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O PROJOVEM E O NOVO DINAMISMO ECONOMICO: desafios da 
qualificação profissional1 
 
Eliana Monteiro Moreira 
Professora Doutora /Universidade Federal da Paraíba/Brasil. 
emmoreira@uol.com.br 
 
Maria da Salete Barboza de Farias 
Professora Doutora /Universidade Federal da Paraíba/Brasil. 
E-mail: runasluz@hotmail.com 
RESUMO: O texto reflete as implicações da retomada da agenda desenvolvimentista 
no Brasil sobre as políticas de qualificação e formação profissional, com foco no 
PROJOVEM. O estudo se situa no Nordeste brasileiro tendo como espaço o estado de 
Pernambuco e nele, o Complexo Industrial Portuário de SUAPE/PE. O Complexo 
constitui o carro chefe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que expressa 
a nova agenda de desenvolvimento do governo de Luis Inácio Lula da Silva (2007-
2010) e tendo continuidade com o PAC2 no governo de Dilma Rousseff (2011-2014). 
Pretendemos conhecer o desempenho do PROJOVEM na região, e em que medida este 
Programa vem atendendo em nível local as novas demandas do setor empresarial, assim 
como às necessidades dos trabalhadores tornando-o mais apto a se reposicionar diante 
da vida, do seu trabalho e da realidade. 
Palavras chave: PROJOVEM; Qualificação Profissional; Desenvolvimento 
 
Introdução 
 As políticas públicas de qualificação do segmento jovem já têm uma trajetória 
que se faz longa no tempo. Com um breve recuo podemos acompanhar os seus 
momentos de inflexão e retrocesso com características diversificadas. Faremos uma 
passagem pelas gestões de Fernando Henrique Cardoso para localizar o enfoque dado 
neste governo às questões da educação terminando por nos centralizar nestas duas 
últimas décadas quando assume o poder Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. 
 Com a chegada de Lula ao poder em 2003 volta-se para se recolocar o debate 
sobre a questão da pobreza passando a partir de então a criar um ambiente público de 
debates para buscar saídas para a superação da pobreza. Várias foram as conferências 
nacionais sobre trabalho e emprego, saúde, assistência social, a questão da mulher entre 
outros. Foi constituída também a constituição do Conselho Econômico e Social – CDES 
 
1 Este texto parte das reflexões de um projeto integrado de pesquisa elaborado e coordenado por Roberto Véras de Oliveira e demais 
integrantes do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Políticas Públicas e Trabalho – LAEPT/UFPB (2012), intitulado: ”O novo 
desenvolvimentismo no Brasil visto a partir de suas implicações sociais no Nordeste”. 
e do Fórum Nacional do Trabalho – FMT, além de outras iniciativas. A educação passa 
a ser alvo de expressivos investimentos. A redução do Estado proposto pelo governo 
anterior neste momento, ao contrário, entra como indutor e balisador do processo de 
desenvolvimento econômico e social. 
 Várias foram as políticas públicas voltadas para o segmento de jovens 
quebrando a imagem negativa a ele atribuída como elemento desviante associado muitas 
vezes ao mundo da criminalidade, da violência e da droga. 
Em 2007 se acentua a retomada da agenda desenvolvimentista, e nas 
orientações dela advindas busca criar mecanismos para tentar resolver os graves 
problemas sociais que o país vinha vivenciando, principalmente a superação do 
desemprego e a construção da cidadania. Com isso, assiste-se a criação de um conjunto 
de políticas que viabilizasse a proposta desenvolvimentista, tendo como postura a de 
assegurar também a promoção do desenvolvimento humano como foco nas políticas 
sobre qualificação e formação profissional. 
A retomada deste debate, diante da complexidade com que vem se revestindo, 
nos fizeram revisitar as abordagens teóricas construídas até então e que marcaram as 
discussões sociológicas do pós guerra até a passagem aos anos 1980 a exemplo de 
Furtado (1992; 2000); Ridenti (2009); Fiori (2012); Oliveira (1987). O que estes autores 
vem discutindo agora no inicio do século XXI e com igual força tem girado sobre as 
novas configurações que a globalização vem imprimindo às sociedades entre as quais a 
realidade brasileira com suas distintas realidades regionais. 
 Consideramos que a atual agenda desenvolvimentista está inserida no 
Programa de Aceleração do Crescimento – PAC – implementada pelo Governo de Luiz 
Inácio Lula da Silva (2007-2010) considerado a figura chave deste novo debate 
definindo em suas prioridades, investimentos de grande porte voltados para a 
construção e requalificação da infraestrutura. Esta política vem tendo continuidade 
através do PAC2 no governo de Dilma Rousseff (2011-2014) que reforça seu discurso 
desenvolvimentista como saída à crise contrapondo-se assim a perspectiva monetarista 
que vê no corte dos investimentos estatais, dos gastos públicos, e no aumento dos 
impostos as medidas adequadas para sua superação. 
 Um dos objetivos fundamentais do PAC foi o de assegurar a superação de um 
dos gargalos maiores da economia – a questão da infreestrutura – aplicando para isto 
enormes investimentos, ao lado de procurar aumentar a produtividade das empresas, 
estimulando capital privado para gerar emprego e renda, e reduzir as desigualdades 
regionais. 
O cenário social mais amplo de nossas reflexões e pesquisa se situa no Nordeste 
brasileiro, tendo como espaço específico o estado de Pernambuco, e nele o Complexo 
Industrial Portuário de SUAPE, empreendimento situado na Região Metropolitana de 
Recife – carro chefe do dinamismo econômico e desenvolvimentista da região. O 
Complexo Portuário Industrial de SUAPE se insere no Programa de Aceleração do 
Crescimento - PAC, iniciado, conforme anunciamos acima, no governo de Luiz Inácio 
Lula da Silva (2007-2010) e tendo continuidade no Governo Dilma Rousseff (2011-
2014). 
 Neste contexto, um dos focos da recente agenda desenvolvimentista refere-se a 
qualificação e a formação profissional do jovem trabalhador, alimentando assim a 
política social do Programa Nacional de Inclusão de Jovens: Educação, Qualificação e 
Ação Comunitária – PROJOVEM. Este Programa é destinado a formação e preparação 
da juventude para participar ativamente como sujeito social em um momento em que 
esta participação é reivindicada pelos diversos setores sociais e econômicos da 
sociedade moderna. A esse respeito Mannheim (1968) assinala que a juventude passa a 
ser considerada “reserva vital das sociedades modernas; espécie de acúmulo energético, 
físico e mental somente posto em evidência em circunstâncias singulares, especialmente 
em situações que reivindicam necessidade de ajustamento a mudanças drásticas e 
imediatas. 
Diante da efervescência que a região nordeste, particularmente o Estado de 
Pernambuco, vem vivenciando nestes últimos anos com a abertura de novas ocupações 
e com a implementação de políticas públicas para acompanhar este dinamismo 
desenvolvimentista, pretendemos refletir sobre as seguintes indagações: Que 
reverberações as transformações econômicas vem produzindo no Estado de Pernambuco 
nos últimos anos, por conta da ativação do Complexo Industrial Portuário de SUAPE? 
que impactos, vêm provocando nas políticas sociais implementadas na região, 
especialmente, no que se refere ao PROJOVEM? Em que a política do PROJOVEM 
vem contribuindo para a inserção dos jovens trabalhadores de forma a melhorar a sua 
condição de vida e cidadania? 
Com o fim de refletirmos sobre estas questões, estruturamos o texto iniciando 
com breve histórico sobre ‘agenda desenvolvimentista no Brasil e políticas de 
qualificação’; depois faremos reflexões sobre “qualificação, formação profissional e as 
ações do PROJOVEM”; e no momento seguinte vamos situar o ‘SUAPE e o 
PROJOVEM na região metropolitana de Pernambuco’ com a dinamização do 
Complexo Portuário, para por fim, fazer ‘considerações’ que embasam as nossas 
reflexões atuais.Agenda desenvolvimentista no Brasil: do PAC às políticas de qualificação 
 
