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DESCRIÇÃO
A aplicação dos conhecimentos da Microbiologia e da Gené�ca como ferramenta cien�fica para a
elucidação de diversas inves�gações forenses.
PROPÓSITO
Compreender a importância e a aplicabilidade dos conhecimentos cien�ficos próprios da Microbiologia
e da Gené�ca enquanto ferramenta para a solução de problemas forenses é importante para a sua
formação, pois permi�rá sua atuação em uma a�vidade de muita relevância para a sociedade.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Reconhecer a aplicação da Microbiologia em inves�gações forenses
MÓDULO 2
Jus�ficar a importância da Gené�ca na solução de crimes
MÓDULO 3
Dis�nguir a aplicação da Gené�ca nos exames de paternidade/maternidade
MÓDULO 4
Iden�ficar os limites da Gené�ca como ferramenta principal ou coadjuvante em desastres com múl�plas
ví�mas fatais
INTRODUÇÃO
Trataremos de dois assuntos arrebatadores que são a Microbiologia Forense e a Gené�ca Forense. Ao
estudarem esses assuntos, vocês perceberão como o desenvolvimento do conhecimento cien�fico e das
tecnologias aplicadas às ciências é capaz de trazer novas perspec�vas para a segurança da população.
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 1. A Gené�ca e a Microbiologia Forense podem ser instrumentos para a elucidação de crimes.
A APLICAÇÃO DA MICROBIOLOGIA, ENQUANTO DISCIPLINA FORENSE,
TEM POUCO TEMPO, CERCA DE 15 ANOS. PORÉM, ESSA DISCIPLINA SE
TORNOU TÃO IMPORTANTE NO MUNDO ATUAL QUE NÃO APENAS PODE
AJUDAR AS AUTORIDADES A RESOLVER UM CRIME, COMO TAMBÉM
PODE COLABORAR PARA QUE A POPULAÇÃO SEJA DEVIDAMENTE
PROTEGIDA DO USO INESCRUPULOSO DE MICRORGANISMOS COMO
ARMA.
A par�r de agora, vocês serão apresentados a uma série de conceitos e referências técnicas importantes
para a atuação nessa área.
Durante os estudos sobre Gené�ca Forense, trataremos de três áreas de aplicação da tecnologia do
DNA, quais sejam, inves�gações criminosas, testes de paternidade e iden�ficação de ví�mas em
desastres, com os conceitos e as técnicas per�nentes ao assunto.
Esperamos que vocês apreciem e compreendam a relevância desses assuntos para a sociedade.
MÓDULO 1
 Reconhecer a aplicação da Microbiologia em inves�gações forenses
MICROBIOLOGIA APLICADA ÀS INVESTIGAÇÕES
FORENSES
A Microbiologia Forense é uma disciplina que usa os conhecimentos da Microbiologia para responder a
uma inves�gação. Não há dúvidas que vocês já sabem que a Microbiologia se trata de uma ciência que
estuda os microrganismos.
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 2. A Microbiologia Forense trata das técnicas de Microbiologia aplicadas à inves�gação
criminal.
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 3. Entre os microrganismos, podem ser citados: bactérias, fungos, vírus e protozoários.
Por certo, ao longo de todos esses anos, a Microbiologia evoluiu muito, sendo considerada uma
disciplina essencial da área de saúde.
Mas, então, como ela foi parar no campo Forense?
Infelizmente, do mesmo modo que as ciências evoluem, as ações de delinquência também. Por isso, há
cerca de 15 anos, de maneira sistemá�ca, a Microbiologia passou a integrar o grupo das ciências
forenses e a ajudar a elucidar ações terroristas, o chamado bioterrorismo, e outros biocrimes.
 VOCÊ SABIA
Logo após o início da Primeira Guerra Mundial, a Alemanha lançou uma campanha de sabotagem
biológica contra Estados Unidos, Rússia, Romênia e França. Em 1915, um alemão chamado Anton Dilger
foi enviado aos Estados Unidos carregando culturas de mormo, uma doença virulenta de cavalos e
mulas. Dilger montou um laboratório em sua casa em Chevy Chase, Maryland. Ele usou es�vadores
trabalhando nas docas em Bal�more para infectar cavalos com mormo enquanto eles esperavam para
serem embarcados para a Grã-Bretanha. Dilger era suspeito de ser um agente alemão, mas nunca foi
preso. Ele acabou fugindo para Madrid, Espanha, onde morreu durante a pandemia de influenza de
1918. Em 1916, os russos prenderam um agente alemão com intenções semelhantes. A Alemanha e os
seus aliados infectaram cavalos de cavalaria francesa e muitas mulas e cavalos da Rússia na Frente
Oriental. Essas ações dificultaram os movimentos de ar�lharia e tropas, bem como os comboios de
suprimentos.
Fonte: Wikimedia.
Antes, façamos uma breve análise sobre novas doenças e a possibilidade de propagação dessas doenças
com a intenção de causar danos.
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 4.
DOENÇA INTENCIONAL: UMA ARMA COMO
OUTRA QUALQUER
Surtos de doenças infecciosas representam um constante risco para a saúde global. Quem não sabe
disso? 2020 vai entrar para a História da Humanidade como o ano em que o mundo contemporâneo
parou por causa de uma doença infectocontagiosa.
 Figura 5.
 
Fonte: Shu�erstock.com
 
Fonte: Shu�erstock.com
De modo geral, novas epidemias surgem devido a fatores climatológicos ou geográficos. Quem nunca
ouviu falar na varíola? Às vezes, entretanto, a interferência humana na natureza influencia a
disseminação de doenças.
 Figura 6. Os seres humanos podem influenciar na disseminação de doenças, como a varíola.
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VARÍOLA
A varíola é uma doença exantemá�ca causada pelo Poxvirus variolae, que, do século X ao século
XX, foi responsável por vários surtos epidemiológicos e ocasionou milhares de mortes em todo
mundo. A origem da varíola é muito controversa, mas os primeiros casos que se tem no�cias
ocorreram a par�r do século IV, no Egito, Mesopotâmia, Índia e China. Entre os séculos XI e XV, a
varíola a�ngiu pra�camente toda a Europa. Por volta do ano de 1.500, a varíola já estava
disseminada pelo mundo.
O primeiro caso da varíola no con�nente americano data de 1507 e ocorreu na ilha de Hispaniola
(atual República Dominicana e Tai�), dizimando metade da população residente. Importada da
Espanha, a disseminação da doença por aqui teve franca relação com o tráfico de escravos. Em
todo o con�nente, os povos na�vos foram duramente a�ngidos, inclusive com a ex�nção de
alguns deles.
Algumas zoonoses, por exemplo, saltam para um hospedeiro humano porque o habitat da floresta
tropical de ex-hospedeiros animais é reduzido. O desmatamento de áreas montanhosas pode ocasionar
inundação de áreas povoadas, levando, indiretamente, a surtos de cólera e de outras doenças
infecciosas.
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 7. Cena de uma guerra medieval, na qual catapultas eram usadas.
HOJE, O USO DE ARMAS BIOLÓGICAS FAZ PARTE DE POLÍTICAS
GOVERNAMENTAIS, ASSIM COMO, SERVE DE MEIO DE AÇÃO
PARA CRIMINOSOS E GRUPOS TERRORISTAS. EMBORA, ATÉ
AGORA, EPISÓDIOS DESTA NATUREZA SEJAM ESPORÁDICOS,
NÃO HÁ DÚVIDA DE QUE O USO DELIBERADO DE AGENTES
BIOLÓGICOS É UMA AMEAÇA REAL E REPRESENTA UM RISCO
POTENCIALMENTE ALTO. ESSE ASSUNTO É TÃO ATUAL QUE JÁ
SÃO AVENTADOS REGULAMENTOS INTERNACIONAIS MAIS
SEVEROS, ESTRATÉGIAS DE DETECÇÃO PRECOCE E ATIVIDADES
PREVENTIVAS INTEGRADAS E COORDENADAS GLOBALMENTE.
REGULAMENTOS INTERNACIONAIS
Em 1925, foi assinado o Protocolo de Genebra, proibindo, em caso de guerras, o uso de gases
asfixiantes, venenosos e similares, bem como de métodos bacteriológicos. Posteriormente, em
1967, por meio da Resolução 2162 B (XXI), a Organização das Nações Unidas ra�ficou a proibição.
No entanto, as nações não têm se mostrado muito afeitas a cumprir com esta regra, desde seu
surgimento no início do século XIX. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha Nazista usou
gases tóxicos para exterminar judeus nos campos de concentração.
ARMAS BIOLÓGICAS
Segundo a Organização Mundial de Saúde, as armas biológicas alcançam seus alvos pretendidos por
meio da transmissão de microrganismos causadores de doenças e outras en�dades, incluindo bactérias,
fungos, toxinas, vírus, ácidos nucleicos infecciosos e príons.
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Fonte: EnsineMe.
 Figura 8. No Campo de Concentração de Dachau, próximo à cidade de Munique, na Alemanha, mais
de 30.000 pessoas foram assassinadas, muitas das quais com o uso de gases tóxicos.
 ATENÇÃO
Outro aspecto a se pensar com relação a esse �po de arma é que o uso de microrganismos como armas
biológicasnão visa apenas matar ou incapacitar a espécie humana, mas também destruir plantações e
gado.
O USO DE MICRORGANISMOS COMO ARMAS
BIOLÓGICAS
Notem que os microrganismos podem ser tão mortais que, ainda que não sejam efe�vamente
usados como armas pelos exércitos, em época de guerra, acabavam levando a óbito mais soldados
do que a própria batalha em si.
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Dados americanos sobre a admissão de soldados em hospitais em razão de sintomas ocasionados
por doenças infectocontagiosas são alarmantes e deixam claro o potencial do uso de
microrganismos em guerras.
• Na Segunda Guerra Mundial: 95% dos soldados americanos saíam de combate e iam parar nos
hospitais em razão de doenças infectocontagiosas (percebam que somente 5% dos pacientes que
davam entrada nos hospitais apresentavam ferimentos de guerra). 
• Na Guerra da Coreia, em 1950, o número de soldados americanos incapacitados de combater
por causa de doenças infectocontagiosas foi em torno de 82%. 
• Na Guerra do Vietnã, só a malária �rou entre 56% a 75% dos soldados de combate, conforme à
época.
 
Fonte: Shu�erstock.com
Em 1972, 170 países assinaram a Convenção sobre as Armas Químicas e Biológicas, comprometendo-se
a não desenvolver, produzir e armazenar esse �po de armamento em seus territórios. Como a
convenção internacional não previu nenhum �po de fiscalização e considerando que um país consegue,
facilmente, esconder um programa de armamento biológico “sob o tapete da sua casa”, o mundo não é
um lugar seguro.
 Figura 9. A Organização Mundial de Saúde iden�ficou o uso de armas químicas e biológicas na
Guerra do Vietnã e na Guerra Fria.
BIOTERRORISMO
O bioterrorismo é a disseminação deliberada de vírus, bactérias ou outros agentes com a intenção de
causar doenças ou morte em pessoas, animais ou plantas, e, também, de contaminar prédios e locais
públicos. Ações bioterroristas têm por obje�vo causar terror, perturbação social ou perdas econômicas,
e são mo�vadas por crenças ideológicas, religiosas ou polí�cas. É o que chamamos do “modo de agir do
faná�co”.
 
Fonte: Shu�erstock.com
O fana�smo, seja ele religioso, polí�co ou ideológico, é muito prejudicial, pois indica que a pessoa aderiu
cegamente a um sistema ou doutrina de forma obsessiva e apaixonada. Em situações em que a pessoa
perde contato com a razão, pode cometer ações de intolerância extremadas.
 Figura 10.
Percebam que dada a necessidade de operar sem chamar a atenção e com meios rela�vamente
limitados, os bioterroristas, por sorte da humanidade, encontram dificuldades para desenvolver,
construir e realizar um ataque biológico em grande escala bem-sucedido. Por outro lado, o sucesso da
maioria deles provavelmente será definido pela quan�dade de perturbação social e pânico, e não
necessariamente pelo número de ví�mas. Assim, adoecer apenas alguns indivíduos com o uso de
métodos rudes pode ser suficiente, desde que crie o impacto pretendido.
 COMENTÁRIO
É sempre bom lembrarmos que, do mesmo modo que a ciência do bem avança, aquela que causa dor,
sofrimento e pânico avança junto.
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos, considera que, com relação ao
potencial de ameaça à saúde e à segurança, existem três grupos de agentes biológicos:
AQUELES QUE AFETAM APENAS OS SERES HUMANOS.
AQUELES QUE AFETAM APENAS A AGRICULTURA E A PECUÁRIA.
AQUELES QUE AFETAM OS SERES HUMANOS, A AGRICULTURA E
A PECUÁRIA.
PREPARAÇÃO DO RIO DE JANEIRO PARA
ENFRENTAR EVENTUAIS AÇÕES BIOTERRORISTAS
NOS JOGOS OLÍMPICOS DE 2016
O CDC estabelece, ainda, três categorias de patógenos para fins de bioterrorismo, conforme mostrado
no quadro abaixo: Tabela: Categorias dos agentes biológicos de acordo com a potencialidade para
u�lização enquanto arma biológica. Fonte: CDC, 2014 apud Rambauske, 2014.
 
Fonte: EnsineMe.
BIOCRIME
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 11. Os biocrimes não são mo�vados por crenças.
A diferença entre biocrime e bioterrorismo está apenas na ação mo�vadora.
BIOTERRORISMO
O que move um terrorista são suas crenças, sejam elas polí�cas, religiosas ou ideológicas.

BIOCRIME
O criminoso faz uso de agentes biológicos para matar ou incapacitar, desde um único indivíduo até um
grupo de pessoas, mo�vado por vingança, ganância, poder ou qualquer outra razão, que não seja
crença.
 ATENÇÃO
No tocante aos crimes, de modo geral, a diferença entre eles e o biocrime é que, no biocrime, a arma
escolhida pelo criminoso para pra�car sua ação delituosa é um patógeno ou toxina.
No Brasil, ainda não há nenhuma exigência legal a ser tomada por médicos quando há suspeita que
uma pessoa foi ví�ma de um ataque biológico, como já há, por exemplo, para crianças supostamente
abusadas sexualmente ou em caso de indivíduos feridos por arma de fogo. Nessas situações, o serviço
médico deve comunicar o fato às autoridades policiais. Nos Estados Unidos, no entanto, isso já é uma
obrigação. Assim, naquele país, caso o serviço médico suspeite da ocorrência de intoxicações e
infecções ocasionadas por patógenos com potencial para ser usado como arma biológica, deve,
imediatamente, comunicar às autoridades policiais.
COMUNICAR ÀS AUTORIDADES POLICIAIS
Situações observadas nos serviços de saúde americano que devem ser, imediatamente,
comunicadas às autoridades legais:
• Casos de doença, normalmente, não observados na área geográfica. 
• Distribuição incomum de casos entre segmentos da população. 
• Índices de doença significa�vamente diferentes dos do interior e exterior de edi�cios. 
• Surtos separados em áreas geograficamente diversificadas. 
• Surtos múl�plos simultâneos ou em série de doenças diferentes na mesma população. 
• Vias de exposição incomuns (como inalação). 
• Uma doença que normalmente afeta animais em humanos. 
• Uma doença que normalmente afeta animais surgindo em uma área na qual essa espécie não
está presente. 
• Gravidade incomum da doença. 
• Cepas incomuns de agentes infecciosos. 
• Insucesso em responder à terapia padrão.
Fonte: Manual MSD.
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REPAREM QUE O QUE SE BUSCA COM ESSA NOTIFICAÇÃO
COMPULSÓRIA É DETECTAR, DE FORMA ANTECIPADA, O USO DE
PATÓGENOS CONHECIDOS OU DESCONHECIDOS COMO ARMA
BIOLÓGICA E, DESTA MANEIRA, GARANTIR QUE EVENTUAIS
AÇÕES NECESSÁRIAS À PROTEÇÃO DA POPULAÇÃO POSSAM
SER ADOTADAS. LEMBRANDO QUE, COMO SE TRATA DE
AGENTES BIOLÓGICOS, QUALQUER MEDIDA A SER ADOTADA
DEVE SER BASEADA EXCLUSIVAMENTE EM CONHECIMENTO
CIENTÍFICO.
O uso de agentes patogênicos para a prá�ca de crimes tem uma vantagem para os criminosos. Como,
por via de regra, há um período de incubação entre a introdução do patógeno no organismo e o
aparecimento dos primeiros sintomas, o criminoso consegue estar distante das ví�mas, quando estas
começam a adoecer, dificultando, como no caso ocorrido no Texas, a sua iden�ficação. Outro aspecto
caracterís�co deste �po de crime é que, minimamente, o criminoso deve ter conhecimento sobre
Microbiologia.
NO CASO OCORRIDO NO TEXAS
Em 1996, em um hospital, no Texas, 12 pessoas que estavam trabalhando ficaram doentes após
comer bolinhos que estavam à disposição no dormitório.
Exames periciais realizados nos bolinhos que não foram consumidos revelaram a presença de
Shigella dysenteriae, o mesmo patógeno que infectou as pessoas. Com isso, a ação criminosa foi
confirmada. Entretanto, o criminoso não foi iden�ficado.
Até o momento, não são muitos os casos de biocrime. No entanto, considerando a ocorrência natural
e abundante de doenças infectocontagiosas, é possível que a detecção de crimes perpetrados com o
uso de agentes biológicos seja ineficiente e que esse �po de conduta criminosa seja mais comum do
que imaginamos.
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 Figura 12 . A dificuldade na descoberta dos biocrimes pode fazer com que sua ocorrência esteja
sendo subes�mada.
 
Fonte: Shu�erstock.com
DIAGNÓSTICO E ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO EM
INVESTIGAÇÕES MICROBIOLÓGICAS FORENSES
As inves�gações Microbiológicas Forenses são essencialmente as mesmasque quaisquer outras. Elas
envolvem:
INVESTIGAÇÃO DA CENA DE CRIME
PRÁTICAS DE CADEIA DE CUSTÓDIA
COLETA, MANUSEIO E PRESERVAÇÃO DE VESTÍGIOS BIOLÓGICOS
ANÁLISE 
DE AMOSTRAS
INTERPRETAÇÃO DE RESULTADOS
APRESENTAÇÃO EM TRIBUNAL
Além de coletar e analisar evidências forenses tradicionais, a inves�gação forense tentará determinar
a e�ologia e a iden�dade do agente causal, muitas vezes, de maneira semelhante a uma inves�gação
epidemiológica. No entanto, para essa atribuição, é necessária uma caracterização rápida e de alta
resolução.
 
