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Editora Chefe 
Profª Drª Antonella Carvalho de Oliveira 
Assistentes Editoriais 
Natalia Oliveira 
Bruno Oliveira 
Flávia Roberta Barão 
Bibliotecária 
Janaina Ramos 
Projeto Gráfico e Diagramação 
Natália Sandrini de Azevedo 
Camila Alves de Cremo 
Luiza Alves Batista 
Maria Alice Pinheiro 
Imagens da Capa 
Shutterstock 
Edição de Arte 
Luiza Alves Batista 
Revisão 
Os Autores 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2021 by Atena Editora 
Copyright © Atena Editora 
Copyright do Texto © 2021 Os autores 
Copyright da Edição © 2021 Atena Editora 
Direitos para esta edição cedidos à Atena 
Editora pelos autores. 
 
 
 
Todo o conteúdo deste livro está licenciado sob uma Licença de 
Atribuição Creative Commons. Atribuição-Não-Comercial-
NãoDerivativos 4.0 Internacional (CC BY-NC-ND 4.0). 
 
 
 
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de 
responsabilidade exclusiva dos autores, inclusive não representam necessariamente a posição 
oficial da Atena Editora. Permitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam 
atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou 
utilizá-la para fins comerciais. 
 
Todos os manuscritos foram previamente submetidos à avaliação cega pelos pares, membros 
do Conselho Editorial desta Editora, tendo sido aprovados para a publicação com base em 
critérios de neutralidade e imparcialidade acadêmica. 
 
A Atena Editora é comprometida em garantir a integridade editorial em todas as etapas do 
processo de publicação, evitando plágio, dados ou resultados fraudulentos e impedindo que 
interesses financeiros comprometam os padrões éticos da publicação. Situações suspeitas de 
má conduta científica serão investigadas sob o mais alto padrão de rigor acadêmico e ético. 
 
Conselho Editorial 
Ciências Humanas e Sociais Aplicadas 
Prof. Dr. Alexandre Jose Schumacher – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do 
Paraná 
Prof. Dr. Américo Junior Nunes da Silva – Universidade do Estado da Bahia 
Prof. Dr. Antonio Carlos Frasson – Universidade Tecnológica Federal do Paraná 
 
Prof. Dr. Antonio Gasparetto Júnior – Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais 
Prof. Dr. Antonio Isidro-Filho – Universidade de Brasília 
Prof. Dr. Carlos Antonio de Souza Moraes – Universidade Federal Fluminense 
Prof. Dr. Crisóstomo Lima do Nascimento – Universidade Federal Fluminense 
Profª Drª Cristina Gaio – Universidade de Lisboa 
Prof. Dr. Daniel Richard Sant’Ana – Universidade de Brasília 
Prof. Dr. Deyvison de Lima Oliveira – Universidade Federal de Rondônia 
Profª Drª Dilma Antunes Silva – Universidade Federal de São Paulo 
Prof. Dr. Edvaldo Antunes de Farias – Universidade Estácio de Sá 
Prof. Dr. Elson Ferreira Costa – Universidade do Estado do Pará 
Prof. Dr. Eloi Martins Senhora – Universidade Federal de Roraima 
Prof. Dr. Gustavo Henrique Cepolini Ferreira – Universidade Estadual de Montes Claros 
Profª Drª Ivone Goulart Lopes – Istituto Internazionele delle Figlie de Maria Ausiliatrice 
Prof. Dr. Jadson Correia de Oliveira – Universidade Católica do Salvador 
Prof. Dr. Julio Candido de Meirelles Junior – Universidade Federal Fluminense 
Profª Drª Lina Maria Gonçalves – Universidade Federal do Tocantins 
Prof. Dr. Luis Ricardo Fernandes da Costa – Universidade Estadual de Montes Claros 
Profª Drª Natiéli Piovesan – Instituto Federal do Rio Grande do Norte 
Prof. Dr. Marcelo Pereira da Silva – Pontifícia Universidade Católica de Campinas 
Profª Drª Maria Luzia da Silva Santana – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul 
Profª Drª Paola Andressa Scortegagna – Universidade Estadual de Ponta Grossa 
Profª Drª Rita de Cássia da Silva Oliveira – Universidade Estadual de Ponta Grossa 
Prof. Dr. Rui Maia Diamantino – Universidade Salvador 
Prof. Dr. Urandi João Rodrigues Junior – Universidade Federal do Oeste do Pará 
Profª Drª Vanessa Bordin Viera – Universidade Federal de Campina Grande 
Prof. Dr. William Cleber Domingues Silva – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro 
Prof. Dr. Willian Douglas Guilherme – Universidade Federal do Tocantins 
 
Ciências Agrárias e Multidisciplinar 
Prof. Dr. Alexandre Igor Azevedo Pereira – Instituto Federal Goiano 
Profª Drª Carla Cristina Bauermann Brasil – Universidade Federal de Santa Maria 
Prof. Dr. Antonio Pasqualetto – Pontifícia Universidade Católica de Goiás 
Prof. Dr. Cleberton Correia Santos – Universidade Federal da Grande Dourados 
Profª Drª Daiane Garabeli Trojan – Universidade Norte do Paraná 
Profª Drª Diocléa Almeida Seabra Silva – Universidade Federal Rural da Amazônia 
Prof. Dr. Écio Souza Diniz – Universidade Federal de Viçosa 
Prof. Dr. Fábio Steiner – Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul 
Prof. Dr. Fágner Cavalcante Patrocínio dos Santos – Universidade Federal do Ceará 
Profª Drª Girlene Santos de Souza – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia 
Prof. Dr. Jael Soares Batista – Universidade Federal Rural do Semi-Árido 
Prof. Dr. Júlio César Ribeiro – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro 
Profª Drª Lina Raquel Santos Araújo – Universidade Estadual do Ceará 
Prof. Dr. Pedro Manuel Villa – Universidade Federal de Viçosa 
Profª Drª Raissa Rachel Salustriano da Silva Matos – Universidade Federal do Maranhão 
Prof. Dr. Ronilson Freitas de Souza – Universidade do Estado do Pará 
Profª Drª Talita de Santos Matos – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro 
Prof. Dr. Tiago da Silva Teófilo – Universidade Federal Rural do Semi-Árido 
 
Prof. Dr. Valdemar Antonio Paffaro Junior – Universidade Federal de Alfenas 
 
Ciências Biológicas e da Saúde 
Prof. Dr. André Ribeiro da Silva – Universidade de Brasília 
Profª Drª Anelise Levay Murari – Universidade Federal de Pelotas 
Prof. Dr. Benedito Rodrigues da Silva Neto – Universidade Federal de Goiás 
Profª Drª Débora Luana Ribeiro Pessoa – Universidade Federal do Maranhão 
Prof. Dr. Douglas Siqueira de Almeida Chaves – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro 
Prof. Dr. Edson da Silva – Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri 
Profª Drª Elizabeth Cordeiro Fernandes – Faculdade Integrada Medicina 
Profª Drª Eleuza Rodrigues Machado – Faculdade Anhanguera de Brasília 
Profª Drª Elane Schwinden Prudêncio – Universidade Federal de Santa Catarina 
Profª Drª Eysler Gonçalves Maia Brasil – Universidade da Integração Internacional da Lusofonia 
Afro-Brasileira 
Prof. Dr. Ferlando Lima Santos – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia 
Prof. Dr. Fernando Mendes – Instituto Politécnico de Coimbra – Escola Superior de Saúde de 
Coimbra 
Profª Drª Gabriela Vieira do Amaral – Universidade de Vassouras 
Prof. Dr. Gianfábio Pimentel Franco – Universidade Federal de Santa Maria 
Prof. Dr. Helio Franklin Rodrigues de Almeida – Universidade Federal de Rondônia 
Profª Drª Iara Lúcia Tescarollo – Universidade São Francisco 
Prof. Dr. Igor Luiz Vieira de Lima Santos – Universidade Federal de Campina Grande 
Prof. Dr. Jefferson Thiago Souza – Universidade Estadual do Ceará 
Prof. Dr. Jesus Rodrigues Lemos – Universidade Federal do Piauí 
Prof. Dr. Jônatas de França Barros – Universidade Federal do Rio Grande do Norte 
Prof. Dr. José Max Barbosa de Oliveira Junior – Universidade Federal do Oeste do Pará 
Prof. Dr. Luís Paulo Souza e Souza – Universidade Federal do Amazonas 
Profª Drª Magnólia de Araújo Campos – Universidade Federal de Campina Grande 
Prof. Dr. Marcus Fernando da Silva Praxedes – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia 
Profª Drª Maria Tatiane Gonçalves Sá – Universidade do Estado do Pará 
Profª Drª Mylena Andréa Oliveira Torres – Universidade Ceuma 
Profª Drª Natiéli Piovesan – Instituto Federacl do Rio Grande do Norte 
Prof. Dr. Paulo Inada – Universidade Estadual de Maringá 
Prof. Dr. Rafael Henrique Silva – Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande 
Dourados 
Profª Drª Regiane Luz Carvalho – Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino 
Profª Drª Renata Mendes de Freitas – Universidade Federal de Juiz de Fora 
Profª Drª VanessaLima Gonçalves – Universidade Estadual de Ponta Grossa 
Profª Drª Vanessa Bordin Viera – Universidade Federal de Campina Grande 
 
Ciências Exatas e da Terra e Engenharias 
Prof. Dr. Adélio Alcino Sampaio Castro Machado – Universidade do Porto 
Prof. Dr. Carlos Eduardo Sanches de Andrade – Universidade Federal de Goiás 
Profª Drª Carmen Lúcia Voigt – Universidade Norte do Paraná 
Prof. Dr. Cleiseano Emanuel da Silva Paniagua – Instituto Federal de Educação, Ciência e 
Tecnologia de Goiás 
Prof. Dr. Douglas Gonçalves da Silva – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia 
 
Prof. Dr. Eloi Rufato Junior – Universidade Tecnológica Federal do Paraná 
Profª Drª Érica de Melo Azevedo – Instituto Federal do Rio de Janeiro 
Prof. Dr. Fabrício Menezes Ramos – Instituto Federal do Pará 
Profª Dra. Jéssica Verger Nardeli – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho 
Prof. Dr. Juliano Carlo Rufino de Freitas – Universidade Federal de Campina Grande 
Profª Drª Luciana do Nascimento Mendes – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia 
do Rio Grande do Norte 
Prof. Dr. Marcelo Marques – Universidade Estadual de Maringá 
Prof. Dr. Marco Aurélio Kistemann Junior – Universidade Federal de Juiz de Fora 
Profª Drª Neiva Maria de Almeida – Universidade Federal da Paraíba 
Profª Drª Natiéli Piovesan – Instituto Federal do Rio Grande do Norte 
Profª Drª Priscila Tessmer Scaglioni – Universidade Federal de Pelotas 
Prof. Dr. Takeshy Tachizawa – Faculdade de Campo Limpo Paulista 
 
Linguística, Letras e Artes 
Profª Drª Adriana Demite Stephani – Universidade Federal do Tocantins 
Profª Drª Angeli Rose do Nascimento – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro 
Profª Drª Carolina Fernandes da Silva Mandaji – Universidade Tecnológica Federal do Paraná 
Profª Drª Denise Rocha – Universidade Federal do Ceará 
Prof. Dr. Fabiano Tadeu Grazioli – Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das 
Missões 
Prof. Dr. Gilmei Fleck – Universidade Estadual do Oeste do Paraná 
Profª Drª Keyla Christina Almeida Portela – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia 
do Paraná 
Profª Drª Miranilde Oliveira Neves – Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará 
Profª Drª Sandra Regina Gardacho Pietrobon – Universidade Estadual do Centro-Oeste 
Profª Drª Sheila Marta Carregosa Rocha – Universidade do Estado da Bahia 
 
Conselho Técnico Científico 
Prof. Me. Abrãao Carvalho Nogueira – Universidade Federal do Espírito Santo 
Prof. Me. Adalberto Zorzo – Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza 
Prof. Dr. Adaylson Wagner Sousa de Vasconcelos – Ordem dos Advogados do Brasil/Seccional 
Paraíba 
Prof. Dr. Adilson Tadeu Basquerote Silva – Universidade para o Desenvolvimento do Alto Vale 
do Itajaí 
Prof. Dr. Alex Luis dos Santos – Universidade Federal de Minas Gerais 
Prof. Me. Alexsandro Teixeira Ribeiro – Centro Universitário Internacional 
Profª Ma. Aline Ferreira Antunes – Universidade Federal de Goiás 
Prof. Me. André Flávio Gonçalves Silva – Universidade Federal do Maranhão 
Profª Ma. Andréa Cristina Marques de Araújo – Universidade Fernando Pessoa 
Profª Drª Andreza Lopes – Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Acadêmico 
Profª Drª Andrezza Miguel da Silva – Faculdade da Amazônia 
Profª Ma. Anelisa Mota Gregoleti – Universidade Estadual de Maringá 
Profª Ma. Anne Karynne da Silva Barbosa – Universidade Federal do Maranhão 
Prof. Dr. Antonio Hot Pereira de Faria – Polícia Militar de Minas Gerais 
Prof. Me. Armando Dias Duarte – Universidade Federal de Pernambuco 
Profª Ma. Bianca Camargo Martins – UniCesumar 
 
Profª Ma. Carolina Shimomura Nanya – Universidade Federal de São Carlos 
Prof. Me. Carlos Antônio dos Santos – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro 
Prof. Me. Christopher Smith Bignardi Neves – Universidade Federal do Paraná 
Prof. Ma. Cláudia de Araújo Marques – Faculdade de Música do Espírito Santo 
Profª Drª Cláudia Taís Siqueira Cagliari – Centro Universitário Dinâmica das Cataratas 
Prof. Me. Clécio Danilo Dias da Silva – Universidade Federal do Rio Grande do Norte 
Prof. Me. Daniel da Silva Miranda – Universidade Federal do Pará 
Profª Ma. Daniela da Silva Rodrigues – Universidade de Brasília 
Profª Ma. Daniela Remião de Macedo – Universidade de Lisboa 
Profª Ma. Dayane de Melo Barros – Universidade Federal de Pernambuco 
Prof. Me. Douglas Santos Mezacas – Universidade Estadual de Goiás 
Prof. Me. Edevaldo de Castro Monteiro – Embrapa Agrobiologia 
Prof. Me. Eduardo Gomes de Oliveira – Faculdades Unificadas Doctum de Cataguases 
Prof. Me. Eduardo Henrique Ferreira – Faculdade Pitágoras de Londrina 
Prof. Dr. Edwaldo Costa – Marinha do Brasil 
Prof. Me. Eliel Constantino da Silva – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita 
Prof. Me. Ernane Rosa Martins – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás 
Prof. Me. Euvaldo de Sousa Costa Junior – Prefeitura Municipal de São João do Piauí 
Prof. Dr. Everaldo dos Santos Mendes – Instituto Edith Theresa Hedwing Stein 
Prof. Me. Ezequiel Martins Ferreira – Universidade Federal de Goiás 
Profª Ma. Fabiana Coelho Couto Rocha Corrêa – Centro Universitário Estácio Juiz de Fora 
Prof. Me. Fabiano Eloy Atílio Batista – Universidade Federal de Viçosa 
Prof. Me. Felipe da Costa Negrão – Universidade Federal do Amazonas 
Prof. Me. Francisco Odécio Sales – Instituto Federal do Ceará 
Profª Drª Germana Ponce de Leon Ramírez – Centro Universitário Adventista de São Paulo 
Prof. Me. Gevair Campos – Instituto Mineiro de Agropecuária 
Prof. Me. Givanildo de Oliveira Santos – Secretaria da Educação de Goiás 
Prof. Dr. Guilherme Renato Gomes – Universidade Norte do Paraná 
Prof. Me. Gustavo Krahl – Universidade do Oeste de Santa Catarina 
Prof. Me. Helton Rangel Coutinho Junior – Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro 
Profª Ma. Isabelle Cerqueira Sousa – Universidade de Fortaleza 
Profª Ma. Jaqueline Oliveira Rezende – Universidade Federal de Uberlândia 
Prof. Me. Javier Antonio Albornoz – University of Miami and Miami Dade College 
Prof. Me. Jhonatan da Silva Lima – Universidade Federal do Pará 
Prof. Dr. José Carlos da Silva Mendes – Instituto de Psicologia Cognitiva, Desenvolvimento 
Humano e Social 
Prof. Me. Jose Elyton Batista dos Santos – Universidade Federal de Sergipe 
Prof. Me. José Luiz Leonardo de Araujo Pimenta – Instituto Nacional de Investigación 
Agropecuaria Uruguay 
Prof. Me. José Messias Ribeiro Júnior – Instituto Federal de Educação Tecnológica de 
Pernambuco 
Profª Drª Juliana Santana de Curcio – Universidade Federal de Goiás 
Profª Ma. Juliana Thaisa Rodrigues Pacheco – Universidade Estadual de Ponta Grossa 
Profª Drª Kamilly Souza do Vale – Núcleo de Pesquisas Fenomenológicas/UFPA 
Prof. Dr. Kárpio Márcio de Siqueira – Universidade do Estado da Bahia 
Profª Drª Karina de Araújo Dias – Prefeitura Municipal de Florianópolis 
Prof. Dr. Lázaro Castro Silva Nascimento – Laboratório de Fenomenologia & Subjetividade/UFPR 
 
Prof. Me. Leonardo Tullio – Universidade Estadual de Ponta Grossa 
Profª Ma. Lilian Coelho de Freitas – Instituto Federal do Pará 
Profª Ma. Liliani Aparecida Sereno Fontes de Medeiros – Consórcio CEDERJ 
Profª Drª Lívia do Carmo Silva – Universidade Federal de Goiás 
Prof. Dr. Lucio Marques Vieira Souza – Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da 
Cultura de Sergipe 
Prof. Dr. Luan Vinicius Bernardelli – Universidade Estadual do Paraná 
Profª Ma. Luana Ferreira dos Santos – Universidade Estadual de Santa Cruz 
Profª Ma. Luana Vieira Toledo – Universidade Federal de Viçosa 
Prof. Me. Luis Henrique Almeida Castro – Universidade Federal da Grande Dourados 
Profª Ma. Luma Sarai de Oliveira – Universidade Estadual de Campinas 
Prof. Dr. Michel da Costa – Universidade Metropolitana de Santos 
Prof. Me. Marcelo da Fonseca Ferreira da Silva – Governo do Estado do Espírito Santo 
Prof. Dr. Marcelo Máximo Purificação – Fundação Integrada Municipal de Ensino Superior 
Prof. Me. Marcos Aurelio Alves e Silva – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologiade 
São Paulo 
Profª Ma. Maria Elanny Damasceno Silva – Universidade Federal do Ceará 
Profª Ma. Marileila Marques Toledo – Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e 
Mucuri 
Prof. Me. Pedro Panhoca da Silva – Universidade Presbiteriana Mackenzie 
Profª Drª Poliana Arruda Fajardo – Universidade Federal de São Carlos 
Prof. Me. Ricardo Sérgio da Silva – Universidade Federal de Pernambuco 
Prof. Me. Renato Faria da Gama – Instituto Gama – Medicina Personalizada e Integrativa 
Profª Ma. Renata Luciane Polsaque Young Blood – UniSecal 
Prof. Me. Robson Lucas Soares da Silva – Universidade Federal da Paraíba 
Prof. Me. Sebastião André Barbosa Junior – Universidade Federal Rural de Pernambuco 
Profª Ma. Silene Ribeiro Miranda Barbosa – Consultoria Brasileira de Ensino, Pesquisa e 
Extensão 
Profª Ma. Solange Aparecida de Souza Monteiro – Instituto Federal de São Paulo 
Profª Ma. Taiane Aparecida Ribeiro Nepomoceno – Universidade Estadual do Oeste do Paraná 
Prof. Me. Tallys Newton Fernandes de Matos – Faculdade Regional Jaguaribana 
Profª Ma. Thatianny Jasmine Castro Martins de Carvalho – Universidade Federal do Piauí 
Prof. Me. Tiago Silvio Dedoné – Colégio ECEL Positivo 
Prof. Dr. Welleson Feitosa Gazel – Universidade Paulista 
 
 
 
 
 
 
 
Gerenciamento de serviços de saúde e enfermagem 
 
 
 
 
 
 
 
Editora Chefe: 
Bibliotecária: 
Diagramação: 
Correção: 
Edição de Arte: 
Revisão: 
Organizadora: 
 
Profª Drª Antonella Carvalho de Oliveira 
Janaina Ramos 
Camila Alves de Cremo 
Vanessa Mottin de Oliveira Batista 
Luiza Alves Batista 
Os Autores 
Luana Vieira Toledo 
 
 
 
 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
 
G367 Gerenciamento de serviços de saúde e enfermagem / 
Organizadora Luana Vieira Toledo. – Ponta Grossa - PR: 
Atena, 2021. 
 
 Formato: PDF 
Requisitos de sistema: Adobe Acrobat Reader 
Modo de acesso: World Wide Web 
Inclui bibliografia 
ISBN 978-65-5706-767-3 
DOI 10.22533/at.ed.673252101 
 
 1. Saúde. 2. Enfermagem. I. Toledo, Luana Vieira 
(Organizadora). II. Título. 
CDD 613 
 
Elaborado por Bibliotecária Janaina Ramos – CRB-8/9166 
 
 
 
Atena Editora 
Ponta Grossa – Paraná – Brasil 
Telefone: +55 (42) 3323-5493 
www.atenaeditora.com.br 
contato@atenaeditora.com.br 
 
 
DECLARAÇÃO DOS AUTORES 
 
Os autores desta obra: 1. Atestam não possuir qualquer interesse comercial que constitua um 
conflito de interesses em relação ao artigo científico publicado; 2. Declaram que participaram 
ativamente da construção dos respectivos manuscritos, preferencialmente na: a) Concepção do 
estudo, e/ou aquisição de dados, e/ou análise e interpretação de dados; b) Elaboração do artigo 
ou revisão com vistas a tornar o material intelectualmente relevante; c) Aprovação final do 
manuscrito para submissão.; 3. Certificam que os artigos científicos publicados estão 
completamente isentos de dados e/ou resultados fraudulentos; 4. Confirmam a citação e a 
referência correta de todos os dados e de interpretações de dados de outras pesquisas; 5. 
Reconhecem terem informado todas as fontes de financiamento recebidas para a consecução 
da pesquisa. 
 
 
 
 
 
