Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Brasília-DF. 
Atendimento de emergênciA em 
eventos de grAnde Público
Elaboração
Carlos Alcantara
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
Sumário
APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 4
ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 5
INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 7
UNIDADE ÚNICA
MANIFESTAÇÕES EM MASSA .................................................................................................................. 9
CAPÍTULO 1
EVENTO DE GRANDE PÚBLICO: MASS GATHERING E MASS CASUALTY...................................... 11
CAPÍTULO 2
HISTÓRICO DE EVENTOS QUE RESULTARAM EM TRAGÉDIAS ...................................................... 14
CAPÍTULO 3
PLANEJAMENTO DE EMERGÊNCIA .......................................................................................... 31
CAPÍTULO 4 
RESPOSTA EM SITUAÇÕES CRÍTICAS ........................................................................................ 48
PARA (NÃO) FINALIZAR ..................................................................................................................... 54
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................. 55
4
Apresentação
Caro aluno
A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se 
entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. 
Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela 
interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da 
Educação a Distância – EaD.
Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos 
conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da 
área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional que 
busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica 
impõe ao mundo contemporâneo.
Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo 
a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na 
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.
Conselho Editorial
5
Organização do Caderno 
de Estudos e Pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em 
capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos 
básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar 
sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para 
aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares.
A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de 
Estudos e Pesquisa.
Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes 
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor 
conteudista.
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita 
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante 
que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As 
reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.
Sugestão de estudo complementar
Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, 
discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.
Praticando
Sugestão de atividades, no decorrer das leituras, com o objetivo didático de fortalecer 
o processo de aprendizagem do aluno.
6
Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a 
síntese/conclusão do assunto abordado.
Saiba mais
Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões 
sobre o assunto abordado.
Sintetizando
Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o 
entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.
Exercício de fixação
Atividades que buscam reforçar a assimilação e fixação dos períodos que o autor/
conteudista achar mais relevante em relação a aprendizagem de seu módulo (não 
há registro de menção).
Avaliação Final
Questionário com 10 questões objetivas, baseadas nos objetivos do curso, 
que visam verificar a aprendizagem do curso (há registro de menção). É a única 
atividade do curso que vale nota, ou seja, é a atividade que o aluno fará para saber 
se pode ou não receber a certificação.
Para (não) finalizar
Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem 
ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.
7
Introdução
Eventos de grande público são locais organizados com grande contingente de pessoas 
e ocorrem de forma programada ou não, porém acarretam consequências nos setores 
da sociedade. Os setores públicos devem estar aptos a receber esta concentração de 
pessoas seguindo, assim, recomendações importantes baseadas em leis e organizações.
A Organização Mundial de Saúde – OMS define catástrofes como aquelas situações 
em que as necessidades de atendimento excedem os recursos disponíveis, exigindo 
medidas extraordinárias e coordenadas para manter o serviço básico às vítimas. 
Sempre necessitando de ajuda externa para atender as demandas existentes. Quando 
há um desequilíbrio entre os recursos disponíveis e as necessidades, mas que podem ser 
atendidas pela estrutura local ou regional, trata-se de um acidente com múltiplas vítimas. 
Um incidente com múltiplas vítimas são eventos súbitos, que produzem um número de 
vítimas capaz de levar a um descontrole entre os recursos médicos disponíveis e as 
necessidades. Ou, como evento complexo que requer comando e controle agressivo e 
coerente, de maneira a fornecer cuidados às vítimas, também como evento de qualquer 
natureza que determine um maior volume de vítimas. O objetivo maior num cenário 
catastrófico é triar o maior número de vítimas com chances de sobrevivência no menor 
espaço de tempo e com segurança.
A criação e implementação de determinadas leis específicas no pPaís recentemente fez 
com que os diversos setores públicos se adaptassem quanto a organização, planejamento 
e execução do atendimento em grandes eventos para grandes populações.
Apesar dos avanços do SUS e das áreas de segurança pública em diversos aspectos, 
observam-se ainda, no cenário atual do País, algumas fragilidades relacionadas ao acesso 
e à qualidade dos serviços, bem como ao planejamento e às ações de saúde em situações 
de urgência ofertados. Tal acontecimento é visível tanto nos aspectos assistenciais como 
na superlotação de unidades de saúde, pronto-atendimentos e hospitais, e também na 
ocorrência de epidemias e na predominância de fatores de risco que comprometam a 
saúde da população de todas as regiões.
Além desse cenário de múltiplas necessidades de saúde e segurança pública, 
acresce-se a estas outras demandas decorrentes da realização de grandes eventos, 
como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, que exigem que todos os setores, como 
os da saúde e da segurança pública, se organizem e se articulem para a realização 
destes grandes eventos, com estratégias de intervenção em várias frentes e níveis de 
atenção, exigindo assim ações articuladas intersetoriais e multiprofissionais.
8
Assim, o Plano Operativo de todas as frentes apresenta-se com duplo benefício: 
relacionado à prevenção de riscos e agravos à prestação de serviços efetivos de 
recuperação da saúde durante a realização do evento; e de viabilidade social pela 
conversão dos investimentos e esforçosrealizados para a Copa do Mundo em melhoria 
das ações e serviços de saúde em caráter permanente, como legado deste evento.
Objetivos
 » Atender às necessidades de saúde e segurança relacionadas a eventos 
complexos e minimizar os riscos de agravos durante os grandes eventos.
 » Ampliar e melhorar os serviços de urgência e emergência e de assistência 
hospitalar.
 » Implantar serviço de resposta rápida a agravos relacionados ao evento.
 » Ampliar e melhorar serviços de vigilância sanitária, de laboratório, de 
Saúde Pública, de gestão em segurança pública e privada da informação 
em saúde e de vigilância à saúde do viajante.
 » Implantar a gestão integrada da saúde para os grandes eventos.
 » Instituir cultura de eventos de massa, tornando o Brasil país-sede para 
eventos de grande magnitude.
 » Produzir um legado na área e à sociedade, com estruturação de ações e 
serviços de saúde e segurança.
9
UNIDADE 
ÚNICA
MANIFESTAÇÕES 
EM MASSA
São eventos com a participação de um número suficiente de pessoas para exigir os 
recursos organizados com planejamento e resposta rápida à população para atender e 
minimizar os riscos de novos acidentes. Um incidente de vítimas em massa, às vezes 
chamado de um incidente com múltiplos acidentes ou situação de vários acidentes, é 
qualquer incidente em que os serviços médicos de emergência e recursos, como pessoal 
e equipamento, ficam sobrecarregados pelo número e gravidade das vítimas.
De acordo com Castro (2014), os riscos à Saúde Pública durante a realização de grandes 
eventos devem ser contemplados nas etapas de planejamento e gestão das ações, 
especialmente no que diz respeito à gestão de emergências, evitando que os eventos 
danosos sejam de magnitude tal que se transformem em desastres. 
A magnitude das situações de risco encontradas no ambiente e de seus efeitos à saúde 
das populações a elas expostas exigem para o seu enfrentamento uma infraestrutura 
do SUS que inclua recursos humanos capacitados, equipamentos, apoio para análises 
laboratoriais e desenvolvimento de programas especiais de prevenção e controle. 
Devem ser levadas em consideração também ações que tenham preceitos éticos com 
uma abordagem interdisciplinar, articulando-as com os diversos setores e com a 
participação da população e dos representantes da sociedade civil na tomada de decisão 
e gestão (CÂMARA, 2004).
A diversidade dos eventos faz com que as autoridades e instituições públicas executem 
ações efetivas de prevenção com respostas rápidas. Porém não haveria efetividade das 
ações se fossem executadas somente pela Defesa Civil, seja pelo seu órgão central ou por 
unidades descentralizadas nos estados e municípios, ou por qualquer outra instituição. 
O fato é que nenhuma instituição isolada detém capacidade técnica com ações flexíveis, 
recursos etc. para atender a todas as demandas envolvidas em um desastre de massa, 
desde sua prevenção até a resposta ao acontecimento propriamente dito.
Comissões médicas e profissionais de saúde desses eventos devem trabalhar em estreita 
cooperação com a comissão organizadora de modo a garantir que os eventos ocorram de 
forma exemplar, no que diz respeito à saúde, à higiene e à ação, em caso de urgência e 
emergência. Todos os procedimentos deverão ser cuidadosamente estudados e analisados. 
10
UNIDADE ÚNICA │ MANIFESTAÇÕES EM MASSA
A participação dos poderes públicos é fundamental, pois são eles responsáveis por muitas 
estruturas criadas por ocasião desses grandes eventos.
Os encontros de grande massa trazem maior risco à saúde pública do que aqueles de 
menor porte. Os principais riscos a saúde esperados incluem: alterações referentes ao 
calor ou frio, doenças de origem alimentar e hídrica, doenças transmissíveis, acidentes 
e outros tipos de lesões. As viagens internacionais por si só envolvem risco, pois as 
doenças transmissíveis endêmicas podem ser importadas. A diversidade de refeições 
servidas para atletas, funcionários e visitantes faz com que haja oportunidade de surtos 
de doenças transmitidas por alimentos.
Estude mais sobre o atendimento de desastres acessando o link: <http://bibliotecadigital.
fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/9855/Disserta%C3%A7%C3%A3o_Amaury%20
Junior.pdf?sequence=1>.
11
CAPÍTULO 1
Evento de grande público: 
Mass Gathering e Mass Casualty
Mass Gathering – Eventos em Massa são grandes eventos que aglomeram um 
número > 1.000 pessoas, exigindo assim organização e planejamento de diversos setores, 
com respostas imediatas à população frente a um Acidente em Massa – Mass Casualty. 
Os eventos são organizados em um tempo definido com local exato, podendo ser 
desportivo, público, político, social, religioso etc.
Mass Casualty – Acidente em Massa é um incidente ou acidente catastrófico que 
envolve um grande número de vítimas fatais e requer serviços médicos de emergência, 
ficando estes sobrecarregados diante da gravidade das vítimas e do número elevado 
de feridos.
As manifestações de massa com a participação de grandes multidões, espectadores e 
participantes são características cada vez mais comuns na sociedade. A literatura de 
massa demonstra que várias características principais de um evento podem influenciar 
nas decisões tomadas ao planejar a prestação de serviços de saúde. Estas características-
chave incluem: o clima (temperatura e umidade); duração do evento; se o evento é 
predominantemente infantil; ao ar livre ou em ambientes fechados; se a multidão 
ficará predominantemente sentada ou móvel dentro desse local; se o evento é limitado 
(cercado, contido) ou ilimitado; disponibilidade de álcool e drogas; a densidade da 
multidão; tipo de terreno e média de idade da multidão.
O público em geral, mais comumente, reconhece eventos como desabamentos de 
edifícios, de trem e de ônibus, colisões, terremotos e outras emergências de grande 
escala como incidentes de desastre em massa. Eventos como o bombardeio de Oklahoma 
City, em 1995, e os ataques do 11 de Setembro, em 2001, são exemplos bem-divulgados 
de incidentes de desastre em massa.
De acordo com o panorama do Brasil, os acidentes de trânsito e a violência são um 
dos principais problemas de Saúde Pública que se iniciaram/intensificaram no final da 
década de 1970. 
Diante dessa problemática iniciam-se os incidentes com múltiplas vítimas, que são 
caracterizados pelos acidentes com mais de cinco vítimas graves, incidindo um 
descontrole dos recursos disponíveis e que podem ser organizados e controlados por 
meio de protocolos. 
12
UNIDADE ÚNICA │ MANIFESTAÇÕES EM MASSA
Eventos complexos são os que exigem uma reunião de forças para a concretização de um 
atendimento eficaz. Geralmente um incidente de vítimas em massa será anunciado pela 
primeira unidade que chegar ao local, embora possa ser declarada por um correspondente 
com base na informação disponível a partir de pessoas que ligarem para um número 
de emergência.
Um incidente de vítimas em massa pode envolver muitos e variados tipos de respostas, 
incluindo os listados aqui.
 » Socorristas certificados podem fazer parte desses locais e acompanhar os 
serviços médicos de emergência. Eles vão ajudá-los com todos os aspectos 
da assistência ao paciente, incluindo a triagem e o tratamento no local e 
o transporte de cena para o hospital.
 » Em outros países, os paramédicos podem chegar em ambulâncias ou em 
seus veículos pessoais. Eles terão a liderança em todos os aspectos da 
assistência ao paciente, conforme atribuído pelo médico assistente ou 
comandante do incidente.
 » Ambulâncias serão atribuídas ao setor dos transportes para o deslocamento 
de paciente e pessoal da cena do incidente, departamentos de emergência 
dos hospitais e um designado heliporto. Estes podem ser serviços 
municipais, estaduais, serviços de voluntariado ou de empresas privadas.
 » Aeroambulâncias vão transportar pacientes da cena ou de heliportos 
designados para os hospitais.
 » Bombeiros vão realizar todas as operações de resgate iniciais, bem como 
a repressãoe a prevenção de incêndios. Eles também podem fornecer 
cuidados médicos, se treinados e designados para fazê-los. 
