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INTÉRPRETE DE LÍNGUA DE SINAIS BRASILEIRA NA SALA DE AULA

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INTÉRPRETE DE LÍNGUA 
DE SINAIS BRASILEIRA 
NA SALA DE AULA
Autoria: Elis Gorett da Silveira Lemos
Indaial - 2022
UNIASSELVI-PÓS
2ª Edição
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090
Impresso por:
Reitor: Prof. Hermínio Kloch
Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol
Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: 
Carlos Fabiano Fistarol 
Ilana Gunilda Gerber Cavichioli 
Norberto Siegel 
Julia dos Santos 
Ariana Monique Dalri 
Jairo Martins 
Marcio Kisner 
Marcelo Bucci
Revisão Gramatical: Desenvolvimento de Conteúdos EdTech
Diagramação e Capa: 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI
Copyright © UNIASSELVI 2022
L557i
 Lemos, Elis Gorett da Silveira
 Intérprete de língua de sinais brasileira na sala de aula. / Elis Gorett da Silveira 
Lemos – Indaial: UNIASSELVI, 2022.
 111 p.; il.
 ISBN Digital 978-65-5646-516-6
1. Intérprete de língua de sinais brasileira – Brasil. II. Centro Universitário 
Leonardo da Vinci.
CDD 370
Sumário
APRESENTAÇÃO ............................................................................5
CAPÍTULO 1
REFLEXÕES SOBRE A NATUREZA DO PROCESSO TRADUTÓ-
RIO E DOS ESTUDOS DA TRADUÇÃO .......................................... 9
CAPÍTULO 2
TRADUZIR E INTERPRETAR: LIMITES E POSSIBILIDADES NO 
CAMPO DA EDUCAÇÃO ............................................................... 37
CAPÍTULO 3
AS ESCOLAS E OS PROFISSIONAIS INTÉRPRETES DE LIBRAS: 
A INOVAÇÃO NO ÂMBITO DA INTERPRETAÇÃO ....................... 73
APRESENTAÇÃO
As diferentes maneiras que o ser humano possui de se comunicar vai para 
além da compreensão das línguas orais que fazem uso do canal oral auditivo 
para estabelecer uma comunicação. Enquanto as línguas de sinais se projetam 
utilizando o espaço, a visualização as mãos e as expressões para estabelecer 
uma comunicação com o meio. Contudo, para os surdos usuários da língua 
de sinais uma ferramenta humana possui um papel fundamental para que a 
compreensão aconteça entre as partes do discurso: o intérprete de língua de 
sinais, um profissional que possibilita a transparência e a concreta comunicação 
entre surdos e não surdos.
Este livro tem a importante tarefa de trazer a você acadêmico, alguns 
conhecimentos acerca desse profissional que deve estar nos mais diversos 
espaços sociais e que é fundamental para que a comunicação aconteça de 
maneira efetiva, visto que a necessidade da comunidade surda em contar com um 
profissional que faça a intermediação no processo comunicativo se tornou cada 
vez mais fundamental. 
Inicialmente, a atuação desse profissional acontecia na informalidade, ou 
seja, pais ou membros da família das pessoas surdas faziam essa função, porém, 
com a oficialização da língua Brasileira de Sinais esse profissional se tornou ainda 
mais fundamental trazendo a regulamentação da profissão. Sua função é de 
interpretar uma determinada língua de sinais para outra língua, ou de uma língua 
oralizada para uma língua de sinais. O intérprete de Libras é aquele profissional 
que deve dominar as línguas que envolvem o discurso, dominar de maneira plena 
e satisfatória, assim como ter conhecimento profundo em estratégias e técnicas 
de tradução.
Falaremos dos objetos de tradução, o papel do ato tradutório e as estratégias 
que abarcam o ato de interpretar. O universo que envolve o papel do profissional 
intérprete de Libras é vasto e extremamente importante. Neste livro vamos abraçar 
a responsabilidade de apresentar o que envolve as práticas profissionais de sua 
atuação. 
Portanto, ao realizar um passeio por este livro, você compreenderá que o 
profissional intérprete de Libras possui um papel fundamental na vida do sujeito 
com surdez que se comunica através da Libras, empoderado da Lei nº 12.319, de 
1º de Setembro de 2010 (BRASIL, 2010) que demarcam suas responsabilidades 
e direitos, acabam por tomar posse de seus espaços de atuação, seja na área 
educacional ou social. 
Desse modo, no Capítulo 1, iremos trazer algumas reflexões sobre a 
natureza do processo tradutório e dos estudos da tradução, o conceito do que 
é tradução e conceituar processos tradutórios que envolvem a boa prática de 
traduzir. Faremos uma discussão acerca dos processos de interpretação e o papel 
do profissional tradutor. Vamos buscar entender e refletir o sentido do processo de 
tradução, comentando a trajetória dos estudos da tradução discutindo a tarefa do 
tradutor e seu ponto de vista enquanto profissional. Por fim, viajaremos através 
dos princípios tradutórios no campo profissional que envolvem as práticas do 
intérprete de línguas. 
Historicamente, o profissional tradutor intérprete de Libras ocupou um espaço 
de auxiliador e amigo do surdo, visto que sua função estava ligada a relações 
sentimentais como as familiares e religiosas. Esse fato não exime seu dever 
de dominar profundamente a língua de sinais e a língua portuguesa, no caso 
do tradutor intérprete de Libras, também é possível dominar o inglês, espanhol, 
língua de sinais americana – ASL, entre outras para agregar conhecimento e 
ampliar se campo de atuação. 
Em consonância com esse argumento, no Capítulo 2 trataremos dos limites 
e possibilidades no âmbito de traduzir e interpretar em Libras, discutiremos as 
diferenças entra a tradução e a interpretação sem deixar de refletir sobre os 
aspectos linguísticos culturais e situacionais que envolvem o ato de traduzir e 
de interpretar em Libras. Falaremos também do intérprete de Libras enquanto 
mediador social e linguístico de uma comunidade minoritária e um breve histórico 
educacional de sua trajetória, buscaremos entender seu papel com base na 
trajetória histórica de sua formação profissional. 
No Capítulo 3, faremos uma breve discussão acerca das escolas e os 
profissionais intérpretes de Libras, saberemos quem são os profissionais 
envolvidos na educação dos surdos, as diferentes situações enfrentadas por 
esses profissionais no âmbito escolar. Vamos apresentar de maneira breve as 
estratégias de tradução e de interpretação dentro das situações específicas do 
contexto educacional, embasados na ética, responsabilidade e profissionalismo.
Após essa apresentação e sob esse prisma lhe convidamos para iniciar 
seus estudos sobre a disciplina de Intérprete de língua de sinais brasileira em 
sala de aula – Libras, iremos viajar por uma estrada repleta de curiosidades e 
ética. Este livro é um forte aliado na construção de seu conhecimento acerca do 
profissional intérprete de Libras, aproveite-o e efetive as leituras complementares 
com atenção e responsabilidade, seja cuidadoso e determinado nas atividades de 
cada capítulo empodere-se do conteúdo para argumentar com segurança acerca 
do profissional responsável pela tradução e interpretação de Libras nos espações 
onde a língua de sinais e a educação de surdos seja principal tema discutido.
Vamos começar!
CAPÍTULO 1
REFLEXÕES SOBRE A NATUREZA 
DO PROCESSO TRADUTÓRIO E DOS 
ESTUDOS DA TRADUÇÃO
A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 Entender e refl etir sobre o processo tradutório.
 Compreender a trajetória dos estudos da tradução.
 Discutir a tarefa do tradutor do ponto de vista profi ssional. 
 Dialogar com os princípios da tradução. 
 Articular os princípios tradutórios no campo profi ssional.
 Discutir os processos tradutórios e de interpretação.
10
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
11
R. SOBRE A N. DO PROCESSO T. E DOS ESTUDOS DA T. Capítulo 1 
1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Como acontece o desenvolvimento da tradução e da interpretação são 
assuntos que buscaremos tratar nesse livro, esses dois fatos são importantes 
para a compreensão do universo que envolve nãoapenas os surdos, mas 
principalmente o profi ssional que atua diretamente com a língua brasileira de 
sinais. Entretanto, é fundamental compreender as diferenças entre tradução e 
interpretação para que os processos que envolvem ambos sejam compreendidos 
de maneira clara e objetiva. 
São diversas diferenças entre os processos de tradução e interpretação, 
e as mais fundamentais são aquelas que compreendem o campo operacional, 
visto que o tradutor converte um texto escrito em outro texto escrito, e o intérprete 
estabelece uma comunicação oral/sinalizada para outra comunicação oral/
sinalizada. Outra diferença é que na tradução é possível refl etir sobre o trabalho, 
interromper, retomar, consultar livros, fontes de informação, pessoas, outras 
versões realizadas para a mesma obra, fazer todo um julgamento e reparo antes 
de fi nalizar o trabalho, até conseguir chegar à melhor forma de expressar a ideia 
do autor na língua de partida. 
Conhecidas, inicialmente, as particularidades dos campos da tradução e 
da interpretação, é necessário, agora, aproximar o foco às especifi cidades da 
tradução. Dois objetivos orientam, especialmente, este capítulo: 1) estudar sobre 
o que consiste a tradução, seus processos tradutórios e a tarefa do tradutor, e 
destacar estratégias tradutórias mais frequentes, utilizadas por tradutores para 
fazer face ao desafi o de traduzir um texto da língua de origem para a língua de 
chegada. 2) compreender os processos de Interpretação. 
No próximo tópico será conceituado tradução. 
2 CONCEITOS E TIPOLOGIAS DA 
TRADUÇÃO 
A tradução não se vê como a obra literária, mergulhada, 
por assim dizer, dentro da fl oresta da língua, mas 
fora dela, frente a ela, e sem penetrá-la, ela chama o 
original neste único lugar onde, a cada vez, o eco de 
sua própria língua pode reproduzir a ressonância de 
uma obra da língua estrangeira (Walter Benjamin).
12
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
Diferentes defi nições de tradução são encontradas nos materiais disponíveis, 
algumas julgam a tradução como atividade entre as línguas, enquanto outras 
consideram que o aspecto textual assume um papel mais relevante, já outras, 
observam, muito mais o processo comunicativo da atividade. 
Essas diferenças entre os conceitos de tradução advêm, de defi nições que 
derivam de concepções diversas do que realmente se compreende pelo ato de 
traduzir. Dentre tais defi nições, Albir (2008) destaca que a tradução como uma 
atividade entre línguas, como atividade textual, como ato de comunicação e 
como processo. Pensamento que é verdadeiro devido à realidade do fato, porém, 
autores como Vinay e Darbelnet (1958 apud ALBIR, 2008, p. 37) buscam refl etir 
que a defi nição de tradução é aquela que considera o “passar de uma língua para 
outra, de uma língua A para uma língua B, para expressar uma mesma realidade”. 
As teorias linguísticas são as que se aproximam dessa defi nição, porém, 
para aprofundar no tema da tradução não são satisfatórias, considerando que 
privilegiam apenas o elemento linguístico. Para Nida e Taber (1969; p. 29) a 
tradução consiste em reproduzir, mediante uma equivalência natural e exata, 
a mensagem de uma língua original para outra língua receptora. É importante 
destacar que a tradução não deve ser considerada como um processo de 
comparação entre línguas, mas podemos afi rmar que esse é um processo que 
se relaciona com os processos de compreensão e de expressão na comunicação 
monolíngue, visto que “o processo de tradução está mais relacionado com a 
operação de compreensão e reexpressão do que de comparação de línguas” 
(SELESKOVITCH; LEDERER, 1984, p. 18). 
Nesse sentido, Steiner (1975, p. 44) afi rma que é um processo de 
transformação, interpretativo, hermenêutico: destaca que o modelo esquemático 
da tradução é o de uma mensagem vinda de uma língua fonte que passa por uma 
língua receptora, assim que tenha sofrido um processo de transformação. Outros 
autores também se posicionam próximos a essa defi nição do caráter textual da 
tradução, Catford (1965, p. 39) afi rma que “la sustituiciòn de material textual em 
uma lengua (LO) por material textual equivalente em outra lengua (LT)”. Apesar 
de muito bem descrita percebe- se que a análise de Catford está centrada no 
plano da língua, e que para House (1977, p. 38) o caráter da tradução quando 
afi rma que a ela é uma substituição de um texto na língua de partida por um texto 
semântico e pragmaticamente equivalente na língua meta. O autor direciona-se 
para os aspectos semânticos e pragmáticos que comportam a tradução. 
Sob o ponto de vista de Seleskovitch, Lederer (1984, p. 256) “traduzir signifi ca 
transmitir o sentido das mensagens que contém um texto e não converter para 
outra língua, a língua em que está formulado”. Reivindicando o caráter textual da 
tradução, e insistindo que a tradução é o sentido, afi rma ainda que “traduzir é um 
13
R. SOBRE A N. DO PROCESSO T. E DOS ESTUDOS DA T. Capítulo 1 
ato de comunicação e não de linguística” (SELESKOVITCH; LEDERER, 1984, p. 
256). Para tanto é necessário aproximar o entendimento de que nesse processo 
é a determinação do que intencionava-se dizer o emissor da mensagem ou texto 
original.
FONTE: <https://bit.ly/38HPJWP>. Acesso em: 6 maio 2021.
FIGURA 1 – TRADUÇÃO E CULTURA
As culturas são diferentes e representam os hábitos de um grupo de 
pessoas, as línguas orais culturalmente expressam suas experiências por meio da 
transmissão audiovisual, enquanto em todas nas línguas sinalizadas de qualquer 
parte do mundo, conforme está ricamente representado na imagem anterior, todos 
os conceitos, hábitos e experiências são absorvidos pelo canal visual espacial. É 
pelas mãos e pelos olhos que o mundo surdo apreende, interpreta e alcança o 
conhecimento necessário para uma vida igualitária no sentido comunicacional em 
uma sociedade majoritariamente ouvinte. 
Repetidamente ouvimos expressões que se referem, 
popularmente, à cultura: “Você tem cultura?”, “Aquela jovem é muito 
culta!”, “Ele não tem nenhuma cultura”, ou ainda: “Ele respeita a 
cultura de seus avós”. Todas essas, e muitas outras formas de 
expressão, referem-se à mesma palavra, porém com signifi cados 
diferentes. A cultura pode ser associada a uma ideia de erudição, 
cultura como arte, como conhecimentos gerais, como acesso ao 
conhecimento. Observando a cultura como acesso, ela se caracteriza 
como algo que alguns possuem e outros não. Por outro lado, pode 
14
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
estar relacionada a uma determinada forma de elaboração simbólica, 
através da qual os seres humanos são categorizados. 
Sob esta última ótica, a cultura é defi nida a partir de 
características étnicas e sociais de determinados grupos que ao 
viverem e conviverem em coletividade constroem signifi cados 
específi cos para suas vidas. Mesmo que tais resultados não devam 
ser usados na homogeneização desse grupo, possibilitam pensar a 
capacidade que os grupos humanos possuem de se diferenciarem, 
o que é uma de suas características centrais. Nesse viés, a refl exão 
sobre cultura conduz a considerações sobre a magnitude da 
diversidade humana e, portanto, sobre diferentes visões de mundo 
que são construídas por grupos particulares, assim como a maneira 
com que tais visões organizam a vida desses grupos.
As questões culturais também fazem parte desse universo de compreensão 
do que é traduzir, Campos (1986, p.27-28) chama a atenção para esse fato 
quando afi rma que “não se traduz, afi nal, de uma língua para outra, e sim de uma 
cultura para outra; a tradução requer, assim, [...] um repositório de conhecimentos 
gerais, de cultura geral, que cada profi ssional irá [...] ampliando e aperfeiçoando”. 
Partindo dessa análise, podemos dizer que a tradução é um ato que 
proporciona a comunicação entre as partes e que apresenta um contexto 
específi co onde a infl uência sociocultural se faz presente, sinalizamosainda que 
a tradução é vista como transporte cultural, onde a fi delidade e a recepção dela 
possuem um grau de importância fundamental 
À luz do pensamento de Hatim y Mason (1990; 1995), que apresentam a 
tradução é um processo comunicativo que tem lugar em um contexto social, 
Herman (1991) se posiciona e compreende a tradução como uma prática 
comunicativa e que, portanto, é um tipo de comportamento social. 
A tradução tem lugar em uma situação comunicativa e que 
os problemas de comunicação podem defi nir-se como o 
que se denomina problemas de “coordenação interpessoais 
que representam também os problemas de interação social” 
(HERMAN 1991, p.160). 
Sabemos que a tradução é sim, um ato entre culturas e que o papel do 
tradutor é primordial para que a comunicação se torne efetiva e funcional. Toury 
(1981 p. 81) defi ne a tradução como “um ato intrassistêmico de comunicação”. 
Para autores como Snell-Hornby (1988) e Hewson e Martin (1991), a tradução é 
15
R. SOBRE A N. DO PROCESSO T. E DOS ESTUDOS DA T. Capítulo 1 
um ato transcultural, uma relação entre as culturas envolvidas, na qual o tradutor 
é considerado como um operador cultural. Já, para Nord (1988; 1991) a tradução 
também é um ato comunicativo, cujo critério fundamental é a funcionalidade.
3 ESTUDOS DA TRADUÇÃO E SEUS 
PROCESSOS TRADUTÓRIOS
Percebemos que são diversas as defi nições acerca da tradução, no âmbito 
da tradução, autores discutem sua complexidade e funcionalidade, porém, 
compreendemos que não conseguem atender, de forma plena ou isoladamente, 
sua multiplicidade, não conseguimos identifi car suas características no texto, no 
ato comunicacional e na atividade cognitiva, assim, consideramos que a tradução 
é um processo de comunicação e, também, de reformulação social.
 Albir (2008) apresenta também esse conceito e busca identifi car três traços 
fundamentais para defi nir de maneira mais efetiva as características da tradução. 
Primeiramente, o autor considera que a tradução tem, sim, uma fi nalidade 
comunicativa, para o destinatário que não tem conhecimento de determinada 
língua na qual encontra-se um texto, permitindo a compreensão por meio da 
comunicação ativa. Todavia, nesse caso o tradutor deve considerar as intenções 
comunicativas presentes e o fato de que cada língua se expressa de maneira 
diferenciada em cada cultura, assim é necessário observar as necessidades do 
destinatário. 
A la hora de reproducir em outra lengua y cultura esse texto, 
el traductor debe considerar que no se trata de plasmar la 
cobertura linguística sino las intenciones comunicativas que 
hay detrás de ella, teniendo em cuenta que cada lengua 
las expressa de uma manera diferente y considerando las 
necessidades de los destinatários y las características del 
cargo (ALBIR, 2008, p. 41).
Todos os elementos que integram a tradução devem fazer parte dessa forma 
de comunicação, visto que a fi nalidade da tradução pode ainda ir ao encontro do 
público a que se dirige, por meio dos métodos e soluções diferenciados escolhidos 
pelo tradutor. 
Em segundo lugar, (Albi, 2008) considera que a tradução não se situa no 
plano da língua, mas sim no da fala, sendo que não se traduzem as unidades 
isoladamente, de forma descontextualizada: se traduzem os textos. No momento 
16
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
da tradução de um texto, deve-se analisar os mecanismos de funcionamento 
textual presentes (coerência, coesão e os diferentes tipos de gêneros textuais), 
percebendo que esses mecanismos diferem de línguas e culturas. 
Em terceiro lugar, o autor considera que não se pode jamais esquecer que 
a tradução é a atividade de um sujeito (um tradutor), que necessita de uma 
competência específi ca para traduzir um texto, a qual é chamada de competência 
tradutória. A tradução consiste em um complexo processo mental, que se constitui 
primeiramente em compreender o sentido que esse transmite e, na sequência, 
reformulá-lo com os meios da outra língua. 
Percebemos que para essa autora, qualquer defi nição de tradução tem que 
incluir necessariamente essas três caracterizações: texto, ato de comunicação 
e a atividade cognitiva de um sujeito. Considera a defi nição da tradução como 
um processo interpretativo e comunicativo que busca a reformulação de um texto 
de uma língua para outra, de uma cultura para outra, sempre ligado ao contexto 
social e com uma fi nalidade determinada. Entendemos que esse pensamento é 
ação entre textos e não apenas entre línguas, na qual deve-se analisar todos os 
mecanismos de atualização textual, não apenas as suas relações internas (de 
texto para texto), mas também a importância de observar as relações externas, 
com os fatores condicionantes externos: 
las coordenadas espaciales y temporales, la importância del 
receptor, del encargo y de la fi nalidade de la traducción, así 
como las competências y los processos mentales implicados. 
(ALBIR, 2008, p. 41). 
A autora defende a importância em integrar esses níveis de análises, assim 
como a necessidade de um enfoque integrador dos estudos sobre a tradução que 
analise sob a ótica dessas três perspectivas. Devemos considerar também que 
a tradução é uma experiência que pode se abrir e se reencontrar na refl exão, 
que por sua vez não é considerada a descrição impressionista dos processos 
subjetivos do ato de traduzir, e não consideramos ser uma metodologia, mas uma 
experiência. “Assim é a tradução: experiência. Experiência das obras e do ser-
obra, das línguas e do ser-língua. Experiência, ao mesmo tempo, dela mesma, da 
sua essência” (BERMAN, 2013, p. 23). 
Berman (2013) reavalia a tradução a partir de sua visão, após considerar 
alguns de seus entendimentos históricos. Chama a atenção para o fato de que a 
tradução não é uma subliteratura (defi nição do século XVI), não é uma subcrítica 
(proposição do século XIX), nem tampouco uma linguística ou uma poética 
aplicada (como acredita-se no século XX). Defende, antes, que a tradução é o 
sujeito e o objeto de um saber próprio: a tradução é tradução-da-letra, do texto 
enquanto letra.
17
R. SOBRE A N. DO PROCESSO T. E DOS ESTUDOS DA T. Capítulo 1 
As duas concepções tradicionais e dominantes na tradução literária são a 
tradução etnocêntrica e a tradução hipertextual, sendo ambas entendidas como o 
modo segundo o qual uma porcentagem impressionante de traduções é feita há 
séculos (BERMAN. 2013, p. 39). Muitos tradutores, autores, críticos e estudiosos 
da área julgam-nas como conceitos normais de traduzir, consideradas ideais. 
3.1 TRADUÇÃO PARA LÍNGUA DE 
SINAIS
Ao analisarmos o ponto de vista de Berman, conseguimos refl etir como a 
cultura ouvinte percebe as normas que são adotadas na tradução para Libras. 
O etnocentrismo na tradução de textos do Português para Libras apresenta 
fortemente essa característica: na grande maioria das vezes esses textos são 
adaptados para a língua visual sem estabelecer relação com a cultura e identidade 
surda, ou quando estabelecem o fazem de maneira muito superfi cial.
Observa-se que em muitos textos traduzidos para Libras seguem-se as 
mesmas especifi cidades da língua oral, e apresentam de forma sutil a dominação 
sob a língua do outro, representada pela imposição da língua oral. Tal observação 
acontece quando percebemos que um texto traduzido para o Português “escrito 
sinalizado” (quando a estrutura da Libras não é a base dessa escrita, mas sim o 
Português de forma mascarada em meio aos sinais).
Muitas vezes, esse fato também acontece no momento da tradução por vídeo, 
na sinalização realizada de forma simultânea com a oralização de cada palavra e 
cada sinal, surgindo o Português sinalizado. Essa imposição na tradução para 
Libras revela a dominação e a imposição do Português, oral ou escrito, sendo 
possível fazer uma relação com a tradução etnocêntrica citada por Berman. 
A tradução hipertextual é uma concepção dos séculos XVII e XVIII, e que 
pode parecer ultrapassadapor alguns profi ssionais da tradução. “Remete a 
qualquer texto gerado por imitação, paródia, pastiche, adaptação, plágio, ou 
qualquer outra espécie de transformação formal, a partir de um outro texto já 
existente” (BERMAN, 2013, p. 40). 
No período em que esse conceito de tradução foi praticado com maior 
frequência, os textos eram “transformados, pela própria vontade, em uma obra 
estrangeira”. Permitia-se substituir certas palavras por outras mais convenientes, 
suprimir uma passagem “por ser obviamente ridícula demais”.
18
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
Na Língua de Sinais, textos de diferentes tipos se entrelaçam para que 
a tradução aconteça, havendo, ainda, o envolvimento e a interação facial 
características dessa modalidade de língua. Contudo, como Albres (2015) alerta, 
mesmo com as interações face a face, conforme acontece na língua de sinais, o 
tratamento que se dá ao ato de traduzir está relacionado à estrutura linguística 
escrita. 
Os movimentos que buscam incentivar uma educação bilíngue para os 
surdos e as traduções literárias que são realizadas frequentemente, propiciam a 
tradução de diferentes obras literárias que estão em português para a Libras. 
Buscamos luz no posicionamento de Albres (2015) e corroboro a ideia de que 
a tradução está ligada diretamente aos aspectos multifacetados e multimodais da 
linguagem humana. Arriscamos afi rmar que, em se tratando de língua de sinais, 
essa ligação é marcada com maior intensidade. Para tanto, a compreensão de 
como se traduz os materiais multimodais pode ser importante para que, a partir 
daí, as escolhas se estabeleçam na função tradutória e estratégica do tradutor. 
Para Albres (2015), em seu artigo “Tradução intersemiótica de literatura 
infanto-juvenil: vivências em sala de aula”, apresenta uma discussão acerca 
de quais são as mudanças na construção dos sentidos segundo os textos 
apresentados em materiais multimodais. Ainda nessa produção a autora revela 
materiais literários para o público infanto-juvenil, analisando episódios de vídeo-
gravação. Os recursos semióticos são utilizados fortemente nas mídias, e 
[…] congregar o verbal e o não-verbal em materiais impressos 
para crianças e jovens sempre foi algo mais comum que em 
outros materiais, em que o visual permanecia praticamente 
invisível até começar a ser amplamente explorado pelas 
tecnologias computacionais e surgir realçado em diferentes 
contextos (FERNANDES, 2013 apud ALBRES, 2015, p. 389).
19
R. SOBRE A N. DO PROCESSO T. E DOS ESTUDOS DA T. Capítulo 1 
FONTE: http://www.casaguilhermedealmeida.org.br/revista-
reproducao/ver-noticia.php?id=111. Acesso em: 7 maio 2021.
FIGURA 2 – TRADUÇÃO LITERÁRIA EM LIBRAS
A Figura 2 nos remete claramente à construção e fortalecimento da tradução 
literária em Libras e a sua importância para o desenvolvimento da comunidade 
surda e sua relação com as mais diversas literaturas. Toda essa conversa, até o 
momento, em busca de percepções que tragam amparo a defi nição de tradução 
foram válidas e com contribuições fundamentais para a construção do conceito 
do que entendemos hoje ser a tradução. Também nos revelaram uma linha de 
raciocínio notável na área desse campo de pesquisa que são as traduções para o 
público surdo. Tais materiais estão mais ligados à área da literatura e fortemente 
ao público infanto juvenil, sabemos de traduções de material didático e adaptações 
para faixa etária maior, porém ainda com um número não muito expressivo. 
