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1 
 
Anexo I 
 
O CONTO NACIONAL CONTEMPORÂNEO NO PRÊMIO JABUTI: 
ORGANIZAÇÃO E TRATAMENTO DE BIBLIOGRAFIA CRÍTICA 
 
BIBLIOGRAFIA CRÍTICA INDIVIDUAL 
 
Luiz Gonzaga Marchezan 
UNESP, Araraquara/FAPESP 
 
O Projeto “O conto nacional contemporâneo no prêmio Jabuti: organização e 
tratamento de bibliografia crítica” tem por objetivo principal examinar o conto 
promovido pelo prêmio no período que se inicia em 1999 e termina em 20081, ano em 
que se comemorou o cinquentenário do Jabuti. Como parte resultante do Projeto, 
apresentamos, aqui, uma bibliografia crítica dos contos vencedores e finalistas, 
buscando, com ela, promover a leitura e o estudo dos contos em pauta. 
 
1 Segue a relação anual das obras vencedoras e finalistas (a premiação ocorreu sempre no ano posterior à 
publicação). 
1999: Charles Kiefer. Antologia pessoal. Mercado Aberto, 1998; Rubens Figueiredo. As palavras 
secretas. Cia. das Letras, 1998; João Inácio Oswald Padilha. Bolha de luzes. Cia. das Letras, 1998. 
2000: Rubem Fonseca. Confraria das Espadas. Cia. das Letras, 1999; Raimundo Carrero. As sombrias 
ruínas. Iluminuras, 1999; Marçal Aquino. O amor e outros objetos pontiagudos. Geração Editorial, 1999; 
Ignácio Loyola Brandão. O homem que odiava a segunda-feira. Global, 1999; Menalton Braff. À sombra 
do cipreste. Palavra mágica, 1999. 
2001: Lygia Fagundes Telles. Invenção e memória. Cia das Letras, 2000. 
2002: Marçal Aquino. Faroestes. Ciência do Acidente, 2001; Rubem Fonseca. Secreções, excreções e 
desatinos. Campo das Letras, 2001. 
2003: João Anzanello Carrascoza. Duas tardes. Boitempo, 2002; Lygia Fagundes Telles. Durante aquele 
estranho chá. Rocco, 2002; Rubem Fonseca. Pequenas criaturas. Cia. das Letras, 2002. 
2004: Sérgio Sant´Anna. O vôo da madrugada. Cia. das Letras, 2003; José Roberto Torero. Pequenos 
amores. Objetiva, 2003; João Gilberto Noll. Mínimos, múltiplos, comuns. Francis, 2003. 
2005: Paulo Henriques Britto. Paraísos artificiais. Cia. das Letras, 2004; Edgard Telles Ribeiro. Histórias 
mirabolantes de amores clandestinos. Record, 2004; Cíntia Masovitch. Arquitetura do arco-íris. Record, 
2004. 
2006: Marcelino Freire. Contos negreiros. Record, 2005; Silviano Santiago. Histórias mal contadas. 
Rocco, 2005; Mário Araújo. A hora extrema. 7 Letras, 2005. 
2007: Rubens Figueiredo. Contos de Pedro. Cia. das Letras, 2006; Menalton Braff. A coleira no pescoço. 
Bertrand do Brasil, 2006; Charles Kiefer. Logo tu repousarás também. Record, 2006; Rubem Fonseca. 
Ela e outras mulheres. Cia. das Letras, 2006; 
Artur Oscar Lopes. A casa de minha vó e outros contos exóticos. Edições Inteligentes 2006; João 
Anzanello Carrascoza. O volume do silêncio. Cosac Naify, 2006; Autran Dourado. O senhor das horas. 
Rocco, 2006. 
2008: 2008: Vera do Val. Histórias do Rio Negro. Martins Fontes, 2007; Jorge Eduardo Pinto Hausen. A 
Prenda de seu Damaso e Outros Contos. Alcance, 2007; Jaime Prado Gouvêa. Fichas de Vitrola. Record, 
2007. 
2 
 
A constituição desta Bibliografia crítica individual inspirou-se em princípios 
apresentados pelo historiador e crítico literário, Otto Maria Carpeaux2 , e pelo 
bibliotecário da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, Jorge Peixoto3. 
Carpeaux desenvolveu, de maneira descritiva e informativa, notícias 
bibliográficas que colheu e identificou, no cenário nacional, acerca dos juízos críticos 
voltados para as obras da literatura brasileira lançadas. O nosso trabalho segue essa 
orientação, reunindo, nos termos de Peixoto, “fundos bibliográficos” (1987, p.ix) em 
torno das obras. Peixoto também ensina que, a fim de ordenar uma base de dados, e 
diante “dos objetivos a atingir e dos interesses a contemplar (...) não há regras fixas para 
escolher” (1987, p.xv). Assim, nosso tratamento bibliográfico, tendo em vista o 
consulente, fez-se “genérico”, a fim de “multiplicar meios de acessos aos seus fundos” 
(Peixoto, 1987, p.x). Ao lado disso, buscamos realizar, ainda conforme Peixoto, “uma 
análise suficiente do seu conteúdo, de forma que o consultor se inteire numa rápida vista 
de olhos do fundamental da obra”. 
A apresentação assim se organiza: após os dados da obra laureada e o resumo de 
cada conto que a integra, arrolamos a bibliografia crítica existente sobre a obra bem 
como um comentário do seu conteúdo. 
 
 
Vencedores e finalistas de 1999 
 
 
KIEFER, Charles. Antologia pessoal. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1998. 164 p. 
 
 
Resumo dos contos 
 
Photoplasma 
Neto, adulto, queima foto do avô ao lado da amante, em situação extraconjugal 
conhecida desde que era menino. 
 
2 CARPEAUX, O. M. Pequena bibliografia crítica da literatura brasileira. Rio de Janeiro: Editora 
Tecnoprint, 1971. p.11-12. 
3 PEIXOTO, J. Bibliografia analítica das bibliografias portuguesas. Catálogos e bibliografias. Biblioteca 
Geral da Universidade. Coimbra, 1987; PEIXOTO, J. Técnica bibliográfica. Subsídio para a bibliografia 
portuguesa. Coleção literária Atlântida. Coimbra, 1962. 
3 
 
 
O menino 
Menino assiste, num campo de bocha, sem entender o porquê, à morte do pai por 
esfaqueamento. 
 
Ninguém mais tem respeito pelos velhos 
Velho deixa de pagar a pensão em que mora e gasta o dinheiro da aposentadoria num 
restaurante. 
 
O chapéu 
Rapaz planeja a morte por tocaia de um colega da repartição e, na última hora, coloca-se 
no lugar da vítima. 
 
Tarde, muito tarde 
Tio, de forma misteriosa, anuncia sua morte ao sobrinho, então, menino. 
 
A navalha 
Velho barbeiro aposentado e morador de um asilo, diante do abandono pela família, 
suicida-se com sua navalha favorita. 
 
A raposa de Guayakil 
Madalena de Saenz, uma bela mulher, na duração do tempo de um baile, controla, com 
seu poder de sedução, tanto os ímpetos de Simon Bolívar, como os de San Martin, 
durante a conquista de Guayakil. 
 
Dedos de pianista 
Menino, a partir de aula de matemática, resolve tocar piano que mãe não pode comprar, 
fazendo-o, por isso, optar por um violão. 
 
Atendimento a domicílio 
Adulto solicita serviço de uma agência para programa com uma mulher e, no lugar de 
uma mulher, recebe um homem. 
 
Jogo de cartas 
4 
 
Amigo, num jogo de cartas, no seu apartamento, esfaqueia o outro e se arrepende. 
 
Quando os caquis explodem na madurez e querem dentes de menino 
Menino atende o armazém da mãe, que é conjugado com sua própria casa. Assim, vive 
sob a vontade da freguesia, até o dia em que deixa um freguês no balcão e realiza sua 
vontade na sua casa, deixando o freguês esperá-lo. 
 
O periquito inglês 
Velho criador de periquitos, ornitólogo amador, vive para os pássaros e enfrenta o 
desafio dos gatos da vizinhança que atacam sua criação. 
 
Teoria do conto ou um escritor, um cavalo magro e um velho 
Uma estética da coincidência como teoria de um conto, para uma história de rua entre 
um carroceiro de fretes e seu animal. 
 
O covarde 
Atirador de facas que se apresenta num espetáculo de quermesse evita, com sua 
habilidade um duelo verdadeiro durante a festa. 
 
Natureza viva 
Voyeur entusiasta por bancária, que é também amadora, divide-se entre a figura da 
mulher e sua habilidade para a pintura. 
 
Nós, os que inventamos a eternidade 
Autor reflete e escreve sobre o tempo eterno, um tempo que permite combinações, 
evidências, quer na vida, quer na arte. 
 
Profecias 
Profecias, de filho para pai e de pai para filho rondam uma família alemã e vão do início 
do século XX, em Darmstadt, até a década de 80, no Sul do Brasil. 
 
O tenente 
5 
 
História de um tenente de Pau-d´Arco que arregimenta crianças para uma guarda-mirim, 
tornando-os violentos milicianos da ordem. Com sua morte, permanecem a guarda e 
seus seguidores. 
 
A última canafístula 
Avô e neto conversam, diante de árvore centenária, sobre o valor da vida, na iminência 
de motosserras derrubarema mata que abriga aquela árvore. 
 
A mulher de Lot 
História envolve marido, sua mulher, o amante da mulher, filhas e militares diante de 
um levante do qual todos se salvam, menos o amante da mulher. 
 
O visitante 
Amigo, a fim de abandonar suas manias e mesmices, invade a casa do outro e rouba-lhe 
a noiva. 
 
Rosto no travesseiro 
Dois irmãos separam-se quando o mais velho segue para a cidade grande, lembrando-se 
do dia, na infância, que, na escola, recebera a notícia da morte do pai, dada pelo tio. 
 
Essa música 
Mulher recorda-se de uma paixão por um homem casado, de sua história familiar e de 
seu pai. 
 
A escadaria em tetraedro 
Rapaz sonha que é assassinado por seu duplo e acorda descendo uma escada. 
 
Sacrifício de cavalo 
Jogador de xadrez dedicado, que planejara a própria vida como uma partida de xadrez, 
encontra-se diante de lance decisivo numa partida que poderá lhe dar o retorno de seu 
esforço contínuo. 
 
Só uma criança não sabe viajar 
6 
 
Pai, filho e tio viajam, com bom motorista, em estrada com lama, num caminhão 
Chevrolet. 
 
Pau-d´Arco, Gabriel e Juca Tigre 
Habitante de Pau-d´Arco, neto de avô assassinado por um índio, relata as formações da 
Província de São Pedro e dos Sete Povos das Missões, no Sul do país. 
 
Angélica e Penélope 
Histórica de uma menina, Angélica, e sua cachorra, Penélope. Angélica, por vingança, 
marca a ferro sua cachorra. 
 
O quarto 
Menino tem seu quarto como seu universo e nele vive ilhado, o que a mãe odeia, até o 
dia em que o marido vende a casa. 
 
O grande pavão da noite 
Homem recorda-se de sua paixão por uma mulher que, inicialmente, lhe correspondeu 
com uma atenção que, posteriormente, migrou para outro. 
 
Revanche 
História de Jacob Israeli, suas lutas ao lado de Napoleão, que o amava, e da sua paixão 
por Jeanne Marie, que o tolerava nos seus costumes. 
 
A traíra 
Rapaz, diante de peixe pescado, na lagoa de um sítio, recorda-se do avô, de seus 
parentes e da literatura que leu. 
 
Fim de linha 
Rapaz, em viagem de ônibus com destino ao lugar em que morou quando menino, 
recorda-se de suas experiências marcantes na infância e juventude. 
 
Vaga-lumes 
Mulher recorda-se do marido, depois ex-marido, do casamento fracassado, sem poupar-
se da exposição de suas sensações. 
7 
 
 
O outro evangelho apócrifo 
História de um preso político que, uma vez torturado, crucificado, entrega colegas para 
os torturadores. 
 
Aqueles dias em Marienbad 
História em que Franz Kafka é personagem, assim como Milena, uma de suas noivas, 
com citações de Colônia penal e O veredicto, narrativas do autor. 
 
Elo perdido 
Em uma oficina de texto, um exercício de metalinguagem no âmbito da narrativa do 
conto. 
 
O mal de Cíntia 
Professor relata trajetória de aluna, depois jornalista e também atriz de sucesso, que 
contrai doença grave e tem os movimentos do corpo alterados, assim como a cor da 
pele. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
FISCHER, Luís Augusto. A invasão sulina. Disponível em: 
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2013/06/1288350-a-invasao-sulina.shtml. 
Acesso em: 15 out. 2015. 
 
O ensaio de Luís Augusto Ficher, na Folha de 02/06/2013, traça um panorama, no 
tempo, das linhas de força da ficção gaúcha, localizando nela a posição de Charles 
Kieffer. 
 
Fortuna Crítica de Charles Kiefer. [blog] Disponível em: 
http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com.br/. Acesso em: 12 dez. 2015. 
 
Romar Rodolfo Beling, no seu Blog, em 04/02/2012, comenta, em época do 
relançamento da novela de Charles Kieffer, Caminhando na chuva, de 1982, que 
introduziu o autor no cenário literário nacional, a maneira como o autor, desde sua 
8 
 
primeira obra, cuidou de observar as circunstâncias da condição humana, sempre com 
um texto bem tramado e enredado. 
 
GUIDIN, Márcia Ligia. Onde se esconde Charles Kiefer? Disponível em: 
http://rascunho.com.br/onde-se-esconde-charles-kiefer/: Acesso em: 14 out 2015. 
 
Márcia Lígia Guidin, no Jornal Rascunho, em número de setembro de 2011, resenha o 
volume A poética do conto, de Charles Kieffer, e critica a postura do ficcionista, sua 
falta de cuidados conceituais, no tratamento de uma obra teórica. 
 
 
 
FIGUEIREDO, Rubens. As Palavras Secretas. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. 
169 p. 
 
Resumo dos contos 
 
A ele chamarei Morzek 
A narrativa foca, em meio às reflexões do protagonista Morzek, sua primeira exposição 
de pinturas em uma galeria no centro da cidade do Rio de Janeiro. Além do pintor e sua 
obra, é também lembrado um de seus professores de pintura, que, no momento, está 
doente. 
 
As palavras secretas 
Menino criativo e curioso tem grande fascinação por eremitas. Aprende a ler e a 
escrever, incentivado por essa sua fascinação. 
 
Sem os outros 
O protagonista, no aeroporto, recebe a notícia de que estaria morta. Fora abandonada 
pelo marido, em meio a uma viagem de férias, voltava sozinha para casa e perdera o 
embarque. O avião em que deveria ter estado sofrera um acidente e caíra. Leva a notícia 
positivamente; era uma boa notícia para ela, apesar do susto inicial. 
 
Eu, o estranho 
9 
 
Para o protagonista há três categorias de pessoas: a dos estranhos, a das pessoas como 
ele e a dos jovens. Entende que os estranhos são pessoas mais velhas, com costumes 
bastante diferentes, e é sobre eles que o protagonista fala aos jovens. A história envolve 
uma reflexão bastante subjetiva acerca das três chamadas categorias. 
 
Enquanto a flecha voa 
História acerca da vida de uma faxineira, que trabalhou em um hotel por toda a sua vida. 
Era rodeada de viajantes, embora sempre estivesse no mesmo lugar; via parentes seus 
viajarem, saírem de casa, passearem enquanto ela ficava no hotel trabalhando. 
 
Os distraídos 
Homem sente-se preenchido por vozes, imagens e sensações, o que considera um 
talento seu, de sua presença distraída no mundo das coisas e das pessoas. Sente-se, 
enfim, um observador, ao mesmo tempo, distante de tudo e de todos e sempre presente 
no interior de tudo e de todos. 
 
A arte racional de curar 
Protagonista compõe um grupo de pesquisas que deveria transformar em museu a casa 
da última herdeira da família Monte Alverne. Não se sente bem-vindo por sua chefe, 
nem por seus companheiros de trabalho. Acaba por desvendar mistérios que encontra no 
caso e, depois dos esclarecimentos dados, muda suas relações com os outros e com a 
vida. 
 
Ilha do Caranguejo 
Moradora da uma ilha teria aprendido a ler sozinha; comenta com turistas que nascera 
na ilha, embora desconhecesse sua paternidade. Conhece muitas histórias passadas no 
local. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
ANDRADE, Fábio de Souza. Análise do conto “Sem os outros”, de Rubens Figueiredo. 
Disponível em: < 
www.ple.uem.br/3celli_anais/trabalhos/estudos_literarios/pdf.../036.pdf 
 >. Acesso em: 14 out. 2015. 
10 
 
 
FIORI, Elizabeth. O tema da imitac ão em contos de Rubens Figueiredo. In: Caderno 
de Resumos 3.o CELLI. Colóquio de Estudos Lingu�ísticos e Literários. Disponível 
em: <http://www.ple.uem.br/3celli_anais/estudos_literarios.htm> Acesso em: 14 out. 
2015. 
 
Elizabeth Fiori, em artigo nos anais do III Colóquio de Estudos Linguísticos e Literários 
da Universidade de Maringá, de 2007, situa, ao estudar os contos de O livro dos lobos 
(1994) e As palavras secretas (1998), de Rubens Figueiredo, o modo como o autor 
dilata a narrativa do seu conto, limita seus diálogos, ao mesmo tempo em que prende a 
atenção do seu leitor para a introspecção das personagens. 
 
MASSI, Augusto. Um livro que surge como as boas notícias. In: 
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/folhatee/fm27079810.htm. Acesso em: 14 out. 2015. 
 
Augusto Massi, especial para a Folha, em 27/07/1998, comenta o lançamento de As 
palavras secretas, e considera o volume “um marco na cena literária atual”, pelo modo 
como o autorconduz os enigmas vividos pelas personagens. 
 
RESENDE, Beatriz. Ficc ão brasileira hoje: a multiplicidade como sintoma. In: 
Revista Semear. Disponível em: < http://www.letras.puc-
rio.br/unidades&nucleos/catedra/revista/7Sem_13.html >. Acesso em: 14 out. 2015. 
 
No artigo “Ficção brasileira hoje: a multiplicidade como sintoma”, publicado na Revista 
Semear, da Cátedra Padre Antonio Vieira de Estudos Portugueses, Beatriz Resende 
avalia o modo como Rubens Figueiredo compõe, com economia e leveza, suas 
personagens, em dramas íntimos, nos cenários diversos em que vivem. 
 
 
 
PADILHA. João Inácio. Bolha de luzes. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. 142 p. 
 
 
11 
 
Resumo dos contos 
 
Bolha de luzes 
Homem observa, na noite, que um cachorro de um bando solto pela rua acabara de ser 
atropelado. Nota que o bando cerca o animal morto, lambe-o, enquanto o atropelador 
distancia-se. 
 
Minhas férias 
História das recordações de uma menina acerca das férias que passou em uma casa de 
serra, quando contraiu pneumonia, depois de muito brincar, na chuva, com amigo. 
 
In God We Trust 
Homem acaba de sair do cinema, hipnotizado pelo filme que assistira, e encontra no 
chão um pequeno rolo com 6 dólares. No local em que planeja tomar um suco, encontra 
outro rolinho de dólares e, dessa vez, maior. Vai embora, com o dinheiro, sem o suco. 
Entra em uma livraria para poder contar o dinheiro. Sai da livraria e outro bolinho. 
Depois, mais três. Todos os dólares juntos, $319,00, agora escondidos no piano; antes, 
observou-os e pensou em George Washington, seu protetor. 
 
Memorial do esquecimento 
História que tem a bolha como importante metáfora; no seu entorno, como no seu 
interior, o ar, e no ar, os pensamentos, e as buscas pelo pensamento da infância. 
 
Bela da tarde 
Uma prostituta despe-se e pensa em seus gostos e desgostos. De forma relevante, ela se 
interessa por executivos. 
 
Viagens e viajantes na história da Literatura 
Conferencista lembra-se longamente do dia em que deu uma palestra e também 
conheceu um professor, Otacílio, que havia conhecido Machado de Assis. Lembra-se, 
ainda da tempestade que caiu após sua fala, impedindo que os participantes fossem 
embora, promovendo, com isso, uma boa interação. 
 
 O mistério de Deus 
12 
 
A história versa sobre ver Deus em tudo e em qualquer coisa. O ambiente é uma praça 
em que há pregadores, que discutem entre si e promovem exorcismo, enquanto 
disputam a atenção de um público diverso. 
 
Ofertório 
Relato de um protagonista, sempre alheio ao mundo, que pressente o momento em que, 
com as badaladas de uma Catedral, uma turba exaltada ante uma passagem estreita 
ocasiona trágicos acidentes. 
 
O Didac e sua banca 
Homem, pelo quinto ano, tenta passar em uma entrevista. Acha que um membro da 
banca parece intimidar os concorrentes. Considera que seus exames são os mais difíceis 
e demorados e que, naquela vez, não será diferente. 
 
Irtgluch 
História de um animal, Irtgluch, que, segundo o protagonista, hiberna em sua memória; 
presença que, em momentos difíceis, o conforta sempre. 
 
O fenomenólogo dos clarões 
Homem pensa sobre sua frustrada existência, projetando, delirantemente, tal 
insatisfação no momento de sua fecundação em dia tumultuado nos tempos do Rei D. 
Dinis, em Portugal. 
 
O mercado, o parque e o ar 
Homem, num ambiente onírico, depara-se com dois mercados e uma multidão. Após 
comprar tomates, flana, deixa o chão e começa a ser alvejado a tiros pela turba. 
 
Instruções Finais 
História contada a partir de uma intimidade exaltada, que se coloca diante de conflitos 
reais ou íntimos e procura uma saída. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
13 
 
ÁREAS, Vilma. Estante. In: 
http://www.revistatropico.com.br/tropico/html/print/2703.htm. Acesso em: 14 out 2015. 
 
Em sua coluna Estante, da Revista Trópico, Vilma Áreas comenta a maneira como o 
escritor João Inácio Oswald Padilha revisita, em seus contos, os estilos de Borges e 
Machado de Assis, sem deixar de explorar, como ficcionista, seu imaginário. 
 
DAMAZIO, Reynaldo. Viagem nas dobras da linguagem. In: Revista Cult, Janeiro/ 99, 
p. 14-17. 
 
Reynaldo Damazio considera o livro Bolha de Luzes uma grande revelação literária. 
Para ele, o contista mescla o fantástico com a intertextualidade, como acontece nos 
contos Memória do esquecimento, em que se encontra a figura do autor argentino 
Borges, e Viagens e viajantes na história da literatura, em que há a figura de Machado 
de Assis. A narrativa de Padilha, para o crítico, vai tomando o leitor de maneira 
sorrateira e quando menos se espera o leitor se vê preso na bolha. 
 
 
Vencedores e finalistas de 2000 
 
 
FONSECA, Rubem. A confraria das Espadas. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 
1999. 152 p. 
 
Resumo dos contos 
 
Livre-arbítrio 
Mulher, no interior de uma igreja, nota curioso aceno de despedida entre outra mulher e 
um homem. Curiosa, segue o homem até seu endereço, o que lhe possibilita, 
posteriormente, associar a ele a morte da mulher, que lhe acenara na igreja. A seguir, 
por carta, inicia uma correspondência com o suspeito. 
 
Anjos das marquises 
14 
 
Aposentado opta por trabalhar com um grupo que conhece e dele se aproxima. Tal 
grupo recolhe mendigos das ruas. No entanto, aquele senhor virá a saber que os 
mendigos são operados, mortos, para retirada e tráfego de seus órgãos. 
 
Festa 
Uma morte acontece numa festa entre ricos. A festa, mesmo assim, não é interrompida. 
O morto não é removido da poltrona em que estava e é velado no término dos festejos, 
pelo melhor amigo e pelo mordomo, na capela do cemitério. 
 
O vendedor de seguros 
Falso corretor de seguros é matador profissional; mata por encomendas, friamente, a 
ponto de enganar sua namorada. 
 
AA 
Fazendeiros do Pantanal promovem campeonato internacional de AA: arremessos de 
anões, assunto que uma médica, componente de uma ONG investigará a partir de uma 
visita numa dada fazenda, ocasião em que o fazendeiro apaixona-se por ela. 
 
À maneira de Godard 
Um jogo teatral, socrático, entre um Romeu e uma Julieta, ao lado de um mediador, 
tudo, com inspiração em Godard, em que o incomunicável dá-se entre os assuntos 
díspares discutidos. 
 
A confraria das Espadas 
Pares discutem os sentidos da cópula e do orgasmo, do orgasmo sem cópula, da paixão, 
entre culturas e civilizações diversas. 
 
Um dia na vida de dois pactários 
História na forma de um poema a respeito da compulsão de um casal por sexo. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
 
15 
 
AMORIM, Sabrina Maria. Artimanhas do texto: a metatextualidade na ficção de Rubem 
Fonseca 
(https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/91598/amorim_sm_me_arafcl.pdf?
sequence=1&isAllowed=y) 
 
A autora investiga como se dá a elaboração metatextual de Rubem Fonseca e a função 
de tal recurso no conjunto das obras. Para ela, nos textos selecionados, entre eles, contos 
do livro Confraria das Espadas, Rubem faz um questionamento acerca do exercício 
literário e do papel do escritor na sociedade. Desta forma, a metatextualidade faz com 
que o texto literário absorva o discurso crítico, segundo a pesquisadora. 
 
AZEVEDO, Reinaldo. A confraria do Zé Rubem. In: Revista BRAVO! Fevereiro/99, 
p.93. 
 
Reinaldo Azevedo faz uma crítica negativa ao livro Confraria das Espadas, de Rubem 
Fonseca. Para Reinaldo, o livro de contos é uma soma de clichês que já perderam o 
valor de uma alegoria sobre o Brasil. Não há surpresas no enredo dos contos, nas frases 
fonsequianas, no ritmo narrativo seco, cortante, impiedoso e visceral que estão presentes 
nos contos. 
 
CORONEL, Luciana Paiva. Representações da cultura de massa na ficção de Rubem 
Fonseca. In: Revista Métis: história e cultura, 2007, p. 203-215. Disponível em: 
www.ucs.br/etc/revistas/index.php/metis/article/download/807/570. Acesso em: 3 jan.2016. 
 
Na Revista Métis: história e cultura, em 2006, Luciana Paiva Coronel estuda, nos 
contos e romances de Rubem Fonseca, o diálogo aberto que o autor estabelece entre 
história e cultura, confrontando-o, problematizando-o por meio dos comportamentos 
dramatizados pelas suas personagens, num contexto de hiper-realismo. 
 
