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Principais Incêndios e Tragedias no Brasil
- Estação da Luz (1946)
O incêndio na Estação da Luz em 1946 foi um incêndio de grandes proporções que destruiu quase todo o edifício, no dia 6 de novembro. Um inquérito especial foi aberto para investigar ocorrido.
O incêndio foi lembrado retrospectivamente por jornais online após o incêndio no Museu da Língua Portuguesa em 2015.
LOCALIZAÇÃO: SÃO PAULO, BRASIL
TIPO: INCÊNDIO 
DATA: 6 DE NOVEMBRO DE 1946
- Clube Elite XXVIII de Setembro (1953)
O incêndio no clube Elite XXVIII de Setembro foi um incêndio ocorrido em São Paulo na noite de 13 de junho de 1953 no clube Elite XXVIII de Setembro, localizado na Rua Florêncio de Abreu, 259. O incêndio causou a morte de 58 pessoas e o ferimento de outras 100, tornando-se o pior da cidade até o incêndio no Edifício Joelma.
Localizado sobre uma loja de tecidos e comércio variado no primeiro andar do número 259 da Rua Florêncio de Abreu, o clube "Elite XXVIII de Setembro" era um clube frequentado pela classe pobre de São Paulo e possuía capacidade para 80 pessoas, porém sempre recebia público maior que sua capacidade. Por ser um clube de origem negra foi batizado de “28 de setembro”, pois nessa data foram proclamadas as leis do Ventre Livre (1871) e a dos Sexagenários (1885). Em junho de 1953 foi anunciada uma festa junina no dia de Santo Antônio. Os donos do clube solicitaram um alvará para a prefeitura de São Paulo e informaram uma previsão de público de 130 pessoas (embora essa previsão excedesse a capacidade do salão em 50 pessoas).
Na noite de 13 de junho compareceram ao "Elite" mais de 500 pessoas, lotando o pequeno salão. Por volta da meia noite irrompeu um pequeno incêndio em um imóvel contíguo ao clube. Notado por uma viatura da Polícia Civil, o incêndio foi comunicado ao Corpo de Bombeiros. Do quartel da Praça Clóvis partiram quatro viaturas e cinquenta homens, comandados pelo tenente Clóvis de Melo, para a Rua Florêncio de Abreu. Quando alcançaram o local às 0h25 de 14 de setembro, o incêndio havia se alastrado para o clube. Centenas de pessoas se comprimiam na única escada de acesso ao clube, localizado no primeiro andar do imóvel, enquanto outras se atiravam pelas janelas. A confusão no clube era tamanha que a multidão encurralada na escada tentou se agarrar aos bombeiros que tentavam abrir caminho para evacuar o clube. Durante o resgate o cabo dos bombeiros Antônio Duarte do Amaral e o investigador do DOPS Armando dos Santos morreram asfixiados após serem agarrados por dezenas de pessoas presas na escada de acesso ao clube.
A escada Magirus disponível era insuficiente para a evacuação dos frequentadores do clube e os bombeiros tiveram de usar mais três escadas convencionais prolongadas. Após controlar o incêndio, os bombeiros acessaram o clube e encontraram trinta corpos presos na escada. O prefeito recém-empossado Jânio Quadros compareceu ao local da tragédia de terno e pijamas. Ao ver dezenas de corpos, chorou e não fez declarações para a imprensa. Até a manhã de 14 de junho haviam sido removidos 58 corpos.
A causa do incêndio nunca foi determinada. Durante a investigação, as autoridades descobriram que o único destacamento de bombeiros que compareceu ao local não era aparelhado o suficiente para o resgate. A ausência de rádios de comunicação nas viaturas impediu o destacamento de solicitar reforços. Mais tarde foi descoberto que a prefeitura de São Paulo havia concedido alvará para a festa prevendo apenas oitenta pessoas e que a fiscalização de salões e boates há muito não era feita.
O cabo Antônio Duarte do Amaral recebeu homenagem póstuma da prefeitura de São Paulo, com seu nome denominando uma praça no bairro de Pinheiros.
Esse foi o pior incêndio ocorrido em São Paulo até o incêndio do Edifício Joelma em 1974 e o pior incêndio em boates no Brasil até o ocorrido no Incêndio na Boate Kiss.
DATA: 13 DE JUNHO DE 1953
LOCAL: CLUBE ELITE XXVIII DE SETEMBRO – RUA FLORÊNCIO DE ABREU, 259
LOCALIZAÇÃO: ZONA CENTRAL DE SÃO PAULO, SÃO PAULO, BRASIL
TIPO: INCÊNDIO
CAUSA: DESCONHECIDO
MORTES: 58
LESÕES NÃO-FATAIS: 70
- Gran Circus Norte-Americano (1961)
A tragédia do Gran Circus Norte-Americano foi um incêndio criminoso ocorrido em um circo, na cidade brasileira de Niterói, estado do Rio de Janeiro, em 17 de dezembro de 1961, com saldo de 503 pessoas mortas e mais de 800 feridos.
O Gran Circus Norte-Americano estreou em Niterói, em 15 de dezembro de 1961. Os anúncios diziam que era o maior e mais completo circo da América Latina. Tinha cerca de sessenta artistas, vinte empregados e cento e cinquenta animais. O proprietário, Danilo Stevanovich, havia comprado uma lona nova, que pesava seis toneladas e seria feita de Náilon - detalhe que fazia parte da propaganda. O Norte-Americano chegou a Niterói uma semana antes da estreia e instalou-se na praça Expedicionário, na avenida Feliciano Sodré, centro da cidade.
A montagem do circo demandava bastante tempo e muita mão de obra. Danilo contratou cerca de 50 trabalhadores avulsos. Um deles, Adílson Marcelino Alves, o “Dequinha”, tinha antecedentes na polícia por furto e apresentava problemas mentais. Trabalhou somente dois dias e foi demitido por Danilo Stevanovich. Dequinha ficou inconformado e passou a ficar rondando as imediações.
Na estreia, 15 de dezembro de 1961, o circo estava tão cheio, que Danilo Stevanovich mandou suspender a venda de ingressos, para frustração de muitos. Nessa noite, Dequinha tentou entrar no circo sem pagar o ingresso, mas foi visto e impedido pelo domador de elefantes, Edmilson Juvêncio.
No dia seguinte, 16 de dezembro, sábado, Dequinha continuava a perambular pelo circo e começou a provocar o arrumador Maciel Felizardo, que era constantemente acusado de ser culpado da demissão de Dequinha. Seguiu-se uma discussão e Felizardo agrediu o ex-funcionário, que reagiu e jurou vingança.
Na tarde de 17 de dezembro de 1961, Dequinha se reuniu com José dos Santos, o "Pardal", e Walter Rosa dos Santos, o “Bigode”, com o plano de atear fogo no circo. Eles se encontraram num local denominado "Ponto de Cem Réis", na divisa do bairro Fonseca com o centro da cidade, e decidiram colocar em prática o plano de vingança. Um dos comparsas de Dequinha, responsável pela compra da gasolina, advertiu o chefe sobre lotação esgotada do circo e iminente risco de mortes. Porém, Dequinha estava irredutível: queria vingança e dizia que Stevanovich tinha uma grande dívida com ele.
Com três mil pessoas na plateia, às 15h45, faltando vinte minutos para o espetáculo acabar, a trapezista Nena (Antonietta Stevanovich, irmã de Danilo) notou o incêndio. Em pouco mais de cinco minutos, o circo foi completamente devorado pelas chamas. trezentas e setenta e duas pessoas morreram na hora e com chegada das equipes de resgate, o número de vítimas fatais passou de quinhentas, das quais 70% eram crianças. Ironicamente, a fuga da elefante Sema da sua jaula, foi o que acabou por salvar a imensa maioria. O animal com sua força, arrebentou com parte da lona, abrindo caminho para um maior número de pessoas. A lona, que chegou a ser anunciada como sendo de náilon, era, na verdade, feita de tecido de algodão revestido de parafina, um material altamente inflamável.
Por coincidência, naquele dia, a classe médica do estado do Rio de Janeiro estava em greve e o Hospital Antônio Pedro, o maior de Niterói, estava fechado. A população arrombou a porta e os médicos em greve foram convocados através da rádio. Soldados do Exército Brasileiro compareceram ao hospital de imediato. Médicos de clínicas privadas também foram atender ao hospital. Circos, cinemas e teatros de Niterói, Rio de Janeiro e outras cidades vizinhas cancelaram seus shows e espetáculos para averiguar se haveria médicos entre o público, tal foi a dimensão da catástrofe. Padres também foram convocados emergencialmente para darem a unção dos enfermos (antes chamada extrema-unção) às vitimas que já se sabia que não tinham qualquer hipótese de sobrevivência. Nos dias seguintes, várias personalidades da elite fluminense e brasileiradeslocaram-se a Niterói para prestar o máximo de apoio e auxílio às vitimas. Dentre essas personalidades estava o então ex-presidente João Goulart.
As agências funerárias não tinham mãos e tempo a medir, tal era elevado o número de caixões que eram necessários para enterrar as vítimas. O Estádio Caio Martins foi transformado numa oficina provisória para a construção rápida de urnas, com carpinteiros da região a trabalharem dia e noite. Os cemitérios municipais de Niterói logo ficaram com os túmulos esgotados; assim, um terreno de roça no município de São Gonçalo, vizinho de Niterói, foi usada de urgência como cemitério para enterrar os restantes corpos.
Com base no depoimento de funcionários do circo que acompanharam as ameaças de Dequinha, ele foi preso em 22 de dezembro de 1961, assim como seus cúmplices "Bigode" e "Pardal".
Em 24 de outubro de 1962, Dequinha foi condenado a dezesseis anos de prisão e a mais seis anos de internação em manicômio judiciário, como medida de segurança. Onze anos após, em 31 de janeiro de 1973, ele fugiu da Penitenciária Vieira Ferreira Neto, em Niterói, e foi encontrado morto com 13 tiros no alto do morro Boa Vista, na mesma cidade. O autor do crime jamais foi descoberto. Bigode recebeu 16 anos de condenação e mais um ano em uma colônia agrícola. Finalmente, Pardal foi condenado a 14 anos de prisão, e mais 2 anos em colônia agrícola.
LOCAL: NITERÓI, RIO DE JANEIRO,BRASIL
DATA: 17 DE DEZEMBRO DE 1961
TIPO DE ATAQUE: INCÊNDIO CRIMINOSO
ALVO(S): O PRINCIPAL ALVO ERA CAUSAR PREJUÍZO AO CIRCO
MORTES: 503
FERIDOS: MAIS DE 800
SITUAÇÃO: CONCLUÍDO COM SUSPEITO FALECIDO
CONSEQUÊNCIA: MAIORES FISCALIZAÇÕES SOBRE ROTAS DE FUGA EM EVENTOS DO TIPO E PRISÃO DO SUSPEITO
MOTIVO: VINGANÇA POR DEMISSÃO
- Incêndio Florestal no Paraná (1963)
O Incêndio florestal no Paraná em 1963 foi um grande incêndio que ocorreu na década de 1960, no século XX, no estado do Paraná, Brasil. O incêndio atingiu principalmente a região do norte pioneiro e campos gerais do Paraná além de alguns municípios da região central e norte do estado. É ainda considerado um dos maiores incêndios ocorridos no Brasil e no mundo.
Em 14 de agosto de 1963 foram noticiados os primeiros focos de incêndios em Guaravera, Paiquerê e Tamarana, que eram distritos de Londrina.
Os meses de agosto e setembro são meses de fortes estiagem no Paraná e o estado vinha passando por um período bem seco. Ainda era inverno, a temperaturas ficaram baixas e os campos do Paraná estavam secos em razão das fortes geadas daquele ano. Como era de costume, os lavradores faziam pequenas queimadas para limpar o terreno. Com os fortes ventos, não demorou muito para o fogo avançar sem controle. Essa combinação de fatores foi o estopim para o fogo se alastrar pelo interior do Paraná.
Os incêndios começaram a atingir os municípios de Ortigueira, Tibagi, Arapoti, Jaguariaíva até Sengés. Atingindo as áreas rurais e aproximadamente 10% do território do estado foi consumido, cerca de dois milhões de hectares foram completamente devastados, sendo 20 mil hectares de plantações, 500 mil de florestas nativas e 1,5 milhão de campos e matas secundárias.
Mais tarde provocou a perda de pelo menos 15 milhões de araucárias. O relatório do governo estadual da época revelou que o município de Ortigueira teve 90% da área queimada. Mais de 70% das reservas florestais das Indústrias Klabin de Papel e Celulose, cultivadas em uma fazenda de Telêmaco Borba, se perderam. Só nesse local, 200 milhões de araucárias foram destruídas. O fogo cessou naturalmente com a volta da chuva.
Aproximadamente 8 mil imóveis, entre casas, galpões e silos, viraram cinzas. Cerca de 5,7 mil famílias – a grande maioria formada por trabalhadores rurais – ficaram desabrigadas. Tratores, equipamentos agrícolas e incontáveis veículos foram atingidos pelo incêndio. 
As queimadas causaram a morte de 110 pessoas. Entretanto, não chegaram a um consenso sobre o número de mortos, que teria sido entre 89 a 250, segundo os jornais da época. Deixou ainda milhares de feridos, desalojados e desabrigados. Além de perdas de vida humana, milhares de animais também foram mortos, entre animais silvestres e animais de criação. Os prejuízos foram enormes, devastando lavouras inteiras, reflorestamentos, muitas fazendas e vilas. Ao todo o incêndio atingiu 128 municípios paranaenses. Principalmente municípios da região do norte pioneiro e campos gerais, além de alguns municípios da região central e norte do estado. 
As perdas em todo o estado eram calculadas em 200 milhões de cruzeiros. O Paraná essencialmente agrícola na época, viu sua atividade econômica parar. Os incêndios repercutiram nacionalmente e estamparam as capas dos jornais. A ajuda para combater o incêndio veio de outros estados, com o fornecimento de helicópteros e aviões.
No dia 28 de agosto de 1963, durante o governo de Ney Braga, o estado do Paraná chegou a decretar estado de calamidade pública por causa dos incêndios.
Foram enviados ao estado medicamentos, ferramentas agrícolas, roupas e alimentos oriundos de diversos países, como Estados Unidos, Itália, Japão, China e Suíça.
A cidade de Tibagi, na época, se transformou numa central de queimados, recebendo no Hospital Luiza Borba Carneiro pacientes de todo o Paraná, vítimas de queimaduras. O hospital de Harmonia, em Telêmaco Borba, também deu suporte aos feridos.
A partir da década de 1960 o Paraná começou a trabalhar na prevenção contra incêndios, desenvolvendo uma parceira entre o governo do estado e empresas, criando assim um sistema de alerta de monitoramentos.
Em 1972 o engenheiro florestal Ronaldo Viana Soares, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), defendeu sua pesquisa de mestrado propondo a Fórmula de Monte Alegre (FMA) com base em registros de incêndios florestais coletados a partir da década de 1960 na fazenda Monte Alegre (da Klabin), em Telêmaco Borba. A FMA é um índice bastante simples e utiliza apenas a umidade relativa do ar às 13 horas e a precipitação para calcular o risco de incêndio. É um índice que possui 5 classes de risco e é cumulativo, portanto precisa ser calculado todos os dias.
PAÍS: BRASIL
LOCAL: PARANÁ
DATA: 14 DE AGOSTO DE 1963 – 18 DE SETEMBRO DE 1963
ÁREA QUEIMADA: 20 000 KM²
VITIMAS MORTAIS: 110
MOTIVO: AÇÃO HUMANA 
- Parque Estadual do Rio Doce (1967)
O incêndio no Parque Estadual do Rio Doce em 1967 foi um grande incêndio florestal que ocorreu no Vale do Rio Doce, localizado no estado de Minas Gerais, Brasil, na década de 1960. O Parque Estadual do Rio Doce (PERD), considerado como a maior reserva de Mata Atlântica do estado, conta com 35 976 hectares (h) segundo dados de 2019 - informações anteriores ao fogo davam conta que havia 30 mil hectares — distribuídos entre os municípios de Dionísio, Marliéria e Timóteo. Foi criado em 1944.
Em meados de setembro de 1967, durante uma seca prolongada, foi iniciado no parque um incêndio de causas desconhecidas que se estendeu por mais de um mês e consumiu mil hectares da reserva, administrada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF). Doze pessoas morreram no combate às chamas, após combatentes liderados pelo Sargento Agenor Almeida Costa serem cercados por uma linha de fogo no dia 18 de outubro, nas proximidades da Lagoa Dom Helvécio. Trata-se portanto do segundo maior incêndio florestal do Brasil em quantidade de vítimas fatais, perdendo apenas para o incêndio no Paraná em 1963, que deixou 110 mortos.
O fogo começou a ser controlado em 24 de outubro, depois de cerca de 30 quilômetros (km) de aceiros serem abertos, mas focos de incêndio continuaram ativos por pelo menos mais uma semana. Plantações na vizinhança e algumas habitações também foram atingidas. Apesar das dimensões da mata nativa destruída, as florestas da reserva não sofreram outro incêndio de grandes proporções e isso permitiu a regeneração natural da vegetação e do solo. 
O Parque Estadual do Rio Doce está localizado no Vale do Rio Doce, leste de Minas Gerais, uma região que teve sua Mata Atlântica nativa severamente devastada devido à extraçãode madeira destinada a alimentar os fornos das indústrias locais e para ceder espaço às atividades agropecuárias e à monocultura de eucalipto, ao longo do século XX. A unidade ecológica foi criada com a intenção de resguardar o último grande remanescente de floresta nativa dessa área, sob esforços de Dom Helvécio Gomes de Oliveira, arcebispo de Mariana, do então governador Benedito Valadares e seu secretário da agricultura Israel Pinheiro. Sua fundação ocorreu mediante o decreto-lei nº 1 119 de 14 de julho de 1944. Em função da devastação das matas próximas a proteção do PERD foi reforçada em 1962, quando o Instituto Estadual de Florestas (IEF) assumiu a administração. Incêndios ocasionais aconteciam até então, mas a vigilância começou a ser intensificada e áreas desmatadas foram reflorestadas. Por outro lado, não havia precedentes de incêndio na escala alcançada em 1967.
Informações da época mostram que a causa exata da origem do fogo é desconhecida, porém as primeiras suspeitas remetiam ao lançamento de ponta de cigarro, queimada em algum pasto que alcançou a unidade de conservação, motivação proposital ou mesmo combustão espontânea por causa do calor, em meados de setembro de 1967.  O major Vicente Rodrigues, comandante da Vigilância Rural, acreditava que a frente de fogo iniciada em Dionísio teria surgido por causa de ponta de cigarro deixada à beira de estrada, enquanto a frente na região da Fazenda Maringá, próxima ao rio Doce, na divisa entre Timóteo e Ipatinga, pode ter sido "sabotagem" por parte de contrabandistas de madeira, caçadores e pescadores revoltados com as fiscalizações policiais. Há menos de um ano havia sido proibido caçar e retirar madeira seca e a pesca foi restrita à Lagoa Dom Helvécio e aos finais de semana. Durante o incêndio uma pessoa foi detida ateando fogo na mata perto da Fazenda Maringá, porém não foram divulgados maiores detalhes. Mais tarde a hipótese de um cigarro foi depreciada pois o incêndio em Dionísio começou em meio à floresta. Recaíram suspeitas aos fornos de carvão próximos ao parque, que possivelmente soltaram faíscas. Segundo informações do Ministério do Meio Ambiente, o incêndio teria se iniciado com uma fogueira deixada por um turista.
Sabe-se ao certo que a região enfrentava uma seca prolongada e um período de altas temperaturas, o que contribuiu com o alastramento das chamas com ajuda do vento. Em uma estação pluviométrica operada pela Agência Nacional de Águas (ANA) em Coronel Fabriciano os únicos acumulados diários de precipitação acima de 3 milímetros (mm) no período de 21 de abril a 17 de novembro foram de 21 mm em 18 de maio e 11 mm em 14 de setembro, porém as precipitações estavam abaixo da média desde janeiro (a estação chuvosa vai de outubro a abril). Além disso, a equipe de vigilância do Parque Estadual do Rio Doce, formada por dez soldados, um cabo e o sargento Agenor Almeida Costa, era pequena em comparação à dimensão do parque. Se uma faísca iniciasse um incêndio em meio à mata dificilmente seria percebido de forma imediata, com tempo suficiente para proliferação de fogo.
A maior parte do fogo partiu das duas frentes citadas anteriormente. A primeira, originada perto de Dionísio, chegou a ser controlada por volta do dia 9 de outubro, mas quando estava quase extinta a segunda frente se iniciou próxima à Fazenda Maringá em 12 de outubro. Pouco depois uma nova frente voltou a ganhar intensidade perto de onde surgiu a primeira. Nesse momento a situação ficou muito pior, com o surgimento de outras linhas de incêndio, o aumento do calor e a intensificação dos ventos, proporcionando chamas que chegavam aos 40 metros de altura. Outra grande frente veio a surgir na região do córrego Limoeiro, em Timóteo. Em alguns momentos as labaredas avançavam a 20 quilômetros por hora.
A falta de pessoal capacitado e a ausência de equipamentos contribuíram com o aumento do incêndio. A maioria dos aceiros para impedir a propagação do fogo estavam sendo abertos com machados manuais e galhos de árvores. Cerca de 300 pessoas se empenharam no combate às chamas, a grande maioria de trabalhadores das empresas da região (Usiminas, Acesita e Belgo-Mineira). As empresas também temiam que as labaredas atingissem plantações de eucalipto e instalações de carvoarias que abastecem os fornos de seus complexos industriais. No entanto, ainda havia militares do Corpo de Bombeiros, Policia Militar e Vigilância Rural.
No dia 18 de outubro, o sargento Agenor, que passara três dias na mata fazendo aceiros na região de Dionísio, tentava retornar para casa depois de uma breve redução da atividade do fogo. Após percorrer 2 km em seu Jipe, acompanhado do soldado Cirilo, localizou uma intensificação das chamas e com isso decidiu retornar para combatê-las. Agenor formou uma equipe de 12 combatentes, que se puseram a produzir um aceiro no local por volta das 13h30min; Cirilo saiu da área para convocar outros homens. Segundo relatos de José Lino, trabalhador da Companha Agrícola e Florestal (CAF) e único sobrevivente do grupo, o incêndio começou a avançar com rápida velocidade pouco depois, sem tempo suficiente para que todos evacuassem o local devidamente. A fumaça também fez com que os homens ficassem desorientados na fuga. Desse modo, onze morreram carbonizados na hora (incluindo o sargento Agenor), um faleceu devido aos ferimentos na madrugada do dia 20 e José Lino, mesmo ferido, sobreviveu por ter conseguido alcançar um bote na Lagoa Dom Helvécio. Dentre as vítimas fatais, além do sargento, estavam funcionários da CAF, subsidiária da Belgo-Mineira, e um guarda florestal.
No decorrer de 19 de outubro, o incêndio cresceu muito e na manhã do dia 20 as duas frentes de fogo somavam 30 km de extensão. As linhas chegaram aos 40 km, sendo 20 km cada uma. Também em 20 de outubro, uma equipe de 87 bombeiros de Belo Horizonte chegou à região para ajudar no combate. Entretanto, devido à ausência de equipamentos, os soldados não conseguiram atuar na área e retornaram para a capital mineira pouco tempo depois. Para os bombeiros envolvidos a única esperança, a essa altura, era que chovesse forte e havia o temor que toda a reserva fosse consumida. Os tenentes Campos e José Luís sugeriram ao major Vicente que tratores fossem utilizados, visto que a entrada na mata estava se tornando impossível. Em 21 de outubro o governador de Minas Gerais Israel Pinheiro sobrevoou a região, mas não conseguiu ver nada por causa da fumaça.
Informações de 22 de outubro dão conta que as labaredas somavam 15 km de extensão, com homens trabalhando 18 horas por dia. As chamas começaram a ser controladas em 24 de outubro, após a abertura de cerca de 30 km de aceiros nas regiões da Lagoa Dom Helvécio, Fazenda Maringá e córrego Limoeiro por três equipes, com 30 trabalhadores da Companha Agrícola e Florestal cada, e o emprego de quatro tratores providenciados pelo capitão Manuel Pinheiro, da Patrulha Rural. Os aceiros formavam uma espécie de círculo que fez com que as linhas de fogo ficassem restritas a 15 mil hectares do Parque Estadual do Rio Doce, o equivalente a cerca de metade da reserva. Esse processo também protegeu grande parte das plantações de eucalipto, cerca de 20 mil hectares, porém existia o risco do fogo atingir áreas povoadas em Dionísio e Timóteo, caso o vento soprasse forte e constante por 48 horas seguidas. Apesar da mitigação do incêndio, ainda havia chamas em atividade nos últimos dias do mês, mas as notícias de novembro eram de que o fogo já estava cessado.
Além das 12 perdas humanas, o incêndio devastou aproximadamente 9 mil hectares do Parque Estadual do Rio Doce, o equivalente a um terço da reserva. Foram consumidos principalmente espécimes de peroba, jacarandá e ipês, bem como árvores centenárias e/ou que chegavam aos 30 metros de altura e Mata Atlântica nativa. Também foram queimados cerca de 30 hectares de plantações de eucalipto da CAF. Os prejuízos materiais foram de um bilhão e 500 cruzeiros ‘’antigos’’, o que inclui a madeira perdida, plantações vizinhas e casas em povoados rurais. Em 1969 foiiniciado um processo de reforma e reestruturação do parque pelo governo estadual para ser aberto ao turismo, o que vinha sendo planejado desde antes do fogo.
