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AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS NA INDÚSTRIA UNIASSELVI-PÓS Autoria: Fernanda Pereira Lopes Carelli Indaial - 2021 1ª Edição C271a Carelli, Fernanda Pereira Lopes Avaliação de impactos ambientais na indústria. / Fernanda Pereira Lopes Carelli – Indaial: UNIASSELVI, 2021. 155 p.; il. ISBN 978-65-5646-435-0 ISBN Digital 978-65-5646-436-7 1. Impactos ambientais. - Brasil. II. Centro Universitário Leonardo da Vinci. CDD 577 CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090 Reitor: Prof. Hermínio Kloch Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: Carlos Fabiano Fistarol Ilana Gunilda Gerber Cavichioli Jairo Martins Jóice Gadotti Consatti Marcio Kisner Norberto Siegel Julia dos Santos Ariana Monique Dalri Marcelo Bucci Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais Diagramação e Capa: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Copyright © UNIASSELVI 2021 Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. Impresso por: Sumário APRESENTAÇÃO ............................................................................5 CAPÍTULO 1 Sustentabilidade na Indústria .....................................................7 CAPÍTULO 2 Políticas Ambientais ....................................................................57 CAPÍTULO 3 Práticas Ambientais na Indústria .............................................103 APRESENTAÇÃO Avaliar os impactos ambientais na indústria pode parecer uma tarefa complicada e difícil, mas, quando pensamos o que é a indústria e o que ela significa economicamente, é possível perceber a importância e relevância deste setor. Neste momento, constatamos que é necessário e até mesmo imprescindível quantificar os impactos ambientais gerados, procurando minimizá-los para garantir uma atuação mais equilibrada e duradoura para todos. A indústria é um setor tradicional. Desde sua criação na revolução industrial, os processos e forma de atuação da indústria podem ser considerados mais robustos e estruturados. Nesse sentido, grandes mudanças de gestão, em seus processos, ou na forma da condução das atividades, precisam ser ajustadas a uma realidade muitas vezes complexa, com muitos cargos e hierarquias, processos e produtos. Por outro lado, pela sua relevância, a indústria tem um papel de transformação da sociedade, pois ela gera inovação, tecnologia e desenvolvimento. Neste sentido, existe uma expectativa de que a indústria seja uma protagonista no processo de construção de uma atuação empresarial mais sustentável. A partir disso, entendemos a importância de avaliar os impactos ambientais gerados pela indústria e identificar caminhos e ações para melhorar essa relação. A indústria brasileira desde seu início estabeleceu como vantagens competitivas o fato de se ter uma abundância relativa de recursos naturais e uma oferta ilimitada de força de trabalho a baixos salários. Essas premissas permitiram a expansão e o crescimento industrial, porém, as indústrias não se preocuparam em desenvolver esforços de práticas sustentáveis ao longo do tempo, e isso acabou construindo uma imagem de um setor pouco sensível para as questões ambientais. Atualmente, a realidade é outra, sabemos que os recursos são escassos e, por isso, é necessária uma atuação consciente e responsável. As indústrias precisam estar sensibilizadas com as questões ambientais e com os impactos gerados pela sua estrutura, instalação, produção, processos, insumos, produtos, resíduos, dentre outros. A indústria tem que avaliar e mensurar os impactos para o planeta, para a sociedade e para o consumidor, e prestar contas da sua atividade. Medir os impactos ambientais gerados pelas indústrias e ter métricas e indicadores é um bom caminho para melhorar a forma de atuação do setor. Ao quantificar as ações, conseguimos fazer correções de rota, propor melhorias e minimizar o impacto ambiental. Você sabia que a indústria é um setor importante porque gera emprego, renda, tecnologia, progresso, produtos com valor agregado e importantes para impulsionar o desenvolvimento da sociedade? Pois é, por isso, esse setor precisa estabelecer métricas capazes de avaliar os impactos ambientais e o uso correto dos recursos naturais. Quando uma indústria se instala, ela precisa observar diferentes aspectos, desde o terreno, o local, a cultura da região, a localização geográfica, o perfil dos habitantes e identificar se, de fato, ela vai contribuir para o desenvolvimento da região. Por isso, é importante avaliar os impactos gerados no ambiente para dimensionar e garantir uma relação harmoniosa de desenvolvimento sustentável. No Capítulo 1, você aprenderá um pouco sobre sustentabilidade, a evolução das discussões sobre o tema, o conceito do triple bottom line e o pilar ambiental. Também entenderá como as indústrias vem inserindo as questões ambientais em sua cultura e imagem organizacional. E, por fim, conhecerá os conceitos ambientais que estimularam a criação de métricas, indicadores e formas para avaliar o uso dos recursos dentro das indústrias. No Capítulo 2, abordaremos o tema políticas ambientais, descrevendo os principais atores e instituições presentes que regem e dirigem os processos ambientais. Você também entenderá como funcionam as normas ambientais e os projetos ambientais, além de aprender sobre o EIA e RIMA. Por fim, no Capítulo 3, trabalharemos as práticas ambientais na indústria, com uma análise de negócios sustentáveis, indicadores ambientais e exemplos de questões práticas relacionadas ao meio ambiente que acontecem nos diversos setores industriais. CAPÍTULO 1 Sustentabilidade na Indústria A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: • Relacionar as ações das indústrias e seus impactos no meio ambiente. • Reconhecer os conceitos de sustentabilidade, o pilar ambiental e sua evolução ao longo do tempo. • Compreender a evolução do tema sustentabilidade ambiental e sua relação com a indústria. • Compreender a importância de avaliar o impacto ambiental e conhecer ferramentas de avaliação e modelos existentes. • Identificar e reconhecer as principais métricas de sustentabilidade utilizadas na indústria como estudos e relatórios de impacto ambiental. • Analisar as principais métricas de sustentabilidade utilizadas pelo setor industrial. • Avaliar os pontos positivos e negativos dos indicadores ambientais. 8 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria 9 Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 1 CONTEXTUALIZAÇÃO A sustentabilidade é um tema que vem sendo discutido mundialmente pelos mais diversos fóruns e públicos. Você já deve ter ouvido falar a respeito da escassez de recursos, que temos apenas um planeta e que vivemos com recursos limitados, e, talvez, já tenha escutado as afirmações: “precisamos preservar os nossos recursos naturais”, “é necessário produzir mais com menos e com mais consciência” entre tantas outras frases, comuns no nosso cotidiano e, também, no ambiente corporativo. Todo esse movimento demonstra uma preocupação por parte da sociedade em se portar de uma forma sustentável e consciente. Uma postura mais responsável se estende, também, para as indústrias que compreendem que precisam transformar os seus negócios e minimizar os impactos gerados em todas as esferas, sejam elas ambientais, econômicas ou sociais. Estamos vivendo um tempo em que é evidente a necessidade de construir uma nova forma de ação individual e coletiva. Um novo posicionamento das empresas baseado em novas bases competitivas e em estratégias e fatores diferenciados, a fim de preservar nossos recursos atuaise não impactar as necessidades das gerações futuras. O fato é que sim, existe uma responsabilidade para as indústrias de uma atuação cada vez mais consciente, mas também, existem múltiplas oportunidades nesta nova economia. Afinal, o uso responsável dos recursos, com inovação, engajamento e um processo de produção sustentável pode abrir novas possibilidades, novas soluções e a possibilidade de desenvolver novos negócios. Afinal, o que é a sustentabilidade? E por que ela é tão relevante e necessária nas nossas vidas e no ambiente industrial? É isso que vamos abordar neste capítulo, em que o foco principal do estudo será compreender o conceito de sustentabilidade, entender o pilar ambiental e conhecer as formas de avaliar os impactos ambientais gerados pelas indústrias. 2 SUSTENTABILIDADE E O PILAR AMBIENTAL De maneira geral, a palavra sustentabilidade significa sustentar, favorecer, conservar e cuidar. Ser sustentável significa ter a capacidade de ser mantido ou suportado. Então, a sustentabilidade pode ser compreendida como uma condição, um fim, uma meta estipulada que deve ser alcançada. Já o desenvolvimento sustentável é entendido como o caminho, como a forma para alcançar a sustentabilidade. 10 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Ambos os conceitos, seja o de sustentabilidade ou de desenvolvimento sustentável observam três aspectos, são eles: econômicos, sociais e ambientais. Para uma ação ser considerada sustentável, ela precisa se atentar para estes três aspectos, procurando não negligenciar nenhum deles. Para um melhor entendimento, é interessante conhecer e observar alguns conceitos de sustentabilidade e refletir sobre o que eles representam, e é isso que vamos ver a seguir. 2.1 CONCEITO DE SUSTENTABILIDADE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Existem diversos conceitos de sustentabilidade e desenvolvimento sustentável. O que vamos utilizar aqui como o principal é o que está contido no Relatório de Brundtland, por ser um dos mais difundidos e aceitos nas mais diferentes esferas sociais, políticas e organizacionais. [...] desenvolvimento sustentável é um processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender às necessidades e aspirações futuras [...] é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades (COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO, 1991, s. p.). O Relatório de Brundtland é um documento também conhecido como “Nosso Futuro Comum”, publicado em 1987, que apontou o risco no uso excessivo dos recursos naturais para atender às formas de produção e os padrões de consumo. Este relatório disseminou a ideia de desenvolvimento sustentável. A versão em inglês pode ser acessada no link: https://sustainabledevelopment.un.org/content/ documents/5987our-common-future.pdf 11 Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 A questão central que o relatório apresenta neste conceito de desenvolvimento sustentável e que precisamos nos atentar é o atendimento a necessidades atuais sem comprometer as necessidades das gerações futuras. Ao falarmos de sustentabilidade, precisamos sempre analisar a relação entre ser humano e meio ambiente sem estagnar o crescimento econômico, mas sim conciliando as questões econômicas, ambientais e sociais. Nesse sentido, o trabalho humano, de modo algum, deveria impactar os ciclos naturais do planeta, e, também, não deveria afetar aquilo que estará à disposição das gerações futuras. O desenvolvimento sustentável pode ser visto como o processo que faz com que a comunidade se comprometa com o hoje e o amanhã. Pensando no hoje e no amanhã, assista ao vídeo a história das coisas, que retrata o processo para a produção de alguns bens que consumimos sem muitas vezes observar a sua origem, a sua história. Boa reflexão! Link: https://youtu.be/7qFiGMSnNjw O conceito de desenvolvimento sustentável trata especificamente de uma nova maneira de a sociedade se relacionar com seu ambiente, de forma a garantir a sua própria continuidade e a de seu meio externo. No entanto, a formulação de uma definição para o conceito de desenvolvimento sustentável tem um consenso em relação a alguns aspectos, são eles: a necessidades de se reduzir a poluição ambiental, eliminar os desperdícios e diminuir o índice de pobreza. Nesse sentido, o Quadro 1 apresenta uma relação de conceitos de desenvolvimento sustentável, para ilustrar o que diferentes atores pensam a respeito, e percebemos como este conceito vem sendo construído ao longo do tempo. 12 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria QUADRO 1 – CONCEITOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E SUSTENTABILIDADE Conceito de Desenvolvimento Sustentável e Sus- tentabilidade Autor/Organi- zação Ano 1 Uma sociedade pode ser considerada sustentável quando todos os seus propósitos e intenções po- dem ser atendidos indefinidamente, fornecendo satisfação ótima para seus membros. Goldsmith 1972 2 Desenvolvimento que significa alcançar satisfação constante das necessidades humanas e a melhora da qualidade da vida humana. Allen 1980 3 No documento intitulado Worlds Conservation Strategy, afirma-se que, para que o desenvolvi- mento seja sustentável, deve-se considerar as- pectos referentes às dimensões social e ecológi- ca, bem como fatores econômicos, dos recursos vivos e não vivos e as vantagens de curto e longo prazo de ações alternativas. O foco do conceito é a integridade ambiental. I n t e r n a t i o n a l Union for the Conservation of Nature and Nat- ural Resources (IUCN) 1980 4 A Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento não acredita que o cenário sombrio de destruição do potencial global nacio- nal para o desenvolvimento seja um destino in- escapável. Os problemas são planetários, mas não são insolúveis. Se cuidarmos da natureza, ela tomará conta de nós. A conservação chegou a um ponto do conhecimento que, se quisermos salvar parte do sistema, temos que salvar o siste- ma inteiro. Esta é a essência do que chamamos Desenvolvimento Sustentável. Existem várias di- mensões para a sustentabilidade. Primeiramente, ela requer a eliminação da pobreza e da privação. Segundo, requer a conservação e a elevação da base de recursos, a qual sozinha pode garantir que a eliminação da pobreza seja permanente. Terceiro, ela requer um conceito mais abrangente de desenvolvimento, que englobe não somente o crescimento econômico, como também o desen- volvimento social e cultural. Quarto e mais impor- tante, requer a unificação da economia e da ecolo- gia nos níveis de tomada de decisão. Brundtland, Gro Harlem (WCED) 1987 13 Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 Conceito de Desenvolvimento Sustentável e Sus- tentabilidade Autor/Organi- zação Ano 1 Uma sociedade pode ser considerada sustentável quando todos os seus propósitos e intenções po- dem ser atendidos indefinidamente, fornecendo satisfação ótima para seus membros. Goldsmith 1972 2 Desenvolvimento que significa alcançar satisfação constante das necessidades humanas e a melhora da qualidade da vida humana. Allen 1980 3 No documento intitulado Worlds Conservation Strategy, afirma-se que, para que o desenvolvi- mento seja sustentável, deve-se considerar as- pectos referentes às dimensões social e ecológi- ca, bem como fatores econômicos, dos recursos vivos e não vivos e as vantagens de curto e longo prazo de ações alternativas. O foco do conceito é a integridade ambiental. I n t e r n a t i o n a l Union for the Conservation of Nature and Nat- ural Resources (IUCN) 1980 4 A Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento não acredita que ocenário sombrio de destruição do potencial global nacio- nal para o desenvolvimento seja um destino in- escapável. Os problemas são planetários, mas não são insolúveis. Se cuidarmos da natureza, ela tomará conta de nós. A conservação chegou a um ponto do conhecimento que, se quisermos salvar parte do sistema, temos que salvar o siste- ma inteiro. Esta é a essência do que chamamos Desenvolvimento Sustentável. Existem várias di- mensões para a sustentabilidade. Primeiramente, ela requer a eliminação da pobreza e da privação. Segundo, requer a conservação e a elevação da base de recursos, a qual sozinha pode garantir que a eliminação da pobreza seja permanente. Terceiro, ela requer um conceito mais abrangente de desenvolvimento, que englobe não somente o crescimento econômico, como também o desen- volvimento social e cultural. Quarto e mais impor- tante, requer a unificação da economia e da ecolo- gia nos níveis de tomada de decisão. Brundtland, Gro Harlem (WCED) 1987 5 O conceito de desenvolvimento econômico suste- ntável, quando aplicado ao Terceiro Mundo, diz re- speito diretamente à melhoria do nível de vida dos pobres, a qual pode ser medida quantitativamente em termos de aumento da alimentação, renda real, serviços educacionais e de saúde, saneamento e abastecimento de água etc. e não diz respeito somente ao crescimento econômico no nível de agregação nacional. Em termos gerais, o objetivo primeiro é reduzir a pobreza absoluta do mundo pobre através de providências meios de vida se- guros e permanentes que minimizem a exaustão de recursos, a degradação ambiental, a disrupção da cultura e a instabilidade social. Barbieri 1987 6 Definido como um padrão de transformações econômicas estruturais e sociais (i.e, desenvolvi- mento) que otimizam os benefícios societais e econômicos disponíveis no presente, sem destru- ir o potencial de benefícios similares no futuro. O objetivo primeiro do Desenvolvimento Sustentável é alcançar um nível de bem-estar econômico ra- zoável e equitativamente distribuído que pode ser perpetuamente continuado por muitas gerações humanas. Desenvolvimento sustentável implica usar os recursos renováveis naturais de maneira a não degradá-los ou eliminá-los, ou diminuir sua utilidade para as gerações futuras, implica usar os recursos minerais não renováveis de maneira tal que não necessariamente se destruam o acesso a eles pelas gerações futuras, e, também, implica a exaustão dos recursos energéticos não renováveis em uma taxa lenta o suficiente para garantir uma alta probabilidade de transição societal ordenada para as fontes de energia renovável. Goodland e Ledloc 1987 7 O critério da sustentabilidade requer que as condições necessárias para igual acesso à base de recursos sejam conseguidas por cada geração. Pearce 1987 8 A ideia básica de Desenvolvimento Sustentável é simples no contexto dos recursos naturais (exclu- indo os não renováveis) e ambientais: o uso feito desses insumos no processo de desenvolvimen- to deve ser sustentável ao longo do tempo. Se aplicarmos a ideia aos recursos, sustentabilidade deve significar que um dado estoque de recursos (árvores, qualidade do solo, água etc.) não pode declinar. Sustentabilidade deve ser definida em termos da necessidade de que o uso dos recursos hoje não reduza as rendas reais no futuro. Markandya e Pearce 1988 14 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria 9 Tomamos desenvolvimento como um vetor de ob- jetivos sociais desejáveis, e seus elementos de- vem incluir: aumentos na renda real per capita; melhora no status nutricional e da saúde; melhora educacional; acesso aos recursos; distribuição de renda mais justa; aumento nas liberdades básicas. Desenvolvimento Sustentável é, então, uma situ- ação na qual o vetor de desenvolvimento aumenta monotonicamente sobre o tempo. Sumarizamos as condições necessárias para o desenvolvimen- to sustentável como “constância do estoque do capital natural". Mais estritamente, o requerimen- to para mudanças não negativas no estoque de recursos naturais como solo e qualidade de solo, águas e sua qualidade, biomassa e a capacidade de assimilação de resíduos no ambiente. Pearce, Barbier e Markandya 1988 10 Existe um amplo consenso sobre as condições requeridas para o desenvolvimento econômico sustentável. Duas interpretações estão emergin- do: uma concepção mais ampla com respeito ao desenvolvimento econômico, social e ecológico, e uma concepção mais estreita com respeito ao desenvolvimento ambientalmente sustentável (i.e., com administração ótima dos recursos e do ambiente no tempo). A primeira, uma visão alta- mente normativos do desenvolvimento sustentável endossada pela Comissão Mundial de Desenvolvi- mento e Meio Ambiente) define o conceito como desenvolvimento que alcança as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das fu- turas gerações satisfazerem suas próprias neces- sidades. Em contraste, a segunda concepção, de administração ótima de recursos e do ambiente, requer maximizar os benefícios líquidos do desen- volvimento econômico, mantendo os serviços e a qualidade dos recursos naturais. Barbier 1989 11 A capacidade do sistema de manter sua produção a um nível aproximadamente igual ou maior que sua média histórica, com uma aproximação deter- minada pelo nível de variabilidade histórica. Lyman & Herdt 1989 12 A incorporação da dimensão ambiental nas es- tratégias e projetos de crescimento econômico não é condição suficiente nem para o Desenvolvimen- to Sustentável nem para a melhoria das condições de vida dos pobres e desprovidos. Rattner 1991 15 Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 13 O conceito de desenvolvimento sustentável deve ser inserido na relação dinâmica entre o sistema econômico humano e um sistema maior, com taxa de mudança mais lenta, o ecológico. Para ser sustentável essa relação, deve assegurar que a vida humana possa continuar indefinidamente, com crescimento e desenvolvimento da sua cul- tura, observando-se que os efeitos das atividades humanas permaneçam dentro de fronteiras ade- quadas, de modo a não destruir a diversidade, a complexidade e as funções do sistema ecológico de suporte à vida. Constanza 1991 14 Destacam o papel do crescimento econômico na sustentabilidade. O desenvolvimento é sustentável quando o crescimento econômico traz justiça e oportunidades para todos os seres humanos do planeta, sem privilégio de algumas espécies, sem destruir os recursos naturais finitos e sem ultra- passar a capacidade de carga do sistema. Pronk e ulHaq 1992 15 A sustentabilidade dos ecossistemas naturais pode ser definida como o equilíbrio dinâmico entre as suas demandas e sua produção, modificadas por eventos externos, tais como mudanças climáti- cas e desastres naturais. Fresco & Kro- onenberg 1992 16 Resumem a sustentabilidade à obtenção de um grupo de indicadores que sejam referentes ao bem-estar e que possam ser mantidos ou que cresçam no tempo. Munasingle e McNeely 1995 17 O estoque de capital que deixamos para as futu- ras gerações definido de forma a incluir todos os tipos de capital deve ser igual ou maior que o que encontramos. Word Bank 1995 18 Desenvolvimento sustentável significa, fundamen- talmente, discutir a permanência ou a durabilidade da estrutura de funcionamento de todo o processo produtivo sobre o qual está assentada a sociedade humana contemporânea. Merico 1996 19 Define o desenvolvimento sustentável como sen- do um conceito plurívoco, isto é, une a preocu- pação com o meio ambiente à preocupação com o meio ambiente à preocupação com a economia e a pobreza. Realça que o desenvolvimento para ser sustentável, além de ser viável em sua dimensão econômica, precisa ser igualmente viável do pon- to de vista do meio ambiente e da sociedade; por isso, visa ao reconhecimento dos outros, dos nos- sos contemporâneos, no espaçode um mundo comum com as futuras gerações na amplitude do tempo. Lafer 1996 16 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria 20 A sustentabilidade está ligada à persistência de certas características necessárias e desejáveis de pessoas, suas comunidades e organizações, e os ecossistemas que as envolvem, dentro de um período longo e indefinido. Para atingir o progres- so em direção à sustentabilidade, deve-se alca- nçar o bem-estar humano, não o dos ecossiste- mas, sendo que o progresso em cada uma dessas esferas não deve ser alcançado à custa da outra, e sim reforçando a interdependência entre os dois sistemas. Hardi e Zdan 1997 21 O maior desafio do desenvolvimento sustentável é a compatibilização da análise com a síntese. O de- safio de construir um desenvolvimento dito suste- ntável, juntamente com indicadores que mostrem esta tendência é compatibilizar o nível micro com o macro. No nível macro, deve-se entender a situ- ação do todo e sua direção de uma maneira mais geral e fornecer para o nível micro, em que se tomam as decisões, as informações importantes para as necessárias correções de rota. Rutherford 1997 22 Desenvolvimento sustentável envolve a questão temporal; a sustentabilidade de um sistema só pode ser observada a partir da perspectiva futura, de ameaças e oportunidades. Bossel 1998 23 Transformar recursos em lixo mais lentamente que a natureza consegue transformar lixo em recursos. Steve Goldfin- ger 1999 24 O desenvolvimento sustentável é o mais recente conceito que relaciona as coletivas aspirações de paz, liberdade, melhoria das condições de vida e de um meio ambiente saudável. Seu mérito reside na tentativa de reconciliar os reais conflitos entre a economia e o meio ambiente e entre o presente e o futuro. National Re- search Council 1999 25 Equilibrar o conflito básico entre as duas metas que competem entre si, ou seja, assegurar a quali- dade de vida e viver dentro dos limites da natureza Wackenagel 2000 26 Um autêntico modelo de Desenvolvimento sus- tentável deve apresentar uma perspectiva de desenvolvimento além do crescimento econômi- co, reconhecer as múltiplas tradições culturais e crenças, transcender o consumismo e fornecer uma estrutura de estilo de vida mais desejável, en- fatizar reformas estruturais para equidade interna e global e delinear efetivos planos legais e insti- tucionais para a manutenção ambiental Haque 2000 17 Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 27 Desenvolvimento sustentável pode ser defini- do como um vetor no tempo de objetivos sociais desejáveis, como: incremento da renda per capita, melhorias no estado de saúde, níveis educacio- nais aceitáveis, acesso aos recursos, distribuição mais equitativa de renda e garantia de maiores liberdades fundamentais. Resende (s.d) 28 Desenvolvimento sustentável é a emergência de um novo paradigma para orientação dos proces- sos e reavaliação dos relacionamentos da econo- mia e da sociedade com a natureza, bem como das relações do Estado com a sociedade civil. Jara 2001 29 Desenvolvimento sustentável é uma ideologia, um valor, uma ética. Schwartzman 2001 FONTE: Adaptado de Baroni (1992) e Bellen (2006). 1 Com base nos diferentes conceitos de sustentabilidade e desenvolvimento sustentável apresentados, descreva a diferença entre a sustentabilidade e desenvolvimento sustentável. Há algum tempo, o desenvolvimento sustentável vem sendo discutido e defendido como único caminho possível a ser seguido e trilhado por organizações, pessoas e países. As preocupações acerca das desigualdades sociais e, principalmente, dos desastres e ameaças ambientais decorrentes, em grande parte, do modelo de desenvolvimento vigente na maioria dos países a partir da revolução industrial, afloraram, nas décadas de 60 e 70, uma série de questionamentos e reflexões sobre os rumos e consequências do perseguido crescimento econômico. Desde então, algumas discussões importantes e movimentos surgiram no século XX que ajudaram a fundamentar o conceito de sustentabilidade, são eles: o relatório sobre os limites do crescimento, publicado em 1972, o surgimento do conceito de eco desenvolvimento, em 1973, a Declaração de Cocoyok, em 1974, o relatório da Fundação Dag-Hammarskjold, em 1975, e, finalmente, a Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, em 1992. Todos estes marcos ajudaram a nos levar a um melhor entendimento sobre o tema do desenvolvimento sustentável. 18 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Desde então, diferentes atores como governos, empresas, organizações não governamentais, institutos de pesquisas e outros têm se engajado na busca por modelos de desenvolvimento mais equilibrados, que garantam as condições ideais de funcionamento dos sistemas humanos e ambientais, tanto para as gerações atuais como futuras. Com o passar dos anos, o conceito vem amadurecendo e novos atores estão se somando ao desafio de materializar o desenvolvimento de maneira sustentável. Eventos importantes, de repercussão mundial, estão promovendo debates e reflexões sobre a temática. Para entendermos melhor, a Figura 1 apresenta uma breve linha do tempo, sintetizando alguns marcos da evolução destes conceitos e atores. FIGURA 1 – LINHA DO TEMPO – CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL FONTE: Adaptado de Louette (2007). Entre os novos atores engajados no desafio de promover o desenvolvimento sustentável, é possível destacar a adesão crescente de diferentes empresas e indústrias. Seja pela ciência das suas responsabilidades socioambientais, pela garantia de competitividade ou, ainda, pressionadas por legislações, acordos internacionais e/ou setoriais, referências da cadeia produtiva e até pelos seus próprios consumidores, as empresas e indústrias tem procurado se adequar à sustentabilidade e aproveitar as oportunidades existentes neste novo modelo. Pensando na sustentabilidade dentro da esfera das empresas e das indústrias, é interessante observarmos o conceito que o International Institute for Sustainable Development (IISD) apresenta, que é: para os negócios empresariais, desenvolvimento sustentável significa adotar estratégias de negócios e atividades que atendam a necessidades da empresa e seus stakeholders hoje, enquanto protege, sustenta e melhora os recursos humanos e naturais que serão 19 Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 necessários no futuro (IISD, 2003). Este conceito revela que as indústrias estão buscando se posicionar e compreender esta nova dinâmica presente no desenvolvimento e crescimento de forma sustentável. Outro conceito, do prisma corporativo, é que o desenvolvimento sustentável é “a busca do equilíbrio entre o que é socialmente desejável, economicamente viável e ecologicamente sustentável” (SILVA, QUELHAS, 2006, p. 387). Mesmo diante dos esforços empreendidos e resultados alcançados, é possível perceber que ainda resta um longo caminho pela frente, cheio de obstáculos e barreiras a serem superadas. Ainda assim, muitos passos já foram dados. O tema desenvolvimento sustentável clareou as relações entre os sistemas econômicos, humanos e ambientais, expondo suas fragilidades e a necessidade urgente de equilíbrio e integração entre estes. Afinal, ficou evidente que o crescimento econômico não pode acontecer atingindo os sistemas humano e ambiental. A institucionalização do desenvolvimento sustentável no meio empresarial e corporativo tem ocorrido rapidamente, contudo, de diferentes maneiras. Em alguns casos, novas aspirações empresariais são visualizadas por trás da agenda da sustentabilidade, enquanto outros veem a continuação de antigas aspirações pelo controle ou dominação dos recursos mundiais. Já em outros casos, felizmente, empresários e executivos sensibilizados pelo tema, tem buscado soluções e mudançasconcretas para contribuir com o desenvolvimento sustentável. Assim, as organizações verdadeiramente preocupadas com a sustentabilidade são aquelas que perseguem nas suas atividades o equilíbrio entre as dimensões econômicas, sociais e ambientais. 2.2 DIMENSÕES DA SUSTENTABILIDADE – TRIPLE BOTTON LINE Ao falarmos sobre sustentabilidade, sempre referenciamos os aspectos ambientais, sociais e econômicos. Isto se deve pelo fato de a sustentabilidade estar fundamentada no tripé resultante da visão do Triple Botton Line, denominado também de dimensões da sustentabilidade. Muitas vezes, o conceito é apenas relacionado a questões ambientais, que são, em alguns casos, as mais nítidas e de fácil sensibilização. No entanto, existem mais dimensões presentes no desenvolvimento sustentável que também precisam ser observadas, pois 20 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria englobam comportamentos individuais e coletivos que impactam diretamente na vida e na sociedade atual e futura. Contudo, a sustentabilidade trabalha com um conceito multidimensional, em que existem diferentes dimensões e que estas se inter-relacionam e se complementam. Existem diferentes propostas de dimensões para representar as múltiplas facetas do desenvolvimento sustentável. Em geral, as dimensões ambientais, econômicas e sociais são frequentemente destacadas. Na Figura 2, é possível visualizar as representações para estas dimensões com algumas variações: (a) o desenvolvimento sustentável como ponto de interseção entre as dimensões ambientais, econômicas e sociais; (b) a sustentabilidade empresarial como ponto de interseção entre as dimensões traduzidas em planeta, lucro e pessoas; e (c) a linha do pilar ambiental, econômico e social. FIGURA 2 – REPRESENTAÇÕES DE DIMENSÕES PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL FONTE: Barbieri (2010, p.146). Outra proposta de dimensões para o desenvolvimento sustentável considera, além das já citadas, as dimensões materiais, ecológicas, legais, culturais, políticas e psicológicas. Há, também, propostas que consideram a dimensão institucional, além das ambientais, econômicas e sociais. Apesar da tentativa de inserir diferentes dimensões da sustentabilidade, cabe ressaltar que, na realidade da área produtiva das indústrias as dimensões mais comumente observadas são as ambientais, sociais e econômicas, conhecidas e difundidas através do Triple Bottom Line (TBL). O termo Triple Bottom Line surgiu na década de 1990 e tornou-se de conhecimento do grande público em 1997, com a publicação do livro Cannibals 21 Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 With Forks: The Triple Bottom Line of 21st Century Business de John Elkington, e, desde então, organizações como o Global Reporting Initiative (GRI) e a Account Ability (AA) vêm promovendo o conceito do Triple Bottom Line e o seu uso em corporações de todo o mundo, que refletem um conjunto de valores, objetivos e processos que uma organização deve focar para criar valor em três dimensões: econômica, social e ambiental. Outra fonte que estimula os conceitos do tripé da sustentabilidade são as normas. Por exemplo, as diretrizes da norma AA1000 auxiliam as empresas na determinação de suas estratégias de sustentabilidade e do quanto elas são incorporadas na gestão e no dia a dia da empresa. Para conhecer mais sobre o tema, leia o artigo que retrata a norma em uma indústria, disponível em: http:// www.anpad.org.br/admin/pdf/enanpad2002-cab-1026.pdf Existem diferentes relações que permeiam as dimensões da sustentabilidade e o conceito do Triple Botton Line. A Figura 3 ilustra a relação entre as três dimensões para a sustentabilidade, onde observa-se a relação “suportável” (bearable) entre o Meio Ambiente (environment) e a Sociedade (social), a relação “equitativa” (equitable) entre a Sociedade e a Economia (economic), e a relação “viável” (viable) entre a Economia e o Meio Ambiente. O conceito da sustentabilidade está justamente no centro das três dimensões, em que é possível observar a convergência entre Meio Ambiente, Sociedade e Economia. FIGURA 3 – TRIPLE BOTTOM LINE FONTE: Adaptado de Dreosvg (2009). 