COUTO, José Geraldo. Rubens Fonseca opõe eros e civilização. In: 
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq03129803.htm Acesso em: 14 out 2015. 
 
16 
 
José Geraldo Couto, em 03/12/1998, comenta para a Folha o lançamento de A 
Confraria das Espadas, livro de contos de Rubem Fonseca, ressaltando-o a partir do 
título, que celebra, conforme gíria, a masculinidade no contexto dos eixos dramáticos 
das narrativas, nas relações entre homem e mulher, civilização e barbárie, no âmbito, 
ainda, das elites financeiras, social e intelectual nacionais. 
 
MARQUES PINTO, Andressa. José, autor de Rubem Fonseca: os processos de 
subjetivação através da escrita e da memória 
(https://repositorio.ufjf.br/jspui/bitstream/ufjf/960/1/andressamarquespinto.pdf) 
 
Para a autora, em Confraria das Espadas, há lugar para a morte e o prazer. O prazer da 
morte, por sua vez, faz-se na força centrípeta do livro. 
 
SANTIAGO, Silviano. Rubem Fonseca “processa” o senso comum. In: 
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0705200515.htm. Acesso em: 14 out 2015. 
 
Silviano Santiago, em 07/05/2005, destaca, para a Folha, a última fase da obra de 
Rubem Fonseca a partir da publicação de A Confraria das Espadas. 
 
SOUZA PEREIRA, Marcelo. Fingidores em cena: a metaficção em Sergio Sant’Anna e 
Rubens Figueiredo (http://www.bdtd.uerj.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=5348) 
 
O autor disserta acerca da natureza metaficcional que está no próprio título do livro. As 
palavras são secretas por diversas razões, por estarem encobertas pela neblina da 
imaginação, por levarem um testemunho ou depoimento pessoais. 
 
SOUZA PEREIRA, Marcelo. Ferro-cidade: a barbárie pós utópica de Rubens 
Figueiredo (http://www.bdtd.uerj.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=282) 
 
O autor disserta acerca de três livros de Rubem Fonseca, dentre eles As palavras 
secretas, levando em consideração a discussão do tema barbárie em sua vertente 
contemporânea. Segundo o autor, em As palavras secretas, a barbárie dissolve as 
fronteiras entre selva e cidade, centro e periferia. As personagens têm a sensação de 
17 
 
encontrarem-se perdidas num labirinto, sem conseguirem um equilíbrio no mundo em 
que vivem. 
 
 
 
CARRERO, Raimundo. As sombrias ruínas da alma. São Paulo: Iluminuras, 1999. 
185p. 
 
Resumo dos contos 
 
I. AS SOMBRAS 
PRIMEIRA CARTA AO MUNDO 
O artesão I 
Marceneiro desempregado constrói, da madeira do barraco em que mora com dois filhos 
pequenos, seus dois caixões; depois, embebeda-os, fecha-os nos ataúdes, soltando-os ao 
mar. 
 
O PEQUENO PAI DO TEMPO – Tríptico 
Primeiras notícias do tempo 
Filho faz longa viagem de trem, desembarca em lugar ermo e escuro e vai ao encontro 
do pai que o conhecia por carta da mãe. 
 
Uma visão das labaredas interiores 
Menino reencontra-se com o pai e sua atual mulher e, nestes primeiros momentos, de 
modo transtornado, compara o modo de vida do pai com a maneira de viver da mãe que 
deixou. 
 
Feito porque éramos demais 
Menino ouve da madrasta as dificuldades da família em sustentar-se. Alarmado, mata os 
irmãos e suicida-se com o objetivo de aliviar as dificuldades familiares com o sustento 
de todos. 
 
ENTRE SANGUE E INOCÊNCIA – Tríptico 
As solenes benções da casa 
18 
 
Menina observa a relação difícil entre seus pais, e a atribui mais à conduta da mãe. A 
garota, com isso, sente muitas dúvidas, que crescem com sua entrada na Escola. 
 
Meus dias felizes 
 Assassino de renome é reconhecido e capturado por dois policiais: estava fantasiado de 
mulher e quis permanecer de bustiê na cela. 
 
Durma em paz, meu coração 
Mulher, esposa de bandido e mãe de Larissa, protagonista do primeiro conto do tríptico, 
narra a façanha de ter tirado seu marido bandido da prisão; de tê-lo amado e tido com 
ele uma filha e, depois, de tê-lo matado e enterrado no seu quintal. 
 
OS INTERMINÁVEIS DEGRAUS DO AMOR – Quarteto 
A inocência vem das sombras 
História que envolve a sedução de uma menina por um velho, o envolvimento da garota, 
a revolta da comunidade, a prisão do velho e, posteriormente, a sedução da menina pelo 
comandante da operação que capturou o velho. 
 
Em agonia e desejo 
Irmãos, moço e moça, após a morte da mãe, separam-se do pai, que vai viver no vale do 
Rio S. Francisco. O moço passa a tocar blues no violão e a irmã prostitui-se em casa, 
com os amigos do irmão. 
 
As astúcias da palavra 
Moça é aconselhada pela mãe e tio, padre, a casar-se; no entanto, prefere sua vida 
solitária, em seu quarto, declinando seu nome: Rosa-ae-arum e satisfazendo-se 
sexualmente com o próprio corpo. 
 
Quando eu for para o céu 
Menina seduz e é seduzida por pintor que a leva longe de onde moram. A história tem 
início na volta deles ao lugar de origem. 
 
ROTEIRO PARA AS PAIXÕES DESTE MUNDO – Caos 
Madame Belinski 
19 
 
História envolve origens de uma cartomante e de seu consulente, ambos ciganos. A 
consulta converte-se numa torrente sedução entre ambos. 
 
As armadilhas do corpo 
Irmãs religiosas disputam a atenção de um moço, Jesus, a que chamam por Sagrado 
Coração. Na doença de uma delas, Jesus, sofrido, com pesar pela enferma, abandona-as. 
 
Felicidade, que horror! 
Homem depressivo, com comportamento mórbido, apresenta-se em delegacias 
declarando-se culpado de algo que não tem ideia do que seja. 
 
A face inquieta do amor 
Casal, isolado num motel e diante do mar, envolve-se morbidamente numa paixão que 
soma sexo e roleta russa. 
 
Lábios de tigre afoito – Dueto 
Casal apaixonado dialoga e compara seus desejos e afagos aos do tigre e aos do pássaro. 
 
I. AS ILUMINAÇÕES 
SEGUNDA CARTA AO MUNDO 
O Artesão II 
Rapaz extasia-se, no sertão, diante de uma cacimba. Em êxtase, cai dentro do poço e 
sonha em ser socorrido por uma mulher. Depois de retirado da cacimba pelo pai, esculpi 
a mulher sonhada numa tábua, que a comunidade resolve levar até sua igreja, que fica 
iluminada com a entrada da escultura. 
 
A VIDA ESCONDIDA EM CRISTO – Tríptico 
Resplendor dos cinco mártires 
História inicial da trajetória de Santo Antonio que, inicialmente, ao lado de Santo 
Filipo, esteve em Marrocos na guerra entre cristãos e mouros. Os dois, quando doentes, 
retornam a Portugal, momento em que Santo Antonio, em longa penitência, levita. 
 
A arca do verbo encarnado 
20 
 
Santo Antonio está na Sicília, orando e pregando acerca da pureza da Virgem. Uma vez 
em sua cela, recebe a aparição da Virgem Maria. 
 
Sermão aos peixes 
Santo Antonio, em Arimino, faz milagres; prega embaixo de árvores, nas ruas e 
templos; por onde passa é visto como milagroso; no campo, animais disparam à sua 
volta. 
 
I. AS RUÍNAS 
TERCEIRA CARTA AO MUNDO 
O Artesão III 
Pintor, em êxtase criativo e bêbado, esculpe uma situação que tem em mente de forma 
convulsa – amor e devassidão, aliando nus, animais e pássaros. 
 
Discurso aos cães 
Homem de idade, vestido de Papai Noel, toca o sino para atrair os fregueses de uma rua 
de comércio, assim como no beco das prostitutas, quando seu sino badalava, avisava-as 
para virem às janelas saudarem os seus fregueses. 
 
Alguém pensa que é sorte ter nascido? 
Filho adotivo ressente-se da maneira como é tratado pelo pai. Nada sente pelo pai; vê-se 
na possibilidade de matá-lo, até o dia em que ele recebe a notícia do seu suicídio. 
 
AS SOMBRIAS RUÍNAS DA ALMA – Tríptico 
Encontro longe da multidão 
Dois homens encontram-se num bar, um para tocar violão, o outro para ler. No entanto, 
conversam e ofendem-se, como sempre e de há muito, arruinando o dia daquele que 
toca violão, que espera,no bar, a chegada da sua musa. 
 
Uma mulher encantada 
Beatriz, nesse conto teatral, como no anterior, é disputada por três homens amigos de há 
muito, que, para conquistá-la, procuram enganar um ao outro, com ciladas no interior de 
um bar. 
 
21 
 
Porque acreditávamos na eternidade 
Fecho de um tríptico, uma mulher divide-se entre três homens, que, por sua vez, se 
perdem por ela. No desfecho, num bar, todos, num só tempo, veem-se arruinados e, 
mais do que nunca, dependentes um do outro. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
CASTELLO, José. Os dois corpos de Raimundo Carrero. In: Jornal Rascunho. 
Disponível: http://rascunho.com.br/os-dois-corpos-de-raimundo-carrero/. Acesso em: 16 
out. 2015. 
 
José Castello, na sessão A literatura na poltrona, do Jornal Rascunho, relata os 
trabalhos de uma mesa de debates de que participou, no Recife, ao lado de Raimundo 
Carrero, observando a poética arrojada do escritor e sua força sertaneja, mesmo depois 
de ter sido acometido por um acidente vascular. 
 
HOLLANDA, Heloísa Buarque de. Entrevista com Raimundo Carrero. Disponível em: 
http://www.heloisabuarquedehollanda.com.br/entrevista-a-raimundo-carrero/. Acesso 
em: 16 out. 2015. 
 
Em entrevista para Heloísa Buarque de Hollanda, no Jornal Rascunho, Raimundo 
Carrero comenta sua formação literária, seu processo criativo, que procura uma unidade 
metafórica, temática, somando os mitos religiosos à ética sertaneja. 
 
PAIOL LITERÁRIO. Raimundo Carrero. In: Jornal Rascunho. Disponível em: 
http://rascunho.com.br/raimundo-carrero/. Acesso em: 16 out. 2015. 
 
Raimundo Carrero, em entrevista para a sessão Paiol Literário, do Jornal Rascunho, 
durante a I Bienal do Livro de Curitiba, comenta, primeiro, o seu ponto de vista acerca 
da formação do leitor, para depois localizá-lo na formação do escritor, e sua obrigação 
em produzir uma literatura que consiga materializar as ideias presentes numa narrativa, 
com temas que possam surpreender o leitor, dar-lhe prazer enquanto lê. 
 
22 
 
RAMOS, Cristiano Santiago e MONTEIRO, Diogo. Entrevista Raimundo Carrero. In: 
Revista Cult, junho/2001, p.4-9. 
 
Em entrevista à Revista Cult, Raimundo Carrero revela ter iniciado uma nova fase com 
o livro de contos As sombrias ruínas da alma. Carrero ainda afirma que procura 
observar as cenas de seus livros, e que isso se deve a sua paixão pelo cinema. O autor 
revela que algumas de suas técnicas narrativas seguem uma linguagem próxima da 
cinematografia. 
 
 
 
AQUINO, Marçal. O amor e outros objetos pontiagudos. São Paulo: Geração Editorial, 
1999. 138 p. 
 
Resumo dos contos 
 
Pai 
Filho, no dia da morte do pai, percebe, durante o velório, que uma mulher se encontra 
muito envolvida, e percebe mais: que ela teve um vida comum com o pai. 
 
Sete epitáfios para uma dama branca 
Casal tem um relacionamento difícil; ele é encarregado de obras numa hidrelétrica; ela, 
esposa de um dos empreiteiros da obra. Toda a relação entre eles passa por impasses, 
até o momento em que ela e o marido morrem. 
 
Novas cartas paraguaias 
Repórter entrevista casal de ex-guerrilheiros latino-americanos e, para a surpresa do 
leitor, mata o homem, que havia matado seu pai, tido pela guerrilha como delator. 
 
Jantar em família 
Filhos e esposas reúnem-se num restaurante com o pai que deseja lhes apresentar a nova 
companheira, momento em que um dos filhos nota que o pai apaixonou-se seriamente 
por uma menina de programa. 
 
23 
 
Renda-se Bob Mendes. Você está cercado. 
Contrabandista, e também matador, volta para uma antiga cidade que dominou a fim de 
se encontrar com velho amigo que o acompanha até o IML, onde verá seu filho morto, 
vítima de acidente de automóvel. 
 
Bianca, 17 
Escritor coloca-se diante de suas verdades narradas e a leitura do mundo de duas 
mulheres, companheiras suas e suas leitoras também. 
 
Matadouro 
Filho de açougueiro, separado da mãe, procura montar sua história e a do pai em meio a 
muitos silêncios, vazios e de vidas sem esperança. 
 
Partilha I 
Presidiário ligado ao tráfico, ao deixa a prisão, visita um bar de amigo ora protegido por 
um comando novo no comércio de drogas local, momento em que virá a saber também 
do destino de sua antiga companheira. 
 
Partilha II 
Assaltante de carro-forte deixa o presídio e procura companheiro de assalto que escapou 
de prisão e ficou com o dinheiro, daí, recupera sua parte e rouba-lhe a mulher. 
 
O cerco 
Amigos encontram-se em fuga, de carro, no interior de uma mata e por meio de suas 
trilhas. Localizam-se, vindos do Rio, na divisa do Brasil com a Bolívia e fogem de uma 
perseguição por acerto de contas. 
 
Nossos inimigos 
Conto na forma de poema dá continuidade à história anterior, O cerco. No caso, o texto 
relata a sensação de um suspeito, um devedor, que se sente sempre perseguido, cercado 
pelo inimigo. 
 
Bibliografia crítica individual 
24 
 
ONOFRE, José. Quando o amor é risco e perda. In: Revista BRAVO!, Dezembro/99, 
p.137. 
 
José Onofre, em resenha para a Revista BRAVO!, comenta o livro de contos O amor e 
outros objetos pontiagudos, de Marçal Aquino. A clandestinidade, para o crítico, 
perpassa por todos os contos. Temas como clandestinidade e traição, a perda irreparável 
e vida em risco são recorrentes nos conto. Tudo que era suave, arredondado, macio, 
passa a ser pontiagudo, por meio de palavras e gestos. 
 
RUFFATO, Luiz. Alguns apontamentos sobre a literatura brasileira contemporânea. In: 
Conexões Itaú Cultural. Disponível em: 
http://conexoesitaucultural.org.br/biblioteca/alguns-apontamentos-sobre-a-literatura-
brasileira-contemporanea/. Acesso em: 16 out. 2015. 
 
Luiz Ruffato, no ensaio Alguns apontamentos sobre a literatura brasileira 
contemporânea, de 27/05/2013, situa a Geração 90/99/00, quando aparece o ficcionista 
Marçal Aquino, uma nova postura dos autores diante do mercado editorial, acentuando 
tendência já da década de 70, com uma ficção avessa a movimentos ou filiações 
estéticas. 
 
 
 
BRANDÃO, Ignácio de Loyola. O homem que odiava a segunda-feira. São Paulo, 
Global Editora, 2000. 163 p. 
 
Resumo dos contos 
 
O mistério da formiga matutina 
Homem solitário dialoga com uma formiga em todo o raiar de novo dia. Questiona-a 
sobre suas ideias acerca da vida e da morte, até o momento em que ela morre em sua 
frente, na mesa do café da manhã, local do diálogo diário entre os dois. 
 
A mão perdida na caixa do correio 
25 
 
Homem, como num sonho, perde uma das mãos enquanto deposita carta numa caixa de 
rua dos Correios. A mão entra pelo buraco do carteiro, desligada do corpo, sem sangue 
ou dor. Depois disso, o protagonista procura recuperá-la. No entanto, inesperadamente, 
é enforcado por um funcionário dos Correios, quando se encontrava numa central de 
reclamações da empresa. 
 
O homem que odiava a segunda-feira 
Cinéfilo detesta a segunda-feira, que lhe impede de assistir, pela noite, a filmes de 
grande duração aos domingos. Começa a sentir calafrios e outros sintomas às segundas, 
que colocam sua vida em risco, motivo que o leva, judicialmente, a pedir a extinção da 
segunda-feira. 
 
KersgatoiNula! KersgatoiNula! 
Homem, de repente, começa a falar uma língua diferente do português; ele entende o 
português do outro; no entanto, o seu, ao pronunciá-lo, traduz-se numa língua 
desconhecida. 
 
As cores das bolinhas da morte 
Homem que perdeu a sombra conversa com quem se desfez da sua. Enquanto isso, a 
segunda-feira continua detestável, ao lado de considerações ocorridas em outros contos 
do volume, como o do homem que perdeu sua mão. Há casos de sombras atropeladas e 
de outras inventadas; de roubos de sombras; de isolamentos dos corpos de suas 
sombras, de sombras duplas ... até o momento em que se conclui que as sombras não se 
encontram ligadas à alma, apenas ao homem, à sua identidade. 
 
Bibliografia crítica 
 
ANTUNES, José Pedro.[Resenha] Apesar das segundas-feiras. Sobre O homem que 
odiava a segunda-feira. In: Revista Letras, Curitiba, n. 54, p. 229-234. jul./dez. 2000. 
Editora da UFPR. Disponível em: 
http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs/index.php/letras/article/viewFile/18689/12146. Acesso em: 16 
out. 2015. 
 
26 
 
José Pedro Antunes, na Revista Letras, da UFPR, em 2000, numa resenha, “Apesar das 
segundas-feiras”, comenta as surpresas do repertório humorado de Ignácio de Loyola 
Brandão, provocadas pelas aventuras de suas personagens. 
 
CARDOSO, Fábio. Silvestre. O absurdo como meta. Ensaio sobre a obra de Ignácio 
Loyola Brandão. Disponível em: http://rascunho.gazetadopovo.com.br/o-absurdo-como-
meta/. Acesso em: 16 out. 2015. 
 
Fábio Cardoso Silvestre, num texto crítico O absurdo como meta. Ensaio sobre a obra 
de Ignácio Loyola Brandão, de 2011, mostra como o escritor aproxima, em suas 
narrativas, o ordinário do extraordinário, ambos extraídos do cotidiano, como se fizesse 
uma crônica eventual. 
 
COLOMBO, Sylvia. Loyola põe humanidade frente ao absurdo. Disponível em: 
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2012199917.htm. Acesso em: 16 out. 2015. 
 
Sylvia Colombo, editora da Ilustrada da Folha, em 20/12/1999, numa entrevista com 
Ignácio de Loyola Brandão na época do lançamento do volume O homem que odiava a 
segunda-feira, trava um diálogo com o autor em torno do temário dos contos, que 
satirizam as noções de realidade, a passividade dos que vivem o cotidiano, e que fazem 
da segunda-feira, irremediavelmente, um mistério, mesmo diante da incapacidade de 
todos de impressionarem-se com o absurdo. 
 
COUTO, Rita. [Resenha] de "O homem que odiava a segunda-feira" de Brandão, 
Ignácio de Loyola. In: EccoS. Revista Científica, vol. 2, n. 1, junho, 2000, pp. 105-107 
Universidade Nove de Julho São Paulo, Brasil. Disponível em: 
http://www.redalyc.org/pdf/715/71520113.pdf. Acesso em: 16 out. 2015. 
 
Rita Couto, em resenha de 2000, na revista EccoS, da Uninove, “Kafka nos trópicos”, 
discute o comportamento, nos contos, das personagens de Ignácio Loyola: sozinhas, 
anônimas, incapazes de enfrentar a realidade, no caso, configurada nos absurdos 
acontecidos em segundas-feiras. 
 
27 
 
PIERINI, Fábio Lucas. Fantástico e alegoria em A mão perdida na caixa de correio, de 
Ignácio de Loyola Brandão. In: Revista Organon. Vol. 19, n.38-39, 2005, pp. 205- 220. 
Disponível em: http://seer.ufrgs.br/organon/article/viewFile/30069/18654. Acesso em: 
16 out. 2015. 
 
Fábio Lucas Pierini, em “A mão perdida na caixa do correio”, estuda, na obra de Loyola 
Brandão, os traços do insólito, especificamente, no conto anunciado no título. Para ele, 
o mistério da segunda-feira abala, em toda a concepção do volume, as noções de 
realidade do leitor. 
 
ROCHA, Flávia. O credo de Loyola. In: Revista BRAVO!, Dezembro/99, p.130-132. 
 
Em entrevista para Flávia Rocha para a Revista BRAVO!, Ignácio de Loyola Brandão 
comenta seu livro O homem que odiava a segunda-feira. O autor considera suas 
personagens figuras comuns, que se pode encontrar nas ruas. Segundo Loyola, o livro 
trata da luta dessas figuras comuns por seus direitos. As situações encontradas no livro 
são patéticas, ridículas, prosaicas. Brandão afirma que o livro, acima de tudo, é sobre a 
solidão, sobre pessoas solitárias. 
 
ROLLEMBERG, Marcello. Entrevista Ignácio de Loyola Brandão. In: Revista Cult, 
janeiro/2000, p. 4-9. 
 
Marcello Rollemberg comenta para a Revista Cult que, em O homem que odiava a 
segunda-feira, Ignácio de Loyola Brandão retoma suas fábulas kafkianas e sua visão 
irônica das idiossincrasias humanas. 
 
SANCHES NETO, Miguel. Combate ao vazio. In: Revista BRAVO!, Dezembro/99, 
p.133. 
 
Miguel Sanches Neto, em resenha para a Revista BRAVO!, avalia O homem que odiava 
a segunda- feira. Para o crítico, as personagens dos contos experimentam um momento 
de fissura que as tira do equilíbrio, momento em que se defrontam com o inusitado, 
mudando seus hábitos. Os acontecimentos inusitados fraturam a existência plena das 
personagens. 
28 
 
 
 
 
BRAFF, Menalton. À sombra do cipreste. Ribeirão Preto, SP, 1998. 143 p. 
 
 
Resumo dos contos 
 
À sombra do cipreste 
Uma avó, quieta, acomodada na sala de sua casa, monologa após um almoço de 
domingo acerca do tempo e da vida familiar. Entre seus pensamentos, está a presença 
em seu jardim de um cipreste, que os filhos querem derrubar para, no lugar, construírem 
um salão de jogos. 
 
Adeus, meu pai 
Filha encontra-se no velório do pai a quem, após a morte da mãe, dedicara sua vida por 
longos anos e durante a enfermidade dele. No dia da sua morte, durante as cerimônias 
do enterro, os que acompanham o enterro voltam sua atenção para a chegada de um 
antigo apaixonado pela filha do falecido. 
 
Anoitando 
Casal encontra-se diante de uma casa por reformar, a fim de que possam nela morar, 
momento de inseguranças entre eles, que pouco se conhecem. 
 
Concerto para violino 
Rapaz aguarda notícias da amante que mora com filhos e marido num prédio com 
porteiro. Disperso em seus pensamentos, aguarda-as e tal distração se dá diante de uma 
vitrine de instrumentos musicais. 
 
Crispação 
Casal, há muito junto, não consegue mais conversar; um mutismo instransponível, sem 
razão, instalou-se entre eles. 
 
Domingo 
29 
 
Funcionário de um setor de recursos humanos desespera-se em casa, aos domingos, 
diante da incompatibilidade entre os filhos e, com ela, o desespero da esposa. 
 
Elefante azul 
Filho observa o dorso da mãe, seu coque, enquanto ela banha seus pés; observa a luz do 
dia, o prazer da água nos seus pés e pensa acerca da vida sofrida da mãe. 
 
Estátua de barro 
Rapaz veste-se com roupa do pai e posa em frente ao espelho, mirando-se como um 
caçador mira sua caça, como cena de uma tapeçaria que traz na memória. 
 
Guirlandas e grinaldas: o perfume. 
Morador de uma pensão, solitário, passa a noite da missa do galo bem vestido e 
adormecido no quarto de uma pensão. 
 
Moça debaixo da chuva: os ínvios caminhos. 
Transeunte, diante de chuva intensa num bairro que pouco conhece, senta-se à mesa de 
um bar, observa o aguaceiro da tempestade e vê ao lado, num ponto de ônibus, uma 
bonita mulher. 
 
No dorso do granito 
Solano é matador e durante os preparativos de uma tocaia lembra-se da infância e do 
modo como enfrenta o corpo dos seus mortos. 
 
O banquete 
Mulher promove uma festa e dela faz, pelo menos para si, um ambiente sombrio. Vigia, 
entre todos, o filho Arnaldo, chegando a separá-lo de um grupo; manipula, enfim, todo 
o encaminhamento do festejo. 
 
O relógio de pêndulo 
Filho mais velho de uma família volta para casa e nela encontra somente o caçula, 
praticamente desconhecido para ele. Na casa, não encontra mais os pais, que estão 
mortos. 
 
30 
 
O voo da águia 
Velhos amigos se encontram depois de muito tempo. Aquiles mostra-se nervoso, aflito. 
Depois de beberem juntos, separam-se. Durante a mesma noite, Aquiles suicida-se. 
 
Paisagem do pequeno rei 
Irmãos pequenos, de dentro de casa, visualizam passarinhos em árvore do quintal. O 
irmão maior dá ao menor o mais bonito pássaro colorido, que mata com estilingue. 
 
Pequeno coração álgido 
Mãe e filha estão na rodoviária quando encontradas pelo marido e pai da criança. Há 
incompatibilidades entre pai e mãe; transparece que a mãe saiu de casa com a filha 
abandonando o marido. 
 
Terno de reis 
Mulher e marido recebem em casa, com festa, comitiva de uma folia de Reis e, entre 
eles, uma paixão antiga da mulher. 
 
Adágio appassionato 
Mulher acolhe filha em seu quarto, que passa por uma crise diante de um amor desfeito. 
Quer ampará-la, no entanto, entre as duas, há a posição contrária do pai. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
AGÊNCIA ESTADO. Menalton começa a sair da sombra. Disponível em: 
http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,menalton-comeca-a-sair-da-sombra,20010420p3443. Acesso em: 16 out. 2015. 
 
