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avaliação de impactos ambientais na indústria

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AVALIAÇÃO DE IMPACTOS 
AMBIENTAIS NA INDÚSTRIA
UNIASSELVI-PÓS
Autoria: Fernanda Pereira Lopes Carelli
Indaial - 2021
1ª Edição
C271a
 Carelli, Fernanda Pereira Lopes
 Avaliação de impactos ambientais na indústria. / Fernanda Pereira 
Lopes Carelli – Indaial: UNIASSELVI, 2021.
 155 p.; il.
 ISBN 978-65-5646-435-0
 ISBN Digital 978-65-5646-436-7 
1. Impactos ambientais. - Brasil. II. Centro Universitário Leonardo 
da Vinci.
CDD 577 
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090
Reitor: Prof. Hermínio Kloch
Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol
Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: 
Carlos Fabiano Fistarol
Ilana Gunilda Gerber Cavichioli
Jairo Martins 
Jóice Gadotti Consatti
Marcio Kisner
Norberto Siegel
Julia dos Santos
Ariana Monique Dalri
Marcelo Bucci
Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais
Diagramação e Capa: 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Copyright © UNIASSELVI 2021
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
 UNIASSELVI – Indaial.
Impresso por:
Sumário
APRESENTAÇÃO ............................................................................5
CAPÍTULO 1
Sustentabilidade na Indústria .....................................................7
CAPÍTULO 2
Políticas Ambientais ....................................................................57
CAPÍTULO 3
Práticas Ambientais na Indústria .............................................103
APRESENTAÇÃO
Avaliar os impactos ambientais na indústria pode parecer uma tarefa 
complicada e difícil, mas, quando pensamos o que é a indústria e o que ela 
significa economicamente, é possível perceber a importância e relevância deste 
setor. Neste momento, constatamos que é necessário e até mesmo imprescindível 
quantificar os impactos ambientais gerados, procurando minimizá-los para garantir 
uma atuação mais equilibrada e duradoura para todos.
A indústria é um setor tradicional. Desde sua criação na revolução industrial, 
os processos e forma de atuação da indústria podem ser considerados mais 
robustos e estruturados. Nesse sentido, grandes mudanças de gestão, em seus 
processos, ou na forma da condução das atividades, precisam ser ajustadas 
a uma realidade muitas vezes complexa, com muitos cargos e hierarquias, 
processos e produtos.
Por outro lado, pela sua relevância, a indústria tem um papel de transformação 
da sociedade, pois ela gera inovação, tecnologia e desenvolvimento. Neste 
sentido, existe uma expectativa de que a indústria seja uma protagonista no 
processo de construção de uma atuação empresarial mais sustentável. A partir 
disso, entendemos a importância de avaliar os impactos ambientais gerados pela 
indústria e identificar caminhos e ações para melhorar essa relação.
A indústria brasileira desde seu início estabeleceu como vantagens 
competitivas o fato de se ter uma abundância relativa de recursos naturais e uma 
oferta ilimitada de força de trabalho a baixos salários. Essas premissas permitiram 
a expansão e o crescimento industrial, porém, as indústrias não se preocuparam 
em desenvolver esforços de práticas sustentáveis ao longo do tempo, e isso 
acabou construindo uma imagem de um setor pouco sensível para as questões 
ambientais.
Atualmente, a realidade é outra, sabemos que os recursos são escassos 
e, por isso, é necessária uma atuação consciente e responsável. As indústrias 
precisam estar sensibilizadas com as questões ambientais e com os impactos 
gerados pela sua estrutura, instalação, produção, processos, insumos, produtos, 
resíduos, dentre outros. A indústria tem que avaliar e mensurar os impactos para o 
planeta, para a sociedade e para o consumidor, e prestar contas da sua atividade.
Medir os impactos ambientais gerados pelas indústrias e ter métricas e 
indicadores é um bom caminho para melhorar a forma de atuação do setor. Ao 
quantificar as ações, conseguimos fazer correções de rota, propor melhorias e 
minimizar o impacto ambiental. Você sabia que a indústria é um setor importante 
porque gera emprego, renda, tecnologia, progresso, produtos com valor agregado 
e importantes para impulsionar o desenvolvimento da sociedade? Pois é, por 
isso, esse setor precisa estabelecer métricas capazes de avaliar os impactos 
ambientais e o uso correto dos recursos naturais.
Quando uma indústria se instala, ela precisa observar diferentes aspectos, 
desde o terreno, o local, a cultura da região, a localização geográfica, o perfil 
dos habitantes e identificar se, de fato, ela vai contribuir para o desenvolvimento 
da região. Por isso, é importante avaliar os impactos gerados no ambiente para 
dimensionar e garantir uma relação harmoniosa de desenvolvimento sustentável.
No Capítulo 1, você aprenderá um pouco sobre sustentabilidade, a evolução 
das discussões sobre o tema, o conceito do triple bottom line e o pilar ambiental. 
Também entenderá como as indústrias vem inserindo as questões ambientais 
em sua cultura e imagem organizacional. E, por fim, conhecerá os conceitos 
ambientais que estimularam a criação de métricas, indicadores e formas para 
avaliar o uso dos recursos dentro das indústrias.
No Capítulo 2, abordaremos o tema políticas ambientais, descrevendo os 
principais atores e instituições presentes que regem e dirigem os processos 
ambientais. Você também entenderá como funcionam as normas ambientais e os 
projetos ambientais, além de aprender sobre o EIA e RIMA. Por fim, no Capítulo 
3, trabalharemos as práticas ambientais na indústria, com uma análise de 
negócios sustentáveis, indicadores ambientais e exemplos de questões práticas 
relacionadas ao meio ambiente que acontecem nos diversos setores industriais.
CAPÍTULO 1
Sustentabilidade na Indústria
A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
• Relacionar as ações das indústrias e seus impactos no meio ambiente.
• Reconhecer os conceitos de sustentabilidade, o pilar ambiental e sua evolução 
ao longo do tempo.
• Compreender a evolução do tema sustentabilidade ambiental e sua relação 
com a indústria.
• Compreender a importância de avaliar o impacto ambiental e conhecer 
ferramentas de avaliação e modelos existentes.
• Identificar e reconhecer as principais métricas de sustentabilidade utilizadas na 
indústria como estudos e relatórios de impacto ambiental.
• Analisar as principais métricas de sustentabilidade utilizadas pelo setor 
industrial.
• Avaliar os pontos positivos e negativos dos indicadores ambientais.
8
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
9
Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 
1 CONTEXTUALIZAÇÃO
A sustentabilidade é um tema que vem sendo discutido mundialmente pelos 
mais diversos fóruns e públicos. Você já deve ter ouvido falar a respeito da 
escassez de recursos, que temos apenas um planeta e que vivemos com recursos 
limitados, e, talvez, já tenha escutado as afirmações: “precisamos preservar os 
nossos recursos naturais”, “é necessário produzir mais com menos e com mais 
consciência” entre tantas outras frases, comuns no nosso cotidiano e, também, no 
ambiente corporativo.
Todo esse movimento demonstra uma preocupação por parte da sociedade 
em se portar de uma forma sustentável e consciente. Uma postura mais 
responsável se estende, também, para as indústrias que compreendem que 
precisam transformar os seus negócios e minimizar os impactos gerados em todas 
as esferas, sejam elas ambientais, econômicas ou sociais. Estamos vivendo um 
tempo em que é evidente a necessidade de construir uma nova forma de ação 
individual e coletiva. Um novo posicionamento das empresas baseado em novas 
bases competitivas e em estratégias e fatores diferenciados, a fim de preservar 
nossos recursos atuaise não impactar as necessidades das gerações futuras.
O fato é que sim, existe uma responsabilidade para as indústrias de uma 
atuação cada vez mais consciente, mas também, existem múltiplas oportunidades 
nesta nova economia. Afinal, o uso responsável dos recursos, com inovação, 
engajamento e um processo de produção sustentável pode abrir novas 
possibilidades, novas soluções e a possibilidade de desenvolver novos negócios. 
Afinal, o que é a sustentabilidade? E por que ela é tão relevante e necessária 
nas nossas vidas e no ambiente industrial? É isso que vamos abordar neste 
capítulo, em que o foco principal do estudo será compreender o conceito de 
sustentabilidade, entender o pilar ambiental e conhecer as formas de avaliar os 
impactos ambientais gerados pelas indústrias.
2 SUSTENTABILIDADE E O PILAR 
AMBIENTAL
De maneira geral, a palavra sustentabilidade significa sustentar, favorecer, 
conservar e cuidar. Ser sustentável significa ter a capacidade de ser mantido ou 
suportado. Então, a sustentabilidade pode ser compreendida como uma condição, 
um fim, uma meta estipulada que deve ser alcançada. Já o desenvolvimento 
sustentável é entendido como o caminho, como a forma para alcançar a 
sustentabilidade.
10
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Ambos os conceitos, seja o de sustentabilidade ou de desenvolvimento 
sustentável observam três aspectos, são eles: econômicos, sociais e ambientais. 
Para uma ação ser considerada sustentável, ela precisa se atentar para 
estes três aspectos, procurando não negligenciar nenhum deles. Para um 
melhor entendimento, é interessante conhecer e observar alguns conceitos de 
sustentabilidade e refletir sobre o que eles representam, e é isso que vamos ver 
a seguir. 
2.1 CONCEITO DE 
SUSTENTABILIDADE E 
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Existem diversos conceitos de sustentabilidade e desenvolvimento 
sustentável. O que vamos utilizar aqui como o principal é o que está contido 
no Relatório de Brundtland, por ser um dos mais difundidos e aceitos nas mais 
diferentes esferas sociais, políticas e organizacionais.
[...] desenvolvimento sustentável é um processo de 
transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos 
investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico 
e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o 
potencial presente e futuro, a fim de atender às necessidades 
e aspirações futuras [...] é aquele que atende às necessidades 
do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações 
futuras atenderem as suas próprias necessidades (COMISSÃO 
MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO, 
1991, s. p.).
O Relatório de Brundtland é um documento também conhecido 
como “Nosso Futuro Comum”, publicado em 1987, que apontou o 
risco no uso excessivo dos recursos naturais para atender às formas 
de produção e os padrões de consumo. Este relatório disseminou a 
ideia de desenvolvimento sustentável. A versão em inglês pode ser 
acessada no link: https://sustainabledevelopment.un.org/content/
documents/5987our-common-future.pdf 
11
Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 
A questão central que o relatório apresenta neste conceito de desenvolvimento 
sustentável e que precisamos nos atentar é o atendimento a necessidades 
atuais sem comprometer as necessidades das gerações futuras. Ao falarmos 
de sustentabilidade, precisamos sempre analisar a relação entre ser humano e 
meio ambiente sem estagnar o crescimento econômico, mas sim conciliando as 
questões econômicas, ambientais e sociais.
Nesse sentido, o trabalho humano, de modo algum, deveria impactar os 
ciclos naturais do planeta, e, também, não deveria afetar aquilo que estará à 
disposição das gerações futuras. O desenvolvimento sustentável pode ser visto 
como o processo que faz com que a comunidade se comprometa com o hoje e o 
amanhã. 
Pensando no hoje e no amanhã, assista ao vídeo a história das 
coisas, que retrata o processo para a produção de alguns bens que 
consumimos sem muitas vezes observar a sua origem, a sua história. 
Boa reflexão! Link: https://youtu.be/7qFiGMSnNjw
O conceito de desenvolvimento sustentável trata especificamente de uma 
nova maneira de a sociedade se relacionar com seu ambiente, de forma a garantir 
a sua própria continuidade e a de seu meio externo. No entanto, a formulação de 
uma definição para o conceito de desenvolvimento sustentável tem um consenso 
em relação a alguns aspectos, são eles: a necessidades de se reduzir a poluição 
ambiental, eliminar os desperdícios e diminuir o índice de pobreza.
Nesse sentido, o Quadro 1 apresenta uma relação de conceitos de 
desenvolvimento sustentável, para ilustrar o que diferentes atores pensam a 
respeito, e percebemos como este conceito vem sendo construído ao longo do 
tempo.
12
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
QUADRO 1 – CONCEITOS DE DESENVOLVIMENTO 
SUSTENTÁVEL E SUSTENTABILIDADE
Conceito de Desenvolvimento Sustentável e Sus-
tentabilidade
Autor/Organi-
zação Ano
1
Uma sociedade pode ser considerada sustentável 
quando todos os seus propósitos e intenções po-
dem ser atendidos indefinidamente, fornecendo 
satisfação ótima para seus membros.
Goldsmith 1972
2
Desenvolvimento que significa alcançar satisfação 
constante das necessidades humanas e a melhora 
da qualidade da vida humana.
Allen 1980
3
No documento intitulado Worlds Conservation 
Strategy, afirma-se que, para que o desenvolvi-
mento seja sustentável, deve-se considerar as-
pectos referentes às dimensões social e ecológi-
ca, bem como fatores econômicos, dos recursos 
vivos e não vivos e as vantagens de curto e longo 
prazo de ações alternativas. O foco do conceito é 
a integridade ambiental.
I n t e r n a t i o n a l 
Union for the 
Conservation of 
Nature and Nat-
ural Resources 
(IUCN)
1980
4
A Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e 
Desenvolvimento não acredita que o cenário 
sombrio de destruição do potencial global nacio-
nal para o desenvolvimento seja um destino in-
escapável. Os problemas são planetários, mas 
não são insolúveis. Se cuidarmos da natureza, 
ela tomará conta de nós. A conservação chegou 
a um ponto do conhecimento que, se quisermos 
salvar parte do sistema, temos que salvar o siste-
ma inteiro. Esta é a essência do que chamamos 
Desenvolvimento Sustentável. Existem várias di-
mensões para a sustentabilidade. Primeiramente, 
ela requer a eliminação da pobreza e da privação. 
Segundo, requer a conservação e a elevação da 
base de recursos, a qual sozinha pode garantir 
que a eliminação da pobreza seja permanente. 
Terceiro, ela requer um conceito mais abrangente 
de desenvolvimento, que englobe não somente o 
crescimento econômico, como também o desen-
volvimento social e cultural. Quarto e mais impor-
tante, requer a unificação da economia e da ecolo-
gia nos níveis de tomada de decisão.
Brundtland, Gro 
Harlem (WCED) 1987
13
Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 
Conceito de Desenvolvimento Sustentável e Sus-
tentabilidade
Autor/Organi-
zação Ano
1
Uma sociedade pode ser considerada sustentável 
quando todos os seus propósitos e intenções po-
dem ser atendidos indefinidamente, fornecendo 
satisfação ótima para seus membros.
Goldsmith 1972
2
Desenvolvimento que significa alcançar satisfação 
constante das necessidades humanas e a melhora 
da qualidade da vida humana.
Allen 1980
3
No documento intitulado Worlds Conservation 
Strategy, afirma-se que, para que o desenvolvi-
mento seja sustentável, deve-se considerar as-
pectos referentes às dimensões social e ecológi-
ca, bem como fatores econômicos, dos recursos 
vivos e não vivos e as vantagens de curto e longo 
prazo de ações alternativas. O foco do conceito é 
a integridade ambiental.
I n t e r n a t i o n a l 
Union for the 
Conservation of 
Nature and Nat-
ural Resources 
(IUCN)
1980
4
A Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e 
Desenvolvimento não acredita que ocenário 
sombrio de destruição do potencial global nacio-
nal para o desenvolvimento seja um destino in-
escapável. Os problemas são planetários, mas 
não são insolúveis. Se cuidarmos da natureza, 
ela tomará conta de nós. A conservação chegou 
a um ponto do conhecimento que, se quisermos 
salvar parte do sistema, temos que salvar o siste-
ma inteiro. Esta é a essência do que chamamos 
Desenvolvimento Sustentável. Existem várias di-
mensões para a sustentabilidade. Primeiramente, 
ela requer a eliminação da pobreza e da privação. 
Segundo, requer a conservação e a elevação da 
base de recursos, a qual sozinha pode garantir 
que a eliminação da pobreza seja permanente. 
Terceiro, ela requer um conceito mais abrangente 
de desenvolvimento, que englobe não somente o 
crescimento econômico, como também o desen-
volvimento social e cultural. Quarto e mais impor-
tante, requer a unificação da economia e da ecolo-
gia nos níveis de tomada de decisão.
Brundtland, Gro 
Harlem (WCED) 1987
5
O conceito de desenvolvimento econômico suste-
ntável, quando aplicado ao Terceiro Mundo, diz re-
speito diretamente à melhoria do nível de vida dos 
pobres, a qual pode ser medida quantitativamente 
em termos de aumento da alimentação, renda real, 
serviços educacionais e de saúde, saneamento 
e abastecimento de água etc. e não diz respeito 
somente ao crescimento econômico no nível de 
agregação nacional. Em termos gerais, o objetivo 
primeiro é reduzir a pobreza absoluta do mundo 
pobre através de providências meios de vida se-
guros e permanentes que minimizem a exaustão 
de recursos, a degradação ambiental, a disrupção 
da cultura e a instabilidade social.
Barbieri 1987
6
Definido como um padrão de transformações 
econômicas estruturais e sociais (i.e, desenvolvi-
mento) que otimizam os benefícios societais e 
econômicos disponíveis no presente, sem destru-
ir o potencial de benefícios similares no futuro. O 
objetivo primeiro do Desenvolvimento Sustentável 
é alcançar um nível de bem-estar econômico ra-
zoável e equitativamente distribuído que pode ser 
perpetuamente continuado por muitas gerações 
humanas. Desenvolvimento sustentável implica 
usar os recursos renováveis naturais de maneira 
a não degradá-los ou eliminá-los, ou diminuir sua 
utilidade para as gerações futuras, implica usar os 
recursos minerais não renováveis de maneira tal 
que não necessariamente se destruam o acesso a 
eles pelas gerações futuras, e, também, implica a 
exaustão dos recursos energéticos não renováveis 
em uma taxa lenta o suficiente para garantir uma 
alta probabilidade de transição societal ordenada 
para as fontes de energia renovável.
Goodland e 
Ledloc 1987
7
O critério da sustentabilidade requer que as 
condições necessárias para igual acesso à base 
de recursos sejam conseguidas por cada geração.
Pearce 1987
8
A ideia básica de Desenvolvimento Sustentável é 
simples no contexto dos recursos naturais (exclu-
indo os não renováveis) e ambientais: o uso feito 
desses insumos no processo de desenvolvimen-
to deve ser sustentável ao longo do tempo. Se 
aplicarmos a ideia aos recursos, sustentabilidade 
deve significar que um dado estoque de recursos 
(árvores, qualidade do solo, água etc.) não pode 
declinar. Sustentabilidade deve ser definida em 
termos da necessidade de que o uso dos recursos 
hoje não reduza as rendas reais no futuro.
Markandya e 
Pearce 1988
14
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
9
Tomamos desenvolvimento como um vetor de ob-
jetivos sociais desejáveis, e seus elementos de-
vem incluir: aumentos na renda real per capita; 
melhora no status nutricional e da saúde; melhora 
educacional; acesso aos recursos; distribuição de 
renda mais justa; aumento nas liberdades básicas. 
Desenvolvimento Sustentável é, então, uma situ-
ação na qual o vetor de desenvolvimento aumenta 
monotonicamente sobre o tempo. Sumarizamos 
as condições necessárias para o desenvolvimen-
to sustentável como “constância do estoque do 
capital natural". Mais estritamente, o requerimen-
to para mudanças não negativas no estoque de 
recursos naturais como solo e qualidade de solo, 
águas e sua qualidade, biomassa e a capacidade 
de assimilação de resíduos no ambiente. 
Pearce, Barbier 
e Markandya 1988
10
Existe um amplo consenso sobre as condições 
requeridas para o desenvolvimento econômico 
sustentável. Duas interpretações estão emergin-
do: uma concepção mais ampla com respeito ao 
desenvolvimento econômico, social e ecológico, 
e uma concepção mais estreita com respeito ao 
desenvolvimento ambientalmente sustentável 
(i.e., com administração ótima dos recursos e do 
ambiente no tempo). A primeira, uma visão alta-
mente normativos do desenvolvimento sustentável 
endossada pela Comissão Mundial de Desenvolvi-
mento e Meio Ambiente) define o conceito como 
desenvolvimento que alcança as necessidades do 
presente sem comprometer a capacidade das fu-
turas gerações satisfazerem suas próprias neces-
sidades. Em contraste, a segunda concepção, de 
administração ótima de recursos e do ambiente, 
requer maximizar os benefícios líquidos do desen-
volvimento econômico, mantendo os serviços e a 
qualidade dos recursos naturais.
Barbier 1989
11
A capacidade do sistema de manter sua produção 
a um nível aproximadamente igual ou maior que 
sua média histórica, com uma aproximação deter-
minada pelo nível de variabilidade histórica.
Lyman & Herdt 1989
12
A incorporação da dimensão ambiental nas es-
tratégias e projetos de crescimento econômico não 
é condição suficiente nem para o Desenvolvimen-
to Sustentável nem para a melhoria das condições 
de vida dos pobres e desprovidos.
Rattner 1991
15
Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 
13
O conceito de desenvolvimento sustentável deve 
ser inserido na relação dinâmica entre o sistema 
econômico humano e um sistema maior, com 
taxa de mudança mais lenta, o ecológico. Para 
ser sustentável essa relação, deve assegurar que 
a vida humana possa continuar indefinidamente, 
com crescimento e desenvolvimento da sua cul-
tura, observando-se que os efeitos das atividades 
humanas permaneçam dentro de fronteiras ade-
quadas, de modo a não destruir a diversidade, a 
complexidade e as funções do sistema ecológico 
de suporte à vida.
Constanza 1991
14
Destacam o papel do crescimento econômico na 
sustentabilidade. O desenvolvimento é sustentável 
quando o crescimento econômico traz justiça e 
oportunidades para todos os seres humanos do 
planeta, sem privilégio de algumas espécies, sem 
destruir os recursos naturais finitos e sem ultra-
passar a capacidade de carga do sistema.
Pronk e ulHaq 1992
15
A sustentabilidade dos ecossistemas naturais 
pode ser definida como o equilíbrio dinâmico entre 
as suas demandas e sua produção, modificadas 
por eventos externos, tais como mudanças climáti-
cas e desastres naturais.
Fresco & Kro-
onenberg 1992
16
Resumem a sustentabilidade à obtenção de um 
grupo de indicadores que sejam referentes ao 
bem-estar e que possam ser mantidos ou que 
cresçam no tempo.
Munasingle e 
McNeely 1995
17
O estoque de capital que deixamos para as futu-
ras gerações definido de forma a incluir todos os 
tipos de capital deve ser igual ou maior que o que 
encontramos.
Word Bank 1995
18
Desenvolvimento sustentável significa, fundamen-
talmente, discutir a permanência ou a durabilidade 
da estrutura de funcionamento de todo o processo 
produtivo sobre o qual está assentada a sociedade 
humana contemporânea.
Merico 1996
19
Define o desenvolvimento sustentável como sen-
do um conceito plurívoco, isto é, une a preocu-
pação com o meio ambiente à preocupação com o 
meio ambiente à preocupação com a economia e 
a pobreza. Realça que o desenvolvimento para ser 
sustentável, além de ser viável em sua dimensão 
econômica, precisa ser igualmente viável do pon-
to de vista do meio ambiente e da sociedade; por 
isso, visa ao reconhecimento dos outros, dos nos-
sos contemporâneos, no espaçode um mundo 
comum com as futuras gerações na amplitude do 
tempo.
Lafer 1996
16
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
20
A sustentabilidade está ligada à persistência de 
certas características necessárias e desejáveis 
de pessoas, suas comunidades e organizações, e 
os ecossistemas que as envolvem, dentro de um 
período longo e indefinido. Para atingir o progres-
so em direção à sustentabilidade, deve-se alca-
nçar o bem-estar humano, não o dos ecossiste-
mas, sendo que o progresso em cada uma dessas 
esferas não deve ser alcançado à custa da outra, 
e sim reforçando a interdependência entre os dois 
sistemas.
Hardi e Zdan 1997
21
O maior desafio do desenvolvimento sustentável é 
a compatibilização da análise com a síntese. O de-
safio de construir um desenvolvimento dito suste-
ntável, juntamente com indicadores que mostrem 
esta tendência é compatibilizar o nível micro com 
o macro. No nível macro, deve-se entender a situ-
ação do todo e sua direção de uma maneira mais 
geral e fornecer para o nível micro, em que se 
tomam as decisões, as informações importantes 
para as necessárias correções de rota.
Rutherford 1997
22
Desenvolvimento sustentável envolve a questão 
temporal; a sustentabilidade de um sistema só 
pode ser observada a partir da perspectiva futura, 
de ameaças e oportunidades.
Bossel 1998
23 Transformar recursos em lixo mais lentamente que a natureza consegue transformar lixo em recursos.
Steve Goldfin-
ger 1999
24
O desenvolvimento sustentável é o mais recente 
conceito que relaciona as coletivas aspirações de 
paz, liberdade, melhoria das condições de vida e 
de um meio ambiente saudável. Seu mérito reside 
na tentativa de reconciliar os reais conflitos entre 
a economia e o meio ambiente e entre o presente 
e o futuro.
National Re-
search Council 1999
25
Equilibrar o conflito básico entre as duas metas 
que competem entre si, ou seja, assegurar a quali-
dade de vida e viver dentro dos limites da natureza
Wackenagel 2000
26
Um autêntico modelo de Desenvolvimento sus-
tentável deve apresentar uma perspectiva de 
desenvolvimento além do crescimento econômi-
co, reconhecer as múltiplas tradições culturais e 
crenças, transcender o consumismo e fornecer 
uma estrutura de estilo de vida mais desejável, en-
fatizar reformas estruturais para equidade interna 
e global e delinear efetivos planos legais e insti-
tucionais para a manutenção ambiental
Haque 2000
17
Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 
27
Desenvolvimento sustentável pode ser defini-
do como um vetor no tempo de objetivos sociais 
desejáveis, como: incremento da renda per capita, 
melhorias no estado de saúde, níveis educacio-
nais aceitáveis, acesso aos recursos, distribuição 
mais equitativa de renda e garantia de maiores 
liberdades fundamentais.
Resende (s.d) 
28
Desenvolvimento sustentável é a emergência de 
um novo paradigma para orientação dos proces-
sos e reavaliação dos relacionamentos da econo-
mia e da sociedade com a natureza, bem como 
das relações do Estado com a sociedade civil. 
Jara 2001
29 Desenvolvimento sustentável é uma ideologia, um valor, uma ética. Schwartzman 2001
FONTE: Adaptado de Baroni (1992) e Bellen (2006).
1 Com base nos diferentes conceitos de sustentabilidade e 
desenvolvimento sustentável apresentados, descreva a diferença 
entre a sustentabilidade e desenvolvimento sustentável.
Há algum tempo, o desenvolvimento sustentável vem sendo discutido 
e defendido como único caminho possível a ser seguido e trilhado por 
organizações, pessoas e países. As preocupações acerca das desigualdades 
sociais e, principalmente, dos desastres e ameaças ambientais decorrentes, em 
grande parte, do modelo de desenvolvimento vigente na maioria dos países a 
partir da revolução industrial, afloraram, nas décadas de 60 e 70, uma série de 
questionamentos e reflexões sobre os rumos e consequências do perseguido 
crescimento econômico.
Desde então, algumas discussões importantes e movimentos surgiram no 
século XX que ajudaram a fundamentar o conceito de sustentabilidade, são eles: 
o relatório sobre os limites do crescimento, publicado em 1972, o surgimento 
do conceito de eco desenvolvimento, em 1973, a Declaração de Cocoyok, em 
1974, o relatório da Fundação Dag-Hammarskjold, em 1975, e, finalmente, a 
Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Meio Ambiente 
e Desenvolvimento, em 1992. Todos estes marcos ajudaram a nos levar a um 
melhor entendimento sobre o tema do desenvolvimento sustentável.
18
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Desde então, diferentes atores como governos, empresas, organizações não 
governamentais, institutos de pesquisas e outros têm se engajado na busca por 
modelos de desenvolvimento mais equilibrados, que garantam as condições ideais 
de funcionamento dos sistemas humanos e ambientais, tanto para as gerações 
atuais como futuras. Com o passar dos anos, o conceito vem amadurecendo e 
novos atores estão se somando ao desafio de materializar o desenvolvimento 
de maneira sustentável. Eventos importantes, de repercussão mundial, estão 
promovendo debates e reflexões sobre a temática. Para entendermos melhor, 
a Figura 1 apresenta uma breve linha do tempo, sintetizando alguns marcos da 
evolução destes conceitos e atores.
FIGURA 1 – LINHA DO TEMPO – CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
FONTE: Adaptado de Louette (2007).
Entre os novos atores engajados no desafio de promover o desenvolvimento 
sustentável, é possível destacar a adesão crescente de diferentes empresas e 
indústrias. Seja pela ciência das suas responsabilidades socioambientais, pela 
garantia de competitividade ou, ainda, pressionadas por legislações, acordos 
internacionais e/ou setoriais, referências da cadeia produtiva e até pelos seus 
próprios consumidores, as empresas e indústrias tem procurado se adequar à 
sustentabilidade e aproveitar as oportunidades existentes neste novo modelo.
Pensando na sustentabilidade dentro da esfera das empresas e das 
indústrias, é interessante observarmos o conceito que o International Institute for 
Sustainable Development (IISD) apresenta, que é: para os negócios empresariais, 
desenvolvimento sustentável significa adotar estratégias de negócios e atividades 
que atendam a necessidades da empresa e seus stakeholders hoje, enquanto 
protege, sustenta e melhora os recursos humanos e naturais que serão 
19
Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 
necessários no futuro (IISD, 2003).
Este conceito revela que as indústrias estão buscando se posicionar e 
compreender esta nova dinâmica presente no desenvolvimento e crescimento de 
forma sustentável. Outro conceito, do prisma corporativo, é que o desenvolvimento 
sustentável é “a busca do equilíbrio entre o que é socialmente desejável, 
economicamente viável e ecologicamente sustentável” (SILVA, QUELHAS, 2006, 
p. 387).
Mesmo diante dos esforços empreendidos e resultados alcançados, é 
possível perceber que ainda resta um longo caminho pela frente, cheio de 
obstáculos e barreiras a serem superadas. Ainda assim, muitos passos já 
foram dados. O tema desenvolvimento sustentável clareou as relações entre 
os sistemas econômicos, humanos e ambientais, expondo suas fragilidades e a 
necessidade urgente de equilíbrio e integração entre estes. Afinal, ficou evidente 
que o crescimento econômico não pode acontecer atingindo os sistemas humano 
e ambiental.
A institucionalização do desenvolvimento sustentável no meio empresarial e 
corporativo tem ocorrido rapidamente, contudo, de diferentes maneiras. Em alguns 
casos, novas aspirações empresariais são visualizadas por trás da agenda da 
sustentabilidade, enquanto outros veem a continuação de antigas aspirações pelo 
controle ou dominação dos recursos mundiais. Já em outros casos, felizmente, 
empresários e executivos sensibilizados pelo tema, tem buscado soluções e 
mudançasconcretas para contribuir com o desenvolvimento sustentável. Assim, 
as organizações verdadeiramente preocupadas com a sustentabilidade são 
aquelas que perseguem nas suas atividades o equilíbrio entre as dimensões 
econômicas, sociais e ambientais. 
 
2.2 DIMENSÕES DA 
SUSTENTABILIDADE – TRIPLE 
BOTTON LINE
Ao falarmos sobre sustentabilidade, sempre referenciamos os aspectos 
ambientais, sociais e econômicos. Isto se deve pelo fato de a sustentabilidade 
estar fundamentada no tripé resultante da visão do Triple Botton Line, denominado 
também de dimensões da sustentabilidade. Muitas vezes, o conceito é apenas 
relacionado a questões ambientais, que são, em alguns casos, as mais nítidas 
e de fácil sensibilização. No entanto, existem mais dimensões presentes no 
desenvolvimento sustentável que também precisam ser observadas, pois 
20
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
englobam comportamentos individuais e coletivos que impactam diretamente na 
vida e na sociedade atual e futura.
Contudo, a sustentabilidade trabalha com um conceito multidimensional, 
em que existem diferentes dimensões e que estas se inter-relacionam e se 
complementam. Existem diferentes propostas de dimensões para representar 
as múltiplas facetas do desenvolvimento sustentável. Em geral, as dimensões 
ambientais, econômicas e sociais são frequentemente destacadas. Na Figura 
2, é possível visualizar as representações para estas dimensões com algumas 
variações: (a) o desenvolvimento sustentável como ponto de interseção entre as 
dimensões ambientais, econômicas e sociais; (b) a sustentabilidade empresarial 
como ponto de interseção entre as dimensões traduzidas em planeta, lucro e 
pessoas; e (c) a linha do pilar ambiental, econômico e social.
FIGURA 2 – REPRESENTAÇÕES DE DIMENSÕES PARA 
O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
FONTE: Barbieri (2010, p.146).
Outra proposta de dimensões para o desenvolvimento sustentável considera, 
além das já citadas, as dimensões materiais, ecológicas, legais, culturais, 
políticas e psicológicas. Há, também, propostas que consideram a dimensão 
institucional, além das ambientais, econômicas e sociais. Apesar da tentativa de 
inserir diferentes dimensões da sustentabilidade, cabe ressaltar que, na realidade 
da área produtiva das indústrias as dimensões mais comumente observadas são 
as ambientais, sociais e econômicas, conhecidas e difundidas através do Triple 
Bottom Line (TBL).
O termo Triple Bottom Line surgiu na década de 1990 e tornou-se de 
conhecimento do grande público em 1997, com a publicação do livro Cannibals 
21
Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 
With Forks: The Triple Bottom Line of 21st Century Business de John Elkington, e, 
desde então, organizações como o Global Reporting Initiative (GRI) e a Account 
Ability (AA) vêm promovendo o conceito do Triple Bottom Line e o seu uso em 
corporações de todo o mundo, que refletem um conjunto de valores, objetivos e 
processos que uma organização deve focar para criar valor em três dimensões: 
econômica, social e ambiental.
Outra fonte que estimula os conceitos do tripé da 
sustentabilidade são as normas. Por exemplo, as diretrizes da norma 
AA1000 auxiliam as empresas na determinação de suas estratégias 
de sustentabilidade e do quanto elas são incorporadas na gestão e 
no dia a dia da empresa. Para conhecer mais sobre o tema, leia o 
artigo que retrata a norma em uma indústria, disponível em: http://
www.anpad.org.br/admin/pdf/enanpad2002-cab-1026.pdf
Existem diferentes relações que permeiam as dimensões da sustentabilidade 
e o conceito do Triple Botton Line. A Figura 3 ilustra a relação entre as três 
dimensões para a sustentabilidade, onde observa-se a relação “suportável” 
(bearable) entre o Meio Ambiente (environment) e a Sociedade (social), a 
relação “equitativa” (equitable) entre a Sociedade e a Economia (economic), e 
a relação “viável” (viable) entre a Economia e o Meio Ambiente. O conceito da 
sustentabilidade está justamente no centro das três dimensões, em que é possível 
observar a convergência entre Meio Ambiente, Sociedade e Economia.
FIGURA 3 – TRIPLE BOTTOM LINE
FONTE: Adaptado de Dreosvg (2009).
