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ES PA ÇO S EM T RA N SF OR M AÇ ÃO : DE SI GU AL DA DE S E CO NF LI TO S ESPAÇOS EM TRAN SFORM AÇÃO: DESIGUALDADES E CONFLITOS > EN SIN O M ÉDIO Área do conhecim ento: Ciências H um anas e Sociais Aplicadas Ciências H um anas Angela Rama Gislane Azevedo Isabela Gorgatti Leandro Calbente Reinaldo Seriacopi Ár ea d o co nh ec im en to : Ci ên ci as H um an as e S oc ia is A pl ic ad as > EN SI N O M ÉD IO H um an as Ci ên ci as 9 7 8 6 5 5 7 4 2 1 2 0 8 ISBN 978-65-5742-120-8 MANUAL DO PROFESSOR ES PA ÇO S EM T RA N SF OR M AÇ ÃO : DE SI GU AL DA DE S E CO NF LI TO S Ár ea d o co nh ec im en to : Ci ên ci as H um an as e S oc ia is A pl ic ad as EN SI N O M ÉD IO H um an as H um an as Ci ên ci as Angela RamaAngela RamaAngela RamaAngela RamaAngela RamaAngela RamaAngela Rama Gislane AzevedoGislane AzevedoGislane Azevedo Isabela GorgattiIsabela GorgattiIsabela Gorgatti Leandro CalbenteLeandro CalbenteLeandro Calbente Reinaldo Seriacopi CÓ DI GO D A CO LE ÇÃ O 02 15 P2 12 04 CÓ DI GO D O VO LU M E 02 15 P2 12 04 13 6 PN LD 2 02 1 • Ob je to 2 Ve rs ão su bm et id a à av al ia çã o M at er ia l d e di vu lg aç ão DIV-PNLD_21_3075-PRISMA-HUM-GIRA-MP-V4-Capa.indd All PagesDIV-PNLD_21_3075-PRISMA-HUM-GIRA-MP-V4-Capa.indd All Pages 16/04/21 17:2316/04/21 17:23 PRISMA 1a edição São Paulo – 2020 Ár ea d o co nh ec im en to : Ci ên ci as H um an as e S oc ia is A pl ic ad as > EN SI N O M ÉD IO > EN SI N O M ÉD IO H um an as Ci ên ci as Maria Angela Gomez Rama • Mestra em Ciências (Geografia Humana) pela Universidade de São Paulo (USP). • Bacharela e licenciada em Geografia pela Universidade de São Paulo (USP). • Especialista em Ensino de Geografia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). • Licenciada em Pedagogia pela Universidade de Franca (Unifran-SP). • Formadora de professores. Atuou como professora no Ensino Fundamental e Médio das redes pública e privada e no Ensino Superior. Gislane Campos Azevedo Seriacopi • Mestra em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). • Professora universitária, pesquisadora e ex-professora de História do Ensino Fundamental e Médio nas redes pública e privada. Isabela Gorgatti Cruz • Bacharela em Geografia pela Universidade de São Paulo (USP). • Especialista em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). • Editora de livros didáticos. Leandro Calbente Câmara • Bacharel em História pela Universidade de São Paulo (USP). • Bacharel em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP). • Mestre em Ciências (História Econômica) pela Universidade de São Paulo (USP). • Editor de livros didáticos. Reinaldo Seriacopi • Bacharel em Letras pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). • Bacharel em Jornalismo pelo Instituto Metodista de Ensino Superior (IMS-SP). • Editor especializado na área de História. MANUAL DO PROFESSOR ES PA ÇO S EM T RA N SF OR M AÇ ÃO : DE SI GU AL DA DE S E CO N FL IT OS D3-CH-EM-3075-V4-INICIAIS-001-009-LA-G21_AVU1.indd 1D3-CH-EM-3075-V4-INICIAIS-001-009-LA-G21_AVU1.indd 1 30/09/2020 10:4330/09/2020 10:43 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Prisma : ciências humanas : espaços em transformação : desigualdades e conflitos : ensino médio / Maria Angela Gomez Rama ... [et al.]. – 1. ed. – São Paulo : FTD, 2020. Área do conhecimento : Ciências humanas e sociais aplicadas Vários autores : Gislane Campos Azevedo Seriacopi, Isabela Gorgatti Cruz, Leandro Calbente Câmara, Reinaldo Seriacopi Bibliografia ISBN 978-65-5742-119-2 (Aluno) ISBN 978-65-5742-120-8 (Professor) 1. Ciências (Ensino médio) 2. Tecnologia I. Seriacopi, Gislane Campos Azevedo II. Cruz, Isabela Gorgatti III. Câmara, Leandro Calbente IV. Seriacopi, Reinaldo 20-44111 CDD-372.7 Índices para catálogo sistemático: 1. Ciências : Ensino médio 372.7 Aline Graziele Benitez - Bibliotecária - CRB-1/3129 Copyright © Maria Angela Gomez Rama, Gislane Campos Azevedo Seriacopi, Isabela Gorgatti Cruz, Leandro Calbente Câmara e Reinaldo Seriacopi, 2020 Direção-geral Ricardo Tavares de Oliveira Direção editorial adjunta Luiz Tonolli Gerência editorial Flávia Renata Pereira de Almeida Fugita Edição João Carlos Ribeiro Junior (coord.) Bárbara Berges, Carolina Bussolaro, Maiza Garcia Barrientos Agunzi, Siomara Sodré Spinola Preparação e revisão de textos Maria Clara Paes (sup.) Danielle Costa, Diogo Souza Santos, Eliana Vila Nova de Souza, Felipe Bio, Fernanda Rodrigues Baptista, Graziele Cristina Ribeiro, Jussara Rodrigues Gomes, Kátia Cardoso da Silva, Lívia Navarro de Mendonça, Rita Lopes, Thalita Martins da Silva Milczvski, Veridiana Maenaka Gerência de produção e arte Ricardo Borges Design Daniela Máximo (coord.), Sergio Cândido Imagem de capa A. Enrico/Shutterstock.com Arte e Produção Vinicius Fernandes (sup.) Ana Suely Silveira Dobon, Karina Monteiro Alvarenga, Jacqueline Nataly Ortolan (assist.) Diagramação C2 Artes Coordenação de imagens e textos Elaine Bueno Koga Licenciamento de textos Érica Brambila, Bárbara Clara (assist.) Iconografia Priscilla Liberato Narciso, Ana Isabela Pithan Maraschin (trat. imagens) Ilustrações Andreia Vieira, Davi Augusto, Eber Evangelista, Leandro Ramos, Ricardo Sasaki, Sonia Vaz Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada. Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD CNPJ 61.186.490/0016-33 Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375 Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à EDITORA FTD. Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo – SP CEP 01326-010 – Tel. 0800 772 2300 Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970 www.ftd.com.br central.relacionamento@ftd.com.br D3-CH-EM-3075-V4-INICIAIS-001-009-LA-G21_AVU1.indd 2D3-CH-EM-3075-V4-INICIAIS-001-009-LA-G21_AVU1.indd 2 30/09/2020 10:4430/09/2020 10:44 APRESENTAÇÃO Diariamente, somos bombardeados por notícias e informações na internet, na televisão, nos jornais, o que torna muito difícil entender o que acontece no mundo e identifi car aquilo que é signifi cativo para nós e que pode infl uenciar nosso cotidiano e impactar nossa comunidade. Se muitas vezes você tem a sen- sação de que não consegue analisar satisfatoriamente esse imenso volume de informações, saiba que não está sozinho. As Ciências Humanas e Sociais Aplicadas são uma ferramenta importante para nos ajudar a refl etir sobre o mundo em que vivemos. Os saberes desenvolvidos pela História, pela Geografi a, pela Sociologia e pela Filosofi a permitem mobilizar competências e habilidades fundamentais para o exercício do pensamento crítico, essencial para transformarmos as informações recebidas diariamente em conhe- cimentos capazes de nos ajudar a modifi car a realidade que nos cerca. Para auxiliá-lo nessa tarefa, selecionamos um conjunto de temas importan- tes para a compreensão dos tempos atuais. Por meio de textos, mapas, gráfi cos, tabelas, fotografi as e muitos outros documentos, você terá condições de interpre- tar e analisar criticamente não só a sua realidade, mas o mundo de uma maneira mais ampla. Com isso, esperamos ajudá-lo no exercício da cidadania e no desen- volvimento de práticas colaborativas que contribuam para a construção de uma sociedade mais justa, em busca do bem-estar coletivo. Esperamos oferecer o conhecimento necessário para você desenvolver uma visão crítica da realidade e se sentir seguro para adotar uma postura protagonista em seu dia a dia. Os autores D3-CH-EM-3075-V4-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 3D3-CH-EM-3075-V4-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd3 19/09/20 16:5219/09/20 16:52 78 UNIDADE 78 3 A produção aumenta. E a fome... acaba? Apesar da grande produção agropecuária no mundo e no Brasil, ainda há muitas pessoas que passam fome ou não têm uma alimenta- ção adequada. Por que isso ocorre? Além disso, por que nas últimas décadas muitos grupos ou povos passaram a ter problemas de saúde relacionados a mudanças nos hábitos alimen- tares? Discutiremos essas e outras questões nesta unidade. 1. Os alimentos que consumimos podem con- tar muito sobre quem somos, nossa cultura, história, saúde, costumes, a economia do país em que vivemos, entre outros aspec- tos. Como seus hábitos alimentares revelam informações sobre você e a comunidade onde vive? 2. Na sua opinião, as mudanças nos hábitos e tradições alimentares que ocorreram no Brasil e no mundo têm relação com a pro- dução industrial e agropecuária? NÃO ESCREVA NO LIVRO D AV I A U G U ST O ■ Na cidade de Belém (PA), pratos tradicionais são saboreados em diversos pontos da cidade, em especial, nas várias barracas nas ruas. A ilustração, que reúne alguns elementos da capital do Pará, representa jovens comendo o tacacá, um prato típico feito com o tucupi (caldo extraído da mandioca), entre outros ingredientes. D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 78D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 78 19/09/20 11:4519/09/20 11:45 79 ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL Atualmente, há um consumo crescente de produtos industrializados, que são pouco nutritivos e, em geral, têm grande quantidade de açúcar, sal e gordura. Diante disso, o resgate da alimen- tação tradicional e sua relação com práticas de consumo conscientes e sustentáveis pode ser um caminho para promover hábitos mais saudáveis. A proposta deste projeto é utilizar a entrevista como prática de pesquisa para investigar como nossos antepassados se recordam da alimentação na sua infância, encontrando nesses relatos referências que, comparadas com práticas atuais, possam gerar ações que visem à saúde e ao bem-estar da comunidade. ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 79D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 79 19/09/20 11:4519/09/20 11:45 CAPÍTULO 3 A origem das cidades Habilidade Conhecimento apreen- dido por meio de trei- namento ou experiência para obter um resultado desejado. As habilidades sociais são aquelas que utilizamos no cotidiano para expressar desejos, sentimentos, atitudes etc. 46 Eu enxergo o grafite como um grito da cidade. Em meio ao caos urbano ele vem para contrapor a cor cinza, transmutando a rotina intensa dos transeuntes em cores LIMA, T. apud CANCIAN, V. Artista mineira Criola celebra cultura afro-brasileira através do grafite. Opera Mundi, 6 fev. 2015. Disponível em: https://operamundi.uol.com.br/samuel/39397/artista-mineira-criola- celebra-cultura-afro-brasileira-atraves-do-grafite. Acesso em: 11 jun. 2020. É assim que Tainá Lima (1990-), mais conhecida como Criola, uma das mais renomadas grafiteiras do Brasil, explica a relação entre a cidade e sua arte. Para essa mineira de Belo Horizonte (MG), a cidade dá visibi- lidade aos artistas negros, ajudando, assim, a quebrar estereótipos e preconceitos. Com base nos argumentos de Criola, podemos dizer que as cidades têm também uma função educadora, ou seja, seus diferentes espaços podem funcionar como agentes pedagógicos, assumindo uma inten- cionalidade educativa. E, com a confiança em sua arte, ela segue registrando a herança afro-brasileira nos muros e prédios dos centros urbanos, como vemos na imagem a seguir. Viver em cidades é um processo marcado por permanências e rup- turas. De fato, desde que os seres humanos se tornaram sedentários, há cerca de 10 000 anos, e as primeiras comunidades permanentes come- çaram a florescer, a humanidade tem vivenciado diferentes experiências em cidades. As razões que levam as pessoas a viver em cidades são muitas e variaram ao longo da história e dos lugares, como veremos neste capítulo. Mas algo que até os dias atuais continua importante é o desen- volvimento das habilidades sociais. Viver em cidades é, antes de mais nada, saber viver coletivamente, ter respeito pelos outros e pelas regras de convivência. Como você se avalia a esse respeito? ■ Criola enquanto trabalha em um grafite em homenagem a Nelson Mandela, em um edifício de São Paulo (SP), 2017. Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o capítu- lo e sobre o trabalho com as atividades. H EN RI Q U E M AD EI RA D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 46D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 46 18/09/20 16:0818/09/20 16:08 32 Leia a letra do rap e faça a atividade a seguir: Sorriso favela [Refrão] Eu vim devolver o seu sorriso, favela Leve e solta pra cantar Nunca esquecer como sua paz é bela Dá força pra continuar Eu vim devolver o seu sorriso, favela Leve e solta pra cantar Nunca esquecer como sua paz é bela Dá força pra continuar Eles tentam te convencer Que sua sina é sofrer vendo seus filhos morrer Não, não, não, não é, eu posso entender E pelas esquinas ver suas lágrimas correr E acabar sua fé Vendo homens, barracos e morros sem socorro Num lugar, sem esperança, nada Sem luz que possa inspirar Resta buscar o melhor pra construir seu lar E esse sorriso lindo é o que vai libertar [Refrão] E eles querem te ver chorar E desacreditar que pode conquistar Ao pensar, jamais, sua cara é lutar Vencer e prosperar, correr e alcançar Mostrar que é capaz Pois nóis tem o sol, o calor Tem os gritos na feira O futebol, as mina e os banheiro de mangueira As criança feliz, só o dinheiro é pouco Mas lembre-se: nada como um dia após o outro! [Refrão] EMICIDA; SANY PITBULL. Sorriso favela. Intérprete: Emicida. In: ROCKSTAR GAMES. MAX PAINE 3. Nova York: Rockstar Games, 2012. • No rap "Sorriso favela", Emicida, autor da letra, entende que a sociedade tenta convencer os moradores das favelas/comunidades que eles levam uma vida sem esperança e defende que é importante devolver a eles o sorriso. Essa ideia pode ser entendida como a adoção de ações e políticas que contribuam para melhorar a vida nas favelas. Pense em algumas medidas que podem ser adotadas nesses casos. Em seguida, elabore em seu caderno um texto, uma letra de uma música, uma charge ou uma HQ com suas ideias. ■ Representação de jovens dançando passinho. DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS> NÃO ESCREVA NO LIVRO G U ST AV O P ER G D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 32D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 32 18/09/20 17:0818/09/20 17:08 Abertura dos capítulos Todos os capítulos iniciam-se com algum assunto do presente, para que você possa começar a entender como as Ciências Humanas e Sociais Aplicadas se relacionam com o seu cotidiano. Atividades Conjunto de atividades que aparece ao final de muitos capítulos. É o momento em que você aplica os saberes aprendidos e exercita sua reflexão a respeito de diferentes temas estudados. Linguagens e leituras Esta atividade trabalha habilidades de leitura e interpretação de diferentes tipos de documentos, como mapas, gráficos, tabelas, charges, fotografias, textos impressos etc. Muitas vezes, você será convidado a relacionar informações em documentos distintos. A seção encontra-se no meio dos capítulos, mas pode aparecer também ao final deles. Esta coleção é composta de seis volumes. A seguir, apresentaremos algumas das principais características das obras. Este ícone aparece junto das atividades em que é proposto o trabalho em grupo. 60 NÃO ESCREVA NO LIVROATIVIDADES> 1. Na abertura do capítulo, Tainá Lima, mais conhecida como Criola, afirma ver no gra- fite um grito da cidade. E para você, qual seria o grito de sua cidade ou comunidade? Justifique sua resposta. 2. Quais são os principais problemas que os primeiros grupos sedentários enfrentaram? Agora, reflita considerando o oposto, ou seja, quais seriam as dificuldadesque uma pessoa ou um grupo de pessoas (como ciganos, tuaregues etc.) sem moradia fixa provavelmente enfrenta nos dias atuais. Você conhece alguém que viva dessa forma? 3. Uma das características das cidades gregas na Antiguidade era a valorização do debate público. Para isso, a capacidade de argumentação era fundamental. No texto a seguir, dois professores justificam a importância do desenvolvimento dessa habilidade para o ambiente escolar. Após a leitura, responda ao que se pede. [...] é nosso objetivo defender uma proposta de educação de cunho argumen- tativo que, em linhas gerais, fundamenta-se na racionalidade argumentativa – também denominada de retórica – e que deve valorizar as diversas opiniões dos sujeitos e incentivar a interrogatividade a fim de chegar a acordos plausíveis, sendo passíveis de renovações sempre que necessário. Uma educação argumentativa é aquela que não nega a problematização e que acolhe as questões trazidas pelos diferentes auditórios. Consideramos que pensar numa educação de cunho argumentativo ou de abor- dagem argumentativa não é tarefa fácil, pois estamos vivendo em uma sociedade em que há cada vez menos disposição para ouvir o outro, considerar seus interes- ses, suas necessidades, inquietações e questões. Também observamos indivíduos que estão vivenciando um completo desânimo por não haver acolhimento às suas colocações. Está havendo, gradativamente, um momento de esfriamento das rela- ções pessoais, ou seja, percebemos que há um aumento significativo da solidão e do egocentrismo. Esse pano de fundo certamente gera influências no cenário escolar que inclusive atuam, em alguns momentos, reproduzindo tais ações sociais. Entendemos que, em alguma medida, estamos vivendo um dilema ético. [...] [...] retórica é a arte de persuadir pelo discurso. Por discurso entendemos toda produção verbal, escrita ou oral, constituída por uma frase ou por uma sequência de frases, que tenha começo e fim e apresente certa unidade de sentido. OLIVEIRA, H. S. J. de; OLIVEIRA, R. J. de. Retórica e argumentação: contribuições para a educação escolar. Educar em Revista, Curitiba, v. 34, n. 70 , p. 197-212, jul./ago. 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40602018000400197. Acesso em: 15 jun. 2020. a) Com base no texto, explique o que vem a ser uma educação de cunho argumen- tativo e a quais valores ela está associada. b) Quais dificuldades uma abordagem argumentativa vem enfrentando na escola? c) Amparados na definição de retórica que o texto traz, reúna-se com seu grupo e, juntos, organizem uma cena dramática de até 5 minutos que aborde algum dos temas do arti- go. Para isso, sigam estas orientações: D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 60D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 60 18/09/20 16:0918/09/20 16:09 Glossário As palavras destacadas nos textos ganham uma explicação aprofundada no glossário. CONHEÇA SEU LIVRO Nossa comunidade Por meio desta seção, você e seus colegas desenvolverão um projeto que impactará a comunidade em que vivem. É o momento de exercerem o protagonismo. São dois projetos por livro, cada um composto de quatro etapas que aparecem ao final de cada capítulo. Abertura das unidades Texto e imagem apresentam o tema central da unidade. Também encontram-se perguntas que auxiliam na reflexão sobre o assunto. Muitas imagens presentes nas aberturas são trabalhos de artistas plásticos contemporâneos. Todos os volumes estão divididos em quatro unidades, e cada unidade tem dois capítulos. D3-CH-EM-3075-V4-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 4D3-CH-EM-3075-V4-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 4 19/09/20 16:5319/09/20 16:53 INVESTIGAÇÃO> Memes, agronegócio e agricultura familiar É bem provável que vocês já tenham visto muitos memes de internet nas redes sociais e até mesmo tenham compartilhado algum deles. O meme é um gênero textual que pode combinar diferentes elementos, como texto, recursos gráficos, imagem e som, e se tornou possível graças às novas tecnologias digitais de infor- mação e comunicação. Assim como os memes, outros gêneros, como as charges, os anúncios publicitá- rios e os manuais de instrução, combinam também recursos diversos, além do texto escrito, para comunicar ideias. Esses gêneros híbridos são chamados de multissemi- óticos ou multimodais. No espaço cibernético, os usuários utilizam a palavra meme para se referir a postagens de conteúdo humorístico que têm relação com as notícias do cotidiano e se espalham rapidamente na rede, ou seja, tornam-se virais. Os memes se carac- terizam ainda por serem criados e recriados constantemente e por qualquer pessoa. Observem o meme a seguir e, em seguida, o analisem respondendo às pergun- tas que estão na sequência. ■ Meme sobre como as pessoas imaginam a vida de um universitário. 1. Que recursos de linguagens são utilizados no meme? 2. Quais são as imagens destacadas no meme? Por que vocês acham que elas foram escolhidas? 3. Que sentidos essas imagens e seu respectivo texto verbal produzem? 4. Como esses elementos constroem o tom humorístico do meme? SOU UNIVERSITÁRIO! Como meus pais me veem... Como os jornalistas me veem... Como sou na realidade!!! Como meus vizinhos me veem... TO M G RI LL /C O RB IS /G ET TY IM AG ES PR ES SM AS TE R/ SH U TT ER ST O CK .C O M CA D DY M AN / SH U TT ER ST O CK .C O PR ES SM AS TE R/ SH U TT ER ST O CK .C O M LZ F/ SH U TT ER ST O CK PH O TO G RA PH EE .E U / SH U TT ER ST O CK .C O M 144 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G2_AVU1.indd 144D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G2_AVU1.indd 144 19/09/20 12:5219/09/20 12:52 Divididos em grupos e usando o meme analisado como exemplo, elaborem um meme, esco- lhendo entre dois temas: o agronegócio e a agricultura familiar. Observem a seguir as dicas para criar o meme. • Retomem as características do agronegócio e da agricultura familiar e esbocem ideias de textos e imagens possíveis para compor o meme. Pensem em aspectos positivos ou negativos que queiram destacar. • Selecionem artigos, reportagens e imagens atuais sobre o tema escolhido para servir de base para compor o meme. • Pesquisem na internet diferentes modelos de memes para ter outros parâmetros além do exemplo analisado. • Escolham os diferentes tipos de imagem que pretendem utilizar no meme (como imagem de grandes latifúndios, de famílias trabalhando, de tecnologia no campo etc.) e pensem ainda nos recursos gráficos que podem destacar as ideias (tipos e tamanhos de letra, cores, molduras, sombras e outros efeitos). • Organizem os materiais selecionados e iniciem a montagem do meme no computador ou mesmo em papel. Sites geradores de memes podem ajudar na montagem e são facilmente encontrados na internet – basta digitar “gerador de memes” no campo de busca. • Lembrem-se de que o humor é um ingrediente imprescindível ao meme, mas é muito impor- tante tomar cuidado para que a produção de vocês não seja ofensiva nem preconceituosa. • Antes de apresentar o resultado do trabalho, certifiquem-se de que a mensagem do meme foi compreendida por todos no grupo, a fim de garantir que ela será entendida pelos demais colegas da turma. • Para encerrar, troquem os memes entre os grupos para que sejam interpretados e comen- tados pelos colegas. ■ Meme criado a partir da imagem de uma cena do filme A fantástica fábrica de chocolates, lançado em 1971, em que o comediante estadunidense Gene Wilder (1933-2016), interpreta a personagem Willy Wonka. EENNTTÃÃOO VVOOCCÊÊSS AAPPRREENNDDEERRAAMM UUMM PPOOUUCCOO MMAAIISS SSOOBBRREE MMEEMMEESS CCOONNTTEE--MMEE CCOOMMOO VVAAII FFAAZZEERR PPAARRAA EELLAABBOORRAARR UUMM MMEEMMEE AAGGOORRAAFILME D E M EL S TU AR T. A F AN TÁ ST IC A FÁ BR IC A D E CH O CO LA TE E UA , 1 97 1. F O TO : P IC TU RE LU X/ TH E H O LL YW O O D A RC H IV E/ AL AM Y/ FOTO AR EN A 145 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 145D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 145 19/09/2020 01:2419/09/2020 01:24 40 DIÁLOGOS> EU TAMBÉM POSSO> Protagonismo abre as portas da escola O protagonismo juvenil é hoje um tema de destaque na sociedade e os jovens e adolescentes participam cada vez mais ativamente do processo de aprendiza- gem, dos movimentos sociais e da construção de uma sociedade melhor. A primeira coisa a ter em mente para ser protagonista é pensar que você pode atuar de forma positiva e cidadã em transformações na sua escola, na comunidade onde vive e na sociedade em geral. Em 2019, estudantes do 1º e 2º ano do Ensino Médio do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (Iema), na Unidade Plena Itaqui- Bacanga, localizada na periferia de São Luís (MA), se uniram para colocar em prática o projeto Escola pra quê? Quando o protagonismo juvenil saiu da escola e mexeu na peça do dominó. ■ Estudantes em reunião discutem ações do projeto Escola pra quê? Quando o protagonismo juvenil saiu da escola e mexeu na peça do dominó, em São Luís (MA), 2019. Esses jovens da periferia da capital maranhense identificaram a falta de integra- ção entre a escola e a comunidade, percebendo, por exemplo, que os moradores do entorno da escola não sabiam quais eram as atividades desenvolvidas por estudantes e professores. A partir disso, criaram o projeto e organizaram ações voltadas a apro- ximar o Instituto da comunidade. Entre elas, se destacaram campanhas de doações de alimentos para famílias vulneráveis, cursos de especialização em informática e línguas estrangeiras, atividades extracurriculares e eventos como o Dia da Família e a Feira de Profissões, fazendo que a comunidade local usufruísse do espaço escolar. Foi idealizada ainda uma proposta de intercâmbio juvenil denominada “AMEI conhe- cer minha futura escola”, com oficinas direcionadas ao protagonismo juvenil. Esse projeto ofereceu aos moradores da comunidade, estudantes ou não, novas possibilidades de lazer, bem como a oportunidade de desenvolver habili- dades sociais e exercer a cidadania. Além disso, dentro de um contexto de uma H TT PS :// CR IA TI VO SD AE SC O LA .C O M .B R/ AD O LE SC EN TE S- CO M BA TE M - VI O LE N CI A- U RB AN A- AB RI N D O -E SC O LA -P AR A- CO M U N ID AD E/ D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 40D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 40 18/09/20 17:0818/09/20 17:08 41 realidade de violência urbana e altos índices de criminalidade registrados na capital do Maranhão, o projeto contribui para criar uma atmosfera mais segura, inclusiva e solidária na comunidade. Para compreender melhor como esse projeto mudou a vida de jovens da comu- nidade, leia o depoimento a seguir atentando para a opinião de uma estudante que participou dessa iniciativa: [...] “Eu mesma vim de escola pública e sei que é muito difícil seguir estudando sem estrutura e sem muito apoio. Fico muito feliz de me envolver nesse projeto porque quero passar minha experiência de estudar numa escola melhor e quero que todas as pessoas que estão na minha antiga escola também possam ter essa oportunidade.”, comentou a [...] aluna do 1o ano de Ensino Médio do IEMA e uma das participantes do AMEI. [...] XAVIER, A. Adolescentes combatem violência urbana abrindo escola para comunidade. Criativos da Escola, 7 nov. 2019. Disponível em: https://criativosdaescola.com.br/adolescentes-combatem-violencia-urbana-abrindo-escola-para- comunidade/. Acesso em: 31 jul. 2020. Inspirados na ação protagonista dos estudan- tes de São Luís, façam a atividade proposta a seguir. 1. Debatam com seus colegas e levantem uma lista de problemas em sua escola ou comu- nidade local, elencando alguns que possam ser amenizados por meio de uma ação que integre a escola em que vocês estudam e a comunidade onde está inserida. 2. Coletivamente, pensem em exemplos de ações voltadas a combater um ou mais dos problemas elencados. Vocês podem recorrer a uma pesquisa na internet de forma a buscar outros exemplos de ações protagonizadas por jovens em suas escolas ou comunidades. 3. Escrevam uma proposta de ação protagonis- ta, com ajuda do professor, para ser apresen- tada à diretoria, coordenação ou supervisão de sua escola. A proposta deve apresentar o nome do projeto, os principais objetivos a serem alcançados, como será organizado, o papel a ser desempenhado por vocês, os materiais necessários etc. 4. Se possível, coloquem em prática o projeto idealizado e realizem o registro das ações propostas por meio de telefones celulares com câmera fotográfica e/ou de vídeo. HTTPS://CRIATIVOSDAESCOLA. COM.BR/ADOLESCENTES- COMBATEM-VIOLENCIA-URBANA- ABRINDO-ESCOLA-PARA- COMUNIDADE/ ■ Estudantes da Unidade Plena São Luís do Iema em evento para aproximar a comunidade e o ambiente escolar e combater a violência urbana. Fotografia de 2019, em São Luís (MA). D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 41D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 41 18/09/20 17:0818/09/20 17:08 Arte urbana Por meio da linguagem artística, seja em manifestações materiais ou imateriais, qualquer grupo social pode se expressar de maneira a afirmar sua identidade. Expressões artísticas per- mitem inúmeros significados e também possibilita a esses grupos se relacionar com seus lugares de vivência, de forma a exercer sua territorialidade. A arte urbana inclui expressões artísticas desenvolvidas no espaço urbano, como o grafite; as apresentações de rua que envolvem estilos musicais, danças e performances; a prática de colar cartazes “lambe-lambe” e adesivos (sticker art); entre outros exemplos de manifestações que se utilizam de diferentes técnicas. Quando uma expressão da arte urbana é realizada em um espaço público, de forma que a linguagem artística passa a se relacionar e se comunicar diretamente com o espaço físico das cidades, chamamos de intervenção urbana. Tanto quanto as contraculturas urbanas, é uma forma de questionar, com suas obras, temas de interesse social, como desigualdade, racismo e problemas socioambientais. Muitas vezes, essas intervenções são realizadas em locais pouco convencionais e buscam interagir com o local em questão de alguma forma, promovendo a relação entre a obra e o meio (no caso, o espaço público). Assim, buscam chamar atenção para determinados temas e/ou transmitir mensagens que provoquem reflexões no observador. ■ Grafiteiro faz intervenção na própria obra incluindo máscara para chamar atenção aos métodos de prevenção contra o coronavírus durante a pandemia de covid-19 em Londrina (PR), 2020. > DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO • Em grupo, utilizem telefones celulares com câmera para registrar exemplos de intervenções e arte urbana na comunidade ou município onde moram ou estudam. Se não houver, façam uma busca de imagens na internet ou em materiais impressos. Para cada manifestação artística, elaborem comentários relatando as impressões do grupo. G RA FI TE : C AR ÃO . F O TO : S ER G IO R AN AL LI /P U LS AR IM AG EN S 21 D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21_AVU1.indd 21D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21_AVU1.indd 21 19/09/20 01:2719/09/20 01:27 54 As primeiras cidades brasileiras Se você fosse escolher um símbolo para representar a sua comunidade, o que seria? Uma edificação, uma árvore, uma flor ou um produto típico? Muita coisa pode simbolizar uma cidade, o poder da pessoa ou do grupo que a governa. Durante o período em que o atual Brasil foi colônia de Portugal, o pelourinho, instalado nos pontos centrais das vilas, era o símbolo da admi- nistração portuguesa, da autoridade e da justiça. Em 1532, quando foi fundada São Vicente, a primeira vila do atual território brasileiro, lá estava o pelourinho e, ao seu lado, uma capela, um pequeno forte e uma cadeia. Durante muito tempo, as vilas da colônia eram bastante acanhadas e parecidas comSão Vicente. Observe, por exemplo, o mapa acima, que representa Belém, no Pará, em 1640. Um processo mais intenso de crescimento urbano na colônia só viria a ocorrer após a descoberta do ouro na região das Minas Gerais, na virada do século XVII para o XVIII. A busca por enriquecimento originou uma “corrida de pessoas” em direção à região das minas, o que provo- cou um crescimento urbano veloz e desorganizado, dando origem a cidades como Ouro Preto (MG) e Mariana (MG). As viagens dos bandeirantes em busca de novas zonas auríferas, de tropeiros e viajantes que atravessavam o atual território brasileiro vendendo alimentos, tecidos e ferramentas, assim como de boiadei- ros que percorriam longas distâncias com seus rebanhos em busca de pastagem, também contribuíram para dar origem a vilas e cidades no período colonial. ■ Mapa conhecido como De Stat Ende Fort van Grand Para (em português, “cidade e forte do Grão-Pará”), de autoria desconhecida, 1640. Legenda: 1. Forte do Presépio; 2. pelourinho; 3. igreja; 4. construções protegidas por muralhas e palhiças; 5. moradias com quintal coletivo; 6. igarapé; e 7. moradias. 1 2 3 4 5 6 7 AL G EM EE N R IJ KS AR CH IE F, H AI A, H O LA N D A. NÃO ESCREVA NO LIVRO> LEITURA DE IMAGEM • O mapa reproduzido nesta página foi elaborado em 1640 e é uma das mais antigas representa- ções da cidade de Belém (PA). Por meio dele, é possível entender alguns aspectos da formação das vilas. Observe todos os detalhes da imagem e descreva como o espaço foi organizado pelos colonizadores. Em seu caderno, estruture suas informações em cerca de dois parágrafos e apre- sente para a classe. D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 54D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 54 18/09/20 16:0818/09/20 16:08 77 Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil Disponível em: http://www.atlasbrasil.org.br/2013/pt/home/. Acesso em: 13 jul. 2020. O Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil oferece vasto material sobre as Regiões Metropolitanas, com indicadores de demografia, educação, renda, trabalho, habitação e vulnerabilidade das 20 maiores RMs do Brasil, extraídos dos censos demográficos de 1991, 2000 e 2010. Também há um documento, lançado em 2019, com dados sobre as RMs de 2012 a 2017. Manguebeat 20 Anos Disponível em: https://infograficos.estadao.com.br/especiais/20-anos-manguebeat/. Acesso em: 13 jul. 2020. No ano em que o manguebeat completou 20 anos, a publicação aqui indicada trouxe informações sobre as origens do movimento, com textos, vídeo e fotografias. Projeto de Pesquisa de Çatalhöyük Research Project Disponível em: http://www.catalhoyuk.com/. Acesso em: 13 jul. 2020. Página oficial do projeto de pesquisas desenvolvidas no sítio arqueológico de Çatalhüyük, na Turquia, com fotos, vídeos, ilustrações e outros documentos. Em inglês. Rome Reborn Disponível em: https://www.romereborn.org/. Acesso em: 13 jul. 2020. Reconstituição digital em 3D da cidade de Roma no século IV. É possível fazer um passeio virtual pela cidade por meio de animações e ilustrações que procuram reconstituir a capital do Império Romano. Em inglês. Tropical spray: viagem ao coração do grafite brasileiro Julien Seth Malland. São Paulo: Martins Fontes, 2012. O livro apresenta um painel do grafite produzido no Brasil. Seu autor é um grafiteiro francês que viajou por seis capitais brasileiras – Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP) – para conhecer a arte de rua e seus artistas. As primeiras civilizações Jaime Pinsky. São Paulo: Atual, 1994. Nesse livro, o historiador Jaime Pinsky traz informações a respeito do surgimento de algumas das primeiras civilizações, como as que floresceram no Egito, na Mesopotâmia e na Palestina. Um dos capítulos é dedicado ao surgimento das primeiras cidades. Sapiens: uma breve história da humanidade. Yuval Noah Harari. Porto Alegre: L&PM, 2017. Relacionando conhecimentos da Arqueologia, Antropologia, Filosofia, Biologia, entre outras disciplinas, o autor busca explicar como o ser humano conquistou todo o planeta Terra, construindo cidades, reinos e impérios, desenvolvendo complexos sistemas econômicos, sociais e políticos. > SAIBA MAIS O crescimento das cidades e a periferização Direção: Jorge Mansur. Brasil, 2015. Vídeo (13 min). Publicado pelo Canal Futura. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=puIh8Hr8tX4. Acesso em: 26 ago. 2020. O vídeo trata do crescimento de cidades brasileiras, com depoimentos e análises de moradores e urbanistas, analisando a periferização e a segregação socioespacial. D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU1.indd 77D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU1.indd 77 18/09/20 19:1318/09/20 19:13 De mãos dadas Atividades que relacionam temas do capítulo com a sua realidade, como seus amigos, sua escola, seu bairro, seu município etc. Aparece de forma aleatória nos capítulos. Saiba mais Aqui você encontra sugestões de filmes, sites, vídeos, podcasts, livros e outros materiais que ampliam os saberes explorados nas unidades. Leitura de imagem Atividade de leitura e análise de mapas, gráficos, charges e outras linguagens imagéticas. Aparece de forma aleatória nos capítulos. Meus argumentos Momento em que você expõe suas ideias, pois esta seção explora sua capacidade de analisar, refletir e argumentar a respeito de determinado assunto. Aparece de forma aleatória nos capítulos. Eu também posso Esta seção apresenta exemplos de jovens que exerceram o protagonismo e promoveram mudanças na comunidade em que vivem. O texto vem acompanhado de atividades que exploram, entre outros itens, suas competências socioemocionais. Esta seção aparece duas vezes por volume. InvestigAção Esta seção estimula o pensamento crítico. Aliando criatividade com diferentes práticas de pesquisa, você será convidado a solucionar problemas e desafios relacionados ao seu cotidiano. Esta seção aparece duas vezes por volume. Agroecologia De modo geral, a agroecologia é um sistema de produção que procura reunir as práticas tradicionais dos agri‑ cultores aos atuais conhecimentos científicos de diversas áreas (agrono‑ mia, biologia, economia, geografia, sociologia etc.). Seu objetivo é contri‑ buir para o desenvolvimento de uma agricultura ecológica e sustentável, mas que considere também o desen‑ volvimento social. Alguns dos princípios defendidos pela agroecologia: • ser socialmente justa, ou seja, valorizar o agricultor e sua família e preocupar‑se com suas condições de vida e saúde; • ser economicamente viável e ter como princípio a garan‑ tia de renda e boas condições de vida a longo prazo; • ser ecologicamente viável e relacionar‑se com o res‑ peito à dinâmica da natureza, reduzindo os impactos ambientais ao garantir a renovação natural do solo, a reciclagem de nutrientes e a manutenção da biodiversidade. Os conhecimentos produzidos pela agroecologia, por‑ tanto, visam modificar a agricultura moderna, fruto da Revolução Verde, que introduziu inovações na agricultura como os agrotóxicos, a fertilização do solo e a mecanização da produção, como você estudou no capítulo 5. Por isso, as práticas agrícolas agroecológicas são chamadas também de alternativas, sustentáveis, pós‑industriais ou pós‑mo‑ dernas, pois se apresentam como alternativas ao modelo predominante. > MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO • A agroecologia e outras práticas de produção no campo consideradas alternativas envolvem a criação de animais. É nesse contexto que vem crescendo a chamada pecuária orgânica, prática na qual está presente, por exemplo, a preocupação com a maneira como os animais são criados e com o tipo de alimento que consomem. Diante do que você estudou no capítulo 5, sobre a pecuária, qual é a importância das práticas agroecológicas nessa atividade? ■ Agricultor adubando canteiros com esterco animal e casca de arroz em um cultivo agroecológico em Santa Maria (RS), 2014.G ER SO N G ER LO FF /P U LS AR IM AG EN S ■ Princípios da agroecologia. N IK W B/ SH U TT ER ST O CK .C O M Ec ono micamente viável Soc ialmente justa AGROECOLOGIA Eco logic amente viável 121 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21.indd 121D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21.indd 121 19/09/20 00:5519/09/20 00:55 D3-CH-EM-3075-V4-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 5D3-CH-EM-3075-V4-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 5 19/09/20 16:5319/09/20 16:53 Uma cidade para todos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 UNIDADE 1 > Capítulo 1 Vivências urbanas . . . . . . . . . 12 Territórios e territorialidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 Juventudes urbanas, identidade e território . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 Contestações e contraculturas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 As tribos urbanas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 Lazer, arte e ocupação do espaço . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 Comunidades tradicionais na cidade . . . . . . . . . . . . 22 Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .24 Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 > Capítulo 2 Morar nas cidades . . . . . . . .26 Direito à cidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .28 Favela, comunidade, vila, grotão... . . . . . . . . . . . . . . 30 Urbanização de favelas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 Gentrificação e lutas atuais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 Os megaeventos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 Mobilidade urbana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .36 Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .38 Eu também posso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .42 Saiba mais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .43 Origem e crescimento das cidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 UNIDADE 2 > Capítulo 3 A origem das cidades . . . .46 A cidade tem memória? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 Como chegamos até aqui? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 Mudanças e permanências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 As primeiras cidades brasileiras . . . . . . . . . . . . . . . . . . .54 O século XX e a cidade moderna . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 Reformas urbanísticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .56 Vida urbana moderna . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .58 Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61 > Capítulo 4 Crescimento das cidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .62 Urbanização: mundo e Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64 As megacidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .66 Adensamento urbano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67 Integração nas Regiões Metropolitanas . . . . . . . .68 As atuais Regiões Metropolitanas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .69 Segregação socioespacial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70 Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71 Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 InvestigAção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74 Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76 Saiba mais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77 SUMÁRIO D3-CH-EM-3075-V4-INICIAIS-001-009-LA-G21_AVU1.indd 6D3-CH-EM-3075-V4-INICIAIS-001-009-LA-G21_AVU1.indd 6 19/09/20 17:2719/09/20 17:27 A produção aumenta. E a fome... acaba? . . . . . . . . . .78 UNIDADE 3 > Capítulo 5 Expansão da produção no campo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80 Modernização do campo e seus impactos . . . . . .82 Expansão da pecuária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84 Impactos da pecuária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .85 Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .86 Brasil: modernização conservadora e expansão da agropecuária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87 Primeiro momento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87 Segundo momento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .88 Expansão da fronteira agropecuária . . . . . . . . . . . . .89 Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90 Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91 > Capítulo 6 Transformações na alimentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . .92 Muito mais que necessidade básica . . . . . . . . . . . . . .93 Segurança alimentar e nutricional . . . . . . . . . . . . . . 94 Segurança alimentar: um resgate histórico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .96 Nas mãos de quem está a segurança alimentar? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97 Os alimentos transgênicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .98 As polêmicas em relação aos OGMs . . . . . . . . . . . . . . . . . .99 Transição alimentar e nutricional . . . . . . . . . . . . . . . 100 Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101 Homogeneização e resistências . . . . . . . . . . . . . . . . . 102 Vegetarianismo e veganismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102 Aprendendo com os povos indígenas . . . . . . . . . 104 Técnicas agrícolas e cultivos resistentes . . . . . . . . . . . 104 Alimentos e tradições que podem ajudar a expandir e diversificar as dietas . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104 Preservação da biodiversidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 105 Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106 Eu também posso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 108 Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110 Saiba mais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111 Por um campo justo e saudável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112 UNIDADE 4 > Capítulo 7 Agricultura familiar e produções sustentáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114 Agricultura familiar no Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 116 Agricultura familiar no mundo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118 Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119 Sustentabilidade econômica e socioambiental no campo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . 120 Agroecologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 121 Agricultura orgânica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 122 Permacultura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 124 Agrofloresta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125 Pesquisas no setor agrícola . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 126 Agricultura na cidade? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127 Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 128 Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129 > Capítulo 8 Concentração de terras no Brasil . . . . . . . . . . . . . 130 A questão agrária no Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131 Aspectos históricos da concentração de terras no Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132 Lei de Terras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 133 Luta pela terra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134 Linguagens e leituras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135 Reforma agrária, função social da terra e assentamentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 136 Terras indígenas e quilombolas . . . . . . . . . . . . . . . . . 138 Terras Indígenas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 138 Terras quilombolas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 139 Movimentos sociais no campo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 140 Conflitos no campo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 141 Atividades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 142 InvestigAção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 144 Nossa comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 146 Saiba mais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 147 > FICHAS DE AUTOAVALIAÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . 148 > BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR . . . 150 > BIBLIOGRAFIA COMENTADA . . . . . . . . . . . . . . . . . . 156 Orientações para o professor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 161 D3-CH-EM-3075-V4-INICIAIS-001-009-LA-G21_AVU1.indd 7D3-CH-EM-3075-V4-INICIAIS-001-009-LA-G21_AVU1.indd 7 19/09/20 17:2719/09/20 17:27 NESTE VOLUME Objetivos, justificativas, competências e habilidades Você já parou para pensar por que e para quê estuda os conteúdos escolares? Eles devem ter importância para sua vida, sendo uma ferramenta a mais para que você, com seus colegas e professores, pensem em solu- ções para diferentes problemas do cotidiano, da sociedade brasileira e do mundo em geral. Apresentamos, a seguir, as justifi cativas (importância) e os objetivos (para que) de cada unidade deste livro e também indicamos competências e habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), cujos textos se encontram no fi nal do livro. UNIDADE 1 Uma cidade para todos Justificativa • Por que é importante estudar este conteúdo? A vida em muitas das cidades brasileiras é repleta de desa- fi os, em especial para os grupos que vivem nas periferias e em áreas onde não é possível ter o direito à moradia adequada. E é nas cidades que também se verifi cam diferentes manifesta- ções de culturas juvenis e lutas por melhores condições de vida. Analisar e compreender tais questões é um dos primeiros passos para pensar e praticar ações individuais e coletivas em busca da transformação da realidade e de justiça social. Objetivos • Devo estudar este conteúdo para... 1. Valorizar a diversidade cultural nas cidades, analisando de que forma os grupos sociais criam identidades nos espaços urbanos. 