 » Os agentes da polícia vão garantir a cena para que apenas pessoas 
devidamente autorizadas estejam presentes e assim garantir a segurança 
e o bom funcionamento do trabalho.
 » As equipes de resgate especializadas podem fazer parte; elas podem ser 
expedidas pelos governos dos estados ou federais ou podem ser geridas 
por equipes privadas. Estas equipes são especialistas em tipos específicos 
de resgate.
 » Equipes especiais são responsáveis para neutralizar quaisquer materiais 
perigosos no local. Às vezes, estes serão especializados em QBRNE 
(químicos, biológicos, radiológicos, explosivos e nucleares).
13
MANIFESTAÇÕES EM MASSA │ UNIDADE ÚNICA
 » Hospitais com serviços de emergência terão um protocolo de execução às 
vítimas de incidentes em massa que se iniciará assim que forem notificados 
em sua comunidade. Eles vão receber todos, em lugar específico, inclusive 
requisitando mais pessoal. Alguns hospitais poderão enviar médicos ao 
local do incidente para ajudar na triagem, tratamento e transporte de 
feridos para o hospital.
 » Ferrovias e agências de transporte serão notificadas se um incidente 
envolve suas faixas ou direito de passagem ou se eles são obrigados a 
cessar as operações nas áreas afetadas. Agências de transporte fornecerão 
ônibus para o transporte de pessoas levemente feridas para o hospital, 
bem como servir de abrigo no local, se necessário.
 » Os meios de comunicação social desempenham um papel importante em 
manter o público informado sobre o incidente e em mantê-los longe da 
área do acidente.
 » Organizações não governamentais vão fornecer assistência valiosa 
em todos os aspectos, incluindo pessoal treinado, veículos, registro e 
acompanhamento individual, abrigo temporário, serviços de alimentação 
e muitos outros serviços importantes.
Aprofunde os conhecimentos sobre o conceito de grandes acidentes e sua 
organização por meio dos links:
<https://docs.google.com/file/d/0B6W8KLbeGGuEWVM2NlBXZ05aSFU/edit>;
<http://www.disaster-info.net/lideres/portugues/cursobrasil08/documentos_ 
e_artigos/Roteiro.pdf>.
14
CAPÍTULO 2
Histórico de eventos que resultaram 
em tragédias
Neste capítulo, trataremos de alguns eventos que ocorreram no Brasil e no exterior, de 
grande repercussão, visto a proporção dos acidentes ocasionados.
No grande momento da tragédia, a busca por sobreviventes torna-se angustiante para 
as equipes devido a dificuldade de buscas, impossibilidade de identificação das vítimas, 
dentre outros. Diversos órgãos neste momento estão integrados para agir e fornecer 
respostas à sociedade e atendê-los de forma organizada, valorizando dados importantes 
para identificação de vítimas e locais onde se encontram.
Mas é possível evitar tragédias como essas. Normalmente grandes acidentes ocorrem 
em virtude de uma sucessão de falhas que deveriam ser sanadas antes mesmo do início 
do evento.
O Gran Circus Norte-Americano – 1962 – 
Niterói/RJ
Dia 15 de dezembro de 1961 foi a estreia em Niterói do Gran Circus. Era o maior e mais 
completo circo da América Latina com cerca de sessenta artistas, vinte empregados 
e 150 animais. O proprietário do circo, Danilo Stevanovich, havia comprado uma 
lona nova, que pesava seis toneladas e seria de náilon – detalhe que fazia parte da 
propaganda do circo. O Norte-Americano chegou a Niterói uma semana antes da 
estreia e foi instalado na Praça Expedicionário, centro da cidade. Para que a montagem 
do circo acontecesse, foi necessária a contratação de trabalhadores avulsos. Diversas 
pessoas foram contratadas, um deles chamado Adilson Marcelino Alves, o “Dequinha”, 
possuía problemas mentais e tinha antecedentes de furto. Ficou trabalhando dois dias e 
foi demitido pelo proprietário Danilo Stevanovich. Dequinha não aceitou ser demitido 
e ficou inconformado, passsando a rondar as imediações do circo.
Em 15 de dezembro de 1961, devido à superlotação do circo, Danilo Stevanovich 
solicitou a suspensão da venda de ingressos, para frustração de muitos. Nessa noite, 
Dequinha tentou entrar no circo sem pagar, mas foi visto e impedido pelo tratador de 
elefantes Edmílson Juvêncio. No dia seguinte, ainda inconformado e rondando pelo 
circo, Dequinha provocou o funcionário do circo Maciel Felizardo e se envolveu numa 
briga, sendo que Felizardo o agrediu fazendo com que Dequinha reagisse e jurasse 
15
MANIFESTAÇÕES EM MASSA │ UNIDADE ÚNICA
vingança. No dia 17, Dequinha se reuniu com amigos para montar um plano e colocar 
fogo no circo. 
Segundo Knauss (2007), no dia 17 de dezembro, durante o espetáculo, o circo foi 
devorado pelo fogo gerando 238 mortes, mas, minutos depois já se computava 260 
mortes, dois dias depois passava dos 300, e semanas depois chegava próximo a 400 
mortos. O número de crianças mortas chamou muita atenção, visto ser uma das únicas 
diversões que acontecia na cidade. Ainda houveram muitos feridos e sobreviventes que 
tiveram sequelas físicas e psíquicas da luta direta contra o fogo.
O atendimento às vítimas foi rápido, pois o quartel de bombeiros situava-se bem 
próximo, porém, devido ao grande número de vítimas, eles contaram com ajuda de 
populares, enrolando com cobertores corpos em chamas. Alguns ilesos buscavam 
familiares para ajudar e carros particulares conduziam vítimas ao atendimento médico 
local. Não havia planejamento e um plano formal para atendimento de desastres, 
que ocorreu literalmente em forma de “mutirão”. Diversos médicos de Niterói foram 
acionados pelo cirurgião Ivo Pitanguy, que foi um dos que inicialmente realizou a 
triagem das vítimas. 
“Logo depois do incêndio, um rádio amador brasileiro difundiu a notícia e pediu ajuda. 
A transmissão foi captada pelo Ministério da Saúde argentino, que perguntou se eu 
poderia colaborar”, disse Benaim, que, na época, era diretor do Instituto de Queimados 
de Buenos Aires.
Figura 1. O Gran Circus Norte-Americano – 1962.
Fonte: <http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos-revista/tragedia-sem-fim>. 
A maioria dos feridos eram crianças chegando a ter 70% do corpo queimado. Em 
virtude da dificuldade de leitos hospitalares, somente os gravemente feridos eram 
internados, os outros recebiam atendimento de emergência com acompanhamento 
ambulatorial. A equipe de atendimento organizou um centro de atendimento de 
16
UNIDADE ÚNICA │ MANIFESTAÇÕES EM MASSA
emergência e triagem, reabrindo o Hospital Municipal Antonio Pedro – HMAP, que 
havia sido fechado meses anteriores. Havia profissionais capacitados para tratar 
os queimados, mas não para o tamanho da tragédia. Voluntários doavam sangue, 
medicamentos e alimentos ao Hospital Universitário, que não estava preparado 
para um grande número como este. A cidade estava encoberta pela fumaça, gritos 
e um grande cheiro de carne queimada. Devido ao elevado número de mortos, o 
Instituto Médico Legal – IML necessitou de câmaras frigoríficas para armazenar 
os corpos.
Dias depois os jornais estampam que o circo não tinha condições de fornecer 
a segurança adequada, devido à precariedade das instalações elétricas, falta de 
extintores e muito capim seco no local, mas mesmo assim as autoridades autorizaram 
o seu funcionamento.
Figura 2. Vítimas do Gran Circus Norte-Americano – 1962.
Fonte:<http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos-revista/tragedia-sem-fim>.
Saiba mais acessando o link:
<http://limiaretransformacao.blogspot.com.br/2011/12/niteroi-vivia-50-anos-o-maior-
incendio.html>.
Hillsborough Stadium – 1989 – Inglaterra
Incidente que ocorreu no dia 15 de abril de 1989 no Estádio de Hillsborough, em 
Sheffield (Inglaterra) entre o jogo do Liverpool e do Nottingham Forest, em disputa 
das semifinais da Taça da Inglaterra. No decorrer da partida, houve uma avalanche de 
pessoas provocada pela superlotação, fazendo com que 96 fossem pisoteados e mortos 
e 766 ficassem feridos. As principais causas da tragédia apontadas após a investigaçãoocoreu por superlotação do estádio, seu estado de conservação e pelo não cumprimento 
das normas de segurança.
17
MANIFESTAÇÕES EM MASSA │ UNIDADE ÚNICA
Figura 3. Multidão sendo esmagada contra o alambrado do Hillsborough Stadium.
Fonte: <http://www.independent.co.uk/news/uk/crime/cps-told-of-hillsborough-coverup-14-years-ago-8140104.html>.
Os policiais tomados por um pensamento duvidoso e acreditando em um comportamento 
de vândalos e não de tragédia impediu o acesso das ambulâncias e dos médicos ao 
gramado para socorrer os feridos. No momento em que as grades foram derrubadas 
os policiais avançaram em cima dos torcedores com cães, a fim de conter a invasão, 
enquanto pessoas foram esmagadas umas sob as outras nas grades. Havia somente 
uma ambulância dentro do estádio e outras 42 do lado de fora com a informação de que 
estava havendo uma “batalha campal”. Enquanto isso, alguns torcedores improvisaram 
macas para realizar os primeiros-socorros, visto o grande número de feridos.
Houve uma grande falha de liderança e coordenação para atendimento das vitimas, 
visto que o plano de incidentes não foi corretamente acionado. A comunicação dos 
serviços de emergência foi mal-executada e imprecisa, levando ao atraso e à lentidão 
para perceber que a tragédia estava acontecendo. Oficiais da Ambulance Service, 
preparados para grandes incidentes, eram os que estavam lentos a fim de se atentarem 
para o desastre. Equipe médica e oficiais sêniores das ambulâncias demoraram a ser 
acionados, falhando o plano de emergência e a organização médica.
Apesar da falta de direção, muitos oficiais da equipe júnior da ambulância e da 
polícia tentaram reanimar vítimas e transferi-las para o ponto de recepção de vítimas 
designadas no ginásio. Eles foram auxiliados pelos esforços de muitos fãs, alguns dos 
quais ficaram feridos. Médicos e enfermeiros entre os fãs fizeram uma contribuição 
para a reanimação. Não houve avaliação sistemática (triagem) de prioridades para o 
tratamento ou a remoção para o hospital.
Equipamentos básicos e indispensáveis não estavam disponíveis, como vias respiratórias, 
material de sucção entre outros. Embora estes materiais estivessem em ambulâncias de 
linha de frentes, estas se encontravam fora do estádio, sem saber o que estava acontecendo 
no seu interior.
18
UNIDADE ÚNICA │ MANIFESTAÇÕES EM MASSA
Compreenda melhor o fato assistindo o vídeo: <https://www.youtube.com/watch?v= 
EqJmTig2ycY>.
Acesse o link: <http://hillsborough.independent.gov.uk/report/Section-1/summary/
page-6/>.
República Cromagnón – 2004 – Buenos Aires
Aconteceu na cidade de Buenos Aires – Argentina no ano de 2004, mais precisamente 
na noite do dia 30 de dezembro na discoteca República Cromagnón, situada próxima à 
estação ferroviária, local onde acontecia uma apresentação da banda de rock chamada 
Callejeros. Durante o show um dos integrantes da banda acendeu um equipamento 
pirotécnico entrando em contato com o teto que gerou um foco de incêndio exalando 
gases nocivos. 
Ao perceberem o incêndio, muitas pessoas ficaram desesperadas e assim começou a 
evacuação do local, mas infelizmente não aconteceu conforme o esperado, visto que a 
proporção de pessoas era maior do que o estabelecimento comportava e as saídas de 
emergência encontravam-se fechadas. Apesar dos esforços de muitos que conseguiram 
sair, houve quase 200 mortes e aproximadamente 1.432 pessoas feridas. 
O atendimento de resgate contou com quase 50 ambulâncias, 24 hospitais públicos 
foram tidos como referência e ainda 11 clinicas privadas foram utilizadas.
Figura 4.
Fonte: >http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2014/01/27/em-tragedia-argentina-semelhante-a-kiss-prisoes-
sairam-so-depois-de-8-anos.htm>.
 A inalação de fumo faz com que ocorra uma combinação de lesão pulmonar 
direta e toxicidade metabólica; a principal causa de morte não é queimadura, 
mas a alta concentração de monóxido de carbono e, essencialmente, a presença 
de óxidos de nitrogênio e outros produtos da combustão, como cianeto de 
hidrogênio, cloreto de hidrogênio e outros hidrocarbonetos (SEMENIUK, 2008).