22
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Muito embora existam outras propostas e uma gama de dimensões 
atribuídas à sustentabilidade, vamos nos concentrar em compreender melhor as 
três dimensões inseridas no conceito do triple botton line.
A dimensão ambiental ou sustentabilidade ambiental é compreendida como 
a preservação dos sistemas de sustentação da vida. Esta pode ser incrementada 
pelo uso das seguintes alavancas: 
• intensificação do uso dos recursos potenciais dos vários ecossistemas, 
com um mínimo de dano aos sistemas básicos e para propósitos 
socialmente válidos; 
• limitação do consumo de combustíveis fósseis e de outros recursos e 
produtos facilmente esgotáveis ou ambientalmente prejudicais; 
• redução do volume de resíduos e de poluição, por meio da conservação 
e reciclagem de energia e recursos;
• autolimitação do consumo material pelos países ricos e pelas camadas 
sociais privilegiadas em todo o mundo; 
• intensificação da pesquisa de tecnologias limpas; 
• definição das regras para uma adequada proteção ambiental.
Desta forma, as organizações devem entender o que é capital natural, ou 
seja, riqueza natural, para, então, fazer uma avaliação própria quanto a sua 
sustentabilidade ambiental. Já a dimensão social ou sustentabilidade social é 
entendida como a consolidação de um processo de desenvolvimento baseado em 
outro tipo de crescimento e orientado por outra visão do que é a boa sociedade. 
O objetivo desta dimensão, portanto, é o de construir uma civilização do “ser”, em 
que exista maior equidade na distribuição do “ter” e da renda, de modo a melhorar 
substancialmente os direitos e as condições de amplas massas de população e a 
reduzir a distância entre os padrões de vida de abastados e não-abastados.
Existe uma preocupação emergente baseada no bem-estar humano para 
que seja aumentada a qualidade de vida das pessoas. Uma das iniciativas sociais 
neste sentido é o movimento para promover a igualdade de renda, que, na 
atualidade, diminui a diferença entre os níveis sociais e melhora o estilo de vida 
social da população.
E, na terceira dimensão, temos a sustentabilidade econômica, que é 
possibilitada por uma alocação e gestão mais eficientes dos recursos e por um 
fluxo regular do investimento público e privado. Uma condição fundamental para 
tanto é superar as atuais condições externas, decorrentes de uma combinação de 
fatores negativos como o ônus do serviço da dívida e do fluxo líquido de recursos 
financeiros do Sul para o Norte, as relações adversas de troca, as barreiras 
23
Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 
protecionistas ainda existentes nos países tidos industrializados e, finalmente, as 
limitações do acesso à ciência e à tecnologia. Assim, a eficiência econômica deve 
ser avaliada mais em termos macrossociais a que apenas por meio de critérios de 
lucratividade empresarial.
O pilar econômico deve ser avaliado mais em termos macrossociais do 
que apenas por meio de critérios pontuais de lucratividade empresarial, com o 
intuito de promover mudanças estruturais que atuem como estimuladores do 
desenvolvimento humano sem comprometer o meio ambiente natural. Assim, 
será possível agir de forma consciente, promovendo um novo modelo de 
desenvolvimento baseado na economia da permanência, reduzindo a poluição e 
aumentando a qualidade de vida de todos.
1 Descreva e explique cada uma das três dimensões contidas no 
conceito do tripé da sustentabilidade, do Triple Bottom Line.
Desta forma, podemos entender que existe uma busca por parte das 
empresas na adoção de práticas que atendam estas três dimensões, ambiental, 
social e econômica. Porém, sabe-se que mesmo buscando o equilíbrio, este tripé 
porvezes está mais direcionado para a área econômica, social ou ambiental 
dependendo do momento em que vive a empresa. Pensando nestas perspectivas 
existem diversas metodologias que apoiam as empresas que buscam práticas 
sustentáveis, como a Produção Limpa aplicada no setor produtivo das indústrias 
de transformação.
2.3 SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL
Ao pensarmos na dimensão ambiental da sustentabilidade, deparamo-nos 
com macro questões, como o aquecimento global, a destruição da camada de 
ozônio, o consumo de energia e o aumento da produção industrial. Todas essas 
preocupações devem estar presentes no dia a dia das indústrias e, também, das 
pessoas. Afinal, chegamos a este ponto devido a comportamentos individuais e 
coletivos, que precisam ser ajustados para garantirmos um futuro próspero. 
24
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Ao falarmos de comportamento individual e para refletir 
sobre a sustentabilidade, assista o vídeo da ONU sobre 
cinco formas de ser mais sustentável no link: https://youtu.
be/2NwZyszcdEY?list=PLUZOt6bFc2fiWCrPx_O06yeCnKjGIEdr8.
Nesse sentido, devido à velocidade das mudanças, faz se necessário na 
mesma velocidade a avaliação e criação de soluções para esta nova realidade 
de produção e consumo. No entanto, não é isso que observamos na prática, pois 
algumas soluções até são criadas, mas a grande dificuldade está na capacidade 
das indústrias de absorver e inserir novas tecnologias, diferentes formas de 
produção, novas formas de descarte, uso de materiais diferenciados, entre outros. 
Nesta perspectiva, observamos que existe um limite de utilização dos 
recursos naturais para que estes sejam preservados. Como forma de exemplificar 
esta realidade, basta analisarmos as ações que alguns países adotam nesse 
sentido de tentar preservar os seus recursos, entre elas, podemos destacar: 
limitar o crescimento da população, garantir água, alimentos e energia a longo 
prazo, preservar a biodiversidade, usar fontes de energia renovável, controlar 
a urbanização e integrar as regiões do campo, as cidades menores e atender 
a população em suas necessidades de saúde, escola e moradia. Todas estas 
práticas evidenciam a importância da questão ambiental e de estratégias que 
promovam o desenvolvimento sustentável.
Porém, o que sabemos é que o atual modelo de crescimento econômico 
gerou enormes desequilíbrios, se, por um lado, nunca houve tanta riqueza e 
fartura no mundo, por outro lado, a miséria, a degradação ambiental e a poluição 
aumentam dia a dia. Diante desta constatação, surge a ideia do Desenvolvimento 
Sustentável, buscando conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação 
ambiental e, ainda, com o fim da pobreza no mundo.
25
Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 
Para tentar promover um mundo mais equilibrado com proteção 
ambiental e desenvolvimento econômico, surgiu a Agenda 21 criada 
na conferência Rio 92, que serviu de base para outros documentos 
vinculados à sustentabilidade. A agenda foi um marco e um grande 
primeiro passo, pois, na oportunidade, mais de 170 países se 
comprometeram com um conjunto de metas para a criação de 
um mundo mais sustentável. Agora, temos a Agenda 2030 de 
desenvolvimento sustentável, que também agrega um conjunto de 
metas a serem alcançadas. A Agenda 2030 de desenvolvimento 
sustentável está disponível no link http://www.agenda2030.org.br/
sobre/.
De forma prática, dentro das indústrias, se analisarmos as questões 
ambientais vamos nos deparar, inicialmente, com o centro do sistema produtivo 
que é a produção de bens. Para minimizar e diminuir os impactos gerados por 
sistemas produtivos alinhados a outras premissas como a abundância e o uso 
ilimitado dos recursos naturais, é necessário buscar formas mais sustentáveis 
de produção. Uma das formas de caminhar na direção do pilar ambiental da 
sustentabilidade é por meio do uso da metodologia conhecida como produção 
mais limpa, que busca soluções nos processos produtivos das indústrias, com 
foco principal na origem da geração de resíduos.
A produção mais limpa é uma estratégia aplicada na produção e nos 
produtos a fim de economizar e maximizar a eficiência do uso de energia, 
matérias-primas e água e, ainda, minimizar ou reaproveitar resíduos gerados. Ela 
tem procedimentos simples e econômicos, podendo chegar a um número maior 
de empresas, pois a análise é feita compreendendo apenas a unidade fabril em 
questão, sem considerar a cadeia produtiva como um todo, ou seja, fornecedores 
e clientes não são foco de estudo.
Segundo o Comitê Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável 
(CEBDS) (CEBDS, 2005), a produção mais limpa, com seus elementos essenciais, 
adota uma abordagem preventiva em resposta à responsabilidade financeira 
adicional, trazida pelos custos de controle da poluição, assim como auxilia as 
empresas a adotarem práticas de fabricação através de um novo conceito de 
produção e consumo.
A produção mais limpa pode ser considerada uma forma de produzir melhor 
gastando menos, e que nem sempre a alteração em um processo depende de 
26
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
investimentos financeiros. Dessa forma, a produção mais limpa propõe que as 
indústrias invistam em tecnologias para redução de resíduos. Para isto, existe 
uma metodologia que auxilia o processo. O desafio das empresas é colocar entre 
seus planos estratégicos a produção mais limpa, que pode trazer benefícios 
ambientais, econômicos e de saúde ocupacional. Para tanto, é necessária 
uma mudança de atitude de todos, desde os níveis de diretoria até os níveis 
operacionais. A metodologia da produção mais limpa envolve algumas etapas, 
são elas:
a) planejamento e organização – comprometimento da direção e dos 
funcionários e formação de equipes de trabalho;
b) pré-avaliação e diagnóstico – estabelecimento de metas para produção 
mais limpa e elaboração de fluxogramas, com avaliação de entradas e 
saídas;
c) avaliação da produção mais limpa – identificar as ações que podem 
ser implementadas imediatamente e as que necessitam de análises 
adicionais mais detalhadas, através de balanços materiais e de energia 
e informações das fontes e causas da geração de resíduos e emissões;
d) estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental – selecionar as 
oportunidades viáveis e documentar os resultados esperados;
e) implementação e plano de continuidade – implementar as opções 
selecionadas e assegurar atividades que mantenham a produção mais 
limpa, monitorar e avaliar as oportunidades implementadas, assim como 
planejar atividades que assegurem a melhoria contínua com a produção 
mais limpa.
Nesse sentido, a Figura 4 apresenta a lógica da metodologia de implantação 
da produção mais limpa.
FIGURA 4 – METODOLOGIA DE IMPLANTAÇÃO DA PRODUÇÃO MAIS LIMPA
FONTE: Adaptado de Kraemer (2002).
O esquema apresentado na Figura 4 pode ser considerado um pequeno 
exemplo de uma metodologia em prol ao desenvolvimento ambiental sustentável 
dentro das indústrias. Porém, sabemos que um conjunto de ações é o que torna 
27
Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 
uma indústria ambientalmente correta e responsável. Um outro exemplo a ser 
destacado, que também é utilizado pelas indústrias é o Sistema de Gestão 
Ambiental (SGA). O SGA é um conjunto de ações e diretrizes para que a 
indústria implemente de maneira correta as normas, legislações e boas práticas 
que possibilitam avaliar e controlar os impactos ambientais de suas atividades, 
processos, produtos e serviços.
A intenção do SGA é permitir que a empresa alinhe suas estratégias e 
ações com a preservação do meio ambiente. Com a necessidade mundial de ser 
mais sustentável e com os consumidores cada vez mais exigentes, buscando 
empresas que tenham cuidado com a natureza e o meio ambiente, o sistema de 
gestão ambiental pode ser uma resposta para estruturar as ações da empresae 
dar uma resposta mensurável para a sociedade e seus consumidores.
Além de se portar de forma sustentável o SGA também permite a redução de 
desperdícios e a redução de custos de produção para a empresa. Para entender 
essa lógica, é só pensarmos em uma indústria que utiliza muitos litros de água 
em seu processo produtivo. Caso ela inicie um processo de reaproveitamento 
de água, ela estará reduzindo custos e, ao mesmo tempo, preservando um 
importante recurso natural.
Outro exemplo é a separação correta dos resíduos. Quando eles não são 
separados, tem como destino o aterro comum, mas, ao serem selecionados, 
podem ser vendidos como insumos para outras indústrias. É o caso do metal, 
plástico, vidro, papel, madeira, tecido, entre outros. Para implementar um SGA, 
a principal referência é a ISO 14.001, uma norma da Associação Brasileira de 
Normas Técnicas (ABNT), que especifica os requisitos para um SGA. Com estes 
requisitos, a empresa passa a compor uma estrutura para avaliar, controlar e 
monitorar os impactos ambientais de sua atividade.
Nesse sentido, para alcançar e cumprir com os requisitos estabelecidos, a 
empresa necessita estabelecer uma política ambiental para apresentar os seus 
compromissos com o meio ambiente. Ter um ciclo de planejamento, execução, 
verificação e melhoria para atingir as metas e objetivos traçados pela organização. 
Além disso, deve haver uma participação efetiva da alta gestão da empresa, que 
deve avaliar de tempos em tempos como está o sistema de gestão ambiental e 
realizar os ajustes necessários.
28
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Para exemplificar a implantação de um sistema de gestão 
ambiental no ambiente industrial, leia o estudo de caso de uma indústria 
de papel que implementou a ISO 14.001. Link: https://www.scielo.br/
scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-23112017000200274.
Uma outra iniciativa na busca de caminhos sustentáveis, que também 
é muito conhecida por sua ampla divulgação, é o crédito de carbono, que é a 
redução de emissões de gases que causam o efeito estufa. Este crédito pode 
ser concedido para uma pessoa ou para uma empresa. Um crédito de carbono 
equivale a uma tonelada de carbono que não foi emitida na atmosfera. Esses 
créditos podem ser comercializados no mercado mundial de carbono. Ao comprar 
créditos de carbono, um país ou uma empresa tem a permissão para emitir gases 
do efeito estufa. No entanto, é necessário obedecer às legislações estabelecidas 
pelos países com os limites estabelecidos de emissões.
Para entender um pouco melhor sobre as emissões de carbono 
e o efeito estufa e, também, para refletir se o seu comportamento tem 
cooperado com a conservação do meio ambiente, assista o vídeo 
sobre pegada de carbono no link: https://youtu.be/s2yhSTcBGMI.
Para traçar um caminho sustentável, é necessário, além de sistemas e 
boas práticas, uma forma de medir a sustentabilidade. Neste sentido, é preciso 
estabelecer métricas e sistemas de medição para avaliar se a rota traçada 
está correta ou se precisa de ajustes, porém, uma questão que surge é: como 
medir a sustentabilidade? Quais aspectos avaliar? Acredita-se que, medindo as 
ações, é possível ter uma visão do presente e subsídios para tomar decisões no 
futuro. Para começar, um bom caminho é o estabelecimento de indicadores, sim, 
indicativos que apontam para onde uma indústria está caminhando. 
Os indicadores, dentro do contexto industrial, têm um papel de demonstrar 
pontos passíveis de melhoria, que, se trabalhados pelas indústrias, podem 
promover avanços em prol do meio ambiente, além de proporcionar espaços 
29
Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 
para reflexão de uma forma de atuação industrial mais consciente. Nas métricas 
ambientais, os indicadores permitem visualizar a sustentabilidade como fator 
competitivo e determinante para as indústrias que desejam destaque em um 
mercado mundialmente acirrado.
Formas de avaliar e medir os impactos ambientais podem ser consideradas 
um caminho interessante para as indústrias atingirem patamares mais equilibrados 
entre a atividade industrial e o meio ambiente. A seguir, conheceremos algumas 
formas de medição.
3 MÉTRICAS DE SUSTENTABILIDADE
Para se compreender melhor um cenário, uma situação, existem mecanismos 
para medir e quantificar as atividades e ações, que são chamados de indicadores. 
Eles permitem que as empresas tenham uma visão mais ampla e uma tomada 
de decisão mais assertiva. Ao se estabelecer indicadores, é possível tirar uma 
fotografia da situação atual, e, com as informações obtidas redirecionar atividades, 
rever processos e impulsionar melhorias dentro das empresas.
3.1 INDICADORES
Os indicadores possibilitam conhecer verdadeiramente a situação que se 
deseja modificar, estabelecer as prioridades, escolher os beneficiados, identificar 
os objetivos e traduzi-los em metas e, assim, acompanhar melhor o andamento 
dos trabalhos, avaliar os processos, adotar os redirecionamentos necessários e 
verificar os resultados e os impactos obtidos. Com isso, aumentam as chances de 
serem tomadas decisões corretas e de se potencializar o uso dos recursos.
Um indicador ajuda a compreender em que ponto se está, qual o caminho 
a ser seguido e a que distância se está da meta estabelecida. O indicador ajuda 
a identificar os problemas antes que se tornem insuperáveis, e auxiliam na sua 
solução. Para que um indicador seja efetivo, é necessário que seja relevante, 
refletindo o sistema que precisa ser conhecido, fácil de ser entendido, confiável e 
baseado em dados acessíveis (HART, 2005).
Para ser relevante e representativo, os tomadores de decisão de uma 
empresa e demais envolvidos no processo precisam considerar importante o 
indicador. Apenas com o comprometimento de todos e a certeza de que a coleta 
de determinado dado fará a diferença nas atividades, é possível se estabelecer 
um ambiente de melhoria. As pessoas não devem olhar para o indicador como 
mais trabalho, mas sim como uma oportunidade de melhoria para seus processos.
30
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Um indicador é capaz de resumir diversas informações para uma pessoa 
que o observa e, também, pode ajudar a sinalizar a indicar a direção a ser 
seguida. Aquilo que é medido tende a se tornar relevante. Indicadores surgem de 
valores e geram valores, e podem ser usados como instrumentos de mudança, 
aprendizagem e propaganda (MEADOWS, 1998).
Os indicadores são informações que apontam características de uma ação, 
atividade ou ambiente. Eles podem ser compostos por uma variável ou um 
conjunto de variáveis. São medições baseadas em mais de um dado. Bellen 
(2006) define variável como uma representação operacional de um atributo 
(qualidade, característica, propriedade) de um sistema. 
Embora os indicadores sejam apresentados na maioria das vezes em forma 
estatísticas ou gráficos, eles são distintos dos dados primários. Segundo Bellen 
(2006), os indicadores e índices mais agregados estão no topo de uma pirâmide 
de informações cuja base são os dados primários derivados do monitoramento e 
da análise das medidas e observações, conforme Figura 5.
FIGURA 5 – PIRÂMIDE DE INFORMAÇÕES
FONTE: Adaptado de Bellen (2006).
Para Bellen (2006), o objetivo dos indicadores é agregar e quantificar 
informações de modo que sua significância fique mais aparente. Eles simplificam 
as informações sobre fenômenos complexos, tentando melhorar com isso o 
processo de comunicação sobre eles de forma mais compreensível e quantificável. 
Um indicador relevante deve possuir algumas destas características (OCDE, 
1993):
31
Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 
• Ser simples e fácil de interpretar.
• Fornecer um quadro representativo da situação.
• Mostrar tendências ao longo do tempo.
• Responder a mudanças do sistema.
• Fornecer base para comparações.
• Ser nacional ou aplicávela regiões que tenham relevância.
• Estar associado a uma meta ou valor limite de tal modo que os usuários 
possam comparar e avaliar o significado dos valores observados.
A utilização de indicadores para avaliar a dinâmica de um sistema complexo 
(ambiente, organização, território, entre outros) deve levar em conta os objetivos 
essenciais para os quais o indicador foi concebido. Basicamente, um indicador 
pode ter como objetivos (OCDE, 1993), (IISD,1999), (BELLEN, 2006):
• Definir ou monitorar a sustentabilidade de uma realidade.
• Facilitar o processo de tomada de decisão.
• Evidenciar em tempo hábil modificação significativa em um dado sistema.
• Caracterizar uma realidade, permitindo a regulação de sistemas 
integrados.
• Estabelecer restrições em função da determinação de padrões.
• Detectar os limites entre o colapso e a capacidade de manutenção de 
um sistema.
• Tornar perceptíveis as tendências e as vulnerabilidades.
• Sistematizar as informações, simplificando a interpretação de fenômenos 
complexos.
• Ajudar a identificar tendências e ações relevantes, bem como avaliar o 
progresso em direção a um objetivo.
• Prever o status do sistema, alertando para possíveis condições de risco.
• Detectar distúrbios que exijam o replanejamento.
• Medir o progresso em direção à sustentabilidade.
Ao ser selecionado um indicador e/ou ao se construir um índice, tal 
como quando se utiliza um parâmetro estatístico, ganha-se em clareza e 
operacionalidade, e perde-se em detalhe da informação. Os indicadores e os 
índices são projetados para simplificar a informação sobre fenômenos complexos 
de modo a melhorar a comunicação.
Ao se pensar em indicadores de sustentabilidade, indicadores ambientais, 
deve-se verificar as formas existentes de avaliação da sustentabilidade e do meio 
ambiente. Dentro das indústrias podemos citar o uso de alguns indicadores como: 
a quantidade de água utilizada no processo produtivo; a quantidade de energia 
utilizada em uma fábrica; quais fontes de energia são utilizadas; níveis de seleção 
de resíduos; uso de tratamento de efluentes, dentre outros.
32
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Para exemplificar os indicadores ambientais utilizados por 
uma indústria, leia o estudo que apresenta alguns indicadores de 
indústrias dos setores de celulose, têxtil, automotivo, madeireiro e de 
metais sanitários, disponível no seguinte link: https://siambiental.ucs.
br/congresso/getArtigo.php?id=84&ano=_quinto#:~:text=Foram%20
considerados%20como%20indicadores%20principais,Tipos)%20
( Ta b e l a % 2 0 2 ) . & t e x t = O s % 2 0 s e c u n d % C 3 % A 1 r i o s % 2 0
ser%C3%A3o%20classificados%20de,nas%20empresas%20
(Tabela%203). 
3.2 INDICADORES DE 
SUSTENTABILIDADE E 
BIOINDICADORES
Indicadores de sustentabilidade devem ser mais do que indicadores 
ambientais e só se transformam nisto através da incorporação da perspectiva 
temporal, limite ou objetivo. Assim como indicadores de desenvolvimento 
sustentável, devem representar mais do que crescimento econômico, expressando 
também eficiência, suficiência, equidade e qualidade de vida (SIENA, 2002). Os 
indicadores de sustentabilidade identificam até que ponto os objetivos sustentáveis 
são atendidos, sejam eles econômicos, sociais ou ambientais.
Constituem de ferramentas relevantes os indicadores de sustentabilidade, por 
avaliarem o desempenho de uma empresa ou indústria, considerando a variedade 
disponível de indicadores e os níveis diversos de complexidade a ser aplicado 
em qualquer uma delas, cujos índices, desde que planejados, possam melhorar 
o funcionamento e desenvolvimento (AL-SHARRAH; ELKAMEL; ALMANSSOOR, 
2010). Para exemplificar a categorização dos indicadores ambientais, sociais 
e econômicos, abordaremos brevemente sobre Pressão-Estado-Resposta 
(PER) para exemplificar a categorização dos indicadores ambientais, sociais e 
econômicos. 
O modelo PER é utilizado na análise de indicadores da área ambiental e do 
Desenvolvimento Sustentável, estando fundamentado em um marco conceitual 
que aborda os problemas ambientais segundo uma relação de causalidade. 
Os indicadores desenvolvidos pelo modelo buscam responder a três questões 
33
Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 
básicas: o que está acontecendo com o ambiente (Estado); por que isso ocorre 
(Pressão) e o que a sociedade está fazendo a respeito (Resposta) (CARVALHO; 
BARCELLOS, 2010). Na Figura 6, está sistematizado o modelo PER, segundo a 
OECD.
FIGURA 6 – SISTEMA PRESSÃO-ESTADO-RESPOSTA
FONTE: OECD (1993, s. p).
De acordo com a OCDE (1993), o método PER apresenta a vantagem de 
evidenciar os elos entre a atividade humana e o ambiente e, ajudar os tomadores 
de decisão e o público a perceber a interdependência entre as questões ambientais 
e as outras, sem, todavia, esquecer que existem relações mais complexas nos 
ecossistemas e nas interações entre o meio ambiente e a sociedade. Segundo 
Lira (2008), no modelo PER, os indicadores são divididos em três categorias:
• Indicadores da pressão ambiental, que descrevem as pressões das 
atividades humanas sobre o ambiente, incluindo a quantidade e 
qualidade dos recursos naturais.
• Indicadores das condições ambientais ou de estado que se referem à 
qualidade do ambiente e à qualidade e quantidade dos recursos naturais. 
Eles devem fornecer uma visão da situação do ambiente e sua evolução 
no tempo, não das pressões sobre ele.
• Indicadores das respostas sociais que são medidas que mostram 
a resposta da sociedade às mudanças ambientais, podendo estar 
relacionadas à prevenção dos efeitos negativos da ação do homem sobre 
o ambiente, à paralisação ou reversão de danos causados ao meio, e à 
preservação e conservação da natureza e dos recursos naturais. 
34
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Nesse sentido, a Figura 7 apresenta a estrutura PER e as relações existentes 
entre seus elementos.
FIGURA 7 – ESTRUTURA PER
FONTE: Adaptado de Maranhão (2007).
Ao observarmos o modelo PER, percebemos que ele retrata as conexões 
entre o ambiente e a atividade humana e, também, possibilita a visão ampla 
de vários elementos de um problema ambiental. Por outro lado, as limitações 
do modelo são a falta do estabelecimento de metas a serem atingidas; o olhar 
limitado das pressões no ambiente causadas apenas pela ação humana; e a 
simplificação de situações complexas que são observadas de forma linear.
Outra forma de mensurar as ações ao meio ambiente são os bioindicadores, 
que, de uma forma ampla, referem-se aos seres vivos da natureza utilizados para 
avaliar a qualidade ambiental. Considerando o uso desenfreado dos recursos 
naturais, o qual tem promovido uma degradação do meio ambiente, como a 
contaminação dos mares e dos rios, a poluição do ar, o esgotamento do solo, a 
extinção de espécies dentre tantos outros, percebemos que todo o movimento 
contribui em prol de um desequilíbrio ecológico que pode ser prejudicial e 
comprometer até mesmo a própria vida humana.
Nesse sentido, a interação de uma forma sustentável com a natureza vem 
ganhando força e se transformando em um dos grandes objetivos dos indivíduos, 
sociedade, empresas, organizações e países. Os bioindicadores ajudam a 
quantificar se o meio ambiente está sofrendo com as nossas intervenções, 
pois, por meio de seres vivos, é possível medir as alterações do ambiente. Ao 
se constatar a presença, ausência ou abundância de determinados seres vivos 
35
Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 
Ao pensarmos na indústria alimentícia, sabemos da importância 
da segurança alimentar e por sua vez do equilíbrio ambiental. 
Por isso para que um produto esteja de acordo com as normas 
estabelecidas, é necessário iniciar o monitoramento lá na agricultura, 
na plantação dos alimentos, observando o controle das pragas 
nas plantações, e isso pode ser realizado com os bioindicadores. 
Outro fatorimportante é o controle de qualidade de produtos 
agrícolas que pode ser assegurado pelas análises microbiológicas. 
Veja esse exemplo para realizar o controle de pragas, por meio de 
indicadores. Link: https://foodsafetybrazil.org/gestao-e-indicadores-
de-controle-de-pragas/#:~:text=Um%20bom%20controle%20de%20
pragas,dados%20e%20um%20hist%C3%B3rico%20de
em determinado ambiente pode ser um indicador de alguma degradação, 
contaminação que pode ser prejudicial para o meio ambiente atual e futuro.
Existem diversos seres que podem atuar como bioindicadores. É 
interessante que eles sejam sensíveis ao desequilíbrio ambiental e que sejam 
de fácil monitoramento. Os bioindicadores permitem uma avaliação mais 
confiável e segura da qualidade ambiental. Ao medir um ambiente e identificar as 
características físicas e químicas, é possível retratar uma condição de uma forma 
pontual, de se obter uma fotografia da situação atual.
Por outro lado, os bioindicadores permitem perceber as consequências da 
ação do homem no meio ambiente e a ação dos seres vivos da natureza podem 
ajudar na diminuição dos impactos provocados pelo ser humano.
Para tornar mais clara a atuação dos bioindicadores abaixo, seguem alguns 
exemplos em diferentes ecossistemas. No solo, por exemplo, temos como um 
bioindicador as minhocas, pois elas podem ser prejudicadas em solos com 
contaminações ambientais ou com falta de nutrientes. A minhoca colabora para a 
fertilidade do solo e, por isso, sua presença é tão importante. O monitoramento de 
bactérias e fungos no solo permite maior produtividade e um uso mais sustentável 
do solo.
No ar, a associação entre fungos e algas formam os chamados liquens, que 
são indicadores da qualidade do ar. Os liquens só conseguem se desenvolver em 
36
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
locais úmidos e sem poluição, por isso, são um bioindicador para ar puro e de 
qualidade. Na água, um exemplo clássico é a maré vermelha, que ocorre quando 
algas vermelhas e marrons se proliferam de forma desordenada. Estes tipos de 
algas são tóxicas e provocam alterações de temperatura da água e salinidade, 
normalmente causado pelo direcionamento do esgoto no mar.
Os bioindicadores ressaltam para nós que a própria natureza se regulariza, 
com uma capacidade incrível de emitir sinais. Cabe ao ser humano observar e 
interpretar estes indicativos e traçar caminhos mais sustentáveis de uso destes 
recursos essenciais.
1 Descreva o que é um bioindicador e qual a sua importância para 
o meio ambiente.
Ao observarmos os diversos indicadores de sustentabilidade, é interessante 
realizar uma análise das vantagens e desvantagens da aplicação de indicadores 
que buscam promover o desenvolvimento sustentável. Na tabela 1 a seguir estão 
descritas algumas vantagens e limitações.
TABELA 1 – SÍNTESE DE ALGUMAS VANTAGENS E LIMITAÇÕES DA 
APLICAÇÃO DE INDICADORES DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
FONTE: DGA (2000, s. p.).
37
Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 
No contexto mundial, a avaliação do desenvolvimento 
sustentável conta com alguns direcionamentos já consolidados, 
um exemplo é o documento intitulado Indicators of sustainable 
development: framework and methodologies, publicado pela 
Comissão para o Desenvolvimento Sustentável (CSD) das Nações 
Unidas. Em sua terceira edição, o documento, também conhecido 
como Livro Azul, contém uma proposta de 50 indicadores essenciais 
e outros 46 complementares, além de recomendações metodológicas 
3.3 AVALIAÇÃO DA 
SUSTENTABILIDADE
Com um conjunto de indicadores, é possível formar métodos e formas de 
avaliar os impactos causados pela ação humana no meio ambiente. Para isso, 
existem diversos métodos e ferramentas utilizados pelas empresas para verificar 
se estão trilhando o caminho de práticas mais sustentáveis. 
Um dos desafios para se alcançar o desenvolvimento sustentável, 
perpassa, necessariamente, pela criação de ferramentas capazes de avaliar a 
sustentabilidade em suas diferentes perspectivas, além de prover informações 
relevantes ao processo de tomada de decisão. Assim, indicadores de 
desenvolvimento sustentável são tidos como instrumentos essenciais para guiar a 
ação e subsidiar o acompanhamento e a avaliação do progresso alcançado rumo 
ao desenvolvimento sustentável (IBGE, 2010).
Vale destacar que as ferramentas e, principalmente, os indicadores 
de desenvolvimento sustentável servem como um meio para se atingir a 
sustentabilidade e não como um fim em si mesmos. Os indicadores e as 
ferramentas acrescentam mais pelo que apontam do que pelo seu valor absoluto, 
e são mais úteis quando analisados em seu conjunto do que pelo exame individual 
de cada indicador.
Os indicadores devem simplificar as informações sobre fenômenos 
complexos, buscando melhorar o entendimento e comunicação sobre estes. 
Podem ser quantitativos ou qualitativos, sendo que existem autores que 
preconizam a utilização de indicadores qualitativos como mais adequados para 
avaliar as experiências referentes a sustentabilidade (VAN BELLEN, 2002). Em 
alguns casos, avaliações qualitativas podem ser transformadas em uma notação 
quantitativa. 
38
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
para avaliação do desenvolvimento sustentável e está disponível no 
link: https://www.un.org/esa/sustdev/csd/csd9_indi_bp3.pdf.
A maioria das avaliações de desenvolvimento sustentável faz uso da proposta 
de indicadores contida no Livro Azul das Nações Unidas. Um dos benefícios 
decorrentes é a disponibilização de informações consolidadas, unificadas e que 
permitem comparações entre diferentes países. 
Ainda que alguns dos indicadores propostos sejam passíveis de adaptação 
para o contexto corporativo, a avaliação do desenvolvimento sustentável nas 
organizações ainda não conta com a disponibilidade de documentos referenciais 
já consolidados. Ainda assim, existem algumas iniciativas que estão sendo 
amplamente utilizadas no meio empresarial corporativo, bem como ferramentas 
de avaliação que podem servir como inspiração para a construção de indicadores 
adequados à realidade e especificidades do público-alvo desejado.
No Quadro 2, estão descritas algumas iniciativas e ferramentas de avaliação 
comumente utilizadas por organizações empresariais e industriais. Esse 
levantamento se torna relevante para proporcionar uma visão geral dos diferentes 
tipos de iniciativas e ferramentas.
QUADRO 2 – FERRAMENTAS DE AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE CORPORATIVA
IDENTIFICAÇÃO PAÍS DE ORI-
GEM
DESCRIÇÃO
Indicadores de Responsab-
ilidade Social Empresarial 
(IARSE)
Argentina Guia de autoaplicação para grandes 
empresas. Inclui correlação com 
os princípios do Pacto Global das 
Nações Unidas.
IARSE para Pequenas e 
Médias Empresas (PMEs)
Argentina Ferramenta de autoavaliação e 
planejamento para PMEs.
IARSE para Empresas Co-
operativas de Usuários
Argentina Guia de primeiros passos em re-
sponsabilidade social para empre-
sas cooperativas de usuários.
Conselho Boliviano de Re-
sponsabilidade Social Em-
presarial (COBORSE)
Bolívia Publicação colocada à disposição 
pelo IARSE a partir de uma a adap-
tação feita pela organização argen-
tina dos IARSE, publicado pelo In-
stituto Ethos de Responsabilidade 
Social Empresarial.
Instituto Brasileiro de Aná-
lises Sociais e Econômicas 
(IBASE)
Brasil Demonstrativo numérico sobre as 
atividades sociais das empresas 
em forma de tabela de uma página. 
De fácil preenchimento, permite a 
verificação dos dados e a compara-
ção com outras empresas.
39
Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 
IDENTIFICAÇÃO PAÍS DE ORI-
GEM
DESCRIÇÃO
Indicadores de Responsab-
ilidade Social Empresarial 
(IARSE)
Argentina Guia de autoaplicação para grandes 
empresas. Inclui correlação com 
os princípios do Pacto Global das 
Nações Unidas.
IARSE para Pequenas e 
Médias Empresas (PMEs)
Argentina Ferramenta de autoavaliaçãoe 
planejamento para PMEs.
IARSE para Empresas Co-
operativas de Usuários
Argentina Guia de primeiros passos em re-
sponsabilidade social para empre-
sas cooperativas de usuários.
Conselho Boliviano de Re-
sponsabilidade Social Em-
presarial (COBORSE)
Bolívia Publicação colocada à disposição 
pelo IARSE a partir de uma a adap-
tação feita pela organização argen-
tina dos IARSE, publicado pelo In-
stituto Ethos de Responsabilidade 
Social Empresarial.
Instituto Brasileiro de Aná-
lises Sociais e Econômicas 
(IBASE)
Brasil Demonstrativo numérico sobre as 
atividades sociais das empresas 
em forma de tabela de uma página. 