O conhecimento que temos é de que os materiais literários disponibilizados 
para o público surdo trazem contribuições extremamente positivas, visto que 
assumem formas específi cas da cultura visual e que favorecem a interação 
sujeito-material. A grande maioria das traduções são por meio de vídeos em Libras 
e representam a tradução do texto escrito em português ou em outro idioma oral, 
essa prática caracteriza um dos diferentes modos dessa interação. Albres (2015, 
p. 389) afi rma que “as traduções literárias para o público infanto-juvenil, em línguas 
de sinais, requerem o uso de interfaces tridimensionais e digitais que contribuam 
para a leitura da expressão em sinais por meio do vídeo”. Embora as traduções 
com interfaces tridimensionais e digitais eliminem ou minimizem as barreiras de 
compreensão literária que se concretizam desde as primeiras fases escolares, 
grifo ainda, que para o público adolescente surdo, os materiais disponíveis são 
20
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
mais reduzidos. 
Lemos (2017), em sua dissertação, “ Leitura, Surdez e Inclusão: Tradução 
comentada do conto “Vestida de Preto” do Português para língua brasileira de 
sinais- Libras”, nos revela diferentes projetos que apresentam materiais bilíngues 
e traduzidos para línguas de sinais de diferentes países que contribuem de forma 
positiva não apenas com o aprendizado das pessoas surdas acerca de literatura 
e suas infi nitas possibilidades de relação com o mundo, mas também nos revela 
magnitude de traduções para uma língua visual com um público expressivo. A 
exemplo da Argentina, com o projeto Video libras Virtuales, em LSA (Língua de 
Sinais Argentina) e dos Estados Unidos (através da Universidade Gallaudet), com 
o projeto Bilingual Storybook App. Em território nacional contamos com Editora 
Arara Azul tem trabalhado fortemente com a tradução cultural de literatura, por 
meio de traduções de clássicos para Libras, em parceria com o Ministério da 
Educação Brasileiro. 
Essas ações garantem de maneira importante materiais bilíngues, traduzidos 
para Libras, sua distribuição contribui tanto para o desenvolvimento da pessoa 
surda enquanto estudante, mas também na relação do sujeito com o mundo 
externo revelando fortes percepções internas que moldam o ser humano. As 
escolas públicas com matrículas de alunos surdos se tornam uma forte aliada na 
difusão da Libras, assim como para a aprendizagem e a experiência leitora dos 
surdos brasileiros. 
É importante ter conhecimento de que a análise e as discussões que 
envolvem a tradução de literatura para as pessoas com surdez no âmbito nacional, 
que é o que estamos alinhando nesse material, cabem sim, principalmente 
aos estudiosos da área, obviamente não queremos aqui eximir aos demais da 
parcela de responsabilidade. Contudo, é necessário aproximar o olhar com um 
direcionamento mais refi nado quando falamos de uma investigação do diálogo 
que, na literatura não visomotora, que se estabelece na interação entre o texto, as 
ilustrações e o design do material, e que na Libras compõe um produto multimodal 
(ALBRES, 2015).
Aproximo minha análise a da autora, e exponho ainda que esse objeto de 
estudos é complexo, logo, para adquirir uma visão multidisciplinar da tradução, 
é fundamental a articulação acentuada com a educação, com a linguística e 
tecnologia. Para tanto, os profi ssionais da tradução Português-Libras devam 
sempre estar intimamente apropriados dessas confi gurações. A tradução 
intersemiótica de literatura para adolescentes requer sensibilidade, interesse 
e competência por parte dos tradutores Português/Libras. Ainda amparada em 
Albres (2015), acredita-se que, ao propor a discussão e a refl exão sobre novas 
21
R. SOBRE A N. DO PROCESSO T. E DOS ESTUDOS DA T. Capítulo 1 
formas de linguagens narrativas, meios eletrônicos, realidade virtual, surgem 
formas diversas de interação com as obras, sendo elas literárias ou não, 
proporcionando um diálogo multimodal e multidisciplinar entre as áreas. 
3.2 ALGUMAS ESTRATÉGIAS DE 
TRADUÇÃO PARA LIBRAS
O registro escrito sempre foi o meio que acontece a execução da tradução, 
historicamente a relação do profi ssional se dá por meio de práticas escritas, esse 
ponto de vista acaba por ignorar outros aspectos que são fundamentais para os 
sentidos do sujeito quando está em conexão com a leitura. 
Albres (2014; 2015) revela que é fundamental a tradução do Portuguêspara 
Libras por meio de vídeo, e que o uso de interfaces tridimensionais e digitais, 
contribuem signifi cativamente para a leitura da expressão em sinais. O objetivo 
maior desses materiais traduzidos por vídeo em Libras é de proporcionar o 
aprendizado e o conhecimento para o sujeito surdo, muitas vezes esses materiais 
são apresentados juntamente com o material em português, porém, a relação 
entre a tradução, leitura e literatura é real e efetiva. 
Albres (2014) sugere a criação de critérios para procedimentos de tradução 
de literatura infanto-juvenil do Português para a Libras. No trabalho de natureza 
analítico-descritiva, “Tradução de literatura infanto-juvenil para língua de sinais: 
dialogia e polifonia em questão”, Albres (2014) sugere a criação de critérios para 
procedimentos de tradução de literatura infanto-juvenil do português para Libras, 
argumenta acerca da tradução, realizada por Neiva de Aquino Albres e Sylvia 
Grespan Neves, da obra Guilherme Augusto Araújo Fernandes, de autoria de 
Mem Fox. 
Do ponto de vista da autora o intérprete que, em minha opinião, também 
é o tradutor, não faz a tradução apenas do texto em si, o profi ssional faz uso 
das ilustrações do livro, pelo gênero discursivo e pelo público-alvo em potencial. 
Salienta ainda que: 
O tradutor/ intérprete, a todo o momento, faz uso de juízo de 
valor no processo de interpretação, há valorização do conteúdo 
da obra, da relação desse conteúdo com seus valores pessoais 
e da sociedade em que vive, como também, há valorização do 
público a quem se destina a sua tradução (ALBRES, 2014, p. 
1156).
22
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
Lemos (2017), em sua dissertação, faz uma breve análise do ponto de vista 
da autora e constata que ela identifi ca a forma como o tradutor constrói os sentidos 
sobre o texto-fonte que se apresenta, percebendo também como acontece a 
materialização em texto de chegada por meio da sinalização gravada por vídeo. 
Concordamos com as ideias postas em sua pesquisa de dissertação quando 
ela afi rma que “todas essas particularidades da tradução, como juízo de valor, 
valorização do conteúdo e do público-alvo necessitam determinados critérios e 
escolhas pelo tradutor” (LEMOS, 2017, p. 37). 
O uso do espaço pelo tradutor para o processo de geração de sentidos 
e os espaços na perspectiva do leitor de texto multimodal são as duas as 
categorias que Albres (2014) analisa em sua pesquisa, quando na primeira 
categoria, a autora analisou dois momentos de tradução, esses trechos arbitrários 
representam a duas páginas do livro, porém, conseguem designar o processo de 
geração de sentidos partindo do ponto de vista do texto verbo-visual. Ao analisar 
a segunda categoria, optou por uma página do livro que possibilitasse a discussão 
da visualização do material digital em língua brasileira de sinais. 
Em se tratando do uso de espaço para o processo de geração de sentidos, a 
autora que também é profi ssional-tradutora da área de Libras, optou por exibir os 
diferentes espaços em uma intensa discursividade verbo-visual como motivadora 
de sua enunciação. Com base em sua pesquisa buscamos luz e também 
compreendemos que as tradutoras não leem apenas as palavras do livro, mas 
também atribuem sentido, considerando a ilustração, a forma gráfi ca, bem como o 
contexto social em que a leitura se dá (ALBRES, 2014, p. 1160). 
Durante a escolha tradutória alguns termos que não constam no texto-fonte 
em português, podem ser incluídos quando estão ilustrados no livro, porém, com a 
observância de seguir de maneira fi el o contexto, tal alternativa objetiva aproveitar 
ao máximo o potencial visual para a construção de sentidos, pois algumas palavras 
não possuem de sinal. Critérios como: o uso do corpo, o local de sinalização no 
espaço, a apontação e a direção do olhar, são escolhas da tradutora para indicar, 
por exemplo, os espaços trabalhados no texto, visto que seu corpo tende para o 
lado direito e/ou esquerdo, sempre na perspectiva do sinalizador. 
Outro critério observado por Lemos (2017) na pesquisa de Albres (2014), é 
que a tradutora para apresentar o discurso dos personagens e suas localizações 
optou pela postura na expressão corporal de narrador da história, direcionando o 
olhar para o leitor e o uso do espaço mental sub-rogado, o qual acontece quando 
o sinalizador incorpora o personagem, situação em que pode assumir o papel 
de qualquer pessoa da situação narrada e sinalizar como se fosse ela (LEMOS 
2017). 
23
R. SOBRE A N. DO PROCESSO T. E DOS ESTUDOS DA T. Capítulo 1 
As orações curtas, simples e diretas também preponderam em Libras, sendo 
comum o sujeito em terceira pessoa no português (ele) e o tradutor alterar o 
discurso direto para a primeira pessoa (eu) no processo da tradução, para Albres, 
essa estrutura é essencial à enunciação e envolve a incorporação de personagem 
na Libras (ALBRES, 2014, p. 1163). Contribuímos com o pensamento da autora 
afi rmando que em Libras é comum também os movimentos de corpo em direção 
para a direita e esquerda, e a direção do olhar para melhor explicitação de qual 
personagem enuncia. 
Outro trabalho, intitulado “Tradução intersemiótica de 
literatura infanto-juvenil: vivências em sala de aula” (2015), de 
Neiva Albres, discute e analisa episódios de vídeo- gravações que 
focalizam a mediação da professora – mediadora, em contextos de 
trabalho de construção dos sentidos em uma atividade de tradução 
coletiva de um texto multimodal, assim como a conscientização 
da complexidade e da especifi cidade das escolhas linguísticas e 
discursivas envolvidas no processo tradutório. 
FONTE: ALBRES, N. “Tradução intersemiótica de literatura infanto-juvenil: 
vivências em sala de aula”. Estudos da Tradução e da Interpretação 
de Línguas de Sinais, Florianópolis, v. 35, n. 2, 2015. 
4 O TRADUTOR E INTÉRPRETE DE 
LIBRAS
FONTE: Acervo pessoal da autora
FIGURA 3 – TILSP – TRADUTOR INTÉRPRETE DE LIBRAS/PORTUGUÊS
24
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
Algumas pesquisas que abrangem a área da tradução e interpretação de 
Libras/ Português vêm contribuindo para as refl exões e discussões sobre o tema, 
estudos como o de Santos (2006), Martins (2009), Russo (2009), Jordão (2013), 
Santos (2013) e Menezes (2014), apontam a importância e a pertinência do 
aprofundamento das questões de formação do profi ssional tradutor intérprete de 
Libras, que é uma profi ssão que tem ganhado novos moldes ao longo da história, 
inclusive, reconhecimento social e legal que ampliam as representações sobre a 
atividade e inserção desse profi ssional em diferentes espaços. 
À luz de Santos (2013), buscamos compreensão no panorama das pesquisas 
sobre o TILS e em sua análise por categorias que afl oram e emergem de teses e 
dissertações realizadas desde o fi nal do século XX. Revela que a Educação é a 
área primordial dessas pesquisas, mas que não podemos negar a existência de 
uma transição e um empoderamento no campo dos Estudos da Tradução. 
Na pesquisa, apresenta alguns sinais críticos das pesquisas se tratando de 
confl ito de identidade, caracterização do papel do intérprete de Libras e trajetórias 
formativas, além do fato de que a qualifi cação dos intérpretes infl uencia a tradução 
e interpretação que realizam, levando a crer que o desenvolvimento profi ssional é 
fundamental (SANTOS, 2013). 
A prática do profi ssional tradutor e intérprete de Libras e de Português (TILPS) 
já está legalizada em campo nacional, essa conquista é muito recente, apesar de 
haver indícios de sua existência há décadas. As discussões acerca da atuação 
desse profi ssional ganham força intensamente em espaços onde a pessoa com 
surdez, usuário de Libras, está presente assumindo um papel importante na 
sociedade.
Martins (2009) nos presenteia com sua pesquisa, quando apresenta as 
trajetórias de formação do intérprete de Libras, revelando a existência de um 
percurso formativo recente e aindacom algumas fragilidades. Concordamos com 
a autora quando ela aponta a importância da interação com a comunidade surda 
para que se defi na a apropriação de saberes científi cos nas relações de trabalho 
desse profi ssional, que acontece também no campo religioso. 
A formação do profi ssional tradutor intérprete de Libras, requer que se 
contemple “a dimensão discursiva da linguagem, isto é, seu uso concreto, dessa 
maneira possibilita refl exões sobre os processos de construção de sentidos a 
partir das situações concretas de enunciação’” (ALBRES; NASCIMENTO, 2014, p. 
226 apud ALBRES, 2015, p. 392).
25
R. SOBRE A N. DO PROCESSO T. E DOS ESTUDOS DA T. Capítulo 1 
Santos (2006), realiza um valoroso estudo sobre as identidades do 
tradutor-intérprete e em suas análises indica questões como assistencialismo, 
voluntariado, formação e profi ssionalização permeiam na formação e constituição 
das identidades desses profi ssionais que são múltiplas e determinadas a partir de 
diferentes elementos, como marcadores culturais e linguísticos. 
Outra autora que se debruça sobre o tema e nos traz ricas considerações é 
Russo (2009), quando afi rma que, enquanto formadora de intérpretes de língua 
de sinais, busca sentidos dos discursos dos sujeitos de sua pesquisa durante 
percursos de formação e enquanto profi ssionais atuantes na área. A autora 
revela ainda os aspectos relacionados à profi ciência da língua em uso, salienta 
fortemente a necessidade de apropriar-se de um saber fazer a interpretação, 
e que a singularidade dos profi ssionais e a importância da demonstração de 
diversos saberes, técnicas específi cas e práticas relacionadas aos contextos 
distintos, bem como o pertencimento à comunidade surda, são questões que 
devem acompanhar de maneira muito expressiva o pensar do tradutor intérprete 
de Libras.
Assim, esse profi ssional necessita de constante formação para garantir 
que seu trabalho aconteça de maneira efi caz, no Decreto 5.626/2005 (BRASIL, 
2005), a formação deve seguir por meio de cursos de extensão, graduação 
Letras-Libras e/ou em cursos de pós-graduação, organizados em instituições 
educacionais. Percebe-se, no entanto, que existe uma carência considerável de 
cursos de formação, mesmo com as propostas atuais que estão postas. Albres 
(2015) aponta que o contorno didático vivenciado em ambientes escolares 
e educacionais que explore os diferentes gêneros textuais e discuta sobre a 
multimodalidade envolvida na linguagem contemporânea precisa ser amadurecido 
entre os formadores. 
Jordão (2013), faz uma rica pesquisa de análise das características da 
formação dos intérpretes de Libras do sudeste goiano, evidencia de maneira 
muito signifi cativa a formação dos tradutores intérpretes de Libras e os limites e as 
possibilidades na atuação a partir dessa formação. Constata que os relacionados 
às lacunas na formação, no que se refere à falta de subsídio conceitual acerca 
da surdez e da interpretação, assim como ao conhecimento inconsistente que 
se pode ter por meio de cursos de curta duração em perspectiva dicionarizada. 
Deixa muito claro que o amparo governamental para a formação é essencial, 
mas também é fundamental a disposição e interesse para realizar sua formação 
e capacitação a partir não somente de cursos, mas também na participação em 
eventos e grupos de discussões vistas ao favorecimento e a troca de experiências, 
conhecimento na área e aprendizado de novos sinais.
26
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
Nesse viés, é importante destacar que no processo de tradução-interpretação 
encontram-se as inúmeras responsabilidades do tradutor em relação à obra 
que está trabalhando, ele deve se conscientizar da complexidade do processo 
tradutório e, também, para fato de que as decisões, escolhas e estratégias de 
cada uma de suas ações necessitam ser observadas com prudência ao longo 
de todo o processo e essa consciência também se adquire na trajetória de sua 
formação. 
Fica muito nítido que nas pesquisas que optamos em trazer para a discussão, 
todas revelam a necessidade de aprofundamento acerca do conceito de tradução, 
e de interpretação, que estão presentes no cotidiano e nas questões culturais, 
linguísticas e sociais do profi ssional tradutor. Entendemos que a tradução cultural 
exige maior conhecimento das questões de hábito, da cultura e tradições da língua 
em uso, respeitando sempre as suas especifi cidades. Nas pesquisas citadas, 
percebemos que todos os especialistas da área apontam que o profi ssional 
tradutor deve ser comprometido com o produto de seu trabalho e que “o processo 
de tradução também requer do profi ssional a compreensão e a produção de um 
novo texto” (ALBRES, 2015, p. 394). 
A tradução é uma leitura e uma reescritura, reconhecendo a autoria do 
texto traduzido (ARROJO, 2004; VENUTI, 2002 apud ALBRES, 2015, p. 394). 
Partindo desse ponto de vista, podemos entender que as vezes em que a 
tradução é considerada apenas a cópia ou a reprodução do produto textual é uma 
inconsequência, um equívoco, pois as marcas desse trabalho são respostas às 
produções diversas do discurso e as relações de sentido são diferenciadas. 
Julgamos que sim, a tradução não deve ser percebida como um campo 
limitado, mas sim de uma maneira mais ampla: considerando sempre que 
o ato de traduzir alcança de maneira profunda e especial as questões dos 
sentimentos, culturas e sensações, traduzir para além das palavras contidas no 
texto. Corroboramos com Albres (2015, p. 395) quando a autora se aproxima e 
faz referência a Sobral (2008, p. 57) reconhecendo que “traduzimos discursos, 
no sentido de que as palavras não existem no vazio, elas somente existem e 
signifi cam dentro de um contexto específi co”. 
Sob a luz das considerações desses autores, conseguimos também 
perceber que todos esses discursos possuem contexto e intencionalidades de 
leituras e interpretações e que as revelações de ordem ideológicas e subjetivas, 
vem a contribuir para que questões semióticas e pragmáticas da tradução sejam 
consideradas pelo grande campo dos Estudos da Tradução. 
27
R. SOBRE A N. DO PROCESSO T. E DOS ESTUDOS DA T. Capítulo 1 
Se pensarmos na tradução para a Libras, atentamos também para Lemos 
(2017), que considera que o campo de estudos da linguagem alcança esse 
conceito, pois em suas produções estão associados elementos visuais, ilustrativos 
e de design, fazendo com que os textos multimodais sejam vivos e efetivos no 
processo, podemos aqui também perceber a amplitude da responsabilidade do 
tradutor que necessita corresponder a todas essas situações que se apresentam 
fortemente no ato de traduzir. 
A capacidade tradutória do profi ssional vai para além de suas vivências, é 
importante que não só o profi ssional tradutor de todas as línguas, mas aqueles que 
trabalham com a Libras devem ser ainda mais cuidadosos na questão da fl uência 
na leitura das mais diversas linguagens, principalmente no “estudo via gênero com 
exemplares de textos autênticos, permeados por imagens, amplamente usados 
em nossa sociedade, em diferentes mídias como, por exemplo: internet, revistas, 
jornais e televisão; em textos publicitários, informativos e literários” (ALBRES, 
2015, p. 395). 
A língua de sinais possui características e especifi cidades completamente 
diferentes das línguas orais, e, esse fato não está aqui para discutir ou negar, visto 
que são diversos estudos, pesquisas e discussões que apontam e comprovam 
esse fato. Para todas as línguas o visual é importante, porém, para a Libras ele 
é fundamental, essas especifi cidades se apresentam de maneira mais intensa 
quando estamos falando da tradução, as imagens possibilitam uma visualização 
de informações que constroem a signifi cação de sentidos e saberes próprios. 
Queremos mais uma vez citar Albres, quando ela faz referência em sua pesquisa à 
análise dos textos para além da escrita, conduzindo a uma proposta de discussão 
acercados estudos intersemióticos. 
A autora nos revela que “dentre os tipos de tradução, a tradução intersemiótica 
ou transmutação consiste na interpretação de signos verbais por meio de sinais 
de sistemas de signos não-verbais” (JAKOBSON, 1972, p. 65 apud ALBRES, 
2015, p. 396). 
À luz da rica pesquisa da autora, traremos as concepções por ela defendidas 
de maneira muito assertiva para esse caderno, visto que, corroboramos com 
seu ponto de vista e que também consideramos na tradução intersemiótica a 
imagem, que é o sistema de signo não-verbal, enquanto o texto, entendemos 
que é o sistema de signo verbal, assentimos também que ambos se completam 
e muitas vezes dependem um do outro. Nesse sentido, cabe ressaltar que existe 
uma mistura entre diversos tipos de tradução, de múltiplas linguagens, contudo 
elas se contrapõem à tradução interlingual (entre línguas) e à tradução intralingual 
(diferentes registros da mesma língua), introduzindo sistemas não-verbais como 
materializações passíveis de serem traduzidas (ALBRES, 2015, p. 396). 
28
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
Os textos que possuem características visuais e textuais são também objeto 
de estudo e pesquisa na área da tradução de Libras e contemplam uma cadeia 
de considerações dos textos que possuem características não-verbais. Katharina 
Reiss (1990) é citada por Albres (2015) quando sugere em sua pesquisa o 
emprego de termos multimidial, multimodal e multisemiótico para se referir a 
textos que possuem características visuais e textuais (SNELL-HORNBY, 2006, p. 
84-85). 
Quatro tipos de textos que dependem de elementos não verbais são 
introduzidos em súmula. A seguir buscamos apresentar a defi nição conceitual 
desses termos do ponto de vista de Albres (2015), e com base na pesquisa de 
Reiss (1990).
1. texto multimidial – os textos multimodais envolvem tanto a visão quanto 
a audição, podemos citar os trabalhos de cinema, televisão, as legendas e sub/
surtilling. Esse termo em Inglês geralmente é referido como audiovisual, os 
mesmos são transmitidos pelos meios de comunicação técnica e/ou eletrônica.
2. texto multimodal – são bem representados em teatro e ópera onde 
envolvem os mais diferentes modos de expressão verbal e não-verbal, e 
compreendem som e a visão.
3. texto multissemiótico – usa diferentes sistemas de signos gráfi cos, 
verbais e não-verbais, como nos quadrinhos ou anúncios impressos.
4. texto audiomidial: escrito para ser falado, portanto, para atingir o seu 
destinatário fi nal por meio da voz humana e não a partir da página impressa.
Ao aproximarmos nosso olhar a essa classifi cação que é defendida pelas 
autoras, percebemos que ainda permanece a ambiguidade entre os termos verbal 
e não-verbal. Lemos (2017) concorda com Albres (2015), quando a autora afi rma 
que há pouco detalhamento do aspecto não-verbal, assim como o corpo de 
quem anuncia com gestos e com ambientes e contextos discursivos também é 
pouco relacionado. Com a intencionalidade do uso de interfaces tridimensionais 
e digitais, é comum materiais híbridos que congreguem diversas linguagens. 
(ALBRES, 2015, p. 397). 
Corroboramos com o pensamento da autora, salientamos ainda que esses 
tipos de textos possibilitam a comunicação por meio de elementos visuais 
e textuais e na tradução deles o profi ssional deve considerar não apenas 
os elementos linguísticos, mas lançar mão também de elementos visuais e 
elementos gráfi cos. É importante compreender que a autora faz essa descrição 
baseada em materiais impressos (livros). Contudo, se analisarmos, dentre as 
escolhas tradutórias para traduzir para Libras, a tradução intersemiotica pode ser 
considerada a mais adequada, pois esses elementos são amplamente utilizados. 
A Atualidade é a tecnologia, e isso, não temos como nos desvincular, ela está 
29
R. SOBRE A N. DO PROCESSO T. E DOS ESTUDOS DA T. Capítulo 1 
por todos os lugares ao nosso redor sempre, esses materiais digitais como E- 
books, tablets e e-readers, são capazes de favorecer a interação numa linguagem 
hibrida, e esse fato provoca a ampliação de pesquisas e estudos desse gênero 
textual.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
No decorrer desse primeiro capítulo, estudamos questões conceituais 
do que é tradução, refl etimos sobre a natureza do processo da tradução e da 
interpretação, aproximando dos estudos da tradução, trouxemos para o debate 
a tarefa do tradutor e algumas de suas escolhas tradutórias que infl uenciam e 
interferem fortemente a compreensão do seu objeto de produção, seja ele escrito 
ou por vídeo. 
Essa infl uência deve ser considerada pelo profi ssional, visto que deve aceitar 
o objetivo real da tradução, o público receptor do material traduzido, e os efeitos 
dessa infl uência tradutória na cultura de chegada, o profi ssional tradutor deve 
sensibilizar-se que as palavras lidas no texto fonte fazem parte de um contexto 
e de uma situação formativa ou de entretenimento que não podem ser pensadas 
isoladamente. 
O tradutor profi ssional é o sujeito que constrói sentido do material que fez 
a leitura, sem afastar-se de seu capital linguístico e cultural, o material traduzido 
é o objetivo alcançado da tradução e a compreensão carregada de signifi cado 
dessa tradução é o intento do profi ssional tradutor que carrega consigo a 
responsabilidade de transmitir o saber de maneira valorosa e efi caz. 
Sabemos que existem diferentes defi nições de tradução nos mais 
diversos materiais, artigos e textos disponíveis, o fato é que dentre 
essas discussões, algumas julgam a tradução como atividade entre 
as línguas, enquanto outras consideram que o aspecto textual 
assume um papel mais relevante, já outras, observam, muito mais 
o processo comunicativo da atividade. Importante saber que essas 
diferenças existentes entre os conceitos de tradução advêm, de 
defi nições que derivam de concepções diversas do que realmente se 
compreende pelo ato de traduzir. 
30
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
No decorrer do texto encontramos alguns autores que discutem 
sabiamente o assunto, para Albir (2008) a tradução como uma 
atividade entre línguas, como atividade textual, como ato de 
comunicação e como processo. 
1 Assinale V para verdadeiro e F para falso de acordo com o 
pensamento dos autores como Vinay e Darbelnet (1958 apud
ALBIR, 2008, p. 37).
FONTE: ALBIR, A. H. Traduccíon y Traductología: Introducción 
a la Traductología. Madri: Ed. Catedra, 2008.