19
MANIFESTAÇÕES EM MASSA │ UNIDADE ÚNICA
Saiba mais sobre esta tragédia que comoveu e marcou Buenos Aires acessando 
<http://www.scielo.org.ar/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0025- 
76802008000600012> e por meio da base de dados <http://www.scielo.org.ar/
pdf/medba/v68n6/v68n6a12.pdf>.
Boate Kiss – 2013 – Santa Maria/RS
Este foi outro desastre que ficou marcado recentemente no Brasil e um dos incêndios 
em boates que mais matou, sendo considerada a maior tragédia, superando o Gran 
Circus, em 1962, e ficou bem característico como parecido com o acontecimento na 
boate Argentina em 2004. O incêndio se propagou quando um integrante da banda 
fazia um show pirotécnico, o que ocasionou a queima das espumas do teto, exalando 
gases nocivos que mataram mais de 240 pessoas e deixaram 680 feridos.
A boate funcionava desde 2009 e era sucesso na cidade, com filas enormes todo final 
de semana, mas, desde sua inauguração, sempre esteve com irregularidades. A tragédia 
veio a se concretizar em 16 de janeiro de 2013, com uma sucessão de irregularidades e 
omissões dos poderes públicos, como:
 » documento precário emitido pelos bombeiros foi usado como Plano de 
Prevenção e Combate a Incêndio – PPCI, em 26 de junho de 2009;
 » mesmo com as fragilidades desse documento, o primeiro alvará de incêndio 
foi concedido pelo Corpo de Bombeiros, ainda em 2009, com vigência de 
um ano;
 » a boate começou a funcionar em 31 de julho de 2009, somente com o alvará 
de incêndio, sem o alvará de localização da prefeitura, só emitido em 2010;
 » de agosto de 2010 a agosto de 2011, a Kiss ficou sem o alvará dos 
bombeiros, que só foi renovado em 9 de agosto de 2011;
 » a boate foi notificada pela prefeitura devido a irregularidades, recebendo 
prazo de cinco dias para regularizar o alvará, porém deixou de cumprir 
o prazo e houve uma segunda notificação seguida de multa; assim 
prosseguiu recebendo a segunda, a terceira e a quarta multa, tudo no 
mesmo ano, mas, mesmo assim, a boate não foi lacrada;
 » o alvará estava novamente vencido na data do incêndio.
A boate trabalhava com sistema de comandas para realizar a cobrança do consumo na 
boate. Situação esta que em 2012 sofreu ação judicial por impedir a saída de pessoas 
20
UNIDADE ÚNICA │ MANIFESTAÇÕES EM MASSA
que não haviam pagado a conta. Considerado pela justiça como cárcere privado. Essa 
prática levou os seguranças a impedirem a saída de pessoas da boate também no 
momento do incêndio.
O atendimento às vítimas foi realizado inicialmente pelas pessoas e colegas que estavam 
no local, alguns homens chegaram a derrubar paredes da boate com o intuito de abrir 
lacunas e ajudar os que estavam presos. O resgate foi muito criticado pelo pequeno 
efetivo de bombeiros no local, que permitiu que sobreviventes participassem das 
tentativas de salvamento dos que ainda de encontravam no interior da boate. Muitos 
desses jovens, que haviam incialmente conseguido escapar, morreram tentando ajudar 
seus amigos e até mesmo desconhecidos. Houve também muitas críticas pela não 
implementação do Sistema de Comando de Incidentes e triagem de vítimas. Houve 
tentativas de reanimação de diversas vítimas por colegas até a chegada das ambulâncias. 
Bombeiros tiveram que usar caminhões refrigerados para acomodação dos corpos.
Diversos profissionais de saúde compareceram ao local, como: enfermeiros, psicólogos, 
assistentes sociais, médicos, soldados e policiais, para dar suporte, muitos deles no 
improviso, de bermuda e chinelo.
Figura 5. Bombeiros chegam ao local e encontram diversas pessoas abrindo lacunas na parede da boate.
Fonte: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Inc%C3%AAndio_na_boate_Kiss>.
Figura 6. Bombeiros e colegas socorrendo os amigos.
Fonte: <http://www1.folha.uol.com.br/especial/2013/tragediaemsantamaria/>.
21
MANIFESTAÇÕES EM MASSA │ UNIDADE ÚNICA
Conheça mais em detalhes este acidenteacessando os vídeos pelos links: <http://
noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/01/27/videos-flagram-
tragedia-na-boate-kiss-em-santa-maria-rs.htm?cmpid=cgp-cotidiano-news>; 
<http://ultimosegundo.ig.com.br/incendio-santa-maria/>.
Análise do sinistro na Boate Kiss: <http://www.crea-rs.org.br/site/documentos/
documentos10/RELATORIO%20COMISSAO%20ESPECIAL%20FINAL.pdf>. 
Laudo do CREA: <http://www.crea-rs.org.br/site/arquivo/revistas/revista_99_
revista_99_CR95_PDFCOMPLETO_72dpi.pdf>.
Atendimento Pré-Hospitalar – APH no 
enfrentamento de desastres
No APH existem objetivos específicos para preservar as condições vitais e transportar 
a vítima sem causar traumas iatrogênicos durante sua abordagem, como, por exemplo, 
danos ocorridos durante a manipulação e a remoção inadequada (do interior de ferragens, 
escombros etc.). O socorrista deve ter como princípio básico evitar o agravamento das 
lesões e procurar estabilizar as funções ventilatórias e hemodinâmicas do paciente. As 
condições essenciais para que esses objetivos sejam alcançados são: pessoal qualificado e 
devidamente treinado; veículos de transporte apropriados e equipados, sendo inclusive 
dotados de meio de comunicação direta com o centro que receberá a vítima, e hospitais 
de referência estrategicamente localizados, com infraestrutura material e recursos 
humanos adequados. Uma atenção pré-hospitalar qualificada é de suma importância 
para que a vítima chegue com vida ao hospital. 
O atendimento em situações de urgência e emergência quando se trata de desastres 
deve ser realizado de forma organizada e coordenada. A utilização de protocolos é 
imprescindível para que ocorra o salvamento sem gerar novas vítimas.
Figura 7. Treinamento de APH para funcionários do metrô do Distrito Federal.
https://www.cbm.df.gov.br/images/2014_abr/APH_METRO_006.JPG
22
UNIDADE ÚNICA │ MANIFESTAÇÕES EM MASSA
Uma rede de atendimento deve estar de prontidão e apta para acolher a demanda 
existente, mas em situações de desastre, as dificuldades serão mais complexas, exigindo 
o máximo de uma equipe qualificada e treinada.
O atendimento pré-hospitalar é definido como a assistência prestada no primeiro 
nível de atenção aos portadores de quadro agudos, quando se está fora do ambiente 
hospitalar, gerando mortes e sequelas (BRASIL, 2003).
Na Portaria no 2.048/2002 é estabelecido princípios e diretrizes dos Sistemas eestaduais 
de Urgência e Emergência, normas e critérios de funcionamento, classificação e 
cadastramento de serviços e envolve temas como a elaboração dos Planos Estaduais de 
Atendimento às Urgências e Emergências, Regulação Médica das Urgências e Emergências, 
atendimento pré-hospitalar, atendimento pré-hospitalar móvel, atendimento hospitalar, 
transporte inter-hospitalar e ainda a criação de Núcleos de Educação em Urgências e 
proposição de grades curriculares para capacitação de recursos humanos da área.
De acordo com o art. 2 da portaria, as Secretarias de Saúde dos Estados e Municípios 
em gestão plena deverão adotar as providências necessárias à implantação dos Sistemas 
Estaduais de Urgência e Emergência, a organização das redes assistenciais deles, a 
habilitação e o cadastramento dos serviços, em todas as modalidades assistenciais, 
que integrarão estas redes, tudo em conformidade com o estabelecido no Regulamento 
Técnico aprovado por esta Portaria, bem como deverão designar o respectivo Coordenador 
do Sistema Estadual de Urgência e Emergência. Além disso, estas secretarias Estaduais 
devem constituir o Plano Estadual de Atendimento às Urgências e Emergências e adotar 
as providências necessárias à organização/habilitação e ao cadastramento dos serviços 
que integrarão o Sistema Estadual de Urgência e Emergência.
Este sistema deve ser implementado dentro de um plano de “Promoção da Qualidade de 
Vida” como forma de enfrentamento das causas das urgências. Devem ser valorizadas a 
prevenção dos agravos e a proteção da vida, com uma visão centrada nas consequências 
dos agravos que geram as urgências, para uma visão integral e integrada, com uma 
abordagem totalizante e que busque gerar autonomia para indivíduos e coletividades. 
Desta forma, deve ser englobada na estratégia promocional a proteção da vida, a 
educação em saúde e a prevenção de agravos e doenças, além de se dar novo significado 
à assistência e à reabilitação. As urgências por causas externas são as mais sensíveis a 
este enfoque, mas não exclusivamente. 
A elaboração do plano deve estar centrada na consolidação das redes regionalizadas 
conforme atribuições, complexidade e distribuição:
a. Municípios que realizam apenas a atenção básica (PAB): responsabilizam-se 
pelo acolhimento dos pacientes com quadros agudos de menor complexidade.
23
MANIFESTAÇÕES EM MASSA │ UNIDADE ÚNICA
b. Municípios Satélites, que realizam a atenção básica ampliada (PABA): 
agregam as funções do município (PAB) e devem reter pacientes em uma 
área física específica, mantendo-os em observação por até 8 horas.
c. Municípios Sede de Módulo Assistencial: são os que realizam a 
atenção básica ampliada (PABA) e os procedimentos hospitalares e 
de diagnósticos mínimos, de média complexidade, devendo contar 
com as estruturas já mencionadas e com funcionamento 24 horas por 
dia, com assistência de média complexidade. Neste nível assistencial, 
a constituição dos Serviços de Atendimento Pré-hospitalar Móvel é 
essencial com Serviço de Transporte Inter-hospitalar, para garantir o 
acesso aos serviços de alta complexidade nos polos microrregionais, 
macrorregionais e estaduais. 
d. Municípios Polo Microrregional: realizam procedimentos médios, de 
média complexidade; devem contar, além das estruturas já mencionadas, 
com nível assistencial estruturado, Serviços de Atendimento Pré-
hospitalar Móvel municipais ou microrregionais, dependendo das 
densidades populacionais e distâncias observadas. 
e. Municípios Polo Regional, os que realizam os demais procedimentos mais 
complexos da média complexidade: devem contar, além das estruturas já 
mencionadas acima, com estrutura das Centrais Reguladoras Regionais 
de Urgências, as quais ordenam os fluxos entre as micro e macro regiões, 
com transporte inter-hospitalar garantido pelo Serviço de Atendimento 
Pré-hospitalar móvel da micro/macro região solicitante.
f. Municípios Polo Estadual: realizam procedimentos de alta complexidade; 
além das estruturas já mencionadas, devem contar com estrutura das 
Centrais Estaduais de Regulação, que vão organizar os fluxos estaduais 
ou interestaduais da alta complexidade. 
g. Salas de estabilização: estas devem ser criteriosamente observada devido 
sua localização, como ao longo das estradas e em regiões muito carentes. 
Nestas localidades, devem ser estruturadas salas ou bases de estabilização 
que devem ter estruturas com, no mínimo, o mesmo material eos 
medicamentos especificados para a atenção primária à saúde, sendo uma 
retaguarda ininterrupta de profissional treinado para o atendimento e 
estabilização dos quadros de urgências mais frequentes.
Em situações de desastres, as equipes de resgate, quando acionadas, ao chegarem ao 
local do acidente, irão imediatamente realizar a triagem de emergência pré-hospitalar, 
24
UNIDADE ÚNICA │ MANIFESTAÇÕES EM MASSA
delimitando uma lista de preocupações, a fim de estratificar vítimas com risco de vida 
(emergência e urgência) realizando em apenas um minuto.
 » Urgência: situação em que existe um agravo à saúde e exige atendimento 
imediato, mas não corre risco de vida, menos imediatista.
 » Emergência: situação que necessita de atendimento imediato, pois 
implica risco iminente de vida.
Triagem
Na chegada ao local do incidente, é necessário identificar áreas apropriadas para a 
instalação e o agrupamento de pessoal, ambulâncias e suprimentos. Desta forma, surgem 
as áreas chamada de zonas, que se dividem em quente, morna e fria.
 » Zona quente: local que oferece risco ou que tenha grande potencial de 
acidentes. 
 » Zona morna:local intermediário que pode ser alterado a qualquer 
momento, pois há risco moderado.
 » Zona fria: local seguro onde permanecem as equipes de resgate e apoio, 
como: bombeiros, ambulâncias, entre outras. 
O objetivo do protocolo é estabelecer fluxos e procedimentos de gestão em situação 
de emergência, exigindo respostas rápidas na sua esfera de gestão comprometida. 
A coordenação de determinadas medidas a serem executadas nestas situações é do 
Ministério da Saúde em articulação com gestores Estaduais e Municipais. Dentre estas 
ações, estão os grupos especializados de vigilância epidemiológica, sanitária, ambiental, 
assistência a saúde, logística, comunicação, laboratório e outros de acordo com situação 
do desastre, como serviços de apoio diagnóstico, transporte e disponibilidade de 
insumos ou complementação de recursos financeiros.