De fácil preenchimento, permite a 
verificação dos dados e a compara-
ção com outras empresas.
Escala Akatu de Respons-
abilidade Social Empresar-
ial
Brasil Escala que propõe um conjunto de 
60 referências Akatu – Ethos de Re-
sponsabilidade Social Empresarial 
(RSE) que, uma vez respondidas, 
permite às empresas serem catego-
rizadas em quatro grupos homogê-
neos em sua prática de responsab-
ilidade social.
Bolsa de Valores Sociais e 
Ambientais (BOVESPA)
Brasil Programa pioneiro no mundo, 
lançado pela Bovespa – Bolsa de 
Valores de São Paulo, para apoiar 
projetos na área da educação e 
do meio ambiente, apresentados 
por ONGs brasileiras, por meio da 
reprodução do mesmo ambiente 
de uma bolsa de valores, visando 
promover melhorias nas perspecti-
vas sociais e ambientais do País. A 
ideia é unir organizações não-gov-
ernamentais que precisem de re-
cursos financeiros e de investidores 
(doadores) dispostos a provê-los.
Indicadores ETHOS de Re-
sponsabilidade Social Em-
presarial
Brasil Ferramenta de autodiagnóstico cuja 
principal finalidade é auxiliar as em-
presas a gerenciarem os impactos 
sociais e ambientais decorrentes de 
suas atividades.
Matriz Brasileira de Evidên-
cias de Sustentabilidade – 
ETHOS
Brasil Análise que relacione aspectos da 
sustentabilidade com reconhecidos 
fatores de sucesso nos negócios.
Matriz de Critérios Essenci-
ais de SER e seus Mecanis-
mos de Indução – ETHOS
Brasil Matriz que procura identificar um 
conjunto de critérios essenciais de 
responsabilidade social empresari-
al e os diversos agentes indutores, 
no Brasil, que contribuem para a 
adoção de práticas de gestão so-
cialmente responsáveis.
Indicadores GIFE de 
Gestão do Investimento 
Social Privado – GIFE
Brasil Conjunto de indicadores para aval-
iação da gestão do investimento so-
cial da organização.
Manual de Indicadores de 
Responsabilidade Social 
das Cooperativas – FIDES
Brasil Ferramenta de análise, planeja-
mento e acompanhamento das 
práticas de responsabilidade social 
das cooperativas.
40
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Instrumento para aval-
iação da sustentabilidade 
e planejamento estratégico 
– FDC
Brasil Instrumento que sintetiza a com-
preensão histórica e das tendên-
cias futuras (estado da arte) de 
articulação entre os conceitos e 
práticas sobre Sustentabilidade e 
Planejamento Estratégico (SPE), 
possibilitando, dessa maneira, o 
estabelecimento de uma pauta para 
o encontro entre as premissas do 
movimento pelo desenvolvimento 
sustentável e a função de planeja-
mento nas organizações.
Indicadores de Responsab-
ilidade Social Corporativa – 
ACCIÓN
Chile Ferramenta prática que permite às 
empresas avaliar o nível de desen-
volvimento de suas estratégias, 
políticas e práticas nos distintos 
âmbitos que envolvem a respons-
abilidade de um bom cidadão cor-
porativo.
Manual de SER para PMEs 
– PROHUMANA
Chile Manual orientado para as pequenas 
e médias empresas chilenas, que 
aspiram a adotar de maneira grad-
ual estratégias de responsabilidade 
social que as levem a alcançar mel-
horas em sua gestão e obter um 
desenvolvimento humano suste-
ntável.
Sistema de Gestión de 
Responsabilidad Integral 
(SGRI)
Colômbia Conjunto de instrumentos que 
permite administrar, com um enfo-
que mais sistemático, os esforços 
necessários para atingir, com êxi-
to, o desenvolvimento sustentável 
e a responsabilidade social dos 
negócios.
Índice CCRE - Centro Co-
lombiano de Responsabili-
dade Empresarial
Colômbia O índice CCRE é uma ferramenta 
que avalia o estado das práticas 
de Responsabilidade Social que 
desenvolve a empresa com seus 
grupos de interesses e a congruên-
cia de seus processos, políticas e 
princípios corporativos dentro de 
esquemas de gestão socialmente 
responsáveis. 
Indicadores de Respons-
abilidade Social do Consor-
cio Ecuatoriano para la RS 
(CERES)
Equador Indicadores que permitam quan-
tificar o grau de responsabilidade 
social das empresas, fundações, 
universidades, entre outras organi-
zações.
41
Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 
Manual de Autoevaluación 
de la Responsabilidad So-
cial Empresarial – DERES
Uruguai Indicadores de Responsabilidade 
Social Empresarial.
Modelo de Responsabili-
dade Social Peru 2021
Peru Ilustração prática da aplicação da 
responsabilidade social que inclui 
uma revisão do conceito de re-
sponsabilidade social, as ações 
que devem ser executadas pela 
empresa junto a cada um dos seus 
stakeholders ou grupos de inter-
esse, e os benefícios gerados por 
estas ações, tanto para o grupo de 
interesse impactado como para a 
própria empresa.
Indicadores de Responsab-
ilidade Social Empresarial 
para Costa Rica - AED
Costa Rica Ferramenta de autodiagnóstico que 
tem o intuito de rever a gestão da 
empresa em cada uma das áreas 
que demanda uma conduta social-
mente responsável.
Autoavaliação de Práticas 
de SER – FUNDEMAS
El Salvador Objetivo de contribuir para o desen-
volvimento econômico e social de 
El Salvador, mediante o fortaleci-
mento da Responsabilidade Social 
da empresa privada, da promoção 
da filantropia empresarial e do fo-
mento dos comportamentos em-
preendedores.
IndicaRSE 2006 – CEN-
TRARSE
Guatemala Instrumento de autoavaliação que 
mede a aplicação de políticas e 
práticas de RSE.
AutoevaluaRSE – CEDIS Panamá Indicadores para autoavaliação da 
responsabilidade social.
The Good Company – Ca-
nadian Business for Social 
Responsibility (CBSR)
Canadá Questionário e diretrizes que for-
mulam um conjunto de práticas que 
podem ser facilmente aplicadas 
por pequenas, médias e grandes 
empresas que desejam melhorar 
a gestão da sua responsabilidade 
social.
SD Planner – Global Envi-
ronmental Management Ini-
tiative (GEMI)
EUA Ferramenta de autodiagnóstico, 
automatizada, desenhada para aju-
dar as empresas a avaliar, plane-
jar e integrar o desenvolvimento 
sustentável em seus processos de 
negócio.
42
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Global Citizenship 360 – 
Future 500 (GC 360)
EUA e Japão Software que permite melhor de-
sempenho e estratégia de respons-
abilidade social corporativa e ajuda 
a aprimorar relatórios de sustentab-
ilidade e no modelo proposto pela 
GRI.
Indicadores de Instituciona-
lidad y Transparencia – CE-
MEFI
México Indicadores para que as organi-
zações da sociedade civil (OSCIP), 
dedicadas à assistência, promoção 
e desenvolvimento social, e que lu-
tam por causas fundamentadas nos 
princípios de solidariedade, filan-
tropia e corresponsabilidade social, 
possam contar com um guia para 
alcançar padrões de institucionali-
dade e transparência.
Integrated Management 
Systems (IMS) (ECO4W-
ARD)
Áustria Gestão integrada de várias ferra-
mentas passíveis de certificação: 
ASchG, OHSAS 18001, SCC, EM-
ASVO, ISO 14001, ISO 9001:2000, 
ISO 9004:2000.
Albatros – Business & Soci-
ety Belgium
Bélgica Questionário para autoavaliação da 
gestão geral e da responsabilidade 
social das empresas.
VastuunAskeleit – Finnish 
Business & Society
Finlândia É um conjunto de ferramentas que 
ajuda empresas a desenvolver a re-
sponsabilidade social corporativa.
Guide CSR Europe Allianc-
es
França Adaptação francesa de uma ferra-
menta desenvolvida por uma insti-
tuição de âmbito europeu destinada 
a pequenas e médias empresas 
que desejamavaliar e fortalecer 
sua responsabilidade social corpo-
rativa.
Le Guide de la Perfor-
mance Globale – CJD
França O guia de Desempenho Global é 
um questionário com 100 pergun-
tas que visa elaborar diagnóstico e 
estabelecer um plano de ação para 
tornar a empresa mais competitiva 
e mais humana, e, ao mesmo tem-
po, fazer que tenha, como missão, 
a preocupação de melhorar o de-
sempenho global e o da própria em-
presa.
43
Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 
CR Index – Business in the 
Community (BITC)
Reino Unido Ferramenta de benchmark que 
pesquisa e compara o comporta-
mento responsável das empresas, 
por meio da avaliação da estraté-
gia de responsabilidade social, da 
integração desta estratégia com o 
negócio e do desempenho social e 
ambiental da organização.
Bilan Societal – Centre 
des JeunesDirigeants et 
Acteurs de L´EconomieSo-
ciale (CJDES)
França Instrumento de avaliação da gestão 
empresarial e, principalmente, de 
prestação de contas/comunicação 
às partes interessadas da conduta 
das organizações sob a ótica da re-
sponsabilidade social.
Sustainability Integrated 
Guidelines for Manage-
ment (SIGMA)
Grã-Bretanha Conjunto de diretrizes e ferramen-
tas para empresas que visam con-
tribuir efetivamente para o desen-
volvimento sustentável.
Global Reporting Initiative 
(GRI)
Holanda É a primeira iniciativa em escala 
mundial que visa chegar a um con-
senso a respeito de uma série de 
diretrizes de comunicação sobre a 
responsabilidade social, ambiental 
e econômica nas empresas. Seu 
objetivo é elevar a qualidade dos 
relatórios a um nível passível de 
comparação, consistência e utili-
dade. 
Small e Better Business 
Journey – The Small Busi-
ness Consortium
Reino Unido As duas ferramentas são desen-
volvidas para ajudar pequenas em-
presas a aumentar seus lucros com 
práticas de responsabilidade social. 
Small Business Journey é um guia 
on-line e Better Business Journey é 
um livreto.
Responsible Competitive-
ness Index (RCI)
Reino Unido Índice que relaciona o estado da 
responsabilidade corporativa com 
a competitividade das nações. 
O índice revela quais os países 
que estão atingindo crescimento 
econômico sustentável baseado em 
práticas de responsabilidade social.
44
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Muitas indústrias, com suas ferramentas de avaliação, elaboram 
relatórios de sustentabilidade que sistematizam todas as suas ações 
em prol ao desenvolvimento sustentável. Isso pode ser considerado, 
inclusive, por muitas uma ferramenta de marketing empresarial e de 
valorização da imagem e da marca da empresa. O Grupo Boticário 
é uma destas indústrias que utiliza esta prática. Para conhecer 
um pouco mais segue o link do relatório de sustentabilidade da 
companhia: https://relatoriogrupoboticario.com.br/wp-content/
uploads/2020/12/Relatorio-Sustentabilidade-2019.pdf 
The Natural Step – WHH /
AntaKarana
Suécia Guia com condições fundamentais 
para uma sociedade sustentável, 
construídas a partir de um con-
senso de cientistas , e com uma 
metodologia para o planejamento 
de negócios/tomada de decisões. 
É destinado a empresas, organi-
zações e pessoas que desejam 
contribuir para o desenvolvimento 
sustentável da sociedade.
CSR Toolkit for SME – 
COSORE
Alemanha e 
outros
Conjunto de ferramentas desen-
volvido para apoiar consultores re-
sponsáveis pela introdução de RSE 
em pequenas e médias empresas.
FONTE: Adaptado de Louette (2007).
Ao observar diversas ferramentas e técnicas para avaliar a sustentabilidade 
e os aspectos ambientais, quais seriam as mais indicadas para o setor industrial? 
Vale frisar que o dia a dia da indústria é repleto de indicadores, métricas e sistemas 
de avaliação em seus processos produtivos, em suas vendas, desempenho de 
mercado entre tantos outros.
Portanto, ao escolher uma ferramenta de avaliação, a indústria precisa estar 
ciente da sua estrutura, das suas capacidades de operação para inserir um novo 
processo que seja de fácil absorção e implementação, pois isso é o que garantirá 
o sucesso do levantamento de dados e, consequentemente, dos indicadores 
ambientais.
45
Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 
Existem organizações que ajudam as empresas a comunicar o 
impacto dos negócios frente a questões de sustentabilidade. Este é 
o caso do GRI que, por meio das suas diretrizes, apoia as empresas 
na construção de relatórios, os quais trazem informações relevantes 
e padronizadas sobre as práticas de sustentabilidade que podem 
ser comparadas entre si. Para conhecer sobre as diretrizes do GRI, 
acesse o link: https://www.globalreporting.org/about-gri/regional-
hubs/gri-in-brazil/.
Nesta linha, muitas indústrias de médio e grande porte estão utilizando 
o Global Reporting Initiative (GRI), que apoia as indústrias na elaboração dos 
seus relatórios de sustentabilidade. A proposta desta ferramenta é evidenciar os 
impactos positivos e negativos no meio ambiente, sociedade e economia, além de 
manifestar os compromissos assumidos para melhorar sua atuação. 
Normalmente, os relatórios de sustentabilidade são utilizados pelas indústrias 
para desenvolver uma estratégia de gestão voltada para os indicadores sociais, 
ambientais e econômicos. Assim, com os indicadores, as indústrias conseguem 
estabelecer metas e realizar a gestão das mudanças necessárias para tornar 
suas operações e atividades mais sustentáveis.
Os relatórios de sustentabilidade são considerados ferramentas importantes 
para quantificar as ações das indústrias. Se realizados de forma periódica, são 
capazes de trazer a evolução histórica das melhorias implementadas. Essas 
informações são, também, fontes de divulgação e marketing que valorizam as 
marcas das indústrias para os clientes, acionistas e para a sociedade. 
Para alcançar uma visão positiva da sociedade perante ações de 
sustentabilidade praticadas por uma indústria, é necessário o engajamento 
das diferentes esferas de liderança dentro das indústrias, ou seja, desde seus 
dirigentes até toda a sua base de operadores, para que, de forma conjunta, seja 
construída uma atuação sólida, diferenciada e sustentável. Para atingir esse 
patamar, a indústria precisa avaliar sua cultura, seus valores e sua visão frente ao 
meio ambiente.
46
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
3 A CULTURA INDUSTRIAL E O MEIO 
AMBIENTE
Podemos dizer que a imagem de uma indústria é formada pelo conjunto 
de valores, diretrizes e premissas que acompanham a sua história e toda a sua 
trajetória dentro do mercado. A cultura de uma organização pode ser entendida 
como um conjunto de valores, de normas e princípios, que interage com a 
estrutura e os comportamentos, criando uma maneira única de como se comporta 
aquela organização, baseado em certos fundamentos e buscando determinados 
resultados finais.
Uma cultura organizacional forte é resultado de uma história marcante, 
de fundadores e empreendedores que tem uma visão e uma estratégia para o 
empreendimento, de valores compartilhados e objetivos em comum. Com base 
nesses conceitos, vamos analisar o contexto em que as indústrias estão inseridas 
para compreender melhor suas ações relacionadas com o meio ambiente. Um 
movimento recente de aproximação com consumidores, fornecedores, sociedade, 
acionistas e todas as partes interessadas vem ocorrendo dentro das indústrias, 
para entender de que forma eles percebem o valor agregado dos produtos e do 
setor industrial.
Estar mais próximo destes públicos e compreender o que eles necessitam e 
a forma que eles enxergam as indústrias se tornou uma estratégia de vantagem 
competitiva. Nesse sentido, as indústrias que entendem e criam oportunidades 
para atender às exigências desses públicos crescem e fortalecem a sua imagem 
em um mercado altamente competitivo. Nesse contexto, percebemos que as 
indústrias de todos os segmentos e portes devem adotar esse caminhopara, 
assim, se tornarem organizações que aprendem a substituir seus anteriores e 
tradicionais métodos e sistemas produtivos para novas formas de produção com 
foco na sustentabilidade.
Ao estabelecer o foco na sustentabilidade, as indústrias estão atendendo 
aos novos comportamentos de seus clientes e consumidores, que estão cada 
vez mais valorizando o consumo consciente e, também, estão caminhando em 
direção a tendências mundiais de produção da economia de baixo carbono.
47
Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 
Para entender melhor sobre as tendências mundiais e nacionais 
da indústria, acesse o documento Tendências Mundiais e Nacionais 
com impacto na indústria brasileira, da Confederação Nacional da 
Indústria (CNI), disponível em: https://www.portaldaindustria.com.br/
publicacoes/2018/3/tendencias-mundiais-e-nacionais-com-impacto-
na-industria-brasileira/.
Inserir práticas sustentáveis que envolvam as dimensões sociais, econômicas 
e ambientais pode ser um grande desafio para as indústrias que entendem a 
sustentabilidade como a adoção de estratégias de negócios e atividades que 
atendam às necessidades das partes interessadas. Nesse contexto, conciliar 
diferentes dimensões a interesses de diversos públicos exige uma habilidade 
grande de adaptação às mudanças impostas por este novo modelo.
Diante disso, para compreender os desafios enfrentados pela indústria e 
se adaptar a novos modelos, precisamos analisar a história da indústria e seus 
principais marcos, para entender em que cenário e com qual cultura ela vem se 
desenvolvendo ao longo dos anos. Pode não parecer, mas a trajetória pode nos 
ajudar a explicar a visão que temos da indústria e os comportamentos deste setor 
com o meio ambiente.
Se observamos a história da indústria, perceberemos que, com o seu 
surgimento, no movimento chamado Revolução Industrial, houve uma transição 
de métodos de produção artesanais para uma produção realizada por máquinas e 
ferramentas. Essa revolução iniciou na Inglaterra no final do século XVIII e início 
do século XIX, e, posteriormente, expandiu-se para a Europa Ocidental e Estados 
Unidos.
O início das atividades industriais contribuiu para uma nova economia, 
devido a invenções do tear mecânico, da máquina de fiar e de tantas outras 
que alavancaram a produção de bens. Por outro lado, ocorreu um crescimento 
acelerado e desorganizado das empresas que, para conseguirem concorrer e 
competir, tiveram que estabelecer métodos produtivos em massa e condições de 
trabalho intensas.
48
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Para entender melhor este período da Revolução Industrial e 
como as indústrias trabalhavam naquela época, assista a um trecho 
do filme Tempos Modernos (1936), de Charles Chaplin, que retrata 
a forma de produção e as relações de trabalho neste período. Link: 
https://youtu.be/4PaGw4ZRmWY. 
Se o movimento da Revolução Industrial ocorreu na Inglaterra entre 1760 e 
1840, no Brasil, a indústria começou a se estabelecer timidamente apenas em 
1827, tendo um período de maior consistência em 1844, com incentivos por parte 
do governo vigente. A indústria brasileira começou com o estabelecimento de 
fábricas de tecidos nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e na Bahia, além 
do segmento de metalurgia no estado de Pernambuco. Em 1850, surge, no Rio 
de Janeiro, o primeiro grande conglomerado industrial, formado por uma fundição 
e um estaleiro com capacidade para produzir 72 embarcações, utilizando uma 
tecnologia avançada para a época, a navegação a vapor.
Em 1910, o Brasil já contava com mais de 3.900 indústrias, ainda abaixo 
do seu potencial de mercado, que aumentou com a crescente urbanização. 
No entanto, o impulso para a indústria brasileira aconteceu durante a Primeira 
Guerra Mundial (1914-1918), assim, as dificuldades da Europa para manter as 
exportações com destino ao Brasil estimulou a abertura de uma série de indústrias 
para atender a demanda nacional. Outro ponto alto foi a exportação do café, que 
também estimulou outros empreendimentos.
Em 1920, a indústria brasileira praticamente triplicou de tamanho. Embora 
tenha diminuído o número de trabalhadores por fábrica, a capacidade de 
atendimento aumentou consideravelmente. Neste período, as fábricas brasileiras 
atendiam mais de 90% do consumo de tecidos, móveis e sapatos no país. Nos 
anos seguintes, o ritmo de crescimento diminuiu, mas a produção vinha se 
mantendo até que, em 1929, houve a chamada Grande Depressão, impulsionada 
pela queda das ações da Bolsa de Nova York, que fez com que o café, grande 
responsável pelas exportações do país, sofresse com uma forte queda de preço. 
Este período foi conhecido como a crise dos anos 30.
No entanto, com a Segunda Guerra Mundial, em 1939, aconteceu um novo 
movimento por instalação de fábricas para atender a demanda nacional e diminuir 
os produtos que o Brasil importava de outros países. Em 1946, teve início a 
49
Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 
produção de aço, o que possibilitou atender a manufatura pesada e, em seguida, 
outras usinas estatais e privadas foram sendo criadas. Em 1953, foi fundada 
a Petrobrás, e, entre os anos de 1956 e 1957, foi atingido um marco histórico 
em que o valor da indústria brasileira superava, pela primeira vez, a produção 
agrícola. 
Em 1955, houve a abertura para mais empresas estrangeiras, o que 
impulsionou crescimento e diversas transformações no setor fabril, agregando 
novos conhecimentos nos processos produtivos. Setores tradicionais continuaram 
a se expandir, como o de tecidos, bebidas e móveis. Outros setores cresceram, 
também, em importância, como o automobilístico, petroquímico e bens de 
produção. No entanto, o Brasil vivia, já, nessa época, o grande problema da 
inflação.
No período 1967 a 1973, houve uma retomada da expansão industrial tão 
grande, que ficou conhecido como “milagre-brasileiro”. Um dos principais fatores 
desse crescimento foi o fato de o brasileiro gastar mais em bens de maior 
valor, como automóveis. Após todo período de crescimento experimentado pela 
indústria nacional, nas décadas anteriores, o ano de 2015 não foi fácil para a 
indústria. Segundo algumas estimativas, foram fechados mais de 1 milhão e 200 
mil postos de trabalho, sendo a metade deles na indústria de transformação.
Nos anos seguintes, o setor industrial passou por uma forte crise, e, se a 
indústria está em crise, o Brasil está em crise. Entre 2019 e 2020, a participação da 
Indústria no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu de 21,4% para 20,4%, com 
a crise causada pela pandemia de COVID-19. O percentual de 2020 é o menor 
desde 1947. Apesar da desaceleração da indústria e da retração da economia no 
Brasil, o país fabrica a maior parte daquilo que consome, entre outros produtos.
Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a indústria 
brasileira, apesar de representar 20,4% do PIB do Brasil, tem o poder de gerar 
crescimento, pois, a cada R$ 1,00 produzido na indústria, são gerados R$ 
2,43 na economia brasileira. Nos demais setores, o valor gerado é menor. Na 
agropecuária, o valor gerado é de R$ 1,75 e, no comércio e serviços, o valor é 
de R$ 1,49. Além disso, a indústria emprega 9,7 milhões de trabalhadores no 
país, e é responsável por 20,4% do emprego formal no Brasil. Na Figura 8 são 
apresentados alguns dados da indústria brasileira. 
50
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
FIGURA 8 – A IMPORTÂNCIA DA INDÚSTRIA NO BRASIL
FONTE: CNI (2021, s. p.).
Com base no histórico apresentado, pode-se compreender que, durante 
o processo acelerado de desenvolvimento industrial brasileiro, houve pouca 
preocupação com as questões sustentáveis e ambientais que culminaram 
em atividades de alto poder poluidor, grande exploração da mão de obra com 
atividades excessivamente braçais e repetitivas, degradando rapidamente os 
recursosnaturais pela forma desenfreada de consumo deste bem.
Este pensamento é fruto de uma cultura industrial e da visão em geral que 
toda a sociedade construiu referente às indústrias por toda a história e que, 
ainda, por vezes e por alguns exemplos negativos, infelizmente se confirmam. 
No entanto, sabemos que existe um movimento para mudar esta percepção, 
pois muitos setores industriais estão engajados em modificar esta visão única da 
sociedade e mostrar o quanto contribuem e atuam de uma forma mais consciente 
e equilibrada. Na Figura 9, podemos observar um desenho que representa a visão 
de muitas pessoas sobre a indústria tradicional versus a indústria sustentável.
FIGURA 9 – VISÃO DA INDÚSTRIA TRADICIONAL X INDÚSTRIA SUSTENTÁVEL
FONTE: O Autor.
51
Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 
Se pedirmos para uma pessoa descrever um ambiente industrial, 
certamente ela falará da tradicional fumaça que sai das chaminés das indústrias. 
Provavelmente, será muito difícil alguém apontar ou remeter como primeira 
lembrança o uso de energias renováveis, um ambiente equilibrado com pouco 
ruído, geração de emprego, renda, tecnologias ou outros tantos benefícios que as 
indústrias podem trazer para a sociedade.
Isso ocorre, em grande parte, porque a cultura em que as indústrias cresceram 
e se instalaram foi essa. Afinal, quando alguém ia começar um processo produtivo, 
uma marcenaria, por exemplo, logo se pensava no espaço, que normalmente era 
um galpão, na matéria-prima necessária, na mão de obra, na localização para as 
movimentações de recebimento de materiais e envio de produtos. E, talvez, nem 
fosse cogitada a questão de resíduos, reaproveitamento, reciclagem, entre outras 
tantas práticas mais modernas, tecnológicas, cooperativas e integradoras.
Nesse sentido, deve ser estimulado que os processos produtivos das 
indústrias de transformação devem ser olhados por uma nova ótica, através 
das premissas da sustentabilidade. Técnicas de produção limpa devem ser 
inseridas neste novo cenário. Acredita-se que, quando disseminadas, essas 
técnicas sustentáveis podem ser valorizadas por consumidores e por todas as 
partes interessadas. Se as indústrias sofrem com esta visão limitada, cabe ao 
setor ampliar sua consciência de que a resposta possível e a mais desejável é 
a de se posicionar ativamente para enfrentar esses desafios, mas, sobretudo, 
encarando-os também como garantias de competitividade e oportunidades de 
desenvolvimento empresarial em novas bases competitivas.
O que percebemos é que os valores e demandas da sociedade em geral 
estão mudando rapidamente, assim como mudarão as oportunidades para 
as atividades empresariais. Se a sociedade vem demandando das empresas 
uma atitude de maior responsabilidade e transparência, cabe às indústrias se 
inserirem neste novo contexto competitivo e responderem com ações práticas 
que evidenciem a sua conduta frente ao meio ambiente.
Vale frisar novamente que as indústrias de transformação são 
impulsionadoras de grandes mudanças e posicionamentos dentro da sociedade. 
Desde a sua criação, as indústrias, por meio das máquinas, equipamentos e 
de diversos produtos, estão promovendo mudanças significativas na vida das 
pessoas. Sabendo disso, faz parte do papel das indústrias se posicionar em 
novas bases competitivas buscando o desenvolvimento sustentável, já que este 
desenvolvimento é fundamental para a continuação e perpetuação da vida na 
terra.
52
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
No entanto, não basta apenas se adequar a essa nova realidade. Faz-se 
necessário que as empresas sejam sustentáveis e, ao mesmo tempo, sejam 
competitivas. Com base nessa premissa, a sustentabilidade deve ser vista 
também como um dos mais importantes pilares da competitividade do futuro, 
criando, inclusive, novos critérios competitivos. 
Nesse sentido, além dos relatórios de sustentabilidade que são elaborados 
de forma livre espontânea pelas indústrias, existem as premissas contidas em 
normas e leis que necessitam ser seguidas por empresas de todos os portes 
e dos mais diversos segmentos. É o caso de indústrias que apresentam um 
potencial poluidor, ou que desejam exportar seus produtos para determinado país 
e tem que cumprir com as normas e certificações ambientais. 
Quando isso ocorre, entram em cena os Estudos de impacto ambiental 
(EIA) e os Relatórios de Impacto Ambiental (RIMA), que são previstos em lei para 
algumas atividades industriais. No próximo capítulo, aprenderemos um pouco 
mais deste cenário de normas e estudos ambientais.
4 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Neste capítulo, procuramos apresentar os principais conceitos de 
sustentabilidade e de desenvolvimento sustentável, assim como a evolução 
desses termos ao longo do tempo. Ao observamos os diferentes conceitos, fica 
clara a necessidade que temos de preservar os recursos naturais disponíveis, 
para garantir que as necessidades das futuras gerações sejam atendidas e para 
assegurar a perpetuação da vida na terra.
Por um outro lado, o mundo precisa seguir se desenvolvendo e atendendo 
às necessidades da sociedade moderna. Nesse sentido, a indústria tem um 
papel de transformação da sociedade, pois ela gera inovação, tecnologia e 
desenvolvimento. Desde a sua criação, as indústrias, por meio das máquinas, 
equipamentos e de diversos produtos, promovem mudanças significativas na vida 
das pessoas.
Na sociedade moderna, não é diferente, pois a indústria ainda continua como 
uma importante protagonista no atendimento das necessidades de consumo, 
na geração de empregos, renda, desenvolvimento econômico e social do país, 
porém, sabemos que a sustentabilidade e o desenvolvimento com base nas 
questões ambientais é o único caminho possível e viável de ser trilhado pelas 
indústrias, assim como pelas demais empresas e a sociedade de uma maneira 
geral. 
53
Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 
Para tanto, é necessário se ajustar a esta nova realidade. A cultura das 
indústrias precisa ser modificada, e a questão ambiental ser inserida como centro 
deste novo modelo de desenvolvimento. Percebemos, ainda, que a grande 
maioria da população enxerga o setor industrial como forma altamente poluidora 
de produção de bens de consumo, de explorador de mão de obra e de consumidor 
desenfreado de recursos naturais, porém, todos continuam consumindo de 
uma forma pouco sustentável, descartando seus itens eletrônicos de maneira 
inadequada, não separando os seus resíduos e tantos outros comportamentos 
que também comprometem o meio ambiente.
Precisamos, assim, de uma mudança profunda nas indústrias, na sociedade 
e nos indivíduos, para começar a construir caminhos mais sustentáveis. Nesse 
sentido, no mundo corporativo, as múltiplas ferramentas de avaliação da 
sustentabilidade sistematizam os indicadores ambientais e facilitam a visualização 
das práticas e ações de cuidado com o meio ambiente. É necessário adaptar os 
processos e começar a caminhar de acordo com os princípios ambientais, com a 
premissa de crescer e desenvolver, mas preservando, estimulando e cuidando do 
meio ambiente.
Por mais distante que, muitas vezes, tais ações possas parecer, em alguns 
setores industriais, podemos dizer que sim, é possível ser mais sustentável, afinal, 
muitos países já se adaptaram e seguem práticas mais sustentáveis. O Brasil, por 
sua vez, tem toda a capacidade para seguir no mesmo caminho. Outra forma de 
garantir as práticas ambientais dentro das indústrias é por meio da imposição 
de normas, legislações e certificações que devem ser cumpridas para garantir o 
funcionamento da atividade industrial e para assegurar que os comportamentos 
ambientais esperados estejam sendo seguidos.
Por fim, temos um longo caminho a trilhar para conseguir alcançar o 
desenvolvimento sustentável. Para isso, é preciso conhecer os atores do 
processo e as regras que preconizam a atuação sustentávelde atuar, competir 
e preservar. No próximo capítulo, conheceremos as regulamentações legais 
ambientais que influenciam na indústria, assim como os órgãos fiscalizadores 
e regulamentadores, que são os principais atores nos processos ambientais. 
Abordaremos, também, a respeito dos projetos ambientais, licenças, estudos e 
relatórios de impacto ambiental solicitados nas atividades industriais.
54
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
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 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
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abr. 2021.
CAPÍTULO 2
Políticas Ambientais
A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
• Conhecer as regulamentações legais ambientais que influenciam na indústria e 
os órgãos fiscalizadores e regulamentadores.
• Analisar as políticas e normas ambientais e verificar seus impactos na indústria.
• Reconhecer os principais fatores avaliados dentro dos projetos ambientais das 
indústrias.
• Identificar os principais atores que influenciam diretamente nos processos 
ambientais nas indústrias.
• Analisar estudos e relatórios que avaliam os impactos ambientais.
• Compreender as etapas do processo de avaliação dos impactos ambientais, 
do Estudo de Impactos Ambientais (EIA), do Relatório de Impactos Ambientais 
(RIMA) e a relação com o processo de licenciamento ambiental.
• Elaborar um roteiro para implementar EIA e RIMA.
58
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
59
Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 
1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Conhecer as regulamentações, legislações, normas e diretrizes ambientais 
que regulamentam e autorizam as atividades industriais é fundamental para as 
indústrias que buscam uma atuação consciente e responsável.
Existem diversos órgãos que são responsáveis por criar, aplicar e monitorar 
regras e normas que devem ser seguidas pelos diferentes setores industriais. 
Entender a dinâmica e os atores envolvidos no processo facilita o dia a dia e os 
trâmites necessários para regulamentar a atividade industrial. A dinâmica presente 
nos diversos órgãos visa demonstrar os cuidados e os pontos de atenção que as 
indústrias necessitam adotar em seus processos produtivos.
Apesar de ter que atender diferentes normas e legislações tanto em âmbito 
federal quanto em âmbito estadual, as indústrias estão sempre na busca por 
segurança jurídica para o desempenho de suas atividades. Por outro lado, ao 
se atender aos requisitos solicitados, muitas indústrias se habilitam, em alguns 
casos, a exportar os seus produtos e, assim, conquistar novos mercados, além de 
construir uma imagem de atuação consciente e responsável para os consumidores 
e para toda a sociedade.
Nesse contexto, porém, existem atividades industriais mais poluidoras, 
com características que necessitam ser monitoradas e regradas na tentativa de 
estabelecer um equilíbrio entre a atividade industrial e o meio ambiente. Nesse 
sentido, para facilitar e mensurar os impactos ambientais e apresentá-los para 
todas as esferas da sociedade existem instrumentos como o EIA e o RIMA. O 
EIA é um instrumento fruto da política nacional de meio ambiente, que tem por 
objetivo avaliar os impactos ambientais gerados por atividades potencialmente 
poluidoras ou que possam gerar degradação ambiental.
O EIA é considerado um documento técnico que é elaborado para responder 
a legislação ambiental brasileira. As principais informações contidas no EIA, bem 
como sua conclusão, devem ser apresentados no RIMA. O RIMA é um documento 
público que possibilita que todos os interessados tenham acesso à informação de 
uma forma simples e prática.
Dessa forma, o que vamos abordarneste capítulo são as normas, as 
legislações ambientais que incidem sobre as atividades industriais, além de 
conhecer um pouco sobre os atores envolvidos em todo o processo ambiental 
entendendo suas responsabilidades e forma de atuação. Nesse sentido, o foco 
deste capítulo será compreender este universo de políticas e práticas ambientais 
e as formas de mensurar os impactos por meio do estudo de impacto ambiental e 
do relatório de impacto ambiental.
60
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
2 PROCESSOS AMBIENTAIS – 
ASPECTOS E ATORES ENVOLVIDOS 
NOS PROCESSOS AMBIENTAIS
Os movimentos para a preservação do meio ambiente estão presentes nas 
agendas mundiais de diferentes países. A pauta das reuniões que ocorrem com 
frequência com os países mais influentes do mundo gira, principalmente, em 
torno do debate de formas para equilibrar o crescimento econômico e o cuidado 
com os recursos naturais.
