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Introdução à Filosofia a Distância

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Introdução à Filosofia
Universidade do Sul de Santa Catarina
Disciplina na modalidade a distância
Universidade do Sul de Santa Catarina
Palhoça
UnisulVirtual
2011
Introdução à Filosofia
Disciplina na modalidade a distância
Introducao a Filosofia.indb 1 15/12/11 13:46
Créditos
Universidade do Sul de Santa Catarina | Campus UnisulVirtual | Educação Superior a Distância
Reitor
Ailton Nazareno Soares
Vice-Reitor 
Sebastião Salésio Heerdt
Chefe de Gabinete da Reitoria 
Willian Corrêa Máximo
Pró-Reitor de Ensino e 
Pró-Reitor de Pesquisa, 
Pós-Graduação e Inovação
Mauri Luiz Heerdt
Pró-Reitora de Administração 
Acadêmica
Miriam de Fátima Bora Rosa
Pró-Reitor de Desenvolvimento 
e Inovação Institucional
Valter Alves Schmitz Neto
Diretora do Campus 
Universitário de Tubarão
Milene Pacheco Kindermann
Diretor do Campus Universitário 
da Grande Florianópolis
Hércules Nunes de Araújo
Secretária-Geral de Ensino
Solange Antunes de Souza
Diretora do Campus 
Universitário UnisulVirtual
Jucimara Roesler
Equipe UnisulVirtual 
Diretor Adjunto
Moacir Heerdt 
Secretaria Executiva e Cerimonial
Jackson Schuelter Wiggers (Coord.)
Marcelo Fraiberg Machado
Tenille Catarina
Assessoria de Assuntos 
Internacionais 
Murilo Matos Mendonça
Assessoria de Relação com Poder 
Público e Forças Armadas
Adenir Siqueira Viana
Walter Félix Cardoso Junior
Assessoria DAD - Disciplinas a 
Distância
Patrícia da Silva Meneghel (Coord.)
Carlos Alberto Areias
Cláudia Berh V. da Silva
Conceição Aparecida Kindermann
Luiz Fernando Meneghel
Renata Souza de A. Subtil
Assessoria de Inovação e 
Qualidade de EAD
Denia Falcão de Bittencourt (Coord.)
Andrea Ouriques Balbinot
Carmen Maria Cipriani Pandini
Assessoria de Tecnologia 
Osmar de Oliveira Braz Júnior (Coord.)
Felipe Fernandes
Felipe Jacson de Freitas
Jefferson Amorin Oliveira
Phelipe Luiz Winter da Silva
Priscila da Silva
Rodrigo Battistotti Pimpão
Tamara Bruna Ferreira da Silva
Coordenação Cursos
Coordenadores de UNA
Diva Marília Flemming
Marciel Evangelista Catâneo
Roberto Iunskovski
Auxiliares de Coordenação
Ana Denise Goularte de Souza
Camile Martinelli Silveira
Fabiana Lange Patricio
Tânia Regina Goularte Waltemann
Coordenadores Graduação
Aloísio José Rodrigues
Ana Luísa Mülbert
Ana Paula R.Pacheco
Artur Beck Neto
Bernardino José da Silva
Charles Odair Cesconetto da Silva
Dilsa Mondardo
Diva Marília Flemming
Horácio Dutra Mello
Itamar Pedro Bevilaqua
Jairo Afonso Henkes
Janaína Baeta Neves
Jorge Alexandre Nogared Cardoso
José Carlos da Silva Junior
José Gabriel da Silva
José Humberto Dias de Toledo
Joseane Borges de Miranda
Luiz G. Buchmann Figueiredo
Marciel Evangelista Catâneo
Maria Cristina Schweitzer Veit
Maria da Graça Poyer
Mauro Faccioni Filho
Moacir Fogaça
Nélio Herzmann
Onei Tadeu Dutra
Patrícia Fontanella
Roberto Iunskovski
Rose Clér Estivalete Beche
Vice-Coordenadores Graduação
Adriana Santos Rammê
Bernardino José da Silva
Catia Melissa Silveira Rodrigues
Horácio Dutra Mello
Jardel Mendes Vieira
Joel Irineu Lohn
José Carlos Noronha de Oliveira
José Gabriel da Silva
José Humberto Dias de Toledo
Luciana Manfroi
Rogério Santos da Costa
Rosa Beatriz Madruga Pinheiro
Sergio Sell
Tatiana Lee Marques
Valnei Carlos Denardin
Sâmia Mônica Fortunato (Adjunta)
Coordenadores Pós-Graduação
Aloísio José Rodrigues
Anelise Leal Vieira Cubas
Bernardino José da Silva
Carmen Maria Cipriani Pandini
Daniela Ernani Monteiro Will
Giovani de Paula
Karla Leonora Dayse Nunes
Letícia Cristina Bizarro Barbosa
Luiz Otávio Botelho Lento
Roberto Iunskovski
Rodrigo Nunes Lunardelli
Rogério Santos da Costa
Thiago Coelho Soares
Vera Rejane Niedersberg Schuhmacher
Gerência Administração
Acadêmica
Angelita Marçal Flores (Gerente)
Fernanda Farias
Secretaria de Ensino a Distância
Samara Josten Flores (Secretária de Ensino)
Giane dos Passos (Secretária Acadêmica)
Adenir Soares Júnior
Alessandro Alves da Silva
Andréa Luci Mandira
Cristina Mara Schauffert
Djeime Sammer Bortolotti
Douglas Silveira
Evilym Melo Livramento
Fabiano Silva Michels
Fabricio Botelho Espíndola
Felipe Wronski Henrique
Gisele Terezinha Cardoso Ferreira
Indyanara Ramos
Janaina Conceição
Jorge Luiz Vilhar Malaquias
Juliana Broering Martins
Luana Borges da Silva
Luana Tarsila Hellmann
Luíza Koing  Zumblick
Maria José Rossetti
Marilene de Fátima Capeleto
Patricia A. Pereira de Carvalho
Paulo Lisboa Cordeiro
Paulo Mauricio Silveira Bubalo
Rosângela Mara Siegel
Simone Torres de Oliveira
Vanessa Pereira Santos Metzker
Vanilda Liordina Heerdt
Gestão Documental
Lamuniê Souza (Coord.)
Clair Maria Cardoso
Daniel Lucas de Medeiros
Jaliza Thizon de Bona
Guilherme Henrique Koerich
Josiane Leal
Marília Locks Fernandes
Gerência Administrativa e 
Financeira
Renato André Luz (Gerente)
Ana Luise Wehrle
Anderson Zandré Prudêncio
Daniel Contessa Lisboa
Naiara Jeremias da Rocha
Rafael Bourdot Back 
Thais Helena Bonetti
Valmir Venício Inácio
Gerência de Ensino, Pesquisa e 
Extensão
Janaína Baeta Neves (Gerente)
Aracelli Araldi
Elaboração de Projeto
Carolina Hoeller da Silva Boing
Vanderlei Brasil
Francielle Arruda Rampelotte
Reconhecimento de Curso
Maria de Fátima Martins 
Extensão
Maria Cristina Veit (Coord.)
Pesquisa
Daniela E. M. Will (Coord. PUIP, PUIC, PIBIC)
Mauro Faccioni Filho (Coord. Nuvem)
Pós-Graduação
Anelise Leal Vieira Cubas (Coord.)
Biblioteca
Salete Cecília e Souza (Coord.)
Paula Sanhudo da Silva
Marília Ignacio de Espíndola
Renan Felipe Cascaes
Gestão Docente e Discente
Enzo de Oliveira Moreira (Coord.)
Capacitação e Assessoria ao 
Docente
Alessandra de Oliveira (Assessoria)
Adriana Silveira
Alexandre Wagner da Rocha
Elaine Cristiane Surian (Capacitação)
Elizete De Marco
Fabiana Pereira
Iris de Souza Barros
Juliana Cardoso Esmeraldino
Maria Lina Moratelli Prado
Simone Zigunovas
Tutoria e Suporte
Anderson da Silveira (Núcleo Comunicação)
Claudia N. Nascimento (Núcleo Norte-
Nordeste)
Maria Eugênia F. Celeghin (Núcleo Pólos)
Andreza Talles Cascais
Daniela Cassol Peres
Débora Cristina Silveira
Ednéia Araujo Alberto (Núcleo Sudeste)
Francine Cardoso da Silva
Janaina Conceição (Núcleo Sul)
Joice de Castro Peres
Karla F. Wisniewski Desengrini
Kelin Buss
Liana Ferreira
Luiz Antônio Pires
Maria Aparecida Teixeira
Mayara de Oliveira Bastos
Michael Mattar
Patrícia de Souza Amorim
Poliana Simao
Schenon Souza Preto
Gerência de Desenho e 
Desenvolvimento de Materiais 
Didáticos
Márcia Loch (Gerente)
Desenho Educacional
Cristina Klipp de Oliveira (Coord. Grad./DAD)
Roseli A. Rocha Moterle (Coord. Pós/Ext.)
Aline Cassol Daga
Aline Pimentel
Carmelita Schulze
Daniela Siqueira de Menezes
Delma Cristiane Morari
Eliete de Oliveira Costa
Eloísa Machado Seemann
Flavia Lumi Matuzawa
Geovania Japiassu Martins
Isabel Zoldan da Veiga Rambo
João Marcos de Souza Alves
Leandro Romanó Bamberg
Lygia Pereira
Lis Airê Fogolari
Luiz Henrique Milani Queriquelli
Marcelo Tavares de Souza Campos
Mariana Aparecida dos Santos
Marina Melhado Gomes da Silva
Marina Cabeda Egger Moellwald
Mirian Elizabet Hahmeyer Collares Elpo
Pâmella Rocha Flores da Silva
Rafael da Cunha Lara
Roberta de Fátima Martins
Roseli Aparecida Rocha Moterle
Sabrina Bleicher
Verônica Ribas Cúrcio
Acessibilidade 
Vanessa de Andrade Manoel (Coord.) 
Letícia Regiane Da Silva Tobal
Mariella Gloria Rodrigues
Vanesa Montagna
Avaliação da aprendizagem 
Claudia Gabriela Dreher
Jaqueline Cardozo Polla
Nágila Cristina Hinckel
Sabrina Paula Soares Scaranto
Thayanny Aparecida B. da Conceição
Gerência de Logística
Jeferson Cassiano A. da Costa (Gerente)
Logísitca de Materiais
Carlos Eduardo D. da Silva (Coord.)
Abraao do Nascimento Germano
Bruna Maciel
Fernando Sardão da Silva
Fylippy Margino dos Santos
Guilherme Lentz
Marlon Eliseu Pereira
Pablo Varela da Silveira
Rubens Amorim
Yslann David Melo Cordeiro
Avaliações Presenciais
Graciele M. Lindenmayr (Coord.)
Ana Paula de Andrade
Angelica Cristina Gollo
Cristilaine Medeiros
Daiana Cristina Bortolotti
Delano Pinheiro Gomes
Edson Martins Rosa Junior
Fernando Steimbach
Fernando Oliveira Santos
Lisdeise Nunes Felipe
MarceloRamos
Marcio Ventura
Osni Jose Seidler Junior
Thais Bortolotti
Gerência de Marketing
Eliza B. Dallanhol Locks (Gerente)
Relacionamento com o Mercado 
Alvaro José Souto
Relacionamento com Polos 
Presenciais
Alex Fabiano Wehrle (Coord.)
Jeferson Pandolfo
Karine Augusta Zanoni
Marcia Luz de Oliveira
Mayara Pereira Rosa
Luciana Tomadão Borguetti
Assuntos Jurídicos
Bruno Lucion Roso
Sheila Cristina Martins
Marketing Estratégico
Rafael Bavaresco Bongiolo
Portal e Comunicação
Catia Melissa Silveira Rodrigues
Andreia Drewes
Luiz Felipe Buchmann Figueiredo
Rafael Pessi
Gerência de Produção
Arthur Emmanuel F. Silveira (Gerente)
Francini Ferreira Dias
Design Visual
Pedro Paulo Alves Teixeira (Coord.)
Alberto Regis Elias
Alex Sandro Xavier
Anne Cristyne Pereira
Cristiano Neri Gonçalves Ribeiro
Daiana Ferreira Cassanego
Davi Pieper
Diogo Rafael da Silva
Edison Rodrigo Valim
Fernanda Fernandes
Frederico Trilha
Jordana Paula Schulka
Marcelo Neri da Silva
Nelson Rosa
Noemia Souza Mesquita
Oberdan Porto Leal Piantino
Multimídia
Sérgio Giron (Coord.)
Dandara Lemos Reynaldo
Cleber Magri
Fernando Gustav Soares Lima
Josué Lange
Conferência (e-OLA)
Carla Fabiana Feltrin Raimundo (Coord.)
Bruno Augusto Zunino 
Gabriel Barbosa
Produção Industrial
Marcelo Bittencourt (Coord.)
Gerência Serviço de Atenção 
Integral ao Acadêmico
Maria Isabel Aragon (Gerente)
Ana Paula Batista Detóni
André Luiz Portes 
Carolina Dias Damasceno
Cleide Inácio Goulart Seeman
Denise Fernandes
Francielle Fernandes
Holdrin Milet Brandão
Jenniffer Camargo
Jessica da Silva Bruchado
Jonatas Collaço de Souza
Juliana Cardoso da Silva
Juliana Elen Tizian
Kamilla Rosa
Mariana Souza
Marilene Fátima Capeleto
Maurício dos Santos Augusto
Maycon de Sousa Candido
Monique Napoli Ribeiro
Priscilla Geovana Pagani
Sabrina Mari Kawano Gonçalves
Scheila Cristina Martins
Taize Muller
Tatiane Crestani Trentin
Avenida dos Lagos, 41 – Cidade Universitária Pedra Branca | Palhoça – SC | 88137-900 | Fone/fax: (48) 3279-1242 e 3279-1271 | E-mail: cursovirtual@unisul.br | Site: www.unisul.br/unisulvirtual
Introducao a Filosofia.indb 2 15/12/11 13:46
Palhoça
UnisulVirtual
2011
Design instrucional
Leandro Kingeski Pacheco
1ª edição revista
Introdução à Filosofia
Livro didático
Marciel Evangelista Cataneo
Introducao a Filosofia.indb 3 15/12/11 13:46
Edição – Livro Didático
Professor Conteudista
Marciel Evangelista Cataneo
Design Instrucional
Leandro Kingeski Pacheco
João Marcos de Souza Alves (1ª Edição Revista)
Assistente Acadêmico
Aline Cassol Daga (1ª ed. rev.)
ISBN
978-85-7817-278-7
Projeto Gráfico e Capa
Equipe UnisulVirtual
Diagramação
Delinea Soluções Gráficas e Digitais LTDA
Michael Bernardini
Alberto Regis Elias (1ª ed. rev.)
Revisão
Amaline Boulus Issa Mussi
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul
Copyright © UnisulVirtual 2011
Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição. 
100
C35 Cataneo, Marciel Evangelista
Introdução à filosofia : livro didático / Marciel Evangelista Cataneo ; 
design instrucional Leandro Kingeski Pacheco ; [assistente acadêmico Aline 
Cassol Daga]. – 1. ed. rev. – Palhoça : UnisulVirtual, 2011.
183p. : il. ; 28 cm.
Inclui bibliografia.
ISBN 978-85-7817-278-7
1. Filosofia. I. Pacheco, Leandro Kingeski. II. Daga, Aline Cassol. III. Título. 
Introducao a Filosofia - iniciais.indd 4 25/01/12 14:41
Sumário
Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7
Palavras do professor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9
Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
UNIDADE 1 - O que é Filosofia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
UNIDADE 2 - Conhecimento e conhecimento filosófico . . . . . . . . . . . . . . . . 47
UNIDADE 3 - Filosofia e história: períodos e características . . . . . . . . . . . . . 65
UNIDADE 4 - Os grandes temas da Filosofia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109
UNIDADE 5 - A Filosofia na vida e a vida na Filosofia . . . . . . . . . . . . . . . . . . 139
Para concluir o estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 165
Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167
Sobre o professor conteudista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 173
Respostas e comentários das atividades de autoavaliação . . . . . . . . . . . . . 175
Biblioteca Virtual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 183
Introducao a Filosofia.indb 5 15/12/11 13:46
Introducao a Filosofia.indb 6 15/12/11 13:46
7
Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina Introdução à 
Filosofia.
O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma 
e aborda conteúdos especialmente selecionados e relacionados 
à sua área de formação. Ao adotar uma linguagem didática 
e dialógica, objetivamos facilitar seu estudo a distância, 
proporcionando condições favoráveis às múltiplas interações e a 
um aprendizado contextualizado e eficaz.
Lembre-se que sua caminhada, nesta disciplina, será 
acompanhada e monitorada constantemente pelo Sistema 
Tutorial da UnisulVirtual, por isso a “distância” fica 
caracterizada somente na modalidade de ensino que você optou 
para sua formação, pois na relação de aprendizagem professores 
e instituição estarão sempre conectados com você.
Então, sempre que sentir necessidade entre em contato; você tem 
à disposição diversas ferramentas e canais de acesso tais como: 
telefone, e-mail e o Espaço Unisul Virtual de Aprendizagem, 
que é o canal mais recomendado, pois tudo o que for enviado e 
recebido fica registrado para seu maior controle e comodidade. 
Nossa equipe técnica e pedagógica terá o maior prazer em lhe 
atender, pois sua aprendizagem é o nosso principal objetivo.
Bom estudo e sucesso!
Equipe UnisulVirtual.
Introducao a Filosofia.indb 7 15/12/11 13:46
Introducao a Filosofia.indb 8 15/12/11 13:46
Palavras do professor
Olá, acadêmico(a)!
Seja bem-vindo(a) ao Curso de Filosofia da UnisulVirtual.
O nosso curso tem como objetivos: favorecer atividades 
de pesquisa, difundir a cultura filosófica e incentivar o 
exercício da cidadania. É este o enfoque que daremos ao 
apresentar, nesta disciplina, os conceitos introdutórios ao 
estudo da Filosofia. Queremos familiarizá-lo(a) com o mundo 
da Filosofia, convencê-lo(a) de que fez uma boa escolha 
quando optou por aproximar-se da Filosofia e, motivá-lo(a) a 
permanecer conosco, contribuindo com este projeto: um sonho 
de muitos amantes da sabedoria.
Para quem ama a sabedoria, “longe é um lugar que não existe”. A 
distância física que nos separa não é maior que o mútuo interesse 
que nos une. Nós temos uma mesma paixão e, com o uso das 
novas tecnologias de informação e comunicação, a distância 
não é obstáculo para a produção, transmissão e socialização do 
conhecimento, na interação entre docentes e discentes.
Filosofia é busca, é curiosidade em conhecer e inquietação, é 
um “não se contentar de contente”. Por isso, não se limite a ler, 
estudar, fazer o que é dito, sugerido, solicitado neste livro didático: 
vá muito mais além, vá muito mais longe. Não tenha medo! Para 
quem ama a sabedoria, “longe é um lugar que não existe”.
Bons estudos!
Professor Marciel Evangelista Cataneo 
Introducao a Filosofia.indb 9 15/12/11 13:46
Introducao a Filosofia.indb 10 15/12/11 13:46
Plano de estudo
O plano de estudos visa a orientá-lo no desenvolvimento da 
disciplina. Ele possui elementos que o ajudarão a conhecer o 
contexto da disciplina e a organizar oseu tempo de estudos. 
O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva 
em conta instrumentos que se articulam e se complementam, 
portanto, a construção de competências se dá sobre a 
articulação de metodologias e por meio das diversas formas de 
ação/mediação.
São elementos desse processo:
 � o livro didático;
 � o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem (EVA);
 � as atividades de avaliação (a distância, presenciais e de 
autoavaliação); 
 � o Sistema Tutorial.
Ementa
O problema do conceito de Filosofia. Filosofia e outras formas 
de conhecimento. Os dois eixos norteadores para o estudo 
da Filosofia: o eixo histórico e o eixo temático. Panorama 
da história da Filosofia: principais períodos e respectivas 
características. Disciplinas clássicas da Filosofia.
Introducao a Filosofia.indb 11 15/12/11 13:46
12
Universidade do Sul de Santa Catarina
Objetivos
Geral
Apresentar a Filosofia e o conhecimento filosófico como uma 
busca amorosa da sabedoria sobre a existência humana no tempo 
e no mundo.
Específicos
 � Identificar um conjunto de referenciais teóricos que lhe 
possibilite divisar por detrás de tal multiplicidade de objetos 
de estudo a unidade que caracteriza a prática filosófica. 
 � Conhecer e compreender as especificidades da prática 
filosófica, diferenciando-a de outras formas de 
conhecimento e de atitude. 
Carga Horária
A carga horária total da disciplina é 60 horas-aula.
Conteúdo programático/objetivos
Veja, a seguir, as unidades que compõem o livro didático desta 
disciplina e os seus respectivos objetivos. Estes se referem aos 
resultados que você deverá alcançar ao final de uma etapa de 
estudo. Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de 
conhecimentos que você deverá possuir para o desenvolvimento 
de habilidades e competências necessárias à sua formação. 
Unidades de estudo: 5 
Introducao a Filosofia.indb 12 15/12/11 13:46
13
Nome da disciplina
Unidade 1 - O que é Filosofia
Nesta unidade, você estuda o modo humano de ser e a origem 
e necessidade da atividade filosófica; a Filosofia como atitude, 
autonomia, reflexão, crítica, criatividade, sabedoria e visão de 
mundo; os primórdios da Filosofia e do pensamento ocidental; 
os objetivos e motivações do projeto pedagógico do curso de 
graduação em Filosofia da UnisulVirtual.
Unidade 2 – Conhecimento e conhecimento filosófico
Por meio desta unidade, você conhece o conhecimento e o 
conhecimento filosófico; as diferenças e aproximações entre 
ciência e filosofia; e as peculiaridades do conhecimento filosófico, 
assim como a missão do filósofo.
Unidade 3 – Filosofia e história: períodos e características
Você identifica, nesta unidade, a relação entre Filosofia e história; a 
importância do conhecimento da história e da história da Filosofia; 
as características dos diferentes períodos da história do pensamento; 
a relação entre o surgimento dos filósofos e os principais eventos 
históricos; e as características e transformações da sociedade ocidental.
Unidade 4 – Os grandes temas da Filosofia
Nesta unidade, você conhece os principais temas com os quais 
se ocupa o pensamento ocidental no desenvolvimento da 
Filosofia; as disciplinas clássicas da Filosofia; a aproximação do 
pensamento do acadêmico com o mundo da Filosofia. 
Unidade 5 – A Filosofia na vida e a vida na Filosofia
Nesta unidade, você estuda a relação entre a vida humana em seu 
quotidiano e a reflexão filosófica; a importância do ter objetivos, 
metas e ideais para a realização da existência humana em todas as 
suas potencialidades; a Filosofia do cuidado como aproximação 
ideal e desejável entre reflexão filosófica e vida humana; e o 
momento existencial humano e seu necessário reencontro com a 
sabedoria e a Filosofia.
Introducao a Filosofia.indb 13 15/12/11 13:46
14
Universidade do Sul de Santa Catarina
Agenda de atividades/Cronograma
 � Verifique com atenção o EVA, organize-se para acessar 
periodicamente a sala da disciplina. O sucesso nos seus 
estudos depende da priorização do tempo para a leitura, 
da realização de análises e sínteses do conteúdo e da 
interação com os seus colegas e professor.
 � Não perca os prazos das atividades. Registre no espaço 
a seguir as datas com base no cronograma da disciplina 
disponibilizado no EVA.
 � Use o quadro para agendar e programar as atividades 
relativas ao desenvolvimento da disciplina.
Atividades obrigatórias
Demais atividades (registro pessoal)
Introducao a Filosofia.indb 14 15/12/11 13:46
1UNIDADE 1O que é Filosofia
Objetivos de aprendizagem
 � Identificar no modo humano a origem e a necessidade 
da atividade filosófica.
 � Conhecer e compreender a Filosofia como atitude, 
autonomia, reflexão, crítica, criatividade, sabedoria e 
visão de mundo.
 � Identificar os primórdios da Filosofia e do pensamento 
ocidental.
 � Conhecer os objetivos e motivações do projeto 
pedagógico do curso de graduação em Filosofia da 
UnisulVirtual.
Seções de estudo
Seção 1 O desejo de compreender o mundo
Seção 2 O que é Filosofia?
Seção 3 Os primórdios da Filosofia
Seção 4 Filosofia na UnisulVirtual 
Introducao a Filosofia.indb 15 15/12/11 13:46
16
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Nesta primeira unidade, conversaremos sobre a importância do 
pensar e sobre o desejo humano de compreender a vida e o mundo. 
Também veremos o que é a Filosofia e conheceremos as principais 
etapas que percorreu no Ocidente. Afinal, concluiremos que a 
busca pelo conhecimento e pela sabedoria fez surgir a Filosofia, e 
que esta muito caracteriza o modo humano de ser.
Seção 1 – O desejo de compreender o mundo
Nosso impulso ao conhecimento é forte demais para 
que ainda sejamos capazes de estimar a felicidade sem 
conhecimento, ou a felicidade de uma ilusão forte, firme. 
(NIETZSCHE, 1983, p. 139).
Diante do mundo, da realidade que o cerca, encontram-se 
no homem o desejo e a necessidade de conhecer, explicar, 
compreender, dominar, etc. Desejo e necessidade nos tiraram das 
cavernas, dando início à aventura humana. 
Homem: um ser que pensa
O homem é o animal que pensa! Assim se define o ser cuja 
principal característica é a racionalidade. A possibilidade do uso da 
razão nos faz diferentes de todos os outros seres, caracterizando-
nos como senhor de engenhos e potencialidades. E nos coloca 
diante da realidade. Diferentemente de outros seres vivos que estão 
“apenas” imersos no mundo, o homem está diante do mundo, 
enfrentando-o, dando-lhe um sentido, transformando-o.
Veja o que diz Buzzi sobre o pensar humano.
Introducao a Filosofia.indb 16 15/12/11 13:46
17
Introdução à Filosofia
Unidade 1
Para Buzzi (1983, p. 11), “Pensar, na significação etimológica 
do termo, quer dizer sopesar, pôr na balança para avaliar o peso 
de alguma coisa”. Assim, aprender a pensar é aprender a avaliar. 
Descobrir o verdadeiro “peso” de cada coisa, fato, realidade. 
É esta atividade que produz o conhecimento: a justa medida 
sobre determinado objeto. É por isso que Buzzi diz que o 
conhecimento das “coisas” é obra dos que pensam.
Um ser que busca explicações
A Filosofia é obra humana. É da atitude do homem que pensa. 
Ao fazê-lo, constrói a sua existência e origina a Filosofia.
Pensar é filosofar. Tudo começou na Grécia, banhada pelo mar 
Mediterrâneo, cujas águas foram o berço de civilizações e impérios. 
É na Grécia, com suas costas irregulares e suas muitas ilhas, que 
um punhado de homens contempla os mistérios do céu e do mar. 
O homem exercita o pensamento, diante do mistério. O homem 
que pensa é inquieto e suspeita do que vê. A realidade como 
se apresenta instiga o pensamento. O exercício do pensamento 
desvela mistérios, revela o escondido, descobre a realidade.
Veja o que expressa Martins Filho (1997, p. 19) sobre os 
primórdios da Filosofia:
Nos primórdios da história, as explicações que os homens 
davam para os fenômenos e para as coisas eram de caráter 
mitológico: forjavam mitos em que os deuses permeavam 
todosos acontecimentos (lendas e estórias de seres 
fabulosos, heróis e divindades) e que eram transmitidos 
de geração em geração através da tradição oral [...] Os 
gregos são o primeiro povo a dar explicações racionais 
às coisas, surgindo daí a Filosofia. No entanto, nos 
seus começos, a Filosofia não se distinguia das demais 
ciências: o conhecimento humano primitivo era um 
amálgama único...
Afinal, o que leva um homem à Filosofia? 
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Para Aristóteles, é a admiração. Desde que dotado para tanto, 
o homem, impressionado pelo mundo que o circunda, pela 
variedade e diversidade das coisas que lhe são próximas, e, 
mesmo, as que se encontram bem distantes, tenta explicá-las com 
o recurso da razão.
Parafraseando Pessoa: “Pensar é preciso! Viver não é preciso.” 
Não há nesta frase do poeta nenhum desprezo pela vida, ou 
elogio exagerado à racionalidade. Pessoa fala de precisão, da 
confiança, da certeza que brota do exercício do pensamento, 
contrapondo-se às imprecisões que marcam a vida, 
principalmente quando vivida sem reflexão.
Veja que, já na origem da Filosofia ocidental, encontramos a 
convicção de que a vida, sem reflexão, não tem sentido. Sócrates, 
por exemplo, é um grande defensor desta perspectiva.
Um ser capaz de compreender
Compreender o mundo em que vivemos e o tipo de sociedade 
à qual pertencemos, o tipo de cultura e de civilização que 
nos envolvem é tarefa da qual nenhum de nós pode abrir 
mão. Por isso, pensar é preciso, pois permite a construção do 
conhecimento, e disto depende a qualidade das nossas escolhas, a 
realização dos nossos sonhos e projetos.
Pensar nos faz sujeito, protagonista da nossa própria 
história, senhor de si. Pensar liberta, torna-nos livres. 
Sistemas autoritários, regimes totalitários, tudo faz 
com que o homem não pense. Fazem uso de todas as 
formas de manipulação, alienando-o da sua própria 
existência, levando-o a realizar um projeto de vida 
que não é seu. 
O pensamento e o conhecimento produzem ideias, renovam 
todas as coisas, reinventam o mundo. Entre as qualidades 
exigidas de um gestor no mundo dos negócios, por exemplo, 
sobressai-se a capacidade de pensar. Ou seja, avaliar o peso de 
cada coisa, fato, situação. Medir o peso de cada atitude, escolha, 
decisão. A sobrevivência e o sucesso pessoal e profissional, 
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Introdução à Filosofia
Unidade 1
em realidade tão competitiva, dependem desta capacidade de 
compreender o mundo que nos envolve, os relacionamentos e as 
circunstâncias que nos definem. 
Seção 2 - O que é Filosofia?
Você já pôde perceber que a Filosofia não é muito fácil de ser 
definida, não é mesmo? Ela é conhecimento do homem sobre 
si mesmo e o mundo. Diante desta afirmação, um universo de 
saberes e mistérios podem ser vislumbrados.
Filosofia é uma atitude
Saiba que Filosofia é antes uma prática, um exercício do pensar. 
Implica colocar a racionalidade a serviço da curiosidade, do 
prazer de conhecer. Não basta apenas aprender uma série de 
definições e teorias. É necessário aprender a filosofar. O filósofo 
Immanuel Kant (1724-1804) costumava dizer a seus alunos: 
“Não há Filosofia que se possa aprender, só se aprende a filosofar” 
(KANT apud ARANHA e MARTINS, 1996, p. 72).
Filosofia é uma atitude! Você já deve ter ouvido esta expressão 
em algum momento da sua vida: “Você tem que ter atitude!”
A atitude do filósofo caracteriza-se pela humildade 
intelectual de quem convive com a dúvida; pela 
admiração crítica diante dos mistérios e contradições 
da realidade; pelo espanto e encantamento diante 
do que se apresenta como normal ou natural. 
Filosofia é autonomia
Conforme Pacheco e Nesi (2007, p. 23), a palavra “autonomia 
está ligada à capacidade de pensar por si próprio”. Tem “origem 
grega e é composta por duas outras palavras, autós e nómos. 
Autós refere-se à condição de independência, de realizar algo 
Figura 1.1 - Immanuel Kant 
Fonte: Neo Lumen Veritatis (2011).
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por si mesmo, por si próprio. Nómos refere-se à lei, à norma, à 
regra”. Autônomo “é aquele que é capaz de estabelecer regras e 
procedimentos a partir de si mesmo”. 
Os seres humanos encontram na autonomia um pressuposto 
para a realização do sujeito no exercício da liberdade. Não 
desenvolver esta habilidade implica ser conduzido, manipulado, 
robotizado, coisificado. Filosofia é autonomia, pois, enquanto 
reflexão, possibilita as escolhas que irão determinar os caminhos 
pelos quais trilhará o indivíduo que pensa a vida e se torna apto a 
conduzi-la segundo a sua própria vontade.
Filosofia é reflexão
O trabalho filosófico é um trabalho de reflexão. Esta palavra 
define bem a atitude do filósofo: reflexão vem do verbo latino 
reflectere, que significa voltar atrás. Filosofar significa, portanto, 
retomar, reconsiderar os dados disponíveis, revisar, analisar, 
examinar, prestar atenção. É este o sentido da expressão “acercar-
se amorosamente do saber”.
A Filosofia é um exercício de raciocínio, é uma maneira 
de se posicionar diante das coisas e fatos do mundo. 
A Filosofia não é um conjunto de conhecimentos 
prontos, um sistema acabado, fechado em si mesmo. 
Mas um constante ver e rever, que permite o desenvol-
vimento e a evolução.
A reflexão é o que qualifica o conhecimento filosófico, e esta 
reflexão tem que ser um exercício profundo e sério: ela tem que 
ser crítica.
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Introdução à Filosofia
Unidade 1
Filosofia é crítica
A palavra crítica vem do grego “krisis” (crise) e significa 
purificação, crescimento. É o conceito de crítica que torna a 
reflexão filosófica qualitativamente superior a uma reflexão, pelo 
simples prazer de refletir.
Conforme Pacheco e Nesi (2007, p. 25), “a crítica está ligada a 
nossa capacidade de questionar e julgar”. Criticar significa “não se 
conformar com as explicações já fornecidas sobre o nosso mundo” 
e a realidade que nos cerca. A crítica está sempre em relação com 
algo que nos é apresentado. É uma maneira privilegiada de nos 
posicionarmos perante fatos, objetos, conceitos e situações. O 
filósofo, feito criança envolta num mundo de muitos e variados 
porquês, não pára de questionar. Tem um espírito inquiridor, 
inquieto, investigativo.
Conforme Pacheco e Nesi (2007, p. 25), criticar abrange duas 
características básicas: questionar os fundamentos, as idéias, as 
causas e os efeitos de um fenômeno; julgar estes fundamentos ou 
idéias como aceitáveis ou não.
Filosofia é crítica. A filosofia parte do que existe, analisa, critica, 
coloca em dúvida, faz perguntas importunas, abre a porta das 
possibilidades, faz entrever outros mundos e outros modos de 
compreender a vida.
A Filosofia questiona o modo de ser das pessoas, das 
culturas, do mundo. Questiona as práticas política, cien-
tífica, técnica, ética, econômica, cultural e artística. E, por 
isso, incomoda. A Filosofia quer encontrar o significado 
mais profundo dos fenômenos. Não basta saber como 
funcionam, mas o que significam na ordem geral do 
mundo humano. A Filosofia emite juízos de valor, ao 
julgar cada fato, cada ação em relação ao todo. 
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Filosofia é criatividade
A Filosofia é criatividade e, conforme Pacheco e Nesi (2007, p. 25): 
a criatividade está relacionada com a nossa capacidade de 
gerar [novas explicações e realidades,] de criar o novo. [É 
a atitude ou atividade criadora.] A criatividade representa 
um passo posterior em relação à crítica. Se, ao criticar, 
questionamos e julgamos as explicações sobre o nosso 
mundo, então, agora estamos preparados para desenvolver 
a criatividade, ao propor uma ‘nova’ explicação sobre o 
mundo. 
A crítica queima e purifica. A criatividade, por sua vez, constrói 
o novo. 
Aqui a Filosofiaencontra-se com a ousadia. O filósofo não 
tem medo de balançar as estruturas do que está estabelecido 
e caminhar em direção ao novo, ao inaudito. O filósofo é 
pensamento em busca do novo. Atividade de quem apressa o 
parto de novas ideias e concepções, gerando novos sentidos e 
explicações para a realidade. 
A criatividade, enquanto atitude filosófica, exige a con-
templação, a admiração, que são filhas do tempo. A 
criatividade exige o tempo da gestação do novo. Por isso 
ela não pode ser apressada sob pena de ser falseada e 
confundida com mero modismo, que muito barulho faz 
para, num breve e curtíssimo tempo, dissolver-se no ar 
pueril das novidades.
Filosofia é amor à sabedoria
A etimologia da palavra Filosofia confirma o enunciado. O 
vocábulo, originário do verbo grego philosophein, significa amar 
(philia) a sabedoria (sophia) ou procura amorosa da verdade, 
entendida como reflexão da pessoa acerca da vida e do mundo. A 
Filosofia, além de sofia (saber, ciência), é a procura dessa sofia. 
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Introdução à Filosofia
Unidade 1
A essência da Filosofia é a procura do saber e não 
somente a sua posse: “O que eu sei, é que nada sei”, 
dizia Sócrates (470-399 a.C.). O sábio não julga saber, 
o sábio busca, procura, investiga. O verdadeiro sábio 
sabe que a verdade não lhe pertence e, por isso, acer-
ca-se amorosamente dela. 
A palavra Filosofia foi utilizada pela primeira vez por Pitágoras 
(século V a.C.). Em resposta aos que o chamavam de “sábio”, 
Pitágoras retrucava, exigindo não ser chamado assim, mas apenas 
de “amante da sabedoria”, alguém que procura pelo saber, ou seja: 
um filósofo. Veja a figura 1.2.