2. Compreender que territórios, territorialidades e frontei- ras são resultantes das relações de poder e da afi rmação de identidade de diferentes grupos sobre seus lugares de vivência. 3. Entender o papel de contestação social da contracultura, refl etindo sobre valores e práticas de grupos sociais no espaço urbano, com destaque para as culturas juvenis. 4. Compreender como a cultura desempenha um papel fundamental para a coesão e afi rmação da identidade indi- vidual e coletiva dos grupos sociais. 5. Reconhecer os direitos e a importância das lutas de comu- nidades indígenas e quilombolas em áreas urbanas. 6. Analisar as condições de vida do lugar onde vive e propor soluções para os problemas, com base nos conceitos de moradia adequada e direito à cidade. 7. Identifi car e propor ações para melhoria das condições de moradia no bairro ou município, com base no conceito de direito à moradia adequada, reconhecendo a necessidade de políticas públicas voltadas para o tema. 8. Entender o papel da especulação imobiliária e os processos de gentrifi cação, conhecendo ações e movimentos sociais que lutam por uma ocupação mais justa e menos desigual nas cidades. Competências e habilidades Competências gerais 1, 2, 3, 4, 9 e 10 Competências específi cas 1, 2, 5 e 6 Habilidades EM13CHS101, EM13CHS102 ,EM13CHS104, EM13CHS106, EM13CHS204, EM13CHS205, EM13CHS206, EM13CHS502, EM13CHS601 UNIDADE 2 Origem e crescimento das cidades Justificativa • Por que é importante estudar este conteúdo? A História evidencia e as projeções indicam que vivemos em um mundo cada vez mais urbano com cidade e campo integrados. Hoje, com tantas pessoas vivendo em cidades, temos a impressão de que sempre foi assim. Mas, até bem pouco tempos atrás, o Brasil, assim como muitos países, tinha a maior parte de sua população vivendo e trabalhando no campo. Compreender essa mudança é importante para entendermos o que somos, como vivemos e que ações poderiam contribuir para melhorar as condições de vida diante dos problemas sociais que se apresentam. Objetivos • Devo estudar este conteúdo para... 1. Compreender que o surgimento das cidades não foi um pro- cesso uniforme nem linear, reconhecendo a diversidade de organizações sociais ao longo do tempo e nos dias atuais. 2. Relacionar os processos históricos que originaram as cidades às habilidades sociais dos grupos humanos em diversas sociedades, refl etindo sobre a ideia de cooperação. 3. Compreender que as cidades atuais, no mundo e no Brasil, são marcadas por permanências e rupturas, que resultam das ações de diferentes grupos humanos ao longo do tempo. 4. Problematizar o conceito de memória, vinculando-o às interações individuais e coletivas com a cidade, a fi m de evi- denciar a relação entre a memória e a história pessoal e entre o sentimento de identidade e de pertencimento a um grupo. 5. Analisar aspectos do crescimento, de integração e distribui- ção das cidades, em diferentes tempos e escalas espaciais, de modo a identifi car contradições. 6. Desenvolver princípios do raciocínio geográfi co, como ana- logia e conexão, a fi m de relacionar fenômenos urbanos em diferentes escalas espaciais. 7. Descontruir estereótipos sobre o modo de vida urbano e rural, problematizando visões dicotômicas de campo e cidade. 8. Compreender o conceito de segregação socioespacial nas cidades, relacionando-o ao de desigualdade social. 9. Refl etir e sugerir ações para melhorar as condições de vida diante dos problemas sociais que se apresentam nas cidades. Competências e habilidades Competências gerais 1, 2, 3, 4 e 9 Competências específi cas 1, 2 e 6 Habilidades EM13CHS101, EM13CHS102, EM13CHS103, EM13CHS104, EM13CHS105, EM13CHS106, EM13CHS203, EM13CHS205, EM13CHS206, EM13CHS606 D3-CH-EM-3075-V4-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 8D3-CH-EM-3075-V4-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd8 19/09/20 16:5319/09/20 16:53 UNIDADE 3 A produção aumenta. E a fome... acaba? Justificativa • Por que é importante estudar este conteúdo? A produção agropecuária no mundo como um todo e no Brasil apresentaram grande crescimento, especialmente, a partir das décadas de 1960 e 1970. Um dos fatores para isso foi a chamada modernização do campo que, no Brasil, promoveu a expansão do agronegócio e contribuiu para gerar ou aprofundar problemas socioambientais. Tais questões se relacionam direta- mente com aspectos econômicos, sociais e políticos do país, e com muitos aspectos da sua vida, como as mudanças relaciona- das à sua alimentação e à de sua família. Objetivos • Devo estudar este conteúdo para... 1. Entender como a relação entre as atividades agropecuárias e a indústria resultam da expansão capitalista no campo, reconhecendo a integração entre campo e cidade no mundo contemporâneo. 2. Reconhecer que, apesar do aumento da produção agrope- cuária, ainda há muitas pessoas que passam fome ou não têm uma alimentação adequada. 3. Compreender como os alimentos que consumimos estão integrados a diversos aspectos da economia, do território e da cultura. 4. Compreender o conceito de modernização conserva- dora no campo brasileiro e analisar os dois momentos do seu desenvolvimento, refl etindo sobre os seus impactos ambientais e sociais. 5. Relacionar as transformações nos padrões alimentares das pessoas no mundo e no Brasil à expansão da industrializa- ção, à intensa urbanização e à globalização, refl etindo sobre a homogeneização de hábitos e costumes. 6. Reconhecer a importância de organismos multilaterais, organizações não governamentais (ONGs) e órgãos de governo locais na promoção de ações em prol de uma ali- mentação saudável para todas as pessoas. 7. Conhecer opções individuais e de grupos, relacionadas à alimentação, que são formas de manifestar identidades culturais e posições políticas, por exemplo. 8. Reconhecer a importância de comunidades e povos tradi- cionais para a segurança alimentar no mundo. Competências e habilidades Competências gerais 1, 2, 5, 7, 8, 9 e 10 Competências específi cas 1, 2, 3, 5 e 6 Habilidades EM13CHS103, EM13CHS106, EM13CHS202, EM13CHS302, EM13CHS304, EM13CHS502, EM13CHS504, EM13CHS605 UNIDADE 4 Por um campo justo e saudável Justificativa • Por que é importante estudar este conteúdo? No mundo todo, cada vez mais, são discutidos e colocados em prática técnicas e sistemas de produção agropecuária que não causam impactos ambientais, como os relacionados à chamada agricultura moderna. No Brasil, embora venha crescendo, ainda é pequena a parcela da produção que utiliza práticas sustentáveis e agroecológicas, por exemplo. E tais práticas estão mais presentes na agricultura familiar, que é responsável por grande parte dos ali- mentos consumidos no mundo todo. No Brasil, ao longo do tempo, a agricultura familiar foi afetada pela grande concentração de terras, que está no centro de confl itos e de lutas de movimentos sociais. Objetivos • Devo estudar este conteúdo para... 1. Reconhecer a necessidade de modelos de produção que conciliem ganhos econômicos, produtividade, consciência ambiental e respeitem os direitos conquistados pelas popu- lações que vivem no e do campo, refl etindo sobre ações que promovam a sustentabilidade socioambiental. 2. Reconhecer a importância de políticas públicas que esti- mulem a presença de jovens no campo e o fortalecimento da agricultura familiar. 3. Compreender algumas das consequências da concentração de terras no Brasil, como a permanência do latifúndio e da violência no campo. 4. Entender como a legislação brasileira atual defi ne a função social da terra, percebendo que, segundo os critérios esta- belecidos, há um grande número de propriedades passíveis de desapropriação. 5. Compreender a importância da reforma agrária no Brasil, de modo a identifi car os diversos avanços sociais decorrentes de uma distribuição mais justa e inclusiva das terras no país. 6. Caracterizar os movimentos sociais no campo no passado e no presente, relacionando-os à defesa do acesso à terra e de modelos sustentáveis de produção rural, como a agroecologia. 7. Avaliar a situação das terras indígenas e quilombolas no Brasil atual, reconhecendo suas práticas agrícolas, extra- tivistas e o seu compromisso com a sustentabilidade no passado e no presente. Competências e habilidades Competências gerais 1, 2, 5, 7 e 9 Competências específi cas 1, 2, 3, 4, 5 e 6 Habilidades EM13CHS101, EM13CHS102, EM13CHS103, EM13CHS105, EM13CHS106, EM13CHS204, EM13CHS206, EM13CHS302, EM13CHS304, EM13CHS305, EM13CHS306, EM13CHS401, EM13CHS404, EM13CHS503, EM13CHS601, EM13CHS606 D3-CH-EM-3075-V4-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 9D3-CH-EM-3075-V4-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 9 19/09/20 16:5319/09/20 16:53 10 UNIDADE 10 ■ A artista Alexsandra Ribeiro, conhecida como Dinha, começou a grafitar em 2008, em Fortaleza (CE) e, atualmente, fortalece a presença feminina nas intervenções artísticas no espaço urbano brasileiro. Fotografia em Fortaleza (CE), 2019. Uma cidade para todos A cidade costuma ser vista como espaço de encontros, oportunidades de trabalho, estudo, lazer e atividades culturais, por exemplo. No entanto, o acesso a determi- nados locais e serviços não se dá de forma igualitária. Por isso, diversos grupos e indi- víduos lutam por direitos e empreendem com o objetivo de mudar a realidade de sua comunidade e de sua vida. Nesta unidade, veremos esses e outros aspectos que se rela- cionam com a vida nas cidades. 1. Na fotografia, você vê um exemplo de ação para transformar a realidade. Você já ouviu falar ou participou de outras formas de ação e luta com esse mesmo objetivo? Quais? 2. Se você mora em uma cidade, em sua opi- nião, como ela poderia ser um lugar me- lhor para todos os jovens? Se você mora em área rural, considere a área urbana de seu município. NÃO ESCREVA NO LIVRO 1 D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 10D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 10 18/09/20 14:5918/09/20 14:59 FA BI AN E D E PA U LA /A RQ U IV O D IÁ RI O D O N O RD ES TE 1111 SOLUÇÕES PARA NOSSA COMUNIDADE EM MAPAS COLABORATIVOS Como pensar o lugar em que vivemos, identificar problemas e propor soluções? Os mapas colaborativos, construídos coletivamente, são uma forma de reunir diversas informações sobre o município, bairro ou comunidade onde vivemos, como a localização de áreas de lazer, trajetos das linhas de transporte e ruas sem iluminação pública. Neste projeto, você e seus colegas vão investigar algum problema do munícipio onde vivem, reunir e analisar informações e elaborar um mapa colaborativo para pensar em ações que promovam a melhoria das condições de vida. SOLUÇÕES PARA NOSSA COMUNIDADE EM D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 11D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 11 18/09/20 14:5918/09/20 14:59 CAPÍTULO 1 Vivências urbanas Você sabe o que significa identidade? Esse conceito, bastante traba- lhado pelas Ciências Humanas, diz respeito ao reconhecimento de sua individualidade perante a sociedade. A identidade se constitui pelo conjunto de características cultu- rais que permitem que você se diferencie de determinados grupos de pessoas ou se identifique com outros. Mais do que isso, a identidade é formada a partir do sentimento de pertencimento a um território e é parte essencial da interação entre indivíduos, configurando a base para a existência de grupos sociais. Tomemos como exemplo a capoeira. Durante muito tempo, essa manifestação cultural de origem afro-brasileira foi criminalizada. Historicamente, serviu como instrumento de afirmação da identidade da população afro-brasileira. Posteriormente, a capoeira se transformou em expressão da própria identidade nacional brasileira e, desde 2008, é considerada Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Exemplos como este nos permitemcompreender de que maneira a cultura de grupos específicos se relaciona com o território e a sociedade, inclusive, se transformando ao longo do tempo. Neste capítulo iremos estudar, dentro do contexto das vivências urbanas e dos muitos contras- tes socioculturais existentes nas cidades brasileiras, de que modo grupos sociais criam identidades, atuam nos territórios e propiciam a formação de fronteiras culturais nesses espaços cada vez mais multiculturais. sociais criam identidades, atuam nos territórios e propiciam a formação de fronteiras culturais nesses espaços cada vez mais multiculturais. ■ Roda de capoeira em em Salvador (BA), 2015. M A RK A /U N IV ER SA L IM A G ES G RO U P/ G ET TY IM A G ES 12 Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o capítu- lo e sobre o trabalho com as atividades. D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 12D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 12 18/09/20 15:0018/09/20 15:00 Territórios e territorialidades Qual é o seu território? Você e sua turma têm uma “quebrada”? Antes de responder a essa pergunta, vamos discutir o conceito de ter- ritório. Nas Ciências Humanas, território está associado à influência, à ocupação ou ao domínio de parte do espaço por um indivíduo, uma instituição, um grupo etc. À primeira vista, podemos pensar que as rela- ções com o território envolvem apenas o exercício de poder, mas os territórios também podem ser definidos ou delimitados por relações de identificação cultural. O compartilhamento de ele- mentos culturais, por exemplo, a música, a dança, o esporte, as gírias, a culinária e também os modos de se vestir e se divertir estão dire- tamente relacionados à maneira como as pessoas enxergam a si e aos outros. Esses elementos possibilitam uma afirmação da identidade cultural e ajudam a dar significado aos lugares de vivência. Yi-Fu Tuan (1930-), geógrafo chinês radicado nos Estados Unidos, criou o termo topofilia (a partir da junção das palavras gregas topus e filo, que significam respectivamente “lugar” e “afinidade”) para descrever o estudo da percepção dos lugares pelas pessoas a partir de seus sentimentos e experiências, da relação de identidade com o ambiente e dos elementos culturais. Com base nessa interpretação, a afetividade que um indivíduo ou grupo apresenta em relação a determinados lugares e a afirmação da identidade cultural no espaço urbano produzem territórios e fronteiras. Essa manifestação de identidade cultural em parte do espaço é chamada territorialidade, processo gradual e contínuo capaz de criar novos territórios (territorialização), reconstruir territórios (reterritorializa- ção) ou acabar com territórios existentes (desterritorialização). Nos espaços urbanos, territórios e territorialidades são resultantes das relações de poder e da afirmação de identidade de diferentes grupos sobre seus lugares de vivência. Assim, diferentes grupos ocupam espaços distintos e entre eles existem fronteiras que separam os territórios. ■ Jovens em pista de skate realizando o “Samba do Bowl”, evento cultural na Brasilândia, São Paulo (SP), 2017. Eventos e expressões culturais organizados e frequen- tados pelos jovens da periferia são uma maneira de afirmar sua identidade cultural. M AR LE N E BE RG AM O /F O LH AP RE SS 13 D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 13D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 13 18/09/20 15:0018/09/20 15:00 Juventudes urbanas, identidade e território A palavra juventude, em geral, se refere ao período de vida entre a infância e a idade adulta, cheio de significados e desafios e inti- mamente ligado à formação da identidade. No entanto, como os jovens vivem realida- des distintas e têm diferentes necessidades, desejos, aspirações, valores e crenças, con- sidera-se mais adequado usar o termo no plural: juventudes. Ao mesmo tempo que se descobrem e constroem suas identidades, os jovens criam afetos com seus lugares de vivência e exercem sua territorialidade. A descoberta de seu grupo social e as vivências no território ajudam a criar uma sensação de pertencimento, que pode ser obtida com o compartilha- mento dos elementos culturais materiais e imateriais. O termo culturas juvenis é usado para se referir aos conjuntos de práticas, saberes, costumes, tradições e relações que marcam a expe- riência das juventudes no mundo contemporâneo. Inclui, portanto, as diferentes formas pelas quais os jovens se expressam, tanto consumindo padrões culturais impostos pelas mídias hegemônicas quanto criando suas próprias expressões de modo a afirmar sua identidade. > MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO O Estatuto da Juventude é uma lei que trata dos direitos dos jovens com idade entre 15 e 29 anos. Entre outros aspectos, valoriza a participação social e política dos jovens; garante meios e equipamentos públicos que promovam o acesso à produção cultural, à prática esportiva, à mobilidade territorial e à fruição do tempo livre; e destaca a importância da promoção da criatividade e da participação dos jovens para o desenvolvimento do Brasil. Com base nessas informações e considerando sua realidade, escolha um dos aspectos apresentados nesta lei e analise se são respeitados no seu muni- cípio, bairro ou comunidade. Apresente argumentos para embasar sua respos- ta. Depois, discuta com os colegas como governos, empresas, escolas e outras instituições poderiam agir para promover ou garantir os aspectos citados. Elementos culturais materiais Bens materiais tangíveis, como monumentos, obras de arte, igrejas, construções e objetos em geral. Elementos culturais imateriais Representações corpo- rais (dança ou esportes), manifestações espirituais (religiões) e conhecimen- tos, como técnicas e/ou estilos artísticos, arquite- tônicos e culinários. ■ Campo de futebol em comunidade no Rio de Janeiro (RJ), 2016. O futebol é um esporte muito importante da cultura dos jovens que vivem nas periferias das cidades brasileiras. M AA RT EN Z EE H AN D EL AA R/ SH U TT ER ST O CK .C O M 14 D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 14D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 14 18/09/20 15:0018/09/20 15:00 Mirna Moreira (1994-) é cotista e estudante de medicina na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). No texto a seguir, no qual ela conta um pouco de sua história como mulher negra e pobre, é possível relacionar conceitos trabalhados neste capítulo. Após a leitura, faça as atividades. “Lembro que quando me perguntavam o que eu queria cursar e eu falava medicina, tinha gente que virava e falava: ‘ah, mas você quer isso mesmo? Você não tem cara de médica’. Uma vez numa aula no pré vestibular, um professor entrou em algum tema de redação, que eu não lembro qual foi, e falou: ‘olha pro lado e me diz quantos negros tem nessa sala. Foi aquele momento que todos os olhares da sala se viraram pra mim.’ O meu maior acerto foi ter assumido minha estética enquanto mulher negra antes de entrar nesse espaço da universidade, eu entendi que é muito importante estar ali porque existe a questão da represen- tatividade, que se estende para fora da academia também. Quando eu visto meu jaleco branco e subo o Morro dos Macacos representando a instituição Uerj, como fiz em uma ação sobre sexualidade na adoles- cência numa escola pública, e as meninas negras dessa escola pedem para tirar fotos comigo, elogiam meu cabelo crespo, e de alguma forma me veem como referência, eu só tenho mais certeza disso. No dia dessa ação na escola eu voltei no mesmo ônibus que uma aluna, e quando eu desci no mesmo ponto que ela aqui no Complexo, ela perguntou: o que você tá fazendo aqui? Ela não esperava que eu descesse aqui na favela. Eu chorei muito. Isso me marcou demais, até porque eu nunca tive uma representação física e próxima que eu pudesse me espelhar nesse campo profissio- nal, essa mulher, negra, médica. Sabe? Por isso, principalmentenos espaços acadêmicos, eu faço questão de afirmar que sou do Complexo do Lins. Esse lugar faz parte da minha identidade. Sei da onde eu vim, quem me ajudou a chegar até aqui, e não foi nenhum médico de formação, foi minha mãe que trabalhou como diarista por muitos anos, meu pai que já trabalhou como pedreiro, e que sempre priorizaram meus estudos. Eu sei quem são os pretos que construíram a base pra que hoje eu esteja aqui.” SOBRINHO, A. et al. Caderno juventudes. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho 2017. p. 96. Disponível em: http://futurabucket2017.s3.amazonaws.com/ wp-content/uploads/2018/02/caderno_ juventudes_v_digital.pdf 1. No depoimento Mirna afirma sua identidade relacionando-a com seu lugar de vivência. Cite o trecho onde isso ocorre. 2. Em seu texto a autora afirma “voltei no mesmo ônibus que uma aluna, e quando eu desci no mesmo ponto que ela aqui no Complexo, ela per- guntou: o que você tá fazendo aqui?” Em sua opinião qual a razão da dúvida da estudante? 3. Segundo Mirna, a representatividade é algo importante. Você concorda com ela? Justifique. NÃO ESCREVA NO LIVRO DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS> KA ET AN A/ SH U TT ER ST O CK .C O M 1515 D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21_AVU2.indd 15D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21_AVU2.indd 15 20/09/2020 01:0120/09/2020 01:01 Contestações e contraculturas A cidade é um espaço de diversidades e desigualdades. A expansão da sociedade de consumo tende a levar a uma uniformização de ten- dências e a segregação socioeconômica cria um cenário no qual nem todos têm as mesmas condições de acesso ao consumo. A busca por afirmação de jovens das periferias urbanas, excluídos pela desigualdade econômica, propiciou o surgimento de manifesta- ções culturais e padrões estéticos criados no contexto de movimentos de contestação, que são formas criativas de contestar sistemas, valores e padrões dominantes. Nesse contexto, a indignação em relação às desigualdades e à segre- gação nos espaços urbanos e à imposição de tendências culturais levou à afirmação de contraculturas, típicas (embora não únicas) de grupos segregados das periferias das cidades. A busca pela afirmação da iden- tidade, nesse caso, em grande parte se dá por meio da contestação e da apropriação do espaço urbano. O conceito de contracultura foi criado na década de 1960 para se referir a movimentos que contestavam os valores sociais e culturais das sociedades capitalistas. Inicialmente, esse conceito foi utilizado para se referir a movimentos sociais, como o movimento hippie, e artísticos, o rock and roll, por exemplo, que questionavam a maneira como a socie- dade se organizava e as artes eram produzidas. Aos poucos, o conceito de con- tracultura foi ampliado, passando a descrever outras experiências históricas. Na década de 1970, por exemplo, o hip-hop despontou no bairro do Bronx, em Nova York, Estados Unidos. Criado pela juventude negra a partir da junção de elementos, como o rap e o DJ, a dança (break) e o grafite, esse movimento era uma forma de empoderamento e afirma- ção da identidade para uma parcela da sociedade que não se contentava em reproduzir a cultura dominante nem tinha acesso aos mesmos ser- viços e possibilidades de consumo em relação aos jovens brancos das classes média e alta. Sociedade de consumo Expressão usada para se referir à atual socie- dade capitalista na qual amplas dimensões da vida em sociedade são baseadas na aquisição de bens e serviços. ■ Hippies em show em Londres, Reino Unido, 1969. JO H N M IN IH AN /G ET TY IM AG ES 16 D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 16D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 16 18/09/20 15:0018/09/20 15:00 O conceito de contracultura, portanto, passou a expressar a ideia de que existe uma cultura dominante, que reforça valores e práticas sociais adequadas às necessidades do capitalismo, marcando o imagi- nário social e influenciando as pessoas de maneira significativa, mas que não é aceita por todos sem contestação, surgindo movimentos contrá- rios a ela que propõem novos valores e práticas sociais. Porém, há pensadores que defendem que a relação entre cultura dominante e contracultura não é marcada pela simples oposição. Há também movimentos de cooptação da contracultura de modo a incor- porá-la na cultura dominante e enfraquecer suas críticas. O movimento hippie, por exemplo, nasceu como contestador de valores dominantes, mas foi transformado em uma prática que fun- ciona de acordo com a lógica capitalista. É por isso, por exemplo, que músicas e roupas que simbolizam o movimento hippie foram transfor- madas em mercadorias. Isso não significa que a contracultura perde seu importante papel de contestação social, mas que há uma tensão entre a contestação e a reafirmação da ordem vigente. Assim, aspectos dos movimentos de contestação podem ser cooptados pelos valores dominantes da socie- dade capitalista, como o consumo. > DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO • Em grupo, pesquisem exemplos de letras de rap que abordem proble- mas sociais presentes nas periferias urbanas brasileiras e realizem um levantamento dos temas que são explorados nessas letras. ■ Desfile de moda inspi- rado na cultura hippie em Milão, na Itália, 2014. ■ Jovem dançando break em Nova York, Estados Unidos, em 1981. PH O TO SH O T/ TO PF O TO /A G B PH O TO L IB RA RY TA N IA VO LO BU EV A/ SH U TT ER ST O CK .C O M 17 D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 17D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 17 18/09/20 15:0018/09/20 15:00 O manguebeat Na década de 1990, surgiu na periferia da cidade de Recife (PE) o movimento de contracultura manguebeat. Criado por Chico Science (1966-1997), Fred Zero Quatro (1965-) e Helder Aragão (1966-), conhecido como DJ Dolores, esse movimento artístico mistura o maracatu, ritmo tradicional de Pernambuco, com elementos da música pop. O termo manguebeat resulta da junção das palavras mangue e beat (batida, em inglês), em alusão às áreas de mangue em Recife, onde muitas pessoas vivem em palafitas e sobrevivem do extrativismo do caranguejo. A “batida”, segundo os criadores do movimento, nasceu como uma tentativa de “desbloquear as artérias culturais” de uma cidade que estaria “morrendo econômica e culturalmente”. Os chamados “homens caranguejos”, marginalizados nos “bairros de lamas”, localizados na periferia da capital pernambucana, e sem acesso a serviços de sanea- mento básico, saúde e educação, ganharam com o manguebeat uma nova identidade urbana em uma metrópole profundamente segregada – uma voz de contestação e uma forma de conscientização em relação aos problemas urbanos da cidade. Fred Zero Quatro lançou, em 1992, o manifesto Caranguejos com cérebro, conhecido como o Manifesto Mangue, inspirado nas obras Geografia da fome (1946) e Homens-caranguejos (1967), do médico, geógrafo e sociólogo Josué de Castro (1908-1973), que comparava a vida dos jovens das periferias recifenses aos caranguejos. Leia um trecho: ■ Escultura em sucata de ferro intitulada Carne da minha perna, de Augusto Ferrer, Eddy Polo, Jorge Alberto Barbosa e Lúcia Padilha, realizada em 2004-2005, exposta em Recife (PE). Fotografia de 2016. O caran- guejo é uma homenagem à cidade de Recife, ao cantor e compositor Chico Science, um dos criadores do movimento manguebeat, e ao geógrafo Josué de Castro. LEIA o manifesto ‘Caranguejos com cérebro’. G1, 18 set. 2009. Disponível em: http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL1308779-7085,00-LEIA+O+MANIFESTO+ CARANGUEJOS+COM+CEREBRO.html. Acesso em: 10 jul. 2020. [...] Emergência! Um choque rápido ou o Recife morre de infarto! Não é preciso ser médico para saber que a maneira mais simples de parar o coração de um sujeito é obstruindo as suas veias. O modo mais rápido, também, de infartar e esvaziar a alma de uma cidade como o Recife é matar os seus rios e aterrar os seus estuários. O quefazer para não afundar na depressão crônica que paralisa os cidadãos? Como devolver o ânimo, deslobotomizar e recarregar as baterias da cidade? Simples! Basta injetar um pouco de energia na lama e estimular o que ainda resta de fertili- dade nas veias do Recife. [...] JR M AN O LO /F O TO AR EN A 18 D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 18D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 18 18/09/20 15:0018/09/20 15:00 http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL1308779-7085,00-LEIA+O+MANIFESTO+CARANGUEJOS+COM+CEREBRO.html As tribos urbanas O conceito de tribos urbanas foi criado pelo sociólogo franco-tunisiano Michel Maffesoli (1944-), na década de 1980, e é utilizado, em geral, para des- crever grupos de indivíduos que vivem em cidades e se unem em torno de uma identidade, compartilhando elemen- tos em comum, como gostos musicais, ideias, preferências de consumo e lazer. Exemplos de tribos urbanas são punks, emos, góticos, funkeiros, rappers, grunges, entre outros. A identidade formada em torno de elementos culturais é constru- ída e transformada ativamente pelos indivíduos, podendo ser pouco duradoura. O comprometimento dos jovens com esses grupos, por- tanto, pode ser bastante fraco ou passageiro, mas mostra uma forte necessidade humana por sociabilidade, que o sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917) chamava de necessidade “religiosa”. No caso das tribos urbanas, essa necessidade também tem um aspecto de reação ao processo de homogeneização de tendências ditadas pela indústria cultural, como formas de pensar e agir, gostos e estilos. O desenvolvimento das tecnologias digitais de informação nas últimas décadas, sobretudo a expansão do acesso à internet e a proli- feração das redes sociais digitais e de ciberculturas, contribuiu para a formação de grupos que podem ser considerados novas tribos urbanas. Um exemplo são as e-girls (electronic girls), grupo que emergiu nas plata- formas digitais em torno de um estilo inspirado em tribos já existentes, como emos e góticos. A formação da identidade das e-girls se dá pelo compartilhamento de elementos culturais que as diferenciam dos demais grupos, como a maquiagem carregada, os cabelos coloridos e um estilo musical próprio, de maneira a exercer sua territorialidade nas redes digitais. Indústria cultural Termo criado na Alemanha, na década de 1940, por sociólogos como Theodor Adorno (1903-1969) e Max Horkheimer (1895- 1973), da chamada Escola de Frankfurt. Para esses pensadores, expressões culturais das sociedades capitalistas, como filmes e músicas, são fabricadas e vendidas como mer- cadorias, provocando a homogeneização das tendências e criando con- formismo na população. Cibercultura Termo criado pelo filósofo francês Pierre Lévy (1956-), na década de 1980, unifica as palavras cultura e cibernética para se referir a modos de pensamento, práticas e valores que se desenvolvem no ciberes- paço, denominação dada ao espaço virtual da rede mundial de computado- res. Esse espaço dialoga com o espaço real dos territórios urbanos, pro- porcionando aos grupos e tribos um meio físico de comunicação e expressão de sua cultura. > MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO • Fazer parte de uma tribo urbana ou outro grupo pode estar relacionado à necessidade humana por sociabilidade. No entanto, uma pessoa pode sofrer preconceito ou discriminação por pertencer a determinada tribo ou não participar de nenhum grupo. Reflita sobre isso, pensando em situações do seu cotidiano. Tente se colocar no lugar de quem sofreu discriminação: como você acha que a pessoa se sente? ■ Representação das diversas tribos urbanas. D AV I A U G U ST O 19 D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21_AVU2.indd 19D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21_AVU2.indd 19 19/09/20 18:1919/09/20 18:19 Lazer, arte e ocupação do espaço Os espaços urbanos periféricos são, em geral, carentes de opções de espaços públicos de lazer e serviços de entretenimento que se encontram em áreas centrais, onde se concentram grupos de maior renda. Nesse contexto, algumas manifestações realizadas por jovens da periferia ganharam relevância nos últimos anos ao se configurarem como expressões voltadas ao lazer. O fenômeno denominado rolezinho, por exemplo, popularizado no início da década de 2010, na cidade de São Paulo (SP), e organizado pelas redes sociais, ganhou amplo destaque ao proporcionar a ocupação de shopping centers pelos jovens de periferia. A reação a esse acontecimento foi diversa, no entanto, marcada por intolerância de uma parcela da sociedade, que considerou a prática impró- pria ou ameaçadora. Outros classificaram o fenômeno como uma forma de protesto ou apenas uma maneira de os jovens se divertirem. Vestidos com suas melhores roupas, esses jovens demonstraram a vontade de passear, paquerar, comer um lanche e mostrar seu desejo por consumir produtos que, para muitos deles, são inacessíveis. Dessa forma, chamaram a atenção da sociedade para o direito ao consumo e para a exclusão à qual estão sujeitos os jovens pobres das periferias urbanas. Outro exemplo é o baile funk. De origem estrangeira e atrelado às contraculturas, essa mani- festação cultural se apresenta como uma forma de afirmação da identidade e opção de lazer para muitos jovens de periferia. Os bailes têm repercussões sociais amplas e influenciam vários aspectos da vida dos jovens, como sua forma de falar e de vestir. Apesar de criticados ou mesmo criminali- zados por parte da sociedade, os bailes funk se tornaram um fenômeno tão amplo e significativo que o estilo musical passou a ser considerado também uma expressão da cultura popular brasileira (a despeito de sua origem estrangeira) e foi apropriado por jovens que moram em áreas nobres de cidades brasileiras. ■ Baile funk na comunidade de Paraisópolis, São Paulo (SP), em 2019. JO SE B A RB O SA /F U TU R A P RE SS 20 D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 20D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 20 18/09/20 15:0018/09/20 15:00 Arte urbana Por meio da linguagem artística, seja em manifestações materiais ou imateriais, qualquer grupo social pode se expressar de maneira a afirmar sua identidade. Expressões artísticas per- mitem inúmeros significados e também possibilita a esses grupos se relacionar com seus lugares de vivência, de forma a exercer sua territorialidade. A arte urbana inclui expressões artísticas desenvolvidas no espaço urbano, como o grafite; as apresentações de rua que envolvem estilos musicais, danças e performances; a prática de colar cartazes “lambe-lambe” e adesivos (sticker art); entre outros exemplos de manifestações que se utilizam de diferentes técnicas. Quando uma expressão da arte urbana é realizada em um espaço público, de forma que a linguagem artística passa a se relacionar e se comunicar diretamente com o espaço físico das cidades, chamamos de intervenção urbana. Tanto quanto as contraculturas urbanas, é uma forma de questionar, com suas obras, temas de interesse social, como desigualdade, racismo e problemas socioambientais. Muitas vezes, essas intervenções são realizadas em locais pouco convencionais e buscam interagir com o local em questão de alguma forma, promovendo a relação entre a obra e o meio (no caso, o espaço público). Assim, buscam chamar atenção para determinados temas e/ou transmitir mensagens que provoquem reflexões no observador. ■ Grafiteiro faz intervenção na própria obra incluindo máscara para chamar atenção aos métodos de prevenção contra o coronavírus durante a pandemia de covid-19 em Londrina (PR), 2020. > DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO • Em grupo, utilizem telefones celulares com câmera para registrar exemplos de intervenções e arte urbana na comunidade ou município onde moram ou estudam. Se não houver, façam uma busca de imagens na internet ou em materiais impressos. Para cada manifestação artística, elaborem comentários relatando as impressões do grupo.G RA FI TE : C AR ÃO . F O TO : S ER G IO R AN AL LI /P U LS AR IM AG EN S 21 D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21_AVU1.indd 21D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21_AVU1.indd 21 19/09/20 01:2719/09/20 01:27 Comunidades tradicionais na cidade No Brasil, são considerados Povos e Comunidades Tradicionais: [...] grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, uti- lizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição; [...] BRASIL. Decreto n. 6.040, de 7 de fevereiro de 2007. Institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 8 fev. 2007. Povos indígenas, quilombolas, extrativistas, ribeirinhos, caboclos, pescadores artesanais, pomera- nos, entre muitos outros, estão entre os Povos e Comunidades Tradicionais. Embora se encon- trem predominantemente em áreas rurais, há grupos que vivem em áreas urbanas, nas quais muitas vezes são ameaçados pelo crescimento das cidades e pelos interesses econômicos. De acordo com o Instituto Socioambiental (ISA), atualmente existem 256 povos indígenas no Brasil, somando aproximadamente 896 mil indivíduos (IBGE, 2010), a maioria deles em Terras Indígenas. Cerca de 36% dessa população vive em cidades, em aldeias urbanas ou de forma independente, muitos deles aculturados. Nas cidades, os povos indígenas também lutam pelo direito ao seu espaço e reprodução de sua cultura. Um exemplo é a Aldeia Maracanã, na Zona Norte da capital fluminense. Em 2013, o governo do Estado do Rio de Janeiro anunciou a desocupação do terreno para a construção do Complexo do Maracanã. Os indígenas e movimentos populares orga- nizaram ações e protestos, e aguardam um processo judicial para obter a posse definitiva do terreno. Os jovens indígenas que vivem nas cidades apresentam realidades dis- tintas, mas em sua maioria compartilham características comuns a outros jovens não indígenas. São estudantes e/ou trabalhadores, integram às suas vidas elementos culturais e estilos de vida próprios da vida urbana. ■ Indígenas do grupo de rap Brô MCs em apre- sentação em Dourados (MS), 2019. Aculturação Processo por meio do qual um indivíduo, grupo ou povo assimila traços significativos de outra(s) cultura(s), de modo impositivo, em geral perdendo elementos de sua cultura original. © H IG O R LO BO 22 D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 22D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 22 18/09/20 15:0018/09/20 15:00 No caso das comunidades quilombolas, seus territórios são ocupações coletivas baseadas na ancestralidade, no parentesco e na perpetuação de tradições culturais próprias. Milhares de afrodescendentes vivem em áreas remanescentes de quilombos, que existem no campo e nas cidades. Os jovens nessas comunidades vivem, em muitos casos, situação similar à de indivíduos indígenas de comunidades localizadas nas cidades, inte- grando elementos de suas culturas tradicionais com elementos da cultura de outros grupos sociais com os quais convivem. As comunidades indígenas e os quilombos localizados nas cidades diferem dos localizados no campo em diversos aspectos. Essas comu- nidades estão inseridas em uma realidade marcada pela segregação socioespacial e pelo multiculturalismo, sofrendo uma pressão ainda maior de processos como a aculturação e a ameaça de perder suas terras em razão da especulação imobiliária. Assim, embora tenham direito à autodeter- minação, indivíduos de comunidades indígenas e quilombolas localizadas em áreas urbanas sofrem com problemas como a discriminação por parte da sociedade e o não reconhecimento legal de seus territórios, vivendo sob o risco cons- tante de desapropriação por causa da expansão urbana e de interesses econômicos. Por essas e outras razões, são consideradas comunidades de resistência, as quais batalham pelo direito da perpetuação de suas tradições e pela manu- tenção de sua cultura e território. A comunidade quilombola Pedra do Sal, no Rio de Janeiro (RJ), é um exemplo de resis- tência. É considerada um dos locais de maior significância para a origem de expressões religiosas e culturais afro-brasileiras e berço do samba, que é de matriz africana e um dos principais estilos da música popular brasileira. ■ Roda de samba tra- dicional realizada na Pedra do Sal, Rio de Janeiro (RJ), em 2016. LU CA S AM O RE LL I/B AR CR O FT M ED IA /G ET TY IM AG ES > MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO 1. A situação dos indígenas nas cidades brasileiras é marcada pelo preconceito, que se baseia nas ideias de que o indígena “pertence à natureza” e de que aqueles que vivem na cidade “deixam de ser indígenas”. Apresente argumentos contrários a essas ideias. 2. Pesquise na internet exemplos de comunidades quilombolas em áreas urbanas que lutam pelo reconhecimento e manutenção de seus territórios e vivem sob ameaça da especulação imobiliária. Com base nos resultados da pesquisa, debata com seus colegas sobre a legitimidade da desocupa- ção de territórios quilombolas em áreas urbanas, argumentando a favor de sua manutenção ou de sua realocação. 23 D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 23D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 23 18/09/20 15:0018/09/20 15:00 NÃO ESCREVA NO LIVROATIVIDADES> 1. Leia os trechos de texto a seguir e faça as atividades: Para os jovens da periferia do Distrito Federal, o rap é uma opção de lazer e um canal de expressão da revolta por se senti- rem excluídos. ROCHA, J.; DOMENICH, M.; CASSEANO, P. Hip-hop: a periferia grita. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2001. p. 68. O hip-hop me leva onde eu vou. O hip-hop me faz quem eu sou. ROCHA, J.; DOMENICH, M.; CASSEANO, P. Hip-hop: a periferia grita. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2001. contracapa. • Interprete as frases relacionando-as com os conceitos de identidade, território e contracultura. 2. Leia, a seguir, depoimentos de jovens sobre o fenômeno do rolezinho. Na sequência, debata com seus colegas sobre as críticas feitas por parte da sociedade a esse fenômeno, conside- rando-o “bagunça” ou “prática inapropriada”, e sobre o papel das redes sociais na articula- ção dos jovens que vivem nas periferias das cidades brasileiras. [...] “A gente precisa ter mais lugar para ir. Pancadão tem de segunda a segunda, mas não um local para passar a tarde e sua mãe ficar de boa”, diz Beatriz, 13 anos. Jefferson Luís, organizador de um dos pri- meiros rolês que acabaram com a presença da polícia, em Guarulhos, também reclama da falta de espaços públicos e atividades. “Fora o shopping, aqui a única coisa que posso fazer é jogar bola, empinar pipa e ficar no Facebook. Todo mundo precisa se diver- tir. É fácil proibir e criticar o funk. Difícil é instruir e fazer um centro cultural para ensinar música para os jovens”, afirma. [...] MONTENEGRO, R. Rolezinho: violência e preconceito. Isto É, 17 jan. 2014. Disponível em: https://istoe.com.br/343733_ ROLEZINHO+VIOLENCIA+E+PRECONCEITO/. Acesso em: 31 jul. 2020. 3. Observe a charge e interprete seu significado, relacionando-o ao conceito de intervenção urbana. ■ Charge do cartunista Moisés, publicada em 2014. 4. Leia as manchetes de notícias selecionadas e, com base no que você estudou, escreva um breve texto sobre as ameaças enfrentadas por comunidades quilombolas localizadas em ci- dades e explique por que elas são considera- das comunidades de resistência. Primeiro quilombo urbano resiste prensado por um dos metros quadrados mais caros de Porto Alegre CANOFRE, F. Primeiro quilombo urbano resiste prensado por um dos metros quadrados mais caros de Porto Alegre. Sul 21, 20 nov. 2016. Disponível em: https://www.sul21.com.br/cidades/2016/11/ primeiro-quilombo-urbano-resiste-prensado-por-um-dos-metros-quadrados-mais-caros-de-porto-alegre/. Acesso em: 31 jul. 2020. Quilombo ameaçado por ação judicial no Rio luta para manter atividades culturais VIEIRA, I. Quilombo ameaçado por ação judicial no Rio luta para manter atividades culturais. Agência Brasil, 20 ago. 2016. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-08/ quilombo-ameacado-por-acao-judicial-no-rio-luta-para-manter- atividades. Acesso em: 31 jul. 2020. M O IS ÉS 24 D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 24D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 24 18/09/20 15:0018/09/20 15:00 https://istoe.com.br/343733_ROLEZINHO+VIOLENCIA+E+PRECONCEITO/ https://www.sul21.com.br/cidades/2016/11/primeiro-quilombo-urbano-resiste-prensado-por-um-dos-metros-quadrados-mais-caros-de-porto-alegre/ https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-08/quilombo-ameacado-por-acao-judicial-no-rio-luta-para-manter-atividades PLANEJAMENTO E DIAGNÓSTICO DA REALIDADE Reúnam-se em grupos, com quatro ou cinco pessoas, e escolham um tema para ser investigado, por exemplo: saúde, educação, moradia, saneamento básico, poluição, segurança pública, trabalho, transporte público e mobilidade urbana, turismo e patrimônio histórico, espaços públicos de lazer, lixo e coleta de resíduos sólidos. Conversem sobre o tema que escolheram, discutindo o que sabem sobre ele no município, comunidade ou bairro onde estudam e/ou moram. Iniciem a conversa elaborando perguntas. Questionem o que familiares e colegas sabem sobre o tema escolhido, quais setores da sociedade (governo, empresas, organizações comunitárias e outras instituições) têm maior capaci- dade de ação em relação aos problemas identificados e se esse tema foi notícia na imprensa recentemente. Elaborem hipóteses para responder às perguntas formuladas. Registrem as questões elaboradas e os resultados da discussão no caderno. Veja exemplos de perguntas que podem ser feitas na discussão caso o tema seja os espaços públicos de lazer: • Existem espaços públicos de lazer no município, comunidade ou bairro? Onde? • Eles atendem toda a população? • Os jornais locais já noticiaram algo sobre esses espaços? • O que seus familiares e amigos pensam sobre os espaços públicos de lazer do município? (É possível montar uma entrevista com um questionário.) Nesta etapa, o grupo deverá definir se o mapa colaborativo será criado no formato impresso ou digital (ou ambos). 1 Etapa FA BI O CO LO M BI N I ■ Praça da República em Belém (PA), 2018. 25 D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 25D3-CH-EM-3075-V4-U1-C1-10-25-LA-G21.indd 25 18/09/20 15:0018/09/20 15:00 CAPÍTULO 2 Morar nas cidades 26 O texto a seguir é um depoimento fictício, mas que poderia ser de muitos jovens brasileiros: ■ Representação de uma casa em periferia de cidade brasileira. No lugar onde moro, tem muita coisa para melhorar, a rua é de barro e tem muito buraco e lixo espalhado. Outra coisa é que é longe do centro da cidade. Minha mãe pega três conduções para chegar ao trabalho. Mas nossa casa até que é boa. Quando eu era pequeno, a gente dormia no mesmo cômodo, eu, meus dois irmãos e minha mãe. Aos poucos, com a ajuda dos meus tios fizemos dois quartos na parte de cima. E ainda tem a laje para pendurar a roupa e até fazer um churrasco de vez em quando. Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o capítulo e sobre o trabalho com as atividades. ■ Representação de uma casa em periferia de cidade brasileira. RI CA RD O S AS AK I D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 26D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 26 18/09/20 17:0718/09/20 17:07 27 Muitas pessoas no Brasil vivem em moradias como a da imagem da página ante- rior. Outras, porém, vivem em condições bem mais precárias. Vamos analisar essa situação com base na questão do direito à moradia adequada. Moradia adequada é um dos direitos fundamentais para a vida e baseia muitas das diretrizes de políticas públicas do mundo todo. Ainda assim, até hoje, garantir esse direito é um grande desafio na maior parte dos países. Uma moradia adequada não se limita apenas à própria casa, mas a um lar e uma comunidade onde seja possível viver com dignidade. O esquema a seguir apresenta alguns dos aspectos que definem uma moradia adequada, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). • Segurança da posse: direito de morar sem medo de sofrer remoção e ameaças. • Disponibilidade de serviços, infraestrutura e equipamentos públicos: a moradia deve ter acesso às redes de água e de energia elétrica e ao saneamento básico; nas suas proximidades deve haver escolas, postos de saúde, áreas de esporte e lazer, transporte público, coleta de lixo etc. • Custo acessível: os custos com aluguel ou aquisição da moradia, além da manutenção da casa, devem ser acessíveis, não comprometendo a renda familiar. • Habitabilidade: a moradia deve proteger contra intempéries, como desmoronamentos, inundações e outros tipos de risco à saúde e à vida das pessoas; o tamanho da moradia e os cômodos devem atender ao número de moradores e às funções básicas. • Não discriminação e priorização de grupos vulneráveis: idosos, mulhe- res, crianças, pessoas com deficiência, pessoas com HIV, vítimas de desastres naturais e outros grupos vulneráveis devem ter prioridade nas políticas habitacionais e não sofrer discriminações. • Localização adequada: nas proximidades da moradia deve haver oportunidades de desenvolvimento econômico, cultural e social, como oferta de emprego e acesso a comércio. • Adequação cultural: a forma de construir a moradia e a escolha dos materiais devem expressar a diversidade cultural dos moradores. NÃO ESCREVA NO LIVRO> MEUS ARGUMENTOS • De acordo com o depoimento apresentado na página 26, por que o direito à moradia adequada não está sendo atendido? E no município onde você vive, todos os habitan- tes têm o direito à moradia adequada plenamente atendido? Apresente argumentos para sustentar sua resposta. RI CA RD O S AS AK I D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 27D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 27 18/09/20 17:0718/09/20 17:07 28 Direito à cidade O direito à moradia adequada está relacionado ao direito à cidade. Atualmente, esse conceito está presente em muitos trabalhos acadêmi- cos, documentos e políticas nacionais e internacionais, e é utilizado por diversas organizações e movimentos que lutam por cidades melhores para todas as pessoas. Leia no esquema abaixo como, em geral, o direito à cidade é entendido por esses atores: O conceito de direito à cidade nem sempre foi ou é entendido como apresentado acima, tendo sido revisto ao longo do tempo. O primeiro pensador que chamou a atenção para o direito à cidade no sentido de que o habitar é muito mais do que ter direito a um teto e quatro paredes foi o francês Henry Lefebvre (1901-1991). Seu livro O direito à cidade, lançado em março de 1968, aborda a construção do espaço urbano nas sociedades capitalistas. Essa obra foi concebida e publicada em um contexto de crescimento das insatisfações sociais na França, o que culminou no movimento de Maio de 1968. Para Lefebvre, o direito à cidade, que pensa o espaço urbano como um local de encontros e trocas que deve ser usufruído plenamente por todos, seria muito mais importante para trabalhadores que, morando nas periferias distantes do trabalho, não tinham acesso a espaços de encontros da cidade. Fonte: PLATAFORMA GLOBAL PELO DIREITO À CIDADE. What's the right to the city? [S. l.], 2016. p. 2. Tradução nossa. Disponível em: https://www.cnm.org.br/cms/images/stories/Links/29092016_ WhatisR2C24June2016.pdf. Acesso em: 25 jun. 2020. Maio de 1968, na França Em maio de 1968, jovens universitários entraram em greve em Nanterre, nos arredores de Paris, reivindicando mudanças no ensino, e foram duramente reprimidos pela polícia. O movimento se estendeu a Paris, e o que era apenas uma manifestação estudan- tilchegou às fábricas e tornou-se um protesto generalizado contra o governo do presidente Charles de Gaulle. Cerca de 10 milhões de pessoas entraram em greve. Slogans como: “É proibido proibir”, “A imaginação ao poder” e “Sejam solidários e não solitários” mobili- zavam a multidão. Os jovens franceses des- cobriram a sua força e muitas das ideias de transformação da sociedade que defen- diam influenciaram o pensamento da juven- tude de outros países. DEFINIÇÃO O direito à cidade é o direito de todos os habitantes, presentes e futuros, de utilizar, ocupar e produzir cidades justas, inclusivas e sustentáveis, definido como um bem comum essencial para uma vida completa e decente. Pilares Distribuição de recursos espa- cialmente justa; participação política; diversidade sociocultural. Componentes Uma cidade com economias inclusivas; diversidade cultural; espaços públicos de qualidade; ampla participação política; igualdade de gênero; cidadania inclusiva; livre de discrimina- ção e sustentável. UM DIREITO COLETIVO E DIFUSO UMA CIDADE COMO UM BEM COMUM Responsabilidades Governos e moradores urbanos têm a respon- sabilidade de assegurar esse direito. Apropriação Habitantes; grupos de habitantes; associações de moradores; ONGs; promotores públicos; defensores públicos etc. ED IT O RI A D E AR TE D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21_AVU1.indd 28D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21_AVU1.indd 28 19/09/20 01:2919/09/20 01:29 https://www.cnm.org.br/cms/images/stories/Links/29092016_WhatisR2C24June2016.pdf 29 Ele entendia o direito à cidade como um elemento fundamental para assegurar a participação dos trabalhadores e outros grupos excluídos das políticas e ações de transformação do espaço urbano. Isso seria uma forma de reduzir as desigual- dades e evitar que a cidade se tornasse simplesmente uma mercadoria que visa essencialmente ao lucro, ignorando os efeitos sociais negativos desse processo de mercantilização. Ao longo do tempo, o conceito do direito à cidade se ampliou, passando cada vez mais a ser utilizado para descrever direitos sociais variados, como o acesso a ser- viços públicos e infraestrutura urbana de qualidade, o fortalecimento da democracia e da participação política, a diversidade sociocultural e a sustentabilidade. Com isso, diferentes grupos e organizações sociais se articularam para exigir que governos e instituições privadas respeitem e assegurem esse direito em diversas partes do mundo. No Brasil, a pressão da sociedade civil possibilitou a criação do Estatuto da Cidade, em 2001. Essa lei regulamenta diferentes aspectos do direito à cidade no país. Leia um trecho do Estatuto da Cidade a seguir: Art. 2º A política urbana tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana, mediante as seguintes diretrizes gerais: I – garantia do direito a cidades sustentáveis, entendido como o direito à terra urbana, à moradia, ao saneamento ambiental, à infraestrutura urbana, ao trans- porte e aos serviços públicos, ao trabalho e ao lazer, para as presentes e futuras gerações; BRASIL. Lei no 10.257, de 10 de julho de 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências. Estatuto da Cidade. Brasília, DF: Casa Civil, 2001. Disponível em: http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10257.htm. Acesso em: 26 jun. 2020. A pandemia que escancarou nossa questão urbana TRINDADE, T. A pandemia que escancarou nossa questão urbana. CartaCapital, São Paulo, 1o maio 2010. Disponível em: https://www. cartacapital.com.br/blogs/br-cidades/a-pandemia-que-escancarou- nossa-questao-urbana/. Acesso em: 26 jun. 2020. Por que as periferias são mais vulneráveis ao coronavírus LIMA, J. D. de. Por que as periferias são mais vulneráveis ao coronavírus. Nexo, São Paulo, 18 mar. 2020. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2020/03/18/ Por-que-as-periferias-s%C3%A3o-mais-vulner%C3%A1veis-ao- coronav%C3%ADrus. Acesso em: 26 jun. 2020. > DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO Leia as manchetes e, a seguir, faça a atividade: • Em 2020, a pandemia da covid-19 trouxe discussões importantes em relação à questão urbana e à desigualdade, já que determinadas áreas das cidades brasileiras se mostraram mais vulneráveis à disseminação do coronavírus. Com seus colegas, analise de que forma a garantia prevista no artigo 2o do Estatuto da Cidade poderia ter contribuído para diminuir a propagação do vírus em seu município ou em municípios próximos. Registrem suas conclusões em um vídeo de cerca de 10 minutos. D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 29D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 29 18/09/20 17:0718/09/20 17:07 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10257.htm https://www.cartacapital.com.br/blogs/br-cidades/a-pandemia-que-escancarou-nossa-questao-urbana/. https://www.nexojornal.com.br/expresso/2020/03/18/Por-que-as-periferias-s%C3%A3o-mais-vulner%C3%A1veis-ao-coronav%C3%ADrus 30 Favela, comunidade, vila, grotão... Quando analisamos a realidade dos moradores das cidades brasileiras, não é difícil concluir que o direito à cidade se torna um grande objetivo a ser per- seguido, em especial nos lugares em que os demais direitos não são atendidos. Entre esses lugares, estão as favelas, espaços que, em nível mundial, ocorrem principalmente nas grandes cidades do Sul Global. Também chamadas de comunidade, vila, grotão, mocambo, entre outras denominações, no Brasil as favelas são classificadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como aglomerados subnormais, definidos como um conjunto de no mínimo 51 moradias, em sua maioria carentes de serviços públicos essenciais (energia elétrica, coleta de lixo e redes de água e de esgoto), que ocupam terreno de propriedade alheia (pública ou particular) e dispostas, em geral, de maneira desordenada e/ou densa. A ocupação desordenada é refletida por vias de circulação estrei- tas e de alinhamento irregular, lotes de tamanhos e formas desiguais e construções não regularizadas por órgãos públicos. Muitas das favelas se encontram em áreas de risco, geralmente terrenos planos próximos a rios e córregos sujeitos a inundações peri- ódicas, ou áreas com maior declive, em que a intervenção no terreno aumenta o risco de escorregamentos. São locais em que não é recomen- dada ou é proibida a ocupação urbana e, por isso, menos valorizados pela especulação imobiliária, mas são ocupados pela população de menor renda, que não tem acesso a locais mais adequados. Assim, a característica do relevo é um importante aspecto na análise da distri- buição das favelas. Especulação imobiliária Ocorre quando proprie- tários mantêm a posse de seus imóveis à espera de valorização e posterior venda a um valor mais elevado. ■ Área de risco em Osasco (SP), 2020. CE SA R D IN IZ /P U LS AR IM AG EN S > DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO • Viver em moradias adequadas depende principalmente de políticas públicas que promovam infra- estrutura básica e muitas outras condições para se ter uma vida digna. Em muitos lugares, organi- zações de moradores, Organizações Não Governamentais (ONGs), universidades, igrejas e outras instituições são atuantes na promoção ou reivindicação por melhores condições de vida. Discuta com seus colegas se no município onde vocês estudam há atuação de organizações ou instituições que ajudam a trazer melhorias na infraestrutura urbana da comunidade. Se há, como isso ocorre? Se não há, pensem em formas de os moradores se organizarem para buscar melhorias na infraes- trutura urbana. D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21_AVU2.indd 30D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21_AVU2.indd 30 19/09/20 15:1219/09/20 15:12 31 Urbanização de favelas Em geral, no Brasil e em outros países do mundo onde as favelas se concentram, as ações mais comunsdos governos em relação a elas são a erradicação, por meio do despejo e da realocação de moradores em conjuntos habitacionais ou moradias populares, e a urbanização. O despejo dos moradores viola o pressuposto da moradia como direito humano, não garantido a elas outro local para viver. A realocação de moradores tem se mostrado ineficaz por gerar altos custos. Ademais, geralmente, as moradias são construídas em lugares distantes da área central da cidade e, portanto, longe dos locais de trabalho e de servi- ços. Assim, muitos pesquisadores e a ONU afirmam que a ação mais viável para a melhoria das condições de vida e a busca pela moradia adequada é a chamada urbanização de favelas. A urbanização das favelas é constituída por um conjunto de ações, como instalação ou melhoria de infraestrutura básica (abastecimento de água e coleta de esgoto, rede de energia elétrica, iluminação pública, coleta de lixo, drenagem de águas pluviais e prevenção de inundações etc.); apoio técnico para reformas de moradia; regularização da posse; construção ou reforma de equipamentos públicos, como creches, escolas e postos de saúde; programas sociais voltados à segurança, ao combate ao uso de drogas etc.; remoção de habitações em área de risco; oportunidades de geração de renda por meio de treinamento e créditos para empreendedores etc. ■ Praça do Conhecimento construída por projeto de reurbanização do conjunto de favelas denominado Complexo do Alemão, no município do Rio de Janeiro (RJ). Fotografia de 2016. ■ Escadarias reformadas na Comunidade Jenipapo, Recife (PE). Fotografia de 2016. PR EF EI TU RA D O R IO D E JA N EI RO D IE G O H ER CU LA N O /N U RP H O TO /G ET TY IM AG ES D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 31D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 31 18/09/20 17:0818/09/20 17:08 32 Leia a letra do rap e faça a atividade a seguir: Sorriso favela [Refrão] Eu vim devolver o seu sorriso, favela Leve e solta pra cantar Nunca esquecer como sua paz é bela Dá força pra continuar Eu vim devolver o seu sorriso, favela Leve e solta pra cantar Nunca esquecer como sua paz é bela Dá força pra continuar Eles tentam te convencer Que sua sina é sofrer vendo seus filhos morrer Não, não, não, não é, eu posso entender E pelas esquinas ver suas lágrimas correr E acabar sua fé Vendo homens, barracos e morros sem socorro Num lugar, sem esperança, nada Sem luz que possa inspirar Resta buscar o melhor pra construir seu lar E esse sorriso lindo é o que vai libertar [Refrão] E eles querem te ver chorar E desacreditar que pode conquistar Ao pensar, jamais, sua cara é lutar Vencer e prosperar, correr e alcançar Mostrar que é capaz Pois nóis tem o sol, o calor Tem os gritos na feira O futebol, as mina e os banheiro de mangueira As criança feliz, só o dinheiro é pouco Mas lembre-se: nada como um dia após o outro! [Refrão] EMICIDA; SANY PITBULL. Sorriso favela. Intérprete: Emicida. In: ROCKSTAR GAMES. MAX PAINE 3. Nova York: Rockstar Games, 2012. • No rap "Sorriso favela", Emicida, autor da letra, entende que a sociedade tenta convencer os moradores das favelas/comunidades que eles levam uma vida sem esperança e defende que é importante devolver a eles o sorriso. Essa ideia pode ser entendida como a adoção de ações e políticas que contribuam para melhorar a vida nas favelas. Pense em algumas medidas que podem ser adotadas nesses casos. Em seguida, elabore em seu caderno um texto, uma letra de uma música, uma charge ou uma HQ com suas ideias. ■ Representação de jovens dançando passinho. DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS> NÃO ESCREVA NO LIVRO G U ST AV O P ER G D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 32D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 32 18/09/20 17:0818/09/20 17:08 33 Gentrificação e lutas atuais As intervenções urbanas, como as que envolvem megaeventos, a exemplo da Copa do Mundo de Futebol e dos Jogos Olímpicos (veja a página 35), ou mesmo outras mais pontuais em apenas determinadas áreas da cidade, muitas vezes resultam em um processo denominado gentrificação, versão em português para o termo em inglês gentrification (de gentry, que significa pequena nobreza). Esse conceito foi criado por Ruth Glass (1912-1990), socióloga britânica, para se referir e analisar as transformações ocorridas em bairros operários de Londres, Reino Unido, que, a partir de melhorias em infraestrutura, passavam a ser valorizados e atrair grupos de maior poder aquisitivo. Posteriormente, esse conceito passou a ser usado para analisar processos semelhantes em outras cidades. A reestruturação urbana, muitas vezes localizada nas áreas centrais, por meio do investimento em infraestrutura (linhas de metrô, grandes avenidas, parques etc.), promove a grande valorização dos imóveis, sua ocupação por pessoas de maior poder aquisitivo e expulsão da população mais pobre para lugares cada vez mais distantes das áreas centrais. Entre as consequências da gentrificação estão os problemas de mobi- lidade urbana, uma vez que os deslocamentos diários de trabalhadores se tornam mais longos; a elevação do custo de vida em função da valo- rização do lugar gentrificado; o fechamento de pequenos comércios em decorrência do aumento de preços de aluguéis; o aumento da segrega- ção socioespacial; maior demanda por moradias populares, entre outras. Em cidades europeias são comuns leis antigentrificação e políticas públicas voltadas à moradia para evitar a exclusão de pessoas de menor renda das áreas onde ocorreu valorização. Um exemplo dessas políticas, subsidiadas pelos governos, é destinar uma parcela da área onde novos empreendimentos são lançados à moradia de pessoas que não teriam renda para ali morarem. Reestruturação urbana Transformações nas cidades, não restritas apenas a intervenções no espaço urbano, por meio de obras e novas infra- estruturas, mas também mudanças nas relações sociais nesses espaços. ■ Manifestação em Berlim, Alemanha, contra o aumento dos aluguéis, 2018. A tradução do texto do cartaz escrito é: “Por favor, não alimente tubarões do aluguel”. CH RI ST IA N M AN G/ IM AG O /F O TO AR EN A D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 33D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 33 18/09/20 17:0818/09/20 17:08 34 Há muitos exemplos de intervenções urbanas ligadas a empreendimentos imo- biliários de empresas privadas em cidades brasileiras que levam à valorização das áreas, expulsando populações que já viviam no lugar e reduzindo o acesso às áreas onde ocorrem intervenções a uma minoria privilegiada. Um desses exemplos é o projeto Novo Recife, que propôs a construção de prédios comerciais e residenciais, na antiga área do Cais José Estelita, às margens do Rio Capibaribe, no centro de Recife (PE), causando indignação e a manifestação de grupos críticos que lutam pelo direito à cidade, como o movimento Ocupe Estelita que lutou para evitar que as construções do cais fossem demolidas para dar lugar a prédios comerciais e resi- denciais de alto padrão previstos no projeto. Além do exemplo do movimento Ocupe Estelita, existem outros tipos de ações e movimentos sociais que lutam por uma ocupação mais justa e menos desigual nas cidades brasileiras. Entre esses movimentos estão os que reivindicam o direito à moradia, um direito social inserido na Constituição federal no ano 2000. Assim, é papel do Estado, nas esferas municipal, estadual e federal, viabilizar políticas públicas para garantir esse direito. Diversos tipos de políticas habitacionais foram implantados pelos governos brasileiros ao longo dos anos. No entanto, essas políticas não foram capazes de resolver a crise habitacional no país e reforçaram a periferização das cidades brasileiras e a segregação socioespacial. Importante destacar que a crise da moradia não é causada pela “falta de moradia”, mas sim pela dificuldade de acesso a moradias existentes que, em diversas áreas das cidades, se encontram desocupadas, como parte daespeculação imobiliária. É comum, por exemplo, haver prédios fechados e sem uso em centros de grandes cidades, não cumprindo a chamada função social, prevista na Constituição, e que inclui, entre outras finalidades, a destinação para moradias. Daí a ação de movimen- tos por moradia em promover a ocupação desses espaços por aqueles que não têm onde morar. ■ Na fotografia, manifestação do movimento Ocupe Estelita, em Recife (PE), 2015. O movimento reivindicava que a área do Cais José Estelita fosse utilizada pela população local, para que todos tivessem direito a seu acesso e uso. D IE G O H ER CU LA N O /F O TO AR EN A D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 34D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 34 18/09/20 17:0818/09/20 17:08 35 Os megaeventos Grandes intervenções urbanas, especial- mente as ligadas a megaeventos esportivos, como a Copa do Mundo de Futebol e os Jogos Olímpicos, costumam ser lembradas como “legados para as cidades”. Os defensores do processo de sediar grandes eventos esporti- vos consideram que as cidades se tornam mais conhecidas, atraindo turistas, investimentos e eventos, e que as estruturas construídas, como sistema de transporte público e equipamentos esportivos, são posteriormente utilizadas pela população. Entretanto, muitos urbanistas e movimen- tos sociais são críticos às formas como ocorrem as intervenções urbanas realizadas para sediar os megaeventos. Esses críticos consideram que esses eventos serviriam para vender a cidade ao capital global e não beneficiariam a comu- nidade local. As obras realizadas nas cidades visariam ao turista e à propaganda da cidade para o mundo. Além disso, apontam que os equi- pamentos esportivos se tornam “elefantes brancos”, pois têm pouco uso após os eventos ou são abandonados; também ocorrem remoções da população em função das obras, de forma autoritária e desvantajosa, e têm sido identificados casos de corrupção e abuso do uso do dinheiro público na organização desses tipos de evento. Em alguns países e cidades, a população rejeitou megaeventos. Foi o caso de Hamburgo, na Alemanha, em que os cidadãos votaram contra a candidatura da cidade para os Jogos Olímpicos de 2024. No Brasil houve protestos contrários à Copa do Mundo de Futebol de 2014, que levantaram bandeiras como: “Não vai ter Copa!”. Esses protestos afirmavam que, sem a consolidação dos direitos sociais (saúde, educa- ção, moradia, transporte e tantos outros), não seria possível admitir que o evento fosse realizado no Brasil. ■ As instalações do Estádio Olímpico Aquático foram abandonadas após os Jogos Olímpicos de 2016, sediado pela cidade do Rio de Janeiro (RJ). Fotografia de 2017. M AR IO TA M A/ G ET TY IM AG ES > MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO • Imagine que o município onde você mora sediará um grande evento, que atrairá pessoas de di- versos lugares do Brasil e do mundo. Para tanto, será necessário ampliar a rede hoteleira e a infra- estrutura de transporte, entre outras ações que serão custeadas principalmente pelos governos municipal e estadual. Existem grupos a favor e grupos contrários à realização do evento, alegando os motivos citados no texto acima. Com qual dos grupos você concordaria? Debata a questão com a turma e apresente seus argumentos de acordo com a realidade do município. D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 35D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 35 18/09/20 17:0818/09/20 17:08 36 Mobilidade urbana A discussão sobre mobilidade urbana está diretamente relacionada ao conceito de direito à cidade. Afinal, para uma cidade justa e inclusiva, na qual os habitantes tenham acesso a diferentes lugares, é necessário que eles se desloquem pelo espaço urbano, a pé ou utilizando meios de transporte. No Brasil, e em muitos outros países, a expansão das cidades para as periferias e a concentração de atividades de trabalho e serviços nas áreas centrais ampliaram a distância entre o lugar de morar e o lugar de trabalhar, configurando nas periferias o que pesquisadores denominam bairros-dormitórios e até cidades-dormitórios. Esses bairros são assim denominados porque seus moradores saem bem cedo de suas casas, para trabalhar ou estudar, e retornam à noite no mesmo dia, apenas para dormir, o que caracteriza as chamadas migrações pendulares. Em muitas cidades brasileiras, entre os principais problemas relacio- nados à mobilidade urbana estão congestionamentos, precariedade do transporte público, alto índice de acidentes de trânsito, poluição do ar, entre outros. Esses problemas geram desde perdas de vidas e danos à saúde das pessoas (sequelas por causa de acidentes, cansaço, estresse, problemas respiratórios) até prejuízos econômicos (maior gasto de com- bustível pelo aumento do tempo das viagens, elevação do custo de manutenção de vias, entre outros). Em relação aos congestionamentos, muitas vezes são tomadas medidas paliativas, como restrição de veículos grandes em determina- das vias, rodízio de veículos, pedágios para o acesso a áreas centrais, ampliação de avenidas etc. No entanto, muitos especialistas concordam que deve ser priorizado o transporte coletivo e a intermodalidade, com ampliação e melhorias de áreas para pedestres. Para além dos congestionamentos e ações que envolvem diretamente os meios de transportes, soluções em torno da mobilidade urbana devem incluir o uso e a ocupação do solo, buscando aproximar moradia e Intermodalidade Integração dos diversos modais de transporte urbano: ônibus, metrô, carros, bicicletas, entre outros. ■ O ponto lotado de passageiros que aguardam para embarcar em ônibus em São Paulo (SP), em 2017, evidencia um dos problemas relacionados à mobilidade urbana. M AR CO S BE ZE RR A/ FU TU RA P RE SS D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21_AVU1.indd 36D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21_AVU1.indd 36 19/09/20 01:4719/09/20 01:47 37 trabalho. Isso deve ser feito com base em mudanças no zoneamento urbano, por meio de medidas como ampliação das zonas de uso misto nas cidades, permitindo o uso comercial e residencial dos imóveis. Ao mesmo tempo, outras ações podem colaborar para a melhora da mobilidade urbana, como: • possibilidade de acesso a moradias para as pessoas de menor renda nas áreas centrais das cidades, combatendo a especulação imobiliária; • incentivo e/ou criação de oportunidades de trabalho nas periferias; • promoção de maior flexibilização de horários de funcionamento de comércio e serviços, com horários diversos de entrada e saída de trabalhadores e estudantes das empresas e escolas, respecti- vamente, contribuindo, assim, para reduzir os congestionamentos em horários de pico. Propor soluções para a modalidade urbana em uma perspectiva do direito à cidade requer, portanto, pensar o território da cidade como um todo e em políticas que promovam um transporte público de qualidade, principalmente, para grupos de baixa renda, ampliando as possibilida- des de essa população ter acesso a atividades de trabalho, serviços de saúde, de educação, entre outros. Há algum tempo, muitas cidades europeias têm os serviços de trans- porte urbano como um serviço público totalmente gratuito. No Brasil, essas experiências vêm se ampliando, como nos municípios de Volta Redonda (RJ), Vargem Grande (SP), Ivaiporã (PR), Muzambinho (MG), Itatiaiuçu (MG), Eusébio (CE), Anicuns (GO), Pitanga (PR), entre outras. Desde 2012, o Brasil conta com a Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), lei composta por diretrizes que têm o objetivo de melhorar a mobilidade nas cidades brasileiras em diversos aspectos, por exemplo, o incentivo ao uso de fontes de energia renováveis. ■ A integração entre terminais de ônibus e metrôs e ciclovias é um exemplo de intermodalidade. Na fotografia, bicicletas disponíveis para aluguel ao lado de estação de metrô no Rio de Janeiro (RJ), 2015. LA ZY LL AM A/ SH U TT ER ST O CK .C O M > DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVANO LIVRO • Segundo a PNMU, municípios brasileiros com mais de 20 mil habitantes ou que fazem parte de uma Região Metropolitana devem apresentar um Plano de Mobilidade Urbana (PMU) para coordenar o encaminhamento de soluções de acordo com as necessidades locais, o que pode incluir ações diversas, como discutimos no texto acima. Imagine que vocês deverão elaborar o PMU para o município onde vivem. Que problemas vocês acham que deveriam ser resolvidos e que soluções podem ser adotadas? D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 37D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 37 18/09/20 17:0818/09/20 17:08 38 NÃO ESCREVA NO LIVROATIVIDADES> 1. Leia os textos a seguir. O primeiro é o trecho de um estudo, de diversos pesquisadores, sobre as intervenções urbanas nas favelas. O segundo faz parte da apresentação do livro Um país chamado favela, escrita pelo rapper carioca MV Bill (1974-). Esses territórios [favelas] têm sido historicamente definidos pelo que não são ou pelo que não têm – ou seja, pela ausência. NASCIMENTO, D. M. O que é extensão? Incertezas e provocações. In: FERREIRA, L.; OLIVEIRA, P.; IACOVINI, V. (org.). Dimensões do intervir em favelas: desafios e perspectivas. São Paulo: Peabiru TCA: Coletivo LabLaje, 2019. p. 245. Disponível em: http://praxis.arq.ufmg.br/ textos/lablaje.pdf. Acesso em: 30 jun. 2020. Nasci e cresci na favela, na Cidade de Deus. Se, de vez em quando, saio dela, ela não sai de mim um único instante. Tenho orgulho disso. A favela não é somente um lugar para morar, mas para formular, produzir, aprender e viver. Infelizmente, por causa do padrão vigente de produção da informação, o Brasil desconhece a favela, uma vez que seus funcionários em geral têm horror a ela. Então, a favela é retratada na mídia como um conjunto de estereótipos, passando, assim, para as pessoas, conceitos prontos, cristalizados. Com certeza, a favela é o lugar onde o Estado não se instalou de fato (nem por isso deve ser associada à carência, pois esta existe em todas as classes), mas é o lugar em que precisa ser ativada a qualidade de todos os serviços públicos para evitar o medo, a escuridão, o lixo largado, a insegurança, a ilegalidade. A favela é reduto da criatividade, da invenção, do empreendedorismo pleno, das artes, dos afetos e da solidariedade. E, se concordamos, a carência não é uma característica daqui. Nas últimas décadas, temos tentado desmistificar esse lugar. Contamos de suas mazelas e de suas glórias. MEIRELLES, R.; ATHAYDE, C. Um país chamado favela: a maior pesquisa já feita sobre a favela brasileira. São Paulo: Gente, 2014. p. 17. a) Relacione, em seu caderno, os textos com a atual definição de favela do IBGE apresentada no capítulo. O que há de comum entre eles? b) Com base no segundo texto, como é possível ter uma visão diferente da favela? 2. Com base no que você estudou neste capítulo, explique a crítica representada na charge frente a questões urbanas atuais. ■ Charge de Bruno Galvão, publicada em publicada em 2010. BR U N O G AL VÃ O D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 38D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 38 18/09/20 17:0818/09/20 17:08 http://praxis.arq.ufmg.br/textos/lablaje.pdf 39 3. Em projetos de intervenções urbanas, muitas vezes, é usado o termo revitalização. No entanto, assim como qualquer outro conceito, é necessário fazer uma análise do seu significado em relação ao contexto em que é usado. Leia o significado de revi- talização segundo o dicionário e responda se você o considera um termo adequado para se referir a áreas da cidade que são objeto de reestruturações que acabam por remover grupos populacionais mais pobres: Revitalização 1. ação, processo ou efeito de revitalizar, de dar nova vida a alguém ou a algo. 1.1 série de ações mais ou menos planejadas, geralmente provenientes de um grupo, comunidade etc., que buscam dar novo vigor, nova vida a alguma coisa REVITALIZAÇÃO. In: DICIONÁRIO eletrônico Houaiss da língua portuguesa. São Paulo: Objetiva, 2009. 4. Compartilhar espaços e ter uma boa convivência em uma moradia pode ser um de- safio para muitas pessoas. Conviver em harmonia está relacionado, entre outros aspectos, ao desenvolvimento de habilidades socioemocionais, em especial, ne- gociação, empatia, diálogo, cooperação etc. Essas habilidades devem ser desen- volvidas ao longo da vida, de acordo com o amadurecimento, o trabalho com o autoconhecimento de cada pessoa e com as vivências e experiências que cada um tem para desenvolvê-las. Diante disso, reúnam-se em grupos e façam as atividades a seguir: a) Criem uma história em que ocorram situações de conflito entre pessoas que con- vivem em uma moradia ou de uma família. A história pode ser criada com base em uma situação fictícia ou real. Inicialmente, procurem relatar que pessoas estavam envolvidas, o tipo de relação entre elas, o motivo do conflito etc. Vocês podem registrar a história em um texto escrito ou gravar um áudio. b) Depois, vocês vão se colocar como mediadores do conflito. Lembrem que a mediação requer levar em conta todos os lados envolvidos e buscar o diálogo com objetivo de trazer soluções. Como media- dores, tentem fazer com que as personagens envolvidas se colo- quem no lugar do outro. c) Em uma roda de conversa, cada grupo apresentará a situação de conflito e as ações para me- diação. Depois, identifiquem de que formas cada conflito poderia ter sido evitado, ou seja, como as personagens ou pessoas envol- vidas poderiam ter agido para que não houvesse o desacordo. ■ Jovens conversando em Curitiba (PR), 2015. AN G EL A FA N TI N /S H U TT ER ST O CK .C O M D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21_AVU2.indd 39D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21_AVU2.indd 39 20/09/2020 01:0420/09/2020 01:04 40 DIÁLOGOS> EU TAMBÉM POSSO> Protagonismo abre as portas da escola O protagonismo juvenil é hoje um tema de destaque na sociedade e os jovens e adolescentes participam cada vez mais ativamente do processo de aprendiza- gem, dos movimentos sociais e da construção de uma sociedade melhor. A primeira coisa a ter em mente para ser protagonista é pensar que você pode atuar de forma positiva e cidadã em transformações na sua escola, na comunidade onde vive e na sociedade em geral. Em 2019, estudantes do 1º e 2º ano do Ensino Médio do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (Iema), na Unidade Plena Itaqui- Bacanga, localizada na periferia de São Luís (MA), se uniram para colocar em prática o projeto Escola pra quê? Quando o protagonismo juvenil saiu da escola e mexeu na peça do dominó. ■ Estudantes em reunião discutem ações do projeto Escola pra quê? Quando o protagonismo juvenil saiu da escola e mexeu na peça do dominó, em São Luís (MA), 2019. Esses jovens da periferia da capital maranhense identificaram a falta de integra- ção entre a escola e a comunidade, percebendo, por exemplo, que os moradores do entorno da escola não sabiam quais eram as atividades desenvolvidas por estudantes e professores. A partir disso, criaram o projeto e organizaram ações voltadas a apro- ximar o Instituto da comunidade. Entre elas, se destacaram campanhas de doações de alimentos para famílias vulneráveis, cursos de especialização em informática e línguas estrangeiras, atividades extracurriculares e eventos como o Dia da Família e a Feira de Profissões, fazendo que a comunidade local usufruísse do espaço escolar. Foi idealizada ainda uma proposta de intercâmbio juvenil denominada “AMEI conhe- cer minha futura escola”, com oficinas direcionadas ao protagonismo juvenil. Esse projeto ofereceu aos moradores da comunidade, estudantes ou não, novas possibilidades de lazer, bem como a oportunidade de desenvolver habili- dades sociais e exercer a cidadania. Além disso, dentro de um contexto de uma H TT PS :// CR IA TI VO SD AE SC O LA .C O M .B R/ AD O LE SC EN TE S- CO M BA TE M - VI O LE N CI A- U RB AN A- AB RI N D O-E SC O LA -P AR A- CO M U N ID AD E/ D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 40D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 40 18/09/20 17:0818/09/20 17:08 41 realidade de violência urbana e altos índices de criminalidade registrados na capital do Maranhão, o projeto contribui para criar uma atmosfera mais segura, inclusiva e solidária na comunidade. Para compreender melhor como esse projeto mudou a vida de jovens da comu- nidade, leia o depoimento a seguir atentando para a opinião de uma estudante que participou dessa iniciativa: [...] “Eu mesma vim de escola pública e sei que é muito difícil seguir estudando sem estrutura e sem muito apoio. Fico muito feliz de me envolver nesse projeto porque quero passar minha experiência de estudar numa escola melhor e quero que todas as pessoas que estão na minha antiga escola também possam ter essa oportunidade.”, comentou a [...] aluna do 1o ano de Ensino Médio do IEMA e uma das participantes do AMEI. [...] XAVIER, A. Adolescentes combatem violência urbana abrindo escola para comunidade. Criativos da Escola, 7 nov. 2019. Disponível em: https://criativosdaescola.com.br/adolescentes-combatem-violencia-urbana-abrindo-escola-para- comunidade/. Acesso em: 31 jul. 2020. Inspirados na ação protagonista dos estudan- tes de São Luís, façam a atividade proposta a seguir. 1. Debatam com seus colegas e levantem uma lista de problemas em sua escola ou comu- nidade local, elencando alguns que possam ser amenizados por meio de uma ação que integre a escola em que vocês estudam e a comunidade onde está inserida. 2. Coletivamente, pensem em exemplos de ações voltadas a combater um ou mais dos problemas elencados. Vocês podem recorrer a uma pesquisa na internet de forma a buscar outros exemplos de ações protagonizadas por jovens em suas escolas ou comunidades. 3. Escrevam uma proposta de ação protagonis- ta, com ajuda do professor, para ser apresen- tada à diretoria, coordenação ou supervisão de sua escola. A proposta deve apresentar o nome do projeto, os principais objetivos a serem alcançados, como será organizado, o papel a ser desempenhado por vocês, os materiais necessários etc. 4. Se possível, coloquem em prática o projeto idealizado e realizem o registro das ações propostas por meio de telefones celulares com câmera fotográfica e/ou de vídeo. HTTPS://CRIATIVOSDAESCOLA. COM.BR/ADOLESCENTES- COMBATEM-VIOLENCIA-URBANA- ABRINDO-ESCOLA-PARA- COMUNIDADE/ ■ Estudantes da Unidade Plena São Luís do Iema em evento para aproximar a comunidade e o ambiente escolar e combater a violência urbana. Fotografia de 2019, em São Luís (MA). D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 41D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 41 18/09/20 17:0818/09/20 17:08 https://criativosdaescola.com.br/adolescentes-combatem-violencia-urbana-abrindo-escola-para-comunidade/. 4242 COLETA DE DADOS E INFORMAÇÕES Nesta etapa, os grupos irão coletar informações sobre o tema escolhido para responder aos questionamentos elaborados na etapa 1 e obter outras informações. Também vão pesquisar mapas do município que podem servir de base para a confecção do mapa colaborativo. Consultem fontes diversas: livros, sites de órgãos governamentais e ONGs, publicações da imprensa (revistas, jornais etc.), especialistas, legislações etc. Combinem com o professor a realização de um trabalho de campo ou convidem algum espe- cialista ou representante do governo para uma roda de conversa. Também podem ser realizadas entrevistas com moradores, com questionário e amostra previamente discutidos e definidos. Veja o exemplo: Você acha que os espaços públicos de lazer são adequados na cidade? Faixa etária Sim Não Por quê? 15-17 anos x Perto da minha casa não existem parques, nem quadras. Gostaria de ter acesso a cinema. No exemplo do tema espaços públicos de lazer, é preciso identificar no mapa do município os locais de lazer. E, em um trabalho de campo, verificar se esses espaços realmente existem e se são de fácil acesso ao público, o estado de conservação, se os equipamentos presentes atendem às necessidades dos moradores de diferentes faixas etárias, como playground para as crianças, e se há outros espaços de lazer não registrados no mapa. Etapa 2 ■ Estudantes do Ensino Médio pesquisando em biblioteca do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Mato Grosso, em Pontes e Lacerda (MT), 2018. LU CI AN A W H IT AK ER /P U LS AR IM AG EN S D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21_AVU1.indd 42D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21_AVU1.indd 42 19/09/20 01:4019/09/20 01:40 43 > SAIBA MAIS Recife, cidade roubada Realização: Ernesto de Carvalho, Leon Sampaio, Luis Henrique Leal, Marcelo Pedroso e Pedro Severien. Brasil, 2014. Vídeo (13 min). Publicado pelo canal Ocupe Estelita. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=dJY1XE2S9Pk. Acesso em: 14 jul. 2020. “Nem tudo que é novo é bom. E nem tudo que é novo é novo. O Projeto Novo Recife nem é novo, nem é bom.” Esse é um dos trechos desse documentário que analisa de forma crítica um projeto de intervenção urbana em Recife. Habitação social: projetos de um Brasil. Episódio 1 – Vila Maria Zélia (SP). Direção: André Manfrim. Brasil, 2020. Vídeo (26 min). Publicado pelo canal Pique Bandeira Filmes. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ByN9DTDXDvE. Acesso em: 14 jul. 2020. A série documental Habitação social: projetos de um Brasil apresenta, ao longo de 13 episódios, um panorama da habitação de interesse social no Brasil, desde as primeiras vilas operárias no início do século XX aos atuais movimentos de luta por moradia. O primeiro episódio traz como tema a Vila Maria Zélia, construída para abrigar operários de uma fábrica de tecidos em São Paulo, em 1917. CHICO Science - Movimento Manguebeat Brasil, 2011. Vídeo (54min).Publicado pelo canal Eterno Chico Science. Disponível em: https:// www.youtube.com/watch?v=JsC86QWHY-Y&t=592s. Acesso em: 18 set. 2020. O documentário apresenta o Movimento Manguebeat, criado com a proposta de recuperação cultural do Recife (PE) e que agrega elementos da música pop com ritmos de Pernambuco, como o maracatu e a embolada. Explora a relação da música com a afirmação da identidade dos povos das periferias de Recife, dentro do contexto do histórico desse movimento que até hoje é referência aos jovens de comunidades localizadas no ambiente dos manguezais da cidade. Um país chamado favela: a maior pesquisa já feita sobre a favela brasileira. Renato Meirelles e Celso Athayde. São Paulo: Gente, 2014. O livro é resultado de uma pesquisa em favelas brasileiras que apresenta informações reveladoras desse território, unindo a pesquisa científica com a vivência dos moradores. Hip Hop: a periferia grita Janaina Rocha, Mirella Domenich, Patrícia Casseano. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2001. O livro traz um breve histórico do movimento hip-hop no Brasil. Além de apresentar o hip-hop como forma de afirmação da identidade dos jovens da periferia dos centros urbanos, as autoras dão voz aos manos e às minas que contribuíram e contribuem para que esse movimento evolua e se firme como uma expressão cultural m oderna e contestadora. Assim, mostram que mais que um estilo, o hip-hop carrega as revoltas e os anseios de jovens que se sentem excluídos da sociedade. D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 43D3-CH-EM-3075-V4-U1-C2-26-43-LA-G21.indd 43 18/09/20 18:1618/09/20 18:16 https://www.youtube.com/watch?v=dJY1XE2S9Pk https://www.youtube.com/watch?v=ByN9DTDXDvE 44 UNIDADE 44 1. Que características da cidade de Salvador (BA) esta paisagem revela? Elas podem ser observadas em outras cidades brasileiras? Você sabe o que explica as origens dos pri- meiros núcleos urbanos no Brasil? Converse sobre essas questões com seus colegas. 2. Imagine que você seja um cientista da área das Ciências Humanas e Sociais, como um historiador, geógrafo, sociólogo ou filóso- fo. O que você investigaria sobreas cidades brasileiras ou sobre o lugar onde você vive? Que importância sua pesquisa teria para a ciência e para a sociedade? Origem e crescimento das cidades Nas Ciências Humanas e Sociais, as cidades são estudadas em diferentes aspectos e escalas. É possível, por exemplo, uma análise em escala global, relacionando a distribuição das cidades a aspectos da desigualdade eco- nômica, ou, ainda, uma análise em escala local, como a ocupação da cidade pelos diferentes grupos sociais. Nesta unidade, este e outros temas serão estudados, buscando em alguns momentos relacioná-los com o lugar onde você vive e com suas experiências. 2 NÃO ESCREVA NO LIVRO D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 44D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 44 18/09/20 16:0818/09/20 16:08 45 ■ Representação de jovens observando paisagem a partir da laje de uma casa em Salvador (BA), na atualidade. G U IL H ER M E AS H TM A D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 45D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 45 18/09/20 16:0818/09/20 16:08 CAPÍTULO 3 A origem das cidades Habilidade Conhecimento apreen- dido por meio de trei- namento ou experiência para obter um resultado desejado. As habilidades sociais são aquelas que utilizamos no cotidiano para expressar desejos, sentimentos, atitudes etc. 46 Eu enxergo o grafite como um grito da cidade. Em meio ao caos urbano ele vem para contrapor a cor cinza, transmutando a rotina intensa dos transeuntes em cores LIMA, T. apud CANCIAN, V. Artista mineira Criola celebra cultura afro-brasileira através do grafite. Opera Mundi, 6 fev. 2015. Disponível em: https://operamundi.uol.com.br/samuel/39397/artista-mineira-criola- celebra-cultura-afro-brasileira-atraves-do-grafite. Acesso em: 11 jun. 2020. É assim que Tainá Lima (1990-), mais conhecida como Criola, uma das mais renomadas grafiteiras do Brasil, explica a relação entre a cidade e sua arte. Para essa mineira de Belo Horizonte (MG), a cidade dá visibi- lidade aos artistas negros, ajudando, assim, a quebrar estereótipos e preconceitos. Com base nos argumentos de Criola, podemos dizer que as cidades têm também uma função educadora, ou seja, seus diferentes espaços podem funcionar como agentes pedagógicos, assumindo uma inten- cionalidade educativa. E, com a confiança em sua arte, ela segue registrando a herança afro-brasileira nos muros e prédios dos centros urbanos, como vemos na imagem a seguir. Viver em cidades é um processo marcado por permanências e rup- turas. De fato, desde que os seres humanos se tornaram sedentários, há cerca de 10 000 anos, e as primeiras comunidades permanentes come- çaram a florescer, a humanidade tem vivenciado diferentes experiências em cidades. As razões que levam as pessoas a viver em cidades são muitas e variaram ao longo da história e dos lugares, como veremos neste capítulo. Mas algo que até os dias atuais continua importante é o desen- volvimento das habilidades sociais. Viver em cidades é, antes de mais nada, saber viver coletivamente, ter respeito pelos outros e pelas regras de convivência. Como você se avalia a esse respeito? ■ Criola enquanto trabalha em um grafite em homenagem a Nelson Mandela, em um edifício de São Paulo (SP), 2017. Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o capítu- lo e sobre o trabalho com as atividades. H EN RI Q U E M AD EI RA D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 46D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 46 18/09/20 16:0818/09/20 16:08 ■ A requalificação de espaços públicos, a conservação do patrimônio histórico e a manutenção da memória da cidade a tornam um espaço de aprendizagem e formação dos indivíduos. Na fotografia, jovens trabalham em uma intervenção artística na escadaria da comunidade Solar do Unhão, em Salvador (BA), 2018. 47 A cidade tem memória? Pense em você daqui a trinta anos dando um depoimento a um historiador a respeito de sua vida atual. Quanto de sua história não estará relacionada à cidade? É provável que as brincadeiras com amigos do bairro, as festas na escola ou as conversas com a galera na escadaria da praça estariam presentes no seu depoimento, não é mesmo? Talvez até mesmo o cheiro da pipoca vendida na frente do parque ou o som do carro do vizinho façam parte de suas memórias. De fato, boa parte de nossa vida está relacionada ao lugar em que vivemos. Mesmo quem mora em uma área rural sempre tem um centro urbano perto que atrai as atenções e os desejos: é ali que estão o cinema, a igreja, o supermercado, a sorveteria... Como sintetizou Ecléa Bosi (1936-2017), uma das mais rele- vantes pesquisadoras de Psicologia Social do Brasil: [...] Cada geração tem, de sua cidade, a memória de acontecimentos que são pontos de amarração de sua história [pessoal]. [...] BOSI, E. Memória da cidade: lembranças paulistanas. Estudos Avançados, São Paulo, v. 17, n. 47, p. 199-200, jan/abr. 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103- 40142003000100012&script=sci_arttext&tlng=pt. Acesso em: 11 jun. 2020. Isso significa dizer que são essas memórias comuns a um conjunto de pessoas que se entrelaçam e criam um sentimento de identidade e de pertencimento a um mesmo grupo. E quando a memória vira história? Maurice Halbwachs (1877-1945), importante cientista social, explica: [...] A necessidade de escrever a história de um período, de uma sociedade e até mesmo de uma pessoa, só desperta quando elas já estão bastante distantes do passado, para que ainda se tenha por muito tempo a chance de se encontrar em volta diversas testemunhas que conservam alguma lem- brança. Quando a memória de um acontecimento não tem mais por suporte um grupo, [...] então o único meio de preservar essas lembranças é fixá-las por escrito em uma narrativa, pois os escritos permanecem, enquanto as palavras e os pensamentos morrem. HALBWACHS, M. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, 1990. p. 80-81. PR O JE TO U N H ÃO D AS A RT ES , E XE CU TA D O P O R M O TI RÔ -B A, C O M R EC U RS O S D O F U N D O S O CI O AM BI EN TA L CA SA D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 47D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 47 18/09/20 16:0818/09/20 16:08 Estratificação social Distinção ou hierarquia entre pessoas ou grupos decorrente de condições socioeconômicas, políti- cas e religiosas. Processo histórico Sequência de fatos, acontecimentos ou mudanças. A ideia de processo supõe a ação do tempo e envolve a noção de movimento. O processo de formação do Brasil como país, por exemplo, envolveu muitos acontecimentos, entre os quais o povoa- mento do território pelos indígenas, a chegada dos portugueses em 1500, entre outros. 