Agência Estado, em matéria de 20/03/2001, considera o livro de ficção do ano, 
premiado pelo Jabuti, À sombra do cipreste, de Menalton Braff, muito literário, que não 
renova o modo de contar o conto e que, além do mais, não havia aparecido entre os 
finalistas para o prêmio na categoria Contos e Crônicas. Ao mesmo tempo, observa 
contemporaneidade dos romances do autor da mesma época. 
 
31 
 
BELEBONI, Rafaela Cardoso. Traços impressionistas nos contos de Menalton Braff 
(https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/91603/beleboni_rc_me_arafcl.pdf?
sequence=1&isAllowed=y) 
 
A autora disserta sobre a existência de traços impressionistas em contos do livro À 
sombra do cipreste. Segundo a autora, há uma predominância do lirismo intimista, com 
traços impressionistas no livro em questão. 
 
COSTA E SILVA, Natalí Fabiana da. Sutilezas entre o interno e o externo: literatura e 
sociedade nos contos de Menalton Braff 
(http://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/94001/silva_nfc_me_arafcl.pdf?seq
uence=1&isAllowed=y) 
 
A autora estabelece uma relação entre a literatura e seu condicionamento social em À 
sombra do cipreste. O livro aborda os problemas sociais como a incomunicabilidade, a 
solidão, a falência, o insucesso, a partir de uma linguagem poética que faz uso de 
técnicas impressionistas. 
 
DEIDENNO BRAFF, Roseli. Saramago, Braff e seus personagens duplos: uma análise 
comparativa 
(https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/94006/braff_rd_me_arafcl.pdf?seq
uence=1&isAllowed=y) 
 
Com a premiação do livro À sombra do cipreste, Menalton Braff seria reconhecido, 
saindo do anonimato. Revistas e jornais começam publicar artigos e resenhas sobre esse 
livro e os demais. Segundo Roseli D. Braff, a queda do Muro de Berlin em 1989 gerou 
grandes reflexões. Desta forma, o texto de Braff torna-se mais denso e menos acabado, 
os contornos tornam-se tênues. Assim, À sombra do cipreste inaugura um novo ciclo na 
obra do autor. 
 
SAVAZONI, André Tarchiani. “Foi o coroamento de 40 anos de trabalho”, diz 
revelação do Jabuti. Disponível em: 
http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/bienal/braff.htm. Acesso em: 16 out. 2015. 
 
32 
 
Em entrevista a André Tarchiani Savazoni, para a Folha, durante a 16ª. Bienal 
Internacional do Livro de São Paulo, em 2000, Menalton Braff situa o prêmio Jabuti 
que recebeu como sua entrada verdadeira no mercado editorial nacional. 
 
 
Vencedor de 2001 
 
 
FAGUNDES TELLES, Lygia. Invenção e memória. Rio de Janeiro: Rocco, 2000. 125p. 
 
 
Resumo dos contos 
 
Que se chama solidão 
Mulher recorda sua vida de menina. Filha de promotor itinerante vive ao lado da pagem 
e de uma mãe prendada, doceira e pianista. 
 
Suicídio na granja 
Mulher vê-se menina, em fazenda, amiga de um galo e de um ganso, lembrando-se do 
dia em que o ganso foi sacrificado para um jantar festivo. 
 
A dança com o anjo 
Moça recorda-se de sua participação, como aluna do Direito, de uma festa no Largo São 
Francisco. Era o “dia da pendura”, conhece e se encanta por um colega. 
 
Se és capaz 
Mulher traça a trajetória de vida de um jovem conhecido e, a partir da sugestão do avô 
dele, atenta para o poema If, de Kipling: as condições do poema, suas oposições, 
fizeram-se no tormento do jovem. 
 
Cinema gato preto 
Mulher, filha de um delegado itinerante, moradora de uma cidade em tempo de cinema 
mudo, assiste, ao lado do irmão, a um filme de vampiro, e tal situação mescla-se com 
outras do cotidiano dos irmãos, num fluxo contínuo do tempo recordado. 
33 
 
 
Heffman 
Momentos biográficos da vida de uma mulher, autora, frequentadora da Livraria 
Jaraguá, de Alfredo Mesquita e, como atriz, em uma ponta na peça Heffman, de autoria 
do próprio Mesquita. 
 
O Cristo da Bahia 
Mulher visita a Igreja de S. Francisco da Bahia e tem no depoimento de um padre da 
paróquia a revelação de que a imagem de Cristo, com rubis cravejados, foi retirada de 
seu nicho por conta de roubo de parte de suas pedras. 
 
Dia de dizer não 
Num centro urbano, mulher, num táxi, vai até um banco, aos Correios, em meio a um 
trânsito cerrado, cortado por ambulantes. Encontra, expostas, cartas perfumadas 
vendidas por um dos ambulantes. 
 
O menino e o velho 
Mulher revisita bar de praia e localiza um velho com um menino de rostos conhecidos. 
Posteriormente, vem a saber que o velho foi assassinado pelo menino. 
 
Que número faz favor? 
Mulher, palestrista de um evento, diante de platéia jovem e do assunto que desenvolve, 
lembra-se de palestras que presenciou na sua juventude. 
 
Rua Sabará, 400 
Conto autobiográfico em que narradora encontra-se em sua casa ao lado de Paulo 
Emílio, o filho e os gatos. Em função do roteiro que ambos montam para o filme de 
Saraceni, Paulo Emílio e ela conversam sobre o romance Dom Casmurro e da relação 
entre Bento e Capitu. 
 
A chave na porta 
Mulher, em noite de Natal, saindo de uma celebração, julga encontrar colega da São 
Francisco de há 40 anos. Ele lhe dá carona, conversam, deixando-a, depois, em sua casa. 
Na verdade, consta, posteriormente, que o colega há muito morrera. 
34 
 
 
História de passarinho 
Um pai, cartorário, pacífico, quieto, cria um passarinho que encontrara na rua; é gozado 
em casa pela mulher e filho. Certo dia, o passarinho é solto da gaiola pela mulher ou 
pelo filho; depois, comido pelo gato. No dia seguinte o pai, abandona a casa e o 
emprego. 
 
Potyra 
Menina recorda-se dos passeios que fazia com o pai no Jardim da Luz e da maneira 
como o pai, ao balançá-la, por vezes, se ausentava do lugar e caminhava. Tal 
caminhada, como num sonho e numa viagem no tempo, faz-se na despedida do pai, em 
tempo de morrer. 
 
Nada de novo na frente ocidental 
Mulher, estudante da São Francisco, recorda-se membro da legião de enfermeiras 
voluntárias para compor batalhões de infantaria feminina e combater na II Guerra. Uma 
vez em casa, recebe a notícia, por telefone, da morte do pai em Jacareí. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
ARAÚJO, Pedro Moura. Que se chama solidão: o fantástico na memória em Lygia 
Fagundes Telles. In: Anais Eletrônicos do IV Seminário Nacional Literatura e Cultura 
São Cristóvão/SE: GELIC/UFS, V. 4, 3 e 4 de maio de 2012, p. 1-11. Disponível em: 
http://200.17.141.110/senalic/IV_senalic/textos_completos_IVSENALIC/TEXTO_IV_
SENALIC_133.pdf. Acesso em: 16 out. 2015. 
 
BRASIL, Rodrigo. O tempo redescoberto de Lygia. In: Revista BRAVO!, Janeiro/98, 
p.56-59. 
 
Em entrevista à Revista BRAVO!, Lygia Fagundes Telles comenta que Invenção e 
Memória são as mesmas coisas. A autora afirma que, como o próprio título diz, há nesse 
livro a mistura de memória com coisas da imaginação. Lygia comenta também que o 
livro tem uma linguagem própria, algo que não ocorre em outros livros. 
 
35 
 
Pedro Moura Araújo estuda, nos Anais Eletrônicos do IV Seminário Nacional 
Literatura e Cultura São Cristóvão, Sergipe, em 2012, a representação do insólito num 
acontecimento de memória autoral, no conto “Que se chama solidão”, de Invenção e 
Memória. 
 
LAMAS, Berenice Sica. Lygia Fagundes Telles, imaginário e escrita do duplo 
(http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/1848/000310382.pdf?sequence=1) 
 
A autora observa que há um entrelaçamento entre as histórias inventadas por Lygia e a 
própria realidade, lembranças e experiências da escritora. No fundo, invenção e 
memória são uma só questão. 
 
LUCAS, Fábio e PINTO, Manuel da Costa. Entrevista Lygia Fagundes Telles. In: 
Revista Cult, junho/99, p. 5-11. 
 
Em entrevista à revista Cult, Lygia Fagundes Telles comenta que, em seu livro Invenção 
e Memória, ela abre as portas e janelas do inconsciente, que invenção e memória são 
uma coisa só. Acrescenta que os contos do livro são uma memória fantasiosa, uma 
mescla entre a realidade e a fantasia. 
 
NUNES,Ivan. Uma viagem, duas hipóteses (noções do processo de criação lygiano) 
(http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/61189/000862943.pdf?sequence=1) 
 
O autor observa que Lygia Fagundes Telles extrai do real a matéria para as suas 
narrativas, assim como Clarice Lispector. Segundo o autor, Lygia, até, protagoniza os 
próprios contos, fazendo-se na personagem principal. 
 
ROCHA, Fátima. Invenção e Memória em Lygia Fagundes Telles. In: Cadernos do 
CNLF, Vol. XVII, Nº 05. Rio de Janeiro: CiFEFiL, 2013, p. 589-600. Disponível em: 
http://www.filologia.org.br/xvii_cnlf/cnlf/05/45.pdf. Acesso em: 17 dez. 2015. 
 
Fátima Rocha estuda a indissociabilidade, para Lygia Fagundes Telles, entre invenção e 
memória, com irrupções, nos cenários memorialistas, do insólito e do fantástico. 
 
36 
 
SAVAZONI, André Tarchiani. “Sou uma escritora insatisfeita”, diz Lygia Fagundes 
Telles. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/bienal/lygia.htm. 
Acesso em: 16 out. 2015. 
 
André Tarchiani Savazoni, numa reportagem de cobertura, para a Folha, da 16ª. Bienal 
Internacional do Livro, entrevistou Lygia Fagundes Telles, que, na ocasião, lançou 
Invenção e memória. Para ela, conforme o título da obra lançada, são tênues as 
diferenças entre ficcionalizar, inventar, e inventar com memória. 
 
 
Vencedores e finalistas de 2002 
 
 
AQUINO, Marçal. Faroestes. São Paulo: Ciência do Acidente, 2001. 108 p. 
 
 
Resumo dos contos 
 
Trincheira 
Rapaz, em algum lugar de uma zona rural, vive como mediador da situação entre seus 
padrinhos, os proprietários, que pouco se entendem. 
 
Dez maneiras infalíveis de arranjar um inimigo 
Dez pequenos episódios com acontecimentos no universo do crime: desavenças entre 
assaltantes, traficantes e amantes, seguidas de acertos de conta entre desajustados. 
 
Homens mortos 
Um casal, há longo tempo juntos, vive como estranhos e num estranho dia: o dia da 
morte do pai da garota. 
 
Balaio 
Dentro de um bar enfrentam-se, inicialmente, para conversa e trocas de informações, 
representantes de duas facções rivais e a polícia. Com a retirada da polícia, há um acerto 
com mortes entre as facções rivais. 
37 
 
 
Piercing 
Um casal busca um ambiente de sedução logo após a explosão de um botijão de gás. 
 
Gambés 
Delegado e investigador fazem diligências, acertos pessoais e morrem com tiros de um 
bando que se vinga deles, pessoalmente e da polícia. 
 
Gente áspera 
Com ciúme da namorada de um deles, dois irmãos têm uma desavença. Irmã, então, 
atira no irmão. 
 
Clinch 
Já fora do esporte, pugilistas amadores trabalham, agora, com seus punhos para fontes 
pagadoras que cobram acertos e promovem vinganças. Por algumas vezes, encontram-se 
na academia que os lançou ao ringue. 
 
Na serra 
História de um pugilista que, após fracasso amoroso, opta por trabalhar no crime, e se 
retira de uma Olimpíada. 
 
Fora dela 
Morador numa casa de serra, velho simples, vem até a cidade para pedir auxílio ao 
diretor de uma empresa, conhecido seu, a fim de encaminhar uma menina na vida. 
 
Ferrugem 
Dois irmãos, já velhos, moram juntos. Abalado por um derrame, o irmão conta à irmã 
sua aventura amorosa. 
 
Fábula 
Uma família acompanha a vida do filho mais velho no crime. Seu irmão caçula tem 
guardada a foto de um guarda morto pelo irmão, como também, depois, guardará a foto 
do irmão morto. 
 
38 
 
 
Bibliografia crítica individual 
 
GENS, Rosa. De Angus e Faroestes: ficções de Marçal Aquino e Marcelino Freire . In: 
Recorte. Revista de Linguagem, Cultura e Discurso. Ano 5, n. 9. Jul-dez, 2008, p. 1-8. 
Disponível em: http://revistas.unincor.br/index.php/recorte/article/view/2038/1731. 
Acesso em: 17 out. 2015. 
 
Rosa Gens estuda, em artigo na revista Recorte, de 2008, o texto de Marçal Aquino, em 
que cenas urbanas, sem identificação de espaços, irrompem por meio de um senso de 
hiper-realismo, que instala na conduta das personagens atitudes de violência presentes 
na vida contemporânea. 
 
SÁ, Xico. “Faroestes” mostra vida simples com buraco de bala. Disponível em: 
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1710200120.htm. Acesso em: 17 out. 2015. 
 
Xico de Sá, para a Folha, em 17/10/2001, resenha Faroestes, de Marçal Aquino. 
Considera que as narrativas do contista se distanciam de experimentalismos “da geração 
90”, e se voltam para uma linguagem que expressa um extremo realismo. 
 
TEZZA, Cristovão. [Resenha] Faroestes, de Marçal Aquino. fev. 2002. Disponível em: 
http://www.cristovaotezza.com.br/textos/resenhas/p_0202_cult.htm. Acesso em: 17 out. 
2015. 
 
Cristóvão Tezza, em página do seu site de fevereiro de 2002, discorre acerca do “padrão 
literário contemporâneo” do contista de Faroestes. Para ele, a partir da expressão de 
uma oralidade urbana que representa uma realidade que conhecemos de fato ou de 
notícia e envolve os deserdados da sorte. 
 
 
 
FONSECA, Rubem. Secreções, excreções e desatinos. Rio de Janeiro: Agir, 2001. 
180p. 
 
39 
 
Resumo dos contos 
 
Copromancia 
Uma mística e um estudioso da alegoria das fezes resolvem ajustar-se e passar a vida 
conforme o sentido que viam nas fezes que produziam. 
 
Coincidências 
Homem frequenta o ambiente de negócios, entre empresários, no entanto, é traficante e 
comanda matadores nos seus serviços; entre eles, o de uma mulher. 
 
Agora você (ou José e seus irmãos) 
Homem participa de um grupo composto por compulsivos, ressentidos, agressivos, 
comandados por um líder. Tal sujeito também tem um defeito: o de cuspir do 12º andar 
do edifício onde tal grupo se reúne. 
 
A natureza, em oposição à graça 
Pares intrigam-se em sua vida conjugal; senhor de idade, misterioso, instrui um dos 
namorados num plano de vingança e desaparece. Dá-se a vingança com morte e também 
o desaparecimento do assassino. 
 
O estuprador 
Entre um casal de namorados, a mulher nega-se a se despir e a se entregar. Em um dado 
momento, o namorado a despe à força e nota um tumor à altura do seu ombro; lambe-o, 
e o tumor desaparece. 
 
Belos dentes e bom coração 
Investigador segue, a pedido do marido que o contratou, os passos da esposa. O marido 
acha que é traído, o que é verdade; no entanto, os amantes desmancham o caso amoroso 
no dia da conclusão da investigação, o que move o investigador a não denunciar a 
esposa ao marido. 
 
Beijinhos no rosto 
40 
 
Um rapaz fumante tem um câncer de bexiga diagnosticado; teme a cirurgia, suas 
circunstâncias. Opta pelo suicídio. Acontece que não morre pelo tiro e seu câncer, 
operado, é extirpado. 
 
Aroma cactáceo 
Homem e mulher conhecem-se como investigadores. Durante um caso que não tem 
solução, juntam-se e passam a viver juntos, optando por deixar os serviços de 
investigação. Encontram, porém, nas funções do presente, a mesma monotonia de que 
reclamavam no passado. 
 
Mulheres e homens apaixonados 
Uma trama entre casal e feiticeira faz, por meios escabrosos, com que casais 
desgostosos com os casamentos consigam outros laços amorosos. 
 
A entrega 
Traficantes parecem disputar um mesmo ponto de droga. O dono do ponto, por 
prevenção, mata o suspeito, momentos antes da entrega. 
 
Mecanismos de defesa 
Homem tem o hábito de observar secreções, excreções do próprio corpo no 
microscópio; prioriza o espermatozóide, depois de masturbar-se, para, depois, deixar as 
observações microscópicas e apenas cultivar o hábito da masturbação. 
 
Encontros e desencontros 
Mulher com sangramento menstrual tem receios em se relacionar com parceiro, até 
descobrir que ele tem prazer no cheiro do sangue da menstruação. 
 
O corcunda e a Vênus de Botticelli 
Corcunda tenta, compulsivamente, aproximar-se de belas mulheres; educado, para 
conquistá-las, conversa sobre poesia e a respeito de seu defeito físico. 
 
Vida 
Homem acometido de flatulências frequentes relata o seu prazer pelo sintoma e o 
sofrimento,a irritação da sua esposa diante do fato. 
41 
 
 
Bibliografia crítica individual 
 
BARTOLOMEI, M. Livro: Escatologia da obra de Rubem Fonseca garante boas 
risadas. Disponível em: 
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/critica/ult569u66.shtml. Acesso em: 17 
out. 2015. 
 
Marcelo Bartolomei resenha, para a Ilustrada, em 21/05/2001, Secreções, excreções e 
desatinos, de Rubens Fonseca, ressaltando a escatologia e os desatinos dos 
acontecimentos literários narrados, que trazem casos policiais e protagonistas com 
comportamentos obsessivos. 
 
FERREIRA, Istela Regina. O neonaturalismo de Rubem Fonseca 
(http://tede2.pucgoias.edu.br:8080/bitstream/tede/3204/1/ISTELA%20REGINA%20FE
RREIRA.pdf) 
 
A autora destaca as personagens insondáveis dos contos, e atribui aos espaços 
psicológicos criados tal atmosfera do insondável. 
 
FIGUEIREDO, Vera Lúcia Follain de. O corpo e as tiranias do espírito na ficção 
contemporânea. IN: Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, nº. 33. Brasília, 
janeiro-junho de 2009, pp. 11-24. Disponível em: 
dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/4846172.pdf. Acesso em: 17 out. 2015. 
 
Vera Lúcia Follain de Figueiredo reflete sobre a maneira como a poética de Rubem 
Fonseca dramatiza as mediações das suas personagens com o mundo por meio do corpo, 
a fim de libertá-las de impasses afetivos. 
 
 
CONRADO, Karina Luckaszeski. A dimensão corpórea na literatura brasileira, a 
fisiologização humana na contística de Rubem Fonseca 
(http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/49668/000829500.pdf?sequence=1) 
 
42 
 
Conrado estuda os contos em que o autor trabalha com a anatomia do corpo, tendo 
como enfoque as secreções e as excreções do corpo. Para ela, Fonseca mostra-se mais 
uma vez fotógrafo das relações contemporâneas. 
 
REBINSKI JUNIOR, Luiz. Manual prático da filosofia fonsequiana. In: Revista 
Bestiario. Disponível em:<http://www.bestiario.com.br/17_arquivos/manual.html>. 
Acesso em: 03 nov. 2016 
 
 Luiz Rebinski Jr. discute a excentricidade das personagens de Rubem Fonseca. 
Segundo o crítico, as personagens do escritor tentam sobreviver a si mesma. Em 
Secreções, excreções e desatinos, a violência toma corpo, embora o autor consiga contar 
histórias de forma a não constranger o leitor, como acontece no conto do homem que 
gostava de examinar suas fezes. 
 
 
Vencedores e finalistas de 2003 
 
 
CARRASCOZA, João Anzanello. Duas tardes. São Paulo: Boitempo Editorial, 2002. 
108 p. 
 
Resumo dos contos 
 
O menino e o pião 
História relata a vida de uma família – garoto, mãe e pai –, por meio do seu cotidiano: a 
chegada do pai, esperado pelo filho, que roda pião na entrada da casa, e o almoço que a 
mãe prepara para todos. 
 
Visitas 
Relato de um almoço entre famílias muito amigas e seus filhos – homens e mulheres. A 
história gira em torno de situações familiares, das conquistas, do tempo e do prazer do 
reencontro. 
 
Travessia 
43 
 
Marido, mulher e filho moram em terras de fronteiras vigiadas e, por necessidade, certa 
noite, atravessam-nas. Para isso, deixam tudo que têm nas terras que abandonam. 
 
Duas tardes 
Irmãos encontram-se, depois de muito tempo, na cozinha de que um deles é chef. 
Conversam rapidamente sobre suas infâncias e se despedem ainda como meninos. 
 
Um instrumento 
Uma jornalista entrevista um velho que conserta todo e qualquer instrumento musical, 
além de construir alguns deles e de afiná-los. Em vez da reportagem, a jornalista prefere 
sair com uma lição de vida, um modo de afinar, modelar, sua própria vida. 
 
Manobras 
Homem é manobrista de um prédio e trabalha pela noite. Recebe os moradores que 
chegam em seus automóveis e, uma vez recolhidos, como um bom pastor, lê a Bíblia. 
 
Pardais 
Casal muda de uma casa para outra. Com tal mudança, outra, interior, pessoal, acontece: 
a mulher do casal sente-se outra, modificada e distante do marido. 
 
No morro 
Garoto de morro carioca faz compras para a mãe e volta para casa. De seu quarto 
aprecia a Baia da Guanabara, enquanto um tumulto acontece: perseguição policial, com 
tiros e um deles mata o garoto. 
 
Cálice 
Família de um carpinteiro passa necessidades diante da falta de pedidos dos fregueses 
para os serviços. O carpinteiro, entristecido, vê a carência atingir o dia a dia do único 
filho da família. 
 
Preto-e-branco 
Homem volta-se no tempo e relembra sua vida de menino ao lado do avô, do café da 
manhã ao filme da noite, em preto e branco, com as histórias do Gordo e do Magro. 
 
44 
 
Bibliografia crítica individual 
 
FISCHER, Luis Augusto. Limites da militância. In: Revista BRAVO!, Junho/2002, p.61. 
 
Luis Augusto Fischer comenta que, para apresentar a miséria do país, Carrascoza 
tropeça no sentimento de culpa e na linguagem antiquada. No livro Duas tardes, o autor 
refere-se ao abismo social que há entre pobres e ricos. Para Fischer, a linguagem do 
livro impressiona negativamente pelo amontoado de clichês e pela pseudopoeticidade 
com que amarra as comparações. 
 
PAIOL LITERÁRIO. João Anzanello Carrascoza. In: Jornal Rascunho. Disponível em: 
< http://rascunho.com.br/joao-anzanello-carrascoza/> Acesso em: 17 out. 2015. 
 
Rogério Pereira entrevistou João A. Carrascoza para a sessão Paiol Literário, do Jornal 
Rascunho, em 03/09/2013. A entrevista informa como o autor se situa diante da 
literatura e da vida: o ficcionista escreve sobre a condição humana, a fim de refletir 
sobre ela com o leitor, a ponto de escrever suas narrativas em unidades com motivos 
que, ao longo de sua obra, chegam a dialogar entre si: situações de infância, relações 
familiares. 
 
PAIVA, Marcelo Rubens. Carrascoza explora a rotina em contos. Disponível em: 
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2007200225.htm. Acesso em: 17 out. 2015. 
 
Marcelo Rubens Paiva, em 20/07/2002, comenta para a Ilustrada o volume Duas tardes, 
de João Anzanello Carrascoza, com ênfase no tratamento que o ficcionista dá, em seus 
contos, à infância, às relações familiares. 
 
 
 
FAGUNDES TELLES, Lygia. Durante aquele estranho chá. São Paulo: Companhia 
das Letras, 2002. 159 p. 
 
Resumo dos contos 
 
45 
 
Onde estiveste de noite? 
Texto memorialista que narra a amizade entre Lygia Fagundes Telles e Clarice 
Lispector; uma viagem que ambas fizeram à Colômbia, para um Congresso de 
Escritores, tudo, lembrado por Lygia, momentos antes de fazer uma palestra na 
Faculdade de Letras de Marília e lá receber a notícia da morte da amiga e escritora. 
 
Durante aquele estranho chá 
Texto revela encontro entre Lygia e Mário de Andrade, em que a escritora o conhece e 
pede a ele opiniões a respeito de contos seus. 
 
Papel quadriculado 
Texto relata a visita de Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre ao Brasil. O diálogo de 
Lygia com Simone e, depois, novamente, na França, quando conversam acerca da 
velhice, da morte e da imortalidade. 
 
O profeta alado 
Lygia F Telles, ao lado de Paulo Emílio S. Gomes, conhece Glauber Rocha e o grupo do 
Cinema Novo. Conversam longamente sobre a nova estética do cinema nacional. 
Reencontram Glauber em apartamento em São Paulo e, posteriormente, visitam-no em 
Paris. 
 
Da amizade 
Relato da amizade entre Lygia e Hilda Hilst, da juventude à maturidade de ambas, na 
cidade de São Paulo e em Campinas, lugar em que Hilda residiria até sua morte. 
 
Mulher, mulheres 
Texto discute o papel da mulher no seu tempo de moça, no Largo São Francisco, e 
durante a revolução feminista. 
 
A rosa profunda 
Dois encontros entre Lygia F Telles e Jorge Luis Borges, ambos em São Paulo, em 1970 
e 1985. O escritor argentino, no momento do segundo encontro, reconhece a escritora 
brasileira pela sua voz. Neste último encontro, conversaram sobre o sonho. 
 
46 
 
Machado de Assis: rota dos triângulos 
Lygia F. Telles coloca-se como leitora de Machado de Assis, interpretando as tramas do 
romanceDom Casmurro e dos contos A causa secreta e Missa do galo. 
 
É outono na Suécia 
Relato de viagem de Lygia, ao lado de Ana Miranda e João Gilberto Noll para a Suécia, 
a convite da Feira do Livro de Gotemburgo. Lygia comenta sobre o valor da liberdade 
que os suecos tanto prezam. 
 