Filosofia é visão de mundo
Filosofar é olhar o mundo com os “olhos” da Filosofia. Por ser 
uma particularidade do ser pensante, há um grau considerável de 
subjetividade na atitude filosófica. Os filósofos podem chegar a 
conclusões diversas, dependendo das premissas de partida e da 
situação histórica dos próprios pensadores. 
A Filosofia está sempre vinculada a um determinado contexto 
histórico que procura, ao seu tempo, responder às questões que 
intrigam a racionalidade humana. Estas diferentes concepções 
são chamadas de sistemas filosóficos. Mas, em qualquer situação, 
o processo do filosofar ultrapassará a mera informalidade, 
enquanto compromisso com respostas satisfatórias e com assento 
na realidade. 
A Filosofia informal
Na vida cotidiana, as pessoas deparam-se com situações para as 
quais buscam respostas. Estas questões rotineiras são refletidas no 
ritmo em que acontecem, sem nenhum compromisso com a lógica, 
a coerência, o formalismo científico, por pessoas comuns, dotadas 
de racionalidade. Este pensar cotidiano dá origem a uma “filosofia” 
vulgar, ou seja, popular, ou do povo. Uma sabedoria de vida.
Figura 1.2 – Pitágoras
Fonte: Souza (2008).
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Além destas reflexões que são provocadas naturalmente pelos 
acontecimentos diários, as pessoas optam -- condicionadas pelo 
meio em que vivem ou por tradições arraigadas -- , por princípios 
básicos que norteiam as suas vidas. E, de alguma forma, mesmo 
sem ser filósofo, toda pessoa tem uma proposta de vida, valores 
que são eleitos no decorrer da vida, um perfil do que pretende 
realizar na sua existência, uma maneira específica de enxergar e 
viver a realidade, mesmo que isto não seja muito claro para ela. 
Eis aqui o que podemos chamar de “filosofia” de vida.
É preciso deixar claro, no entanto, que esta “filoso-
fia” informal é subjetiva e superficial. Não obedece a 
nenhuma exigência formal ou rigorosa. É construída 
artesanalmente ou espontaneamente, de acordo 
com a vida que cada indivíduo vai levando. Seu único 
limite são as convenções sociais, o espaço do outro. 
Assim compreendida a Filosofia, cada ser humano 
é um filósofo, pois pensa, reflete e cria a sua própria 
forma de enxergar o mundo.
A Filosofia formal
A Filosofia não se resume apenas à filosofia de vida. Ela também 
tem sua elaboração formal, seu compromisso com a lógica, seus 
critérios universais. É a chamada Filosofia formal.
Para que uma reflexão possa ser chamada de filosófica, é preciso 
que satisfaça a uma série de exigências. Entre elas, Saviani (2002) 
destaca três:
 � radicalidade: a Filosofia exige que a questão a ser 
analisada seja colocada em termos radicais. Quer dizer, é 
preciso que se vá até as raízes, até seus fundamentos, ou 
seja, uma reflexão em profundidade;
 � rigorosidade: deve-se proceder à reflexão com rigor, ou 
seja, sistematicamente, segundo métodos determinados;
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Introdução à Filosofia
Unidade 1
 � totalidade: a questão não pode ser analisada de 
modo parcial, mas em uma perspectiva de conjunto, 
relacionando-a com os demais aspectos do contexto em 
que está inserida. 
O filósofo, além de pensar com maior rigor lógico, 
com maior coerência, com maior espírito de sistema, 
deve conhecer a história do pensamento humano, 
saber explicar o desenvolvimento que o pensamento 
teve e ser capaz de retomar os problemas a partir do 
ponto em que se encontram, depois de terem sofrido 
as mais variadas tentativas de solução. Esta estrutura 
racional de tratamento das questões promove a pas-
sagem do mito para o logos, das explicações mitológi-
cas e religiosas para as explicações racionais.
Seção 3 - Os primórdios da Filosofia
Na história do pensamento ocidental, a Filosofia nasce na 
Grécia, por volta do século VI a.C. Surge, por meio de longo 
processo histórico, promovendo a passagem do saber mítico ao 
pensamento racional.
O que caracteriza, portanto, a origem da Filosofia, o 
aparecimento do espírito filosófico enquanto tal é a 
passagem das explicações a partir do sobrenatural 
para as explicações racionais ou humanas.
Os primeiros filósofos, assim como os poetas Homero e Hesíodo, 
buscam uma explicação para a relação entre o caos e a ordem 
do mundo. O que muda é a maneira de entender essa relação. 
Enquanto o poeta vê os deuses como os responsáveis por tudo 
que existe e acontece, os antigos pensadores preferem partir das 
formas da natureza (terra, água, ar etc...) para entender a vida.
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A mitologia
A palavra grega mythos significa narrativa. Trata-se de uma palavra 
que aponta a origem dos deuses, do mundo, dos homens, das 
técnicas (fogo, caça, pesca, artesanato, guerra etc...) e da vida social.
No entanto, pode-se afirmar que os mitos são mais do que 
simples narrativa. De acordo com Chaui (1998, p. 138), são 
a maneira pela qual, através das palavras, os seres humanos 
organizam a realidade e a interpretam.
O pensamento mítico grego teve início desde o séc. XXI 
ao VI a.C. A verdade do mito não obedece à lógica da 
verdade empírica, nem da verdade científica. É verdade 
intuída, que não necessita de provas para ser aceita. É 
uma intuição compreensiva da realidade, é uma forma 
espontânea do homem situar-se no mundo.
As características do logos, que o contrapõem ao pensamento 
mítico, são a imanência (oposta à transcendência), o 
naturalismo e o abandono do antropomorfismo.
A passagem da consciência mítica ou religiosa para a consciência 
racional ou filosófica não aconteceu instantaneamente. Esses dois 
tipos de consciência coexistiram na sociedade grega. Durante 
muito tempo, os primeiros filósofos gregos compartilhavam de 
diversas crenças míticas, enquanto desenvolviam o conhecimento 
racional que caracterizaria a Filosofia.
O mito não é exclusividade de povos primitivos, nem 
de civilizações nascentes, mas existiu em todos os 
tempos e culturas como componente indissociável 
da maneira humana de compreender a realidade, 
também na sociedade atual.
Imanência é a qualidade do que 
está aqui e faz parte deste mundo, 
da realidade da natureza e da 
realidade do homem.
Naturalismo é a concepçãoque defende a origem natural 
do homem e do mundo, sendo a 
natureza o lugar privilegiado para 
encontrar respostas e explicações 
para todo questionamento.
Antropomorfismo refere -se 
a explicações que atribuem aos 
deuses e à natureza formas 
humanas. Uma espécie de metáfora 
em que se fala dos deuses e da 
natureza a partir do entendimento, 
linguagem e realidade humana.
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Introdução à Filosofia
Unidade 1
Tudo começou com Tales
O grego Tales de Mileto (624-546 a.C.) é considerado o marco 
inicial da história da Filosofia. Ele se encontra entre os chamados 
filósofos pré-socráticos (os que viveram antes de Sócrates). A 
preocupação principal destes pensadores originais e originantes era a 
de desvendar para estes gregos os segredos do universo, compreender 
a natureza num sentido amplo, a physis. Por isso, dizemos que a 
Filosofia primeira era cosmológica (estudo do cosmos).
Tales inaugura uma nova atitude do homem em relação ao mundo. 
Conforme Pacheco e Nesi (2007, p. 20), começou a questionar 
racionalmente a natureza com perguntas como essas:
- Por que uma planta cresce? Por que ela se 
desenvolve e morre? Por que os seres vivos 
nascem, desenvolvem-se e morrem? O que 
garante a vida dos seres vivos? 
Qual o princípio (arkhé) que origina todos os 
seres?
Tales não se satisfaz com as respostas dadas pela mitologia, que 
atribuía a realidade e o sentido de todas as coisas à ação dos 
deuses e a fenômenos inexplicáveis. “Ele procurava investigar, 
compreender o mundo de modo racional” (questionando). 
Conforme Pacheco e Nesi (2007, p. 21), Tales 
acredita que há razões, motivos, em função dos quais 
uma planta, por exemplo, nasce, cresce e morre. 
Fundamenta a investigação de Tales a concepção de 
que o nascimento, o crescimento e a morte são efeitos 
que podemos perceber, mas que existe uma causa que 
originou esta mudança. Esta relação de causa e efeito, o 
princípio da causalidade [...] 
é o caminho de Tales para o entendimento racional da realidade e 
“marca o surgimento da Filosofia como tentativa de investigação 
racional da realidade”.(ibidem, p. 21). 
De acordo com Pacheco e Nesi 
(2007, p. 20), os gregos antigos 
tinham uma concepção de 
natureza diferente da nossa, 
de hoje. O conceito de natureza 
(physis) grego abrangia todas 
as coisas que existem, inclusive 
a subjetividade humana, 
o processo de nascimento, 
desenvolvimento e morte dos 
seres, o processo de geração e 
corrupção das coisas.
De acordo com Pacheco e Nesi 
(2007, p. 20), arkhé é uma 
palavra grega que designa 
princípio. Os primeiros 
filósofos, os pré-socráticos, 
tinham em comum o fato de 
que investigavam qual seria o 
princípio (arkhé) constitutivo 
de todas as coisas presentes 
na natureza (natureza esta 
entendida em seu sentido 
amplo como physis).
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Por que a Grécia?
Você sabe por que a Filosofia surgiu justamente na Grécia 
e naquele período histórico? Quais as condições materiais 
(políticas, econômicas, sociais, históricas etc...) que permitiram o 
surgimento da Filosofia? 
Acompanhe algumas das principais condições, segundo Chaui 
(1998, p. 31-32).
Viagens marítimas - estas permitiram aos gregos descobrir que 
os locais ditos pelos mitos como habitados por deuses, heróis 
etc... eram, na verdade, habitados por outros seres humanos; 
e que as regiões dos mares que os mitos diziam habitadas por 
monstros e seres fabulosos, não possuíam nada disso. As viagens 
produziram o desencantamento ou a desmistificação do mundo. 
A explicação do mito já não era mais razoável.
Invenção do calendário - observe que este é uma forma de 
calcular o tempo conforme as estações do ano, as horas do dia, 
enfim os fatos importantes que se repetem, revelando, com isso, 
uma capacidade de abstração nova, ou uma percepção do tempo 
como algo natural, e não como um poder divino incompreensível.
Invenção da moeda - permitiu uma forma de troca que não 
se realiza através das coisas concretas ou dos objetos concretos 
trocados por semelhança (escambo), mas uma troca feita pelo 
cálculo do valor semelhante das coisas diferentes, revelando, 
assim, uma nova capacidade de abstração e generalização.
Surgimento da vida urbana - com predomínio do comércio e 
do artesanato, dando desenvolvimento a técnicas de fabricação 
e de troca, diminuiu o prestígio das famílias da aristocracia 
proprietárias de terras, por quem e para quem os mitos foram 
criados; além disso, o surgimento de uma classe de comerciantes, 
que precisava encontrar pontos de poder e de prestígio para 
suplantar o velho poderio da aristocracia de terras e de sangue 
(famílias), fez com que se procurassem as artes, as técnicas, 
os conhecimentos, favorecendo um ambiente onde a Filosofia 
poderia surgir.
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Introdução à Filosofia
Unidade 1
Invenção da escrita alfabética - outro elemento que revela 
o crescimento da capacidade de abstração e de generalização, 
uma vez que a escrita alfabética ou fonética, diferentemente de 
outras escritas (como, por exemplo, os hieróglifos dos egípcios ou 
os ideogramas dos chineses), supõe que não se represente uma 
imagem da coisa que está sendo dita, mas a ideia dela, o que dela 
se pensa e se transcreve.
Desenvolvimento da política - que introduz três aspectos novos 
e decisivos para o nascimento da Filosofia: 
 � a ideia da lei como expressão da vontade de uma 
coletividade humana, que decide por si mesma o que é 
melhor para si e como ela definirá suas relações internas, 
dentro da polis;
 � o surgimento de um espaço público, que faz aparecer 
um novo tipo de discurso, diferente daquele que era 
proferido pelo mito. Agora, com a polis, surge a palavra 
como direito de cada cidadão de emitir em público sua 
opinião, discuti-la com os outros, persuadi-los a tomar 
uma decisão proposta por ele, de tal modo que surge o 
discurso político como a palavra humana compartilhada, 
como diálogo, discussão e deliberação humana;
 � a política estimula um pensamento e um discurso que não 
procuram ser formulados por seitas secretas dos iniciados 
em mistérios sagrados, mas que procuram, ao contrário, 
ser públicos, ensinados, transmitidos, comunicados e 
discutidos. A idéia de um pensamento que todos podem 
compreender e discutir, que todos podem comunicar e 
transmitir, é fundamental para Filosofia. 
Segundo Abrão (1999, p. 18), há uma diferença fundamental 
entre o pensamento mítico e o pensamento racional dos primeiros 
filósofos. A mitologia exprimia, na forma divina e celestial, todo 
o conjunto de relações, quer dos homens entre si, quer entre o 
homem e a natureza. Assim como os deuses são criadores do 
mundo, o rei é o criador da ordem social. Por isso, a mitologia 
apenas narra a sucessão de fenômenos divinos, naturais e 
humanos. Ela não os explica, pois a explicação já está dada pelo 
poder real.
Em torno do ano 1500 a.C., 
começou a formar-se no 
seio da cultura semita, 
provavelmente na Síria, a 
escrita alfabética. O método 
consistia na representação 
gráfica de sons isolados 
mediante sinais próprios. Foi 
utilizado por numerosos povos 
antigos e, posteriormente, 
permitiu aos fenícios criar seu 
alfabeto, o qual disseminaram 
por todos os países a que 
levaram sua civilização. Os 
signos do alfabeto fenício, 
como os de todas as línguas 
semitas, só representam as 
consoantes. Os gregos, que 
o adotaram por volta do ano 
800 a.C., acrescentaram-lhe 
a representação das vogais. 
Todos os alfabetos posteriores 
procedem do semita ou 
do grego e dispõem de um 
repertório de vinte a trinta 
letras. A primitiva escrita 
grega utilizava somente letras 
maiúsculas; posteriormente, 
introduziram-se as minúsculas.
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Universidade do Sul de Santa Catarina
O desaparecimento do “rei divino” altera este cenário. 
A pólis surge como criação da vontade humana. Osacontecimentos, antes considerados realizações do 
rei (e dos deuses) perdem a base de compreensão. 
Tornam-se problemas. Para resolvê-los, o homem deve 
servir-se do meio que ele próprio desenvolveu ao criar 
a pólis: a razão.
Também o centro da cidade sofre uma mudança radical com a 
ágora, a praça pública, onde acontecem as transações comerciais 
e as discussões sobre a vida da cidade. O acesso à ágora torna-se 
cada vez maior, estendendo-se, com a instituição da democracia, 
a todos os que têm direito à democracia, ou seja, habitantes do 
sexo masculino, adultos e que não sejam estrangeiros ou escravos.
No entanto, muito antes do nascimento da pólis, a Grécia 
já vivia uma vida cultural intensa, da qual Homero é o 
representante. Os poemas atribuídos a ele, Ilíada e Odisséia, 
narram as últimas guerras troianas, que ocorreram por volta de 
1250 a.C. Ilíada conta a fase final dos combates.
Derrotada Tróia, o herói Ulisses parte para Ítaca, sua terra natal, 
onde a esposa Penélope o espera. Odisséia descreve esta longa 
viagem através dos mares.
Em Ilíada, explica por que os troianos eram vitoriosos em certas 
batalhas e, em outras, a vitória cabia aos gregos. Os deuses 
estavam divididos: alguns, a favor de um lado; e outros, a favor 
de outro. Zeus (o rei dos deuses) ficava com um dos lados a cada 
vez: aliava-se a um dos grupos (gregos ou troianos) e fazia um 
dos lados vencer uma batalha.
A causa da guerra, aliás, foi uma rivalidade entre as deusas. Elas 
apareceram em sonho para o príncipe troiano Páris, oferecendo a 
ele seus dons, e ele escolheu a deusa do amor, Afrodite. As outras 
deusas, enciumadas, o fizeram raptar a grega Helena, mulher do 
general grego Menelau, e isso deu início à guerra entre os humanos.
Praça pública das antigas 
cidades gregas, em geral 
constituída de um espaço 
aberto, cercado de edifícios 
públicos. Símbolo da 
democracia grega, utilizada, 
sobretudo, em atividades 
políticas e assembléias dos 
cidadãos.
Epopéia em 24 cantos atribuída 
ao poeta grego Homero. Narra 
as proezas do herói Aquiles na 
Tessália, durante a última etapa 
da guerra de Tróia, quando esta 
é tomada pelos gregos.
Tróia: Cidade histórica erguida 
por colonos gregos por volta do 
ano 700 a.C. Base dos épicos de 
Homero.
Ulisses: Herói da mitologia 
grega, filho do rei Laerte e de 
Anticléia. Protagonista das 
epopéias homéricas, tornou-se 
símbolo da capacidade humana 
para superar as adversidades.
Odisséia: Epopéia do poeta 
grego Homero, escrita 
provavelmente no século VIII 
a.C. Narra as aventuras de 
Ulisses, ou Odisseu, rei de Ítaca 
e marido de Penélope.
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Introdução à Filosofia
Unidade 1
Você quer saber mais sobre a Odisséia de Homero?
Então, assista ao filme “A Odisséia”. 
Acompanhe os dados básicos, o resumo e contexto 
histórico do filme.
TÍTULO DO FILME: “A ODISSÉIA” (The Odyssey, EUA 1997)
DIREÇÃO: Andrei Konchalovsky
ELENCO: Isabella Rosselini, Armand Assante, Eric 
Roberts, Greta Scacchi, Geraldine Chaplin, Christopher 
Lee, Irene Papas. 150 min, Alpha Filmes.
Resumo: O filme, uma produção de Francis Ford 
Coppola, é uma adaptação do poema A Odisséia, 
atribuído a Homero. Narra as aventuras de Ulisses na 
guerra de Tróia e sua saga para retornar para Itaca e 
para a sua amada Penélope. Para tanto, luta contra 
a vontade de deuses e deusas e contra o poder das 
criaturas mitológicas. A saga de Ulisses representa um 
marco na passagem da Mitologia para a Filosofia, pois, 
contra a força dos deuses, o herói usa as qualidades e 
habilidades humanas (racionalidade, engenhosidade, 
critividade, coragem). 
Explicação racional e argumentada da realidade
Observando que os antigos narradores (Homero, Hesíodo) 
só transmitiam tradições, sem dar nenhuma prova de suas 
doutrinas, Aristóteles (384-322 a.C.), um dos fundadores da 
Filosofia ocidental, distinguiu entre Filosofia e mito, dizendo 
ser próprio dos filósofos dar a razão daquilo que falam, ou seja, 
justificar as suas afirmações.
Estabeleceu-se assim, na cultura ocidental, uma primeira 
delimitação do conceito de Filosofia como explicação racional 
e argumentada da realidade. No entanto, não havia sido 
definida, naquele momento, a separação da Filosofia e das 
diversas ciências. Aristóteles, por exemplo, investigou tanto 
sobre metafísica, como sobre física, história natural, medicina 
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Universidade do Sul de Santa Catarina
e história geral, todas reunidas sob a denominação comum de 
Filosofia. Somente a partir do Renascimento, as diversas ciências 
se diferenciaram, e a Filosofia foi-se definindo em seus atuais 
limites e conteúdos.
Pode-se afirmar que o homem sempre se questionou sobre 
temas como a origem e o fim do universo, as causas, a natureza 
e a relação entre as coisas e entre os fatos. Essa busca de um 
conhecimento que transcende a realidade imediata constitui 
a essência do pensamento filosófico, o qual, ao longo da 
história, percorreu os mais variados caminhos, seguiu interesses 
diversos, elaborou muitos métodos de reflexão e chegou a várias 
conclusões, em diferentes sistemas filosóficos.
Desta maneira, Filosofia é uma busca da sabedoria, 
conceito que aponta para um saber mais profundo e 
abrangente do homem e da natureza, o qual trans-
cende os conhecimentos concretos e orienta o com-
portamento diante da vida. A Filosofia pretende ser 
também uma busca e uma justificação racional dos 
princípios primeiros e universais das coisas, das ciên-
cias e dos valores, e uma reflexão sobre a origem e a 
validade das ideias e das concepções que o homem 
elabora sobre ele mesmo e sobre o que o cerca.
Seção 4 - Filosofia na UnisulVirtual
A presença da Filosofia na Unisul não começa com o 
oferecimento deste curso na UnisulVirtual: temos uma história 
de proximidade e afinidade com o saber filosófico. Nesta seção, 
conheceremos um pouco desta história e acentuaremos alguns 
aspectos do projeto pedagógico que norteia a proposta atual de 
Filosofia na modalidade a distância.
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Introdução à Filosofia
Unidade 1
A Filosofia na Unisul
A Filosofia é considerada a mãe de todas as ciências. Está na 
origem da civilização e mentalidade ocidental. Na antiga Grécia, 
na passagem das explicações mitológicas para as tentativas 
racionais de explicação e entendimento da realidade, nasce a 
Filosofia, a ciência, a civilização ocidental. Não há produção ou 
descoberta do conhecimento sem a atitude filosófica, por isso 
a Filosofia não pode estar ausente da universidade virtual que 
estamos construindo. 
A Universidade do Sul de Santa Catarina foi fundada na cidade 
de Tubarão, estado de Santa Catarina, no ano de 1964. Foi 
amizade pela sabedoria, o prazer em conhecer, a constante e 
inquieta busca pelo conhecimento que animou e encorajou os 
fundadores da nossa instituição. Ampliar as possibilidades de 
acesso ao conhecimento foi o ideal que desencadeou o processo 
de fundação e posterior desenvolvimento da nossa universidade.
O Curso de Filosofia da Unisul, na modalidade presencial, 
recebeu autorização de funcionamento do Conselho Estadual de 
Educação em fevereiro de 1973, iniciando as suas atividades no 
mesmo ano. Em 3 de novembro de 1977, o curso foi reconhecido 
pelo Ministério da Educação.
Contrariando a orientação tecnicista reinante no cenário educacional 
brasileiro no início dos anos setenta, a Unisul investe em cursos 
de formação humana e contribui, significativamente, para a 
transformação da história da região sul do estado catarinense.
São mais de três décadas de presença da Filosofia na história da 
universidade, formando professores, pesquisadores e cidadãos 
e oferecendo quadros para a gestão da universidade. Iniciou-
se primeiramente com a oferta da modalidade Licenciatura no 
Campus Sul, em Tubarão, habilitando professores nas disciplinas 
Filosofia, Psicologia e Sociologia. Cabe destacar, neste período, 
a formaçãofilosófica possibilitada pela Unisul ao clero da Igreja 
Católica do sul de Santa Catarina. Depois, com a oferta da 
modalidade Bacharelado, no Campus Norte, em Florianópolis, 
tendo como clientela seminaristas de diversas regiões do Estado e 
tantos outros amantes da sabedoria. 
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Hoje nos encontramos mais uma vez diante de um 
cenário propício, diante de uma nova oportunidade: 
a Filosofia volta a ser considerada disciplina funda-
mental na formação básica do cidadão. A resolução nº 
4, de 16 de agosto de 2006, do Conselho Nacional de 
Educação inclui a disciplina Filosofia na grade curricu-
lar do Ensino Médio, gerando uma demanda significa-
tiva de profissionais habilitados nesta docência. O pre-
sente curso de Filosofia na modalidade Bacharelado é 
o embrião da modalidade Licenciatura, a ser ofertada 
na continuidade deste projeto pedagógico. 
Também cabe registrar a significativa procura de profissionais das 
mais diversas áreas e pessoas não comprometidas com atividades 
laborativas por formação humana e conhecimentos filosóficos.
Vivenciamos uma nova sociedade. A sociedade da informação, 
a sociedade do conhecimento. Um tempo de acelerado 
desenvolvimento tecnológico, caracterizado pelo uso intensivo 
das novas tecnologias da informação e da comunicação, que vem 
provocando uma intensa e permanente mudança de paradigmas. 
Neste contexto de mundo em mudança, o acesso e a apropriação 
do conhecimento têm extrema importância para a sobrevivência 
dos indivíduos e organizações.
A Filosofia na UnisulVirtual vem dar prosseguimento ao 
compromisso da universidade com a formação de profissionais 
nas mais diversas áreas de atuação e suprir uma lacuna na área 
da formação humanística na grade de cursos oferecidos nesta 
modalidade de ensino. Um curso que visa formar pessoas, 
profissionais, cidadãos. 
A educação a distância não tem como objetivo substituir o 
ensino presencial, mas sim articular-se com este de maneira 
complementar, sinérgica, produtiva e criativa. O objetivo 
fundamental da educação a distância é o mesmo que sempre 
animou a atividade filosófica: ampliar as possibilidades de produção 
de conhecimento e acesso a ele; e promover a democratização do 
ensino superior, permitindo o ingresso de parcelas da população 
até então impedidas de cursar a universidade.
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Introdução à Filosofia
Unidade 1
Ensino a Distância e LDB
Em 1994, com a expansão da internet junto às Instituições de 
Ensino Superior (IES), e com a publicação da Lei de Diretrizes e 
Bases para a Educação Nacional (LDB), em dezembro de 1996 – 
que oficializa a EaD como modalidade válida e equivalente para 
todos os níveis de ensino – é que a universidade brasileira dedica-
se à pesquisa e oferta de cursos superiores a distância e ao uso 
de novas tecnologias neste processo. (VIANNEY; TORRES; 
SILVA, 2003, p. 16).
O Decreto n.º 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, que 
regulamenta o art. 80 da Lei que dispõe sobre as Diretrizes 
e Bases da Educação Nacional no Brasil, estabelece que os 
certificados e diplomas de cursos a distância terão validade 
nacional e assim define a Educação a Distância
[...] uma forma de ensino que possibilita a auto-
aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos 
sistematicamente organizados, apresentados em 
diferentes suportes de informação utilizados isoladamente 
ou combinados, e vinculados pelos diversos meios 
de comunicação. (BRASIL, 1998 apud VIANNEY; 
TORRES; SILVA 2003, p. 35).
Vianney, Torres e Silva, 2003 destacam que o decreto introduz 
o conceito de “auto-aprendizagem”, projetando o indivíduo 
como um dos gestores de seu processo educacional. Privilegia 
a informação possibilitada por recursos sistematicamente 
organizados, ensejando a intervenção de outros gestores que, 
mediante os meios de comunicação, deverão estabelecer uma 
relação interativa entre instituição e aluno. 
Com base no exposto pelo Decreto, pode-se caracteri-
zar a educação a distância como um processo em que 
o aluno constrói o conhecimento interagindo com 
professores e outros alunos de forma independente 
da relação tempo-espaço. Deste modo, sua respon-
sabilidade passa pelos aspectos como estudar, onde 
estudar e com que frequência estudar.
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Universidade do Sul de Santa Catarina
O papel da instituição de ensino nesta modalidade de educação, 
por sua vez, é o de mediar o processo de interação, garantindo 
a qualidade em todo o processo, em que o professor atua 
como facilitador do percurso de aprendizagem do aluno; os 
recursos técnicos de comunicação proporcionam igualdade de 
oportunidades de acesso ao saber; respeita-se a autonomia do 
aluno no processo de aprendizagem; a atividade educativa é 
bidirecional; a educação é otimizada pela tecnologia; e a barreira 
da distância geográfica é vencida.
O que significa estudar a distância
Estudar a distância significa modificar algumas referências e hábitos, 
substituindo-os por outros mais apropriados para a condição de 
aluno autônomo e a distância. Em vez de se pensar em “salas de 
aula e horários de curso”, deve-se imaginar um espaço virtual de 
gestão de horário de trabalho e de processo de aprendizagem. 
Em vez de imaginar “receber uma aula e fazer os seus deveres no 
prazo marcado”, é necessário imaginar um “caminho para uma 
aprendizagem e realização de atividades para aprender”. 
Estas diferenças não são apenas de vocabulário. Elas envolvem 
atitudes, hábitos, estratégias de aprendizagem e responsabilidades 
bem diferentes das que são normalmente desenvolvidas. Trata-
se de, partindo do que já se sabe, tentar desenvolver novas 
aprendizagens a partir de um ambiente virtual de aprendizagem.
A EaD é, pois, uma alternativa pedagógica de grande alcance, que 
deve utilizar e incorporar as novas tecnologias como meio para 
alcançar os objetivos das práticas educativas, tendo sempre em vista 
as concepções assumidas, de homem e sociedade, e considerando 
as necessidades das populações a que se pretende servir. 
Tem-se, também, a possibilidade da simultaneidade entre estudo 
e trabalho; democratização de acesso aos estudos superiores a 
uma ampla população geograficamente distante de instituições 
universitárias; possibilidade de percorrer trajetórias diferentes de 
estudo, na medida em que eles próprios estabelecem seus horários; 
e possibilidade de realizar estudos diferentes daqueles orientados 
pelos professores, ampliando-os na medida das suas necessidades. 
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Introdução à Filosofia
Unidade 1
A metodologia desenvolvida na UnisulVirtual pos-
sibilita a realização de estudos individualizados ou 
estudos em grupo com objetivos de interagir na 
busca de respostas para as dificuldades ou compar-
tilhar descobertas. Possibilita a emergência da roda 
de crítica e debate, a troca e embate permanente de 
ideias, próprios do exercício do filosofar. Possibilita 
uma ampliação significativa da tarefa da Filosofia.
A UnisulVirtual é uma realidade. Um ambiente de busca, transmissão 
e desenvolvimento do conhecimento. A Filosofia vem para a 
UnisulVirtual por compartilhar com esta a convicção de que não há 
ambiente em que a tarefa crítica da Filosofia não seja necessária.
A quem se destina o curso de Filosofia da UnisulVirtual
O curso de Filosofia da UnisulVirtual foi pensado para 
profissionais das mais diversas áreas, portadores de graduação ou 
não, desejosos de formação humana e filosófica que permita uma 
atuação diferenciada no mercado de trabalho e um entendimento 
dos problemas que afligem o ser humano em suas múltiplas 
dimensões, a saber: cognitiva, afetiva, econômica, política, 
cultural e ecológica.
Foi pensado também para lideranças políticas e comunitárias, 
de movimentos sociais e organizações da sociedade civil, 
atores sociais que reconhecem a importância da Filosofiapara o exercício da cidadania e a busca de uma sociedade 
mais democrática. E também para amantes da sabedoria não 
comprometidos (as) com atividades laborativas, que buscam na 
Filosofia o conhecimento milenar sobre o ser humano e sobre o 
mundo.
Um olhar rápido nas listas dos livros mais vendidos ou a consulta 
aos lançamentos expostos nas livrarias revelam um fenômeno 
digno de nota: entre eles encontram-se muitos que, de alguma 
forma, são dedicados à Filosofia. Ao ser humano não basta o 
viver: ele quer compreender a vida! A forte demanda por Filosofia 
pode ser compreendida a partir da sensação de insegurança e 
desamparo em face dos desafios do mundo contemporâneo.
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Vivemos com um pé num mundo que se dissolve diante dos 
nossos olhos e com um pé num mundo que está surgindo. Onde 
estamos? Para onde estamos indo? São questões que afloram 
nas mentes e corações. E remetem para as clássicas questões 
filosóficas: Quem sou eu? Por que estou aqui? 
A Filosofia interpreta e interroga a vida, sonda a 
época, pensa com ela e contra ela, questiona as 
ilusões e reflete sobre teorias capazes de transcender 
o presente e iluminar o futuro. 
Este curso destina-se a todos e todas que sentem esta necessidade 
profundamente humana de pensar a vida e de tê-la ao alcance das 
suas mãos. Destina-se aos que se querem sujeitos e protagonistas 
da sua própria história. 
Quem são os filósofos?
Os filósofos são profissionais capazes de discutir a história da 
Filosofia e de compreender e transmitir os sistemas filosóficos 
elaborados pelos grandes pensadores da história e por grandes 
correntes de pensamento.
O Curso de Filosofia visa gerar as competências exigidas por um 
mundo e sociedade em constante transformação, habilitando-nos 
para refletir, com autonomia e de maneira crítica, questões do 
universo de trabalho e demais realidades que nos envolvem.
O campo de atuação do Graduado em Filosofia inclui a pesquisa 
e produção teórica e atividades diversas, tais como a consultoria 
em empresas, meios de comunicação, editoras, organizações não-
governamentais, assessoria de movimentos sociais, assessoria 
política e outras. O licenciado em Filosofia irá dedicar-se à 
atividade docente na área da Filosofia, no Ensino Médio.
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Introdução à Filosofia
Unidade 1
Espera-se do profissional formado pelo Curso de Filosofia da Unisul:
 � capacidade de argumentação com embasamento e 
articulação do raciocínio na construção de um discurso 
claro e objetivo, que demonstre habilidade na escrita e 
expressão oral, compreensão e análise de textos e temas 
filosóficos;
 � compreensão das questões acerca do sentido e da 
significação da existência humana e da relação intrínseca 
entre o estudo da filosofia, a produção científica e o agir 
pessoal e político;
 � capacidade de relacionar o exercício da crítica 
filosófica com a promoção integral da cidadania e com 
o respeito à vida, dentro da tradição de defesa dos 
direitos fundamentais da pessoa humana e da natureza 
na elaboração de um saber que se contraponha aos 
estereótipos étnicos, sociais e culturais;
 � espírito de liderança junto às comunidades, instituições 
sociais, ONGs, movimentos sociais e no interior de 
empresas;
 � conhecimento das técnicas de elaboração, execução e 
avaliação de projetos de pesquisa e intervenção social; e
 � aptidão (gosto) para a leitura e preparo acadêmico para 
iniciar e desenvolver pesquisas filosóficas, domínio 
do conhecimento filosófico e de suas técnicas de 
investigação, transmissão e produção do conhecimento.
Objetivos comuns do Bacharelado em Filosofia
O projeto pedagógico do Curso de Graduação em Filosofia da 
UnisulVirtual foi concebido a partir dos seguintes objetivos:
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Universidade do Sul de Santa Catarina
 � queremos promover a difusão da cultura filosófica 
nas instituições de ensino e nos diferentes ambientes 
educativos e corporativos, capacitando os acadêmicos 
para a leitura, compreensão, interpretação, análise e 
síntese dos clássicos da Filosofia habilitando-os para o 
enfrentamento das realidades emergentes, favorecendo 
a produção de novos conhecimentos e novos métodos 
de transmissão dos conhecimentos, resgatando assim a 
tradição do filósofo educador;
 � queremos favorecer o exercício da cidadania, 
proporcionando aos profissionais de qualquer área 
instrumentos para a análise e compreensão da 
realidade social, histórica e política do Brasil e do 
mundo, despertando o senso crítico e propiciando o 
desenvolvimento do espírito investigativo. Para tanto, faz-se 
necessário aprimorar as habilidades de argumentação, 
de embasamento de pontos de vista e de articulação do 
raciocínio em um discurso claro e conceitual; e
 � queremos desenvolver a liberdade e a solidariedade 
humana, estimulando o cultivo de valores que enfatizem 
a dignidade do indivíduo como cidadão, relacionando a 
atividade filosófica ao exercício da crítica social voltada 
para a promoção integrada da cidadania. A Filosofia 
incentiva a prática constante da análise dos valores 
que orientam o pensar e o agir humanos, despertando 
capacidades que facilitem a atuação na elaboração e 
coordenação de projetos de cunho artístico, cultural e 
educacional e político.
Concluindo
A Filosofia faz parte da história da Unisul e faz parte da sua 
história. E tem os seus méritos reconhecidos na busca da 
realização do conceito de Universidade comprometida com o 
desenvolvimento humano e a produção do conhecimento:
O que é uma universidade? É uma universalidade 
de ciências, do conhecimento humano. Por isto nós 
começamos a entrar no campo da saúde, no campo da 
promoção social, no campo da tecnologia, para, aos 
poucos, ir formando a Universidade que sonhávamos. 
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Introdução à Filosofia
Unidade 1
E também, no campo da Filosofia, com a concepção de 
que não há ciência, não há universidade, sem Filosofia. 
(DELLA GIUSTINA, 1995, p. 26).
Em síntese: queremos um profissional que saiba compreender o 
contexto sociocultural do qual faz parte; relacionar-se – capaz 
de trabalhar em equipe, estabelecer e gerir relacionamentos entre 
pessoas e áreas de conhecimento; liderar – capaz de estimular, 
orientar, conduzir, delegar poderes e conduzir processos; 
empreender – capaz de identificar novas oportunidades e 
implementar ações criativas e inovadoras; e decidir – capaz de 
avaliar riscos e escolher soluções adequadas e ser responsável 
pelas suas escolhas.
Desenvolvidas estas competências e habilidades, o profissional de 
Filosofia está apto para atuar no campo da pesquisa acadêmica, 
transmissão e difusão da cultura filosófica e em projetos científicos 
e culturais nas diversas áreas do saber; como um cidadão 
participante, questionador e atento aos problemas sociopolíticos.