As florestas do parque não sofreram outro incêndio de grandes proporções e isso permitiu a regeneração natural da vegetação e do solo. Sendo assim, o PERD continuou a ser a maior reserva de Mata Atlântica do estado e com significativa relevância em relação à conservação de recursos naturais regionais. Algumas trilhas abertas aos turistas passam por áreas afetadas pelo evento de 1967, como por exemplo a do Angico Vermelho e do Vinhático, e vestígios do desastre são percebidos apenas quando mostrados pelos guias. Embora o monitoramento contra fogo tenha sido intensificado ao longo dos anos, a reserva ainda não está totalmente resguardada de novas ocorrências. Em setembro de 1993, ocorreu um incêndio que atingiu cerca de 100 h de mata nativa em Timóteo. Entre os dias 20 e 24 de setembro de 2019, um incêndio consumiu 484,2 h do Parque Estadual do Rio Doce entre Marliéria e Timóteo.
Durante o incêndio de 1967 três inquéritos foram abertos: um policial militar para averiguação da morte do sargento Agenor, um militar para apurar as mortes dos outros combatentes e outro para apuração das causas do fogo. O comandante Agenor Almeida Costa, falecido durante o combate às chamas, foi homenageado com a denominação dada ao 3º Pelotão de Meio Ambiente do Parque Estadual do Rio Doce, em Marliéria, que passou a ser chamado de Quartel Sargento Agenor de Almeida Costa em 21 de setembro de 2011. Na ocasião sua esposa Romilda Andrade Costa e familiares de outros combatentes também foram homenageados sob a presença da Banda de Música do 14º Batalhão de Polícia Militar.
PAÍS: BRASIL
LOCAL: PARQUE ESTADUAL DO RIO DOCE, MINAS GERAIS, BRASIL
COORDENADAS: 19º39’00’’S, 42º32’02’’O
DATA: SETEMBRO DE 1967 – OUTUBRO DE 1967
ÁREA QUEIMADA: 9 000 HECTARES 
FONTE DA IGNIÇÃO: DESCONHECIDO
VITIMAS MORTAS: 12 
FERIDOS: 1
MOTIVO: DESCONHECIDO, MAS AGRAVADO POR SECA PROLONGADA
- Edifícios Andraus (1972)
 O incêndio no Edifício Andraus foi um incêndio de grandes proporções que atingiu o Edifício Andraus, na tarde do dia 24 de fevereiro de 1972, matando 16 pessoas e ferindo 320. Até então, era o incêndio da história do estado de São Paulo, no Brasil, até ser superado pelo incêndio no Edifício Joelma, dois anos depois.
O Edifício Andraus fica na região central da cidade de São Paulo. Foi construído em 1957 e 1962, possuindo 31 pavimentos, mais o subsolo.
O fogo começou por volta das 16h20, na seção de crediário das Casas Pirani, localizado no terceiro andar. A loja ocupava cinco dos 27 andares do prédio. O fogo começou com um curto-circuito nos cartazes de propaganda da loja. Em menos de dez minutos, o fogo começou a se propagar para os andares inferiores, e então os superiores. Em duas horas, tomou conta de todo o prédio. Menos de uma hora após o início do incêndio, quase todas as guarnições do Corpo de Bombeiros estavam presentes no local. Eles usaram lenços úmidos para se proteger da fumaça, já que não havia máscaras suficientes.
Figueiredo Ferraz, então prefeito de São Paulo, mobilizou ambulâncias de todas as Secretarias da Prefeitura e das Administrações Regionais, carros-pipas e o único helicóptero funcional, que foi primeiro a chegar ao heliponto do edifício para resgatar as vítimas. Para o reconhecimento da área, o primeiro helicóptero fez algumas evoluções em volta do edifício, e pousou às 17h15 no heliponto, decolando com as primeiras pessoas resgatadas um minuto depois. Segundo o Acervo Folha, mais de cem vítimas foram salvas por helicóptero.  O Memória Globo diz que quinhentas pessoas foram resgatadas pelo heliporto.
O incêndio foi o primeiro a ser transmitido em uma grande cobertura da televisão. O comandante do Corpo de Bombeiros declarou, por volta das 21h30, que os trabalhos de rescaldos seriam iniciados. Os bombeiros ainda não estimavam um número total de mortos, já que o trabalho de resgate das pessoas que estavam no topo do edifício não havia terminado. O incêndio durou aproximadamente sete horas. Durante o período, toda a região em torno do Andraus ficou sem energia elétrica. 
De acordo com o IML, dezesseis pessoas morreram carbonizadas ou se atiraram pelas janelas, e outras 320 ficaram feridas.
Nilson Cazzarini, gerente-geral das Casas Pirani, foi condenado a dois anos de prisão, com direito a sursis.
O prédio foi reformado após o incêndio, ganhando parapeitos entre um andar e outro, portas corta-fogo, iluminação de emergência, escadas externas e brigada de incêndio treinada. A Sehab (Secretaria da Habitação) exigiu a revisão total da instalação elétrica de vários andares, removendo as extensões irregulares e o aquecimento excessivo dos disjuntores. Uma nova escada de emergência foi construída.
Em 2013, o especialista em prevenção de incêndios Sérgio Ceccarelli verificou que o edifício ainda tinha falhas quanto à proteção a incêndios, como falta de placas de indicação em hidrantes, extintores e saídas, além de portas corta-fogo abertas, permitindo a proliferação de fumaça.
Hoje, o edifício abriga repartições públicas.
HORA: 16H20
DURAÇÃO: 7 HORAS
DATA: 24 DE FEVEREIRO DE 1972
LOCAL: EDIFÍCIO ANDRAUS
TIPO: INCÊNDIO
CAUDAS: CURTO-CIRCUITO
MORTES:16
LESÕES NÃO-FATAIS: 320
CONDENADO(S): NILSON CAZZARINI 
- Edifícios Joelma (1974)
Incêndio no Edifício Joelma faz referência a uma tragédia ocorrida em 1º de fevereiro de 1974, no atualmente denominado Edifício Praça da Bandeira, na região central de São Paulo, Brasil, e que provocou a morte de 187 pessoas e deixou mais de 300 feridos.
O incêndio aconteceu menos de dois anos após outro prédio arder em chamas no centro da cidade, o Edifício Andraus. A tragédia do Joelma continua é o segundo pior incêndio em arranha-céu por número de vítimas fatais, atrás do colapso das Torres Gêmeas do World Trade Center em Nova York, em 11 de setembro de 2001.
Concluída sua construção em 1971, o Edifício Joelma foi imediatamente alugado ao Banco Crefisul de Investimentos. No começo de 1974, a empresa ainda terminava a transferência de seus departamentos, quando no dia 1º de fevereiro, às 8h45 de uma chuvosa sexta-feira, um curto-circuito em um aparelho de ar condicionado no 12º andar deu início a um incêndio, que rapidamente se espalhou pelos demais pavimentos. As salas e escritórios do Joelma eram configurados por divisórias, com móveis de madeira, pisos acarpetados, cortinas de tecido e forros internos de fibra sintética, condição que contribuiu sobremaneira para o alastramento incontrolável das chamas.
Quinze minutos após o curto-circuito era impossível descer as íngremes escadas, localizadas no centro dos pavimentos, que foram bloqueadas pelo fogo e a fumaça. Os corredores, por sua vez, eram estreitos. Na ausência de uma escada de incêndio, muitas pessoas ainda conseguiram se salvar ao contrariar as normas básicas e descer pelos elevadores, mas estes também logo deixaram de funcionar, quando as chamas provocaram a pane no sistema elétrico dos aparelhos e a morte de uma ascensorista no 20º andar.
Nos braços da mãe, que saltou para a morte no 15º andar, uma criança de um ano e meio foi salva em um dos episódios mais dramáticos do incidente. A multidão acompanhou o salto bem em frente ao prédio. O choro da criança, levada imediatamente ao Hospital das Clínicas, foi ouvido logo após o impacto da queda. No último andar, segundo o depoimento de Ivã Augusto Pires, coordenador do Serviço de Transportes da Câmara, um rapaz jogou-se ao chão e aproximou-se de gatinhas da borda do terraço. Mas uma labareda fez com que ele escorregasse e ficasse suspenso no ar, segurando no parapeito até não mais aguentar e despencar na rua.
Sem ter como deixar o prédio, muitos tentaram abrigar-se nos banheiros e parapeitos das janelas. Outros sobreviventes concentraram-se no 25º andar que tinha saída para dois terraços. Lembrando-se de um incidente similar ocorrido no Edifício Andraus, dois anos antes, em que as vítimas foram salvas por um helicóptero,que pousou em um heliponto no topo do prédio, elas esperavam ser resgatadas da mesma forma.
Na rua os bombeiros tentavam agir em meio à confusão estabelecida pela Polícia Civil, curiosos, PMs, médicos, enfermeiros, soldados do Exército e até escoteiros. Homens e mulheres, alguns em trajes menores, os rostos escurecidos pela fuligem, agitavam-se freneticamente nas janelas tentando chamar a atenção. Mas os helicópteros não conseguiam pousar no terraço escaldante e seus cabos de aço pendiam inutilmente. As escadas Magirus, de 40 metros, não chegavam aos andares mais altos. No 20º andar, seis pessoas se equilibravam-se em um pequeno patamar. Quase não havia lugar para todas. Um rapaz de terno azul agarrava-se muito precariamente a uma parte saliente, uma das pernas já do lado de fora do edifício, como se fosse saltar. Embaixo, os bombeiros acenavam e pediam calma. O fogo acabou, só um pouco mais de paciência, gritava um policial por um megafone. Outros pintaram num amarelo muito vivo, sob grandes faixas de pano - O fogo já apagou! E Coragem, vamos salvá-los! O som do megafone aparentemente não chegou a eles, mas ao ver as faixas um dos rapazes fez um sinal positivo com o polegar, puxou um lenço verde e acenou.
O Corpo de Bombeiros recebeu a primeira chamada às 9h03. Dois minutos depois, viaturas partiram de quartéis próximos, mas devido às condições adversas no trânsito, só chegaram no local às 9h10, quando as chamas já atingiam o 20º andar e várias pessoas começaram a se atirar do prédio.
O socorro mobilizou 1 500 homens, entre bombeiros e tropas de segurança, as equipes de cinco hospitais estaduais e outros particulares, quatorze helicópteros, trinta e nove viaturas e todas as ambulâncias da rede hospitalar. Todos os carros-pipa da Prefeitura e vários particulares, além de um grande número de voluntários que antecederam os pedidos das autoridades para doação de sangue. A fim de garantir o livre acesso de ambulâncias e de veículos dos bombeiros ao prédio incendiado, convocaram-se tropas de choque do Regimento 9 de Julho, do Exército e da Polícia Militar, além da Companhia de Operações Especiais e do Departamento do Sistema Viário. Um esquema de emergência foi armado nas imediações do prédio, onde se concentraram milhares de curiosos.
Aos 250 bombeiros da capital, juntou-se o reforço de um destacamento de Santo André. Policiais Militares especializados, da Companhia de Operações Especiais (COE) também participaram do trabalho de socorro. Quando a primeira guarnição chegou, comandada pelo sargento Rufino Rodrigues de Oliveira, o fogo consumia só o centro do prédio, mas avançava rapidamente para tomar toda a estrutura. O sargento lamentou não ter podido vir de helicóptero para lançar cordas e escadas pelas laterais ainda intactas do edifício. Como estavam de carro-tanque e as escadas Magirus ainda não haviam chegado, começaram a atirar cordas para subir. O sargento conta que ao chegar ao 12º andar, sua primeira providência foi apagar três corpos em chamas. Logo que uma das quatro escadas Magirus foi instalada, organizou a descida.
Ele carregava pela escada uma menina desmaiada quando uma pessoa se jogou do 19º andar e bateu no corpo de uma outra, que também se jogara do 16º. O peso dos dois arrancou a garota de suas costas e ele só não caiu porque seu pé se enganchou num dos ferros laterais da escada. Na queda morreram dois, mas o que pulou do 19º andar se salvou com ferimentos graves. Os bombeiros usaram quatro jatos de água combatendo o fogo, mas logo de início tiveram problemas, pois os hidrantes da região estavam com defeito. A solução chegou quando a Prefeitura enviou ao local trinta caminhões-pipa. A exemplo do que ocorrera no incêndio do Edifício Andraus, faltavam equipamentos, embora desta vez tenham podido usar duas novas escadas de 45 metros que foram anexadas às menores para chegar ao 16º pavimento.
Enquanto um grupo de bombeiros tentava penetrar no prédio, outros procuravam salvar pessoas que se encontravam nas janelas pela parte externa com as Magirus. Um helicóptero do SAR, da FAB, fazia o resgate dos sobreviventes que se encontravam no telhado e que eram auxiliados por homens do COE e pelos tripulantes. Outros treze helicópteros do Governo e de empresas particulares não puderam aproximar-se muito, mas atiraram cordas, sacos de leite e água e tubos de oxigênio aos que se achavam no teto. Depois participaram do transporte dos feridos para os hospitais.
De acordo com o testemunho de um bombeiro, passava das dez da manhã quando os corpos começaram a cair como moscas. Todos queriam sair do edifício de qualquer maneira. Alguns chegaram a pular três andares, com o risco de despencar, para alcançar os andares inferiores onde chegavam as Magirus. O primeiro a se atirar estava no 15º andar. Durante mais de uma hora ele gritou por socorro, desesperado, as vezes encoberto pela fumaça. Pessoas apavoradas tentavam fazer cordas com tiras de pano, que acabavam arrebentando, não resistindo ao peso do corpo humano. Uma mulher, só de calcinha e sutiã, morreu assim, a cabeça esmigalhada na calçada.
Os cadáveres se amontoavam na rua, protegidos por cobertores, jornais e capas de chuva. Vários minutos depois, um caminhão da polícia e algumas ambulâncias recolheram os primeiros cadáveres e os levaram ao Instituto Médico Legal. No 8º andar os bombeiros encontraram pelo menos onze cadáveres abraçados. O fogo tinha praticamente soldado os corpos.
No 12º andar, dezessete pessoas que o capitão Mazzelli, comandante do COE, pretendia salvar, já estavam mortas quando ele chegou. O oficial subiu com um destacamento especializado. Diante do quadro trágico, cinco mortos no banheiro e doze no saguão, o batalhão começou a sentir-se mal e teve que ser retirado pelo helicóptero. Em outra tentativa de salvamento pelo pessoal da FAB, os bombeiros não conseguiram descer no telhado, não somente pelo intenso calor, mas pelo forte cheiro de carne incinerada. Em volta do edifício a multidão rompia os cordões de isolamento e os militares precisaram muitas vezes usar da força para conter os curiosos. As operações eram orientadas pelo próprio Comandante-geral da Polícia Militar, Coronel Teodoro Cabette, e pelo Secretário de Segurança Pública, General Sérvulo Mota Lima, que foram para a área logo que tomaram conhecimento da tragédia. Policiais e bombeiros lamentaram que muitas pessoas tenham morrido por falta de calma ao se atirarem do prédio.
Apenas uma hora e meia após o início do fogo é que o primeiro bombeiro conseguiu, com a ajuda de um helicóptero do Para-Sar, o único potente o suficiente para se manter pairando no ar enquanto era feito o resgate, chegar ao telhado. Já então muitos haviam perecido devido à alta temperatura no topo do prédio, que chegou a alcançar 100 graus célsius. A maioria dos sobreviventes conseguiu se salvar por se abrigar sob uma telha de amianto. Quinze bombeiros ficaram intoxicados pela fumaça e muitos fizeram críticas por conta do parco equipamento que dispunham, além dos regulamentos então vigentes de prevenção a incêndios na capital. O Código de Obras do Município de São Paulo, datado de 1934, não dispunha da obrigação de instalações de equipamentos contra o fogo e nem exigia a construção de escadas de emergência. Os recursos concedidos ao Corpo de Bombeiros eram insuficientes, assim como o efetivo da corporação era bastante diminuto.
Por volta de 10h30, o fogo já havia consumido praticamente todo o material inflamável do prédio. O incêndio foi finalmente debelado com a ajuda de doze autobombas, três autoescadas, duas plataformas elevatórias e o apoio de dezenas de veículos de resgate.
Apenas às 14h20, todos os sobreviventes haviam sido resgatados.
- Linha do Tempo da tragédia
	8h45 - Início do incêndio no 12º andar. Um curto-circuito no ar condicionado seguido de uma explosão inicia a tragédia. Em pouco mais de 5 minutos as chamas chegariam ao 25º andar.
	8h49 - As chamas atingem o 13º andar. Tem início o pânico.
	8h55 - Os grandes rolos de fumaça são vistos em todo o centro da cidade. Correriageral. Os bombeiros são informados do incêndio pelos porteiros do Hotel Cambridge.
	9h - As chamas tomam conta de praticamente todo o miolo do prédio e a fumaça é geral.
	9h05 - No topo do edifício inúmeras pessoas se aglomeram, enquanto outras conseguem sair pelo andar térreo. As chamas continuam subindo e chegam ao 20º andar. Ao longe se ouvem as sirenes dos bombeiros e das ambulâncias.
	9h10 - As duas primeiras viaturas do Corpo de Bombeiros chegam quando algumas pessoas já se atiram do alto do edifício.
	9h15 - As primeiras ambulâncias chegam e começam a remover alguns corpos estendidos no asfalto.
	9h20 - Inúmeras pessoas se jogam do alto do edifício.
	9h25 - Chegam mais ambulâncias e viaturas do Corpo de Bombeiros. Os primeiros carros-tanque aparecem.
	9h30 - A confusão é total na área e a polícia coloca cordões de isolamento. A multidão fica nas proximidades do Viaduto do Chá, Vale do Anhangabaú, Praça da Bandeira, Avenida 9 de Julho, Rua Xavier de Toledo e Viaduto Maria Paula. Na Ladeira da Memória as pessoas se ajoelham para rezar.
	9h35 - Chegam as unidades móveis de saúde da prefeitura. Os helicópteros da Prefeitura, do Estado, da FAB e de firmas particulares se aproximam, sendo aplaudidos pela multidão. Algumas explosões, talvez de botijões de gás, aumentam o pânico. Caem vitrais do prédio na Rua Santo Antônio. Bombeiros e policiais empurram a multidão. Algumas pessoas improvisam uma corda, com uma cortina, e descem até a escada Magirus. Do 14º andar um corpo cai na Rua Santo Antônio.
	9h40 - Diversas pessoas se jogam dos andares e os bombeiros lançam quatro grandes e longos jorros d'água sobre o prédio já totalmente tomado pelas chamas. Os primeiros destroços caem no asfalto, misturando-se aos corpos estendidos. O trânsito da cidade está completamente engarrafado e já pode ser calculado em torno de 500 mil o número de pessoas que se aglomeram no centro para ver o incêndio. Uma mulher que descia por uma corda improvisada, cai, escorregando de cabeça para baixo, até atingir o primeiro grupo de pessoas que trabalham no resgate e que detêm sua queda. Um estrondo no centro do edifício produz uma luz azulada. Outro corpo cai.
	9h45 - A confusão é total e o Corpo de Bombeiros coloca uma escada Magirus, conseguindo salvar do 13º andar pelo menos treze pessoas que descem rapidamente. Uma garota se joga do alto do edifício.
	9h50 - No local já se encontram o Secretário da Segurança Pública do Estado, o Comandante da Polícia Militar e o prefeito Miguel Colasuonno. Um corpo de homem cai na calçada da Avenida 9 de Julho junto às viaturas do bombeiros. A seguir, outro corpo, justamente quando três helicópteros sobrevoavam o local, tentando o salvamento.
	9h55 - No topo do edifício a confusão é total. A multidão implora e frases são escritas no asfalto pedindo calma, muita calma. Algumas pessoas ameaçam se jogar. Outras atiram roupas e sapatos. Alguns são vistos nas janelas dos banheiros de alguns andares à espera de socorro. Uma mulher, no 13º andar, ao lado de mais três pessoas, faz o sinal da cruz, e salta para a escada dos bombeiros que chegava apenas ao 12º andar. É salva.
	10h - Os bombeiros começam a retirar através de escadas alguns sobreviventes nas janelas do prédio e nos vãos dos andares. As operações de salvamento duram entre 20 e 30 minutos. Os helicópteros tentam encostar-se mais nas paredes para salvar pessoas nas janelas e no topo do edifício. Um rapaz, no 16º andar, tira as roupas e faz uma corda para chegar ao 13º. Por ela descem outras pessoas. Quando chegou sua vez, despencou para a morte. No asfalto, em letras enormes, brancas e amarelas, lê-se: "Deitem-se e esperem o salvamento".
	10h05 - Chegam helicópteros particulares, do Governo do Estado e da Força Aérea Brasileira que usam como base de operações o heliporto da Câmara Municipal, distante cerca de 100 metros do local da tragédia.
	10h10 - Um rapaz, que tinha tentado descer pela corda improvisada do 16º ao 13º andar, despenca-se por cima da Magirus, e derruba na queda mais três pessoas, inclusive um bombeiro. Todos morreram. Os bombeiros tentam levar a Magirus até o 19º andar, onde se encontram quatro pessoas. Não conseguem. Jogam água e pedem calma.
	10h15 - Chegam ambulâncias do INPS e de instituições particulares. Litros de leite, medicamentos e cobertores chegam também para atender aos pedidos feitos pelos médicos que assistem os feridos no heliporto da Câmara. Soros, antibióticos, seringas hipodérmicas são recebidas. Junto ao marco da Bandeira é instalado um posto ao ar livre para doadores de sangue. Centenas de pessoas formam duas grandes filas. Mais duas pessoas se atiram do alto do edifício.
	10h20 - Os helicópteros se movimentam rapidamente, enquanto a Praça da Bandeira é transformada num campo de feridos, sobreviventes e pessoas que são medicadas e depois levadas aos hospitais e pronto socorros. A escada Magirus chega ao 19º andar, retirando 12 pessoas. O helicóptero da FAB transporta, pendurado num cabo, o oficial Caldas, da Polícia Militar. Não consegue resgatar ninguém, mas chega junto às janelas ocupadas por pessoas, no lado da Rua Santo Antônio, e procura encorajá-las.
	10h25 - Árvores são derrubadas a machadadas para permitir o pouso de helicópteros na praça. Bombeiros, com megafones, gritam para os que estão descendo pela Magirus: "Atenção! Atenção! Segurem-se bem na escada! Desçam com firmeza!" Nesse momento, com o fogo já reduzido, outro corpo cai.
	10h30 - Bombeiros intoxicados são recolhidos pelas ambulâncias. No 19º andar, cinco pessoas começam a se desesperar. Tentam-se atirar pela janela porque o fogo se aproxima. Bombeiros pedem calma. Surgem problemas com as mangueiras, pois muitas delas estavam furadas.
	10h40 - Um helicóptero pousa no prédio vizinho, o San Patrick e salva duas pessoas. A multidão aplaude.
	10h50 - O fogo diminui, mas ainda é intenso, principalmente no interior do edifício. Do 18º andar em diante. Os bombeiros continuam jogando água. O chão do topo do edifício arrebenta. Mais uma pessoa salta da laje.
	10h55 - Há muita gente ainda no 19º e no 20º andar. No 14º, um rapaz, Celso Bidinger, evita que uma moça se atire. Foram salvos pela Magirus. Ao mesmo tempo, o prefeito de São Paulo à época, Miguel Colasuonno, chega à Praça da Bandeira.
	11h - Os bombeiros conseguem penetrar até o 11º andar. O médico, Vanderlei Peixoto, do Hospital das Clínicas, que atendia às vítimas no local, é removido para o próprio hospital, intoxicado pela fumaça.
	11h10 - Alguns bombeiros por cordas descem no terraço do edifício para acalmar algumas pessoas. Mas é tarde demais. Dezessete pessoas estão mortas no topo do Joelma. Um reforço de 50 homens da cavalaria é acionado para afastar a multidão.
	11h30 - O edifício é um imenso rolo de fumaça e já não se veem mais grandes chamas. A preocupação maior é salvar os sobreviventes, operação que começa logo depois com os bombeiros entrando no prédio para retirar as vítimas fatais.
	11h35 - Bombeiros tentam retirar no 19º andar um senhor de terno marrom que estava encostado à janela, demonstrando tranquilidade.
	11h40 - Surgem rumores de que o edifício vai desabar. Correria geral.
	11h45 - Os primeiros corpos carbonizados aparecem e são levados para o Instituto Médico Legal (IML).
	11h50 - Mais um carro funerário sai do local, com sete corpos. Correm rumores de que mais de 30 pessoas saltaram do prédio.
	11h55 - Um grupo de seis pessoas é retirado das janelas.
	12h00 - Continua o esforço dos bombeiros em resgatar, no 19º andar, o isolado sobrevivente.
	12h30 - Somente o helicóptero da FAB consegue se aproximar do prédio devido ao forte calor.
	12h35 - Outras sete pessoas, que ainda estavam no 19º andar, são salvas. Até agora o número de salvos é de 80.
	12h40 - Enquanto os corpos continuam sendo retirados, outro homem é salvo.
	13h - A fumaça só é intensa quando os helicópteros sobrevoam o edifício. Novos corpos saem.
	13h45 - Joel Correia afirma ter visto de seu escritório, localizado no 31ºandar do edifício Conde Prates, na Rua Libero Badaró, 239, algumas pessoas com vida, no 21º andar do edifício.
	14h - Os dois últimos sobreviventes são retirados das janelas pelos bombeiros. O fogo já está sob controle e continua a operação de retirada dos corpos queimados que vai até o início da noite. Os bombeiros afirmam não haver mais ninguém com vida no prédio.