Fonte: Shu�erstock.com
Um diferencial das amostras microbiológicas forenses é que, em se tratando de pessoas que
procuraram o serviço médico devido a sintomas de saúde, as amostras são coletadas ali mesmo e não
por peritos oficiais. Assim sendo, a fim de não haver quebra da cadeia de custódia e,
consequentemente, da validade da prova material em juízo, é importante que, no momento da coleta
do material, sejam adotados todos os cuidados técnicos recomendados e que as amostras sejam
devidamente documentadas e adquiridas em abundância, para a hipótese de serem necessárias mais
análises.
 Figura 13. O profissional de Microbiologia Forense deve prestar especial atenção ao processo de
obtenção das amostras para que elas sejam aceitas como evidências nas inves�gações.
AS ANÁLISES LABORATORIAIS FORENSES USADAS PARA
AMOSTRAS MICROBIANAS PODEM INCLUIR SEQUENCIAMENTO
MOLECULAR, CULTURAS MICROBIOLÓGICAS, BIOQUÍMICA,
MICROSCOPIA ELETRÔNICA, CRISTALOGRAFIA E
ESPECTROMETRIA DE MASSA.
As análises de ácidos nucleicos são, certamente, o carro chefe dos exames microbiológicos forenses,
pois podem relacionar o genoma do patógeno a fontes específicas. Esta análise é análoga à análise
forense de DNA humano, amplamente usada para processar criminosos e exonerar inocentes, entre
outras funções, como veremos.
 ATENÇÃO
Atentem-se que existem diferenças importantes entre as análises de genomas microbianos e aquelas
usadas em análises forenses de DNA humano. Por causa do grande número de patógenos potenciais
que poderiam ser empregados como uma arma biológica, iden�ficar marcadores gené�cos para
microrganismos é uma tarefa mais desafiadora do que iden�ficar o DNA humano.
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 14. Devido ao grande número de patógenos existentes, pode ser bastante desafiadora a sua
descoberta pelas análises de DNA.
No caso da iden�ficação humana, apenas uma espécie está envolvida e, muitas vezes, é possível
iden�ficar uma pessoa de forma personalíssima. Os vírus e a maioria das bactérias são haploides e se
reproduzem, em geral, assexuadamente, mas também podem evoluir por recombinação, transferência
horizontal de genes e duplicação de genes. Portanto, as metodologias esta�s�cas e a interpretação
exigirão ferramentas diferentes das usadas atualmente para comparar e es�mar a raridade de perfis
de DNA humano (diploide). No entanto, ressalta-se que eventuais obstáculos devido à complexidade
gené�ca podem ser reduzidos com a obtenção de amostras o mais cedo possível.
Notem que, em se tratando de mera suspeita de um crime biológico, diante do universo de patógenos,
as autoridades devem agir, como já dito, o mais rápido possível para garan�r a proteção da população.
Isso porque não há dúvidas quanto ao potencial patogênico das armas biológicas.
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UNIVERSO DE PATÓGENOS
Tendo em vista a variedade de microrganismos e a pluralidade de doenças, desde as
assintomá�cas até aquelas 100% letais, as armas biológicas exigem que toda a cadeia de ações
adotadas pelas autoridades seja diligente, dinâmica e eficiente. Nestes casos, a frase “qualquer
erro pode ser fatal” é aplicada com maestria.
 RECOMENDAÇÃO DE PROTOCOLOS E PRÁTICAS
É imprescindível que se obtenha um diagnós�co rápido e seguro e que, em seguida, seja realizado um
amplo estudo epidemiológico sobre o patógeno em questão, incluindo análises de período de
latência, incubação e transmissibilidade; formas de transmissão, intervalo serial, infec�vidade etc.
O conhecimento dessas informações irá subsidiar tomadas de decisões importantes, como isolamento
de pessoas ou de comunidades; definição da área de isolamento; estabelecimento de período e
modelo de quarentena; treinamento de profissionais de diversas áreas e da população; medidas de
vigilância; métodos de profilaxia e tratamento; nível de equipamento de proteção individual
requerido etc.
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 15. O universo de patógenos que podem ser u�lizados na prá�ca de crimes é grande e a
ação das autoridades para combatê-lo deve ser imediata.
MICRORGANISMOS E SUAS APLICAÇÕES COMO
FERRAMENTAS FORENSES
Vejamos agora duas aplicações rela�vamente recentes, mas muito interessantes, de como os
microrganismos podem colaborar com as inves�gações forenses. Observem que essas aplicações
ainda não estão sendo plenamente aplicadas e precisam ser melhor estudas para garan�r a
confiabilidade e a reprodu�bilidade de seus resultados.
EXAME DE MICROBIOMA HUMANO
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 16. Microbioma humano no intes�no.
Microbioma ou microbiota humana é o conjunto de microrganismos que residem, em simbiose, nos
tecidos e fluidos humanos vivos. Essa população é composta, principalmente, de bactérias, mas
também inclui vírus, fungos e arquea. E não pensem que ela é pequena: estudos sobre o microbioma
humano revelaram que 75 a 90% das células, no corpo, antes da morte, são microbianas.
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ARQUEA
Domínio de seres vivos composto de microrganismos unicelulares procariontes.
 ATENÇÃO
Cada local anatômico possui a sua microbiota específica. Além disso, ao longo da vida de uma pessoa,
a população de microrganismos sofre alterações, devido a vários fatores, tais como: clima, localidade,
idade, es�lo de vida, sistema imunológico, doenças e uso de medicamentos.
Como o mix de microrganismos de um indivíduo é uma caracterís�ca muito par�cular, ele pode ser
usado para conectar um suspeito ao local do crime. Além disso, os fatores que dissemos há pouco que
são responsáveis por variar o microbioma de uma pessoa, ao longo da vida, podem ser usados para
diminuir o rol de suspeitos, pois, por meio da análise da microbiota, é possível inferir o sexo, a idade,
o es�lo de vida, como, por exemplo, se a pessoa é fumante ou se faz uso de algum medicamento
regularmente, entre outras caracterís�cas.
É importante lembrar que, uma vez que a análise da microbiota é baseada em exames de DNA,
possivelmente, na amostra biológica da qual se extraiu o material gené�co para a iden�ficação dos
microrganismos de uma pessoa, também há material biológico desta mesma pessoa. Neste caso, não
faria o menor sen�do examinar tal microbiota, não é mesmo?
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 17. O microbioma humano é estudado por meio de técnicas de análise de DNA.
Outras crí�cas a essa técnica são:
Se a microbiota de uma pessoa varia ao longo do tempo, então, sua capacidade informa�va
sobre um suspeito é limitada.
Se a pessoa fizer uso de determinadas substâncias, poderá alterar rapidamente seu padrão de
microbiota.
Necessidade de uma biblioteca de microbiota por pessoa e, possivelmente, por fases da vida.
 Atenção! Para visualização completa da tabela u�lize a rolagem horizontal
BIBLIOTECA
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Hoje, existem bibliotecas de impressões digitais, nas quais são man�dos os registros
da�loscópicos das pessoas.
Atualmente, análises da microbiota humana podem ser úteis para auxiliar o direcionamento de uma
inves�gação. No entanto, essa metodologia é ainda muito recente e precisa evoluir bastante para que
suas análises sejam aceitas como prova material em juízo.
EXAME DO MICROBIOMA POST MORTEM
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 18.
Outro ramo recente de aplicação da Microbiologia Forense diz respeito à determinação do intervalo
post mortem através do estudo do exame do microbioma de um cadáver.
Como aprendemos ainda pouco, 75 a 90% das células, no corpo, antes damorte, são microbianas.
Contrariando o que se pensava, os órgãos internos de um indivíduo não são estéreis, ou seja, parte
dessa populosa microbiota também pode ser encontrada nesses locais. Além disso, é bom lembrar
que o processo de decomposição de um cadáver começa logo depois da morte e é mediado por
bactérias.
Com base nisso, cien�stas forenses estão estudando o papel que a microbiota, sobretudo a oral, a
intes�nal e a de outros órgãos internos, desempenha na forma como o corpo se decompõe após a
morte.
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 19. A microbiota presente no corpo interfere na decomposição do cadáver.
O ESTUDO DO MICROBIOMA POST MORTEM
(TANATOMICROBIOMA) É BASEADO NA IDENTIFICAÇÃO DAS
ESPÉCIES BACTERIANAS ENVOLVIDAS NA DECOMPOSIÇÃO DO
CORPO HUMANO, CONSIDERANDO AS SUCESSIVAS MUDANÇAS
DESSA POPULAÇÃO AO LONGO DOS ESTÁGIOS DE
DECOMPOSIÇÃO. PARA A IDENTIFICAÇÃO DA MICROBIOTA EM
CADA UM DESSES ESTÁGIOS, É UTILIZADA A TECNOLOGIA DO
DNA.
Ainda que a técnica seja incipiente e vários fatores ambientais interfiram nos resultados, como
temperatura, umidade, pH, disponibilidade de oxigênio, os cien�stas forenses acreditam que a análise
da microbiota poderá ser usada para determinar a hora da morte com uma rela�va precisão.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. O CENTRO DE CONTROLE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS (CDC), NOS ESTADOS
UNIDOS, ESTABELECE TRÊS CATEGORIAS DE PATÓGENOS PARA FINS DE
BIOTERRORISMO. A CATEGORIA A REÚNE OS AGENTES BIOLÓGICOS CONSIDERADOS
DE ALTA PRIORIDADE, OS QUAIS SÃO MICRORGANISMOS OU TOXINAS QUE
APRESENTAM ALTO RISCO À POPULAÇÃO E À SEGURANÇA NACIONAL, POR SEREM
FACILMENTE DISSEMINADOS OU TRANSMITIDOS PESSOA A PESSOA, RESULTANDO
EM CASOS SECUNDÁRIOS E TERCIÁRIOS; POR CAUSAREM ALTA MORTALIDADE COM
POTENCIAL DE GRANDE IMPACTO NA SAÚDE PÚBLICA; POR PROMOVEREM PÂNICO
PÚBLICO E CONVULSÃO SOCIAL; E POR EXIGIREM AÇÕES ESPECIAIS DE PRONTIDÃO
DE SERVIÇOS DE SAÚDE PÚBLICA. CONSIDERANDO OS PATÓGENOS LISTADOS NAS
ALTERNATIVAS ABAIXO, MARQUE AQUELE QUE NÃO PODE SER INCLUÍDO NESTA
CATEGORIA A:
A) Bacillus anthracis
B) Yersinia pes�s
C) Francisella tularensis
D) Orthopoxvirus variolae
E) Chlamydia psi�aci
2. BIOTERRORISMO E BIOCRIME SÃO MODALIDADES DE PRÁTICAS CRIMINOSAS QUE
UTILIZAM ARMAS BIOLÓGICAS PARA ALCANÇAR SEUS RESULTADOS. COM BASE NO
QUE APRENDEMOS, JULGUE AS ALTERNATIVAS EM VERDADEIRAS E FALSAS E, EM
SEGUIDA, MARQUE A ALTERNATIVA QUE CORRESPONDE AO NÚMERO DE OPÇÕES
VERDADEIRAS QUE VOCÊ IDENTIFICOU A PARTIR DAS SUAS ANÁLISES: 
 
I. A DIFERENÇA ENTRE BIOCRIME E BIOTERRORISMO ESTÁ APENAS NA AÇÃO
MOTIVADORA. NO BIOCRIME, O CRIMINOSO É MOTIVADO POR CRENÇAS
RELIGIOSAS E POLÍTICAS. 
II. A DIFERENÇA ENTRE O BIOCRIME E OS CRIMES, DE MODO GERAL, ESTÁ APENAS
NO TIPO DE ARMA UTILIZADO NA PRÁTICA DELITUOSA. NO BIOCRIME, A ARMA
EMPREGADA É DO TIPO BIOLÓGICA. 
III. EM UM HOSPITAL, SE O MÉDICO PERCEBER QUE ESTÁ DIANTE DE UMA SUPOSTA
VÍTIMA DE UM BIOCRIME, DEVE COMUNICAR ESSE FATO ÀS AUTORIDADES APENAS
SE A VÍTIMA APRESENTAR ALGUMA PIORA DE SAÚDE. 
IV. NO BRASIL, SÃO DETECTADOS CERCA DE 100 CASOS DE BIOCRIMES POR MÊS,
TODOS RELACIONADOS À DISSEMINAÇÃO DELIBERADA DO VÍRUS DA VARÍOLA. 
V.POR SE TRATAR DE UM CRIME COMETIDO POR AGENTES BIOLÓGICOS, AS MEDIDAS
A SEREM ADOTADAS PELAS AUTORIDADES NAS INVESTIGAÇÕES DEVEM SER
BASEADAS EXCLUSIVAMENTE EM CONHECIMENTO CIENTÍFICO. 
 
DAS ALTERNATIVAS ACIMA, QUANTAS VOCÊ JULGOU COMO SENDO VERDADEIRAS?
A) I
B) II
C) III
D) IV
E) V
GABARITO
1. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos, estabelece três categorias
de patógenos para fins de bioterrorismo. A categoria A reúne os agentes biológicos considerados de
alta prioridade, os quais são microrganismos ou toxinas que apresentam alto risco à população e à
segurança nacional, por serem facilmente disseminados ou transmi�dos pessoa a pessoa, resultando
em casos secundários e terciários; por causarem alta mortalidade com potencial de grande impacto na
saúde pública; por promoverem pânico público e convulsão social; e por exigirem ações especiais de
pron�dão de serviços de saúde pública. Considerando os patógenos listados nas alterna�vas abaixo,
marque aquele que NÃO pode ser incluído nesta categoria A:
A alterna�va "E " está correta.
 
O bioterrorismo é considerado uma perigosa ameaça à população mundial, capaz de provocar
inúmeros prejuízos humanos e econômicos. As autoridades devem estar preparadas para enfrentar
ataques dessa natureza, até porque essa seria uma das únicas formas de mi�gar os prejuízos. Faz
parte desta preparação conhecer os microrganismos que têm potencial para serem usados como
armas biológicas.
2. Bioterrorismo e biocrime são modalidades de prá�cas criminosas que u�lizam armas biológicas
para alcançar seus resultados. Com base no que aprendemos, julgue as alterna�vas em verdadeiras e
falsas e, em seguida, marque a alterna�va que corresponde ao número de opções VERDADEIRAS que
você iden�ficou a par�r das suas análises: 
 
I. A diferença entre biocrime e bioterrorismo está apenas na ação mo�vadora. No biocrime, o
criminoso é mo�vado por crenças religiosas e polí�cas. 
II. A diferença entre o biocrime e os crimes, de modo geral, está apenas no �po de arma u�lizado na
prá�ca delituosa. No biocrime, a arma empregada é do �po biológica.
III. Em um hospital, se o médico perceber que está diante de uma suposta ví�ma de um biocrime,
deve comunicar esse fato às autoridades apenas se a ví�ma apresentar alguma piora de saúde. 
IV. No Brasil, são detectados cerca de 100 casos de biocrimes por mês, todos relacionados à
disseminação deliberada do vírus da varíola. 
V.Por se tratar de um crime come�do por agentes biológicos, as medidas a serem adotadas pelas
autoridades nas inves�gações devem ser baseadas exclusivamente em conhecimento cien�fico. 
 
Das alterna�vas acima, quantas você julgou como sendo VERDADEIRAS?
A alterna�va "B " está correta.
 
O biocrime é qualquer crime pra�cado sem mo�vação pelas crenças do criminoso, porém com o uso
de arma biológica, enquanto o bioterrorismo tem mo�vação nas crenças do criminoso. Os agentes
empregados como arma tanto em biocrimes quanto em bioterrorismo são biológicos, logo somente o
conhecimento cien�fico cons�tui ferramenta capaz de levar luz às inves�gações dos crimes.
MÓDULO 2
 Jus�ficar a importância da Gené�ca na solução de crimes
GENÉTICA APLICADA ÀS INVESTIGAÇÕES
CRIMINAIS: GENÉTICA FORENSE
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 20. O estudo dos genes focado nas inves�gações criminais é chamado de Gené�ca Forense.
O uso do conhecimento gené�co em inves�gações criminais é, sem dúvida, algo rela�vamente novo e
revolucionário, conforme veremos ao longo dos nossos estudos. Antes de começarmos a tratar da
aplicação dos conhecimentos gené�cos em prol do sistema judiciário e de apresentarmos alguns casos
reais que ilustram bem essa questão, vamos descobrir como tudo isso começou.
BREVE HISTÓRICO EM GENÉTICA FORENSE
Somente a par�r da década de 1970, os avanços na Gené�ca permi�ram que esta fosse usada, já
desde 1986, como ferramenta forense na iden�ficação segura de pessoas.
 Figura 21. A Gené�ca Forense u�liza análises de DNA para obter evidências que ajudam na
solução de crimes.
 
Fonte: Shu�erstock.com
GENÉTICA
CONHEÇA COMO COMEÇARAM OS ESTUDOS GENÉTICOS, ATÉ A
DESCOBERTA TRIDIMENSIONAL DA MOLÉCULA DO DNA, MUITO
ANTES DE EXISTIR A GENÉTICA FORENSE
O fato de os filhos se parecerem com seus pais ou de animais apresentarem caracterís�cas
semelhantes às de seus progenitores foi percebido há bastante tempo. Por conta disso, acreditava-se
que parte dos corpos parentais se misturava para formar o novo indivíduo.
A PARTIR DO SÉCULO XIX, VÁRIOS ESTUDIOSOS COMEÇARAM A
QUESTIONAR A IDEIA DE A HERANÇA BIOLÓGICA SER UMA MERA
MESCLAGEM, HAJA VISTA QUE OS FILHOS NEM SEMPRE ERAM UMA
MISTURA INTERMEDIÁRIA DOS CARACTERES DOS PAIS. NAQUELA
ÉPOCA, AS PESQUISAS, FEITAS SEM RIGOR CIENTÍFICO, BASEAVAM-SE EM
ANALISAR CARACTERÍSTICAS SEMELHANTES E CONTRASTANTES ENTRE
OS PAISE SUA PROLE. NO ENTANTO, OS ESTUDOS INCIPIENTES
DEIXAVAM DE LADO O SIGNIFICADO DAS DIFERENÇAS INDIVIDUAIS.
Empregando o método cien�fico, a par�r de experimentos realizados com as ervilhas que dispunha no
espaço limitado do jardim do mosteiro onde vivia e trabalhava, Gregor Mendel contou e classificou as
ervilhas resultantes de cruzamentos feitos por ele mesmo, comparou as proporções com modelos
matemá�cos e formulou hipóteses para explicar essas diferenças em termos individuais.
 
Fonte: Wikimedia commons/licença (CC E BY 3.0)
 Gregor Mendel
EM 1866, OS ESTUDOS DE MENDEL FORAM PUBLICADOS. ENTRETANTO,
O MUNDO CIENTÍFICO DA ÉPOCA NÃO FOI CAPAZ DE VALORIZAR A
IMPORTÂNCIA DE SUA PESQUISA. ISSO SÓ OCORREU NO INÍCIO DO
SÉCULO XX, QUANDO TRÊS BOTÂNICOS, SIMULTANEAMENTE, MAS DE
MANEIRA INDEPENDENTE, CONFIRMARAM AS EVIDÊNCIAS DE MENDEL.
E ASSIM, A CIÊNCIA DA HEREDITARIEDADE, QUE FICOU CONHECIDA
COMO GENÉTICA, DESPONTOU.
Notem que, ao longo do século XIX, várias pesquisas foram feitas e o conhecimento gené�co foi se
ampliando e se consolidando. A estrutura tridimensional do DNA, por exemplo, só foi descoberta em
1953, pelos pesquisadores Francis Crick, James Watson e Maurice Wilkins. Contudo, sua aplicação
ainda estava longe dos tribunais e do contexto jurídico.
Entre esses avanços, três merecem destaque:

POR VOLTA DE 1975
O inglês Frederick Sanger sequenciou moléculas de DNA, mostrando que, se a replicação do DNA fosse
interrompida em pontos diferentes, seria possível juntar esses fragmentos menores e, novamente,
formar a sequência do DNA completa.
NA DÉCADA DE 1980
A pesquisa de outro inglês, chamado Alec Jeffreys, mostrou que todos os indivíduos poderiam ser
iden�ficados a par�r de um padrão específico de seu DNA.


AINDA NA DÉCADA DE 80
O americano Kary Mullis descobriu como gerar, a par�r de uma única cópia ou de poucas cópias de um
segmento de DNA, milhares de cópias. Essa técnica ficou conhecida como Reação em Cadeia da
Polimerase ou PCR, que é a sigla, em inglês, de Polymerase Chain Reac�on.
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Em Biologia Molecular, a geração de várias cópias de uma dada sequência de DNA, a par�r de
um fragmento de DNA, é chamada de amplificação.
Considerando que o DNA pode ser encontrado em todos os fluidos e tecidos biológicos humanos,
vocês conseguem imaginar como as novas possibilidades de aplicação da biologia molecular trazidas,
a par�r das pesquisas realizadas pelos cien�stas acima mencionados e tantos outros, foram e são
consideradas uma verdadeira revolução na área criminal?
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 22. A u�lização da análise de moléculas de DNA proporcionou uma revolução nas
inves�gações criminais.
Um caso específico, o de Colin Pitchfork, foi bastante emblemá�co e, além de mostrar o enorme
potencial do uso de exames de DNA para a solução de crimes, a reboque, deu início a discussões
filosóficas e jurídicas quanto ao emprego da tecnologia de DNA para fins de iden�ficação criminal de
pessoas.
O CASO DE COLIN PITCHFORK
Em 1983, em Narborough, que fica no condado de Leicestershire, na Inglaterra, uma moça de 15 anos
foi estuprada e assassinada. Sem pistas do crime, a polícia recolheu, no corpo da garota, amostras de
sêmen. Três anos depois, perto de Narborough, outra mocinha de 15 anos foi encontrada morta. Os
exames feitos no corpo da garota revelaram que ela também havia sido estuprada. O crime chamou a
atenção da polícia, pois se assemelhava àquele ocorrido anteriormente, ainda sem solução. De novo,
os peritos realizaram a coleta de amostras de sêmen no corpo da ví�ma. Após este segundo caso, um
homem chamado Richard Buckland confessou ter realizado os dois crimes. No entanto, sua história
não convenceu os policiais. Por sorte, esses dois crimes ocorreram em Leicestershire e os policiais
envolvidos nas inves�gações, de algum modo, souberam do trabalho do gene�cista Alex Jeffreys,
professor da Universidade de Leicester.
No ano anterior, em 1985, Jeffreys havia publicado um ar�go na revista Nature, dizendo que seria
capaz de iden�ficar pessoas através de testes de DNA. Munida das amostras de sêmen coletadas no
local dos delitos, a polícia procurou Alex Jeffreys. Este explicou aos policiais que os testes de DNA
eram compara�vos e, já que os inves�gadores queriam confirmar se Richard Buckland havia, de fato,
come�do os dois crimes, era preciso que Buckland fornecesse amostras de seu material biológico
também.
 
Fonte: Pixabay
AO COMPARAREM O DNA DAS DUAS AMOSTRAS DE SÊMEN ENTRE SI E
COM A DO MATERIAL GENÉTICO FORNECIDO PELO ENTÃO SUSPEITO,
ALEX JEFFREYS CONCLUIU QUE O SÊMEN ENCONTRADO NAS VÍTIMAS
NÃO PERTENCIA A RICHARD BUCKLAND. ALÉM DISSO, O GENETICISTA
CONSTATOU QUE O ESPERMA PROVENIENTE DAS DUAS AMOSTRAS
QUESTIONADAS PERTENCIA A UMA MESMA PESSOA, CUJA IDENTIDADE,
À ÉPOCA, NÃO PODIA SER REVELADA POR FALTA DE MATERIAL PADRÃO
PARA FINS DE CONFRONTAÇÃO.
Como, àquela altura, ainda não havia lei que regulamentasse a coleta de material biológico para
iden�ficação criminal, para iden�ficar o culpado dos crimes, Jeffreys e os inves�gadores bolaram uma
campanha es�mulando a população de Narborough a doar sangue. Por conta da ação, Jeffreys
comparou mais de 3.600 amostras de material gené�co com aquelas man�das pela polícia.
Entretanto, segundo o gene�cista, nenhum daqueles homens poderia ser o estuprador.
EM 1988, ENTRETANTO, A POLÍCIA SOUBE QUE, NA ÉPOCA DA
CAMPANHA DE DOAÇÃO DE SANGUE, UM HOMEM, CHAMADO COLIN
PITCHFORK, PEDIU AO AMIGO IAN KELLY PARA QUE ESTE DOASSE
SANGUE EM SEU NOME. DE POSSE DESSA INFORMAÇÃO, A POLÍCIA FOI
ATRÁS DE PITCHFORK, QUE FORNECEU SEU PRÓPRIO SANGUE PARA A
REALIZAÇÃO DE NOVOS EXAMES DE DNA COMPARATIVOS. OS
RESULTADOS MOSTRARAM QUE COLIN PITCHFORK TEVE RELAÇÃO
SEXUAL COM AS DUAS MENINAS. SEM TER COMO NEGAR ESSA
EVIDÊNCIA, O HOMEM ACABOU CONFESSANDO TER COMETIDO OS DOIS
CRIMES.
Ao longo do nosso estudo, vamos falar um pouco mais sobre essas questões. Mas, antes de
avançarmos, vamos rever alguns conceitos em Gené�ca que são indispensáveis à compreensão da
razão pela qual o exame de DNA tornou-se uma das mais importantes, senão a mais importante,
ferramenta forense empregada pela polícia e pela jus�ça na iden�ficação de criminosos e na
absolvição de inocentes.
CONCEITOS BÁSICOS EM GENÉTICA
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Relembraremos, a par�r de agora, alguns conceitos fundamentais em gené�ca.
O QUE É GENÉTICA?
Por certo, vocês sabem que a Gené�ca é a parte da Biologia que estuda a hereditariedade, ou seja, a
maneira como a informação rela�va aos caracteres biológicos é man�da e transmi�da através das
gerações. Vocês também devem se recordar que o processo de transmissão da herança gené�ca segue
um padrão quanto à expressão das diferentes caracterís�cas alterna�vas.
POR CONTA DA “PREVISIBILIDADE” DE TRANSMISSÃO DA INFORMAÇÃO
GENÉTICA, OS CONHECIMENTOS DESSA ÁREA SÃO MUITO IMPORTANTES
E BASTANTE UTILIZADOS, ENTRE OUTROS PROPÓSITOS, PARA FINS DE
IDENTIFICAÇÃO HUMANA.
Vocês se recordam onde as informações gené�cas de um indivíduo ficam armazenadas? Quem pensou
em DNA acertou.
O QUE É DNA?
Resumidamente, podemos descrever o DNA como uma molécula orgânica, que se apresenta como
uma longa fita torcida, formada por duas cadeias que se complementam. Essa fita é uma estrutura
formada a par�r da união de várias partes menores, que chamamos de nucleo�deos.
 Molécula de DNA.
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Fonte: Shu�erstock.com
Outro aspecto interessante da molécula de DNA é a maneira como os nucleo�deos se unem para
formar uma cadeia e como esta se une à outra para formar uma dupla hélice. Vejamos como isso
funciona na imagem a seguir.
 
