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Conselho Editorial Ciências Humanas e Sociais Aplicadas Prof. Dr. Alexandre Jose Schumacher – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná Prof. Dr. Américo Junior Nunes da Silva – Universidade do Estado da Bahia Prof. Dr. Antonio Carlos Frasson – Universidade Tecnológica Federal do Paraná Prof. Dr. Antonio Gasparetto Júnior – Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais Prof. Dr. Antonio Isidro-Filho – Universidade de Brasília Prof. Dr. Carlos Antonio de Souza Moraes – Universidade Federal Fluminense Prof. Dr. Crisóstomo Lima do Nascimento – Universidade Federal Fluminense Profª Drª Cristina Gaio – Universidade de Lisboa Prof. Dr. Daniel Richard Sant’Ana – Universidade de Brasília Prof. Dr. Deyvison de Lima Oliveira – Universidade Federal de Rondônia Profª Drª Dilma Antunes Silva – Universidade Federal de São Paulo Prof. Dr. Edvaldo Antunes de Farias – Universidade Estácio de Sá Prof. Dr. Elson Ferreira Costa – Universidade do Estado do Pará Prof. Dr. Eloi Martins Senhora – Universidade Federal de Roraima Prof. Dr. Gustavo Henrique Cepolini Ferreira – Universidade Estadual de Montes Claros Profª Drª Ivone Goulart Lopes – Istituto Internazionele delle Figlie de Maria Ausiliatrice Prof. Dr. Jadson Correia de Oliveira – Universidade Católica do Salvador Prof. Dr. Julio Candido de Meirelles Junior – Universidade Federal Fluminense Profª Drª Lina Maria Gonçalves – Universidade Federal do Tocantins Prof. Dr. Luis Ricardo Fernandes da Costa – Universidade Estadual de Montes Claros Profª Drª Natiéli Piovesan – Instituto Federal do Rio Grande do Norte Prof. Dr. Marcelo Pereira da Silva – Pontifícia Universidade Católica de Campinas Profª Drª Maria Luzia da Silva Santana – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul Profª Drª Paola Andressa Scortegagna – Universidade Estadual de Ponta Grossa Profª Drª Rita de Cássia da Silva Oliveira – Universidade Estadual de Ponta Grossa Prof. Dr. Rui Maia Diamantino – Universidade Salvador Prof. Dr. Urandi João Rodrigues Junior – Universidade Federal do Oeste do Pará Profª Drª Vanessa Bordin Viera – Universidade Federal de Campina Grande Prof. Dr. William Cleber Domingues Silva – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Prof. Dr. Willian Douglas Guilherme – Universidade Federal do Tocantins Ciências Agrárias e Multidisciplinar Prof. Dr. Alexandre Igor Azevedo Pereira – Instituto Federal Goiano Profª Drª Carla Cristina Bauermann Brasil – Universidade Federal de Santa Maria Prof. Dr. Antonio Pasqualetto – Pontifícia Universidade Católica de Goiás Prof. Dr. Cleberton Correia Santos – Universidade Federal da Grande Dourados Profª Drª Daiane Garabeli Trojan – Universidade Norte do Paraná Profª Drª Diocléa Almeida Seabra Silva – Universidade Federal Rural da Amazônia Prof. Dr. Écio Souza Diniz – Universidade Federal de Viçosa Prof. Dr. Fábio Steiner – Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul Prof. Dr. Fágner Cavalcante Patrocínio dos Santos – Universidade Federal do Ceará Profª Drª Girlene Santos de Souza – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Prof. Dr. Jael Soares Batista – Universidade Federal Rural do Semi-Árido Prof. Dr. Júlio César Ribeiro – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Profª Drª Lina Raquel Santos Araújo – Universidade Estadual do Ceará Prof. Dr. Pedro Manuel Villa – Universidade Federal de Viçosa Profª Drª Raissa Rachel Salustriano da Silva Matos – Universidade Federal do Maranhão Prof. Dr. Ronilson Freitas de Souza – Universidade do Estado do Pará Profª Drª Talita de Santos Matos – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Prof. Dr. Tiago da Silva Teófilo – Universidade Federal Rural do Semi-Árido Prof. Dr. Valdemar Antonio Paffaro Junior – Universidade Federal de Alfenas Ciências Biológicas e da Saúde Prof. Dr. André Ribeiro da Silva – Universidade de Brasília Profª Drª Anelise Levay Murari – Universidade Federal de Pelotas Prof. Dr. Benedito Rodrigues da Silva Neto – Universidade Federal de Goiás Profª Drª Débora Luana Ribeiro Pessoa – Universidade Federal do Maranhão Prof. Dr. Douglas Siqueira de Almeida Chaves – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Prof. Dr. Edson da Silva – Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri Profª Drª Elizabeth Cordeiro Fernandes – Faculdade Integrada Medicina Profª Drª Eleuza Rodrigues Machado – Faculdade Anhanguera de Brasília Profª Drª Elane Schwinden Prudêncio – Universidade Federal de Santa Catarina Profª Drª Eysler Gonçalves Maia Brasil – Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira Prof. Dr. Ferlando Lima Santos – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Prof. Dr. Fernando Mendes – Instituto Politécnico de Coimbra – Escola Superior de Saúde de Coimbra Profª Drª Gabriela Vieira do Amaral – Universidade de Vassouras Prof. Dr. Gianfábio Pimentel Franco – Universidade Federal de Santa Maria Prof. Dr. Helio Franklin Rodrigues de Almeida – Universidade Federal de Rondônia Profª Drª Iara Lúcia Tescarollo – Universidade São Francisco Prof. Dr. Igor Luiz Vieira de Lima Santos – Universidade Federal de Campina Grande Prof. Dr. Jefferson Thiago Souza – Universidade Estadual do Ceará Prof. Dr. Jesus Rodrigues Lemos – Universidade Federal do Piauí Prof. Dr. Jônatas de França Barros – Universidade Federal do Rio Grande do Norte Prof. Dr. José Max Barbosa de Oliveira Junior – Universidade Federal do Oeste do Pará Prof. Dr. Luís Paulo Souza e Souza – Universidade Federal do Amazonas Profª Drª Magnólia de Araújo Campos – Universidade Federal de Campina Grande Prof. Dr. Marcus Fernando da Silva Praxedes – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Profª Drª Maria Tatiane Gonçalves Sá – Universidade do Estado do Pará Profª Drª Mylena Andréa Oliveira Torres – Universidade Ceuma Profª Drª Natiéli Piovesan – Instituto Federacl do Rio Grande do Norte Prof. Dr. Paulo Inada – Universidade Estadual de Maringá Prof. Dr. Rafael Henrique Silva – Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados Profª Drª Regiane Luz Carvalho – Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino Profª Drª Renata Mendes de Freitas – Universidade Federal de Juiz de Fora Profª Drª VanessaLima Gonçalves – Universidade Estadual de Ponta Grossa Profª Drª Vanessa Bordin Viera – Universidade Federal de Campina Grande Ciências Exatas e da Terra e Engenharias Prof. Dr. Adélio Alcino Sampaio Castro Machado – Universidade do Porto Prof. Dr. Carlos Eduardo Sanches de Andrade – Universidade Federal de Goiás Profª Drª Carmen Lúcia Voigt – Universidade Norte do Paraná Prof. Dr. Cleiseano Emanuel da Silva Paniagua – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás Prof. Dr. Douglas Gonçalves da Silva – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia Prof. Dr. Eloi Rufato Junior – Universidade Tecnológica Federal do Paraná Profª Drª Érica de Melo Azevedo – Instituto Federal do Rio de Janeiro Prof. Dr. Fabrício Menezes Ramos – Instituto Federal do Pará Profª Dra. 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Abrãao Carvalho Nogueira – Universidade Federal do Espírito Santo Prof. Me. Adalberto Zorzo – Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza Prof. Dr. Adaylson Wagner Sousa de Vasconcelos – Ordem dos Advogados do Brasil/Seccional Paraíba Prof. Dr. Adilson Tadeu Basquerote Silva – Universidade para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí Prof. Dr. Alex Luis dos Santos – Universidade Federal de Minas Gerais Prof. Me. Alexsandro Teixeira Ribeiro – Centro Universitário Internacional Profª Ma. Aline Ferreira Antunes – Universidade Federal de Goiás Prof. Me. André Flávio Gonçalves Silva – Universidade Federal do Maranhão Profª Ma. Andréa Cristina Marques de Araújo – Universidade Fernando Pessoa Profª Drª Andreza Lopes – Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Acadêmico Profª Drª Andrezza Miguel da Silva – Faculdade da Amazônia Profª Ma. Anelisa Mota Gregoleti – Universidade Estadual de Maringá Profª Ma. Anne Karynne da Silva Barbosa – Universidade Federal do Maranhão Prof. Dr. Antonio Hot Pereira de Faria – Polícia Militar de Minas Gerais Prof. Me. Armando Dias Duarte – Universidade Federal de Pernambuco Profª Ma. Bianca Camargo Martins – UniCesumar Profª Ma. Carolina Shimomura Nanya – Universidade Federal de São Carlos Prof. Me. Carlos Antônio dos Santos – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Prof. Me. Christopher Smith Bignardi Neves – Universidade Federal do Paraná Prof. Ma. Cláudia de Araújo Marques – Faculdade de Música do Espírito Santo Profª Drª Cláudia Taís Siqueira Cagliari – Centro Universitário Dinâmica das Cataratas Prof. Me. Clécio Danilo Dias da Silva – Universidade Federal do Rio Grande do Norte Prof. Me. Daniel da Silva Miranda – Universidade Federal do Pará Profª Ma. Daniela da Silva Rodrigues – Universidade de Brasília Profª Ma. Daniela Remião de Macedo – Universidade de Lisboa Profª Ma. Dayane de Melo Barros – Universidade Federal de Pernambuco Prof. Me. Douglas Santos Mezacas – Universidade Estadual de Goiás Prof. Me. Edevaldo de Castro Monteiro – Embrapa Agrobiologia Prof. Me. Eduardo Gomes de Oliveira – Faculdades Unificadas Doctum de Cataguases Prof. Me. Eduardo Henrique Ferreira – Faculdade Pitágoras de Londrina Prof. Dr. Edwaldo Costa – Marinha do Brasil Prof. Me. Eliel Constantino da Silva – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Prof. Me. Ernane Rosa Martins – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás Prof. Me. Euvaldo de Sousa Costa Junior – Prefeitura Municipal de São João do Piauí Prof. Dr. Everaldo dos Santos Mendes – Instituto Edith Theresa Hedwing Stein Prof. Me. Ezequiel Martins Ferreira – Universidade Federal de Goiás Profª Ma. Fabiana Coelho Couto Rocha Corrêa – Centro Universitário Estácio Juiz de Fora Prof. Me. Fabiano Eloy Atílio Batista – Universidade Federal de Viçosa Prof. Me. Felipe da Costa Negrão – Universidade Federal do Amazonas Prof. Me. Francisco Odécio Sales – Instituto Federal do Ceará Profª Drª Germana Ponce de Leon Ramírez – Centro Universitário Adventista de São Paulo Prof. Me. Gevair Campos – Instituto Mineiro de Agropecuária Prof. Me. Givanildo de Oliveira Santos – Secretaria da Educação de Goiás Prof. Dr. Guilherme Renato Gomes – Universidade Norte do Paraná Prof. Me. Gustavo Krahl – Universidade do Oeste de Santa Catarina Prof. Me. Helton Rangel Coutinho Junior – Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro Profª Ma. Isabelle Cerqueira Sousa – Universidade de Fortaleza Profª Ma. Jaqueline Oliveira Rezende – Universidade Federal de Uberlândia Prof. Me. Javier Antonio Albornoz – University of Miami and Miami Dade College Prof. Me. Jhonatan da Silva Lima – Universidade Federal do Pará Prof. Dr. José Carlos da Silva Mendes – Instituto de Psicologia Cognitiva, Desenvolvimento Humano e Social Prof. Me. Jose Elyton Batista dos Santos – Universidade Federal de Sergipe Prof. Me. José Luiz Leonardo de Araujo Pimenta – Instituto Nacional de Investigación Agropecuaria Uruguay Prof. Me. José Messias Ribeiro Júnior – Instituto Federal de Educação Tecnológica de Pernambuco Profª Drª Juliana Santana de Curcio – Universidade Federal de Goiás Profª Ma. Juliana Thaisa Rodrigues Pacheco – Universidade Estadual de Ponta Grossa Profª Drª Kamilly Souza do Vale – Núcleo de Pesquisas Fenomenológicas/UFPA Prof. Dr. Kárpio Márcio de Siqueira – Universidade do Estado da Bahia Profª Drª Karina de Araújo Dias – Prefeitura Municipal de Florianópolis Prof. Dr. Lázaro Castro Silva Nascimento – Laboratório de Fenomenologia & Subjetividade/UFPR Prof. Me. Leonardo Tullio – Universidade Estadual de Ponta Grossa Profª Ma. Lilian Coelho de Freitas – Instituto Federal do Pará Profª Ma. Liliani Aparecida Sereno Fontes de Medeiros – Consórcio CEDERJ Profª Drª Lívia do Carmo Silva – Universidade Federal de Goiás Prof. Dr. Lucio Marques Vieira Souza – Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura de Sergipe Prof. Dr. Luan Vinicius Bernardelli – Universidade Estadual do Paraná Profª Ma. Luana Ferreira dos Santos – Universidade Estadual de Santa Cruz Profª Ma. Luana Vieira Toledo – Universidade Federal de Viçosa Prof. Me. Luis Henrique Almeida Castro – Universidade Federal da Grande Dourados Profª Ma. Luma Sarai de Oliveira – Universidade Estadual de Campinas Prof. Dr. Michel da Costa – Universidade Metropolitana de Santos Prof. Me. Marcelo da Fonseca Ferreira da Silva – Governo do Estado do Espírito Santo Prof. Dr. Marcelo Máximo Purificação – Fundação Integrada Municipal de Ensino Superior Prof. Me. Marcos Aurelio Alves e Silva – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologiade São Paulo Profª Ma. Maria Elanny Damasceno Silva – Universidade Federal do Ceará Profª Ma. Marileila Marques Toledo – Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri Prof. Me. Pedro Panhoca da Silva – Universidade Presbiteriana Mackenzie Profª Drª Poliana Arruda Fajardo – Universidade Federal de São Carlos Prof. Me. Ricardo Sérgio da Silva – Universidade Federal de Pernambuco Prof. Me. Renato Faria da Gama – Instituto Gama – Medicina Personalizada e Integrativa Profª Ma. Renata Luciane Polsaque Young Blood – UniSecal Prof. Me. Robson Lucas Soares da Silva – Universidade Federal da Paraíba Prof. Me. Sebastião André Barbosa Junior – Universidade Federal Rural de Pernambuco Profª Ma. Silene Ribeiro Miranda Barbosa – Consultoria Brasileira de Ensino, Pesquisa e Extensão Profª Ma. Solange Aparecida de Souza Monteiro – Instituto Federal de São Paulo Profª Ma. Taiane Aparecida Ribeiro Nepomoceno – Universidade Estadual do Oeste do Paraná Prof. Me. Tallys Newton Fernandes de Matos – Faculdade Regional Jaguaribana Profª Ma. Thatianny Jasmine Castro Martins de Carvalho – Universidade Federal do Piauí Prof. Me. Tiago Silvio Dedoné – Colégio ECEL Positivo Prof. Dr. Welleson Feitosa Gazel – Universidade Paulista Gerenciamento de serviços de saúde e enfermagem Editora Chefe: Bibliotecária: Diagramação: Correção: Edição de Arte: Revisão: Organizadora: Profª Drª Antonella Carvalho de Oliveira Janaina Ramos Camila Alves de Cremo Vanessa Mottin de Oliveira Batista Luiza Alves Batista Os Autores Luana Vieira Toledo Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) G367 Gerenciamento de serviços de saúde e enfermagem / Organizadora Luana Vieira Toledo. – Ponta Grossa - PR: Atena, 2021. Formato: PDF Requisitos de sistema: Adobe Acrobat Reader Modo de acesso: World Wide Web Inclui bibliografia ISBN 978-65-5706-767-3 DOI 10.22533/at.ed.673252101 1. Saúde. 2. Enfermagem. I. Toledo, Luana Vieira (Organizadora). II. Título. CDD 613 Elaborado por Bibliotecária Janaina Ramos – CRB-8/9166 Atena Editora Ponta Grossa – Paraná – Brasil Telefone: +55 (42) 3323-5493 www.atenaeditora.com.br contato@atenaeditora.com.br DECLARAÇÃO DOS AUTORES Os autores desta obra: 1. Atestam não possuir qualquer interesse comercial que constitua um conflito de interesses em relação ao artigo científico publicado; 2. Declaram que participaram ativamente da construção dos respectivos manuscritos, preferencialmente na: a) Concepção do estudo, e/ou aquisição de dados, e/ou análise e interpretação de dados; b) Elaboração do artigo ou revisão com vistas a tornar o material intelectualmente relevante; c) Aprovação final do manuscrito para submissão.; 3. Certificam que os artigos científicos publicados estão completamente isentos de dados e/ou resultados fraudulentos; 4. Confirmam a citação e a referência correta de todos os dados e de interpretações de dados de outras pesquisas; 5. Reconhecem terem informado todas as fontes de financiamento recebidas para a consecução da pesquisa. APRESENTAÇÃO A coleção “Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem” apresenta em quatro volumes a produção científica sobre o gerenciamento e organização dos serviços de saúde nos diferentes contextos assistenciais. Nos serviços de saúde, as atividades gerenciais são consideradas fundamentais para o alcance dos objetivos propostos, sendo compreendida como uma atividade multiprofissional diretamente relacionada à qualidade da assistência oferecida. Tendo em vista a relevância da temática, objetivou-se elencar de forma categorizada, em cada volume, os estudos das variadas instituições de ensino, pesquisa e assistência do país, a fim de compartilhar com os leitores as evidências produzidas por eles. O volume 1 da obra aborda os aspectos da organização dos serviços de saúde e enfermagem sob a ótica daqueles que realizam o cuidado. Destacam-se os riscos ocupacionais, as dificuldades enfrentadas no cotidiano do trabalho e o consequente adoecimento dos profissionais. No volume 2 estão agrupadas as publicações com foco no gerenciamento das ações de planejamento familiar, incluindo a saúde do homem, da mulher, da criança e do adolescente. O Volume 3 contempla a importância das ações de gerenciamento em diferentes contextos assistenciais, iniciando-se pela academia. Essa obra é composta pelas publicações que incluem as instituições escolares, unidades básicas de saúde, instituições de longa permanência e serviços de atendimento especializado. O volume 4, por sua vez, apresenta as produções científicas de origem multiprofissional relacionadas às condições de adoecimento que requerem assistência hospitalar. Destacam-se estudos com pacientes críticos e em cuidados paliativos. A grande abrangência dos temas organizados nessa coleção permitirá aos leitores desfrutar de uma enriquecedora leitura, divulgada pela plataforma consolidada e confiável da Atena Editora. Explorem os conteúdos ao máximo e compartilhe-os. Luana Vieira Toledo SUMÁRIO SUMÁRIO CAPÍTULO 1 .................................................................................................................1 GESTÃO DA DIVERSIDADE E AS NOVAS TECNOLOGIAS: UM CENÁRIO DESAFIADOR Pamela Nery do Lago Flávia Cristina Duarte Silva Luciana Moreira Batista Luciene Maria dos Reis Marlene Simões e Silva Maria Fernanda Silveira Scarcella Regina de Oliveira Benedito Valdjane Nogueira Noleto Nobre Aline Francielly Rezende Fróes Liane Medeiros Kanashiro Marta Luiza da Cruz Samanntha Lara da Silva Torres Anaisse DOI 10.22533/at.ed.6732521011 CAPÍTULO 2 .................................................................................................................8 PROPOSIÇÃO DA FUNÇÃO DE GERÊNCIA NO COTIDIANO DA ENFERMAGEM María Claudinete Vieira da Silva Júlya de Araujo Silva Monteiro Beatriz Gerbassi Costa Aguiar Cássio Baptista Pinto Gicélia Lombardo Pereira Vera Lúcia Freitas Marcella Ribeiro de Souza Isabela dos Santos Niero Paiva Daniela de Oliveira Matias Maristela Moura Berlitz Vanessa Peres Cardoso Pimentel Larissa Costa Duarte DOI 10.22533/at.ed.6732521012 CAPÍTULO 3 ...............................................................................................................19 TOMADA DE DECISÕES: UM DESAFIO DAS COMPETÊNCIAS GERENCIAIS DO ENFERMEIRO Barbara dos Santos Pereira Eduarda França Casagrande Mirian Queli Ribeiro Rosa Vivian Kelli Santos Gottschefski Cibele Thomé da Cruz Rebelato Cátia Cristiane Matte Dezordi Leticia Trindade Flores Adriane Cristina Bernat Kolankiewicz DOI 10.22533/at.ed.6732521013 SUMÁRIO CAPÍTULO 4 ...............................................................................................................28 AUDITORIA EM ENFERMAGEM: CONSIDERAÇÕES SOBRE A ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO À LUZ DA LITERATURA Juliana Lagreca Pacheco DOI 10.22533/at.ed.6732521014 CAPÍTULO 5 ...............................................................................................................34 PESQUISA-AÇÃO NAS INVESTIGAÇÕES DE GERÊNCIA EM ENFERMAGEM: REVISÃO INTEGRATIVA Juliana Helena Montezeli Carolina Rodrigues Milhorini Hellen Emília Peruzzo Ana Patrícia Araújo Torquato Lopes Andréia Bendine Gastaldi DOI 10.22533/at.ed.6732521015 CAPÍTULO 6 ...............................................................................................................47 ESTRATÉGIAS DE GESTÃO DE CONFLITOS COMO COMPETÊNCIA DO ENFERMEIRO PARA GARANTIA DA SAÚDE ORGANIZACIONAL Gilberto Nogara Silva Júnior Aline dos Santos da Rocha Isabella Carolina Holz Silva Larissa Caroline Bonato Cátia Cristiane Matte Dezordi Bruna Nadaletti de Araújo Fernanda Dal Forno Bonotto Letícia Flores Trindade Adriane Cristina Bernat Kolankiewicz DOI 10.22533/at.ed.6732521016 CAPÍTULO 7 ...............................................................................................................58REFLEXÕES SOBRE OS PROBLEMAS DA LIDERANÇA AUTOCRÁTICA NA ENFERMAGEM Gabriela Ceretta Flôres Carine Meggolaro Fernanda Fernandes de Carvalho Jordana Cargnelutti Ceretta Cátia Cristiane Matte Dezordi Leticia Trindade Flores Adriane Cristina Bernat Kolankiewicz DOI 10.22533/at.ed.6732521017 CAPÍTULO 8 ...............................................................................................................68 A COMUNICAÇÃO NO MODO DE FAZER EXTENSÃO, E SUA INFLUÊNCIA SOBRE AS COMPETÊNCIAS E HABILIDADES NA ÁREA DA ENFERMAGEM Kaique Santos Reis Valéria Sacramento de Santana Nadine de Almeida Cerqueira SUMÁRIO Barbariane Santana de Jesus Rocha Fernanda Andrade Vieira Ana Paula Melo Mariano Pedro Campos Costa Filho Soraya Dantas Santiago dos Anjos Sílvia Maria Santos Carvalho DOI 10.22533/at.ed.6732521018 CAPÍTULO 9 ...............................................................................................................80 ATUAÇÃO DA EQUIPE DE SAÚDE, COM ÊNFASE O ENFERMEIRO DURANTE A ASSISTÊNCIA, LIDERANÇA E ENSINO DESENVOLVIDAS NA ESTRATÉGIA SAÚDE FAMÍLIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA Anderson Figueiredo Pires Antônio Wericon Nascimento de Oliveira Elyn dos Santos Pessoa Raul dos Santos Reis Regiane Carneiro Bezerra DOI 10.22533/at.ed.6732521019 CAPÍTULO 10 .............................................................................................................82 DESAFIOS ENFRENTADOS POR ENFERMEIROS EM INICIO DE CARREIRA: REVISÃO INTEGRATIVA Elenir Estevam Rodrigues Amanda Maria de Araújo Vitoria Claudia Nascimento de Azevedo DOI 10.22533/at.ed.67325210110 CAPÍTULO 11 .............................................................................................................91 DIFICULDADES LABORAIS ENFRENTADAS POR PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO BÁSICA DE SAÚDE: UMA REVISÃO DE LITERATURA Cleicivany Marques Pereira Rayana Gonçalves de Brito Silas Henriques da Silva Danilson Gama de Souza Dayanne Karoline Oliveira de Brito Silvana Nunes Figueiredo Leslie Bezerra Monteiro Anderson Araújo Corrêa Sávio José da Silva Batista Iraneide Ferreira Mafra Otoniel Damasceno Sousa Francisca Natália Alves Pinheiro DOI 10.22533/at.ed.67325210111 CAPÍTULO 12 ...........................................................................................................103 PRESENTEÍSMO NA EQUIPE DE ENFERMAGEM UNIVERSITÁRIA AMBULATORIAL: REVISÃO INTEGRATIVA Gisele Massante Peixoto Tracera SUMÁRIO Regina Célia Gollner Zeitoune DOI 10.22533/at.ed.67325210112 CAPÍTULO 13 ........................................................................................................... 113 EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL E USO DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL POR ENFERMEIROS EM ATENDIMENTOS DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA Maria dos Milagres Santos da Costa Bruna Furtado Sena de Queiroz Monique Moreira Machado Polyana Coutinho Bento Pereira Enewton Eneas de Carvalho Anderson da Silva Sousa Esaú de Castro Mourão Airton César Leite Jusmayre Rosa da Silva Raíssa Leocádio Oliveira Sayonnara Ferreira Maia Francisco Bruno da Silva Santos DOI 10.22533/at.ed.67325210113 CAPÍTULO 14 ...........................................................................................................123 EXPOSIÇÃO DOS RISCOS OCUPACIONAIS DA ENFERMAGEM NO SETOR DE HEMODINÂMICA: REVISÃO INTEGRATIVA Jenifer Gomes Araújo Vilela Michelle Patrícia de Oliveira Santos DOI 10.22533/at.ed.67325210114 CAPÍTULO 15 ...........................................................................................................130 CAPACITAÇÃO A DISTÂNCIA PARA COMUNICAÇÃO DE ACIDENTES DE TRABALHO DO SERVIDOR: A EXPERIÊNCIA DA SES-MT Janete Silva Porto Ana Carolina Pereira Luiz Soares Liris Madalena Moersehbaecher Werle de Lemos Márcia Regina de Deus Rocha Arcanjo DOI 10.22533/at.ed.67325210115 CAPÍTULO 16 ...........................................................................................................139 ESTRESSE PSICOLÓGICO EM ENFERMEIROS QUE GERENCIAM O CUIDADO AOS PACIENTES ONCOLÓGICOS: REVISÃO DA LITERATURA Talita Vieira Campos Luana Vieira Toledo Patrícia de Oliveira Salgado Sebastião Ezequiel Vieira Soraya Lucia do Carmo da Silva Loures Lídia Miranda Brinati DOI 10.22533/at.ed.67325210116 SUMÁRIO CAPÍTULO 17 ...........................................................................................................149 STRESS OCUPACIONAL E ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO EM ENFERMEIROS DE UM HOSPITAL PÚBLICO Mussa Abacar Gildo Aliante Jojó Artur Diniz DOI 10.22533/at.ed.67325210117 CAPÍTULO 18 ...........................................................................................................161 ESTRESSE OCUPACIONAL E QUALIDADE DE VIDA DE ENFERMEIROS DE UMA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL Ana Terra Porciúncula Baptista Karla de Araújo do Espirito Santo Pontes Luana dos Santos Cunha de Lima Sheila Nascimento Pereira de Farias Karla Biancha Silva de Andrade Eloá Carneiro Carvalho Thereza Christina Mó y Mó Loureiro Varella Samira Silva Santos Soares Lívia Nunes Rodrigues Leme Priscilla Farias Chagas Hélen da Costa Quintanilha Norma Valéria Dantas de Oliveira Souza DOI 10.22533/at.ed.67325210118 CAPÍTULO 19 ...........................................................................................................175 SÍNDROME DE BURNOUT EM PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Acássia Farias Barbosa Eliziane da Silva Sodré Mansur Nathália Pereira da Costa Erika Conceição Gelenske Cunha DOI 10.22533/at.ed.67325210119 CAPÍTULO 20 ...........................................................................................................194 CONSEQUÊNCIAS DA SÍNDROME DE BURNOUT NOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM Vitória de Jesus Gonçalves Eduarda Carvalho Sodré Machado Edilson da Silva Pereira Filho Camilla Virgínia Siqueira Rôla Taíse Santos Rocha Flávia Gomes Silva Kelle Karolina Ariane Ferreira Alves Cintia Ferreira Amorim Nádja Shirlley de Andrade Cavalcante Lívia Dourado Leite DOI 10.22533/at.ed.67325210120 SUMÁRIO CAPÍTULO 21 ...........................................................................................................208 ANÁLISE DA QUALIDADE DE VIDA DE CUIDADORES INFORMAIS Aldirene Libanio Maestrini Dalvi Jaçamar Aldenora Santos Janine Pereira da Silva Maria Carlota de Rezende Coelho DOI 10.22533/at.ed.67325210121 SOBRE A ORGANIZADORA ...................................................................................219 ÍNDICE REMISSIVO .................................................................................................220 Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 1 1 Data de aceite: 22/01/2021 GESTÃO DA DIVERSIDADE E AS NOVAS TECNOLOGIAS: UM CENÁRIO DESAFIADOR CAPÍTULO 1 doi Data de submissão: 04/11/2020 Pamela Nery do Lago Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais / Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (HC-UFMG/EBSERH) Belo Horizonte – MG ORCID: 0000-0002-3421-1346 Flávia Cristina Duarte Silva HC-UFMG/EBSERH Belo Horizonte – MG ORCID: 0000-0002-5271-7172 Luciana Moreira Batista HC-UFMG/EBSERH Belo Horizonte – MG ORCID: 0000-0001-9649-1198 Luciene Maria dos Reis HC-UFMG/EBSERH Belo Horizonte – MG ORCID: 0000-0001-9148-2364 Marlene Simões e Silva HC-UFMG/EBSERH Belo Horizonte – MG ORCID: 0000-0002-1195-493X Maria Fernanda Silveira Scarcella HC-UFMG/EBSERH Belo Horizonte – MG ORCID: 0000-0002-3319-1646 Regina de Oliveira Benedito HC-UFMG/EBSERH Belo Horizonte – MG ORCID: 0000-0002-3164-5165 Valdjane Nogueira Noleto Nobre HC-UFMG/EBSERH Belo Horizonte – MG ORCID: 0000-0002-3831-5003 Aline Francielly Rezende Fróes Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (HUMAP-UFMS/EBSERH) Campo Grande – MS ORCID: 0000-0003-2962-5859 Liane Medeiros Kanashiro HUMAP-UFMS/EBSERH Campo Grande – MS ORCID: 0000-0001-9945-1597 Marta Luiza da Cruz HUMAP-UFMS/EBSERH Campo Grande – MS ORCID: 0000-0002-8946-2644 Samanntha Lara da SilvaTorres Anaisse HUMAP-UFMS/EBSERH Campo Grande – MS ORCID: 0000-0002-8350-5607 RESUMO: Entre os grandes desafios das organizações temos a gestão da diversidade e o preconceito velado ainda existente, bem como uma gama de tecnologias que surgem diariamente como ferramentas para facilitar os processos, mas que exigem conhecimento técnico para o seu manuseio. Diante disto, esse trabalho tem por objetivo aprofundar os debates sobre os desafios na gestão da diversidade e das novas tecnologias centradas nas diferentes Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 1 2 configurações da sociedade. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória, em que foi realizada em julho de 2020, uma revisão bibliográfica dos últimos 10 anos em artigos científicos e demais fontes da Internet, utilizando os descritores: gestão da diversidade, tecnologias, desafios. Percebe-se que as instituições têm entre seus colaboradores personalidades diversas, neste sentido, é primordial superar cenários de preconceito e exclusão. Concomitante a isto, tem-se tecnologias que se tornaram importantes aliadas para facilitar a execução do trabalho, mas que exigem constantes treinamentos e atualizações. PALAVRAS-CHAVE: Gestão da diversidade. Tecnologias. Desafios. MANAGEMENT OF DIVERSITY AND NEW TECHNOLOGIES: A CHALLENGING SCENARIO ABSTRACT: Among the great challenges of organizations, we have a management of diversity and prejudice that still exists, as well as a range of technologies that appear daily as tools to facilitate processes, but that know the technical knowledge for their use. Therefore, this work aims to deepen the debates on the challenges in managing diversity and new technologies centered on the different configurations of society. This is a qualitative, exploratory research, which was carried out in July 2020, a bibliographic review of the last 10 years in scientific articles and other Internet sources, using the following descriptors: diversity management, technologies, challenges. It should be noted that the institutions have different personalities among their collaborators, in this sense, it is essential to overcome the patterns of prejudice and exclusion. Concomitant to this, it has technologies that become important allies to facilitate the execution of the work, but that maintain constant training and updates. KEYWORDS: Diversity management. Technologies. Challenges. 1 | INTRODUÇÃO Muitas são as provocações passíveis de discussão quando se discorre sobre gestão da diversidade. As configurações sociais tradicionais outrora tão rígidas imposta num passado próximo, hoje deram lugar a muitas outras conformações que não são certas ou erradas, são apenas diferentes. O grande desafio neste contexto é entender qual a realidade encontrada, quais são as necessidades dos indivíduos e de que forma é possível absorver e desenvolver talentos dentro das organizações, de maneira que se alcance os resultados esperados e que seja possível atuar no mercado de trabalho de forma competitiva e inovadora. Para Lalau (2017), “inovar não significa substituir material humano, mas sim, atribuir aos seus colaboradores novas demandas e desafios em prol do crescimento da uma organização”. Além dos desafios em se trabalhar toda essa gama de diversidades, atualmente nos deparamos com uma sociedade imersa em novas tecnologias, que para a maioria dos indivíduos, faz parte das suas vidas pessoais e profissionais, auxiliando os processos e facilitando sobremaneira na execução das tarefas solicitadas. No contexto atual, em que vivenciamos a pandemia do novo coronavírus, isto ficou mais evidentes e necessário, visto que a sobrevivência de muitas organizações hoje depende das tecnologias. Os Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 1 3 profissionais desenvolvem seus trabalhos de forma remota e para auxiliar suas atividades utilizam videoconferências por aplicativos para realizar reuniões com pessoas que podem estar em qualquer parte do globo. Diante deste cenário, este trabalho tem como objetivo aprofundar os debates sobre os desafios enfrentados pelas organizações na gestão da diversidade e das novas tecnologias centradas nas diferentes configurações da sociedade. Esta é uma pesquisa qualitativa, exploratória e de cunho bibliográfico, que procura dirimir como se gerencia a diversidade e novas tecnologias neste contexto. Foi realizada uma revisão bibliográfica dos últimos 10 anos em artigos científicos e demais fontes da Internet, analisados no mês de julho de 2020, utilizando os seguintes descritores: gestão da diversidade, tecnologias, desafios. Este artigo analisa a gestão da diversidade e as novas tecnologias sob a ótica da sua evolução, como as empresas absorvem essa nova realidade a seu favor para crescem frente a um mercado altamente competitivo. Desse modo, abordará a gestão de diversidade, bem como os benefícios que podem trazer, as tecnologias atualmente utilizadas dentro das organizações e as ferramentas que foram desenvolvidas para facilitar a gestão. Esse estudo se justifica devido à importância e impacto que esse tema possui não apenas no seio social, como também diante de sua relevância dentro das organizações. A pesquisa tem por finalidade contribuir com os debates sobre a gestão da diversidade e as novas tecnologias. Dessa forma, ao explanar sobre alguns conceitos, busca dar subsídio para novos olhares e formas de enxergar o contexto do mundo atual e suas diversas possibilidades profissionais. 2 | DESAFIOS DA GESTÃO DA DIVERSIDADE A diversidade sempre existiu dentro da sociedade, contudo, por muito tempo ela foi velada e as pessoas eram obrigadas a seguir padrões tradicionais rígidos de um modelo imposto e tido como ideal, como normal. Tudo que estava na contramão desse modelo, era visto como errado e imediatamente negado, mal visto, discriminado e isolado da sociedade. Entretanto, com o passar do tempo, a sociedade foi se transformando e os espaços para o “diferente” foram surgindo e isso refletiu diretamente no mercado de trabalho. As organizações passaram a perceber a importância de se absorver essa diversidade de indivíduos e buscar, sobretudo formas de fidelizá-los em suas instituições, de maneira a entender suas necessidades e desejos profissionais, estimular sua criatividade e buscar talentos. Para Freitas (2013), “o desafio dos gestores é conseguir uma integração organizacional que não anule o potencial das diferenças, ou seja, garantir identidade e coesão, porém respeitando os diferentes grupos presentes na organização”. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 1 4 Existem muito a se falar sobre diversidade, uma vez que esta apresenta uma gama de representações, seja de gênero, idade, etnia, origem social, orientação sexual, religião entre outras. É importante perceber que qualquer que seja a diversidade de determinado grupo, todos seus integrantes buscam unanimemente respeito, valorização do seu trabalho e possibilidade de desenvolvimento profissional. Nas sociedades desenvolvidas, o debate sobre diversidade encontra suas origens em quatro grandes movimentos sociais, observados após a Segunda Grande Guerra: a presença maciça e permanente das mulheres no mercado de trabalho; a mistura demográfica causada pelos movimentos migratórios e pela globalização econômica; a coexistência de várias gerações, em função do aumento da expectativa de vida; e uma cultura mais tolerante e liberal em relação às diferenças (FREITAS, 2013). Maia (2017) afirma que a diversidade influencia a identidade de uma pessoa e está intrinsicamente relacionada com a forma com a qual ela trata os seus problemas e percebe o mundo ao seu redor. As experiências individuais afetam diretamente a interação de cada um com o seu meio, gerando diferentes tipos de respostas para uma dada situação. Neste contexto, as organizações precisam superar desafios ao lidar com a diversidade de seus colaboradores.A gestão da diversidade ainda é um conceito pouco utilizado entre as empresas brasileiras. Existe a grande necessidade da implementação de políticas, alteração no modo como a empresa se comunica, mudanças organizacionais, investimento em iniciativas de apoio e o olhar atento dos demais colaboradores. Os gestores devem estar cientes que a prática de promover os menos favorecidos, precisa ser urgentemente desenvolvida (EQUIPE IBC, 2019). Ao mesmo tempo em que o Brasil, ainda caminha a passos lentos nas iniciativas referentes à gestão da diversidade, observa-se cada vezes mais grandes empresas necessitando adotar estratégias que desenvolvam seus recursos humanos voltados a gestão da qualidade, visto que atuam em contextos globais, com multiculturas, mulheres dominando o mercado, negros em cargos de chefia dentre tantas outras conformações possíveis. Para gerenciar a diversidade existente em uma organização, se faz necessário minimizar a discriminação que alguns membros possam apresentar, pois só através de uma atuação que mitigue o preconceito, é possível se criar um clima organizacional que propicie o acolhimento de todos, estimulando a criatividade e a inovação. De acordo com Sicherolli et al., (2011) “pode-se compreender que a gestão da diversidade considera que a boa integração entre os funcionários possibilita que cada um contribua com o seu talento para conquistar os objetivos de mercado planejados pela empresa”. Quando existe um clima organizacional motivador, o colaborador se sente respeitado e passa a identificar-se com as crenças e valores daquela empresa, ficando desta forma, mais próximo de alcançar Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 1 5 seus objetivos profissionais e, consequentemente, a empresa obtém seus resultados desejados. Superar conflitos interpessoais e problemas de comunicação são fundamentais quando se tem pessoas diferentes convivendo em um mesmo ambiente de trabalho. Gerir conflitos também faz parte do cerne de ações da gestão da diversidade, pois estes são comuns e necessitam sem solucionados para a saúde do clima organizacional e para que a empresa alcance seus resultados pretendidos. 3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS E A GESTÃO DE PESSOAS De acordo com Coelho (2016), dados do IBGE de 2014 apontam que mais de 50% da população brasileira tem acesso a Internet em seus domicílios e destes, mais de 80% utilizam Smartphones para se conectarem a rede. Esse crescimento de acesso da população impacta diretamente no relacionamento das pessoas com o mercado de trabalho. Vivencia-se essa realidade de uma forma tão corriqueira e habitual que nem se percebe o quão mergulhado estão nas tecnologias. O colaborador segundo Coelho (2016): [...] está habituado a ter as informações que precisa na palma da mão, em tempo real. Recebe notificações a cada evento relacionado aos seus grupos, por exemplo. A experiência que as pessoas têm com esses serviços e soluções mudou a sua expectativa da experiência com tecnologia no trabalho. Nesse sentido as organizações devem estar preparadas para acompanhar esses novos colaboradores, adaptando sua gestão de pessoas e potencializando o uso de tecnologia no trabalho. Além de necessitar superar o desafio tecnológico, as empresas se deparam com uma diversidade de colaboradores. Tendo aqueles que ainda estão mais acostumados com o papel e a caneta e aqueles que nasceram imersos na infinidade de tecnologias. Treinamentos e adaptações são primordiais para que as gerações coexistentes se harmonizem e atuem de forma alinhada nas organizações. No momento em que o mundo se transforma e se reinventa para atender as novas demandas frente à pandemia do novo coronavírus, observa-se mais do que nunca a necessidade de utilizar as tecnologias disponíveis para que as organizações superem a crise e permaneçam economicamente viáveis. Novas formas de se reunir, de debater assuntos, de formar grupos de trabalho em rede através de videoconferências, utilizando aplicativos para reuniões entre aqueles que se encontram em home office estão em voga e as empresas que até então não utilizavam desses ferramentas, passam a utilizá-las e logo percebem que são menos dispendiosas e bastante interessantes para a saúde financeira da instituição. Outra abordagem que este tema levanta é a questão da responsabilidade socioambiental, pois quanto mais se utiliza as tecnologias em rede, menos precisamos Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 1 6 utilizar papel impresso e grandes estruturas de espaço físico, conhecido como cloud, em que contamos com plataformas para armazenagem e compartilhamento de dados em rede. Corroborando com esse aspecto, Lalau (2017) afirma que “em um futuro próximo, boa parte do gerenciamento de um negócio – incluindo do capital humano – será feito através do ambiente digital”. Diversas são as propostas e possibilidades para melhor adequar a gestão das tecnologias a favor das organizações, como por exemplo, o gamification, em que é disponibilizada aos colaboradores experiências em rede similares a jogos, com regras, objetivos, fases e premiações. Para Coelho (2016), “o gamification leva ao engajamento maior do usuário na atividade proposta e por consequência no seu trabalho. É uma prática que está se consolidando e ficando cada vez mais comum no ambiente de trabalho”. Dentre as tecnologias mais usuais no cotidiano das pessoas, o Smarthphones sem dúvidas está em destaque, visto que a maioria dos colaboradores possue um deste e é importante as empresas saberem aproveitar deste recurso para se aproximar do seus recursos humanos, se fazendo presente em grupos de comunicações virtuais, buscando atualizar e manter seus colaboradores informados sobre as principais ações da empresa. Vídeos também são formas rápidas e eficientes de informação e treinamento. Conforme traz Coelho (2016) “Aliada às redes sociais corporativas, que estão se tornando cada vez mais comuns, a produção de conteúdo em vídeo e seu compartilhamento no ambiente de trabalho é uma excelente estratégia pra disseminação, retenção e gestão do conhecimento na organização”. São infinitas as possibilidades de desenvolvimento e interação, o ponto crucial é saber o que melhor se adequa a necessidade de cada instituição e ao perfil de seus colaboradores. Gerenciar toda essa gama de possibilidades é o grande desafio. 