Tratar sobre este tema no Brasil nos remete a Bresser Pereira um dos seus 
estudiosos, que em um dos trabalhos (2003) procurou situar o país na retomada de 
políticas voltadas para o desenvolvimento, diante do fracasso da “ortodoxia neoliberal”, 
procurando garantir estabilização macroeconômica e crescimento. O referido autor 
Bresser Pereira (2003) coloca a possibilidade de se constituir, na América Latina e no 
Brasil, uma nova política econômica, baseada em uma nova estratégia nacional de 
desenvolvimento, denominado por ele de um “novo desenvolvimentismo”. Bresser 
Pereira (2006) sugere a necessidade de uma estratégia nacional de desenvolvimento, 
mas sem protecionismo e sem transigir com a frouxidão fiscal e com a inflação, 
devendo estar baseada em uma indústria competitiva voltada à exportação, sob um 
ambiente de abertura comercial negociada e ancorada em reciprocidades. A sua 
proposta pressupõe um Estado e Mercado fortes, bem como políticas públicas 
permanentes e flexibilização das relações de trabalho, mas sem precarização. 
Muito se tem discutido essa perspectiva desenvolvimentista no sentido de 
questionar se para levar a frente este projeto haveria uma imperiosa necessidade de fato 
de se promover uma reestruturação empresarial e uma reforma administrativa do 
Estado, como ele propõe como condição de tornar a economia mais competitiva. Outros 
estudiosos têm argumentado que isto só será possível com o fortalecimento do 
“empresariado nacional” como “núcleo endógeno” do desenvolvimento, associado a um 
“Estado forte” e a um “pacto nacionalista”, capaz de garantir a defesa dos interesses 
nacionais. É preciso que o país passe à condição de exportador de manufaturados, 
dotando-se de capacidade própria de inovação tecnológica e de financiamento. Para 
isso, a exemplo da Coréia do Sul, necessitará lançar mão de um protecionismo seletivo 
e realizar fortes investimentos em capital humano. 
É de se registrar, entretanto que esta perspectiva se afasta da de Bresser Pereira 
por atribuir uma ênfase maior à dimensão social do desenvolvimento: sob a defesa da 
compatibilização entre crescimento econômico e equidade social (VÉRAS DE 
OLIVEIRA, 2012). Importante são as reflexões de Marcio Pochamann (2012), trazendo 
à discussão a oportunidade criada com a crise global com vistas a um novo impulso 
desenvolvimentista na América Latina e no Brasil. Para ele no caso no Brasil, o 
desgaste do neoliberalismo reanimou o compromisso da maioria política emergente com 
o crescimento da economia. Entretanto, duas alternativas estariam postas: uma mais 
orientada à exportação de commodities e a outra mais referida a investimentos em valor 
agregado e em conhecimento. Apenas neste último caso seria possível caminhar na 
direção da superação do subdesenvolvimento. Para se avançar na segunda direção será 
preciso: implementar um processo de reorganização do Estado, com a integração das 
políticas públicas entre si (políticas econômica e social), garantindo uma prioridade para 
a questão social; um maior apoio às pequenas e médias empresas; a adoção de uma 
política fortemente redistributiva (reforma tributária). 
Bielschowsky (2000) retoma as cinco correntes que historicamente disputaram 
no Brasil a era desenvolvimentista: a liberal (referência principal: Eugênio Gundin); o 
desenvolvimentismo do setor privado (com Roberto Simonsen à frente); o 
desenvolvimentismo do setor público não-nacionalista (proposto sobretudo por Roberto 
Campos); o desenvolvimentismo público nacionalista (expresso no pensamento da 
Cepal e do Iseb, tendo como principal referência Celso Furtado); e o projeto socialista 
do PCB. 
Nos anos 1960 aos 1980, registra-se um processo de críticas ao 
desenvolvimentismo, produzidas em uma perspectiva de esquerda: de Fernando 
Henrique Cardoso e Enzo Faletto, passando por Maria da Conceição Tavares, Paul 
Singer e Francisco de Oliveira, até João Manuel Cardoso de Mello, entre outros. As 
críticas iam no sentido de mostrar que a perspectiva desenvolvimentista omitiu as 
contradições de classes, ao priorizar as contradições entre nações. Com o “Milagre”, o 
tema do desenvolvimento ganhou uma versão de direita (segurança e desenvolvimento), 
tendo saído gradativamente do foco dos estudiosos da esquerda. Depois veio a onda 
neoliberal e, mais recentemente, com o seu esgotamento, surgiu um novo espaço para 
novas elaborações sobre a presença do Estado no planejamento da economia. 
Recentemente, com a retomada do crescimento econômico e um maior 
incremento nas políticas sociais, quando se observam modificações nos indicadores 
sociais e do trabalho, alguns estudos vêm procurando compreender o boom do 
desenvolvimento atual. Neste sentido, Baltar, Krein e Leone (2009: 44-45) assim se 
expressam: 
A reativação da economia brasileira, a partir de 2004, num 
contexto de manutenção do elevado superávit primário, provocou 
crescimento das oportunidades de emprego e crescente 
formalização das relações de trabalho [...] O impacto da 
retomada da economia em termos de modificar o mercado de 
trabalho é limitado, exigindo muitos anos de intenso crescimento 
econômico, mesmo porque deverá continuar a expressiva 
intensidade da ampliação da população ativa [...] 
 
