 316 207 970
De 1 a menos 2 468 288 593 953
De 2 a menos 3 336 993 749 072
De 3 a menos 4 260 945 840 160
De 4 a menos 5 220 309 964 885
De 5 a menos 10 650 714 4 568 586
De 10 a menos 20 730 662 10 205 797
De 20 a menos 50 855 865 26 661 932
De 50 a menos 100 394 157 26 942 917
De 100 a menos 200 218 758 29 380 636
De 200 a menos 500 147 083 44 875 314
De 500 a menos 1 000 54 878 38 001 742
De 1 000 a menos 2 500 34 338 51 848 684
De 2 500 a menos de 10 000 14 415 63 733 495
De 10 000 e mais 2 450 51 645 332
Produtor sem área 77 037 –
Fonte dos dados: IBGE. Censo agropecuário 2017. Tabela 1.1.1. - Condição legal das terras segundo as variáveis selecionadas. 
Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/agricultura-e-pecuaria/21814-2017-censo-agropecuario.
html?=&t=resultados. Acesso em: 25 ago. 2020.
 1. Que dados sobre a distribuição de terras são apresentados?
 2. Considerando o que aprendeu até aqui, que característica do campo brasileiro está 
evidenciada na tabela? Comente esses dados.
 3. Por que a predominância de grandes propriedades rurais pode indicar um problema 
social?
DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS> NÃO ESCREVA NO LIVRO
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https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/agricultura-e-pecuaria/21814-2017-censo-agropecuario.html?=&t=resultados
Crédito rural
Recurso destinado a 
despesas dos ciclos 
produtivos, investimen-
tos ou comercialização 
da colheita. Suas regras 
estão estabelecidas no 
Manual de Crédito Rural 
(MCR), elaborado pelo 
Banco Central do Brasil.
Desapropriação
Transferência de proprie-
dade de bens móveis 
ou imóveis particulares 
para domínio público 
em função de utilidade 
pública, interesse social 
ou necessidade pública 
mediante indenização.
■ Agricultor integrante 
do Projeto de 
Desenvolvimento 
Sustentabilidade 
Virola Jatobá, projeto 
de assentamento do 
Incra, coloca placa 
que sinaliza a área de 
proteção ambiental, 
em Anapu (PA), 2019.
Reforma agrária, função social 
da terra e assentamentos
A forma de distribuição das propriedades rurais, ou seja, como as 
terras estão distribuídas quanto à área e ao número de propriedades, é 
chamada estrutura fundiária.
Como vimos, no Brasil, desde a época da colonização, a estrutura 
fundiária é bastante concentrada, ou seja, há uma má distribuição das 
terras. Um dos fatores que agravaram a concentração de terras no 
campo brasileiro foi a falta de atenção de sucessivos governos para a 
reforma agrária, que é garantida pela Constituição Federal.
A reforma agrária não se resume à distribuição de terras. Deve 
atender também a diversos princípios, como justiça social, desenvol-
vimento rural sustentável e aumento de produção. Assim, é necessário 
que, além do acesso à terra, os agricultores tenham acesso à infraestru-
tura (energia elétrica, água e estradas, entre outras), a crédito rural e 
à assistência técnica, para que tenham condição de comercializar seus 
produtos e consigam se manter no campo.
A reforma agrária pode proporcionar assim diversos avanços sociais, 
como desconcentração da estrutura fundiária, promoção da segurança 
alimentar e nutricional (conceito estudado no capítulo 6), geração de 
ocupação e renda, redução da migração campo-cidade e diversificação 
do comércio e dos serviços no campo.
De acordo com a Constituição Federal de 1988, as propriedades 
rurais que não cumprem sua função social podem sofrer desapro-
priação para fins de reforma agrária, e os proprietários das terras são 
indenizados pela desapropriação.
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A função social é cumprida quando a propriedade rural é produtiva 
e atende aos seguintes critérios: aproveita a terra de forma adequada, 
utiliza os recursos naturais disponíveis sem causar impactos ambientais, 
cumpre as legislações trabalhistas e f avorece o bem-estar de proprie-
tários e trabalhadores.