Fonte: Shu�erstock.com
Os nucleo�deos são unidos entre si pelo grupamento fosfato de uma base e a pentose da base
seguinte, formando uma cadeia longa, na qual as bases nitrogenadas ficam expostas nas laterais. Uma
cadeia longa se une à outra de forma complementar, a par�r das bases nitrogenadas de cada fita, que
formampontes de hidrogênio entre si, de uma maneira específica, onde uma base de Adenina (A) se
pareia com uma base de Timina (T), e uma base de Citosina (C) se pareia com uma base de Guanina
(G). Esse �po de ligação favorece o pareamento de duas cadeias complementares, formando uma
molécula na qual duas fitas orientadas em direções opostas são pareadas e enroladas entre si, com o
formato semelhante a uma escada em espiral, a qual é conhecida como dupla hélice.
ONDE PODEMOS ENCONTRAR O DNA? COMO ELES
ESTÃO ORGANIZADOS?
Todo material de origem biológica, como o sêmen do caso de Colin Pitchfork, contém DNA. De modo
geral, vamos considerar que o DNA está presente em todas as células de todos os seres vivos, sendo
que, nos homens e nos demais seres eucariotos, o DNA é encontrado no núcleo das células,
organizado em estruturas chamadas cromossomos.
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Amostras de DNA podem ser encontradas nos locais dos crimes e u�lizadas para iden�ficar os
envolvidos.
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Fonte: Shu�erstock.com
 Opa! Então, em um local de crime, há DNA por toda parte!
Mais adiante, vamos falar mais sobre os cromossomos. Além do DNA presente no núcleo das células,
existem, também, pequenas moléculas circulares de DNA localizadas no interior de organelas
citoplasmá�cas conhecidas como mitocôndrias. Este �po de DNA recebe o nome de DNA
mitocondrial.
 
Fonte: Shu�erstock.com
 A diferença do DNA organizado nos cromossomos (DNA cromossomal) e do DNA mitocondrial.
QUE OUTROS CONCEITOS PRECISAMOS RELEMBRAR?
 
Fonte: Shu�erstock.com
 É importante que o profissional de Biologia Forense domine os conceitos de Gené�ca.
Agora que vocês já se recordam o que é DNA, para que ele serve, onde pode ser encontrado e como se
apresenta, vamos relembrar mais alguns conceitos que serão importantes para darmos con�nuidade
aos nossos estudos.
GENE
São as partes do cromossoma que, de fato, contêm uma pequena sequência de DNA responsável por
definir uma caracterís�ca no ser vivo. Por isso, dizemos que o gene é uma unidade básica.
CROMOSSOMA
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Fonte: Shu�erstock.com
 Na imagem, podemos ver: 1 - Os cromossomos dentro das células; 2 - Os cromossomos dentro do
núcleo celular; 3 - A estrutura de um cromossomo; 4 - A fita de DNA que está organizada no
cromossomo.
Representam o DNA organizado e, nas células eucarió�cas, são encontrados dentro do núcleo. Notem
que todo o material gené�co de uma espécie não fica armazenado em um único cromossomo, mas,
sim, em grupos de cromossomos.
Do total de cromossomos de um indivíduo, metade foi herdado da mãe e metade foi herdado do pai.
Sendo assim, uma pessoa tem duas versões de cada gene (alelos), os quais estão localizados em
cromossomos homólogos.
CARIÓTIPO
 
Fonte: Shu�erstock.com
 O carió�po da espécie humana.
Representa o conjunto de cromossomos de uma dada espécie. A morfologia e a quan�dade de
cromossomos é uma caracterís�ca específica. Notem que a quan�dade de cromossomos não define a
complexidade do organismo.
GENOMA
É o conjunto de todos os genes de uma espécie. A expressão “sequenciamento de genoma” é
equivalente a “sequenciamento de DNA” e significa a determinação da ordem em que as informações
gené�cas estão dispostas nos genes.
GENÓTIPO
É o conjunto de genes de um indivíduo. Portanto, o genoma da espécie humana é pra�camente igual
para todos os seres humanos, mas o genó�po é individual.
FENÓTIPO
É o conjunto de caracterís�cas �sicas de um indivíduo formado a par�r da interação do genó�po deste
indivíduo com o meio onde vive. Em outras palavras, fenó�po é aquilo que a gente vê!
LOCUS
Locus é o local (espaço �sico, lugar) que um dado gene ocupa em um cromossomo.
ALELOS
Os alelos são formas alterna�vas de um mesmo gene e podem produzir fenó�pos diferentes.
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Fonte: Shu�erstock.com
 Na imagem, as cores verde, vermelha, roxa e amarela representam quatro loci diferentes. O locus
verde é ocupado pelos alelos relacionados ao gene responsável pela cor dos olhos; o vermelho, pelo
grupo sanguíneo; o roxo, pela cor do cabelo; e o amarelo, pelo crescimento. Cada alelo desses possui
uma variabilidade própria, podendo apresentar números variáveis de genó�pos e de fenó�pos.
POLIMORFISMOS GENÉTICOS OU REGIÕES POLIMÓRFICAS
As regiões no DNA de um organismo que apresentam as variações individuais. As regiões polimórficas,
na espécie humana, correspondem a menos de 1% do DNA. Mais adiante, quando formos tratar do
DNA aplicado a inves�gações de paternidade/maternidade, falaremos mais sobre os �pos de
polimorfismos.
POR ORA, ESSA REVISÃO CONCEITUAL É SUFICIENTE PARA
CONTINUARMOS NOSSOS ESTUDOS EM GENÉTICA FORENSE. ENTÃO,
AVANCEMOS!
MOLÉCULA ORGÂNICA
Moléculas orgânicas são substâncias químicas que, na sua estrutura, possuem carbonos ligados
entre si.
NUCLEOTÍDEOS
Os nucleo�deos são formados pela associação de três �pos de moléculas: uma base
nitrogenada (que pode ser de quatro �pos diferentes: Adenina, Timina, Citosina e Guanina), um
grupamento fosfato e uma molécula de açúcar do grupo das pentoses.
Na verdade, todos os seres vivos possuem DNA e/ou RNA, sendo ambas as estruturas
relacionadas à manutenção e à transmissão de material gené�co.
EUCARIOTOS
Eucariotos são seres que possuem células com núcleo definido por membrana.
As caracterís�cas definidas pelos genes podem ser bem gerais (ou seja, podem definir as
caracterís�cas próprias de uma determinada espécie), como também podem ser par�culares
(ou seja, definir as caracterís�cas personalíssimas de cada indivíduo). Ei!!! Atentem-se a isso,
pois é justamente por causa dessa capacidade que os genes possuem que os testes de DNA
podem ser usados, por exemplo, para iden�ficar a espécie animal do sangue ou do pelo,
eventualmente, encontrado em um local de crime, bem como determinar à qual indivíduo tal
sangue ou pelo pertence. Deu para notar a diferença?
Os humanos, por exemplo, possuem 46 cromossomos, já os gatos, 38, e os cães, 78. Os
cromossomos se apresentam formando pares homólogos. Os pares homólogos apresentam
genes para as mesmas caracterís�cas gené�cas, sendo um cromossomo do par herdado da mãe
e o outro, do pai.
Na maioria das espécies, do total de pares de cromossomos (n), n – 1 são chamados de pares
autossômicos, havendo, ainda, um par de cromossomos sexuais. Na espécie humana, que possui
23 pares de cromossomos homólogos, 22 pares são cromossomos autossômicos e um par,
cromossomo sexual.
Lembram que dissemos que, no sequenciamento do genoma humano, descobriram que temos,
enquanto espécie, 99% de genes iguais, mas que 1% dos nossos genes tem uma variação
individual? A diferença entre genoma e genó�po está baseada nessa pequena parcela de DNA
que nos diferencia uns dos outros.
MOLÉCULA ORGÂNICA
O plural de locus é loci.
ALELOS
Vejamos o seguinte exemplo: os grupos sanguíneos ABO possuem 3 alelos: A, B e O. Eles podem
ser combinados para formar três genó�pos homozigotos possíveis (AA, BB e OO) e três
genó�pos heterozigotos (AO, BO e AB). Percebam, então, que com 3 alelos, podem ser formados
6 genó�pos. Contudo, como AA e AO, assim como BB e BO, são feno�picamente iguais, esses 3
alelos podem formar 4 fenó�pos diferentes: A, B, AB e O.
EXAMES DE DNA
Maravilha! Depois de fazermos essa breve revisão, ficará fácil entender a lógica que há por trás do
emprego da tecnologia de DNA no campo criminal.
 
Fonte: Shu�erstock.com
É importante ter em mente que a iden�dade gené�ca através de exames de DNA tem várias
aplicações, que vão além de demonstrar a culpabilidade de criminosos, tais como: absolver inocentes,
iden�ficar corpos e restos humanos relacionados a desastres em massa ou a campos de batalha,
determinar paternidade, elucidar trocas de bebês em berçários, detectar erros de rotulação de
amostras biológicas em laboratórios de patologia, fazer análises de riscos para a saúde, estudar
es�ma�vasde etnias, inves�gar genealogia familiar etc.
 Figura 23. As análises de amostras de DNA podem oferecer importantes elementos que
solucionam crimes.
Fora isso, não se esqueça que as técnicas de DNA também podem ser aplicadas a estudos envolvendo
vegetais e animais, além dos seres humanos.
O DNA APLICADO AO COMBATE AO CONSUMO DE
CARNE DE CAÇA CLANDESTINA
Fiquem atentos também ao fato de que a tecnologia de DNA avança a todo instante. Assim, um exame
que não podia ser feito no passado ou, até mesmo, nos dias de hoje, poderá ser feito no futuro, haja
vista os novos conhecimentos adquiridos no campo da Gené�ca.
 ATENÇÃO
Sobretudo na área criminal, os peritos não podem desperdiçar nenhum ves�gio biológico, assim como
devem cuidar para que ele seja devidamente guardado, de modo que, a qualquer momento, possa ser
usado em análises laboratoriais. Lembrem-se sempre de que, para a jus�ça, a confiabilidade da prova
material é imprescindível e está diretamente relacionada à integridade do ves�gio que a embasa.
Para ilustrar como o DNA pode ser determinante para resolver uma história, vejamos o caso da grã-
duquesa russa Anastásia Romanova.
O CASO DA GRÃ-DUQUESA ANASTÁSIA ROMANOVA
A Dinas�a Romanov foi uma família da nobreza russa que, por gerações, durante 400 anos, governou
o Império Russo. No entanto, em 1917, os Romanov e o Regime Czarista que eles personificavam
foram depostos do poder pela Revolução Bolchevique.
Os úl�mos governantes do Império Russo foram o Czar Nicolau II e a Czarina Alexandra Feodorovna. O
casal e seus quatro filhos foram executados no porão da casa onde estavam sendo man�dos presos,
em Ecaterimburgo, em julho de 1918. Seus corpos não foram encontrados à época.
Durante anos, na Rússia, circularam rumores de que Anastásia Romanova, uma das filhas do casal,
havia conseguido sobreviver ao atentado. Várias mulheres se apresentavam dizendo ser a grã-duquesa
sobrevivente, inclusive Anna Anderson, que, durante mais de 60 anos, levou uma vida de luxo se
passando como filha do Czar e da Czarina assassinados. Os rumores quanto à sobrevivência de
Anastásia Romanova ficaram mais fortes, quando em 1991, em uma vala comum, os corpos do casal e
de dois de seus filhos foram encontrados, nas proximidades da casa em que eles viviam.
Em 1994, a fim de verificar a veracidade da história de Anna Anderson, embora esta �vesse morrido
dez anos antes e seu corpo fora cremado, a par�r de pedaços de roupas e de cabelos da mulher, foram
extraídas amostras de seu material gené�co e realizados exames de DNA. Os resultados dos exames
de Anna Anderson foram comparados com o perfil gené�co de um descendente dos Romanov. As
análises foram categóricas e demonstraram que Anna Anderson era uma impostora e não �nha
qualquer vínculo com a Dinas�a Romanov. Anos mais tarde, em 2008, perto de Ecaterimburgo, foram
encontrados os restos mortais de um rapaz e de uma moça. Exames de DNA comprovaram que
aqueles corpos eram, de fato, dos dois irmãos Romanov que não haviam sido encontrados com a
família.
Em 2009, foram publicados os úl�mos resultados das análises gené�cas referentes aos corpos dos
Romanov e restou provado, de forma defini�va, que nenhum dos integrantes da família imperial havia
sobrevivido, encerrando-se, assim, um capítulo da história Russa.
Neste caso, a tecnologia do DNA não foi usada para apontar os assassinos, mas, sim, para confirmar a
iden�dade das ví�mas e excluir eventuais impostores.
O caso de Anastásia Romanova é um bom exemplo de como a tecnologia do DNA resolveu uma
história do passado, que, à época do ocorrido, não poderia ser solucionada desta forma, pois a própria
Gené�ca, enquanto ciência, ainda estava enga�nhando.
Vejamos agora, de forma breve e resumida, em que consiste os exames de DNA.
A LÓGICA DOS EXAMES DE DNA
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 24. Exemplo de um resultado de uma análise de DNA.
Como já falamos, o DNA carrega nossas informações gené�cas, mas, diferente de um retrato falado,
que destaca as caracterís�cas �sicas de um indivíduo, o perfil gené�co de uma amostra ques�onada
apresenta uma série de informações que, de forma isolada, não querem dizer muita coisa. Por isso,
quando falamos de exames de DNA, é bom lembrarmos que estamos nos referindo a um �po de
exame compara�vo, no qual uma amostra ques�onada referente ao indivíduo que se quer iden�ficar
é confrontada com uma ou várias amostras de referência, ob�das de indivíduos conhecidos.
AMOSTRA QUESTIONADA
Todo e qualquer ves�gio coletado em local de crime ou em pessoa vi�mada.
AMOSTRAS DE REFERÊNCIA
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Amostra biológica coletada exclusivamente para estabelecer o vínculo biológico ou confronto
gené�co com a amostra ques�onada. Podem ser diretas, quando do próprio indivíduo que se
pretende iden�ficar, ou indiretas, quando ob�das de familiares com vínculo biológico para fins
de comparação.
Fonte: Shu�erstock.com
FALAMOS, BASTANTE, TAMBÉM, QUE A MAIOR PARTE DO
GENOMA HUMANO É IDÊNTICA ENTRE OS INDIVÍDUOS.
PORÉM, NAS CHAMADAS REGIÕES POLIMÓRFICAS, ESTÃO AS
INFORMAÇÕES GENÉTICAS QUE SÃO VARIÁVEIS DE INDIVÍDUO
PARA INDIVÍDUO.
Os exames de DNA para iden�ficação de pessoas se dedicam, justamente, a analisar os polimorfismos
gené�cos, ou seja, aquilo que varia de um indivíduo para outro. De preferência, são escolhidas as
regiões que sabidamente:
Possuem maior concentração de variabilidade gené�ca, isto é, um alto nível de polimorfismo.
São estáveis em diferentes ambientes, o que torna o DNA, neste local, menos sujeito a
degradações químicas e estruturais.
Apresentam informações capazes de dis�nguir progenitores.
São reproduzidas com precisão na progênie.
Devem apresentar uma configuração padrão de maneira que os resultados possam ser
reproduzidos e comparados em diversos laboratórios.
 Atenção! Para visualização completa da tabela u�lize a rolagem horizontal
EM CONJUNTO, ESSAS REGIÕES SÃO OS CHAMADOS
MARCADORES GENÉTICOS.
Adiante, quando formos tratar da aplicação do DNA para fins de inves�gação de paternidade ou para
iden�ficação de ví�mas de acidentes em massa, vamos falar mais sobre o vínculo gené�co familiar e a
importância do DNA mitocondrial.
ETAPAS DOS EXAMES DE DNA
Desde o início da aplicação da Gené�ca para a iden�ficação de pessoas até a atualidade, os sistemas
de �pagem gené�co vêm evoluindo consideravelmente. Nos dias de hoje, os marcadores gené�cos
permitem discriminar gene�camente um indivíduo em um pool gênico de um trilhão de pessoas.
A capacidade resolu�va das análises gené�cas tende a aumentar, pois novas metodologias de exames
de DNA estão, constantemente, sendo desenvolvidas, buscando marcadores gené�cos cada vez mais
eficientes, capazes de tornar os resultados das análises altamente confiáveis, mesmo quando essas
são geradas a par�r de amostras escassas e severamente degradadas, que é, por via de regra, o caso
das amostras colhidas em locais de crime.
 Figura 25. A análise de DNA tem várias etapas, como veremos agora.
 
Fonte: Shu�erstock.com
VAMOS VER, SUPERFICIALMENTE, QUAIS SÃO AS ETAPAS DOS
EXAMES DE DNA FORENSE.
É importante ressaltar que alguns elementos podem afetar a qualidade e, portanto, a confiabilidade
dos exames de DNA. Vejamos alguns deles:
CONTAMINAÇÃO DA AMOSTRA
INIBIÇÃO
DEGRADAÇÃO
CONTAMINAÇÃO DA AMOSTRA
Várias pessoas entram em contato com o material biológico no local do crime e durante o todo o seu
processamento. Por isso, é indispensável: o uso de EPIs (Equipamento de Proteção Individual)
apropriados, a preservação do local do crime e a adoção de quaisquer outros cuidados para evitar
contaminações cruzadas.
INIBIÇÃO
A reação de PCR está sujeita a vários �pos de agentes inibidores, como hemoglobina, melanina, ácido
húmico do solo e corantes índigo, afora outras substâncias que, eventualmente, podem estar
presentes na composição do suporte do ves�gio, como corantes e pigmentos. A coleta de amostras
controle pode ajudar a iden�ficar o fator inibidorpresente na amostra.
DEGRADAÇÃO
Embora a molécula de DNA seja bastante resistente, certas condições, como calor ou temperatura
excessivos ou incidência direta de luz solar, assim como algumas substâncias, como fenóis e
polissacarídeos, podem levar à degradação.
CONTAMINAÇÕES CRUZADAS
As contaminações cruzadas ocorrem quando as amostras são contaminadas por material que
não tem relação com o crime. Nestes casos, usam-se amostras de exclusão para determinar a
contaminação cruzada. Amostras de exclusão são, portanto, amostras de pessoas sem relação
com o crime, mas cujo DNA é esperado na cena, como moradores de uma casa, funcionários e
colaboradores de um escritório ou clientes de um bar, por exemplo. Em caso de crimes sexuais,
são as amostras de parceiros consensuais da ví�ma. As amostras de exclusão são de vital
importância, especialmente, quando são ob�dos perfis de misturas de DNA de duas ou mais
pessoas. Às vezes, pode ser necessário coleta de amostras de exclusão dos dos policiais, peritos
e cien�stas que �veram contato com o material gené�co.
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AMOSTRAS CONTROLE
Amostra controle ou amostra padrão: são amostras do suporte (terra, tecido, parede), coletadas
em uma região onde não é observado o material biológico referente à amostra ques�onada
coletada no mesmo lugar. Servem para fins de comparação e iden�ficação de eventuais
contaminantes ou inibidores do processamento do DNA.
Estamos falando muito em exames de DNA para iden�ficação de pessoas, mas não se esqueça que as
análises de DNA de animais e vegetais também podem ajudar na solução de crimes. Tais análises
seguem as mesmas etapas metodológicas e requerem os mesmos cuidados, conforme falamos há
pouco. Vejamos um bom exemplo de como o DNA de um animal pode ser importante para descobrir
um assassino.
O CASO DO GATO DO VIZINHO
Em 2012, em Hampshire, na Inglaterra, o tronco e as pernas de um homem, iden�ficado como David
Guy, foram encontrados acondicionados em sacos de lixo. As demais partes do corpo da ví�ma, como
a cabeça, os braços e a genitália, nunca foram localizadas. No tronco de Guy, a polícia encontrou fibras
sinté�cas e pelos. Testemunhas disseram que, na época do provável assassinato de David Guy, um
vizinho da ví�ma, chamado David Harper, foi visto passeando de bicicleta, transportando uma caixa
nos locais onde os restos mortais de Guy foram achados.
No apartamento de David Harper, os inves�gadores coletaram, entre outros ves�gios, amostras de
uma cor�na. A par�r dessa amostra, foi constatada que as fibras do tecido da cor�na eram
semelhantes àquelas encontradas no corpo de Guy. Além disso, foi iden�ficada a presença de sangue
da ví�ma na cor�na da casa de Harper. David Harper possuía um gato de es�mação. Ao compararem o
pelo do gato de Harper com aqueles encontrados no tronco de Guy, as policiais verificaram que eles
eram gene�camente compa�veis.
A confirmação de que os pelos encontrados no corpo da ví�ma poderiam ser do gato de Harper
aconteceu após a análise do DNA de 493 outros gatos, oriundos de um banco de dados americano,
haja vista que, na Inglaterra, não havia informações neste sen�do. De acordo com as análises
propiciadas pelo banco de dados americano, a variação encontrada no perfil gené�co do gato de
David Harper seria muito incomum, não havendo nenhum outro gato com perfil gené�co semelhante.
Como o resultado do exame do gato possuía alto grau de incerteza quanto à iden�ficação inequívoca
do animal, a polícia procurou o cien�sta Jon We�on, que já havia criado um banco de dados de DNA
de cães na Inglaterra, para se cer�ficar sobre a robustez da prova pericial. O cien�sta lhes esclareceu
que seria necessário comparar o DNA da amostra ques�onada com amostras coletadas em gatos da
Inglaterra.
Por conta disso, 152 gatos ingleses �veram seu material gené�co sequenciado. Apenas três das
amostras de referência foram compa�veis com o gato de David Harper. Isto, segundo os cien�stas,
mostrou que a variação gené�ca observada no gato de Harper também era rara na Inglaterra,
indicando, ainda que, com alto grau de incerteza, que os pelos encontrados na cena do crime
poderiam ser do gato de Harper.
O caso em questão mostrou que, mesmo de forma não conclusiva, o resultado das análises de DNA do
animal se somaram ao conjunto probatório e foi importante na elucidação do assassinato. Além disso,
uma vez que, na Inglaterra, a população de gatos de es�mação é muito alta, havendo gatos em cerca
de um quarto dos lares ingleses, estudos do genoma felino podem ajudar muitas inves�gações
forenses, sendo recomendada a construção de um banco de dados de material gené�co de gatos.
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 26 . A resolução de crimes com base em amostras de DNA só é possível com a sua
comparação com perfis gené�cos constantes de bancos de dados.
BANCO DE DADOS DE PERFIS GENÉTICOS PARA
FINS DE IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL
Estudaremos, a par�r de agora, sobre banco de dados de perfis gené�cos. Adianta-se que a
manutenção de bancos de dados desta natureza é uma ferramenta poderosa para iden�ficar,
sobretudo, de maneira mais rápida, indivíduos suspeitos de cometerem crimes.
NO ENTANTO, OS EXAMES DE DNA E, PRINCIPALMENTE, OS
BANCOS DE DADOS DE PERFIL GENÉTICO TROUXERAM, A
REBOQUE, DISCUSSÕES JURÍDICAS E FILOSÓFICAS, QUE VÃO
ALÉM DO CAMPO CIENTÍFICO.
Daremos início explicando o que são os bancos de dados de perfil gené�co. Em seguida, através da
apresentação de alguns casos, pretendemos provocar algumas reflexões sobre a in�midade gené�ca,
a produção de prova contra si mesmo e o caráter discriminatório dos bancos de dados de DNA. Além
disso, vamos mostrar que a lei penal, no Brasil e no mundo, ainda não é capaz de acompanhar a
evolução da ciência enquanto ferramenta forense, precisando ser constantemente atualizada para
combater a criminalidade.
Então, mãos à obra, vamos começar a trabalhar!
O QUE É UM BANCO DE DADOS DE PERFIS GENÉTICOS?
O conceito de banco de dados de perfis gené�cos é bastante simples. Um banco de dados significa o
lugar onde, digitalmente, são armazenadas informações gené�cas. Há diversos �pos de banco de
dados, como aqueles de cães e gatos que falamos anteriormente, como também de pessoas.
 Figura 27. Os bancos de perfis gené�cos contêm dados do DNA que podem ser comparados com a
amostra que está sendo inves�gada. Na imagem, uma ilustração do resultado de uma análise de DNA.
 