 Neste contexto o discurso do governo tem situado este dinamismo econômico 
como expressão de um novo élan desenvolvimentista. O final do primeiro mandato do 
governo de Luis Inácio Lula da Silva tem sido referido como o período que marca o 
início do discurso do Governo Federal sobre o novo desenvolvimentismo tônica esta 
que vai se manter nas ações que dão suporte ao seu segundo mandato. Trata-se do 
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) lançado em 2007 - figura chave deste 
novo desenvolvimentismo definindo em suas prioridades, investimentos de grande porte 
voltados para a construção e requalificação da infraestrutura. 
 Coube à Ministra da Casa Civil do presidente Lula, Dilma Roussef, a 
coordenação do Programa, tornando-se também sua principal auxiliar e mais tarde 
indicada à sua sucessão. Assumindo a presidência, ela continuará a dar ao PAC a 
centralidade atribuída ainda em campanha e todas as suas ações vão convergir para o 
seu constante fortalecimento. Reafirmando o discurso desenvolvimentista do segundo 
governo de Lula, Dilma se volta para ampliar e aprofundar as ações executadas, e no 
tentar superar a crise financeira internacional de 2009 adota como estratégia aumentar 
sua atenção ao PAC já que na definição das prioridades havia sido decidido por ações 
que assegurassem o estímulo aos investimentos em infraestrutura, ao mercado interno, 
ao setor produtivo e à geração de emprego e renda. Com o êxito dessas ações postas em 
prática, Dilma reforça seu discurso desenvolvimentista como saída à crise contrapondo-
se assim a perspectiva monetarista que vê no corte dos investimentos estatais dos gastos 
públicos e no aumento dos impostos, as medidas adequadas para sua superação 
(OLIVEIRA, 2012). 
 O PAC, em sua primeira versão inaugurada no inicio da segunda gestão de Lula, 
defendia que os ajustes fiscais e administrativos implementados durante o seu primeiro 
mandato em um contexto internacional favorável, propiciariam novos estímulos para a 
retomada do crescimento econômico, desta vez associado a política de distribuição de 
renda. Este enfoque desenvolvimentista adotado pelo governo vê no Estado o papel de 
indutor do crescimento econômico, ratificando seu compromisso com a geração de 
emprego e renda mesmo dentro dos limites ditados pelos compromissos 
macroeconômicos. 
 Segundo Pêgo & Campos Neto (2008) são acordes em mostrar a relevância do 
PAC, ao objetivar as seguintes metas: “a) investimento em infraestrutura; b) estímulo ao 
crédito e ao financiamento; c) melhora do ambiente de investimento;d) desoneração e 
aperfeiçoamento do sistema tributário; é) medidas fiscais de longo prazo”, (p.07). O 
Programa vai manter como parâmetro alguns princípios próprios da perspectiva 
monetarista, como a questão do equilíbrio fiscal amparado no controle do câmbio e dos 
juros, como forma de assegurar as novas estratégias desenvolvimentistas. 
 Toda a tônica do PAC nesta fase foi a de encontrar meios para superar uma das 
grandes deficiências da economia brasileira responsáveis pela queda da competitividade 
– a questão da infraestrutura, ao lado de procurar aumentar a produtividade das 
empresas, estimulando os investimentos privados para gerar emprego e renda e reduzir 
as desigualdades regionais. Os documentos oficiais mostram que foram dadas fortes 
injeções financeiras até o final de 2010 nos setores de energia, transporte, habitação, 
saneamento e recursos hídricos. Datam deste período a criação das Usinas 
Hidroelétricas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, da Usina Termelétrica de Pecém, 
no Ceará, da Transposição do Rio São Francisco e da Ferrovia Transnordestina no 
Nordeste, e da construção da Refinaria Abreu e Lima da Petrobrás em Pernambuco, 
além de um leque de programas de grande impacto social como: o “Minha Casa Minha 
Vida” o “Luz para Todos” voltados para os setores de habitação e de distribuição de 
energia respectivamente para as camadas mais empobrecidas da população.. 
 Em 2010 o governo lança o PAC 2 que vai reafirmar os eixos estruturantes do 
Programa: transportes, energia, Cidade Melhor, Comunidade Cidadã, Minha Casa 
Minha Vida, Água e Luz para Todos. A construção da Usina Hidroelétrica de Belo 
Monte no Pará, que segundo o governo será a terceira maior do mundo, foi integrada 
pelo PAC ao setor de energia (BRASIL, 2012). 
 Apesar de toda mobilização da economia provocada pelo PAC, não têm sido 
poucas as críticas que a ele se dirigem: para alguns, há ações desconectadas de outras 
ações estratégicas do Governo nos campos econômico e institucional, conferindo, com 
isso, um caráter mais emergencial do que de longo prazo às medidas; outros colocam 
que as obras de infraestrutura se voltam mais para reforçar o setor de exportação de 
commodities,contribuindo para agravar a dependência externa, especialmente quanto ao 
papel econômico das regiões periféricas, como é o caso da Amazônia (KUPFER, 2007). 
Embora enfrentando todas essas críticas, o PAC tem mantido uma dinâmica constante 
de expansão. Os sucessivos recordes de arrecadação fiscal, o aumento do consumo, o 
conseqüente aquecimento do mercado interno, a ampliação do trabalho formal, 
respondem por esta expansão. 
 Os investimentos privilegiados pelo PAC, se tem favorecido a competitividade da 
economia nacional, tem também aplicado recursos expressivos em saneamento básico, 
tratamento de água e esgoto, habitação popular e, ao lado de um conjunto de outras 
políticas, como a capitaneada pela Bolsa Família, vem assegurando uma melhor 
distribuição de renda e elevado significativamente o nível de consumo dos segmentos 
mais pobres da população. 
 Mesmo reconhecendo os avanços que a realidade vem conhecendo com a 
aceleração da economia que o país vem vivenciando nessas últimas décadas, tornam 
cada vez mais evidentes os desafios e as dificuldades que envolvem a construção de 
uma agenda desenvolvimentista no sentido de conseguir assegurar de forma adequada o 
crescimento econômico as questões da equidade social e regional e as questões 
educacionais, sobretudo aquelas relacionadas as questões de formação e qualificação. 
Este é um dos impasses que o debate sobre o desenvolvimento continua a expressar e se 
mantém em aberto e cada vez mais central nas agendas social, política, econômica e 
educacional, sobretudo quando sabemos que a educação e um dos elementos 
fundamentais para o desenvolvimento satisfatório e equilibrado de um pais. Dentro 
desta preocupação com a formação e a qualificação o PAC reservou um investimento 
significativo para a criação de política pública voltada para jovens em situação de 
vulnerabilidade social - PROJOVEM que, com seus cursos e ações vem viabilizando a 
inserção no mercado de trabalho desses jovens, capacitando-os ao enfrentamento dos 
novos desafios do mercado de trabalho. 
 Conforme anunciamos aqui se situa o foco de nosso interesse – o PROJOVEM. 
O recorte deste tema tem também o seu recorte espacial - o cenário do Complexo 
Industrial e Portuário de SUAPE, enquanto empreendimento que vem dinamizando a 
agenda desenvolvimentista do Estado de Pernambuco em sua fase atual e, 
conseqüentemente, vem trazendo desdobramentos nos diversos setores -econômicos, 
sociais, culturais e educacionais - não só para o município sede, como para os 
municípios do entorno do Complexo, particularmente Ipojuca e Cabo de Santo 
Agostinho, que formam o chão mais direto de nossas investigações. 
 Vale ainda salientar que em ação conjunta com o governo federal o Governo de 
Pernambuco instalou escolas técnicas em vários municípios de SUAPE, além de ter 
criado uma unidade do SENAI dentro do próprio Complexo. Junta-se a estas iniciativas 
a implementação de ações/programas do governo federal, a exemplo do PROJOVEM, 
em parceria com a Secretaria da Educação e instituições da sociedade civil, com o 
objetivo de promover e assegurar a capacitação/formação da mão de obra, com especial 
atenção aos segmentos jovens da região. 
 