De acordo com dados do próprio governo, grande número de pro-
priedades não estaria atendendo aos critérios citados anteriormente, 
sendo passíveis de desapropriação. Daí a justificativa de muitos movi-
mentos sociais do campo em ocupar essas grandes propriedades que 
não cumprem sua função social. Dentre esses movimentos, o mais 
atuante e representativo é o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem 
Terra (MST). É uma forma de luta que, muitas vezes, acirra conflitos entre 
sem terras, grileiros e grandes proprietários.
A partir da segunda metade da década de 1990, os governos vêm 
realizando assentamentos das famílias sem terras. Os assentamentos 
são lotes de terras, instalados pelo Instituto Nacional de Colonização e 
Reforma Agrária (Incra), onde os trabalhadores rurais que faziam parte 
do grupo dos sem terras passam a morar e a produzir, comprometen-
do-se a usar exclusivamente mão de obra familiar.
Desde 2013, no entanto, o número de assentamentos vem dimi-
nuindo e, em 2020, alguns programas de incentivo aos assentados foram 
extintos, como aqueles destinados a repassar tecnologia e conheci-
mento aos trabalhadores e garantir a alfabetização dos adultos.
Grileiro
Pessoa que trabalha para 
grandes proprietários 
de terra, tendo a tarefa 
de expulsar posseiros e 
preparar a ocupação de 
terras desocupadas.
■ Plantação orgânica no 
Assentamento Terra 
Vista, em Arataca (BA), 
2019.
> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Em grupo, escolham um veículo de comunicação, façam um levantamen-
to de notícias relacionadas à reforma agrária. Depois, analisem como ele 
aborda o tema: demonstra ser favorável ou contrário a ela? Justifiquem 
sua resposta e a comparem com as dos outros grupos.
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Terras indígenas e quilombolas
O processo de modernização conservadora do campo brasileiro (estudado no capítulo 5) con-
tribuiu para manter a situação de exclusão de indígenas e quilombolas no campo. Apesar dos 
avanços em leis e políticas públicas que ocorreram nas últimas décadas, na prática muitos proble-
mas persistem e foram até acirrados a partir do fim da década de 2010.
As terras indígenas e quilombolas são com frequência alvo de invasões de mineradoras, madei-
reiras, caçadores e posseiros. Muitas vezes são também atravessadas por construções de estradas, 
ferrovias e hidrelétricas ou usadas para passagem de linhas de transmissão, além de sofrer impac-
tos ambientais, como poluição de rios e desmatamentos, em consequência de atividades nocivas 
realizadas em suas proximidades, como a agricultura com intenso uso de agrotóxicos.
Terras Indígenas
De acordo com a Constituição Federal de 1988, os povos indígenas têm direito originário à 
terra, ou seja, um direito anterior à criação do Estado brasileiro, já que foram os primeiros ocu-
pantes das terras que formariam a atual território do Brasil. Disso decorre o direito dos indígenas à 
terra independentemente de reconhecimento formal. No entanto, as Terras Indígenas (TI) devem 
ser delimitadas e demarcadas por órgãos do governo. O prazo estabelecido pela Constituição 
para a demarcação de todas as TI era 5 de outubro de 1993, mas isso não ocorreu.
Por terras indígenas, entendem-se, portanto, as terras tradicionalmente ocupadas pelos 
indígenas, utilizadas para suas atividades produtivas, necessárias à preservação dos recursos 
ambientais essenciais ao bem-estar e à reprodução física e cultural, de acordo com seus usos, cos-
tumes e tradições. Observe 
o mapa ao lado.
Como você pode obser-
var no mapa, a maior parte 
das TI estão na Amazônia. 
Isso reflete o processo de 
extermínio e expulsão dos 
indígenas que começou 
com a chegada dos euro-
peus a partir do litoral. 
Atualmente, na porção 
leste do território brasileiro 
e nas áreas urbanizadas 
restam poucas TI, como 
a terra Guarani Aldeia 
Jaraguá, em São Paulo, que 
com apenas dois hectares 
não possibilita a seus habi-
tantes viver da terra.
Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 8. 
ed. Rio de Janeiro, 2016. p. 107.
Brasil: terras indígenas, 2017
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0°Equador
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Terras quilombolas
Assim como os indígenas, os povos quilombolas têm seu direito à 
terra assegurado pela Constituição Federal, o que resultou em grande 
parte da luta dos movimentos negros.