No princípio era o medo 
Infância em Apiaí, com passagens à margem do rio da cidade, o início da atividade da 
escrita, ao lado das histórias dos contos de fada. 
 
A língua portuguesa à moda brasileira 
Lygia F Telles reflete acerca do valor e do alcance da expressão da língua portuguesa 
nos Congressos Internacionais de Escritores, no México e na Feira de Frankfurt. 
 
Jorge Amado 
A escritora faz um comentário acerca de Jorge Amado, sua trajetória literária, sua vida 
social, em família, no Brasil e o Exterior. 
 
Mysterium 
Lygia F. Telles comenta acerca do seu processo criativo, e avalia sua obra. 
 
Discurso de posse na Academia Brasileira de Letras 
Por meio da lembrança de uma aula de química, de ginásio, Lygia Fagundes Telles 
avança no tempo aliando as combinações das experiências químicas do seu professor às 
combinações que aprendeu a fazer, com palavras, a fim de representar o mundo. Até 
chegar à ABL, lembrando seu discurso de ingresso à entidade. 
 
Um retrato 
Lygia F Telles comenta a figura de Paulo Emílio S. Gomes, a partir do momento em 
que, mocinha, o avista e, posteriormente, entre tempos e tempos adversos da política, 
quando se casam. Por último, lembra-se do dia em que Paulo Emílio morreu. 
47 
 
 
Resposta a uma jovem estudante de Letras 
Lygia F Telles, novamente, diante do processo criativo e, daí, sua linha mestra: na 
torrente que corre entre memória e imaginário ficcional. 
 
Então, adeus! 
Lygia F Telles, aluna do Direito do Largo, como Lobato, relata o dia em que o conheceu 
e depois quando o visitou na prisão, em que estava preso por Getúlio. Irá encontrá-lo 
uma vez mais, antes de seu velório da Biblioteca Municipal. 
 
Resposta da Clarice Lispector 
Entrevista de Lygia F Telles a Clarice Lispector, no Rio de Janeiro, em que a 
entrevistadora lhe questiona sobre seu processo criativo. Para Lygia, a disposição da 
narrativa do seu conto é a do envolvimento com o mistério, que transparece velado entre 
o amor e o desamor, a loucura e a morte. 
 
Às vezes, Irã 
Relato de uma viagem de Lygia F Telles e Paulo Emílio S Gomes ao Irã, como jurados 
de um Festival Internacional do Cinema. Lá, ambos, saindo do Palácio do Rei, 
desavisados, deparam-se com uma multidão diante de quatro homens enforcados. 
 
Encontro com Drummond 
Relato, numa conferência, do encontro da escritora, ainda estudante de Direito, com a 
poesia de Carlos Drummond de Andrade, e, depois, como sua leitora pelo resto da vida. 
 
A escola de morrer cedo 
Lygia F. Telles analisa a poética dos mais conhecidos poetas românticos e, entre eles, 
mais precisamente, a de Alvarez Azevedo, por meio de suas duas vidas: a vivida na 
boemia de São Paulo e a outra, a fingida para os seus pais. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
ANGIOLILLO, Francesca. Um chá com Lygia. Disponível em: 
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2904200208.htm. Acesso em: 18 out. 2015. 
48 
 
 
Francesca Angiolillo entrevista, para a Folha, durante da Bienal do Livro de São Paulo, 
em 2002, na sessão do Salão de Ideias, a escritora Lygia Fagundes Telles, então, diante 
do recém-lançado Durante aquele estranho chá, título retirado de um relato presente no 
próprio volume, que narra, nos anos 40, um encontro, na Confeitaria Vienense, entre 
Lygia Fagundes Telles e Mário de Andrade. O assunto da entrevista: o discurso da 
memória; para a ficcionista, tão incontrolável, “invasor”, como o veio da imaginação. 
 
BUENO, Luís. A viagem errática da memória. Disponível em: 
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1606200210.htm. Acesso em: 18 out. 2015. 
 
Luís Bueno, especial para o Mais, da Folha, em 16/07/2002, comenta Durante aquele 
estranho chá, de Lygia Fagundes Telles. Trata-se, para o crítico, de um livro 
“involuntário” da autora, que reúne textos de fontes diversas e esparsas no tempo, e 
“com diferentes fins”. Mesmo assim e, até por isso, o livro firma-se como de memória, 
com “o ritmo imprevisível das lembranças”. Também conforme o crítico, “ajuda a 
compor mais um passo da tradição, ainda em processo de afirmação, do livro de 
memórias como gênero literário no Brasil”. 
 
CAMPOS DE LUCENA, Suênio. Alguns temas em Lygia Fagundes Telles. In: 
Interdisciplinar. Ano 3, v. 5, nº. 5 - Jan - jun de 2008, p. 155-168. Disponível em: 
http://200.17.141.110/periodicos/interdisciplinar/revistas/ARQ_INTER_5/INTER5_Pg_
155_168.pdf. Acesso em: 13 dez. 2015. 
 
Suênio Campos de Lucena, na revista Interdisciplinar, de 2008, comenta o texto 
memorialístico de Lygia Fagundes Telles e a maneira como, para isso, a autora explora 
os limites entre autobiografia e criação literária. 
 
NUNES, Ivan. Uma viagem, duas hipóteses (noções do processo de criação lygiano) 
http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/61189/000862943.pdf?sequence=1 
 
O autor analisa quatro livros de Lygia Fagundes Telles, entre eles, Durante aquele 
estranho chá, em que a escritora fornece detalhes sobre a sua escrita, considerando o 
livro um metadiscurso de criação. 
49 
 
 
OLIVEIRA, Calila das Mercês. No princípio era o medo: a memória e o tempo em 
Lygia Fagundes Telles. In: Miguilim. Revista Eletrônica do Netlli, Crato, v. 3, n. 2, p. 
153-162, mai.-ago. 2014. Disponível em: 
http://periodicos.urca.br/ojs/index.php/MigREN/article/viewFile/708/689. Acesso em: 
04 dez. 2015. 
 
Calila das Mercês Oliveira reflete, na revista Miguilim, do Crato, em 2014, acerca da 
escrita memorialista de Lygia Fagundes Telles, que funde ficção com lembranças e 
experiências, na forma de sensações construídas pela linguagem, que exploram as 
dimensões do tempo. 
 
PINHEIRO, Luiz Alberto de Oliveira. Lembrar e inventar: o percurso autobiográfico de 
Lygia Fagundes Telles e Nélida Piñon 
(http://www.bdtd.uerj.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=7139) 
 
O autor analisa contos presentes no livro Durante aquele estranho chá, que são, para 
ele, textos híbridos de ficção e memória. 
 
SANTANA BORGES, Kelio Junior. Fios de vida, tramas de histórias: a ficção de Lygia 
Fagundes Telles 
(http://repositorio.bc.ufg.br/tede/bitstream/tde/2422/1/Fios%20de%20vida%2c%20tram
as%20de%20historias%20-%20Kelio%20Junior.pdf) 
 
O autor observa que em Durante aquele estranho chá, Lygia Fagundes faz referência ao 
fato de que a mulher, por muito tempo, foi privada do discurso. Dessa forma, para o 
autor, o livro dá voz às mulheres, que constroem suas identidades a partir do tecido 
narrativo estabelecido. 
 
 
 
FONSECA, Rubem. Pequenas criaturas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011. 342 p. 
 
 
50 
 
Resumo dos contos 
 
A escolha 
Pai e filha moram juntos; o pai é aleijado e desdentado. O plano da filha, aliada a uma 
amiga, é o de que ela consiga para o pai uma cadeira de rodas e a amiga, uma dentadura. 
 
Ganhar o jogo 
Rapaz pobre e ressentido pela pobreza resolve, uma vez trabalhando num bufê famoso, 
matar um ricaço, a fim de se vingar de sua situação de pobreza. 
 
O bordado 
Mulher resolve que marido deve gravar seu nome no pênis; leva-o a um tatuador que faz 
a vontade da mulher. 
 
Família é uma merda 
Rapaz apaixona-se por uma mulher que acha feia e teme que sua família reprove o 
namoro; suas suspeitas não se confirmam; é sua família que os aproxima e ninguém 
observa a feiura da namorada. 
 
Miss Julie 
Prostituta constrói um plano para conquistar ator. Sabe que ele sai com meninas de 
programa. Assim, adota o nome da personagem com que ele, no momento, contracena, e 
o lança na lista de meninas de programa. O intento dá certo, ela conquista o ator e, a 
seguir, engravida de filho dele. 
 
Especular 
Professor solteiro, numa Academia,enquanto se exercita ao lado de uma namorada, 
acaba por se insinuar a uma outra mulher. Há uma briga entre as mulheres no interior da 
Academia pela disputa do professor. 
 
Paixão 
Casal discute sobre morarem juntos ou não e a conversa não progride; os dois não 
conseguem um entendimento sequer para estabelecer o assunto da discussão. 
 
51 
 
Hildete 
Uma equipe, formada por homem e mulheres de uma agência, reúne-se para montar um 
perfil falso de mulher a ser divulgado como o da vencedora. Há uma divisão entre eles, 
em torno das falsidades a serem constituídas. 
 
Sonhos 
Diálogo escapista entre um homem e uma mulher, entre galanteios e afetações, em que a 
sedução perde terreno diante de providências do homem com sua mãe. 
 
O garoto maravilha 
Ninfomaníaco, profissional competente, não consegue, dada a doença, trabalhar de 
forma continuada e ganhar dinheiro suficiente para comprar um carro novo. 
 
Bem-aventurança 
Casal conhece-se jovem, em baladas pesadas. O homem, ainda jovem, de repente, passa 
a viver calmamente; a mulher, ao contrário, quer curtir a mesma forma de viver. 
 
Paz 
Bailarina encanta-se com a paz do cemitério. Constrói seu túmulo, sobre ele a imagem 
de uma bailarina em movimento e aguarda sua própria morte numa sombra ao lado. 
 
Meu avô 
Neto vive como avô desde pequeno. Descobre, de repente, que o avô é um pequeno 
assaltante. Após a morte do avô, já rapaz, faz-se assaltante, primeiramente, como o avô, 
desarmado, e, depois, com arma na mão. 
 
Natal 
Filha escreve um roteiro, que decora, a fim de pronunciá-lo diante da mãe em noite de 
Natal, quando toda a família estará reunida. 
 
Tratado do uso das mulheres 
Casal discute o papel do marido que escreve a respeito do modo como o homem, 
sexualmente, possui a mulher, o que causa raiva na mulher do casal, fazendo-a destruir 
os escritos do marido. 
52 
 
 
O cadeado 
Mulher já alojada em hotel tranca sua mala com a chave do cadeado no interior da mala. 
Um hóspede, rapidamente, oferece-se para abrir sua mala e, nisso, aquela mulher 
descobre que ele poderia ser o amor da sua vida. 
 
Ilha 
Casal encontra-se num hotel onde iniciam um relacionamento. O homem, depois de 
sondar a vida privada da mulher, impressiona-a com o que dela sabe; ela, espantosa e 
intuitivamente, adivinha toda uma frase da mente dele, o que também o assusta. 
 
Eu seria o homem mais feliz do mundo se pudesse passar uma noite com você 
Vendedora de cosméticos numa loja passa a receber bilhetes por debaixo da porta de seu 
apartamento. Insiste com o síndico para investigá-los até descobrir que os galanteios são 
do próprio síndico. 
 
Soma zero 
Um casal apaixonado, diante de um amor impossível, encontra-se para discutir suas 
limitações e impossibilidades amorosas chegando ao autoflagelo. 
 
O pior dos venenos 
Casal bem situado financeiramente separa-se, única e exclusivamente por decisão da 
mulher, que se vê ainda jovem, elegante, bonita, para um mundo chato. Uma vez 
separada, e como separada, considera o mundo uma coisa chata. 
 
Virtudes teologais 
Duas amigas, idosas e sozinhas, frequentam a mesma Igreja, além de morarem no 
mesmo prédio. Dividem-se, encerrando a amizade, diante da ideia de darem ou não 
esmola para mendigos após a missa de domingo. 
 
Escuridão e lucidez 
Homem e mulher já maduros conhecem-se numa festa de final de ano. A mulher, 
sempre cética em relação ao amor, apaixona-se pelo homem e descobre que o parceiro 
tem mistérios. 
53 
 
 
Sucesso 
Homem raivoso, em surto, isola-se, tranca-se e é levado para tratamento depois de abrir, 
por engano, a porta. 
 
Nove horas e trinta minutos 
Homem caminha com a filha, e ela é atropelada. O motorista que a atropelou, foge; é, 
no entanto, identificado e morto pelo pai da garota. 
 
Caderninho de nomes 
Homem, depois de separado, anota em caderno nomes de mulheres que conquista. Certo 
dia, passa a elaborar, por escrito, versões diferentes para uma mesma aventura. 
 
Shakespeare 
Escritor e professora universitária unem-se e separam-se tendo como motivo a literatura 
elisabetana, até porque uma antiga namorada do escritor, certo dia, bate na porta do 
apartamento do casal a fim de recuperar um livro de sonetos de Shakespeare. 
 
Uma mulher diferente 
Em suas relações primeiras, homem tem dificuldade em revelar para a mulher, que tinha 
uma perna mecânica. Por isso, despe-se da camisa e dos sapatos, e jamais das calças. 
 
Madrinha da bateria 
Madrinha de uma bateria de escola de samba, moradora do morro, de repente, perde o 
posto para uma moça da cidade, sem tradição no samba; enlouquecida, mata a 
concorrente, conforme a tradição, numa navalhada. 
 
Todos temos um pouco 
Fotógrafo tem como modelo uma moradora de rua; volta e meia, fotografa-a. Ela pesa 
mais de 100 quilos e durante a sessão tem delírios de grandeza. 
 
Começo 
54 
 
Homem quer escrever um livro e busca assunto a partir da leitura de livros expostos em 
quiosques de rua; acrescenta a certos trechos seu ressentimento por ser gordo e seu 
prazer em esmagar alguém ou algo indesejado. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
CÂMARA PEREIRA, Francisco Afrânio. Por dentro da cidade: solidão e marginalidade 
em Rubem Fonseca 
(http://repositorio.ufrn.br:8080/jspui/bitstream/123456789/16345/1/FranciscoACP_TES
E.pdf) 
 
O autor analisa contos do livro Pequenas criaturas, como Hildete e Meu avô, mostrando 
as características da produção fonsequiana: a condição humana moderna nas grandes 
cidades, seus desejos, solidão, inquietude. 
 
FREITAS, Almir de. Os lançamentos na seleção de BRAVO!. In: Revista BRAVO!, 
Junho/2002, p.62-63. 
 
Em Os lançamentos na seleção de BRAVO!, Almir de Freitas fala sobre o livro 
Pequenas criaturas. O livro é a reunião de contos que abordam temas como a violência 
e sexo. As personagens são decadentes, assassinos e compulsivos. 
 
MACEDO GONÇALVES, Rachel Viera. Pequenas criaturas e o efeito de real: a 
estética da crueldade em Rubem Fonseca 
(http://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/91577/goncalves_rvm_me_arafcl.pd
f?sequence=1&isAllowed=y) 
 
O autor disserta sobre a relação entre as opções estéticas de Rubem Fonseca e a 
temática de alguns contos de Pequenas Criaturas. 
 
NESTROVSKI, Arthur. Nossa vidinha. Disponível: 
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/resenha/rs1105200209.htm. Acesso em: 18 out. 2015. 
 
55 
 
Arthur Nestrovski, no Jornal de resenhas, da Folha, em 11/05/2002, comenta o livro de 
contos de Rubens Fonseca Pequenas criaturas. Para o crítico, o volume tem o já 
consagrado estilo do autor, diante de exageros e aberrações; no entanto, os contos 
transparecem mais acomodados, sem a violência dos anteriores. 
 
PEN, Marcelo. Rubem Fonseca volta com lucidez que cega em "Pequenas Criaturas". 
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/critica/ult569u624.shtml. 
Acesso e: 18 out. 2015. 
 
Marcelo Pen, na Ilustrada de 12/04/2002, apresenta o livro de contos de Rubens 
Fonseca, Pequenas criaturas, como um volume de narrativas voltadas para o 
entendimento da vida, das coisas do mundo. O tom exagerado do estilo de Fonseca está, 
para o crítico, no modo como as personagens fazem seus juízos sobre modos de viver, 
com atrevimento, petulância, o que, ironicamente, os mostra menores que a própria 
vida. O autor analisa contos do livro Pequenas criaturas, como Hildete e Meu avô, 
mostrando as características da produção fonsequiana: a condição humana moderna nas 
grandes cidades, seus desejos, sua solidão e sua inquietude. 
 
 
Vencedores de 2004 
 
 
SANT´ANNA, Sérgio. O voo da madrugada. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. 
247 p. 
 
Resumo dos contos 
 
I. O voo da madrugada 
Auditor de um laboratório, numa troca de voo, toma um noturno que transporta 
cadáveres de um desastre aéreo. Diante de noite mal dormida e de comprimidos para 
adormecer, que não fizeram efeito,tem em mente que beijou uma bela jovem durante o 
voo e que, ao chegar em casa, viu-se sentado na própria cama. 
 
A voz 
56 
 
Especulação em torno da morte, da putrefação do corpo e do término da voz, arauto do 
vivo. 
 
Um conto nefando 
Mãe é violentada pelo filho, dependente de cocaína. Depois do fato, procura acalmar-se, 
acalmar o filho e pactuar, a partir daquele dia, seu afastamento das drogas. 
 
Um erro de cálculo 
Rapaz, menino, envolve-se sexualmente com a irmã, trazendo tais fantasias para sua 
vida de casado. 
 
Um conto abstrato 
Texto desenvolve múltiplas alternativas com cenários e temas para a construção de um 
conto abstrato, que transcenda um significado. 
 
Um conto obscuro 
Texto trata de temas graves do mundo e da intimidade do contista; é uma busca de 
significação diante de um sentido para o que acontece na vida, na trama natural da vida. 
 
O embrulho da carne 
Mulher encontra-se sob cuidados psiquiátricos, toma remédios pesados e sobressalta-se 
com uma notícia, no jornal, de morte por enforcamento; ao tentar livrar-se do jornal 
queimando-o, incendeia lençóis e colchão de sua casa. 
 
Saindo do espaço do conto 
História de um papel dramático para jovem, que, sob efeito de morfina, num hospital, 
alia-se à figura de um barman, para quem pergunta acerca da mortalidade, além de se 
lembrar de seu gato de estimação já morto. 
 
No meio da noite 
Moça sonha que cavalga, pela noite, por um bosque e acorda no chão do seu quarto. 
 
Formigas de apartamento 
57 
 
Velha senhora, dependendo dos cuidados da filha e do uso de fraldas geriátricas, num 
dado momento, vai ao quarto do neto e divide com ele um cigarro de maconha. 
 
Invocações (memórias e ficção) 
Conto nasce de uma evocação em meio a uma história familiar, no início do século, no 
bairro das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. 
 
A barca da noite 
Processo criativo de um conto divide-se entre um protagonista depressivo, suicida e 
outro que é salvo pela companheira. 
 
II- O Gorila 
Parte 1 – Alguns telefonemas 
Alguém, nomeado Gorila, grava múltiplas mensagens em seu telefone e as dispara a 
mulheres. As mensagens são eróticas e as recepções são das mais variadas. 
 
Parte 2 – A xoxota sugadora 
O mesmo nomeado Gorila, com suas ligações anônimas, desta vez, acaba por falar com 
dois participantes de uma festa de embalo que o tapeiam e debocham da sua figura. 
 
Parte 3 – Drama e melodrama 
Gorila, Epifânio Gonzalez, com seus trotes telefônicos, para ele, necessários, vitais, 
acaba por fazer, de suas vítimas, dependentes, que, como num grupo fechado, passam a 
retribuir com seus trotes. Ao saber da morte de sua vítima preferida, Gorila fica triste e 
suicida-se. A morte, no entanto, era falsa, mais um trote que recebera. 
 
III- Três textos do olhar 
A mulher nua 
A pintura de uma mulher nua é observada, no mesmo momento em que se reflete sobre 
os processos criativos da pintura, entre pintores, que se veem no que pintam e no âmbito 
da história da pintura. 
 
A figurante 
58 
 
História é abstraída de uma situação fotográfica e trazida para o interior de uma 
narrativa em que uma bela mulher, apresentada para um pintor recém-vindo da França, 
faz-se modelo de quadro de grande sensualidade. 
 
Contemplando as meninas de Balthus 
História envolve uma especulação em torno das figuras femininas de Balthus, 
pseudônimo do pintor francês Balthazar Klonowski, que são representadas em cenas 
ambíguas envolvidas num ambiente de erotismo e inocência. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
ALVES, Rogério Eduardo. “Sérgio Sant'Anna usa contos para "jogar com a linguagem". 
In: Folha de S. Paulo. 18 out. 2013. Disponível em: 
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1810200309.htm. Acesso em: 02 jan. 2016. 
 
Rogério Eduardo Alves, numa resenha para a Folha, de 18/10/2002, comenta o livro de 
contos O voo da madrugada, de Sérgio Sant´Anna, como um volume em que as 
narrativas breves do autor se voltam para motivos como o do próprio fazer do conto, ou, 
o fazer da pintura, em situações em que as personagens têm comportamento erotizado. 
 
ASSIS SOUZA E SILVA, Laura de. Experiência e representação na prova de ficção 
brasileira contemporânea 
(https://repositorio.ufjf.br/jspui/bitstream/ufjf/2647/1/lauradeassissouzaesilva.pdf) 
 
A autora tem como foco mostrar que a prosa contemporânea possui alguns traços que 
apontam para a tentativa de representar o empobrecimento, o esvaziamento e a 
precarização da experiência. Para tanto, utiliza contos do livro O voo da madrugada, 
como Um conto abstrato e Um conto obscuro, que julga ser complementares. 
 
PAVARIN, Guilherme. Não é fácil ser Sérgio (ainda bem). In: Jornal Rascunho. 
Disponível em: http://rascunho.com.br/nao-e-facil-ser-sergio-ainda-bem/. Acesso em: 
03. jan. 2016. 
 
59 
 
Guilherme Pavarin, resenha para o Jornal Rascunho, em agosto de 2005, o livro de 
contos de Sérgio Sant´Anna, O voo da madrugada, e o apresenta como uma coletânea 
em que o autor estabelece narrativas tramadas entre ambientes, atmosferas, situações 
interpostas entre os diferentes contos. 
 
VIANEI UAVNICZAK, Odirlei. A poética metaficcional de Sergio Sant’Anna n’O voo 
da madrugada 
(http://cascavel.ufsm.br/tede//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=6156) 
 
A autora analisa o livro de contos mencionado acima, levando em consideração a 
natureza metaficcional da obra em que, segundo a autora, Sergio Sant’Anna busca 
transformar a matéria ficcional em instâncias do processo literário: sua criação para a 
recepção. 
 
 
 
TORERO, José Roberto. Pequenos amores. Rio de Janeiro: Objetiva, 2003. 117 p. 
 
 
Resumo dos contos 
 
O volume encerra 51 casos passados em Paraíso, pequena cidade com nome bíblico e 
com o número, coincidentemente, de capítulos da Bíblia. Paraíso foi fundada por um 
bandeirante, Adão, e povoada a partir do casamento dele com Eva, uma indígena. Os 
casos restantes são da história de Paraíso, cômicas, paródicas, irônicas, sempre. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
ENGELBRECHT, Tatiana. Pequenos amores. José Roberto Torero se transforma num 
requintado voyeur. In: Isto é Gente. Disponível em: 
http://www.terra.com.br/istoegente/202/diversao_arte/livros_pequenos_amores.htm . 
Acesso em: 23 nov. 2015. 
 
60 
 
Tatiana Engelbrecht resenha, para a revista Isto é Gente, em 2004, o volume Pequenos 
amores, de José Roberto Torero, em que lê os contos de um “autêntico voyeur”, com 
“delicadas tramas” representadas em torno de vidas vividas face a face, numa pequena 
cidade. 
 
SANTOS, Mary Ellen Farias dos. Entrevista com José Roberto Torero escritor. 
Disponível em: http://www.resenhando.com/2005/06/entrevista-com-jose-roberto-
torero.html. Acesso em: 27 nov. 2015. 
 
José Roberto Torero concede entrevista a Mary Ellen Faria dos Santos, do Portal 
Resenhando.com, em junho de 2015. O escritor declara-se favorável aos prêmios 
literários, tendo a literatura como diversão e trabalho. Indica também seus escritores 
favoritos, pelos quais se considera influenciado: Machado de Assis, Guimarães Rosa, 
Veríssimo, Millôr e Saramago. 
 
 
 
NOLL, João Gilberto. Mínimos, múltiplos, comuns. São Paulo: Francis, 2003. 478 p. 
 
 
Resumo dos contos 
 
Gênese 
O nada 
Personagens que se encontram imersos em pensamentos vagos em situações simples do 
cotidiano. Durante afazeres do dia a dia, essas personagens procuram algo, buscam um 
sentido. Personagens que podem ser qualquer um, podem ser qualquer homem, como se 
a identidade dessas personagens não importasse. No conto Ele, um homem caminha a 
procura do que ainda não sabe dizer. No conto Na correnteza, não importa se o narrador 
que avista o homem na porta da lotérica será seu guia, cúmplice ou matador, pois em 
poucos instantes esse narrador será ninguém, um homem qualquer frente a um 
cruzamento. Podemos perceber que as personagens estão imersas em pensamentos, 
estãolonge e até mesmo à margem da sociedade como o homem presente em Zé na 
margem. 
61 
 
 
O verbo 
As personagens que não conseguem se comunicar, não têm o controle das palavras e da 
mensagem. No conto Fosso do som, um indivíduo está muito ansioso para falar, mas, 
ao chegar a seu destino e encontrar uma voz que não é sua, acaba por se calar. Já no 
conto Língua um homem tem sua voz ilegível, não consegue mais transmitir suas ideias, 
pois faz confusão com as palavras das várias línguas que conhece. As personagens não 
têm o domínio da palavra, não sabem de onde elas viriam se precisassem fazer um 
discurso, como em Voragem. Palavras que vão perdendo a transparência para a 
personagem com em “Beijo na seda”. Personagens que não transmitem seus 
pensamentos, preceitos, apenas emitem nomes como nos contos Ana e Passeio de 
domingo. Sujeito que soletra nomes pelo simples fato de ter a boca ocupada com 
alguma coisa que não se ancorada num sentido com em Orla. 
 