22 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Muito embora existam outras propostas e uma gama de dimensões atribuídas à sustentabilidade, vamos nos concentrar em compreender melhor as três dimensões inseridas no conceito do triple botton line. A dimensão ambiental ou sustentabilidade ambiental é compreendida como a preservação dos sistemas de sustentação da vida. Esta pode ser incrementada pelo uso das seguintes alavancas: • intensificação do uso dos recursos potenciais dos vários ecossistemas, com um mínimo de dano aos sistemas básicos e para propósitos socialmente válidos; • limitação do consumo de combustíveis fósseis e de outros recursos e produtos facilmente esgotáveis ou ambientalmente prejudicais; • redução do volume de resíduos e de poluição, por meio da conservação e reciclagem de energia e recursos; • autolimitação do consumo material pelos países ricos e pelas camadas sociais privilegiadas em todo o mundo; • intensificação da pesquisa de tecnologias limpas; • definição das regras para uma adequada proteção ambiental. Desta forma, as organizações devem entender o que é capital natural, ou seja, riqueza natural, para, então, fazer uma avaliação própria quanto a sua sustentabilidade ambiental. Já a dimensão social ou sustentabilidade social é entendida como a consolidação de um processo de desenvolvimento baseado em outro tipo de crescimento e orientado por outra visão do que é a boa sociedade. O objetivo desta dimensão, portanto, é o de construir uma civilização do “ser”, em que exista maior equidade na distribuição do “ter” e da renda, de modo a melhorar substancialmente os direitos e as condições de amplas massas de população e a reduzir a distância entre os padrões de vida de abastados e não-abastados. Existe uma preocupação emergente baseada no bem-estar humano para que seja aumentada a qualidade de vida das pessoas. Uma das iniciativas sociais neste sentido é o movimento para promover a igualdade de renda, que, na atualidade, diminui a diferença entre os níveis sociais e melhora o estilo de vida social da população. E, na terceira dimensão, temos a sustentabilidade econômica, que é possibilitada por uma alocação e gestão mais eficientes dos recursos e por um fluxo regular do investimento público e privado. Uma condição fundamental para tanto é superar as atuais condições externas, decorrentes de uma combinação de fatores negativos como o ônus do serviço da dívida e do fluxo líquido de recursos financeiros do Sul para o Norte, as relações adversas de troca, as barreiras 23 Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 protecionistas ainda existentes nos países tidos industrializados e, finalmente, as limitações do acesso à ciência e à tecnologia. Assim, a eficiência econômica deve ser avaliada mais em termos macrossociais a que apenas por meio de critérios de lucratividade empresarial. O pilar econômico deve ser avaliado mais em termos macrossociais do que apenas por meio de critérios pontuais de lucratividade empresarial, com o intuito de promover mudanças estruturais que atuem como estimuladores do desenvolvimento humano sem comprometer o meio ambiente natural. Assim, será possível agir de forma consciente, promovendo um novo modelo de desenvolvimento baseado na economia da permanência, reduzindo a poluição e aumentando a qualidade de vida de todos. 1 Descreva e explique cada uma das três dimensões contidas no conceito do tripé da sustentabilidade, do Triple Bottom Line. Desta forma, podemos entender que existe uma busca por parte das empresas na adoção de práticas que atendam estas três dimensões, ambiental, social e econômica. Porém, sabe-se que mesmo buscando o equilíbrio, este tripé porvezes está mais direcionado para a área econômica, social ou ambiental dependendo do momento em que vive a empresa. Pensando nestas perspectivas existem diversas metodologias que apoiam as empresas que buscam práticas sustentáveis, como a Produção Limpa aplicada no setor produtivo das indústrias de transformação. 2.3 SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL Ao pensarmos na dimensão ambiental da sustentabilidade, deparamo-nos com macro questões, como o aquecimento global, a destruição da camada de ozônio, o consumo de energia e o aumento da produção industrial. Todas essas preocupações devem estar presentes no dia a dia das indústrias e, também, das pessoas. Afinal, chegamos a este ponto devido a comportamentos individuais e coletivos, que precisam ser ajustados para garantirmos um futuro próspero. 24 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Ao falarmos de comportamento individual e para refletir sobre a sustentabilidade, assista o vídeo da ONU sobre cinco formas de ser mais sustentável no link: https://youtu. be/2NwZyszcdEY?list=PLUZOt6bFc2fiWCrPx_O06yeCnKjGIEdr8. Nesse sentido, devido à velocidade das mudanças, faz se necessário na mesma velocidade a avaliação e criação de soluções para esta nova realidade de produção e consumo. No entanto, não é isso que observamos na prática, pois algumas soluções até são criadas, mas a grande dificuldade está na capacidade das indústrias de absorver e inserir novas tecnologias, diferentes formas de produção, novas formas de descarte, uso de materiais diferenciados, entre outros. Nesta perspectiva, observamos que existe um limite de utilização dos recursos naturais para que estes sejam preservados. Como forma de exemplificar esta realidade, basta analisarmos as ações que alguns países adotam nesse sentido de tentar preservar os seus recursos, entre elas, podemos destacar: limitar o crescimento da população, garantir água, alimentos e energia a longo prazo, preservar a biodiversidade, usar fontes de energia renovável, controlar a urbanização e integrar as regiões do campo, as cidades menores e atender a população em suas necessidades de saúde, escola e moradia. Todas estas práticas evidenciam a importância da questão ambiental e de estratégias que promovam o desenvolvimento sustentável. Porém, o que sabemos é que o atual modelo de crescimento econômico gerou enormes desequilíbrios, se, por um lado, nunca houve tanta riqueza e fartura no mundo, por outro lado, a miséria, a degradação ambiental e a poluição aumentam dia a dia. Diante desta constatação, surge a ideia do Desenvolvimento Sustentável, buscando conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e, ainda, com o fim da pobreza no mundo. 25 Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 Para tentar promover um mundo mais equilibrado com proteção ambiental e desenvolvimento econômico, surgiu a Agenda 21 criada na conferência Rio 92, que serviu de base para outros documentos vinculados à sustentabilidade. A agenda foi um marco e um grande primeiro passo, pois, na oportunidade, mais de 170 países se comprometeram com um conjunto de metas para a criação de um mundo mais sustentável. Agora, temos a Agenda 2030 de desenvolvimento sustentável, que também agrega um conjunto de metas a serem alcançadas. A Agenda 2030 de desenvolvimento sustentável está disponível no link http://www.agenda2030.org.br/ sobre/. De forma prática, dentro das indústrias, se analisarmos as questões ambientais vamos nos deparar, inicialmente, com o centro do sistema produtivo que é a produção de bens. Para minimizar e diminuir os impactos gerados por sistemas produtivos alinhados a outras premissas como a abundância e o uso ilimitado dos recursos naturais, é necessário buscar formas mais sustentáveis de produção. Uma das formas de caminhar na direção do pilar ambiental da sustentabilidade é por meio do uso da metodologia conhecida como produção mais limpa, que busca soluções nos processos produtivos das indústrias, com foco principal na origem da geração de resíduos. A produção mais limpa é uma estratégia aplicada na produção e nos produtos a fim de economizar e maximizar a eficiência do uso de energia, matérias-primas e água e, ainda, minimizar ou reaproveitar resíduos gerados. Ela tem procedimentos simples e econômicos, podendo chegar a um número maior de empresas, pois a análise é feita compreendendo apenas a unidade fabril em questão, sem considerar a cadeia produtiva como um todo, ou seja, fornecedores e clientes não são foco de estudo. Segundo o Comitê Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) (CEBDS, 2005), a produção mais limpa, com seus elementos essenciais, adota uma abordagem preventiva em resposta à responsabilidade financeira adicional, trazida pelos custos de controle da poluição, assim como auxilia as empresas a adotarem práticas de fabricação através de um novo conceito de produção e consumo. A produção mais limpa pode ser considerada uma forma de produzir melhor gastando menos, e que nem sempre a alteração em um processo depende de 26 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria investimentos financeiros. Dessa forma, a produção mais limpa propõe que as indústrias invistam em tecnologias para redução de resíduos. Para isto, existe uma metodologia que auxilia o processo. O desafio das empresas é colocar entre seus planos estratégicos a produção mais limpa, que pode trazer benefícios ambientais, econômicos e de saúde ocupacional. Para tanto, é necessária uma mudança de atitude de todos, desde os níveis de diretoria até os níveis operacionais. A metodologia da produção mais limpa envolve algumas etapas, são elas: a) planejamento e organização – comprometimento da direção e dos funcionários e formação de equipes de trabalho; b) pré-avaliação e diagnóstico – estabelecimento de metas para produção mais limpa e elaboração de fluxogramas, com avaliação de entradas e saídas; c) avaliação da produção mais limpa – identificar as ações que podem ser implementadas imediatamente e as que necessitam de análises adicionais mais detalhadas, através de balanços materiais e de energia e informações das fontes e causas da geração de resíduos e emissões; d) estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental – selecionar as oportunidades viáveis e documentar os resultados esperados; e) implementação e plano de continuidade – implementar as opções selecionadas e assegurar atividades que mantenham a produção mais limpa, monitorar e avaliar as oportunidades implementadas, assim como planejar atividades que assegurem a melhoria contínua com a produção mais limpa. Nesse sentido, a Figura 4 apresenta a lógica da metodologia de implantação da produção mais limpa. FIGURA 4 – METODOLOGIA DE IMPLANTAÇÃO DA PRODUÇÃO MAIS LIMPA FONTE: Adaptado de Kraemer (2002). O esquema apresentado na Figura 4 pode ser considerado um pequeno exemplo de uma metodologia em prol ao desenvolvimento ambiental sustentável dentro das indústrias. Porém, sabemos que um conjunto de ações é o que torna 27 Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 uma indústria ambientalmente correta e responsável. Um outro exemplo a ser destacado, que também é utilizado pelas indústrias é o Sistema de Gestão Ambiental (SGA). O SGA é um conjunto de ações e diretrizes para que a indústria implemente de maneira correta as normas, legislações e boas práticas que possibilitam avaliar e controlar os impactos ambientais de suas atividades, processos, produtos e serviços. A intenção do SGA é permitir que a empresa alinhe suas estratégias e ações com a preservação do meio ambiente. Com a necessidade mundial de ser mais sustentável e com os consumidores cada vez mais exigentes, buscando empresas que tenham cuidado com a natureza e o meio ambiente, o sistema de gestão ambiental pode ser uma resposta para estruturar as ações da empresae dar uma resposta mensurável para a sociedade e seus consumidores. Além de se portar de forma sustentável o SGA também permite a redução de desperdícios e a redução de custos de produção para a empresa. Para entender essa lógica, é só pensarmos em uma indústria que utiliza muitos litros de água em seu processo produtivo. Caso ela inicie um processo de reaproveitamento de água, ela estará reduzindo custos e, ao mesmo tempo, preservando um importante recurso natural. Outro exemplo é a separação correta dos resíduos. Quando eles não são separados, tem como destino o aterro comum, mas, ao serem selecionados, podem ser vendidos como insumos para outras indústrias. É o caso do metal, plástico, vidro, papel, madeira, tecido, entre outros. Para implementar um SGA, a principal referência é a ISO 14.001, uma norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que especifica os requisitos para um SGA. Com estes requisitos, a empresa passa a compor uma estrutura para avaliar, controlar e monitorar os impactos ambientais de sua atividade. Nesse sentido, para alcançar e cumprir com os requisitos estabelecidos, a empresa necessita estabelecer uma política ambiental para apresentar os seus compromissos com o meio ambiente. Ter um ciclo de planejamento, execução, verificação e melhoria para atingir as metas e objetivos traçados pela organização. Além disso, deve haver uma participação efetiva da alta gestão da empresa, que deve avaliar de tempos em tempos como está o sistema de gestão ambiental e realizar os ajustes necessários. 28 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Para exemplificar a implantação de um sistema de gestão ambiental no ambiente industrial, leia o estudo de caso de uma indústria de papel que implementou a ISO 14.001. Link: https://www.scielo.br/ scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-23112017000200274. Uma outra iniciativa na busca de caminhos sustentáveis, que também é muito conhecida por sua ampla divulgação, é o crédito de carbono, que é a redução de emissões de gases que causam o efeito estufa. Este crédito pode ser concedido para uma pessoa ou para uma empresa. Um crédito de carbono equivale a uma tonelada de carbono que não foi emitida na atmosfera. Esses créditos podem ser comercializados no mercado mundial de carbono. Ao comprar créditos de carbono, um país ou uma empresa tem a permissão para emitir gases do efeito estufa. No entanto, é necessário obedecer às legislações estabelecidas pelos países com os limites estabelecidos de emissões. Para entender um pouco melhor sobre as emissões de carbono e o efeito estufa e, também, para refletir se o seu comportamento tem cooperado com a conservação do meio ambiente, assista o vídeo sobre pegada de carbono no link: https://youtu.be/s2yhSTcBGMI. Para traçar um caminho sustentável, é necessário, além de sistemas e boas práticas, uma forma de medir a sustentabilidade. Neste sentido, é preciso estabelecer métricas e sistemas de medição para avaliar se a rota traçada está correta ou se precisa de ajustes, porém, uma questão que surge é: como medir a sustentabilidade? Quais aspectos avaliar? Acredita-se que, medindo as ações, é possível ter uma visão do presente e subsídios para tomar decisões no futuro. Para começar, um bom caminho é o estabelecimento de indicadores, sim, indicativos que apontam para onde uma indústria está caminhando. Os indicadores, dentro do contexto industrial, têm um papel de demonstrar pontos passíveis de melhoria, que, se trabalhados pelas indústrias, podem promover avanços em prol do meio ambiente, além de proporcionar espaços 29 Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 para reflexão de uma forma de atuação industrial mais consciente. Nas métricas ambientais, os indicadores permitem visualizar a sustentabilidade como fator competitivo e determinante para as indústrias que desejam destaque em um mercado mundialmente acirrado. Formas de avaliar e medir os impactos ambientais podem ser consideradas um caminho interessante para as indústrias atingirem patamares mais equilibrados entre a atividade industrial e o meio ambiente. A seguir, conheceremos algumas formas de medição. 3 MÉTRICAS DE SUSTENTABILIDADE Para se compreender melhor um cenário, uma situação, existem mecanismos para medir e quantificar as atividades e ações, que são chamados de indicadores. Eles permitem que as empresas tenham uma visão mais ampla e uma tomada de decisão mais assertiva. Ao se estabelecer indicadores, é possível tirar uma fotografia da situação atual, e, com as informações obtidas redirecionar atividades, rever processos e impulsionar melhorias dentro das empresas. 3.1 INDICADORES Os indicadores possibilitam conhecer verdadeiramente a situação que se deseja modificar, estabelecer as prioridades, escolher os beneficiados, identificar os objetivos e traduzi-los em metas e, assim, acompanhar melhor o andamento dos trabalhos, avaliar os processos, adotar os redirecionamentos necessários e verificar os resultados e os impactos obtidos. Com isso, aumentam as chances de serem tomadas decisões corretas e de se potencializar o uso dos recursos. Um indicador ajuda a compreender em que ponto se está, qual o caminho a ser seguido e a que distância se está da meta estabelecida. O indicador ajuda a identificar os problemas antes que se tornem insuperáveis, e auxiliam na sua solução. Para que um indicador seja efetivo, é necessário que seja relevante, refletindo o sistema que precisa ser conhecido, fácil de ser entendido, confiável e baseado em dados acessíveis (HART, 2005). Para ser relevante e representativo, os tomadores de decisão de uma empresa e demais envolvidos no processo precisam considerar importante o indicador. Apenas com o comprometimento de todos e a certeza de que a coleta de determinado dado fará a diferença nas atividades, é possível se estabelecer um ambiente de melhoria. As pessoas não devem olhar para o indicador como mais trabalho, mas sim como uma oportunidade de melhoria para seus processos. 30 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Um indicador é capaz de resumir diversas informações para uma pessoa que o observa e, também, pode ajudar a sinalizar a indicar a direção a ser seguida. Aquilo que é medido tende a se tornar relevante. Indicadores surgem de valores e geram valores, e podem ser usados como instrumentos de mudança, aprendizagem e propaganda (MEADOWS, 1998). Os indicadores são informações que apontam características de uma ação, atividade ou ambiente. Eles podem ser compostos por uma variável ou um conjunto de variáveis. São medições baseadas em mais de um dado. Bellen (2006) define variável como uma representação operacional de um atributo (qualidade, característica, propriedade) de um sistema. Embora os indicadores sejam apresentados na maioria das vezes em forma estatísticas ou gráficos, eles são distintos dos dados primários. Segundo Bellen (2006), os indicadores e índices mais agregados estão no topo de uma pirâmide de informações cuja base são os dados primários derivados do monitoramento e da análise das medidas e observações, conforme Figura 5. FIGURA 5 – PIRÂMIDE DE INFORMAÇÕES FONTE: Adaptado de Bellen (2006). Para Bellen (2006), o objetivo dos indicadores é agregar e quantificar informações de modo que sua significância fique mais aparente. Eles simplificam as informações sobre fenômenos complexos, tentando melhorar com isso o processo de comunicação sobre eles de forma mais compreensível e quantificável. Um indicador relevante deve possuir algumas destas características (OCDE, 1993): 31 Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 • Ser simples e fácil de interpretar. • Fornecer um quadro representativo da situação. • Mostrar tendências ao longo do tempo. • Responder a mudanças do sistema. • Fornecer base para comparações. • Ser nacional ou aplicávela regiões que tenham relevância. • Estar associado a uma meta ou valor limite de tal modo que os usuários possam comparar e avaliar o significado dos valores observados. A utilização de indicadores para avaliar a dinâmica de um sistema complexo (ambiente, organização, território, entre outros) deve levar em conta os objetivos essenciais para os quais o indicador foi concebido. Basicamente, um indicador pode ter como objetivos (OCDE, 1993), (IISD,1999), (BELLEN, 2006): • Definir ou monitorar a sustentabilidade de uma realidade. • Facilitar o processo de tomada de decisão. • Evidenciar em tempo hábil modificação significativa em um dado sistema. • Caracterizar uma realidade, permitindo a regulação de sistemas integrados. • Estabelecer restrições em função da determinação de padrões. • Detectar os limites entre o colapso e a capacidade de manutenção de um sistema. • Tornar perceptíveis as tendências e as vulnerabilidades. • Sistematizar as informações, simplificando a interpretação de fenômenos complexos. • Ajudar a identificar tendências e ações relevantes, bem como avaliar o progresso em direção a um objetivo. • Prever o status do sistema, alertando para possíveis condições de risco. • Detectar distúrbios que exijam o replanejamento. • Medir o progresso em direção à sustentabilidade. Ao ser selecionado um indicador e/ou ao se construir um índice, tal como quando se utiliza um parâmetro estatístico, ganha-se em clareza e operacionalidade, e perde-se em detalhe da informação. Os indicadores e os índices são projetados para simplificar a informação sobre fenômenos complexos de modo a melhorar a comunicação. Ao se pensar em indicadores de sustentabilidade, indicadores ambientais, deve-se verificar as formas existentes de avaliação da sustentabilidade e do meio ambiente. Dentro das indústrias podemos citar o uso de alguns indicadores como: a quantidade de água utilizada no processo produtivo; a quantidade de energia utilizada em uma fábrica; quais fontes de energia são utilizadas; níveis de seleção de resíduos; uso de tratamento de efluentes, dentre outros. 32 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Para exemplificar os indicadores ambientais utilizados por uma indústria, leia o estudo que apresenta alguns indicadores de indústrias dos setores de celulose, têxtil, automotivo, madeireiro e de metais sanitários, disponível no seguinte link: https://siambiental.ucs. br/congresso/getArtigo.php?id=84&ano=_quinto#:~:text=Foram%20 considerados%20como%20indicadores%20principais,Tipos)%20 ( Ta b e l a % 2 0 2 ) . & t e x t = O s % 2 0 s e c u n d % C 3 % A 1 r i o s % 2 0 ser%C3%A3o%20classificados%20de,nas%20empresas%20 (Tabela%203). 3.2 INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE E BIOINDICADORES Indicadores de sustentabilidade devem ser mais do que indicadores ambientais e só se transformam nisto através da incorporação da perspectiva temporal, limite ou objetivo. Assim como indicadores de desenvolvimento sustentável, devem representar mais do que crescimento econômico, expressando também eficiência, suficiência, equidade e qualidade de vida (SIENA, 2002). Os indicadores de sustentabilidade identificam até que ponto os objetivos sustentáveis são atendidos, sejam eles econômicos, sociais ou ambientais. Constituem de ferramentas relevantes os indicadores de sustentabilidade, por avaliarem o desempenho de uma empresa ou indústria, considerando a variedade disponível de indicadores e os níveis diversos de complexidade a ser aplicado em qualquer uma delas, cujos índices, desde que planejados, possam melhorar o funcionamento e desenvolvimento (AL-SHARRAH; ELKAMEL; ALMANSSOOR, 2010). Para exemplificar a categorização dos indicadores ambientais, sociais e econômicos, abordaremos brevemente sobre Pressão-Estado-Resposta (PER) para exemplificar a categorização dos indicadores ambientais, sociais e econômicos. O modelo PER é utilizado na análise de indicadores da área ambiental e do Desenvolvimento Sustentável, estando fundamentado em um marco conceitual que aborda os problemas ambientais segundo uma relação de causalidade. Os indicadores desenvolvidos pelo modelo buscam responder a três questões 33 Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 básicas: o que está acontecendo com o ambiente (Estado); por que isso ocorre (Pressão) e o que a sociedade está fazendo a respeito (Resposta) (CARVALHO; BARCELLOS, 2010). Na Figura 6, está sistematizado o modelo PER, segundo a OECD. FIGURA 6 – SISTEMA PRESSÃO-ESTADO-RESPOSTA FONTE: OECD (1993, s. p). De acordo com a OCDE (1993), o método PER apresenta a vantagem de evidenciar os elos entre a atividade humana e o ambiente e, ajudar os tomadores de decisão e o público a perceber a interdependência entre as questões ambientais e as outras, sem, todavia, esquecer que existem relações mais complexas nos ecossistemas e nas interações entre o meio ambiente e a sociedade. Segundo Lira (2008), no modelo PER, os indicadores são divididos em três categorias: • Indicadores da pressão ambiental, que descrevem as pressões das atividades humanas sobre o ambiente, incluindo a quantidade e qualidade dos recursos naturais. • Indicadores das condições ambientais ou de estado que se referem à qualidade do ambiente e à qualidade e quantidade dos recursos naturais. Eles devem fornecer uma visão da situação do ambiente e sua evolução no tempo, não das pressões sobre ele. • Indicadores das respostas sociais que são medidas que mostram a resposta da sociedade às mudanças ambientais, podendo estar relacionadas à prevenção dos efeitos negativos da ação do homem sobre o ambiente, à paralisação ou reversão de danos causados ao meio, e à preservação e conservação da natureza e dos recursos naturais. 34 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Nesse sentido, a Figura 7 apresenta a estrutura PER e as relações existentes entre seus elementos. FIGURA 7 – ESTRUTURA PER FONTE: Adaptado de Maranhão (2007). Ao observarmos o modelo PER, percebemos que ele retrata as conexões entre o ambiente e a atividade humana e, também, possibilita a visão ampla de vários elementos de um problema ambiental. Por outro lado, as limitações do modelo são a falta do estabelecimento de metas a serem atingidas; o olhar limitado das pressões no ambiente causadas apenas pela ação humana; e a simplificação de situações complexas que são observadas de forma linear. Outra forma de mensurar as ações ao meio ambiente são os bioindicadores, que, de uma forma ampla, referem-se aos seres vivos da natureza utilizados para avaliar a qualidade ambiental. Considerando o uso desenfreado dos recursos naturais, o qual tem promovido uma degradação do meio ambiente, como a contaminação dos mares e dos rios, a poluição do ar, o esgotamento do solo, a extinção de espécies dentre tantos outros, percebemos que todo o movimento contribui em prol de um desequilíbrio ecológico que pode ser prejudicial e comprometer até mesmo a própria vida humana. Nesse sentido, a interação de uma forma sustentável com a natureza vem ganhando força e se transformando em um dos grandes objetivos dos indivíduos, sociedade, empresas, organizações e países. Os bioindicadores ajudam a quantificar se o meio ambiente está sofrendo com as nossas intervenções, pois, por meio de seres vivos, é possível medir as alterações do ambiente. Ao se constatar a presença, ausência ou abundância de determinados seres vivos 35 Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 Ao pensarmos na indústria alimentícia, sabemos da importância da segurança alimentar e por sua vez do equilíbrio ambiental. Por isso para que um produto esteja de acordo com as normas estabelecidas, é necessário iniciar o monitoramento lá na agricultura, na plantação dos alimentos, observando o controle das pragas nas plantações, e isso pode ser realizado com os bioindicadores. Outro fatorimportante é o controle de qualidade de produtos agrícolas que pode ser assegurado pelas análises microbiológicas. Veja esse exemplo para realizar o controle de pragas, por meio de indicadores. Link: https://foodsafetybrazil.org/gestao-e-indicadores- de-controle-de-pragas/#:~:text=Um%20bom%20controle%20de%20 pragas,dados%20e%20um%20hist%C3%B3rico%20de em determinado ambiente pode ser um indicador de alguma degradação, contaminação que pode ser prejudicial para o meio ambiente atual e futuro. Existem diversos seres que podem atuar como bioindicadores. É interessante que eles sejam sensíveis ao desequilíbrio ambiental e que sejam de fácil monitoramento. Os bioindicadores permitem uma avaliação mais confiável e segura da qualidade ambiental. Ao medir um ambiente e identificar as características físicas e químicas, é possível retratar uma condição de uma forma pontual, de se obter uma fotografia da situação atual. Por outro lado, os bioindicadores permitem perceber as consequências da ação do homem no meio ambiente e a ação dos seres vivos da natureza podem ajudar na diminuição dos impactos provocados pelo ser humano. Para tornar mais clara a atuação dos bioindicadores abaixo, seguem alguns exemplos em diferentes ecossistemas. No solo, por exemplo, temos como um bioindicador as minhocas, pois elas podem ser prejudicadas em solos com contaminações ambientais ou com falta de nutrientes. A minhoca colabora para a fertilidade do solo e, por isso, sua presença é tão importante. O monitoramento de bactérias e fungos no solo permite maior produtividade e um uso mais sustentável do solo. No ar, a associação entre fungos e algas formam os chamados liquens, que são indicadores da qualidade do ar. Os liquens só conseguem se desenvolver em 36 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria locais úmidos e sem poluição, por isso, são um bioindicador para ar puro e de qualidade. Na água, um exemplo clássico é a maré vermelha, que ocorre quando algas vermelhas e marrons se proliferam de forma desordenada. Estes tipos de algas são tóxicas e provocam alterações de temperatura da água e salinidade, normalmente causado pelo direcionamento do esgoto no mar. Os bioindicadores ressaltam para nós que a própria natureza se regulariza, com uma capacidade incrível de emitir sinais. Cabe ao ser humano observar e interpretar estes indicativos e traçar caminhos mais sustentáveis de uso destes recursos essenciais. 1 Descreva o que é um bioindicador e qual a sua importância para o meio ambiente. Ao observarmos os diversos indicadores de sustentabilidade, é interessante realizar uma análise das vantagens e desvantagens da aplicação de indicadores que buscam promover o desenvolvimento sustentável. Na tabela 1 a seguir estão descritas algumas vantagens e limitações. TABELA 1 – SÍNTESE DE ALGUMAS VANTAGENS E LIMITAÇÕES DA APLICAÇÃO DE INDICADORES DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL FONTE: DGA (2000, s. p.). 37 Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 No contexto mundial, a avaliação do desenvolvimento sustentável conta com alguns direcionamentos já consolidados, um exemplo é o documento intitulado Indicators of sustainable development: framework and methodologies, publicado pela Comissão para o Desenvolvimento Sustentável (CSD) das Nações Unidas. Em sua terceira edição, o documento, também conhecido como Livro Azul, contém uma proposta de 50 indicadores essenciais e outros 46 complementares, além de recomendações metodológicas 3.3 AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE Com um conjunto de indicadores, é possível formar métodos e formas de avaliar os impactos causados pela ação humana no meio ambiente. Para isso, existem diversos métodos e ferramentas utilizados pelas empresas para verificar se estão trilhando o caminho de práticas mais sustentáveis. Um dos desafios para se alcançar o desenvolvimento sustentável, perpassa, necessariamente, pela criação de ferramentas capazes de avaliar a sustentabilidade em suas diferentes perspectivas, além de prover informações relevantes ao processo de tomada de decisão. Assim, indicadores de desenvolvimento sustentável são tidos como instrumentos essenciais para guiar a ação e subsidiar o acompanhamento e a avaliação do progresso alcançado rumo ao desenvolvimento sustentável (IBGE, 2010). Vale destacar que as ferramentas e, principalmente, os indicadores de desenvolvimento sustentável servem como um meio para se atingir a sustentabilidade e não como um fim em si mesmos. Os indicadores e as ferramentas acrescentam mais pelo que apontam do que pelo seu valor absoluto, e são mais úteis quando analisados em seu conjunto do que pelo exame individual de cada indicador. Os indicadores devem simplificar as informações sobre fenômenos complexos, buscando melhorar o entendimento e comunicação sobre estes. Podem ser quantitativos ou qualitativos, sendo que existem autores que preconizam a utilização de indicadores qualitativos como mais adequados para avaliar as experiências referentes a sustentabilidade (VAN BELLEN, 2002). Em alguns casos, avaliações qualitativas podem ser transformadas em uma notação quantitativa. 38 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria para avaliação do desenvolvimento sustentável e está disponível no link: https://www.un.org/esa/sustdev/csd/csd9_indi_bp3.pdf. A maioria das avaliações de desenvolvimento sustentável faz uso da proposta de indicadores contida no Livro Azul das Nações Unidas. Um dos benefícios decorrentes é a disponibilização de informações consolidadas, unificadas e que permitem comparações entre diferentes países. Ainda que alguns dos indicadores propostos sejam passíveis de adaptação para o contexto corporativo, a avaliação do desenvolvimento sustentável nas organizações ainda não conta com a disponibilidade de documentos referenciais já consolidados. Ainda assim, existem algumas iniciativas que estão sendo amplamente utilizadas no meio empresarial corporativo, bem como ferramentas de avaliação que podem servir como inspiração para a construção de indicadores adequados à realidade e especificidades do público-alvo desejado. No Quadro 2, estão descritas algumas iniciativas e ferramentas de avaliação comumente utilizadas por organizações empresariais e industriais. Esse levantamento se torna relevante para proporcionar uma visão geral dos diferentes tipos de iniciativas e ferramentas. QUADRO 2 – FERRAMENTAS DE AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE CORPORATIVA IDENTIFICAÇÃO PAÍS DE ORI- GEM DESCRIÇÃO Indicadores de Responsab- ilidade Social Empresarial (IARSE) Argentina Guia de autoaplicação para grandes empresas. Inclui correlação com os princípios do Pacto Global das Nações Unidas. IARSE para Pequenas e Médias Empresas (PMEs) Argentina Ferramenta de autoavaliação e planejamento para PMEs. IARSE para Empresas Co- operativas de Usuários Argentina Guia de primeiros passos em re- sponsabilidade social para empre- sas cooperativas de usuários. Conselho Boliviano de Re- sponsabilidade Social Em- presarial (COBORSE) Bolívia Publicação colocada à disposição pelo IARSE a partir de uma a adap- tação feita pela organização argen- tina dos IARSE, publicado pelo In- stituto Ethos de Responsabilidade Social Empresarial. Instituto Brasileiro de Aná- lises Sociais e Econômicas (IBASE) Brasil Demonstrativo numérico sobre as atividades sociais das empresas em forma de tabela de uma página. De fácil preenchimento, permite a verificação dos dados e a compara- ção com outras empresas. 39 Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 IDENTIFICAÇÃO PAÍS DE ORI- GEM DESCRIÇÃO Indicadores de Responsab- ilidade Social Empresarial (IARSE) Argentina Guia de autoaplicação para grandes empresas. Inclui correlação com os princípios do Pacto Global das Nações Unidas. IARSE para Pequenas e Médias Empresas (PMEs) Argentina Ferramenta de autoavaliaçãoe planejamento para PMEs. IARSE para Empresas Co- operativas de Usuários Argentina Guia de primeiros passos em re- sponsabilidade social para empre- sas cooperativas de usuários. Conselho Boliviano de Re- sponsabilidade Social Em- presarial (COBORSE) Bolívia Publicação colocada à disposição pelo IARSE a partir de uma a adap- tação feita pela organização argen- tina dos IARSE, publicado pelo In- stituto Ethos de Responsabilidade Social Empresarial. Instituto Brasileiro de Aná- lises Sociais e Econômicas (IBASE) Brasil Demonstrativo numérico sobre as atividades sociais das empresas em forma de tabela de uma página. De fácil preenchimento, permite a verificação dos dados e a compara- ção com outras empresas. Escala Akatu de Respons- abilidade Social Empresar- ial Brasil Escala que propõe um conjunto de 60 referências Akatu – Ethos de Re- sponsabilidade Social Empresarial (RSE) que, uma vez respondidas, permite às empresas serem catego- rizadas em quatro grupos homogê- neos em sua prática de responsab- ilidade social. Bolsa de Valores Sociais e Ambientais (BOVESPA) Brasil Programa pioneiro no mundo, lançado pela Bovespa – Bolsa de Valores de São Paulo, para apoiar projetos na área da educação e do meio ambiente, apresentados por ONGs brasileiras, por meio da reprodução do mesmo ambiente de uma bolsa de valores, visando promover melhorias nas perspecti- vas sociais e ambientais do País. A ideia é unir organizações não-gov- ernamentais que precisem de re- cursos financeiros e de investidores (doadores) dispostos a provê-los. Indicadores ETHOS de Re- sponsabilidade Social Em- presarial Brasil Ferramenta de autodiagnóstico cuja principal finalidade é auxiliar as em- presas a gerenciarem os impactos sociais e ambientais decorrentes de suas atividades. Matriz Brasileira de Evidên- cias de Sustentabilidade – ETHOS Brasil Análise que relacione aspectos da sustentabilidade com reconhecidos fatores de sucesso nos negócios. Matriz de Critérios Essenci- ais de SER e seus Mecanis- mos de Indução – ETHOS Brasil Matriz que procura identificar um conjunto de critérios essenciais de responsabilidade social empresari- al e os diversos agentes indutores, no Brasil, que contribuem para a adoção de práticas de gestão so- cialmente responsáveis. Indicadores GIFE de Gestão do Investimento Social Privado – GIFE Brasil Conjunto de indicadores para aval- iação da gestão do investimento so- cial da organização. Manual de Indicadores de Responsabilidade Social das Cooperativas – FIDES Brasil Ferramenta de análise, planeja- mento e acompanhamento das práticas de responsabilidade social das cooperativas. 