48 Como chegamos até aqui? Cooperação! Essa é a palavra central para entendermos como os grupos humanos transformaram pequenas vilas compostas de poucas cabanas em imponentes cidades. Como reforça o historiador Yuval Noah Harari (1976-): Homo sapiens é antes de mais nada um animal social. A cooperação social é essencial para a sobrevivência e a reprodução. [...] HARARI, Y. N. Sapiens: uma breve história da humanidade. Porto Alegre: L&PM, 2017. p. 31. De fato, ao longo de pelo menos 200 mil anos, o Homo sapiens viveu em pequenos grupos, caçando e coletando alimentos. Aos poucos, esses grupos passaram a viver em assentamentos permanentes. Esse processo foi acompanhado pelo lento domínio da agricultura e da domesticação de animais. Todas essas transformações provocaram o aumento popu- lacional dessas comunidades. No entanto, a vida sedentária exigia um esforço coletivo muito grande para solucionar problemas antes inexistentes aos grupos nômades. Por exemplo, a construção de diques e reservatórios para garantir água nos períodos de seca, obras para controlar as cheias dos rios e a abertura de canais para irrigar as plantações. A sobrevivência do grupo dependiade muita organização e pla- nejamento. Alguns indivíduos com maior habilidade de liderança assumiam essas funções. Outros, pela imposição dos mais fortes ou por causa das habilidades que possuíam, passaram a se dedicar a tarefas específicas, como agricultura produção de cerâmica, construção de obras e defesa contra ataques de outros grupos. E havia ainda aqueles respeitados por possuírem conhecimento sobre as ervas curativas. No conjunto, esse processo fez que algumas atividades e profissões assumissem, ao longo do tempo, maior importância ou valorização social, e assim surgia a estratificação social. A formação de aglomerações populacionais, nas quais a maioria dos habitantes não trabalha na agricultura, a existência de uma classe dominante e a divisão do trabalho são algumas das características que marcam o surgimento das cidades. Como esses núcleos urbanos eram autossuficientes e autogovernados, não dependendo de outros terri- tórios ou povos, os historiadores os denominam de cidades-Estados. Este não foi um processo histórico uniforme e nem aconteceu ao mesmo tempo em todos os lugares do planeta. Até hoje existem sociedades que nunca viveram ou se organizaram dessa forma e isso não significa que são melhores ou piores do que outras. Os indígenas brasileiros e os aborígenes australianos, por exemplo, possuem uma organização igualitária e, em sua maioria, não chegaram a constituir cidades. Mas o fato é que esse processo aconteceu em várias regiões do globo. Veja os exemplos a seguir. D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 48D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 48 18/09/20 16:0818/09/20 16:08 49 • Mohenjo-Daro e a preocupação com o urbano: por volta de 3000 a.C., no atual Paquistão, um povo que os historiadores chamam de dravidiano começou a erguer cidades ao longo do rio Indo. Eram núcleos urbanos bem estruturados, edificados segundo um cuidadoso traçado, que privilegiava ruas largas, e construídos sobre plataformas de terra batida de até 12 metros de altura para evitar as cheias causadas pelo degelo anual do Himalaia. Além disso, seus habitantes contavam com eficientes sistemas de água e esgoto. ■ Reconstituição de Çatalhüyük elaborada com base em investigações arqueológicas. Uma das características dessa cidade é que não existiam ruas, e os habitantes circulavam de uma moradia a outra por escadas, atravessando os telhados. ■ O sítio arqueológico de Mohenjo-Daro, no Paquistão, descoberto na década de 1920, foi declarado Patrimônio Histórico da Humanidade em 1980. Nesta fotografia de 2017, as ruínas da cidade com destaque para a área dedicada ao banho público. SU ZU KI K AK U /A LA M Y/ FO TO AR EN A • Çatalhüyük, um dos mais antigos centros urbanos: situada na atual Turquia, as ruínas dessa cidade, de cerca de 7000 a.C., foram encontradas em uma escavação arqueológica em 1960. Alguns estudos indicam que chegou a contar com aproximadamente 10 mil moradores. Também foram encontradas evidências de rela- ções comerciais com outras regiões. G ET U LI O D EL PH IM D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 49D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 49 18/09/20 16:0818/09/20 16:08 50 • Atenas e o debate público: por volta do século VIII a.C., surgiu na região da Grécia atual um tipo específico de cidade que ficou conhecido como pólis. Entre as principais características da pólis, des- tacam-se um sistema de defesa rígido e composto de fortificações e exércitos bem treinados, assim como a participação dos cidadãos nas decisões de interesse público. Os homens livres se reuniam na ágora, praça central da pólis, para discutir e votar questões de interesse da vida na cidade. As mulheres e os escra- vizados eram excluídos das discussões políticas na ágora. Foi dessa experiência histórica que nasceu a figura do político, pessoa que se dedica a participar ■ Pesquisas arqueológicas encontraram sete pirâmides de diferentes tamanhos e outras estruturas menores nas ruínas de Caral-Supe, no Peru. Fotografia de 2016. ■ Na fotografia, ruínas da Ágora Antiga em Atenas (Grécia), 2018. J.E N RI Q U E M O LI N A/ AL AM Y/ FO TO AR EN A A LV AR O G ER M AN V IL EL A/ AL AM Y/ FO TO AR EN A da vida pública. A necessidade de falar bem em público, defendendo seu ponto vista e usando habilidades como argumentação e clareza, originou a retórica – a “arte de falar bem”. • Caral-Supe, a cidade sagrada: localizada no atual Peru, a cidade de Caral-Supe foi fundada em 2627 a.C., considerada, portanto, a mais antiga do continente americano. Sua arquitetura, formada por salas ovaladas, pirâmides e anfiteatro circular, revela, entre outros aspectos, o alto grau de conhecimento técnico e artístico, a importante função religiosa da cidade e a capacidade de organização de seus governantes. NÃO ESCREVA NO LIVRO> MEUS ARGUMENTOS • Cooperação, organização e planejamento são algumas das habilidades ci- tadas no texto para o surgimento das cidades. Em sua opinião, que outras habilidades teriam sido necessárias aos grupos sociais do passado para a construção e a consolidação das cidades? E hoje, que habilidades você con- sidera importantes para viver em cidades? D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU2.indd 50D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU2.indd 50 19/09/20 15:1719/09/20 15:17 DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS> 51 As cidades citadas nas páginas 49 e 50 são hoje consideradas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) Patrimônio Mundial da Humanidade, por sua importância histórica e arqueológica. É comum dizer que esses bens são “bens tombados”. Isso porque o termo tombamento, nesse contexto, significa o reconhecimento do valor histórico, artístico ou cultural de um bem, transformando-o em patrimônio oficial público. Sobre esse assunto, leia o texto a seguir e responda às questões: Preservar é respeitar o direito de nossos descendentes. É garantir às gerações futuras o conhecimento de suas próprias histórias. [...] Não existem critérios definidos, mas é evidente que não se pode preservar tudo o que foi pro- duzido por gerações. É preciso fazer uma seleção. Tudo o que se preserva é marco de um tempo dentro da história [...]. toda a nossa história, toda a nossa produção, nosso saber e fazer são bens culturais e, pelo menos, uma parcela representativa de cada período deve ser preservada como documento referencial. O patrimônio pode ser dividido em três grandes categorias: Natural: São os elementos pertencentes à natureza, ao meio ambiente. Por exemplo: as cachoeiras, os rios, as matas, os animais etc. O saber fazer [cultura imaterial]: É todo o conhecimento [...] aplicado no meio em que vive. Por exemplo: o polir a pedra, o cortar uma árvore, o transformá-la em outro objeto. Enfim, todas as técnicas que envolvam o conhecimento humano. São os bens intangíveis. Neste grupo incluem-se também os usos e costumes, crenças, músicas, danças, festas, e a religiosidade, chamado de patrimônio imaterial [...]. Os objetos [cultura material]: Neste grupo estão presentes os bens tangíveis, sólidos, resultantes do saber fazer. Por exemplo: os edifícios, artefatos em geral, os sítios arqueológicos, documentação histórica escrita, fotografia, objetos de arte etc. Existem dois caminhos principais para a preservação: 1. Através da educação – [...] todas as atividades [...] que visem à conscientização da comu- nidade, direcionando-a ao conhecimento de si própria e de seus valores como um todo. 2. Pelo tombamento – ação do Estado. Regida pelo Decreto-Lei 25/37, que normatiza a ação de proteção. VILANOVA JUNIOR, A. de A. A preservação do patrimônio! Parque da Ciência Newton Freire Maia, Pinhais, [set. 2013?]. Disponível em: http:// parquedaciencia.blogspot.com/2013/09/a-preservacao-do-patrimonio.html. Acesso em: 15 jun. 2020. 1. Com base na leitura do texto, escolha duas cidades apresentadas nas páginas49 e 50 e justifique a importância de sua preservação. 2. O texto aqui reproduzido afirma que não é possível preservar tudo e que “é preciso fazer uma seleção”. Reúna-se com seu grupo e, juntos, pensem sobre bens naturais ou patrimoniais do município em que vivem que poderiam ser preservados. Após o levantamento, escolham apenas um local ou objeto que vocês gostariam de ver tombados. Amparados em pesquisas, e até mesmo uma visita de campo, se possível, justifiquem a escolha do grupo. Entre outras questões, busquem evidenciar nos argumentos: • Por que esse bem, imóvel ou conjunto arquitetônico deveria ser tombado? • Que importância ele tem para a cidade? • Que sensações ou sentimentos esse lugar ou objeto desperta? • É um local ou objeto que deveria ser conhecido por futuras gerações? NÃO ESCREVA NO LIVRO D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 51D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 51 18/09/20 16:0818/09/20 16:08 52 Mudanças e permanências Você já parou para pensar como, de tempos em tempos, a vida muda? Às vezes, as mudanças são provocadas por um fato, por exemplo, se uma família mudar para outra cidade. Mesmo sem um fato específico, também passamos por mudanças. Por exemplo, mudamos de opinião sobre um estilo de música que achávamos chato. Após ouvir com mais atenção, pensamos: Essa música é muito boa. Nem sei onde estava com a cabeça de não gostar. E há ainda aquelas coisas que permanecem iguais na nossa vida, mesmo com o passar do tempo. Guardadas as devidas proporções, a história da humanidade também é feita de mudanças e permanências. Ou seja, trata-se de estruturas sociais, políticas, econômi- cas e culturais, modos de organização da sociedade, crenças e valores que mudam ou permanecem os mesmos ao longo do tempo. Os processos envolvidos nessas mudanças e permanências são os objetos centrais dos estudos dos historiadores. No entanto, mesmo as permanências históricas sofrem transformações. Nos últimos milênios antes da Era Cristã (a.C.), mas, principalmente depois desse período (d.C.), ocorreu um processo lento e contínuo no qual governantes de cidades-Estados passaram a ampliar o poder, incorporando outras cidades ou territórios. Esse domínio resultou na formação de reinos e impérios. Veja a seguir algumas cidades que se tornaram o centro de irradiação de poder desses reinos e impérios. • Tenochtitlán, a capital do Império Asteca: os astecas eram um grupo que, fugindo da seca, passou a viver, a partir de 1325, no local em que hoje se encontra a Cidade do México, no México. Em 1428, assumiram o controle da região e transformaram-se em um grande império. Tenochtitlán, sua capital, tinha canais navegáveis, pirâmides, escrita própria e ouro. Em 1521, a cidade foi atacada pelos europeus e o império, dizimado. ■ RIVERA, D. A grande cidade de Tenochtitlán. 1945. Palácio Nacional, Cidade do México (México). Esse afresco de Diego Rivera (1886-1957), aqui em um detalhe, representa a cidade de Tenochtitlán construída sobre um lago em ilhas artificiais. Observe no centro da imagem a representação do Templo Maior, um dos principais templos religiosos dos astecas. @ B AN CO D E M EX IC O D IE G O R IV ER A & FR ID A KA H LO M U SE U M S TR U ST , M EX IC O, D .F. /A U TV IS , B RA SI L, 20 20 . F O TO : H EN RI S TI ER LI N W W W .S TE FF EN S. BI Z © D IE G O R IV ER A (U N TI L 20 27 )/ BI LD AR CH IV S TE FF EN S/ AK G -IM AG ES /A LB U M /F O TO AR EN A D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 52D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 52 18/09/20 16:0818/09/20 16:08 53 • Roma, de pequena vila a grande império: Roma nasceu no século VII a.C. da junção de sete vilas e, em pouco tempo, se tornou uma cidade poderosa. A partir do século III a.C., seus sucessivos governos iniciaram um processo de expansão contínuo. Com isso, a cidade se transformou na capital de um dos maiores impérios que o mundo já conheceu. ■ Reconstrução da paisagem urbana de Roma em 320 d.C. Esta imagem foi feita em tecnologia digital 3D por uma equipe de profissionais de universidades estadunidenses que participaram do projeto Roma Renascida, iniciado na década de 1990. • Pequim, o centro do poder político: sua origem não é precisa, mas um de seus marcos é 1215 d.C., quando o governo do mongol Genghis Khan (1162- 1227) invadiu a região, arrasou o antigo núcleo urbano e recons- truiu a cidade para ser uma das capitais do seu império. Atualmente, mais de 20 milhões de pessoas moram em Pequim. VC G/ G ET TY IM AG ES CO PY RI G H T 20 10 F LY O VE R ZO N E. A LL R IG H TS R ES ER VE D • Para representar as cidades dessa dupla de páginas, foram utilizados diferentes recursos, como tecnologia digital 3D, maquete e pintura muralista. Com qual você mais se identifica? Escolha uma dessas técnicas como inspiração para produzir uma representação do centro urbano do município em que mora. Lembre-se de que esse projeto pode ser desenvolvido de forma mais conceitual. Dessa forma, você terá liberdade artística e poética para retratar suas ideias e emoções. Apresente sua obra para a classe e explique a proposta e a técnica utilizada. ■ Maquete do desenvolvimento urbano de Pequim exposta ao público em Pequim (China), 2019. > DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 53D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 53 18/09/20 16:0818/09/20 16:08 54 As primeiras cidades brasileiras Se você fosse escolher um símbolo para representar a sua comunidade, o que seria? Uma edificação, uma árvore, uma flor ou um produto típico? Muita coisa pode simbolizar uma cidade, o poder da pessoa ou do grupo que a governa. Durante o período em que o atual Brasil foi colônia de Portugal, o pelourinho, instalado nos pontos centrais das vilas, era o símbolo da admi- nistração portuguesa, da autoridade e da justiça. Em 1532, quando foi fundada São Vicente, a primeira vila do atual território brasileiro, lá estava o pelourinho e, ao seu lado, uma capela, um pequeno forte e uma cadeia. Durante muito tempo, as vilas da colônia eram bastante acanhadas e parecidas com São Vicente. Observe, por exemplo, o mapa acima, que representa Belém, no Pará, em 1640. Um processo mais intenso de crescimento urbano na colônia só viria a ocorrer após a descoberta do ouro na região das Minas Gerais, na virada do século XVII para o XVIII. A busca por enriquecimento originou uma “corrida de pessoas” em direção à região das minas, o que provo- cou um crescimento urbano veloz e desorganizado, dando origem a cidades como Ouro Preto (MG) e Mariana (MG). As viagens dos bandeirantes em busca de novas zonas auríferas, de tropeiros e viajantes que atravessavam o atual território brasileiro vendendo alimentos, tecidos e ferramentas, assim como de boiadei- ros que percorriam longas distâncias com seus rebanhos em busca de pastagem, também contribuíram para dar origem a vilas e cidades no período colonial. ■ Mapa conhecido como De Stat Ende Fort van Grand Para (em português, “cidade e forte do Grão-Pará”), de autoria desconhecida, 1640. Legenda: 1. Forte do Presépio; 2. pelourinho; 3. igreja; 4. construções protegidas por muralhas e palhiças; 5. moradias com quintal coletivo; 6. igarapé; e 7. moradias. 1 2 3 4 5 6 7 AL G EM EE N R IJ KS AR CH IE F, H AI A, H O LA N D A. NÃO ESCREVA NO LIVRO> LEITURA DE IMAGEM • O mapa reproduzido nesta página foi elaborado em 1640 e é uma das mais antigas representa- ções da cidade de Belém (PA). Por meio dele, é possível entender alguns aspectos da formação das vilas. Observe todos os detalhes da imagem e descreva como o espaço foi organizado pelos colonizadores. Em seu caderno, estruture suas informações em cerca de dois parágrafos e apre- sente para a classe. D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd54D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 54 18/09/20 16:0818/09/20 16:08 55 O século XX e a cidade moderna O que é uma cidade ideal para você? Aquela que tem prédios altos e elegantes, grandes vias públicas ou uma cuja administração busque atender aos interesses de seus múltiplos moradores, se preocupando também com o abastecimento de água, a coleta de esgoto, o transporte, a educação, a moradia e o lazer? Os caminhos que levam uma cidade a ser adequada para a sua população são muitos, mas qual- quer um deles depende de políticas públicas eficientes, planejadas e capazes de promover o bem-estar da sociedade. Em meados do século XIX, a população brasileira ainda era majori- tariamente rural. Recife, a terceira maior cidade do país na época, tinha menos que 50 mil habitantes. Somente Rio de Janeiro e Salvador apre- sentavam uma população maior. A primeira, capital do império, tinha 274 972 habitantes; Salvador, antiga capital, tinha 129 109 habitantes. No final do século XIX, as cidades brasileiras passaram a viver um grande afluxo de pessoas. Em 1872, 5,9% da população brasileira vivia nas cidades; em 1900, esse número cresceu para 9,4%; e, em 1920, corres- pondia a 10,7%. São Paulo, por exemplo, que passava por um processo de industrialização, viu sua população crescer de 31 385 habitantes, em 1872, para 240 000, em 1900. Além de imigrantes estrangeiros, brasileiros que fugiam das más condições de vida agravadas pela seca (principalmente no interior do Nordeste) se dirigiam às cidades. Também ex-escravizados, que ficaram sem acolhimento ou perspectiva de vida no campo após a abolição da Escravatura em 1888, viam o espaço urbano como uma opção de vida. A imigração para a colonização da região Sul do Brasil também contribuiu para a urbanização. Por causa do incentivo do governo federal, grupos de imigrantes de diversas nacionalidades – como italianos, alemães, poloneses – se dirigiram para a atual região Sul do país. Com isso, pequenas vilas se transformaram em cidades e outros centros urbanos foram criados. Foi assim que nasceram cidades como Joinville (SC), Blumenau (SC), São Leopoldo (RS) e Bento Gonçalves (RS). ■ Jovem em concurso de break na Praça da República, em São Paulo (SP), 2018. O break é um dos componentes do hip-hop, movimento que promove a ocupação do espaço público por jovens. ■ Na fotografia, rua na Colônia de Caxias, atual munícipio de Caxias do Sul (RS), entre 1885 e 1897. Política pública Conjunto de programas, ações e decisões tomadas pelos governos (federal, estaduais ou munici- pais) que visa assegurar determinado direito de cidadania aos grupos que compõem a sociedade. São as políticas públicas adotadas pelos poderes Executivo e Legislativo de seu município, por exemplo, que resultam (ou não) em escolas, transporte e hospitais. VA LE N TI N D E SO U ZA /F O TO AR EN A AR Q U IV O H IS TÓ RI CO M U N IC IP AL JO ÃO S PA D AR I A D AM I, CA XI AS D O S U L- RS D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 55D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 55 18/09/20 16:0818/09/20 16:08 56 Reformas urbanísticas A vida nas grandes cidades era bastante difícil. Sem qualquer tipo de direito trabalhista e ganhando remunerações baixas, muitas pessoas moravam em casas deterioradas e subdivididas, localizadas nas regiões centrais das cidades. Eram ambientes insalubres, comumente sem janelas, em que um único banheiro tinha de ser utilizado por dezenas de pessoas. Eram locais em que os moradores ficavam vulneráveis a doenças, que de tempos em tempos assolavam as cidades. Esse tipo de coabitação, conhecida como corti- ços, ainda hoje faz parte das condições de vida da população pobre das grandes cidades brasileiras. Além da moradia precária, no início do século XX as cidades brasi- leiras não contavam com sistemas de coleta de esgoto e abastecimento de água; as ruas eram malcheirosas, não tinham calçamento nem ilu- minação elétrica; o transporte coletivo público era quase inexistente. Nesse contexto e inspiradas nas experiências europeias, as elites políticas começaram a discutir a necessidade de reformas urbanas nas cidades brasileiras. As reformas implantadas no Brasil seguiram, prio- ritariamente, a linha do método conhecido como “Planos de reforma” (veja o quadro a seguir). De modo geral, isso significou promover refor- mas apenas em alguns pontos das cidades, ignorando os impactos e a situação do restante da população, principalmente as necessidades dos mais pobres e carentes. Métodos de intervenção urbana em área construída O aumento populacional vivenciado após a Revolução Industrial resultou em diversos problemas nas cidades europeias. Assim, ao longo do século XIX, uma série de reformas urbanas foi implementada na Europa. As estratégias de intervenção utilizadas variaram. Porém, pesquisas recentes desenvolvidas por cientistas sociais mostram que as interven- ções do século XIX se resumiam a dois métodos diferentes: • Planos de reforma: as intervenções ocorriam em regiões específicas da cidade, geralmente na área mais central ou de maior circulação. O tecido urbano era modi- ficado com a abertura de ruas e praças e a introdução de novos elementos, como monumentos ou edificações importantes. • Plano regulador: com uma visão global da cidade e trabalhando o seu conjunto, o plano regulador era introduzido para evitar ações contrárias ao interesse comum. Teve, por- tanto, um papel ativo na intervenção, visando a corrigir equívocos e situações incorretas. ■ Na fotografia, cortiço em São Paulo (SP), na década de 1940. AC ER VO IC O N O G RA PH IA D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 56D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 56 18/09/20 16:0918/09/20 16:09 57 Em 1902, o presidente da República, Rodrigues Alves (1848-1919), iniciou uma remodelação urbana no Rio de Janeiro, então capital do Brasil. As ruas centrais foram alar- gadas e instaladas linhas de bondes elétricos e postes de iluminação elétrica. Além da construção de edifícios públi- cos, como a Biblioteca Nacional e o Teatro Municipal. Em uma ação que ficou conhecida como Bota-Abaixo, promovida pelo então prefeito do Rio de Janeiro, Francisco Pereira Passos, centenas de pequenas casas e cortiços da região central foram derrubados. Grande parte da popula- ção da área central da cidade, principalmente aquela que habitava os cortiços, foi obrigada a se mudar para bairros periféricos ou passou a ocupar os morros, dando origem às favelas, locais onde a reforma urbanística não chegou. Além do Rio de Janeiro (RJ), outras cidades, entre as quais Salvador (BA) e Recife (PE), passaram por remodelações urba- nísticas que, da mesma maneira, provocaram a expulsão dos pobres da região central, obrigando-os a se instalarem em moradias precárias na periferia. De modo geral, é esse modelo de intervenção urbanís- tica que orientou as reformas urbanas realizadas em boa parte do século XX no Brasil. As elites brasileiras combina- vam o ideal modernizador dos novos tempos sem alterar as antigas desigualdades sociais. NÃO ESCREVA NO LIVRO> MEUS ARGUMENTOS • As reformas urbanas implantadas no Brasil, no começo do século XX, seguiram modelos europeus. Explique, em seu caderno, por que elas não privilegiaram um olhar sobre o conjunto da cidade. NÃO ESCREVA NO LIVRO> DE MÃOS DADAS • Para conhecer e refletir sobre a tomada de decisões políticas em uma cidade, a classe deve organizar uma visita à Câmara Municipal do muni- cípio em que estudam. Como primeiro passo, a turma precisa levantar informações sobre o funcionamento da Câmara e suas funções e checar se é realizada a visita guiada. Também é possível tentar marcar encon- tro com vereadores e/ou com o presidente da Câmara. Não deixem de levar perguntas previamente elaboradas e materiais para anotações. Ao final, preparem uma apresentação sobre a visita. ■ Esta sequência defotografias ilustra aspectos da Reforma Urbana do Rio de Janeiro. De cima para baixo, a primeira imagem apresenta a demolição de casarões para a ampliação de ruas, em 1904. A segunda ilustra a ocupação do Morro da Providência (fotografia c. 1920), considerada a primeira comunidade formada pela expulsão dos moradores do centro da cidade. A última fotografia retrata a construção do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, c. 1908, obra do contexto da reforma. AC ER VO IC O N O G RA PH IA AC ER VO IC O N O G RA PH IA FU N D AÇ ÃO B IB LI O TE CA N AC IO N AL , R IO D E JA N EI RO D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 57D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 57 18/09/20 16:0918/09/20 16:09 58 Vida urbana moderna A partir do século XIX e ao longo do XX, muitas cidades do mundo passaram por grandes transformações que visavam modernizar esses espaços. Como vimos, isso ocorreu em grandes cidades da Europa e de outros continentes, inclusive no Brasil. A modernização das cidades modificou o espaço urbano e a organização das construções, como casas, prédios, lojas, prédios públicos etc. Essas transformações trouxeram novos serviços para as grandes cidades, como o desenvolvimento de meios de trans- porte público (trens, metrôs, ônibus etc.), a criação de vias amplas e largas que possibilitavam a circulação de automóveis, o surgimento de grandes lojas de comércio e centros comerciais e a criação de sistemas de iluminação pública e serviços de comunicação (como os primeiros telefones). Tudo isso ajudou a criar um novo modo de vida, a chamada vida urbana moderna. Uma característica central da vida moderna é que ela é marcada pela aceleração do tempo. Hoje em dia, vivemos em um mundo extremamente acelerado, no qual as pessoas realizam inúmeras tarefas por dia e é possível circular mais rapidamente de um ponto a outro da cidade. ■ MEIRELES, C. Fontes. 1992. Tate Modern, Londres (Inglaterra), 2008. A instalação Fontes, do artista brasileiro Cildo Meireles (1948-), explora a posição do indivíduo no mundo diante de tantos números, relógios e métricas. Essa obra nos permite refletir sobre como as emoções, os espaços e os tempos vividos pelo indivíduo podem escapar às medições de sistemas convencionais. EXIBIÇÃO: TATE MODERN, LONDRES, INGLATERRA D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 58D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 58 18/09/20 16:0918/09/20 16:09 59 Uma cena muito comum nas grandes cidades brasileiras é vermos pessoas apressadas no transporte público ou em seus carros para chegar na hora ao trabalho, à escola ou à consulta médica. Porém, tal relação com o tempo não é natural e nem sempre existiu. Essa ideia de que temos um tempo contado para realizar nossas obrigações está relacionada com o nascimento da cidade moderna e o modo como isso modificou a forma como vivemos. Cada vez mais, o tempo do relógio, cronometrado de forma precisa, substitui o tempo da natureza, mais lento e menos rígido. Perder tempo se torna sinônimo da perda de oportunidades; por isso, há uma valorização crescente da pressa e da eficiência. Esse processo de aceleração do tempo afetou a vida humana de muitas formas, e diversos pensadores das Ciências Humanas se dedicaram a refletir sobre os impactos individuais e coletivos da vida moderna. Um desses pen- sadores foi o alemão Walter Benjamin (1892-1940). Ele presenciou algumas das transformações urbanas do período e analisou obras de muitos artistas que refletiram sobre o nascimento da vida moderna, como o poeta francês Charles Baudelaire (1821-1867). Em suas análises, Benjamin enfatizou o modo como a vida moderna e a aceleração do tempo afetaram a maneira como os indivíduos podem compartilhar suas experiências entre si. O conceito de experiência é utilizado para definir o conjunto de saberes e tradições acumulados ao longo do tempo pelos grupos humanos. Não é somente um conhecimento científico do mundo, mas a forma como vemos o mundo e nos relacionamos com o outro. Por isso, uma das formas de transmitir a experiência é por meio da narração de histórias. Para Benjamin, a transmissão da experiência assegurava a estabi- lidade do mundo, orientando as ações dos indivíduos e dos grupos. Porém, com a aceleração do tempo, ocorre um processo de perda dessa experiência. Na cidade moderna, a experiência acumulada pelas gera- ções começa a ter uma importância cada vez menor. O tempo acelerado significa que o mundo está se modificando a todo o momento. A cidade e as relações sociais estão em constante mudança. Com isso, a experiência acumulada passa a ser vista como algo sem tanta importância na orientação das ações dos indivíduos. Para Walter Benjamin, o sujeito moderno é um sujeito pobre em experiência, já que vive sem o auxílio das tradições do passado, sempre aprendendo e reaprendendo a lidar com o mundo, muitas vezes incapaz de aprender com os erros e acertos do passado. Charles Baudelaire É considerado fundador da poesia moderna e um dos precursores do Simbolismo, influen- ciando artistas do século XIX e XX. NÃO ESCREVA NO LIVRO> MEUS ARGUMENTOS • Você acredita que a experiência dos mais velhos pode ajudar a resolver problemas práticos do mundo em que vive, como conseguir um emprego ou se relacionar com as outras pessoas? Elabore um texto em seu caderno que dialogue com as ideias propostas por Walter Benjamin. D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 59D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 59 18/09/20 16:0918/09/20 16:09 60 NÃO ESCREVA NO LIVROATIVIDADES> 1. Na abertura do capítulo, Tainá Lima, mais conhecida como Criola, afirma ver no gra- fite um grito da cidade. E para você, qual seria o grito de sua cidade ou comunidade? Justifique sua resposta. 2. Quais são os principais problemas que os primeiros grupos sedentários enfrentaram? Agora, reflita considerando o oposto, ou seja, quais seriam as dificuldades que uma pessoa ou um grupo de pessoas (como ciganos, tuaregues etc.) sem moradia fixa provavelmente enfrenta nos dias atuais. Você conhece alguém que viva dessa forma? 3. Uma das características das cidades gregas na Antiguidade era a valorização do debate público. Para isso, a capacidade de argumentação era fundamental. No texto a seguir, dois professores justificam a importância do desenvolvimento dessa habilidade para o ambiente escolar. Após a leitura, responda ao que se pede. [...] é nosso objetivo defender uma proposta de educação de cunho argumen- tativo que, em linhas gerais, fundamenta-se na racionalidade argumentativa – também denominada de retórica – e que deve valorizar as diversas opiniões dos sujeitos e incentivar a interrogatividade a fim de chegar a acordos plausíveis, sendo passíveis de renovações sempre que necessário. Uma educação argumentativa é aquela que não nega a problematização e que acolhe as questões trazidas pelos diferentes auditórios. Consideramos que pensar numa educação de cunho argumentativo ou de abor- dagem argumentativa não é tarefa fácil, pois estamos vivendo em uma sociedade em que há cada vez menos disposição para ouvir o outro, considerar seus interes- ses, suas necessidades, inquietações e questões. Também observamos indivíduos que estão vivenciando um completo desânimo por não haver acolhimento às suas colocações. Está havendo, gradativamente, um momento de esfriamento das rela- ções pessoais, ou seja, percebemos que há um aumento significativo da solidão e do egocentrismo. Esse pano de fundo certamente gera influências no cenário escolar que inclusive atuam, em alguns momentos, reproduzindo tais ações sociais. Entendemos que, em alguma medida, estamos vivendo um dilema ético. [...] [...] retórica é a arte de persuadir pelo discurso. Por discurso entendemos toda produção verbal, escrita ou oral, constituída por uma frase ou por uma sequência de frases, que tenha começo e fim e apresente certaunidade de sentido. OLIVEIRA, H. S. J. de; OLIVEIRA, R. J. de. Retórica e argumentação: contribuições para a educação escolar. Educar em Revista, Curitiba, v. 34, n. 70 , p. 197-212, jul./ago. 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40602018000400197. Acesso em: 15 jun. 2020. a) Com base no texto, explique o que vem a ser uma educação de cunho argumen- tativo e a quais valores ela está associada. b) Quais dificuldades uma abordagem argumentativa vem enfrentando na escola? c) Amparados na definição de retórica que o texto traz, reúna-se com seu grupo e, juntos, organizem uma cena dramática de até 5 minutos que aborde algum dos temas do arti- go. Para isso, sigam estas orientações: D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 60D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 60 18/09/20 16:0918/09/20 16:09 61 ANÁLISE DA REALIDADE E PROPOSTA DE AÇÕES Nesta etapa, será realizada a organização e a análise dos dados pesquisados e das informações coletadas no trabalho de campo e nas entrevistas. Com base nos dados obtidos, analisem as hipóteses levantadas na etapa 1, considerando se o que foi discutido pode ser confirmado, refutado ou complementado. Este é um momento de formular explicações sobre problemas discutidos na primeira etapa, fazer novas perguntas e refletir sobre propostas de interven- ções no município, comunidade ou bairro que tragam melhorias nas condições de vida da população, como novos espaços públicos de lazer e indicação de locais para a construção de escolas, moradias populares ou postos de saúde, ampliação ou instalação de rede de coleta de esgoto. Registrem os resultados da análise dos dados, das discussões e das pro- postas de intervenções no espaço urbano, justificando a importância da construção dos novos equipamentos ou ações. Etapa 3 I. Escolham um tema e definam os objetivos da dramatização. II. Pensem em qual mensagem o grupo deseja transmitir. III. Não deixem de considerar os recursos disponíveis na escola, assim como o espaço da encenação. IV. É preciso discutir um roteiro, o que significa uma produção textual com diálo- gos e sequências que sejam capazes de tornar a obra compreensível a todos. Também é importante caracterizar as personagens física e emocionalmente. V. Preparem a apresentação, distribuindo os papéis e verificando a necessidade de roupas, adereços, som, luz etc. VI. Organizem ensaios para exercitar as falas e fazer ajustes no roteiro e nas interpretações. ■ Estudantes de uma escola em São Paulo (SP) analisando matérias pesquisadas para a realização de trabalho em grupo. Fotografia de 2019. FE RN AN D O FA VO RE TT O /C RI AR IM AG EM D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 61D3-CH-EM-3075-V4-U2-C3-44-61-LA-G21_AVU1.indd 61 18/09/20 16:0918/09/20 16:09 CAPÍTULO 4 Crescimento das cidades 62 Muito provavelmente você já assistiu a séries, filmes ou novelas que se passavam em cidades, reais ou não. As imagens abaixo são de Metrópolis e de Gotham City, as cidades fictícias dos quadrinhos Superman e Batman, com paisagens que revelam características opostas. A cidade do Superman é diurna e reluzente, palco de ações do super-herói que tem como lema: “Para o alto e avante!”. Já Gotham City é noturna e sombria, assim como sua principal personagem. A escolha de metrópoles como cenário das histórias de super-heróis revela o que elas representam: a grandiosidade, a concentra- ção de poder, a atração que exercem sobre as pessoas, mas também os problemas a serem resolvidos, como a desigualdade social e a vio- lência urbana. A leitura da paisagem dessas cidades fictícias serve como um exercí- cio de análise da sociedade em que vivemos. O que uma cidade revela sobre a vida de seus moradores? Ao olhar para a cidade em que você vive ou, se você vive no campo, para o centro urbano de seu município ou para a capital de seu estado, você acha que se parece mais com Gotham City ou com Metrópolis? Ou tem características das duas? Ou não se parece com nenhuma delas, é muito diferente de ambas? Sabemos que a realidade não é maniqueísta – bem versus mal –, como nas histórias dos super-heróis; ao contrário, tem infinitas nuances entre o claro e o escuro. Além disso, o poder para solucionar os proble- mas não está nas mãos de um super-herói, mas nas de cada pessoa e cada grupo que compõem a sociedade. ■ Metrópolis (à direita), a cidade fictícia do Superman, e Gotham City (à esquerda), do Batman. Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o capítulo e sobre o trabalho com as atividades. Metrópole Cidade de grande importância por causa da sua elevada população e influência política e econômica. JO H N G AL LA G H ER SO N IA V AZ LI GA D A JU ST IÇ A. Z AC K SN YD ER . W AR N ER B RO S. E UA , 2 01 7. F OT O : T CD /P RO D. D B/ AL AM Y/ FO TO AR EN A D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU1.indd 62D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU1.indd 62 18/09/20 19:1318/09/20 19:13 63 Cidade e campo, urbano e rural Quando você pensa em campo e cidade, o que vem à sua cabeça? Embora esses espaços tenham características próprias (por exemplo, paisagem e atividades econômi- cas que, em um primeiro momento, podem levar muitas pessoas a pensarem que são opostos), eles são bastante integrados. No século XIX, com a expansão da urbanização em algumas regiões do mundo, como Europa e Estados Unidos, pesquisadores começaram a construir a ideia de que existia uma oposição entre cidade e campo. A cidade seria o espaço das atividades industriais, do comércio e dos serviços e representava o que havia de mais moderno. Já o campo seria o local de desenvolvimento das atividades agropecuárias e representava o arcaico e o atraso. A partir de meados do século XX, essa oposição começou a ser questionada e pes- quisadores criaram o conceito de continuum rural-urbano, utilizado para refletir sobre a inter-relação entre campo e cidade. Segundo essa interpretação, o que ocorre é uma apro- ximação, e a expansão do urbano (modos de vida, atividades industriais etc.) influencia o rural. Mas a vida urbana também é influenciada por práticas oriundas do campo, como o crescente desenvolvimento da agricultura urbana. A industrialização das atividades agropecuárias faz parte da expansão do urbano no campo, que inclui, por exemplo, o uso de máquinas agrícolas e de modernas tecnologias de produção, a difusão de agroindústrias etc. Além disso, o desenvolvimento do setor de serviços contribuiu para uma diversificação das ativi- dades econômicas no campo, como o turismo rural. Os meios de comunicação também têm um papel importante na aproximação entre o campo e a cidade. A expansão da internet intensificou a circulação de práticas culturais, como estilos musicais e padrões de comportamento entre esses espaços. ■ Na fotografia, trator com computador de bordo utilizado na agricultura de precisão em plantio de soja, em Unaí (MG), 2017. Agroindústria Estabelecimento que processa ou transforma matérias-primas produ- zidas pelas atividades agropecuárias. ER N ES TO R EG H RA N /P U LS AR IM AG EN S D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU1.indd 63D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU1.indd 63 18/09/20 19:1318/09/20 19:13 Fonte: UNITED NATIONS. Department of Economic and Social Affairs. World Urbanization Prospects: the 2018 Revision. New York, 2019. p. 23-25. Disponível em: https://population. un.org/wup/Publications/Files/WUP2018-Report.pdf. Acesso em: 8 jun. 2020. Gráfico 1 – Mundo: população rural e urbana, 1950-2050* 20 0 30 70 60 50 40 80 Ano População (%) 1970 20181990 2030* 2050*1950 Urbana Rural *Projeção. Os dados apurados vão de 1950 a 2018. 64 Urbanização: mundo e Brasil Quando Metrópolis e Gotham City, claramente inspiradas na cidade de Nova York, nos Estados Unidos, apareceram pela primeira vez nos quadrinhos,no final da década de 1930, a maior parte da população dos Estados Unidos vivia em cidades, assim como ocorria em alguns países euro- peus, em contraposição aos países latino-americanos, africa- nos e asiáticos, cuja maioria da população vivia no campo. No entanto, desde 2007, a popula- ção mundial urbana ultrapassou a população rural. Observe o gráfico 1 ao lado. Na década de 1970, mais de 65% da população dos então chamados países desenvolvi- dos (Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Japão etc.) vivia nas cidades. Nessa mesma década, pela primeira vez, a população urbana ultrapassou a rural dos então chamados países sub- desenvolvidos industrializados (Brasil, México, África do Sul etc.), resultado de uma urbanização rápida e intensa. Esse processo esteve ligado à industriali- zação tardia desses países, com uma grande migração SO N IA V AZ campo-cidade: em geral, com a mecanização do campo e a concen- tração de terras (temas que serão retomados nas unidades 3 e 4), os trabalhadores rurais passaram a buscar emprego nas cidades, que cresciam com a expansão industrial. Além do aumento da população das cidades, a urbanização envolveu diversos outros aspectos, como as transformações ocorridas no mundo do trabalho e nos hábitos e costumes das pessoas. Industrialização tardia Processo de industrializa- ção que ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, tardiamente em relação aos países que se indus- trializaram primeiro, como os Estados Unidos e países da Europa ocidental. D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU1.indd 64D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU1.indd 64 18/09/20 19:1318/09/20 19:13 https://population.un.org/wup/default.aspx?aspxerrorpath=/wup/Publications/Files/WUP2018-Report.pdf Fontes: IBGE. Atlas geográfico escolar. 8. ed. Rio de Janeiro, 2018. p. 143; IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Tabela 1.1 - População residente, por situação do domicílio e sexo, segundo os grupos de idade - Brasil - 2015. Rio de Janeiro, [201-?]. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9127- pesquisa-nacional-por-amostra-de-domicilios.html?=&t=resultados. Acesso em: 9 jun. 2020. Gráfico 2 – Brasil: população rural e urbana, 1940-2015 20 40 60 80 100 120 140 160 180 1940 19701950 1960 1980 19912000 2010 2015 0 Milhões de habitantes Urbana Rural Ano Gráfico 3 – Continentes/grandes regiões: população urbana, 1950-2050* 1960 1970 200019901980 2010 2020 2030 2040 2050 0 20 10 40 30 90 80 70 60 50 100 Ano População urbana (%) 1950 Ásia América Latina e Caribe Oceania África Europa América do Norte *Projeção. Os dados apurados vão de 1950 a 2018. Fonte: UNITED NATIONS. Department of Economic and Social Affairs. World Urbanization Prospects: the 2018 Revision. New York, 2019. p. 27. Disponível em: https://population.un.org/wup/Publications/ Files/WUP2018-Report.pdf. Acesso em: 9 jun. 2020. 65 Analisando o gráfico 2 a seguir, que apresenta a evolução da população urbana e rural no Brasil, é possível ver que na década de 1970 a população urbana brasileira superava a população rural. As cidades da região Sudeste – principalmente São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ) – foram as que mais atraíram migrantes durante o processo de industrialização e urbanização do país, intensificado na segunda metade do século XX. Atualmente, ainda há muitos países com a maior parte da população no campo, dedican- do-se a atividades agropecuárias. Esses países se concentram na África e na Ásia, continentes que têm as maiores projeções de crescimento da população urbana nas próximas décadas. De acordo com projeções da Organização das Nações Unidas (ONU), os demais continentes e regiões não terão um ritmo de crescimento da população das cidades tão elevado, pois já passaram, em grande medida, pelo processo de urbanização. Observe o gráfico 3. Com o crescimento das cidades e o aumento da população mundial, as projeções indicam que, em 2050, haverá um acréscimo de 2,5 bilhões de pessoas na população urbana. Quase 90% desse aumento estará concentrado na Ásia e na África. Nas próximas décadas haverá, portanto, profundas alterações no tamanho e na distribuição espacial da população urbana mundial. SO N IA V AZ SO N IA V AZ NÃO ESCREVA NO LIVRO> LEITURA DE IMAGEM 1. Com base na leitura dos gráficos 1 e 3, analise a evolução da população urbana mundial e as proje- ções para as próximas décadas. 2. Observe os dados do gráfico 2 e relacione-os com a análise realizada na atividade anterior. D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU1.indd 65D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU1.indd 65 18/09/20 19:1318/09/20 19:13 https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9127-pesquisa-nacional-por-amostra-de-domicilios.html?=&t=resultados. https://population.un.org/wup/Publications/Files/WUP2018-Report.pdf. Países do Norte e do Sul Essa classificação se refere à regionalização que divide o mundo em dois grandes blocos de países, considerando indicadores econômicos, sociais e políticos. Não é uma divisão com base em Hemisfério Norte e Hemisfério Sul, divididos pela linha do equador. Mundo: maiores cidades em p opulação, 2018 Fontes: UNITED NATIONS. Department of Economic and Social Affairs. World Urbanization Prospects: the 2018 Revision. New York, 2019. p. 65. Disponível em: https://population.un.org/wup/Publications/Files/WUP2018-Report.pdf. Acesso em: 9 jun. 2020; GIRARDI, G.; ROSA, J. V. Atlas geográfico. São Paulo: FTD, 2016. p. 175. Fonte: UNITED NATIONS. Department of Economic and Social Affairs. World Urbanization Prospects: the 2018 Revision. New York, 2019. p. 76. Disponível em: https://population.un.org/wup/Publications/Files/ WUP2018-Report.pdf. Acesso em: 9 jun. 2020. Mundo: aglomerações urbanas com mais de 20 milhões de habitantes em 2018, 1970-2030* 0 10 5 35 30 25 20 15 40 Ano População (milhões) *Os dados apurados vão de 1950 a 2018. A partir de 2018 são projeções. 19 70 19 75 19 80 19 85 19 90 19 95 20 00 20 05 20 10 20 15 20 20 20 25 20 30 Nova Délhi Cidade do México Tóquio Xangai São Paulo Cairo Círculo Polar Ártico Círculo Polar Antártico Trópico de Câncer Trópico de Capricórnio Equador M er id ia no d e G re en w ic h 0º 0º Londres Moscou Paris Nova York Los Angeles Cidade do México Istambul São Paulo Rio de Janeiro Buenos Aires Bogotá Lima Guangzhou ManilaChennai Dacca Bangcoc Calcultá Jacarta Pequim Shenzhen Tóquio Tianjin Mumbai KarachiCairo Lagos Luanda Nova Délhi Lahore Bangalore Osaka Chongqing OCEANO PACÍFICO OCEANO PACÍFICO OCEANO ATLÂNTICO OCEANO ÍNDICO OCEANO GLACIAL ÁRTICO 0 2885 10 milhões ou mais 5 a 10 milhões 1 a 5 milhões Linha Norte-Sul População da cidade 66 As megacidades O grande crescimento das cidades é um fenômeno registrado em muitos países. Ele ocorre de formas diferenciadas, especialmente comparando-se países do Norte e do Sul – também chamados Norte Global e Sul Global, respectivamente –, se observado o aumento do número de megacidades, ou seja, de aglomerações urbanas com mais de 10 milhões de habitantes. Veja no mapa as megacidades e outras grandes aglomerações urbanas em 2018. Em décadas passadas, as megacidades se localizavam principalmente nos países do Norte Global. Hoje, a maioria delas está nos países do Sul Global. As projeções indicam que nesses países aumentará o número de grandes e megacidades, assim como o crescimento populacional será mais acelerado. Observe ao lado o gráfico das aglomerações urbanas que, em 2018, contavam com 20 milhões de habitan- tes ou mais, e as projeções para 2030. SO N IA V AZ ER IC SO N G U IL H ER M E LU CI AN O D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU1.indd 66D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU1.indd 66 18/09/20 19:1318/09/20 19:13 https://population.un.org/wup/Publications/Files/WUP2018-Report.pdf https://population.un.org/wup/default.aspx?aspxerrorpath=/wup/Publications/Files/WUP2018-Report.pdf67 Adensamento urbano O crescimento das cidades e seu adensamento estão relacio- nados ao processo de conurbação, no qual as áreas urbanas de dife- rentes municípios se integram, ultrapassando os limites político- -administrativos municipais. No Brasil, desde a década de 1990, o adensamento urbano e a conurbação se intensificaram nas áreas urbanas já consolidadas, como as grandes cidades de São Paulo (SP), Recife (PE) e Salvador (BA). Embora as grandes cidades concentrem a maior parte da população nacional, as cidades médias, com menos de 500 mil habitantes – por exemplo, Montes Claros (MG), Campina Grande (PB), Rio Branco (AC), Maringá (PR) e Anápolis (GO) –, são as que mais crescem. Tal fato se relaciona com o aumento da saída de pessoas de cidades menores em busca de atividades de trabalho e a saturação da infraestrutura e piora de condições de vida nas grandes cidades. Além disso, o crescimento das cidades médias tem relação, em muitos casos, com o processo de desconcentração industrial, aliado ao desenvolvimento das redes de transporte e de comunicação. Ao analisarmos a urbanização brasileira atual, devemos observar também os mais recentes fluxos e arranjos populacionais urbanos em todo o território nacional, em diferentes escalas espaciais. Tais arranjos correspondem a agrupamentos de municípios com grande integração populacional, resultado principalmente de dois fatores: as migrações pendulares, ou seja, os intensos fluxos de pessoas que realizam des- locamentos diários entre municípios para atividades de trabalho e estudo, e/ou a contiguidade urbana, isto é, a conurbação entre os municípios. ■ Conurbação das áreas urbanas dos municípios de Belo Horizonte (MG) e Contagem (MG), 2014. Desconcentração industrial Processo em que as indústrias se deslocam das regiões industriais tradicionais para outras. No Brasil, por exemplo, muitas indústrias dei- xaram a cidade de São Paulo (SP) para se instalar no interior do estado de São Paulo e em outros estados do Brasil. RU BE N S CH AV ES /P U LS AR IM AG EN S NÃO ESCREVA NO LIVRO> MEUS ARGUMENTOS • O crescimento das cidades brasileiras não foi acompanhado pela ampliação de infraestrutura urba- na e serviços públicos de qualidade para todos os seus moradores. Considerando o que você sabe sobre as cidades brasileiras, discuta essa afirmação com seus colegas e apresente argumentos que a corroborem ou contraponham. D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU1.indd 67D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU1.indd 67 18/09/20 19:1318/09/20 19:13 68 Integração nas Regiões Metropolitanas A Região Metropolitana (RM), constituída por municípios limítrofes, é criada por lei estadual com o objetivo de integrar e organizar o plane- jamento e a execução de funções públicas comuns aos municípios para atender às necessidades da população. Essa integração é importante, pois entre os municípios ocorrem intensos fluxos populacionais e há questões que vão além dos limites territoriais administrativos, como os sistemas de transporte. O texto a seguir é o trecho de uma notícia sobre uma das dificulda- des de moradores de Guarulhos (SP), município vizinho de São Paulo (SP). Leia-o com atenção. EMTU [Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo] aumenta passagem de ônibus de forma desigual na Grande SP [...] “Nós que moramos em Guarulhos e trabalha- mos em São Paulo sofremos muito. Atualmente estou empregada, porém a empresa quer me pagar a passagem do ônibus até São Miguel Paulista [na zona leste de São Paulo], porque para eles sai mais em conta”, diz Josyane [...]