APRESENTAÇÃO
A coleção “Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem” apresenta em 
quatro volumes a produção científica sobre o gerenciamento e organização dos serviços 
de saúde nos diferentes contextos assistenciais. Nos serviços de saúde, as atividades 
gerenciais são consideradas fundamentais para o alcance dos objetivos propostos, sendo 
compreendida como uma atividade multiprofissional diretamente relacionada à qualidade 
da assistência oferecida. 
Tendo em vista a relevância da temática, objetivou-se elencar de forma categorizada, 
em cada volume, os estudos das variadas instituições de ensino, pesquisa e assistência do 
país, a fim de compartilhar com os leitores as evidências produzidas por eles. 
O volume 1 da obra aborda os aspectos da organização dos serviços de saúde 
e enfermagem sob a ótica daqueles que realizam o cuidado. Destacam-se os riscos 
ocupacionais, as dificuldades enfrentadas no cotidiano do trabalho e o consequente 
adoecimento dos profissionais.
No volume 2 estão agrupadas as publicações com foco no gerenciamento das 
ações de planejamento familiar, incluindo a saúde do homem, da mulher, da criança e do 
adolescente. 
O Volume 3 contempla a importância das ações de gerenciamento em diferentes 
contextos assistenciais, iniciando-se pela academia. Essa obra é composta pelas 
publicações que incluem as instituições escolares, unidades básicas de saúde, instituições 
de longa permanência e serviços de atendimento especializado.
O volume 4, por sua vez, apresenta as produções científicas de origem 
multiprofissional relacionadas às condições de adoecimento que requerem assistência 
hospitalar. Destacam-se estudos com pacientes críticos e em cuidados paliativos. 
A grande abrangência dos temas organizados nessa coleção permitirá aos leitores 
desfrutar de uma enriquecedora leitura, divulgada pela plataforma consolidada e confiável 
da Atena Editora. Explorem os conteúdos ao máximo e compartilhe-os.
Luana Vieira Toledo
SUMÁRIO
SUMÁRIO
CAPÍTULO 1 .................................................................................................................1
GESTÃO DA DIVERSIDADE E AS NOVAS TECNOLOGIAS: UM CENÁRIO DESAFIADOR
Pamela Nery do Lago
Flávia Cristina Duarte Silva
Luciana Moreira Batista 
Luciene Maria dos Reis
Marlene Simões e Silva
Maria Fernanda Silveira Scarcella
Regina de Oliveira Benedito
Valdjane Nogueira Noleto Nobre 
Aline Francielly Rezende Fróes
Liane Medeiros Kanashiro
Marta Luiza da Cruz
Samanntha Lara da Silva Torres Anaisse
DOI 10.22533/at.ed.6732521011
CAPÍTULO 2 .................................................................................................................8
PROPOSIÇÃO DA FUNÇÃO DE GERÊNCIA NO COTIDIANO DA ENFERMAGEM
María Claudinete Vieira da Silva
Júlya de Araujo Silva Monteiro 
Beatriz Gerbassi Costa Aguiar 
Cássio Baptista Pinto
Gicélia Lombardo Pereira 
Vera Lúcia Freitas
Marcella Ribeiro de Souza 
Isabela dos Santos Niero Paiva
Daniela de Oliveira Matias
Maristela Moura Berlitz
Vanessa Peres Cardoso Pimentel
Larissa Costa Duarte
DOI 10.22533/at.ed.6732521012
CAPÍTULO 3 ...............................................................................................................19
TOMADA DE DECISÕES: UM DESAFIO DAS COMPETÊNCIAS GERENCIAIS DO 
ENFERMEIRO
Barbara dos Santos Pereira
Eduarda França Casagrande
Mirian Queli Ribeiro Rosa
Vivian Kelli Santos Gottschefski
Cibele Thomé da Cruz Rebelato
Cátia Cristiane Matte Dezordi
Leticia Trindade Flores
Adriane Cristina Bernat Kolankiewicz
DOI 10.22533/at.ed.6732521013
SUMÁRIO
CAPÍTULO 4 ...............................................................................................................28
AUDITORIA EM ENFERMAGEM: CONSIDERAÇÕES SOBRE A ATUAÇÃO DO 
ENFERMEIRO À LUZ DA LITERATURA
Juliana Lagreca Pacheco
DOI 10.22533/at.ed.6732521014
CAPÍTULO 5 ...............................................................................................................34
PESQUISA-AÇÃO NAS INVESTIGAÇÕES DE GERÊNCIA EM ENFERMAGEM: REVISÃO 
INTEGRATIVA 
Juliana Helena Montezeli
Carolina Rodrigues Milhorini
Hellen Emília Peruzzo
Ana Patrícia Araújo Torquato Lopes
Andréia Bendine Gastaldi
DOI 10.22533/at.ed.6732521015
CAPÍTULO 6 ...............................................................................................................47
ESTRATÉGIAS DE GESTÃO DE CONFLITOS COMO COMPETÊNCIA DO ENFERMEIRO 
PARA GARANTIA DA SAÚDE ORGANIZACIONAL
Gilberto Nogara Silva Júnior
Aline dos Santos da Rocha
Isabella Carolina Holz Silva
Larissa Caroline Bonato
Cátia Cristiane Matte Dezordi
Bruna Nadaletti de Araújo
Fernanda Dal Forno Bonotto
Letícia Flores Trindade
Adriane Cristina Bernat Kolankiewicz
DOI 10.22533/at.ed.6732521016
CAPÍTULO 7 ...............................................................................................................58REFLEXÕES SOBRE OS PROBLEMAS DA LIDERANÇA AUTOCRÁTICA NA 
ENFERMAGEM 
Gabriela Ceretta Flôres
Carine Meggolaro
Fernanda Fernandes de Carvalho
Jordana Cargnelutti Ceretta
Cátia Cristiane Matte Dezordi
Leticia Trindade Flores
Adriane Cristina Bernat Kolankiewicz
DOI 10.22533/at.ed.6732521017
CAPÍTULO 8 ...............................................................................................................68
A COMUNICAÇÃO NO MODO DE FAZER EXTENSÃO, E SUA INFLUÊNCIA SOBRE AS 
COMPETÊNCIAS E HABILIDADES NA ÁREA DA ENFERMAGEM
Kaique Santos Reis
Valéria Sacramento de Santana
Nadine de Almeida Cerqueira
SUMÁRIO
Barbariane Santana de Jesus Rocha
Fernanda Andrade Vieira 
Ana Paula Melo Mariano
Pedro Campos Costa Filho
Soraya Dantas Santiago dos Anjos
Sílvia Maria Santos Carvalho
DOI 10.22533/at.ed.6732521018
CAPÍTULO 9 ...............................................................................................................80
ATUAÇÃO DA EQUIPE DE SAÚDE, COM ÊNFASE O ENFERMEIRO DURANTE A 
ASSISTÊNCIA, LIDERANÇA E ENSINO DESENVOLVIDAS NA ESTRATÉGIA SAÚDE 
FAMÍLIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Anderson Figueiredo Pires
Antônio Wericon Nascimento de Oliveira
Elyn dos Santos Pessoa
Raul dos Santos Reis
Regiane Carneiro Bezerra
DOI 10.22533/at.ed.6732521019
CAPÍTULO 10 .............................................................................................................82
DESAFIOS ENFRENTADOS POR ENFERMEIROS EM INICIO DE CARREIRA: REVISÃO 
INTEGRATIVA
Elenir Estevam Rodrigues
Amanda Maria de Araújo
Vitoria Claudia Nascimento de Azevedo
DOI 10.22533/at.ed.67325210110
CAPÍTULO 11 .............................................................................................................91
DIFICULDADES LABORAIS ENFRENTADAS POR PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM 
NA ATENÇÃO BÁSICA DE SAÚDE: UMA REVISÃO DE LITERATURA
Cleicivany Marques Pereira
Rayana Gonçalves de Brito
Silas Henriques da Silva
Danilson Gama de Souza
Dayanne Karoline Oliveira de Brito 
Silvana Nunes Figueiredo
Leslie Bezerra Monteiro 
Anderson Araújo Corrêa
Sávio José da Silva Batista
Iraneide Ferreira Mafra
Otoniel Damasceno Sousa
Francisca Natália Alves Pinheiro
DOI 10.22533/at.ed.67325210111
CAPÍTULO 12 ...........................................................................................................103
PRESENTEÍSMO NA EQUIPE DE ENFERMAGEM UNIVERSITÁRIA AMBULATORIAL: 
REVISÃO INTEGRATIVA
Gisele Massante Peixoto Tracera
SUMÁRIO
Regina Célia Gollner Zeitoune 
DOI 10.22533/at.ed.67325210112
CAPÍTULO 13 ........................................................................................................... 113
EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL E USO DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL 
POR ENFERMEIROS EM ATENDIMENTOS DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA
Maria dos Milagres Santos da Costa
Bruna Furtado Sena de Queiroz 
Monique Moreira Machado
Polyana Coutinho Bento Pereira
Enewton Eneas de Carvalho 
Anderson da Silva Sousa 
Esaú de Castro Mourão
Airton César Leite 
Jusmayre Rosa da Silva 
Raíssa Leocádio Oliveira 
Sayonnara Ferreira Maia 
Francisco Bruno da Silva Santos
DOI 10.22533/at.ed.67325210113
CAPÍTULO 14 ...........................................................................................................123
EXPOSIÇÃO DOS RISCOS OCUPACIONAIS DA ENFERMAGEM NO SETOR DE 
HEMODINÂMICA: REVISÃO INTEGRATIVA 
Jenifer Gomes Araújo Vilela
Michelle Patrícia de Oliveira Santos
DOI 10.22533/at.ed.67325210114
CAPÍTULO 15 ...........................................................................................................130
CAPACITAÇÃO A DISTÂNCIA PARA COMUNICAÇÃO DE ACIDENTES DE TRABALHO 
DO SERVIDOR: A EXPERIÊNCIA DA SES-MT
Janete Silva Porto
Ana Carolina Pereira Luiz Soares
Liris Madalena Moersehbaecher Werle de Lemos
Márcia Regina de Deus Rocha Arcanjo 
DOI 10.22533/at.ed.67325210115
CAPÍTULO 16 ...........................................................................................................139
ESTRESSE PSICOLÓGICO EM ENFERMEIROS QUE GERENCIAM O CUIDADO AOS 
PACIENTES ONCOLÓGICOS: REVISÃO DA LITERATURA
Talita Vieira Campos
Luana Vieira Toledo
Patrícia de Oliveira Salgado
Sebastião Ezequiel Vieira
Soraya Lucia do Carmo da Silva Loures
Lídia Miranda Brinati
DOI 10.22533/at.ed.67325210116
SUMÁRIO
CAPÍTULO 17 ...........................................................................................................149
STRESS OCUPACIONAL E ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO EM ENFERMEIROS 
DE UM HOSPITAL PÚBLICO
Mussa Abacar
Gildo Aliante
Jojó Artur Diniz
DOI 10.22533/at.ed.67325210117
CAPÍTULO 18 ...........................................................................................................161
ESTRESSE OCUPACIONAL E QUALIDADE DE VIDA DE ENFERMEIROS DE UMA 
UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL
Ana Terra Porciúncula Baptista
Karla de Araújo do Espirito Santo Pontes
Luana dos Santos Cunha de Lima
Sheila Nascimento Pereira de Farias
Karla Biancha Silva de Andrade
Eloá Carneiro Carvalho
Thereza Christina Mó y Mó Loureiro Varella
Samira Silva Santos Soares
Lívia Nunes Rodrigues Leme
Priscilla Farias Chagas
Hélen da Costa Quintanilha
Norma Valéria Dantas de Oliveira Souza
DOI 10.22533/at.ed.67325210118
CAPÍTULO 19 ...........................................................................................................175
SÍNDROME DE BURNOUT EM PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM: UMA REVISÃO 
BIBLIOGRÁFICA
Acássia Farias Barbosa
Eliziane da Silva Sodré Mansur
Nathália Pereira da Costa
Erika Conceição Gelenske Cunha
DOI 10.22533/at.ed.67325210119
CAPÍTULO 20 ...........................................................................................................194
CONSEQUÊNCIAS DA SÍNDROME DE BURNOUT NOS PROFISSIONAIS DE 
ENFERMAGEM
Vitória de Jesus Gonçalves
Eduarda Carvalho Sodré Machado
Edilson da Silva Pereira Filho
Camilla Virgínia Siqueira Rôla
Taíse Santos Rocha
Flávia Gomes Silva
Kelle Karolina Ariane Ferreira Alves
Cintia Ferreira Amorim
Nádja Shirlley de Andrade Cavalcante
Lívia Dourado Leite
DOI 10.22533/at.ed.67325210120
SUMÁRIO
CAPÍTULO 21 ...........................................................................................................208
ANÁLISE DA QUALIDADE DE VIDA DE CUIDADORES INFORMAIS
Aldirene Libanio Maestrini Dalvi
Jaçamar Aldenora Santos
Janine Pereira da Silva
Maria Carlota de Rezende Coelho
DOI 10.22533/at.ed.67325210121
SOBRE A ORGANIZADORA ...................................................................................219
ÍNDICE REMISSIVO .................................................................................................220
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 1 1
Data de aceite: 22/01/2021
GESTÃO DA DIVERSIDADE E AS NOVAS 
TECNOLOGIAS: UM CENÁRIO DESAFIADOR
CAPÍTULO 1
doi
Data de submissão: 04/11/2020
Pamela Nery do Lago
Hospital das Clínicas da Universidade Federal 
de Minas Gerais / Empresa Brasileira de 
Serviços Hospitalares (HC-UFMG/EBSERH)
Belo Horizonte – MG
ORCID: 0000-0002-3421-1346
Flávia Cristina Duarte Silva
HC-UFMG/EBSERH
Belo Horizonte – MG
ORCID: 0000-0002-5271-7172
Luciana Moreira Batista 
HC-UFMG/EBSERH
Belo Horizonte – MG
ORCID: 0000-0001-9649-1198
Luciene Maria dos Reis
HC-UFMG/EBSERH
Belo Horizonte – MG
ORCID: 0000-0001-9148-2364
Marlene Simões e Silva
HC-UFMG/EBSERH
Belo Horizonte – MG
ORCID: 0000-0002-1195-493X
Maria Fernanda Silveira Scarcella
HC-UFMG/EBSERH
Belo Horizonte – MG
ORCID: 0000-0002-3319-1646
Regina de Oliveira Benedito
HC-UFMG/EBSERH
Belo Horizonte – MG
ORCID: 0000-0002-3164-5165
Valdjane Nogueira Noleto Nobre 
HC-UFMG/EBSERH
Belo Horizonte – MG
ORCID: 0000-0002-3831-5003
Aline Francielly Rezende Fróes
Hospital Universitário Maria Aparecida 
Pedrossian da Universidade Federal do Mato 
Grosso do Sul (HUMAP-UFMS/EBSERH)
Campo Grande – MS
ORCID: 0000-0003-2962-5859
Liane Medeiros Kanashiro
HUMAP-UFMS/EBSERH
Campo Grande – MS
ORCID: 0000-0001-9945-1597
Marta Luiza da Cruz
HUMAP-UFMS/EBSERH
Campo Grande – MS
ORCID: 0000-0002-8946-2644
Samanntha Lara da SilvaTorres Anaisse
HUMAP-UFMS/EBSERH
Campo Grande – MS
ORCID: 0000-0002-8350-5607
RESUMO: Entre os grandes desafios das 
organizações temos a gestão da diversidade 
e o preconceito velado ainda existente, bem 
como uma gama de tecnologias que surgem 
diariamente como ferramentas para facilitar 
os processos, mas que exigem conhecimento 
técnico para o seu manuseio. Diante disto, esse 
trabalho tem por objetivo aprofundar os debates 
sobre os desafios na gestão da diversidade e 
das novas tecnologias centradas nas diferentes 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 1 2
configurações da sociedade. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória, em que 
foi realizada em julho de 2020, uma revisão bibliográfica dos últimos 10 anos em artigos 
científicos e demais fontes da Internet, utilizando os descritores: gestão da diversidade, 
tecnologias, desafios. Percebe-se que as instituições têm entre seus colaboradores 
personalidades diversas, neste sentido, é primordial superar cenários de preconceito e 
exclusão. Concomitante a isto, tem-se tecnologias que se tornaram importantes aliadas para 
facilitar a execução do trabalho, mas que exigem constantes treinamentos e atualizações. 
PALAVRAS-CHAVE: Gestão da diversidade. Tecnologias. Desafios.
MANAGEMENT OF DIVERSITY AND NEW TECHNOLOGIES: A CHALLENGING 
SCENARIO
ABSTRACT: Among the great challenges of organizations, we have a management 
of diversity and prejudice that still exists, as well as a range of technologies that appear 
daily as tools to facilitate processes, but that know the technical knowledge for their use. 
Therefore, this work aims to deepen the debates on the challenges in managing diversity 
and new technologies centered on the different configurations of society. This is a qualitative, 
exploratory research, which was carried out in July 2020, a bibliographic review of the last 10 
years in scientific articles and other Internet sources, using the following descriptors: diversity 
management, technologies, challenges. It should be noted that the institutions have different 
personalities among their collaborators, in this sense, it is essential to overcome the patterns 
of prejudice and exclusion. Concomitant to this, it has technologies that become important 
allies to facilitate the execution of the work, but that maintain constant training and updates.
KEYWORDS: Diversity management. Technologies. Challenges.
1 | INTRODUÇÃO
Muitas são as provocações passíveis de discussão quando se discorre sobre 
gestão da diversidade. As configurações sociais tradicionais outrora tão rígidas imposta 
num passado próximo, hoje deram lugar a muitas outras conformações que não são 
certas ou erradas, são apenas diferentes. O grande desafio neste contexto é entender 
qual a realidade encontrada, quais são as necessidades dos indivíduos e de que forma 
é possível absorver e desenvolver talentos dentro das organizações, de maneira que se 
alcance os resultados esperados e que seja possível atuar no mercado de trabalho de 
forma competitiva e inovadora. Para Lalau (2017), “inovar não significa substituir material 
humano, mas sim, atribuir aos seus colaboradores novas demandas e desafios em prol do 
crescimento da uma organização”.
 Além dos desafios em se trabalhar toda essa gama de diversidades, atualmente 
nos deparamos com uma sociedade imersa em novas tecnologias, que para a maioria dos 
indivíduos, faz parte das suas vidas pessoais e profissionais, auxiliando os processos e 
facilitando sobremaneira na execução das tarefas solicitadas. No contexto atual, em que 
vivenciamos a pandemia do novo coronavírus, isto ficou mais evidentes e necessário, 
visto que a sobrevivência de muitas organizações hoje depende das tecnologias. Os 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 1 3
profissionais desenvolvem seus trabalhos de forma remota e para auxiliar suas atividades 
utilizam videoconferências por aplicativos para realizar reuniões com pessoas que podem 
estar em qualquer parte do globo. 
 Diante deste cenário, este trabalho tem como objetivo aprofundar os debates 
sobre os desafios enfrentados pelas organizações na gestão da diversidade e das novas 
tecnologias centradas nas diferentes configurações da sociedade.
Esta é uma pesquisa qualitativa, exploratória e de cunho bibliográfico, que procura 
dirimir como se gerencia a diversidade e novas tecnologias neste contexto. Foi realizada 
uma revisão bibliográfica dos últimos 10 anos em artigos científicos e demais fontes da 
Internet, analisados no mês de julho de 2020, utilizando os seguintes descritores: gestão 
da diversidade, tecnologias, desafios.
Este artigo analisa a gestão da diversidade e as novas tecnologias sob a ótica da 
sua evolução, como as empresas absorvem essa nova realidade a seu favor para crescem 
frente a um mercado altamente competitivo.
Desse modo, abordará a gestão de diversidade, bem como os benefícios que podem 
trazer, as tecnologias atualmente utilizadas dentro das organizações e as ferramentas que 
foram desenvolvidas para facilitar a gestão. Esse estudo se justifica devido à importância 
e impacto que esse tema possui não apenas no seio social, como também diante de sua 
relevância dentro das organizações. 
A pesquisa tem por finalidade contribuir com os debates sobre a gestão da 
diversidade e as novas tecnologias. Dessa forma, ao explanar sobre alguns conceitos, 
busca dar subsídio para novos olhares e formas de enxergar o contexto do mundo atual e 
suas diversas possibilidades profissionais. 
2 | DESAFIOS DA GESTÃO DA DIVERSIDADE
A diversidade sempre existiu dentro da sociedade, contudo, por muito tempo ela foi 
velada e as pessoas eram obrigadas a seguir padrões tradicionais rígidos de um modelo 
imposto e tido como ideal, como normal. Tudo que estava na contramão desse modelo, era 
visto como errado e imediatamente negado, mal visto, discriminado e isolado da sociedade.
Entretanto, com o passar do tempo, a sociedade foi se transformando e os espaços 
para o “diferente” foram surgindo e isso refletiu diretamente no mercado de trabalho. As 
organizações passaram a perceber a importância de se absorver essa diversidade de 
indivíduos e buscar, sobretudo formas de fidelizá-los em suas instituições, de maneira a 
entender suas necessidades e desejos profissionais, estimular sua criatividade e buscar 
talentos. 
Para Freitas (2013), “o desafio dos gestores é conseguir uma integração 
organizacional que não anule o potencial das diferenças, ou seja, garantir identidade e 
coesão, porém respeitando os diferentes grupos presentes na organização”.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 1 4
Existem muito a se falar sobre diversidade, uma vez que esta apresenta uma gama 
de representações, seja de gênero, idade, etnia, origem social, orientação sexual, religião 
entre outras. É importante perceber que qualquer que seja a diversidade de determinado 
grupo, todos seus integrantes buscam unanimemente respeito, valorização do seu trabalho 
e possibilidade de desenvolvimento profissional. 
Nas sociedades desenvolvidas, o debate sobre diversidade encontra suas 
origens em quatro grandes movimentos sociais, observados após a Segunda 
Grande Guerra: a presença maciça e permanente das mulheres no mercado 
de trabalho; a mistura demográfica causada pelos movimentos migratórios e 
pela globalização econômica; a coexistência de várias gerações, em função 
do aumento da expectativa de vida; e uma cultura mais tolerante e liberal em 
relação às diferenças (FREITAS, 2013).
Maia (2017) afirma que a diversidade influencia a identidade de uma pessoa e está 
intrinsicamente relacionada com a forma com a qual ela trata os seus problemas e percebe 
o mundo ao seu redor. As experiências individuais afetam diretamente a interação de cada 
um com o seu meio, gerando diferentes tipos de respostas para uma dada situação. Neste 
contexto, as organizações precisam superar desafios ao lidar com a diversidade de seus 
colaboradores.A gestão da diversidade ainda é um conceito pouco utilizado entre as 
empresas brasileiras. Existe a grande necessidade da implementação 
de políticas, alteração no modo como a empresa se comunica, mudanças 
organizacionais, investimento em iniciativas de apoio e o olhar atento dos 
demais colaboradores. Os gestores devem estar cientes que a prática de 
promover os menos favorecidos, precisa ser urgentemente desenvolvida 
(EQUIPE IBC, 2019). 
Ao mesmo tempo em que o Brasil, ainda caminha a passos lentos nas iniciativas 
referentes à gestão da diversidade, observa-se cada vezes mais grandes empresas 
necessitando adotar estratégias que desenvolvam seus recursos humanos voltados a 
gestão da qualidade, visto que atuam em contextos globais, com multiculturas, mulheres 
dominando o mercado, negros em cargos de chefia dentre tantas outras conformações 
possíveis.
Para gerenciar a diversidade existente em uma organização, se faz necessário 
minimizar a discriminação que alguns membros possam apresentar, pois só através de 
uma atuação que mitigue o preconceito, é possível se criar um clima organizacional que 
propicie o acolhimento de todos, estimulando a criatividade e a inovação. De acordo com 
Sicherolli et al., (2011) “pode-se compreender que a gestão da diversidade considera que 
a boa integração entre os funcionários possibilita que cada um contribua com o seu talento 
para conquistar os objetivos de mercado planejados pela empresa”. Quando existe um 
clima organizacional motivador, o colaborador se sente respeitado e passa a identificar-se 
com as crenças e valores daquela empresa, ficando desta forma, mais próximo de alcançar 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 1 5
seus objetivos profissionais e, consequentemente, a empresa obtém seus resultados 
desejados.
Superar conflitos interpessoais e problemas de comunicação são fundamentais 
quando se tem pessoas diferentes convivendo em um mesmo ambiente de trabalho. Gerir 
conflitos também faz parte do cerne de ações da gestão da diversidade, pois estes são 
comuns e necessitam sem solucionados para a saúde do clima organizacional e para que 
a empresa alcance seus resultados pretendidos.
3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS E A GESTÃO DE PESSOAS
De acordo com Coelho (2016), dados do IBGE de 2014 apontam que mais de 
50% da população brasileira tem acesso a Internet em seus domicílios e destes, mais 
de 80% utilizam Smartphones para se conectarem a rede. Esse crescimento de acesso 
da população impacta diretamente no relacionamento das pessoas com o mercado de 
trabalho.
 Vivencia-se essa realidade de uma forma tão corriqueira e habitual que nem se 
percebe o quão mergulhado estão nas tecnologias. O colaborador segundo Coelho (2016):
[...] está habituado a ter as informações que precisa na palma da mão, em 
tempo real. Recebe notificações a cada evento relacionado aos seus grupos, 
por exemplo. A experiência que as pessoas têm com esses serviços e soluções 
mudou a sua expectativa da experiência com tecnologia no trabalho. Nesse 
sentido as organizações devem estar preparadas para acompanhar esses 
novos colaboradores, adaptando sua gestão de pessoas e potencializando o 
uso de tecnologia no trabalho.
Além de necessitar superar o desafio tecnológico, as empresas se deparam com 
uma diversidade de colaboradores. Tendo aqueles que ainda estão mais acostumados 
com o papel e a caneta e aqueles que nasceram imersos na infinidade de tecnologias. 
Treinamentos e adaptações são primordiais para que as gerações coexistentes se 
harmonizem e atuem de forma alinhada nas organizações.
No momento em que o mundo se transforma e se reinventa para atender as novas 
demandas frente à pandemia do novo coronavírus, observa-se mais do que nunca a 
necessidade de utilizar as tecnologias disponíveis para que as organizações superem 
a crise e permaneçam economicamente viáveis. Novas formas de se reunir, de debater 
assuntos, de formar grupos de trabalho em rede através de videoconferências, utilizando 
aplicativos para reuniões entre aqueles que se encontram em home office estão em voga e 
as empresas que até então não utilizavam desses ferramentas, passam a utilizá-las e logo 
percebem que são menos dispendiosas e bastante interessantes para a saúde financeira 
da instituição.
Outra abordagem que este tema levanta é a questão da responsabilidade 
socioambiental, pois quanto mais se utiliza as tecnologias em rede, menos precisamos 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 1 6
utilizar papel impresso e grandes estruturas de espaço físico, conhecido como cloud, em 
que contamos com plataformas para armazenagem e compartilhamento de dados em rede. 
Corroborando com esse aspecto, Lalau (2017) afirma que “em um futuro próximo, boa 
parte do gerenciamento de um negócio – incluindo do capital humano – será feito através 
do ambiente digital”.
Diversas são as propostas e possibilidades para melhor adequar a gestão das 
tecnologias a favor das organizações, como por exemplo, o gamification, em que é 
disponibilizada aos colaboradores experiências em rede similares a jogos, com regras, 
objetivos, fases e premiações. Para Coelho (2016), “o gamification leva ao engajamento 
maior do usuário na atividade proposta e por consequência no seu trabalho. É uma prática 
que está se consolidando e ficando cada vez mais comum no ambiente de trabalho”.
Dentre as tecnologias mais usuais no cotidiano das pessoas, o Smarthphones sem 
dúvidas está em destaque, visto que a maioria dos colaboradores possue um deste e é 
importante as empresas saberem aproveitar deste recurso para se aproximar do seus 
recursos humanos, se fazendo presente em grupos de comunicações virtuais, buscando 
atualizar e manter seus colaboradores informados sobre as principais ações da empresa.
Vídeos também são formas rápidas e eficientes de informação e treinamento. 
Conforme traz Coelho (2016) “Aliada às redes sociais corporativas, que estão se tornando 
cada vez mais comuns, a produção de conteúdo em vídeo e seu compartilhamento no 
ambiente de trabalho é uma excelente estratégia pra disseminação, retenção e gestão do 
conhecimento na organização”.
São infinitas as possibilidades de desenvolvimento e interação, o ponto crucial 
é saber o que melhor se adequa a necessidade de cada instituição e ao perfil de seus 
colaboradores. Gerenciar toda essa gama de possibilidades é o grande desafio.
4 | CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Percebeu-se que nas últimas décadas o crescimento e o desenvolvimento 
organizacional passaram a ser atrelados as tecnologias que vem para facilitar os processos 
e aos diversos perfis de profissionais que atuam nas instituições.
As tecnologias facilitam os processos e demandas, no entanto, as adaptações são 
necessárias perante as gerações diferentes que coabitam as instituições.
Superar os preconceitos e rótulos que possam surgir dentro das empresas é um dos 
principais desafios da gestão da diversidade, bem como perceber os talentos existentes em 
cada colaborador, o que se torna uma tarefa árdua diante de personalidades e desejos tão 
diversos, devido a vivências e crenças distintas. 
Desenvolver as organizações quanto à diversidade e as tecnologias ainda é um 
grande desafio para a gestão das empresas em nosso país, visto que o Brasil engatinha 
neste tema quando comparado a países desenvolvidos. Ainda se encontra muita resistência 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 1 7
tanto pelas gerências quanto pelos colaboradores, cabendo aos líderes e gestores buscar 
formas de superar essas questões para buscar destaque e crescimento frente ao mercado 
altamente competitivo.
Compreender este contexto e atuar de forma a mediar conflitos, perceber o outro 
e oferecer possibilidade de crescimento e desenvolvimento são ações que devem estar 
na lista de prioridades da gestão das organizações, para que tenham seus colaboradores 
alinhados e trabalhando em prol do seu crescimento profissional e também da empresa.
REFERÊNCIAS
COELHO,B. 7 tecnologias de gestão de pessoas que sua empresa deveria usar. Brasília: Impulse, 
2016. Disponível em: <https://impulse.net.br/tecnologias-gestao-de-pessoas/>. Acesso em: 12 de jul. de 
2020.
EQUIPE IBC. Gestão da diversidade nas empresas: realidade e desafios. São Paulo: Instituto 
Brasileiro de Coaching (IBC), 2019. Disponível em: <https://www.ibccoaching.com.br/portal/gestao-
da-diversidade-nas-empresas-realidade-e-desafios/>. Acesso em: 11 de jun. de 2020.
FREITAS, M. E. Desafios da Gestão da Diversidade nas Organizações. São Paulo: Fundação Getúlio 
Vargas, 2013. Disponível em: <https://pesquisa-eaesp.fgv.br/publicacoes/gvp/desafios-da-gestao-da-
diversidade-nas-organizacoes>. Acesso em: 12 de jul. de 2020.
LALAU, B. O impacto da tecnologia na gestão de pessoas. São Paulo: Mundo RH, 2017. Disponível 
em: <https://www.mundorh.com.br/o-impacto-da-tecnologia-na-gestao-de-pessoas/>. Acesso em: 10 de 
jul. de 2020.
MAIA, P. L. O. As organizações contemporâneas e a gestão da diversidade. João Pessoa: Portal 
Administradores, 2017. Disponível em: <https://administradores.com.br/artigos/as-organizacoes-
contemporaneas-e-a-gestao-da-diversidade>. Acesso em: 10 de jul. de 2020.
SICHEROLLI, M. B.; MEDEIROS, C. R. O.; VALADÃO JÚNIOR, V. M. Gestão da diversidade nas 
organizações: uma análise das práticas das melhores empresas para trabalhar no Brasil. João Pessoa: 
III Encontro da Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho, 2011. Disponível em: <http://www.
anpad.org.br/admin/pdf/EnGPR264.pdf>. Acesso em: 12 de jul. de 2020.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 2 8
Data de aceite: 22/01/2021
CAPÍTULO 2
doi
PROPOSIÇÃO DA FUNÇÃO DE GERÊNCIA NO 
COTIDIANO DA ENFERMAGEM
Data de submissão: 08/12/2020
María Claudinete Vieira da Silva
Universidade Veiga de Almeida (UVA)
Rio de Janeiro – RJ
http://lattes.cnpq.br/6889400280421518
Júlya de Araujo Silva Monteiro 
Universidade Federal do Estado do Rio de 
Janeiro (UNIRIO)
Rio de Janeiro – RJ
http://lattes.cnpq.br/1407634309027251
Beatriz Gerbassi Costa Aguiar 
Universidade Federal do Estado do Rio de 
Janeiro (UNIRIO)
Rio de Janeiro – RJ
http://lattes.cnpq.br/1179275802814582
Cássio Baptista Pinto
Universidade Federal do Estado do Rio de 
Janeiro (UNIRIO)
Rio de Janeiro – RJ
http://lattes.cnpq.br/1281057161819552
Gicélia Lombardo Pereira 
Universidade Federal do Estado do Rio de 
Janeiro (UNIRIO)
Rio de Janeiro – RJ
http://lattes.cnpq.br/9157969611400121
Vera Lúcia Freitas
Universidade Federal do Estado do Rio de 
Janeiro (UNIRIO)
Rio de Janeiro – RJ
http://lattes.cnpq.br/8264092185135389
Marcella Ribeiro de Souza 
Universidade Veiga de Almeida (UVA)
Rio de Janeiro – RJ
http://lattes.cnpq.br/5285157978497753
Isabela dos Santos Niero Paiva
Universidade do Grande Rio Professor José de 
Souza Herdy (UNIGRANRIO)
Rio de Janeiro – RJ
http://lattes.cnpq.br/6175069162757974
Daniela de Oliveira Matias
Universidade Federal do Estado do Rio de 
Janeiro (UNIRIO)
Rio de Janeiro – RJ
http://lattes.cnpq.br/1021078527369528
Maristela Moura Berlitz
Universidade Federal do Estado do Rio de 
Janeiro (UNIRIO)
Rio de Janeiro – RJ
http://lattes.cnpq.br/6434850891041386
Vanessa Peres Cardoso Pimentel
Universidade Federal do Estado do Rio de 
Janeiro (UNIRIO)
Rio de Janeiro – RJ
http://lattes.cnpq.br/5596264418594576
Larissa Costa Duarte
Universidade Federal do Estado do Rio de 
Janeiro (UNIRIO)
Rio de Janeiro – RJ
http://lattes.cnpq.br/6577290769590099
RESUMO: Introdução: A organização hospitalar 
é um serviço altamente complexo devido a 
diversidade de processos assistenciais e 
http://lattes.cnpq.br/6889400280421518
http://lattes.cnpq.br/1407634309027251
http://lattes.cnpq.br/1179275802814582
http://lattes.cnpq.br/1281057161819552
http://lattes.cnpq.br/9157969611400121
http://lattes.cnpq.br/8264092185135389
http://lattes.cnpq.br/5285157978497753
http://lattes.cnpq.br/6175069162757974
http://lattes.cnpq.br/1021078527369528
http://lattes.cnpq.br/6434850891041386
http://lattes.cnpq.br/5596264418594576
http://lattes.cnpq.br/6577290769590099
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 2 9
administrativos onde vários profissionais podem assumir a função de gestão, entre ele o 
enfermeiro, podendo ser de uma equipe de enfermagem, de uma clínica, um setor ou serviço. 
Objetivo: Identificar através da literatura como se dá a atuação da enfermagem na função 
de gerência em saúde. Desenvolvimento: Trata-se de uma pesquisa bibliográfica com a 
finalidade de construir um referencial teórico básico que possibilite a apreensão de aspectos 
objetivos e subjetivos do objeto estudado. A pesquisa traz reflexões e críticas que possam 
contribuir para melhor formação e preparo dos profissionais enfermeiros para atuarem 
como gestores inovadores, prestando uma assistência segura, de qualidade, humana e que 
atenda a necessidade daquele indivíduo que busca as unidades de saúde para a promoção, 
prevenção e manutenção da saúde. Sendo assim, mostra-se importante conhecer, estudar, 
compreender e disseminar o papel do enfermeiro na gestão em saúde, otimizando os 
processos e demandas assistências e administrativas, garantindo assim um sistema de 
saúde de qualidade. Conclusão: Conclui-se com o estudo, que a enfermagem é, desde sua 
fundação, uma categoria profissional essencialmente envolvida na gestão, desde trabalhar 
na organização do ambiente até o processo de enfermagem e presença em chefias de saúde. 
Dessa forma, nota-se que, embora não seja um assunto muito recorrente, a enfermagem 
vem crescendo na função de gerência, sendo este estudo, de extrema importância para 
fomentar a discussão e acrescentar ao tema. 
PALAVRAS-CHAVE: Enfermagem; Gestão em Saúde; Educação em Enfermagem. 
PROPOSITION OF THE MANAGEMENT FUNCTION IN NURSING EVERYDAY
ABSTRACT: Introduction: The hospital organization is a highly complex service due to the 
diversity of care and administrative processes where several professionals can assume the 
management function, including the nurse, which may be a nursing team, a clinic, a sector 
or service. Objective: To identify through the literature how nursing works in the health 
management function. Development: This is a bibliographic research with the purpose 
of building a basic theoretical framework that allows the apprehension of objective and 
subjective aspects of the object studied. The research brings reflections and criticisms that 
can contribute to better training and preparation of professional nurses to act as innovative 
managers, providing safe, quality, humane assistance that meets the need of that individual 
who seeks health units for promotion, prevention and maintaining health. Thus, it is important 
to know, study, understand and disseminate the role of nurses in health management, 
optimizing care and administrative processes and demands, thus ensuring a quality health 
system. Conclusion: It is concluded with the study, that nursing is, since its foundation, a 
professional category essentially involved in management, from working in the organization 
of the environment to the nursing process and presence in health leaders. Thus, it is noted 
that, although it is not a very recurrent subject, nursing has been growing in the management 
function, and this study is extremely important to encourage discussion and add to the theme.
KEYWORDS: Nursing; Health Management; Education, Nursing.
1 | INTRODUÇÃO
O trabalho da Enfermagem tem-se constituído objeto de questionamento e reflexões. 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 2 10
Discutir sobre o exercício gerencial do Enfermeiro implica em conhecer sua origem e seus 
reais princípios. (MOREIRA, 2007).
Em especial, considerada a precursora da enfermagem moderna, a britânica Florence 
Nightingale na Guerra da Criméia, se deparou com a extrema necessidade de organização 
e administração de hospitais em Scutari (Turquia), o qual recebiam muitos feridos em 
combate da guerra. Ela se destacou por organizartoda infraestrutura hospitalar, onde 
criou uma divisão do trabalho formado pelas nurses (cuidado direto) e pelas ladies nurses 
(cuidado indireto), além de sistematizar os procedimentos de cuidado de enfermagem.
Além do controle, observação e supervisão rigorosa; Florence organizou a 
hierarquia dos serviços e inseriu a disciplina na assistência. Essa divisão técnica do 
trabalho na enfermagem e a organização, tem se perpetuado até os dias atuais (FORMIGA; 
GERMANO, 2010). 
Através de Florence Nightingale, o conhecimento sobre gerenciamento se 
oficializou com a formação das primeiras alunas da Escola Nightingale, no Hospital St. 
Tomás, Inglaterra em 1860, onde foi implantado o modelo de ensino, chamado de Sistema 
Nightingale, que passou a ser utilizado por outros países (FORMIGA; GERMANO, 2010).
Essa conjuntura histórica contribuiu para o modelo atual do processo de trabalho da 
Enfermagem, onde o profissional de nível superior foi encaminhado a exercer atividades 
além da beira do leito, mas também de cunho administrativo, visando oferecer condições 
adequadas de assistência e a favorecer o desempenho dos trabalhadores sob sua gerência 
(FELLI; PEDUZZI, 2005).
A organização hospitalar é um serviço altamente complexo devido a diversidade de 
processos assistenciais e administrativos, de diversas linhas de produção simultânea e de 
uma fragmentação dos processos de decisão assistencial, além da equipe multiprofissional 
que fazem parte do processo. Sendo ainda, um espaço de ensino e treinamento, além de 
um amplo campo de produção científica (OSMO, 2012). 
Nesse contexto, vários profissionais podem assumir a função de gestão, dentre 
entres, o enfermeiro, podendo ser de uma equipe de enfermagem, de uma clínica, um 
setor ou serviço (SIMÕES; FÁVERO, 2003). O gerenciamento é conferido privativamente 
ao enfermeiro, de acordo a Lei COFEN nº 7.498, de 25 de junho de 1986, dispõe, no 11º 
artigo sobre a regulamentação do exercício da Enfermagem no Brasil, em que o enfermeiro 
exerce todas as atividades de enfermagem.
Os profissionais de nível superior foram predominantemente, direcionados a 
atividades de caráter administrativo, que se propõem ao alcance e manutenção de condições 
adequadas de assistência e à potencialização do desempenho dos trabalhadores (FELLI; 
PEDUZZI, 2005), tendo em sua maioria, o foco na assistência.
Como já mencionado, a formação profissional do enfermeiro é muito voltada para a 
área assistencial, porém, o enfermeiro tem a responsabilidade de atuar na gerência exigida 
pelas organizações de saúde (ROTHBARTH, et al, 2009). Isso demonstra a necessidade 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 2 11
de um maior investimento na capacitação desse aluno, futuro profissional enfermeiro e para 
os profissionais já graduados nos cursos de especialização para promover uma educação 
continuada e desenvolver um trabalho com excelência.
De acordo com Brasil, Ministério da Educação, Conselho Nacional de Educação 
(2001), o país já conta com o parecer Nº CNE/CES 1.133/2001 afirmando que as unidades de 
ensino devem levar esse aluno a desenvolver competências e habilidades na Administração 
e gerenciamento, surge então, o interesse pelo estudo que se justifica através da seguinte 
premissa: O profissional enfermeiro tem sido devidamente condicionado/preparado para 
atuar na função de gerência no cotidiano da enfermagem, e assim contribuir para a reflexão 
acerca da gerência em enfermagem.
Diante dessa afirmação, esta pesquisa tem como objetivo geral identificar através 
da literatura como se dá a atuação da enfermagem na função de gerência em saúde. 
Esse estudo tem como objetivos específicos contribuir para melhor compreensão e preparo 
científico dos profissionais enfermeiros para atuarem como gestores inovadores, que 
possam prestar uma assistência segura, de qualidade, humana e que atenda a necessidade 
daquele indivíduo que busca as unidades de saúde para a promoção, prevenção e 
manutenção da saúde. 
2 | DESENVOLVIMENTO
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica com a finalidade de construir um referencial 
teórico básico que possibilite a apreensão e compreensão de aspectos relacionados ao 
gerenciamento no cotidiano da enfermagem. O estudo foi construído com base no projeto-
piloto apresentado ao processo seletivo discente (mestrado), como requisito parcial para 
aprovação no Programa de Pós-graduação em Enfermagem – PPGENF na Linha de 
Pesquisa – Enfermagem: Saberes e Práticas de Cuidar e Ser Cuidado. 
2.1 Bases Conceituais/Revisão De Literatura
2.1.1 Gerenciamento da Enfermagem no Brasil
O gerenciamento na Enfermagem se inicia desde a sua formação, já que foi 
organizada de maneira que o trabalho fosse dividido para cada elemento da equipe, onde 
a gerência atua como o agente dessa conexão do trabalho em saúde (ERDMANN, 2001).
Através da criação do Decreto Federal 791 de 27 de setembro de 1890, o Governo 
oficializou a primeira Escola de Enfermagem Brasileira, inicialmente chamada Escola 
Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras do Hospício Nacional de Alienados (EPEE), 
anexa ao Hospício Pedro II. Com esse decreto assinando pelo Chefe de Governo Provisório 
da República, Marechal Deodoro da Fonseca, o curso teve implementado em seu currículo 
desde noções práticas de propedêuticas até administração interna das enfermarias. Ou 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 2 12
seja, já se falava em gerenciamento do trabalho do enfermeiro, através da disciplina de 
Administração interna e escrituração do serviço sanitário e econômico das enfermarias. 
(PAVA; NEVES, 2008).
No final da década de 1970, houve uma grande crise brasileira, que se intensificou 
após a falência do modelo econômico do regime militar e desde então, o enfermeiro foi 
conduzido a realizar as funções de administração, supervisão e controle da equipe de 
enfermagem, sendo responsável pelos afazeres técnicos de assistência ao hospitalizado 
(PEREIRA; FORTUNA; MISHIMA; ALMEIDA; MATUMOTO, 2009).
2.1.2 Gerenciamento da Enfermagem: Respaldado Legal
A Lei nº 2.604/55 foi a primeira lei a regulamentar o exercício profissional da 
Enfermagem, onde se determina algumas competências atribuídas ao enfermeiro, como 
por exemplo, a direção dos serviços de enfermagem nos estabelecimentos hospitalares, 
de saúde pública ou privada. Mas somente em 1986, houve um maior detalhamento de 
acordo com cada categoria de enfermagem através da Lei do Exercício Profissional nº 
7.498 (OGUISSO, 2001).
De acordo com a lei do Exercício Profissional, artigo 11:
O Enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem, cabendo-lhe: 
I - privativamente: 
a) direção do órgão de enfermagem integrante da estrutura básica da 
instituição de saúde, pública e privada, e chefia de serviço e de unidade de 
enfermagem; 
b) organização e direção dos serviços de enfermagem e de suas atividades 
técnicas e auxiliares nas empresas prestadoras desses serviços;
c) planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos 
serviços da assistência de enfermagem (BRASIL, 1986, p. 2).
Ficou determinado então que o enfermeiro pode exercer todas as atividades de 
enfermagem, dentre elas as atividades gerenciais. Para Inclusive nos Cursos de Graduação 
em Enfermagem segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais dos - Parecer Nº CNE/CES 
1.133/2001, que tem como objeto: 
Permitir que os currículos propostos possam construir perfil acadêmico 
e profissional com competências, habilidades e conteúdos, dentro de 
perspectivas e abordagens contemporâneas de formação pertinentes e 
compatíveis com referências nacionais e internacionais, capazes de atuar 
com qualidade, eficiência e resolutividade, no Sistema Único de Saúde (SUS), 
considerando o processo da Reforma Sanitária Brasileira (BRASIL, 2001, p. 4).
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 2 13
E para atuar com essa qualidade, eficiência e resolutividade, exige-se um bom 
gerenciamento. O mesmo parecer tem como Objetivo:Levar os alunos dos cursos de graduação em saúde a aprender a aprender 
que engloba aprender a ser, aprender a fazer, aprender a viver juntos 
e aprender a conhecer, garantindo a capacitação de profissionais com 
autonomia e discernimento para assegurar a integralidade da atenção e a 
qualidade e humanização do atendimento prestado aos indivíduos, famílias e 
comunidades (BRASIL, 2001, p. 4).
Dentre as competências e habilidades na Resolução CNE/CES Nº 3, de 7 de 
novembro de 2001, tem-se Administração e gerenciamento, onde apresenta que esse 
futuro profissional deverá ser capacitado a: 
[..] tomar iniciativas, fazer o gerenciamento e administração tanto da força 
de trabalho quanto dos recursos físicos e materiais e de informação, da 
mesma forma que devem estar aptos a serem empreendedores, gestores, 
empregadores ou lideranças na equipe de saúde (CONSELHO NACIONAL 
DE EDUCAÇÃO, 2001, p. 2).
2.1.3 Atribuições do Enfermeiro Gerente
Para atuar em um cargo de gerência, é primordial ter o conhecimento administrativo 
na enfermagem, devido necessidade de organização do ambiente terapêutico para 
promover a restauração da saúde (GOMES; ANSELMI; MISHIMA; VILLA; PINTO; 
ALMEIDA, 1997). Para KURCGANT (2010, p. 2) “a transformação do objeto de trabalho em 
saúde e enfermagem, pode se dar tanto na perspectiva da promoção como da prevenção 
e recuperação da saúde”.
Ser um enfermeiro gerente exige uma organização do trabalho e os recursos 
humanos de enfermagem, através um conjunto de instrumentos técnicos próprios da 
gerência: “o planejamento, o dimensionamento de pessoal de enfermagem, o recrutamento 
e seleção de pessoal, a educação continuada, a supervisão e a avaliação de desempenho, 
entre outros” (FELLI; PEDUZZI, 2005, p. 5).
2.1.4 Gerenciamento no Cotidiano da Enfermagem
A enfermagem engloba um conjunto de ciências, humanas e sociais, que usa a 
administração como ferramenta para a utilização do método científico, resultar o trabalho 
operacionalmente racional (SILVA; APARECIDA, 1993.)
O gerenciamento no processo de trabalho da Enfermagem tem como foco 
principal a organização da assistência, isto é, o planejamento de ações 
compartilhadas de modo que a equipe de enfermagem, sob a liderança do 
enfermeiro, desenvolva o processo de trabalho com eficiência e qualidade 
com a finalidade de satisfazer as necessidades do paciente assistido (WILLIG; 
LENARDT, 2002, p.24).
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 2 14
O trabalho gerencial se configura como um desafio às capacidades e habilidades do 
Enfermeiro, que brotam e se desenvolvem no dia-a-dia. Diante dessa premissa, é notório 
enfatizar que o saber ou o não saber estão diretamente relacionados ao fazer com frequência. 
Se há o hábito de fazer rotineiramente, dificilmente se esquecerá do conhecimento e/ou 
da técnica recomendada. Desse modo, a não execução poderá prejudicar a incorporação 
desse conhecimento e interferir na melhoria da qualidade da assistência prestada aos 
clientes (BEGHINI et al., 2006).
O caminho para o Enfermeiro resgatar seu papel e seu espaço se fará por 
meio do conhecimento científico, adequando os instrumentos de gerência 
e de poder a serviço da Enfermagem, de seus fundamentos e finalidades 
(WILLIG; LENARD, 2002, p.25, apud LACERDA; COSTENARO, 1999).
O propósito do trabalho do enfermeiro gerencial são a organização do trabalho e 
os recursos humanos de enfermagem e dos recursos físicos, financeiros, materiais e isso 
exige os saberes administrativos promover o planejamento, a coordenação, a direção e o 
controle (FELLI; PEDUZZI, 2005).
Para WILLIG; LENARDT, 2002, p.24 “[...] o trabalho diário da enfermagem comporta 
a administração de recursos para que as condições à realização do trabalho de todos os 
profissionais de saúde sejam garantidas”. No mesmo texto a autora comenta que:
O trabalho administrativo do enfermeiro vem assumindo novas características 
devido às estruturas cada vez mais complexas das instituições de Saúde 
de grande porte, assim como, a administração dos cuidados foi acrescida 
de funções de gerência com vistas a concatenar o próprio trabalho de 
enfermagem com os trabalhos dos diversos profissionais especializadas 
como, psicólogo, fisioterapeuta, assistente social, nutricionista e médico 
(WILLIG; LENARDT, 2002, p.25).
2.2 Discussão
Levando em consideração o exposto, podemos afirmar que o gerenciamento 
em enfermagem agrega inúmeras atividades e maiores responsabilidades, como 
dimensionamento de pessoal, administração dos recursos materiais e de informação, 
exigindo deste profissional a tomada de decisão justa e adequada para cada situação. 
Observa-se que desde os primórdios da enfermagem com Florence Nightingale 
e da enfermagem no Brasil, com a Escola Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras, o 
tema gestão em saúde já era abordado. Na Escola o assunto era abordado pela disciplina 
Administração interna e escrituração do serviço sanitário e econômico das enfermarias 
(PAVA; NEVES, 2008). Então, é inegável que a gerência é um dos pilares da profissão e 
está presente no cotidiano da categoria. 
Mesmo com o exposto, ainda foi necessário garantir o direito dos profissionais, 
além de estabelecer e ordenar as atribuições da equipe de enfermagem através da Lei 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 2 15
do Exercício Profissional nº 7.498. Nessa lei, pode-se notar que cabe ao enfermeiro, e 
somente a ele, a direção do órgão de enfermagem nas unidades de saúde e chefia de 
serviço de enfermagem; a organização e direção dos serviços de enfermagem e de suas 
atividades; o planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços 
da assistência de enfermagem (BRASIL, 1986). Essas atividades, majoritariamente, de 
gestão, são do enfermeiro, entretanto ainda existe um grande debate por não serem 
reconhecidas essas atribuições de enfermagem. O fato pode se dar por desconhecimento 
da sociedade, das outras categorias, da própria categoria ou até mesmo, pela falta de 
autonomia da profissão. 
Tal fato exposto, como já mencionado, pode estar baseado no fato de que a 
formação do enfermeiro é muito mais voltada a prática assistencial (ROTHBARTH, et al, 
2009), construindo um cenário de dissociação entre gestão e assistência, o que não é uma 
realidade. Para que seja realizado um cuidado de qualidade e seguro para os pacientes, a 
gestão em saúde deve ser muito bem orquestrada, caminhando lado a lado à assistência. 
Essa discussão torna-se um ciclo infindável quando se considera o saber ou o não 
saber diretamente relacionado ao fazer com frequência. Ora, se não é “possível” ou não é 
reconhecida a prática de gerência pela enfermagem, ou por outras categorias profissionais, 
torna-se difícil a aplicação dos conhecimentos adquiridos na academia em consonância a 
Resolução CNE/CES Nº 3, de 7 de novembro de 2001 do Conselho Nacional de Educação 
(2001), que diz que o enfermeiro deve estar apto a tomar iniciativas, fazer o gerenciamento 
e administração. 
Entende-se então, que o propósito do trabalho do enfermeiro gerencial é a 
organização do trabalho e dos recursos humanos, físicos, financeiros e materiais (FELLI; 
PEDUZZI, 2005). Alguns aspectos são grandes desafios vivenciados pela enfermagem 
na atual conjuntura da saúde para prestar uma gerência de qualidade, como: recursos 
e insumos escassos nas unidades de saúde exigindo muito mais destes profissionais 
para manter um atendimento, além do déficit de trabalhadores em relação a demanda de 
trabalho e a busca pela plena autonomia da profissão.
Vale ainda, sobre esses desafios, mencionar que os anos de 20019 e 2020 foram 
marcados, no Brasil, pela ocorrência da campanha “Nursing Now” para valorização do 
trabalho de enfermagem e para fomentar a discussão sobre as condições da enfermagem 
(OPAS, 2019). Mostra-se ainda relevante o debate sobre o papel de gerente em enfermagem 
por ser algo que é tão cotidiano, mas tão pouco fomentado e valorizado, principalmente 
quando considera-seo ano de 2020, como o ano de uma pandemia devastadora como a 
COVID-19 (Coronavirus Disease 2019), que afetou a área social, econômica, psicológica e 
biológica do Brasil e do mundo, tendo como a maior categoria com número de óbitos pela 
doença, a enfermagem (SOARES; PEDUZZI; COSTA, 2020).
A valorização da dedicação, do trabalho, das competências e das habilidades da 
enfermagem deve ser mais do que um ano, ou um momento, deve ser permanente, e este 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 2 16
estudo busca contribuir com essa valorização e com o crescimento da profissão mostrando 
apontando a competência em gestão pela enfermagem, sendo de extrema importância.
3 | CONCLUSÃO
Conclui-se com o estudo, que a enfermagem é, desde sua fundação, uma categoria 
profissional essencialmente envolvida na gestão, desde trabalhar na organização do 
ambiente até o processo de enfermagem e presença em chefias de saúde. Dessa forma, 
nota-se que, embora não seja um assunto muito recorrente, a enfermagem vem crescendo 
na função de gerência, sendo este estudo, de extrema importância para fomentar a 
discussão e acrescentar ao tema. 
Ainda que o enfermeiro não atue na linha de frente do gerenciamento, em qualquer 
setor que trabalhe, deverá exercer funções de gerenciamento, sendo capaz de analisar, 
estruturar e sintetizar informações de gestão em saúde, além de organizar o trabalho e 
os recursos humanos, físicos, financeiros e materiais. Todas essas ações devem estar 
baseadas em conhecimentos adquiridos na graduação, sendo assim, sugere-se que os 
órgãos formadores proporcionem uma capacitação aos enfermeiros para torná-los aptos 
para desempenharem esta função de gerência e liderança, espera-se que o assunto seja 
discutido e fomentado nas instituições de ensino e nas unidades de trabalho, além de ser 
necessário que mais estudos sejam realizados para maior compreensão e exposição do 
tema. 
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https://doi.org/10.1590/S1980-220X2020ed0203599
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 3 19
Data de aceite: 22/01/2021
CAPÍTULO 3
doi
TOMADA DE DECISÕES: UM DESAFIO DAS 