Qualificação e formação profissional: o PROJOVEM em ação 
 O programa de qualificação profissional tem se constituído em importante 
estratégia de ação do Estado. Ele tem como principal preocupação aliar à superação do 
desemprego a introdução também do debate voltado para a contribuição da construção 
social da cidadania. Neste particular destacamos a política de formação profissional com 
o intuito de propiciar a participação qualitativa dos sujeitos na dinâmica da sociedade. 
Vale registrar que com a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB 
9394/1996, a sua regulamentação data especialmente com o Decreto n. 2.208/97 e as 
Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino técnico e o ensino médio (BRASIL, 
CNE, 1998a, 1998b, 1999a, 1999b). O conteúdo deste Decreto foi objeto de discussão 
pelos mais diversos setores da sociedade brasileira, principalmente da ala progressista 
tendo como argumento que com esta formulação a formação profissional não 
contribuiria para a democratização do ensino e nem para a sua qualidade. Na verdade 
parte da política de educação profissional tinha como objetivo atender a demandas por 
qualificação e requalificação profissional da população adulta de baixa escolaridade 
mediante a oferta de cursos de curta duração, a nosso ver de forma aligeirada e 
fragmentária, dissociados da educação básica e de um plano de formação continuada. 
 Desde a promulgação da LDB que a sociedade em suas instâncias organizativas 
luta pela construção de uma regulamentação que de fato atenda aos desejos e 
necessidades sociais e culturais da classe trabalhadora. 
 Em 2004 mais um Decreto regulamenta a Educação Profissional. Trata-se do 
Decreto n. 5.154/2004 que de acordo com as observações de Frigotto (2005) “De uma 
política consistente de integração entre educação básica e profissional, articulando-se os 
sistemas de ensino federal e estaduais, passou-se à fragmentação iniciada internamente, 
no próprio Ministério da Educação”. Em sua análise Frigotto continua 
 