. No caso de Marcelo Brasil, 35, que atual- mente está desempregado, o valor da condução foi o motivo para a dispensa em duas seleções de emprego. Morador do distrito Pimentas [Guarulhos], além da passagem intermunicipal (R$ 7,15) [...] ele também gastaria o valor do metrô (R$ 4,30) para chegar ao trabalho. “Fiz uma entrevista em Santana e outra no Tucuruvi [Santana e Tucuruvi são bairros da cidade de São Paulo]. Na primeira, o motivo da dispensa foi o preço da passagem. Na segunda, a distância. Tenho alguns amigos que passaram pelo mesmo problema”, conta. [...] TALARICO, P. et al. EMTU aumenta passagem de ônibus de forma desigual na Grande SP. Agência Mural, [s. l.], 24 abr. 2019. Disponível em: https://www.agenciamural.org.br/emtu-aumenta-passagem-de-onibus- de-forma-desigual-na-grande-sp/. Acesso em: 9 jun. 2020. Assim como Josyane e Marcelo, citados na notícia, muitos mora- dores de Guarulhos trabalham ou buscam emprego na cidade de São Paulo. No entanto, como você leu, eles são prejudicados por causa dos gastos com condução entre as duas cidades. Esse é um problema que demonstra a falta de integração entre polí- ticas de municípios próximos e até entre municípios que formam as ■ Passageiro aguarda ônibus intermunicipal em Guarulhos (SP), 2020. CA RL O S TR IS TA O /F U TU RA P RE SS D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU1.indd 68D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU1.indd 68 18/09/20 19:1318/09/20 19:13 https://www.agenciamural.org.br/emtu-aumenta-passagem-de-onibus-de-forma-desigual-na-grande-sp/ 69 RMs, como ocorre na RM de São Paulo, também chamada Grande São Paulo. Muitas vezes, por causa de divergências políticas entre muni- cípios de uma mesma RM pode haver diferentes regras, por exemplo sobre sistema de transportes, coleta de resíduos sólidos, entre muitas outras. No Brasil, em 2015, foi criado o Estatuto da Metrópole, ou Lei da Metrópole, obrigando governos estaduais e municipais a formar con- selhos para decidir sobre questões metropolitanas e, assim, promover uma melhor integração entre municípios. Apesar da lei, a gestão das RMs brasileiras ainda tem muito a avançar quando comparada a regiões de outros países. Cidades como Paris (França), Nova York (Estados Unidos) e Londres (Reino Unido), por exemplo, contam há várias décadas com um órgão que cuida dos assuntos metropolitanos. Em Nova York, meios de transportes e até pontes de mais de dez muni- cípios são administrados por um único órgão. As atuais Regiões Metropolitanas Até 2019, havia no Brasil 74 Regiões Metropolitanas. Para você ter uma ideia da grande importância das RMs no aspecto populacional, cerca de 44% da população brasi- leira vivia nas regiões com mais de 1 milhão de habitantes. Veja o gráfico ao lado. Brasil: Regiões Metropolitanas com mais de 1 milhão de habitantes, 2019 0 5 10 15 20 25 São Paulo Rio de Janeiro Belo Horizonte Porto Alegre Fortaleza Recife Salvador Curitiba Campinas Manaus Goiânia Vale do Paraíba e Litoral Norte Belém Sorocaba Grande Vitória Baixada Santista Ribeirão Preto Grande São Luís Natal Norte/Nordeste Catarinense Maceió João Pessoa Florianópolis Londrina Vale do Rio Cuiabá Região Metropolitana Milhões de habitantes 21 734 682 12 763 459 5 961 895 4 340 733 4 106 245 4 079 575 3 929 209 3 654 960 3 264 915 2 676 936 2 560 625 2 552 610 2 510 274 2 143 786 1 979 337 1 865 397 1 720 469 1 633 117 1 604 067 1 419 518 1 310 520 1 278 401 1 209 818 1 111 577 1 041 307 Fonte: IBGE. Estimativas 2019 população Regiões Metropolitanas. Agência IBGE Notícias, Rio de Janeiro, [2019 ou 2020]. Disponível em: https://agenciadenoticias. ibge.gov.br/agencia-detalhe-de-midia.html?view=mediaibge&catid=2103&id=3109. Acesso em: 9 jun. 2020. SO N IA V AZ NÃO ESCREVA NO LIVRO> DE MÃOS DADAS • Vimos que a falta de integração entre municípios de uma RM pode gerar problemas para a vida de seus habitantes. Imagine que no contexto de uma epidemia, como a da covid-19, os municípios de uma RM tenham diferentes ações e adotem distintas medidas quanto à contenção da transmissão da doença. Em grupos, discutam os problemas que isso pode causar e a importância de serem encaminhadas ações integradas. D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU1.indd 69D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU1.indd 69 18/09/20 19:1318/09/2019:13 https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-detalhe-de-midia.html?view=mediaibge&catid=2103&id=3109. 70 Segregação socioespacial Em geral, o crescimento das cidades, espe- cialmente nos países do Sul Global, foi e continua sendo marcado pela segregação socioespa- cial, principalmente aquela relacionada à má distribuição de renda: a população com maior renda e condições financeiras mora em locais com melhor infraestrutura básica (redes de abastecimento de água e coleta de esgoto, ruas pavimentadas, áreas de lazer etc.), com serviços públicos (unidades de saúde, transporte, coleta de resíduos sólidos, segurança, entre outros) e concentração de empregos, enquanto os mais pobres ocupam áreas periféricas, muitas em situação irregular, caracterizadas pela carência e má qualidade de equipamentos e serviços públicos. No entanto, a segre- gação socioespacial não ocorre apenas entre áreas centrais e periféricas, sendo também visível em uma escala bem próxima. Por exemplo, nas áreas em que muros ou avenidas separam moradias mais ricas das mais pobres. Observe a fotografia desta página. Ao contrário do que muitos podem pensar, a segregação socioespa- cial nas cidades não é algo natural ou normal, sobre a qual não há o que se fazer. Ela é um fenômeno ligado à desigualdade social, que deve ser combatida principalmente com políticas sociais de distribuição de renda, com a ampliação do acesso à educação de qualidade e a geração de empregos formais, entre outras ações. Ao mesmo tempo, é impor- tante que haja ações do poder público que promovam a diminuição da segregação espacial, como a ocupação de áreas centrais também pela população de baixa renda, por meio de moradias populares ou formas de aluguel social, implantadas há várias décadas em cidades como Londres, no Reino Unido, e Paris, na França. NÃO ESCREVA NO LIVRO> DE MÃOS DADAS • O tipo de segregação socioespacial retratado na fotografia acima ocorre na cidade em que você vive ou em cidades que conhece? Ocorrem ou- tros tipos de segregação socioespacial? Em grupos, discutam que ações poderiam ser encaminhadas para reduzir a segregação socioespacial. Pesquisem exemplos de iniciativas, no Brasil ou em outros países, e dis- cutam como poderiam ser aplicadas no lugar em que vivem. Depois, apresentem o resultado da discussão para toda a turma. ■ Muitas vezes, a segregação espacial é delimitada por avenidas e muros construídos entre comunidades de baixa renda e condomínios fechados. Na fotografia, Johanesburgo (África do Sul), em 2016. © JO H N N Y M IL LE R PH O TO G RA PH Y/ U N EQ UA L SC EN ES D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU2.indd 70D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU2.indd 70 19/09/20 15:3719/09/20 15:37 NÃO ESCREVA NO LIVRO 71 As expressões artísticas, como a música, o cinema, o teatro, a dança, literatura, entre outras, podem nos ajudar a refletir sobre questões sociais importantes. A arte, muitas vezes, carrega críticas sociais, denunciando injustiças sofridas por determinados grupos. Leia a letra e, se possível, ouça a música “A cidade”, que faz parte do álbum lançado em 1994 por Chico Science & Nação Zumbi, grupo pernam- bucano precursor do manguebeat. DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS> ■ Estátua de Chico Science, em Recife (PE), 2018. M AR CI O JO SE B AS TO S SI LV A/ SH U TT ER ST O CK .C O M [Refrão] [2x] Eu vou fazer uma embolada, um samba, um maracatu Tudo bem envenenado, bom pra mim e bom pra tu Pra gente sair da lama e enfrentar os urubus Num dia de sol Recife acordou Com a mesma fedentina do dia anterior [Refrão] A CIDADE. Intérprete: Chico Science & Nação Zumbi. In: DA LAMA ao caos. Rio de Janeiro: Chaos, 1994. Faixa 3. 1. Que crítica social é feita na canção “A cidade”? Com base em seus conhecimentos, você acha que essa crítica vale para outras cidades brasileiras, além de Recife? Explique, se possível, com base em exemplos de sua realidade. 2. Em grupo, citem outras músicas que trazem questões sociais importantes. Depois, analisem a crítica social presente na música selecionada e exponham a análise para a turma. 3. Em grupo ou sozinho, escolha uma expressão artística para refletir sobre um problema do lugar em que vive. Após a apresentação de todas as produções, juntos, discutam de que formas as questões sociais expostas poderiam ser resolvidas ou ao menos minimizadas. A cidade O sol nasce e ilumina as pedras evoluídas Que cresceram com a força de pedreiros suicidas Cavaleiros circulam vigiando as pessoas Não importa se são ruins, nem importa se são boas E a cidade se apresenta centro das ambições Para mendigos ou ricos e outras armações Coletivos, automóveis, motos e metrôs Trabalhadores, patrões, policiais, camelôs [Refrão] A cidade não para, a cidade só cresce O de cima sobe e o de baixo desce A cidade não para, a cidade só cresce O de cima sobe e o de baixo desce A cidade se encontra prostituída Por aqueles que a usaram em busca de saída Ilusora de pessoas de outros lugares A cidade e sua fama vai além dos mares No meio da esperteza internacional A cidade até que não está tão mal E a situação sempre mais ou menos Sempre uns com mais e outros com menos D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU2.indd 71D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU2.indd 71 19/09/20 15:3719/09/20 15:37 72 NÃO ESCREVA NO LIVROATIVIDADES> 1. Leia o texto a seguir, observe a fotografia e faça as atividades: As cidades, em especial as metrópoles, são lugares onde a intensa con- centração de pessoas, de construções e de fluxos traz grandes desafios para seus gestores e moradores. Tais desafios tornam-se ainda maiores nos países do chamado Sul Global, onde as cidades crescem em ritmo acelerado, como vimos neste capítulo. Assim, políticas públicas são ne- cessárias para garantir um crescimento que inclua toda a população e não apenas uma minoria mais favorecida. Organismos internacionais apontam a importância de políticas destina- das a uma distribuição mais equilibrada do crescimento urbano, evitan- do excessiva concentração econômica em apenas uma ou duas grandes aglomerações urbanas dentro de um único país, como São Paulo e Rio de Janeiro no caso brasileiro. Ao mesmo tempo, iniciativas locais devem ocorrer em busca de soluções. ■ Segundo a ONU, a Nigéria, um dos países mais populosos do mundo, terá o terceiro maior aumento absoluto no tamanho da população urbana até 2050. As projeções indicam que serão 189 milhões de habitantes a mais nas cidades no mundo entre 2018 e 2050, ou seja, quase o dobro da população urbana registrada em 2018. Na fotografia, Lagos (Nigéria), 2020. O LU SE G U N A D ER O G BA /S H U TT ER ST O CK .C O M a) Explique os fatores que impulsionam a urbanização mundial, levando à formação de megacidades nos países do chamado Sul Global. b) Dê continuidade ao texto inicial, discutindo pelo menos um problema decorrente do rápido crescimento das cidades e soluções que envol- vam diferentes atores (governos, empresas privadas, organizações não governamentais, associação de moradores etc.). Depois, dê um título para o texto. D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU2.indd 72D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU2.indd 72 19/09/20 15:3719/09/20 15:37 73 2. O município em que você mora tem integração populacional com ou- tro(s) município(s)? Uma das formas de você perceber isso é verificar se os moradores costumam ir a municípios próximos para atividades diversas, como trabalhar, estudar, fazer compras ou ir ao médico. Ou se seu mu- nicípio atrai pessoas para essas atividades. Converse com seus colegas sobre como a centralização de determinados serviços em um município afeta o cotidiano das pessoas que têm de se deslocar, às vezes por horas, e como as tecnologias digitais de comunicação podem interferir nessa dinâmica. Procurem citar exemplos de sua realidade. 3. O espaço do cidadão é o título de um dos muitos livrosde Milton Santos (1926-2001), geógrafo brasileiro reconhecido e premiado internacional- mente, que foi grande crítico das desigualdades e injustiças sociais do Brasil. O livro foi lançado em 1987, mas continua atual. Leia dois pequenos trechos dele e faça as atividades. Cada homem [ser humano] vale pelo lugar onde está: o seu valor como produtor, consumidor, cidadão depende de sua localização no território. Seu valor vai mudando, incessantemente, para melhor ou para pior, em função das diferenças de acessibilidade (tempo, frequência, preço), inde- pendentes de sua própria condição. Pessoas com as mesmas virtualidades, a mesma formação, até mesmo o mesmo salário têm valor diferente segundo o lugar em que vivem: as oportunidades não são as mesmas. Por isso, a possibilidade de ser mais, ou menos, cidadão depende, em larga pro- porção, do ponto do território onde se está. Enquanto um lugar vem a ser condição de sua pobreza, um outro lugar poderia, no mesmo momento histórico, facilitar o acesso àqueles bens e serviços que eles são teorica- mente devidos, mas que, de fato, lhes faltam. [...] Na grande cidade há cidadãos de diversas ordens ou classes, desde o que, farto de recursos, pode utilizar a metrópole toda, até o que, por falta de meios, somente a utiliza parcialmente, como se fosse uma pequena cidade, uma cidade local. SANTOS, M. O espaço do cidadão. 7. ed. São Paulo: Edusp, 2007. p. 107, 140. a) Explique como o “utilizar a metrópole”, no sentido em que é usado na citação, tem relação, por exemplo, com a falta de políticas para integração dos municípios. b) Relacione o primeiro parágrafo da citação com situações vivenciadas por você ou relatadas por outras pessoas e discuta com os colegas a relação entre o preconceito associado ao “endereço” e o conceito de segregação socioespacial. Em sua opinião, por que isso acontece e o que poderia ser feito para que mudasse? ■ Ilustração representando o geógrafo Milton Santos, elaborada por Saulo Nunes e publicada em 2014. SA U LO N U N ES D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU2.indd 73D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU2.indd 73 19/09/20 15:3719/09/20 15:37 INVESTIGAÇÃO> 74 Migr antes além dos números Quando estudamos aspectos de uma sociedade, muitas vezes faz-se necessária uma análise de números. Ao estudar o processo de urbanização no Brasil, por exemplo, analisamos a evolução do percentual de população que migrou do campo para a cidade. No entanto, para se compreender um fenômeno social em suas diversas dimensões, é preciso ir além dos números, analisando-o de maneira mais próxima e aprofundada, com base em casos particulares. Por isso, muitas vezes, as Ciências Humanas e Sociais usam a estratégia de pesquisa conhecida como estudo de caso. Nas pesquisas sobre migrações, o estudo de caso pode se dar por meio de relatos ou entrevistas com migrantes para, por exemplo, analisar as redes sociais de apoio e solidariedade com as quais contou. ■ As igrejas estão entre as instituições que promovem ações de acolhida a migrantes, integrando redes sociais de apoio e solidariedade. O cartaz da 32ª Semana do Migrante foi inspirado no tema da Campanha da Fraternidade de 2017, da Igreja Católica, “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”. O conceito de redes sociais foi criado pela Sociologia em meados do século XX para definir um grupo de pessoas ou organizações, com origens, objetivos ou valores comuns, que estabelecem interações. Posteriormente, com o desenvolvi- mento das tecnologias de comunicação digitais, esse conceito também passou a ser utilizado para definir diversas plataformas que funcionam a partir da interação dos usuários na internet. Em grupo, você e os colegas vão usar a estratégia de estudo de caso para aprofundar o olhar sobre as migrações no Brasil, com foco nas redes sociais de apoio e solidariedade. Acompanhem as etapas de trabalho a seguir: I. Quem vai ser entrevistado Identifiquem na comunidade em que vocês vivem uma pessoa que migrou, no território brasileiro, do campo para a cidade. Pode ser um familiar, um vizinho, um conhecido ou outra pessoa que concorde em participar da pesquisa. AR TE : F RA N CI SC O D AN IE L A. M O RE IR A, R EA LI ZA D A PA RA O S ER VI ÇO P AS TO RA L D O M IG RA N TE D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU2.indd 74D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU2.indd 74 19/09/20 15:3719/09/20 15:37 75 II. Roteiro Antes da conversa com o participante da pesquisa, o grupo deverá elaborar um roteiro para orientar a entrevista e ajudar a lembrar dos tópicos de interesse. É importante que as perguntas estimulem o entrevistado a relatar sua história de vida, em especial o contexto como migrante que se estabeleceu no novo muni- cípio e/ou estado. III. Entrevista Combinem com o entrevistado um momento para encontrá-lo presencial ou virtualmente. Durante a entrevista, deixem o entrevistado à vontade para falar, evi- tando que o roteiro seja um guia rígido a ser seguido. De preferência, gravem a fala do entrevistado. Se isso não for possível, façam uma transcrição do que foi dito. IV. Relatório e produção de livro Com base na entrevista e em pesquisa bibliográfica sobre as migrações no Brasil, vocês vão produzir um relatório analisando a experiência do migrante, suas dificuldades, as estratégias utilizadas, pessoas ou organizações que formaram sua rede social de apoio etc. Os relatórios deverão compor um livro de toda a turma. Para ajudar na produ- ção, observem as partes que compõem um livro, como capa, contracapa, sumário etc. Procurem ser criativos no nome do livro e na capa, pois esses são os elementos que convidam à leitura. V. Divulgação Combinem um dia para o “lançamento do livro”, com um momento para os autógrafos com a participação de toda a comunidade. Vocês também podem fazer uma versão digital do livro, divulgando nas redes sociais digitais. ■ Jovens realizando uma entrevista com uma mulher, em São Paulo (SP), 2012. FE RN AN D O FA VO RE TT O /C RI AR IM AG EM D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU2.indd 75D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU2.indd 75 19/09/20 15:3719/09/20 15:37 76 PRODUTO FINAL E DIVULGAÇÃO Esse é o momento de construir um mapa colaborativo com os dados pesquisa- dos e as propostas de ações e intervenções definidas, indicando, por exemplo, os locais que poderiam receber novas infraestruturas urbanas, como espaços de lazer e postos de saúde, e onde deveriam ser melhorados os serviços públicos, como segurança, transporte, coleta de lixo e iluminação pública. O mapa deve conter os elementos básicos, como título, legenda, escala, orientação e coordenadas geográficas. No mapa devem ser representadas e devidamente localizadas as propostas de construção ou melhoramento do equi- pamento público. A apresentação pode ser feita de forma digital ou impressa, de acordo com a escolha definida na etapa 1, garantindo que todos visualizem os problemas identificados e as propostas de intervenção formuladas pelo grupo para a melhoria da condição de vida da população. Ao apresentar o mapa, o grupo deve explicar: • a situação do bairro ou município em relação ao tema escolhido. Podem ser utilizados recortes de manchetes de jornal, fotografias, gráficos e tabelas ela- borados com base nas entrevistas e observações; • as melhorias propostas; explicando como, onde e por que foram escolhidas as alternativas apresentadas e justificando de que maneira elas podem melhorar a vida da população. Os mapas podem ser expostos para toda a comunidade e encaminhados, com textos sobre as análises e sugestões, para representantes do poder público. ■ Grupo de estudantes criando um mapa colaborativo sobre problemas urbanos no entorno da escola, em Campo Mourão (PR), 2016. Etapa 4 O U SO D A CA RT O G RA FI A E M AP EA M EN TO C O LA BO RA TI VO N A AN ÁL IS E D E PR O BLEM AS U RB AN O S. ST EV AN AT O, M AY RA ; A TH AY D ES , T IA G O V IN IC IU S D A SI LV A; D O N AT O, L AR IS SA ; P AR O LI N , M AU RO . RE VI ST A G EO M AE , C AM PO M O U RÃ O, P R. V .8 N . E SP EC IA L SI AU T, 2 01 7. D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU1.indd 76D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU1.indd 76 18/09/20 19:1318/09/20 19:13 77 Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil Disponível em: http://www.atlasbrasil.org.br/2013/pt/home/. Acesso em: 13 jul. 2020. O Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil oferece vasto material sobre as Regiões Metropolitanas, com indicadores de demografia, educação, renda, trabalho, habitação e vulnerabilidade das 20 maiores RMs do Brasil, extraídos dos censos demográficos de 1991, 2000 e 2010. Também há um documento, lançado em 2019, com dados sobre as RMs de 2012 a 2017. Manguebeat 20 Anos Disponível em: https://infograficos.estadao.com.br/especiais/20-anos-manguebeat/. Acesso em: 13 jul. 2020. No ano em que o manguebeat completou 20 anos, a publicação aqui indicada trouxe informações sobre as origens do movimento, com textos, vídeo e fotografias. Projeto de Pesquisa de Çatalhöyük Research Project Disponível em: http://www.catalhoyuk.com/. Acesso em: 13 jul. 2020. Página oficial do projeto de pesquisas desenvolvidas no sítio arqueológico de Çatalhüyük, na Turquia, com fotos, vídeos, ilustrações e outros documentos. Em inglês. Rome Reborn Disponível em: https://www.romereborn.org/. Acesso em: 13 jul. 2020. Reconstituição digital em 3D da cidade de Roma no século IV. É possível fazer um passeio virtual pela cidade por meio de animações e ilustrações que procuram reconstituir a capital do Império Romano. Em inglês. Tropical spray: viagem ao coração do grafite brasileiro Julien Seth Malland. São Paulo: Martins Fontes, 2012. O livro apresenta um painel do grafite produzido no Brasil. Seu autor é um grafiteiro francês que viajou por seis capitais brasileiras – Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP) – para conhecer a arte de rua e seus artistas. As primeiras civilizações Jaime Pinsky. São Paulo: Atual, 1994. Nesse livro, o historiador Jaime Pinsky traz informações a respeito do surgimento de algumas das primeiras civilizações, como as que floresceram no Egito, na Mesopotâmia e na Palestina. Um dos capítulos é dedicado ao surgimento das primeiras cidades. Sapiens: uma breve história da humanidade. Yuval Noah Harari. Porto Alegre: L&PM, 2017. Relacionando conhecimentos da Arqueologia, Antropologia, Filosofia, Biologia, entre outras disciplinas, o autor busca explicar como o ser humano conquistou todo o planeta Terra, construindo cidades, reinos e impérios, desenvolvendo complexos sistemas econômicos, sociais e políticos. > SAIBA MAIS O crescimento das cidades e a periferização Direção: Jorge Mansur. Brasil, 2015. Vídeo (13 min). Publicado pelo Canal Futura. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=puIh8Hr8tX4. Acesso em: 26 ago. 2020. O vídeo trata do crescimento de cidades brasileiras, com depoimentos e análises de moradores e urbanistas, analisando a periferização e a segregação socioespacial. D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU1.indd 77D3-CH-EM-3075-V4-U2-C4-62-77-LA-G21_AVU1.indd 77 18/09/20 19:1318/09/20 19:13 http://www.atlasbrasil.org.br/2013/pt/home/ https://infograficos.estadao.com.br/especiais/20-anos-manguebeat/ http://www.catalhoyuk.com/ https://www.romereborn.org/ https://www.youtube.com/watch?v=puIh8Hr8tX4 78 UNIDADE 78 3 A produção aumenta. E a fome... acaba? Apesar da grande produção agropecuária no mundo e no Brasil, ainda há muitas pessoas que passam fome ou não têm uma alimenta- ção adequada. Por que isso ocorre? Além disso, por que nas últimas décadas muitos grupos ou povos passaram a ter problemas de saúde relacionados a mudanças nos hábitos alimen- tares? Discutiremos essas e outras questões nesta unidade. 1. Os alimentos que consumimos podem con- tar muito sobre quem somos, nossa cultura, história, saúde, costumes, a economia do país em que vivemos, entre outros aspec- tos. Como seus hábitos alimentares revelam informações sobre você e a comunidade onde vive? 2. Na sua opinião, as mudanças nos hábitos e tradições alimentares que ocorreram no Brasil e no mundo têm relação com a pro- dução industrial e agropecuária? NÃO ESCREVA NO LIVRO D AV I A U G U ST O ■ Na cidade de Belém (PA), pratos tradicionais são saboreados em diversos pontos da cidade, em especial, nas várias barracas nas ruas. A ilustração, que reúne alguns elementos da capital do Pará, representa jovens comendo o tacacá, um prato típico feito com o tucupi (caldo extraído da mandioca), entre outros ingredientes. D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 78D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 78 19/09/20 11:4519/09/20 11:45 79 ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL Atualmente, há um consumo crescente de produtos industrializados, que são pouco nutritivos e, em geral, têm grande quantidade de açúcar, sal e gordura. Diante disso, o resgate da alimen- tação tradicional e sua relação com práticas de consumo conscientes e sustentáveis pode ser um caminho para promover hábitos mais saudáveis. A proposta deste projeto é utilizar a entrevista como prática de pesquisa para investigar como nossos antepassados se recordam da alimentação na sua infância, encontrando nesses relatos referências que, comparadas com práticas atuais, possam gerar ações que visem à saúde e ao bem-estar da comunidade. ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 79D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 79 19/09/20 11:4519/09/20 11:45 CAPÍTULO 5 Expansão da produção no campo 80 Quando você toma um suco, come feijão ou carne, pode ser que não pense em como esses alimentos foram produzidos e quais trajetos per- correram para chegar ao mercado ou à feira. Pode ser que você imagine que têm origem no campo. Mas em que tipo de propriedade rural? Em qual município, estado ou país? A distância entre o local da produ- ção e o do consumo é muito grande? Isso traz impactos? Que pessoas foram responsáveis pela produção? Esses alimentos foram produzidos por pequenos agricultores? Foram usados agrotóxicos nas plantações ou antibióticos e hormônios na criação dos animais para abate? Existe relação entre a produção agropecuária e o desmatamento na Floresta Amazônica? Os alimentos que consumimos hoje são os mesmos com os quais as gerações passadas se alimentavam? As respostas a essas perguntas indicam como os alimentos que você consome estão integrados a diversos aspectos da economia, do territó- rio e da sociedade e podem ajudar a entender suas escolhas e hábitos alimentares. A agropecuária, setor que envolve a agricultura e a pecuária, é desenvolvida principalmente no meio rural, sendo responsável pela produção de alimentos in natura e pelo fornecimento de produtos para diversos tipos de indústria. Veja a seguir alguns exemplos: • Indústria alimentícia, na qual ocorre o processamento de pro- dutos agrícolas, como a secagem e acondicionamento de grãos em embalagens, e pecuários, por exemplo, seleção e corte de ■ Colheitadeiras em plantio de soja em Chapadão do Sul (MS), 2020. LO U RE N CO LF /S H U TT ER ST O CK .C O M Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o capítulo e sobre o trabalho com as atividades. D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 80D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 80 19/09/20 11:4519/09/20 11:45 81 carne, produção de embutidos e laticínios etc., e fabricação de alimentos diversos, como comidas congeladas e enlatadas, biscoitos, sorvetes etc.; • Usina de biocombustíveis, na qual produtos agropecuários, por exemplo, cana-de-açúcar, soja, palma, milho, são utilizados como matéria-prima para a fabricação de combustíveis; • Indústriatêxtil, que utiliza fibras vegetais, como algodão, sisal, linho, juta e bambu na fabricação de tecidos utilizados em peças de vestuário e artigos para uso doméstico, como toalhas e lençóis, entre outros; • Indústria moveleira, na qual são utilizadas madeiras e fibras na fabricação de móveis; • Indústria de cosméticos e farmacêutica, que utiliza derivados vegetais e animais para a fabricações de remédios e produtos de higiene pessoal, por exemplo. Assim, um dos aspectos da relação da agropecuária com a indústria está no fornecimento de matérias-primas e no processamento de produtos, além do uso de produtos industrializados no campo, como equipamentos agrícolas, fertilizantes, agrotóxicos, rações, medicamentos e vacinas para os animais, entre outros. A relação das atividades agropecuárias com a indústria resulta da expansão capitalista no campo, que também integra cada vez mais campo e cidade, gera espaços com novos sig- nificados, além de novos elementos na paisagem, como as agroindústrias. Além disso, muitos trabalhadores rurais contratados vivem nas cidades e trabalham no campo; outras pessoas passaram a viver no campo e a trabalhar nas cidades. A expansão capitalista no campo resultou também em mudanças do ciclo produtivo. Em muitos casos, as etapas da produção agrícola e do processamento industrial são comandadas pelo mesmo grupo empresarial, em especial do ramo alimentício. ■ Multinacionais do ramo de alimentos e do agronegócio atuam em várias áreas do setor. Na fotografia, unidade agroindustrial em Rancho Alegre do Oeste (PR), 2017. FR AN CO H O FF /P U LS AR IM AG EN S D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 81D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 81 19/09/20 11:4519/09/20 11:45 82 Modernização do campo e seus impactos O comércio mundial e a produção de gêneros agrícolas para a indústria são dominados pela chamada agricultura moderna, que está relacionada ao agrone- gócio. Também chamado de agribusiness, o agronegócio corresponde a atividades produtivas, de diversos setores da economia, relacionadas à agricultura e à pecu- ária, como indústria, transporte e comércio, formando uma cadeia integrada. A agricultura moderna está bastante integrada ao processo industrial e é carac- terizada pelo uso de técnicas e equipamentos agrícolas modernos, fertilizantes, agrotóxicos, sementes geneticamente modificadas, entre outros insumos agrí- colas, e, predominantemente, pela monocultura (cultivo de um só produto) em grandes propriedades. Esse tipo de produção expandiu-se no mundo com a chamada Revolução Verde, resultando em um grande aumento da produção agrícola, a partir da década de 1950, e no crescimento dos lucros com o agronegócio. No entanto, ao longo das décadas, ocorreram inúmeros imp actos sociais e ambientais negativos, como os apresentados a seguir: • Aumento da concentração de terras, principalmente em países da América Latina, África e Ásia, resultando em intensas migrações do campo para as cidades. Para o sucesso das novas técnicas, o modelo ideal era o de grandes propriedades monocultoras, onde seria possível padronizar as técnicas e usar grande quantidade de insumos, reduzindo os custos. • Expansão das monoculturas, levando à perda da variedade de produtos e consequente mudança nos hábitos alimentares, impactando as cul- turas locais e reduzindo a oferta de alimentos nutricionalmente ricos. Hoje, muitas espécies de plantas comestíveis estão em extinção ou são pouco cultivadas, pois foram priorizadas as que geram maiores lucros. A grande maioria dos grãos consumidos atualmente no mundo são trigo, arroz, milho e soja. • Novo padrão de alimentos in natura grandes e bonitos, por serem atra- entes para a venda, mas que não são necessariamente mais nutritivos e saudáveis. • Dependência dos agricultores em relação à indústria de sementes e insumos, uma vez que o cultivo de sementes geneticamente modifica- das demanda a aplicação de determinados insumos. Esse fato alterou RIC AR D O S AS AK I D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 82D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 82 19/09/20 11:4519/09/20 11:45 83 a cultura tradicional de uso de sementes nativas (também chamadas crioulas), ou seja aquelas que não são alteradas geneticamente por meio de técnicas de laboratório, a exemplo de melhoramento genético. As sementes nativas têm relação direta com as comunidades tradicionais, como indígenas, quilombolas, ribeirinhos e outros, que têm conheci- mento sobre os melhores períodos para o plantio, o desenvolvimento das espécies em cada região etc. Os produtos se tornaram menos diver- sos, já que determinadas variedades passaram a ser privilegiadas em detrimento de muitas outras. • Impactos no ambiente e na saúde de agricultores e consumidores em consequência do uso excessivo de fertilizantes e agro tóxicos. • Degradação dos recursos naturais, como erosão, contaminação e com- pactação do solo; poluição das águas por agrotóxicos e fertilizantes, entre outros problemas. • Redução da biodiversidade, causando desequilíbrio nos ecossistemas. Com isso, é mais recorrente a perda da fertilidade natural dos solos e o surgimento de pragas que prejudicam as lavouras. Diante desse cenário, os agricultores ficam mais dependentes do uso de agrotóxicos e de fertilizantes. • Uso de combustíveis fósseis tanto em máquinas como em agrotóxicos e fertilizantes. A queima de combustíveis está entre as fontes de gases de efeito estufa (GEEs). Os defensores da agricultura moderna argumentam que os impactos negativos podem ser reduzidos com o avanço dos conhecimentos científicos que contribui- riam para corrigir ou evitar alguns problemas; também afirmam que as vantagens, como a alta produtividade, a padronização e o controle da produção, compensam os impactos. Já os críticos defendem alternativas que incluem práticas de agricul- tura sustentável, agroecologia, resgate de técnicas tradicionais, agricultura familiar, entre outros. NÃO ESCREVA NO LIVRO> MEUS ARGUMENTOS Em geral, agricultores que trabalham diretamente com a terra, como os que fazem parte da agricultura familiar, incluindo aqueles de comunidades tradicionais, utilizam o termo “veneno” para se referir aos agrotóxicos. Já os grandes produtores do agronegócio e setores do governo, por exemplo, preferem “defensivos agrícolas”. Em sua opinião, quais significados cada um desses termos carrega? RI CA RD O S AS AK I D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 83D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 83 19/09/20 11:4519/09/20 11:45 Aspe cto sanitário Condição higiênica das instalações e dos indivíduos que trabalham no processo de limpeza, preparo e embalo dos alimentos. Barreira tarifária Tarifas de importação sobre produtos, muitas vezes são medidas prote- cionistas para proteger o produtor nacional. 84 Expansão da pecuária Produtos de origem animal são a principal fonte de proteína para cerca de um terço da população mundial. Segundo estudo da Fundação Heinrich Böll, nos chamados países emergentes (China, Índia, Brasil, África do Sul etc.), estima-se um crescimento no consumo de carne de 80% até 2022, o que se deve, entre outros fatores, a mudanças de hábitos alimentares e ao aumento do poder aquisitivo da população em geral. Em muitos outros países, no entanto, como os da Europa e nos Estados Unidos, o consumo de carne se estabilizou ou vem crescendo mais len- tamente, o que está relacionado ao aumento de práticas alimentares mais saudáveis e ao consumo ético e consciente, como veremos no capítulo 6. Grande parte da produção mundial de carne se destina à indústria alimentícia, como para a produção de embutidos (mortadela, presunto, salame, linguiças salsicha etc.) e outros alimentos (hambúrgueres, frango empanado etc.). O Brasil é grande produtor e exportador de carne de boi, porco e ave. A criação bovina é o principal destaque, formada por gado de corte (produção de carne)e gado leiteiro. Segundo o IBGE, em 2018 o Brasil apresentava o maior rebanho comercial do mundo, era líder na expor- tação mundial de carne bovina, segundo maior produtor de carne e sexto maior produtor de leite. Em valor de produção, a pecuária bovina de corte perde apenas para a soja. Em relação à exportação, o Brasil avançou nos aspectos sanitá- rios, com novas leis e exigências de fiscalização, mas ainda apresenta dificuldades para alcançar países que têm regras mais rigorosas para a importação de carne e se utilizam de barreiras tarifárias para prote- ger seus mercados. Nos últimos anos, também cresceram as exigências por produções que causem menos impactos socioambientais e que se preocupem com o bem-estar dos animais. ■ Criação de gado de corte no sistema de confinamento, em Juara (MT), 2018. CH IC O F ER RE IR A/ PU LS AR IM AG EN S D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 84D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 84 19/09/20 11:4519/09/20 11:45 85 Impactos da pecuária Embora seja um setor importante do agronegócio, especialmente em alguns países, como o Brasil, a pecuária causa muitos impactos ambientais: • Áreas de florestas nativas são transformadas em pastos e planta- ções de matéria-prima (soja, milho etc.) para a fabricação de ração, aumentando o desmatamento e as queimadas. • Há inúmeras críticas sobre as condições de estresse nas quais são criados e abatidos os animais. Além da preocupação ética, pesqui- sas indicam que tal tratamento acarreta a liberação de toxinas na carne, que posteriormente será consumida pelas pessoas. Além disso, medicamentos aplicados nos animais, como antibióticos e hormônios, podem ser absor- vidos pelos consumidores. • O solo, ao ser pisoteado pelo gado, sofre com a compactação, o que aumenta processos erosi- vos e de desertificação. • O estrume do gado, quando não aproveitado em um sistema sus- tentável, contamina o solo, as águas subterrâneas e superficiais. • O processo de produção da carne é, entre todas as ativida- des agropecuárias, a que mais gasta água. Além do emprego direto na criação, no abate e no corte, a água também é usada na irrigação de pastos e nos diversos processos da indústria de ração. Toda a água usada direta e indiretamente na pro- dução é denominada água virtual. Veja o gráfico ao lado, que apresenta o uso de água na produção de carne bovina e de outros produtos agropecuários. Desertificação Processo de degradação ambiental generalizada que leva a condições semelhantes às dos desertos e é resultante de intensa exploração de recursos naturais e de atividades humanas, como a agricultura e a pecuária. Ocorre em regiões de climas áridos, semiáridos e subúmidos. Fonte: HEINRICH BÖLL FOUNDATION. Atlas da carne: fatos e números sobre os animais que comemos. Rio de Janeiro, 2015. p. 41. Disponível em: https://br.boell.org/sites/default/files/atlas_da_carne_2_edicao_- _versao_final-_bollbrasil.pdf. Acesso em: 27 jul. 2020. Essa quantidade de água é necesária para produzir 1 kg ou 1 litro de: : cerca de 140 L de água Carne bovina Queijo Arroz 15 455 L 5 000 L 3 400 L 3 300 L Ovos 1500 L Açúcar 1300 L Trigo 1000 L Leite 255 L Batatas 184 L Tomates Água virtual SO N IA V AZ D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 85D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 85 19/09/20 11:4519/09/20 11:45 86 Além dos impactos citados na página anterior, a pecuária gera gases de efeito estufa, como óxido nitroso (N2O), dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4). Observe estes gráficos e depois faça as atividades: Fonte: HEINRICH BÖLL FOUNDATION. Atlas da carne: fatos e números sobre os animais que comemos. Rio de Janeiro, 2015. p. 45. Disponível em: https://br.boell.org/sites/default/files/atlas_da_carne_2_edicao_-_versao_final-_bollbrasil.pdf. Acesso em: 21 jul. 2020. DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS> Mundo: emissão de gases do efeito estufa na pecuária (%), 2013 Um coquetel de gases: mudanças climáticas geradas a partir dos campos e estábulos 1. No geral, o que os gráficos informam sobre a fonte de produção dos gases de efeito estufa pela pecuária? 2. O metano (CH4), que resulta do processo de digestão animal, tem relação, entre ou- tros fatores, com o modelo de criação do gado. Leia o texto a seguir e discuta com seus colegas as possibilidades de uma pecuária no Brasil que gere menores impactos ambientais. Sem dúvida, é verdade que os bovinos emitem metano: produzem até 28% desse gás especialmente nocivo para o clima. Mas o metano pode ficar quase totalmente retido no solo se os animais pastam nos campos naturais. E não se deve optar por uma alimentação com cereais ou soja como suplemento. Uma vaca alimentada dessa maneira mais saudável e sustentável não produz tanta carne por hectare como uma alimentada com concentrados, mas o custo ambiental em termos de emissões de gases de efeito estufa é muito menor. HEINRICH BÖLL FOUNDATION. Atlas da carne: fatos e números sobre os animais que comemos. Rio de Janeiro, 2015. p. 45. Disponível em: https://br.boell.org/sites/default/files/atlas_da_carne_2_edicao_-_versao_final-_bollbrasil.pdf. Acesso em: 27 jul. 2020. NÃO ESCREVA NO LIVRO SO N IA V AZ 46,5 17 3,8 5,4 2,2 6,1 7,4 0,7 0,7 10,9 Manejo de esterco, CH4 Energia direta e indireta, CO2 Emissões fora do estabelecimento agrícola, CO2 Manejo de esterco, N2 Leite de vaca Carne bovina Porcos Aves Ovos Esterco aplicado e depositado, N2O Resíduos de fertilizantes e cultivos, N2O Mudança no uso do solo: soja, CO2 Digestão, CH4 Mudança no uso do solo: expansão de pastagens, CO2 Forragem, CO2 12,73,1 19,2 8,2 3,5 5,7 5,5 0,9 1,4 0,53,6 42,6 14,8 18,1 7,4 7,9 7,6 4,8 1,6 1,4 6,9 9,1 9,1 22,6 8,6 21,4 24,8 21,1 1,1 27,110 26,7 12,7 9 11 4 D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 86D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 86 19/09/20 11:4519/09/20 11:45 87 Brasil: modernização conservadora e expansão da agropecuária A expansão da agropecuária no Brasil, ocorrida principalmente a partir da década de 1960, foi marcada por um processo denominado por muitos pesquisadores moderniza- ção conservadora: modernização da grande propriedade e manutenção da estrutura fundiária concentrada, ou seja, grandes extensões de terra nas mãos de pequena parcela de proprietários. Esse processo pode ser dividido em dois momentos. Primeiro momento O primeiro momento, entre as décadas de 1960 e 1980, caracterizou-se pela adoção da Revolução Verde, desenvolvimento de complexos agroindustriais (CAIs) e forte atuação do Estado. A Revolução Verde foi responsável pela chegada de novas técnicas e produtos agropecuários, resultando no aumento da produtividade. As mercadorias eram des- tinadas principalmente ao exterior e à indústria nacional. Neste contexto, diversos setores do agronegócio se desenvolveram e ocorreu a formação dos complexos agroindustriais, que consistem na integração dos capitais bancários, industriais e agrários, na produção de insumos (tratores, sementes, fertilizantes, agrotóxicos, rações para animais etc.), na industrialização de produtos agropecuários, na logística de armazenamento, no transporte e distribuição, nas pesquisas, nas políticas de finan- ciamentos etc. Neste primeiro momento, o governo promoveu grandes projetos agropecuários para a ocupação das regiões Centro-Oeste e Norte, principalmente na década de 1970, sendo abertas novas áreas de produção, momento em que ocorreu a chamada expansão da fronteira agropecuária. O Estado também atuou no processo de criação dos CAIs, promovendo a participação de grandes produtores e de empresas estatais e multinacionais. No entanto, as ações do Estado beneficiaram principalmente os grandes produtores, enquanto os peque- nos e médios agricultores foram excluídos das políticas de crédito e comercialização dos produtos, e grande parte deles não conseguiu manter suas atividadesno campo, intensificando o êxodo rural e a concentração fundiária. ■ Construção da BR-163 em Mato Grosso, na década de 1970. 9O B AT AL H ÃO D E EN G EN H AR IA D E CO N ST RU ÇÃ O /E XÉ RC IT O B RA SI LE IR O D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU2.indd 87D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU2.indd 87 19/09/20 16:0919/09/20 16:09 88 Segundo momento No segundo momento, a partir da década de 1990, desenvolveu-se a chamada agricultura científica globalizada, que consistiu em um novo padrão agropecuário, caracterizado principalmente pelo uso de novas tecnologias da informação e comunicação (NTIC). Como exem- plos das novas tecnologias, podem ser citados a agricultura de precisão, a nanotecnologia, a biotecnologia, a engenharia genética, o uso de softwares, entre outros. Nesse período houve aumento da produção de commodities, principalmente a soja. Ocorreu uma menor atuação do Estado em algumas etapas, insti- tuições públicas foram privatizadas e as agroindústrias e as tradings tiveram grande participação no financiamento, no fornecimento de insumos e na logística de transporte da produção. As tradings, com escritórios fixados principalmente na cidade de São Paulo (SP), são res- ponsáveis por negociar os grãos no mercado internacional. A produção, integrada a uma rede mundial, é comandada por grandes corporações nacionais e internacionais e dependem das cotações das principais bolsas de mercadorias. Quanto às pesquisas para o setor agropecuário, o Brasil é uma potência mundial. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), instituição vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por exemplo, desenvolve tecnologias voltadas à agropecuária desde sua criação, na década de 1970. Apesar de haver diversas pesquisas e apoio técnico à produção familiar e à agroecolo- gia, as tecnologias de ponta, relacionadas à agricultura científica, são voltadas essencialmente para o agronegócio. Nanotecnologia Tecnologia que trabalha com a construção de estruturas e novos mate- riais a partir de partículas com dimensões minús- culas, como moléculas e átomos. Commodities Produtos primários, em estado bruto ou com algum processamento industrial, produzidos em grande quantidade e negociados mundialmente nas bolsas de mercadorias. Podem ser estocados por certo período sem perdas significativas de quali- dade. Há diversos tipos de commodities, como as agrícolas (soja, café, trigo etc.) e as minerais (minério de ferro, ouro etc.). Trading Empresas comerciais que atuam como interme- diárias entre empresas fabricantes e compra- doras, em operações de exportação ou de importação. ■ Técnico da Embrapa testa drone em plantação de milho em São Carlos (SP), 2019. LÉ O R AM O S CH AV ES /P ES Q U IS A FA PE SP D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 88D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 88 19/09/20 11:4519/09/20 11:45 89 Nos dois momentos da moder- nização da agropecuária no Brasil, a expansão da fronteira agrícola se deu com intensa ocupação do bioma Cerrado, que apresenta características favoráveis à agri- cultura, como: extensas áreas com relevo plano e solos profundos, estações do ano bem definidas (uma chuvosa e outra seca) e intensa luminosidade. Somam-se a essas condições naturais, os resultados de diversos estudos realizados na década de 1970 pela Embrapa, como a correção da acidez do solo e o desenvolvimento de sementes geneticamente modificadas, em associação com empresas privadas multinacionais, em períodos mais recentes. Observe o mapa ao lado. A soja é a principal commodity produzida no Cerrado, onde também se destacam as produções de milho, algodão e café, além da criação de gado. Nos dois momentos da modernização conservadora, ocorreu expansão da agropecuária também na Amazônia. Nos últimos anos se intensificou o desmata- mento ilegal, relacionado principalmente à abertura de pastos e à produção de soja. Expansão da fronteira agropecuária Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 8. ed. Rio de Janeiro, 2018. p. 125. Brasil: distribuição da soja em diferentes biomas, 2016 Equador OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO Trópico de Capricórnio 50° O 0° AC AM PA APRR RO TO MT MS ES RJ BA MA PI CE RN PB PE AL SE MG GO DF RS PR SC SP COLÔMBIA VENEZUELA GUIANA SURINAME GUIANA FRANCESA (FRA) PERU BOLÍVIA PARAGUAI CHILE ARGENTINA URUGUAI Produção municipal (1 000 t) De 10,0 a 100,0 De 100,1 a 250,0 De 250,1 a 500,0 De 500,1 a 1 771,2 Pantanal Pampa Cerrado Caatinga Amazônia Mata Atlântica 0 445 D AC O ST A M AP AS NÃO ESCREVA NO LIVRO> MEUS ARGUMENTOS A partir da manchete a seguir, argumente por que o desmatamento da Amazônia pode não ser lucrativo para o agronegócio: UE [União Europeia] quer boicote a produtos de áreas desmatadas Órgão executivo do bloco quer acelerar medidas para evitar que itens derivados de áreas des- truídas da Amazônia cheguem às prateleiras de países europeus. UE QUER boicote a produtos de áreas desmatadas. Deutsche Welle Brasil, 19 jun. 2020. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/ue-quer-boicote-a-produtos-de-%C3%A1reas-desmatadas/a-53875332. Acesso em: 21 jul. 2020. D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 89D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 89 19/09/20 11:4519/09/20 11:45 90 a) Analise os dados representados no gráfico acima e, a partir deles e das informações ex- traídas do texto, explique se a evolução da produção de soja no Brasil corresponde ao crescimento mundial dessa cultura. b) Como os dados representados no gráfico se relacionam a aspectos políticos e técnicos da chamada modernização conservadora? 2. A forma como ocorreu e ainda ocorre a expan- são da produção agropecuária no Brasil trouxe inúmeros impactos socioambientais. Ao mesmo tempo, a importância do agronegócio para a economia brasileira é muito grande. Selecione um desses impactos que foram estudados e, em grupo, coletem informações sobre avanços técnico-científicos para reduzi-los ou evitá-los. Apresentem a informação pesquisada de forma oral ou em um mural e discutam a importância de tais avanços para a economia e o ambiente. 3. Observe o mapa e responda às questões. a) Quais elementos do primeiro momento do processo de expansão da agropecuária no Brasil podem ser observados no mapa? b) Qual é a relação entre o que é retratado na fotografia da página 87 e as informações apresentadas no mapa? NÃO ESCREVA NO LIVROATIVIDADES> 1. Em 2020, em plena pandemia da covid-19, o único setor da economia brasileira que não apresentou perdas foi o agronegócio. Com safras recordes e aumento nas exportações, os resultados foram comemorados por em- presários do setor e pelo governo. Entre as commodities do agronegócio brasileiro, a soja ocupa lugar de destaque. Observe o gráfico a seguir, leia o trecho do texto que se segue e faça as atividades: Brasil: produção de soja em grão, 1975-2020* 1950 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2010 2015 2020* 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 Milhões de toneladas 10 15 18 20 26 33 51 69 97 191 Ano *Projeção Nota: Os números das safras foram arredondados. Fonte dos dados: IBGE. Sidra – Banco de Tabelas Estatísticas. Produção agrícola municipal, 2018. D isponível em: https:// sidra.ibge.gov.br/tabela/5457; EM MAIO, IBGE prevê alta de 1,8% na safra de grãos de 2020. Agência IBGE, 9 jun. 2020. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov. br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/ releases/27911-em-maio-ibge-preve-alta-de-1-8-na-safra-de- graos-de-2020. Acessos em: 21 jul. 2020. A soja é a cultura agrícola que, glo- balmente, vem crescendo em ritmo mais acelerado nas últimas décadas, estimulada pelo forte aumento do consumo de carnes, principalmente nos chamados países emergentes. Estima-se que 90% da soja produzida no mundo tenha como destino a fabricação defarelo utilizado em rações animais, como fonte de proteínas. HEINRICH BÖLL FOUNDATION. Atlas da carne: fatos e números sobre os animais que comemos. Rio de Janeiro, 2015. p. 16. Disponível em: https://br.boell.org/sites/default/files/atlas_da_carne_2_edicao_-_ versao_final-_bollbrasil.pdf. Acesso em: 27 jul. 2020. SO N IA V AZ Fonte: MARGARIT, E. O processo de ocupação do espaço ao longo da BR-163: uma leitura a partir do planejamento regional estratégico da Amazônia durante o governo militar. Geografia em Questão, Marechal Cândido Rondon (PR): Associação dos Geógrafos Brasileiros, v. 6, n. 1, p. 22, 2013. Disponível em: http://e-revista.unioeste.br/index.php/ geoemquestao/article/view/6634/5786. Acesso em: 27 jul. 2020. Macapá Manaus Rio Branco COLÔMBIA VENEZUELA GUIANA SURINAME GUIANA FRANCESA (FRA) PERU BOLÍVIA Porto Velho Boa Vista BelémSantarém Cuiabá São Luís Equador 50° O 0° AC AM PA AP RR RO TO MT MS BA MA PI MG GOGO DF Particulares Oficiais Projetos de Colonização (ha) 726,3 907,9 De 100 a 190 De 100 a 500 Até 100 Até 100 Rodovias Capital de estado Amazônia legal Nota: A Amazônia Legal é uma divisão regional administrativa instituída em 1953 pelo governo federal brasileiro, com o objetivo de definir áreas a serem beneficiadas por projetos de desenvolvimento regional. Inclui os estados da região Norte, o Mato Grosso e parte do Maranhão. 0 445 Amazônia Legal*: projetos de colonização, décadas de 1970-1980 Macapá Manaus Rio Branco COLÔMBIA VENEZUELA GUIANA SURINAME GUIANA FRANCESA (FRA) PERU BOLÍVIA Porto Velho Boa Vista BelémSantarém Cuiabá São Luís Equador 50° O 0° AC AM PA AP RR RO TO MT MA Particulares Oficiais Projetos de Colonização (ha) 726,3 907,9 De 100 a 190 De 100 a 500 Até 100 Até 100 Rodovias Capital de estado Amazônia legal Nota: A Amazônia Legal é uma divisão regional administrativa instituída em 1953 pelo governo federal brasileiro, com o objetivo de definir áreas a serem beneficiadas por projetos de desenvolvimento regional. Inclui os estados da região Norte, o Mato Grosso e parte do Maranhão. 0 445 Macapá Manaus Rio Branco COLÔMBIA VENEZUELA GUIANA SURINAME GUIANA FRANCESA (FRA) PERU BOLÍVIA Porto Velho Boa Vista BelémSantarém Cuiabá São Luís Equador 50° O 0° AC AM PA AP RR RO TO MT MA Particulares Oficiais Projetos de Colonização (ha) 726,3 907,9 De 100 a 190 De 100 a 500 Até 100 Até 100 Rodovias Capital de estado Amazônia legal Nota: A Amazônia Legal é uma divisão regional administrativa instituída em 1953 pelo governo federal brasileiro, com o objetivo de definir áreas a serem beneficiadas por projetos de desenvolvimento regional. Inclui os estados da região Norte, o Mato Grosso e parte do Maranhão. 0 445 D AC O ST A M AP AS D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 90D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 90 19/09/20 11:4519/09/20 11:45 https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/27911-em-maio-ibge-preve-alta-de-1-8-na-safra-degraos-de-2020 http://e-revista.unioeste.br/index.php/geoemquestao/article/view/6634/5786 91 ENTREVISTAS: REDESCOBRINDO HÁBITOS DO PASSADO Vocês já pararam para pensar que nem sempre as pessoas se alimentaram da mesma maneira? Será que nossos atuais hábitos de alimentação são iguais aos das gerações anteriores? Ao longo do tempo, mudanças econômicas e sociais alteraram hábitos coti- dianos, incluindo a maneira como as pessoas se relacionam com os alimentos. A esse processo dá-se o nome de transição alimentar. O Brasil passou por um importante processo de transição alimentar nas últimas décadas, como aponta o documento “Política Nacional de Alimentação e Nutrição”, publicado em 2013: A população brasileira, nas últimas décadas, experimentou grandes transformações sociais que resultaram em mudanças no seu padrão de saúde e consumo alimentar. Essas transforma- ções acarretaram impacto na diminuição da pobreza e exclusão social e, consequentemente, da fome e desnutrição. Por outro lado, observa-se aumento vertiginoso do excesso de peso em todas as camadas da população, apontando para um novo cenário de problemas relacionados à alimentação e nutrição. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Política Nacional de Alimentação e Nutrição. 1. ed. Brasília, 2013. 9. 6. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_alimentacao_ nutricao.pdf. Acesso em: 5 set. 2020. Nesta etapa vocês vão investigar como as pessoas se alimentavam no passado. A proposta é entrevistar familiares mais velhos (avós, bisavós, tios) que possam contar como eram os hábitos alimentares deles na infância e juventude. A turma pode se dividir em grupos e cada um deve pensar em entrevistados que tenham um perfil que contribua para a discussão sobre mudanças das práticas alimentares. Selecionado o entrevistado, os grupos devem realizar um contato inicial, explicando os objetivos da entrevista e solicitando auto- rização para sua realização. Após o aceite do entrevistado, o grupo precisa fazer o planejamento da entrevista. A conversa precisa ser agendada, definindo-se local e horário. A seguir, é necessário elaborar um roteiro para a conversa, formulando as perguntas e definindo quem do grupo ficará responsável por conduzir a entre- vista e aqueles que vão cuidar do registro. Para a gravação da entrevista, em áudio ou vídeo, é fundamental solicitar autorização do entrevistado. Na realização da entrevista deve-se ter cuidado com o registro de todo o processo, de modo a ter todas as informações necessárias para a próxima etapa deste projeto. Etapa 1 D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 91D3-CH-EM-3075-V4-U3-C5-78-91-LA-G21_AVU1.indd 91 19/09/20 11:4519/09/20 11:45 http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_alimentacao_nutricao.pdf CAPÍTULO 6 Transformações na alimentação Que memórias você tem do que comia na escola quando era criança? As refeições servidas mudaram ao longo dos anos? Há ou havia algum alimento de sua preferência? Em geral, ao longo do tempo, os programas de alimentação nas escolas públicas brasileiras passaram por importantes melhorias, prin- cipalmente em termos de uma nutrição mais adequada. Isso ocorreu em função da implementação de políticas públicas voltadas especifi- camente ao tema. Leia o texto sobre um desses programas. [...] no Brasil, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) distribui diariamente 43 milhões de refeições para os estudantes da rede pública, muitos dos quais contam apenas com essa refeição diária. [...] Fomos o modelo internacional de políticas públicas virtuosas, capazes de gerar ganhos múltiplos: no caso da alimentação escolar adquirida da agricultura familiar, por exemplo, ganha-se com a melhora nutricional dos alunos; com a consequente maior capacidade cognitiva; e com a inserção socioeconômica das famílias produtoras. RONDÓ, M. Brasil é modelo a ser seguido quando se trata de alimentação escolar. Carta Capital, 29 jul. 2020. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/OPINIAO/BRASIL-E-MODELO-A-SER-SEGUIDO- QUANDO-SE-TRATA-DE-ALIMENTACAO-ESCOLAR/. Acesso em: 31 ago. 2020. A garantia de que estamos consumindo alimentos saudáveis e nutriti- vos depende de muitos fatores. Além de políticas públicas, como citado no texto acima, há fatores relacionados à renda das famílias, à cultura local e regional, a interesses econômicos de grandes empresas alimentícias, entre outros. Neste capítulo, traremos algumas dessas questões e analisaremos as transformações que a alimentação vem sofrendo ao longo do tempo, abordando temas como transição alimentar e nutricional, segurança alimentar, relações entre alimentação e ética, conhecimentos dos povos indígenas, entre outros. ■ Uma alimentação balanceada e que se integre às tradições brasileiras, como o feijão, arroz, carne e salada, é uma opção de nutriçãopara as escolas brasileiras. Fotografia de merenda escolar em Itaituba (PA), 2019. Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o capítu- lo e sobre o trabalho com as atividades. M U N IC ÍP IO D E IT AI TU BA , P AR Á 92 D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 92D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 92 18/09/20 22:2518/09/20 22:25 https://www.cartacapital.com.br/OPINIAO/BRASIL-E-MODELO-A-SER-SEGUIDO-QUANDO-SE-TRATA-DE-ALIMENTACAO-ESCOLAR/ Muito mais que necessidade básica Nas últimas décadas, no Brasil e no mundo, a maneira como as pessoas se ali- mentam no dia a dia vem se transformando em diversos aspectos, como o tipo de alimento consumido, o tempo destinado à refeição, o número de refeições realizadas e o intervalo entre elas. Você pode perceber o impacto que a alimentação tem sobre nossas vidas através de mudanças nos seus hábitos alimentares, ou nos hábitos de seus familiares, e isso pode ter consequências positivas ou negativas sobre a saúde. Tais transformações não são apenas uma questão de escolhas individuais ou pre- ferências, estando relacionadas a processos do mundo contemporâneo, a exemplo da industrialização, da urbanização, da globalização e do aumento dos conhecimen- tos científicos sobre a influência da alimentação sobre a saúde humana. Como vimos no capítulo anterior, a modernização do campo ocorrida no Brasil e em muitos outros países afetou a produção de alimentos diversificados, com o agronegócio privilegiando aqueles destinados à indústria e à exportação. Ao refletirmos sobre hábitos alimentares e suas transformações ao longo do tempo, devemos considerar a alimentação dentro de suas diferentes dimensões: é uma necessidade biológica, ao mesmo tempo que é uma prática social; os alimentos são parte de nossa cultura, mas também mercadorias; sua produção e consumo têm relação com a saúde física e emocional das pessoas, com os ambientes físico-natu- rais – como o solo, os rios, as florestas – e com o desenvolvimento das economias locais, nacional e global, entre outros exemplos. ■ A alimentação como prática social contribui para o bem-estar e a interação entre as pessoas. Família reunida no café da manhã em São Paulo (SP), 2016. 3075-CH-V4-C06-LA-F002 FE RN AN D O FA VO RE TT O /C RI AR IM AG EM 93 D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 93D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 93 18/09/20 22:2518/09/20 22:25 Segurança alimentar e nutricional Em pleno século XXI, depois de inúmeros avanços tecnológicos relacionados à agricultura e à produção de alimentos de modo geral, pode parecer surpreendente que, dos quase 8 bilhões de pessoas do mundo, um número superior a 800 milhões ainda passa fome, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), ou seja, não dispõe de alimentos suficientes no dia a dia para ter uma vida ativa e saudável. Observe o mapa a seguir. Fonte: GLOBAL HUNGER INDEX. 2019 Global Hunger Index by severity. Disponível em: https://www. globalhungerindex.org/. Acesso em: 31 ago. 2020. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) Conjunto de 17 metas estabelecidas em 2015 pela ONU como bases para atingir o desenvolvimento sustentável, com as quais os 193 países-membros se comprometeram. Reúnem diferentes temas, como questões ambientais e combate ao aquecimento global, promoção da saúde, educação e igualdade de gênero. Organismos multilaterais como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) desen- volvem diversos programas e estudos para combater a fome no mundo em parcerias com instituições e governos locais. Para tanto são necessárias ações e políticas públicas direcionadas ao auxílio a pessoas que convivem com a insegurança alimentar e apoio a agricultura familiar e jovens empreendedores no campo. O segundo dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), por exemplo, consiste em: Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável. NAÇÕES UNIDAS BRASIL. Fome zero e agricultura sustentável. 2015. Disponível em: https://nacoesunidas.org/pos2015/ods2/. Acesso em: 3 set. 2020. No Brasil, as políticas de erradicação da fome tiveram grande expan- são na década de 2000 e foram implementadas em diversos setores, proporcionando geração de renda para famílias vulneráveis, instalação de cisternas na região do Semiárido, construção de restaurantes popu- lares, distribuição de suplementos alimentares e desenvolvimentos de programas de educação alimentar. Como resultado de tais ações, em Mundo: Índice da fome, 2019 Trópico de Capricórnio Trópico de Câncer Equador M er id ia no d e G re en w ic h Círculo Polar Antártico Círculo Polar Ártico 0° 0° OCEANO ÍNDICO OCEANO PACÍFICO OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO OCEANO GLACIAL ÁRTICO OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO 0 3 140 ≥5035 - 49,920 - 34,9 10 - 19,9≤ 9,9 Dados insuficientes, preocupação significativa Índice não calculado ou dados insuficientes Extremamente alarmanteAlarmanteGraveModeradoBaixo Índice da fome, por gravidade D AC O ST A M AP AS 94 D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 94D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 94 18/09/20 22:2518/09/20 22:25 https://nacoesunidas.org/pos2015/ods2/ 2014 o Brasil saiu do mapa global da fome composto por países nos quais mais de 5% da população ingere menos do que o mínimo de calorias diárias necessárias em suas refeições. No entanto, o segundo objetivo dos ODS não cita apenas acabar com a fome, mas também melhorar a nutrição e alcançar a segurança alimentar. Portanto, não basta alimentar uma população de um país ou de determinado grupo social, mas garantir a segurança alimentar e nutricional, ou seja, o direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente, tendo como base práticas que promovam o respeito à diversidade cultural e sejam social, econômica e ambientalmente sustentáveis. Para tanto, as ações para se garantir a segurança alimentar e nutricio- nal devem contemplar as quatro dimensões evidenciadas no esquema a seguir. Quatro dimensões da segurança alimentar Fonte dos dados: FAO. O estado da segurança alimentar e nutricional no Brasil: um retrato multidimensional. Brasília, DF, 2014. p. 17. Disponível em: http://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/seguranca_alimentar/SANnoBRasil.pdf Acesso em: 31 ago. 2020. > DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO • Leia a primeira meta do segundo objetivo dos ODS e depois faça as atividades em grupo: Até 2030, acabar com a fome e garantir o acesso de todas as pessoas, em particular os pobres e pessoas em situações vulneráveis, incluindo crianças, a alimentos seguros, nutritivos e suficientes durante todo o ano. NAÇÕES UNIDAS BRASIL. Fome zero e agricultura sustentável. 2015. Disponível em: https://nacoesunidas.org/pos2015/ods2/. Acesso em: 3 set. 2020. a) Tendo como base esse princípio e levando em conta a realidade da comunidade ou município em que vivem, vocês consideram que a meta descrita acima está completamente alcançada? Considerando que a resposta seja “não”, proponham ações para alcançar essa meta. b) Imaginem que vocês compõem uma equipe da FAO que deve pensar soluções para alcançar essa meta em um dos países que apresentam índice de fome alarmante ou extremamente alarmante (vejam o mapa da página 94). Que programas ou ações vocês proporiam? Para responder, pesqui- sem informações sobre as causas da fome no país escolhido. Disponibilidade Disponibilidade de alimentos para todos, o que envolve questões de produção, comércio internacional e nacional, abastecimento e distribuição de alimentos. Estabilidade Estabilidade se refere a manter as condições citadas acimas, sendo necessárias ações tanto das famílias quanto de políticas públicas. Acesso Acessoa alimentos de forma socialmente aceitável. Utilização Utilização dos alimentos, que é influenciada por condições de saneamento básico, conhecimento nutricional, escolhas e hábitos alimentares, e o papel social da alimentação na família e na comunidade. 95 D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 95D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 95 18/09/20 22:2518/09/20 22:25 https://nacoesunidas.org/pos2015/ods2/ Segurança alimentar: um resgate histórico A dificuldade de acesso a alimentos durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) levantou, de maneira inédita entre os Estados modernos, a questão da necessidade de controle do fornecimento e da distribuição de alimentos, garantindo a oferta de comida para todos. A produção de alimentos assumiu a partir de então um significado polí- tico associado à segurança nacional. No contexto da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), as questões relativas à segurança alimentar se tornaram ainda mais críticas, levando à criação da FAO, em 1945. Essa agência da ONU foi criada com o obje- tivo de combater a fome e a insegurança alimentar no mundo. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, em seu Artigo XXV, reconhece a alimentação como um dos direitos humanos básicos universais: ■ Símbolo da FAO. ■ Crianças vítimas da Segunda Guerra Mundial recebem assistência humanitária em Berlim (Alemanha), 1945. "Anjos perdidos" foi a designação usada para se referir às crianças órfãs, vítimas da Segunda Guerra Mundial, sobretudo na Alemanha. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de asse- gurar-lhe, e a sua família, saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispen- sáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle. ONU. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Rio de Janeiro, 2009. Disponível em: https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2018/10/DUDH.pdf. Acesso em: 31 ago. 2020. FR ED R AM AG E/ KE YS TO N E/ G ET TY IM AG ES O RG AN IZ AÇ ÃO D AS N AÇ Õ ES U N ID AS 96 D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 96D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 96 18/09/20 22:2518/09/20 22:25 https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2018/10/DUDH.pdf Nas mãos de quem está a segurança alimentar? A luta pela segurança alimentar e nutricional encontra resistências nos modelos de produção e consumo que prevalecem no mundo atual, direcionados, em larga medida, pelos interesses econômicos que envolvem as cadeias de produ- ção e distribuição de alimentos. De acordo com o Atlas da Carne, publicado pela Fundação Heinrich Böll, em 2015, a produ- ção avícola, por exemplo, encontra-se cada vez mais concentrada em um pequeno número de empresas, o que afeta pequenos produtores que sobrevivem dessa atividade. Segundo essa publicação, os produtos disponibilizados ao con- sumidor também são afetados, já que as grandes empresas do setor, em geral, fazem uso intenso de antibióticos na criação de animais, visando atingir a capacidade máxima de produção. Outra questão importante quando se discute a segurança alimentar é o uso dos agrotóxicos, já que a chamada agricultura moderna utiliza intensamente esses produtos que, em geral, contaminam o ambiente (o solo e as águas superficiais e subterrâneas, por exemplo) e também os alimentos, que ao conter resíduos dessas substâncias podem prejudicar a saúde das pessoas que os consomem como também dos agricultores que utilizam esses produtos em suas plantações. Por causa dos inúmeros fatores que contribuem para a insegurança ali- mentar no mundo, especialistas e agricultores familiares defendem a ideia da soberania alimentar. De acordo com esse conceito, todos os povos devem ter direito de decidir sobre as suas políticas agrícolas e alimentares, participando de escolhas que envolvam os alimentos a serem cultivados, aspectos relativos à sua produção e comercialização, entre outros exem- plos. Nesse âmbito há propostas e práticas de sistemas que promovam as chamadas agriculturas sustentáveis, como veremos no capítulo 7. ■ Criação orgânica de galinhas em Cafarnaum (BA), 2019. 3075-CH-V4-C06-LA-F006 > MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO • O conceito de soberania alimentar tem relação com o poder de decisão sobre diferentes aspectos que envolvem a alimentação. Se ressignificarmos o conceito trazendo-o para o contexto de sua rea- lidade e tendo em vista uma alimentação variada e nutritiva, você considera que sua comunidade participa de escolhas relativas aos alimentos que consome, onde os adquirir e como são produzidos? Discuta com os colegas e argumente de forma a justificar por que essa participação é importante e como ela poderia aumentar. LU CI AN A W H IT AK ER /P U LS AR IM AG EN S 97 D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 97D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 97 18/09/20 22:2518/09/20 22:25 Os alimentos transgênicos ■ Cultivo in vitro de plantas geneticamente modificadas em laboratório na Alemanha, 2013. ■ Cultivo de soja em Santa Mariana (PR), 2018. O desenvolvimento da biotecnologia permite ao ser humano intervir e modificar geneticamente a natureza em laboratório. Um dos resul- tados desse processo foi a criação dos Organismos Geneticamente Modificados (OGMs), também chamados de transgênicos. Os alimentos transgênicos são aqueles que tiveram o seu DNA modificado a partir da inserção de genes de outro organismo ou que apresentam em sua constituição elementos que tenham passado por esse processo. Um dos principais objetivos de seu desenvolvimento é criar plantas resistentes a doenças e a pragas agrícolas, buscando aumentar a produtividade. Segundo relatório do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações de Agrobiotecnologia (ISAAA), produzido em 2018, o Brasil ocupa o segundo lugar na plantação de transgênicos no mundo: são 50,2 milhões de hectares de culturas transgênicas, o que representa 26% de todo o cultivo global. Entre os cultivos transgênicos mais comuns no Brasil estão a soja e o milho, que originam produtos como óleos de cozinha, farinhas, extrato, leite e proteína texturizada de soja, salsichas, margarinas, massas, bola- chas e cereais. M IC H AE L G O TT SC H AL K/ PH O TO TH EK /G ET TY IM AG ES SE RG IO R AN AL LI /P U LS AR IM AG EN S 98 D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 98D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 98 18/09/20 22:2518/09/20 22:25 As polêmicas em relação aos OGMs Há muitas controvérsias sobre os benefícios e riscos que envol- vem a produção e o consumo de OGMs, especialmente considerando os efeitos dos alimentos transgênicos para a saúde humana e os impactos ambientais e sociais resultantes de sua produção. A seguir, apresentamos alguns dos riscos que costumam ser apontados. Primeiramente, devemos considerar que as espécies transgêni- cas são protegidas por patentes. Isso significa que o agricultor que decidir utilizá-las deverá pagar royalties para empresas detentoras da tecnologia, aumentando sua dependência em relação a elas. Por regra contratual, o agricultor não pode usar sementes do plantio anterior, sendo obrigado a comprá-las a cada nova safra. Outro problema é o risco de contaminação entre plantações transgênicas e não transgênicas, inviabilizando garantir a venda de produtos provenientes de lavouras convencionais para consumidores que assim exigirem. Além das consequências imediatas, existem ainda outras que não se pode dimensionar no curto prazo. Entre elas, riscos relativos à perda da diversidade genética de espécies cultivadas e outros danos ao ambiente e à saúde dos humanos. Há pesquisas que evidenciam que a transferência de genes de outras espécies, como de vírus e bactérias, em alimentos transgênicos, leva ao aumento de alergias e resistência a antibióticosem seres humanos. Por tudo isso, surge a necessidade de rotulagem obrigatória desse tipo de alimento, prevista em lei, assegurando tanto a prevenção aos danos que já se conhece quanto a precaução frente aos perigos potenciais. O uso do triângulo amarelo com a letra “T” nos rótulos de alimentos transgênicos no Brasil, contudo, ainda tem sido debatido; em 2020, estava em tramitação no Congresso Nacional um projeto de lei que buscava flexibilizar a obrigatoriedade do selo em embalagens de alimentos. ■ Símbolo em embalagem de amido de milho produzido a partir de alimento transgênico. Fotografia em São Paulo (SP), 2012. > DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO • Observe as embalagens de alimentos e verifique quais delas possuem o rótulo de transgênico. Você já havia reparado nesse rótulo e tinha noção dos eventuais riscos? Discuta com seus colegas e professor em que medida esse instrumento legal protege os indivíduos dos supostos malefícios dos alimentos transgênicos ou simplesmente transfere a eles a responsabilidade pelo consumo desse tipo de alimento. FA BI O C O LO M BI N I 99 D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 99D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 99 18/09/20 22:2518/09/20 22:25 Transição alimentar e nutricional Ao longo do tempo, transformações econômicas e sociais acabam modificando hábitos cotidianos, incluindo a alimentação. A esse pro- cesso de mudança nos padrões alimentares se dá o nome de transição alimentar, ao passo que a transição nutricional diz respeito a altera- ções nas condições de saúde da população influenciadas por mudanças no tipo de alimentação. Como vimos, o Brasil saiu do mapa da fome em 2014 em função de uma série de políticas públicas que tiraram muitas pessoas da situa ção de subnutrição. Por sua vez, verifica-se um crescimento no consumo de alimentos industrializados, processados e ultraprocessados no país, especialmente entre os jovens. Entre esses alimentos estão biscoitos recheados, salgadinhos, macarrão instantâneo, doces industrializados, refrigerantes, sucos de caixinhas, entre outros que, em muitos casos, substituem ou coexistem com os alimentos tradicionalmente consumi- dos, a exemplo do tradicional e balanceado arroz com feijão. Os alimentos ultraprocessados, em geral, contêm grandes quan- tidades de açúcar, sal, gordura, aromatizadores, conservantes e outros aditivos químicos que os tornam nutricionalmente pobres e pouco saudáveis quando comparados a alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes, verduras e grãos. Assim, o que se vê entre brasileiros, e populações de muitos outros países, é um excesso de ingestão de calorias e um desequilíbrio no consumo de nutrientes, ambos associados à maior incidência de obesidade e diabetes e outras doenças. O aumento do consumo dos ultraprocessados é explicado, muitas vezes, pela renda das famílias e pelas dinâmicas da vida urbana. A pre- paração da comida deixa de fazer parte do cotidiano de muitas pessoas e esses alimentos passam a ser opções mais práticas e mais baratas. Alimentos ultraprocessados Alimentos produzidos na indústria a partir de substâncias extraídas de alimentos, de derivados de alimentos ou mesmo sintetizadas em labo- ratório com base em materiais orgânicos. ■ A produção dos alimentos ultraprocessados envolve etapas e uso de técnicas mais sofisticadas de processamento, com inclusão de ingredientes industrializados. Fábrica de bombons na Alemanha, 2018. IN D U ST RY VI EW S/ SH U TT ER ST O CK .C O M 100 D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 100D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 100 18/09/20 22:2518/09/20 22:25 Diversos estudos no Brasil e no mundo evidenciam mudanças signifi- cativas nos hábitos alimentares da população, com reflexos na saúde dos indivíduos. Leia o texto e observe o infográfico para fazer as atividades. A população mundial está ganhando peso rapidamente, principal- mente crianças e adolescentes. [...] a taxa global de obesidade em crianças disparou em 41 anos. Por outro lado, o índice de baixo peso caiu. O Brasil segue na mesma direção. Entidades de saúde alertam que, se não houver uma mudança de rumo, o país, assim como a população global, enfrentará um forte crescimento de doenças associadas à obesidade, como diabetes, pressão arterial elevada e doenças de fígado. [...] Nas últimas quatro décadas, o índice de obesidade entre meninos saltou de 0,93% para 12,7%. Entre meninas, o crescimento foi menor, mas ainda assim elevado: passou de 1,01% em 1975 para 9,37% [em 2016] [....]. De acordo com a Federação Mundial de Obesidade, o crescente nível de obesidade entre crianças e adultos coloca a saúde desse público “em perigo imediato”. Estimativa da organização aponta que, em 2025, 150 mil crianças e jovens no Brasil desenvolverão diabetes tipo 2, enquanto 1 milhão terão pressão arterial elevada. Outro dado alarmante é o número de crianças e jovens brasileiros que sofrerão com gordura no fígado - cerca de 1,4 milhão, segundo a entidade. Fonte dos dados: SOUZA, A. de M. et al. ERICA: ingestão de macro e micronutrientes em adolescentes brasileiros. Revista Saúde Pública, São Paulo, v. 50, fev. 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/ rsp/v50s1/pt_0034-8910-rsp-S01518-87872016050006698.pdf. Acesso em: 12 set. 2020.0 Pressão arterial elevada Também denominada hipertensão ou pressão alta, é caracterizada pelos níveis elevados da pressão sanguínea nas artérias. Diabetes tipo 2 Doença caracterizada pelo excesso de açúcar no sangue e relacio- nada ao sobrepeso, ao sedentarismo e a hábitos alimentares inadequados, além de fatores genéticos. ■ Prevalência dos 20 alimentos mais consumidos entre os adolescentes brasileiros, em 2013-2014, segundo o Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes, realizado pelo Ministério da Saúde e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS> 1. Como os dados do infográfico se relacionam com a transição nutricional descrita no texto? 2. Quais seriam as principais causas sociais para o padrão alimentar apre- sentado no infográfico? 3. Faça uma lista dos 20 alimentos que você mais consome e troque as infor- mações com seus colegas. Depois, construam um modelo que expresse o perfil alimentar de sua turma e compare-o com os dados apresentados no infográfico. 4. Qual seria, em sua visão, o menu ideal para ilustrar um perfil de alimen- tação saudável? NÃO ESCREVA NO LIVRO Fonte dos dados: SOUZA, A. de M. et al. ERICA: ingestão de macro e micronutrientes em adolescentes brasileiros. Revista Saúde Pública, São Paulo, v. 50, fev. 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/ rsp/v50s1/pt_0034-8910-rsp-S01518-87872016050006698.pdf. Acesso em: 12 set. 2020. M IN IS TÉ RI O D A SA Ú D E E U N IV ER SI D AD E FE D ER AL D O R IO D E JA N EI RO (U FR J) 101 D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21_AVU2.indd 101D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21_AVU2.indd 101 19/09/20 15:4319/09/20 15:43 https://www.scielo.br/pdf/rsp/v50s1/pt_0034-8910-rsp-S01518-87872016050006698.pdf https://www.scielo.br/pdf/rsp/v50s1/pt_0034-8910-rsp-S01518-87872016050006698.pdf Homogeneização e resistências As transformações nos padrões alimentares nas últimas décadas estão diretamente relacionadas ao processo de globalização que, no seu aspecto cultural, proporciona uma homogeneização de hábitos, comportamentos e costumes. Para ilustrar isso, veja o exemplo das grandes redes de fast food, nas quais os lanches são bastante parecidos em diferentes cidades do mundo, seja São Paulo (SP), no Brasil, Nova York, nos Estados Unidos, ou Tóquio, no Japão. Esse processo provoca, em muitos casos, uma diluição das tradições culturais em prol de um modo de vida urbano e homogenei- zado, principalmente nas cidades. Embora essa homogeneização seja uma tendência global, é cada vez maior o número de indivíduose grupos que fazem resistência a ela, defendendo a preservação de culturas tradicionais, resgatando modos de preparar alimentos, festejos e celebra- ções que incorporam a alimentação, os quais compõem patrimônios culturais imateriais. Por exemplo, a tradição doceira de Pelotas (RS), herança cultural de famílias portuguesas, africanas, alemãs e francesas que viveram no Brasil e se tornou patrimônio imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em maio de 2018. Há outros exemplos de modos de prepara- ção tradicionais de alimentos que se tornaram patrimônios imateriais no Brasil. É o caso da produção artesanal do queijo Minas e do ofício das baianas do acarajé, que inclui o modo de preparar e de vender os alimentos. Vegetarianismo e veganismo A carne e outros alimentos de origem animal são importantes fontes de proteí nas e nutrientes e sua aquisição, preparo e consumo envolvem aspectos culturais que podem ser evidenciados em pratos típicos e eventos tradicionais em muitos países e regiões. Apesar disso, é crescente o número de pessoas que não consomem carne e/ou produtos de origem animal e que se adequam em dois grupos principais: os vegetarianos e os veganos. Os vegetarianos de modo geral não se alimentam com produtos de origem animal; há os que consomem derivados de leite e ovos. Já os veganos não consomem ou utilizam nenhum produto de origem animal, como alimentos e roupas, e não usam produtos que foram testados em animais. ■ Entre os elementos que fazem parte do “ofício das baianas do acarajé” estão as chamadas comidas de baiana. O acarajé, por exemplo, um bolinho de feijão, frito no azeite de dendê e, depois, recheado. Outro importante elemento é a indumentária (roupas e acessórios), característica do candomblé. Na fotografia, baiana do acarajé em Salvador (BA), 2012. FR AN CO H O FF /P U LS AR IM AG EN S 102 D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 102D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 102 18/09/20 22:2518/09/20 22:25 Tanto o vegetarianismo como o veganismo estão presentes em grupos que criticam os padrões de produção e consumo dominan- tes, posicionando-se contra a degradação ambiental e o sofrimento animal (abate de animais feito de forma cruel) causado, especial- mente, pela chamada indústria da carne. Para muitos, portanto, além da busca por uma alimentação saudável, tais estilos de vida representam uma atitude polí- tica e ética. Além desses grupos, existem outros que promovem posturas alternativas referentes à alimen- tação, a exemplo de setores do movimento punk, como o movi- mento chamado Straight edge (do inglês “caminho reto”), que também defende a abstinência de álcool, cigarro e outras drogas. A relação entre os humanos e os animais vem sendo objeto de discussão entre sociólogos e filósofos há séculos. Entre esses, o filósofo australiano Peter Singer (1946-) condena o que ele denomina de especismo, isto é, o fato de a espécie humana explorar outras espécies animais, justa- mente por elas não pertencerem ao grupo humano. Para Singer, o fato de pertencer a uma espécie não confere nenhum tipo de superiori- dade a seus integrantes. Trata-se de um critério totalmente arbitrário que procura justificar um suposto direito que nós, seres humanos, teríamos de subjugar os animais, considerados como “coisas”, justi- ficando seu uso como recursos. ■ Ativista na Alemanha, durante passeata do movimento "Fridays for Future" (Juventude pelo Clima) em 2020, segura o cartaz com os dizeres "Cure o mundo, torne-se vegano". > DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO • Muitas pessoas que deixam de comer carne não fazem as substituições adequadas em suas dietas para a ingestão de nutrientes importantes, podendo desenvolver, por exemplo, anemia em razão da deficiência de ferro. Por isso a necessidade de se fazer um acompanhamento com profissional da saúde e buscar informações ao realizar a transição para o vegetarianismo ou veganismo. Converse com alguém que deixou de comer carne e pergunte como foi essa transição. Depois, converse com seus colegas sobre o que descobriram e, caso algum entrevistado não tenha realizado a substituição adequada, discutam que soluções ele poderia tomar. YI N G TA N G/ N U RP H O TO /G ET TY IM AG ES 103 D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 103D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 103 18/09/20 22:2518/09/20 22:25 Aprendendo com os povos indígenas Comer mandioca, milho, farinha e diversas espécies de peixe, por exemplo, são hábitos alimentares que herdamos de povos indígenas. Outros alimentos, hoje presentes no mundo todo, também foram domesticados e inicialmente cultivados por povos indígenas do continente americano, como o cacau, a batata e o tomate, levados pelos colonizadores europeus para outros continentes. No entanto, há outros aspectos da vida dos povos indígenas que se relacionam com a alimentação no Brasil e no mundo, como você verá a seguir. Técnicas agrícolas e cultivos resistentes Os povos indígenas e comunidades tradicionais têm técnicas agrícolas sus- tentáveis que conservam os solos e as águas, reduzem a erosão, diminuem o risco de desastres, como os deslizamentos de terra, e são adaptadas a regiões de relevo acidentado, de terras alagadas e ambientes áridos. Entre as técnicas usadas podemos citar a construção de terraços para evitar a erosão do solo e jardins flutuantes para fazer uso de campos inundados. Além disso, os produtos cultivados por esses povos são aqueles que melhor se adaptam às condições do ambiente, contri- buindo para o equilíbrio e manutenção dos ecossistemas. Seus conhecimentos acerca do patrimônio genético (espécies animais e vegetais) e técnicas de produção podem contribuir para que os produtores rurais aumentem sua produtividade, produzam de forma mais sustentável e se adaptem às mudanças climáticas, entre outros exemplos. ■ Homem coletando frutos em área inundada em Bangladesh, 2015. Alimentos e tradições que podem ajudar a expandir e diversificar as dietas Atualmente, a alimentação humana está amplamente baseada em produtos de origem agrícola como arroz, trigo, milho, painço e sorgo, que fornecem cerca de 50% das necessidades energéticas da população mundial. IN SI G H T- PH O TO G RA PH Y/ SH U TT ER ST O CK . 104 D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 104D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 104 18/09/20 22:3718/09/20 22:37 Porém, em geral, quanto mais diversifi- cada uma dieta mais saudável ela se torna. Os povos indígenas de muitas regiões do mundo cultivam e coletam alimentos diversificados e altamente nutritivos, como diversos tipos de grãos, frutas, sementes, raízes e peixes, que podem contribuir para a diversificação da dieta da população em geral. A quinoa, por exemplo, é uma planta nativa da região andina e um alimento alta- mente nutritivo que faz parte da dieta da população em países como Peru, Bolívia, Equador e Colômbia há muitos anos, e que recentemente passou a ser consumida em outros países. Preservação da biodiversidade A preservação da biodiversidade é essencial à segurança alimentar e nutri- cional, além de manter o equilíbrio dos ecossistemas. Cerca de 80% da biodi- versidade da Terra está concentrada em territórios de povos indígenas, que contri- buem para sua preservação. Nas áreas de vegetação nativa, como as florestas tropi- cais, há uma alta diversidade de espécies que são usadas para alimentação e também como remédios tradicionais, muitos dos quais podem ser aproveitados também pela indústria alimentícia e farmacêutica. ■ Campo de cultivo de quinoa na Bolívia, 2013. ■ A macaúba é uma palmeira nativa que pode ser encontrada em todo o território brasileiro, seus frutos são comestíveis e ricos em nutrientes e suas sementes utilizadas para a extração de óleo. Na fotografia, castanha de macaúba em Barbalha (CE), 2020. > DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVANO LIVRO • Ao mesmo tempo que o conhecimento dos povos indígenas contribui para produção de alimentos e diversificação das dietas no mundo, os territórios em que vivem e a manutenção de sua cultura sofrem constantes ameaças, dentre elas a mudança em seus padrões de dieta. Pesquisas vêm de- monstrando, por exemplo, uma maior incidência de doenças relacionadas a alterações nos hábitos alimentares desses povos. Busque pelo menos uma notícia relacionada a esse cenário no Brasil ou em outros países. Depois discuta com os colegas o que pode ser feito para que os povos indígenas consigam manter seus hábitos alimentares tradicionais. AI ZA R RA LD ES / AF P FA BI O C O LO M BI N I 105 D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 105D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 105 18/09/20 22:2518/09/20 22:25 NÃO ESCREVA NO LIVROATIVIDADES> 1. Leia fragmento de artigo a seguir e responda às questões: Encorajadas a ficar em casa para não se expor ao novo coronavírus, muitas famílias têm preferido comprar alimentos industrializados, que duram mais tempo na despensa. O problema é que a opção por esses itens - que tendem a ser mais calóricos e menos nutri- tivos que comidas frescas - pode no médio prazo acabar deixando seus consumidores mais vulneráveis a adoecer gravemente pela covid-19. [...] a maior procura por alimentos industrializados em supermercados [também] tem prejudicado pequenos agricultores, muitos deles dependentes de feiras livres. Com o menor movimento nesses espaços, vários pequenos produtores temem não conseguir manter as atividades e começaram a descartar frutas, verduras e legumes. FELLET, J. Piora da alimentação na pandemia deixa população mais vulnerável à covid-19, diz ex-chefe da FAO. BBC News Brasil, 16 maio 2020. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-52626216. Acesso em: 3 set. 2020. a) Qual a relação entre a pandemia de covid-19 e a transição nutricional? b) Quais os principais impactos da pandemia para a segurança alimentar? 2. Observe a charge e analise a mensagem transmitida relacionando-a com o conceito de soberania alimentar estudado no capítulo. 3. Leia o texto para fazer as atividades. ■ Charge de Pawel Kuczynski, publicada em 2018. [...] Em geral, ignoramos os maus-tratos cometidos contra as criaturas vivas que estão por trás dos alimentos que ingerimos. A compra desses alimentos, num mercado ou restaurante, é a culmi- nância de um longo processo, do qual tudo, exceto os produtos finais, é delicadamente afastado de nossos olhos. Compramos carnes e aves em embalagens limpas de plástico. Quase não sangram. Não há por que associar essa embalagem a um animal vivo, que respira, caminha e sofre. As próprias palavras que usamos escondem, muitas vezes, sua origem: comemos bife, e não boi [...]. SINGER, P. Libertação animal. São Paulo: Martins Fontes, 2010. p. 140. • O vegetarianismo e o veganismo são maneiras eficazes de combater o sofrimento imposto aos animais? Quais outras medidas podem ser tomadas em relação a essa questão? PA W EL K U CZ YN SK I 106 D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 106D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 106 19/09/20 01:5119/09/20 01:51 https://www.bbc.com/portuguese/internacional-52626216 4. Nas áreas urbanas, o aumento de número de pessoas em situação de rua leva à precariedade da alimentação. Para os brasileiros vivendo em situação de extrema pobreza, com renda de até R$ 140 por mês, segundo dados do IBGE de 2018, a alimentação é somente uma possibilidade de matar a fome. Observe o gráfico a seguir e responda às questões. Fonte: MENEZES, F. Pobreza e fome em ascensão. Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Federal de Santa Catarina, 5 set. 2019. Disponível em: http://www.iela.ufsc.br/noticia/pobreza-e-fome-em- ascensao. Acesso em: 31 ago. 2020. Brasil: população em situação de pobreza e extrema pobreza, 1992-2017 0 25 25 20 21 1515 14 14 14 1313 13 12 12 12 15 22 22 27 2323 20 25 26 15 30 20 5 10 2626 2626 9 9 9 6 5 66 10 10 10 11 11 13 16 17 19 78 8 19 92 19 93 19 95 19 96 19 97 19 98 19 99 20 01 20 02 20 03 20 04 20 05 20 06 20 14 20 15 20 16 20 11 20 12 20 13 20 07 20 08 20 09 20 17 Em milhões Ano Extrema pobreza Pobreza a) O que ocorreu com a popula- ção em situação de pobreza e extrema pobreza entre os anos 2004 e 2014? Apresente argumentos que expliquem os dados apresentados. b) Comente o que se observa no ano 2017. Que relações existem entre esse gráfico e a segurança alimentar no Brasil? 