( ) Entendem que a defi nição de tradução é aquela que considera 
o “passar de uma língua para outra, de uma língua A para uma 
língua B, para expressar uma mesma realidade”. 
( ) Compreendem que a tradução é em um ato que é inverídico 
devido a realidade do fato de traduzir.
( ) Traduzir é o mesmo que passar de uma língua para outra, de 
uma língua A para uma língua B, para expressar uma mesma 
realidade.
( )Traduzir e Interpretar tem a mesma função de conduzir as 
facilidades em compreender determinada língua.
( ) F – F – F – F.
( ) V – V – V – V.
( ) V – F – V – F.
( ) F – V – F – F.
2 A tradução é um ato que proporciona a comunicação entre 
as partes e que apresenta um contexto específi co onde a 
infl uência sociocultural se faz presente. Sinalizamos ainda 
que a tradução é vista como transporte cultural, onde a sua 
fi delidade e a recepção possuem um grau de importância 
fundamental. À Luz do pensamento de Hatim y Mason 
(1990; 1995), que apresentam que a tradução é um processo 
comunicativo que tem lugar em um contexto social, 
Hermans (1991) se posiciona e compreende a tradução 
como uma prática comunicativa e que, portanto, é um tipo 
de comportamento social. A tradução tem lugar em uma 
situação comunicativa e que os problemas de comunicação 
podem defi nir-se como o que se denomina problemas de 
“coordenação interpessoais que representam também os 
problemas de interação social” (HERMAN 1991, p. 160). A 
31
R. SOBRE A N. DO PROCESSO T. E DOS ESTUDOS DA T.Capítulo 1 
tradução é um ato entre culturas e que o papel do tradutor 
é primordial para que a comunicação se torne efetiva e 
funcional. Toury (1981 p. 81) defi ne a tradução de maneira 
muito específi ca.
FONTE: HATIM, B.; MASON, I. (1990/1995) Teoría de la traducción: 
una aproximación al discurso. Barcelona: Ariel, 1995.
HERMAN, M. In contexto. Cambridge: Cambridge University Press, 1991. 
TOURY, G. Translated Literature: System, Norm, Performance: Toward a TT-Oriented 
Approach to Literary Translation. Poetics Today, [s.l.], v. 2, n. 4, p. 9–27, 1981.
Assinale qual a alternativa que compreende o ponto de vista de 
Toury (1980):
( ) A tradução é um ato intrassistêmico de comunicação.
( ) A tradução é um ato de culturas mais elevadas.
( ) A tradução é o que conseguimos compreender na leitura de um 
texto da mesma língua.
( ) A tradução é um ato de inverdade intralingual.
3 Para autores como Snell-Hornby (1988) e Hewson e Martin 
(1991), a tradução é um ato transcultural, uma relação entre as 
culturas envolvidas, na qual o tradutor é considerado como 
um operador cultural. Já, para Nord (1988; 1991) a tradução 
também é um ato comunicativo, cujo critério fundamental é a 
funcionalidade.
 Albir (2008) apresenta também esse conceito e busca 
identifi car três traços fundamentais para defi nir de maneira 
mais efetiva as características da tradução.
 De acordo com o material estudado, assinale a alternativa(s) 
que apresenta de maneira afi rmativa os três traços 
fundamentais para defi nir as características da tradução. 
FONTE: SNELL-HORNBY, M. Translation Studies: An Integrated 
Approach. John Benjamins Publishing, 1988. 163 p.
HEWSON, L.; MARTIN, J. Redefi nindo a tradução. A 
Abordagem Variacional. Londres: Routledge, 1991.
Assinale V para as sentenças verdadeiras e F para as Falsas:
( ) O autor considera que a tradução tem, sim, uma fi nalidade 
comunicativa, para o destinatário que não tem conhecimento de 
determinada língua na qual encontra-se um texto, permitindo a 
compreensão por meio da comunicação ativa. Entretanto, nesse 
caso o tradutor deve considerar as intenções comunicativas 
presentes e o fato de que cada língua se expressa de maneira 
32
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
diferenciada em cada cultura, assim é necessário observar as 
necessidades do destinatário. Todos os elementos que integram a 
tradução e devem fazer parte dessa forma de comunicação, visto 
que a fi nalidade da tradução pode ainda ir ao encontro do público 
a que se dirige, por meio dos métodos e soluções diferenciados 
escolhidos pelo tradutor. 
( ) O autor defende que a tradução é uma atividade em que o produto 
tradutório se faz de acordo apenas com as questões sociais sem 
prejuízo à compreensão do ledor.
( ) A tradução não se situa no plano da língua, mas sim no da fala, 
sendo que não se traduzem as unidades isoladamente, de 
forma descontextualizada: se traduzem os textos. No momento 
da tradução de um texto, deve-se analisar os mecanismos 
de funcionamento textual presentes (coerência, coesão e os 
diferentes tipos de gêneros textuais), percebendo que esses 
mecanismos diferem de línguas e culturas. 
( ) O autor considera que não se pode jamais esquecer que a 
tradução é a atividade de um sujeito (um tradutor), que necessita 
de uma competência específi ca para traduzir um texto, chamada 
de competência tradutória. A tradução consiste em um complexo 
processo mental, que se constitui primeiramente em compreender 
o sentido que ele transmite e, na sequência, reformulá-lo com os 
meios da outra língua.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – V – V – F.
b) ( ) F – V – F – V – V.
c) ( ) F – F – F – V – F.
d) ( ) V – V – V – V – V.
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36
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
CAPÍTULO 2
TRADUZIR E INTERPRETAR: LIMITES 
E POSSIBILIDADES NO CAMPO DA 
EDUCAÇÃO
A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 Conhecer os limites que envolvem o ato de traduzir e interpretar. 
 Compreender as diferenças entre traduzir e interpretar.
 Identifi car os aspectos linguísticos, culturais e situacionais que envolvem a 
prática de interpretar e traduzir.
 Entender o papel do intérprete como mediador social e linguístico, com base 
trajetória histórica da formação profi ssional.
 Distinguir acerca dos limites e das possibilidades que envolvem a tradução e a 
interpretação. 
 Aplicar de maneira efi caz a diferença entre o ato de traduzir e interpretar.
 Acrescentar ao ofício do tradutor intérprete o papel de mediador social e 
linguístico.
38
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
39
T. E I.: LIMITES E P. NO CAMPO DA EDUCAÇÃO Capítulo 2 
1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Entender o ato de traduzir e interpretar de/para/entre língua de sinais para, 
então, compreender os limites e as possibilidades no campo da educação exige, 
primeiramente saber que tudo está interligado aos Estudos da Tradução e da 
Interpretação de Línguas de Sinais (ETILS). Inúmeras pesquisas se debruçam 
sobre esse tema, sendo um novo campo disciplinar emergente, diretamente 
vinculado aos Estudos da Tradução (ET), assim como aos Estudos da 
Interpretação (EI). 
É necessário saber da interdependência e as diferenças existentes entre os 
ET e os EI, refl etir acerca do objeto de estudo que os ETILS caracterizam ao 
envolver uma língua gesto- visual, cabe ressaltar que é um campo extremamente 
novo e que está em expansão, apesar de que os ETILS são inexistentes quando 
desvinculados desses dois campos disciplinares, logo, a relação de dependência 
é de fato inevitável. 
No que tange a sua manifestação no ambiente escolar, e os limites possíveis 
no campo educacional, os ETILS apontam a construção de um panorama 
positivo e específi co com crescimento gradativo em território nacional. Sabemos 
que muitos são os desafi os, mas, as diferentes pesquisas voltadas para o tema 
buscam dar suporte e provocar refl exões importantes para o crescimento desse 
novo campo de saber. 
Compreendemos que os ET e os EI possuem como diferença básica, que 
é o seu objeto principal de estudo, que quando o primeiro se detém na tradução 
e/ou traduzir, o segundo tem como foco interpretar e ou interpretação, ambos 
se caracterizam pela maneira por meio da qual advém a linguística, cognitiva 
e operacionalmente, conseguimos compreender, então, que esses campos 
disciplinares são justapostos e interdependentes, considerando que sua 
coexistência é inevitável, porém são diferentes e singulares quando se trata das 
especifi cidades e de seu objeto de estudo. 
2 OS LIMITES E POSSIBILIDADES NO 
ATO DE TRADUZIR E INTERPRETAR 
EM LÍNGUA DE SINAIS
Se pensarmos em comunicação e interação entre duas ou mais pessoas 
usuárias de línguas diferentes sejam elas faladas ou sinalizadas e que nenhuma 
40
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
delas tem conhecimento da estrutura linguística e gramatical da língua da outra, 
entendemos a necessidade direta da interpretação para que aconteça de fato 
o objetivo da interação. Quando falamos em língua de sinais, percebemos que 
em todos os espaços existe a necessidade de um profi ssional que realize essa 
interação entre as partes envolvidas, pois as limitações e as possibilidades são 
inúmeras. 
O espaço escolar se desenha como um lugar que mais exige da demanda 
apresentada, os profi ssionais intérpretes de Libras são um mecanismo linguístico 
que garantem essa interação em todos os departamentos, porém, sua maior 
atuação ainda é no campo educacional devido à implementação da política de 
Educação Inclusiva brasileira, a qual conduziu as matrículas dos alunos com 
surdez que, antes frequentavam as escolas especiais de surdos, para escolas 
regulares de ensino. 
É importante destacar que a Lei 10.436/02, que reconhece a Libras como 
meio legal de comunicação e expressão dos surdos, e o Decreto 5626/05 (BRASIL, 
2005) que institui a língua brasileira de sinais, como paradigma educacional da 
pessoa surda, reconhecendo a Libras como uma das principais conquistas da 
evolução integral e da construção sociocultural da comunidade surda. Tanto 
a Lei 10.436 como o Decreto 5626, trouxeram importantes conquistas para a 
comunidade surda brasileira, especifi camente, em relação ao reconhecimento 
da Língua Brasileira de Sinais, que traz a necessidade de alguém para mediar a 
comunicação entre as partes do processo, essa interação e troca de informação é 
amparada e proporcionada pelo profi ssional tradutor intérprete de Libras, quando 
em território nacional. 
Apesar da presença desse profi ssional nas relações comunicativas, muitas 
pessoas confundem ainda os termos e conceitos sobre o que é tradução e o que 
é interpretação, considerando que se trata de conceitos envolvidos em um mesmo 
processo, onde o que os diferencia é algo muito sutil, onde podemos considerar 
que toda a tradução é considerada como uma interpretação, enquanto que toda 
a interpretação se constituí em uma forma de tradução. Esse fato nos revela a 
grande complexidade existente na atuação do profi ssional tradutor e intérprete. 
Essa complexidade já começa na terminologia adotada para fazer a 
referência aos profi ssionais da área da tradução/interpretação de Libras, os 
documentos ofi ciais apresentam diferentes possibilidades para nos referirmos ao 
tradutor-intérprete de Libras, sendo comum nos depararmos com várias dessas 
possibilidades o ILS – intérprete de Língua de Sinais, e TILSP- Tradutor-intérprete 
de Língua de Sinais e Língua Portuguesa, esses são os termos mais comuns 
utilizados no meio. 
41
T. E I.: LIMITES E P. NO CAMPO DA EDUCAÇÃO Capítulo 2 
2.1 CONHECER OS LIMITES QUE 
ENVOLVEM O ATO DE TRADUZIR E 
INTERPRETAR
 Se pensarmos em tradução e interpretação e no seu grau de importância 
para a compreensão do conteúdo que está sendo trabalhado, entendemos 
que, de certa forma, as duas áreas se complementam e que a mesma função é 
preenchida, considerando a transmissão do conteúdo de uma língua para outra, 
com os sentidos pretendidos e sem o prejuízo linguístico, fato que inúmeras vezes 
acontece, devido à distorção da compreensão no decorrer do percurso tradutório. 
Para Lacerda (2014), o mais importante não é a tão conhecida tradução literal, 
onde a palavra é o que mais importa, o autor acredita que o sentido que o emissor 
oferece no momento em que se expressa na língua de origem, alimenta com 
maior veracidade também os sentidos da língua alvo.
Contudo, a tradução e a interpretação também assumem conceitos que 
expressam atividades completamente distintas, a tradução tem a função de 
transmitir via textos escritos o discurso entre as línguas, e essa característica 
proporciona ao tradutor um momento de pesquisa, busca e refl exão dos termos 
e palavras mais adequadas para encaixar ao contexto que se apresenta e, 
ainda, se por ventura perceba qualquer equívoco consegue ajustar a escrita, a 
expressão ou qualquer sentido frasal para melhor compreensão do leitor. Quando 
se trata da interpretação, a atividade está diretamente ligada à transmissão de 
saberes do discurso de uma línguapara outra simultaneamente, no curto espaço 
de processar a informação recebida e transmitir quase momentaneamente para 
a língua alvo o enunciado, essa agilidade é fundamental para o intérprete, pois 
seu raciocínio deve ser ágil o sufi ciente para a tomada de decisões rápidas, como 
transmitir um termo ou sentido sem consulta prévia. 
Mesmo com essa informação dos conceitos básicos na língua de sinais 
muitas vezes registramos lapsos em relação ao campo conceitual, mas também 
na prática dos profi ssionais que por alguma razão ainda não se apropriaram das 
referências, termos e conceitos da área em que atua. É comum encontrarmos 
profi ssionais que julgam que a interpretação em Libras é reprodução de uma 
palavra em português que acontece por meio da busca do “nome” para um sinal 
desconhecido. Esse ponto de vista é habitual quando o tradutor/intérprete de 
Libras está no princípio de sua caminhada, se partimos do viés da aprendizagem 
de uma segunda língua, é possível aceitar essa prática como um método de 
ensino, porém, não é, da mesma forma, aceitável transferir dessa técnica singular 
de ensino de segunda língua para o processo específi co da tradução de uma 
língua como a Libras. 
42
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
Os prejuízos na construção do processo de tradução e transferência dos 
conceitos de maneira satisfatória fi cam deveras prejudicados, visto que a língua 
de sinais se organiza estruturalmente com uma gramática diferenciada, sua 
modalidade de percepção se estrutura no espaço e não pela produção linear das 
línguas orais. 
Esse é um dos limites e desafi os da tradução da Libras e, também, na 
interpretação, visto que a incompreensão das sentenças produzidas é comum 
quando se utiliza de “sinal” X como representação direta da “palavra”, ou seja, 
fazendo uso da tradução literal. Essas situações prejudicam a compreensão do 
discurso e todos os envolvidos que constituem na língua de sinais sua base para 
percepção de mundo, acabam com a interação social afetada negativamente. 
Muitas situações expressam a exclusão de pessoas surdas e ouvintes, 
provocadas pela “incompetência” de trazer a informação em tempo real ao 
acontecido. Um caso de fácil compreensão dessa situação é quando dois ouvintes 
onde um é fl uente em Libras e o outro, sem conhecimento, encontram por acaso 
uma pessoa surda usuária de Libras para sua interação social. Se a pessoa que 
é fl uente travar um momento de diálogo com o surdo, aquele que não possui 
conhecimento vai estar excluído do contexto caso a interpretação da fala não 
aconteça em tempo real, simultaneamente. O desafi o é que mesmo as pessoas 
que são fl uentes, muitas vezes incapazes de estabelecer a de maneira simultânea 
a conversa e a interpretação em Libras para que uma terceira pessoa seja incluída 
na conversa. A justifi cativa nesse caso é que não consegue interpretar ao mesmo 
tempo da sinalização do usuário de Libras. 
Observamos que a fl uência em Libras não garante o conhecimento de 
técnicas tradutórias que cumpram de maneira satisfatória o papel de tradutor 
intérprete de Libras que é de estabelecer a comunicação e compreensão entre 
as partes de um discurso. O fato mais extremo que encontramos nesse tipo de 
situação é que ainda prevalece a suposição errônea de que qualquer pessoa com 
o conhecimento de Libras e portador de um vocabulário expressivo, também é 
capaz de realizar a interpretação de Libras em qualquer contexto. 
Inúmeras especifi cidades estão presentes no ato interpretativo, está para 
muito além do fato de dominar determinada língua. Traduzir e interpretar em Libras, 
exige o envolvimento com a expressão cultural da comunidade surda, reivindica, 
inclusive, depreender a importância da contextualização no processo, assim como 
as nuances das estratégias de tradução que assumem a responsabilidade de 
levar sentido à fala. 
43
T. E I.: LIMITES E P. NO CAMPO DA EDUCAÇÃO Capítulo 2 
Muitas situações envolvem a situação interpretativa e/ou tradutória, muito 
embora podemos assim classifi cá-las, não são raras as vezes em que elas 
ocorrem de maneira simultânea. Assim, podemos afi rmar que, em algumas 
situações interpretativas, há também uma questão tradutória, e o inverso também 
é verdadeiro, cabe ao profi ssional estabelecer a compreensão efetiva. 
Sabemos que a tradução e a interpretação possuem conceitos muito 
bem defi nidos que são discutidos há décadas por pesquisadores e estudiosos 
renomados. Tais conceitos já apresentados anteriormente contêm difi culdades na 
própria compreensão do que seja uma ou outra situação, o que ocorre devido à 
complexidade envolvida em ambas e, também, a própria semelhança que existe 
entre a tradução e a interpretação, assim como pelo fato de uma não ser possível 
sem a existência da outra, ou seja, a coexistência é de fato visível. O fragmento a 
seguir, reforça e reporta a um desses conceitos, apresentando um esclarecimento 
fundamental para a prática do profi ssional. 
A tradução acontece entre textos escritos, o qual o tempo 
de execução é maior e as ferramentas envolvidas são de 
suporte mecânico: papel, tinta, gravações, vídeos etc. Já a 
interpretação é realizada entre textos falados e sinalizados, de 
tempo de execução menor e as ferramentas envolvidas são de 
suporte evanescentes: espaço, acústico e visual (BARRETO; 
BUSTOS 2012, p. 27).
No Português, temos muitas expressões e termos que causam difi culdades 
no momento da interpretação para muitos intérpretes, casos típicos como: “tire 
seu cavalinho da chuva”, “seus olhos são espelho da alma”, “quem vê cara não vê 
coração”, entre outras expressões idiomáticas que muitas vezes não possuem o 
mesmo sentido na Libras, e cabe ao tradutor a responsabilidade de fazer escolhas 
tradutórias apropriadas que cumpram com a função da tradução, para que a 
compreensão aconteça de maneira efetiva. A fl exibilidade gramatical da Libras 
nos presenteia com uma gama de possibilidades de escolha tradutória que podem 
favorecer o profi ssional. Contudo, é importante perceber como está a capacidade 
de levar a compreensão para o público-alvo. 
Quando elencamos o público-alvo, não devemos nos ater apenas às pessoas 
surdas, visto que os ouvintes não conhecedores da Libras também fazem parte 
desse grupo e o conhecimento cultural é fundamental para que a tradução e a 
interpretação seja completa e compreendida por esse público. Entretanto, como 
saber se o Surdo realmente está compreendendo o que de fato o profi ssional 
está sinalizando? Esse questionamento deve fazer parte diariamente da prática 
do profi ssional, para que busque estratégias com retorno positivo a sua função.
44
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
Por vezes algumas situações ocorrem na interpretação que causa inquietação, 
como por exemplo, quando apenas é exposto aquilo que foi verbalizado em um 
curto espaço de tempo e de maneira posterior, sem que análises e pesquisas 
contribuíssem para produzir algum tipo de registro. Outras vezes o intérprete 
opta pelo entendimento não apenas da língua, mas observa também o discurso 
daquele que faz parte do diálogo e que, de certa maneira, já está familiarizado 
com suas questões e elementos culturais. Nesse caso, também podemos dizer 
que se trata de uma tradução, visto que ao passar o conteúdo de um discurso de 
uma língua para outra a tradução se constitui. 
1 Os Estudos da Tradução – ET e os Estudos da 
Interpretação – EI, possuem uma diferença básica 
quando se trata do objeto principal de estudo, ambos 
se caracterizam pela maneira por meio da qual advém a 
linguística, cognitiva e operacionalmente. Esses campos 
disciplinares são justapostos e interdependentes, porém 
sua coexistência é inevitável, são ainda diferentes e 
singulares quando se trata das especificidades e de seu 
objeto de estudos. De acordo com o conteúdo estudado 
até o momento, sobre o objeto de estudos da tradução e 
da interpretação, analise as sentençasa seguir: 
I- ET se detém à tradução e/ou traduzir, EI tem como foco interpretar 
e/ ou interpretação.
II- Traduzir e Interpretar são objetos de estudo da linguística e ambos 
possuem basicamente o mesmo papel.
III- ET é o mesmo que traduzir e interpretar, assim como EI é 
considerado o mesmo que interpretar e traduzir. 
IV- Nenhuma das alternativas anteriores corresponde a verdade.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Apenas a alternativa IV e III são verdadeiras
b) ( ) As alternativas II e I correspondem a verdade
c) ( ) Todas as alternativas estão corretas
d) ( ) Apenas a alternativa I é verdadeira.
2 A Lei 10.436/02 e, o Decreto 5626/05 trouxeram importantes 
conquistas para a comunidade surda brasileira 
especifi camente em relação ao reconhecimento da Língua 
Brasileira de Sinais, que garante a presença de alguém para 
45
T. E I.: LIMITES E P. NO CAMPO DA EDUCAÇÃO Capítulo 2 
mediar a comunicação entre as partes do processo. Essa 
interação e troca de informação é amparada e proporcionada 
pelo profi ssional tradutor intérprete de Libras, quando em 
território nacional. As terminologias adotadas para fazer a 
referência aos profi ssionais da área da tradução interpretação 
de Libras apresentam diferentes possibilidades. Assinale a 
alternativa que corresponde as terminologias adotadas para 
se referir ao profi ssional intérprete de Libras:
a) ( ) ILS, TILS, TILSP.
b) ( ) TILSP, IT.
c) ( ) ET, EI.
d) ( ) Apenas ILBS.
e) ( ) Nenhuma das alternativas são verdadeiras.
2.2 ATO TRADUTÓRIO E 
INTERPRETATIVO: FAZER DE FATO 
OU FAZER DE CONTA?
A profi ssão de tradutor-intérprete exige conhecimentos para além das 
questões de “achismos”. A interpretação e tradução é um produto que requer 
compreensão não apenas de vocabulário, mas também de linguística e cultura. 
A área em que o profi ssional atua possui, igualmente, particularidades seja no 
religioso, educacional, político, de saúde entre outros. 
É importante perceber que existem vários níveis de interpretação, quando 
pensamos no nosso público alvo, aquele que consome o serviço de tradução e 
interpretação possui diferentes níveis de registro, visto que cada pessoa faz uso da 
língua de determinada maneira, se o contato com a língua acontecer de maneira 
tardia, supostamente terá maior difi culdade no uso da língua, em contrapartida, 
se o contato acontecer em tempo adequado o desenvolvimento de linguagem e 
a aprendizagem do código de comunicação acontece com muito mais rapidez e 
uma desenvoltura mais efetiva. 
Ao estabelecer a compreensão dos níveis interpretativos, é importante saber 
que no Brasil existem surdos que são fi lhos de pais ouvintes e que não têm o 
contato com a sua língua natural no período e idade adequados para acontecer 
de maneira satisfatória a aquisição e desenvolvimento linguístico, diferente do 
46
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
que acontece com as famílias ouvintes, onde a relação com a língua se dá a todo 
instante de diferentes maneiras. O fato dos pais serem surdos ou ouvintes refl ete 
diretamente no desenvolvimento da criança. Para Coll, Marquesi e Palacios 
(2004, p. 174)
a porcentagem de surdezes hereditárias situa-se em torno de 
30 a 50%, mas não é fácil determinar isso. A principal razão 
está em que a maioria das surdezes de origem genética tem 
caráter recessivo. Isso supõe que, em muitos casos, a perda 
auditiva das crianças surdas com pais ouvintes é genética. 
Para Roth e Júnior (2010, p. 17), é fundamental percebermos que apenas 
10% das pessoas surdas têm pais surdos. Esse fato infl uencia fortemente na 
socialização e formação educacional do sujeito surdo. 
Mais de 90% das crianças surdas que possuem pais ouvintes não conhecem 
a língua de sinais (ELEWEKE; RODA, 2000 apud SANTOS, 2009, p. 22); essa 
situação acaba por prejudicar o desenvolvimento linguístico da criança, visto que 
não há exposição a uma língua de maneira efetiva, resultando na carência de 
todos os tipos de informação. Dada essa carência, os problemas e limitações 
socioeducativas e psicocognitiva se apresentam durante sua vida. Tal problemática 
se agrava quando alguns dos pais não querem que seus fi lhos aprendam uma 
língua sinalizada, em alguns casos é comum ouvir justifi cativas que afi rmam que 
a aprendizagem de uma língua de sinais prejudica a capacidade de adquirir a fala 
(EMMOREY, 2002; GOLDIN-MEADOW, 2006; MAYBERRY; EICHEN, 1991).
Essa assimilação de prejuízo de linguagem e de comunicação se comprova 
diretamente no contexto escolar, no momento da chegada desse aluno ao 
espaço, muitas vezes seu primeiro contato com a língua de sinais acontece no 
encontro com o intérprete de Libras, momento em que a defasagem linguística 
se manifesta de maneira espantosa. O desenvolvimento da linguagem tardia para 
as crianças surdas em idade escolar, se comprova em diferentes pesquisas em 
território nacional, a quais apontam que a aquisição de linguagem tardia signifi ca 
a falta de um código de comunicação provocando a difi culdade na aprendizagem. 
Entretanto, é importante compreender que a presença de um intérprete de Libras 
ou mediador linguístico que domina a língua de sinais é um fato que acontece 
indiferentemente se o surdo tem domínio ou não da Libras, visto que, teoricamente, 
já está em idade escolar que se dá a partir dos sete anos.
Considerando, que cada um desses alunos matriculados na escola sem o 
domínio de Libras tem uma maneira diferenciada de uso da língua de sinais, uma 
das primeiras questões que deve ser analisada pelo profi ssional intérprete é se 
realmente a sua sinalização atinge o objetivo proposto, que é o de estabelecer 
uma comunicação efetiva e funcional.
47
T. E I.: LIMITES E P. NO CAMPO DA EDUCAÇÃO Capítulo 2 
Para tanto, o profi ssional intérprete de Libras deve observar três aspectos 
fundamentais para saber se realmente a interpretação atinge seu público-alvo. 