4 | CONSIDERAÇÕES FINAIS Percebeu-se que nas últimas décadas o crescimento e o desenvolvimento organizacional passaram a ser atrelados as tecnologias que vem para facilitar os processos e aos diversos perfis de profissionais que atuam nas instituições. As tecnologias facilitam os processos e demandas, no entanto, as adaptações são necessárias perante as gerações diferentes que coabitam as instituições. Superar os preconceitos e rótulos que possam surgir dentro das empresas é um dos principais desafios da gestão da diversidade, bem como perceber os talentos existentes em cada colaborador, o que se torna uma tarefa árdua diante de personalidades e desejos tão diversos, devido a vivências e crenças distintas. Desenvolver as organizações quanto à diversidade e as tecnologias ainda é um grande desafio para a gestão das empresas em nosso país, visto que o Brasil engatinha neste tema quando comparado a países desenvolvidos. Ainda se encontra muita resistência Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 1 7 tanto pelas gerências quanto pelos colaboradores, cabendo aos líderes e gestores buscar formas de superar essas questões para buscar destaque e crescimento frente ao mercado altamente competitivo. Compreender este contexto e atuar de forma a mediar conflitos, perceber o outro e oferecer possibilidade de crescimento e desenvolvimento são ações que devem estar na lista de prioridades da gestão das organizações, para que tenham seus colaboradores alinhados e trabalhando em prol do seu crescimento profissional e também da empresa. REFERÊNCIAS COELHO,B. 7 tecnologias de gestão de pessoas que sua empresa deveria usar. Brasília: Impulse, 2016. Disponível em: <https://impulse.net.br/tecnologias-gestao-de-pessoas/>. Acesso em: 12 de jul. de 2020. EQUIPE IBC. Gestão da diversidade nas empresas: realidade e desafios. São Paulo: Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), 2019. Disponível em: <https://www.ibccoaching.com.br/portal/gestao- da-diversidade-nas-empresas-realidade-e-desafios/>. Acesso em: 11 de jun. de 2020. FREITAS, M. E. Desafios da Gestão da Diversidade nas Organizações. São Paulo: Fundação Getúlio Vargas, 2013. Disponível em: <https://pesquisa-eaesp.fgv.br/publicacoes/gvp/desafios-da-gestao-da- diversidade-nas-organizacoes>. Acesso em: 12 de jul. de 2020. LALAU, B. O impacto da tecnologia na gestão de pessoas. São Paulo: Mundo RH, 2017. Disponível em: <https://www.mundorh.com.br/o-impacto-da-tecnologia-na-gestao-de-pessoas/>. Acesso em: 10 de jul. de 2020. MAIA, P. L. O. As organizações contemporâneas e a gestão da diversidade. João Pessoa: Portal Administradores, 2017. Disponível em: <https://administradores.com.br/artigos/as-organizacoes- contemporaneas-e-a-gestao-da-diversidade>. Acesso em: 10 de jul. de 2020. SICHEROLLI, M. B.; MEDEIROS, C. R. O.; VALADÃO JÚNIOR, V. M. Gestão da diversidade nas organizações: uma análise das práticas das melhores empresas para trabalhar no Brasil. João Pessoa: III Encontro da Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho, 2011. Disponível em: <http://www. anpad.org.br/admin/pdf/EnGPR264.pdf>. Acesso em: 12 de jul. de 2020. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 2 8 Data de aceite: 22/01/2021 CAPÍTULO 2 doi PROPOSIÇÃO DA FUNÇÃO DE GERÊNCIA NO COTIDIANO DA ENFERMAGEM Data de submissão: 08/12/2020 María Claudinete Vieira da Silva Universidade Veiga de Almeida (UVA) Rio de Janeiro – RJ http://lattes.cnpq.br/6889400280421518 Júlya de Araujo Silva Monteiro Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) Rio de Janeiro – RJ http://lattes.cnpq.br/1407634309027251 Beatriz Gerbassi Costa Aguiar Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) Rio de Janeiro – RJ http://lattes.cnpq.br/1179275802814582 Cássio Baptista Pinto Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) Rio de Janeiro – RJ http://lattes.cnpq.br/1281057161819552 Gicélia Lombardo Pereira Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) Rio de Janeiro – RJ http://lattes.cnpq.br/9157969611400121 Vera Lúcia Freitas Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) Rio de Janeiro – RJ http://lattes.cnpq.br/8264092185135389 Marcella Ribeiro de Souza Universidade Veiga de Almeida (UVA) Rio de Janeiro – RJ http://lattes.cnpq.br/5285157978497753 Isabela dos Santos Niero Paiva Universidade do Grande Rio Professor José de Souza Herdy (UNIGRANRIO) Rio de Janeiro – RJ http://lattes.cnpq.br/6175069162757974 Daniela de Oliveira Matias Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) Rio de Janeiro – RJ http://lattes.cnpq.br/1021078527369528 Maristela Moura Berlitz Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) Rio de Janeiro – RJ http://lattes.cnpq.br/6434850891041386 Vanessa Peres Cardoso Pimentel Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) Rio de Janeiro – RJ http://lattes.cnpq.br/5596264418594576 Larissa Costa Duarte Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) Rio de Janeiro – RJ http://lattes.cnpq.br/6577290769590099 RESUMO: Introdução: A organização hospitalar é um serviço altamente complexo devido a diversidade de processos assistenciais e http://lattes.cnpq.br/6889400280421518 http://lattes.cnpq.br/1407634309027251 http://lattes.cnpq.br/1179275802814582 http://lattes.cnpq.br/1281057161819552 http://lattes.cnpq.br/9157969611400121 http://lattes.cnpq.br/8264092185135389 http://lattes.cnpq.br/5285157978497753 http://lattes.cnpq.br/6175069162757974 http://lattes.cnpq.br/1021078527369528 http://lattes.cnpq.br/6434850891041386 http://lattes.cnpq.br/5596264418594576 http://lattes.cnpq.br/6577290769590099 Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 2 9 administrativos onde vários profissionais podem assumir a função de gestão, entre ele o enfermeiro, podendo ser de uma equipe de enfermagem, de uma clínica, um setor ou serviço. Objetivo: Identificar através da literatura como se dá a atuação da enfermagem na função de gerência em saúde. Desenvolvimento: Trata-se de uma pesquisa bibliográfica com a finalidade de construir um referencial teórico básico que possibilite a apreensão de aspectos objetivos e subjetivos do objeto estudado. A pesquisa traz reflexões e críticas que possam contribuir para melhor formação e preparo dos profissionais enfermeiros para atuarem como gestores inovadores, prestando uma assistência segura, de qualidade, humana e que atenda a necessidade daquele indivíduo que busca as unidades de saúde para a promoção, prevenção e manutenção da saúde. Sendo assim, mostra-se importante conhecer, estudar, compreender e disseminar o papel do enfermeiro na gestão em saúde, otimizando os processos e demandas assistências e administrativas, garantindo assim um sistema de saúde de qualidade. Conclusão: Conclui-se com o estudo, que a enfermagem é, desde sua fundação, uma categoria profissional essencialmente envolvida na gestão, desde trabalhar na organização do ambiente até o processo de enfermagem e presença em chefias de saúde. Dessa forma, nota-se que, embora não seja um assunto muito recorrente, a enfermagem vem crescendo na função de gerência, sendo este estudo, de extrema importância para fomentar a discussão e acrescentar ao tema. PALAVRAS-CHAVE: Enfermagem; Gestão em Saúde; Educação em Enfermagem. PROPOSITION OF THE MANAGEMENT FUNCTION IN NURSING EVERYDAY ABSTRACT: Introduction: The hospital organization is a highly complex service due to the diversity of care and administrative processes where several professionals can assume the management function, including the nurse, which may be a nursing team, a clinic, a sector or service. Objective: To identify through the literature how nursing works in the health management function. Development: This is a bibliographic research with the purpose of building a basic theoretical framework that allows the apprehension of objective and subjective aspects of the object studied. The research brings reflections and criticisms that can contribute to better training and preparation of professional nurses to act as innovative managers, providing safe, quality, humane assistance that meets the need of that individual who seeks health units for promotion, prevention and maintaining health. Thus, it is important to know, study, understand and disseminate the role of nurses in health management, optimizing care and administrative processes and demands, thus ensuring a quality health system. Conclusion: It is concluded with the study, that nursing is, since its foundation, a professional category essentially involved in management, from working in the organization of the environment to the nursing process and presence in health leaders. Thus, it is noted that, although it is not a very recurrent subject, nursing has been growing in the management function, and this study is extremely important to encourage discussion and add to the theme. KEYWORDS: Nursing; Health Management; Education, Nursing. 1 | INTRODUÇÃO O trabalho da Enfermagem tem-se constituído objeto de questionamento e reflexões. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 2 10 Discutir sobre o exercício gerencial do Enfermeiro implica em conhecer sua origem e seus reais princípios. (MOREIRA, 2007). Em especial, considerada a precursora da enfermagem moderna, a britânica Florence Nightingale na Guerra da Criméia, se deparou com a extrema necessidade de organização e administração de hospitais em Scutari (Turquia), o qual recebiam muitos feridos em combate da guerra. Ela se destacou por organizartoda infraestrutura hospitalar, onde criou uma divisão do trabalho formado pelas nurses (cuidado direto) e pelas ladies nurses (cuidado indireto), além de sistematizar os procedimentos de cuidado de enfermagem. Além do controle, observação e supervisão rigorosa; Florence organizou a hierarquia dos serviços e inseriu a disciplina na assistência. Essa divisão técnica do trabalho na enfermagem e a organização, tem se perpetuado até os dias atuais (FORMIGA; GERMANO, 2010). Através de Florence Nightingale, o conhecimento sobre gerenciamento se oficializou com a formação das primeiras alunas da Escola Nightingale, no Hospital St. Tomás, Inglaterra em 1860, onde foi implantado o modelo de ensino, chamado de Sistema Nightingale, que passou a ser utilizado por outros países (FORMIGA; GERMANO, 2010). Essa conjuntura histórica contribuiu para o modelo atual do processo de trabalho da Enfermagem, onde o profissional de nível superior foi encaminhado a exercer atividades além da beira do leito, mas também de cunho administrativo, visando oferecer condições adequadas de assistência e a favorecer o desempenho dos trabalhadores sob sua gerência (FELLI; PEDUZZI, 2005). A organização hospitalar é um serviço altamente complexo devido a diversidade de processos assistenciais e administrativos, de diversas linhas de produção simultânea e de uma fragmentação dos processos de decisão assistencial, além da equipe multiprofissional que fazem parte do processo. Sendo ainda, um espaço de ensino e treinamento, além de um amplo campo de produção científica (OSMO, 2012). Nesse contexto, vários profissionais podem assumir a função de gestão, dentre entres, o enfermeiro, podendo ser de uma equipe de enfermagem, de uma clínica, um setor ou serviço (SIMÕES; FÁVERO, 2003). O gerenciamento é conferido privativamente ao enfermeiro, de acordo a Lei COFEN nº 7.498, de 25 de junho de 1986, dispõe, no 11º artigo sobre a regulamentação do exercício da Enfermagem no Brasil, em que o enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem. Os profissionais de nível superior foram predominantemente, direcionados a atividades de caráter administrativo, que se propõem ao alcance e manutenção de condições adequadas de assistência e à potencialização do desempenho dos trabalhadores (FELLI; PEDUZZI, 2005), tendo em sua maioria, o foco na assistência. Como já mencionado, a formação profissional do enfermeiro é muito voltada para a área assistencial, porém, o enfermeiro tem a responsabilidade de atuar na gerência exigida pelas organizações de saúde (ROTHBARTH, et al, 2009). Isso demonstra a necessidade Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 2 11 de um maior investimento na capacitação desse aluno, futuro profissional enfermeiro e para os profissionais já graduados nos cursos de especialização para promover uma educação continuada e desenvolver um trabalho com excelência. De acordo com Brasil, Ministério da Educação, Conselho Nacional de Educação (2001), o país já conta com o parecer Nº CNE/CES 1.133/2001 afirmando que as unidades de ensino devem levar esse aluno a desenvolver competências e habilidades na Administração e gerenciamento, surge então, o interesse pelo estudo que se justifica através da seguinte premissa: O profissional enfermeiro tem sido devidamente condicionado/preparado para atuar na função de gerência no cotidiano da enfermagem, e assim contribuir para a reflexão acerca da gerência em enfermagem. Diante dessa afirmação, esta pesquisa tem como objetivo geral identificar através da literatura como se dá a atuação da enfermagem na função de gerência em saúde. Esse estudo tem como objetivos específicos contribuir para melhor compreensão e preparo científico dos profissionais enfermeiros para atuarem como gestores inovadores, que possam prestar uma assistência segura, de qualidade, humana e que atenda a necessidade daquele indivíduo que busca as unidades de saúde para a promoção, prevenção e manutenção da saúde. 2 | DESENVOLVIMENTO Trata-se de uma pesquisa bibliográfica com a finalidade de construir um referencial teórico básico que possibilite a apreensão e compreensão de aspectos relacionados ao gerenciamento no cotidiano da enfermagem. O estudo foi construído com base no projeto- piloto apresentado ao processo seletivo discente (mestrado), como requisito parcial para aprovação no Programa de Pós-graduação em Enfermagem – PPGENF na Linha de Pesquisa – Enfermagem: Saberes e Práticas de Cuidar e Ser Cuidado. 2.1 Bases Conceituais/Revisão De Literatura 2.1.1 Gerenciamento da Enfermagem no Brasil O gerenciamento na Enfermagem se inicia desde a sua formação, já que foi organizada de maneira que o trabalho fosse dividido para cada elemento da equipe, onde a gerência atua como o agente dessa conexão do trabalho em saúde (ERDMANN, 2001). Através da criação do Decreto Federal 791 de 27 de setembro de 1890, o Governo oficializou a primeira Escola de Enfermagem Brasileira, inicialmente chamada Escola Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras do Hospício Nacional de Alienados (EPEE), anexa ao Hospício Pedro II. Com esse decreto assinando pelo Chefe de Governo Provisório da República, Marechal Deodoro da Fonseca, o curso teve implementado em seu currículo desde noções práticas de propedêuticas até administração interna das enfermarias. Ou Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 2 12 seja, já se falava em gerenciamento do trabalho do enfermeiro, através da disciplina de Administração interna e escrituração do serviço sanitário e econômico das enfermarias. (PAVA; NEVES, 2008). No final da década de 1970, houve uma grande crise brasileira, que se intensificou após a falência do modelo econômico do regime militar e desde então, o enfermeiro foi conduzido a realizar as funções de administração, supervisão e controle da equipe de enfermagem, sendo responsável pelos afazeres técnicos de assistência ao hospitalizado (PEREIRA; FORTUNA; MISHIMA; ALMEIDA; MATUMOTO, 2009). 2.1.2 Gerenciamento da Enfermagem: Respaldado Legal A Lei nº 2.604/55 foi a primeira lei a regulamentar o exercício profissional da Enfermagem, onde se determina algumas competências atribuídas ao enfermeiro, como por exemplo, a direção dos serviços de enfermagem nos estabelecimentos hospitalares, de saúde pública ou privada. Mas somente em 1986, houve um maior detalhamento de acordo com cada categoria de enfermagem através da Lei do Exercício Profissional nº 7.498 (OGUISSO, 2001). De acordo com a lei do Exercício Profissional, artigo 11: O Enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem, cabendo-lhe: I - privativamente: a) direção do órgão de enfermagem integrante da estrutura básica da instituição de saúde, pública e privada, e chefia de serviço e de unidade de enfermagem; b) organização e direção dos serviços de enfermagem e de suas atividades técnicas e auxiliares nas empresas prestadoras desses serviços; c) planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços da assistência de enfermagem (BRASIL, 1986, p. 2). Ficou determinado então que o enfermeiro pode exercer todas as atividades de enfermagem, dentre elas as atividades gerenciais. Para Inclusive nos Cursos de Graduação em Enfermagem segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais dos - Parecer Nº CNE/CES 1.133/2001, que tem como objeto: Permitir que os currículos propostos possam construir perfil acadêmico e profissional com competências, habilidades e conteúdos, dentro de perspectivas e abordagens contemporâneas de formação pertinentes e compatíveis com referências nacionais e internacionais, capazes de atuar com qualidade, eficiência e resolutividade, no Sistema Único de Saúde (SUS), considerando o processo da Reforma Sanitária Brasileira (BRASIL, 2001, p. 4). Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 2 13 E para atuar com essa qualidade, eficiência e resolutividade, exige-se um bom gerenciamento. O mesmo parecer tem como Objetivo:Levar os alunos dos cursos de graduação em saúde a aprender a aprender que engloba aprender a ser, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a conhecer, garantindo a capacitação de profissionais com autonomia e discernimento para assegurar a integralidade da atenção e a qualidade e humanização do atendimento prestado aos indivíduos, famílias e comunidades (BRASIL, 2001, p. 4). Dentre as competências e habilidades na Resolução CNE/CES Nº 3, de 7 de novembro de 2001, tem-se Administração e gerenciamento, onde apresenta que esse futuro profissional deverá ser capacitado a: [..] tomar iniciativas, fazer o gerenciamento e administração tanto da força de trabalho quanto dos recursos físicos e materiais e de informação, da mesma forma que devem estar aptos a serem empreendedores, gestores, empregadores ou lideranças na equipe de saúde (CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 2001, p. 2). 2.1.3 Atribuições do Enfermeiro Gerente Para atuar em um cargo de gerência, é primordial ter o conhecimento administrativo na enfermagem, devido necessidade de organização do ambiente terapêutico para promover a restauração da saúde (GOMES; ANSELMI; MISHIMA; VILLA; PINTO; ALMEIDA, 1997). Para KURCGANT (2010, p. 2) “a transformação do objeto de trabalho em saúde e enfermagem, pode se dar tanto na perspectiva da promoção como da prevenção e recuperação da saúde”. Ser um enfermeiro gerente exige uma organização do trabalho e os recursos humanos de enfermagem, através um conjunto de instrumentos técnicos próprios da gerência: “o planejamento, o dimensionamento de pessoal de enfermagem, o recrutamento e seleção de pessoal, a educação continuada, a supervisão e a avaliação de desempenho, entre outros” (FELLI; PEDUZZI, 2005, p. 5). 2.1.4 Gerenciamento no Cotidiano da Enfermagem A enfermagem engloba um conjunto de ciências, humanas e sociais, que usa a administração como ferramenta para a utilização do método científico, resultar o trabalho operacionalmente racional (SILVA; APARECIDA, 1993.) O gerenciamento no processo de trabalho da Enfermagem tem como foco principal a organização da assistência, isto é, o planejamento de ações compartilhadas de modo que a equipe de enfermagem, sob a liderança do enfermeiro, desenvolva o processo de trabalho com eficiência e qualidade com a finalidade de satisfazer as necessidades do paciente assistido (WILLIG; LENARDT, 2002, p.24). Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 2 14 O trabalho gerencial se configura como um desafio às capacidades e habilidades do Enfermeiro, que brotam e se desenvolvem no dia-a-dia. Diante dessa premissa, é notório enfatizar que o saber ou o não saber estão diretamente relacionados ao fazer com frequência. Se há o hábito de fazer rotineiramente, dificilmente se esquecerá do conhecimento e/ou da técnica recomendada. Desse modo, a não execução poderá prejudicar a incorporação desse conhecimento e interferir na melhoria da qualidade da assistência prestada aos clientes (BEGHINI et al., 2006). O caminho para o Enfermeiro resgatar seu papel e seu espaço se fará por meio do conhecimento científico, adequando os instrumentos de gerência e de poder a serviço da Enfermagem, de seus fundamentos e finalidades (WILLIG; LENARD, 2002, p.25, apud LACERDA; COSTENARO, 1999). O propósito do trabalho do enfermeiro gerencial são a organização do trabalho e os recursos humanos de enfermagem e dos recursos físicos, financeiros, materiais e isso exige os saberes administrativos promover o planejamento, a coordenação, a direção e o controle (FELLI; PEDUZZI, 2005). Para WILLIG; LENARDT, 2002, p.24 “[...] o trabalho diário da enfermagem comporta a administração de recursos para que as condições à realização do trabalho de todos os profissionais de saúde sejam garantidas”. No mesmo texto a autora comenta que: O trabalho administrativo do enfermeiro vem assumindo novas características devido às estruturas cada vez mais complexas das instituições de Saúde de grande porte, assim como, a administração dos cuidados foi acrescida de funções de gerência com vistas a concatenar o próprio trabalho de enfermagem com os trabalhos dos diversos profissionais especializadas como, psicólogo, fisioterapeuta, assistente social, nutricionista e médico (WILLIG; LENARDT, 2002, p.25). 2.2 Discussão Levando em consideração o exposto, podemos afirmar que o gerenciamento em enfermagem agrega inúmeras atividades e maiores responsabilidades, como dimensionamento de pessoal, administração dos recursos materiais e de informação, exigindo deste profissional a tomada de decisão justa e adequada para cada situação. Observa-se que desde os primórdios da enfermagem com Florence Nightingale e da enfermagem no Brasil, com a Escola Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras, o tema gestão em saúde já era abordado. Na Escola o assunto era abordado pela disciplina Administração interna e escrituração do serviço sanitário e econômico das enfermarias (PAVA; NEVES, 2008). Então, é inegável que a gerência é um dos pilares da profissão e está presente no cotidiano da categoria. Mesmo com o exposto, ainda foi necessário garantir o direito dos profissionais, além de estabelecer e ordenar as atribuições da equipe de enfermagem através da Lei Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 2 15 do Exercício Profissional nº 7.498. Nessa lei, pode-se notar que cabe ao enfermeiro, e somente a ele, a direção do órgão de enfermagem nas unidades de saúde e chefia de serviço de enfermagem; a organização e direção dos serviços de enfermagem e de suas atividades; o planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços da assistência de enfermagem (BRASIL, 1986). Essas atividades, majoritariamente, de gestão, são do enfermeiro, entretanto ainda existe um grande debate por não serem reconhecidas essas atribuições de enfermagem. O fato pode se dar por desconhecimento da sociedade, das outras categorias, da própria categoria ou até mesmo, pela falta de autonomia da profissão. Tal fato exposto, como já mencionado, pode estar baseado no fato de que a formação do enfermeiro é muito mais voltada a prática assistencial (ROTHBARTH, et al, 2009), construindo um cenário de dissociação entre gestão e assistência, o que não é uma realidade. Para que seja realizado um cuidado de qualidade e seguro para os pacientes, a gestão em saúde deve ser muito bem orquestrada, caminhando lado a lado à assistência. Essa discussão torna-se um ciclo infindável quando se considera o saber ou o não saber diretamente relacionado ao fazer com frequência. Ora, se não é “possível” ou não é reconhecida a prática de gerência pela enfermagem, ou por outras categorias profissionais, torna-se difícil a aplicação dos conhecimentos adquiridos na academia em consonância a Resolução CNE/CES Nº 3, de 7 de novembro de 2001 do Conselho Nacional de Educação (2001), que diz que o enfermeiro deve estar apto a tomar iniciativas, fazer o gerenciamento e administração. Entende-se então, que o propósito do trabalho do enfermeiro gerencial é a organização do trabalho e dos recursos humanos, físicos, financeiros e materiais (FELLI; PEDUZZI, 2005). Alguns aspectos são grandes desafios vivenciados pela enfermagem na atual conjuntura da saúde para prestar uma gerência de qualidade, como: recursos e insumos escassos nas unidades de saúde exigindo muito mais destes profissionais para manter um atendimento, além do déficit de trabalhadores em relação a demanda de trabalho e a busca pela plena autonomia da profissão. Vale ainda, sobre esses desafios, mencionar que os anos de 20019 e 2020 foram marcados, no Brasil, pela ocorrência da campanha “Nursing Now” para valorização do trabalho de enfermagem e para fomentar a discussão sobre as condições da enfermagem (OPAS, 2019). Mostra-se ainda relevante o debate sobre o papel de gerente em enfermagem por ser algo que é tão cotidiano, mas tão pouco fomentado e valorizado, principalmente quando considera-seo ano de 2020, como o ano de uma pandemia devastadora como a COVID-19 (Coronavirus Disease 2019), que afetou a área social, econômica, psicológica e biológica do Brasil e do mundo, tendo como a maior categoria com número de óbitos pela doença, a enfermagem (SOARES; PEDUZZI; COSTA, 2020). A valorização da dedicação, do trabalho, das competências e das habilidades da enfermagem deve ser mais do que um ano, ou um momento, deve ser permanente, e este Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 2 16 estudo busca contribuir com essa valorização e com o crescimento da profissão mostrando apontando a competência em gestão pela enfermagem, sendo de extrema importância. 3 | CONCLUSÃO Conclui-se com o estudo, que a enfermagem é, desde sua fundação, uma categoria profissional essencialmente envolvida na gestão, desde trabalhar na organização do ambiente até o processo de enfermagem e presença em chefias de saúde. Dessa forma, nota-se que, embora não seja um assunto muito recorrente, a enfermagem vem crescendo na função de gerência, sendo este estudo, de extrema importância para fomentar a discussão e acrescentar ao tema. Ainda que o enfermeiro não atue na linha de frente do gerenciamento, em qualquer setor que trabalhe, deverá exercer funções de gerenciamento, sendo capaz de analisar, estruturar e sintetizar informações de gestão em saúde, além de organizar o trabalho e os recursos humanos, físicos, financeiros e materiais. Todas essas ações devem estar baseadas em conhecimentos adquiridos na graduação, sendo assim, sugere-se que os órgãos formadores proporcionem uma capacitação aos enfermeiros para torná-los aptos para desempenharem esta função de gerência e liderança, espera-se que o assunto seja discutido e fomentado nas instituições de ensino e nas unidades de trabalho, além de ser necessário que mais estudos sejam realizados para maior compreensão e exposição do tema. REFERÊNCIAS BALSANELLI, A, P; CUNHA, I, C, K, F; Bauer; L, R, R M. Competências Gerenciais: Desafio para o enfermeiro. 2008. BEGHINI, A. B. et al. 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As competências gerenciais, que dentre elas destaca-se a tomada de decisão, é vista como eixo central de suas ações no processo de trabalho, a qual deve ser aplicada com conhecimento, responsabilidade e consciência. Sob essa perspectiva, quando se pensa em desenvolver habilidades e competências gerenciais do enfermeiro no processo de ensino e aprendizagem durante curso de enfermagem, entende-se a importância da dialética de troca de conhecimentos e experiências aluno-professor. OBJETIVO: Refletir sobre a tomada de decisão, uma das competências gerenciais do enfermeiro, por meio da aplicação da Metodologia ativa do tipo problematizadora. METODOLOGIA: Estudo descritivo, do tipo relato de experiência, com a utilização da metodologia problematizadora, com base em uma competência profissional do enfermeiro. Estudo desenvolvido durante o componente curricular de Gestão em http://lattes.cnpq.br/8357176499011078 http://lattes.cnpq.br/0911150067707293 http://lattes.cnpq.br/1937225720166641 http://lattes.cnpq.br/8106989438884224 http://lattes.cnpq.br/4340561780927718 http://lattes.cnpq.br/7806206131585996 http://lattes.cnpq.br/2003833478266415 http://lattes.cnpq.br/7833969359741646 Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 3 20 Enfermagem, Serviços e Sistemas de Saúde, do curso de Graduação em Enfermagem. Compreende 5 etapas: observação da realidade; hipóteses do problema; teorização; hipóteses de solução; aplicação à realidade. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Para refletir sobre os possíveis potencializadores do problema, definiu-se alguns pontos chaves para a discussão, e após buscou-se evidências que comprovassem ou descartassem os principais aspectos levantados. Dentre eles: inexperiência e falta de trabalho em equipe. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Essa reflexão possibilitou o aprimoramento das habilidades de gerenciamento já no momento vivenciado durante a graduação, a qual permite o questionamento e auto crítica reflexiva, e capacita os futuros profissionais para adentraram no mercado de trabalho. PALAVRAS-CHAVE: Gestão; Enfermagem; Liderança. DECISION MAKING: A CHALLENGE FOR THE MANAGERIAL SKILLS OF NURSES ABSTRACT: The managerial role of nurses becomes necessary and indispensable to guarantee the development of collective work, centered on patient care and on their needs. Managerial competencies, which include decision-making among them, are seen as the central axis of their actions in the work process, which must be applied with knowledge, responsibility and awareness. From this perspective, when thinking about developing nurses’ managerial skills and competences in the teaching and learning process during a nursing course, the importance of the dialectic of exchange of knowledge and student- teacher experiences is understood. OBJECTIVE: To reflect on decision making, one of the managerial competencies of nurses, through the application of active Methodology of the problematizing type. METHODOLOGY: Descriptive study, type of experience report, using the problematizing methodology, based on a professional competence of the nurse. Study developed during the curricular component of Nursing Management, Services and Health Systems, of the Nursing Undergraduate course. It comprises 5 stages: observation of reality; hypotheses of the problem; theorization; solution hypotheses; application to reality. RESULTS AND DISCUSSIONS: In order to reflect on the potential drivers of the problem, some key points for the discussion were defined, and afterwards, evidence was sought to prove or discard the main aspects raised. Among them: inexperience and lack of teamwork. FINAL CONSIDERATIONS: This reflection enabled the improvement of management skills already experienced during graduation, which allows for questioning and reflective self-criticism, and enables future professionals to enter the job market. KEYWORDS: Management; Nursing; Leadership INTRODUÇÃO O papel gerencial do enfermeiro torna-se necessário e indispensável para garantir o desenvolvimento do trabalho coletivo, centrado na assistência ao paciente e em suas necessidades. As competências gerenciais, que dentre elas destaca-se a tomada de decisão, é vista como eixo central de suas ações no processo de trabalho, a qual deve ser aplicada com conhecimento, responsabilidade e consciência (SOARES et al., 2016). A utilização de uma metodologia na tomada de decisão não garante a certeza de Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 3 21 acertos, porém amplia a probabilidade de escolhas justas e eficientes, capazes de tornar o profissional mais seguro no enfrentamento de novas ocasiões. Para isso, é necessário que o enfermeiro compreenda os fatores e as etapas envolvidas no processo decisório, as quais facilitam o desenvolvimento de suas atividades pertencentes a liderança, planejamento, comunicação, administração e negociação de conflitos, bem como auxilia na resolução de manifestações importantes da prática assistencial (EDUARDO et al., 2015). Sob essa perspectiva, quando se pensa em desenvolver habilidades e competências gerenciais do enfermeiro no processo de ensino e aprendizagem durante curso de enfermagem, entende-se a importância da dialética de troca de conhecimentos e experiências aluno-professor. Assim, para tornar esse processo mais efetivo, a aplicação de Metodologia da Problematização (MP) auxilia para o desenvolvimento do aprendizado e contribui para o pensamento crítico-reflexivo na tomada de decisão do acadêmico (SILVA et al., 2020). Em vista disso, sabe-se que a tomada de decisão necessita de pensamento crítico, para reconhecer as situações que requerem intervenções e esta metodologia fornece auxílio para a identificação e solução dos problemas. Com base nestas considerações, o presente estudo objetiva refletir sobre a tomada de decisão, uma das competências gerenciais do enfermeiro, por meio da aplicação da Metodologia ativa do tipo problematizadora. METODOLOGIA Trata-se de um estudo descritivo do tipo relato de experiência, com a utilização da MP, desenvolvido por acadêmicas do oitavo semestre do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ), na disciplina de Gestão em Enfermagem, Serviços e Sistemas de Saúde, ministrada no período de agosto a dezembro de 2020. De forma online, através da ferramenta do Google Meet, os acadêmicos foram divididos em grupos de quatro componentes pré-determinados pelas docentes da disciplina, em que cada grupo ficou responsável por discutir e eleger um problema a partir de uma competência gerencial do enfermeiro, no qual foi estabelecida nossa competência: tomada de decisão. Desse modo, para a elaboração do estudo escolheu-se a MP, pois esta é um componente auxiliar no processo de transformação da realidade, fundamentada nas vivências da equipe, para a resolução de problemas. O método de Arco de Charles Maguerez consiste em uma ferramenta base importante para a aplicação da MP, o qual é composto por cinco fases: observação da realidade; definição dos pontos-chave; teorização, hipótese desolução e aplicação da realidade. Após a realização da primeira fase, a observação da realidade, o problema observado passa por um amplo processo de estudo e reflexão, com o objetivo de retornar à realidade com algum grau de intervenção (BORDENAVE, PEREIRA, 1989). Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 3 22 RESULTADOS E DISCUSSÕES Nesse contexto, no decorrer da disciplina fomos desafiados a identificar problemas relacionados à tomada de decisão para posteriormente delinear intervenções e soluções, apropriando-se da análise crítica-reflexiva, bem como da criatividade e inovação, fundamentada em evidências científicas. Posteriormente, aplicamos as etapas do Arco de Maguerez, para a resolução dos problemas encontrados. A primeira etapa consiste na cooperação do grupo em si, para um olhar atento da realidade, o qual é efetuado uma leitura sobre o tema a ser abordado, inserindo-o nas situações vivenciadas, e dessa maneira, gerar o problema de estudo (DE MACEDO et al., 2019). Ao corresponder a primeira etapa e presenciar situações que envolvem a atuação do enfermeiro nas diferentes atividades práticas dos campos da área da saúde, a tomada de decisão foi uma das situações identificadas em que os profissionais de enfermagem possuem dificuldades no momento de realizá-la e resultam em perder o julgamento crítico diante das ocorrências do cotidiano. Nessa perspectiva, estabeleceu-se como problema de estudo: falta de autonomia do profissional de enfermagem na tomada de decisão. Visto que a autonomia necessita do agir com liberdade e responsabilidade, uma vez que deve ser pautada em base científica e conquistada no seu trabalho social. Consiste em algumas vulnerabilidades, sendo estas expressas pelas relações interpessoais, no desgaste causado pelo estresse profissional e no risco inerente a assistência (SAMPAIO, 2019). Na segunda etapa realizamos uma apuração do que foi observado na realidade, no qual deve ser feita uma análise do que é realmente essencial, identificar os pontos chaves do problema e as variáveis determinantes da situação, ou seja, definir os fatores que interferem/influenciam na tomada de decisão (SILVA et al., 2020). Dessa forma foi realizado uma análise dos possíveis motivos que prejudicam o enfermeiro na tomada de decisão, onde pontuou-se pontos-chave considerados de maior relevância para o grupo: falta de trabalho em equipe e inexperiência. Na terceira etapa definem-se as estratégias de estudo dos pontos-chave, na qual devemos buscar na literatura evidências que comprovem ou descartem as hipóteses apresentadas e norteiam as possíveis soluções do problema (GOI et al., 2017). Marques et al. (2019) afirmam que a tomada de decisão é um procedimento que o enfermeiro usufrui para avaliar e escolher as melhores ações para obter os resultados almejados. Processo que compreende o ato de avaliação quando é apresentado várias alternativas, o que frequentemente leva a definição de um modo de agir (RODRIGUES et al., 2020). Todavia, várias são as dificuldades encontradas na tomada de decisão, dentre elas, destaca-se a falta de autonomia dos profissionais de enfermagem, o que resulta em omissão das situações, por receio de repreensão. A carência de autonomia pode ser interpretada, em parte, pela falta de experiência em algumas situações, no entanto, essas questões Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 3 23 vão além da experiência individual de cada profissional, pois inclui fatores relacionados à política, visão da organização, modelo gerencial e estrutura organizacional (RODRIGUES et al., 2020). Segundo Berti et al. (2020), a autonomia é compreendida como algo próprio do indivíduo, em vista que algumas pessoas demonstram ser mais autosuficiente do que outras. Sabe-se que o conhecimento contribui para a autonomia, enquanto que alguns conflitos dificultam, para tanto deve-se resolver os problemas de modo sensato, com vistas a conquistar confiança e melhorar a autonomia. Apesar de que a autonomia é vista como uma característica pessoal, que tem sua sustentação nas experiências particulares de vida, muitas vezes ela é aperfeiçoada no próprio ambiente de trabalho. Diante disso, é necessário humildade ao aprendizado constante e reconhecimento das próprias limitações para se obter ganhos correspondente à autonomia profissional (BERTI et al., 2008). É preciso reconhecer que o saber, quando apropriado e construído, direciona o desenvolvimento da autonomia e tomada de decisão e, para se aprimorar, necessita de reflexão e análise do enfermeiro. Portanto, deve-se considerar suas dificuldades como forma de motivação e crescimento (KAISER; SERBIM, 2009). Contudo, é primordial que o enfermeiro tenha atitude pautada no respeito, ética e compromisso, este deve saber resolver os problemas, tomar decisões e ver o ambiente e os processos de trabalho como um todo, de forma holística. Somente assim, ele é capaz de ter condutas profissionais conscientes, com boa satisfação pessoal e profissional, levando em consideração que seu trabalho atribui-se para o cuidado relacionado às pessoas (GOMES; OLIVEIRA, 2008). Em relação ao ponto chave “falta de trabalho em equipe”, os achados na literatura apontam que quando realizado de forma efetiva pode ser entendido como uma estratégia para melhorar a efetividade do trabalho, o processo saúde e doença dos clientes, a organização do trabalho e proporcionar um ambiente mais harmonioso, além de elevar a satisfação dos membros da equipe, tornando suas competências mais eficientes (LACORT; OLIVEIRA, 2017). Quando o trabalho em equipe está desajustado, todo o serviço entra em decadência e cabe ao gerente de equipe reestruturar o funcionamento do trabalho, evitando sobrecargas que afetam sua habilidade correspondente a tomada de decisões. Tomar decisões, uma das etapas do processo de solução de problemas, é uma tarefa importante que se baseia fortemente nas habilidades de raciocínio clínico. Ainda que a tomada de decisão bem-sucedida possa ser algo aprendido por experiências de vida, nem todos aprendem a solucionar problemas e a julgar com sabedoria por meio desse método de tentativa e erro, porque muito é atribuído ao fator sorte. Além disso, um período de tempo é alocado para que se possa refletir profundamente sobre as decisões tomadas e sobre os resultados obtidos (MARQUIS; HUSTON, 2015). Sendo assim, a segurança na tomada de decisões vem com o crescimento e experiência prática na avaliação clínica das Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 3 24 situações, esse processo evolui com o tempo e as vivências, não podendo ser abreviado ou antecipado, surgindo somente através do fazer, acertar, errar e do aprender. A quarta etapa consiste na elaboração de alternativa viável para solucionar os problemas identificados, de forma eficiente e resolutiva embasado na literatura, de acordo com a realidade do profissional e da instituição. A partir dos resultados obtidos na etapa anterior, elaborou-se como estratégias de solução, o aprimoramento das habilidades de autonomia e tomada de decisões ainda na fase acadêmica, onde o profissional egresso da graduação tem a identificação da realidade que irá enfrentar no decorrer de sua vida profissional, a qual é aperfeiçoada ao longo do tempo (EDUARDO et al., 2015). Além disso, o ambiente no qual se está inserido e o convívio com a equipe, juntamente com o estabelecimento de afeto, zelo e liberdade de expressão, tende a tornar este local harmonioso, com aquisição de conhecimento/experiência, trabalho cooperativo o que resulta em credibilidade e reconhecimento a autonomia. O enfermeiro, como líder de equipe, necessita conhecer a si próprio e compreender o outro, perceber os comportamentos de seu grupo para saber quando intervir e estabelecer comunicação franca, direta e honesta (FELICIANO et al., 2010). Combinações/pactuações tem a capacidade de incentivar a adaptação e ampliar as possibilidadesde interferir e modificar as condições de trabalho. Diante disso, a equipe torna-se mais crítica e reflexiva, pois compreende a necessidade do trabalho em equipe e a divisão de tarefas, o que resulta em maior autonomia técnica, integração das ações, comunicação e suporte institucional (FELICIANO et al., 2010). Desta forma, entende-se que há maior apoio ao profissional líder de equipe recém integrado ao serviço, o qual contribui para que sua autonomia lhe assegure a tomada de decisões assertivas e respeitáveis através do reconhecimento e aceitação de sua equipe. Esta equipe torna-se lugar seguro para obter experiências e crescimento profissional. A educação permanente consiste em uma estratégia essencial às transformações do trabalho, pois estimula o pensamento e atuação crítica, reflexiva, comprometida, a construção coletiva do planejamento da assistência e, principalmente o incentivo ao crescimento pessoal e da equipe de trabalho, a fim de não permanecer apenas restrita à transmissão de conhecimentos. Diante disso, a educação na enfermagem possui a responsabilidade de atualizar e qualificar os enfermeiros juntamente com sua equipe, por meio da implantação de ações educativas, com o objetivo de motivar o autoconhecimento, o aperfeiçoamento e atualização profissional (PUGGINA, et al., 2016). Na quinta etapa, usufruímos da aplicação à realidade, através do planejamento, que tem como intuito implementar aperfeiçoamento, isto significa, colocar em ação o que elaboramos. Portanto esta etapa já vem sido desenvolvida ao longo da graduação. Contudo esse trabalho possibilitou conhecer, ter um primeiro contato e exercício com esta metodologia o qual servirá como embasamento e alicerce para os acadêmicos nos próximos campos de práticas. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 3 25 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao longo do trabalho proposto baseado na metodologia utilizada, consideração as etapas do Arco de Maguerez e no que a literatura aborda, foram evidenciados pontos de maior relevância no que diz respeito à prática do enfermeiro e sua relação de autonomia e trabalho em equipe. O qual torna-se um processo de evolução constante, em que as habilidades de autonomia e tomada de decisões devem ser estimuladas já na graduação, aperfeiçoadas ao longo da carreira do enfermeiro, na busca pessoal e dentro da educação permanente institucional em sua especificidade setorial. Vinculado a isso, a forma com que o enfermeiro se coloca diante da equipe é fundamental na tomada de decisão e na política de boa relação com os mesmos, em que estabelece relações de confiança, humildade e capacidade reflexiva, o qual é otimizado ao longo do tempo de prática, experiências vividas, conhecimento acerca da mediação de conflitos, em busca à excelência da relação entre todos os membros do setor ocupacional, para um ambiente harmônico em que o trabalho possa ser desenvolvido com maior fluidez. Sendo assim, este estudo promove o aprimoramento das habilidades de gerenciamento já no momento vivenciado durante a graduação, a qual permite o questionamento e auto crítica reflexiva, e capacita os futuros profissionais para adentraram no mercado de trabalho preparados para administrar conflitos com autonomia, bom trabalho em equipe, boa comunicação, com uma visão mais completa de sua contribuição para o serviço assistencial em saúde e desse modo, qualificação no processo de cuidado. REFERÊNCIAS ABREU, Cristiano Nabuco de; TAVARES, Hermano; CORDÁS, Táki Athanássios. Manual Clínico dos Transtornos do Controle dos Impulsos. 