5. Leia os trechos das matérias para fazer as atividades. Segundo estudo da revista The Lancet, em 2017 uma em cada cinco mortes no mundo esteve associada à má alimentação, seja por consumo excessivo de sal, açúcar e carne, ou por carên- cia de cereais integrais e frutas. A pesquisa destacou que quase 11 milhões de mortes foram provocadas por doenças cardiovasculares, câncer ou diabetes tipo 2, associada geralmente à obesidade, ao modo de vida sedentário e à alimentação desequilibrada. PANSERI, B.; MARTINS, L. Por que precisamos falar sobre segurança alimentar no Brasil. Nexo Jornal, 4 jun. 2020. Disponível em: https://www. nexojornal.com.br/ensaio/debate/2020/Por-que-precisamos-falar-sobre-seguran%C3%A7a-alimentar-no-Brasil. Acesso em: 31 ago. 2020. Um lugar onde se planta e colhe frutos – um pomar. Em língua xavante, Abahi Tebrezê é o nome do projeto abraçado há dois anos pelas mulheres indígenas Xavante, da Terra Indígena (TI) Pimentel Barbosa, MT. Trata-se de uma ação de resgate do conhecimento tradicional, a partir da revitalização do cultivo de batatas nativas. A ideia é, a longo prazo, amenizar – e até reverter – efeitos negativos das mudanças nos hábitos alimentares e a sedentarização causada pela introdução de alimentação industrializada na comunidade. MULHERES Xavante atuam no resgate e fortalecimento da alimentação tradicional. Funai, 12 out. 2019. Disponível em: http://www.funai.gov.br/index.php/comunicacao/noticias/5696-especial-iniciativa-das-mulheres- xavante-atua-no-resgate-e-fortalecimento-da-alimentacao-tradicional. Acesso em: 31 ago. 2020. a) Explique a relação da transição alimentar e nutricional com o conteúdo das duas matérias. b) Qual a ação das mulheres xavantes frente à introdução de alimentos industrializados? Discuta com os colegas se pode ser considerada uma forma de resistência aos padrões alimentares do- minantes na sociedade urbano-industrial. SO N IA V AZ 107 D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 107D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 107 18/09/20 22:2518/09/20 22:25 http://www.iela.ufsc.br/noticia/pobreza-e-fome-em-ascensao http://www.funai.gov.br/index.php/comunicacao/noticias/5696-especial-iniciativa-das-mulheres-xavante-atua-no-resgate-e-fortalecimento-da-alimentacao-tradicional. Tecnologia no combate ao desperdício de alimentos No Brasil e em muitos outros países, o desperdício de alimentos acontece em vários momentos, durante a produção, o transporte, a distribuição, o preparo e o consumo. Muitos alimentos ainda em condições de aproveitamento são descar- tados. Isso sem falar nos recursos naturais e na energia gastos na produção e no transporte, na quantidade de resíduos produzidos e na oportunidade perdida de alimentar pessoas em situação de vulnerabilidade social. Você costuma deixar sobras de comida no prato? Na sua moradia há alimentos que costumam estragar por não serem consumidos? E na sua escola? O que você pode fazer sobre isso? Vamos conhecer a seguir o exemplo de dois grupos de jovens que desenvol- veram aplicativos para celular que contribuem na redução do desperdício de comida. Os estudantes Murilo, Lucas, Victor, Jonatas e Dayvson, do curso técnico de Informática da Instituto Federal de Alagoas (Ifal), juntamente com o professor Edson Camilo, desenvolveram um aplicativo para celular visando melhorar a comunicação entre o refeitório e os estudantes.No Ifal já há um sistema para evitar desperdício de comida, pois os estudantes precisam agendar as refeições. Mas, com o aplicativo desenvolvido, isso ficou bem mais fácil, pois o agendamento acontece pelo celular. Também é possível avaliar a qualidade da comida e do atendimento e ainda ter orientações nutricionais. Leia o que Victor, de 17 anos, disse sobre o aplicativo: A gente percebe que, hoje em dia, nas diversas universidades e até mesmo empresas, muitas pessoas necessitam desses refei- tórios comunitários e, na maioria das vezes, o serviço nutricional não funciona da melhor forma. Como o aplicativo possibilita avaliar qual comida é melhor, qual comida está sendo jogada fora etc., você vai reduzir esse desperdício e melhorar o custo. É um dinheiro que pode ser investido em outras coisas. ESTUDANTES do Ifal criam aplicativo que informa cardápio e organiza refeitório. G1, 9 set. 2014. Disponível em: http://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2014/09/estudantes-do-ifal-criam- aplicativo-que-informa-cardapio-e-organiza-refeitorio.html. Acesso em: 31 ago. 2020. ■ Na tela do smartphone imagem do aplicativo desenvolvido pelos estudantes do Ifal. Fotografia em Alagoas, 2014. O retorno do trabalho do grupo, que teve sua ideia premiada, veio logo no primeiro dia de lançamento, quando, ainda em fase de testes, já tinha mais de 70 usuários. W AL D SO N C O ST A/ G1 Já as estudantes Ana Beatriz, Fernanda, Maria Julia, Mariana e Raquel, que cursam o Ensino Médio na Escola Estadual Professor Sebastião de Oliveira Rocha, em São Carlos (SP), desenvolveram com a professora Bárbara, um aplicativo que informa o cardápio semanal da escola e tem espaço para os estudantes darem sugestões e escolher opções vegetarianas. 108 DIÁLOGOS> EU TAMBÉM POSSO> D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 108D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 108 18/09/20 22:2518/09/20 22:25 http://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2014/09/estudantes-do-ifal-criam-aplicativo-que-informa-cardapio-e-organiza-refeitorio.html Leia o que Julia, 17 anos, disse: Por exemplo, na nossa escola sempre tem salada de ovo, mas nem todo mundo gosta. Com os mesmos ingredientes poderia ser feito, por exemplo, uma omelete. É uma forma de mudar para evitar desperdiçar a comida que sobra sem dar mais gastos [...]. ESTUDANTES de escola estadual de São Carlos criam aplicativo para evitar desperdício da merenda. G1, 10 dez. 2019. Disponível em: https://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2019/12/10/estudantes-de-escola-estadual-de-sao- ■ Merendeira preparando a refeição para ser servida aos estudantes, professores e funcionários do período noturno, na Escola Estadual Professora Carolina Cintra da Silveira, em São Paulo (SP), 2018. carlos-criam-aplicativo-para-evitar-desperdicio-da-merenda.ghtml. Acesso em: 31 ago. 2020 1. Como é o sistema de escolha de cardápio, preparo dos alimentos e distribuição para os estudantes na escola em que vocês estudam? Existe desperdício de alimentos? Para descobrir essas informações, observem mais atentamente o momento em que a merenda é servida aos estudantes e conversem com funcionários que preparam os alimentos, além de outros que tenham as informações que vocês buscam. 2. Depois de levantar as informações, conversem sobre o que pode melhorar em relação às refeições, com foco em reduzir o desperdício de alimentos. Em sua opinião, é possível aplicar soluções semelhantes aos exemplos apresentados anteriormente? Que outras ideias poderiam ser realizadas? 3. A solidariedade e a cooperação podem alimentar pessoas e ainda evitar desperdí- cios. Para além da escola, pesquisem iniciativas que distribuem alimentos a quem deles precisa. Há, por exemplo, grupos e instituições que coletam, em restaurantes, alimentos que sobram ao final do dia e entregam a pessoas que necessitam. Depois, apresentem os resultados da pesquisa para os colegas e discutam se tais inciativas ou outras semelhantes poderiam ocorrer na comunidade onde vivem. AL EX AN D RE T O KI TA KA /P U LS AR IM AG EN S 109 D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 109D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 109 18/09/20 22:2518/09/20 22:25 ANÁLISE DOS DADOS DE ENTREVISTA E ELABORAÇÃO DE RELATÓRIO Nesta etapa do projeto vocês vão analisar as informações obtidas na entrevista e elaborar um relatório. O primeiro passo é estudar o material produzido na entrevista. Os registros obtidos, gravações em áudio ou vídeo e também as anotações feitas pelos entrevistadores precisam ser retoma- dos e atentamente analisados pelo grupo. Os trechos mais relevantes da entrevista podem ser transcritos (passados para a forma de texto) para serem mais bem analisados. Feita a análise do material da entrevista, os grupos devem compartilhar seus resultados, de modo que todos tenham uma visão geral do trabalho realizado e possam encontrar semelhan- ças e diferenças nas informações obtidas por meio do que foi relatado pelos entrevistados. Podem ser organizadas breves apresentações, de no máximo 10 minutos, em que cada grupo apresente o perfil da pessoa que foi entrevistada e também compartilhe aquilo que considera mais relevante da entrevista, inclusive destacando alguns trechos. A partir dessa reflexão coletiva sobre as entrevistas e comparações das informações coleta- das, cada grupo deve elaborar um relatório escrito, de modo a sistematizar sua pesquisa. Os relatórios devem conter as seguintes seções: Etapa 2 Os relatórios produzidos devem ser compartilhados com os outros grupos, de modo a todos terem acesso às análises realizadas pelos colegas. Esses materiais serão a base para as pró- ximas etapas do projeto. • Capa: deve conter o título do trabalho e a identificação dos integrantes do grupo. Também podem ser inseridas imagens para ilustrar. • Introdução: elaborar um texto apresentando o tema trabalhado e explicando os objetivos da pesquisa. • Apresentação do entrevistado: apresentar uma breve caracterização do entrevis- tado, contento nome, sexo, idade, profissão, entre outras informações relevantes para a pesquisa. • Análise da entrevista: desenvolver uma reflexão sobre o material colhido na entrevista, citando e analisando trechos considerados pelo grupo como os mais relevantes. • Conclusão: apresentar as conclusões do grupo realizadas com base nas informa- ções colhidas na entrevista. 110 D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 110D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 110 18/09/20 22:2518/09/20 22:25 > SAIBA MAIS Mapbiomas Disponível em: https://plataforma.mapbiomas.org/map#transitions. Acesso em: 3 set. 2020. O projeto de mapeamento anual da cobertura e uso do solo no Brasil, desenvolvido por uma rede colaborativa de especialistas, disponibiliza mapeamentos anuais sobre a cobertura e uso do solo do Brasil, importantes para a compreensão dos processos de avanço da fronteira agrícola e mudanças nos biomas brasileiros. Fundação Heinrich Böll Disponível em: https://br.boell.org/. Acesso em: 3 set. 2020. A Fundação alemã Heinrich Böll tem como um de seus objetivos contribuir para uma sociedade civil atuante. No site da fundação você encontra materiais sobre temas diversos. No item Ecologia Política, há vídeos, dossiês e outras publicações, como o Atlas do Agronegócio e o Atlas da Carne, que trazem dados e análises críticas sobre os impactos da expansão agropecuária no Brasil e no mundo. Rádio Brasil de fato Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/radioagencia/podcasts. Acesso em: 10 set. 2020. O site apresenta podcasts sobre temas diversos. Destacamos os seguintes: Novo relatório da ONU sobre a fome no mundo é destaque do Programa Bem Viver. Disponível em: https:// www.brasildefato.com.br/2020/07/15/novo-relatorio-da-onu-sobre-a-fome-no-mundo-e- destaque-do-programa-bem-viver. Acesso em: 31 ago. 2020 Pastéis naturais feitos com sabedoria agroecológica fazem sucesso em Pernambuco. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2020/04/28/pasteis-naturais-feitos-pela-sabedoria-agroecologica-em-pernambuco. Acesso em: 31 ago. 2020 Descubra o segredo de Manoel Vitorino (BA) para ser o maior produtor de umbu no mundo. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2020/04/07/descubra-o-segredo-de-manoel- vitorino-ba-para-ser-o-maior-produtor-de-umbu-no-mundo. Acesso em: 31 ago. 2020 Abe Direção: Fernando Grostein Andrade. Brasil/Estados Unidos, 2019. DVD (85min). O filme conta a história de Abe, menino de 12 anos que vive em Nova York e cozinha para unir a família que é metade de origem palestina e metade israelense. Enfrentando dificuldades em ambas tradições, ele conhece nas ruas um chefe de cozinha brasileiro que trabalha em uma feira gastronômica de rua, fazendo sucesso com a fusionfood (mistura de sabores). O veneno está na mesa Direção: Silvio Tendler. Brasil, 2011. DVD (50 min). O documentário apresenta como estamos nos alimentando mal por conta de um modelo agrário baseado no agronegócio. O perigo é tanto para os trabalhadores, que manipulam os venenos, quanto para toda a população do campo e das cidades, que consome os produtos agrícolas com agrotóxicos. Muito além do peso Direção: Estela Renner. Brasil, 2012. DVD (84 min). Este documentário estuda o caso da obesidade infantil principalmente no Brasil, mas também em outros países, entrevistando pais, representantes das escolas, membros do governo e responsáveis pela publicidade de alimentos. 111 D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 111D3-CH-EM-3075-V4-U3-C6-92-111-LA-G21.indd 111 18/09/20 22:2518/09/20 22:25 https://plataforma.mapbiomas.org/map#transitions https://br.boell.org/ https://www.brasildefato.com.br/radioagencia/podcasts https://www.brasildefato.com.br/2020/07/15/novo-relatorio-da-onu-sobre-a-fome-no-mundo-e-destaque-do-programa-bem-viver https://www.brasildefato.com.br/2020/04/28/pasteis-naturais-feitos-pela-sabedoria-agroecologica-em-pernambuco https://www.brasildefato.com.br/2020/04/07/descubra-o-segredo-de-manoel-vitorino-ba-para-ser-o-maior-produtor-de-umbu-no-mundo 112 UNIDADE 4 112 1. Os elementos naturais presentes na paisagem de uma comunidade, muitas vezes, tornam‑se temas de obras de arte. O rio São Francisco é um exemplo, tendo inspirado o artista Militão dos Santos a criar a pintura ao lado. Na comu‑ nidade, no bairro ou no município onde você vive há algum elemento natural que já tenha inspirado a criação de pintura, música, poesia ou outro tipo de expressão artística? 2. Analise a importância do rio São Francisco para a comunidade representada na pin‑ tura de Militão dos Santos. Na sua opinião, que relações podem ser estabelecidas entre a conservação de elementos naturais e ati‑ vidades agrárias? NÃO ESCREVA NO LIVRO Por um campo justo e saudável Na unidade 3, vimos que a expansão da agropecuária brasileira trouxe grandes impac‑ tos ambientais e, agora, veremos alguns dos problemas sociais gerados em decorrência dela. Por isso, são cada vez mais necessários modelos de produção que conciliem ao mesmo tempo ganhos econômicos, produtividade, consciência ambiental e respeito aos direitos conquistados pelas populações que vivem no e do campo. Nesta unidade teremos elemen‑ tos para discutir essas e outras questões. 4 ■ SANTOS, M. dos. Rio São Francisco. 2008. Óleo e acrílico sobre tela painel, 50 x 50 cm. D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 112D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 112 19/09/20 12:1219/09/20 12:12 113113 CO LE ÇÃ O P AR TI CU LA R D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 113D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 113 19/09/20 12:1219/09/20 12:12 7 CAPÍTULO Agricultura familiar e produções sustentáveis Você gostaria de ter uma profissão relacionada ao campo? Em sua opinião, os jovens brasileiros que vivem no campo querem permanecer nele? Você ou alguém que conhece se encontra nessa situação? Como vimos no capítulo 4, ao longo de décadas, o Brasil passou por um intenso êxodo rural no qual milhões de pessoas deixaram o campo em busca de melhores condições de vida nas cidades. Atualmente, embora a vida urbana ainda atraia os jovens, há exemplos daqueles que preferem ficar no campo e continuar as atividades da família. As reportagens a seguir apresentam a história de Mailson, Ana Luiza e Ana Lívia. Jovem rural do Ceará melhora renda da família com venda de ovos caipiras pelo WhatsApp [...] Mailson tem 25 anos, [...] formou-se técnico em Agropecuária e teve várias oportunidades de exercer a profissão [...] “Optei por ficar no meio rural e junto com a minha família empreender”, des- tacou. […] Atualmente, cerca de 80% dos clientes de Mailson fazem seus pedidos através do WhatsApp. [...] A produção diária é de 100 a 120 ovos e, com o sucesso do empreendimento, a família já pensa em expandir o negócio. [...] JOVEM rural do Ceará melhora renda da família com venda de ovos caipiras pelo WhatsApp. Fetraece, 18 jan. 2019. Disponível em: http://www.fetraece.org.br/noticias_detalhes.php?cod_noticia=571#.XygjGShKiHs. Acesso em: 28 ago. 2020. Por que mais jovens remam contra a maré e preferem ficar no campo [...] As gêmeas Ana Lívia e Ana Luiza, de 17 anos, já se embrenham na lida da fazenda. Ana Lívia, por exemplo, faz curso de degustação e manejo de café, mesmo ainda estando no Ensino Médio. [...] Ana Luiza, por sua vez, ajuda o pai em atividades como mexer no terreiro de secagem dos grãos e até pilotar um dos tratores da família. “Sempre procuro ajudar meu pai e minha avó, e também gosto muito de Agronomia”, diz. [...] MARONI, J. R. Porque mais jovens remam contra a maré e preferem ficar no campo. Gazeta do Povo, 7 nov. 2019. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/agronegocio/agricultura-familiar/renda-maior-e- tecnologia-fixam-nova-geracao-de-produtores-no-campo/. Acesso em: 28 ago. 2020. ■ Mailson na comunidade de Riacho do Paulo, em Apuiarés (CE), 2018. Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o capítulo e sobre o trabalho com as atividades. 114 AC ER VO P ES SO AL D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 114D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 114 19/09/20 12:1219/09/20 12:12 Mailson, Ana Lívia e Ana Luiza são jovens que nasceram e cresceram no campo, fizeram cursos relacionados à agropecuária e, hoje, estão unindo os conhecimentos tradicionais da família aos conhecimentos da ciência e dos negócios agropecuá‑ rios para garantir a geração de renda. De acordo com o Censo 2010, realizado pelo IBGE, cerca de 15% da população brasileira vive em áreas rurais, entre os quais estão milhões de crianças e jovens que poderão se tornar futuros agricultores e empreen‑ dedores do campo. No entanto, nos últimos anos tem havido redução no percentual da população de jovens produtores. Veja o gráfico. Fonte: IBGE. Censo agropecuário 2017: resultados definitivos. Rio de Janeiro, 2019. p. 70. Disponível em: https:// biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/ periodicos/3096/agro_2017_ resultados_definitivos.pdf. Acesso em: 28 ago. de 2020. p.70. Brasil: distribuição percentual de produtores, segundo as classes de idade, 2006-2017 0 5 10 15 20 25 30 Em % Menor de 25 anos De 25 a menos de 35 anos De 35 a menos de 45 anos De 45 a menos de 55 anos De 55 a menos de 65 anos De 65 e mais 2006 2017 3,3 1,98 13,56 9,28 17,88 21,93 23,3424,22 20,35 23,47 17,52 23,17 > MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO • Muitos especialistas concordam que a falta de jovens no campo pode comprometer o futuro da agropecuária brasileira. Por outro lado, o campo deve ser atrativo para que os jovens queiram nele permanecer. Em sua opinião, que atrativos seriam esses? Comparando os dados do gráfico, observamos que houve um envelhecimento no campo com aumento da participação de produtores com mais de 45 anos e redução da participação de faixas etárias mais jovens (menos de 45 anos). Essa infor‑ mação é fundamental para que os governospossam planejar políticas públicas para os jovens, direcionar recursos e estruturar um planejamento para garantir desenvol‑ vimento econômico e social. Neste capítulo, estudaremos aspectos da produção agrícola, como a agricultura familiar e a agroecologia, que estão diretamente relacionados com a permanência dos jovens no campo e com a adoção de sistemas e técnicas que têm como obje‑ tivo uma produção melhor para todos, integrando a sustentabilidade econômica e a socioambiental. 115 SO N IA V AZ D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 115D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 115 19/09/20 12:1219/09/20 12:12 https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/3096/agro_2017_resultados_definitivos.pdf Agricultura familiar no Brasil A agricultura familiar é muito importante para o abastecimento alimentar em todo o mundo. No Brasil não é diferente, a agricultura familiar é responsável pela produção da maior parte dos alimentos consumidos no cotidiano de muitas pessoas. Afinal, o que é agricultura familiar? Segundo o decreto federal no 9 064, de 31 de maio de 2017, a definição está na gestão da propriedade. Na agricultura familiar, a administração de todas as etapas, como atividade produtiva, compra de equi‑ pamentos e insumos e outras atividades de apoio, é compartilhada por membros da família. Além disso, é necessário que a família habite a unidade produtora ou local próximo. Veja a seguir o gráfico com alguns produtos da agricultura familiar. ■ Plantio de diversas hortaliças em propriedade de agricultura familiar em Santa Maria de Jetibá (ES), 2019. Fonte dos dados: IBGE. Censo Agropecuário 2017. SIDRA banco de tabelas estatísticas. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/6957. Acesso em: 28 ago. 2020. Além dos produtos represen‑ tados no gráfico, quase metade da produção de café e banana consu‑ midos no Brasil e grande parte da produção de milho, arroz, beter‑ raba, vagens e demais verduras e legumes são cultivados nas lavou‑ ras de agricultura familiar. Esses exemplos nos ajudam a compreen‑ der a importância dessa atividade para a economia brasileira. A agricultura familiar também reflete algumas das desigualda‑ des do país. Cerca de 80% dos proprietários são homens, o que revela uma forte desigualdade de gênero. Além disso, mais de 60% dos produtores concluíram apenas o Ensino Fundamental e quase 24% deles não sabem ler nem escrever, o que dificulta o acesso ao crédito e o uso de novas tecnologias para melhor aproveitamento da terra. A agri‑ cultura familiar emprega mais de 10 milhões de pessoas e é respon‑ sável por cerca de 23% de toda a riqueza produzida no campo, fornecendo alimentos que abas‑ tecem tanto o mercado interno como o externo. Brasil: produtos da agricultura familiar (porcentagem do valor total produzido), 2017 D EL FI M M AR TI N S/ PU LS AR IM AG EN S 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 Abacaxi Feijão Em % d o va lo r t ot al p ro du zi do 80 Mandioca 68,7 42,4 Produtos 116 SO N IA V AZ D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 116D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 116 19/09/20 12:1219/09/20 12:12 No Brasil, existem 3,9 milhões de estabe‑ lecimentos classificados como agricultura familiar, o que equivale a 77% de todas as uni‑ dades agrícolas. Veja esse e outros dados no gráfico ao lado. Os estados de Pernambuco e Ceará têm as maiores proporções de áreas dedicadas à agri‑ cultura familiar (mais de 50%), enquanto a região Centro‑Oeste e o estado de São Paulo apresen‑ tam as menores taxas de ocupação (com menos de 15%). Ainda que a agricultura familiar seja essencial para a produção de alimentos, 77% das terras agrícolas do Brasil são dedicadas a grandes unidades não familiares. Mesmo com grande poder financeiro e uma série de van‑ tagens, como máquinas e equipamentos de última geração, uso de engenharia genética e fertilizantes e agrotóxicos mais eficientes, a agricultura não familiar é a que menos gera empregos no campo. Cooperativa agropecuária As cooperativas agropecuárias são organizações sociais que reúnem produtores familiares e não familiares para se ajudar, mutuamente, na administração de contas e na distribuição dos produtos, entre outros exemplos. Portanto, elas têm como base a participação ativa dos associados. No Brasil, de acordo com o Censo Agropecuário de 2017, existem 579 mil estabelecimentos agrícolas cooperados, sendo que 71% deles são de agricultura familiar. NÃO ESCREVA NO LIVRO> LEITURA DE IMAGEM 1. Escreva um texto sobre a importância da agricultura familiar no Brasil, citando dados dos gráficos apresentados anteriormente. Mencione ainda a presença de alimentos produzidos pela agricultura familiar na alimentação de sua família e na alimentação escolar. 2. Observe novamente os gráficos e responda: A distribuição de terras entre agricultura familiar e não familiar é equilibrada? Apresente dados que comprovem sua resposta. Fonte dos dados: IBGE. Censo Agropecuário 2017. SIDRA banco de tabelas estatísticas. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/ tabela/6884. Acesso em: 28 ago. 2020. Brasil: distribuição dos estabelecimentos, área e pessoal ocupado por tipo de agricultura, 2017 0 50 100 Em % 23% 77% 23% 77% 33% 67% Área ocupada Estabelecimentos Pessoal ocupado Agricultura familiar Agricultura não familiar 117 SO N IA V AZ D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU2.indd 117D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU2.indd 117 19/09/20 15:5019/09/20 15:50 Agricultura familiar no mundo A partir de resolução aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) em dezembro de 2017, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) instituiu o plano de ação Década das Nações Unidas da Agricultura Familiar 2019‑2028. O objetivo do plano é ampliar a visibilidade dos agricultores familiares, identificar maneiras eficientes de apoiá‑los e garantir a sustentabilidade da produção, o acesso ao crédito e a melhores condições de trabalho. Alguns aspectos explicam a estratégia, pois a agricultura familiar é, segundo a FAO, responsável por 80% da produção de alimentos no mundo, ocupa entre 70% e 80% de todas as terras agrícolas, gera menos impacto ambiental do que as monoculturas, promove a produção de alimentos orgânicos ou agroecológicos e sofre pressão tanto do cresci‑ mento populacional como das mudanças climáticas. A Ásia apresenta o maior percentual de terras destinadas à agricul‑ tura familiar, enquanto a América Latina apresenta o menor. Observe o mapa a seguir. ■ Símbolo da Década da Agricultura Familiar 2019-2028 da FAO. Fonte: FAO. Family Farmers: feeding the world, caring for the earth. Disponível em: http://www.fao.org/ resources/infographics/ infographics-details/ en/c/230925/. Acesso em: 28 ago. 2020. Um dos sete pilares do projeto para o decênio 2019‑2028 da ONU é a pro- moção de equidade de gênero na agricultura familiar. Mundialmente, as mulheres representam metade da força de trabalho no campo, mas são proprietárias de apenas 15% das unidades produtoras. Em muitos casos, exer‑ cendo a mesma função e com as mesmas qualificações, as mulheres ganham menos do que os homens e têm limitadas as possibilidades de acesso ao crédito e à compra de insumos ou tecnologias para ampliar a produtividade, além de ter maior dificuldade de participar de processos de qualificação para melhorar a produtividade. Equidade Adaptação de uma regra existente a um caso específico, com o obje- tivo de deixar essa regra mais justa para todos. Mundo: participação da agricultura familiar no total de terras agrícolas, 2014 Equador0° Trópico de Capricórnio Círculo Polar Antártico Trópico de Câncer 0° M er id ia no d e G re en w ic h Círculo Polar Ártico OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO OCEANO PACÍFICO OCEANO ÍNDICO OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO OCEANO GLACIAL ÁRTICO AMÉRICA DO NORTE E AMÉRICACENTRAL 83% AMÉRICA DO SUL 18% ÁFRICA 62% ÁSIA 85% EUROPA 68% 0 3120 FA O /O RG AN IZ AÇ ÃO D AS N AÇ Õ ES U N ID AS ER IC SO N G U IL H ER M E LU CI AN O 118 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 118D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 118 19/09/20 12:1219/09/20 12:12 O texto a seguir propõe perguntas sobre a mulher no campo e destaca a rotina de uma agricultora brasileira. Leia‑o para fazer as atividades. Perfil e importância da mulher na agricultura familiar Você já pensou em como a presença da mulher na agricultura familiar é expressiva? Em algum momento, você já se deu conta da importância da mulher no cenário das pequenas propriedades rurais brasileiras? [...] Um exemplo de agricultora familiar que é o alicerce da família na propriedade é Rosana Faleiro, produtora no município de Orizona-GO, que é responsável por muito do que acontece na fazenda Santa Bárbara. Ela levanta cedo, faz o café, assa o biscoito e vai para o curral. Ela precisa ajudar seu esposo, já que a mão de obra da fazenda é, exclusivamente, familiar, como em todas as propriedades que se enquadram, devidamente, nesse modelo de fazenda. Além do auxílio na ordenha, a parte de higienização também é por conta dela. Ordenhadeira e sala de ordenha limpas, é hora de mudar de serviço. Alimentar os porcos, as galinhas, cuidar da horta, fazer almoço e todos os demais afazeres da casa são por conta dela. Enquanto cozinha Rosana se lembra que também precisa fazer as anotações dos gastos com a lavoura do plantio até a produção de silagem e anotar também os medicamentes utilizados nos bezerros, pois sabe que tudo que anota em sua caderneta é de extrema importância para os dados da gestão da propriedade. Durante o mês ela fica por dentro de todos os gastos e contas a pagar pois ela também ajuda na administração da fazenda. O cuidado com as filhas também é notável. Duas meninas que seguem os passos dos pais e não perdem o vínculo com o campo pois, tanto elas quanto os pais, entendem a necessidade e a beleza da sucessão familiar. Rosana é um exemplo das muitas mulheres que vivem essa mesma rotina. E você? Já parou para pensar quantas “Rosanas” existem por aí? [...] RIBEIRO, M. C. Perfil e importância da mulher na agricultura. Rede Digital AgroMulher, 26 set. 2019. Disponível em: http://agromulher.com.br/perfil-e-importancia-da-mulher-na-agricultura-familiar/. Acesso em: 28 ago. 2020. 1. A vida de Rosana não é diferente da de outras mulheres agricultoras do campo brasileiro. Em rela‑ ção à sobrecarga de trabalho e à diversidade de tarefas, não é diferente também da realidade de muitas mulheres que vivem na cidade. Faça um paralelo entre a rotina de Rosana e a rotina de mulhe‑ res que moram e trabalham nas cidades brasileiras. Você pode citar casos que conhece para ilustrar a comparação. 2. Em grupo, pensem em como os diferentes atores sociais (família, governo, inciativa privada, asso‑ ciações, igreja etc.) podem contribuir para a promoção da equidade de gênero, ou seja, com ações voltadas à mulher. Por exemplo, como a família pode se organizar para dividir as tarefas de forma mais justa, se no município em que estudam há vagas suficientes nas creches etc. Vocês podem também pesquisar ações de movimentos sociais e outras organizações que já foram realizadas nesse sentido. Depois, compartilhem as ideias com os colegas e discutam a importância de cada uma delas. ■ Na fotografia, proprietária de um pequeno estabelecimento rural em Silveira Martins (RS), 2018, é um exemplo da importância da mulher no campo. DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS> G ER SO N G ER LO FF /P U LS AR IM AG EN S 119 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 119D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 119 19/09/20 12:1219/09/20 12:12 Sustentabilidade econômica e socioambiental no campo Como garantir produção de alimentos e matéria‑prima para a indústria sem causar impactos socioambientais no campo? Essa per‑ gunta gera inúmeros debates e não tem uma resposta única. Entre consumidores e organizações do mundo todo são cada vez maiores as exigências de produções que não promovam crimes ambientais, como desmatamento ilegal, e sejam justas com as comuni‑ dades tradicionais. Por isso, estão aumentando também as pesquisas, políticas públicas e ações relacionadas a tais exigências, que combi‑ nam o conhecimento científico ao resgate de técnicas usadas por diferentes comunidades e povos tradicionais. No Brasil, apesar de tais práticas terem ainda pouca força se comparadas à agricultura convencional, existem políticas públicas e, principalmente, alguns movi‑ mentos sociais do campo que vêm se preocupando com elas e desenvolvendo programas voltados, por exemplo, à agroecologia e à produção orgânica. Veja a imagem ao lado. ■ Cartaz do XI Congresso Brasileiro de Agroecologia, realizado em Sergipe, 2019, com o apoio de instituições como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). CO N G RE SS O B RA SI LE IR O D E AG RO EC O LO G IA 120 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 120D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 120 19/09/20 12:1219/09/20 12:12 Agroecologia De modo geral, a agroecologia é um sistema de produção que procura reunir as práticas tradicionais dos agri‑ cultores aos atuais conhecimentos científicos de diversas áreas (agrono‑ mia, biologia, economia, geografia, sociologia etc.). Seu objetivo é contri‑ buir para o desenvolvimento de uma agricultura ecológica e sustentável, mas que considere também o desen‑ volvimento social. Alguns dos princípios defendidos pela agroecologia: • ser socialmente justa, ou seja, valorizar o agricultor e sua família e preocupar‑se com suas condições de vida e saúde; • ser economicamente viável e ter como princípio a garan‑ tia de renda e boas condições de vida a longo prazo; • ser ecologicamente viável e relacionar‑se com o res‑ peito à dinâmica da natureza, reduzindo os impactos ambientais ao garantir a renovação natural do solo, a reciclagem de nutrientes e a manutenção da biodiversidade. Os conhecimentos produzidos pela agroecologia, por‑ tanto, visam modificar a agricultura moderna, fruto da Revolução Verde, que introduziu inovações na agricultura, como os agrotóxicos, a fertilização do solo e a mecanização da produção, como você estudou no capítulo 5. Por isso, as práticas agrícolas agroecológicas são chamadas também de alternativas, sustentáveis, pós‑industriais ou pós‑mo‑ dernas, pois se apresentam como alternativas ao modelo predominante. > MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO • A agroecologia e outras práticas de produção no campo consideradas alternativas envolvem a criação de animais. É nesse contexto que vem crescendo a chamada pecuária orgânica, prática na qual está presente, por exemplo, a preocupação com a maneira como os animais são criados e com o tipo de alimento que consomem. Diante do que você estudou no capítulo 5, sobre a pecuária, qual é a importância das práticas agroecológicas nessa atividade? ■ Agricultor adubando canteiros com esterco animal e casca de arroz em um cultivo agroecológico em Santa Maria (RS), 2014. G ER SO N G ER LO FF /P U LS AR IM AG EN S ■ Princípios da agroecologia. N IK W B/ SH U TT ER ST O CK .C O M Ec ono micamente viável Soc ialmente justa AGROECOLOGIA Eco logic amente viável 121 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 121D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 121 19/09/20 12:1219/09/20 12:12 Agricultura orgânica A chamada agricultura orgânica faz parte da agroecologia, porém nem toda prática de agricultura orgânica segue todos os princípios da agroecologia. A agricultura orgânica é também conhecida como agricultura ecológica (Espanha, Dinamarca)ou agricultura natural (Japão). O adjetivo “orgânico” é mais usado nos países de língua inglesa, como Estados Unidos e Inglaterra, e no Brasil. Embora na Índia esteja o maior número de agricultores orgânicos, os maiores produ‑ tores e consumidores são os Estados Unidos, a China e países da Europa. O país que destina a maior parte das terras agrícolas para a agricultura orgânica é a Austrália, com mais de 35 milhões de hectares dedicados. Algumas pessoas pensam que um produto orgânico é aquele que apenas foi produzido sem agrotóxicos e fertilizantes químicos. No entanto, a agricultura orgâ‑ nica vai além disso, considerando aspectos como fazer uso racional da água, com técnicas de irrigação econômicas; levar em conta as características da região, quanto à variação climática (produzindo culturas de acordo com a época); considerar os hábitos culturais da população local, entre outros. No mundo todo, a produção orgânica vem crescendo de 20% a 30% ao ano, dependendo da safra e das condições climáticas dos países produtores. Veja o info‑ gráfico a seguir. Fonte: WILLER, H. et al. The World of Organic Agriculture: statistics and emerging trends 2020. Suiça: FIBL/IFOAM, 2020. p. 30. Disponível em: https://shop.fibl.org/CHen/mwdownloads/download/link/id/1294/?ref=1. Acesso em: 30 ago. 2020 (em milhões de hectares) (em quantidade de produtores) (mercado em bilhões de euros) América do Norte América Latina Europa Ásia Oceania África 3,3 8 15,6 2 36 35,6 3,6 3,1 6,5 Austrália Argentina China 1 149 371 210 3522 203 602 Índia Uganda Etiópia 40,6 10,9 9,1 Estados Unidos Alemanha França O número de PRODUTORES ORGÂNICOS está crescendo Dinamarca Dinamarca e Suíça França 15,4% 11,5% 312€ crescimento do mercado orgânico participação no mercado maiores consumo per capita (em milhões de hectares) O MUNDO DA AGRICULTURA ORGÂNICA – 2018 TERRAS AGRÍCOLAS PARA CULTIVO DE PRODUTOS ORGÂNICOS PRODUTORES ORGÂNICOS 2018 MERCADO DE ORGÂNICOS 2018 Existem 71,5 milhões de hectares de terras agrícolas cultivadas com orgânicos 3PRIMEIROS PAÍSES PRIMEIROS PAÍSES +55% Desde 2009 O mercado global está crescendo e a demanda dos consumidores aumentando 3 3 PRIMEIROS PAÍSES 186 Países produzem AGRICULTURA ORGÂNICA 2,8 milhões Fazendas orgânicas Existem Aprox. 97 Mercado global de comida orgânica (em bilhões de euros) NÚMERO DE PRODUTORES Entre 2017 e 2018 esse valor teve um aumento de 2,9% FE RN AN D O F RA N CI SC O S AM PA IO 122 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 122D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 122 19/09/20 12:1219/09/20 12:12 Agricultura orgânica no Brasil No Brasil, em 2003, a agricultura orgânica foi definida e regula‑ mentada como uma atividade que adota técnicas específicas para uso dos recursos naturais e socioambientais cujo objetivo é a susten‑ tabilidade econômica e ecológica da agricultura sem uso de materiais químicos, sintéticos nem organismos geneticamente modificados. Para que um produtor rural seja cadastrado como produtor orgâ‑ nico é necessário cumprir uma série de protocolos, que são analisados pelos técnicos do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Após a constatação do cumprimento das regras, o produtor recebe autorização para estampar o selo de produto orgânico, que vai infor‑ mar aos consumidores que determinado produto foi produzido a partir dos princípios da agricultura orgânica. Entre o Censo Agropecuário de 2006 e o de 2017, o número de pro‑ dutores orgânicos aumentou mais de dez vezes no Brasil. Em dez anos, o país passou de cerca de 5 mil produtores para mais de 60 mil. Desse total, a maior parte ainda se concentra na produção vegetal, ou seja, de legumes, frutas, verduras e hortaliças, mas já há uma grande quantidade de produtores de carne animal certificados. ■ Selo utilizado para certificação de produto orgânico no Brasil. ■ Feira de produtos orgânicos em São José dos Campos (SP), 2018. > DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO • Você e sua família consomem alimentos orgânicos ou alimentos cuja forma de cultivo não utiliza agrotóxicos? Em caso afirmativo, quais são esses alimentos? Como vocês os adquirem? Se não consomem, por que isso acontece? RO D O LF O M O RE IR A /F U TU RA P RE SS M IN IS TÉ RI O D A AG RI CU LT U RA , PE CU ÁR IA E A BA ST EC IM EN TO 123 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 123D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 123 19/09/20 12:1219/09/20 12:12 Permacultura Há princípios da agroecologia e da agricultura orgânica que estão presentes em outros sistemas agrícolas no Brasil e no mundo, como a permacultura. Do inglês, permaculture (de pemanent agriculture – agricultura pemanente), o termo foi criado na década de 1970 por um pesquisador australiano, a partir de estudos anteriores sobre técnicas e práticas agrícolas que não causassem o desequilíbrio no ciclo natural dos ecossistemas, ou seja, sem causar impactos ambientais. Assim, como em outros sistemas que visam à sustentabilidade eco‑ nômica e socioambiental, a permacultura combina conhecimentos de povos e comunidades tradicionais com técnicas científicas modernas de forma consciente e sustentável, visando à preservação dos recur‑ sos naturais. Entre essas técnicas estão as rotações de cultura, o uso de adubos verdes, a instalação de cercas vivas e a fertilização natural do solo e sistema mandala. O sistema mandala, usado em diversos sistemas produtivos sustentáveis, é caracteri‑ zado por uma plantação em forma circular, na qual a fonte de água ocupa o centro, possibilitando um melhor aproveitamento da água e do solo. Observe a fotografia. Ao ter como um dos princípios o equilíbrio dos ecossistemas, a per‑ macultura vai além da produção agrícola, buscando um equilíbrio entre o suprimento das necessi‑ dades humanas, como moradia, energia e alimentação, por meio de ferramentas como o design perma‑ cultural, que é um planejamento da ocupação do solo. ■ Cultivo no sistema mandala na Suíça, 2020. > MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO • Considerando o que estudou, escreva um pequeno texto com base no trecho a seguir. A agroecologia e a permacultura, entre outras práticas de produção consideradas sustentáveis, vão muito além de rever ou transformar sistemas produtivos. Elas se referem à mudança da maneira de ver as pessoas e a natureza, ou seja, no modo de entender a relação entre sociedade e natureza. LA U RE N T G IL LI ER O N /K EY ST O N E/ AP P H O TO /G LO W IM AG ES 124 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 124D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 124 19/09/20 12:1219/09/20 12:12 Agrofloresta A agrofloresta, também conhecida como sistema agroflorestal, é exemplo de produ‑ ção agrícola com foco na redução dos impactos ambientais. A ideia é unir a prática da agricul‑ tura com a preservação das florestas nativas. Alguns de seus objetivos são: • diminuir os índices de desmatamento de florestas nativas; • promover a conservação das nascentes e águas dos rios e lagos; • preservar a qualidade do solo por meio da troca de nutrientes equilibrada entre produção agrícola e florestas originais; • preservar e aumentar a biodiversidade local por meio da manutenção das relações de troca entre as espécies nativas. Há diferentes modelos de sistemas agroflorestais, como o agrossil- vipastoril, que mantém árvores e animais nativos associados ao cultivo agrícola, e o silvipastoril, que associa florestas com criação de gado. Entre exemplos de agroflorestas estão os pomares caseiros, que reúnem a plantação de frutas, legumes e hortaliças com mata nativa em chácaras e sítios, e o sistema de quebra‑vento (veja ilustração a seguir), que, ao manter a vegetação nativa mais densa e alta nos arre‑ dores da propriedade, impede que o vento retire umidade do solo e traga doenças para a lavoura. ■ Criação decabras em meio a vegetação nativa em Pernambuco, 2012. Fonte: INICIATIVA VERDE. Conheça seis modelos de sistemas agroflorestais que promovem uso sustentável do solo. São Paulo, 2018. Disponível em: https:// www.iniciativaverde.org.br/ comunicacao-artigos-e-noticias- detalhes.php?cod=405. Acesso em: 30 ago. 2020. Sistemas agroflorestais: modelo de transição ecológica quebra-ventos, 2018 FA BI O C O LO M BI N I D AV I A U G U ST O 125 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 125D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 125 19/09/20 12:1219/09/20 12:12 Pesquisas no setor agrícola Cada vez mais são realizadas pesquisas científicas no setor agrí‑ cola com o intuito de combinar produtividade e preservação ambiental, associando os novos conhecimentos científicos, como os da informática e da engenharia genética, para reduzir os riscos de perdas por má formação das cul‑ turas, devastação por pragas ou doenças; reduzir o uso de agrotóxi‑ cos; usar a água de forma eficiente etc. As técnicas que utilizam imagens de satélite e drones, por exemplo, permitem, entre outras coisas, que o produtor acompanhe passo a passo a evolução das lavouras e identifique irregularidades, doenças e deficiência de nutrientes. Também por meio de dispositivos e até da Inteligência Artificial é possível fazer uma irrigação com precisão: um sistema automatizado calcula quanto e quando há necessidade de irrigação na lavoura. ■ Imagem de satélite manipulada para monitoramento de produção de soja em Londrina (PR), 2014. > MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO No Brasil, o emprego de ferramentas de tecnologias de ponta na agricultura e a relação com questões sociais no campo vêm sendo estudados há décadas. Leia o trecho abaixo para fazer a atividade. O peso dos novos componentes técnicos no campo permite diminuir e até mesmo eliminar muitas consequências de condições naturais adversas, mas ao mesmo tempo acentuam-se distorções na sociedade, fruto da imposição de inovações técnicas e ganhos cada vez mais concentrados. RAMOS, S. Sistemas técnicos agrícolas e meio técnico-científico-informacional no Brasil. In: SANTOS, M.; SILVEIRA, M. L. O Brasil: território e sociedade no início do século 21. Rio de Janeiro: Record, 2002. p. 379. 1. Com base no que você já estudou e nos seus conhecimentos, explique por que a pes‑ quisadora Soraia Ramos, autora do texto acima, afirma que se acentuam as distorções na sociedade com as inovações tecnológicas. 2. Em grupo, pesquisem e discutam ações ou ideias para políticas públicas voltadas ao acesso de agricultores familiares às tecnologias digitais que os auxiliem na produção e na administração dos negócios. EM BR AP A TE RR IT O RI AL 126 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 126D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 126 19/09/20 12:1219/09/20 12:12 Agricultura na cidade? A agricultura urbana consiste no uso de áreas localizadas nas cidades para a criação de peque‑ nos animais e produção agrícola, destinados para o consumo dos produtores e suas famílias ou venda em mercados locais. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a agricultura urbana deve ser realizada dentro do perímetro urbano e não ser a única fonte de recursos dos produtores. Entre seus benefícios estão: • segurança alimentar via produção de alimentos para consumo próprio e receita da venda dos excedentes; • redução de quantidade de lixo, dada a reutilização de resíduos e rejeitos, como composto orgânico para adubação; • aproveitamento de espaços ociosos da cidade; • criação de áreas de lazer, já que esses espaços podem ser adaptados em parques e praças para uso coletivo; • permeabilização do solo, minimizando alagamentos e enchentes provocados pelas chuvas nas cidades. Em 2019, o Brasil aprovou a criação da Política Nacional de Agricultura Urbana, que visa promover a agricultura urbana agroecológica e orgânica e melho‑ rar o acesso a alimentos de qualidade com baixo custo. A proposta permite utilizar áreas ociosas da cidade, como imóveis e terrenos desocupados, para garantir a segurança alimentar e nutricional das populações em situação de vulnerabilidade. ■ Horta comunitária em telhado de edifício em Hong Kong (China), 2019. > MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO • É possível unir os termos “agricultura” e “urbana”? Em sua opinião, como a agricultura urbana pode ser ampliada nas cidades brasileiras? > DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO Pesquise se no município em que reside existem práticas de agricultura urbana, o que se produz, qual é o destino da produção, quem cuida da plantação etc. Se não houver esse tipo de prática no município, pesquise exemplos que ocorrem em outras regiões de seu estado ou ainda em áreas mais distantes. M AR TI N BE RT RA N D. FR /S H U TT ER ST O CK .C O M 127 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 127D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 127 19/09/20 12:1219/09/20 12:12 NÃO ESCREVA NO LIVROATIVIDADES> 1. No cerrado mineiro está localizado o Projeto Macaúba, uma iniciativa de produção agroflorestal junto às comunidades locais, iniciada em 2018. A macaúba é uma palmeira da qual se extrai óleo, que pode ser utilizado na produção de alimentos e na indústria de cosméticos. O plantio de mudas de macaúba em pastagens contribui, por exemplo, para fertilizar naturalmente o solo, reduzir o risco de erosão, aumentar a biodiversidade e, assim, garantir o sustento das comunidades parceiras. Leia a reportagem a seguir e faça as atividades. [...] A meta inicial do projeto é plantar 2000 hectares de macaúba no sistema silvipastoril, numa parceria que oferece valorização da propriedade e renda extra para pequenos produtores rurais [...]