Primeiramente, é necessário ter o conhecimento do estágio em que está a língua 
de sinais do surdo que irá receber o serviço, para então, conseguir estabelecer 
uma relação positiva, o segundo aspecto é desenvolver habilidade para saber agir 
de acordo com o nível do desenvolvimento linguístico daquele que está recebendo 
a interpretação. Não é aconselhável sinalizar com um alto nível de formalidade em 
uma turma de surdos com determinada limitação linguística e de vocabulário. Essa 
habilidade exige do intérprete de Libras um esforço cognitivo muito expressivo, 
visto que necessita saber agir de acordo com o nível de conhecimento do público-
alvo. 
Ter a habilidade de perceber em que nível de conhecimento de língua se 
encontra a pessoa com surdez, para então, habilmente, sinalizar de maneira 
muito mais segura e compreensível. Entretanto, em nível nacional temos muitos 
surdos que não acessam a bagagem de conhecimento do nível educacional em 
que o surdo se encontra. Percebemos que temos surdos no nível superior que 
está com uma bagagem de conhecimento próximo ao nível médio ou até mesmo 
fundamental. Nessa situação, o intérprete necessita ter a habilidade de perceber e 
fazer a leitura assertiva dos sinais de compreensão ou falta dessa no que tange à 
interpretação. O conhecimento e a habilidade estão juntos com o terceiro aspecto 
que é a atitude, essas atitudes exigem que o intérprete mude seu comportamento 
utilizando determinadas estratégias e adequando os níveis de registro da pessoa 
surda. A postura em relação a própria interpretação faz com que o profi ssional 
adquira sensibilidade e empatia, que é necessário para perceber se o surdo está 
de fato compreendendo o que o intérprete está sinalizando.
Algumas expressões são sinalizadas pelo surdo quando está recebendo 
as informações em sua língua de sinais, elas fazem com que o profi ssional 
perceba se nível de compreensão da língua está de acordo com o esperado, 
um profi ssional que tenha elementos como conhecimento, habilidade e atitude 
adquire, supostamente, acapacidade de criar estratégias para perceber se sua 
interpretação está de fato sendo compreendida e, em consequência, desenvolve 
uma determinada competência extralinguística que está diretamente ligada a 
esses três elementos, essa auxilia a traçar caminhos para melhorar sua atuação e 
perceber se o surdo está ou não compreendendo a interpretação.
Todo esse processo, está diretamente ligado à cultura surda e à maneira 
como o intérprete se relaciona e compreende esse conceito cultural que, 
atualmente, vem sendo abordado em diversas pesquisas, isso induz sua 
postura e visão profi ssional. Os estudos culturais das línguas de sinais buscam 
identifi car crenças, identidades, comportamentos, valores e outros elementos que 
estão para além do uso da língua. No momento em que o profi ssional adquire 
48
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
tais conhecimentos acaba por desenvolver uma competência extralinguística 
que proporciona a capacidade conhecer, saber lidar e trabalhar com diferentes 
públicos. Assim, é necessário que antes de começar a interpretar, o profi ssional 
saiba de fato quem é o público-alvo e em qual nível linguístico ele se encontra no 
momento.
Sabemos que existem elementos culturais que estão presentes em uma 
língua e não necessariamente estão inseridos em outra. É muitíssimo importante 
que a maneira de pensar e agir da pessoa surda seja no individual ou no coletivo 
faça parte íntimo do intérprete de Libras. Da mesma forma, é fundamental ter 
intimidade com os saberes da língua portuguesa, para que o intérprete ofereça o 
serviço de sinalização e de oralização com qualidade. 
O conhecimento da cultura e dos elementos extralinguísticos fornece ao 
intérprete diferentes escolhas tradutórias que auxiliam na escolha das estratégias 
linguísticas que proporcionam alcançar diferentes objetivos direcionando o fazer 
tradutório do profi ssional. Esse direcionamento fornece um determinado resultado, 
um retorno positivo ou negativo do público-alvo. As questões extralinguísticas 
auxiliam diretamente o profi ssional a compreender o que está para além da língua 
e, consequentemente, refl etir acerca do processo de tradução e interpretação. 
Entendemos assim, que para o surdo compreender o que o intérprete está 
sinalizando, é fundamental que o profi ssional entenda o processo cultural que a 
pessoa surda está inserida, se faz parte de associação, se os pais são surdos ou 
ouvintes, se tem contato direto com a Libras, qual o estágio de sinalização, se o 
nível de abstração é profundo ou básico. Essas e outras questões atravessam 
os níveis de registro da linguagem, visto que quanto maior o contato com a 
cultura surda e suas particularidades e quanto mais intimidade com os elementos 
extralinguísticos, consequentemente, maior se dará o nível de registro e a 
prática da linguagem. Dessa maneira, a compreensão e o entendimento do que 
o intérprete está sinalizando acontece da maneira mais efetiva contribuindo na 
formação do intérprete de Libras e na constituição do seu fazer profi ssional. 
2.3 O INTÉRPRETE DE LIBRAS: 
FORMAÇÃO E CONSTITUIÇÃO 
PROFISSIONAL
O intérprete de Libras é uma ferramenta essencial na mediação comunicativa 
do público surdo, mas também para o público ouvinte que não tem conhecimento 
da língua de sinais. Esse profi ssional é fundamental que o acesso ao conhecimento 
49
T. E I.: LIMITES E P. NO CAMPO DA EDUCAÇÃO Capítulo 2 
em todas as áreas aconteça de maneira mais efetiva. Cabe destacar que no âmbito 
escolar a presença do intérprete de Libras tem ocorrido com muita frequência, 
visto que a demanda de tradução e interpretação cresce proporcionalmente com a 
quantidade de matrículas de surdos nos bancos escolares. 
Mesmo com o aumento da necessidade do intérprete de Libras em espaços 
diversos, é importante lembrar que a constituição desse profi ssional vem 
acontecendo na informalidade. Isso acontece pelo aumento das demandas dos 
próprios surdos em suas relações na tentativa de mediar a relação comunicativa 
entre os surdos e os ouvintes. O mesmo acontece nos espaços onde a doutrina 
religiosa se mostra necessária, esses e outros espaços favorecem de maneira 
signifi cativa a aprendizagem e muitas vezes a fl uência em Libras, proporcionando 
o surgimento de pessoas interessadas em se tornar intérpretes de Libras. Tal 
observação revela que a formação desse profi ssional se desenha conforme as 
experiências de interação, assim como nas demandas que surgem em diferentes 
contextos. É possível destacar a atuação dos intérpretes no âmbito religioso, 
educacional, familiar entre outros momentos em que a comunicação se faz 
necessária.
As atuações informais daqueles que assumiam o papel de intérprete de 
Libras, provocou um forte movimento em meados da década de 1990, nesse 
período houve o disparo das demandas de interpretação em diversas áreas e as 
tentativas pela formação específi ca para esses profi ssionais começa a fazer parte 
dos objetivos de associações e federações simpatizantes do tema que envolvem 
a Libras. 
A Federação Nacional de Educação e Instrução dos Surdos (FENEIS) 
é pioneira em propor cursos de formação rápida a esses profi ssionais que 
apresentam características heterogênicas em sua função e em seu desempenho. 
O objetivo principal dessas formações era de ampliar os conhecimentos e a 
fl uência em Libras, porém, outras questões mais específi cas da profi ssão não 
eram abordadas. Os encontros presenciais por meio de seminários, congressos 
e cursos com mais de 40 horas, proporcionavam a experiências de dividir 
vivências em questões mais pontuais à atuação do profi ssional intérprete. Essas 
trocas começaram a ser desenhadas nos últimos 20 ou 25 anos em encontros 
regionais e nacionais, mas, foi no ano de 2008 que as associações regionais de 
intérpretes de Libras foram se constituindo e a FEBRAPILS, que é a Federação 
Nacional dos Intérpretes de Libras foi criada e com representatividade junto ao 
World Association of Sign Language Intérpretes – WASLI (órgão internacional que 
representa TILS do mundo todo).
50
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
No âmbito nacional, a Lei nº 10.098, de 2000, (BRASIL, 2000), na perspectiva 
da educação inclusiva, orienta claramente a necessidade da presença do 
intérprete de Libras no ensino superior, porém existe a limitação de como esse 
profi ssional deveria ser formado. Já no Decreto 5.626 (BRASIL, 2005), surge a 
obrigatoriedade desse profi ssional nos espaços educacionais que têm matriculado 
alunos surdos. Toda essa movimentação ocorre com o acolhimento da abordagem 
bilíngue para educação de surdos no país, assim como todos os esforços político-
pedagógicos dos movimentos que visam uma qualidade na vida educacional e 
social do indivíduo. 
Podemos afi rmar que a assunção do bilinguismo é um avanço recente na 
educação brasileira e que os movimentos sociais e pesquisas passam a fazer 
parte das políticas educacionais brasileiras apenas recentemente, em função 
da pressão dos movimentos sociais, dos resultados de pesquisas nas áreas da 
Linguística entre outras questões que favorecem essa positiva manifestação. 
Com toda demanda advinda das escolas e das universidades, não demorou 
para que questões judiciais começassem a surgir com objetivo de suprir e atender 
as necessidades da comunidade surda. Desse modo as Instituições de Ensino 
Superior (IES) também passaram a contratar pessoas que desejavam atuar como 
intérprete de Libras, mesmo que sem formação, afi nidade e/ou competência 
profi ssional para exercer a função. 
Observa- se, que o que mais importava era a presença em sala de aula e 
que o sujeito surdo estivesse acolhido em suas necessidades de comunicação, 
mesmo que de maneira simplifi cada ou assistencialista, esse ponto de vista 
também estava diretamente ligado aos professores e comunidade escolar. Dessa 
forma, os intérpretes de Libras no âmbito nacional foram inseridos nos espaçosescolares sem atenção a sua formação ou competência linguística, resultando 
em profi ssionais sem competência formal e capacidade linguística atuando de 
maneira descontrolada em todos os níveis educacionais. 
Outra questão muito importante que acontece na educação de surdos e que 
interfere na atuação do intérprete de Libras são as limitações linguísticas que o 
aluno surdo apresenta para compreender a interpretação em língua de sinais, as 
restrições de léxico da área de conhecimento específi co na qual está estudando 
também contribuem para que a qualidade na atuação seja comprometida, pois 
nem tudo que o intérprete traduz em Libras é acessível à pessoa surda, esse fato 
acaba gerando problemas no ambiente escolar.
Diante de todo esse contexto em que está envolvido o intérprete de Libras, é 
importante conhecer quem é esse profi ssional que faz a mediação comunicativa 
entra surdos e não surdos. Interessa saber qual perfi l daqueles que se aproximam 
51
T. E I.: LIMITES E P. NO CAMPO DA EDUCAÇÃO Capítulo 2 
da profi ssão para, então, buscar quais ações formativas podem ser adotadas para 
qualifi car o profi ssional. 
É importante destacar que, atualmente, muitos dos intérpretes fazem algum 
tipo de formação em Libras, porém na maioria das vezes não é com o foco 
em tradução interpretação. É comum encontrarmos intérpretes de Libras que 
realizaram sua formação há mais de oito anos, e que não costuma fazer formação 
continuada na área, seja por falta de tempo, dinheiro ou interesse. 
O interesse principal das associações de intérpretes e, também, da 
comunidade surda brasileira é pela certifi cação de profi ciente em Libras, para que 
a exigência da legalidade e a garantia da qualidade na atuação se tornem efetiva, 
mesmo sabendo que o perfi l desse profi ssional deve ser defi nido com muito mais 
clareza visto que a necessidade recente desse profi ssional em diferentes esferas 
sociais ainda é um processo. 
É muito importante perceber a importância de se ter uma formação de 
qualidade para atuar como TILS, além do conhecimento linguístico aprofundado 
tanto em Libras como em português. É claro que, a aproximação com a comunidade 
surda é um dos aspectos que mais contribuem para que o ato interpretativo 
aconteça de maneira mais segura. Entretanto, perceber os diferentes pontos 
de vista na perspectiva de conhecimento de mundo, a sábia escolha de léxico 
para formular a sinalização e apresentar os conceitos de maneira satisfatória, 
são aspectos que garantem ao intérprete postura adequada na sua atuação, 
favorecendo a compreensão do aluno surdo e proporcionando uma entrega do 
produto interpretativo de qualidade. 
Todas essas questões apresentadas e destacadas no decorrer deste capítulo, 
apontam para diferentes tipos de consciência profi ssional que devem fazer 
parte do intérprete desde o seu desejo inicial de se inserir na área de tradução 
e interpretação de línguas de sinais. Um desses exames de consciência deve 
apontar para o tipo de profi ssional que está se formando e qual a sua postura 
diante da responsabilidade social, ter consciência de qual tipo de profi ssional 
intérprete de Libras é, assim como quais características necessitam ser avaliadas 
reavaliadas para melhorar o desempenho profi ssional é de fundamental 
importância. 
52
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
3 AS DIFERENTES IDENTIDADES 
DOS INTÉRPRETES DE LIBRAS
Agora, uma palavra sobre que os tipos de intérpretes e os cursos de formação 
de intérpretes de língua de sinais. 
As diferenças linguísticas que a comunidade surda usuária de Libras 
apresenta em relação à comunidade não surda é percebida intensamente em 
todos os contextos, assim não basta simplesmente aceitar tal diferença, mas 
respeitar a diversidade linguística que se mostra em todos os aspectos. Dessa 
maneira, o profi ssional intérprete de Libras tem a obrigação de atentar para as 
responsabilidades e para o comprometimento no momento que aceita realizar 
um trabalho seja ele remunerado ou voluntário, sempre observar os seus 
limites tradutórios antes de assumir qualquer função em relação à tradução e 
interpretação dos pares linguísticos Libras/ Português. 
Do ponto de vista analógico, podemos afi rmar que quando o profi ssional 
da tradução e interpretação realiza sua função, ele cria e recria algo novo, essa 
criação é oferecida pelas suas mãos, porém é intencionado pelo seu cérebro 
quando sinaliza, quando explana situações, dialoga com os pares que possuem 
o conhecimento entre as línguas, também quando explica as mais diversas 
situações da língua fonte para a língua alvo. Toda essa habilidade é possível 
quando o intérprete possui características, estratégias e escolhas responsáveis, 
porém a fi delidade e o comprometimento são especifi cidades indispensáveis em 
todos os momentos de atuação do intérprete de Libras. 
Muitas são as demandas que se descortinam diante dos intérpretes, muitas 
vezes até mesmo diante daqueles que não possuem a formação ou a qualifi cação 
apropriada, dessa maneira manter a refl exão sobre suas condições de realizar 
uma autoanálise é fundamental para garantir que o produto de seu trabalho seja 
de qualidade.
Tanto para a tradução quanto para a interpretação é indispensável o 
profi ssionalismo, a ética e o comprometimento com a atividade que está se 
propondo realizar. É importante que o intérprete realize refl exões e autoavaliações 
para perceber que tipo de profi ssional intérprete está enquanto prática profi ssional 
e a partir dessas discussões chegar a percepções e diagnósticos diferentes que 
apontem o caminho para um conhecimento e autoconhecimento em relação a sua 
atuação.
53
T. E I.: LIMITES E P. NO CAMPO DA EDUCAÇÃO Capítulo 2 
Os cursos de tradutores intérpretes de Libras trazem muitas questões que 
trabalham essas discussões acerca das refl exões da prática do profi ssional. 
Nos projetos desses cursos, técnicas de tradução e interpretação ou técnicas 
laborais de interpretação de língua de sinais são absolutamente imprescindíveis, 
mas também devem observar outras áreas de maneira próxima com vistas a 
contemplar outras áreas de conhecimento. De acordo com Russo e Pereira (2005, 
p.15):
• Linguística, seja ela geral ou específi ca da língua de sinais. 
• Língua de sinais aplicada à tradução e a interpretação.
• Língua portuguesa aplicada à tradução e interpretação.
• Teoria da tradução (tradutologia).
• Artes dramáticas (expressões corporal, vocal e facial).
• Cuidados laborais (prevenção de lesões, manutenção da musculatura e 
articulações exigidas na interpretação, postura, higiene e estética vocal, 
relaxamento e alongamento).
• Evolução e constituição da comunidade surda e sociologia geral.
• Psicologia aplicada à interpretação.
• Além de seminários sobre surdocegueira, ética, sinais internacionais 
(international signs), legislação que embasa o serviço de interpretação 
de língua de sinais e outros assuntos de interesse.
Cabe destacar, que todas essas questões a serem trabalhadas nos cursos 
para intérprete de Libras, devem caminhar junto com uma formação continuada 
do profi ssional, por meio de estímulos em palestras, ofi cinas, encontros com 
seus pares e discussões que abordem temáticas afi ns a áreas de tradução 
e interpretação, assim a atualização e o aperfeiçoamento dos profi ssionais 
de interpretação serão permanentes e prósperos. Para Alves (2000, p. 27), a 
formação do tradutor e sua qualifi cação contínua sejam procedimentos essenciais 
para o exercício ético e adequado dessa profi ssão. 
Seguindo toda a discussão proposta até aqui, compreendemos que um 
intérprete de Libras deve fundamentalmente possuir uma formação de qualidade, 
visto que é por meio dela que é possível adquirir subsídios para a tomada de 
decisões seguras e fundamentadas em estudos, assim como em vivências com 
colegas de profi ssão. Toda as estratégias do fazer tradutório que o profi ssional 
intérprete assume noato interpretativo está diretamente relacionada com os 
conhecimentos linguísticos, interpessoais que seguem para além, não apenas do 
contexto cultural, mas se entrelaçam com os aspectos discursivos que agregam 
no decorrer da trajetória profi ssional. 
Oferecer cursos e formação para os tradutores intérpretes de Libras é de 
extrema importância, esses devem ser oferecidos em todos os aspectos, é 
54
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
importante que abranjam todas as questões que objetivem a capacitação de 
qualidade de todos os profi ssionais. A seriedade dos cursos deve proporcionar 
a autoavaliação do profi ssional e a eliminação de atitudes e posturas daqueles 
intérpretes que, sem formação adequada, tomam decisões empiricamente, com 
atitudes assistencialistas e paternalistas que se distanciam das práticas de um 
profi ssional crítico e coerente que seja preocupado com o seu aperfeiçoamento e 
com a qualidade do produto que entrega ao seu cliente. 
Quando tratamos o surdo como cliente que recebe um serviço específi co, 
não devemos confundir o profi ssionalismo do intérprete de Libras com omissão ou 
frieza, mas também é inadmissível que práticas amadoras, no cunho sentimental 
e com despreparo seja exercida e oferecida ao público surdo como se o interpretar 
em língua de sinais fosse algo simples.
O intérprete de Libras é um profi ssional que necessita de uma formação 
formal e de qualidade, deve ser dedicado e muito comprometido com a sua 
escolha profi ssional. Para além de todo o processo formal, a fi m de constituir- 
se em um intérprete de Libras com certifi cado e horas de capacitação, ser 
frequentador de cursos devidamente reconhecido pelo Ministério da Educação. 
Russo e Pereira (2005, p.17) nos presenteiam com três qualidades inerentes de 
caráter que também devem fazer parte do perfi l desse profi ssional:
• Autodisciplina: capacidade de administrar seus compromissos, controlar 
suas atividades, ser pontual, honrar os trabalhos assumidos, adequar-se 
às exigências e especifi cidades de cada interpretação (local, vestimenta, 
postura etc.) sem interferência interna.
• Autocontrola: mantém o distanciamento profi ssional, especialmente 
requerido em situações que existam fortes fatores emocionais que 
podem pôr a perder a qualidade do ato tradutório.
• Humildade: devido à superexposição a que frequentemente os intérpretes 
de Libras se submetem, é comum que se perca a modéstia. Por 
estarmos sempre em destaque, condição inerente ao trabalho, o apelo à 
supervalorização do ego e à vaidade é muito forte. Nesse sentido, cabe a 
todo intérprete de Libras ter uma atitude em que o que se sobressaia, nos 
momentos da atuação, seja realmente a interpretação e não o intérprete, 
ter a consciência das próprias limitações, respeitar os diversos níveis de 
aprendizagem e atuação dos colegas, tendo consciência que eles não 
são estáticos. 
55
T. E I.: LIMITES E P. NO CAMPO DA EDUCAÇÃO Capítulo 2 
Os participantes do ato tradutório são fundamentais para que o produto 
a ser oferecido ao cliente esteja de acordo com suas necessidades. Assim, 
podemos afi rmar que existem outros fatores que contribuem positivamente 
para o desenvolvimento da atividade do profi ssional, esses fatores qualifi cam a 
performance e asseguram uma tradução e interpretação de qualidade. 
• Ter acesso antecipado ao conteúdo da interpretação, principalmente em 
situações educacionais e de conferências.
• Respeito ao profi ssional e aos seus limites físicos, psicológicos e 
emocionais.
• Valorização da prestação do serviço com remuneração justa.
• Reconhecimento da participação dos intérpretes para o sucesso de 
interações linguísticas e crédito ao seu nome.
• O conhecimento por parte do cliente (pessoas física ou jurídica, surdos 
ou ouvintes) do real papel do intérprete, seu limite de atuação, condições 
adequadas para o desenvolvimento do seu trabalho, tais como: intervalos 
regulares, rodízio entre os intérpretes, espaço físico condizente, 
iluminação, entre outros.
O intérprete deve sempre prezar pelo bom andamento de seu trabalho, 
reconhecer que tipo de profi ssional se tornou e se está de acordo com as regras 
inerentes a sua profi ssão, sua atuação deve contemplar as principais habilidades 
requeridas na interpretação de língua de sinais, do ponto de vista de Russo e 
Pereira (2005, p. 19), essas habilidades são defi nidas da seguinte maneira: 
• Posicionamento: postura do corpo assumida no momento da 
interpretação.
• Deslocamento: localização espacial dos interlocutores e objetos em 
língua de sinais.
• Memória de curto prazo (ou memória de trabalho): utilizada para guardar 
as informações em um pequeno período, sendo processada e utilizada 
quase que instantaneamente.
• Expressão facial e corporal: são os equivalentes à entonação da voz e 
comunicam emoções, intensidade, foco, além de serem elementos da 
gramática da língua de sinais.
• Raciocínio rápido e agilidade mental: são absolutamente necessários 
na interpretação simultânea, no momento de procurar sinônimos, 
equivalentes e variantes de palavras, sinais e estruturas.
• Improvisação: capacidade de solucionar possíveis problemas tanto de 
logística quanto do processo de interpretação, sem preparo prévio.
• Trabalho em equipe: trabalhar em harmonia e efi ciência com um ou mais 
colegas, incluindo o serviço de apoio.
56
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
• Atenção e concentração: são habilidades de fi xar e manter a mente 
focada em alguma informação.
• Percepção visual e auditiva: acuidade na capacidade de recepção das 
línguas envolvidas como na leitura e soletração manual, bem como na 
discriminação dos sons relevantes no discurso.
• Prosódia e expressividade oral: entonação, ritmo e pausas.
• Motricidade fi na e percepção cinestésica: clareza e defi nição na 
execução de alguns parâmetros gramaticais da língua de sinais, tais 
como, confi guração de mão, movimentos, locação e espaço;
• Além de um ótimo conhecimento linguístico das línguas envolvidas 
(língua de sinais e língua oral). 
Todas as habilidades citadas e, igualmente, aquelas que não foram aqui 
registradas, são empregadas em diferentes dinâmicas nos cursos de formação 
e de qualifi cação do intérprete de Libras, e visam o desenvolvimento de técnicas 
que instrumentalizam o profi ssional para exercer sua função adequadamente. 
Contudo, de nada adianta toda essa formação qualifi cada se o intérprete de 
Libras não tem o hábito de realizar uma autoanálise de como está se comportando 
enquanto profi ssional. Como está sua atuação frente às demandas recebidas e 
aceitas. Para tanto, é fundamental que reconheça qual é o seu tipo de intérprete? 
Essa discussão é o que propomos a seguir com o objetivo de reconhecermos 
que existem diferentes tipos de profi ssionais, já considerando que o ponto de 
partida pode ser diferente, porém, o ponto de chegada é o mesmo, o produto é a 
comunicação efetiva e de qualidade. 
3 Os cursos de tradutores intérpretes de Libras trazem muitas 
questões que trabalham diferentes discussões acerca 
das refl exões da prática do profi ssional. Nos projetos 
desses cursos, técnicas de tradução e interpretação ou 
técnicas laborais de interpretação de língua de sinais, 
são absolutamente imprescindíveis, mas também devem 
observar outras áreas de maneira próxima com vistas a 
contemplar outras áreas de conhecimento. 
 Russo e Pereira (2005, p. 15), defendem algumas áreas de 
conhecimento que devem estar presentes nos cursos de 
formação de tradutor intérprete para valorizar a categoria. 
Analise as sentenças a seguir:
FONTE: RUSSO, A.; PEREIRA, M. C. P. Tradução e Interpretação 
de Língua de Sinais. Técnicas e Dinâmicas para cursos. Porto 
Alegre: Editora Centro Educacional Cultura Surda. 2005.
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T. E I.: LIMITES E P. NO CAMPO DA EDUCAÇÃO Capítulo 2 
I- Linguística, seja ela geral ou específi ca da língua de sinais, 
Línguade sinais aplicada à tradução e à interpretação, Língua 
portuguesa aplicada à tradução e à interpretação, Teoria da 
tradução (tradutologia) não fazem parte das áreas de formação 
de acordo com a autora.
II- Somente a área de Artes dramáticas (expressões corporal, vocal 
e facial) contemplam a necessidade dos cursos de tradução 
interpretação.
III- Cuidados laborais (prevenção de lesões, manutenção da 
musculatura e articulações exigidas na interpretação, postura, 
higiene e estética vocal, relaxamento e alongamento) não faz 
parte das áreas sinalizadas pela autora.
IV- Evolução e constituição da comunidade surda e sociologia 
geral, Psicologia aplicada à interpretação, seminários sobre 
surdocegueira, ética, sinais internacionais (international signs), 
legislação que embasa o serviço de interpretação de língua de 
sinais e outros assuntos de interesse. Assim como as áreas 
da Linguística, seja ela geral ou específi ca da língua de sinais, 
Língua de sinais aplicada à tradução e à interpretação, Língua 
portuguesa aplicada à tradução e à interpretação, Teoria da 
tradução (tradutologia), entre outras.
Assinale a alternativa que CORRETA:
a) ( ) A sentença IV está errada.
b) ( ) As sentenças II e IV estão erradas.
c) ( ) A sentença I está correta.
d) ( ) Todas as sentenças estão erradas.
e) ( ) A sentença IV é a mais completa de todas.
4 ALGUMAS REFLEXÕES E 
AUTOANÁLISES SOBRE O TIPO DE 
INTÉRPRETE QUE SOU E QUAL TIPO 
EU QUERO SER
Ao realizar uma percepção de seu trabalho, postura e atitude faz com que o 
intérprete de Libras analise questões que provocam discussões importantíssimas 
acerca de sua atuação. Ao realizar um diagnóstico pessoal do tipo de intérprete que 
58
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
de fato representa o profi ssional se torna capaz de perceber suas características 
sejam elas positivas ou negativas, dessa forma é possível direcionar sua postura 
profi ssional para o tipo de intérprete que, de fato, quer se tornar, e com isso 
garantir a entrega do seu produto com qualidade.