Com efeito, a partir de 28 de julho de 2004, três dias após o 
Decreto n. 5.154/2004 ser exarado, foi anunciado o Programa 
Escola de Fábrica com um modelo restrito à aprendizagem 
profissional. Além disso, passou-se a enfrentar uma nova e 
complicada conjuntura: a reestruturação do MEC colocou a 
política do ensino médio na Secretaria de Educação Básica, 
separando-a da política de educação profissional.Neste contexto, a política de educação profissional compõe uma série de 
programas focais, a exemplo do já citado Escola de Fábrica, Integração da Educação 
Profissional ao Ensino Médio na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos 
(PROEJA) e do Inclusão de Jovens (PROJOVEM). O PROJOVEM foi instituído pelo 
governo Lula com a Lei 11.129/2005 de 30 de Junho de 2005 - elaborado em 
substituição ao Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego para Jovens 
(PNPE), em que a faixa etária dos jovens era menos abrangente - que em seu formato 
original diz: 
 
Art. 1º - Fica instituído, no âmbito da Secretaria Geral da 
Presidência da República, o Programa Nacional de Inclusão de 
Jovens – PROJOVEM, programa emergencial e experimental, 
destinado a executar ações integradas que propiciem aos 
jovens brasileiros, na forma de curso previsto no art. 81 da Lei 
no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, elevação do grau de 
escolaridade visando a conclusão do ensino fundamental, 
qualificação profissional voltada a estimular a inserção 
produtiva cidadã e o desenvolvimento de ações comunitárias 
com práticas de solidariedade, exercício da cidadania e 
intervenção na realidade local (BRASIL, 2005). 
 
 Este programa também tem uma outra particularidade que é a atenção dada a 
juventude, ou seja ele foi pensado como parte da Política Nacional de Juventude 
apresentada em 2005 pelo governo Lula da Silva (conforme dito) sendo logo em 
seguida institucionalizado através de Decreto 11.629 de 04/11/2008, apresentando como 
finalidade “executar ações integradas que propiciem aos jovens brasileiros reintegração 
ao processo educacional, qualificação profissional em nível de formação inicial e 
desenvolvimento humano”. Conhecido ou renomeado como novo PROJOVEM 
integrado abrange quatro linhas de atuação distintas: PROJOVEM Urbano, sob 
responsabilidade da Secretaria-Geral da Presidência da República; PROJOVEM Campo 
– Saberes da Terra, sob responsabilidade do Ministério da Educação; PROJOVEM 
Trabalhador, sob responsabilidade do Ministério do Trabalho e Emprego - MTE; e 
PROJOVEM Adolescente – Serviço Socioeducativo, sob responsabilidade do 
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. 
 De acordo com o MTE, o PROJOVEM Adolescente tem como finalidade 
o serviço socioeducativo de jovens de 15 a 17 anos pertencentes ao Programa Bolsa 
Família, egressos de medida socioeducativa, reclusos ou em meio aberto, em medida de 
proteção, vinculados ao Programa de Erradicação da Pobreza ou de Combate ao abuso e 
a exploração sexual; O PROJOVEM Urbano - tem o objetivo elevar a escolaridade dos 
jovens possibilitando-os à conclusão do ensino fundamental, à sua qualificação 
profissional e ao desenvolvimento de ações comunitárias como exercício da cidadania, 
na forma de curso; PROJOVEM Campo (ou Saberes da Terra) - é destinado a jovens 
com idade entre 18 (dezoito) a 29 (vinte e nove) anos, residentes no campo, que saibam 
ler, escrever e que não tenham concluído o ensino fundamental. O objetivo é elevar a 
escolaridade dos jovens da agricultura familiar, integrar a qualificação social e formação 
profissional, estimular a conclusão do ensino fundamental e proporcionar a integração 
do jovem, na modalidade educação de jovens e adultos, em regime de alternância; e por 
fim o PROJOVEM Trabalhador - é destinado a jovens com idade entre 18 (dezoito) a 29 
(vinte e nove) anos, em situação de desemprego e que sejam membros de famílias com 
renda mensal per capita de até 1 (um) salário-mínimo. O objetivo é preparar o jovem 
para o mercado de trabalho e ocupações alternativas geradoras de renda, por meio da 
qualificação social e profissional e do estímulo à sua inserção. 
 Como se observa o PROJOVEM surge no conjunto da política de formação e 
qualificação profissional de âmbito nacional, com caráter experimental, emergencial 
devendo funcionar de maneira integrada na modalidade presencial assegurando ao aluno 
a perspectiva de conclusão do ensino fundamental, conhecimentos vinculados ao campo 
profissional e social mediante a realização de ações de interesse público e com acesso 
aos recursos tecnológicos. 
 Dentre as modalidades do PROJOVEM o nosso interesse se centraliza no 
PROJOVEM trabalhador para vermos exatamente o alcance de seu desempenho nesta 
dinâmica oferecida pelo complexo portuário de SUAPE. Procuramos apreender em que 
medida a freqüência nesses cursos tem contribuído para ampliar o leque de 
oportunidades de inserção no trabalho para esses jovens, e em que medida tem 
contribuído para melhoria de suas condições de vida, de felicidade pelos acessos 
obtidos. 
 