	14h10 - Bombeiros resgatam mais três pessoas no 21º andar, confirmando-se as declarações de Joel.
	14h15 - Dezessete pessoas mortas são encontradas no 12º andar.
	14h30 - Mais nove mortos são retirados do 15º andar.
	15h - Os bombeiros dão por encerrada a remoção de sobreviventes.
	15h45 - Os bombeiros chegam ao topo do edifício, encontrando mais de 20 mortos, na maioria carbonizados.
	16h45 - Um padre chega ao topo do Joelma e administra a extrema-unção. A seu lado, policiais, médicos e bombeiros iniciam a remoção e identificação dos cadáveres.
	17h - Os bombeiros retiram os dezessete corpos no telhado e descobrem sessenta mortos sob o telhado na ala da Rua Santo Antônio e mais trinta e cinco sob a cobertura da ala voltada para a Avenida 9 de Julho. Os carros são retirados das garagens do edifício.
	17h30 - Carros-guincho chegam ao local para auxiliar na limpeza da área.
A ampla cobertura da imprensa tirou do anonimato muitas das vítimas do incêndio e pessoas envolvidas diretamente nas operações para seu salvamento. Diversos veículos de comunicação reproduziram seus relatos e histórias da tragédia, que reunidos ajudaram a reconstruir os momentos dramáticos do incêndio.
	Capitão Hélio Barbosa Caldas - Comandante do Serviço de Salvamento do Corpo de Bombeiros, um veterano de muitos incêndios e coragem que ele mesmo acreditava próxima da loucura, rodopiou longos minutos preso a uma corda de 12 metros pendente de um helicóptero, na tentativa de repetir o feito de há dois anos, quando foi o primeiro a descer no terraço do Edifício Andraus para organizar o salvamento dos refugiados. Não foi possível, pois o pequeno helicóptero da FAB não teve condições de se aproximar do prédio, o qual não contava com heliporto. Portanto, teve de providenciar a colocação de um cabo, ligando o terraço do Joelma ao Edifício Saint Patrick, na rua Santo Antônio, para finalmente chegar ao terraço. Faleceu a 20 de junho de 1999.
	Joel Correia - Instalado com seu telescópio numa das extremidades do Viaduto do Chá, comunicou à rádio Jovem Pan, a existência de sobreviventes no edifício, mesmo com o incêndio dominado e os pilotos de helicóptero não avistando mais feridos a serem resgatados. Foi o responsável pelo fim do pavor em que se encontravam José Ferreira Couto Filho, Ivan Bezerra, Ibar Rezende, Mauro Ligeli Filho, Hiroshi Shimuta e Luiz Carlos Gonzalez. Ele tinha ido visitar um amigo, o gerente da construtora Ferreira Guedes, no 31º andar do edifício Conde Prates. Com o início do incêndio, passou a acompanhar a operação de salvamento com um telescópio. Ao ouvir no rádio a informação de que não havia mais ninguém no prédio, entrou em contato com a Jovem Pan e a informação chegou ao comandante do Corpo de Bombeiros que deu o alarme. O comandante ligou para o escritório onde Joel estava, e ele orientou a localização dos seis homens, no 20º andar, usando o telescópio. Mais tarde o comandante do Serviço de Salvamento do Corpo de Bombeiros reconheceu a ajuda, afirmando que as vítimas estavam realmente vivas e foram salvas.
	Idek Butchi - 34 anos, nissei, sobrevivente do incêndio anterior no Edifício Andraus, não só salvou a sua vida como também evitou a morte de mais sete pessoas. Ficou na sacada do 22º andar durante quase cinco horas orientando e acalmando aos que se encontravam com ele, pois esse foi o seu principal ensinamento de sua primeira experiência quando foi salvo por um helicóptero da FAB. Estava no Departamento de Produção e Ações, da Crefisul, no 17º andar, quando ouviu os primeiros gritos. Pensou em descer rapidamente, mas percebeu que o fogo vinha debaixo para cima. Então, começou a subir as escadas e quando chegou ao 22º andar, percebeu que não dava mais para prosseguir. Segundo ele, duas pessoas tentaram descer para o andar inferior, mas ele as convenceu de que isso iria provocar a morte para eles. E todos ficaram incentivados por uma placa escrita Coragem, nós estamos com vocês! mostrada por pessoas que estavam no asfalto. Às 14h20 todos foram resgatados e seguiram para o Hospital Municipal. Embora sem quase poder falar, os oito comemoraram o salvamento dentro da ambulância com abraços e lágrimas.
	Rolf Victor Heuer - Gaúcho, então com 54 anos, passou mais de três horas sentado em um dos parapeitos do edifício esperando para ser resgatado. Enquanto aguardava fumava vários cigarros, e sua imagem de aparente tranquilidade foi captada pelas câmeras dos noticiários de televisão e amplamente reproduzida. Antes de ser salvo, ainda conseguiu subir ao 19º andar, onde acalmou uma mulher que ameaçava se jogar de uma janela. De terno e gravata, dono de uma calma absoluta, ficou em pé do lado de fora do edifício, perto de uma janela. De vez em quando secava o suor do rosto com um lenço. A certa altura o Capitão Caldas, pendurado por um cabo, que por sua vez pendia de um helicóptero, aproximou-se para salvá-lo, mas não conseguiu. Alguns minutos antes de ser resgatado, não aguentou mais o calor e tirou o paletó, a gravata e a camisa. Não se perturbou um só instante, mas quando pisou o chão, começou a chorar. Levou 25 minutos para descer a escada Magirus até chegar à rua.
	José Roberto Viestel - Gerente do estacionamento do edifício, estava em casa quando foi acordado com a notícia do incêndio. Tentou chegar ao local e, impedido pelo trânsito caótico, deixou as chaves de seu carro com um guarda e seguiu a pé. Lá chegando, ajudou os manobristas na retirada dos veículos guardados para evitar o risco de mais explosões, e quando as mangueiras dos bombeiros começaram a falhar providenciou as do estacionamento, que ele mesmo testava uma vez por semana, para o combate ao fogo.
	Augusto Carlos Cassaniga - Sargento do Corpo de Bombeiros. Pulou de uma altura de quatro metros de um helicóptero sobre o telhado, quebrando as telhas de amianto e o tornozelo. Conseguiu fixar uma corda no telhado e a lançou até o prédio vizinho, por onde atravessaria o capitão Hélio Caldas, que já tinha sido herói no incêndio anterior do Edifício Andraus.
	Celso Bidinguer - 22 anos, estava no 16º andar quando se refugiou no banheiro com outras seis pessoas. Todas as que estavam com ele morreram, mas Celso conseguiu salvar-se porque ao ver da janela do 13º andar, sozinha e amedrontada, a funcionária Tarsila de Souza, que ameaçava se jogar. Ao se aperceber do risco, decidiu salvá-la. Ele amarrou um pedaço de cortina, que levara para o banheiro, na janela e pelo lado de fora do edifício conseguiu descer três andares até chegar junto a Tarsila, com quem ficou mais de duas horas à espera de socorro, vendo as pessoas se jogarem. A escada dos bombeiros só chegava até o 12º andar, portanto, os dois tiveram que descer por cordas. Ambos sobreviveram.
	René Contieri - 56 anos, gerente administrativo da Crefisul, conseguiu evitar que algumas pessoas se matassem, simplesmente mantendo o sangue frio e observando a lógica elementar de que, jogando-se pelas janelas, eliminariam qualquer possibilidade de sobrevivência. Estava no 12º andar, quando recebeu o alerta do detector de fumaça. Ao invés de descer, subiu para pegar o paletó e alguns documentos importantes. No meio do caminho, ainda encontrou com o eletricista que tentava consertar a fiação. Só deu tempo de pegar seus pertences e avisar as nove meninas que trabalhavam no andar para que descessem. Mas a labareda já tomava conta da escada. Recuaram e conseguiram se proteger do lado de fora da janela, em uma laje de apenas dois metros de comprimento e um metro de largura. O vidro protegia do fogo. Por sorte, o vento estava contra e a janela não estourou. Só faltava a eles a chegada dos bombeiros. Por ser um grupo grande,foi o primeiro a ser resgatado. Cavalheiro, desceu a escada Magirus depois das moças. Faleceu aos 93 anos, em 18 de abril de 2010.
	Benedito Ferreira França - Fazia uma visita a um amigo que trabalhava no banco Crefisul quando começou o incêndio. Conseguiu descer três andares carregando uma moça. Declarou que quando passou pelo corredor viu várias pessoas encostadas na parede e apenas rezando, sem fazer nada. Queimado nos braços e no rosto e cansado de levar a moça, desmaiou e acordou apenas no hospital.
	Antônio Carlos Capobianco - Atribui a sua sobrevivência ao karatê. O mineiro alegou que a filosofia da luta marcial o ensinou a encarar tudo, mesmo a morte, com naturalidade, embora se deva aproveitar todas as oportunidades para viver. Ele aconselhou os circunstantes a não falar muito para não desperdiçar oxigênio. Foi resgatado com mais cinco rapazes no 21º andar.
	Carlos Trafaniuc - 23 anos, salvou-se descendo dois andares pendurado em cortinas.
	José Flávio Gouveia - Chegou atrasado ao serviço, às 9 horas, quando o fogo já havia começado. O atraso pode lhe ter salvado a vida. Horas depois, no Hospital Municipal, doou sangue para os feridos.
	Nílton Antônio de Oliveira - Estava na tesouraria do banco Crefisul, no 13º andar, com mais onze colegas. Todos ficaram espremidos numa marquise por mais de duas horas, mas conseguiram se salvar.
	João Alberto Moretti - Se notabilizou nas filmagens do incêndio por ter escalado a marquise e descido do 17º andar até o 12º. Neste, aguardou até que fosse encostada a escada Magirus. Feriu-se apenas levemente e foi levado ao Hospital das Clínicas.
	Vítor Manoel Gonçalves Teixeira - Liderou um grupo de nove pessoas quando a permanência na sala do 13º andar em que trabalhavam ficou impossível. Ele abriu o banheiro, quebrou os vidros da janela e, quando a água das torneiras havia esgotado, e já estavam se confortando mutuamente, surgiu uma escada Magirus a 25 centímetros de suas mãos.
	Deise Previato - Assessora jurídica da Crefisul. Salvou-se por conta do rompimento da rotina. Ao invés de chegar às 8h30, chegou uma hora mais tarde, quando o fogo já havia começado. Viu a secretária do seu chefe, Linda Passaro, saltar para a morte da Avenida 9 de Julho. O chefe, Attilio Corigliano Jr., era procurado pela mulher, Elizabeth, em vão.
	José Gomes Ferreira - 49 anos, motorista de táxi e ex-bombeiro. Parou o carro no momento do incêndio e com boa vontade, sem camisa e com um lenço encharcado cobrindo o rosto, ajudou os seus ex-companheiros de profissão no socorro às vítimas.
	Rodolfo Manfredo Júnior - 20 anos. Estava datilografando em um escritório do 21º andar quando soube do incêndio. Subiu com dezenas de pessoas para o terraço do prédio, pois os elevadores já não mais funcionavam. Havia cerca de duzentas pessoas comprimidas e aterrorizadas. Ele conta que viu várias se jogarem, outras tirarem a roupa, pois não suportavam mais o calor, além de cerca de trinta que se contorciam em chamas. Ele conta que teve que dar tapas na cara de alguns que pareciam paralisados, incitando-os a se salvarem. Quando a situação ficou mais dramática surgiu um helicóptero da FAB que pairou no terraço. Rodolfo pulou e agarrou-se à aeronave. Ficou com as pernas ao ar, mas foi salvo ao ser puxado para dentro.
	José dos Santos - 20 anos, residente no Jardim Peri, foi o penúltimo funcionário da Crefisul a ser resgatado e salvo pelos bombeiros. Estava no 18º andar quando ocorreu o incêndio e foi para a janela, onde teve que esperar por cerca de quatro horas. Para resgatá-lo os bombeiros tiveram que estender a escada de 45 metros até o 12º andar e prosseguir depois com uma pequena até o 16º andar. Depois, o próprio José amarrou uma corda nas travas da janela e desceu do 18º ao 16º andar, chegando então à escada dos bombeiros numa operação que durou meia hora.
	João Aparecido Frutuoso - 24 anos, analista de contas do Banco Crefisul, tinha organizado o grupo que deixou o 15º andar improvisando cortinas para a descida até o 13º, de onde todos passaram à escada com a ajuda dos bombeiros. Ele conta que viu muita gente cair do patamar do 14º andar, além de muitos que perderam os sentidos por conta da inalação da fumaça. Ficou com as mãos e pés queimados.
A parte do edifício que compreendia os escritórios da Crefisul foi totalmente destruída, mas estava segurada na Companhia Seguradora Santa Cruz. Os sete primeiros andares, de garagens, não foram atingidos pelas chamas. Essa parte, administrada pela Joelma, formava um bloco quase isolado do restante do edifício, tendo portas de emergência e de interligação. Todos os dezessete empregados do estacionamento se salvaram. Dos aproximadamente 756 ocupantes do edifício, 187 morreram e mais de 300 ficaram feridos. A grande maioria das vítimas era formada por funcionários do Banco Crefisul de Investimentos.
Segundo o vice-presidente do Crefisul, Garrett Bouton, 1 016 funcionários trabalhavam no edifício. Desse total, 861 ficavam nos andares superiores à garagem e cerca de 600 já haviam chegado quando o incêndio começou. A firma de limpeza Continental tinha 77 funcionários no prédio.
Até as 18 horas do dia da tragédia, 125 corpos já tinham sido retirados do Instituto Médico Legal, depois de identificados por parentes e amigos. Restaram 54 corpos, dos quais 12 identificáveis e o restante completamente carbonizado. Em 30 horas, do meio-dia de sexta-feira até às 18h do dia seguinte (sábado), aproximadamente oito mil pessoas foram ao local, no bairro de Pinheiros, para reconhecer os cadáveres. O ambiente era de tristeza e até os funcionários não conseguiam esconder a emoção. Cinco mulheres desmaiaram enquanto faziam a identificação. O IML comprou 200 caixões e 50 coroas de flores para facilitar a retirada dos corpos. As vítimas foram colocadas no chão de quatro salas e pela manhã já exalavam um mau cheiro que os funcionários tentaram aliviar colocando incenso. O secretário dos Serviços Municipais, engenheiro Werner Zalouf, afirmou que cerca de 30 pessoas que morreram no incêndio e permaneceram no prédio não foram identificadas: "Acredito que o calor durante o incêndio tenha superado 900 graus e nessa temperatura um corpo fica totalmente destruído, restando no máximo um quilo e meio de cinzas. A água que os bombeiros jogaram pode ter transformado tudo em lama".
A tragédia do Joelma, que ocorreu apenas dois anos após o incêndio do Edifício Andraus, reabriu a discussão popular com relação aos sistemas de prevenção e combate a incêndios nas metrópoles brasileiras, cujas deficiências foram evidenciadas nas duas grandes tragédias. Na ocasião, o Código de Obras do Município de São Paulo, em vigor era de 1934, um tempo em que a cidade tinha 700 000 habitantes, prédios de poucos andares e não havia a quantidade de aparelhos elétricos dos anos 1970.
A investigação sobre as causas do acidente, concluída e encaminhada à justiça, em julho de 1974, apontava a Crefisul e a Termoclima, empresa responsável pela manutenção elétrica, como principais responsáveis pelo incêndio. Afirmava que o sistema elétrico do Joelma era precário e estava sobrecarregado. Além disso, os registros dos hidrantes do prédio estavam inexplicavelmente fechados, apesar do reservatório contar na ocasião com 29 000 litros de água.
Segundo o Estadão, três empresas receberam acusações a respeito do caso: o Banco Crefisul (inquilino do prédio); a Joelma S.A Importadora Comercial e Construtora (construiu o prédio); e a Termoclima Indústria e Comércio Ltda (que instalou os aparelhos).
De acordo com investigações, Alvino Fernandes e Sebastião da Silva, eletricista e ajudante de eletricista, não tinham curso completo sobre eletricidade e nunca receberam orientação técnica do Departamento de Serviços Gerais, que era quem respondia por reparações elétricas.
O resultado do julgamento foi divulgado a 30 de abril de 1975. Kiril Petrov, gerente administrativo da Crefisul, foi condenado a três anos de prisão. Walfrid Georg, proprietário da Termoclima, seu funcionário, o eletricista Gilberto Araújo Nepomuceno,e os eletricistas da Crefisul, Sebastião da Silva Filho e Alvino Fernandes Martins, receberam condenações de dois anos.
Após o incêndio, o prédio ficou interditado para obras por quatro anos. Com o fim das reformas, em outubro de 1978, foi rebatizado Edifício Praça da Bandeira.
LOCALIZAÇÃO: SÃO PAULO, BRASIL
TIPO: INCÊNDIO 
DATA: 1 DE FEVEREIRO DE 1974
RESULTADO: 187 MORTOS E MAIS DE 300 FERIDOS 
- Lojas Renner (1976)
O incêndio nas Lojas Renner em 1976 ocorreu no dia 27 de abril de 1976 na cidade brasileira de Porto Alegre (RS), matando 41 pessoas e ferindo 60. O incêndio ocorreu em um edifício de sete andares onde funcionava uma filial das Lojas Renner, localizado na esquina das ruas Otávio Rocha e Doutor Flores.
Para escapar das chamas, muitas pessoas se jogaram do prédio. Helicópteros da Base Aérea de Canoas sobrevoaram o local do desastre, mas não puderam resgatar as vítimas que estavam no terraço pois o local não era apropriado para esse tipo de operação. Muitas vítimas puderam ser socorridas pelo Corpo de Bombeiros devido ao uso da escada Magirus. Duzentos bombeiros participaram da operação. Uma lanha da Estação Fluvial também foi usada, posicionada à beira do Lago Guaíba para suprir a falta de água no combate ao incêndio. No incêndio faleceu Shirley Marques da Silva, irmã do jogador Everaldo.
O edifício foi implodido e, anos depois, reconstruído, dando lugar a uma edificação mais moderna, continuando a pertencer às Lojas Renner. 
HORÁRIO DO INCÊNDIO: 12:24
LOCALIZAÇÃO: PORTO ALEGRE, BRASIL
TIPO: INCÊNDIO 
DATA: 27 DE ABRIL DE 1976
- Edifício Grande Avenida (1981)
O incêndio no Edifício Grande Avenida foi um incêndio ocorrido na tarde do dia 14 de fevereiro de 1981 no Edifício Grande Avenida no centro da cidade de São Paulo.
Ao todo 17 pessoas morreram e outras 100 pessoas ficaram feridas no incidente. O prédio possuía 20 andares, onde apenas os 3 últimos andares do prédio não ficaram totalmente destruídos. A principal causa do incêndio foi a sobrecarga no circuito elétrico do edifício.
O Edifício Grande Avenida, é um prédio construído entre os anos de 1962 e 1966 onde em apenas 3 anos de sua construção, sofreu com um incêndio de menores proporções no dia 13 de janeiro de 1969. Dos 19 andares do edifício, 14 foram completamente destruídos pelas chamas, sendo que uma das colunas de sustentação sofreu rachaduras. Apesar da intensidade do incêndio, ninguém se feriu, o prédio foi reformado e reinaugurado.
Na data do incidente, o edifício era utilizado para fins comerciais onde funcionavam duas agências bancárias, escritórios comerciais e uma torre de transmissão da TV Record. Por ter ocorrido em um sábado, o edifício não estava com sua ocupação máxima, o que evitou maiores vítimas.
Próximo ao meio dia uma sobrecarga elétrica no edifício ocasionou o inicio dos focos de incêndio na sobreloja do edifício, o fogo se alastrou rapidamente, principalmente por conta de uma corrente de vento vinda da Avenida 9 de Julho localizada nos fundos do prédio, local onde funcionários da empresa Construtora Figueiredo Ferraz estavam trabalhando em um projeto atrasado.
No inicio das chamas existiam cerca de 50 pessoas dentro do edifício, entre elas: vigilantes, funcionários da limpeza, funcionários da construtora, funcionários de plantão e técnicos da torre da TV Record. Assim os presentes nos primeiros andares conseguiram fugir rapidamente do local, porém as demais pessoas que estavam a cima da sobreloja acabaram ficando presas tendo em vista que todos os andares possuíam portas corta-fogo e de pânico menos a sobreloja onde o incêndio começou.
Outra preocupação, era a existência de materiais inflamáveis no topo do prédio onde estavam armazenadas itens para a manutenção da torre da TV Record os itens em questão eram: mais de vinte latas de tinta para pintar a torre, além do óleo diesel, que mantinha o gerador da torre funcionando.
Os bombeiros foram rápidos logo após diversos chamados, As viaturas do Corpo de Bombeiros, provenientes da Praça da Sé, subiram a avenida Brigadeiro Luís Antônio as outras viaturas vieram da guarnição da rua da Consolação. Alguns policiais ajudavam na proteção ao redor do prédio e alguns médicos que passavam pelo local esperavam próximos ao local para auxiliar as primeiras vítimas do incêndio. Ao todo foram mobilizados:
	250 bombeiros
	40 viaturas, incluindo: escada magirus, autoescada, guindaste e cinco helicópteros para salvamento.
Mesmo com a velocidade dos bombeiros para o atendimento da ocorrência, a falta de água para combater o fogo retardou o trabalho de combate ao fogo. Mesmo má estruturados, alguns bombeiros entraram nos andares iniciais do prédio para auxiliar no resgate de algumas vítimas que encontravam-se presas na sobreloja, assim alguns se ferindo sem muita gravidade.
Ao perceberem pessoas em andares superiores do prédio, os civis escreveram com cal no solo repetidamente a palavra "calma!" assim solicitando com que as pessoas não saltassem do prédio. Mesmo com os avisos, um momento emocionante do resgate um auxiliar de escritório Cosme Adolfo Barreira que, desesperado com a violência das chamas, acabou jogando os dois filhos pela janela e depois se jogando numa laje logo abaixo. O pai e as crianças (Luciano de 5 anos e sua irmã Elaine de 4 anos) foram resgatados e não sofreram nenhum ferimento grave.
Após o evento, foi constatado que 17 pessoas que estavam presentes no prédio morreram no fatídico evento, além de outras 100 pessoas (incluindo bombeiros) que se machucaram durante o combate das chamas, o prédio ficou 60% destruído e foi reformado após o incidente.
As investigações apontaram que a principal causa do incêndio foi a sobrecarga no circuito elétrico do edifício e que alguns fatores contribuíram para a tragédia, como a inexistência da porta contra fogo na sobreloja do prédio e a falta de água e a má manutenção dos hidrantes da Avenida Paulista onde o mais próximo estava com sua tampa emperrada. Assim após as investigações, foram atualizadas as normas técnicas para a realização de manutenção e construção em edifícios e diversos edifícios e hidrantes na região da Avenida Paulista foram vistoriados para garantir o bom funcionamento.
DATA: 14 DE FEVEREIRO DE 1981
LOCAL: EDIFÍCIO GRANDE AVENIDA, SÃO PAULO, BRASIL
TEMA: INCÊNDIO DE GRANDES PROPORÇÕES 
CAUSA: SOBRECARGA ELÉTRICA NO EDIFÍCIO 
RESULTADOS: 
- IMEDIATOS : 
	17 MORTOS, 
	100 FERIDOS, 
	60% DO EDIFÍCIO COMPLETAMENTE DESTRUÍDO 
- PÓSTUMOS:
	NOVAS REGRAS PARA O FUNCIONAMENTO DE EDIFÍCIOS COMERCIAIS 
	MAIOR FISCALIZAÇÃO DOS BOMBEIROS SOB EDIFÍCIO NA REGIÃO DA AVENIDA PAULISTA 
MORTES: 17
LESÕES NÃO-FATAIS: 100
- Descarrilamento de Pojuca (1983)
O Descarrilhamento de Pojuca foi um acidente ferroviário ocorrido em 31 de agosto de 1983 em Pojuca, estado da Bahia, no Brasil. Nessa data, um trem de carga da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) transportando combustíveis descarrilou nas proximidades de Pojuca, Bahia. A lentidão das autoridades em conter o vazamento e a ação de saqueadores provocaram a explosão de três vagões, matando centenas de pessoas.
O trem era composto de uma locomotiva diesel e 22 vagões tanque do tipo TCD (de 80 toneladas) e transportava gasolina (5 vagões) e diesel (17 vagões) para a Petrobras. O trem partiu da Refinaria Landulpho Alves, São Francisco do Conde (BA), e tinha como destino o Terminal Riachuelo, ao lado da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados, em Laranjeiras (SE).
Por volta das 7h da manhã de 31 de agosto de 1983, o trem de carga transportando 22 vagões de gasolina e óleo diesel de São Franco do Conde (BA) para Laranjeiras (SE) descarrila nas proximidades de Pojuca (BA). Três vagões do tipo TCD vazam cerca de 126 mil litros de gasolina em torno do perímetro urbano da cidade.