O professor Evandro Magalhães Junior em seu livro: “Sua majestade o 
intérprete: O fascinante mundo da tradução simultânea”, apesar de não ser 
uma obra que trate diretamente dos intérpretes de línguas de sinais, ele nos 
presenteia com refl exões e ensinamentos importantes. O livro busca apresentar 
vários aspectos da profi ssão de intérprete, apresenta histórias e desafi os que, no 
decorrer de sua trajetória, enfrenta e vivencia no seu processo, também orienta 
aqueles que pretendem ingressar na profi ssão. 
Alguns elementos são processos complicadores para que a entrega do 
produto interpretativo não aconteça de maneira satisfatória. O autor analisa que 
elementos como a má comunicação, a indiscrição e a falta de tato no lidar com 
as pessoas, prejudica o ato interpretativo impedindo que o produto tradutório 
aconteça de maneira satisfatória.
No decorrer do livro o autor discorre sobre a postura positiva que o profi ssional 
deve atender para que tenha sucesso na profi ssão. Orienta acerca da autoanálise 
e autorreconhecimento. O pesquisador apresenta, ricamente, diferentes tipos de 
intérpretes fazendo uma comparação com os animais. Em uma Live do canal 
#TraduzAi no Youtube, há uma discussão muito importante para uma autoanálise 
dos profi ssionais intérpretes de Libras. A base da discussão que direcionou a 
Live é o livro do pesquisador Magalhães Júnior que, de maneira extremamente 
interessante e didática, apresenta os seis tipos de intérpretes nas línguas orais, 
mas que de maneira muito rica os profi ssionais da Live fazem uma comparação 
aos intérpretes de língua de sinais.
• Intérprete Pavão: o perfi l desse tipo de intérprete se aproxima da 
necessidade de aparecer mais do que a própria língua, está sempre em 
busca de atenção para si, não tem compromisso com o processo como 
um todo. A característica principal desse profi ssional é o ego infl ado.
• Intérprete Papagaio: é aquele intérprete que só trabalha se tiver apoio 
no processo de tradução, na maioria das vezes não se prepara para 
a atividade, visto que pensa estar garantido pela presença do apoio. 
Sua característica é a mera repetição dos sinais se, muitas vezes não 
refl etir acerca do sentido contextual, acaba por fazer a repetição do sinal 
pela mera repetição sem a análise contextual para realizar escolhas 
tradutórias dos sentidos interpretados.
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T. E I.: LIMITES E P. NO CAMPO DA EDUCAÇÃO Capítulo 2 
• Intérprete Pirata: esse é aquele profi ssional que assume as demandas 
e julga saber interpretar qualquer área de conhecimento. Contudo, 
possui inúmeras limitações e não tem as habilidades necessárias para 
uma boa atuação. Não basta apenas ter como ferramenta a capacidade 
de interpretar, mas sim é necessário possuir habilidades inerentes ao 
tradutor intérprete de Libras, sendo fundamental ter consciência de suas 
limitações para não prejudicar o processo tradutório.
• Intérprete Tubarão: o intérprete Tubarão se caracteriza pela postura de 
se julgar o melhor dos intérpretes, costumeiramente assume o máximo 
de demanda sozinho e tem o hábito de julgar a atuação do colega sem 
estar disponível para auxiliar e ajudar na evolução do outro, mesmo 
sendo ele um profi ssional com muita experiência. 
• Intérprete Carpa: é aquele intérprete que atua de maneira mais solitária 
em uma única direção, do Português para Libras ou de Libras para o 
Português. Esse profi ssional busca atuar em eventos que tenham maior 
visibilidade de sua imagem. Costuma ser individualista e tem grande 
difi culdade em trabalhar em equipe. 
• Intérprete Golfi nho: intérprete golfi nho é aquele que sempre trabalha em 
grupo, com coletividade e se entrega na atuação, busca minimizar as 
difi culdades e limitações dos colegas, visto sua capacidade em perceber 
as necessidades e difi culdades do outro. Esse profi ssional está sempre 
disposto a auxiliar e a dividir as tarefas, não assume demandas sozinho, 
pelo contrário, se caracteriza pela busca de aliados e parceiros nas 
atividades interpretativas.
As características dos diferentes tipos de profi ssionais remetem à 
compreensão da base que alicerça as práticas do intérprete de Libras. Suas 
crenças, posturas e atitudes infl uenciam diretamente em seu ponto de vista em 
relação à maneira de aceitar e lidar com as diferentes opiniões, sustentando um 
pilar atitudinal em sua prática.
Os quatro pilares da educação de Jacques Delors, podem ser didaticamente 
utilizados nas práticas profi ssionais e de convivência dos intérpretes de Libras, 
principalmente em sala de aula, quando o profi ssional trabalha sozinho e sua 
atuação acaba por infl uenciar totalmente a aprendizagem do aluno surdo. É claro 
que em sala de aula o intérprete assume diferentes papéis e, na maioria das 
vezes, atua como defensor do direito do surdo em usar sua língua e se comunicar 
por meio de uma língua visual. 
Aqui podemos fazer uma aplicação dos quatro pilares da educação para a 
formação e caminhada do intérprete de Libras.
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 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
FONTE: <https://i.pinimg.com/originals/f8/9d/df/
f89ddfe74f449e12020ea02d23cba9b4.png>. Acesso em: 21 jun. 2021.
FIGURA 1 – OS QUATRO PILARES DA EDUCAÇÃO: ALINHADOS 
A PRÁTICA DO INTÉRPRETE DE LIBRAS
• Aprender a conhecer – É necessário tornar verdadeiramente real o 
ato de compreender, descobrir, construir e reconstruir o conhecimento 
empírico para que seja duradouro, valorizando a curiosidade e a 
autonomia. Partindo dessa perspectiva, faz-se necessário pensar o 
novo sem menosprezar o que está posto, objetivando reconstruir o 
velho e reinventar o pensar. Estamos em constante aprendizagem e 
conhecimento de como e qual a melhor maneira de desenvolver sua 
prática profi ssional e entender sua atuação como uma ponte para o 
desenvolvimento do sujeito surdo enquanto cidadão.
• Aprender a fazer – Não basta um intérprete de Libras preparar-se com 
cuidados,realizando as formações necessárias para a sua atuação e 
para se inserir no setor do trabalho. A rápida evolução por que passam 
a profi ssão do tradutor/intérprete pede que o profi ssional esteja apto a 
enfrentar novas situações nas áreas em que pretende atuar, sempre 
observar a evolução do espírito cooperativo do trabalho em equipe, 
juntamente com a humildade na reelaboração conceitual e nas trocas, 
61
T. E I.: LIMITES E P. NO CAMPO DA EDUCAÇÃO Capítulo 2 
valores, conhecimentos e vivências necessários ao trabalho com os 
pares. É importante ter iniciativa e intuição, gostar de uma certa dose de 
adrenalina, mas é fundamental saber comunicar-se e resolver confl itos, 
ser fl exível nos momentos em que os ânimos se alteram. Esse pilar 
envolve uma série de técnicas e sentimentos a serem trabalhados, 
relacionando com o fazer do intérprete de Libras, o fazer enquanto 
profi ssional formador de opinião, refl etindo as suas práticas profi ssionais, 
assumindo uma condição e postura que condizem com sua profi ssão. 
• Aprender a conviver – Muitas vezes esse é um desafi o gigantesco 
quando falamos das relações do tradutor intérprete de Libras e seus 
pares. Atualmente, praticar a boa convivência é um aprendizado 
importantíssimo, por trabalhar a valorização de quem aprende a se 
relacionar com os outros, a compreendê-los, a desenvolver a percepção 
de interdependência, a administrar confl itos, a participar de projetos 
comuns, a ter prazer no esforço comum visando o desenvolvimento do 
coletivo. Quanto às atividades do intérprete de Libras devem, sempre que 
possível, acontecer em conjunto com seu par, esse pilar nos representa 
a convivência com o outro e a prática da boa relação que devemos ter 
com o colega que está buscando a entrega de um produto interpretativo 
ou tradutório para um público específi co. 
• Aprender a ser – É importante desenvolver a sensibilidade do profi ssional 
intérprete de Libras, progredir no sentido ético e estético, evoluir 
positivamente na responsabilidade pessoal, pensamento autônomo 
e crítico, imaginação, criatividade, iniciativa e crescimento integral 
da pessoa em relação à inteligência. A aprendizagem em relação ao 
profi ssional que deseja se tornar precisa ser integral, não descuidar de 
nenhuma das potencialidades de cada intérprete, esteja ele em formação 
ou que já tenha experiência. Esse pilar nos remete a uma autorrefl exão 
que deve acompanhar todo o profi ssional intérprete de Libras, é 
importante se perguntar: quem eu quero ser enquanto profi ssional 
intérprete de Libras? Uma refl exão que busca fazer uma autoanalise da 
atividade que está sendo realizada e aquela que, de fato, gostaria que 
fosse. Renascer dos erros, aprender a perceber seus erros e com eles 
buscar sua própria evolução. 
Com essa perspectiva dos quatro pilares do conhecimento educacional, 
pode-se prever grandes consequências na atuação e formação do intérprete 
de Libras. A prática individualizada e com prejuízos ao ensino-aprendizagem do 
público-alvo tem sido objeto de preocupação constante dos profi ssionais que 
atuam na área de tradução e interpretação de Libras. 
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 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
Essas práticas negativas deverão dar lugar à troca de vivências, às boas 
relações, à responsabilidade profi ssional, respeito ao trabalho do colega, ao 
espírito de cooperação e humildade. Todas essas discussões foram também 
abordadas em uma Live do canal #TraduzAi, de maneira extremamente didática 
e inteligente, provocando uma necessidade de refl etir as práticas profi ssionais e 
assumir uma postura ética diante das necessidades e demandas que recebe e 
venha a aceitar. 
Que tipo de intérprete eu sou? E que tipo de intérprete eu quero 
ser? Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=kyLc7LeWqCA.
FONTE: <https://www.youtube.com/
watch?v=kyLc7LeWqCA>. Acesso em: 7 jun. 2021.
4 Existem habilidades que o profi ssional intérprete de Libras 
comprometido, ético e de qualidade deve adotar em sua 
trajetória formativa. Os cursos de formação de tradutores 
intérpretes de Libras empregam dinâmicas diversas que 
qualifi cam o profi ssional com o desenvolvimento de 
técnicas que visam instrumentalizar sua prática e garantir 
maior segurança no exercício de sua função. O intérprete 
deve sempre prezar pelo bom andamento de seu trabalho, 
reconhecer que tipo de profi ssional se tornou e se está de 
acordo com as regras inerentes a sua profi ssão, sua atuação 
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T. E I.: LIMITES E P. NO CAMPO DA EDUCAÇÃO Capítulo 2 
deve contemplar as principais habilidades requeridas na 
interpretação de língua de sinais. Russo e Pereira (2005. 
p,19), discutem com o leitor retratando em sua pesquisa 
algumas das habilidades que devem ser fornecidas pelos 
cursos de formação de intérprete de Libras. Diante disso, 
classifi que V para as sentenças e F para as Falsas:
( ) Posicionamento: postura do corpo assumida no momento 
da interpretação; deslocamento: localização espacial dos 
interlocutores e objetos em língua de sinais; memória de curto 
prazo ( ou memória de trabalho): utilizada para guardar as 
informações em um pequeno período, sendo processada e 
utilizada quase que instantaneamente.
( ) Expressão facial e corporal: são equivalentes à entonação da 
voz e comunicam emoções, intensidade, foco, além de serem 
elementos da gramática da língua de sinais; raciocínio rápido e 
agilidade mental: são absolutamente necessários na interpretação 
simultânea, no momento de procurar sinônimos, equivalentes e 
variantes de palavras, sinais e estruturas.
( ) Improvisação: capacidade de solucionar possíveis problemas tanto 
de logística quanto do processo de interpretação, sem preparo 
prévio; trabalho em equipe: trabalhar em harmonia e efi ciência 
com um ou mais colegas, incluindo o serviço de apoio; atenção e 
concentração: são habilidades de fi xar e manter a mente focada 
em alguma informação.
( ) Percepção visual e auditiva: acuidade na capacidade de recepção 
das línguas envolvidas como na leitura e soletração manual, bem 
como na discriminação dos sons relevantes no discurso; prosódia 
e expressividade oral: entonação, ritmo e pausas.
( ) Motricidade fi na e percepção cinestésica: clareza e defi nição na 
execução de alguns parâmetros gramaticais da língua de sinais, 
tais como, confi guração de mão, movimentos, locação e espaço; 
excelente conhecimento linguístico das línguas envolvidas (língua 
de sinais e língua oral).
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRRETA:
a) ( ) F – F – F – F – V.
b) ( ) V – V – V – F – V.
c) ( ) V – V – V – V – V.
d) ( ) F – F – F – F – F.
e) ( ) F – V – F – V – F.
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 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
5 Realizar um comparativo entre o reino animal e o perfi l 
do intérprete de Libras pode parecer estranho, porém, o 
professor e autor Evandro Magalhães Junior em sua obra: 
“Sua majestade o intérprete: o fascinante mundo da tradução 
simultânea” nos presenteia com questões que cabem 
perfeitamente no mundo dos profi ssionais intérpretes de 
Libras. Discutimos no decorrer do material as características 
e diferenças desses profi ssionais e, agora, cabe a você, 
caríssimo estudante, fazer uma relação entra o perfi l do 
intérprete de Libras e o animal que corresponde. Vamos lá?
Assinale a alternativa CORRETA: 
( ) Intérprete Golfi nho: é aquele que sempre trabalha em grupo, 
com coletividade e se entrega na atuação, busca minimizar as 
difi culdades e limitações dos colegas, visto sua capacidade 
em perceber as necessidades e difi culdades do outro. Esse 
profi ssional, está sempre disposto a auxiliar e a dividir as tarefas, 
não assume demandas sozinho, pelo contrário, se caracteriza 
pela busca de aliados e parceiros nas atividades interpretativas.
( ) Intérprete Tubarão: é aquele intérprete que atua de maneira mais 
solitária em uma única direção, do Português para Libras ou 
de Libras para o Português. Esseprofi ssional busca atuar em 
eventos que tenham maior visibilidade de sua imagem. Costuma 
ser individualista e tem grande difi culdade em trabalhar em 
equipe. 
( ) Intérprete Golfi nho: esse é aquele profi ssional que assume 
as demandas e julga saber interpretar qualquer área de 
conhecimento. Contudo, possui inúmeras limitações e não tem 
as habilidades necessárias para uma boa atuação. Não basta 
apenas ter como ferramenta a capacidade de interpretar, mas sim 
é necessário possuir habilidades inerentes ao tradutor intérprete 
de Libras, sendo fundamental ter consciência de suas limitações 
para não prejudicar o processo tradutório. 
( ) Intérprete Carpa: é o tipo de intérprete se aproxima da necessidade 
de aparecer mais do que a própria língua, está sempre em busca 
de atenção para si, não tem compromisso com o processo como 
um todo. A característica principal desse profi ssional é o ego 
infl ado. 
( ) Intérprete Golfi nho: é aquele que sempre trabalha em grupo, 
com coletividade e se entrega na atuação, busca minimizar as 
difi culdades e limitações dos colegas, visto sua capacidade 
em perceber as necessidades e difi culdades do outro. Esse 
profi ssional, está sempre disposto a auxiliar e a dividir as tarefas, 
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T. E I.: LIMITES E P. NO CAMPO DA EDUCAÇÃO Capítulo 2 
não assume demandas sozinho, pelo contrário, se caracteriza 
pela busca de aliados e parceiros nas atividades interpretativas. 
( ) Intérprete Papagaio: se caracteriza pela postura de se julgar o 
melhor dos intérpretes, costumeiramente, assume o máximo de 
demanda sozinho e tem o hábito de julgar a atuação do colega 
sem estar disponível para auxiliar e ajudar na evolução do outro, 
mesmo sendo ele um profi ssional com muita experiência. 
Para refl exão: após assistir o vídeo do canal # que discute acerca da postura 
e perfi l do tradutor intérprete de Libras, sugerimos uma autorrefl exão do tipo de 
intérprete que você, caro aluno, é nesse momento, qual o perfi l de intérprete está 
representando quando em atuação? E ainda, qual o perfi l de profi ssional está em 
busca de se tornar?
Essa autorrefl exão serve para que, cotidianamente, estejamos atentos 
às questões que nos rodeiam e que, por vezes, fi camos alheios ou até mesmo 
em estado de ignorância para reconhecer os pontos que devemos ajustar em 
nossa prática enquanto profi ssional. Vamos fazer esse importante exercício de 
autorrefl exão? 
LIVRO INTÉRPRETES EDUCACIONAIS
FONTE: Acervo pessoal do autor 
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 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
4.1 HABILIDADES E COMPETÊNCIAS 
TRADUTÓRIAS
Todas essas questões tratadas anteriormente são de extrema importância 
para um trabalho de qualidade do profi ssional tradutor intérprete de Libras. 
Devemos sempre ter a consciência de que o bom senso, o domínio do assunto 
a ser interpretado, assim como o extinto de colaboração do trabalho em equipe, 
permite que a atuação, e a interação aconteça de maneira mais leve, com muito 
mais qualidade do produto a ser entregue ao público-alvo. 
As atividades mentais exigidas para a entrega do produto interpretativo 
de qualidade são complexas, e algumas habilidades são fundamentais para 
a realização dos diferentes tipos de tradução e interpretação. Habilidade e 
competência são conceitos inter-relacionados, compreendemos habilidade como 
sinônimo de aptidão, desenvoltura e destreza onde é extremamente necessário ter 
a capacidade de saber ou de fazer algo. Já a competência se refere à mobilização 
de habilidades para empregar na realização de determinada ação, em diferentes 
graus. 
Perrenoud (2000, p. 19-31.) defende que competência é a faculdade de 
mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações 
etc.) para solucionar com pertinência e efi cácia uma série de situações. 
Assim, as habilidades cognitivas, ao serem utilizadas no processo de tradução 
e interpretação, se manifestam, expressam-se como competências. Tais 
competências são determinantes na prática do profi ssional intérprete de Libras, 
para que a entrega do produto aconteça de maneira satisfatória.
4.1.1 Competência linguística
Habilidade de compreender diferentes discursos em línguas diferentes com o 
mesmo signifi cado. Um exemplo esclarecedor dessa competência é a situação do 
uso das expressões idiomáticas. Essa competência pode se tornar desafi adora em 
uma situação interpretativa simultânea. Por isso, quanto melhor for a acuidade do 
tradutor intérprete nas duas línguas, melhor será desempenhada a interpretação. 
67
T. E I.: LIMITES E P. NO CAMPO DA EDUCAÇÃO Capítulo 2 
4.1.2 Competência para transferência
Habilidade em transferir uma linguagem produzida na língua fonte para a 
linguagem da língua alvo. Do ponto de vista da Libras, que é uma língua visual 
e motora, é possível inferir o uso do rosto, corpo, braços, troncos e espaço na 
frente do sinalizador para expressar o discurso. Uma das estratégicas gramaticais 
da Libras é a estruturação dessas concepções por meio de rotação do tronco 
na incorporação de algum elemento lexical, como o uso do espaço nessa 
estruturação. 
4.1.3 Competência metodológica
Habilidade no uso perspicaz de diferentes estilos de interpretação, tais como 
o uso dos tipos de tradução (simultâneo, consecutivo etc.). Cabe considerarmos 
que muitas vezes o profi ssional intérprete de Libras quando está em uma 
interpretação simultânea, necessita esclarecer conceitos específi cos do discurso 
a ser interpretado e oferecer exemplos na linguagem produzida, ou realizar 
diferentes escolhas lexicais para comunicar a mensagem na língua alvo, como 
também a capacidade de retransmitir algum dado, caso tenha sido perdido pelo 
receptor da informação. 
4.1.4 Competência de área 
Conhecimento da área em que será realizada a interpretação. Ao aceitar 
interpretar um evento, congresso. Seminário ou qualquer demanda em qualquer 
área de conhecimento, o intérprete precisa conhecer não apenas o vocabulário, 
mas também o que está nas entrelinhas do discurso e a linguagem utilizada nesse 
espaço. É importante perceber que, se a demanda advém de uma área social 
desconhecida pelo intérprete (justiça, saúde, educação, esporte etc.), ele não 
conhecerá os conceitos aferidos na fala do palestrante e resultará na inviabilização 
da transferência para a língua alvo e no prejuízo na entrega do produto. 
4.1.5 Competência bicultural 
É fundamental o conhecimento das culturas envolvidas e como elas se 
expressam nas línguas em uso durante o ato tradutório. Tal competência é muito 
utilizada quando, por exemplo, na interpretação de piadas, gírias ou expressões 
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 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
da língua onde a percepção do sujeito (no caso do surdo, a visão) estrutura toda a 
leitura de mundo e compreensão de sujeito. 
4.1.6 Competência técnica 
São as estratégias tradutórias, ferramentas ou escolhas técnicas 
tradutórias que são cuidadosamente utilizadas no momento da execução de 
uma interpretação. Se formos analisar uma interpretação simultânea onde o 
canal de saída vem de um ouvinte e o de chegada é um surdo, é extremamente 
fundamental o posicionamento no campo visual de maneira a fi car claro e objetivo 
para o sujeito surdo todos os elementos de linguagem que estão envolvidos no 
ato interpretativo, tais como a expressão corporal do palestrante, apontação com 
os dedos do palestrante nas ilustrações de algum exemplo e o uso de slides na 
apresentação. 
Cabe salientar que, quando o locutor for um surdo e a os ouvintes forem a 
plateia, a estrutura e organização deve seguir outra forma, a apresentação será 
reformulada e a presença do intérprete de Libras sentado à frente do palestrante 
é fundamental. Em alguns casos é comum a presença de intérprete de apoio 
para um melhor desempenho no momento da articulação dos discursos. Esse 
profi ssional pode estar em ambas as situações tradutórias, seu papel é fornecer 
vocabulário oralem forma de sussurro no ouvido do intérprete que está oralizando 
o surdo, assim como fornecer vocabulário linguístico de sinais ao profi ssional que 
está atuando na sinalização para o sujeito surdo. O uso de auxílio como blocos de 
anotações, gravações, uso de microfones e fones de ouvido, podem ser utilizados 
pelo intérprete de apoio quando necessário. 
Todas essas questões exigem do profi ssional tradutor intérprete de Libras 
a mobilização de um conjunto de habilidades e competências em forma de 
conhecimentos, informações e saberes, que amparam para o enfrentamento 
das especifi cidades tradutórias e interpretativas e promovem segurança em sua 
atuação, tornando o trabalho mais completo. 
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T. E I.: LIMITES E P. NO CAMPO DA EDUCAÇÃO Capítulo 2 
6 Competência é a faculdade de mobilizar um conjunto 
de recursos cognitivos para solucionar com pertinência 
e efi cácia uma série de situações. As habilidades 
cognitivas quando utilizadas no processo de tradução e 
interpretação, expressam-se como competências e são 
fundamentais na atuação do profi ssional intérprete de 
Libras. Habilidade e competência são conceitos inter-
relacionados. Compreendemos habilidade como sinônimo 
de aptidão, desenvoltura e destreza onde é extremamente 
necessário ter a capacidade de saber ou de fazer algo. Já 
a competência se refere à mobilização de habilidades para 
empregar na realização de determinada ação, em diferentes 
graus. De acordo com o material estudado, seis são as 
competências linguísticas defi nidas por Perrenoud 2000, p. 
19-31.). A seguir, aponte a opção que apresenta essas seis 
competências linguísticas necessárias para um intérprete de 
Libras oferecer um produto com qualidade a seu cliente.
FONTE: PERRENOUD, P. Construindo competências. [Entrevista concedida 
a] Paola Gentile e Roberta Bencini. Nova Escola, p. 19-31, set. 2000.
a) ( ) Competência linguística, Competência para transferência, 
Competência metodológica, Competência de área, Competência 
bicultural, Competência técnica.
b) ( ) Competência bicultural, Competência existencial e Competência 
técnica.
c ( ) Competência para transferência, Competência para aceitação e 
Competência metodológica.
d) ( ) Competência de área , Competência linguística e Competência 
de vida.
e) ( ) Nenhuma das alternativas está correta.
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 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste capítulo, buscamos trazer a você, acadêmico, conhecimento acerca 
dos limites e possibilidades da tradução e interpretação, percebendo as diferenças 
entre as duas áreas, porém sempre refl etindo sobre os aspectos linguísticos 
culturais e situacionais. As particularidades apresentadas no decorrer do capítulo, 
buscaram discutir como se dá o papel do intérprete mediador social e linguístico, 
objetivando compreender qual o seu papel enquanto profi ssional da área da 
língua de sinais. Ainda consideramos nesse capítulo, refl exões profundas das 
responsabilidades que envolvem sua prática, acrescentando ao seu ofício a busca 
constante por formação e valorização profi ssional. As investigações sobre os 
assuntos relacionados ao tema apresentado neste capítulo são necessárias para 
a formação do intérprete de Libras, sendo assim buscamos contribuir com uma 
discussão que pudesse auxiliar tanto os profi ssionais como aqueles que estão 
em busca dessa profi ssão a compreender as estratégias linguístico-discursivas 
utilizadas pelo intérprete de Libras em sua atuação. 
Compreendemos que constantemente as sensações de insegurança, 
incertezas e medos assolam o cotidiano desse profi ssional de Libras, mas a 
persistência e o foco devem afastar o ímpeto de abandonar aquilo que nos 
propusemos a fazer, mesmo com a certeza de que a atividade do intérprete de 
Libras não representa uma atividade simples e de fácil atuação. 
Em todas as áreas em que atua o profi ssional deve-se ter clara certeza de 
que os conhecimentos específi cos são fundamentais para que a sua interpretação 
seja apropriada às possibilidades do aluno surdo. A Língua de Sinais representa 
a liberdade de expressão e comunicação, visto que é por meio dela que acontece 
a organização do pensamento. O constante movimento linguístico constrói 
novos sentidos, a partir da interação entre os sujeitos, auxiliando a construção 
de maneiras diferenciadas de aprendizagem capaz de atender às necessidades 
enunciativas do locutor. 
REFERÊNCIAS
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para o tradutor em formação. São Paulo: Ed. Contexto, 2000.
BARRETO, A.; BUSTOS, O. Teorias de la Traducción/interpretación 
en plastilina. Bogotá, Colombia: ANISCOL, 2012.