40 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Instrumento para aval- iação da sustentabilidade e planejamento estratégico – FDC Brasil Instrumento que sintetiza a com- preensão histórica e das tendên- cias futuras (estado da arte) de articulação entre os conceitos e práticas sobre Sustentabilidade e Planejamento Estratégico (SPE), possibilitando, dessa maneira, o estabelecimento de uma pauta para o encontro entre as premissas do movimento pelo desenvolvimento sustentável e a função de planeja- mento nas organizações. Indicadores de Responsab- ilidade Social Corporativa – ACCIÓN Chile Ferramenta prática que permite às empresas avaliar o nível de desen- volvimento de suas estratégias, políticas e práticas nos distintos âmbitos que envolvem a respons- abilidade de um bom cidadão cor- porativo. Manual de SER para PMEs – PROHUMANA Chile Manual orientado para as pequenas e médias empresas chilenas, que aspiram a adotar de maneira grad- ual estratégias de responsabilidade social que as levem a alcançar mel- horas em sua gestão e obter um desenvolvimento humano suste- ntável. Sistema de Gestión de Responsabilidad Integral (SGRI) Colômbia Conjunto de instrumentos que permite administrar, com um enfo- que mais sistemático, os esforços necessários para atingir, com êxi- to, o desenvolvimento sustentável e a responsabilidade social dos negócios. Índice CCRE - Centro Co- lombiano de Responsabili- dade Empresarial Colômbia O índice CCRE é uma ferramenta que avalia o estado das práticas de Responsabilidade Social que desenvolve a empresa com seus grupos de interesses e a congruên- cia de seus processos, políticas e princípios corporativos dentro de esquemas de gestão socialmente responsáveis. Indicadores de Respons- abilidade Social do Consor- cio Ecuatoriano para la RS (CERES) Equador Indicadores que permitam quan- tificar o grau de responsabilidade social das empresas, fundações, universidades, entre outras organi- zações. 41 Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 Manual de Autoevaluación de la Responsabilidad So- cial Empresarial – DERES Uruguai Indicadores de Responsabilidade Social Empresarial. Modelo de Responsabili- dade Social Peru 2021 Peru Ilustração prática da aplicação da responsabilidade social que inclui uma revisão do conceito de re- sponsabilidade social, as ações que devem ser executadas pela empresa junto a cada um dos seus stakeholders ou grupos de inter- esse, e os benefícios gerados por estas ações, tanto para o grupo de interesse impactado como para a própria empresa. Indicadores de Responsab- ilidade Social Empresarial para Costa Rica - AED Costa Rica Ferramenta de autodiagnóstico que tem o intuito de rever a gestão da empresa em cada uma das áreas que demanda uma conduta social- mente responsável. Autoavaliação de Práticas de SER – FUNDEMAS El Salvador Objetivo de contribuir para o desen- volvimento econômico e social de El Salvador, mediante o fortaleci- mento da Responsabilidade Social da empresa privada, da promoção da filantropia empresarial e do fo- mento dos comportamentos em- preendedores. IndicaRSE 2006 – CEN- TRARSE Guatemala Instrumento de autoavaliação que mede a aplicação de políticas e práticas de RSE. AutoevaluaRSE – CEDIS Panamá Indicadores para autoavaliação da responsabilidade social. The Good Company – Ca- nadian Business for Social Responsibility (CBSR) Canadá Questionário e diretrizes que for- mulam um conjunto de práticas que podem ser facilmente aplicadas por pequenas, médias e grandes empresas que desejam melhorar a gestão da sua responsabilidade social. SD Planner – Global Envi- ronmental Management Ini- tiative (GEMI) EUA Ferramenta de autodiagnóstico, automatizada, desenhada para aju- dar as empresas a avaliar, plane- jar e integrar o desenvolvimento sustentável em seus processos de negócio. 42 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Global Citizenship 360 – Future 500 (GC 360) EUA e Japão Software que permite melhor de- sempenho e estratégia de respons- abilidade social corporativa e ajuda a aprimorar relatórios de sustentab- ilidade e no modelo proposto pela GRI. Indicadores de Instituciona- lidad y Transparencia – CE- MEFI México Indicadores para que as organi- zações da sociedade civil (OSCIP), dedicadas à assistência, promoção e desenvolvimento social, e que lu- tam por causas fundamentadas nos princípios de solidariedade, filan- tropia e corresponsabilidade social, possam contar com um guia para alcançar padrões de institucionali- dade e transparência. Integrated Management Systems (IMS) (ECO4W- ARD) Áustria Gestão integrada de várias ferra- mentas passíveis de certificação: ASchG, OHSAS 18001, SCC, EM- ASVO, ISO 14001, ISO 9001:2000, ISO 9004:2000. Albatros – Business & Soci- ety Belgium Bélgica Questionário para autoavaliação da gestão geral e da responsabilidade social das empresas. VastuunAskeleit – Finnish Business & Society Finlândia É um conjunto de ferramentas que ajuda empresas a desenvolver a re- sponsabilidade social corporativa. Guide CSR Europe Allianc- es França Adaptação francesa de uma ferra- menta desenvolvida por uma insti- tuição de âmbito europeu destinada a pequenas e médias empresas que desejamavaliar e fortalecer sua responsabilidade social corpo- rativa. Le Guide de la Perfor- mance Globale – CJD França O guia de Desempenho Global é um questionário com 100 pergun- tas que visa elaborar diagnóstico e estabelecer um plano de ação para tornar a empresa mais competitiva e mais humana, e, ao mesmo tem- po, fazer que tenha, como missão, a preocupação de melhorar o de- sempenho global e o da própria em- presa. 43 Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 CR Index – Business in the Community (BITC) Reino Unido Ferramenta de benchmark que pesquisa e compara o comporta- mento responsável das empresas, por meio da avaliação da estraté- gia de responsabilidade social, da integração desta estratégia com o negócio e do desempenho social e ambiental da organização. Bilan Societal – Centre des JeunesDirigeants et Acteurs de L´EconomieSo- ciale (CJDES) França Instrumento de avaliação da gestão empresarial e, principalmente, de prestação de contas/comunicação às partes interessadas da conduta das organizações sob a ótica da re- sponsabilidade social. Sustainability Integrated Guidelines for Manage- ment (SIGMA) Grã-Bretanha Conjunto de diretrizes e ferramen- tas para empresas que visam con- tribuir efetivamente para o desen- volvimento sustentável. Global Reporting Initiative (GRI) Holanda É a primeira iniciativa em escala mundial que visa chegar a um con- senso a respeito de uma série de diretrizes de comunicação sobre a responsabilidade social, ambiental e econômica nas empresas. Seu objetivo é elevar a qualidade dos relatórios a um nível passível de comparação, consistência e utili- dade. Small e Better Business Journey – The Small Busi- ness Consortium Reino Unido As duas ferramentas são desen- volvidas para ajudar pequenas em- presas a aumentar seus lucros com práticas de responsabilidade social. Small Business Journey é um guia on-line e Better Business Journey é um livreto. Responsible Competitive- ness Index (RCI) Reino Unido Índice que relaciona o estado da responsabilidade corporativa com a competitividade das nações. O índice revela quais os países que estão atingindo crescimento econômico sustentável baseado em práticas de responsabilidade social. 44 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Muitas indústrias, com suas ferramentas de avaliação, elaboram relatórios de sustentabilidade que sistematizam todas as suas ações em prol ao desenvolvimento sustentável. Isso pode ser considerado, inclusive, por muitas uma ferramenta de marketing empresarial e de valorização da imagem e da marca da empresa. O Grupo Boticário é uma destas indústrias que utiliza esta prática. Para conhecer um pouco mais segue o link do relatório de sustentabilidade da companhia: https://relatoriogrupoboticario.com.br/wp-content/ uploads/2020/12/Relatorio-Sustentabilidade-2019.pdf The Natural Step – WHH / AntaKarana Suécia Guia com condições fundamentais para uma sociedade sustentável, construídas a partir de um con- senso de cientistas , e com uma metodologia para o planejamento de negócios/tomada de decisões. É destinado a empresas, organi- zações e pessoas que desejam contribuir para o desenvolvimento sustentável da sociedade. CSR Toolkit for SME – COSORE Alemanha e outros Conjunto de ferramentas desen- volvido para apoiar consultores re- sponsáveis pela introdução de RSE em pequenas e médias empresas. FONTE: Adaptado de Louette (2007). Ao observar diversas ferramentas e técnicas para avaliar a sustentabilidade e os aspectos ambientais, quais seriam as mais indicadas para o setor industrial? Vale frisar que o dia a dia da indústria é repleto de indicadores, métricas e sistemas de avaliação em seus processos produtivos, em suas vendas, desempenho de mercado entre tantos outros. Portanto, ao escolher uma ferramenta de avaliação, a indústria precisa estar ciente da sua estrutura, das suas capacidades de operação para inserir um novo processo que seja de fácil absorção e implementação, pois isso é o que garantirá o sucesso do levantamento de dados e, consequentemente, dos indicadores ambientais. 45 Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 Existem organizações que ajudam as empresas a comunicar o impacto dos negócios frente a questões de sustentabilidade. Este é o caso do GRI que, por meio das suas diretrizes, apoia as empresas na construção de relatórios, os quais trazem informações relevantes e padronizadas sobre as práticas de sustentabilidade que podem ser comparadas entre si. Para conhecer sobre as diretrizes do GRI, acesse o link: https://www.globalreporting.org/about-gri/regional- hubs/gri-in-brazil/. Nesta linha, muitas indústrias de médio e grande porte estão utilizando o Global Reporting Initiative (GRI), que apoia as indústrias na elaboração dos seus relatórios de sustentabilidade. A proposta desta ferramenta é evidenciar os impactos positivos e negativos no meio ambiente, sociedade e economia, além de manifestar os compromissos assumidos para melhorar sua atuação. Normalmente, os relatórios de sustentabilidade são utilizados pelas indústrias para desenvolver uma estratégia de gestão voltada para os indicadores sociais, ambientais e econômicos. Assim, com os indicadores, as indústrias conseguem estabelecer metas e realizar a gestão das mudanças necessárias para tornar suas operações e atividades mais sustentáveis. Os relatórios de sustentabilidade são considerados ferramentas importantes para quantificar as ações das indústrias. Se realizados de forma periódica, são capazes de trazer a evolução histórica das melhorias implementadas. Essas informações são, também, fontes de divulgação e marketing que valorizam as marcas das indústrias para os clientes, acionistas e para a sociedade. Para alcançar uma visão positiva da sociedade perante ações de sustentabilidade praticadas por uma indústria, é necessário o engajamento das diferentes esferas de liderança dentro das indústrias, ou seja, desde seus dirigentes até toda a sua base de operadores, para que, de forma conjunta, seja construída uma atuação sólida, diferenciada e sustentável. Para atingir esse patamar, a indústria precisa avaliar sua cultura, seus valores e sua visão frente ao meio ambiente. 46 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria 3 A CULTURA INDUSTRIAL E O MEIO AMBIENTE Podemos dizer que a imagem de uma indústria é formada pelo conjunto de valores, diretrizes e premissas que acompanham a sua história e toda a sua trajetória dentro do mercado. A cultura de uma organização pode ser entendida como um conjunto de valores, de normas e princípios, que interage com a estrutura e os comportamentos, criando uma maneira única de como se comporta aquela organização, baseado em certos fundamentos e buscando determinados resultados finais. Uma cultura organizacional forte é resultado de uma história marcante, de fundadores e empreendedores que tem uma visão e uma estratégia para o empreendimento, de valores compartilhados e objetivos em comum. Com base nesses conceitos, vamos analisar o contexto em que as indústrias estão inseridas para compreender melhor suas ações relacionadas com o meio ambiente. Um movimento recente de aproximação com consumidores, fornecedores, sociedade, acionistas e todas as partes interessadas vem ocorrendo dentro das indústrias, para entender de que forma eles percebem o valor agregado dos produtos e do setor industrial. Estar mais próximo destes públicos e compreender o que eles necessitam e a forma que eles enxergam as indústrias se tornou uma estratégia de vantagem competitiva. Nesse sentido, as indústrias que entendem e criam oportunidades para atender às exigências desses públicos crescem e fortalecem a sua imagem em um mercado altamente competitivo. Nesse contexto, percebemos que as indústrias de todos os segmentos e portes devem adotar esse caminhopara, assim, se tornarem organizações que aprendem a substituir seus anteriores e tradicionais métodos e sistemas produtivos para novas formas de produção com foco na sustentabilidade. Ao estabelecer o foco na sustentabilidade, as indústrias estão atendendo aos novos comportamentos de seus clientes e consumidores, que estão cada vez mais valorizando o consumo consciente e, também, estão caminhando em direção a tendências mundiais de produção da economia de baixo carbono. 47 Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 Para entender melhor sobre as tendências mundiais e nacionais da indústria, acesse o documento Tendências Mundiais e Nacionais com impacto na indústria brasileira, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), disponível em: https://www.portaldaindustria.com.br/ publicacoes/2018/3/tendencias-mundiais-e-nacionais-com-impacto- na-industria-brasileira/. Inserir práticas sustentáveis que envolvam as dimensões sociais, econômicas e ambientais pode ser um grande desafio para as indústrias que entendem a sustentabilidade como a adoção de estratégias de negócios e atividades que atendam às necessidades das partes interessadas. Nesse contexto, conciliar diferentes dimensões a interesses de diversos públicos exige uma habilidade grande de adaptação às mudanças impostas por este novo modelo. Diante disso, para compreender os desafios enfrentados pela indústria e se adaptar a novos modelos, precisamos analisar a história da indústria e seus principais marcos, para entender em que cenário e com qual cultura ela vem se desenvolvendo ao longo dos anos. Pode não parecer, mas a trajetória pode nos ajudar a explicar a visão que temos da indústria e os comportamentos deste setor com o meio ambiente. Se observamos a história da indústria, perceberemos que, com o seu surgimento, no movimento chamado Revolução Industrial, houve uma transição de métodos de produção artesanais para uma produção realizada por máquinas e ferramentas. Essa revolução iniciou na Inglaterra no final do século XVIII e início do século XIX, e, posteriormente, expandiu-se para a Europa Ocidental e Estados Unidos. O início das atividades industriais contribuiu para uma nova economia, devido a invenções do tear mecânico, da máquina de fiar e de tantas outras que alavancaram a produção de bens. Por outro lado, ocorreu um crescimento acelerado e desorganizado das empresas que, para conseguirem concorrer e competir, tiveram que estabelecer métodos produtivos em massa e condições de trabalho intensas. 48 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Para entender melhor este período da Revolução Industrial e como as indústrias trabalhavam naquela época, assista a um trecho do filme Tempos Modernos (1936), de Charles Chaplin, que retrata a forma de produção e as relações de trabalho neste período. Link: https://youtu.be/4PaGw4ZRmWY. Se o movimento da Revolução Industrial ocorreu na Inglaterra entre 1760 e 1840, no Brasil, a indústria começou a se estabelecer timidamente apenas em 1827, tendo um período de maior consistência em 1844, com incentivos por parte do governo vigente. A indústria brasileira começou com o estabelecimento de fábricas de tecidos nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e na Bahia, além do segmento de metalurgia no estado de Pernambuco. Em 1850, surge, no Rio de Janeiro, o primeiro grande conglomerado industrial, formado por uma fundição e um estaleiro com capacidade para produzir 72 embarcações, utilizando uma tecnologia avançada para a época, a navegação a vapor. Em 1910, o Brasil já contava com mais de 3.900 indústrias, ainda abaixo do seu potencial de mercado, que aumentou com a crescente urbanização. No entanto, o impulso para a indústria brasileira aconteceu durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), assim, as dificuldades da Europa para manter as exportações com destino ao Brasil estimulou a abertura de uma série de indústrias para atender a demanda nacional. Outro ponto alto foi a exportação do café, que também estimulou outros empreendimentos. Em 1920, a indústria brasileira praticamente triplicou de tamanho. Embora tenha diminuído o número de trabalhadores por fábrica, a capacidade de atendimento aumentou consideravelmente. Neste período, as fábricas brasileiras atendiam mais de 90% do consumo de tecidos, móveis e sapatos no país. Nos anos seguintes, o ritmo de crescimento diminuiu, mas a produção vinha se mantendo até que, em 1929, houve a chamada Grande Depressão, impulsionada pela queda das ações da Bolsa de Nova York, que fez com que o café, grande responsável pelas exportações do país, sofresse com uma forte queda de preço. Este período foi conhecido como a crise dos anos 30. No entanto, com a Segunda Guerra Mundial, em 1939, aconteceu um novo movimento por instalação de fábricas para atender a demanda nacional e diminuir os produtos que o Brasil importava de outros países. Em 1946, teve início a 49 Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 produção de aço, o que possibilitou atender a manufatura pesada e, em seguida, outras usinas estatais e privadas foram sendo criadas. Em 1953, foi fundada a Petrobrás, e, entre os anos de 1956 e 1957, foi atingido um marco histórico em que o valor da indústria brasileira superava, pela primeira vez, a produção agrícola. Em 1955, houve a abertura para mais empresas estrangeiras, o que impulsionou crescimento e diversas transformações no setor fabril, agregando novos conhecimentos nos processos produtivos. Setores tradicionais continuaram a se expandir, como o de tecidos, bebidas e móveis. Outros setores cresceram, também, em importância, como o automobilístico, petroquímico e bens de produção. No entanto, o Brasil vivia, já, nessa época, o grande problema da inflação. No período 1967 a 1973, houve uma retomada da expansão industrial tão grande, que ficou conhecido como “milagre-brasileiro”. Um dos principais fatores desse crescimento foi o fato de o brasileiro gastar mais em bens de maior valor, como automóveis. Após todo período de crescimento experimentado pela indústria nacional, nas décadas anteriores, o ano de 2015 não foi fácil para a indústria. Segundo algumas estimativas, foram fechados mais de 1 milhão e 200 mil postos de trabalho, sendo a metade deles na indústria de transformação. Nos anos seguintes, o setor industrial passou por uma forte crise, e, se a indústria está em crise, o Brasil está em crise. Entre 2019 e 2020, a participação da Indústria no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu de 21,4% para 20,4%, com a crise causada pela pandemia de COVID-19. O percentual de 2020 é o menor desde 1947. Apesar da desaceleração da indústria e da retração da economia no Brasil, o país fabrica a maior parte daquilo que consome, entre outros produtos. Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a indústria brasileira, apesar de representar 20,4% do PIB do Brasil, tem o poder de gerar crescimento, pois, a cada R$ 1,00 produzido na indústria, são gerados R$ 2,43 na economia brasileira. Nos demais setores, o valor gerado é menor. Na agropecuária, o valor gerado é de R$ 1,75 e, no comércio e serviços, o valor é de R$ 1,49. Além disso, a indústria emprega 9,7 milhões de trabalhadores no país, e é responsável por 20,4% do emprego formal no Brasil. Na Figura 8 são apresentados alguns dados da indústria brasileira. 50 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria FIGURA 8 – A IMPORTÂNCIA DA INDÚSTRIA NO BRASIL FONTE: CNI (2021, s. p.). Com base no histórico apresentado, pode-se compreender que, durante o processo acelerado de desenvolvimento industrial brasileiro, houve pouca preocupação com as questões sustentáveis e ambientais que culminaram em atividades de alto poder poluidor, grande exploração da mão de obra com atividades excessivamente braçais e repetitivas, degradando rapidamente os recursosnaturais pela forma desenfreada de consumo deste bem. Este pensamento é fruto de uma cultura industrial e da visão em geral que toda a sociedade construiu referente às indústrias por toda a história e que, ainda, por vezes e por alguns exemplos negativos, infelizmente se confirmam. No entanto, sabemos que existe um movimento para mudar esta percepção, pois muitos setores industriais estão engajados em modificar esta visão única da sociedade e mostrar o quanto contribuem e atuam de uma forma mais consciente e equilibrada. Na Figura 9, podemos observar um desenho que representa a visão de muitas pessoas sobre a indústria tradicional versus a indústria sustentável. FIGURA 9 – VISÃO DA INDÚSTRIA TRADICIONAL X INDÚSTRIA SUSTENTÁVEL FONTE: O Autor. 51 Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 Se pedirmos para uma pessoa descrever um ambiente industrial, certamente ela falará da tradicional fumaça que sai das chaminés das indústrias. Provavelmente, será muito difícil alguém apontar ou remeter como primeira lembrança o uso de energias renováveis, um ambiente equilibrado com pouco ruído, geração de emprego, renda, tecnologias ou outros tantos benefícios que as indústrias podem trazer para a sociedade. Isso ocorre, em grande parte, porque a cultura em que as indústrias cresceram e se instalaram foi essa. Afinal, quando alguém ia começar um processo produtivo, uma marcenaria, por exemplo, logo se pensava no espaço, que normalmente era um galpão, na matéria-prima necessária, na mão de obra, na localização para as movimentações de recebimento de materiais e envio de produtos. E, talvez, nem fosse cogitada a questão de resíduos, reaproveitamento, reciclagem, entre outras tantas práticas mais modernas, tecnológicas, cooperativas e integradoras. Nesse sentido, deve ser estimulado que os processos produtivos das indústrias de transformação devem ser olhados por uma nova ótica, através das premissas da sustentabilidade. Técnicas de produção limpa devem ser inseridas neste novo cenário. Acredita-se que, quando disseminadas, essas técnicas sustentáveis podem ser valorizadas por consumidores e por todas as partes interessadas. Se as indústrias sofrem com esta visão limitada, cabe ao setor ampliar sua consciência de que a resposta possível e a mais desejável é a de se posicionar ativamente para enfrentar esses desafios, mas, sobretudo, encarando-os também como garantias de competitividade e oportunidades de desenvolvimento empresarial em novas bases competitivas. O que percebemos é que os valores e demandas da sociedade em geral estão mudando rapidamente, assim como mudarão as oportunidades para as atividades empresariais. Se a sociedade vem demandando das empresas uma atitude de maior responsabilidade e transparência, cabe às indústrias se inserirem neste novo contexto competitivo e responderem com ações práticas que evidenciem a sua conduta frente ao meio ambiente. Vale frisar novamente que as indústrias de transformação são impulsionadoras de grandes mudanças e posicionamentos dentro da sociedade. Desde a sua criação, as indústrias, por meio das máquinas, equipamentos e de diversos produtos, estão promovendo mudanças significativas na vida das pessoas. Sabendo disso, faz parte do papel das indústrias se posicionar em novas bases competitivas buscando o desenvolvimento sustentável, já que este desenvolvimento é fundamental para a continuação e perpetuação da vida na terra. 52 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria No entanto, não basta apenas se adequar a essa nova realidade. Faz-se necessário que as empresas sejam sustentáveis e, ao mesmo tempo, sejam competitivas. Com base nessa premissa, a sustentabilidade deve ser vista também como um dos mais importantes pilares da competitividade do futuro, criando, inclusive, novos critérios competitivos. Nesse sentido, além dos relatórios de sustentabilidade que são elaborados de forma livre espontânea pelas indústrias, existem as premissas contidas em normas e leis que necessitam ser seguidas por empresas de todos os portes e dos mais diversos segmentos. É o caso de indústrias que apresentam um potencial poluidor, ou que desejam exportar seus produtos para determinado país e tem que cumprir com as normas e certificações ambientais. Quando isso ocorre, entram em cena os Estudos de impacto ambiental (EIA) e os Relatórios de Impacto Ambiental (RIMA), que são previstos em lei para algumas atividades industriais. No próximo capítulo, aprenderemos um pouco mais deste cenário de normas e estudos ambientais. 4 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Neste capítulo, procuramos apresentar os principais conceitos de sustentabilidade e de desenvolvimento sustentável, assim como a evolução desses termos ao longo do tempo. Ao observamos os diferentes conceitos, fica clara a necessidade que temos de preservar os recursos naturais disponíveis, para garantir que as necessidades das futuras gerações sejam atendidas e para assegurar a perpetuação da vida na terra. Por um outro lado, o mundo precisa seguir se desenvolvendo e atendendo às necessidades da sociedade moderna. Nesse sentido, a indústria tem um papel de transformação da sociedade, pois ela gera inovação, tecnologia e desenvolvimento. Desde a sua criação, as indústrias, por meio das máquinas, equipamentos e de diversos produtos, promovem mudanças significativas na vida das pessoas. Na sociedade moderna, não é diferente, pois a indústria ainda continua como uma importante protagonista no atendimento das necessidades de consumo, na geração de empregos, renda, desenvolvimento econômico e social do país, porém, sabemos que a sustentabilidade e o desenvolvimento com base nas questões ambientais é o único caminho possível e viável de ser trilhado pelas indústrias, assim como pelas demais empresas e a sociedade de uma maneira geral. 53 Sustentabilidade na IndústriaSustentabilidade na Indústria Capítulo 1 Para tanto, é necessário se ajustar a esta nova realidade. A cultura das indústrias precisa ser modificada, e a questão ambiental ser inserida como centro deste novo modelo de desenvolvimento. Percebemos, ainda, que a grande maioria da população enxerga o setor industrial como forma altamente poluidora de produção de bens de consumo, de explorador de mão de obra e de consumidor desenfreado de recursos naturais, porém, todos continuam consumindo de uma forma pouco sustentável, descartando seus itens eletrônicos de maneira inadequada, não separando os seus resíduos e tantos outros comportamentos que também comprometem o meio ambiente. Precisamos, assim, de uma mudança profunda nas indústrias, na sociedade e nos indivíduos, para começar a construir caminhos mais sustentáveis. Nesse sentido, no mundo corporativo, as múltiplas ferramentas de avaliação da sustentabilidade sistematizam os indicadores ambientais e facilitam a visualização das práticas e ações de cuidado com o meio ambiente. É necessário adaptar os processos e começar a caminhar de acordo com os princípios ambientais, com a premissa de crescer e desenvolver, mas preservando, estimulando e cuidando do meio ambiente. Por mais distante que, muitas vezes, tais ações possas parecer, em alguns setores industriais, podemos dizer que sim, é possível ser mais sustentável, afinal, muitos países já se adaptaram e seguem práticas mais sustentáveis. O Brasil, por sua vez, tem toda a capacidade para seguir no mesmo caminho. Outra forma de garantir as práticas ambientais dentro das indústrias é por meio da imposição de normas, legislações e certificações que devem ser cumpridas para garantir o funcionamento da atividade industrial e para assegurar que os comportamentos ambientais esperados estejam sendo seguidos. Por fim, temos um longo caminho a trilhar para conseguir alcançar o desenvolvimento sustentável. Para isso, é preciso conhecer os atores do processo e as regras que preconizam a atuação sustentávelde atuar, competir e preservar. No próximo capítulo, conheceremos as regulamentações legais ambientais que influenciam na indústria, assim como os órgãos fiscalizadores e regulamentadores, que são os principais atores nos processos ambientais. Abordaremos, também, a respeito dos projetos ambientais, licenças, estudos e relatórios de impacto ambiental solicitados nas atividades industriais. 54 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria REFERÊNCIAS AL-SHARRAH, G.; ELKAMEL, A.; ALMANSSOOR, A. Sustainability indicators for decision-making and optimisation in the process industry: the case of the petrochemical industry, Chemical Engineering Science, Londres, v. 65, n. 4, 2010, p.1452–1461. Disponível em: http://www.sciencedirect.com/science/article/ pii/S0009250909007301. Acesso em: 10 abr. 2021. BARBIERI, J. C. et al. Inovação e sustentabilidade: novos modelos e proposições. Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 50, n. 2, p. 146-154, 2010. BARONI, M. Ambiguidades e deficiências do conceito de desenvolvimento sustentável. Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 32, n. 2, p. 14-24, 1992. BELLEN, H. M. Indicadores de sustentabilidade: uma análise comparativa. 2.ed. Rio de Janeiro: FGV, 2006 CARVALHO, P. G. M. de. & BARCELLOS, F. C. Mensurando a Sustentabilidade. In: MAY, P. Economia do Meio Ambiente: Teoria e Prática. 3 ed. Rio de Janeiro, Editora Campus, p. 99-132, 2010. CEBDS. Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável. c2021. Disponível em: http://www.cebds.org.br. Acesso em: 15 abr. 2021. COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO. Nosso futuro comum. 2. ed. Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getúlio Vargas, 1991. CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDUSTRIA. Home. c2021. Disponível em: http://www.portaldaindustria.com.br/cni./ Acesso em: 10 abr. 2021. DIREÇÃO GERAL DO AMBIENTE. Proposta para um sistema de indicadores de desenvolvimento sustentável. Portugal: Amadora, 2000. DREOSVG, J. 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CAPÍTULO 2 Políticas Ambientais A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: • Conhecer as regulamentações legais ambientais que influenciam na indústria e os órgãos fiscalizadores e regulamentadores. • Analisar as políticas e normas ambientais e verificar seus impactos na indústria. • Reconhecer os principais fatores avaliados dentro dos projetos ambientais das indústrias. • Identificar os principais atores que influenciam diretamente nos processos ambientais nas indústrias. • Analisar estudos e relatórios que avaliam os impactos ambientais. • Compreender as etapas do processo de avaliação dos impactos ambientais, do Estudo de Impactos Ambientais (EIA), do Relatório de Impactos Ambientais (RIMA) e a relação com o processo de licenciamento ambiental. • Elaborar um roteiro para implementar EIA e RIMA. 58 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria 59 Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 1 CONTEXTUALIZAÇÃO Conhecer as regulamentações, legislações, normas e diretrizes ambientais que regulamentam e autorizam as atividades industriais é fundamental para as indústrias que buscam uma atuação consciente e responsável. Existem diversos órgãos que são responsáveis por criar, aplicar e monitorar regras e normas que devem ser seguidas pelos diferentes setores industriais. Entender a dinâmica e os atores envolvidos no processo facilita o dia a dia e os trâmites necessários para regulamentar a atividade industrial. A dinâmica presente nos diversos órgãos visa demonstrar os cuidados e os pontos de atenção que as indústrias necessitam adotar em seus processos produtivos. Apesar de ter que atender diferentes normas e legislações tanto em âmbito federal quanto em âmbito estadual, as indústrias estão sempre na busca por segurança jurídica para o desempenho de suas atividades. Por outro lado, ao se atender aos requisitos solicitados, muitas indústrias se habilitam, em alguns casos, a exportar os seus produtos e, assim, conquistar novos mercados, além de construir uma imagem de atuação consciente e responsável para os consumidores e para toda a sociedade. Nesse contexto, porém, existem atividades industriais mais poluidoras, com características que necessitam ser monitoradas e regradas na tentativa de estabelecer um equilíbrio entre a atividade industrial e o meio ambiente. Nesse sentido, para facilitar e mensurar os impactos ambientais e apresentá-los para todas as esferas da sociedade existem instrumentos como o EIA e o RIMA. O EIA é um instrumento fruto da política nacional de meio ambiente, que tem por objetivo avaliar os impactos ambientais gerados por atividades potencialmente poluidoras ou que possam gerar degradação ambiental. O EIA é considerado um documento técnico que é elaborado para responder a legislação ambiental brasileira. As principais informações contidas no EIA, bem como sua conclusão, devem ser apresentados no RIMA. O RIMA é um documento público que possibilita que todos os interessados tenham acesso à informação de uma forma simples e prática. Dessa forma, o que vamos abordarneste capítulo são as normas, as legislações ambientais que incidem sobre as atividades industriais, além de conhecer um pouco sobre os atores envolvidos em todo o processo ambiental entendendo suas responsabilidades e forma de atuação. Nesse sentido, o foco deste capítulo será compreender este universo de políticas e práticas ambientais e as formas de mensurar os impactos por meio do estudo de impacto ambiental e do relatório de impacto ambiental. 