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Psicologia Social Apresentação da aula Profa. Ma. Mayra Campos Frâncica dos Santos Aula 3 • Momentos de Reflexão; • Resolução de SP; • Aproximando a teoria da prática. Psicologia Social Categorias fundamentais da Psicologia Social: identidade, personalidade, consciência e alienação Profa. Ma. Mayra Campos Frâncica dos Santos A Psicologia e o estudo da personalidade Personalidade Do latim: per sonare - “soar através” Antigamente, persona se referia à máscara que os atores do antigo teatro grego utilizavam para categorizar as personagens que representavam Senso comum, ainda se tem a ideia de que personalidade é aquilo que é refletido, aquilo que é apontado através dos papéis sociais que as pessoas desempenham • Personalidade • Apesar de não haver uma definição única que seja aceita por todos os teóricos da personalidade, podemos dizer que personalidade: • É um padrão de traços relativamente permanentes e características únicas que dão consistência e individualidade ao comportamento de uma pessoa (ROBERTS; MROCZEK, 2008). Personalidade É a personalidade que define quem somos de verdade em termos psicológicos, no relacionamento com os componentes de nosso grupo social. Cada um de nós tem a sua personalidade, formada no decorrer de nossas histórias de vida e se transformando em cada nova experiência que vivenciamos. Determinantes da Personalidade Genética Ambiente social Indivíduos únicos Identidade Identidade encurtador.com.br/gkM67. Acesso em agosto de 2022 encurtador.com.br/elmFT. Acesso em agosto de 2022 Identidade Processo de produção do sujeito que lhe permite apresentar-se ao mundo e reconhecer-se como alguém único São as representações e sentimentos que o indivíduo desenvolve a respeito de si próprio, a partir do seu conjunto de vivências Construída através do conjunto de experiências que o indivíduo tem ao longo de sua vida, isto porque está em transformação constante, a cada nova relação com o mundo social Identidade Identidade Dados pessoais BiografiaAtributos que lhe conferem Identidade Não é algo pronto, acabado Está em constante processo de construção O novo, quem sou agora, mistura-se com quem fui ontem Identidade • Compreensão que o sujeito faz sobre si mesmo; • É o que permite ao sujeito saber-se único, identificar-se com que vive e faz, reconhecer-se; • Identidade é metamorfose, de acordo com a teoria de Antônio da Costa Ciampa: nas atividades e nas relações, o sujeito vai se apresentando e se modificando; assim, o movimento do sujeito é de transformação, mantendo uma unidade entre o pensar, o ser e o sentir. Identidade como metamorfose • A ideia de que a identidade é metamorfose nos permite pensá-la como em permanente movimento e, também, como um processo que engloba tudo o que não somos mais, o que ainda não somos e o que somos sem estar sendo em determinado momento. • Ciampa amplia de tal forma nossa noção de eu que nos possibilita que se inclua um conjunto de aspectos à nossa constituição sem estar, naquele momento da vida, sendo expresso. Psicologia Social Categorias fundamentais da Psicologia Social: identidade, personalidade, consciência e alienação Profa. Ma. Mayra Campos Frâncica dos Santos Papel social, posição social e status social Papel social Conjunto de direitos, obrigações e expectativas culturalmente definidos que acompanham um indivíduo na sociedade Designa o modelo de comportamento que caracteriza o lugar do indivíduo no grupo ou organização Comportamento que se espera de quem ocupa determinada posição com determinado status Posição social Localização de uma pessoa no grupo ou organização Localização = direitos e obrigações Ocupamos, simultaneamente, muitas posições Status social Refere-se à importância das diferentes pessoas e posições para determinado grupo ou organização Reflete nos direitos e deveres das pessoas Divide-se em formal e não-formal Posição Status Representações sociais Representações sociais • O conceito é mencionado pela primeira vez por Serge Moscovici, em seu estudo sobre a representação social da psicanálise. Nessa obra, o autor conduz um estudo tentando compreender mais profundamente de que forma a psicanálise, ao sair dos grupos fechados e especializados, é ressignificada pelos grupos populares. OLIVEIRA & WERBA, 2013 Fonte: https://bit.ly/2Riue5x Acesso em: agosto de 2022 Representações sociais • No Brasil, o interesse pela teoria das RS iniciou no final da década de 1970, lembrando sua estreita relação com o desenvolvimento da própria psicologia social, que assume uma postura mais crítica. Representações sociais • O próprio Moscovici (1981, p. 181), refere que “por Representações Sociais entendemos um conjunto de conceitos, proposições e explicações originado na vida cotidiana no curso de comunicações interpessoais. Elas são o equivalente, em nossa sociedade, aos mitos e sistemas de crença das sociedades tradicionais: podem também ser vistas como a versão contemporânea do senso comum”. OLIVEIRA & WERBA, 2013 Para que estudamos as representações sociais? • Para buscar conhecer o modo