A Organização das Nações Unidas (ONU) é uma das principais instituições 
responsáveis em reunir países para debater sobre os impactos ambientais 
gerados pela sociedade moderna e tentar desenhar caminhos possíveis para, em 
conjunto, comprometer os países em ações de preservação do meio ambiente.
Um dos impactos abordados nas conferências da ONU trata a respeito das 
mudanças climáticas. O que pode se perceber é que o planeta terra vem sofrendo 
um aquecimento acelerado, com estimativas preocupantes para os próximos anos 
e décadas. Esse aquecimento é fruto da alta emissão de gases na atmosfera, que 
podem gerar para as gerações futuras temperaturas elevadas, escassez de água, 
aumento do nível do mar, alterações nos ecossistemas terrestres e marinhos, 
entre tantas outras mudanças significativas.
Para monitorar as ações de preservação, a ONU publica relatórios periódicos 
com dados, estatísticas e estudos que apontam as principais tendências de 
futuro para o meio ambiente. Nesse sentido, a ONU se reúne com os principais 
países desde que firmou o primeiro documento sobre mudanças climáticas 
assinado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e 
Desenvolvimento, evento conhecido como a Cúpula da Terra, realizado em 
1992, no Rio de Janeiro. O tratado assinado em 1992 entrou em vigor em 1994, 
com a participação de 197 países que se reúnem anualmente por meio de uma 
conferência entre as partes, conhecida pela sigla COP, para debater formas de 
avançar na preservação ambiental. 
O evento mais recente realizado pela ONU foi a COP25 em 2019, que 
aconteceu em Madri. A COP25 teve como objetivo debater ações práticas para 
colocar em prática o acordo climático global, conhecido como Acordo de Paris, 
assinado em 2015. Aliás, desde 2015, este é o tema dos eventos da ONU. Nesse 
sentido, está agendado para o novembro de 2021 a COP26, que deverá ocorrer 
61
Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 
na cidade de Glasgow no Reino Unido. Na COP26, espera-se que os países 
apresentem metas mais robustas para serem alcançadas até 2030.
Dessa forma, a ONU segue reunindo as lideranças mundiais para que 
a pauta ambiental tão relevante não seja esquecida, e para que em conjunto 
todos possam traçar caminhos possíveis e sustentáveis. Assim, a ONU e outras 
organizações mundiais realizam as provocações e debates em prol do meio 
ambiente esperando que cada país desdobre estes temas em suas leis e normas 
por meio das instituições competentes, a fim de que as metas estipuladas no 
mundo sejam alcançadas.
O Brasil se comprometeu com a ONU e com os outros países participantes 
e assinou, em 2015, o Acordo de Paris. Na oportunidade, o Brasil estabeleceu 
como meta a redução de emissão de gases de efeito estufa em 37% até 2025. Tal 
meta já foi revisada e ajustada para uma redução de 43% até 2030. Dessa forma, 
para alcançar esses objetivos, é necessária a atuação de órgãos ambientais que 
estabeleçam leis e diretrizes para todo o país, inclusive para a atividade industrial 
brasileira, mas quais são estes órgãos e como eles funcionam? É isso que 
veremos agora.
Ao olharmos para o Brasil, podemos ver que o nosso país se destaca pela 
sua biodiversidade, possui uma gama de florestas, sendo a Amazônia a maior 
floresta tropical do mundo. Além de ter riquezas com uma diversidade de fauna 
e de flora, como o pantanal, a mata atlântica e a caatinga. Somos um país que 
possui uma extensa costa litorânea, além de contarmos com um bem muito 
valioso que são as reservas de água doce, que estão entre uma das maiores do 
mundo.
Para proteger toda essa riqueza e diversidade e para garantir o total cuidado 
com o meio ambiente existem no Brasil diversos órgãos que criam normas, 
legislações, diretrizes, fiscalizam e monitoram as atividades industriais, com o 
objetivo de resguardar os recursos naturais, tão preciosos em nossa sociedade 
moderna.
Conhecer os atores envolvidos nos processos ambientais e sua forma de 
atuação pode parecer complexo, mas ter uma visão das responsabilidades de 
cada órgão facilita para a indústria saber o que está sendo exigido e por quem, e 
assim poder, inclusive, manifestar-se a respeito.
Para entendermos melhor, precisamos saber que existem órgãos federais, 
estaduais e municipais. Sendo que, em linhas gerais, os órgãos federais possuem 
uma atuação em todo o território nacional, os estaduais dentro dos estados e 
os municipais dentro das cidades. Vamos conhecer os principais órgãos em que 
cada esfera.
62
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
2.1 ÓRGÃOS FEDERAIS
O Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) é formado por órgãos 
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. É a estrutura 
máxima de gestão ambiental no Brasil e foi criado pela necessidade de se 
estabelecer uma rede de agências governamentais que garantisse mecanismos 
aptos para a consolidação da Política Nacional do Meio Ambiente em todo o nível 
da Federação. O Artigo 6º, da Lei nº 6398/81, estabeleceu a estruturação do 
SISNAMA em níveis diferenciados, cada um com suas respectivas atribuições. 
São eles:
Conselho de Governo - Órgão Superior
O Conselho de Governo é a entidade que integra a Presidência da República. 
O objetivo é assessorar o presidente na elaboração de políticas públicas voltadas 
à preservação ambiental.
Conselho Nacional do Meio Ambiente (Órgão Consultivo e Deliberativo)
O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) é um órgão normativo, 
consultivo e deliberativo e tem, dentre outras finalidades, as de estudar, assessorar 
e propor ao Conselho de Governo Federal diretrizes e políticas governamentais 
para o meio ambiente, assim como normas e padrões compatíveis com um 
ecossistema ecologicamente equilibrado.
Ministério do Meio Ambiente - Órgão Central
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) tem como missão promover a adoção 
das políticas e princípios para o conhecimento, a preservação e a recuperação do 
meio ambiente. Além disso, o MMA visa o uso sustentável dos recursos naturais 
e a inserção do desenvolvimento sustentável na criação e implementação de 
políticas públicas em todas as instâncias do governo, por meio do planejamento, 
coordenação, controle e supervisão da implementação da Política Nacional e 
diretrizes governamentais para o meio ambiente.
IBAMA - Órgão executor
O Instituto Nacional do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (IBAMA), 
que completou 30 anos em 2019, é uma autarquia do MMA com autonomia 
administrativa e financeira, que tem como missão proteger a natureza, garantir a 
qualidade ambiental e a sustentabilidade, no que se refere ao uso dos recursos 
63
Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 
naturais. Tendo personalidade jurídica própria, executa o controle e fiscalização 
ambiental nos âmbitos nacional e regional por meio de ações de gestão concretas.
ICMBIO
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) 
trata-se de um órgão ambiental da administração pública, que tem o poder 
de autoadministração,nos limites estabelecidos em lei. O ICMBio foi 
criado pela Lei no 11.516/2007, com a missão de proteger o patrimônio 
natural e promover o desenvolvimento socioambiental, por meio da gestão 
das Unidades de Conservação (UCs) federais.
 
Órgãos Colegiados
Apesar de o MMA ser considerado o órgão máximo de proteção ambiental, 
existem outras entidades colegiadas que também fiscalizam o meio ambiente, 
como conselhos inseridos no poder executivo municipal, de natureza deliberativa 
ou consultiva, integrados por diferentes atores sociais (governo, empresas, 
universidades, trabalhadores e sociedade civil) envolvidas com o meio ambiente 
e que integram a estrutura dos órgãos locais do SISNAMA. Entre eles, estão:
• Comissão de Gestão de Florestas Públicas: órgão de natureza consultiva 
do Serviço Florestal Brasileiro, que tem por finalidade assessorar, avaliar 
e propor diretrizes para a gestão de florestas públicas brasileiras.
• Conselho Nacional de Recursos Hídricos: responsável pela efetivação 
da gestão de recursos hídricos no Brasil.
• Comissão Nacional de Biodiversidade: está entre os órgãos ambientais 
que regem a conservação e a utilização de recursos naturais, bem como 
a repartição igualitária de sua utilização e conhecimentos associados 
(TERA AMBIENTAL, 2021).
Nesse sentido, na Figura 1 a seguir, temos um breve resumo dos principais 
órgãos e suas funções.
64
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
FIGURA 1 – PRINCIPAIS ÓRGÃOS AMBIENTAIS FEDERAIS
FONTE: A autora.
2.2 ÓRGÃOS ESTADUAIS
Nos estados, existem os órgãos seccionais, que são entidades estaduais 
com a função de executar programas e projetos, além de controlar e fiscalizar as 
atividades capazes de degradar o meio ambiente. Alguns destes órgãos são:
• São Paulo: Coordenadoria de Fiscalização Ambiental (SMA).
• Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Ambiente (INEA).
• Minas Gerais: Secretaria de Meio Ambiente.
• Bahia: Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA) e 
Secretaria de Meio Ambiente.
• Paraná: Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
• Santa Catarina: Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA).
• Amazonas: Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM).
Entre os órgãos apresentados, conheceremos melhor o IMA, de Santa 
Catarina. O instituto atua em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento 
Econômico Sustentável (SDS), um órgão executivo do governo do estado, que 
implementa as políticas ambientais, e com o Conselho Estadual do Meio Ambiente 
(CONSEMA), que é o órgão regulamentador que define padrões ambientais a 
serem seguidos. Na operacionalização, os órgãos estaduais no estado de Santa 
Catarina funcionam da seguinte forma, conforme descrito na figura 2.
65
Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 
FIGURA 2 – OPERAÇÃO DOS ÓRGÃOS ESTADUAIS – CASO DE SANTA CATARINA
FONTE: A autora.
2.3 ÓRGÃOS MUNICIPAIS
Já na esfera dos municípios e das cidades, a prefeitura é responsável 
em definir as políticas, os conselhos municipais de meio ambiente definem os 
parâmetros, as secretarias ou fundações licenciam e fiscalizam e a Polícia Militar 
Ambiental (PMA) fiscaliza e insere as devidas providências. Na Figura 3, segue 
o exemplo da operação dos órgãos ambientais na cidade de Florianópolis, em 
Santa Catarina.
FIGURA 3 – OPERAÇÃO DOS ÓRGÃOS AMBIENTAIS EM FLORIANÓPOLIS/SC
FONTE: A autora.
66
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Podemos perceber que a indústria tem uma interação com diversos órgãos, 
dependendo da questão ambiental e do âmbito que estão tratando. O importante 
é saber que esses órgãos, sejam eles federais, estaduais ou municipais, apesar 
de terem uma dinâmica própria, comunicam-se e procuram se complementar.
1 Conhecendo os diversos órgãos ambientais que estão presentes 
em diferentes esferas, descreva em qual esfera o IBAMA está e 
qual a sua atuação frente a questões ambientais.
Para as indústrias, o caminho mais lógico e com melhor acesso é iniciar 
a conversa com o próprio município, que tem o total interesse em ajudar o 
desenvolvimento local. Após o fortalecimento dessa parceria, é possível trilhar 
caminhos nas esferas estaduais e federais. Na próxima seção, aprenderemos 
quais são as leis e normas que foram estipuladas por estes órgãos e que devem 
ser cumpridas pelas indústrias.
3 LEGISLAÇÕES E NORMAS 
AMBIENTAIS
O Brasil conta com uma série de legislações ambientais que devem ser 
cumpridas a fim de preservar o meio ambiente. Apesar de ser um tema complexo, 
separamos as principais leis que incidem diretamente na indústria. Na Figura 4, 
podemos observar uma linha do tempo com as principais leis, e, a seguir, temos o 
detalhamento de cada lei. 
67
Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 
FIGURA 4 – LINHA DO TEMPO LEGISLAÇÕES QUE IMPACTAM A INDÚSTRIA
FONTE: A autora.
1 – Lei Patrimônio Cultural – Decreto-lei no 25, de 30 de novembro de 
1937: lei que organiza a Proteção do Patrimônio Histórico e Artístico 
Nacional, incluindo como patrimônio nacional os bens de valor 
etnográfico, arqueológico, os monumentos naturais, além dos sítios e 
paisagens de valor notável pela natureza ou a partir de uma intervenção 
humana. A partir do tombamento de um destes bens, ficam proibidas sua 
demolição, destruição ou mutilação sem prévia autorização do Serviço 
de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN). 
2 – Lei da Fauna Silvestre – no 5.197, de 3 de janeiro de 1967: a lei 
classifica como crime o uso, perseguição, apanha de animais silvestres, 
caça profissional, comércio de espécies da fauna silvestre e produtos 
derivados de sua caça, além de proibir a introdução de espécie exótica 
(importada) e a caça amadorística sem autorização do IBAMA. A lei 
criminaliza, também, a exportação de peles e couros de anfíbios e 
répteis em bruto. 
3 – Lei das Atividades Nucleares – no 6.453, de 17 de outubro de 
1977: dispõe sobre a responsabilidade civil por danos nucleares e a 
responsabilidade criminal por atos relacionados com as atividades 
nucleares. Determina que, se houver um acidente nuclear, a instituição 
autorizada a operar a instalação tem a responsabilidade civil pelo dano, 
independentemente da existência de culpa. Em caso de acidente nuclear 
não relacionado a qualquer operador, os danos serão assumidos pela 
União. Essa lei classifica como crime produzir, processar, fornecer, 
usar, importar ou exportar material sem autorização legal, extrair e 
comercializar ilegalmente minério nuclear, transmitir informações 
sigilosas nesse setor ou deixar de seguir normas de segurança relativas 
à instalação nuclear. 
68
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
4 – Lei do Parcelamento do Solo Urbano – no 6.766, de 19 de dezembro 
de 1979: estabelece as regras para loteamentos urbanos, proibidos em 
áreas de preservação ecológicas, naquelas onde a poluição representa 
perigo à saúde e em terrenos alagadiços.
5 – Lei do Zoneamento Industrial nas Áreas Críticas de Poluição – 
no 6.803, de 2 de julho de 1980: atribui aos estados e municípios o 
poder de estabelecer limites e padrões ambientais para a instalação e 
licenciamento das indústrias, exigindo o EIA.
6 – Lei da Área de Proteção Ambiental – no 6.902, de 27 de abril de 
1981: lei que criou as “Estações Ecológicas “, áreas representativas 
de ecossistemas brasileiros, sendo que 90% delas devem permanecer 
intocadas e 10% podem sofrer alterações para fins científicos. Foram 
criadas também as Áreas de Proteção Ambienta (APAS), áreas que 
podem conter propriedades privadas e onde o poder público limita as 
atividades econômicas para fins de proteção ambiental. 
7 – Lei da Política Nacional do Meio Ambiente – no 6.938, de 31 de agosto 
de 1981: é a lei ambiental mais importante e define que o poluidor é 
obrigado a indenizar danos ambientais que causar, independentemente 
da culpa. O Ministério Público pode propor ações de responsabilidade 
civil por danos ao meio ambiente,impondo ao poluidor a obrigação 
de recuperar e/ou indenizar prejuízos causados. Essa lei criou a 
obrigatoriedade de EIA e RIMA. 
8 – Lei da Ação Civil Pública – no 7.347, de 24 de julho de 1985: lei de 
interesses difusos, trata da ação civil pública de responsabilidades por 
danos causados ao meio ambiente, ao consumidor e ao patrimônio 
artístico, turístico ou paisagístico. 
9 – Lei do Gerenciamento Costeiro – no 7.661, de 16 de maio de 1988: 
define as diretrizes para criar o Plano Nacional de Gerenciamento 
Costeiro, ou seja, define o que é zona costeira como espaço geográfico 
da interação do ar, do mar e da terra, incluindo os recursos naturais e 
abrangendo uma faixa marítima e outra terrestre. Permite aos estados e 
municípios costeiros instituírem seus próprios planos de gerenciamento 
costeiro, desde que prevaleçam as normas mais restritivas. Esse 
gerenciamento costeiro deve obedecer às normas do CONAMA. 
10 – Lei da criação do IBAMA – no 7.735, de 22 de fevereiro de 1989: 
criou o IBAMA, incorporando a Secretaria Especial do Meio Ambiente 
69
Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 
e as agências federais na área de pesca, desenvolvimento florestal e 
borracha. Ao Ibama, compete executar a política nacional do meio 
ambiente, atuando para conservar, fiscalizar, controlar e fomentar o uso 
racional dos recursos naturais. 
11 – Lei dos Agrotóxicos – no 7.802, de 11 de julho de 1989: a lei 
regulamenta desde a pesquisa e fabricação dos agrotóxicos até 
sua comercialização, aplicação, controle, fiscalização e o destino 
da embalagem. Entre as exigências impostas pela lei, estão a 
obrigatoriedade do receituário agronômico para venda de agrotóxicos ao 
consumidor; o registro de produtos nos Ministérios da Agricultura e da 
Saúde; o registro no IBAMA. O descumprimento dessa lei pode acarretar 
multas e reclusão. 
12 – Lei da Exploração Mineral – no 7.805, de 18 de julho de 1989: 
essa lei regulamenta as atividades garimpeiras. Para essas atividades, 
é obrigatória a licença ambiental prévia, que deve ser concedida pelo 
órgão ambiental competente. Os trabalhos de pesquisa ou lavra que 
causarem danos ao meio ambiente são passíveis de suspensão, sendo 
o titular da autorização de exploração dos minérios responsável pelos 
danos ambientais. A atividade garimpeira executada sem permissão ou 
licenciamento é crime.
13 – Lei da Política Agrícola – no 8.171, de 17 de janeiro de 1991: coloca 
a proteção do meio ambiente entre seus objetivos e como um de seus 
instrumentos. Define que o poder público deve disciplinar e fiscalizar o 
uso racional do solo, da água, da fauna e da flora; realizar zoneamentos 
agroecológicos para ordenar a ocupação de diversas atividades 
produtivas, desenvolver programas de educação ambiental, fomentar a 
produção de mudas de espécies nativas, entre outros. 
14 – Lei da Engenharia Genética – no 8.974, de 5 de janeiro de 1995. 
Revogada pela Lei no 11.105, de 24 de março de 2005: essa lei 
estabelece normas para aplicação da engenharia genética, desde o 
cultivo, manipulação e transporte de organismos modificados (OGM), 
até sua comercialização, consumo e liberação no meio ambiente. A 
autorização e fiscalização do funcionamento das atividades na área e 
da entrada de qualquer produto geneticamente modificado no país, é 
de responsabilidade dos Ministérios do Meio Ambiente, da Saúde e da 
Agricultura. Toda entidade que usar técnicas de engenharia genética é 
obrigada a criar sua Comissão Interna de Biossegurança, que deverá, 
entre outros, informar trabalhadores e a comunidade sobre questões 
relacionadas à saúde e segurança na atividade. 
70
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
15 – Lei de Recursos Hídricos – no 9.433, de 8 de janeiro de 1997: institui 
a Política Nacional de Recursos Hídricos e cria o Sistema Nacional de 
Recursos Hídricos. Define a água como recurso natural limitado, dotado 
de valor econômico, que pode ter usos múltiplos (consumo humano, 
produção de energia, transporte, lançamento de esgotos). A lei prevê 
também a criação do Sistema Nacional de Informação sobre Recursos 
Hídricos para a coleta, tratamento, armazenamento e recuperação de 
informações sobre recursos hídricos e fatores intervenientes em sua 
gestão.
16 – Resolução Conama no 237, de 19 de dezembro de 1997: dispõe 
sobre os procedimentos e critérios utilizados no licenciamento ambiental 
e no exercício da competência, bem como sobre as atividades e os 
empreendimentos sujeitos ao licenciamento ambiental.
17 – Lei de Crimes Ambientais – no 9.605, de 12 fevereiro de 1998: 
reordena a legislação ambiental brasileira no que se refere às infrações 
e punições. A pessoa jurídica, autora ou coautora da infração ambiental, 
pode ser penalizada, chegando à liquidação da empresa, se ela tiver sido 
criada ou usada para facilitar ou ocultar um crime ambiental. A punição 
pode ser extinta caso se comprove a recuperação do dano ambiental. As 
multas variam de R$ 50,00 a R$ 50 milhões de reais.
18 – Lei no 9.985, de 18 de junho de 2000 – institui o Sistema Nacional 
de Unidades de Conservação da Natureza: entre seus objetivos, estão: 
a conservação de variedades de espécies biológicas e dos recursos 
genéticos; a preservação e restauração da diversidade de ecossistemas 
naturais; e a promoção do desenvolvimento sustentável a partir dos 
recursos naturais. 
19 – Lei no 11.445, de 5 de janeiro de 2007 – estabelece a Política Nacional 
de Saneamento Básico: versa sobre todos os setores do saneamento, 
como drenagem urbana, abastecimento de água, esgotamento sanitário 
e resíduos sólidos. 
20 – Lei das Florestas – no 4.771, de 15 de setembro de 2012: determina 
a proteção de florestas nativas e define como áreas de preservação 
permanente (onde a conservação da vegetação é obrigatória) uma faixa 
de 30 a 500 metros nas margens dos rios, de lagos e de reservatórios, 
além de topos de morro, encostas com declividade superior a 45 graus e 
71
Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 
Para entender melhor a aplicação da legislação, no setor 
da construção, que é responsável pela construção de rodovias, 
estradas, pontes, viadutos dentre outros, é necessário se atentar 
para a Portaria Interministerial nº 1, de 4 de novembro de 2020. 
Esta portaria estabelece os procedimentos relativos à regularização 
ambiental de rodovias federais pavimentadas que estejam operando 
sem a devida licença ambiental de operação. As informações estão 
no site https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-interministerial-n-1-
de-4-de-novembro-de-2020-286701778.
locais acima de 1.800 metros de altitude. Também exige que propriedades 
rurais da região Sudeste do país preservem 20% da cobertura arbórea, 
devendo tal reserva ser averbada em cartório de registro de imóveis. 
No site do IBAMA, é possível encontrar um quadro com a 
legislação vigente classificado por atividade e por setor no seguinte 
link: http://www.ibama.gov.br/laf/legislacao.
Nesse contexto, existem diversas legislações que incidem no setor industrial. 
No Quadro 1 a seguir, estão algumas outras leis federais que impactam a indústria.
QUADRO 01 – LEIS FEDERAIS
Lei Descrição
Lei Complementar nº 
140, de 8 de dezembro 
de 2011 
Fixa normas, nos termos dos incisos III, VI e VII do 
caput e do parágrafo único do art. 23 da Constituição 
Federal, para a cooperação entre a União, os 
Estados, o Distrito Federal e os Municípios nas 
ações administrativas decorrentes do exercício 
da competência comum relativas à proteção das 
paisagens naturais notáveis, à proteção do meio 
ambiente, ao combate à poluição em qualquer de 
suas formas e à preservação das florestas, da fauna 
e da flora; e altera a Lei no 6.938, de 31 de agosto de 
1981. 
72
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Lei nº 12.651, de 25 de 
maio de 2012
Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; altera 
as leis no 6.938, de 31 de agosto de 1981; no 9.393, 
de 19 de dezembrode 1996; e no 11.428, de 22 de 
dezembro de 2006; revoga as leis no 4.771, de 15 de 
setembro de 1965; no 7.754, de 14 de abril de 1989, e 
a Medida Provisória no 2.166-67, de 24 de agosto de 
2001 e dá outras providências. 
Lei nº 12.305, de 2 de 
agosto de 2010 
Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera 
a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 e dá outras 
providências. 
Lei nº 11.428, de 22 de 
dezembro de 2006
Dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação 
nativa do Bioma Mata Atlântica e dá outras 
providências. 
Lei nº 10.257, de 10 de 
julho de 2001 
Regulamenta os artigos 182 e 183 da Constituição 
Federal, estabelece diretrizes gerais da política 
urbana e dá outras providências. 
Lei nº 10.165, de 27 de 
dezembro de 2000
Altera a Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, que 
dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, 
seus fins e mecanismos de formulação e aplicação e 
dá outras providências. 
Lei nº 9.985, de 18 de 
julho de 2000 
Regulamenta o art. 225, § 1º, incisos I, II, III e VII da 
Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de 
Unidades de Conservação da Natureza e dá outras 
providências. 
Lei nº 9.795, de 27 de 
abril de 1999
Dispõe sobre a educação ambiental, institui a 
Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras 
providências. 
Lei nº 9.605, de 12 de 
fevereiro de 1998 
Dispõe sobre as sanções penais e administrativas 
derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio 
ambiente e dá outras providências. 
Lei nº 9.433, de 8 de 
janeiro de 1997 
Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria 
o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos 
Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da 
Constituição Federal, e altera o artigo 1º da Lei nº 
8.001, de 13 de março de 1990, que modificou a Lei 
nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989. 
73
Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 
Lei nº 9.017, de 30 de 
março de 1995 
Estabelece normas de controle e fiscalização sobre 
produtos e insumos químicos que possam ser 
destinados à elaboração da cocaína em suas diversas 
formas e de outras substâncias entorpecentes ou que 
determinem dependência física ou psíquica, e altera 
dispositivos da Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983, 
que dispõe sobre segurança para estabelecimentos 
financeiros, estabelece normas para constituição 
e funcionamento de empresas particulares que 
explorem serviços de vigilância e de transporte de 
valores e dá outras providências. 
Lei nº 7.990, de 28 de 
dezembro de 1989 
Institui, para os Estados, Distrito Federal e Municípios, 
compensação financeira pelo resultado da exploração 
de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para 
fins de geração de energia elétrica, de recursos 
minerais em seus respectivos territórios, plataformas 
continentais, mar territorial ou zona econômica 
exclusiva e dá outras providências (Art. 21, XIX da 
CF). 
Lei nº 7.805, de 18 de 
julho de 1989 
Altera o Decreto-Lei nº 227, de 28 de fevereiro de 
1967, cria o regime de permissão de lavra garimpeira, 
extingue o regime de matrícula e dá outras 
providências. 
Lei nº 7.804, de 18 de 
julho de 1989 
Altera a Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, que 
dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, 
seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, 
a Lei nº 7.735, de 22 de fevereiro de 1989, a Lei nº 
6.803, de 2 de julho de 1980 e dá outras providências. 
Lei nº 7.802, de 11 de 
julho de 1989 
Dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a 
produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, 
o armazenamento, a comercialização, a propaganda 
comercial, a utilização, a importação, a exportação, o 
destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a 
classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização 
de agrotóxicos, seus componentes e afins e dá outras 
providências. 
Lei nº 7.677, de 21 de 
outubro de 1988 
Dispõe sobre a criação, pelo Poder Executivo, de 
entidade destinada a promover o desenvolvimento da 
tecnologia mineral e dá outras providências. 
74
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Lei nº 7.661, de 16 de 
maio de 1988 
Institui o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro 
e dá outras providências. 
Lei nº 7.347, de 24 de 
julho de 1985 
Disciplina a ação civil pública de responsabilidade por 
danos causados ao meio-ambiente, ao consumidor, 
a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, 
turístico e paisagístico e dá outras providências. 
Lei nº 7.312, de 16 de 
maio de 1985 
Altera a Lei nº 6.567, de 24 de setembro de 1978, para 
incluir o basalto no regime especial de exploração por 
licenciamento. 
Lei nº 6.938, de 31 de 
agosto de 1981 
Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, 
seus fins e mecanismos de formulação e aplicação e 
dá outras providências. 
Lei nº 6.766, de 19 de 
dezembro de 1979 
Dispõe sobre o Parcelamento do Solo Urbano e dá 
outras Providências. 
Lei nº 6.567, de 24 de 
setembro de 1978 
Dispõe sobre regime especial para exploração e 
o aproveitamento das substâncias minerais que 
especifica e dá outras providências. 
Lei nº 6.437, de 20 de 
agosto de 1977 
Configura infrações à legislação sanitária federal, 
estabelece as sanções respectivas e dá outras 
providências. 
Lei nº 5.197, de 3 de 
janeiro de 1967 
Dispõe sobre a proteção à fauna e dá outras 
providências. 
Lei nº 4.504, de 30 de 
novembro de 1964 
Dispõe sobre o Estatuto da Terra e dá outras 
providências. 
Lei nº 3.924, de 26 de 
julho de 1961 
Dispõe sobre os monumentos arqueológicos e pré-
históricos. 
Resolução nº 15, de 2012 Institui o Prêmio Mérito Ambiental a ser conferido 
anualmente pelo Senado Federal. 
FONTE: A autora. 
Além das leis federais também existem os decretos federais, sendo que 
ambos têm força e funções diferentes. No entanto, vale ressaltar que as leis são 
superiores aos decretos. No Quadro 2, estão descritos alguns decretos federais 
relacionados ao meio ambiente. 
QUADRO 2 – DECRETOS FEDERAIS
Decretos Federais Descrição
Decreto n° 12867, de 15 
de setembro de 2010
Institui o Plano de Ação para Prevenção e Controle 
do Desmatamento e das Queimadas no Bioma 
Cerrado (PPCerrado), altera o Decreto de 3 de julho 
de 2003, que institui Grupo Permanente de Trabalho 
Interministerial para os fins que especifica.
75
Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 
Decreto nº 6.660, de 21 
de novembro de 2008
Regulamenta dispositivos da Lei no 11.428, de 22 de 
dezembro de 2006, que dispõe sobre a utilização e 
proteção da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica.
Decreto nº 6.514, de 22 
de julho de 2008
Dispõe sobre as infrações e sanções administrativas ao 
meio ambiente, estabelece o processo administrativo 
federal para apuração destas infrações e dá outras 
providências.
Decreto nº 5.300, de 7 
de dezembro de 2004
Regulamenta a Lei no 7.661, de 16 de maio de 1988, que 
institui o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro 
(PNGC), dispõe sobre regras de uso e ocupação da 
zona costeira e estabelece critérios de gestão da orla 
marítima e dá outras providências.
Decreto nº 4.281, de 25 
de junho de 2002
Regulamenta a Lei no 9.795, de 27 de abril de 1999, 
que institui a Política Nacional de Educação Ambiental 
e dá outras providências.
Decreto nº 3.739, de 31 
de janeiro de 1991
Dispõe sobre o cálculo da tarifa atualizada de 
referência para compensação financeira pela utilização 
de recursos hídricos, de que trata a Lei no 7.990, de 28 
de dezembro de 1989, da contribuição de reservatórios 
de montante para a geração de energia hidrelétrica, de 
que trata a Lei no 8.001, de 13 de março de 1990 e dá 
outras providências.
Decreto nº 1, de 11 de 
janeiro de 1991
Regulamenta o pagamento da compensação financeira 
instituída pela Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989 
e dá outras providências.
Decreto nº 99.274, de 6 
junho de 1990
Regulamenta a Lei nº 6.902, de 27 de abril de 1981, 
e a Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, quedispõem, respectivamente sobre a criação de Estações 
Ecológicas e Áreas de Proteção Ambiental e sobre 
a Política Nacional do Meio Ambiente e dá outras 
providências.
FONTE: Adaptado de BRASIL (1990). Acesso em: 28 ago. 2021.
Para exemplificar o impacto de um decreto na indústria, podemos citar o 
decreto nº 6.660, de 21 de novembro 2008 que regulamenta dispositivos da Lei 
no 11.428, de 22 de dezembro de 2006, que dispõe sobre a utilização e proteção 
da vegetação nativa do bioma mata atlântica.
Este decreto impacta diretamente as atividades da indústria florestal, que 
tem que verificar se as formas de plantio e manejo das florestas plantadas estão 
adequadas e de que forma estão cuidando para a preservação das espécies 
76
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
nativas da mata atlântica. Nesse sentido, um decreto impacta na indústria que 
produz o papel que você utiliza ou o móvel que você tem na sua casa, por 
exemplo.
Outro exemplo é o decreto nº 5.300, de 7 de dezembro de 2004, que 
regulamenta a Lei no 7.661, de 16 de maio de 1988, que institui o PNGC, dispõe 
sobre regras de uso e ocupação da zona costeira, estabelece critérios de gestão 
da orla marítima e dá outras providências. Esse decreto impacta as atividades 
da indústria pesqueira, que, com seus barcos, faz a pesca de algumas espécies, 
tendo que obedecer a critérios como manter uma certa distância, além de seguir 
as regras para ocupar e utilizar o território marítimo. Muitas dessas indústrias 
possuem parte do seu processo produtivo realizado em alto mar, o que também 
demanda seguir uma série de regras de preservação ambiental. Sendo assim, a 
indústria que produz a latinha de atum que você consome, tem que seguir uma 
série de leis e decretos para conseguir entregar esse produto até você.
Para exemplificar, no Quadro 3 a seguir estão algumas legislações estaduais 
relacionadas ao meio ambiente que impactam a indústria. Utilizamos como 
exemplo as legislações do estado de Santa Catarina. 
QUADRO 3 – LEGISLAÇÕES ESTADUAIS DE SANTA CATARINA
Leis Estaduais Descrição
Lei nº 15.940, de 20 
dezembro de 2012 
Altera a Lei nº 14.262, de 2007, que dispõe sobre a Taxa 
de Prestação de Serviços Ambientais. 
Lei nº 15.815, de 8 
de maio de 2012 
Acrescenta o Capítulo VI no Título V da Lei nº 14.675, de 
2009, que institui o Código Estadual do Meio Ambiente e 
estabelece outras providências. 
Lei nº 15.736, de 11 
de janeiro 2012 
Dispõe, define e disciplina a piscicultura de águas 
continentais no Estado de Santa Catarina e adota outras 
providências. 
Lei nº 15.587, de 
27 de setembro de 
2011 
Autoriza a Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca 
a indenizar criadores de animais mortos em catástrofe 
ambiental no ano de 2009 nos municípios do Extremo-
Oeste do Estado de Santa Catarina e adota outras 
providências. 
Lei nº 15.251, de 3 
de agosto de 2010 
Veda o ingresso, no Estado de Santa Catarina, de resíduos 
sólidos com características radioativas e de resíduos 
orgânicos oriundos de frigoríficos e abatedouros, que 
apresentem riscos sanitários, tais como a disseminação 
de febre aftosa ou outras zoonoses. 
77
Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 
Lei nº 15.111, de 18 
de janeiro de 2010 
Proíbe a construção de Pequenas Centrais Hidroelétricas 
(PCHs) no trecho do rio que antecede o Parque das Sete 
Quedas do Rio Chapecó, localizado no município de 
Abelardo Luz. 
Lei nº 14.601, de 
29 de dezembro de 
2008 
Institui o Cadastro Técnico Estadual de Atividades 
Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos 
Naturais, integrante do Sistema Nacional do Meio 
Ambiente (SISNAMA), a Taxa de Fiscalização Ambiental e 
estabelece outras providências. 
Lei nº 14.496, de 7 
de agosto de 2008
Dispõe sobre a coleta, o recolhimento e o destino final das 
embalagens plásticas de óleos lubrificantes e adota outras 
providências. 
Lei nº 13.973, de 26 
de janeiro de 2007 
Dispõe sobre a concessão e/ou renovação de licença 
ambiental a empreendimentos ou atividades com 
significativo impacto ambiental regional ou local. 
Lei nº 13.972, de 26 
janeiro de 2007 
Dispõe sobre a dispensa de EIA e RIMA para a atividade 
de pequeno porte de extração de carvão mineral a céu 
aberto, em áreas remanescentes mineradas em subsolo e 
a céu aberto, de até cinco hectares. 
Lei nº 13.674, de 09 
de janeiro de 2006 
Dispõe sobre a dispensa de EIA e RIMA para a atividade 
de extração mineral classe II, em área de preservação 
permanente de até cinco hectares, em empreendimentos 
regularmente licenciados anteriormente à publicação 
da Resolução nº 237, de 19 de dezembro de 1997, do 
CONAMA. 