A certificação das terras qui-
lombolas iniciou-se no ano de 
2004, após um decreto federal, de 
2003, que regulamentou o procedi-
mento para identificar, reconhecer, 
delimitar, demarcar e titular terras 
ocupadas por remanescentes das 
comunidades dos quilombos. De 
acordo com o decreto, as comu-
nidades quilombolas são aquelas 
formadas por grupos étnico-
-raciais, segundo critérios de 
autoatribuição, com trajetória his-
tórica própria, dotados de relações 
territoriais específicas e origem 
negra relacionada com a resistên-
cia à opressão histórica sofrida.
Estima-se que existam mais 
de 3 mil comunidades remanes-
centes de quilombos no Brasil. No 
entanto, muitas delas lutam ainda 
para obter a certificação de suas 
terras. Observe o mapa ao lado.
	■ Grupo de jongo, dança 
brasileira de origem africana, 
da comunidade quilombola 
Boa Esperança, em Presidente 
Kennedy (ES), 2019. Em 
2005 essa comunidade foi 
reconhecida e recebeu 
certificação pela Fundação 
Cultural Palmares. 
Autoatribuição
Ação de atribuir a si mesmo, 
no caso, o pertencimento ao 
grupo étnico-racial dos povos 
quilombolas.
Fonte dos dados: FUNDAÇÃO CULTURAL PALMARES/MINISTÉRIO DA CULTURA. Certificação quilombola. 
Disponível em: http://www.palmares.gov.br/?page_id=37551. Acesso em: 25 ago. 2020.
Brasil: comunidades quilombolas – 2020
Natal
Belém
Maceió
Recife
Palmas
Macapá
Manaus
Goiânia
BrasíliaCuiabá
Aracaju
Vitória
São Luís
Teresina
Salvador
Curitiba
Porto Alegre
São Paulo
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Mais de 300
Número de comunidades
quilombolas certificadas
Dados não disponíveis ou 
inexistência de comunidades 
quilombolas
*Certificações realizadas
até agosto de 2020.
Menos de 20
De 21 a 50
De 51 a 100
De 101 a 300
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> MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Em grupo, discutam a seguinte questão: Qual é a importância das comunidades quilombolas para 
a preservação da memória e identidade dos afrodescendentes no Brasil?
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Movimentos sociais no campo
Movimentos sociais são aqueles que reúnem parte da sociedade em defesa de 
uma causa, tanto na cidade como no campo. Além de ter um projeto definido, usam 
várias estratégias para lutar por suas demandas, como marchas, denúncias, mobili-
zações e negociações. No Brasil, os movimentos sociais rurais têm papelimportante 
na luta pelos direitos dos grupos excluídos. Fazem parte de sua pauta a defesa do 
acesso à terra, o reconhecimento da diversidade cultural e a sustentabilidade.
A mobilização de trabalhadores rurais começou a ganhar força no Brasil a partir 
da década de 1950 com a atuação das Ligas Camponesas na região Nordeste, que 
surgiram no contexto da intensificação da modernização do campo, da qual fez 
parte, entre outras medidas, a mecanização da produção que substitui o trabalho 
humano. Essas organizações se espalharam para outras regiões, mobilizando os tra-
balhadores na defesa da distribuição de terras e da necessidade de reformas que 
melhorassem sua condição de vida.
No decorrer dos anos, grupos dominantes procuraram dividir e criminalizar 
essas lutas, que sofreram forte repressão durante o governo civil-militar (1964-1985). 
Esses movimentos, no entanto, encontraram novas formas de reivindicar direitos, 
de acordo com as necessidades de cada 
período, ajudando assim a fortalecer a 
própria democracia.
Durante a década de 1980, a reivindi-
cação pela distribuição de terras no Brasil 
foi retomada, podendo-se considerar o 
MST como herdeiro da luta empreendida 
pelas Ligas Camponesas. Nas ocupações 
de propriedades improdutivas podem ser 
observadas iniciativas como construção de 
escolas, aplicação de técnicas da agricultura 
familiar e cursos de formação política.
Atualmente, as ações empreendidas 
pelos movimentos sociais rurais envolvem 
lideranças femininas e jovens e têm como 
foco a crítica ao modelo do agronegócio e 
aos impactos socioambientais negativos, 
lutando em prol de uma produção mais 
saudável para todos.
	■ Marcha das Margaridas, mulheres trabalhadoras 
rurais que lutam pelo desenvolvimento 
sustentável com justiça, autonomia e igualdade. 