COMPETÊNCIAS GERENCIAIS DO ENFERMEIRO
Data de submissão: 16/11/2020
Barbara dos Santos Pereira
Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ) 
Ijuí/RS
http://lattes.cnpq.br/8357176499011078 
Eduarda França Casagrande
Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ) 
Ijuí/RS
http://lattes.cnpq.br/0911150067707293 
Mirian Queli Ribeiro Rosa
Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ) 
Ijuí/RS
http://lattes.cnpq.br/1937225720166641 
Vivian Kelli Santos Gottschefski
Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do RioGrande do Sul (UNIJUÍ)
Ijuí/RS
http://lattes.cnpq.br/8106989438884224 
Cibele Thomé da Cruz Rebelato
Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do Rio Grande do Sul 
Ijuí/RS
http://lattes.cnpq.br/4340561780927718 
Cátia Cristiane Matte Dezordi
Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do Rio Grande do Sul 
Ijuí/RS
http://lattes.cnpq.br/7806206131585996 
Leticia Trindade Flores
Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do Rio Grande do Sul 
Ijuí/RS
http://lattes.cnpq.br/2003833478266415 
Adriane Cristina Bernat Kolankiewicz
Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do Rio Grande do Sul 
Ijuí/RS
http://lattes.cnpq.br/7833969359741646 
RESUMO: O papel gerencial do enfermeiro 
torna-se necessário e indispensável para 
garantir o desenvolvimento do trabalho coletivo, 
centrado na assistência ao paciente e em suas 
necessidades. As competências gerenciais, que 
dentre elas destaca-se a tomada de decisão, é 
vista como eixo central de suas ações no processo 
de trabalho, a qual deve ser aplicada com 
conhecimento, responsabilidade e consciência. 
Sob essa perspectiva, quando se pensa em 
desenvolver habilidades e competências 
gerenciais do enfermeiro no processo de ensino 
e aprendizagem durante curso de enfermagem, 
entende-se a importância da dialética de troca de 
conhecimentos e experiências aluno-professor. 
OBJETIVO: Refletir sobre a tomada de decisão, 
uma das competências gerenciais do enfermeiro, 
por meio da aplicação da Metodologia ativa do 
tipo problematizadora. METODOLOGIA: Estudo 
descritivo, do tipo relato de experiência, com a 
utilização da metodologia problematizadora, 
com base em uma competência profissional 
do enfermeiro. Estudo desenvolvido durante 
o componente curricular de Gestão em 
http://lattes.cnpq.br/8357176499011078
http://lattes.cnpq.br/0911150067707293
http://lattes.cnpq.br/1937225720166641
http://lattes.cnpq.br/8106989438884224
http://lattes.cnpq.br/4340561780927718
http://lattes.cnpq.br/7806206131585996
http://lattes.cnpq.br/2003833478266415
http://lattes.cnpq.br/7833969359741646
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 3 20
Enfermagem, Serviços e Sistemas de Saúde, do curso de Graduação em Enfermagem. 
Compreende 5 etapas: observação da realidade; hipóteses do problema; teorização; hipóteses 
de solução; aplicação à realidade. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Para refletir sobre os 
possíveis potencializadores do problema, definiu-se alguns pontos chaves para a discussão, 
e após buscou-se evidências que comprovassem ou descartassem os principais aspectos 
levantados. Dentre eles: inexperiência e falta de trabalho em equipe. CONSIDERAÇÕES 
FINAIS: Essa reflexão possibilitou o aprimoramento das habilidades de gerenciamento já no 
momento vivenciado durante a graduação, a qual permite o questionamento e auto crítica 
reflexiva, e capacita os futuros profissionais para adentraram no mercado de trabalho.
PALAVRAS-CHAVE: Gestão; Enfermagem; Liderança.
DECISION MAKING: A CHALLENGE FOR THE MANAGERIAL SKILLS OF 
NURSES
ABSTRACT: The managerial role of nurses becomes necessary and indispensable to 
guarantee the development of collective work, centered on patient care and on their needs. 
Managerial competencies, which include decision-making among them, are seen as the 
central axis of their actions in the work process, which must be applied with knowledge, 
responsibility and awareness. From this perspective, when thinking about developing 
nurses’ managerial skills and competences in the teaching and learning process during 
a nursing course, the importance of the dialectic of exchange of knowledge and student-
teacher experiences is understood. OBJECTIVE: To reflect on decision making, one of the 
managerial competencies of nurses, through the application of active Methodology of the 
problematizing type. METHODOLOGY: Descriptive study, type of experience report, using 
the problematizing methodology, based on a professional competence of the nurse. Study 
developed during the curricular component of Nursing Management, Services and Health 
Systems, of the Nursing Undergraduate course. It comprises 5 stages: observation of reality; 
hypotheses of the problem; theorization; solution hypotheses; application to reality. RESULTS 
AND DISCUSSIONS: In order to reflect on the potential drivers of the problem, some key 
points for the discussion were defined, and afterwards, evidence was sought to prove or 
discard the main aspects raised. Among them: inexperience and lack of teamwork. FINAL 
CONSIDERATIONS: This reflection enabled the improvement of management skills already 
experienced during graduation, which allows for questioning and reflective self-criticism, and 
enables future professionals to enter the job market.
KEYWORDS: Management; Nursing; Leadership
INTRODUÇÃO
O papel gerencial do enfermeiro torna-se necessário e indispensável para garantir 
o desenvolvimento do trabalho coletivo, centrado na assistência ao paciente e em suas 
necessidades. As competências gerenciais, que dentre elas destaca-se a tomada de 
decisão, é vista como eixo central de suas ações no processo de trabalho, a qual deve ser 
aplicada com conhecimento, responsabilidade e consciência (SOARES et al., 2016).
A utilização de uma metodologia na tomada de decisão não garante a certeza de 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 3 21
acertos, porém amplia a probabilidade de escolhas justas e eficientes, capazes de tornar o 
profissional mais seguro no enfrentamento de novas ocasiões. Para isso, é necessário que 
o enfermeiro compreenda os fatores e as etapas envolvidas no processo decisório, as quais 
facilitam o desenvolvimento de suas atividades pertencentes a liderança, planejamento, 
comunicação, administração e negociação de conflitos, bem como auxilia na resolução de 
manifestações importantes da prática assistencial (EDUARDO et al., 2015).
Sob essa perspectiva, quando se pensa em desenvolver habilidades e 
competências gerenciais do enfermeiro no processo de ensino e aprendizagem durante 
curso de enfermagem, entende-se a importância da dialética de troca de conhecimentos e 
experiências aluno-professor. Assim, para tornar esse processo mais efetivo, a aplicação 
de Metodologia da Problematização (MP) auxilia para o desenvolvimento do aprendizado 
e contribui para o pensamento crítico-reflexivo na tomada de decisão do acadêmico (SILVA 
et al., 2020). Em vista disso, sabe-se que a tomada de decisão necessita de pensamento 
crítico, para reconhecer as situações que requerem intervenções e esta metodologia 
fornece auxílio para a identificação e solução dos problemas.
Com base nestas considerações, o presente estudo objetiva refletir sobre a tomada 
de decisão, uma das competências gerenciais do enfermeiro, por meio da aplicação da 
Metodologia ativa do tipo problematizadora. 
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo descritivo do tipo relato de experiência, com a utilização 
da MP, desenvolvido por acadêmicas do oitavo semestre do Curso de Graduação em 
Enfermagem da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul 
(UNIJUÍ), na disciplina de Gestão em Enfermagem, Serviços e Sistemas de Saúde, 
ministrada no período de agosto a dezembro de 2020.
De forma online, através da ferramenta do Google Meet, os acadêmicos foram 
divididos em grupos de quatro componentes pré-determinados pelas docentes da disciplina, 
em que cada grupo ficou responsável por discutir e eleger um problema a partir de uma 
competência gerencial do enfermeiro, no qual foi estabelecida nossa competência: tomada 
de decisão. Desse modo, para a elaboração do estudo escolheu-se a MP, pois esta é 
um componente auxiliar no processo de transformação da realidade, fundamentada nas 
vivências da equipe, para a resolução de problemas. 
O método de Arco de Charles Maguerez consiste em uma ferramenta base importante 
para a aplicação da MP, o qual é composto por cinco fases: observação da realidade; 
definição dos pontos-chave; teorização, hipótese desolução e aplicação da realidade. 
Após a realização da primeira fase, a observação da realidade, o problema observado 
passa por um amplo processo de estudo e reflexão, com o objetivo de retornar à realidade 
com algum grau de intervenção (BORDENAVE, PEREIRA, 1989).
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 3 22
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Nesse contexto, no decorrer da disciplina fomos desafiados a identificar problemas 
relacionados à tomada de decisão para posteriormente delinear intervenções e soluções, 
apropriando-se da análise crítica-reflexiva, bem como da criatividade e inovação, 
fundamentada em evidências científicas. Posteriormente, aplicamos as etapas do Arco de 
Maguerez, para a resolução dos problemas encontrados. 
A primeira etapa consiste na cooperação do grupo em si, para um olhar atento da 
realidade, o qual é efetuado uma leitura sobre o tema a ser abordado, inserindo-o nas 
situações vivenciadas, e dessa maneira, gerar o problema de estudo (DE MACEDO et al., 
2019). Ao corresponder a primeira etapa e presenciar situações que envolvem a atuação 
do enfermeiro nas diferentes atividades práticas dos campos da área da saúde, a tomada 
de decisão foi uma das situações identificadas em que os profissionais de enfermagem 
possuem dificuldades no momento de realizá-la e resultam em perder o julgamento crítico 
diante das ocorrências do cotidiano. 
Nessa perspectiva, estabeleceu-se como problema de estudo: falta de autonomia 
do profissional de enfermagem na tomada de decisão. Visto que a autonomia necessita do 
agir com liberdade e responsabilidade, uma vez que deve ser pautada em base científica 
e conquistada no seu trabalho social. Consiste em algumas vulnerabilidades, sendo estas 
expressas pelas relações interpessoais, no desgaste causado pelo estresse profissional e 
no risco inerente a assistência (SAMPAIO, 2019). 
Na segunda etapa realizamos uma apuração do que foi observado na realidade, 
no qual deve ser feita uma análise do que é realmente essencial, identificar os pontos 
chaves do problema e as variáveis determinantes da situação, ou seja, definir os fatores 
que interferem/influenciam na tomada de decisão (SILVA et al., 2020). Dessa forma foi 
realizado uma análise dos possíveis motivos que prejudicam o enfermeiro na tomada de 
decisão, onde pontuou-se pontos-chave considerados de maior relevância para o grupo: 
falta de trabalho em equipe e inexperiência.
Na terceira etapa definem-se as estratégias de estudo dos pontos-chave, na qual 
devemos buscar na literatura evidências que comprovem ou descartem as hipóteses 
apresentadas e norteiam as possíveis soluções do problema (GOI et al., 2017). Marques et 
al. (2019) afirmam que a tomada de decisão é um procedimento que o enfermeiro usufrui 
para avaliar e escolher as melhores ações para obter os resultados almejados. Processo 
que compreende o ato de avaliação quando é apresentado várias alternativas, o que 
frequentemente leva a definição de um modo de agir (RODRIGUES et al., 2020). 
Todavia, várias são as dificuldades encontradas na tomada de decisão, dentre elas, 
destaca-se a falta de autonomia dos profissionais de enfermagem, o que resulta em omissão 
das situações, por receio de repreensão. A carência de autonomia pode ser interpretada, 
em parte, pela falta de experiência em algumas situações, no entanto, essas questões 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 3 23
vão além da experiência individual de cada profissional, pois inclui fatores relacionados à 
política, visão da organização, modelo gerencial e estrutura organizacional (RODRIGUES 
et al., 2020). 
Segundo Berti et al. (2020), a autonomia é compreendida como algo próprio do 
indivíduo, em vista que algumas pessoas demonstram ser mais autosuficiente do que 
outras. Sabe-se que o conhecimento contribui para a autonomia, enquanto que alguns 
conflitos dificultam, para tanto deve-se resolver os problemas de modo sensato, com vistas 
a conquistar confiança e melhorar a autonomia.
Apesar de que a autonomia é vista como uma característica pessoal, que tem 
sua sustentação nas experiências particulares de vida, muitas vezes ela é aperfeiçoada 
no próprio ambiente de trabalho. Diante disso, é necessário humildade ao aprendizado 
constante e reconhecimento das próprias limitações para se obter ganhos correspondente 
à autonomia profissional (BERTI et al., 2008). É preciso reconhecer que o saber, quando 
apropriado e construído, direciona o desenvolvimento da autonomia e tomada de decisão 
e, para se aprimorar, necessita de reflexão e análise do enfermeiro. Portanto, deve-se 
considerar suas dificuldades como forma de motivação e crescimento (KAISER; SERBIM, 
2009).
Contudo, é primordial que o enfermeiro tenha atitude pautada no respeito, ética e 
compromisso, este deve saber resolver os problemas, tomar decisões e ver o ambiente e os 
processos de trabalho como um todo, de forma holística. Somente assim, ele é capaz de ter 
condutas profissionais conscientes, com boa satisfação pessoal e profissional, levando em 
consideração que seu trabalho atribui-se para o cuidado relacionado às pessoas (GOMES; 
OLIVEIRA, 2008).
Em relação ao ponto chave “falta de trabalho em equipe”, os achados na literatura 
apontam que quando realizado de forma efetiva pode ser entendido como uma estratégia 
para melhorar a efetividade do trabalho, o processo saúde e doença dos clientes, a 
organização do trabalho e proporcionar um ambiente mais harmonioso, além de elevar a 
satisfação dos membros da equipe, tornando suas competências mais eficientes (LACORT; 
OLIVEIRA, 2017). Quando o trabalho em equipe está desajustado, todo o serviço entra 
em decadência e cabe ao gerente de equipe reestruturar o funcionamento do trabalho, 
evitando sobrecargas que afetam sua habilidade correspondente a tomada de decisões. 
Tomar decisões, uma das etapas do processo de solução de problemas, é uma 
tarefa importante que se baseia fortemente nas habilidades de raciocínio clínico. Ainda que 
a tomada de decisão bem-sucedida possa ser algo aprendido por experiências de vida, 
nem todos aprendem a solucionar problemas e a julgar com sabedoria por meio desse 
método de tentativa e erro, porque muito é atribuído ao fator sorte. Além disso, um período 
de tempo é alocado para que se possa refletir profundamente sobre as decisões tomadas 
e sobre os resultados obtidos (MARQUIS; HUSTON, 2015). Sendo assim, a segurança na 
tomada de decisões vem com o crescimento e experiência prática na avaliação clínica das 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 3 24
situações, esse processo evolui com o tempo e as vivências, não podendo ser abreviado ou 
antecipado, surgindo somente através do fazer, acertar, errar e do aprender.
A quarta etapa consiste na elaboração de alternativa viável para solucionar os 
problemas identificados, de forma eficiente e resolutiva embasado na literatura, de acordo 
com a realidade do profissional e da instituição. A partir dos resultados obtidos na etapa 
anterior, elaborou-se como estratégias de solução, o aprimoramento das habilidades de 
autonomia e tomada de decisões ainda na fase acadêmica, onde o profissional egresso 
da graduação tem a identificação da realidade que irá enfrentar no decorrer de sua vida 
profissional, a qual é aperfeiçoada ao longo do tempo (EDUARDO et al., 2015).
Além disso, o ambiente no qual se está inserido e o convívio com a equipe, 
juntamente com o estabelecimento de afeto, zelo e liberdade de expressão, tende a 
tornar este local harmonioso, com aquisição de conhecimento/experiência, trabalho 
cooperativo o que resulta em credibilidade e reconhecimento a autonomia. O enfermeiro, 
como líder de equipe, necessita conhecer a si próprio e compreender o outro, perceber 
os comportamentos de seu grupo para saber quando intervir e estabelecer comunicação 
franca, direta e honesta (FELICIANO et al., 2010).
Combinações/pactuações tem a capacidade de incentivar a adaptação e ampliar 
as possibilidadesde interferir e modificar as condições de trabalho. Diante disso, a equipe 
torna-se mais crítica e reflexiva, pois compreende a necessidade do trabalho em equipe 
e a divisão de tarefas, o que resulta em maior autonomia técnica, integração das ações, 
comunicação e suporte institucional (FELICIANO et al., 2010). Desta forma, entende-se que 
há maior apoio ao profissional líder de equipe recém integrado ao serviço, o qual contribui 
para que sua autonomia lhe assegure a tomada de decisões assertivas e respeitáveis 
através do reconhecimento e aceitação de sua equipe. Esta equipe torna-se lugar seguro 
para obter experiências e crescimento profissional.
A educação permanente consiste em uma estratégia essencial às transformações 
do trabalho, pois estimula o pensamento e atuação crítica, reflexiva, comprometida, a 
construção coletiva do planejamento da assistência e, principalmente o incentivo ao 
crescimento pessoal e da equipe de trabalho, a fim de não permanecer apenas restrita 
à transmissão de conhecimentos. Diante disso, a educação na enfermagem possui a 
responsabilidade de atualizar e qualificar os enfermeiros juntamente com sua equipe, por 
meio da implantação de ações educativas, com o objetivo de motivar o autoconhecimento, 
o aperfeiçoamento e atualização profissional (PUGGINA, et al., 2016).
Na quinta etapa, usufruímos da aplicação à realidade, através do planejamento, 
que tem como intuito implementar aperfeiçoamento, isto significa, colocar em ação o 
que elaboramos. Portanto esta etapa já vem sido desenvolvida ao longo da graduação. 
Contudo esse trabalho possibilitou conhecer, ter um primeiro contato e exercício com 
esta metodologia o qual servirá como embasamento e alicerce para os acadêmicos nos 
próximos campos de práticas.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 3 25
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao longo do trabalho proposto baseado na metodologia utilizada, consideração as 
etapas do Arco de Maguerez e no que a literatura aborda, foram evidenciados pontos de 
maior relevância no que diz respeito à prática do enfermeiro e sua relação de autonomia 
e trabalho em equipe. O qual torna-se um processo de evolução constante, em que as 
habilidades de autonomia e tomada de decisões devem ser estimuladas já na graduação, 
aperfeiçoadas ao longo da carreira do enfermeiro, na busca pessoal e dentro da educação 
permanente institucional em sua especificidade setorial.
Vinculado a isso, a forma com que o enfermeiro se coloca diante da equipe é 
fundamental na tomada de decisão e na política de boa relação com os mesmos, em que 
estabelece relações de confiança, humildade e capacidade reflexiva, o qual é otimizado 
ao longo do tempo de prática, experiências vividas, conhecimento acerca da mediação de 
conflitos, em busca à excelência da relação entre todos os membros do setor ocupacional, 
para um ambiente harmônico em que o trabalho possa ser desenvolvido com maior fluidez.
Sendo assim, este estudo promove o aprimoramento das habilidades de 
gerenciamento já no momento vivenciado durante a graduação, a qual permite o 
questionamento e auto crítica reflexiva, e capacita os futuros profissionais para adentraram 
no mercado de trabalho preparados para administrar conflitos com autonomia, bom trabalho 
em equipe, boa comunicação, com uma visão mais completa de sua contribuição para o 
serviço assistencial em saúde e desse modo, qualificação no processo de cuidado.
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Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 3 27
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Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 4 28
Data de aceite: 22/01/2021
CAPÍTULO 4
doi
AUDITORIA EM ENFERMAGEM: CONSIDERAÇÕES 
SOBRE A ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO À LUZ DA 
LITERATURA
Data de submissão: 24/12/2020
Juliana Lagreca Pacheco
Especialista em Auditoria em Enfermagem pela 
Faculdade Batista de Minas Gerais
Betim
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RESUMO: Introdução: Trata-se de uma revisão 
da literatura com abordagem qualitativa que 
objetivou descrever e fazer considerações a 
respeito da auditoria em enfermagem destacando 
a atuação do enfermeiro auditor. Metodologia: A 
pesquisa se deu em março de 2019 na Biblioteca 
Virtual em Saúde com os termos auditoria em 
saúde e auditoria em enfermagem. A pesquisa 
resultou em 60 artigos, que após leitura, sete 
foram selecionados de acordo com os objetivos 
da pesquisa. Conclusão: A maioria dos estudos 
eram revisões bibliográficas, o que sugere 
maior necessidade de estudos originais acerca 
do tema; o enfermeiro auditor tem um papel 
importante tanto nas questões financeiras das 
instituições quanto na qualidade da assistência 
prestada ao usuário.
PALAVRAS-CHAVE: Auditoria em enfermagem; 
auditoria em saúde.
NURSING AUDIT: CONSIDERATIONS 
ABOUT THE NURSE’S PERFORMANCE 
IN THE LIGHT OF THE LITERATURE
ABSTRACT: Introduction: This is a literature 
review with a qualitative approach that aimed 
to describe and make considerations about 
nursing auditing, highlighting the role of the nurse 
auditor. Methodology: The research took place 
in March 2019 at the Virtual Health Library with 
the terms health audit and nursing audit. The 
search resulted in 60 articles, which after reading, 
seven were selected according to the research 
objectives. Conclusion: Most studies were 
bibliographic reviews, which suggests a greater 
need for original studies on the topic; the nurse 
auditor has an important role both in the financial 
issues of the institutions and in the quality of the 
assistance provided to the patient.
KEYWORDS: Nursing audit; health audit.
INTRODUÇÃO
Segundo Kurcgant (1976), para a 
enfermeira, a auditoria consiste em um 
instrumento de controle de qualidade do seu 
trabalho. Segundo esta autora, uma forma 
de avaliar a qualidade da assistência de 
enfermagem prestada através dos registros é 
feita através da comparação destes com padrões 
pré-estabelecidos que definem qual assistência 
de enfermagem deveria ser prestada. A essa 
sistematização dá-se o nome de AUDITORIA.
 Uma assistência que não esteja de acordo 
com os padrões aceitáveis pode ocasionar 
graves consequências para o paciente. Sendo 
assim, a necessidade de implementar um 
processo de avaliação dos cuidados prestados 
com qualidade se justifica por prevenir possíveis 
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Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 4 29
riscos ou prejuízos aos clientes. Dessa forma, torna-se imprescindível a aplicação da 
Auditoria e Gestão da Qualidade. (MAIA et al., 2017)
 Da mesma maneira que auditoria médica tem o objetivo de elevação do padrão de 
assistência médico-hospitalar, na enfermagem é a melhoria da qualidade da assistência 
de enfermagem que o hospital se propõe a oferecer à comunidade ou que tem obrigação 
social oferecer. (RIBEIRO, 1972)
 Segundo Motta (2010), algumas das normas para o trabalho de auditoria de 
enfermagem no Hospital incluem:
• Conhecer todos os contratos entre a Instituição Hospitalar e Operadora de pla-
nos de saúde;
• Acompanhar todos os procedimentos médicos realizados dentro da Instituição;
• Estar integrada com todas as equipes de trabalho do hospital: nutrição, assis-
tente social, enfermagem...
• Fazer uma análise geral do prontuário do paciente ao recebê-lo, verificando o 
diagnóstico, período de internação, tratamentos, exames realizados, autoriza-
ções e materiais específicos;
• Verificar se a quantidade de materiais e medicamentos são compatíveis com 
os dias de internação, diagnóstico do paciente e procedimentos realizados, etc.
DRAGANOV & REICHERT (2007) apud BUSATTA et al (2009) referem que o 
enfermeiro auditor está presente nas Instituições como: Enfermeiros auditores do serviço 
de educação continuada onde ele é o responsável pela orientação da equipe multidisciplinar 
que tem acesso ao prontuário, para que se conscientizem sobre a importância legal de 
seu preenchimento, e dessa forma avalia os padrões dos registros de enfermagem e 
Enfermeiros Auditores do serviço de faturamento onde o enfermeiro é responsável pela 
análise das contas hospitalares após a alta do paciente.
Este trabalho teve como objetivo identificar na literatura os principais aspectos 
relacionados à auditoria em enfermagem e discutir a atuação do enfermeiro auditor nas 
instituições de saúde.
Trata-se de uma pesquisa qualitativa na modalidade revisão da literatura. A pesquisa 
foi realizada em março de 2019 na Biblioteca Virtual em Saúde. Os termos utilizados foram: 
auditoria em saúde e auditoria de enfermagem. A busca retornou 60 artigos, após breve 
leitura dos resumos, foram excluídos os artigos em língua estrangeira, os que não possuíam 
texto completo disponível e os que não se adequaram aos objetivos da pesquisa. Dessa 
forma, 7 artigos foram selecionados e analisados.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 4 30
DISCUSSÃO
 Uma pesquisa qualitativa exploratória e descritiva realizada com enfermeiros 
auditores em Instituições na meso-região do Vale do Itajaí- Santa Catarina, teve como 
objetivo identificar a atuação deste profissional do âmbito intra-hospitalar e quais as 
medidas adotadas para melhorar a qualidade da assistência prestada aos clientes. Em 
relação ao tipo de auditoria executada pelos enfermeiros auditores, verificou-se que todas 
as Instituições realizavam a auditoria retrospectiva- a partir dos registros dos profissionais, 
e apenas 4 entrevistados realizaram parcialmente a auditoria concorrente, ou seja, que 
ocorre durante o trabalho prestado e na presença do cliente. Ficou evidenciado através 
dos relatos que a auditoria retrospectiva se revela como auxílio contábil imediato para 
fechamento da conta hospitalar. (BLANK et al, 2013).
A respeito da Sistematização de Enfermagem para BLANK et al (2013), na pesquisa 
acima citada, apenas três hospitais implementaram a SAE. Segundo as autoras: “ para a 
Auditoria em Enfermagem o procedimento só é auditado se prescrito, o que nos leva a 
refletir sobre a possibilidade de o custo do cuidado ser subnotificado na tramitação da conta 
hospitalar”.
Uma pesquisa bibliográfica que buscou refletir sobre a produção científica em 
auditoria em enfermagem afirma que o prontuário do paciente, através dos registros e 
anotações de enfermagem, deve ser foco de atenção e principal meio de garantir que o 
valor gasto com a assistência prestada seja recebido, tendo em vista que é o documento 
legal que informa dados sobre a internação e cuidados prestados pela equipe. (SILVA, 
2015).
Silva (2015) afirma que é responsabilidade do enfermeiro o planejamento e 
organização da equipe de enfermagem e da unidade, bem como dar atenção aos registros 
no prontuário do paciente. Aautora ressalta também que o enfermeiro como líder da equipe, 
deve contribuir com os resultados econômicos da instituição e conduzir a excelência da 
gestão hospitalar.
Um dos problemas ressaltados por SILVA (2015) acerca dos registros de enfermagem 
com baixa qualidade, referem-se a escassez de recursos humanos na enfermagem, 
realidade de muitas instituições no Brasil. Sendo assim, dificulta o registro de informações 
e representam uma questão importante para se melhorar a qualidade das anotações de 
enfermagem.
Um revisão integrativa da literatura que objetivou identificar as principais falhas 
nas anotações de enfermagem dos prontuários dos pacientes verificou em seu estudo 
que as principais falhas encontradas nos registros de enfermagem referem-se a falta de 
identificação e carimbo do executor; ausência de informações como horário de execução 
das tarefas; letras ilegíveis; erros de ortografia; anotações e evoluções de enfermagem 
indistintas quanto ao conteúdo; utilização de terminologia incorreta; siglas não padronizadas 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 4 31
e sem referências e rasuras e uso de corretivos. (BARRETO et al, 2016)
Barreto ela t (2016) afirmam que os profissionais poderiam contribuir para a não 
ocorrência da glosa, verificando as prescrições antes de serem anexadas ao prontuário do 
pacientes, prevenindo assim possíveis falhas como falta de checagem de justificativas de 
procedimentos executados ou não.
Um relato de experiência foi realizado por enfermeiros na implementação de um 
Núcleo de Auditoria e Regulação em Saúde em um município do Rio Grande do Sul. 
Este relato mostra que a primeira etapa para criação do Núcleo foi o desenvolvimento de 
um diagnóstico situacional que permitiu verificar o desconhecimento acerca dos custos, 
excesso de gastos, emprego financeiro inadequado e falta de controle dos recursos 
pela Secretaria Municipal de Saúde. A partir dos resultados obtidos, foi possível traçar 
os objetivos e os processos de trabalho do Núcleo de Auditoria e Regulação centrado 
na otimização dos recursos destinados à Secretaria Municipal de Saúde com a finalidade 
de promover uma assistência resolutiva e de qualidade. A segunda etapa foi a formação 
de uma equipe multiprofissional de trabalho, a terceira etapa foi constituída por rodas de 
conversação e a quarta etapa de estruturação do serviço foi através a formação permanente 
dos profissionais como cursos de especialização em auditoria, capacitação, seminários, 
etc. (CECCON et al, 2012)
Lima et al (2018) desenvolveram uma revisão integrativa da literatura com o objetivo 
de identificar as evidências científicas acerca da auditoria no campo da enfermagem e 
discutí-las. A respeito das glosas elas ressaltam meios de evitá-las: realizar uma auditoria 
retrospectiva: antes da fatura ser liberada pela instituição de saúde a enfermeira audita os 
itens que compõem a conta ,e auditoria prospectiva: antes da autorização de determinado 
procedimento deve-se analisar as taxas, diárias e quantidade de materiais e medicamentos 
solicitados.
Para Lima et al (2018) é imprescindível que os enfermeiros auditores não foquem 
apenas na contenção de gastos com saúde. Deve prevalecer a qualidade da assistência, 
a ética profissional e os registros adequados com foco na resolução de problemas dos 
indivíduos que buscam os serviços em saúde.
Claudino et al (2012) detectaram através de uma revisão integrativa que os principais 
erros encontrados nos registros de enfermagem foram: letra ilegível, rasuras, uso de corretivos, 
registros incompletos e incoerentes quanto à prescrição de enfermagem, identificação 
incorreta do profissional, ausência de checagem de medicamentos e procedimentos dos 
profissionais de enfermagem. Ressaltam que estas falhas acarretam graves consequências 
de ordem assistencial, administrativa e financeira e que a auditoria em enfermagem neste 
contexto tem um papel essencial na identificação das inconsistências encontradas. Para as 
autoras, o enfermeiro auditor tem o papel de avaliar sistemática e formalmente as atividades 
e anotações dos profissionais com o objetivo de reduzir as glosas hospitalares e promover 
um meio de comunicação adequado como o prontuário do paciente
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 4 32
Valença et al (2013) realizaram uma revisão bibliográfica narrativa com o intuito de 
conhecer a produção cientifica em auditoria em enfermagem e identificar a importância do 
registro no prontuário para a auditoria. Os autores ressaltaram em seu estudo aspectos 
relacionados às classificações da auditoria como: de acordo com o tipo ou método ( 
retrospectiva e operacional); de acordo com a forma de intervenção ( interna e externa); 
tempo ( continua e periódica); limite (total e parcial) e natureza ( normal e específica); além 
da classificação entre auditoria de enfermagem de cuidados e auditoria de custos.
Em relação às finalidades, embora a auditoria em saúde tenha surgido com o intuito 
de avaliar a qualidade da assistência, ela atualmente tem sido focada na visão contábil e 
financeira das instituições. Mas, na maioria dos estudos, há uma visão de que a auditoria 
em enfermagem venha a contribuir para avaliar a qualidade da assistência, o que somente 
será possível com a melhoria dos registros no prontuário, com informações fidedignas, 
completas e legíveis. (Valença et al, 2013)
CONCLUSÃO
 A partir da pesquisa realizada observou-se que existem poucos estudos originais 
a respeito do tema auditoria em enfermagem. A maioria dos artigos analisados tinham 
como método a revisão bibliográfica, o que colabora com os conceitos teóricos, porém não 
fornece novas evidências cientificas a respeito do tema.
 Foram abordados aspectos referentes à importância da auditoria em enfermagem 
tanto para otimização da questão financeira das Instituições quanto para a melhoria da 
qualidade da assistência prestada ao usuário em saúde.
 Em todos os estudos, exceto um, houve referência à importância dos registros 
fidedignos e sem erros no prontuário do paciente como ferramenta do enfermeiro auditor 
no processo de auditoria de contas e auditoria de qualidade. 
 Foi abordado que ainda existem muitos erros quanto aos registros dos profissionais 
no prontuário como: ausência de checagem, informações incompletas, rasuras, letras 
ilegíveis dentre outros, o que aumenta o número de glosas e da necessidade de realizar 
recurso de glosa, causando prejuízo financeiro além de uma falha importante na 
comunicação referente ao cuidado registrado no prontuário, impactando diretamente sobre 
a qualidade da assistência.
REFERÊNCIAS
1- Aquino, Maria Jesus Nascimento de et al. Anotações de Enfermagem: avaliação da qualidade em 
unidade de Terapia Intensiva. Enferm. Foco 9 (1) Pág.7-12. 2019.
2- Blank, Cinthya Yara et al. A prática do enfermeiro auditor hospitalar na região do Vale do Itajaí. 
Revista Eletrônica de Enfermagem. 15(1). Pág. 233-242. Jan/março 2013.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 4 33
3- Ceccon, Roger Flores et al. Enfermagem, Auditoria e Regulação em Saúde: um relato de 
experiência. Revista Mineira de Enfermagem. 17(3) Pag. 695-699. Jul/set 2013
4- Claudino, Helen Gomes e et al. Auditoria em Registros de Enfermagem: Revisão Integrativa da 
Literatura. Revista Enferm. UERJ, 21(3). Pag 397-402. Rio de Janeiro, jul/set 2013.
5- Gue Martini, Jussara et al. Auditoria em Enfermagem.(Série Especialidades). São Caetano do Sul, 
SP: Difusão Editora, 2009
6- Kurcgant, Paulina. Auditoria em Enfermagem. RBen 29. Pág. 106-124. 1976
7- Lima, Raquel Janyne de et al. Auditoria de Enfermagem: revisão Integrativa da Literatura. Revista 
Nursing, 21(247). Pág.2531-2534. 2018.
8- Maia, Aika Barros Barbosa et al. Compilação Técnico- científica acerca da auditoria e gestão de 
qualidade: revisão integrativa. Revista de Enfermagem UFPE online. 11(3) Pág. 1489-1494. Março, 
2017.
9- Motta, Ana Letícia Carnevalli. Auditoria de Enfermagemnos hospitais e operadoras de planos 
de saúde. 5ª ed. rev.e atual. São Paulo: Iátria, 2010.
10- Silva, Jaira dos Santos. Auditoria em Saúde, um novo paradigma na qualidade da assistência de 
enfermagem. Rev. Enfermagem UFPI. 4(2) pág.130-134. Abril-junho 2015.
11- Valença, Cecília Nogueira et al. A Produção Científica sobre Auditoria de Enfermagem e Qualidade 
dos Registros .Rev. Pes.: cuid. Fundam. Online. 5(5) Pág 69-76. Dezembro, 2013.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 5 34
Data de aceite: 22/01/2021
CAPÍTULO 5
doi
PESQUISA-AÇÃO NAS INVESTIGAÇÕES DE 
GERÊNCIA EM ENFERMAGEM: REVISÃO 
INTEGRATIVA 
Data de submissão: 29/10/2020
Juliana Helena Montezeli
Enfermeira Doutora. Docente no Departamento 
de Enfermagem da Universidade Estadual de 
Londrina (UEL)
Londrina – Paraná
https://orcid.org/0000-0003-4522-9426
Carolina Rodrigues Milhorini
Enfermeira. Residente de enfermagem 
em Cuidados Intensivos do Adulto pela 
Universidade Estadual de Londrina (UEL)
Londrina – Paraná
https://orcid.org/0000-0001-8228-9327
Hellen Emília Peruzzo
Enfermeira Doutora. Docente da Universidade 
Estadual do Paraná (UNESPAR) Paranavaí – 
Paraná
https://orcid.org/0000-0002-0786-0447
Ana Patrícia Araújo Torquato Lopes
Enfermeira Mestre. Docente no Departamento 
de Enfermagem da Universidade Federal do 
Mato Grosso do Sul (UFMS)
Coxim – Mato Grosso do Sul
https://orcid.org/0000-0002-6915-2470
Andréia Bendine Gastaldi
Enfermeira Doutora. Docente no Departamento 
de Enfermagem da Universidade Estadual de 
Londrina (UEL)
Londrina – Paraná 
https://orcid.org/0000-0002-4081-993X
RESUMO: Introdução: a pesquisa-ação é 
um método que pode contribuir para a gestão 
participativa desenvolvida pelo enfermeiro em 
seu processo de trabalho, pois, assim como 
as organizações, é um método dinâmico e 
influenciado pelas rápidas mudanças que 
ocorrem atualmente no mundo globalizado. 
Objetivo: analisar a produção científica sobre 
administração em enfermagem, que fez uso da 
pesquisa-ação como método. Método: revisão 
integrativa com buscas na Biblioteca Virtual 
de Saúde, Scientific Electronic Librery Online 
e PubMed, utilizando os termos “enfermagem”, 
“pesquisa-ação” e “administração” ou “gerência”. 
Incluíram-se: artigos on-line publicados de 2000 
a 2015 na íntegra versando sobre gerência em 
enfermagem e usando pesquisa-ação como 
método. Resultados: não foram encontradas 
publicações internacionais, sendo a revisão 
composta por nove artigos que foram analisados 
quanto aos objetivos, à coleta/análise dos 
dados e aos benefícios identificados. A maioria 
dos estudos foi hospitalar e versava sobre 
competências gerenciais do enfermeiro de 
maneira ampla ou elegendo uma delas para 
aprofundamento. Conclusão: há superficialidade 
no rigor científico adotado nas pesquisas sobre 
administração em enfermagem que utilizaram 
a pesquisa-ação como método investigativo, 
recomendando-se a ampliação de sua aplicação 
no Brasil para que, progressivamente, possa ter 
maior visibilidade no exterior.
PALAVRAS-CHAVE: Enfermagem; Pesquisa em 
administração de enfermagem; Revisão.
https://orcid.org/0000-0003-4522-9426
https://orcid.org/0000-0001-8228-9327
https://orcid.org/0000-0002-0786-0447
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 5 35
ACTION-RESEARCH IN INVESTIGATION OF MANAGEMENT IN NURSING: 
INTEGRATIVE REVIEW
ABSTRACT: Introduction: action research is a method that can contribute to the participatory 
management developed by nurses in their work process, because, like organizations, it is a 
dynamic method and influenced by the rapid changes that are taking place in the globalized 
world. Objective: to analyze the scientific production on nursing administration, which made 
use of action research as a method. Method: an integrative review with searches in the Virtual 
Health Library, Scientific Electronic Online library and PubMed using the terms “nursing”, 
“action research” and “administration” or “management”. Were Included: articles published 
from 2000 to 2015 in full, online about on nursing management and using action research as a 
method. Results: international publications were not found, and the review consisted of nine 
articles that were analyzed for the objectives, the collection / data analysis and the identified 
benefits. Most of the studies were hospital and this questionnaire about managerial skills of 
the nurse broadly or electing one of them to deepen. Conclusion: there is superficiality in 
scientific rigor adopted in research on nursing administration that used the action research as 
an investigative method, recommending the expansion of its application in our country so that, 
gradually, may have greater visibility abroad.
KEYWORDS: Nursing; Research in nursing administration; Review.
1 | INTRODUÇÃO
A prática profissional do enfermeiro envolve diferentes processos de trabalho 
articulados entre si. Entre eles, a administração do cuidado, que visa ofertar como produto 
as condições necessárias à assistência de enfermagem. Por tratar-se de um processo que 
envolve pessoas, as atividades administrativas do enfermeiro requerem, cada vez mais, 
uma postura horizontalizada com os membros da equipe, tornando-os corresponsáveis nas 
tomadas de decisão (SANTOS et al., 2013).
A participação dos profissionais no processo de trabalho é o estopim para as 
transformações cotidianas, sendo necessária uma prática comunicativa de diálogo aberto 
entre os trabalhadores de enfermagem, direcionada ao entendimento mútuo e cooperativo 
(JACONDINO et al., 2014). Destarte, quando a tônica do modelo gerencial se ancora 
na verticalização do processo decisório, limitações podem ser percebidas no âmbito da 
organização, enquanto, por outro lado, as relações horizontais no trabalho proporcionam o 
sentimento de acolhimento e integração das pessoas (DUARTE et al., 2012). 
À vista disso, é necessária a adoção de processos participativos com os atores 
envolvidos nos problemas laborais cotidianos, objetivando a resolução dos mesmos a partir 
das necessidades sentidas pela coletividade. A pesquisa-ação emerge como um método 
utilizado pelo enfermeiro para contribuir nessa prática participativa, uma vez que a pesquisa, 
assim como as organizações, é dinâmica e influenciada pelas mudanças efêmeras que 
ocorrem hodiernamente no mundo globalizado (VERGANA, 2015).
Diante desta realidade, cada vez mais exigem-se métodos investigativos que 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 5 36
busquem novas epistemologias, distanciando-se da anacronicidade positivista (DUARTE 
et al., 2012). Conjectura-se que a prática gerencial do enfermeiro imersa no universo 
supramencionado segue a mesma linha de raciocínio, requerendo estudos que permeiem 
paradigmas não lineares, como a pesquisa-ação.
A pesquisa-ação possui base empírica, feita para a resolução ou esclarecimento 
de um problema coletivo. Em seu decurso, os pesquisadores e participantes do estudo 
exercem um papel ativo, desenvolvendo de fato uma ação ancorada no modo participativo 
e cooperativo na situação em que estão envolvido (THIOLLENT, 2011). Corresponde a uma 
forma de conduzir uma investigação qualitativa com vistas à busca de solução coletiva para 
um problema, inserido em uma mudança processual planejada (GODOI; MELO; SILVA, 
2010).
No âmbito das organizações e, portanto, abarcando a atuação administrativa do 
enfermeiro, trata-se de uma proposta metodológica que possui um caráter inovador ao 
sugerir a substituição do modelo clássico de pesquisa, em que o pesquisador observa 
os pesquisados, passando a conscientizar o grupo no concernente à temática do estudo. 
Desta maneira, o seu objetivo é proporcionar novas informações, produzir conhecimento 
que traga melhorias e soluções à organização cenário da pesquisa (MENEZES et al., 2016).
 Na área da enfermagem, a pesquisa-ação se constitui em uma importante ferramenta 
metodológica por não se sustentar em epistemologias positivistas e lineares, masem 
abordagens alicerçadas na integração dialética entre a pessoa e sua existência, os fatos e 
valores, teoria e ação e, principalmente, entre pesquisador e pesquisado (KOERICH et al., 
2009). Deste modo, este estudo foi guiado pelo seguinte questionamento: como a pesquisa-
ação tem sido utilizada nos estudos que abordam a administração em enfermagem? Para 
elucidar tal indagação, traçou-se como objetivo: analisar a produção científica sobre 
administração em enfermagem, que fez uso da pesquisa-ação como método.
2 | METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa, a qual consiste em uma análise ampla da 
literatura bibliográfica que contribui para discussões sobre processos e resultados de 
pesquisa acerca de determinado assunto. Tem como potencial construir conhecimento 
em enfermagem fundamental à prática clínica de qualidade, pois em um único acesso 
se tem diversas pesquisas realizadas com resultados sobre o tema desejado (MENDES; 
SILVEIRA; GALVÃO, 2008). 
Realizada em janeiro de 2016, seguindo os passos propostos por Mendes, Silveira 
e Galvão (2008), foram adotadas seis etapas para construção da revisão: 1) identificou-se 
o tema e fez-se a seleção da questão de pesquisa para elaborar a revisão integrativa; 2) 
foram estabelecidos os critérios para inclusão e exclusão de estudos, bem como estratégias 
utilizadas na busca dos estudos nas bases de dados; 3) constitui-se da utilização de um 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 5 37
instrumento para avaliar a qualidade de estudo, sendo necessário a categorização das 
informações extraídas dos artigos selecionados; 4) realizou-se a avaliação dos artigos 
incluídos na revisão integrativa; 5) ocorreu a interpretação dos resultados; 6) fez-se a 
apresentação da revisão e síntese do conhecimento.
Consistiu em buscas nas bases de dados da BVS (Biblioteca Virtual de Saúde), 
SCIELO (Scientific Electronic Librery Online) e PubMed, utilizando os termos “enfermagem”, 
“pesquisa-ação” e “administração” ou “gerência”, em português e em inglês. 
Após o levantamento bibliográfico, realizou-se a leitura dos títulos e resumos para 
selecionar aqueles que: eram artigos científicos publicados no período de 2000 a 2015 
na íntegra on line; versavam sobre temáticas relacionadas à prática administrativa de 
enfermagem e; utilizavam a pesquisa-ação como método.
 A análise dos dados foi feita em duas fases: 1) identificaram-se os dados de 
localização do artigo, ano e periódico de publicação, autoria, temática da administração 
em enfermagem, objetivo, técnica(s) de coleta/análise de dados e cidade/Estado de 
desenvolvimento do estudo; 2) realizou-se a análise dos artigos, identificando-se as 
colocações dos autores acerca do método da pesquisa-ação. Aditivamente, foram 
edificadas discussões sobre os objetivos dos estudos, as técnicas de coleta/análise dos 
dados e a justificativa para sua escolha, bem como seus benefícios diante da temática da 
administração em enfermagem que estava sendo pesquisada.
O instrumento utilizado para sistematizar os achados em cada um dos artigos foi 
elaborado com base nos aspectos já validados em outro estudo (URSI, 2005), montando-
se uma planilha específica de modo a atender às demandas desta investigação.
3 | RESULTADOS
Na BVS, foram encontrados 9 artigos, sendo 2 repetidos nas bases de dados 
LILACS e BDENF, selecionando-se 7. Já no PubMed, foram encontrados 5, sendo que 
4 deles eram repetidos da BVS e um não se enquadravam nos critérios de inclusão. Na 
SCIELO, além dos 7 já listados na BVS, foram encontrados mais 2. Assim, a presente 
revisão foi composta por 9 artigos.
Nas buscas realizadas não foram encontradas publicações internacionais, sendo a 
amostra composta apenas por publicações brasileiras. O quadro 1 sintetiza as publicações 
que compuseram a presente revisão:
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 5 38
Local Título do artigo Periódico Ano Cidade/Estado
BVS
Análise de modelo de tomada de 
decisão de enfermeiros gerentes: uma 
reflexão coletiva.
Revista Brasileira de 
Enfermagem 2015 Curitiba-PR
Scielo
Capacitação discente no processo de 
trabalho em diagnóstico por imagem 
do técnico em enfermagem.
Revista Trabalho, 
Educação e Saúde 2014 Florianópolis-SC
BVS
O processo de construção do perfil 
de competências gerenciais para 
enfermeiros coordenadores de área 
hospitalar.
Revista da Escola de 
Enfermagem da USP 2012 São Paulo-SP
BVS
Educação permanente em 
enfermagem em um hospital 
universitário.
Revista da Escola de 
Enfermagem da USP 2011 Juiz de Fora-MG
BVS
Reelaboração do treinamento 
admissional de enfermeiros de 
Unidade de Terapia Intensiva.
Revista da Escola de 
Enfermagem da USP 2010 São Paulo-SP
BVS
Desenvolvendo competências 
profissionais dos enfermeiros em 
serviço.
Revista Brasileira de 
Enfermagem 2010 São Paulo-SP
BVS
Percepção da equipe de enfermagem 
de um hospital universitário acerca da 
avaliação de desempenho profissional.
Revista Gaúcha de 
Enfermagem 2007 São Paulo-SP
Scielo
A construção de prognosticadores de 
avaliação de desempenho por meio do 
grupo focal.
Revista Latino-
Americana de 
Enfermagem
2007 São Paulo-SP
BVS
Processo de trabalho em enfermagem: 
gerenciamento das relações 
interpessoais.
Revista Brasileira de 
Enfermagem 2004 Florianópolis-SC
Quadro 1 – Distribuição dos artigos segundo local de indexação, título, periódico, ano de 
publicação e cidade/Estado de realização, 2000 - 2015.
Com relação ao cenário dos estudos, oito foram realizados em instituições 
hospitalares, tanto públicas quanto privadas, com predominância de enfermeiros como 
participantes e apenas um em uma instituição formadora de técnicos de enfermagem, 
tendo discentes e docentes como pesquisados.
No tocante às temáticas da administração em enfermagem, nota-se que a maioria 
dos estudos abordavam diferentes competências gerenciais do enfermeiro, de maneira 
ampla ou elegendo uma delas para aprofundamento. O quadro 2 especifica esta e outras 
particularidades dos artigos.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 5 39
Tema Objetivo do estudo Participantes Técnica (s) de coleta de dados
Análise dos 
dados
Tomada de 
decisão
Analisar o modelo de tomada de 
decisão construído por enfermeiros 
na perspectiva das teorias da 
administração sobre processo 
decisório.
9 enfermeiros 
gestores
Questionário 
semiestruturado; 
Seminários
Análise de 
conteúdo
Processo de 
trabalho
Conhecer o processo de trabalho 
em diagnóstico por imagem dos 
discentes do Curso Técnico em 
Enfermagem-Proeja, em uma 
instituição pública da Grande 
Florianópolis, no estado de Santa 
Catarina.
14 discentes;
9 docentes 
do curso 
técnico em 
enfermagem
Pesquisa 
documental;
Questionário 
semiestruturado
Planilhas 
eletrônicas
Competências 
gerenciais
Construir o perfil de competências 
gerenciais consensuado por 
enfermeiros coordenadores de área.
13 enfermeiros 
coordenadores 
de área
Grupo focal Síntese dos encontros
Educação 
permanente
Identificar demandas e expectativas, 
fatores que interferem na qualificação 
de trabalhadores de enfermagem 
de um hospital universitário; 
Propor práticas de capacitação na 
perspectiva da educação permanente
35 enfermeiros;
70 técnicos de 
enfermagem;
9 auxiliares de 
enfermagem
Oficinas 
educativas
Observação, 
classificação 
e conclusões
Educação 
permanente
Treinamento 
admissional
Reestruturar o processo de 
treinamento admissional de 
enfermeiro na UTI de um hospital 
privado do município de São Paulo.
29 enfermeiros
Grupo focal
Interlocução por 
meio eletrônico
Não 
especificada
Educação 
permanente
Competência 
profissional
Descrever sobre a construção 
e implantação do programa de 
desenvolvimento de competências 
profissionais de grupos de 
enfermeiros em serviço e identificar 
suas contribuições em hospital 
público cardiológico de São Paulo.
30 enfermeiros
Reuniões 
semanais com 
elaboração 
de relatórios 
bimestrais
Pesquisa 
documental
Síntesedos 
relatórios 
bimestrais
Avaliação de 
desempenho
Conhecer as percepções da 
equipe de enfermagem a respeito 
do processo de avaliação de 
desempenho profissional
Enfermeiros 
e técnicos de 
enfermagem 
(não especifica 
quantos)
Fóruns Análise de conteúdo
Avaliação de 
desempenho
Construir os prognosticadores 
de avaliação de desempenho 
profissional para técnicos e auxiliares 
de enfermagem atuantes no Hospital 
Universitário da Universidade de São 
Paulo
19 profissionais 
de enfermagem 
de nível médio
Grupo focal Síntese dos encontros
Relacionamento 
interpessoal Não especificado 8 enfermeiros
Vivências 
integradoras;
Pesquisa 
documental
Ordenação, 
classificação 
e análise final
Quadro 2 – Distribuição dos artigos segundo tema da administração, objetivo do estudo, 
participantes, técnica (s) de coleta de dados e análise de dados 2000 - 2015.
4 | DISCUSSÃO
A pesquisa-ação vem sendo difundida com maior amplitude para abordar problemas 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 5 40
administrativos da enfermagem hospitalar, com 88,8% (08) dos artigos. Uma vez que o 
hospital pode ser compreendido como uma empresa, este fato converge com as colocações 
de que tal método contribui sobremaneira para a superação de obstáculos nas organizações 
e, portanto, a sua escolha é adequada para tal cenário (MENEZES et al., 2016).
Contudo, este fato demonstra uma lacuna no concernente à sua aplicação na 
abordagem em outras realidades que requerem do enfermeiro uma atuação gerencial 
consistente, como por exemplo, na atenção básica, coadunando com os princípios em que 
se ancora o Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente a descentralização.
A participação dos envolvidos nas resoluções de problemas do seu processo 
de trabalho em saúde é importante para as transformações das práticas assistenciais 
cotidianas. Desta forma, a pesquisa-ação pode ser considerada ferramenta gerencial 
também para a atenção básica, seja em sua aplicação com os profissionais que ali atuam 
ou com os usuários. Desta forma, faz-se necessária uma prática comunicativa de diálogo 
aberto entre os trabalhadores de enfermagem guiada ao entendimento mútuo e cooperativo 
(JACONDINO et al., 2014).
Tal colocação mostra íntima relação com os pressupostos da pesquisa-ação e, 
ainda, infere-se que este método pode contribuir para as relações horizontais no trabalho, 
proporcionando o sentimento de acolhimento e integração das pessoas no grupo, 
reiterando a importância de se dissolver a hierarquia profissional, sobretudo entre técnicos 
de enfermagem e enfermeiros (JACONDINO et al., 2014).
Daí a aproximação com os desafios de implementação dos princípios de 
universalidade, equidade e integralidade do SUS, uma vez que estes requerem revisão do 
papel de cada instituição no concernente ao relacionamento com o usuário. Para tal, faz-
se necessário descentralização do poder e horizontalização das relações, valorizando o 
desenvolvimento de autonomia e novas competências profissionais (ROCHA et al., 2014).
Percebe-se a predominância do emprego da pesquisa-ação em estudos na cidade 
de São Paulo-SP, com 55,6% (05) deles, havendo necessidade de ampliar sua aplicação 
para outras regiões com problemas diferenciados. Ainda, há uma concentração significativa 
na Revista Brasileira de Enfermagem e na Revista da Escola de Enfermagem da USP 
que, embora tenha grande elevado rigor na aprovação dos manuscritos, denotando certa 
centralização deste tipo de pesquisa nesses periódicos, mesmo que o recorte temporal 
tenha sido de apenas quinze anos e com pequeno número de artigos.
Por meio da leitura minuciosa dos nove artigos selecionados para o desenvolvimento 
deste estudo, foi possível identificar particularidades relacionadas ao emprego da pesquisa-