Fusões e Metamorfoses 
As personagens fundem-se a elementos da natureza, que se metamorfoseiam, 
desaparecem subitamente e se camuflam em meio a um cenário. No conto Quieta 
Duração, a personagem funde-se à natureza: “de si como que desciam filamentos ao 
encontro do capim, da terra”. Em Sarça Ardente, a personagem, ao entrar em contato 
com o feno de um estábulo, metamorfoseia-se em um homem novo, diferente do que 
era. Em Estátuas, a personagem transforma-se em estátua ao ser tocada por um 
desconhecido. Em Cinemascope, o homem se camufla e passa a compor a paisagem da 
praia, passa a ser uma trêmula pincelada submersa na paisagem. 
 
A Desmemória 
As personagens se esquecem das coisas, do que deve ser feito, de nomes e promessas. 
Como o próprio nome do capítulo: possuem desmemória. Há personagens que não 
reconhecem seus sentimentos, seu ofício, sua própria imagem refletida no espelho. 
Personagens perdidos, sem direção, que são uma incógnita até para si mesmos. 
 
Os Elementos 
Água 
Enredos relacionados aos quatro elementos da natureza. Primeiramente, os contos 
envolvem o elemento água. Personagens que matam sua sede com um copo d’água 
62 
 
como no conto Água, outros que se perdem em pensamentos embalados pelas margens 
dos rios, sangue que se dilui nas águas como em Sangue de Guaíba. Personagens que 
imaginam estar em uma gruta ouvindo os pingos d’água, quando na verdade estão 
sentados em um boteco como em A Gruta; personagens que mergulham em rios 
deixando para trás os impasses da vida como em Caroço Do Ermo. 
 
Ar 
O elemento ar aparece de forma mais sutil nos contos Natureza, em que a personagem 
sente uma marola de ar, e Colono, em que um homem sorri para o ar. O ar aparece 
também como manifestação de algo maior no conto Porto: “ventava, como se existisse 
uma conjunção de forças, maior”. Há também a presença do Minuano: corrente de ar 
frio e forte que sopra no Rio Grande do Sul e também o ar em forma de neblina que 
veda a paisagem em Leve Seio. 
 
Fogo 
O elemento fogo aparece nos contos na forma de chamas que incendeiam o terreno e o 
matagal como nos contos Resíduos e Primavera. O fogo se faz presente nas lembranças 
de infância de um sujeito que recorda seu primeiro cigarro tragado no conto Ardo. 
Aparece na figura da mulher que se sente em chamas ao abraçar o pescoço do pangaré 
que se incendeia em Bucólicas e aparece também na figura do sol e do calor de um dia 
quente. 
 
Terra 
O elemento terra aparece em forma de covas nos contos. Buracos que são abertos na 
terra. Em Resíduo Insone, temos uma personagem que abre um buraco no chão com as 
próprias mãos com o desejo de enterrar sua vergonha e fugir das intempéries da vida. A 
terra também aparece em terrenos: terreno pedregoso, aparentemente sem dono, 
cobiçado por um homem como em Folguedos, ou um terreno que é capinado por um 
sujeito desconhecido e até mesmo sem nome como em Silvestre. Para a construção do 
tema terra, aparece a figura das formigas e do formigueiro, como no conto Gleba. 
 
As Criaturas 
O corpo 
63 
 
Personagens com corpos diferentes do normal. Pessoas gigantes que não se adaptam ao 
mundo, pessoas que tiveram sua genética modificada. Os enredos dos contos envolvem 
mãos com cicatrizes, bocas que dão beijos, línguas que foram cortadas, íris que aparenta 
uma cápsula de cristal. 
 
Os despidos 
As personagens estão nuas. Um homem se despe e, em seguida, morre, no conto Sulino. 
No conto A Letra Nua, um homem vê pela primeira vez uma mulher nua e isso faz com 
que ele, tempos depois, abandone o seminário. Em outros contos, pessoas tiram a roupa 
por raiva, se despem frente ao outro e ficam a contemplar-se como em Despidos. 
 
Os amantes 
Relações entre os amantes. No conto, Coríntios uma amante se depara com um homem 
morto em uma cama qualquer de hotel. Há amantes que se amam em uma cabine em 
Capela e uma mulher que guardou em segredo seu amor por uma colega de faculdade 
no conto Elas. 
 
Os casamentos 
Histórias que envolvem casamentos e separações. No conto Cetim, a falta de memória 
separa uma noiva de seu amado. Já em Resguardo e Trinados do Viúvo, a morte separa 
os amantes. Contos que descrevem como algumas pessoas conheceram seus cônjuges 
como em Naquele dia e Chileno. 
 
A Família 
Enredos que envolvem membros de uma família. Contos em que as relações entre pais e 
filhos são contadas a partir do ponto de vista dos filhos. Pais distantes, pais presentes, 
pais desconhecidos. Contos que mostram a relação entre mães e filhos. Filhos 
desaparecidos, filhos que retornam à casa da mãe, filhos que não foram e não serão 
gerados. 
 
As crianças 
Enredos que envolvem crianças. Contos que mostram a relação entre crianças e adultos 
com em Berço e Trapaça. As crianças são apresentadas, na maioria das vezes, de forma 
64 
 
ingênua, sempre assistidas por um adulto. Contos em que o enredo se volta para a 
relação entre as próprias crianças como em Chuí. 
 
Os Animais 
Presenças de alguns animais. Cachorros, gatos e passarinho que fazem parte do enredo 
dos contos. 
 
Os Andarilhos 
Contos que retratam personagens que se retiraram de um lugar e agora estão de volta, se 
adaptando novamente a um ambiente que um dia foi deixado, como em Retirante 
Submerso. Personagens que estão se preparando para uma partida, outros que correm e 
que, ao final dessa corrida, desaparecem ou morrem. 
 
Os Excluídos 
Personagens sem-terra, sem lar, sem rumo, sem esperança, que passam por dificuldades 
para viver, e as aceitam. 
 
Os Revoltosos 
Personagens fazem protestos contra a fome por meio da música, como em Faminto. 
Personagens que são golpeados e outros que dão golpes. Em Golpe no Bar, uma 
personagem encontra seu amigo morto no chão de um bar; e, em Luta Armada, faz um 
corte no próprio rosto deixando as roupas de cama empapadas de sangue. 
 
Os Gladiadores 
Personagens que se colocam em duelo, possuídas pela raiva. Levam tiros, disparam 
tiros, como em Cidade Baixa e A Dança. Personagens que ferem, são feridas; que 
vencem e são vencidas. 
 
Os Acusados 
Personagens que são réus sem saberem muito bem por qual motivo estão sendo julgados 
como em A Letra Roubada e Cega Servidão. Depoimentos e condenações. 
 
Os Fugitivos 
65 
 
Personagens foragidas e outras capturadas. Alguns fogem pela mata, outros se 
escondem no banheiro e outro que não sabe bem ao certo o motivo de ser procurado. 
Em A Captura, temos uma personagem que está fugindo da própria imagem, mas que, 
ao tropeçar e se deparar com seu reflexo em uma poça suja, acaba capturando-se. 
 
Os Feridos 
Personagens feridas e com sequelas. Pessoas que são feridas com espinhos, cacos de 
vidro. Outras que ferem a si mesmo batendo a cabeça no muro como em Samaritano, e 
outras que, mesmo feridas, não procuram por ajuda, com em Fim de Noite. 
 
Os Convalescentes 
Personagens visitam pessoas, amigos e suas amadas doentes noshospitais. Personagens 
são internadas em hospitais para se curarem de algum mal súbito. Em “Larva 
Tropical”, uma personagem esconde suas dores, finge que elas não existem, não 
procura ajuda alguma. Há pessoas que aceitam e se acostumam com suas dores como se 
elas já fossem algo normal em suas vidas. Em Campos de Algodão, uma personagem 
não se preocupa com sua doença, como se essa enfermidade não pudesse gerar 
consequências. 
 
Os artistas 
Vários artistas: músicos não possuem certezas quanto a seu futuro de musicista com em 
Porto Alegre e Seresteiros; poetas recitam poemas para crianças e, muitas vezes, fazem 
o papel de mãe, cuidando dos pequenos com em Nata; pessoas apresentam-se em 
palcos, dançam, tocam e outras são contempladas com uma estátua ou com a exposição 
de suas obras. 
 
O Mundo 
Geografia 
Pessoas viajam para diferentes partes do mundo. Há personagens que vão para 
Califórnia, encontram-se um pouco perdidas nesse ambiente novo. Em Bodas no 
Quintal, uma personagem não consegue se comunicar com outras pessoas que não 
falam sua língua. Há enredos que se desenrolam em lugares conhecidos do Rio Grande 
do Sul, como na Praça da Alfândega em Porto Alegre, na Avenida Farrapos e Cristóvão 
66 
 
Colombo. Em outros contos, as histórias se passam no Rio de Janeiro, em Santa 
Catarina, em Brasília e no Mato Grosso. 
 
Os Horizontes 
Personagens miram algo através da janela. Miram pessoas, paisagens e o nada. 
Personagens miram pessoas do outro lado da margem e outros se recordam de sua 
infância como em Quintal Agreste. 
 
As plantas 
Figuras como folhas, pétalas e rosas compõem o tema planta. Uma personagem é 
botânica nas horas vagas como em A Planta da Vergonha, outra recebe a visita de uma 
vendedora de flores em Recreios. 
 
Os Reflexos 
Personagens observam seus reflexos no espelho. Em Sonos e Carícias, a personagem 
dorme criança e acorda mulher, vai até o espelho e vê o reflexo de uma mulher. 
Personagens estão prestes a tirar uma foto, sem saber muito bem o motivo, e outras que 
carregam fotos: foto da filha, foto de si própria. 
 
O Sistema 
As personagens se encontram em restaurantes, cafés, bares e, ao se retirarem desses 
locais, não sabem ao certo o que fazer ou para onde ir. 
 
O Retorno 
Os Mortos 
Contos narram a morte e o enterro de personagens. Colegas que morrem por um mal 
súbito, como em Emergências. Em Relento, por exemplo, temos uma personagem que 
entra em uma sala e encontra um cadáver na mesa de aço. Ao descobrir o corpo, a 
personagem percebe que se trata de um amigo mendigo que lhe perguntava as horas 
todas as manhãs. 
 
Os Deuses 
Alguns contos se passam dentro da igreja. Em A Filha do Pai, um homem entra na 
igreja e vê uma criança que ele não sabe muito bem se é sua verdadeira filha, mesmo 
67 
 
assim, ele chama a garotinha e pede para que ela venha abraçá-lo antes que ele volte 
para o cárcere. Há também personagens que se colocam em oração com em Nave e O 
Sono Flagelado. 
 
Breve comentário sobre a obra 
Na obra Mínimos, Múltiplos, Comuns, há muitas personagens que não possuem 
identidades, nomes. A maioria dos contos não tem um final bem definido. Há muitos 
finais inconclusos, em que o autor deixa o desfecho dos contos para o leitor. O autor 
também trabalha com o fluxo de consciência das personagens. Utiliza-se de fatos 
simples do dia a dia para mostrar os devaneios e pensamentos vagos de suas 
personagens. João Gilberto Noll trabalha também nessa obra as diferentes relações entre 
as personagens. A relação entre pais e filhos, entre amigos, entre amantes, entre pessoas 
conhecidas e desconhecidas. Há também a relação entre natureza e homem. Em alguns 
contos, o homem se funde à natureza, em outros a natureza se faz presente na forma de 
calor, de frio, de belas paisagens. Os contos trazem também a forte presença de 
personagens que estão procurando algo ou fugindo de algo. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
BAZILIO FARIAS, Fabiana. A nervura luminosa do instante: o instante como 
performance literária na obra de João Gilberto Noll. 
(http://www.bdtd.uerj.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=3076) 
 
A autora analisa a relação entre a escrita do artista e o tempo na figura dos instantes 
ficcionais, observando a questão do microrrelato e da exigência fragmentária. 
 
BRASIL, UBIRATAN. “Os instantes ficcionais de João Gilberto Noll”. In: Jornal 
Estado de São Paulo. 27 jul. 2013. Disponível em: 
www.joaogilbertonoll.com.br/entrevistas.html. Acesso em: 18 out. 2015. 
 
Ubiratan Brasil entrevistou João Gilberto Noll, para O Estado, em 27/07/2013, 
momento em que conversaram sobre Mínimos, múltiplos, comuns. Para o jornalista, 
trata-se de um volume de narrativas minimalistas. Para o ficcionista, suas pequenas 
narrativas são “romances inteiros”, dramas que envolvem, de um ponto de vista 
68 
 
existencialista, personagens isoladas, sozinhas, ansiosas, dementes. No final da 
entrevista, João Gilberto Noll colocou-se como um autor que não se volta para o vivido, 
para a narração do vivido. 
 
CASTELLO, José. A máscara arrancada. No Mínimo. 21 ag. 2004. Entrevista 
concedida a José Castello. Disponível em: <http://www.joaogilbertonoll.com.br>. 
Acesso em: 23 out. 2015. 
 
José Castello, em 21/08/2004, entrevistou João Gilberto Noll. A entrevista encontra-
seno site do ficcionista, sem anúncio da fonte. Para o autor, seu livro trabalha com uma 
“fragmentação vertical” do texto, na constituição de “infra-sentimentos”, resultados, 
segundo ele, do exercício para uma nova trama, uma nova novelística, por meio do 
“drama da expressão”. 
 
JOÃO GILBERTO NOLL implanta haicai ficcional da Criação. In: Folha de S. Paulo. 
13 dez. 2013. Disponível em: 
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1312200315.htm. Acesso em: 04 nov. 
2015. 
 
MARCELO PEN, na Ilustrada de 13/12/3003, comenta o lançamento de Mínimos, 
múltiplos, comuns, volume de pequenos contos de João Gilberto Noll. Para o crítico, são 
338 narrativas precisas dos arcabouços aos desenlaces. Lembra também que foram 
escritas para uma coluna da Folha, Relâmpagos, entre 1998 e 2001. 
 
MARCHEZAN, Luiz Gonzaga. O hipotexto de Noll. In: Revista Brasileira de 
Literatura Comparada. Rio de Janeiro: ABRALIC, n. 9, p. 229-242, 2006. Disponível 
em: http://www.abralic.org.br/downloads/revistas/1415540738.pdf. Acesso em: 18 out. 
2015. 
 
Luiz Gonzaga Marchezan traz, na revista da ABRALIC, de 2006, um ensaio que analisa 
o hipotexto “Bispo da madrugada”, do livro Mínimos, múltiplos, comuns. Destaca a 
situação do estranho, sustentado pela macrofigura do corpo, metáfora que ancora a 
grande maioria dos contos ultracurtos de Noll. 
 
69 
 
MATOS, Ricardo de. Mínimos, múltiplos, comuns, de João Gilberto Noll. In: Digestivo 
Cultural. Disponível em: 
http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1391&titulo=Minimos,
_Multiplos,_Comuns,_de_Joao_Gilberto_Noll. Acesso em: 18 out. 2015. 
 
Ricardo Mattos comenta, para a revista Digestivo Cultural, de 01/07/2004, o volume de 
João Gilberto Noll: Mínimos, múltiplos, comuns. Aceita o ponto de vista do autor sobre 
a obra: trata-se de “instantes ficcionais”, prosa poética. E comenta: “são mínimos na 
expressão do tempo, múltiplos pois corriqueiros – salvo exceções – e comuns, tão 
comuns que podemos vivenciá-los imperceptivelmente. Recomendo a leitura vagarosa, 
pausada e atenta, não o pantagruelismo que cometi”. 
 
NEUBERN, Fabiula. A arquitetura da criação: um estudo de Mínimos, múltiplos, 
comuns, de João Gilberto Noll 
(http://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/91516/neubern_f_me_arafcl.pdf?seq
uence=1&isAllowed=y) 
 
A autora mostra formas de entender a estrutura do livro, levando em consideração os 
aspectos editorias e autorais. Além disso, a autora analisa três microcontos de Noll que 
não foram inseridos no livro, permitindo assim uma reflexão sobre a autoria.PAIOL LITERÁRIO. João Gilberto Noll. In: Jornal Rascunho. Disponível em: 
http://rascunho.com.br/joao-gilberto-noll/. Acesso em: 18 out. 2015. 
 
José Castello entrevista João Gilberto Noll, para a sessão Paiol Literário, do Jornal 
Rascunho de 17/11/2009. A entrevista trata da poética da prosa do autor e também da 
produção do seu livro: Mínimo, múltiplos, comuns. Noll explica como concebe suas 
personagens, o erotismo que as incorpora, e a maneira como encontra uma voz solitária 
para seus protagonistas. 
 
PASSOS, Leandro. Cliques poéticos de instantes ficcionais: a elipse e o fora de campo 
fotográfico em Mínimos, múltiplos, comuns de João Gilberto Noll. 
(http://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/106328/passos_l_dr_sjrp.pdf?seque
nce=1&isAllowed=y) 
70 
 
 
O autor analisa a hipótese de que alguns microcontos do livro possuem correspondência 
com procedimentos da linguagem fotográfica. O autor discute as similaridades entre a 
fotografia e o microconto no que diz respeito à organização das formas que os 
constituem. 
 
PIZA, Daniel. O escritor da dissolução. In: Revista BRAVO!, Setembro/2004, p.115. 
 
Daniel Piza, em resenha do livro Lord para a Revista BRAVO!, comenta o livro de 
microcontos Mínimos, múltiplos, comuns, de João Gilberto Noll, que reúne “instantes 
ficcionais” publicados ao longo de três anos e meio na Folha de S. Paulo. Em todos os 
contos, para o crítico, há a sensação de espanto, de um indivíduo envolvido em uma 
situação peculiar, estranha. 
 
SILVA SOBREIRA, Ricardo. Escritas indeterminadas e sujeitos fragmentários em 
contos pós-modernos de João Gilberto Noll e Sam Shepard 
(http://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/106329/sobreira_rs_dr_sjrp.pdf?seq
uence=1&isAllowed=y) 
 
O autor desenvolve a ideia da fragmentação e da indeterminação em Mínimos, múltiplos 
comuns. Segundo o autor, o livro pode causar tédio ao leitor devido ao seu limite 
reduzido, há poucas personagens, situações pouco desenvolvidas em termos de ação 
narrada. 
 
SOBREIRA, Ricardo da Silva. O caráter provisório do sujeito na ficção de João 
Gilberto Noll. In: Revista Letras. Curitiba, n. 72, MAIO/AGO. 2007, p. 63-77. 
Disponível em: ojs.c3sl.ufpr.br/ojs/index.php/letras/article/view/6305/10501. Acesso 
em: 14 dez. 2015. 
 
Ricardo da Silva Sobreira, em ensaio, centrado no livro Mínimo, múltiplos, comuns, de 
João Gilberto Noll, reflete acerca do tema da identidade, representado pelas 
personagens dos contos, para o ensaísta, sempre indefinidas e, por isso, retratando 
“representações imaginárias do sujeito pós-moderno”. 
 
71 
 
 
Vencedores de 2005 
 
 
HENRIQUES BRITTO, Paulo. Paraísos artificiais. São Paulo: Companhia das Letras, 
2004. 127 p. 
 
Resumo dos contos 
 
Os paraísos artificiais 
Um diálogo entre o narrador e a personagem em torno da comparação entre sentar e 
deitar: o sentar, por muito tempo, numa cadeira permite desenvolver várias atividades, 
inclusive a de escrever; já o deitar numa cama permite apenas que se vire o corpo para a 
direita e para a esquerda. 
 
Uma doença 
Narrador-personagem encontra-se doente e preso a uma cama. Passa, inicialmente, a 
observar o seu entorno; depois, a desenhá-lo e, a seguir, a compará-lo com seu corpo 
doente. 
 
Uma visita 
Da rua, um homem pede que o outro jogue a chave da entrada do prédio para ele. 
Procuram entender-se, mas o que está no prédio parece não reconhecê-lo. 
 
Um criminoso 
Da janela do seu prédio, um voyeur observa a noite. Há uma festa no sétimo andar do 
próprio prédio e, na rua, entre os transeuntes, um bêbado. Vê que o bêbado entra no seu 
prédio pela portaria e, depois, por engano, bate em sua porta, em vez de ir ao 
apartamento da festa. 
 
O companheiro de quarto 
Alguém aceita companheiro para dividir o quarto num prédio. O segundo ocupante é 
tranquilo, organizado, e tem uma planta, tudo o que incomoda a mente tumultuada do 
primeiro. 
72 
 
 
Coisa de família 
Alguém está fora do país para estudos e conhece, superficialmente, seus vizinhos de 
apartamentos. Na ceia de Natal, é, gentilmente, convidado para uma cerimônia. Durante 
a festa, passa por um conflito que não entende, quando um convidado chega para os 
festejos e altera o comportamento dos presentes. 
 
O 921 
Um sonho em que passageiro de ônibus da linha 488 troca-o pelo 921 e se vê diante de 
um único usuário, que conhecera no ponto, o mesmo que lhe aconselhara a trocar de 
linha pelo fato de o 921 fazer o mesmo percurso do 488. Tal usuário morre no percurso. 
O 921 para numa delegacia para fazer a ocorrência. 
 
O primo 
Garoto do interior do Rio de Janeiro vai para a cidade do Rio cursar o colégio. Antes, 
instala-se numa pensão em que vive um primo seu, Reginaldo, além de duas conhecidas 
dele. O garoto sempre teve diferenças com o primo e elas aparentam que vão se agravar. 
 
Os sonetos negros 
Orientanda de pós-graduação pesquisa os índices da escrita feminista na poesia de 
Matilde Fortes, residente em São Dimas, quando Gastão Fortes, marido de Matilde já 
morta, acaba por lhe revelar, por meio dos originais, que a obra é de sua autoria, e 
apenas assinada pela mulher. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
BRITTO, Paulo Henriques recupera textos escritos nos anos 70. In: Folha de S. Paulo. 
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1112200413.htm. Acesso 
em: 23 out. 2015. 
 
Segundo a resenha da Folha de 11/12/2004, assinada por LFV, Paulo Henriques Britto, 
com Paraísos artificiais, recupera textos escritos nos anos 70 e reescritos, 
obsessivamente, ao longo das últimas décadas. Segundo o jornal, o autor confessa sua 
obsessão por reescrever e sua contrariedade com a “politização do fenômeno literário”. 
73 
 
 
LANDIM, Henrique Soares. O paraíso revisitado de Paulo Henriques Britto e outros 
“paraísos” 
(https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/11867/1/ParaisoRevisitadoPaulo.pdf) 
 
O autor estuda a construção dos espaços na obra Paraísos artificiais, primeiramente, em 
ambientes fechados, em que não há muita movimentação das personagens; depois, 
numa segunda parte do livro, analisa a movimentação das personagens por espaços 
amplos. Ao lado disso, o autor analisa o perfil das personagens dos contos, sua unidade. 
 
LANDIM, Henrique Soares. A cidade em Paraísos Artificiais de Paulo Henriques 
Britto. In: Anais do SILEL. Volume 2, Número 2. Uberlândia: EDUFU, 2011. 
Disponível em: http://www.ileel.ufu.br/anaisdosilel/wp-
content/uploads/2014/04/silel2011_224.pdf. Acesso em: 25 out. 2015, pp. 1-12. 
 
Henrique Soares Landim estuda em artigo para os Anais do SILEL, da UFU de 
Uberlândia, as linhas de força do conto brasileiro contemporâneo; entre eles, Paulo 
Henriques Britto, para o ensaísta, um autor que trabalha nos seus contos o insólito, com 
desfechos tragicômicos, em que suas personagens se deparam com situações que mal 
compreendem. 
 
PEN, Marcelo. Personagens-refletores revelam e omitem realidade. In: Folha de S. 
Paulo. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1112200414.htm. 
Acesso em: 23 out. 2015. 
 
Marcelo Pen comenta para a Folha, em 11/12/2004, os contos de Paraísos artificiais, 
livro de Paulo Henriques Britto e, de maneira bem cuidada, a presença de personagens-
refletores, nas tramas das narrativas. 
 
SOUZA, Laura de Assis. Experiência, inércia e metaliteratura em Paulo Henriques 
Britto. In: Estação Literária. Volume 9, p. 168-180, jun. 2012, pp. 168-180. Disponível 
em: http://www.uel.br/pos/letras/EL/vagao/EL9Art12.pdf. Acesso em: 25 out. 2015. 
 
74 
 
Laura de Assis Souza, em ensaio para a revista Estação Literária, da UFJF, de 2012, 
depreende dos contos de Paraísos artificiais, o que classifica como “a temática do 
esvaziamento da experiência na contemporaneidade”. 
 
VIANA, Antonio Carlos. Conto brasileiro hoje. In: Interdisciplinar. Ano 5,v.10,jan-jun 
de 2010, p.271-282. Disponívelem: 
http://200.17.141.110/periodicos/interdisciplinar/revistas/ARQ_INTER_11/INTER11_2
3.pdf. Acesso em: 25 out. 2015. 
 
Antonio Carlos Viana, em artigo na revista Interdisciplinar, de 2010, analisa, a partir do 
temário do conto brasileiro contemporâneo, a narrativa breve de Paulo Henriques Britto 
e dela destaca seu desenlace que, invariavelmente, opta pelo insólito. 
 
 
 
TELLES RIBEIRO, Edgard. Histórias mirabolantes de amores clandestinos. Rio de 
Janeiro/São Paulo: Editora Record, 2004. 143 
 
Resumo dos contos 
 
Horário nobre 
Mulher casada tem amantes seriados; quando traída, mata-os à faca. Relata a morte de 
seu último amante, que conheceu em velório do amante anterior, morto também por sua 
faca. 
 
The Man I Love 
Pianista e depois, diplomata; enquanto era pianista, conhece uma mulher egípcia de alta 
estirpe. Visita-a no Copacabana Palace e, na sala de música, diante do piano, ela revela-
se homossexual. 
 
Getúlio 
Getúlio é um sujeito que, por amor, torna-se agregado de uma família carioca abastada. 
Cultiva uma paixão secreta pela patroa e é correspondido; o que é descoberto pelo filho, 
no dia do enterro do pai. 
75 
 
 
Flor ou doença 
Casal viaja de trem, pela Magnólia, em meio a uma tempestade de areia. Uma 
desavença faz a mulher, intempestivamente, saltar do trem em lugar ignorado. Passa a 
noite no lugarejo, num velório, confundida como pessoa da família, e pela manhã, na 
estação, é encontrada pelo marido, ainda durante a tempestade de areia. 
 