Lei nº 12.548, de 
20 de dezembro de 
2002 
Torna obrigatória a publicação da relação dos 
estabelecimentos multados por poluição e degradação 
ambiental. 
FONTE: <https://www.ima.sc.gov.br/>. Acesso em: 28 ago. 2021.
 
Para exemplificar, podemos verificar que a Lei nº 15.587, de 27 de setembro 
de 2011, que autoriza a Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca a 
indenizar criadores de animais mortos em catástrofe ambiental no ano de 2009 
nos municípios do extremo oeste do Estado de Santa Catarina e adota outras 
providências, incide diretamente na agroindústria. Afinal, as agroindústrias que 
atuam com proteína animal podem receber esta indenização, uma vez que os 
eventos ambientais muitas vezes não podem ser previstos e muito menos 
controlados. 
78
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Um exemplo de catástrofe ambiental foi o rompimento da 
estrutura de esgoto tratado da Casan, em janeiro de 2021, no centro 
da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, Santa Catarina que alterou 
os níveis de oxigênio na água e atingiu diversas espécies marinhas. 
A unidade de tratamento de água responsável pela estrutura foi 
notificada e as leis cabíveis deverão ser aplicadas para tentar 
minimizar e reparar os danos ambientais provocados e indenizar 
as famílias que tiveram suas casas atingidas pelo rompimento da 
estação de tratamento. Fonte: https://ndmais.com.br/meio-ambiente/
lagoa-zona-morta-desastre-ambiental/
Outro exemplo de desastre ambiental ocorrido no Brasil foi 
o rompimento das barragens da mineradora Samarco, na cidade 
de Mariana, Minas Gerais, considerado pelo IBAMA como o maior 
desastre ambiental do Brasil, que impactou diversas espécies. 
Fonte: https://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/blog-do-planeta/
noticia/2015/12/desastre-em-mariana-ameaca-quase-400-especies-
de-animais.html
A catástrofe ambiental que ocorreu em setembro de 2009, 
provocada por um tornado que atingiu a região oeste de Santa 
Catarina, foi o principal motivo para a criação de uma lei de 
indenização para as agroindústrias. Durante o evento, que por ser 
um fenômeno da natureza não pode ser contido, mais de 60 mil aves 
morreram, provocando um forte impacto na agroindústria da região. 
Fonte: http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2014/09/registro-
de-tornado-que-devastou-cidade-em-sc-completa-cinco-anos.html 
79
Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 
Nesse contexto, percebemos que as legislações e decretos são importantes 
para preservar os recursos naturais do nosso país. As legislações servem como 
um mecanismo para orientar, direcionar e punir qualquer ação que impacte o 
meio ambiente. Infelizmente, existem diversos acidentes e desastres ambientais 
que impulsionam e justificam a necessidade de termos órgãos específicos para 
garantir o uso adequado dos nossos recursos. Se olharmos para o mundo e para 
o Brasil, é possível identificar diversos acidentes emblemáticos que mostram a 
importância de sempre estarmos atentos ao uso dos recursos e dos impactos 
gerados no meio ambiente.
Os principais acidentes ambientais ocorridos no Brasil e no 
mundo estão apresentados no site: https://www.unicamp.br/unicamp/
ju/noticias/2017/12/01/principais-desastres-ambientais-no-brasil-e-
no-mundo. Nessa leitura, é possível percebero impacto e os diversos 
danos causados por um acidente ambiental
Nesse sentido, as legislações estão presentes para tentar minimizar os 
potenciais danos causados ao meio ambiente e, assim, fortalecer a busca contínua 
pelo equilíbrio entre preservação ambiental e desenvolvimento econômico. No 
entanto, além das leis, existem normas que auxiliam as indústrias a estabelecer 
seus processos ambientais, como é o caso da norma ISO 14.001. 
3.1 ISO 14.001
ISSO é uma sigla em inglês para Organização Internacional de Normalização, 
sendo formada por diversos países, em que seus membros reúnem especialistas 
para desenvolver padrões internacionais. Esses padrões são feitos de forma 
voluntária e são baseados em consenso sobre aspectos importantes do mercado, 
que irão apoiar a inovação e proporcionar soluções para os desafios globais. O 
Brasil se inseriu na ISO por meio da Associação Brasileira de Normas Técnicas 
(ABNT).
A ISO possui diversas normas e, entre elas, existe a série 14000. Essa série 
se refere a normas de padrões ambientais com objetivo de abordar temas como:
• Sistemas de gestão ambiental.
• Rotulagem ambiental.
80
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
• Auditorias ambientais.
• Análise do ciclo de vida.
• Comunicação ambiental.
• Desempenho ambiental.
• Aspectos ambientais.
• Terminologia.
A ISO 14001 visa, também, atender indústrias de qualquer segmento e porte. 
O Comitê Técnico 207, chamado ISO/TC207 é a área da ISO responsável pela 
série ISO 14000. Na ABNT, seu correspondente é o Comitê Brasileiro de Gestão 
Ambiental CB-38. Fazem parte dessa série as normas: ISO 14001, 14004, 14010, 
14020, 14031, 14040 e 14064 (NOMUS, 2021).
A norma ISO 14.001 foi criada pela ABNT e tem como objetivo apresentar 
os requisitos para a estruturação de um Sistema de Gestão Ambiental. A norma 
considera aspectos ambientais que são influenciados pela empresa e, também, 
outros aspectos que a organização pode controlar. Um dos diferenciais da norma 
ISO 14.001 é a possibilidade dada às empresas de desenvolverem um sistema 
que proteja o meio ambiente, respondendo de forma proativa e rápida a mudanças 
das condições ambientais.
A empresa que busca ter uma postura sustentável e ser reconhecida por 
isso pelos seus clientes, parceiros e pela sociedade, é o tipo de empresa que 
implementa a ISO 14.001. Essas empresas veem a norma como uma forma de 
estabelecer um sistema de gestão ambiental e de estarem seguras sobre políticas 
e práticas ambientais adotadas em suas organizações.
As indústrias têm procurado atuar de uma forma ambientalmente correta e 
seguir as leis e diretrizes impostas para o setor. No entanto, o que a ISO 14.001 
proporciona é uma atuação em que a gestão ambiental é trabalhada de forma 
estratégica, inserida no objetivo de promover o desenvolvimento sustentável da 
organização.
A norma ISSO 14.001 trabalha com questões altamente relevantes para 
as indústrias, analisando, assim, a cadeia de valor, o ciclo de vida dos produtos 
envolvendo as fases de concepção, fabricação, comercialização até a destinação 
final. A proposta é analisar desde a fase do projeto, em seu escopo inicial, 
passando pela fabricação, distribuição e descarte dos produtos. A intenção é que 
a indústria absorva a preocupação com a perspectiva de ciclo de vida com foco 
na prevenção dos impactos ambientais. A norma também analisa os aspectos 
sociais, por meio da análise das condições ambientais locais, regionais e globais 
afetadas pela empresa.
81
Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 
Ao implementar uma norma, a indústria dispende recursos humanos e 
financeiros. Esse esforço deve ser sempre avaliado e medido para que, de 
fato, a energia da organização seja canalizada para algo que dará retorno para 
a organização. Dessa forma, os objetivos da norma devem estar claros para a 
indústria e todos os envolvidos. No caso da ISO 14.001, os objetivos são:
• Proteção do meio ambiente pela prevenção ou mitigação dos impactos 
ambientais adversos.
• Mitigação de potenciais efetivos adversos das condições ambientais na 
organização.
• Auxílio à organização no atendimento aos requisitos legais e outros 
requisitos.
• Aumento do desempenho ambiental.
• Controle ou influência no modo que os produtos e serviços da 
organização são projetados, fabricados, distribuídos, consumidos e 
descartados, utilizando uma perspectiva de ciclo de vida que possa 
prevenir o deslocamento involuntário dos impactos ambientais dentro do 
ciclo de vida.
• Alcance dos benefícios financeiros e operacionais que podem resultar 
da implementação de alternativas ambientais que reforçam a posição da 
organização no mercado.
• Comunicação de informações ambientais para as partes interessadas 
pertinentes.
Vale ressaltar que, para que os objetivos traçados sejam alcançados, é 
necessário o envolvimento de toda a empresa, principalmente o patrocínio e o 
comprometimento da alta administração, que dará o tom do discurso e a direção 
para execução de todas as atividades.
Ao começar a trabalhar com a norma ISO 14.001, uma indústria apresenta o 
seu interesse por incorporar uma atuação sustentável, mudar a sua mentalidade, 
passando a pensar na perspectiva de oportunidades e riscos. Esse pensamento 
é formado por questões como: quais são as oportunidades que o meu produto 
apresenta quando tem o seu ciclo fechado? Quais as oportunidades para 
a indústria trabalhar com processos de logística reversa, ou seja, em sua 
destinação, os resíduos retornam como matéria-prima para outros produtos, 
sejam secundários ou até mesmo novos produtos.
Um exemplo prático que demonstra bem esta mentalidade é o de indústrias 
que fabricam embalagens de aço e que tem como um de seus principais objetivos 
receber as embalagens usadas para utilizar como parte da matéria-prima para a 
82
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
produção de novas embalagens de aço. Tal ação estimula a reciclagem e gera 
ganhos ambientais e financeiros para o negócio.
Outro pensamento que as indústrias começam a inserir é referente aos 
riscos que determinados produtos podem trazer para os seus consumidores e 
para o meio ambiente, começando a estruturar formas seguras para a realização 
do descarte. Por meio dessa postura de ações, as indústrias podem melhorar 
o seu desempenho e colher os resultados dos investimentos realizados para 
se tornarem mais sustentáveis, melhorando, assim, o desempenho ambiental. 
Nesse sentido, as indústrias evitam receber multas desnecessárias pelos órgãos 
ambientais, além de melhorar a sua imagem para a sociedade e para os seus 
consumidores.
A intenção principal de inserir práticas sustentáveis e um sistema de gestão 
ambiental na indústria é para conciliar a preservação do meio ambiente com 
a produtividade. Essa ação é possível por meio das práticas ambientais que 
resultam diretamente em benefícios operacionais e financeiros, ampliando a 
competitividade da empresa.
Nesse sentido, a ISO 14.001 pode proporcionar ganhos econômicos 
consideráveis para as indústrias, pois pode reduzir o consumo de recursos, 
reduzir custos e, também, fortalecer a imagem da organização nos mercados 
nacionais e internacionais que cada vez mais valorizam essa certificação.
Neste sentido, quando uma indústria é certificada com um Sistema de 
Gestão Ambiental por meio da ISO 14.001, reconhecido internacionalmente, a 
organização alcança uma série de benefícios, como:
• Crescer de forma sustentável
o A ISO 14001 identifica e estabelece o significado de todos os impactos 
ambientais.
o Implantação de um controle efetivo de todo o impacto ambiental.
o Melhora a eficiência ao usar materiais naturais na linha de produção.
o Diminui o custo operacional do negócio, reduzindo desperdícios e 
aumentando a eficiência.
o Amplia a confiança dos stakeholders.
• Estar atualizado frente a leis ambientais e possíveis processos
o Atendimento a todos os requerimentos legais com a implantação daISO 
14001.
o Garantia no atendimento aos requisitos legais.
o Torna os dados levantados pela indústria relevantes legalmente e, 
também, úteis para colaboradores e interessados.
83
Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 
o Reduz as chances de processos e multas, o que pode resultar em menos 
visitas de agentes do governo e seguros mais baratos.
o Atualização sobre mudanças legais e um tempo maior para se adequar 
aos novos requisitos.
• Manter a imagem da organização e da marca em alta com clientes e 
investidores
o Um certificado ISO 14001 mostra que impactos ambientais são prioridade 
para a indústria.
o Garante para investidores que a indústria está usando as melhores 
práticas ambientais.
o Garante que as pessoas envolvidas e a equipe continuem melhorando o 
sistema ambiental continuamente.
o Melhora a reputação e satisfação de sócios e investidores.
o Aumenta o acesso a novos clientes e parceiros.
o Estabelece uma vantagem competitiva para a indústria crescer.
• Exigir que os fornecedores tenham responsabilidade ambiental
o O certificado ISO 14001 demonstra que a indústria é ética e tem 
credibilidade.
o É reconhecido e aceito internacionalmente, o que pode aumentar 
bastante suas vendas e possibilidade de investimento.
o Ampliar a atuação da indústria no mercado externo, elevando as 
exportações de seus produtos.
Desta forma, frente a tantos benefícios, a dúvida é: como implementar a 
ISO 14.001 em uma indústria? Para responder a essa dúvida, consideramos que 
a indústria que está interessada em implantar um sistema de gestão ambiental 
e obter o certificado da ISO 14.001 deverá atender aos requisitos da norma 
ambiental internacional. Isso acontece porque a legislação ambiental no Brasil 
é complexa, e envolve diferentes esferas nacionais, estaduais e locais, como já 
vimos anteriormente. Sendo assim, para a certificação, a indústria precisa realizar 
um detalhamento da sua situação em relação a questões ambientais, o que, em 
um primeiro momento, pode ser considerado mais complexo e trabalhoso se 
comparado a outras certificações.
O período médio para implantar a ISO 14.001 é de 12 a 18 meses, 
o que impacta nesse tempo são fatores como o porte da indústria, o nível de 
comprometimento da direção e da equipe dedicada ao trabalho. Para iniciar 
um processo de implantação da norma, a indústria deve, em primeiro lugar, 
estabelecer uma equipe própria com conhecimento do tema, composta por 
colaboradores da empresa ou por uma consultoria para realizar uma auditoria 
interna e adequar os processos às exigências da norma. 
84
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Para obter a certificação, a indústria precisa contatar as organizações 
de certificação independentes que fazem todo o processo e atestam que a 
indústria está de acordo com os requisitos solicitados na norma. As instituições 
independentes mais conhecidas que atuam com a ISO 14.001 no Brasil são a 
Bureau Veritas Quality International e a Sociedade Geral de Superintendência 
(SGS). Nesse sentido, são listadas a seguir algumas ações importantes que 
devem ser consideradas pelas indústrias interessadas em implementar a ISO 
14.001.
• Estudar sobre o tema: é importante estar por dentro dos impactos 
que a indústria pode causar ao meio ambiente e, também, formas de 
os eliminar sem perder rentabilidade. Vale observar e estudar a norma 
para saber e entender um pouco mais sobre o processo que a indústria 
passará.
• Envolver os colaboradores e sócios no projeto de implantação: o ideal é 
que todos abracem a causa para resultados mais rápidos e efetivos.
• Oferecer treinamentos e incentivos para a equipe: assim, é possível 
formar auditores internos capazes de acelerar a implementação e facilitar 
a manutenção da certificação.
• Usar o benefício comercial da norma para melhorar a imagem da 
indústria: mostrar para clientes, parceiros e possíveis clientes que a 
indústria tem credibilidade e preocupação com o meio ambiente.
• Estabelecer uma equipe focada na implantação: garante que o processo 
siga de forma continua e estável.
• Buscar ajuda especializada: devido à complexidade de alguns temas, é 
importante a participação de especialistas capacitados.
Para visualizar a implantação da ISO 14.001, leia o estudo de 
caso da implantação da ISO 14.001 em uma indústria de papel no 
estado do Paraná, disponível em: https://www.scielo.br/j/read/a/
rwhsb6JQK65TQbTZv96J7jy/?lang=pt
85
Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 
1 A Norma ISO 14.001 é uma das melhores formas de uma indústria 
estabelecer um sistema de gestão ambiental. Nesse sentido, 
descreva quais são os objetivos da ISO 14.001 e para empresas 
de qual porte ela é indicada.
Observamos que a norma ISO 14.001 pode ser considerada uma forma de 
conciliar preservação ambiental à estratégia de crescimento e desenvolvimento 
das indústrias. Ao implementar uma certificação desse nível, a indústria estabelece 
novos padrões competitivos e se insere em um rol de indústrias com uma visão 
sustentável ampliada de seus negócios.
Nesse sentido, a certificação ISO 14.001 não é uma obrigação, mas sim uma 
oportunidade para as indústrias que queiram estabelecer seus sistemas de gestão 
ambiental. Por outro lado, existem projetos ambientais que estão previstos em lei 
e que necessitam ser atendidos conforme a atividade industrial realizada.
4 PROJETOS AMBIENTAIS
Dentre as ações que as indústrias estão mais atentas e preocupadas em 
atender, podemos citar um dos instrumentos da Política Nacional de Meio 
Ambiente, o licenciamento ambiental. O objetivo do licenciamento ambiental 
é compatibilizar o desenvolvimento econômico-social com o meio ambiente 
ecologicamente equilibrado.
Por isso, segundo o Ibama (2021), a construção, instalação, ampliação 
e funcionamento de estabelecimentos e atividades utilizadores de recursos 
ambientais, efetiva ou potencialmente poluidores ou capazes, sob qualquer forma, 
de causar degradação ambiental dependerão de prévio licenciamento ambiental.
O Ibama é o órgão executor do licenciamento ambiental de competência 
da União. A Lei Complementar nº 140/11, art. 7º, inciso XIV, e o Decreto nº 
8.437/15 estabelecem os critérios e tipos de atividades e de empreendimentos 
sujeitos ao licenciamento ambiental no Ibama, sendo de competência do Ibama o 
licenciamento ambiental de atividades e de empreendimentos:
• Localizados ou desenvolvidos conjuntamente no Brasil e em país 
limítrofe.
86
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
• Localizados ou desenvolvidos no mar territorial, na plataforma continental 
ou na zona econômica exclusiva.
• Localizados ou desenvolvidos em terras indígenas.
• Localizados ou desenvolvidos em unidades de conservação instituídas 
pela União, exceto em APAs.
• Localizados ou desenvolvidos em dois ou mais Estados.
• De caráter militar, excetuando-se do licenciamento ambiental, nos termos 
de ato do Poder Executivo, aqueles previstos no preparo e emprego das 
Forças Armadas.
• Destinados a pesquisar, lavrar, produzir, beneficiar, transportar, 
armazenar e dispor material radioativo, em qualquer estágio, ou que 
utilizem energia nuclear em qualquer de suas formas e aplicações, 
mediante parecer da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).
• Ferrovia federal: Implantação, ampliação de capacidade e regularização 
ambiental. Não se aplica aos casos de implantação e ampliação de 
pátios ferroviários, melhoramentos de ferrovias, implantação e ampliação 
de estruturas de apoio de ferrovias, ramais e contornos ferroviários.
• Rodovia federal: implantação, regularização ambiental de rodovias 
pavimentadas, pavimentação e ampliação de capacidade com extensão 
igual ou superior a duzentos quilômetros e atividades de manutenção, 
conservação, recuperação, restauração e melhoramento em rodovias 
federais regularizadas. Não se aplica aos casos de contornos e acessos 
rodoviários, anéis viários e travessiasurbanas.
• Hidrovias federais: implantação e ampliação de capacidade cujo 
somatório dos trechos de intervenções seja igual ou superior a duzentos 
quilômetros de extensão.
• Portos organizados, exceto as instalações portuárias que movimentem 
carga em volume inferior a 450.000 TEU/ano ou a 15.000.000 ton/ano.
• Terminais de uso privado e instalações portuárias que movimentem 
carga em volume superior a 450.000 TEU/ano ou a 15.000.000 ton/ano.
• Petróleo e gás: exploração e avaliação de jazidas, compreendendo as 
atividades de aquisição sísmica, coleta de dados de fundo (piston core), 
perfuração de poços e teste de longa duração quando realizadas no 
ambiente marinho e em zona de transição terra-mar (offshore).
• Petróleo e gás: produção, compreendendo as atividades de perfuração 
de poços, implantação de sistemas de produção e escoamento, quando 
realizada no ambiente marinho e em zona de transição terra-mar 
(offshore).
• Petróleo e gás: produção, quando realizada a partir de recurso não 
convencional de petróleo e gás natural, em ambiente marinho e em zona 
de transição terra-mar (offshore) ou terrestre (onshore), compreendendo 
as atividades de perfuração de poços, fraturamento hidráulico e 
implantação de sistemas de produção e escoamento.
87
Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 
• Usinas hidrelétricas com capacidade instalada igual ou superior a 
trezentos megawatts.
• Usinas termelétricas com capacidade instalada igual ou superior a 
trezentos megawatts.
• Usinas eólicas, no caso de empreendimentos e atividades offshore e 
zona de transição terra-mar.
Se a atividade ou empreendimento não se enquadrar em nenhum dos 
critérios que definem a competência da união para conduzir o processo de 
licenciamento, o interessado deve consultar a Lei Complementar nº 140/11, art. 8º 
e 9º, bem como as normativas do estado ou município no qual se insere o projeto, 
para verificar se este deve ser submetido ao licenciamento ambiental estadual ou 
municipal. Nesses casos, deve-se buscar informações sobre os procedimentos de 
licenciamento ambiental no órgão ambiental competente do estado ou município 
em que se localiza a atividade ou empreendimento.
Algumas atividades específicas são consideradas de risco leve, irrelevante 
ou inexistente, com irrelevante potencial de degradação ambiental, e, por isso, 
não são passíveis de licenciamento ambiental.
Algumas atividades não são submetidas ao procedimento de licenciamento 
ambiental; no entanto, requerem a emissão de licenças e autorização 
específica do órgão ambiental competente, tais como uso e manejo de fauna 
silvestre, supressão e manejo da vegetação, transporte, por qualquer meio, e 
o armazenamento de madeira, lenha, carvão e outros produtos ou subprodutos 
florestais oriundos de florestas de espécies nativas, transporte de produtos 
perigosos. O setor da indústria florestal é um exemplo de atividade industrial 
que necessita seguir uma série de regras ambientais para a realização de suas 
atividades.
1 Descreva o que é o licenciamento ambiental e qual sua 
obrigatoriedade para as atividades industriais.
88
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Na Figura 5, são apresentadas as etapas do licenciamento ambiental.
FIGURA 5 – ETAPAS DO LICENCIAMENTO AMBIENTAL
FONTE: Adaptado de IBAMA (2021).
A definição do procedimento a ser adotado, incluindo tipos de licença e 
estudos ambientais necessários, é realizada na etapa de enquadramento do 
objeto, de acordo o estabelecido na legislação e com as características do projeto 
e de seu potencial de causar degradação ambiental.
De modo geral, o procedimento de licenciamento ambiental depende da 
obtenção de licença prévia (LP), licença de instalação (LI) e licença de operação 
(LO), emitidas nessa ordem, sendo que a LI ou LO é emitida após a análise do 
projeto e do atendimento das condições estabelecidas na licença anterior.
Existe, ainda, um licenciamento específico de atividades em regularização 
ambiental, denominado licenciamento ambiental corretivo. O procedimento de 
licenciamento ambiental corretivo contempla a obtenção da licença de operação. 
Há, também, outros procedimentos e licenças específicas estabelecidas na 
legislação, de acordo com o tipo e características da atividade ou empreendimento.
89
Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 
As licenças ambientais são atos administrativos pelos quais o órgão ambiental 
estabelece as condições, restrições e medidas de controle e monitoramento 
ambientais que deverão ser cumpridas pelo empreendedor – o responsável pelo 
projeto/empreendimento/atividade/obra licenciados. De modo geral, sem prejuízo 
de outros atos autorizativos definidos em demais regulamentos, podem ser 
emitidas as licenças e autorizações ambientais relacionadas a seguir:
• Licença prévia (LP): concedida na fase preliminar do planejamento do 
empreendimento ou atividade aprovando sua localização e concepção, 
atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos 
básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua 
implementação. O prazo de validade dessa licença é de cinco anos.
• Licença de instalação (LI): autoriza a instalação do empreendimento 
ou atividade de acordo com as especificações constantes dos planos, 
programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle 
ambiental e demais condicionantes. O prazo de validade dessa licença é 
de seis anos.
• Licença de instalação corretiva (LIC): essa modalidade de pedido de 
licença é utilizada para empreendimentos já instalados ou em operação. 
A proposta é regularizar estabelecimentos concebidos quando os 
instrumentos ambientais de licenciamento não eram tão efetivos, 
ou, no caso de empreendimentos que iniciaram suas atividades, 
desconhecendo a obrigatoriedade dos procedimentos de licenciamento 
ambiental para sua atividade.
• Licença de operação (LO): autoriza a operação da atividade ou 
empreendimento, com as medidas de controle ambiental e condicionantes 
determinados para a operação. O prazo de validade dessa licença é de 4 
a 10 anos.
• Licença de operação corretiva (LOC): modalidade de licença utilizada 
para empreendimentos implantados sem o devido licenciamento 
ambiental. Essa licença permite a regularização do empreendimento 
diante dos órgãos ambientais.
• Licença de pesquisa sísmica (LPS): autoriza a pesquisa de dados 
sísmicos marítimos e em zonas de transição e estabelece condições, 
restrições e medidas de controle ambiental que devem ser seguidas pelo 
empreendedor para realizar essas atividades.
• Autorização de supressão de vegetação (ASV): autoriza as atividades 
de supressão de vegetação nativa para a instalação e operação dos 
projetos licenciados.
• Autorização para coleta, captura e transporte de material biológico (Abio): 
autoriza a execução de atividades relacionadas ao manejo de fauna 
durante a fase prévia, de instalação ou operação do projeto licenciado.
90
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Dentro do processo de licenças ambientais, existem estudos e planos 
ambientas que possuem natureza técnica e instrutória no processo de 
licenciamento ambiental, subsidiando a decisão quanto à viabilidade ambiental, 
instalação, ampliação, operação, recuperação e remediação ambiental, 
descomissionamento, entre outros. Os estudos e planos ambientais podem ser 
solicitados isolados ou conjuntamente.
O estudo ambiental apresenta os resultados e conclusões da avaliação 
de impacto ambiental da atividade ou empreendimento, indicando as medidas 
ambientais para evitar, reduzir, recuperar e compensar os impactos negativos e 
potencializar os impactos positivos.
O licenciamento ambiental federal de atividades ou de empreendimentos 
potencialmente causadores de significativo impacto ambiental é subsidiado 
pelo EIA e RIMA, que são tipos de documentos por meio dos quais a avaliação 
de impacto ambiental é consubstanciada. O Ibama aindapode determinar 
a elaboração de outros tipos de estudo conforme critérios estabelecidos na 
legislação.
O plano ambiental ou plano de gestão ambiental (PGA) é um documento 
que descreve as medidas ambientais, incluindo os critérios e diretrizes para 
adoção destas medidas, podendo ser dividido em programas de ação específico. 
O PGA é apresentado juntamente com o requerimento de licença de instalação 
ou operação. O plano gestão ambiental recebe inúmeras denominações na 
legislação vigente, tais como o plano básico ambiental (PBA), plano de controle 
ambiental (PCA) e relatório de controle ambiental (RCA).
Os estudos e planos ambientais devem ser elaborados por profissionais 
legalmente habilitados, às expensas do empreendedor, que serão responsáveis 
pelas informações apresentadas (Resolução Conama nº 01/86, art. 8º; Resolução 
Conama nº 237/97, art. 11).
Dependendo da localização da atividade ou empreendimento, outros órgãos 
são envolvidos no processo de licenciamento ambiental federal. De modo 
geral, esses órgãos atuam nas etapas de definição de escopo, análise técnica 
e acompanhamento do processo de licenciamento ambiental federal, de acordo 
com os seguintes critérios:
• Funai: quando a atividade ou o empreendimento submetido ao 
licenciamento ambiental localizar-se em terra indígena ou apresentar 
elementos que possam ocasionar impacto socioambiental direto na terra 
indígena, respeitados os limites do anexo I da Portaria Interministerial 
MMA/MJ/MC/MS nº 60/15.
91
Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 
• Incra: quando a atividade ou o empreendimento submetido ao 
licenciamento ambiental localizar-se em terra quilombola ou apresentar 
elementos que possam ocasionar impacto socioambiental direto na terra 
quilombola, respeitados os limites do anexo I da Portaria Interministerial 
MMA/MJ/MC/MS nº 60/15.
• Iphan: quando a área de influência direta da atividade ou o 
empreendimento submetido ao licenciamento ambiental localizar-se em 
área onde foi constatada a ocorrência dos bens culturais acautelados 
referidos no art. 2º, inciso II, da Portaria Interministerial MMA/MJ/MC/MS 
nº 60/15.
• SVS/MS: quando a atividade ou o empreendimento localizar-se em 
municípios pertencentes às áreas de risco ou endêmicas para malária.
• Órgão federal, estadual ou municipal responsável pela gestão ou criação 
da unidade de conservação: quando a atividade ou empreendimento 
afetar unidade de conservação da natureza ou sua zona de 
amortecimento, de acordo com a Resolução Conama nº 428/10 e 
Instrução Normativa Conjunta nº 08/19.
• ICMBIO: quando houver impactos da atividade ou empreendimento sobre 
espécies ameaçadas de extinção, quando o Ibama julgar pertinente, 
conforme Instrução Normativa Conjunta nº 08/19.
A Lei nº 9.985/2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de 
Conservação da Natureza (SNUC), determina que, em casos de licenciamento 
ambiental de empreendimentos de significativo impacto ambiental, com 
fundamento em EIA e respectivo RIMA, o empreendedor é obrigado a apoiar a 
implantação e manutenção de unidade de conservação do grupo de proteção 
integral e, no caso de ser diretamente afetada, também daquelas do grupo de uso 
sustentável.
O valor a ser destinado pelo empreendedor deve ser definido pelo órgão 
ambiental licenciador, de acordo com o grau de impacto do empreendimento. A 
compensação ambiental financeira determinada na Lei do SNUC não deve ser 
confundida com outras medidas ambientais para compensação de impactos 
ambientais identificados no processo de licenciamento ambiental ou determinadas 
por outras normas.
Referente aos custos, o valor das licenças ambientais e suas renovações é 
definido em função do porte da empresa e do potencial dos impactos ambientais. 
Esses valores podem ser conferidos na Tabela 1 a seguir, em reais (R$).
92
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
TABELA 1 – VALORES COBRADOS PARA LICENÇAS AMBIENTAIS
EMPRESA DE PEQUENO PORTE (Receita bruta anual superior a 
R$360.000,00 e igual ou inferior a R$4.800.000,00)
Impacto Ambiental Pequeno Médio Alto
Licença Prévia 5.426,84 10.853,69 21.707,37
Licença de Instalação 15.195,16 30.390,32 60.780,64
Licença de Operação 7.597,58 15.195,16 30.390,32
EMPRESA DE PORTE MÉDIO (Receita bruta anual superior a R$4.800.000,00 
e igual ou inferior a R$12.000.000,00)
Impacto Ambiental Pequeno Médio Alto
Licença Prévia 7.597,58 15.195,16 30.390,32
Licença de Instalação 21.164,69 42.329,38 84.658,75
Licença de Operação 9.768,32 21.164,69 42.329,38
EMPRESA DE GRANDE PORTE (Receita bruta anual superior a 
R$12.000.000,00)
Impacto Ambiental Pequeno Médio Alto
Licença Prévia 10.853,69 21.707,37 43.414,75
Licença de Instalação 30.390,32 60.780,64 121.561,29
Licença de Operação 15.195,16 30.390,32 60.780,64
FONTE: Adaptado de IBAMA (2021).
O valor da Autorização de Supressão de Vegetação (ASV) é calculado com 
base na área de vegetação a ser suprimida, e é aplicável à supressão realizada 
em área de preservação permanente (APP). Os valores podem ser conferidos na 
Tabela 2 a seguir, em reais (R$).
TABELA 2 – VALORES PARA A SUPRESSÃO DE VEGETAÇÃO 
DE ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE
Área Valor (R$)
Até 50 há R$ 360,89
Acima de 50 ha R$ 16.958,89 + (67,84 x área que excede 50 ha)
FONTE: Adaptado de IBAMA (2021).
Adicionalmente a esses valores, é realizada uma cobrança relativa à 
avaliação e análise de documentação que subsidiou a emissão das licenças 
e autorizações, a título de cobrança sobre os serviços prestados pelo órgão 
ambiental. A cobrança é realizada após a etapa de decisão do Ibama sobre o 
requerimento de licença ou autorização.
93
Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 
Alguns setores industriais conseguiram simplificar 
significativamente o processo de licenciamento ambiental. É o caso 
dos avicultores que, no estado de Santa Catarina, tem o processo de 
licenciamento ambiental mais ágil, pois contam com a modalidade 
de licenciamento por adesão e compromisso (LAC). O setor foi 
beneficiado com esta possibilidade pois a avicultura apresenta um 
baixo potencial poluidor. Todos os controles ambientais da 
atividade são validados e consolidados por instituições de pesquisa 
e pelo próprio Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), 
que autoriza/licencia a atividade por vários anos. Fonte: https://
avicultura.info/pt-br/avicultores-sc-licenciamento-ambiental/.
Devido a alta relevância do tema licenciamento ambiental para 
o setor industrial, a Federação das Indústrias do Estado de Santa 
Catarina (FIESC), por meio da sua câmara de meio ambiente e 
sustentabilidade, reuniu-se com empresários de diversos setores 
industriais para abordar o tema do licenciamento ambiental e seus 
impactos nas atividades industriais. Fonte: https://fiesc.com.br/pt-br/
imprensa/fiesc-debate-projeto-de-lei-de-licenciamento-ambiental.
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) 
promoveu um evento com a presença de especialistas no tema 
para abordar como a lei geral de licenciamento ambiental atuará no 
setor da construção civil no Brasil. Link: https://www.youtube.com/
watch?v=qnGOFCMuHIQ. 
94
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Para compor o processo de licenciamento ambiental, existem outros 
mecanismos previstos na legislação ambiental que também devem ser seguidos, 
principalmente pelas indústrias com potencial poluidor. Entre esses instrumentos, 
estão o EIA e o RIMA, considerando que
Impacto ambiental é qualquer alteração das propriedades 
físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causadas por 
qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades 
humanas, que direta ou indiretamente afetem: a) a saúde, a 
segurança e o bem-estar da população; b) as atividades sociais 
e econômicas; c) a biota; d) as condições estéticas e sanitárias 
do meio ambiente; e e) a qualidade dos recursos ambientais 
(CONAMA, 1986, s. p.).
Portanto, conforme orienta aresolução do CONAMA, o impacto ambiental 
é caracterizado por qualquer alteração no meio ambiente pelo ser humano 
que, de forma significativa, venha a alterar sua forma original. Já o artigo 225, 
no parágrafo 1º, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, diz ser obrigatória a 
execução do EIA/RIMA em qualquer empreendimento que cause ou possa causar 
dano caracterizado como impacto ambiental no meio ambiente, modificando sua 
estrutura original.
Estudo de Impacto Ambiental – EIA 
O EIA é um documento de natureza técnica que tem como finalidade 
avaliar os impactos ambientais gerados por atividades e/ou empreendimentos 
potencialmente poluidores ou que possam causar degradação ambiental. Uma 
vez constatado o impacto ao meio ambiente, deve-se ponderar se é positivo 
ou negativo. Se for negativo, deve-se avaliar as melhores ações e os meios 
necessários para evitar ou minimizar o prejuízo. A Lei no 6.938/81 estabeleceu a 
“avaliação dos impactos ambientais” (BRASIL, 1981, s. p.) como instrumento da 
Política Nacional do Meio Ambiente. 