SUAPE e PROJOVEM: encontro de agendas 
 
 
 Data de 28 de janeiro de 2007, o lançamento pelo governo federal do 
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – programa econômico que se propõe a 
resgatar o Estado como dinamizador das condições estruturais para o crescimento 
econômico. O discurso do governo aponta que com este programa promoverá o 
crescimento econômico. Para tanto lança um conjunto de medidas “destinadas a 
incentivar o investimento privado, aumentar o investimento público em infra-estrutura e 
remover os obstáculos burocráticos, administrativos, normativos, jurídicos, legislativos” 
que vem impedindo o crescimento, esperando com isso aumentar o emprego e dar 
condições de melhoria de vida da população brasileira. 
 Mesmo diante dos avanços que a realidade apresenta com a aceleração da 
economia nessas últimas décadas, reafirmamos a necessidade da construção de uma 
agenda desenvolvimentista no sentido de conseguir assegurar de forma adequada o 
crescimento econômico com as questões da equidade social e regional e as questões 
educacionais, de formação e qualificação. 
As nossas inquietações vão no sentido de investigar como vem se efetivando no 
complexo portuário do SUAPE esta política de formação e qualificação dos jovens 
como proposta central do Programa inserido na agenda desenvolvimentista lançada pelo 
PAC com a política pública de formação e qualificação profissional voltada para os 
segmentos jovens, o PROJOVEM, 
 A realização do Complexo Industrial Portuário de SUAPE remonta à década de 
1950 ocasião em que um economista e engenheiro especialista em portos em visita ao 
Recife, o padre francês Louis Joseph Lebret, identificou nesta localidade condições 
favoráveis para a implantação de um porto, e, nas suas proximidades uma refinaria de 
petróleo. Nas palavras do economista Valdeci Monteiro dos Santos um dos integrantes 
da equipe do consórcio Planave-Projetec que elaborou o Novo Plano Diretor de SUAPE 
(2010), numa entrevista concedida a revista do Instituto Humanista Unisinos - IHU On-
Line, em 24/04/2012, em 1974 começa a ganhar corpo com a desapropriação de uma 
área de 13,500 milhões de hectares de terras de antigos engenhos, usinas e de áreas 
destinadas à reforma agrária e ocupadas por pequenos produtores rurais (BARROS; 
SILVEIRA, 2010), no litoral sul, entre os municípios de Ipojuca e Cabo de Santo 
Agostinho, há 40 km da cidade do Recife (VERAS de OLIVEIRA, 2012). 
 Essa região se apresentava como as condições das mais favoráveis à 
implantação do empreendimento: águas de profundidade (17 metros), adequadas, 
portanto a atracagem de navios de grande calado, uma formação de 1,2 quilômetros de 
arrecifes ao longo da costa, assegurando proteção de quebra-mar, além de uma 
localização estratégica em relação às rotas internacionais da África, Europa, Estados 
Unidos. 
 Apesar de certo silenciamento sobre o avanço do empreendimento, dado ao 
cenário adverso tanto nos planos mundial (crise econômica, por conta do primeiro 
choque do petróleo, impulso da financeirização), como no nacional e local resultante do 
endividamento externo, proposta de desconcentração produtiva sugerida no II Plano 
Nacionalde Desenvolvimento do governo Geisel sem a resposta esperada na economia 
de Pernambuco, que vive neste período um forte processo de desindustrialização. 
Mesmo sem que estivesse no bloco de investimentos do Plano, o governo do estado 
decide lançar o complexo potuário-industrial cuja estrutura portuária foi sendo 
construída gradativamente com as obras de infraestrutura como a instalação do sistema 
viário, abastecimento de água, energia elétrica, telecomunicações. 
 Embora ainda sem grandes impactos na economia regional, documentos oficiais 
(SUAPE, Governo do Estado de Pernambuco, 2010) mostram ser 1978 o ano em que 
SUAPE aparece como uma empresa pública estatal criada tendo por objetivo 
administrar a implantação do distrito industrial, o desenvolvimento das obras, bem 
como as atividades portuárias. 
 Em 1983 com a chegada da Petrobrás - primeira empresa a se instalar - o 
Complexo Industrial Portuário começa a operar efetivamente com a instalação de 
sucessivos empreendimentos atraindo empresas de combustíveis como a BR 
Distribuidora, Shell, Texaco e Esso, transferidas do Porto de Recife por conta de um 
incêndio; em 1984 com a construção do Pier de Granéis Líquidos (derivados de 
petróleo, produtos químicos, óleos vegetais e alcoóis), o embarque de álcool é iniciado; 
1987 ocorre a transferência do porto de Recife para SUAPE o Parque de Tacagem de 
Derivados de Petróleo; início da construção do Cais de Múltiplos Usos que irá assegurar 
a movimentação de contêineres para granéis sólidos. Em 1991 registra-se o inicio das 
operações do Cais. 
 Em 1996 o Complexo Portuário Industrial de SUAPE é incluído no programa 
“Brasil em Ação” do governo federal, o que vai possibilitar aportes de financiamento 
para infraestrutura ampliando a malha portuária com a construção do “porto interno” 
que foi inaugurado em 1999 tendo 935 metros de extensão e uma profundidade de 15,5 
metros. Cada vez mais SUAPE se consolida passando de “porto industrial”, para “porto 
concentrador de cargas” se colocando como um dos 11 portos mais atraentes para 
investimentos públicos do país, apesar das medidas orçamentárias restritivas adotadas 
no segundo período da gestão de Fernando Henrique Cardoso (1999/2002). A título 
demonstrativo do que representou esta redução convém lembrar que do montante de R$ 
155 milhões aplicados em SUAPE no seu primeiro mandato, este passa para 136 
milhões. A recuperação deste quadro se dará ao longo do primeiro governo de Luis 
Inácio Lula da Silva entre 2003/2006 quando o Complexo recebe nova injeção 
orçamentária atingindo a cifra de 147,6 milhões. 
 Em 2005, SUAPE começa a conhecer um novo e vigoroso momento de expansão 
com as primeiras medidas para instalação da refinaria de petróleo General Abreu e 
Lima, projeto viabilizado, segundo a opinião de Santos (2012), pela convergência de 
três importantes fatores: I - o ambiente de retomada da economia brasileira em novas 
bases em que o Nordeste passou a apresentar taxas de crescimento acima da brasileira; 
II - a decisão do governo federal através da Petrobrás, de construir uma nova refinaria 
depois de 28 anos no Nordeste e também de reativar a indústria de construção naval a 
partir da sinalização de encomenda de novos navios e plataformas feitas em estaleiros 
do Brasil (o que viabilizou a implantação do estaleiro Atlântico Sul em SUAPE); e III - 
a postura e ação proativas do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, em termos 