ação como método de pesquisa, os seus objetivos, técnica(s) de coleta/análise dos dados 
e benefícios identificados com seu emprego na temática da administração em enfermagem 
abordada.
Quanto aos objetivos:
A redação do objetivo de uma pesquisa deve clarificar a delimitação da mesma, 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 5 41
evidenciando aquilo que se quer alcançar (SILVA; SOUZA; ARAUJO; SILVA, 2015), 
contudo, observou-se que, contradizendo tal afirmativa, um dos artigos da revisão não 
especificava o seu objetivo.
Os demais elencados tinham seus verbos pertencentes ao domínio cognitivo 
da Taxonomia de Bloom, que está relacionada à aquisição de um novo conhecimento, 
desenvolvimento intelectual, de habilidades e de atitudes. Tal domínio possui seis categorias 
hierarquizadas progressivamente quanto à complexidade: conhecimento, compreensão, 
aplicação, análise, síntese e avaliação. Só após conhecer um determinado assunto, alguém 
poderá compreendê-lo e aplicá-lo (BLOOM, 1956; ANDERSON, 1999).
 Nos artigos analisados, com exceção daquele em que não se explicitava o objetivo, 
predominaram as categorias de conhecimento (33,4%) e síntese (33,4%), seguidas das de 
compreensão (11,2%) e análise (11,2%). Assim, nota-se que as pesquisas-ação realizadas 
não tinham objetivos de maior complexidade, concentrando-se, equitativamente, entre 
os de menor (conhecimento e compreensão) e de complexidade intermediária (análise e 
síntese).
O fato de se encontrarem no domínio cognitivo comunga com a literatura correlata, 
a qual afirma que a ênfase da pesquisa-ação pode ser dada a um dos seguintes aspectos: 
resolução de problemas, tomada de consciência e produção de conhecimento (THIOLLENT, 
2011).
 Ao analisar a forma de redação dos objetivos, verificou-se que estes estavam 
de acordo com as proposições da pesquisa-ação, visto que esta entrelaça objetivos de 
ação e objetivos de conhecimento e é importante que haja relação entre eles. O objetivo 
prático deve equacionar possíveis soluções para o problema levantado com “realismo”, 
ou seja, com soluções factíveis/alcançáveis. Já os objetivos de conhecimento visam obter 
informações que seriam de difícil acesso por meio de outros procedimentos (THIOLLENT, 
2011). 
Quanto à coleta e a análise dos dados:
Todas as pesquisas analisadas (09) utilizaram algum tipo de técnica grupal para 
obtenção dos dados e/ou produção da ação, destacando-se o grupo focal com 33,4% 
(03). Com o mesmo percentual, tem-se a pesquisa documental e, ainda, a entrevista 
semiestruturada com 22,3% (02). Salienta-se que 55,6% (05) utilizaram duas técnicas 
associadas.
A utilização de uma ou mais técnicas de coleta de dados depende do problema de 
estudo e de sua factibilidade, avaliando-se as vantagens e as desvantagens na escolha dos 
instrumentais (SILVA; SOUZA; ARAUJO; SILVA, 2015).
Diante dos achados, afirma-se que os estudos estão de acordo com os ditames 
norteadores da pesquisa-ação, pois nesta, as principais técnicas recomendadas para a 
coleta de dados são a entrevistas coletiva ou individual, questionários convencionais, 
estudos de jornais e revistas. Todas as informações coletadas são transferidas para 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 5 42
discussão em encontros grupais, análise e interpretação (THIOLLENT, 2011).
Já o uso de pluralidade de técnicas de coleta de dados na pesquisa-ação, desde as 
citações mais antigas, é favorável pelo fato de possibilitar diferentes pontos de vista sobre 
o fenômeno, identificar divergências e evitar visões tendenciosas por parte do pesquisador 
(THIOLLENT; COLETE, 2014).
Com relação à análise dos dados, 44,4% (04) dos estudos fizeram uso de síntese 
dos encontros, porém não clarificaram as especificidades deste processo. Na sequência, 
22,3% (02) relataram a análise de conteúdo. 
A análise diz respeito à fase da pesquisa que visa organizar e sumarizar os dados de 
modo que o objetivo proposto seja alcançado e haja resposta ao problema da investigação 
(VIEIRA; HOSSNE, 2015). É a etapa que vislumbra a realização de uma síntese, sendo que, 
para tal, inicialmente é necessário decompor o fenômeno em partes para depois recompô-
lo a fim de compreendê-loem sua totalidade. Ou seja, diz respeito ao procedimento de 
combinação em um todo de informações obtidas separadamente (SILVA; SOUZA; ARAUJO; 
SILVA, 2015).
A leitura dos procedimentos metodológicos para as análises dos dados nos diferentes 
artigos revelou que em vários havia incipiência quanto à descrição das etapas utilizadas e, 
ainda, em um deles, não se mencionava a maneira como as informações obtidas tinham 
sido tratadas. Tal realidade aponta importante fragilidade que pode ser interpretada como 
falta de rigor na utilização do método.
Quanto aos benefícios identificados:
O método de pesquisa-ação pode contribuir amplamente para a melhoria 
organizacional, uma vez que proporciona processos democráticos, efetivos e contínuos de 
aprendizagem e de mudança. Isto porque mudar predispõe um planejamento pautado em 
diagnóstico organizacional cujo resultado será expresso em forma de problema (BARBOSA; 
SANTOS; ANDRADE, 2015).
Considerando que a prática profissional requer do enfermeiro características de 
pesquisador compatíveis às exigências deste método, como, por exemplo, saber escutar, 
prestar atenção na sua clientela, ser sensível aos problemas da comunidade/equipe e aos 
seus sentimentos, a pesquisa-ação é importante ferramenta nas investigações sociais 
desta profissão (SILVA; MORAIS; FIGUEIREDO; TYRRELL, 2011).
Reportando tais considerações para o campo da gerência/administração em 
enfermagem, o método em questão mostra-se pertinente para engendrar as mudanças 
desejadas na prática assistencial. Ademais, em virtude de se tratar de um processo 
coletivo advindo de um diagnóstico situacional, favorece a diminuição de manifestações de 
resistência das pessoas envolvidas (BARBOSA; SANTOS; ANDRADE, 2015).
Essas premissas foram percebidas e relatadas por autores dos estudos da presente 
revisão. Em um dos artigos que versava sobre a tomada de decisão, afirma-se que a 
escolha da pesquisa-ação se deu pelo fato de que, quando os trabalhadores participam 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 5 43
de discussões que envolvem mudança em seu processo de trabalho, podem legitimar 
essas ações e dar consistência às novas ideias. Neste estudo, o método foi considerado 
adequado por responder às necessidades dos participantes naquela ocasião (EDUARDO 
et al., 2015).
 Corroborando com tal percepção, em outra investigação que compôs o quadro 
das obras aqui selecionadas, postula-se que a construção consensuada do perfil de 
competências gerenciais requeridas de enfermeiros foi facilitada pela pesquisa-ação, 
enfatizando que a interação entre o pesquisador e o grupo foi fundamental nesta trajetória e 
que o método colaborou para a resolução de um problema real no trabalho dos enfermeiros 
participantes (MANENTI et al., 2012).
Já em outro artigo, os autores afirmam que tal método constituiu pilar de sustentação 
para um amplo diagnóstico frente ao problema do estudo, o qual girava em torno da 
temática da educação permanente. Aditivamente, pelo fato de ter sido realizada uma 
construção coletiva do conhecimento, gerou-se o sentimento de pertencimento ao grupo e 
de valorização, em virtude de terem sido proporcionados espaços para que todos fossem 
ouvidos (JESUS et al., 2011).
As colocações sobre os benefícios da pesquisa-ação em investigações sobre 
questões gerenciais na enfermagem perpetradas nos artigos da revisão ora apresentada 
convergem com as informações da literatura correlata. Assim, é possível verificar que 
os autores notaram participação e expressão crescentes por partes dos envolvidos nos 
diferentes estudos, as quais foram essenciais para a concretização dos objetivos propostos, 
independente das técnicas utilizadas para sua efetivação. 
5 | CONSIDERAÇÕES FINAIS
Embora tenha havido coerência entre as percepções dos benefícios da aplicabilidade 
da pesquisa-ação em temas da administração em enfermagem com a literatura que 
sedimenta os pressupostos de tal método, a presente revisão integrativa, além de verificar 
a ausência de objetivos especificados em um estudo, também identificou lacunas na 
descrição metodológica dos estudos compositores. Tais achados permitem concluir que 
ainda há superficialidade relacionada ao rigor científico adotado nas pesquisas sobre 
administração em enfermagem que utilizaram a pesquisa-ação como método investigativo.
A maioria as pesquisas foram edificadas em ambiente hospitalar na cidade de São 
Paulo-SP recomendando-se a ampliação de sua aplicação no Brasil para que o método, 
progressivamente, possa ter maior visibilidade no exterior, já que não foram encontrados 
estudos internacionais com seu uso em temas da administração em enfermagem. Ainda, 
que possa ser lastro de sustentação para resolução de problemas gerenciais também em 
outros níveis de atenção à saúde.
Contudo, mesmo diante de tais vicissitudes, percebeu-se que as publicações se 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 5 44
concentram em periódicos nacionais bem-conceituados, havendo predominância das 
competências gerenciais como temática, com destaque para questões educativas voltadas 
ao processo de trabalho administrar. 
Distante de sanar as discussões espera-se que as reflexões propiciadas por meio 
da análise tecida nesta revisão possam instigar o uso da pesquisa-ação em estudos 
gerenciais na prática da enfermagem nas mais diversas ambiências, vislumbrando, cada 
vez mais, a resolução de problemas de maneira coletiva de modo a valorizar os envolvidos 
nos processos de mudança.
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Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 5 45
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Elsevier; 2015.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 6 47
Data de aceite: 22/01/2021
CAPÍTULO 6
doi
ESTRATÉGIAS DE GESTÃO DE CONFLITOS COMO 
COMPETÊNCIA DO ENFERMEIRO PARA GARANTIA 
DA SAÚDE ORGANIZACIONAL
Data de submissão: 06/11/2020
Gilberto Nogara Silva Júnior
Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do Rio Grande do Sul
Ijuí/RS
http://lattes.cnpq.br/7580925882111821 
Aline dos Santos da Rocha
Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do Rio Grande do Sul
Ijuí/RS
http://lattes.cnpq.br/8969639137315963 
Isabella Carolina Holz Silva
Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do Rio Grande do Sul
 Ijuí/RS
http://lattes.cnpq.br/6063753621277665 
Larissa Caroline Bonato
Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do Rio Grande do Sul 
Ijuí/RS
http://lattes.cnpq.br/9247701537066232 
Cátia Cristiane Matte Dezordi
Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do Rio Grande do Sul 
Ijuí/RS
http://lattes.cnpq.br/7806206131585996
Bruna Nadaletti de Araújo
Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do Rio Grande do Sul 
Ijuí/RS
http://lattes.cnpq.br/3321896671339348 
Fernanda Dal Forno Bonotto
Enfermeira, gerente geral do Hospital Ivan 
Goulart
São Borja/RS
http://lattes.cnpq.br/5480913863040793 
Letícia Flores Trindade
Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do Rio Grande do Sul 
Ijuí/RS
http://lattes.cnpq.br/2003833478266415
Adriane Cristina Bernat Kolankiewicz
Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do Rio Grande do Sul 
Ijuí/RS
http://lattes.cnpq.br/7833969359741646
RESUMO: Por muito tempo o conflito foi visto 
pelos gestores de forma negativa e que sua 
abordagem deveria ser evitada, atualmente, 
essa percepção se transformou de tal forma 
que passou a ser considerado natural e 
em muitos casos necessário, uma vez que 
impulsiona mudanças. Na enfermagem, as 
situações conflitantes quando não abordadas 
de maneira adequada pelo enfermeiro, podem 
ocasionar consequências sérias. Nesse sentido, 
o enfermeiro é o elo central na mediação de 
conflitos e deve garantir o clima organizacional 
por meio de estratégias resolutivas de conflitos. 
OBJETIVO: Identificar estratégias utilizadas por 
enfermeiros para a resolução de conflitos entre a 
equipe de enfermagem, a partir da utilização da 
metodologia problematizadora. METODOLOGIA: 
Relato de experiência, com abordagem 
http://lattes.cnpq.br/7580925882111821
http://lattes.cnpq.br/8969639137315963
http://lattes.cnpq.br/6063753621277665
http://lattes.cnpq.br/9247701537066232
http://lattes.cnpq.br/7806206131585996
http://lattes.cnpq.br/3321896671339348
http://lattes.cnpq.br/5480913863040793
http://lattes.cnpq.br/2003833478266415
http://lattes.cnpq.br/7833969359741646
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 6 48
descritiva de cunho qualitativo, com a utilização da metodologia problematizadora, com base 
na competência “administração e gerenciamento” do enfermeiro, desenvolvido durante o 
componente curricular de Gestão em Enfermagem, Serviços e Sistemas de Saúde, do curso de 
Graduação em Enfermagem. Compreende 4 das 5 etapas do Arco de Maguerez: observação 
da realidade; hipóteses do problema; teorização; hipóteses de solução. RESULTADOS E 
DISCUSSÕES: Para refletir sobre os fatores de causalidade do problema, definiu-se pontos 
chaves para a discussão dos principais aspectos levantados, dentre eles estão: falhas na 
comunicação; relações interpessoais e profissionais; consequência das opiniões divergentes, 
valores e conceitos dessemelhantes. A partir disso, evidenciou-se hipóteses de solução para 
os fatores anteriormente citados, são elas: comunicação efetiva e feedback; negociação e 
imparcialidade; liderança; habilidade crítica, reflexiva e observatória. CONSIDERAÇÕES 
FINAIS: Esse estudo evidenciou que não existe uma fórmula universal para transpor os 
conflitos oriundos do ambiente de trabalho, no entanto a existência de estratégias como 
a negociação, comunicação efetiva e feedback constante, demonstraram ser instrumentos 
que auxiliam para evitar situações conflitantes, das quais depende do aprimoramento da 
capacidade de liderança, comunicação, gestão e empatia do enfermeiro. 
PALAVRAS – CHAVE: Relacionamento interpessoal; gerenciamento de enfermagem; 
segurança; cuidado; metodologia problematizadora.
CONFLICT MANAGEMENT STRATEGIES AS A NURSE’S COMPETENCE TO 
ENSURE ORGANIZATIONAL HEALTH
ABSTRACT: For a long time the conflict was viewed by managers in a negative way and 
that their approach should be avoided, nowadays, this perception has been transformed 
in such a way that it started to be considered natural and in many cases necessary, since 
it drives changes. In nursing, conflicting situations, when not properly addressed by the 
nurse, can cause serious consequences. In this sense, the nurse is the central link in 
conflict mediation and must guarantee the organizationalclimate through conflict resolution 
strategies. OBJECTIVE: To identify strategies used by nurses to resolve conflicts among the 
nursing staff, using the problematizing methodology. METHODOLOGY: Experience report, 
with a qualitative descriptive approach, using the problematizing methodology, based on the 
competence “administration and management” of the nurse, developed during the curricular 
component of Nursing Management, Services and Health Systems, of the course in Nursing. 
It comprises 4 of the 5 stages of the Arco de Maguerez: observation of reality; hypotheses 
of the problem; theorization; solution hypotheses. RESULTS AND DISCUSSIONS: To reflect 
on the causal factors of the problem, key points were defined for the discussion of the main 
aspects raised, among them are: communication failures; interpersonal and professional 
relationships; consequence of divergent opinions, dissimilar values and concepts. From 
this, it was possible to find solutions to the factors previously mentioned, they are: effective 
communication and feedback; negotiation and impartiality; leadership; critical, reflective and 
observational skills. FINAL CONSIDERATIONS: This study showed that there is no universal 
formula to overcome the conflicts arising from the work environment, however the existence 
of strategies such as negotiation, effective communication and constant feedback, proved to 
be instruments that help to avoid conflicting situations, of which it depends on improving the 
nurse’s leadership, communication, management and empathy skills.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 6 49
KEYWORDS: Interpersonal relationship; nursing management; safety; caution; problematizing 
methodology.
1 | INTRODUÇÃO
A palavra conflito vem do latim e significa o embate dos que lutam, discussão 
acompanhada de injúrias, desavença e oposição, resultante de diferenças de ideias e 
valores entre duas ou mais pessoas, as quais podem advir de expectativas profissionais 
mal definidas dentro do ambiente ocupacional (SILVA; TEIXEIRA; DRAGANOV, 2018). Por 
muito tempo o conflito foi visto pelos gestores de forma negativa e que sua abordagem 
deveria ser evitada, no entanto, atualmente, essa percepção se transformou de tal forma 
que passou a ser considerado natural e em muitos casos necessário, uma vez que antecede 
a detecção de problemas e ainda impulsiona mudanças comportamentais (BURBRIDGE; 
BURBRIDGE, 2017).
Neste sentido, De Sousa et al (2018) aponta que, na enfermagem os conflitos 
sempre se fizeram presentes e o enfermeiro enquanto gestor e líder da equipe de 
enfermagem necessita estar preparado para reconhecê-los, bem como, resolvê-los. O 
gerenciamento em enfermagem foi institucionalizado em meados do século XIX, por meio 
do trabalho da enfermeira Florence Nightingale na Guerra da Criméia e, atualmente, suas 
ações relacionadas ao planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação 
dos serviços de enfermagem estão asseguradas na Lei n° 7.498/1986 que regulamenta o 
exercício profissional de enfermagem no Brasil (FERREIRA, et al., 2019).
No ambiente de trabalho, as situações conflitantes, quando não abordadas 
precocemente e de maneira adequada pelo enfermeiro gestor, têm capacidade de ocasionar 
consequências sérias, sobretudo na área da saúde. Nesse sentido, soluções inadequadas 
diante de conflitos relacionais entre a equipe de enfermagem, impactam negativamente 
na qualidade e segurança da assistência prestada aos usuários, além disso, se não for 
controlado, também prejudicam o clima organizacional e conduzem ao desconforto, stress 
e má comunicação entre os colaboradores (FREITAS, 2018). 
Nesta perspectiva, o enfermeiro é o elo central na mediação de conflitos a fim de 
garantir resoluções assertivas, por meio de estratégias com potencial de solucionar tais 
problemáticas, com vistas a manter equilíbrio nas relações interpessoais no ambiente de 
trabalho (ANDRADE, 2019). O mesmo autor salienta ainda a importância do enfermeiro 
desenvolver habilidades e competências entre as quais destacam-se liderança, 
conhecimento sobre as relações interpessoais, comunicação assertiva, observação e 
sensibilidade para tomar decisões efetivas. 
Diante do exposto, o presente estudo objetivou numa perspectiva crítica e reflexiva, 
identificar estratégias utilizadas por enfermeiros para a resolução de conflitos entre a equipe 
de enfermagem, a partir da utilização da metodologia problematizadora por estudantes do 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 6 50
curso de enfermagem de uma Universidade da Região Noroeste do Estado do Rio Grande 
Do Sul.
2 | METODOLOGIA 
 Trata-se de um relato de experiência, com abordagem descritiva de cunho qualitativo, 
a partir da vivência de discentes do 8° semestre do curso de Enfermagem da Universidade 
Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, vinculados à disciplina “Gestão em 
Enfermagem, Serviços e Sistemas de Saúde”. Com carga horária de 90 horas, a mesma 
ocorreu no período de agosto a dezembro de 2020, a qual utilizou-se como estratégia de 
ensino a Metodologia Problematizadora (MP), como propulsora das discussões.
 A MP revela-se como estratégia inovadora na área educacional de saúde, seja como 
método de estudo ou de ensino, uma vez que promove nos sujeitos uma postura crítica, 
reflexiva e também investigativa, a partir da identificação de um problema e possíveis 
soluções. Ainda, para nortear a problematização deste estudo, utilizou-se do diagrama 
denominado Arco de Maguerez, o qual constitui-se pelas seguintes etapas: observação 
da realidade, pontos-chave, teorização, hipóteses de solução e aplicação à realidade 
(BORDENAVE, PEREIRA, 1989; DA SILVA, et al., 2020).
A partir do exposto, os acadêmicos de enfermagem foram previamente divididos 
em grupos aleatórios pelas docentes da disciplina, e instigados a refletir acerca de uma 
competência do enfermeiro. As competências elencadas pelos docentes da disciplina 
foram: Comunicação; Administração e gerenciamento; Tomada de decisão e Liderança.
Assim, os autores do presente estudo discutiram, por meio de uma ferramenta 
online intitulada “Google Meet”, referente a Administração e gerenciamento da 
enfermagem. Inicialmente as reflexões em torno da competência ocorreram a partir do 
conhecimento singular de vivências prévias dos estudantes. Após as discussões, elencou-
se como problema “gestão inadequada do enfermeiro diante dos conflitos entre a equipe 
de enfermagem”.
Dessa forma, seguidamente as etapas propostas pelo Arco de Maguerez, 
foi-se realizado o levantamento bibliográfico e embasamento teórico com vistas a 
buscar estratégias para resolução do problema a partir das seguintes bases de dados 
científicos: Literatura Latino-Americana em Ciências da Saúde (LILACS), Base de Dados 
em Enfermagem (BDENF), Sistema Online de Busca e Análise de Literatura Médica 
(MEDLINE) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). 
Posteriormente, efetuou-se uma leitura exploratória para verificar se existiam ou não, dados, 
fatos e informações a respeito da problemática coerente com os objetivos do estudo.
Ainda, conversamos com uma gestora em enfermagem, com um bom tempo de 
atuação na área, sobre o nosso problema, a qual gravou um vídeo sobre hipóteses de 
causalidade e solução.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 6 51
3 | RESULTADOS E DISCUSSÃO 
Como foi colocado anteriormente por Silva et al (2020), a primeira etapa do Arco 
de Maguerez, constituiu-se da observação da realidade, desse modo, os acadêmicos de 
enfermagem, expressaram suas percepções pessoais, encontraram lacunas em torno 
do tema gerenciamento e administração do enfermeiro diante das situações conflitantes 
entre equipe de enfermagem, problemática escolhida devido às vivências nas práticas 
curriculares durante o do curso. 
Nesse sentido, as diversidades existentes entre os colaboradores de uma equipe de 
enfermagem são inevitáveis,todavia, é necessário que exista uma cultura organizacional 
capaz de gerenciar essas diferenças precocemente, em razão de que uma gestão 
inadequada dos conflitos apresenta um potencial de influenciar diretamente a qualidade do 
serviço e cuidado prestado (PINHATTI et al., 2017). 
Na segunda etapa, os estudantes refletiram em conjunto sobre a problemática 
encontrada e, com conhecimentos adquiridos durante a trajetória acadêmica, elencou-
se hipóteses explicativas e fatores associados com potencial de desencadear à situação 
problema (SILVA, et al., 2020). Quanto ao problema da gestão inadequada do enfermeiro 
diante dos conflitos entre a equipe de enfermagem, foram selecionados os seguintes pontos-
chave de causalidade: falhas na comunicação entre a equipe de enfermagem; relações 
interpessoais e profissionais; consequência das reações entre opiniões divergentes, 
valores e conceitos dessemelhantes.
Neste sentido, Pinhatti et al (2020), corrobora com as problemáticas elencadas em 
nossa problematização, da qual afirma que as principais fontes e fatores desencadeantes de 
conflitos nas instituições de saúde estão relacionadas em torno dos eixos da comunicação, 
estrutura organizacional e comportamento individual. Além disso, verificou-se no estudo 
de Medeiros e Nunes (2018), outros fatores com potencial de desencadear conflitos, 
como a falta de empatia, responsabilidade e compromisso no trabalho, divergências de 
opiniões, desmotivação e desvalorização, falta de diálogo entre os profissionais, diferenças 
de personalidade, estresse físico e emocional, escassez de materiais e equipamentos, 
sobrecarga, jornada de trabalho excessiva e dinâmica desgastante em unidades.
A terceira etapa relaciona-se a teorização dos achados do processo da MP 
pontuados na segunda etapa (SILVA, et al., 2020). Buscou-se então o aprofundamento 
de conhecimentos a respeito dos pontos-chave, para compreender o porquê das coisas 
observadas, por meio de fontes da literatura. Momento considerado enriquecedor, para os 
estudantes, pois permite crescimento mental dos mesmos (Bordenave, 1985).
Desse modo, torna-se fundamental a identificação precoce de conflitos para verificar 
qual a melhor estratégia a ser utilizada para sua resolução. Um estudo realizado por Eller, 
et al., (2017) evidenciou que o enfermeiro deve preocupar-se em minimizar os fatores 
comportamentais que interferem na comunicação e evitar as conversas paralelas e ruídos, 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 6 52
com vistas a garantir a continuidade do trabalho e evitar conflitos. Assim, o mesmo autor 
cita fatores que interferem na comunicação durante o processo de trabalho em equipe, 
dentre eles, destacam-se a ausência da comunicação direta, atrasos de colegas, conversas 
paralelas, conflitos, falta de compromisso, competições e brincadeiras de funcionários. 
A relação interpessoal dos profissionais de enfermagem no ambiente de trabalho 
também podem influenciar no seu desempenho laboral e na qualidade do cuidado prestado. 
Nesse sentido, as relações se desenvolvem em decorrência de processos de interação, 
que correspondem às situações de trabalho compartilhadas por duas ou mais pessoas e 
atividades coletivas predeterminadas a serem executadas, ou seja, a falta de interesse, má 
vontade, falta de responsabilidades, falta de informação, falta de diálogo entre a equipe, 
os problemas de relacionamento interpessoal podem interferir, diretamente, no seguimento 
natural das atividades, dos quais causam desconforto para quem atende, bem como reflete 
em quem é atendido (PEREIRA, et al., 2019). 
A divergência não é o conflito em si, mas é a sua causa. O conflito surge quando 
essa discordância nos leva a tomar medidas para confrontar ou minimizar o oponente. Às 
vezes, o confronto ocorre em termos verbais e o objetivo é persuadir ou impor ao outro os 
seus próprios motivos. Em outras ocasiões, os conflitos geram ações diretas que podem 
ser uma violência direta ou velada. Em todos os casos, o objetivo é sempre o mesmo: que 
uma das opiniões ganhe e prevaleça sobre a outra. No entanto, existem circunstâncias nas 
quais nenhuma das partes consegue derrotar a outra (KAPPEL, 2018). Nesse contexto, 
as diferenças entre os indivíduos, tanto em ideias como percepções sobre determinado 
assunto, diferente do pensamento da maioria pode ser visto como um dos principais 
motivos para ocorrência dos conflitos ou atritos nos relacionamentos estruturais. 
Os efeitos positivos ou benéficos do conflito referem-se à oportunidade de 
incrementar entendimento das diferentes perspectivas de análise dos problemas. Ocorrerá, 
então, uma mobilização dos recursos e energia de ambas as partes, que se voltam para a 
busca de soluções alternativas. Dessa forma, todos aprendem e refletem juntos, da qual 
caracteriza o trabalho em equipe (BAHIA; GODINHO, 2019). 
Nesta perspectiva, Ribas, et al (2018) conclui que os resultados positivos de um 
conflito, trazem benefícios a qualquer organização, pois contribui para o crescimento 
das pessoas pertencentes da equipe igualmente no desenvolvimento deste grupo. Serve 
também para encontrar os problemas e requisitar a melhor solução, estimular o interesse e 
a curiosidade dos indivíduos pelo desafio da rivalidade e oposição de ideias e, realmente, 
funciona como o início do desenvolvimento e transformação das pessoas, grupos e 
sociedade. 
A partir do aprofundamento teórico da problemática, buscou-se elementos presentes 
na literatura para a elaboração de hipóteses de solução à gestão inadequada do enfermeiro 
diante dos conflitos entre a equipe de enfermagem, está então, configura-se como a quarta 
etapa do processo do Arco de Maguerez. Além disso, os autores deste estudo, contactaram 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 6 53
uma enfermeira da região Missioneira do Rio Grande do Sul, a fim de conhecer as diferentes 
realidades em torno deste processo e suas respectivas estratégias para mediação de 
conflitos entre a equipe de enfermagem. Desse modo, definiu-se as seguintes hipóteses 
resolutivas: Comunicação efetiva e feedback; negociação e imparcialidade; liderança; 
habilidade crítica, reflexiva e observatória.
Dentre as estratégias resolutivas de conflito, destacam-se no estudo de Osugui, et 
al (2020), a comunicação efetiva e feedback com a equipe. Abordar a temática em torno do 
processo da comunicação, implica em entender a sua dinâmica em um contexto complexo, 
uma vez que é notável o crescimento de falar para o outro, ao invés de falar com o outro 
sujeito, assim como ouvir para responder, contrariamente ao ouvir para entender, das quais 
segundo Nascimento (2020), geram ruídos na comunicação e, consequente dedução do 
que foi dito, a qual torna-se um ambiente propício para o desenvolvimento de conflitos. 
Nesta perspectiva, o enfermeiro surge como um mediador da comunicação entre 
os membros de uma equipe, em virtude de que a escuta proativa, o diálogo não violento 
e o controle emocional são competências esperadas de um líder, ao qual compete a 
ele o desenvolvimento de práticas dialógicas que contribuam para a autonomia dos 
colaboradores e favoreçam a melhoria do comportamento, maior comprometimento 
e diminuição dos conflitos entre os membros da equipe (ARAÚJO, et al., 2020). Nesse 
sentido, a comunicação não violenta mostra-se como uma estratégia para alcançar uma 
comunicação efetiva, a qual ocorre em quatro passos: descrição sem julgamentos de 
como observo a situação e ações do outro, compartilhamento do sentimento individual, 
manifestação das necessidades individuais com base nos valores e desejos gerados e 
realização do pedido claros e específicos com critérios objetivos, o sucesso destas etapas 
exige treino e prática do gestor de saúde (DO NASCIMENTO, 2020). 
Diante dessas considerações, é importante ter em mente que os ruídos na 
comunicação dentro de uma estrutura com diversas culturas, ocorre, segundo Osugui, 
et al (2020), pela falta de feedback. Nestaperspectiva, o feedback mostra-se como um 
instrumento de avaliação que possui atributos necessários para assegurar a qualificação, 
pois fornece continuamente informações do quão distante, ou próximo, o colaborador está 
dos objetivos almejados pela instituição (MONTES; RODRIGUES; AZEVEDO, 2019). 
Ao passo que o feedback é um instrumento com potencial de mudança organizacional, 
as principais dificuldades encontradas por enfermeiros neste processo, segundo Romero 
et al (2020), estão relacionadas ao fornecimento de feedbacks negativos, posto que 
a separação entre a relação pessoal e profissional demonstrou ser um obstáculo no 
momento de tecer apontamentos face a face sobre situações conflitantes, na qual confirma 
as hipóteses de causalidade pontuadas durante a elaboração da MP. Assim, é necessário 
que o enfermeiro desenvolva uma postura imparcial durante estas abordagens, para que os 
profissionais supervisionados percebam o feedback como uma ferramenta de reorientação 
e não de punição em momentos conflitantes (ROMERO, et al., 2020).
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 6 54
De modo similar, para que os enfermeiros possam desenvolver uma visão estratégica 
para solucionar conflitos é preciso designar um tempo para ouvir os demais colaboradores. 
É importante ressaltar que o gerente é um educador, e como tal deverá desempenhar uma 
liderança inovadora, a fim de estimular sua equipe a pensar e desenvolver metas, objetivos 
e resultados. A inovação na enfermagem faz-se em conjunto entre os profissionais, dessa 
maneira é necessário reconhecer o perfil da equipe de enfermagem, bem como seus 
comportamentos e particularidades no campo de atuação, para diagnosticar fragilidades 
precocemente e facilitar a mudança organizacional (SOUSA et al., 2018). 
A negociação é um processo no qual existem duas partes que passam por uma 
transação, em que são empregadas estratégias para resolução de conflitos com a 
finalidade de chegar a um acordo mútuo. Dentre os vários momentos existentes durante 
a negociação destacam-se algumas etapas a serem cumpridas: planejamento, confronto, 
confiança, persuasão, conhecimento lógico, adaptabilidade, entre outros fatores básicos 
para o negociador (LIMA, et al., 2014). Segundo Sousa et al (2018), o uso da negociação 
por meio de um diálogo aberto entre os envolvidos sempre foi apontado como a principal 
alternativa para se buscar um consenso em ambas as partes, porém a forma de conduzir 
uma negociação se diferencia de acordo com os personagens.
O ato de negociar varia de acordo com cada pessoa, pois há o envolvimento de 
fatores como crenças, valores, costumes, grau de conhecimento do problema, cultura e 
outros, todavia deve ser resolvido de forma amigável e com resultados satisfatórios para 
ambas as partes. O enfermeiro, como mediador de conflito, deve ser imparcial, flexível 
e manter a confidencialidade a fim de ser efetivo nessas situações (SILVA; TEIXEIRA; 
DRAGANOV, 2018). 
Outro aspecto pautado neste estudo para resolução de situações conflitantes, revela-
se sobre uma das capacidades essenciais na vida profissional do enfermeiro, a liderança. 
O estar apto para se comunicar claramente com o grupo, apontar soluções para conflitos 
e ter a iniciativa para a tomada de decisões, são atributos que garantem um desempenho 
satisfatório na área da saúde, da qual exige preparo, criatividade e determinação. Nesse 
sentido, entende-se que a capacidade de liderar precisa ser construída e aprimorada, 
diariamente. Todavia para que o enfermeiro seja um líder, é indispensável que o mesmo 
compreenda o seu significado e sua relevância enquanto competência profissional e 
reconhecer os atributos essenciais para que esta aconteça de forma efetiva (ENGESETH, 
2016). 
Engeseth (2016) ressalta que a liderança exige paciência, disciplina, respeito, 
humildade e compromisso ao lidar com pessoas dos mais diversos tipos, além de saber 
mediar relações de equipe. Assim, um grande líder deve saber influenciar e dirigir a equipe, 
de forma ética e positiva, dia após dia, ano após ano, em diversas situações. Para exercer 
com qualidade o papel de líder, é fundamental: pró-atividade, iniciativa, determinação, 
saber ouvir e aceitar sugestões, e mesmo com tantas habilidades, o enfermeiro se depara 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 6 55
com situações conflitantes e deve se preparar para esta realidade. (LOPES, 2015). 
Segundo Lopes (2015), o enfermeiro deve relacionar a dinâmica de grupo como um 
meio para promover maior conhecimento entre os profissionais da equipe. Trocar ideias, 
informações e a visão crítica favorecem um trabalho integrado. Assim, o trabalho em equipe 
requer mais que bons funcionários, também é preciso de líderes capazes de auxiliar no 
processo de motivação, e na tomada de decisões. Neste sentido, a liderança pode ser 
adotada como ferramenta para evitar ou solucionar conflitos.
4 | CONSIDERAÇÕES FINAIS 
O desenvolvimento da MP contribuiu de maneira satisfatória na formação dos 
acadêmicos de enfermagem, uma vez que proporcionou a reflexão crítica de um problema 
vivenciado nas práticas curriculares, de modo a identificar hipóteses de causalidade e, 
a partir destas encontrar e propor soluções para resolução dos conflitos. Após refletir 
coletivamente com os colegas e docentes, compreender o problema, teorizar se pautando 
em evidências e na experiência de enfermeiros que atuam na prática, com a enfermeira 
convidada que realizamos o vídeo e enfermeira mestranda, a qual está realizando estágio 
docente na disciplina, nos sentimos desafiados a pensar/propor soluções para transformar 
a realidade, 
Os conflitos possuem origem entre a interação interpessoal cotidiana do trabalho 
e desacordo interno ou externo resultante de diferenças de ideias e valores entre duas 
ou mais pessoas. Atualmente não existe uma fórmula universal para transpor os conflitos 
oriundos do ambiente de trabalho, no entanto a existência de estratégias como a negociação, 
comunicação efetiva e feedback constante, demonstraram ser neste estudo, instrumentos 
que auxiliam tanto para evitar situações conflitantes, quanto para solucioná-las quando já 
instaladas, da qual depende da postura do enfermeiro enquanto gerente. 
Neste sentido, após a realização deste estudo, pode-se evidenciar que as estratégias 
utilizadas pelos enfermeiros para gerenciar conflitos, depende do aprimoramento de sua 
capacidade de liderança, comunicação, gestão e empatia. Desse modo, como acadêmicos 
percebemos que o uso desta metodologia na formação, contribui na formação de forma a 
estimular o raciocínio crítico, a relação com a teoria/prática e propulsionar a proposição de 
soluções para a realidade. Ainda destacamos que o uso desta metodologia contribuiu na 
compreensão maior da competência estudada bem como mediar conflitos adequadamente.
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Programa de Pós graduação em administração – USC, 2018.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 7 58
Data de aceite: 22/01/2021
CAPÍTULO 7
doi
REFLEXÕES SOBRE OS PROBLEMAS DA 
LIDERANÇA AUTOCRÁTICA NA ENFERMAGEM 
Data de submissão: 05/11/2020
Gabriela Ceretta Flôres
Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do Rio Grande do Sul
Ijuí/RS
http://lattes.cnpq.br/9172486111841890 
Carine Meggolaro
Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do Rio Grande do Sul
Ijuí/RS
http://lattes.cnpq.br/4175330231478752 
Fernanda Fernandes de Carvalho
Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do Rio Grande do Sul
 Ijuí/RS
http://lattes.cnpq.br/9514124064376855 
Jordana Cargnelutti Ceretta
Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do Rio Grande do Sul 
Ijuí/RS
http://lattes.cnpq.br/0673013012300280 
Cátia Cristiane Matte Dezordi
Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do Rio Grande do Sul 
 Ijuí/RS
http://lattes.cnpq.br/7806206131585996 
Leticia Trindade Flores
Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do Rio Grande do Sul 
 Ijuí/RS
http://lattes.cnpq.br/2003833478266415 
Adriane Cristina Bernat Kolankiewicz
Universidade Regional do Noroeste do Estado 
do Rio Grande do Sul 
Ijuí/RS
http://lattes.cnpq.br/7833969359741646 
RESUMO: O termo liderança possui uma ampla 
gama de definições, sendo compreendida 
principalmente como o processo de influenciar 
um grupo em direção a realização de um objetivo. 
No sentido da enfermagem, caracteriza-se 
como uma competência gerencial necessária e 
inerente a prática do profissional enfermeiro, com 
vistas ao alcance de objetivos e metas alinhados 
com a cultura organizacional. Considerando-se 
que as práticas de liderança podem influenciar 
o desenvolvimento do trabalho do enfermeiro 
junto à equipe de enfermagem, torna-se 
necessário discutir sobre elas. Como foco desse 
estudo, a liderança autocrática é um estilo de 
liderança caracterizado pelo controle individual 
do líder sobre as decisões, métodos, políticas 
e procedimentos de trabalho. OBJETIVO: 
Refletir sobre as práticas do modelo de 
liderança autocrática no cenário da enfermagem. 
METODOLOGIA: Estudo descritivo, do tipo 
relato de experiência, com a utilização da 
metodologia problematizadora, com base em 
uma competência profissional do enfermeiro. 
Estudo desenvolvido durante o componente 
curricular de Gestão em Enfermagem, Serviços e 
Sistemas de Saúde, do curso de Graduação em 
Enfermagem. Compreende 5 etapas: observação 
da realidade; hipóteses do problema; teorização; 
hipóteses de solução; aplicação a realidade. 
http://lattes.cnpq.br/9172486111841890
http://lattes.cnpq.br/4175330231478752
http://lattes.cnpq.br/9514124064376855
http://lattes.cnpq.br/0673013012300280
http://lattes.cnpq.br/7806206131585996
http://lattes.cnpq.br/2003833478266415
http://lattes.cnpq.br/7833969359741646
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e EnfermagemCapítulo 7 59
RESULTADOS E DISCUSSÕES: Para refletir sobre os possíveis potencializadores do 
problema, definiu-se alguns pontos chaves para a discussão, e após buscou-se evidências que 
comprovassem ou descartassem os principais aspectos levantados. Dentre eles: Impor uma 
superioridade ilusória, confundindo liderança com autoritarismo; Ausência de colaboração 
e engajamento da equipe; Constituição de ressentimentos e conflitos dentro do grupo de 
trabalho, com tendência à desvalorização das habilidades e conhecimentos dos liderados; 
Maior dependência ao líder devido a centralidade na tomada de decisões, com tendência 
na diminuição do desenvolvimento organizacional, liberdade criativa e eficiência no trabalho. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS: Essa reflexão possibilitou desenvolvimento e expansão do 
pensamento crítico-reflexivo, além de fortalecer os conhecimentos e proporcionar habilidades 
teórico-práticas essenciais na resolutividade de problemas.
PALAVRAS – CHAVE: Gestão; Enfermagem; Lideranças; Autoritarismo; Metodologia da 
Problematização.
REFLECTIONS ON THE PROBLEMS OF AUTOCRATIC LEADERSHIP IN 
NURSING
ABSTRACT: The term leadership has a wide range of definitions, being understood mainly 
as the process of influencing a group towards the achievement of an objective. In the sense 
of nursing, it is characterized as a necessary managerial competence and inherent in the 
practice of professional nurses, with a view to achieving objectives and goals aligned with the 
organizational culture. Considering that leadership practices can influence the development 
of nurses’ work with the nursing team, it is necessary to discuss them. As the focus of this 
study, autocratic leadership is a leadership style characterized by the leader’s individual 
control over work decisions, methods, policies and procedures. OBJECTIVE: To reflect on 
the practices of the autocratic leadership model in the nursing scenario. METHODOLOGY: 
Descriptive study, type of experience report, using the problematizing methodology, based on 
a professional competence of the nurse. Study developed during the curricular component of 
Nursing Management, Services and Health Systems, of the Nursing Undergraduate course. It 
comprises 5 stages: observation of reality; hypotheses of the problem; theorization; solution 
hypotheses; application to reality. RESULTS AND DISCUSSIONS: In order to reflect on the 
potential drivers of the problem, some key points for the discussion were defined, and afterwards, 
evidence was sought to prove or discard the main aspects raised. Among them: Imposing an 
illusory superiority, confusing leadership with authoritarianism; Absence of collaboration and 
team engagement; Constitution of resentments and conflicts within the work group, with a 
tendency to devalue the skills and knowledge of the followers; Greater dependence on the 
leader due to the centrality in decision making, with a tendency to decrease organizational 
development, creative freedom and efficiency at work. FINAL CONSIDERATIONS: This 
reflection enabled the development and expansion of critical-reflective thinking, in addition 
to strengthening knowledge and providing theoretical and practical skills essential in solving 
problems.
KEYWORDS: Management; Nursing; Leadership; Authoritarianism; Questioning Methodology.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 7 60
1 | INTRODUÇÃO
A palavra liderança deriva da administração, onde os termos e variáveis que 
envolvem o seu entendimento acompanham um processo dinâmico em sua evolução 
histórica. A literatura aponta a ausência de consenso sobre o conceito de liderança, 
corroborado pela existência de diversas teorias que atribuem diferentes significados a essa 
competência e cuja fundamentação decorre das posturas e da visão de cada profissional 
(NEVES; SANNA, 2016).
No sentido das organizações de saúde e da Enfermagem, as exigências por 
profissionais para a atuação têm sido relacionadas às competências assistenciais e 
gerenciais (SILVA et al., 2017). Nessa perspectiva, a liderança é considerada uma 
competência relevante para o alcance das metas organizacionais, visando a implementação 
da missão, valores e princípios definidos pela gestão, com a finalidade de atingir o objetivo 
primordial da área da saúde, o cuidado (RODRIGUES, CARDOSO, 2019). 
A liderança deve ser uma habilidade inerente a prática do profissional enfermeiro 
(RODRIGUES, CARDOSO, 2019), uma vez que, em seu contexto histórico, emerge como 
líder da equipe. Isso pode ser explicado, pois este profissional possui ou desenvolveu, 
durante sua formação acadêmica e profissional, uma visão ampliada dos sistemas “ser 
humano”, “cuidado” e “saúde”, para além do que é visível, articulando os saberes e ações 
necessários para ofertar assistência de qualidade (FARAH et al, 2017). 
Para isso, o enfermeiro deve trabalhar as suas potencialidades de forma a desenvolver 
as habilidades necessárias relacionadas a liderança. Considerando-se que as práticas de 
liderança podem influenciar o desenvolvimento do trabalho do enfermeiro junto à equipe de 
enfermagem, torna-se necessário discutir sobre elas (SILVA et al., 2017). Nesse sentido, 
este estudo objetiva refletir, a partir da metodologia ativa de ensino-aprendizagem, com a 
utilização do Arco de Maguerez, sobre as práticas do modelo de liderança autocrática no 
cenário da enfermagem.
2 | METODOLOGIA
Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, com a utilização 
da metodologia problematizadora (MP), desenvolvido durante o componente curricular 
de Gestão em Enfermagem, Serviços e Sistemas de Saúde, do curso de Graduação em 
Enfermagem da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul 
(UNIJUÍ) durante o 8º semestre.
No decorrer da disciplina, os estudantes foram instigados a desenvolver as etapas 
da MP, a partir de vivência das práticas curriculares de semestres anteriores, com base em 
uma competência profissional do enfermeiro. Estavam previstas as seguintes competências: 
comunicação, administração e gerenciamento, tomada de decisão e liderança. Nesse 
sentido, a turma composta por 16 alunos, foi dividida em quatro grupos, ambos com 4 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 7 61
componentes, cada qual corresponde a uma competência.
Apresentou-se aos estudantes a proposta da MP para o desenvolvimento da 
atividade, juntamente com o Arco de Maguerez, cuja estratégia de ensino-aprendizagem 
possibilita a interação entre alunos e professores, dando a oportunidade da (re) construção 
de conceitos e o partilhar das vivências. Dessa forma os participantes desse processo, são 
instigados a ponderar sobre as experiências e percepções reformuladas em seu cotidiano 
(DA SILVA et al 2020).
O trabalho foi construído a partir de encontros online via a plataforma remota do 
Google Meet, em decorrência do momento pandêmico, impedindo o encontro presencial. 
Portanto, o trabalho é composto por cinco etapas: observação da realidade; hipóteses 
explicativas do problema; teorização; hipóteses de solução; planejamento e aplicação/ 
execução da ação (MAGUEREZ, 1966; BORDENAVE, PEREIRA, 1982).
3 | RESULTADOS E DISCUSSÕES
3.1 ETAPA 1: Observação da realidade (problema)
Durante as atividades práticas nos mais diversos campos da área da saúde, pode-
se presenciar inúmeras situações envolvendo enfermeiros. Algumas dessas positivas, 
onde a enfermagem consegue demonstrar a sua importância e a sua necessidade, e 
outras situações desgastantes, que por vezes, acabam interferindo negativamente na 
imagem desta profissão frente aos pacientes e frente a sua própria equipe de trabalho. Em 
equivalência a presente etapa, identificou-se que a liderança autocrática é aquela na qual 
o gestor é o centro de todas as decisões, podendo causar uma grande insatisfação e gerar 
um problema entre os colaboradores. Nesse contexto, estabelece-se como problema do 
estudo “a liderança autocrática”.
3.2 ETAPA 2: Pontos Chaves (causa doproblema)
Para refletir sobre os possíveis potencializadores do problema, é necessário 
compreender fatores que podem estar associados a causa, no qual possibilita a definição 
de alguns pontos chaves. Dentre eles, no cenário da liderança autocrática, destaca-se os 
de maior relevância para esse estudo: 
• Impor uma superioridade ilusória, confundindo liderança com autoritarismo; 
• Ausência de colaboração e engajamento da equipe.
• Constituição de ressentimentos e conflitos dentro do grupo de trabalho, com 
tendência à desvalorização das habilidades e conhecimentos dos liderados.
• Maior dependência ao líder devido a centralidade na tomada de decisões, com 
tendência na diminuição do desenvolvimento organizacional, liberdade criativa 
e eficiência no trabalho.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 7 62
3.3 ETAPA 3: Teorização
O termo liderança possui uma ampla gama de definições, sendo compreendida 
principalmente como o processo de influenciar um grupo em direção a realização de um 
objetivo. Apesar da variação dos conceitos, entende-se que o resultado que se espera 
da liderança, vem de acordo com o impacto exercido sobre os liderados, modificados de 
acordo com o estilo de liderança adotado (BOTELHO, KROM, 2010). 
No sentido das organizações, a liderança, é um processo de influência intencional 
do líder sobre seus seguidores, com vistas ao alcance de objetivos e metas em comum 
a ambos e alinhados com a cultura organizacional (NEVES, SANNA, 2016). A liderança 
caracteriza-se como uma competência gerencial necessária ao exercício profissional 
do enfermeiro, tornando-o capaz de influenciar sua equipe com vistas a disponibilizar 
atendimento focado nas necessidades de saúde dos usuários e familiares (AMESTOY et 
al, 2017). 
É importante destacar que existe uma distinção entre líder e estilo de liderança. 
O líder é a pessoa em um grupo à qual foi atribuída uma posição de responsabilidade 
para dirigir e coordenar determinadas atividades e também pessoas, sendo considerado 
o principal responsável pelos resultados advindos de sua influência. Entretanto, o estilo 
de liderança é a maneira pelo qual essa pessoa, na posição de líder, influencia as 
demais pessoas do grupo (BOTELHO, KROM, 2010). Para ser um líder, não precisa ser 
necessariamente um chefe, basta ter conhecimento e habilidades que façam com que o 
grupo busque a realização dos objetivos (FELIX, et al., 2013). 
Nesse contexto gerencial, existem diferentes tipos de liderança, entre eles podemos 
citar: liderança autocrática, democrática ou liberal. Cada estilo possui suas características e 
diferentes visões sobre a coordenação do processo de trabalho (SILVA et al, 2017). Em suma, 
na liderança autocrática, o nível de intervenção do líder é alto, na qual toma as decisões 
sem consultar o grupo, fixa as tarefas de cada um e determina o modo de concretizá-las. 
Na liderança democrática, há nível médio de intervenção do líder, é participativo, na qual o 
líder compartilha com os empregados sua responsabilidade de liderança, envolvendo-os no 
processo de tomada de decisão. Na liderança liberal a intervenção é quase nula, na qual o 
líder funciona como elemento do grupo e só acaba intervindo se for solicitado (BOTELHO, 
KROM, 2010).
A liderança autocrática, também conhecida como liderança autoritária, é um 
estilo de liderança caracterizado pelo controle individual do líder sobre as decisões, 
métodos, políticas e procedimentos de trabalho (RETONDO, 2019). Um líder autocrático, 
determina diretrizes sem a participação do grupo, indicando qual a tarefa de cada um dos 
colaboradores, além de determinar as técnicas para a execução das tarefas. Possui uma 
postura diretiva e dominadora, dando instruções sólidas e inflexíveis, podendo causar mal-
estar organizacional (BOTELHO, KROM, 2010).
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 7 63
O trabalho só se desenvolve na presença do líder, visto que, quando este se 
ausenta, o grupo produz pouco e tende a indisciplinar-se. A produtividade até é elevada, 
mas a realização das tarefas não é acompanhada de satisfação, ocorrendo a desmotivação 
por falta de reconhecimento. Na adoção deste estilo, não há espaço para a iniciativa 
pessoal, sendo que nesse tipo de liderança é gerado conflitos, atitudes de agressividade, 
de frustração, de submissão e desinteresse, entre outras (BOTELHO, KROM, 2010).
Nesse sentido, após uma revisão da literatura, buscou-se evidências que 
comprovem ou descartem os principais aspectos levantadas que potencializam o problema 
estabelecido. 
• Impor uma superioridade ilusória, confundindo com autoritarismo:
O enfermeiro no seu processo de trabalho, ao coordenar as atividades, assume uma 
posição hierárquica vertical que lhe confere legalmente poder e autoridade para atuar, por 
meio da supervisão, comanda e controla as ações dos membros da equipe com o objetivo 
de garantir a eficiência e a eficácia no trabalho. Como coordenador, tem poder e autoridade 
para ditar e impor padrões de trabalho, seguindo e fazendo seguir regras, normas, rotinas 
que contemplam as metas organizacionais (OLIVEIRA, RODRIGUES, 2017).
No cotidiano das instituições hospitalares, é rotineiro presenciar situações 
envolvendo abusos de poder. Algumas pessoas tentam mascarar sua insegurança e 
fraquezas utilizando-se da prepotência e arrogância para lidar com sua equipe. Já o medo 
é uma forma de coação que pode induzir as pessoas a aceitarem tal influência, porém se 
sabe que esse tipo de liderança não é capaz de sobreviver por muito tempo, pois tornar-
se verdadeiros estopins dentro destas organizações, por serem geradoras de conflitos e 
capazes de alterar o clima no ambiente de trabalho (OLIVEIRA, RODRIGUES, 2017).
• Ausência de colaboração e engajamento da equipe:
A liderança está ligada ao relacionamento interpessoal e suas definições se 
pautam em ações de caráter comunitário. A grande dificuldade do exercício da liderança 
está relacionado a resistência da equipe para sua aplicabilidade. Contudo, não se pode 
afirmar que isto ocorre apenas em função das equipes serem pouco receptivas ou porque 
a liderança é exercida de maneira errônea (PEREIRA, L.A, et al 2015).
O exercício da liderança exige colaboração e consciência de todos os colaboradores, 
de modo que isso possa ser ampliado na medida em que se compreende liderança como 
uma forma de influenciar pessoas para a obtenção de um objetivo comum (PEREIRA, L.A, 
et al 2015).
Fazendo essa relação deste tema com a superioridade imposta do enfermeiro sobre 