O sistema de triagem deve ser obedecido, podendo ser utilizado o método START 
(triagem simples e rápido tratamento), que é o mais comum e considerado o mais 
fácil de usar. Este sistema verifica três quesitos essenciais: respiração, circulação/
pulso/circulação periférica e nível de consciência em consequência dos resultados do 
respondedor. Atribui a cada vítima um dos quatro níveis de triagem com código de 
cores e suas ordens de prioridade.
Este foi o método utilizado nos primeiros minutos após o atentado das torres gêmeas de 
Nova Iorque e do Pentágono, em 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos:
25
MANIFESTAÇÕES EM MASSA │ UNIDADE ÚNICA
 » Verde é o nível mais baixo da triagem, é atribuído a pessoas com lesões 
menores que podem sair da área do incidente e ir para uma área de 
tratamento deambulando. Exemplo:
 › entorse;
 › hematoma;
 › contusão;
 › escoriações.
 » Amarelo é o próximo nível de triagem, é atribuído a quem tem lesões 
não fatais, mas não pode chegar a uma área de tratamento deambulando, 
devem aguardar no local. Exemplo:
 › fraturas; 
 › traumatismo craniano encefálico leve, moderado; 
 › traumatismos abdominais e torácicos;
 › queimaduras menores; 
 › ferimentos com sangramento que necessitam suturas.
 » Vermelho é atribuído a pessoas com ferimentos graves com risco de 
vida, que são recuperáveis. Isso quer dizer que essas pessoas necessitam 
de cuidado avançado imediato e de transporte. Exemplo: 
 › amputações;
 › lesões arteriais; 
 › hemorragia severa; 
 › lesões por inalação; 
 › queimaduras na face; 
 › lesão de face e olhos; 
 › lesões intra-abdominais; 
 › insuficiência respiratória; 
 › pneumotórax hipertensivo;
 › choque.
26
UNIDADE ÚNICA │ MANIFESTAÇÕES EM MASSA
 » Preto é atribuído àqueles que já não há condições de prestar atendimento, 
traumatismos severos, sem chance de sobrevida e que mesmo após 
execução de manobras de ressuscitação RCP não respondem, cujas lesões 
foram tão graves que resultaram no óbito. Exemplo:
 › vítimas com ausência de pulso;
 › vítimas sem prognóstico;
 › vítimas sem chances de sobreviver.
Figura 8. Caracterização do método – START
Fonte: Rev. Enferm. UFPE online. Recife, 8 (supl. 1):2413-21, jul., 2014.
Quando já triado/classificado o atendimento deve obedecer a lógica, caso a caso, segundo a 
necessidade, o ferimento e/ou agravo sofrido. No histórico de tragédias, observam-se acidentes 
com agravos com intoxicação por monóxido de carbono, queimaduras, esmagamento, lesões 
e fraturas. Assim, o socorrista que realiza o atendimento pré-hospitalar deve seguir protocolos 
para um atendimento organizado e qualificado.
O atendimento pré-hospitalar envolve ações e condutas executadas no local antes 
mesmo de sua chegada ao serviço de saúde. Desta forma reúne-se em três etapas: 
1. atendimento no local; 
2. transporte; e 
3. chegada ao hospital.
27
MANIFESTAÇÕES EM MASSA │ UNIDADE ÚNICA
Desta forma o suporte básico de vida ofertado às vítimas deve ser compreendido em 
avaliação primária e secundária, uma sequencia padronizada de acordo com as lesões 
existentes e sua gravidade.
Avaliação primária
Conforme normas da American Heart Association (GUIDELINES, 2010), a análise das 
condições vitais da vítima não deve exceder 60 segundos. Esta que detectará o risco 
iminente de morte, com avaliação da estabilidade circulatória (existência de pulso, 
ritmo), condições de respiração e sua permeabilidade, sangramentos/hemorragias.
Nesta ordem, a sequência utilizada deve ser:
 » C – circulação; 
 » A – vias aéreas; 
 » B – respiração. 
A identificação de ausência de batimentos cardíacos é detectada de imediato iniciando o 
ciclo de compressões e Ressuscitação Cardiopulmonar – RCP, antes mesmo de ventilar 
a vítima.
Sendo assim, manobras de compressões torácicas iniciam-se o mais precocemente 
possível, mas muitas vezes é retardada devido ao fato de o socorrista estar envolvido 
com as vias aéreas da vítima, a fim de aplicar ventilação de resgate.
Destacamos a seguir a sequência de atendimento conduzida pelo socorrista e sua 
dinâmica.
 » Circulação – Existe pulso presente? O socorrista terá não mais do que 10 
segundos para identificar. Existe sangramento/hemorragia ativo? Pulso 
ausente iniciar com 30 compressões torácicas, em uma frequência de no 
mínimo 100 vezes por minutos, devendo haver uma profundidade de 5 cm. 
 » Vias aéreas – Manobra de inclinação da cabeça e elevação do queixo 
(profissionais de saúde devem suspeitar de trauma cervical) verificar se 
as vias aéreas estão pérvias ou se existem sinais de obstrução. 
 » Respiração – A vítima está respirando? Na ausência da respiração realizar 
2 ventilações após o primeiro ciclo de compressões torácicas.
 » Controle da hipotermia – Cobrir a vítima, prevenindo assim a hipotermia 
e minimizando o choque. Retirar as vestes para visualizar melhor e tratar 
as lesões, mas ao mesmo tempo realizar o controle hipotérmico.
28
UNIDADE ÚNICA │ MANIFESTAÇÕES EM MASSA
Avaliação secundária
É uma avaliação complementar na qual serão avaliados cuidadosamente as lesões e 
os ferimentos com uma anamnese direcionada, aferindo sinais vitais e exame físico 
completo. Em situações de grandes desastres, esta avaliação é realizada quando a vítima 
já se encontra em uma zona segura.
 » Pulso filiforme geralmente é característico no choque hipovolêmico, 
assim como respirações rápidas e superficiais.
 » Respiração profunda e difícil pode indicar ainda uma obstrução de vias 
aéreas.
 » Elevação da demanda de oxigênio por hipóxia é indicativo de dano 
pulmonar e intoxicação.
 » Pele fria e úmida é indicativo de uma resposta do sistema nervoso 
simpático, como perda sanguínea (estado de choque).
 » A cianose não aparece na intoxicação por monóxido de carbono, e a 
coloração vermelho-cereja da pele e mucosas, descrita como sinal clássico 
nesse tipo de intoxicação, é rara.
 » Dilatação pupilar e anisocoria, indicativo de dano cerebral.
Para saber mais acesse os links:
<http://www.bombeirosemergencia.com.br/acidentedetransito1.html>;
<http://www.defesacivil.pr.gov.br/arquivos/File/primeiros_socorros_2/cap_28_
amuvi.pdf>;
<http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/manuais/biosseguranca/
manualdeprimeirossocorros.pdf>;
<http://www.ubrapapellce.com/template/apostilas/Apostila_de_Primeiros_
Socorros.pdf>.
Capacidade de Atendimento Hospitalar
Em determinadas situações de desastres e incidentes com múltiplas vítimas, esta 
capacidade depende especialmente no número de médicos disponíveis para atendimento, 
cirurgiões, anestesistas, enfermagem, número de salas cirúrgicas, leitos de terapia 
intensiva disponível e local adequado para realizar o primeiro atendimento. 
29
MANIFESTAÇÕES EM MASSA │ UNIDADE ÚNICA
Os outros pontos críticos são a capacidade da central de material em manter o 
abastecimento, incluindo a esterilização, o setor de radiologia conseguir realizar todos 
os exames. Também, sabe-se que numa situação de desastre, o pico de chegada de 
vítimas no hospital ocorre na primeira hora após início da ocorrência. 
São dois os cenários a ser analisados:
 » Baixo volume: o pronto-socorro não excedesua capacidade de 
atendimento.
 » Alto volume: o pronto-socorro excede sua capacidade de atendimento, 
necessitando de recursos extras, como outros locais de atendimento. Não 
depende somente da quantidade de vítimas que chegará ao hospital, mas 
da distribuição deste volume na linha do tempo. Geralmente, metade das 
vítimas alcançam o hospital mais próximo, na primeira hora. A melhor 
definição é dada por atendimento intacto/comprometido, ou seja, para 
cada vítima que chega, tem-se equipe completa, centro cirúrgico e leito 
de UTI disponível. Quando esses recursos ficarem saturados, alcança a 
capacidade hospitalar.
No regulamento técnico da Portaria no 2.048, é abordado as estruturas dos prontos-
socorros hospitalares tendo como foco a regionalização, partindo do pressuposto de 
que o pronto-socorro terá suporte necessário para o atendimento das urgências e 
emergências, classificando de acordo com o regulamento.
Unidades Gerais 
Unidades Hospitalares Gerais de Atendimento às Urgências e Emergências de Tipo 
I contam com recursos humanos e tecnológicos de natureza clínica e cirúrgica nas 
áreas de pediatria, traumato-ortopedia ou cardiologia, correspondendo ao primeiro 
nível de assistência; 
Unidades Hospitalares Gerais de Atendimento às Urgências e Emergências de Tipo II, 
além de possuir os recursos humanos e tecnológicos, são hospitais gerais de médio 
porte, com amplitude no rol de clínicas especializadas, com centro cirúrgico e obstétrico. 
Correspondendo ao segundo nível de assistência. 
Unidades de Referência 
 » Unidades Hospitalares de Referência em Atendimento às Urgências e 
Emergências de Tipo I- instaladas.
30
UNIDADE ÚNICA │ MANIFESTAÇÕES EM MASSA
 » Unidades Hospitalares de Referência em Atendimento às Urgências e 
Emergências de Tipo II.
 » Unidades Hospitalares de Referência em Atendimento às Urgências e 
Emergências de Tipo III. 
Essas unidades de referência são respectivamente os hospitais Tipo I, II e III, devendo 
participar das Centrais de Regulação garantindo a integração ao Sistema Estadual de 
Referência Hospitalar em Atendimento de Urgências e Emergências. 
Municípios pequenos devem ter estrutura para acolher pacientes com agravos de 
urgência com caráter clínico, traumato-cirúrgico, gineco-obstétrico e psiquiátrico, de 
qualquer fase da vida, e deve fazer a estabilização inicial e logo ser transferido para 
o serviço de referência das loco regionais, a fim de realizar exames especializados e 
ser submetido a avaliação médica especializada ou até ser internado. Previamente, as 
transferências devem ser pactuadas e solicitadas a central de regulação de urgências, 
sendo observada a abrangência loco regional.
31
CAPÍTULO 3
Planejamento de Emergência
O planejamento de emergência é a base de atendimento do profissional de saúde, 
com o objetivo de fornecer um conjunto de diretrizes e informações visando 
à adoção de procedimentos lógicos, técnicos e administrativos estruturados 
de forma a propiciar resposta rápida e eficiente em situações emergenciais 
(STONE, 2013).
Para organização do Plano Operativo da Saúde para a Copa do Mundo FIFA™ 2014 
seguiram-se as recomendações da Portaria no 1.139, de 10 de junho de 2013, do Ministério 
da Saúde, que define no âmbito do Sistema Único de Saúde as responsabilidades das 
esferas de gestão e estabelece as Diretrizes Nacionais para Planejamento, Execução, 
Avaliação das Ações de Vigilância e Assistência à Saúde em Eventos de Massa. 
A execução do plano para as autoridades sanitárias devem considerar as informações 
e os documentos fornecidos pelo organizador do evento. É necessário observar os 
seguintes pontos:
I. caracterização do evento;
II. avaliação dos riscos do evento de acordo com a população envolvida no 
evento de massa;
III. definição dos responsáveis nas áreas de interesse à saúde;
IV. fluxos de comunicação;
V. oferta de produtos e serviços de interesse à saúde;
VI. projeto de provimento de serviços de saúde;
VII. planejamento das ações em situações de urgência e emergência;
VIII. monitoramento dos riscos durante o evento;
IX. demais ações exigidas em legislação específica.
De acordo com os conceitos exarados na portaria, é possível observar e entender melhor 
determinados significados que permeiam a Assistência à Saúde em Eventos de Massa:
 » Evento de massa: atividade coletiva que pode ser de natureza cultural, 
esportiva, comercial, religiosa, social ou política, com concentração de 
pessoas, de origem nacional ou internacional, e que exige a atuação 
32
UNIDADE ÚNICA │ MANIFESTAÇÕES EM MASSA
coordenada de órgãos de saúde pública da gestão municipal, estadual 
e federal e requeiram o fornecimento de serviços especiais de saúde, 
públicos ou privados.
 » Organizador de evento: pode ser pessoa física ou jurídica, de direito 
público ou privado, civil ou militar, responsável pelo planejamento e 
realização do evento de massa.