71
T. E I.: LIMITES E P. NO CAMPO DA EDUCAÇÃO Capítulo 2 
BRASIL. Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a 
Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira 
de Sinais – Libras, e o art. 18 da Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 
2000. Brasília, DF: Diário Ofi cial [da] República Federativa do Brasil, 
22 dez. 2005. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
ato2004-2006/2005/decreto/d5626.htm. Acesso em: 30 jan. 2021.
BRASIL. Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Estabelece normas 
gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas 
portadoras de defi ciência. Brasília, DF: Diário Ofi cial [da] República 
Federativa do Brasil, 19 dez. 2000. Disponível em: http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10436.htm. Acesso em: 4 junho 2021.
BRASIL. Lei 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de
Sinais (LIBRAS) e dá outras providências. Brasília, DF: Diário Ofi cial [da] 
República Federativa do Brasil, 24 abr. 2002. Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10436.htm. Acesso em: 4 jun. 2021.
COLL, C.; MARCHESI, A.; PALACIOS, J. Desenvolvimento 
psicológico e educação: transtornos de desenvolvimento e 
necessidades educativas especiais. Porto Alegre: Artmed, 2004.
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language research. London: Lawrence Erlbaum Associates, 2002.
MAGALHÃES JUNIOR, E. Sua majestade o intérprete: O fascinante 
mundo da tradução simultânea. [S.l.]: Parábola, 2007.
GOLDIN-MEADOW, S. Talking and thinking with our 
hands. Psychological Science, [s.l.], v. 15, n. 1, p. 34-39, 2006.
LACERDA, C. B. F. de. Intérprete de Libras: em atuação na educação 
infantil e no ensino fundamental. 6. ed. Porto Alegre. Mediação, 2014.
MAYBERRY, R. I.; EICHEN, E. B. The long-lasting advantage 
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critical period for language acquisition. Journal of Memory 
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Paola Gentile e Roberta Bencini. Nova Escola, p. 19-31, set. 2000.
72
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Língua de Sinais. Técnicas e Dinâmicas para cursos. Porto 
Alegre: Editora Centro Educacional Cultura Surda. 2005. 
SANTOS, V. L. C. A opinião de pais ouvintes e fi lhos surdos sobre 
Língua de Sinais. 2009, 122 p. Monografi a (Especialização em 
Educação Especial) – Faculdade de Santa Helena, Recife, 2009.
CAPÍTULO 3
AS ESCOLAS E OS PROFISSIONAIS 
INTÉRPRETES DE LIBRAS: 
A INOVAÇÃO NO ÂMBITO DA 
INTERPRETAÇÃO
A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 Apresentar quem são os profi ssionais envolvidos na educação de Surdos.
 Compreender as diferentes situações que envolvem 
o cotidiano dos intérpretes em sala de aula.
 Conhecer escolhas tradutórias que acontecem no âmbito escolar. Saber quem é o profi ssional intérprete de Libras que estamos dialogando.
 Construir um saber acerca do profi ssional envolvido na 
formação do Surdo, discursando com a realidade escolar.
 Saber lidar com as mais diversas situações que se desenham na escola. 
 Aprender a aceitar as diferentes escolhas tradutórias 
necessárias para a construção do saber.
 Discutir a ética e responsabilidade do tradutor intérprete 
na vida social do surdo e de seus pares.
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 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
75
AS ESCOLAS E OS P. I. DE LIBRAS: A I. NO ÂMBITO DA I. Capítulo 3 
1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Abordar os conhecimentos, a atuação e a importância do Intérprete da Língua 
Brasileira de Sinais (Libras) na sala de aula, compreender as diferentes situações 
que envolvem o seu cotidiano, os desafi os enfrentados nas escolhas tradutórias 
que lançam mão de construir um saber efetivo na formação do seu público-alvo, 
discursando com a realidade no âmbito escolar é o conteúdo que embasa este 
último capítulo. É importante estabelecer como objetivo principal a investigação da 
atuação do Intérprete de Libras e considerar seus direitos profi ssionais, postura e 
limites com o aluno surdo. 
Cada sujeito possui as suas especifi cidades e a inclusão escolar deve 
atender de maneira igualitária os educandos para que alcancem os conhecimentos 
necessários para uma vida social plena e participativa. De acordo com a Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação (LDB), n. 9.394/96 especialmente o Capítulo III, 
Art. 205 (BRASIL, 1996), podemos perceber que “a educação, direito de todos e 
dever do estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração 
da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para 
o exercício da cidadania e sua qualifi cação para o trabalho”. Por esse viés, 
nos últimos anos a Federação brasileira busca implementar leis, decretos e 
regulamentos que favoreçam a educação para os cidadãos, tornando- a um direito 
de todos, sem esquecer da formação dos profi ssionais envolvidos. 
A trajetória educacional do sujeito surdo é acompanhada por três vertentes 
metodológicas que embasam e norteiam toda a constituição do surdo enquanto 
ator de sua própria história. Nascimento (2018) defende que Oralismo, 
Comunicação Total e o Bilinguismo são vertentes que marcam a caminhada da 
comunidade surda, corroborando com essa ideia entendemos que tais vertentes 
registram um importante papel para o progresso social dos surdos nacionais. 
Das três correntes o Bilinguismo é a que ganha destaque e força nas discussões 
que envolvem a educação do surdo e, consequentemente, é considerada como 
a escolha mais assertiva para o ensino do surdo desde a década de 1980 e 
reconhecida legalmente por meio da Lei nº 10.436/2002 (BRASIL, 2002). O 
Bilinguismo proporciona um aprendizado pelo Português (escrito) e a Língua 
brasileira de sinais (Libras) (natural). 
Em todo esse contexto educacional temos alguns profi ssionais que se 
destacam de maneira extremamente importante, os professores de Libras, 
professores de disciplinas fl uentes em Libras, professor bilíngue, intérpretes de 
Libras são alguns citados que atuam no âmbito da educação. De todos esses, o 
Intérprete de Libras é o profi ssional que vamos nos debruçar nesse capítulo, porém 
76
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
salientamos a importância de o acadêmico buscar o papel que desempenha cada 
um desses profi ssionais que estão diretamente envolvidos no processo escolar do 
sujeito surdo. 
2 O INTÉRPRETE DE LIBRAS 
EDUCACIONAL E A LEGALIDADE 
QUE O AMPARA
A interpretação educacional possibilita que a maioria dos tradutores intérprete 
de Libras acessem a prática profi ssional a partir de um contexto real de atuação, 
visto a necessidade extrema desse profi ssional para garantir que o processo 
educacional das crianças surdas ocorra de maneira efetiva. Em meados de 1980 
os intérpretes estão presentes no contexto religioso e migram gradativamente 
para o âmbito educacional. A partir da declaração de Salamanca em 1994 a língua 
de sinais retorna à sala de aula mista (bilíngue), possibilitando que as crianças 
surdas acessem o conhecimento formal com a mediação do intérprete de Libras 
que possibilita a apropriação de saberes e experiências de maneira coletiva, 
respeitando seu papel mediador no trabalho educativo, sem deixar de observar as 
condições em que desempenha sua atividade profi ssional.
Diversas leis, decretos e documentos possibilitam a consolidação e 
especifi cação da atividade do Tradutor Intérprete de Libras – TILSP, de maneira 
breve destacaremos algumas para instigar a curiosidade do acadêmico. 
Primeiramente, destacamos a Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000 
(BRASILl, 2000, p. 2), que estabelece normas e critérios para a promoção da 
acessibilidade das pessoas com defi ciência ou com mobilidade reduzida. Cabe 
ressaltar que a referida lei aponta, pela primeira vez, a formação de intérpretes de 
Libras e proporciona uma realidade profi ssional de um grupo de pessoas que, em 
sua maioria, até o presente momento atuavam no contexto religioso e familiar de 
maneira informal. 
Importante destaque também merece a Resolução CNE/CEB nº 2, de 11 
de setembro de 2001, que apesar de não tratar especifi camente do intérprete 
de Libras, institui Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação 
Básica, a referida resolução orienta em seu Art. 8º, a postura e organização das 
escolas para incluir pessoas com necessidades educacionais diversas. Para que 
suas orientações sejam alinhadas, essa Resolução, determina normas referentes 
à “[...] atuação de professores-intérpretes das linguagens e códigos aplicáveis” 
(BRASIL, 2001, p. 2). A Lei nº 10.436 de Abril de 2002, reconhece a Libras como 
língua e meio legal de comunicação dos surdos no Brasil, quando sancionada 
77
AS ESCOLAS E OS P. I. DE LIBRAS: A I. NO ÂMBITO DA I. Capítulo 3 
representou um papel fundamental para que o reconhecimento do profi ssional 
intérprete de Libras acontecesse naturalmente. Alinhado a toda discussão que 
está no entorno da língua de sinais e da educação de surdos, o Decreto nº 5.626, 
de 22 de dezembro de 2005, surge para regulamentar a Lei nº 10.436/2002, 
discutindo diretamente quanto ao intérprete de Libras e de sua formação, 
dedicando um capítulo inteiro a questões desse profi ssional. 
A profi ssão de Intérprete de Libras foi verdadeiramente regulamentada, 
apenas quando a Lei nº 12.319, de 1º de setembro de 2010, foi sancionada, muito 
embora o Código Brasileiro de Ocupações (CBO) já previsse, no item “Filólogos, 
tradutores, intérpretes e afi ns”, sob o Código nº 2.614-25 (BRASIL, 2010, p. 385), 
os ofícios do intérprete de língua de sinais – guia-intérprete; intérprete de Libras; 
tradutor de Libras e tradutor-intérprete de Libras. Com esse amparo a atuação de 
TILSP ganhou um conceito legal a efetivação de concursos e processos seletivos
para o cargo específi co de intérprete em território nacional, especialmente 
para a área educacional, nas diferentes modalidades de ensino, favorecendo a 
perspectiva da Educação Especial na perspectiva da Inclusão, e fortalecendo a 
Educação Bilíngue para os alunos Surdos. 
1 Todas as pessoas têm direito à educação, e o Estado tem 
o dever de oferecer, respeitando as suas especifi cidades e 
a inclusão escolar, o atendimento de maneira igualitária a 
todos os educandos para que alcancem os conhecimentos 
necessários para uma vida social plena e participativa. Sobre 
o que defende a Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
(LDB), 9.394/96 especialmente o capítulo III, Art. 205, assinale 
a alternativa CORRETA:
FONTE: BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. 
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB. Estabelece as diretrizes e 
bases da educação nacional. Brasília, DF: Senado Federal, 20 dez. 1996. Disponível 
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm.Acesso em: 5 fev. 2022.
( ) A compreensão das diferentes situações que envolvem o seu 
cotidiano escolar em relação à inclusão e os desafi os enfrentados 
pela equipe gestora, devem se manter apenas no ambiente de 
sala de aula para dar autonomia ao professor.
( ) As escolhas tradutórias dos intérpretes de Libras devem estar 
sempre de acordo, unicamente, com a opinião do professor de 
sala, pois ele é quem sabe do conteúdo e o intérprete precisa 
estudar o conteúdo para ajudar na realização das aulas. 
78
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
( ) “A educação, direito de todos e dever do estado e da família, 
será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, 
visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o 
exercício da cidadania e sua qualifi cação para o trabalho”.
( ) A inclusão dos alunos é responsabilidade da escola e da família, 
única e exclusivamente, pois o Estado precisa cuidar do outras 
questões que envolvem a administração particular.
2 No decorrer do capítulo estudamos algumas Leis, Decretos 
e documentos que envolvem a atividade do intérprete de 
Libras e possibilitam a consolidação e especifi cação da 
profi ssão. Assinale V para verdadeiro e F para Falso:
( ) Lei nº 10.098/2000.
( ) Decreto 580001/91.
( ) Decreto 5626/2005.
( ) Lei nº 12.319/ 2015.
( ) Lei nº 12.319/ 2010.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
( ) V– V– V– V– V. 
( ) F – F – F – F – F.
( ) V– V– V– V– F.
( ) V– F – F – F – F.
( ) V– F– V– F– V. 
2.2 O COTIDIANO DOS 
INTÉRPRETES EM SALA DE AULA, 
COMPREENDENDO AS DIFERENTES 
SITUAÇÕES QUE ENVOLVEM A SUA 
VIVÊNCIA
O domínio da língua de sinais é de extrema importância para a atuação do 
intérprete, porém, as peculiaridades e especifi cidades que envolvem o âmbito 
escolar orientam que outras habilidades devem compor o profi ssional intérprete, a 
competência linguística é talvez a que mais fornece ao profi ssional a capacidade 
de desempenhar suas funções de maneira mais efi caz. Lacerda e Góes (2000), 
79
AS ESCOLAS E OS P. I. DE LIBRAS: A I. NO ÂMBITO DA I. Capítulo 3 
nos conduzem a compreender que as funções a serem desempenhadas pelo 
tradutor intérprete de Libras vêm sendo ressignifi cadas, uma vez que seu saber 
e seu fazer são perpassados por certas peculiaridades existentes no âmbito da 
área educacional e não somente pelo domínio e pela fl uência de Libras. Quando 
buscamos de fato estabelecer uma compreensão acerca da atuação desse 
profi ssional, desejamos estar à luz de Lacerda e Góes (2002), Quadros (2003), 
Tuxi (2009), Martins (2008) e Albres (2015) e somos orientados a perceber que 
a função primordial do intérprete de libras educacional é intermediar as relações 
estabelecidas entre o sujeito surdo e o não surdo que dividem a mesma sala de 
aula ou que estão presentes nesse contexto.
Estabelecer um entendimento real do que um profi ssional da tradução e 
interpretação de Libras realiza em sala muitas vezes é frustrante e cansativo, visto 
que inúmeras vezes o papel principal do intérprete de Libras se confunde com o 
do professor ou com o de auxiliar de sala (ALBRES 2015, p. 38). 
Orientados pelo ponto de vista de Lacerda e Góes (2002), Martins (2008) e 
Albres (2015), quando descortinam a verdade e abordam, entre outros aspectos, 
a deturpação das relações didático-pedagógicas entre os sujeitos intérprete de 
Libras x aluno surdo e, também, intérprete de Libras x professor regente. De 
acordo com a linha de raciocínio das autoras, em muitos casos, ocorre uma 
transferência da responsabilidade do ensino ao aluno surdo para o intérprete 
de Libras. Essa função é do professor regente da turma, porém costumamos 
vivenciar tais situações nas escolas. Por outro lado, o intérprete de Libras muitas 
vezes deseja apresentar resultados positivos do seu trabalho e acaba assumindo 
determinada função junto ao aluno surdo. Essa postura impacta de maneira 
negativa a luta da categoria favorecendo para a confusão que se estabelece entre 
os atores intérprete de Libras x professor x comunidade surda e ouvinte. 
Tal desacordo referente à função do intérprete educacional provoca 
difi culdades para o profi ssional que muitas vezes perde o foco de seu papel 
principal, prejudicando sua atuação no desenvolvimento das competências 
necessárias para o desempenho efi caz da interpretação. Quadros (2003) e 
Tuxi (2009) sugerem a necessidade da valorização do profi ssional, em editais 
de contratação, destacam a importância da formação na área de interpretação 
da língua de sinais e discutem a questão da competência linguística, 
problematizando ricamente o assunto por um viés comunicativo uma vez que, 
para ocorrer intermediação dos conhecimentos no ambiente da escola, é de suma 
importância que os intérpretes de Libras possuam competência linguística dos 
pares linguísticos Libras/Português e não apenas do ponto de vista da língua de 
sinais. 
80
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
O intérprete de Libras que atua em ambiente escolar tem um compromisso 
direto com a construção individual e social do sujeito surdo considerando que é o 
mediador de conhecimento, esse compromisso apresenta novos desdobramentos 
na atuação do profi ssional que é um ator muito importante na organização 
escolar, visto que participa dos processos de ensino-aprendizagem de alunos 
surdos e, consequentemente, da constituição do sujeito surdo como parte 
de uma coletividade e ator de sua própria história. Sob essa ótica, a tradução 
e interpretação está articulada de maneira positiva ao professor regente da 
turma. Cabe ressaltar, que o intérprete de Libras é o mediador de conhecimento 
infl uenciando a formação do sujeito surdo. 
Vygotsky (1983) argumenta que o desenvolvimento humano acontece no 
âmbito social, nas relações e situações práticas do cotidiano do sujeito. Defende 
que é por meio da mediação social que os indivíduos apreendem o mundo e se 
constituem intimamente enquanto parte do coletivo. No processo de mediação 
social, tem um papel de destaque, a linguagem, que possui tanto uma função 
comunicativa como de constituição das funções psicológicas superiores. 
Colocando-se entre a criança e a realidade objetiva, a linguagem possibilita-lhe 
interagir com essa realidade no plano simbólico. Esse simbolismo ganha destaque 
no âmbito educacional onde o intérprete de Libras está inserido e contribui para a 
singularidade do sujeito. 
Saviani (2003) destaca que, “[...] o trabalho educativo é o ato de produzir, 
direta e intencionalmente, em cada indivíduo singular, a humanidade que é 
produzida histórica e coletivamente pelo conjunto dos homens” (SAVIANI, 2003, 
p. 13).
Vygotsky compreendeu outro conceito extremamente importante para analisar 
a apropriação de conhecimentos no espaço escolar: a mediação pedagógica, que 
remete ao trabalho educativo intencional e planejado, realizado pela escola de 
maneira a propiciar a transição do “[...] pensamento aderido a níveis sensíveis, 
empíricos, concretos, particularizados da realidade, para níveis cada vez mais 
generalizados, abstratos, de abrangência cada vez maior, inseridos em sistemas 
de complexidade crescente” (ROCHA, 2000, p. 44). À luz das ideias de Lev 
Semiónovich Vygotsky, quando discute acerca da constituição social e histórica 
do psiquismo humano, o estudo desenvolvido por Côrtes (2012) indica o papel 
crucial da mediação pedagógica no processo de apropriação de conhecimento 
pelos estudantes. Na sala de aula, por meio de determinadas práticas sociais, 
tanto o professor como os alunos participam ativamente do aprendizado da turma 
como um todo. No caso de estudantes surdos que demandam a atuação do 
intérprete, esse processo adquire certas peculiaridades, como aponta o estudo de 
Lacerda (2000).
81
AS ESCOLAS E OS P. I. DE LIBRAS: A I. NO ÂMBITO DA I. Capítulo 3 
Corroboramos com o argumento dos pensadores, que nos conduzem a 
compreenderque a escola deve organizar-se como um espaço que possibilita 
mediações “qualitativamente diferentes” entre aqueles que nela se inserem. Cada 
profi ssional que está no espaço escolar possui sua função, mas a interação e 
troca de conhecimento entre eles é fundamental. Entendemos que o professor, 
em seu papel de mediador, deve se interpor entre o aluno e o conhecimento, 
desenvolvendo estratégias de ensino-aprendizagem que permitam produzir 
transformações psicológicas e a apropriação de conhecimentos por parte do 
aluno. Ao falarmos dos atores inseridos na escola, é fundamental problematizar a 
atuação do intérprete de Libras, que julgamos ser um profi ssional que se interpõe 
entre o professor, o aluno surdo e o conhecimento, que materializa na interface 
entre o Português e a Libras.
É fundamental compreender que a interpretação não é uma mera codifi cação 
que se interpõe em uma combinação de confi gurações de mão, movimentos 
e expressões, a dimensão do conceito de interpretação é para além dessas 
limitações que envolvem a codifi cação e decodifi cação de informações, perpassa 
pelo contexto histórico e social em que os sujeitos estão envoltos, contribuindo 
para a sua formação enquanto ser social. 
Na tentativa de buscarmos um entendimento do profi ssional intérprete de 
Libras em sala de aula, buscamos elementos para compreender como se dá o 
ato interpretativo responsável por garantir o exercício da interrelação social. 
Embasados no ponto de vista de Tuxi (2009, p. 13), que nos orienta que a 
interpretação se subdivide em consecutiva e simultânea, entendemos que essa 
defi nição amplia as possibilidades de envolvimento na interpretação.
A interpretação simultânea é quando a mensagem fonte 
está em andamento e o intérprete acompanha essa fala (ou 
sinalização), ou seja, enquanto o interlocutor está falando, 
o intérprete interpreta simultaneamente, sem cortes. Na 
interpretação consecutiva o intérprete escuta (ou vê) a 
mensagem e assim que fecha uma sentença há uma pausa 
(TUXI, 2009. p. 13).
As duas linhas de interpretação são utilizadas pelo intérprete educacional, 
consideramos que ambas são importantes e valiosas, porém a que mais é 
utilizada em sala de aula é a interpretação simultânea, para tanto o intérprete de 
Libras deve possuir uma bagagem de léxico afi m de garantir a entrega do produto 
com qualidade. 
O profi ssional intérprete de Libras que se propõe a realizar uma interpretação 
simultânea, que é a mais utilizada em sala de aula, deve ter ciência que esse ato 
exige habilidades que vão para além do conhecimento linguístico, considerando 
82
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
que ele está relacionado com a destreza de versar as informações da estrutura 
linguística de uma língua para outra e ainda ater-se ao fl uxo das informações 
que continuam a ser transmitidas no decorrer de sua interpretação. A destreza e 
aptidão interpretativa caminham ao lado das especifi cidades existentes na prática 
educativa de interpretação do intérprete de Libras. 
3 Para atuar como intérprete Libras é necessário ter fl uência 
em Libras, esse é um ponto fundamental, porém, as 
peculiaridades e especifi cidades que envolvem o âmbito 
escolar orientam que outras habilidades devem compor 
o profi ssional intérprete, a competência linguística é 
talvez a que mais fornece ao profi ssional capacidade de 
desempenhar sua função de maneira mais efi caz. Lacerda e 
Góes (2000), nos conduzem a compreender que as funções 
a serem desempenhadas pelo tradutor intérprete de Libras 
vêm sendo ressignifi cadas, uma vez que seu saber e seu 
fazer são perpassados por certas peculiaridades existentes 
no âmbito área educacional e não somente pelo domínio 
e pela fl uência de Libras. Quando buscamos de fato 
estabelecer uma compreensão acerca da atuação desse 
profi ssional, desejamos estar à luz de Lacerda e Góes (2002), 
Quadros (2003), Tuxi (2009), Martins (2008) e Albres (2015) 
e somos orientados a perceber que a função do intérprete 
de Libras tem suas particularidades. Após leitura do texto, 
assinale a alternativa que indica qual é a função primordial 
do profi ssional intérprete de Libras:
FONTE: LACERDA, C. B. F.; GÓES, M. C. R. Surdez: processos 
educativos e subjetividade. São Paulo: Editora Lovise, 2000. 
( ) Intermediar as relações estabelecidas entre o sujeito surdo e o não 
surdo que dividem a mesma sala de aula ou que estão presentes 
nesse contexto.
( ) Auxiliar o professor com as atividades de sala de aula para que o 
aluno surdo seja incluído.
( ) Copiar as atividades para o aluno surdo, assim ele consegue 
acompanhar melhor as aulas. 
( ) Manter a ordem e disciplina em sala de aula quando o professor 
regente não estiver.
83
AS ESCOLAS E OS P. I. DE LIBRAS: A I. NO ÂMBITO DA I. Capítulo 3 
4 Na tentativa de buscarmos um entendimento do profi ssional 
intérprete de Libras em sala de aula, buscamos elementos 
para compreender como se dá o ato interpretativo 
responsável por garantir o exercício da interrelação social. 
Embasados no ponto de vista de Tuxi (2009, p. 13), que 
nos orienta que o ato interpretativo tem uma subdivisão, 
entendemos que essa defi nição amplia as possibilidades de 
envolvimento da prática. As duas linhas de interpretação 
são utilizadas pelo intérprete educacional, consideramos 
que ambas são importantes e valiosas, porém a que mais é 
utilizada em sala de aula é a interpretação simultânea, para 
tanto o intérprete de Libras deve possuir uma bagagem de 
léxico afi m de garantir a entrega do produto com qualidade. 
Sobre quais são as subdivisões da interpretação empenhada 
pelo tradutor intérprete de Libras em sala de aula, de acordo 
com o material estudado, assinale a alternativa CORRETA:
( ) A interpretação não têm subdivisões
( ) Interpretação consecutiva e correspondente.
( ) Interpretação intermediária e consecutiva.
( ) Interpretação consecutiva e simultânea.
( ) interpretação simultânea e real.
3 SABER LIDAR COM AS MAIS 
DIVERSAS SITUAÇÕES QUE SE 
DESENHAM NA ESCOLA
A atuação em sala de aula requer prática e conhecimento, e a formação 
do intérprete nesse caso infl uencia bastante nas escolhas tradutórias que serão 
transmitidas no momento interpretativo. Muitos profi ssionais que trabalham nas 
escolas possuem formação para atuar como tradutor intérprete de Libras. Contudo, 
percebemos que o número de atuantes na interpretação dentro das escolas sem 
a qualifi cação fundamental e a experiência cultural/linguística necessária entre as 
línguas envolvidas, ainda somam consideravelmente e agravam muitas vezes a 
relação entre a escola e o intérprete de Libras. Cabe ressaltar também que pela 
sua pouca experiência, o profi ssional tem difi culdades em lidar com as diferentes 
situações e vivências que são comuns no espaço escolar, limitando muitas vezes, 
por parte da escola, a aceitação desse profi ssional técnico que possui suas 
próprias funções. 
84
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
Mesmo após toda essa discussão acerca da importância do profi ssional 
intérprete de Libras em sala de aula, ainda percebemos que algumas escolas 
têm difi culdade em aceitar um profi ssional que não tem uma função pedagógica. 
Atualmente o intérprete de Libras que atua em escolas deixa de ser mencionado 
como um professor, ele agora recebe o titulo que designa sua real função 
“intérprete educacional”, situando de maneira positiva o espaço de atuação do 
profi ssional, que pode ser também chamado de intérprete medicinal, jurídico entre 
outros, mas sem perder sua função de intérprete.
O intérprete de Libras não possui função pedagógica, não prepara aula, não 
fornecem notas aos alunos, não é responsável por lançar registro de avaliação 
no diário de classe, ele não é responsável por nenhuma atividade que está 
relacionada ao professor regente de turma. Pelo menos quando está no papel 
de tradutor intérprete. O que é fundamental esclarecer é que mesmo se umprofi ssional intérprete de Libras tenha em sua formação uma licenciatura, mesmo 
que em alguns casos na rede de ensino sua forma de contratação se dá pelo 
cargo de professor na maioria dos estados brasileiros, pois não há outra forma de 
contratação, porém, as atribuições são completamente diferentes. 