Brasília (DF), 2011.
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Conflitos no campo
A violência no campo é 
outro problema a ser enfren-
tado no Brasil. Entre suas 
causas estão o direito de per-
manecer na terra, o acesso à 
água, os conflitos trabalhistas 
e a perseguição política. Os 
conflitos no campo estive-
ram e ainda estão presentes 
de forma mais intensa em 
regiões de expansão da 
fronteira agrícola, vitimando 
trabalhadores rurais e indíge-
nas, além dos envolvidos em 
movimentos sociais, como os religiosos. Observe o gráfico acima.
É consenso entre muitos pesquisadores que os conflitos no campo 
decorrem da ausência de um poder público que promova o cumpri-
mento das leis, garantindo aos trabalhadores rurais o direito a viver e 
produzir na terra e aos povos e comunidades tradicionais, como indíge-
nas e quilombolas, suas terras efetivamente demarcadas, sem ameaças 
nem invasões de grileiros, mineradoras e garimpeiros, e a salvo de 
grandes obras, como estradas e hidrelétricas.
	■ Manifestação do 
Movimento dos 
Atingidos por Barragens 
em São Paulo (SP), 2013.
Fonte dos dados: CANUTO, A.; 
LUZ, C. R. da S.; SANTOS, P. C. M. 
 dos. Conflitos no campo: 
Brasil 2019. Goiânia: Comissão 
Pastoral da Terra Nacional, 
2020. p. 20. Disponível em: 
https://www.cptnacional.org.
br/component/jdownloads/
send/41-conflitos-no-campo-
brasil-publicacao/14195-
conflitos-no-campo-brasil-
2019-web?Itemid=0. Acesso 
em: 26 ago. 2020.
NÃO ESCREVA 
NO LIVRO> DE MÃOS DADAS
• Em grupo, respondam: Em sua comunidade existe algum movimento social atuante? 
Quais são as principais reivindicações e estratégias adotadas? Vocês participam desse 
movimento ou conhecem alguém que participe? Compartilhem suas impressões com 
os colegas de outros grupos.
Brasil: conflitos no campo, 2010-2019
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1168 1124
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1363 1364
1266 1286 1217
1431 1489
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242 260 182 154 141127937968 84 69 66 89 90
489
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197172135
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Ano
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por terra
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trabalhistas
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https://www.cptnacional.org.br/component/jdownloads/send/41-conflitos-no-campo-brasil-publicacao/14195-conflitos-no-campo-brasil-2019-web?Itemid=0
NÃO ESCREVA 
NO LIVROATIVIDADES>
O texto e o infográfico apresentados a seguir são de diferentes fontes. O texto foi 
extraído do site da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) – 
que é a maior representante dos agricultores comerciais no Brasil. O infográfico é um 
material da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado chamada Sem Cerrado, Sem 
Água, Sem Vida, iniciada em 2016, que integra movimentos sociais e organizações 
que lutam, por exemplo, pelos direitos dos agricultores familiares, pelas comunida-
des tradicionais e pelas práticas agroecológicas. 
Analise cada um deles e faça as atividades propostas na sequência.
Documento 1
Panorama do agro
Nos últimos 40 anos a produção agropecuária brasileira se desenvolveu de tal 
forma que o Brasil será o grande fornecedor de alimentos do futuro.
[...]
Produzindo cada vez mais, o Agro brasileiro reduziu drasticamente o preço 
da alimentação, melhorando a saúde e qualidade de vida da população urbana, 
liberando seu poder de compra para bens produzidos pela indústria e pelo setor 
de serviços.
[...]
O agronegócio tem sido reconhecido como um vetor crucial do crescimento 
econômico brasileiro. Em 2019, a soma de bens e serviços gerados no agronegócio 
chegou a R$ 1,55 trilhão ou 21,4% do PIB brasileiro.
[...] a soja (grãos) é o carro-chefe da produção agropecuária brasileira, res-
ponsável por aproximadamente R$ 1,00 de cada R$ 4,00 da produção do setor 
no Brasil. O segundo lugar no ranking [...] é ocupado pela pecuária de corte [...]. 
O terceiro maior [...] é o [...] milho, [...] seguido da pecuária de leite [...] e da cana 
[...]. O frango [...] aparece em sexto lugar, seguido do café [...] e algodão [...].