Síntese
Você identificou, nesta unidade, que o desejo e a necessidade de 
compreender o mundo e a própria existência, buscando para a 
realidade uma explicação racional e argumentada da realidade, 
fez surgir a Filosofia: um estar sendo homem no mundo! Tal 
realização exige atitude, autonomia, reflexão, crítica, criatividade, 
sabedoria e visão de mundo.
Conheceu, também, que a Filosofia faz parte da história da 
Unisul e não poderia deixar de estar presente na universidade 
virtual que estamos construindo com o Ensino a Distância, por 
fidelidade aos objetivos e missão da nossa universidade: formar 
pessoas, profissionais, cidadãos.
Introducao a Filosofia.indb 41 15/12/11 13:46
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Por fim, você identificou que o ensino a distância exige atitude 
filosófica, autonomia, criatividade, disciplina e clareza de objetivos, 
ou seja, responsabilidade para consigo e fidelidades aos sonhos.
Você inicia um curso de graduação para quem se sente convidado a 
interrogar a vida,transcender o presente e iluminar o futuro, sendo 
protagonista, ator principal de sua vida e história. Venha com a gente!
Atividades de autoavaliação
Ao final de cada unidade, você realizará atividades de autoavaliação. O 
gabarito está disponível no final do livrodidático. Mas se esforce para 
resolver as atividades sem ajuda do gabarito, pois, assim, você promoverá 
a sua aprendizagem.
1) Reveja o conteúdo da e depois responda: O que é Filosofia? Em 
seguida, partilhe a sua reflexão com os(as) colegas através da 
ferramenta Exposição, no Espaço Virtual de Aprendizagem (EVA). 
2) A Filosofia ensina que a vida humana é um projeto que se realiza, ou 
não, por meio das escolhas que fazemos. De acordo com os conceitos 
de Filosofia apresentados nesta unidade, que contribuição ela aporta 
para a realização deste ensinamento? 
Introducao a Filosofia.indb 42 15/12/11 13:46
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Introdução à Filosofia
Unidade 1
3) A filosofia informal é um dos níveis filosóficos possíveis. Sobre isso é 
CORRETO afirmar:
01) Exige uma lógica e método apropriado para ser comprovada.
02) Conhecida também por filosofia de vida de cada um.
04) Faz refletir de maneira superficial as questões do dia-a-dia.
08) É a filosofia do cotidiano, das questões rotineiras.
16) É refletida pelas pessoas comuns, sem estudos mais aprofundados.
32) Exige radicalidade, sistemática e visão de totalidade.
Somatória:______________
4) Caracterize as três exigências da Filosofia formal, segundo Saviani.
Saiba mais
Que tal um contato com um texto filosófico? Então leia o trecho 
abaixo do texto de Martin Heidegger. Mas não leia uma vez só. 
Leia com atenção, sublinhe palavras ou expressões desconhecidas, 
pesquise, use a ferramenta “tutor”, no Espaço Virtual de 
Aprendizagem (EVA) para dirimir dúvidas. Divirta-se! 
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Que é isto — A filosofia?
O caminho para o qual desejaria apontar agora (para responder 
à questão proposta) está imediatamente diante de nós. E, 
precisamente pelo fato de ser o mais próximo, o achamos difícil. 
Mesmo quando o encontramos, movemo-nos, contudo, ainda 
sempre desajeitadamente nele. Perguntamos: Que é isto — a 
filosofia? Pronunciamos assaz freqüentes vezes a palavra “filosofia”. 
Se, porém, agora não mais empregarmos a palavra “filosofia’ como 
um termo gasto; se em vez disso, escutarmos a palavra “filosofia” 
em sua origem, então, ela soa philosophía. A palavra ‘filosofia” fala 
agora através do grego. A palavra grega é, enquanto palavra grega, 
um caminho. De um lado, esse caminho se estende diante de nós, 
pois a palavra já foi proferida há muito tempo. De outro lado, ele já 
se estende atrás de nós, pois ouvimos e pronunciamos esta palavra 
desde os primórdios de nossa civilização. Desta maneira, a palavra 
grega philosophía é um caminho sobre o qual estamos a caminho. 
Conhecemos, porém, este caminho apenas confusamente, ainda 
que possuamos muitos conhecimentos históricos sobre a filosofia 
grega e os possamos difundir.
A palavra philosophía diz-nos que a filosofia é algo que, pela 
primeira vez e antes de tudo, vinca a existência do mundo grego. 
Não só isto — a philosophía determina também a linha mestra de 
nossa história ocidental-européia. A batida expressão “filosofia 
ocidental-européia” é, na verdade, uma tautologia. Por que? Porque 
a “filosofia” é grega em sua essência — e grego aqui significa: 
a filosofia é nas origens de sua essência de tal natureza que ela 
primeiro se apoderou do mundo grego e só dele, usando-o para 
se desenvolver. Mas a essência originariamente grega da filosofia 
é dirigida e dominada, na época de sua vigência na Modernidade 
Européia, por representações do cristianismo. A hegemonia destas 
representações é mediada pela Idade Média. Entretanto não se 
pode dizer que por isto a filosofia se tornou cristã, quer dizer, uma 
tarefa da fé na revelação e na autoridade da Igreja. A frase: a filosofia 
é grega em sua essência, não diz outra coisa que: o Ocidente e a 
Europa, e somente eles, são, na marcha mais íntima de sua história, 
originariamente “filosóficos”. Isto é atestado pelo surto e domínio 
das ciências. Pelo fato de elas brotarem da marcha mais íntima da 
história ocidental-européia, o que vale dizer do processo da filosofia, 
são elas capazes de marcar hoje, com seu cunho específico, a 
história da humanidade pelo orbe terrestre. 
Consideremos por um momento o que significa o fato de 
caracterizarmos uma era da história humana de “era atômica”. 
A energia atômica descoberta e liberada pelas ciências é 
representada como aquele poder que deve determinar a marcha 
da história. Entretanto a ciência nunca existiria se a filosofia 
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Introdução à Filosofia
Unidade 1
não a tivesse precedido e antecipado. A filosofia, porém, é: 
he philosophía. Esta palavra grega liga nosso diálogo a uma 
tradição historial. Pelo fato de esta tradição permanecer única, 
ela é também unívoca. A tradição designada pelo nome grego 
philosophía, tradição nomeada pela palavra historial philosophía, 
mostra-nos a direção de um caminho, no qual perguntamos: Que 
é isto — a filosofia?
A tradição não nos entrega à prisão do passado e irrevogável. 
Transmitir, delivrer, é um libertar para a liberdade do diálogo com o 
que foi e continua sendo. Se estivermos verdadeiramente atentos à 
palavra e meditarmos o que ouvimos, o nome “filosofia” nos convoca 
para penetrarmos na história da origem grega da filosofia. A palavra 
philosophía está, de certa maneira, na certidão de nascimento de 
nossa própria história; podemos mesmo dizer: ela está na certidão 
de nascimento da atual época da história universal que se chama era 
atômica. Por isso somente podemos levantar a questão: Que é isto — 
a filosofia?, se começamos um diálogo com o pensamento do mundo 
grego.
Porém, não apenas aquilo que está em questão, a filosofia, 
é grego em sua origem; mas também a maneira como 
perguntamos, mesmo a nossa maneira atual de questionar ainda 
é grega.
Perguntamos: Que é isto...? Em grego isto é: ti estin. A questão relativa 
ao que seja algo permanece, todavia, multívoca. Podemos perguntar, 
por perguntar, por exemplo: Que é aquilo lá longe? Obtemos então a 
resposta: uma árvore. A resposta consiste em darmos o nome a uma 
coisa que não conhecemos exatamente.
Podemos, entretanto, questionar mais: Que é aquilo que 
designamos “árvore”? Com a questão agora posta avançamos 
para a proximidade do ti estin grego. E aquela forma de questionar 
desenvolvida por Sócrates, Platão e Aristóteles. Estes perguntam, 
por exemplo: Que é isto — o belo? Que é isto — o conhecimento? 
Que é isto — a natureza? Que é isto — o movimento? Agora, 
porém, devemos prestar atenção para o fato de que nas questões 
acima não se procura apenas uma delimitação mais exata do que 
é natureza, movimento, beleza; mas é preciso cuidar para que, 
ao mesmo tempo, se dê uma explicação sobre o que significa 
o “que’, em que sentido se deve compreender o ti. Aquilo que 
o ‘que’ significa se designa o quid est, tò quid: a quidditas, a 
qüididade. Entretanto, a quidditas se determina diversamente 
nas diversas épocas da filosofia. Assim, por exemplo, a filosofia 
de Platão é uma interpretação característica daquilo que quer 
dizer o ti. Ele significa precisamente a idéia. O fato de nós, quando 
perguntamos pelo ti, pelo quid, nos referirmos à “idéia” não é 
absolutamente evidente. Aristóteles dá uma outra explicação 
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Universidade do Sul de Santa Catarina
do ti, que Platão. Outra ainda dá Kant, e também Hegel explica 
o tí de modo diferente. Sempre se deve determinar novamente 
aquilo que é questionado através do fio condutor que representa 
o ti, o quid, o “que”. Em todo caso: quando, referindo-nos à 
filosofia, perguntamos: Que é isto?, levantamos uma questão 
originariamente grega.
Fonte: Versão eletrônica do livro “Que é isto– A Filosofia?” 
(Martin Heidegger). Tradução e notas: Ernildo Stein. Créditos 
da digitalização: Membros do grupo de discussão Acrópolis 
(Filosofia).
Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade, confira 
estas indicações de leitura:
CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. 12 ª. ed. São Paulo: 
Ática, 2002.
GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia. Romance da história 
da filosofia. São Paulo: Cia da Letras, 1996.
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2UNIDADE 2Conhecimento e conhecimento filosófico
Objetivos de aprendizagem
 � Identificar o conceito de conhecimento e de 
conhecimento filosófico.
 � Compreender diferenças e aproximações entre ciência e 
Filosofia.
 � Identificar peculiaridades do conhecimento filosófico.
 � Conhecer a missão do filósofo.
Seções de estudo
Seção 1 O que é conhecimento
Seção 2 Ciência e Filosofia
Seção 3 Comunicar e compreender
Seção 4 A missão do filósofo 
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Nesta unidade, daremos continuidade à busca da compreensão 
e entendimento do conceito e abrangência da Filosofia, 
estudando-a como um caminho privilegiado de construção 
e descoberta do conhecimento. Neste sentido, você estuda 
o método e os objetivos da Filosofia como realização das 
potencialidades humanas, sujeito e objeto de todo conhecimento.
Seção 1 – O que é conhecimento
O conhecimento em nós, transmudou-se em paixão, 
que não se intimida diante de nenhum sacrifício e no 
fundo nada teme; a não ser a sua própria extinção. 
(NIETZSCHE, 1991, p. 139).
A sociedade em que vivemos é frequentemente caracterizada 
como sociedade do conhecimento. Conhecimento é mais do que 
ter informações e dados sobre determinado tema ou assunto. 
Conhecimento implica saber quais informações e dados são 
relevantes e em que situações usá-los. Conhecimento é sabedoria de 
vida. Esta perspectiva filosófica está na base de todo esforço humano 
por compreender as coisas e o mundo e atribuir-lhes sentido.
O conhecimento
Você sabe o que é conhecimento?
Conhecimento é a relação que se estabelece entre um 
sujeito cognoscente e um objeto. Assim, todo conhe-
cimento pressupõe dois elementos: o sujeito que quer 
conhecer e o objeto a ser conhecido. Por extensão, 
dá-se também o nome de conhecimento ao saber 
acumulado pelo ser humano através das gerações.
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Introdução à Filosofia
Unidade 2
No processo de conhecimento, quem conhece acaba apropriando-se, de 
certo modo, do objeto que conheceu, ou seja, transforma em conceito 
esse objeto e o reconstitui em sua mente. O conceito, no entanto, não é 
o objeto real, não é a realidade, mas apenas uma forma de conhecer (ou 
conceber, ou conceituar) a realidade.
Deve-se ressaltar que a relação estabelecida no processo de 
conhecimento pode implicar uma transformação tanto do sujeito 
quanto do objeto. O sujeito transforma-se mediante o novo saber e 
o objeto também pode transformar-se, pois o conhecimento lhe dá 
sentido. A partir do momento em que o sujeito conhece novos fatos, 
ele pode modificar sua ação, agir com mais liberdade, fazer com mais 
precisão, etc. O objeto pode ser aperfeiçoado, porque o conhecimento 
do sujeito permitirá desenvolvê-lo. 
O conhecimento, portanto, implica uma posse da reali-
dade. Essa posse confere ao ser humano a grande vanta-
gem de se tornar mais apto para uma ação consciente. A 
ignorância tolhe as possibilidades de avanço, mantém as 
pessoas prisioneiras das circunstâncias. O conhecimento 
libera: permite atuar para modificar em benefício as 
circunstâncias. Contudo aqui cabe uma pergunta tipica-
mente filosófica: Em benefício de quem?
Conhecimento filosófico
Já o conhecimento filosófico tem por origem a capacidade de 
reflexão do homem; e, por instrumento, o raciocínio. Será a 
Ciência suficiente para explicar o sentido geral do universo? Os 
que respondem que não, esses buscam essa explicação através 
da Filosofia. Filosofando, ultrapassam-se os limites da Ciência 
-- delimitados pela necessidade de comprovação concreta -- para 
compreender ou interpretar a realidade em sua totalidade. 
Tendo o ser humano como tema permanente de suas 
considerações, o filosofar pressupõe a existência de um dado 
determinado sobre o qual refletir, por isso apóia-se nas ciências. 
Mas sua aspiração “ultrapassa” o dado científico, já que a essência 
do conhecimento filosófico é a “busca” do saber, e não sua posse. 
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Tratando de compreender a realidade dos problemas 
mais gerais do homem e sua presença no universo, a 
Filosofia interroga o próprio saber e transforma-o em 
problema. É, sobretudo, especulativa, no sentido de 
que suas conclusões carecem de prova material da rea-
lidade. Mas, embora a concepção filosófica não ofereça 
soluções definitivas para numerosas questões formu-
ladas pela mente, ela se traduz em ideologia. E, como 
tal, influi diretamente na vida concreta do ser humano, 
orientando sua atividade prática e intelectual.
A Filosofia, por sua vez, propõe oferecer um tipo de 
conhecimento que busca, com todo o rigor, a origem dos 
problemas, relacionando-os a outros aspectos da vida humana, 
numa abordagem globalizante.
Segundo Platão, o homem começa a conhecer pela forma 
imperfeita de opinião (a doxa); depois passa ao grau mais 
avançado da ciência (episteme);para só então ser capaz de atingir o 
nível mais alto do saber filosófico.
Se a ciência tende cada vez mais para a especialização, 
a filosofia, no sentido inverso, quer superar a 
fragmentação do real, para que o homem seja resgatado 
na sua integridade e não sucumba à alienação do saber 
parcelado. Por isso a filosofia tem uma função de 
interdisciplinaridade, estabelecendo o elo entre as diversas 
formas do saber e do agir (ARANHA; MARTINS, 1996, 
p. 73).
 Filosofia: negação cética e dogmática
Você sabe o que é ceticismo? E dogmatismo?
Ceticismo é uma posição filosófica a qual afirma que 
é impossível o conhecimento, seja como juízo de 
valor ou como conclusão. O dogmatismo, ao contrá-
rio, considera certos conhecimentos como certezas e 
verdades absolutas e indubitáveis.
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Introdução à Filosofia
Unidade 2
Comparando as duas posições, perceba que elas têm algo em 
comum: a visão imobilista do mundo. Enquanto o dogmático 
atinge uma certeza e nela permanece, o cético afirma que não é 
possível alcançá-la.
A Filosofia, no entanto, é movimento, pois o mundo 
é movimento: a tese e a antítese serão superadas 
pela síntese, a qual, por sua vez, será nova tese, e 
assim por diante. 
A Filosofia é a procura da verdade, não a sua posse: “fazer filosofia 
é estar a caminho; as perguntas em filosofia são mais essenciais que 
as respostas e cada resposta transforma-se numa nova pergunta”. 
(JASPERS, 1971 apud ARANHA; MARTINS, 1996, p. 76). 
Seção 2 - Ciência e Filosofia
Filosofia e Ciência manifestam o esforço do ser humano em se 
aproximar da verdade das coisas. Possuem caminhos semelhantes 
com pretensões diferentes. Veremos nesta seção o que aproxima e 
o que diferencia estes dois campos do exercício da racionalidade.
2.1) Aproximações e diferenças
Quais aproximações podem ser traçadas entre a Ciência e a 
Filosofia?
Ciência e Filosofia são caminhos para o conhecimento. A 
Ciência busca descobrir as causas pelas quais as coisas são. Visa o 
conhecimento “certo” (seguro) pelas causas (causas próximas). A 
Filosofia busca compreender as causas últimas das coisas: o que uma 
coisa é, não de um ponto de vista particular, mas em todo o seu ser.
No começo da história do pensamento ocidental, não havia 
esta divisão. Para os antigos gregos, a Filosofia era a ciência 
universal e abarcava todo esse conjunto de conhecimentos que 
agrupamos sob os nomes de ciência, de arte e de Filosofia. Tal 
concepção perdurou até a Idade Média. No Renascimentoe 
Idade Moderna, consuma-se a autonomia da arte e da ciência.
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Do ponto de vista material, ciência e Filosofia aplicam-
se ao mesmo objeto: o mundo e o homem. Mas cada 
disciplina estuda este objeto comum sob um aspecto 
que lhe é próprio.
A ciência investe na determinação das leis dos fenômenos. A 
Filosofia quer conhecer a natureza profunda das coisas, suas causas 
supremas e seus fins derradeiros: visa propriamente, em todas 
as suas partes, o conhecimento do que ultrapassa a experiência 
sensível (ou os fenômenos), e do que só é acessível à razão.
A Filosofia é uma ciência universal enquanto tende 
a conhecer não tudo, como pensavam os antigos 
gregos, mas os primeiros princípios de tudo. 
Ciência e Filosofia são caminhos autônomos para o conhecimento. 
Uma explicação científica não é uma explicação filosófica; 
nem uma explicação filosófica, uma explicação científica. O 
encadeamento dos fenômenos, como a ciência os visa descobrir, 
deixa intacta a questão da natureza profunda das coisas, de seu 
valor e seu fim. O conhecimento das essências, dos valores e dos 
fins não nos saberia dar a ciência das ligações fenomenais.
O Método da Filosofia
Você conhece o método da Filosofia?
O método filosófico é, a um tempo, experimental e 
racional. Definimos a Filosofia como a ciência das 
coisas por suas causas “supremas”.
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Introdução à Filosofia
Unidade 2
Observe as explicações.
 � A Filosofia parte da experiência -- se a Filosofia é, de 
início, “ciência das coisas”, a saber, do homem, do mundo 
e de Deus, devemos começar por conhecer as coisas que 
queremos explicar; isto é, nosso ponto de partida será 
normalmente tomado na experiência. É de fato pelas 
propriedades das coisas que nós podemos conhecer sua 
natureza. E essas propriedades, é a experiência -- vulgar 
ou científica -- que nos faz descobri-las. Assim o método 
filosófico será primeiramente experimental, no sentido 
de que o ponto de partida da Filosofia é tomado na 
experiência.
 � A Filosofia visa, pela razão, o que está além da experiência 
-- mas como a Filosofia é, por seus fins, essencialmente 
metafísica -- isto é, quer ir além da experiência sensível e 
chegar até as causas primeiras - o homem não as vê e não as 
toca com os seus sentidos, e não as pode então atingir a não 
ser por uma faculdade “superior” aos sentidos. Eis porque 
método filosófico é também um método racional. Razão 
natural, fundada na evidência de seu objeto.
Seção 3 - Comunicar e compreender
Nesta unidade, veremos o que faz da Filosofia um campo de 
estudo essencialmente humano, voltado para as necessidades 
e aspirações do ser humano, favorecendo a comunicação e a 
compreensão da realidade.
Filosofia é Comunicação
A modernidade trouxe o predomínio das ciências naturais sobre 
as ciências humanas. Tal postura é identificada no cenário do 
conhecimento como positivismo e encontra em Augusto Comte 
(1798-1857) o seu principal defensor. O positivismo, segundo 
Aranha (1996, p. 139), exprime a exaltação provocada no século 
XIX pelo avanço da ciência moderna, capaz de revolucionar o 
mundo com uma tecnologia cada vez mais eficaz. Veja a figura 2.1. Figura 2.1 - Augusto Comte Fonte: Olivieri ([200-?]).
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Esse entusiasmo desemboca no cientificismo, visão reducionista 
segundo a qual a ciência seria o único conhecimento válido. Dessa 
forma, o método das ciências da natureza – baseado na observação, 
experimentação e matematização – deveria ser estendido a todos os 
campos do conhecimento e a todas as atividades humanas.
Como o positivismo dá enorme importância à experimentação, sem 
a qual a ciência não seria possível, isso vale também para as ciências 
humanas. Assim, a sociologia, a psicologia, a economia e a Filosofia 
deveriam usar um método semelhante ao das ciências da natureza.
O positivismo fica mais compreensível se for esclare-
cido o que é um fato positivo, ou seja, aquele que 
pode ser medido e controlado pela experiência. O 
termo positivo provém do latim positivus, que sig-
nifica: que repousa sobre algo seguro; cuja realidade 
não pode ser posta em dúvida. Um fato positivo é 
algo certo, real, verdadeiro.
Sendo assim, todo conhecimento do mundo material decorre dos 
dados “positivos”, que constituem o objeto de estudo para o sujeito 
cognoscente. Consequentemente, o conhecimento das realidades 
consideradas como não positivas (metafísica, teologia, etc...) é 
menosprezado, pois não é possível de ser verificado na prática. 
O conhecimento será científico se primar pela objetividade, 
promovendo o distanciamento necessário entre o objeto estudado e 
a realidade existencial do sujeito cognoscente (pesquisador).
Jüergen Habermas (1929-) desmascara a aparente “neutralidade” 
das ciências naturais, revelando o “interesse” que orienta o processo 
do conhecimento destas: interesse técnico de dominação da 
natureza. Em contrapartida, defende que o interesse que orienta o 
processo de conhecimento das ciências histórico-hermenêuticas é o 
da comunicação. Entre estas últimas, situamos a Filosofia.
Habermas, contudo, ressalta que ambas as formas de 
conhecimento, geradas pelos respectivos interesses, servem a um 
interesse mais fundamental, o da emancipação da espécie: o 
conhecimento instrumental permite ao ser humano satisfazer 
as suas necessidades, ajudando-o a libertar-se da natureza 
exterior (por meio da produção); o conhecimento comunicativo 
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Introdução à Filosofia
Unidade 2
o impele a emancipar-se de todas as formas de repressão social. 
(HABERMAS, 2003)
O caminho da Filosofia é o da comunicação. Como 
ciência essencialmente humana, visa aproximar 
pessoas, culturas, mentalidades. Ensina a conviver 
com o diferente, ressaltando para tal a importância de 
se ter firmeza quanto aos próprios princípios e visão 
de mundo. Usar a Filosofia para a dominação é desvir-
tuá-la de sua natureza, transformando-a em ideologia, 
visão mascarada e falsa de realidade.
Filosofia é explicação compreensiva da realidade
O sociólogo Max Weber (1864–1920) preocupou-se em 
estabelecer a diferença entre a metodologia das ciências naturais 
(biológicas e exatas) e das ciências sociais (humanas). Segundo 
o autor, a metodologia das ciências sociais deveria levar em 
consideração o fato de que o conhecimento dos fenômenos 
naturais é um conhecimento de algo externo ao próprio homem, 
enquanto o que se procura conhecer nas ciências sociais é a 
própria experiência humana. 
De acordo com esta distinção, entre experiência externa e 
experiência interna, pode-se distinguir uma série de contrastes 
metodológicos entre os dois grupos de ciências. As ciências 
exatas partiriam da observação sensível e seriam experimentais, 
procurando obter dados mensuráveis e regularidades estatísticas 
que conduzissem à formulação de leis de caráter matemático. 
As ciências humanas, ao contrário, dizendo respeito à própria 
experiência humana, seriam introspectivas, utilizando a intuição 
direta dos fatos; e procurariam atingir não generalidades de 
caráter matemático, mas descrições qualitativas de tipos e formas 
fundamentais da vida e do espírito humano. 
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O modo explicativo seria característico das ciências 
naturais, que procuram o relacionamento causal entre 
os fenômenos. A compreensão seria o modo típico 
de proceder das ciências humanas, que não estudam 
fatos que possam ser explicados propriamente, mas 
visam os processos permanentemente vivos da expe-
riência humana e procuram extrair deles seu sentido. 
Os sentidos (ou significados) são dados, segundo Dilthey 
(2011), na própria experiência do investigador, e poderiam ser 
empaticamente apreendidos na experiênciados outros. 
As ciências sociais estudam o mundo da cultura, uma criação 
do espírito humano. Nelas, homem é sujeito e objeto ao mesmo 
tempo. Visam a compreensão: um mergulho empático no espírito 
dos agentes históricos em busca do sentido e de sua ação.
Veja, a seguir, no quadro 2.1, as diferenças entre as ciências 
sociais e as ciências da natureza, segundo Weber (2002).
Tipo de Ciência Objeto Método Objetivo
Ciências da Natureza Natureza Explicação Leis Gerais
Ciências Sociais Sociedade (homem) Compreensão Singularidade dos fenômenos
Seção 4 – A missão do filósofo
O que faz o filósofo em meio a uma sociedade que vê no 
conhecimento a possibilidade de realização pessoal e profissional? 
É o que veremos nesta seção. 
Quadro 2.1 - Ciências Sociais x Ciências da Natureza 
Fonte: Werber, 2002.
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Introdução à Filosofia
Unidade 2
A caverna
Platão (427–347 a.C.) revela em sua obra República o que está 
em jogo na alegoria da caverna: mostra que o conhecimento 
consiste em o ser humano ficar livre das correntes que o 
condenam à ignorância, e desvenda que o problema do 
conhecimento – em última análise – confunde-se com o da 
educação. (PLATÃO, 1989).
O homem deve caminhar desde a opinião até a ciência, 
educando-se gradualmente. No mundo sensível, os homens são 
como escravos presos numa caverna e obrigados a ver, no fundo 
dela, as sombras projetadas por um fogo que arde fora. Tomam 
estas sombras pela realidade, porque não conhecem a realidade 
verdadeira. De fato, trata-se de operar a passagem do mundo 
sensível (ilusão) ao mundo inteligível (conhecimento), e este é um 
doloroso e difícil movimento de alforria.
Desse modo, há uma ilusão constitutiva de nossa primeira 
abordagem do real. As sombras da caverna são essas aparências 
sobre a parede de nossos sentidos. Deformamos o real porque 
o apreendemos espontaneamente através de nossas impressões 
sensíveis, de nossos desejos, nossas paixões, nossos interesses, 
nossos hábitos, em suma, através de tudo aquilo que nos confina 
nesse reino de ilusões em que – impotentes para ver os objetos 
cujas sombras não passam de sombras – ignoramos que o são e as 
tomamos por realidade. Esta impotência está ligada à passividade 
do espírito acostumado desde a infância a receber, sem exame, 
muitas crenças falsas como verdadeiras.
A missão do filósofo
Segundo Platão, a educação consiste, desse modo, em volver o 
homem da consideração do mundo sensível à consideração do 
mundo do ser; e, em conduzi-lo, gradualmente, a avistar o ponto 
mais alto do ser, que é o bem. O bem corresponde, no mundo 
do ser, ao que o sol é no mundo sensível. O sol torna as coisas 
visíveis com a sua luz e as faz nascer, crescer e alimentar-se; assim 
o bem não só torna cognoscíveis as substâncias que constituem o 
mundo inteligível, mas lhes dá ainda o ser de que são dotadas. 
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Conforme Platão, faz parte da educação do filósofo o regresso à 
caverna, que consiste na reconsideração e na reavaliação do mundo 
humano à luz do que se viu fora deste mundo. Regressar à caverna 
significa, para o homem, pôr o que se viu à disposição da comunidade. 
Deverá, pois, reabituar-se à obscuridade da caverna; e, então, 
verá melhor do que os companheiros que ali permaneceram 
e reconhecerá a natureza e os caracteres de cada imagem, por 
ter visto o seu verdadeiro exemplar: a beleza, a justiça e o bem. 
Assim poderá o Estado ser constituído e governado por gente 
desperta, e não por quem sonha e combate entre si por sombras, e 
disputa o poder como se este fosse um grande bem.
Sintetizando, atente que, na alegoria da caverna, Platão resume a 
concepção a respeito do conhecimento, da realidade e da Filosofia. 
Acorrentados no interior de uma caverna e de costas para a 
abertura dela, os prisioneiros só podem ver as sombras do que 
acontece lá fora. Quando um deles consegue se libertar e visualiza 
a realidade externa, a luz ofusca a sua vista e o sol o deslumbra. 
Somente aos poucos, e com dificuldade, ele consegue adaptar-se à 
nova realidade, percebendo que o mundo onde vivera até agora era 
irreal, feito apenas de reflexos e sombras do mundo verdadeiro.
Se ele voltar e tentar convencer os outros de que ainda estão 
acorrentados, corre o risco de ser incompreendido e, mesmo, 
perigo de vida. 
Essa é, no entanto, a missão do filósofo: orientar, auxi-
liar, motivar as pessoas para que possam, por si só, 
tirar as correntes da alienação e favorecer o conheci-
mento sobre a realidade em que estão inseridas. 
Não é um processo fácil e nem rápido, mas deve ser enfrentado, 
sob pena de se ficar apenas vendo as sombras dos fatos que 
acontecem (opiniões), sem entender-lhes o significado real 
(conhecimento, verdade).
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Síntese
Caro aluno, nesta unidade, você estudou que conhecimento 
implica uma posse da realidade e nos torna aptos para a ação 
consciente, característica da atitude filosófica.
Identificou que a ciência e a Filosofia são caminhos para o 
conhecimento e possuem sua validade reconhecida ao longo da 
história do ocidente, uma vez que oferecem possibilidade de 
emancipação da espécie e realização dos projetos humanos.
Também conheceu uma reflexão sobre a missão da Filosofia e do 
filósofo, que implica ajudar a “tirar” as pessoas das sombras, das 
ilusões e da escuridão das cavernas, de ontem e de hoje.
Atividades de autoavaliação
Para praticar os conhecimentos apropriados nesta unidade, realize as 
atividades propostas. O gabarito está disponível no final do livrodidático. 
Mas se esforce para resolver as atividades sem ajuda do gabarito, pois, 
assim, você promoverá a sua aprendizagem.
1) Assinale as alternativas corretas.
Através da alegoria da caverna, Platão quer demonstrar que:
a) o ser humano deve caminhar da opinião à ciência, educando-se 
gradualmente;
b) o conhecimento consiste em ficar livre das correntes que condenam o 
ser humano à ignorância;
c) trata-se de operar a passagem do mundo inteligível ao mundo sensível, 
e este é um doloroso e difícil movimento de alforria;
d) no mundo das ideias (inteligível), os homens são como escravos presos 
numa caverna e obrigados a ver no fundo dela as sombras por um fogo 
que arde fora; e
e) esta alegoria sintetiza também a missão do filósofo: tirar das pessoas as 
correntes da alienação e favorecer o conhecimento sobre a realidade 
em que as pessoas estão inseridas.
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2) Não é possível negar a Filosofia sem fazer Filosofia! Por quê?
3) Por que a Filosofia “procura” ser uma negação do ceticismo e do 
dogmatismo? 
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Introdução à Filosofia
Unidade 2
4) Hoje, é comum ouvirmos afirmações do tipo: “Ciência e Filosofia 
são diferentes”. Por que esta reflexão não aconteceu na Filosofia 
Antiga? Que fatores surgidos na modernidade contribuíram para esta 
diferenciação?
Saiba mais
Para complementar o estudo desta unidade, leia o texto 
que segue. É uma reflexão sobre o homem com os “olhos” 
da Filosofia. Procure observar, na leitura, as diferenças e 
aproximações entre o conhecimento científico e o conhecimento 
filosófico sobre o homem. 
Veja, também, como a ação consciente (ação acompanhada de 
reflexão) é de fundamental importância para a realização da vida. 
Por fim, perceba o quanto o conhecimento filosófico contribui 
para o estabelecimento de relações saudáveis e equilibradas 
do homem consigo mesmo, com o mundo das coisas e com os 
outros. Boa leitura!
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A Vida Humana
A existência humana é radicalmente diferente da vida dos animais. Os 
animais são levados pela vida, segundo simplesmente o movimento 
interno de seu dinamismo biológico.A vida não lhes é problemática, 
pois se encontram, já, sempre, plenamente constituídos em seu 
ser. Não podem ser mais do que já são. O homem pode ser mais 
do que aquilo que recebeu como seu ser, ao nascer. Não nasce 
pronto, realizado. Por isso, precisa assumir a sua vida como tarefa e 
responsabilidade sua. Não lhe basta ir vivendo, simplesmente. Precisa 
assumir o compromisso de ter que ir realizando a sua vida como 
projeto seu. Sua vida é um “ir-se-dando”, como concretização de suas 
capacidades e potencialidades. Isto, porque o homem é um ser “por 
fazer-se”, um ser que é projeto.
Assim, a existência humana é, em primeiro lugar, o encarregar-
me do meu ser, recebido sob minha responsabilidade. É um ir 
desenvolvendo as potencialidades e capacidades e, neste processo, 
construindo a própria vida. Neste sentido, a existência humana é 
uma vontade pessoal, assumida, alimentada, desenvolvida. E quando 
isso não ocorre mais, o homem não vive: vegeta. E é por isso que só 
o homem pode perder a vontade de viver. E mais: por esta razão, há 
vidas qualitativamente diferentes: umas vividas mais intensamente; 
outras, menos. 
Em segundo lugar, viver é projetar-se para o futuro. É lutar, preparar, 
construir um futuro. É propor-se ideais, objetivos, metas e ir em 
busca de sua realização, de sua concretização. E, neste movimento, 
ir constituindo a própria vida. O homem é o que ele vai fazendo de 
si mesmo, de sua vida. E ele sempre pode ser mais, nunca esgota 
plenamente as possibilidades de realização de sua vida.
Sujeito de realizações, o homem é um ser no mundo. Vive no mundo. 
Precisa do mundo para realizar sua vida, para caracterizar o que 
projeta ser. Isto é, o homem sempre se encontra numa determinada 
circunstância, num contexto determinado, que é o seu mundo, no 
qual e a partir do qual vai realizando-se e construindo sua vida. Com 
efeito, ao nascer, o homem é dado num mundo e submetido as suas 
leis. Ao mesmo tempo, e ao longo de sua existência, vai enfrentando 
os obstáculos e desafios que o mundo lhe apresenta. E, nesta 
atividade de enfrentamento e superação dos desafios que o contexto 
em que vive lhe apresenta, vai construindo sua própria vida. E mais: 
vai criando um mundo propriamente humano – o mundo cultural – 
segundo seu modo de ser.
No mundo, o homem compreende-se como distinto do mundo. 
Diferente dos animais, que nele vivem totalmente imersos e 
submetidos às suas leis, o homem vive no mundo e com o mundo. 
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Introdução à Filosofia
Unidade 2
Vive situado face ao mundo. É um ser consciente. Isto é, é o único ser 
capaz de compreender o mundo e de compreender-se a si mesmo. 
É capaz de dizer o que as coisas são e qual o significado da sua vida. 
É capaz de compreender o contexto em que vive e, a partir disso, 
escolher o que quer ser, como deve agir, como vai realizar a sua vida. 
E, por isso, pode assumir com responsabilidade sua vida como tarefa e 
projeto seu.
Como ser consciente, o homem, e somente ele, é capaz de tomar 
distância frente ao mundo e de tomá-lo como objeto de sua 
compreensão; a partir disso, é capaz de agir conscientemente sobre 
o mundo e transformá-lo de acordo com essa compreensão. E neste 
processo, que é a própria vida humana entendida como práxis, 
o homem vai atualizando suas potencialidades e capacidades, 
e constituindo a sua vida. A práxis, unidade indissolúvel entre 
ação e reflexão, é a atualidade e manifestação do ser do homem. 
Com efeito, é pela práxis que o homem vai desenvolvendo suas 
potencialidades e realizando sua vida como um projeto. E, neste 
sentido, a práxis é simplesmente estar sendo homem.Por outro lado, 
a vida humana compreendida como práxis manifesta que o homem 
é constitutivamente um ser de relações. Relações que constituem 
sua própria vida, aquilo que ele é. Por exemplo: alguém só é pai na 
medida em que está em relação com (ao ter) um filho. Sem filho, 
ninguém pode ser pai. E a relação é de paternidade, que constitui 
alguém como pai. Daí a relação constituir o homem naquilo que ele é. 
E o homem vai realizando sua vida à medida que estabelece relações.
Há, fundamentalmente, dois níveis distintos de relações: a relação do 
homem com o mundo das coisas (natureza) e a relação do homem 
com os outros. E, nesta medida, relação do homem consigo mesmo.
A relação do homem com as coisas se caracteriza por ser uma relação 
de manipulação, de utilização e apropriação. Isto é, as coisas são úteis, 
utensílios com os quais o homem conta para ir construindo a sua vida. 