60 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria 2 PROCESSOS AMBIENTAIS – ASPECTOS E ATORES ENVOLVIDOS NOS PROCESSOS AMBIENTAIS Os movimentos para a preservação do meio ambiente estão presentes nas agendas mundiais de diferentes países. A pauta das reuniões que ocorrem com frequência com os países mais influentes do mundo gira, principalmente, em torno do debate de formas para equilibrar o crescimento econômico e o cuidado com os recursos naturais. A Organização das Nações Unidas (ONU) é uma das principais instituições responsáveis em reunir países para debater sobre os impactos ambientais gerados pela sociedade moderna e tentar desenhar caminhos possíveis para, em conjunto, comprometer os países em ações de preservação do meio ambiente. Um dos impactos abordados nas conferências da ONU trata a respeito das mudanças climáticas. O que pode se perceber é que o planeta terra vem sofrendo um aquecimento acelerado, com estimativas preocupantes para os próximos anos e décadas. Esse aquecimento é fruto da alta emissão de gases na atmosfera, que podem gerar para as gerações futuras temperaturas elevadas, escassez de água, aumento do nível do mar, alterações nos ecossistemas terrestres e marinhos, entre tantas outras mudanças significativas. Para monitorar as ações de preservação, a ONU publica relatórios periódicos com dados, estatísticas e estudos que apontam as principais tendências de futuro para o meio ambiente. Nesse sentido, a ONU se reúne com os principais países desde que firmou o primeiro documento sobre mudanças climáticas assinado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, evento conhecido como a Cúpula da Terra, realizado em 1992, no Rio de Janeiro. O tratado assinado em 1992 entrou em vigor em 1994, com a participação de 197 países que se reúnem anualmente por meio de uma conferência entre as partes, conhecida pela sigla COP, para debater formas de avançar na preservação ambiental. O evento mais recente realizado pela ONU foi a COP25 em 2019, que aconteceu em Madri. A COP25 teve como objetivo debater ações práticas para colocar em prática o acordo climático global, conhecido como Acordo de Paris, assinado em 2015. Aliás, desde 2015, este é o tema dos eventos da ONU. Nesse sentido, está agendado para o novembro de 2021 a COP26, que deverá ocorrer 61 Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 na cidade de Glasgow no Reino Unido. Na COP26, espera-se que os países apresentem metas mais robustas para serem alcançadas até 2030. Dessa forma, a ONU segue reunindo as lideranças mundiais para que a pauta ambiental tão relevante não seja esquecida, e para que em conjunto todos possam traçar caminhos possíveis e sustentáveis. Assim, a ONU e outras organizações mundiais realizam as provocações e debates em prol do meio ambiente esperando que cada país desdobre estes temas em suas leis e normas por meio das instituições competentes, a fim de que as metas estipuladas no mundo sejam alcançadas. O Brasil se comprometeu com a ONU e com os outros países participantes e assinou, em 2015, o Acordo de Paris. Na oportunidade, o Brasil estabeleceu como meta a redução de emissão de gases de efeito estufa em 37% até 2025. Tal meta já foi revisada e ajustada para uma redução de 43% até 2030. Dessa forma, para alcançar esses objetivos, é necessária a atuação de órgãos ambientais que estabeleçam leis e diretrizes para todo o país, inclusive para a atividade industrial brasileira, mas quais são estes órgãos e como eles funcionam? É isso que veremos agora. Ao olharmos para o Brasil, podemos ver que o nosso país se destaca pela sua biodiversidade, possui uma gama de florestas, sendo a Amazônia a maior floresta tropical do mundo. Além de ter riquezas com uma diversidade de fauna e de flora, como o pantanal, a mata atlântica e a caatinga. Somos um país que possui uma extensa costa litorânea, além de contarmos com um bem muito valioso que são as reservas de água doce, que estão entre uma das maiores do mundo. Para proteger toda essa riqueza e diversidade e para garantir o total cuidado com o meio ambiente existem no Brasil diversos órgãos que criam normas, legislações, diretrizes, fiscalizam e monitoram as atividades industriais, com o objetivo de resguardar os recursos naturais, tão preciosos em nossa sociedade moderna. Conhecer os atores envolvidos nos processos ambientais e sua forma de atuação pode parecer complexo, mas ter uma visão das responsabilidades de cada órgão facilita para a indústria saber o que está sendo exigido e por quem, e assim poder, inclusive, manifestar-se a respeito. Para entendermos melhor, precisamos saber que existem órgãos federais, estaduais e municipais. Sendo que, em linhas gerais, os órgãos federais possuem uma atuação em todo o território nacional, os estaduais dentro dos estados e os municipais dentro das cidades. Vamos conhecer os principais órgãos em que cada esfera. 62 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria 2.1 ÓRGÃOS FEDERAIS O Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) é formado por órgãos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. É a estrutura máxima de gestão ambiental no Brasil e foi criado pela necessidade de se estabelecer uma rede de agências governamentais que garantisse mecanismos aptos para a consolidação da Política Nacional do Meio Ambiente em todo o nível da Federação. O Artigo 6º, da Lei nº 6398/81, estabeleceu a estruturação do SISNAMA em níveis diferenciados, cada um com suas respectivas atribuições. São eles: Conselho de Governo - Órgão Superior O Conselho de Governo é a entidade que integra a Presidência da República. O objetivo é assessorar o presidente na elaboração de políticas públicas voltadas à preservação ambiental. Conselho Nacional do Meio Ambiente (Órgão Consultivo e Deliberativo) O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) é um órgão normativo, consultivo e deliberativo e tem, dentre outras finalidades, as de estudar, assessorar e propor ao Conselho de Governo Federal diretrizes e políticas governamentais para o meio ambiente, assim como normas e padrões compatíveis com um ecossistema ecologicamente equilibrado. Ministério do Meio Ambiente - Órgão Central O Ministério do Meio Ambiente (MMA) tem como missão promover a adoção das políticas e princípios para o conhecimento, a preservação e a recuperação do meio ambiente. Além disso, o MMA visa o uso sustentável dos recursos naturais e a inserção do desenvolvimento sustentável na criação e implementação de políticas públicas em todas as instâncias do governo, por meio do planejamento, coordenação, controle e supervisão da implementação da Política Nacional e diretrizes governamentais para o meio ambiente. IBAMA - Órgão executor O Instituto Nacional do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (IBAMA), que completou 30 anos em 2019, é uma autarquia do MMA com autonomia administrativa e financeira, que tem como missão proteger a natureza, garantir a qualidade ambiental e a sustentabilidade, no que se refere ao uso dos recursos 63 Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 naturais. Tendo personalidade jurídica própria, executa o controle e fiscalização ambiental nos âmbitos nacional e regional por meio de ações de gestão concretas. ICMBIO O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) trata-se de um órgão ambiental da administração pública, que tem o poder de autoadministração,nos limites estabelecidos em lei. O ICMBio foi criado pela Lei no 11.516/2007, com a missão de proteger o patrimônio natural e promover o desenvolvimento socioambiental, por meio da gestão das Unidades de Conservação (UCs) federais. Órgãos Colegiados Apesar de o MMA ser considerado o órgão máximo de proteção ambiental, existem outras entidades colegiadas que também fiscalizam o meio ambiente, como conselhos inseridos no poder executivo municipal, de natureza deliberativa ou consultiva, integrados por diferentes atores sociais (governo, empresas, universidades, trabalhadores e sociedade civil) envolvidas com o meio ambiente e que integram a estrutura dos órgãos locais do SISNAMA. Entre eles, estão: • Comissão de Gestão de Florestas Públicas: órgão de natureza consultiva do Serviço Florestal Brasileiro, que tem por finalidade assessorar, avaliar e propor diretrizes para a gestão de florestas públicas brasileiras. • Conselho Nacional de Recursos Hídricos: responsável pela efetivação da gestão de recursos hídricos no Brasil. • Comissão Nacional de Biodiversidade: está entre os órgãos ambientais que regem a conservação e a utilização de recursos naturais, bem como a repartição igualitária de sua utilização e conhecimentos associados (TERA AMBIENTAL, 2021). Nesse sentido, na Figura 1 a seguir, temos um breve resumo dos principais órgãos e suas funções. 64 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria FIGURA 1 – PRINCIPAIS ÓRGÃOS AMBIENTAIS FEDERAIS FONTE: A autora. 2.2 ÓRGÃOS ESTADUAIS Nos estados, existem os órgãos seccionais, que são entidades estaduais com a função de executar programas e projetos, além de controlar e fiscalizar as atividades capazes de degradar o meio ambiente. Alguns destes órgãos são: • São Paulo: Coordenadoria de Fiscalização Ambiental (SMA). • Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Ambiente (INEA). • Minas Gerais: Secretaria de Meio Ambiente. • Bahia: Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA) e Secretaria de Meio Ambiente. • Paraná: Instituto Ambiental do Paraná (IAP). • Santa Catarina: Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA). • Amazonas: Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM). Entre os órgãos apresentados, conheceremos melhor o IMA, de Santa Catarina. O instituto atua em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDS), um órgão executivo do governo do estado, que implementa as políticas ambientais, e com o Conselho Estadual do Meio Ambiente (CONSEMA), que é o órgão regulamentador que define padrões ambientais a serem seguidos. Na operacionalização, os órgãos estaduais no estado de Santa Catarina funcionam da seguinte forma, conforme descrito na figura 2. 65 Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 FIGURA 2 – OPERAÇÃO DOS ÓRGÃOS ESTADUAIS – CASO DE SANTA CATARINA FONTE: A autora. 2.3 ÓRGÃOS MUNICIPAIS Já na esfera dos municípios e das cidades, a prefeitura é responsável em definir as políticas, os conselhos municipais de meio ambiente definem os parâmetros, as secretarias ou fundações licenciam e fiscalizam e a Polícia Militar Ambiental (PMA) fiscaliza e insere as devidas providências. Na Figura 3, segue o exemplo da operação dos órgãos ambientais na cidade de Florianópolis, em Santa Catarina. FIGURA 3 – OPERAÇÃO DOS ÓRGÃOS AMBIENTAIS EM FLORIANÓPOLIS/SC FONTE: A autora. 66 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Podemos perceber que a indústria tem uma interação com diversos órgãos, dependendo da questão ambiental e do âmbito que estão tratando. O importante é saber que esses órgãos, sejam eles federais, estaduais ou municipais, apesar de terem uma dinâmica própria, comunicam-se e procuram se complementar. 1 Conhecendo os diversos órgãos ambientais que estão presentes em diferentes esferas, descreva em qual esfera o IBAMA está e qual a sua atuação frente a questões ambientais. Para as indústrias, o caminho mais lógico e com melhor acesso é iniciar a conversa com o próprio município, que tem o total interesse em ajudar o desenvolvimento local. Após o fortalecimento dessa parceria, é possível trilhar caminhos nas esferas estaduais e federais. Na próxima seção, aprenderemos quais são as leis e normas que foram estipuladas por estes órgãos e que devem ser cumpridas pelas indústrias. 3 LEGISLAÇÕES E NORMAS AMBIENTAIS O Brasil conta com uma série de legislações ambientais que devem ser cumpridas a fim de preservar o meio ambiente. Apesar de ser um tema complexo, separamos as principais leis que incidem diretamente na indústria. Na Figura 4, podemos observar uma linha do tempo com as principais leis, e, a seguir, temos o detalhamento de cada lei. 67 Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 FIGURA 4 – LINHA DO TEMPO LEGISLAÇÕES QUE IMPACTAM A INDÚSTRIA FONTE: A autora. 1 – Lei Patrimônio Cultural – Decreto-lei no 25, de 30 de novembro de 1937: lei que organiza a Proteção do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, incluindo como patrimônio nacional os bens de valor etnográfico, arqueológico, os monumentos naturais, além dos sítios e paisagens de valor notável pela natureza ou a partir de uma intervenção humana. A partir do tombamento de um destes bens, ficam proibidas sua demolição, destruição ou mutilação sem prévia autorização do Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN). 2 – Lei da Fauna Silvestre – no 5.197, de 3 de janeiro de 1967: a lei classifica como crime o uso, perseguição, apanha de animais silvestres, caça profissional, comércio de espécies da fauna silvestre e produtos derivados de sua caça, além de proibir a introdução de espécie exótica (importada) e a caça amadorística sem autorização do IBAMA. A lei criminaliza, também, a exportação de peles e couros de anfíbios e répteis em bruto. 3 – Lei das Atividades Nucleares – no 6.453, de 17 de outubro de 1977: dispõe sobre a responsabilidade civil por danos nucleares e a responsabilidade criminal por atos relacionados com as atividades nucleares. Determina que, se houver um acidente nuclear, a instituição autorizada a operar a instalação tem a responsabilidade civil pelo dano, independentemente da existência de culpa. Em caso de acidente nuclear não relacionado a qualquer operador, os danos serão assumidos pela União. Essa lei classifica como crime produzir, processar, fornecer, usar, importar ou exportar material sem autorização legal, extrair e comercializar ilegalmente minério nuclear, transmitir informações sigilosas nesse setor ou deixar de seguir normas de segurança relativas à instalação nuclear. 68 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria 4 – Lei do Parcelamento do Solo Urbano – no 6.766, de 19 de dezembro de 1979: estabelece as regras para loteamentos urbanos, proibidos em áreas de preservação ecológicas, naquelas onde a poluição representa perigo à saúde e em terrenos alagadiços. 5 – Lei do Zoneamento Industrial nas Áreas Críticas de Poluição – no 6.803, de 2 de julho de 1980: atribui aos estados e municípios o poder de estabelecer limites e padrões ambientais para a instalação e licenciamento das indústrias, exigindo o EIA. 6 – Lei da Área de Proteção Ambiental – no 6.902, de 27 de abril de 1981: lei que criou as “Estações Ecológicas “, áreas representativas de ecossistemas brasileiros, sendo que 90% delas devem permanecer intocadas e 10% podem sofrer alterações para fins científicos. Foram criadas também as Áreas de Proteção Ambienta (APAS), áreas que podem conter propriedades privadas e onde o poder público limita as atividades econômicas para fins de proteção ambiental. 7 – Lei da Política Nacional do Meio Ambiente – no 6.938, de 31 de agosto de 1981: é a lei ambiental mais importante e define que o poluidor é obrigado a indenizar danos ambientais que causar, independentemente da culpa. O Ministério Público pode propor ações de responsabilidade civil por danos ao meio ambiente,impondo ao poluidor a obrigação de recuperar e/ou indenizar prejuízos causados. Essa lei criou a obrigatoriedade de EIA e RIMA. 8 – Lei da Ação Civil Pública – no 7.347, de 24 de julho de 1985: lei de interesses difusos, trata da ação civil pública de responsabilidades por danos causados ao meio ambiente, ao consumidor e ao patrimônio artístico, turístico ou paisagístico. 9 – Lei do Gerenciamento Costeiro – no 7.661, de 16 de maio de 1988: define as diretrizes para criar o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro, ou seja, define o que é zona costeira como espaço geográfico da interação do ar, do mar e da terra, incluindo os recursos naturais e abrangendo uma faixa marítima e outra terrestre. Permite aos estados e municípios costeiros instituírem seus próprios planos de gerenciamento costeiro, desde que prevaleçam as normas mais restritivas. Esse gerenciamento costeiro deve obedecer às normas do CONAMA. 10 – Lei da criação do IBAMA – no 7.735, de 22 de fevereiro de 1989: criou o IBAMA, incorporando a Secretaria Especial do Meio Ambiente 69 Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 e as agências federais na área de pesca, desenvolvimento florestal e borracha. Ao Ibama, compete executar a política nacional do meio ambiente, atuando para conservar, fiscalizar, controlar e fomentar o uso racional dos recursos naturais. 11 – Lei dos Agrotóxicos – no 7.802, de 11 de julho de 1989: a lei regulamenta desde a pesquisa e fabricação dos agrotóxicos até sua comercialização, aplicação, controle, fiscalização e o destino da embalagem. Entre as exigências impostas pela lei, estão a obrigatoriedade do receituário agronômico para venda de agrotóxicos ao consumidor; o registro de produtos nos Ministérios da Agricultura e da Saúde; o registro no IBAMA. O descumprimento dessa lei pode acarretar multas e reclusão. 12 – Lei da Exploração Mineral – no 7.805, de 18 de julho de 1989: essa lei regulamenta as atividades garimpeiras. Para essas atividades, é obrigatória a licença ambiental prévia, que deve ser concedida pelo órgão ambiental competente. Os trabalhos de pesquisa ou lavra que causarem danos ao meio ambiente são passíveis de suspensão, sendo o titular da autorização de exploração dos minérios responsável pelos danos ambientais. A atividade garimpeira executada sem permissão ou licenciamento é crime. 13 – Lei da Política Agrícola – no 8.171, de 17 de janeiro de 1991: coloca a proteção do meio ambiente entre seus objetivos e como um de seus instrumentos. Define que o poder público deve disciplinar e fiscalizar o uso racional do solo, da água, da fauna e da flora; realizar zoneamentos agroecológicos para ordenar a ocupação de diversas atividades produtivas, desenvolver programas de educação ambiental, fomentar a produção de mudas de espécies nativas, entre outros. 14 – Lei da Engenharia Genética – no 8.974, de 5 de janeiro de 1995. Revogada pela Lei no 11.105, de 24 de março de 2005: essa lei estabelece normas para aplicação da engenharia genética, desde o cultivo, manipulação e transporte de organismos modificados (OGM), até sua comercialização, consumo e liberação no meio ambiente. A autorização e fiscalização do funcionamento das atividades na área e da entrada de qualquer produto geneticamente modificado no país, é de responsabilidade dos Ministérios do Meio Ambiente, da Saúde e da Agricultura. Toda entidade que usar técnicas de engenharia genética é obrigada a criar sua Comissão Interna de Biossegurança, que deverá, entre outros, informar trabalhadores e a comunidade sobre questões relacionadas à saúde e segurança na atividade. 70 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria 15 – Lei de Recursos Hídricos – no 9.433, de 8 de janeiro de 1997: institui a Política Nacional de Recursos Hídricos e cria o Sistema Nacional de Recursos Hídricos. Define a água como recurso natural limitado, dotado de valor econômico, que pode ter usos múltiplos (consumo humano, produção de energia, transporte, lançamento de esgotos). A lei prevê também a criação do Sistema Nacional de Informação sobre Recursos Hídricos para a coleta, tratamento, armazenamento e recuperação de informações sobre recursos hídricos e fatores intervenientes em sua gestão. 16 – Resolução Conama no 237, de 19 de dezembro de 1997: dispõe sobre os procedimentos e critérios utilizados no licenciamento ambiental e no exercício da competência, bem como sobre as atividades e os empreendimentos sujeitos ao licenciamento ambiental. 17 – Lei de Crimes Ambientais – no 9.605, de 12 fevereiro de 1998: reordena a legislação ambiental brasileira no que se refere às infrações e punições. A pessoa jurídica, autora ou coautora da infração ambiental, pode ser penalizada, chegando à liquidação da empresa, se ela tiver sido criada ou usada para facilitar ou ocultar um crime ambiental. A punição pode ser extinta caso se comprove a recuperação do dano ambiental. As multas variam de R$ 50,00 a R$ 50 milhões de reais. 18 – Lei no 9.985, de 18 de junho de 2000 – institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza: entre seus objetivos, estão: a conservação de variedades de espécies biológicas e dos recursos genéticos; a preservação e restauração da diversidade de ecossistemas naturais; e a promoção do desenvolvimento sustentável a partir dos recursos naturais. 19 – Lei no 11.445, de 5 de janeiro de 2007 – estabelece a Política Nacional de Saneamento Básico: versa sobre todos os setores do saneamento, como drenagem urbana, abastecimento de água, esgotamento sanitário e resíduos sólidos. 20 – Lei das Florestas – no 4.771, de 15 de setembro de 2012: determina a proteção de florestas nativas e define como áreas de preservação permanente (onde a conservação da vegetação é obrigatória) uma faixa de 30 a 500 metros nas margens dos rios, de lagos e de reservatórios, além de topos de morro, encostas com declividade superior a 45 graus e 71 Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 Para entender melhor a aplicação da legislação, no setor da construção, que é responsável pela construção de rodovias, estradas, pontes, viadutos dentre outros, é necessário se atentar para a Portaria Interministerial nº 1, de 4 de novembro de 2020. Esta portaria estabelece os procedimentos relativos à regularização ambiental de rodovias federais pavimentadas que estejam operando sem a devida licença ambiental de operação. As informações estão no site https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-interministerial-n-1- de-4-de-novembro-de-2020-286701778. locais acima de 1.800 metros de altitude. Também exige que propriedades rurais da região Sudeste do país preservem 20% da cobertura arbórea, devendo tal reserva ser averbada em cartório de registro de imóveis. No site do IBAMA, é possível encontrar um quadro com a legislação vigente classificado por atividade e por setor no seguinte link: http://www.ibama.gov.br/laf/legislacao. Nesse contexto, existem diversas legislações que incidem no setor industrial. No Quadro 1 a seguir, estão algumas outras leis federais que impactam a indústria. QUADRO 01 – LEIS FEDERAIS Lei Descrição Lei Complementar nº 140, de 8 de dezembro de 2011 Fixa normas, nos termos dos incisos III, VI e VII do caput e do parágrafo único do art. 23 da Constituição Federal, para a cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios nas ações administrativas decorrentes do exercício da competência comum relativas à proteção das paisagens naturais notáveis, à proteção do meio ambiente, ao combate à poluição em qualquer de suas formas e à preservação das florestas, da fauna e da flora; e altera a Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981. 72 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; altera as leis no 6.938, de 31 de agosto de 1981; no 9.393, de 19 de dezembrode 1996; e no 11.428, de 22 de dezembro de 2006; revoga as leis no 4.771, de 15 de setembro de 1965; no 7.754, de 14 de abril de 1989, e a Medida Provisória no 2.166-67, de 24 de agosto de 2001 e dá outras providências. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010 Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 e dá outras providências. Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006 Dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica e dá outras providências. Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001 Regulamenta os artigos 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências. Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000 Altera a Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação e dá outras providências. Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000 Regulamenta o art. 225, § 1º, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e dá outras providências. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999 Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente e dá outras providências. Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997 Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, e altera o artigo 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que modificou a Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989. 73 Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 Lei nº 9.017, de 30 de março de 1995 Estabelece normas de controle e fiscalização sobre produtos e insumos químicos que possam ser destinados à elaboração da cocaína em suas diversas formas e de outras substâncias entorpecentes ou que determinem dependência física ou psíquica, e altera dispositivos da Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983, que dispõe sobre segurança para estabelecimentos financeiros, estabelece normas para constituição e funcionamento de empresas particulares que explorem serviços de vigilância e de transporte de valores e dá outras providências. Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989 Institui, para os Estados, Distrito Federal e Municípios, compensação financeira pelo resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica, de recursos minerais em seus respectivos territórios, plataformas continentais, mar territorial ou zona econômica exclusiva e dá outras providências (Art. 21, XIX da CF). Lei nº 7.805, de 18 de julho de 1989 Altera o Decreto-Lei nº 227, de 28 de fevereiro de 1967, cria o regime de permissão de lavra garimpeira, extingue o regime de matrícula e dá outras providências. Lei nº 7.804, de 18 de julho de 1989 Altera a Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, a Lei nº 7.735, de 22 de fevereiro de 1989, a Lei nº 6.803, de 2 de julho de 1980 e dá outras providências. Lei nº 7.802, de 11 de julho de 1989 Dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins e dá outras providências. Lei nº 7.677, de 21 de outubro de 1988 Dispõe sobre a criação, pelo Poder Executivo, de entidade destinada a promover o desenvolvimento da tecnologia mineral e dá outras providências. 74 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Lei nº 7.661, de 16 de maio de 1988 Institui o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro e dá outras providências. Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985 Disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao meio-ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico e dá outras providências. Lei nº 7.312, de 16 de maio de 1985 Altera a Lei nº 6.567, de 24 de setembro de 1978, para incluir o basalto no regime especial de exploração por licenciamento. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981 Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação e dá outras providências. Lei nº 6.766, de 19 de dezembro de 1979 Dispõe sobre o Parcelamento do Solo Urbano e dá outras Providências. Lei nº 6.567, de 24 de setembro de 1978 Dispõe sobre regime especial para exploração e o aproveitamento das substâncias minerais que especifica e dá outras providências. Lei nº 6.437, de 20 de agosto de 1977 Configura infrações à legislação sanitária federal, estabelece as sanções respectivas e dá outras providências. Lei nº 5.197, de 3 de janeiro de 1967 Dispõe sobre a proteção à fauna e dá outras providências. Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964 Dispõe sobre o Estatuto da Terra e dá outras providências. Lei nº 3.924, de 26 de julho de 1961 Dispõe sobre os monumentos arqueológicos e pré- históricos. Resolução nº 15, de 2012 Institui o Prêmio Mérito Ambiental a ser conferido anualmente pelo Senado Federal. FONTE: A autora. Além das leis federais também existem os decretos federais, sendo que ambos têm força e funções diferentes. No entanto, vale ressaltar que as leis são superiores aos decretos. No Quadro 2, estão descritos alguns decretos federais relacionados ao meio ambiente. QUADRO 2 – DECRETOS FEDERAIS Decretos Federais Descrição Decreto n° 12867, de 15 de setembro de 2010 Institui o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Bioma Cerrado (PPCerrado), altera o Decreto de 3 de julho de 2003, que institui Grupo Permanente de Trabalho Interministerial para os fins que especifica. 75 Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 Decreto nº 6.660, de 21 de novembro de 2008 Regulamenta dispositivos da Lei no 11.428, de 22 de dezembro de 2006, que dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica. Decreto nº 6.514, de 22 de julho de 2008 Dispõe sobre as infrações e sanções administrativas ao meio ambiente, estabelece o processo administrativo federal para apuração destas infrações e dá outras providências. Decreto nº 5.300, de 7 de dezembro de 2004 Regulamenta a Lei no 7.661, de 16 de maio de 1988, que institui o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro (PNGC), dispõe sobre regras de uso e ocupação da zona costeira e estabelece critérios de gestão da orla marítima e dá outras providências. Decreto nº 4.281, de 25 de junho de 2002 Regulamenta a Lei no 9.795, de 27 de abril de 1999, que institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Decreto nº 3.739, de 31 de janeiro de 1991 Dispõe sobre o cálculo da tarifa atualizada de referência para compensação financeira pela utilização de recursos hídricos, de que trata a Lei no 7.990, de 28 de dezembro de 1989, da contribuição de reservatórios de montante para a geração de energia hidrelétrica, de que trata a Lei no 8.001, de 13 de março de 1990 e dá outras providências. Decreto nº 1, de 11 de janeiro de 1991 Regulamenta o pagamento da compensação financeira instituída pela Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989 e dá outras providências. Decreto nº 99.274, de 6 junho de 1990 Regulamenta a Lei nº 6.902, de 27 de abril de 1981, e a Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, quedispõem, respectivamente sobre a criação de Estações Ecológicas e Áreas de Proteção Ambiental e sobre a Política Nacional do Meio Ambiente e dá outras providências. FONTE: Adaptado de BRASIL (1990). Acesso em: 28 ago. 2021. Para exemplificar o impacto de um decreto na indústria, podemos citar o decreto nº 6.660, de 21 de novembro 2008 que regulamenta dispositivos da Lei no 11.428, de 22 de dezembro de 2006, que dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do bioma mata atlântica. Este decreto impacta diretamente as atividades da indústria florestal, que tem que verificar se as formas de plantio e manejo das florestas plantadas estão adequadas e de que forma estão cuidando para a preservação das espécies 76 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria nativas da mata atlântica. Nesse sentido, um decreto impacta na indústria que produz o papel que você utiliza ou o móvel que você tem na sua casa, por exemplo. Outro exemplo é o decreto nº 5.300, de 7 de dezembro de 2004, que regulamenta a Lei no 7.661, de 16 de maio de 1988, que institui o PNGC, dispõe sobre regras de uso e ocupação da zona costeira, estabelece critérios de gestão da orla marítima e dá outras providências. Esse decreto impacta as atividades da indústria pesqueira, que, com seus barcos, faz a pesca de algumas espécies, tendo que obedecer a critérios como manter uma certa distância, além de seguir as regras para ocupar e utilizar o território marítimo. Muitas dessas indústrias possuem parte do seu processo produtivo realizado em alto mar, o que também demanda seguir uma série de regras de preservação ambiental. Sendo assim, a indústria que produz a latinha de atum que você consome, tem que seguir uma série de leis e decretos para conseguir entregar esse produto até você. Para exemplificar, no Quadro 3 a seguir estão algumas legislações estaduais relacionadas ao meio ambiente que impactam a indústria. Utilizamos como exemplo as legislações do estado de Santa Catarina. QUADRO 3 – LEGISLAÇÕES ESTADUAIS DE SANTA CATARINA Leis Estaduais Descrição Lei nº 15.940, de 20 dezembro de 2012 Altera a Lei nº 14.262, de 2007, que dispõe sobre a Taxa de Prestação de Serviços Ambientais. Lei nº 15.815, de 8 de maio de 2012 Acrescenta o Capítulo VI no Título V da Lei nº 14.675, de 2009, que institui o Código Estadual do Meio Ambiente e estabelece outras providências. Lei nº 15.736, de 11 de janeiro 2012 Dispõe, define e disciplina a piscicultura de águas continentais no Estado de Santa Catarina e adota outras providências. Lei nº 15.587, de 27 de setembro de 2011 Autoriza a Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca a indenizar criadores de animais mortos em catástrofe ambiental no ano de 2009 nos municípios do Extremo- Oeste do Estado de Santa Catarina e adota outras providências. Lei nº 15.251, de 3 de agosto de 2010 Veda o ingresso, no Estado de Santa Catarina, de resíduos sólidos com características radioativas e de resíduos orgânicos oriundos de frigoríficos e abatedouros, que apresentem riscos sanitários, tais como a disseminação de febre aftosa ou outras zoonoses. 77 Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 Lei nº 15.111, de 18 de janeiro de 2010 Proíbe a construção de Pequenas Centrais Hidroelétricas (PCHs) no trecho do rio que antecede o Parque das Sete Quedas do Rio Chapecó, localizado no município de Abelardo Luz. Lei nº 14.601, de 29 de dezembro de 2008 Institui o Cadastro Técnico Estadual de Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos Naturais, integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), a Taxa de Fiscalização Ambiental e estabelece outras providências. Lei nº 14.496, de 7 de agosto de 2008 Dispõe sobre a coleta, o recolhimento e o destino final das embalagens plásticas de óleos lubrificantes e adota outras providências. Lei nº 13.973, de 26 de janeiro de 2007 Dispõe sobre a concessão e/ou renovação de licença ambiental a empreendimentos ou atividades com significativo impacto ambiental regional ou local. Lei nº 13.972, de 26 janeiro de 2007 Dispõe sobre a dispensa de EIA e RIMA para a atividade de pequeno porte de extração de carvão mineral a céu aberto, em áreas remanescentes mineradas em subsolo e a céu aberto, de até cinco hectares. Lei nº 13.674, de 09 de janeiro de 2006 Dispõe sobre a dispensa de EIA e RIMA para a atividade de extração mineral classe II, em área de preservação permanente de até cinco hectares, em empreendimentos regularmente licenciados anteriormente à publicação da Resolução nº 237, de 19 de dezembro de 1997, do CONAMA. Lei nº 12.548, de 20 de dezembro de 2002 Torna obrigatória a publicação da relação dos estabelecimentos multados por poluição e degradação ambiental. FONTE: <https://www.ima.sc.gov.br/>. Acesso em: 28 ago. 2021. Para exemplificar, podemos verificar que a Lei nº 15.587, de 27 de setembro de 2011, que autoriza a Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca a indenizar criadores de animais mortos em catástrofe ambiental no ano de 2009 nos municípios do extremo oeste do Estado de Santa Catarina e adota outras providências, incide diretamente na agroindústria. Afinal, as agroindústrias que atuam com proteína animal podem receber esta indenização, uma vez que os eventos ambientais muitas vezes não podem ser previstos e muito menos controlados. 