O trecho onde ocorreu o descarrilamento era situado em patamar mais alto que o perímetro urbano de Pojuca, de forma que o combustível escorria pelo pequeno talude da ferrovia até as residências mais próximas da linha férrea. Inicialmente assustados com o desastre, dezenas de moradores começarama saquear a carga, transportando o combustível que vazava dos vagões em bacias, latas e outros meios para ser revendido na cidade. Funcionários da RFFSA e da Petrobras chegaram apenas algumas horas após o descarrilamento e tomaram as seguintes providências:
- Desengataram os vagões restantes e a locomotiva (após breve inspeção que não constatou danos no restante da composição), que seguiram viagem para seu destino original;
- Foram solicitados caminhões tanque da refinaria da Petrobras mais próxima;
- Foi notificada a Polícia Militar da Bahia, que providenciou um pequeno pelotão de reforço para o destacamento de Pojuca a fim de conter o saque;
Essas ações, porém, não foram suficientes para conter o saque do combustível. O lento trabalho de transferência do combustível dos vagões para caminhões tanque prosseguiu por toda a tarde e início da noite. Por volta das 20h, uma fagulha desencadeou a explosão dos três vagões. O fogo se alastrou pelo solo encharcado de gasolina ao redor do local do acidente e em pouco tempo atingiu as casas ao redor da linha, atingidas pelo vazamento. Em pouco tempo, dezenas de pessoas morrem carbonizadas pela explosão enquanto outras encontravam-se vivas, mas severamente queimadas. Até o fim da noite de 31 de agosto, 42 pessoas haviam morrido enquanto que 69 encontravam-se em estado grave, com queimaduras em 80 a 100% do corpo. O resgate das vítimas foi feito de forma improvisada. A cidade de Pojuca não dispunha de centro médico para atender tantos feridos e, assim, as autoridades locais requisitaram todos os veículos disponíveis (incluindo ônibus, caminhões, carros particulares, viaturas de polícia,etc) para transportar os feridos até Salvador (cerca de 70 km de distância).
O grande número de feridos levado para o Hospital Getúlio Vargas causou um tumulto no atendimento. Posteriormente, foi organizado um esquema de atendimento emergencial envolvendo 11 hospitais de Salvador. Ao mesmo tempo, os primeiro corpos carbonizados e irreconhecíveis das vítimas chegavam ao Instituto Médico Legal Nina Rodrigues. Nos dias que se seguiram ao desastre, mais pessoas morreram em hospitais elevando a cifra de mortos para cerca de 100 pessoas.
Após o acidente, as autoridades iniciaram um troca de acusações envolvendo Petrobras, RFFSA, Prefeitura de Pojuca (cujo prefeito fora flagrado saqueando o resto da carga nos dias posteriores ao acidente), Governo da Bahia e Ministério dos transportes. Por fim, a RFFSA acabou assumindo a responsabilidade do acidente, por conta do mal estado da via. A empresa ficou responsável pelo pagamento de indenizações e tratamento médico. Porém esse auxílio se resumiu aos feridos mais graves, desencadeando insatisfação na população atingida. Posteriormente, a Prefeitura de Pojuca instituiu o feriado de 31 de agosto em seu calendário, como forma de relembrar as vítimas do desastre.
O acidente de Pojuca forçou a RFFSA e a Petrobras a reverem seus procedimentos de transporte e forçou a implantação de um vagão de segurança (Caboose) nos trens de transporte combustíveis, fertilizantes e outros materiais inflamáveis. Apesar das promessas de investimentos na recuperação da ferrovia, pouca coisa foi feita, de forma que o trecho de Pojuca estava em péssimas condições de funcionamento alguns anos depois.
DATA: 31 DE AGOSTO DE 1983
HORA: CERCA DE 7H (DESCARRILAMENTO) / 20H (EXPLOSÃO)
LOCAL: POJUCA, BAHIA, BRASIL 
LINHA: SALVADOR – ALAGOINHAS
OPERADOR: RFFSA
TIPO DE ACIDENTE: DESCARRILAMENTO / EXPLOSÃO DE VAGÕES TANQUE
CAUSA: MAU ESTADO DA FERROVIA 
COMBOIO/TRENS: 1 (1 LOCOMOTIVA E 22 VAGÕES TANQUE)
PASSAGEIROS: 0
MORTOS: 100
FERIDOS: MAIS DE 200
- Vila Socó (1984)
O incêndio na Vila Socó foi um incêndio de grandes proporções que atingiu a favela de Vila Socó, em Cubatão, no estado de São Paulo, na madrugada entre os dias 24 e 25 de fevereiro de 1984. O número oficial de mortos é de 93 pessoas, o que é contestado.
A Vila Socó, que ficava à margem da via Anchieta sobre uma faixa de mangue de aproximadamente 2 000 m x 80 m, tinha pouco mais de 6 mil habitantes distribuídos em cerca de seiscentos barracos, segundo dados de autoridades na época. Por outro lados, sobreviventes estimaram em até 12 mil o número de moradores e entre 1 200 e 2 500 a quantidade de barracos que compunham a favela. Boa parte da favela era sustentada por palafitas fincadas por quase todo o mangue. Os barracos eram ladeados por pontes (ou passarelas) de madeira, construídas para a circulação dos moradores.
Pouco antes do incêndio, 700 mil litros de gasolina vazaram de um duto de uma refinaria da Petrobras localizada próximo à região, o que contribuiu para seu início. Não se sabe se o fogo foi causado por uma faísca de um fósforo ou um curto-circuito. O incêndio começou por volta da meia noite, na madrugada entre os dias 24 e 25 de fevereiro de 1984, na favela de Vila Socó, em Cubatão, no estado de São Paulo. Um dos primeiros bombeiros a chegar ao local foi o coronel reformado da Polícia Militar, José Marques Trovão Neto, que comentou que não tinha ideia da dimensão do incêndio, onde viu "muita tristeza": "Os moradores nos [procuravam] para irmos até os barracos deles e nós íamos até lá e estavam mulheres, crianças, bebês todos carbonizados. Foi muito triste". O fogo atingiu 1,2 mil barracos, matando 93 pessoas e deixando 3 mil desabrigadas, segundo dados oficiais.
O acidente teve destaque em toda a imprensa. Investigações posteriores confirmaram que uma falha de comunicação entre um funcionário da Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão, e uma das pessoas responsáveis pela operação de um dos terminais da estatal, localizado no Porto de Santos, foi a provável causa do incêndio, Naquele dia, seria transferida uma grande quantidade de gasolina para o terminal, interligado com a refinaria por dutos que passavam debaixo da favela. Tempo antes do desastre, quando milhares de litros de gasolina começavam a ser transportados por um dos dutos, estava totalmente fechada uma válvula do terminal, que deveria estar aberta para receber o combustível. Isso possivelmente causou uma forte pressão no duto, culminando no seu rompimento e, consequentemente, no vazamento de cerca de 700 mil litros de gasolina, que se espalharam rapidamente pelas lamas do mangue. Assim, em poucos instantes, um fogaréu se alastrou por toda a favela. Também não foi descartada a hipótese de má conservação dos dutos, construídos nos anos 40, e sem manutenção há anos.
Com relação ao socorro às vítimas, houve um fator agravante: ao ser alertada por moradores logo no início do incêndio, a Petrobras declarou que não poderia tomar nenhuma decisão até a chegada de seu engenheiro responsável, que residia em Santos. Segundo um tenente da Polícia Militar, que coordenava os socorros na favela, a espera de mais de uma hora pela chegada do profissional complicou ainda mais os trabalhos de busca. A atitude da Petrobras foi classificada como de negligência.
Os números oficiais do incêndio são de 93 mortos, conforme apuração da Polícia Militar. Entretanto, são contestados por entidades e testemunhas que vivenciaram o episódio. Segundo eles, o número de vítimas poderia chegar a quatrocentos, já que informações paralelas às oficiais relatavam que mais de trezentas pessoas, em sua maioria crianças, desapareceram após a tragédia. Segundo documentos inéditos obtidos pelo Jornal da Band em 2014, o número total de vítimas fatais pode ser de 508.
HORA: 00H00
DATA: 25 DE FEVEREIRO DE 1984
LOCAL: FAVELA DA VILA SORÓ
TIPO: INCÊNDIO
CAUSA: FAÍSCA DE UM FÓSFORO OU CURTO-CIRCUITO
MORTES: 93 (OFICIAL)
- Edifícios da Companhia Energética de São Paulo (1987)
O incêndio nos edifícios da Companhia Energéticas de São Paulo (CESP) foi um episódio ocorrido na noite de 21 de maio de 1987 e que perdurou até ao final da tarde do dia seguinte.
O fogo iniciou-se por volta das 18h30 e atingiu praticamente todos andares dos Edifícios "Sede 1" e "Sede 2" da companhia, localizado na Avenida Paulista, próximo à esquina desta com a Rua Augusta ao lado do edifício do Banco Safra, sobreo Shopping Center 3 e defronte o Conjunto Nacional.
Durante o Incêndio, a parte central do edifício "Sede 2" (que englobava o hall de elevadores) ruiu, desabando como se estivesse sendo implodida e matando um funcionário da empresa (a única vítima do acidente). O prédio acabou sendo dividido em duas partes distintas: uma bem próxima a calçada da Avenida Paulista, e outra nos fundos. A parte da frente seria implodida dias depois, destruindo boa parte da estrutura do Shopping Center 3, que seria reconstruído. Por falta de recursos, o edifício "Sede 1" e o que restou do "Sede 2" seriam demolidos apenas cerca de 10 anos depois, tendo ficado durante todo este tempo como ruína exposta no meio da famosa avenida.
Como o prédio abrigava várias áreas administrativas da CESP, todo o pessoal foi remanejado para outros prédios na região, uma força tarefa foi formada para reconstruir a infraestrutura de telecomunicações (que era da própria empresa), relocando e instalando links de rádio UHF e SHF. Em três dias (de sexta a domingo), todo o sistema foi refeito, e na segunda feira milhares de colaboradores foram remanejados.
Os edifícios foram reconstruídos no início do século XXI e, atualmente, ou seja, quase 20 anos depois, se encontram em uma prolongada fase de acabamento, por falta de recursos do governo do estado de São Paulo.
Há a suspeita, embora não confirmada, de que o incêndio teria sido criminoso, pois muitos documentos importantes da CESP foram perdidos. Suspeitas estas esquecidas pela imprensa e pelos governos da época.
O Shopping Center 3 foi, em meados da década de 2000 entregue renovado e os edifícios passaram por obras e acabados. Foram adquiridos por R$ 91,5 milhões pela construtora Wtorre em maio de 2010.
LOCALIZAÇÃO: SÃO PAULO,BRASIL
DATA: 21 DE MAIO DE 1987
RESULTADO: 1 MORTO, 300 FERIDOS
- Plataforma de Enchova (1984)
O acidente na Plataforma de Enchova ocorrido em agosto de 1984 foi o maior (em número de fatalidades) já ocorrido em plataformas de petróleo no Brasil, tendo como resultado 37 óbitos e 23 pessoas feridas à época. A plataforma, de propriedade da Petrobras, localiza-se no campo de Enchova na Bacia de Campos e estava passando pela perfuração de um poço quando ocorreu o vazamento acidental de gás. Este vazamento foi sucedido de incêndio e da evacuação do pessoal da plataforma por meio de baleeiras. Uma delas teve seus cabos rompidos e despencou de uma altura de 18 metros de altura, levando às fatalidades e ferimentos do incidente. Este foi o primeiro acidente de grandes proporções da Bacia de Campos, cuja base operacional é a cidade de Macaé (RJ).
O evento acidental iniciou no dia 16 de agosto de 1984, quando o poço de número 33 no campo de Enchova estava sendo perfurado e apresentou vazamento de gás, com consequente explosão e incêndio. As chamas atingiram uma altura de 20 metros, o que fez o pessoal da segurança da unidade, segundo sobreviventes do evento ocorrido, abandonar a tentativa de combate ao incêndio e recomendar a evacuação das 220 pessoas presentes na unidade por meio das baleeiras (embarcações de fibra de vidro projetadas para fuga segura em caso de cenário acidental).
A plataforma de Enchova continha 5 baleeiras com capacidade para 50 pessoas em cada e eram sustentadas por dois cabos de aço que, em caso de necessidade de evacuação, permitiam a descida destas embarcações. Porém, no dia do acidente durante a descida de uma dessas baleeiras, os cabos de sustentação não suportaram o peso e se romperam, fazendo-a despencar em queda livre por cerca de 18 metros de altura. A queda repentina desse equipamento de fuga, possivelmente ocasionada pela quantidade excessiva de pessoas (57 tripulantes) durante a emergência, foi a causa das fatalidades ocorridas no evento.
Segundo estudos, o motivo do incêndio foi um blowout ocorrido durante a perfuração, concretizando um vazamento de gás de forma descontrolada. Verificou-se que os alarmes de emergência e o Blowout Preventer (dispositivo conhecido como BOP e responsável por fechar um poço quando houver problemas durante a sua perfuração) não estavam funcionando corretamente durante o dia do evento, propiciando a ocorrência da explosão seguida de incêndio, que durou cerca de 16 horas, e da necessidade de abandono da unidade. O incêndio só foi debelado cerca de 16 horas após o sinistro, sendo totalmente extinto apenas no dia posterior ao início do evento.
Segundo informações da Marinha do Brasil, além das vítimas envolvidas no acidente, o evento teve como consequência a parada de produção na plataforma por cerca de um mês, interrompendo a produção diária de cerca de 40 mil barris de petróleo. Essa paralisação afetou o fornecimento de gás destinado ao Rio de Janeiro pela Petrobras, gerando prejuízo de cerca de Cr$147 mil diários à época, ainda que não houvesse impacto à Companhia Estadual de Gás (CEG) do Rio de Janeiro.
A repercussão do ocorrido gerou tensão na população da cidade de Macaé, que pedia por informações precisas sobre as consequências do evento acidental. Além disso, a Petrobras teve de lidar com quedas na bolsa de valores e a necessidade de reconstituir a plataforma danificada, que teve sua torre de perfuração derretida pelas chamas e caiu sobre as instalações, destruindo o guincho de um dos guindastes, a mesa rotativa e um dispositivo de segurança que poderia ter evitado a continuidade do vazamento de gás. Cerca de três dias após o evento, foram realizados testes de carga em todas as baleeiras de unidades de perfuração localizadas na Bacia de Campos.
A decisão final do Tribunal Marítimo, no ano de 1989, foi de que o acidente havia sido consequência de problemas de manutenção dos equipamentos de abandono e falhas no treinamento e capacitação das equipes envolvidas em situações de emergência. Como conclusão da decisão, a empresa operadora da plataforma foi multada e decidiu-se que a Diretoria de Portos e Costas faria um estudo sobre a especificação de baleeiras e seus respectivos dispositivos associados ao lançamento durante situação de emergência.
LOCALIZAÇÃO: MACAÉ, RIO DE JANEIRO
DATA: 16 DE AGOSTO DE 1984
RESULTADO: 	37 ÓBITOS E 23 FERIDOS
- Refinaria de Paulínia (1993)
O Incêndio na Refinaria de Paulínia em 1993 foi um incêndio em tanques de diesel da Refinaria de Paulínia da Petrobras, localizada em Paulínia, em São Paulo. O incêndio teve início no dia 8 de janeiro, por volta das 3 horas e meia da manhã, e foi extinguido completamente após 12 horas.
O combate ao incêndio mobilizou 100 homens e várias equipes do Corpo de Bombeiros Militar de São Paulo e de brigadas de incêndio de empresas da cidade. A fumaça, formada por nitrogênio, enxofre e poeira, atingiu cidades localizadas a 40 km de Paulínia e provocou danos à qualidade do ar de diversos municípios. A chuva que caiu durante a manhã na cidade carregou a poeira sujando casas, carros e afetando os rios da cidade. Para conter as chamas, foi utilizada água e posteriormente espuma química, que somente conteve o fogo na terceira tentativa. Metade da carga de 15 milhões de litros de óleo diesel do tanque foi consumida pelo incêndio.
LOCALIZAÇÃO: REPLAN, PAULÍNIA, BRASIL
DATA: 8 DE JANEIRO DE 1993
ÁREA QUEIMADA: 1661 M²
FONTE DE INÍCIO: DESCARGA ELÉTRICA EM VÁLVULA DE SEGURANÇA
- Osasco Plaza (1996)
A explosão no Osasco Plaza Shopping foi uma explosão causada por um vazamento de gás, que ocorreu no dia 11 de junho de 1996 na praça de alimentação do Osasco Plaza Shopping, localizado em Osasco, no Brasil. A explosão causou a morte de 42 pessoas e o ferimento de 372.
O Osasco Plaza Shopping foi inaugurado no dia 19 de abril de 1995 com investimentos de vinte a trinta milhões de dólares.
Às 12h15min do dia 11 de junho de 1996, véspera do Dia dos Namorados, ocorreu uma explosão na praça de alimentação Osasco Plaza Shopping, inicialmente de causa desconhecida. O chão da praça se rompeu, jogando o piso para o alto e derrubando o teto do local. No momento da explosão, haviam mais de duas mil pessoas no shopping.
Durante o dia, chegavam várias ambulâncias para socorreras pessoas. A partir da 19h, "apenas carros funerários". Vanessa di Sevo, então repórter da CBN e que acompanhou os desdobramentos do acidente, disse que o hospital da cidade carecia de estrutura para receber os feridos; "lembro que não tinha esparadrapo e gase no hospital para onde as vítimas foram levadas inicialmente, tanto que o Corpo de Bombeiros pediu doações." O Hospital Regional de Osasco serviu como central de atendimento às vítimas e familiares.
Os bombeiros usavam cães farejadores para tentar localizar pessoas presas nos escombros. Às 18h30min, o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros, Jair de Lima, disse que seria um "milagre" encontrar novos sobreviventes no local. O então prefeito Celso Giglio declarou luto oficial de três dias, e o então presidente Fernando Henrique Cardoso lamentou o caso.
No dia seguinte, Celso disse que estava preparando o Ginásio Municipal José Liberati para receber os corpos que seriam velados. Seiscentas pessoas doaram sangue para ajudar as vítimas.
Boatos surgiram dizendo que a vidente Mãe Dináh havia previsto o acidente, mas ela negou: "Se tivesse adivinhado esse acidente, teria avisado". Os boatos começaram depois que a mesma disse que algum prédio de Jundiaí iria cair.
No início, já havia uma suspeita de que a explosão teria sido causada por um vazamento de gás, pois a explosão levantou o piso, e lojistas disseram que sentiam cheiro de gás no shopping há algum tempo. Isso foi inicialmente negado pelo shopping. O superintendente David da Rocha disse que a explosão não havia sido causada por explosão de botijão, pois o piso levantou, e também descartou que a causa havia sido um vazamento de gás. Mais tarde, foi comprovado que a explosão foi causada por um vazamento de gás que passava na tubulação abaixo do piso da praça de alimentação, que teve contato com alguma faísca. O bombeiro De Nicolo, da perícia, disse que o shopping foi construído num terreno pantanoso, e a construtora fez uma laje de concreto, um porão de concreto e por cima dele outra laje, para assentar o prédio; o gás estava concentrado ali.
A explosão causou prejuízos com obras civis e instalação das lojas calculados em aproximadamente 2,5 milhões de reais, matando 42 pessoas e ferindo 372. A Justiça de São Paulo condenou cinco pessoas pela explosão, em 1999. Seis anos mais tarde, todos foram absolvidos por falta de provas. As vítimas foram indenizadas depois que o shopping recorreu ao Superior Tribunal de Justiça. Segundo o shopping, até junho de 1999, 77 acordos indenizatórios haviam sido fechados com parentes e vítimas, com as indenizações por perdas e danos somando quase 3,7 milhões de reais (47,7 mil por pessoa), e o shopping disse ter gasto outros 2,7 milhões com assistência médica, social e transporte para as vítimas. Parte dos feridos e de parentes dos mortos não aceitaram os valores e protestaram em frente ao shopping.
HORA: 12H15
DATA: 11 DE JUNHO DE 1996
LOCAL: OSASCO PLAZA SHOPPING 
TIPO: EXPLOSÃO
CAUSA: VAZAMENTO DE GÁS
MORTES: 42
FERIDOS NÃO-FATAIS: 372
CONDENADOS: 5 (ABSOLVIDOS EM 2005)
- Creche Casinha da Emília (2000)
O incêndio na creche Casinha da Emília, em Uruguaiana, Brasil, ocorreu em 20 de junho de 2000, matando doze crianças.
A creche Casinha da Emília fica no conjunto habitacional Cohab 2, em Uruguaiana, no RIO Grande do Sul. Era normalmente frequentada por crianças de famílias de baixa renda, moradoras do local.
No dia 20 de junho de 2000, duas estagiárias cuidavam de doze crianças, entre 2 e 3 anos, que estavam dormindo em uma das salas da creche. Por ordem da diretora, elas foram buscar doações para uma festa junina. Foi pedido que uma auxiliar de cozinha tomasse conta deles, mas isso não ocorreu. Uma peça de roupa caiu em um aquecedor, que estava ligado devido ao frio, o que deu início ao incêndio, por volta das 13h. O fogo se espalhou rapidamente pelos colchões e cobertores. Os bombeiros foram chamados em seguida. Segundo eles, a porta da sala estava fechada, embora a diretora tenha negado. Todas as doze crianças morreram, algumas devido a queimaduras e outras asfixiadas. Apenas uma criança da turma, que não estava presente, sobreviveu. No total, 117 crianças estavam presentes na creche. A diretora não estava na escola no momento do acidente.
No final da tarde, a polícia começou a interrogar funcionárias, sem afastar a hipótese de negligência no salvamento. A prefeitura afastou os 18 funcionários até que todos os fatos fossem esclarecidos. O secretário de Saúde da cidade, José Luiz Saldanha, declarou que a prefeitura designou médicos e psicólogos para atender os parentes das crianças mortas. Alguns familiares foram hospitalizados em estado de choque.
Raquell Peixoto, delegada responsável pelo caso, avaliou que "houve negligência ao deixar crianças entre 2 e 3 anos, sozinhas em uma sala com aquecedor ligado". Ela comentou que o local tinha diversas irregularidades: "Não tinha alvará, não tinha extintor de incêndio, não tinha aparelho telefônico que pudesse ligar e pedir ajuda de imediato". A Polícias mínimos havia sido paga para apenas duas famílias. Após o evento, a escola continuou funcionando, fechada apenas durante a pandemia de COVID-19. A sala maternal 2, onde ocorreu o incêndio, se tornou uma sala multiúso. Segundo a prefeitura, aquecedores não são mais utilizados. Civil chegou a indiciar as duas estagiárias, a auxiliar de cozinha e a diretora por homicídio culposo. Uma das estagiárias não foi denunciada pelo Ministério Público porque era menor de idade, enquanto a outra foi absolvida pela Justiça. A diretora da creche e a auxiliar foram condenadas por homicídio culposo. Somado a isso, a auxiliar foi condenada por omissão, já que teria negado cuidar das crianças porque o pedido não havia sido feito pela diretora, mas ela sabia que eles estavam sozinhos. Ambas cumpriram pena de serviços comunitários.
Os familiares pediram indenização. O advogado Pacífico Saldanha comentou que cada pai e mãe recebia uma pensão de seiscentos reais mensais, mas a indenização de 125 salários mínimos havia sido paga para apenas duas famílias. Após o evento, a escola continuou funcionando, fechada apenas durante a pandemia de COVID-19. A sala maternal 2, onde ocorreu o incêndio, se tornou uma sala multiúso. Segundo a prefeitura, aquecedores não são mais utilizados.
HORA: 13H
DATA: 20 DE JUNHO DE 2000
LOCAL: CRECHE CASINHA DA EMÍLIA
TIPO: INCÊNDIO
CAUSA: PEÇA DE ROUPA QUE CAIU SOBRE UM AQUECEDOR
MORTES: 12
CONDENAÇÕES: 2
- Xuxa Park (2001)
O incêndio no Xuxa Park ocorreu durante a gravação do programa, em 11 de janeiro de 2001, no Projac. Não houve mortes, mas 26 ficaram feridos, alguns em estado grave. Após o acidente, o programa foi cancelado.
O Xuxa Park estreou no dia 4 de junho de 1994, marcando a volta da apresentadora Xuxa ao segmento infantil. Ela havia comandado Xou da Xuxa entre 1986 e 1992, e o programa Xuxa em 1993, este voltado para a família. O Xuxa Park exibia brincadeiras, números musicais e desenhos animados, com a presença de crianças na plateia do estúdio.
No dia 11 de janeiro de 2001, estava sendo gravado um episódio de Xuxa Park no estúdio F do Projac, previsto para ser exibido no dia 24 de fevereiro, sábado de Carnaval. Estavam no estúdio cerca de trezentas pessoas, duzentas delas crianças — os demais eram integrantes da equipe de produção, da técnica e os responsáveis pelos menores. Na época, a polícia divulgou que o local estava com a capacidade acima do limite. Faltava cinco minutos para que Xuxa entrasse na nave do cenário, ato que tradicionalmente encerrava o programa. No entanto, enquanto cantava Ilariê, o fogo começou na nave, por volta das 21h06, alastrando-se rapidamente pelo ambiente, composto por material altamente inflamável. Há um único vídeo do ocorrido, exibido no Jornal Nacional do mesmo dia. Nele, é possível notar que as Paquitas e algumas crianças começam a correr, enquanto Xuxa ainda canta. Em seguida, os bombeiros iniciam o trabalho com extintores. A apresentadora então percebe o incêndio e corre, chamando todos que estão em sua volta.As pessoas foram rapidamente retiradas pela brigada de incêndio do estúdio, sendo prestados os primeiros socorros pela equipe da ambulância de plantão. As vítimas foram levadas a quatro hospitais.
No dia seguinte, peritos da Polícia Civil foram ao estúdio, fazendo vistoria no cenário do programa para descobrir o que pode ter provocado o incêndio. Acredita-se que o fogo começou devido a um curto-circuito.