como um grupo humano constrói um conjunto de saberes que expressam a identidade de um grupo social, as representações que ele forma sobre uma diversidade de objetos, tanto próximos como remotos, e principalmente, o conjunto dos códigos culturais que definem, em cada momento histórico, as regras de uma comunidade. OLIVEIRA & WERBA, 2013 Por que criamos as representações sociais? • Para tornar familiar o não familiar. Esse movimento, que se processa internamente, vem a serviço de nosso “bem- estar”. Para assimilar o não familiar, dois processos básicos podem ser identificados como geradores de RS: • o processo de ancoragem, • o processo de objetivação. Ancoragem e Objetivação • Processo pelo qual procuramos classificar, encontrar um lugar para encaixar o não familiar. • É a inserção do que é estranho no pensamento já construído. Ancoragem • Processo pelo qual procuramos tornar concreta e visível uma realidade. Procuramos aliar um conceito com uma imagem. A imagem deixa de ser signo e passa a ser uma cópia da realidade. • É uma operação formadora de imagens. Objetivação OLIVEIRA & WERBA, 2013; SANTOS, 2019 Psicologia Social Categorias fundamentais da Psicologia Social: identidade, personalidade, consciência e alienação Profa. Ma. Mayra Campos Frâncica dos Santos Consciência Consciência Refere-se refere ao pensamento em si e a intuição que a mente tem de seus atos e de seus estados Conhecimento que o sujeito tem de seu estado, de sua relação consigo mesmo e com o mundo Capacidade que o ser humano tem de emitir juízos espontâneos Consciência • “A consciência é um certo saber, reagimos ao mundo compreendendo-o, ‘sabendo-o’. Não se limita apenas ao saber lógico, mas também está incluso o saber das emoções e sentimentos do homem, o saber dos desejos, o saber do inconsciente” (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2008, p.144) O que é ter consciência? • Quando o nosso pensamento não confronta as nossas ações e experiências com o nosso falar, quando apenas reproduzimos as representações sociais que nos foram transmitidas, e toda e qualquer inconsistência ou incoerência é atribuída a "exceções", a "aspectos circunstanciais", quando não a particularidades individuais, estaremos apenas reproduzindo as relações sociais necessárias para a manutenção das relações de produção da vida material em nossa sociedade. LANE, 2006 O que é ter consciência? • Apenas quando confrontamos as nossas representações sociais com as nossas experiências e ações... Ou seja, pensar a realidade e os significados atribuídos a ela, questionando-os de forma a desenvolver ações diferenciadas, isto é, novas formas de agir, que por sua vez serão objeto de nosso pensar, é que nos permitirá desenvolvera consciência de nós mesmos, de nosso grupo social como produtos históricos de nossa sociedade, e também cabendo a nós — agentes de nossa história pessoal e social — decidir se mantemos ou transformamos a nossa sociedade. LANE, 2006 Alienação Alienação Do latim: alienare, alienus – que pertence a um outro Tornar alheio, transferir para o outro o que é seu Pessoa alienada: prede a compreensão do mundo que se acha inserida Alienação • A alienação se caracteriza pela atribuição de "naturalidade" aos fatos sociais; esta inversão do humano, do social, do histórico, como manifestação da natureza, faz com que todo conhecimento seja avaliado em termos de verdadeiro ou falso e de universal. • Nesse processo, a "consciência" é reificada, negando-se como processo, ou seja, mantendo a alienação em relação ao que ele é como pessoa e, consequentemente, ao que ele é socialmente. Persistência da Alienação • Em contraposição, as respostas a ações habituais são exatamente aquelas que se reproduzem sem que ocorra o pensar, tanto antes como depois. Na medida em que estas ações implicam valores e relações sociais, elas estarão, obrigatoriamente, reproduzindo a ideologia dominante, mantendo as condições sociais, ou seja, elas não transformam nem as relações sociais do indivíduo, nem a ele mesmo - é a persistência da alienação. • Ex.: trabalho repetitivo e mecânico. LANE, 1984, p. 44 Alienação nas relações de trabalho (Marx) • Há um conjunto de determinações que acompanham a categoria alienação em duas órbitas de problemas: BAPTISTA, 2009 Alienação em relação ao resultado do trabalho Alienação decorrente da divisão social e técnica do trabalho a) alienação no ato do trabalho ou do sujeito em relação ao seu próprio processo de trabalho como alheio, b) alienação do homem em relação a ele mesmo (autoalienação), e como desdobramento disso, c) a alienação do sujeito em relação ao outro homem. Alienação nas relações de trabalho (Marx) Para Marx, “o trabalho não produz só mercadorias; produz a si mesmo e ao trabalhador, como uma mercadoria, e isto, na proporção em que produz mercadorias em geral” Paradoxalmente, o produto do trabalho se humaniza, se enche de vida, enquanto seu produtor vai perdendo a perspectiva da condição autoral sobre as coisas produzidas Verifica-se um processo de aceleração e aprofundamento das relações de estranhamento, num tempo em