Fonte: Shu�erstock.com
NO CASO DOS SERES HUMANOS, HÁ BANCOS DE DADOS DE
PERFIS GENÉTICOS QUE SÃO CONSTRUÍDOS PARA FINALIDADES
ESPECÍFICAS, COMO OS CRIMINAIS, OS DE PESQUISAS DE
ETNIAS E GENEALÓGICAS ETC. HÁ TAMBÉM BANCO DE DADOS
PARA CROMOSSOMOS AUTOSSÔMICOS, CROMOSSOMO-X,
CROMOSSOMO-Y E DNA MITOCONDRIAL.
Por certo, haja vista que o nosso foco é a Gené�ca Forense, vamos tratar aqui dos bancos de dados de
perfis gené�cos usados para fins criminais. Mas atentem-se que, cada vez mais, os demais bancos de
dados têm sido usados na elucidação de crimes.
BANCO DE DADOS DE PERFIS GENÉTICOS CRIMINAIS
A Inglaterra e os Estados Unidos foram pioneiros em armazenar dados em bancos de perfis gené�cos
forenses.

INGLATERRA
Na Inglaterra, isso começou em 1994, com a edição de uma lei (Criminal Jus�ce and Public Order Act)
que determinou que a coleta de células da mucosa bucal de um indivíduo não é um ato invasivo e que
deve ser realizada em caso de inves�gações criminais. No ano seguinte, o banco de dados de perfis
gené�cos inglês (Na�onal DNA Database) foi estabelecido. Atualmente, o banco do Reino Unido é
considerado o mais eficiente do mundo, armazenando o perfil gené�co de mais de 5 milhões de
indivíduos suspeitos de cometerem crimes.
ESTADOS UNIDOS
Nos Estados Unidos, a lei (DNA Iden�fica�on Act), também de 1994, originou, em 1998, a versão
americana do banco de dados de DNA (Na�onal DNA Index System ou NDIS). O NDSI armazena mais
de 13,5 milhões de perfis gené�cos de condenados, cerca de 895 mil perfis de ves�gios de localde
crime. As informações auxiliaram mais de 428 mil inves�gações criminais nos Estados Unidos.

 SAIBA MAIS
Atualmente, o maior banco de dados de perfis gené�cos do mundo é o da China, com mais de 50
milhões de perfis inseridos.
Os americanos colaboraram para que, no Brasil, em 2004, fosse iniciada a construção do nosso Banco
Nacional de Perfis Gené�cos, o qual foi ins�tuído, em 2012, pela Lei 12.654/2012 (BRASIL, 2012). O
Banco Nacional de Perfis Gené�cos brasileiro possui cerca de 6.500 perfis gené�cos de condenados,
440 de inves�gados e 7.800 de ves�gios de local de crime. No Brasil, até o momento, 559
inves�gações foram auxiliadas por essa ferramenta.
Notem que, através da INTERPOL, a perícia criminal dos diversos países tem acesso aos bancos
gené�cos internacionais uns dos outros.
COMO FUNCIONA UM BANCO DE DADOS DE PERFIS
GENÉTICOS?
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 28. Os bancos de perfis gené�cos são u�lizados por meio de programas esta�s�cos que
comparam a semelhança entre a amostra coletada no local do crime e o DNA dos suspeitos.
Na ocorrência de um crime, os peritos devem coletar ves�gios no local.
Caso haja material gené�co capaz de permi�r o sequenciamento do DNA na amostra coletada, o perfil
gené�co ques�onado é comparado com outros armazenados em banco de dados de perfis gené�cos.
Quando é encontrada uma coincidência entre o perfil gené�co ques�onado e um perfil armazenado
no banco de dados, obtém-se a iden�dade do possessor da amostra de referência para que novas
análises possam ser feitas de forma direta, de modo a comprovar as análises.
O caso de Rachel Genofre demonstra claramente a importância do Banco Nacional de Perfis
Gené�cos. Se não fosse essa ferramenta, como a polícia não suspeitava do verdadeiro culpado, jamais
esse crime bárbaro seria revelado. Entendam a história.
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O CASO DE RACHEL GENOFRE
Em 2008, uma menina de apenas 9 anos, chamada Rachel Genofre, desapareceu, logo depois que saiu
da escola onde estudava em Curi�ba, capital do Paraná. Dois dias após o sumiço da garota, dentro de
uma mala abandonada na rodoviária de Curi�ba, seu o corpo foi encontrado. O exame de corpo de
delito revelou que Rachel foi estrangulada e foi ví�ma de violência sexual.
No dia em que a mala foi encontrada, as câmeras do sistema de vigilância da rodoviária não estavam
funcionando. Para piorar, durante as inves�gações, a polícia não encontrou nenhuma testemunha do
crime ou qualquer pista que pudesse ajudar a explicar o que havia acontecido com a menina. As
únicas evidências que os inves�gadores conseguiram foram amostras de material biológico colhidas
na mala e no corpo da própria ví�ma, inclusive em suas partes genitais.
Durante 11 anos, a polícia con�nuou inves�gando o caso. O material biológico ob�do na cena do
crime foi comparado com o DNA de mais de 200 suspeitos, mas, em nenhuma das análises, o
resultado do confronto deu posi�vo. A família seguia desesperada para pôr fim na história e entender
o que havia acontecido com Rachel.
Em setembro de 2019, 11 anos depois do assassinato de Rachel, finalmente, o criminoso foi
iden�ficado. Isso aconteceu por meio da comparação das amostras ques�onadas colhidas do corpo da
menina e com o perfil gené�co de um homem cadastrado no Banco Nacional de Perfis Gené�cos.
O assassino e estuprador da menininha de apenas 9 anos, Carlos Eduardo dos Santos, já estava preso,
condenado por outros crimes. Diante da prova contundente de que ele era o responsável pela
violência que �rou a vida da garota, o criminoso confessou e contou à polícia que havia atraído Rachel
para o seu escritório com a finalidade de estuprá-la, mas, como a menina não parava de gritar, acabou
por matá-la também.
CASOS PARA REFLEXÃO
Agora, veremos quatro casos que, de um lado, mostram a eficiência das análises de DNA na solução de
crimes e, de outro, evidenciam como a nossa sociedade, de modo geral, precisa se preparar legal e
moralmente para se posicionar frente ao afã de combater o crime e a preservação de direitos
individuais.
CASOS PARA REFLEXÃO
O CASO DO ASSASSINATO NÃO CONDENÁVEL
Em 1987, uma moça de 22 anos, chamada Nelly Haderer, foi assassinada com dois �ros. Seu corpo foi
encontrado esquartejado em um depósito de lixo em Nancy, na França. De acordo com as
inves�gações, o principal suspeito do crime era Jacques Maire. Sem provas materiais contundentes,
depois de três julgamentos, em 2008, finalmente, Maire foi absolvido em úl�ma instância pela jus�ça
francesa.
EM 2014, 27 ANOS DEPOIS DO CRIME, ATENDENDO A PEDIDOS DA
FAMÍLIA, NOVAS PERÍCIAS FORAM ORDENADAS PELA JUSTIÇA. NESTA
NOVA OPORTUNIDADE, UMA MANCHA DE SANGUE ENCONTRADA NA
PARTE INTERNA DO BOLSO DA CALÇA DA VÍTIMA FOI SUBMETIDA À
TECNOLOGIA DO DNA. AO FINAL DOS EXAMES, A POLÍCIA CONSTATOU
QUE O SANGUE PERTENCIA A JACQUES MAIRE. CASO ESTA PROVA
TIVESSE SIDO LEVADA A JULGAMENTO, NO CONTEXTO DO CONJUNTO
PROBATÓRIO QUE A ACUSAÇÃO POSSUÍA, À ÉPOCA, TERIA SIDO
DETERMINANTE PARA CONDENAR MAIRE PELO ASSASSINATO DA MOÇA.
A questão, neste caso, é que a lei francesa proíbe categoricamente que uma pessoa absolvida em
úl�ma instância seja acusada pelo mesmo crime, ainda que diante de provas novas. Neste caso,
embora a família e a jus�ça saibam que Jacques Maire assassinou Nelly Haderer, ele não será
condenado pelo crime e permanecerá impune.
 
Fonte: Pixabay
O CASO DA CURIOSIDADE GENEALÓGICA
Em 2004, uma mulher de 56 anos e um menino de 8 anos foram esfaqueados e mortos na cidade de
Linköping, na Suécia. Durante os úl�mos 16 anos, a polícia não conhecia a iden�dade do suspeito,
apenas seu perfil gené�co, ob�do a par�r de ves�gios coletados na cena do crime, como um boné que
con�nha uma mancha de sangue, que não pertencia às ví�mas assassinadas. Ocorre que, na Suécia,
desde janeiro de 2019, é legalmente permi�do que a perícia consulte sites que trabalhem com exames
de DNA para fins familiares, e u�lize as informações ali con�das em inves�gações criminais.
NO CASO EM QUESTÃO, O DNA DE DANIEL NYQVIST FOI ENCONTRADO
EM UM SITE DE GENEALOGIA ONLINE, UTILIZADO PELO PRÓPRIO DANIEL
EM SUAS PESQUISAS PESSOAIS PARA SABER SOBRE SUA ANTECEDÊNCIA
FAMILIAR. AO CONSULTAR TAL SITE EM 2020, A POLÍCIA VERIFICOU QUE
O DNA DE DANIEL NYQVIST ERA COINCIDENTE COM AQUELE EXTRAÍDO
DO VESTÍGIO MATERIAL COLETADO NO LOCAL DE CRIME. ASSIM, APÓS
NOVOS TESTES DE DNA TEREM CONFIRMADO, SEGURAMENTE, A
CORRESPONDÊNCIA ENTRE O PERFIL GENÉTICO DE DANIEL NYQVIST E O
DA AMOSTRA QUESTIONADA, O SUSPEITO CONFESSOU O CRIME E FOI,
FINALMENTE, CONDENADO.
 
Fonte: Pixabay
O CASO DE MANDY STAVIK
Em 1989, Mandy Stavik, uma moça de 18 anos, saiu de casa para dar uma corrida na cidade de Acme,
em Washington, e desapareceu. Três dias depois, seu corpo foi encontrado no rio a 10 km de casa. Os
legistas disseram que Mandy foi afogada e estuprada. A polícia não �nha nenhuma pista do assassino;
não havia sinais de luta no local onde o corpo de Mandy foi encontrado.
NA CENA DO CRIME, FORAM COLETADAS AMOSTRAS DE MATERIAL
BIOLÓGICO. NAQUELA ÉPOCA, A TECNOLOGIA DO DNA ESTAVA
COMEÇANDO A SE DESENVOLVER E O FBI (FEDERAL BUREAU OF
INVESTIGATION) JÁ A APLICAVA EM ALGUMAS INVESTIGAÇÕES.
SABENDO DISSO, A POLÍCIA ENVIOU AS AMOSTRAS COLETADAS NA CENA
DO CRIME DE MANDY STAVIK PARA O FBI. OS EXAMES REVELARAM DOIS
PERFIS GENÉTICOS: O DA VÍTIMA E O DE UM HOMEM NÃO
IDENTIFICADO.
Em 2009, 20 anos depois do crime, ainda sem informações sobre o caso, a polícia teve a ideia de
coletar amostras de DNA de homens que, à época do fato, residiam em Acme. Durante 4 anos, foram
colhidos e analisados diversos materiais gené�cos de homens que se enquadravam no perfil das
inves�gações, entretanto, nenhum deles possuía DNA coincidente com o da amostra ques�onada.
Passados 27 anos, já em 2013, o nome de Timothy Bass chamou a atenção dos inves�gadores, pois o
sujeito, na época do assassinato, morava na mesma rua que Mandy. A polícia descobriu que, logo
depois do crime, Timothy Bass mudou da cidade e, emjaneiro de 1990, se casou com Gina Malone,
com quem teve três filhos. Ao ser procurado pela polícia, Timothy disse que não se lembrava de
Mandy Stavik e se recusou a fornecer seu DNA para os exames. Para a polícia, aquilo soou muito
estranho e Bass passou a ser o suspeito número um do caso.
A polícia, então, procurou uma moça chamada Kim Wagner, que trabalhava com Timothy Bass desde a
época do crime. Kim ficou intrigada, pois os policiais, sem lhe dar muitas explicações, lhe pediram que
contasse sobre a ro�na de trabalho de Timothy e se ela poderia coletar alguma coisa que o colega
�vesse recém-tocado, como uma ponta de cigarro, por exemplo. Assustada e sem saber se deveria ou
não colaborar, Kim Wagner pediu aos policiais que procurassem o departamento pessoal da empresa.
O departamento pessoal, por sua vez, disse que só poderia colaborar se a polícia lhes apresentasse
uma in�mação ou um mandado de busca e apreensão. Como os policiais não �nham provas
contundentes sobre Timothy, não possuíam as devidas determinações judiciais.
 
Fonte: Pixabay
Anos depois, em uma conversa de bar com os amigos, Kim Wagner soube que Timothy Bass, na época
do crime, era vizinho de Mandy Stavik. Impressionada com aquilo, Kim procurou a polícia e se
ofereceu para ajudar. Kim, então, passou a vigiar Timothy Bass de perto e notou que o homem, além
de usar, constantemente, luvas, era bastante cauteloso com seu lixo, não deixando nada que �vesse
seu material biológico para trás.
UM DIA, NO ENTANTO, APÓS BEBER ÁGUA, BASS JOGOU O COPO NO
LIXO. KIM, IMEDIATAMENTE, ENTREGOU O COPO À POLÍCIA. AO
REALIZAREM O EXAME DE DNA EXTRAÍDO DO COPO, A POLÍCIA
DESCOBRIU QUE O PERFIL GENÉTICO DE TIMOTHY BASS ERA
EXATAMENTE IGUAL AO DA AMOSTRA QUESTIONADA, COLETADA EM
1989, NA CENA DO CRIME. TIMOTHY BASS FOI, ENTÃO, LEVADO A
JULGAMENTO. PARA JUSTIFICAR O ENCONTRO DO SEU MATERIAL
BIOLÓGICO NO CORPO DE MANDY, BASS AFIRMOU QUE MANTINHA
RELAÇÕES SEXUAIS ÀS ESCONDIDAS COM A VÍTIMA, NEGANDO,
VEEMENTEMENTE, QUE TERIA COMETIDO O CRIME.
Duas testemunhas foram decisivas para o julgamento de Timothy: sua esposa e seu irmão mais novo,
Tom Bass. Isso porque foi apurado que Bass havia pedido à esposa para men�r em juízo, dizendo que
estava com ele no dia da morte de Mandy Stavik. Além disso, foi revelado que Timothy, logo depois
que a polícia o procurou, em 2013, foi atrás de seu irmão e lhe pediu para dizer que ele, Tom, também
man�nha relações sexuais com Mandy e que também não iria fornecer seu DNA às inves�gações. Em
2019, o júri declarou Timothy Bass culpado do assassinato de Mandy Stavik. Apesar da robustez das
provas apresentadas no julgamento, Bass con�nua alegando ser inocente.
UM CASO E MUITAS VERDADES ESCONDIDAS
Em 1996, uma moça de 18 anos, Angie Dodge, foi estuprada e assassinada em Idaho Falls, nos Estados
Unidos. No local do crime, foram coletados sêmen e cabelos. Posteriormente, os exames de DNA
indicaram que ambos os ves�gios biológicos pertenciam a um mesmo homem, cuja iden�dade não
pôde ser iden�ficada. A polícia deu início às inves�gações do caso e, dois anos depois, em 1998,
Christopher Tapp foi condenado e preso pelo estupro e assassinato da garota.
O RAPAZ, CUJO MATERIAL GENÉTICO NÃO BATIA COM AQUELE
ENCONTRADO NA CENA DO CRIME, DIZIA SER INOCENTE E QUE SUA
CONFISSÃO HAVIA SIDO OBTIDA MEDIANTE COAÇÃO POLICIAL. A
POLÍCIA NEGOU TER COMETIDO QUALQUER TIPO DE COAÇÃO E
JUSTIFICOU O NÃO ENCONTRO DO DNA DE TAPP, NA CENA DO CRIME,
SOB A ALEGAÇÃO DE QUE VÁRIAS PESSOAS ESTARIAM ENVOLVIDAS.
EMBORA A POLÍCIA TIVESSE DITO QUE OUTRAS PESSOAS TERIAM
PARTICIPAÇÃO NA MORTE DE DODGE, NINGUÉM MAIS FOI OUVIDO OU
PRESO.
Christopher Tapp, por sua vez, mesmo depois de preso há 20 anos, alegava ser inocente e insis�a em
dizer que confessou sob coação. Em 2001, uma organização chamada Innocence Project, que atua
ajudando na absolvição de pessoas inocentes condenadas injustamente, se interessou pela história de
Tapp. Em 2017, foi provado que Christopher Tapp não teve nenhum envolvimento com o estupro de
Angie Dodge. Então, como ele já havia cumprido a pena pelo assassinato da garota, foi libertado, mas
a pecha de assassino o acompanhava.
Intrigada com a alegação de inocência de Christopher Tapp e pelo fato de nenhum outro suspeito do
crime ter sido preso, a mãe de Angie Dodge pediu ajuda a CeCe Moore, a gene�cista chefe da empresa
Parabon NanoLabs. Parabon NanoLabs é uma organização que, entre outras a�vidades, desenvolve
ferramentas forenses na área de DNA.
 
Fonte: PxHere/Crea�ve Commons Zero (CC0) license
Em 2018, em um site público de genealogia gené�ca, CeCe Moore encontrou um perfil gené�co que se
aproximava daquele encontrado na amostra ques�onada, ob�da a par�r dos ves�gios biológicos
coletados na cena do crime, em 1996. De posse dessa informação, Cece concluiu que o assassino de
Angie Dodge poderia ser um descendente da pessoa cujo DNA foi encontrado no site. Cece descobriu,
então, que havia seis homens que se enquadravam nesse perfil.
EM JANEIRO DE 2019, CECE MOORE PASSOU ESSAS INFORMAÇÕES PARA
A POLÍCIA, QUE DESCOBRIU QUE UM DOS HOMENS VIVIA EM IDAHO. OS
POLICIAIS, ENTÃO, RESOLVERAM COMEÇAR POR ELE. A FIM DE
CONSEGUIR MATERIAL GENÉTICO DESSE HOMEM, DE FORMA VELADA,
OS INVESTIGADORES PASSARAM A SEGUI-LO. NO MÊS SEGUINTE, A
POLÍCIA CONSEGUIU COLETAR UM CHICLETE QUE O SUSPEITO
DESCARTOU, SUBMETENDO ESTA AMOSTRA AOS EXAMES DE DNA. O
PERFIL GENÉTICO DO SUSPEITO, CHAMADO BRIAN DRIPPS, COINCIDIA
EXATAMENTE COM O DA AMOSTRA QUESTIONADA. A FIM DE
CONFIRMAR AS SUSPEITAS, A POLÍCIA CONTINUOU SEGUINDO DRIPPS E,
EM MAIO DAQUELE ANO, COLETOU UMA PONTA DE CIGARRO QUE ELE
JOGOU PELA JANELA DO CARRO. MAIS UMA VEZ, O DNA DE BRIAN
DRIPPS COINCIDIU COM O DA AMOSTRA QUESTIONADA.
Diante da prova material, Brian Dripps confessou o crime e foi condenado e preso, mas CeCe Moore
não parou suas inves�gações por aí, pois, ao descobrir que Brian Dripps não conhecia nenhuma das
outras pessoas relacionadas à árvore genealógica que permi�u que ele fosse encontrado, suspeitou
que ele fosse um descendente perdido daquela família. Moore descobriu que um dos homens da
família, há muito tempo, havia se casado e, em seguida, se divorciado, sem, aparentemente, ter filhos
dessa relação. No entanto, ao ir atrás de sua ex-mulher, CeCe Moore descobriu que Brian Dripps era
filho do tal homem, que nunca soube de sua existência. A mulher havia se casado com outro homem,
que deu a Brian seu sobrenome Dripps.
Como vocês podem notar pela leitura dos casos, ainda há muito que fazer em termos de lei e, mais
ainda, em termos de consciência. Levando luz à reflexão de vocês, vejam o que diz a Lei 12.004/2009
(BRASIL, 2009) sobre a aplicação do DNA às inves�gações de paternidade. Será que o mesmo não
poderia ser aplicado às inves�gações criminais?
Art. 2º-A. Na ação de inves�gação de paternidade, todos os meios legais, bem como os
moralmente legí�mos, serão hábeis para provar a verdade dos fatos. Parágrafo único. A recusa
do réu em se submeter ao exame de código gené�co (DNA) gerará a presunção da paternidade,
a ser apreciada em conjunto com o contexto probatório.
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VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. (PCRJ-2013) QUANDO DA COLETA DE AMOSTRAS BIOLÓGICAS PARA ESTUDO DE
DNA, O PERITO DEVE ESTAR PERMANENTEMENTE ALERTA PARA A NECESSIDADE DE
COLETAR AMOSTRAS QUE PERMITAM FAZER A COMPARAÇÃO DOS PERFIS
GENÉTICOS. DESSA FORMA, MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA:
A) Amostra ques�onada é a amostra da qual se quer iden�ficar o doador.
B) Amostra de referência é a amostra da qual se quer iden�ficar o doador.
C) Amostra padrão é a amostra da qual se quer iden�ficar o doador.
D) Amostra ques�onada é a amostra de origem conhecida.
E) Amostra de exclusão é a amostra da qual se quer iden�ficar o doador.
2. ESTUDAMOS QUE BANCO DE DADOS DE PERFIS GENÉTICOS É O LUGAR ONDE,
DIGITALMENTE, SÃO ARMAZENADAS INFORMAÇÕES GENÉTICAS E QUE,
ATUALMENTE, HÁ DIFERENTES TIPOS DE BANCOS DESSA NATUREZA. CONSIDERANDO
O QUE ESTUDAMOS, MARQUE A ALTERNATIVACORRETA.
A) Somente os bancos de dados de perfis gené�cos usados para fins criminais permitem a
iden�ficação de criminosos.
B) Os bancos de dados de perfis gené�cos atualmente existentes não permitem que as informações
neles armazenadas sejam compar�lhadas entre ins�tuições nacionais e internacionais.
C) Com a aplicação da tecnologia do DNA para estudos genealógicos e de etnia, novos �pos de bancos
de dados estão ajudando as inves�gações criminais.
D) Os perfis gené�cos armazenados nos bancos de dados não são confiáveis, por isso não ajudam no
esclarecimento de crimes.
E) Os bancos de dados de perfis gené�cos são tão eficientes para a iden�ficação de pessoas que
dispensam análises compara�vas de DNA.
GABARITO
1. (PCRJ-2013) Quando da coleta de amostras biológicas para estudo de DNA, o perito deve estar
permanentemente alerta para a necessidade de coletar amostras que permitam fazer a comparação
dos perfis gené�cos. Dessa forma, marque a alterna�va correta:
A alterna�va "B " está correta.
 