26 pessoas ficaram feridas, sete delas em estado grave. Um dos mais graves foi o de Thamires Gomes Valleja, com sete anos na época, que estava na roda gigante próxima à nave onde se iniciou o incêndio e sofreu queimaduras de segundo e terceiro graus, sendo a última a ser resgatada. A garota foi salva por Leonilson de Oliveira, segurança de Xuxa que resgatou diversas crianças. No entanto, ele ficou com quase 100% das vias respiratórias comprometidas. Após um longo tratamento custeado pela emissora, todos se recuperaram plenamente. Thamires, que teve 34% do corpo queimado, permaneceu internada por 107 dias.
Inicialmente, o Xuxa Park não foi dado como cancelado; a Globo anunciou que havia tirado os programas da Xuxa do ar temporariamente. A emissora, Xuxa e Marlene Mattos julgaram que não seria correto exibir esses programas enquanto as vítimas do incêndio permanecem internadas. Como resultado, passou a ser exibido o Festival de Desenhos, e posteriormente, a série Dawson’s Creek. O programa nunca mais foi exibido. Oito episódios inéditos foram gravados e nunca foram ao ar. Xuxa voltou aos estúdios apenas três meses após o ocorrido, em abril, para comandar a penúltima temporada do Planeta Xuxa.
HORA: 21:06H
DATA: 11 DE JANEIRO DE 2001
LOCAL: PROJAC
TIPO: INCÊNDIO 
CAUSA: CURTO-CIRCUITO
LESÕES NÃO-FATAIS: 26
- Canecão Mineiro (2001)
O incêndio no Canecão Mineiro foi um incêndio que ocorreu em uma casa de shows de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, em 24 de novembro de 2001. Sete pessoas morreram e 197 ficaram feridas.
Durante a investigação, foi apurado que a boate não tinha alvará de funcionamento nem medidas de prevenção de incêndios. O incêndio foi causado por uma "cascata" de fogos de artifício lançada do teto.
O julgamento do Supremo Tribunal Federal foi de que houve omissão na fiscalização da casa noturna por parte da administração pública, determinando pagamento de indenização às vítimas.
No local onde funcionava a antiga casa de show foi construída outra casa de show.
LOCALIZAÇÃO: BELO HORIZONTE, MINAS GERAIS, BRASIL
DATA: 24 DE NOVEMBRO DE 2001
RESULTADO: 7 MORTO, 197 FERIDOS
- Boate Kiss (2013)
O incêndio na boate Kiss foi uma tragédia que matou 242 pessoas e feriu 636 outras na boate Kiss, localizada na cidade de Santa Maria, no estado brasileiro do Rio Grande do Sul. A tragédia ocorreu na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013, e foi provocada por uma série de ações humanas que ainda hoje estão sendo verificadas pelas autoridades competentes.
O acidente foi considerado a segunda maior tragédia no Brasil em número de vítimas em um incêndio, sendo superado apenas pela tragédia do Gran Circus Norte-Americano, ocorrida em 1961, em Niterói, que matou 503 pessoas; e teve características semelhantes às do incêndio ocorrido na Argentina, em 2004, na discoteca República Cromañón. Classificou-se também como a quinta maior tragédia da história do Brasil, a maior do Rio Grande do Sul, a de maior número de mortos nos últimos cinquenta anos no Brasil e o terceiro maior desastre em casas noturnas no mundo.
Procedeu-se a uma investigação para a apuração das responsabilidades dos envolvidos, dentre eles os integrantes da banda, os donos da casa noturna e o poder público. O incêndio iniciou um debate no Brasil sobre a segurança e o uso de efeitos pirotécnicos em ambientes fechados com grande quantidade de pessoas. A responsabilidade da fiscalização dos locais também foi debatida na mídia. Ocorreram manifestações nas imprensas nacional e mundial, que variaram de mensagens de solidariedade a críticas sobre as condições das boates no país e a omissão das autoridades.
O inquérito policial apontou muitos responsáveis pelo acidente mas poucos foram denunciados pelo Ministério Público à Justiça uma vez que sendo titular da ação penal oferece denúncia contra aqueles que entenda serem puníveis. Quanto ao material utilizado para revestimento acústico e que liberou o gás tóxico letal foi exigido pelo Ministério Público, contudo, nada foi modificado na legislação em relação aos revestimentos acústicos e as exigências legais. O inquérito policial militar, por sua vez, foi conduzido e responsabilizou Bombeiros Militares por crimes não relacionados diretamente ao evento e que de forma alguma contribuíram para o episódio.
A boate Kiss foi inaugurada no dia 31 de julho de 2009. E era um grande sucesso empresarial, com filas que dobravam a esquina da Rua dos Andradas. Os proprietários diziam que precisavam organizar a entrada devido ao excesso de clientes, que chegavam a 1 400 pagantes por noite. Embora a capacidade do local não passasse de 691 presentes, havia de 1 000 a 1 500 pessoas na noite do incêndio, segundo a polícia.
Elissandro Callegaro Spohr, o Kiko, era o sócio principal. Piloto de motocross, vocalista de uma banda de música, modelo e ator, ele era presença frequente nas colunas sociais de Santa Maria. Contudo, não era o dono oficial da boate, que tinha como razão social o nome Santo Entretenimentos, pois ela estava em nome de sua irmã, Ângela Aurélia, e da mãe dele, Marlene Terezinha. O verdadeiro sócio oficial era Mauro Londero Hoffmann, um empresário dono de bares, restaurantes e casas de shows, incluindo outra boate da cidade, muito maior que a Kiss. Mauro comprou metade da Kiss, em 2012, para salvar a empresa da falência. Embora recebesse muitos clientes e fosse uma das três boates mais importantes da cidade, a casa noturna não rendia muito porque era pouco frequentada pelos mais velhos, que possuem mais recursos financeiros.
Segundo a imprensa, como era um cantor, Kiko pretendia usar a boate como alavanca de seu estrelato comercial. Para isso, ele se empenhou em formar um público de jovens universitários, estimulando-os a promoverem festas para angariarem fundos de formatura. Kiko contratava uma banda e divulgava o evento, oferecendo uma comissão para os estudantes se estes vendessem grande número de ingressos. Assim, a casa promovia de 3 a 4 festas por semana, a custo de 15 a 25 reais por pagante. Essa foi a razão de estar lotada com estudantes da UFSM no dia do acidente.
A boate Kiss já tinha sofrido uma ação judicial em 2012 por tentar impedir a saída de uma pessoa que ainda não havia pagado a conta. Na ocasião, um funcionário afirmou que a orientação da empresa era não liberar clientes antes de encontrarem a comanda. A Justiça considerou a prática como cárcere privado e condenou a boate a pagar dez mil reais de indenização à jovem que foi barrada na saída. Além disso, depois do incêndio, um segurança que trabalhou por mais de um ano na boate relatou que nunca recebeu treinamento contra incêndio e que não existiam portas de saída de emergência.
O caso da boate Kiss foi uma grande sequência de erros e omissões dos poderes públicos:
	um documento precário emitido pelos bombeiros foi usado como Plano de Prevenção e Combate a Incêndio (PPCI), em 26 de junho de 2009;
	apesar das fragilidades desse documento, o primeiro alvará de incêndio foi concedido pelo Corpo de Bombeiros, em agosto de 2009, com vigência de um ano;
	a boate começou a funcionar em 31 de julho de 2009, somente com o alvará de incêndio, sem o alvará de localização da prefeitura, só emitido em 2010;
	de agosto de 2010 a agosto de 2011, a Kiss ficou sem o alvará dos bombeiros, que só foi renovado em 9 de agosto de 2011;
	na data do incêndio, o alvará estava novamente vencido;
	a engenheira responsável pelo PPCI disse ter elaborado o plano conforme uma planta baixa, em 2009, mas não acompanhou a execução das obras;
	a boate foi notificada para fechar as portas em 1º de agosto de 2009, devido à falta do alvará de localização;
	emvez de ser fechada, a boate foi somente multada, pelo menos quatro vezes, entre agosto e dezembro de 2009;
	as multas foram aplicadas sucessivamente sem que o alvará fosse expedido e com a boate continuando a funcionar;
	o alvará de localização foi finalmente expedido em 14 de abril de 2010, depois de oito meses de funcionamento;
	a fiscalização da prefeitura fez uma vistoria em 9 de abril de 2012 e descobriu que o alvará de incêndio estava prestes a vencer;
	nenhuma providência foi tomada.
A primeira notificação foi feita em 1º de agosto de 2009, por uma fiscal da prefeitura. Era uma instrução para fechar as portas, nestes termos: "Cessar as atividades até a regularização junto ao município e apresentar alvará no prazo de cinco dias a contar da data da notificação". A empresa continuou funcionando e a mesma fiscal retornou em agosto, aplicando a primeira multa em 8 de setembro de 2009. Um mês depois, em 7 de outubro, a boate seguia aberta sem alvará e sem interdição, tendo sido aplicada a segunda multa. A terceira multa foi aplicada em 27 de novembro de 2009, depois de os fiscais verificarem que a boate continuava em operação no dia 10 do mesmo mês. E a quarta multa foi aplicada em 11 de dezembro de 2009, devido ao descumprimento da notificação original, mas a casa noturna não sofreu a lacração.
Em 11 de fevereiro de 2013, Miguel Caetano Passini, titular da Secretaria de Controle e Mobilidade Urbana de Santa Maria, disse à RBS que os fiscais da prefeitura não eram treinados para reconhecerem situações de risco como espumas inflamáveis e se limitavam a verificar a arrecadação tributária das empresas, deixando a questão do fogo para os bombeiros. Por sua vez, o presidente do Sindicato dos Municipários, Cilon Regis Corrêa, disse que a omissão foi da prefeitura, que tinha uma fiscalização "sucateada e amordaçada". A referida mordaça significava que muitos diretores municipais eram ocupantes de cargos de confiança, que tinham de ser nomeados porque haviam colaborado nas campanhas eleitorais e, em troca, queriam ser "acomodados nas secretarias". Esses indivíduos não tinham qualificação técnica e inibiam o trabalho dos servidores de carreira qualificados. Segundo Corrêa, os fiscais estavam com medo de serem responsabilizados pelo acidente, mas eles não puderam agir devido à cultura política exposta acima e à omissão da prefeitura e de outros órgãos públicos.
A festa "Agromerados" iniciou-se às 23 horas (UTC-2 ou 22 horas desconsiderando o horário de verão) de 26 de janeiro de 2013, sábado, na boate Kiss, localizada na rua dos Andradas, 1925, no centro da cidade de Santa Maria. A reunião foi organizada por estudantes de seis cursos universitários e técnicos da Universidade Federal de Santa Maria. Duas bandas estavam programadas para se apresentarem à noite. Estimou-se que entre quinhentas a mil pessoas estavam na boate. Eram na maioria estudantes, uma vez que, como descrito, ocorria uma festa da UFSM, dos cursos de Pedagogia, Agronomia, Medicina Veterinária e Zootecnia.
Por volta das 2h30 min (01h30 desconsiderando o horário de verão) de 27 de janeiro, durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, a segunda banda a se apresentar na noite, um sinalizador de uso externo foi utilizado pelo vocalista da banda. O sinalizador soltou faíscas que atingiram o teto da boate, incendiando a espuma de isolamento acústico exigida pelo Ministério Público em Termo de Ajustamento e Conduta (TAC), que não tinha proteção contra fogo e continua não sendo exigido pela legislação. Os integrantes da banda e um segurança, chamado Zezinho, tentaram apagar as chamas com água e extintores, mas não obtiveram sucesso. Em cerca de três minutos, uma fumaça espessa se espalhou por toda a boate.
No início do incêndio, não se teve comunicação entre os seguranças que estavam no palco e os seguranças que estavam na saída da boate. Esses, então, não permitiram inicialmente que as pessoas saíssem pela única porta do local, por acreditarem tratar-se de uma briga. A casa funcionava através do pagamento das comandas de consumo na saída, o que levou os seguranças a também pensarem que as pessoas estavam tentando sair sem pagar. Muitas vítimas forçaram a saída pelas portas dos banheiros, confundindo-as com portas de emergência que dessem para a rua. Em consequência disso, 90% dos corpos estariam nos banheiros.
Durante o incêndio, de dentro da boate, uma das vítimas fatais conseguiu enviar uma mensagem através da rede social Facebook, comunicando o incêndio e pedindo ajuda. A mensagem foi registada pelo Facebook como recebida às 3h20 (02h20 desconsiderando o horário de verão). Ainda sem saber das dimensões da situação, amigos pediram mais informações, mas não obtiveram resposta.
A Banda Gurizada Fandangueira misturava ritmos sertanejos com música tradicional gaúcha. Na sua página do Facebook, diziam que a banda "inovava nos ritmos e na tecnologia". O uso de artefatos de pirotecnia era comum, mas eles afirmavam que nunca tinha acontecido um acidente antes. Eles se apresentavam quase mensalmente na boate e, conforme testemunhas, foi uma faísca que iniciou o fogo. O vocalista da banda, Marcelo de Jesus dos Santos, tentou usar o extintor de incêndio, mas o aparelho falhou. O sanfoneiro Danilo Jaques foi o único integrante da banda a morrer.
A espuma usada em isolamento acústico na boate Kiss era comum em Santa Maria. Era uma espuma de colchão usada em boates, bares, clubes e outras casas com música ao vivo. Inicialmente, era usada por exigência dos DJs, porque evitava o eco de som e aumentava a nitidez dos sons graves e agudos. Posteriormente, passou a ser usada como isolamento do som interno, evitando que esse incomodasse os vizinhos. Elissandro Spohr a usou com esse propósito, mas a espuma era ineficiente para o efeito pretendido, então foi retirada quando se implementou um projeto acústico na Kiss. Porém, foi recolocada, a pedido dos DJs, para evitar o eco de som. Nenhum órgão de fiscalização notou a presença dessa espuma inadequada. Os bombeiros apenas examinavam coisas como hidrantes e saídas de emergência. Os fiscais da prefeitura não eram treinados para reconhecê-la e mesmo o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul só tomava conhecimento desse material se alguém fizesse uma denúncia. Após o incêndio, os catadores de lixo da cidade encontravam enormes quantidades de espuma jogada fora pelas demais empresas que a adotavam. Dois deles disseram ter coletado 50 sacos para vender às recicladoras, pois esse tipo de espuma se tornou um símbolo de morte para o público.
O artefato usado pela banda é conhecido como sputnik. Segundo a Associação Brasileira de Pirotecnia (ABP), deve ser usado em ambiente externo e solta faíscas que chegam a quatro metros de altura, mais do que a altura do teto da boate. Deve ser colocado no chão para ser aceso, libera grande quantidade de fumaça e as pessoas devem ficar a pelo menos 10 metros do artefato. É proibido usá-lo em locais fechados e próximo a materiais inflamáveis. Custa cerca de R$4 a R$5 e geralmente se usa nas festas de fim de ano.
O incêndio teve ao todo 242 vítimas fatais. Dessas, 235 morreram no dia do incêndio, a maioria asfixiada pela fumaça que tomou conta do ambiente interno, e sete nos meses seguintes, após atendimento hospitalar. Diversas vítimas fatais, dentre elas oito militares, participaram do resgate de vítimas inconscientes da boate. Bombeiros relataram que, enquanto retiravam os corpos, ouviram os celulares das vítimas tocarem "ininterruptamente", significando que seus parentes e amigos tentavam comunicar-se.
Devido à grande quantidade de vítimas, os bombeiros tiveram que recorrer a caminhões frigoríficos para transportarem os corpos até o Centro Desportivo Municipal Miguel Sevi Viero (CDM), onde profissionais de diversas áreas se reuniram como voluntários para prestarem assistência às autoridades e aos parentes das vítimas. Humberto Trezzi, repórter da Agência RBS, relatou a situação do CDM:
O ginásio parece um formigueiro, tomado por centenas de voluntáriosque acorreram ao chamado de ajuda feito por meio das rádios. Além de médicos e psicólogos, compareceram assistentes sociais, enfermeiros, soldados e policiais. Muitos em chinelos de dedo e bermuda, que emergência não combina com etiqueta.
O ginásio serviu inicialmente para as famílias realizarem o reconhecimento dos corpos, pois o Instituto Médico Legal da cidade só tinha capacidade para dez corpos. O governo estadual divulgou uma lista com os nomes das vítimas: dentre elas, Danilo Jaques, sanfoneiro da banda Gurizada Fandangueira, que se apresentava quando ocorreu o incêndio; e dois integrantes da banda Pimenta e seus Comparsas, que também se apresentou, o baterista Marcos Rigoli e o baixista Robson Van Der Ham.
A secretária estadual da Saúde, Sandra Fagundes, fez um balanço do atendimento prestado às vítimas. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) prestou o primeiro atendimento e encaminhou as vítimas para treze hospitais de cinco cidades, que dispunham de tratamento intensivo. Os serviços de hemoterapia, transplantes, bancos de pele e centrais de medicamentos atuaram na retaguarda, com muitas doações populares. A segunda fase foi a implantação do Centro de Atendimento às Vítimas de Acidente (Ciava), no Hospital Universitário de Santa Maria, e do serviço Acolhe Saúde, com 891 cadastrados, os quais ofereceram vários tipos de apoio aos parentes e sobreviventes. A fase tardia envolveu esses e outros centros, que, em conjunto, atendiam 41 pessoas com acompanhamento em pneumologia, 67 em tratamento de queimaduras, 66 em fonoaudiologia e 43 em fisioterapia. O Centro Regional de Saúde do Trabalhador (CEREST) foi incluído na rede de acompanhamento. O Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre, foi definido como referência para os pacientes com queimaduras. O objetivo dessa fase era "garantir a integralidade do cuidado em saúde às vítimas do incêndio da Kiss, através do monitoramento da atuação da rede e do planejamento da continuidade do atendimento a médio e longo prazo".
O Serviço de Atenção Psicossocial, incluindo socorro imediato e intervenção prolongada, realizou oito mil atendimentos em 2013. A rede de solidariedade contou com a colaboração de entidades tão diversas como: Força Nacional do SUS; Defesa Civil; Força Aérea Brasileira (que transportou as vítimas); conselhos profissionais como o de Psicologia; 4ª Coordenadoria Regional de Saúde, com sede em Santa Maria; e secretarias municipais de Saúde de Porto Alegre, Canoas e Santa Maria. Dessa forma, o socorro se dividiu em fase emergencial/hospitalar, fase ambulatorial e fase longitudinal. O comando ficava a cargo do Grupo Gestor do Cuidado Kiss, com participação de representantes de autoridades e de médicos. Todas as entidades federativas souberam se articular bem, e a parceria entre os diversos serviços e hospitais foi muito bem sucedida conforme a secretária de saúde. Tecnologias como videoconferências e colaboração de voluntários foram essenciais nesse grande mutirão que se prolongou por um ano e ainda não tinha data para terminar.
As investigações incluíram um inquérito policial, um processo judicial, e uma comissão parlamentar de inquérito. Após serem pronunciados pelo juiz Ulysses Fonseca Louzada, e mantida a decisão pelo Superior Tribunal de Justiça, os dois sócios da boate Kiss, o vocalista da banda Gurizada Fandangueira e o ajudante da banda foram submetidos ao julgamento do Tribunal do Júri pela acusação de homicídio doloso por dolo eventual. Visando um julgamento mais imparcial e distante da cidade do incêndio, foi deferido o desaforamento do julgamento, enviando o processo para a capital do estado, Porto Alegre. Os quatro acusados foram condenados pelo júri popular, e sentenciados a penas de até 22 anos e seis meses de reclusão.
O empresário Elissandro Spohr, um dos sócios da boate, tentou cometer suicídio por enforcamento com uma mangueira, em um hospital na cidade de Cruz Alta, onde estava preso e vigiado por policiais. Ele tinha procurado atendimento médico devido a sintomas de pneumonite e foi algemado à cama para evitar novas tentativas contra a própria vida. O médico que o atendeu, no entanto, negou essa versão apresentada pela polícia e disse que seu paciente teve apenas uma crise nervosa. Ainda segundo o médico, Spohr era mantido sob sedação permanente e oscilava entre crises de choro e depressão. Em 31 de janeiro, a Justiça negou o pedido de relaxamento da prisão temporária de Spohr e de seu sócio, Mauro Hoffman, que terminaria em 1º de fevereiro.
O Tribunal de Justiça do Estado Do Rio Grande do Sul julgou recursos das defesas, que alegaram a existência de diversas nulidades processuais. O julgamento ocorreu no dia 3 de agosto de 2022 e resultou na anulação das condenações e de todo o processo do júri, desde a fase de seleção dos jurados até a sentença. A anulação ocorreu por maioria de dois votos a um, e teve fundamento principalmente no método de seleção dos jurados, que não seguiu o regimento do Código de Processo Penal. Todos os réus foram soltos no mesmo dia da anulação do júri.
Em julho de 2013, uma com Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional Brasileiro concluiu, em um relatório de noventa páginas, que as responsabilidades maiores eram dos músicos e dos empresários da boate, bem como dos bombeiros, inclusive por não impedirem a entrada de pessoas no local já tomado por chamas e gás tóxico. Entretanto, a CPI não criticou pesadamente a prefeitura, considerando adequado o trabalho da Secretaria de Controle e Mobilidade Urbana. O alvará de localização, segundo a comissão, seguiu as exigências da legislação municipal, que permitia condutas desafiadoras das empresas. Sugeriu-se uma reforma administrativa na prefeitura, a fim de aumentar o controle sobre os estabelecimentos da cidade.
Um dos maiores problemas do pós-tragédia foi pouco discutido: a falta de um antídoto específico para o cianeto quantificado no organismo dos sobreviventes. Assim, a falta do antídoto específico (hidrocobalamina) no país e o despreparo clínico para tratamento de intoxicados em um uma tragédia de tais dimensões, contribuiu com certeza para o prognóstico dos sobreviventes. Os pacientes receberam de forma equivocada "Rubranova", que é uma forma da vitamina B12 (cobalamina) que contém "ciano". Assim, um duplo erro se estabeleceu nos cuidados aos intoxicados. O país recebeu hidrocobalamina, enviada pelos EUA, quase uma semana após a tragédia, como resultado da intervenção direta do Palácio do Planalto em contato com uma pesquisadora em toxicologia da UFRS,a professora Dr(a) Solange Cristina. Ela conseguiu comprovar que existia concentração elevada de cianeto no sangue dos pacientes internados. Ela participou da audiência pública no Senado Federal que com bases nos fatos narrados pela cientista e a participação de toxicologistas, que enviaram mensagens no momento da audiência, demonstraram a falta de política pública para tratamento de intoxicados por agentes químicos no país. Dessa forma, o Senador propôs o Projeto de lei n° 9.006-A/2017, para incluir no campo de atuação do Sistema Único de Saúde (SUS) a formulação e a execução da política de informação e assistência toxicológica e de logística de antídotos e medicamentos utilizados em intoxicações.
Em 5 de fevereiro, o Ministério da Saúde criou uma rede de serviços de assistência às vítimas do incêndio que recebessem alta hospitalar, com o objetivo de continuar a assisti-las do ponto de vista médico e psicológico. O Núcleo de Atenção Psicossocial contava com 164 profissionais divididos em equipes de médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas etc. Segundo o secretário estadual da saúde, Ciro Simoni, 81 pacientes permaneciam hospitalizados, sendo 23 com ventilação mecânica. O então ministro da saúde, Alexandre Padilha, anunciou, em 22 de fevereiro, que o atendimento avançado abrangeria: os pacientes que foram internados com comprometimento pulmonar e/ou queimaduras; as pessoas que tiveram contato na boate com os gases e inalantes; os amigos e familiares das vítimasque precisassem de psicólogos; e os profissionais envolvidos no atendimento que também precisassem de apoio psicológico. O programa seria desenvolvido no Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), contando também com o apoio do Ministério da Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul e das Secretarias Municipais de Saúde de Santa Maria e de Porto Alegre.
O maior temor dos médicos era o desenvolvimento de câncer nas vítimas sobreviventes, o que poderia aumentar muito o número de mortos com a passagem dos anos. Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Cincinatti mostrou que bombeiros têm risco ampliado para tumores de testículo e próstata, além de linfomas e mieloma múltiplo. Além disso, as pneumopatias benignas, como fibrose pulmonar difusa, fibrose intersticial e enfisema, que foram sequelas pulmonares do incêndio, aumentam a chance de câncer. A população exposta aos gases tóxicos liberados no incêndio teria que ser monitorada por vários anos, até mesmo para melhor compreender os efeitos tardios do cianeto no organismo.
Dez meses após o acidente, a situação das vítimas sobreviventes era incerta. Mais de uma centena estava em condições clínicas complexas. Aqueles que tinham emprego formal no dia do acidente viviam de auxílio-doença, mas os demais não conseguiam retornar ao mercado de trabalho, não só por causa das sequelas respiratórias como também por causa do preconceito dos empregadores. De fato, uma vítima foi demitida com o pretexto de que "nunca mais voltaria a ter uma vida normal e que os problemas ainda se poderiam agravar". Dessa forma, a associação de vítimas e familiares da tragédia lutava por uma lei que garantisse pensão ou acesso ao emprego, para o que entrou em entendimento com o Senado do Brasil. Algumas pessoas provavelmente iriam precisar de aposentadoria por invalidez.
Além disso, as promessas do governo sobre atendimento integral e continuado não eram cumpridas. A Coordenadoria Regional de Saúde de Santa Maria informava não poder doar medicamentos fora da lista da Secretaria Estadual de Saúde. Isso obrigava os pacientes a gastarem centenas de reais ou acionarem a Justiça para obter os medicamentos de alto custo. O Hospital Universitário de Santa Maria havia se comprometido a atender todas as vítimas, mas, segunda uma delas, o discurso que se ouvia era: "Vocês vão ser tratados, mas não são mais a prioridade do HUSM".