 » Autoridade sanitária: órgão público da área de saúde, com atribuição 
legal no âmbito da vigilância e da atenção à saúde.
 » Autoridade fiscalizadora: agente público da vigilância sanitária e da saúde 
suplementar, com poder de polícia administrativo.
 » Agente público regulador: é autoridade pública sanitária cuja função é 
realizar a articulação entre os diversos níveis assistenciais do sistema de 
saúde, com o intuito de analisar as necessidades do paciente e direcionar 
ao serviço de saúde mais adequado. Este profissional é Médico Regulador 
da Central de Regulação das Urgências e/ou Central de Regulação de 
Leitos e/ou Complexo Regulatório.
 » Centro Integrado de Operações Conjuntas da Saúde: unidade operacional 
de trabalho, com arquitetura integrada para a gestão das ações do setor 
saúde, nos âmbitos da vigilância e assistência, para o compartilhamento 
de informações sobre saúde, para apoiar as decisões durante os eventos 
de massa e monitorar os incidentes relacionados a saúde.
 » Plano Operativo do Evento de Massa: é um documento direcionado 
à organização dos serviços e das equipes do Sistema Único de Saúde 
que possui um conjunto de atividades a serem desenvolvidas nas fases 
pré-evento, durante e pós-evento, definidas com base na avaliação do 
cenário de risco, alinhado aos planos de emergência e de contingência.
 » VIII - Plano de Emergência em Saúde: matriz operacional e institucional 
de resposta rápida, coordenada e efetiva a qualquer emergência em saúde 
pública, que tem a função de proteger a saúde da população, reduzir 
o impacto dos eventos e limitar a progressão de uma crise, reduzir a 
morbimortalidade e os impactos de emergências em saúde pública.
 » IX - Plano de Contingência: plano alinhado ao Plano de Emergência e 
específico por tipo de evento, como: desastres naturais, surtos epidêmicos, 
acidentes com múltiplas vítimas e acidentes químicos, biológicos, 
radiológicos e nucleares.
33
MANIFESTAÇÕES EM MASSA │ UNIDADE ÚNICA
Figura 9. Exercício geral do plano de emergência nuclear.
Fonte: <https://ouvidoriarj.wordpress.com/2013/09/page/2/>.
O planejamento de emergência do setor saúde deve contemplar também:
1. avaliação dos riscos associados aos eventos e à identificação das medidas 
de gerenciamento prioritárias;
2. as responsabilidades de cada esfera de gestão do SUS envolvida devem 
estar claras;
3. identificar os entes públicos e o setor privado que devem ser envolvidos 
no trabalho;
4. definir fluxos de comunicação e pontos de contato estratégicos;
5. articular as Redes de Atenção a Saúde – RAS, inclusive laboratorial, para 
garantia do acesso da população envolvida no evento de massa nos planos 
de emergência e contingência;
6. identificação da interface com outros planos de ação e/ou de emergência;
7. ações de prevenção e promoção da saúde;
8. ações de comunicação e educação em saúde;
9. monitoramento e avaliação das ações de vigilância e assistência à saúde.
Pré-evento
Essa é uma fase importantíssima na qual o organizador de eventos juntamente com o 
gestor de segurança do evento deve participarda produção de importantes definições, 
fazendo uma análise do ambiente, que vai do conceito do projeto aos detalhes do que 
34
UNIDADE ÚNICA │ MANIFESTAÇÕES EM MASSA
se planeja fazer: local, infraestrutura disponível, acessos, ações/atividades que serão 
desenvolvidas, elaboração do roteiro de tempos e movimentos, entre outros.
Lembre-se que, nesta fase, quase tudo está no campo das ideias e todas as definições 
devem ser formalizadas em ata própria para cada reunião.
Evento
Mesmo quando o pré-evento é bem-planejado, ainda assim, durante o evento, haverá 
sempre pequenos ajustes. Caso não se esteja preparado, tudo será uma surpresa e 
pequenos problemas poderão comprometer o sucesso do evento. O controle da equipe de 
segurança e a comunicação, aliados ao treinamento e conhecimento do desenvolvimento 
do evento são fatores elementares para o sucesso. Nesta fase da gestão, deve-se dar 
ênfase à coordenação e à implementação de medidas face aos ajustes necessários no 
planejamento pré-concebido. Além disso, deve-se executar um controle das ações por 
meio de um acompanhamento constante da dinâmica do trabalho e uma avaliação 
eficaz do planejamento. Isso tudo para assegurar a execução adequada das ações, sem 
perdas, desperdícios, retrabalho ou retardo.
Pós-Evento
Quando termina o evento para o público, não quer dizer que acabou para a organização 
do evento. Há uma série de responsabilidades que começa com a saída do público, passa 
pela desmontagem e desmobilização do local até a entrega do espaço. 
Do mesmo modo que muita gente faz lista de checagem dos itens para montar, necessita 
fazer para a desmontagem, além da consolidação do relatório (registro) contendo tudo o que 
ocorreu, para avaliação posterior e aperfeiçoamento. Uma desmobilização bem-planejada 
e executada sob forte supervisão, evita gastos adicionais desnecessários e que riscos se 
concretizem.
Copa do Mundo de Futebol: recomendações da 
FIFA (Copa de 2006, 2010 e 2014).
A Federação Internacional de Futebol – FIFA diz que eventos, tais como a Copa do 
Mundo FIFA, necessitam de um estádio em que o ambiente possa ser utilizado por 
muitos outros eventos e funções além dos exigidos durante a temporada de jogos 
previstos. Entre as demais funções estão: centros de hospedagem, instalações para a 
rádio e TV, unidades de transmissão, centros de voluntários, centros de credenciamento, 
muitas áreas de estacionamento etc. Regiões com possibilidade de expansão para acatar 
35
MANIFESTAÇÕES EM MASSA │ UNIDADE ÚNICA
tais demandas têm melhor chance de serem escolhidos para sediar a Copa do Mundo 
FIFA™.
Segundo Ackerman (2009), a segurança humana está acima de todas as demais 
prioridades, inclusive antes do início do planejamento básico. Todos os envolvidos, 
inclusive os proprietários em potencial, os profissionais que trabalham no planejamento, 
no projeto, na construção e na administração precisam entender que esta condição não 
será modificada de forma alguma.
Os estádios devem possuir um espaço destinado ao centro médico exclusivo para 
atendimento aos espectadores. O correto é existir no mínimo um centro médico por setor 
e a sua quantidade, dimensões e localização devem estar de acordo com as normas das 
autoridades de saúde local. Estas salas de atendimento devem contar com desfibriladores 
de fácil acesso em local seguro.
A administração do estádio e as autoridades locais trabalharão em conjunto diante de 
situações de catástrofe em massa. Sendo assim, os centros médicos para os espectadores 
devem:
 » estar em local de fácil acesso tanto dos espectadores quanto de veículos 
de emergência, dentro e fora do estádio;
 » portas com acessibilidade;
 » local deve possuir ventilação, iluminação adequada, ar condicionado, 
tomadas, água quente e fria, água potável e toaletes para os dois sexos;
 » piso antiderrapante e de fácil limpeza; 
 » armário com porta de vidro para acondicionar medicamentos;
 » espaço para armazenar macas e cadeiras, rouparia, e material de consumo;
 » telefone para a comunicação interna e externa;
 » ter sinalização adequada dentro e fora do estádio.
Os veículos do serviço de emergência, bombeiros, carros de polícia e dos espectadores com 
necessidades especiais devem estar em estacionamento adjacente ou dentro do estádio, 
permitindo assim acesso sem bloqueio e direto ao estádio, distinto do acesso público.
Logo nas entradas principais do estádio deve existir uma inspeção eletrônica do bilhete 
dos espectadores, passagem pelo detector de metais, circuito de raio-X (prevenindo a 
entrada de qualquer material que possa colocar em risco a saúde e segurança de todos). 
36
UNIDADE ÚNICA │ MANIFESTAÇÕES EM MASSA
Com é um evento de grande popularidade, é aconselhada a chegada ao local com duas 
horas de antecedência, para impedir filas longas e grandes espera.
Acesse os links para conhecer mais sobre as recomendações da FIFA: <http://img.
fifa.com/mm/document/tournament/competition/01/37/17/76/p_sb2010_
stadiumbook_ganz.pdf>;
<http://www.portal2014.org.br/noticias/1125/CONHECA+AS+EXIGENCIAS+DA
+FIFA+PARA+OS+ESTADIOS+DA+COPA.html>.
Experiências da Copa da Alemanha – 2006
Imediatamente após o anúncio da sede da Copa do Mundo de 2006, o governo alemão 
criou diversos grupos de trabalho para coordenar projetos em relação aos estádios e 
à segurança. 
Quando os estádios alemães e outras obras de infraestrutura estavam sendo – elaborados 
e modernizados, ainda existia no cenário mundial uma grande preocupação com a 
ameaça de terrorismo. E isso fez com que os organizadores buscassem estratégias e 
soluções adequadas para sua proteção.
A criação de Fan Fests pela FIFA na Copa da Alemanha obteve um grande sucesso 
por concentrar grande parte dos espectadores de diversas idades, gêneros e raças para 
assistirem pacificamente por meio dos grandes telões.
Elas passaram a ser oficiais em todas as Copas do Mundo e uma alternativa para os fãs 
que não possuíam bilhete de acesso ao estádio, tendo a oportunidade de assistir por 
meio dos telões e se sentirem participantes da Copa do Mundo.
Figura 10. Fun Fest Brasília
Fonte: <http://www.copa2014.df.gov.br/fanfest/5164-fan-fest>.
O grupo de projeto estratégico da estrutura de policiamento da Copa do Mundo de 2006 
elaborou para os preparativos operacionais uma subestratégia especial com medidas 
37
MANIFESTAÇÕES EM MASSA │ UNIDADE ÚNICA
de segurança para os locais onde aconteceria exibição pública durante os jogos. Tal 
estratégia incluiu padrões específicos tanto para as autoridades de segurança como para 
os organizadores. Na aplicação de tal estratégia, foi necessário seguir algumas exigências 
para manter a ordem, verificações intensivas de acessos para todos os visitantes e cercas 
ao redor de todos os locais. 
Apesar de tal planejamento, ocorreu um incidente durante a Copa de 2006:
Na tarde de domingo, 2 de julho de 2006, um homem de 33 anos de idade 
conduziu seu carro através das barreiras do fan fest de Berlim visando o 
palco principal, em frente ao portão de Brandemburgo, onde o veículo 
teve a trajetória interrompida por uma cerca. Não havia muitas pessoas 
no local, pois não ocorria nenhuma partida da Copa naquele momento, 
mas o veículo atingiu muitos pedestres, sendo que alguns sofreram lesões 
ao tentar sair do caminho. Um total de 26 pessoas ficaram feridas. 
(CAMARGO; ESPÓSITO, 2013)
Este foi o mais grave incidente em um espaço publico durante o evento em Berlim, 
sendo que depois deste aconteceram reuniões para rever a estratégia de segurança para 
estes espaços, porém as autoridades alemãs concordaram que não havia necessidade 
de alterações nas medidas de segurança, uma vez que foi considerado um ato irracional 
isolado de um indivíduo, tal situação não poderia ser totalmente descartada em um 
evento desta proporção. Além disso, foram verificadas apenas algumas prisões por 
consumo excessivo de álcool, não prejudicando o ambiente seguro e festivo do mundial.
Para saber mais sobre a copa da Alemanhaacesse o link: 
<http://visaoconsultores.com.br/2013/03/25/grandes-eventos-copa-da-alemanha/ 
#_ftn17>.
É importante lembrar que a Alemanha neste período não tinha problemas com 
relação à segurança pública e a segurança não era prioridade nem para o governo nem 
para a população. Porém, devido à acumulação de pessoas durante a Copa, surgiu a 
preocupação com a possibilidade de crimes oportunistas. A polícia teve de se preocupar 
com tais crimes, comuns em todos os grandes eventos com multidões, em qualquer 
parte do mundo, como fraude, moeda falsa, ingressos falsos e furtos de objetos pessoais, 
além de bebedeiras e desordens.
Assim, o trabalho competente da inteligência policial na preparação e durante o 
evento e a atuação das forças policiais foram fatores que dificultaram o aumento 
das ocorrências. Além disto, o monitoramento por sistema de câmeras, as cercas e o 
controle com rigor dos locais de acessos, aliados a campanhas educativas sobre como 
não se tornar vítima, complementaram a segurança do evento.
38
UNIDADE ÚNICA │ MANIFESTAÇÕES EM MASSA
Experiências da Copa da África do Sul – 2010
A África do Sul já havia sediado grandes eventos antes da Copa do Mundo, trazendo 
uma bagagem de experiência na realização. Porém, dentre tantos eventos, nada poderia 
se comparar a uma Copa do Mundo. Na Copa da África do Sul surgiu novamente a 
preocupação com a segurança, já que a violência neste país era um problema maior, 
necessitando que o planejamento em segurança permitisse uma maneira de reduzir 
as taxas de criminalidade em longo prazo, deixando um legado para o país. 