O mar 
Embaixador de Quito é convidado para um casamento em povoado equatoriano distante 
da capital. Dias depois, sua esposa descobre no bolso de seu paletó uma carta 
comprometedora. Uma vez no casório, durante terremoto, assiste, em plena rua sacudida 
por abalos, o noivo agredindo a noiva diante de carta comprometedora que lera de um 
homem apaixonado por ela. Ela é agredida e acaba por pernoitar no quarto do 
embaixador, na noite de suas núpcias. 
 
Aurora 
Diplomata deixa posto na Guatemala em momento de conflitos políticos com guerrilha. 
Na ocasião, num clube de tênis, fez amigos ligados ao meio militar. Um dos amigos, o 
mais novo, é assassinado. Um outro amigo suspeita dele e, 20 anos mais tarde, mesmo 
diante do veredicto de que o assassinato fora passional, continua a suspeitar dele. 
 
A hora e o tempo 
Homem de meia-idade, músico, funcionário exemplar, examina sua vida, momento em 
que é atropelado e sua mobilidade complica-se, seguida de um derrame. 
 
O presente 
Senhora de 86 anos, mulher de desembargador, moradora do Leme, Botafogo, ganha 
cavalo de raça e não se preocupa, em nenhum momento, em pensar onde irá criá-lo; 
muito menos seu filho, que fora amante de cavalos, quando menino. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
BENTANCUR, Paulo. [Resenha] Um jeito machadiano de falar de amor. In: Revista 
Bestiario. Disponível em: 
76 
 
<http://www.bestiario.com.br/8_arquivos/Um%20jeito%20machadiano.html>. Acesso 
em: 03 nov. 2016 
 
Paulo Bentancur discorre acerca do modo como Edgar Telles consegue situar o leitor na 
pele das personagens. Em Histórias mirabolantes de amores clandestinos, o crítico 
ressalta a presença da experiência do desencontro entre o carnal e a alma, que tende 
sempre a um lado sombrio. Há, para o crítico, amores que se encontram e que se 
entregam, amor e perda, simultaneamente. Nos contos, os amores penam por se fazer 
visíveis, como diz Bentancur. 
 
Entrevista - Histórias mirabolantes de amores clandestinos. Disponível em: 
http://www.record.com.br/autor_entrevista.asp?id_autor=148&id_entrevista=202. 
Acesso em: 22 out. 2015. 
 
Edgard Telles Ribeiro, em entrevista de 24/11/2010, ao site do Grupo Editorial Record, 
diz trabalhar muito seus contos; neles, o desfecho inesperado das narrativas acontece 
pelos meandros dos mistérios das paixões, sempre mirabolantes. Afirma, por isso, que a 
dúvida domina suas histórias. 
 
 
 
MOSCOVICH, Cíntia. Arquitetura do arco-íris. Rio de Janeiro/São Paulo: Editora 
Record, 2004. 171 p. 
 
Resumo dos contos 
 
Parte I 
Dispersão da luz: arco-celeste 
O telhado e o violinista 
Mulher conta experiências concomitantes da infância: uma desavença com uma amiga, 
a maneira como salvou da panela uma galinha. E, por fim, o último incidente: a amiga 
que lhe ofendera mata o pinto da galinha. 
 
Cartografia 
77 
 
Mulher sofre a morte do pai, a viuvez da mãe e sua solidão, mesmo tentando morar fora 
da casa materna e cursar mestrado em literatura. Nada consegue: deixa seu apartamento, 
o mestrado e volta a morar com a mãe. 
 
Fantasia-improviso 
Mulher apaixona-se por um cego e pela vida a partir do momento em que o encontra, 
certa noite, a tocar piano numa recepção. 
 
O tempo e a memória 
Jovem jornalista, ao entrevistar um professor e tradutor, aproxima-se mais do universo 
da literatura, das palavras, de Jorge Luís Borges e da masculinidade, sensualidade de um 
homem maduro. 
 
Um oco e um vazio 
Mulher envolve-se com um homem e explora tal aproximação, sua sensualidade e seu 
descompromisso afetivo. 
 
Parte 2 
Espectro solar: o arco-de-Deus 
A queda do arco-íris 
Jovem aluna aproxima-se de professor na faculdade e, ao seu lado, descobre a 
sensualidade do amor e seu valor na vida e na memória. 
 
O escândalo das estrelas na noite 
Mulher é bibliotecária numa escola de ensino médio. Sente-se sozinha dentro de sua 
casa, mas entusiasma-se e rejuvenesce com a vinda de um novo professor de literatura 
para a escola. Até saber que é casado. 
 
Os laços e os nós, os brancos e os azuis 
Marido e mulher vivem com a mãe da mulher, que, por sua vez, vive ora com uma filha, 
ora com outra. Com diferenças antigas, mãe e filha reconciliam-se. 
 
O arco-íris à meia-noite 
78 
 
Mulher madura depara-se com o triste diagnóstico acerca da sua demência; diante disso, 
exercita sua mente, embora não a controle. Assim, entre aflita e conformada, tem morte 
súbita no curso de um delírio em que ora a Deus. 
 
Bonita como a lua 
Autora vê-se menina como alguém já criativa, elogiada pelo pai, no entanto, crítico de 
sua opção pelas Letras. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
ANDREATTA, Elaine Pereira. Memória, influência e superação na prosa de Cíntia 
Moscovich (http://tede.ufam.edu.br/bitstream/tede/2379/1/elaine.pdf) 
 
A autora analisa alguns contos de Arquitetura do Arco-íris interpretando as tensões 
existentes entre a memória e o esquecimento. Além disso, a autora trabalha temas que 
são comuns entre Cíntia e Clarice Lispector como a família, a purificação alimentar e os 
animais. 
 
FISCHER, Luis Augusto. [Resenha] Com as cores da memória. In: Zero Hora. Porto 
Alegre, 30 set. 2004. Disponível em: 
http://www.cintiamoscovich.com/site/artigo.php?id=7. Acesso em: 19 out. 2015. 
 
Luis Augusto Fisher resenha, para o Zero Hora, o livro de contos de Cíntia Moscovich: 
Arquitetura do arco-íris. Para ele, são contos em que o aspecto rememorativo se assenta 
com perfeição no modo de resolver a vida. 
 
RIBEIRO, Ana Elisa. [Resenha] Arquitetura e harmonia. In: Digestivo Cultural, 9 mar. 
2005. Disponível em: 
http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1560&titulo=Arquitetu
ra_e_harmonia. Acesso em: 14 dez. 2015. 
 
Ana Elisa Ribeiro comenta, para o Digestivo Cultural, comenta a arquitetura das 
palavras que sustentam os contos de Cíntia Moscovich em Arquitetura do arco-íris. 
Tais palavras, para a resenhista, aparentemente expressando banalidades, criam 
79 
 
situações carregadas de afetos, em textos bem conduzidos, inclusive, com 
intertextualidades frequentes. 
 
SANTOS, Salete Rosa Pezzi. Autoria feminina, memória e subjetividade: relac ões 
possíveis. In: Antares: Letras e Humanidades. v. 6, n°11, jan-jun 2014, p. 109- 121. 
Disponível em: 
http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/antares/article/viewFile/2849/1664. Acesso 
em: 19 out. 2015. 
 
Salete Rosa PezziSantos, em ensaio, destaca, nos dez contos de Arquitetura do arco-
íris, a presença da figura da mulher, como centro de vivências em processos histórico-
culturais, narrados com grande intensidade. 
 
 
Vencedores de 2006 
 
 
FREIRE, Marcelino. Contos negreiros. Rio de Janeiro/São Paulo: Editora Record, 
2014.109 p. 
 
Resumo dos contos 
 
16 cantos 
I. Trabalhadores do Brasil 
O conto provoca, a partir da Bahia, uma reflexão acerca da condição do trabalho negro. 
 
II. Solar dos príncipes 
Equipe tenta, de forma improvisada, amadora como é, filmar o cotidiano de um prédio 
de classe média, e enfrenta a resistência do porteiro. 
 
III. Esquece 
Personagem reflete sobre a vida, do ponto de vista de uma minoria, subjugada pelo 
poder econômico. 
 
80 
 
IV. Alemães vão à guerra 
Personagem, com um sotaque estereotipado, representa um alemão que, ao lado de 
parceiro e câmera na mão, realiza free lance nas ruas. 
 
V. Vaniclélia 
Personagem feminina negra prostitui-se com estrangeiras e, contra sua vontade, com a 
polícia da cidade. 
 
VI. Linha do tiro 
Um diálogo simula assalto no interior de um ônibus, mas o assaltado não entende a 
ordem do assaltante. 
 
VII. Nação Zumbi 
Personagem discorre sobre os prós e contras da doação de seus órgãos, o dinheiro que 
ganharia doando-os, e os tratos normais com sua saúde que, como brasileira, não tem. 
 
VIII. Coração 
Personagem canta sua paixão entre homossexuais e a dificuldade dessas relações, suas 
irregularidades, suas estranhezas. 
 
IX. Caderno de turismo 
Personagem conta o desassossego de alguém diante da vontade de viajar pelo mundo, 
sem ter condições para isso. 
 
X. Nossa rainha 
Filha de mãe pobre do morro sonha em ser a Xuxa e implora à mãe para ver os filmes 
da apresentadora. 
 
XI. Totonha 
Totonha, cozinheira do Vale do Jequitinhonha, canta sua condição e a do povo do Vale, 
sua língua e cultura. 
 
XII. Polícia e ladrão 
81 
 
Policial e marginal, amigos, encontram-se e duelam, ao mesmo tempo em que o policial 
se lembra da infância e meninice que passaram juntos no mesmo lugar. 
 
XIII. Meus amigos coloridos 
Personagem lembra suas amizades de infância, de juventude, suas primeiras paixões 
homossexuais e, por último, sua paixão decisiva. 
 
XIV. Curso superior 
Rapaz reflete, com sua mãe, sobre seus estudos, trabalho e talvez, paixão ... e seu 
destino. 
 
XV. Meu negro de estimação 
Uma reflexão sobre uma paixão homossexual entre dois homens, a partir de um parceiro 
que observa a trajetória interior do seu companheiro. 
 
XVI. Yamami 
Personagem estrangeira relembra passagem pelo Brasil e paixão vertiginosa por uma 
menina indígena. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
BALDAN, Maria de Lourdes Ortiz Gandini. A escrita dramática da marginalidade em 
Marcelino Freire. In: Ipotesi, Juiz de Fora, v.15, n.2 - Especial, p. 71-80, jul./dez. 2011, 
pp. 71-80. Disponível em: http://www.ufjf.br/revistaipotesi/files/2011/05/10-A-
escrita.pdf. Acesso em: 25 out. 2015. 
 
O trabalho de Maria de Lourdes Ortiz Gandini Baldan, na revista Ipotesi, de 2011, 
volta-se para a análise da expressão do texto Contos negreiros, de Marcelino Freire, 
calcada na oralidade urbana. 
 
BRAS, Luiz. Top 15: os novos clássicos da cultura. In: Jornal Rascunho. Disponível 
em: <http://rascunho.com.br/top-15-os-novos-classicos-da-cultura/>. Acesso em: 03 
nov. 2016. 
 
82 
 
Luiz Bras considera Contos Negreiros uma das melhores coletâneas de contos da 
década passada. A irreverência política incorreta dá a força expressiva da obra, o que 
segundo Bras é um ótimo antídoto contra a hipocrisia social. 
 
CORONEL, Luciana Paiva. Vozes dissonantes das quebradas nos Contos Negreiros, de 
Marcelino Freire. In: Brasiliana. Journal for Brazilian Studies. Vol. 3, n.1, Jul. 2014, p. 
162-183. Disponível em: 
http://ojs.statsbiblioteket.dk/index.php/bras/article/download/16768/15494. Acesso em: 
25 out. 2015. 
 
Luciana Paiva Coronel, em Brasiliana, de 2014, comenta o livro de Marcelino Freire, 
Contos negreiros, e a forma como seus cantos/contos exprimem antigas diferenças 
sociais entre negros e brancos, por meio de vozes que demarcam a exclusão do negro da 
sociedade brasileira. 
 
LIMA, Francesco Jordani Rodrigues de. Cantos e cantares em Contos negreiros, de 
Marcelino Freire. In: Via Atlantica n.12, dez/2007, pp. 157-166. Disponível em: 
http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/50089/54208. Acesso em: 25 out. 
2015. 
 
Francesco Jordani Rodrigues de Lima, na revista Via Atlântica, de 2007, destaca de 
Contos negreiros, de Marcelino Freire, a violência do discurso marginal presente no 
texto, que denuncia as injustiças sociais e a exclusão do negro brasileiro da vida social 
no país. 
 
 
 
SANTIAGO, Silviano. Histórias mal contadas. Rio de Janeiro: Rocco, 2005. 195 p. 
 
 
Resumo dos contos 
 
5 Histórias mal contadas ... 
O envelope azul 
83 
 
História mal contada que envolve um jovem brasileiro e uma rica norte-americana 
residente em Paris. Eles se aproximam e, depois de anos juntos, o jovem é convidado 
pela herdeira da marca Smith-Wesson a matá-la. 
 
Borrão 
Branco é discriminado por negros num restaurante de Forth Worth; ele espera por 
atendimento e não é atendido. Uma cicatriz, ressentimento, que traz na memória. 
 
Ed e Tom 
Na vida solitária que leva na Universidade do Novo México, professor brasileiro 
conhece o executivo Ed, que fora criado por seu pai, em Albuquerque. Tempos depois, 
o professor conhecerá Tom, cunhado de Ed e seu colega na universidade, e fica 
surpreendido ao saber da sua prisão por pedofilia. 
 
Bom dia, simpatia 
Professor brasileiro não conclui seu doutorado na França e torna-se docente de 
português na Universidade do Novo México. O conto é a recordação do narrador 
personagem, o professor, daquela trajetória. 
 
Vivo ou morto 
Imigrante em Buffalo tem a função de agitar politicamente estudantes universitários 
contra a política norte-americana do establishement. Recorda o modo como foi 
recrutado, aos 26 anos, preso e torturado. 
 
E 7 outras apropriadas 
Todas as coisas à sua vez 
Texto do autor que, na verdade, conforme nota, homenageia Graciliano Ramos, aos 50 
anos da sua morte, com um discurso que atravessa a trajetória de outros homenageados, 
como Machado, Drummond, Vinicius, mestres da palavra. 
 
Assassinato na noite de Natal 
Confissões de uma personagem, também narradora, que, às vésperas de Natal, procura, 
de um lado, fugir da solidão e, de outro, apropriar-se de certezas. 
 
84 
 
O verão e as rosas 
Filho, imóvel, pensa no pai morto, quando vê seu fantasma entrar porta adentro na sua 
casa e, sem reservas, conversa sobre a beleza, o jardim, suas rosas e sobre a morte. 
 
Uma casa no campo 
Dois amigos compartilham de uma vida comum entre Copacabana e a serra fluminense. 
Diante da morte de um deles, a vida do outro fica resumida à casa da serra, que nunca 
fora uma casa do seu gosto. 
 
Hello, dolly! 
Personagem dialoga com W. Benjamin e se vê, diante do mundo pós-moderno, dividida, 
como uma réplica de si mesmo, em muito de seus humores e atitudes. 
 
Conversei ontem à tardinha com o nosso querido Carlos 
Carta simulada do autor ao Mário de Andrade modernista, roteirista do modernismo 
paulista, então, diante do advento da poesia de Drummond. 
 
Caíram as fichas 
O conto constrói um falso dilema a partir da palestra de Mário de Andrade no Itamaraty, 
no Rio de Janeiro, nos idos de 1942, quando o escritor, que lá residia, fez uma 
conferência acerca do movimento modernista. 
 
 
Bibliografia crítica individual 
 
COZER, Raquel. Tendência de autoficção coincide com fase de superexposição de 
escritores. In: Folha de S. Paulo. Disponível em: 
http://m.folha.uol.com.br/ilustrada/2013/12/1381961-tendencia-de-autoficcao-coincide-
com-fase-de-superexposicao-de-escritores.shtml?mobile. Acesso em: 25 out.2015. 
 
Raquel Cozer, colunista da Folha comenta, em 07/12/2013, suas ótimas impressões em 
torno da ficção contemporânea e destaca o modo de fazer ficção de Silviano Santiago. 
 
85 
 
FIGUEIREDO, Vera Lucia Follain. Entre ordem e caos: narrativa equilibrista. 
Disponível em: http://www.jornaldepoesia.jor.br/veraluciafollain1.html. Acesso em: 25 
out. 2015. 
 
Vera Lúcia Follain de Figueiredo, em artigo para a Gazeta Mercantil, de 25/10/2015, 
comenta as Histórias mal contadas, de Silviano Santiago, destacando o temário dos 
contos, os deslocamentos no espaço dos narradores e o desenraizamento das 
personagens. 
 
HIDALGO, Luciana. A imposição do eu. In: Jornal Rascunho. Disponível em: 
<http://rascunho.com.br/a-imposicao-do-eu/>. Acesso em: 03 nov. 2016. 
 
Luciana Hidalgo comenta o termo autoficção, com o qual o próprio Silviano Santiago 
qualifica seu livro de contos Histórias mal contadas. É como se o termo arrematasse 
várias questões inscritas em seu projeto ficcional. 
 
MIRANDA, Wander Melo. Jogos de meias verdades. In: Folha de S. Paulo. Disponível 
em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs0805200513.htm. Acesso em: 25 out. 
2015. 
 
Wander Mello Miranda, em matéria especial para a Folha, de 08/05/2005, avalia que, 
em Histórias mal contadas, de Silviano Santiago, a ideia de “mal contada” contempla a 
perspectiva da enunciação dos contos, por meio da qual as tramas transparecem 
entrecortadas, com interditos que invadem o sentido dos desfechos das narrativas, 
também atravessadas pela autobiografia ficcional. 
 
 
 
ARAÚJO, Mário. A hora extrema. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2005. 156 p. 
 
 
Resumo dos contos 
 
A hora extrema 
86 
 
Garoto obedece rígida determinação de pai e mãe; dorme todos os dias às 21h30 e 
percebe que não conhece ainda a meia-noite, até o momento em que, de seu quarto, 
depois de várias tentativas, consegue ficar acordado até a madrugada. 
 
Faça-se a luz 
Personagem de comportamento compulsivo, perfeccionista, descumpre uma agenda 
diária, por ela mesma imposta, sente-se exaurida e, mais, abatida com sua 
incompetência. 
 
Uma manhã de sol 
Outra personagem compulsiva tem comportamento sempre previsível; diariamente, lê o 
necrológio de um jornal em que acompanha a morte de pais de amigos e amigos; passa, 
assim, a aguardar o dia da sua morte. 
 
Garçom 
Nova história com personagem compulsiva, agora, também ressentida: um garçom 
pergunta-se o motivo de ter que servir queijo no espeto, para ele, atividade depreciativa, 
enquanto outros garçons servem carnes nobres. 
 
A competição 
A lembrança de uma competição de corrida entre pai e filhos muito pequenos é relatada 
por um dos filhos, agora maduro, que se recorda de imagens do pai, da irmã e dele 
mesmo, sempre hesitante, diante de uma irmã resolvida e veloz. 
 
Felinos 
Casal vive num apartamento ao lado de um acampamento de refugiados. Gritos de 
sonâmbulos do acampamento invadem a noite dos moradores do prédio e também 
invadem os sonhos do casal. 
 
Um caso 
A união de um casal é celebrada na casa de uma tia, depois, com o tempo, ambos se 
distanciam, cada um com seus segredos. 
 
A sequência interrompida 
87 
 
Homem apaixona-se por mulher que mora distante dele. Sofre com a falta da amada, ao 
mesmo tempo que pena com o desprezo do chefe do seu setor de serviço; de última 
hora, sofre ainda com a perda de um dente. 
 
Os abandonados 
Homem é continuamente abandonado por namoradas até encontrar uma que abandona 
seu namorado para namorá-lo. Incrédulo e ciumento, mata-a. 
 
Pendor 
Consultor de poética numa empresa, certo dia, perde sua mulher para um professor de 
poesia georgiana. 
 
O que será que deu neles? 
Equipe falsa de manutenção de telefonia invade um escritório, rouba o cofre, fere 
gravemente o chefe, e despede-se da secretária recém-contratada, que nada percebe. 
 
Casquinha não era o que pensávamos 
Menino pobre torna-se craque de futebol e personagem com biografia no futebol local; 
no entanto, é muito contestado na maneira como convive com as pessoas no lugar. 
 
Quase 
Amigos traçam um plano de depositar ácido lisérgico num grande reservatório de água 
de uma dada cidade. Durante a operação, dispersam-se e são presos pela guarda. 
 
Fica nas costas 
Homem com faca fincada nas costas, durante todo o dia, faz compras diversas, volta 
para casa e dorme com a faca ainda fincada nas costas. 
 
Trampolim 
Mulher, de cima de um trampolim, celebra seu relacionamento com um homem que, no 
momento, a imagina em sua casa, no seu sofá. 
 
Os poderes mágicos 
88 
 
Jovem tem, compulsivamente, maus presságios e prevê datas para as mortes de seus 
familiares. Diante de doença do pai, teme suas previsões funestas. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
ROSSI, Gisele. Mário Araújo comemora reconhecimento com prêmio ao primeiro livro. 
In: Gazeta do Povo. Disponível em: http://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/mario-
araujo-comemora-reconhecimento-com-premio-ao-primeiro-livro-
a6235y0joobk9fopkw3n9mzpq. Acesso em: 25 out. 2015. 
 
Gisele Rossi comenta, em 19/08/2006, para a Gazeta do Povo, o livro de contos de 
Mário Araújo, A hora extrema, e destaca que, nas 16 narrativas do volume, 
indistintamente, “as imagens e pensamentos que o silêncio provoca é a temática 
principal”. 
 
RUFFATO, Luiz. Alguns apontamentos sobre a Literatura Brasileira Contemporânea. 
Disponível em: http://conexoesitaucultural.org.br/biblioteca/alguns-apontamentos-
sobre-a-literatura-brasileira-contemporanea/. Acesso em: 25 out. 2015. 
 
 Luiz Ruffato, em longo ensaio sobre as tendências da prosa contística contemporânea, 
destaca, nos contos de Maria Araújo, a maneira como as narrativas constroem, ao lado 
de intensas vivências, os silêncios que perpassam as histórias. 
 
VICTOR, Fabio. Diplomatas-escritores comentam relação entre as atividades. In: Folha 
S. Paulo. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2011/09/976257-
diplomatas-escritores-comentam-relacao-entre-as-atividades.shtml?mobile. Acesso em: 
25 out. 2015. 
 
Fábio Victor, em matéria para a Folha, de 17/11/2011, entrevista, ao mesmo tempo, três 
escritores diplomatas – Francisco Alvim, João Almino e Mário Araújo. Este último 
acentua a importância, na consolidação do seu processo criativo, de poder comparar, por 
imposição do trabalho de diplomata, vivências fora do Brasil com as vividas no seu 
país. 
 
89 
 
 
Vencedores e finalistas de 2007 
 
 
FIGUEIREDO, Rubens. Contos de Pedro. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. 
209p. 
 
Resumo dos contos 
 
O dente de ouro 
Pedro, homem ingênuo, habita região norte e pobre do país. Nela, a agricultura é 
incipiente, como seu rebanho. Dá-se mal imigrando para o sudeste, e volta. No retorno, 
vê melhorias na terra natal, mas sua situação piora: torna-se um pastor de cabras 
 
De forno a forno 
Pedro convive com imagens de situações obsessivas: a de um mendigo com perna 
ferida; a da lanchonete de empadas dos pais, a da Escola com notas e provas, até o 
momento em que conhece sua namorada, última imagem. 
 
Uma questão de lógica 
O mesmo Pedro está diante de imagens, novamente, obsessivas: mutilações, doenças, 
dívidas e lugares apertados para moradia. Ele pratica maldades, trucida galinhas e 
expulsa seus inquilinos que são bons. 
 
O nome que falta 
Pedro é faxineiro em uma churrascaria e responsável pela organização do lixo do 
estabelecimento. Mora num local de conflito, com muitos tiros, e lixo espalhado. Morre 
com uma bala perdida, num local perto de sua casa, próximo a uma caçamba de lixo. 
 
A última palavra 
Jovens conhecem-se. Ambos escrevem, mas têm trajetórias diferentes de vida: um tem 
sucesso, o outra, não. A sorte que ambos terão por igual: a consciência limpa. 
 
Ouro, olho, ovo 
90 
 
História com mistérios: de Pedro, do garimpo às montanhas, com turistas; de uma 
mulher bêbada, histérica,que cavouca o chão do quintal e encontra ouro; de uma filha 
que procura entender-se com o pai por gestos e, por último, de uma cobra com seus 
ovos. 
 
Onde as montanhas dançam 
Amigos desde a infância, ligados à música, reencontram-se na cidade natal depois de 
muito tempo, com a volta de um deles que fizera sucesso. O que ficou considera-se à 
altura do amigo famoso, mas observa que não nasceu para a música. 
 
Alegrias da carne 
Tio e sobrinha encontram-se num churrasco preparado pela menina. O tio bebe e, tonto, 
coloca uma das mãos na grelha quente. 
 
Céu negro 
Pedro, um pedreiro, conhece uma moça e hesita entre relacionar-se ou não com ela; tem 
dúvidas até acerca do local para um encontro. Por fim, fica em torno de uma certeza: o 
desejo, ao menos, em querer encontrá-la. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
LACERDA, Rodrigo. Preciosidades Enterradas. In: Crítica. p 219-223. Disponível em: 
http://www.scielo.br/pdf/nec/n75/a15n75.pdf. Acesso em: 1 nov. 2015. 
 
Rodrigo Lacerda analisa na revista Crítica, Contos de Pedro, volume de autoria de 
Rubens Figueiredo. Para o estudioso, o volume traz narrativas desiguais, mesmo assim, 
sofisticadas, plenas de mistério, cultivado a partir de personagens solitárias, intimistas, 
sentimento que domina o enredo dos contos. 
 
MARCHEZAN, L.G. O conto brasileiro na 49ª. edição do Prêmio Jabuti. Forma breve 
6. Revista de Literatura. O conto em língua portuguesa. Departamento de Línguas e 
Culturas. Portugal: Universidade de Aveiro, 2008. p.361-370. 
 
91 
 
Luiz Gonzaga Marchezan estuda, na revista Forma breve, de 2008, as tendências da 
prosa ficcional do conto brasileiro contemporâneo, a partir dos contistas finalistas e 
premiados na 49ª. edição do premio Jabuti. 
 