Em janeiro de 2014, 42 vítimas ainda tinham graves problemas respiratórios por causa da fuligem inalada, que era equivalente a um século inteiro de consumo de cigarro segundo a médica Ana Cervi Prado, coordenadora do Centro Integrado de Assistência às Vítimas de Acidente (Ciava). Além de sentirem cansaço e falta de ar após poucos passos, os pacientes tinham perdido potência na voz e sentiam gosto de borracha queimada na boca. Outros sintomas comuns eram tosse crônica e cheiro de fumaça persistente. Eles utilizavam medicamentos que os faziam expelir um catarro negro. No entanto, a convivência no HUSM os levava a formarem amizades e contribuía na suas recuperações psicológicas. O tratamento deveria continuar até 2017 pelo menos.
O caso ganhou repercussão mundial: veículos internacionais como CNN, BBC, Al Jazeera, El País, Diário de Notícias, Le Monde, Corriere della Sera, The New York Times, Clarín, dentre outros, destacaram notas em suas manchetes principais. A rede de televisão CNN relatou o incidente tanto na televisão como na Internet e afirmou que o mundo não aprendeu com os erros do passado. O jornal argentino Clarín comparou o incidente à tragédia com características semelhantes ocorrida em Buenos Aires, em 2004, quando uma discoteca pegou fogo, matando 194 pessoas e deixando centenas de feridos. O espanhol El País identificou a tragédia como uma das piores do país.
Gerou também grande comoção pública não só no Rio Grande do Sul, mas também nos outros estados brasileiros. Diversos países, bem como celebridades e autoridades religiosas do Brasil e do mundo, enviaram mensagens de solidariedade. O prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer, decretou luto oficial por 30 dias; foi a primeira vez que luto tão extenso foi decretado no município. O governador do estado do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, lamentou a tragédia e anunciou, em sua conta no Twitter, que viajaria a Santa Maria ainda pela manhã. A presidente Dilma Rousseff, que se encontrava em Santiago, no Chile, para participar da cúpula dos países da América Latina com a União Europeia, cancelou sua agenda no evento para viajar a Santa Maria, a fim de acompanhar o resgate das vítimas do incêndio. Dilma proferiu um breve comunicado à imprensa e ofereceu ajuda federal ao município e ao estado. Após isso, a presidente decretou luto oficial de três dias no país.
A cobertura da tragédia alterou a programação das principais emissoras de televisão do Brasil e aumentou em 15% a audiência das grandes redes abertas na Grande São Paulo. A Universidade Federal de Santa Maria, onde estudavam muitas das vítimas, suspendeu todas as suas atividades acadêmicas até o dia 1º de fevereiro. Até 31 de janeiro, havia 143 pessoas internadas por pneumonite química em Santa Maria, das quais 75 estavam em condição crítica. A patologia é causada por inalação de vapores tóxicos e produz falta de ar, podendo levar à morte. O número de internados aumentou progressivamente porque os sintomas levam várias horas para se manifestarem. Outra consequência tardia do incêndio foi o estresse pós-traumático dos sobreviventes.
Na noite de 2 de fevereiro, centenas de pessoas fizeram uma vigília em frente à boate, até ao horário em que começou o fogo, às 2h30 da manhã. Conduzida por padres e pastores, contou com sobreviventes e parentes das vítimas, que montaram cartazes de protesto, acenderam velas e cantaram músicas religiosas. No horário exato do acidente, ocorreu uma salva de palmas, algumas pessoas desmaiaram e foram atendidas por médicos no local. Uma sobrevivente reconheceu o cheiro do gás tóxico, o "cheiro da morte" que disse ter sentido desde o início da rua. A estudante de 18 anos ainda estava em tratamento devido aos sintomas de pneumonite causados pelo vapor químico. Antes, às nove e meia da noite, milhares de pessoas lotaram a Basílica da Medianeira numa missa de sétimo dia em homenagem às vítimas. Rezada pelo bispo auxiliar de Porto Alegre, Dom Jaime Spengler, e pelo arcebispo de Santa Maria, Dom Hélio Adelar Rubert, foi dirigida especialmente aos jovens. "Hoje será uma noite de fé. Pela fé e a partir da fé vamos encontrar esperança e justiça", disse Dom Jaime na homilia. Houve também uma missa de sétimo dia em Porto Alegre, na paróquia Santo Antônio, com a presença de quatrocentos fiéis.
O dia 27 de fevereiro começou com muitas homenagens pelo primeiro mês da tragédia. Centenas de pessoas reuniram-se na Praça Saldanha Marinho, às 8h, e fizeram muito ruído com sinos, palmas, cornetas e buzinas de carros. A manifestação durou quinze minutos e teve-se muita emoção de pais e familiares das vítimas mortas. No Hospital Universitário de Santa Maria, médicos e pacientes bateram palmas durante um minuto, em frente ao prédio, e quem não podia sair do quarto acenou pela janela. Integrantes do movimento Andradas Viva colocaram 239 faixas em frente à boate. Às 19h, houve uma caminhada que partiu da Praça Saldanha Marinho e se dirigiu ao Hospital de Caridade, onde muitas vítimas foram atendidas e quatro permaneciam internadas. Depois de um minuto de silêncio, as pessoas foram à igreja de Nossa Senhora de Fátima para a realização de uma missa. Havia cerca de duas mil pessoas no movimento chamado Sair do Luto e ir à Luta, com cartazes, fotos, pedidos de justiça e roupas pretas. Outros cultos de diversas religiões foram feitos durante o dia, para encerrar o primeiro mês desde o incêndio.
Em 27 de abril, os familiares fizeram uma reunião no local para lembrarem os três meses	 do acidente. Pouco antes das três horas da madrugada, eles fizeram uma roda e contaram suas experiências naquele dia, em uma forma de terapia coletiva. Cercade cinquenta pessoas da cidade e dos arredores participaram e deixaram depoimentos emocionados. Às 3h20, horário do fogo, rezaram e fizeram um minuto de palmas, continuando depois a rezarem e cantarem músicas religiosas. Segundo o presidente da associação das vítimas, "foi uma oportunidade ímpar de os familiares se reunirem e darem seus relatos. Eles estavam precisando disso, desse momento de interação". A homenagem completou-se com uma caminhada no centro da cidade e uma missa à noite.
Em 26 de julho, o Papa Francisco homenageou as vítimas da tragédia na Jornada Mundial da Juventude:
Com a cruz, Jesus se une ao silêncio das vítimas da violência, que já não podem gritar. Sobretudo, os inocentes e os indefesos. Com a cruz, Jesus se une às famílias que se encontram em dificuldades e que choram a trágica perda de seus filhos, como no caso dos 242 jovens vítimas do incêndio na cidade de Santa Maria, no começo deste ano. Rezemos por eles.
No dia 27, quando se completaram seis meses desde a tragédia, os familiares e sobreviventes que formaram a associação das vítimas doaram roupas dos entes queridos que morreram no incêndio. "Enquanto estamos trabalhando por justiça e combatendo a impunidade, temos esta ação social de amor ao próximo. Hoje foi o início. Nossos filhos não podem mais usar essas roupas, elas ajudarão muitas famílias necessitadas", disse o presidente da AVTSM, Adherbal Ferreira. A associação também montou um posto permanente de doações de roupas e comida na Praça Saldanha Marinho, a fim de socorrer muitas famílias que estavam em dificuldades. Depois das doações, os membros da associação fizeram uma caminhada até o calçadão de Santa Maria, vestindo roupas pretas e numeradas até 242, que foi o número de mortos. Estavam esses protestando contra os atos recentes que livraram de condenação diversos servidores da prefeitura e bombeiros. No final da tarde, concentraram-se em frente à Catedral Metropolitana, cujos sinos badalaram às 18h45, configurando o minuto do barulho já tradicional nas homenagens. Houve ainda uma celebração ecumênica na igreja.
O dia 27 de janeiro de 2014 foi marcado por muitas discussões na mídia sobre o acidente. Em frente à boate, as vítimas pintaram 242 corpos na rua, que estava interditada. Desenharam também um grande coração e depositaram uma rosa branca sobre ele. O ato foi organizado pelo movimento SM do Luto à Luta, cujos membros vestiam camisas brancas com uma estampa que criticava a atuação das autoridades diante da tragédia. Cerca de 400 pessoas se reuniram no local e permaneceram sentadas, em silêncio, até às três horas da madrugada, quando fizeram um "barulhaço" como forma de protesto. Um centro de atendimento médico e psicológico foi montado nas circunjacências e algumas pessoas tiveram que ser socorridas. Após a vigília, os manifestantes iniciaram uma caminhada de protesto. Eles saíram da frente da boate às 8h30 e percorreram as ruas de Santa Maria, parando diante dos prédios da prefeitura e do Ministério Público. Com slogans e atitudes como sentar-se no chão e distribuir balões brancos, eles acusaram as autoridades administrativas de culpa no acidente e o promotores de favorecerem a impunidade daquelas. No entanto, não foram recebidos em parte alguma e os policiais militares vigiaram sua marcha pela cidade, que acabou na Praça Saldanha Marinho, onde houve atividades ligadas ao 1º Congresso Internacional Novos Caminhos, que discutiu, desde o sábado anterior, medidas de prevenção e segurança para que episódios como o da Kiss não se repitam.
Os parentes das vítimas fundaram uma associação em 9 de fevereiro, com o auxílio da Defensoria Pública, para garantir apoio psicológico e jurídico às famílias. Os parentes estavam em processo de cadastramento e pretendia-se aproveitar a experiência com tragédias aéreas, como a do Voo TAM 3054, para exigir direitos e apontar responsabilidades. O carnaval foi cancelado em Santa Maria e em 32 municípios próximos, incluindo o prestigiado carnaval da Quarta Colônia de Imigração Italiana. Todas as atividades de rua e de clubes foram canceladas, apesar de resistências empresariais, porque o luto oficial estava em vigor por todo o mês.
Em 14 de fevereiro, a Associação Nacional para Exigência do Cumprimento das Obrigações Legais (Anecol), que não representava as vítimas, pediu uma indenização de 3 milhões de reais por vítima fatal e de trezentos mil reais por vítima internada. Esses valores foram escolhidos em função da juventude das vítimas e da quantidade de anos de vida perdidos, isso é, porque as vítimas perderam muitos anos de vida produtiva em potencial. A ação judicial seria movida contra os sócios da boate e contra a banda. O Ministério Público foi requisitado pelo advogado que representava a associação para acompanhar o processo judicial.
O presidente da Anecol, Walter Euler Martins, disse que a associação filantrópica sediada em São Paulo não precisava de procuração para pedir indenizações e que estava apenas buscando justiça diante do clamor popular. Segundo ele, o juiz é que deveria arbitrar o valor da indenização independentemente do pedido e o valor arrecadado seria depositado em um fundo de amparo às vítimas. Euler era também ouvidor da Associação de Defesa dos Direitos dos Proprietários de Veículos Financiados e Mutuários (Asdep) e pastor da Igreja Evangélica Cristã Presbiteriana de São Paulo.
Em 24 de fevereiro, a verdadeira associação foi oficializada com a aprovação de seu estatuto e o encaminhamento de uma ação coletiva de reparação de danos e indenização à Defensoria Pública. Essa deveria ingressar em juízo dentro de duas semanas, após a conclusão do inquérito policial. O pedido de indenização seria dirigido a entidades públicas como o estado e a prefeitura, além dos proprietários da casa noturna e talvez de fabricantes de espuma. Os familiares que dependiam financeiramente das vítimas poderiam obter uma ação de antecipação de tutela em caráter de urgência, paralela à ação coletiva.
Em 20 de julho, os pais e sobreviventes fizeram uma caminhada de protesto contra o cenário de impunidade que aparentemente começava a se configurar com os atos do Ministério Público e o inquérito policial militar, que inocentaram servidores civis e bombeiros, assim como o prefeito Cezar Schirmer. Eles, pela primeira vez em 6 meses, reuniram-se em caminhada até a frente da boate e criaram tumulto no local, enquanto gritavam por justiça e chamavam as autoridades de hipócritas. A Brigada Militar controlou a situação com esforços de diálogo.
Os integrantes da associação de vítimas e parentes, apesar de seu empenho em projetos assistenciais, sofriam com a incompreensão de muitas pessoas, que os acusavam de terem ido à boate voluntariamente ou de não terem educado seus filhos corretamente. Além disso, estavam chocados com o clima de impunidade que começava a delinear-se com a não responsabilização criminal de muitos servidores civis e bombeiros, a liberdade provisória dos sócios da boate e a demora em aprovar projetos de nova legislação contra incêndios no estado.
Especialistas passaram a defender uma legislação única para prevenir eventos semelhantes. Naquele momento, o poder executivo municipal fiscalizava os aspectos gerais do projeto arquitetônico e os bombeiros vistoriavam o plano de combate a incêndios. O acidente da boate denunciou a fragilidade desse sistema, tendo em vista que a legislação municipal, mais flexível, foi utilizada no lugar da legislação estadual contra incêndios, que exigia, por exemplo, a existência de duas portas em boates. Uma consequência constrangedora foi o jogo de empurra-empurra entre as autoridades após o incêndio, cada qual tentando transferir a responsabilidade umas às outras. Um mês depois da tragédia, cerca de quinhentas boates e casas de shows haviam sido interditadas até regularizarem sua situação em todo o país.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, determinou uma vistoria maciça das boates do estado. Das 303 casas visitadas até 31 de janeiro, 111 não tinham alvarás de incêndio e 66 tinham alvarásválidos mas irregulares; o que ensejou um prazo de dez dias para regularização sob pena de cassação do alvará. A fiscalização atingiu boates com mais de mil metros quadrados e deveria ser estendida a salas de cinema, teatros e salões de clubes. Além disso, o prefeito Fernando Haddad assinou um acordo com os bombeiros para fiscalização conjunta na capital e determinou a criação de uma legislação municipal mais rígida por meio da formação de uma comissão especializada. Houve também vistorias no estado de Minas Gerais, com atuação conjunta de bombeiros, prefeituras e polícia militar. Quatro casas noturnas foram fechadas no município de Pouso Alegre, quatro em Cambuí e duas em Alfenas, todas por falta de alvará de incêndio.
O incêndio também iniciou uma discussão sobre o uso de comandas, isso é, a forma de pagamento em que o cliente da boate acerta as contas somente quando vai sair. Um projeto de lei municipal, de autoria da vereadora Séfora Mota, foi proposto em Porto Alegre para criar novas formas de pagamento: pagamento no momento do consumo; venda de fichas que seriam trocadas pelo produto no transcorrer da festa; e utilização de um cartão pré-pago para o consumo, mas especialistas disseram que a solução mais viável seria modificar o Código de Defesa do Consumidor, de modo a estabelecer o pagamento imediato no momento da entrega dos produtos. Isso evitaria que as portas fossem trancadas para evitar a saída dos clientes.
Uma comissão da Câmara dos Deputados do Brasil foi formada com o objetivo de ir a Santa Maria para estudar as falhas da legislação que levaram ao acidente e com isso propor uma nova lei de âmbito federal para as regras de segurança e de licenciamento de casas noturnas. O projeto de lei, de autoria do deputado Paulo Pimenta, pretendia obrigar as boates a cumprirem exigências da Associação Brasileira de Normas Técnicas e obrigar as prefeituras a divulgarem, nos seus sítios de Internet, a situação legal das casas noturnas, para que todas as pessoas soubessem a respeito de alvarás e outros fatores de segurança.
O incêndio da boate foi também o maior acidente de trabalho já ocorrido no Rio Grande do Sul, conforme relatório do Ministério Público do Trabalho. A Kiss tinha 35 trabalhadores, 17 com carteira de trabalho assinada e 18 sem registo. Desse total, 14 morreram no incêndio. Além disso, outros 2 trabalhadores foram identificados entre as vítimas e mais 6 eram profissionais de segurança terceirizados e músicos das bandas que tocariam naquela madrugada. A procuradora de Santa Maria, Bruna Iensen Desconzi, abriu um procedimento para regularização de casas noturnas quanto à prevenção de incêndios, em todo o estado, além de inspecionar pessoalmente o local no dia seguinte. A procuradoria também pediu que a prefeitura enviasse uma lista de boates e outros locais com capacidade acima de 50 pessoas na cidade, cujos alvarás seriam vistoriados para evitar que novos acidentes acontecessem. Embora não seja um órgão fiscalizador, o MPT pode pedir ao Ministério do Trabalho e Emprego que efetue a vistoria do local, que pode então ser notificado ou interditado. Dezoito profissionais que atuavam na Kiss, quando ouvidos pela Polícia Civil, disseram que não receberam treinamento para uso de extintores nem para evacuação em casos de tumultos ou incêndios, além do que os seguranças não tinham equipamentos de comunicação. Eles poderiam pedir benefícios previdenciários ao INSS e entrar com ações na Justiça Trabalhista.
Em 23 de maio, o Senado do Brasil aprovou um relatório sobre a legislação contra incêndios no Brasil. A Confederação Nacional de Municípios participou das discussões e provou que apenas catorze por cento dos municípios do país tinham instalações de bombeiros, logo mais de quatro mil não tinham esse serviço. As conclusões do relatório foram: criar uma minuta do Código Nacional de Segurança Contra Incêndio e Pânico; regulamentar as atividades dos corpos de bombeiros militares e dos bombeiros civis, municipais e voluntários; padronizar os procedimentos operacionais para os corpos de bombeiros; e desenvolver um programa educacional nas escolas. A comissão temporária que elaborou esse relatório trabalhou por sessenta dias, realizando seis reuniões e audiências públicas com especialistas da área e empresários promotores de eventos com grande público.
Em 10 de junho, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou um anteprojeto de lei para aumentar a segurança contra incêndios. As propostas aprovadas foram: presença de um brigadista de incêndio em todas as reuniões com mais de duzentas pessoas; área de edificação de 720 metros quadrados para que se possa elaborar um projeto de prevenção; maior rigidez para a obtenção de alvarás; punições enquadradas como notificação, multa, interdição e embargo; e criação do Conselho Estadual de Segurança, Prevenção e Proteção contra Incêndio, que seria integrado por Corpo de Bombeiros, Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul, Conselho de Arquitetura e Urbanismo e universidades. Só áreas fechadas se sujeitariam a essas normas. Em dezembro, a nova lei estadual, cujo nome oficial era Projeto de Lei Complementar 155/2013, foi aprovada.
Muitos moradores da Rua dos Andradas, onde ficava a boate, não suportaram viver perto de um local onde morreram centenas de pessoas e mudaram-se, levando em conta também que os imóveis da região perderam valor em cerca de 20% conforme especialistas. Um dos vizinhos disse que, de sua casa, era possível ver o buraco feito atrás do palco da boate, na tentativa de socorrer as vítimas da fumaça.
Os músicos profissionais, que viviam de apresentações, tiveram graves perdas financeiras devido à súbita interrupção das festas. Com o fim do luto oficial, eles esperavam voltar a ter oportunidades, mas temiam que o comportamento dos santa-marienses ainda fosse avesso a diversões coletivas, principalmente porque muitos perderam amigos ou familiares. "Vai demorar muito para mudar. O pessoal continua triste. Na universidade, lembramos tudo o que aconteceu. É complicado. Ficamos pensando no quanto somos vulneráveis”, disse uma estudante universitária de 22 anos.
Seis meses depois da tragédia, algumas pessoas não queriam mais morar em Santa Maria. Uma estudante de administração da UFSM voltou para Curitiba, sua cidade natal, porque, segundo ela, não fazia sentido continuar vivendo na cidade para onde ela tinha se mudado a fim de ficar ao lado do namorado, que morreu no incêndio. Ela mesma era uma sobrevivente e ainda se recuperava de queimaduras.
A maior dificuldade era superar o sentimento de injustiça que pairava sobre a população. O Grupo RBS encomendou uma pesquisa com 600 moradores de Santa Maria, segundo a qual 57% deles não acreditavam que seria feito justiça e quase 62% deles discordavam de que todos os envolvidos estavam respondendo judicialmente pelos erros cometidos. Especialistas comentaram que justiça seria não só buscar responsáveis, mas também implementar políticas públicas que prevenissem novos casos como o da Kiss. A pesquisa também mostrou que 91,7% dos ouvidos achavam ser fundamental reconstruir a autoestima da população. Pichon-Rivière, responsável pelo Instituto de Psicologia Social de Porto Alegre, sugeriu que isso fosse feito com música e literatura como canais para extravasar a dor. Volnei Dassoler, psicanalista e membro do comitê gestor do Acolhe Saúde, serviço de apoio da Secretaria de Saúde de Santa Maria às vítimas do incêndio, acrescentou que não se deveria cultivar uma divisão dentro da população, como se fosse preciso cada um buscar um lado.
A Cruz Vermelha e os Médicos Sem Fronteiras afirmaram, em janeiro de 2014, que o povo de Santa Maria levaria cinco anos para se recuperar psicologicamente. Conforme os estudos das entidades, "estima-se que entre 60 e 70% da população seja afetada de alguma forma pelo que aconteceu, mas consegue superar os efeitos psicológicos com ajuda de familiares e amigos. No meio, entre 20% e 30% precisam de algum tipo de atenção psicológica, mesmo que seja apenasuma conversa. E na ponta, entre 1% e 4% desenvolvem distúrbios, às vezes já preexistentes, mas não desencadeados, que precisam de tratamento psiquiátrico e medicamentos". Policiais militares, policiais, agentes funerários, jornalistas e até um coveiro (que enterrou dezenas de pessoas) precisaram de acompanhamento psicológico. Os especialistas advertiram que superação não significa esquecer o trauma, mas sim encontrar um lugar para ele na vida e na mente. Os alunos da UFSM ainda sofriam com a experiência, um deles achava que tinha evitado a fuga de muitas pessoas enquanto tentava sair, pois abria os braços a fim de afastar os que estavam próximos. Turmas da universidade perderam vários alunos e até os professores tinham dificuldade em assimilar o evento.
Alguns meses após a tragédia, foi lançado o livro Kiss: Uma Porta para o Céu, do escritor e padre Lauro Trevisan. Desde o lançamento, em março, o livro causou comoção entre os familiares das vítimas. Um trecho afirmava que duas vítimas foram encontradas vivas no caminhão frigorífico que levava os corpos ao ginásio municipal. Outro trecho dizia que aqueles que morreram tentando salvar as pessoas dentro da boate agonizaram antes de sucumbirem ao gás cianeto e havia também insinuações de sexo no céu e recomendações para que as pessoas não se deprimissem ou se revoltassem. O livro causou controvérsia e o advogado de uma das famílias sustentou que a liberdade de expressão não pode prevalecer sobre a dor das vítimas. De fato, algumas famílias, que pareciam ter superado o trauma do acidente, reviveram sua dor psicológica por causa dos fragmentos polêmicos. A Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria pediu a retirada de circulação do livro. A ação correu na Justiça Estadual de Santa Maria, tendo como ré a Editora e Distribuidora da Mente, de propriedade do padre, que é conhecido por seus 78 livros de autoajuda. Além disso, os pais de uma das vítimas pediram indenização de cem mil reais por danos morais. O escritor suprimiu esses trechos na segunda edição, após a primeira ter se esgotado. Após depor na Polícia Civil, Lauro Trevisan não foi indiciado pelo delegado Sandro Meinerz pois o texto não foi considerado criminoso. A Justiça negou uma liminar para suspender a venda do livro.
O documentário Tragédia em Santa Maria foi produzido para a televisão pelo Discovery Channel. Contrariando a política do canal, o programa foi produzido em tempo recorde para ser apresentado na noite de 27 de abril de 2013, quando se completaram três meses do acidente. Geralmente os documentários da emissora são produzidos meses ou anos após os eventos, mas esse foi produzido em apenas dois meses e meio, sob o comando da produtora Mixer, de São Paulo, que reconstituiu o incêndio. A vice-presidente de Desenvolvimento e Produção da Discovery Networks na América Latina, a italiana radicada nos EUA Michela Giorelli, contou que tomou a decisão porque a dramaticidade do caso levou a emissora especializada em documentários à mobilização quase imediata. Ela disse também que, apesar de estar acostumada a eventos trágicos, esse foi diferente porque atingiu jovens, pessoas no começo da vida. O objetivo, segundo a produtora, era "dar voz aos especialistas e aumentar a consciência para esse tipo de problema". O diretor da produção brasileira, Daniel Billio, entrevistou familiares ainda sob o impacto do desastre, brasileiros e estrangeiros pelo programa revelaram que os testemunhos colhidos sobre o incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, comoveram a equipe de produção. O documentário foi exibido para treze milhões de assinantes do canal Discovery no dia 27 de abril e reprisado na noite do dia seguinte. contrário de outro documentário do Discovery, sobre o desastre ocorrido na Argentina, na boate República Cromañón, que matou 194 pessoas em 2004. Aquele foi produzido somente cinco anos depois. Mesmo habituados a recontar tragédias, os responsáveis brasileiros e estrangeiros pelo programa revelaram que os testemunhos colhidos sobre o incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, comoveram a equipe de produção. O documentário foi exibido para treze milhões de assinantes do canal Discovery no dia 27 de abril e reprisado na noite do dia seguinte.
Em 27 de janeiro de 2014, após um ano do acidente, foi lançado o filme Janeiro 27, dirigido pelos cineastas Luiz Alberto Cassol, que é natural de Santa Maria, e Paulo Nascimento, que já estudou na cidade. A produção do longa-metragem partiu da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM). Cassol, um dos diretores do longa, disse que o documentário também abordaria os incêndios que ocorreram em boates dos Estados Unidos e da Argentina e mostraria que tragédias semelhantes poderiam se repetir se algo não fosse feito.