a liderança, vale salientar que liderar requer recursos do profissional, como competência, 
crescimento mútuo, compromisso, honestidade e autodisciplina junto a sua equipe, o que 
faz com que o termo liderança não possa ser confundido com a autoridade que legitima 
posturas autoritárias (PEREIRA, L.A, et al 2015).
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 7 64
• Constituição de ressentimentos e conflitos dentro do grupo de trabalho, com 
tendência à desvalorização das habilidades e conhecimentos dos liderados:
A liderança autocrática é comum em sujeitos que desejam impor uma superioridade 
ilusória e uma influência imposta, sendo confundida com autoritarismo. Este tipo de liderança 
não surge naturalmente, e pode refletir as próprias características negativas do líder. Essas 
características, especialmente a prepotência e arrogância, tornam o ambiente de trabalho 
insustentável, através da constituição de ressentimentos, refletindo negativamente no 
desempenho e resultado do trabalho da equipe, e, inclusive, gerar conflitos contínuos e 
frequentes (OLIVEIRA, RODRIGUES, 2017). 
Este tipo de liderança pode também influenciar direta e indiretamente no estado 
motivacional dos subordinados, frequentemente associado à desmotivação dos 
trabalhadores frente ao processo de trabalho, ocorrendo em paralelo a desvalorização das 
habilidades e conhecimentos (OLIVEIRA, RODRIGUES, 2017). Nesse sentido, pessoas de 
alto desempenho,que necessitam expressar suas opiniões, tornam-se hostilizadas frente a 
liderança autocrática, que tende a ser menos atrativa ao desenvolvimento e aproveitamento 
dos conhecimentos, habilidades e competências (RETONDO, 2019). 
• Maior dependência ao líder devido a centralidade na tomada de decisões, com 
tendência na diminuição do desenvolvimento organizacional, liberdade criativa 
e eficiência no trabalho:
A liderança autocrática está ligada com a maior dependência em relação ao líder, 
pois os colaboradores costumam não tomar decisões quando necessário ou não tem 
abertura para expressar suas ideias, e assim, ficam subordinado a ordem do líder na sua 
tomada de decisão.
É função do líder analisar e conhecer seus colaboradores para decidir qual estilo é 
mais eficaz para cada equipe e situação. Mas muitas vezes esse cenário de ser líder acaba 
trazendo desconforto a equipe, pois este chefe/líder acaba não aceitando críticas, passa 
um papel de ordenar e decidir sozinho, não aceita a criatividade dos outros componentes 
e não da autonomia, ocasionando um ressentimento entre os oponentes do grupo, e assim 
acabam sendo dependente do que foi exposto (SERAFIN , 2015).
Salvagni et al (2014) referem que líderes têm muitas dificuldades em lidar com 
pessoas, pois preferem lidar com máquinas e não conseguem solucionar as situações do 
seu setor, perguntam frequentemente de todo e qualquer assunto, esperando uma solução 
de terceiros. Confiar apenas em uma pessoa para tomar todas as decisões corretas 
pode ser um caminho perigoso. Se o líder for conhecedor e eficaz, a organização será 
beneficiada, mas o líder não é tão competente nesses quesitos, a organização pode sofrer 
com decisões erradas e precipitadas. 
Formador de opiniões, o enfermeiro é um importante agente no qual proporciona 
mudanças, sendo assim, um preceptor por excelência. Por isso que através do 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 7 65
embasamento teórico e científico deve transmitir informações fidedignas e ser capaz 
de imprimir questionamentos e propor mudanças em busca de melhorias. Na liderança 
autocrática as decisões são centralizadas pelo líder, ele pode desconsiderar as sugestões 
de melhorias trazidas pelos colaboradores, destacando então a insatisfação apresentada 
em relação à formação profissional, portanto, sendo uma das principais dificuldades que os 
líderes acabam encontrando (RIBEIRO, 2006).
No entanto, através da fundamentação teórica, foi possível salientar que o estilo 
autocrático também pode ser benéfico em alguns casos, como por exemplo: tomada de 
decisões e implementações rápidas, baseadas no conhecimento e julgamento do líder; 
aumento do desempenho em atividades específicas, direcionando os subordinados para 
suas qualificações; diminuição de erros por inexperiência ou pouca qualificação da equipe 
ou de algum profissional; cadeia clara de comando e supervisão; menor estagnação devido 
à má organização (RETONDO, 2019).
3.4 ETAPA 4: Hipóteses de soluções
A liderança situacional, pode ter resultados favoráveis, pelas transformações e 
rapidez na execução das tarefas da equipe, onde o líder compreende suas necessidades 
de realizar o que precisa ser feito, e acaba alterando o seu estilo de acordo com a 
necessidade da equipe, dos pacientes e do ambiente, fazendo com que proporciona maior 
flexibilidade nas ações para melhor atender a todos envolvidos neste processo (OLIVEIRA, 
RODRIGUES, 2017).
Destaca-se que a formação profissional para a liderança, como a realizada em 
cursos, palestras e seminários, é escassa, pois a forma de aperfeiçoamento é limitada 
na formação recebida no curso de graduação para o exercício da liderança. Contudo, 
esta se constitui como uma ferramenta indispensável nas atividades desenvolvidas pelo 
enfermeiro, visto que o profissional tem que desempenhar funções e competências onde 
incorporam diferentes competências e habilidades, o que vai exigir desse profissional um 
estudo mais aprofundado sobre aspectos como conceitos, teorias e pesquisas sobre a 
liderança (PEREIRA et al., 2015).
Importante destacar, que além das hipóteses de solução para o problema, há alguns 
desafios que surgem com a liderança autocrática, no sentido de contrapor ao excesso 
de autoritarismo. Entre eles: escutar as ideias e percepções dos membros da equipe; 
estabelecer regras claras sobre o processo de trabalho; aumentar o conhecimento técnico 
para aumentar a confiabilidade da equipe de colaboradores; fornecer conhecimento e 
ferramentas, como supervisão e treinamento para a equipe; assumir a responsabilidade 
das ações e decisões; reconhecer o sucesso dos colaboradores, individual e coletivo 
(RETONDO, 2019).
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 7 66
3.5 ETAPA 5: Aplicação à realidade
Nesta etapa é realizada a aplicação das hipóteses resolutivas, ou seja, colocar em 
ação o planejamento da etapa anterior, com vistas a transformar a realidade e fornecer 
estratégias para implementação de melhorias. Neste estudo, esta etapa não foi realizada, 
tendo em vista que o componente curricular na qual a MP foi desenvolvida, é uma disciplina 
teórica, o que impossibilitou tempo e recursos de execução das ações em campo de 
prática. O trabalho nesta disciplina possibilitou um primeiro contato e exercício com esta 
metodologia, visando que em semestres posteriores, os acadêmicos terão a oportunidade 
de um novo contato e aplicação desta metodologia.
4 | CONSIDERAÇÕES FINAIS
A construção da metodologia problematizadora, possibilitou o desenvolvimento 
e expansão do pensamento crítico-reflexivo, além de fortalecer os conhecimentos e 
proporcionar habilidades teórico-práticas essenciais na resolutividade de problemas. A 
metodologia da problematização tem como ponto de partida, a observação da realidade, 
na qual a construção das hipóteses foi possível devido a vivência. Nesse sentido, essa 
ferramenta deve ser adotada e minuciosamente analisada pelos acadêmicos e profissionais, 
pois permite visualizar as falhas e através da busca de estratégias baseadas em evidências 
científicas, encontrar maneira de qualificar os serviços de saúde e solucionem a situação-
problema.
Nesse sentido, considera-se que a liderança torna-se essencial para a profissão, 
pois ter aptidão para comunicar, solucionar conflitos e ter iniciativa são atributos que 
contribuem para o cuidar. A literatura confirma as hipóteses levantadas pelas acadêmicas, 
considerando que o enfermeiro como líder de equipe deve proporcionar um ambiente de 
oportunidades, crescimento pessoal, corresponsabilização e de participação colaborativa, 
na construção dos objetivos comuns da equipe, respeitando a resiliência e importância 
de cada colaborador. Esta vivência proporcionou experiências que contribuíram para o 
aprendizado prático/teórico das acadêmicas e oportunizou maior conhecimento científico 
para futuro profissional.
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Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 8 68
Data de aceite: 22/01/2021
CAPÍTULO 8
doi
A COMUNICAÇÃO NO MODO DE FAZER 
EXTENSÃO, E SUA INFLUÊNCIA SOBRE AS 
COMPETÊNCIAS E HABILIDADES NA ÁREA DA 
ENFERMAGEM
Data de submissão: 15/12/2020
Kaique Santos Reis
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Valéria Sacramento de Santana
Universidade Estadual de Santa Cruz, 
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Nadine de Almeida Cerqueira
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Barbariane Santana de Jesus Rocha
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Ilhéus-Bahia
 http://lattes.cnpq.br/6358108975016067
Soraya Dantas Santiago dos Anjos
Universidade Estadual de Santa Cruz, 
Departamento de Saúde
Ilhéus-Bahia
 http://lattes.cnpq.br/7530850403135282
Sílvia Maria Santos Carvalho
Universidade Estadual de Santa Cruz, 
Departamento de Ciências Biológicas
Ilhéus-Bahia
http://lattes.cnpq.br/7006892833914189
RESUMO: O desenvolvimento de atividades 
extensionistas no ambiente acadêmico, que 
propiciem a experimentação de vivências 
extramuros, visam ao exercício de competências 
e habilidades, primordiais para a formação do 
graduando; ao tempo em que fomentam a oferta 
de serviços sociais, principalmente para aqueles 
indivíduos carentes da atenção pública. Essas 
articulações entre a Universidade e a sociedade 
estimulam a promoção de equidade social. Assim, 
esse manuscrito é um relato de experiência em 
“Educação em Saúde” que objetivou discorrer 
sobre a comunicação no modo de fazer 
extensão e sua influência sobre as capacidades 
profissionais de um discente do curso de 
Enfermagem. A discussão está pautada numa 
abordagem descritiva dos períodos anteriores 
e durante a pandemia, e perspectivas para o 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 8 69
pós-pandemia. Antes da pandemia as atividades se davam por meio de uma comunicação 
realizada através contato direto, a partir do estabelecimento de um cuidado individual dirigido 
a um público geralmente negligenciado, que buscava ao serviço público de saúde. Durante 
a pandemia, estabeleceu-se uma nova metodologia de trabalho, agora através do uso das 
redes sociais como ferramenta para manter a comunicação. É importante mencionar que o 
modelo presencial de contato com o indivíduo possibilitou o desenvolvimento de habilidades 
humanísticas. O segundo modelo, no entanto, permitiu uma nova experiência, alcançando a 
um público diverso que, diferente do anterior, possuía livre acesso à internet. Nesse caso, 
como resultado, percebeu-se uma interação dos seguidores com a equipe de trabalho. São 
nítidos os “dois momentos”, com públicos diferentes e diferentes formas de comunicar. Para 
o pós pandemia é inegável a necessidade de trabalhar os dois modelos em concomitante, 
com a expectativa de manutenção desses diferentes públicos. Soma-se a essa constatação 
a avaliação positiva sobre as experiências adquiridas, que permitiram um amadurecimento 
profissional e a certeza de que os desafios são uma constante na vida do enfermeiro. 
PALAVRAS-CHAVE: Comunidade. Enfermagem. Comunicação. Educação em Saúde. 
Covid-19.
COMMUNICATION IN THE WAY OF DOING EXTENSION, AND ITS INFLUENCE 
ON SKILLS AND SKILLS IN NURSING AREA
ABSTRACT: The development of extension activities in the academic environment, which 
allow, notedly, the experimentation of extramural experiences, aim at the exercise of skills and 
abilities, which are essential for the formation of the undergraduate; at the time they promote 
the provision of social services, especially for those in need of public attention. These kind 
of association between the University and society encourage the promotion of social equity. 
Thus, this manuscript brings an experience report in “Health Education” aimed to discuss 
communication inside of university extension and its influence on the professional capacities 
of a nursing course student. The discussion is based on a descriptiveapproach from previous 
periods and during the pandemic and perspectives for the post-pandemic. Before the 
pandemic, activities took place by communication carried out through direct contact, based on 
the establishment of individual care offered to a generally a generally neglected public, who 
sought public health services. During the pandemic, a new work methodology was established, 
now through the use of social networks as a tool to maintain communication. It is important to 
mention that the face-to-face model of contact with the individual enabled the development of 
humanistic skills. The second model, however, implies a new experience, reaching a diverse 
audience that, unlike the previous one, did not have restricted access to the internet. In this 
case, as a result, it was realize an interaction between the followers and the work team. The 
“two moments” are clear, with different audiences and different ways of communicating. For 
the post-pandemic, there is an undeniable need to work the two models together, with the 
expectation of maintaining these different audiences. Added to this inference is the positive 
assessment of the acquired experiences that instigates an professional maturation and the 
certainty that challenges are a constant in the nurse’s life.
KEYWORDS: Community. Nursing. Communication. Health Education. Covid-19.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 8 70
1 | INTRODUÇÃO 
A extensão universitária tem sua aparição em meados do século XIX, na Inglaterra 
(NOGUEIRA, 2001, apud DE MEDEIROS, 2017). No Brasil, a prática de ações de 
extensão data, oficialmente, do começo da década de 1930; mas a obrigatoriedade 
do desenvolvimento dessas atividades, nas universidades do país, só se deu ao final 
da década de 1960 (FORPROEX 2007, apud DE MEDEIROS, 2017). O fato é que, na 
atualidade, o fomento à extensão tem sido um instrumento que se mostra como o caminho 
para promoção de equidade social.
É entendimento o papel da Extensão Universitária e as contribuições que pode 
garantir à sociedade. Não só isso, mas pensar a Extensão e executá-la, dentro das suas 
premissas norteadoras, garante não apenas credibilidade à instituição executora, mas a 
experimentação de vivência e oportunidade do exercício das competências e habilidades 
ao discente envolvido.
Mas houve um tempo em que, segundo Ribeiro (2009), a extensão era uma atividade 
marginalizada, vista como uma ação realizada apenas por docentes que não possuíam 
capacidade ou vocação de desenvolver pesquisa. Hoje é perceptível o reconhecimento 
do valor de ações extensionistas realizadas por gente capacitada e entendedora do “fazer 
extensão” – e isso também justifica, entre outras coisas, o empenho de Universidades 
que estão debruçadas sobre o processo de curricularização da Extensão. Ademais, nos 
diversos cursos de graduação, é inegável a capacidade de articulação com diferentes 
setores da sociedade, numa interação intra e extramuros, com perspectiva de contribuição 
das atividades extensionistas para o bem social. Essa interação possibilita o contato direto 
com comunidades, proporcionando a troca de saberes, e possibilitando, para além do 
trabalho extensionista, o desenvolvimento de atividades de ensino e pesquisa.
A realização de atividades extensionistas, especialmente aquelas que buscam 
atender populações em vulnerabilidade, deve ser estimulada, fomentada pelas instituições 
de ensino, e apoiadas pelos diferentes setores da sociedade, objetivando diminuir as 
desigualdades sociais, ao tempo em que deve promover a equidade no acesso aos serviços 
básicos; dentre eles, podem-se destacar as atividades em saúde. Segundo Hennington 
(2004), apud BISCARDE, 2014), a área da saúde é um local potente para se realizar a 
extensão, pois quando inserida na rede assistencial do cuidado permite novas experiências 
de qualificação.
O setor da saúde pública em nosso país se apresenta como um problema crônico 
no cumprimento dos princípios do Sistema Único de Saúde. Apesar do Brasil possuir um 
modelo de atenção que assegura o acesso ao sistema, o atendimento público ao cidadão 
enfrenta dificuldades em cumprir o texto constitucional da saúde como direito, deixando à 
margem uma população vulnerável e carente de atendimento. 
Como exemplo de vulnerabilidade, podem ser citados indivíduos que desenvolvem 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 8 71
quadros de morbimortalidade gerados por infecções causadas por doenças parasitárias. 
Parasitas entéricos são tão facilmente preveníveis, mas a exposição aos agentes 
contaminantes são, ainda, tão comuns. Fatores sociais, econômicos e, sobretudo, sanitários 
e ambientais, interferem diretamente sobre a exposição individual e coletiva, facilitando o 
surgimento de doenças (ADDUM, et. al, 2011). 
Com base no exposto, o Laboratório de Parasitologia (LAPAR) da Universidade 
Estadual de Santa Cruz (UESC), através do programa de Extensão “Laboratório de 
Parasitologia aberto à comunidade e com atividades em campo”, buscou articular a 
extensão à pesquisa e ensino, visando a prestação de serviços às comunidades localizadas 
nos municípios que integram a área de abrangência da UESC. O projeto remonta do final 
da década de 1990, mas foi registrado na Pró - Reitoria de Extensão (PROEX) no ano 
de 2002. Desde então, atividades de caráter multidisciplinar são realizadas, envolvendo 
equipe com diferentes perfis: áreas de Enfermagem, Biomedicina, Medicina e Biologia. 
Desde o seu início, o modo de relacionar com o público alvo sempre foi presencial, 
através do cuidado individual, num jeito de comunicar claro e através da troca de 
conhecimentos. No entanto, houve uma necessidade de adequação na comunicação, 
quando as atividades do programa foram surpreendidas com o isolamento social imposto 
pela crise sanitária da COVID-19, a partir do mês de março do ano 2020 (RESOLUÇÃO 
CONSU, 2020). Nessa oportunidade, era urgente repensar a abordagem em educação 
em saúde, agora através de mídias sociais, já que o home Office se mostrou como única 
alternativa para as relações de trabalho. Com base nessa percepção, houve o entendimento 
da importância de trazer ao leitor desse manuscrito essa experiência, especialmente como 
estímulo à realização de trabalhos dessa natureza. 
O relato de experiência é elaborado a partir de acontecimentos e memórias que 
trazem reflexões significativas e pessoais do relator, que contribuíram de alguma maneira 
à sociedade (DALTRO e DE FARIA, 2019). Nessa perspectiva, esse material trata de um 
relato de experiência, com ênfase no modo de comunicar com o público, trazendo uma 
abordagem descritiva e qualitativa, discorrendo sobre as adequações impostas no modo de 
comunicar a extensão, avaliando os efeitos da pandemia sobre os trabalhos desenvolvidos 
em educação em saúde. 
Pelo exposto, objetivou-se discorrer sobre as influências do Programa de Extensão 
nas capacidades profissionais de um discente do curso de Enfermagem, e avaliar os 
efeitos da pandemia sobre os trabalhos desenvolvidos no projeto, com destaque para a 
comunicação em saúde.
2 | DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES
 Apesar dos registros do programa de extensão datarem oficialmente do ano 2002, 
essa obra se ateve a trazer para o leitor um recorte do período de julho de 2017 a Julho 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 8 72
de 2020, em razão de tratar de um relato de experiência de um bolsista de extensão, cujo 
plano de trabalho foi intitulado: “Assistência à saúde de pacientes atendidos no Centro de 
Atendimento Especializado (CAE III), Ilhéus, BA”.
Para essa discussão, é necessário trazer a temática central, discorrendo sobre 
educação em saúde, onde é fundamental destacar o modo de comunicação com o 
público. Se antes o formato estava todo delineado na abordagem presencial, sofrendo 
alterações apenas em função do perfil de cada comunidade, agora, após estabelecimento 
do isolamento social, decorrente da pandemia da COVID-19,foi importante, urgente 
e necessário uma readequação nesse sentido. Nessa oportunidade, foi evidenciada a 
imposição do desafio para o “bem comunicar”, em atendimento à continuidade dos trabalhos 
do programa de Extensão, usando como ferramenta as redes sociais. Vale mencionar que 
dentro das competências e habilidades específicas dispostas pelo Conselho Nacional de 
Educação, instituídas nas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em 
Enfermagem (2001), compete ao enfermeiro “usar adequadamente novas tecnologias, 
tanto de informação e comunicação, quanto de ponta para o cuidar de enfermagem”.
2.1 A extensão como escolha da trajetória na carreira acadêmica
Cruz et. al relataram, em trabalho publicado no ano de 2018, que os acadêmicos no 
momento em que chegam na universidade buscam apenas o ensino. De fato, entende-se 
que esse seja o caminho natural para quem busca qualificação acadêmica e profissional 
ao entrar na universidade, sem o entendimento da estrutura organizacional da Instituição 
de Ensino. No entanto, ainda, segundo Cruz et al (op.cit), a universidade tem a obrigação 
de direcionar esses alunos a outros espaços, como a pesquisa e extensão, à fim de 
desenvolverem, sobretudo, senso crítico. Sem dúvida, a UESC desempenha esse papel 
de direcionamento, pois quando o recém graduando se insere na Universidade, lhe 
são apresentados todos os caminhos que podem ser trilhados entre ensino, pesquisa e 
extensão.
Nesse sentido, na perspectiva de análise deste autor, coloco para os leitores esta 
experiência pessoal, da atração pela extensão, que teve início ainda no 1º semestre 
de Enfermagem, quando percebi a inserção do meu curso nos trabalhos extramuros, e 
o impacto disso sobre o público beneficiado (comunidade externa e acadêmica). Atentei 
para a oportunidade de aprendizado que poderia incorporar às minhas competências e 
habilidades na área. Foi quando, como discente da disciplina Parasitologia Humana, numa 
articulação Ensino/Pesquisa/Extensão, promovida pelo Programa de Extensão “Laboratório 
de Parasitologia aberto à comunidade e com atividades em campo”, tive a oportunidade de 
realizar ações durante todo o segundo semestre, em comunidade negligenciada.
A prática do exercício das atividades desenvolvidas e a percepção da importância 
da comunicação com o público alvo me fizeram perceber que esse era o enfermeiro que 
eu queria ser – um educador dentro das comunidades, trabalhando na Atenção Básica. 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 8 73
Nessa oportunidade, comecei a entender a necessidade de adequação à comunidade 
assistida, visando estabelecer uma comunicação sem ruídos, para ser interpretado de 
forma correta, desenvolvendo práticas educativas que fizessem sentido para a realidade 
local. A partir do envolvimento com a equipe de trabalho, tive a oportunidade de vivenciar a 
dedicação para a realização de ações efetivas e compreender o papel da extensão nesse 
contexto, mostrando-se tratar não apenas de complementação de carga horária proposta 
pela universidade, mas de um “lugar” que nos permite ser expectadores da realidade social, 
criadores de possibilidades para trabalhar educação em saúde em diferentes formas de 
comunicação com o público, respeitando toda a sua diversidade e, sobretudo, a sua cultura. 
E foi assim que houve a minha inserção como bolsista no Programa, como o passo 
seguinte para a continuidade da trajetória escolhida para a minha vida acadêmica.
Sempre fui um entusiasta de uma relação que primasse pela comunicação direta 
com o usuário do serviço de saúde. Entretanto, entendi a importância de manter uma 
comunicação dentro da temática “Educação em Saúde”, prestando a minha contribuição 
em momento onde se estabeleceu a necessidade de isolamento social por conta da 
pandemia da COVID-19. E, para entendimento do leitor, do que era a comunicação nos 
nossos trabalhos, e de como foi estruturada uma nova linguagem nas nossas atividades, 
dividimos as ações em três itens: antes da pandemia, durante a pandemia e perspectivas 
para o pós pandemia.
2.1.1 Antes da pandemia
O plano de trabalho aprovado e cadastrado na Pró - Reitoria de Extensão (PROEX) 
para atendimento específico ao público do CAE III estava intitulado: “Assistência à saúde 
de pacientes atendidos no Centro de Atendimento Especializado III, Ilhéus, BA”, e teve 
como atividades realizadas:
• Acolhimento do usuário que buscava ao serviço de saúde do CAE III com sus-
peita de Esquistossomose ou “diagnóstico positivo”, a partir de resultado reve-
lado em exame intradérmico específico;
• Conversa com o usuário para tirar dúvidas e prestar esclarecimentos de na-
tureza diversa, especialmente acerca de tratamento terapêutico, que só era 
possível após confirmação diagnóstica em momento posterior à realização de 
exame parasitológico de fezes;
• Entrega de folder explicativo com informações referentes à esquistossomose, 
método diagnóstico, e formas de prevenção;
• Encaminhamento do indivíduo para realização de exames parasitológicos de 
fezes; além de condução dos indivíduos positivos para atendimento médico e 
direcionamento dos mesmos à farmácia do centro de saúde para tratamento 
específico;
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 8 74
• Estímulo à realização do controle de cura através de um novo exame parasito-
lógico de fezes, pós tratamento.
Dentre as atividades realizadas, destaca-se, também, a produção de parasitas em 
biscuit (Figuras 1 e 2), fruto de trabalho realizado graças a um projeto de ensino, cujo 
produto final (peças modeladas, em réplica de parasitas e insetos) foi incorporado às ações 
do programa de extensão. Isso mostra a importância da articulação entre ensino/pesquisa/
extensão. Inclusive, vale destacar que com uma equipe tão diversa, articulada e disposta 
para os trabalhos, foi possível fortalecer essa tríade. E, como exemplo, destaca-se a 
pesquisa de parasitas de solo, de suma importância para os levantamentos epidemiológicos, 
realizados em diferentes localidades da região. 
Essa estratégia da aplicação do ensino e pesquisa nas atividades de extensão se 
mostrou como importante linguagem para comunicação com a comunidade, no momento 
de se fazer entender a problemática relacionada ao controle e profilaxia das doenças 
parasitárias, por exemplo. Ademais, como parte da equipe no desenvolvimento dessas 
atividades, as contribuições adquiridas a partir dos conteúdos trabalhados, seja com o 
biscuit, seja dos dados gerados com o projeto de solos, foram de natureza ímpar para o 
lidar com o paciente nas “conversações” no CAE III.
E, é importante ressaltar que todas as atividades aconteceram por meio de 
uma comunicação através do contato direto com o indivíduo que buscou ao serviço, o 
que permitiu a criação de um vínculo entre bolsista e esse usuário, numa dinâmica de 
informar com clareza no discurso, específico para cada perfil de pessoa. Esse modo de 
trabalho está em consonância com o pensamento de Sequeira (2014), quando menciona 
que profissionais que trabalham em contato direto com as pessoas devem possuir uma 
comunicação adequada, voltada para a pessoa e sua realidade, permeada por vínculo 
relacional e humano, entre profissional e usuário.
Entender a necessidade de ter uma comunicação que atenda às precisões do outro, 
através de uma linguagem acessível e dinâmica, contribuiu, particularmente, em nível de 
aprendizado, de forma significativa. Partindo desse contexto, foi perceptível a detenção 
de um olhar mais humano e real sobre a necessidade do outro no meu fazer profissional. 
Soma-se a isso a compreensão de que para adentrar o território de terceiros, é necessário 
realizar um levantamento dos seus costumes, necessidades e, para além desta prática, 
respeitar e aprender com os conhecimentos do “senso comum”. Quando se respeita a 
“bagagem” do outro, deixamo-nos abertos para novos aprendizados. 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 8 75
FIGURA 1- Confecçãodo material em 
biscuit.
Fonte: Acervo pessoal.
FIGURA 2- Modelos parasitológicos 
confeccionados em biscuit.
Fonte: Acervo pessoal.
2.1.2 Durante a pandemia
Diante da necessidade de isolamento social, imposta pela pandemia da COVID-19, 
houve a suspensão das atividades que eram realizadas através do contato direto, e 
incorporação de um novo modo de trabalhar educação em saúde – agora para um público 
diverso, através das redes sociais. 
Entendendo a necessidade do trabalho remoto, criamos uma página nomeada @
lapar_uesc, através da rede social instagram, onde foram realizadas postagens educativas 
por meio de cards e vídeos (FIGURA 4 e 5) - ambos com linguagem acessível, abordando 
temáticas voltadas para a educação em saúde, referentes às enteroparasitoses e a 
COVID-19. Optou-se por abordar esses dois grupos de patógenos no mesmo instagram, 
pois possuíam medidas de prevenção similares, a exemplo da higienização das mãos e 
alimentos – obviamente considerando as mesmas formas de contaminação. Além disso, 
demais publicações, de outras páginas, eram repostadas, cujas temáticas faziam um 
paralelo com as temáticas abordadas pelo nosso grupo de trabalho. 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 8 76
FIGURA 4- Card produzido e postado 
no instagram, abordando a parasitose 
esquistosomosse.
Fonte: Instagram Lapar_Uesc
FIGURA 5- Vídeo produzido e postado no 
instagram, ensinando a lavagem correta 
das mãos.
Fonte: Instagram Lapar_Uesc.
Percebeu-se a interação do público através das dúvidas, compartilhamentos 
e curtidas das postagens, bem como as marcações de amigos. No entanto, demo-nos 
conta de que o público deixou de ser aquele negligenciado, sendo, agora, variado, mas 
igualmente participativo. Em sua maioria, revelou se tratar de um público acadêmico, não 
leigo, especialmente ciente da necessidade dos cuidados de higiene. Foi possível realizar 
o diagnóstico desse perfil por conta da interação desses indivíduos com as postagens, 
sobretudo através dos questionamentos por eles provocados. 
Essa mudança metodológica só foi possível por conta do comprometimento dos 
bolsistas e docentes do LAPAR/UESC, pois houve o entendimento de que alimentar uma 
rede social com esse tipo de conteúdo seria um importante desafio, diferente de tudo que 
havia sido feito até então. No entanto, cabe ressaltar, que os desafios sempre foram bem 
aceitos pela equipe de trabalho. E, nessa oportunidade, foi despertado o entendimento 
de que para ser um profissional que se adapta às mudanças que estão por vir, é preciso 
reconhecer que estamos conectados em rede. E que, sim, no isolamento social imposto 
pela pandemia da COVID-19 a internet se revelou neste trabalho como um instrumento 
potente para a comunicação educativa e interativa. Pode-se perceber, sem dúvida, a 
importância que este dispositivo oferece para criação de novas maneiras de comunicar em 
saúde, além do tradicional estabelecido. 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 8 77
2.1.3 Perspectivas para o pós pandemia 
A escolha dessa nova ferramenta para comunicar com as pessoas surgiu a partir da 
percepção da importância da internet como uma Tecnologia de Informação e Comunicação 
na Saúde (TIC’s). Segundo Carloto e Dinis (2018) o desenvolvimentos de TIC´S permite 
a comunicação em saúde no nível de promoção da saúde, pois aumenta o acesso das 
pessoas à informação, gerando maior autocuidado.
É possível que essa nova linguagem esteja excluindo um público que sempre foi o 
alvo do projeto, onde talvez o maior fator limitador seja o acesso à internet. Mas se pretende 
continuar trabalhando essa temática nas comunidades negligenciadas da forma que sempre 
se trabalhou - por meio do contato direto e comunicação presencial - isso porque entendemos 
a necessidade do alcance dessas pessoas em situação de vulnerabilidade. Paes et al. 
(2013) mencionam que o contato entre profissionais e usuários qualifica o cuidado prestado. 
Sequeira (2014) comenta que é através da comunicação que o profissional conhece o outro 
e sua história; e é através dela, também, que o profissional fornece direções para uma 
boa gestão do cuidado pelo usuário. Isso tão somente revela a inegável importância de 
continuar a proposta de educação em saúde por meio da comunicação e contato direto. A 
comunicação oral prevalece como uma das mais importantes formas de comunicação, mas 
é inegável a importância de se utilizar as ferramentas digitais de comunicação que crescem 
de forma veloz no quesito acesso (KENSKI, 2013). Hoje, em função desse entendimento, 
mas também cientes de quão positivo se revelou o alcance da página criada no instagram, 
pretendemos ser contumazes no trabalho em concomitante, através do contato pessoal 
com o indivíduo e através do uso das redes sociais. Essa é a perspectiva para esse período 
pós pandemia, onde a experimentação de um novo modo de comunicar se revelou frutífero. 
3 | CONCLUSÕES
• É de suma importância trabalhar a tríade pesquisa/ensino/extensão, para rea-
lizar o levantamento das problemáticas sociais, criar estratégias e, consequen-
temente, realizar uma boa educação em saúde por meio de uma comunicação 
clara e sem ruídos;
• É necessário usar como estratégia o “bem comunicar”, através do contato 
direto, que permite criação de conexão entre usuário e profissional, gerando 
um cuidado mais qualitativo e uma melhor adesão às propostas trazidas pelo 
profissional;
• Foi importante usar as TIC´s em favor dos trabalhos voltados para comunicação 
na educação em saúde, necessárias em função do isolamento social imposto 
pela crise sanitária da COVID-19;
• Notou-se a expansão do projeto para outros públicos, ampliando, assim, o al-
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 8 78
cance de pessoas nas temáticas alvitradas pelo projeto;
• Foi importante trabalhar, em conjunto com a equipe de trabalho, no gerencia-
mento de uma conta de rede social, para o aperfeiçoamento das atividades 
realizadas;
• Foi importante realizar as duas estratégias de trabalho em concomitante (comu-
nicação através do contato direto e por meio das redes sociais), na perspectiva 
de atingir a um público, não só negligenciado, mas agora aquele diverso, que 
dialoga através de uma comunicação em rede.
4 | CONSIDERAÇÕES FINAIS
Percebe-se a extensão como um espaço gerador de conhecimento através da 
realidade social, influenciando na qualidade da formação profissional do estudante. 
A despeito do objetivo proposto neste trabalho, é importante mencionar a influência do 
Programa de Extensão e seus desdobramentos sobre a capacitação profissional, no 
exercício das competências e habilidades nessa área de conhecimento. Certamente 
a necessidade de se fazer comunicar, em momentos diferentes, impostos por pressões 
alheias ao delineamento metodológico traçado, permitiu-me um novo olhar sobre os 
desafios que a vida profissional me reserva para o cotidiano. 
REFERÊNCIAS
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Formação em saúde, extensão universitária e Sistema Único de Saúde (SUS): conexões necessárias 
entre conhecimento e intervenção centradas na realidade e repercussões no processo formativo. 
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Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 8 79
DE MEDEIROS, Márcia Maria. A extensão universitária no Brasil-um percurso histórico. BARBAQUÁ, 
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2020.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 9 80
Data de aceite: 22/01/2021
CAPÍTULO 9
doi
ATUAÇÃO DA EQUIPE DE SAÚDE, COM ÊNFASE 
O ENFERMEIRO DURANTE A ASSISTÊNCIA, 
LIDERANÇA E ENSINO DESENVOLVIDAS NA 
ESTRATÉGIA SAÚDE FAMÍLIA: UM RELATO DE 
EXPERIÊNCIA
Anderson Figueiredo Pires
Especialista em Unidade de Terapia Intensiva, 
atuando no Hospital Militar do Amazonas
Antônio Wericon Nascimento de Oliveira
Especialista em Saúde Pública com Ênfase em 
Saúde da Família
Elyn dos Santos Pessoa
Especialista em Direito e Proteção Social, 
atuando no Centro de assistência social no 
Município de Parintins
Raul dos Santos Reis
Especialista em Infectologia, Residente em 
Enfermagem Obstétrica pela Universidade do 
Estado do Amazonas-UEA
Regiane Carneiro Bezerra
Residente em Enfermagem pela Universidade 
Federal do Amazonas
RESUMO: Introdução: A Estratégia da Saúde da 
Família (ESF) é uma política do Sistema Único de 
Saúde (SUS), cujo objetivo é reorganização da 
atenção básica. A equipe de saúde são primordial 
durante a assistência e ações voltadas para a 
administração. O enfermeiro é integrante da ESF, 
é responsável pelas atividades de assistência, 
gerenciamento, coordenação e execução das 
atividades. Objetivo: Relatar a experiência de 
vivência perante a atuação da equipe Enfermagem 
nas atividades de assistência, liderança e ensino 
desenvolvidas na ESF. Metodologia: Trata-
se de um relato de experiência vivenciado 
por Residente em Enfermagem Obstétrica da 
Universidade do Estado do Amazonas, durante 
o campo prático, realizada na Unidade Básica 
de Saúde Silas Santos em Manaus, no mês de 
maio. Dentre as atividades desenvolvidas citam-
se o acompanhamento às visitas domiciliares, 
vacinação, pré-natal, preventivo e de programas 
sociais. Resultados: Durante esse período 
verificou-se que os enfermeiros e os demais 
membros da equipe de saúde, não realizavam 
as atividades de assistência, liderança e ensino. 
Uma vez que, a assistência prestada era voltada 
a medidas curativas, deixando de lado o aspecto 
preventivo e reabilitativo. Na liderança, os 
enfermeiros voltavam-se a ordens aos agentes 
comunitários com relação a visitas domiciliares 
e campanhas de vacinação, e, reuniões 
dificilmente ocorreram. Conclusão: Percebemos 
que os enfermeiros e os demais membros da 
equipe não estão cumprindo com as propostas 
preconizadas pelo Ministério da Saúde em seus 
trabalhos nas ESFs. Fatos como modalidades 
educativas não estão sendo realizadas dentro 
da unidade, e muito menos na comunidade 
abrangente. Além disso, os enfermeiros como 
líderes não promovem atividades de integração 
com suas respectivas equipes o que reflete 
na ausência de acolhimento e prestação da 
assistência à população. Contribuições e 
implicações para a Equipe: A atuação da 
equipe de saúde é essencial dentro da ESF, 
as atividades prestadas à população resultará 
em diminuição de comorbidades e agravos, 
e a busca ativa nos domicilios é essencial na 
descoberta dos prognósticos e minimização de 
surtos endêmicos, sendo a capacitação mensal 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 9 81
um meio que resultará positivamente na equipe.
PALAVRAS-CHAVE: Atenção Primária à Saúde, Equipe de Enfermagem, Liderança.
ABSTRACT: Introduction: The Family Health Strategy (FHS) is a policy of the Unified 
Health System (SUS), whose objective is to reorganize primary care. The health team is 
paramount during care and actions aimed at administration. The nurse is a member of the 
ESF, is responsible for the activities of assistance, management, coordination and execution 
of activities. Objective: To report the experience of living before the performance of the 
Nursing team in the assistance, leadership and teaching activities developed in the ESF. 
Methodology: This is an experience report lived by a resident in Obstetric Nursing at the State 
University of Amazonas, during the practical field, held at the Basic Health Unit Silas Santos 
in Manaus, in May. Among the activities developed are monitoring of home visits, vaccination, 
prenatal, preventive and social programs. Results: During this period, it was found that 
nurses and other members of the health team did not perform assistance, leadership and 
teaching activities. Since, the assistance provided was aimed at curative measures, leaving 
aside the preventive and rehabilitative aspect. In the leadership, nurses turned to orders from 
community agents regarding home visits and vaccination campaigns, and meetings hardly 
occurred. Conclusion: We realized that nurses and other team members are not complying 
with the proposals recommended by the Ministry of Health in their work in the ESFs. Facts 
like educational modalities are not being carried out within the unit, much less in the wider 
community. In addition, nurses as leaders do not promote integration activities with their 
respective teams, which is reflected in the lack of welcoming and provision of assistance 
to the population. Contributions and implications for the Team: The performance of the 
health team is essential within the FHS, the activities provided to the population will result 
in a reduction of comorbidities and diseases, and the active search at home is essential in 
the discovery of prognosis and minimization of endemic outbreaks, monthly training being a 
means that will positively result in the team.
KEYWORDS: Primary Health Care, Nursing Team, Leadership.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 10 82
Data de aceite: 22/01/2021
CAPÍTULO 10
doi
DESAFIOS ENFRENTADOS POR ENFERMEIROS 
EM INICIO DE CARREIRA: REVISÃO INTEGRATIVA
Data de submissão: 25/11/2020
Elenir Estevam Rodrigues
Faculdade Mauricio de Nassau
Caruaru – PE
Amanda Maria de Araújo
Faculdade Mauricio de Nassau
Caruaru – PE
Vitoria Claudia Nascimento de Azevedo
Faculdade Mauricio de Nassau
Caruaru – PE
RESUMO: Introdução: Todo aquele recém-
formado já se questionou de como seria sair 
da vida acadêmica para ingressar na vida 
profissional. Esse é um questionamento muito 
comum emtodas as áreas. Enquanto graduandos 
grande parte dos acadêmicos idealizam e 
sonham em ter o seu tão desejado emprego, 
e um brilhante futuro profissional, porém ao 
dar início a sua carreira começam a surgir 
então as dificuldades, sejam elas; conseguir 
um vínculo empregatício seguro, superar seus 
medos e incertezas, apoio da equipe a qual está 
adentrando dentre outros que iremos abordar 
ao decorrer deste artigo. Objetivos: Identificar 
as dificuldades encontradas pelos profissionais 
enfermeiros recém graduados e a prevalência 
da empregabilidade durante essa fase de 
forma a identificar e debater essa problemática. 
Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa, 
cuja questão norteadora foi a “empregabilidade 
na enfermagem diante dos desafios encontrados 
por enfermeiros (as) recém formados” realizada 
nas bases de dados da biblioteca eletrônica – 
(Scientific Electronic Library online-SciELO), 
Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e BDENF 
(Banco de dados de Enfermagem). Os critérios de 
inclusão aplicados foram artigos que estivessem 
disponíveis na íntegra sobre o tema em língua 
portuguesa. Os critérios de exclusão foram 
artigos apenas em resumos ou publicados em 
analises. Resultados: Foram inclusos 11 artigos 
entre os anos de 2010 a 2020 os resultados 
mais relevantes para essa pesquisa, mantém-se 
em torno dos descritores: empregabilidade na 
enfermagem, mercado de trabalho e enfermagem 
no Brasil. Conclusão: Há um grande embate 
com os desafios relacionados ao enfermeiro 
(a) recém graduado, pois seria louvável um 
profissional de tamanha importância a sociedade 
sair da vida acadêmica com conhecimento e 
capacidade técnica100% adquiridos durante a 
formação acadêmica.
PALAVRAS-CHAVE: Empregabilidade; 
Enfermagem; Mercado de trabalho; Enfermagem 
no Brasil.
CHALLENGES FACED BY NURSES 
IN THE BEGINNING OF A CAREER: 
INTEGRATIVE REVIEW
ABSTRACT: Introduction: All those recently 
graduated have already questioned what it 
would be like to leave the academic life to enter 
the professional life. This is a very common 
question in all areas. While graduating students, 
most academics idealize and dream of having 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 10 83
their longed-for job, and a bright professional future. However, when starting their career, 
difficulties begin to arise, be they; achieve a secure employment relationship, overcome your 
fears and uncertainties, support from the team you are joining among others that we will 
address throughout this article. Objectives: To identify the difficulties encountered by recently 
graduated nursing professionals and the prevalence of employability during this phase in 
order to identify and discuss this issue. Methods: This is an integrative review, whose guiding 
question was “employability in nursing in the face of the challenges faced by newly graduated 
nurses” carried out in the electronic library databases - (Scientific Electronic Library online-
SciELO), Library Virtual Health (BVS) and BDENF (Nursing Database). The inclusion criteria 
applied were articles that were available in full on the topic in Portuguese. The exclusion criteria 
were articles only in abstracts or published in analyzes. Results: 11 articles were included 
between the years 2010 to 2020, the most relevant results for this research, it remains around 
the descriptors: employability in nursing, labor market and nursing in Brazil. Conclusion: 
There is a major conflict with the challenges related to the newly graduated nurse, as it would 
be praiseworthy for a professional of such importance to society to leave academic life with 
knowledge and technical capacity 100% acquired during academic training.
KEYWORDS: Employability; Nursing; Labor market; Nursing in Brazil.
1 | INTRODUÇÃO
 A procura e adesão ao primeiro emprego pode ser compreendido como um grande 
desafio, considerado uma ameaça, e até mesmo motivo de desistência e frustração para 
muitos dos recém-formados, pois nessa fase surgem cada vez mais novas demandas de 
atitudes e capacidades, juntamente com a insegurança e falta de experiência que pode 
dificultar no ingresso e decolar de uma carreira1. A maneira como cada um irá encarar 
esta situação, afetará diretamente nas suas escolhas e em seu futuro profissional. As 
estratégias que cada um irá selecionar para o enfrentamento da situação resultará de 
forma positiva ou até negativa em seu crescimento profissional levando assim a conquista 
ou não de seu objetivo1. Essas dificuldades e desafios podem ser compreendidos como 
uma provocação para superar uma situação adversa, envolvendo a possibilidade de 
transformar essa situação em crescimento, desenvolvimento ou conquista. Ao entrarem 
para o mercado de trabalho, enfermeiros recém-graduados se deparam com situações 
estressantes decorrentes da falta de ligação entre o que aprendem no curso de graduação 
e o que encontram na prática nas instituições de saúde1.
A enfermagem tem em sua história um grande conflito identificado ao decorrer 
do tempo, onde podemos denominar de teoria versus prática, e defini-la como uma 
divergência entre o que é passado nas salas de aulas das universidades e vivenciado em 
âmbitos de trabalho. Situação em que grande parte dos recém-formados não consegue 
integrar o conhecimento teórico com a prática profissional diária, ou seja, identificam 
que a enfermagem mostrada na universidade diverge da enfermagem executada nos 
estabelecimentos de saúde3. O que podemos definir como sendo um “grande choque de 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 10 84
realidade”.
 Um dos passos mais desafiadores para um recém graduado sem dúvida é a conquista 
do seu primeiro emprego, fase que o ajudará na inserção ao mercado de trabalho e no início 
da consolidação da sua carreira, enfrentando e superando os desafios diários, encarando 
uma nova realidade, consciente de que a demonstração de conhecimento adquirido por 
esse profissional instiga apoio e aceitação por grande parte da equipe que o acolhe, além 
de despertar o respeito dos mesmos, e que esses elementos são de suma importância para 
uma boa adaptação, bem como para o aprimoramento de suas capacidades e habilidades. 
Assim, a experiência do primeiro emprego poderá concretizar-se de maneira mais atenuada 
e tranquila, fazendo com que as ações avaliadas como desafiantes e consideradas ameaças 
por emanar de novas demandas, atitudes e capacidades sejam prontamente encaradas e 
vencidas. Quando se trata de enfermeiros (as) recém-formados, a insegurança e o medo 
perante as dificuldades podem tornar-se ainda maiores, por tratar-se de uma área de suma 
importância em âmbito hospitalar, onde seu trabalho está diretamente ligado com vida e 
morte de seres humanos2. 
A assistência utilizada nas instituições de saúde a nível hospitalar é a que mais 
contradiz quanto ao que é ensinado dentro das universidades e escolas de enfermagem, 
sobretudo quando recém-formados assumem serviços de chefia, tendo em vista que, 
liderar uma equipe com vasta experiência profissional e técnica não é a tarefa mais fácil 
de ser desenvolvida, ainda mais quando se trata de alguém inexperiente. A formação 
de enfermeiros no Brasil segue uma linha totalmente oposta à do sistema de saúde, 
culminando na ampliação e diversificação dos postos de trabalho para enfermeiros através 
da criação do SUS. Há um crescimento intensificado do número de escolas de graduação 
em Enfermagem, especialmente no setor privado, estimulado pelo apoio oferecido pelo 
governo federal através de programas de crédito educativo e bolsas de estudo 1.
No ensino da Enfermagem, de maneira geral, as escolas encontram dificuldades na 
incorporação das propostas para incrementar as mudanças na formação dos profissionais, 
estabelecidas pelas diretrizes curriculares nacionais de Enfermagem, principalmente aquelas 
relativas à aquisição/desenvolvimento/avaliação das competências e das habilidades, dos 
conteúdos essenciais, das práticas/estágiose das atividades complementares. Observa-se 
que ainda não existe clara definição sobre as competências para a formação do enfermeiro 
e para obtenção de consenso sobre essas competências. Porém, são exatamente essas 
competências que irão conciliar o plano curricular dos cursos às necessidades e objetivos 
de formação de enfermeiros3. Na mudança da condição de estudante para a de profissional 
pode se gerar um grande estresse para os profissionais recém-graduados em enfermagem, 
um dos maiores causadores pode ser o famoso “choque da realidade”. Choque esse 
que vem a correr quando o recém-graduado não consegue colocar seus conhecimentos 
obtidos na graduação ao “pé da letra” em sua prática profissional cotidiana. Desta forma 
podemos ressaltar que, ainda, que o cargo de enfermeiro seja geralmente designado pelas 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 10 85
instituições de saúde para os recém-graduados, que consiste em uma responsabilidade 
de assumir uma equipe de enfermagem vezes muito mais experientes e com vários anos 
de prática profissional.5 Frente a isso podemos então afirmar que grande parte desses 
profissionais em início de carreira que estão passando por um processo de adaptação e 
desenvolvimento tendem a sofrer de uma certa insegurança e não se sentirem aptos a essa 
nova realidade. Afinal, liderar uma equipe, gerir pessoas e processos é um dos maiores 
desafios que um recém-graduado pode enfrentar de início em seu primeiro emprego. 
O atual mercado de trabalho espera que enfermeiros e enfermeiras sejam diferenciais, 
tenham qualidades e capacidade de inovação, agilidade, tomada de decisões e saibam 
liderar com equidade uma equipe. O autoconhecimento, identificar seus pontos a melhorar, 
buscar sempre renovar e ampliar seu o conhecimento, salientando que está ali para somar 
com sua equipe e que não é detentor do saber absoluto.4 investir em novos aprendizados 
por meio de educação permanente e continuada, e está sempre disposto se reinventar 
poderá suprir maior parte destas dificuldades, e tornar a busca e o ingresso do enfermeiro 
recém-formado no mercado de trabalho menos árdua.
2 | MÉTODOS
O presente trabalho trata-se de uma Revisão Integrativa de carácter discursivo, 
onde observamos na literatura os conhecimentos acerca da temática dos últimos dez anos. 
A revisão integrativa constitui-se em uma análise criteriosa de várias pesquisas.
A revisão integrativa dar-se pelos seguintes passos: 1- elaboração da pergunta 
norteadora, 2- busca e amostragem na literatura, 3- análise dos estudos incluídos, 4- 
discussão dos resultados, 5- consumação da revisão integrativa.
Para orientar nossa pesquisa utilizamos a seguinte questão norteadora:” 
empregabilidade e desafios da enfermagem em início de carreia”
A pesquisa bibliográfica foi realizada dentre os artigos publicados entre os anos 
de 2009 a 2020.1, nas seguintes bases de dados, LILACS (Literatura Latina Americana 
de Ciências da Saúde), BDENF (Banco de dados de Enfermagem) e SciELO (Scientific 
eletronic library online). Para levantamento dos artigos empregamos os seguintes 
descritores: “Empregabilidade and enfermagem”, “mercado de trabalho em enfermagem” e 
“enfermagem no Brasil”.
Nesta pesquisa encontramos 31 artigos dentre os anos de 2010 a 2020, dispostos 
da seguinte forma: 14 LILACS, 17 BDENF, onde destes, 6 apresentavam-se publicados em 
ambas as bases. Após leitura dos resumos, avaliação e aplicação dos filtros, restaram 6 
artigos finais. Até o momento.
Os critérios de inclusão que nortearam a pesquisa foram os seguintes: Artigos 
que tratassem dos profissionais de enfermagem no início de carreira e seus desafios, na 
modalidade original, em formatos de texto completo, e na língua portuguesa. Os critérios de 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 10 86
exclusão condisseram os seguintes: artigos que apresentassem apenas resumos ou que 
estivessem fora do intervalo dos últimos 10 anos.
3 | RESULTADOS
No quadro abaixo estão representados alguns dos artigos finais com autores, 
títulos, objetivos, principais resultados e ano de publicação. Que serão atualizados ao 
decorrer da conclusão do presente trabalho; pois se trata de uma síntese dos resultados 
mais relevantes para esta pesquisa, os quais se mantêm em torno da empregabilidade 
na enfermagem, mercado de trabalho, desafios para enfermagem no brasil, situação da 
enfermagem no brasil, desafios ao exercício da profissão, entre outras temáticas, refletindo 
sobre o perfil do enfermeiro recém-formado e seus desafios para adentrar ao mercado 
exercendo a profissão.
Autores Título e objetivos Principais resultados Ano
Luís Paulo Souza 
e Souza6; Weslla 
Sinara Soares Silva; 
Écila Campos Mota; 
Jansen Maxwell de 
Freitas Santana; Leila 
das Graças Siqueira 
Santos; Carla Silvana 
de Oliveira Silva; Dulce 
Aparecida Barbosa.
Os desafios do recém-graduado em 
Enfermagem no mundo do trabalho
Objetivo; os desafios do recém-
graduado em Enfermagem no mundo 
do trabalho; o estudo objetivou 
compreender como enfermeiros 
recém-graduados vivenciam seu 
primeiro emprego. Trata-se de 
pesquisa qualitativa, realizada com 
seis enfermeiros recém-graduados, 
em Montes Claros, Minas Gerais - 
Brasil.
 