O setor absorve praticamente 1 de cada 3 trabalhadores brasileiros. Em 2015, 
de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), 
32,3% (30,5 milhões) do total de 94,4 milhões de trabalhadores brasileiros eram 
do agronegócio. Desses 30,5 milhões, 13 milhões (42,7%) desenvolviam ativida-
des de agropecuária, 6,43 milhões (21,1%) no comércio agropecuário, 6,4 milhões 
(21%) nos agrosserviços e 4,64 milhões (15,2%) na agroindústria.
Quanto ao comércio internacional, 43% das exportações brasileiras, em 2019, 
foram de produtos do agronegócio [...].
[...] 
CONFEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DO BRASIL (CNA). Panorama do agro, jun. 2020. Disponível em: 
 https://www.cnabrasil.org.br/cna/panorama-do-agro. Acesso em: 26 ago. 2020.
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Documento 2 
Diferenças entre a agricultura familiar e tradicional e o 
agronegócio
 1. No documento 1, diversos dados são oferecidos para ilustrar a importância 
do agronegócio no Brasil. Segundo esta fonte, qual o impacto dessa 
atividade na economia brasileira? 
 2. No documento 2, os elementos gráficos e textuais buscam comunicar 
informações sobre a produção agropecuária brasileira. Quais aspectos 
dela são analisados? 
 3. Compare os dois documentos, que abordam temas referentes ao agro-
negócio. Eles têm visões semelhantes ou divergentes sobre o assunto? 
Justifique sua resposta.
	■ Cartaz de 
divulgação da 
Campanha Nacional 
em Defesa do 
Cerrado chamada 
Sem Cerrado, Sem 
Água, Sem Vida, 
publicado em 2017.
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Memes, agronegócio e agricultura familiar
É bem provável que vocês já tenham visto muitos memes de internet nas redes 
sociais e até mesmo tenham compartilhado algum deles. O meme é um gênero 
textual que pode combinar diferentes elementos, como texto, recursos gráficos, 
imagem e som, e se tornou possível graças às novas tecnologias digitais de infor-
mação e comunicação.
Assim como os memes, outros gêneros, como as charges, os anúncios publicitá-
rios e os manuais de instrução, combinam também recursos diversos, além do texto 
escrito, para comunicar ideias. Esses gêneros híbridos são chamados de multissemi-
óticos ou multimodais.
No espaço cibernético, os usuários utilizam a palavra meme para se referir a 
postagens de conteúdo humorístico que têm relação com as notícias do cotidiano 
e se espalham rapidamente na rede, ou seja, tornam-se virais. Os memes se carac-
terizam ainda por serem criados e recriados constantemente e por qualquer pessoa.
Observem o meme a seguir e, em seguida, o analisem respondendo às pergun-
tas que estão na sequência.
■ Meme sobre como as pessoas imaginam a vida de um universitário.
 1. Que recursos de linguagens são utilizados no meme?
 2. Quais são as imagens destacadas no meme? Por que vocês acham que elas foram 
escolhidas?
 3. Que sentidos essas imagens e seu respectivo texto verbal produzem?
 4. Como esses elementos constroem o tom humorístico do meme?
SOU UNIVERSITÁRIO!
Como 
meus pais 
me veem...
Como os 
jornalistas 
me veem...
Como sou na 
realidade!!!
Como meus 
vizinhos me 
veem...
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Divididos em grupos e usando o meme analisado como exemplo, elaborem um meme, esco-
lhendo entre dois temas: o agronegócio e a agricultura familiar. Observem a seguir as dicas para 
criar o meme.
• Retomem as características do agronegócio e da agricultura familiar e esbocem ideias 
de textos e imagens possíveis para compor o meme. Pensem em aspectos positivos ou 
negativos que queiram destacar.
• Selecionem artigos, reportagens e imagens atuais sobre o tema escolhido para servir de 
base para compor o meme.
• Pesquisem na internet diferentes modelos de memes para ter outros parâmetros além do 
exemplo analisado.
• Escolham os diferentes tipos de imagem que pretendem utilizar no meme (como imagem 
de grandes latifúndios, de famílias trabalhando, de tecnologia no campo etc.) e pensem 
ainda nos recursos gráficos que podem destacar as ideias (tipos e tamanhos de letra, cores, 
molduras, sombras e outros efeitos).