Com relação ao planejamento de emergência na Copa do Mundo de 2010, o Serviço 
Nacional de Saúde Sul Africano foi preparado para atender em tempo integral 
durante o evento, O Centro Nacional de Saúde foi conectado a todas as províncias e 
todos os locais do evento foram monitorados em tempo real a partir de tecnologias de 
comunicações para proporcionar os Cuidados Primários de Saúde a todos os visitantes 
e encaminhamentos a outros serviços se fosse necessário. 
O projeto de Serviço Médico de Emergência foi modificado para que pudesse contemplar 
todas as necessidades da Copa do Mundo, assim:
 » modernos centros de comunicações em cada província; 
 » serviços de helicópteros médicos nas províncias;
 » substituição de veículos usados de emergência por veículos novos.
Quanto aos serviços de atendimento nos estádios, foram instalados postos médicos, 
sendo que as equipes de atendimento pré-hospitalar no interior dos estádios era 
formada pelo Serviço Médico das Forças Armadas Sul-Africanas, sendo compostas por 
cinco pessoas e quatro paramédicos.
Figura 11. Socorristas em bicicletas no interior do estádio.
Fonte: <http://visaoconsultores.com.br/2013/03/25/grandes-eventos-copa-da-alemanha/#_ftn17>.
Havia duas equipes no campo de jogo, uma equipe no setor de autoridades VIPs e outras 
distribuídas por todo estádio. As equipes distribuídas pelo estádio ficavam localizadas 
39
MANIFESTAÇÕES EM MASSA │ UNIDADE ÚNICA
em locais estratégicos e prestavam atendimento fora da sala também, utilizando veículo 
motorizado que comportava uma prancha longa deitada e os socorristas sentados ou se 
deslocavam utilizando motocicletas ou bicicletas. 
Figura 12. Viatura de gerenciamento de emergências do Corpo de Bombeiros no estádio Soccer City – 
Johannesburgo.
Fonte: <http://visaoconsultores.com.br/2013/03/25/grandes-eventos-copa-da-alemanha/#_ftn17>.
No estádio Soccer City, em Johannesburgo, o Corpo de Bombeiros colocou no interior 
do perímetro do estádio, que era muito grande, socorristas em duplas, de bicicletas, 
munidos de rádios portáteis e mochilas tipo backpack, com materiais para atendimento 
pré-hospitalar básico. Devido à baixa temperatura, o uniforme utilizado era o de serviço, 
com botas cano curto, jaqueta para combate a incêndio estrutural e capacete de ciclista.
Segundo informações, foram utilizadas cinco duplas de socorristas por jogo. Havia cinco 
carretinhas com materiais de atendimento pré-hospitalar locadas em pontos estratégicos.
Figura 13. Carreta com materiais para bombeiros em bicicletas.
Fonte: <http://visaoconsultores.com.br/2013/03/25/grandes-eventos-copa-da-alemanha/#_ftn17>.
Na África do Sul, não há legislação específica de prevenção e combate a incêndios para 
as edificações. Utiliza-se um sistema denominado design racional, que prioriza cinco 
40
UNIDADE ÚNICA │ MANIFESTAÇÕES EM MASSA
pilares na prevenção e no combate a incêndios, e o engenheiro ou arquiteto pode efetuar 
a proteção das edificações utilizando como parâmetro qualquer norma estrangeira 
oficial sobre o assunto, desde que atenda essas cinco exigências.
Os cinco itens priorizados em um projeto de incêndio são:
1. acesso de viaturas de emergência;
2. saídas de emergência;
3. controle de fumaça;
4. equipamentos para controle do incêndio;
5. estabilidade estrutural. 
Com base nisso, subentende-se que cada projeto de edificação e/ou ocupações similares, 
podem ter dimensionamento de sistemas de proteção contra incêndio distintos, o que será 
determinado pela norma utilizada pelo projetista que utilizará o método por desempenho.
No dia de jogo, uma equipe de doze bombeiros, do serviço de segurança contra incêndio 
(Fire Safety), sete horas antes da partida, iniciava uma vistoria técnica em todo o estádio 
para avaliação dos sistemas de proteção instalados. Durante a partida, eram verificadas 
se todas as saídas de emergência encontravam-se desobstruídas. Próximo ao final da 
partida, o Centro de Comando e Controle ordenava a abertura dos portões de saída para 
que o escoamento da massa ocorre o mais rápido e tranquilo possível e solicitava-se, se 
fosse o caso, a adequação da inconformidade encontrada.
Figura 14. Jogo entre Nigéria e Argentina na primeira fase da Copa do Mundo. As seleções africanas atraíam 
grande torcida, e o público ainda estava animado com o evento. Após a eliminação da África do Sul, o público 
perdeu parte do interesse.
Fonte: 
Mais informações sobre o assunto abordado no site: <http://visaoconsultores.
com.br/2013/03/25/estudo-grandes-eventos-africa-do-sul/> 
Fun fests: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-71832013000200008& 
script=sci_ arttext>.
francisco.castro
Nota
fonte da figura
http://visaoconsultores.com.br/2013/03/25/estudo-grandes-eventos-africa-do-sul/ 
41
MANIFESTAÇÕES EM MASSA │ UNIDADE ÚNICA
Experiências da Copa do Brasil – 2014
Figura 15.
Fonte: <http://www.copa2014.df.gov.br/fanfest/5164-fan-fest>.
O conjunto das experiências adquiridas nas Copas da Alemanha (2006) e da África 
do Sul (2010) foram compiladas para compor o manancial de informações para a 
organização e preparação da Copa do Mundo no Brasil em 2014.
No que diz respeito ao planejamento em saúde, o Ministério da Saúde realizou 
workshops para preparar as equipes em enfrentar desafios relacionados a atuações em 
realizar grandes eventos, assim para promover a construção dos planos hospitalares de 
contingência das cidades-sede foram capacitados os profissionais dos hospitais da Rede 
de Urgência e Emergência, a iniciativa foi possível por meio da Força Nacional do SUS 
– FN-SUS, em parceria com o governo Alemão e com o Hospital Sírio-Libanês.
Figura 16. Cidades-Sede da Copa do Mundo FIFA 2014
Fonte: Imagens das sedes da Copa do Mundo de 2014.
A realização dos workshops fez parte da intenção do Ministério da Saúde em organizar 
o Brasil para os desafios relacionados a grandes eventos, tais como o enfrentamento de 
ameaças e vulnerabilidades, além de uma plena organização dos serviços de saúde em 
Redes de Atenção (RAS), com a finalidade da plena realização da Copa do Mundo FIFA 
2014 e Olimpíadas 2016:
Os Workshops foram realizados por meio do Host City Programm 
(HCP), programa alemão de cooperação do BMZ (Ministério Federal 
de Cooperação Econômica e Desenvolvimento da Alemanha) e da 
Engagement Global que visa promover intercâmbio de experiências 
42
UNIDADE ÚNICA │ MANIFESTAÇÕESEM MASSA
entre os municípios que sediaram a Copa da Alemanha em 2006 e as 
cidades-sede brasileiras. Essas empresas enviaram equipes compostas 
por médicos especialistas em resgate e situações de emergência, 
bombeiros e paramédicos – funcionários das cidades-sede da Copa 
do Mundo da Alemanha. Participarão dos cursos as cidades de São 
Paulo (SP), Cuiabá (MT), Porto Alegre (RS), Salvador (BA), Natal (RN) 
e Fortaleza (CE). No Brasil, a execução do programa ficou a cargo da 
Agência de Cooperação para Desenvolvimento Sustentável do Governo 
Alemão (GIZ). 
<http://www.brasil.gov.br/saude/2014/03/saude-realiza-capacitacao-para-copa-do-mundo>.
Em novembro de 2011, para as vítimas de desastres naturais, situações de risco 
epidemiológico ou calamidade pública, foi criada a Força Nacional do SUS – FN-SUS 
para enfrentar e atender estas situações. A FN-SUS, conta com 12.869 voluntários sendo 
1.470 para atuar diretamente em situações de desastres, surtos epidêmicos, tragédias 
e apoio a gestão. Hoje 42 equipes assistenciais fazem parte da resposta às emergências 
em eventos de massa e Saúde Pública.
A FN-SUS é um programa de cooperação com estados e municípios criados pelo governo 
brasileiro para a aplicação de medidas de prevenção, assistência às situações de surtos, 
desastres ou desassistência à população. 
Mais informações sobre o assunto abordado nos sites: 
<http://www.brasil.gov.br/saude/2014/03/saude-realiza-capacitacao-para-
copa-do-mundo>;
<http://www.copa2014.gov.br/pt-br/noticia/hospitais-recebem-treinamento-
para-a-copa-em-fortaleza>.
Uma parceria entre o Hospital Sírio Libanês (HSL) e o Ministério da Saúde resultou 
na construção e organização de planos de atendimento aos usuários a serem aplicados 
durante o evento esportivo. O HSL foi o responsável pela realização dos workshops 
para a logística do treinamento. Para o superintendente de Filantropia do HSL, Sr. 
Sergio Zanetta: 
os workshops reforçam o comprometimento da instituição não só com 
o sucesso da Copa do Mundo, mas com a perpetuação da qualidade do 
atendimento após a realização do evento, Estamos viabilizando uma 
troca de conhecimento que será muito importante para atuação da FN- 
SUS no futuro.
 Acessado em 30/3/2015 <http://www.hospitalsiriolibanes.org.br>. 
43
MANIFESTAÇÕES EM MASSA │ UNIDADE ÚNICA
O HSL foi responsável pela capacitação de facilitadores e de gestores de aprendizagem 
do grupo técnico, além do apoio e da avaliação das capacitações. Um exemplo disso 
foi o curso de “Introdução à Prática de Gestão de Saúde em Situação de Desastre”, 
realizado em setembro de 2012 em Brasília.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência do Distrito Federal – SAMU/DF, em 
novembro de 2013, capacitou cerca de 250 policiais rodoviários com base nas novas 
diretrizes em urgência e emergência e atendimento ao trauma, sendo abordados temas 
como: urgências pediátricas, gineco-obstétricas, psiquiátricas, catástrofes, desastres, 
entre outros.
Nas cidades-sede da Copa, mais de 530 unidades do SAMU, UPAs e Hospitais 
funcionam de forma integrada para atender a possíveis eventos. Aproximadamente 10 
mil servidores da Anvisa e do SUS, são capacitados nos diversos estados e municípios, 
além de voluntários da Força Nacional do SUS.
O Ministério da Saúde criou um aplicativo gratuito para auxiliar a mapear ocorrências e 
sintomas em um determinado local. Com esta ferramenta diversos torcedores tiveram 
a oportunidade de informar sua condição de saúde no momento (muito bem, bem, 
mal e muito mal), identificando precocemente os sinais e norteando o nível federal, o 
qual repassava as informações aos estados e municípios para providências necessárias 
e monitoramento. Se o torcedor informasse que estava mal ou muito mal, deveria 
indicar mais sintomas com uma lista integrada ao aplicativo, informando também 
se houve contato com alguém ou observou outras pessoas com os mesmos sintomas. 
Se as equipes de vigilância percebecem que determinada região estava apresentando 
sintomas semelhantes, condutas eram iniciadas a fim de identificar possíveis causas 
e os torcedores eram orientados a procurar atendimento especializado na unidade 
mais próxima.
Além da estrutura já montada, o Ministério da Saúde criou planos de contingência para 
acidentes com múltiplas vítimas e para acidentes com produtos químicos, biológicos, 
radiológicos e nucleares.
Mais informações sobre o assunto abordado nos sites: 
<http://www.hospitalsiriolibanes.org.br/imprensa/press-releases/Paginas/
intercambio-entre-brasil-alemanha-contribui-para-atendimento-emergencia-
durante-copa-mundo.aspx>;
<http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/saude-na-
copa-2014/noticias-saude-na-copa-2014/13198-ministerio-lanca-aplicativo-
saude-na-copa>;
44
UNIDADE ÚNICA │ MANIFESTAÇÕES EM MASSA
<http://www.brasil.gov.br/saude/2014/02/saude-apresenta-estrutura-
preparada-para-a-copa-do-mundo-de-2014>.