Relatório de Impacto Ambiental – RIMA 
As principais informações contidas no EIA, bem como sua conclusão, devem 
ser apresentadas no RIMA em linguagem clara e objetiva e ilustrado por mapas, 
cartas, quadros, gráficos e demais técnicas de comunicação visual, de modo 
que se possam entender as vantagens e desvantagens do projeto, bem como 
todas as consequências ambientais de sua implementação. Nesse sentido, o 
RIMA é um documento público que confere transparência ao EIA, um resumo em 
linguagem didática, clara e objetiva, para que qualquer interessado tenha acesso 
à informação e exerça controle social.
95
Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 
O EIA é um estudo profundo e interdisciplinar que caracteriza ambientalmente 
a região de construção do empreendimento, além de quantificar os impactos 
que possivelmente ocorrerão no local e no entorno. O EIA é colocado ao lado 
do RIMA, que sintetiza o EIA em uma estrutura mais clara e acessível, sendo 
divulgado de forma pública para o conhecimento da sociedade.
Para exemplificar e compreender melhor a apresentação do 
RIMA, podemos observar o RIMA de uma unidade de processamento 
de gás natural e infraestrutura de gasoduto no estado do Rio de 
Janeiro. Link: http://www.inea.rj.gov.br/wp-content/uploads/2020/09/
RIMA_alta.pdf
A principal função do EIA/RIMA é elaborar e dispor de ações que possam 
mitigar ou realizar a compensação ambiental dos possíveis impactos através da 
análise da caracterização regional. Isso serve, em última instância, para evitar 
conflitos econômicos, sociais e ambientais.
Um exemplo de EIA podemos ver na indústria da construção 
pesada, ou seja, aquela responsável pela construção e obras em 
rodovias e cidades. Para compreender melhor, veja o exemplo do 
EIA do túnel Ayrtin Senna, na cidade de São Paulo. Link: https://www.
prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/arquivos/secretarias/
meio_ambiente/cades/eia_rima/0007/eiatunelairton.pdf.
Atualmente, o EIA é obrigatório para empresas de médio a grande porte que 
possam causar degradação ambiental através da construção e/ou produção. Essa 
necessidade está vinculada à segurança jurídica da empresa, dado que ele serve 
como um documento avaliativo do empreendimento nas fases do Licenciamento 
Ambiental.
96
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
O EIA é requerido na Licença Prévia, uma das fases do Licenciamento 
Ambiental, para compor a caracterização do empreendimento e suas 
consequências oferecendo uma base sólida para autorização da Licença 
de Instalação e de Operação. O EIA é composto por 7 campos que norteiam 
a análise do estudo. Os campos giram em torno da caracterização ambiental, 
econômica e social do empreendimento e do que está ao redor. Na Figura 6, 
estão apresentados os campos de preenchimento do EIA.
FIGURA 7 – CAMPOS DE PREENCHIMENTO DE UM EIA
FONTE: Adaptado de Eu Reciclo (2020).
A seguir, descrevemos os pontos necessários para cada uma das fases de 
elaboração para compor um EIA. O campo 1, das informações gerais, deve conter 
as seguintes informações:
• CNPJ.
• Breve histórico da empresa.
• Tipos de atividades executadas.
• Objetivo e justificativa para a implantação.
• Caracterização do Empreendimento.
No campo 2, caracterização do empreendimento, deve constar:
• Localização.
97
Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 
• Número de funcionários.
• Infraestrutura interna para apoio da obra.
• Descrição dos processos industriais (principalmente dos que diminuirão 
o impacto ambiental, como tratamento de efluentes e sistema de filtro ou 
dispersão dos poluentes).
O campo 3, área de Influência, apresenta as seguintes informações: 
• Mapeamento das áreas sujeitas a influência direta – áreas que 
possivelmente serão afetadas.
• Mapeamento das áreas sujeitas a influência indireta – áreas que sofrem 
impacto indireto, ou seja, quando o empreendimento gera impacto e cria 
outra externalidade que atinge a área em questão.
• Mapeamento das áreas diretamente afetadas – áreas que serão de fato 
afetadas diretamente.
Por sua vez, o campo 4, diagnóstico ambiental, deve conter a descrição do 
meio físico através da análise quantitativa e descritiva do clima, da qualidade do 
ar, da qualidade do solo, da qualidade das águas, do ruído, da flora, da fauna.
No campo 5, qualidade ambiental, além dos aspectos citados anteriormente, 
é considerada também a descrição do aspecto social através do Índice de 
Desenvolvimento Humano (IDH), do número populacional e da descrição das vias 
de transporte da região.
Já no campo 6, análise dos impactos ambientais, há a avaliação e exposição 
dos impactos potenciais do empreendimento sobre todos os aspectos anteriores 
abordados. E, para finalizar, no campo 7, medidas mitigadoras, são apresentadas 
as seguintes informações:
• Em vista dos impactos potenciais, a equipe responsável pelo EIA/RIMA 
desenvolve metodologias e maneiras de evitá-los ou de diminuí-los.
Como exemplo, uma das medidas mitigadoras fixada pelo Ibama é a 
destinação do valor mínimo de 0,5% dos custos totais de instalação para que 
sejam aplicados em unidades de conservação ambiental. Essa medida é uma 
ação de compensação ambiental do impacto causado e pode ser substituída por 
alternativas que possuam o mesmo caráter de compensação.
Nesse sentido, quem é responsável por elaborar um estudo de impacto 
ambiental? Devido à complexidade do estudo, é aconselhável que uma equipe 
multidisciplinar fique responsável em elaborar o EIA, pois são necessárias várias 
98
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
competências em diferentes áreas para promover uma análise concreta do 
empreendimento e seus impactos.
Por conta disso, o artigo 7 da Resolução CONAMA nº 1, de 23 de janeiro de 
1986, definiu como necessária uma equipe altamente especializada que possa 
contribuir com saberes técnico-científico diversificados. Além disso, é necessário 
que os responsáveis possuam o cadastro técnico federal de atividades e 
instrumentos de defesa ambiental, disposto pelo Ibama.
Para garantir o cumprimento do estudo de impacto ambiental, existem 
duas esferas responsáveis pela fiscalização do EIA vinculado ao Licenciamento 
Ambiental. A primeira delas é a Federal, de responsabilidade do IBAMA, que trata 
de empreendimentos que influenciam para além das fronteiras do Estado.
A segunda esfera é a estadual, que diz respeito a empreendimentos que 
mantêm seus impactos dentro do Estado. Nessa última, o responsável pela 
fiscalização são os órgãos estaduais. Por exemplo, em São Paulo, a Companhia 
ambiental do estado de São Paulo (CETESB) é a responsável pela fiscalização 
do licenciamento ambiental, assim como pela análise e aprovação do EIA.
Apesar do EIA e do RIMA serem instrumentos trabalhosos e complexos, eles 
são importantes instrumentos para direcionar os empreendimentos e as indústrias 
e, seguindo osprotocolos, as legislações as indústrias estão se comprometendo 
com uma atuação mais consciente e sustentável.
O fato é que a sustentabilidade é o único caminho possível e viável de ser 
percorrido para as indústrias, portanto sabemos que é necessário simplificar os 
processos para que não sejam tão burocráticos e para que garantam a segurança 
jurídica, mas, também, é fundamental garantir a aplicação da legislação para que 
os recursos naturais sejam preservados de maneira correta.
As indústrias que conseguem ultrapassar as barreiras e incorporam de fato 
os conceitos de sustentabilidade são aquelas que olham para as legislações e 
demais regras ambientais como uma oportunidade. Muitas indústrias estão até 
mesmo utilizando os conceitos ao seu favor e criando os negócios verdes, que 
veremos no Capítulo 3 deste Livro Didático.
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Neste capítulo, conhecemos os diferentes órgãos ambientais e sua atuação. 
Foram apresentadas, também, as principais legislações com impacto direto no 
setor industrial. Foi possível entender o papel da legislação, que existe para 
99
Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 
criar as regras e direcionar as empresas por qual caminho devem percorrer para 
promover o desenvolvimento e preservar o meio ambiente. E é para fazer cumprir 
as leis ambientais é que existem diversos órgãos ambientais que são responsáveis 
por criar, aplicar e garantir o cumprimento das legislações ambientais.
Apesar de parecer um universo muito político, as indústrias necessitam 
conhecer os diversos atores envolvidos nas esferas federais, estaduais e 
municipais, pois este conhecimento facilita o processo e a interlocução frente a 
questões ambientais. 
Nesse sentido, o que percebemos é que a temática da sustentabilidade tem 
ultrapassado as fronteiras da legislação e, passou a ser uma forma de atender 
às necessidades dos consumidores, que estão cada vez mais conscientes das 
problemáticas ambientais.
Neste sentido, há algumas oportunidades surgem para as indústrias que 
querem ampliar sua competitividade e se destacar no mercado. Este é o caso 
da certificação ISO 14.001 que, como vimos, não é uma obrigação, mas sim 
uma oportunidade para as indústrias que queiram estabelecer seus sistemas de 
gestão ambiental. 
Entre os benefícios gerados pela norma ISO 14.001 para as indústrias, 
podemos destacar: a possibilidade da indústria de crescer de forma 
sustentável; de estar atualizado frente as leis ambientais e possíveis 
processos; manter a imagem da organização e da marca em alta com 
clientes e investidores; exigir que os fornecedores tenham responsabilidade 
ambiental.
Certamente as indústrias têm utilizado esta certificação para ampliar 
e se diferenciar em um mercado altamente competitivo. Por outro lado, 
as indústrias também possuem desafios que estão previstos em lei e que 
necessitam ser atendidos conforme a atividade industrial realizada. Dentre todas 
as legislações presentes, um dos destaques de maior impacto para as indústrias 
é o licenciamento ambiental. Previsto em lei, ele é cobrado para as indústrias e 
atividades com potencial poluidor. 
Mesmo sendo um processo burocrático e complexo que as indústrias 
precisam trilhar, sabemos que o licenciamento ambiental é uma das formas de 
garantir o cuidado adequado com o meio ambiente. O cuidado e atenção com a 
legislação ambiental é muito importante para a evolução da sociedade de forma 
sustentável. A legislação, nesse sentido, serve como um mapa dos principais 
pontos a serem seguidos para empreender de forma íntegra, harmonizando a 
dimensão social, ambiental e econômica.
100
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Nesta dinâmica para a obtenção de licenças, existem estudos e relatórios que 
precisam ser compostos para dimensionar os impactos ambientais da atividade 
industrial e apresentá-los para toda a sociedade. Este é o caso do estudo de 
impacto ambiental e do relatório de impacto ambiental que também aprendemos, 
e, apesar de sua natureza técnica, são instrumentos de grande valor para manter 
a preservação do meio ambiente.
No Capítulo 3, aprenderemos um pouco sobre as práticas ambientais nas 
indústrias e conhecer os negócios sustentáveis que tem a sustentabilidade como 
centro, além dos princípios da liderança sustentável. Abordaremos, também, 
alguns indicadores ambientais utilizados nas indústrias e relataremos casos de 
alguns setores industriais e sua relação com o meio ambiente. 
REFERÊNCIAS
BRASIL. Agência Nacional de Mineração. Home. c2021.Disponível em: https://
www.gov.br/anm/pt-br. Acesso em: 5 maio 2021.
BRASIL. Decreto no 99.274, de 6 de junho de 1990. Brasília, DF: Presidência 
da República, 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/
antigos/d99274.htm. Acesso em: 31 ago. 2021.
BRASIL. Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981. Brasília, DF: Presidência da 
República, 1981. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6938.
htm. Acesso em: 31 ago. 2021.
CONAMA. Resolução no 1, de 23 de janeiro de 1986. Brasília, DF: Diário 
Oficial da União, 1986. Disponível em: http://www.siam.mg.gov.br/sla/download.
pdf?idNorma=8902. Acesso em: 31 ago. 2021. 
EU RECICLO. Guia prático para elaboração do Estudo de Impacto 
Ambiental do seu empreendimento. c2021. Disponível em: https://blog.
eureciclo.com.br/guia-pratico-estudo-de-impacto-ambiental-eia/. Acesso em: 16 
maio 2021.
IBAMA. Sobre o Licenciamento Ambiental Federal. 2021. Disponível em: 
http://www.ibama.gov.br/laf/sobre-o-licenciamento-ambiental-federal. Acesso em: 
5 maio 2021.
101
Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 
IMA. Home. c2021. Disponível em: https://www.ima.sc.gov.br/ Acesso em: 6 
maio 2021.
NOMUS BLOG INDUSTRIAL. Home. c2021. Disponível em: https://www.nomus.
com.br/blog-industrial/ Acesso em: 15 maio 2021.
TERA AMBIENTAL. Home. c2021. Disponível em: https://www.teraambiental.
com.br/. Acesso em: 19 maio 2021.
102
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
• 
CAPÍTULO 3
Práticas Ambientais na Indústria
A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
• Conhecer formatos de negócios sustentáveis.
• Identificar as características, comportamentos e dilemas de líderes sustentáveis.
• Analisar indicadores ambientais, sua estrutura, forma de coleta, alimentação 
dos dados e apresentação dos resultados.
• Analisar práticas ambientais vivenciadas pelos setores industriais.
• Identificar as boas práticas das indústrias assim como as principais dificuldades 
frente a questões ambientais.
• Conhecer práticas sustentáveis na indústria.
• Estabelecer indicadores para medir as ações ambientais dentro das indústrias 
e seus impactos.
• Reorganizar processos de forma a torná-los mais sustentáveis.
• 
104
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
105
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Para alinhar os conceitos de progresso e meio ambiente e para que a 
sociedade cresça e se desenvolva ao mesmo tempo que preserva seus recursos 
essenciais, é necessário ter novos formatos de negócios e, também, atuar em 
novas bases competitivas. Competir da velha maneira, tendo como premissas 
mão de obra barata e recursos naturais infinitos é uma mentalidade que precisa 
ser extinta por completo do mundo industrial.
Para isso acontecer, observamos que o conceito de sustentabilidade vem 
ganhando força e repercussão em diferentes esferas pelo mundo. A cada dia o 
tema ganha mais força, e a preservação do meio ambiente apresenta-se como 
a única e melhor forma de prosseguir e avançar como sociedade e no ambiente 
corporativo.
Por outro lado, no sentido de ensinar e corrigir, diversas diretrizes e leis são 
criadas para tentar manter as indústrias dentro do que é esperado com relação 
ao meio ambiente. O desafioé grande, afinal produzir, faturar, ser lucrativo, ter 
um retorno positivo, ser bem-visto pelos seus consumidores e stakeholders, e 
trabalhar em novas bases competitivas, em que a sustentabilidade está em foco, 
é algo completamente novo para o setor industrial, mas não é impossível.
Na prática das indústrias, observamos que existe um longo caminho a ser 
percorrido e conseguimos identificar diversos e importantes avanços que foram 
implementados por força de lei, mas também, em muitos casos, há avanços 
implementados por lideranças com uma mentalidade completamente diferente, 
mais arrojada e calibrada na perspectiva do cuidado com o meio ambiente.
Para se observar esses avanços, é possível avaliar os indicadores de 
sustentabilidade utilizados pelas indústrias e muitas vezes compilados em 
relatórios de sustentabilidade, que a cada dia estão mais refinados em termos 
de medição, aspectos e abrangência. Além de serem absorvidos não apenas na 
operação, mas, também, na estratégia das indústrias. 
De qualquer forma, o que percebemos é que, para fechar essa nova equação 
com novos fatores, as indústrias precisam de uma mentalidade de negócios 
sustentáveis que inicie pela alta gestão da empresa e que permeie a todos os 
colaboradores, de uma maneira que seja absorvida por completo no dia a dia da 
indústria. 
Afinal, o que são negócios sustentáveis? E por que essa nova forma de 
atuação é tão relevante para as indústrias? É isso que vamos abordar neste 
106
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
capítulo. Nesse sentido, o foco principal do nosso estudo será compreender os 
negócios sustentáveis, os diferentes aspectos da liderança sustentável, avaliar os 
indicadores ambientais e aprender com exemplos de indústrias que se destacam 
nas questões relacionadas ao meio ambiente.
2 NEGÓCIOS SUSTENTÁVEIS
O mercado mudou, novos formatos competitivos são necessários para atuar 
em um ambiente altamente competitivo e com mudanças rápidas e contínuas. 
Nessa linha de pensamento, com todos os desafios impostos, é que surge uma 
nova mentalidade de gestão: os negócios sustentáveis.
Os negócios sustentáveis são um novo modelo empresarial em que os 
produtos ou serviços de uma empresa ou indústria buscam formas e estratégias 
para integrar as questões ambientais, sociais e econômicas na forma de operar e 
realizar a gestão de uma organização.
Na prática, as indústrias que utilizam o modelo de negócios sustentáveis 
procuram inserir a tecnologia como aliada aos seus processos produtivos, além 
de ter um olhar atento a todas as etapas do processo, observando todas as etapas 
do ciclo produtivo de seus produtos, desde a matéria-prima até o descarte final.
Para entender um pouco melhor e observar exemplos práticos 
de negócios sustentáveis, como empresas que atuam com energia 
solar, embalagens ecológicas, dentre outros, acesse o link: https://
hccenergiasolar.com.br/posts/negocios-sustentaveis-confira-6-
ideias-lucrativas-para-investir/.
É importante compreender que ser uma indústria que atue com o modelo 
de negócio sustentável vai muito além de alterar a forma como usam copos de 
plásticos ou resmas de papel. A proposta de um negócio sustentável deve estar 
de acordo com a ideia de garantir um equilíbrio entre desenvolvimento e respeito 
ao meio ambiente.
Para isso se tornar real, é necessário que a empresa coloque a questão 
ambiental, social e econômica no centro da sua estratégia, e que todas as 
107
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
pessoas estejam envolvidas e dedicadas para colocar em prática essa nova 
forma de atuação.
Para empresas novas no mercado, que estão começando suas atividades, 
pode ser considerado mais fácil implementar esse conceito de modelo de negócio 
sustentável, porque, no início, está muito atrelado inclusive a crenças e ideologias 
do empreendedor.
Sabendo que os consumidores estão cada vez mais buscando produtos 
sustentáveis, que valorizam empresas que se preocupam com o meio ambiente e 
que, em muitos casos, estão dispostos a pagar mais por estes produtos, podemos 
dizer que iniciar um negócio sustentável é olhar para um futuro promissor.
Nesse sentido, já percebemos um movimento de pequenas empresas muitas 
delas no setor industrial, criadas para tentar amenizar os problemas existentes 
entre economia e meio ambiente. Algumas áreas de atuação dessas empresas 
são: energia, transporte, varejo, alimentação, dentre outros. Todas com foco em 
oferecer formas mais sustentáveis e com menor impacto para o meio ambiente.
Para compreender melhor como os negócios sustentáveis 
são aplicados na prática, você pode conhecer as oito ideias verdes 
mais criativas do Brasil. São iniciativas brasileiras desenhadas 
para concorrer em uma competição global de ideias de negócios 
verdes, com propostas para diminuir os problemas relacionados as 
mudanças climáticas e o meio ambiente. Link: https://exame.com/
blog/ideias-renovaveis/as-oito-ideias-verdes-mais-criativas-do-brasil/
Quando falamos do modelo de negócios sustentáveis inserido em jovens e 
pequenas empresas parece algo fácil e lógico para o momento. No entanto, a 
questão que fica é: e para o setor industrial, com indústrias de diferentes portes 
inseridas nos mais diversos setores, será que é possível implementar o modelo 
de negócios sustentáveis e minimizar os impactos ambientais?
Para respondermos essa questão, inicialmente, precisamos analisar os 
princípios de um negócio sustentável para entender a abrangência do tema e os 
diversos desafios inseridos para o setor industrial. 
108
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Segundo o site Ideia Sustentável (2013, s. p.), os 8 princípios 
dos negócios sustentáveis são:
1. O mundo precisa de empresas capazes de colocar o 
propósito antes do lucro.
É necessário revisar a ideia de empresa, fortalecendo novos 
conceitos como o do “capitalismo de stakeholder”, defendido no 
Fórum Econômico Mundial. Cada vez mais o que a sociedade 
espera é que as empresas cumpram o seu papel principal – 
solucionar problemas – e que sejam competentes em gerar valor e 
distribuir resultados para todas as partes interessadas, assumindo a 
responsabilidade de serem agentes de transformação em benefício 
do coletivo.
2. O mundo precisa de empresas que tratem os humanos 
como humanos e não apenas recursos.
O principal ativo das empresas são as suas pessoas. 
Colaboradores são pais, mães, maridos, esposas, filhos. Integram 
famílias, comunidades, sociedades. E, por isso, têm direito a uma 
vida cujo valor não pode ser determinado apenas pelo trabalho. Os 
humanos estão também nas comunidades. Humana é a diversidade. 
Cada vez mais os indivíduos vão querer investir, comprar de e 
trabalhar em organizações cujos valores se afinam com os seus e 
que demonstrem cuidado individualizado, escuta afetiva, respeito às 
diferenças e preocupação genuína com o bem-estar e qualidade de 
vida.
3. O mundo precisa de empresas mais preocupadas em 
cooperar do que competir na construção de respostas para os 
dilemas da sociedade.
É importante estabelecer parcerias entre diferentes atores 
da sociedade. A compreensão maior de nossa vulnerabilidade 
aumentou a empatia, a solidariedade e o senso de responsabilidade. 
Se foi possível a empresas concorrentes atuarem em cooperação 
durante a pandemia, será possível, também, fora dela trabalharem 
em conjunto, de modo planejado e sistêmico, para enfrentar as 
mudanças climáticas e suprir déficits históricos de bem-estar social.
109
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
4. O mundo precisa de empresas mais sensíveis à noção de 
interdependência.
Sabemos que estamos conectados. É impossível pensar na 
prosperidade de uma empresa sem considerar a prosperidade 
de todos os grupos impactados por ela, especialmente os mais 
vulneráveis. Impôs-se uma nova consciência, segundo a qual nossas 
atitudese escolhas individuais determinam coletivamente o mundo 
que queremos hoje e para as próximas gerações.
5. O mundo precisa de empresas mais éticas, cuidadoras e 
transparentes.
Transparência fortalece a confiança. Em tempos de crise, 
nos quais colaboradores, fornecedores, parceiros de negócio e 
comunidades esperam por cuidado e proteção, cresce a necessidade 
por informações precisas, posicionamentos firmes e valores claros. 
Empresas que compreenderam a importância da transparência, 
comunicaram-se adequadamente com os seus stakeholders e 
prestaram contas à sociedade saíram mais fortes.
6. O mundo precisa de empresas interessadas não só em 
zerar impactos, mas regenerar.
Apenas eliminar impactos socioambientais negativos, já se 
sabe, não será suficiente para conter um processo acelerado de 
mudanças climáticas e esgotamento de recursos naturais. Desafia-
nos a necessidade de investir em tecnologias, processos disruptivos 
de produção e novos modelos de negócio capazes de gerar impactos 
positivos para o meio ambiente e as comunidades afetadas pelos 
negócios.
7. O mundo precisa de empresas com mais líderes 
orientados por valores.
É evidente a importância de um novo tipo de liderança, orientada 
por valores e preparada para fazer a transição de um modelo 
convencional de negócios para outro mais ético, transparente, justo, 
íntegro e respeitoso em relação à diversidade, às pessoas e ao meio 
ambiente. Trata-se de um líder mais empático, cuidador, atento e 
ecocêntrico.
110
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
8. O mundo precisa de empresas que sejam parte da 
solução e protagonistas de uma nova economia.
A crise mundial abriu importantes janelas de oportunidade para 
acelerar a agenda de sustentabilidade, intensificar os Objetivos de 
Desenvolvimento Sustentável e promover uma economia menos 
intensiva em uso de recursos naturais e emissões de carbono. 
Bancos centrais, bancos e governos podem utilizar o seu poder 
de conceder empréstimos e isenções fiscais para estimular, como 
contrapartida, investimentos na adoção de energias renováveis, 
preservação da floresta em pé, economia circular, geração de 
trabalho e renda, regeneração de ambientes degradados, saúde, 
segurança e bem-estar de pessoas e comunidades. 
Esses princípios nos apresentam um cenário altamente desafiador para o 
setor industrial. Nesse sentido, uma mudança de mentalidade e de modelos de 
negócios é essencial para redirecionar a trajetória das indústrias. 
1 Descreva o que são negócios sustentáveis.
Existem diversas iniciativas na indústria que estão sendo adotadas 
para expandir e fortalecer um posicionamento diferenciado e sustentável no 
mercado. Na agroindústria, observamos, por exemplo, diversos tipos de cultivos 
diferenciados, produtos orgânicos ganhando cada vez mais escala de produção 
e mercado.
Pensando em negócios verdes e na sustentabilidade, na 
agroindústria, temos o exemplo do cultivo do coco verde. Uma 
indústria da região do Mato Grosso criou e adaptou o próprio 
maquinário pensando nas questões ambientais, sociais e econômicas 
do negócio, promovendo uma inovação sustentável na agroindústria. 
Link: http://engemausp.submissao.com.br/17/anais/arquivos/270.pdf. 
111
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
Nesse contexto, outro setor que também tem se movimentado e procurado 
inserir ações sustentáveis em seus negócios é a construção civil. O consenso 
entre as indústrias do setor é que é necessário criar soluções sustentáveis 
nas edificações que atendam às questões ambientais e às necessidades dos 
moradores.
Alguns empreendimentos no setor da construção civil já fazem uso de 
técnicas como reaproveitamento da água do banho, que fica armazenado em 
reservatórios para outras utilidades. Além da questão de energia, em que soluções 
como: luzes com sensores, uso de novas fontes de energia e painéis solares nos 
estacionamentos estão cada vez mais frequentes.
Na indústria da construção, a forma de construir também está se adaptando. 
Nesse sentido, o exemplo das construções sustentáveis pode ser observado 
em indústrias do setor que mudaram os insumos que utilizam e as formas de 
construção, buscando inserir processos mais eficientes e sustentáveis.
Algumas indústrias do setor da construção estão utilizando 
técnicas diferenciadas para inserir novas formas de construção. 
Existem indústrias que oferecem sistemas construtivos com linhas 
de produção automatizadas, redução significativa de resíduos da 
obra e uma enorme economia de recursos hídricos, o que gera uma 
construção mais rápida e sustentável. Link: https://www.tecverde.
com.br/ 
Para se ter mais negócios sustentáveis e uma cultura de sustentabilidade 
incorporada às empresas, é necessário ter líderes sensibilizados e identificados 
com a temática da sustentabilidade. Bons gestores são importantes para as 
empresas e mercado, mas líderes com princípios e valores são vitais para um 
mundo em constante e rápida transformação.
O Pacto Global descreveu algumas características de um perfil de líder 
sustentável no relatório de 2004, intitulado Liderança Globalmente Responsável: 
um chamado ao engajamento. O programa afirmou que líderes sustentáveis são 
pessoas que valorizam o desenvolvimento humano e as riquezas naturais tanto 
quanto o capital financeiro e estrutural. Além disso, líderes sustentáveis acreditam 
que suas empresas têm criatividade e os recursos necessários para solucionar 
112
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
desafios sociais e ambientais e que, além de gerar valor para seus negócios, 
devem se responsabilizar pelo desenvolvimento mais amplo das comunidades 
nas quais estão instaladas. Para o Pacto Global, líderes em sustentabilidade têm:
• A coragem necessária para transpor obstáculos à mudança, sejam eles 
organizacionais, regulatórios ou sociais.
• A capacidade de produzir transformação efetiva na cultura de uma 
empresa, influenciando a adoção de novas atitudes e comportamentos.
• O mérito de compreender o propósito moral e filosófico dessa 
transformação.
• A capacidade de exercitar a solidariedade, a tolerância e a transparência, 
respeitando o outro, acolhendo a diversidade e estabelecendo um 
diálogo aberto e propositivo com todas as partes interessadas.
• Um elevado senso de responsabilidade que os leva utilizar seu poder 
para criar valor não apenas econômico, mas também social e ambiental.
O Pacto Global é uma iniciativa desenvolvida em 1999, pela 
Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de mobilizar 
a comunidade empresarial internacional para a promoção de 
valores essenciais de direitos humanos, trabalho e meio ambiente. 
Atualmente, o Pacto Global tem mais de 5.200 empresas signatárias, 
articuladas em 150 redes ao redor do mundo. Link: https://www.
pactoglobal.org.br/.
Líderes sustentáveis tem suas vidas regidas por princípios muito claros, 
firmes e inegociáveis. Além de um senso de justiça acima da média e do apego 
a tudo que signifique liberdade, eles têm em comum um espírito altruísta e 
reconhecem a interdependência entre os homens e todos os outros seres vivos 
do planeta (VOLTOLINI, 2011).
Este novo perfil de líder reconhece e sabe que um bom empreendimento é a 
aquele que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade 
das gerações futuras de suprir as suas próprias. No Quadro 1 a seguir, estão 
descritas 20 atribuições para o líder em sustentabilidade.
113
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
QUADRO 1 – ATRIBUIÇÕES PARA O LÍDER SUSTENTÁVEL
1 Comandar a elaboração de uma estratégia consistente de sustentabilidade 
para a empresa, buscando a cooperação entre as diferentes áreas e as 
questões/causas mais relevantes para o negócio e o seu setor de atuação; 
fazer com que o conceito permeie a cultura organizacional, transforman-
do-o em um valor corporativo relevante para a definiçãoda identidade da 
companhia. 
2 Garantir uma coordenação entre as diversas funções corporativas da em-
presa, com o objetivo de maximizar o desempenho em sustentabilidade. 
3 Com base em uma análise permanente de cenários, avaliar riscos e opor-
tunidades relacionados com questões de sustentabilidade para a empresa 
e o setor.
4 Assegurar que a empresa identifique, de forma clara, todos os impactos 
socioambientais negativos causados por suas operações; cuidar para min-
imizá-los ou eliminá-los.
5 Definir políticas específicas e cenários para o futuro, estabelecendo metas 
mensuráveis de curto, médio e longo prazos.
6 Envolver e educar funcionários e colaboradores, adotando programas de 
treinamento e desenvolvimento e sistemas sólidos de incentivo.
7 Realizar monitoramento e mensuração de desempenho baseado em métri-
cas específicas para, por exemplo, gestão de água, energia, emissões de 
gases de efeito estufa, poluição, efluentes e biodiversidade.
8 Responsabilizar pela execução da estratégia, áreas corporativas essenci-
ais, como: compras, marketing, recursos humanos, jurídico e relações insti-
tucionais, assegurando que nenhuma delas atue em conflito com os com-
promissos e objetivos de sustentabilidade da empresa.
9 Alinhar estratégias, metas e estruturas de incentivo de todas as unidades 
operacionais com os objetivos e compromissos de sustentabilidade da em-
presa.
10 Analisar cada elo da cadeia de valor, mapeando impactos, riscos e opor-
tunidades.
11 Envolver fornecedores na estratégia de sustentabilidade; sensibilizar, tre-
inar e capacitar parceiros de negócio; monitorar o quanto estão alinhados 
com os compromissos e práticas da empresa.
12 Rever processos e modos de produzir, desenvolver produtos e serviços ou 
conceber modelos de negócio que contribuam para promover a sustentab-
ilidade.
13 Realizar investimento social alinhado com as competências da empresa e 
o contexto operacional de seu negócio, enquadrando-o em sua estratégia 
de sustentabilidade; atuar sempre em sintonia com as políticas públicas 
correlacionadas para garantir maior eficácia nos resultados.
114
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
14 Integrar campanhas e iniciativas públicas, assumindo, em suas comuni-
cações (palestras, aulas magnas, artigos), compromissos com as questões 
mais relevantes de sustentabilidade.
15 Coordenar esforços com outras organizações – de primeiro, segundo e ter-
ceiro setor – a fim de potencializar investimentos e não anular outras inicia-
tivas de desenvolvimento sustentável.
16 Cooperar com organizações do mesmo setor e com outras partes interessa-
das em iniciativas que ajudem a encontrar respostas para desafios comuns, 
local ou globalmente, com ênfase naquelas que venham a ampliar o impac-
to positivo sobre a cadeia de valor.
17 Fazer o papel de mentor para as empresas do mesmo setor ou de outro 
setor que ainda se encontrem em estágio inicial de implantação de práticas 
sustentáveis; na condição de referência em liderança em sustentabilidade, 
facilitar o acesso a informações por parte daqueles que desejam conhecer 
a política da empresa.
18 Comunicar, de forma ampla, os resultados e a evolução de suas práticas 
de sustentabilidade, visando prestar contas às partes interessadas e à so-
ciedade, e, também estimular o comportamento sustentável de outras em-
presas.
19 Envolver e educar os stakeholders para que conheçam as políticas da em-
presa e participem, a seu modo, de sua consecução no dia a dia.
20 Capitanear o processo de mudança, inserir as dimensões social e ambiental 
na noção de sucesso empresarial, superar a inércia e o apego aos modelos 
consagrados, estabelecendo uma visão e uma missão de sustentabilidade.
FONTE: Adaptado de Voltollini (2011).
1 Descreva quais são as características de um líder sustentável 
segundo o movimento pacto global.
Além das atribuições da liderança sustentável, existem grandes dilemas na 
transição de modelos mais tradicionais para modelos mais sustentáveis.
Com base em dados do Pacto Global (UN, 2010) e, também, de pesquisa 
feita pela área de sustentabilidade com CEOs de 275 empresas, ranqueadas na 
lista da revista Fortune 1.000, especialistas da Accenture apontam cinco grandes 
dilemas impostos aos líderes que querem inserir a sustentabilidade na gestão 
115
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
dos negócios (ABOOD; BERTHON; LACY, 2010). Para superar cada um desses 
dilemas, enunciados na forma de perguntas, são apontados diferentes desafios 
práticos.
O primeiro dilema diz respeito ao custo de sair à frente oferecendo o 
benefício adicional da sustentabilidade aos clientes que não parecem ainda 
inteiramente preparados para valorizá-lo. “É vantajoso investir em produtos e 
serviços orientados para a sustentabilidade enquanto os consumidores e clientes 
ainda não definiram como vão aceitar essa oferta?” (ABOOD; BERTHON; LACY, 
2010, s. p.), questionam os especialistas da Accenture. 
A resposta a esse dilema passa, segundo o estudo, pelos desafios de 
desenvolver produtos sustentáveis realmente inovadores, fornecer a maior 
quantidade possível de informações sobre os atributos socioambientais e educar 
os consumidores para que sejam mais conscientes no ato de consumo, oferecer 
incentivos financeiros e psicológicos capazes de fortalecer esse comportamento. 
O segundo dilema está ligado à ideia – nem sempre inteiramente verdadeira 
– de que pensar e planejar sustentabilidade representa um trabalho a mais. 
“Como desenvolver as capacidades necessárias para colocar a sustentabilidade 
no centro do negócio principal quando já se exigem muitos talentos dos 
funcionários?” (ABOOD; BERTHON; LACY, 2010, s. p.), ressalta o estudo. 
Na opinião dos especialistas da Accenture, o dilema só poderá ser 
solucionado se houver uma definição muito clara, por parte da empresa, das 
competências exigidas, aliada a uma combinação de treinamento interno com 
educação externa e à adoção de um papel ativo dos governos na criação de 
políticas públicas educacionais que promovam a capacitação em sustentabilidade. 