A amostra de referência é aquela ob�da de quem se pretende iden�ficar, como um suspeito, por
exemplo.
2. Estudamos que banco de dados de perfis gené�cos é o lugar onde, digitalmente, são armazenadas
informações gené�cas e que, atualmente, há diferentes �pos de bancos dessa natureza. Considerando
o que estudamos, marque a alterna�va CORRETA.
A alterna�va "C " está correta.
 
Os bancos de dados de perfis gené�cos para fins criminais se mostraram um recurso ágil para as
inves�gações criminais. Atualmente, com a difusão do uso da tecnologia de DNA para outras
finalidades, a disponibilização de novos perfis gené�cos tem colaborado com inves�gações criminais.
Por outo lado, tem mostrado que precisamos definir, enquanto sociedade, se o uso da ciência na
elucidação de crimes deve ser limitado.
MÓDULO 3
 Dis�nguir a aplicação da Gené�ca nos exames de paternidade/maternidade
GENÉTICA APLICADA NAS INVESTIGAÇÕES DE
PATERNIDADE/MATERNIDADE
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 29. As análises de DNA podem servir para elucidar questões relacionadas ao parentesco.
Agora, estudaremos uma outra área de aplicação da Gené�ca Forense: a determinação de paternidade
ou maternidade.
EM LINHAS GERAIS, TRATA-SE DE UM TESTE DE DNA PARA A
VERIFICAÇÃO DE VÍNCULO BIOLÓGICO ENTRE PESSOAS.
SERVEM COMO PROVA LEGAL PARA DETERMINAÇÃO DE
PATERNIDADE/MATERNIDADE; REINVINDICAÇÕES DE HERANÇA;
FRUIÇÃO DE DIREITOS E DEVERES RECIPROCAMENTE
CONSIDERADOS; COMPROVAÇÃO DE GRAVIDEZ DECORRENTE
DE ESTUPRO; INTERRUPÇÃO DE GRAVIDEZ DECORRENTE DE
ESTUPRO ETC.
 SAIBA MAIS
Segundo divulgado pelo Observatório Brasil da Igualdade de Gênero (BRASIL, 2009), 30% das crianças
não têm filiação paterna em seus registros. De acordo com Fonseca (2004), em 2002, em média, mil
pedidos de inves�gação paterna foram pe�cionados, mensalmente, na Jus�ça Estadual do Rio Grande
do Sul, o que representa cerca de 7% do volume de nascimentos mensal naquele estado.
A questão da paternidade/maternidade é tão complexa que a legislação brasileira prevê que resta
presumida a paternidade quando o suposto pai se recusa a se submeter ao exame de DNA.
LEGISLAÇÃO BRASILEIRA
A presunção de paternidade no caso de recusa de realização de exames de DNA está prevista no
ar�go 1º, da Lei nº 12.004/2009 (BRASIL, 2009).
Vale destacar que, segundo o entendimento do Superior Tribunal de Jus�ça (STJ, 2016), “Nem a
paternidade socioafe�va e nem a paternidade biológica podem se sobrepor uma à outra. Ambas
as paternidades são iguais, não havendo prevalência de nenhuma delas porque fazem parte da
condição humana.”
Nesta direção, de acordo com a Lei º 8.560 (BRASIL, 2009), o reconhecimento de filhos �dos fora
do casamento é irrevogável, a não ser que seja provado que o registro foi baseado em algum
vício do ato.
Por fim, afora a parte técnica das análises gené�cas de paternidade/maternidade que
trataremos aqui, é bom que vocês saibam que existe todo um arcabouço jurídico que
regulamenta a questão, prevendo as circunstâncias, o �po e a validade dos exames de DNA para
confirmação ou alteração de registro de nascimento. Por óbvio, embora crie alguns entraves, a
intenção da lei é proteger os envolvidos. No entanto, não iremos examinar esses aspectos, pois,
caso contrário, nosso estudo iria debandar para outros rumos
Já conseguimos perceber que, assim como o uso da tecnologia do DNA para a elucidação de crimes, o
assunto aqui exige conhecimento cien�fico para garan�r a robustez das análises. Então, façamos um
esforço e comecemos nossa caminhada. Todos preparados?
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Fonte: Shu�erstock.com
VARIABILIDADE HUMANA
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 31. Apesar de sermos da mesma espécie, a diversidade é bastante grande entre nós.
Se pegarmos duas pessoas, ainda que com vínculos biológicos, como pai e filho, por exemplo, veremos
que, para cada 500 pares de bases de seus respec�vos DNA, um par será diferente. Parece pouco? Só
que não! De acordo com o Projeto Genoma Humano, nosso material gené�co tem mais de 3 bilhões
de pares de bases nitrogenadas, o que representa uma variação de 6 milhões de bases entre duas
pessoas.
 Figura 32. Pessoas de uma mesma família, como pais e filhos, são muito dis�ntas gene�camente,
ainda que sejam parecidas.
 
Fonte: Shu�erstock.com
Como falamos antes, atualmente, os marcadores gené�cos permitem discriminar gene�camente um
indivíduo em um pool gênico de um trilhão de pessoas. Não é à toa que os testes de DNA possuem
muito pres�gio na área jurídica como meio de prova. Vocês se lembram em que parte do DNA todas
essas variações gené�cas podem ser encontradas? Isso mesmo, nas regiões polimórficas. Então,
vamos estudar mais um pouquinho sobre o polimorfismo gené�co.
POLIMORFISMO GENÉTICO: O SEGREDO DA
VARIAÇÃO HUMANA
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 33. O polimorfismo gené�co é o segredo por trás da variação humana.
Para que vocês consigam entender o que é um polimorfismo gené�co, prestem atenção na explicação
didá�ca que se segue.
O DNA humano possui 3 bilhões de pares de bases nitrogenadas. Estas bases se juntam em grupos,
uns maiores, outros menores, e formam 30.000 genes. Cada um desses 30.000 genes ocupa um espaço
�sico no DNA humano, espaço este que chamamos de locus. Ao realizar um exame de DNA, por conta
de muita pesquisa feita anteriormente pelos cien�stas que mexem com isso, o gene�cista já sabe
quais loci são interessantes para as suas análises, que são exatamente aqueles que, evolu�vamente,
apresentam variações individuais. Assim, em um laboratório forense, o perito examina diretamente os
loci que lhe interessam, não perdendo seu tempo, no esforço hercúleo de examinar todos os 30.000
loci do DNA humano. A imagem a seguir explica essa questão.
A maior parte dessas bases está nos cromossomos autossômicos, mas também há material
gené�co nos cromossomos sexuais e no DNA mitocondrial.
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Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 34.
Na imagem ao lado, cada traço horizontal corresponde a um locus gênico, ou seja, a um lugar �sico, no
DNA, que é ocupado por um gene. Pela imagem, dá para ver que, nesta sequência de DNA, há vários
genes, mas não todos os genes de uma pessoa, já que o ser humano possui cerca de 30.000 genes.
Cada gene é formado por sequências de bases nitrogenadas. A depender do gene, essa sequência tem
um padrão de posicionamento ou de repe�ção. A ilustração logo abaixo representa um trecho
hipoté�co da sequência de DNA acima, da qual foram re�rados 10 genes para serem examinados e,
dessa forma, verificar quais deles são iguais em todas as pessoas e quais deles apresentam variações
individuais.
 
Fonte: EnsineMe.
 Figura 35.
Na imagem, estão representados, hipote�camente, 10 genes encontrados no sequenciamento do DNA
do Indivíduo A. Cada um desses genes é responsável por uma caracterís�ca. Abaixo, são apresentadas
as supostas caracterís�cas que cada um dos genes acima comanda.
• Gene 1: Comprimento de dedos dos pés 
• Gene2: Ter duas pernas 
• Gene 3: Ter duas orelhas 
• Gene 4: Piscar o olho 
• Gene 5: Frequência de piscadas do olho por minuto 
• Gene 6: Ter dois olhos 
• Gene 7: Coloração dos olhos 
• Gene 8: Ter dentes 
• Gene 9: Ter língua 
• Gene 10: Cor dos dentes.
No esquema hipoté�co, para fins de iden�ficação de pessoas, os genes 2, 3, 4, 6, 8 e 9 não têm valor,
pois são comuns a todas as pessoas, com exceção daquelas que têm alguma variação a�pica (mutação
pontual), que, pela raridade na população, não serve para fins de comparação.
Os genes 1, 5, 7 e 10 comandam as mesmas caracterís�cas nos seres humanos, mas em cada ser
humano esses genes se expressam de maneira diferente, produzindo fenó�pos diferentes, isto é,
produzindo caracterís�cas �sicas diferentes. Em linhas gerais, a iden�ficação de pessoas pela análise
de DNA é baseada na análise esta�s�ca do conjunto dessas diferenças. Assim, como temos muitos e
muitos genes, essa combinação de diferenças permite individualizar uma pessoa no meio da
população.
Dando con�nuidade à explicação, vamos juntos... A maior parte do DNA humano apresenta a mesma
sequência de bases nitrogenadas entre a população. Voltando ao nosso esquema hipoté�co referente
ao DNA do Indivíduo A, seria esperado encontrar este �po de homogeneidade gené�ca nos genes 2, 3,
4, 6, 8 e 9. No entanto, com relação aos genes 1, 5, 7 e 10, as pessoas possuem �pos de sequências de
bases nitrogenadas peculiares, o que ocasiona fenó�pos diferentes. O quadro abaixo exemplifica
como isso funciona.
Indivíduo A Indivíduo B Indivíduo C Indivíduo D
GENE 1 
Comprimento do
dedão (hálux) em
relação ao 2º dedo
do pé
Dedão
maior do
que 2º dedo
Dedão
maior do
que 2º dedo
Dedão
menor do
que 2º dedo
Dedão igual
ao 2º dedo
GENE 5 
Frequência com
que se pisca o olho
por minuto
17
vezes/min
15
vezes/min
17
vezes/min
20
vezes/min
GENE 7 
Coloração dos
olhos
Castanho
claro
Castanho
escuro
Verde
Castanho
claro
GENE 10 
Cor dos dentes
Acinzentado Acinzentado
Amarelo
avermelhado
Marrom
avermelhado
 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela u�lize a rolagem horizontal
 O quadro mostra como as variações de expressão dos genes 1, 5, 7 e 10, combinadas, determinam
pessoas diferentes. Como nossa molécula de DNA é muito grande, ainda que a porção de variação
gené�ca do genoma humano seja de menos de 1% e que a população humana seja de quase 8 bilhões
de pessoas, dadas as possíveis combinações das regiões polimórficas, um indivíduo será diferente do
outro, e, assim, o exame de DNA será capaz de determinar, com segurança, a iden�dade da pessoa.
Fonte: EnsineMe.
Por conta dessas variações, ao analisar a sequência do DNA de um indivíduo, quanto mais loci são
examinados e comparados, menor a probabilidade que dois indivíduos compar�lhem o mesmo
genó�po.

Em contrapar�da, a cada locus cuja informação seja correspondente quando duas amostras são
comparadas, maior a probabilidade dos dois perfis de DNA correspondentes serem oriundos de uma
mesma fonte, isto é, de um mesmo indivíduo.
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 36. Quanto mais loci são analisados no DNA de um indivíduo, maior é a probabilidade de
que seja encontrada uma variação gené�ca entre eles.
Uma vez que, com efeito, os testes de DNA são exames compara�vos, guarde essas duas
possibilidades aqui mencionadas, pois voltaremos a falar sobre isso quando es�vermos tratando de
testes de paternidade.
Agora, ficou claro por que a variação gené�ca é suficiente para garan�r que cada ser humano seja
diferente um do outro? Vejamos, então, como se dão, nos locus, as variações gené�cas nas regiões
polimórficas.
REGIÕES POLIMÓRFICAS OU POLIMORFISMO GENÉTICO:
FORMATO
Pela análise do termo regiões polimórficas, podemos inferir que estamos diante de “um lugar que
apresenta múl�plas formas”. No tocante a essas variações de forma, basicamente, os polimorfismos
gené�cos podem ser de dois �pos: polimorfismos de sequência e polimorfismos de comprimento:
 
Fonte: Shu�erstock.com
POLIMORFISMO DE SEQUÊNCIA
POLIMORFISMO DE COMPRIMENTO
POLIMORFISMO DE SEQUÊNCIA
São nucleo�deos que aparecem em um sequenciamento diferenciado, ocasionado, de modo geral, por
mutações pontuais. Ocorre que as mutações em si não afetam a composição alélica da população, isso
porque as taxas de mutações espontâneas são muito reduzidas. Por conta disso, este �po de
polimorfismo tem pouca aplicação para a iden�ficação de pessoas, a não ser que a mutação em
questão seja estável e transmi�da às gerações seguintes.
POLIMORFISMO DE COMPRIMENTO
São sequências de nucleo�deos que se repetem em múl�plas cópias, variando o número de
repe�ções entre os indivíduos para cada locus.
Uma vez que o polimorfismo de comprimento é o �po de variação de material gené�co mais comum,
usualmente, ele se aplica à iden�ficação de pessoas, que podem ser discriminadas, conforme o
comprimento das sequencias repe�das. O padrão de repe�ções é caracterís�co e herdado por
indivíduos gene�camente relacionados. Existem duas variantes de polimorfismo de comprimento: os
minissatélites e os microssatélites.
MUTAÇÕES
Mutação é toda e qualquer alteração na sequência de bases do DNA. Para ser considerado um
polimorfismo e, como tal, ter valor discriminatório no genó�po de um indivíduo, o alelo raro em
um determinado locus deve estar presente em mais de 1% dos indivíduos da população. Isto
porque, com essa frequência, pressupõe-se que seja uma variação estável e, portanto, será
transmi�da às gerações seguintes.
Polimorfismo de comprimento
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Tipos de genes
De sequências curtas repe�das em tandem 
(Short Tandem Repeats – STR) ou microssatélites
De repe�ção em tandem de
número variável (Variable
Number of Tandem Repeats –
VNTR) ou minissatélites
Unidade básica das repe�ções
2 a 6 pares de bases 9 a 100 pares de bases
É a metodologia eleita para a �pagem de DNA de
ves�gios biológicos em geral, pois a técnica pode ser
aplicada em quan�dades diminutas de DNA, inclusive
com alto grau de degradação.
Atualmente, não é muito
u�lizado, pois a técnica exige
DNA íntegro e em grande
quan�dade.
 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela u�lize a rolagem horizontal
 Breve expalanação sobre os dois diferentes �pos de polimorfismo de comprimento. Fonte:
EnsineMe.
Diante de tudo que falamos até aqui sobre polimorfismo gené�co, importa saber que, considerando a
variação em um determinado locus e o �po de variação ali encontrado, as pessoas podem ser
individualizadas, gene�camente, com base no seu padrão de polimorfismo.
 ATENÇÃO
Considerando que as situações mais comuns na a�vidade da Gené�ca Forense são o teste de
iden�dade, onde uma mancha ou uma evidência biológica deve ser comparada a um perfil suspeito; e
o teste de parentesco, onde questões de relacionamento entre indivíduos são examinadas; a análise
das repe�ções em múl�plas cópias das sequências de nucleo�deos é suficiente para alcançar
resultados seguros e determinantes. No entanto, como veremos no próximo módulo, quando formos
tratar da iden�ficação de pessoas relacionadas a incidentes com múl�plas ví�mas fatais, veremos que,
de maneira a complementar as análises dos microssatélites, uma outra classe de polimorfismo,
chamado polimorfismo de nucleo�deo único, tem sido aplicada.
Vimos, então, o formato dos polimorfismos, agora, veremos, onde estão, no material gené�co de um
indivíduo, as regiões polimórficas e que �po de informações tais regiões são capazes de fornecer às
análises forenses.
REGIÕES POLIMÓRFICAS OU POLIMORFISMO GENÉTICO:
LOCALIZAÇÃO
No genoma, os polimorfismos podem ser encontrados nos:
CROMOSSOMOS 
AUTOSSÔMICOS
CROMOSSOMOS SEXUAIS 
(X E Y)
DNA 
MITOCONDRIAL
CADA TIPO POSSUI SEU PRÓPRIO MODELO DE HERANÇA E
CONTA COM UMA HISTÓRIA EVOLUCIONÁRIA DIFERENTE.
Novamente, vamos revisitar assuntos já tratados para que vocês possam avançar nos estudos
confiantes.
Dentro das células humanas, o DNA pode ser encontradono núcleo celular (DNA nuclear) e nas
mitocôndrias (DNA mitocondrial). Em separado, vejamos cada um deles.
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 38.
Na imagem, os cromossomos (autossômicos e sexuais) são visíveis no interior do núcleo da célula.
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 39.
Na imagem, o DNA mitocondrial é representado pelos filamentos retorcidos observados no interior da
organela.
DNA NUCLEAR
Considerando as 3 bilhões de bases nitrogenadas que compõem o genoma humano, se �véssemos
uma única molécula de DNA, ela teria que ser muito comprida e estaria sujeita a se romper com
facilidade.
ASSIM, EVOLUTIVAMENTE, O MATERIAL GENÉTICO DOS
ORGANISMOS EUCARIOTOS É DIVIDIDO E ORGANIZADO NOS
CROMOSSOMOS. NA ESPÉCIE HUMANA, NOSSO DNA ESTÁ
DIVIDIDO EM 46 CROMOSSOMOS.
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 40. A gênese de um indivíduo.
Isso não é novidade para vocês, não é mesmo? Assim como não é novidade que nossos cromossomos
foram herdados de nossos pais, e que os dos nossos pais foram herdados de nossos avós e, por aí,
vamos refazendo o caminho da nossa ancestralidade.
A herança gené�ca, diferente das heranças patrimoniais, é certa e imparcial, não havendo briga nem
desavença na transmissão do “patrimônio gené�co” dos pais para os filhos.
O pai fornece 23 cromossomos e, do mesmo modo, a mãe fornece, numericamente, os mesmos 23
cromossomos.
Quem entrega os cromossomos para o herdeiro são os gametas sexuais masculino e feminino.
Quando os gametas se encontram e se unem, forma-se o zigoto, que é o início da formação do novo
indivíduo e que, desde sua criação, passa a ter 46 cromossomos �picos da espécie humana,
organizando o material gené�co desse novo ser no núcleo de suas células.
Além da organização estrutural do DNA nos cromossomos, eles também têm um arranjo especial, no
qual um cromossomo, que foi herdado do pai, mantém com outro cromossomo, que é herdado da
mãe, uma relação de correspondência funcional.
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 41. Pela imagem, na qual são apresentados os carió�pos, é possível ver que os
cromossomos são numerados. Assim, o cromossomo de número 5 que foi herdado do pai é homólogo
do 5 herdados da mãe.
Em linhas gerais, podemos dividir os 23 pares de cromossomos homólogos em dois grupos: um
conjunto maior, no qual estão reunidos os 22 cromossomos autossômicos relacionados às
caracterís�cas comuns aos dois sexos biológicos da espécie humana; e um conjunto bem pequeno,
que se restringe a um par de cromossomos sexuais, que formam o par XX nas fêmeas e XY nos
machos. Em termos funcionais, os cromossomos sexuais são os responsáveis pelas caracterís�cas
próprias de cada sexo, que incluem, além dos órgãos reprodutores, genes relacionados ao dimorfismo
sexual.
Vejamos primeiro os cromossomos autossômicos e, em seguida, os cromossomos sexuais.
CROMOSSOMOS AUTOSSÔMICOS
Os cromossomos autossômicos, que são biparentais, armazenam o maior volume de informações
gené�cas do genó�po de uma pessoa. Dada a riqueza e a variedade do material gené�co presente
nesses cromossomos, os testes de DNA se concentram em analisar marcadores gené�cos localizados
nessas moléculas.
ESTES MARCADORES POSSUEM UM ALTO PODER DISCRIMINATÓRIO E
PERMITEM IDENTIFICAÇÕES PERSONALÍSSIMAS E SEGURAS, POR ISSO
SÃO MUITO UTILIZADOS NA GENÉTICA FORENSE, TANTO NA ÁREA
CRIMINAL, QUANTO PARA A DETERMINAÇÃO DE
PATERNIDADE/MATERNIDADE.
No que toca aos testes de paternidade baseados nos marcadores gené�cos de cromossomos
autossômicos, a imagem a seguir apresenta um esquema ilustra�vo que mostra a eficiência de
análises dessa natureza.
Observando a figura, nota-se, claramente, que os genes do filho foram herdados dos pais. As análises
de paternidade são baseadas em exames semelhantes ao ilustrado ao lado. Por certo, a fim de
garan�r a confiabilidade dos resultados, são analisados mais loci. No entanto, o que se busca, em
linhas gerais, é verificar o padrão de correspondência entre os genó�pos dos pais e do filho.
 Figura 42. A imagem ao lado esquema�za a �pagem do DNA para verificar vínculo biológico entre
o Indivíduo Filho e os Indivíduos Pai e Mãe.
 