78 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Um exemplo de catástrofe ambiental foi o rompimento da estrutura de esgoto tratado da Casan, em janeiro de 2021, no centro da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, Santa Catarina que alterou os níveis de oxigênio na água e atingiu diversas espécies marinhas. A unidade de tratamento de água responsável pela estrutura foi notificada e as leis cabíveis deverão ser aplicadas para tentar minimizar e reparar os danos ambientais provocados e indenizar as famílias que tiveram suas casas atingidas pelo rompimento da estação de tratamento. Fonte: https://ndmais.com.br/meio-ambiente/ lagoa-zona-morta-desastre-ambiental/ Outro exemplo de desastre ambiental ocorrido no Brasil foi o rompimento das barragens da mineradora Samarco, na cidade de Mariana, Minas Gerais, considerado pelo IBAMA como o maior desastre ambiental do Brasil, que impactou diversas espécies. Fonte: https://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/blog-do-planeta/ noticia/2015/12/desastre-em-mariana-ameaca-quase-400-especies- de-animais.html A catástrofe ambiental que ocorreu em setembro de 2009, provocada por um tornado que atingiu a região oeste de Santa Catarina, foi o principal motivo para a criação de uma lei de indenização para as agroindústrias. Durante o evento, que por ser um fenômeno da natureza não pode ser contido, mais de 60 mil aves morreram, provocando um forte impacto na agroindústria da região. Fonte: http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2014/09/registro- de-tornado-que-devastou-cidade-em-sc-completa-cinco-anos.html 79 Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 Nesse contexto, percebemos que as legislações e decretos são importantes para preservar os recursos naturais do nosso país. As legislações servem como um mecanismo para orientar, direcionar e punir qualquer ação que impacte o meio ambiente. Infelizmente, existem diversos acidentes e desastres ambientais que impulsionam e justificam a necessidade de termos órgãos específicos para garantir o uso adequado dos nossos recursos. Se olharmos para o mundo e para o Brasil, é possível identificar diversos acidentes emblemáticos que mostram a importância de sempre estarmos atentos ao uso dos recursos e dos impactos gerados no meio ambiente. Os principais acidentes ambientais ocorridos no Brasil e no mundo estão apresentados no site: https://www.unicamp.br/unicamp/ ju/noticias/2017/12/01/principais-desastres-ambientais-no-brasil-e- no-mundo. Nessa leitura, é possível percebero impacto e os diversos danos causados por um acidente ambiental Nesse sentido, as legislações estão presentes para tentar minimizar os potenciais danos causados ao meio ambiente e, assim, fortalecer a busca contínua pelo equilíbrio entre preservação ambiental e desenvolvimento econômico. No entanto, além das leis, existem normas que auxiliam as indústrias a estabelecer seus processos ambientais, como é o caso da norma ISO 14.001. 3.1 ISO 14.001 ISSO é uma sigla em inglês para Organização Internacional de Normalização, sendo formada por diversos países, em que seus membros reúnem especialistas para desenvolver padrões internacionais. Esses padrões são feitos de forma voluntária e são baseados em consenso sobre aspectos importantes do mercado, que irão apoiar a inovação e proporcionar soluções para os desafios globais. O Brasil se inseriu na ISO por meio da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A ISO possui diversas normas e, entre elas, existe a série 14000. Essa série se refere a normas de padrões ambientais com objetivo de abordar temas como: • Sistemas de gestão ambiental. • Rotulagem ambiental. 80 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria • Auditorias ambientais. • Análise do ciclo de vida. • Comunicação ambiental. • Desempenho ambiental. • Aspectos ambientais. • Terminologia. A ISO 14001 visa, também, atender indústrias de qualquer segmento e porte. O Comitê Técnico 207, chamado ISO/TC207 é a área da ISO responsável pela série ISO 14000. Na ABNT, seu correspondente é o Comitê Brasileiro de Gestão Ambiental CB-38. Fazem parte dessa série as normas: ISO 14001, 14004, 14010, 14020, 14031, 14040 e 14064 (NOMUS, 2021). A norma ISO 14.001 foi criada pela ABNT e tem como objetivo apresentar os requisitos para a estruturação de um Sistema de Gestão Ambiental. A norma considera aspectos ambientais que são influenciados pela empresa e, também, outros aspectos que a organização pode controlar. Um dos diferenciais da norma ISO 14.001 é a possibilidade dada às empresas de desenvolverem um sistema que proteja o meio ambiente, respondendo de forma proativa e rápida a mudanças das condições ambientais. A empresa que busca ter uma postura sustentável e ser reconhecida por isso pelos seus clientes, parceiros e pela sociedade, é o tipo de empresa que implementa a ISO 14.001. Essas empresas veem a norma como uma forma de estabelecer um sistema de gestão ambiental e de estarem seguras sobre políticas e práticas ambientais adotadas em suas organizações. As indústrias têm procurado atuar de uma forma ambientalmente correta e seguir as leis e diretrizes impostas para o setor. No entanto, o que a ISO 14.001 proporciona é uma atuação em que a gestão ambiental é trabalhada de forma estratégica, inserida no objetivo de promover o desenvolvimento sustentável da organização. A norma ISSO 14.001 trabalha com questões altamente relevantes para as indústrias, analisando, assim, a cadeia de valor, o ciclo de vida dos produtos envolvendo as fases de concepção, fabricação, comercialização até a destinação final. A proposta é analisar desde a fase do projeto, em seu escopo inicial, passando pela fabricação, distribuição e descarte dos produtos. A intenção é que a indústria absorva a preocupação com a perspectiva de ciclo de vida com foco na prevenção dos impactos ambientais. A norma também analisa os aspectos sociais, por meio da análise das condições ambientais locais, regionais e globais afetadas pela empresa. 81 Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 Ao implementar uma norma, a indústria dispende recursos humanos e financeiros. Esse esforço deve ser sempre avaliado e medido para que, de fato, a energia da organização seja canalizada para algo que dará retorno para a organização. Dessa forma, os objetivos da norma devem estar claros para a indústria e todos os envolvidos. No caso da ISO 14.001, os objetivos são: • Proteção do meio ambiente pela prevenção ou mitigação dos impactos ambientais adversos. • Mitigação de potenciais efetivos adversos das condições ambientais na organização. • Auxílio à organização no atendimento aos requisitos legais e outros requisitos. • Aumento do desempenho ambiental. • Controle ou influência no modo que os produtos e serviços da organização são projetados, fabricados, distribuídos, consumidos e descartados, utilizando uma perspectiva de ciclo de vida que possa prevenir o deslocamento involuntário dos impactos ambientais dentro do ciclo de vida. • Alcance dos benefícios financeiros e operacionais que podem resultar da implementação de alternativas ambientais que reforçam a posição da organização no mercado. • Comunicação de informações ambientais para as partes interessadas pertinentes. Vale ressaltar que, para que os objetivos traçados sejam alcançados, é necessário o envolvimento de toda a empresa, principalmente o patrocínio e o comprometimento da alta administração, que dará o tom do discurso e a direção para execução de todas as atividades. Ao começar a trabalhar com a norma ISO 14.001, uma indústria apresenta o seu interesse por incorporar uma atuação sustentável, mudar a sua mentalidade, passando a pensar na perspectiva de oportunidades e riscos. Esse pensamento é formado por questões como: quais são as oportunidades que o meu produto apresenta quando tem o seu ciclo fechado? Quais as oportunidades para a indústria trabalhar com processos de logística reversa, ou seja, em sua destinação, os resíduos retornam como matéria-prima para outros produtos, sejam secundários ou até mesmo novos produtos. Um exemplo prático que demonstra bem esta mentalidade é o de indústrias que fabricam embalagens de aço e que tem como um de seus principais objetivos receber as embalagens usadas para utilizar como parte da matéria-prima para a 82 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria produção de novas embalagens de aço. Tal ação estimula a reciclagem e gera ganhos ambientais e financeiros para o negócio. Outro pensamento que as indústrias começam a inserir é referente aos riscos que determinados produtos podem trazer para os seus consumidores e para o meio ambiente, começando a estruturar formas seguras para a realização do descarte. Por meio dessa postura de ações, as indústrias podem melhorar o seu desempenho e colher os resultados dos investimentos realizados para se tornarem mais sustentáveis, melhorando, assim, o desempenho ambiental. Nesse sentido, as indústrias evitam receber multas desnecessárias pelos órgãos ambientais, além de melhorar a sua imagem para a sociedade e para os seus consumidores. A intenção principal de inserir práticas sustentáveis e um sistema de gestão ambiental na indústria é para conciliar a preservação do meio ambiente com a produtividade. Essa ação é possível por meio das práticas ambientais que resultam diretamente em benefícios operacionais e financeiros, ampliando a competitividade da empresa. Nesse sentido, a ISO 14.001 pode proporcionar ganhos econômicos consideráveis para as indústrias, pois pode reduzir o consumo de recursos, reduzir custos e, também, fortalecer a imagem da organização nos mercados nacionais e internacionais que cada vez mais valorizam essa certificação. Neste sentido, quando uma indústria é certificada com um Sistema de Gestão Ambiental por meio da ISO 14.001, reconhecido internacionalmente, a organização alcança uma série de benefícios, como: • Crescer de forma sustentável o A ISO 14001 identifica e estabelece o significado de todos os impactos ambientais. o Implantação de um controle efetivo de todo o impacto ambiental. o Melhora a eficiência ao usar materiais naturais na linha de produção. o Diminui o custo operacional do negócio, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência. o Amplia a confiança dos stakeholders. • Estar atualizado frente a leis ambientais e possíveis processos o Atendimento a todos os requerimentos legais com a implantação daISO 14001. o Garantia no atendimento aos requisitos legais. o Torna os dados levantados pela indústria relevantes legalmente e, também, úteis para colaboradores e interessados. 83 Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 o Reduz as chances de processos e multas, o que pode resultar em menos visitas de agentes do governo e seguros mais baratos. o Atualização sobre mudanças legais e um tempo maior para se adequar aos novos requisitos. • Manter a imagem da organização e da marca em alta com clientes e investidores o Um certificado ISO 14001 mostra que impactos ambientais são prioridade para a indústria. o Garante para investidores que a indústria está usando as melhores práticas ambientais. o Garante que as pessoas envolvidas e a equipe continuem melhorando o sistema ambiental continuamente. o Melhora a reputação e satisfação de sócios e investidores. o Aumenta o acesso a novos clientes e parceiros. o Estabelece uma vantagem competitiva para a indústria crescer. • Exigir que os fornecedores tenham responsabilidade ambiental o O certificado ISO 14001 demonstra que a indústria é ética e tem credibilidade. o É reconhecido e aceito internacionalmente, o que pode aumentar bastante suas vendas e possibilidade de investimento. o Ampliar a atuação da indústria no mercado externo, elevando as exportações de seus produtos. Desta forma, frente a tantos benefícios, a dúvida é: como implementar a ISO 14.001 em uma indústria? Para responder a essa dúvida, consideramos que a indústria que está interessada em implantar um sistema de gestão ambiental e obter o certificado da ISO 14.001 deverá atender aos requisitos da norma ambiental internacional. Isso acontece porque a legislação ambiental no Brasil é complexa, e envolve diferentes esferas nacionais, estaduais e locais, como já vimos anteriormente. Sendo assim, para a certificação, a indústria precisa realizar um detalhamento da sua situação em relação a questões ambientais, o que, em um primeiro momento, pode ser considerado mais complexo e trabalhoso se comparado a outras certificações. O período médio para implantar a ISO 14.001 é de 12 a 18 meses, o que impacta nesse tempo são fatores como o porte da indústria, o nível de comprometimento da direção e da equipe dedicada ao trabalho. Para iniciar um processo de implantação da norma, a indústria deve, em primeiro lugar, estabelecer uma equipe própria com conhecimento do tema, composta por colaboradores da empresa ou por uma consultoria para realizar uma auditoria interna e adequar os processos às exigências da norma. 84 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Para obter a certificação, a indústria precisa contatar as organizações de certificação independentes que fazem todo o processo e atestam que a indústria está de acordo com os requisitos solicitados na norma. As instituições independentes mais conhecidas que atuam com a ISO 14.001 no Brasil são a Bureau Veritas Quality International e a Sociedade Geral de Superintendência (SGS). Nesse sentido, são listadas a seguir algumas ações importantes que devem ser consideradas pelas indústrias interessadas em implementar a ISO 14.001. • Estudar sobre o tema: é importante estar por dentro dos impactos que a indústria pode causar ao meio ambiente e, também, formas de os eliminar sem perder rentabilidade. Vale observar e estudar a norma para saber e entender um pouco mais sobre o processo que a indústria passará. • Envolver os colaboradores e sócios no projeto de implantação: o ideal é que todos abracem a causa para resultados mais rápidos e efetivos. • Oferecer treinamentos e incentivos para a equipe: assim, é possível formar auditores internos capazes de acelerar a implementação e facilitar a manutenção da certificação. • Usar o benefício comercial da norma para melhorar a imagem da indústria: mostrar para clientes, parceiros e possíveis clientes que a indústria tem credibilidade e preocupação com o meio ambiente. • Estabelecer uma equipe focada na implantação: garante que o processo siga de forma continua e estável. • Buscar ajuda especializada: devido à complexidade de alguns temas, é importante a participação de especialistas capacitados. Para visualizar a implantação da ISO 14.001, leia o estudo de caso da implantação da ISO 14.001 em uma indústria de papel no estado do Paraná, disponível em: https://www.scielo.br/j/read/a/ rwhsb6JQK65TQbTZv96J7jy/?lang=pt 85 Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 1 A Norma ISO 14.001 é uma das melhores formas de uma indústria estabelecer um sistema de gestão ambiental. Nesse sentido, descreva quais são os objetivos da ISO 14.001 e para empresas de qual porte ela é indicada. Observamos que a norma ISO 14.001 pode ser considerada uma forma de conciliar preservação ambiental à estratégia de crescimento e desenvolvimento das indústrias. Ao implementar uma certificação desse nível, a indústria estabelece novos padrões competitivos e se insere em um rol de indústrias com uma visão sustentável ampliada de seus negócios. Nesse sentido, a certificação ISO 14.001 não é uma obrigação, mas sim uma oportunidade para as indústrias que queiram estabelecer seus sistemas de gestão ambiental. Por outro lado, existem projetos ambientais que estão previstos em lei e que necessitam ser atendidos conforme a atividade industrial realizada. 4 PROJETOS AMBIENTAIS Dentre as ações que as indústrias estão mais atentas e preocupadas em atender, podemos citar um dos instrumentos da Política Nacional de Meio Ambiente, o licenciamento ambiental. O objetivo do licenciamento ambiental é compatibilizar o desenvolvimento econômico-social com o meio ambiente ecologicamente equilibrado. Por isso, segundo o Ibama (2021), a construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimentos e atividades utilizadores de recursos ambientais, efetiva ou potencialmente poluidores ou capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental dependerão de prévio licenciamento ambiental. O Ibama é o órgão executor do licenciamento ambiental de competência da União. A Lei Complementar nº 140/11, art. 7º, inciso XIV, e o Decreto nº 8.437/15 estabelecem os critérios e tipos de atividades e de empreendimentos sujeitos ao licenciamento ambiental no Ibama, sendo de competência do Ibama o licenciamento ambiental de atividades e de empreendimentos: • Localizados ou desenvolvidos conjuntamente no Brasil e em país limítrofe. 86 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria • Localizados ou desenvolvidos no mar territorial, na plataforma continental ou na zona econômica exclusiva. • Localizados ou desenvolvidos em terras indígenas. • Localizados ou desenvolvidos em unidades de conservação instituídas pela União, exceto em APAs. • Localizados ou desenvolvidos em dois ou mais Estados. • De caráter militar, excetuando-se do licenciamento ambiental, nos termos de ato do Poder Executivo, aqueles previstos no preparo e emprego das Forças Armadas. • Destinados a pesquisar, lavrar, produzir, beneficiar, transportar, armazenar e dispor material radioativo, em qualquer estágio, ou que utilizem energia nuclear em qualquer de suas formas e aplicações, mediante parecer da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). • Ferrovia federal: Implantação, ampliação de capacidade e regularização ambiental. Não se aplica aos casos de implantação e ampliação de pátios ferroviários, melhoramentos de ferrovias, implantação e ampliação de estruturas de apoio de ferrovias, ramais e contornos ferroviários. • Rodovia federal: implantação, regularização ambiental de rodovias pavimentadas, pavimentação e ampliação de capacidade com extensão igual ou superior a duzentos quilômetros e atividades de manutenção, conservação, recuperação, restauração e melhoramento em rodovias federais regularizadas. Não se aplica aos casos de contornos e acessos rodoviários, anéis viários e travessiasurbanas. • Hidrovias federais: implantação e ampliação de capacidade cujo somatório dos trechos de intervenções seja igual ou superior a duzentos quilômetros de extensão. • Portos organizados, exceto as instalações portuárias que movimentem carga em volume inferior a 450.000 TEU/ano ou a 15.000.000 ton/ano. • Terminais de uso privado e instalações portuárias que movimentem carga em volume superior a 450.000 TEU/ano ou a 15.000.000 ton/ano. • Petróleo e gás: exploração e avaliação de jazidas, compreendendo as atividades de aquisição sísmica, coleta de dados de fundo (piston core), perfuração de poços e teste de longa duração quando realizadas no ambiente marinho e em zona de transição terra-mar (offshore). • Petróleo e gás: produção, compreendendo as atividades de perfuração de poços, implantação de sistemas de produção e escoamento, quando realizada no ambiente marinho e em zona de transição terra-mar (offshore). • Petróleo e gás: produção, quando realizada a partir de recurso não convencional de petróleo e gás natural, em ambiente marinho e em zona de transição terra-mar (offshore) ou terrestre (onshore), compreendendo as atividades de perfuração de poços, fraturamento hidráulico e implantação de sistemas de produção e escoamento. 87 Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 • Usinas hidrelétricas com capacidade instalada igual ou superior a trezentos megawatts. • Usinas termelétricas com capacidade instalada igual ou superior a trezentos megawatts. • Usinas eólicas, no caso de empreendimentos e atividades offshore e zona de transição terra-mar. Se a atividade ou empreendimento não se enquadrar em nenhum dos critérios que definem a competência da união para conduzir o processo de licenciamento, o interessado deve consultar a Lei Complementar nº 140/11, art. 8º e 9º, bem como as normativas do estado ou município no qual se insere o projeto, para verificar se este deve ser submetido ao licenciamento ambiental estadual ou municipal. Nesses casos, deve-se buscar informações sobre os procedimentos de licenciamento ambiental no órgão ambiental competente do estado ou município em que se localiza a atividade ou empreendimento. Algumas atividades específicas são consideradas de risco leve, irrelevante ou inexistente, com irrelevante potencial de degradação ambiental, e, por isso, não são passíveis de licenciamento ambiental. Algumas atividades não são submetidas ao procedimento de licenciamento ambiental; no entanto, requerem a emissão de licenças e autorização específica do órgão ambiental competente, tais como uso e manejo de fauna silvestre, supressão e manejo da vegetação, transporte, por qualquer meio, e o armazenamento de madeira, lenha, carvão e outros produtos ou subprodutos florestais oriundos de florestas de espécies nativas, transporte de produtos perigosos. O setor da indústria florestal é um exemplo de atividade industrial que necessita seguir uma série de regras ambientais para a realização de suas atividades. 1 Descreva o que é o licenciamento ambiental e qual sua obrigatoriedade para as atividades industriais. 88 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Na Figura 5, são apresentadas as etapas do licenciamento ambiental. FIGURA 5 – ETAPAS DO LICENCIAMENTO AMBIENTAL FONTE: Adaptado de IBAMA (2021). A definição do procedimento a ser adotado, incluindo tipos de licença e estudos ambientais necessários, é realizada na etapa de enquadramento do objeto, de acordo o estabelecido na legislação e com as características do projeto e de seu potencial de causar degradação ambiental. De modo geral, o procedimento de licenciamento ambiental depende da obtenção de licença prévia (LP), licença de instalação (LI) e licença de operação (LO), emitidas nessa ordem, sendo que a LI ou LO é emitida após a análise do projeto e do atendimento das condições estabelecidas na licença anterior. Existe, ainda, um licenciamento específico de atividades em regularização ambiental, denominado licenciamento ambiental corretivo. O procedimento de licenciamento ambiental corretivo contempla a obtenção da licença de operação. Há, também, outros procedimentos e licenças específicas estabelecidas na legislação, de acordo com o tipo e características da atividade ou empreendimento. 89 Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 As licenças ambientais são atos administrativos pelos quais o órgão ambiental estabelece as condições, restrições e medidas de controle e monitoramento ambientais que deverão ser cumpridas pelo empreendedor – o responsável pelo projeto/empreendimento/atividade/obra licenciados. De modo geral, sem prejuízo de outros atos autorizativos definidos em demais regulamentos, podem ser emitidas as licenças e autorizações ambientais relacionadas a seguir: • Licença prévia (LP): concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividade aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação. O prazo de validade dessa licença é de cinco anos. • Licença de instalação (LI): autoriza a instalação do empreendimento ou atividade de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes. O prazo de validade dessa licença é de seis anos. • Licença de instalação corretiva (LIC): essa modalidade de pedido de licença é utilizada para empreendimentos já instalados ou em operação. A proposta é regularizar estabelecimentos concebidos quando os instrumentos ambientais de licenciamento não eram tão efetivos, ou, no caso de empreendimentos que iniciaram suas atividades, desconhecendo a obrigatoriedade dos procedimentos de licenciamento ambiental para sua atividade. • Licença de operação (LO): autoriza a operação da atividade ou empreendimento, com as medidas de controle ambiental e condicionantes determinados para a operação. O prazo de validade dessa licença é de 4 a 10 anos. • Licença de operação corretiva (LOC): modalidade de licença utilizada para empreendimentos implantados sem o devido licenciamento ambiental. Essa licença permite a regularização do empreendimento diante dos órgãos ambientais. • Licença de pesquisa sísmica (LPS): autoriza a pesquisa de dados sísmicos marítimos e em zonas de transição e estabelece condições, restrições e medidas de controle ambiental que devem ser seguidas pelo empreendedor para realizar essas atividades. • Autorização de supressão de vegetação (ASV): autoriza as atividades de supressão de vegetação nativa para a instalação e operação dos projetos licenciados. • Autorização para coleta, captura e transporte de material biológico (Abio): autoriza a execução de atividades relacionadas ao manejo de fauna durante a fase prévia, de instalação ou operação do projeto licenciado. 90 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Dentro do processo de licenças ambientais, existem estudos e planos ambientas que possuem natureza técnica e instrutória no processo de licenciamento ambiental, subsidiando a decisão quanto à viabilidade ambiental, instalação, ampliação, operação, recuperação e remediação ambiental, descomissionamento, entre outros. Os estudos e planos ambientais podem ser solicitados isolados ou conjuntamente. O estudo ambiental apresenta os resultados e conclusões da avaliação de impacto ambiental da atividade ou empreendimento, indicando as medidas ambientais para evitar, reduzir, recuperar e compensar os impactos negativos e potencializar os impactos positivos. O licenciamento ambiental federal de atividades ou de empreendimentos potencialmente causadores de significativo impacto ambiental é subsidiado pelo EIA e RIMA, que são tipos de documentos por meio dos quais a avaliação de impacto ambiental é consubstanciada. O Ibama aindapode determinar a elaboração de outros tipos de estudo conforme critérios estabelecidos na legislação. O plano ambiental ou plano de gestão ambiental (PGA) é um documento que descreve as medidas ambientais, incluindo os critérios e diretrizes para adoção destas medidas, podendo ser dividido em programas de ação específico. O PGA é apresentado juntamente com o requerimento de licença de instalação ou operação. O plano gestão ambiental recebe inúmeras denominações na legislação vigente, tais como o plano básico ambiental (PBA), plano de controle ambiental (PCA) e relatório de controle ambiental (RCA). Os estudos e planos ambientais devem ser elaborados por profissionais legalmente habilitados, às expensas do empreendedor, que serão responsáveis pelas informações apresentadas (Resolução Conama nº 01/86, art. 8º; Resolução Conama nº 237/97, art. 11). Dependendo da localização da atividade ou empreendimento, outros órgãos são envolvidos no processo de licenciamento ambiental federal. De modo geral, esses órgãos atuam nas etapas de definição de escopo, análise técnica e acompanhamento do processo de licenciamento ambiental federal, de acordo com os seguintes critérios: • Funai: quando a atividade ou o empreendimento submetido ao licenciamento ambiental localizar-se em terra indígena ou apresentar elementos que possam ocasionar impacto socioambiental direto na terra indígena, respeitados os limites do anexo I da Portaria Interministerial MMA/MJ/MC/MS nº 60/15. 91 Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 • Incra: quando a atividade ou o empreendimento submetido ao licenciamento ambiental localizar-se em terra quilombola ou apresentar elementos que possam ocasionar impacto socioambiental direto na terra quilombola, respeitados os limites do anexo I da Portaria Interministerial MMA/MJ/MC/MS nº 60/15. • Iphan: quando a área de influência direta da atividade ou o empreendimento submetido ao licenciamento ambiental localizar-se em área onde foi constatada a ocorrência dos bens culturais acautelados referidos no art. 2º, inciso II, da Portaria Interministerial MMA/MJ/MC/MS nº 60/15. • SVS/MS: quando a atividade ou o empreendimento localizar-se em municípios pertencentes às áreas de risco ou endêmicas para malária. • Órgão federal, estadual ou municipal responsável pela gestão ou criação da unidade de conservação: quando a atividade ou empreendimento afetar unidade de conservação da natureza ou sua zona de amortecimento, de acordo com a Resolução Conama nº 428/10 e Instrução Normativa Conjunta nº 08/19. • ICMBIO: quando houver impactos da atividade ou empreendimento sobre espécies ameaçadas de extinção, quando o Ibama julgar pertinente, conforme Instrução Normativa Conjunta nº 08/19. A Lei nº 9.985/2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), determina que, em casos de licenciamento ambiental de empreendimentos de significativo impacto ambiental, com fundamento em EIA e respectivo RIMA, o empreendedor é obrigado a apoiar a implantação e manutenção de unidade de conservação do grupo de proteção integral e, no caso de ser diretamente afetada, também daquelas do grupo de uso sustentável. O valor a ser destinado pelo empreendedor deve ser definido pelo órgão ambiental licenciador, de acordo com o grau de impacto do empreendimento. A compensação ambiental financeira determinada na Lei do SNUC não deve ser confundida com outras medidas ambientais para compensação de impactos ambientais identificados no processo de licenciamento ambiental ou determinadas por outras normas. Referente aos custos, o valor das licenças ambientais e suas renovações é definido em função do porte da empresa e do potencial dos impactos ambientais. Esses valores podem ser conferidos na Tabela 1 a seguir, em reais (R$). 92 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria TABELA 1 – VALORES COBRADOS PARA LICENÇAS AMBIENTAIS EMPRESA DE PEQUENO PORTE (Receita bruta anual superior a R$360.000,00 e igual ou inferior a R$4.800.000,00) Impacto Ambiental Pequeno Médio Alto Licença Prévia 5.426,84 10.853,69 21.707,37 Licença de Instalação 15.195,16 30.390,32 60.780,64 Licença de Operação 7.597,58 15.195,16 30.390,32 EMPRESA DE PORTE MÉDIO (Receita bruta anual superior a R$4.800.000,00 e igual ou inferior a R$12.000.000,00) Impacto Ambiental Pequeno Médio Alto Licença Prévia 7.597,58 15.195,16 30.390,32 Licença de Instalação 21.164,69 42.329,38 84.658,75 Licença de Operação 9.768,32 21.164,69 42.329,38 EMPRESA DE GRANDE PORTE (Receita bruta anual superior a R$12.000.000,00) Impacto Ambiental Pequeno Médio Alto Licença Prévia 10.853,69 21.707,37 43.414,75 Licença de Instalação 30.390,32 60.780,64 121.561,29 Licença de Operação 15.195,16 30.390,32 60.780,64 FONTE: Adaptado de IBAMA (2021). O valor da Autorização de Supressão de Vegetação (ASV) é calculado com base na área de vegetação a ser suprimida, e é aplicável à supressão realizada em área de preservação permanente (APP). Os valores podem ser conferidos na Tabela 2 a seguir, em reais (R$). TABELA 2 – VALORES PARA A SUPRESSÃO DE VEGETAÇÃO DE ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Área Valor (R$) Até 50 há R$ 360,89 Acima de 50 ha R$ 16.958,89 + (67,84 x área que excede 50 ha) FONTE: Adaptado de IBAMA (2021). Adicionalmente a esses valores, é realizada uma cobrança relativa à avaliação e análise de documentação que subsidiou a emissão das licenças e autorizações, a título de cobrança sobre os serviços prestados pelo órgão ambiental. A cobrança é realizada após a etapa de decisão do Ibama sobre o requerimento de licença ou autorização. 93 Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 Alguns setores industriais conseguiram simplificar significativamente o processo de licenciamento ambiental. É o caso dos avicultores que, no estado de Santa Catarina, tem o processo de licenciamento ambiental mais ágil, pois contam com a modalidade de licenciamento por adesão e compromisso (LAC). O setor foi beneficiado com esta possibilidade pois a avicultura apresenta um baixo potencial poluidor. Todos os controles ambientais da atividade são validados e consolidados por instituições de pesquisa e pelo próprio Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), que autoriza/licencia a atividade por vários anos. Fonte: https:// avicultura.info/pt-br/avicultores-sc-licenciamento-ambiental/. Devido a alta relevância do tema licenciamento ambiental para o setor industrial, a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), por meio da sua câmara de meio ambiente e sustentabilidade, reuniu-se com empresários de diversos setores industriais para abordar o tema do licenciamento ambiental e seus impactos nas atividades industriais. Fonte: https://fiesc.com.br/pt-br/ imprensa/fiesc-debate-projeto-de-lei-de-licenciamento-ambiental. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) promoveu um evento com a presença de especialistas no tema para abordar como a lei geral de licenciamento ambiental atuará no setor da construção civil no Brasil. Link: https://www.youtube.com/ watch?v=qnGOFCMuHIQ. 94 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Para compor o processo de licenciamento ambiental, existem outros mecanismos previstos na legislação ambiental que também devem ser seguidos, principalmente pelas indústrias com potencial poluidor. Entre esses instrumentos, estão o EIA e o RIMA, considerando que Impacto ambiental é qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causadas por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas, que direta ou indiretamente afetem: a) a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) as atividades sociais e econômicas; c) a biota; d) as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; e e) a qualidade dos recursos ambientais (CONAMA, 1986, s. p.). Portanto, conforme orienta aresolução do CONAMA, o impacto ambiental é caracterizado por qualquer alteração no meio ambiente pelo ser humano que, de forma significativa, venha a alterar sua forma original. Já o artigo 225, no parágrafo 1º, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, diz ser obrigatória a execução do EIA/RIMA em qualquer empreendimento que cause ou possa causar dano caracterizado como impacto ambiental no meio ambiente, modificando sua estrutura original. Estudo de Impacto Ambiental – EIA O EIA é um documento de natureza técnica que tem como finalidade avaliar os impactos ambientais gerados por atividades e/ou empreendimentos potencialmente poluidores ou que possam causar degradação ambiental. Uma vez constatado o impacto ao meio ambiente, deve-se ponderar se é positivo ou negativo. Se for negativo, deve-se avaliar as melhores ações e os meios necessários para evitar ou minimizar o prejuízo. A Lei no 6.938/81 estabeleceu a “avaliação dos impactos ambientais” (BRASIL, 1981, s. p.) como instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente. Relatório de Impacto Ambiental – RIMA As principais informações contidas no EIA, bem como sua conclusão, devem ser apresentadas no RIMA em linguagem clara e objetiva e ilustrado por mapas, cartas, quadros, gráficos e demais técnicas de comunicação visual, de modo que se possam entender as vantagens e desvantagens do projeto, bem como todas as consequências ambientais de sua implementação. Nesse sentido, o RIMA é um documento público que confere transparência ao EIA, um resumo em linguagem didática, clara e objetiva, para que qualquer interessado tenha acesso à informação e exerça controle social. 95 Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 O EIA é um estudo profundo e interdisciplinar que caracteriza ambientalmente a região de construção do empreendimento, além de quantificar os impactos que possivelmente ocorrerão no local e no entorno. O EIA é colocado ao lado do RIMA, que sintetiza o EIA em uma estrutura mais clara e acessível, sendo divulgado de forma pública para o conhecimento da sociedade. Para exemplificar e compreender melhor a apresentação do RIMA, podemos observar o RIMA de uma unidade de processamento de gás natural e infraestrutura de gasoduto no estado do Rio de Janeiro. Link: http://www.inea.rj.gov.br/wp-content/uploads/2020/09/ RIMA_alta.pdf A principal função do EIA/RIMA é elaborar e dispor de ações que possam mitigar ou realizar a compensação ambiental dos possíveis impactos através da análise da caracterização regional. Isso serve, em última instância, para evitar conflitos econômicos, sociais e ambientais. Um exemplo de EIA podemos ver na indústria da construção pesada, ou seja, aquela responsável pela construção e obras em rodovias e cidades. Para compreender melhor, veja o exemplo do EIA do túnel Ayrtin Senna, na cidade de São Paulo. Link: https://www. prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/arquivos/secretarias/ meio_ambiente/cades/eia_rima/0007/eiatunelairton.pdf. Atualmente, o EIA é obrigatório para empresas de médio a grande porte que possam causar degradação ambiental através da construção e/ou produção. Essa necessidade está vinculada à segurança jurídica da empresa, dado que ele serve como um documento avaliativo do empreendimento nas fases do Licenciamento Ambiental. 