Com efeito, o homem é um ser de necessidades, um ser de carências. 
A necessidade, a carência é a falta do necessário para a vida (casa, 
alimento, roupa...). Assim, o homem abre-se ao mundo, desejando 
aquilo de que necessita. Quando obtém, reproduz sua vida e vai 
realizando-a. Assim, as coisas são objetos de uso, úteis, que permitem 
ao homem, através de sua apropriação pela práxis cotidiana, ir 
realizando sua vida. Porém, nem tudo que o homem necessita, 
encontra-se imediatamente ao alcance da mão. Neste caso, a coisa útil 
precisa ser produzida, através do trabalho, o necessário (produto do 
seu trabalho) para ir vivendo. Assim, o trabalho, relação fundamental 
do homem com a natureza, é a atividade humana que produz (põe 
a existência) a coisa útil (produto) de que o homem necessita para ir 
realizando a sua vida.
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Porém, mais fundamental que a relação do homem com o mundo das 
coisas, e absolutamente primeira, é a relação do homem com o outro. 
Essa relação é o ato pelo qual o sujeito humano se dirige diretamente 
a outra pessoa (aperto de mão, beijo, agressão...), ou indiretamente, 
por mediação do mundo das coisas. O específico desta relação é ser 
uma relação de alguém com alguém, e não uma relação de alguém 
com algo. O outro, como alguém com quem se está em relação, não 
é coisa, instrumento; por isso, não pode ser manipulado, coisificado, 
instrumentalizado. É uma pessoa que exige ser reconhecida. 
É apelo constante ao diálogo, à convivência, à comum-união. Isto 
exige uma atitude de respeito (deixar o outro ser ele mesmo), saber 
ouvir, ter confiança (fé no outro), atitude serviçal. Só assim é possível 
a vida em comum-unidade. E o homem pode realizar sua vida em 
comunhão, com o outro.
Fonte: GAMBIN, Pedro. A vida humana Revista Mundo Jovem, Porto 
Alegre, Abril de 1997.
Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade, você poderá 
pesquisar o seguinte livro:
PRADO, Jr. Caio. O que é Filosofia. [Coleção Primeiros Passos] 
São Paulo: Editora Brasiliense. 2007. (Sinopse: Qual a natureza, 
o objeto e o valor da investigação filosófica? A Filosofia é apenas 
uma citação literária ou uma modalidade de conhecimento? 
Qual a relação entre conhecimento científico e conhecimento 
filosófico? A Filosofia enquanto conhecimento do conhecimento. 
A Filosofia segundo os próprios filósofos: dos antigos gregos até 
Hegel e Marx). 
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3UNIDADE 3Filosofia e história: períodos e características
Objetivos de aprendizagem
 � Compreender a relação entre Filosofia e História.
 � Compreender a importância do conhecimento da 
História e da História da Filosofia.
 � Identificar as características dos diferentes períodos da 
história do pensamento.
 � Relacionar o surgimento dos filósofos com eventos 
históricos.
 � Identificar características e “evolução” da sociedade 
ocidental.
Seções de estudo
Seção 1 Filosofia e história
Seção 2 A Filosofia Antiga e Medieval
Seção 3 A Filosofia Moderna
Seção 4 A Filosofia do século XX
Seção 5 A racionalidade ocidental
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Nesta unidade, vamos conversar sobre a relação entre Filosofia 
e história, confrontando pensamentos e fatos que marcaram 
o desenvolvimento da mentalidade do homem ocidental. 
Percorreremosos períodos da história da Filosofia com o objetivo 
de despertar a sua curiosidade e lhe alimentar a vontade de 
estudar Filosofia.
Seção 1 - Filosofia e história
Nesta seção, veremos a relação entre a Filosofia e a História; o 
pensamento que pensa o tempo, a cultura, os acontecimentos, 
procurando encontrar um sentido para eles, ora interpretando, 
ora direcionando os fatos. Há uma relação umbilical entre estas 
duas instâncias da existência humana.
O pensamento ocidental
Estudar Filosofia é estudar o desenvolvimento do pensamento 
ocidental. Acompanhar o homem ocidental no desenvolvimento 
da sua racionalidade, ao desdobrar-se sobre si mesmo e sobre o seu 
mundo. Porém, embora este desenvolvimento constitua a espinha 
dorsal do estudo da Filosofia, cabe ressaltar que o aprendizado da 
Filosofia não se limita ao estudo da história da Filosofia. 
Ao longo do curso, você conhecerá uma quantidade 
impressionante de autores e de teorias, muitas das 
quais com a pretensão de estabelecer um juízo 
definitivo sobre os mais variados temas. A atividade 
filosófica não tem compromisso com certezas 
definitivas. Em muitos momentos da história do 
ocidente, esta pretensa certeza representou a morte 
da Filosofia, o seu silêncio ou submissão. 
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Introdução à Filosofia
Unidade 3
O estudo da história procura elucidar os fatos no emaranhado de 
interesses e sentidos que os compõem, na tentativa de encontrar 
a verdade dos fatos. A Filosofia, por sua vez, em vez de certezas, 
nos dá inquietações.
Ao estudar a história da Filosofia, o ser cognoscente pensa o 
pensado e assim o faz até aprender a pensar por si mesmo. Esta 
é a ambição da Filosofia: possibilitar ao ser humano o exercício 
pleno da racionalidade, o pensar por si mesmo.
Estudar a história da Filosofia é dialogar com o 
pensamento dos filósofos, com a realidade do 
mundo, com as inquietudes do “eu”. Partilhar com o 
passado nossas alegrias, angústias e perplexidades. 
Aprender com o passado e contra ele, numa relação 
dialética que promove o desenvolvimento das ideias 
e concepções, aquelas mesmas que dão sentido ao 
mundo humano. 
Mergulhar na história do pensamento é entrar num tempo não 
cronológico. Um tempo de busca, tempo conduzido pela vontade de 
conhecer a verdade deste mundo e a natureza das coisas.
A História e a Filosofia
Não estudamos a história da Filosofia para repetir o que foi pensado 
e dito, reproduzir respostas que, longe do contexto existencial em 
que foram produzidas, apresentam-se anacrônicas. É mais do que 
isso: é ter a coragem de formular explicações novas, muitas vezes 
para os mesmos problemas, e submetê-las à crítica e desenvolvimento 
de outros que se dedicarem a esta tarefa. Feito isso, colocamos a 
nossa racionalidade a serviço desse grande mutirão de ideias que faz 
a caminhada da humanidade.
O pensamento filosófico é filho do tempo. A Filosofia 
é sempre a filosofia de uma época, de determinado 
contexto histórico-social. O filósofo pensa o seu tempo 
na ambição de ultrapassá-lo, vencê-lo, conduzi-lo.
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Mas a história da humanidade não começou com a Filosofia. A 
Filosofia é um ponto de chegada à racionalidade, antecedida por 
acontecimentos significativos. Reproduzimos aqui uma linha do 
tempo com os principais fatos que marcaram a humanidade até o 
surgimento da Filosofia na Grécia.
Veja, na linha do tempo, os principais fatos da história do período:
3400 – Primeiro sistema escrito, pelos sumérios, no sul da 
Mesopotâmia (região entre os rios Tigre e Eufrates, no Oriente 
Médio).
2700 – Início da construção de pirâmides no Egito.
2500 – Comércio marítimo entre Egito e Biblos (atual Líbano). 
Surgimento das primeiras cidades na China.
1500 – Expansão do Império Egípcio até o Oriente Médio. Início 
do uso de metal e cobre no Peru. População mundial estimada 
em 28 milhões.
1200 – Decadência do império egípcio. Surgimento da civilização 
olmeca no México. 
1000 – Fenícios desenvolvem o comércio marítimo, no 
Mediterrâneo oriental. David torna-se rei de Israel, com 
Jerusalém como capital. População mundial estimada em 70 
milhões.
930 – Primeiros textos hebraicos (salmos, eclesiastes). Primeira 
versão do épico hindu Mahabharata.
850 – Surgimento dos poemas épicos Ilíada e Odisséia, atribuídos 
a Homero.
814 – Data legendária da fundação da cidade de Cartago pelos 
fenícios. 
776 – Primeiros jogos olímpicos. 
753 – Legendária fundação de Roma.
Fonte: Uol Bibliteca, [200-?].
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Introdução à Filosofia
Unidade 3
Seção 2 - A Filosofia Antiga e Medieval
A Filosofia surgiu na Grécia Antiga, com o propósito de libertar 
o pensamento de suas bases míticas, para dar à vida explicações 
diferentes daquelas que dependiam de deuses e superstições. Era 
uma atividade dos homens sábios (philos = amigo ou amante; 
sophia = sabedoria), que se punham a pensar sobre conceitos 
estabelecidos, buscando novos entendimentos.
Academicamente, a Filosofia é dividida em:
 � Antiga;
 � Medieval;
 � Moderna; e
 � Contemporânea.
A Filosofia Antiga
A Filosofia Antiga compreende o período que vai do século VI 
a.C. até o século II d.C. 
Tem início com os pré-socráticos, que são os filósofos anteriores 
a Sócrates e que viveram na Grécia por volta do século VI a.C., 
sendo considerados os criadores da Filosofia Ocidental. Essa 
fase, que corresponde à época de formação da civilização grega, 
caracteriza-se pela preocupação com a natureza e o cosmos. 
Ela inaugura uma mentalidade baseada na razão, e não mais no 
sobrenatural ou na tradição mítica.
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Os pré-socráticos também são chamados de filósofos 
da natureza (physis). A palavra grega phisis, como 
explica Abrão (1999, p. 24), pode ser traduzida 
por natureza. Mas seu significado é mais amplo. 
Refere-se também à realidade, não aquela, pronta 
e acabada, mas a que se encontra em movimento 
e transformação, a que nasce e se desenvolve. 
Neste sentido, a palavra significa gênese, origem, 
manifestação. 
Saber o que é a phisis, assim, levanta a questão da 
origem de todas as coisas que constituem a realidade, 
que se manifestam no movimento; e procura saber se 
há um princípio único (arké) que dirige e ordena todas 
as coisas no mundo. Com estes tema ocupam-se os 
primeiros filósofos. 
Tales de Mileto diz que tudo é água! A água é o elemento 
primordial de tudo que existe. Anaximandro de Mileto diz que o 
apeíron, um tipo de matéria a partir da qual tudo o mais é feito, é o 
princípio único de todas as coisas. Anaxímenes de Mileto diz que 
o ar é o elemento originante de todas as coisas. Pitágoras de Samos 
afirma que o número é o princípio de todas as coisas e que todo o 
universo é regido por leis matemáticas. Heráclito de Éfeso afirma 
que todas as coisas estão em movimento e são originadas por ele. 
Um grupo de narradores e pensadores de diversas partes da 
Grécia, sobretudo de Atenas, contribuiu para a reflexão filosófica 
na antiguidade: os Sofistas. Estes livres pensadores exerciam o 
ensino de forma profissional e remunerada. Na maioria, eram 
professores itinerantes, que encaminhavam os jovens na vida 
pública e gozavam de grande prestígio social. Os sofistas são 
todos estrangeiros. Excluídos da condição de cidadãos, não se 
interessam pelos destinos da cidade. 
Assim, não se preocupam com o que uma argumentação possa 
ter de justo ou injusto, moral ou imoral. Basta-lhes que seus 
discípulos aprendam a falar (não importa o que, desde que falem 
bem, de modo convincente) e que os remunerem pelo ensino. 
Eram criticados pelos filósofos clássicos e acusados de relativismo 
moral. Entre os principais representantes estão Protágoras, 
Górgias e Hípias.
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Introdução à Filosofia
Unidade 3
Sócrates,Platão, Aristóteles são os principais 
representantes da época áurea da Filosofia Antiga, 
também chamada de Filosofia Clássica.
“Sócrates fez a Filosofia descer dos céus à Terra”, é o que dizia 
Cícero. Antes, os filósofos buscavam obsessivamente uma 
explicação para o mundo natural. Para Sócrates, no entanto, a 
especulação filosófica deveria se voltar para o homem e tudo o 
que fosse humano, como a ética e a política. Dizia que a Filosofia 
não era possível enquanto o indivíduo não se voltasse para si 
próprio e reconhecesse suas limitações. “Conhece-te a ti mesmo”, 
era seu lema.
Para Platão, o sentido da Filosofia – o amor da sabedoria – é o 
de conduzir o homem do mundo das aparências ao mundo da 
realidade, ou da contemplação das sombras à visão das ideias, 
imutáveis e eternas, iluminadas pela ideia suprema do bem (cf. 
alegoria da caverna). 
Aristóteles aperfeiçoa e sistematiza as descobertas de Platão 
e Sócrates. Desenvolve a lógica dedutiva clássica, que postula 
o encadeamento das proposições e das ligações dos conceitos 
mais gerais para os menos gerais. A lógica, segundo ele, é um 
instrumento para atingir o conhecimento científico, ou seja, 
aquilo que é metódico e sistemático.
Se, com Platão, a Filosofia já havia alcançado 
extraordinário nível conceitual, pode-se afirmar que 
Aristóteles – pelo rigor de sua metodologia, pela 
amplitude dos campos em que atuou e por seu 
empenho em considerar todas as manifestações do 
conhecimento humano como ramos de um mesmo 
tronco – foi o primeiro pesquisador científico no 
sentido atual do termo.
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Veja, na linha do tempo, os principais filósofos da história 
neste período.
640 – 548 a.C. – Tales de Mileto
610 – 547 a.C. – Anaximandro588 – 524 a.C. – Anaxímenes
570 – 490 a.C. – Pitágoras
540 – 470 a.C. – Heráclito
530 – 460 a.C.– Parmênides
504 – ?a.C. – Zenão de Eléia
499 – 428 a.C. – Anaxágoras
490 – 435 a.C. – Empédocles
485 – 380 a.C. – Górgias
481 – 411 a.C. – Protágoras
475 – ? a.C. – Leucipo
470 – 399 a.C. – Sócrates
460 – 370 a.C. – Demócrito
444 – 365 a.C. – Antístenes
427 – 348 a.C. – Platão
400 – ? a.C. – Diógenes
384 – 322 a.C. – Aristóteles
365 – 275 a.C. – Pirro
341 – 270 a.C. – Epicuro
334 – 262 a.C. – Zenão de Cicio
331 – 232 a.C. – Cleantes
281 – 205 a.C. – Crísipo
180 – 110 a.C. – Panécio
98 – 55 a.C. – Lucrécio
106 – 43 a.C. – Cícero
4 a.C. – 65 d.C. – Sêneca
50 – 125 – Epicteto
121 – 180 – Marco Aurélio
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Introdução à Filosofia
Unidade 3
150 – 215 – Clemente de Alexandria
185 – 254 – Orígenes
205 – 270 – Plotino
232 – 305 – Porfírio
Fonte: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo ([200-?]). 
594 a.C. – Sólon começa as reformas da lei ateniense.
586 a.C. – Nabucodonosor 2° invade Jerusalém; israelitas são 
levados para o cativeiro da Babilônia. Gregos colonizam a 
Espanha.
539 a.C. – Israelitas retornam do cativeiro da Babilônia.
509 a.C. – Proclamação da República Romana. Império persa 
atinge a Índia. Pregação de Sidarta Gautama (Buda).
508 a.C. – Clístenes proclama a constituição democrática 
ateninense.
499 a.C. – Tales dá início à Filosofia Grega.
490 a.C. – Pensamento de Confúcio começa a se propagar na 
China.
472 a.C. – Atenas lidera a Liga de Delos.
443 a.C. – Péricles passa a governar Atenas. Heródoto escreve 
História. Invenção do calendário solar na China.
431 a.C. – Início da Guerra do Peloponeso (Atenas e Esparta). 
Demócrito cria a teoria atômica.
405 a.C. – Fim da Guerra do Peloponeso, com a vitória de Esparta.
399 a.C. – Sócrates é condenado à morte, em Atenas.
371 a.C. – Tebas derrota Esparta e domina a Grécia. Roma 
domina o Lácio, construindo estradas e aquedutos. Hipócrates 
desenvolve a medicina.
Veja, na linha do tempo, os principais fatos da história neste 
período.
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Universidade do Sul de Santa Catarina
334 a.C. – Alexandre torna-se senhor do império persa; seus 
domínios se estendem até a Índia.
323 a.C. – Morte de Alexandre e desintegração do seu império.
284 a.C. – Inauguração da Biblioteca de Alexandria (norte do 
Egito), com 100 mil volumes. 
280 a.C. – Surgimento da cultura maia na Guatemala.
264 a.C. – Início das Guerras Púnicas, entre Roma e Cartago.
210 a.C. – Começa a construção da Grande Muralha da China.
146 a.C. – Fim das Guerras Púnicas e consolidação de Roma sobre 
o Mediterrâneo ocidental. Budismo se espalha pelo sudeste 
asiático.
133 a.C. - Caio e Tibério Graco iniciam reformas em Roma.
73 a.C. – Spartacus lidera revolta de escravos contra Roma.
63 a.C. – Liderados por Pompeu, romanos dominam a Síria e a 
Palestina.
45 a.C. – César torna-se ditador romano.
44 a.C. – César é assassinado.
27 a.C. – Otaviano aceita o título de Augusto, marcando o início 
do Império Romano.
19 a.C. – Romanos conquistam a Península Ibérica e criam três 
províncias, entre elas a Lusitânia, atual Portugal.
6 a.C. – Nasce Jesus de Nazaré.
1 – Começa a era depois de Cristo. População mundial chega a 
aproximadamente 170 milhões.
14 – Morte de Augusto. Tibério torna-se imperador, ficando no 
poder até 37. Ovídio escreve Metamorfose.
27 – Jesus é batizado e começa a sua pregação.
30 – Jesus é crucificado.
37 – Calígula torna-se imperador.
54 – Império Romano sob Nero.
64 – Cristãos são acusados e martirizados pelo incêndio de 
Roma.
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Introdução à Filosofia
Unidade 3
70 – Início da diáspora judaica após destruição do templo em 
Jerusalém. Surge o primeiro evangelho (S. Mateus).
75 – Começa a construção do Coliseu Romano. Provável data da 
invenção, na China, do papel.
79 – Erupção do vulcão Vesúvio destrói a cidade de Pompéia, na 
Itália.
98 – Auge da expansão territorial romana. Cristianismo também 
se espalha.
100 – População mundial: 180 milhões.
132 – Surgimento da cultura Teotihuacán, no México.
200 – População mundial: 190 milhões.
212 – Cidadania é estendida a todos os homens livres do Império 
Romano.
Fonte: Uol Biblioteca, [200-?].
A Filosofia Medieval
A Filosofia Medieval compreende o período que vai do século II 
d.C. até XV d.C. 
Este período da história do pensamento ocidental é marcado pelo 
encontro da Filosofia com o cristianismo. Um encontro marcado 
por tensões entre a fé e a razão, que se iniciou no Império Romano 
e prolongou-se por toda a Idade Média, determinando a forma que 
a Filosofia assumiu por mais de um milênio. A Filosofia tornou-se 
cristã, e a fé cristã assimilou procedimentos racionais. 
A Patrística
A Patrística é assim chamada por ser a Filosofia dos padres da 
Igreja Católica, nos primeiros séculos do cristianismo. Tem como 
objetivo desenvolver um pensamento que acomode o cristianismo e 
a tradição filosófica, a fé e a razão, procura conciliar as verdades da 
revelação bíblica com a Filosofia Grega (razão). 
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Universidade do Sul de Santa Catarina
O conteúdo do Evangelho, no qual se apoiava a fé cristã nos 
primórdios do cristianismo, era um saber de salvação, revelado, não 
sustentado por uma filosofia. O objetivo era claro: somente com tal 
conciliação seria possível converter os pagãos para a nova religião.
Na impossibilidade de fazerem valer suas idéias racionalmente, 
os padres da Igreja apresentam um novo argumento: o dogma, 
ou seja, verdades reveladas por Deus e, portanto, irrefutáveis e 
inquestionáveis. Com isso surge uma distinção entre verdades 
reveladas e verdades da razão humana. Nesse sentido, o grande 
tema da Filosofia Patrística é da possibilidade ou impossibilidade 
de conciliar fé e razão.
Dentre os chamados santos padres, Santo 
Agostinho (354-430) é quem leva mais longe a 
conciliação entre a fé e a razão: elabora a “Filosofia 
Cristã”, como ele a chamaria.(AGOSTINHO,2002).
A Escolástica
Quando desapareceu o poder do Império Romanodo Ocidente, a 
Igreja arrogou-se a supremacia universal. O papa foi reconhecido 
como a autoridade máxima, a quem deviam submeter-se os 
poderes temporais. Assim, a hierarquia eclesiástica de Roma 
representou o fator aglutinante das monarquias ocidentais. A 
progressiva conversão dos bárbaros ao cristianismo fez da Igreja a 
instituição mais importante da Idade Média. 
As exigências que se apresentavam aos filósofos cristãos já não 
eram as mesmas, pois o pressuposto de que partiam não era o 
paganismo, mas o próprio cristianismo. A Filosofia, assim, deixou 
de ser apologética e tornou-se docente, magistral ou escolástica.
A escolástica pode ser conceituada como o ensino 
teológico-filosófico da doutrina aristotélico-tomista 
ministrado nas escolas de conventos e catedrais e 
também nas universidades européias da Idade Média 
e do Renascimento. O desenvolvimento da escolástica 
vale-se, além da Igreja e de sua imposição da unificação 
da fé cristã, do emprego do latim, tornado universal. 
Apologética significa um 
discurso ou escrito que defende, 
justifica, elogia uma pessoa ou 
coisa.A Filosofia Patrística era 
apologética, pois usava a razão 
para defender a fé cristã em meio 
a um mundo cultural que lhe era 
desfavorável. O que não é mais 
necessário na Idade Média, com 
o predomínio da cristandade. 
Outros exemplos do uso do termo 
apologia: Apologia de Sócrates; 
apologia ao crime; apologia às 
drogas.
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Introdução à Filosofia
Unidade 3
Tomás de Aquino (1225-1274) é o grande nome da Filosofia 
Medieval. Um trabalhador incansável e de espírito metódico, que 
se empenhou em ordenar o saber teológico e moral acumulado 
na Idade Média. Ele não partiu de Deus para explicar o mundo, 
mas, sobre a experiência sensorial, empregou o conhecimento 
racional para demonstrar a existência do Criador. As “cinco vias” 
são cinco argumentos que provariam a existência de Deus a partir 
dos efeitos por ele produzidos, e não da ideia de Deus. Veja a 
figura 3.1.
Veja, na linha do tempo, os principais filósofos deste período.
Figura 3.1 – São Tomás de Aquino 
Fonte: Skoob (2010).
354 – 430 – Santo Agostinho
480 – 524 – Boécio
980 – 1037 – Avicena
1079 – 1142 – Abelardo
1126 – 1198 – Averróis
1200 – 1280 – Santo Alberto
1214 – 1292 – Roger Bacon
1227 – 1274 – Santo Tomás de Aquino
1265 – 1308 – Duns Scotus
1300 – 1349 – Guilherme de Ockham
Fonte: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo ([200-?]) 
Veja na linha do tempo os principais fatos da história neste período.
235 – Começo do declínio do Império Romano.
284 – Princípio da civilização Maia clássica.
300 – População mundial em torno de 190 milhões.
306 – Constantino torna-se imperador romano.
313 – Edito de Milão legaliza o Cristianismo no Império Romano.
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Universidade do Sul de Santa Catarina
320 – Início do Império Gupta na Índia.
324 – Bizâncio é reconstruída por Constantino.
326 – Constantino declara domingo como dia sagrado para os 
cristãos.
330 – Renomeada de Constantinopla, Bizâncio torna-se capital 
do Império Romano. 
378 – Visigodos derrotam o exército romano.
391 – Teodósio proíbe os cultos pagãos.
395 – O Império Romano é dividido em dois, Ocidental e 
Oriental.
400 – Agostinho publica Confissões. População mundial em 
torno de 190 milhões.
410 – Visigodos saqueiam Roma.
434 – Átila torna-se o rei dos Hunos.
476 – Deposição de Rômulo marca o fim do Império Romano. 
Começa a Idade Média.
496 – Clóvis, rei dos francos, dá inicio ao reino Merovíngio.
500 – Os bretões, sob a liderança do legendário rei Artur, 
derrotam os saxões, retardando o avanço destes sobre a 
Bretanha. População mundial em torno de 195 milhões.
525 – Budismo, agora misturado ao taoísmo, alcança grande 
popularidade na China.
527 – Justiniano, imperador bizantino, tenta restaurar a parte 
ocidental do Império Romano.
550 – Ataque huno encerra Império Gupta, na Índia.
570 – Nascimento de Maomé (Muhammad).
600 – População mundial: aproximadamente 200 milhões.
607 – Unificação do Tibete, que se torna o centro da religião 
budista.
622 – Auge do Império Maia, no México.
632 – Maomé morre.
637 – Jerusalém é conquistada por tropas muçulmanas.
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Introdução à Filosofia
Unidade 3
641 – Biblioteca da Alexandria é destruída pelos árabes.
680 – Divisões internas no Islamismo criam os xiitas e os sunitas.
700 – População mundial estimada em cerca de 210 milhões. Data 
aproximada em que os chineses inventaram a pólvora.
711 – Árabes mulçumanos ocupam a Espanha.
751 – Pepino III encerra a dinastia Merovíngia e inicia a 
Carolíngia. Córdoba torna-se o centro da cultura muçulmana na 
Espanha.
768 – Carlos Magno torna-se rei dos francos.
800 – Carlos Magno é coroado em Roma pelo papa Leão III. 
População mundial: 220 milhões.
827 – Árabes conquistam Sicília e Creta, derrotando os 
bizantinos.
833 – Criação de um observatório em Bagdá.
885 – Paris é cercada pelos vikings.
896 – Declínio da civilização Maia e ascensão da cultura tolteca.
900 – População mundial: 240 milhões.
907 – Fim da dinastia Tang na China leva à dissolução do império.
925 – Pedra passa a ser usada no lugar de madeira em 
construções na Europa Ocidental.
936 – Budismo se espalha na Coréia.
960 – Início da dinastia Sung na China.
986 – Vikings estabelecem colônias na Groenlândia.
1000 – População mundial: 265 milhões.
1016 – Auge do Império Bizantino.
1054 – Cisma da Igreja Católica (Romana e Ortodoxa).
1090 – Relógio mecânico movido à água é inventado na China.
1095 – Papa Urbano II convoca cruzada para reconquistar 
lugares sagrados.
1099 – Cruzados conquistam Jerusalém. Auge do sistema feudal 
na Europa.
1100 – População mundial: 270 milhões.
Introducao a Filosofia.indb 79 15/12/11 13:46
80
Universidade do Sul de Santa Catarina
1138 – Princípios da arquitetura gótica.
1150 – Templo Khmer, Angkor Wat, é erguido no Camboja. 
Declínio dos toltecas no México.
1166 – Astecas entram no México.
1167 – Fundação da Universidade de Oxford, na Inglaterra.
1170 – Fundação da Universidade de Paris. Começa a música 
polifônica.
1193 – Budismo Zen no Japão. 
1200 – Civilização Inca (Cuzco) se desenvolve.
1209 – Fundação da Universidade de Cambridge. Criação da 
ordem franciscana.
1213 – Genghis Khan dá início ao Império Mongol.
1215 – Religião muçulmana chega ao sudeste asiático e à África.
1235 – Início do Império Mali na África Ocidental.
1236 – Reino de Castela conquista Córdoba.
1261 – Bizâncio reconquista Constantinopla.
1271 – Marco Polo dá início à viagem a China.
1300 – Surgimento de novo Império Maia em Yucatán. 
População mundial: 360 milhões.
1307 – Início do reino do Benin no sul da Nigéria (África 
Ocidental).
1309 – Dante começa a escrever A Divina Comédia.
1337 – Começa a Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra.
1347 – Peste Negra chega à Europa.
1353 – Turcos otomanos invadem a Europa.
1368 – Fundação da dinastia Ming na China.
1400 – População mundial: 350 milhões. Balé começa nas cortes 
renascentistas italianas.
1405 – Mongol Tamerlane conclui a conquista da Pérsia, Síria e 
Egito.
1410 – Início da pintura a óleo.
Introducao a Filosofia.indb 80 15/12/11 13:46
81
Introdução à Filosofia
Unidade 3
1413 – Início das viagens marítimas portuguesas.
1420 – Portugueses descobrem a ilha da Madeira.
1431 – Joana d’Arc é queimada na França.
1432 – Portugal chega ao arquipélago de Açores.
1440 – Começa a ser escrito As Mil e Uma Noites, em árabe.
1453 – Turcos otomanos conquistam Constantinopla, marcando 
o fim da Idade Média. Termina a Guerra dos Cem Anos e começa, 
na Inglaterra, a Guerra das Rosas.
1455 – Impressão da Bíblia de Gutenberg.
1469 – Fernando de Aragão e Isabel de Castela se casam, 
começando o processo de unificação da Espanha.
1478 – Começa a Inquisição Espanhola.
1492 – Árabes e judeus expulsos da Espanha. CristóvãoColombo 
chega à América.
1494 – Portugal e Espanha assinam o Tratado de Tordesilhas.
1498 – Vasco da Gama atravessa o Cabo da Boa Esperança, na 
atual África do Sul.
1500 – População mundial: 400 milhões (demografia). Cabral 
chega ao Brasil.
Fonte: Oxford Encyclopedia of World History, 1999.
Seção 3 - A Filosofia Moderna
A Filosofia Moderna compreende o período que vai do século 
XVII a.C. ao XIX d.C. 
O Renascimento
A escolástica chegou ao seu limite. A desagregação da 
cristandade, com a reforma protestante e o renascimento cultural, 
trouxe novas questões. A desintegração da estruturas feudais, 
as grandes descobertas da ciência e a ascensão da burguesia 
assinalam a emergência do Renascimento. 
Introducao a Filosofia.indb 81 15/12/11 13:46
82
Universidade do Sul de Santa Catarina
1401 – 1464 – Cusa, Nicolau de
1466 – 1536 – Erasmo, Desidério
1469 – 1527 – Maquiavel, Nicolau
1483 – 1546 – Lutero, Martin
1490 – 1525 – Müntzer, Tomás
1509 – 1564 – Calvino, João
1530 – 1596 – Bodin, Jean
1533 – 1592 – Montaigne, Michel Eyquem de
1548 – 1593 – Giordano, Bruno
1557 – 1638 – Althusius, Johannes
Fonte: Oxford Encyclopedia of World History, 1999.
Em contraste com a Filosofia Medieval, dogmática e submissa à 
Igreja, a Filosofia Moderna é profana e crítica, representada por 
leigos que procuram pensar de acordo com as leis da razão e do 
conhecimento científico. O resultado é a ruptura dos vínculos com 
a teologia e um crescente processo de secularização da Filosofia.
Veja, na linha do tempo, os filósofos deste período.
Veja na linha do tempo os principais fatos da história neste 
período.
1503 – Leonardo da Vinci pinta Mona Lisa. Franceses chegam às 
costas brasileiras.
1508/12 – Michelângelo pinta a Capela Sistina.
1509 – O relógio é inventado em Nuremberg, na atual Alemanha.
1517 – Começo da Reforma Religiosa na Alemanha.
1519 – Magellan cruza o Oceano Pacífico.
1521 – Hernán Cortés conquista os astecas, no México.
Introducao a Filosofia.indb 82 15/12/11 13:46
83
Introdução à Filosofia
Unidade 3
1531 – Expedição Martim Afonso de Souza marca o início da 
colonização.
1532 – Fundação de São Vicente, primeira vila brasileira.
1533 – Francisco Pizarro derrota o Império Inca, no Peru.
1534 – Fundação da Ordem dos Jesuítas. Criação das quatorze 
capitanias hereditárias no Brasil, por D. João III.
1538 – Primeiros escravos africanos chegam ao Brasil.
1542 – Portugueses aportam no Japão.
1543 – Nicolau Copérnico conclui a obra De Revolutionibus 
Orbium.
1545 – Começa o Concílio de Trento.
1549 – Chega ao Brasil o primeiro Governador-Geral, Tomé de 
Souza. Fundação de Salvador.
1551 – Fundação da Universidade de Lima, a primeira na 
América.
1554 – Fundação de São Paulo.
1557 – Portugueses fundam Macau, na China.
1565 – Fundação do Rio de Janeiro.
1570 – D. Sebastião concede liberdade aos índios.
1572 – Camões publica o clássico Os Lusíadas.
1580 – Espanha ocupa Portugal (união das coroas ibéricas).
1583 – Invenção do microscópio e do termômetro.
1594 – William Shakespeare escreve Romeu e Julieta.
Fonte: Oxford Encyclopedia of World History, 1999.
O Racionalismo
Este período tem como principal característica uma crescente 
confiança na capacidade do intelecto humano e o surgimento de 
uma série de sistemas fundados na convicção de que a razão constitui 
o instrumento fundamental para a compreensão do mundo. Esta 
era a ideia central comum ao conjunto de doutrinas conhecidas 
tradicionalmente como Racionalismo, e cuja primeira manifestação 
Introducao a Filosofia.indb 83 15/12/11 13:46
84
Universidade do Sul de Santa Catarina
aparece na obra de René Descartes (1596-1650). Dá-se a descoberta 
da subjetividade: “Penso, logo existo!”. O conhecimento do mundo 
não se faz sem o sujeito, deslocando o foco do objeto para o sujeito 
capaz de conhecer; da realidade para a razão.
O Empirismo
Em oposição à crença racionalista, que se baseia, em grande 
medida, na razão, surge o empirismo, doutrina que reconhece a 
experiência como fonte válida de conhecimento. O empirismo 
deu início a uma nova e transcendental etapa na história 
da Filosofia, tornando possível o surgimento da moderna 
metodologia científica. O que o caracteriza e define é a afirmação 
de que a validade das proposições depende exclusivamente da 
experiência sensível. Nega qualquer outra espécie de realidade 
além da que se atinge pelos sentidos. Entre os principais 
representantes estão John Locke (LOCKE, 1999), Thomas 
Hobbes, George Berkeley, David Hume, Stuart Mill, Herbert 
Spencer.
O Iluminismo
O racionalismo cartesiano e o empirismo inglês preparam o 
surgimento do Iluminismo. O Iluminismo foi uma revolução 
intelectual ocorrida na Europa e, particularmente, na França, 
durante o século XVIII. Na verdade, foi o apogeu e a 
consolidação dos ideais renascentistas, que começaram a ser 
difundidos por todo o velho continente. 
Foi durante o Século das Luzes (século XVIII) que se consolidou 
a separação entre a religião e as ciências. A grande preocupação 
dos iluministas era descobrir o funcionamento de todas as coisas, 
e apenas a razão era capaz de levá-los a tanto. Deve-se entender o 
Iluminismo também como uma reação burguesa ao absolutismo. 
Propunha-se a reorganização da sociedade e a adoção de uma 
política centrada no homem, que lhe garantisse sua total liberdade.
Introducao a Filosofia.indb 84 15/12/11 13:46
85
Introdução à Filosofia
Unidade 3
A publicação da Encyclopédie (1751-1772), sob a direção 
do francês Denis Diderot, constitui exemplo excepcional 
desse empenho. Jean-Jacques Rousseau e o barão de 
Montesquieu defenderam a liberdade e a igualdade 
entre todos os cidadãos. Montesquieu propôs, em O 
espírito das leis (1748), a divisão dos poderes como 
garantia da liberdade política. Rousseau, em O contrato 
social (1762), reconheceu como depositário do poder 
o povo, que o cede aos governantes mediante uma 
delegação revogável segundo sua vontade.
O Criticismo
Diante desta efervescência, surge um filósofo que questiona o 
poder absoluto da razão: será que a razão pode conhecer tudo? 
Qual o conhecimento que possui fundamento? A razão é levada a 
julgamento pelo Criticismo do Immanuel Kant (1724-1804). 
Kant objetivou superar o racionalismo e o empirismo. “Supera” 
esses dois movimentos ao afirmar que o conhecimento só existe 
a partir dos conceitos de matéria e forma: a matéria vem da 
experiência sensível (a posteriori) e a forma é dada pelo sujeito que 
pensa (a priori). O conhecimento é um processo de síntese no qual 
o intelecto proporciona a forma e a experiência oferece o conteúdo.
1561 – 1626 – Galilei, Galileu
1564 – 1642 – Galileu Galilei
1568 – 1639 – Campanella, Tommaso
1571 – 1630 – Kepler, Johannes
1588 – 1679 – Hobbes, Thomas
1596 – 1650 – Descartes, René
1614 – 1687 – More, Henry
1623 – 1662 – Pascal, Blaise
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86
Universidade do Sul de Santa Catarina
1632 – 1677 – Espinosa, Baruch
1632 – 1704 – Locke, John
1638 – 1715 – Malebranche, Nicolas
1646 – 1716 – Leibniz, Gottfried Wilhelm
1668 – 1744 – Vico, Giambattista
1679 – 1754 – Wolff, Christian
1685 – 1753 – Berkeley, George
1689 – 1755 – Montesquieu
1694 – 1778 – Voltaire 
1711 – 1776 – Hume, David
1712 – 1778 – Rousseau, Jean-Jacques
1713 – 1784 – Diderot, Denis
1717 – 1783 – D’Alembert, Jean Le Round
1724 – 1804 – Kant, Immanuel
Fonte: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. ([200-?])