de política de atração de investimentos, favorecido também pelo seu alinhamento 
político com o governo federal. 
 Vale colocar que até então as empresas instaladas eram de médio porte e de 
baixa complexidade tecnológica, perfil este que passará por profundas modificações a 
partir de então por conta de novas frentes de investimento, atraindo a instalação de 
novos empreendimentos. Até 2006, SUAPE contava com mais de 80 empresas resultado 
de aplicações de recursos privados totalizando apenas US$2,2 bilhões, enquanto que 
entre 2007 e 2010 outras 37 foram implantadas, com investimentos no montante de 
US$17 bilhões. Esses dados disponibilizados pelos documentos (SUAPE/GOVERNO 
DO ESTADO de PERNAMBUCO, 2010) só fazem colocar em evidência o poder de 
atração que SUAPE passou a mobilizar e o boom que a economia do Complexo de 
SUAPE conhece em resposta aos volumosos investimentos realizados. 
Com o aquecimento da economia novos investimentos são aplicados em 
infraestrutura com a construção da segunda etapa do Píer de Granéis Líquidos, a 
dragagem e construção de um novo cais, do 1º prédio da Central de Operações 
Portuárias para abrigar as autoridades portuárias, duplicação da avenida portuária já 
contando com 4,4 km de extensão otimizando assim o tráfego/circulação interna no 
Complexo; edificação do Centro de Treinamento de SUAPE para atender moradores da 
região e trabalhadores do Complexo. 
No segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva assiste-se a reafirmação do 
discurso desenvolvimentista com a implementação do Programa de Aceleração do 
Crescimento 2 que já falamos anteriormente, continuando o SUAPE a ser o carro chefe 
do Programa, carreando expressivos investimentos públicos e privados que serão 
responsáveis por importantes transformações tanto no Complexo, como em seu entorno. 
Reforça este processo a ativação da construção da Ferrovia Transnordestina que 
fará de SUAPE um porto de referência no escoamento de produtos de grande impacto 
econômico e social para o interior do Nordeste. Como ressalta Santos (2012), assiste-se 
uma mudança expressiva no perfil produtivo das empresas que chegam à SUAPE. 
Surgem novas atividades e cadeias produtivas (gás e petróleo, empresas de 
petroquímica, siderurgia, construção naval, etc.), mas as indústrias tradicionais são 
igualmente ativadas como as de processamento de alimentos, a têxtil, a de bebidas. 
O Complexo de SUAPE vai se tornando cada vez mais atrativo pelas 
oportunidades de emprego que oferece tanto nos canteiros de obra das empresas em 
implantação (só na Refinaria Abreu e Lima, houve a criação de 1,5 mil empregos 
diretos e 130 mil indiretos), como na expectativa de se abrir um negócio. Esta 
efervescência de ocupações que a economia local vai anunciando nos remete a um breve 
recuo no tempo, contextualizando o quadro que antecede SUAPE hoje, isto para 
compreendermos o que ela passou a representar para a sua população e seus municípios 
circunvizinhos. 
A crise das atividades e ocupações rurais com o fechamento de usinas e 
engenhos, os processos de desapropriação de terras para construir o Complexo, a 
expulsão de pequenos produtores rurais tradicionalmente instalados nas terras 
obrigando-os a migrar para as periferias das cidades que o cercam, fez crescer nesta 
região bolsões de pobreza num cenário desolador de miséria pelas condições 
degradantes de vida que passam a ficar submetidos. As novas frentes de ocupações 
geradas, mesmo que de natureza precária, com um patamar elevado de informalização, 
surgem como novas possibilidades de saída desses sujeitos do impasse existencial 
vivenciado. Dentro deste descontrole do mercado de trabalho que a região apresenta os 
segmentos jovens têm sido os mais drasticamente atingidos. 
De perfil tecnológico dos mais avançados, o Complexo Industrial Portuário de 
SUAPE conta atualmente com mais de 100 empresas em funcionamento (a Refinaria 
Abreu e Lima, Petroquímica SUAPE, Estaleiro Atlântico Sul, Energética SUAPE 
(termelétrica), Bunge (refinaria de óleos vegetais, moinho de trigo), cimento Brasil, 
Coca-cola (fabricação), entre outras), que, pelos dados oficiais do governo do Estado de 
Pernambuco (2012) têm provocado forte impacto com a criação expressiva de empregos 
diretos e indiretos. 
Esta dinâmica econômica reforça o élan desenvolvimentista do governador do 
estado Eduardo Campos, deixando em seus discursos a responsabilidade que assume deassegurar este processo. Assim ele se expressa: “[...] o desafio agora é capacitar a 
população para a nova realidade de nosso mercado de trabalho. Parcerias, convênios e 
contratos estão promovendo uma inédita mobilização em prol da formação e 
especialização da mão- de- obra pernambucana” [...] (SUAPE, GOVERNO DO 
ESTADO, 2010) . 
O entendimento de que o desenvolvimento econômico não se efetiva sem 
desenvolvimento social, ou seja, com desconcentração da riqueza, universalização dos 
direitos sociais (saúde, trabalho, habitação e educação) eliminação da pobreza e das 
desigualdades, tem sido estes os pilares do compromisso dos dois últimos governos sob 
a gestão de Luis Inácio Lula da Silva, e reafirmado com a presidenta Dilma Rouseff, 
criando para isto um conjunto de políticas públicas para efetivá-los. Dentre estas ações 
se destaca o já mencionado PROJOVEM que, com seus cursos tem como proposta 
assegurar a formação e qualificação profissional de jovens. Com essas medidas o 
governo tem buscado neutralizar os discursos do empresariado em salientar o 
despreparo/desqualificação desses segmentos como forma de criar mecanismos cada 
vez mais restritivos para a sua inserção. 
 No atual contexto de desenvolvimento econômico é de se esperar que o 
Programa, ao qualificar o jovem trabalhador de fato contribua para um desempenho 
desejável de suas funções na realidade social. No caso específico do dinamismo do 
Complexo Industrial Portuário SUAPE, que vem dando uma nova configuração nas 
exigências de formação e qualificação, que contribuições o PROJOVEM tem conferido 
ao avanço qualitativo da dimensão social do desenvolvimento ali proposto? Que 
retorno os jovens integrantes do PROJOVEM tem conferido a sua vida social, 
profissional e pessoal? As atividades desenvolvidas pelo PROJOVEM têm trazido 
impacto para o desenvolvimento proposto nos municípios de Ipojuca e Cabo de Santo 
Agostinho? São estas e outras questões que serão perseguidas ao longo do estudo sobre 
este Programa para termos condições de um melhor entendimento de como ele vem 
sendo materializado, identificando as interfaces entre o PROJOVEM e o contexto da 
agenda desenvolvimentista tendo como carro chefe – SUAPE em Pernambuco. 
 