96 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria O EIA é requerido na Licença Prévia, uma das fases do Licenciamento Ambiental, para compor a caracterização do empreendimento e suas consequências oferecendo uma base sólida para autorização da Licença de Instalação e de Operação. O EIA é composto por 7 campos que norteiam a análise do estudo. Os campos giram em torno da caracterização ambiental, econômica e social do empreendimento e do que está ao redor. Na Figura 6, estão apresentados os campos de preenchimento do EIA. FIGURA 7 – CAMPOS DE PREENCHIMENTO DE UM EIA FONTE: Adaptado de Eu Reciclo (2020). A seguir, descrevemos os pontos necessários para cada uma das fases de elaboração para compor um EIA. O campo 1, das informações gerais, deve conter as seguintes informações: • CNPJ. • Breve histórico da empresa. • Tipos de atividades executadas. • Objetivo e justificativa para a implantação. • Caracterização do Empreendimento. No campo 2, caracterização do empreendimento, deve constar: • Localização. 97 Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 • Número de funcionários. • Infraestrutura interna para apoio da obra. • Descrição dos processos industriais (principalmente dos que diminuirão o impacto ambiental, como tratamento de efluentes e sistema de filtro ou dispersão dos poluentes). O campo 3, área de Influência, apresenta as seguintes informações: • Mapeamento das áreas sujeitas a influência direta – áreas que possivelmente serão afetadas. • Mapeamento das áreas sujeitas a influência indireta – áreas que sofrem impacto indireto, ou seja, quando o empreendimento gera impacto e cria outra externalidade que atinge a área em questão. • Mapeamento das áreas diretamente afetadas – áreas que serão de fato afetadas diretamente. Por sua vez, o campo 4, diagnóstico ambiental, deve conter a descrição do meio físico através da análise quantitativa e descritiva do clima, da qualidade do ar, da qualidade do solo, da qualidade das águas, do ruído, da flora, da fauna. No campo 5, qualidade ambiental, além dos aspectos citados anteriormente, é considerada também a descrição do aspecto social através do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), do número populacional e da descrição das vias de transporte da região. Já no campo 6, análise dos impactos ambientais, há a avaliação e exposição dos impactos potenciais do empreendimento sobre todos os aspectos anteriores abordados. E, para finalizar, no campo 7, medidas mitigadoras, são apresentadas as seguintes informações: • Em vista dos impactos potenciais, a equipe responsável pelo EIA/RIMA desenvolve metodologias e maneiras de evitá-los ou de diminuí-los. Como exemplo, uma das medidas mitigadoras fixada pelo Ibama é a destinação do valor mínimo de 0,5% dos custos totais de instalação para que sejam aplicados em unidades de conservação ambiental. Essa medida é uma ação de compensação ambiental do impacto causado e pode ser substituída por alternativas que possuam o mesmo caráter de compensação. Nesse sentido, quem é responsável por elaborar um estudo de impacto ambiental? Devido à complexidade do estudo, é aconselhável que uma equipe multidisciplinar fique responsável em elaborar o EIA, pois são necessárias várias 98 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria competências em diferentes áreas para promover uma análise concreta do empreendimento e seus impactos. Por conta disso, o artigo 7 da Resolução CONAMA nº 1, de 23 de janeiro de 1986, definiu como necessária uma equipe altamente especializada que possa contribuir com saberes técnico-científico diversificados. Além disso, é necessário que os responsáveis possuam o cadastro técnico federal de atividades e instrumentos de defesa ambiental, disposto pelo Ibama. Para garantir o cumprimento do estudo de impacto ambiental, existem duas esferas responsáveis pela fiscalização do EIA vinculado ao Licenciamento Ambiental. A primeira delas é a Federal, de responsabilidade do IBAMA, que trata de empreendimentos que influenciam para além das fronteiras do Estado. A segunda esfera é a estadual, que diz respeito a empreendimentos que mantêm seus impactos dentro do Estado. Nessa última, o responsável pela fiscalização são os órgãos estaduais. Por exemplo, em São Paulo, a Companhia ambiental do estado de São Paulo (CETESB) é a responsável pela fiscalização do licenciamento ambiental, assim como pela análise e aprovação do EIA. Apesar do EIA e do RIMA serem instrumentos trabalhosos e complexos, eles são importantes instrumentos para direcionar os empreendimentos e as indústrias e, seguindo osprotocolos, as legislações as indústrias estão se comprometendo com uma atuação mais consciente e sustentável. O fato é que a sustentabilidade é o único caminho possível e viável de ser percorrido para as indústrias, portanto sabemos que é necessário simplificar os processos para que não sejam tão burocráticos e para que garantam a segurança jurídica, mas, também, é fundamental garantir a aplicação da legislação para que os recursos naturais sejam preservados de maneira correta. As indústrias que conseguem ultrapassar as barreiras e incorporam de fato os conceitos de sustentabilidade são aquelas que olham para as legislações e demais regras ambientais como uma oportunidade. Muitas indústrias estão até mesmo utilizando os conceitos ao seu favor e criando os negócios verdes, que veremos no Capítulo 3 deste Livro Didático. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Neste capítulo, conhecemos os diferentes órgãos ambientais e sua atuação. Foram apresentadas, também, as principais legislações com impacto direto no setor industrial. Foi possível entender o papel da legislação, que existe para 99 Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 criar as regras e direcionar as empresas por qual caminho devem percorrer para promover o desenvolvimento e preservar o meio ambiente. E é para fazer cumprir as leis ambientais é que existem diversos órgãos ambientais que são responsáveis por criar, aplicar e garantir o cumprimento das legislações ambientais. Apesar de parecer um universo muito político, as indústrias necessitam conhecer os diversos atores envolvidos nas esferas federais, estaduais e municipais, pois este conhecimento facilita o processo e a interlocução frente a questões ambientais. Nesse sentido, o que percebemos é que a temática da sustentabilidade tem ultrapassado as fronteiras da legislação e, passou a ser uma forma de atender às necessidades dos consumidores, que estão cada vez mais conscientes das problemáticas ambientais. Neste sentido, há algumas oportunidades surgem para as indústrias que querem ampliar sua competitividade e se destacar no mercado. Este é o caso da certificação ISO 14.001 que, como vimos, não é uma obrigação, mas sim uma oportunidade para as indústrias que queiram estabelecer seus sistemas de gestão ambiental. Entre os benefícios gerados pela norma ISO 14.001 para as indústrias, podemos destacar: a possibilidade da indústria de crescer de forma sustentável; de estar atualizado frente as leis ambientais e possíveis processos; manter a imagem da organização e da marca em alta com clientes e investidores; exigir que os fornecedores tenham responsabilidade ambiental. Certamente as indústrias têm utilizado esta certificação para ampliar e se diferenciar em um mercado altamente competitivo. Por outro lado, as indústrias também possuem desafios que estão previstos em lei e que necessitam ser atendidos conforme a atividade industrial realizada. Dentre todas as legislações presentes, um dos destaques de maior impacto para as indústrias é o licenciamento ambiental. Previsto em lei, ele é cobrado para as indústrias e atividades com potencial poluidor. Mesmo sendo um processo burocrático e complexo que as indústrias precisam trilhar, sabemos que o licenciamento ambiental é uma das formas de garantir o cuidado adequado com o meio ambiente. O cuidado e atenção com a legislação ambiental é muito importante para a evolução da sociedade de forma sustentável. A legislação, nesse sentido, serve como um mapa dos principais pontos a serem seguidos para empreender de forma íntegra, harmonizando a dimensão social, ambiental e econômica. 100 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Nesta dinâmica para a obtenção de licenças, existem estudos e relatórios que precisam ser compostos para dimensionar os impactos ambientais da atividade industrial e apresentá-los para toda a sociedade. Este é o caso do estudo de impacto ambiental e do relatório de impacto ambiental que também aprendemos, e, apesar de sua natureza técnica, são instrumentos de grande valor para manter a preservação do meio ambiente. No Capítulo 3, aprenderemos um pouco sobre as práticas ambientais nas indústrias e conhecer os negócios sustentáveis que tem a sustentabilidade como centro, além dos princípios da liderança sustentável. Abordaremos, também, alguns indicadores ambientais utilizados nas indústrias e relataremos casos de alguns setores industriais e sua relação com o meio ambiente. REFERÊNCIAS BRASIL. Agência Nacional de Mineração. Home. c2021.Disponível em: https:// www.gov.br/anm/pt-br. Acesso em: 5 maio 2021. BRASIL. Decreto no 99.274, de 6 de junho de 1990. Brasília, DF: Presidência da República, 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/ antigos/d99274.htm. Acesso em: 31 ago. 2021. BRASIL. Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981. Brasília, DF: Presidência da República, 1981. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6938. htm. Acesso em: 31 ago. 2021. CONAMA. Resolução no 1, de 23 de janeiro de 1986. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 1986. Disponível em: http://www.siam.mg.gov.br/sla/download. pdf?idNorma=8902. Acesso em: 31 ago. 2021. EU RECICLO. Guia prático para elaboração do Estudo de Impacto Ambiental do seu empreendimento. c2021. Disponível em: https://blog. eureciclo.com.br/guia-pratico-estudo-de-impacto-ambiental-eia/. Acesso em: 16 maio 2021. IBAMA. Sobre o Licenciamento Ambiental Federal. 2021. Disponível em: http://www.ibama.gov.br/laf/sobre-o-licenciamento-ambiental-federal. Acesso em: 5 maio 2021. 101 Políticas AmbientaisPolíticas Ambientais Capítulo 2 IMA. Home. c2021. Disponível em: https://www.ima.sc.gov.br/ Acesso em: 6 maio 2021. NOMUS BLOG INDUSTRIAL. Home. c2021. Disponível em: https://www.nomus. com.br/blog-industrial/ Acesso em: 15 maio 2021. TERA AMBIENTAL. Home. c2021. Disponível em: https://www.teraambiental. com.br/. Acesso em: 19 maio 2021. 102 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria • CAPÍTULO 3 Práticas Ambientais na Indústria A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: • Conhecer formatos de negócios sustentáveis. • Identificar as características, comportamentos e dilemas de líderes sustentáveis. • Analisar indicadores ambientais, sua estrutura, forma de coleta, alimentação dos dados e apresentação dos resultados. • Analisar práticas ambientais vivenciadas pelos setores industriais. • Identificar as boas práticas das indústrias assim como as principais dificuldades frente a questões ambientais. • Conhecer práticas sustentáveis na indústria. • Estabelecer indicadores para medir as ações ambientais dentro das indústrias e seus impactos. • Reorganizar processos de forma a torná-los mais sustentáveis. • 104 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria 105 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 1 CONTEXTUALIZAÇÃO Para alinhar os conceitos de progresso e meio ambiente e para que a sociedade cresça e se desenvolva ao mesmo tempo que preserva seus recursos essenciais, é necessário ter novos formatos de negócios e, também, atuar em novas bases competitivas. Competir da velha maneira, tendo como premissas mão de obra barata e recursos naturais infinitos é uma mentalidade que precisa ser extinta por completo do mundo industrial. Para isso acontecer, observamos que o conceito de sustentabilidade vem ganhando força e repercussão em diferentes esferas pelo mundo. A cada dia o tema ganha mais força, e a preservação do meio ambiente apresenta-se como a única e melhor forma de prosseguir e avançar como sociedade e no ambiente corporativo. Por outro lado, no sentido de ensinar e corrigir, diversas diretrizes e leis são criadas para tentar manter as indústrias dentro do que é esperado com relação ao meio ambiente. O desafioé grande, afinal produzir, faturar, ser lucrativo, ter um retorno positivo, ser bem-visto pelos seus consumidores e stakeholders, e trabalhar em novas bases competitivas, em que a sustentabilidade está em foco, é algo completamente novo para o setor industrial, mas não é impossível. Na prática das indústrias, observamos que existe um longo caminho a ser percorrido e conseguimos identificar diversos e importantes avanços que foram implementados por força de lei, mas também, em muitos casos, há avanços implementados por lideranças com uma mentalidade completamente diferente, mais arrojada e calibrada na perspectiva do cuidado com o meio ambiente. Para se observar esses avanços, é possível avaliar os indicadores de sustentabilidade utilizados pelas indústrias e muitas vezes compilados em relatórios de sustentabilidade, que a cada dia estão mais refinados em termos de medição, aspectos e abrangência. Além de serem absorvidos não apenas na operação, mas, também, na estratégia das indústrias. De qualquer forma, o que percebemos é que, para fechar essa nova equação com novos fatores, as indústrias precisam de uma mentalidade de negócios sustentáveis que inicie pela alta gestão da empresa e que permeie a todos os colaboradores, de uma maneira que seja absorvida por completo no dia a dia da indústria. Afinal, o que são negócios sustentáveis? E por que essa nova forma de atuação é tão relevante para as indústrias? É isso que vamos abordar neste 106 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria capítulo. Nesse sentido, o foco principal do nosso estudo será compreender os negócios sustentáveis, os diferentes aspectos da liderança sustentável, avaliar os indicadores ambientais e aprender com exemplos de indústrias que se destacam nas questões relacionadas ao meio ambiente. 2 NEGÓCIOS SUSTENTÁVEIS O mercado mudou, novos formatos competitivos são necessários para atuar em um ambiente altamente competitivo e com mudanças rápidas e contínuas. Nessa linha de pensamento, com todos os desafios impostos, é que surge uma nova mentalidade de gestão: os negócios sustentáveis. Os negócios sustentáveis são um novo modelo empresarial em que os produtos ou serviços de uma empresa ou indústria buscam formas e estratégias para integrar as questões ambientais, sociais e econômicas na forma de operar e realizar a gestão de uma organização. Na prática, as indústrias que utilizam o modelo de negócios sustentáveis procuram inserir a tecnologia como aliada aos seus processos produtivos, além de ter um olhar atento a todas as etapas do processo, observando todas as etapas do ciclo produtivo de seus produtos, desde a matéria-prima até o descarte final. Para entender um pouco melhor e observar exemplos práticos de negócios sustentáveis, como empresas que atuam com energia solar, embalagens ecológicas, dentre outros, acesse o link: https:// hccenergiasolar.com.br/posts/negocios-sustentaveis-confira-6- ideias-lucrativas-para-investir/. É importante compreender que ser uma indústria que atue com o modelo de negócio sustentável vai muito além de alterar a forma como usam copos de plásticos ou resmas de papel. A proposta de um negócio sustentável deve estar de acordo com a ideia de garantir um equilíbrio entre desenvolvimento e respeito ao meio ambiente. Para isso se tornar real, é necessário que a empresa coloque a questão ambiental, social e econômica no centro da sua estratégia, e que todas as 107 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 pessoas estejam envolvidas e dedicadas para colocar em prática essa nova forma de atuação. Para empresas novas no mercado, que estão começando suas atividades, pode ser considerado mais fácil implementar esse conceito de modelo de negócio sustentável, porque, no início, está muito atrelado inclusive a crenças e ideologias do empreendedor. Sabendo que os consumidores estão cada vez mais buscando produtos sustentáveis, que valorizam empresas que se preocupam com o meio ambiente e que, em muitos casos, estão dispostos a pagar mais por estes produtos, podemos dizer que iniciar um negócio sustentável é olhar para um futuro promissor. Nesse sentido, já percebemos um movimento de pequenas empresas muitas delas no setor industrial, criadas para tentar amenizar os problemas existentes entre economia e meio ambiente. Algumas áreas de atuação dessas empresas são: energia, transporte, varejo, alimentação, dentre outros. Todas com foco em oferecer formas mais sustentáveis e com menor impacto para o meio ambiente. Para compreender melhor como os negócios sustentáveis são aplicados na prática, você pode conhecer as oito ideias verdes mais criativas do Brasil. São iniciativas brasileiras desenhadas para concorrer em uma competição global de ideias de negócios verdes, com propostas para diminuir os problemas relacionados as mudanças climáticas e o meio ambiente. Link: https://exame.com/ blog/ideias-renovaveis/as-oito-ideias-verdes-mais-criativas-do-brasil/ Quando falamos do modelo de negócios sustentáveis inserido em jovens e pequenas empresas parece algo fácil e lógico para o momento. No entanto, a questão que fica é: e para o setor industrial, com indústrias de diferentes portes inseridas nos mais diversos setores, será que é possível implementar o modelo de negócios sustentáveis e minimizar os impactos ambientais? Para respondermos essa questão, inicialmente, precisamos analisar os princípios de um negócio sustentável para entender a abrangência do tema e os diversos desafios inseridos para o setor industrial. 108 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Segundo o site Ideia Sustentável (2013, s. p.), os 8 princípios dos negócios sustentáveis são: 1. O mundo precisa de empresas capazes de colocar o propósito antes do lucro. É necessário revisar a ideia de empresa, fortalecendo novos conceitos como o do “capitalismo de stakeholder”, defendido no Fórum Econômico Mundial. Cada vez mais o que a sociedade espera é que as empresas cumpram o seu papel principal – solucionar problemas – e que sejam competentes em gerar valor e distribuir resultados para todas as partes interessadas, assumindo a responsabilidade de serem agentes de transformação em benefício do coletivo. 2. O mundo precisa de empresas que tratem os humanos como humanos e não apenas recursos. O principal ativo das empresas são as suas pessoas. Colaboradores são pais, mães, maridos, esposas, filhos. Integram famílias, comunidades, sociedades. E, por isso, têm direito a uma vida cujo valor não pode ser determinado apenas pelo trabalho. Os humanos estão também nas comunidades. Humana é a diversidade. Cada vez mais os indivíduos vão querer investir, comprar de e trabalhar em organizações cujos valores se afinam com os seus e que demonstrem cuidado individualizado, escuta afetiva, respeito às diferenças e preocupação genuína com o bem-estar e qualidade de vida. 3. O mundo precisa de empresas mais preocupadas em cooperar do que competir na construção de respostas para os dilemas da sociedade. É importante estabelecer parcerias entre diferentes atores da sociedade. A compreensão maior de nossa vulnerabilidade aumentou a empatia, a solidariedade e o senso de responsabilidade. Se foi possível a empresas concorrentes atuarem em cooperação durante a pandemia, será possível, também, fora dela trabalharem em conjunto, de modo planejado e sistêmico, para enfrentar as mudanças climáticas e suprir déficits históricos de bem-estar social. 109 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 4. O mundo precisa de empresas mais sensíveis à noção de interdependência. Sabemos que estamos conectados. É impossível pensar na prosperidade de uma empresa sem considerar a prosperidade de todos os grupos impactados por ela, especialmente os mais vulneráveis. Impôs-se uma nova consciência, segundo a qual nossas atitudese escolhas individuais determinam coletivamente o mundo que queremos hoje e para as próximas gerações. 5. O mundo precisa de empresas mais éticas, cuidadoras e transparentes. Transparência fortalece a confiança. Em tempos de crise, nos quais colaboradores, fornecedores, parceiros de negócio e comunidades esperam por cuidado e proteção, cresce a necessidade por informações precisas, posicionamentos firmes e valores claros. Empresas que compreenderam a importância da transparência, comunicaram-se adequadamente com os seus stakeholders e prestaram contas à sociedade saíram mais fortes. 6. O mundo precisa de empresas interessadas não só em zerar impactos, mas regenerar. Apenas eliminar impactos socioambientais negativos, já se sabe, não será suficiente para conter um processo acelerado de mudanças climáticas e esgotamento de recursos naturais. Desafia- nos a necessidade de investir em tecnologias, processos disruptivos de produção e novos modelos de negócio capazes de gerar impactos positivos para o meio ambiente e as comunidades afetadas pelos negócios. 7. O mundo precisa de empresas com mais líderes orientados por valores. É evidente a importância de um novo tipo de liderança, orientada por valores e preparada para fazer a transição de um modelo convencional de negócios para outro mais ético, transparente, justo, íntegro e respeitoso em relação à diversidade, às pessoas e ao meio ambiente. Trata-se de um líder mais empático, cuidador, atento e ecocêntrico. 110 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria 8. O mundo precisa de empresas que sejam parte da solução e protagonistas de uma nova economia. A crise mundial abriu importantes janelas de oportunidade para acelerar a agenda de sustentabilidade, intensificar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e promover uma economia menos intensiva em uso de recursos naturais e emissões de carbono. Bancos centrais, bancos e governos podem utilizar o seu poder de conceder empréstimos e isenções fiscais para estimular, como contrapartida, investimentos na adoção de energias renováveis, preservação da floresta em pé, economia circular, geração de trabalho e renda, regeneração de ambientes degradados, saúde, segurança e bem-estar de pessoas e comunidades. Esses princípios nos apresentam um cenário altamente desafiador para o setor industrial. Nesse sentido, uma mudança de mentalidade e de modelos de negócios é essencial para redirecionar a trajetória das indústrias. 1 Descreva o que são negócios sustentáveis. Existem diversas iniciativas na indústria que estão sendo adotadas para expandir e fortalecer um posicionamento diferenciado e sustentável no mercado. Na agroindústria, observamos, por exemplo, diversos tipos de cultivos diferenciados, produtos orgânicos ganhando cada vez mais escala de produção e mercado. Pensando em negócios verdes e na sustentabilidade, na agroindústria, temos o exemplo do cultivo do coco verde. Uma indústria da região do Mato Grosso criou e adaptou o próprio maquinário pensando nas questões ambientais, sociais e econômicas do negócio, promovendo uma inovação sustentável na agroindústria. Link: http://engemausp.submissao.com.br/17/anais/arquivos/270.pdf. 111 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 Nesse contexto, outro setor que também tem se movimentado e procurado inserir ações sustentáveis em seus negócios é a construção civil. O consenso entre as indústrias do setor é que é necessário criar soluções sustentáveis nas edificações que atendam às questões ambientais e às necessidades dos moradores. Alguns empreendimentos no setor da construção civil já fazem uso de técnicas como reaproveitamento da água do banho, que fica armazenado em reservatórios para outras utilidades. Além da questão de energia, em que soluções como: luzes com sensores, uso de novas fontes de energia e painéis solares nos estacionamentos estão cada vez mais frequentes. Na indústria da construção, a forma de construir também está se adaptando. Nesse sentido, o exemplo das construções sustentáveis pode ser observado em indústrias do setor que mudaram os insumos que utilizam e as formas de construção, buscando inserir processos mais eficientes e sustentáveis. Algumas indústrias do setor da construção estão utilizando técnicas diferenciadas para inserir novas formas de construção. Existem indústrias que oferecem sistemas construtivos com linhas de produção automatizadas, redução significativa de resíduos da obra e uma enorme economia de recursos hídricos, o que gera uma construção mais rápida e sustentável. Link: https://www.tecverde. com.br/ Para se ter mais negócios sustentáveis e uma cultura de sustentabilidade incorporada às empresas, é necessário ter líderes sensibilizados e identificados com a temática da sustentabilidade. Bons gestores são importantes para as empresas e mercado, mas líderes com princípios e valores são vitais para um mundo em constante e rápida transformação. O Pacto Global descreveu algumas características de um perfil de líder sustentável no relatório de 2004, intitulado Liderança Globalmente Responsável: um chamado ao engajamento. O programa afirmou que líderes sustentáveis são pessoas que valorizam o desenvolvimento humano e as riquezas naturais tanto quanto o capital financeiro e estrutural. Além disso, líderes sustentáveis acreditam que suas empresas têm criatividade e os recursos necessários para solucionar 112 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria desafios sociais e ambientais e que, além de gerar valor para seus negócios, devem se responsabilizar pelo desenvolvimento mais amplo das comunidades nas quais estão instaladas. Para o Pacto Global, líderes em sustentabilidade têm: • A coragem necessária para transpor obstáculos à mudança, sejam eles organizacionais, regulatórios ou sociais. • A capacidade de produzir transformação efetiva na cultura de uma empresa, influenciando a adoção de novas atitudes e comportamentos. • O mérito de compreender o propósito moral e filosófico dessa transformação. • A capacidade de exercitar a solidariedade, a tolerância e a transparência, respeitando o outro, acolhendo a diversidade e estabelecendo um diálogo aberto e propositivo com todas as partes interessadas. • Um elevado senso de responsabilidade que os leva utilizar seu poder para criar valor não apenas econômico, mas também social e ambiental. O Pacto Global é uma iniciativa desenvolvida em 1999, pela Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de mobilizar a comunidade empresarial internacional para a promoção de valores essenciais de direitos humanos, trabalho e meio ambiente. Atualmente, o Pacto Global tem mais de 5.200 empresas signatárias, articuladas em 150 redes ao redor do mundo. Link: https://www. pactoglobal.org.br/. Líderes sustentáveis tem suas vidas regidas por princípios muito claros, firmes e inegociáveis. Além de um senso de justiça acima da média e do apego a tudo que signifique liberdade, eles têm em comum um espírito altruísta e reconhecem a interdependência entre os homens e todos os outros seres vivos do planeta (VOLTOLINI, 2011). Este novo perfil de líder reconhece e sabe que um bom empreendimento é a aquele que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir as suas próprias. No Quadro 1 a seguir, estão descritas 20 atribuições para o líder em sustentabilidade. 113 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 QUADRO 1 – ATRIBUIÇÕES PARA O LÍDER SUSTENTÁVEL 1 Comandar a elaboração de uma estratégia consistente de sustentabilidade para a empresa, buscando a cooperação entre as diferentes áreas e as questões/causas mais relevantes para o negócio e o seu setor de atuação; fazer com que o conceito permeie a cultura organizacional, transforman- do-o em um valor corporativo relevante para a definiçãoda identidade da companhia. 2 Garantir uma coordenação entre as diversas funções corporativas da em- presa, com o objetivo de maximizar o desempenho em sustentabilidade. 3 Com base em uma análise permanente de cenários, avaliar riscos e opor- tunidades relacionados com questões de sustentabilidade para a empresa e o setor. 4 Assegurar que a empresa identifique, de forma clara, todos os impactos socioambientais negativos causados por suas operações; cuidar para min- imizá-los ou eliminá-los. 5 Definir políticas específicas e cenários para o futuro, estabelecendo metas mensuráveis de curto, médio e longo prazos. 6 Envolver e educar funcionários e colaboradores, adotando programas de treinamento e desenvolvimento e sistemas sólidos de incentivo. 7 Realizar monitoramento e mensuração de desempenho baseado em métri- cas específicas para, por exemplo, gestão de água, energia, emissões de gases de efeito estufa, poluição, efluentes e biodiversidade. 8 Responsabilizar pela execução da estratégia, áreas corporativas essenci- ais, como: compras, marketing, recursos humanos, jurídico e relações insti- tucionais, assegurando que nenhuma delas atue em conflito com os com- promissos e objetivos de sustentabilidade da empresa. 9 Alinhar estratégias, metas e estruturas de incentivo de todas as unidades operacionais com os objetivos e compromissos de sustentabilidade da em- presa. 10 Analisar cada elo da cadeia de valor, mapeando impactos, riscos e opor- tunidades. 11 Envolver fornecedores na estratégia de sustentabilidade; sensibilizar, tre- inar e capacitar parceiros de negócio; monitorar o quanto estão alinhados com os compromissos e práticas da empresa. 12 Rever processos e modos de produzir, desenvolver produtos e serviços ou conceber modelos de negócio que contribuam para promover a sustentab- ilidade. 13 Realizar investimento social alinhado com as competências da empresa e o contexto operacional de seu negócio, enquadrando-o em sua estratégia de sustentabilidade; atuar sempre em sintonia com as políticas públicas correlacionadas para garantir maior eficácia nos resultados. 114 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria 14 Integrar campanhas e iniciativas públicas, assumindo, em suas comuni- cações (palestras, aulas magnas, artigos), compromissos com as questões mais relevantes de sustentabilidade. 15 Coordenar esforços com outras organizações – de primeiro, segundo e ter- ceiro setor – a fim de potencializar investimentos e não anular outras inicia- tivas de desenvolvimento sustentável. 16 Cooperar com organizações do mesmo setor e com outras partes interessa- das em iniciativas que ajudem a encontrar respostas para desafios comuns, local ou globalmente, com ênfase naquelas que venham a ampliar o impac- to positivo sobre a cadeia de valor. 17 Fazer o papel de mentor para as empresas do mesmo setor ou de outro setor que ainda se encontrem em estágio inicial de implantação de práticas sustentáveis; na condição de referência em liderança em sustentabilidade, facilitar o acesso a informações por parte daqueles que desejam conhecer a política da empresa. 18 Comunicar, de forma ampla, os resultados e a evolução de suas práticas de sustentabilidade, visando prestar contas às partes interessadas e à so- ciedade, e, também estimular o comportamento sustentável de outras em- presas. 19 Envolver e educar os stakeholders para que conheçam as políticas da em- presa e participem, a seu modo, de sua consecução no dia a dia. 20 Capitanear o processo de mudança, inserir as dimensões social e ambiental na noção de sucesso empresarial, superar a inércia e o apego aos modelos consagrados, estabelecendo uma visão e uma missão de sustentabilidade. FONTE: Adaptado de Voltollini (2011). 1 Descreva quais são as características de um líder sustentável segundo o movimento pacto global. Além das atribuições da liderança sustentável, existem grandes dilemas na transição de modelos mais tradicionais para modelos mais sustentáveis. Com base em dados do Pacto Global (UN, 2010) e, também, de pesquisa feita pela área de sustentabilidade com CEOs de 275 empresas, ranqueadas na lista da revista Fortune 1.000, especialistas da Accenture apontam cinco grandes dilemas impostos aos líderes que querem inserir a sustentabilidade na gestão 115 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 dos negócios (ABOOD; BERTHON; LACY, 2010). Para superar cada um desses dilemas, enunciados na forma de perguntas, são apontados diferentes desafios práticos. O primeiro dilema diz respeito ao custo de sair à frente oferecendo o benefício adicional da sustentabilidade aos clientes que não parecem ainda inteiramente preparados para valorizá-lo. “É vantajoso investir em produtos e serviços orientados para a sustentabilidade enquanto os consumidores e clientes ainda não definiram como vão aceitar essa oferta?” (ABOOD; BERTHON; LACY, 2010, s. p.), questionam os especialistas da Accenture. A resposta a esse dilema passa, segundo o estudo, pelos desafios de desenvolver produtos sustentáveis realmente inovadores, fornecer a maior quantidade possível de informações sobre os atributos socioambientais e educar os consumidores para que sejam mais conscientes no ato de consumo, oferecer incentivos financeiros e psicológicos capazes de fortalecer esse comportamento. O segundo dilema está ligado à ideia – nem sempre inteiramente verdadeira – de que pensar e planejar sustentabilidade representa um trabalho a mais. “Como desenvolver as capacidades necessárias para colocar a sustentabilidade no centro do negócio principal quando já se exigem muitos talentos dos funcionários?” (ABOOD; BERTHON; LACY, 2010, s. p.), ressalta o estudo. Na opinião dos especialistas da Accenture, o dilema só poderá ser solucionado se houver uma definição muito clara, por parte da empresa, das competências exigidas, aliada a uma combinação de treinamento interno com educação externa e à adoção de um papel ativo dos governos na criação de políticas públicas educacionais que promovam a capacitação em sustentabilidade. O terceiro dilema está relacionado às dificuldades de avaliar o retorno da sustentabilidade para o negócio: “Como construir um novo modelo de análise de valores corporativos que considere as práticas sustentáveis quando as métricas são vagas?” (ABOOD; BERTHON; LACY, 2010, s. p.). Se quiserem superar esse impasse, os líderes terão de desenvolver metodologias que permitam medir o desempenho em sustentabilidade em termos de impactos negativos e positivos para a sociedade, vincular o desempenho em sustentabilidade a réguas convencionais, como: aumento de receitas; redução de custos; riscos e resultados para a reputação da empresa; e, ainda, incorporar os resultados na análise de desempenho e na remuneração dos funcionários. O quarto dilema trata da ausência de regras bem definidas por parte do poder público. Cerca de 60% dos diretores-presidentes entrevistados acham que os governos devem ter participação mais efetiva no encaminhamento das 116 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria questões de sustentabilidade. “Como fazer investimentos de longo prazo em sustentabilidade quando não há um ambiente regulatório claro ou consistente entre os países?” (ABOOD; BERTHON; LACY, 2010, s. p.). O estudo defende a realização de esforços conjuntos entre as esferas pública e privada no sentido de estabelecer mecanismos que favoreçam a colaboração. Nesse sentido, mercado e governos precisam trabalhar juntos, visando resultados comuns. O quinto dilema mencionado pelo refere-se à dificuldade de administrar o conflito intrínseco entre o curto e o longo prazo: “Por que investir em iniciativas de sustentabilidade quando não há garantia de retorno para os investidores? ” (ABOOD; BERTHON; LACY, 2010, s. p.). A solução para esse impasse exigirá dos líderes clareza nas informações, objetividade na argumentação econvicção no convencimento da comunidade investidora. Saber prestar contas regularmente do impacto da sustentabilidade para o negócio passou a ser uma competência imprescindível, ao lado da capacidade de envolver e influenciar governos para criar ambiente de incentivos que recompensem investimentos em produtos e serviços sustentáveis. Dessa forma, para enfrentar todos estes dilemas o líder sustentável precisa ter um conjunto de valores, atitudes, habilidades e conhecimentos que o distinguirão dos demais líderes, e que podem ser considerados um fator de sucesso para as indústrias interessadas em atuar nesse novo modelo de negócio. Segundo Voltollini (2011), o líder sustentável precisa ter uma série de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores que serão apresentados nos tópicos a seguir. Conhecimentos • Compreensão das tendências relacionadas com os grandes temas da sustentabilidade que irão impactar, direta ou indiretamente, o negócio e o setor, como as mudanças climáticas, escassez de recursos naturais, pagamento por serviços ambientais, esgotamento do solo, pobreza, violência, conflitos intergeracionais, entre outros. • Profundo conhecimento de toda a cadeia de valor, dos impactos socioambientais em cada eixo e das formas de minimizá-los ou eliminá- los. • Domínio dos fundamentos técnicos das grandes questões da sustentabilidade, seus fenômenos e implicações práticas. • Domínio de indicadores, ferramentas, métricas e práticas que tornam tangível a gestão sustentável. 