Existe a necessidade urgente das escolas compreenderem que a função do 
intérprete é técnica e não pedagógica, logo, devemos fi car atentos às formações 
desse cunho no ambiente escolar, pois a ele não se aplica. Quando nesse momento 
existir a presença de professores surdos, cabe a uma dupla ou mais intérpretes 
de Libras realizarem a interpretação da formação, reunião ou capacitação. Esse 
é um momento extremamente importante para o desenvolvimento das atividades 
escolares e não cabe ao profi ssional intérprete de Libras se eximir de sua 
responsabilidade.
Outra situação complicada na escola é quando há a ausência de algum 
professor, é comum a equipe gestora solicitar ao intérprete de Libras que 
substitua o docente. Essa postura é extremamente prejudicial para todos os 
envolvidos. O intérprete não pode se responsabilizar por uma turma, e se isso 
acontecer é importante ressaltarmos que o aluno surdo que está incluído na 
turma é prejudicado diretamente visto que o intérprete está assumindo a função 
do docente e ninguém está assumindo a sua na interpretação. Cabe à escola 
buscar outra estratégia para suprir a falta do professor. O tempo em que não há 
atuação de interpretação deve ser usado para estudo de vocabulário, e conteúdos 
que condizem com seus momentos de atuação. A responsabilidade em buscar 
uma solução para a falta do professor é unicamente da escola, e ou intérprete de 
Libras não deve ser uma escolha. 
85
AS ESCOLAS E OS P. I. DE LIBRAS: A I. NO ÂMBITO DA I. Capítulo 3 
Pensando em todas estas questões que discutimos anteriormente, buscamos 
orientações para o relacionamento saudável e profi ssional entre o intérprete e a 
escola no livro da Fundação Catarinense de Educação Especial – FCEE, intitulado: 
Intérpretes Educacionais de Libras: orientações para prática profi ssional (SANTA 
CATARINA, 2013). 
3.1 A ESCOLA OBSERVE QUE 
• O intérprete de Libras deverá cumprir a carga horária para a qual foi 
contratado, integralmente, na unidade escolar, sendo assim ele não 
poderá ser “emprestado” para eventos fora da escola em horário de 
trabalho, em nenhuma hipótese. Não tendo aula, o intérprete terá muitas 
coisas a estudar referentes aos conteúdos escolares. 
• Para melhor andamento da interpretação, quando a escola 
organizar eventos a serem realizados em seu espaço, ela deverá se 
responsabilizar em fornecer ao intérprete acesso aos materiais, aos 
textos, as apresentações, bem como uma conversa com o palestrante 
ou ministrante antes da atuação, para que o intérprete de Libras consiga 
apropriação do conteúdo de maneira satisfatória (SANTA CATARINA, 
2013, p, 27).
• Concordamos que o intérprete é o profi ssional que muitas vezes fi ca mais 
tempo junto ao aluno surdo, em comparação aos outros profi ssionais que 
atuam na escola. Isso acontece pela especifi cidade do trabalho e, por 
muitas vezes, ser o único que tem fl uência na língua de sinais. Entretato, 
é importante ressaltar que ao se tratar do rendimento ou aprendizagem 
do aluno em reuniões de conselhos ou de professores o intérprete seja 
questionado como está acontecendo a aprendizagem e o rendimento do 
aluno surdo em sala de aula. Esse tipo de questionamento deve sempre 
ser direcionado aos professores de área, da mesma maneira como 
acontece com os alunos não surdos.
• São validos os questionamentos dirigidos ao intérprete de Libras 
referente ao andamento da interpretação, que podem estar em torno do 
conteúdo e temas da disciplina, questionar se o aluno é fl uente da língua 
de sinais, quais capacitações são necessárias e fundamentais para que 
o interprete de Libras qualifi que sua atuação, outro discurso que pode 
ser direcionado ao intérprete é sobre a viabilidade da Libras e quais 
as maneiras mais efetivas para tornar a aula mais condizente com as 
especifi cidades da cultura surda (SANTA CATARINA, 2013, p. 27).
• Sabemos que a escola é um espaço que ocorre reuniões e conselhos 
de classe e pedagógicos para o corpo docente, assim, sugerimos 
que a equipe gestora reserve um tempo para discutir com o quadro 
86
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
de intérpretes uma melhor maneira de viabilizar sua atuação. Essa 
estratégia aproxima o quadro de profi ssionais intérpretes da escola e 
do grupo pedagógico e, também, proporciona momentos importantes de 
interação entre o grupo. (SANTA CATARINA, 2013, p. 27).
• Outra questão que é muito positiva é quando no início do ano letivo, a 
escola organize um momento de conhecimento e relação entre todos 
os profi ssionais que atuaram com o aluno surdo. Essa estratégia é 
importante para que o intérprete consiga expor sua função no ensino 
dos alunos surdos e, também, discutir sobre questões linguísticas na 
estrutura da língua de sinais (SANTA CATARINA, 2013, p. 27).
Essas orientações são apenas uma maneira de situar as escolas sobre 
qual o papel principal do intérprete de Libras, entendemos que cada escola 
possui sua própria organização e que muitas vezes no decorrer do ano letivo 
as situações acontecem e somos atropelados com casos que nos conduzem a 
posturas errôneas e que acabam por distorcer a compreensão real do trabalho 
do intérprete de Libras. A relação com o professor regular deve ser saudável para 
que o andamento das aulas aconteça de maneira muito tranquila e com qualidade 
para todas as partes.
O professor regente da sala e o intérprete de Libras devem ser aliados para 
que as questões relacionadas ao aluno surdo sejam compreendidas, assim como 
as particularidades da estrutura linguística da língua de sinais. Já dialogamos 
que o intérprete não é responsável pelo aluno e mesmo estando no quadro de 
funcionários da escola sua função é técnica de intermediação das duas línguas 
envolvidas (três caso tenha a disciplina de língua estrangeira). A preparação 
de aulas, organização de notas e o cuidado com a turma é função do professor 
regente. 
Sabemos que muitos intérpretes de Libras têm exercido funções que não 
são de sua responsabilidade, como por exemplo: copiar a matéria para o aluno 
surdo, cuidar da turma na ausência do professor regente, auxiliar na limpeza e 
organização da escola, fazer uma lista dos alunos que são desordeiros quando 
o professor regente se ausenta da sala para depois repassar a ele, e outras 
tantas funções. Não estamos aqui julgando se essas e outras atividades têm 
maior ou menor valor do que a função do intérprete de Libras o que estamos 
problematizando é que essa não é a função para a qual o intérprete foi contratado.
Conseguir dividir as funções é fundamental para uma relação salutar, é 
importante que recorra ao professor regente quando o aluno surdo surge com 
alguma dúvida, porém, por minha experiência percebo que, muitos professores 
não demonstram preocupação com as especifi cidades dos alunos surdos, e 
quais as estratégias para que ocorra a aprendizagem igualitária em sala de aula. 
87
AS ESCOLAS E OS P. I. DE LIBRAS: A I. NO ÂMBITO DA I. Capítulo 3 
Entendemos que é função e dever do professor regente descobrir o caminho para 
a aprendizagem efetiva do aluno surdo. Alguns professores ignoram a presença 
do aluno surdo, talvez por desconhecer como trabalhar com esse público-alvo, 
ou por acreditarem na incapacidade do surdo em compreender os conteúdos 
ministrados. Contudo, discordamos dessa postura, considerando que, nas 
relações interpessoais, a surdez é um fator que muitas vezes limita o sujeito, 
porém, não o impede a capacidade de compreensão de mundo. 
3.2 AOS PROFESSORES CABE TER 
CONHECIMENTO DE QUE
o Os intérpretes sabem que para a grande maioria de vocês é novidade 
ter um aluno surdo em sala de aula,porém é importante lhes dizer que 
o conteúdo de sua disciplina quando intermediado por um intérprete de 
Libras se torna acessível (SANTA CATARINA, 2013, p. 33).
• Os intérpretes de Libras fazem a interpretação do que você diz, assim 
como interpreta para o professor o que o aluno surdo está dizendo;
• O intérprete de Libras não possui formação em todas as áreas de 
conhecimento, sendo assim é imprescindível que você, enquanto 
professor de sala, antecipe o material, o planejamento e organize horários 
para que possam sanar as dúvidas que possam surgir em relação ao 
conteúdo (SANTA CATARINA, 2013, p. 27).
• O intérprete de Libras é seu aliado em sala de aula e não uma pessoa 
que está vigiando seu trabalho.
• Aconselhamos que, caso tenha alguma dúvida se o aluno surdo 
compreendeu ou não o que foi ministrado, você pode se dirigir diretamente 
ao aluno, o intérprete fará a interpretação e o aluno responderá.
Essas orientações e aconselhamentos que buscamos à luz da pesquisa 
da Fundação Catarinense de Educação Especial – FCEE, no livro intitulado: 
intérpretes educacionais de Libras: orientações para prática profi ssional, são 
apenas uma maneira de auxiliar tanto o professor a compreender o papel do 
intérprete de Libras, quanto ao próprio intérprete que muitas vezes realiza 
funções que não lhe cabem, e acaba por prejudicar seu trabalho e o direito do 
surdo de receber as informações de maneira mais efi caz. O bom andamento em 
sala de aula acontece com a comunicação, muitas vezes o professor não tem 
conhecimento do papel do intérprete de Libras, logo, o diálogo pode sanar essas 
dúvidas e a relação com o aluno surdo se torna muito mais tranquila e verdadeira. 
88
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
O professor por muitas vezes pode sentir-se desconfortável com a presença 
do intérprete em sala de aula, admitem uma postura de indiferença, julgam o 
intérprete como um intruso, essa situação só agrava a relação entre as partes. 
Segundo Lacerda (2006), o professor regente não pode ignorar a presença do 
intérprete em sala de aula, pois o seu trabalho vai além de uma simples tradução, 
é através dele que ocorre o elo de comunicação entre professor e aluno surdo e, 
desse modo, o processo de ensino-aprendizagem.
O profi ssional intérprete de Libras possui um papel fundamental na escola, 
sua atuação possibilita a obtenção do conhecimento e compreensão dos 
conteúdos ministrados pelo professor regente. 
É necessário que haja uma mudança de postura por parte 
do professor, que também tem o dever, como educador, de 
auxiliar o intérprete da Língua de Sinais em suas práticas. Se 
o professor não assumir práticas que favoreçam a atuação 
do intérprete da Língua de Sinais, consequentemente, a 
compreensão do aluno surdo fi cará comprometida (LACERDA, 
2011, p. 18).
Cabe salientar, que as discussões acerca da relação entre professor e 
intérprete de Libras não se esgotam aqui, de fato, é preciso dialogar ainda mais 
sobre a compreensão dos conceitos em questão, o que na verdade requer mais 
aprofundamento. A saber, que a função do professor é para além do ensino, em 
contrapartida o papel do intérprete é fazer a mediação comunicativa no discurso 
e interpretar em sala de aula. Sendo assim, é fundamental sempre que o aluno 
surdo se reporte ao professor no momento que surgir alguma dúvida que ela 
relacionada à aula. 
E por falar em aluno surdo, julgamos importante trazer discussões que 
alimentem a prática profi ssional e a postura positiva do intérprete de Libras quando 
se trata da relação estabelecida com o aluno surdo que está sendo atendido. 
3.3 O INTÉRPRETE E O ALUNO 
SURDO NO AMBIENTE ESCOLAR
Para essa discussão começaremos com a palavra “transparência”, que 
é o que o profi ssional intérprete deve estabelecer na relação com o aluno. 
Compreendemos que é um grande desafi o permanecer ético na relação entre 
surdo e intérprete, é indiscutível que todo e qualquer assunto tratado entre 
essas partes deve fi car entre elas. Contudo, até então, não é possível fi scalizar 
como se dá essa relação em sala de aula, visto que a Libras é uma língua que 
89
AS ESCOLAS E OS P. I. DE LIBRAS: A I. NO ÂMBITO DA I. Capítulo 3 
poucas pessoas conhecem e na maioria das vezes os professores, diretores e 
funcionários da escola são alheios ao que está sendo transmitido ao aluno surdo, 
assim cabe a você, intérprete, ser o próprio fi scal e saber qual a postura mais 
adequada para o bom andamento do seu trabalho e saudável relação com o aluno 
surdo.
3.4 INTÉRPRETE DE LIBRAS EM SUA 
RELAÇÃO COM O ALUNO SURDO 
OBSERVE QUE 
• Intérprete de Libras o aluno surdo não é seu aluno.
• Converse com o aluno sobre seu trabalho e suas funções, visto que 
muitas vezes ele não tem conhecimento de qual a diferença entre você e 
o professor da turma.
• Caso o aluno venha de um sistema em que sempre recebeu um 
atendimento de assistencialismo, cabe a você esclarecer como será o 
atendimento a partir de agora.
• Você não deve cuidar do caderno do aluno, não deve copiar para ele, 
não deve fazer nenhuma atividade para o aluno surdo.
• Você não deve responder as dúvidas do aluno sem repassar ao professor, 
mesmo que saiba a resposta.
• Nas provas, a postura deve ser ainda mais vigiada, cuidado para não 
infl uenciar a resposta, e fi que atento para interpretar fi elmente a pergunta 
que está descrita na avaliação.
• Sua opinião não deve ser considerada em momento nenhum quando em 
sala de aula, guarde sua opinião para você.
• Esteja em sala de aula no horário determinado mesmo que o aluno ainda 
não esteja presente,
• Não cabe a você controlar a entrada ou saída do aluno em sala de aula. 
• Não é seu papel liberar sua ida ao banheiro ou a qualquer outro espaço 
dentro ou fora da escola.
• Não compense a falta de competência interpretativa com o 
assistencialismo (SANTA CATARINA, 2013, p. 42).
É importante ressaltar que a ignorância ou o desconhecimento quanto ao seu 
papel deixa o intérprete de Libras vulnerável e termina por receber as imposições 
da escola prejudicando a todos os envolvidos, sabemos que muitas vezes a 
escola também não conhece o papel do intérprete de Libras. Sendo assim, caso 
vislumbre seguir essa profi ssão, primeiramente, tenha muito claro qual é o seu 
papel e como deve estabelecer as relações no ambiente de trabalho, tenha 
90
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
clareza de qual a postura adequada para exercer sua função no espaço escolar 
para, então, futuramente, conseguir atuar em qualquer outro espaço sem prejuízo 
ou dano. 
Estamos cientes de que, em muitos casos, os alunos chegam à escola 
com um vocabulário muito básico ou sem nenhum vocabulário de Libras e isso 
acarreta a difi culdade do intérprete em realizar a interpretação, pois dependendo 
do nível de seu conhecimento em Libras, o aluno poderá não compreender o que 
está sendo sinalizado, pelo atraso na aquisição língua e da linguagem. Contudo, 
destacamos e orientamos que isso não justifi ca que o intérprete assuma o papel 
do professor e lecione a disciplina da maneira que julga correto para esse aluno, 
ou que assuma o papel de professor de Libras para toda turma. Essa é uma 
ampla discussão e que não cabe ao intérprete resolver, sua postura deve ser de 
informar ao professor que esse aluno não tem conhecimento da Libras e, assim, o 
pedagógico e a direção escolar tomarão as providencias necessárias. 
Você pode perguntar como, então, fará a interpretação a esse aluno que tem 
o vocabulário limitado. Muitas vezes precisamos usar estratégias interpretativas 
para sinalizar algum conteúdo que não temos conhecimento específi co ou quando 
não há sinal para determinada palavra. É comum usarmos recursos visuais 
descritivos, classifi cadores e ou expressões faciais e corporais que nos ajudam 
a descrever a situação para o surdo para que ele indique uma forma visual de 
criar um sinal para determinada palavra e/ou conceito. Éimportante evitar as 
relações de dependências que existe entre surdos e intérpretes. Muitas vezes o 
intérprete depende do surdo, sente-se incomodado quando o surdo deseja trocar 
de profi ssional ou quando são corrigidos em relação a determinado sinal. Sejamos 
profi ssionais! Se realizar seu trabalho com competência e qualidade certamente 
você será reconhecido, e o temor de fi car sem aluno surdo para atender será 
superado com muitos outros atendimentos. 
O importante é deixar muito claro ao aluno surdo que o intérprete não é 
responsável pelo seu ensino, ele não vai facilitar suas respostas nas provas ou 
atividades que são exigidas pelo professor. Todavia, o bom senso é fundamental, 
falamos anteriormente que o intérprete não ensina Libras mesmo quando 
o aluno surdo tem limitações de vocabulário, mas, nos casos em que o aluno 
possui apenas sinais caseiros, combinados com os familiares, é aceitável que o 
intérprete introduza gradualmente os sinais de Libras, substituindo pelos sinais 
básicos durante a sua interpretação. essa atitude é diferente de ensinar Libras 
como se fosse uma aula paralela a do professor regente, a introdução dos sinais 
de Libras pode acontecer quando escolhemos a estratégia de recursos visuais, 
quando apontamos e ou classifi camos um conceito ou palavra. 
91
AS ESCOLAS E OS P. I. DE LIBRAS: A I. NO ÂMBITO DA I. Capítulo 3 
Essas estratégias podem inclusive ser discutidas com os colegas intérpretes 
da escola, caso tenha, do contrário, os grupos de estudos de intérpretes podem 
auxiliar com essas questões, pois a troca de experiências e o diálogo com seus 
pares enriquece e qualifi ca o trabalho, favorecendo a segurança e a efi cácia 
da sinalização. A relação positiva com seus pares é muito importante para o 
fortalecimento da categoria, porém temos consciência de que muitas vezes as 
disputas e concorrências acontecem nesse meio, e é sobre isso que precisamos 
conversar, sem mágoas, sejamos profi ssionais! 
Vamos falar dos intérpretes e seus pares. Vamos discutir a nossa relação 
abertamente e de maneira madura?
3.5 O INTÉRPRETE DE LIBRAS 
E SEUS PARES NO AMBIENTE 
ESCOLAR 
Receber apoio de outro colega durante a interpretação é um 
exercício de humildade e confi ança, bem como uma técnica 
de atenção e concentração que se aprende só com a prática 
(SANTA CATARINA, 2013, p. 45).
O conhecimento é algo maravilhoso e que deve ser dividido para ser 
multiplicado, ter fl uência em Libras é o mínimo que se espera daquele que é 
intérprete de Libras. Não se admite um profi ssional com carência de vocabulário, 
limitação nas competências e sem nenhuma estratégia linguística para atuar como 
tal. A fl uência em Libras é a chave principal para a formação de um profi ssional 
capacitado e competente, aliado a outras questões que já discutimos no decorrer 
desse caderno. Quem nunca fi cou com dúvida durante uma interpretação? quem 
nunca precisou reorganizar a sentença para compreender melhor e interpretar 
com mais segurança? Cotidianamente, somos confrontados em nosso trabalho 
com situações de desconhecimento ou falta de vocabulário para concluir uma 
ideia. Contudo, é importante lembrar que em língua de sinais é possível fazer uso 
de descrições imagéticas que são os classifi cadores para sanar as difi culdades, 
assim como recorrer aos sinais icônicos que são aqueles que seu sinal representa 
o conceito real. Claro que um conhecimento profundo na língua materna 
possibilita fazer uso de sinônimos sem com isso prejudicar a entrega do produto 
interpretativo (SANTA CATARINA, 2013, p. 46).
No ambiente escolar são muitas particularidades que exigem que o intérprete 
de Libras tenha uma postura adequada para com seu trabalho, mas também com 
seu colega de profi ssão. Vamos passar as discussões que abrangem esse tema. 
92
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
• Cumpra seu papel, intérprete em sala de aula e nos eventos da escola.
• Faça o apoio ao seu colega no momento em ele estiver atuando.
• Seja ético e profi ssional.
• Não apresente expressões de discordância das escolhas tradutórias que 
ele lançou mão para interpretar.
• Não fi que de conversa ou cochichos no momento que seu colega estiver 
atuando, ao invés disso, fi que atento para o caso de ele precisar de 
apoio.
• Seja humilde, você não é o melhor e único intérprete do mundo, pode 
até ser que na escola tenha destaque, mas com certeza vai encontrar 
alguém que lhe supere.
• Vai acontecer um evento, você se comprometeu a trabalhar, então vá e 
trabalhe. Não desista quase no horário marcado para início.
• Caso não possa comparecer, busque avisar a equipe com antecedência 
e busque alguém para lhe substituir.
• Sabemos que é difícil resistir aos holofotes que fi cam sobre a cadeira do 
intérprete e sua imagem, porém, lembre- se seja discreto sempre.
• Não seja fofoqueiro, não se envolva em intrigas e conversinhas, intérprete 
a aula, isso.
• Não faça leituras particulares para fazer em sala quando o aluno surdo 
estiver fazendo atividades, ele pode precisar da interpretação de algum 
conceito, esteja atento.
• Não tente diminuir o trabalho do colega.
• Respeite o tempo de troca quando está em evento e trabalhando em 
duplas, não faça de conta que se esqueceu de trocar ou se perdeu no 
horário.
É importante ressaltar que você não é um intérprete de pessoas, mas sim de 
línguas, assim, cabe a você interpretar tudo que está sendo dito para que o aluno 
surdo consiga acompanhar. A escola é um lugar de conhecimento e aprendizagem 
seja um profi ssional exemplar dentro do seu papel. 
Entretanto, devemos sempre lembrar que cada profi ssional dentro da escola 
possui sua própria função e o intérprete é um desses profi ssionais que está ali, 
presente para desempenhar sua função de maneira séria, efi caz e comprometida. 
Dessa maneira é importante sabermos quem é o profi ssional intérprete de 
Libras que está na escola e como sua atuação infl uencia não apenas na vida do 
aluno surdo, mas também em toda a estrutura da escola. Discutimos até aqui 
especifi cidades e relacionamentos do intérprete de Libras e os atores que estão 
inseridos na escola, falamos do intérprete e o aluno, e o professor, e a escola 
e seus pares, porém, não dialogamos o intérprete e a relação que estabelece 
93
AS ESCOLAS E OS P. I. DE LIBRAS: A I. NO ÂMBITO DA I. Capítulo 3 
com ele mesmo enquanto profi ssional. Vamos falar de nós, de nossas escolhas, 
nossas frustrações e inquietações. É hora que fazer o exercício do espelho, “eu 
comigo mesmo”, vamos falar da gente?
Antes, gostaria de deixar uma indicação de excelente leitura, com ricas 
pesquisas para aumentar seu conhecimento.
Boa leitura
LIBRAS E SUA TRADUÇÃO EM PESQUISA
FONTE: <https://bit.ly/39R0fez>. Acesso em: 8 fev. 2022.
94
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
5 Orientados pelo ponto de vista de Lacerda e Góes (2002), 
Martins (2008) e Albres (2015), quando descortinam a 
verdade e abordam, entre outros aspectos, a deturpação das 
relações didático-pedagógicas entre os sujeitos intérprete 
de Libras x aluno surdo e, também, intérprete de Libras 
x professor regente. De acordo com a linha de raciocínio 
das autoras, em muitos casos, ocorre uma transferência 
da responsabilidade do ensino ao aluno surdo para o 
intérprete de Libras. Essa função é do professor regente 
da turma, porém costumamos vivenciar tais situações 
nas escolas. Por outro lado, o intérprete de Libras muitas 
vezes deseja apresentar resultados positivos do seu 
trabalho e acaba assumindo determinada função junto ao 
aluno surdo. Essa postura impacta de maneira negativa 
a luta da categoria, favorecendo a confusão que se 
estabelece entre os atores intérprete de Libras x professor 
x comunidade surda e ouvinte. Tal desacordo referente à 
função do intérprete educacional provoca difi culdades no 
profi ssional que muitas vezes perde o foco de seu papel 
principal, prejudicandosua atuação no desenvolvimento 
das competências necessárias para o desempenho efi caz 
da interpretação. Quadros (2003) e Tuxi (2009) sugerem a 
necessidade da valorização do profi ssional, em editais de 
contratação, destacam a importância da formação na área 
de interpretação da língua de sinais e discutem a questão 
da competência linguística, problematizando ricamente o 
assunto por um viés comunicativo uma vez que, para ocorrer 
intermediação dos conhecimentos no ambiente da escola, é 
de suma importância que os intérpretes de Libras possuam 
competência linguística dos pares linguísticos Libras/
Português e não apenas do ponto de vista da língua de 
sinais. De acordo com o material estudado, leia as questões 
a seguir e assinale V para as sentenças verdadeiras e F para 
as falsas: 
( ) A interpretação simultânea é quando a mensagem fonte 
está em andamento e o intérprete acompanha essa fala (ou 
sinalização), ou seja, enquanto o interlocutor está falando, o 
intérprete interpreta simultaneamente, sem cortes. Enquanto na 
95
AS ESCOLAS E OS P. I. DE LIBRAS: A I. NO ÂMBITO DA I. Capítulo 3 
interpretação consecutiva o intérprete escuta (ou vê) a mensagem 
e assim que fecha uma sentença há uma pausa (TUXI, 2009, p. 
13).
( ) O profi ssional intérprete de Libras que se propõe a realizar uma 
interpretação simultânea, que é a mais utilizada em sala de aula, 
deve ter ciência que esse ato exige habilidades que vão para 
além do conhecimento linguístico, considerando que ele está 
relacionado com a destreza de versar as informações da estrutura 
linguística de uma língua para outra e ainda ater-se ao fl uxo das 
informações que continuam a ser transmitidas no decorrer de 
sua interpretação, a destreza e aptidão interpretativa caminham 
ao lado das especifi cidades existentes na prática educativa de 
interpretação do interprete de Libras.
( ) É fundamental compreender que a interpretação não é uma 
mera codifi cação que se interpõe em uma combinação de 
confi gurações de mão, movimentos e expressões, a dimensão 
do conceito de interpretação é para além dessas limitações que 
envolvem a codifi cação e decodifi cação de informações, perpassa 
pelo contexto histórico e social em que os sujeitos estão envoltos, 
contribuindo para a sua formação enquanto ser social. 
( ) O intérprete de Libras que atua em ambiente escolar tem um 
compromisso direto com a construção individual e social do 
sujeito surdo considerando que é o mediador de conhecimento, 
esse compromisso apresenta novos desdobramentos na 
atuação do profi ssional que é um ator muito importante na 
organização escolar, visto que participa dos processos de ensino-
aprendizagem de alunos surdos e, consequentemente, da 
constituição do sujeito surdo como parte de uma coletividade e 
ator de sua própria história.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) F – F – F – F.
b) ( ) V– F – F – F.
c) ( ) V– V– V– F. 
d) ( ) V– V– V– V.
e) ( ) F – F – F – V.
96
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
4 QUEM É O PROFISSIONAL 
INTÉRPRETE DE LIBRAS QUE 
ESTAMOS PROBLEMATIZANDO NO 
AMBIENTE ESCOLAR? QUAL O SEU 
PAPEL DENTRO DA SALA DE AULA?