 Ao analisar e interpretar os dados 
da pesquisa, fez-se a identificação 
dos temas mais incidentes nos 
discursos que permitiu a identificação 
de categorias, que receberam 
as seguintes denominações: “Os 
desafios da liderança e gestão”; 
“Competência e habilidade técnica”; 
“Facilidades na transição para o 
mundo do trabalho”; “Formação 
versus realidade do profissional”.
2011
Raquel Colenci7 ; 
Heloísa Wey Berti.
Formação profissional e inserção no 
mercado de trabalho: percepções 
de egressos de graduação em 
enfermagem.
Objetivo: apreender e analisar 
percepções de egressos de curso 
de graduação em Enfermagem de 
instituição privada em relação ao 
processo de formação
A análise dos discursos possibilitou 
uma reflexão aprofundada dessa 
formação, indicando a necessidade 
de revisão do projeto pedagógico
2012
Thayse Fernanda 
Colombo Cambiriba8 
; Aline Ferreira 
Ferronato; Kátia Biagio 
Fontes.
PERCEPÇÕES DE EGRESSOS 
DE ENFERMAGEM FRENTE A 
INSERÇÃO NO MERCADO DE 
TRABALHO.
Objetivo: identificar as dificuldades 
encontradas por egressos de 
enfermagem durante sua inserção de 
no mercado de trabalho e a percepção 
destes relacionada ao seu preparo 
para exercer suas funções como 
enfermeiro.
Os resultados apontaram que a 
maioria dos egressos era do sexo 
feminino, com faixa etária entre 22 a 
30 anos, católicos, solteiros, recém-
formados, sem especialização e 
atuando como enfermeiros.
2014
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 10 87
Erlaine Binotto9
Marina Keiko;
 Nakayama.
Os reflexos das mudanças no 
mercado de trabalho Objetivo: analisar 
o processo de globalização e as 
mudanças no
mercado de trabalho, na tentativa de 
traçar o perfil profissional que fará 
parte do mesmo no futuro.
O desemprego estrutural causa 
pânico nos habitantes da sociedade 
global, pois os trabalhos rotineiros 
e repetitivos executados por 
pessoas são e serão gradativamente 
substituídos por máquinas.
2000
Magda Cristina 
Queiroz Dell’Acqua10; 
Ana Maria Kazue 
Miyadahira; Cilene 
Aparecida Costardi 
Ide.
Planejamento de ensino em 
enfermagem; intenções educativas e 
as suas competências clinicas
Objetivo: caracterizar, numa visão 
longitudinal, a constituição das 
competências assistenciais nos 
cursos de graduação em Enfermagem 
contidas nos Planos de Ensino em 
enfermagem e suas competências 
clinicas
Os dados evidenciaram uma 
organização curricular centrada 
em disciplinas, mantendo lógicas 
internas aparentemente refratárias às 
organizações somativas.
2009
Denise Guerreiro 
Vieira da Silva11 
Sabrina da Silva de 
Souza; Mercedes 
Trentini; Albertina 
Bonetti.
Os desafios enfrentados pelos 
iniciantes na prática de enfermagem
Objetivo: investigar os desafios 
enfrentados pelas enfermeirasno 
início da profissão.
Os recém-graduados enfrentaram 
desafios referentes às atividades: 
a) Relacionamento com a equipe 
de trabalho; b) Competência e 
habilidade técnica.
2010
4 | DISCUSSÃO
Quando falamos em enfermeiros recém-formados, a insegurança e o medo perante 
as dificuldades tornam-se desafios. Tendo início no processo de admissão ao primeiro 
emprego, continuando com seu processo de adaptação ao serviço, o desafio pode ser 
entendido como um estímulo para a superação de uma situação adversa. Envolve ainda 
a possibilidade de transformação de tal situação, em subsídio para o próprio crescimento, 
desenvolvimento ou conquista. Isso porque, ao adentrar ao universo de trabalho, os 
enfermeiros recém-formados encontram-se perante situações adversas que decorrem 
da falta de integração entre o que é ensinado no curso de graduação e a realidade no 
atendimento de Saúde6. 
 “Ao entrarem para o mundo do trabalho, os enfermeiros recém-graduados 
se deparam com situações estressantes decorrentes da falta de ligação entre o que 
aprendem no curso de graduação e o que encontram na prática nas instituições de saúde11. 
“A assistência utilizada nas instituições hospitalares é a que mais contradiz o conteúdo 
abordado dentro das universidades e escolas de enfermagem, principalmente quando 
os enfermeiros recém-formados são lotados em serviços de chefia, visto que, liderar 
uma equipe com vasta experiência profissional e técnica não é a tarefa mais fácil de ser 
desenvolvida”. Contudo vemos que de acordo com; JESUS et al, 2013, Alguns dos recém 
graduados “frente a tal situação, os iniciantes, que ainda não conseguiram desenvolver 
suas habilidades, passam a apresentar insegurança por não se sentirem suficientemente 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 10 88
aptos para essa nova realidade”. De acordo com Marco Antônio Pereira Teixeira e William 
Barbosa Gomes; Autores do artigo “Estou me formando... e agora? Reflexões e perspectivas 
de jovens formandos universitários – disponível na plataforma digital SciELO, no ano de 
2007 haviam no Brasil um total de 629 cursos de graduação em Enfermagem. Desse total, 
de acordo com a categoria administrativa, 124 públicos e 505 privados. Assim, até 2007 o 
ensino privado representava 80,2% dos cursos de graduação em Enfermagem do país 2.
 Além da insegurança dos enfermeiros recém-formados, que pode atrapalhar no 
relacionamento com a equipe, a resistência na aceitação da sua liderança, principalmente 
pelos técnicos e auxiliares de enfermagem, dificulta desenvolvimento das atividades. 
Os enfermeiros devem encarar essa nova realidade com coragem e desempenhar mais 
tarefas, pois os líderes que desempenham tarefas diversificadas delegam mais autoridade, 
controlam menos, apoiam mais e se relacionam melhor com a equipe, gerando grupos mais 
eficientes9-10.
Ressalta-se ainda que os aspectos estruturais, como sobrecarga em decorrência 
de duplo vínculo e baixos salários, além da falta de insumos e a escassez de pessoal 
para a realização das tarefas no serviço de enfermagem determinados pelo processo 
de precarização, vêm repercutindo negativamente no processo de trabalho. Pode-se 
afirmar que a flexibilização das relações de trabalho na saúde pode afetar o vínculo, a 
responsabilidade, o envolvimento e o comprometimento do trabalhador, produzindo crise 
no processo de trabalho, comprometendo a eficácia e eficiência dos serviços, acarretando 
em desmotivação. 
O campo de trabalho em saúde é altamente complexo e dinâmico, o que faz com que 
os profissionais desta área, ao iniciarem suas atividades, vivenciem diferentes aspectos 
em sua prática cotidiana. A transição da graduação para o trabalho é percebida pelos 
enfermeiros como um momento desafiador, de muitas descobertas, frustrações, alegrias 
e realizações8.
 Um líder eficaz precisa estar preparado tanto para receber apoio quanto críticas, 
devem despertar confiança e credibilidade, demonstrando coerência nos seus serviços, 
ideias e ações. A falta de preparo para assumir papel de gestores, normalmente, se dá pelo 
fato de não aprofundarem essas questões na formação acadêmica11.
Diante dos desafios enfrentados pelos enfermeiros existe um obstáculo que causa 
desmotivação e potencializa a insegurança nos novos profissionais, que é a desigualdade 
do mercado de trabalho, em todo o Brasil existem registrados, 77% de técnicos e auxiliares, 
enquanto somente 23% são enfermeiros; tal desigualdade mostra que a necessidade de 
aumentar o número de enfermeiros nas unidades de saúde é de extrema importância, tanto 
para o ingresso de novos enfermeiros, quanto na melhoria da assistência prestada12.
A área de atuação do profissional de enfermagem é abstrusa e ágio tornando a 
vivencia das atividades realizadas diversificada no conhecimento da rotina, o mercado de 
trabalho e a graduação é compreendida pelos profissionais enfermeiros como um período 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 10 89
de várias conquistas, desafios, insucesso, felicidade e desempenho1.
5 | CONCLUSÃO
Há um grande embate com os desafios relacionados ao enfermeiro (a) recém-
graduado, pois seria louvável um profissional de tamanha importância a sociedade sair 
da vida acadêmica com conhecimento e capacidade técnica100% adquiridos durante a 
formação acadêmica. Porém não daria pra ser dessa forma tendo em vista a diversidade 
da prática profissional no contexto da realidade vivenciada por esses profissionais, além 
disso, o foco se dá na formação generalista do enfermeiro, onde ao concluir o curso é 
indispensável que o mesmo siga um norte para uma educação continuada e permanente 
afim de adquirir conhecimentos e habilidades que ficam subentendido durante a graduação. 
É frequente um enfermeiro recém-graduado ir trabalhar em áreas de especialidade 
sem possuir nenhuma habilidade técnica. Formar enfermeiros generalistas e imediatamente 
após essa formação colocá-las em áreas superespecializadas constitui uma prática dos 
serviços de saúde, o que tem trazido conflitos para estes profissionais e certos riscos aos 
usuários. (5;7).
Dessa forma, percebe-se que o descompasso entre o ensino acadêmico, as 
expectativas e realidades no campo do trabalho geram ansiedade no início da atividade 
profissional. A desaprovação dos recém-graduados da prática realizada nas instituições 
destaca a necessidade de repensar formação e construir estratégias de integração do 
acadêmico ao mundo do trabalho, diminuindo assim os sentimentos de frustrações e 
angustia do enfermeiro recém-graduado ao deparar com a realidade das instituições. (6) 
Ou seja, trazer para dentro da instituição cada vez mais um cotidiano minimalista realista 
fará com que diminua se os índices de inseguranças e desistências na aquisição a profissão 
mesmo após ter se formado, consequentemente será menor o índice de profissionais não 
exercendo a função e diminuição das dificuldades no ingresso ao mercado de trabalho.
REFERÊNCIAS
1.Luís Paulo Souza e Souza; Weslla Sinara Soares Silva; Écila Campos Mota; JANSEN Maxwell de 
Freitas Santana; Leila das Graças Siqueira Santos; Carla Silvana de Oliveira Silva Dulce Aparecida 
Barbosa- Os desafios do recém-graduado em Enfermagem no mundo do trabalho; disponível em: http://
www.revenfermeria.sld.cu/index.php/enf/article/view/127/79 Acesso em 20/08/2020
2.Marco Antônio Pereira Teixeira; William Barbosa Gomes; Estou me formando... e agora? Reflexões 
e perspectivas de jovens formandos universitários – Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.
php?script=sci_serial&pid=1679-3390&lng=pt&nrm=iso acesso em: 20/08/2020
3.Raquel ColenciI; Heloísa Wey BertiII; Formação profissional e inserção no mercado de trabalho: 
percepções de egressos de graduação em enfermagem – Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342012000100022 acesso : 20/09/2020
http://www.revenfermeria.sld.cu/index.php/enf/article/view/127/79%20Acesso%20em%2020/08/2020
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http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_serial&pid=1679-3390&lng=pt&nrm=iso
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342012000100022
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342012000100022
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 10 90
4.Thayse Fernanda Colombo Cambiriba;Aline Ferreira Ferronato; Kátia Biagio Fontes; CAMBIRIBA, 
T. F. C.; FERRONATO, A. F.; FONTES, K. B. - Percepções de egressos de enfermagem frente a 
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http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/19421/000302108.pdf?sequence=1.19
http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/19421/000302108.pdf?sequence=1.19
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342009000200002&lng=en
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342009000200002&lng=en
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342010000200038
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342010000200038
http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v41n1/v41n1a13.pdf
http://www.epublicacoes.uerj.br/index.php/enfermagemuerj/article/view/23580/19433
http://www.epublicacoes.uerj.br/index.php/enfermagemuerj/article/view/23580/19433
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 91
Data de aceite: 22/01/2021
CAPÍTULO 11
doi
DIFICULDADES LABORAIS ENFRENTADAS POR 
PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO 
BÁSICA DE SAÚDE: UMA REVISÃO DE LITERATURA
Data de submissão: 21/12/2020
Cleicivany Marques Pereira
Universidade Paulista (UNIP)
Manaus – Amazonas
http://lattes.cnpq.br/8141874617282034
Rayana Gonçalves de Brito
Universidade Paulista (UNIP)
Manaus – Amazonas
http://lattes.cnpq.br/2374808116003764
Silas Henriques da Silva
Universidade Paulista (UNIP)
Manaus – Amazonas
http://lattes.cnpq.br/5745307077443787 
Danilson Gama de Souza
Universidade Paulista (UNIP)
Manaus – Amazonas
http://lattes.cnpq.br/8155955594614568
Dayanne Karoline Oliveira de Brito 
Universidade Paulista (UNIP)
Manaus – Amazonas
http://lattes.cnpq.br/0499691361452838
Silvana Nunes Figueiredo
Universidade Paulista (UNIP)
Manaus – Amazonas
http://lattes.cnpq.br/1230323697077787
Leslie Bezerra Monteiro 
Universidade Paulista (UNIP)
Manaus – Amazonas
http://lattes.cnpq.br/ 5811196877265406
Anderson Araújo Corrêa
Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas 
Manaus – Amazonas
http://lattes.cnpq.br/1466507244608560
Sávio José da Silva Batista
Faculdade Estácio do Amazonas
Manaus – Amazonas
http://lattes.cnpq.br/6981138586975493
Iraneide Ferreira Mafra
Faculdade Estácio do Amazonas
Manaus – Amazonas
http://lattes.cnpq.br/7298148208848337
Otoniel Damasceno Sousa
Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão
Colinas – Maranhão
http://lattes.cnpq.br/1358949827679628
Francisca Natália Alves Pinheiro
Secretaria Municipal de Saúde de Colinas
Colinas – Maranhão
http://lattes.cnpq.br/3608672438922611
RESUMO: No Brasil, a Atenção Básica em Saúde 
incorpora os princípios do Sistema Único de 
Saúde, adota a designação para as Estratégias 
de Saúde da Família e enfatiza a reorientação do 
modelo assistencial através do sistema universal 
e integrado. A organização do processo de 
trabalho baseada nesta estratégia é fundamental 
para que a equipe possa avançar na garantia 
tanto da universalidade do acesso quanto da 
integralidade da atenção e da melhoria do bem-
estar e do próprio trabalho. Objetivos: Investigar 
as dificuldades laborais enfrentadas pelos 
http://lattes.cnpq.br/8141874617282034
http://lattes.cnpq.br/2374808116003764
http://lattes.cnpq.br/5745307077443787
http://lattes.cnpq.br/8155955594614568
http://lattes.cnpq.br/0499691361452838
http://lattes.cnpq.br/1230323697077787
http://lattes.cnpq.br/2374808116003764
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 92
profissionais de enfermagem nas rotinas diárias na Atenção Básica de Saúde. Metodologia: 
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica do tipo Revisão Integrativa de Literatura, baseada 
nos conceitos de Laurence Ganong, que tem por método favorecer o embasamento cientifico 
já existente através de pesquisas realizadas gerando resultados efetivos a respeito do tema 
proposto. Resultados: Após análise dos dados foram elencados 12 artigos neste estudo em 
que 17% (=2) foi quanto ao esclarecimento de dúvidas e orientações sobre as atividades; 
25% (=3), apresentam sobrecarga de trabalho; 25% (=3) destacam-se por conflitos e limites 
da atuação profissional; 25% (=3) também abordaram sobre as deficiências na organização 
do trabalho e 8,4% (=1) insatisfação com o trabalho. Discussão: A pressão dos serviçosde 
saúde, a sobrecarga de trabalho e a precarização organizacional, geram insegurança aos 
profissionais, pois isto requer muita habilidade e técnica. Considerações Finais: A equipe 
de enfermagem enfrenta diversas dificuldades no âmbito da Atenção Básica. As principais 
dificuldades enfrentadas por esses profissionais, como o despreparo acadêmico, insegurança 
em realizar procedimentos, sobrecarga de trabalho, precariedade organizacional, falhas 
na comunicação, exposição a acidentes e doenças ocupacionais e também exposição a 
doenças mentais.
PALAVRAS-CHAVE: Desafios da Atenção Básica; Enfermagem; Atenção Primária.
LABOR DIFFICULTIES FACED BY NURSING PROFESSIONALS IN PRIMARY 
HEALTH CARE: A LITERATURE REVIEW
ABSTRACT: In Brazil, Primary Health Care incorporates the principles of the Unified Health 
System, adopts the designation for Family Health Strategies, and emphasizes the reorientation 
of the care model through the universal and integrated system. The organization of the work 
process based on this strategy is essential for the team to advance in guaranteeing both 
the universality of access and the integrality of care and the improvement of well-being and 
of the work itself. Objective: to investigate the difficulties faced by nursing professionals in 
daily work routines in Primary Care. Methodology: This is a bibliographical research of the 
integrative literature review, based on the concepts of Laurence Ganong type, which has 
the method of favoring the existing scientific basis through research conducted generating 
effective results on the proposed theme. Results: After data analysis, 12 articles were listed 
in this study in which 17% (=2) were asked about the clarification of doubts and guidance 
about the activities; 25% (=3) have work overload; 25% (=3) stand out for conflicts and limits 
of professional performance; 25% (=3) also addressed deficiencies in work organization and 
8.4% (=1) job dissatisfaction. Discussion: The pressure of health services, work overload 
and organizational precariousity, generate insecurity for professionals, as this requires a lot 
of skill and technique. Final Considerations: The nursing team faces several difficulties 
in the scope of Primary Care. Such as academic unpreparedness, insecurity in performing 
procedures, work overload, organizational precariousness, communication failures, exposure 
to accidents and occupational diseases and also exposure to mental illness.
KEYWORDS: Challenges of primary care; Nursing; Primary care.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 93
1 | INTRODUÇÃO
No Brasil, a Atenção Básica à Saúde (ABS) incorpora os princípios do Sistema Único 
de Saúde (SUS), adota a designação para a Estratégia de Saúde da Família, e enfatiza a 
reorientação do modelo assistencial através de um sistema universal e integrado, de forma 
que apresente estratégias de organização da atenção à saúde para suprir as necessidades 
de maneira regionalizada, descentralizada, contínua e sistematizada para integrar ações 
de promoção, prevenção da saúde e reabilitação (CARDOSO et al., 2019). 
Tal Sistema de Serviço de Saúde, tem sido reafirmado como um caminho promissor 
para o enfrentamento dos graves problemas de saúde que acometem a população mundial. 
Assim, foi assumida, no Brasil, como política governamental integrando a Política Nacional 
de Atenção Básica (PNAB) no disposto para Estratégia da Saúde da Família (ESF) (BIFF 
et al., 2019).
A organização do processo de trabalho baseada nesta estratégia é fundamental 
para que a equipe possa avançar na garantia tanto da universalidade do acesso quanto da 
integralidade da atenção e da melhoria do bem-estar e do próprio trabalho. Essa atenção 
requer profissionais de enfermagem com ampliação em saberes, competência técnica e 
que desenvolvam dimensões políticas de gestão do trabalho em saúde (GALAVOTE et al., 
2016).
Os profissionais de enfermagem apresentam relevantes contribuições ao 
fortalecimento do trabalho em equipe e da prática interprofissional colaborativa, devido à 
sua forma de comunicação com os demais profissionais de saúde, que promove sinergia 
à equipe e qualifica a tomada de decisão, com impactos na qualidade do cuidado aos 
pacientes (PEDUZZI et al., 2019). 
A atuação desses profissionais segue se constituindo como um instrumento de 
mudanças nas práticas de atenção à saúde no SUS, respondendo a proposta do novo 
modelo assistencial que não está centrado na clínica e na cura, mas sobretudo, na 
integralidade do cuidado, na intervenção frente aos fatores de risco, na prevenção de 
doenças e na promoção da saúde (FERREIRA et al., 2018). 
Segundo Acosta et al. (2018), diversos são os fatores que dificultam o envolvimento 
dos profissionais de enfermagem na transição do cuidado, incluindo a dedicação para as 
atividades administrativas, sobrecarga de trabalho e falta de tempo, comunicação ineficaz, 
falta de suporte e estrutura no sistema de saúde. 
Na atenção primária, tem sido possível perceber várias situações de estresse e 
insatisfação com o trabalho de enfermagem. As demandas contemporâneas oriundas deste 
novo modelo de organização dos serviços de saúde estabelecem novas exigências para 
os trabalhadores envolvidos, inclusive os profissionais de enfermagem, os quais devem 
estar bem preparados, em condições físicas e biopsicossociais para exercer este trabalho. 
No entanto, isso depende das suas condições de vida, de saúde e de trabalho que são 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 94
disponibilizadas para o exercício profissional (CARNEIRO; ARAÚJO, 2017). 
Além dos riscos ocupacionais enfrentados em outros níveis de cuidado, os 
colaboradores de enfermagem da ABS lidam com novas dificuldades no campo da 
organização de processo de trabalho, visando atender às demandas dos usuários e 
a alcançar os princípios e diretrizes estabelecidos para a reorganização do serviço 
(CAÇADOR et al., 2015). 
A implementação do cuidado em enfermagem, nesta perspectiva, é um desafio 
para o enfermeiro, cujas condições de trabalho podem ser consideradas como elemento 
dificultador para a realização de boas práticas de saúde. Neste contexto as Unidades Básicas 
de Saúde (UBS) apresentam dificuldades infraestruturas inadequadas para funcionamento; 
constante pressão dos usuários por atendimentos e insuficiência de recursos materiais e 
humanos (ANDRADE et al., 2016). 
Entre as formas de precarização do trabalho em Enfermagem, destacam-se o tipo 
de vínculo, a instabilidade, renda, jornada de trabalho, o direito à livre associação e as 
condições de trabalho; o que afeta a saúde e a qualidade de vida dos profissionais de 
enfermagem, predispondo-os ao desgaste físico e sofrimento psíquico (SCHIMITT et al., 
2015). 
Neste cenário, para efetivação da qualidade da assistência oferecida ao usuário e 
da garantia da promoção à saúde, é fundamental que o ambiente de trabalho possibilite a 
integração da equipe multidisciplinar, como também favoreça qualidade de vida, motivação, 
satisfação e possibilidade de desenvolvimento aos profissionais de enfermagem (OLIVEIRA; 
PEDRAZA, 2019). 
 A assistência de enfermagem pautada no Processo de Enfermagem tem potencial 
para favorecer a integralidade e a promoção da saúde necessárias, para superar as 
dificuldades da Atenção Básica e sua articulação com outros níveis de atenção (média 
e alta complexidade), seguindo uma ordem crescente de complexidade da assistência, 
garantindo que cada indivíduo seja atendido no nível que necessita, alcançando de forma 
eficiente a saúde individual e coletiva (WANZELER et al., 2019)
Ao avaliar as dificuldades enfrentadas pelos profissionais de enfermagem, é 
possível detectar precocemente situações desfavoráveis ao trabalhador, e contribuir para 
a diminuição dos problemas de saúde física e mental, bem como pode alertar para que 
medidas sejam tomadas com vistas à prevenção, promoção ou reabilitação. Assim como, 
a implementação de políticas públicasque contemplem valores, interesses, subsídios para 
melhores condições de trabalho tendo em vista a carreira profissional e o desgaste desses 
trabalhadores. 
Desta forma, percebe-se a necessidade da realização de reformas desta natureza, 
no sentido de explorar as competências necessárias para atuar na prática gerencial do 
profissional de enfermagem, tendo em vista que apesar de toda crise da atualidade e 
difíceis condições de trabalho, cabe à equipe de enfermagem decidir por não realizar suas 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 95
funções, ou ter atitudes para contornar a situação e realizar, da melhor maneira possível, o 
atendimento a população. 
Diante desse contexto, questiona-se: Quais as dificuldades enfrentadas pelos 
profissionais de enfermagem na Atenção Básica de Saúde? O estudo tem como objetivo 
principal investigar as dificuldades laborais enfrentadas pelos profissionais de enfermagem 
nas rotinas diárias da Atenção Básica de Saúde.
 