117 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 • Sólida cultura geral e entendimento dos grandes temas da sustentabilidade, seus desafios e oportunidades, em nível local e global. • Noções de ecologia, eco economia, ecoeficiência, gestão ambiental e desenvolvimento sustentável, formadas com base na leitura de obras clássicas e dos documentos internacionais mais importantes relacionados com o tema. • Autoconhecimento, implicando a identificação de potenciais e limites nos diferentes papéis exercidos pelo líder. Habilidades 1. Ser um facilitador e disseminador da sustentabilidade dentro e fora da organização, atuar como mentor entusiasmado, educador interessado dos stakeholders. 2. Transformar valores e crenças em planos de ação e práticas mais sustentáveis, saber “fazer acontecer” a sustentabilidade na empresa. 3. Comunicar ideias de sustentabilidade de forma clara, objetiva, direta, autêntica e entusiasmada. 4. Mobilizar diferentes públicos de interesse, atrair seguidores, adeptos e simpatizantes para as causas, metas e projetos de sustentabilidade da empresa. 5. Converter o que seriam riscos para os clientes em oportunidade de negócios sustentáveis. 6. Criar o futuro não apenas com base na leitura e análise de dados do passado, mas de uma visão projetada pela empresa com a participação dos seus colaboradores e partes interessadas. 7. Saber escutar e conversar, promovendo diálogos abertos, leais e construtivos com todos os públicos de interesse. 8. Pensar de modo sistêmico, com o olhar no longo prazo, enxergando a sustentabilidade em suas diferentes variáveis e correlações com o negócio. 9. Analisar a sustentabilidade com base no todo e não só em um de seus aspectos: considerar o todo, tomando por base o conjunto mais amplo possível de visões não se restringindo à ótica de uma comunidade. 10. Julgar e promover ajustes entre o que é necessário (para o negócio) e o que é certo (para a sociedade e o planeta) fazer. 11. Saber atuar em rede. 12. Exercitar a empatia, colocando-se no lugar dos públicos afetados pelas atividades da empresa e aprendendo a pensar e a sentir com os parâmetros e valores desses públicos. 13. Saber incorporar os diferentes públicos de interesse no planejamento 118 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria baseado na convicção de que a sobrevivência de qualquer empresa depende da capacidade que ela tem de interagir de modo construtivo com eles. 14. Reconhecer as dinâmicas da organização como um sistema vivo e atuar para torná-las saudáveis. 15. Saber catalisar as energias e os talentos para a mudança necessária. Atitudes 1. Coragem para mudar modelos de negócio consagrados, sustentar decisões difíceis e enfrentar os dilemas de sustentabilidade do negócio e do mercado. 2. Coerência entre o que se diz e o que se faz. 3. Introduzir a sustentabilidade na estratégia e na cultura da organização, fazendo com que ela deixe a periferia das ações pontuais e esporádicas e passe a orientar decisões de negócio. 4. Flexibilidade para lidar com realidade dinâmicas, complexas e mutáveis. 5. Agir com alegria e senso de humor. 6. Abertura para aprender com a experiência do outro (indivíduos, organizações, fornecedores, comunidades, governos), compreendendo que, em um campo de saberes em construção, não se tem todas as respostas prontas e que a formação do conhecimento deve ser coletiva. 7. Ser o exemplo vivo da mudança que se pretende operar na empresa. 8. Valorizar a noção de interdependência na tomada de decisões e na adoção de estratégicas de negócio. 9. Ter alta energia, voltada para a execução, ter disposição e envolvimento com os projetos de sustentabilidade, crer na empresa e em seus valores. 10. Ser proativo para pautar permanentemente o tema da sustentabilidade, transformando-o em agenda comum de funcionários, colaboradores e parceiros. 11. Prestar contas sempre, e de modo transparente, a todos os públicos de interesse da empresa. 12. Estabelecer noções de padrões de desempenho de sustentabilidade e avaliar pessoas e sistemas. 13. Ser capaz de realizar algo incomum, com determinação, consciência coletiva e paixão pelo que faz, colocando emoção e energia nos projetos. 14. Influenciar governos na elaboração de políticas públicas relacionadas com os grandes temas da sustentabilidade, como, por exemplo, gestão de resíduos e fontes de energia renováveis. 15. Conversar com todos os atores envolvidos na cadeia produtiva, prestando atenção ao quanto os elos são construídos sobre práticas que fortalecem o triple bottom line. 16. Ensinar os liderados a correr riscos e a lidar com os antagonismos de modo humilde e propositivo. 119 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 17. Criar ambiente favorável e estimulante para que a sustentabilidade seja um tema transversal de inovação. 18. Ter mais autoridade que poder, mais aspiração que ambição; sua palavra precisa ter força moral. 19. Ter modéstia em relação aos seus feitos, serenidade, forte vontade profissional combinada com humildade pessoal. Valores 1. Interesse e respeito pelo ser humano; só quem respeita o ser humano pode respeitar o planeta. 2. Amor ao próximo. 3. Elevado senso de justiça e ética. 4. Apego à ideia da liberdade. 5. Respeito e valorização da diversidade. 6. Perseverança. 7. Integridade. 8. Solidariedade e altruísmo. 9. Amor ao belo. 10. Fé no futuro. 11. Senso de responsabilidade em relação aos impactos gerados pelos negócios às partes interessadas. 12. Consciência de que empresas são agentes de desenvolvimento e que os melhores empreendimentos são os que conseguem combinar interesse da empresa com os da sociedade e do planeta. Assim, com todos esses requisitos, percebemos que o líder que atua a frente de um negócio sustentável é uma pessoa diferente, com uma visão e percepção ampla de mundo, e com ideias arrojadas. Um líder que deseja fazer a diferença e deixar a sua marca. Mas será que isso é possível dentro do setor industrial? Para provar que sim, que temos boas referências instaladas dentro das indústrias, segue abaixo alguns exemplos de líderes que fazem a diferença e que implementam cada vez mais o modelo de negócios sustentáveis em suas empresas. QUADRO 2 – PERFIL LÍDER 1 Guilherme Peirão Leal É copresidente do Conselho de Administração e dono de 25% das ações da Natura, indústria brasileirado setor de cosméticos com sede em São Paulo e atuação global em países como Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru, Ven- ezuela, França e Estados Unidos, além de outros 63 países indiretamente. 120 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Insights O sucesso da Natura é produto de sua proposição de val- or diferenciado – do seu jeito de ser, do modo de formu- lar produtos, do relacionamento com as partes interessa- das, do respeito à biodiversidade brasileira, do apoio aos grandes movimentos do país, do espírito democrático e de sua visão do mundo. Ideias-chave O conhecimento em sustentabilidade está em perma- nente construção, o que exige grande capacidade para se reinventar. Como o alvo é móvel, deve-se construir a competência de aprender a aprender. Quem atua em rede, entende melhor os impactos sociais e ambien- tais de seu negócio, melhora sua capacidade de fazer permanentes releituras e reconstruções sistemáticas. “Cuidar do outro, da comunidade e do planeta é cuidar de si próprio. Não há o fora e o dentro. Estamos tudo e todos interligados”. Desafios Organizar uma cultura forte, baseada nos princípios de sustentabilidade, especialmente os de interdependência e diversidade. Diante da abertura do capital da compan- hia na Bovespa em 2004, crescer sem deixar um sistema mais complexo de gestão engolir seus valores essenci- ais. Obstáculos Sobreviver e crescer em um mercado caracterizado pela presença de competidores globais com forte capacidade de investimento em pesquisa e desenvolvimento de moléculas. Estratégias Em vez de copiar as grandes, a Natura decidiu ser ela mesma: uma empresa brasileira, fundada no conceito in- spirador do “Bem-estar bem”, respeitosa em relação ao uso sustentável da socio biodiversidade, com valores e crenças de sustentabilidade. Momentos Mar- cantes Acidente fatal com funcionária da fábrica de Itapeceri- ca da Serra (SP), em 1991, quando a empresa acabava de lançar um código de conduta. Abertura do capital da companhia na Bovespa em 2004. Perfil do líder em sustentabilidade Compreensão de interdependência entre os sistemas econômico, social e ambiental. Sensibilidade para per- ceber o essencial. Valores firmes e sólidos. Flexibili- dade para lidar com realidades dinâmicas, complexas e mutáveis. Saber atuar em rede. FONTE: Adaptado de Voltolini (2011). 121 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 Para conhecer um pouco mais sobre posicionamentos de líderes sustentáveis, leia a entrevista de industriais sobre as metas do futuro. Link: https://www.amcham.com.br/noticias/gestao/nao-e-so-vender- mais-lideres-da-gerdau-natura-e-ambev-revelam-metas-do-futuro. QUADRO 3 – PERFIL LÍDER 2 Franklin Feder Foi presidente da ALCOA América Latina, uma indústria da cadeia produtiva do alumínio com diversas unidades no Brasil. Insights Confluência entre seus valores individuais e os valores da companhia. Constatação de que a empresa enfrenta- va tensões e conflitos nos Estados Unidos, por não ter as mesmas preocupações socioambientais que manifestava no Brasil. Aprendizado permanente sobre humildade, em- patia, escuta ativa e convivência com opiniões diversas. Ideias-chave Não dá para ser uma empresa rica em uma comunidade pobre. Projetos como os da Alcoa só podem dar certo se a empresa tiver a capacidade de ouvir, dialogar e interagir, se as comunidades se apropriarem deles. Nenhuma em- presa pode estar acima do desejo da sociedade por um mundo mais justo e um planeta mais saudável, sob o risco de perder legitimidade de operar. Desafios Fazer o discurso da sustentabilidade chegar, firme e claro, no chão da planta industrial. Vencer a resistência dos co- laboradores em mudar hábitos e assumir responsabilidade individuais pelas práticas de sustentabilidade. Estratégias Inserção do tema no topo da agenda. Comunicação per- manente para fazer fluir a mensagem do topo a base. Criação de canais de comunicação e relacionamento efi- cazes com as comunidades nas quais a empresa tem op- erações. Contribuição, na forma de investimento concreto, para o desenvolvimento sustentável da região onde a em- presa está instalada 122 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Momentos Mar- cantes Chega em Juruti, no Pará, em 2007. Ameaça, em 2007, da invasão do canteiro de obras por grupo contrário ao empreendimento. Lançamento, em 2009, do Fundo Juruti Sustentável. Perfil do líder em sustentabilidade Convicção de que a sobrevivência de uma empresa de- pende de sua capacidade de interagir com as partes inter- essadas. Saber escutar. Ter gosto pelo diálogo. FONTE: Adaptado de Voltolini (2011). Para conhecer um pouco mais sobre as ideias do líder Franklin Feder, veja o vídeo que ele fez explicando um pouco a sua visão sobre sustentabilidade. O vídeo é da plataforma liderança com valores. Link: https://liderancacomvalores.com.br/franklin-feder-perfil- lideranca-com-valor/. QUADRO 4 – PERFIL LÍDER 3 Paulo Nigro Foi presidente da indústria Tetra Pak, que fabrica embalagens para alimentos. Insights Na infância, aprendeu com o pai o valor de reciclar e a importância do ato para gerar riqueza. Trabalhando com empresas suecas, incorporou a noção cultural de res- peito a natureza e a conservação ambiental Ideias-chave Bem cuidada, a questão ambiental representa um cam- po de oportunidades para a empresa malcuidada, signifi- ca risco. Sustentabilidade é um templo de dois pilares: econômico e ético-socioambiental. Empresa que preser- va o meio ambiente promove o bem-estar social. Quan- do se preocupa com o desenvolvimento da sociedade, o público a percebe como mais ética. O conhecimento amplo da cadeia de valor associado a uma base sólida de princípios possibilita ao líder realizar cotidianamente um ajuste ético entre o que é preciso e o que é certo fazer. As 150 mil toneladas de embalagem da Tetra Pak enterradas representam uma mina de ouro que, bem garimpada, pode gerar riqueza para as comunidades mais pobres. 123 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 Desafios Recuperar a imagem da Tetra Pak no Canadá, prejudi- cada por causa de negligência em relação ao sistema público de coleta seletiva de resíduos. Perseguir a meta de reciclar 100% das 200 mil toneladas de embalagens produzidas. Hoje, ela recicla 25%. Estratégias À frente da Tetra Pak canadense, e com a empresa em crise, criou a primeira recicladora de embalagens naquele país. Para tanto, investiu em equipamentos, fez parcerias locais e atraiu os melhores desenvolvedores de tecnologia. Na Tetra Pak Brasil: usar papel de fonte certificada (FSC), mudar processos industriais, abas- tecer os caminhões com biodiesel e adotar o “plástico verde”. Momentos Mar- cantes Ameaça, em 2009, de desarticulação da cadeia de cat- adores, por causa da queda do preço do papel e do papelão; a empresa fez estoque regulador. Instituição, em 2010, da Política Nacional de Resíduos Sólidos; re- sponsabilidade compartilhada é uma de suas bandeiras pessoais. Perfil do líder em sustentabilidade Conhecimento do negócio por inteiro, acompanhando cada etapa do processo, da geração da matéria-prima à venda. Atenção a todos os elos da cadeia de valor. FONTE: Adaptado de Voltolini (2011). Para conhecer um pouco mais sobre as ideias do líder Paulo Nigro, veja o vídeo que ele fez explicando um pouco a sua visão sobre sustentabilidade. O vídeo é da plataforma liderança com valores. Link: https://liderancacomvalores.com.br/lideres/paulo-nigro/. A liderança sustentável pressupõe uma maneira diferente de pensar a sustentabilidade não a partir da perspectiva de quanto custa realizá-la, mas do custo de não a empreender. Nesse sentido, para garantirmos que as indústrias estão trilhando o caminho correto, existem indicadores ambientais e de sustentabilidade que são responsáveis por apresentar formas de mensurar os ganhose fazer eventuais ajustes de rota para manter o propósito de crescer preservando o meio ambiente. 124 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria 3 INDICADORES AMBIENTAIS Indicadores são elementos que tem por objetivo apontar, direcionar e mostrar dados que contenham informações para apoiar na avaliação e decisão de algum acontecimento ou situação específica. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (2021), indicadores são informações quantificadas, de cunho científico, de fácil compreensão usadas nos processos de decisão em todos os níveis da sociedade, úteis como ferramentas de avaliação de determinados fenômenos, apresentando suas tendências e progressos que se alteram ao longo do tempo. Os indicadores permitem a simplificação do número de informações para se lidar com uma dada realidade por representar uma medida que ilustra e comunica um conjunto de fenômenos que levem a redução de investimentos em tempo e recursos financeiros. Indicadores ambientais são estatísticas selecionadas que representam ou resumem alguns aspectos do estado do meio ambiente, dos recursos naturais e de atividades humanas relacionadas. Com o objetivo de apoiar o planejamento, apontar possíveis direções para subsidiar a formulação de políticas públicas e orientar de uma forma mais transparente a priorização de recursos e ações de políticas ambientais, o Ministério do Meio Ambiente criou os indicadores ambientais a seguir: • Área de Floresta Pública com Uso Comunitário. • Área de Florestas Públicas. • Área de Florestas Públicas Federais sob Concessão Florestal. • Cobertura do Território Brasileiro com Diretrizes de Uso e Ocupação em Bases Sustentáveis, definidas por meio de Iniciativas de Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE). • Concentração de Dióxido de Nitrogênio (NO2), na Região Metropolitana de São Paulo. • Concentração de Material Particulado com Diâmetro Menor que 10 micrômetros (MP10), na Região Metropolitana (RM) de São Paulo. • Destinação Adequada de Pneus Inservíveis no Brasil. • Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção com Planos de Ação Nacional para Conservação das Espécies Ameaçadas de Extinção. • Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção. • Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção com Planos de Ação para 125 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 Recuperação e Conservação. • Índice de Efetividade de Gestão das Unidades de Conservação Federais. • Número de Ações de Fiscalização Executadas nas Unidades de Conservação Federais. • Número de Conselhos Gestores de Unidades de Conservação Criados na Esfera Federal. • Percentual de Alcance da Meta Estabelecida de Coleta de Óleos Lubrificantes Usados ou Contaminados no Brasil. • Percentual de Espécies da Fauna/Flora Ameaçadas de Extinção com Planos de Ação ou Outros Instrumentos para Recuperação e Conservação. • Percentual do Território Brasileiro Abrangido por Unidades de Conservação. • Proporção da Área Marinha Brasileira Coberta por Unidades de Conservação da Natureza. • Quantidade de Agrotóxico Comercializado por Classe de Periculosidade Ambiental. • Reservação de Água Doce. • Número de participantes alcançados por ações e iniciativas de informação e formação com conteúdo de desenvolvimento sustentável. • Consumo de Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio. A título de exemplo, na Figura 1, temos um dos indicadores que tem relação com a indústria, um exemplo da ficha síntese do indicador Quantidade de Agrotóxico Comercializado por Classe de Periculosidade Ambiental. 126 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria FIGURA 1 – EXEMPLO DE FICHA SÍNTESE FONTE: Ministério do Meio Ambiente (2021, s. p.). 127 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 Nesse sentido, podemos observar que os indicadores ambientais são instrumentos para avaliar os esforços despendidos pelas indústrias para a preservação do meio ambiente e dos recursos naturais. Vale ressaltar que cada setor industrial tem suas particularidades e, por isso, para propor indicadores ambientais, é necessário respeitar a forma de atuação, o nível de maturidade no tema e as características da indústria em questão. A seguir, listamos alguns exemplos de temas de indicadores ambientais amplamente utilizados em grande parte das indústrias: • Fontes de energia utilizadas – (Tipos de fontes). • Consumo de energia – (consumo KW h/mês). • Consumo de água – (consumo m3/ mês). • Tratamento de efluentes (quantidade mg/litro). • Geração de resíduos sólidos (quantidade m2 de peças). • Geração de gases (quantidade mg/m3). • Consumo de matéria prima (consumo m3/mês). • Consumo de materiais de embalagem (consumo ton/mês). • Reciclagem de resíduos (quantidade ton/mês). • Situação e uso do solo (área m2/área total). Esses indicadores podem ser utilizados por indústrias de diferentes portes e setores, respeitando obviamente as particularidades de cada setor industrial. No setor de mineração, devido ao seu alto impacto ambiental, observamos o uso de uma série de indicadores ambientais, que são fundamentais para o acompanhamento e monitoramento das atividades do setor. O artigo Seleção de Indicadores Ambientais para Indústrias com Atividade Galvânica, apresenta a estrutura e forma de medição dos indicadores ambientais. Link: http://www.anpad.org.br/admin/pdf/ enanpad2004-gsa-0900.pdf. Outro indicador ambiental relevante para o setor industrial é o de uso e de qualidade da água, que muitas indústrias utilizam para mensurar a forma de uso desse recurso tão importante e essencial para a existência humana. 128 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Nesse sentido, a Figura 2 ilustra um modelo interativo de governança da água. Nesse modelo, no início do processo de uso, as indústrias devem assumir um compromisso, e, posteriormente, devem mensurar, medir e verificar se estão atendendo à legislação, avaliar os riscos e impactos, definir questões de sustentabilidade, implementar indicadores e metas, monitorar e comunicar os seus resultados. Esse modelo é uma sugestão para a governança da água. FIGURA 2 – MODELO INTERATIVO DE GOVERNANÇA DA ÁGUA FONTE: CEO (2014, s. p.). Referente aos indicadores da qualidade da água, eles são considerados não conformes quando alcançam valores superiores aos estabelecidos para determinado uso. Os principais indicadores da qualidade da água são separados sob os aspectos físicos, químicos e biológicos. O conceito de qualidade da água sempre tem relação com o uso que se faz dessa água. Por exemplo, uma água de qualidade adequada para uso industrial, navegação ou geração hidrelétrica pode não ter qualidade adequada para o abastecimento humano, a recreação ou a preservação da vida aquática. Existe uma grande variedade de indicadores que expressam aspectos parciais da qualidade das águas. No entanto, não existe um indicador único que sintetize todas as variáveis de qualidade da água. Na questão química, podemos destacar a análise do potencial hidrogeniônico (pH). O valor do pH influi na distribuição das formas livre e ionizada de diversos compostos químicos, além de contribuir para um maior ou menor grau de solubilidade das substâncias e de definir o potencial de toxicidade de vários 129 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 elementos. As alterações de pH podem ter origem natural, como dissolução de rochas, fotossíntese; ou antropogênica, como despejos domésticos e industriais. Quanto aos indicadores de qualidade biológica da água, são utilizadas as bactérias do grupo coliforme para identificar a contaminação da água. Quanto maior a população de coliformes em uma amostra de água, maior é a chance de que haja contaminação por organismos patogênicos. No entanto, o que as indústrias utilizam, geralmente, é a mensuração do volume de água gasto em seus processos produtivos,e a destinação da água para reuso ou reciclagem por meio de tratamentos específicos. Na Figura 3, está apresentado um esquema ilustrativo da entrada de água nos processos produtivos. FIGURA 3 – ENTRADA DE ÁGUA NOS PROCESSOS PRODUTIVOS FONTE: Confederação Nacional da Indústria (2017, s. p.). Outro indicador amplamente utilizado pelas indústrias é referente ao uso de energia. Dentro deste aspecto, podemos destacar as seguintes formas de mensuração de acordo com a pesquisa realizada pela FIESC sobre o uso de energia na indústria em 2018: Consumo mensal de energia elétrica; forma de compra de energia; se possui geração própria de energia; quais insumos energéticos a indústria utiliza, como eletricidade, óleo diesel, gás natural, GLP, resíduos biomassa, lenha, óleo combustível, carvão mineral, licor negro, carvão vegetal. Destinação dos insumos energéticos na indústria, como iluminação, força 130 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria motriz, ar comprimido, aquecimento, refrigeração, calor processo, geração vapor, eletroquímica e outras. Também é interessante observar e medir a aplicação final das indústrias na utilização de calor para secagem, aquecimento de fluídos, água quente para higienização, lavação, cocção, cozimento, tingimento, coloração, fusão de minerais não metálicos, esterilização, pasteurização, evaporação, refino eletrolítico, escaldamento. E, por fim, verificar se as indústrias fazem a gestão de energia e se utilizam fontes renováveis. Para compreender melhor a aplicação de indicadores ambientais na indústria, leia o estudo de caso Construção de Indicadores Ambientais Industriais como Estratégia de Política Ambiental: Um Estudo de Caso em Ambiente Virtual, que apresenta exemplos de indicadores ambientais para os setores industriais de celulose, metais sanitários, indústria automotiva e têxtil. Link: https://siambiental.ucs. br/congresso/getArtigo.php?id=84&ano=_quinto. Vale destacar que apenas a implementação dos indicadores não é garantia de uma atuação ambiental correta por parte das indústrias. Neste caso é que entra a ação humana como um importante elemento para fiscalizar e cobrar que as ações previstas sejam seguidas e obedecidas de acordo com os órgãos e legislações vigentes. Por isso, a importância da fiscalização e da implementação dos novos parâmetros de desempenho e operação dentro das indústrias. Para apoiar a implementação de indicadores ambientais nas indústrias, existem normas que direcionam e sistematizam os indicadores, e isso pode ser uma estratégia interessante para as indústrias que querem ter uma gestão ambiental do seu processo. A Norma Brasileira (NBR) ISO 14031, proposta pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), surgiu em 2004 como uma ferramenta de gestão ambiental com o objetivo de medir e analisar o desempenho ambiental de uma empresa. Os resultados obtidos são comparados às metas definidas no estabelecimento do sistema de gestão ambiental e, dessa forma, é possível avaliar as melhorias alcançadas. 131 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 Para mensurar isso, indicadores de desempenho ambiental são selecionados pela empresa. Eles devem deixar mais tangível uma tendência ou fenômeno que não seja imediatamente detectável. Além disso, devem informar o progresso em relação ao alcance de uma meta. Outras características inerentes aos indicadores são: serem específicos a uma determinada área; serem relevantes; cientificamente válidos; de fácil comprovação; e terem custos de medição compatíveis aos objetivos da avaliação. A NBR ISO 14031 visa auxiliar a organização na avaliação do seu desempenho ambiental. Considerada como uma ferramenta de gestão interna, a norma busca prover o gerenciamento de uma base de dados contínua, de tal forma que seja possível avaliar a adequabilidade das medidas adotadas nos processos da organização em relação aos critérios estabelecidos inicialmente em seu sistema de gestão ambiental. Por meio da Avaliação de Desempenho Ambiental, proposta pela norma, é possível que a organização identifique aspectos ambientais e determine quais deles são relevantes; estabeleça critérios para seu desempenho ambiental; e avalie seu desempenho mediante esses critérios. Dentro da Avaliação de Desempenho Ambiental, algumas ferramentas podem ser utilizadas, como as auditorias ambientais e a Análise do Ciclo de Vida. Em ambas as ferramentas, é possível analisar os aspectos ambientais e potenciais impactos relacionados a produtos e serviços. Outra característica importante sobre a ISO 14031 é que ela é aplicável a todas as organizações, independente do seu tipo, tamanho, localização e complexidade. No entanto, a norma não estabelece níveis de desempenho ambiental, não podendo ser usada, portanto, com propósito de certificação ou registro. Para promover a Avaliação do Desempenho Ambiental, a ISO 14031 estabelece duas categorias: os Indicadores de Desempenho Ambiental (IDA) e os Indicadores de Condição Ambiental (ICA). Os ICA fornecem informações sobre a condição do meio ambiente. Dessa forma, é possível que a organização entenda quais impactos, sejam eles reais ou potenciais, estão relacionados aos aspectos ambientais oriundos das suas atividades. Isso torna possível a adoção de medidas preventivas e/ou corretivas tanto durante a fase de planejamento quanto na fase de implementação da Avaliação de Desempenho Ambiental. Considera-se que o desempenho dos processos 132 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria operacionais é fator decisivo nas tomadas de decisão por parte da administração da organização. Nesse sentido, são exemplos de ICA: a concentração de um poluente no ar proveniente de veículos automotores; nível de água subterrânea de um lençol freático; taxa de abastecimento de água de uma região geográfica; população de uma espécie da flora dentro de um raio de distância pré-definido; o número total de espécies da fauna em uma dada área; entre outros. Os indicadores de desempenho ambiental (IDA), como o nome sugere, sugerem informações sobre o desempenho ambiental de uma organização. Podem ser divididos em dois tipos: • Indicadores de desempenho gerencial: fornecem informações sobre esforços gerenciais que influenciam o desempenho ambiental das operações da organização. Exemplos: percentual de atendimento aos requisitos legais; percentual de alocação de recursos financeiros em programas ambientais; número de horas de treinamento para colaboradores internos; recursos financeiros destinados a pesquisas de monitoramento ambiental. • Indicadores de desempenho operacional: fornecem informações sobre o desempenho ambiental das operações da organização. Exemplos: redução nas emissões de gases contaminantes por veículos automotores; quantidade de combustível fóssil consumido; eficiência do combustível; percentual da frota de veículos equipada com tecnologias de controle ambiental; quantidade de água consumida por dia; entre outros. Diante disso, a ISO 14031 configura-se como uma ferramenta de gestão ambiental muito importante para todas as empresas. Isso se deve ao fato de a norma propor uma Avaliação do Desempenho Ambiental de todos os aspectos que possam gerar impactos ambientais, o que abrange muitos setores e processos, convergindo em valiosas fontes de aperfeiçoamento, que trazem benefícios financeiros e ambientais. Para compreender melhor a abrangência e os itens avaliados na ISO 14031, basta acessar a versão completa da norma de Gestão Ambiental – Avaliação de Desempenho Ambiental – Diretrizes no link: http://www.madeira.ufpr.br/disciplinasghislaine/abnt-nbr-iso-14031. pdf. 133 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 1 Descreva a diferença entre indicadores os Indicadores de Desempenho Ambiental (IDA) e os Indicadores de Condição Ambiental (ICA) descrita na ISO14031. No entanto, apesar de todo o esforço para criar indicadores de sustentabilidade com foco na indústria, percebe-se que ainda é grande a dificuldade de entendimento dos setores industriais acerca do conceito, das práticas e dos benefícios da sustentabilidade e, por consequência, de seu reflexo nas atividades empresariais. Usualmente, o tema é percebido apenas sob a perspectiva ambiental e associado a restrições e limitações. Diante desse contexto, surgiu uma iniciativa para tentar mudar este panorama no ambiente industrial que foi a bússola da sustentabilidade, criada pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP). A bússola tem por objetivo desmistificar e tornar tangível o conceito de sustentabilidade, promovendo a reflexão sobre a temática entre as indústrias do Paraná e fomentando a competitividade destas nos cenários atual e futuro. A iniciativa tem como pressuposto o alinhamento entre as estratégias de negócio e as perspectivas do desenvolvimento sustentável por meio da difusão de práticas no contexto industrial. Para tanto, foram definidos alguns objetivos estratégicos: • alinhar-se às diversas iniciativas para mensurar a sustentabilidade; • mobilizar setores industriais e entidades de representação em torno da temática de sustentabilidade; • sensibilizar e orientar o empresário paranaense acerca das práticas de sustentabilidade que influenciam a competitividade; • identificar o perfil de sustentabilidade da indústria; • orientar o tecido industrial a evoluir em suas práticas de sustentabilidade. A Bússola da Sustentabilidade segue metodologia própria, com enfoque na sensibilização e orientação de empresários e executivos. A pesquisa acontece em um ambiente on-line, por meio de um processo de Coleta-Aprendizagem. Durante a participação, são disponibilizados conteúdos sobre sustentabilidade na perspectiva do funcionamento das organizações e, ao término do processo, as indústrias recebem um diagnóstico personalizado. Nele, são fornecidos 134 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria o desempenho da empresa, com base nas respostas oferecidas, bem como orientações pontuais sobre práticas possíveis de melhoria. Com cada empresa participante de posse de seu diagnóstico, há a posterior consolidação dos resultados e a construção de retratos da sustentabilidade da indústria paranaense. No que tange às informações de acesso público, são utilizadas duas abordagens para disseminação. A primeira diz respeito a esse documento, Perfil de Sustentabilidade Industrial, no qual estão reunidos os resultados de todas as empresas. A segunda trata de um Dashboard (http://www. bussoladasustentabilidade.org.br), por meio do qual é possível analisar diferentes recortes de respondentes, segundo as variáveis tamanho da empresa, setor de atuação e localização. Sob avaliação de profissionais e pesquisadores, foi definida uma estrutura para categorizar essas ações no modelo, o qual se desdobra em três grandes ambientes empresariais: • Ambiente interno: referente à estrutura e às atividades internas da organização, com implicação imediata na administração da empresa. • Microambiente: diz respeito ao ambiente de atuação em que ocorrem relações externas com atores que afetam a organização ou são afetados diretamente por ela, como fornecedores, clientes, competidores etc. • Macroambiente: relativo aos segmentos que não estão diretamente envolvidos nas atividades empresariais, mas que a organização depende para o desenvolvimento de seus negócios. Cada ambiente se desdobra em duas ou mais dimensões de atuação empresarial, totalizando oito: • Planejamento e Gestão de Processos: projeção e otimização dos resultados considerando os impactos dos processos de produção, de modo que o crescimento da empresa não gere externalidades negativas. • Gestão de Pessoas: promoção da formação e de relações de trabalho que considerem valores éticos e justos, atendendo a princípios de dignidade e respeito à diversidade na empresa. • Produção: aplicação de estratégias para promover a eficiência produtiva, de maneira a evitar quaisquer desequilíbrios ambientais e danos sociais. • Cadeia de Suprimentos e Distribuição: adoção de critérios para seleção de fornecedores, tendo em vista o consumo consciente de recursos naturais e o respeito a normas sociais, além da priorização de processos de transporte e distribuição de menor impacto. • Consumidores: incorporação de atributos de comunicação nos produtos e serviços, de forma a atender à dinâmica de sustentabilidade na relação entre empresa e consumidor. 