Fonte: EnsineMe.
PARA FINS DE IDENTIFICAÇÃO HUMANA, UTILIZA-SE, COM MAIS
FREQUÊNCIA, O DNA DOS CROMOSSOMOS AUTOSSÔMICOS,
JUSTAMENTE DEVIDO À SUA ENORME RIQUEZA E VARIEDADE
POLIMÓRFICA E AO FATO DE AS INFORMAÇÕES GENÉTICAS, NELES
CONTIDAS, SEREM BIPARENTAIS.
Por outro lado, alguns fatores, como degradações estruturais, contaminações, exposição prolongada
ao meio ambiente etc., podem influenciar na qualidade das amostras biológicas, comprometendo a
idoneidade de seu material gené�co. Casos de escassez de material gené�co nas amostras também
podem inviabilizar o sequenciamento do DNA de cromossomos autossômicos. Nestes casos, análises
do DNA presente nos cromossomos sexuais e/ou nas mitocôndrias podem ser recomendadas e
contribuir para as inves�gações forenses. Ressalta-se, no entanto, que essas moléculas, como veremos
adiante, fornecem informações uniparentais e, por conta disso, sua aplicabilidade se restringe a
determinadas situações.
CROMOSSOMOS SEXUAIS OU HETEROSSOMOS
Os cromossomos sexuais X e Y também possuem polimorfismos do �po microssatélite e podem ser
u�lizados, adicionalmente, para suplementar a geno�pagem tradicional, feita com DNA de
cromossomos autossômicos. Entretanto, tendo em vista seu padrão de herança único, são análises
bastante restritas, sobretudo as relacionadas ao cromossomo Y.
SÃO VALIDADOS, ATÉ O MOMENTO, PARA FINS FORENSES, CERCA DE 100
MARCADORES GENÉTICOS PARA O CROMOSSOMO X E 20, PARA O
CROMOSSOMO Y.
O valor do poder de discriminação dos marcadores dos cromossomos sexuais varia de acordo com o
gênero e o �po de pesquisa. A imagem jus�fica tal questão.
Reparem na cor dos cromossomos X e Y nos pais e como eles são transmi�dos para os filhos. A análise
do material gené�co presente em tais cromossomos, pelo seu padrão de herança único, pode ser
par�cularmente ú�l para avaliações de relacionamentos entre indivíduos (grau de parentesco
biológico). No entanto, essas análises são uniparentais, como veremos adiante.
 Figura 43. No esquema ao lado, tem-se um casal, onde a fêmea (XX) e o macho (XY),
gene�camente falando, podem ter a prole indicada pelos corações pequenos.
 
Fonte: EnsineMe.
Assim, exames que u�lizam marcadores do cromossomo Y, presentes apenas nas células de
organismos masculinos, podem ser bastante úteis, par�cularmente, nos casos de violência sexual,
mistura de material gené�co masculino e feminino e em inves�gações de paternidade. Podem ser
u�lizados ainda na iden�ficação da linhagem paterna do doador da amostra, permi�ndo a
inves�gação familiar do suspeito.
DIFERENTEMENTE DO CROMOSSOMO Y, QUE É EXCLUSIVO DO SEXO
MASCULINO, O CROMOSSOMO X ESTÁ PRESENTE EM AMBOS OS SEXOS.
Os principais campos de aplicação das análises gené�cas com o cromossomo X são testes de
paternidade com suposto pai não disponível e outros testes complexos de parentesco. Casos de
paternidade padrão (duos e trios), geralmente, podem ser resolvidos apenas com marcadores
autossômicos. No entanto, devido ao seu modo específico de herança, existem várias situações em
que os marcadores X podem ser mais informa�vos do que os autossômicos, os do cromossomo Y ou
os marcadores mitocondriais. Vejamos esses casos:
Em casos de paternidade que envolvam parentes próximos como supostos pais, como pai e filho, o
poder de exclusão dos marcadores autossômicos é substancialmente reduzido e o dos cromossomos X
pode ser superior. Isto porque, na hipótese de os supostos pais serem pai e filho, eles não
compar�lham alelos do cromossomo X idên�cos por descendência, logo os marcadores do
cromossomo X seriam mais eficientes do que os autossômicos. Já no caso de os supostos pais serem
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irmãos, eles compar�lham em torno de 50% do cromossomo X materno, portanto, a mesma
probabilidade de um marcador autossômico.
Em casos de paternidade por deficiência, isto é, quando aamostra biológica de um suposto pai não
está disponível e o DNA de parentes paternos do presumido deve ser analisado. Quando duas
mulheres têm o mesmo pai, elas compar�lham o mesmo cromossomo X paterno. Uma inves�gação
dos marcadores em duas irmãs ou duas meias-irmãs pode, assim, excluir a paternidade, quando for
encontrada a presença de quatro alelos ou hapló�pos diferentes, mesmo quando nenhum dos pais
es�ver disponível para os testes. Os marcadores autossômicos não podem fornecer essas informações,
sendo essa a principal vantagem da aplicação do cromossomo X.
Atentem-se que marcadores gené�cos dos cromossomos Y não individualizam uma pessoa, pois
o mesmo conjunto de alelos é encontrado nos irmãos, �os, primos, pai, avô e demais indivíduos
que compar�lham uma mesma patrilinhagem. Devido a isso, são usualmente empregados em
testes de paternidade em que o suposto pai é falecido ou ausente.
DNA MITOCONDRIAL
Gene�camente falando, o DNA mitocondrial (DNAmit) é pobre em genes, considerando que contém
16.569 bases nitrogenadas. No entanto, é de interesse para a iden�ficação humana por causa do seu
alto grau de polimorfismo. Diferente do DNA cromossomal, o DNA mitocondrial é haploide. O genoma
mitocondrial é herdado exclusivamente da mãe.
DNA CROMOSSOMAL
O DNA cromossomal é diploide, pois são formados pela junção dos gametas haploides. Em se
tratando do DNA cromossomal, a exceção a esta regra é com relação ao cromossoma sexual do
homem, que por ser YX não é considerado um diploide perfeito.
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DNA MITOCONDRIAL
O cromossomo Y também é considerado haploide.
DNA nuclear
O DNA nuclear está presente em apenas duas cópias por célula.

DNAmit
Es�ma-se que existam de 2 a 10 cópias de DNAmit por mitocôndria, e que há entre 200 a 10.000
mitocôndrias por células, dependendo do �po de tecido.
No campo forense, embora somente com exames realizados com o DNAmit, na maioria dos casos, não
se possa incriminar ou absolver pessoas, é possível estabelecer conexões irrefutáveis entre
indivíduos(s) e o local do delito. Tal informação, somada a um conjunto probatório robusto, pode ser
determinante para os resultados das inves�gações.
VOCÊS DEVEM ESTAR SE PERGUNTANDO: “UÉ, MAS SE O PODER
DE DISCRIMINAÇÃO DO DNA MITOCONDRIAL NÃO É ALTO, POR
QUE USÁ-LO?”
 RESPOSTA
Bem, há algumas situações em que os marcadores polimórficos autossômicos têm poucas chances de
fornecer informações às inves�gações, como é o caso de ossos, dentes e cabelos (quando o bulbo
capilar não está presente). Outra vantagem do DNAmit em relação ao DNA nuclear é que, como em
uma célula há muito mais DNAmit do que DNA nuclear, ainda que aquele �po de DNA seja mais pobre
e limitado em informação gené�ca e, por isso, não permita iden�ficações personalíssimas em
amostras biológicas degradadas, o sequenciamento do DNAmit pode ser uma boa, quando não a
única, alterna�va.
SEQUENCIAMENTO DO DNAMIT
O sequenciamento do DNAmit foi u�lizado pela primeira vez na iden�ficação de restos mortais
de soldados que lutaram na Guerra do Vietnã. A tecnologia do DNAmit foi usada também na
iden�ficação de ví�mas do atentado de 11 de setembro de 2001, na cidade de Nova Iorque, nos
Estados Unidos.
Ressalta-se que, em testes de paternidade, o DNAmit pode ser usado para inves�gar uma mesma
linhagem materna. Entretanto, o DNAmit não tem aplicabilidade para pesquisas sobre linhagem
paterna.
TESTES DE PATERNIDADE
 
Fonte: Shu�erstock.com
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 Figura 44.
Os testes de paternidade são u�lizados quando se busca determinar vínculo biológico entre pai, mãe e
filho(a), através da tecnologia do DNA. As inves�gações de paternidade/maternidade podem ser de
três �pos, a depender dos doadores de material gené�co para as análises.
TESTE TRIO
TESTE DUO
TESTE POR DEFICIÊNCIA
TESTE TRIO
São realizados quando os personagens pai, mãe e filho(a) da suposta relação consanguínea fornecem
material biológico para os exames. Usualmente, estes testes são baseados em análises de DNA
autossômico.
TESTE DUO
São realizados quando a intenção é verificar o vínculo biológico entre filho e pai ou mãe, presente
para fornecer seu próprio material biológico. Neste caso, em geral, análises do DNA autossômico são
suficientes.
TESTE POR DEFICIÊNCIA
São realizados quando se busca conhecer a iden�dade de um dos progenitores, o qual não está
presente para fornecer seu próprio material gené�co, em razão de morte, desaparecimento ou, até
mesmo, recusa. Neste caso, através de parentes com vínculo biológico próximo, faz-se a reconstrução
do perfil gené�co do suposto pai/mãe ausente. Como vimos anteriormente, análises do DNA
autossômico podem não ser suficientes, sendo necessário que DNA de cromossomo sexual e/ou
mitocondrial sejam analisados também. A escolha da melhor metodologia depende do sexo do
pretenso filho, do sexo do suposto progenitor e do grau de vínculo gené�co dos parentes que
fornecerão material biológico para os exames. Em muitos casos, testes desta natureza são apenas
excludentes de paternidade/maternidade, pois os resultados das análises podem não ser confiáveis.
Há outros casos que o máximo que se consegue é indicar o núcleo familiar de consanguinidade do
pretenso filho.
FATORES QUE PODEM INTERFERIR COM O RESULTADO
DO TESTE DE DNA
O código gené�co de um indivíduo é uma informação de iden�dade muito segura e não é alterado por
drogas e álcool, ainda que consumidos em caráter abusivo; medicamentos, mesmo aqueles
controlados; alimentos, de todos os �pos; es�lo de vida; enfermidades, mesmo as mais graves; e
procedimentos cirúrgicos.
 Figura 45.
 
Fonte: Shu�erstock.com
DEFICIÊNCIAS FÍSICAS OU MENTAIS, INATAS OU ADQUIRIDAS,
TAMBÉM NÃO INTERFEREM COM O MATERIAL GENÉTICO DE
UM INDIVÍDUO.
 ATENÇÃO
Por outro lado, se o doador da amostra biológica recebeu transfusão sanguínea ou transplante de
medula nos úl�mos seis meses, é possível que o material gené�co da pessoa que forneceu o sangue
ou a medula possam interferir com o doador da amostra biológica que será u�lizada nos testes de
paternidade. Isso porque ainda estarão circulando em seu sangue células do sangue do doador.
Outra circunstância que pode limitar a iden�ficação da iden�dade de suposto pai ou mãe é em caso
de haver gêmeo univitelino. Neste caso, o DNA do suposto pai ou mãe é sequenciado, mas como
ele/ela possui um irmão(a) gêmeo(a) monozigó�co(a), gene�camente, não há como dis�nguir tais
pessoas.
CÁLCULOS DE PATERNIDADE
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 46. São u�lizados cálculos esta�s�cos para avaliar os resultados das amostras de DNA e
avaliar se existe parentesco entre elas.
Lembra quando dissemos que algumas con�nhas matemá�cas estão envolvidas nas análises de DNA?
Pois é, na verdade, não são meras con�nhas, e sim uma análise esta�s�ca feita para calcular a
probabilidade de um indivíduo ser pai ou mãe biológico de outro indivíduo, contra a probabilidade de
qualquer outro indivíduo da população ser.
ESSAS ANÁLISES SÃO NECESSÁRIAS PARA INDICAR A
CONFIANÇA DO TESTE DE PATERNIDADE, JÁ QUE SEU
RESULTADO TEM CONSEQUÊNCIAS SÉRIAS NA VIDA DAS
PESSOAS. DESTA FORMA, EMBORA A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA
NÃO TENHA ESTABELECIDO PARÂMETROS MÍNIMOS DE
CONFIABILIDADE PARA O RESULTADO DOS TESTES DE
PATERNIDADE, IDEALMENTE, SÓ DEVEM SER ACEITOS TESTES
EM QUE A PROBABILIDADE DE PATERNIDADE/MATERNIDADE
SEJA DE, PELO MENOS, 99,99%.
CASO PARA REFLETIR
Chegamos ao fim de mais um módulo. Com certeza, aprendemos bastante. Para encerrarmos nossa
compreensão sobre a potencialidade dos testes de DNA e o alcance de seus resultados, vamos
conhecer a história de Jenny.
 Figura 47.
 
Fonte: Shu�erstock.com
A HISTÓRIA DE JENNY
Jenny é americana e tem quatro irmãos, todos mais velhos. Desde sua adolescência, sempre quis
saber um pouco mais sobre seus ancestrais e, por causa disso, se dedicou a estudar a árvore
genealógica da família, tanto pelo lado da mãe quanto pelo do pai. Em 2015, curiosa para saber o que
ostestes de DNA poderiam revelar sobre sua origem étnica, encomendou um kit de análise em um
laboratório qualquer. Quando os resultados chegaram, as descobertas não foram surpresas e
revelaram que sua ascendência era prioritariamente britânica, havendo miscigenação com escoceses e
escandinavos.
Como diferentes laboratórios trabalham com diferentes bancos de dados, no ano seguinte, Jenny
realizou um novo teste em outro laboratório. Dessa vez, ela conseguiu convencer um de seus irmãos a
fazer também. Os resultados de ambos chegaram por e-mail, e de cara a frase “Relacionamento
es�mado: meio-irmão” a impactou. Na hora, ela pensou que alguém deveria ter errado. Mas quem?
Certamente, pensou, deve ter sido o laboratório, afinal, os exames foram muito baratos. Não, o
laboratório, não. Quem teria errado era o seu irmão, que, provavelmente, não fez o teste direito.
Atormentada pela dúvida, sob a jus�fica�va que precisava buscar outros ramos da genealogia da
família, Jenny pediu a uma prima de seu pai, uma senhora bem idosa, com mais de 90 anos, que
realizasse o teste de DNA. Quando a conclusão das análises do material gené�co da prima chegou,
Jenny ficou péssima. Ela e a prima não �nham nenhum vínculo biológico.
Obcecada, Jenny enviou testes de presente para seus outros três irmãos, descobrindo que todos eram
irmãos de pai e mãe iguais, enquanto ela compar�lhava com eles apenas a linhagem materna. O
exame de DNA da mãe também foi feito e confirmou o vínculo de Jenny com a mãe e os meios-irmãos.
Nesta época, Jenny �nha 50 anos. Durante toda a sua vida, foi criada por um homem que a amava e
que ela amava e, não só isso, que ela pensava ser seu pai. Fora isso, e seus irmãos e sobrinhos? Agora
eles eram meios-irmãos e meios-sobrinhos? Jenny não se sen�a mais totalmente da família e isso a
abalou profundamente.
A fim de �rar essa história a limpo, Jenny procurou a mãe, então com 87 anos e com a saúde bastante
frágil por conta de um câncer. Ao contar para a mãe sobre os testes de DNA, percebeu que esta
começou a tremer. Sem ter como negar, a mãe contou que havia traído o marido e acabou ficando
grávida do sujeito. Contou também que o marido nunca soubera de nada e havia morrido, há 10 anos,
acreditando ser o pai da Jenny, sem nunca ter suposto nada em contrário. Por fim, disse a Jenny que
nunca contou ao homem que ele �nha �do uma filha.
Jenny, que havia sofrido muito pela morte do pai, passou por um novo processo de luto, agora, pela
morte da filha que ela foi e pela que ela nunca foi.
COMO JÁ DISSEMOS, DESDE QUE OS TESTES DE DNA PASSARAM
DO CAMPO DA FICÇÃO PARA O MUNDO REAL, EM 1986, COM A
RESOLUÇÃO DO PRIMEIRO CASO FORENSE QUE VIMOS NO
MÓDULO ANTERIOR, A APLICAÇÃO DE EXAMES GENÉTICOS
TROUXE MUITOS BENEFÍCIOS PARA A HUMANIDADE,
REVOLUCIONANDO, SOBRETUDO, CONHECIMENTOS NA ÁREA
DE SAÚDE E DAS INVESTIGAÇÕES FORENSES.
Oscar Wild teria dito que é�ca diz respeito às coisas que fazemos quando todos estão olhando, e que
o caráter estaria relacionado com aquilo que fazemos enquanto ninguém está olhando. Será que a
tecnologia do DNA representa uma nova perspec�va para o caráter humano?
A RESPONSABILIDADE DO DNA NA
DETERMINAÇÃO DA PATERNIDADE
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. QUANDO ESTUDAMOS A VARIABILIDADE HUMANA, VIMOS QUE, FISICAMENTE,
SOMOS MUITO PARECIDOS, PORÉM A NOSSA DIVERSIDADE GENÉTICA É BASTANTE
VARIADA. CONSIDERANDO O QUE APRENDEMOS SOBRE ESSE ASSUNTO E OS
EXAMES DE DNA, MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA.
A) Como a variabilidade humana, em termos gené�cos, é bastante diversa, os exames de DNA para
inves�gação de paternidade não têm valor probatório, pois seus resultados indicam vínculos
biológicos possíveis, mas nunca determinantes de iden�dade.
B) Como os seres humanos são muito parecidos feno�picamente, as análises de DNA para
inves�gação de paternidade só são indicadas nos casos em que não há nenhuma semelhança �sica
entre os inves�gados ou quando um dos pais está morto ou ausente.
C) O DNA mitocondrial é a estrutura de armazenamento de material gené�co preferencial para os
testes de paternidade, pois es�ma-se que existam de 2 a 10 cópias de DNA nuclear por mitocôndria, e
que há entre 200 a 10.000 mitocôndrias por células, dependendo do �po de tecido.
D) O material gené�co mitocondrial pode ser u�lizado em testes de DNA quando as amostras
biológicas es�verem degradadas ou contaminadas. No entanto, ainda assim, as informações que essas
moléculas fornecem se limitam à linhagem materna.
E) A variação do DNA humano é bastante dis�nta em se tratando de pessoas sem relação de
consanguinidade. Por outro lado, pessoas de uma mesma família apresentam aspectos semelhantes
em seus genó�pos. Assim, pais, biológicos ou socioafe�vos, compar�lham parte de seu material
gené�co com seus filhos.
2. OS TESTES DE PATERNIDADE SÃO UTILIZADOS PARA DETERMINAÇÃO DE VÍNCULOS
BIOLÓGICOS ENTRE PAI, MÃE E FILHO ATRAVÉS DA TÉCNICA DO DNA. COM BASE NO
QUE ESTUDAMOS, MARQUE A OPÇÃO VERDADEIRA.
A) No caso do suposto pai ser um alcoólatra, o teste de paternidade é prejudicado porque o consumo
abusivo de álcool altera a estrutura da molécula de DNA.
B) Os testes de paternidade podem ser de quatro �pos: trio, duo, por deficiência de pai ou mãe, e por
degradação de material gené�co.
C) Os testes de paternidade do �po trio são os mais fáceis, pois são comparados materiais gené�cos
de todos os envolvidos presentes: pai, mãe e filho.
D) Os testes de paternidade por deficiência são assim chamados porque o suposto pai ou mãe
apresenta algum �po de deficiência, �sica ou mental.
E) Quando gêmeos univitelinos são os supostos pais de uma criança, para os testes de paternidade
serem conclusivos, a avó materna deve fornecer material gené�co.
GABARITO
1. Quando estudamos a variabilidade humana, vimos que, fisicamente, somos muito parecidos, porém
a nossa diversidade gené�ca é bastante variada. Considerando o que aprendemos sobre esse assunto
e os exames de DNA, marque a alterna�va CORRETA.
A alterna�va "D " está correta.
 
Em que pese a diversidade gené�ca do genoma humano, atualmente, dado o avanço da tecnologia de
DNA, é possível dis�nguir, gene�camente, um indivíduo em um pool gené�co cons�tuído por mais de
um trilhão de pessoas. Em todos os casos, é importante que se considere o limite da técnica, conforme
a situação gené�ca a ser estudada.
2. Os testes de paternidade são u�lizados para determinação de vínculos biológicos entre pai, mãe e
filho através da técnica do DNA. Com base no que estudamos, marque a opção VERDADEIRA.
A alterna�va "C " está correta.
 