1603 – Shakespeare escreve Hamlet.
1609 – Galileu inventa o telescópio.
1612 – Franceses fundam São Luís, no Maranhão.
1614 – Padre Antônio Vieira chega ao Brasil.
1615 – Cervantes publica Dom Quixote. Franceses expulsos do 
Maranhão.
1618 – Guerra dos Trinta Anos começa na Europa.
1629 – Bandeira de Raposo Tavares e Manuel Preto destrói 
missões jesuíticas no Paraná.
1630 – Início do Quilombo dos Palmares. Holandeses ocupam 
Pernambuco.
Veja na linha do tempo os principais fatos da história neste 
período.Introducao a Filosofia.indb 86 15/12/11 13:46
87
Introdução à Filosofia
Unidade 3
1637 – Descartes publica Discurso sobre o Método, marco da 
Filosofia Moderna.
1640 – Portugal volta a se tornar independente da Espanha 
(Restauração).
1643 – Luís XIV chega ao poder na França.
1649 – Termina a construção do Taj Mahal, na Índia.
1651 – Thomas Hobbes escreve Leviatã.
1654 – Expulsão definitiva dos holandeses do Brasil.
1670 – Concluída a construção do Palácio de Versalhes, na 
França.
1674 – Bandeira de Fernão Dias Pais a Minas Gerais.
1687 – Newton publica a lei da gravidade.
1695 – Destruição de Palmares e morte de seu líder, Zumbi.
1698 – Savery inventa o motor a vapor.
Fonte: Oxford Encyclopedia of World History, 1999.
O Idealismo
O Idealismo consiste na interpretação da realidade exterior e 
material a partir do mundo interior, subjetivo e espiritual. Isso 
implica a redução do objeto do conhecimento ao sujeito do 
conhecedor. Ou seja: o que se conhece sobre o ser humano e o 
mundo é produto de idéias, representações e conceitos elaborados 
pela consciência humana. 
Friedrich Hegel (1770-1831) afirma que a idéia passa por 
transformação contínua e tudo se desenvolve através da lógica 
dialética, do vir-a-ser, em três fases: a tese, a antítese e a síntese. 
A tese é a afirmação; a antítese é a negação da primeira; a síntese, 
o resultado da dialética do sim e do não, isto é, dos contrários 
(Bussola, 1998, p. 47). Entre os principais representantes estão 
Johann Gottlieb von Fichte, Friedrich Wilhelm von Schelling, 
Friedrich Hegel, Immanuel Kant, George Berkeley. 
Figura 3.2 - Friedrich Hegel 
Fonte: The Free Dictionary (2011).
Introducao a Filosofia.indb 87 15/12/11 13:46
88
Universidade do Sul de Santa Catarina
Figura 3.3 - Karl Marx 
Fonte: Ramos (2011).
O Materialismo
Em contraposição ao idealismo, surge o Materialismo. O 
Materialismo é a concepção filosófica que aponta a matéria como 
substância primeira e última de qualquer ser, coisa ou fenômeno. 
Para os materialistas, a realidade é matéria em movimento, que 
produz efeitos surpreendentes, entre os quais a consciência. 
No século XIX, Karl Marx (1818-1883) utiliza o método 
dialético desenvolvido por Hegel e o adapta à sua teoria, o 
materialismo histórico, que considera o modo de produção da 
vida material como condicionante da história.(MARX, 1996).
Desta abordagem nasce um novo conceito de história, em que o 
motor interno é a contradição. Conhecer a gênese, o processo de 
constituição pelas mediações contraditórias é conhecer o real.
O Positivismo
As descobertas científicas e os avanços técnicos do século XIX 
fazem crer que o homem pode dominar a natureza, com uma ciência 
e tecnologia cada vez mais eficazes. Neste clima de exaltação do 
progresso científico, surge o Positivismo, e a convicção de que o 
único porto seguro para o conhecimento é a ciência. Defendem os 
positivistas que o método das ciências da natureza – baseado na 
observação, experimentação e matematização – deve ser estendido a 
todos os campos do conhecimento e a todas as atividades humanas.
Esse entusiasmo desemboca no cientificismo, visão reducionista 
segundo a qual a ciência seria o único conhecimento válido. Augusto 
Comte (1798-1857) é o grande nome desta corrente filosófica. 
(COMTE,1999).
Veja, na linha do tempo, os principais filósofos deste período.
Introducao a Filosofia.indb 88 15/12/11 13:46
89
Introdução à Filosofia
Unidade 3
1770 – 1831 – Hegel, Georg Wilhelm Friedrich
1775 – 1854 – Schelling, Friedrich
1788 – 1860 – Schopenhauer, Arthur
1798 – 1857 – Comte, Augusto
1804 – 1872 – Feuerbach, Ludwing
1806 – 1873 – Mill, John Stuart
1809 – 1865 – Proudhon, Pierre Joseph
1813 – 1855 – Kierkegaard, Sören Aabye
1818 – 1883 – Marx, Karl
1820 – 1895 – Engels, Friedrich
1833 – 1911 – Dilthey, Wilhelm
1838 – 1916 – Mach, Ernst
1839 – 1914 – Peirce, Charles Sanders
1843 – 1896 – Avenarius, Richard
1844 – 1900 – Nietzsche, Friedrich
Fonte: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. ([200-?])
1720 – China conquista o Tibete.
1741 – Bering chega ao Alasca.
1742 – Celsius desenvolve a escala em centígrados.
1751 – Diderot publica o primeiro volume de sua Enciclopédia.
1755 – Terremoto destrói Lisboa.
1756 – Começa a Guerra dos Sete Anos.
1757 – Escola fisiocrata na França inicia a teoria econômica 
moderna.
Veja, na linha do tempo, os principais filósofos deste período.
Introducao a Filosofia.indb 89 15/12/11 13:46
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Universidade do Sul de Santa Catarina
1759 – Expulsão dos jesuítas do Brasil. Voltaire publica Cândido.
1762 – Rousseau lança Contrato Social, clássico do iluminismo.
1764 – Mozart escreve a sua primeira sinfonia, aos 8 anos de 
idade.
1774 – Luís XVI chega ao poder na França. Priestley descobre o 
hidrogênio.
1775 – Começa a Guerra da Independência nos EUA. Jenner 
descobre o princípio da vacinação.
1776 – Adam Smith publica Pesquisa sobre a Natureza e as 
Causas da Riqueza das Nações. Assinada a Declaração de 
Independência, nos EUA.
1777 – Cresce a indústria têxtil na Inglaterra.
1781 – Kant publica Crítica da Razão Pura.
1783 – Fim da Guerra da Independência (EUA). Irmãos 
Montgolfier realizam o primeiro “vôo humano”, num balão de ar 
quente. Cavendish identifica a composição da água.
1787 – Constituição norte-americana é assinada.
1789 – Revolução Francesa: fim da Idade Moderna e início da 
Contemporânea. 
Lavoisier começa a química moderna. Inconfidência Mineira.
1791 – Revolta escrava no Haiti, sob o comando de Toussaint 
L’Ouverture.
Thomas Paine publica Os Direitos do Homem.
1792 – Proclamação da República Francesa. Julgamento dos 
inconfidentes e execução de Tiradentes.
1793 – Começa o Regime do Terror na França.
1799 – Napoleão assume o poder.
1800 – Alessandro Volta fabrica a primeira bateria. População 
mundial estimada em 900 milhões.
1803 – Inglaterra declara guerra contra a França de Napoleão.
1804 – Haiti torna-se o segundo país independente da América.
1808 – Começam os movimentos de independência nas colônias 
espanholas sul-americanas. Corte portuguesa chega ao Brasil 
fugindo de Napoleão; abertura dos portos brasileiros.
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Introdução à Filosofia
Unidade 3
1811 – Paraguai e Venezuela tornam-se independentes.
1812 – EUA declaram guerra à Inglaterra.
1814 – Napoleão abdica do poder. Stephenson inventa a 
locomotiva a vapor.
1815 – Napoleão retorna, mas sofre derrota definitiva em 
Waterloo. Brasil torna-se Reino Unido a Portugal e Algarves.
1816 – Argentina declara independência.
1817 – Estoura a Revolução Pernambucana (Brasil).
1820 – Primeira iluminação urbana, em Londres.
1821 – México torna-se independente. Hegel publica 
Fundamentos da Filosofia do Direito.
1822 – Independência do Brasil.
1824 – Peru independente. Beethoven compõe a Nona Sinfonia. 
Promulgada a primeira Constituição Brasileira.
1825 – Guerra entre Brasil e Argentina pela província Cisplatina 
(Uruguai).
1830 – Revolução liberal na França.
1831 – D. Pedro I abdica do trono (Brasil).
1835 – A Guerra dos Farrapos irrompe no Rio Grande do Sul, 
contra o governo federal (Brasil). Revolta dos malês na Bahia 
(Brasil).
1840 – Começam as Guerras do Ópio na China.
1843 – D. Pedro II assume o poder moderador (Brasil).
1846 – Início da guerra entre México e EUA. Anestesia é usada 
pela primeira vez em hospital.
1848 – Revoluções se alastram na Europa. Marx e Engels 
publicam O Manifesto Comunista.
1850 – Lei Eusébio de Queiroz extingue o tráfico de escravos 
(Brasil).
1857 – José de Alencar publica O Guarani (Brasil).
1859 – Charles Darwin publica A Origem das Espécies. Primeiro 
poço de petróleo é perfurado, nos EUA.
1861 – Começa a Guerra da Secessão nos EUA.
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Universidade do Sul de Santa Catarina
1862 – Abraham Lincoln liberta os escravos (EUA).
1864 – Inicia a guerra do Paraguai. Lincoln é assassinado (EUA).1870 – Fim da Guerra do Paraguai. Carlos Gomes compõe O 
Guarani (Brasil).
1872 – Primeiro recenseamento no Brasil.
1876 – Alexander Graham Bell inventa o telefone.
1885 – Gottlieb Daimler produzem o primeiro carro movido a 
gasolina.
1886 – Pemberton, farmacêutico norte-americano, inventa a 
Coca-Cola.
1888 – Lei Áurea abole a escravidão, no dia 13 de maio (Brasil).
1889 – Proclamação da República, em 15 de novembro (Brasil).
1891 – Promulgada a Constituição dos Estados Unidos do Brasil 
(Brasil).
1895 – Röentgen descobre o raio-X. Irmãos Lumière constroem o 
primeiro aparelho cinematográfico.
1896 – Primeiros Jogos Olímpicos modernos, em Atenas. 
Marconi inventa o telégrafo sem fio.
1897 – Destruição de Canudos.
1899 – Machado de Assis publica sua obra-prima, Dom Casmurro 
(Brasil).
1900 – População mundial: 1.550.000.
Fonte: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, ([200-?]).
Introducao a Filosofia.indb 92 15/12/11 13:46
93
Introdução à Filosofia
Unidade 3
Seção 4 - A Filosofia do século XX
Após duas guerras mundiais, o Holocausto e os ataques 
nucleares a Hiroshima e Nagasaki, em 1945, o humanismo 
europeu ruíra de alto a baixo e, com ele, a confiança iluminista 
na técnica e na ciência como agentes da civilização.
O pensamento ocidental passa por uma tremenda angústia, 
mostrando que a ciência, a Filosofia, o conhecimento, são 
incapazes de resolver os problemas da humanidade. No século 
XX, mais homens foram mortos ou abandonados à morte por 
decisão humana que jamais antes na história. (HOBSBAWN, 
1999, p. 21).
A Filosofia passou a mostrar que as ciências não possuem 
princípios totalmente certos, seguros e rigorosos para as 
investigações, que os resultados podem ser duvidosos e 
precários, e que, frequentemente, uma ciência desconhece até 
onde pode ir e quando está entrando no campo de investigação 
de uma outra.
Fenomenologia e Existencialismo
Neste contexto de dúvida e desencanto, diversos pensadores 
passam a questionar o sentido da vida humana. Surge, assim, 
o existencialismo, interpretando esta urgente renovação e, ao 
mesmo tempo, testemunhando a situação de angústia na qual 
o flagelo horroroso da guerra lançara à humanidade.
O Existencialismo acredita que é a existência do ser 
humano, como ser livre, que define sua essência, e 
não a essência ou a natureza humana que determina 
sua existência. O homem primeiro vive e só depois 
pode ser definido.
O Existencialismo traz a experiência pessoal para a reflexão 
filosófica, opondo-se à tradição de que o filósofo deve manter 
certa distância entre ele próprio, como sujeito pensante, e o 
objeto que o examina. Os temas de reflexão do existencialismo 
Introducao a Filosofia.indb 93 15/12/11 13:46
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Universidade do Sul de Santa Catarina
giram basicamente em torno do homem e da realidade humana: a 
pessoa, a liberdade, a realidade individual, a existência cotidiana, o 
sentido da vida e da morte. Entre os principais representantes estão 
Soren Kierkegaard (1813-1855), Martin Heidegger (1889-1976), 
Maurice Merleau-Ponty (1908-1961), Jean-Paul Sartre (1905-
1980).
O Existencialismo usa como método a 
Fenomenologia, desenvolvida por Edmund Husserl 
(1859-1938). A fenomenologia é o estudo do 
fenômeno, daquilo que realmente se manifesta. 
Ela despreza pressupostos e realiza uma descrição 
daquilo que se mostra por si mesmo, anterior a 
toda crença e juízo.
O Neopositivismo
A partir do começo do século XX, teve início uma reflexão 
radical sobre a natureza da Filosofia, sobre a determinação de 
seus métodos e objetivos: o neopositivismo. 
No que diz respeito ao método, destacaram-se as novas reflexões 
sobre o estudo analítico da linguagem e o impulso dado à 
Filosofia da ciência. Representa a ênfase em ver a Filosofia, antes 
de tudo, como análise, ou seja, elucidação, esclarecimento. Nesse 
aspecto, seu interesse voltou-se fundamentalmente para a lógica 
e a análise dos conceitos subjacentes à linguagem, considerando 
que muitos dos dilemas filosóficos habituais podem ser resolvidos 
– ou deixados de lado, por insolúveis – mediante o estudo dos 
termos em que estão expostos.
Seus principais representantes são Rudolf Carnap (1891-1969), 
Ludwig Wittgenstein (1889-1951), Bertrand Russel (1872-1970), 
Karl Popper (1902-1994).
Introducao a Filosofia.indb 94 15/12/11 13:46
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Introdução à Filosofia
Unidade 3
A crítica à sociedade capitalista
A Filosofia cumpre a sua missão de ser crítica ao confrontar as 
necessidades e desejos humanos com os valores de uma época 
ou estrutura sociohistórica. Destacamos, aqui, três exemplos 
de posturas filosóficas questionadoras da sociedade moderna, 
industrial e capitalista.
Jürgen Habermas (1929-) Crítico da doutrina positivista e 
do tecnicismo da sociedade industrial capitalista, luta pelo 
restabelecimento de uma opinião pública democrática e crítica. 
Habermas acredita que, mesmo numa sociedade de conflitos e 
interesses antagônicos, permanece como possibilidade histórica 
um núcleo universal de comunicação entre os homens. 
Por isso, ele apresenta a sua teoria da ação comunicativa 
como uma situação ideal na qual homens de boa vontade 
buscam o diálogo para solução de problemas comuns; 
colocam-se em acordo com algumas regras do jogo, aceitando 
que prevalecerá entre eles sempre o melhor argumento e que 
se curvarão diante das consequências das posições assumidas 
processualmente no debate de ideias e posições políticas, 
mudando suas formas de agir socialmente.
Herbert Marcuse (1898-1979) Denunciou o caráter repressivo 
da sociedade industrial e pregou transformações revolucionárias 
tanto nas instituições sociais como nas atitudes do homem, 
que, a seu ver, se deve libertar, inclusive pela sexualidade, das 
convenções e condicionamentos que o escravizam. 
Acusou a sociedade capitalista de criar necessidades de consumo 
artificiais e incessantemente renovadas, mediante a manipulação 
das consciências pelos meios de comunicação de massa, 
fonte de um estilo de vida que chamou “unidimensional” – o 
conformismo. Suas ideias tiveram grande influência na rebelião 
estudantil de 1968.
Michel Foucault (1926-1984) Analisa as estruturas da sociedade 
ocidental e constata que diferentes práticas na medicina, nas 
penitenciárias, na educação, dão forma ao pensamento ocidental e 
produzem a ideia normativa e universal de ser humano. Foucault 
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96
Universidade do Sul de Santa Catarina
mostra a arbitrariedade das instituições, o espaço de liberdade de 
que dispomos e as mudanças que podemos efetuar.
Foucault conclui que refletimos em nosso pensar a sociedade, a 
política, a história, os olhares universais, as estruturas formais, 
as instituições do Ocidente! Opõe-se à maneira como o saber 
circula e funciona nas relações de poder. (FOUCAUT, 1997).
Luta por uma nova subjetividade, que consiste em mostrar às 
pessoas que elas são muito mais livres; toma por verdade alguns 
temas fabricados na história: a pretensa evidência pode e deve 
ser criticada e destruída. Considera que o papel do intelectual é 
mudar algo no espírito das pessoas, mostrando que a realidade 
social e os conceitos que a sustentam, resultam de processos 
históricos e que todos nós podemos ser muito mais livres.
Veja, na linha do tempo, os filósofos deste período.
1848 –1915 – Windelband, Wilhelm
1856 –1939 – Freud, Sigmund1859 –1941 – Bergson, Henri
1859 –1938 – Husserl, Edmund
1866 –1952 – Croce, Benedetto
1871 –1919 – Luxemburgo, Rosa
1872 –1970 – Russell, Bertrand
1874 –1928 – Scheler, Max
1874 –1945 – Cassirer, Ernest
1880 –1936 – Spengler, Oswald
1884 –1962 – Bachelard, Gaston
1885 –1971 – Lukács, Georg
1885 –1977 – Bloch, Ernest
1889 –1951 – Wittgenstein, Ludwig
1889 –1976 – Heidegger, Martin
1891 –1937 – Gramsci, Antonio
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97
Introdução à Filosofia
Unidade 3
1891 –1970 – Carnap, Rudolf
1892 –1940 – Benjamin, Walter
1892 – 1964 – Koyré,Alexandre
1895 – 1973 – Horkheimer, Max
1898 – 1979 – Marcuse, Herbert
1900 – – Gadamer, Hans-Georg
1901 – 1981 – Lacan, Jacques
1902 – 1994 – Popper, Karl
1903 – 1969 – Adorno, Theodor Wiesegrund
1905 – 1980 – Sartre, Jean-Paul
1905 – 1995 – Lévinas, Emmanuel
1908 – 1961 – Merleau-Ponty, Maurice
1913 – – Ricoeur, Paul
1915 – 1980 – Barthes, Roland
1922 – – Kuhn, Thomas
1922 – 1974 – Lakatos, Imre
1922 – – Apel, Karl-Otto
1925 – 1995 – Deleuze, Gilles
1926 – 1984 – Foucault, Michel
1928 – – Chomsky, Noam
1929 – – Habermas, Jürgen
1930 – – Derrida, Jacques
1931– – Rorty, Richard
1934 – 1995 – Dussel, Enrique
Fonte: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo ([200-?]). 
Veja na linha do tempo os principais fatos da história neste período:
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Universidade do Sul de Santa Catarina
1904 – Vacinação obrigatória gera distúrbios no Rio de Janeiro (Brasil).
1905 – Einstein anuncia a Teoria da Relatividade.
1906 – Santos Dumont voa com o 14 Bis.
1910 – Revolta da Chibata eclode no Rio (Brasil).
1913 – Ford desenvolve a linha de produção nas suas fábricas.
1914 – Começa a Primeira Guerra Mundial, na Europa.
1917 – Começa a Revolução Russa. Greve operária pára São Paulo 
(Brasil).
1918 – Fim da Primeira Guerra Mundial, com a derrota da 
Alemanha e seus aliados.
1919 – Assinatura do Tratado de Versalhes. Fundação das Ligas 
das Nações.
1920 – Primeira irradiação musicada.
1922 – Mussolini chega ao poder na Itália. Realização da Semana 
de Arte Moderna em São Paulo (Brasil).
1924 – Começa a Coluna Prestes.
1926 – Hirohito torna-se imperador do Japão.
1927 – Lindenberg realiza a primeira travessia aérea do Atlântico.
1928 – Stálin assume o poder na União Soviética.
1929 – Quebra da Bolsa de Nova York.
1930 – Revolução de 1930 marca o início da Era Vargas (Brasil).
1932 – Revolta Constitucionalista, em São Paulo (Brasil).
1933 – Hitler torna-se o Primeiro ministro alemão.
1935 – Primeira transmissão de TV (Alemanha).
1936 – Guerra Civil Espanhola. Primeira transmissão televisiva, na 
Inglaterra.
1937 – Japoneses ocupam Pequim, Xangai e Nanquim. Picasso 
pinta Guernica. Instalação do Estado Novo (Brasil).
1939 – Hitler invade a Polônia: começa a Segunda Guerra 
Mundial.
1940 – Paris é ocupada pelos alemães.
1941 – Ataque japonês a Pearl Harbour precipita a entrada dos 
EUA na Guerra.
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Introdução à Filosofia
Unidade 3
1942 – Brasil entra na Segunda Guerra.
1944 – Desembarque aliado na Normandia (Dia D).
1945 – Fim da guerra na Europa, em 8 de maio. EUA explodem 
bombas atômicas no Japão. Capitulação do Japão, no dia 15 de 
agosto. Vargas renuncia à presidência (Brasil).
1947 – Independência da Índia e Paquistão.
1948 – Criação do Estado de Israel.
1949 – China torna-se comunista. Simone de Beauvoir lança O 
Segundo Sexo. Assinado o Tratado do Atlântico Norte (Otan).
1950 – Começa a Guerra da Coréia. Vargas é eleito presidente 
(Brasil).
1951 – Primeiro computador comercial é lançado nos EUA.
1954 – Vargas comete suicídio (Brasil).
1955 – Começa a Guerra do Vietnã.
1957 – União Soviética dá largada à corrida espacial, lançando o 
Sputnik.
1959 – Castro lidera a Revolução Cubana.
1960 – Kubitschek inaugura Brasília.
1961 – Jânio Quadros renuncia à presidência.
1963 – Kennedy é assassinado nos EUA.
1964 – João Goulart é deposto do poder pelos militares.
1966 – Começa a Revolução Cultural na China.
1968 – Protestos estudantis em vários países.
1969 – Homem chega à Lua.
1973 – Allende é derrubado por Pinochet no Chile.
1981 – Cientistas isolam o vírus da AIDS.
1983 – Internet é criada.
1989 – Queda do muro de Berlim.
1991 – Fim da União Soviética.
1999 – Cientistas escoceses produzem clone de uma ovelha.
Fonte: 5. 400 anos ([200 -?]).
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Seção 5 - A Racionalidade ocidental 
A Filosofia é a filosofia de um tempo. Retrata a mentalidade e o 
pensamento dos seres humanos de uma determinada época e o 
desenvolvimento de determinada cultura. A civilização ocidental 
vem mudando consideravelmente ao longo dos anos, e a Filosofia 
acompanha estas mudanças, contribuindo para a compreensão do 
pensamento nos diferentes contextos existenciais.
Acompanhe, no Quadro 3.1 seguinte, a caracterização, grosso modo, do 
desenvolvimento da racionalidade ocidental nos seus principais períodos:
Idade Antiga
(V a.C. – IV d.C.)
Idade Média
(V d.C. – XVI)
Idade Moderna e 
Contemporânea
(XVI – XX)
Ideia básica 
ou razão explicativa
Phisis – natureza
Ação é contemplação 
Ócio
Deus
Contemplação - Fé
Homo Faber
Ação é fabricação 
Resultados
Ser humano
Servo da natureza
Livre ou escravo Servo de Deus
Senhor de si
Livre e iguais pela 
razão
Verdade
Objetivismo
Adequação do sujeito 
ao objeto (natureza)
Objetivismo
Adequação do sujeito 
ao objeto (Deus)
Subjetivismo
Adequação ao sujeito
“Penso, logo existo!”.
Saber mais 
importante
Mito e Filosofia
Contemplação da 
natureza
Teologia
Contemplação de Deus
Ciência e Tecnologia
Conhecer é ação 
humana
Trabalho
Atividade de escravos
(negativo)
Castigo devido ao 
pecado (negativo)
Ação autocriadora 
(positivo)
Política Atividade natural
Separação entre 
política (negativa) e 
moral
Atividade artificial
Mal necessário
História
Fisiológica
Nascer e morrer
Eterno retorno
Teológica
Início e fim em Deus
Antropológica
Início com o homem
(progresso – processo)
Quadro 3.1 - O desenvolvimento da racionalidade ocidental 
Fonte: Adaptado de um quadro sobre a evolução da racionalidade ocidental elaborado pelo Prof. 
Selvino Assmann, da Universidade Federal de Santa Catarina. 2006.
Este é o cenário em que se desenvolve o pensamento ocidental, 
ora explicando, ora questionando, ora conduzindo estas 
mudanças e acontecimentos.
Eterno retorno é uma concepção 
cíclica da realidade do mundo e da 
existência, na qual nossas vidas 
e tudo mais que existe continua 
se repetindo infinitamente, para 
sempre. Na modernidade, Nietzsche 
recupera esta concepção antiga de 
história e dá para ela uma dimensão 
ética: assim como, no mundo da 
natureza, cada decisão tomada 
por nós vai continuar produzindo 
resultados, cada decisão vale para 
sempre. A temporalidade não existe 
e, muito menos, as circunstâncias 
atenuantes da natureza transitória. 
Passarás à eternidade, fazendo o 
que estás fazendo agora. O homem 
está condenado a ser, eternamente, 
o mesmo. 
Introducao a Filosofia.indb 100 15/12/11 13:46
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Introdução à Filosofia
Unidade 3
A história do pensamento ocidental é a história do 
desenvolvimento da racionalidade enquanto possibilidade 
humana de encontrar explicações de ordem natural para a 
realidade das coisas, do mundo e da sua própria existência.
Síntese
Somos seres humanos e nada do que é humano deve nos causar 
estranhamento. A Filosofia é obra humana e, por isso, chegamos 
ao final do estudo de mais uma unidade com uma sensação de 
familiaridade com o mundo da Filosofia. O mundo da Filosofia é 
o nosso mundo. 
Vimos que estudar Filosofia é estudar a evolução do pensamento 
ocidental, sabendo que, ao entrar em contato com o pensamento 
de filósofos das mais diferentes épocas, não devemos ter a 
pretensão de encontrar respostas definitivas. A única pretensão 
aceitável por parte de quem faz e de quem estuda Filosofia é a de 
pensar por si mesmo.
Introducao a Filosofia.indb 101 15/12/11 13:46
102
Universidade do Sul de Santa Catarina
Atividades de autoavaliação
Para praticar os conhecimentos apropriados nesta unidade, realize as 
atividades propostas.
O gabarito está disponível no final do livrodidático. Mas se esforce para 
resolver as atividades sem ajuda do gabarito, pois, assim, você promoverá 
a sua aprendizagem.
1) Os principais teóricos da História da Filosofia afirmam que a Filosofia daAntiguidade é cosmocêntrica, a Filosofia da Idade Média é teocêntrica e 
a Filosofia Moderna é antropocêntrica. Você encontra no estudo desta 
unidade argumentos que justifiquem esta afirmação? Fundamente sua 
resposta.
2) Você concorda com a afirmação de que o cristianismo fez mudar o 
curso da Filosofia e da história ocidental? Sim? Não? Justifique.
Introducao a Filosofia.indb 102 15/12/11 13:46
103
Introdução à Filosofia
Unidade 3
3) Considere o seguinte texto: 
A escolástica chegou ao seu limite. A desagregação da cristandade, 
com a reforma protestante e o renascimento cultural, trouxe novas 
questões. A desintegração das estruturas feudais, as grandes 
descobertas da ciência e a ascensão da burguesia assinalam 
a emergência do Renascimento. Em contraste com a Filosofia 
Medieval, dogmática e submissa à Igreja, a Filosofia Moderna é 
profana e crítica, representada por leigos que procuram pensar 
de acordo com as leis da razão e do conhecimento científico. O 
resultado é a ruptura dos vínculos com a teologia e um crescente 
processo de secularização da Filosofia.
Agora, relacione a descoberta e a valorização da subjetividade e da 
individualidade com a Filosofia Moderna. 
Introducao a Filosofia.indb 103 15/12/11 13:46
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Universidade do Sul de Santa Catarina
4) O filósofo contemporâneo Herbert Marcuse acusou a sociedade 
capitalista de criar necessidades de consumo artificiais e 
incessantemente renovadas. Cite fatos atuais e comportamentos 
humanos que justifiquem tal crítica.
5) Reveja, nesta unidade, o quadro que caracteriza o desenvolvimento da 
racionalidade ocidental e faça um breve comentário, citando exemplos, 
sobre a evolução do conceito de política nas Idades Antiga, Média e 
Moderna.
 
Introducao a Filosofia.indb 104 15/12/11 13:46
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Introdução à Filosofia
Unidade 3
Saiba mais
Para refletir sobre a sua história, a história do mundo e a história 
da Filosofia Ocidental, faça uma leitura comparativa entre o texto 
da unidade e o conteúdo da música Metamorfose Ambulante, de 
Raul Seixas (Gravadora Philips, 1973): 
Metamorfose Ambulante
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Eu quero dizer
Agora o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou
Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Introducao a Filosofia.indb 105 15/12/11 13:46
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Lhe faço amor
Eu sou um ator
É chato chegar
A um objetivo num instante
Eu quero viver
Nessa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou
Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator
Eu vou desdizer
Aquilo tudo que eu lhe disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Fonte: Seixas (1973).
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Introdução à Filosofia
Unidade 3
Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade, pesquise os 
seguintes livros:
 
BUZZI, Arcângelo. Introdução ao pensar. Petrópolis: Vozes, 
1983.
 HEERDT, Mauri Luiz. Pensando para viver: alguns caminhos 
da Filosofia. Florianópolis: Sophos, 2000. 
MORA, G. Filosofia para todos. São Paulo: Paulus, 2001. 
MARTINS FILHO, Ives Gandra. Manual esquemático de 
história da filosofia. São Paulo: Editora LTR, 1997.
PRADO JR., Caio. O que é filosofia. [Coleção Primeiros 
Passos] 17. ed. São Paulo: Brasiliense, 1990.
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Introducao a Filosofia.indb 108 15/12/11 13:46
4UNIDADE 4Os grandes temas da Filosofia
Objetivos de aprendizagem
 � Conhecer os principais temas com os quais se ocupa 
a Filosofia.
 � Identificar as disciplinas clássicas da Filosofia.
Seções de estudo
Seção 1 O homem
Seção 2 O mundo
Seção 3 A cultura
Seção 4 A cidade e o Estado
Seção 5 A religião
Seção 6 A arte
Seção 7 As disciplinas clássicas da Filosofia
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Nesta unidade, você vê uma pequena contextualização e caracterização 
dos grandes temas sobre os quais se debruçaram os filósofos que 
fizeram a história do pensamento ocidental. Veja que, ainda hoje, estas 
temáticas representam as grandes questões para as quais buscamos 
a sabedoria no exercício do pensar. Também apresentaremos as 
principais disciplinas da Filosofia. Estas temáticas e disciplinas farão 
parte da sua rotina ao longo do curso que estamos iniciando. 
Aproveite bem o conteúdo que segue e não se esqueça de 
buscar mais informações, saciar a curiosidade, aproximar-se 
amorosamente do saber, como faz todo filósofo.
Seção 1 – O homem
Quem sou Eu?
Primeira e fundamental questão filosófica. Objetivo de todo o 
conhecimento. A preocupação com o homem é coisa antiga no 
pensamento ocidental e perpassa todos os grandes momentos da 
história da Filosofia. Vejamos:
O que diz a Filosofia Grega
Na Filosofia Grega, como já vimos, a preocupação primeira 
dos filósofos é desvendar os mistérios do cosmos, os segredos do 
universo. Mas, mesmo quando contempla a escuridão dos céus, o 
brilho dos astros, os corpos celestes e planetas, o homem grego busca 
compreender quem ele é e qual o lugar do ser humano no universo. 
Protágoras (485-410 a.C.), sofista, afirmava ser o homem a 
medida de todas as coisas. Sócrates traz a Filosofia dos céus 
para a terra e inaugura no ocidente a investigação antropológica 
(tendo o homem como centro das investigações). Sócrates define 
o homem como o ser que pensa (animal racional). Platão define 
o homem como alma espiritual e imortal. Aristóteles define o 
homem como animal político com alma e corpo, mortal.
Introducao a Filosofia.indb 110 15/12/11 13:46
111
Introdução à Filosofia
Unidade 4
Com sua Filosofia, Sócrates procura responder à questão: 
“O que é a natureza ou realidade última do homem?”
Sua resposta é precisa e inequívoca: o homem é sua alma, pois é 
sua alma que o distingue de qualquer outra coisa.
Mas o que Sócrates entende por “alma”? Ele a concebe como 
a nossa atividade pensante e eticamente operante. Ou seja, a 
consciência e a personalidade intelectual e moral. Cuidar de 
si mesmo, agora, significa cuidar da própria alma (animação). 
Mais do que o corpo, a tarefa do educador consiste em ensinar os 
homens a cuidarem da própria alma.
Desse modo, Sócrates opera uma revolução no 
tradicional quadro de valores. Os verdadeiros valores 
não são aqueles ligados às coisas exteriores, como 
riqueza, o poder, a fama, e, tampouco, os ligados ao 
corpo, como o vigor, a forma, a saúde física e a beleza, 
mas somente os valores da alma, que se resumem, 
todos, no conhecimento. Consequentemente, a 
“virtude” do homem não pode ser outra senão a 
“sabedoria”, ao passo que o vício seria a privação da 
“sabedoria”. 
Por que o homem pratica o mal? Segundo Sócrates, por que não 
conhece o bem, é vítima da “ignorância”. Ou seja: o mal reduz-
se a um “erro de cálculo”, a um “erro da razão”, precisamente à 
“ignorância” do verdadeiro bem. 
Em relação à noção de valor, são ainda importantes os conceitos 
de liberdade e felicidade. Em relação à liberdade, Sócrates afirma 
que o verdadeiro homem livre é aquele que sabe dominar os 
seus instintos. E o verdadeiro homem escravo é aquele que, não 
sabendo dominar osseus instintos, torna-se vítima deles. 
A excelência da razão humana manifesta-se no autodomínio, ou 
seja, o domínio de si mesmo nos estados de prazer, dor e cansaço, 
no urgir das paixões e dos impulsos. Aliás, isto significa o domínio 
da racionalidade sobre a animalidade, tornando a alma (razão) 
senhora do corpo e dos instintos ligados ao corpo. A liberdade, 
Introducao a Filosofia.indb 111 15/12/11 13:46
112
Universidade do Sul de Santa Catarina
por sua vez, consiste na afirmação da racionalidade sobre a 
animalidade. Com efeito, para o sábio que vence os instintos e 
elimina todas as coisas supérfluas, basta a razão para viver feliz.
Com isso, Sócrates inverte a noção de herói. O herói, 
tradicionalmente, era aquele capaz de vencer todos os inimigos, 
os perigos, as adversidades e o cansaço externos. Já o novo herói é 
aquele que sabe vencer os inimigos interiores. Da mesma forma, 
a Felicidade não pode vir das coisas exteriores, do corpo, mas 
somente da alma; a saúde da alma é a ordem da alma – e essa 
ordem “espiritual”, ou harmonia interior, é a felicidade.
O que diz o Cristianismo
O cristianismo defende a concepção criacionista, segunda a qual 
o homem foi criado por Deus e, como criatura de Deus, tem 
seu fim último em Deus, que é o seu bem mais alto e o seu valor 
supremo. Deus exige do homem a obediência e a sujeição a seus 
mandamentos imperativos supremos.
Assim, pois, na concepção cristã, o ser e o fazer 
do homem definem-se, não em relação com uma 
comunidade humana (como a pólis) ou com o universo 
inteiro (cosmos), mas, antes de tudo, em relação a Deus. 
O homem vem de Deus e todo o seu comportamento 
— incluindo a moral — deve orientar-se para ele 
como objetivo supremo. A essência da felicidade (a 
beatitude) é a contemplação de Deus; o amor humano 
fica subordinado ao divino; a ordem sobrenatural tem a 
primazia sobre a ordem natural humana.
Como ser criado por Deus à sua imagem e semelhança, o ser 
humano é o ápice da criação, e tudo o mais foi criado para que 
ele tenha vida, cresça e se multiplique. O destino do homem é 
dominar a criação e dar continuidade à obra do criador. Para 
tanto, deve estar em contínuo relacionamento com o criador e em 
sintonia com a sua vontade.
Criacionismo é uma doutrina 
que exprime a convicção de que 
o céu, a terra, o homem etc. 
devem a Deus a sua existência. 