• Organizem os materiais selecionados e iniciem a montagem do meme no computador ou 
mesmo em papel. Sites geradores de memes podem ajudar na montagem e são facilmente 
encontrados na internet – basta digitar “gerador de memes” no campo de busca.
• Lembrem-se de que o humor é um ingrediente imprescindível ao meme, mas é muito impor-
tante tomar cuidado para que a produção de vocês não seja ofensiva nem preconceituosa.
• Antes de apresentar o resultado do trabalho, certifiquem-se de que a mensagem do meme 
foi compreendida por todos no grupo, a fim de garantir que ela será entendida pelos 
demais colegas da turma.
• Para encerrar, troquem os memes entre os grupos para que sejam interpretados e comen-
tados pelos colegas.
	■ Meme criado 
a partir da 
imagem de uma 
cena do filme 
A fantástica 
fábrica de 
chocolates, 
lançado em 
1971, em que 
o comediante 
estadunidense 
Gene Wilder 
(1933-2016), 
interpreta a 
personagem 
Willy Wonka.
ENTÃO VOCÊS APRENDERAM UM 
POUCO MAIS SOBRE MEMES
CONTE-ME COMO VAI FAZER PARA
ELABORAR UM MEME AGORAFILME D
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Etapa
4
DISCUTINDO COM A COMUNIDADE
A última e tapa do projeto é a organização de evento na escola para socializar as 
informações colhidas na pesquisa e propor ações que visem à melhoria dos hábitos 
alimentares da comunidade em que a escola está inserida.
Uma das ideias centrais que devem nortear a organização do evento é a dis-
cussão dos conceitos de agricultura urbana, agroecologia e permacultura, 
relacionando práticas tradicionais com o conhecimento moderno sobre consumo 
consciente e sustentável. A ideia é de que o evento reúna informações e referên-
cias sobre a alimentação tradicional, tomando como ponto de partida o trabalho 
de pesquisa desenvolvido nas etapas anteriores, mas também apresente alter-
nativas modernas, conscientes e sustentáveis de produzir e consumir alimentos.
Para isso, os grupos devem se organizar para a preparação de dois conjuntos de 
atividades:
I. Socialização das atividades de pesquisa
Um primeiro conjunto de atividades do evento deve objetivar a apresentação para 
a comunidade dos relatórios e exposição dos quadros comparativos produzidos nas 
etapas anteriores.
Alguns dos entrevistados podem ser convidados para rodas de conversa, para 
contar sobre a experiência da entrevista e discutir algumas das informações que 
os grupos de estudantes consideraram relevantes na análise da conversa. Trechos 
dos áudios e vídeos com os registros das entrevistas também podem ser expostos, 
desde que com a autorização dos entrevistados.
II. Convidando a comunidade a um consumo consciente
Um segundo conjunto de atividades deve estar relacionado com a apresentação 
de possibilidades de consumo consciente. Cada grupo deve se responsabilizar por 
uma ação que provoque na comunidade uma reflexão sobre alimentação saudável.
Algumas possibilidades de atividade são:
• Montagem coletiva de livros de receita. Compartilhamento de receitas de família, 
que podem ser reunidas em cadernos a serem posteriormente compartilhados, 
impressos ou em formato digital.
• Organização de horta comunitária. Caso a escola disponha de espaço, reunir 
grupos para plantar hortaliças e verduras, que possam ser consumidas pela 
comunidade.
• Exposição de pequenos produtores locais. Contatar pequenos produtores da região 
e organizar uma feira para expor seus produtos e compartilhar suas histórias.
• Oficina de preparação de receitas saudáveis. Os estudantes podem escolher uma 
receita simples e realizá-la em conjunto com os visitantes do evento.
• Palestra sobre alimentação saudável. Os estudantes podem convidar um nutri-
cionista ou outro profissional para apresentar orientações sobre como ter hábitos 
alimentares saudáveis, como consumir produtos in natura e evitar os alimentos 
ultraprocessados.
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> SAIBA MAIS
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)
Disponível em: www.embrapa.br. Acesso em: 2 set. 2020.
O site da Embrapa reúne notícias, divulgação científica, material multimídia e uma 
extensa biblioteca sobre os avanços da pesquisa na agricultura e pecuária brasileiras.
Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO)
Disponível em: www.fao.org. Acesso em: 2 set. 2020.
A FAO é agência internacional da ONU cujo objetivo é garantir a segurança alimentar e 
erradicar a fome. Sua página contém informações importantes sobre as ações mais 
recentes em diversos países.
Terras Indígenas do Brasil
Disponível em: https://terrasindigenas.org.br/. Acesso em: 26 ago. 2020.
Programa de monitoramento de áreas protegidas, que produz, sistematizae 
disponibiliza informações sobre Terras Indígenas, Unidades de Conservação, glebas 
do Incra, reservas garimpeiras e outras terras de interesse público.
Censo agropecuário 2017
Disponível em: https://censos.ibge.gov.br/agro/2017. Acesso em: 2 ago. 2020.
O site apresenta os resultados do Censo agropecuário 2017, realizado pelo IBGE, 
reunindo informações sobre os estabelecimentos agropecuários, abrangendo 
características do produtor e do estabelecimento, economia e emprego no meio 
rural, pecuária, lavoura e agroindústria.
Atlas da Questão Agrária Brasileira
Disponível em: http://www2.fct.unesp.br/nera/atlas/questao_agraria.htm. Acesso em: 
26 ago. 2020.
Site, elaborado a partir da pesquisa Cartografia Geográfica Crítica, apresenta dados 
da estrutura fundiária brasileira.
Para onde foram as andorinhas?
Direção: Mari Corrêa. Brasil, 2015. Vídeo (22 min). Disponível em: https://www.youtube.
com/watch?v=T0-INQW3It0. Acesso em: 2 set. 2020.
Ganhador do Prêmio de Melhor Curta-Metragem no Festival Ambiental das Ilhas 
Canárias de 2016, o documentário aborda o impacto da agropecuária na subsistência 
dos povos indígenas que vivem no Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso.
Sustentável
Direção: Matt Wechsler e Annie Speicher. Estados Unidos, 2016. DVD (96 min).
O documentário retrata o papel da terra na vida das pessoas, sua importância para 
várias gerações de trabalhadores e alerta para o esgotamento dos solos com o 
uso excessivo de produtos químicos, além do consumo desenfreado de água no 
processo agrícola.
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https://www.youtube.com/watch?v=T0-INQW3It0
Autoavaliação
Esta é a hora de se autoavaliar em seu percurso 
de estudos. Para tanto, sugerimos que retome os 
objetivos propostos para as unidades. Depois, leia 
atentamente cada um dos itens relacionados a 
seguir e escreva em seu caderno como considera 
seu atual momento de aprendizagem. A resposta 
para cada um dos itens pode ser sim, não ou em
algumas situações. Registre também uma justifi -
cativa para suas respostas.
Unidade 1
 Critérios
1. Reconheço aspectos culturais com os quais me 
identifi co e que compõem minha identidade. 
2. Reconheço que minha identidade apresenta 
relação com o lugar onde vivo e com as pessoas 
com quem convivo.
3. Reconheço, valorizo e respeito a diversidade cultu-
ral presente nas cidades.
4. Entendo que os movimentos de contracultura se 
opõem a culturas e/ou práticas sociais dominantes.
5. Entendo e reconheço a arte urbana como uma 
forma de manifestação artística e cultural do 
mundo contemporâneo.
6. Identifi co situações em que o direito à cidade não 
é garantido aos cidadãos.
7. Consigo explicar o processo de formação de 
favelas e sou capaz de justifi car a importância da 
urbanização desses espaços.
8. Entendo o que é gentrifi cação e consigo dar exem-
plos desse processo.
9. Sinto confi ança para apresentar meus pontos de 
vista e apontar ideias e sugestões que considero 
adequadas.
10. Sinto-me seguro e confi ante para falar sobre as 
coisas com as quais me identifi co e ser quem eu sou.
11. Sinto-me motivado a aprender e a aplicar meus 
conhecimentos para melhorar a minha vida e o 
lugar onde vivo.
Comente, a partir dos tópicos acima, seus pontos 
fortes e os pontos que você ainda precisa trabalhar. 
Converse com seu professor para, juntos, estabele-
cerem um plano de ação.
Unidade 2
 Critérios
1. Compreendo que campo e cidade não são concei-
tos dicotômicos e sou capaz de identifi car aspectos 
que revelam a relação entre eles.