2 | METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica do tipo Revisão Integrativa de Literatura 
(RIL), que tem por método favorecer o embasamento científico já existente através de 
pesquisas realizadas gerando resultados efetivos a respeito do tema proposto (SOUSA et 
al., 2017), a fim de investigar as dificuldades laborais enfrentadas pelos profissionais de 
enfermagem nas rotinas diárias na Atenção Básica de Saúde.
Para se obter os dados e desenvolver uma ampla discurssão a respeito do assunto 
foi adotado o método da RIL, que tem por finalidade a sistematização do processo para 
analise e coleta de dados com o intuito de favorecer o entendimento do tema proposto. Este 
método tem por objetivo agrupar os dados e desvendar possiveis espaços e ideias antes 
não discutidas gerando resultados adquiridos concomitantemente de pesquisas primárias 
possibilitando a discussão e o entendimento do assunto abordado (MARINUS et al., 2014).
A sistematização de Laurence Ganong é dividida em seis etapas, iniciando 
primeiramente pela definição da pergunta da pesquisa, na segunda etapa são definidos 
os critérios de inclusão e exclusão dos itens da amostra selecionados, na terceira etapa é 
feita a apresentação dos estudos escolhidos de maneira organizados e forma de tabelas, 
na quarta etapa é realizada a analise critica dos artigos a fim de identificar conflitos ou 
diferenciação no conteúdo selecionado, na quinta é realizada a interpretação dos resultados 
e por fim na sexta etapa é apresentada as evidências selecionadas (MONTEIRO et al., 
2019).
Foi ultilizada a Biblioteca Virtual de Saúde (BVS); os periódicos CAPES e as 
respectivas bases de dados: Base de Dados de Enfermagem BDENF; Literatura Latino-
Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Scientific Eletronic Library 
Online (SCIELO). As pesquisas por dados ocorreram no mês de setembro de 2020 sendo 
estas publicações nacionais e internacionais. Ultilizaram-se para buscas, os seguintes 
descritores: “Desafios da atenção básica”; “Enfermagem” e “Atenção Primária” e para a 
combinação destes descritores nas bases foi ultilizado o operador booleano “AND”.
Adotaram-se filtros para a melhor seleção dos artigos analisados. Artigos estes que 
devem ter sido publicados entre os anos de 2015 a 2019, em idioma Português, Inglês e 
não devem constar em bases de dados repetidas, com termos em seu título ou resumo: 
Desafios da atenção Básica e Atendimento Primário. 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 96
Após o aprofundamento nos artigos e bases de dados pesquisadas obtiveram-se 98 
artigos ciêntificos que se adequam aos filtros da pesquisa divididos em: 32 na BDENF; 50 
LILACS e 14 no SCIELO, conforme o Fluxograma a seguir: 
Fluxograma - Etapas de seleção dos artigos de acordo com as bases de dados. 
Destes artigos selecionados, foram excluídos 53 artigos repetidos em uma ou 
mais bases de dados e 31 artigos, por não abordarem a temática proposta da pesquisa. 
Selecionou-se, portanto o total de 12 artigos (Tabela 1) subdivididos em: 2 BDENF; 4 
LILACS e 6 SCIELO na área de conhecimento enfermagem para análise em tabela no 
Microsoft Excel 2016®, contendo os seguintes itens: título; autor/ano; área de conhecimento; 
abordagem metodológica/ tipo de estudo; objetivo; análise dos dados e resultados. Os 
artigos foram analisados de forma que fosse possível a comparação das suas diferenças e 
semelhanças de forma a incluí-los na RIL.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 97
TÍTULO AUTOR/ANO
ÁREA DE 
CONHECIMENTO
ABORDAGEM
METODOLÓGICA /
TIPO DE ESTUDO
OBJETIVO RESULTADOS
Atividades do 
enfermeiro 
na transição 
do cuidado; 
realidades e 
desafios.
ACOSTA 
A.M et. al., 
2018
Enfermagem
Estudo de 
abordagem 
quantitativa, do tipo 
descritivo.
Analisar as 
atividades 
realizadas pelos 
enfermeiros na 
transição do 
cuidado ao paciente 
com alta hospitalar.
Identifica-se que os itens mais 
realizados pelos enfermeiros 
foram: esclarecer dúvidas 
do paciente e sua família, 
enquanto fornece orientações 
de alta 87,5%; orientar a 
continuar os cuidados com 
a equipe de saúde que tem 
referência 79,2%.
Desempenho do 
enfermeiro em 
suas atividades 
laborais na 
Atenção Primária 
à Saúde
ANDRADE 
L.D.F et al., 
2016
Enfermagem
Estudo de 
abordagem 
qualitativa, do 
tipo descritivo e 
exploratório.
Conhecer o 
desempenho do 
enfermeiro em suas 
atividades laborais 
na Atenção Primária 
à Saúde
As limitações enfrentadas 
pelos enfermeiros 
interferem diretamente no 
seu desempenho laboral, 
embora para os usuários, 
este desempenho esteja 
acontecendo a contento.
Cargas de 
trabalho de 
enfermeiros: luzes 
e sombras na ESF
BIFF D. et 
al., 2019 Enfermagem
Estudo de 
abordagem 
qualitativa
Identificar os 
elementos que 
podem aumentar 
ou reduzir as 
cargas de trabalho 
do enfermeiro da 
Saúde da Família.
Os elementos que mais 
influenciam o aumento 
das cargas de trabalho do 
enfermeiro são a precariedade 
e déficits no ambiente 
de trabalho, materiais e 
equipamentos.
Ser enfermeiro 
na Estratégia de 
Saúde da Família
CAÇADOR 
B.S et al., 
2015
Enfermagem
Estudo de 
abordagem 
qualitativa
Analisar os desafios 
e possibilidades 
do trabalho do 
enfermeiro na ESF 
em um distrito 
sanitário de B. 
Horizonte
O cotidiano do enfermeiro 
da ESF é marcado pela 
sobrecarga de trabalho que 
prejudica a realização das 
ações específicas da saúde da 
família.
Capacidade para 
o trabalho entre 
trabalhadores de 
enfermagem da 
atenção básica 
à saúde. Bahia, 
Brasil
CARNEIRO 
T.M.S, 
ARAÚJO 
T.M, 2017
Enfermagem
Estudo 
epidemiológico, de 
corte transversal de 
caráter exploratório.
Avaliar fatores 
associados à 
capacidade para o 
trabalho (CT) em 
trabalhadores de 
enfermagem da 
atenção básica
A prevalência da capacidade 
para o trabalho inadequada foi 
de 17,9%, estava associada 
ao vínculo de trabalho efetivo, 
ter desenvolvido doença 
ocupacional, estar insatisfeito 
com a capacidade para o 
trabalho e vivenciar alta 
exigência no trabalho.
Percepção do 
enfermeiro da 
Atenção Primária 
à Saúde frente 
a atribuição 
de Gestor da 
Unidade.
CARDOSO 
H.M et al., 
2019
Enfermagem
Estudo de 
abordagem 
qualitativa, tipo 
descritivo e 
exploratório
Compreender 
as percepções 
dos profissionais 
enfermeiros (as) 
acerca da função 
do gestor (a) dos 
serviços e equipe 
de saúde.
A análise temática resultou 
na construção de dois eixos 
temáticos, sendo: transição da 
graduação para o mercado de 
trabalho e fatores influenciados 
no processo de trabalho do 
enfermeiro gestor.
A complexidade 
do trabalho do 
enfermeiro na 
Atenção Primária 
à Saúde
FERREIRA 
S.R.S et al., 
2018
Enfermagem Estudo reflexivo
Promover reflexão 
sobre o trabalho do 
enfermeiro na APS 
e sobre os aspectos 
necessários para 
reconstrução dessa 
prática profissional.
Apresentam-se conflitos, 
dilemas e aspectos relevantes 
na APS, contribuindo com o 
pensamento crítico sobreo 
contexto de trabalho.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 98
O trabalho do 
enfermeiro na 
atenção primária 
à saúde
GALAVOTE 
H.S et al., 
2016
Enfermagem Estudo descritivo, transversal
Descrever a 
organização 
do trabalho do 
enfermeiro na 
atenção primária à 
saúde nas regiões 
brasileiras.
Destacam uma posição 
diferenciada do profissional 
enfermeiro na equipe de 
Atenção Primária à Saúde 
apontando para ampliação dos 
limites da atuação profissional.
Contexto de 
trabalho e 
satisfação 
profissional de 
enfermeiros que 
atuam na ESF
OLIVEIRA 
M.M. 
PEDRAZA 
D.F, 2019
Enfermagem Estudo transversal
Avaliar o contexto 
de trabalho e 
a satisfação 
profissional de 
enfermeiros que 
atuam na ESF
Constataram-se deficiências, 
principalmente na organização 
do trabalho.
Ampliação de 
prática clínica da 
enfermeira de 
Atenção Básica 
no trabalho 
interprofissional
PEDUZZI M. 
et al., 2019 Enfermagem
Pesquisa de 
abordagem 
qualitativa, de caráter 
exploratório.
Analisar a 
ampliação da 
prática clínica 
da enfermeira 
no contexto 
interprofissional na 
ESF.
Foram identificadas ações 
interprofissionais orientadas 
pela lógica de agilizar 
atendimentos; ações com 
abordagem integral/holística.
Obstáculos 
assinalados por 
enfermeiros da 
Atenção Básica 
em Saúde na 
realização de 
coleta de dados
SCHIMITT 
M.D et al., 
2015
Enfermagem
Estudo de 
abordagem 
qualitativa, 
exploratório, 
descritivo
Identificar os 
obstáculos 
assinalados por 
enfermeiros na 
realização da 
anamnese e do 
exame físico
Dentre as dificuldades 
apontadas estão a estrutura 
física e materiais; processo 
de trabalho do enfermeiro; 
dimensionamento de pessoal; 
atendimento ao paciente
Sistematização 
da assistência 
de enfermagem 
(SAE) na atenção 
primária à saúde.
WANZELER 
K.M et al., 
2019
Enfermagem
Estudo com 
abordagem 
qualitativa,
Analisar os fatores 
que interferem na 
implementação da 
SAE e processo 
de enfermagem 
nas práticas de 
enfermagem na 
APS
Da análise dos dados 
emergiram as categorias: 
formação acadêmica na SAE; 
Dificuldades na aplicabilidade 
da SAE.
Tabela 1. Resultados de acordo com título; autor/ano; área de conhecimento; abordagem 
metodológica/tipo de estudo; objetivo e análise dos dados e resultados. Manaus-AM (2020). 
3 | RESULTADOS
Após análise dos dados, foram elencados 12 artigos (Gráfico 1) em que 17% (=2) 
estão relacionados ao esclarecimento de dúvidas e orientações sobre as atividades; 
25% (=3) dos trabalhadores apresentam sobrecarga de trabalho; 25% (=3) destacam-
se por conflitos e limites da atuação profissional; 25% (=3) também abordaram sobre as 
deficiências na organização do trabalho e 8,4% (=1) insatisfação com o trabalho. 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 99
Gráfico 1. Apresentação dos resultados da pesquisa de acordo com as sobrecargas laborais 
mais prevalentes na Atenção Básica.
Dentre outras dificuldades mais prevalentes, de acordo com os artigos selecionados, 
destacam-se: a sobrecarga de trabalho e a precarização organizacional, que englobam 
desde materiais, equipamentos e ambiente de trabalho que, consequentemente, influenciam 
para desgaste da equipe de enfermagem.
4 | DISCUSSÃO
A pressão dos serviços de saúde sobre os profissionais de enfermagem é 
frequente, pois exige maior experiência e habilidade técnica, estes se sentem inseguros e 
insuficientemente preparados para enfrentar tal realidade (PEDUZZI et al., 2019). Em um 
estudo realizado por Cardoso et al. (2019), direcionado a formação de novos enfermeiros, 
o primeiro emprego lhe exige uma nova rotina e novas necessidades que o profissional 
precisa arcar, complicantes disso é a insegurança sofrida e o despreparo para o exercício 
dos atendimentos na atenção básica necessitando de capacitação para lhe dar com a 
demanda exigida. 
 De acordo com Andrade et al. (2016), a Atenção Básica requer muitas habilidades 
dos profissionais de saúde e, por consequência, dos enfermeiros. Existe falta de 
especificidade nas atribuições do enfermeiro, que pode ter sua origem na atuação dos 
próprios profissionais, que ainda não se apropriaram da finalidade precípua de seu trabalho 
no cotidiano da UBS, agregando funções e fazeres que não lhes são próprios. A sobrecarga 
de trabalho é vista como principal implicação na qualidade da assistência prestada, sendo 
esta impactante também na vida do profissional enfermeiro trazendo a discussão do quão 
capacitado está para a função ou do seu possivel baixo desempenho no atendimento 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 100
(SCHIMITT et al., 2015). 
No estudo feito por Acosta et al. (2018) ele acentua que há vários desafios 
representados pelos profissionais de enfermagem em realizar a transição do cuidado, sendo: 
as dificuldades de comunicação entre os profissionais de enfermagem, onde evidenciou-se 
uma grave relação socioprofissional acompanhado da falta de clareza e comunicação entre 
as equipes, problematicas que se estendem até as chefias da unidade que não apoiam 
a equipe quanto ao desenvolvimento profissional; pouca formação em serviço e falta de 
protocolos que auxiliem os profissionais para realizar atividades na Atenção Básica de 
Saúde. 
Uma das categorias marcantes do cotidiano, destacada por Ferreira et al. (2018) 
é a sobrecarga de trabalho pelo acúmulo de diversas funções e o afastamento dos 
profissionais de enfermagem da assistência que acarretam em mais sobrecarga de trabalho 
para os que permanecem, exigindo treinamento de novos profissionais, aumentando os 
custos e fragilizando os processos de trabalho, de acordo com Galavote et al. (2016), 
as quais decorrem na necessidade de oferecer respostas às demandas relacionadas ao 
funcionamento dos serviços de saúde e à população. 
Biff et al. (2019) destaca ainda a precariedade no ambiente de trabalho, relacionada 
a deficiências na estrutura física e falta de materiais, ou seja, déficits e carências nos 
instrumentos corporativos essênciais para o andamento do labor diário. A falta gera 
demanda que aumenta as cargas de trabalho, estes aspectos juntos geram o acúmulo de 
funções pelo enfermeiro. 
Nos achados encontrados por Oliveira; Pedraza, (2019), destacam como principais 
problemas de estrutura e carência itens como linha telefônica, equipamentos de informática 
e veículos para realizar atividades fora das unidades. Fragilidades deste tipo podem 
interferir negativamente na continuidade do atendimento e nos atributos da Atenção Básica.
A precariedade no ambiente de trabalho impossibilita a longitudinalidade do cuidado 
e a efetivação de ações preconizadas. Caçador et al. (2015), aborda também dificuldades 
quanto a responsabilização por questões gerenciais e assistenciais, priorizando demandas 
que requerem respostas mais urgentes, ficando distante da realidade e das necessidades da 
população, a coexistência desses dois modelos assistênciais queixa/demanda e promocão 
a saúde fazem com que na rotina do enfermeiro haja conflitos de forma que as cobranças 
impostas aos enfermeiros não sejam proporcionais as condições existentes na unidade. 
Observa-se um efeito dominó, onde as mais prevalentes problemáticas geram 
transtornos generalizados no sistema público e nos profissionais atuantes. Profissionais 
frustrados e estressados sendo estes expostos facilmente a acidentes de trabalho, 
depressão e doenças ocupacionais.
No que diz Biff et al. (2019), boas condições de trabalho, incluindo o bom funcionamento 
da rede de atenção, a resolutividade da assistência e o apoio gerencial mencionados como 
significativos para a redução de precariedade no trabalho. O funcionamento adequado nas 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 101
redes de atenção e a resolutividade das ações influenciam positivamente na formação do 
vínculo com os usuários (CARNEIRO; ARAÚJO, 2017). 
A cooperação, colaboração e divisão das responsabilidades no trabalhoem equipe 
também contribuem consideralvemente na melhoria do processo de trabalho e estimulam 
os profissionais a enfrentar suas dificuldades a partir das especificidades de cada um e do 
respeito às diversas formas de lidar com os desafios (WANZELER et al., 2019).
5 | CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Conclui-se que a Equipe de Enfermagem enfrenta diversas dificuldades no âmbito 
da Atenção Básica, sendo assim, o estudo proporcionou uma visibilidade ampliada ao 
assunto, elencando as principais dificuldades enfrentadas por esses profissionais, como o 
despreparo acadêmico, insegurança em realizar procedimentos, sobrecarga de trabalho, 
precariedade organizacional, falhas na comunicação, exposição a acidentes e doenças 
ocupacionais e também exposição a doenças mentais.
 Vale ressaltar a importância da abordagem do título para conhecimento e 
providências a serem tomadas por estes enquanto acadêmicos, pois apesar da pouca 
visibilidade desses profissionais fundamentais na saúde, políticas públicas voltadas à 
área como: redução da carga horária semanal para 30 horas, treinamentos adequados no 
início do emprego, gestão eficiente e colaborativa, adoção de medidas especiais voltadas 
à saúde mental dos profissionais de enfermagem e pesquisas voltadas a solução, visto 
que os problemas já estão identificados, são imprescindíveis, porém, não possui apoio 
necessário para se firmar.
REFERÊNCIAS
ACOSTA A. M. et al. Atividades do enfermeiro na transição do cuidado: realidades e desafios. 
Rev enferm UFPE on line, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.5205/1981-8963-v21i12. Acesso em: 
12 out. 2020.
ANDRADE L.D.F et al. Desempenho do enfermeiro em suas atividades laborais na Atenção 
Primária à Saúde. Revista de Enfermagem e Atenção à Saúde, 2016. Disponível em: https://seer.uftm.
edu.br/revistaeletronica/index.php/enfer/article/view/1749/pdf. Acesso em: 23 out. 2020. 
BIFF, D. et. al. Cargas de trabalho de enfermeiros: luzes e sombras na Estratégia Saúde da 
Família. Ciência & Saúde Coletiva, 2019, p 151. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/csc/
v25n1/1413-8123-csc-25-01-0147.pdf. Acesso em: 24 mar. 2020
CARNEIRO T.M.S, ARAÚJO T.M. Capacidade para o trabalho entre trabalhadores de enfermagem 
da Atenção Básica à Saúde. Bahia, Brasil. Revista de Saúde Pública, v.20, nº 4, 2017. Disponível 
em: https://www.scielosp.org/pdf/rsap/2018.v20n4/422-429/pt. Acesso em 23 set. 2020. 
CARDOSO H.M et al. Percepção do enfermeiro da atenção primária à saúde frente a atribuição 
do gestor da Unidade. Revista de Enfermagem e Atenção à Saúde, 2019. Disponível em: https://pdfs.
semanticscholar.org/2579/cf10fa7651979e1b9af4f539d1a29ff26904.pdf. Acesso em: 23 set. 2020. 
https://doi.org/10.5205/1981-8963-v21i12
https://seer.uftm.edu.br/revistaeletronica/index.php/enfer/article/view/1749/pdf
https://seer.uftm.edu.br/revistaeletronica/index.php/enfer/article/view/1749/pdf
https://www.scielosp.org/pdf/rsap/2018.v20n4/422-429/pt
https://pdfs.semanticscholar.org/2579/cf10fa7651979e1b9af4f539d1a29ff26904.pdf
https://pdfs.semanticscholar.org/2579/cf10fa7651979e1b9af4f539d1a29ff26904.pdf
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 102
CAÇADOR B. S et al. Ser enfermeiro na estratégia de saúde da família: desafios e possibilidades. 
Rev Min Enferm, 2015. Disponível em: DOI 10.5935/1415-2762-20150047. Acesso em: 12 out. 2020.
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Revista Brasileira de Enfermagem, 2018. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2017-
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OLIVEIRA M.M, PEDRAZA D.F. Contexto do trabalho e satisfação profissional de enfermeiros que 
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SCHIMITT M.D et al. Obstáculos assinalados por enfermeiros da Atenção Básica de Saúde na 
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www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/132807/000981872.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso 
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SOUSA, Luis et al. A metodologia de revisão integrativa da literatura em enfermagem. 
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WANZELER K.M et al. Sistematização da assistência de enfermagem (SAE) na atenção primária 
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http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0471
http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0471
https://10.5935/1414-8145.20160013
https://doi.org/10.1590/S0104-12902014000400019
https://doi.org/10.1590/S0104-12902014000400019
https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1052563
https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1052563
https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/132807/000981872.pdf?sequence=1&isAllowed=y
https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/132807/000981872.pdf?sequence=1&isAllowed=y
http://hd1.handle.net/20.500.12253/1311
http://hd1.handle.net/20.500.12253/1311
https://www.acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/1486/933
https://www.acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/1486/933
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 12 103
Data de aceite: 22/01/2021
CAPÍTULO 12
doi
PRESENTEÍSMO NA EQUIPE DE ENFERMAGEM 
UNIVERSITÁRIA AMBULATORIAL: REVISÃO 
INTEGRATIVA
Data de submissão: 30/10/2020
Gisele Massante Peixoto Tracera
UFRJ, Escola de Enfermagem Anna Nery
Cidade Nova – Rio de Janeiro
http://lattes.cnpq.br/4865236628789035
Regina Célia Gollner Zeitoune
UFRJ, Escola de Enfermagem Anna Nery
Cidade Nova – Rio de Janeiro
http://lattes.cnpq.br/9967441352483506
RESUMO: Objetivo: Identificar na literatura 
nacional e internacional, estudos sobre o 
presenteísmo na equipe de enfermagem 
ambulatorial. Método: Revisão integrativa, 
nas bases de dados: Centro Latino-Americano 
e do Caribe de Informações em Ciências da 
Saúde, National Library of Medicine, Cumulative 
Index of Nursing and Allied Health Literature e 
American Psychological Association. Realizada 
em março de 2019 tendo como critérios: artigos 
originais; em inglês, francês, espanhol ou 
português; sem recorte temporal. Resultados: 
Foram selecionados apenas 09 artigos para 
leitura e análise na íntegra, os quais retratavam 
pesquisas sobre presenteísmo com profissionais 
de enfermagem. Conclusão: Há evidências do 
aumento de publicações sobre presenteísmo, 
contudo, não foram encontrados estudos com 
a enfermagem ambulatorial, sendo a maioria 
realizada em hospitais e casas de repouso. 
Isso deixa clara a necessidade de adequação 
do campo acadêmico com pesquisas que 
colaborem para a identificação do presenteísmo 
nesses profissionais, com metodologias 
capazes de trazer evidências científicas sobre o 
presenteísmo.
PALAVRAS-CHAVE: Presenteísmo; Equipe de 
enfermagem;Assistência ambulatorial; Saúde do 
Trabalhador; Pesquisa.
PRESENTEEISM IN THE OUTPACIENT 
UNIVERSITY NURSING TEAM: 
INTEGRATIVE REVIEW
ABSTRACT: Objective: to identify, in national 
and international literature, studies about 
presenteeism in the outpatient nursing team. 
Method: Study of integrative review that used the 
BIREME, PubMed, CINAHL and PsycINFO/APA 
data bases. The study took place in March 2019 
and its criteria were: articles that were complete 
and original; articles in English, French or 
Portuguese; articles with no timeframe. Results: 
Only 09 articles were selected for the complete 
reading and analyses and they portrayed 
researches about presenteeism with nursing 
professionals. Conclusion: There is evidence 
of an increase in the number of publications 
about presenteeism, but there were not found 
researches with the outpatient nursing team, 
given that most of those studies took place in 
hospitals and nursing homes. Therefore, it shows 
the academic field’s need of adequate itself to 
studies that collaborate with the identification 
of presenteeism in the outpatient nursing team 
professionals, with methodologies capable of 
showing scientific evidences about presenteeism. 
KEYWORDS: Presenteeism; Nursing staff; 
http://lattes.cnpq.br/4865236628789035
http://lattes.cnpq.br/9967441352483506
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 12 104
Outpatient assistance; Worker’s health.
1 | INTRODUÇÃO
O conceito presenteísmo, segundo Hemp (2004), é utilizado na atualidade para 
explicar o “absenteísmo de corpo presente”, ou seja, as pessoas estão presentes no local 
de trabalho, porém, em decorrência de problemas físicos ou psicológicos, não conseguem 
desenvolver um trabalho perfeito, feito por completo.
Este termo segundo Flores-Sandí (2006, p.31), “deriva do termo em inglês 
‘presenteeism’, criado pelo Professor Cary Cooper, psicólogo especialista em gestão 
organizacional da Universidade de Manchester no Reino Unido”. 
Foi elaborado para descrever a relação entre doença e perda de produtividade, 
consequência do trabalho excessivo e do sentimento de insegurança no emprego 
decorrente do reajuste e reestruturação dos anos noventa com altas taxas de desemprego, 
reestruturação nos setores públicos e privados e redução do número de funcionários 
(FLORES-SANDÍ, 2006).
Ao contrário do absenteísmo, o presenteísmo raramente é percebido pelo próprio 
profissional ou pelos que o cercam. Devido a problemas físicos e/ou psicológicos, no 
presenteísmo, as pessoas sentem dificuldades para exercer suas atividades, sendo este 
um limitador da produtividade não só em termos de quantidade, mas também de qualidade.
Böckerman e Laukkanen (2009) esclarecem que no absenteísmo os trabalhadores 
estão ausentes do trabalho por causa da doença. No caso do presenteísmo, eles estão 
presentes no local de trabalho, apesar da sua doença. 
Estudo realizado nos Estados Unidos, na Faculdade de Havard revelou que a perda 
de produtividade no trabalho resultante de depressão e dor era aproximadamente três 
vezes maior do que a perda de produtividade relacionada à ausência atribuída a essas 
condições. Ou seja, menos tempo e produtividade foi realmente perdido de pessoas que 
ficam em casa (absenteísmo) do que as que comparecem ao trabalho, mas não estão 
produtivas (presenteísmo).
Na Suécia, um levantamento feito no ano 2000 sobre o presenteísmo e sua relação 
com a ocupação, necessidades, adoecimento, absenteísmo, desempenho pessoal e 
demissões, constatou que um terço das pessoas relatou ter ido trabalhar, no ano do estudo, 
mesmo se sentindo doente. Os resultados mostraram que o maior índice de presenteísmo 
foi encontrado nas áreas de educação e saúde, e a combinação mais comum encontrada 
foi entre a baixa produtividade, altos níveis de presenteísmo e altos níveis de absenteísmo.
No Brasil, o presenteísmo ainda é pouco conhecido pelos trabalhadores e 
organizações. O termo - que ganhou relevância apesar do desconforto de alguns acadêmicos 
com sua sensação pouco atrativa (HEMP, 2004) - refere-se à perda de produtividade 
resultante de problemas reais de saúde. Ir ao trabalho diariamente, não significa que o 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 12 105
trabalhador está produtivo, e mentalmente ou emocionalmente presente.
Contudo, o mundo do trabalho vive em constante fase de transição, o que se reflete 
na busca contínua pela promoção da saúde do trabalhador. 
“Essas mudanças, influenciadas pelas próprias mudanças sociais e culturais, 
determinam consequentes alterações no processo produtivo em termos de 
tecnologia, equipamentos, materiais, métodos e organização do trabalho, mas 
que, sem dúvida, se refletem no gerenciamento do outro ator do processo 
produtivo: o trabalhador” (FERNANDES,1996)
Esse reflexo por sua vez, pode ser apontado como um dos responsáveis por 
alterações no serviço ambulatorial onde, apesar de não ter ainda definida uma política que 
o descreva, vem sofrendo modificações e ajustes para atender às Políticas de Atenção 
Básica e às Políticas de Atenção Hospitalar. Isso acarreta de maneira geral, novas formas 
de gerir, novas demandas, novas burocracias e consequentemente, novos problemas 
que se veem entre o prescrito e o real levando ao constante estresse para resolução dos 
conflitos, podendo acarretar o presenteísmo.
A necessidade do ser humano de colocar o desenvolvimento a serviço do homem 
obriga a compreensão da realidade como ela se apresenta para que seja possível contribuir 
para a sua transformação (FARIAS & ZEITOUNE, 2007).
Diante do exposto, considera-se que o presenteísmo ainda é difícil de ser percebido e 
reconhecido, e por isso é considerado um tema em construção na saúde ocupacional. Sendo 
assim, torna-se fundamental falar em presenteísmo, ressaltando-se sempre a abordagem 
desse assunto como questão essencial à saúde do trabalhador, sem institucionalizá-lo ou 
validá-lo diante da precariedade na atuação, principalmente no serviço público. 
Desse modo, essa pesquisa teve como objetivo: Identificar na literatura nacional 
e internacional, estudos desenvolvidos sobre o presenteísmo na equipe de enfermagem 
ambulatorial.
2 | MÉTODO 
Revisão integrativa de literatura, que tem por finalidade o levantamento de 
pesquisas relacionadas ao presenteísmo na equipe de enfermagem ambulatorial, traçando 
um panorama, evolução e possibilidades futuras de investigação a cerca da temática.
Foram realizados os seis passos da revisão integrativa, que são: 1- desenvolvimento 
da pergunta de pesquisa; 2- busca na literatura; 3- coleta de dados; 4- análise crítica dos 
artigos incluídos; 5- discussão dos resultados; e 6- apresentação da revisão integrativa. As 
estratégias de buscas ocorreram durante o mês de março de 2019.
As bases de dados eletrônicas pesquisadas por meio de suas estratégias de buscas 
específicas foram Centro Latino-Americano e do Caribe de Informações em Ciências da 
Saúde (BIREME), National Library of Medicine NLM (PubMed), Cumulative Index of Nursing 
and Allied Health Literature (CINAHL) e American Psychological Association (PsycINFO/
APA).
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 12 106
Para o desenvolvimento da revisão foram utilizados como critérios de inclusão artigos 
originais completos que abordassem o presenteísmo na enfermagem; nos idiomas inglês, 
francês, espanhol ou português; não houve recorte temporal. Foram excluídos artigos sem 
pertinência ao tema proposto, repetidos, não disponíveis na íntegra, classificados como 
revisões de literatura e resumos de eventos.
Inicialmente realizou-se uma busca nos vocabulários eletrônicos Descritores em 
Ciências da Saúde (DeCS) e no Medical Subject Heading (MeSH) com vistas a identificar 
os possíveis termos para a busca. Os termos selecionados foram: presenteísmo; equipe de 
enfermagem e assistência ambulatorial (DeCS) e presenteeism; nursin, team e ambulatory 
care (MeSH). Os termos em inglês foram utilizados nas basesde dados PubMed, CINAHL 
e PsycINFO. 
Foi realizada uma revisão integrativa da literatura e os estudos incluídos na revisão 
foram analisados de forma sistemática em relação aos seus objetivos, materiais e métodos, 
permitindo que o leitor examinasse o conhecimento preexistente sobre o tema investigado 
(JOHNSTON, 2014). 
Para sua realização seguiu-se o percurso metodológico: identificação do tema e 
levantamento de hipótese, busca na literatura, categorização e avaliação dos estudos, 
interpretação dos resultados e síntese do conhecimento (CNS, 2011).
A questão norteadora foi: Qual é o conhecimento identificado, na literatura nacional 
e internacional, acerca do presenteísmo na equipe de enfermagem ambulatorial? 
Foram respeitados os aspectos éticos e os direitos autorais referenciando-se os 
autores dos trabalhos utilizados. Em virtude da natureza da pesquisa, foi dispensada a 
aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP).
3 | RESULTADOS
A busca retornou 366 documentos com o descritor presenteísmo (Figura I). No 
cruzamento dos descritores foram encontradas 82 publicações, das quais 06 na Bireme, 
34 na PubMed, 36 na CINAHL e 06 na PsycINFO. Após avaliação inicial, por meio dos 
critérios de inclusão 36 foram identificados e excluídos, sendo 05 teses, 13 repetidos, 18 
não atendiam aos critérios de inclusão. Os outros 46 títulos foram selecionados para leitura 
dos resumos, destes 37 foram excluídos por não atenderem ao escopo desta revisão. 
Foram incluídos, portanto, 09 artigos para leitura e análise na íntegra.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 12 107
Figura I: Fluxograma da busca nas bases de dados. Rio de Janeiro, Brasil, 2019.
Para a seleção, categorização das informações e análise dos estudos, elaborou-
se um roteiro com: autor, país, ano, local, fenômeno estudado, população e resultado. 
A primeira seleção deu-se por meio da leitura dos títulos e resumos, sendo que, após 
essa etapa, os artigos foram lidos na íntegra e as informações obtidas foram apresentadas 
na forma de quadro e analisadas obtendo-se 03 subtemas relativos a pesquisas sobre 
presenteísmo: doenças crônicas (dor lombar, alergia sazonal, enxaqueca, infecção 
respiratória), distúrbios mentais (estresse e burnout) e precarização do trabalho. 
Um instrumento específico foi desenvolvido para categorizar os estudos e extrair 
os dados para posterior análise e síntese. Os itens que compuseram o instrumento: 
título, periódico, base de dados, ano de publicação, país, população, método e fenômeno 
estudado, conforme Figura II.
Para a síntese e apresentação final os dados foram agrupados por similaridade 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 12 108
temática, de maneira a elucidar o propósito da pesquisa.
Título Revista Base de dados Ano País População Método
Fenômeno 
estudado
Sick at Work: 
Presenteeism 
among 
Nurses in a 
Portuguese 
Public Hospital
Wiley Online 
Library Pubmed 2011 Portugal 296 enfermeiras
Quanti
Prevalências 
das principais 
causas físicas e 
psicológicas do 
presenteísmo entre 
os profissionais.
 Nurses’ 
presenteeism 
and its 
effects on 
self-reported 
quality of care 
and costs
AM J. Nurs. Pubmed 2012 EUA
2.500 
enfermeiras 
hospitalares
Quanti
Em que 
medida a dor 
musculoesquelética, 
ou depressão, 
ou ambos afetam 
a produtividade 
e a qualidade 
autorreferida 
dos cuidados de 
enfermagem.
Low Back Pain 
and Associated 
Presenteeism 
among 
Hospital 
Nursing Staff
Journal of 
Ocupational
Health
Pubmed 2013 Itália 174 enfermeiras Quanti
Prevalência e 
fatores de risco 
de presenteísmo 
devido a alta 
prevalência de 
dor lombar entre o 
pessoal hospitalar 
de enfermagem.
Estresse, 
coping e 
presenteísmo 
em 
enfermeiros 
que assistem 
pacientes 
críticos
REEUSP SCIELO 2014 Brasil
129 
enfermeiros 
da 
assistência 
direta a 
pacientes 
críticos
Quanti
Associações entre 
estresse, Coping 
e presenteísmo 
em enfermeiros 
atuantes na 
assistência direta 
a pacientes críticos 
e potencialmente 
críticos.
Attitudes 
towards 
sickness 
absence and 
sickness 
presenteeism 
in health and 
care sectors 
in Norway 
and Denmark: 
a qualitative 
study
BMC Public 
Health Pubmed 2014
Noruega e 
Dinamarca
Enfermeiros 
assistenciais Quali
Atitudes em 
relação à ausência 
de doença e 
presenteísmo entre 
os funcionários do 
lar de idosos de 
ambos os países.
Precarização 
do trabalho 
em hospital 
de ensino e 
presenteísmo 
na 
enfermagem
Revista 
Enferm. 
UERJ
Cinahl 2016 Brasil
39 
profissionais 
de 
enfermagem
Quali
Precarização do 
trabalho em hospital 
de ensino como 
fator contributivo 
para o presenteísmo 
na enfermagem.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 12 109
Are nursing 
home care 
workers’ 
health and 
presenteeism 
associated 
with implicit 
rationing of 
care: A cross-
sectional multi-
site study 
Geriatric 
Nursing Pubmed 2016 Suíça
3.269 
profissionais 
de 
enfermagem
Quanti
Relação entre os 
trabalhadores e 
o presenteísmo 
fazendo analogia 
ao racionamento 
implícito de 
cuidados.
Job demands, 
job resources, 
and behavior 
in times of 
sickness: 
An analysis 
across German 
nursing homes
Health Care 
Manage 
Rev.
Pubmed 2017 Alemanha 212 enfermeiros Quanti
Exigências de 
trabalho, recursos 
de trabalho e 
comportamento 
(presenteísmo, 
absenteísmo) nos 
últimos 12 meses.
Presenteísmo 
na 
enfermagem: 
repercussões 
para a saúde 
do trabalhador 
e a segurança 
do paciente
Revista 
Enfermagem 
UERJ
Scielo 2018 Brasil
129 
enfermeiros 
da 
assistência 
direta a 
pacientes 
críticos
Quali
Repercussões 
do presenteísmo 
para o processo 
de trabalho da 
enfermagem em 
hospital de ensino.
Figura II: Produções científicas eleitas sobre presenteísmo. Rio de Janeiro, Brasil. 2019
4 | DISCUSSÃO 
Dos nove artigos publicados sobre o assunto em questão, o método aplicado nos 
artigos estudados três (33,3%) eram qualitativos e seis (66,6%) quantitativos. 
Quanto aos temas abordados, tanto os artigos nacionais quanto os internacionais 
tratavam de problemas relacionados às doenças crônicas (dor lombar, alergia sazonal, 
enxaqueca, infecção respiratória), distúrbios mentais (estresse e burnout) e precarização 
do trabalho.
Muitos dos problemas de saúde que resultam no presenteísmo são, pela sua 
natureza, benignos. Afinal, doenças mais graves frequentemente forçam as pessoas a 
permanecerem em casa, muitas vezes por longos períodos. Desse modo, as pesquisas 
sobre presenteísmo concentram-se em doenças crônicas ou episódicas como alergias 
sazonais, asma, enxaquecas e outros tipos de dores de cabeça, dor nas costas, artrite, 
distúrbios gastrointestinais e depressão (HEMP, 2004)
O estudo evidenciou que houve um aumento do número de publicações sobre 
presenteísmo a partir do ano de 2010, contudo, não foram encontrados estudos com 
profissionais de enfermagem que atuavam em ambulatório, sendo a maioria das pesquisas 
realizadas em hospitais (LETVAK, 2010; BARRATI, 2013; UMANN, 2014; VIEIRA, 
2016; FERREIRA, 2011; SCHINEIDER, 2017) e casas de repouso (JOHNSEN, 2014; 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 12 110
AUSSERHOFER, 2016).
O Nível de Evidência utilizado nas Revisões Integrativas configura-se como uma 
forma de avaliar as pesquisas realizadas em determinadas áreas do conhecimento, de 
acordo com o delineamento metodológico escolhido e utilizado pelos autores, para 
evidenciar melhorias para o cuidado em assuntos ainda não fortalecidos (DAWSON, 2007). 
Desse modo, fica evidente a escassez de estudos primários sobre a temática, 
principalmente na literatura nacional, onde a maior expressão se dá nas revisões de 
literatura.
A leitura dos artigos nos leva à constatação da necessidade de investimento em 
novas pesquisas acerca da temática dentro do campo da Enfermagem, pois desta forma 
iremos comprovar e divulgar a existência do presenteísmo e suas consequências para o 
serviço e para a saúdedo trabalhador.
A escassez de estudos primários e a grande quantidade de pesquisas de revisão 
se apresentam como uma limitação para a discussão de dados obtidos em pesquisas de 
campo, sendo evidenciado pelo pequeno número de artigos incluídos na revisão. 
Os resultados mostram-se relevantes, ao passo em que os objetivos propostos 
foram alcançados, contribuindo para a compreensão e divulgação do conceito e os reflexos 
do presenteísmo na enfermagem. A equipe de enfermagem ambulatorial como foco da 
pesquisa, pode contribuir para a construção de políticas públicas voltadas para a saúde do 
trabalhador.
5 | CONCLUSÃO 
Conclui-se que a gestão de recursos humanos é essencial para bom funcionamento 
dos serviços de saúde, desse modo, fundamenta-se a relevância de um estudo que 
busque identificar o presenteísmo em profissionais que atuam na equipe de enfermagem 
ambulatorial, elementos-chave e fundamentais nos processos de assistência nos serviços 
especializados de média e alta complexidade, o que, sem dúvida, irá refletir na melhoria 
dos mesmos e consequentemente na assistência prestada.
Para que a prática possa ser modificada através dos resultados de pesquisas, se faz 
necessário que as metodologias das pesquisas publicadas tenham nível de evidência que 
traga suporte para que as mudanças sejam efetivadas. 
Com isso, entende-se ser necessária a realização de pesquisas que colaborem para 
a identificação e intervenção nos problemas de saúde dos trabalhadores, com metodologias 
capazes de trazer evidências científicas sobre o presenteísmo.
REFERÊNCIAS 
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Epidemiology and Community Health, n. 54, p. 502–509, 2018. 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 12 111
AUSSERHOFER, D. et al. Are nursing home care workers’ health and presenteeism associated 
with implicit rationing of care? A cross-sectional multi-site study. Geriatric Nursing, n. 1, v. 38, p. 
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sector of economy. Ege Academic Review, n.3, v. 9, p. 1007-1016, 2009. 
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FERNANDES, E.C. Qualidade de vida no trabalho: como medir para melhorar. Salvador: Editora 
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FERREIRA, A. I.; MARTINEZ, L. F. Sick at Work: Presenteeism among Nurses in a Portuguese Public 
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Hospital. Stress and Health, n. 4, v. 28, p. 297–304, 2011. 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 12 112
SCHNEIDER, D. et al. Job demands, job resources, and behavior in times of sickness: an 
analysis across German nursing homes. Health Care Manage Review, n. 4, v. 43, p. 338, 2017. 
SOUZA, M.T. de et al. Integrative review: what is it? How to do it? Einstein, n. 1, v. 8, p. 102–106, 
2010. 
VIEIRA, M.L.C. et al. Job insecurity at a teaching hospital and presenteeism among nurses. Rev. 
enferm. UERJ, n. 4, v. 24, e23580, 2016. 
VIEIRA, M.L.C. et al. Nursing presenteeism: repercussions on workers’ health and patient safety. 
Rev. enferm. UERJ, n. 26, e31107, 2018. 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 13 113
Data de aceite: 22/01/2021
CAPÍTULO 13
doi
EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL E USO DE 
EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL POR 
ENFERMEIROS EM ATENDIMENTOS DE URGÊNCIA 
E EMERGÊNCIA
Maria dos Milagres Santos da Costa
Pós graduanda em Saúde da Família e 
Docência do Ensino Superior pela Faculdade – 
FAEME
http://lattes.cnpq.br/6529015364919327
Bruna Furtado Sena de Queiroz 
Pós- graduanda em Estética avançada pelo o 
Instituto de Ensino Superior Múltiplo - IESM
Teresina – Piauí
http://lattes.cnpq.br/6958293564184754
Monique Moreira Machado
Pós-Graduação em Urgência e Emergência 
pelo Centro Universitário Santo Agostinho – 
UNIFSA
http://lattes.cnpq.br/3377366893941692
Polyana Coutinho Bento Pereira
Residência e Obstetrícia pela Universidade 
Federal do Piauí - UFPI
http://lattes.cnpq.br/8812674495477406
Enewton Eneas de Carvalho 
Pós-graduação e Enfermagem do Trabalho 
pela Faculdade Integrada de Jacarepaguá
http://lattes.cnpq.br/6752900981825501
Anderson da Silva Sousa 
Pós-graduação em Terapia Intensiva
Pós-graduação em Gestão da Saúde e 
Educação do Trabalho
http://lattes.cnpq.br/6579111998678861
Esaú de Castro Mourão
Especialista em urgência e emergência pela 
faculdade - FAVID WYDEN
Airton César Leite 
Centro Universitário Santo Agostinho – UNIFSA
Pós-graduando em Saúde da Família pela 
Faculdade Adelmar Rosado – FAR
Pós-graduando em Saúde Pública pela 
Faculdade Adelmar Rosado – FAR
Pós-graduando em Docência do Ensino 
Superior pela Faculdade Adelmar Rosado – 
FAR
Pós-graduando em Saúde Mental e Atenção 
Psicossocial pelo Centro Universitário Santo 
Agostinho – UNIFSA
http://lattes.cnpq.br/8161828805895869
Jusmayre Rosa da Silva 
Especialização em Urgência e Emergência pela 
Faculdade Diferencial FACID/WYDEN
Raíssa Leocádio Oliveira 
Pós-graduação em Terapia Intensiva pela UCM
Pós-graduação em Urgência e Emergência 
pela Faculdade Diferencial FACID/WYDEN
Sayonnara Ferreira Maia 
Mestre em Enfermagem pela Universidade 
Federal do Piauí – UFPI
http://lattes.cnpq.br/5122834550460337
Francisco Bruno da Silva Santos
Pós-graduação em Urgência Emergência pela 
Faculdade Diferencial FACID/WYD
http://lattes.cnpq.br/3626007660132914
RESUMO: INTRODUÇÃO: A área de urgência 
e emergência no Brasil é constituída por um 
importante componente da assistência, as 
políticas voltadas para a saúde mostram a 
crescente demanda por estes serviços, os 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 13 114
profissionais que mais atuam nesse contingente do trabalho da área da saúde, os enfermeiros 
são os que mais estão expostos a acidentes e ricos envolvendo os materiais perfuro cortantes, 
sangue e demais líquidos corporais dentro do pronto socorro. OBJETIVOS: Avaliar por meio 
da literatura a exposição ocupacional e o uso de equipamentos de proteção individual por 
enfermeiros em atendimentos de urgência e emergência. METODOLOGIA: O presente 
estudo trata-se deuma revisão integrativa da literatura. A coleta de dados foi realizada entre 
os meses de maço e abril de 2019, nas bases de dados: LILACS, SCIELO e MEDLINE. Como 
estratégia de busca foi adotada a pesquisa dos descritores citados, seleção do periódico de 
publicação, seleção dos idiomas, leitura dos títulos e resumos escolhendo-se aqueles que 
abordassem o tema e que atendam aos objetivos do presente estudo e exclusão dos que 
não se enquadravam a temática descrita posteriormente. RESULTADOS: Após a análise dos 
estudos foi possível constatar que os profissionais enfermeiros utilizam inadequadamente os 
EPIS, a não utilização dos equipamentos de proteção individual é ocasionada por falta de 
conhecimento sobre as consequências do desuso, utilização errada. CONCLUSÃO: Ainda 
que o uso dos equipamentos não impeça trabalhador de um possível acidente é fundamental 
que o mesmo faça a utilização correta dos equipamentos que o protegem; esses riscos são 
uma realidade decorrente de suas atividades e precisam ser colocadas em prática para sua 
auto proteção.
PALAVRAS-CHAVE: Equipamento de Proteção Individual. Urgência. Emergência. 
Enfermagem. Risco Ocupacional.
OCCUPATIONAL EXPOSURE AND USE OF PERSONAL PROTECTIVE 
EQUIPMENT BY NURSES IN URGENCY AND EMERGENCY CARE
ABSTRACT: INTRODUCTION: The area of urgency and emergency in Brazil is made up of 
an important component of care, health policies show the growing demand for these services, 
the professionals who work most in this contingent of health work, nurses are the ones who 
most are exposed to accidents and rich involving the piercing materials, blood and other 
body fluids within the emergency room. OBJECTIVES: To evaluate through literature the 
occupational exposure and the use of personal protective equipment by nurses in urgent 
and emergency care. METHODOLOGY: The present study is an integrative literature review. 
Data collection was performed between the months of pack and April 2019, in the databases: 
LILACS, SCIELO and MEDLINE. The search strategy adopted was the search of the cited 
descriptors, selection of the journal, selection of languages, reading of titles and abstracts, 
choosing those that addressed the theme and that meet the objectives of this study and 
exclusion of those that did not fit. the theme described later. RESULTS: After analyzing the 
studies, it was found that nursing professionals use the PPE inappropriately, the non-use of 
personal protective equipment is caused by lack of knowledge about the consequences of 
disuse, misuse. CONCLUSION: Although the use of equipment does not prevent workers 
from a possible accident, it is essential that they make the correct use of equipment that 
protects them; These risks are a reality arising from your activities and need to be put in place 
for your high protection.
KEYWORDS: Personal Protective Equipment. Urgency. Emergency. Nursing. Occupational 
Risk.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 13 115
1 | INTRODUÇÃO
Ao realizar um trabalho o profissional enfermeiro está exposto frequentemente 
aos riscos no ambiente em que atua, dentro da urgência e emergência hospitalar, pois 
esse ambiente pode ser considerado uma das áreas com maior fluxo e complexidade na 
assistência a saúde, pois é nesse local que o profissional enfermeiro encontra-se em maior 
risco e exposição às doenças transmissíveis; para uma atuação qualificada nesse setor de 
atuação do hospital; é necessário que o profissional tenha conhecimento e habilidade para 
desenvolver suas atividades de forma segura e qualificada, visando o bem está do paciente 
e sua segurança profissional (CHAGAS; BARBOSA et al., 2014). 
Por serem os profissionais que mais atuam nesse contingente do trabalho da área 
da saúde, os enfermeiros são os que mais estão expostos a acidentes e ricos envolvendo 
os materiais perfuro cortantes, sangue e demais líquidos corporais dentro do pronto 
socorro. Esses acidentes podem trazer aos profissionais os mais diversos problemas, 
podendo transmitir doenças infecciosas como: Hepatite B, vírus HIV, bem como, traumas 
psicológicos e físicos (SILVA; FARIAS et al., 2014). 
A norma regulamentadora da biossegurança no Brasil é a de número 32 (NR 32) a 
mesma recomenda a adoção de medidas preventivas de trabalho para cada risco a que o 
profissional se expõe, objetivando promover a segurança dos trabalhadores nos serviços 
em saúde exposta (CHAGAS; BARBOSA et al., 2013.) Diante disso o meio mais eficaz 
para diminuir esses riscos seria a dotar as medidas precaução sendo a utilização correta 
dos EPIs. 
Diante disso há uma necessidade de observar as precauções que são padronizadas 
pelo Ministério da Saúde, a fim de minimizar os risco ocupacionais á que os profissionais 
se expõe diariamente no ambiente de atuação em urgência e emergência, sendo o 
recomendado a utilização de uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) por todos 
os profissionais atuantes da ara da saúde. Os EPIs podem ser conceituados como: roupas 
especiais, luvas, óculos de proteção, máscaras; sendo considerados como materiais 
básicos, necessários aos profissionais que trabalham em contato direto aos pacientes em 
urgências hospitalares (SILVA; FARIAS et al., 2014). 
O presente estudo tem como objetivos avaliar por meio da literatura a exposição 
ocupacional e o uso de equipamentos de proteção individual por enfermeiros em 
atendimentos de urgência e emergência
2 | METODOLOGIA
2.1 Tipo de Estudo