1a. edição. Pág. 19-36. 2008. Disponível em: <https://www. google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://www.larpsi.com.br/media/mconnect_uploadfiles/c/a/ coap_01_10_.pdf&ved=2ahUKEwjSrvPqx9PsAhUdHbkGHUtKB7IQFjACegQICRAF&usg=AOvVaw3h- dmMN8kxAU22VmLQggvQ&cshid=1603761637944>. Acesso em 26 de outubro, 2020. BERTI, Heloisa Wey et al. 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Conclusão: A maioria dos estudos eram revisões bibliográficas, o que sugere maior necessidade de estudos originais acerca do tema; o enfermeiro auditor tem um papel importante tanto nas questões financeiras das instituições quanto na qualidade da assistência prestada ao usuário. PALAVRAS-CHAVE: Auditoria em enfermagem; auditoria em saúde. NURSING AUDIT: CONSIDERATIONS ABOUT THE NURSE’S PERFORMANCE IN THE LIGHT OF THE LITERATURE ABSTRACT: Introduction: This is a literature review with a qualitative approach that aimed to describe and make considerations about nursing auditing, highlighting the role of the nurse auditor. Methodology: The research took place in March 2019 at the Virtual Health Library with the terms health audit and nursing audit. The search resulted in 60 articles, which after reading, seven were selected according to the research objectives. Conclusion: Most studies were bibliographic reviews, which suggests a greater need for original studies on the topic; the nurse auditor has an important role both in the financial issues of the institutions and in the quality of the assistance provided to the patient. KEYWORDS: Nursing audit; health audit. INTRODUÇÃO Segundo Kurcgant (1976), para a enfermeira, a auditoria consiste em um instrumento de controle de qualidade do seu trabalho. Segundo esta autora, uma forma de avaliar a qualidade da assistência de enfermagem prestada através dos registros é feita através da comparação destes com padrões pré-estabelecidos que definem qual assistência de enfermagem deveria ser prestada. A essa sistematização dá-se o nome de AUDITORIA. Uma assistência que não esteja de acordo com os padrões aceitáveis pode ocasionar graves consequências para o paciente. Sendo assim, a necessidade de implementar um processo de avaliação dos cuidados prestados com qualidade se justifica por prevenir possíveis http://lattes.cnpq.br/0093057770673330 Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 4 29 riscos ou prejuízos aos clientes. Dessa forma, torna-se imprescindível a aplicação da Auditoria e Gestão da Qualidade. (MAIA et al., 2017) Da mesma maneira que auditoria médica tem o objetivo de elevação do padrão de assistência médico-hospitalar, na enfermagem é a melhoria da qualidade da assistência de enfermagem que o hospital se propõe a oferecer à comunidade ou que tem obrigação social oferecer. (RIBEIRO, 1972) Segundo Motta (2010), algumas das normas para o trabalho de auditoria de enfermagem no Hospital incluem: • Conhecer todos os contratos entre a Instituição Hospitalar e Operadora de pla- nos de saúde; • Acompanhar todos os procedimentos médicos realizados dentro da Instituição; • Estar integrada com todas as equipes de trabalho do hospital: nutrição, assis- tente social, enfermagem... • Fazer uma análise geral do prontuário do paciente ao recebê-lo, verificando o diagnóstico, período de internação, tratamentos, exames realizados, autoriza- ções e materiais específicos; • Verificar se a quantidade de materiais e medicamentos são compatíveis com os dias de internação, diagnóstico do paciente e procedimentos realizados, etc. DRAGANOV & REICHERT (2007) apud BUSATTA et al (2009) referem que o enfermeiro auditor está presente nas Instituições como: Enfermeiros auditores do serviço de educação continuada onde ele é o responsável pela orientação da equipe multidisciplinar que tem acesso ao prontuário, para que se conscientizem sobre a importância legal de seu preenchimento, e dessa forma avalia os padrões dos registros de enfermagem e Enfermeiros Auditores do serviço de faturamento onde o enfermeiro é responsável pela análise das contas hospitalares após a alta do paciente. Este trabalho teve como objetivo identificar na literatura os principais aspectos relacionados à auditoria em enfermagem e discutir a atuação do enfermeiro auditor nas instituições de saúde. Trata-se de uma pesquisa qualitativa na modalidade revisão da literatura. A pesquisa foi realizada em março de 2019 na Biblioteca Virtual em Saúde. Os termos utilizados foram: auditoria em saúde e auditoria de enfermagem. A busca retornou 60 artigos, após breve leitura dos resumos, foram excluídos os artigos em língua estrangeira, os que não possuíam texto completo disponível e os que não se adequaram aos objetivos da pesquisa. Dessa forma, 7 artigos foram selecionados e analisados. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 4 30 DISCUSSÃO Uma pesquisa qualitativa exploratória e descritiva realizada com enfermeiros auditores em Instituições na meso-região do Vale do Itajaí- Santa Catarina, teve como objetivo identificar a atuação deste profissional do âmbito intra-hospitalar e quais as medidas adotadas para melhorar a qualidade da assistência prestada aos clientes. Em relação ao tipo de auditoria executada pelos enfermeiros auditores, verificou-se que todas as Instituições realizavam a auditoria retrospectiva- a partir dos registros dos profissionais, e apenas 4 entrevistados realizaram parcialmente a auditoria concorrente, ou seja, que ocorre durante o trabalho prestado e na presença do cliente. Ficou evidenciado através dos relatos que a auditoria retrospectiva se revela como auxílio contábil imediato para fechamento da conta hospitalar. (BLANK et al, 2013). A respeito da Sistematização de Enfermagem para BLANK et al (2013), na pesquisa acima citada, apenas três hospitais implementaram a SAE. Segundo as autoras: “ para a Auditoria em Enfermagem o procedimento só é auditado se prescrito, o que nos leva a refletir sobre a possibilidade de o custo do cuidado ser subnotificado na tramitação da conta hospitalar”. Uma pesquisa bibliográfica que buscou refletir sobre a produção científica em auditoria em enfermagem afirma que o prontuário do paciente, através dos registros e anotações de enfermagem, deve ser foco de atenção e principal meio de garantir que o valor gasto com a assistência prestada seja recebido, tendo em vista que é o documento legal que informa dados sobre a internação e cuidados prestados pela equipe. (SILVA, 2015). Silva (2015) afirma que é responsabilidade do enfermeiro o planejamento e organização da equipe de enfermagem e da unidade, bem como dar atenção aos registros no prontuário do paciente. Aautora ressalta também que o enfermeiro como líder da equipe, deve contribuir com os resultados econômicos da instituição e conduzir a excelência da gestão hospitalar. Um dos problemas ressaltados por SILVA (2015) acerca dos registros de enfermagem com baixa qualidade, referem-se a escassez de recursos humanos na enfermagem, realidade de muitas instituições no Brasil. Sendo assim, dificulta o registro de informações e representam uma questão importante para se melhorar a qualidade das anotações de enfermagem. Um revisão integrativa da literatura que objetivou identificar as principais falhas nas anotações de enfermagem dos prontuários dos pacientes verificou em seu estudo que as principais falhas encontradas nos registros de enfermagem referem-se a falta de identificação e carimbo do executor; ausência de informações como horário de execução das tarefas; letras ilegíveis; erros de ortografia; anotações e evoluções de enfermagem indistintas quanto ao conteúdo; utilização de terminologia incorreta; siglas não padronizadas Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 4 31 e sem referências e rasuras e uso de corretivos. (BARRETO et al, 2016) Barreto ela t (2016) afirmam que os profissionais poderiam contribuir para a não ocorrência da glosa, verificando as prescrições antes de serem anexadas ao prontuário do pacientes, prevenindo assim possíveis falhas como falta de checagem de justificativas de procedimentos executados ou não. Um relato de experiência foi realizado por enfermeiros na implementação de um Núcleo de Auditoria e Regulação em Saúde em um município do Rio Grande do Sul. Este relato mostra que a primeira etapa para criação do Núcleo foi o desenvolvimento de um diagnóstico situacional que permitiu verificar o desconhecimento acerca dos custos, excesso de gastos, emprego financeiro inadequado e falta de controle dos recursos pela Secretaria Municipal de Saúde. A partir dos resultados obtidos, foi possível traçar os objetivos e os processos de trabalho do Núcleo de Auditoria e Regulação centrado na otimização dos recursos destinados à Secretaria Municipal de Saúde com a finalidade de promover uma assistência resolutiva e de qualidade. A segunda etapa foi a formação de uma equipe multiprofissional de trabalho, a terceira etapa foi constituída por rodas de conversação e a quarta etapa de estruturação do serviço foi através a formação permanente dos profissionais como cursos de especialização em auditoria, capacitação, seminários, etc. (CECCON et al, 2012) Lima et al (2018) desenvolveram uma revisão integrativa da literatura com o objetivo de identificar as evidências científicas acerca da auditoria no campo da enfermagem e discutí-las. A respeito das glosas elas ressaltam meios de evitá-las: realizar uma auditoria retrospectiva: antes da fatura ser liberada pela instituição de saúde a enfermeira audita os itens que compõem a conta ,e auditoria prospectiva: antes da autorização de determinado procedimento deve-se analisar as taxas, diárias e quantidade de materiais e medicamentos solicitados. Para Lima et al (2018) é imprescindível que os enfermeiros auditores não foquem apenas na contenção de gastos com saúde. Deve prevalecer a qualidade da assistência, a ética profissional e os registros adequados com foco na resolução de problemas dos indivíduos que buscam os serviços em saúde. Claudino et al (2012) detectaram através de uma revisão integrativa que os principais erros encontrados nos registros de enfermagem foram: letra ilegível, rasuras, uso de corretivos, registros incompletos e incoerentes quanto à prescrição de enfermagem, identificação incorreta do profissional, ausência de checagem de medicamentos e procedimentos dos profissionais de enfermagem. Ressaltam que estas falhas acarretam graves consequências de ordem assistencial, administrativa e financeira e que a auditoria em enfermagem neste contexto tem um papel essencial na identificação das inconsistências encontradas. Para as autoras, o enfermeiro auditor tem o papel de avaliar sistemática e formalmente as atividades e anotações dos profissionais com o objetivo de reduzir as glosas hospitalares e promover um meio de comunicação adequado como o prontuário do paciente Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 4 32 Valença et al (2013) realizaram uma revisão bibliográfica narrativa com o intuito de conhecer a produção cientifica em auditoria em enfermagem e identificar a importância do registro no prontuário para a auditoria. Os autores ressaltaram em seu estudo aspectos relacionados às classificações da auditoria como: de acordo com o tipo ou método ( retrospectiva e operacional); de acordo com a forma de intervenção ( interna e externa); tempo ( continua e periódica); limite (total e parcial) e natureza ( normal e específica); além da classificação entre auditoria de enfermagem de cuidados e auditoria de custos. Em relação às finalidades, embora a auditoria em saúde tenha surgido com o intuito de avaliar a qualidade da assistência, ela atualmente tem sido focada na visão contábil e financeira das instituições. Mas, na maioria dos estudos, há uma visão de que a auditoria em enfermagem venha a contribuir para avaliar a qualidade da assistência, o que somente será possível com a melhoria dos registros no prontuário, com informações fidedignas, completas e legíveis. (Valença et al, 2013) CONCLUSÃO A partir da pesquisa realizada observou-se que existem poucos estudos originais a respeito do tema auditoria em enfermagem. A maioria dos artigos analisados tinham como método a revisão bibliográfica, o que colabora com os conceitos teóricos, porém não fornece novas evidências cientificas a respeito do tema. Foram abordados aspectos referentes à importância da auditoria em enfermagem tanto para otimização da questão financeira das Instituições quanto para a melhoria da qualidade da assistência prestada ao usuário em saúde. Em todos os estudos, exceto um, houve referência à importância dos registros fidedignos e sem erros no prontuário do paciente como ferramenta do enfermeiro auditor no processo de auditoria de contas e auditoria de qualidade. Foi abordado que ainda existem muitos erros quanto aos registros dos profissionais no prontuário como: ausência de checagem, informações incompletas, rasuras, letras ilegíveis dentre outros, o que aumenta o número de glosas e da necessidade de realizar recurso de glosa, causando prejuízo financeiro além de uma falha importante na comunicação referente ao cuidado registrado no prontuário, impactando diretamente sobre a qualidade da assistência. REFERÊNCIAS 1- Aquino, Maria Jesus Nascimento de et al. 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Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 5 34 Data de aceite: 22/01/2021 CAPÍTULO 5 doi PESQUISA-AÇÃO NAS INVESTIGAÇÕES DE GERÊNCIA EM ENFERMAGEM: REVISÃO INTEGRATIVA Data de submissão: 29/10/2020 Juliana Helena Montezeli Enfermeira Doutora. Docente no Departamento de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Londrina – Paraná https://orcid.org/0000-0003-4522-9426 Carolina Rodrigues Milhorini Enfermeira. Residente de enfermagem em Cuidados Intensivos do Adulto pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) Londrina – Paraná https://orcid.org/0000-0001-8228-9327 Hellen Emília Peruzzo Enfermeira Doutora. Docente da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR) Paranavaí – Paraná https://orcid.org/0000-0002-0786-0447 Ana Patrícia Araújo Torquato Lopes Enfermeira Mestre. Docente no Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) Coxim – Mato Grosso do Sul https://orcid.org/0000-0002-6915-2470 Andréia Bendine Gastaldi Enfermeira Doutora. Docente no Departamento de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Londrina – Paraná https://orcid.org/0000-0002-4081-993X RESUMO: Introdução: a pesquisa-ação é um método que pode contribuir para a gestão participativa desenvolvida pelo enfermeiro em seu processo de trabalho, pois, assim como as organizações, é um método dinâmico e influenciado pelas rápidas mudanças que ocorrem atualmente no mundo globalizado. Objetivo: analisar a produção científica sobre administração em enfermagem, que fez uso da pesquisa-ação como método. Método: revisão integrativa com buscas na Biblioteca Virtual de Saúde, Scientific Electronic Librery Online e PubMed, utilizando os termos “enfermagem”, “pesquisa-ação” e “administração” ou “gerência”. Incluíram-se: artigos on-line publicados de 2000 a 2015 na íntegra versando sobre gerência em enfermagem e usando pesquisa-ação como método. Resultados: não foram encontradas publicações internacionais, sendo a revisão composta por nove artigos que foram analisados quanto aos objetivos, à coleta/análise dos dados e aos benefícios identificados. A maioria dos estudos foi hospitalar e versava sobre competências gerenciais do enfermeiro de maneira ampla ou elegendo uma delas para aprofundamento. Conclusão: há superficialidade no rigor científico adotado nas pesquisas sobre administração em enfermagem que utilizaram a pesquisa-ação como método investigativo, recomendando-se a ampliação de sua aplicação no Brasil para que, progressivamente, possa ter maior visibilidade no exterior. PALAVRAS-CHAVE: Enfermagem; Pesquisa em administração de enfermagem; Revisão. https://orcid.org/0000-0003-4522-9426 https://orcid.org/0000-0001-8228-9327 https://orcid.org/0000-0002-0786-0447 Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 5 35 ACTION-RESEARCH IN INVESTIGATION OF MANAGEMENT IN NURSING: INTEGRATIVE REVIEW ABSTRACT: Introduction: action research is a method that can contribute to the participatory management developed by nurses in their work process, because, like organizations, it is a dynamic method and influenced by the rapid changes that are taking place in the globalized world. Objective: to analyze the scientific production on nursing administration, which made use of action research as a method. Method: an integrative review with searches in the Virtual Health Library, Scientific Electronic Online library and PubMed using the terms “nursing”, “action research” and “administration” or “management”. Were Included: articles published from 2000 to 2015 in full, online about on nursing management and using action research as a method. Results: international publications were not found, and the review consisted of nine articles that were analyzed for the objectives, the collection / data analysis and the identified benefits. Most of the studies were hospital and this questionnaire about managerial skills of the nurse broadly or electing one of them to deepen. Conclusion: there is superficiality in scientific rigor adopted in research on nursing administration that used the action research as an investigative method, recommending the expansion of its application in our country so that, gradually, may have greater visibility abroad. KEYWORDS: Nursing; Research in nursing administration; Review. 1 | INTRODUÇÃO A prática profissional do enfermeiro envolve diferentes processos de trabalho articulados entre si. Entre eles, a administração do cuidado, que visa ofertar como produto as condições necessárias à assistência de enfermagem. Por tratar-se de um processo que envolve pessoas, as atividades administrativas do enfermeiro requerem, cada vez mais, uma postura horizontalizada com os membros da equipe, tornando-os corresponsáveis nas tomadas de decisão (SANTOS et al., 2013). A participação dos profissionais no processo de trabalho é o estopim para as transformações cotidianas, sendo necessária uma prática comunicativa de diálogo aberto entre os trabalhadores de enfermagem, direcionada ao entendimento mútuo e cooperativo (JACONDINO et al., 2014). Destarte, quando a tônica do modelo gerencial se ancora na verticalização do processo decisório, limitações podem ser percebidas no âmbito da organização, enquanto, por outro lado, as relações horizontais no trabalho proporcionam o sentimento de acolhimento e integração das pessoas (DUARTE et al., 2012). À vista disso, é necessária a adoção de processos participativos com os atores envolvidos nos problemas laborais cotidianos, objetivando a resolução dos mesmos a partir das necessidades sentidas pela coletividade. A pesquisa-ação emerge como um método utilizado pelo enfermeiro para contribuir nessa prática participativa, uma vez que a pesquisa, assim como as organizações, é dinâmica e influenciada pelas mudanças efêmeras que ocorrem hodiernamente no mundo globalizado (VERGANA, 2015). Diante desta realidade, cada vez mais exigem-se métodos investigativos que Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 5 36 busquem novas epistemologias, distanciando-se da anacronicidade positivista (DUARTE et al., 2012). Conjectura-se que a prática gerencial do enfermeiro imersa no universo supramencionado segue a mesma linha de raciocínio, requerendo estudos que permeiem paradigmas não lineares, como a pesquisa-ação. A pesquisa-ação possui base empírica, feita para a resolução ou esclarecimento de um problema coletivo. Em seu decurso, os pesquisadores e participantes do estudo exercem um papel ativo, desenvolvendo de fato uma ação ancorada no modo participativo e cooperativo na situação em que estão envolvido (THIOLLENT, 2011). Corresponde a uma forma de conduzir uma investigação qualitativa com vistas à busca de solução coletiva para um problema, inserido em uma mudança processual planejada (GODOI; MELO; SILVA, 2010). No âmbito das organizações e, portanto, abarcando a atuação administrativa do enfermeiro, trata-se de uma proposta metodológica que possui um caráter inovador ao sugerir a substituição do modelo clássico de pesquisa, em que o pesquisador observa os pesquisados, passando a conscientizar o grupo no concernente à temática do estudo. Desta maneira, o seu objetivo é proporcionar novas informações, produzir conhecimento que traga melhorias e soluções à organização cenário da pesquisa (MENEZES et al., 2016). Na área da enfermagem, a pesquisa-ação se constitui em uma importante ferramenta metodológica por não se sustentar em epistemologias positivistas e lineares, masem abordagens alicerçadas na integração dialética entre a pessoa e sua existência, os fatos e valores, teoria e ação e, principalmente, entre pesquisador e pesquisado (KOERICH et al., 2009). Deste modo, este estudo foi guiado pelo seguinte questionamento: como a pesquisa- ação tem sido utilizada nos estudos que abordam a administração em enfermagem? Para elucidar tal indagação, traçou-se como objetivo: analisar a produção científica sobre administração em enfermagem, que fez uso da pesquisa-ação como método. 2 | METODOLOGIA Trata-se de uma revisão integrativa, a qual consiste em uma análise ampla da literatura bibliográfica que contribui para discussões sobre processos e resultados de pesquisa acerca de determinado assunto. Tem como potencial construir conhecimento em enfermagem fundamental à prática clínica de qualidade, pois em um único acesso se tem diversas pesquisas realizadas com resultados sobre o tema desejado (MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008). Realizada em janeiro de 2016, seguindo os passos propostos por Mendes, Silveira e Galvão (2008), foram adotadas seis etapas para construção da revisão: 1) identificou-se o tema e fez-se a seleção da questão de pesquisa para elaborar a revisão integrativa; 2) foram estabelecidos os critérios para inclusão e exclusão de estudos, bem como estratégias utilizadas na busca dos estudos nas bases de dados; 3) constitui-se da utilização de um Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 5 37 instrumento para avaliar a qualidade de estudo, sendo necessário a categorização das informações extraídas dos artigos selecionados; 4) realizou-se a avaliação dos artigos incluídos na revisão integrativa; 5) ocorreu a interpretação dos resultados; 6) fez-se a apresentação da revisão e síntese do conhecimento. Consistiu em buscas nas bases de dados da BVS (Biblioteca Virtual de Saúde), SCIELO (Scientific Electronic Librery Online) e PubMed, utilizando os termos “enfermagem”, “pesquisa-ação” e “administração” ou “gerência”, em português e em inglês. Após o levantamento bibliográfico, realizou-se a leitura dos títulos e resumos para selecionar aqueles que: eram artigos científicos publicados no período de 2000 a 2015 na íntegra on line; versavam sobre temáticas relacionadas à prática administrativa de enfermagem e; utilizavam a pesquisa-ação como método. A análise dos dados foi feita em duas fases: 1) identificaram-se os dados de localização do artigo, ano e periódico de publicação, autoria, temática da administração em enfermagem, objetivo, técnica(s) de coleta/análise de dados e cidade/Estado de desenvolvimento do estudo; 2) realizou-se a análise dos artigos, identificando-se as colocações dos autores acerca do método da pesquisa-ação. Aditivamente, foram edificadas discussões sobre os objetivos dos estudos, as técnicas de coleta/análise dos dados e a justificativa para sua escolha, bem como seus benefícios diante da temática da administração em enfermagem que estava sendo pesquisada. O instrumento utilizado para sistematizar os achados em cada um dos artigos foi elaborado com base nos aspectos já validados em outro estudo (URSI, 2005), montando- se uma planilha específica de modo a atender às demandas desta investigação. 3 | RESULTADOS Na BVS, foram encontrados 9 artigos, sendo 2 repetidos nas bases de dados LILACS e BDENF, selecionando-se 7. Já no PubMed, foram encontrados 5, sendo que 4 deles eram repetidos da BVS e um não se enquadravam nos critérios de inclusão. Na SCIELO, além dos 7 já listados na BVS, foram encontrados mais 2. Assim, a presente revisão foi composta por 9 artigos. Nas buscas realizadas não foram encontradas publicações internacionais, sendo a amostra composta apenas por publicações brasileiras. O quadro 1 sintetiza as publicações que compuseram a presente revisão: Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 5 38 Local Título do artigo Periódico Ano Cidade/Estado BVS Análise de modelo de tomada de decisão de enfermeiros gerentes: uma reflexão coletiva. Revista Brasileira de Enfermagem 2015 Curitiba-PR Scielo Capacitação discente no processo de trabalho em diagnóstico por imagem do técnico em enfermagem. Revista Trabalho, Educação e Saúde 2014 Florianópolis-SC BVS O processo de construção do perfil de competências gerenciais para enfermeiros coordenadores de área hospitalar. Revista da Escola de Enfermagem da USP 2012 São Paulo-SP BVS Educação permanente em enfermagem em um hospital universitário. Revista da Escola de Enfermagem da USP 2011 Juiz de Fora-MG BVS Reelaboração do treinamento admissional de enfermeiros de Unidade de Terapia Intensiva. Revista da Escola de Enfermagem da USP 2010 São Paulo-SP BVS Desenvolvendo competências profissionais dos enfermeiros em serviço. Revista Brasileira de Enfermagem 2010 São Paulo-SP BVS Percepção da equipe de enfermagem de um hospital universitário acerca da avaliação de desempenho profissional. Revista Gaúcha de Enfermagem 2007 São Paulo-SP Scielo A construção de prognosticadores de avaliação de desempenho por meio do grupo focal. Revista Latino- Americana de Enfermagem 2007 São Paulo-SP BVS Processo de trabalho em enfermagem: gerenciamento das relações interpessoais. Revista Brasileira de Enfermagem 2004 Florianópolis-SC Quadro 1 – Distribuição dos artigos segundo local de indexação, título, periódico, ano de publicação e cidade/Estado de realização, 2000 - 2015. Com relação ao cenário dos estudos, oito foram realizados em instituições hospitalares, tanto públicas quanto privadas, com predominância de enfermeiros como participantes e apenas um em uma instituição formadora de técnicos de enfermagem, tendo discentes e docentes como pesquisados. No tocante às temáticas da administração em enfermagem, nota-se que a maioria dos estudos abordavam diferentes competências gerenciais do enfermeiro, de maneira ampla ou elegendo uma delas para aprofundamento. O quadro 2 especifica esta e outras particularidades dos artigos. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 5 39 Tema Objetivo do estudo Participantes Técnica (s) de coleta de dados Análise dos dados Tomada de decisão Analisar o modelo de tomada de decisão construído por enfermeiros na perspectiva das teorias da administração sobre processo decisório. 9 enfermeiros gestores Questionário semiestruturado; Seminários Análise de conteúdo Processo de trabalho Conhecer o processo de trabalho em diagnóstico por imagem dos discentes do Curso Técnico em Enfermagem-Proeja, em uma instituição pública da Grande Florianópolis, no estado de Santa Catarina. 14 discentes; 9 docentes do curso técnico em enfermagem Pesquisa documental; Questionário semiestruturado Planilhas eletrônicas Competências gerenciais Construir o perfil de competências gerenciais consensuado por enfermeiros coordenadores de área. 13 enfermeiros coordenadores de área Grupo focal Síntese dos encontros Educação permanente Identificar demandas e expectativas, fatores que interferem na qualificação de trabalhadores de enfermagem de um hospital universitário; Propor práticas de capacitação na perspectiva da educação permanente 35 enfermeiros; 70 técnicos de enfermagem; 9 auxiliares de enfermagem Oficinas educativas Observação, classificação e conclusões Educação permanente Treinamento admissional Reestruturar o processo de treinamento admissional de enfermeiro na UTI de um hospital privado do município de São Paulo. 29 enfermeiros Grupo focal Interlocução por meio eletrônico Não especificada Educação permanente Competência profissional Descrever sobre a construção e implantação do programa de desenvolvimento de competências profissionais de grupos de enfermeiros em serviço e identificar suas contribuições em hospital público cardiológico de São Paulo. 30 enfermeiros Reuniões semanais com elaboração de relatórios bimestrais Pesquisa documental Síntesedos relatórios bimestrais Avaliação de desempenho Conhecer as percepções da equipe de enfermagem a respeito do processo de avaliação de desempenho profissional Enfermeiros e técnicos de enfermagem (não especifica quantos) Fóruns Análise de conteúdo Avaliação de desempenho Construir os prognosticadores de avaliação de desempenho profissional para técnicos e auxiliares de enfermagem atuantes no Hospital Universitário da Universidade de São Paulo 19 profissionais de enfermagem de nível médio Grupo focal Síntese dos encontros Relacionamento interpessoal Não especificado 8 enfermeiros Vivências integradoras; Pesquisa documental Ordenação, classificação e análise final Quadro 2 – Distribuição dos artigos segundo tema da administração, objetivo do estudo, participantes, técnica (s) de coleta de dados e análise de dados 2000 - 2015. 4 | DISCUSSÃO A pesquisa-ação vem sendo difundida com maior amplitude para abordar problemas Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 5 40 administrativos da enfermagem hospitalar, com 88,8% (08) dos artigos. Uma vez que o hospital pode ser compreendido como uma empresa, este fato converge com as colocações de que tal método contribui sobremaneira para a superação de obstáculos nas organizações e, portanto, a sua escolha é adequada para tal cenário (MENEZES et al., 2016). Contudo, este fato demonstra uma lacuna no concernente à sua aplicação na abordagem em outras realidades que requerem do enfermeiro uma atuação gerencial consistente, como por exemplo, na atenção básica, coadunando com os princípios em que se ancora o Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente a descentralização. A participação dos envolvidos nas resoluções de problemas do seu processo de trabalho em saúde é importante para as transformações das práticas assistenciais cotidianas. Desta forma, a pesquisa-ação pode ser considerada ferramenta gerencial também para a atenção básica, seja em sua aplicação com os profissionais que ali atuam ou com os usuários. Desta forma, faz-se necessária uma prática comunicativa de diálogo aberto entre os trabalhadores de enfermagem guiada ao entendimento mútuo e cooperativo (JACONDINO et al., 2014). Tal colocação mostra íntima relação com os pressupostos da pesquisa-ação e, ainda, infere-se que este método pode contribuir para as relações horizontais no trabalho, proporcionando o sentimento de acolhimento e integração das pessoas no grupo, reiterando a importância de se dissolver a hierarquia profissional, sobretudo entre técnicos de enfermagem e enfermeiros (JACONDINO et al., 2014). Daí a aproximação com os desafios de implementação dos princípios de universalidade, equidade e integralidade do SUS, uma vez que estes requerem revisão do papel de cada instituição no concernente ao relacionamento com o usuário. Para tal, faz- se necessário descentralização do poder e horizontalização das relações, valorizando o desenvolvimento de autonomia e novas competências profissionais (ROCHA et al., 2014). Percebe-se a predominância do emprego da pesquisa-ação em estudos na cidade de São Paulo-SP, com 55,6% (05) deles, havendo necessidade de ampliar sua aplicação para outras regiões com problemas diferenciados. Ainda, há uma concentração significativa na Revista Brasileira de Enfermagem e na Revista da Escola de Enfermagem da USP que, embora tenha grande elevado rigor na aprovação dos manuscritos, denotando certa centralização deste tipo de pesquisa nesses periódicos, mesmo que o recorte temporal tenha sido de apenas quinze anos e com pequeno número de artigos. Por meio da leitura minuciosa dos nove artigos selecionados para o desenvolvimento deste estudo, foi possível identificar particularidades relacionadas ao emprego da pesquisa- ação como método de pesquisa, os seus objetivos, técnica(s) de coleta/análise dos dados e benefícios identificados com seu emprego na temática da administração em enfermagem abordada. Quanto aos objetivos: A redação do objetivo de uma pesquisa deve clarificar a delimitação da mesma, Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 5 41 evidenciando aquilo que se quer alcançar (SILVA; SOUZA; ARAUJO; SILVA, 2015), contudo, observou-se que, contradizendo tal afirmativa, um dos artigos da revisão não especificava o seu objetivo. Os demais elencados tinham seus verbos pertencentes ao domínio cognitivo da Taxonomia de Bloom, que está relacionada à aquisição de um novo conhecimento, desenvolvimento intelectual, de habilidades e de atitudes. Tal domínio possui seis categorias hierarquizadas progressivamente quanto à complexidade: conhecimento, compreensão, aplicação, análise, síntese e avaliação. Só após conhecer um determinado assunto, alguém poderá compreendê-lo e aplicá-lo (BLOOM, 1956; ANDERSON, 1999). Nos artigos analisados, com exceção daquele em que não se explicitava o objetivo, predominaram as categorias de conhecimento (33,4%) e síntese (33,4%), seguidas das de compreensão (11,2%) e análise (11,2%). Assim, nota-se que as pesquisas-ação realizadas não tinham objetivos de maior complexidade, concentrando-se, equitativamente, entre os de menor (conhecimento e compreensão) e de complexidade intermediária (análise e síntese). O fato de se encontrarem no domínio cognitivo comunga com a literatura correlata, a qual afirma que a ênfase da pesquisa-ação pode ser dada a um dos seguintes aspectos: resolução de problemas, tomada de consciência e produção de conhecimento (THIOLLENT, 2011). Ao analisar a forma de redação dos objetivos, verificou-se que estes estavam de acordo com as proposições da pesquisa-ação, visto que esta entrelaça objetivos de ação e objetivos de conhecimento e é importante que haja relação entre eles. O objetivo prático deve equacionar possíveis soluções para o problema levantado com “realismo”, ou seja, com soluções factíveis/alcançáveis. Já os objetivos de conhecimento visam obter informações que seriam de difícil acesso por meio de outros procedimentos (THIOLLENT, 2011). Quanto à coleta e a análise dos dados: Todas as pesquisas analisadas (09) utilizaram algum tipo de técnica grupal para obtenção dos dados e/ou produção da ação, destacando-se o grupo focal com 33,4% (03). Com o mesmo percentual, tem-se a pesquisa documental e, ainda, a entrevista semiestruturada com 22,3% (02). Salienta-se que 55,6% (05) utilizaram duas técnicas associadas. A utilização de uma ou mais técnicas de coleta de dados depende do problema de estudo e de sua factibilidade, avaliando-se as vantagens e as desvantagens na escolha dos instrumentais (SILVA; SOUZA; ARAUJO; SILVA, 2015). Diante dos achados, afirma-se que os estudos estão de acordo com os ditames norteadores da pesquisa-ação, pois nesta, as principais técnicas recomendadas para a coleta de dados são a entrevistas coletiva ou individual, questionários convencionais, estudos de jornais e revistas. Todas as informações coletadas são transferidas para Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 5 42 discussão em encontros grupais, análise e interpretação (THIOLLENT, 2011). Já o uso de pluralidade de técnicas de coleta de dados na pesquisa-ação, desde as citações mais antigas, é favorável pelo fato de possibilitar diferentes pontos de vista sobre o fenômeno, identificar divergências e evitar visões tendenciosas por parte do pesquisador (THIOLLENT; COLETE, 2014). Com relação à análise dos dados, 44,4% (04) dos estudos fizeram uso de síntese dos encontros, porém não clarificaram as especificidades deste processo. Na sequência, 22,3% (02) relataram a análise de conteúdo. A análise diz respeito à fase da pesquisa que visa organizar e sumarizar os dados de modo que o objetivo proposto seja alcançado e haja resposta ao problema da investigação (VIEIRA; HOSSNE, 2015). É a etapa que vislumbra a realização de uma síntese, sendo que, para tal, inicialmente é necessário decompor o fenômeno em partes para depois recompô- lo a fim de compreendê-loem sua totalidade. Ou seja, diz respeito ao procedimento de combinação em um todo de informações obtidas separadamente (SILVA; SOUZA; ARAUJO; SILVA, 2015). A leitura dos procedimentos metodológicos para as análises dos dados nos diferentes artigos revelou que em vários havia incipiência quanto à descrição das etapas utilizadas e, ainda, em um deles, não se mencionava a maneira como as informações obtidas tinham sido tratadas. Tal realidade aponta importante fragilidade que pode ser interpretada como falta de rigor na utilização do método. Quanto aos benefícios identificados: O método de pesquisa-ação pode contribuir amplamente para a melhoria organizacional, uma vez que proporciona processos democráticos, efetivos e contínuos de aprendizagem e de mudança. Isto porque mudar predispõe um planejamento pautado em diagnóstico organizacional cujo resultado será expresso em forma de problema (BARBOSA; SANTOS; ANDRADE, 2015). Considerando que a prática profissional requer do enfermeiro características de pesquisador compatíveis às exigências deste método, como, por exemplo, saber escutar, prestar atenção na sua clientela, ser sensível aos problemas da comunidade/equipe e aos seus sentimentos, a pesquisa-ação é importante ferramenta nas investigações sociais desta profissão (SILVA; MORAIS; FIGUEIREDO; TYRRELL, 2011). Reportando tais considerações para o campo da gerência/administração em enfermagem, o método em questão mostra-se pertinente para engendrar as mudanças desejadas na prática assistencial. Ademais, em virtude de se tratar de um processo coletivo advindo de um diagnóstico situacional, favorece a diminuição de manifestações de resistência das pessoas envolvidas (BARBOSA; SANTOS; ANDRADE, 2015). Essas premissas foram percebidas e relatadas por autores dos estudos da presente revisão. Em um dos artigos que versava sobre a tomada de decisão, afirma-se que a escolha da pesquisa-ação se deu pelo fato de que, quando os trabalhadores participam Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 5 43 de discussões que envolvem mudança em seu processo de trabalho, podem legitimar essas ações e dar consistência às novas ideias. Neste estudo, o método foi considerado adequado por responder às necessidades dos participantes naquela ocasião (EDUARDO et al., 2015). Corroborando com tal percepção, em outra investigação que compôs o quadro das obras aqui selecionadas, postula-se que a construção consensuada do perfil de competências gerenciais requeridas de enfermeiros foi facilitada pela pesquisa-ação, enfatizando que a interação entre o pesquisador e o grupo foi fundamental nesta trajetória e que o método colaborou para a resolução de um problema real no trabalho dos enfermeiros participantes (MANENTI et al., 2012). Já em outro artigo, os autores afirmam que tal método constituiu pilar de sustentação para um amplo diagnóstico frente ao problema do estudo, o qual girava em torno da temática da educação permanente. Aditivamente, pelo fato de ter sido realizada uma construção coletiva do conhecimento, gerou-se o sentimento de pertencimento ao grupo e de valorização, em virtude de terem sido proporcionados espaços para que todos fossem ouvidos (JESUS et al., 2011). As colocações sobre os benefícios da pesquisa-ação em investigações sobre questões gerenciais na enfermagem perpetradas nos artigos da revisão ora apresentada convergem com as informações da literatura correlata. Assim, é possível verificar que os autores notaram participação e expressão crescentes por partes dos envolvidos nos diferentes estudos, as quais foram essenciais para a concretização dos objetivos propostos, independente das técnicas utilizadas para sua efetivação. 5 | CONSIDERAÇÕES FINAIS Embora tenha havido coerência entre as percepções dos benefícios da aplicabilidade da pesquisa-ação em temas da administração em enfermagem com a literatura que sedimenta os pressupostos de tal método, a presente revisão integrativa, além de verificar a ausência de objetivos especificados em um estudo, também identificou lacunas na descrição metodológica dos estudos compositores. Tais achados permitem concluir que ainda há superficialidade relacionada ao rigor científico adotado nas pesquisas sobre administração em enfermagem que utilizaram a pesquisa-ação como método investigativo. A maioria as pesquisas foram edificadas em ambiente hospitalar na cidade de São Paulo-SP recomendando-se a ampliação de sua aplicação no Brasil para que o método, progressivamente, possa ter maior visibilidade no exterior, já que não foram encontrados estudos internacionais com seu uso em temas da administração em enfermagem. Ainda, que possa ser lastro de sustentação para resolução de problemas gerenciais também em outros níveis de atenção à saúde. Contudo, mesmo diante de tais vicissitudes, percebeu-se que as publicações se Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 5 44 concentram em periódicos nacionais bem-conceituados, havendo predominância das competências gerenciais como temática, com destaque para questões educativas voltadas ao processo de trabalho administrar. Distante de sanar as discussões espera-se que as reflexões propiciadas por meio da análise tecida nesta revisão possam instigar o uso da pesquisa-ação em estudos gerenciais na prática da enfermagem nas mais diversas ambiências, vislumbrando, cada vez mais, a resolução de problemas de maneira coletiva de modo a valorizar os envolvidos nos processos de mudança. REFERÊNCIAS 1. ALMEIDA, J, VARGAS, FC. Capacitação discente no processo de trabalho em diagnóstico por imagem do técnico em enfermagem. Trabalho, Educação e Saúde, Rio de Janeiro, v.12, n.1, p.51-67, 2014. Acesso em: 09 nov 2016. 2. ANDERSON, L. W. 