2. Identifi co aspectos da dinâmica populacional asso-
ciados aos processos de urbanização no mundo e 
no Brasil.
3. Leio e interpreto gráfi cos e mapas com facilidade.
4. Consigo dar exemplos, a partir de meu cotidiano, 
da integração entre municípios. 
5. Identifi co os problemas relacionados à gestão das 
Regiões Metropolitanas no Brasil.
6. Entendo o conceito de segregação socioespacial e 
identifi co aspectos relacionados a esse fenômeno 
social. 
7. Estou pronto para pesquisar e apresentar soluções 
para questões relacionadas à segregação socioes-
pacial no meu contexto de vida. 
8. Compreendo o conceito de processo histórico e 
consigo relacioná-lo à formação das cidades.
9. Identifi co permanências e rupturas no processo de 
formação das cidades no mundo e no Brasil.
Comente, a partir dos tópicos acima, seus pontos 
fortes e os pontos que você ainda precisa trabalhar. 
Converse com seu professor para, juntos, estabele-
cerem um plano de ação.
NÃO ESCREVA 
NO LIVRO> FICHAS DE AUTOAVALIAÇÃO
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Unidade 3
 Critérios
1. Identifico a dinâmica atual da produção agrícola e 
pecuária ligada à industrialização.
2. Compreendo as alterações das dinâmicas do 
campo por meio da produção em larga escala.
3. Posso identificar que a situação atual da agricul-
tura possui uma raiz histórica.
4. Compreendo a relação entre a modernização do 
campo e impactos socioambientais ocorridos.
5. Compreendo os impactos sociais e ambientais 
relacionados à expansão da fronteira agropecuária 
no Brasil.
6. Consigo relacionar a expansão da produção no 
campo a questões relacionadas à transição alimen-
tar e nutricional no mundo.
7. Reconheço os diversos fatores que influenciam a 
alimentação de grupos sociais.
8. Sou capaz de identificar que a segurança alimentar 
é algo importante para a sociedade e a garantia de 
direitos humanos, considerando, principalmente, 
que não é a realidade de todas as pessoas.
9. Reconheço que minhas escolhas alimentares têm 
um reflexo direto na minha saúde e nos impactos 
sociais e ambientais.
10. Observo que a alteração da alimentação ao longo 
da história possui um aspecto cultural e se rela-
ciona à tecnologia, à saúde e ao ambiente.
Comente, a partir dos tópicos acima, seus pontos 
fortes e os pontos que você ainda precisa trabalhar. 
Converse com seu professor para, juntos, estabele-
cerem um plano de ação.
Unidade 4
 Critérios
1. Identifico os aspectos do campo que motivam a 
saída de jovens para as cidades. 
2. Identifico as principais características da produção 
agrícola no agronegócio e na agricultura familiar, 
bem como seus impactos socioambientais.
3. Reconheço a importância de políticas para a pro-
moção da equidade de gênero no campo. 
4. Entendo a importância da adoção de práticas sus-
tentáveis na produção agrícola.
5. Conheço as principais características dos sistemas 
agrícolas estudados: agroecologia, agricultura 
orgânica, permacultura, agrofloresta e agricultura 
urbana.
6. Compreendo os aspectos históricos que explicam 
a concentração de terras no Brasil.
7. Consigo relacionar a estrutura agrária brasileira 
atual com a ocupação do território e o modo de 
produção adotado no período colonial.
8. Consigo explicar as políticas e os princípios que 
devem fazer parte da reforma agrária.
9. Explico a relação entre a concentração de terras e 
a desigualdade no Brasil. 
10. Reconheço os impactos da distribuição de terras 
no Brasil para as comunidades tradicionais.
11. Compreendo as principais demandas dos movi-
mentos sociais no campo. 
12. Conheço a realidade sobre a violência e os con-
flitos no campo, sabendo identificar os interesses 
e os principais atores sociais envolvidos.
Comente, a partir dos tópicos acima, seus pontos 
fortes e os pontos que você ainda precisa trabalhar. 
Converse com seu professor para, juntos, estabele-
cerem um plano de ação.
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> BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR
Na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), as competências são 
identifi cadas por números (de 1 a 10) e as habilidades, por códigos alfa-
numéricos, por exemplo,

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