135 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 • Parcerias Institucionais: mútua colaboração entre as organizações, a fim de ultrapassar as limitações individuais na busca por soluções sustentáveis e pelo fortalecimento da capacidade dos negócios. • Meio Ambiente: atuação em conformidade com legislação e normas pertinentes, promovendo a conservação ambiental, bem como fornecendo respostas a riscos e desastres decorrentes ou não das atividades da empresa. • Engajamento Local: atuação da empresa em prol do desenvolvimento do entorno onde está inserida e do fortalecimento da sociedade civil nessa localidade. Essas dimensões de atuação empresarial, por sua vez, se associam a 15 áreas temáticas ligadas às perspectivas da sustentabilidade: • Organização e Gestão: incorporação de aspectos de sustentabilidade no planejamento e na execução de estratégias organizacionais, na definição de objetivos e metas, assim como na coordenação de processos de produção. • Compromissos Éticos: adoção de valores e princípios para orientar a conduta da organização e suas relações com as partes interessadas. • Relações de Trabalho: construção de relações pautadas em valores éticos como transparência, equidade e respeito aos direitos humanos e laborais. • Equidade de Gênero e Respeito à Diversidade: favorecimento da inclusão social de segmentos marginalizados e promoção da igualdade de oportunidades • Educação: incentivo contínuo à aprendizagem e capacitação para promoção da qualidade de vida, relacionadas ou não a práticas sustentáveis. • Produção Mais Limpa: otimização do processo produtivo, por meio da aplicação de estratégias que visem a aumentar a eficiência no uso de matérias-primas e demais recursos. • Inovação: inserção de produtos, processos, métodos organizacionais e práticas de negócio, novos ou significativamente melhorados, voltados para promoção de uma relação harmônica entre meio ambiente e sociedade. • Seleção de Fornecedores: adoção de critérios de responsabilidade socioambiental e de consumo consciente na escolha dos parceiros de negócio. • Transporte e Distribuição: minimização dos impactos negativos decorrentes da movimentação de materiais. • Consumo Consciente: sensibilização, divulgação e fortalecimento de fatores que influenciam o processo de escolha, compra e descarte de produtos e serviços. • Cooperação: fortalecimento de parcerias entre organizações, na busca por melhores soluções para cada uma e para a sociedade em geral. 136 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria • Conservação Ambiental: elaboração de iniciativas em resposta aos impactos negativos do processo produtivo, visando proteger o meio ambiente e a biodiversidade. • Riscos e Desastres: investimentos em ações de prevenção de riscos e desastres, para evitar ou minimizar a ocorrência de impactos negativos desses incidentes sobre o meio natural e social. • Relacionamento Empresa-Comunidade: fomento de oportunidades em prol do desenvolvimento local. • Governança Pública: suporte à formulação e implantação de ações para o melhor uso de recursos e a promoção de valores democráticos e cívicos. As áreas temáticas são compostas por um ou mais indicadores, sendo eles a menor e mais específica unidade de análise, orientação e sensibilização no modelo adotado. Cada indicadortem como input uma ou mais ações (dentre as 83 levantadas) e práticas voltadas ao desenvolvimento sustentável. No total, foram definidos 38 indicadores, articulados a conteúdos da base de conhecimentos previamente construída, envolvendo definições, exemplos e abordagens de acordo com a situação que cada empresa se encontra. É por meio deles que os empresários chegam a propostas mais práticas de intervenção em seu negócio. De maneira sintética, as relações entre ambientes empresariais, dimensões empresariais, áreas temáticas e indicadores estão expressas na Figura 4 e na Figura 5 a seguir. FIGURA 4 – DIMENSÕES DO AMBIENTE INTERNO E INDICADORES ANALISADOS FONTE: FIEP – Observatórios (2019, s. p.). 137 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 FIGURA 5 – DIMENSÕES MACROAMBIENTE E MICROAMBIENTE E INDICADORES ANALISADOS FONTE: FIEP (2019, s. p.). A proposta da bússola da sustentabilidade procura obedecer às características do público-alvo e permitir a simplificação de informações sobre fenômenos complexos existentes, como é o caso da sustentabilidade. Para identificar o desempenho nesse tema, houve uma consulta a acadêmicos, consultores e agentes de mercado durante o processo de pesquisa. Com isso, foram definidos três níveis de desempenho que traduzem quanto uma dada indústria está alinhada aos princípios de sustentabilidade: • Desempenho em sustentabilidade por indicador. • Desempenho em sustentabilidade por dimensão empresarial. • Desempenho geral em sustentabilidade. Esses níveis são aplicáveis inicialmente no contexto da empresa, quando o diagnóstico personalizado é criado e disponibilizado para o respondente. Assim, cada empresa recebe scores/graus, com base nas respostas enviadas. Os mesmos níveis também podem ser entendidos no contexto estadual, por meio da consolidação de respostas e do cálculo das médias. Quanto ao desempenho em sustentabilidade por indicador, a bússola da sustentabilidade trata o indicador como a mais específica e, também, mais importante unidade de análise na Bússola da Sustentabilidade. É o seu resultado que direciona a forma como a empresa será orientada (práticas sugeridas e benefícios esperados) no contexto do diagnóstico. Enquanto nos outros dois níveis de desempenho (por dimensão empresarial e geral) há apenas referências numéricas (score de 0 a 10), no caso dos indicadores existe uma abordagem 138 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria qualitativa, por meio de quatro graus de maturidade empresarial (‘Iniciante’, ‘Sensibilizada’, ‘Consciente’ e ‘Engajada’). A seguir, na Figura 6, encontramos um exemplo de desempenho em sustentabilidade por indicador. FIGURA 6 – DESEMPENHO DE SUSTENTABILIDADE POR INDICADOR FONTE: FIEP (2019, s. p.). Na Figura 7, podemos observar o resultado da pesquisa de 2017 no indicador de Produção. FIGURA 7 – INDICADOR PRODUÇÃO FONTE: FIEP (2019, s. p.). 139 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 Na Figura 8, podemos observar o modelo que a ferramenta bússola de sustentabilidade apresenta os dados para as empresas participantes da pesquisa. FIGURA 8 – PAINEL COM OS INDICADORES DE PRODUÇÃO MAIS LIMPA FONTE: FIEP (2019, s. p.). Além dos dados, a ferramenta bússola da sustentabilidade apresenta recomendações a respeito do indicador em questão, conforme apresentado na Figura 9 a seguir. 140 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria FIGURA 9 – RECOMENDAÇÕES: PRODUÇÃO MAIS LIMPA FONTE: FIEP (2019, s. p.). No indicador de produção mais limpa, podemos verificar a importância da ação humana que, observando o impacto negativo de um processo produtivo, pode realizar ajustes, inserir novas práticas e formas de monitoramento e, assim, torná-lo um processo com menor impacto para o meio ambiente. Este pode ser considerado um exemplo de um impacto ambiental negativo, ocasionado por processos produtivos tradicionais que, ao receber a ação humana e os devidos ajustes, transforma-se em algo positivo para o meio ambiente. Para ilustrar, na prática, a produção mais limpa na indústria, leia o artigo que relata a aplicação dessa prática em uma indústria de beneficiamento de couro de grande porte. Link: http://www.abepro. org.br/biblioteca/enegep2010_tn_stp_113_739_16730.pdf. Para ilustrar, a seguir, a Figura 10 e a Figura 11 apresentam dados coletados a respeito do indicador de Meio Ambiente nas indústrias do estado do Paraná. 141 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 FIGURA 10 – PAINEL COM OS INDICADORES DE CONSERVAÇÃO AMBIENTAL FONTE: FIEP (2019, s. p.). FIGURA 11 – RECOMENDAÇÕES PARA O INDICADOR CONSERVAÇÃO AMBIENTAL FONTE: FIEP (2019, s. p.). Para finalizar os resultados da Bússola de Sustentabilidade, no ano de 2017, foram cerca de 250 que ingressaram na ferramenta on-line gratuita da Bússola 142 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria da Sustentabilidade e iniciaram sua participação. Destes, 154 enviaram todos os dados, receberam um diagnóstico personalizado e ajudaram a compor um retrato estadual. A diferença significativa entre convidados e participantes evidencia a dificuldade de entendimento do caráter fundamental da sustentabilidade para a sobrevivência das empresas. O resultado sugere, também, uma dissociação entre sustentabilidade e competitividade. Ou seja, não há a compreensão de que, sem o alinhamento aos princípios sustentáveis, as empresas perdem cada vez mais espaço nos mercados nacional e global. A incorporação de aspectos de sustentabilidade nas estratégias e a criação de mecanismos formais para a aplicação das normas de conduta e valores, nos processos e relações com todas as partes envolvidas, viabilizam o alcance de resultados organizacionais com impacto positivo na empresa, sociedade e no mercado. Se o planejamento e gestão de processos estiverem alinhados aos pressupostos do desenvolvimento sustentável, as indústrias poderão obter vantagens, que vão desde a eficiência econômica até benefícios de melhoria da imagem institucional, evidenciando a responsabilidade social e ambiental. Ao tratar de produção, discute-se a melhoria do desempenho econômico da empresa, possibilitando a ela oferecer produtos com menor custo e orientados por princípios de sustentabilidade. Nessa busca, as indústrias podem adotar procedimentos para acréscimo da eficiência com o melhor aproveitamento dos recursos e insumos do processo produtivo, minimizando riscos e desperdícios. O desenvolvimento de produtos, serviços e processos voltados para sustentabilidade, novos ou significativamente melhorados, permite o aumento da qualidade da oferta, a ampliação da participação de mercado e a redução de impactos com a produção. A relação com os consumidores é algo presente em praticamente todas as ações da Bússola da Sustentabilidade, haja vista que um dos benefícios permanentes esperados com as práticas é a valorização da imagem institucional e o acréscimo de valor percebido nos produtos e serviços. O chamado consumidor consciente é aquele que ultrapassa apenas o bem-estar pessoal enquanto critério de escolha, priorizando, também, os recursos ambientais e as necessidades sociais. A empresa tem dois papéis nas relações que passam a ser estabelecidas diante da mudança de comportamento dos clientes: ser ativa na sustentabilidade, deixando suas ações transparentes para o consumidor, bem como se tornar um agente multiplicador dos princípios sustentáveis, auxiliando na conscientização pública. Ao mesmo tempo em que atende à nova demanda, a organização é 143 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 partícipe na disseminação do consumo consciente. Notou-se que nenhum dos casos surge explorado enquanto prática pelas indústrias, revelando grande espaço para melhorias.Tal situação poderá progredir quando as empresas orientarem e conduzirem os consumidores com maiores detalhes sobre o produto, seu uso, sua embalagem e descarte seguro. Os resultados que se encontram em situação mais incipiente estão no macroambiente, ou seja, no espaço relacional externo às empresas, conforme discussão a seguir por dimensão (meio ambiente e engajamento local). Tanto no campo acadêmico como no ambiente empresarial, quando a sustentabilidade é mencionada, em um primeiro momento, o aspecto que aparece com maior frequência é o meio ambiente. No entanto, com os dados observados, é possível verificar que essa dimensão ainda está distante do empresariado. A maior concentração de respostas registradas se deu no grau “não se aplica”, o que permite duas avaliações. Se a sustentabilidade não se resume ao meio ambiente, ela até já está presente na prática e/ou na ideação de muitas empresas, mas ainda não aparece explorada nesses termos. Por outro lado, comprova-se que, quando restrita ao tema da conservação ambiental (no monitoramento do impacto, na questão de gases poluentes ou no compromisso com a preservação) e/ou da gestão de riscos e desastres (prevenção e assistência à comunidade), o estágio ainda é incipiente na maioria do cenário industrial. Por fim, a Figura 12 apresenta o modelo de painel de bordo da ferramenta Bússola de Sustentabilidade. FIGURA 12 – PAINEL DE BORDO BUSSOLA DE SUSTENTABILIDADE FONTE: FIEP (2019, s. p.). 144 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Percebemos, com a iniciativa apresentada, que cada vez mais surgem ferramentas para facilitar a medição das ações de sustentabilidade no ambiente industrial. A proposta é estimular as indústrias a implementar ações sustentáveis e a internalizar os conceitos de preservação ambiental. A seguir, vamos observar alguns desafios enfrentados pelos diversos setores industriais e alguns cases de sucesso que ilustram, bem as ações implementadas pelas indústrias para promover o desenvolvimento e preservar o meio ambiente. 4 OS SETORES AMBIENTAIS E O MEIO AMBIENTE As indústrias compreendem a necessidade de atuar de uma forma sustentável e de preservar o meio ambiente. Seja por uma consciência ambiental ou por força de legislação, o setor industrial está procurando adequar-se permanentemente e avançar na temática da sustentabilidade. No entanto, ainda existem desafios a serem superados relacionados ao meio ambiente, muitos deles os setores industriais já estão tratando com ações práticas, e com uma postura proativa na busca por soluções. Para ilustrar melhor essa realidade nas indústrias, no Quadro 5, estão descritos os desafios de alguns setores industriais. 145 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 QUADRO 5 – DESAFIOS AMBIENTAIS NA INDÚSTRIA Indústria Desafios Ações Têxtil Diminuir a quantidade de água nos processos produtivos, como os da lavagem do jeans. As indústrias estão investindo em alta tecnolo- gia, buscando soluções de reaproveitamento e reuso da água para alcançar os mesmos objeti- vos, mas com um consumo de água menor. Utilização dos resíduos do pro- cesso produtivo, fios, pedaços de pano, malha. Reciclagem de peças produzidas com de- feito ou abaixo do controle de qualidade. Criação de novos produtos com o reaproveit- amento dos materiais que não foram uti- lizados por completo no processo pro- dutivo. Exemplo de almofadas, toalhas, roupas de boneca, roupas para pets. Direcionamento das peças com pequenos de- feitos ou abaixo do controle de qualidade estip- ulado para outlets das fábricas. Mão de obra barata para a re- alização de serviços de costura e confecção. Muitas marcas grandes procuram terceirizar em outros países e até mesmo entre imigrantes estes serviços na busca de preços mais com- petitivos. As fiscalizações e a pressão da mídia têm di- minuído significativamente esse movimento. As empresas estão procurando legalizar os tra- balhadores e fornecer as condições adequadas de trabalho. Diminuir a quantidade de tintas e demais produtos tóxicos nas confecções. A demanda por produtos eficientes, seguros e não tóxicos é crescente, de acordo com o estudo. Para responder a demanda por produtos efici- entes, seguros e não tóxicos, a indústria têxtil tem criado roupas feitas com algodão orgânico e corantes naturais e cosméticos não testados em animais, para se diferenciar no mercado. Florestal, papel e celulose Aproveitamento do papel. Ao invés de descartar, utilizar como matéria-prima do proces- so produtivo. As indústrias de papel e celulose aproveitam o papel utilizado como fonte de matéria-prima para o papel reciclado. Manejo Florestal. Poda de ár- vores. Processo produtivo para extrair e aproveitar ao máximo a madeira da floresta plantada. Ao podar as árvores da floresta plantada, as indústrias florestais estão permitindo e cuidado para manter a qualidade da madeira e o seu uso adequado. As indústrias devem respeitar diver- sas leis ambientais e o código florestal para re- alizar suas atividades. Embalagens – Plano de Logística Reversa. As indústrias têm adequado os seus processos para realizar a logística reversa de materiais e embalagens produzidas pelo setor. 146 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Construção Problemas com entulhos e resíduos do processo constru- tivo. Uso da produção mais limpa, com técnicas para minimizar a quantidade de entulhos e dar o des- tino correto para cada tipo de material. Novos materiais para con- struções mais sustentáveis. Construções com painéis de madeira estrutura- da são uma tendência no setor. As construções são mais rápidas, geram menos resíduos e tem diversos ganhos térmicos, acústicos e ambien- tais. Busca por construções inteli- gentes e eficientes para reduzir as contas de água e luz. Uma das ações do setor é o investimento em telhados verdes, que são cobertos por plantas para reduzir a temperatura do ambiente e ainda dar mais verde para a paisagem Automotivo Reciclagem reaproveitamento do aço e de demais matérias primas. Por ser um material de alto valor, as indústrias têm procurado utilizar ao máximo suas matérias primas e serem eficientes nos seus processos produtivos. Cerâmica branca/ver- melha Filtros para diminuir a emissão de gases. Uso de fontes alter- nativas de energia. O setor procurou implantar filtros capazes de minimizar de forma significativa a emissão de gases. Outra iniciativa é o uso de fontes de en- ergia alternativas como o gás que, comparado com outros tipos de combustíveis, polui sig- nificativamente menos, uma vez que tem ca- pacidade de reduzir a emissão de poluentes, o que auxilia na preservação da natureza. No processo da cerâmica vermelha, as indústrias substituíram a lenha, carvão, por biomassa, o que contribui para a redução do desmatamento e preservação. 147 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 Agroin- dústria Diminuir o uso de químicos ou pesticidas na produção de ali- mentos. Muitas indústrias de pequeno porte estão se estabelecendo com alimentos produzidos local- mente, sem componentes químicos ou pestici- das. Entre as oportunidades com mais poten- cial, está a venda e produção de café orgânico, a organização de mercados locais ou coopera- tivas de produtores para atender a restaurantes ou bufês orgânicos. Carcaças, eliminação de ani- mais com doenças. Por meio do investimento de alta tecnologia, existem máquinas que utilizam uma espuma para realizar o abate de animais com doenças, de uma forma rápida, segura e que não gera sofrimento animal. Pesca Forte odor expelido pelo pro- cesso produtivo das grandes indústrias do setor, o que pode incomodar a comunidade local. Parceria com instituições na pesquisa de filtros que amenizem o odor. Negociações em con- junto com o governo e com a comunidade local paraamenizar o desconforto. Armazenagem inadequada dos pescados e dificuldade no pro- cesso produtivo realizado na própria embarcação. Adequação às normas estabelecidas pela fiscal- ização para não perder o produto. Qualificação dos colaboradores e ajustes nos processos pro- dutivos para atender a legislação ambiental. Indústria química Produzir produtos de limpeza mais seguros para a saúde e para o meio ambiente. As indústrias estão investindo em produtos de limpeza ecológicos, além de Itens biode- gradáveis e serviços de limpeza certificados. Alimentos Embalagens com um materi- al diferente, mais amigável ao meio ambiente. Diminuição do uso de Gordura trans. As indústrias estão investindo para se adequar a novas embalagens; com menos alumínio. Também estão se adequando a novas norma- tivas que pede a substituição da gordura trans por outro tipo de gordura nas misturas dos pro- cessos produtivos dos alimentos. Tecnologia Reciclagem de produtos eletrônicos. As indústrias estão adotando medidas chama- das de Tecnologia da Informação verde uma das áreas de maior potencial. A ideia é criar negócios para prestarem serviços a outras em- presas como consultorias e análises de gastos energéticos em data-centers, por exemplo. Out- ro exemplo são soluções para a de reciclagem de produtos eletrônicos. FONTE: A Autora. 148 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Para compreendermos o esforço que a indústria vem dispendendo na superação dos desafios para preservar o meio ambiente, vamos ver algumas iniciativas de indústrias que deram certo e que foram premiadas no 27º prêmio expressão ecologia 2019/2020. Case: Whirlpool - Joinville (SC) Conservação de Energia Gestão energética: alavancando resultados extraordinários. Um dos ODS priorizados pela Whirlpool é o ODS12 – Consumo e Produção Responsáveis. A unidade Joinville implantou um sistema de gestão de energia baseado na metodologia World Class Manufacturing (WCM), atuando de maneira estruturada para promover a redução de perdas com vetores energéticos, em especial de energia elétrica. Para tal, realizou-se a priorização dos vetores energéticos e, em seguida, o levantamento das perdas em cada área e cada processo. As perdas foram então minimizadas através de projetos e ações focadas, como eliminação de vazamentos de ar comprimido, recuperação de calor, troca de luminárias, até ações para redução de consumo excessivo. Os resultados são expressivos: reduziu-se em cerca de 15% o indicador de performance, considerando o período desde 2017 até o final de 2019, sendo esse um resultado nunca antes atingido na história da empresa. Para maiores informações sobre o tema de conservação de energia acesse o link: http://www.procelinfo.com.br/ m a i n . a s p ? Te a m I D = % 7 B 9 2 1 E 5 6 6 A - 5 3 6 B - 4 5 8 2 - A E A F - 7D6CD1DF1AFD%7D Case: Tabocas Participações Empreendimentos - Paraná Controle de Poluição Gestão da água: boas práticas de gerenciamento e reuso de efluentes Esse projeto apresenta soluções ecológicas que têm por objetivo a redução de impactos no solo, na água e na flora a partir de técnicas aplicadas em obras, que trazem consigo as ideias propostas pelas Tabocas Participações 149 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 Empreendimentos, empresa atuante no segmento de construção de linhas de transmissão e subestações de energia. A implantação de Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) e de outras infraestruturas presentes nos canteiros de obras, pertencentes à Tabocas, focam na gestão dos efluentes líquidos, na proteção do solo e na conservação dos recursos hídricos. Como resultado, obteve-se redução do consumo de recursos hídricos, menor supressão vegetal e prevenção de poluição pela geração e pelo lançamento de efluentes, reforçando a visão e o engajamento da empresa com o conceito de desenvolvimento sustentável, respeitando seus compromissos firmados em sua política de gestão integrada e em seus princípios socioambientais. Para maiores informações sobre o tema gestão da água: https:// www.terra.com.br/noticias/dino/os-desafios-da-industria-na-gestao- da-agua,e18f6f357286462e9912ef9b4b732b15zy13eeao.html. Case Engie Brasil Energia - Lages (SC) Energias limpas Unidade de cogeração Lages: um exemplo do potencial transformador da economia circular e da geração de energia renovável Idealizada como um mecanismo de desenvolvimento limpo, a Unidade de Cogeração Lages (UCLA), pertencente a Engie, tem a redução de emissões atmosféricas entre seus principais propósitos. Ao utilizar resíduos da indústria madeireira local para gerar energia elétrica e vapor, a usina deu novo destino a um material com grande potencial de emissão de metano (CH4) – gás de efeito estufa (GEE) até 25 vezes mais danoso que o dióxido de carbono (CO2). Assim, em uma década, a operação da UCLA evitou a emissão de aproximadamente 2,5 milhões de toneladas de CO2 equivalentes. Adicionalmente, a companhia buscou ampliar o impacto positivo do empreendimento, destinando as cinzas de biomassa para uso da agricultura e, em um projeto experimental, na compostagem de rejeitos orgânicos domésticos. 150 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Engie Brasil Energia Os resultados obtidos com a criação de um mercado para esses resíduos da indústria madeireira confirmam que o investimento em iniciativas de economia circular guarda grande potencial transformador. A destinação de cinzas de biomassa para aplicação na agricultura contribui para a redução de emissões de gases de efeito estufa, especialmente por reduzir o uso de insumos agrícolas convencionais. Por isso, a Engie iniciou, em 2009, a distribuição gratuita de 100% das cinzas de biomassa da UCLA para produtores rurais da região de Lages. Para maiores informações sobre o tema de energias renováveis, acesse o link: http://www.portaldaindustria.com.br/cni/canais/ industria-sustentavel/temas-de-atuacao/energias-renovaveis/. Case Florestal Gateados - Campo Belo do Sul (SC) Gestão Ambiental Sistema de Gestão Ambiental Os projetos desenvolvidos contemplam colaboradores internos, suas famílias e a comunidade externa. As ações desenvolvidas com base no sistema de gestão ambiental evidenciam a responsabilidade social e ambiental da empresa. Seus principais objetivos são envolver os colaboradores e a comunidade na adoção de práticas sustentáveis e reduzir os impactos ambientais das operações florestais. Ao longo dos últimos anos, foram desenvolvidas diversas ações que abrangem iniciativas de destaque, tais como: definição e monitoramento de indicadores que visam à redução de impactos ambientais; identificação da fauna silvestre presente nas áreas da empresa; preservação de significativa área de florestas e de seus recursos naturais; educação ambiental através da trilha ecológica e de parceria com a Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina; e destinação correta dos resíduos sólidos gerados. 151 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 Para maiores informações sobre o tema de sistemas de gestão ambiental, acesse o link: http://www.portaldaindustria.com.br/ publicacoes/2012/9/gestao-ambiental-na-industria-brasileira/ Case Volvo - Curitiba (PR) Gestão Ambiental Pontas de Estrela: promoção da cultura de meio ambiente e sustentabilidade Em 2016, durante o processo de avaliação do Sistema Lean de Produção, os auditores identificaram que o envolvimento dos operadores da área de powertrain da Volvo com as questões ambientais tinha algumas oportunidades de melhoria. Decidiu-se, então, por criar os Pontas de Estrela de Meio Ambiente, uma prática já existente para outros temas, tais como Segurança do Trabalho e Qualidade. Em paralelo, estabelecia-se uma estratégia de desenvolvimento de competências no nível operacional, com o objetivo de se evitar “treinar todos sobre tudo”e de desenvolver pessoas que fossem referência em um determinado tema em cada uma das equipes autogerenciáveis. Os Pontas de Estrela de Meio Ambiente foram convidados a compor esse time de pessoas de referência e então treinados nas práticas que estariam sob sua responsabilidade. Muitos foram os ganhos para a gestão ambiental, tais como ideias para reduzir o consumo de energia e de como melhorar a coleta seletiva de resíduos. Case Klabin - Santa Catarina Manejo florestal sustentável Certificação FSC em Fornecedores de Madeira O modelo de manejo florestal adotado pela Klabin ultrapassa as divisas das suas áreas. Programas desenvolvidos pela empresa incentivam os produtores de florestas da região a seguir as práticas de manejo florestal sustentável. A partir disso, foi possível desenvolver o Programa de Certificação Florestal para as florestas de fornecedores de madeira, parceiros da Klabin no planalto serrano catarinense. O objetivo é agregar valor às florestas, estimulando o 152 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria encadeamento produtivo do setor madeireiro na região com o desenvolvimento sustentável das florestas plantadas aliado à conservação das áreas nativas. O processo de formação de fornecedores e suas áreas florestais para a certificação dura 12 meses e é custeado pela Klabin. Após essa fase, os empreendimentos passam por auditoria de certificação com uma empresa credenciada para emitir o selo FSC. Para maiores informações sobre o tema de manejo florestal sustentável, acesse o link: https://www.florestal.gov.br/documentos/ concessoes-florestais/concessoes-florestais-f lorestas-sob- concessao/floresta-nacional-do-crepori/producao-1/brasadoc/2249- plano-de-manejo-florestal-sustentavel-brasadoc-crepori-umf-iii/file. Case Dana Indústrias - Gravataí (RS) Reciclagem Borracha 100% Reciclada A Associação Brasileira de Tecnologia da Borracha (ABTB) registra que mais de 90% dos pneus produzidos no Brasil são reciclados. Essa realidade não se aplica à indústria de autopeças, que utiliza artefatos de borracha, mesmo sendo o automotivo o oitavo maior setor produtivo brasileiro. Dois aspectos a considerar: elastômeros têm até 15 componentes, enquanto o pneu tem apenas quatro. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) permite o envio para aterros industriais, desestimulando a indústria de reciclagem. A Dana estabeleceu a meta de reciclar 100% dos resíduos de borracha resultantes dos processos produtivos no Complexo Gravataí, até 2018, e atingiu a meta um ano antes. 153 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 Para maiores informações sobre o tema reciclagem, acesse o link: https://ideiasustentavel.com.br/desafios-da-reciclagem-industria- fox/. Case NT Wood Line - Almirante Tamandaré (PR) Reciclagem Produtos ecológicos fabricados em madeira de descarte A empresa surgiu em 2014, inicialmente, como revenda de revestimentos fabricados com madeira sem apelo sustentável em sua produção. Ao visitar um fornecedor de madeiras, a NT Wood Line identificou que ele descartava em sua caldeira uma quantia muito grande de madeiras que poderiam ser aproveitadas em seu processo. A partir desse momento, surgiu não apenas um projeto, mas um processo de sustentabilidade. A empresa começou então a produzir 100% de seus produtos com madeiras oriundas de descarte que seriam queimadas. A planta fabril, localizada na cidade paranaense de Almirante Tamandaré, produz atualmente deques, revestimentos, mesas, cadeiras, treliças, biombos e outros itens totalmente fabricados com resíduos dessas madeiras. Essa ação trouxe para a empresa e a comunidade vários pontos positivos, como a diminuição de CO2 emitido e de corte e desmatamento em mais de 300m³ na madeira utilizada. Para ilustrar melhor algumas iniciativas das indústrias com foco ambiental. assista os vídeos a vida do papel no link: https:// youtu.be/k8f5NUQuLg8. Vídeo dos projetos ambientais da Bracell, indústria de celulose link: https://youtu.be/o73YTwj1Q2Q. Vídeo de manejo sustentável da indústria florestal no link: https://youtu.be/ FolCIXvet4w. E o vídeo do Lab Moda Sustentável no link: https:// youtu.be/SfBVjL_7yMA. 154 Avaliação de Impactos Ambientais na Indústria Desta forma, a indústria segue com a certeza cada vez mais evidente que o único caminho possível de ser trilhado é o caminho da sustentabilidade. E com uma postura ativa de impulsionadora de transformações na sociedade, esperamos que a indústria se porte como protagonista no desenvolvimento sustentável e na preservação do meio ambiente. 5 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Neste capítulo, procuramos apresentar conceitos de negócios sustentáveis, de indicadores ambientais e de sustentabilidade utilizados pelas indústrias e apresentar casos reais dos desafios e ações implementadas por diferentes setores industriais. A preservação ambiental é uma necessidade nítida atualmente, e, por isso, múltiplos esforços vêm sendo despendidos para criar soluções que integrem desenvolvimento econômico e preservação ambiental. Nesse sentido, os negócios sustentáveis impulsionam da mesma forma que instigam os setores industriais a se adaptarem a esta nova realidade. Por um outro lado, é necessário medir, mensurar se o caminho trilhado está atendendo as expectativas, e, para isso, são utilizados os indicadores ambientais e de sustentabilidade. Porém, mais importante que utilizar um indicador, é extremamente relevante que este indicador atenda às características do setor industrial e, por isso, ferramentas e instrumentos vêm sendo criados para atender as necessidades específicas das indústrias dentro da temática da sustentabilidade. Percebemos que muitas iniciativas vêm sendo implementadas pelo setor industrial para promover a preservação do meio ambiente e o crescimento sustentável. Por outro lado, novas empresas vêm se constituindo dentro do setor industrial aproveitando esta nova mentalidade e fortalecendo este movimento em prol da sustentabilidade. Esperamos que cada vez mais as indústrias possam se fortalecer e apresentar iniciativas voltadas para a preservação dos recursos atuais e futuros, e que sobressaia mais os casos de sucesso do que os desafios enfrentados. O posicionamento sustentável, com líderes que tenham uma mentalidade sustentável, é uma premissa para as indústrias que querem se manter e crescer no mercado. Portanto, internalizar e absorver a sustentabilidade nas estratégias e no cerne das organizações industriais é a maneira esperada para crescermos equilibrando desenvolvimento e preservação ambiental. 155 Práticas Ambientais na IndústriaPráticas Ambientais na Indústria Capítulo 3 REFERÊNCIAS BERTHON, B.; ABOOD, D. J.; LACY, P. “Can Business Do Well by Doing Good?”. Outlook, [on-line], n. 3, p. 1-14, out. 2010. PACIFIC INSTITUTE. Corporate water disclosure guidelines: toward a common approach to reporting water. 2014. Disponível em: http:// ceowatermandate.org/files/Disclosure2014.pdf. Acesso em: 13 jul. 2021. CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA. O uso racional da água no setor industrial./Confederação Nacional da Indústria, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. 2. ed. Brasília : CNI, 2017. FIEP. Bússola da Sustentabilidade. 2019. Disponível em: https://www. bussolasdaindustria.org.br/sustentabilidade/#resultados. Acesso em: 2 set. 2021. FIESC. Pesquisa do uso de energia. 2018. Disponível em: https://fiesc.com.br/ pt-br/imprensa/industria-investe-em-eficiencia-energetica-de-olho-na-autonomia. Acesso em: 13 jul de 2021. GUIA SUSTENTABILIDADE. 27º Prêmio Expressão de Ecologia 2019 – 2020, Florianópolis, n° 64. Editora Expressão: Florianópolis, 2020. IDEIA SUSTENTÁVEL. Os 8 princípios dos negócios sustentáveis. 2013. Disponível em: https://ideiasustentavel.com.br/os-8-principios-dos-negocios- sustentaveis/. Acesso em: 2 set. 2021. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Indicadores AmbientaisNacionais. [2019]. Disponível em: https://antigo.mma.gov.br/informacoes-ambientais/indicadores- ambientais.html. Acesso em: 2 set. 2021. UNITED NATIONS. A New Era of Sustainability: UN Global Compact-Accenture CEO Study. 2010. Disponível em: https://d306pr3pise04h.cloudfront.net/docs/ news_events%2F8.1%2FUNGC_Accenture_CEO_Study_2010.pdf. Acesso em: 2 set. 2021. VOLTOLINI, R. Conversas com Líderes Sustentáveis – O que aprender com quem fez ou está fazendo a mudança para a sustentabilidade. São Paulo: SENAC-SP, 2011.