PASCHE, Marcos. Livro de Rubens Figueiredo é alto no engenho literário e na reflexão 
social. In: Jornal Rascunho.Disponível em: <http://rascunho.com.br/um-romance-
necessario/>. Acesso em: 3 nov. 2016. 
 
Marcos Pasche, em sua resenha, chama a atenção para a estrutura da narrativa dos 
contos que se assemelha a um carrossel, uma vez que as divagações de Pedro dão 
espaço às digressões do narrador, que são muitas vezes poéticas. 
 
SOUZA PERREIA, Marcelo de. Ferro-cidade: a barbárie pós-utópica de Rubens 
Figueiredo (http://www.bdtd.uerj.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=282) 
 
O autor destaca o nome comum das personagens: todas se chamam Pedro. No entanto, 
são diferentes uns dos outros e, dessa forma, suas marcas de diferenciação são tênues, 
diante da mesma miséria existencial. 
 
TEZZA, Cristõvão. [Resenha] Horizonte de chão e paredes Disponível em: 
http://www.cristovaotezza.com.br/textos/resenhas/p_14mai06_rubensfigueiredo.htm. 
Acesso em 1 nov. 2015. 
 
Cristóvão Tezza, na sua página, em 14/05/2006, resenha Contos de Pedro, volume de 
contos de Rubens Figueiredo, e o considera uma linha de força da nova prosa brasileira. 
O volume, para o comentarista, faz-se num “transbordante (e asfixiante) espaço, 
marcado sempre por chão e por paredes – e por ‘pedros’ angustiantemente 
estrangeiros”, em narrativas longas, de “sopro romanesco”. 
 
 
 
BRAFF, Menalton. A coleira no pescoço. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil Ltda., 
2005. 160 p. 
 
92 
 
Resumo dos contos 
 
Signo de touro 
A coleira no pescoço 
Idoso aproxima-se de cão já velho. Ambos lidam com seus limites; o velho pondera 
acerca da resistência do cão que o acompanha, diariamente, enquanto, por 
recomendação médica, luta com suas dificuldades físicas para caminhar. 
 
Alice e o violoncelo 
Mulher violoncelista ensaia no quarto em que dorme seu companheiro. Ele não gosta 
dessa atividade; mostra-se também insensível à música. Até o dia em que ouve um duo, 
que o transforma e vê sua mulher transfigurada pela música. 
 
Em branco e preto 
Homem arruma suas gavetas e a vida. Aguarda mulher que não vê há cinco anos. 
Conhece-a como acha que conhece sua cômoda, que, na sua mudez, o surpreende. Do 
mesmo modo, também, a mulher o surpreende. 
 
Signo de touro 
Casal está prestes a se casar. De repente, o homem afasta-se. A mulher edifica para eles 
uma casa, que será ocupada pelos dois, muito tempo depois, com o casamento entre 
ambos. 
 
Toda uma noite: o prêmio 
Local não permite ao homem, num encontro com mulher, sonhar, gozar. 
 
Uma tarde de domingo. (Tragédia em três episódios) 
Joana (1º. episódio) 
Mulher deixa casa do companheiro por incompatibilidade com sua filha; pai expulsa 
filha de casa, que morre atropelada na rua. 
 
Anita (2º. episódio) 
Filha, devotada ao pai, confabula com um padre, no interior de uma Igreja, acerca de 
sua devoção por Deus. 
93 
 
 
Pedro (3º. episódio) 
Enteada toma toda a atenção do padrasto, a ponto de seduzi-lo. 
 
Caminhos cruzados 
Jovens religiosos sentem-se atraídos; a jovem intimida-se. Embora haja uma atmosfera 
entre eles, ambos anunciarão seus dotes físicos pelo jornal. 
 
Homens magros 
Jovens aproximam-se numa noite num bordel. Quando o jovem lhe propõe casamento, a 
moça contraria-o, e, por vingança, é morta por ele. 
 
Aquele primeiro dia, quase noite 
Mãe, andarilha, cria filho recém-nascido num casebre. Cria-o, alimenta-o, de olho na 
estrada. 
 
Os sapatos de meu pai 
Moça, que trabalha numa loja, leva até a calçada, conforme escala do estabelecimento, o 
lixo do dia. Em dia chuvoso, ao depositar o saco no lugar de costume, observa que 
alguém limpa o barro dos sapatos junto à calçada que circunda o poste. Neste momento, 
a moça acha que os sapatos são de seu pai, que há muito não vê. 
 
O bezerro de ouro 
De pombos e gaviões: suas distâncias 
Homem, com receio, deixa o lugarejo em que reside, em seu caminhão. Faz como seu 
pombo-correio, quando libertado da gaiola. 
 
O caso das digitais perdidas 
Pintor de paredes tenta cadastrar-se num cartório e depara-se com dois problemas: de 
início, esquece-se de como é seu nome inteiro, vindo a se lembrar tempo depois; por 
último, percebe que não tem sinais digitais nos dedos, o que, diante de tudo, acaba por 
provocar risos entre os oficiais do expediente. 
 
A cerca 
94 
 
Homem, em busca de emprego, firma-se como guarda, até o dia em que, sem ninguém 
saber o motivo, deixa o emprego sem nada comunicar. 
 
De cima de seu muro 
Homem passa a viver sentado sobre um dos muros da casa, sob chuva ou sol. Do muro 
não sai; o que lhe possibilita também dominar os hábitos da sua rua e bairro, até o 
momento que desaparece diante de todos os conhecidos. 
 
O outro lado da rua 
Motorista é assaltado por bandido do seu bairro e a justificativa do roubo, por parte do 
ladrão, uma vez capturado, foi a de não suportar mais o local e querer mudar-se dele. 
 
O bezerro de outro 
História envolve, no interior de uma empresa, um muro que isola o escritório de um 
empresário do espaço em que trabalham seus comandados, uma vez que é obcecado por 
controle, sente-se atravessado pela barreira da construção. 
 
O gorro do andarilho 
Dois andarilhos disputam, em tempo de inverno, a posse de um gorro, que, na verdade, 
é de um deles; quando o outro se apossa do gorro é friamente assassinado pelo dono do 
gorro. 
 
Um dia apagado 
Homem sente-se aflito uma vez dividido entre suas funções de executivo e de 
caminhoneiro; atormentado, assusta-se, certo dia, ao sair com seu carro da garagem e 
localizar seu próprio caminhão no curso da sua passagem. 
 
O rico sorriso de Rita 
Com a morte do filho, mulher cultiva uma tristeza que se agrava quando chove. Uma 
vez, enquanto chovia, é despedida do trabalho. 
 
O zelador 
Homem solitário, egoísta, individualista, vive isolado e trabalha como zelador. 
Conhece, na rua, um cão ainda pequeno; cria-o e ensina-o a acompanhá-lo em longos 
95 
 
caminhos nas matas. Num dado dia, o cão invade a geladeira da casa em que vive com 
seu dono. O zelador não o perdoa; mata-o. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
COSTA ESILVA, Natalí Fabiana. Sutilezas entre o interno e o externo: literatura e 
sociedade nos contos de Menalton Braff 
http://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/94001/silva_nfc_me_arafcl.pdf?sequ
ence=1&isAllowed=y 
 
A autora aponta a relação entre a literatura e seu condicionamento social em A coleira 
no pescoço. Segundo a autora, as relações sociais, valores e orientações ideológicas 
atravessam as personagens. 
 
CURY, Maria Zilda Ferreira. Novas geografias narrativas. In: Letras de Hoje. Porto 
Alegre, v. 42, n. 4, 2007, p. 7-17. Disponível: 
http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fale/article/view/4109/3111. Acesso 
em: 04 nov. 2015. 
 
Maria Zilda Cury, em ensaio de 2007, para a revista Letras de Hoje, monta, de forma 
competente, um panorama da prosa de ficção contemporânea, analisando suas linhas de 
força, principalmente, a partir do ano 2000. Para ela, um marco da “ressonância maior 
de determinados escritores brasileiros contemporâneos”. 
 
MARCHEZAN, L.G. O conto brasileiro na 49ª. edição do Prêmio Jabuti. Forma breve 
6. Revista de Literatura. O conto em língua portuguesa. Departamento de Línguas e 
Culturas. Portugal: Universidade de Aveiro, 2008. p.361-370. 
 
Luiz Gonzaga Marchezan estuda, na revista Forma breve, de 2008, as tendências da 
prosa ficcional do conto brasileiro contemporâneo, a partir dos contistas finalistas e 
premiados na 49ª. edição do premio Jabuti. 
 
SANTOS, Flavia Karla Ribeiro; ABRIATA, Vera Lucia Rodella. A construção do ator 
“Zelador” em “O Zelador”, de Menalton Braff. In: Diálogos Pertinentes. Revista 
96 
 
Científica de Letras. v. 8, n. 2, jul./dez. 2012, p. 36-54. Disponível em: 
publicacoes.unifran.br/index.php/dialogospertinentes/article/.../533. Acesso em: 13 nov. 
2015. 
 
As autoras, em ensaio de 2012, para a revista Diálogos Pertinentes, analisam o conto 
“O zelador”, do volume A coleira no pescoço, de Menalton Braff, e descrevem o papel 
temático do protagonista, envolto em falhas morais. 
 
 
 
KIEFER, Charles. Logo tu repousarás também. Rio de Janeiro/São Paulo: Editora 
Record. 107 p. 
 
Resumo dos contos 
 
Medo 
Taxista, ex-delegado e torturador, transporta poeta torturado, em seu táxi, anos após a 
ditadura. O filho do taxista é parte da história entre os dois. 
 
O boneco de neve 
Meninos, na neve, cobrem com o gelo o corpo de um amigo, que morre congelado. 
Tempos depois, supõem, talvez para aliviarem a culpa, que o amigo morto deixou-se 
matar. 
 
Morte súbita 
Garoto, muito ligado à mãe, quando vê a casa cheia de parentes, acha que a mãe, 
doente, morreu. Ela não morreu: todos, ao seu lado, assistem, na TV nova, ao jogo da 
Seleção de 70. 
 
Maria Rita 
Detenta depõe acerca de uma agressão com caco de vidro que fez a colega na prisão e 
teme represálias ao seu marido e à sua filha. 
 
O terceiro cão 
97 
 
História sobre a atitude repentina de um professor tresloucado: numa praça, diante de 
um cão, começa a ganir. 
 
Cheiros 
Conversa entre um casal, em que a mulher se lembra da sua relação com outro homem, 
conhecido de ambos, e do encontro recente entre todos eles numa rua. 
 
Gemidos 
Filho legítimo recorda amor de sua mãe por amante, seu nascimento e o desespero de 
seu pai, conhecedor dos fatos. 
 
Arlinda 
Após briga do casal, marido pensa na esposa, mulher enérgica, enquanto toma uma 
cerveja ao lado de outra mulher, que tem o mesmo nome da sua esposa. 
 
Futebol 
Narrativa estranha em que, num jogo de futebol, seus jogadores, de repente, chutam 
uma cabeça que aparece entre eles. 
 
Nero 
História ambienta-se nos bastidores da briga de galo, ao lado de casos de amor e crime, 
assuntos que acompanham as rinhas de galo do sul do Brasil. 
 
Insônia 
Sem conseguir solidarizar-se com colega que denuncia desmandos na administração 
pública, funcionário público de carreira silencia-se, e, por isso, demite-se. 
 
O hexagrama 
Desempregado faz-se estudioso do I Ching, trabalha com consultas a interessados e 
resolve problema grave de mulher que, há muito, lera mal o I Ching. 
 
Objetos mágicos 
98 
 
Homem polemiza em conferência acadêmica ao questionar o palestrista, e reconhece 
que o palestrista o tratou melhor do que os outros ouvintes, que o recriminaram pela 
polêmica. 
 
Lídia e o rabino 
Protagonista encena a montagem de sua narrativa, inicialmente numa situação em que 
aparece, num apartamento, entre duas outras personagens; depois, sozinho e doente. 
 
Rosa rosarum 
Contista, especialista em edótica e, como Jorge Luís Borges, tendo a narrativa como 
labirinto, viaja pela Europa e USA em busca dos rastros do texto do escritor argentino. 
 
Belino 
Soldado deixa gaiola com o canário do seu comandante no frio gelado de uma 
madrugada. O canário, que tinha os cuidados do soldado há dez anos, morre, e seu 
cuidador quase morre com um tiro do comandante. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
GUIDIN, Márcia Ligia. Onde se esconde Charles Kiefer? In: Jornal Rascunho. 
Disponível em: http://rascunho.com.br/onde-se-esconde-charles-kiefer/.Acesso em: 1 
nov. 2015. 
 
Márcia Lígia Guidin, no Jornal Rascunho, em número de setembro de 2011, resenha o 
volume A poética do conto, de Charles Kieffer, e critica a postura do ficcionista, que, 
para ela, não se cerca de cuidados conceituais no tratamento da obra teórica. 
 
MARCHEZAN, L.G. O conto brasileiro na 49ª. edição do Prêmio Jabuti. Forma breve 
6. Revista de Literatura. O conto em língua portuguesa. Departamento de Línguas e 
Culturas. Portugal: Universidade de Aveiro, 2008. p.361-370. 
 
Luiz Gonzaga Marchezan estuda, na revista Forma breve, de 2008, as tendências da 
prosa ficcional do conto brasileiro contemporâneo, a partir dos contistas finalistas e 
premiados na 49ª. edição do premio Jabuti. 
99 
 
 
MOREIRA, Carlos André. [Entrevista] Charles Kiefer. Disponível em: 
http://www.elfikurten.com.br/2013/05/charles-kiefer-entrevistado-por-carlos.html. 
Acesso em: 03 dez. 2015. 
 
Carlos André Moreira, em 2013, entrevistou Charles Kieffer para o site Templo 
Cultural Delfos. Na ocasião, questionou-o acerca da presença do grotesco no livro de 
contos Logo tu repousarás também, tido pelo autor com uma “alegoria da violência da 
própria civilização, do processo civilizatório”. 
 
MOUTINHO, Marcelo. [Resenha] Logo tu repousarás também / Quem faz gemer a 
terra. In: Suplemento Prosa & Verso (O Globo). Disponível em: 
http://www.marcelomoutinho.com.br/resenhas/2007/04/logo_tu_repousaras_tambem_q
uem.php. Acesso em: 11 dez 2015. 
 
Marcelo Moutinho resenha, em 2015, o livro de contos Logo tu repousarás também, de 
Charles Kieffer, analisando-o no modo como o autor, mesmo diante do realismo do 
cotidiano, imprime em suas histórias presenças fortes de mistério. 
 
 
 
FONSECA, Rubem. Ela e outras mulheres. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. 
169 p. 
 
Resumo dos contos 
 
Alice 
Professora cura gagueira de aluno e tem com ele relações amorosas. Aluno e pai 
resolvem que tudo deveria continuar e nada dizem ao Comissário. 
 
Belinha 
Matador e namorada dão-se bem no mundo do homicídio. Ela, Belinha, é de classe alta. 
Certo dia, pede ao namorado para matar o próprio pai. O matador mata-a. 
 
100 
 
Carlota 
Mulher, vendedora de cosméticos, pobre, doente, com mãe doente, acha que, ao sair de 
casa, levou sua bolsa de representação; acha que foi roubada enquanto tomava café num 
bar. Quando volta para casa, nota que não levara a bolsa. 
 
Diana 
Homem encontra-se com uma ninfomaníaca. No quarto, atendendo à mulher, coloca-lhe 
algemas e bate nela. Durante o orgasmo, o homem a estrangula até a morte. 
 
Ela 
Casal tem relações sexuais, porém, não consegue manter relações sociais convencionais. 
 
Elisa 
Homem tem relações sexuais compulsivas com uma dada mulher. O médico aconselha-
o a dominar-se; medica-o e ele joga os remédios no lixo. 
 
Fátima Aparecida 
Homem tenta salvarmulher do vício com o álcool e da prostituição. Evoca até Jesus. 
Conclui, depois, que precisava era salvar-se dos seus desejos. 
 
Francisca 
Mulher vinga-se do marido. Entorpece-o com comprimidos e joga-o janela abaixo do 
prédio em que moram. 
 
Guiomar 
Jovem segue conselho do pai: mulher lava, passa e cozinha. Até que ele passa a fazer 
isso para Guiomar, quando a conhece. 
 
Helena 
Projetista de brinquedo didático, famoso, diante do suicídio da mulher, recebe jornalista 
que se aproxima dele e, tempos depois, em reportagem mentirosa, escreve que foi por 
ele assediada durante a entrevista. 
 
Heloísa 
101 
 
Um casal trava conhecimento durante uma missa e, da cerimônia, encaminha-se para a 
casa do parceiro, em que um relacionamento se inicia. 
 
Jéssica 
Estivador, vive com mulher feia, que quer fazer transplante de rosto. Quando percebe 
que é traído, quebra todo o rosto da namorada. 
 
Joana 
Mulher morre enquanto tem relações sexuais com companheiro, que se diz salvo, 
porque a mulher era feia e ele somente gostava das bonitas. 
 
Julie Lacroix 
Escritora não lê, escreve, gosta de comer e de se masturbar. Astróloga prevê que a 
ficcionista morrerá na cama, de uma crise de apneia. 
 
Karin 
Porteiro de um prédio, que gosta de pão e doce de leite, estupra e mata moradora, 
jogando-a, morta, na caixa d´água do subsolo. Foge com roupa e poupança. 
 
Laurinha 
Casal de irmãos mata o estuprador da filha. Ele é castrado, tem os ossos quebrados e é 
queimado. 
 
Lavínia 
Homem enamora-se de mulher, quando um vaso, do quarto andar, onde mora a moça, 
cai na sua cabeça. Certo dia, ela suicida-se, é quando fica sabendo que ela tem outro 
namorado. 
 
Luíza 
Artista plástica, que perdeu a mãe com fecaloma, engana amante, feio e medíocre: diz-
lhe, depois de drogá-lo, que lhe cortou o pênis. 
 
Marta 
102 
 
Mulher agendava encontros em chats, roubava o amante e, às vezes, o matava. Presa, 
foi localizada pelo pseudônimo. 
 
Mirian 
Mulher, que examina pedidos de empréstimo e é dura nas concessões, sente algo na 
garganta, problema difícil de ser diagnosticado. Mesmo diante de diagnóstico grave, não 
cede em seus pareceres. 
 
Nora Rubi 
Confissões sucessivas de uma cleptomaníaca, presa por roubos de bijuteria, acabam por 
revelar que as peças roubadas eram preciosas; polícia descobre que a mulher roubada 
mentia ao marido acerca do valor das jóias que comprava. 
 
Olívia 
Matador relaciona-se, por meio de comida japonesa, com matadora. Acontece que ela é 
contratada para matá-lo; ele descobre, e a elimina. 
 
Raimundinha 
Mulher cuida do patrão, da filha, do neto e do amante, que não toca nela. 
 
Selma 
Rapaz foge de uma moça por ter fimose. É operado, mas descobre que a enfermeira é a 
tal moça de quem foge. 
 
Teresa 
Matador profissional livra-se de mulher e de seus dois enteados, estes, exploradores do 
pai já morto. 
 
Xânia 
Matador mata seu chefe e, juntamente com ele, também o de posição acima dele. 
 
Zezé 
Mulher quase mata, com múltiplos orgasmos, seu companheiro. 
 
103 
 
Bibliografia crítica individual 
 
CÂMARA PEREIRA, Francisco Afrânio. Por dentro da cidade: solidão e marginalidade 
nos contos de Rubem Fonseca. 
(http://repositorio.ufrn.br:8080/jspui/bitstream/123456789/16345/1/FranciscoACP_TES
E.pdf) 
 
O autor analisa o conto Laurinha do livro Ela e outras mulheres. O grau de truculência 
desse conto, para o estudioso, tem uma carga grande de violência que destoa dos outros 
volumes analisados Feliz ano novo e O cobrador. 
 
FREITAS, Ernani Cesar; FACIN, Débora. Semântica global e os planos constitutivos 
do discurso: a voz feminina na literatura de Rubem Fonseca. In: Revista do Programa 
de Pós-Graduação em Letras da Universidade de Passo Fundo, v. 7, n. 2, jul./dez. 2011 
p. 198-218. Disponível em: 
http://www.upf.br/seer/index.php/rd/article/viewFile/2399/1552. Acesso em: 22 dez. 
2015. 
 
Os autores analisam, em ensaio de 2011, o ethos discursivo, depreendido do conto 
“Francisca”, do volume Ela e outras mulheres, e descrevem a configuração do cenário 
da narrativa. 
 
MARCHEZAN, L.G. O conto brasileiro na 49ª. edição do Prêmio Jabuti. Forma breve 
6. Revista de Literatura. O conto em língua portuguesa. Departamento de Línguas e 
Culturas. Portugal: Universidade de Aveiro, 2008. p.361-370. 
 
Luiz Gonzaga Marchezan estuda, na revista Forma breve, de 2008, as tendências da 
prosa ficcional do conto brasileiro contemporâneo, a partir dos contistas finalistas e 
premiados na 49ª. edição do premio Jabuti. 
 
SCHWARTZ, Adriano. Sexo regrado. In: Folha de S. Paulo. Disponível em: 
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1211200613.htm. Acesso em: 1 nov. 2015. 
 
104 
 
Adriano Schwartz comenta para a Folha, em 12/11/2006, o volume Ela e outras 
mulheres, de Rubem Fonseca, elogiando, no autor, sua “fórmula própria de lidar com o 
gênero”, principalmente, “o diálogo rápido” e a “estratégia de reverter expectativas” do 
enredo. Entre as marcas usuais da prosa contística do ficcionista, o comentarista destaca 
algo novo: um certo “bom humor”, para ele, “redentor do ser humano”. 
 
SILVA, Dionísio. Todas as mulheres de Rubem Fonseca. In: Observatório da Imprensa. 
Disponível em: http://observatoriodaimprensa.com.br/armazem-literario/todas-as-
mulheres-de-rubem-fonseca/. Acesso em: 1 nov. 2015. 
 
Dionísio da Silva comenta para o Observatório da Imprensa, em 05/12/2006, o volume 
de contos de Rubem Fonseca: Ela e outras mulheres, observando o domínio da parte do 
autor na arte de escrever, assim como a recepção do livro pela imprensa. 
 
ZANIN, Luiz. Ele não gosta de mulher. In: O Estado de S. Paulo. Disponível em: 
http://cultura.estadao.com.br/blogs/luiz-zanin/ele-nao-gosta-de-mulher/. Acesso em: 1 
nov. 2015. 
 
Luiz Zanin comenta para O Estado, em 13/11/2006, o volume Ela e outras mulheres, de 
Rubem Fonseca, e não observa, nas narrativas do livro, nada que “o próprio Fonseca 
não tenha feito antes”. 
 
 
 
LOPES, Artur Oscar. A casa de minha avó e outros contos exóticos. São Paulo: Edições 
Inteligentes, 2006. 150 p. 
 
Resumo dos contos 
 
Cine Avenida 
Bom homem frequenta, todos os domingos, o matinê do Cine Avenida em Porto Alegre. 
Com o término da sessão, no caminho para casa, assume o papel do protagonista do 
filme assistido. Em casa, com a mulher, vive uma vida rotineira. Certo domingo, na 
105 
 
volta para casa, conforme episódio que acabara de assistir em filme, sofre um mal súbito 
e morre. 
 
Maragato ou Chimango? 
Os costumes dos pampas e a guerra entre Chimangos e Maragatos dominam o destino 
de dois amigos integrantes de movimentos contrários. Uma mulher, amor comum entre 
eles, decide-se pelo Chimango. 
 
O último tango 
O destino de uma mulher está selado no amor por um homem que a trai; no entanto, 
dança consigo, nas noites dos sábados de Buenos Aires, tangos que suplantam, para ela, 
os dissabores da traição. 
 
Como bater numa criança 
Conto insólito, que envolve um perito em empalhamento de animais e que também 
compra crianças, com a finalidade de sová-las para a definição do seu caráter. 
 
O corsário 
Homem procura ler o seu jornal e é levado por uma divagação delirante a pensar numa 
aventura dentro de um corsário. Tal aventura passa por luxúria, sexo, encontros com 
sacerdotes, cenas grotescas e pela procura de um tesouro, com base em um mapa. O 
mapa é figura recorrente, nesse volume, e representa sempre as faces do destino, em 
estranhos cenários. 
 
A casa de minha avó 
Conto que se faz estrutural, a planta baixo do livro, não só pelas personagens que nele 
aparecem, com incursões nos primeiros e últimos contos, como também pelas figuras 
dos avós, que nomeiam o livro e são celebrados como oráculos de Delfos, conforme as 
duas últimas linhas da narrativa. Desse modo, esse conto contém a fábula maior, o 
andamento da trama dos demais do volume.O apocalipse 
106 
 
Protagonista, auxiliado por um mapa, chega ao hotel de uma cidade e depara-se com os 
4 Cavaleiros do Apocalipse que precisam da sua ajuda para o controle do destino do 
mundo. 
 
Via crúcis do amor 
Casal vive amor sem limites. Ele, um devasso; ela, religiosa, que tudo suporta; no 
entanto, a certa altura, consegue convertê-lo num padre e foge da sua vida. 
 
Nos subterrâneos 
Personagem, enquanto lê em seu quarto, depara-se com seres fantásticos que optam por 
habitar o seu armário. O armário torna-se a entrada para uma rede subterrânea 
labiríntica. 
 
O dia em que matei Deus 
Protagonista vive período da sua vida, filosófica e religiosamente, da crença à descrença 
em Deus. Resolve, por fim, matar Deus, sem se basear em nada, assumir isso por conta 
própria. 
 
A mulher mais inocente da cidade 
Protagonista descobre, na cidade de Porto Alegre, um edifício que considera um 
microcosmo da cidade. Nele, há um fino prostíbulo, em que conhece mulher com toda a 
sensualidade e mistério de uma musa. 
 
Da literatura 
Última história do volume que se volta tanto para a expressão do sentido das aventuras 
do protagonista do livro, quanto define a literatura, a partir da metáfora da casa da avó, 
como um labirinto – a própria forma de composição de um texto literário, conforme a 
trajetória ficcional do volume. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
BRASIL, Ubiratan. Desengano recebe Jabuti de romance. In: O Estado de S. Paulo. 
Disponível em: http://cultura.estadao.com.br/noticias/artes,desengano-recebe-jabuti-de-
romance,38699. Acesso em: 12 nov. 2015. 
107 
 
 
Ubiratan Brasil comenta, para O Estado, de 31/12/2007, os contistas premiados pela 
49ª. edição do prêmio Jabuti. 
 