O presente estudo trata-se de uma revisão integrativa da literatura, onde se tem 
por finalidade realizar a síntese do estado do conhecimento de assunto em especifico, e 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 13 116
responder perguntas que precisam ser respondidas através de novas pesquisas importantes 
que dão suporte para a tomada de decisão e a melhoria da prática assistencial ao paciente; 
estudo em questão é de natureza descritiva, exploratória, com uma abordagem de análise 
qualitativa (MAFRA; FONSECA et al., 2008). 
2.2 Critérios de Inclusão e Exclusão 
A coleta de dados será realizada entre os meses de maço e abril de 2019, onde será 
utilizado como critério de inclusão os artigos completos publicados no período de 2013 a 
2018, indexados na plataforma da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), nas seguintes bases 
de dados: LILACS, SCIELO e MEDLINE. Foram utilizados como critérios de exclusão: 
artigos em inglês, artigos publicados em anos anteriores ou posteriores exigidos na 
dimensão temporal, artigos que não atendem aos critérios do devido trabalho.
2.3 Instrumentos de Coleta de Dados 
O acesso eletrônico teve como o site periódicos Capes utilizando-o para o 
levantamento dos artigos os agrupamentos dos descritores cadastrados no DECS; EPis, 
Urgência e Emergência, Enfermagem e Riscos Ocupacionais. Como estratégia de busca 
foi adotada a seguinte forma de pesquisa dos descritores citados, seleção do periódico de 
publicação, seleção dos idiomas, leitura dos títulos e resumos escolhendo-se aqueles que 
abordassem o tema e que atendam aos objetivos do presente estudo e exclusão dos que 
não se enquadravam a temática descrita posteriormente. 
Os artigos foram numerados segundo a ordem de localização e a análise dos 
dados foi descritiva, proporcionando assim aos profissionais de diversas áreas avaliarem a 
qualidade das evidências.
3 | RESULTADOS 
FIGURA 1: Fluxograma de seleção de artigos que enfocam a exposição ocupacional 
e uso de equipamentos de proteção individual por enfermeiros em atendimentos de 
urgência e emergencial.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 13 117
Fluxograma1: Realizado na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS).
QUADRO 1: Distribuição dos artigos segundo autores, ano de publicação, Título 
do estudo, periódico indexado e principais resultados, Brasil, 2019. Os referidos estudos 
foram encontrados na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), que integra as principais bases 
de dados - SCIELO, LILACS, BDENF. Assim, o quadroabaixo apresenta uma síntese das 
principais características dos trabalhos incluídos na análise, indicando autores, o título da 
pesquisa, periódico indexado seus respectivos principais resultados obtidos.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 13 118
AUTOR, ANO TITULO ARTIGO PERIÓDICO RESULTADOS
ARAÚJO; 
SILVA, 2014.
Acidentes
perfuro 
cortantes 
e medidas 
preventivas
para hepatite B 
adotadas por 
profissionais de
Enfermagem 
nos serviços de 
urgência e
emergência de 
Teresina, Piauí.
Rev. Bras. 
de saúde 
ocupacional.
Quanto à ocorrência de acidentes de trabalho, 
identificou-se que, dos 317 profissionais envolvidos 
na pesquisa, 152 (47,9%) relataram haver sofrido 
algum tipo de acidente ocupacional com perfuro 
cortante. Dentre os tipos de instrumentos causadores 
de acidentes, o acidente com agulha foi o que mais se 
destacou (77,0%) e, dentre as categorias profissionais 
estudadas, a de Técnico de Enfermagem foi a que teve 
a maior proporção de acidentes com esse instrumento 
(81,0%). Observou-se, ainda, que Técnicos, Auxiliares 
e Enfermeiros apresentaram resultados expressivos 
quanto a não notificação do acidente (67,0%, 70,0% e 
75,0%, respectivamente), o que também foi observado 
em relação à não adoção de medidas profiláticas pós 
exposição ao acidente perfuro cortante (85,0%, e 83,0%, 
respectivamente.
OENNINGet 
al., 2012.
Assunção 
de riscos 
ocupacionais 
no serviço de 
atendimento 
móvel de 
urgência ( 
SAMU).
Rev. 
Pesquisa 
saúde.
Observa-se que um quarto dos profissionais entrevistados 
nega a existência de riscos ocupacionais ou os banalizam 
e acreditam que trabalhar exposto aos riscos citados 
anteriormente é algo normal, ou sequer conseguem 
reconhecê-los. Este fato pode ocorrer devido ao fator de 
banalização da rotina.
RIETH et al., 
2014.
 Uso de 
equipamentos 
de proteção 
individual pela 
enfermagem em 
uma unidade 
de emergência 
hospitalar.
Rev. enferm. 
UFPE online, 
2014.
Os profissionais de enfermagem enfrentam situações de 
riscos de acidente de trabalho, diariamente, em especial, 
os que atuam em unidades de urgência e emergência, 
pelas características das mesmas. Esta é porta de 
entrada de pacientes com as mais variadas doenças 
e, muitas vezes, não diagnosticadas neste setor, o que 
implica na necessidade os profissionais que atuam na 
referida unidade não banalizem o uso dos meios de 
proteção. Durante a observação realizada na unidade 
de emergência, local da pesquisa, se evidenciou que 
os trabalhadores de enfermagem não utilizam todos os 
EPIs necessários para o desenvolvimento das ações 
com segurança, expondo-se, assim, a vários agentes e 
situações de riscos.
CHAGAS; et 
al., 2013.
Risco 
ocupacional na 
emergência: 
uso de 
equipamentos 
de proteção 
individual 
(epi) por 
profissionais de 
enfermagem.
Rev.enferm 
UFPE on 
line, 2013.
Os dados do estudo evidenciaram que, no serviço de 
emergência investigado, os profissionais da equipe de 
enfermagem conhecem os EPIs e os riscos ocupacionais 
a que estão expostos. No entanto, negligenciam seu uso 
devido à necessidade de atender o paciente rapidamente. 
Dessa forma, o profissional de enfermagem, em seu 
ambiente de trabalho, encontra-se exposto a inúmeros 
riscos ocupacionais, os quais são originados de atividades 
insalubres e críticas, ocasionando efeitos adversos à sua 
saúde, podendo assim levar ao aparecimento de acidentes 
e de doenças do trabalho.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 13 119
LOPES et al., 
2008
Adesão às 
precauções 
padrão pela 
equipe do
atendimento 
pré-hospitalar 
móvel de
Belo Horizonte, 
Minas Gerais, 
Brasil.
Cad. Saúde 
Pública, 2008
Dos que efetivamente participaram do estudo eram 10,5% 
enfermeiros, 47,5% técnicos /auxiliares de enfermagem 
era do sexo masculino (66,8%), com tempo de exercício 
na instituição igual ou inferior a dois anos (58,4%) e 
lotados em unidades de suporte básico (69,7%). Não 
houve diferença significativa quanto à distribuição por 
faixa etária e por ano de formação dos profissionais. 
A análise do conhecimento relatado observaram- se 
respostas inadequadas (≥ 75%) para diferentes categorias 
profissionais. Enfermeiros para o risco de transmissão 
cruzada de agentes infecciosos ao realizar punção de 
acesso venoso (72%) e risco de infecção por contato de 
sangue com a mucosa ocular (72%).
Fonte: Elaborado pelos autores com base nos dados e resultados da pesquisa, 2019.
4 | DISCUSSÃO
A análise da distribuição dos artigos por metodologia e instrumentos pesquisados 
possibilitou o agrupamento dos mesmos em duas categorias: exposição ocupacional e uso 
de equipamentos de proteção individual por enfermeiros e aspectos no atendimento de 
urgência e emergência.
O trabalho do enfermeiro que desenvolve suas atividades em urgência emergência 
tem um grande potencial de exposição do mesmo aos inúmeros riscos ocupacionais. Desse 
modo, é frequente a manifestação de preocupação do contato com situações de risco, em 
especial, com pacientes soropositivos e, por vezes, em detrimento a outras patologias, 
cuja fonte de exposição é o risco biológico, físicos e químicos. Após a análise dos estudos 
foi possível constatar que os profissionais enfermeiros utilizam inadequadamente os 
EPIS, a não utilização dos equipamentos de proteção individual é ocasionada por falta de 
conhecimento sobre as consequências do desuso, utilização errada. (RIETH et al., 2014). 
De acordo com a literatura os enfermeiros enfrentam situações de riscos diariamente 
em suas atividades de trabalho, principalmente os profissionais que atuam nas unidades 
voltadas para urgência e emergência. Por se tratar da porta de entrada de pacientes com 
os mais diversos tipos de doenças e situações externas não diagnosticadas; necessitam 
de uma maior atenção e cuidados por parte dos profissionais enfermeiros com relação 
aos cuidados prestadas e a utilização correta dos EPIs para sua proteção individual na 
assistência direcionada ao paciente atendido (RIETH et al., 2014).
É evidente após a analise dos estudos que grande parte dos profissionais 
negligenciam a utilização dos EPIs nos mais diversos cenários de atuação. Segundo 
Chagas et al. (2013), dizem que os EPIs são mais utilizados na assistência ao paciente cujo 
diagnóstico já é conhecido pela equipe, subestimando-se a vulnerabilidade do organismo 
humano as infecções. Por tanto, diante de tal afirmação e possível identificar que os 
profissionais enfermeiros estão expostos a inúmeros riscos durante o desenvolvimento de 
suas funções assistenciais aos pacientes, por tanto para desenvolver um trabalho seguro e 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 13 120
eficaz os enfermeiros precisam aderir rigorosamente ao uso dos EPIs. 
Diante de todas as observações ao longo dos estudos. Para Martins et al. (2014), 
o uso do EPI traz benefícios ao próprio trabalhador, aos empregadores, bem como aos 
pacientes. Podem levar a uma maior produtividade além da diminuição no número de 
licenças – saúde e redução dos gastos hospitalares com equipamentos e materiais. 
Ressalta-se que o uso de EPI deve atender às especificidades do procedimento, 
avaliando o conforto, o tamanho do equipamento e o tipo de risco envolvido, para evitar 
despesas para a instituição e não interferir na execução correta do procedimento. A não 
utilização do EPI, quando indicado, pode resultar em prejuízos para todos os envolvidos, 
atingindo as relações psicossociais, familiares e de trabalho, além de favorecer os acidentes 
de trabalho.
5 | CONCLUSÃO 
O presente estudou possibilitou a identificação dos principais fatores de riscos aos 
profissionais enfermeiros que atuam nos serviços de urgência e emergência; após a analise 
dos estudos é possível observarmos que os enfermeiros sabem da importância do uso dos 
EPIs em suas atividades, porém nem sempre utilizam, principalmente quando se trata de 
situações que necessitam de uma assistência rápida,por falta de tempo. 
Dessa forma é necessário que sejam adotados atividades por parte das equipes 
propostas que ajudem a minimizar essa negligencia como: atividades educativas 
permanente, palestras, rodas de conversas e simulações para sensibilizar os enfermeiros 
envolvidos, propondo uma atividade educativa de modo a refletir a prática dos profissionais 
de saúde.
REFERÊNCIAS
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hospital privado de Vitória da Conquista–BA. Sitientibus, v. 33, n. 1, p. 101-114, 2005.
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e medidas preventivas para hepatite B adotadas por profissionais de Enfermagem nos serviços de 
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BARBOZA, M. C. N., et al. “Riscos biológicos e adesão a equipamentos de proteção individual: 
percepção da equipe de enfermagem hospitalar.” Rev. Pesq. Saúde 17.2 2016.
BESERRA, I. B. C. S. et al. Equipamentos de proteção individual utilizados por profissionais de 
enfermagem em centros de material e esterilização. Revista SOBECC, v. 22, n. 1, p. 36-41, 2017.
CAVALLI, REGINA CM, THAIS C. MORATA, AND JAIR M. MARQUES. “Auditoria dos programas de 
prevenção de perdas auditivas em Curitiba (PPPA).” RevBrasOtorrinolaringol, 2004.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 13 121
CHAGAS, M. C. S.BARBOSA, M.C.N; et al. Risco ocupacional na emergência: uso de equipamentos 
de proteção individual (EPI) por profissionais de enfermagem. Rev. enferm. UFPE on line, v. 7, n. 
2p.337-344, 2013.
CORRÊA, L. B. D; et al. Fatores associados ao uso de equipamentos de proteção individual por 
profissionais de saúde acidentados com material biológico no Estado do Maranhão. Revista Brasileira 
de Medicina do Trabalho, v. 15, n. 4, p. 340-349, 2017.
DUARTE, N. S. MAURO, M. Y. C; et al. Análise dos fatores de riscos ocupacionais do trabalho de 
enfermagem sob a ótica dos enfermeiros. Rev. bras. Saúde ocup, v. 35, n. 121, p. 157-167, 2010.
FONTANA, R. T.; ESPINDOLA, M. C. G; Riscos ocupacionais e mecanismos de autocuidado do 
trabalhador de um centro de material e esterilização. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 33, n. 1, p. 
116-123, 2012.
LOPES, ALINE CRISTINE SOUZA, et al. “Adesão às precauções padrão pela equipe do atendimento 
pré-hospitalar móvel de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.” Cadernos de Saúde Pública 2008.
LORO, M. M. et al. Desvelando situações de risco no contexto de trabalho da Enfermagem em serviços 
de urgência e emergência. Escola Anna Nery Revista de Enfermagem, v. 20, n. 4, 2016.
MAFRA, D. A. L; et al. Percepção dos enfermeiros sobre a importância do uso dos equipamentos de 
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Saúde, v. 32, n. 1, p. 31-8, 2008.
MARTINS, J. T. et al. Equipe de enfermagem de emergência: riscos ocupacionais e medidas de 
autoproteção [Emergencynursingteam: occupationalrisksand self protection]. Revista Enfermagem 
UERJ, v. 22, n. 3, p. 334-340, 2014.
MASTROENI, MARCO FABIO.” A difícil tarefa de praticar a biossegurança.” ciência e cultura2008. 
NAZARIO, E. G.; CAMPONOGARA, S.; DIAS, G. L.. Riscos ocupacionais e adesão a precauções-
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trabalhadores. ´´ Revista Brasileira de saúde Ocupacional, 2017. 
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enferm, v. 21, p. 1272-3, 2017.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 13 122
SILVA NEGRINHO, NÁDIA BRUNA, et al. “Fatores associados à exposição ocupacional com 
material biológico entre profissionais de enfermagem.” Revista Brasileira de Enfermagem, 2017. 
SILVA, F. F. A; et al. Riscos de acidentes com materiais perfuro cortantes no setor de urgência de um 
hospital público. Rev. pesqui. cuid. fundam.(Online), v. 8, n. 4, p. 5074-5079, 2016.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 14 123
Data de aceite: 22/01/2021
CAPÍTULO 14
doi
EXPOSIÇÃO DOS RISCOS OCUPACIONAIS DA 
ENFERMAGEM NO SETOR DE HEMODINÂMICA: 
REVISÃO INTEGRATIVA 
Data de submissão: 25/11/2020
Jenifer Gomes Araújo Vilela
Faculdade Mauricio de Nassau
Caruaru – PE
Michelle Patrícia de Oliveira Santos
Faculdade Mauricio de Nassau
Caruaru – PE
RESUMO: Introdução: O enfermeiro que trabalha 
em UHD desenvolve atividades assistenciais, 
gerenciais, de ensino e de pesquisa. Faz parte de 
sua atuação o cuidado direto ao paciente, sendo 
responsável pela assistência integral. Nesse 
contexto, o enfermeiro desenvolve funções de 
liderança, gerenciamento de recursos humanos 
e materiais, o que exige tomada de decisões 
rápidas e precisas. Objetivos: O presente 
estudo tem por objetivo conhecer a produção 
teórica sobre cargas de trabalho e condições 
de trabalho dos profissionais enfermeiros na 
assistência geral na unidade de hemodinâmica. 
Método: está sendo realizada uma revisão 
integrativa que inclui artigos científicos da base 
de dados LILACS (Literatura Latina Americana 
de Ciências da Saúde), BDENF (Banco de dados 
de Enfermagem) e SciELO (Scientific eletronic 
library online) disponíveis na BVS. Resultados: 
Nesta pesquisa encontramos 28 artigos dentre 
os anos de 2010 a 2020, dispostos da seguinte 
forma: 11 LILACS, 7 BDENF e 10 SciELO, dentre 
estes, 5 apresentavam-se publicados em ambas 
as bases. Após leitura dos resumos, avaliação 
e aplicação dos filtros, restaram 5 artigos finais. 
Até o momento. Conclusão: A monitorização 
hemodinâmica tem como objetivo primordial 
alertar precocemente alterações no estado 
clínico do doente. Contudo, o excesso de falsos 
alarmes pode levar não só à dessensibilização 
dos profissionais mas também à interrupção da 
dinâmica de trabalho. Os enfermeiros, pela sua 
praxis, são um dos grupos profissionais mais 
exposto à problemática dos alarmes clínicos, 
dada a sua ininterrupta atividade alocada ao 
doente.
PALAVRAS-CHAVE: Saúde Do Trabalhador; 
Enfermagem; Hemodinâmica.
EXPOSURE OF OCCUPATIONAL RISKS 
OF NURSING IN THE HEMODYNAMICS 
SECTOR: INTEGRATIVE REVIEW
ABSTRACT: Introduction: The nurse who works 
at UHD develops assistance, management, 
teaching and research activities. Direct care 
for the patient is part of its performance, 
being responsible for comprehensive care. In 
this context, the nurse develops leadership, 
management of human and material resources, 
which requires quick and accurate decision 
making. Objectives: The present study aims 
to understand the theoretical production on 
workloads and working conditions of professional 
nurses in general care in the hemodynamics unit. 
Method: an integrative review is being carried 
out that includes scientific articles from the 
LILACS database (Latin American Literature on 
Health Sciences), BDENF (Nursing Database) 
and SciELO (Scientific electronic library online) 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 14 124
available at the VHL. Results: In this research we found 28 articles between the years 
2010 to 2020, arranged as follows: 11 LILACS, 7 BDENF and 10 SciELO, among these, 5 
were published in both databases. After reading the abstracts, evaluating and applying the 
filters, 5 final articlesremained. Until now. Conclusion: Hemodynamic monitoring has the 
primary objective of early warning of changes in the patient’s clinical status. However, the 
excess of false alarms can lead not only to the desensitization of professionals but also to the 
interruption of work dynamics. Nurses, due to their praxis, are one of the professional groups 
most exposed to the problem of clinical alarms, given their uninterrupted activity allocated to 
the patient.
KEYWORDS: Worker’s health; nursing; hemodynamic.
1 | INTRODUÇÃO
O trabalho de enfermagem caracteriza-se por ser um trabalho com ações de saúde 
e atividades diversificadas, consistindo-se em um trabalho decomposto, por tarefas, 
hierarquizado, sistematizado em trabalhadores por categorias profissionais e atribuições 
sistematizadas pela “ lei do exercício profissional ” ( Lei n 7.498 de junho de 1988), que 
determina a execução de atividades consideradas de maior e menor grau de complexidade 
de acordo com as categorias e o saber dos trabalhadores da equipe de enfermagem ( 
Decreto Lei n 94.406 de 08 de junho de 1987) , com formação profissional e conhecimentos 
com saberes teóricos científicos, habilidades técnicas e de prática adquiridos pela 
experiência profissional e especializações , o que configura um processo de trabalho com 
a exigência de qualificação, habilidade e destreza, e uma distribuição de atividades em 
graus de maior e menor apreço organizado de forma hierarquizada de acordo com grau de 
formação e nível de escolaridade. 
Assim, o que diferencia o processo de trabalho da equipe de enfermagem em um 
laboratório de hemodinâmica, e a qualificação profissional especifica como uma exigência 
ao executar do seu processo de trabalho, os riscos e penalidades com especificidade para 
a exposição a radiação e a especificidade da dinâmica e organização do seu processo 
de trabalho, que obedece a uma interatividade de diferentes atividades que se dão de 
forma simultânea, com dependências entre si e que configuram uma assistência totalizada 
entre uma equipe única e que executa o seus diversos processos de trabalho, como se 
fosse, um único processo de trabalho, em que todos os seus componentes são elementos 
importantes e descrevem uma dinâmica de trabalho , descrevendo assim um processo de 
trabalho também especial.3 
A hemodinâmica pode ser considerado um procedimento com grau III de risco 
ocupacional, pois é realizado em um setor de alta complexidade e tecnologia, porém se 
trata de um ambiente fechado, com diversos sons e ruídos oriundo dos equipamentos 
utilizados, além da grande carga de radiação ionizante e iluminação artificial, sendo assim, 
considera-se grande o risco para o profissional, que se encontra em evidência à cargas 
físicas, biológicas, químicas, sem contar nas emocionais e mentais, por estar tratando de 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 14 125
um paciente em perigo iminente e ainda existe a situação de exigir muita dinâmica do 
profissional, pois o enfermeiro precisar se adaptar às novas tecnologias, pois seu intuito na 
profissão sempre vai ser auxiliar o paciente e evitar que algo de mais grave ocorra.2
A área da saúde submete o profissional que está atuando à algumas situações 
de risco, estes que são classificados em graus que podem ser subdivididos em médios 
e máximos. Por isso, deve-se evidenciar a importância da proteção desse grupo de 
trabalhadores, tendo em vista a exposição em que se encontram no seu local de trabalho1.
Sabemos que cabe às empresas garantir as condições necessárias de trabalho aos 
seus funcionários, para que estes não se encontrem sob risco de perigo ou dano, e instruí-
los a fim de evitar acidentes, entretanto, é preciso analisar como se deve proceder quando 
os funcionários são profissionais da saúde.2 
O presente trabalho refere-se à um estudo sobre os riscos que os profissionais de 
enfermagem são expostos no setor de hemodinâmica, visto isso, é necessário conceituar o 
presente. Sendo assim, hemodinâmica é um exame que serve para identificar e diagnosticar 
possíveis obstruções das artérias coronárias e avaliar o funcionamento do músculo e 
das válvulas cardíacas, a fim de evitar infartos ou ainda, caso este ocorra, possibilitar a 
desobstrução do local e para a realização do exame, é necessário a aplicação de anestesia 
local.3
Embora atualmente já existam diversas tecnologias para a área, muitos avanços 
científicos e métodos que visem menores riscos ao paciente, o profissional ainda fica 
exposto à muitos riscos e situações prejudiciais, às vezes, por um tempo muito maior que 
o estipulado para que não haja prejuízos à sua saúde.4 
Mesmo com a disponibilidade de equipamentos para a proteção do profissional, é 
preciso levar em consideração o tempo em que se deve permanecer utilizando os matérias 
e o peso destes, pois há uma grande reclamação por parte dos enfermeiros nesse quesito, 
afirmando que quando há a exposição aos equipamentos de raio X, deve ser utilizado um 
capote de chumbo e, segundo dados, esse objeto pesa em torno de 40kg, o que agrava 
ainda mais a situação, ocasionando lesões físicas.5 
Visto isso, dar-se a importância da realização e aprofundamento do estudo do 
presente tema, vez que, por ser considerado, relativamente, novo, sabe-se que a tecnologia 
irá avançar de forma bastante rápida e, por isso, os profissionais deverão andar em 
conformidade com esta, a fim de desenvolver maiores conhecimentos na área e estarem 
preparados para as complexidades dos processos, sempre de modo menos prejudicial 
possível à sua saúde e de seu paciente.1
2 | MÉTODOS
Trata-se de uma Revisão Integrativa de carácter discursivo, onde observamos na 
literatura os conhecimentos acerca da temática nos últimos dez anos. A revisão integrativa 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 14 126
constitui-se em uma análise criteriosa de várias pesquisas, dar-se pelos seguintes passos: 
1- elaboração da pergunta norteadora, 2- busca e amostragem na literatura, 3- análise 
dos estudos incluídos, 4- discussão dos resultados, 5- consumação da revisão integrativa. 
Para orientar nossa pesquisa utilizamos a seguinte questão norteadora “ riscos aos quais 
enfermeiros atuantes estão expostos no setor de hemodinâmica”.
A pesquisa foi realizada nos anos de 2010 a 2020, nas seguintes bases de dados, 
LILACS (Literatura Latina Americana de Ciências da Saúde), BDENF (Banco de dados 
de Enfermagem) e SciELO (Scientific eletronic library online) disponíveis na BVS. Para 
levantamento dos artigos empregamos os seguintes descritores: “saúde do trabalhador; 
enfermagem; hemodinâmica; e enfermagem no Brasil”, cadastrados no DESC (Descritores 
em saúde).
Nesta pesquisa encontramos 28 artigos dentre os anos de 2010 a 2020, dispostos 
da seguinte forma: 11 LILACS, 7 BDENF e 10 SciELO, dentre estes, 5 apresentavam-se 
publicados em ambas as bases. Após leitura dos resumos, avaliação e aplicação dos filtros, 
restaram 5 artigos finais.
Os critérios de inclusão que nortearam a pesquisa foram os seguintes: Artigos 
que tratassem dos profissionais de enfermagem no início de carreira e seus desafios, na 
modalidade original, em formatos de texto completo, e na língua portuguesa. Os critérios 
de exclusão condisseram os seguintes: artigos que apresentassem apenas resumos 
ou que estivessem fora do intervalo dos últimos 10 anos, pautou-se em documentos 
originais que abordassem os conteúdos relacionados a saúde do trabalhador, unidade de 
hemodinâmica, fatores de riscos à saúde do trabalhador, função do enfermeiro na unidade 
de hemodinâmica, processo de trabalho da enfermagem em hemodinâmica, desgastes, 
cargas de trabalho e fatores de riscos à saúde do trabalhador .Como critérios de exclusão, 
houve descarte de documentos que não abordam as informações chaves como fonte de 
pesquisa.
3 | RESULTADOS
No quadro abaixo estão representados alguns dos artigos finais com autores, títulos, 
objetivos, principais resultados e ano de publicação. Queserão atualizados ao decorrer 
da conclusão do presente trabalho; pois trata-se de uma síntese dos resultados mais 
relevantes para esta pesquisa.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 14 127
AUTORES TÍTULO E OBJETIVOS PRINCIPAIS RESULTADOS ANO 
SCHMOELLER, Roseli; 
TRINDADE, Letícia de 
Lima; NEIS, Márcia 
Binder; GELBECK, 
Francine Lima; PIRES, 
Denise Elvira Pires. 1
Cargas de trabalho e 
condições de trabalho 
da enfermagem: revisão 
integrativa. Revista Gaúcha 
de Enfermagem, v. 32, n. 2, 
p. 368-377
O protocolo de pesquisa aplicado 
aos 27 estudos selecionados permitiu 
identificar que 12 (44,4%) são artigos em 
periódicos e 15 (55,5%) são produções 
de programas de Pós-Graduação, entre 
dissertações (dez) e teses (cinco)
2011
GALO, Ana Rita Loureiro; 
DIOGO, Catarina 
Alexandra Souto; 
CIPRIANO, Diana 
Nogueira; ARAÚJO, 
Isabel; MARTINS, Júlia 
Mariza Bento; CUNHA, 
Lara Daniela Matos.2
Comportamentos dos 
enfermeiros perante 
os alarmes clínicos em 
Unidades de Cuidados 
Intensivos: uma revisão 
integrativa. Revista de 
Enfermagem Referência, n. 
11, p. 105-112
A apresentação dos artigos científicos 
selecionados foi delineada com o 
intuito de organizar as evidências 
produzidas. Os resultados apresentam-
se categorizados por dados referentes 
ao artigo, tipo de estudo, instrumento 
de colheita de dados, participantes, 
objetivos gerais e conclusões major. Os 
artigos foram organizados com base 
no ano de publicação, no sentido de 
evidenciar os mais recentes.
2013
SANTOS, Paula Raquel 
dos3
Estudo do processo de 
trabalho da enfermagem em 
hemodinâmica: desgastes, 
cargas de trabalho e fatores 
de riscos à saúde do 
trabalhador.
Com base nos objetivos do estudo foram 
estabelecidas as seguintes categorias 
gerais: Avaliação Clinica do Enfermeiro 
ao Paciente em Monitorização 
Hemodinâmica e Processo Coletivo de 
Criação do Protocolo.
2001
VENTURI, Viviane; 
VIANA, Cidicléia Pereira; 
MAIA, Luiz Faustino dos 
Santos; BASÍLIO, Maria 
Jesuela; OLIVEIRA, 
Andréia Avelino, 
SOBRINHO, Josiane 
Carlos; MELO, Roberto da 
Silva Ferreira;4
O papel do enfermeiro no 
manejo da monitorização 
hemodinâmica em unidade 
de terapia intensiva. 
Revista Recien-Revista 
Científica de Enfermagem, 
v. 6, n. 17, p. 19-23,
Mostrar a importância do enfermeiro 
frente a monitorização hemodinâmica 
em unidade de terapia intensiva.
2016
CORDEIRO, Sarah Maria 
Melo; DA SILVA, Grazielle 
Roberta Freitas; LUZ, 
Maria Helena Barros 
Araujo.5
Pacientes em unidade 
de hemodinâmica: 
aplicabilidade da teoria 
humanística. Revista Rede 
de Cuidados em Saúde, v. 
9, n. 1,
Refletir criticamente acerca da 
possibilidade de aplicação da teoria 
da prática humanística de Paterson e 
Zderad, na assistência de enfermagem 
aos pacientes submetidos ao setor de 
hemodinâmica. 
2015
Girlene da costa 6 Atuação do enfermeiro no 
serviço de hemodinâmica: 
uma revisão integrativa
As unidades contam com enfermeiros 
altamente satisfeitos e capacitados para 
que gerenciar seu processo de trabalho, 
e para desenvolver suas competências, 
assim como as dos demais membros da 
equipe.
2014
4 | DISCUSSÃO
A enfermagem é uma das dez profissões da área de saúde que contribui para a o 
bom desempenho e assistência de qualidade e a força de trabalho no setor de saúde no 
País. Atualmente, a maioria desses profissionais desenvolvem múltiplas atividades, com o 
gerenciamento de dupla jornada entre vida pessoal e profissional, o que pode favorecer o 
desgaste e o consequente estresse. 
As medidas descritivas para as variáveis como idade, tempo de formação e 
tempo de trabalho dos enfermeiros em UHD, estão diretamente ligados entre execução e 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 14 128
excelência. O avanço crescente das Unidades de Hemodinâmica tem favorecido a inserção 
do enfermeiro neste mercado de trabalho, que é considerado setor de alta complexidade, 
exigindo dos enfermeiros habilidades e competências. 
A atuação do enfermeiro em unidade de hemodinâmica exige conhecimento 
complexo. Para que esse profissional desempenhe suas funções com versatilidade e 
qualidade da assistência ao paciente, o mesmo necessita de experiências, atualizações 
constantes, e desenvolvimento de conhecimentos e habilidades específicas para área, 
salientando-se assim a necessidade de aperfeiçoamento constante (LINCH et al., 2009). 
Nesse sentido, de acordo com a portaria SAS/MS nº 123 de 28/02/05, a equipe de 
Unidades de Assistência em Alta Complexidade Cardiovascular, entre elas, unidades de 
hemodinâmica devem contar com um enfermeiro coordenador, com Especialização em 
Cardiologia ou com certificado de Residência em Cardiologia reconhecido pelo MEC ou 
com título de Especialista em Enfermagem Cardiovascular, reconhecido pelas Sociedade 
Brasileira de Enfermagem Cardiovascular-SOBENC. 
Sobre a necessidade de conhecimentos específicos para o enfermeiro realizar 
prática assistencial em UHD, Vieira et al., (2009) traz para discussão o fato de que a 
maioria dos cursos de graduação em enfermagem não contempla, em sua grade curricular, 
conhecimentos mais profundos sobre radiologia, porém para o bom funcionamento dos 
serviços de angiografia e hemodinâmica, o enfermeiro hemodinamicista precisa ter 
conhecimentos básicos sobre essa especialidade, incluindo direitos e deveres desses 
profissionais. 
Essa afirmativa reforça a ideia de que para atuar nessa área o enfermeiro precisa 
realizar cursos (ex. pós-graduação Latu senso) que o instrumentalizem para tal.
5 | CONCLUSÃO
A monitorização hemodinâmica tem como objetivo primordial alertar precocemente 
alterações no estado clínico do doente. Contudo, o excesso de falsos alarmes pode levar 
não só à dessensibilização dos profissionais mas também à interrupção da dinâmica de 
trabalho. Os enfermeiros, pela sua práxis, são um dos grupos profissionais mais exposto 
à problemática dos alarmes clínicos, dada a sua ininterrupta atividade alocada ao doente.
Com base na pesquisa efetuada, constatamos que os profissionais de saúde têm 
presente a bipolaridade dos alarmes clínicos. Se por um lado estes podem ser aliados ao 
seu desempenho, por outro podem ser condicionantes à sua prestação de cuidados. Os 
profissionais identificam limitações na sua gestão e sugerem diversas estratégias passíveis 
de implementar. Verificamos que o comportamento dos profissionais de saúde perante os 
alarmes clínicos nos estudos encontrados não é linear. Os comportamentos adotados 
variam entre alterar os parâmetros no início de cada turno até ignorar uma grande maioria 
deles.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 14 129
Em paralelo, na nossa prática diária, observamos que não existe um modo coletivo 
de atuação. Cada indivíduo tem dinâmicas e saberes próprios, agindo em conformidade com 
os mesmos. Correlaciona-se, ainda, com as circunstâncias intrínsecas a cada situação, tais 
como o número de elementos da equipa, o número de falsos alarmes, stresse profissional, 
entre outros. Tal facto pode estar relacionado com uma cultura de prestação de cuidados de 
enfermagem pouco sensibilizada e com a escassez de investigações acerca desta temática 
na atualidade portuguesa. É impreterível que haja um reconhecimento institucional no que 
concerne à complexidade da gestão dos alarmes, mobilizando os recursos necessários 
para a melhoria do ambiente em UCI.
O presente estudo carece de trabalhos de investigação relacionados com a temática 
explorada, pelo que acreditamos que esta consiste numa das limitações da nossa revisão 
sistemática da literatura. Por outro lado a escolha dos descritores, das bases de dados e 
dos idiomas para a realização da pesquisa podem ter condicionado os resultados obtidos.
REFERÊNCIAS
SCHMOELLER, Roseli; TRINDADE, Letícia de Lima; NEIS, Márcia Binder; GELBECK, Francine Lima; 
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GALO, Ana Rita Loureiro; DIOGO, Catarina Alexandra Souto; CIPRIANO, Diana Nogueira; ARAÚJO, 
Isabel; MARTINS, Júlia Mariza Bento; CUNHA, Lara Daniela Matos. Comportamentos dos enfermeiros 
perante os alarmes clínicos em Unidades de Cuidados Intensivos: uma revisão integrativa. Revista de 
Enfermagem Referência, n. 11, p. 105-112, 2013.
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VENTURI, Viviane; VIANA, Cidicléia Pereira; MAIA, Luiz Faustino dos Santos; BASÍLIO, Maria Jesuela; 
OLIVEIRA, Andréia Avelino, SOBRINHO, Josiane Carlos; MELO, Roberto da Silva Ferreira; O papel 
do enfermeiro no manejo da monitorização hemodinâmica em unidade de terapia intensiva. Revista 
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CORDEIRO, Sarah Maria Melo; DA SILVA, Grazielle Roberta Freitas; LUZ, Maria Helena Barros Araujo. 
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Cuidados em Saúde, v. 9, n. 1, 2015.
Girlene Ribeiro da Costa, Saraí de Brito Cardoso, Luciane Leal Sousa, Thiego Ramon Soares, Adriana 
Kelly, Almeida Ferreira, Francielzo Ferreira Lima. Atuação do enfermeiro no serviço de hemodinâmica: 
uma revisão integrativa.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 15 130
Data de aceite: 22/01/2021
CAPÍTULO 15
doi
CAPACITAÇÃO A DISTÂNCIA PARA COMUNICAÇÃO 
DE ACIDENTES DE TRABALHO DO SERVIDOR: A 
EXPERIÊNCIA DA SES-MT
Data de submissão: 06/11/2020
Janete Silva Porto
Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso 
Cuiabá – MT 
https://orcid.org/0000-0003-2927-8172
http://lattes.cnpq.br/2483798819425987
Ana Carolina Pereira Luiz Soares
Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso 
Cuiabá – MT 
Liris Madalena Moersehbaecher Werle de 
Lemos
Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso 
Cuiabá – MT 
Márcia Regina de Deus Rocha Arcanjo 
Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso 
Cuiabá – MT 
RESUMO: Introdução: os acidentes de trabalho 
representam um sério problema de saúde pública, 
sendo os serviços de saúde responsáveis por 
parte significativa das estatísticas. Objetivo: 
capacitar os servidores da Secretaria de Estado 
de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) para a 
notificação dos acidentes de trabalho por meio 
do formulário “Comunicação de Acidentes e 
Agravos à Saúde do Servidor (CASS)”. Método: 
curso estruturado em três módulos, com total de 
40 horas, formatado na plataforma Moodle, para 
membros das Comissões Locais de Segurança 
no Trabalho (CLST) e profissionais de recursos 
humanos; contou com atividades avaliativas 
teóricas e práticas. Resultados: 63 inscritos; oito 
não acessaram a plataforma; 55 acessaram e 42 
concluíram o curso; a maioria mulheres, média 
de idade 44,6 anos, atendidas 28 unidades 
e 16 municípios; média final 87,5, evasão de 
23,6%. Discussões: a evasão nos cursos EaD 
é esperada, neste a porcentagem foi de 23,6%. 
Para Bittencourt e Mercado (2014) varia entre 40 
e 70%. Diversos fatores podem contribuir para 
a evasão (Almeida et al, 2013). O desempenho 
dos alunos foi superior ao estabelecido no 
projeto. Considerações Finais: a modalidade 
EaD mostrou-se uma alternativa viável e foi além 
do preenchimento do formulário, agregando 
conhecimentos e habilidades sobre vários 
aspectos da saúde do trabalhador. A média 
final pode ser um indicador de que o objetivo 
do projeto foi alcançado. Recomendações: o 
curso está sendo remodelado, para o desenho 
auto instrucional, de modo a ampliar a oferta para 
todo o público da SES-MT, uma vez que todos 
os trabalhadores estão expostos aos riscos de 
acidentes e podem contribuir com a notificação.
PALAVRAS-CHAVE: Educação a distância. 
Notificação de acidentes de trabalho. Saúde do 
Trabalhador. 
DISTANCE TRAINING FOR 
COMMUNICATION OF SERVER WORK 
ACCIDENTS: THE SES-MT EXPERIENCE
ABSTRACT: Introduction: accidents at work 
represent a serious public health problem, with 
health services have been responsible for a 
significant part of the statistics. Objective: to 
train the employees of the Mato Grosso State 
https://orcid.org/0000-0003-2927-8172
http://lattes.cnpq.br/2483798819425987
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 15 131
Secretariat of Health (SES-MT) for the notification of occupational accidents through the form 
“Communication of Accidents and Health Problems of the Server (CASS)”. Method: course 
structured in three modules, totaling 40 hours, formatted on the Moodle platform, for members 
of the Local Workplace Safety Commissions (CLST) and human resources professionals; 
included theoretical and practical evaluative activities. Results: 63 registered; eight did not 
access the platform; 55 accessed and 42 completed the course; most women, average age 
44.6 years, attended 28 units and 16 municipalities; final average 87.5, evasion of 23.6%. 
Discussions: dropout in distance education courses is expected, in this case the percentage 
was 23.6%. For Bittencourt and Mercado (2014) it varies between 40 and 70%. Several factors 
can contribute to evasion (Almeida et al, 2013). The students’ performance was superior to 
that established in the project. Final considerations: the distance learning modality proved 
to be a viable alternative and went beyond filling in the form, adding knowledge and skills 
on various aspects of worker health. The final average can be an indicator that the objective 
of the project has been achieved. Recommendations: the course is being remodeled, for 
self-instructional design, in order to expand the offer to the entire public of SES-MT, since all 
workers are exposed to the risks of accidents and can contribute to the notification.
KEYWORDS: Education, distance. Occupational Accidents Registry. Occupational health.
1 | INTRODUÇÃO
Segundo a Organização Internacional do Trabalho, acidente do trabalho é todo 
acontecimento inesperado e imprevisto, incluindo atos de violência, derivado do trabalho 
ou com ele relacionado, do qual resulta uma lesão corporal, uma doença ou a morte de um 
ou vários trabalhadores (OIT, 1998). 
De acordo com a legislação brasileira, art. 19 da Lei nº 8.213/91, 
“acidente de trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço 
da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso 
VII do art. 11 desta lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional 
que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da 
capacidade para o trabalho”.
Diante da ocorrência do acidente, sendo o mesmo caracterizado como decorrente 
do trabalho, deve ser registrado e monitorado. Existem diversos meios de se efetuar o 
registro dos acidentes de trabalho, estabelecidos na legislação, em cada esfera do serviço 
público e na iniciativa privada. 
No estado de Mato Grosso a notificação está pautada no Manual de Saúde 
e Segurança no Trabalho para os Servidores da Administração Direta, Autárquica e 
Fundacional do Poder Executivo do Estado de Mato Grosso instituído em 2016, tendo 
como instrumento de registro o formulário “Comunicação de Acidentes e Agravos à Saúde 
do Servidor (CASS)”.
Dados dos relatórios internos da SES-MT, no período de 2008 a 2017 foram 
registrados 499 acidentes de trabalho envolvendo servidores efetivos e contratados 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 15 132
temporários. Apesar de mostrar-se um número expressivo, não revela a real magnitude do 
problema, pois há subnotificação dos casos. 
Segundo Oliveira et al (2015) a subnotificação se revela uma questão de ordem 
universal, que vem sendo amplamente discutida, principalmente por ocultar a realidade e 
assim, dificultar as ações preventivas. 
Diversos estudos corroboram esta afirmação e apontam uma diversidade de fatorescomo motivadores da subnotificação dos acidentes (DIAS FERREIRA et al, 2015; VALIM 
et al, 2014), entre eles as dificuldades no preenchimento do formulário e envio para a 
instância pertinente, impossibilitando a conclusão do registro dos acidentes; escassez de 
conhecimento dos profissionais de saúde acerca dos acidentes de trabalho, incluindo as 
condutas pós exposição (LIMA, et al 2018). Neste sentido, o desenvolvimento de ações 
de educação permanente é o caminho para reduzir a subnotificação e prevenir novas 
ocorrências. 
Afinal, os ambientes de trabalho, de maneira geral, oferecem riscos à saúde e 
segurança dos trabalhadores e precisam ser mitigados ou eliminados, prioritariamente, 
com a participação do trabalhador, envolvendo-o nas ações de melhoria dos processos de 
trabalho, no cumprimento das normas de saúde e segurança, o que implica na compreensão 
sobre os riscos e as formas de prevenção, por meio da adoção de comportamentos seguros 
e saudáveis no ambiente de trabalho. 
Até meados de 2018 este momento, as capacitações na SES-MT, de maneira 
geral, vinham sendo realizadas na modalidade presencial, limitando a oferta dos cursos. 
Fato decorrente principalmente das dificuldades financeiras e logísticas para deslocar os 
servidores para a capital ou a equipe para as unidades do interior; dificuldades de liberação 
dos servidores de algumas unidades devido insuficiência de recursos humanos para cobrir 
as ausências; equipe técnica insuficiente para realização das capacitações conforme a 
demanda.
Devido a capilaridade da instituição que está inserida em diversas e longínquas 
localidades do estado e as dificuldades acima apontadas surgiu a ideia de introduzir a 
modalidade a distância buscando suprir tal necessidade.
A Educação a Distância (EaD) apresenta inúmeras vantagens para o processo 
de ensino aprendizagem, principalmente por alcançar um público expressivo, em 
diversos locais, além de incorporar recursos tecnológicos que enriquecem o processo, 
entre outras (SILVA et al, 2018). Apresenta-se como uma alternativa vantajosa e viável, 
didática, operacional e financeiramente, principalmente por possibilitar ampla abrangência 
geográfica, redução importante nos custos com logística se comparado ao curso presencial, 
manutenção da qualidade do conteúdo ou superior (pode ser aperfeiçoada pela diversidade 
de recursos tecnológicos disponíveis), de forma dinâmica, acessível, interativa, inovadora 
e permanente.
Silva et al (2018) enfatizam estas características da modalidade EaD como a 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 15 133
apropriação de meios tecnológicos para a conexão entre tutor e discente no processo de 
ensino aprendizagem, produzindo a interatividade dos participantes com um ambiente de 
comunicação virtual utilizando diversas ferramentas que facilitam a aprendizagem. 
Finalizando, a Educação a Distância (EaD) apresenta-se como uma ferramenta com 
inúmeras vantagens para o processo de ensino aprendizagem, principalmente por alcançar 
um público expressivo, independentemente da localização geográfica, além de incorporar 
recursos tecnológicos que enriquecem o processo. 
Desta forma, a EaD foi adotada na perspectiva de levar ao trabalhador o 
conhecimento necessário para efetuar o registro dos acidentes de trabalho, reconhecer 
os riscos ambientais e ao mesmo tempo prevenir os agravos à saúde e segurança no 
ambiente laboral.
Buscou-se com o conteúdo do curso oportunizar ao aluno ampliar o olhar para além 
da questão técnica da notificação dos acidentes de trabalho, englobando conceitos da 
saúde do trabalhador, legislação trabalhista, riscos ocupacionais, conceitos, características, 
estatísticas, com atividades práticas de notificação de acidentes de trabalho (típico, de 
trajeto e doença do trabalho). 
2 | OBJETIVO GERAL
Capacitar os servidores lotados nos setores de Gestão de Pessoas de todas as 
Unidades da SES-MT para a notificação dos acidentes de trabalho por meio do formulário 
“Comunicação de Acidentes e Agravos à Saúde do Servidor (CASS)”. 
2.1 Objetivos específicos
a. Oportunizar o conhecimento das legislações de saúde e segurança no trabalho; 
b. Oferecer subsídios teóricos e práticos para caracterização e mapeamento dos 
riscos ambientais nos locais de trabalho;
c. Oferecer subsídios teóricos e práticos sobre os acidentes de trabalho em todos os 
seus aspectos, com foco na Comunicação de Acidentes e Agravos à Saúde do 
Servidor (CASS) como instrumento de registro.
3 | MÉTODO 
Para concretização desta iniciativa estabeleceu-se uma parceria entre a 
Superintendência de Gestão de Pessoas e a Escola de Saúde Pública de Mato Grosso. A 
primeira, por meio, dos técnicos da Gerência de Saúde e Segurança, a qual disponibilizou 
os profissionais para construção e execução do projeto, inclusive a tutoria e, a segunda 
que, disponibilizou os serviços de assessoria técnica e modelagem do curso na plataforma 
moodle.
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 15 134
As etapas de desenvolvimento do projeto foram:
1. Construção do projeto: março a maio/2018;
2. Elaboração e sistematização dos conteúdos: abril a junho/2018;
3. Modelagem do curso na plataforma Moodle: junho a julho/2018;
4. Treinamento das tutoras: julho/2018;
5. Execução do curso: agosto a outubro/2018;
6. Avaliação do curso: outubro/2018;
7. Elaboração do relatório final: outubro a novembro/2018.
O curso foi construído com três módulos, totalizando 40 horas, sendo: Módulo I – 
saúde do trabalhador; Módulo II – Riscos Ocupacionais; Módulo III – Acidentes de Trabalho. 
Todos os módulos contaram com texto base, textos complementares, vídeos educativos e 
atividades avaliativas, sendo: fórum de discussão e de avaliação, levantamento de riscos 
ambientais na unidade com upload do arquivo na plataforma e notificação de acidentes 
também com upload do arquivo na plataforma.
Realizado no período de agosto a outubro de 2018, em ambiente totalmente virtual, 
com a tutoria de sete profissionais, teve como público alvo os membros das Comissões 
Locais de Saúde do Trabalhador (CLSTs) e profissionais de recursos humanos.
Como parâmetros de avaliação adotou-se a pontuação de 0,00 – 100,0 e a nota 
mínima para obtenção do certificado de 80,0 em cada atividade proposta. 
Para operacionalização do curso foram utilizados os recursos humanos próprios 
da SES-MT, assim como os recursos materiais e tecnológicos, não havendo desembolso 
direto para a iniciativa.
Para divulgação foram utilizadas várias estratégias: envio de documento oficial aos 
gestores das unidades; banner digital via e-mail e WhatsApp; e contatos telefônicos. 
As inscrições foram realizadas por meio de formulário na plataforma googleforms 
desenvolvido pela equipe de tutoras.
A avaliação foi realizada por meio de formulário na plataforma googleforms, 
desenvolvido pela equipe de moderadoras, disponibilizado pelo link https://goo.gl/forms/
N777b3uRJ70nrAoB3 na plataforma do curso e enviado por e-mail para todos os inscritos, 
independente de terem concluído ou não a capacitação. Os dados foram agrupados pelos 
tópicos: módulo I, II e III, plataforma, mediação/tutoria, aspectos gerais. 
4 | RESULTADOS
Do total de 63 servidores que se inscreveram, oito não acessaram a plataforma. Dos 
55 que acessaram, 42 concluíram o curso. 
Considerando o total de 42 que concluíram 73,8% são mulheres e 26,2% são 
 
Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 15 135
homens, com média de idade de 44,6 anos. 
Foram atendidas 28 unidades de 16 municípios do estado (capital e interior). 
Quanto a categoria profissional, quase a metade (45,2%) corresponde aos 
assistentes administrativos, seguidos de 7,1% com formação superior em administração e, 
os demais se distribuem entre as categorias profissionais técnico-assistenciais. Em relação 
a situação funcional 11,9% exercem cargo comissionado, o cargo nível médio representa 
35,7% dos alunos, seguidos de 31,0% do cargo nível superior, profissionais

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