Fundamentação na explicação 
bíblica exposta no livro do 
Gênesis pela qual o homem 
nasceu de uma ação divina 
imediata, através do ato da 
criação.
Introducao a Filosofia.indb 112 15/12/11 13:46
113
Introdução à Filosofia
Unidade 4
O que diz a Filosofia Moderna e Contemporânea
O Iluminismo (século XVII e XVIII) defende que a razão deve 
iluminar as mentes e conduzir a humanidade ao progresso e à 
felicidade, desejando que o homem seja sujeito da sua própria história. 
Para Kant, o Iluminismo representa a saída do homem da sua 
minoridade, manifesta na coragem de usar o próprio entendimento. 
Defende o ideal de que o homem é o cidadão que tem o mundo como 
a sua pátria. O bem supremo do homem é a liberdade de pensamento, 
capaz de dar forma a um homem virtuoso, “iluminado”. (Kant, 1993).
A Filosofia Moderna faz do homem o ponto de 
partida da reflexão filosófica. 
Immanuel Kant, por exemplo, divide toda a Filosofia 
em questões antropológicas: (a metafísica e a teoria do 
conhecimento) que posso saber?; (moral) que posso fazer?; 
(a religião) que posso esperar?; e (antropologia) o que é o 
homem?
Com o desenvolvimento das ciências e surgimento das mais 
diferentes especialidades, a Filosofia Contemporânea divide e 
esfacela o homem, privilegiando uma ou outra dimensão da pessoa 
humana: Marx: o homem econômico; Freud: o homem instintivo; 
Kierkegaard: o homem angustiado; Bloch: o homem utópico; 
Heidegger: o homem existente; Ricoeur: o homem falível; Gadamer: 
o homem hermenêutico; Marcel: o homem problemático; Gehlen: o 
homem cultural; Luckmann: o homem religioso.
É claro que esta “especialização” permite profundidade 
de análise e produção de conhecimentos sobre o 
homem a um nível jamais visto, mas traz também muitas 
dúvidas, na medida em que uma visão fragmentada 
impõe-se com a pretensão de definir o homem.
A contribuição da Filosofia Moderna para o entendimento do ser 
humano não é conclusiva. Ela está justamente nestas variadas e 
numerosas noções as quais deixam claro que nenhuma concepção 
unilateral e reducionista dá conta de defini-lo em suas muitas 
facetas. Tal tarefa exige esforço interdisciplinar que contemple os 
mais diferentes discursos num saber multidisciplinar.
Introducao a Filosofia.indb 113 15/12/11 13:46
114
Universidade do Sul de Santa Catarina
O que diz a esfinge
Um ensinamento da antiguidade sobre o homem, contido na 
esfinge assíria de Khorsabad, chamada Kerub, muito nos diz sobre 
o ser humano. A esfinge era composta de quatro partes: corpo de 
boi; tórax de leão; asas de águia e cabeça de homem. De acordo 
com Pierre Weil (1995, 25-26), existe uma tradição muito antiga 
segundo a qual cada uma destas partes representa uma parte do 
corpo físico do homem e também sua correspondência psicológica.
Veja o quadro 4.1.
Boi Abdômem Vida Instintiva e Vegetativa
Leão Tórax Vida Emocional
Águia Cabeça Vida Mental (intelectual e espiritual)
Homem Conjunto Consciência e domínio dos três inconscientes anteriores
Quadro 4.1 - “eis o homem” 
Fonte Adaptado de Weil (1995).
Com esta esfinge, os antigos assírios nos ensinam que, no 
conhecimento do homem, devemos levar em consideração os 
instintos, as emoções e a razão, buscando o perfeito equilíbrio 
entre estas diferentes dimensões do mesmo ser. O homem que 
realiza plenamente todas as suas potencialidades é consciência e 
domínio dos instintos, das emoções e da razão.
Você encontrou alguma dificuldade para entender o 
ensinamento da esfinge? Que dimensão do ser humano 
fala mais alto em você? Instintos? Emoções? Ou razão?
Seção 2 - O Mundo
Espanto, inquietação, admiração, curiosidade, medo, respeito, 
reverência, dominação: atitudes que marcam a relação do homem 
com o mundo, com a natureza, com o cosmos; uma questão que 
tem feito a história da filosofia ao longo dos séculos.
WEIL, Pierre. O corpo fala. 
Rio de Janeiro 1995. 
Figura 4.1 - Esfinge Kerub 
Fonte: (1995).
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Introdução à Filosofia
Unidade 4
O que diz a Filosofia Grega
A Filosofia nasce com os pré-socráticos, com a contemplação 
do universo. Ao manifestarem preocupação com a natureza e o 
cosmos, os filósofos pré-Socráticos (século VI a.C.) inauguram 
uma mentalidade baseada na razão, e não mais no sobrenatural 
ou na tradição mítica. Defendem que a racionalidade humana 
pode encontrar na natureza todas as respostas (naturalismo).
Eram homens de saber prático, acostumados a viajar, dedicados 
à política e ao trabalho intelectual. A partir de fatos particulares, 
conceituaram a realidade como um todo organizado e animado. 
Diante da multiplicidade e da mutabilidade das aparências, 
buscavam um princípio unificador, geral, imutável, ao qual 
chamaram arké – origem, substrato e causa de todas as coisas e no 
qual se ultimam todos os seres. Estude alguns deles.
Tales de Mileto (625-546 a.C.) é chamado por Aristóteles de 
fundador da Filosofia, por ter criado uma nova concepção de 
mundo que a escola de Mileto denominou logos, palavra grega 
que significa razão, palavra ou discurso. Trata-se de uma primeira 
tentativa de explicar racionalmente o universo, sem recorrer a 
entidades sobrenaturais.
Tales teria sido um precursor do pensamento científico ao 
substituir a explicação mítica da origem do universo pela 
explicação física de sua cosmologia baseada na água. Para ele, a 
água era o princípio formador da matéria, porque o que é quente 
precisa da umidade para viver, o morto resseca-se, os germes são 
úmidos e os alimentos estão cheios de seiva. É natural que as 
coisas nutram-se daquilo de que provêm. A água é o princípio da 
naturezaúmida, que entretém todas as coisas, e a terra repousa 
sobre a água. 
Anaximandro de Mileto (610-546 a.C.) foi discípulo e sucessor 
de Tales, mas se recusa a ver a origem do real em um elemento 
particular: todas as coisas são limitadas, e o limitado não pode 
ser, sem injustiça, a origem das coisas. Por isso, Anaximandro 
é conhecido por sua concepção quase teológica do apeiron, o 
ilimitado, indefinido e imperecível, que tudo rodeia eternamente 
e que é também a arké, ou o princípio do processo cosmológico. 
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Anaxímenes de Mileto (588-524 a.C.) defende ser o ar o elemento 
que dá origem a todas as coisas; elemento vivo, que constitui as coisas 
através de condensação ou rarefação. O ar (aêr) produz todas as outras 
substâncias, tanto por se rarefazer em fogo, como por se condensar 
em vento, névoa, água, terra e pedra. Essa foi a primeira vez, na 
tradição ocidental, que se ofereceu um tratamento físico das diferentes 
substâncias em termos de modificações de uma substância básica. A 
respiração foi o fenômeno que impressionou Anaxímenes, porque se 
pode soprar ar quente (quando este está rarefeito, isto é, quando a boca 
está aberta), ou ar frio (quando este é condensado, ou quando se assobia). 
Pitágoras de Samos (571-497 a.C.) foi o fundador de um 
grupo ao mesmo tempo científico e religioso. Considerou os 
números como princípio de todas as coisas e a semelhança com 
a divindade como fim último e suprema felicidade dos seres 
humanos. Cada coisa possui um número (arithmós arkhé) que 
expressa a “fórmula” da sua constituição íntima. Da mesma 
forma, as leis que governam o cosmos são também relações 
matemáticas.
A Filosofia de Pitágoras constitui uma metafísica matemática. Na sua 
opinião, os números não representam apenas a expressão da harmonia 
da regularidade dos fenômenos, mas os próprios princípios de todas 
as coisas. Tudo sai da unidade absoluta: um é o ponto; dois fazem 
a linha; três determinam a superfície; quatro geram o sólido. Eis, 
portanto, a extensão da matéria. O mundo se traduz nesses números 
e em seus múltiplos, e, por isso, os pitagóricos consideram sagrado o 
número dez, que contém em si a totalidade das coisas (1+2+3+4= 10).
Heráclito de Éfeso (540-480 a.C.) afirmava que todas as coisas 
estão em movimento, que é processado através de contrários. 
Segundo ele, a estrutura do mundo é contraditória e dinâmica, 
e tudo está em constante modificação. Daí sua frase: “Não nos 
banhamos duas vezes no mesmo rio”, já que nem o rio nem quem 
nele se banha são os mesmos em dois momentos diferentes da 
existência. Tudo flui e nada permanece. O movimento produz-se 
pela tensão entre os contrários e provoca “o eterno retorno” de 
todas as coisas, regido pelo logos, que constitui a lei do universo.
Platão (428-347 a.C.) não compartilha da concepção de que 
a realidade do mundo tenha causas mecânicas ou naturais. 
Denomina estas causas de natureza não-física, realidades 
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Introdução à Filosofia
Unidade 4
inteligíveis representadas pelos termos idéia e eidos, que 
significam “forma”. As Idéias de que fala Platão são mais do que 
conceitos ou representações puramente mentais: representam 
“entidades”, “substâncias”. As Idéias platônicas são a essência das 
coisas, ou seja, aquilo que faz com que cada coisa seja aquilo que é.
Segundo Platão, as Idéias existem “em si” e “por si”. Afirma 
que as Idéias existem “em si e por si” e se impõem ao 
sujeito de modo absoluto. Com isso, Platão pretendeu 
sustentar que o sensível só se explica mediante o recurso 
ao supra-sensível; o relativo, mediante o absoluto; 
o sujeito em movimento, mediante o imutável; e o 
compatível, mediante o eterno.
Ainda na visão platônica, o mundo das ideias, pelo menos 
implicitamente, é constituído por uma multiplicidade de ideias: 
ideias dos valores estéticos, ideias dos valores morais, ideias 
das diversas realidades corpóreas, ideias dos diversos entes 
geométricos e matemáticos etc. A ideia que ocupa o vértice e 
condiciona todas as outras, e não é condicionada por nenhuma 
delas (o incondicionado ou absoluto) é a ideia do Bem.
Como é possível o mundo sensível? Há um modelo (o mundo Ideal), 
existe uma cópia (mundo Sensível) e existe um Artífice, que produziu a 
cópia, servindo-se do modelo. O mundo Inteligível (o modelo) é eterno, 
como eterno é também o Artífice (a Inteligência). O mundo sensível, 
ao contrário, construído pelo Artífice, nasceu, isto é, foi gerado.
Mas por que o Artífice quis gerar o mundo? 
A resposta de Platão é a seguinte: o Artífice divino gerou o mundo 
por “bondade” e amor ao Bem. Animado pelo desejo do Bem, o 
Artífice realizou a obra mais bela possível. O mal e o negativo que 
permanecem neste mundo derivam da margem de matéria sensível, 
presente na personificação e concretização das ideias perfeitas.
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O mundo sensível, assim, se forma “cosmos”, ordem perfeita, 
porque assinala o triunfo do inteligível sobre a necessidade cega 
da matéria, por obra da Inteligência do Artífice. 
O que diz a Filosofia Cristã
Representativa da Idade Média, a Filosofia cristã procura 
conciliar a fé com a razão. Um dos grandes expoentes deste 
período é Santo Agostinho. Ao olhar para a realidade do 
mundo, Santo Agostinho apresenta a teoria da cidade dos 
homens e da cidade de Deus: os pecadores formam a cidade 
terrestre, que é o mundo dos homens. Essa cidade não é 
necessariamente má, porém, governada pela vontade humana, 
tende para o pecado e é castigada por Deus de tempos em 
tempos. A cidade dos homens é fruto do egoísmo, e a cidade 
celeste é criação do amor divino. (AGOSTINHO, 2002).
Segundo Agostinho, o que fundamenta a origem das duas 
cidades são dois amores. O amor por si mesmo, que leva ao 
desprezo de Deus e das coisas de Deus, dá origem à cidade dos 
homens, na terra. O amor a Deus que leva ao desprezo de si e das 
coisas do mundo gera a cidade de Deus, no céu: “Dois amores 
fundaram, pois, duas cidades, a saber: o amor próprio, levado ao 
desprezo a Deus, a terrena; o amor a Deus, levado ao desprezo de 
si próprio, a celestial” (AGOSTINHO, 2002, p. 169).
Essas duas cidades ou reinos existem simultaneamente 
na história humana, representadas na luta entre o bem 
e o mal, entre Deus e o Demônio. Essa luta terminará 
somente com o Juízo Final, que realizará a separação 
desses dois reinos, assegurando o triunfo definitivo 
de Deus sobre o Demônio. Será a vitória definitiva da 
Cidade de Deus, com o retorno do Messias e o Juízo 
Final. Na Filosofia de Agostinho, o mundo é lugar onde 
se trava a batalha entre o bem e o mal.
São Tomás de Aquino é o outro grande expoente da Filosofia 
Medieval. Segundo Tomás, a razão pode provar a existência de 
Deus através de cinco vias, todas de índole realista: considera-se 
algum aspecto da realidade dada pelos sentidos como o efeito do 
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Introdução à Filosofia
Unidade 4
qual se procura a causa. Tomás de Aquino não partiu de Deus para 
explicar o mundo, mas, sobre a experiência sensorial, empregou o 
conhecimento racional para demonstrar a existência do Criador. 
As “cinco vias” são cinco argumentos que provariam a existência 
de Deus a partir dos efeitos por ele produzidos, e não da ideia de 
Deus: o movimento; a causa primeira; ser necessário; a ideia da 
perfeição; a inteligência ordenadora. Para a Filosofia de Tomás 
de Aquino, no mundo o assiste-se à manifestação da presença de 
Deus, criador, organizador e condutor da realidade do mundo.
O que diz a Filosofia Moderna
Se os pensadores medievais haviam concebido o mundo como 
um todo orgânico, hierarquizado segundo uma suposta ordem 
estabelecida por Deus, os renascentistas conceberam-no como uma 
pluralidade regida por leis físicas e convenções humano-sociais. 
O mundohumano separa-se gradualmente do mundo da pura 
natureza e a origem e desdobramento da vida sobre o planeta 
ganha uma nova explicação: a teoria evolucionista.
O progresso atingido pelas ciências experimentais com a 
produção de novos conhecimentos e o desenvolvimento de novas 
tecnologias permite um controle, nunca antes experimentado, do 
homem sobre a natureza. 
Veja no texto que segue: 
A partir de Descartes (e de Galileu), as matemáticas 
passaram a constituir o modelo e a linguagem de todo 
conhecimento científico: substituem a qualidade sentida 
pela quantidade medida. O conhecimento permite 
que nos tornemos “mestres e possuidores da natureza”. 
Compete ao homem modelar e dominar o mundo: “Saber 
é Poder”, já dizia Francis Bacon. Nada há na natureza 
que não seja quantitativo. A matemática é aplicável à 
totalidade do real. Eis o postulado do racionalismo, 
reduzindo a quase nada o papel da experiência sensível 
e subordinando o objeto à Razão. Sendo assim, é 
proclamada a independência da Subjetividade, cujo 
primeiro ato de conhecimento é a Reflexão, a consciência 
de si mesmo reflexiva: a consciência toma consciência de 
Evolucionismo é a doutrina 
que exprime a convicção 
de que o ser realiza-se pelo 
desenvolvimento interno 
de suas possibilidades em 
direção a novas metas, de 
forma ininterrupta. Entre 
as diferentes espécies há 
uma sucessão progressiva, 
das mais simples para 
as mais complexas, e o 
homem atual é fruto desta 
evolução.
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si mesmo como Sujeito e como Objeto de conhecimento. 
(JAPIASSU, 1996, p. 94).
O Positivismo faz sucesso e defende que todo conhecimento do 
mundo material decorre dos dados “positivos”, ou seja, aqueles 
que podem ser medidos e controlados pela experiência, os 
quais constituem o objeto de estudo para o sujeito cognoscente. 
Conseqüentemente, o conhecimento das realidades não positivas 
(metafísica, teologia, especulação filosófica) é menosprezado, 
por não ser possível ser verificado na prática. O ser humano se 
limita-se a descrever os fenômenos e a estabelecer “as relações 
constantes de semelhança e sucessão entre eles”. O conhecimento 
é pragmático: não se pretende achar as causas ou a essência das 
coisas, mas descobrir as leis que as regem. 
Em contrapartida, no final do século XIX e século XX, a 
Fenomenologia e o Existencialismo defendem que o mundo 
adquire sentido com a existência humana. Como doadora de 
sentido, como fonte de significado para o mundo, a consciência não 
se restringe ao mero conhecimento intelectual, mas é geradora de 
intencionalidades não só cognitivas como afetivas e práticas. 
Não existe mundo, ou conhecimento, com sentido, 
sem o homem. O olhar sobre o mundo é o ato pelo 
qual o ser humano experiencia o mundo, percebendo, 
imaginando, julgando. Isso significa que não existe 
pura consciência, separada do mundo, pois toda 
consciência é consciência de alguma coisa. Todo 
objeto será sempre percebido por um sujeito que lhe 
dá significado e sentido. É a proposta da retomada da 
humanização da ciência. 
Seção 3 - A cultura
A atividade do ser pensante em busca da satisfação de suas 
necessidades constrói um mundo humano, diferente do mundo 
dado. É esta a temática deste tópico, também de fundamental 
importância para a construção do pensamento filosófico.
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Introdução à Filosofia
Unidade 4
A forma de vida de um povo
A palavra cultura tem sua origem no latim (colere, cultus) e 
significa tudo o que é cultivado. Referindo-se ao ser humano, 
cultura significa tudo o que é obra do homem na sociedade, em 
contraposição ao que é simplesmente natural. 
É a forma de vida de um povo, transmitida pela tradição, na qual o 
indivíduo se insere e leva adiante suas realizações, na qual descobre 
e faz seu um sistema de valores que lhe é anterior e que o acolhe. 
Inserido no meio cultural, o indivíduo também é criador de cultura 
e deixa sua obra para o acervo comum dos que compartilham a sua 
cultura.
Cultura é, pois, o conjunto dos costumes humanos, o modo de 
vida (modus vivendi) que os homens, no decurso dos tempos, 
desenvolveram e desenvolvem reunidos em sociedade. É a 
maneira de agir, de pensar, de sentir que se manifesta na 
linguagem, no código de leis, na religião, na criação estética. 
Este modo de vida também se manifesta nos instrumentos e 
ferramentas utilizadas, nas vestimentas, nas habitações onde se 
busca abrigo (ULMANN, 1991, p. 84).
Um sentido para a vida
A cultura constrói um chão (ethos) ordenando o mundo e o agir dos 
homens de acordo com os valores que preserva e propaga. Noções 
de valor, de dever, de bem e de mal, de lícito e ilícito, permissões, 
tabus e proibições são construções culturais e fazem parte da 
“alma” que dá sentido à vida dos indivíduos e de um povo. 
Toda cultura é expressão dos anseios criadores do 
espírito humano em busca da satisfação de suas 
necessidades e sonhos. A cultura é integrada por 
forças sociais muito diferentes e complementares, 
como a religião, a pátria, as instituições, os vínculos de 
parentesco, o idioma, as festas, a arte, etc. Um mundo 
de valores tão diferentes que inspiram os seus povos, 
bem como suas formas diversas de habitar, vestir, 
falar, trabalhar, relacionar-se. A cultura é a expressão 
da vida criadora de um povo.
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A cultura nasce da satisfação das necessidades básicas, ligadas à 
sobrevivência e manutenção da vida dos grupos humanos. O ser 
humano busca alimentar-se, aquecer-se, abrigar-se do frio, dos 
ventos, dos inimigos, das intempéries. Estas necessidades básicas 
geram necessidades instrumentais, tais como a construção de 
artefatos, e necessidades integrativas, tais como a organização em 
grupos cooperativos e o desenvolvimento de um sentido de valor 
e ética. (MALINOWSKI, 1975, p. 43).
Seção 4 - A cidade e o Estado
A Cidade (pólis) na antiguidade e o Estado na modernidade são 
construções do mundo cultural, obras da racionalidade humana, 
personificação da existência do ser pensante. Por isso, não 
escapam ao olhar atento da Filosofia. Vejamos:
A Cidade Antiga
O homem da Filosofia clássica grega é um animal político 
e encontra na pólis um lugar de realização de todas as suas 
potencialidades. A pólis é o lugar onde a vida humana pode ser 
vivenciada em todas as possibilidades e potencialidades: o lugar 
da civilização (civitas).
A Filosofia é filha da pólis. A vida na pólis introduz três aspectos 
novos e decisivos para o nascimento da Filosofia. Veja em seguida.
 � A ideia da lei como expressão da vontade de uma coletividade 
humana que decide por si mesma o que é melhor para si e 
como definirá suas relações internas, dentro da pólis. 
 � O surgimento de um espaço público, que faz aparecer 
um novo tipo de discurso, diferente daquele que era 
proferido pelo mito. Agora, com a pólis, surge a palavra 
como direito de cada cidadão de emitir em público sua 
opinião, discuti-la com os outros, persuadi-los a tomar 
uma decisão proposta por ele, de tal modo que surge o 
discurso político como a palavra humana compartilhada, 
como diálogo, discussão e deliberação humana.
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Introdução à Filosofia
Unidade 4
 � A estimulação de um pensamento e um discurso que não 
procuram ser formulados por seitas secretas dos iniciados 
em mistérios sagrados, mas que procuram, ao contrário, 
ser públicos, ensinados, transmitidos, comunicados e 
discutidos. A ideia de um pensamento que todos podem 
compreender e discutir, que todos podem comunicar e 
transmitir, é fundamental para a Filosofia. 
A vida urbana enfraquece o saber das tradições religiosas da 
mitologia. Na mitologia, os deuses são criadores do mundo, e o 
rei, escolhido por deus, é o criador da ordem social. A pólis rompe 
com este mecanismo ao surgir como criação da vontadehumana. 
Os acontecimentos, antes considerados realizações do rei (e dos 
deuses), perdem a base de compreensão. Tornam-se problemas do 
homem. Para resolvê-los, o homem deve servir-se do meio que 
ele próprio desenvolveu ao criar a pólis: a razão.
Também o centro da cidade sofre uma mudança radical com a 
ágora, a praça pública, onde acontecem as transações comerciais 
e as discussões sobre a vida da cidade. O acesso à ágora torna-se 
cada vez maior, estendendo-se, com a instituição da democracia, 
a todos os habitantes do sexo masculino, adultos e que não sejam 
estrangeiros ou escravos.
Os atenienses compartilham a experiência da democracia, em 
que o mundo humano aparece como uma criação do próprio 
homem. Nesse mundo, não há um único princípio que tudo 
comanda, mas convenções que os homens estabelecem, para, 
segundo os sofistas, depois abandonar. 
Na democracia, na qual as diferenças sociais e 
econômicas não contam, a linguagem é a grande 
força que têm os seres humanos. Por isso, a vida na 
pólis faz crescer em importância a Filosofia, a Oratória 
e a Retórica enquanto artes do convencimento.
A morte de Sócrates e as experiências políticas levaram Platão 
a verificar que não é possível ser justo na cidade injusta e que a 
realização da Filosofia implica não só a educação do homem, mas 
a reforma da sociedade e do Estado. 
Praça pública das antigas 
cidades gregas, em 
geral constituída de um 
espaço aberto, cercado 
de edifícios públicos. 
Símbolo da democracia 
grega, utilizada sobretudo 
em atividades políticas e 
assembléias dos cidadãos.
Em 479 a.C. acontece a 
vitória de Atenas sobre 
os persas, consolidando 
a democracia na cidade. 
Dentre os novos valores 
que surgem está o da 
educação. Trata-se de 
formar cidadãos aptos à 
vida pública, e, para isso, 
exigem-se bons oradores, 
que saibam argumentar 
em público. Dessa 
educação encarregam-se 
os sofistas
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Na visão platônica, a sociedade perfeita seria aquela em que 
cada classe e unidade estivessem fazendo o trabalho ao qual 
sua natureza e sua aptidão melhor se adaptassem; aquela em 
que nenhuma classe ou indivíduo interfeririam nos outros, mas 
em que todos cooperariam na diferença para produzir um todo 
harmonioso. Este seria um Estado justo (na justa medida). O 
fim do Estado é tornar o indivíduo feliz, facilitando-lhe a prática 
das virtudes. Sua constituição corresponde às três partes da alma 
e distingue-se no Estado em três classes sociais: a) os filósofos, 
únicos capazes de desempenhar cargos públicos; b) os guerreiros, 
incumbidos da defesa social; e c) os operários, encarregados da 
sua subsistência material.
O Estado moderno
A ideia moderna de Estado aparece a partir do Renascimento, 
quando se começa a refletir sobre a relação entre governados 
e governantes e a questionar os regimes absolutistas. A 
modernidade mostra que o Estado representa um poder que, 
para ser legítimo, deve ser respeitado sem ter de recorrer à força, 
pois recebeu da sociedade autorização para exercer tal poder. A 
organização do Estado materializa um acordo entre os cidadãos, 
por isso ele tem o controle do poder e está autorizado a legislar, 
administrar e, se necessário, punir. 
O Estado é uma construção da sociedade moderna, 
representa e encarna os valores da modernidade. Dife-
rentemente dos governos monárquicos, representa-
dos pela figura do rei, o Estado não tem rosto. Isto lhe 
confere um poder muito maior do que o das anteriores 
formas de organização social. Este poder se confron-
tará, por vezes, com o ideal de liberdade individual 
cultivado na modernidade. 
O sociólogo alemão Max Weber (1864-1920) fez do Estado o 
seu principal objeto de reflexão e mostrou que as características 
principais do Estado moderno são o exercício do poder 
burocrático e o monopólio da violência física autorizada, condição 
para o exercício da soberania e necessária para fazer cumprir a lei.
(WEBER, 2002).
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Introdução à Filosofia
Unidade 4
Diferentemente da realeza, que dizia “o estado sou eu”; na 
modernidade, compreendemos que o Estado moderno somos 
nós, está em nós: nós o elegemos e por isso lhe obedecemos. O 
Estado é um instrumento inventado pelos homens para resolver 
um problema fundamental: a ordem e a segurança necessárias 
para a vida em comunidade. 
Seção 5 - A religião
A reflexão sobre Deus e sobre a experiência religiosa está presente 
em toda a história da Filosofia. Os pré-socráticos concebiam 
Deus como imanente ao mundo, como parte da realidade das 
coisas. Tales dizia que todas as coisas estão cheias de Deus 
e Xenofantes fala de um único Deus, estático e imanente ao 
mundo. Sócrates, Platão e Aristóteles fazem Filosofia num 
contexto politeísta em que os deuses retratam as grandezas e 
misérias humanas. 
O que é experiência religiosa
A experiência religiosa é produto da fé humana na existência 
de uma ou mais entidades divinas -- um deus ou muitos deuses, 
e na possibilidade de se relacionar com este(s). Ela provém das 
revelações do mistério, do oculto, por algo que é interpretado 
como mensagem ou manifestação divina. Tais revelações são 
transmitidas por alguém, por tradição acumulada ao longo da 
história, ou através de escritos sagrados.
De modo geral, a experiência religiosa apresenta 
respostas para questões que o homem religioso 
não consegue resolver segundo o seu juízo, com 
o conhecimento científico ou filosófico. Assim, as 
revelações feitas pelos deuses ou em seu nome são 
consideradas por este homem como satisfatórias e 
aceitas como expressões de verdade. Tal aceitação, 
porém, racional ou não, tem necessariamente de 
resultar da fé que o aceitante deposita na existência 
de uma divindade.
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A dimensão do sagrado
As religiões organizam-se em torno da noção do que é sagrado. O 
sagrado abrange tudo o que este mundo pode ter de misterioso e que 
não podemos entender por meio do simples esforço da inteligência.
A palavra ‘sagrado’ vem do latim sacer, que significa 
‘separado’. A religião impõe uma separação entre o 
mundo dos homens em relação com a divindade e 
o mundo natural. Assim, o que os homens criaram, 
e cuja origem é misteriosa, pode chegar a ter um 
caráter sagrado. 
O sagrado sempre provocou, nas culturas primitivas, fascínio 
e temor. O sentido do sagrado é o sentimento da absoluta 
dependência do homem em relação a um poder que o supera 
infinitamente e que dá sentido a sua existência. Sendo assim, 
surgem as concepções de que um ser vivo é um ser movido por 
algo invisível que lhe mantém a vida. 
Disto conclui-se que tudo o que se move, corre ou se transforma, 
possui uma força invisível que o dirige. No universo do sagrado, 
essas forças, esses espíritos, dominam o mundo e constituem a 
realidade última de todas as coisas. O caminho do sagrado é o da 
experiência de que algo invisível domina o mundo visível.
O fundamento da fé
A religião encontra na fé o seu fundamento. A fé nos pede para 
acreditar no impossível. Caracteriza uma determinada atitude do 
indivíduo que se deixa conduzir pelos princípios de determinada 
crença. A fé pede humildade ao homem que reconhece a sua 
ignorância (não saber) e sua fragilidade. A fé pede também 
confiança, ou seja, acreditar sem compreender, sem evidências 
concretas. Por isso, a fé não pode ser posta à prova. Quando assim 
o fazemos, acabamos por perdê-la. É o que dizem diferentes 
concepções religiosas do ocidente.
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Um fundamento para a moralidade
Na história do ocidente, as concepções religiosas têm-se 
transformado num fundamento para a moralidade. Para os 
judeus, foi Moisés quem mudou a maneira de honrar ao Deus 
único. Já não se trata de oferecer um sacrifício para demonstrar 
nosso temor da forçadivina. Basta respeitar as regras de vida que 
Deus ditou a seu povo. A religião converte-se em um respeito 
de cada instante da vida cotidiana e não demonstrável somente 
durante a cerimônia do sacrifício. O cristianismo acrescentará 
uma dimensão interior a essa interpretação.
A expressão concreta de cada religião está relacionada com 
as características sociais, econômicas e culturais de cada 
civilização e da cada época, para as quais estabelece um 
fundamento para a moralidade.
Seção 6 - A Arte
Quando a racionalidade silencia, surge a arte como espelho 
da alma, e a reflexão faz-se emoção, sentimento, afeto, beleza, 
alegria e dor, medo e confiança. Eis o homem, falando do 
mundo, falando de si, feito arte.
Expressão de um conhecimento
A arte oferece o conhecimento sobre determinada coisa ou 
realidade, interpretado pela sensibilidade do artista e traduzido 
numa obra. Desde os tempos pré-históricos, o ser humano 
constrói no mundo suas próprias coisas, demonstrando maior 
ou menor habilidade. A esse conjunto de coisas construídas pelo 
homem e que se distinguem por revelarem capricho, talento, 
beleza, chamamos de arte.
Quem já não sentiu o efeito de alguma obra de arte 
sobre os seus sentimentos, emoções, juízos? 
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Mas não é tarefa fácil explicar, exatamente, o que leva as pessoas 
a se encantarem com uma obra de arte, ou entender as razões 
pelas quais milhões de seres humanos, ao longo da história, 
sentem-se fascinados e atraídos por manifestações artísticas.
A arte é produto do fazer humano. E deve combinar 
habilidade com imaginação. Qualquer que seja sua 
forma de expressão, cada obra de arte é sempre 
perceptível, com identidade própria. A arte é 
manifestação (expressão) dos sentimentos humanos. 
Uma capacidade de comunicar sentimentos, partilhar 
visões de mundo, emoções e racionalidades. 
Expressão de humanidade
Desde os mais remotos tempos, a arte nos define como seres 
humanos e nos diferencia qualitativamente das demais criaturas. 
Este simbolismo (capacidade que o objeto ou obra de arte 
tem de evocar uma outra realidade) que contém a obra de arte 
corresponde a uma particularidade da espécie humana.
Na Grécia, a procura da beleza não se limitava à capacidade 
criadora dos artistas: ela defendia, demonstrava, questionava 
valores. A ideia da beleza está ligada às noções de harmonia, 
simetria, equilíbrio, justa proporção e se transforma numa proposta 
ética na medida em que busca reproduzir, no comportamento 
moral dos indivíduos e sociedade, esses valores e ideais. 
Com a modernidade, a arte deixou de considerar a beleza 
(equilíbrio entre forma e conteúdo) como a meta principal, para 
se ocupar da realidade humana. Passa a expressar a vontade, visão 
do mundo do artista, com o objetivo de manifestar sentimentos 
ou provocar uma reflexão. 
Em cada época, a arte reflete, em parte, o tipo de 
sociedade em que se desenvolve. Na modernidade 
contemporânea, a arte liberta-se de todos os padrões 
e enquadramentos, dificultando inclusive a sua 
definição. Não tem compromisso nem mesmo com 
uma linguagem compreensível.
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Introdução à Filosofia
Unidade 4
Expressão da liberdade
Para Nietzsche, a arte é a única prática autêntica, porque é uma 
ilusão que se reconhece como tal e, portanto, não pretende 
expressar a verdade de um mundo inventado, como a ciência ou a 
religião. Só na criação artística o homem é livre de inventar suas 
próprias regras. Segundo ele, a arte fará nos tempos modernos 
o que fez a Filosofia na Grécia antiga: manifestará o espírito do 
homem livre. (NIETZSCHE, 2007, p. 32).
Durante vários séculos, nos quais a arte era considerada uma 
imitação da natureza, a criação artística não era valorizada como 
uma criação original. Muitas veze tratava-se de ser fiel a uma 
tradição, a uma técnica. A partir do Renascimento, o interesse 
pelo novo permitiu uma liberdade maior aos artistas que se 
concentraram em sua capacidade de inovação. 
O artista manifesta em sua obra a sua forma de 
ver o mundo. Nesta concepção, a obra não tem 
compromisso com a verdade, mas quer comunicar 
um olhar sobre o mundo, do lugar de um sujeito 
que domina esta linguagem. Por isso se deseja livre, 
comprometida somente com os sentimentos e 
emoções do sujeito que por ela fala. E se o discurso 
proferido na obra de arte falar com sentido também 
para nós: será arte!
Seção 7 - As disciplinas clássicas da Filosofia
A Filosofia é uma explicação racional da realidade mediante a 
elaboração de conceitos. Há quem duvide da sua utilidade, e, para 
estes, vale citar o texto de Ewing (1984):
Não esgotamos, porém, tudo o que pode ser dito em 
favor da Filosofia. Pois, à parte qualquer valor que 
lhe pertença intrinsecamente acima de seus efeitos, a 
Filosofia tem exercido, por mais que ignoremos isso, uma 
admirável influência indireta até mesmo sobre a vida de 
gente que nunca ouviu falar nela. Indiretamente, tem sido 
destilada através de sermões, da literatura, dos jornais e 
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130
Universidade do Sul de Santa Catarina
da tradição oral, afetando assim toda a perspectiva geral 
do mundo. Em grande parte, foi através de sua influência 
que se fez da religião cristã o que ela é hoje. Devemos 
originalmente a filósofos idéias que desempenharam 
papel fundamental para o pensamento em geral, mesmo 
em seu aspecto popular, como, por exemplo, a concepção 
de que nenhum homem pode ser tratado apenas como 
um meio ou a de que o estabelecimento de um governo 
depende do consentimento dos governados. No âmbito 
da política, a influência das concepções filosóficas tem 
sido expressiva. Nesse sentido, a Constituição norte-
americana é, em grande parte, uma aplicação das idéias 
do filósofo John Locke; ela apenas substitui o monarca 
hereditário por um presidente. Similarmente, admite-se 
que as idéias de Rousseau tenham sido decisivas para a 
Revolução Francesa de 1789. 
Como foi visto, a Filosofia é, antes de tudo, uma prática de 
vida que procura pensar os acontecimentos além de sua pura 
aparência. Assim, ela pode se voltar para qualquer objeto. Pode 
pensar a ciência, seus valores, seus métodos, seus mitos; pode 
pensar a religião; pode pensar a arte; pode pensar o próprio ser 
humano em sua vida cotidiana. Entre as áreas de conhecimento 
da Filosofia, destacamos as que seguem.
Filosofia Política
A Filosofia Política estuda a relação entre política e poder, 
autoridade, violência, coerção, origem e formas do Estado, ideias 
conservadoras, revolucionárias etc. Procura entender a política, 
refletindo sobre a luta pelo poder, sobre as instituições por meio 
das quais se exerce o poder, e promove a análise crítica das 
ideologias e sistemas políticos. A Filosofia dedica atenção especial 
à política por ser ela elemento indispensável na vida social.
Teoria do Conhecimento
O conhecimento é o pensamento que resulta da relação 
que se estabelece entre o sujeito que conhece e o objeto 
que é conhecido. A Filosofia preocupa-se com as formas e 
possibilidades de o sujeito conhecer o real e de se apropriar 
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Introdução à Filosofia
Unidade 4
dele. A Teoria do Conhecimento é uma disciplina filosófica que 
investiga quais são os problemas decorrentes da relação entre o 
sujeito e o objeto do conhecimento, bem como as condições do 
conhecimento verdadeiro e os tipos de conhecimento.