Jogos Olímpicos: recomendações e experiências 
de Atenas e Londres 
Segundo Castro et al. (2014), a experiência das Olimpíadas de Atenas 2004 propiciaram 
uma série de recomendações. Dentre os aspectos relevantes estão a necessidade 
de realizar um planejamento e gestão de desastres relativos a liderança, operações 
e comando unificados e cooperação internacional em saúde pública em grandes 
eventos e situações emergenciais. Especificamente com relação à saúde, foi sugerida 
a composição de grupos de caráter consultivo, com especialistas da saúde, nos temas 
relativos a: prevenção de doenças, promoção da saúde, análise e gestão de riscos e 
segurança sanitária, vigilância e alerta, laboratório, serviços médicos, controle de 
infecções, segurança da água e alimentos, desastres e resposta a emergências. Algumas 
áreas foram consideradas estratégicas, tais como:
1. Preparação da capacidade hospitalar, de cuidados à saúde e de 
emergências médicas em acidentes com múltiplas vítimas;
2. Vigilância de doenças e resposta a surtos, incluindo a vigilância 
epidemiológica e a resposta às doenças transmissíveis,
3. Sistema de vigilância sindrômica, preparação e resposta da Saúde 
Pública a acidentes envolvendo agentes explosivos, biológicos, químicos 
e radiológicos e nucleares;
4. Saúde ambiental e segurança alimentar, incluindo temas sobre 
vigilância da saúde ambiental, qualidade da água, suporte laboratorial; e
5. Monitoramento e controle de mosquitos e vetores. 
Acessado em 30/3/2015: <http://www.scielo.br/pdf/csc/v19n9/1413-8123-csc-19-09-3717.pdf>. 
Já em Londres 2012, durante a Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos, momento 
crítico para a equipe de Serviços Médicos dos Jogos pelo elevado número de espectadores, 
atletas, autoridades e força de trabalho em um só local e horário, 66 profissionais foram 
destacados para a operação no Estádio Olímpico. Eram vinte duplas de primeiros-socorros, 
dez enfermeiras e dez médicos alocados, além de seis médicos avançados. Estes eram 
denominados “Top 6”, grupo para o mais alto nível de atendimento e tomada de decisão. 
O planejamento da área de Serviços Médicos de Londres 2012 começou imediatamente 
após a escolha da cidade como sede dos Jogos. Os pontos críticos enfrentados na trajetória 
de sete anos foram o recrutamento de voluntários de saúde (médicos, enfermeiros, 
45
MANIFESTAÇÕES EM MASSA │ UNIDADE ÚNICA
fisioterapeutas, farmacêuticos e profissionais de pronto-socorro) e a adequação da legislação 
da Grã-Bretanha para a habilitação de médicos internacionais. A área recebeu inscrições 
de 6.000 voluntários. Selecionou 4.500 e só usou 3.000. Pela legislação, o voluntário não 
pode trabalhar o dia todo e não pode dobrar o plantão. Na operação dos Jogos, o primeiro 
atendimento foi feito pelos First Aiders, ou profissionais de pronto-socorro, depois pelos 
médicos e enfermeiras. Foram dez grupos de hospitais de referência: um para cada “cliente” 
(atletas, família olímpica e paraolímpica, e imprensa e broadcast) em Londres, um para 
a Vela em Weymouth e outro para Canoageme Remo em Eton Dorney, além de um em 
cada uma das cinco cidades do futebol. O sistema mais complexo ficou na Policlínica 
da Vila Olímpica, que contava com mais médicos (clínicos gerais), médicos do esporte, 
oftalmologista, radiologista e médicos de diferentes especialidades para atendimento com 
agendamento prévio: cardiologista, dermatologista, gastroenterologista, neurologista, 
ginecologista/obstetra, ortopedista, psiquiatra e “emergencistas”, além de dentistas, 
fisioterapeutas, podólogos, quiropráticos e massagistas. A Policlínica funcionou 24 horas 
por dia, sete dias por semana, durante os Jogos. Os postos nas instalações de treinamento 
e competição funcionaram de acordo com o funcionamento delas. Foram 66 ambulâncias 
novas, compradas por ocasião dos Jogos, para atender aos requisitos específicos das 
Federações Internacionais e do Comitê Olímpico Internacional, e que ficaram como legado.
Criar um encontro de massa que seja saudável e seguro, tais como a Copa do Mundo 
de Futebol e os Jogos Olímpicos, constitui-se em um desafio especial. Isso requer a 
aplicação de métodos e processos conhecidos, mas também o desenvolvimento de 
novas ideias e sistemas. 
Mais informações sobre o assunto abordado nos sites: <http://www.agencia.fiocruz.
br/brasil-n%C3%A3o-est%C3%A1-preparado-para-emerg%C3%AAncias-em-eventos-
esportivos>. 
Figura 17. Unidade de atendimento médico em uma instalação esportiva de Londres 2012
Fonte: <http://www.rio2016.org.br/noticias/noticias/programa-de-observadores-nhs-e-servicos-medicos-dos-jogos-de-londres-inspiram-rio->.
46
UNIDADE ÚNICA │ MANIFESTAÇÕES EM MASSA
Assim o desafio do Brasil na organização das Olimpíadas de 2016 é grande e faz-se 
necessário avaliar os erros e refazer planos cometidos na Copa de 2014. É o momento 
de se debruçar sobre os dados surgidos a partir da experiência da Copa do Mundo, 
disputada em 12 cidades entre junho e julho do ano de 2014, e se preparar para os jogos 
olímpicos. No quesito saúde, mais especificamente com relação à assistência médica, o 
Brasil não se mostrou preparado para uma emergência de maior porte. A afirmação se 
deve ao resultado de um estudo elaborado pelas pesquisadoras Cláudia Osório e Elaine 
Miranda, e pela aluna de mestrado Carolina Figueiredo Freitas, da Escola Nacional de 
Saúde Pública (ENSP). 
Segundo Elaine Miranda, as pesquisas apresentadas são fruto de um trabalho de campo 
feito antes do mundial, que envolveu 35 hospitais nas 12 sedes da Copa. Onze desses 
hospitais eram de referência e os outros 24 eram gerais, públicos e privados. Apenas 
54% dos hospitais possuíam um plano para aumento de sua capacidade e 12% deles 
informaram que transportariam os pacientes para outras instituições de saúde, em caso 
de necessidade. Apesar desses hospitais terem dito que possuíam plano de emergência, 
só 14%, ou seja, cinco deles, mostraram uma cópia do documento às pesquisadoras. 
A porcentagem de hospitais com capacidade de isolamento de pacientes também se 
mostrou baixa: 27%. 
Mais informações sobre o assunto abordado nos sites: <http://www.
agencia.f iocruz.br/brasi l -n%C3%A3o- est%C3%A1-preparado-para-
emerg%C3%AAncias-em-eventos-esportivos>. 
Se você quer saber mais sobre o que está acontecendo na preparação do Brasil 
para os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro, leia mais em: 
<http://www.rj.gov.br/web/ses/exibeconteudo?article-id=766857>. 
Grandes Festivais de Música
Existem inúmeros eventos musicais no mundo, o Brasil é frequentemente palco para 
a realização destes. O carnaval é um grande exemplo de um evento de grande porte 
realizado todos os anos que necessita de uma infraestrutura específica e de muita 
organização. Outro evento recente foi o Rock in Rio Brasil, que passou por problemas 
no quesito de saúde, pois, de acordo com o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, 
o festival deveria ter 23 médicos e 23 técnicos em enfermagem de plantão em sete 
postos distribuídos na Cidade do Rock. No sábado, havia menos seis médicos e nove 
técnicos do que o estabelecido. Dos sete postos, só seis foram apresentados, e, das 
14 ambulâncias, só oito estavam de prontidão. Mas este não foi o único problema 
relacionado aos veículos. De acordo com o relatório feito pela equipe de vistoria, as 
47
MANIFESTAÇÕES EM MASSA │ UNIDADE ÚNICA
ambulâncias não tinham “materiais e insumos mínimos para o funcionamento”. Em 
um dos carros destinados à remoção de pacientes graves, o reservatório de oxigênio 
estava vazio. Situações que necessitam ser reavaliadas para que o entretenimento não 
se transforme em uma tragédia caso algum imprevisto de grande magnitude ocorra.
Figura 18. Vista aérea do Palco Mundo no terceiro dia do Rock in Rio 2013
Fonte: (Ivan Pacheco/VEJA).
No intuito de garantir maior segurança em festas e grandes festivais que acontecem 
em casas de show e boates, o Ministério Público promoveu mudanças recentes. As 
alterações foram necessárias, visto a incidência de tragédias ocorridas, para evitar 
incêndios e acidentes com vítimas.
Uma das medidas adotadas, além da já utilizadas anteriormente, é que agora os 
responsáveis pela gestão das casas de shows e boates deverão divulgar para os clientes o 
número e a data de validade do alvará de funcionamento e da proteção contra incêndios. 
Tudo deverá ser impresso nos ingressos e demais materiais de divulgação das festas. 
Ainda será necessário informar na porta de entrada do estabelecimento a capacidade 
máxima de pessoas que o local suporta. Mas saiba que cuidados contra incêndios e 
determinação da quantidade de participantes também valem para produções ao ar livre.
48
CAPÍTULO 4 
Resposta em situações críticas
A boa administração de desastres não é apenas a extensão de bons 
procedimentos de emergência no dia-a-dia. É mais do que simplesmente 
mobilizar recursos, instalações e pessoal adicionais. Os desastres criam 
problemas peculiares, raramente enfrentados cotidianamente.
Erik Auf Der Heide,1989
Situações Críticas
As situações críticas são caracterizadas pelo risco de exigir, além de uma intervenção 
imediata, uma organização centrada com profissionais capacitados e treinados que 
coordenam e gerenciam as ações de resposta.
Gerenciar as ações de resposta às situações críticas tem sua origem na necessidade 
básica de se organizar, coordenar e controlar a ação das instituições que atuam no 
teatro de operações de uma ocorrência, com fim de se executar um serviço adequado à 
demanda social daquele momento.
Situações críticas têm como especificidade uma postura organizacional diferenciada 
para a coordenação e o gerenciamento das condutas e ações de resposta, uma vez que 
atuam concomitantemente, em operações, guarnições de diversos órgãos, públicos 
e/ou privados, cujos modos de operação são peculiares de cada instituição (ALVES; 
GOMES JÚNIOR, 2004). 
O planejamento de emergência é um conjunto de ações elaboradas para atender 
situações de desastre com o objetivo de estabelecer requisitos mínimos de planejamento 
de ações empregadas no atendimento em situações de emergências e com o princípio 
de organizar e estabelecer formas de como executar o suporte adequado em casos de 
emergência, otimizando a suficiência de recursos humanos, materiais e financeiros, a 
fim de ampliar a capacidade de resposta.
Exemplos dessas situações são os: incêndios florestais; confrontos policiais com reféns; 
incidentes com produtos químicos; as inundações, os terremotos, ciclones, os incêndios 
florestais, os acidentes com múltiplas vítimas, os acidentes com produtos perigosos, o 
derramamento de óleo no mar, o vazamento em gasodutos, a evacuação de comunidades 
e o salvamento em grandes áreas.
49
MANIFESTAÇÕES EM MASSA │ UNIDADE ÚNICA
Para cada tipo de incidente faz-se necessário uma resposta, quer de diferentes 
departamentos de uma mesma jurisdição, de parceiros de ajuda mútua ou de agências 
estaduais ou federais. As pessoas envolvidas nas ações de resposta devem ser capazes de 
trabalhar juntos e comunicar-se entre si com totalconfiança uns nos outros. (EUA, 2004)
As ações de resposta às situações críticas têm características bastante específicas, de 
tal forma que os desdobramentos são a ineficiência do aparato utilizado e até mesmo a 
ineficácia. Essas características tornam a coordenação das operações em um cenário de 
situação crítica difíceis. O bom trabalho em equipe, uma comunicação clara e a confiança 
mútua não surgem sem um trabalho prévio de planejamento e implementação das ações. 
Existem algumas características que prejudicam a dinâmica de desenvolvimento das 
situações críticas e necessitam ser conhecidas para se fazer o devido estabelecimento 
das ações de resposta: alto risco, instabilidade, complexidade e confusão. Os riscos são 
elevados quando envolvem situações críticas, ou seja, a possibilidade de que resultados 
indesejados se concretizem é grande e as consequências desses resultados indesejados 
podem ser graves, tais como pessoas mortas, feridas ou desalojadas; propriedades 
destruídas ou danificadas, com grandes prejuízos; sistemas e serviços públicos 
comprometidos; além de impacto no meio ambiente. 
O cenário das situações críticas muda com muita rapidez, às vezes inesperadamente, 
em função da interação complexa dos diversos fatores como:
 » clima;
 » temperatura; 
 » vento;
 » luminosidade;
 » comportamento das pessoas envolvidas e desempenho dos equipamentos 
empregados. 
Além disso, a situação se modifica conforme as ações de resposta, embora nem sempre 
da maneira desejada. A dificuldade para obter informações completas e precisas faz 
com que a percepção sobre a situação crítica se modifique com muita frequência. 
As situações críticas são complexas em virtude de várias razões. Primeiro, porque 
podem envolver problemas por si só complexos como: 
 » resgates técnicos;
 » derramamento de produtos perigosos; 
 » evacuação de muitas pessoas; 
50
UNIDADE ÚNICA │ MANIFESTAÇÕES EM MASSA
 » triagem de múltiplas vítimas;
 » operação em linhas de alta tensão; 
 » acidentes automobilísticos envolvendo vários veículos e várias vítimas;
 » ocorrências policiais com reféns. 