O terceiro dilema está relacionado às dificuldades de avaliar o retorno da 
sustentabilidade para o negócio: “Como construir um novo modelo de análise de 
valores corporativos que considere as práticas sustentáveis quando as métricas 
são vagas?” (ABOOD; BERTHON; LACY, 2010, s. p.).
Se quiserem superar esse impasse, os líderes terão de desenvolver 
metodologias que permitam medir o desempenho em sustentabilidade em termos 
de impactos negativos e positivos para a sociedade, vincular o desempenho em 
sustentabilidade a réguas convencionais, como: aumento de receitas; redução de 
custos; riscos e resultados para a reputação da empresa; e, ainda, incorporar os 
resultados na análise de desempenho e na remuneração dos funcionários. 
O quarto dilema trata da ausência de regras bem definidas por parte do 
poder público. Cerca de 60% dos diretores-presidentes entrevistados acham 
que os governos devem ter participação mais efetiva no encaminhamento das 
116
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
questões de sustentabilidade. “Como fazer investimentos de longo prazo em 
sustentabilidade quando não há um ambiente regulatório claro ou consistente 
entre os países?” (ABOOD; BERTHON; LACY, 2010, s. p.). 
O estudo defende a realização de esforços conjuntos entre as esferas pública 
e privada no sentido de estabelecer mecanismos que favoreçam a colaboração. 
Nesse sentido, mercado e governos precisam trabalhar juntos, visando resultados 
comuns. 
O quinto dilema mencionado pelo refere-se à dificuldade de administrar o 
conflito intrínseco entre o curto e o longo prazo: “Por que investir em iniciativas 
de sustentabilidade quando não há garantia de retorno para os investidores? ” 
(ABOOD; BERTHON; LACY, 2010, s. p.). 
A solução para esse impasse exigirá dos líderes clareza nas informações, 
objetividade na argumentação econvicção no convencimento da comunidade 
investidora. Saber prestar contas regularmente do impacto da sustentabilidade 
para o negócio passou a ser uma competência imprescindível, ao lado da 
capacidade de envolver e influenciar governos para criar ambiente de incentivos 
que recompensem investimentos em produtos e serviços sustentáveis.
Dessa forma, para enfrentar todos estes dilemas o líder sustentável precisa ter 
um conjunto de valores, atitudes, habilidades e conhecimentos que o distinguirão 
dos demais líderes, e que podem ser considerados um fator de sucesso para 
as indústrias interessadas em atuar nesse novo modelo de negócio. Segundo 
Voltollini (2011), o líder sustentável precisa ter uma série de conhecimentos, 
habilidades, atitudes e valores que serão apresentados nos tópicos a seguir.
Conhecimentos
• Compreensão das tendências relacionadas com os grandes temas da 
sustentabilidade que irão impactar, direta ou indiretamente, o negócio e 
o setor, como as mudanças climáticas, escassez de recursos naturais, 
pagamento por serviços ambientais, esgotamento do solo, pobreza, 
violência, conflitos intergeracionais, entre outros.
• Profundo conhecimento de toda a cadeia de valor, dos impactos 
socioambientais em cada eixo e das formas de minimizá-los ou eliminá-
los.
• Domínio dos fundamentos técnicos das grandes questões da 
sustentabilidade, seus fenômenos e implicações práticas.
• Domínio de indicadores, ferramentas, métricas e práticas que tornam 
tangível a gestão sustentável.
117
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
• Sólida cultura geral e entendimento dos grandes temas da 
sustentabilidade, seus desafios e oportunidades, em nível local e global.
• Noções de ecologia, eco economia, ecoeficiência, gestão ambiental 
e desenvolvimento sustentável, formadas com base na leitura de 
obras clássicas e dos documentos internacionais mais importantes 
relacionados com o tema.
• Autoconhecimento, implicando a identificação de potenciais e limites nos 
diferentes papéis exercidos pelo líder.
Habilidades
1. Ser um facilitador e disseminador da sustentabilidade dentro e fora da 
organização, atuar como mentor entusiasmado, educador interessado 
dos stakeholders.
2. Transformar valores e crenças em planos de ação e práticas mais 
sustentáveis, saber “fazer acontecer” a sustentabilidade na empresa.
3. Comunicar ideias de sustentabilidade de forma clara, objetiva, direta, 
autêntica e entusiasmada.
4. Mobilizar diferentes públicos de interesse, atrair seguidores, adeptos e 
simpatizantes para as causas, metas e projetos de sustentabilidade da 
empresa.
5. Converter o que seriam riscos para os clientes em oportunidade de 
negócios sustentáveis.
6. Criar o futuro não apenas com base na leitura e análise de dados do 
passado, mas de uma visão projetada pela empresa com a participação 
dos seus colaboradores e partes interessadas.
7. Saber escutar e conversar, promovendo diálogos abertos, leais e 
construtivos com todos os públicos de interesse.
8. Pensar de modo sistêmico, com o olhar no longo prazo, enxergando 
a sustentabilidade em suas diferentes variáveis e correlações com o 
negócio.
9. Analisar a sustentabilidade com base no todo e não só em um de seus 
aspectos: considerar o todo, tomando por base o conjunto mais amplo 
possível de visões não se restringindo à ótica de uma comunidade.
10. Julgar e promover ajustes entre o que é necessário (para o negócio) e o 
que é certo (para a sociedade e o planeta) fazer.
11. Saber atuar em rede.
12. Exercitar a empatia, colocando-se no lugar dos públicos afetados 
pelas atividades da empresa e aprendendo a pensar e a sentir com os 
parâmetros e valores desses públicos.
13. Saber incorporar os diferentes públicos de interesse no planejamento 
118
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
baseado na convicção de que a sobrevivência de qualquer empresa 
depende da capacidade que ela tem de interagir de modo construtivo 
com eles.
14. Reconhecer as dinâmicas da organização como um sistema vivo e atuar 
para torná-las saudáveis.
15. Saber catalisar as energias e os talentos para a mudança necessária.
Atitudes
1. Coragem para mudar modelos de negócio consagrados, sustentar 
decisões difíceis e enfrentar os dilemas de sustentabilidade do negócio e 
do mercado.
2. Coerência entre o que se diz e o que se faz.
3. Introduzir a sustentabilidade na estratégia e na cultura da organização, 
fazendo com que ela deixe a periferia das ações pontuais e esporádicas 
e passe a orientar decisões de negócio.
4. Flexibilidade para lidar com realidade dinâmicas, complexas e mutáveis.
5. Agir com alegria e senso de humor.
6. Abertura para aprender com a experiência do outro (indivíduos, 
organizações, fornecedores, comunidades, governos), compreendendo 
que, em um campo de saberes em construção, não se tem todas as 
respostas prontas e que a formação do conhecimento deve ser coletiva.
7. Ser o exemplo vivo da mudança que se pretende operar na empresa.
8. Valorizar a noção de interdependência na tomada de decisões e na 
adoção de estratégicas de negócio.
9. Ter alta energia, voltada para a execução, ter disposição e envolvimento 
com os projetos de sustentabilidade, crer na empresa e em seus valores.
10. Ser proativo para pautar permanentemente o tema da sustentabilidade, 
transformando-o em agenda comum de funcionários, colaboradores e 
parceiros.
11. Prestar contas sempre, e de modo transparente, a todos os públicos de 
interesse da empresa.
12. Estabelecer noções de padrões de desempenho de sustentabilidade e 
avaliar pessoas e sistemas.
13. Ser capaz de realizar algo incomum, com determinação, consciência 
coletiva e paixão pelo que faz, colocando emoção e energia nos projetos.
14. Influenciar governos na elaboração de políticas públicas relacionadas 
com os grandes temas da sustentabilidade, como, por exemplo, gestão 
de resíduos e fontes de energia renováveis.
15. Conversar com todos os atores envolvidos na cadeia produtiva, 
prestando atenção ao quanto os elos são construídos sobre práticas que 
fortalecem o triple bottom line.
16. Ensinar os liderados a correr riscos e a lidar com os antagonismos de 
modo humilde e propositivo.
119
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
17. Criar ambiente favorável e estimulante para que a sustentabilidade seja 
um tema transversal de inovação.
18. Ter mais autoridade que poder, mais aspiração que ambição; sua palavra 
precisa ter força moral.
19. Ter modéstia em relação aos seus feitos, serenidade, forte vontade 
profissional combinada com humildade pessoal.
Valores
1. Interesse e respeito pelo ser humano; só quem respeita o ser humano 
pode respeitar o planeta.
2. Amor ao próximo.
3. Elevado senso de justiça e ética.
4. Apego à ideia da liberdade.
5. Respeito e valorização da diversidade.
6. Perseverança.
7. Integridade.
8. Solidariedade e altruísmo.
9. Amor ao belo.
10. Fé no futuro.
11. Senso de responsabilidade em relação aos impactos gerados pelos 
negócios às partes interessadas.
12. Consciência de que empresas são agentes de desenvolvimento e que os 
melhores empreendimentos são os que conseguem combinar interesse 
da empresa com os da sociedade e do planeta.
Assim, com todos esses requisitos, percebemos que o líder que atua a frente 
de um negócio sustentável é uma pessoa diferente, com uma visão e percepção 
ampla de mundo, e com ideias arrojadas. Um líder que deseja fazer a diferença e 
deixar a sua marca. 
Mas será que isso é possível dentro do setor industrial? Para provar que sim, 
que temos boas referências instaladas dentro das indústrias, segue abaixo alguns 
exemplos de líderes que fazem a diferença e que implementam cada vez mais o 
modelo de negócios sustentáveis em suas empresas.
QUADRO 2 – PERFIL LÍDER 1
Guilherme Peirão Leal
É copresidente do Conselho de Administração e dono de 25% das ações da 
Natura, indústria brasileirado setor de cosméticos com sede em São Paulo e 
atuação global em países como Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru, Ven-
ezuela, França e Estados Unidos, além de outros 63 países indiretamente.
120
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Insights O sucesso da Natura é produto de sua proposição de val-
or diferenciado – do seu jeito de ser, do modo de formu-
lar produtos, do relacionamento com as partes interessa-
das, do respeito à biodiversidade brasileira, do apoio aos 
grandes movimentos do país, do espírito democrático e 
de sua visão do mundo.
Ideias-chave O conhecimento em sustentabilidade está em perma-
nente construção, o que exige grande capacidade para 
se reinventar. Como o alvo é móvel, deve-se construir 
a competência de aprender a aprender. Quem atua em 
rede, entende melhor os impactos sociais e ambien-
tais de seu negócio, melhora sua capacidade de fazer 
permanentes releituras e reconstruções sistemáticas. 
“Cuidar do outro, da comunidade e do planeta é cuidar 
de si próprio. Não há o fora e o dentro. Estamos tudo e 
todos interligados”.
Desafios Organizar uma cultura forte, baseada nos princípios de 
sustentabilidade, especialmente os de interdependência 
e diversidade. Diante da abertura do capital da compan-
hia na Bovespa em 2004, crescer sem deixar um sistema 
mais complexo de gestão engolir seus valores essenci-
ais.
Obstáculos Sobreviver e crescer em um mercado caracterizado pela 
presença de competidores globais com forte capacidade 
de investimento em pesquisa e desenvolvimento de 
moléculas.
Estratégias Em vez de copiar as grandes, a Natura decidiu ser ela 
mesma: uma empresa brasileira, fundada no conceito in-
spirador do “Bem-estar bem”, respeitosa em relação ao 
uso sustentável da socio biodiversidade, com valores e 
crenças de sustentabilidade.
Momentos Mar-
cantes
Acidente fatal com funcionária da fábrica de Itapeceri-
ca da Serra (SP), em 1991, quando a empresa acabava 
de lançar um código de conduta. Abertura do capital da 
companhia na Bovespa em 2004.
Perfil do líder em 
sustentabilidade
Compreensão de interdependência entre os sistemas 
econômico, social e ambiental. Sensibilidade para per-
ceber o essencial. Valores firmes e sólidos. Flexibili-
dade para lidar com realidades dinâmicas, complexas e 
mutáveis. Saber atuar em rede. 
FONTE: Adaptado de Voltolini (2011).
121
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
Para conhecer um pouco mais sobre posicionamentos de líderes 
sustentáveis, leia a entrevista de industriais sobre as metas do futuro. 
Link: https://www.amcham.com.br/noticias/gestao/nao-e-so-vender-
mais-lideres-da-gerdau-natura-e-ambev-revelam-metas-do-futuro.
QUADRO 3 – PERFIL LÍDER 2
Franklin Feder
Foi presidente da ALCOA América Latina, uma indústria da cadeia produtiva do 
alumínio com diversas unidades no Brasil.
Insights Confluência entre seus valores individuais e os valores 
da companhia. Constatação de que a empresa enfrenta-
va tensões e conflitos nos Estados Unidos, por não ter as 
mesmas preocupações socioambientais que manifestava 
no Brasil. Aprendizado permanente sobre humildade, em-
patia, escuta ativa e convivência com opiniões diversas.
Ideias-chave Não dá para ser uma empresa rica em uma comunidade 
pobre. Projetos como os da Alcoa só podem dar certo se 
a empresa tiver a capacidade de ouvir, dialogar e interagir, 
se as comunidades se apropriarem deles. Nenhuma em-
presa pode estar acima do desejo da sociedade por um 
mundo mais justo e um planeta mais saudável, sob o risco 
de perder legitimidade de operar. 
Desafios Fazer o discurso da sustentabilidade chegar, firme e claro, 
no chão da planta industrial. Vencer a resistência dos co-
laboradores em mudar hábitos e assumir responsabilidade 
individuais pelas práticas de sustentabilidade.
Estratégias Inserção do tema no topo da agenda. Comunicação per-
manente para fazer fluir a mensagem do topo a base. 
Criação de canais de comunicação e relacionamento efi-
cazes com as comunidades nas quais a empresa tem op-
erações. Contribuição, na forma de investimento concreto, 
para o desenvolvimento sustentável da região onde a em-
presa está instalada
122
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Momentos Mar-
cantes
Chega em Juruti, no Pará, em 2007. Ameaça, em 2007, 
da invasão do canteiro de obras por grupo contrário ao 
empreendimento. Lançamento, em 2009, do Fundo Juruti 
Sustentável.
Perfil do líder em 
sustentabilidade
Convicção de que a sobrevivência de uma empresa de-
pende de sua capacidade de interagir com as partes inter-
essadas. Saber escutar. Ter gosto pelo diálogo.
FONTE: Adaptado de Voltolini (2011).
Para conhecer um pouco mais sobre as ideias do líder Franklin 
Feder, veja o vídeo que ele fez explicando um pouco a sua visão 
sobre sustentabilidade. O vídeo é da plataforma liderança com 
valores. Link: https://liderancacomvalores.com.br/franklin-feder-perfil-
lideranca-com-valor/.
QUADRO 4 – PERFIL LÍDER 3
Paulo Nigro
Foi presidente da indústria Tetra Pak, que fabrica embalagens para alimentos.
Insights Na infância, aprendeu com o pai o valor de reciclar e a 
importância do ato para gerar riqueza. Trabalhando com 
empresas suecas, incorporou a noção cultural de res-
peito a natureza e a conservação ambiental
Ideias-chave Bem cuidada, a questão ambiental representa um cam-
po de oportunidades para a empresa malcuidada, signifi-
ca risco. Sustentabilidade é um templo de dois pilares: 
econômico e ético-socioambiental. Empresa que preser-
va o meio ambiente promove o bem-estar social. Quan-
do se preocupa com o desenvolvimento da sociedade, 
o público a percebe como mais ética. O conhecimento 
amplo da cadeia de valor associado a uma base sólida 
de princípios possibilita ao líder realizar cotidianamente 
um ajuste ético entre o que é preciso e o que é certo 
fazer. As 150 mil toneladas de embalagem da Tetra Pak 
enterradas representam uma mina de ouro que, bem 
garimpada, pode gerar riqueza para as comunidades 
mais pobres. 
123
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
Desafios Recuperar a imagem da Tetra Pak no Canadá, prejudi-
cada por causa de negligência em relação ao sistema 
público de coleta seletiva de resíduos. Perseguir a meta 
de reciclar 100% das 200 mil toneladas de embalagens 
produzidas. Hoje, ela recicla 25%.
Estratégias À frente da Tetra Pak canadense, e com a empresa 
em crise, criou a primeira recicladora de embalagens 
naquele país. Para tanto, investiu em equipamentos, fez 
parcerias locais e atraiu os melhores desenvolvedores 
de tecnologia. Na Tetra Pak Brasil: usar papel de fonte 
certificada (FSC), mudar processos industriais, abas-
tecer os caminhões com biodiesel e adotar o “plástico 
verde”.
Momentos Mar-
cantes
Ameaça, em 2009, de desarticulação da cadeia de cat-
adores, por causa da queda do preço do papel e do 
papelão; a empresa fez estoque regulador. Instituição, 
em 2010, da Política Nacional de Resíduos Sólidos; re-
sponsabilidade compartilhada é uma de suas bandeiras 
pessoais. 
Perfil do líder em 
sustentabilidade
Conhecimento do negócio por inteiro, acompanhando 
cada etapa do processo, da geração da matéria-prima à 
venda. Atenção a todos os elos da cadeia de valor.
FONTE: Adaptado de Voltolini (2011).
Para conhecer um pouco mais sobre as ideias do líder Paulo 
Nigro, veja o vídeo que ele fez explicando um pouco a sua visão sobre 
sustentabilidade. O vídeo é da plataforma liderança com valores. 
Link: https://liderancacomvalores.com.br/lideres/paulo-nigro/.
A liderança sustentável pressupõe uma maneira diferente de pensar a 
sustentabilidade não a partir da perspectiva de quanto custa realizá-la, mas do 
custo de não a empreender. Nesse sentido, para garantirmos que as indústrias 
estão trilhando o caminho correto, existem indicadores ambientais e de 
sustentabilidade que são responsáveis por apresentar formas de mensurar os 
ganhose fazer eventuais ajustes de rota para manter o propósito de crescer 
preservando o meio ambiente. 
124
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
3 INDICADORES AMBIENTAIS
Indicadores são elementos que tem por objetivo apontar, direcionar e mostrar 
dados que contenham informações para apoiar na avaliação e decisão de algum 
acontecimento ou situação específica. 
Segundo o Ministério do Meio Ambiente (2021), indicadores são informações 
quantificadas, de cunho científico, de fácil compreensão usadas nos processos de 
decisão em todos os níveis da sociedade, úteis como ferramentas de avaliação 
de determinados fenômenos, apresentando suas tendências e progressos que se 
alteram ao longo do tempo. 
Os indicadores permitem a simplificação do número de informações para se 
lidar com uma dada realidade por representar uma medida que ilustra e comunica 
um conjunto de fenômenos que levem a redução de investimentos em tempo e 
recursos financeiros. Indicadores ambientais são estatísticas selecionadas que 
representam ou resumem alguns aspectos do estado do meio ambiente, dos 
recursos naturais e de atividades humanas relacionadas.
Com o objetivo de apoiar o planejamento, apontar possíveis direções 
para subsidiar a formulação de políticas públicas e orientar de uma forma 
mais transparente a priorização de recursos e ações de políticas ambientais, o 
Ministério do Meio Ambiente criou os indicadores ambientais a seguir: 
• Área de Floresta Pública com Uso Comunitário.
• Área de Florestas Públicas.
• Área de Florestas Públicas Federais sob Concessão Florestal.
• Cobertura do Território Brasileiro com Diretrizes de Uso e Ocupação em 
Bases Sustentáveis, definidas por meio de Iniciativas de Zoneamento 
Ecológico-Econômico (ZEE).
• Concentração de Dióxido de Nitrogênio (NO2), na Região Metropolitana 
de São Paulo.
• Concentração de Material Particulado com Diâmetro Menor que 10 
micrômetros (MP10), na Região Metropolitana (RM) de São Paulo.
• Destinação Adequada de Pneus Inservíveis no Brasil.
• Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção com Planos de Ação 
Nacional para Conservação das Espécies Ameaçadas de Extinção.
• Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção.
• Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção com Planos de Ação para 
125
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
Recuperação e Conservação.
• Índice de Efetividade de Gestão das Unidades de Conservação Federais.
• Número de Ações de Fiscalização Executadas nas Unidades de 
Conservação Federais.
• Número de Conselhos Gestores de Unidades de Conservação Criados 
na Esfera Federal.
• Percentual de Alcance da Meta Estabelecida de Coleta de Óleos 
Lubrificantes Usados ou Contaminados no Brasil.
• Percentual de Espécies da Fauna/Flora Ameaçadas de Extinção 
com Planos de Ação ou Outros Instrumentos para Recuperação e 
Conservação.
• Percentual do Território Brasileiro Abrangido por Unidades de 
Conservação.
• Proporção da Área Marinha Brasileira Coberta por Unidades de 
Conservação da Natureza.
• Quantidade de Agrotóxico Comercializado por Classe de Periculosidade 
Ambiental.
• Reservação de Água Doce.
• Número de participantes alcançados por ações e iniciativas de 
informação e formação com conteúdo de desenvolvimento sustentável.
• Consumo de Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio.
A título de exemplo, na Figura 1, temos um dos indicadores que tem relação 
com a indústria, um exemplo da ficha síntese do indicador Quantidade de 
Agrotóxico Comercializado por Classe de Periculosidade Ambiental.
126
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
FIGURA 1 – EXEMPLO DE FICHA SÍNTESE
FONTE: Ministério do Meio Ambiente (2021, s. p.).
127
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
Nesse sentido, podemos observar que os indicadores ambientais são 
instrumentos para avaliar os esforços despendidos pelas indústrias para a 
preservação do meio ambiente e dos recursos naturais.
Vale ressaltar que cada setor industrial tem suas particularidades e, por isso, 
para propor indicadores ambientais, é necessário respeitar a forma de atuação, o 
nível de maturidade no tema e as características da indústria em questão.
A seguir, listamos alguns exemplos de temas de indicadores ambientais 
amplamente utilizados em grande parte das indústrias:
• Fontes de energia utilizadas – (Tipos de fontes).
• Consumo de energia – (consumo KW h/mês).
• Consumo de água – (consumo m3/ mês).
• Tratamento de efluentes (quantidade mg/litro).
• Geração de resíduos sólidos (quantidade m2 de peças).
• Geração de gases (quantidade mg/m3).
• Consumo de matéria prima (consumo m3/mês).
• Consumo de materiais de embalagem (consumo ton/mês).
• Reciclagem de resíduos (quantidade ton/mês).
• Situação e uso do solo (área m2/área total).
Esses indicadores podem ser utilizados por indústrias de diferentes portes 
e setores, respeitando obviamente as particularidades de cada setor industrial. 
No setor de mineração, devido ao seu alto impacto ambiental, observamos 
o uso de uma série de indicadores ambientais, que são fundamentais para o 
acompanhamento e monitoramento das atividades do setor.
O artigo Seleção de Indicadores Ambientais para Indústrias com 
Atividade Galvânica, apresenta a estrutura e forma de medição dos 
indicadores ambientais. Link: http://www.anpad.org.br/admin/pdf/
enanpad2004-gsa-0900.pdf. 
Outro indicador ambiental relevante para o setor industrial é o de uso e de 
qualidade da água, que muitas indústrias utilizam para mensurar a forma de uso 
desse recurso tão importante e essencial para a existência humana. 
128
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Nesse sentido, a Figura 2 ilustra um modelo interativo de governança da 
água. Nesse modelo, no início do processo de uso, as indústrias devem assumir 
um compromisso, e, posteriormente, devem mensurar, medir e verificar se 
estão atendendo à legislação, avaliar os riscos e impactos, definir questões de 
sustentabilidade, implementar indicadores e metas, monitorar e comunicar os 
seus resultados. Esse modelo é uma sugestão para a governança da água.
FIGURA 2 – MODELO INTERATIVO DE GOVERNANÇA DA ÁGUA
FONTE: CEO (2014, s. p.).
Referente aos indicadores da qualidade da água, eles são considerados 
não conformes quando alcançam valores superiores aos estabelecidos para 
determinado uso. Os principais indicadores da qualidade da água são separados 
sob os aspectos físicos, químicos e biológicos.
O conceito de qualidade da água sempre tem relação com o uso que se 
faz dessa água. Por exemplo, uma água de qualidade adequada para uso 
industrial, navegação ou geração hidrelétrica pode não ter qualidade adequada 
para o abastecimento humano, a recreação ou a preservação da vida aquática. 
Existe uma grande variedade de indicadores que expressam aspectos parciais 
da qualidade das águas. No entanto, não existe um indicador único que sintetize 
todas as variáveis de qualidade da água.
Na questão química, podemos destacar a análise do potencial hidrogeniônico 
(pH). O valor do pH influi na distribuição das formas livre e ionizada de diversos 
compostos químicos, além de contribuir para um maior ou menor grau de 
solubilidade das substâncias e de definir o potencial de toxicidade de vários 
129
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
elementos. As alterações de pH podem ter origem natural, como dissolução de 
rochas, fotossíntese; ou antropogênica, como despejos domésticos e industriais.
Quanto aos indicadores de qualidade biológica da água, são utilizadas as 
bactérias do grupo coliforme para identificar a contaminação da água. Quanto 
maior a população de coliformes em uma amostra de água, maior é a chance de 
que haja contaminação por organismos patogênicos.
No entanto, o que as indústrias utilizam, geralmente, é a mensuração do 
volume de água gasto em seus processos produtivos,e a destinação da água 
para reuso ou reciclagem por meio de tratamentos específicos. Na Figura 3, 
está apresentado um esquema ilustrativo da entrada de água nos processos 
produtivos.
FIGURA 3 – ENTRADA DE ÁGUA NOS PROCESSOS PRODUTIVOS
FONTE: Confederação Nacional da Indústria (2017, s. p.).
Outro indicador amplamente utilizado pelas indústrias é referente ao uso 
de energia. Dentro deste aspecto, podemos destacar as seguintes formas de 
mensuração de acordo com a pesquisa realizada pela FIESC sobre o uso de 
energia na indústria em 2018: Consumo mensal de energia elétrica; forma 
de compra de energia; se possui geração própria de energia; quais insumos 
energéticos a indústria utiliza, como eletricidade, óleo diesel, gás natural, GLP, 
resíduos biomassa, lenha, óleo combustível, carvão mineral, licor negro, carvão 
vegetal. Destinação dos insumos energéticos na indústria, como iluminação, força 
130
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
motriz, ar comprimido, aquecimento, refrigeração, calor processo, geração vapor, 
eletroquímica e outras.
Também é interessante observar e medir a aplicação final das indústrias 
na utilização de calor para secagem, aquecimento de fluídos, água quente 
para higienização, lavação, cocção, cozimento, tingimento, coloração, fusão 
de minerais não metálicos, esterilização, pasteurização, evaporação, refino 
eletrolítico, escaldamento. E, por fim, verificar se as indústrias fazem a gestão de 
energia e se utilizam fontes renováveis.
Para compreender melhor a aplicação de indicadores ambientais 
na indústria, leia o estudo de caso Construção de Indicadores 
Ambientais Industriais como Estratégia de Política Ambiental: Um 
Estudo de Caso em Ambiente Virtual, que apresenta exemplos de 
indicadores ambientais para os setores industriais de celulose, metais 
sanitários, indústria automotiva e têxtil. Link: https://siambiental.ucs.
br/congresso/getArtigo.php?id=84&ano=_quinto.
Vale destacar que apenas a implementação dos indicadores não é garantia 
de uma atuação ambiental correta por parte das indústrias. Neste caso é que 
entra a ação humana como um importante elemento para fiscalizar e cobrar que 
as ações previstas sejam seguidas e obedecidas de acordo com os órgãos e 
legislações vigentes. Por isso, a importância da fiscalização e da implementação 
dos novos parâmetros de desempenho e operação dentro das indústrias.
Para apoiar a implementação de indicadores ambientais nas indústrias, 
existem normas que direcionam e sistematizam os indicadores, e isso pode 
ser uma estratégia interessante para as indústrias que querem ter uma gestão 
ambiental do seu processo.
A Norma Brasileira (NBR) ISO 14031, proposta pela Associação Brasileira 
de Normas Técnicas (ABNT), surgiu em 2004 como uma ferramenta de gestão 
ambiental com o objetivo de medir e analisar o desempenho ambiental de 
uma empresa. Os resultados obtidos são comparados às metas definidas no 
estabelecimento do sistema de gestão ambiental e, dessa forma, é possível 
avaliar as melhorias alcançadas.
131
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
Para mensurar isso, indicadores de desempenho ambiental são selecionados 
pela empresa. Eles devem deixar mais tangível uma tendência ou fenômeno que 
não seja imediatamente detectável. Além disso, devem informar o progresso em 
relação ao alcance de uma meta.
Outras características inerentes aos indicadores são: serem específicos 
a uma determinada área; serem relevantes; cientificamente válidos; de fácil 
comprovação; e terem custos de medição compatíveis aos objetivos da avaliação.
A NBR ISO 14031 visa auxiliar a organização na avaliação do seu 
desempenho ambiental. Considerada como uma ferramenta de gestão interna, 
a norma busca prover o gerenciamento de uma base de dados contínua, de tal 
forma que seja possível avaliar a adequabilidade das medidas adotadas nos 
processos da organização em relação aos critérios estabelecidos inicialmente em 
seu sistema de gestão ambiental.
Por meio da Avaliação de Desempenho Ambiental, proposta pela norma, é 
possível que a organização identifique aspectos ambientais e determine quais 
deles são relevantes; estabeleça critérios para seu desempenho ambiental; e 
avalie seu desempenho mediante esses critérios.
Dentro da Avaliação de Desempenho Ambiental, algumas ferramentas 
podem ser utilizadas, como as auditorias ambientais e a Análise do Ciclo de 
Vida. Em ambas as ferramentas, é possível analisar os aspectos ambientais e 
potenciais impactos relacionados a produtos e serviços.
Outra característica importante sobre a ISO 14031 é que ela é aplicável 
a todas as organizações, independente do seu tipo, tamanho, localização e 
complexidade. No entanto, a norma não estabelece níveis de desempenho 
ambiental, não podendo ser usada, portanto, com propósito de certificação ou 
registro.
Para promover a Avaliação do Desempenho Ambiental, a ISO 14031 
estabelece duas categorias: os Indicadores de Desempenho Ambiental (IDA) e os 
Indicadores de Condição Ambiental (ICA). Os ICA fornecem informações sobre a 
condição do meio ambiente. Dessa forma, é possível que a organização entenda 
quais impactos, sejam eles reais ou potenciais, estão relacionados aos aspectos 
ambientais oriundos das suas atividades.
Isso torna possível a adoção de medidas preventivas e/ou corretivas tanto 
durante a fase de planejamento quanto na fase de implementação da Avaliação 
de Desempenho Ambiental. Considera-se que o desempenho dos processos 
132
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
operacionais é fator decisivo nas tomadas de decisão por parte da administração 
da organização.
Nesse sentido, são exemplos de ICA: a concentração de um poluente no ar 
proveniente de veículos automotores; nível de água subterrânea de um lençol 
freático; taxa de abastecimento de água de uma região geográfica; população de 
uma espécie da flora dentro de um raio de distância pré-definido; o número total 
de espécies da fauna em uma dada área; entre outros.
Os indicadores de desempenho ambiental (IDA), como o nome sugere, 
sugerem informações sobre o desempenho ambiental de uma organização. 
Podem ser divididos em dois tipos:
• Indicadores de desempenho gerencial: fornecem informações sobre 
esforços gerenciais que influenciam o desempenho ambiental das 
operações da organização. Exemplos: percentual de atendimento 
aos requisitos legais; percentual de alocação de recursos financeiros 
em programas ambientais; número de horas de treinamento para 
colaboradores internos; recursos financeiros destinados a pesquisas de 
monitoramento ambiental.
• Indicadores de desempenho operacional: fornecem informações 
sobre o desempenho ambiental das operações da organização. 
Exemplos: redução nas emissões de gases contaminantes por veículos 
automotores; quantidade de combustível fóssil consumido; eficiência do 
combustível; percentual da frota de veículos equipada com tecnologias 
de controle ambiental; quantidade de água consumida por dia; entre 
outros.
Diante disso, a ISO 14031 configura-se como uma ferramenta de gestão 
ambiental muito importante para todas as empresas. Isso se deve ao fato de a 
norma propor uma Avaliação do Desempenho Ambiental de todos os aspectos que 
possam gerar impactos ambientais, o que abrange muitos setores e processos, 
convergindo em valiosas fontes de aperfeiçoamento, que trazem benefícios 
financeiros e ambientais.
Para compreender melhor a abrangência e os itens avaliados 
na ISO 14031, basta acessar a versão completa da norma de Gestão 
Ambiental – Avaliação de Desempenho Ambiental – Diretrizes no link: 
http://www.madeira.ufpr.br/disciplinasghislaine/abnt-nbr-iso-14031.
pdf. 
133
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
1 Descreva a diferença entre indicadores os Indicadores de 
Desempenho Ambiental (IDA) e os Indicadores de Condição 
Ambiental (ICA) descrita na ISO14031.
No entanto, apesar de todo o esforço para criar indicadores de 
sustentabilidade com foco na indústria, percebe-se que ainda é grande a 
dificuldade de entendimento dos setores industriais acerca do conceito, das 
práticas e dos benefícios da sustentabilidade e, por consequência, de seu reflexo 
nas atividades empresariais. Usualmente, o tema é percebido apenas sob a 
perspectiva ambiental e associado a restrições e limitações.
Diante desse contexto, surgiu uma iniciativa para tentar mudar este 
panorama no ambiente industrial que foi a bússola da sustentabilidade, criada 
pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP). A bússola tem por 
objetivo desmistificar e tornar tangível o conceito de sustentabilidade, promovendo 
a reflexão sobre a temática entre as indústrias do Paraná e fomentando a 
competitividade destas nos cenários atual e futuro.
A iniciativa tem como pressuposto o alinhamento entre as estratégias de 
negócio e as perspectivas do desenvolvimento sustentável por meio da difusão 
de práticas no contexto industrial. Para tanto, foram definidos alguns objetivos 
estratégicos:
• alinhar-se às diversas iniciativas para mensurar a sustentabilidade;
• mobilizar setores industriais e entidades de representação em torno da 
temática de sustentabilidade;
• sensibilizar e orientar o empresário paranaense acerca das práticas de 
sustentabilidade que influenciam a competitividade;
• identificar o perfil de sustentabilidade da indústria;
• orientar o tecido industrial a evoluir em suas práticas de sustentabilidade.
A Bússola da Sustentabilidade segue metodologia própria, com enfoque na 
sensibilização e orientação de empresários e executivos. A pesquisa acontece 
em um ambiente on-line, por meio de um processo de Coleta-Aprendizagem. 
Durante a participação, são disponibilizados conteúdos sobre sustentabilidade 
na perspectiva do funcionamento das organizações e, ao término do processo, 
as indústrias recebem um diagnóstico personalizado. Nele, são fornecidos 
134
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
o desempenho da empresa, com base nas respostas oferecidas, bem como 
orientações pontuais sobre práticas possíveis de melhoria.