Ética ou Filosofia Moral 
É uma parte da Filosofia que busca refletir sobre o 
comportamento humano sob o ponto de vista das noções de 
bem e de mal, de justo e de injusto. Sendo assim, ela tem, pelo 
menos, dois objetivos: elaborar princípios de vida capazes de 
orientar o homem para uma ação moralmente correta e refletir 
sobre os sistemas morais elaborados pelos homens.
O comportamento humano é sempre um comportamento moral, 
dotado de moralidade.A Ética ou Filosofia Moral faz deste 
comportamento seu objeto de reflexão.
Lógica
Interessa aos filósofos a formulação de raciocínios que cheguem 
a resultados verdadeiros. Para alcançar este objetivo, diversos 
pensadores lançaram-se à tarefa de analisar as estruturas dos 
raciocínios, organizando-as e classificando-as. Esta é a tarefa da 
Lógica enquanto disciplina filosófica. 
Estética e Filosofia da Arte
A estética pretende alcançar um tipo específico de conhecimento: 
aquele que é captado pelos sentidos. Ela parte da experiência 
sensorial para chegar a um resultado definido como “o belo”, 
que não apresenta a mesma clareza e distinção lógico-racional 
de outras disciplinas. Seu principal objeto de investigação é a 
obra de arte. O ideal de beleza da estética manifesta harmonia 
e equilíbrio entre a forma e o conteúdo. A Filosofia da Arte, 
por sua vez, é uma reflexão filosófica sobre os diversos aspectos 
histórico-culturais das manifestações artísticas.
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Universidade do Sul de Santa Catarina
7.6) Metafísica ou Ontologia
A metafísica designa o que está além do mundo físico e provém 
da tradição aristotélica. Identifica os livros que tratavam do que 
Aristóteles denominava Filosofia Primeira, algo parecido ao 
que hoje se entende por Ontologia (estudo da origem dos seres). 
Ao longo da história da Filosofia, tem sido comum incluir na 
metafísica tanto os estudos mais abstratos sobre o conceito de 
realidade, sobre o ser, bem como as reflexões filosófico-teológicas 
sobre o ser supremo, a causa primeira etc.
Antropologia Filosófica
A Antropologia Filosófica é o estudo ou a reflexão acerca do ser 
humano. Desde o início da cultura ocidental, a reflexão sobre 
o ser humano foi uma constante no pensamento filosófico. É 
o homem interrogando a si mesmo e sobre a sua relação com 
o mundo exterior. Para Vaz (1991, p. 10-11), a Antropologia 
Filosófica precisa cumprir três tarefas fundamentais; a elaboração 
de uma idéia do homem que leve em conta, de um lado, os 
problemas e temas presentes ao longo da tradição filosófica e, 
de outro, as contribuições recentes das ciências; uma justificação 
crítica dessa idéia; uma sistematização filosófica dessa idéia do 
homem que seja capaz de responder ao problema clássico da 
essência: “O que é o homem?”.
Filosofia da Linguagem
A linguagem como manifestação da humanidade do homem, 
signos, significações, é o objeto de estudo da Filosofia da 
Linguagem. Trata-se de tendência contemporânea da Filosofia, 
que se pretende limitar a considerar os fatos da linguagem. 
Conforme Wittgenstein (1994, p. 165): 
“A maioria das questões e proposições dos filósofos 
provém de não entendermos a lógica de nossa 
linguagem... Não é de admirar que os problemas mais 
profundos não sejam propriamente problemas.”
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Introdução à Filosofia
Unidade 4
História da Filosofia
O estudo dos diferentes períodos da Filosofia, de filósofos, de 
temas e problemas, de relações entre o pensamento filosófico e 
as condições econômicas, políticas, sociais e culturais de uma 
sociedade, de mudanças de concepção do que seja a Filosofia e de 
seu papel, constituem o objeto de estudo da História da Filosofia. 
Síntese
O que é o homem? que é o mundo? que é a cultura? que é a cidade? 
que é a religião? que é a arte? Compreender a vida e dar um sentido 
para ela é a nossa tarefa, uma tarefa humana. Ao perseguir tais 
conceitos e temáticas, a Filosofia busca a real natureza de cada coisa. 
Por isso ela pensa o mundo e volta-se sobre ele, abrindo perspectivas 
de conhecimentos favoráveis à realização pessoal.
Atividades de autoavaliação
Para praticar os conhecimentos apropriados nesta unidade, realize as 
atividades propostas.
As respostas estão disponíveis no final do livrodidático. Mas se esforce 
para resolver as atividades sem ajuda das mesmas, pois, assim, você 
promoverá a sua aprendizagem.
1) Comente a afirmação: “A cultura é a expressão da vida criadora de um 
povo.”
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2) A esfinge, criatura monstruosa com corpo de leão, cabeça humana 
e asas, monstro devorador, na representação mais comum, foi 
um importante tema mitológico nas antigas civilizações egípcia 
e mesopotâmica. Na Grécia, literatura e arte inspiraram-se 
frequentemente no mito de Édipo e da esfinge. Esta, segundo a 
lenda, aterrorizava os habitantes da cidade de Tebas e matava os que 
não conseguiam resolver o enigma por ela proposto: “Que animal 
caminha com quatro pés pela manhã, dois ao meio-dia e três à tarde e, 
contrariando a lei geral, é mais fraco quando tem mais pernas?”. Qual a 
resposta para este enigma? 
3) Você é capaz de estabelecer uma relação entre as ideias sobre homem 
e sobre mundo apresentadas na Filosofia Grega com as defendidas 
pela Filosofia Cristã? Releia o conteúdo da unidade e tente superar este 
desafio.
4) Faça uma interpretação da esfinge Kerub, dos assírios, completando 
o quadro com exemplos de atitudes manifestas nos comportamentos 
humanos da atualidade:
Simbolismo Característica Principal Exemplo de Atitudes
Homem Boi Guiado pelos instintos e vida vegetativa
Homem Leão Guiado pelas emoções
Homem Águia Guiado pela razão
Ser Humano Com domínio sobre os instintos, emoções e razão
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Introdução à Filosofia
Unidade 4
5) Relacione a primeira coluna com a segunda:
( ) Filosofia da Linguagem
( ) Metafísica ou Ontologia
( ) Ética ou Filosofia Moral
( ) Estética ou Filosofia da Arte
( ) Lógica
( ) Teoria do Conhecimento
( ) Filosofia Política
( ) História da Filosofia
( ) Antropologia Filosófica
 I. Estuda a produção filosófica e sua relação com os diferentes contextos 
históricos.
 II. Investiga as manifestações artísticas em busca da realização do 
conceito de belo.
 III. Estuda as possibilidades do conhecimento e a relação que se 
estabelece entre sujeito cognoscente e objeto a ser conhecido.
 IV. Um campo de reflexão em que o homem interroga a si mesmo, 
buscando a compreensão da sua natureza.
 V. Considera os fatos da linguagem como objeto primordial da 
investigação filosófica.
 VI. Visa orientar o homem em suas ações e comportamentos.
 VII. Busca a compreensão do que está além da física e investiga a origem 
dos seres.
 VIII. Auxiliar na formulação de raciocínios que cheguem a resultados 
verdadeiros é o objetivo desta disciplina.
 IX. Estuda as relações que se estabelecem na sociedade em vista da 
manutenção ou conquista do poder.
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Saiba mais
Ao final desta unidade, delicie-se com a crônica que segue, de 
Antônio Prata. Um misto de Filosofia, arte, visão de mundo, 
crítica da cultura, reflexão sobre o homem e sobre o sentido da 
vida. Boa leitura!
Devagar é mais Gostoso
Crônica de Antônio Prata
O cara chegou empolgado como se fosse me comunicar 
a descoberta da vida em Marte ou a receita mágica para 
transformar pão duro em ouro. O que contou, no entanto, me 
pareceu bem menos interessante: os japoneses haviam criado 
um computador capaz de processar 3 milhões de dados em 1 
segundo. “Três milhões!”, repetia ele entusiasmado e com umas 
gotinhas de suor na testa.
Não que eu quisesse acabar com a alegria do sorridente 
entusiasta da revolução informática, mas tive que perguntar: “e 
para que serve, filho de Deus, processar tantos dados ao mesmo 
tempo?”
O indivíduo me olhou, admirado de que eu não me admirasse 
diante de estupenda velocidade. Fitou-me com uma cara 
estranha, e ali eu pude perceber que, por trás de seu espanto 
pela minha falta de espanto, havia um terceiro espanto: ele 
também não sabia qual era a utilidade daquela colossal 
capacidade do computador japonês. Simplesmente nunca tinha 
parado para pensar no assunto.E acho que ele não é o único. 
Quantos de nós ficamos de queixo caído diante da suposta 
rapidez que a tecnologia pratica?
Temos a ilusão de que supercomputadores que fazem num 
segundo o que há anos fazíamos em dias, com aviões que 
percorrem em horas o que há séculos percorríamos em meses, 
o trabalho ficará mais rápido, a vida mais fácil, voltaremos mais 
cedo para casa e teremos tempo para brincar com o cachorro, 
jogar pingue-pongue e comer brigadeiro. Mentira!
Do jeito que o mundo está organizado (visando o lucro em 
primeiro lugar), quanto mais rápida é a tecnologia, mais teremos 
que trabalhar! Suponhamos que há 50 anos um trabalhador 
levasse oito horas para fazer uma mesa e que hoje, com a 
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Introdução à Filosofia
Unidade 4
tecnologia disponível, leve apenas duas. O que acontece com 
esse trabalhador?
a) trabalha só duas horas por dia, entrega a mesa ao chefe e vai 
para casa feliz, brincar com os filhos;
b) Trabalha o dia inteiro, assim como fazia antes, faz quatro mesas em 
vez de uma e só vai para casa exausto, no final da tarde.
Quem respondeu b, acertou. Se o mundo funciona como 
uma enorme empresa, que só pensa na grana, nenhum 
supercomputador ou qualquer outra invenção vai conseguir 
deixar nossa vida mais tranqüila.
Se a nossa ambição é ganhar tempo, sugiro que tiremos o pé 
do acelerador e o ponhamos no freio. Deixemos de lado, um 
pouco, os computadores que processam 3 milhões de dados 
e comecemos a processar, em nossos cérebros, uma meia 
dúzia de questões realmente fundamentais: para que serve 
tanto computador, se a cada 4 segundos uma pessoa morre de 
fome no mundo? Para que serve tanta velocidade, se uma das 
principais causas de morte entre os jovens, nas grandes cidades, 
são os acidentes de trânsito? E para que tanta pressa, meu Deus, 
se não sabemos sequer para onde estamos indo?
Se a sua ambição é ganhar tempo, sugiro que tire o pé do 
acelerador. 
Fonte: Prata ([200-?)].
Se desejar fazer uma viagem pelas raízes da espécie humana e 
assistir ao florescer da razão e das tecnologias, localize o vídeo:
• A Guerra do Fogo (La guerre du feu). Direção de Jean-Jaques 
Annaud. Fox Film, 100 min. VHS, França-Canadá, 1981.
E que tal ler um livro que irá problematizar os conteúdos 
apresentados nesta unidade e nas disciplinas que você frequentará 
ao longo do curso de Filosofia?
• NIETZSCHE, Friedrich W. Assim falou Zaratustra. Trad. 
Pietro Nasseti. São Paulo: Martin Claret, 2002. 
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5UNIDADE 5A Filosofia na vida e a vida na 
Filosofia
Objetivos de aprendizagem
 � Relacionar a vida humana em seu quotidiano e a 
reflexão filosófica.
 � Compreender a importância dos objetivos, metas e 
ideais para a realização da existência humana em todas 
as suas potencialidades.
 � Identificar a ‘Filosofia do Cuidado’ como aproximação 
ideal e desejável entre reflexão filosófica e vida humana.
 � Analisar o momento existencial humano e seu 
necessário reencontro com a sabedoria e a Filosofia.
Seções de estudo
Seção 1 A Filosofia e a vida
Seção 2 Ter objetivos é preciso
Seção 3 A Filosofia do cuidado
Seção 4 A defesa da sabedoria
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Filosofia é um exercício de pensamento, uma atitude de 
reflexão diante da vida e sobre ela. O pensar é a própria 
existência humana e, necessariamente, está sempre vinculado 
às experiências concretas do dia-a-dia. Do dia-a-dia, é daí que 
nasce, nutre-se e se constitui a Filosofia. 
O homem vive no mundo, é o seu mundo. No mundo e 
com o mundo, faz da vida quotidiana objeto de reflexão, 
compreendendo-a, escolhendo-a, assimilando-a, transformando-a. 
O pensamento filosófico, sempre que se afasta da experiência 
quotidiana, não o faz com a intenção de negá-la, mas de estar mais 
presente nela, percebendo-a em toda a sua amplitude.
Seção 1 – A Filosofia e a vida
Ao longo de sua evolução histórica, a Filosofia sempre foi um 
campo de luta entre concepções antagônicas: materialistas e 
idealistas, empiristas e racionalistas, etc. Esse caráter antagonista 
da especulação filosófica decorre da dificuldade de se alcançar 
uma visão total das múltiplas facetas da realidade. 
Entretanto, é justamente no esforço de pensar essa realidade, 
para alcançar a sabedoria, que o homem vem conquistando ao 
longo dos séculos uma compreensão mais cabal de si mesmo e 
do mundo que o cerca, e uma maior compreensão das próprias 
limitações de seu pensamento. Isso permite ao homem a 
reconstrução do seu passado, que, por sua vez, o ajudará na 
compreensão do presente e na construção do futuro.
O saber filosófico, conforme Luckesi e Passos (1996, p. 92-
93), analisa o cotidiano dos seres humanos em sociedade, 
buscando investigar o seu sentido e o seu papel. Desse modo, 
quando trata dos assuntos e temas, mesmo da forma mais 
abstrata, tem articulações e fundamentação na realidade 
concreta e só faz sentido se for um saber que se voltará para o 
concreto, oferecendo-lhe, sob a forma de visão de mundo, um 
direcionamento para a práxis. 
Introducao a Filosofia.indb 140 15/12/11 13:46
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Introdução à Filosofia
Unidade 5
E, sendo uma concepção de mundo, a Filosofia 
cumprirá bem o seu papel de norteadora da práxis 
humana, à medida que ultrapassar os limites indivi-
duais de autores e estudiosos acadêmicos e der forma 
ao modo de pensar e de ser da multidão, das grandes 
massas. O poder do pensamento filosófico está na 
possibilidade de direcionar o sentido e o significado 
do cotidiano da coletividade social.
Viver é escolher
Vimos que, desde a mais remota Antiguidade, o ser humano 
aspira a compreender a si mesmo e o mundo em que vive. 
Assim nasceu a Filosofia no ocidente. Esta aspiração humana de 
interpretar o mundo, a sociedade e a si próprio é mais do que um 
desejo, pois, no homem, curiosidade e necessidade andam juntas. 
Vamos conversar agora sobre o modo de ser humano.
Um ser que pode ser mais
O ser humano não se encontra, ao nascer, plenamente constituído 
em seu ser. Esta aparente fragilidade inicial é o grande diferencial 
da espécie humana: o ser humano pode ser mais. Por isso não 
basta ao ser humano viver simplesmente. Ele quer compreender 
a vida, pois precisa realizá-la. O ser humano é um ser “por fazer-
se”. Precisa, conforme Gambin (1987), assumir o compromisso 
de ir realizando sua vida como um projeto seu. Para tanto, vê-se 
constantemente diante de escolhas, possibilidades, caminhos, e 
constrói a sua vida a partir das escolhas que faz. GAMBIN, Pedro. A Vida Humana. Revista Mundo 
Jovem, abr. 1987.
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Viver é escolher. Eu, você, todos nós, somos fruto das 
nossas escolhas. É claro que nem todas as nossas 
escolhas foram conscientes e livres. Por isso podemos 
dizer que a nossa liberdade tem o tamanho das 
nossas possibilidades de escolher. Escolhemos com 
consciência quando a escolha é acompanhada de um 
saber (conscientia). Ter consciência (saber o que está 
escolhendo) é condição necessária para ser responsá-
vel. A vida, vivida como um projeto, exige responsabi-
lidade consigo, manifesta nas nossas escolhas.
O desejo de escolher bem
O homem é um ser consciente, no mundo e distinto do mundo. 
É o único capaz de tomar distância do mundo, compreendê-lo e 
transformá-lo. Esta ação consciente do homem sobre o mundo é 
denominada pela filosofia de práxis: unidade indissolúvel entre 
ação e reflexão.
Pela práxis, o homem, ser de necessidades e carências, 
abre-se ao mundo produzindo aquilo de que necessita 
para reproduzir e realizar a sua vida. O homem precisa 
do mundo e dos outros para produzir a sua vida. A vida 
humana depende da relação do ser humano com o 
mundo, com a natureza, com a sociedade.
Por isso, a ação consciente demonstra aresponsabilidade do 
homem consigo, com a natureza e com os outros. O ser humano 
realiza a sua vida por meio das relações que estabelece com as suas 
ações. Consigo, a relação é de descoberta da individualidade, da 
psique, do eu. Esta relação implica autoconhecimento, cultivo da 
auto-estima e uma atitude de cuidado para consigo mesmo. 
Com os outros estabelecem-se relações de cooperação ou 
competição, de solidariedade ou individualismo. A relação com 
a natureza é mediada pelo trabalho. Pelo trabalho, o homem 
produz o necessário para a subsistência, manutenção e reprodução 
da vida. A relação com os outros e com a natureza é a base da 
construção da identidade do indivíduo e da cultura.
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Introdução à Filosofia
Unidade 5
A ação consciente colocá-nos diante do desafio de esco-
lher o bem e o bom. Os antigos diziam que: o que é bom para 
a leoa, não pode ser bom à gazela. E, o que é bom à gazela, fatalmente 
não será bom à leoa. Deste tipo de dilema surge a necessi-
dade de definir o bom e o bem.
Os filósofos antigos adotaram diversas posições na definição do 
que é bom, sobre como lidar com as prioridades em conflito dos 
indivíduos versus o todo. 
Aristóteles (384-322 a.C.) definia como objetivo de todo o 
pensar a busca do contentamento e a felicidade com o bem 
supremo a ser alcançado. 
Mas o que é a felicidade? O que o(a) deixa contente? 
O que lhe faz bem? 
Para responder a esta questão, surgiram diferentes escolas de 
pensamento no mundo antigo, cuja influência perdura até os 
nossos dias. Conheça-as.
 � O Eudemonismo (do grego eudaimonia, felicidade) 
defende que o bom é o que traz felicidade. Se o(a) deixou 
feliz, é bom, e pronto! 
 � O Hedonismo (do grego hedoné, prazer) diz que o bom 
é o que dá prazer. Devemos buscar o prazer! Como um 
fim em si mesmo, exacerbando os sentidos, buscando o 
prazer duradouro. 
 � O Utilitarismo defende que o bom é o que é útil e 
vantajoso. Tendo utilidade é bom! Mas, útil para quem? 
Para quantos? E os velhos, inválidos e crianças? 
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Escolher, eis o desafio! Escolher o bem, escolher o que 
é bom, para si mesmo, para os outros, para o mundo. 
Construir o seu projeto de vida com as escolhas que faz e 
encontrar o contentamento, a existência feliz.
Pensar assim é viver a vida com arte, como ensinavam os 
antigos gregos; viver como quem constrói um projeto e ergue 
uma construção, edifica uma obra. Viver com cuidado, como 
um artista atento aos mínimos detalhes de sua obra, sendo 
otimista consigo (auto-estima) e com os outros (respeito e boa fé); 
fomentando em si e nos outros o desejo de ser melhor. 
Desta forma, o objetivo da ética é determinar o que é bom, tanto 
para o indivíduo como para a sociedade como um todo. É o que 
veremos na próxima seção.
Seção 2 - Ter objetivos é preciso
Desde a mais remota Antiguidade, o homem aspira a 
compreender a si mesmo e o mundo em que vive. Todo o 
desenvolvimento mitológico, religioso, filosófico e científico 
originou-se dessa aspiração humana de interpretar o mundo, a 
sociedade e a si próprio. Vamos conversar, agora, sobre o modo 
de ser humano.
Cabe lembrar que somos parte da natureza e que, como tal, o 
destino da vida humana é uma simbiose com o planeta Terra. 
Entre a humanidade e o mundo da matéria existe uma afinidade 
profunda e radical. A existência humana é de real colaboração 
entre a terra e os seres humanos. 
Um ser de muitas necessidades
Vimos que o homem não nasce pronto, precisa realizar a sua vida, 
suprindo suas necessidades. O homem é um ser de necessidades 
biológicas, psíquicas e sociais, satisfeitas na relação que estabelece 
com a natureza, consigo mesmo e com os outros. 
COMBLIN, J. Antropologia Cristã. 
Petrópolis: Vozes p. 159. 
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Introdução à Filosofia
Unidade 5
Entre todas as necessidades supracitadas, uma se impõe 
sobre todo ser humano: compreender a vida e dar sentido a 
ela! “Deixa a vida me levar... vida leva eu”, pode ser um bom 
refrão para um samba, mas não se constitui num caminho 
confiável para a realização das potencialidades e existência 
humana. Compreender a vida e dar um sentido a ela: eis a 
tarefa fundamental para a qual todo homem é chamado! 
Veja uma reflexão poética sobre este tema no texto da norte-
americana Nadine Stair.
 “Se eu pudesse viver de novo a minha vida, na próxima trataria 
de cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito, viveria mais 
frouxo. Seria mais bobo do que fui; de fato levaria a sério só umas 
poucas coisas. Seria menos higiênico. Correria mais riscos, faria mais 
viagens, contemplaria mais crepúsculos, escalaria mais montanhas, 
nadaria em muitos rios. Iria a mais lugares desconhecidos, comeria 
mais sorvetes e menos vagens, teria mais problemas reais e 
menos imaginários. Fui uma pessoa dessas que viveu sensata e 
pacificamente cada minuto de sua vida; e é claro que tivemos 
momentos de alegria. Mas, se pudesse voltar atrás trataria de ter 
somente bons momentos. Pois, caso não saibam, disto está feita a 
vida, só de momentos. Nunca percam o agora. Eu era um desses 
que nunca vão a lugar algum sem um termômetro, uma bolsa de 
água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas; se pudesse 
voltar a viver, viajaria com menos peso. Se pudesse voltar a viver, 
andaria descalço desde o começo da primavera até o fim do outono. 
Andaria de carrocinha, contemplaria mais alvoradas e brincaria com 
as crianças, se tivesse a vida pela frente. Mas vejam, tenho 85 anos e 
sei que estou morrendo”.
Fonte: Stair (1990)
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Ter objetivos é tudo!
Você já deve ter visto esta frase em algum lugar:
“Não há vento favorável para aquele que não sabe aonde vai!”
Ela é atribuída ao filósofo latino Sêneca (4 a.C.- 65 d.C.) e faz 
sucesso nas palestras e seminários motivacionais, porque mostra, 
com muita clareza, a necessidade de termos objetivos na nossa vida.
Neste sentido, também a frase: “Homem, conhece-te a ti 
mesmo”, pode ser lida de uma maneira moderna e atual. Ao 
escolher esta frase como símbolo de sua filosofia, Sócrates (470-
399 a.C.) ensina que o cultivo da alma (o conhecimento) vale 
mais do que toda riqueza material. O autoconhecimento permite 
ao ser humano compreender a vida, dar razão e sentido para ela e 
dar sentido também para as coisas que tem ou deseja.
Pare e pense: a vida, sem reflexão, vale a pena?
Nós sabemos o quanto é importante saber para onde 
se quer ir, não é mesmo? 
A vida humana é feita de luta, esforço, dedicação, que nos 
permitem preparar e construir um futuro. Para tanto, precisamos 
ter ideais, objetivos e metas.
O poeta catarinense Lindolff Bell (1984) diz, em um dos 
seus poemas, que cada um de nós é o que espera da vida, que 
somos do tamanho da nossa esperança: “Menor do que o meu 
sonho... não posso ser”. 
É da natureza do ser humano apostar na esperança, arriscar o 
real pelo sonho, transformar sonhos em desafios. Sem sonhos, 
sem esperança, sem objetivos na vida, não somos capazes nem de 
lutar, nem de sofrer.
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Introdução à Filosofia
Unidade 5
Por isso, ao falarmos sobre o modo humano de ser, podemos 
dizer: ter objetivos é tudo! Os objetivos atualizam a esperança e 
nos tornam fortes. Fazem-nos acreditar que é possível alcançar 
uma vida melhor e mais humana. Dão-nos a consciência de que 
somos seres inacabados, de que não estamos prontos.
E você? Tem clareza dos seus objetivos?
Pensar assim é viver a vida com arte, como ensinavam os antigos 
gregos. Viver como quem constrói um projeto e ergue uma 
construção edifica uma obra. Viver com cuidado, como um artista 
atento aos mínimos detalhes de sua obra sendo otimista consigo 
(auto-estima) e com os outros (respeito e boa-fé), fomentando em si 
e nos outros o desejode ser melhor.
A força da inquietude
A Filosofia é movimento, dinamismo, questionamento, mudança. 
A atividade filosófica é para os inquietos, para os que não se 
acomodam e nem se contentam com as primeiras respostas.
Qualquer atividade que envolva a racionalidade 
ensina a pensar, mas nenhuma atinge a radicali-
dade da atividade filosófica. Nenhuma instiga tanto, 
nenhuma demonstra tanta capacidade e vontade de 
nos converter realmente em seres livres.
Mas de que liberdade estamos falando? A atitude filosófica nos 
torna livres dos condicionamentos sociais e culturais que não 
criamos, das escolhas que não fizemos, dos caminhos que não 
escolhemos. Permite o exercício da liberdade de dar um sentido 
único, totalmente nosso para a realidade que nos circunda; 
envolve, mas não nos aniquila quando, diante dela, impomos a 
atitude filosófica. 
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Universidade do Sul de Santa Catarina
A filosofia liberta. E mesmo as obras filosóficas que 
mostram a originalidade do pensamento devem ser 
lidas e compreendidas dentro deste contexto de 
exercício da liberdade. Não procure nelas respostas ou 
caminhos. A filosofia liberta porque não faz discípulos 
ou seguidores. Os filósofos não oferecem respostas 
definitivas, senão uma inquietude que leva a colocar 
em suspenso as pretensas verdades.
A filosofia constrói o mundo. Sua tarefa não se resume a explicar 
o mundo. Ao dar um sentido para ele, o pensamento filosófico 
manifesta como ele é e como o desejamos.
A inquietude filosófica leva-nos ao diálogo com as visões 
concebidas da realidade. Dialogar filosoficamente é pôr à prova 
o que pensamos saber. Dialogamos com as obras filosóficas, com 
as concepções pré-concebidas da realidade, com nossas crenças 
e convicções, com as nossas dúvidas e inquietações. Dialogamos 
o tempo todo no exercício da atividade pensante, buscando o 
sentido da vida e das coisas. Isto é filosofia na vida.
Seção 3 - A Filosofia do cuidado
Vimos até aqui, que viver é escolher ser mais e, para tal, é 
necessário escolher bem, escolher o bem, ou seja: o que favorece 
a realização dos nossos objetivos e, consequentemente, da nossa 
vida. Vimos também que o pensar nos permite ver mais, ver o 
que não se enxerga num primeiro olhar, ver com profundidade as 
diferentes facetas da nossa existência. 
Nesta unidade, ainda visando estabelecer uma relação entre 
a vida e a filosofia, conversaremos sobre o termo cuidado 
como síntese e encontro da filosofia com a ética e com a vida, 
radicalmente humana no seu modo de ser. 
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Introdução à Filosofia
Unidade 5
O desejo de ser feliz
A tradição ocidental, desde os gregos clássicos, define a felicidade 
como objeto de estudo da filosofia, como saber supremo a ser buscado. 
Felicidade para quem? Para quantos? A que preço? O 
que posso fazer para ser feliz? O que não devo fazer para 
ser feliz? Qual é o caminho para a felicidade? Qual o seu 
conteúdo? O que é ser feliz? A felicidade é um senti-
mento, duradouro, forte? Ou não passa de uma leviana e 
pueril emoção? Você é feliz? Ou você está feliz?
Ser ou não ser feliz, eis a questão na qual se resume a vida.
Estamos vivendo tempos introspectivos. O ser humano, no 
começo do terceiro milênio, volta para si, busca conhecer-se e 
viver a vida de dentro para fora: exteriorizar-se! Quer existir! 
Acontecer! Mas, na busca de realizar este intento, encontra 
muitas dificuldades. 
A sociedade industrial capitalista criou um estereótipo de homem 
e vende este seu “tipo ideal” como caminho e possibilidade de 
realização do desejo de ser feliz. Um indivíduo que encontra 
no sucesso, no poder, no ter e no prazer um sentido para a 
vida. Disto resulta um indivíduo que não conhece a si mesmo e 
confunde a sua identidade com as emoções que vive e as coisas 
que tem. Um indivíduo que cuida de tudo, das coisas que tem e 
deseja, e que se esquece de si mesmo.
A Filosofia do cuidado
A felicidade, a realização dos nossos sonhos e objetivos, o estar 
sendo plenamente humano não é dádiva que recebemos ao 
nascer: é uma conquista, uma escolha, um propósito! Por isso, há 
que se viver com arte, com consciência, com cuidado. A busca da 
felicidade implica um cuidado do ser humano consigo mesmo. 
E, nisto, a Filosofia tem muito a contribuir. É aqui que ela se 
aproxima da vida e da sua mais sublime tarefa. 
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Martin Heidegger (1889-1976) chama-nos a atenção para 
o cuidado. Define-o como o solo em que se move toda a 
interpretação do ser humano, o fundamento para qualquer 
interpretação do humano. É a partir da condição, do encontrar-se 
como ser-aí, do estar lançado no espaço da mundanidade, que a 
pessoa constrói o seu modo de ser, a sua existência, a sua história, 
o seu sentido. 
Com o termo dasein (ser-aí), Heidegger define o sentido 
do existir e da existência humana: a existência humana é 
movimento, difusão, diluição. Ao se difundir e se diluir no 
mundo, o ser-aí perde-se e, através da angústia, se revela e 
se encontra. Estar angustiado é estar ocupado e preocupado 
com o sentido da existência, com o sentido de tudo que a 
compõe: o mundo, a vida, o trabalho, a educação, as relações, 
os sentimentos. A angústia não é uma fatalidade: é existência 
humana; e oferece o solo observável a partir do qual se pode 
apreender a totalidade originária da presença, quando o ser-aí 
se descobre estar-junto-com-o-outro nos diferentes espaços e 
tempos do cotidiano. 
O termo cuidado manifesta a atitude do homem 
diante da angústia: é o próprio ser da existência na 
sua capacidade de projetar-se a si mesmo e de poder-
ser. Palavras como precaução, diligência, carinho, zelo, 
responsabilidade, servem como descrição adjetivada 
para uma compreensão do cuidado. Com a atitude de 
cuidado, o dasein (ser-aí) dá lugar ao ser-em-si, reve-
lando uma compreensão acerca do modo como se 
organiza e vive o ser humano.
Michel Foucault (1926-1984) também contribui para a nossa 
reflexão na medida em que critica as pretensas evidências da 
sociedade moderna. Segundo Foucault, a sociedade moderna 
toma por verdades temas fabricados na história e os impõe aos 
indivíduos como normalidade. Foucault luta por uma nova 
subjetividade com a consequente afirmação do indivíduo. O que 
significa para ele uma libertação de uma dupla coação política. 
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Introdução à Filosofia
Unidade 5
Ou seja, a sociedade moderna, ao incentivar o individualismo 
e a subjetividade, instaura um processo de individualização. 
Pensamos e desejamos ser sujeito, ser único, ser vip, ser prime, 
ser especial. Esta individuação gera um paradoxo: a totalização. 
Quanto mais buscamos ser diferentes, mais somos massificados, 
totalizados. O pseudo-sujeito não passa de um sujeitado: quem 
escolhe o que você vê, come, consome? Diante deste poder 
arbitrário, Foucault propõe uma verdadeira insurreição contra 
as estruturas epistemológicas que agem no nível inconsciente, 
nutrem os campos do saber, manifestam-se nos Discursos, 
dando sentido às coisas. E, nesse movimento, produzem 
o normal e o patológico e um ideal de homem: o Homem 
Ocidental!
O objetivo do pensamento de Foucault é mostrar às 
pessoas que elas são muito mais livres e que a pre-
tensa evidência pode e deve ser criticada e destruída. 
Este é o papel da filosofia e do intelectual: mudar algo 
no espírito das pessoas! 
Pacheco e Nesi (2007, p. 221) apresentam a ética de Foucault 
como autoformação do sujeito; como o cuidado de si: 
um exercício, uma prática moral de si sobre si mesmo, 
que permite ao sujeito transformar-se e atingir um modo 
de ser. O cuidado de si é um exercício em que o sujeito 
pratica a liberdade. A liberdade é vista, por sua vez, como 
condição básica para a existência da ética. E a ética é 
entendida como a prática refletida, racional da liberdade...
E continuamos autores explicitando que 
se, por um lado, o cuidado de si é uma prática em que 
se exercita a liberdade, por outro lado esta liberdade não 
significa liberdade absoluta, mas, antes, autodomínio, 
autoconhecimento, além do conhecimento de certas 
regras de conduta e prescrições morais. (PACHECO; 
NESI, 2007, p.221).
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Cabe lembrar, segundo os nossos comentadores, que o cuidado de 
si não significa amor exagerado por si mesmo, nem negligência 
pelos outros, nem abuso dos outros, mas, também, cuidado 
dos outros. Contudo o cuidado dos outros é, para Foucault, 
um momento posterior ao cuidado de si. Assim, à medida que 
exercito o cuidado de mim mesmo, desenvolvo as condições 
necessárias para também cuidar dos outros. (PACHECO; NESI, 
2007, p. 220-222).
No livro “Saber cuidar: ética do humano – compaixão pela 
terra”, Leonardo Boff propõe o resgate do modo de ser cuidado 
como possibilidade de estabelecimento de uma relação simbiótica 
entre o ser humano e o cosmos.
Ao demonstrar a origem latina do termo, encontra dois 
significados: cura, desvelo, solicitude, atenção; e cogitare-cogitatus, 
preocupação, inquietação (BOFF, 2004, p. 90). 
Segundo Boff, o cuidado é um modo de ser, isto é, a forma como a 
pessoa humana estrutura-se e se realiza no mundo com os outros.
O autor apresenta o cuidado com singularidade humana: “Não 
temos cuidado. Somos cuidado. Sem cuidado, deixamos de 
ser humanos”. (BOFF, 2004, p. 89). Aqui o cuidado é atitude 
filosófica e comportamento ético. A atitude de cuidado provoca 
preocupação, inquietação e responsabilidade do ser humano 
consigo e com tudo mais que o rodeia, a natureza e os outros.
O cuidado sempre acompanha o ser humano. Na 
sua falta, manifesta-se a negligência e a indiferença. 
A negligência é a atitude de desleixo, descuido para 
consigo mesmo. É o oposto da atitude filosófica, a 
vida vivida sem cuidado, sem reflexão, sem consciên-
cia e responsabilidade. A indiferença é a atitude de 
desleixo, descuido para com a natureza e os outros. 
A negligência é a morte da filosofia. A indiferença é a 
morte da ética.
Simbiose: associação entre 
espécies vivas, beneficiando-se 
mutuamente; por extensão, 
associação entre seres vivos, 
sistemas sociais e máquinas; é 
o que ocorre, concretamente, 
no funcionamento de nossas 
sociedades atuais (BOFF, 2004, p. 
198).
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Introdução à Filosofia
Unidade 5
O filósofo e educador espanhol Fernando Savater, no livro Ética 
como amor-próprio, define o amor-próprio como um ideal de 
excelência, de realização plena do humano; e afirma que o mais 
amante de si mesmo é aquele que “se empenha acima de todas as 
coisas pelo que é justo, ou prudente, ou qualquer coisa conforme 
a virtude”. (SAVATER, 2000, p. 41).
Em sua proposta de ética, o autor aproxima-se da dimensão do 
cuidado quando afirma que o ideal do amor-próprio é o trato 
que o “eu” quer para si mesmo. Aqui a expressão trato tem o 
sentido de cuidado ou relação com algo; ajuste, transação, acordo 
(ibidem p. 90). O “eu” configura no ideal de seu amor-próprio a 
qualidade e o tipo de atenção que deseja para si mesmo e também 
estabelece a qualidade da relação a qual gostaria de sustentar na 
sua necessária inserção na realidade social e natural. (ibidem, p. 
91).
No amor próprio, encerra-se um instinto e um projeto humano: 
O homem, cada homem, ama a si mesmo. Ama a si 
mesmo porque cada um é para si mesmo, a condição 
de possibilidade imprescindível de todo o resto. Se não 
amasse a si mesmo não poderia amar nenhuma outra 
coisa; quando ama qualquer coisa, ama a si mesmo como 
requisito necessário da coisa amada. Quando amo, me 
amo. Quando me amo, sinto as bases para poder amar os 
outros. (SAVATER,2000, p. 209).
A filosofia é busca, é atitude, é inquietação, é cuidado. 