Ainda são situações complexas porque normalmente envolvem mais de uma 
organização ou serviço de emergência, cada qual com suas prioridades, características, 
procedimentos e responsabilidades legais próprias.
Situações que dificultam o atendimento nas 
situações críticas
 » Complexas – toda situação crítica é complexa em virtude de vários 
fatores, como: envolvimento de resgates técnicos, manipulação de linhas 
de alta tensão, reféns com operações policiais, entre outros. Além disso, 
envolve mais de uma organização ou serviço, cada um com diferentes 
prioridades, procedimentos e responsabilidades. 
 » Alto risco – a possibilidade de que algo de errado ocorra é grande, podendo 
ser muito grave. É possível que haja muitos serviços comprometidos, 
meio ambiente com prejuízos, propriedades danificadas e mortes. 
 » Confusas – dentre todas estas situações, as situações críticas são confusas. 
Geralmente, existe dificuldade na comunicação com as organizações 
envolvidas e esta falta de informação deixa a impressão de um cenário 
dividido, deixando os recursos sem compartilhamento adequado. 
 » Dinâmicas – diversos fatores, como temperatura, vento, luminosidade, 
clima e comportamento das pessoas, fazem com que o cenário possa alterar 
com rapidez. Além disso, as informações fragmentadas e incompletas 
geram uma percepção diferente da situação crítica, fazendo com que a 
situação mude constantemente.
Convém destacar que a Portaria GM no 2.048 dispõe de um sistema atendimento/
transporte pré-hospitalar móvel composto de veículos ambulância que podem ser 
terrestre, aéreo ou aquaviário, destinado ao transporte de enfermos. As ambulâncias 
são classificadas em:
 » Tipo A: veículo destinado ao transporte de vítimas em decúbito horizontal 
que não apresentam risco de morte, simplesmente para remoções e com 
caráter eletivo.
51
MANIFESTAÇÕES EM MASSA │ UNIDADE ÚNICA
 » Tipo B: veículo destinado ao transporte inter-hospitalar (suporte básico 
de vida) de usuários com risco de morte conhecido e ao atendimento 
pré-hospitalar de vítimas com risco de morte desconhecido, não 
classificado com potencial de necessidade de intervenção médica no 
local e/ou durante o transporte até o serviço de destino.
 » Tipo C: veículo de atendimento de urgências pré-hospitalares de vítimas 
de acidentes ou em locais de difícil acesso (resgate), com equipamentos 
específicos de salvamento, podendo ser em alturas, aquático ou terrestre.
 » Tipo D: veículo destinado ao atendimento e transporte de vítimas de alto 
risco (Suporte Avançado de Vida) em emergências pré-hospitalares e/
ou de transporte inter-hospitalar que necessitam de cuidados médicos 
intensivos. 
 » Tipo E: aeronave de asa fixa ou rotativa utilizada para transporte 
inter-hospitalar de pacientes e aeronave de asa rotativa para ações 
de resgate, dotada de equipamentos médicos homologados pelo 
Departamento de Aviação Civil – DAC.
 » Tipo F: veículo motorizado aquaviário, destinado ao transporte por via 
marítima ou fluvial. 
Figura 19.
Fonte: <http://www.defesacivil.mg.gov.br/conteudo/arquivos/download/Palestra_SCO_DMAT_25Abr2012.pdf>.
52
UNIDADE ÚNICA │ MANIFESTAÇÕES EM MASSA
Figura 20.
Fonte: <http://www.defesacivil.mg.gov.br/conteudo/arquivos/download/Palestra_SCO_DMAT_25Abr2012.pdf>.
Na coordenação das situações de desastre é necessário dar uma resposta contundente e 
imediata, interagindo com diversas organizações e órgãos como os seguintes.
 » Secretarias de saúde (estadual e municipal). 
 » Hospitais (públicos e privados).
 » Corpos de bombeiros (militares, comunitários, industriais e voluntários).
 » Polícias (militar, civil, rodoviária federal e federal). 
 » Órgãos de infraestrutura (secretaria de obras, de estradas).
 » Órgãos ambientais (Ibama, órgão estadual e municipal).
 » Empresas concessionárias de energia elétrica, água e telefone.
 » Organizações voluntárias e filantrópicas.
 » Associações comunitárias.
 » Forças armadas, entre outras.
Imediatamente que a situação crítica é percebida, uma gama de decisões são estabelecidas 
e iniciadas de imediato começando com os recursos operacionais para que possam se 
deslocar até o local da emergência e começar os trabalhos iniciais a fim de controlar a 
situação. As primeiras ações no local são direcionadas por procedimentos operacionais 
padrão e conforme as informações forem sendo obtidas o domínio do local/cenário é 
estabelecido para que os planos de ação sejam colocados em prática.
53
MANIFESTAÇÕES EM MASSA │ UNIDADE ÚNICA
As necessidades e imediatas da população, agudas ou de urgência são pontos de 
pressão por respostas rápidas. Então, o sistema deve ser capaz de acolher a clientela, 
prestando-lhe atendimento e redirecionando-a para os locais adequados à continuidade 
do tratamento, por meio do trabalho integrado das Centrais de Regulação Médica de 
Urgências com outras Centrais de Regulação – de leitos hospitalares, procedimentos de 
alta complexidade, exames complementares, internações e atendimentos domiciliares, 
consultas especializadas, consultas na rede básica de saúde, assistência social, transporte 
sanitário não urgente, informações e outros serviços e instituições, como por exemplo, 
as Polícias Militares e a Defesa Civil.
As centrais, obrigatoriamente interligadas entre si, constituem um verdadeiro complexo 
regulador da assistência, ordenador dos fluxos gerais de necessidade/resposta, que 
garante ao usuário do SUS a multiplicidade de respostas necessárias à satisfação de 
suas necessidades.
54
Para (não) finalizar
As situações críticas além ocasionar o comprometimento de diversas pessoas envolvidas, 
leva a um raciocínio de que não somente as vítimas são lesadas, mas, a sociedade como 
um todo se estarrece em comoção pública aos grandes desastres.
Muitos dos grandes acidentes/catástrofes surgem sem aviso prévio, como, ciclones, 
terremotos, enchentes,quedas de aeronaves e muitos outros, mas diversos deles são 
evitáveis e por uma falha humana, desafio ao excesso de confiança, negligência e 
diversos outros quesitos os desastres ocorrem, exigindo uma operação complexa de 
disponibilidade imediata para minimizar os danos.
A existência de profissionais competentes e capacitados faz se necessária nos dias de 
hoje aos órgãos competentes, a fim de ter o controle da situação e assim prestar um 
atendimento eficiente. Esta formação não obriga somente o profissional médico, mas 
também enfermeiros, psicólogos e farmacêuticos, bem como outros profissionais como 
os bombeiros, a defesa civil e os agentes de segurança. 
O caderno como um todo buscou aprofundar o conhecimento do aluno no que diz 
respeito a organização/atendimento frente aos grandes desastres e catástrofes. 
Trazendo experiências do Brasil e do mundo. 
Foram inseridas diversas opções de acesso para o enriquecimento de cada conteúdo por 
meio dos links sugeridos, mas exige o esforço e a força de vontade em cada um de vocês 
de aprender cada vez mais. Por isso aprofundem. 
<http : / /w w w.uc.pt/ f luc/depgeo/Publ icacoes/ l ivro_homenagem_
FRebelo/529_541>;
<http://www.sebrae2014.com.br/Sebrae/Sebrae%202014/manual_
operacional_fifa_fan_fest.pdf>;
<http://www.quenoserepita.com.ar/que_paso_en_cromanon>.
55
Referências
ACKERMAN, Kathryn E. et al. Football Medicine Manual. 2. ed. FIFA, 2009Artmed, 
2013.
ALVES, Márcio Luiz ; GOMES JÚNIOR, Carlos Alberto de Araújo. Capacitação em 
Defesa Civil – sistema de comando em operações. Santa Catarina: Lagoa, 2004.
BRASIL. Ministério da Integração Nacional. Secretaria de Nacional de Defesa Civil. 
Conferência geral sobre desastres. Brasília, 2007, p. 23.
______. Portaria no 1.139, de 10 de junho de 2013 do Ministério da Saúde. 
Define, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), as responsabilidades das esferas 
de gestão e estabelece as Diretrizes Nacionais para Planejamento, Execução e Avaliação 
das Ações de Vigilância e Assistência à Saúde em Eventos de Massa. 
CÂMARA, Volney M. et al. Textos sobre monografias do curso de Especialização 
em Vigilância Ambienta em Saúde. Salvador: Universidade Federal do Rio de 
Janeiro. 2004.
CASTRO, Camila Figueiredo et al. Eventos de massa, desastres e Saúde Pública. Rio de 
Janeiro. Departamento de Administração e Planejamento em Saúde, Escola Nacional 
de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz. Revista: Ciência & Saúde 
Coletiva,. 2014.
ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA. Federal Emergency Management Agency. Incident 
Command System 100 training. Washington D. C., 2004.
GUIDELINES. Diretrizes da American Heart Association/para RCP e ACE. 
Dallas – Texas. 2010.
KNAUSS, Paulo. A cidade como sentimento: história e memória de um acontecimento 
na sociedade contemporânea — o incêndio do Gran Circus Norte-Americano em Niterói, 
1961. São Paulo. Revista Brasileira de História, 2007.
BRASIL Guillermo B. Desastre por incêndio e inalação de fumo. Bueno Aires – 
AG. 2008.
Portaria no 1.139. Keith. Current Medicina de emergência. 7. ed. Porto Alegre: 
HEIDE, Erik Auf Der. Disaster Response. Current. EUA. 1989.
56
REFERÊNCIAS
Sites
A triste história da boate Argentina – República Cromagnón em 2004 
– Buenos Aires. Disponível em: <http://edant.clarin.com/diario/2005/02/13/
sociedad/s-04015.htm>. Acesso em: 13/3/2015. 
GUIDELINES. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção às Urgências. 
Brasília. Brasília, 2003. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/
politica_nac_urgencias.pdf> Acesso em: 18/3/2015.
______. Portaria no 2.048/GM, de 5 de novembro de 2002. Disponível em: 
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2002/prt2048_05_11_2002.htm>. 
Acesso em: 20/3/2015.
Capacitação em Defesa Civil. Sistema de Comando em Operações – 
SCO. Governo do Estado de Santa Catarina. Disponível em: <https://www.
policiamilitar.mg.gov.br/conteudoportal/uploadFCK/crs/31072014161055334.pdf>. 
Acesso em: 30/3/2015.
Defesa Civil Espírito Santo. Sistema de Comando em Operações. Disponível em: 
<http://www.defesacivil.es.gov.br/files/meta/dcb0bffc-1938-4f78-a8d6-f987ae35e7bb/ 
d1c72eb9-8af4-4bc6-92ef-4e22557c0dc8/118.pdf>. Acesso em: 25/3/2015.
Há 50 anos, cirurgião e outros voluntários dedicaram-se ao tratamento 
das vítimas do incêndio no circo que mais de 500 pessoas. Disponível em: 
<http://www.barreto.soumaisniteroi.com.br/noticias/39-cidade/1503-ivo-pitanguy-
o-voluntario-que-ajudou-niteroi-em-umas-das-piores-tragedias.html>. Acessado em: 
18/5/2015.
Hillsborough não foi hooliganismo: foi negligência, despreparo e 
preconceito. Disponível em: <http://trivela.uol.com.br/hillsborough-nao-foi-
hooliganismo-foi-negligencia-despreparo-e-preconceito/>. Acessado em: 19/5/2015.
Os 14 anos de história da tragédia de Hillsborough Stadium em 1989 na 
Inglaterra. Disponível no link: <http://www.independent.co.uk/news/uk/crime/cps-
told-of-hillsborough-coverup-14-years-ago-8140104.html>. Acesso em: 10/3/2015.
Portal Brasil. Saúde realiza capacitação para a copa do mundo de 2014. 
Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/saude/2014/03/saude-realiza-capacitacao-
para-copa-do-mundo>. Acesso em: 17/3/2015.
Programa de Observadores dos serviços médicos dos jogos de Londres 
inspiram Rio 2016. Disponível em: <http://www.rio2016.org.br/noticias/noticias/
57
REFERÊNCIAS
programa-de-observadores-nhs-e-servicos-medicos-dos-jogos-de-londres-inspiram-
rio->. Acesso em: 26/3/2015. 
Tragédia em hillsborough ainda abala Liverpool. Disponível em: <http://
almanaqueesportivo.final.com.br/2012/09/18/justica-23-anos-depois-tragedia-em-
hillsborough-ainda-abala-liverpool/>. Acessado em: 19/5/2015.
Triagem de múltiplas vítimas queimadas: comparação entre o modelo 
atual e o utilizado pelo Professor Pitanguy no incêdio do Gran Circo Norte-
Americano, em 1961. Disponível em: <http://www.rbcp.org.br/detalhe_artigo.
asp?id=936>. Acesso em: 18/5/2015.

Mais conteúdos dessa disciplina