que o trabalho morto, a máquina e a mercadoria se sobrepõem ao humano, ao trabalho vivo BAPTISTA, 2009 Formas de Alienação (Marilena Chauí, 1982) Alienação Social Alienação Econômica Alienação Intelectual Consciência X Alienação • Quanto mais consciente o sujeito está, menos alienado ele é (e vice-versa); Alienação gera consciência que, por sua vez, gera alienação A luta contra alienação deve ser por intermédio de um processo grupal Participação social e política tem um papel importante na luta contra a alienação Psicologia Social Categorias fundamentais da Psicologia Social: identidade, personalidade, consciência e alienação Profa. Ma. Mayra Campos Frâncica dos Santos Consumo: conceito e aspectos principais Fonte: https://bit.ly/31LeSZx Acesso em: agosto de 2022 O que é consumo? • É o ato ou efeito de consumir; despesa, dispêndio, consumação, gasto. • É o uso que se faz de bens e serviços produzidos. É, portanto, fazer uso de algo. Nasce das necessidades dos consumidores. ALVES, 2019 Consumo: análise crítica • Segundo Bauman (2008, p. 41), "[...] coloca a 'sociedade de consumidores' em movimento e a mantém em curso como uma forma específica de convívio humano, enquanto ao mesmo tempo estabelece parâmetros específicos para as estratégias individuais de vida que são eficazes e manipula as probabildades de escolha e conduta individuais". ALVES, 2019 Fonte: https://bit.ly/3s0uDGN Acesso em: abril de 2021 O que é obsolescência programada? • É a ação de produzir bens com vida útil predeterminada. De certa forma, isso força o consumidor a adquirir versões novas de um mesmo produto. • Em períodos mais curtos, "os aparelhos e os equipamentos, desde as lâmpadas elétricas aos óculos, deixam de funcionar devido a uma avaria prevista dum dos seus elementos. É impossível encontrar uma peça de substituição ou um técnico que o repare" (Latouche, 2012, p. 33). ALVES, 2019 Consumo e Indústria Cultural • O conceito de Indústria Cultural foi produzido como denúncia de uma nova forma de viver e sentir o mundo, sob condições históricas bem particulares. • Trata-se de uma noção advinda da Escola de Frankfurt (Alemanha), tendo como representantes, dentre outros, Theodor Adorno (1903-1969) e Max Horkheimer (1895-1973). ALVES, 2019; BAPTISTA, 2009 Consumo e Indústria Cultural Adorno e Horkheimer (1985) explicam que, com a massificação do cinema, o fazer cultural e artístico passou a estar sob o olhar da indústria capitalista, com a popularização de produtos que foram adaptados pelo consumo de massa Trata-se da produção de "ilusões", de forma a trabalhar para a mercantilização das mercadorias com foco na alienação e na produção de lucro para a classe dominante Se por um lado padroniza e esvazia o sentido da arte como expressão do singular, por outro lado, constitui-se como um mecanismo ideológico de legitimação Consumo e Indústria Cultural • Assim, o foco está no consumo, principalmente no individual, e os meios de comunicação se responsabilizaram por ampliar a seguinte lógica: "Para ser feliz é necessário consumir!" ALVES, 2019 Consumo e Indústria Cultural A ideia de "possibilidade de escolha", alimentada pela indústria cultural, é ilusória Nesse processo, a propaganda coloca-se como a técnica adequada para a distribuição de uma mercadoria “sempre-igual”, gerando, dessa maneira, hábitos padronizados Disso, decorre a “manipulação”, tornando os consumidores objetos ou produtos dos mesmos mecanismos que determinam a pro dução Aproximando a teoria da prática Música: 3ª do plural, de Engenheiros do Hawaii Corrida pra vender cigarro Cigarro pra vender remédio Remédio pra curar a tosse Tossir, cuspir, jogar pra fora Corrida pra vender os carros Pneu, cerveja e gasolina Cabeça pra usar boné E professar a fé de quem patrocina Eles querem te vender Eles querem te comprar Querem te matar a sede Eles querem te sedar Quem são eles? Quem eles pensam que são? Quem são eles? Quem eles pensam que são? Quem são eles? Quem são eles? Corrida contra o relógio Silicone contra a gravidade Dedo no gatilho, velocidade Quem mente antes diz a verdade Satisfação garantida Obsolescência programada Eles ganham a corrida Antes mesmo da largada Eles querem te vender Eles querem te comprar Querem te matar de ri Querem te fazer chorar Quem são eles? Quem eles pensam que são? Quem são eles? Quem eles pensam que são? Quem são eles? Quem são eles? Vender, comprar, vedar os olhos Jogar a rede contra a parede Querem te deixar com sede Não querem te deixar pensar Quem são eles? Quem eles pensam que são? Quem são eles? Quem eles pensam que são? Quem são eles? Quem são eles? Psicologia Social Finalizando a aula Profa. Ma. Mayra Campos Frâncica dos Santos Aprofunde seus estudos Indicação – livro • JACQUES, M. G. Identidade. Em: STREY, M. N. et al. Psicologia social contemporânea: livro -texto. 21ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013, p. 158-166. • OLIVEIRA, F. O. & WERBA, G. C. Representações sociais. Em: STREY, M. N. et al. Psicologia social contemporânea: livro -texto. 21ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013, p. 104-117.