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Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 6 47 Data de aceite: 22/01/2021 CAPÍTULO 6 doi ESTRATÉGIAS DE GESTÃO DE CONFLITOS COMO COMPETÊNCIA DO ENFERMEIRO PARA GARANTIA DA SAÚDE ORGANIZACIONAL Data de submissão: 06/11/2020 Gilberto Nogara Silva Júnior Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul Ijuí/RS http://lattes.cnpq.br/7580925882111821 Aline dos Santos da Rocha Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul Ijuí/RS http://lattes.cnpq.br/8969639137315963 Isabella Carolina Holz Silva Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul Ijuí/RS http://lattes.cnpq.br/6063753621277665 Larissa Caroline Bonato Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul Ijuí/RS http://lattes.cnpq.br/9247701537066232 Cátia Cristiane Matte Dezordi Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul Ijuí/RS http://lattes.cnpq.br/7806206131585996 Bruna Nadaletti de Araújo Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul Ijuí/RS http://lattes.cnpq.br/3321896671339348 Fernanda Dal Forno Bonotto Enfermeira, gerente geral do Hospital Ivan Goulart São Borja/RS http://lattes.cnpq.br/5480913863040793 Letícia Flores Trindade Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul Ijuí/RS http://lattes.cnpq.br/2003833478266415 Adriane Cristina Bernat Kolankiewicz Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul Ijuí/RS http://lattes.cnpq.br/7833969359741646 RESUMO: Por muito tempo o conflito foi visto pelos gestores de forma negativa e que sua abordagem deveria ser evitada, atualmente, essa percepção se transformou de tal forma que passou a ser considerado natural e em muitos casos necessário, uma vez que impulsiona mudanças. Na enfermagem, as situações conflitantes quando não abordadas de maneira adequada pelo enfermeiro, podem ocasionar consequências sérias. Nesse sentido, o enfermeiro é o elo central na mediação de conflitos e deve garantir o clima organizacional por meio de estratégias resolutivas de conflitos. OBJETIVO: Identificar estratégias utilizadas por enfermeiros para a resolução de conflitos entre a equipe de enfermagem, a partir da utilização da metodologia problematizadora. METODOLOGIA: Relato de experiência, com abordagem http://lattes.cnpq.br/7580925882111821 http://lattes.cnpq.br/8969639137315963 http://lattes.cnpq.br/6063753621277665 http://lattes.cnpq.br/9247701537066232 http://lattes.cnpq.br/7806206131585996 http://lattes.cnpq.br/3321896671339348 http://lattes.cnpq.br/5480913863040793 http://lattes.cnpq.br/2003833478266415 http://lattes.cnpq.br/7833969359741646 Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 6 48 descritiva de cunho qualitativo, com a utilização da metodologia problematizadora, com base na competência “administração e gerenciamento” do enfermeiro, desenvolvido durante o componente curricular de Gestão em Enfermagem, Serviços e Sistemas de Saúde, do curso de Graduação em Enfermagem. Compreende 4 das 5 etapas do Arco de Maguerez: observação da realidade; hipóteses do problema; teorização; hipóteses de solução. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Para refletir sobre os fatores de causalidade do problema, definiu-se pontos chaves para a discussão dos principais aspectos levantados, dentre eles estão: falhas na comunicação; relações interpessoais e profissionais; consequência das opiniões divergentes, valores e conceitos dessemelhantes. A partir disso, evidenciou-se hipóteses de solução para os fatores anteriormente citados, são elas: comunicação efetiva e feedback; negociação e imparcialidade; liderança; habilidade crítica, reflexiva e observatória. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Esse estudo evidenciou que não existe uma fórmula universal para transpor os conflitos oriundos do ambiente de trabalho, no entanto a existência de estratégias como a negociação, comunicação efetiva e feedback constante, demonstraram ser instrumentos que auxiliam para evitar situações conflitantes, das quais depende do aprimoramento da capacidade de liderança, comunicação, gestão e empatia do enfermeiro. PALAVRAS – CHAVE: Relacionamento interpessoal; gerenciamento de enfermagem; segurança; cuidado; metodologia problematizadora. CONFLICT MANAGEMENT STRATEGIES AS A NURSE’S COMPETENCE TO ENSURE ORGANIZATIONAL HEALTH ABSTRACT: For a long time the conflict was viewed by managers in a negative way and that their approach should be avoided, nowadays, this perception has been transformed in such a way that it started to be considered natural and in many cases necessary, since it drives changes. In nursing, conflicting situations, when not properly addressed by the nurse, can cause serious consequences. In this sense, the nurse is the central link in conflict mediation and must guarantee the organizationalclimate through conflict resolution strategies. OBJECTIVE: To identify strategies used by nurses to resolve conflicts among the nursing staff, using the problematizing methodology. METHODOLOGY: Experience report, with a qualitative descriptive approach, using the problematizing methodology, based on the competence “administration and management” of the nurse, developed during the curricular component of Nursing Management, Services and Health Systems, of the course in Nursing. It comprises 4 of the 5 stages of the Arco de Maguerez: observation of reality; hypotheses of the problem; theorization; solution hypotheses. RESULTS AND DISCUSSIONS: To reflect on the causal factors of the problem, key points were defined for the discussion of the main aspects raised, among them are: communication failures; interpersonal and professional relationships; consequence of divergent opinions, dissimilar values and concepts. From this, it was possible to find solutions to the factors previously mentioned, they are: effective communication and feedback; negotiation and impartiality; leadership; critical, reflective and observational skills. FINAL CONSIDERATIONS: This study showed that there is no universal formula to overcome the conflicts arising from the work environment, however the existence of strategies such as negotiation, effective communication and constant feedback, proved to be instruments that help to avoid conflicting situations, of which it depends on improving the nurse’s leadership, communication, management and empathy skills. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 6 49 KEYWORDS: Interpersonal relationship; nursing management; safety; caution; problematizing methodology. 1 | INTRODUÇÃO A palavra conflito vem do latim e significa o embate dos que lutam, discussão acompanhada de injúrias, desavença e oposição, resultante de diferenças de ideias e valores entre duas ou mais pessoas, as quais podem advir de expectativas profissionais mal definidas dentro do ambiente ocupacional (SILVA; TEIXEIRA; DRAGANOV, 2018). Por muito tempo o conflito foi visto pelos gestores de forma negativa e que sua abordagem deveria ser evitada, no entanto, atualmente, essa percepção se transformou de tal forma que passou a ser considerado natural e em muitos casos necessário, uma vez que antecede a detecção de problemas e ainda impulsiona mudanças comportamentais (BURBRIDGE; BURBRIDGE, 2017). Neste sentido, De Sousa et al (2018) aponta que, na enfermagem os conflitos sempre se fizeram presentes e o enfermeiro enquanto gestor e líder da equipe de enfermagem necessita estar preparado para reconhecê-los, bem como, resolvê-los. O gerenciamento em enfermagem foi institucionalizado em meados do século XIX, por meio do trabalho da enfermeira Florence Nightingale na Guerra da Criméia e, atualmente, suas ações relacionadas ao planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços de enfermagem estão asseguradas na Lei n° 7.498/1986 que regulamenta o exercício profissional de enfermagem no Brasil (FERREIRA, et al., 2019). No ambiente de trabalho, as situações conflitantes, quando não abordadas precocemente e de maneira adequada pelo enfermeiro gestor, têm capacidade de ocasionar consequências sérias, sobretudo na área da saúde. Nesse sentido, soluções inadequadas diante de conflitos relacionais entre a equipe de enfermagem, impactam negativamente na qualidade e segurança da assistência prestada aos usuários, além disso, se não for controlado, também prejudicam o clima organizacional e conduzem ao desconforto, stress e má comunicação entre os colaboradores (FREITAS, 2018). Nesta perspectiva, o enfermeiro é o elo central na mediação de conflitos a fim de garantir resoluções assertivas, por meio de estratégias com potencial de solucionar tais problemáticas, com vistas a manter equilíbrio nas relações interpessoais no ambiente de trabalho (ANDRADE, 2019). O mesmo autor salienta ainda a importância do enfermeiro desenvolver habilidades e competências entre as quais destacam-se liderança, conhecimento sobre as relações interpessoais, comunicação assertiva, observação e sensibilidade para tomar decisões efetivas. Diante do exposto, o presente estudo objetivou numa perspectiva crítica e reflexiva, identificar estratégias utilizadas por enfermeiros para a resolução de conflitos entre a equipe de enfermagem, a partir da utilização da metodologia problematizadora por estudantes do Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 6 50 curso de enfermagem de uma Universidade da Região Noroeste do Estado do Rio Grande Do Sul. 2 | METODOLOGIA Trata-se de um relato de experiência, com abordagem descritiva de cunho qualitativo, a partir da vivência de discentes do 8° semestre do curso de Enfermagem da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, vinculados à disciplina “Gestão em Enfermagem, Serviços e Sistemas de Saúde”. Com carga horária de 90 horas, a mesma ocorreu no período de agosto a dezembro de 2020, a qual utilizou-se como estratégia de ensino a Metodologia Problematizadora (MP), como propulsora das discussões. A MP revela-se como estratégia inovadora na área educacional de saúde, seja como método de estudo ou de ensino, uma vez que promove nos sujeitos uma postura crítica, reflexiva e também investigativa, a partir da identificação de um problema e possíveis soluções. Ainda, para nortear a problematização deste estudo, utilizou-se do diagrama denominado Arco de Maguerez, o qual constitui-se pelas seguintes etapas: observação da realidade, pontos-chave, teorização, hipóteses de solução e aplicação à realidade (BORDENAVE, PEREIRA, 1989; DA SILVA, et al., 2020). A partir do exposto, os acadêmicos de enfermagem foram previamente divididos em grupos aleatórios pelas docentes da disciplina, e instigados a refletir acerca de uma competência do enfermeiro. As competências elencadas pelos docentes da disciplina foram: Comunicação; Administração e gerenciamento; Tomada de decisão e Liderança. Assim, os autores do presente estudo discutiram, por meio de uma ferramenta online intitulada “Google Meet”, referente a Administração e gerenciamento da enfermagem. Inicialmente as reflexões em torno da competência ocorreram a partir do conhecimento singular de vivências prévias dos estudantes. Após as discussões, elencou- se como problema “gestão inadequada do enfermeiro diante dos conflitos entre a equipe de enfermagem”. Dessa forma, seguidamente as etapas propostas pelo Arco de Maguerez, foi-se realizado o levantamento bibliográfico e embasamento teórico com vistas a buscar estratégias para resolução do problema a partir das seguintes bases de dados científicos: Literatura Latino-Americana em Ciências da Saúde (LILACS), Base de Dados em Enfermagem (BDENF), Sistema Online de Busca e Análise de Literatura Médica (MEDLINE) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Posteriormente, efetuou-se uma leitura exploratória para verificar se existiam ou não, dados, fatos e informações a respeito da problemática coerente com os objetivos do estudo. Ainda, conversamos com uma gestora em enfermagem, com um bom tempo de atuação na área, sobre o nosso problema, a qual gravou um vídeo sobre hipóteses de causalidade e solução. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 6 51 3 | RESULTADOS E DISCUSSÃO Como foi colocado anteriormente por Silva et al (2020), a primeira etapa do Arco de Maguerez, constituiu-se da observação da realidade, desse modo, os acadêmicos de enfermagem, expressaram suas percepções pessoais, encontraram lacunas em torno do tema gerenciamento e administração do enfermeiro diante das situações conflitantes entre equipe de enfermagem, problemática escolhida devido às vivências nas práticas curriculares durante o do curso. Nesse sentido, as diversidades existentes entre os colaboradores de uma equipe de enfermagem são inevitáveis,todavia, é necessário que exista uma cultura organizacional capaz de gerenciar essas diferenças precocemente, em razão de que uma gestão inadequada dos conflitos apresenta um potencial de influenciar diretamente a qualidade do serviço e cuidado prestado (PINHATTI et al., 2017). Na segunda etapa, os estudantes refletiram em conjunto sobre a problemática encontrada e, com conhecimentos adquiridos durante a trajetória acadêmica, elencou- se hipóteses explicativas e fatores associados com potencial de desencadear à situação problema (SILVA, et al., 2020). Quanto ao problema da gestão inadequada do enfermeiro diante dos conflitos entre a equipe de enfermagem, foram selecionados os seguintes pontos- chave de causalidade: falhas na comunicação entre a equipe de enfermagem; relações interpessoais e profissionais; consequência das reações entre opiniões divergentes, valores e conceitos dessemelhantes. Neste sentido, Pinhatti et al (2020), corrobora com as problemáticas elencadas em nossa problematização, da qual afirma que as principais fontes e fatores desencadeantes de conflitos nas instituições de saúde estão relacionadas em torno dos eixos da comunicação, estrutura organizacional e comportamento individual. Além disso, verificou-se no estudo de Medeiros e Nunes (2018), outros fatores com potencial de desencadear conflitos, como a falta de empatia, responsabilidade e compromisso no trabalho, divergências de opiniões, desmotivação e desvalorização, falta de diálogo entre os profissionais, diferenças de personalidade, estresse físico e emocional, escassez de materiais e equipamentos, sobrecarga, jornada de trabalho excessiva e dinâmica desgastante em unidades. A terceira etapa relaciona-se a teorização dos achados do processo da MP pontuados na segunda etapa (SILVA, et al., 2020). Buscou-se então o aprofundamento de conhecimentos a respeito dos pontos-chave, para compreender o porquê das coisas observadas, por meio de fontes da literatura. Momento considerado enriquecedor, para os estudantes, pois permite crescimento mental dos mesmos (Bordenave, 1985). Desse modo, torna-se fundamental a identificação precoce de conflitos para verificar qual a melhor estratégia a ser utilizada para sua resolução. Um estudo realizado por Eller, et al., (2017) evidenciou que o enfermeiro deve preocupar-se em minimizar os fatores comportamentais que interferem na comunicação e evitar as conversas paralelas e ruídos, Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 6 52 com vistas a garantir a continuidade do trabalho e evitar conflitos. Assim, o mesmo autor cita fatores que interferem na comunicação durante o processo de trabalho em equipe, dentre eles, destacam-se a ausência da comunicação direta, atrasos de colegas, conversas paralelas, conflitos, falta de compromisso, competições e brincadeiras de funcionários. A relação interpessoal dos profissionais de enfermagem no ambiente de trabalho também podem influenciar no seu desempenho laboral e na qualidade do cuidado prestado. Nesse sentido, as relações se desenvolvem em decorrência de processos de interação, que correspondem às situações de trabalho compartilhadas por duas ou mais pessoas e atividades coletivas predeterminadas a serem executadas, ou seja, a falta de interesse, má vontade, falta de responsabilidades, falta de informação, falta de diálogo entre a equipe, os problemas de relacionamento interpessoal podem interferir, diretamente, no seguimento natural das atividades, dos quais causam desconforto para quem atende, bem como reflete em quem é atendido (PEREIRA, et al., 2019). A divergência não é o conflito em si, mas é a sua causa. O conflito surge quando essa discordância nos leva a tomar medidas para confrontar ou minimizar o oponente. Às vezes, o confronto ocorre em termos verbais e o objetivo é persuadir ou impor ao outro os seus próprios motivos. Em outras ocasiões, os conflitos geram ações diretas que podem ser uma violência direta ou velada. Em todos os casos, o objetivo é sempre o mesmo: que uma das opiniões ganhe e prevaleça sobre a outra. No entanto, existem circunstâncias nas quais nenhuma das partes consegue derrotar a outra (KAPPEL, 2018). Nesse contexto, as diferenças entre os indivíduos, tanto em ideias como percepções sobre determinado assunto, diferente do pensamento da maioria pode ser visto como um dos principais motivos para ocorrência dos conflitos ou atritos nos relacionamentos estruturais. Os efeitos positivos ou benéficos do conflito referem-se à oportunidade de incrementar entendimento das diferentes perspectivas de análise dos problemas. Ocorrerá, então, uma mobilização dos recursos e energia de ambas as partes, que se voltam para a busca de soluções alternativas. Dessa forma, todos aprendem e refletem juntos, da qual caracteriza o trabalho em equipe (BAHIA; GODINHO, 2019). Nesta perspectiva, Ribas, et al (2018) conclui que os resultados positivos de um conflito, trazem benefícios a qualquer organização, pois contribui para o crescimento das pessoas pertencentes da equipe igualmente no desenvolvimento deste grupo. Serve também para encontrar os problemas e requisitar a melhor solução, estimular o interesse e a curiosidade dos indivíduos pelo desafio da rivalidade e oposição de ideias e, realmente, funciona como o início do desenvolvimento e transformação das pessoas, grupos e sociedade. A partir do aprofundamento teórico da problemática, buscou-se elementos presentes na literatura para a elaboração de hipóteses de solução à gestão inadequada do enfermeiro diante dos conflitos entre a equipe de enfermagem, está então, configura-se como a quarta etapa do processo do Arco de Maguerez. Além disso, os autores deste estudo, contactaram Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 6 53 uma enfermeira da região Missioneira do Rio Grande do Sul, a fim de conhecer as diferentes realidades em torno deste processo e suas respectivas estratégias para mediação de conflitos entre a equipe de enfermagem. Desse modo, definiu-se as seguintes hipóteses resolutivas: Comunicação efetiva e feedback; negociação e imparcialidade; liderança; habilidade crítica, reflexiva e observatória. Dentre as estratégias resolutivas de conflito, destacam-se no estudo de Osugui, et al (2020), a comunicação efetiva e feedback com a equipe. Abordar a temática em torno do processo da comunicação, implica em entender a sua dinâmica em um contexto complexo, uma vez que é notável o crescimento de falar para o outro, ao invés de falar com o outro sujeito, assim como ouvir para responder, contrariamente ao ouvir para entender, das quais segundo Nascimento (2020), geram ruídos na comunicação e, consequente dedução do que foi dito, a qual torna-se um ambiente propício para o desenvolvimento de conflitos. Nesta perspectiva, o enfermeiro surge como um mediador da comunicação entre os membros de uma equipe, em virtude de que a escuta proativa, o diálogo não violento e o controle emocional são competências esperadas de um líder, ao qual compete a ele o desenvolvimento de práticas dialógicas que contribuam para a autonomia dos colaboradores e favoreçam a melhoria do comportamento, maior comprometimento e diminuição dos conflitos entre os membros da equipe (ARAÚJO, et al., 2020). Nesse sentido, a comunicação não violenta mostra-se como uma estratégia para alcançar uma comunicação efetiva, a qual ocorre em quatro passos: descrição sem julgamentos de como observo a situação e ações do outro, compartilhamento do sentimento individual, manifestação das necessidades individuais com base nos valores e desejos gerados e realização do pedido claros e específicos com critérios objetivos, o sucesso destas etapas exige treino e prática do gestor de saúde (DO NASCIMENTO, 2020). Diante dessas considerações, é importante ter em mente que os ruídos na comunicação dentro de uma estrutura com diversas culturas, ocorre, segundo Osugui, et al (2020), pela falta de feedback. Nestaperspectiva, o feedback mostra-se como um instrumento de avaliação que possui atributos necessários para assegurar a qualificação, pois fornece continuamente informações do quão distante, ou próximo, o colaborador está dos objetivos almejados pela instituição (MONTES; RODRIGUES; AZEVEDO, 2019). Ao passo que o feedback é um instrumento com potencial de mudança organizacional, as principais dificuldades encontradas por enfermeiros neste processo, segundo Romero et al (2020), estão relacionadas ao fornecimento de feedbacks negativos, posto que a separação entre a relação pessoal e profissional demonstrou ser um obstáculo no momento de tecer apontamentos face a face sobre situações conflitantes, na qual confirma as hipóteses de causalidade pontuadas durante a elaboração da MP. Assim, é necessário que o enfermeiro desenvolva uma postura imparcial durante estas abordagens, para que os profissionais supervisionados percebam o feedback como uma ferramenta de reorientação e não de punição em momentos conflitantes (ROMERO, et al., 2020). Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 6 54 De modo similar, para que os enfermeiros possam desenvolver uma visão estratégica para solucionar conflitos é preciso designar um tempo para ouvir os demais colaboradores. É importante ressaltar que o gerente é um educador, e como tal deverá desempenhar uma liderança inovadora, a fim de estimular sua equipe a pensar e desenvolver metas, objetivos e resultados. A inovação na enfermagem faz-se em conjunto entre os profissionais, dessa maneira é necessário reconhecer o perfil da equipe de enfermagem, bem como seus comportamentos e particularidades no campo de atuação, para diagnosticar fragilidades precocemente e facilitar a mudança organizacional (SOUSA et al., 2018). A negociação é um processo no qual existem duas partes que passam por uma transação, em que são empregadas estratégias para resolução de conflitos com a finalidade de chegar a um acordo mútuo. Dentre os vários momentos existentes durante a negociação destacam-se algumas etapas a serem cumpridas: planejamento, confronto, confiança, persuasão, conhecimento lógico, adaptabilidade, entre outros fatores básicos para o negociador (LIMA, et al., 2014). Segundo Sousa et al (2018), o uso da negociação por meio de um diálogo aberto entre os envolvidos sempre foi apontado como a principal alternativa para se buscar um consenso em ambas as partes, porém a forma de conduzir uma negociação se diferencia de acordo com os personagens. O ato de negociar varia de acordo com cada pessoa, pois há o envolvimento de fatores como crenças, valores, costumes, grau de conhecimento do problema, cultura e outros, todavia deve ser resolvido de forma amigável e com resultados satisfatórios para ambas as partes. O enfermeiro, como mediador de conflito, deve ser imparcial, flexível e manter a confidencialidade a fim de ser efetivo nessas situações (SILVA; TEIXEIRA; DRAGANOV, 2018). Outro aspecto pautado neste estudo para resolução de situações conflitantes, revela- se sobre uma das capacidades essenciais na vida profissional do enfermeiro, a liderança. O estar apto para se comunicar claramente com o grupo, apontar soluções para conflitos e ter a iniciativa para a tomada de decisões, são atributos que garantem um desempenho satisfatório na área da saúde, da qual exige preparo, criatividade e determinação. Nesse sentido, entende-se que a capacidade de liderar precisa ser construída e aprimorada, diariamente. Todavia para que o enfermeiro seja um líder, é indispensável que o mesmo compreenda o seu significado e sua relevância enquanto competência profissional e reconhecer os atributos essenciais para que esta aconteça de forma efetiva (ENGESETH, 2016). Engeseth (2016) ressalta que a liderança exige paciência, disciplina, respeito, humildade e compromisso ao lidar com pessoas dos mais diversos tipos, além de saber mediar relações de equipe. Assim, um grande líder deve saber influenciar e dirigir a equipe, de forma ética e positiva, dia após dia, ano após ano, em diversas situações. Para exercer com qualidade o papel de líder, é fundamental: pró-atividade, iniciativa, determinação, saber ouvir e aceitar sugestões, e mesmo com tantas habilidades, o enfermeiro se depara Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 6 55 com situações conflitantes e deve se preparar para esta realidade. (LOPES, 2015). Segundo Lopes (2015), o enfermeiro deve relacionar a dinâmica de grupo como um meio para promover maior conhecimento entre os profissionais da equipe. Trocar ideias, informações e a visão crítica favorecem um trabalho integrado. Assim, o trabalho em equipe requer mais que bons funcionários, também é preciso de líderes capazes de auxiliar no processo de motivação, e na tomada de decisões. Neste sentido, a liderança pode ser adotada como ferramenta para evitar ou solucionar conflitos. 4 | CONSIDERAÇÕES FINAIS O desenvolvimento da MP contribuiu de maneira satisfatória na formação dos acadêmicos de enfermagem, uma vez que proporcionou a reflexão crítica de um problema vivenciado nas práticas curriculares, de modo a identificar hipóteses de causalidade e, a partir destas encontrar e propor soluções para resolução dos conflitos. Após refletir coletivamente com os colegas e docentes, compreender o problema, teorizar se pautando em evidências e na experiência de enfermeiros que atuam na prática, com a enfermeira convidada que realizamos o vídeo e enfermeira mestranda, a qual está realizando estágio docente na disciplina, nos sentimos desafiados a pensar/propor soluções para transformar a realidade, Os conflitos possuem origem entre a interação interpessoal cotidiana do trabalho e desacordo interno ou externo resultante de diferenças de ideias e valores entre duas ou mais pessoas. Atualmente não existe uma fórmula universal para transpor os conflitos oriundos do ambiente de trabalho, no entanto a existência de estratégias como a negociação, comunicação efetiva e feedback constante, demonstraram ser neste estudo, instrumentos que auxiliam tanto para evitar situações conflitantes, quanto para solucioná-las quando já instaladas, da qual depende da postura do enfermeiro enquanto gerente. Neste sentido, após a realização deste estudo, pode-se evidenciar que as estratégias utilizadas pelos enfermeiros para gerenciar conflitos, depende do aprimoramento de sua capacidade de liderança, comunicação, gestão e empatia. Desse modo, como acadêmicos percebemos que o uso desta metodologia na formação, contribui na formação de forma a estimular o raciocínio crítico, a relação com a teoria/prática e propulsionar a proposição de soluções para a realidade. Ainda destacamos que o uso desta metodologia contribuiu na compreensão maior da competência estudada bem como mediar conflitos adequadamente. REFERÊNCIAS ANDRADE, Cristiane Regina Cardoso de. Conflitos gerenciados e estratégias implementadas por enfermeiros em serviços de saúde: revisão integrativa. Tese (Doutorado) - Curso de Enfermagem, Faculdade de Ciências da Educação e Saúde, Brasília, 2019. Disponível em: https://repositorio. uniceub.br/jspui/bitstream/prefix/13624/1/21506262.pdf. Acesso em: 10 out. 2020. 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Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 7 58 Data de aceite: 22/01/2021 CAPÍTULO 7 doi REFLEXÕES SOBRE OS PROBLEMAS DA LIDERANÇA AUTOCRÁTICA NA ENFERMAGEM Data de submissão: 05/11/2020 Gabriela Ceretta Flôres Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul Ijuí/RS http://lattes.cnpq.br/9172486111841890 Carine Meggolaro Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul Ijuí/RS http://lattes.cnpq.br/4175330231478752 Fernanda Fernandes de Carvalho Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul Ijuí/RS http://lattes.cnpq.br/9514124064376855 Jordana Cargnelutti Ceretta Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul Ijuí/RS http://lattes.cnpq.br/0673013012300280 Cátia Cristiane Matte Dezordi Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul Ijuí/RS http://lattes.cnpq.br/7806206131585996 Leticia Trindade Flores Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul Ijuí/RS http://lattes.cnpq.br/2003833478266415 Adriane Cristina Bernat Kolankiewicz Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul Ijuí/RS http://lattes.cnpq.br/7833969359741646 RESUMO: O termo liderança possui uma ampla gama de definições, sendo compreendida principalmente como o processo de influenciar um grupo em direção a realização de um objetivo. No sentido da enfermagem, caracteriza-se como uma competência gerencial necessária e inerente a prática do profissional enfermeiro, com vistas ao alcance de objetivos e metas alinhados com a cultura organizacional. Considerando-se que as práticas de liderança podem influenciar o desenvolvimento do trabalho do enfermeiro junto à equipe de enfermagem, torna-se necessário discutir sobre elas. Como foco desse estudo, a liderança autocrática é um estilo de liderança caracterizado pelo controle individual do líder sobre as decisões, métodos, políticas e procedimentos de trabalho. OBJETIVO: Refletir sobre as práticas do modelo de liderança autocrática no cenário da enfermagem. METODOLOGIA: Estudo descritivo, do tipo relato de experiência, com a utilização da metodologia problematizadora, com base em uma competência profissional do enfermeiro. Estudo desenvolvido durante o componente curricular de Gestão em Enfermagem, Serviços e Sistemas de Saúde, do curso de Graduação em Enfermagem. Compreende 5 etapas: observação da realidade; hipóteses do problema; teorização; hipóteses de solução; aplicação a realidade. http://lattes.cnpq.br/9172486111841890 http://lattes.cnpq.br/4175330231478752 http://lattes.cnpq.br/9514124064376855 http://lattes.cnpq.br/0673013012300280 http://lattes.cnpq.br/7806206131585996 http://lattes.cnpq.br/2003833478266415 http://lattes.cnpq.br/7833969359741646 Gerenciamento de Serviços de Saúde e EnfermagemCapítulo 7 59 RESULTADOS E DISCUSSÕES: Para refletir sobre os possíveis potencializadores do problema, definiu-se alguns pontos chaves para a discussão, e após buscou-se evidências que comprovassem ou descartassem os principais aspectos levantados. Dentre eles: Impor uma superioridade ilusória, confundindo liderança com autoritarismo; Ausência de colaboração e engajamento da equipe; Constituição de ressentimentos e conflitos dentro do grupo de trabalho, com tendência à desvalorização das habilidades e conhecimentos dos liderados; Maior dependência ao líder devido a centralidade na tomada de decisões, com tendência na diminuição do desenvolvimento organizacional, liberdade criativa e eficiência no trabalho. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Essa reflexão possibilitou desenvolvimento e expansão do pensamento crítico-reflexivo, além de fortalecer os conhecimentos e proporcionar habilidades teórico-práticas essenciais na resolutividade de problemas. PALAVRAS – CHAVE: Gestão; Enfermagem; Lideranças; Autoritarismo; Metodologia da Problematização. REFLECTIONS ON THE PROBLEMS OF AUTOCRATIC LEADERSHIP IN NURSING ABSTRACT: The term leadership has a wide range of definitions, being understood mainly as the process of influencing a group towards the achievement of an objective. In the sense of nursing, it is characterized as a necessary managerial competence and inherent in the practice of professional nurses, with a view to achieving objectives and goals aligned with the organizational culture. Considering that leadership practices can influence the development of nurses’ work with the nursing team, it is necessary to discuss them. As the focus of this study, autocratic leadership is a leadership style characterized by the leader’s individual control over work decisions, methods, policies and procedures. OBJECTIVE: To reflect on the practices of the autocratic leadership model in the nursing scenario. METHODOLOGY: Descriptive study, type of experience report, using the problematizing methodology, based on a professional competence of the nurse. Study developed during the curricular component of Nursing Management, Services and Health Systems, of the Nursing Undergraduate course. It comprises 5 stages: observation of reality; hypotheses of the problem; theorization; solution hypotheses; application to reality. RESULTS AND DISCUSSIONS: In order to reflect on the potential drivers of the problem, some key points for the discussion were defined, and afterwards, evidence was sought to prove or discard the main aspects raised. Among them: Imposing an illusory superiority, confusing leadership with authoritarianism; Absence of collaboration and team engagement; Constitution of resentments and conflicts within the work group, with a tendency to devalue the skills and knowledge of the followers; Greater dependence on the leader due to the centrality in decision making, with a tendency to decrease organizational development, creative freedom and efficiency at work. FINAL CONSIDERATIONS: This reflection enabled the development and expansion of critical-reflective thinking, in addition to strengthening knowledge and providing theoretical and practical skills essential in solving problems. KEYWORDS: Management; Nursing; Leadership; Authoritarianism; Questioning Methodology. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 7 60 1 | INTRODUÇÃO A palavra liderança deriva da administração, onde os termos e variáveis que envolvem o seu entendimento acompanham um processo dinâmico em sua evolução histórica. A literatura aponta a ausência de consenso sobre o conceito de liderança, corroborado pela existência de diversas teorias que atribuem diferentes significados a essa competência e cuja fundamentação decorre das posturas e da visão de cada profissional (NEVES; SANNA, 2016). No sentido das organizações de saúde e da Enfermagem, as exigências por profissionais para a atuação têm sido relacionadas às competências assistenciais e gerenciais (SILVA et al., 2017). Nessa perspectiva, a liderança é considerada uma competência relevante para o alcance das metas organizacionais, visando a implementação da missão, valores e princípios definidos pela gestão, com a finalidade de atingir o objetivo primordial da área da saúde, o cuidado (RODRIGUES, CARDOSO, 2019). A liderança deve ser uma habilidade inerente a prática do profissional enfermeiro (RODRIGUES, CARDOSO, 2019), uma vez que, em seu contexto histórico, emerge como líder da equipe. Isso pode ser explicado, pois este profissional possui ou desenvolveu, durante sua formação acadêmica e profissional, uma visão ampliada dos sistemas “ser humano”, “cuidado” e “saúde”, para além do que é visível, articulando os saberes e ações necessários para ofertar assistência de qualidade (FARAH et al, 2017). Para isso, o enfermeiro deve trabalhar as suas potencialidades de forma a desenvolver as habilidades necessárias relacionadas a liderança. Considerando-se que as práticas de liderança podem influenciar o desenvolvimento do trabalho do enfermeiro junto à equipe de enfermagem, torna-se necessário discutir sobre elas (SILVA et al., 2017). Nesse sentido, este estudo objetiva refletir, a partir da metodologia ativa de ensino-aprendizagem, com a utilização do Arco de Maguerez, sobre as práticas do modelo de liderança autocrática no cenário da enfermagem. 2 | METODOLOGIA Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, com a utilização da metodologia problematizadora (MP), desenvolvido durante o componente curricular de Gestão em Enfermagem, Serviços e Sistemas de Saúde, do curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ) durante o 8º semestre. No decorrer da disciplina, os estudantes foram instigados a desenvolver as etapas da MP, a partir de vivência das práticas curriculares de semestres anteriores, com base em uma competência profissional do enfermeiro. Estavam previstas as seguintes competências: comunicação, administração e gerenciamento, tomada de decisão e liderança. Nesse sentido, a turma composta por 16 alunos, foi dividida em quatro grupos, ambos com 4 Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 7 61 componentes, cada qual corresponde a uma competência. Apresentou-se aos estudantes a proposta da MP para o desenvolvimento da atividade, juntamente com o Arco de Maguerez, cuja estratégia de ensino-aprendizagem possibilita a interação entre alunos e professores, dando a oportunidade da (re) construção de conceitos e o partilhar das vivências. Dessa forma os participantes desse processo, são instigados a ponderar sobre as experiências e percepções reformuladas em seu cotidiano (DA SILVA et al 2020). O trabalho foi construído a partir de encontros online via a plataforma remota do Google Meet, em decorrência do momento pandêmico, impedindo o encontro presencial. Portanto, o trabalho é composto por cinco etapas: observação da realidade; hipóteses explicativas do problema; teorização; hipóteses de solução; planejamento e aplicação/ execução da ação (MAGUEREZ, 1966; BORDENAVE, PEREIRA, 1982). 3 | RESULTADOS E DISCUSSÕES 3.1 ETAPA 1: Observação da realidade (problema) Durante as atividades práticas nos mais diversos campos da área da saúde, pode- se presenciar inúmeras situações envolvendo enfermeiros. Algumas dessas positivas, onde a enfermagem consegue demonstrar a sua importância e a sua necessidade, e outras situações desgastantes, que por vezes, acabam interferindo negativamente na imagem desta profissão frente aos pacientes e frente a sua própria equipe de trabalho. Em equivalência a presente etapa, identificou-se que a liderança autocrática é aquela na qual o gestor é o centro de todas as decisões, podendo causar uma grande insatisfação e gerar um problema entre os colaboradores. Nesse contexto, estabelece-se como problema do estudo “a liderança autocrática”. 3.2 ETAPA 2: Pontos Chaves (causa doproblema) Para refletir sobre os possíveis potencializadores do problema, é necessário compreender fatores que podem estar associados a causa, no qual possibilita a definição de alguns pontos chaves. Dentre eles, no cenário da liderança autocrática, destaca-se os de maior relevância para esse estudo: • Impor uma superioridade ilusória, confundindo liderança com autoritarismo; • Ausência de colaboração e engajamento da equipe. • Constituição de ressentimentos e conflitos dentro do grupo de trabalho, com tendência à desvalorização das habilidades e conhecimentos dos liderados. • Maior dependência ao líder devido a centralidade na tomada de decisões, com tendência na diminuição do desenvolvimento organizacional, liberdade criativa e eficiência no trabalho. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 7 62 3.3 ETAPA 3: Teorização O termo liderança possui uma ampla gama de definições, sendo compreendida principalmente como o processo de influenciar um grupo em direção a realização de um objetivo. Apesar da variação dos conceitos, entende-se que o resultado que se espera da liderança, vem de acordo com o impacto exercido sobre os liderados, modificados de acordo com o estilo de liderança adotado (BOTELHO, KROM, 2010). No sentido das organizações, a liderança, é um processo de influência intencional do líder sobre seus seguidores, com vistas ao alcance de objetivos e metas em comum a ambos e alinhados com a cultura organizacional (NEVES, SANNA, 2016). A liderança caracteriza-se como uma competência gerencial necessária ao exercício profissional do enfermeiro, tornando-o capaz de influenciar sua equipe com vistas a disponibilizar atendimento focado nas necessidades de saúde dos usuários e familiares (AMESTOY et al, 2017). É importante destacar que existe uma distinção entre líder e estilo de liderança. O líder é a pessoa em um grupo à qual foi atribuída uma posição de responsabilidade para dirigir e coordenar determinadas atividades e também pessoas, sendo considerado o principal responsável pelos resultados advindos de sua influência. Entretanto, o estilo de liderança é a maneira pelo qual essa pessoa, na posição de líder, influencia as demais pessoas do grupo (BOTELHO, KROM, 2010). Para ser um líder, não precisa ser necessariamente um chefe, basta ter conhecimento e habilidades que façam com que o grupo busque a realização dos objetivos (FELIX, et al., 2013). Nesse contexto gerencial, existem diferentes tipos de liderança, entre eles podemos citar: liderança autocrática, democrática ou liberal. Cada estilo possui suas características e diferentes visões sobre a coordenação do processo de trabalho (SILVA et al, 2017). Em suma, na liderança autocrática, o nível de intervenção do líder é alto, na qual toma as decisões sem consultar o grupo, fixa as tarefas de cada um e determina o modo de concretizá-las. Na liderança democrática, há nível médio de intervenção do líder, é participativo, na qual o líder compartilha com os empregados sua responsabilidade de liderança, envolvendo-os no processo de tomada de decisão. Na liderança liberal a intervenção é quase nula, na qual o líder funciona como elemento do grupo e só acaba intervindo se for solicitado (BOTELHO, KROM, 2010). A liderança autocrática, também conhecida como liderança autoritária, é um estilo de liderança caracterizado pelo controle individual do líder sobre as decisões, métodos, políticas e procedimentos de trabalho (RETONDO, 2019). Um líder autocrático, determina diretrizes sem a participação do grupo, indicando qual a tarefa de cada um dos colaboradores, além de determinar as técnicas para a execução das tarefas. Possui uma postura diretiva e dominadora, dando instruções sólidas e inflexíveis, podendo causar mal- estar organizacional (BOTELHO, KROM, 2010). Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 7 63 O trabalho só se desenvolve na presença do líder, visto que, quando este se ausenta, o grupo produz pouco e tende a indisciplinar-se. A produtividade até é elevada, mas a realização das tarefas não é acompanhada de satisfação, ocorrendo a desmotivação por falta de reconhecimento. Na adoção deste estilo, não há espaço para a iniciativa pessoal, sendo que nesse tipo de liderança é gerado conflitos, atitudes de agressividade, de frustração, de submissão e desinteresse, entre outras (BOTELHO, KROM, 2010). Nesse sentido, após uma revisão da literatura, buscou-se evidências que comprovem ou descartem os principais aspectos levantadas que potencializam o problema estabelecido. • Impor uma superioridade ilusória, confundindo com autoritarismo: O enfermeiro no seu processo de trabalho, ao coordenar as atividades, assume uma posição hierárquica vertical que lhe confere legalmente poder e autoridade para atuar, por meio da supervisão, comanda e controla as ações dos membros da equipe com o objetivo de garantir a eficiência e a eficácia no trabalho. Como coordenador, tem poder e autoridade para ditar e impor padrões de trabalho, seguindo e fazendo seguir regras, normas, rotinas que contemplam as metas organizacionais (OLIVEIRA, RODRIGUES, 2017). No cotidiano das instituições hospitalares, é rotineiro presenciar situações envolvendo abusos de poder. Algumas pessoas tentam mascarar sua insegurança e fraquezas utilizando-se da prepotência e arrogância para lidar com sua equipe. Já o medo é uma forma de coação que pode induzir as pessoas a aceitarem tal influência, porém se sabe que esse tipo de liderança não é capaz de sobreviver por muito tempo, pois tornar- se verdadeiros estopins dentro destas organizações, por serem geradoras de conflitos e capazes de alterar o clima no ambiente de trabalho (OLIVEIRA, RODRIGUES, 2017). • Ausência de colaboração e engajamento da equipe: A liderança está ligada ao relacionamento interpessoal e suas definições se pautam em ações de caráter comunitário. A grande dificuldade do exercício da liderança está relacionado a resistência da equipe para sua aplicabilidade. Contudo, não se pode afirmar que isto ocorre apenas em função das equipes serem pouco receptivas ou porque a liderança é exercida de maneira errônea (PEREIRA, L.A, et al 2015). O exercício da liderança exige colaboração e consciência de todos os colaboradores, de modo que isso possa ser ampliado na medida em que se compreende liderança como uma forma de influenciar pessoas para a obtenção de um objetivo comum (PEREIRA, L.A, et al 2015). Fazendo essa relação deste tema com a superioridade imposta do enfermeiro sobre a liderança, vale salientar que liderar requer recursos do profissional, como competência, crescimento mútuo, compromisso, honestidade e autodisciplina junto a sua equipe, o que faz com que o termo liderança não possa ser confundido com a autoridade que legitima posturas autoritárias (PEREIRA, L.A, et al 2015). Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 7 64 • Constituição de ressentimentos e conflitos dentro do grupo de trabalho, com tendência à desvalorização das habilidades e conhecimentos dos liderados: A liderança autocrática é comum em sujeitos que desejam impor uma superioridade ilusória e uma influência imposta, sendo confundida com autoritarismo. Este tipo de liderança não surge naturalmente, e pode refletir as próprias características negativas do líder. Essas características, especialmente a prepotência e arrogância, tornam o ambiente de trabalho insustentável, através da constituição de ressentimentos, refletindo negativamente no desempenho e resultado do trabalho da equipe, e, inclusive, gerar conflitos contínuos e frequentes (OLIVEIRA, RODRIGUES, 2017). Este tipo de liderança pode também influenciar direta e indiretamente no estado motivacional dos subordinados, frequentemente associado à desmotivação dos trabalhadores frente ao processo de trabalho, ocorrendo em paralelo a desvalorização das habilidades e conhecimentos (OLIVEIRA, RODRIGUES, 2017). Nesse sentido, pessoas de alto desempenho,que necessitam expressar suas opiniões, tornam-se hostilizadas frente a liderança autocrática, que tende a ser menos atrativa ao desenvolvimento e aproveitamento dos conhecimentos, habilidades e competências (RETONDO, 2019). • Maior dependência ao líder devido a centralidade na tomada de decisões, com tendência na diminuição do desenvolvimento organizacional, liberdade criativa e eficiência no trabalho: A liderança autocrática está ligada com a maior dependência em relação ao líder, pois os colaboradores costumam não tomar decisões quando necessário ou não tem abertura para expressar suas ideias, e assim, ficam subordinado a ordem do líder na sua tomada de decisão. É função do líder analisar e conhecer seus colaboradores para decidir qual estilo é mais eficaz para cada equipe e situação. Mas muitas vezes esse cenário de ser líder acaba trazendo desconforto a equipe, pois este chefe/líder acaba não aceitando críticas, passa um papel de ordenar e decidir sozinho, não aceita a criatividade dos outros componentes e não da autonomia, ocasionando um ressentimento entre os oponentes do grupo, e assim acabam sendo dependente do que foi exposto (SERAFIN , 2015). Salvagni et al (2014) referem que líderes têm muitas dificuldades em lidar com pessoas, pois preferem lidar com máquinas e não conseguem solucionar as situações do seu setor, perguntam frequentemente de todo e qualquer assunto, esperando uma solução de terceiros. Confiar apenas em uma pessoa para tomar todas as decisões corretas pode ser um caminho perigoso. Se o líder for conhecedor e eficaz, a organização será beneficiada, mas o líder não é tão competente nesses quesitos, a organização pode sofrer com decisões erradas e precipitadas. Formador de opiniões, o enfermeiro é um importante agente no qual proporciona mudanças, sendo assim, um preceptor por excelência. Por isso que através do Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 7 65 embasamento teórico e científico deve transmitir informações fidedignas e ser capaz de imprimir questionamentos e propor mudanças em busca de melhorias. Na liderança autocrática as decisões são centralizadas pelo líder, ele pode desconsiderar as sugestões de melhorias trazidas pelos colaboradores, destacando então a insatisfação apresentada em relação à formação profissional, portanto, sendo uma das principais dificuldades que os líderes acabam encontrando (RIBEIRO, 2006). No entanto, através da fundamentação teórica, foi possível salientar que o estilo autocrático também pode ser benéfico em alguns casos, como por exemplo: tomada de decisões e implementações rápidas, baseadas no conhecimento e julgamento do líder; aumento do desempenho em atividades específicas, direcionando os subordinados para suas qualificações; diminuição de erros por inexperiência ou pouca qualificação da equipe ou de algum profissional; cadeia clara de comando e supervisão; menor estagnação devido à má organização (RETONDO, 2019). 3.4 ETAPA 4: Hipóteses de soluções A liderança situacional, pode ter resultados favoráveis, pelas transformações e rapidez na execução das tarefas da equipe, onde o líder compreende suas necessidades de realizar o que precisa ser feito, e acaba alterando o seu estilo de acordo com a necessidade da equipe, dos pacientes e do ambiente, fazendo com que proporciona maior flexibilidade nas ações para melhor atender a todos envolvidos neste processo (OLIVEIRA, RODRIGUES, 2017). Destaca-se que a formação profissional para a liderança, como a realizada em cursos, palestras e seminários, é escassa, pois a forma de aperfeiçoamento é limitada na formação recebida no curso de graduação para o exercício da liderança. Contudo, esta se constitui como uma ferramenta indispensável nas atividades desenvolvidas pelo enfermeiro, visto que o profissional tem que desempenhar funções e competências onde incorporam diferentes competências e habilidades, o que vai exigir desse profissional um estudo mais aprofundado sobre aspectos como conceitos, teorias e pesquisas sobre a liderança (PEREIRA et al., 2015). Importante destacar, que além das hipóteses de solução para o problema, há alguns desafios que surgem com a liderança autocrática, no sentido de contrapor ao excesso de autoritarismo. Entre eles: escutar as ideias e percepções dos membros da equipe; estabelecer regras claras sobre o processo de trabalho; aumentar o conhecimento técnico para aumentar a confiabilidade da equipe de colaboradores; fornecer conhecimento e ferramentas, como supervisão e treinamento para a equipe; assumir a responsabilidade das ações e decisões; reconhecer o sucesso dos colaboradores, individual e coletivo (RETONDO, 2019). Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 7 66 3.5 ETAPA 5: Aplicação à realidade Nesta etapa é realizada a aplicação das hipóteses resolutivas, ou seja, colocar em ação o planejamento da etapa anterior, com vistas a transformar a realidade e fornecer estratégias para implementação de melhorias. Neste estudo, esta etapa não foi realizada, tendo em vista que o componente curricular na qual a MP foi desenvolvida, é uma disciplina teórica, o que impossibilitou tempo e recursos de execução das ações em campo de prática. O trabalho nesta disciplina possibilitou um primeiro contato e exercício com esta metodologia, visando que em semestres posteriores, os acadêmicos terão a oportunidade de um novo contato e aplicação desta metodologia. 4 | CONSIDERAÇÕES FINAIS A construção da metodologia problematizadora, possibilitou o desenvolvimento e expansão do pensamento crítico-reflexivo, além de fortalecer os conhecimentos e proporcionar habilidades teórico-práticas essenciais na resolutividade de problemas. A metodologia da problematização tem como ponto de partida, a observação da realidade, na qual a construção das hipóteses foi possível devido a vivência. Nesse sentido, essa ferramenta deve ser adotada e minuciosamente analisada pelos acadêmicos e profissionais, pois permite visualizar as falhas e através da busca de estratégias baseadas em evidências científicas, encontrar maneira de qualificar os serviços de saúde e solucionem a situação- problema. Nesse sentido, considera-se que a liderança torna-se essencial para a profissão, pois ter aptidão para comunicar, solucionar conflitos e ter iniciativa são atributos que contribuem para o cuidar. A literatura confirma as hipóteses levantadas pelas acadêmicas, considerando que o enfermeiro como líder de equipe deve proporcionar um ambiente de oportunidades, crescimento pessoal, corresponsabilização e de participação colaborativa, na construção dos objetivos comuns da equipe, respeitando a resiliência e importância de cada colaborador. Esta vivência proporcionou experiências que contribuíram para o aprendizado prático/teórico das acadêmicas e oportunizou maior conhecimento científico para futuro profissional. REFERÊNCIAS AMESTOY, S. C. et al. Liderança na enfermagem: do ensino ao exercício no ambiente hospitalar. Escola Anna Nery Revista de Enfermagem, v. 21, n. 4, p. 1-7, 2017. Disponível em: <http://dx.doi. org/10.1590/2177-9465-ean-2016-0276>. Acesso em: 24 out. 2020. BORDENAVE, J. 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Essas articulações entre a Universidade e a sociedade estimulam a promoção de equidade social. Assim, esse manuscrito é um relato de experiência em “Educação em Saúde” que objetivou discorrer sobre a comunicação no modo de fazer extensão e sua influência sobre as capacidades profissionais de um discente do curso de Enfermagem. A discussão está pautada numa abordagem descritiva dos períodos anteriores e durante a pandemia, e perspectivas para o Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 8 69 pós-pandemia. Antes da pandemia as atividades se davam por meio de uma comunicação realizada através contato direto, a partir do estabelecimento de um cuidado individual dirigido a um público geralmente negligenciado, que buscava ao serviço público de saúde. Durante a pandemia, estabeleceu-se uma nova metodologia de trabalho, agora através do uso das redes sociais como ferramenta para manter a comunicação. É importante mencionar que o modelo presencial de contato com o indivíduo possibilitou o desenvolvimento de habilidades humanísticas. O segundo modelo, no entanto, permitiu uma nova experiência, alcançando a um público diverso que, diferente do anterior, possuía livre acesso à internet. Nesse caso, como resultado, percebeu-se uma interação dos seguidores com a equipe de trabalho. São nítidos os “dois momentos”, com públicos diferentes e diferentes formas de comunicar. Para o pós pandemia é inegável a necessidade de trabalhar os dois modelos em concomitante, com a expectativa de manutenção desses diferentes públicos. Soma-se a essa constatação a avaliação positiva sobre as experiências adquiridas, que permitiram um amadurecimento profissional e a certeza de que os desafios são uma constante na vida do enfermeiro. PALAVRAS-CHAVE: Comunidade. Enfermagem. Comunicação. Educação em Saúde. Covid-19. COMMUNICATION IN THE WAY OF DOING EXTENSION, AND ITS INFLUENCE ON SKILLS AND SKILLS IN NURSING AREA ABSTRACT: The development of extension activities in the academic environment, which allow, notedly, the experimentation of extramural experiences, aim at the exercise of skills and abilities, which are essential for the formation of the undergraduate; at the time they promote the provision of social services, especially for those in need of public attention. These kind of association between the University and society encourage the promotion of social equity. Thus, this manuscript brings an experience report in “Health Education” aimed to discuss communication inside of university extension and its influence on the professional capacities of a nursing course student. The discussion is based on a descriptiveapproach from previous periods and during the pandemic and perspectives for the post-pandemic. Before the pandemic, activities took place by communication carried out through direct contact, based on the establishment of individual care offered to a generally a generally neglected public, who sought public health services. During the pandemic, a new work methodology was established, now through the use of social networks as a tool to maintain communication. It is important to mention that the face-to-face model of contact with the individual enabled the development of humanistic skills. The second model, however, implies a new experience, reaching a diverse audience that, unlike the previous one, did not have restricted access to the internet. In this case, as a result, it was realize an interaction between the followers and the work team. The “two moments” are clear, with different audiences and different ways of communicating. For the post-pandemic, there is an undeniable need to work the two models together, with the expectation of maintaining these different audiences. Added to this inference is the positive assessment of the acquired experiences that instigates an professional maturation and the certainty that challenges are a constant in the nurse’s life. KEYWORDS: Community. Nursing. Communication. Health Education. Covid-19. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 8 70 1 | INTRODUÇÃO A extensão universitária tem sua aparição em meados do século XIX, na Inglaterra (NOGUEIRA, 2001, apud DE MEDEIROS, 2017). No Brasil, a prática de ações de extensão data, oficialmente, do começo da década de 1930; mas a obrigatoriedade do desenvolvimento dessas atividades, nas universidades do país, só se deu ao final da década de 1960 (FORPROEX 2007, apud DE MEDEIROS, 2017). O fato é que, na atualidade, o fomento à extensão tem sido um instrumento que se mostra como o caminho para promoção de equidade social. É entendimento o papel da Extensão Universitária e as contribuições que pode garantir à sociedade. Não só isso, mas pensar a Extensão e executá-la, dentro das suas premissas norteadoras, garante não apenas credibilidade à instituição executora, mas a experimentação de vivência e oportunidade do exercício das competências e habilidades ao discente envolvido. Mas houve um tempo em que, segundo Ribeiro (2009), a extensão era uma atividade marginalizada, vista como uma ação realizada apenas por docentes que não possuíam capacidade ou vocação de desenvolver pesquisa. Hoje é perceptível o reconhecimento do valor de ações extensionistas realizadas por gente capacitada e entendedora do “fazer extensão” – e isso também justifica, entre outras coisas, o empenho de Universidades que estão debruçadas sobre o processo de curricularização da Extensão. Ademais, nos diversos cursos de graduação, é inegável a capacidade de articulação com diferentes setores da sociedade, numa interação intra e extramuros, com perspectiva de contribuição das atividades extensionistas para o bem social. Essa interação possibilita o contato direto com comunidades, proporcionando a troca de saberes, e possibilitando, para além do trabalho extensionista, o desenvolvimento de atividades de ensino e pesquisa. A realização de atividades extensionistas, especialmente aquelas que buscam atender populações em vulnerabilidade, deve ser estimulada, fomentada pelas instituições de ensino, e apoiadas pelos diferentes setores da sociedade, objetivando diminuir as desigualdades sociais, ao tempo em que deve promover a equidade no acesso aos serviços básicos; dentre eles, podem-se destacar as atividades em saúde. Segundo Hennington (2004), apud BISCARDE, 2014), a área da saúde é um local potente para se realizar a extensão, pois quando inserida na rede assistencial do cuidado permite novas experiências de qualificação. O setor da saúde pública em nosso país se apresenta como um problema crônico no cumprimento dos princípios do Sistema Único de Saúde. Apesar do Brasil possuir um modelo de atenção que assegura o acesso ao sistema, o atendimento público ao cidadão enfrenta dificuldades em cumprir o texto constitucional da saúde como direito, deixando à margem uma população vulnerável e carente de atendimento. Como exemplo de vulnerabilidade, podem ser citados indivíduos que desenvolvem Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 8 71 quadros de morbimortalidade gerados por infecções causadas por doenças parasitárias. Parasitas entéricos são tão facilmente preveníveis, mas a exposição aos agentes contaminantes são, ainda, tão comuns. Fatores sociais, econômicos e, sobretudo, sanitários e ambientais, interferem diretamente sobre a exposição individual e coletiva, facilitando o surgimento de doenças (ADDUM, et. al, 2011). Com base no exposto, o Laboratório de Parasitologia (LAPAR) da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), através do programa de Extensão “Laboratório de Parasitologia aberto à comunidade e com atividades em campo”, buscou articular a extensão à pesquisa e ensino, visando a prestação de serviços às comunidades localizadas nos municípios que integram a área de abrangência da UESC. O projeto remonta do final da década de 1990, mas foi registrado na Pró - Reitoria de Extensão (PROEX) no ano de 2002. Desde então, atividades de caráter multidisciplinar são realizadas, envolvendo equipe com diferentes perfis: áreas de Enfermagem, Biomedicina, Medicina e Biologia. Desde o seu início, o modo de relacionar com o público alvo sempre foi presencial, através do cuidado individual, num jeito de comunicar claro e através da troca de conhecimentos. No entanto, houve uma necessidade de adequação na comunicação, quando as atividades do programa foram surpreendidas com o isolamento social imposto pela crise sanitária da COVID-19, a partir do mês de março do ano 2020 (RESOLUÇÃO CONSU, 2020). Nessa oportunidade, era urgente repensar a abordagem em educação em saúde, agora através de mídias sociais, já que o home Office se mostrou como única alternativa para as relações de trabalho. Com base nessa percepção, houve o entendimento da importância de trazer ao leitor desse manuscrito essa experiência, especialmente como estímulo à realização de trabalhos dessa natureza. O relato de experiência é elaborado a partir de acontecimentos e memórias que trazem reflexões significativas e pessoais do relator, que contribuíram de alguma maneira à sociedade (DALTRO e DE FARIA, 2019). Nessa perspectiva, esse material trata de um relato de experiência, com ênfase no modo de comunicar com o público, trazendo uma abordagem descritiva e qualitativa, discorrendo sobre as adequações impostas no modo de comunicar a extensão, avaliando os efeitos da pandemia sobre os trabalhos desenvolvidos em educação em saúde. Pelo exposto, objetivou-se discorrer sobre as influências do Programa de Extensão nas capacidades profissionais de um discente do curso de Enfermagem, e avaliar os efeitos da pandemia sobre os trabalhos desenvolvidos no projeto, com destaque para a comunicação em saúde. 2 | DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES Apesar dos registros do programa de extensão datarem oficialmente do ano 2002, essa obra se ateve a trazer para o leitor um recorte do período de julho de 2017 a Julho Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 8 72 de 2020, em razão de tratar de um relato de experiência de um bolsista de extensão, cujo plano de trabalho foi intitulado: “Assistência à saúde de pacientes atendidos no Centro de Atendimento Especializado (CAE III), Ilhéus, BA”. Para essa discussão, é necessário trazer a temática central, discorrendo sobre educação em saúde, onde é fundamental destacar o modo de comunicação com o público. Se antes o formato estava todo delineado na abordagem presencial, sofrendo alterações apenas em função do perfil de cada comunidade, agora, após estabelecimento do isolamento social, decorrente da pandemia da COVID-19,foi importante, urgente e necessário uma readequação nesse sentido. Nessa oportunidade, foi evidenciada a imposição do desafio para o “bem comunicar”, em atendimento à continuidade dos trabalhos do programa de Extensão, usando como ferramenta as redes sociais. Vale mencionar que dentro das competências e habilidades específicas dispostas pelo Conselho Nacional de Educação, instituídas nas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem (2001), compete ao enfermeiro “usar adequadamente novas tecnologias, tanto de informação e comunicação, quanto de ponta para o cuidar de enfermagem”. 2.1 A extensão como escolha da trajetória na carreira acadêmica Cruz et. al relataram, em trabalho publicado no ano de 2018, que os acadêmicos no momento em que chegam na universidade buscam apenas o ensino. De fato, entende-se que esse seja o caminho natural para quem busca qualificação acadêmica e profissional ao entrar na universidade, sem o entendimento da estrutura organizacional da Instituição de Ensino. No entanto, ainda, segundo Cruz et al (op.cit), a universidade tem a obrigação de direcionar esses alunos a outros espaços, como a pesquisa e extensão, à fim de desenvolverem, sobretudo, senso crítico. Sem dúvida, a UESC desempenha esse papel de direcionamento, pois quando o recém graduando se insere na Universidade, lhe são apresentados todos os caminhos que podem ser trilhados entre ensino, pesquisa e extensão. Nesse sentido, na perspectiva de análise deste autor, coloco para os leitores esta experiência pessoal, da atração pela extensão, que teve início ainda no 1º semestre de Enfermagem, quando percebi a inserção do meu curso nos trabalhos extramuros, e o impacto disso sobre o público beneficiado (comunidade externa e acadêmica). Atentei para a oportunidade de aprendizado que poderia incorporar às minhas competências e habilidades na área. Foi quando, como discente da disciplina Parasitologia Humana, numa articulação Ensino/Pesquisa/Extensão, promovida pelo Programa de Extensão “Laboratório de Parasitologia aberto à comunidade e com atividades em campo”, tive a oportunidade de realizar ações durante todo o segundo semestre, em comunidade negligenciada. A prática do exercício das atividades desenvolvidas e a percepção da importância da comunicação com o público alvo me fizeram perceber que esse era o enfermeiro que eu queria ser – um educador dentro das comunidades, trabalhando na Atenção Básica. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 8 73 Nessa oportunidade, comecei a entender a necessidade de adequação à comunidade assistida, visando estabelecer uma comunicação sem ruídos, para ser interpretado de forma correta, desenvolvendo práticas educativas que fizessem sentido para a realidade local. A partir do envolvimento com a equipe de trabalho, tive a oportunidade de vivenciar a dedicação para a realização de ações efetivas e compreender o papel da extensão nesse contexto, mostrando-se tratar não apenas de complementação de carga horária proposta pela universidade, mas de um “lugar” que nos permite ser expectadores da realidade social, criadores de possibilidades para trabalhar educação em saúde em diferentes formas de comunicação com o público, respeitando toda a sua diversidade e, sobretudo, a sua cultura. E foi assim que houve a minha inserção como bolsista no Programa, como o passo seguinte para a continuidade da trajetória escolhida para a minha vida acadêmica. Sempre fui um entusiasta de uma relação que primasse pela comunicação direta com o usuário do serviço de saúde. Entretanto, entendi a importância de manter uma comunicação dentro da temática “Educação em Saúde”, prestando a minha contribuição em momento onde se estabeleceu a necessidade de isolamento social por conta da pandemia da COVID-19. E, para entendimento do leitor, do que era a comunicação nos nossos trabalhos, e de como foi estruturada uma nova linguagem nas nossas atividades, dividimos as ações em três itens: antes da pandemia, durante a pandemia e perspectivas para o pós pandemia. 2.1.1 Antes da pandemia O plano de trabalho aprovado e cadastrado na Pró - Reitoria de Extensão (PROEX) para atendimento específico ao público do CAE III estava intitulado: “Assistência à saúde de pacientes atendidos no Centro de Atendimento Especializado III, Ilhéus, BA”, e teve como atividades realizadas: • Acolhimento do usuário que buscava ao serviço de saúde do CAE III com sus- peita de Esquistossomose ou “diagnóstico positivo”, a partir de resultado reve- lado em exame intradérmico específico; • Conversa com o usuário para tirar dúvidas e prestar esclarecimentos de na- tureza diversa, especialmente acerca de tratamento terapêutico, que só era possível após confirmação diagnóstica em momento posterior à realização de exame parasitológico de fezes; • Entrega de folder explicativo com informações referentes à esquistossomose, método diagnóstico, e formas de prevenção; • Encaminhamento do indivíduo para realização de exames parasitológicos de fezes; além de condução dos indivíduos positivos para atendimento médico e direcionamento dos mesmos à farmácia do centro de saúde para tratamento específico; Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 8 74 • Estímulo à realização do controle de cura através de um novo exame parasito- lógico de fezes, pós tratamento. Dentre as atividades realizadas, destaca-se, também, a produção de parasitas em biscuit (Figuras 1 e 2), fruto de trabalho realizado graças a um projeto de ensino, cujo produto final (peças modeladas, em réplica de parasitas e insetos) foi incorporado às ações do programa de extensão. Isso mostra a importância da articulação entre ensino/pesquisa/ extensão. Inclusive, vale destacar que com uma equipe tão diversa, articulada e disposta para os trabalhos, foi possível fortalecer essa tríade. E, como exemplo, destaca-se a pesquisa de parasitas de solo, de suma importância para os levantamentos epidemiológicos, realizados em diferentes localidades da região. Essa estratégia da aplicação do ensino e pesquisa nas atividades de extensão se mostrou como importante linguagem para comunicação com a comunidade, no momento de se fazer entender a problemática relacionada ao controle e profilaxia das doenças parasitárias, por exemplo. Ademais, como parte da equipe no desenvolvimento dessas atividades, as contribuições adquiridas a partir dos conteúdos trabalhados, seja com o biscuit, seja dos dados gerados com o projeto de solos, foram de natureza ímpar para o lidar com o paciente nas “conversações” no CAE III. E, é importante ressaltar que todas as atividades aconteceram por meio de uma comunicação através do contato direto com o indivíduo que buscou ao serviço, o que permitiu a criação de um vínculo entre bolsista e esse usuário, numa dinâmica de informar com clareza no discurso, específico para cada perfil de pessoa. Esse modo de trabalho está em consonância com o pensamento de Sequeira (2014), quando menciona que profissionais que trabalham em contato direto com as pessoas devem possuir uma comunicação adequada, voltada para a pessoa e sua realidade, permeada por vínculo relacional e humano, entre profissional e usuário. Entender a necessidade de ter uma comunicação que atenda às precisões do outro, através de uma linguagem acessível e dinâmica, contribuiu, particularmente, em nível de aprendizado, de forma significativa. Partindo desse contexto, foi perceptível a detenção de um olhar mais humano e real sobre a necessidade do outro no meu fazer profissional. Soma-se a isso a compreensão de que para adentrar o território de terceiros, é necessário realizar um levantamento dos seus costumes, necessidades e, para além desta prática, respeitar e aprender com os conhecimentos do “senso comum”. Quando se respeita a “bagagem” do outro, deixamo-nos abertos para novos aprendizados. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 8 75 FIGURA 1- Confecçãodo material em biscuit. Fonte: Acervo pessoal. FIGURA 2- Modelos parasitológicos confeccionados em biscuit. Fonte: Acervo pessoal. 2.1.2 Durante a pandemia Diante da necessidade de isolamento social, imposta pela pandemia da COVID-19, houve a suspensão das atividades que eram realizadas através do contato direto, e incorporação de um novo modo de trabalhar educação em saúde – agora para um público diverso, através das redes sociais. Entendendo a necessidade do trabalho remoto, criamos uma página nomeada @ lapar_uesc, através da rede social instagram, onde foram realizadas postagens educativas por meio de cards e vídeos (FIGURA 4 e 5) - ambos com linguagem acessível, abordando temáticas voltadas para a educação em saúde, referentes às enteroparasitoses e a COVID-19. Optou-se por abordar esses dois grupos de patógenos no mesmo instagram, pois possuíam medidas de prevenção similares, a exemplo da higienização das mãos e alimentos – obviamente considerando as mesmas formas de contaminação. Além disso, demais publicações, de outras páginas, eram repostadas, cujas temáticas faziam um paralelo com as temáticas abordadas pelo nosso grupo de trabalho. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 8 76 FIGURA 4- Card produzido e postado no instagram, abordando a parasitose esquistosomosse. Fonte: Instagram Lapar_Uesc FIGURA 5- Vídeo produzido e postado no instagram, ensinando a lavagem correta das mãos. Fonte: Instagram Lapar_Uesc. Percebeu-se a interação do público através das dúvidas, compartilhamentos e curtidas das postagens, bem como as marcações de amigos. No entanto, demo-nos conta de que o público deixou de ser aquele negligenciado, sendo, agora, variado, mas igualmente participativo. Em sua maioria, revelou se tratar de um público acadêmico, não leigo, especialmente ciente da necessidade dos cuidados de higiene. Foi possível realizar o diagnóstico desse perfil por conta da interação desses indivíduos com as postagens, sobretudo através dos questionamentos por eles provocados. Essa mudança metodológica só foi possível por conta do comprometimento dos bolsistas e docentes do LAPAR/UESC, pois houve o entendimento de que alimentar uma rede social com esse tipo de conteúdo seria um importante desafio, diferente de tudo que havia sido feito até então. No entanto, cabe ressaltar, que os desafios sempre foram bem aceitos pela equipe de trabalho. E, nessa oportunidade, foi despertado o entendimento de que para ser um profissional que se adapta às mudanças que estão por vir, é preciso reconhecer que estamos conectados em rede. E que, sim, no isolamento social imposto pela pandemia da COVID-19 a internet se revelou neste trabalho como um instrumento potente para a comunicação educativa e interativa. Pode-se perceber, sem dúvida, a importância que este dispositivo oferece para criação de novas maneiras de comunicar em saúde, além do tradicional estabelecido. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 8 77 2.1.3 Perspectivas para o pós pandemia A escolha dessa nova ferramenta para comunicar com as pessoas surgiu a partir da percepção da importância da internet como uma Tecnologia de Informação e Comunicação na Saúde (TIC’s). Segundo Carloto e Dinis (2018) o desenvolvimentos de TIC´S permite a comunicação em saúde no nível de promoção da saúde, pois aumenta o acesso das pessoas à informação, gerando maior autocuidado. É possível que essa nova linguagem esteja excluindo um público que sempre foi o alvo do projeto, onde talvez o maior fator limitador seja o acesso à internet. Mas se pretende continuar trabalhando essa temática nas comunidades negligenciadas da forma que sempre se trabalhou - por meio do contato direto e comunicação presencial - isso porque entendemos a necessidade do alcance dessas pessoas em situação de vulnerabilidade. Paes et al. (2013) mencionam que o contato entre profissionais e usuários qualifica o cuidado prestado. Sequeira (2014) comenta que é através da comunicação que o profissional conhece o outro e sua história; e é através dela, também, que o profissional fornece direções para uma boa gestão do cuidado pelo usuário. Isso tão somente revela a inegável importância de continuar a proposta de educação em saúde por meio da comunicação e contato direto. A comunicação oral prevalece como uma das mais importantes formas de comunicação, mas é inegável a importância de se utilizar as ferramentas digitais de comunicação que crescem de forma veloz no quesito acesso (KENSKI, 2013). Hoje, em função desse entendimento, mas também cientes de quão positivo se revelou o alcance da página criada no instagram, pretendemos ser contumazes no trabalho em concomitante, através do contato pessoal com o indivíduo e através do uso das redes sociais. Essa é a perspectiva para esse período pós pandemia, onde a experimentação de um novo modo de comunicar se revelou frutífero. 3 | CONCLUSÕES • É de suma importância trabalhar a tríade pesquisa/ensino/extensão, para rea- lizar o levantamento das problemáticas sociais, criar estratégias e, consequen- temente, realizar uma boa educação em saúde por meio de uma comunicação clara e sem ruídos; • É necessário usar como estratégia o “bem comunicar”, através do contato direto, que permite criação de conexão entre usuário e profissional, gerando um cuidado mais qualitativo e uma melhor adesão às propostas trazidas pelo profissional; • Foi importante usar as TIC´s em favor dos trabalhos voltados para comunicação na educação em saúde, necessárias em função do isolamento social imposto pela crise sanitária da COVID-19; • Notou-se a expansão do projeto para outros públicos, ampliando, assim, o al- Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 8 78 cance de pessoas nas temáticas alvitradas pelo projeto; • Foi importante trabalhar, em conjunto com a equipe de trabalho, no gerencia- mento de uma conta de rede social, para o aperfeiçoamento das atividades realizadas; • Foi importante realizar as duas estratégias de trabalho em concomitante (comu- nicação através do contato direto e por meio das redes sociais), na perspectiva de atingir a um público, não só negligenciado, mas agora aquele diverso, que dialoga através de uma comunicação em rede. 4 | CONSIDERAÇÕES FINAIS Percebe-se a extensão como um espaço gerador de conhecimento através da realidade social, influenciando na qualidade da formação profissional do estudante. A despeito do objetivo proposto neste trabalho, é importante mencionar a influência do Programa de Extensão e seus desdobramentos sobre a capacitação profissional, no exercício das competências e habilidades nessa área de conhecimento. Certamente a necessidade de se fazer comunicar, em momentos diferentes, impostos por pressões alheias ao delineamento metodológico traçado, permitiu-me um novo olhar sobre os desafios que a vida profissional me reserva para o cotidiano. REFERÊNCIAS ADDUM, Felipe Morais et al. Planejamento local, Saúde Ambiental e Estratégia Saúde da Família: uma análise do uso de ferramentas de gestão para a redução do risco de contaminação por enteroparasitoses no município de Venda Nova do Imigrante. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 21, p. 955-978, 2011. BISCARDE, Daniela Gomes dos Santos; PEREIRA-SANTOS, Marcos; SILVA, Lília Bittencourt. Formação em saúde, extensão universitária e Sistema Único de Saúde (SUS): conexões necessárias entre conhecimento e intervenção centradas na realidade e repercussões no processo formativo. Interface (Botucatu), Botucatu , v. 18, n. 48, p. 177-186, 2014 . BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem. Brasília (DF), 2001. CARLOTTO, Ivani Nadir; DINIS, Maria Alzira Pimenta. Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) na Promoção da Saúde: Considerações Bioéticas: Information and Communication Technologies (ICTs) in the health promotion: Bioethics considerations. Saber & Educar, n. 25,p. 1-10, 2018. CRUZ, Diego Pires et al. Importância da pesquisa científica no contexto multidisciplinar. Rev. enferm. UFPE on line, p. 573-576, 2018. DALTRO, Mônica Ramos; DE FARIA, Anna Amélia. Relato de experiência: Uma narrativa científica na pós-modernidade. Estudos e Pesquisas em Psicologia, v. 19, n. 1, p. 223-237, 2019. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 8 79 DE MEDEIROS, Márcia Maria. A extensão universitária no Brasil-um percurso histórico. BARBAQUÁ, v. 1, n. 1, p. 9-16, 2017. FÓRUM de Pró-Reitores de Extensão Universitária. Extensão Universitária FÓRUM de Pró-Reitores de Extensão Universitária. Extensão Universitária: organização e sistematização. Fórum de Pró-reitores de Extensão das Universidades públicas Brasileiras; organização: Edison José Corrêa. Coordenação Nacional do FORPROEX. Belo Horizonte: Coopmed, 2007. HENNINGTON, Élida Azevedo. Acolhimento como prática interdisciplinar num programa de extensão universitária. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro , v. 21, n. 1, p. 256-265, Fev. 2005. KENSKI, Vani Moreira. Tecnologias e ensino presencial e a distância. Papirus Editora, 2013. NOGUEIRA, M. D. P. Extensão universitária no Brasil: uma revisão conceitual. Construção conceitual da Construção da extensão universitária na América-Latina. Brasília: UNB, p. 57-72, 2001. PAES, Lucilene Gama et al. Rede de atenção em saúde mental na perspectiva dos coordenadores de serviços de saúde. Trabalho, Educação e Saúde, v. 11, n. 2, p. 395-409, 2013. RIBEIRO, Kátia Suely Queiroz Silva. A experiência na extensão popular e a formação acadêmica em fisioterapia. Cadernos Cedes, v. 29, n. 79, p. 335-346, 2009. SEQUEIRA, Carlos. Comunicação terapêutica em saúde mental. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, Porto , n. 12, p. 6-8, dez. 2014. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ. Resolução CONSU nº 05/2020. Ilhéus (BA), mar. de 2020. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 9 80 Data de aceite: 22/01/2021 CAPÍTULO 9 doi ATUAÇÃO DA EQUIPE DE SAÚDE, COM ÊNFASE O ENFERMEIRO DURANTE A ASSISTÊNCIA, LIDERANÇA E ENSINO DESENVOLVIDAS NA ESTRATÉGIA SAÚDE FAMÍLIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA Anderson Figueiredo Pires Especialista em Unidade de Terapia Intensiva, atuando no Hospital Militar do Amazonas Antônio Wericon Nascimento de Oliveira Especialista em Saúde Pública com Ênfase em Saúde da Família Elyn dos Santos Pessoa Especialista em Direito e Proteção Social, atuando no Centro de assistência social no Município de Parintins Raul dos Santos Reis Especialista em Infectologia, Residente em Enfermagem Obstétrica pela Universidade do Estado do Amazonas-UEA Regiane Carneiro Bezerra Residente em Enfermagem pela Universidade Federal do Amazonas RESUMO: Introdução: A Estratégia da Saúde da Família (ESF) é uma política do Sistema Único de Saúde (SUS), cujo objetivo é reorganização da atenção básica. A equipe de saúde são primordial durante a assistência e ações voltadas para a administração. O enfermeiro é integrante da ESF, é responsável pelas atividades de assistência, gerenciamento, coordenação e execução das atividades. Objetivo: Relatar a experiência de vivência perante a atuação da equipe Enfermagem nas atividades de assistência, liderança e ensino desenvolvidas na ESF. Metodologia: Trata- se de um relato de experiência vivenciado por Residente em Enfermagem Obstétrica da Universidade do Estado do Amazonas, durante o campo prático, realizada na Unidade Básica de Saúde Silas Santos em Manaus, no mês de maio. Dentre as atividades desenvolvidas citam- se o acompanhamento às visitas domiciliares, vacinação, pré-natal, preventivo e de programas sociais. Resultados: Durante esse período verificou-se que os enfermeiros e os demais membros da equipe de saúde, não realizavam as atividades de assistência, liderança e ensino. Uma vez que, a assistência prestada era voltada a medidas curativas, deixando de lado o aspecto preventivo e reabilitativo. Na liderança, os enfermeiros voltavam-se a ordens aos agentes comunitários com relação a visitas domiciliares e campanhas de vacinação, e, reuniões dificilmente ocorreram. Conclusão: Percebemos que os enfermeiros e os demais membros da equipe não estão cumprindo com as propostas preconizadas pelo Ministério da Saúde em seus trabalhos nas ESFs. Fatos como modalidades educativas não estão sendo realizadas dentro da unidade, e muito menos na comunidade abrangente. Além disso, os enfermeiros como líderes não promovem atividades de integração com suas respectivas equipes o que reflete na ausência de acolhimento e prestação da assistência à população. Contribuições e implicações para a Equipe: A atuação da equipe de saúde é essencial dentro da ESF, as atividades prestadas à população resultará em diminuição de comorbidades e agravos, e a busca ativa nos domicilios é essencial na descoberta dos prognósticos e minimização de surtos endêmicos, sendo a capacitação mensal Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 9 81 um meio que resultará positivamente na equipe. PALAVRAS-CHAVE: Atenção Primária à Saúde, Equipe de Enfermagem, Liderança. ABSTRACT: Introduction: The Family Health Strategy (FHS) is a policy of the Unified Health System (SUS), whose objective is to reorganize primary care. The health team is paramount during care and actions aimed at administration. The nurse is a member of the ESF, is responsible for the activities of assistance, management, coordination and execution of activities. Objective: To report the experience of living before the performance of the Nursing team in the assistance, leadership and teaching activities developed in the ESF. Methodology: This is an experience report lived by a resident in Obstetric Nursing at the State University of Amazonas, during the practical field, held at the Basic Health Unit Silas Santos in Manaus, in May. Among the activities developed are monitoring of home visits, vaccination, prenatal, preventive and social programs. Results: During this period, it was found that nurses and other members of the health team did not perform assistance, leadership and teaching activities. Since, the assistance provided was aimed at curative measures, leaving aside the preventive and rehabilitative aspect. In the leadership, nurses turned to orders from community agents regarding home visits and vaccination campaigns, and meetings hardly occurred. Conclusion: We realized that nurses and other team members are not complying with the proposals recommended by the Ministry of Health in their work in the ESFs. Facts like educational modalities are not being carried out within the unit, much less in the wider community. In addition, nurses as leaders do not promote integration activities with their respective teams, which is reflected in the lack of welcoming and provision of assistance to the population. Contributions and implications for the Team: The performance of the health team is essential within the FHS, the activities provided to the population will result in a reduction of comorbidities and diseases, and the active search at home is essential in the discovery of prognosis and minimization of endemic outbreaks, monthly training being a means that will positively result in the team. KEYWORDS: Primary Health Care, Nursing Team, Leadership. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 10 82 Data de aceite: 22/01/2021 CAPÍTULO 10 doi DESAFIOS ENFRENTADOS POR ENFERMEIROS EM INICIO DE CARREIRA: REVISÃO INTEGRATIVA Data de submissão: 25/11/2020 Elenir Estevam Rodrigues Faculdade Mauricio de Nassau Caruaru – PE Amanda Maria de Araújo Faculdade Mauricio de Nassau Caruaru – PE Vitoria Claudia Nascimento de Azevedo Faculdade Mauricio de Nassau Caruaru – PE RESUMO: Introdução: Todo aquele recém- formado já se questionou de como seria sair da vida acadêmica para ingressar na vida profissional. Esse é um questionamento muito comum emtodas as áreas. Enquanto graduandos grande parte dos acadêmicos idealizam e sonham em ter o seu tão desejado emprego, e um brilhante futuro profissional, porém ao dar início a sua carreira começam a surgir então as dificuldades, sejam elas; conseguir um vínculo empregatício seguro, superar seus medos e incertezas, apoio da equipe a qual está adentrando dentre outros que iremos abordar ao decorrer deste artigo. Objetivos: Identificar as dificuldades encontradas pelos profissionais enfermeiros recém graduados e a prevalência da empregabilidade durante essa fase de forma a identificar e debater essa problemática. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa, cuja questão norteadora foi a “empregabilidade na enfermagem diante dos desafios encontrados por enfermeiros (as) recém formados” realizada nas bases de dados da biblioteca eletrônica – (Scientific Electronic Library online-SciELO), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e BDENF (Banco de dados de Enfermagem). Os critérios de inclusão aplicados foram artigos que estivessem disponíveis na íntegra sobre o tema em língua portuguesa. Os critérios de exclusão foram artigos apenas em resumos ou publicados em analises. Resultados: Foram inclusos 11 artigos entre os anos de 2010 a 2020 os resultados mais relevantes para essa pesquisa, mantém-se em torno dos descritores: empregabilidade na enfermagem, mercado de trabalho e enfermagem no Brasil. Conclusão: Há um grande embate com os desafios relacionados ao enfermeiro (a) recém graduado, pois seria louvável um profissional de tamanha importância a sociedade sair da vida acadêmica com conhecimento e capacidade técnica100% adquiridos durante a formação acadêmica. PALAVRAS-CHAVE: Empregabilidade; Enfermagem; Mercado de trabalho; Enfermagem no Brasil. CHALLENGES FACED BY NURSES IN THE BEGINNING OF A CAREER: INTEGRATIVE REVIEW ABSTRACT: Introduction: All those recently graduated have already questioned what it would be like to leave the academic life to enter the professional life. This is a very common question in all areas. While graduating students, most academics idealize and dream of having Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 10 83 their longed-for job, and a bright professional future. However, when starting their career, difficulties begin to arise, be they; achieve a secure employment relationship, overcome your fears and uncertainties, support from the team you are joining among others that we will address throughout this article. Objectives: To identify the difficulties encountered by recently graduated nursing professionals and the prevalence of employability during this phase in order to identify and discuss this issue. Methods: This is an integrative review, whose guiding question was “employability in nursing in the face of the challenges faced by newly graduated nurses” carried out in the electronic library databases - (Scientific Electronic Library online- SciELO), Library Virtual Health (BVS) and BDENF (Nursing Database). The inclusion criteria applied were articles that were available in full on the topic in Portuguese. The exclusion criteria were articles only in abstracts or published in analyzes. Results: 11 articles were included between the years 2010 to 2020, the most relevant results for this research, it remains around the descriptors: employability in nursing, labor market and nursing in Brazil. Conclusion: There is a major conflict with the challenges related to the newly graduated nurse, as it would be praiseworthy for a professional of such importance to society to leave academic life with knowledge and technical capacity 100% acquired during academic training. KEYWORDS: Employability; Nursing; Labor market; Nursing in Brazil. 1 | INTRODUÇÃO A procura e adesão ao primeiro emprego pode ser compreendido como um grande desafio, considerado uma ameaça, e até mesmo motivo de desistência e frustração para muitos dos recém-formados, pois nessa fase surgem cada vez mais novas demandas de atitudes e capacidades, juntamente com a insegurança e falta de experiência que pode dificultar no ingresso e decolar de uma carreira1. A maneira como cada um irá encarar esta situação, afetará diretamente nas suas escolhas e em seu futuro profissional. As estratégias que cada um irá selecionar para o enfrentamento da situação resultará de forma positiva ou até negativa em seu crescimento profissional levando assim a conquista ou não de seu objetivo1. Essas dificuldades e desafios podem ser compreendidos como uma provocação para superar uma situação adversa, envolvendo a possibilidade de transformar essa situação em crescimento, desenvolvimento ou conquista. Ao entrarem para o mercado de trabalho, enfermeiros recém-graduados se deparam com situações estressantes decorrentes da falta de ligação entre o que aprendem no curso de graduação e o que encontram na prática nas instituições de saúde1. A enfermagem tem em sua história um grande conflito identificado ao decorrer do tempo, onde podemos denominar de teoria versus prática, e defini-la como uma divergência entre o que é passado nas salas de aulas das universidades e vivenciado em âmbitos de trabalho. Situação em que grande parte dos recém-formados não consegue integrar o conhecimento teórico com a prática profissional diária, ou seja, identificam que a enfermagem mostrada na universidade diverge da enfermagem executada nos estabelecimentos de saúde3. O que podemos definir como sendo um “grande choque de Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 10 84 realidade”. Um dos passos mais desafiadores para um recém graduado sem dúvida é a conquista do seu primeiro emprego, fase que o ajudará na inserção ao mercado de trabalho e no início da consolidação da sua carreira, enfrentando e superando os desafios diários, encarando uma nova realidade, consciente de que a demonstração de conhecimento adquirido por esse profissional instiga apoio e aceitação por grande parte da equipe que o acolhe, além de despertar o respeito dos mesmos, e que esses elementos são de suma importância para uma boa adaptação, bem como para o aprimoramento de suas capacidades e habilidades. Assim, a experiência do primeiro emprego poderá concretizar-se de maneira mais atenuada e tranquila, fazendo com que as ações avaliadas como desafiantes e consideradas ameaças por emanar de novas demandas, atitudes e capacidades sejam prontamente encaradas e vencidas. Quando se trata de enfermeiros (as) recém-formados, a insegurança e o medo perante as dificuldades podem tornar-se ainda maiores, por tratar-se de uma área de suma importância em âmbito hospitalar, onde seu trabalho está diretamente ligado com vida e morte de seres humanos2. A assistência utilizada nas instituições de saúde a nível hospitalar é a que mais contradiz quanto ao que é ensinado dentro das universidades e escolas de enfermagem, sobretudo quando recém-formados assumem serviços de chefia, tendo em vista que, liderar uma equipe com vasta experiência profissional e técnica não é a tarefa mais fácil de ser desenvolvida, ainda mais quando se trata de alguém inexperiente. A formação de enfermeiros no Brasil segue uma linha totalmente oposta à do sistema de saúde, culminando na ampliação e diversificação dos postos de trabalho para enfermeiros através da criação do SUS. Há um crescimento intensificado do número de escolas de graduação em Enfermagem, especialmente no setor privado, estimulado pelo apoio oferecido pelo governo federal através de programas de crédito educativo e bolsas de estudo 1. No ensino da Enfermagem, de maneira geral, as escolas encontram dificuldades na incorporação das propostas para incrementar as mudanças na formação dos profissionais, estabelecidas pelas diretrizes curriculares nacionais de Enfermagem, principalmente aquelas relativas à aquisição/desenvolvimento/avaliação das competências e das habilidades, dos conteúdos essenciais, das práticas/estágiose das atividades complementares. Observa-se que ainda não existe clara definição sobre as competências para a formação do enfermeiro e para obtenção de consenso sobre essas competências. Porém, são exatamente essas competências que irão conciliar o plano curricular dos cursos às necessidades e objetivos de formação de enfermeiros3. Na mudança da condição de estudante para a de profissional pode se gerar um grande estresse para os profissionais recém-graduados em enfermagem, um dos maiores causadores pode ser o famoso “choque da realidade”. Choque esse que vem a correr quando o recém-graduado não consegue colocar seus conhecimentos obtidos na graduação ao “pé da letra” em sua prática profissional cotidiana. Desta forma podemos ressaltar que, ainda, que o cargo de enfermeiro seja geralmente designado pelas Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 10 85 instituições de saúde para os recém-graduados, que consiste em uma responsabilidade de assumir uma equipe de enfermagem vezes muito mais experientes e com vários anos de prática profissional.5 Frente a isso podemos então afirmar que grande parte desses profissionais em início de carreira que estão passando por um processo de adaptação e desenvolvimento tendem a sofrer de uma certa insegurança e não se sentirem aptos a essa nova realidade. Afinal, liderar uma equipe, gerir pessoas e processos é um dos maiores desafios que um recém-graduado pode enfrentar de início em seu primeiro emprego. O atual mercado de trabalho espera que enfermeiros e enfermeiras sejam diferenciais, tenham qualidades e capacidade de inovação, agilidade, tomada de decisões e saibam liderar com equidade uma equipe. O autoconhecimento, identificar seus pontos a melhorar, buscar sempre renovar e ampliar seu o conhecimento, salientando que está ali para somar com sua equipe e que não é detentor do saber absoluto.4 investir em novos aprendizados por meio de educação permanente e continuada, e está sempre disposto se reinventar poderá suprir maior parte destas dificuldades, e tornar a busca e o ingresso do enfermeiro recém-formado no mercado de trabalho menos árdua. 2 | MÉTODOS O presente trabalho trata-se de uma Revisão Integrativa de carácter discursivo, onde observamos na literatura os conhecimentos acerca da temática dos últimos dez anos. A revisão integrativa constitui-se em uma análise criteriosa de várias pesquisas. A revisão integrativa dar-se pelos seguintes passos: 1- elaboração da pergunta norteadora, 2- busca e amostragem na literatura, 3- análise dos estudos incluídos, 4- discussão dos resultados, 5- consumação da revisão integrativa. Para orientar nossa pesquisa utilizamos a seguinte questão norteadora:” empregabilidade e desafios da enfermagem em início de carreia” A pesquisa bibliográfica foi realizada dentre os artigos publicados entre os anos de 2009 a 2020.1, nas seguintes bases de dados, LILACS (Literatura Latina Americana de Ciências da Saúde), BDENF (Banco de dados de Enfermagem) e SciELO (Scientific eletronic library online). Para levantamento dos artigos empregamos os seguintes descritores: “Empregabilidade and enfermagem”, “mercado de trabalho em enfermagem” e “enfermagem no Brasil”. Nesta pesquisa encontramos 31 artigos dentre os anos de 2010 a 2020, dispostos da seguinte forma: 14 LILACS, 17 BDENF, onde destes, 6 apresentavam-se publicados em ambas as bases. Após leitura dos resumos, avaliação e aplicação dos filtros, restaram 6 artigos finais. Até o momento. Os critérios de inclusão que nortearam a pesquisa foram os seguintes: Artigos que tratassem dos profissionais de enfermagem no início de carreira e seus desafios, na modalidade original, em formatos de texto completo, e na língua portuguesa. Os critérios de Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 10 86 exclusão condisseram os seguintes: artigos que apresentassem apenas resumos ou que estivessem fora do intervalo dos últimos 10 anos. 3 | RESULTADOS No quadro abaixo estão representados alguns dos artigos finais com autores, títulos, objetivos, principais resultados e ano de publicação. Que serão atualizados ao decorrer da conclusão do presente trabalho; pois se trata de uma síntese dos resultados mais relevantes para esta pesquisa, os quais se mantêm em torno da empregabilidade na enfermagem, mercado de trabalho, desafios para enfermagem no brasil, situação da enfermagem no brasil, desafios ao exercício da profissão, entre outras temáticas, refletindo sobre o perfil do enfermeiro recém-formado e seus desafios para adentrar ao mercado exercendo a profissão. Autores Título e objetivos Principais resultados Ano Luís Paulo Souza e Souza6; Weslla Sinara Soares Silva; Écila Campos Mota; Jansen Maxwell de Freitas Santana; Leila das Graças Siqueira Santos; Carla Silvana de Oliveira Silva; Dulce Aparecida Barbosa. Os desafios do recém-graduado em Enfermagem no mundo do trabalho Objetivo; os desafios do recém- graduado em Enfermagem no mundo do trabalho; o estudo objetivou compreender como enfermeiros recém-graduados vivenciam seu primeiro emprego. Trata-se de pesquisa qualitativa, realizada com seis enfermeiros recém-graduados, em Montes Claros, Minas Gerais - Brasil. Ao analisar e interpretar os dados da pesquisa, fez-se a identificação dos temas mais incidentes nos discursos que permitiu a identificação de categorias, que receberam as seguintes denominações: “Os desafios da liderança e gestão”; “Competência e habilidade técnica”; “Facilidades na transição para o mundo do trabalho”; “Formação versus realidade do profissional”. 2011 Raquel Colenci7 ; Heloísa Wey Berti. Formação profissional e inserção no mercado de trabalho: percepções de egressos de graduação em enfermagem. Objetivo: apreender e analisar percepções de egressos de curso de graduação em Enfermagem de instituição privada em relação ao processo de formação A análise dos discursos possibilitou uma reflexão aprofundada dessa formação, indicando a necessidade de revisão do projeto pedagógico 2012 Thayse Fernanda Colombo Cambiriba8 ; Aline Ferreira Ferronato; Kátia Biagio Fontes. PERCEPÇÕES DE EGRESSOS DE ENFERMAGEM FRENTE A INSERÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO. Objetivo: identificar as dificuldades encontradas por egressos de enfermagem durante sua inserção de no mercado de trabalho e a percepção destes relacionada ao seu preparo para exercer suas funções como enfermeiro. Os resultados apontaram que a maioria dos egressos era do sexo feminino, com faixa etária entre 22 a 30 anos, católicos, solteiros, recém- formados, sem especialização e atuando como enfermeiros. 2014 Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 10 87 Erlaine Binotto9 Marina Keiko; Nakayama. Os reflexos das mudanças no mercado de trabalho Objetivo: analisar o processo de globalização e as mudanças no mercado de trabalho, na tentativa de traçar o perfil profissional que fará parte do mesmo no futuro. O desemprego estrutural causa pânico nos habitantes da sociedade global, pois os trabalhos rotineiros e repetitivos executados por pessoas são e serão gradativamente substituídos por máquinas. 2000 Magda Cristina Queiroz Dell’Acqua10; Ana Maria Kazue Miyadahira; Cilene Aparecida Costardi Ide. Planejamento de ensino em enfermagem; intenções educativas e as suas competências clinicas Objetivo: caracterizar, numa visão longitudinal, a constituição das competências assistenciais nos cursos de graduação em Enfermagem contidas nos Planos de Ensino em enfermagem e suas competências clinicas Os dados evidenciaram uma organização curricular centrada em disciplinas, mantendo lógicas internas aparentemente refratárias às organizações somativas. 2009 Denise Guerreiro Vieira da Silva11 Sabrina da Silva de Souza; Mercedes Trentini; Albertina Bonetti. Os desafios enfrentados pelos iniciantes na prática de enfermagem Objetivo: investigar os desafios enfrentados pelas enfermeirasno início da profissão. Os recém-graduados enfrentaram desafios referentes às atividades: a) Relacionamento com a equipe de trabalho; b) Competência e habilidade técnica. 2010 4 | DISCUSSÃO Quando falamos em enfermeiros recém-formados, a insegurança e o medo perante as dificuldades tornam-se desafios. Tendo início no processo de admissão ao primeiro emprego, continuando com seu processo de adaptação ao serviço, o desafio pode ser entendido como um estímulo para a superação de uma situação adversa. Envolve ainda a possibilidade de transformação de tal situação, em subsídio para o próprio crescimento, desenvolvimento ou conquista. Isso porque, ao adentrar ao universo de trabalho, os enfermeiros recém-formados encontram-se perante situações adversas que decorrem da falta de integração entre o que é ensinado no curso de graduação e a realidade no atendimento de Saúde6. “Ao entrarem para o mundo do trabalho, os enfermeiros recém-graduados se deparam com situações estressantes decorrentes da falta de ligação entre o que aprendem no curso de graduação e o que encontram na prática nas instituições de saúde11. “A assistência utilizada nas instituições hospitalares é a que mais contradiz o conteúdo abordado dentro das universidades e escolas de enfermagem, principalmente quando os enfermeiros recém-formados são lotados em serviços de chefia, visto que, liderar uma equipe com vasta experiência profissional e técnica não é a tarefa mais fácil de ser desenvolvida”. Contudo vemos que de acordo com; JESUS et al, 2013, Alguns dos recém graduados “frente a tal situação, os iniciantes, que ainda não conseguiram desenvolver suas habilidades, passam a apresentar insegurança por não se sentirem suficientemente Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 10 88 aptos para essa nova realidade”. De acordo com Marco Antônio Pereira Teixeira e William Barbosa Gomes; Autores do artigo “Estou me formando... e agora? Reflexões e perspectivas de jovens formandos universitários – disponível na plataforma digital SciELO, no ano de 2007 haviam no Brasil um total de 629 cursos de graduação em Enfermagem. Desse total, de acordo com a categoria administrativa, 124 públicos e 505 privados. Assim, até 2007 o ensino privado representava 80,2% dos cursos de graduação em Enfermagem do país 2. Além da insegurança dos enfermeiros recém-formados, que pode atrapalhar no relacionamento com a equipe, a resistência na aceitação da sua liderança, principalmente pelos técnicos e auxiliares de enfermagem, dificulta desenvolvimento das atividades. Os enfermeiros devem encarar essa nova realidade com coragem e desempenhar mais tarefas, pois os líderes que desempenham tarefas diversificadas delegam mais autoridade, controlam menos, apoiam mais e se relacionam melhor com a equipe, gerando grupos mais eficientes9-10. Ressalta-se ainda que os aspectos estruturais, como sobrecarga em decorrência de duplo vínculo e baixos salários, além da falta de insumos e a escassez de pessoal para a realização das tarefas no serviço de enfermagem determinados pelo processo de precarização, vêm repercutindo negativamente no processo de trabalho. Pode-se afirmar que a flexibilização das relações de trabalho na saúde pode afetar o vínculo, a responsabilidade, o envolvimento e o comprometimento do trabalhador, produzindo crise no processo de trabalho, comprometendo a eficácia e eficiência dos serviços, acarretando em desmotivação. O campo de trabalho em saúde é altamente complexo e dinâmico, o que faz com que os profissionais desta área, ao iniciarem suas atividades, vivenciem diferentes aspectos em sua prática cotidiana. A transição da graduação para o trabalho é percebida pelos enfermeiros como um momento desafiador, de muitas descobertas, frustrações, alegrias e realizações8. Um líder eficaz precisa estar preparado tanto para receber apoio quanto críticas, devem despertar confiança e credibilidade, demonstrando coerência nos seus serviços, ideias e ações. A falta de preparo para assumir papel de gestores, normalmente, se dá pelo fato de não aprofundarem essas questões na formação acadêmica11. Diante dos desafios enfrentados pelos enfermeiros existe um obstáculo que causa desmotivação e potencializa a insegurança nos novos profissionais, que é a desigualdade do mercado de trabalho, em todo o Brasil existem registrados, 77% de técnicos e auxiliares, enquanto somente 23% são enfermeiros; tal desigualdade mostra que a necessidade de aumentar o número de enfermeiros nas unidades de saúde é de extrema importância, tanto para o ingresso de novos enfermeiros, quanto na melhoria da assistência prestada12. A área de atuação do profissional de enfermagem é abstrusa e ágio tornando a vivencia das atividades realizadas diversificada no conhecimento da rotina, o mercado de trabalho e a graduação é compreendida pelos profissionais enfermeiros como um período Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 10 89 de várias conquistas, desafios, insucesso, felicidade e desempenho1. 5 | CONCLUSÃO Há um grande embate com os desafios relacionados ao enfermeiro (a) recém- graduado, pois seria louvável um profissional de tamanha importância a sociedade sair da vida acadêmica com conhecimento e capacidade técnica100% adquiridos durante a formação acadêmica. Porém não daria pra ser dessa forma tendo em vista a diversidade da prática profissional no contexto da realidade vivenciada por esses profissionais, além disso, o foco se dá na formação generalista do enfermeiro, onde ao concluir o curso é indispensável que o mesmo siga um norte para uma educação continuada e permanente afim de adquirir conhecimentos e habilidades que ficam subentendido durante a graduação. É frequente um enfermeiro recém-graduado ir trabalhar em áreas de especialidade sem possuir nenhuma habilidade técnica. Formar enfermeiros generalistas e imediatamente após essa formação colocá-las em áreas superespecializadas constitui uma prática dos serviços de saúde, o que tem trazido conflitos para estes profissionais e certos riscos aos usuários. (5;7). Dessa forma, percebe-se que o descompasso entre o ensino acadêmico, as expectativas e realidades no campo do trabalho geram ansiedade no início da atividade profissional. A desaprovação dos recém-graduados da prática realizada nas instituições destaca a necessidade de repensar formação e construir estratégias de integração do acadêmico ao mundo do trabalho, diminuindo assim os sentimentos de frustrações e angustia do enfermeiro recém-graduado ao deparar com a realidade das instituições. (6) Ou seja, trazer para dentro da instituição cada vez mais um cotidiano minimalista realista fará com que diminua se os índices de inseguranças e desistências na aquisição a profissão mesmo após ter se formado, consequentemente será menor o índice de profissionais não exercendo a função e diminuição das dificuldades no ingresso ao mercado de trabalho. REFERÊNCIAS 1.Luís Paulo Souza e Souza; Weslla Sinara Soares Silva; Écila Campos Mota; JANSEN Maxwell de Freitas Santana; Leila das Graças Siqueira Santos; Carla Silvana de Oliveira Silva Dulce Aparecida Barbosa- Os desafios do recém-graduado em Enfermagem no mundo do trabalho; disponível em: http:// www.revenfermeria.sld.cu/index.php/enf/article/view/127/79 Acesso em 20/08/2020 2.Marco Antônio Pereira Teixeira; William Barbosa Gomes; Estou me formando... e agora? Reflexões e perspectivas de jovens formandos universitários – Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo. php?script=sci_serial&pid=1679-3390&lng=pt&nrm=iso acesso em: 20/08/2020 3.Raquel ColenciI; Heloísa Wey BertiII; Formação profissional e inserção no mercado de trabalho: percepções de egressos de graduação em enfermagem – Disponível em: https://www.scielo.br/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342012000100022 acesso : 20/09/2020 http://www.revenfermeria.sld.cu/index.php/enf/article/view/127/79%20Acesso%20em%2020/08/2020 http://www.revenfermeria.sld.cu/index.php/enf/article/view/127/79%20Acesso%20em%2020/08/2020http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_serial&pid=1679-3390&lng=pt&nrm=iso http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_serial&pid=1679-3390&lng=pt&nrm=iso https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342012000100022 https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342012000100022 Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 10 90 4.Thayse Fernanda Colombo Cambiriba;Aline Ferreira Ferronato; Kátia Biagio Fontes; CAMBIRIBA, T. F. C.; FERRONATO, A. F.; FONTES, K. B. - Percepções de egressos de enfermagem frente a inserção no mercado de trabalho. Arq. Ciênc. Saúde UNIPAR, Umuarama, v. 18, n. 1, p. 27-32, jan./abr. 2014.- Disponível em: https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https:// www.revistas.unipar.br/index.php/saude/article/download/5155/2981&ved =2ahUKEwiNhuS25ITsAhUdLLkGHU1YAM8QFjABegQIBh AB&usg=AOvVaw1fKdVmAtyNvtI1 yMVY6ZsY&cshid=1601053341596 acesso em 20/08/2020 5. Biinotto E, Nakayama MK. Os reflexos das mudanças no mercado de trabalho. REAd [periódico on line]. 2000 [citado 2012 Jun 02];6(2):[aprox. 7 p]. Disponível em: http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/ handle/10183/19421/000302108.pdf?sequence=1.19. 6. Dell’Acqua MCQ, Miyadahira AMK, Ide CAC. Planejamento de ensino em enfermagem: intenções educativas e as competências clínicas. Rev esc enferm USP [periódico na Internet]. 2009 Jun [Acesso 2012 Jun 08];43(2):264-71. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S0080-62342009000200002&lng=en. 7. Silva DGV, Souza SS, Trentini M, Bonetti A, Mattosinho MMS. Os desafios enfrentados pelos iniciantes na prática de enfermagem. Ver esc enferm USP [periódico na Internet]. 2010 [Acesso 2012 Jun 08];44(2):511-6. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S0080-62342010000200038. 8. Mattosinho MMS, Coelho MS, Meirelles BHS, Souza SS, Argenta CE. Mundo do trabalho: alguns aspectos vivenciados pelos profissionais recém- formados em enfermagem. Acta Paul Enferm. 2010;23(4):466-71. 9. Vilela PF, Souza ÂC. Liderança: um desafio para o enfermeiro recém formado. Rev enferm UERJ. 2010; 18(4): 591-7. 10. Silva MA, Galvão MC. Aplicação da liderança situacional na enfermagem de Centro Cirúrgico. Rev Esc Enferm USP [periódico da Internet]. 2007 [Acesso 2012 Jun 08]; 41(1):104-12. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v41n1/v41n1a13.pdf. 11. 14. Vieira M, Oliveira EB, Souza NVDO, Lisboa MTL, Xavier T, Rossone FO. Precarização do trabalho em hospital de ensino e presenteísmo na enfermagem. Rev Enferm UERJ [Internet]. 2016 [acesso em 2018 jul 16];24(4):1-6. Disponível em: http://www.epublicacoes.uerj.br/index.php/ enfermagemuerj/article/view/23580/19433. 12. Manoel Carlos Neri da Silva; Maria Helena Machado. Sistema de Saúde e Trabalho: desafios para a Enfermagem no Brasil, Ciência & Saúde Coletiva, 25(1):7-13, 2020. Acessado em 09/11/2020, disponível em https://www.scielo.br/pdf/csc/v25n1/1413-8123-csc-25-01-0007.pdf https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://www.revistas.unipar.br/index.php/saude/article/download/5155/2981&ved=2ahUKEwiNhuS25ITsAhUdLLkGHU1YAM8QFjABegQIBhAB&usg=AOvVaw1fKdVmAtyNvtI1yMVY6ZsY&cshid=1601053341596 https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://www.revistas.unipar.br/index.php/saude/article/download/5155/2981&ved=2ahUKEwiNhuS25ITsAhUdLLkGHU1YAM8QFjABegQIBhAB&usg=AOvVaw1fKdVmAtyNvtI1yMVY6ZsY&cshid=1601053341596 https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://www.revistas.unipar.br/index.php/saude/article/download/5155/2981&ved=2ahUKEwiNhuS25ITsAhUdLLkGHU1YAM8QFjABegQIBhAB&usg=AOvVaw1fKdVmAtyNvtI1yMVY6ZsY&cshid=1601053341596 https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://www.revistas.unipar.br/index.php/saude/article/download/5155/2981&ved=2ahUKEwiNhuS25ITsAhUdLLkGHU1YAM8QFjABegQIBhAB&usg=AOvVaw1fKdVmAtyNvtI1yMVY6ZsY&cshid=1601053341596 http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/19421/000302108.pdf?sequence=1.19 http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/19421/000302108.pdf?sequence=1.19 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342009000200002&lng=en http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342009000200002&lng=en http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342010000200038 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342010000200038 http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v41n1/v41n1a13.pdf http://www.epublicacoes.uerj.br/index.php/enfermagemuerj/article/view/23580/19433 http://www.epublicacoes.uerj.br/index.php/enfermagemuerj/article/view/23580/19433 Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 91 Data de aceite: 22/01/2021 CAPÍTULO 11 doi DIFICULDADES LABORAIS ENFRENTADAS POR PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO BÁSICA DE SAÚDE: UMA REVISÃO DE LITERATURA Data de submissão: 21/12/2020 Cleicivany Marques Pereira Universidade Paulista (UNIP) Manaus – Amazonas http://lattes.cnpq.br/8141874617282034 Rayana Gonçalves de Brito Universidade Paulista (UNIP) Manaus – Amazonas http://lattes.cnpq.br/2374808116003764 Silas Henriques da Silva Universidade Paulista (UNIP) Manaus – Amazonas http://lattes.cnpq.br/5745307077443787 Danilson Gama de Souza Universidade Paulista (UNIP) Manaus – Amazonas http://lattes.cnpq.br/8155955594614568 Dayanne Karoline Oliveira de Brito Universidade Paulista (UNIP) Manaus – Amazonas http://lattes.cnpq.br/0499691361452838 Silvana Nunes Figueiredo Universidade Paulista (UNIP) Manaus – Amazonas http://lattes.cnpq.br/1230323697077787 Leslie Bezerra Monteiro Universidade Paulista (UNIP) Manaus – Amazonas http://lattes.cnpq.br/ 5811196877265406 Anderson Araújo Corrêa Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas Manaus – Amazonas http://lattes.cnpq.br/1466507244608560 Sávio José da Silva Batista Faculdade Estácio do Amazonas Manaus – Amazonas http://lattes.cnpq.br/6981138586975493 Iraneide Ferreira Mafra Faculdade Estácio do Amazonas Manaus – Amazonas http://lattes.cnpq.br/7298148208848337 Otoniel Damasceno Sousa Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão Colinas – Maranhão http://lattes.cnpq.br/1358949827679628 Francisca Natália Alves Pinheiro Secretaria Municipal de Saúde de Colinas Colinas – Maranhão http://lattes.cnpq.br/3608672438922611 RESUMO: No Brasil, a Atenção Básica em Saúde incorpora os princípios do Sistema Único de Saúde, adota a designação para as Estratégias de Saúde da Família e enfatiza a reorientação do modelo assistencial através do sistema universal e integrado. A organização do processo de trabalho baseada nesta estratégia é fundamental para que a equipe possa avançar na garantia tanto da universalidade do acesso quanto da integralidade da atenção e da melhoria do bem- estar e do próprio trabalho. Objetivos: Investigar as dificuldades laborais enfrentadas pelos http://lattes.cnpq.br/8141874617282034 http://lattes.cnpq.br/2374808116003764 http://lattes.cnpq.br/5745307077443787 http://lattes.cnpq.br/8155955594614568 http://lattes.cnpq.br/0499691361452838 http://lattes.cnpq.br/1230323697077787 http://lattes.cnpq.br/2374808116003764 Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 92 profissionais de enfermagem nas rotinas diárias na Atenção Básica de Saúde. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa bibliográfica do tipo Revisão Integrativa de Literatura, baseada nos conceitos de Laurence Ganong, que tem por método favorecer o embasamento cientifico já existente através de pesquisas realizadas gerando resultados efetivos a respeito do tema proposto. Resultados: Após análise dos dados foram elencados 12 artigos neste estudo em que 17% (=2) foi quanto ao esclarecimento de dúvidas e orientações sobre as atividades; 25% (=3), apresentam sobrecarga de trabalho; 25% (=3) destacam-se por conflitos e limites da atuação profissional; 25% (=3) também abordaram sobre as deficiências na organização do trabalho e 8,4% (=1) insatisfação com o trabalho. Discussão: A pressão dos serviçosde saúde, a sobrecarga de trabalho e a precarização organizacional, geram insegurança aos profissionais, pois isto requer muita habilidade e técnica. Considerações Finais: A equipe de enfermagem enfrenta diversas dificuldades no âmbito da Atenção Básica. As principais dificuldades enfrentadas por esses profissionais, como o despreparo acadêmico, insegurança em realizar procedimentos, sobrecarga de trabalho, precariedade organizacional, falhas na comunicação, exposição a acidentes e doenças ocupacionais e também exposição a doenças mentais. PALAVRAS-CHAVE: Desafios da Atenção Básica; Enfermagem; Atenção Primária. LABOR DIFFICULTIES FACED BY NURSING PROFESSIONALS IN PRIMARY HEALTH CARE: A LITERATURE REVIEW ABSTRACT: In Brazil, Primary Health Care incorporates the principles of the Unified Health System, adopts the designation for Family Health Strategies, and emphasizes the reorientation of the care model through the universal and integrated system. The organization of the work process based on this strategy is essential for the team to advance in guaranteeing both the universality of access and the integrality of care and the improvement of well-being and of the work itself. Objective: to investigate the difficulties faced by nursing professionals in daily work routines in Primary Care. Methodology: This is a bibliographical research of the integrative literature review, based on the concepts of Laurence Ganong type, which has the method of favoring the existing scientific basis through research conducted generating effective results on the proposed theme. Results: After data analysis, 12 articles were listed in this study in which 17% (=2) were asked about the clarification of doubts and guidance about the activities; 25% (=3) have work overload; 25% (=3) stand out for conflicts and limits of professional performance; 25% (=3) also addressed deficiencies in work organization and 8.4% (=1) job dissatisfaction. Discussion: The pressure of health services, work overload and organizational precariousity, generate insecurity for professionals, as this requires a lot of skill and technique. Final Considerations: The nursing team faces several difficulties in the scope of Primary Care. Such as academic unpreparedness, insecurity in performing procedures, work overload, organizational precariousness, communication failures, exposure to accidents and occupational diseases and also exposure to mental illness. KEYWORDS: Challenges of primary care; Nursing; Primary care. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 93 1 | INTRODUÇÃO No Brasil, a Atenção Básica à Saúde (ABS) incorpora os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), adota a designação para a Estratégia de Saúde da Família, e enfatiza a reorientação do modelo assistencial através de um sistema universal e integrado, de forma que apresente estratégias de organização da atenção à saúde para suprir as necessidades de maneira regionalizada, descentralizada, contínua e sistematizada para integrar ações de promoção, prevenção da saúde e reabilitação (CARDOSO et al., 2019). Tal Sistema de Serviço de Saúde, tem sido reafirmado como um caminho promissor para o enfrentamento dos graves problemas de saúde que acometem a população mundial. Assim, foi assumida, no Brasil, como política governamental integrando a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) no disposto para Estratégia da Saúde da Família (ESF) (BIFF et al., 2019). A organização do processo de trabalho baseada nesta estratégia é fundamental para que a equipe possa avançar na garantia tanto da universalidade do acesso quanto da integralidade da atenção e da melhoria do bem-estar e do próprio trabalho. Essa atenção requer profissionais de enfermagem com ampliação em saberes, competência técnica e que desenvolvam dimensões políticas de gestão do trabalho em saúde (GALAVOTE et al., 2016). Os profissionais de enfermagem apresentam relevantes contribuições ao fortalecimento do trabalho em equipe e da prática interprofissional colaborativa, devido à sua forma de comunicação com os demais profissionais de saúde, que promove sinergia à equipe e qualifica a tomada de decisão, com impactos na qualidade do cuidado aos pacientes (PEDUZZI et al., 2019). A atuação desses profissionais segue se constituindo como um instrumento de mudanças nas práticas de atenção à saúde no SUS, respondendo a proposta do novo modelo assistencial que não está centrado na clínica e na cura, mas sobretudo, na integralidade do cuidado, na intervenção frente aos fatores de risco, na prevenção de doenças e na promoção da saúde (FERREIRA et al., 2018). Segundo Acosta et al. (2018), diversos são os fatores que dificultam o envolvimento dos profissionais de enfermagem na transição do cuidado, incluindo a dedicação para as atividades administrativas, sobrecarga de trabalho e falta de tempo, comunicação ineficaz, falta de suporte e estrutura no sistema de saúde. Na atenção primária, tem sido possível perceber várias situações de estresse e insatisfação com o trabalho de enfermagem. As demandas contemporâneas oriundas deste novo modelo de organização dos serviços de saúde estabelecem novas exigências para os trabalhadores envolvidos, inclusive os profissionais de enfermagem, os quais devem estar bem preparados, em condições físicas e biopsicossociais para exercer este trabalho. No entanto, isso depende das suas condições de vida, de saúde e de trabalho que são Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 94 disponibilizadas para o exercício profissional (CARNEIRO; ARAÚJO, 2017). Além dos riscos ocupacionais enfrentados em outros níveis de cuidado, os colaboradores de enfermagem da ABS lidam com novas dificuldades no campo da organização de processo de trabalho, visando atender às demandas dos usuários e a alcançar os princípios e diretrizes estabelecidos para a reorganização do serviço (CAÇADOR et al., 2015). A implementação do cuidado em enfermagem, nesta perspectiva, é um desafio para o enfermeiro, cujas condições de trabalho podem ser consideradas como elemento dificultador para a realização de boas práticas de saúde. Neste contexto as Unidades Básicas de Saúde (UBS) apresentam dificuldades infraestruturas inadequadas para funcionamento; constante pressão dos usuários por atendimentos e insuficiência de recursos materiais e humanos (ANDRADE et al., 2016). Entre as formas de precarização do trabalho em Enfermagem, destacam-se o tipo de vínculo, a instabilidade, renda, jornada de trabalho, o direito à livre associação e as condições de trabalho; o que afeta a saúde e a qualidade de vida dos profissionais de enfermagem, predispondo-os ao desgaste físico e sofrimento psíquico (SCHIMITT et al., 2015). Neste cenário, para efetivação da qualidade da assistência oferecida ao usuário e da garantia da promoção à saúde, é fundamental que o ambiente de trabalho possibilite a integração da equipe multidisciplinar, como também favoreça qualidade de vida, motivação, satisfação e possibilidade de desenvolvimento aos profissionais de enfermagem (OLIVEIRA; PEDRAZA, 2019). A assistência de enfermagem pautada no Processo de Enfermagem tem potencial para favorecer a integralidade e a promoção da saúde necessárias, para superar as dificuldades da Atenção Básica e sua articulação com outros níveis de atenção (média e alta complexidade), seguindo uma ordem crescente de complexidade da assistência, garantindo que cada indivíduo seja atendido no nível que necessita, alcançando de forma eficiente a saúde individual e coletiva (WANZELER et al., 2019) Ao avaliar as dificuldades enfrentadas pelos profissionais de enfermagem, é possível detectar precocemente situações desfavoráveis ao trabalhador, e contribuir para a diminuição dos problemas de saúde física e mental, bem como pode alertar para que medidas sejam tomadas com vistas à prevenção, promoção ou reabilitação. Assim como, a implementação de políticas públicasque contemplem valores, interesses, subsídios para melhores condições de trabalho tendo em vista a carreira profissional e o desgaste desses trabalhadores. Desta forma, percebe-se a necessidade da realização de reformas desta natureza, no sentido de explorar as competências necessárias para atuar na prática gerencial do profissional de enfermagem, tendo em vista que apesar de toda crise da atualidade e difíceis condições de trabalho, cabe à equipe de enfermagem decidir por não realizar suas Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 95 funções, ou ter atitudes para contornar a situação e realizar, da melhor maneira possível, o atendimento a população. Diante desse contexto, questiona-se: Quais as dificuldades enfrentadas pelos profissionais de enfermagem na Atenção Básica de Saúde? O estudo tem como objetivo principal investigar as dificuldades laborais enfrentadas pelos profissionais de enfermagem nas rotinas diárias da Atenção Básica de Saúde. 2 | METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa bibliográfica do tipo Revisão Integrativa de Literatura (RIL), que tem por método favorecer o embasamento científico já existente através de pesquisas realizadas gerando resultados efetivos a respeito do tema proposto (SOUSA et al., 2017), a fim de investigar as dificuldades laborais enfrentadas pelos profissionais de enfermagem nas rotinas diárias na Atenção Básica de Saúde. Para se obter os dados e desenvolver uma ampla discurssão a respeito do assunto foi adotado o método da RIL, que tem por finalidade a sistematização do processo para analise e coleta de dados com o intuito de favorecer o entendimento do tema proposto. Este método tem por objetivo agrupar os dados e desvendar possiveis espaços e ideias antes não discutidas gerando resultados adquiridos concomitantemente de pesquisas primárias possibilitando a discussão e o entendimento do assunto abordado (MARINUS et al., 2014). A sistematização de Laurence Ganong é dividida em seis etapas, iniciando primeiramente pela definição da pergunta da pesquisa, na segunda etapa são definidos os critérios de inclusão e exclusão dos itens da amostra selecionados, na terceira etapa é feita a apresentação dos estudos escolhidos de maneira organizados e forma de tabelas, na quarta etapa é realizada a analise critica dos artigos a fim de identificar conflitos ou diferenciação no conteúdo selecionado, na quinta é realizada a interpretação dos resultados e por fim na sexta etapa é apresentada as evidências selecionadas (MONTEIRO et al., 2019). Foi ultilizada a Biblioteca Virtual de Saúde (BVS); os periódicos CAPES e as respectivas bases de dados: Base de Dados de Enfermagem BDENF; Literatura Latino- Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Scientific Eletronic Library Online (SCIELO). As pesquisas por dados ocorreram no mês de setembro de 2020 sendo estas publicações nacionais e internacionais. Ultilizaram-se para buscas, os seguintes descritores: “Desafios da atenção básica”; “Enfermagem” e “Atenção Primária” e para a combinação destes descritores nas bases foi ultilizado o operador booleano “AND”. Adotaram-se filtros para a melhor seleção dos artigos analisados. Artigos estes que devem ter sido publicados entre os anos de 2015 a 2019, em idioma Português, Inglês e não devem constar em bases de dados repetidas, com termos em seu título ou resumo: Desafios da atenção Básica e Atendimento Primário. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 96 Após o aprofundamento nos artigos e bases de dados pesquisadas obtiveram-se 98 artigos ciêntificos que se adequam aos filtros da pesquisa divididos em: 32 na BDENF; 50 LILACS e 14 no SCIELO, conforme o Fluxograma a seguir: Fluxograma - Etapas de seleção dos artigos de acordo com as bases de dados. Destes artigos selecionados, foram excluídos 53 artigos repetidos em uma ou mais bases de dados e 31 artigos, por não abordarem a temática proposta da pesquisa. Selecionou-se, portanto o total de 12 artigos (Tabela 1) subdivididos em: 2 BDENF; 4 LILACS e 6 SCIELO na área de conhecimento enfermagem para análise em tabela no Microsoft Excel 2016®, contendo os seguintes itens: título; autor/ano; área de conhecimento; abordagem metodológica/ tipo de estudo; objetivo; análise dos dados e resultados. Os artigos foram analisados de forma que fosse possível a comparação das suas diferenças e semelhanças de forma a incluí-los na RIL. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 97 TÍTULO AUTOR/ANO ÁREA DE CONHECIMENTO ABORDAGEM METODOLÓGICA / TIPO DE ESTUDO OBJETIVO RESULTADOS Atividades do enfermeiro na transição do cuidado; realidades e desafios. ACOSTA A.M et. al., 2018 Enfermagem Estudo de abordagem quantitativa, do tipo descritivo. Analisar as atividades realizadas pelos enfermeiros na transição do cuidado ao paciente com alta hospitalar. Identifica-se que os itens mais realizados pelos enfermeiros foram: esclarecer dúvidas do paciente e sua família, enquanto fornece orientações de alta 87,5%; orientar a continuar os cuidados com a equipe de saúde que tem referência 79,2%. Desempenho do enfermeiro em suas atividades laborais na Atenção Primária à Saúde ANDRADE L.D.F et al., 2016 Enfermagem Estudo de abordagem qualitativa, do tipo descritivo e exploratório. Conhecer o desempenho do enfermeiro em suas atividades laborais na Atenção Primária à Saúde As limitações enfrentadas pelos enfermeiros interferem diretamente no seu desempenho laboral, embora para os usuários, este desempenho esteja acontecendo a contento. Cargas de trabalho de enfermeiros: luzes e sombras na ESF BIFF D. et al., 2019 Enfermagem Estudo de abordagem qualitativa Identificar os elementos que podem aumentar ou reduzir as cargas de trabalho do enfermeiro da Saúde da Família. Os elementos que mais influenciam o aumento das cargas de trabalho do enfermeiro são a precariedade e déficits no ambiente de trabalho, materiais e equipamentos. Ser enfermeiro na Estratégia de Saúde da Família CAÇADOR B.S et al., 2015 Enfermagem Estudo de abordagem qualitativa Analisar os desafios e possibilidades do trabalho do enfermeiro na ESF em um distrito sanitário de B. Horizonte O cotidiano do enfermeiro da ESF é marcado pela sobrecarga de trabalho que prejudica a realização das ações específicas da saúde da família. Capacidade para o trabalho entre trabalhadores de enfermagem da atenção básica à saúde. Bahia, Brasil CARNEIRO T.M.S, ARAÚJO T.M, 2017 Enfermagem Estudo epidemiológico, de corte transversal de caráter exploratório. Avaliar fatores associados à capacidade para o trabalho (CT) em trabalhadores de enfermagem da atenção básica A prevalência da capacidade para o trabalho inadequada foi de 17,9%, estava associada ao vínculo de trabalho efetivo, ter desenvolvido doença ocupacional, estar insatisfeito com a capacidade para o trabalho e vivenciar alta exigência no trabalho. Percepção do enfermeiro da Atenção Primária à Saúde frente a atribuição de Gestor da Unidade. CARDOSO H.M et al., 2019 Enfermagem Estudo de abordagem qualitativa, tipo descritivo e exploratório Compreender as percepções dos profissionais enfermeiros (as) acerca da função do gestor (a) dos serviços e equipe de saúde. A análise temática resultou na construção de dois eixos temáticos, sendo: transição da graduação para o mercado de trabalho e fatores influenciados no processo de trabalho do enfermeiro gestor. A complexidade do trabalho do enfermeiro na Atenção Primária à Saúde FERREIRA S.R.S et al., 2018 Enfermagem Estudo reflexivo Promover reflexão sobre o trabalho do enfermeiro na APS e sobre os aspectos necessários para reconstrução dessa prática profissional. Apresentam-se conflitos, dilemas e aspectos relevantes na APS, contribuindo com o pensamento crítico sobreo contexto de trabalho. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 98 O trabalho do enfermeiro na atenção primária à saúde GALAVOTE H.S et al., 2016 Enfermagem Estudo descritivo, transversal Descrever a organização do trabalho do enfermeiro na atenção primária à saúde nas regiões brasileiras. Destacam uma posição diferenciada do profissional enfermeiro na equipe de Atenção Primária à Saúde apontando para ampliação dos limites da atuação profissional. Contexto de trabalho e satisfação profissional de enfermeiros que atuam na ESF OLIVEIRA M.M. PEDRAZA D.F, 2019 Enfermagem Estudo transversal Avaliar o contexto de trabalho e a satisfação profissional de enfermeiros que atuam na ESF Constataram-se deficiências, principalmente na organização do trabalho. Ampliação de prática clínica da enfermeira de Atenção Básica no trabalho interprofissional PEDUZZI M. et al., 2019 Enfermagem Pesquisa de abordagem qualitativa, de caráter exploratório. Analisar a ampliação da prática clínica da enfermeira no contexto interprofissional na ESF. Foram identificadas ações interprofissionais orientadas pela lógica de agilizar atendimentos; ações com abordagem integral/holística. Obstáculos assinalados por enfermeiros da Atenção Básica em Saúde na realização de coleta de dados SCHIMITT M.D et al., 2015 Enfermagem Estudo de abordagem qualitativa, exploratório, descritivo Identificar os obstáculos assinalados por enfermeiros na realização da anamnese e do exame físico Dentre as dificuldades apontadas estão a estrutura física e materiais; processo de trabalho do enfermeiro; dimensionamento de pessoal; atendimento ao paciente Sistematização da assistência de enfermagem (SAE) na atenção primária à saúde. WANZELER K.M et al., 2019 Enfermagem Estudo com abordagem qualitativa, Analisar os fatores que interferem na implementação da SAE e processo de enfermagem nas práticas de enfermagem na APS Da análise dos dados emergiram as categorias: formação acadêmica na SAE; Dificuldades na aplicabilidade da SAE. Tabela 1. Resultados de acordo com título; autor/ano; área de conhecimento; abordagem metodológica/tipo de estudo; objetivo e análise dos dados e resultados. Manaus-AM (2020). 3 | RESULTADOS Após análise dos dados, foram elencados 12 artigos (Gráfico 1) em que 17% (=2) estão relacionados ao esclarecimento de dúvidas e orientações sobre as atividades; 25% (=3) dos trabalhadores apresentam sobrecarga de trabalho; 25% (=3) destacam- se por conflitos e limites da atuação profissional; 25% (=3) também abordaram sobre as deficiências na organização do trabalho e 8,4% (=1) insatisfação com o trabalho. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 99 Gráfico 1. Apresentação dos resultados da pesquisa de acordo com as sobrecargas laborais mais prevalentes na Atenção Básica. Dentre outras dificuldades mais prevalentes, de acordo com os artigos selecionados, destacam-se: a sobrecarga de trabalho e a precarização organizacional, que englobam desde materiais, equipamentos e ambiente de trabalho que, consequentemente, influenciam para desgaste da equipe de enfermagem. 4 | DISCUSSÃO A pressão dos serviços de saúde sobre os profissionais de enfermagem é frequente, pois exige maior experiência e habilidade técnica, estes se sentem inseguros e insuficientemente preparados para enfrentar tal realidade (PEDUZZI et al., 2019). Em um estudo realizado por Cardoso et al. (2019), direcionado a formação de novos enfermeiros, o primeiro emprego lhe exige uma nova rotina e novas necessidades que o profissional precisa arcar, complicantes disso é a insegurança sofrida e o despreparo para o exercício dos atendimentos na atenção básica necessitando de capacitação para lhe dar com a demanda exigida. De acordo com Andrade et al. (2016), a Atenção Básica requer muitas habilidades dos profissionais de saúde e, por consequência, dos enfermeiros. Existe falta de especificidade nas atribuições do enfermeiro, que pode ter sua origem na atuação dos próprios profissionais, que ainda não se apropriaram da finalidade precípua de seu trabalho no cotidiano da UBS, agregando funções e fazeres que não lhes são próprios. A sobrecarga de trabalho é vista como principal implicação na qualidade da assistência prestada, sendo esta impactante também na vida do profissional enfermeiro trazendo a discussão do quão capacitado está para a função ou do seu possivel baixo desempenho no atendimento Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 100 (SCHIMITT et al., 2015). No estudo feito por Acosta et al. (2018) ele acentua que há vários desafios representados pelos profissionais de enfermagem em realizar a transição do cuidado, sendo: as dificuldades de comunicação entre os profissionais de enfermagem, onde evidenciou-se uma grave relação socioprofissional acompanhado da falta de clareza e comunicação entre as equipes, problematicas que se estendem até as chefias da unidade que não apoiam a equipe quanto ao desenvolvimento profissional; pouca formação em serviço e falta de protocolos que auxiliem os profissionais para realizar atividades na Atenção Básica de Saúde. Uma das categorias marcantes do cotidiano, destacada por Ferreira et al. (2018) é a sobrecarga de trabalho pelo acúmulo de diversas funções e o afastamento dos profissionais de enfermagem da assistência que acarretam em mais sobrecarga de trabalho para os que permanecem, exigindo treinamento de novos profissionais, aumentando os custos e fragilizando os processos de trabalho, de acordo com Galavote et al. (2016), as quais decorrem na necessidade de oferecer respostas às demandas relacionadas ao funcionamento dos serviços de saúde e à população. Biff et al. (2019) destaca ainda a precariedade no ambiente de trabalho, relacionada a deficiências na estrutura física e falta de materiais, ou seja, déficits e carências nos instrumentos corporativos essênciais para o andamento do labor diário. A falta gera demanda que aumenta as cargas de trabalho, estes aspectos juntos geram o acúmulo de funções pelo enfermeiro. Nos achados encontrados por Oliveira; Pedraza, (2019), destacam como principais problemas de estrutura e carência itens como linha telefônica, equipamentos de informática e veículos para realizar atividades fora das unidades. Fragilidades deste tipo podem interferir negativamente na continuidade do atendimento e nos atributos da Atenção Básica. A precariedade no ambiente de trabalho impossibilita a longitudinalidade do cuidado e a efetivação de ações preconizadas. Caçador et al. (2015), aborda também dificuldades quanto a responsabilização por questões gerenciais e assistenciais, priorizando demandas que requerem respostas mais urgentes, ficando distante da realidade e das necessidades da população, a coexistência desses dois modelos assistênciais queixa/demanda e promocão a saúde fazem com que na rotina do enfermeiro haja conflitos de forma que as cobranças impostas aos enfermeiros não sejam proporcionais as condições existentes na unidade. Observa-se um efeito dominó, onde as mais prevalentes problemáticas geram transtornos generalizados no sistema público e nos profissionais atuantes. Profissionais frustrados e estressados sendo estes expostos facilmente a acidentes de trabalho, depressão e doenças ocupacionais. No que diz Biff et al. (2019), boas condições de trabalho, incluindo o bom funcionamento da rede de atenção, a resolutividade da assistência e o apoio gerencial mencionados como significativos para a redução de precariedade no trabalho. O funcionamento adequado nas Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 101 redes de atenção e a resolutividade das ações influenciam positivamente na formação do vínculo com os usuários (CARNEIRO; ARAÚJO, 2017). A cooperação, colaboração e divisão das responsabilidades no trabalhoem equipe também contribuem consideralvemente na melhoria do processo de trabalho e estimulam os profissionais a enfrentar suas dificuldades a partir das especificidades de cada um e do respeito às diversas formas de lidar com os desafios (WANZELER et al., 2019). 5 | CONSIDERAÇÕES FINAIS Conclui-se que a Equipe de Enfermagem enfrenta diversas dificuldades no âmbito da Atenção Básica, sendo assim, o estudo proporcionou uma visibilidade ampliada ao assunto, elencando as principais dificuldades enfrentadas por esses profissionais, como o despreparo acadêmico, insegurança em realizar procedimentos, sobrecarga de trabalho, precariedade organizacional, falhas na comunicação, exposição a acidentes e doenças ocupacionais e também exposição a doenças mentais. Vale ressaltar a importância da abordagem do título para conhecimento e providências a serem tomadas por estes enquanto acadêmicos, pois apesar da pouca visibilidade desses profissionais fundamentais na saúde, políticas públicas voltadas à área como: redução da carga horária semanal para 30 horas, treinamentos adequados no início do emprego, gestão eficiente e colaborativa, adoção de medidas especiais voltadas à saúde mental dos profissionais de enfermagem e pesquisas voltadas a solução, visto que os problemas já estão identificados, são imprescindíveis, porém, não possui apoio necessário para se firmar. REFERÊNCIAS ACOSTA A. M. et al. Atividades do enfermeiro na transição do cuidado: realidades e desafios. Rev enferm UFPE on line, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.5205/1981-8963-v21i12. Acesso em: 12 out. 2020. ANDRADE L.D.F et al. Desempenho do enfermeiro em suas atividades laborais na Atenção Primária à Saúde. Revista de Enfermagem e Atenção à Saúde, 2016. Disponível em: https://seer.uftm. edu.br/revistaeletronica/index.php/enfer/article/view/1749/pdf. Acesso em: 23 out. 2020. BIFF, D. et. al. Cargas de trabalho de enfermeiros: luzes e sombras na Estratégia Saúde da Família. Ciência & Saúde Coletiva, 2019, p 151. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/csc/ v25n1/1413-8123-csc-25-01-0147.pdf. Acesso em: 24 mar. 2020 CARNEIRO T.M.S, ARAÚJO T.M. Capacidade para o trabalho entre trabalhadores de enfermagem da Atenção Básica à Saúde. Bahia, Brasil. Revista de Saúde Pública, v.20, nº 4, 2017. Disponível em: https://www.scielosp.org/pdf/rsap/2018.v20n4/422-429/pt. Acesso em 23 set. 2020. CARDOSO H.M et al. Percepção do enfermeiro da atenção primária à saúde frente a atribuição do gestor da Unidade. Revista de Enfermagem e Atenção à Saúde, 2019. Disponível em: https://pdfs. semanticscholar.org/2579/cf10fa7651979e1b9af4f539d1a29ff26904.pdf. Acesso em: 23 set. 2020. https://doi.org/10.5205/1981-8963-v21i12 https://seer.uftm.edu.br/revistaeletronica/index.php/enfer/article/view/1749/pdf https://seer.uftm.edu.br/revistaeletronica/index.php/enfer/article/view/1749/pdf https://www.scielosp.org/pdf/rsap/2018.v20n4/422-429/pt https://pdfs.semanticscholar.org/2579/cf10fa7651979e1b9af4f539d1a29ff26904.pdf https://pdfs.semanticscholar.org/2579/cf10fa7651979e1b9af4f539d1a29ff26904.pdf Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 11 102 CAÇADOR B. S et al. Ser enfermeiro na estratégia de saúde da família: desafios e possibilidades. Rev Min Enferm, 2015. Disponível em: DOI 10.5935/1415-2762-20150047. Acesso em: 12 out. 2020. FERREIRA S.R.S et al. A complexidade do trabalho do enfermeiro na Atenção Primária a Saúde. Revista Brasileira de Enfermagem, 2018. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2017- 0471. Acesso em: 24 set. 2020. GALAVOTE H.S et al. O trabalho do enfermeiro na atenção primária. Esc. Anna Nery, 2016. Disponível em: https://10.5935/1414-8145.20160013. Acesso em: 24 set. 2020. MARINUS, Maria et al. Comunicação nas práticas em saúde: revisão integrativa da literatura. Saúde Soc, São Paulo, v. 23, n. 4, p.1356-1369, 2014. Disponivel em: < https://doi.org/10.1590/S0104- 12902014000400019> Acesso em: 22 de set de 2020. MONTEIRO, Leslie et al. Assédio moral no trabalho: uma abordagem multidisciplinar. Rev. de Enfermagem UFPE On Line, 13:e241603, 2019. Disponivel em: < https://pesquisa.bvsalud.org/portal/ resource/pt/biblio-1052563> Acesso em: 22 de setembro de 2020. OLIVEIRA M.M, PEDRAZA D.F. Contexto do trabalho e satisfação profissional de enfermeiros que atuam na Estratégia Saúde da Família. Saúde Debate, v.43, nº 22, p.765-779, 2019. Disponível em: https:// DOI.10.1590/0103-1104201912209. Acesso em: 24 set. 2020. PEDUZZI, M. et. al. Ampliação da prática clínica da enfermeira de Atenção Básica no trabalho interprofissional. 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Acesso em: 23 set. 2020. http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0471 http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0471 https://10.5935/1414-8145.20160013 https://doi.org/10.1590/S0104-12902014000400019 https://doi.org/10.1590/S0104-12902014000400019 https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1052563 https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1052563 https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/132807/000981872.pdf?sequence=1&isAllowed=y https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/132807/000981872.pdf?sequence=1&isAllowed=y http://hd1.handle.net/20.500.12253/1311 http://hd1.handle.net/20.500.12253/1311 https://www.acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/1486/933 https://www.acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/1486/933 Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 12 103 Data de aceite: 22/01/2021 CAPÍTULO 12 doi PRESENTEÍSMO NA EQUIPE DE ENFERMAGEM UNIVERSITÁRIA AMBULATORIAL: REVISÃO INTEGRATIVA Data de submissão: 30/10/2020 Gisele Massante Peixoto Tracera UFRJ, Escola de Enfermagem Anna Nery Cidade Nova – Rio de Janeiro http://lattes.cnpq.br/4865236628789035 Regina Célia Gollner Zeitoune UFRJ, Escola de Enfermagem Anna Nery Cidade Nova – Rio de Janeiro http://lattes.cnpq.br/9967441352483506 RESUMO: Objetivo: Identificar na literatura nacional e internacional, estudos sobre o presenteísmo na equipe de enfermagem ambulatorial. Método: Revisão integrativa, nas bases de dados: Centro Latino-Americano e do Caribe de Informações em Ciências da Saúde, National Library of Medicine, Cumulative Index of Nursing and Allied Health Literature e American Psychological Association. Realizada em março de 2019 tendo como critérios: artigos originais; em inglês, francês, espanhol ou português; sem recorte temporal. Resultados: Foram selecionados apenas 09 artigos para leitura e análise na íntegra, os quais retratavam pesquisas sobre presenteísmo com profissionais de enfermagem. Conclusão: Há evidências do aumento de publicações sobre presenteísmo, contudo, não foram encontrados estudos com a enfermagem ambulatorial, sendo a maioria realizada em hospitais e casas de repouso. Isso deixa clara a necessidade de adequação do campo acadêmico com pesquisas que colaborem para a identificação do presenteísmo nesses profissionais, com metodologias capazes de trazer evidências científicas sobre o presenteísmo. PALAVRAS-CHAVE: Presenteísmo; Equipe de enfermagem;Assistência ambulatorial; Saúde do Trabalhador; Pesquisa. PRESENTEEISM IN THE OUTPACIENT UNIVERSITY NURSING TEAM: INTEGRATIVE REVIEW ABSTRACT: Objective: to identify, in national and international literature, studies about presenteeism in the outpatient nursing team. Method: Study of integrative review that used the BIREME, PubMed, CINAHL and PsycINFO/APA data bases. The study took place in March 2019 and its criteria were: articles that were complete and original; articles in English, French or Portuguese; articles with no timeframe. Results: Only 09 articles were selected for the complete reading and analyses and they portrayed researches about presenteeism with nursing professionals. Conclusion: There is evidence of an increase in the number of publications about presenteeism, but there were not found researches with the outpatient nursing team, given that most of those studies took place in hospitals and nursing homes. Therefore, it shows the academic field’s need of adequate itself to studies that collaborate with the identification of presenteeism in the outpatient nursing team professionals, with methodologies capable of showing scientific evidences about presenteeism. KEYWORDS: Presenteeism; Nursing staff; http://lattes.cnpq.br/4865236628789035 http://lattes.cnpq.br/9967441352483506 Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 12 104 Outpatient assistance; Worker’s health. 1 | INTRODUÇÃO O conceito presenteísmo, segundo Hemp (2004), é utilizado na atualidade para explicar o “absenteísmo de corpo presente”, ou seja, as pessoas estão presentes no local de trabalho, porém, em decorrência de problemas físicos ou psicológicos, não conseguem desenvolver um trabalho perfeito, feito por completo. Este termo segundo Flores-Sandí (2006, p.31), “deriva do termo em inglês ‘presenteeism’, criado pelo Professor Cary Cooper, psicólogo especialista em gestão organizacional da Universidade de Manchester no Reino Unido”. Foi elaborado para descrever a relação entre doença e perda de produtividade, consequência do trabalho excessivo e do sentimento de insegurança no emprego decorrente do reajuste e reestruturação dos anos noventa com altas taxas de desemprego, reestruturação nos setores públicos e privados e redução do número de funcionários (FLORES-SANDÍ, 2006). Ao contrário do absenteísmo, o presenteísmo raramente é percebido pelo próprio profissional ou pelos que o cercam. Devido a problemas físicos e/ou psicológicos, no presenteísmo, as pessoas sentem dificuldades para exercer suas atividades, sendo este um limitador da produtividade não só em termos de quantidade, mas também de qualidade. Böckerman e Laukkanen (2009) esclarecem que no absenteísmo os trabalhadores estão ausentes do trabalho por causa da doença. No caso do presenteísmo, eles estão presentes no local de trabalho, apesar da sua doença. Estudo realizado nos Estados Unidos, na Faculdade de Havard revelou que a perda de produtividade no trabalho resultante de depressão e dor era aproximadamente três vezes maior do que a perda de produtividade relacionada à ausência atribuída a essas condições. Ou seja, menos tempo e produtividade foi realmente perdido de pessoas que ficam em casa (absenteísmo) do que as que comparecem ao trabalho, mas não estão produtivas (presenteísmo). Na Suécia, um levantamento feito no ano 2000 sobre o presenteísmo e sua relação com a ocupação, necessidades, adoecimento, absenteísmo, desempenho pessoal e demissões, constatou que um terço das pessoas relatou ter ido trabalhar, no ano do estudo, mesmo se sentindo doente. Os resultados mostraram que o maior índice de presenteísmo foi encontrado nas áreas de educação e saúde, e a combinação mais comum encontrada foi entre a baixa produtividade, altos níveis de presenteísmo e altos níveis de absenteísmo. No Brasil, o presenteísmo ainda é pouco conhecido pelos trabalhadores e organizações. O termo - que ganhou relevância apesar do desconforto de alguns acadêmicos com sua sensação pouco atrativa (HEMP, 2004) - refere-se à perda de produtividade resultante de problemas reais de saúde. Ir ao trabalho diariamente, não significa que o Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 12 105 trabalhador está produtivo, e mentalmente ou emocionalmente presente. Contudo, o mundo do trabalho vive em constante fase de transição, o que se reflete na busca contínua pela promoção da saúde do trabalhador. “Essas mudanças, influenciadas pelas próprias mudanças sociais e culturais, determinam consequentes alterações no processo produtivo em termos de tecnologia, equipamentos, materiais, métodos e organização do trabalho, mas que, sem dúvida, se refletem no gerenciamento do outro ator do processo produtivo: o trabalhador” (FERNANDES,1996) Esse reflexo por sua vez, pode ser apontado como um dos responsáveis por alterações no serviço ambulatorial onde, apesar de não ter ainda definida uma política que o descreva, vem sofrendo modificações e ajustes para atender às Políticas de Atenção Básica e às Políticas de Atenção Hospitalar. Isso acarreta de maneira geral, novas formas de gerir, novas demandas, novas burocracias e consequentemente, novos problemas que se veem entre o prescrito e o real levando ao constante estresse para resolução dos conflitos, podendo acarretar o presenteísmo. A necessidade do ser humano de colocar o desenvolvimento a serviço do homem obriga a compreensão da realidade como ela se apresenta para que seja possível contribuir para a sua transformação (FARIAS & ZEITOUNE, 2007). Diante do exposto, considera-se que o presenteísmo ainda é difícil de ser percebido e reconhecido, e por isso é considerado um tema em construção na saúde ocupacional. Sendo assim, torna-se fundamental falar em presenteísmo, ressaltando-se sempre a abordagem desse assunto como questão essencial à saúde do trabalhador, sem institucionalizá-lo ou validá-lo diante da precariedade na atuação, principalmente no serviço público. Desse modo, essa pesquisa teve como objetivo: Identificar na literatura nacional e internacional, estudos desenvolvidos sobre o presenteísmo na equipe de enfermagem ambulatorial. 2 | MÉTODO Revisão integrativa de literatura, que tem por finalidade o levantamento de pesquisas relacionadas ao presenteísmo na equipe de enfermagem ambulatorial, traçando um panorama, evolução e possibilidades futuras de investigação a cerca da temática. Foram realizados os seis passos da revisão integrativa, que são: 1- desenvolvimento da pergunta de pesquisa; 2- busca na literatura; 3- coleta de dados; 4- análise crítica dos artigos incluídos; 5- discussão dos resultados; e 6- apresentação da revisão integrativa. As estratégias de buscas ocorreram durante o mês de março de 2019. As bases de dados eletrônicas pesquisadas por meio de suas estratégias de buscas específicas foram Centro Latino-Americano e do Caribe de Informações em Ciências da Saúde (BIREME), National Library of Medicine NLM (PubMed), Cumulative Index of Nursing and Allied Health Literature (CINAHL) e American Psychological Association (PsycINFO/ APA). Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 12 106 Para o desenvolvimento da revisão foram utilizados como critérios de inclusão artigos originais completos que abordassem o presenteísmo na enfermagem; nos idiomas inglês, francês, espanhol ou português; não houve recorte temporal. Foram excluídos artigos sem pertinência ao tema proposto, repetidos, não disponíveis na íntegra, classificados como revisões de literatura e resumos de eventos. Inicialmente realizou-se uma busca nos vocabulários eletrônicos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e no Medical Subject Heading (MeSH) com vistas a identificar os possíveis termos para a busca. Os termos selecionados foram: presenteísmo; equipe de enfermagem e assistência ambulatorial (DeCS) e presenteeism; nursin, team e ambulatory care (MeSH). Os termos em inglês foram utilizados nas basesde dados PubMed, CINAHL e PsycINFO. Foi realizada uma revisão integrativa da literatura e os estudos incluídos na revisão foram analisados de forma sistemática em relação aos seus objetivos, materiais e métodos, permitindo que o leitor examinasse o conhecimento preexistente sobre o tema investigado (JOHNSTON, 2014). Para sua realização seguiu-se o percurso metodológico: identificação do tema e levantamento de hipótese, busca na literatura, categorização e avaliação dos estudos, interpretação dos resultados e síntese do conhecimento (CNS, 2011). A questão norteadora foi: Qual é o conhecimento identificado, na literatura nacional e internacional, acerca do presenteísmo na equipe de enfermagem ambulatorial? Foram respeitados os aspectos éticos e os direitos autorais referenciando-se os autores dos trabalhos utilizados. Em virtude da natureza da pesquisa, foi dispensada a aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). 3 | RESULTADOS A busca retornou 366 documentos com o descritor presenteísmo (Figura I). No cruzamento dos descritores foram encontradas 82 publicações, das quais 06 na Bireme, 34 na PubMed, 36 na CINAHL e 06 na PsycINFO. Após avaliação inicial, por meio dos critérios de inclusão 36 foram identificados e excluídos, sendo 05 teses, 13 repetidos, 18 não atendiam aos critérios de inclusão. Os outros 46 títulos foram selecionados para leitura dos resumos, destes 37 foram excluídos por não atenderem ao escopo desta revisão. Foram incluídos, portanto, 09 artigos para leitura e análise na íntegra. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 12 107 Figura I: Fluxograma da busca nas bases de dados. Rio de Janeiro, Brasil, 2019. Para a seleção, categorização das informações e análise dos estudos, elaborou- se um roteiro com: autor, país, ano, local, fenômeno estudado, população e resultado. A primeira seleção deu-se por meio da leitura dos títulos e resumos, sendo que, após essa etapa, os artigos foram lidos na íntegra e as informações obtidas foram apresentadas na forma de quadro e analisadas obtendo-se 03 subtemas relativos a pesquisas sobre presenteísmo: doenças crônicas (dor lombar, alergia sazonal, enxaqueca, infecção respiratória), distúrbios mentais (estresse e burnout) e precarização do trabalho. Um instrumento específico foi desenvolvido para categorizar os estudos e extrair os dados para posterior análise e síntese. Os itens que compuseram o instrumento: título, periódico, base de dados, ano de publicação, país, população, método e fenômeno estudado, conforme Figura II. Para a síntese e apresentação final os dados foram agrupados por similaridade Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 12 108 temática, de maneira a elucidar o propósito da pesquisa. Título Revista Base de dados Ano País População Método Fenômeno estudado Sick at Work: Presenteeism among Nurses in a Portuguese Public Hospital Wiley Online Library Pubmed 2011 Portugal 296 enfermeiras Quanti Prevalências das principais causas físicas e psicológicas do presenteísmo entre os profissionais. Nurses’ presenteeism and its effects on self-reported quality of care and costs AM J. Nurs. Pubmed 2012 EUA 2.500 enfermeiras hospitalares Quanti Em que medida a dor musculoesquelética, ou depressão, ou ambos afetam a produtividade e a qualidade autorreferida dos cuidados de enfermagem. Low Back Pain and Associated Presenteeism among Hospital Nursing Staff Journal of Ocupational Health Pubmed 2013 Itália 174 enfermeiras Quanti Prevalência e fatores de risco de presenteísmo devido a alta prevalência de dor lombar entre o pessoal hospitalar de enfermagem. Estresse, coping e presenteísmo em enfermeiros que assistem pacientes críticos REEUSP SCIELO 2014 Brasil 129 enfermeiros da assistência direta a pacientes críticos Quanti Associações entre estresse, Coping e presenteísmo em enfermeiros atuantes na assistência direta a pacientes críticos e potencialmente críticos. Attitudes towards sickness absence and sickness presenteeism in health and care sectors in Norway and Denmark: a qualitative study BMC Public Health Pubmed 2014 Noruega e Dinamarca Enfermeiros assistenciais Quali Atitudes em relação à ausência de doença e presenteísmo entre os funcionários do lar de idosos de ambos os países. Precarização do trabalho em hospital de ensino e presenteísmo na enfermagem Revista Enferm. UERJ Cinahl 2016 Brasil 39 profissionais de enfermagem Quali Precarização do trabalho em hospital de ensino como fator contributivo para o presenteísmo na enfermagem. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 12 109 Are nursing home care workers’ health and presenteeism associated with implicit rationing of care: A cross- sectional multi- site study Geriatric Nursing Pubmed 2016 Suíça 3.269 profissionais de enfermagem Quanti Relação entre os trabalhadores e o presenteísmo fazendo analogia ao racionamento implícito de cuidados. Job demands, job resources, and behavior in times of sickness: An analysis across German nursing homes Health Care Manage Rev. Pubmed 2017 Alemanha 212 enfermeiros Quanti Exigências de trabalho, recursos de trabalho e comportamento (presenteísmo, absenteísmo) nos últimos 12 meses. Presenteísmo na enfermagem: repercussões para a saúde do trabalhador e a segurança do paciente Revista Enfermagem UERJ Scielo 2018 Brasil 129 enfermeiros da assistência direta a pacientes críticos Quali Repercussões do presenteísmo para o processo de trabalho da enfermagem em hospital de ensino. Figura II: Produções científicas eleitas sobre presenteísmo. Rio de Janeiro, Brasil. 2019 4 | DISCUSSÃO Dos nove artigos publicados sobre o assunto em questão, o método aplicado nos artigos estudados três (33,3%) eram qualitativos e seis (66,6%) quantitativos. Quanto aos temas abordados, tanto os artigos nacionais quanto os internacionais tratavam de problemas relacionados às doenças crônicas (dor lombar, alergia sazonal, enxaqueca, infecção respiratória), distúrbios mentais (estresse e burnout) e precarização do trabalho. Muitos dos problemas de saúde que resultam no presenteísmo são, pela sua natureza, benignos. Afinal, doenças mais graves frequentemente forçam as pessoas a permanecerem em casa, muitas vezes por longos períodos. Desse modo, as pesquisas sobre presenteísmo concentram-se em doenças crônicas ou episódicas como alergias sazonais, asma, enxaquecas e outros tipos de dores de cabeça, dor nas costas, artrite, distúrbios gastrointestinais e depressão (HEMP, 2004) O estudo evidenciou que houve um aumento do número de publicações sobre presenteísmo a partir do ano de 2010, contudo, não foram encontrados estudos com profissionais de enfermagem que atuavam em ambulatório, sendo a maioria das pesquisas realizadas em hospitais (LETVAK, 2010; BARRATI, 2013; UMANN, 2014; VIEIRA, 2016; FERREIRA, 2011; SCHINEIDER, 2017) e casas de repouso (JOHNSEN, 2014; Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 12 110 AUSSERHOFER, 2016). O Nível de Evidência utilizado nas Revisões Integrativas configura-se como uma forma de avaliar as pesquisas realizadas em determinadas áreas do conhecimento, de acordo com o delineamento metodológico escolhido e utilizado pelos autores, para evidenciar melhorias para o cuidado em assuntos ainda não fortalecidos (DAWSON, 2007). Desse modo, fica evidente a escassez de estudos primários sobre a temática, principalmente na literatura nacional, onde a maior expressão se dá nas revisões de literatura. A leitura dos artigos nos leva à constatação da necessidade de investimento em novas pesquisas acerca da temática dentro do campo da Enfermagem, pois desta forma iremos comprovar e divulgar a existência do presenteísmo e suas consequências para o serviço e para a saúdedo trabalhador. A escassez de estudos primários e a grande quantidade de pesquisas de revisão se apresentam como uma limitação para a discussão de dados obtidos em pesquisas de campo, sendo evidenciado pelo pequeno número de artigos incluídos na revisão. Os resultados mostram-se relevantes, ao passo em que os objetivos propostos foram alcançados, contribuindo para a compreensão e divulgação do conceito e os reflexos do presenteísmo na enfermagem. A equipe de enfermagem ambulatorial como foco da pesquisa, pode contribuir para a construção de políticas públicas voltadas para a saúde do trabalhador. 5 | CONCLUSÃO Conclui-se que a gestão de recursos humanos é essencial para bom funcionamento dos serviços de saúde, desse modo, fundamenta-se a relevância de um estudo que busque identificar o presenteísmo em profissionais que atuam na equipe de enfermagem ambulatorial, elementos-chave e fundamentais nos processos de assistência nos serviços especializados de média e alta complexidade, o que, sem dúvida, irá refletir na melhoria dos mesmos e consequentemente na assistência prestada. Para que a prática possa ser modificada através dos resultados de pesquisas, se faz necessário que as metodologias das pesquisas publicadas tenham nível de evidência que traga suporte para que as mudanças sejam efetivadas. Com isso, entende-se ser necessária a realização de pesquisas que colaborem para a identificação e intervenção nos problemas de saúde dos trabalhadores, com metodologias capazes de trazer evidências científicas sobre o presenteísmo. REFERÊNCIAS ARONSSON, G. et al. Sick but yet at work. An empirical study of sickness resenteeism. Journal of Epidemiology and Community Health, n. 54, p. 502–509, 2018. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 12 111 AUSSERHOFER, D. et al. Are nursing home care workers’ health and presenteeism associated with implicit rationing of care? A cross-sectional multi-site study. Geriatric Nursing, n. 1, v. 38, p. 33-38, 2016. BARRATI, M. et al. Low back pain and associate presenteeism among hospital nursing staff. Journal of Occupational Health, [S.I], v. 55, n. 4, p. 276-83, 2013. BÖCKERMAN P.; LAUKKANEN, E. Presenteeism in Finland: determinants by gender and the sector of economy. Ege Academic Review, n.3, v. 9, p. 1007-1016, 2009. BRASIL. 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Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 13 113 Data de aceite: 22/01/2021 CAPÍTULO 13 doi EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL E USO DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL POR ENFERMEIROS EM ATENDIMENTOS DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA Maria dos Milagres Santos da Costa Pós graduanda em Saúde da Família e Docência do Ensino Superior pela Faculdade – FAEME http://lattes.cnpq.br/6529015364919327 Bruna Furtado Sena de Queiroz Pós- graduanda em Estética avançada pelo o Instituto de Ensino Superior Múltiplo - IESM Teresina – Piauí http://lattes.cnpq.br/6958293564184754 Monique Moreira Machado Pós-Graduação em Urgência e Emergência pelo Centro Universitário Santo Agostinho – UNIFSA http://lattes.cnpq.br/3377366893941692 Polyana Coutinho Bento Pereira Residência e Obstetrícia pela Universidade Federal do Piauí - UFPI http://lattes.cnpq.br/8812674495477406 Enewton Eneas de Carvalho Pós-graduação e Enfermagem do Trabalho pela Faculdade Integrada de Jacarepaguá http://lattes.cnpq.br/6752900981825501 Anderson da Silva Sousa Pós-graduação em Terapia Intensiva Pós-graduação em Gestão da Saúde e Educação do Trabalho http://lattes.cnpq.br/6579111998678861 Esaú de Castro Mourão Especialista em urgência e emergência pela faculdade - FAVID WYDEN Airton César Leite Centro Universitário Santo Agostinho – UNIFSA Pós-graduando em Saúde da Família pela Faculdade Adelmar Rosado – FAR Pós-graduando em Saúde Pública pela Faculdade Adelmar Rosado – FAR Pós-graduando em Docência do Ensino Superior pela Faculdade Adelmar Rosado – FAR Pós-graduando em Saúde Mental e Atenção Psicossocial pelo Centro Universitário Santo Agostinho – UNIFSA http://lattes.cnpq.br/8161828805895869 Jusmayre Rosa da Silva Especialização em Urgência e Emergência pela Faculdade Diferencial FACID/WYDEN Raíssa Leocádio Oliveira Pós-graduação em Terapia Intensiva pela UCM Pós-graduação em Urgência e Emergência pela Faculdade Diferencial FACID/WYDEN Sayonnara Ferreira Maia Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal do Piauí – UFPI http://lattes.cnpq.br/5122834550460337 Francisco Bruno da Silva Santos Pós-graduação em Urgência Emergência pela Faculdade Diferencial FACID/WYD http://lattes.cnpq.br/3626007660132914 RESUMO: INTRODUÇÃO: A área de urgência e emergência no Brasil é constituída por um importante componente da assistência, as políticas voltadas para a saúde mostram a crescente demanda por estes serviços, os Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 13 114 profissionais que mais atuam nesse contingente do trabalho da área da saúde, os enfermeiros são os que mais estão expostos a acidentes e ricos envolvendo os materiais perfuro cortantes, sangue e demais líquidos corporais dentro do pronto socorro. OBJETIVOS: Avaliar por meio da literatura a exposição ocupacional e o uso de equipamentos de proteção individual por enfermeiros em atendimentos de urgência e emergência. METODOLOGIA: O presente estudo trata-se deuma revisão integrativa da literatura. A coleta de dados foi realizada entre os meses de maço e abril de 2019, nas bases de dados: LILACS, SCIELO e MEDLINE. Como estratégia de busca foi adotada a pesquisa dos descritores citados, seleção do periódico de publicação, seleção dos idiomas, leitura dos títulos e resumos escolhendo-se aqueles que abordassem o tema e que atendam aos objetivos do presente estudo e exclusão dos que não se enquadravam a temática descrita posteriormente. RESULTADOS: Após a análise dos estudos foi possível constatar que os profissionais enfermeiros utilizam inadequadamente os EPIS, a não utilização dos equipamentos de proteção individual é ocasionada por falta de conhecimento sobre as consequências do desuso, utilização errada. CONCLUSÃO: Ainda que o uso dos equipamentos não impeça trabalhador de um possível acidente é fundamental que o mesmo faça a utilização correta dos equipamentos que o protegem; esses riscos são uma realidade decorrente de suas atividades e precisam ser colocadas em prática para sua auto proteção. PALAVRAS-CHAVE: Equipamento de Proteção Individual. Urgência. Emergência. Enfermagem. Risco Ocupacional. OCCUPATIONAL EXPOSURE AND USE OF PERSONAL PROTECTIVE EQUIPMENT BY NURSES IN URGENCY AND EMERGENCY CARE ABSTRACT: INTRODUCTION: The area of urgency and emergency in Brazil is made up of an important component of care, health policies show the growing demand for these services, the professionals who work most in this contingent of health work, nurses are the ones who most are exposed to accidents and rich involving the piercing materials, blood and other body fluids within the emergency room. OBJECTIVES: To evaluate through literature the occupational exposure and the use of personal protective equipment by nurses in urgent and emergency care. METHODOLOGY: The present study is an integrative literature review. Data collection was performed between the months of pack and April 2019, in the databases: LILACS, SCIELO and MEDLINE. The search strategy adopted was the search of the cited descriptors, selection of the journal, selection of languages, reading of titles and abstracts, choosing those that addressed the theme and that meet the objectives of this study and exclusion of those that did not fit. the theme described later. RESULTS: After analyzing the studies, it was found that nursing professionals use the PPE inappropriately, the non-use of personal protective equipment is caused by lack of knowledge about the consequences of disuse, misuse. CONCLUSION: Although the use of equipment does not prevent workers from a possible accident, it is essential that they make the correct use of equipment that protects them; These risks are a reality arising from your activities and need to be put in place for your high protection. KEYWORDS: Personal Protective Equipment. Urgency. Emergency. Nursing. Occupational Risk. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 13 115 1 | INTRODUÇÃO Ao realizar um trabalho o profissional enfermeiro está exposto frequentemente aos riscos no ambiente em que atua, dentro da urgência e emergência hospitalar, pois esse ambiente pode ser considerado uma das áreas com maior fluxo e complexidade na assistência a saúde, pois é nesse local que o profissional enfermeiro encontra-se em maior risco e exposição às doenças transmissíveis; para uma atuação qualificada nesse setor de atuação do hospital; é necessário que o profissional tenha conhecimento e habilidade para desenvolver suas atividades de forma segura e qualificada, visando o bem está do paciente e sua segurança profissional (CHAGAS; BARBOSA et al., 2014). Por serem os profissionais que mais atuam nesse contingente do trabalho da área da saúde, os enfermeiros são os que mais estão expostos a acidentes e ricos envolvendo os materiais perfuro cortantes, sangue e demais líquidos corporais dentro do pronto socorro. Esses acidentes podem trazer aos profissionais os mais diversos problemas, podendo transmitir doenças infecciosas como: Hepatite B, vírus HIV, bem como, traumas psicológicos e físicos (SILVA; FARIAS et al., 2014). A norma regulamentadora da biossegurança no Brasil é a de número 32 (NR 32) a mesma recomenda a adoção de medidas preventivas de trabalho para cada risco a que o profissional se expõe, objetivando promover a segurança dos trabalhadores nos serviços em saúde exposta (CHAGAS; BARBOSA et al., 2013.) Diante disso o meio mais eficaz para diminuir esses riscos seria a dotar as medidas precaução sendo a utilização correta dos EPIs. Diante disso há uma necessidade de observar as precauções que são padronizadas pelo Ministério da Saúde, a fim de minimizar os risco ocupacionais á que os profissionais se expõe diariamente no ambiente de atuação em urgência e emergência, sendo o recomendado a utilização de uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) por todos os profissionais atuantes da ara da saúde. Os EPIs podem ser conceituados como: roupas especiais, luvas, óculos de proteção, máscaras; sendo considerados como materiais básicos, necessários aos profissionais que trabalham em contato direto aos pacientes em urgências hospitalares (SILVA; FARIAS et al., 2014). O presente estudo tem como objetivos avaliar por meio da literatura a exposição ocupacional e o uso de equipamentos de proteção individual por enfermeiros em atendimentos de urgência e emergência 2 | METODOLOGIA 2.1 Tipo de Estudo O presente estudo trata-se de uma revisão integrativa da literatura, onde se tem por finalidade realizar a síntese do estado do conhecimento de assunto em especifico, e Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 13 116 responder perguntas que precisam ser respondidas através de novas pesquisas importantes que dão suporte para a tomada de decisão e a melhoria da prática assistencial ao paciente; estudo em questão é de natureza descritiva, exploratória, com uma abordagem de análise qualitativa (MAFRA; FONSECA et al., 2008). 