E pode manifestar-se de uma maneira especial, na 
arte de quem reflete sobre a vida tendo como ponto 
de partida o sentimento, a emoção. Artistas que nos 
dão a dimensão do “sinto, logo existo”. Dimensão tão 
necessária enquanto companheira do nosso carte-
siano e tradicional, “penso, logo existo”. 
Veja que bela reflexão sobre o sentido da Filosofia nas nossas 
vidas nesta composição (letra e música) de Sérgio Magrão e 
Luis Carlos Sá, imortalizada na voz de Milton Nascimento 
(Universal Music, 1981):
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Caçador de Mim
Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu caçador de mim
Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu, caçador de mim
Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura
Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
o que me faz sentir
Eu, caçador de mim 
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Introdução à Filosofia
Unidade 5
Também vale recordar, ao final desta reflexão sobre a filosofia do 
cuidado, a receita antropológica de Epicuro (341-270 a.C.), uma 
bela síntese da atitude filosófica perante a vida:
 � não há nada a temer contra os deuses;
 � não há necessidade de temer a morte;
 � a felicidade é possível; e
 � podemos escapar à dor.
Epicuro dizia que a “palavra” é como um pharmakon; 
tanto substância que cura, quanto substância que enve-
nena, depende da forma como ela é transmitida. E que a 
felicidade é uma conquista, é um direito de todos.
Epicuro busca o silêncio do campo para desenvolver a sua 
filosofia e escolhe um prédio com um jardim nos arredores de 
Atenas, longe do tumulto da vida pública. Suas lições acontecem 
no jardim. “Os filósofos do Jardim” passaram a indicar a Escola e 
os seguidores de Epicuro.
Tauria de Oliveira Gomes ( 2003, p. 151) assim sintetiza a 
“filosofia do jardim”:
a realidade é perfeitamente penetrável e cognoscível pela 
inteligência do homem; nas dimensões do real existe lugar 
para a felicidade do homem; desde que ele aprenda como 
buscá-la, a felicidade é ausência de dor e perturbação, e 
para atingi-la o homem só precisa de si mesmo. 
A autora afirma que a doutrina de Epicuro ensinada no Jardim 
pregava que a vida prática deve ser não somente a nossa principal 
mas também nossa única preocupação. Para Epicuro, a filosofia 
não é uma ciência, (no sentido de produzir conhecimentos e 
descobertas); é uma regra de comportamento (como devo agir?). 
Conheça o texto de Táuria 
Oliveira Gomes, A Ética 
de Epicuro: um estudo 
da carta a “Meneceu”. 
Metanoia, uma Revista 
Eletrônica da UFSJ - São 
João del-Rei, n. 5, p.147-
162, jul. 2003. 
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Universidade do Sul de Santa Catarina
E, por fim, encontramos no texto que segue (GOMES, 2003, 
p.151) um complemento para a compreensão e o conceito de 
Filosofia que desenvolvemos neste livro didático: 
Epicuro dizia que a filosofia era uma atividade destinada 
a estabelecer, por meio de raciocínios e de discussões, 
uma vida feliz, sendo o filosofar não apenas uma 
questão de palavras, mas sobretudo de atos. Ensinava 
que os homens fazem mal em perder tempo com buscas 
determinadas apenas pela curiosidade sobre assuntos que 
lhes importam pouco ou mesmo nada, quando deveriam 
concentrar todos os seus cuidados sobre as coisas que 
dizem respeito à sua felicidade.
Seção 4 - A defesa da sabedoria
No dia 13 de agosto de 1987, o Prof. Osvaldo Della Giustina, 
fundador da Unisul e, na época, Chefe de Gabinete do 
Ministério da Educação, proferiu uma Aula inaugural no curso 
de Filosofia da Fundação Educacional de Brusque (FEBE), em 
Brusque, Santa Catarina, desenvolvendo a seguinte temática: 
“O renascimento da Filosofia.” Passados mais de vinte anos, 
reproduzimos os principais conteúdos da reflexão apresentada por 
este visionário, paraconcluirmos esta unidade sobre a Filosofia 
na vida e a vida na Filosofia. 
Também queremos registrar, com esta inclusão, a histórica 
insistência do Prof. Osvaldo na defesa da Presença da 
Filosofia na nossa Universidade e sua preciosa colaboração na 
elaboração do projeto pedagógico deste curso, bem como na 
sua e implantação e animação.
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Introdução à Filosofia
Unidade 5
O renascimento da Filosofia
Osvaldo Della Giustina
Inicio, manifestando a minha convicção de que as crises 
existenciais pelas quais estamos passando, que se manifestam 
nas perplexidades éticas e comportamentais e que se 
ampliam para as crises das instituições políticas, econômicas 
e sociais, ameaçando a vida humana em sociedade; decorrem 
essencialmente disto: vivemos um tempo em que o 
conhecimento, e mesmo a simples informação, ameaçam tomar 
o lugar da sabedoria. Esta nefasta substituição vem acontecendo 
num processo progressivo e sorrateiro de renúncia do homem à 
sua condição humana, sem que ele mesmo o perceba.
A substituição da sabedoria pelo conhecimento e pela 
informação ameaça reduzir o homem a um simples componente 
do processo tecnológico da sociedade no meio de sua história, 
isto é, a alguém que, tendo perdido sua especificidade de ser 
humano – a sabedoria – se reduziu a máquina – ao nível do 
elemento a informação, repositório ou memória de informações: 
informações captadas, armazenadas e expressas, sem que 
tenha havido o processo de análise e síntese, através do qual 
a informação, elaborada pela inteligência, se transforma em 
conhecimento, e o conhecimento apreendido pela consciência 
num processo global, e por ela ativado, se transforma em 
sabedoria.
Isto quer dizer que é necessário levantar a voz em defesa do 
retorno do homem à sabedoria como condição de salvá-lo de ser 
submetido e comido pelos processos cegos com que sua própria 
criação o ameaça. Não por que esses processos tenham crescido 
demasiadamente, mas por que o homem não soube entendê-los, 
crescer mais do que eles e dominá-los. 
No entanto, tem-se disseminado a mentalidade de que este país 
não necessita da Filosofia, por que a filosofia não oferece mercado 
de trabalho, não tem utilidade. Tal argumento, e argumentos 
equivalentes usados com freqüência, revelam a pobreza dos 
conceitos que se têm do trabalho, da formação e, sobretudo, 
do homem, de sua capacidade de criar e fazer, a partir de sua 
qualidade essencial de pessoa.
Na verdade, são enganosas as informações de que a ciência 
moderna ultrapassou a filosofia e de que as ciências sociais, a 
psicologia, a história, a economia ou a política são instrumentos 
mais eficazes de compreender a realidade ou atuar sobre ela.
Essas posturas revelam que pouco se entende da filosofia, 
do homem e da sociedade, e todos estamos pagando um 
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preço muito caro por isto. O que é preciso, pois, é retornar à 
sabedoria. O que é o filósofo, senão o amigo da sabedoria, o 
“filos ten sophias”, como já o tinham definido os gregos?
Na verdade, a decadência da filosofia está na ordem direta da 
incapacidade de entendê-la, incapacidade de fazê-la crescer na 
mesma direção e no mesmo ritmo ou velocidade, com que se 
vêm desenvolvendo as outras ciências, ou as outras coisas.
No entanto, é preciso entender que todas essas ciências, 
as ciências experimentais, param no liminar das coisas 
experimentáveis, e que, a partir deste nível, é possível realizar 
ainda o salto para o mundo das coisas dedutíveis ou das 
fórmulas, que nos levam um pouco mais adiante na descoberta 
das coisas. Mas sempre, e apenas, das coisas.
Existe, porém, o mundo do ser e de relações, que está além 
da experimentação e das fórmulas da lógica matemática, e é 
neste mundo do ser e das relações que está a lama das coisas: 
a dignidade, a liberdade, a justiça, a ética; que, em última 
análise, constitui a revelação da verdade. Esta alma não é 
redutível a nenhuma fórmula matemática, nem à repetição ou 
quantificação de experimentos. E, ai do mundo que perde a 
percepção, ou o entendimento, de sua alma!
Retorno a dizer, pois, neste contexto, que a decadência 
da filosofia é proporcional à incapacidade de empurrar o 
pensamento filosófico para além dos limites que alcançarem 
as ciências, seja a química fina, a engenharia biológica, a 
astrofísica, a sociologia ou a matemática.
Nesta perspectiva, a filosofia há de continuar sendo a ciência 
da totalidade do homem. Porque no infinito todas as coisas se 
encontram, e a filosofia limita neste infinito.
Na verdade, são enganosas as informações de que a ciência 
moderna ultrapassou a filosofia e de que as ciências sociais, a 
psicologia, a história, a economia ou a política são instrumentos 
mais eficazes de compreender a realidade ou atuar sobre ela.
Essas posturas revelam que pouco se entende da filosofia, 
do homem e da sociedade, e todos estamos pagando um 
preço muito caro por isto. O que é preciso, pois, é retornar à 
sabedoria. O que é o filósofo, senão o amigo da sabedoria, o 
“filos ten sophias”, como já o tinham definido os gregos?
Na verdade, a decadência da filosofia está na ordem direta da 
incapacidade de entendê-la, incapacidade de fazê-la crescer na 
mesma direção e no mesmo ritmo ou velocidade, com que se 
vêm desenvolvendo as outras ciências, ou as outras coisas.
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Introdução à Filosofia
Unidade 5
No entanto, é preciso entender que todas essas ciências, 
as ciências experimentais, param no liminar das coisas 
experimentáveis, e que, a partir deste nível, é possível realizar 
ainda o salto para o mundo das coisas dedutíveis ou das 
fórmulas, que nos levam um pouco mais adiante na descoberta 
das coisas. Mas sempre, e apenas, das coisas.
Existe, porém, o mundo do ser e de relações, que está além 
da experimentação e das fórmulas da lógica matemática, e é 
neste mundo do ser e das relações que está a lama das coisas: 
a dignidade, a liberdade, a justiça, a ética; que, em última 
análise, constitui a revelação da verdade. Esta alma não é 
redutível a nenhuma fórmula matemática, nem à repetição ou 
quantificação de experimentos. E, ai do mundo que perde a 
percepção, ou o entendimento, de sua alma!
Retorno a dizer, pois, neste contexto, que a decadência 
da filosofia é proporcional à incapacidade de empurrar o 
pensamento filosófico para além dos limites que alcançarem 
as ciências, seja a química fina, a engenharia biológica, a 
astrofísica, a sociologia ou a matemática.
Nesta perspectiva, a filosofia há de continuar sendo a ciência 
da totalidade do homem. Porque no infinito todas as coisas se 
encontram, e a filosofia limita neste infinito.
Por todas essas razões, que têm fundamentalmente a ver 
com o homem, sua sobrevivência e a preservação de sua 
dignidade, é com satisfação que vemos o renascimento dos 
cursos de filosofia, o debate sobre a importância da Filosofia e 
sua volta aos currículos de formação escolar.
É necessário, no entanto, nesta satisfação, não perder de 
vista, algumas questões. Dentre estas, creio que a mais 
importante é a da qualidade da filosofia, porque talvez 
pior do que não ter filosofia nenhuma, é ter apenas um 
arremedo de filosofia, uma tintura de filosofia, que não passa 
de filosofia do quotidiano, a filosofia do futebol, a filosofia 
dos planos, filosofia das ruas, do governo, a filosofia, enfim, 
inadequadamente entendida e inadequadamente expressa.
Tal ameaça se agrava, na medida em que vivemos um 
vácuo do pensamento filosófico, causado, dentre outras 
razões, no campo político, pelo poder autoritário; no 
campo do desenvolvimento econômico e social, pela 
postura tecnocrática, comandada pela ilusão das equações 
econométricas e do milagre tecnológico; e, no campo teológico, 
talvez, pela própria sede de justiça que passou a queimar os 
lábios dos pregadores como queimava os do profeta Isaías.
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Agora temos que resgatar este tempo, vencer o obstáculo do 
vazio do pensamento e a carência de homens que saibam 
pensar. Na verdade, não se forma um filósofo como se treina um 
digitador de computadores ou um programador, ou mesmo o 
analista de seus sistemas.
É que o filósofo precisa chegar além da informação. Seu desafio 
é descobrir a alma das coisas, seu preparo é chegar à sabedoria. 
Este processo só acontece com a reflexão e, portanto, com a 
paciência do tempo. Estamos ameaçados de gastar esta geração 
neste doloroso processo de recuperação, ou recriação, do novo 
pensamento.
 A segunda questão é de ordem geral. O impacto da revolução 
industrial e da revolução tecnológica desestruturou e inibiu o 
pensamento filosófico.
De um lado, esta inibição levou a confundir a filosofia (e, às vezes, 
a teologia) com simples propostas interpretativas da história, ou 
da economia, ou da sociedade. Neste campo, estão o marxismo, 
o liberalismo ou, mesmo, o socialismo e o capitalismo, ou, ainda, 
a perspectiva da teologia chamada da libertação.
De outro lado, a filosofia renunciou à lógica, ou ao pensamento, 
para aderir à intuição, ao sentimento. Neste campo, situam-se 
o existencialismo e, a partir das filosofias da angústia, que ele 
gerou, as posturas místicas, ou escapistas, sua contrapartida. A 
intuição, o sentimento, a percepção são métodos auxiliares do 
conhecimento, são formas de buscar a sabedoria, mas não são a 
sabedoria.
 A grande questão é que a busca da sabedoria – ou seja, a 
descoberta da verdade, exige uma lógica além da lógica do 
computador, e uma ultrapassagem, além do caos. Não há sentido 
em que se admita que só pelo caos o homem sobreviva, quando 
todo o universo sobrevive pela lógica. E nem há sentido, pois, 
em dizer-se que o caos existe por causa da liberdade, como seu 
pressuposto ou sua conseqüência.
O que é preciso, na verdade, é que a lógica como a liberdade, a 
ética e a verdade, sejam postas numa dimensão além do caos. 
Então prosseguirá a filosofia como a ciência além das ciências, a 
liberdade como a postura além da angústia e o homem como o 
ser além da máquina.
Fonte: Della Giustina, 1995.
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Introdução à Filosofia
Unidade 5
Síntese
Filosofia e vida são dois lados de uma mesma moeda. A Filosofia 
é, ao mesmo tempo, norteadora e produto do existir humano. 
A Filosofia orienta o ser humano em suas escolhas e caminhos, 
favorecendo nele o desejo de ser mais e melhor, de bem escolher 
em vista dos seus projetos, de desenvolver suas potencialidades, 
de realizar os seus sonhos e desejos. A Filosofia faz a vida valer a 
pena. E a vida faz valer a pena estudar Filosofia.
Vimos, nesta unidade, que a atitude filosófica diante da vida 
manifesta cuidado do ser humano consigo, com os outros e 
com a natureza. Também vimos que cuidamos porque amamos 
e amamos porque conhecemos. Filosofia, amor à sabedoria, é 
atitude de cuidado!
E, por fim, num grito em defesa da sabedoria como modo 
humano de ser, manifestamos os objetivos do projeto pedagógico 
do nosso curso de Filosofia na UnisulVirtual: numa sociedade 
que manifesta apreço pelo conhecimento e pela informação, 
a sabedoria vem nos lembrar da centralidade das dimensões 
humanas esquecidas. O ser humano é que dá sentido e direção 
para o conhecimento e a informação. Estes não podem ser 
usados contra o humano. A sabedoria resgata a possibilidade de 
manifestação da vida em todas as suas formas, em toda a sua 
plenitude. Por isso, queremos a Filosofia!
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162
Universidade do Sul de Santa Catarina
Atividades de autoavaliação
Para praticar os conhecimentos apropriados nesta unidade, realize as 
atividades propostas. As respostas estão disponíveis no final do livro 
didático. Mas se esforce para resolver as atividades sem ajuda das 
mesmas, pois, assim, você promoverá (estimulando) a sua aprendizagem.
1) Depois de ter estudado o conteúdo desta unidade, elabore um 
breve comentário sobre a afirmação: “A reflexão filosófica permite a 
reconstrução do passado, a compreensão do presente e a construção 
do futuro”.
2) Descreva a sua interpretação para as frases: “Não há vento favorável 
para aquele que não sabe aonde vai!” e “Menor do que o meu sonho... 
não posso ser”.
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Introdução à Filosofia
Unidade 5
3) Conceitue Filosofia como um exercício de liberdade.
4) Por que o amor-próprio pode ser entendido como atitude filosófica?
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Universidade do Sul de Santa Catarina
5) Encontre no conteúdo desta unidade argumentos em favor da tese: 
a tarefa da filosofia é auxiliar, orientar o ser humano na busca e no 
encontro da vida boa e feliz!
Saiba mais
Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade, você 
poderá pesquisar os seguintes livros:
 BOFF, Leonardo. Saber cuidar: ética do humano – compaixão 
pela terra. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2004.
SAVATER, Fernando. Ética como amor-próprio. São Paulo: 
Martins Fontes, 2000.
EPICURO. Pensamentos. São Paulo: Martin Claret, 2005.
Introducao a Filosofia.indb 164 15/12/11 13:46
Para concluir o estudo
Chegamos ao final do estudo da disciplina. Com certeza, 
durante o caminho, você questionou alguns pensamentos 
e conceitos apresentados neste livro, identificou excessos 
e lacunas. Esta é a primeira edição deste livro didático 
de Introdução à Filosofia, e muita coisa terá de ser 
melhorada e acrescentada. Críticas e contribuições serão 
sempre bem-vindas. Este é o espírito da UnisulVirtual.
Como amizade prazerosa com a sabedoria, busca 
incessante do saber, procuramos demonstrar que a 
Filosofia tem muito a nos dizer e ensinar. Procuramos 
ressaltar a nossa condição de ser racional, animal que 
pensa, reflete, analisa, indaga, escolhe e faz história. A 
Filosofia nos lembra de que fomos feitos para sermos 
sujeitos, condutores dos nossos projetos e caminhos. E, 
por nenhum motivo, podemos abrir mão do direito e do 
dever de exercer a humanidade em todos os seus aspectos 
e potencialidades.
Com a apresentação da Filosofia e da proposta do 
nosso curso, procuramos lembrar do ideal magnânimo, 
verdadeiramente grandioso, que deve acompanhar as 
nossas escolhas e decisões: ser melhor, buscar a perfeição, 
exercitar a virtude, para o bem de todos e garantia de 
futuro, do mundo e da humanidade.
Ao concluirmos esta disciplina, reafirmamos a certeza 
de que o futuro da possibilidade de convivência passa 
pelo resgate das dimensões humanas na condução dos 
projetos de vida e sociedade. Pensar as organizações de 
uma perspectiva humana, eis o desafio da Filosofia e de 
todos nós. 
Sejam felizes na continuidade dos estudos e sucesso!
Professor Marciel Evangelista Cataneo.
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Introducao a Filosofia.indb 166 15/12/11 13:46
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Introducao a Filosofia.indb 172 15/12/11 13:46
Sobre o professor conteudista
Marciel Evangelista Cataneo é graduado em Filosofia 
pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) 
e Bacharel em Teologia pelo Instituto Teológico de 
Santa Catarina (ITESC). Mestre em Educação pela 
Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL). 
Professor universitário desde março de 1990, leciona 
Filosofia, Sociologia e Ética nos cursos de graduação da 
Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL). É o 
coordenador do Curso de Filosofia da UnisulVirtual. 
Introducao a Filosofia.indb 173 15/12/11 13:46
Introducao a Filosofia.indb 174 15/12/11 13:46
Respostas e comentários das 
atividades de autoavaliação
Unidade 1
1) Filosofia é pensar, descobrir o verdadeiro “peso” (valor) de 
cada coisa, fato, situação. O “peso” de cada atitude, escolha, 
decisão. Filosofia é atitude (prática) e requer humildade, 
dúvida, admiração, espanto, encantamento. Filosofia é 
autonomia: capacidade de pensar por si próprio e estabelecer 
as suas próprias regras e leis. Filosofia é reflexão, ou seja, voltar 
atrás e revisar, analisar, examinar a vida e a existência. Filosofia 
é crítica, questionamento, purificação. Filosofia é criatividade, 
atividade que cria o novo. Filosofia é, literalmente, amor à 
sabedoria. Refletindo sobre estes e outros conceitos, você 
pode agora elaborar a sua concepção de Filosofia, criar o seu 
conceito e partilhar com os colegas no Fórum.
2) Aceitando a tese de que a vida não nos é dada pronta e que 
temos que realizá-la, transformá-la num projeto, a Filosofia 
permite a ação consciente, a ação acompanhada de sabedoria 
para que as nossas atitudes e escolhas venham a somar para a 
realização do nosso projeto, da nossa vida. Realizar a vida como 
um projeto exige atitude, e atitude filosófica: pensamento, 
autonomia, reflexão, criticidade, criatividade, sabedoria.
3) Somatória: 30
4) Radicalidade -- - A Filosofia exige que a questão a ser analisada 
seja colocada em termos radicais. Quer dizer, é preciso que se 
vá até às raízes, até seus fundamentos, ou seja, uma reflexão 
em profundidade.
 Rigorosidade -- - Deve-se proceder à reflexão com rigor, ou 
seja, sistematicamente, segundo métodos determinados.
 Totalidade -- - A questão não pode ser analisada de modo 
parcial, mas numa perspectiva de conjunto, relacionando-a 
com os demais aspectos do contexto em que está inserida. 
Introducao a Filosofia.indb 175 15/12/11 13:46
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Unidade 2
1) As alternativas corretas são: a; b; e.
2) Para negar algo você precisa argumentar, pensar, refletir e, ao fazer isto, 
você estará fazendo filosofia.
3) Ceticismo e dogmatismo são dois caminhos a serem evitados na busca 
do conhecimento, na aproximação da sabedoria: o ceticismo não crê 
na possibilidade de conhecer, e o dogmatismo defende ter encontrado 
a verdade, tornando com isso toda atitude de busca desnecessária. 
Filosofia é busca, é procura, é movimento. Ceticismo e dogmatismo 
possuem uma visão imobilista do mundo, não permitindo o pleno 
desenvolvimento da atitude filosófica.
4) Na filosofia antiga, a Filosofia era a ciência universal e abarcava todo 
o conjunto de conhecimento que hoje agrupamos sob os nomes 
de ciência, arte, Filosofia. No Renascimento e Idade Moderna, a 
Filosofia coloca o ser humano no centro das preocupações, a arte 
e ciência adquirem autonomia da Filosofia e dão origem ao rol de 
ciências particulares que hoje temos. A modernidade trouxe o 
desenvolvimento da ciência e da técnica, promovendo a autonomia da 
ciência e da própria Filosofia.
Unidade 3
1) A filosofia na Antiguidade é cosmocêntrica; nasce do desejo de 
encontrar na natureza uma explicação para natureza e o cosmo. Por 
isso os filósofos pré-socráticos também são chamados de filósofos 
da natureza (physis). A questão da origem de todas as coisas que 
constituem a realidade é o centro das preocupações destes primeiros 
filósofos. A filosofia clássica, embora coloque o ser humano no centro 
das suas preocupações, não abandona o fundamento cosmológico: 
Sócrates traz a filosofia dos céus para a terra e preocupa-se com o 
autoconhecimento (ética); Platão vê a harmonia do cosmos e quer 
reproduzi-la na pólis (política); Aristóteles quer desvendar os segredos 
da natureza no estudo da matéria (ciência).
 A filosofia da Idade Média é teocêntrica; nasce do encontro, marcado 
por tensões, aproximações e total assimilação, do cristianismo com 
a filosofia grega. Visava, em um primeiro momento, desenvolver um 
pensamento que acomodasse a religião cristã com a tradição filosófica; 
aproximar a fé da razão, para converter os pagãos, inclusive os mais 
Introducao a Filosofia.indb 176 15/12/11 13:46
177
Introdução à Filosofia
cultos, para a nova religião (patrística). Desenvolveu-se com o objetivo 
de ensinar as verdades da fé cristã, servindo-se da filosofia para tal 
intento (Escolática).
 A filosofia moderna é antropocêntrica; é profana e crítica, representada 
por leigos que procuram pensar de acordo com as leis da razão e do 
conhecimento científico. O resultado deste movimento é a ruptura dos 
vínculos com a teologia e um crescente processo de secularização da 
filosofia. O pensamento moderno funda-se na convicção de que a razão 
constitui o instrumento fundamental para a compreensão do mundo. 
Também manifesta a concepção de que a experiência é a única fonte 
válida de conhecimento. O objetivo do pensamento neste período 
é descobrir o funcionamento de todas as coisas e apenas a razãoera 
capaz de levá-lo a tanto. Também defende a necessidade de uma 
reorganização da sociedade e a adoção de uma política centrada no 
homem, que lhe garantisse sua total liberdade.
2) O encontro entre o cristianismo e a filosofia foi marcado por tensões 
entre a fé e a razão. Este encontro teve início no Império Romano, 
quando o cristianismo se torna religião oficial do império e prolongou-
se por toda a Idade Média, determinando a forma que a filosofia 
assumiu por mais de um milênio. A filosofia tornou-se cristã e a fé cristã 
assimilou procedimentos racionais. 
 Quando desapareceu o poder do Império no Ocidente, a Igreja 
arrogou-se a supremacia universal. O papa foi reconhecido como a 
autoridade máxima a que deviam submeter-se os poderes temporais. 
Assim, a hierarquia eclesiástica de Roma representou o fator aglutinante 
das monarquias ocidentais. A progressiva conversão dos bárbaros ao 
cristianismo fez da Igreja a instituição mais importante da Idade Média. 
Desenvolve-se um conhecimento sobre Deus, e a filosofia se torna 
serva da teologia, limitando em muito seu campo de ação.
3) Subjetividade e individualidade são valores da modernidade, 
consequências da valorização do ser humano e de suas potencialidades 
e realizações, surgidas com o Renascimento e a Filosofia Moderna. São 
conceitos que evocam a autonomia do indivíduo, do seu pensamento, 
diante dos sistemas filosóficos, ideológicos, religiosos. Subjetividade e 
individualidade dão origem ao conceito de sujeito, grande conquista e 
bandeira do pensamento moderno.
4) Como vimos no estudo da unidade, Marcuse acusou a sociedade 
capitalista de criar necessidades de consumo artificiais e 
incessantemente renovadas, mediante a manipulação das consciências 
pelos meios de comunicação de massa, fonte de um estilo de vida que 
chamou “unidimensional”— o conformismo. Na crítica de Marcuse, o 
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Universidade do Sul de Santa Catarina
homem moderno é transformado por um eficiente instrumento de 
manipulação, em homem consumo: aquele que encontra na compulsão 
por consumir um sentido para a sua existência. Na ilusão de consumir, 
somos consumidos e temos a nossa vida tomada por atividades que 
dêem lucro, para poder consumir mais. Estar no mercado, poder 
consumir é ícone de realização. Você pode citar inúmeros exemplos 
de consumo motivados pelo apelo comercial e modismos; e que não 
se constituem necessidades para a manutenção da vida, consumo 
centrado no luxo, na moda, no status.
5) Na Idade Antiga, política é vista como uma atividade natural. Faz parte 
da natureza do cidadão contribuir com a discussão sobre os destinos 
da sua pólis. O homem realiza-se na pólis e deve estar constantemente 
preocupado com ela. A participação política define o cidadão e 
manifesta o ideal de homem grego.
 Na Idade Média, impera o dualismo da Filosofia de Santo Agostinho e de 
São Tomás de Aquino: céus e terra, dia e noite, trevas e luz, bem e mal. 
A política, vista como preocupação com o mundo, com as coisas que 
passam, cai em descrédito. É considerada uma distração para o homem 
em sua caminhada para a verdade, o céu, a luz. Os santos e justos, os 
moralmente irrepreensíveis, devem se afastar desta atividade. Política 
não é para gente boa e honesta! Tal mentalidade perdura até os nossos 
dias.
 Na Idade Moderna a política passa a ser vista como um mal necessário, 
uma obrigação da convivência social que exige aparar arestas, a 
resolução de conflitos de ideias e interesses através da argumentação 
e negociação para que esta convivência seja possível. Você pode citar 
exemplos de atitudes e estilos de vida hodiernos que representam ou 
manifestem estas diferentes concepções.
Unidade 4
1) A origem latina do termo (colere, cultus), tudo o que é cultivado, 
confirma a expressão citada na questão. Cultura significa tudo o 
que é obra do homem na sociedade, em contraposição ao que 
é simplesmente natural. É a forma de vida de um povo, fruto das 
realizações e atividade criadora dos indivíduos. Uma maneira de agir, 
de pensar, de sentir, que se manifesta na linguagem, no código de leis, 
na religião, na criação estética. É expressão dos anseios criadores do 
espírito humano em busca da satisfação de suas necessidades e sonhos.
2) O animal é o homem: ao nascer (pela manhã) engatinha; quando 
adulto (ao meio-dia) caminha; quando idoso (à tarde) busca o auxílio de 
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Introdução à Filosofia
uma bengala, bastão ou apoio. Quando nasce, é mais necessitado de 
cuidados e proteção.
3) O homem, na Filosofia Grega busca, compreender quem ele é e qual 
o seu lugar no universo. Como ser que pensa (animal racional), ele é a 
medida de todas as coisas. Sócrates define o homem como atividade 
pensante e eticamente operante. Platão define o homem como alma 
espiritual e imortal. Aristóteles define-o como animal político. O 
homem realiza-se na medida em que conhece a si mesmo, a natureza e 
a pólis, o que lhe possibilita o autodomínio e a ação consciente.
 Na filosofia cristã, medieval, o homem foi criado por Deus e, como sua 
criatura, tem seu fim último Nele, que é o seu bem mais alto e o seu 
valor supremo. Deus exige do homem a obediência e a sujeição a seus 
mandamentos imperativos supremos. O homem vem de Deus e todo o 
seu comportamento — incluindo a moral — deve orientar-se para Ele. 
Como ser criado por Deus à sua imagem e semelhança, o ser humano 
é o ápice da criação, e tudo o mais foi criado para que ele tenha vida, 
cresça e se multiplique. O destino do homem é dominar a criação e dar 
continuidade à obra do Criador. Para tanto, deve estar em contínuo 
relacionamento com o Criador e em sintonia com a sua vontade.
 A explicação para a origem do mundo, na filosofia grega, não está 
no sobrenatural ou na tradição mítica. Está na própria natureza. Os 
primeiros filósofos (pré-socráticos) defendem que a racionalidade 
humana pode encontrar na natureza todas as respostas (naturalismo) 
para o seu entendimento e explicação. Eles conceituaram a realidade 
como um todo organizado e animado e, diante da multiplicidade e da 
mutabilidade das aparências, buscavam um princípio unificador, geral, 
imutável, ao qual chamaram arké: origem, substrato e causa de todas as 
coisas e no qual se ultimam todos os seres.
 Platão não compartilha da concepção de que a realidade do mundo tenha 
causas mecânicas ou naturais. Busca explicar o mundo a partir de causas 
de natureza não-física, realidades inteligíveis representadas pelos termos 
ideia e eidos, que significam “forma”. As Ideias de que fala Platão são mais 
do que conceitos ou representações puramente mentais: representam 
“entidades”, “substâncias”. As Ideias platônicas são as essências das coisas, 
ou seja, aquilo que faz com que cada coisa seja aquilo que é. Segundo 
ele, há um modelo (o mundo Ideal), existe uma cópia (mundo sensível), 
e existe um Artífice, que produziu a cópia, servindo-se do modelo. O 
mundo Inteligível (o modelo) é eterno, como eterno é também o Artífice 
(a Inteligência criadora). O mundo sensível foi construído pelo Artífice que, 
em sua atividade, forma o “cosmos”, a ordem perfeita, triunfo do inteligível 
sobre a necessidade cega da matéria. 
 Na filosofia cristã, Santo Agostinho. Ao olhar para a realidade do mundo, 
apresenta a teoria da cidade dos homens e da cidade de Deus: os 
pecadores formam a cidade terrestre, que é o mundo dos homens. Essa 
cidade não é necessariamente má, mas, governada pela vontade humana, 
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tende para o pecado e é, de tempos em tempos, castigada por Deus. A 
cidade dos homens é fruto do egoísmo; e a cidade celeste é criação do 
amor divino. Estas “duas” cidades ou reinos existem simultaneamente na 
história humana, representadas entre a luta do bem e do mal, entre Deus e 
o Demônio. Essa luta terminará somente com o Juízo Final. Na Filosofia deAgostinho, o mundo é o lugar onde se trava a batalha entre o bem e o mal. 
 Tomás de Aquino traz uma novidade para a reflexão cristã: ele 
não parte da ideia de Deus para explicar o mundo, mas parte do 
conhecimento sobre o mundo para provar a existência de Deus. Ou 
seja, sobre a experiência sensorial, empregou o conhecimento racional 
para demonstrar a existência do Criador. As “cinco vias” são cinco 
argumentos que provariam a existência de Deus a partir dos efeitos por 
ele produzidos na obra da criação. Nesta concepção, o mundo, obra do 
criador, manifesta a sua natureza e presença.
4) 
 ■ Homem Boi: dê exemplos de atitudes e ações onde somos guiados 
pelos instintos (vontades, desejos, compulsões) e necessidades da 
vida vegetativa (comer, dormir, procriar). Não que estas atitudes 
não tenham o seu valor; a pergunta é: quem está no controle? Você 
domina, ou é dominado?
 ■ Homem Leão: dê exemplos de atitudes e ações em que somos guiados, 
tomados, dominados pelas emoções, pelos sentimentos, pelo coração; 
em que a racionalidade cede aos impulsos emocionais e afetivos.
 ■ Homem Águia: dê exemplos de atitudes e ações radicalmente racionais, 
nas quais a razão, o raciocínio, o cálculo domina as ações. Aqui medimos 
a finalidade, os prós e os contra, as consequências de cada ato. 
 ■ Ser humano: dê exemplos de atitudes que demonstrem domínio 
sobre os instintos, emoções e razão, dimensões do homem integral 
que não podem ser negligenciadas ou esquecidas: nós somos 
instinto, paixão e razão.
5) 
 ( V ) Filosofia da Linguagem
 ( VII ) Metafísica ou Ontologia
 ( VI ) Ética ou Filosofia Moral
 ( II ) Estética ou Filosofia da Arte
 ( VIII ) Lógica
 ( III ) Teoria do Conhecimento
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Introdução à Filosofia
 ( IX ) Filosofia Política
 ( I ) História da Filosofia
 ( IV) Antropologia Filosófica 
Unidade 5
1) Filosofia é reflexão, por isso permite “voltar atrás” e compreender, 
entender, organizar experiências vividas e, ao seu tempo, não 
compreendidas. Filosofia é visão de mundo: permite o entendimento 
do contexto existencial, da realidade que nos cerca, possibilita a 
ação consciente ao analisar o cotidiano dos seres humanos em 
sociedade, buscando investigar o seu sentido e o seu papel. Filosofia é 
projeto, a atitude filosófica propõe metas, perseguindo ideais; dá um 
direcionamento para a práxis. Através desse movimento, o homem vem 
conquistando, ao longo dos séculos, uma compreensão mais cabal 
de si mesmo e do mundo que o cerca, e uma maior compreensão das 
próprias limitações de seu pensamento.
2) A primeira frase, atribuída a Sêneca, dá conta da necessidade de 
ter objetivos, metas, ideais. É preciso saber para onde queremos ir. 
Só assim será possível identificar ventos favoráveis e contrários. A 
segunda frase, de Lindolff Bell, dá conta da necessidade de sonhar e 
de transformar estes sonhos em desafios, metas, objetivos, buscando a 
realização deles.
3) Filosofia é um exercício de liberdade: ao ensinar a pensar, a Filosofia 
torna-nos livres dos condicionamentos sociais e culturais que não 
criamos, das escolhas que não fizemos, dos caminhos que não 
escolhemos. Torna-nos livres, ao permitir-nos um sentido único, 
totalmente nosso para a realidade que nos circunda, envolve. A filosofia 
liberta, porque não quer fazer discípulos ou seguidores. Os filósofos 
não oferecem respostas definitivas, senão uma inquietude que leva 
a colocar em suspenso as pretensas verdades. Na atitude filosófica, 
inquietude é libertação.
4) O amor-próprio, assim como é definido por Savater, pode ser entendido 
como atitude filosófica, pois encerra um instinto e um projeto humano. 
Pode ser entendido como atitude filosófica, porque ele se aproxima da 
dimensão do cuidado: o ideal do amor-próprio é o trato (relação com 
algo ou alguém) que o “eu” quer para si mesmo. Segundo Savater, o 
“eu” configura no ideal de seu amor-próprio a qualidade e o tipo de 
atenção que deseja para si mesmo e, também, estabelece a qualidade 
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da relação a qual gostaria de sustentar na sua necessária inserção na 
realidade social e natural.
5) O objetivo da Unidade 5 é desenvolver esta tese: “A Filosofia manifesta 
o desejo e a vontade humana na busca e no encontro da vida boa 
e feliz!” Para desenvolver esta tese, as seções desta unidade falam 
da relação entre a Filosofia e a vida; da necessidade de ter objetivos; 
do viver com cuidado e com sabedoria. Em toda a unidade, você 
encontrará argumentos que corroboram esta tese.
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1727877885789
 
ISBN 978-85-7817-278-7

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