Estamos falando de um profi ssional responsável, compromissado com 
a entrega do produto ao qual se dispôs a realizar. Estamos falando de um 
profi ssional que infl uencia no desenvolvimento individual e social de um sujeito 
que tem o direito de receber o melhor serviço, problematizamos igualmente 
a atuação e atitude do profi ssional intérprete de Libras que a muito tempo está 
em atuação em diversos ambientes sociais e, para tanto, entendemos que o 
profi ssional deve, obrigatoriamente, dominar a língua falada do país e possuir 
a qualifi cação necessária para desempenhar a função de Intérprete de maneira 
satisfatória (BRASIL, 2004), interpretando, então, da língua de sinais para a 
língua falada ou vice-versa. Quando nos referimos à qualidade da entrega 
do produto interpretativo, é importante perceber que a formação do Tradutor 
intérprete de Libras é destacada no Decreto 5.626 de 22 de dezembro de 2005, 
dispondo claramente a necessidade da formação profi ssional para atuar na área 
da tradução e interpretação da língua brasileira de sinais no Brasil. 
Capítulo V Art. 17. A formação do tradutor e intérprete de 
Libras –Língua Portuguesa deve efetivar-se por meio de curso 
superior de Tradução e Interpretação, com habilitação em 
Libras – Língua Portuguesa.
Art. 18. (...) a formação de tradutor e intérprete de Libras – 
Língua Portuguesa, em nível médio, deve ser realizada por 
meio de:
· I – cursos de educação profi ssional;
· II – cursos de extensão universitária; e
· III – cursos de formação continuada promovidos por 
instituições de ensino superior e instituições credenciadas por 
secretarias de educação.
Parágrafo único. A formação de tradutor e intérprete de 
Libras pode ser realizada por organizações da sociedade civil 
representativas da comunidade surda, desde que o certifi cado 
seja convalidado (...) (BRASIL, 2005).
 As orientações ditadas pelo decreto devem ser cumpridas por aqueles 
que pretendem tornar-se um profi ssional intérprete, porém, a prática, a postura, a 
imparcialidade entre outras questões são fundamentais que o intérprete de Libras 
observe e siga fi elmente para que seu trabalho se torne efi caz e o aluno surdo 
não seja prejudicado. Assim, cabe também ao profi ssional intérprete realizar a 
97
AS ESCOLAS E OS P. I. DE LIBRAS: A I. NO ÂMBITO DA I. Capítulo 3 
interpretação da língua falada para a língua sinalizada e vice-versa observando os 
seguintes preceitos éticos:
• confi abilidade (sigilo profi ssional);
• imparcialidade (o intérprete deve ser neutro e não interferir como opiniões 
próprias);
• discrição (o intérprete deve estabelecer limites no seu envolvimento 
durante a atuação);
• distância profi ssional (o profi ssional intérprete e sua vida pessoal são 
separados); fi delidade (a interpretação deve ser fi el, o intérprete não 
pode alterar a informação por querer ajudar ou ter opiniões a respeito de 
algum assunto, o objetivo da interpretação é passar o que realmente foi 
dito)” (BRASIL, 2004, p. 28). 
Mesmo com essas orientações, algumas difi culdades surgem no ambiente da 
escola. Sabemos que muitos intérpretes possuem vínculos com alunos surdos ou 
com as famílias fora do horário escolar e, por esse motivo, é importante fi carmos 
atentos para que a relação não seja prejudicada, para que não haja a interferência 
tanto de um lado quanto de outro lado, tanto dentro como fora dos espaços 
escolares. As interferências podem enfraquecer a luta pelo reconhecimento 
e respeito profi ssional, desse modo, acreditamos que algumas ponderações 
por parte do intérprete de Libras são fundamentais para que as relações sejam 
saudáveis. 
4.1 COLEGA INTÉRPRETE DE LIBRAS 
OBSERVE QUE
Neste tópico, queremos trazer refl exões que, enquanto profi ssionais 
de tradução e interpretação de Libras nos provocam a pensar nas relações 
construídas entre os espaços educacionais família e o intérprete. 
• É possível que você tenha uma relação saudável com os surdos e 
seus familiares, nada impede que sejas solidário ou voluntário, quando 
assim julgar necessário. Muitas vezes a família solicita ao intérprete que 
converse sobre determinado assunto com o surdo por ser a única pessoa 
que tem fl uência em Libras. Em outra ocasião, o intérprete é solicitado a 
acompanhar ao médico entre outras situações muito comuns no cotidiano 
do intérprete de Libras. Contudo, é importante estabelecer um limite de 
profi ssionalismo adequado para que não venha a ser confundido com um 
amigo em todas as ocasiões. Nesses casos, é importante uma conversa 
98
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
com o surdo e com a família, momento em que deve se esclarecer a 
diferença entre o atendimento voluntario e o atendimento profi ssional. 
Estabelecer o bom senso e o equilíbrioentre as situações é fundamental 
para todos os que desejam realizar as duas maneiras de trabalho. O 
respeito pela escolha do colega deve se manter, teremos os que querem 
fazer um trabalho mais voluntário, e aqueles que desejam e têm o direito 
de receber valores pela sua atuação, porém o equilíbrio é fundamental. 
Caro colega intérprete, você consegue estabelecer esse equilíbrio 
saudável? Se a resposta for sim, então siga sua escola, porém, se não 
está seguro quanto a isso, lembre- se que um coletivo de intérpretes 
pode ser prejudicado caso sua postura não seja adequada. Pense nisso!
• As demandas externas a escola, podem ser atendidas, desde que não 
seja em horário de trabalho e sempre em duplas.
• Em qualquer sala de aula, o professor é a fi gura que tem autoridade 
absoluta.
• Lembre-se de solicitar auxílio ao professor (é um direito e dever seu), 
para o esclarecimento de conceitos da disciplina, isso irá garantir a 
qualidade da sua atuação durante as aulas.
• Quando fi zer a oralização do Português para Libras, jamais antecipe o 
pensamento do surdo, mesmo que você saiba o que ele irá falar, jamais 
se coloque na posição de professor e nunca tente explicar de maneira 
mais fácil o conteúdo. Esse papel não é seu.
• A confi dencialidade é uma marca extremamente fundamental nessa 
profi ssão, ser ético é indiscutível, o intérprete deve manter-se neutro em 
qualquer situação de interpretação, jamais comente absolutamente nada 
a respeito do que foi interpretado, em qualquer situação, a menos que os 
envolvidos autorizem.
• Colega intérprete, você não é o professor da disciplina se mantenha na 
condição a qual foi contratado.
• Garanta a qualidade da interpretação, não aceite fazer longos períodos 
de sinalização sem pausas e sem o apoio de uma dupla, caso não 
observe essas questões sua performance será prejudicada e a qualidade 
do produto de entrega que é a interpretação será inefi caz, sem contar os 
problemas de saúde que poderás adquirir.
• Não faça fofocas e não se envolva em nenhuma intriga, não fale mal 
dos colegas tão pouco dos professores que interpretares as aulas, seja 
extremamente discreto.
• Não se exponha negativamente para não expor toda a categoria.
Caro colega intérprete, não vá para além de sua função, interprete com 
responsabilidade e competência, busque se qualifi car e se manter informado da 
sintaxe e semântica da língua de sinais. Participe de seminários e congressos, 
faça cursos, se atualize sempre, isso vai lhe proporcionar mais segurança e 
99
AS ESCOLAS E OS P. I. DE LIBRAS: A I. NO ÂMBITO DA I. Capítulo 3 
qualidade na atuação. Todas essas considerações que pontuamos anteriormente 
não se esgotam, sempre terá algo a ser acrescentado, então fi que atento a 
sua postura e busque a autocritica e autoavaliação todos os dias. Essa é uma 
profi ssão que apesar de estar presente na comunidade surda desde sempre, está 
também em diferentes contextos, e visto de diversas maneiras. A regulamentação 
aconteceu a menos de duas décadas e essa conquista forneceu aos intérpretes 
de Libras a possibilidade de legalizar sua atuação e ser reconhecido pelo seu 
belíssimo e fundamental trabalho. Vamos garantir essa conquista em nossas 
mãos de maneira responsável e compromissada, com ética e profi ssionalismo? 
Vamos começar conhecendo na íntegra a Lei que regulamenta a profi ssão de 
intérprete de Libras, a nossa profi ssão! 
LEI Nº 12.319, DE 1º DE SETEMBRO DE 2010.
Regulamenta a profi ssão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira 
de Sinais – LIBRAS.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso 
Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 
Art. 1º Esta Lei regulamenta o exercício da profi ssão de Tradutor e 
Intérprete da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS. 
Art. 2º O tradutor e intérprete terá competência para realizar 
interpretação das 2 (duas) línguas de maneira simultânea ou 
consecutiva e profi ciência em tradução e interpretação da Libras e da 
Língua Portuguesa. 
 Art. 3º (VETADO) 
Art. 4º A formação profi ssional do tradutor e intérprete de Libras – 
Língua Portuguesa, em nível médio, deve ser realizada por meio de: 
I- cursos de educação profi ssional reconhecidos pelo Sistema que os 
credenciou; 
II- cursos de extensão universitária; e 
100
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
III- cursos de formação continuada promovidos por instituições 
de ensino superior e instituições credenciadas por Secretarias de 
Educação. 
Parágrafo único. A formação de tradutor e intérprete de Libras pode 
ser realizada por organizações da sociedade civil representativas da 
comunidade surda, desde que o certifi cado seja convalidado por uma 
das instituições referidas no inciso III.
Art. 5º Até o dia 22 de dezembro de 2015, a União, diretamente ou 
por intermédio de credenciadas, promoverá, anualmente, exame 
nacional de profi ciência em Tradução e Interpretação de Libras – 
Língua Portuguesa. 
Parágrafo único. O exame de profi ciência em Tradução e 
Interpretação de Libras – Língua Portuguesa deve ser realizado 
por banca examinadora de amplo conhecimento dessa função, 
constituída por docentes surdos, linguistas e tradutores e intérpretes 
de Libras de instituições de educação superior. 
Art. 6º São atribuições do tradutor e intérprete, no exercício de suas 
competências: 
I- efetuar comunicação entre surdos e ouvintes, surdos e surdos, 
surdos e surdos-cegos, surdos-cegos e ouvintes, por meio da Libras 
para a língua oral e vice-versa; 
II- interpretar, em Língua Brasileira de Sinais – Língua Portuguesa, 
as atividades didático-pedagógicas e culturais desenvolvidas nas 
instituições de ensino nos níveis fundamental, médio e superior, de 
forma a viabilizar o acesso aos conteúdos curriculares; 
III- atuar nos processos seletivos para cursos na instituição de ensino 
e nos concursos públicos; 
IV- atuar no apoio à acessibilidade aos serviços e às atividades-fi m 
das instituições de ensino e repartições públicas; e 
V- prestar seus serviços em depoimentos em juízo, em órgãos 
administrativos ou policiais. 
101
AS ESCOLAS E OS P. I. DE LIBRAS: A I. NO ÂMBITO DA I. Capítulo 3 
Art. 7º O intérprete deve exercer sua profi ssão com rigor técnico, 
zelando pelos valores éticos a ela inerentes, pelo respeito à pessoa 
humana e à cultura do surdo e, em especial: 
I- pela honestidade e discrição, protegendo o direito de sigilo da 
informação recebida; 
II- pela atuação livre de preconceito de origem, raça, credo religioso, 
idade, sexo ou orientação sexual ou gênero; 
III- pela imparcialidade e fi delidade aos conteúdos que lhe couber 
traduzir; 
IV- pela postura e conduta adequadas aos ambientes que frequentar 
por causa do exercício profi ssional; 
V- pela solidariedade e consciência de que o direito de expressão é 
um direito social, independentemente da condição social e econômica 
daqueles que dele necessitem; 
VI- pelo conhecimento das especifi cidades da comunidade surda. 
Art. 8º (VETADO) 
Art. 9º (VETADO) 
Art. 10. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 
Brasília, 1º de setembro de 2010; 189º da Independência e 122º da 
República. 
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Luiz Paulo Teles Ferreira Barreto
Fernando Haddad
Carlos Lupi
Paulo de Tarso Vanucchi
FONTE: BRASIL. Lei Nº 12.319, de 1º de setembro de 2010. Regulamenta a profi ssão 
de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS. Brasília, DF: Diário 
Ofi cial [da] República Federativa do Brasil, 2 set. 2010. Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12319.htm. Acesso em: 27 out. 2021.
102
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
5 ÉTICA: DOCUMENTOS QUE 
ORIENTAM A POSTURA E 
RESPONSABILIDADE DO TRADUTOR 
INTÉRPRETE DE LÍNGUA DE SINAIS
A ética é [uma] daquelas coisas que todo mundo sabe o que 
são, mas que não são fáceis de explicar, quando alguém 
pergunta. Tradicionalmente ela é entendida como umestudo 
ou uma refl exão, científi ca ou fi losófi ca, e eventualmente até 
teológica, sobre os costumes ou sobre as ações humanas 
(VALLS, 1994. p. 7).
No decorrer de todo esse capítulo buscamos apresentar questões de postura 
e responsabilidades que cabem ao profi ssional intérprete de Libras. Esse livro 
como um todo tem o objetivo de fornecer algumas orientações para nortear 
os profi ssionais que estão envolvidos na educação de surdos, aos intérpretes, 
pretende ser um apoio um rumo a ser considerado. Sabemos que as discussões 
aqui apresentadas partem da concepção da autora e que possivelmente 
receberam releituras por parte dos leitores acadêmicos, e isso deve acontecer 
naturalmente. Lembrem- se, sejamos autoavaliadores de nosso desempenho e 
maduros com as críticas que recebemos. 
Algumas difi culdades surgem diariamente no trabalho do intérprete, e essas 
inquietações, inclusive no ambiente escolar, suscitaram a criação de manuais e 
documentos que orientam a conduta desse profi ssional, o Código de Ética é um 
desses documentos que é importante conhecer e saber do que se trata. Por esse 
motivo optamos por trazer com brevidade essa discussão, porém, cabe informar 
que a leitura e refl exão desses documentos tem muita importância para adquirir 
conduta adequada frente às situações de trabalho do intérprete. 
Na Live Transmitida em 22 de junho de 2021, o canal do TraduzAi discutiu 
questões importantes sobre a ética do intérprete de Libras. Deixamos a seguir o 
link de acesso para que acesse e se curta todas as informações e discussões que 
são apresentadas. 
103
AS ESCOLAS E OS P. I. DE LIBRAS: A I. NO ÂMBITO DA I. Capítulo 3 
LIVE TRADUZAI
FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=7Bzb3UDqDZY>. Acesso em: 8 fev. 2022.
A profi ssão de intérprete de línguas de sinais, infelizmente, ainda é vista em 
uma práxis baseada no empirismo, seu reconhecimento aconteceu a pouco tempo 
e o saber fazer foi acontecendo no cotidiano, assim o Código de Ética vem a ser 
um documento convencionado entre os seus pares, observando os princípios, 
e normas de condutas para assegurar a realização de seu trabalho e lutar por 
reconhecimento de direitos. 
No livro “Libras e sua tradução em pesquisa” que foi organizado 
cuidadosamente por Albres (2017), somos presenteados com diversas pesquisas 
que enriquece nosso conhecimento. Dentre elas destacamos as discussões que 
o autor Wharlley dos Santos apresenta com riqueza de informações diversas 
entidades no âmbito nacional que com o passar do tempo buscaram colaborar 
com o trabalho do intérprete de Libras e nortear suas práticas. Santos (2017) 
evidencia que na esfera federal: 
temos a FEBRAPILS (Federação Brasileira das Associações 
dos Profi ssionais Tradutores e Intérpretes e Guia-Intérpretes 
de Língua de Sinais), na esfera estadual, das diversas que 
foram criadas, podemos citar APILSEMG (Associação dos 
Profi ssionais Intérpretes de Língua de Sinais do Estado de 
Minas Gerais), APILSBESP (Associação dos Profi ssionais 
Intérpretes e Guias Intérpretes da Língua de Sinais Brasileira 
do Estado de São Paulo) e tantas outras que seguem o mesmo 
104
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
padrão de formatação e ideias de luta, vinculadas e fi liadas à 
FEBRAPILS construindo uma rede de articulação nacional dos 
TILS (SANTOS, 2017 apud ALBRES, 2017, p. 93).
Não apenas essas instituições marcaram a luta no apoio à profi ssionalização 
do intérprete, normalizar a conduta ética em tempos em que as associações 
ainda não exerciam suas atividades no formato que estão atualmente, coube a 
FENEIS (Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos) exerceu um 
papel normatizando as regras e condutas dos intérpretes de língua de sinais em 
território nacional.
Ao total, no Brasil, temos nove associações que representam a categoria 
profi ssional dos Tradutores Intérpretes de Libras:
• ACATILS – Associação Catarinense de Tradutores e Intérpretes de 
Língua de Sinais;
• AGILS – Associação Gaúcha de Intérprete de Língua de Sinais;
• APILCE – Associação dos Profi ssionais Intérpretes e Tradutores de 
Libras;
• APILDF – Associação dos Profi ssionais Tradutores/Intérpretes de Língua 
Brasileira de Sinais do Distrito Federal e Entorno.
• APILES – Associação dos Profi ssionais Intérpretes de LIBRAS do 
Espírito Santo;
• APILRJ – Associação dos Profi ssionais Tradutores/Intérpretes de Língua 
Brasileira de Sinais do Rio de Janeiro;
• APILSBESP – Associação dos Profi ssionais Intérpretes e Guias 
Intérpretes da Língua de Sinais Brasileira do Estado de São Paulo;
• APILSEMG – Associação dos Profi ssionais Intérpretes da Língua de 
Sinais do Estado de Minas Gerais;
• APTILS – Associação dos Paranaenses de Tradutores Intérpretes e Guia 
Intérpretes de Língua de Sinais.
Santos (2017) apud ALBRES, 2017) afi rma que das várias associações 
criadas na esfera estadual, a APILSEMG tem por desafi o buscar a união, 
valorização e reconhecimento dessa categoria, conforme palavras do site da 
referida associação. 
Em âmbito federal, temos a FEBRAPILS (Federação Brasileira das 
Associações dos Profi ssionais Tradutores e Intérpretes e Guia-Intérpretes de 
Língua de Sinais) que é a somatória de todas as associações estaduais que 
representam essa categoria. Algumas delas elaboraram Códigos de Conduta 
Ética para nortear as ações profi ssionais de seus associados.
105
AS ESCOLAS E OS P. I. DE LIBRAS: A I. NO ÂMBITO DA I. Capítulo 3 
Acesse o Código de Ética do Intérprete de Libras em: http://
portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/tradutorlibras.pdf.
FONTE: Acervo pessoal da autora
Em meados de 1992 o primeiro “Código de Conduta Ética dos TILS” brasileiros 
foi apresentado norteando a prática de um profi ssional que já estava há muito no 
mercado. Apenas no ano de 2004, esse mesmo Código foi publicado em larga 
escala pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura) intitulado como: “O tradutor e 
intérprete de língua brasileira de sinais e língua portuguesa” (QUADROS, 2004), 
o objetivo maior foi de orientar, nortear e disseminar melhores formas de atuação 
para os intérpretes brasileiros. 
a fi m de difundir melhores práticas para os TILS na atuação em 
âmbito nacional. A partir da prática local, as associações de 
cada estado acabaram por perceber a necessidade de também 
criar Códigos de Conduta Ética para embasar a atuação de seus 
associados em âmbito estadual, de igual forma a FEBRAPILS, 
entidade máxima de representação desses profi ssionais, 
também pautou e normatizou a atuação em âmbito nacional 
com a publicação do seu Código de Conduta Ética (SANTOS 
2017 p.94).
Esse documento é extremamente importante para o profi ssional intérprete de 
Libras para embasar sua atuação enquanto profi ssional intérprete. Concordamos 
com Santos, quando ele afi rma que: 
106
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
a análise do código se faz necessária ao que tange verifi car 
congruências e discrepâncias na redação desses e a quais 
visões sobre a Tradução/Interpretação estão por detrás dessas 
palavras que subjazem os documentos (SANTOS, 2017 apud
ALBRES p. 94).
Muitos intérpretes ansiavam por um documento para nortear sua atuação 
profi ssional, porém, não tem regras, mas sim conduz a maneira ideal e adequada 
para a profi ssão. Cabe ressaltar que não temos o que é estatizado como Código 
de Ética, pois não temos conselhos Regionais, ou Federais, não há uma instituição 
que fi scalize o trabalho desse profi ssional, visto que o Artigo 8º da Lei 12.319, 
vetou a possibilidade de fi scalização. Temos, então, entidades representativas que 
apresentam documentos que norteiam e não fi scalizam a conduta com base em 
valores que são considerados ideais para o profi ssional intérprete de Libras, mas 
não indica o que está certo ou errado. Contudo, todos esses Códigos de Conduta 
Ética são documentos que tratam de confi dencialidade, fi delidade e neutralidadeque consideramos ser conceitos fundamentais para a atuação do intérprete de 
Libras.
Toda essa discussão tem por fi nalidade levar uma refl exão a respeito não 
apenas da postura do profi ssional, mas também da atuação do Intérprete de 
Libras na sala de aula e em outros espaços que atua, apresentando a importância 
desse ofício. Objetiva também estimular diversas pessoas para despertar o 
interesse de buscar conhecimento sobre esta área, sem descuidar da fundamental 
necessidade da formação qualifi cada. 
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Muitos questionamentos e inquietações permanecem na conclusão desse 
livro, inúmeros assuntos que gostaríamos de tratar e trazer à luz para discussão, 
porém, é impossível abranger todos os títulos desse universo do profi ssional 
intérprete de Libras. É importante ressaltar que no ambiente escolar, a tradução 
e a interpretação se entrelaçam com os processos de ensino-aprendizagem, 
comuns a esse universo, tal situação confere à ação do intérprete de Libras 
especifi cidades que necessitam de enfoque mais aguçado com vistas à maior 
discussão e atenção por parte dos sistemas de ensino, pesquisadores e, também, 
o próprio profi ssional, de maneira a possibilitar a realização de novos estudos 
que viabilizem um olhar diferenciado de sua atuação. Ressignifi car e repensar a 
formação do profi ssional intérprete de Libras e sua função na escola junto a todos 
os atores que circulam nesse espaço, é fundamental para que as relações sejam 
de troca e crescimento das partes. 
107
AS ESCOLAS E OS P. I. DE LIBRAS: A I. NO ÂMBITO DA I. Capítulo 3 
Compreendemos, no decorrer desse capítulo, que o Intérprete de Libras atua 
como mediador entre o aluno surdo e o professor, que sua função em sala de aula 
é traduzir da Língua Portuguesa para a Língua de Sinais, ou vice e versa. Estar 
sempre atento no momento de transferir o conteúdo sem descuidar a atenção 
das possíveis dúvidas e questionamentos do aluno surdo ao professor, visando 
sempre a participação do aluno em todos os contextos.
Quanto a sua postura e comportamento, o intérprete de Libras deve ter em 
mente que ele não é o professor da turma a qual está interpretando, e jamais deve 
interpor nas situações pedagógicas.
Após a leitura e a investigação que buscamos no decorrer destas linhas, 
constatamos que a presença do profi ssional Intérprete de Libras na área da 
Educação, mais especifi camente em sala de aula, é fundamental e indispensável, 
para a participação do aluno surdo no processo de ensino- aprendizagem, tendo 
em vista que a sua inclusão será efetiva se conseguir se comunicar e expressar 
suas ideias e ponto de vista. 
No entanto, cabe ressaltar que, apenas a presença do intérprete não é o 
sufi ciente para uma total transformação. Faz se necessário o envolvimento da 
comunidade escolar no processo, garantindo a efetividade do ato inclusivo. 
Outro aspecto importante é um ambiente salutar e favorável para efetivar a 
aprendizagem, assim o aluno surdo poderá desenvolver suas potencialidades, 
habilidades, competências e sua criatividade, assim como acontece com todos os 
alunos da escola. 
Fomentar debates e discussões acerca da formação continuada para 
os profi ssionais da educação na perspectiva da inclusão, bem como, erguer a 
bandeira da importância da capacitação do intérprete de Libras, são fundamentais 
para a efetiva relação com as especifi cidades da pessoa com surdez.
Objetivamos no decorrer dessas linhas apresentar uma obra de orientação 
aos acadêmicos desta disciplina e que, certamente, possuem curiosidades a 
respeito da profi ssão de intérprete de Libras em sala de aula. 
Entretanto, afi rma-se também que este material objetiva contribuir para 
a difusão de nossas atribuições enquanto profi ssionais, buscando esclarecer 
as reais funções a nós intérpretes dispendidas. Digo nós, pois sou Tradutora e 
Intérprete de Libras e, assim como para você caro acadêmico, esse livro provocou 
em mim refl exões acerca de minha atuação.
108
 INTÉrPrETE DE LÍNGuA DE SiNAiS BrASiLEirA NA SALA DE AuLA
Diferentes concepções e experiências envolvem a profi ssão do intérprete 
de Libras, temos ciência de que os Códigos de Conduta Ética e os documentos 
que orientam a postura desse profi ssional, possivelmente, não são contemplados 
inteiramente em sua multiplicidade e demandas, porém, os valores neles expostos 
podem e devem ser discutidos e considerados. 
Certamente, a luta pelo reconhecimento profi ssional faz parte de todas essas 
questões principalmente pelo refl exo que tem não apenas no ambiente escolar, 
mas também na vida dos alunos surdos que recebem uma interpretação de 
qualidade por meio de um profi ssional satisfeito e seguro de sua atuação. 
Muitas ações têm ocorrido em território nacional no que tange conquistas 
de cunho legal, assim como pesquisas que valorizam o trabalho dos tradutores 
intérpretes de Libras não apenas nas escolas, mas em todos os ambientes em 
que trabalha e em todas as áreas em que atua. 
Acreditamos que a busca por excelência na prática aliada ao empoderamento 
teórico favorece o conhecimento acerca do papel do intérprete e, em consequência, 
esclarece a todos os atores envolvidos na educação de surdos, quem somos e 
qual a nossa verdadeira função. 
Dessa maneira, encerramos este trabalho com muitas inquietações, com o 
desejo de realizar novas pesquisas com propostas intencionadas pelos ansiosos 
e pela luta dos intérpretes de Libras que seguem estudando e atentos as 
especifi cidades de nossa profi ssão, para então garantir respeito e condições de 
trabalho dignas, sem deixar de lado a seriedade, qualidade e profi ssionalismo e a 
postura ética que a profi ssão exige. 
109
AS ESCOLAS E OS P. I. DE LIBRAS: A I. NO ÂMBITO DA I. Capítulo 3 
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