2.2 Critérios de Inclusão e Exclusão A coleta de dados será realizada entre os meses de maço e abril de 2019, onde será utilizado como critério de inclusão os artigos completos publicados no período de 2013 a 2018, indexados na plataforma da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), nas seguintes bases de dados: LILACS, SCIELO e MEDLINE. Foram utilizados como critérios de exclusão: artigos em inglês, artigos publicados em anos anteriores ou posteriores exigidos na dimensão temporal, artigos que não atendem aos critérios do devido trabalho. 2.3 Instrumentos de Coleta de Dados O acesso eletrônico teve como o site periódicos Capes utilizando-o para o levantamento dos artigos os agrupamentos dos descritores cadastrados no DECS; EPis, Urgência e Emergência, Enfermagem e Riscos Ocupacionais. Como estratégia de busca foi adotada a seguinte forma de pesquisa dos descritores citados, seleção do periódico de publicação, seleção dos idiomas, leitura dos títulos e resumos escolhendo-se aqueles que abordassem o tema e que atendam aos objetivos do presente estudo e exclusão dos que não se enquadravam a temática descrita posteriormente. Os artigos foram numerados segundo a ordem de localização e a análise dos dados foi descritiva, proporcionando assim aos profissionais de diversas áreas avaliarem a qualidade das evidências. 3 | RESULTADOS FIGURA 1: Fluxograma de seleção de artigos que enfocam a exposição ocupacional e uso de equipamentos de proteção individual por enfermeiros em atendimentos de urgência e emergencial. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 13 117 Fluxograma1: Realizado na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). QUADRO 1: Distribuição dos artigos segundo autores, ano de publicação, Título do estudo, periódico indexado e principais resultados, Brasil, 2019. Os referidos estudos foram encontrados na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), que integra as principais bases de dados - SCIELO, LILACS, BDENF. Assim, o quadroabaixo apresenta uma síntese das principais características dos trabalhos incluídos na análise, indicando autores, o título da pesquisa, periódico indexado seus respectivos principais resultados obtidos. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 13 118 AUTOR, ANO TITULO ARTIGO PERIÓDICO RESULTADOS ARAÚJO; SILVA, 2014. Acidentes perfuro cortantes e medidas preventivas para hepatite B adotadas por profissionais de Enfermagem nos serviços de urgência e emergência de Teresina, Piauí. Rev. Bras. de saúde ocupacional. Quanto à ocorrência de acidentes de trabalho, identificou-se que, dos 317 profissionais envolvidos na pesquisa, 152 (47,9%) relataram haver sofrido algum tipo de acidente ocupacional com perfuro cortante. Dentre os tipos de instrumentos causadores de acidentes, o acidente com agulha foi o que mais se destacou (77,0%) e, dentre as categorias profissionais estudadas, a de Técnico de Enfermagem foi a que teve a maior proporção de acidentes com esse instrumento (81,0%). Observou-se, ainda, que Técnicos, Auxiliares e Enfermeiros apresentaram resultados expressivos quanto a não notificação do acidente (67,0%, 70,0% e 75,0%, respectivamente), o que também foi observado em relação à não adoção de medidas profiláticas pós exposição ao acidente perfuro cortante (85,0%, e 83,0%, respectivamente. OENNINGet al., 2012. Assunção de riscos ocupacionais no serviço de atendimento móvel de urgência ( SAMU). Rev. Pesquisa saúde. Observa-se que um quarto dos profissionais entrevistados nega a existência de riscos ocupacionais ou os banalizam e acreditam que trabalhar exposto aos riscos citados anteriormente é algo normal, ou sequer conseguem reconhecê-los. Este fato pode ocorrer devido ao fator de banalização da rotina. RIETH et al., 2014. Uso de equipamentos de proteção individual pela enfermagem em uma unidade de emergência hospitalar. Rev. enferm. UFPE online, 2014. Os profissionais de enfermagem enfrentam situações de riscos de acidente de trabalho, diariamente, em especial, os que atuam em unidades de urgência e emergência, pelas características das mesmas. Esta é porta de entrada de pacientes com as mais variadas doenças e, muitas vezes, não diagnosticadas neste setor, o que implica na necessidade os profissionais que atuam na referida unidade não banalizem o uso dos meios de proteção. Durante a observação realizada na unidade de emergência, local da pesquisa, se evidenciou que os trabalhadores de enfermagem não utilizam todos os EPIs necessários para o desenvolvimento das ações com segurança, expondo-se, assim, a vários agentes e situações de riscos. CHAGAS; et al., 2013. Risco ocupacional na emergência: uso de equipamentos de proteção individual (epi) por profissionais de enfermagem. Rev.enferm UFPE on line, 2013. Os dados do estudo evidenciaram que, no serviço de emergência investigado, os profissionais da equipe de enfermagem conhecem os EPIs e os riscos ocupacionais a que estão expostos. No entanto, negligenciam seu uso devido à necessidade de atender o paciente rapidamente. Dessa forma, o profissional de enfermagem, em seu ambiente de trabalho, encontra-se exposto a inúmeros riscos ocupacionais, os quais são originados de atividades insalubres e críticas, ocasionando efeitos adversos à sua saúde, podendo assim levar ao aparecimento de acidentes e de doenças do trabalho. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 13 119 LOPES et al., 2008 Adesão às precauções padrão pela equipe do atendimento pré-hospitalar móvel de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Cad. Saúde Pública, 2008 Dos que efetivamente participaram do estudo eram 10,5% enfermeiros, 47,5% técnicos /auxiliares de enfermagem era do sexo masculino (66,8%), com tempo de exercício na instituição igual ou inferior a dois anos (58,4%) e lotados em unidades de suporte básico (69,7%). Não houve diferença significativa quanto à distribuição por faixa etária e por ano de formação dos profissionais. A análise do conhecimento relatado observaram- se respostas inadequadas (≥ 75%) para diferentes categorias profissionais. Enfermeiros para o risco de transmissão cruzada de agentes infecciosos ao realizar punção de acesso venoso (72%) e risco de infecção por contato de sangue com a mucosa ocular (72%). Fonte: Elaborado pelos autores com base nos dados e resultados da pesquisa, 2019. 4 | DISCUSSÃO A análise da distribuição dos artigos por metodologia e instrumentos pesquisados possibilitou o agrupamento dos mesmos em duas categorias: exposição ocupacional e uso de equipamentos de proteção individual por enfermeiros e aspectos no atendimento de urgência e emergência. O trabalho do enfermeiro que desenvolve suas atividades em urgência emergência tem um grande potencial de exposição do mesmo aos inúmeros riscos ocupacionais. Desse modo, é frequente a manifestação de preocupação do contato com situações de risco, em especial, com pacientes soropositivos e, por vezes, em detrimento a outras patologias, cuja fonte de exposição é o risco biológico, físicos e químicos. Após a análise dos estudos foi possível constatar que os profissionais enfermeiros utilizam inadequadamente os EPIS, a não utilização dos equipamentos de proteção individual é ocasionada por falta de conhecimento sobre as consequências do desuso, utilização errada. (RIETH et al., 2014). De acordo com a literatura os enfermeiros enfrentam situações de riscos diariamente em suas atividades de trabalho, principalmente os profissionais que atuam nas unidades voltadas para urgência e emergência. Por se tratar da porta de entrada de pacientes com os mais diversos tipos de doenças e situações externas não diagnosticadas; necessitam de uma maior atenção e cuidados por parte dos profissionais enfermeiros com relação aos cuidados prestadas e a utilização correta dos EPIs para sua proteção individual na assistência direcionada ao paciente atendido (RIETH et al., 2014). É evidente após a analise dos estudos que grande parte dos profissionais negligenciam a utilização dos EPIs nos mais diversos cenários de atuação. Segundo Chagas et al. (2013), dizem que os EPIs são mais utilizados na assistência ao paciente cujo diagnóstico já é conhecido pela equipe, subestimando-se a vulnerabilidade do organismo humano as infecções. Por tanto, diante de tal afirmação e possível identificar que os profissionais enfermeiros estão expostos a inúmeros riscos durante o desenvolvimento de suas funções assistenciais aos pacientes, por tanto para desenvolver um trabalho seguro e Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 13 120 eficaz os enfermeiros precisam aderir rigorosamente ao uso dos EPIs. Diante de todas as observações ao longo dos estudos. Para Martins et al. (2014), o uso do EPI traz benefícios ao próprio trabalhador, aos empregadores, bem como aos pacientes. Podem levar a uma maior produtividade além da diminuição no número de licenças – saúde e redução dos gastos hospitalares com equipamentos e materiais. Ressalta-se que o uso de EPI deve atender às especificidades do procedimento, avaliando o conforto, o tamanho do equipamento e o tipo de risco envolvido, para evitar despesas para a instituição e não interferir na execução correta do procedimento. A não utilização do EPI, quando indicado, pode resultar em prejuízos para todos os envolvidos, atingindo as relações psicossociais, familiares e de trabalho, além de favorecer os acidentes de trabalho. 5 | CONCLUSÃO O presente estudou possibilitou a identificação dos principais fatores de riscos aos profissionais enfermeiros que atuam nos serviços de urgência e emergência; após a analise dos estudos é possível observarmos que os enfermeiros sabem da importância do uso dos EPIs em suas atividades, porém nem sempre utilizam, principalmente quando se trata de situações que necessitam de uma assistência rápida,por falta de tempo. Dessa forma é necessário que sejam adotados atividades por parte das equipes propostas que ajudem a minimizar essa negligencia como: atividades educativas permanente, palestras, rodas de conversas e simulações para sensibilizar os enfermeiros envolvidos, propondo uma atividade educativa de modo a refletir a prática dos profissionais de saúde. 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Faz parte de sua atuação o cuidado direto ao paciente, sendo responsável pela assistência integral. Nesse contexto, o enfermeiro desenvolve funções de liderança, gerenciamento de recursos humanos e materiais, o que exige tomada de decisões rápidas e precisas. Objetivos: O presente estudo tem por objetivo conhecer a produção teórica sobre cargas de trabalho e condições de trabalho dos profissionais enfermeiros na assistência geral na unidade de hemodinâmica. Método: está sendo realizada uma revisão integrativa que inclui artigos científicos da base de dados LILACS (Literatura Latina Americana de Ciências da Saúde), BDENF (Banco de dados de Enfermagem) e SciELO (Scientific eletronic library online) disponíveis na BVS. Resultados: Nesta pesquisa encontramos 28 artigos dentre os anos de 2010 a 2020, dispostos da seguinte forma: 11 LILACS, 7 BDENF e 10 SciELO, dentre estes, 5 apresentavam-se publicados em ambas as bases. Após leitura dos resumos, avaliação e aplicação dos filtros, restaram 5 artigos finais. Até o momento. Conclusão: A monitorização hemodinâmica tem como objetivo primordial alertar precocemente alterações no estado clínico do doente. Contudo, o excesso de falsos alarmes pode levar não só à dessensibilização dos profissionais mas também à interrupção da dinâmica de trabalho. Os enfermeiros, pela sua praxis, são um dos grupos profissionais mais exposto à problemática dos alarmes clínicos, dada a sua ininterrupta atividade alocada ao doente. PALAVRAS-CHAVE: Saúde Do Trabalhador; Enfermagem; Hemodinâmica. EXPOSURE OF OCCUPATIONAL RISKS OF NURSING IN THE HEMODYNAMICS SECTOR: INTEGRATIVE REVIEW ABSTRACT: Introduction: The nurse who works at UHD develops assistance, management, teaching and research activities. Direct care for the patient is part of its performance, being responsible for comprehensive care. In this context, the nurse develops leadership, management of human and material resources, which requires quick and accurate decision making. Objectives: The present study aims to understand the theoretical production on workloads and working conditions of professional nurses in general care in the hemodynamics unit. Method: an integrative review is being carried out that includes scientific articles from the LILACS database (Latin American Literature on Health Sciences), BDENF (Nursing Database) and SciELO (Scientific electronic library online) Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 14 124 available at the VHL. Results: In this research we found 28 articles between the years 2010 to 2020, arranged as follows: 11 LILACS, 7 BDENF and 10 SciELO, among these, 5 were published in both databases. After reading the abstracts, evaluating and applying the filters, 5 final articlesremained. Until now. Conclusion: Hemodynamic monitoring has the primary objective of early warning of changes in the patient’s clinical status. However, the excess of false alarms can lead not only to the desensitization of professionals but also to the interruption of work dynamics. Nurses, due to their praxis, are one of the professional groups most exposed to the problem of clinical alarms, given their uninterrupted activity allocated to the patient. KEYWORDS: Worker’s health; nursing; hemodynamic. 1 | INTRODUÇÃO O trabalho de enfermagem caracteriza-se por ser um trabalho com ações de saúde e atividades diversificadas, consistindo-se em um trabalho decomposto, por tarefas, hierarquizado, sistematizado em trabalhadores por categorias profissionais e atribuições sistematizadas pela “ lei do exercício profissional ” ( Lei n 7.498 de junho de 1988), que determina a execução de atividades consideradas de maior e menor grau de complexidade de acordo com as categorias e o saber dos trabalhadores da equipe de enfermagem ( Decreto Lei n 94.406 de 08 de junho de 1987) , com formação profissional e conhecimentos com saberes teóricos científicos, habilidades técnicas e de prática adquiridos pela experiência profissional e especializações , o que configura um processo de trabalho com a exigência de qualificação, habilidade e destreza, e uma distribuição de atividades em graus de maior e menor apreço organizado de forma hierarquizada de acordo com grau de formação e nível de escolaridade. Assim, o que diferencia o processo de trabalho da equipe de enfermagem em um laboratório de hemodinâmica, e a qualificação profissional especifica como uma exigência ao executar do seu processo de trabalho, os riscos e penalidades com especificidade para a exposição a radiação e a especificidade da dinâmica e organização do seu processo de trabalho, que obedece a uma interatividade de diferentes atividades que se dão de forma simultânea, com dependências entre si e que configuram uma assistência totalizada entre uma equipe única e que executa o seus diversos processos de trabalho, como se fosse, um único processo de trabalho, em que todos os seus componentes são elementos importantes e descrevem uma dinâmica de trabalho , descrevendo assim um processo de trabalho também especial.3 A hemodinâmica pode ser considerado um procedimento com grau III de risco ocupacional, pois é realizado em um setor de alta complexidade e tecnologia, porém se trata de um ambiente fechado, com diversos sons e ruídos oriundo dos equipamentos utilizados, além da grande carga de radiação ionizante e iluminação artificial, sendo assim, considera-se grande o risco para o profissional, que se encontra em evidência à cargas físicas, biológicas, químicas, sem contar nas emocionais e mentais, por estar tratando de Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 14 125 um paciente em perigo iminente e ainda existe a situação de exigir muita dinâmica do profissional, pois o enfermeiro precisar se adaptar às novas tecnologias, pois seu intuito na profissão sempre vai ser auxiliar o paciente e evitar que algo de mais grave ocorra.2 A área da saúde submete o profissional que está atuando à algumas situações de risco, estes que são classificados em graus que podem ser subdivididos em médios e máximos. Por isso, deve-se evidenciar a importância da proteção desse grupo de trabalhadores, tendo em vista a exposição em que se encontram no seu local de trabalho1. Sabemos que cabe às empresas garantir as condições necessárias de trabalho aos seus funcionários, para que estes não se encontrem sob risco de perigo ou dano, e instruí- los a fim de evitar acidentes, entretanto, é preciso analisar como se deve proceder quando os funcionários são profissionais da saúde.2 O presente trabalho refere-se à um estudo sobre os riscos que os profissionais de enfermagem são expostos no setor de hemodinâmica, visto isso, é necessário conceituar o presente. Sendo assim, hemodinâmica é um exame que serve para identificar e diagnosticar possíveis obstruções das artérias coronárias e avaliar o funcionamento do músculo e das válvulas cardíacas, a fim de evitar infartos ou ainda, caso este ocorra, possibilitar a desobstrução do local e para a realização do exame, é necessário a aplicação de anestesia local.3 Embora atualmente já existam diversas tecnologias para a área, muitos avanços científicos e métodos que visem menores riscos ao paciente, o profissional ainda fica exposto à muitos riscos e situações prejudiciais, às vezes, por um tempo muito maior que o estipulado para que não haja prejuízos à sua saúde.4 Mesmo com a disponibilidade de equipamentos para a proteção do profissional, é preciso levar em consideração o tempo em que se deve permanecer utilizando os matérias e o peso destes, pois há uma grande reclamação por parte dos enfermeiros nesse quesito, afirmando que quando há a exposição aos equipamentos de raio X, deve ser utilizado um capote de chumbo e, segundo dados, esse objeto pesa em torno de 40kg, o que agrava ainda mais a situação, ocasionando lesões físicas.5 Visto isso, dar-se a importância da realização e aprofundamento do estudo do presente tema, vez que, por ser considerado, relativamente, novo, sabe-se que a tecnologia irá avançar de forma bastante rápida e, por isso, os profissionais deverão andar em conformidade com esta, a fim de desenvolver maiores conhecimentos na área e estarem preparados para as complexidades dos processos, sempre de modo menos prejudicial possível à sua saúde e de seu paciente.1 2 | MÉTODOS Trata-se de uma Revisão Integrativa de carácter discursivo, onde observamos na literatura os conhecimentos acerca da temática nos últimos dez anos. A revisão integrativa Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 14 126 constitui-se em uma análise criteriosa de várias pesquisas, dar-se pelos seguintes passos: 1- elaboração da pergunta norteadora, 2- busca e amostragem na literatura, 3- análise dos estudos incluídos, 4- discussão dos resultados, 5- consumação da revisão integrativa. Para orientar nossa pesquisa utilizamos a seguinte questão norteadora “ riscos aos quais enfermeiros atuantes estão expostos no setor de hemodinâmica”. A pesquisa foi realizada nos anos de 2010 a 2020, nas seguintes bases de dados, LILACS (Literatura Latina Americana de Ciências da Saúde), BDENF (Banco de dados de Enfermagem) e SciELO (Scientific eletronic library online) disponíveis na BVS. Para levantamento dos artigos empregamos os seguintes descritores: “saúde do trabalhador; enfermagem; hemodinâmica; e enfermagem no Brasil”, cadastrados no DESC (Descritores em saúde). Nesta pesquisa encontramos 28 artigos dentre os anos de 2010 a 2020, dispostos da seguinte forma: 11 LILACS, 7 BDENF e 10 SciELO, dentre estes, 5 apresentavam-se publicados em ambas as bases. Após leitura dos resumos, avaliação e aplicação dos filtros, restaram 5 artigos finais. Os critérios de inclusão que nortearam a pesquisa foram os seguintes: Artigos que tratassem dos profissionais de enfermagem no início de carreira e seus desafios, na modalidade original, em formatos de texto completo, e na língua portuguesa. Os critérios de exclusão condisseram os seguintes: artigos que apresentassem apenas resumos ou que estivessem fora do intervalo dos últimos 10 anos, pautou-se em documentos originais que abordassem os conteúdos relacionados a saúde do trabalhador, unidade de hemodinâmica, fatores de riscos à saúde do trabalhador, função do enfermeiro na unidade de hemodinâmica, processo de trabalho da enfermagem em hemodinâmica, desgastes, cargas de trabalho e fatores de riscos à saúde do trabalhador .Como critérios de exclusão, houve descarte de documentos que não abordam as informações chaves como fonte de pesquisa. 3 | RESULTADOS No quadro abaixo estão representados alguns dos artigos finais com autores, títulos, objetivos, principais resultados e ano de publicação. Queserão atualizados ao decorrer da conclusão do presente trabalho; pois trata-se de uma síntese dos resultados mais relevantes para esta pesquisa. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 14 127 AUTORES TÍTULO E OBJETIVOS PRINCIPAIS RESULTADOS ANO SCHMOELLER, Roseli; TRINDADE, Letícia de Lima; NEIS, Márcia Binder; GELBECK, Francine Lima; PIRES, Denise Elvira Pires. 1 Cargas de trabalho e condições de trabalho da enfermagem: revisão integrativa. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 32, n. 2, p. 368-377 O protocolo de pesquisa aplicado aos 27 estudos selecionados permitiu identificar que 12 (44,4%) são artigos em periódicos e 15 (55,5%) são produções de programas de Pós-Graduação, entre dissertações (dez) e teses (cinco) 2011 GALO, Ana Rita Loureiro; DIOGO, Catarina Alexandra Souto; CIPRIANO, Diana Nogueira; ARAÚJO, Isabel; MARTINS, Júlia Mariza Bento; CUNHA, Lara Daniela Matos.2 Comportamentos dos enfermeiros perante os alarmes clínicos em Unidades de Cuidados Intensivos: uma revisão integrativa. Revista de Enfermagem Referência, n. 11, p. 105-112 A apresentação dos artigos científicos selecionados foi delineada com o intuito de organizar as evidências produzidas. Os resultados apresentam- se categorizados por dados referentes ao artigo, tipo de estudo, instrumento de colheita de dados, participantes, objetivos gerais e conclusões major. Os artigos foram organizados com base no ano de publicação, no sentido de evidenciar os mais recentes. 2013 SANTOS, Paula Raquel dos3 Estudo do processo de trabalho da enfermagem em hemodinâmica: desgastes, cargas de trabalho e fatores de riscos à saúde do trabalhador. Com base nos objetivos do estudo foram estabelecidas as seguintes categorias gerais: Avaliação Clinica do Enfermeiro ao Paciente em Monitorização Hemodinâmica e Processo Coletivo de Criação do Protocolo. 2001 VENTURI, Viviane; VIANA, Cidicléia Pereira; MAIA, Luiz Faustino dos Santos; BASÍLIO, Maria Jesuela; OLIVEIRA, Andréia Avelino, SOBRINHO, Josiane Carlos; MELO, Roberto da Silva Ferreira;4 O papel do enfermeiro no manejo da monitorização hemodinâmica em unidade de terapia intensiva. Revista Recien-Revista Científica de Enfermagem, v. 6, n. 17, p. 19-23, Mostrar a importância do enfermeiro frente a monitorização hemodinâmica em unidade de terapia intensiva. 2016 CORDEIRO, Sarah Maria Melo; DA SILVA, Grazielle Roberta Freitas; LUZ, Maria Helena Barros Araujo.5 Pacientes em unidade de hemodinâmica: aplicabilidade da teoria humanística. Revista Rede de Cuidados em Saúde, v. 9, n. 1, Refletir criticamente acerca da possibilidade de aplicação da teoria da prática humanística de Paterson e Zderad, na assistência de enfermagem aos pacientes submetidos ao setor de hemodinâmica. 2015 Girlene da costa 6 Atuação do enfermeiro no serviço de hemodinâmica: uma revisão integrativa As unidades contam com enfermeiros altamente satisfeitos e capacitados para que gerenciar seu processo de trabalho, e para desenvolver suas competências, assim como as dos demais membros da equipe. 2014 4 | DISCUSSÃO A enfermagem é uma das dez profissões da área de saúde que contribui para a o bom desempenho e assistência de qualidade e a força de trabalho no setor de saúde no País. Atualmente, a maioria desses profissionais desenvolvem múltiplas atividades, com o gerenciamento de dupla jornada entre vida pessoal e profissional, o que pode favorecer o desgaste e o consequente estresse. As medidas descritivas para as variáveis como idade, tempo de formação e tempo de trabalho dos enfermeiros em UHD, estão diretamente ligados entre execução e Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 14 128 excelência. O avanço crescente das Unidades de Hemodinâmica tem favorecido a inserção do enfermeiro neste mercado de trabalho, que é considerado setor de alta complexidade, exigindo dos enfermeiros habilidades e competências. A atuação do enfermeiro em unidade de hemodinâmica exige conhecimento complexo. Para que esse profissional desempenhe suas funções com versatilidade e qualidade da assistência ao paciente, o mesmo necessita de experiências, atualizações constantes, e desenvolvimento de conhecimentos e habilidades específicas para área, salientando-se assim a necessidade de aperfeiçoamento constante (LINCH et al., 2009). Nesse sentido, de acordo com a portaria SAS/MS nº 123 de 28/02/05, a equipe de Unidades de Assistência em Alta Complexidade Cardiovascular, entre elas, unidades de hemodinâmica devem contar com um enfermeiro coordenador, com Especialização em Cardiologia ou com certificado de Residência em Cardiologia reconhecido pelo MEC ou com título de Especialista em Enfermagem Cardiovascular, reconhecido pelas Sociedade Brasileira de Enfermagem Cardiovascular-SOBENC. Sobre a necessidade de conhecimentos específicos para o enfermeiro realizar prática assistencial em UHD, Vieira et al., (2009) traz para discussão o fato de que a maioria dos cursos de graduação em enfermagem não contempla, em sua grade curricular, conhecimentos mais profundos sobre radiologia, porém para o bom funcionamento dos serviços de angiografia e hemodinâmica, o enfermeiro hemodinamicista precisa ter conhecimentos básicos sobre essa especialidade, incluindo direitos e deveres desses profissionais. Essa afirmativa reforça a ideia de que para atuar nessa área o enfermeiro precisa realizar cursos (ex. pós-graduação Latu senso) que o instrumentalizem para tal. 5 | CONCLUSÃO A monitorização hemodinâmica tem como objetivo primordial alertar precocemente alterações no estado clínico do doente. Contudo, o excesso de falsos alarmes pode levar não só à dessensibilização dos profissionais mas também à interrupção da dinâmica de trabalho. Os enfermeiros, pela sua práxis, são um dos grupos profissionais mais exposto à problemática dos alarmes clínicos, dada a sua ininterrupta atividade alocada ao doente. Com base na pesquisa efetuada, constatamos que os profissionais de saúde têm presente a bipolaridade dos alarmes clínicos. Se por um lado estes podem ser aliados ao seu desempenho, por outro podem ser condicionantes à sua prestação de cuidados. Os profissionais identificam limitações na sua gestão e sugerem diversas estratégias passíveis de implementar. Verificamos que o comportamento dos profissionais de saúde perante os alarmes clínicos nos estudos encontrados não é linear. Os comportamentos adotados variam entre alterar os parâmetros no início de cada turno até ignorar uma grande maioria deles. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 14 129 Em paralelo, na nossa prática diária, observamos que não existe um modo coletivo de atuação. Cada indivíduo tem dinâmicas e saberes próprios, agindo em conformidade com os mesmos. Correlaciona-se, ainda, com as circunstâncias intrínsecas a cada situação, tais como o número de elementos da equipa, o número de falsos alarmes, stresse profissional, entre outros. Tal facto pode estar relacionado com uma cultura de prestação de cuidados de enfermagem pouco sensibilizada e com a escassez de investigações acerca desta temática na atualidade portuguesa. É impreterível que haja um reconhecimento institucional no que concerne à complexidade da gestão dos alarmes, mobilizando os recursos necessários para a melhoria do ambiente em UCI. O presente estudo carece de trabalhos de investigação relacionados com a temática explorada, pelo que acreditamos que esta consiste numa das limitações da nossa revisão sistemática da literatura. Por outro lado a escolha dos descritores, das bases de dados e dos idiomas para a realização da pesquisa podem ter condicionado os resultados obtidos. REFERÊNCIAS SCHMOELLER, Roseli; TRINDADE, Letícia de Lima; NEIS, Márcia Binder; GELBECK, Francine Lima; PIRES, Denise Elvira Pires. Cargas de trabalho e condições de trabalho da enfermagem: revisão integrativa. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 32, n.2, p. 368-377, 2011. GALO, Ana Rita Loureiro; DIOGO, Catarina Alexandra Souto; CIPRIANO, Diana Nogueira; ARAÚJO, Isabel; MARTINS, Júlia Mariza Bento; CUNHA, Lara Daniela Matos. Comportamentos dos enfermeiros perante os alarmes clínicos em Unidades de Cuidados Intensivos: uma revisão integrativa. Revista de Enfermagem Referência, n. 11, p. 105-112, 2013. SANTOS, Paula Raquel dos. Estudo do processo de trabalho da enfermagem em hemodinâmica: desgastes, cargas de trabalho e fatores de riscos à saúde do trabalhador. 2001. 145 f. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública) - Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2001. VENTURI, Viviane; VIANA, Cidicléia Pereira; MAIA, Luiz Faustino dos Santos; BASÍLIO, Maria Jesuela; OLIVEIRA, Andréia Avelino, SOBRINHO, Josiane Carlos; MELO, Roberto da Silva Ferreira; O papel do enfermeiro no manejo da monitorização hemodinâmica em unidade de terapia intensiva. Revista Recien-Revista Científica de Enfermagem, v. 6, n. 17, p. 19-23, 2016. CORDEIRO, Sarah Maria Melo; DA SILVA, Grazielle Roberta Freitas; LUZ, Maria Helena Barros Araujo. Pacientes em unidade de hemodinâmica: aplicabilidade da teoria humanística. Revista Rede de Cuidados em Saúde, v. 9, n. 1, 2015. Girlene Ribeiro da Costa, Saraí de Brito Cardoso, Luciane Leal Sousa, Thiego Ramon Soares, Adriana Kelly, Almeida Ferreira, Francielzo Ferreira Lima. Atuação do enfermeiro no serviço de hemodinâmica: uma revisão integrativa. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 15 130 Data de aceite: 22/01/2021 CAPÍTULO 15 doi CAPACITAÇÃO A DISTÂNCIA PARA COMUNICAÇÃO DE ACIDENTES DE TRABALHO DO SERVIDOR: A EXPERIÊNCIA DA SES-MT Data de submissão: 06/11/2020 Janete Silva Porto Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso Cuiabá – MT https://orcid.org/0000-0003-2927-8172 http://lattes.cnpq.br/2483798819425987 Ana Carolina Pereira Luiz Soares Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso Cuiabá – MT Liris Madalena Moersehbaecher Werle de Lemos Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso Cuiabá – MT Márcia Regina de Deus Rocha Arcanjo Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso Cuiabá – MT RESUMO: Introdução: os acidentes de trabalho representam um sério problema de saúde pública, sendo os serviços de saúde responsáveis por parte significativa das estatísticas. Objetivo: capacitar os servidores da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) para a notificação dos acidentes de trabalho por meio do formulário “Comunicação de Acidentes e Agravos à Saúde do Servidor (CASS)”. Método: curso estruturado em três módulos, com total de 40 horas, formatado na plataforma Moodle, para membros das Comissões Locais de Segurança no Trabalho (CLST) e profissionais de recursos humanos; contou com atividades avaliativas teóricas e práticas. Resultados: 63 inscritos; oito não acessaram a plataforma; 55 acessaram e 42 concluíram o curso; a maioria mulheres, média de idade 44,6 anos, atendidas 28 unidades e 16 municípios; média final 87,5, evasão de 23,6%. Discussões: a evasão nos cursos EaD é esperada, neste a porcentagem foi de 23,6%. Para Bittencourt e Mercado (2014) varia entre 40 e 70%. Diversos fatores podem contribuir para a evasão (Almeida et al, 2013). O desempenho dos alunos foi superior ao estabelecido no projeto. Considerações Finais: a modalidade EaD mostrou-se uma alternativa viável e foi além do preenchimento do formulário, agregando conhecimentos e habilidades sobre vários aspectos da saúde do trabalhador. A média final pode ser um indicador de que o objetivo do projeto foi alcançado. Recomendações: o curso está sendo remodelado, para o desenho auto instrucional, de modo a ampliar a oferta para todo o público da SES-MT, uma vez que todos os trabalhadores estão expostos aos riscos de acidentes e podem contribuir com a notificação. PALAVRAS-CHAVE: Educação a distância. Notificação de acidentes de trabalho. Saúde do Trabalhador. DISTANCE TRAINING FOR COMMUNICATION OF SERVER WORK ACCIDENTS: THE SES-MT EXPERIENCE ABSTRACT: Introduction: accidents at work represent a serious public health problem, with health services have been responsible for a significant part of the statistics. Objective: to train the employees of the Mato Grosso State https://orcid.org/0000-0003-2927-8172 http://lattes.cnpq.br/2483798819425987 Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 15 131 Secretariat of Health (SES-MT) for the notification of occupational accidents through the form “Communication of Accidents and Health Problems of the Server (CASS)”. Method: course structured in three modules, totaling 40 hours, formatted on the Moodle platform, for members of the Local Workplace Safety Commissions (CLST) and human resources professionals; included theoretical and practical evaluative activities. Results: 63 registered; eight did not access the platform; 55 accessed and 42 completed the course; most women, average age 44.6 years, attended 28 units and 16 municipalities; final average 87.5, evasion of 23.6%. Discussions: dropout in distance education courses is expected, in this case the percentage was 23.6%. For Bittencourt and Mercado (2014) it varies between 40 and 70%. Several factors can contribute to evasion (Almeida et al, 2013). The students’ performance was superior to that established in the project. Final considerations: the distance learning modality proved to be a viable alternative and went beyond filling in the form, adding knowledge and skills on various aspects of worker health. The final average can be an indicator that the objective of the project has been achieved. Recommendations: the course is being remodeled, for self-instructional design, in order to expand the offer to the entire public of SES-MT, since all workers are exposed to the risks of accidents and can contribute to the notification. KEYWORDS: Education, distance. Occupational Accidents Registry. Occupational health. 1 | INTRODUÇÃO Segundo a Organização Internacional do Trabalho, acidente do trabalho é todo acontecimento inesperado e imprevisto, incluindo atos de violência, derivado do trabalho ou com ele relacionado, do qual resulta uma lesão corporal, uma doença ou a morte de um ou vários trabalhadores (OIT, 1998). De acordo com a legislação brasileira, art. 19 da Lei nº 8.213/91, “acidente de trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho”. Diante da ocorrência do acidente, sendo o mesmo caracterizado como decorrente do trabalho, deve ser registrado e monitorado. Existem diversos meios de se efetuar o registro dos acidentes de trabalho, estabelecidos na legislação, em cada esfera do serviço público e na iniciativa privada. No estado de Mato Grosso a notificação está pautada no Manual de Saúde e Segurança no Trabalho para os Servidores da Administração Direta, Autárquica e Fundacional do Poder Executivo do Estado de Mato Grosso instituído em 2016, tendo como instrumento de registro o formulário “Comunicação de Acidentes e Agravos à Saúde do Servidor (CASS)”. Dados dos relatórios internos da SES-MT, no período de 2008 a 2017 foram registrados 499 acidentes de trabalho envolvendo servidores efetivos e contratados Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 15 132 temporários. Apesar de mostrar-se um número expressivo, não revela a real magnitude do problema, pois há subnotificação dos casos. Segundo Oliveira et al (2015) a subnotificação se revela uma questão de ordem universal, que vem sendo amplamente discutida, principalmente por ocultar a realidade e assim, dificultar as ações preventivas. Diversos estudos corroboram esta afirmação e apontam uma diversidade de fatorescomo motivadores da subnotificação dos acidentes (DIAS FERREIRA et al, 2015; VALIM et al, 2014), entre eles as dificuldades no preenchimento do formulário e envio para a instância pertinente, impossibilitando a conclusão do registro dos acidentes; escassez de conhecimento dos profissionais de saúde acerca dos acidentes de trabalho, incluindo as condutas pós exposição (LIMA, et al 2018). Neste sentido, o desenvolvimento de ações de educação permanente é o caminho para reduzir a subnotificação e prevenir novas ocorrências. Afinal, os ambientes de trabalho, de maneira geral, oferecem riscos à saúde e segurança dos trabalhadores e precisam ser mitigados ou eliminados, prioritariamente, com a participação do trabalhador, envolvendo-o nas ações de melhoria dos processos de trabalho, no cumprimento das normas de saúde e segurança, o que implica na compreensão sobre os riscos e as formas de prevenção, por meio da adoção de comportamentos seguros e saudáveis no ambiente de trabalho. Até meados de 2018 este momento, as capacitações na SES-MT, de maneira geral, vinham sendo realizadas na modalidade presencial, limitando a oferta dos cursos. Fato decorrente principalmente das dificuldades financeiras e logísticas para deslocar os servidores para a capital ou a equipe para as unidades do interior; dificuldades de liberação dos servidores de algumas unidades devido insuficiência de recursos humanos para cobrir as ausências; equipe técnica insuficiente para realização das capacitações conforme a demanda. Devido a capilaridade da instituição que está inserida em diversas e longínquas localidades do estado e as dificuldades acima apontadas surgiu a ideia de introduzir a modalidade a distância buscando suprir tal necessidade. A Educação a Distância (EaD) apresenta inúmeras vantagens para o processo de ensino aprendizagem, principalmente por alcançar um público expressivo, em diversos locais, além de incorporar recursos tecnológicos que enriquecem o processo, entre outras (SILVA et al, 2018). Apresenta-se como uma alternativa vantajosa e viável, didática, operacional e financeiramente, principalmente por possibilitar ampla abrangência geográfica, redução importante nos custos com logística se comparado ao curso presencial, manutenção da qualidade do conteúdo ou superior (pode ser aperfeiçoada pela diversidade de recursos tecnológicos disponíveis), de forma dinâmica, acessível, interativa, inovadora e permanente. Silva et al (2018) enfatizam estas características da modalidade EaD como a Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 15 133 apropriação de meios tecnológicos para a conexão entre tutor e discente no processo de ensino aprendizagem, produzindo a interatividade dos participantes com um ambiente de comunicação virtual utilizando diversas ferramentas que facilitam a aprendizagem. Finalizando, a Educação a Distância (EaD) apresenta-se como uma ferramenta com inúmeras vantagens para o processo de ensino aprendizagem, principalmente por alcançar um público expressivo, independentemente da localização geográfica, além de incorporar recursos tecnológicos que enriquecem o processo. Desta forma, a EaD foi adotada na perspectiva de levar ao trabalhador o conhecimento necessário para efetuar o registro dos acidentes de trabalho, reconhecer os riscos ambientais e ao mesmo tempo prevenir os agravos à saúde e segurança no ambiente laboral. Buscou-se com o conteúdo do curso oportunizar ao aluno ampliar o olhar para além da questão técnica da notificação dos acidentes de trabalho, englobando conceitos da saúde do trabalhador, legislação trabalhista, riscos ocupacionais, conceitos, características, estatísticas, com atividades práticas de notificação de acidentes de trabalho (típico, de trajeto e doença do trabalho). 2 | OBJETIVO GERAL Capacitar os servidores lotados nos setores de Gestão de Pessoas de todas as Unidades da SES-MT para a notificação dos acidentes de trabalho por meio do formulário “Comunicação de Acidentes e Agravos à Saúde do Servidor (CASS)”. 2.1 Objetivos específicos a. Oportunizar o conhecimento das legislações de saúde e segurança no trabalho; b. Oferecer subsídios teóricos e práticos para caracterização e mapeamento dos riscos ambientais nos locais de trabalho; c. Oferecer subsídios teóricos e práticos sobre os acidentes de trabalho em todos os seus aspectos, com foco na Comunicação de Acidentes e Agravos à Saúde do Servidor (CASS) como instrumento de registro. 3 | MÉTODO Para concretização desta iniciativa estabeleceu-se uma parceria entre a Superintendência de Gestão de Pessoas e a Escola de Saúde Pública de Mato Grosso. A primeira, por meio, dos técnicos da Gerência de Saúde e Segurança, a qual disponibilizou os profissionais para construção e execução do projeto, inclusive a tutoria e, a segunda que, disponibilizou os serviços de assessoria técnica e modelagem do curso na plataforma moodle. Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 15 134 As etapas de desenvolvimento do projeto foram: 1. Construção do projeto: março a maio/2018; 2. Elaboração e sistematização dos conteúdos: abril a junho/2018; 3. Modelagem do curso na plataforma Moodle: junho a julho/2018; 4. Treinamento das tutoras: julho/2018; 5. Execução do curso: agosto a outubro/2018; 6. Avaliação do curso: outubro/2018; 7. Elaboração do relatório final: outubro a novembro/2018. O curso foi construído com três módulos, totalizando 40 horas, sendo: Módulo I – saúde do trabalhador; Módulo II – Riscos Ocupacionais; Módulo III – Acidentes de Trabalho. Todos os módulos contaram com texto base, textos complementares, vídeos educativos e atividades avaliativas, sendo: fórum de discussão e de avaliação, levantamento de riscos ambientais na unidade com upload do arquivo na plataforma e notificação de acidentes também com upload do arquivo na plataforma. Realizado no período de agosto a outubro de 2018, em ambiente totalmente virtual, com a tutoria de sete profissionais, teve como público alvo os membros das Comissões Locais de Saúde do Trabalhador (CLSTs) e profissionais de recursos humanos. Como parâmetros de avaliação adotou-se a pontuação de 0,00 – 100,0 e a nota mínima para obtenção do certificado de 80,0 em cada atividade proposta. Para operacionalização do curso foram utilizados os recursos humanos próprios da SES-MT, assim como os recursos materiais e tecnológicos, não havendo desembolso direto para a iniciativa. Para divulgação foram utilizadas várias estratégias: envio de documento oficial aos gestores das unidades; banner digital via e-mail e WhatsApp; e contatos telefônicos. As inscrições foram realizadas por meio de formulário na plataforma googleforms desenvolvido pela equipe de tutoras. A avaliação foi realizada por meio de formulário na plataforma googleforms, desenvolvido pela equipe de moderadoras, disponibilizado pelo link https://goo.gl/forms/ N777b3uRJ70nrAoB3 na plataforma do curso e enviado por e-mail para todos os inscritos, independente de terem concluído ou não a capacitação. Os dados foram agrupados pelos tópicos: módulo I, II e III, plataforma, mediação/tutoria, aspectos gerais. 4 | RESULTADOS Do total de 63 servidores que se inscreveram, oito não acessaram a plataforma. Dos 55 que acessaram, 42 concluíram o curso. Considerando o total de 42 que concluíram 73,8% são mulheres e 26,2% são Gerenciamento de Serviços de Saúde e Enfermagem Capítulo 15 135 homens, com média de idade de 44,6 anos. Foram atendidas 28 unidades de 16 municípios do estado (capital e interior). Quanto a categoria profissional, quase a metade (45,2%) corresponde aos assistentes administrativos, seguidos de 7,1% com formação superior em administração e, os demais se distribuem entre as categorias profissionais técnico-assistenciais. Em relação a situação funcional 11,9% exercem cargo comissionado, o cargo nível médio representa 35,7% dos alunos, seguidos de 31,0% do cargo nível superior, profissionais