No Brasil, um número bastante razoável de crianças não possui filiação paterna em seus registros. Na
busca de iden�ficar quem seria o suposto pai, aplica-se a tecnologia do DNA. No entanto, cada
situação exige uma estratégia de exames gené�cos diferenciada, pois nem sempre pai, mãe e filho
estão presentes para fornecer seus respec�vos materiais gené�cos e, assim, permi�r que os exames
sejam realizados de forma simples.
MÓDULO 4
 Iden�ficar os limites da Gené�ca como ferramenta principal ou coadjuvante em desastres com
múl�plas ví�mas fatais
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 48. A iden�ficação das ví�mas de um desastre em massa pode ser bastante desafiadora, e a
gené�ca apresenta instrumentos para viabilizar tal iden�ficação.
GENÉTICA APLICADA A INVESTIGAÇÕES DE
DESASTRES EM MASSA
Neste módulo, estudaremos mais uma área de aplicação da Gené�ca Forense: a iden�ficação de
pessoas em casos de desastres em massa. Antes de começarmos, precisamos conceituar o que é
considerado desastre em massa e quais são as par�cularidades de eventos de tamanha envergadura.
CONCEITO DE DESASTRES EM MASSA
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 49.
PONTE RIO NITERÓI
Ponte que liga os municípios do Rio de Janeiro e Niterói, no Estado do Rio de Janeiro.
Vire e mexe, quando parecia que ia tudo bem, boom!, acontece algum desastre terrível em algum
lugar. Por exemplo, no início do mês de outubro de 2020, houve um acidente na PonteRio Niterói,
envolvendo um caminhão e nove carros. Por sorte, ninguém ficou ferido. No entanto, por conta desse
desastre, quem estava no Rio de Janeiro e pretendia voltar para Niterói enfrentou um engarrafamento
de quase duas horas só para atravessar a ponte, o que, em condições normais, leva menos de 20
minutos.
Todos devem se lembrar do desastre que �rou a vida do jornalista Ricardo Boechat e do piloto do
helicóptero Ronaldo Qua�rucci, em fevereiro de 2019. Ah! E o desastre com o avião do então
candidato à presidência da República, nas eleições de 2014, Eduardo Campos? Naquele desastre, além
de Eduardo Campos, outras seis pessoas que estavam a bordo da aeronave morreram. E quanto à
tragédia do Morro do Bumba, em Niterói? Esse sim foi um desastre terrível: 267 pessoas morreram
após um deslizamento de terra. Até hoje, 20 anos depois, ainda há famílias que não receberam as
moradias prome�das pelas autoridades, o que para elas, sem dúvida, é mais um desastre em suas
vidas.
 
Fonte: Shu�erstock.com
Placa indicando zona de risco de tsunami, na província de Phuket, na Tailância, onde, na manhã de 26
de dezembro de 2004, um tsunami foi responsável pela morte de 230 mil pessoas.
 Figura 50.
Antes de prosseguirmos, vamos conhecer as definições do termo desastre de acordo com a língua
portuguesa:
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1) ACONTECIMENTO FUNESTO, GERALMENTE, INESPERADO,
QUE PROVOCA DANOS GRAVES DE QUALQUER ORDEM,
SOÇOBRO; 2) ACIDENTE QUE ENVOLVE MEIOS DE TRANSPORTE;
3) FRACASSO, GERALMENTE, PROFISSIONAL OU AFETIVO, QUE
TRAZ CONSEQUÊNCIAS DESAGRADÁVEIS, FIASCO; 4) QUALQUER
ACONTECIMENTO LAMENTÁVEL QUE OCORRE COM ALGUÉM
OU QUE É PRATICADO POR ALGUÉM DE MANEIRA
INVOLUNTÁRIA.
(MICHAELIS, 2020).
 
Fonte: Shu�erstock.com
Bem, por certo, todos concordamos com as definições apresentadas em tal �ra-dúvidas. Quem não
acha que é um desastre descobrir que seu carro não estava estacionado exatamente onde deveria
estar?
TODOS OS EXEMPLOS DADOS ACIMA SÃO DE DESASTRES. NO
ENTANTO, EM TERMOS DE DEFESA CIVIL, EXISTE UMA
DEFINIÇÃO TÉCNICA PARA O TERMO DESASTRE. POR ESTA
ÓPTICA, DESASTRE SERIA O RESULTADO DE EVENTOS
ADVERSOS, NATURAIS OU PROVOCADOS PELO HOMEM, SOBRE
UM SISTEMA VULNERÁVEL, CAUSANDO DANOS HUMANOS,
MATERIAIS E AMBIENTAIS E CONSEQUENTES PREJUÍZOS
ECONÔMICOS E SOCIAIS, CUJA RESPOSTA EXCEDERIA A
CAPACIDADE DA COMUNIDADE OU SOCIEDADE AFETADA DE
LIDAR COM A SITUAÇÃO UTILIZANDO SEUS PRÓPRIOS
RECURSOS.
DEFESA CIVIL
De acordo com a Secretaria Nacional de Defesa Civil, defesa civil pode ser compreendida como o
conjunto de ações de prevenção, mi�gação, preparação, resposta e recuperação com o obje�vo
de reduzir os riscos de desastre.
EVENTOS ADVERSOS
De acordo com a Secretaria Nacional de Defesa Civil, em análise de risco, evento adverso é a
ocorrência que pode ser externa ao sistema, quando envolve fenômenos da natureza, ou
interna, quando envolve erro humano ou falha do equipamento, e que causa distúrbio ao
sistema considerado.
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Sugerimos que vocês releiam a definição que acabamos de apresentar e, também, procurem saber
sobre um vazamento de óleo que ocorreu em janeiro de 2000, na Baía de Guanabara, ou sobre um
avião da companhia Air France que caiu no Atlân�co, durante um voo que saiu do Rio de Janeiro com
des�no a Paris, em junho, de 2009.
Esses dois acidentes exemplificam bem o que, à luz da técnica, chamamos de desastres em massa.
Reflitam sobre duas ideias trazidas tanto na definição acima apresentada quanto nos dois casos em
questão. Desastre é o resultado de eventos adversos que excede a capacidade da comunidade afetada
em lidar com a situação u�lizando seus próprios recursos. Completando esse entendimento, para ser
considerado um desastre em massa, tem que haver morte de pessoas. Agora ficou claro?
VAZAMENTO DE ÓLEO
Em 2000, um duto de óleo da Petrobrás rompeu-se e provocou um vazamento de mais de um
milhão de litros de óleo nas águas da Baía de Guanabara. A mancha, que se espalhou por uma
área de cerca de 50km², a�ngiu mais de 20 praias. O episódio, que não chegou a matar ou ferir
pessoas, entrou para a história como um dos maiores acidentes ambientais do Brasil.
AVIÃO DA COMPANHIA AIR FRANCE
Em 2009, por uma falha mecânica, um avião da companhia francesa Air France, que estava
fazendo um voo regular, saindo do Rio de Janeiro em direção a Paris, sem emi�r qualquer aviso
às torres de comando, caiu no Oceano Atlân�co e provocou a morte das 228 pessoas que
estavam a bordo.
Ficou claro também por que o vazamento de óleo, na Baía de Guanabara, em 2000, não é considerado
um desastre em massa, apesar de ter sido um desastre ambiental de grandes proporções?
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Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 52.
OPERAÇÕES DE RESPOSTA EM CASO DE DESASTRES
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 53.
Pela compreensão do conceito de desastre em massa, trazida pelos exemplos apresentados, podemos
concluir que os desastres são eventos repen�nos.
De acordo com a Secretaria Nacional de Defesa Civil, esta�s�camente, um evento é a ocorrência de
um acontecimento ou de um fenômeno aleatório, em um conjunto ou sistema determinado, o qual
pode ser previsto a priori. Mas, ainda que ele possa ser previsto, por via de regra, seu acontecimento
pega a muitos de surpresa e, por isso, são repen�nos.
 Figura 54.
 
Fonte: Shu�erstock.com
Desastres são eventos que, ainda que previsíveis, não avisam quando vão acontecer. O ocorrido no
município de Angra dos Reis, em 2010, ou na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, no ano
seguinte, são exemplos de como a previsibilidade do fato se combina com a imprevisibilidade do
momento nos desastres em massa.
Devido à imprevisibilidade de ocorrência de um desastre, é certo que as autoridades locais não estão
preparadas para lidar com a questão, que, aliás, exige respostas imediatas. Você se lembra onde
estava na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013? Pois é, naquela madrugada, em Santa Maria, no
Rio Grande do Sul, vários jovens estavam se diver�ndo na boate Kiss, quando houve um incêndio que
matou 242 pessoas e feriu outras 680. O município de Santa Maria, por óbvio, não �nha como
responder àquela tragédia com tantos mortos e feridos.
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ANGRA DOS REIS
Nas primeiras horas de 2010, em decorrência de fortes chuvas, ocorreram dois deslizamentos de
terra, em pontos diferentes da cidade fluminense de Angra dos Reis, que levaram cerca de 50
pessoas à morte. No deslizamento no Morro da Carioca, a ocupação irregular da encosta foi o
que determinou a tragédia. Já na Praia do Bananal, na Ilha Grande, o soterramento da Pousada
Sankay ocorreu porque esta estava no sopé de uma encosta.
REGIÃO SERRANA
Em janeiro de 2011, várias cidades da Região Serrana fluminense, como Petrópolis, Teresópolis e
Nova Friburgo, foram afetadas por enchentes e deslizamentos de terra que vi�maram, de forma
fatal, 916 pessoas. Nas áreas a�ngidas, observou-se um mesmo padrão de ocupação irregular
nas encostas de morros e nas margens de rios. Para quem compreende o problema da ocupação
irregular, a ocorrência de fatos desta natureza é absolutamente previsível, mas o momento não.
BOATE KISS
Exames periciais realizados depois da tragédia do incêndio na boate Kiss iden�ficaram
negligência quanto à segurança das instalações.
 ATENÇÃO
A capacidade de resposta é um dos principais problemas em caso de desastre, pois equipes de
resgate, corporações de polícia e perícia, serviços de emergência médica e todos os demais serviços de
uma localidade não possuem condições operacionais para atender às consequências de tragédia com
múl�plas ví�mas fatais, nos vários âmbitos de seu desdobramento.
Por isso, na ocorrência de um desastre em massa, quando a capacidade de atendimento de uma
localidade é superada, cabe às autoridades locais procurar ajuda imediatamente. A par�r daí, diversas
agências, com diferentes atribuições e limites legais,trabalharão de forma integrada e, assim, o
devido atendimento poderá ser prestado às ví�mas e aos seus familiares e amigos de forma célere e
eficiente.
Exemplos de agências governamentais que atuam em caso de desastre em massa: governos
municipal, estadual e federal, Corpo de Bombeiro, Secretarias de Defesa Civil, ins�tuições
policiais e periciais, Forças Armadas, serviços de atendimento móvel de emergência, hospitais
públicos, Ins�tutos Médicos Legais, laboratórios forenses públicos etc.
Exemplos de agências não governamentais que atuam em caso de desastre em massa:
companhias de abastecimento de água e esgoto, energia elétrica e gás, vários �pos de
organizações não governamentais etc.
CLASSIFICAÇÃO DOS DESASTRES EM MASSA
Os desastres em massa podem ser classificados com base em dois aspectos:
CAUSA MOTIVADORA
POPULAÇÃO ENVOLVIDA
Quanto à causa mo�vadora, os desastres podem ser classificados como natural, não natural e misto,
conforme esclarecido no quadro abaixo:
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Classificação dos desastres quanto à causa mo�vadora
TIPO
DE
CAUSA
CARACTERIZAÇÃO DA CAUSA EXEMPLOS
Natural
Desastres causados por força
da natureza, sem a
interferência humana.
Terremoto, maremoto, vendaval, erupção
vulcânica, inundações, deslizamento de
terra etc.
Não
natural
Desastres causados
exclusivamente por
interferência humana, seja por
ação seja omissão.
Acidentes de trânsito, distúrbios em locais
de concentração em massa, terrorismo,
guerra, acidentes em instalações �sicas etc.
Mista
Desastres causados por força
da natureza e interferência
humana associados.
Deslizamento de terra em encostas
ocupadas, alagamento de cidades, cujas
margens dos rios são ocupadas etc.
 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela u�lize a rolagem horizontal
Quanto à população envolvida, os desastres podem ser classificados como aberto, fechado e misto,
conforme esclarecido no quadro abaixo:
TIPO DE
POPULAÇÃO
CARACTERIZAÇÃO
DA POPULAÇÃO
EXEMPLOS
Aberta Desastres nos
quais o número
de ví�mas é
desconhecido.
Deslizamentos de terra em Angra dos Reis (2010) e
Região Serrana (2011), incêndio na boate Kiss
(2013) etc.
Fechada
Desastres nos
quais o número
de ví�mas é
conhecido.
Queda de avião da Air France (2009) etc.
Mista
Desastres que
envolvem as duas
situações
anteriores.
Rompimento de barragem em Mariana (2015) e
Brumadinho (2019), desastres que a�ngiram
funcionários que trabalhavam nesses locais
(fechado) e pessoas das cidades (aberto).
 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela u�lize a rolagem horizontal
LIMITAÇÃO DA APLICAÇÃO DA GENÉTICA FORENSE
EM DESASTRES DE MASSA
Diante de tudo que vimos até aqui, você consegue imaginar por que, embora o material gené�co seja
uma fonte de informações individualizadoras, em um caso de desastres em massa, a Gené�ca Forense
se depara com limitações à sua plena aplicação? Não? Então, iremos direto ao ponto!
 Figura 55.
 
Fonte: Shu�erstock.com
Note que, nos dois módulos anteriores, a iden�ficação de pessoas com o emprego da Gené�ca seguiu
um padrão semelhante de procedimento:
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 56. No local dos crimes, apesar de ser comum a presença de materiais biológicos, como o
sangue, é mais comum que poucos indivíduos sejam iden�ficados.
Em um local de crime, por mais que haja muitos ves�gios biológicos para serem coletados,
geralmente, a iden�ficação do material gené�co se restringe a um grupo pequeno de pessoas, às
vezes até há apenas duas pessoas, o criminoso e a ví�ma. Vimos que as amostras ques�onadas
coletadas na cena de crime são comparadas com amostras de referência da ví�ma, de eventuais
suspeitos e de bancos de dados de perfis gené�cos. Sem dúvida, é um trabalho rela�vamente
complexo, no entanto, não vai muito além disso.
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 57. Muitas vezes, para conseguir iden�ficar a iden�dade de uma amostra de DNA, é
necessário compará-la com amostras de parentes mais distantes, o que deixa mais complexo o
procedimento de iden�ficação.
Em casos de teste de paternidade, a complexidade da determinação da iden�dade do indivíduo pode
ser bem simples, como nas análises do �po trio, em que pai, mãe e filho se apresentam para doar suas
amostras biológicas; até rela�vamente complexas, nas situações deficitárias de material gené�co de
um dos progenitores, na qual através de parentes com vínculo biológico próximo, faz-se a
reconstrução do perfil gené�co do suposto pai/mãe ausente. Nos testes de paternidade, as poucas
amostras ques�onadas envolvidas são comparadas entre si e, dependendo da situação, com as
amostras de referências de alguns familiares. Portanto, o trabalho aqui também é rela�vamente
simples.
Entretanto, quando se trata de um desastre envolvendo múl�plas vidas, como foi o caso do incêndio
no supermercado Ycuá Bolaños, em Assunção, no Paraguai, em 2004, no qual 327 pessoas morreram,
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como iden�ficar todas essas pessoas? Considerando que os exames de DNA são análises
compara�vas, como buscar as análises de referência?
Sem dúvida, como vimos acima, há os desastres fechados, nos quais as autoridades sabem quem são
as ví�mas e, portanto, fica mais fácil, entre seus respec�vos familiares, coletar amostras de referência
para fins de comparação. No entanto, no caso do incêndio ocorrido no supermercado, as eventuais
ví�mas conhecidas seriam as pessoas que, em tese, estariam trabalhando no local, naquela hora. Com
relação aos clientes, o que dizer? Como saber quem estava lá? E reparem que, aqui, estamos falando
de um caso em que as ví�mas morreram queimadas ou asfixiadas, mas seus corpos estavam íntegros.
E nos desastres em que as ví�mas são subme�das a um grande impacto e seus corpos se fragmentam?
Em uma explosão na região portuária de Beirute, ocorrida em agosto de 2020, na qual 100 pessoas
morreram, muitos dos corpos foram fragmentados, o que aumenta, ainda mais, o esforço de
comparação, tendo em vista o número de amostras ques�onadas.
INCÊNDIO NO SUPERMERCADO YCUÁ BOLAÑOS
O supermercado Ycuá Bolaños, na verdade, era um complexo comercial de 3 andares, que
incluía, além do mercado, lojas, restaurantes e escritórios. Quando o incêndio começou, os
donos fecharam as portas para que os clientes não saíssem sem pagar. O incêndio levou cerca de
7 horas para ser controlado. 327 pessoas morreram.
COMO BUSCAR AS ANÁLISES DE REFERÊNCIA?
Não se esqueçam de que, usualmente, as ví�mas de desastres em massa são cidadãos comuns,
portanto, seu material gené�co não estará armazenado em banco de dados de perfis gené�cos
de criminosos e, até mesmo, em outros bancos de dados.
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REGIÃO PORTUÁRIA DE BEIRUTE
Na região portuária de Beirute, em agosto de 2020, inicialmente houve uma pequena explosão,
em seguida, incêndio e novas explosões culminaram com a detonação do material inflamável
que, por razões mal explicadas, estava sendo man�do no local. A onda de choque que se seguiu
a�ngiu letalmente as pessoas que estavam próximas ao epicentro das explosões, lançando-as
longe e fragmentando seus corpos.
 ATENÇÃO
Portanto, além da dificuldade que a realização de vários exames de DNA, simultaneamente, exige, em
termos de infraestrutura laboratorial, por vezes, a aplicação da Gené�ca Forense é limitada, como, por
exemplo: quando as amostras biológicas não contêm material gené�co de boa qualidade; quando a
discriminação de pessoas para o fornecimento de amostras de referência é di�cil ou impossível;
quando as análises não chegam a resultados conclusivos etc.
Por isso, como veremos em breve, no caso de desastres envolvendo múl�plas ví�mas fatais, aplica-se
uma metodologia aceita internacionalmente, na qual estão previstos procedimentos que integram
várias áreas cien�ficas para a iden�ficação de pessoas.
RECONHECER OU IDENTIFICAR: O QUE É MELHOR
FAZER?
Existe uma grande diferença entre reconhecer e iden�ficar. Vocês saberiam explicar? Vejamos:
 
Fonte: Shu�erstock.com Figura 58. Reconhecer ou iden�ficar, eis a questão.
RECONHECER
Iden�ficar alguém ou algo que se conheceu anteriormente.

IDENTIFICAR
Estabelecer a iden�dade de alguém ou algo através da soma de caracterís�cas coincidentes e da
exclusão de caracterís�cas discordantes.
Responda agora, a fim de confirmar a iden�dade de uma pessoa morta, o que é melhor, reconhecer
ou iden�ficar?
 RESPOSTA
Acertou quem disse IDENTIFICAR. A iden�ficação de pessoas, em caso de desastres em massa, não é
um processo único nem presun�vo. Ao contrário, ela é processada por método probabilís�co e
baseada em requisitos técnicos e biológicos.
Vejamos quais são esses requisitos:
Requisitos dos Métodos de Classificação
REQUISITOS BIOLÓGICOS
Unicidade
Caracterís�ca única, rara ou di�cil de ser encontrada, de modo que
apenas um indivíduo pode apresentá-la.
Imutabilidade Caracterís�ca estável, que não se altera com o passar do tempo.
Perenidade
Caracterís�ca duradoura, capaz de resis�r às agressões do meio
externo.
REQUISITOS TÉCNICOS
Pra�cabilidade Método de simples realização, fácil registro e baixo custo.
Classificabilidade
Método capaz de ser classificado de forma ú�l para rápida localização
em arquivos.
 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela u�lize a rolagem horizontal
Como veremos à frente, a fim de atender a critérios técnicos e biológicos, a metodologia de
iden�ficação de pessoas deve ser confiável e segura.
PREPARAÇÃO DO RIO DE JANEIRO PARA
ENFRENTAR EVENTUAIS DESASTRES EM MASSA
NOS JOGOS OLÍMPICOS DE 2016
PROCEDIMENTOS DE IDENTIFICAÇÃO DE PESSOAS
EM DESASTRES EM MASSA
A iden�ficação de ví�mas de desastres em massa é, sem dúvidas, uma das tarefas mais importantes
no contexto de uma tragédia. No entanto, devido à variabilidade de situações, tais como incerteza
quanto ao número de ví�mas envolvidas; possibilidade das ví�mas estarem queimadas e/ou
fragmentadas; probabilidade de haver ví�mas de nacionalidades diferentes e de vínculos socioafe�vos
e biológicos de di�cil acesso; várias agências trabalhando simultaneamente; existência de familiares e
amigos desesperados por informações; pressão da imprensa; possibilidade do desastre ser criminoso;
escassez de recursos etc., faz-se indispensável a adoção de uma metodologia padrão, que atenda aos
rigores técnico-cien�ficos e que seja aceita internacionalmente.
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 59. Os procedimentos de iden�ficação de pessoas devem ser corretamente u�lizados para
que seja viabilizada a descoberta da iden�dade das ví�mas.
ATUALMENTE, O MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE VÍTIMAS DE
DESASTRE DA ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DE POLÍCIA
CRIMINAL, MUNDIALMENTE CONHECIDA COMO INTERPOL,
APRESENTA UMA METODOLOGIA ACEITA
INTERNACIONALMENTE E QUE SERVE DE GUIA PARA A
ORIENTAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS DE IDENTIFICAÇÃO DE
PESSOAS AQUI NO BRASIL.
TIPOS DE MÉTODOS DE IDENTIFICAÇÃO
De acordo com a metodologia estabelecida pela INTERPOL, a iden�ficação de ví�mas de desastres em
massa deve ser fundamentada em dois �pos de métodos dis�ntos: primários e secundários. Veja, no
quadro abaixo, o que compreende cada método.
MÉTODOS PRIMÁRIOS DE IDENTIFICAÇÃO
São os métodos de eleição para a iden�ficação de pessoas, pois são baseados em
conhecimentos cien�ficos e produzem resultados seguros e confiáveis.
Papiloscopia Odontologia Forense Gené�ca Forense
MÉTODOS SECUNDÁRIOS DE IDENTIFICAÇÃO
São considerados métodos complementares ao processo de iden�ficação, portanto devem ser
considerados conjuntamente com o resultado de outros métodos e nunca de forma isolada.
Informações médicas Antropologia Forense Pertences da ví�ma
 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela u�lize a rolagem horizontal
Percebam que a adoção de tais métodos diferem completamente da ro�na de iden�ficação de
pessoas nos Ins�tutos Médicos Legais do Brasil e do mundo. Isso porque, no caso de desastres em
massa, os métodos tradicionais de iden�ficação por comparações individuais, baseados, na maioria
dos casos, em dados descri�vos, não são aplicáveis. Na ocorrência de desastres em massa, para que a
iden�ficação das ví�mas seja confiável e segura, necessita-se dividir as ações de iden�ficação em fases
dis�ntas e, com o uso de um banco de dados informa�zado, processar e comparar todas as
informações ob�das ao longo do processo. Vejamos que fases são essas para que você possa entender
melhor como funciona o processo.
INSTITUTO MÉDICO LEGAL
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O IML é o órgão oficial que realiza necropsias em casos de morte por causas externas, ou seja,
que decorrem de lesão provocada por violência (homicídio, suicídio, acidente ou morte
suspeita) e, também, de envolvidos em ocorrências da Polícia Civil. Seus serviços são
fundamentais para a proteção dos direitos humanos e para o fortalecimento do arcabouço
probatório e a consequente redução da impunidade. Fonte: Conselho Federal de Medicina.
FASES DO PROCESSO DE IDENTIFICAÇÃO DE PESSOAS
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 60. Diferentes etapas são necessárias para a iden�ficação de ví�mas por meio de análises
de DNA.
Fases do processo de iden�ficação de ví�mas em desastres em massa:
FASE NOME DESCRIÇÃO
1 LOCAL Envolve a�vidades que vão desde a recuperação de corpos,
restos humanos e toda sorte de ves�gios no local de desastre,
até o seu armazenamento temporário, previamente aos
exames no necrotério.
2 ANTE MORTEM
Envolve a coleta de informações das ví�mas com seus
familiares, amigos e demais pessoas próximas.
3 POST MORTEM Envolve o exame detalhado dos corpos e restos mortais.
4
RECONCILIAÇÃO
ou
COMPARAÇÃO
Envolve a contraposição das informações ante mortem e post
mortem.
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Segundo o protocolo de iden�ficação de pessoas estabelecido pela INTERPOL, ao final do processo,
um comitê de iden�ficação homologa o trabalho realizado e elabora um relatório, cujo resultado
embasa a declaração de óbito da ví�ma e a entrega do corpo e/ou dos restos mortais iden�ficados aos
familiares.
O DNA E A IDENTIFICAÇÃO DE PESSOAS EM
DESASTRES EM MASSA
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 61. Imagem ilustra�va do resultado de uma análise de DNA que será interpretado pelo
profissional habilitado.
Fonte: Shu�erstock.com
Ufa! Finalmente chegamos ao cerne dos nossos estudos, a aplicação da tecnologia de DNA para a
iden�ficação de pessoas. Atentem-se que aquilo que vimos anteriormente sobre os desastres em
massa são apenas a ponta do iceberg.
Há muitos detalhes e formalidades que não foram tratados, pois isso estenderia muito o nosso tema.
Por outro lado, o conhecimento que apresentamos é imprescindível para que você entenda as
dificuldades que o exame do material gené�co das ví�mas enfrenta.
A GENÉTICA FORENSE COMO FERRAMENTA DE
IDENTIFICAÇÃO DE PESSOAS EM DESASTRES EM MASSA
Sem dúvidas, a tecnologia do DNA é um método que preenche adequadamente os requisitos
biológicos de iden�ficação. Aliás, em comparação com os outros métodos primários, como a
Papiloscopia e a Odontologia Forense, é o único capaz de fornecer informações de iden�dade de
qualquer �po de tecido, desde que a amostra possua DNA em quan�dade e qualidade suficientes para
a realização dos exames.
 RECOMENDAÇÃO DE PROTOCOLOS E PRÁTICAS
Para fins de comparação, haja vista que os exames de DNA são sempre compara�vos, as amostras
biológicas coletadas nos corpos das ví�mas ou em fragmentos de corpos (amostras ques�onadas)
devem ser comparadas com amostras de referência, que podem ser diretas ou indiretas.
Amostras de referência diretas são aquelas ob�das da própria ví�ma a par�r de objetos (escova
de dente ou cabelo, roupa não lavada etc.) ou material biológico (amostra tecidual de biópsia,
amostra de sangue etc.) que guardariam o DNA da pessoa em momento anterior ao desastre.
Amostras de referência indiretas são aquelas ob�das de parentes. Quanto mais próximos e mais
parentes fornecerem amostras, maior será o poder discriminatório do resultado das análisesde
DNA.
O DNA COMO UMA FERRAMENTA PRINCIPAL DE
IDENTIFICAÇÃO
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O DNA é, seguramente, o melhor método de eleição para a iden�ficação de pessoas, haja vista sua
eficiência comprovada cien�ficamente. Na iden�ficação de ví�mas de desastres em massa, a aplicação
do DNA segue uma ro�na comum de análises, baseada no sequenciamento do DNA autossômico.
 Figura 63.
 