MARCHEZAN, L.G. O conto brasileiro na 49ª. edição do Prêmio Jabuti. Forma breve 
6. Revista de Literatura. O conto em língua portuguesa. Departamento de Línguas e 
Culturas. Portugal: Universidade de Aveiro, 2008. p.361-370. 
 
Luiz Gonzaga Marchezan estuda, na revista Forma breve, de 2008, as tendências da 
prosa ficcional do conto brasileiro contemporâneo, a partir dos contistas finalistas e 
premiados na 49ª. edição do premio Jabuti. 
 
 
 
CARRASCOZA, João Anzanello. O volume do silêncio. São Paulo: Cosac Naify, 2006. 
2016 p. 
 
Caçador de vidro 
Pai e filho pequeno viajam até uma fábrica de vidros. O ambiente da história está no 
carro, durante a viagem e na perspectiva do menino, até o momento em que chegam à 
fábrica. 
 
O vaso azul 
Filho visita sua mãe, que raramente vê. Há um relacionamento distante e desconcertado 
entre eles. Na casa da mãe, um vaso azul chama-lhe a atenção. 
 
Iluminados 
Marido e mulher lidam com um blecaute e, no escuro, iluminam-se, redescobrem-se. 
Jantam à luz de vela, tomam banho e cantam juntos. Observando o céu, lembram-se do 
início do namoro. 
 
Night bikers 
Aurélio e Abreu estão em avenidas próximas, na cidade de São Paulo. O primeiro 
estreia em uma pedalada com turma de ciclistas; o segundo dá curso à sua performance 
108 
 
do furto. As ações acontecem simultaneamente e ambos se encontram quando a 
pedalada se cruza com o furto. 
 
Casais 
A duração de um dia na cidade de São Paulo perpassa anos de uma vida da metrópole. 
A narrativa ilustra as acomodações a que as pessoas estão sujeitas, em sua rotina de 
vida. 
 
O menino e o pião 
Menino, envolvido com um pião, aguarda ansioso a chegada do pai que tanto idolatra. A 
história ocorre em aproximadamente uma noite. No decorrer da narrativa, a exposição 
dos valores da vida e da morte, da inocência e das curiosidades de um menino. 
 
Visitas 
Um casal e sua filha recepcionam amigos antigos em um almoço. Não se viam há muito 
tempo. Os casais têm um passado em comum, porém o tempo presente mostra-lhes as 
diferenças. 
 
Travessia 
É noite em um vale e uma família – mãe, pai e filho – pretende atravessar, na 
madrugada, uma fronteira. A travessia impõe medo a todos. 
 
Duas tardes 
Antônio e Pedro são irmãos. O primeiro, mais novo, encontra seu irmão em um 
restaurante, em que o mais velho trabalha como cozinheiro. Ocorrem conversas rápidas, 
Eles não se viam havia mais de cinco anos. 
 
Meu amigo João 
Protagonista rememora tempo vivido, desde a infância, com grande amigo, com quem 
partilhou tudo até a maturidade dos dois. 
 
Outras lições 
Pai e os filhos pequenos organizam-se para uma viagem de carro até São Paulo, uma 
viagem a trabalho do pai. 
109 
 
 
Chamada 
História de um pai que caminha até a escola da filha para avisá-la de um mal súbito da 
mãe, algo que a menina intui na caminhada da escola para casa. 
 
Umbilical 
Pensamentos fluem entre filho e mãe; pensamentos simultâneos que vão um ao encontro 
do outro. A narrativa perpassa ambientes de uma casa e se desenvolve com essas duas 
perspectivas que se confundem. 
 
Janelas 
Irmã tem repentina vontade de visitar seu irmão. Moram na mesma cidade, mas estão há 
algum tempo sem se verem. No conto, eles relembram a infância, tempos despudorados, 
e falam também um pouco do presente. 
 
Dias raros 
Chegam as férias pelas quais o menino ansiava; no entanto, ele é enviado à casa de sua 
avó paterna, de quem é distante. De início, ele se decepciona, mas, na casa da avó, se 
surpreende muito e positivamente. O jardim da casa é o lugar de aproximação entre avó 
e neto. 
 
Poente 
Casal encontra-se na sala da casa numa conversa decidindo sua separação. Será o fim de 
um relacionamento de dez anos. Decidem, ao final da conversa, contar ao filho sobre a 
separação. 
 
Dora 
O diagnóstico fatal sobre a saúde de Dora e a revelação, para ela, da sua gravidade, 
chegam duas semanas antes da festa de casamento de um de seus três irmãos. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
110 
 
ANDRADE, Lucas Toledo. A escrita silenciosa de João Anzanello Carrascoza. 
Disponível em: http://lounge.obviousmag.org/paginas_intempestivas/2014/06/a-escrita-
silenciosa-de-joao-anzanello-carrascoza.html. Acesso em: 1 nov. 2015. 
 
Lucas Toledo Andrade, no site Obvious, de 2014, comenta a contística de João 
Anzanello Carrascoza, destacando no autor o modo como sua ficção – incluindo O 
volume do silêncio, valoriza as situações ordinárias e as experiências vividas pelas 
personagens, em espaços íntimos e familiares. 
 
MARCHEZAN, L.G. O conto brasileiro na 49ª. edição do Prêmio Jabuti. Forma breve 
6. Revista de Literatura. O conto em língua portuguesa. Departamento de Línguas e 
Culturas. Portugal: Universidade de Aveiro, 2008. p.361-370. 
 
Luiz Gonzaga Marchezan estuda, na revista Forma breve, de 2008, as tendências da 
prosa ficcional do conto brasileiro contemporâneo, a partir dos contistas finalistas e 
premiados na 49ª. edição do premio Jabuti. 
 
MOUTINHO, Marcelo. [Resenha] Carrascoza vê imensidão nas miudezas. In: 
Suplemento Prosa & Verso (O Globo). Disponível em: 
http://www.marcelomoutinho.com.br/resenhas/2007/04/o_volume_do_silencio.php. 
Acesso em: 1 nov. 2015. 
 
Marcelo Moutinho resenha para O Globo, em 2007, o livro de João Anzanello 
Carrascoza: O volume do silêncio. Para o comentarista, as narrativas revelam um 
“processo de depuração estilística”, e tratarem de tema forte na ficção do autor: as 
relações familiares, que são representadas por meio de personagens “plenas de alma” e 
em “minúcias do cotidiano”. 
 
 
 
DOURADO, Autran. O senhor das horas. Rio de Janeiro: Rocco, 2016. 157 p. 
 
 
Resumo dos contos 
111 
 
 
O senhor das horas 
Coronel de Duas Pontes, acadêmico do Largo do São Francisco, é forçado a abandonar 
seus estudos e assumir os negócios da família. Trabalha e cultiva sua aprendizagem em 
São Paulo. Uma desavença familiar leva-o a sentar-se no banco dos réus. 
 
Memórias de um Chevrolet 
Coronel de Duas Pontes compra um Chevrolet em São Paulo; leva-o para casa, local em 
que o automóvel transforma-se em poleiro. 
 
Morte gloriosa 
Filhode Coronel de Duas Pontes é educado com valores do coronelismo mineiro. 
Cresce sem nenhuma formação e tem casamento arrumado entre famílias; morre 
infartado em bordel, e, enquanto viveu, não soube cuidar nem da mulher, nem da 
fazenda. 
 
José Balsemão 
Mãe leva filho para ser bento por benzedor de Duas Pontes e assusta-se com a 
cerimônia. 
 
Uma anedota de velório 
Relato de histórias de velórios em Duas Pontes; entre elas, a do velório de uma grande 
figura do local, Baltazar, o capitalista. 
 
O herói de Duas Pontes 
A história da formação de um grande herói de Duas Pontes, Oriosvaldino Cunegundes, 
que passa pela escolaridade, sexualidade, mundo do trabalho, amizade e experiência 
amorosa. O herói engaja-se na Revolução Constitucionalista e morre em batalha. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
FUKS, Julián. Autran Dourado diz que escrever não dá prazer e é uma fatalidade. In: 
Folha de S. Paulo. Disponível em: 
112 
 
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u52320.shtml. Acesso em: 1 nov. 
2015. 
 
Julián Fuks entrevista para a Ilustrada, de 30/07/2005, o escritor Autran Dourado. O 
autor comenta suas leituras, a criação de suas personagens, sempre muito ligadas a ele, 
sem deixar de considerar a fatalidade que é a de escrever. Ao final, diz-se sempre atento 
aos valores formais do texto literário; para ele, são os valores permanentes da literatura. 
 
MARCHEZAN, L.G. O conto brasileiro na 49ª. edição do Prêmio Jabuti. Forma breve 
6. Revista de Literatura. O conto em língua portuguesa. Departamento de Línguas e 
Culturas. Portugal: Universidade de Aveiro, 2008. p.361-370. 
 
Luiz Gonzaga Marchezan estuda, na revista Forma breve, de 2008, as tendências da 
prosa ficcional do conto brasileiro contemporâneo, a partir dos contistas finalistas e 
premiados na 49ª. edição do premio Jabuti. 
 
MARCHEZAN, Luiz Gonzaga. Autran Dourado, leitor de Camões. In: Anais do XI 
Congresso Internacional da ABRALIC. Tessituras, Interações, Convergências, 2008, pp. 
1-6. Disponível em: 
http://www.abralic.org.br/eventos/cong2008/AnaisOnline/simposios/pdf/008/LUIZ_MA
RCHEZAN.pdf. Acesso em: 1 nov. 2015. 
 
Luiz Gonzaga Marchezan estuda, nos Anais da Abralic, de 2008, as intencionalidades 
de Autran Dourado e o emprego da intertextualidade na composição do seu livro de 
contos O senhor das horas. 
 
 
Vencedores de 2008 
 
 
VAL, Vera do. Histórias do Rio Negro. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2007. 176 p. 
 
 
Resumo dos contos 
113 
 
 
Rosalva 
Moça chega, misteriosamente, à beira do Rio Negro, próximo à casa de coletora de 
ervas, função que também exercerá. 
 
Das Dores 
Pescador ciumento, da beira do Negro, mata estrangeiro que se encanta com sua mulher, 
Das Dores. 
 
Alzerinda 
Alzerinda, amiga de Das Dores, cuidará do seu marido preso, trazendo-o depois de solto 
para sua casa. 
 
Giselle 
Mãe chantageia um senhor com duas filhas prostitutas, que as mantém na direção de 
seus golpes. 
 
Vida de Santo 
Esposa e amante rezam na mesma Igreja: a primeira pela volta do marido para casa; a 
segunda pela sua permanência em sua segunda casa. 
 
Dorvalice 
Esposa que perde marido para a amante enclausura-se e passa a bordar e ver TV. 
 
Águas 
Velho pescador, sozinho, viúvo, com um único dos filhos vivo e longe de casa, pesca na 
beira do Negro em seus últimos momentos de vida. 
 
Rodamundo 
Filho de velho pescador maravilha-se com uma bússola e o mundo por conhecer. Certo 
dia, sai de casa, para o mundo, sem avisar os pais. 
 
Rosário 
Rosário, com o terço na mão, morre no curso de uma procissão, ao lado do neto. 
114 
 
 
Tocaia 
Homem roda o mundo para fazer dinheiro e os gostos da mulher. Nisso, vira pistoleiro 
e, na volta para casa, morre em tocaia. 
 
Curuminha 
Relato fantasioso de uma relação amorosa entre um boto e uma curuminha às margens 
do Rio Negro. 
 
A Gameleira 
Menino ainda pequeno é abandonado pelo pai. Uma vez jovem, casa-se e tem oito 
filhos. Alegando muito barulho, sai de casa e vai morar embaixo de uma gameleira, de 
sua adoração. 
 
Velho Nabor 
Irmãos da beira do Uruí engraçam-se pela mesma curuminha, que dividem para sua 
companhia. Tratam-na bem e com ela também dividem um filho. 
 
Irerê 
Loja próspera de irmãos deixa-os ricos, diante disso, eles vão morar na parte rica da 
cidade. 
 
Caipora 
Evocação em prosa, numa linguagem folclórica, de uma iniciação sexual. 
 
Joça 
 Moço divide-se entre vida de escriturário, entre carimbos, e a de tocador de pistão nas 
gafieiras dos finais de semana. 
 
As calcinhas da Dagmar 
A traição de uma mulher revelou-se, para ao marido, por meio de uma caixa de 
calcinhas, que ele quis guardar para si, depois que ela o deixou. 
 
A cunhã que amava Brad Pitt 
115 
 
Moça apaixona-se por Brad Pitt, que, em forma de boto, dela se apossa. 
 
Ifigênia 
Moça morre velha, sozinha, e tida como virgem. Após sua morte, os parentes 
descobrem sua vida noturna secreta, ao lado de seu cunhado, em cabarés da redondeza. 
 
As meninas 
Mulher monta uma sorveteria na beira de estrada. Sua ajudante sonha em ganhar a 
estrada e viajar com os caminhoneiros. 
 
Josué 
Menino, quando pequeno, é tirado da mãe, pelo pai, a fim de acompanhá-lo em suas 
aventuras ribeirinhas. Com a morte do pai, passa a viver em pensão, e terá uma atenção 
materna da dona do recinto. 
 
Cantilena 
Diálogo erótico entre dois amantes. 
 
Brinco de miçanga 
Favelado, trabalhador braçal de carga, compra pingente para presentear a amada. Certa 
noite, avista a mulher com um amante. Ela está usando os brincos. 
 
O jogo 
Homem mora com filha dominadora e é exímio jogador de dominó. 
 
Piabeiros 
Homem viaja pelo Rio Negro com comitivas de pescadores. Certa feita, numa das 
viagens, conhece uma bonita índia. Seu tutor prefere matá-la a deixar que saia de casa. 
 
A praça 
Manifestação popular impede a derrubada de oitis de uma praça pública, até o momento 
que um dos manifestantes passa mal. Enquanto o participante é socorrido, motosserras 
tombam os oitizeiros. 
 
116 
 
Bibliografia crítica individual 
 
RABELO, Déborah Almeida. Entre o caboclo e o cosmopolita: uma análise discursiva 
de irerê, de “histórias do rio negro. In: RELEM - Revista Eletrônica Mutações, julho-
dezembro. Vol. 6, n. 11, 2015, p. 133-140. Disponível em: 
http://periodicos.ufam.edu.br/index.php/relem/article/view/1000. Acesso em: 21 dez. 
2015. 
 
Déborah Almeida Rebelo, num ensaio para a Revista Eletrônica Mutações, de 2015, 
analisa o perfil da personagem Iberê em três contos das Histórias do Rio Negro, de Vera 
do Val. 
 
 
 
HAUSEN, Jorge. A prenda de Seu Damaso e outros contos. Porto Alegre: Editora 
Alcance, 2007. 127 p. 
 
Resumo dos contos 
 
A prenda de seu Damaso 
Na festa de 70 anos de sua mãe, marido observa esposa arrumar-se, observa-a bela, com 
jóias e perfume, vê-se enciumado e traído. Essas sensações vão se dissipar, com a 
conclusão da noite. 
 
Turmalinas sem valor 
A população de Marechal Hermes participa do velório e enterro do tio do protagonista. 
Este recorda-se da exumação do corpo de uma tia, realizada para dar lugar ao corpo do 
tio, no jazigo. 
 
As cobras do Gurupi 
Geólogo enciumado desconfia das aquisições em jóias da mulher. Leva-as para exame 
de um colega da geologia e é caçoado pelo companheiro: as jóias não são de valor. 
 
O pêlo da pele 
117 
 
História, na órbita de um sonho, relata como um homem, em sua tenda, vê-se invadido 
por uma mulher de extrema sensualidade. 
 
CQD – Como queira demonstrar 
Protagonista relata seu nascimento, formatura e casamentos, de um modo 
demonstrativo, como um cálculo matemático, que passa por contas que ora fecham em 
números redondos, ora apresentam sobras. 
 
O mel 
Protagonista, morador do campo, localiza colméia e, tendo em vista a coleta do mel, 
lembra-se da história de vida do pai e do conto mágico que lhecontara sobre a vida das 
abelhas. 
 
Marlon Pimenta da Silva 
Protagonista, amigo de Marlon Pimenta da Silva, conta a vida desse seu amigo e a sua 
morte trágica, narrando-as paralelamente à frenética urbanização do Rio de Janeiro nos 
anos 70 do século vinte. 
 
O Pegador de Onças 
Amigos têm o protagonista como suspeito, mentiroso, nas histórias que conta. Certo dia, 
o protagonista, fugindo de uma onça, acaba por atraí-la à roda de conversa de seus 
amigos. 
 
O pulo do meio-dia 
Mineiro de Barbacena vem ao Rio de Janeiro realizar desejo de infância: conhecer 
Conservatória, cidadinha próxima da capital carioca, famosa pelos seus Carnavais. 
 
Selada a vingança: 6x1 
Estudante de medicina do Rio de Janeiro mora em pensão do Catete e torce pelo São 
Cristóvão; frequenta campos de futebol e acompanha a trajetória do jogador Caxambu. 
 
Nem o diabo pode 
Protagonista, de família italiana, reflete, diante da mãe doente, sobre o pulso firme da 
matriarca, ordenadora dos rumos da família. 
118 
 
 
Vida de cachorro 
História narrada do ponto de vista de uma cachorra Dashund, voltado para sua vida 
social, ao lado dos donos e de uma frustrada gravidez. 
 
Poderosas luzes 
Técnico em mineração, aficionado pelo pensamento esotérico, certa vez, no sul da 
Bahia, imaginou, delirante, que fizera contato com um OVNI. 
 
O coração de chocolate ou A Dália Negra 
Encontro com mistério envolve, desde meninos, um casal em pequena cidade do Sul do 
país. Uma vez adultos, prestes a morrer, a mulher pede a visita do homem, que descobre 
indícios de crueldade na vida da família dela. 
 
O queridinho das mulheres 
Geólogo, aposentado no nordeste brasileiro, volta para o sul. Marido exemplar, de 
repente, opta por aventuras em Porto Alegre, onde, com outra mulher, tem caso 
passageiro. 
 
Santa Rita de Cássia – A Venerada 
Com a morte de um coronel fazendeiro, um filho passa a gerenciar as propriedades, 
enquanto o outro filho permanece na Capital, como médico afamado. Este virá morrer 
em casa, na fazenda. O irmão, bêbado, protagoniza um escândalo no velório. 
 
O dourado refulgente 
O dia em que Borges de Medeiros morreu 
 
Protagonista narra sua vida familiar sobrepondo os tempos da infância aos da 
maturidade, momentos da II Guerra, do Estado Novo, do assentamento diverso da vida 
gaúcha e da morte de Borges de Medeiros, o cachorro de seu pai. 
 
Bibliografia crítica individual 
Nada foi encontrado. 
 
119 
 
 
 
GOUVÊA, Jaime Prado. Fichas de vitrola & outros contos. Rio de Janeiro/São Paulo: 
Record, 2007. 254 p. 
 
Resumo dos contos 
 
Concerto para berimbau e gaita 
Exposição acerca do processo criativo de uma narrativa em torno das andanças a esmo 
de uma personagem, durante o dia e a noite. 
 
Cantilenas para dançar 
A nossa infância 
Narrador e protagonista expõe o assunto que dominará o volume: o das experiências 
difíceis da infância, nas relações familiares e escolares. 
 
Oh, Bernardine 
Radialista e disc-jóquei, que gosta de sua profissão, de música e de cinema, desempenha 
bem seu trabalho e tem fixação por uma mulher. 
 
Toda manhã ela volta 
Jovem açougueiro torna-se admirador de freguesa, jovem e delicada, que também 
frequenta o restaurante em que ele entrega carnes. 
 
Velho anel de prata 
Devaneio em que um homem, diante da imagem simulada de um revólver apontado para 
ele, antevê que será assassinado por sua companheira. 
 
Vitrola de cabaré 
A morte da ave noturna 
Colibri é proprietário de um prostíbulo de luxo; protege-se e também às mulheres que 
com ele trabalham; tem fama de valente, e, certa noite, é encontrado degolado em seu 
quarto. 
 
120 
 
Noite de Reis 
Dois amigos bêbados procuram fazer um programa com mulheres numa noite já alta e, 
mesmo na companhia de duas mulheres, conseguem somente continuar a beber. 
 
A história de Paulo e Paula 
Paulo e Paula são encenados em situações de marginalidade: feirantes, fabricantes de 
bijuterias, agressivos. Paula agride e espanca Paulo, que dela se separa para viver de 
outra forma, também violenta. 
 
As cinco pontas da estrela 
Encontro entre amigos de infância promove uma recomposição do tempo de suas vidas 
com suas experiências, na trajetória do autoconhecimento. 
 
O batuque dos gambás 
Grupo idiossincrático de amigos boêmios reúne-se num bar para discutir sua vida 
pessoal e cantar. 
 
Outros contos 
Pequenas canções de outono 
Cinco pequenos contos com temas diferentes, do ponto de vista de um narrador, já 
conhecido do leitor: um boêmio vive com o pai e, de repente, presencia sua morte; uma 
retomada do desenho da Disney, a Dama e o Vagabundo; o episódio de um garoto que 
diz à família que aprendeu a voar e, por último, a história de um livro voltado para a 
observação de uma bela mulher na praia. 
 
Primeira lição 
História da formação de um garoto, Serginho, como aluno do Grupo Escolar, de sua 
sintonia com a turma, especialmente, com a preferida da classe, Dorinha, bem como de 
seu desempenho nos trabalhos e avaliações escolares. 
 
Do outro lado 
Aposentado dá nova disposição para os cômodos de sua casa, perdendo-se, um pouco, 
com a disposição do sótão, lugar de muita memória. 
 
121 
 
Tranças 
Encontro de um homem com uma mulher num cômodo escurecido de sua sala, diante da 
reprodução de uma pintura de Picasso. 
 
Um relatório de viagem 
Narrativa volta-se para anotações esparsas dos perfis dos ocupantes das poltronas de um 
ônibus, sua aparência física e comportamento enquanto viajam. 
 
Alguns roteiros para a classe média 
Roteiros diversos acerca do comportamento de um bancário: o modo como se conduz, 
do ônibus ao banco onde trabalha, como atende o caixa, tendo em mente que, na sua 
casa, se encontra, nua, embrulhada num lençol, uma mulher. 
 
Sonata 
Conferencista faz um pronunciamento especializado para centenas de pessoas acerca da 
fusão e separação de ministérios, até o momento inesperado em que perde a compostura 
com uma pergunta da platéia. 
 
O mergulhador 
Enquanto revela fotos em seu laboratório, fotógrafo recorda-se de um afogado e de um 
suicida, deste, antes e depois de saltar de um prédio. 
 
Vocês ainda não viram nada 
Senhor monta, num cômodo de sua casa, uma plataforma, e, sobre ela, um trenzinho, 
com vagões passando dentro de túneis, cruzando com carros, em perfeita sintonia. Por 
vezes, as crianças, que o veem, duvidam de sua sanidade. 
 
A maçã em pedaços 
Passagem de uma garotinha pela casa da tia histérica, enquanto irmã e cunhado 
passeiam. Para a tia, um prazer, e, ao mesmo tempo, uma volta a traumas profundos. 
 
Guardando roupa suja 
122 
 
Retorno de um casal para o mesmo hotel e praia de vinte e cinco anos atrás, quando lá 
estiveram recém-casados. A esposa refaz rápida e profunda análise do comportamento 
do marido. 
 
Bibliografia crítica individual 
 
CALDEIRA MENDONÇA, Marco. Entrevista “Livro é alimento de que o povo 
precisa”. In: Observatório da Imprensa. Reproduzido de O TREM Itabirano nº 75, 
dezembro de 2011. Disponível em: http://observatoriodaimprensa.com.br/armazem-
literario/_ed673_livro_e_alimento_de_que_o_povo_precisa/. Acesso em: 25 out. 2015. 
 
Marco Caldeira Mendonça resenha, no Observatório da Imprensa, em 20/12/2011, 
Ficha de vitrola e outros contos, de Jaime Prado Gouvêa. Trata-se, segundo o 
comentarista, de volume de contos refinados, de um autor que acredita na produção 
esmerada de uma obra. 
 
CORDEIRO GOMES, Renato. À Flor da Terra: uma vitrine. In: Travessia. Publicação 
do Programa de Pós-Graduação em Literatura. v. 22, 1991, p. 11-27. Disponível em: 
file:///C:/Users/Cliente/Downloads/17179-52927-1-PB.PDF. Acesso em: 12 dez. 2015. 
 
Renato Cordeiro Gomes, em ensaio para a revista Travessia, analisa o livro de contos de 
Jaime Prado Gouvêa, Ficha de vitrola e outros contos, e identifica, em sua articulação, 
uma linha metafórica alimentada por motivos musicais,embora direcionada a questões 
comuns, do dia a dia vivido por personagens também comuns. 
 
PAIOL LITERÁRIO Jaime Prado Gouvêa. In: Jornal Rascunho. Disponível em: 
http://rascunho.com.br/jaime-prado-gouvea/. Acesso em: 25 out. 2015. 
 
Luís Henrique Pellanda entrevista, para a sessão Paiol Literário, do Jornal Rascunho, 
Jaime Prado Gouvêa, que, em longa conversa, diz que o convívio faz uma geração, 
enfatiza o que aprendeu no Suplemento Literário de Minas Gerais, em que até hoje está. 
Lembra de sua geração – entre eles, Sérgio Sant´Anna e Luiz Vilela –, que se juntava 
em torno de Murilo Rubião, então, o coordenador do Suplemento. Para o escritor, sua 
literatura nasce de sofrimentos seus, e também do sofrimento que sente para a escolha 
123 
 
das palavras certas. Observa, por último, que a produção do conto é mais exigente que a 
do romance; o conto, para ele, é um texto compacto, de composição mais difícil. 
 
RODRIGUES, Rafael. A vitrola de Jaime Prado Gouvêa. In: Digestivo Cultural. 
Disponível em: 
http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2867&titulo=A_vitrola
_de_Jaime_Prado_Gouvea. Acesso em: 29 nov. 2015. 
 
Rafael Rodrigues resenha Fichas de vitrola e outros contos, em 04/08/2008, para o 
Digestivo Cultural. Para o resenhista, trata-se de um livro de contos bem cuidados, bem 
construídos, bem narrados e revisados por 30 anos pelo próprio autor.

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