. Inicialmente, a iniciativa prevê que 100 famílias de agricultores sejam beneficiadas com a parceria, e a contrapartida é a de que eles ofereçam as terras e a mão de obra necessária para os tratos culturais das plantas, além da venda dos frutos. [...] MACHADO, C. Iniciativa socioambiental INOCAS auxilia pequenos produtores e preserva meio ambiente. Jornal de Patos, 6 jul. 2020. Disponível em: https://www.jornaldepatos.com.br/2020/07/iniciativa-socioambiental-inocas.html. Acesso em: 30 ago. 2020. ■ Frutos da macaúba em Aquidauana (MS), 2015. a) Por que o sistema agroflorestal é importante para o sucesso do Projeto Macaúba? b) Considerando o exemplo do Projeto Macaúba, o que estudaram neste capítulo, seus conheci‑ mentos prévios e informações que podem pesquisar, você e seus colegas devem produzir, em grupo, um podcast sobre a importância de integrar a preocupação com o ambiente, as comuni‑ dades locais e/ou tradicionais e a geração de renda no campo brasileiro. Caso não seja possível fazer o podcast, criem um roteiro como se fosse para um programa de rádio e apresentem para os demais colegas e o professor. RI TA B AR RE TO /F O TO AR EN A 128 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 128D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 128 19/09/20 12:1219/09/20 12:12 PASSADO E PRESENTE: COMPARANDO HÁBITOS ALIMENTARES As entrevistas realizadas na etapa 1 deste projeto foram importante instrumento para o levantamento dos hábitos alimentares do passado e os relatórios produzidos na etapa 2 proporcionaram análises permitindo traçar um quadro complexo de como se alimentavam nossos antepassados. Quais são as semelhanças e diferenças desses hábitos relatados em relação ao presente? Será que a transição alimentar e nutricional do tempo de nossos avós para os dias de hoje foi muito radical? Para pensar sobre isso, a ideia é criar um quadro comparativo, que permita pensar nas continuidades e rupturas desse processo de transição. A proposta desta etapa é mapear os hábitos alimentares do presente, para poder compará-los aos dados colhidos nas entrevistas e registrados no relatório. Para isso, cada membro dogrupo deve registrar, por uma semana, tudo aquilo que consumir durante as principais refeições (café da manhã, almoço e jantar), desenvolvendo uma espécie de “diário alimentar”. Além disso, deve também registrar a procedência dos alimentos consumidos, apontando em que local foram adquiridos (mercados, feiras, comércio local etc.) e como foram preparados (cozinhados em casa, compra- dos prontos em restaurantes, alimentos congelados e processados etc.) Ao final do processo, esses registros individuais devem ser apresentados e dis- cutidos pelo grupo e, a partir deles, deve-se produzir um texto sobre os hábitos alimentares atuais, considerando o que os integrantes do grupo consomem, a pro- cedência desses alimentos e as principais preocupações para o grupo em relação à alimentação. Feito isso, os grupos precisam confrontar as informações registradas nos relató- rios produzidos a partir das entrevistas e os dados que obtiveram nas anotações sobre os alimentos que consomem, produzindo um quadro comparativo que aponte continuidades e rupturas e apresente semelhanças e diferenças com os hábitos alimentares do presente e do passado. Os quadros elaborados devem ser compartilhados para se verificar aquilo que é recorrente nas análises de todos os grupos e também possíveis diferenças. Após essa análise em conjunto, os grupos devem discutir sobre práticas que pro- movam hábitos alimentares saudáveis. Nessa conversa, é importante considerar o resgate de hábitos alimentares tradicionais, como o consumo de produtos locais, por exemplo, mas também alternativas moder- nas de produção e consumo de alimentos realizadas com base em ações conscientes e sustentáveis. Etapa 3 ■ Apesar da transição alimentar da população brasileira, o arroz com feijão continua sendo um dos principais alimentos consumidos no Brasil. D IO G O PP R/ SH U TT ER ST O CK .C O M 129 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 129D3-CH-EM-3075-V4-U4-C7-112-129-LA-G21_AVU1.indd 129 19/09/20 12:1219/09/20 12:12 CAPÍTULO 8 Concentração de terras no Brasil O Quilombo Cafundó, localizado no munícipio de Salto do Pirapora (SP), é uma das inúmeras comunidades tradicionais do Brasil. A comu- nidade se formou por volta de 1728, em meio à movimentação de tropeiros e trabalhadores escravizados, e resistiu a diversas tentativas de invasão por parte de fazendeiros. Sua história está preservada na memória e nos costumes de seus habitantes, especialmente dos mais velhos, que ainda falam um dialeto conhecido como cupópia, formado a partir da mistura de palavras da língua kimbundu, usada principalmente em Angola, e termos em português. Neste capítulo vamos entender como o reconhecimento da impor- tância do território para a manutenção das memórias, da identidade e dos costumes dessas comunidades, por meio de leis específicas que garantem sua permanência nos locais onde sempre viveram, foi um avanço na luta pelo direito à terra no Brasil. Ao retomar os aspectos históricos da formação da propriedade de terras em território nacional, buscaremos compreender algumas de suas consequências, como a permanência do latifúndio, a violência no campo e a atuação de movimentos sociais na luta por reforma agrária. ■ Vista do Quilombo Cafundó, em Salto do Pirapora (SP), 2006. Consultar as Orientações para o professor para obter mais informações sobre o capítu- lo e sobre o trabalho com as atividades. PA U LO L IE BE RT /A G ÊN CI A ES TA D O /A E 130 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 130D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 130 19/09/2020 01:2419/09/2020 01:24 A questão agrária no Brasil Entre os fatores que influenciam a desigualdade social em um país está a concentração de terras nas mãos de uma pequena parcela de proprietários rurais. Em toda a América Latina, esse ainda é um pro- blema grave, mas no Brasil ele ganha destaque: o país ocupa o quinto lugar quando se trata de desigualdade do uso da terra no mundo, atrás apenas de Paraguai, Chile, Venezuela e Colômbia. E essa desi- gualdade vem aumentando nos últimos anos. Da mesma maneira que existe no Brasil uma má distribuição de renda e grandes diferenças entre os brasileiros no acesso à saúde e à educação, a distribuição da posse da terra é desigual no país: há muitas pessoas sem acesso à terra ou com pouca terra, enquanto uma pequena parcela da população controla uma grande quantidade de terra. Esse fenômeno é chamado de concentração fundiária. As grandes porções de terra pertencentes a um mesmo dono ou empresa são chamadas de latifúndios e são muito comuns no Brasil. Afinal, essa desigualdade no espaço agrário sempre existiu no Brasil? Ao buscar suas origens, compreendemos que essa dispari- dade resulta de um encadeamento de ações que ocorrem desde os primeiros tempos da colonização do atual território brasileiro. Poucas foram as ações concretas para reverter tal situação, o que faz com que, ainda hoje, haja milhares de famí- lias sem acesso à terra para produzir e sobrevi- ver, dificultando, assim, a permanência dos tra- balhadores no campo. ■ O cartunista Angeli, na charge, ironiza a reforma agrária no país transformando o significado do slogan “terra para todos” em terra para todos da família. Charge publicada em 2003. © AN G EL I/F O LH A D E S. PA U LO 1 7. 07 .2 00 3/ FO TO AR EN A 131 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G2_AVU1.indd 131D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G2_AVU1.indd 131 19/09/20 12:4419/09/20 12:44 Aspectos históricos da concentração de terras no Brasil Para entender as raízes da concentração de terras no Brasil e sua permanência é importante relembrar o tripé que formou e sustentou o espaço agrário do país durante um longo período da história: grandes latifúndios, monocultura e trabalho escravo. Nos primeiros tempos da colonização, o governo português insti- tuiu as capitanias hereditárias, dividindo sua colônia na América em 15 grandes extensões de terra. Essas terras foram doadas a militares e altos burocratas da Corte portuguesa, que ficaram conhecidos como donatá- rios. Entre os direitos e atribuições dos donatários estavam fundar vilas e doar lotes de terras a quem estivesse interessado em iniciar um pro- cesso de colonização. Conhecidos como sesmarias, esses lotes estão na origem da formação das grandes pro- priedades rurais. O sistema de doação de sesmarias vigorou até o início do século XIX e pre- tendia garantir o suporte necessário à colonização, atraindo colonos cristãos e brancos, que deveriam cultivar a terra e respeitar os limites territoriais. Esses cul- tivadores eram os sesmeiros. Assim, logo no início da formação das propriedades no Brasil foi institu- ído um sistema de exploração agrícola denominado pelos historiadores como plantation. Esse modo de produção combinava latifúndios, cultivo de um único produto (inicialmente cana-de- -açúcar, depois outros produtos, como algodão, fumo e café), trabalho escravo e produção voltada ao mercado externo. A utilização de técnicas rudimentares que levavam ao esgotamento do solo e resul- tavam em baixa produtividade foram também características da plantation. ■ Carta de doação de sesmaria, de 1728. IN ST IT U TO D E TE RR AS D O P AR Á 132 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 132D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 132 19/09/2020 01:2419/09/2020 01:24 Lei de Terras Em 1822, às vésperas da Independência do Brasil, o então príncipe regente dom Pedro de Alcântara (1798-1834) (futuro dom Pedro I) extinguiu o sistema das sesma- rias. O período entre a extinção do regime das sesmarias (1822) e a instituição de uma nova lei (1850) para regulamentar o acesso à terra possibilitou a atuação dos posseiros, que usavam poder pessoal para se apropriar de grandes extensões de terras de forma ilegal. Aprovada em 1850, logo após a proibição do tráfico de escravizados, a Lei de Terras determinou as regras para delimitar apropriedade no Brasil, regulamentando as antigas sesmarias e as novas propriedades. A partir dessa data, todas as terras consideradas ainda não exploradas (chamadas de terras devolutas) passariam a pertencer ao Estado e só poderiam ser adquiridas por meio de compra ou doação. A lei estabeleceu dimensões mínimas para os lotes a ser comprados, proibiu a venda a prazo e determinou que os imigrantes só poderiam adquirir terras após dois anos de residência no Brasil. Ou seja, a medida dificultou o acesso dos pobres à terra e acabou favorecendo os latifundiários, que podiam comprar novos lotes dire- tamente do governo. A lei, portanto, impediu a formação de uma camada social de pequenos proprietários dedicados à agricultura familiar e, por favorecer os grandes latifundiários, contribuiu de maneira significativa para a manutenção da distribuição de terras vigente. ■ Fazenda produtora de café no estado de São Paulo, em 1895. > DE MÃOS DADAS NÃO ESCREVA NO LIVRO • A permanência da concentração de terras afeta a vida de muitos brasileiros. Que proble- mas a distribuição desigual da terra causou e ainda causa na vida dos que não tinham e ainda não têm acesso à terra? De que forma a concentração de terras no campo tem relação com as cidades? Reúnam-se em grupos para responder a essas questões. PR IN T CO LL EC TO R/ H U LT O N A RC H IV E/ G ET TY IM AG ES 133 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 133D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 133 19/09/2020 01:2419/09/2020 01:24 Luta pela terra Nos primeiros tempos da República no Brasil, quando a maioria da população ainda vivia no campo, a elite agrária ampliou seus poderes por meio do fortaleci- mento dos chefes políticos locais e de práticas como a manipulação de votos para a defesa de seus interesses. Isso não impediu que camadas mais baixas da população reivindicassem seus direitos à terra. Em alguns casos, essas reivindicações resultaram em grandes conflitos armados, como os ocorridos na Bahia e na divisa do Paraná com Santa Catarina. No sertão da Bahia, camponeses sem acesso à terra formaram, em uma fazenda abandonada na região de Canudos, uma comunidade organizada com base no direito à terra e na agricultura familiar, em 1893, sendo liderados por Antônio Conselheiro (1830-1897). O local, contudo, passou a ser alvo de ataques das elites locais e do governo federal. Entre 1896 e 1897, quatros expedições militares foram organizadas para destruir a comunidade. O confronto, conhecido como Guerra de Canudos, só se encerrou após a destruição total da comunidade e a morte de pelo menos 30 mil sertanejos. Cerca de 15 anos depois, na região Sul do Brasil, aconteceu outro conflito de grandes proporções, a Guerra do Contestado. Ela ocorreu na divisa entre Paraná e Santa Catarina, onde viviam cerca de 60 mil pessoas cujas terras eram contestadas por ambos os estados. O governo doou essas terras para empresas dos Estados Unidos a fim de que pudessem construir ali uma estrada de ferro. Milhares de famí- lias foram expulsas das terras sem indenização. Em meio à miséria, a população buscou refúgio nas palavras de um líder messiâ- nico, José Maria (188-?-1912), que se dizia um eleito de Deus e prometia o advento de um reino de justiça. Após seu assassinato por forças policiais em 1912, a comuni- dade de camponeses sofreu ataques das tropas estaduais e federais. O confronto se estendeu até 1916 e deixou cerca de 20 mil mortos. ■ Oficiais do exército brasileiro e da polícia militar do Paraná na região do Contestado, na década de 1910. EX ÉR CI TO D O R IO D E JA N EI RO 134 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 134D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 134 19/09/2020 01:2419/09/2020 01:24 Os dados da tabela a seguir, extraídos do Censo agropecuário 2017, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam aspectos da distri- buição das propriedades rurais no território nacional. Observe a tabela e responda às questões a seguir. Grupos de área total (ha) Total de estabelecimentos Área total Maior 0 a menos 0,1 74 379 3 264 De 0,1 a menos 0,2 54 438 7 586 De 0,2 a menos 0,5 174 299 58 493 De 0,5 a menos 1 303 316 207 970 De 1 a menos 2 468 288 593 953 De 2 a menos 3 336 993 749 072 De 3 a menos 4 260 945 840 160 De 4 a menos 5 220 309 964 885 De 5 a menos 10 650 714 4 568 586 De 10 a menos 20 730 662 10 205 797 De 20 a menos 50 855 865 26 661 932 De 50 a menos 100 394 157 26 942 917 De 100 a menos 200 218 758 29 380 636 De 200 a menos 500 147 083 44 875 314 De 500 a menos 1 000 54 878 38 001 742 De 1 000 a menos 2 500 34 338 51 848 684 De 2 500 a menos de 10 000 14 415 63 733 495 De 10 000 e mais 2 450 51 645 332 Produtor sem área 77 037 – Fonte dos dados: IBGE. Censo agropecuário 2017. Tabela 1.1.1. - Condição legal das terras segundo as variáveis selecionadas. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/agricultura-e-pecuaria/21814-2017-censo-agropecuario. html?=&t=resultados. Acesso em: 25 ago. 2020. 1. Que dados sobre a distribuição de terras são apresentados? 2. Considerando o que aprendeu até aqui, que característica do campo brasileiro está evidenciada na tabela? Comente esses dados. 3. Por que a predominância de grandes propriedades rurais pode indicar um problema social? DIÁLOGOS> LINGUAGENS E LEITURAS> NÃO ESCREVA NO LIVRO 135 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G2_AVU1.indd 135D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G2_AVU1.indd 135 19/09/20 12:5619/09/20 12:56 https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/agricultura-e-pecuaria/21814-2017-censo-agropecuario.html?=&t=resultados Crédito rural Recurso destinado a despesas dos ciclos produtivos, investimen- tos ou comercialização da colheita. Suas regras estão estabelecidas no Manual de Crédito Rural (MCR), elaborado pelo Banco Central do Brasil. Desapropriação Transferência de proprie- dade de bens móveis ou imóveis particulares para domínio público em função de utilidade pública, interesse social ou necessidade pública mediante indenização. ■ Agricultor integrante do Projeto de Desenvolvimento Sustentabilidade Virola Jatobá, projeto de assentamento do Incra, coloca placa que sinaliza a área de proteção ambiental, em Anapu (PA), 2019. Reforma agrária, função social da terra e assentamentos A forma de distribuição das propriedades rurais, ou seja, como as terras estão distribuídas quanto à área e ao número de propriedades, é chamada estrutura fundiária. Como vimos, no Brasil, desde a época da colonização, a estrutura fundiária é bastante concentrada, ou seja, há uma má distribuição das terras. Um dos fatores que agravaram a concentração de terras no campo brasileiro foi a falta de atenção de sucessivos governos para a reforma agrária, que é garantida pela Constituição Federal. A reforma agrária não se resume à distribuição de terras. Deve atender também a diversos princípios, como justiça social, desenvol- vimento rural sustentável e aumento de produção. Assim, é necessário que, além do acesso à terra, os agricultores tenham acesso à infraestru- tura (energia elétrica, água e estradas, entre outras), a crédito rural e à assistência técnica, para que tenham condição de comercializar seus produtos e consigam se manter no campo. A reforma agrária pode proporcionar assim diversos avanços sociais, como desconcentração da estrutura fundiária, promoção da segurança alimentar e nutricional (conceito estudado no capítulo 6), geração de ocupação e renda, redução da migração campo-cidade e diversificação do comércio e dos serviços no campo. De acordo com a Constituição Federal de 1988, as propriedades rurais que não cumprem sua função social podem sofrer desapro- priação para fins de reforma agrária, e os proprietários das terras são indenizados pela desapropriação. RI CA RD O T EL ES /P U LS AR IM AG EN S 136 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 136D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd136 19/09/2020 01:2419/09/2020 01:24 A função social é cumprida quando a propriedade rural é produtiva e atende aos seguintes critérios: aproveita a terra de forma adequada, utiliza os recursos naturais disponíveis sem causar impactos ambientais, cumpre as legislações trabalhistas e f avorece o bem-estar de proprie- tários e trabalhadores. De acordo com dados do próprio governo, grande número de pro- priedades não estaria atendendo aos critérios citados anteriormente, sendo passíveis de desapropriação. Daí a justificativa de muitos movi- mentos sociais do campo em ocupar essas grandes propriedades que não cumprem sua função social. Dentre esses movimentos, o mais atuante e representativo é o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). É uma forma de luta que, muitas vezes, acirra conflitos entre sem terras, grileiros e grandes proprietários. A partir da segunda metade da década de 1990, os governos vêm realizando assentamentos das famílias sem terras. Os assentamentos são lotes de terras, instalados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), onde os trabalhadores rurais que faziam parte do grupo dos sem terras passam a morar e a produzir, comprometen- do-se a usar exclusivamente mão de obra familiar. Desde 2013, no entanto, o número de assentamentos vem dimi- nuindo e, em 2020, alguns programas de incentivo aos assentados foram extintos, como aqueles destinados a repassar tecnologia e conheci- mento aos trabalhadores e garantir a alfabetização dos adultos. Grileiro Pessoa que trabalha para grandes proprietários de terra, tendo a tarefa de expulsar posseiros e preparar a ocupação de terras desocupadas. ■ Plantação orgânica no Assentamento Terra Vista, em Arataca (BA), 2019. > MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO • Em grupo, escolham um veículo de comunicação, façam um levantamen- to de notícias relacionadas à reforma agrária. Depois, analisem como ele aborda o tema: demonstra ser favorável ou contrário a ela? Justifiquem sua resposta e a comparem com as dos outros grupos. CH IC O F ER RE IR A/ PU LS AR IM AG EN S 137 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 137D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 137 19/09/2020 01:2419/09/2020 01:24 Terras indígenas e quilombolas O processo de modernização conservadora do campo brasileiro (estudado no capítulo 5) con- tribuiu para manter a situação de exclusão de indígenas e quilombolas no campo. Apesar dos avanços em leis e políticas públicas que ocorreram nas últimas décadas, na prática muitos proble- mas persistem e foram até acirrados a partir do fim da década de 2010. As terras indígenas e quilombolas são com frequência alvo de invasões de mineradoras, madei- reiras, caçadores e posseiros. Muitas vezes são também atravessadas por construções de estradas, ferrovias e hidrelétricas ou usadas para passagem de linhas de transmissão, além de sofrer impac- tos ambientais, como poluição de rios e desmatamentos, em consequência de atividades nocivas realizadas em suas proximidades, como a agricultura com intenso uso de agrotóxicos. Terras Indígenas De acordo com a Constituição Federal de 1988, os povos indígenas têm direito originário à terra, ou seja, um direito anterior à criação do Estado brasileiro, já que foram os primeiros ocu- pantes das terras que formariam a atual território do Brasil. Disso decorre o direito dos indígenas à terra independentemente de reconhecimento formal. No entanto, as Terras Indígenas (TI) devem ser delimitadas e demarcadas por órgãos do governo. O prazo estabelecido pela Constituição para a demarcação de todas as TI era 5 de outubro de 1993, mas isso não ocorreu. Por terras indígenas, entendem-se, portanto, as terras tradicionalmente ocupadas pelos indígenas, utilizadas para suas atividades produtivas, necessárias à preservação dos recursos ambientais essenciais ao bem-estar e à reprodução física e cultural, de acordo com seus usos, cos- tumes e tradições. Observe o mapa ao lado. Como você pode obser- var no mapa, a maior parte das TI estão na Amazônia. Isso reflete o processo de extermínio e expulsão dos indígenas que começou com a chegada dos euro- peus a partir do litoral. Atualmente, na porção leste do território brasileiro e nas áreas urbanizadas restam poucas TI, como a terra Guarani Aldeia Jaraguá, em São Paulo, que com apenas dois hectares não possibilita a seus habi- tantes viver da terra. Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 8. ed. Rio de Janeiro, 2016. p. 107. Brasil: terras indígenas, 2017 50° O 0°Equador Trópico d e Capricórn io OCEANO PACÍFICO OCEANO ATLÂNTICO AM AP PA MT RO MS MG ES RJ MA PI CE RN PB PE AL SE BA TO DF GO SP PR SC RS RR AC Descrição das fases Declarada Homologada Regularizada 0 450 AL LM AP S 138 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 138D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 138 19/09/2020 01:2419/09/2020 01:24 Terras quilombolas Assim como os indígenas, os povos quilombolas têm seu direito à terra assegurado pela Constituição Federal, o que resultou em grande parte da luta dos movimentos negros. A certificação das terras qui- lombolas iniciou-se no ano de 2004, após um decreto federal, de 2003, que regulamentou o procedi- mento para identificar, reconhecer, delimitar, demarcar e titular terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos. De acordo com o decreto, as comu- nidades quilombolas são aquelas formadas por grupos étnico- -raciais, segundo critérios de autoatribuição, com trajetória his- tórica própria, dotados de relações territoriais específicas e origem negra relacionada com a resistên- cia à opressão histórica sofrida. Estima-se que existam mais de 3 mil comunidades remanes- centes de quilombos no Brasil. No entanto, muitas delas lutam ainda para obter a certificação de suas terras. Observe o mapa ao lado. ■ Grupo de jongo, dança brasileira de origem africana, da comunidade quilombola Boa Esperança, em Presidente Kennedy (ES), 2019. Em 2005 essa comunidade foi reconhecida e recebeu certificação pela Fundação Cultural Palmares. Autoatribuição Ação de atribuir a si mesmo, no caso, o pertencimento ao grupo étnico-racial dos povos quilombolas. Fonte dos dados: FUNDAÇÃO CULTURAL PALMARES/MINISTÉRIO DA CULTURA. Certificação quilombola. Disponível em: http://www.palmares.gov.br/?page_id=37551. Acesso em: 25 ago. 2020. Brasil: comunidades quilombolas – 2020 Natal Belém Maceió Recife Palmas Macapá Manaus Goiânia BrasíliaCuiabá Aracaju Vitória São Luís Teresina Salvador Curitiba Porto Alegre São Paulo Boa Vista Fortaleza João Pessoa Porto VelhoRio Branco Campo Grande Florianópolis Belo Horizonte Rio de Janeiro P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P Equador OCEANO ATLÂNTICO Trópico de Capricórnio 0° 50° O AC AM PA APRR RO TO MT MS ES RJ BA MA PI CE PBPE AL SE MG GO DF RS PR SC SP RN Mais de 300 Número de comunidades quilombolas certificadas Dados não disponíveis ou inexistência de comunidades quilombolas *Certificações realizadas até agosto de 2020. Menos de 20 De 21 a 50 De 51 a 100 De 101 a 300 0 397 LU CI AN A W H IT AK ER /P U LS AR IM AG EN S D AC O ST A M AP AS > MEUS ARGUMENTOS NÃO ESCREVA NO LIVRO • Em grupo, discutam a seguinte questão: Qual é a importância das comunidades quilombolas para a preservação da memória e identidade dos afrodescendentes no Brasil? 139 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G2_AVU2.indd 139D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G2_AVU2.indd 139 19/09/20 15:5519/09/20 15:55 Movimentos sociais no campo Movimentos sociais são aqueles que reúnem parte da sociedade em defesa de uma causa, tanto na cidade como no campo. Além de ter um projeto definido, usam várias estratégias para lutar por suas demandas, como marchas, denúncias, mobili- zações e negociações. No Brasil, os movimentos sociais rurais têm papelimportante na luta pelos direitos dos grupos excluídos. Fazem parte de sua pauta a defesa do acesso à terra, o reconhecimento da diversidade cultural e a sustentabilidade. A mobilização de trabalhadores rurais começou a ganhar força no Brasil a partir da década de 1950 com a atuação das Ligas Camponesas na região Nordeste, que surgiram no contexto da intensificação da modernização do campo, da qual fez parte, entre outras medidas, a mecanização da produção que substitui o trabalho humano. Essas organizações se espalharam para outras regiões, mobilizando os tra- balhadores na defesa da distribuição de terras e da necessidade de reformas que melhorassem sua condição de vida. No decorrer dos anos, grupos dominantes procuraram dividir e criminalizar essas lutas, que sofreram forte repressão durante o governo civil-militar (1964-1985). Esses movimentos, no entanto, encontraram novas formas de reivindicar direitos, de acordo com as necessidades de cada período, ajudando assim a fortalecer a própria democracia. Durante a década de 1980, a reivindi- cação pela distribuição de terras no Brasil foi retomada, podendo-se considerar o MST como herdeiro da luta empreendida pelas Ligas Camponesas. Nas ocupações de propriedades improdutivas podem ser observadas iniciativas como construção de escolas, aplicação de técnicas da agricultura familiar e cursos de formação política. Atualmente, as ações empreendidas pelos movimentos sociais rurais envolvem lideranças femininas e jovens e têm como foco a crítica ao modelo do agronegócio e aos impactos socioambientais negativos, lutando em prol de uma produção mais saudável para todos. ■ Marcha das Margaridas, mulheres trabalhadoras rurais que lutam pelo desenvolvimento sustentável com justiça, autonomia e igualdade. Brasília (DF), 2011. EL IO R IZ ZO /F U TU RA P RE SS 140 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 140D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 140 19/09/2020 01:2419/09/2020 01:24 Conflitos no campo A violência no campo é outro problema a ser enfren- tado no Brasil. Entre suas causas estão o direito de per- manecer na terra, o acesso à água, os conflitos trabalhistas e a perseguição política. Os conflitos no campo estive- ram e ainda estão presentes de forma mais intensa em regiões de expansão da fronteira agrícola, vitimando trabalhadores rurais e indíge- nas, além dos envolvidos em movimentos sociais, como os religiosos. Observe o gráfico acima. É consenso entre muitos pesquisadores que os conflitos no campo decorrem da ausência de um poder público que promova o cumpri- mento das leis, garantindo aos trabalhadores rurais o direito a viver e produzir na terra e aos povos e comunidades tradicionais, como indíge- nas e quilombolas, suas terras efetivamente demarcadas, sem ameaças nem invasões de grileiros, mineradoras e garimpeiros, e a salvo de grandes obras, como estradas e hidrelétricas. ■ Manifestação do Movimento dos Atingidos por Barragens em São Paulo (SP), 2013. Fonte dos dados: CANUTO, A.; LUZ, C. R. da S.; SANTOS, P. C. M. dos. Conflitos no campo: Brasil 2019. Goiânia: Comissão Pastoral da Terra Nacional, 2020. p. 20. Disponível em: https://www.cptnacional.org. br/component/jdownloads/ send/41-conflitos-no-campo- brasil-publicacao/14195- conflitos-no-campo-brasil- 2019-web?Itemid=0. Acesso em: 26 ago. 2020. NÃO ESCREVA NO LIVRO> DE MÃOS DADAS • Em grupo, respondam: Em sua comunidade existe algum movimento social atuante? Quais são as principais reivindicações e estratégias adotadas? Vocês participam desse movimento ou conhecem alguém que participe? Compartilhem suas impressões com os colegas de outros grupos. Brasil: conflitos no campo, 2010-2019 500 1 000 1 500 2 000 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 0 Número de conflitos 853 1035 1067 1007 1018 998 1295 1168 1124 1254 1186 1363 1364 1266 1286 1217 1431 1489 1833 1536 242 260 182 154 141127937968 84 69 66 89 90 489 276 197172135 87 Ano Con�itos por terra Con�itos trabalhistas Con�itos pela água Total de con�itos no campo G AB RI EL A BI LÓ /F U TU RA P RE SS SO N IA V AZ 141 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 141D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 141 19/09/2020 01:2419/09/2020 01:24 https://www.cptnacional.org.br/component/jdownloads/send/41-conflitos-no-campo-brasil-publicacao/14195-conflitos-no-campo-brasil-2019-web?Itemid=0 NÃO ESCREVA NO LIVROATIVIDADES> O texto e o infográfico apresentados a seguir são de diferentes fontes. O texto foi extraído do site da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) – que é a maior representante dos agricultores comerciais no Brasil. O infográfico é um material da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado chamada Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida, iniciada em 2016, que integra movimentos sociais e organizações que lutam, por exemplo, pelos direitos dos agricultores familiares, pelas comunida- des tradicionais e pelas práticas agroecológicas. Analise cada um deles e faça as atividades propostas na sequência. Documento 1 Panorama do agro Nos últimos 40 anos a produção agropecuária brasileira se desenvolveu de tal forma que o Brasil será o grande fornecedor de alimentos do futuro. [...] Produzindo cada vez mais, o Agro brasileiro reduziu drasticamente o preço da alimentação, melhorando a saúde e qualidade de vida da população urbana, liberando seu poder de compra para bens produzidos pela indústria e pelo setor de serviços. [...] O agronegócio tem sido reconhecido como um vetor crucial do crescimento econômico brasileiro. Em 2019, a soma de bens e serviços gerados no agronegócio chegou a R$ 1,55 trilhão ou 21,4% do PIB brasileiro. [...] a soja (grãos) é o carro-chefe da produção agropecuária brasileira, res- ponsável por aproximadamente R$ 1,00 de cada R$ 4,00 da produção do setor no Brasil. O segundo lugar no ranking [...] é ocupado pela pecuária de corte [...]. O terceiro maior [...] é o [...] milho, [...] seguido da pecuária de leite [...] e da cana [...]. O frango [...] aparece em sexto lugar, seguido do café [...] e algodão [...]. O setor absorve praticamente 1 de cada 3 trabalhadores brasileiros. Em 2015, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), 32,3% (30,5 milhões) do total de 94,4 milhões de trabalhadores brasileiros eram do agronegócio. Desses 30,5 milhões, 13 milhões (42,7%) desenvolviam ativida- des de agropecuária, 6,43 milhões (21,1%) no comércio agropecuário, 6,4 milhões (21%) nos agrosserviços e 4,64 milhões (15,2%) na agroindústria. Quanto ao comércio internacional, 43% das exportações brasileiras, em 2019, foram de produtos do agronegócio [...]. [...] CONFEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DO BRASIL (CNA). Panorama do agro, jun. 2020. Disponível em: https://www.cnabrasil.org.br/cna/panorama-do-agro. Acesso em: 26 ago. 2020. 142 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 142D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 142 19/09/2020 01:2419/09/2020 01:24 Documento 2 Diferenças entre a agricultura familiar e tradicional e o agronegócio 1. No documento 1, diversos dados são oferecidos para ilustrar a importância do agronegócio no Brasil. Segundo esta fonte, qual o impacto dessa atividade na economia brasileira? 2. No documento 2, os elementos gráficos e textuais buscam comunicar informações sobre a produção agropecuária brasileira. Quais aspectos dela são analisados? 3. Compare os dois documentos, que abordam temas referentes ao agro- negócio. Eles têm visões semelhantes ou divergentes sobre o assunto? Justifique sua resposta. ■ Cartaz de divulgação da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado chamada Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida, publicado em 2017. CA M PA N H A SE M C ER RA D O 143 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 143D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 143 19/09/2020 01:2419/09/2020 01:24INVESTIGAÇÃO> Memes, agronegócio e agricultura familiar É bem provável que vocês já tenham visto muitos memes de internet nas redes sociais e até mesmo tenham compartilhado algum deles. O meme é um gênero textual que pode combinar diferentes elementos, como texto, recursos gráficos, imagem e som, e se tornou possível graças às novas tecnologias digitais de infor- mação e comunicação. Assim como os memes, outros gêneros, como as charges, os anúncios publicitá- rios e os manuais de instrução, combinam também recursos diversos, além do texto escrito, para comunicar ideias. Esses gêneros híbridos são chamados de multissemi- óticos ou multimodais. No espaço cibernético, os usuários utilizam a palavra meme para se referir a postagens de conteúdo humorístico que têm relação com as notícias do cotidiano e se espalham rapidamente na rede, ou seja, tornam-se virais. Os memes se carac- terizam ainda por serem criados e recriados constantemente e por qualquer pessoa. Observem o meme a seguir e, em seguida, o analisem respondendo às pergun- tas que estão na sequência. ■ Meme sobre como as pessoas imaginam a vida de um universitário. 1. Que recursos de linguagens são utilizados no meme? 2. Quais são as imagens destacadas no meme? Por que vocês acham que elas foram escolhidas? 3. Que sentidos essas imagens e seu respectivo texto verbal produzem? 4. Como esses elementos constroem o tom humorístico do meme? SOU UNIVERSITÁRIO! Como meus pais me veem... Como os jornalistas me veem... Como sou na realidade!!! Como meus vizinhos me veem... TO M G RI LL /C O RB IS /G ET TY IM AG ES PR ES SM AS TE R/ SH U TT ER ST O CK .C O M CA D DY M AN / SH U TT ER ST O CK .C O PR ES SM AS TE R/ SH U TT ER ST O CK .C O M LZ F/ SH U TT ER ST O CK PH O TO G RA PH EE .E U / SH U TT ER ST O CK .C O M 144 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G2_AVU1.indd 144D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G2_AVU1.indd 144 19/09/20 12:5219/09/20 12:52 Divididos em grupos e usando o meme analisado como exemplo, elaborem um meme, esco- lhendo entre dois temas: o agronegócio e a agricultura familiar. Observem a seguir as dicas para criar o meme. • Retomem as características do agronegócio e da agricultura familiar e esbocem ideias de textos e imagens possíveis para compor o meme. Pensem em aspectos positivos ou negativos que queiram destacar. • Selecionem artigos, reportagens e imagens atuais sobre o tema escolhido para servir de base para compor o meme. • Pesquisem na internet diferentes modelos de memes para ter outros parâmetros além do exemplo analisado. • Escolham os diferentes tipos de imagem que pretendem utilizar no meme (como imagem de grandes latifúndios, de famílias trabalhando, de tecnologia no campo etc.) e pensem ainda nos recursos gráficos que podem destacar as ideias (tipos e tamanhos de letra, cores, molduras, sombras e outros efeitos). • Organizem os materiais selecionados e iniciem a montagem do meme no computador ou mesmo em papel. Sites geradores de memes podem ajudar na montagem e são facilmente encontrados na internet – basta digitar “gerador de memes” no campo de busca. • Lembrem-se de que o humor é um ingrediente imprescindível ao meme, mas é muito impor- tante tomar cuidado para que a produção de vocês não seja ofensiva nem preconceituosa. • Antes de apresentar o resultado do trabalho, certifiquem-se de que a mensagem do meme foi compreendida por todos no grupo, a fim de garantir que ela será entendida pelos demais colegas da turma. • Para encerrar, troquem os memes entre os grupos para que sejam interpretados e comen- tados pelos colegas. ■ Meme criado a partir da imagem de uma cena do filme A fantástica fábrica de chocolates, lançado em 1971, em que o comediante estadunidense Gene Wilder (1933-2016), interpreta a personagem Willy Wonka. ENTÃO VOCÊS APRENDERAM UM POUCO MAIS SOBRE MEMES CONTE-ME COMO VAI FAZER PARA ELABORAR UM MEME AGORAFILME D E M EL S TU AR T. A F AN TÁ ST IC A FÁ BR IC A D E CH O CO LA TE E UA , 1 97 1. F O TO : P IC TU RE LU X/ TH E H O LL YW O O D A RC H IV E/ AL AM Y/ FO TO AR EN A 145 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 145D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 145 19/09/2020 01:2419/09/2020 01:24 Etapa 4 DISCUTINDO COM A COMUNIDADE A última e tapa do projeto é a organização de evento na escola para socializar as informações colhidas na pesquisa e propor ações que visem à melhoria dos hábitos alimentares da comunidade em que a escola está inserida. Uma das ideias centrais que devem nortear a organização do evento é a dis- cussão dos conceitos de agricultura urbana, agroecologia e permacultura, relacionando práticas tradicionais com o conhecimento moderno sobre consumo consciente e sustentável. A ideia é de que o evento reúna informações e referên- cias sobre a alimentação tradicional, tomando como ponto de partida o trabalho de pesquisa desenvolvido nas etapas anteriores, mas também apresente alter- nativas modernas, conscientes e sustentáveis de produzir e consumir alimentos. Para isso, os grupos devem se organizar para a preparação de dois conjuntos de atividades: I. Socialização das atividades de pesquisa Um primeiro conjunto de atividades do evento deve objetivar a apresentação para a comunidade dos relatórios e exposição dos quadros comparativos produzidos nas etapas anteriores. Alguns dos entrevistados podem ser convidados para rodas de conversa, para contar sobre a experiência da entrevista e discutir algumas das informações que os grupos de estudantes consideraram relevantes na análise da conversa. Trechos dos áudios e vídeos com os registros das entrevistas também podem ser expostos, desde que com a autorização dos entrevistados. II. Convidando a comunidade a um consumo consciente Um segundo conjunto de atividades deve estar relacionado com a apresentação de possibilidades de consumo consciente. Cada grupo deve se responsabilizar por uma ação que provoque na comunidade uma reflexão sobre alimentação saudável. Algumas possibilidades de atividade são: • Montagem coletiva de livros de receita. Compartilhamento de receitas de família, que podem ser reunidas em cadernos a serem posteriormente compartilhados, impressos ou em formato digital. • Organização de horta comunitária. Caso a escola disponha de espaço, reunir grupos para plantar hortaliças e verduras, que possam ser consumidas pela comunidade. • Exposição de pequenos produtores locais. Contatar pequenos produtores da região e organizar uma feira para expor seus produtos e compartilhar suas histórias. • Oficina de preparação de receitas saudáveis. Os estudantes podem escolher uma receita simples e realizá-la em conjunto com os visitantes do evento. • Palestra sobre alimentação saudável. Os estudantes podem convidar um nutri- cionista ou outro profissional para apresentar orientações sobre como ter hábitos alimentares saudáveis, como consumir produtos in natura e evitar os alimentos ultraprocessados. 146 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G2_AVU1.indd 146D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G2_AVU1.indd 146 19/09/20 12:4519/09/20 12:45 > SAIBA MAIS Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Disponível em: www.embrapa.br. Acesso em: 2 set. 2020. O site da Embrapa reúne notícias, divulgação científica, material multimídia e uma extensa biblioteca sobre os avanços da pesquisa na agricultura e pecuária brasileiras. Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) Disponível em: www.fao.org. Acesso em: 2 set. 2020. A FAO é agência internacional da ONU cujo objetivo é garantir a segurança alimentar e erradicar a fome. Sua página contém informações importantes sobre as ações mais recentes em diversos países. Terras Indígenas do Brasil Disponível em: https://terrasindigenas.org.br/. Acesso em: 26 ago. 2020. Programa de monitoramento de áreas protegidas, que produz, sistematizae disponibiliza informações sobre Terras Indígenas, Unidades de Conservação, glebas do Incra, reservas garimpeiras e outras terras de interesse público. Censo agropecuário 2017 Disponível em: https://censos.ibge.gov.br/agro/2017. Acesso em: 2 ago. 2020. O site apresenta os resultados do Censo agropecuário 2017, realizado pelo IBGE, reunindo informações sobre os estabelecimentos agropecuários, abrangendo características do produtor e do estabelecimento, economia e emprego no meio rural, pecuária, lavoura e agroindústria. Atlas da Questão Agrária Brasileira Disponível em: http://www2.fct.unesp.br/nera/atlas/questao_agraria.htm. Acesso em: 26 ago. 2020. Site, elaborado a partir da pesquisa Cartografia Geográfica Crítica, apresenta dados da estrutura fundiária brasileira. Para onde foram as andorinhas? Direção: Mari Corrêa. Brasil, 2015. Vídeo (22 min). Disponível em: https://www.youtube. com/watch?v=T0-INQW3It0. Acesso em: 2 set. 2020. Ganhador do Prêmio de Melhor Curta-Metragem no Festival Ambiental das Ilhas Canárias de 2016, o documentário aborda o impacto da agropecuária na subsistência dos povos indígenas que vivem no Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso. Sustentável Direção: Matt Wechsler e Annie Speicher. Estados Unidos, 2016. DVD (96 min). O documentário retrata o papel da terra na vida das pessoas, sua importância para várias gerações de trabalhadores e alerta para o esgotamento dos solos com o uso excessivo de produtos químicos, além do consumo desenfreado de água no processo agrícola. 147 D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 147D3-CH-EM-3075-V4-U4-C8-130-147-LA-G21.indd 147 19/09/2020 01:2419/09/2020 01:24 https://www.youtube.com/watch?v=T0-INQW3It0 Autoavaliação Esta é a hora de se autoavaliar em seu percurso de estudos. Para tanto, sugerimos que retome os objetivos propostos para as unidades. Depois, leia atentamente cada um dos itens relacionados a seguir e escreva em seu caderno como considera seu atual momento de aprendizagem. A resposta para cada um dos itens pode ser sim, não ou em algumas situações. Registre também uma justifi - cativa para suas respostas. Unidade 1 Critérios 1. Reconheço aspectos culturais com os quais me identifi co e que compõem minha identidade. 2. Reconheço que minha identidade apresenta relação com o lugar onde vivo e com as pessoas com quem convivo. 3. Reconheço, valorizo e respeito a diversidade cultu- ral presente nas cidades. 4. Entendo que os movimentos de contracultura se opõem a culturas e/ou práticas sociais dominantes. 5. Entendo e reconheço a arte urbana como uma forma de manifestação artística e cultural do mundo contemporâneo. 6. Identifi co situações em que o direito à cidade não é garantido aos cidadãos. 7. Consigo explicar o processo de formação de favelas e sou capaz de justifi car a importância da urbanização desses espaços. 8. Entendo o que é gentrifi cação e consigo dar exem- plos desse processo. 9. Sinto confi ança para apresentar meus pontos de vista e apontar ideias e sugestões que considero adequadas. 10. Sinto-me seguro e confi ante para falar sobre as coisas com as quais me identifi co e ser quem eu sou. 11. Sinto-me motivado a aprender e a aplicar meus conhecimentos para melhorar a minha vida e o lugar onde vivo. Comente, a partir dos tópicos acima, seus pontos fortes e os pontos que você ainda precisa trabalhar. Converse com seu professor para, juntos, estabele- cerem um plano de ação. Unidade 2 Critérios 1. Compreendo que campo e cidade não são concei- tos dicotômicos e sou capaz de identifi car aspectos que revelam a relação entre eles. 2. Identifi co aspectos da dinâmica populacional asso- ciados aos processos de urbanização no mundo e no Brasil. 3. Leio e interpreto gráfi cos e mapas com facilidade. 4. Consigo dar exemplos, a partir de meu cotidiano, da integração entre municípios. 5. Identifi co os problemas relacionados à gestão das Regiões Metropolitanas no Brasil. 6. Entendo o conceito de segregação socioespacial e identifi co aspectos relacionados a esse fenômeno social. 7. Estou pronto para pesquisar e apresentar soluções para questões relacionadas à segregação socioes- pacial no meu contexto de vida. 8. Compreendo o conceito de processo histórico e consigo relacioná-lo à formação das cidades. 9. Identifi co permanências e rupturas no processo de formação das cidades no mundo e no Brasil. Comente, a partir dos tópicos acima, seus pontos fortes e os pontos que você ainda precisa trabalhar. Converse com seu professor para, juntos, estabele- cerem um plano de ação. NÃO ESCREVA NO LIVRO> FICHAS DE AUTOAVALIAÇÃO 148 D3-CH-EM-3075-V4-FINAIS-152-160-LA-G21_AVU.indd 148D3-CH-EM-3075-V4-FINAIS-152-160-LA-G21_AVU.indd 148 19/09/2020 16:5919/09/2020 16:59 Unidade 3 Critérios 1. Identifico a dinâmica atual da produção agrícola e pecuária ligada à industrialização. 2. Compreendo as alterações das dinâmicas do campo por meio da produção em larga escala. 3. Posso identificar que a situação atual da agricul- tura possui uma raiz histórica. 4. Compreendo a relação entre a modernização do campo e impactos socioambientais ocorridos. 5. Compreendo os impactos sociais e ambientais relacionados à expansão da fronteira agropecuária no Brasil. 6. Consigo relacionar a expansão da produção no campo a questões relacionadas à transição alimen- tar e nutricional no mundo. 7. Reconheço os diversos fatores que influenciam a alimentação de grupos sociais. 8. Sou capaz de identificar que a segurança alimentar é algo importante para a sociedade e a garantia de direitos humanos, considerando, principalmente, que não é a realidade de todas as pessoas. 9. Reconheço que minhas escolhas alimentares têm um reflexo direto na minha saúde e nos impactos sociais e ambientais. 10. Observo que a alteração da alimentação ao longo da história possui um aspecto cultural e se rela- ciona à tecnologia, à saúde e ao ambiente. Comente, a partir dos tópicos acima, seus pontos fortes e os pontos que você ainda precisa trabalhar. Converse com seu professor para, juntos, estabele- cerem um plano de ação. Unidade 4 Critérios 1. Identifico os aspectos do campo que motivam a saída de jovens para as cidades. 2. Identifico as principais características da produção agrícola no agronegócio e na agricultura familiar, bem como seus impactos socioambientais. 3. Reconheço a importância de políticas para a pro- moção da equidade de gênero no campo. 4. Entendo a importância da adoção de práticas sus- tentáveis na produção agrícola. 5. Conheço as principais características dos sistemas agrícolas estudados: agroecologia, agricultura orgânica, permacultura, agrofloresta e agricultura urbana. 6. Compreendo os aspectos históricos que explicam a concentração de terras no Brasil. 7. Consigo relacionar a estrutura agrária brasileira atual com a ocupação do território e o modo de produção adotado no período colonial. 8. Consigo explicar as políticas e os princípios que devem fazer parte da reforma agrária. 9. Explico a relação entre a concentração de terras e a desigualdade no Brasil. 10. Reconheço os impactos da distribuição de terras no Brasil para as comunidades tradicionais. 11. Compreendo as principais demandas dos movi- mentos sociais no campo. 12. Conheço a realidade sobre a violência e os con- flitos no campo, sabendo identificar os interesses e os principais atores sociais envolvidos. Comente, a partir dos tópicos acima, seus pontos fortes e os pontos que você ainda precisa trabalhar. Converse com seu professor para, juntos, estabele- cerem um plano de ação. 149 D3-CH-EM-3075-V4-FINAIS-152-160-LA-G21_AVU.indd 149D3-CH-EM-3075-V4-FINAIS-152-160-LA-G21_AVU.indd 149 19/09/2020 16:5919/09/2020 16:59 > BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR Na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), as competências são identifi cadas por números (de 1 a 10) e as habilidades, por códigos alfa- numéricos, por exemplo,