Fonte: Shu�erstock.com
Desde o trabalho pioneiro do gene�cista Alec Jeffreys, que, em 1986, conseguiu iden�ficar o criminoso
u�lizando marcadores gené�cos do �po minissatélites (VNTR), a tecnologia do DNA evoluiu muito.
Atualmente, são u�lizados marcadores do �po microssatélites (STR). No entanto, em cenários
inves�ga�vos em que o material gené�co é escasso ou muito degradado, tais como a iden�ficação de
ví�mas em desastres em massa, a recuperação de perfis gené�cos torna-se mais di�cil devido à perda
de STRs. Sendo assim, como comentamos no módulo passado, outra classe de polimorfismo gené�co
vem sendo u�lizada para que o acesso às informações biparentais dos cromossomos autossômicos
seja garan�do. Esta nova classe diz respeito ao Polimorfismo de Nucleo�deos Único (do inglês, Single
Nucleo�de Polymorphism - SNP).
OS SNPS SÃO CARACTERIZADOS PELA VARIAÇÃO DE UMA BASE
EM DETERMINADA POSIÇÃO DA SEQUÊNCIA GENÉTICA ENTRE
OS INDIVÍDUOS. ESSES POLIMORFISMOS SÃO EXTREMAMENTE
ABUNDANTES NO GENOMA HUMANO, HAVENDO
APROXIMADAMENTE UM SNP PARA CADA MIL NUCLEOTÍDEOS.
UM DOS DESAFIOS DESTA TÉCNICA É QUE, DIFERENTE DOS LOCI
STRS, OS LOCI SNPS FORNECEM MENOS INFORMAÇÕES
GENÉTICAS, SENDO NECESSÁRIA A ANÁLISE DE UM AMPLO
PAINEL PARA OBTER UM PODER DISCRIMINATÓRIO CONFIÁVEL,
EQUIVALENTE ÀQUELE ASSEGURADO PELAS ANÁLISES
BASEADAS NOS MICROSSATÉLITES.
No entanto, quando não há DNA autossômico em quan�dade e/ou qualidade suficiente para permi�r
a realização das análises ou garan�r a confiabilidade dos resultados, recomenda-se o sequenciamento
de marcadores gené�cos relacionados aos cromossomos sexuais e ao DNA mitocondrial. No entanto,
como já falamos, em alguns casos, as informações ob�das a par�r dessas análises se prestam, apenas,
a excluir pessoas ou a evidenciar possíveis vínculos biológicos entre pessoas, mas não a apontar a
iden�dade da ví�ma.
 RESUMINDO
Como vimos, dada a quan�dade de DNA mitocondrial em uma mitocôndria e a quan�dade de
mitocôndrias em uma célula, é possível encontrar uma boa quan�dade de DNA mitocondrial em uma
amostra biológica. Além disso, pela resistência à degradação desta molécula e devido ao
conhecimento técnico das regiões de polimorfismo do material gené�co mitocondrial, o
sequenciamento do DNA mitocondrial tem se mostrado um recurso muito ú�l para a iden�ficação de
pessoas em casos de desastres em massa. Seus resultados, por óbvio, não são determinís�cos, mas
podem ser usados para compor um conjunto de evidências relacionadas a uma ví�ma e, assim,
permi�r sua iden�ficação.
O DNA COMO UMA FERRAMENTA COADJUVANTE DE
IDENTIFICAÇÃO
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 64. Em alguns momentos, a análise de DNA precisa ser complementada com outros
métodos para propiciar a correta iden�ficação das amostras.
Como estudamos anteriormente, há algumas situações em o exame de DNA não consegue iden�ficar
inequivocamente uma pessoa. Vejamos:
Por exemplo, se dois irmãos gêmeos univitelinos es�verem entre as ví�mas de um desastre,
somente com o uso da tecnologia do DNA não será possível dis�nguir um do outro, sendo
necessário que informações advindas de outros campos do processo de iden�ficação sejam
usadas para determinar a iden�dade personalíssima de cada um dos irmãos.
Há casos, também, em que não há material gené�co em quan�dade suficiente e em boa
qualidade para ser coletado nas ví�mas, como, por exemplo, em corpos carbonizados. Nestas
situações, é possível conseguir fazer a �pagem do DNA mitocondrial e assim iden�ficar, pela
linhagem materna, que uma dada ví�ma estaria vinculada, biologicamente, a uma certa
família. No entanto, se entre as ví�mas houver irmãos ou mãe e filhos, novamente a
iden�ficação do material gené�co não será determinante para iden�ficar a ví�ma de forma
personalíssima.
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Quando, entre as ví�mas, há um filho adotado que não possui filhos, sua iden�ficação através
de DNA ficará absolutamente impossibilitada se não houver como coletar amostras de
referência diretas ou no caso das indiretas, de parentes biológicos próximos da ví�ma.
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Neste caso, dados papiloscópicos e médicos seriam fontes de informações indispensáveis à
iden�ficação individual. Além disso, informações quanto à tatuagem, prótese no corpo,
acessório de adorno (como relógio, brinco ou anel), ou ves�menta também poderiam ser úteis
para a iden�ficação da pessoa.
Para a resolução de casos assim, as informações gené�cas, quando possível, precisam ser
complementadas através de outros recursos de iden�ficação para que a iden�dade da ví�ma possa
ser determinada de forma inequívoca.
CONCLUSÃO DOS NOSSOS ESTUDOS
Chegamos ao final dos nossos estudos sobre Gené�ca Forense. Lembrem-se de que, aqui,
descor�namos uma pequena janela, mas, para aqueles que, de fato, querem conhecer o universo da
Gené�ca Forense e de sua potencialidade, há muito conhecimento para ser aprendido e ampliado.
Desejamos a você boa sorte e, quem sabe, no futuro, tenhamos entre nós um cien�sta laureado pelo
Prêmio Nobel? Por que não?
 Figura 65.
 
Fonte: Shu�erstock.com
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. DESASTRE EM MASSA É O RESULTADO DE EVENTOS ADVERSOS, NATURAIS OU
PROVOCADOS PELO HOMEM, SOBRE UM SISTEMA VULNERÁVEL, CAUSANDO DANOS
HUMANOS, MATERIAIS E AMBIENTAIS E CONSEQUENTES PREJUÍZOS ECONÔMICOS E
SOCIAIS, CUJA RESPOSTA EXCEDE A CAPACIDADE DA COMUNIDADE OU SOCIEDADE
AFETADA DE LIDAR COM A SITUAÇÃO UTILIZANDO SEUS PRÓPRIOS RECURSOS. COM
BASE NISSO, JULGUE AS ALTERNATIVAS ABAIXO EM VERDADEIRAS (V) OU FALSAS (F).
EM SEGUIDA, MARQUE A ASSERTIVA QUE CORRESPONDA À SEQUÊNCIA DA SUA
RESPOSTA. 
 
1) EM CASO DE DESASTRES EM MASSA, A GENÉTICA FORENSE É APLICADA DE FORMA
PLENA, NÃO HAVENDO NENHUMA DIFICULDADE PARA A REALIZAÇÃO DA TÉCNICA,
HAJA VISTA QUE QUALQUER LABORATÓRIO É CAPAZ DE REALIZAR EXAMES DE
SEQUENCIAMENTO DE DNA, INDEPENDENTEMENTE DA QUANTIDADE DE AMOSTRAS
A SEREM ANALISADAS E DA NECESSIDADE DE ENTREGAR OS RESULTADOS
RAPIDAMENTE. 
 
2) O EXAME DE DNA É UMA METODOLOGIA INTERNACIONALMENTE ACEITA. NO
ENTANTO, HÁ SITUAÇÕES EM QUE, DE FORMA ISOLADA, AS ANÁLISES DE DNA NÃO
CONSEGUEM IDENTIFICAR, CONCLUSIVAMENTE, A IDENTIDADE DA VÍTIMA. NESTAS
SITUAÇÕES, AS ANÁLISES DE DNA DEVEM SER COMPLEMENTADAS POR OUTROS
RECURSOS DE IDENTIFICAÇÃO PARA QUE A IDENTIDADE DA VÍTIMA POSSA SER
DETERMINADA DE FORMA INEQUÍVOCA. 
 
3) A GENÉTICA FORENSE, EM COMPARAÇÃO COM OS OUTROS MÉTODOS PRIMÁRIOS
DE IDENTIFICAÇÃO DE PESSOAS, COMO A PAPILOSCOPIA E A ODONTOLOGIA
FORENSE, É O ÚNICO CAPAZ DE FORNECER INFORMAÇÕES DE IDENTIDADE DE
QUALQUER TIPO DE TECIDO, DESDE QUE A AMOSTRA POSSUA UMA DNA EM
QUANTIDADE E QUALIDADE SUFICIENTES PARA A REALIZAÇÃO DOS EXAMES. 
 
4) POR ÓBVIO, AMOSTRAS DE REFERÊNCIA DIRETAS, OU SEJA, AQUELAS QUE SÃO
OBTIDAS DA PRÓPRIA VÍTIMA, A PARTIR DE OBJETOS, COMO ROUPAS USADAS E NÃO
LAVADAS, ESCOVA DE DENTES, ÓCULOS, UTENSÍLIOS DOMÉSTICOS ETC., NÃO SÃO
PASSÍVEIS DE SEREM OBTIDAS EM CASOS DE DESASTRES EM MASSA. 
 
5) EM UM DESASTRE EM MASSA CUJAS VÍTIMAS FORAM CARBONIZADAS, NÃO HÁ
QUE SE FALAR EM IDENTIFICAÇÃO DE PESSOAS, POIS NEM MESMO A TECNOLOGIA
DE DNA PODERÁ SER APLICADA NESTA SITUAÇÃO. 
 
 
AGORA, MARQUE A OPÇÃO QUE CORRESPONDA À SEQUÊNCIA DA SUA RESPOSTA.
A) 1-F; 2-V; 3-V; 4-F; 5-F
B) 1-F; 2-V; 3-V; 4-V; 5-V
C) 1-F; 2-F; 3-V; 4-V; 5-V
D) 1-V; 2-V; 3-F; 4-F; 5-F
E) 1-V; 2-F; 3-F; 4-F; 5-F
2. SEM DÚVIDAS, A TECNOLOGIA DO DNA É UM MÉTODO QUE PREENCHE
ADEQUADAMENTE OS REQUISITOS BIOLÓGICOS DE IDENTIFICAÇÃO. NESTE SENTIDO,
PARA QUE AS ANÁLISES DE DNA POSSAM SER REALIZADAS COM SUCESSO, É
IMPORTANTE QUE O GENETICISTAQUE IRÁ FAZER OS EXAMES TENHA UM BOM
CONHECIMENTO DA TÉCNICA. DAS ALTERNATIVAS ABAIXO, APONTE A ÚNICA NA
QUAL O GENETICISTA SE EQUIVOCOU QUANTO À ESCOLHA DA TÉCNICA DE
REALIZAÇÃO DOS EXAMES ADOTADA E/OU QUANTO AO RESULTADO ENCONTRADO.
A) Foi apurado que uma das ví�mas de um desastre em massa seria um homem, de 52 anos, casado,
com 3 filhos, que foi adotado por uma família. A fim de comparar a amostra de material gené�co
ques�onada desta ví�ma, o gene�cista solicitou que seus 3 filhos fornecessem amostras de
referência.
B) Ao processar as amostras ques�onadas de duas ví�mas de um desastre em massa, o gene�cista
constatou que as ví�mas seriam do sexo feminino e que o perfil gené�co de ambas era idên�co,
indicando que se tratava de irmãs gêmeas univitelinas.
C) Ao dar início às análises de DNA, o gene�cista percebeu que o material gené�co da amostra
ques�onada estava muito degradado, optando por realizar o sequenciamento do DNA mitocondrial. A
fim de comparar a amostra de material gené�co ques�onada desta ví�ma, o gene�cista solicitou que
fosse coletada amostra de referência da mãe da pessoa em questão.
D) A amostra biológica de uma das ví�mas de um desastre em massa possuía material gené�co em
boa qualidade e bastante farto. A fim de comparar a amostra ques�onada desta ví�ma, tendo em
vista que os supostos pais da pessoa não estavam em condições psicológicas, o gene�cista procedeu a
coleta de amostras de referência em uma prima da avó do pai.
E) Uma das amostras ques�onadas de uma ví�ma de desastre em massa estava bastante degradada.
O gene�cista, então, resolveu analisar o material gené�co de cromossomos autossômicos desta
ví�ma, u�lizando a técnica de Polimorfismo de Nucleo�deos Único.
GABARITO
1. Desastre em massa é o resultado de eventos adversos, naturais ou provocados pelo homem, sobre
um sistema vulnerável, causando danos humanos, materiais e ambientais e consequentes prejuízos
econômicos e sociais, cuja resposta excede a capacidade da comunidade ou sociedade afetada de lidar
com a situação u�lizando seus próprios recursos. Com base nisso, julgue as alterna�vas abaixo em
VERDADEIRAS (V) ou FALSAS (F). Em seguida, marque a asser�va que corresponda à sequência da sua
resposta. 
 
1) Em caso de desastres em massa, a Gené�ca Forense é aplicada de forma plena, não havendo
nenhuma dificuldade para a realização da técnica, haja vista que qualquer laboratório é capaz de
realizar exames de sequenciamento de DNA, independentemente da quan�dade de amostras a serem
analisadas e da necessidade de entregar os resultados rapidamente. 
 
2) O exame de DNA é uma metodologia internacionalmente aceita. No entanto, há situações em que,
de forma isolada, as análises de DNA não conseguem iden�ficar, conclusivamente, a iden�dade da
ví�ma. Nestas situações, as análises de DNA devem ser complementadas por outros recursos de
iden�ficação para que a iden�dade da ví�ma possa ser determinada de forma inequívoca. 
 
3) A Gené�ca Forense, em comparação com os outros métodos primários de iden�ficação de pessoas,
como a Papiloscopia e a Odontologia Forense, é o único capaz de fornecer informações de iden�dade
de qualquer �po de tecido, desde que a amostra possua uma DNA em quan�dade e qualidade
suficientes para a realização dos exames. 
 
4) Por óbvio, amostras de referência diretas, ou seja, aquelas que são ob�das da própria ví�ma, a
par�r de objetos, como roupas usadas e não lavadas, escova de dentes, óculos, utensílios domés�cos
etc., não são passíveis de serem ob�das em casos de desastres em massa. 
 
5) Em um desastre em massa cujas ví�mas foram carbonizadas, não há que se falar em iden�ficação
de pessoas, pois nem mesmo a tecnologia de DNA poderá ser aplicada nesta situação. 
 
 
Agora, marque a opção que corresponda à sequência da sua resposta.
A alterna�va "A " está correta.
 
A resposta a desastres em massa foge à normalidade da ro�na de um laboratório que, comumente,
realiza exames de DNA, seja pela falta de recursos �sicos seja pela incapacidade de processar tantas
análises simultaneamente. Por isso, em caso de desastres em massa, aplica-se uma metodologia
especial de iden�ficação, na qual estão englobadas, além da Gené�ca Forense, outras áreas do
conhecimento cien�fico.
2. Sem dúvidas, a tecnologia do DNA é um método que preenche adequadamente os requisitos
biológicos de iden�ficação. Neste sen�do, para que as análises de DNA possam ser realizadas com
sucesso, é importante que o gene�cista que irá fazer os exames tenha um bom conhecimento da
técnica. Das alterna�vas abaixo, aponte a ÚNICA na qual o gene�cista se equivocou quanto à escolha
da técnica de realização dos exames adotada e/ou quanto ao resultado encontrado.
A alterna�va "D " está correta.
 
A aplicação da Gené�ca Forense em casos de desastres em massa apresenta algumas par�cularidades
analí�cas, tendo em vista o universo amostral, tanto no que se refere às amostras ques�onadas das
ví�mas quanto à obtenção das amostras de referência. Há situações em que os exames de DNA,
inclusive, não são conclusivos ou, até mesmo, não podem ser aplicados.
CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
 
Fonte: Shu�erstock.com
 Figura 66. A Microbiologia e a Gené�ca já fornecem importantes instrumentos que podem ser
u�lizados para elucidar os crimes e a tendência é que sejam cada vez mais u�lizados.
Durante nossos estudos, �vemos contato com duas áreas cujos conhecimentos vêm trazendo novas
perspec�vas às inves�gações forenses: a Microbiologia e a Gené�ca.
Vimos que a Microbiologia Forense ainda é uma disciplina jovem, mas que, mesmo enga�nhando, já
mostrou seu potencial para determinar o uso de microrganismos no come�mento de crimes, seja em
circunstâncias pontuais seja em situações de bioterrorismo.
Vimos também por que a Gené�ca causa tanto deslumbramento no mundo forense, sendo,
atualmente, a principal ferramenta na iden�ficação de pessoas, que, na maioria dos casos, não têm
alterna�va senão aceitar o resultado das análises de DNA.
Conhecemos a aplicação do DNA nos testes de paternidade/maternidade, que contribuem para
elucidar casos diversos. Os desastres em massa, embora não tão frequentes e imprevisíveis, têm nos
testes de DNA ferramentas poderosas para a iden�ficação das ví�mas.
Entendemos a importância de análises laboratoriais confiáveis e seguras; da observância rigorosa da
técnica e da atualização do conhecimento, pois, tanto a Microbiologia quanto a Gené�ca têm
potencial para subsidiar, obje�vamente, inves�gações forenses elucida�vas e conclusivas.
Tudo o que acabamos de abordar trouxe um ponto de vista novo à medida que apresentou um campo
de trabalho diferente, atual e importante para a sociedade.
AVALIAÇÃO DO TEMA:
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TOLEDO JR, A. C. C. História da varíola. In: Rev Med Minas Gerais, 2005.
EXPLORE+
Para saber mais sobre os assuntos explorados neste tema:
Acesse:
A Lei 12.654, de 28 de maio de 2012 e se aprofunde sobre a legislação que regulamenta os
bancos de perfis gené�cos no Brasil.
O site da Legislação do Governo do Reino Unido e conheça a legislação que regulamenta os
bancos de dados na Inglaterra. Já para saber sobre a regulamentação dos bancos de perfis
gené�cos norte-americanos, acesse o site do FBI.
As páginas eletrônicas do Projeto Genoma Humano e da Organização Internacional de Polícia
Criminal. Nesses ambientes, você encontrará um universo rico em informações interessantes e
bastante atuais.
Leia:
O Manual de Iden�ficação de Ví�mas de Desastre, documento elaborado pela INTERPOL, e
conheça a metodologia de procedimentos de iden�ficação em casos de desastre.
A certeza que pariu a dúvida: paternidade e DNA, Biocrimes, microbial forensics, and the
physician e Biological warfare, bioterrorism, and biocrime, disponibilizado pela Clinical
Microbiology and Infec�on.
CONTEUDISTA
Rosemery Corrêa de Oliveira Almeida
 CURRÍCULO LATTES
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