Considerações finais 
 
 Mesmo que não haja obrigatoriedade a concretização do objetivo do 
PROJOVEM trabalhador, pode gerar expectativa nos jovens para ingresso no mercado 
de trabalho. Estudos vêm mostrando impasses desta política em termos de não ter 
condições de qualificar para dar atendimento a empresas com perfis tecnológico dos 
mais avançados. Com isso podemos ver a pertinência das reflexões de Frigotto (2005), 
no sentido de que as políticas educacionais que vem sendo postas em funcionamento no 
período neoliberal não vem contribuindo para a democratização do acesso e construção 
da cidadania tendo em vista sobretudo o nível de escolarização posta. 
 O sentido de nosso questionamento cada vez mais se reafirma: diante do porte 
tecnológico das empresas que SUAPE tem atraído, qual vem sendo a resposta do 
PROJOVEM no atender a demanda da mão de- obra? 
Em que medida o discurso empresarial de carência de mão de obra qualificada não vem 
querendo sinalizar os estrangulamentos que se começa a vivenciar? 
 - Em que medida o PROJOVEM vem se orientando no sentido de atender, no 
âmbito do Projeto de SUAPE, às novas demandas dos gestores públicos e do setor 
empresarial, assim como às necessidades dos trabalhadores? 
 - Para o jovem trabalhador atendido pelo PROJOVEM, em que essa política tem 
propiciado novas oportunidades ocupacionais e novas formas de atuação nas suas 
comunidades, com isso implicando melhoria não só de suas condições materiais, mas 
também existenciais tornando-o mais apto a se reposicionar diante da vida, de seus 
problemas e da realidade? 
 
 
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