Com cada empresa participante de posse de seu diagnóstico, há a posterior 
consolidação dos resultados e a construção de retratos da sustentabilidade da 
indústria paranaense. No que tange às informações de acesso público, são 
utilizadas duas abordagens para disseminação. A primeira diz respeito a esse 
documento, Perfil de Sustentabilidade Industrial, no qual estão reunidos os 
resultados de todas as empresas. A segunda trata de um Dashboard (http://www.
bussoladasustentabilidade.org.br), por meio do qual é possível analisar diferentes 
recortes de respondentes, segundo as variáveis tamanho da empresa, setor de 
atuação e localização.
Sob avaliação de profissionais e pesquisadores, foi definida uma estrutura 
para categorizar essas ações no modelo, o qual se desdobra em três grandes 
ambientes empresariais:
• Ambiente interno: referente à estrutura e às atividades internas da 
organização, com implicação imediata na administração da empresa.
• Microambiente: diz respeito ao ambiente de atuação em que ocorrem 
relações externas com atores que afetam a organização ou são afetados 
diretamente por ela, como fornecedores, clientes, competidores etc.
• Macroambiente: relativo aos segmentos que não estão diretamente 
envolvidos nas atividades empresariais, mas que a organização depende 
para o desenvolvimento de seus negócios.
Cada ambiente se desdobra em duas ou mais dimensões de atuação 
empresarial, totalizando oito:
• Planejamento e Gestão de Processos: projeção e otimização dos 
resultados considerando os impactos dos processos de produção, de 
modo que o crescimento da empresa não gere externalidades negativas.
• Gestão de Pessoas: promoção da formação e de relações de trabalho 
que considerem valores éticos e justos, atendendo a princípios de 
dignidade e respeito à diversidade na empresa.
• Produção: aplicação de estratégias para promover a eficiência produtiva, 
de maneira a evitar quaisquer desequilíbrios ambientais e danos sociais.
• Cadeia de Suprimentos e Distribuição: adoção de critérios para 
seleção de fornecedores, tendo em vista o consumo consciente de 
recursos naturais e o respeito a normas sociais, além da priorização de 
processos de transporte e distribuição de menor impacto.
• Consumidores: incorporação de atributos de comunicação nos produtos 
e serviços, de forma a atender à dinâmica de sustentabilidade na relação 
entre empresa e consumidor.
135
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
• Parcerias Institucionais: mútua colaboração entre as organizações, 
a fim de ultrapassar as limitações individuais na busca por soluções 
sustentáveis e pelo fortalecimento da capacidade dos negócios.
• Meio Ambiente: atuação em conformidade com legislação e normas 
pertinentes, promovendo a conservação ambiental, bem como 
fornecendo respostas a riscos e desastres decorrentes ou não das 
atividades da empresa.
• Engajamento Local: atuação da empresa em prol do desenvolvimento 
do entorno onde está inserida e do fortalecimento da sociedade civil 
nessa localidade. Essas dimensões de atuação empresarial, por sua 
vez, se associam a 15 áreas temáticas ligadas às perspectivas da 
sustentabilidade:
• Organização e Gestão: incorporação de aspectos de sustentabilidade 
no planejamento e na execução de estratégias organizacionais, 
na definição de objetivos e metas, assim como na coordenação de 
processos de produção.
• Compromissos Éticos: adoção de valores e princípios para orientar a 
conduta da organização e suas relações com as partes interessadas.
• Relações de Trabalho: construção de relações pautadas em valores 
éticos como transparência, equidade e respeito aos direitos humanos e 
laborais.
• Equidade de Gênero e Respeito à Diversidade: favorecimento da 
inclusão social de segmentos marginalizados e promoção da igualdade 
de oportunidades
• Educação: incentivo contínuo à aprendizagem e capacitação para 
promoção da qualidade de vida, relacionadas ou não a práticas 
sustentáveis.
• Produção Mais Limpa: otimização do processo produtivo, por meio da 
aplicação de estratégias que visem a aumentar a eficiência no uso de 
matérias-primas e demais recursos.
• Inovação: inserção de produtos, processos, métodos organizacionais e 
práticas de negócio, novos ou significativamente melhorados, voltados 
para promoção de uma relação harmônica entre meio ambiente e 
sociedade.
• Seleção de Fornecedores: adoção de critérios de responsabilidade 
socioambiental e de consumo consciente na escolha dos parceiros de 
negócio.
• Transporte e Distribuição: minimização dos impactos negativos 
decorrentes da movimentação de materiais.
• Consumo Consciente: sensibilização, divulgação e fortalecimento de 
fatores que influenciam o processo de escolha, compra e descarte de 
produtos e serviços.
• Cooperação: fortalecimento de parcerias entre organizações, na busca 
por melhores soluções para cada uma e para a sociedade em geral.
136
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
• Conservação Ambiental: elaboração de iniciativas em resposta aos 
impactos negativos do processo produtivo, visando proteger o meio 
ambiente e a biodiversidade.
• Riscos e Desastres: investimentos em ações de prevenção de riscos e 
desastres, para evitar ou minimizar a ocorrência de impactos negativos 
desses incidentes sobre o meio natural e social.
• Relacionamento Empresa-Comunidade: fomento de oportunidades 
em prol do desenvolvimento local.
• Governança Pública: suporte à formulação e implantação de ações 
para o melhor uso de recursos e a promoção de valores democráticos e 
cívicos.
As áreas temáticas são compostas por um ou mais indicadores, sendo eles 
a menor e mais específica unidade de análise, orientação e sensibilização no 
modelo adotado. Cada indicadortem como input uma ou mais ações (dentre as 
83 levantadas) e práticas voltadas ao desenvolvimento sustentável. 
No total, foram definidos 38 indicadores, articulados a conteúdos da base 
de conhecimentos previamente construída, envolvendo definições, exemplos 
e abordagens de acordo com a situação que cada empresa se encontra. É por 
meio deles que os empresários chegam a propostas mais práticas de intervenção 
em seu negócio. De maneira sintética, as relações entre ambientes empresariais, 
dimensões empresariais, áreas temáticas e indicadores estão expressas na 
Figura 4 e na Figura 5 a seguir.
FIGURA 4 – DIMENSÕES DO AMBIENTE INTERNO E INDICADORES ANALISADOS
FONTE: FIEP – Observatórios (2019, s. p.).
137
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
FIGURA 5 – DIMENSÕES MACROAMBIENTE E 
MICROAMBIENTE E INDICADORES ANALISADOS
FONTE: FIEP (2019, s. p.).
A proposta da bússola da sustentabilidade procura obedecer às características 
do público-alvo e permitir a simplificação de informações sobre fenômenos 
complexos existentes, como é o caso da sustentabilidade. Para identificar o 
desempenho nesse tema, houve uma consulta a acadêmicos, consultores e 
agentes de mercado durante o processo de pesquisa. Com isso, foram definidos 
três níveis de desempenho que traduzem quanto uma dada indústria está alinhada 
aos princípios de sustentabilidade:
• Desempenho em sustentabilidade por indicador.
• Desempenho em sustentabilidade por dimensão empresarial.
• Desempenho geral em sustentabilidade.
Esses níveis são aplicáveis inicialmente no contexto da empresa, quando o 
diagnóstico personalizado é criado e disponibilizado para o respondente. Assim, 
cada empresa recebe scores/graus, com base nas respostas enviadas. Os 
mesmos níveis também podem ser entendidos no contexto estadual, por meio da 
consolidação de respostas e do cálculo das médias. 
Quanto ao desempenho em sustentabilidade por indicador, a bússola 
da sustentabilidade trata o indicador como a mais específica e, também, mais 
importante unidade de análise na Bússola da Sustentabilidade. É o seu resultado 
que direciona a forma como a empresa será orientada (práticas sugeridas e 
benefícios esperados) no contexto do diagnóstico. Enquanto nos outros dois 
níveis de desempenho (por dimensão empresarial e geral) há apenas referências 
numéricas (score de 0 a 10), no caso dos indicadores existe uma abordagem 
138
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
qualitativa, por meio de quatro graus de maturidade empresarial (‘Iniciante’, 
‘Sensibilizada’, ‘Consciente’ e ‘Engajada’).
A seguir, na Figura 6, encontramos um exemplo de desempenho em 
sustentabilidade por indicador.
FIGURA 6 – DESEMPENHO DE SUSTENTABILIDADE POR INDICADOR
FONTE: FIEP (2019, s. p.).
Na Figura 7, podemos observar o resultado da pesquisa de 2017 no indicador 
de Produção.
FIGURA 7 – INDICADOR PRODUÇÃO
FONTE: FIEP (2019, s. p.).
139
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
Na Figura 8, podemos observar o modelo que a ferramenta bússola de 
sustentabilidade apresenta os dados para as empresas participantes da pesquisa.
FIGURA 8 – PAINEL COM OS INDICADORES DE PRODUÇÃO MAIS LIMPA
FONTE: FIEP (2019, s. p.).
Além dos dados, a ferramenta bússola da sustentabilidade apresenta 
recomendações a respeito do indicador em questão, conforme apresentado na 
Figura 9 a seguir.
140
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
FIGURA 9 – RECOMENDAÇÕES: PRODUÇÃO MAIS LIMPA
FONTE: FIEP (2019, s. p.).
No indicador de produção mais limpa, podemos verificar a importância da 
ação humana que, observando o impacto negativo de um processo produtivo, 
pode realizar ajustes, inserir novas práticas e formas de monitoramento e, assim, 
torná-lo um processo com menor impacto para o meio ambiente. Este pode ser 
considerado um exemplo de um impacto ambiental negativo, ocasionado por 
processos produtivos tradicionais que, ao receber a ação humana e os devidos 
ajustes, transforma-se em algo positivo para o meio ambiente.
Para ilustrar, na prática, a produção mais limpa na indústria, leia 
o artigo que relata a aplicação dessa prática em uma indústria de 
beneficiamento de couro de grande porte. Link: http://www.abepro.
org.br/biblioteca/enegep2010_tn_stp_113_739_16730.pdf.
Para ilustrar, a seguir, a Figura 10 e a Figura 11 apresentam dados coletados 
a respeito do indicador de Meio Ambiente nas indústrias do estado do Paraná.
141
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
FIGURA 10 – PAINEL COM OS INDICADORES DE CONSERVAÇÃO AMBIENTAL
FONTE: FIEP (2019, s. p.).
FIGURA 11 – RECOMENDAÇÕES PARA O INDICADOR CONSERVAÇÃO AMBIENTAL
FONTE: FIEP (2019, s. p.).
Para finalizar os resultados da Bússola de Sustentabilidade, no ano de 2017, 
foram cerca de 250 que ingressaram na ferramenta on-line gratuita da Bússola 
142
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
da Sustentabilidade e iniciaram sua participação. Destes, 154 enviaram todos os 
dados, receberam um diagnóstico personalizado e ajudaram a compor um retrato 
estadual. A diferença significativa entre convidados e participantes evidencia a 
dificuldade de entendimento do caráter fundamental da sustentabilidade para a 
sobrevivência das empresas.
O resultado sugere, também, uma dissociação entre sustentabilidade e 
competitividade. Ou seja, não há a compreensão de que, sem o alinhamento 
aos princípios sustentáveis, as empresas perdem cada vez mais espaço nos 
mercados nacional e global.
A incorporação de aspectos de sustentabilidade nas estratégias e a criação 
de mecanismos formais para a aplicação das normas de conduta e valores, 
nos processos e relações com todas as partes envolvidas, viabilizam o alcance 
de resultados organizacionais com impacto positivo na empresa, sociedade e 
no mercado. Se o planejamento e gestão de processos estiverem alinhados 
aos pressupostos do desenvolvimento sustentável, as indústrias poderão obter 
vantagens, que vão desde a eficiência econômica até benefícios de melhoria da 
imagem institucional, evidenciando a responsabilidade social e ambiental.
Ao tratar de produção, discute-se a melhoria do desempenho econômico 
da empresa, possibilitando a ela oferecer produtos com menor custo e orientados 
por princípios de sustentabilidade. Nessa busca, as indústrias podem adotar 
procedimentos para acréscimo da eficiência com o melhor aproveitamento dos 
recursos e insumos do processo produtivo, minimizando riscos e desperdícios. 
O desenvolvimento de produtos, serviços e processos voltados para 
sustentabilidade, novos ou significativamente melhorados, permite o aumento 
da qualidade da oferta, a ampliação da participação de mercado e a redução de 
impactos com a produção.
A relação com os consumidores é algo presente em praticamente todas 
as ações da Bússola da Sustentabilidade, haja vista que um dos benefícios 
permanentes esperados com as práticas é a valorização da imagem institucional e 
o acréscimo de valor percebido nos produtos e serviços. O chamado consumidor 
consciente é aquele que ultrapassa apenas o bem-estar pessoal enquanto critério 
de escolha, priorizando, também, os recursos ambientais e as necessidades 
sociais.
A empresa tem dois papéis nas relações que passam a ser estabelecidas 
diante da mudança de comportamento dos clientes: ser ativa na sustentabilidade, 
deixando suas ações transparentes para o consumidor, bem como se tornar um 
agente multiplicador dos princípios sustentáveis, auxiliando na conscientização 
pública. Ao mesmo tempo em que atende à nova demanda, a organização é 
143
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
partícipe na disseminação do consumo consciente. Notou-se que nenhum dos 
casos surge explorado enquanto prática pelas indústrias, revelando grande 
espaço para melhorias.Tal situação poderá progredir quando as empresas 
orientarem e conduzirem os consumidores com maiores detalhes sobre o produto, 
seu uso, sua embalagem e descarte seguro.
Os resultados que se encontram em situação mais incipiente estão no 
macroambiente, ou seja, no espaço relacional externo às empresas, conforme 
discussão a seguir por dimensão (meio ambiente e engajamento local). Tanto no 
campo acadêmico como no ambiente empresarial, quando a sustentabilidade 
é mencionada, em um primeiro momento, o aspecto que aparece com maior 
frequência é o meio ambiente. No entanto, com os dados observados, é possível 
verificar que essa dimensão ainda está distante do empresariado. A maior 
concentração de respostas registradas se deu no grau “não se aplica”, o que 
permite duas avaliações.
Se a sustentabilidade não se resume ao meio ambiente, ela até já está 
presente na prática e/ou na ideação de muitas empresas, mas ainda não aparece 
explorada nesses termos. Por outro lado, comprova-se que, quando restrita ao 
tema da conservação ambiental (no monitoramento do impacto, na questão de 
gases poluentes ou no compromisso com a preservação) e/ou da gestão de riscos 
e desastres (prevenção e assistência à comunidade), o estágio ainda é incipiente 
na maioria do cenário industrial. Por fim, a Figura 12 apresenta o modelo de painel 
de bordo da ferramenta Bússola de Sustentabilidade. 
FIGURA 12 – PAINEL DE BORDO BUSSOLA DE SUSTENTABILIDADE
FONTE: FIEP (2019, s. p.).
144
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Percebemos, com a iniciativa apresentada, que cada vez mais surgem 
ferramentas para facilitar a medição das ações de sustentabilidade no ambiente 
industrial. A proposta é estimular as indústrias a implementar ações sustentáveis 
e a internalizar os conceitos de preservação ambiental.
A seguir, vamos observar alguns desafios enfrentados pelos diversos setores 
industriais e alguns cases de sucesso que ilustram, bem as ações implementadas 
pelas indústrias para promover o desenvolvimento e preservar o meio ambiente.
4 OS SETORES AMBIENTAIS E O 
MEIO AMBIENTE
As indústrias compreendem a necessidade de atuar de uma forma sustentável 
e de preservar o meio ambiente. Seja por uma consciência ambiental ou por força 
de legislação, o setor industrial está procurando adequar-se permanentemente e 
avançar na temática da sustentabilidade. 
No entanto, ainda existem desafios a serem superados relacionados ao 
meio ambiente, muitos deles os setores industriais já estão tratando com ações 
práticas, e com uma postura proativa na busca por soluções. Para ilustrar melhor 
essa realidade nas indústrias, no Quadro 5, estão descritos os desafios de alguns 
setores industriais.
145
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
QUADRO 5 – DESAFIOS AMBIENTAIS NA INDÚSTRIA
Indústria Desafios Ações
Têxtil
Diminuir a quantidade de água 
nos processos produtivos, 
como os da lavagem do jeans.
As indústrias estão investindo em alta tecnolo-
gia, buscando soluções de reaproveitamento e 
reuso da água para alcançar os mesmos objeti-
vos, mas com um consumo de água menor.
Utilização dos resíduos do pro-
cesso produtivo, fios, pedaços 
de pano, malha. Reciclagem 
de peças produzidas com de-
feito ou abaixo do controle de 
qualidade.
Criação de novos produtos com o reaproveit-
amento dos materiais que não foram uti-
lizados por completo no processo pro-
dutivo. Exemplo de almofadas, toalhas, 
roupas de boneca, roupas para pets. 
Direcionamento das peças com pequenos de-
feitos ou abaixo do controle de qualidade estip-
ulado para outlets das fábricas.
Mão de obra barata para a re-
alização de serviços de costura 
e confecção. Muitas marcas 
grandes procuram terceirizar 
em outros países e até mesmo 
entre imigrantes estes serviços 
na busca de preços mais com-
petitivos.
As fiscalizações e a pressão da mídia têm di-
minuído significativamente esse movimento. 
As empresas estão procurando legalizar os tra-
balhadores e fornecer as condições adequadas 
de trabalho.
Diminuir a quantidade de tintas 
e demais produtos tóxicos nas 
confecções. A demanda por 
produtos eficientes, seguros 
e não tóxicos é crescente, de 
acordo com o estudo. 
Para responder a demanda por produtos efici-
entes, seguros e não tóxicos, a indústria têxtil 
tem criado roupas feitas com algodão orgânico 
e corantes naturais e cosméticos não testados 
em animais, para se diferenciar no mercado.
Florestal, 
papel e 
celulose
Aproveitamento do papel. Ao 
invés de descartar, utilizar 
como matéria-prima do proces-
so produtivo.
As indústrias de papel e celulose aproveitam 
o papel utilizado como fonte de matéria-prima 
para o papel reciclado.
Manejo Florestal. Poda de ár-
vores. Processo produtivo para 
extrair e aproveitar ao máximo 
a madeira da floresta plantada.
Ao podar as árvores da floresta plantada, as 
indústrias florestais estão permitindo e cuidado 
para manter a qualidade da madeira e o seu uso 
adequado. As indústrias devem respeitar diver-
sas leis ambientais e o código florestal para re-
alizar suas atividades.
Embalagens – Plano de 
Logística Reversa.
As indústrias têm adequado os seus processos 
para realizar a logística reversa de materiais e 
embalagens produzidas pelo setor.
146
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Construção
Problemas com entulhos e 
resíduos do processo constru-
tivo.
Uso da produção mais limpa, com técnicas para 
minimizar a quantidade de entulhos e dar o des-
tino correto para cada tipo de material.
Novos materiais para con-
struções mais sustentáveis.
Construções com painéis de madeira estrutura-
da são uma tendência no setor. As construções 
são mais rápidas, geram menos resíduos e tem 
diversos ganhos térmicos, acústicos e ambien-
tais.
Busca por construções inteli-
gentes e eficientes para reduzir 
as contas de água e luz. 
Uma das ações do setor é o investimento em 
telhados verdes, que são cobertos por plantas 
para reduzir a temperatura do ambiente e ainda 
dar mais verde para a paisagem
Automotivo
Reciclagem reaproveitamento 
do aço e de demais matérias 
primas.
Por ser um material de alto valor, as indústrias 
têm procurado utilizar ao máximo suas matérias 
primas e serem eficientes nos seus processos 
produtivos.
Cerâmica 
branca/ver-
melha
Filtros para diminuir a emissão 
de gases. Uso de fontes alter-
nativas de energia.
O setor procurou implantar filtros capazes de 
minimizar de forma significativa a emissão de 
gases. Outra iniciativa é o uso de fontes de en-
ergia alternativas como o gás que, comparado 
com outros tipos de combustíveis, polui sig-
nificativamente menos, uma vez que tem ca-
pacidade de reduzir a emissão de poluentes, 
o que auxilia na preservação da natureza. No 
processo da cerâmica vermelha, as indústrias 
substituíram a lenha, carvão, por biomassa, o 
que contribui para a redução do desmatamento 
e preservação.
147
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
Agroin-
dústria
Diminuir o uso de químicos ou 
pesticidas na produção de ali-
mentos.
Muitas indústrias de pequeno porte estão se 
estabelecendo com alimentos produzidos local-
mente, sem componentes químicos ou pestici-
das. Entre as oportunidades com mais poten-
cial, está a venda e produção de café orgânico, 
a organização de mercados locais ou coopera-
tivas de produtores para atender a restaurantes 
ou bufês orgânicos.
Carcaças, eliminação de ani-
mais com doenças.
Por meio do investimento de alta tecnologia, 
existem máquinas que utilizam uma espuma 
para realizar o abate de animais com doenças, 
de uma forma rápida, segura e que não gera 
sofrimento animal. 
Pesca
Forte odor expelido pelo pro-
cesso produtivo das grandes 
indústrias do setor, o que pode 
incomodar a comunidade local.
Parceria com instituições na pesquisa de filtros 
que amenizem o odor. Negociações em con-
junto com o governo e com a comunidade local 
paraamenizar o desconforto.
Armazenagem inadequada dos 
pescados e dificuldade no pro-
cesso produtivo realizado na 
própria embarcação.
Adequação às normas estabelecidas pela fiscal-
ização para não perder o produto. Qualificação 
dos colaboradores e ajustes nos processos pro-
dutivos para atender a legislação ambiental.
Indústria 
química
Produzir produtos de limpeza 
mais seguros para a saúde e 
para o meio ambiente. 
As indústrias estão investindo em produtos 
de limpeza ecológicos, além de Itens biode-
gradáveis e serviços de limpeza certificados.
Alimentos
Embalagens com um materi-
al diferente, mais amigável ao 
meio ambiente. 
Diminuição do uso de Gordura 
trans.
As indústrias estão investindo para se adequar 
a novas embalagens; com menos alumínio.
Também estão se adequando a novas norma-
tivas que pede a substituição da gordura trans 
por outro tipo de gordura nas misturas dos pro-
cessos produtivos dos alimentos.
Tecnologia
Reciclagem de produtos 
eletrônicos.
As indústrias estão adotando medidas chama-
das de Tecnologia da Informação verde uma 
das áreas de maior potencial. A ideia é criar 
negócios para prestarem serviços a outras em-
presas como consultorias e análises de gastos 
energéticos em data-centers, por exemplo. Out-
ro exemplo são soluções para a de reciclagem 
de produtos eletrônicos.
FONTE: A Autora.
148
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Para compreendermos o esforço que a indústria vem dispendendo na 
superação dos desafios para preservar o meio ambiente, vamos ver algumas 
iniciativas de indústrias que deram certo e que foram premiadas no 27º prêmio 
expressão ecologia 2019/2020. 
Case: Whirlpool - Joinville (SC)
Conservação de Energia
Gestão energética: alavancando resultados extraordinários.
Um dos ODS priorizados pela Whirlpool é o ODS12 – Consumo e Produção 
Responsáveis. A unidade Joinville implantou um sistema de gestão de energia 
baseado na metodologia World Class Manufacturing (WCM), atuando de maneira 
estruturada para promover a redução de perdas com vetores energéticos, em 
especial de energia elétrica. 
Para tal, realizou-se a priorização dos vetores energéticos e, em seguida, 
o levantamento das perdas em cada área e cada processo. As perdas foram 
então minimizadas através de projetos e ações focadas, como eliminação de 
vazamentos de ar comprimido, recuperação de calor, troca de luminárias, até 
ações para redução de consumo excessivo.
Os resultados são expressivos: reduziu-se em cerca de 15% o indicador de 
performance, considerando o período desde 2017 até o final de 2019, sendo esse 
um resultado nunca antes atingido na história da empresa. 
Para maiores informações sobre o tema de conservação 
de energia acesse o link: http://www.procelinfo.com.br/
m a i n . a s p ? Te a m I D = % 7 B 9 2 1 E 5 6 6 A - 5 3 6 B - 4 5 8 2 - A E A F -
7D6CD1DF1AFD%7D
Case: Tabocas Participações Empreendimentos - Paraná
Controle de Poluição
Gestão da água: boas práticas de gerenciamento e reuso de efluentes
Esse projeto apresenta soluções ecológicas que têm por objetivo a 
redução de impactos no solo, na água e na flora a partir de técnicas aplicadas 
em obras, que trazem consigo as ideias propostas pelas Tabocas Participações 
149
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
Empreendimentos, empresa atuante no segmento de construção de linhas de 
transmissão e subestações de energia.
A implantação de Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) e de outras 
infraestruturas presentes nos canteiros de obras, pertencentes à Tabocas, focam 
na gestão dos efluentes líquidos, na proteção do solo e na conservação dos 
recursos hídricos.
Como resultado, obteve-se redução do consumo de recursos hídricos, menor 
supressão vegetal e prevenção de poluição pela geração e pelo lançamento de 
efluentes, reforçando a visão e o engajamento da empresa com o conceito de 
desenvolvimento sustentável, respeitando seus compromissos firmados em sua 
política de gestão integrada e em seus princípios socioambientais. 
Para maiores informações sobre o tema gestão da água: https://
www.terra.com.br/noticias/dino/os-desafios-da-industria-na-gestao-
da-agua,e18f6f357286462e9912ef9b4b732b15zy13eeao.html.
Case Engie Brasil Energia - Lages (SC)
Energias limpas
Unidade de cogeração Lages: um exemplo do potencial transformador 
da economia circular e da geração de energia renovável
Idealizada como um mecanismo de desenvolvimento limpo, a Unidade de 
Cogeração Lages (UCLA), pertencente a Engie, tem a redução de emissões 
atmosféricas entre seus principais propósitos. Ao utilizar resíduos da indústria 
madeireira local para gerar energia elétrica e vapor, a usina deu novo destino a 
um material com grande potencial de emissão de metano (CH4) – gás de efeito 
estufa (GEE) até 25 vezes mais danoso que o dióxido de carbono (CO2).
Assim, em uma década, a operação da UCLA evitou a emissão de 
aproximadamente 2,5 milhões de toneladas de CO2 equivalentes. Adicionalmente, 
a companhia buscou ampliar o impacto positivo do empreendimento, destinando 
as cinzas de biomassa para uso da agricultura e, em um projeto experimental, na 
compostagem de rejeitos orgânicos domésticos.
150
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Engie Brasil Energia
Os resultados obtidos com a criação de um mercado para esses resíduos 
da indústria madeireira confirmam que o investimento em iniciativas de economia 
circular guarda grande potencial transformador.
A destinação de cinzas de biomassa para aplicação na agricultura contribui 
para a redução de emissões de gases de efeito estufa, especialmente por reduzir 
o uso de insumos agrícolas convencionais. Por isso, a Engie iniciou, em 2009, a 
distribuição gratuita de 100% das cinzas de biomassa da UCLA para produtores 
rurais da região de Lages. 
Para maiores informações sobre o tema de energias renováveis, 
acesse o link: http://www.portaldaindustria.com.br/cni/canais/
industria-sustentavel/temas-de-atuacao/energias-renovaveis/.
Case Florestal Gateados - Campo Belo do Sul (SC)
Gestão Ambiental
Sistema de Gestão Ambiental
Os projetos desenvolvidos contemplam colaboradores internos, suas famílias 
e a comunidade externa. As ações desenvolvidas com base no sistema de gestão 
ambiental evidenciam a responsabilidade social e ambiental da empresa. Seus 
principais objetivos são envolver os colaboradores e a comunidade na adoção de 
práticas sustentáveis e reduzir os impactos ambientais das operações florestais.
Ao longo dos últimos anos, foram desenvolvidas diversas ações que 
abrangem iniciativas de destaque, tais como: definição e monitoramento de 
indicadores que visam à redução de impactos ambientais; identificação da fauna 
silvestre presente nas áreas da empresa; preservação de significativa área de 
florestas e de seus recursos naturais; educação ambiental através da trilha 
ecológica e de parceria com a Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina; e 
destinação correta dos resíduos sólidos gerados.
151
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
Para maiores informações sobre o tema de sistemas de gestão 
ambiental, acesse o link: http://www.portaldaindustria.com.br/
publicacoes/2012/9/gestao-ambiental-na-industria-brasileira/
Case Volvo - Curitiba (PR)
Gestão Ambiental
Pontas de Estrela: promoção da cultura de meio ambiente e 
sustentabilidade
Em 2016, durante o processo de avaliação do Sistema Lean de Produção, os 
auditores identificaram que o envolvimento dos operadores da área de powertrain 
da Volvo com as questões ambientais tinha algumas oportunidades de melhoria.
Decidiu-se, então, por criar os Pontas de Estrela de Meio Ambiente, uma 
prática já existente para outros temas, tais como Segurança do Trabalho e 
Qualidade. Em paralelo, estabelecia-se uma estratégia de desenvolvimento de 
competências no nível operacional, com o objetivo de se evitar “treinar todos 
sobre tudo”e de desenvolver pessoas que fossem referência em um determinado 
tema em cada uma das equipes autogerenciáveis. 
Os Pontas de Estrela de Meio Ambiente foram convidados a compor esse 
time de pessoas de referência e então treinados nas práticas que estariam sob 
sua responsabilidade. Muitos foram os ganhos para a gestão ambiental, tais como 
ideias para reduzir o consumo de energia e de como melhorar a coleta seletiva de 
resíduos. 
Case Klabin - Santa Catarina
Manejo florestal sustentável
Certificação FSC em Fornecedores de Madeira
O modelo de manejo florestal adotado pela Klabin ultrapassa as divisas das 
suas áreas. Programas desenvolvidos pela empresa incentivam os produtores de 
florestas da região a seguir as práticas de manejo florestal sustentável. 
A partir disso, foi possível desenvolver o Programa de Certificação Florestal 
para as florestas de fornecedores de madeira, parceiros da Klabin no planalto 
serrano catarinense. O objetivo é agregar valor às florestas, estimulando o 
152
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
encadeamento produtivo do setor madeireiro na região com o desenvolvimento 
sustentável das florestas plantadas aliado à conservação das áreas nativas.
O processo de formação de fornecedores e suas áreas florestais para 
a certificação dura 12 meses e é custeado pela Klabin. Após essa fase, os 
empreendimentos passam por auditoria de certificação com uma empresa 
credenciada para emitir o selo FSC.
Para maiores informações sobre o tema de manejo florestal 
sustentável, acesse o link: https://www.florestal.gov.br/documentos/
concessoes-florestais/concessoes-florestais-f lorestas-sob-
concessao/floresta-nacional-do-crepori/producao-1/brasadoc/2249-
plano-de-manejo-florestal-sustentavel-brasadoc-crepori-umf-iii/file.
Case Dana Indústrias - Gravataí (RS) 
Reciclagem
Borracha 100% Reciclada
A Associação Brasileira de Tecnologia da Borracha (ABTB) registra que mais 
de 90% dos pneus produzidos no Brasil são reciclados. Essa realidade não se 
aplica à indústria de autopeças, que utiliza artefatos de borracha, mesmo sendo o 
automotivo o oitavo maior setor produtivo brasileiro.
Dois aspectos a considerar: elastômeros têm até 15 componentes, enquanto 
o pneu tem apenas quatro. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) 
permite o envio para aterros industriais, desestimulando a indústria de reciclagem. 
A Dana estabeleceu a meta de reciclar 100% dos resíduos de borracha resultantes 
dos processos produtivos no Complexo Gravataí, até 2018, e atingiu a meta um 
ano antes.
153
Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
Para maiores informações sobre o tema reciclagem, acesse o 
link: https://ideiasustentavel.com.br/desafios-da-reciclagem-industria-
fox/.
Case NT Wood Line - Almirante Tamandaré (PR)
Reciclagem
Produtos ecológicos fabricados em madeira de descarte
A empresa surgiu em 2014, inicialmente, como revenda de revestimentos 
fabricados com madeira sem apelo sustentável em sua produção. Ao visitar um 
fornecedor de madeiras, a NT Wood Line identificou que ele descartava em sua 
caldeira uma quantia muito grande de madeiras que poderiam ser aproveitadas 
em seu processo.
A partir desse momento, surgiu não apenas um projeto, mas um processo de 
sustentabilidade. A empresa começou então a produzir 100% de seus produtos 
com madeiras oriundas de descarte que seriam queimadas.
A planta fabril, localizada na cidade paranaense de Almirante Tamandaré, 
produz atualmente deques, revestimentos, mesas, cadeiras, treliças, biombos 
e outros itens totalmente fabricados com resíduos dessas madeiras. Essa 
ação trouxe para a empresa e a comunidade vários pontos positivos, como a 
diminuição de CO2 emitido e de corte e desmatamento em mais de 300m³ na 
madeira utilizada.
Para ilustrar melhor algumas iniciativas das indústrias com 
foco ambiental. assista os vídeos a vida do papel no link: https://
youtu.be/k8f5NUQuLg8. Vídeo dos projetos ambientais da Bracell, 
indústria de celulose link: https://youtu.be/o73YTwj1Q2Q. Vídeo de 
manejo sustentável da indústria florestal no link: https://youtu.be/
FolCIXvet4w. E o vídeo do Lab Moda Sustentável no link: https://
youtu.be/SfBVjL_7yMA. 
154
 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria
Desta forma, a indústria segue com a certeza cada vez mais evidente que o 
único caminho possível de ser trilhado é o caminho da sustentabilidade. E com 
uma postura ativa de impulsionadora de transformações na sociedade, esperamos 
que a indústria se porte como protagonista no desenvolvimento sustentável e na 
preservação do meio ambiente.
5 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Neste capítulo, procuramos apresentar conceitos de negócios sustentáveis, 
de indicadores ambientais e de sustentabilidade utilizados pelas indústrias e 
apresentar casos reais dos desafios e ações implementadas por diferentes setores 
industriais. A preservação ambiental é uma necessidade nítida atualmente, e, por 
isso, múltiplos esforços vêm sendo despendidos para criar soluções que integrem 
desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
Nesse sentido, os negócios sustentáveis impulsionam da mesma forma 
que instigam os setores industriais a se adaptarem a esta nova realidade. 
Por um outro lado, é necessário medir, mensurar se o caminho trilhado está 
atendendo as expectativas, e, para isso, são utilizados os indicadores ambientais 
e de sustentabilidade. Porém, mais importante que utilizar um indicador, é 
extremamente relevante que este indicador atenda às características do setor 
industrial e, por isso, ferramentas e instrumentos vêm sendo criados para atender 
as necessidades específicas das indústrias dentro da temática da sustentabilidade.
Percebemos que muitas iniciativas vêm sendo implementadas pelo setor 
industrial para promover a preservação do meio ambiente e o crescimento 
sustentável. Por outro lado, novas empresas vêm se constituindo dentro do setor 
industrial aproveitando esta nova mentalidade e fortalecendo este movimento em 
prol da sustentabilidade.
Esperamos que cada vez mais as indústrias possam se fortalecer e 
apresentar iniciativas voltadas para a preservação dos recursos atuais e futuros, e 
que sobressaia mais os casos de sucesso do que os desafios enfrentados. 
O posicionamento sustentável, com líderes que tenham uma mentalidade 
sustentável, é uma premissa para as indústrias que querem se manter e crescer 
no mercado. Portanto, internalizar e absorver a sustentabilidade nas estratégias 
e no cerne das organizações industriais é a maneira esperada para crescermos 
equilibrando desenvolvimento e preservação ambiental.
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Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 
REFERÊNCIAS
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