O prestigiado seriado de televisão CSI: Crime Scene Investigation, da rede de televisão estadunidense CBS, apresentou, em 27 de janeiro de 2014, um episódio especial inspirado no caso Kiss. Escrito e produzido por Liz Devine, o nome do episódio é Torch Song, que se traduz literalmente como "canção incendiária", mas em inglês coloquial designa músicas românticas excessivamente dramáticas ou trágicas. A equipe da famosa série que investiga cenas de crime se desloca até uma boate que pega fogo em circunstâncias bastante parecidas com as da boate brasileira: uma banda de skinheads, que se apresentava no local, é a responsável pelo começo do fogo, havendo também a citação da espuma de poliuretano. O Sony Channel exibiu esse episódio no Brasil.
Em janeiro de 2018, a jornalista e escritora Daniela Arbex lançou o livro Todo Dia a Mesma Noite: A História não contada da Boate Kiss onde ela mostra depoimentos de sobreviventes, familiares das vítimas, equipes de resgate e profissionais da área da saúde que estavam envolvidos no caso. No dia 23 de novembro de 2021, a Netflix anunciou que estaria trabalhando na produção duma série intitulada Todo Dia a Mesma Noite com o mesmo título e informações contidas no livro homônimo, sendo lançada oficialmente em 25 de janeiro de 2023 na plataforma da empresa. As filmagens foram feitas em 2022. A produção gerou em muitos telespectadores comoção pela tragédia e revolta pela impunidade no decorrer do julgamento dos envolvidos. A minissérie também foi alvo de críticas, sendo considerada por muitos internautas como "apelativa" e "desnecessária" por relembrar o sofrimento que os familiares das vítimas vivenciaram. No entanto, cerca de 40 famílias anunciaram que processariam a Netflix por suposta exploração comercial da tragédia de 2013. Segundo a advogada desses familiares, a plataforma sequer informou de forma sensível que faria uma série dramática. No entanto, nenhuma indenização por danos morais foi exigida no processo cível. Os declarantes ainda pediram adequações da exposição do trailer, além de pedirem uma exploração mais social do conteúdo.
No dia 26 de janeiro de 2023, faltando um dia para completarem-se os dez anos da tragédia e um dia após o lançamento da minissérie cinematográfica da Netflix, a plataforma de streaming Globoplay lançou a série documental Boate Kiss - A Tragédia de Santa Maria, com depoimentos dos sobreviventes, além de imagens dos momentos que acompanharam a tragédia, junto ás matérias jornalísticas realizadas pela RBS TV e pela TV Globo.
HORA: 2H30 (UTC-2)
DURAÇÃO: DAS 2H30 ÁS 5H (UTC-4)
DATA: 27 DE JANEIRO DE 2013
LOCAL: BOATE KISS
LOCALIZAÇÃO: SANTA MARIA, RIO GRANDE DO SUL, BRASIL
COORDENADAS: 29º41’03,5’’S, 53º48’25’’O
TIPO: INCÊNDIO EM CASA NOTURNA
CAUSA: QUEIMADA DE ESPUMA ACÚSTICA DEVIDO A USO DE ARTEFATOS PIROTÉCNICOS 
MORTE: 242
LESÕES NÃO-FATAIS: 636
ACUSADO(S): ELISSANDRO CALLEGARO SPOHR (KIKO)
MAURO LONDERO HOFFMANN 
MARCELO DE JESUS DOS SANTOS
LUCIANO BONILHA LEÃO
ACUSAÇÕES: HOMICÍDIO SIMPLES COM DOLO EVENTUAL E TENTATIVA DE HOMICÍDIO
- São Francisco do Sul (2013)
O incêndio em São Francisco do Sul ocorreu na noite do dia 24 de setembro de 2013 no município de São Francisco do Sul, localizado no Litoral Nortedo estado de Santa Catarina, devido a uma explosão. Ocorreu em um armazém da empresa Global Logística em um terminal marítimo.
Desde a madrugada do dia 25 de setembro, quando os bombeiros foram acionados, foram usados mais de 200 mil litros de água. No depósito estavam armazenados 10 mil litros de fertilizante à base de nitrato de amônia, produto químico oxidante, que produz fumaça sem chamas.
Muitas pessoas perderam e deixaram suas casas por causa da fumaça tóxica. O incêndio possivelmente iniciou em uma carga de fertilizante em um armazém da empresa Global Logística. O acontecimento é considerado grave já que o produto contém, de acordo com o Centro de Informações Toxicológicas do Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina, nitrato de amônio, difosfato de amônio e cloreto de potássio, considerados tóxicos. As pessoas foram levadas ao prontos atendimentos do município.
Graças a tragédia, muitos habitantes de São Francisco do Sul decidem deixar a cidade e mudarem-se para cidades próximas, como Joinville e Araquari. A fumaça proveniente do incêndio que tomou um armazém de fertilizantes perto da BR-280, deixou a população apreensiva. Durante a manhã do dia 25 de setembro, os bombeiros informaram que a fumaça era tóxica, entretanto, o governo de Santa Catarina emitiu uma nota notificando que a carga de fertilizante à base de nitrato de amônio, na região do Porto de São Francisco do Sul, não é tóxica.
Na manhã do dia 26 de setembro, um helicóptero sobrevoou a área. A nuvem amarelada de dez quilômetros de extensão ainda envolve a cidade, que está em situação de emergência. A grande quantidade de material tóxico dificultou o acesso ao foco da combustão. Durante toda a noite, equipes da Defesa Civil, Bombeiros, Exército e Marinha se revezaram para manter o atendimento aos residentes. Esse trabalho foi feito durante todo este dia. Aulas foram suspensas, o hospital ficou lotado e o trecho da BR-280, que dá acesso ao porto, está interditado. Moradores de seis bairros da cidade foram obrigados a abandonar as residências. Quatrocentas pessoas passaram a noite em uma escola. Os colchões foram doados por moradores. Dez mil toneladas de fertilizante à base de nitrato de amônio causaram queima. A substância é considerada moderadamente perigosa pela Defesa Civil. Pode causar irritação nos olhos e na garganta e dificuldade para respirar. Uma nuvem gigante de fumaça se formou sobre o município de São Francisco do Sul e assustou moradores que fizeram filas para sair da cidade. A prefeitura decretou situação de emergência. A Defesa Civil orientou trezentas famílias a deixarem as casas. Elas abrigaram-se em um raio de dois quilômetros da fumaça. Quem não tinha para onde ir, foi levado para uma escola, que se transformou em abrigo.
Foi controlado na manhã do dia 27 de setembro a fumaça química. A Defesa Civil fez um sobrevoo na região do acidente e avaliou as imagens aéreas. Segundo Diogo Bahia Losso, capitão do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, não há mais fumaça no local.
A fumaça do fogo chegou à Ilha do Mel, situada no estado do Paraná.
LOCALIZAÇÃO: SÃO FRANCISCO DO SUL
DATA: 24 DE SETEMBRO DE 2013
- Porto de Santos (2015)
O incêndio no Porto de Santos em 2015 foi um incêndio em tanques de gasolina e etanol da empresa Ultracargo, localizado no porto de Santos, na Baixada Santista. O incêndio teve início no dia 2 de abril, por volta das 10 horas, e foi extinguido completamente apenas em 10 de abril, totalizando nove dias de incêndio. O incêndio trouxe várias consequências para os moradores das redondezas como complicações respiratórias e chuva ácida. Para tentar conter as chamas, foram utilizados mais de oito bilhões de litros de água salgada, que posteriormente retornou ao mar e causou a morte de sete toneladas de peixes, por conta da diminuição da taxa de oxigênio na água.
LOCALIZAÇÃO: PORTO DE SANTOS, SANTOS, BRASIL
DURAÇÃO: 02-10 DE ABRIL DE 2015
ÁREA: 183 871 M²
FONTE DE INÍCIO: TANQUES DE GASOLINA E ETANOL DA EMPRESA ULTRACARGO
FERIDOS: 15
- Museu da Língua Portuguesa (2015)
Museu da Língua Portuguesa ou Estação Luz da Nossa Língua é um museu interativo sobre a língua portuguesa localizado na cidade de São Paulo, Brasil, no histórico edifício Estação da Luz, no Bairro da Luz, região central da cidade. Foi concebido pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo em conjunto com a Fundação Roberto Marinho, tendo um investimento de cerca de 37 milhões de reais.
O objetivo da instituição é criar um espaço vivo sobre a língua portuguesa, considerada como base da cultura do Brasil, onde seja possível causar surpresa nos visitantes com os aspectos inusitados e, muitas vezes, desconhecidos de sua língua materna. Segundo os organizadores do museu, "deseja-se que, no museu, esse público tenha acesso a novos conhecimentos e reflexões, de maneira intensa e prazerosa".
O museu tem como alvo principal a média da população brasileira, composta de pessoas provenientes das mais variadas regiões e faixas sociais do país, mas que ainda não tiveram a oportunidade de obter uma ideia mais precisa e clara sobre as origens, a história e a evolução contínua da língua. De sua inauguração até o final de 2012, mais de 2,9 milhões de pessoas já haviam visitado o espaço, consolidando-o como um dos museus mais visitados do Brasil e da América do Sul.
Em 21 de dezembro de 2015, o museu foi atingido por um incêndio que destruiu dois andares de sua estrutura. Seu acervo, contudo, não se perdeu, por ser virtual, sendo recuperado a partir de backups. Depois de passar por uma restauração, o museu foi reinaugurado em 31 de julho de 2021. Por ocasião da cerimônia, a instituição foi agraciada com a Ordem de Camões, pelos relevantes serviços prestados à língua portuguesa.
O projeto foi iniciado em 2002, quando se começou a restaurar o prédio da Estação da Luz, sendo concluído em 2006. Teve como aliada no projeto a Lei de Incentivo à Cultura, que demonstra a contemporaneidade em que vivemos. São Paulo ainda possui um fator simbólico para o local do museu, sendo a maior cidade de falantes do português no mundo.
A ideia foi de Ralph Appelbaum, autor também do Museu do Holocausto, em Washington, e da Sala de Fósseis do Museu de História Natural, em Nova Iorque. O projeto arquitetônico do museu é de Paulo e Pedro Mendes da Rocha, pai e filho, ambos brasileiros. A direção do museu fica por conta da socióloga Isa Grinspum Ferraz, que coordenou uma equipe de trinta especialistas do idioma para o museu. A direção artística é de Marcello Dantas.
O museu foi inaugurado na segunda-feira de 20 de março de 2006, com a presença do cantor e então ministro da cultura Gilberto Gil, representando o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, da ministra da cultura de Portugal, Isabel Pires de Lima, do governador paulista Geraldo Alckmin, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de António Carmona Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, do presidente da Fundação Calouste Gulbenkian e outras autoridades representativas, não apenas de Portugal e do Brasil, mas de todos os países lusófonos.
No dia 21 de dezembro de 2015, um incêndio de grandes proporções atingiu o prédio do museu, mobilizando 37 viaturas do Corpo de Bombeiros. O incêndio foi causado por curto-circuito que teve início no primeiro andar do prédio, no qual era exibida a exposição "O tempo e eu", baseada nos trabalhos do historiador Câmara Cascudo. O bombeiro civil do museu, Ronaldo Ferreira da Cruz, faleceu de parada cardiorrespiratória enquanto tentava conter o fogo.
Apesar das instalações terem ficado totalmente destruídas, não houve grande prejuízo ao acervo, por ser na maior parte digital, podendo ser recuperado a partir de cópias de segurança. O maior prejuízo foi ao patrimônio arquitetônico do prédio, inaugurado originalmente em 1867 e restaurado em 2006 para receber as instalações do museu.
Um mês depois do incêndio, foi assinado um acordo de cooperação entre o Governo do estado, a Secretaria de Cultura, a Fundação Roberto Marinho ea organização social ID Brasil, para a execução da reforma do museu. Em 12 de dezembro de 2016, o governo do estado de São Paulo anunciou a parceria "Aliança Solidária" e anunciou que o museu deve voltar a receber visitantes no primeiro semestre de 2019. O custo total da obra de recuperação será de 65 milhões de reais, dos quais 34 milhões são investimentos da iniciativa privada. A empresa portuguesa Energias de Portugal é a principal patrocinadora. O Grupo Globo e o Grupo Itaú também participam da Aliança. O arquiteto Pedro Mendes da Rocha, responsável pelo desenvolvimento do projeto original do Museu da Língua junto com seu pai, o premiado arquiteto e urbanista Paulo Mendes da Rocha, fará as adaptações necessárias no projeto. O Museu da Língua Portuguesa fez exposições itinerantes do seu acervo no estado de São Paulo em 2016, durante o processo de restauração do incêndio. A mostra de "Estação da Língua" foi aberta no dia 4 de março, em Araraquara, interior paulista, e passou por outras cidades durante o ano. Segundo a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, a exposição itinerante seguiu o conceito central do Museu da Língua Portuguesa, propondo interatividade e tecnologia como veículos para apresentar o idioma ao público, nos seus mais variados sotaques e evoluções. Como o acervo do museu é digital, ele pode ser aplicado e adaptado para outros espaços. A "Estação Língua" tinha trezentos metros quadrados de área expositiva, e entre as atrações, contou com o "Mapa dos Falares", mostrando a singularidade do português falado em diferentes regiões do estado de São Paulo.
No dia 21 de dezembro de 2016 foram iniciadas as reformas no museu, restaurando primeiramente a face leste do edifício. De acordo com a gerente geral de Patrimônio da Fundação Roberto Marinho, Lucia Basto, no ano de 2017 a restauração teve como foco reconstituir e restaurar as fachadas restantes do Museu que sofreram deteriorações no incêndio de 2015. A gerente também disse que o modelo da estrutura arquitetônica seria mantido, porém adaptado às leis então vigentes. Ainda de acordo com ela, os planos e projetos para 2018 enquadravam a reconstituição do telhado, como também a parte hidráulica e elétrica. A reforma também contaria com a cobertura de zinco no estabelecimento, vidros temperados (para combater o alastramento de chamas) e equipamentos mais modernos, prevenindo futuros riscos de incêndios. Concluída a reforma, que custou R$ 85,8 milhões, a reabertura do museu aconteceu em 31 de julho de 2021. No terceiro piso, foi projetado um terraço com vista para o Jardim da Luz e para a torre do relógio da estação. A infraestrutura e o sistema segurança passaram por uma reformulação, com novas medidas de prevenção a incêndios, como recomendado pelo Corpo de Bombeiros. Novas medidas de sustentabilidade foram adotadas, como técnicas de economia de água e energia, bem como a reutilização e restauração da madeira que estava na construção original. Durante a cerimônia de reinauguração, o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, agraciou o Museu da Língua Portuguesa com o grau de Membro honorário da recém-criada Ordem de Camões, tendo esta sido a primeira concessão desta ordem honorífica portuguesa.
O museu possui um acervo inovador e predominantemente virtual, combinando arte, tecnologia e interatividade, lembrando que o museu está localizado num prédio histórico. Composto das mais diversificadas exposições nas quais são utilizados objetos, vídeos, sons e imagens projetadas em grandes telas sobre a língua portuguesa, considerada do ponto de vista de patrimônio cultural dos povos lusófonos. Ocupa três andares da Estação da Luz, com 4 333 metros quadrados. Criação do arquiteto brasileiro Rafic Farah, logo na entrada vê-se a chamada "Árvore da Língua", uma escultura com três andares de altura em que nas folhas surgem contornos de objetos e as raízes formadas por palavras que deram origem ao português. A árvore pode ser visualizada quando o visitante usa o elevador de acesso aos outros andares, que tem paredes transparentes.
No primeiro andar ficam localizadas as exposições temporárias, o Espaço Educativo Paulo Freire, e também outro espaço da administração.
No segundo andar, a exposição "Línguas do mundo" é onde os visitantes podem ouvir as várias línguas faladas pelos povos, destacando 23 línguas diferentes. A "Rua da Língua" é uma longa tela de cem metros, cobrindo boa parte da parede do primeiro andar. São projetadas palavras, textos, imagens e desenhos. "Nós da Língua", 23 telas são expostas, com o nome dos países que falam a língua portuguesa próximo destas telas. Algumas das telas são interativas. "Laços de família" mostra como a língua portuguesa surgiu, indo da língua indo-europeu e o latim até as línguas como o português, o espanhol e o galego. A exposição "Português do Brasil" expõem a evolução da língua portuguesa desde sua origem histórica do latim durante a conquista dos romanos da região ibérica até as influências dos meios de comunicação atuais, como a televisão e as redes sociais. Algumas das telas são texto, outras são imagens, e em alguns casos há telas interativas com vídeos curtos explicando o tópico abordado naquela seção da exposição. A exposição "Palavras-cruzadas" são oito totens interativos. Essa exposição é complementar à exposição "Português do Brasil". "Línguas do cotidiano" é um pequeno auditório onde há um projetor que exibe oito filmes diferentes. O "Beco das palavras" envolve o uso de três telas interativas, cada uma com palavras diferentes. Com a correta interação, as palavras são unificadas e criam uma nova palavra com um novo significado.
O terceiro andar também é chamado de "Língua viva". A exposição "Falares" mostra a diversidade da língua portuguesa em seus sotaques, vocabulário, entre outros fatores que alteram o jeito de de se expressar a partir do português. "O que pode a língua" é um auditório, usado para mostrar filmes e poesias. Ao final da exposição no auditório, os visitantes são convidados a irem ao terraço, onde têm uma visão privilegiada da torre do relógio da estação da Luz e do Jardim da Luz.
TIPO: MUSEU DE IDIOMAS 
INAUGURAÇÃO: 20 DE MARÇO DE 2006
VISITANTES: 386 789 (2014)
PAÍS: BRASIL
CIDADE: SÃO PAULO, SÃO PAULO
COORDENADAS: 23º32’06’’S, 46º38’06’’O
- Chapada dos Veadeiros (2017)
O incêndio na Chapada dos Veadeiros, iniciado no dia 18 de outubro de 2017, foi um desastre ambiental que destruiu cerca de 35 mil hectares de vegetação do cerrado no Parque Nacional Chapada dos Veadeiros, em Goiás.
O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros inicialmente possuía 625 mil hectares quando foi inaugurado, em 1961, diminuindo de tamanho até atingir 65 mil hectares, que foram ampliados por meio de um decreto no Dia Mundial do Meio Ambiente de 2017 para os atuais 240 mil hectares
O fogo teve início à margem da rodovia GO-239, que liga a cidade de Alto Paraíso de Goiás ao vilarejo São Jorge. Incêndios ocorrem naturalmente no cerrado na estação chuvosa, em consequência dos raios, e não na estação seca, quando ocorrem incêndios somente pela ação humana. Especula-se que o incêndio tenha sido uma contraofensiva de fazendeiros devido a expansão da área do parque, ocorrida em julho desse ano. O incêndio durou cerca de oito dias e teve origem criminosa. O fogo extrapolou a área do parque e atualmente também atinge fazendas, vilarejos e reservas ambientais particulares ao redor.
A Fundação Jardim Zoológico de Brasília enviou uma equipe para cuidar dos animais afetados pelo incêndio. Além dos bombeiros presentes no local, um grupo de voluntários se mobilizou para controlar o incêndio, um grupo chamado Rede Contra Fogo, que está arrecadando fundos via financiamento coletivo na plataforma Catarse. Também estão presentes no combate às chamas cinco aviões-tanque do ICMBio, helicópteros do Ibama, a Polícia Rodoviária Federal, Corpo de Bombeiros de Goiás e Polícia Militar do Distrito Federal. O Ministro da Defesa, Raul Jungmann, anunciou nesta segunda-feira (23) que Força Aérea Brasileiratambém irá atuar no combate às chamas.
PAÍS: BRASIL
LOCAL: PARQUE NACIONAL DA CHAPADA DOS VEADEIROS
DATA: 17 DE OUTUBRO DE 2017 – 25 DE OUTUBRO DE 2017
ÁREA QUEIMADA: 35 000
USO DO SOLO: ÁREAS DE CERRADO
MOTIVO: AÇÃO HUMANA 
- Massacre de Janaúba (2017)
O massacre de Janaúba foi um massacre escola ocorrido no dia 5 de outubro de 2017, em uma creche municipal no município de Janaúba, no estado brasileiro de Minas Gerais.
O vigilante noturno da creche Gente Inocente, no bairro Rio Novo, ateou fogo em si mesmo, em uma professora e em várias crianças, o que causou várias mortes.
Na manhã de 5 de outubro de 2017, o vigilante noturno do Centro Municipal de Educação Infantil Gente Inocente, Damião Soares dos Santos, de 50 anos, chegou à creche dizendo que ia entregar um atestado médico. Depois de entrar, ele invadiu uma sala de aula, onde dezenas de crianças entre 3 e 7 anos de idade estavam participando de atividades normais da escola. Ele então trancou a porta e lançou combustível sobre várias crianças, funcionários e sobre si próprio, ateando fogo em seguida. De acordo com o delegado regional Bruno Fernandes, ele chegou a abraçar algumas crianças no meio das chamas.
Como resultado da sua ação, um incêndio tomou conta das dependências, morrendo no local quatro crianças, e deixando dezenas de feridos. Mais seis crianças, as professoras Heley de Abreu e Jéssica Morgana, a auxiliar Geni Oliveira, e o próprio agressor morreram, depois de serem socorridos, totalizando quatorze mortos.
Parte dos feridos teve o quadro agravado pela inalação de fumaça. Algumas vítimas foram transferidas para a Santa Casa de Montes Claros, a cerca de 130 km de Janaúba. As vítimas com queimaduras mais graves foram transferidas, utilizando-se aeronaves, para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, a cerca de 550 km e que tem atendimento especializado em queimaduras.
O vigia Damião Soares dos Santos, nascido em 21 de maio de 1967 na cidade de Porteirinha, que faz divisa com Janaúba, escolheu o aniversário de três anos de morte do pai para o incêndio na creche. A polícia encontrou galões de gasolina em sua casa e, dois dias antes do incêndio, ele falou à família que iria morrer e que iria dar aquele "presente" aos parentes. Ele era caçula entre os irmãos de uma família pobre de sete mulheres e quatro homens. Era um indivíduo discreto e que vendia para as crianças picolés feitos por ele mesmo.
Damião era funcionário efetivo da prefeitura desde 2008 e estava afastado da creche desde julho, primeiro por conta de férias e depois alegando problemas médicos. Uma de suas irmãs alegou que o vigia vinha apresentando problemas mentais que começaram depois que o pai morreu. Em 2014 ele procurou o Ministério Público Estadual, que o encaminhou para o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Janaúba, mas Damião recusou o tratamento.
Ele nunca se casou ou teve filhos, e a casa de dois cômodos onde morou nos últimos anos era, de acordo com o delegado, "totalmente insalubre e inóspita". Nas buscas realizadas no imóvel, os agentes da Polícia Civil encontraram anotações com textos confusos e pouco concatenados, contendo referências ao Estatuto da Criança e do Adolescentes. Uma nota da Polícia Civil chegou a falar que o vigia era "obcecado por crianças".
O prefeito de Janaúba, Carlos Isaildon Mendes (PSDB), classificou a tragédia como "catastrófica". Ele pediu ajuda ao governo estadual, que disponibilizou helicópteros e hospitais, e a municípios vizinhos, que forneceram ambulâncias e o estoque de medicamentos para queimados. O governador Fernando Pimentel decretou luto oficial de três dias e determinou que todas as forças de segurança e de saúde do estado trabalhem no atendimento às vítimas e na investigação, além da criação de um posto de comando emergencial na cidade.
Em uma postagem no Twitter o presidente Michel Temer disse: "Eu que sou pai imagino que esta deve ser uma perda muitíssimo dolorosa. Espero que essas coisas não se repitam no Brasil. Lamento imensamente essa tragédia com as crianças em Janaúba (MG). Quero expressar minha solidariedade às famílias."
Em 8 de outubro, Temer concedeu à professora Heley de Abreu Silva Batista, que morreu no incêndio, a Ordem Nacional do Mérito. Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República disse que "a homenagem é concedida a pessoas que deram exemplos de dedicação e serviço ao País e à sociedade brasileira" e que "este é o caso da Professora Heley Batista, que sacrificou sua própria vida para salvar a vida de seus alunos, em um gesto de coragem e de heroísmo que emocionou a todos", completou. A professora ficou conhecida por ter conseguido salvar parte das crianças que estavam na creche e também por ter lutado contra o vigilante que provocou o incêndio.
O governo federal também liberou 8,7 milhões de reais para a reconstrução da creche incendiada e para a construção de outras duas instituições de ensino, sendo que uma delas iria receber o nome da professora Heley Batista. Também será construído um memorial em homenagem às vítimas.
A imprensa internacional também repercutiu o ataque à creche de Janaúba. A rede britânica BBC destacou que vídeos mostram as cenas de caos na área de fora da creche e que 40 pessoas foram levadas a hospitais. O jornal estadunidense The New York Times e o canal de notícias CNN também relataram a situação, dando destaque para o fato de o homem ser funcionário do local. O jornal argentino La Crónica destacou que as crianças morreram após um homem ter "enlouquecido" e colocado fogo em uma creche.
A Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais interpôs ação civil pública contra o município de Janaúba pedindo indenizações por danos morais, patrimoniais e estéticos às vítimas e familiares. O Defensor Público Gustavo Dayrell afirmou que “em virtude da posição de garantidor, o município é responsável pela incolumidade física das crianças enquanto estiverem nas dependências da creche, respondendo por qualquer lesão sofrida, seja qual for sua natureza” e que o vigia era servidor público municipal. Apontou ainda omissão por parte da prefeitura de Janaúba que permitia o funcionamento da creche mesmo sem alvará do Corpo de Bombeiros, e que esta não tinha saída de emergência.
A Prefeitura de Janaúba assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para o pagamento de indenizações as vítimas ao incêndio, ressaltando que "o pagamento antecipado das indenizações não implica qualquer confissão ou declaração de que o Município de Janaúba/MG tenha agido com culpa ou de qualquer forma concorrido para o mencionado incêndio".
LOCAL: JANAÚBA, MINAS GERAIS
DATA: 05 DE OUTUBRO DE 2017
TIPO DE ATAQUE: INCÊNDIO CRIMINOSO, ASSASSINATO, SUICÍDIO, INFANTICÍDIO
MORTES: 14 (INCLUINDO O AUTOR)
FERIDOS: 37
RESPONSÁVEL: DAMIÃO SOARES DOS SANTOS
MOTIVO: DESCONHECIDO
 
- Edifício Wilton Paes de Almeida (2018)
O incêndio e desmoronamento do Edifício Wilton Paes de Almeida foi um desastre de grandes proporções ocorrido na madrugada de 1º de maio de 2018, na região do Largo do Paiçandu, em  São Paulo, que resultou no colapso total do Edifício Wilton Paes de Almeida. Um incêndio ocorreu no aglomerado de ocupações irregulares instaladas no prédio, abandonado desde 2003, por volta das 01h30min e se alastrou rapidamente pelo edifício.
O edifício Wilton Paes de Almeida, que já foi uma agência do INSS e sede da Polícia Federal por 25 anos, pertence à União e foi concedido à Prefeitura de São Paulo. Às 01h40min, o Corpo de Bombeiros informou, por meio do Twitter, que um prédio de ocupações irregulares estava em chamas no Largo do Paiçandu. No mesmo momento, descartou a possibilidade de vítimas e enviou cerca de 20 viaturas e 45 homens capacitados para atender o local. Em outra atualização, às 02h00min, a corporação informou o aumento de 24 viaturas e 57 homens enviados ao local da tragédia.
Moradores do prédio informaram que havia um casal de vizinhos brigando e, seguidamente, escutaram a explosão de uma possível panela de pressão. Desse modo,a Polícia Científica do Instituto de Criminalística periciou dois botijões de gás avistados nos escombros. Segundo Paulo Helene, professor de engenharia da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, "a estrutura de concreto e aço serviu como um arsenal de material inflamável que favoreceu a dispersão rápida do fogo. Consequentemente, causou o colapso do edifício."
O morador Ricardo Oliveira Galvão Pinheiro chegou a sair do local do incêndio, mas voltou em prol do resgate de mulheres e crianças que tinham dificuldade de abandonar o prédio. A ação, no entanto, foi conturbada. Numa operação de resgate, Ricardo estava pendurado na lateral do prédio e agarrado à uma estrutura de para-raios. Devido à enormidade da conflagração, os instrumentos foram rompidos durante o desabamento. Durante uma entrevista à jornalista e ex-BBB Nayara de Deus, sobreviventes relataram que vítimas do incêndio pularam da janela do prédio.
Em 3 de maio de 2018, uma sobrevivente relatou à polícia que o incêndio ocorreu após um curto-circuito numa tomada que ligava o micro-ondas, a geladeira e a televisão de um cômodo ocupado por quatro pessoas. No mesmo dia, Mágino Alves, secretário de Segurança Pública de São Paulo, confirmou a versão da moradora do edifício, desmentindo a hipótese anterior de um possível desentendimento conjugal.
O Corpo de Bombeiros de São Paulo recebeu o primeiro chamado de emergência às 01h40min, informando, por meio do Twitter, a ocorrência de um incêndio no Largo do Paiçandu sem princípio de vítimas. Até o momento do desabamento, o único desaparecido era o morador que havia caído numa tentativa de salvamento. Às 20h30min, Marcos Palumbo, capitão do Corpo de Bombeiros, informou que havia, pelo menos, uma vítima no escombros e cerca de 34 desaparecidos.
No total, cerca de 160 homens estavam integrados às equipes de salvamento. Para isso, além dos Bombeiros, a operação contou com equipes do SAMU, da Companhia de Engenharia de Tráfego, da Polícia Militar e da Defesa Civil. Às 04h15min, servidores da Defesa Civil e do Ministério da Integração Nacional realizaram uma sessão de cadastramento a fim de identificar as famílias alocadas no imóvel.
Às 11h30min, buscas manuais foram realizadas nos escombros. Devido às condições térmicas e estruturais da área, buscas complexas com retroescavadeiras e cães farejadores foram iniciadas somente após 48 horas do ocorrido. Num último informe, drones com câmeras térmicas capazes de detectar pessoas com sobrevida foram utilizados para facilitar o trabalho das corporações de resgate. Às 05h30min do dia 2 de maio, bombeiros informaram que 49 pessoas não haviam sido localizadas após o incêndio.
Com 6 vítimas oficialmente desaparecidas, em 4 de maio de 2018, bombeiros encontraram o primeiro corpo no local do desabamento do edifício. Os membros inferiores foram encontrados no mesmo perímetro em que Ricardo havia caído. No mesmo dia, o Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt (IIRGD) atestou, por meio de um exame de papiloscopia, que o cadáver era de Ricardo Oliveira Galvão Pinheiro.
No dia 8 de maio de 2018 encontraram um corpo de uma criança nos escombros. De acordo com os Bombeiros, esta é a lista de prováveis vítimas:
	Ricardo Oliveira Galvão Pinheiro, 38; localizado.
	Selma Almeida da Silva, 40; mãe dos gêmeos.
	Wendel, filho de Selma, 10; localizado.
	Werner, filho de Selma, 10; localizado.
	Eva Barbosa da Silveira, 42.
	Valmir Souza Santos, 47.
	Francisco Lemos Dantas, 56; localizado.
	Alexandre Menezes, 40.
Durante uma nova busca feita pelo Corpo de Bombeiros em 8 de maio, os militares encontraram fragmentos de ossos nos arredores do edifício. Em primazia, acreditou-se que a ossada pertencia a uma criança. No entanto, após análise feita pelo Instituto Médico Legal, constatou-se que os ossos têm características de um adulto do sexo masculino.
Entretanto, mais remanescentes humanos foram encontrados pelos bombeiros a 9 de maio e a 12 de maio; confirmaram-se por meio de exames de DNA que são restos mortais dos gêmeos, até então com dez anos, Wendel e Werner.
Após o trabalho massivo de resgate que durou 13 dias no Largo do Paiçandu, o Corpo de Bombeiros encerrou, em 13 de maio, as buscas pelos desaparecidos nos escombros do edifício que entrou em colapso em 1º de maio. Anterior ao findar do trabalho dos militares, foi confirmado que as ossadas encontradas pertenciam aos gêmeos Wendel e Werner de Silva Saldanha, de 10 anos. Em consonância, foi confirmado o desaparecimento do advogado Alexandre Menezes, de 40 anos, possivelmente a quinta vítima da queda do edifício. Conclusivamente, a equipe responsável pelo resgate foi homenageada pelo governador Márcio França.
A dissipação do calor resultante do incêndio atingiu a Igreja Evangélica Luterana de São Paulo. Inaugurada em 1908, é a primeira construção em arquitetura neogótica do Estado. Acredita-se que cerca de 80% da construção original do prédio religioso tenha sido afetado, afetando o telhado, o forro de madeira e parede com vitrais construída especialmente para o local. Após análise pela Defesa Civil acerca das consequências causada pelo desabamento, especialistas determinaram que, além da igreja local, mais dois prédios foram atingidos. Segundo o coronel Edson Ramos de Quadros, coordenador da Defesa Civil de São Paulo, um dos prédios de 17 andares e outros dois ao lado da calçada foram atingidos pelo fogo.
Pouco tempo depois do incidente, imagens do prédio em chamas foram reproduzidas em veículos internacionais como CNN, The New York Times, Time, ABC News, The Washington Post, BBC, USA Today, The Independent e o jornal alemão Bild.
A rede de televisão CNN relatou a proporção do incidente que tomou conta do edifício paulista. O The New York Times, por sua vez, destacou as ocupações históricas do edifício, citando a antiga instalação da Polícia Federal e a situação atual de ocupação indevida. O jornal americano The Washington Post contempla a saída depressa dos moradores, citando o desespero e o deslocamento de famílias no meio da rua; além disso, citou que, após visitar a área do incêndio, o Presidente Michel Temer foi hostilizado e deixou o local às pressas, tendo o carro chutado e objetos arremessados ao veículo. O jornal britânico The Independent exibiu um vídeo postado nas redes sociais e aponta que pelo menos uma pessoa morreu no acidente, memorando um possível vazamento de gás que pode ter originado a tragédia.
LOCALIZAÇÃO: LARGO DO PAIÇANDU 100, CENTRO DE SÃO PAULO, LARGO DO PAIÇANDU, SÃO PAULO, BRASIL
FONTE DO INÍCIO: CURTO-CIRCUITO
MORTO: 7
- Museu Nacional do Rio de Janeiro (2018)
O incêndio no Museu Nacional foi um incêndio de grandes proporções que atingiu a sede do Museu Nacional na Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro, na noite de 2 de setembro de 2018, destruindo quase a totalidade do acervo histórico e científico construído ao longo de duzentos anos, e que abrangia cerca de vinte milhões de itens catalogados. Além do seu rico acervo, também o edifício histórico que abrigava o Museu, antiga residência oficial dos Imperadores do Brasil, foi extremamente danificado com rachaduras, desabamento de sua cobertura, além da queda de lajes internas.
O Museu Nacional apresentava deficiências na segurança contra incêndios. Em uma fiscalização feita em 15 de setembro de 2014, o Ministério da Transparência e a Controladoria-Geral da União (CGU) constataram que a instituição não tinha laudo atualizado de vistoria do Corpo de Bombeiros. A CGU concluiu que a visita dos bombeiros e a emissão do laudo seria medida importante para garantir a segurança das instalações. No mês seguinte à fiscalização, o museu informou à CGU que uma parceria havia sido firmada entre o Ibram (Instituto Brasileiro de Museus) e o Corpo de Bombeiros do Rio para a realização de uma visita técnica. Em 2004, já havia ocorrido um alerta por parte do governo estadual do Rio de Janeiro de que o Museu Nacional corria risco de incêndio, associado à má qualidade das instalações elétricas do edifício.
Os repasses do governo federal aomuseu também haviam caído praticamente à metade em cinco anos: de 1,3 milhão de reais, em 2013, para 643 mil reais, em 2017. Os dados foram levantados pela Comissão de Orçamento da Câmara dos Deputados, com base no Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira) do governo federal pela Folha de São Paulo, que corrigiu os valores pela inflação do período. Com os cortes, o museu apresentava sinais de má conservação, como paredes descascadas e fios elétricos expostos. Em 2018, até julho, somente 71 mil reais foram transferidos para o museu. O museu havia completado duzentos anos em junho de 2018, em meio a uma situação de abandono. O vice-diretor do museu, Luiz Fernando Dias Duarte, referiu o descaso sofrido pela instituição ao longo de sucessivos governos.
A UFRJ, que administra a instituição, reduziu de 709 mil reais, em 2013, para 166 mil reais, em 2017, o desembolso com o funcionamento do museu, segundo o levantamento da Câmara. O pró-reitor de Planejamento e Finanças da UFRJ, Roberto Gambine, disse que a universidade não tem recursos suficientes para fazer a manutenção de seus 15 prédios tombados no Rio e disse temer que o destino dos demais edifícios seja o mesmo do Museu Nacional. O reitor da UFRJ, Roberto Leher, afirmou que já tinha assinado com o BNDES um contrato para receber recursos para uma reforma, que incluía um sistema para prevenção de incêndios, mas não houve tempo para a liberação da verba. O reitor também afirmou que a UFRJ não tinha condições financeiras de manter a brigada de incêndio durante 24 horas no museu.
Em 2 de setembro de 2018, logo após o encerramento do horário de visitação, um incêndio de grandes proporções atingiu todos os três andares do prédio do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, cidade do Rio de Janeiro. Os bombeiros foram acionados às 19h30, chegando rapidamente ao local.
Às 21 horas, o fogo encontrava-se fora de controle, com grandes labaredas e estrondos ocasionais, sendo combatido inicialmente por bombeiros de quatro quartéis, número depois ampliado para doze quartéis. Por volta das 21h15, uma equipe especializada dos bombeiros entrou no prédio para tentar bloquear áreas ainda não atingidas pelas chamas, e avaliar a extensão dos estragos.
Oitenta bombeiros de doze quartéis combateram as chamas, que começaram por volta das 19h30. O incêndio foi controlado mais de seis horas depois, devido à dificuldade pela falta de água nos hidrantes próximos, tendo sido necessário captar em um lago próximo e transportar por caminhões-pipa até o ponto de combate. Duas viaturas autoescada estavam sendo usadas, com dois caminhões-pipa se revezando no fornecimento de água para o trabalho dos bombeiros.
Dezenas de funcionários do museu acompanhavam o combate às chamas. Dois andares do edifício estavam já bastante destruídos e o teto havia desabado. Segundo Edson Vargas da Silva, bibliotecário e funcionário há 43 anos no museu que acompanhava o incêndio no local, “Tem muito papel, o assoalho de madeira, muita coisa que queima muito rápido”.
Os três andares do edifício foram bastante destruídos e o teto desabou. Segundo o vice-diretor do museu, Luiz Fernando Dias Duarte, toda a coleção da Imperatriz Teresa Cristina, os afrescos de Pompeia, o Trono do Rei do Daomé, assim como os acervos linguísticos foram perdidos. Entre os itens que se estimam destruídos pelo fogo está o fóssil humano mais antigo encontrado no Brasil, achado em 1974 e batizado de Luzia. As coleções de paleontologia que ali se encontravam incluíam o Maxakalisaurus topai, um dinossauro encontrado em Minas Gerais e o primeiro de grande porte montado no Brasil. O acervo de etnologia contava com artefatos da cultura afro-brasileira, africana e indígena, como objetos raros do Tribo tikuna, além de itens polinésios, assim como o trono do rei africano Adandozan (1718-1818), doado pelos seus embaixadores ao príncipe regente, futuro D. João VI, em 1811.
O museu era atualmente administrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, possuía caráter acadêmico e científico e era um reconhecido centro de pesquisa em história natural e antropologia na América Latina. Todo o trabalho de cerca de 90 pesquisadores que ali conduziam suas pesquisas foi perdido. Todo o Arquivo Histórico, que se encontrava armazenado num ponto intermediário do edifício, foi destruído, assim como duas exposições em duas áreas da frente do prédio principal. O levantamento completo dos danos ainda não pôde ser realizado dada a intensidade do fogo no local e o risco de explosões. Uma parte do acervo não se encontrava no prédio em chamas e não foi afetada. No entanto, o fogo terá consumido tudo o que se encontrava em exposição. O Zoológico do Rio de Janeiro, localizado muito próximo do local tampouco foi atingido. Os quatro seguranças que se encontravam trabalhando no local conseguiram escapar e não houve registro de vítimas.
A Defesa Civil do município divulgou que, além da área interna do Museu Nacional, a parte próxima à fachada também estava interditada, pois existia o perigo de que duas estátuas no topo do edifício desmoronassem. Eram 23, e uma delas já havia caído. Existia o risco de colapso interno das paredes divisórias, que estavam sem amarração. Todas as paredes e lajes corriam o risco de cair, tendo sido isolada cada área de projeção da fachada devido ao risco de desprendimento de adornos, revestimentos e armações. A segurança das estátuas seria verificada e havia um isolamento interno, que só seria removido após a conclusão dos serviços de inspeção, demolição e escoramento emergencial em áreas com risco, e só depois disso, poder-se-ia permitir a remoção de detritos. Com o resfriamento, aumentava o risco de quedas internas porque a água facilitaria os deslizamentos, motivo pelo qual os bombeiros operavam do lado de fora. A Defesa Civil também salientou que esses detritos não poderiam ser removidos e descartados de maneira simples. Seria um segundo trabalho de arqueologia, realizado no próprio local. Seriam levados para um lugar seguro, após a eliminação dos riscos internos, para que os funcionários do museu pudessem encontrar algum material aproveitável do acervo.
O laudo final da Polícia Federal (PF) indicou que o incêndio foi causado por um sobreaquecimento causado por um curto circuito de um ar condicionado, decorrentes de instalação elétrica inadequada. A PF coordenou a investigação sobre as causas do incêndio. Peritos fizeram um escaneamento em três dimensões do prédio com um scanner a laser instalado na parte dianteira do Palácio São Cristóvão. Imagens feitas por drones e máquinas digitais também foram usadas para criar uma espécie de maquete tridimensional do prédio. Eventuais imagens gravadas por câmeras de segurança no prédio também foram buscadas para fornecer indícios sobre as causas do fogo. Por fim, a perícia analisou as condições das instalações elétricas do museu e seu estado de conservação.
O presidente da República, Michel Temer, disse que é "incalculável para o Brasil a perda do acervo do Museu Nacional. Hoje é um dia trágico para a museologia de nosso país. Foram perdidos duzentos anos de trabalho, pesquisa e conhecimento. O valor para nossa história não se pode mensurar, pelos danos ao prédio que abrigou a família real durante o Império. É um dia triste para todos brasileiros".
Em 10 de setembro de 2018, Temer anunciou a transformação do Instituto Brasileiro de Museus na Agência Brasileira de Museus (Abram) através de uma medida provisória. Outra MP criou fundos patrimoniais para financiar projetos de interesse público. As duas MPs terão força de lei, mas o Congresso Nacional terá 120 dias para analisar as duas medidas. Se a votação não acontecer no prazo, elas perderão validade. O governo federal também estuda a possibilidade de retirar da Universidade Federal do Rio de Janeiro a responsabilidade pela administração do museu. Segundo interlocutores do governo, a proposta ganhou força após pressão das empresas que se prontificaram a financiar a restauração do prédio e recuperação do acervo.
O ministro da Educação,Rossieli Soares, afirmou logo após o incêndio que o Ministério da Educação iria repassar imediatamente 10 milhões de reais para a Universidade Federal do Rio de Janeiro recuperar o museu. "Deveremos transferir com a maior rapidez possível. São os 10 milhões de reais, mais 5 milhões de reais que fazem parte do projeto executivo que ainda será definido. Temos prazo e urgência para iniciar esses passos de recuperação", avaliou Rossieli. Ele também afirmou que vai pedir ajuda internacional para montar um novo acervo para o museu.
Ao ser questionado sobre porque não foi feito nada antes, já que havia denúncias de que o prédio precisava de manutenções, Soares afirmou: "Não existia lei do teto de gastos entre 2014 e 2015 e foi nesse período que aconteceram os maiores cortes na educação. Então, o que determina mais se há cortes e contenção ou não é a crise financeira que nós vivemos. O que a gente lamenta é que, no momento de maior abundância financeira do Brasil, não houve a decisão à época de colocar os recursos financeiros para o museu. Um artigo específico da Lei de Diretrizes Orçamentárias que os recursos da Educação não podem ser menores e têm que ser reajustados pela inflação".
O ministro da cultura, Sérgio de Sá Leitão, afirmou que o plano de recuperação tem quatro etapas já definidas: contenção das paredes, de segurança, de inventário, de tratamento e recuperação do acervo que ainda está no prédio; elaboração do projeto básico e do projeto executivo para a reconstrução do museu e para a aquisição do novos equipamentos; obra de recuperação e aquisição do acervo.
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, disse: "que essa tragédia desperte a urgência de preservar a memória". Segundo o texto, a reconstrução do palacete onde funcionava o museu preservará apenas as características arquitetônicas, "mas jamais os tesouros que compunham seu acervo". Ela também criticou a demora na publicação de normas para o combate a incêndio em bens do patrimônio histórico, discutidas em junho de 2016. "Infelizmente, passado mais de um ano do evento, as instituições públicas federais responsáveis não publicaram a referida norma, padronização mínima para a atuação dos bombeiros e outras instituições em todo o Brasil, o que impossibilitou, até o momento, uma ação nacional."
O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, declarou que os funcionários do museu tiveram treinamento de cinco dias pois já havia preocupações sobre possíveis incidentes. Também disse em entrevista para o GloboNews, "Nós não vamos permitir que isso permaneça em escombros. Vamos pedir apoio ao governo federal, ao governo estadual, vamos unir forças para que o nosso palácio volte a ser tão bonito quanto antes". "Trágico incidente que destruiu um palácio marcante da nossa história. É um dever nacional reconstruí-lo das cinzas, recompor cada detalhe eternizado em pinturas e fotos e, ainda que não seja o original, continuará a ser para sempre a lembrança da família imperial que nos deu a independência, o império, a primeira constituição e a unidade nacional", disse Crivella.
A ambientalista e política brasileira Marina Silva chamou o incêndio de "lobotomia da memória brasileira". "Eu fico imaginando o que seria o Museu de História Natural de Nova York sendo queimado. O que aconteceu ontem no Brasil é o equivalente a uma tragédia como essa. E talvez até maior porque cada um vai valorizar a sua história e a a história de cada um, de cada povo, em cada canto, ela é singular, é particular. A gente não pode ter nada disso suprimido mais," concluiu Marina.
O advogado e político Ciro Gomes compartilhou em seu Twitter uma iniciativa de estudantes da Unirio de juntarem imagens do museu como forma de preservar a memória do acervo e dos espaços expositivos atingidos pelo fogo. "Vamos ajudar a atenuar esta tragédia que o desgoverno no Brasil permitiu acontecer contra nosso mais caro patrimônio histórico", disse Ciro.
O ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse em redes sociais que o incêndio "agride a identidade nacional e entristece todo o país" e prestou solidariedade a "todos os cidadãos brasileiros" pela perda do patrimônio. O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, recordou outros prédios históricos que sofreram com a falta de conservação. "Instituto Butantã, Museu da Língua Portuguesa, Escola de Artes e Ofícios, Museu do Ipiranga e, agora, o Museu Nacional. Lamentável o descaso com o patrimônio histórico", elencou Haddad.
Ao ser questionado sobre a falta de recursos para a preservação do patrimônio histórico brasileiro, em meio a grande repercussão do incêndio do Museu Nacional, o deputado Jair Bolsonaro disse: "Tem recursos sobrando, o que falta é adequadamente investir recursos nessa área, o que não vem sendo feito. Eu te pergunto: nas mãos de quem está ainda a administração do museu da Quinta da Boa Vista: PSOL e PCdoB, então pergunte a eles o que fizeram ao longo desse tempo todo, a não ser aparelhar as instituições e colocar militantes lá dentro". Em outra entrevista, ao responder uma pergunta sobre propostas para a área, o parlamentar disse: "Tá, e daí? Já tá feito, já pegou fogo, quer que eu faça o quê? O meu nome é Messias mas eu não tenho como fazer milagre."
A notícia do incêndio foi rapidamente espalhada pela cidade do Rio de Janeiro e manifestantes apareceram nos portões nas primeiras horas da manhã de segunda-feira. Relatórios iniciais indicaram que havia 500 pessoas, que formaram uma corrente humana em volta do prédio ainda fumegante. Alguns dos manifestantes tentaram escalar cercas nos jardins do museu; policiais foram chamados com equipamento antimotim e jogaram bombas de gás lacrimogêneo na multidão. O público foi posteriormente autorizado a entrar no terreno da Quinta da Bela Vista. No fim da tarde, um grupo de cerca de 6 000 pessoas – segundo os organizadores – começou outro ato, dessa vez na praça da Cinelândia, centro do Rio.
A presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Kátia Bogéa, afirmou que "É uma tragédia nacional e mundial. Todo mundo está vendo que é uma perda não só para o povo brasileiro mas para toda a humanidade (...) É uma tragédia anunciada que há muito tempo a gente sabe que o patrimônio cultural brasileiro não tem recurso".
Museus ao redor do mundo enviaram suas condolências. No Reino Unido, a Biblioteca Britânica disse que "nossos corações vão para os funcionários e usuários do Museu Nacional do Brasil" e chamou o incêndio de "um lembrete da fragilidade e preciosidade de nossa herança global compartilhada". O Museu de História Natural de Londres, o Museu de História Natural da Universidade de Oxford, e o Instituto Smithsoniano também enviaram mensagens de apoio. A chefe do Museu Australiano disse que estava "chocada", "devastada" e "perturbada".
O museu tinha uma "coleção inestimável" de artefatos indígenas da era pré-colombiana do país, que compreendia cerca de 1.800 itens da cultura indo americana. Os itens incluem muitos restos de povos indígenas, bem como relíquias acumuladas na coleção pessoal de Dom Pedro II. Esta coleção também contava com itens de grupos indígenas presentes, incluindo uma "impressionante arte de penas dos povos carajás". Existem apenas cerca de 3 000 membros da etnia.
Depois do incêndio, os povos indígenas imediatamente começaram a protestar do lado de fora da instituição, criticando que "o museu contendo seus artefatos mais preciosos foi incendiado", observando que apesar de não haver dinheiro para um museu de história indígena, "a cidade conseguiu encontrar recentemente um enorme orçamento para construir o novo Museu do Amanhã".
O incêndio repercutiu na imprensa internacional desde a noite de domingo (2 de setembro). A destruição do acervo foi destaque em jornais de todo o planeta, como nos britânicos BBC, The Guardian e The Daily Mail, nos estadunidenses The New York Times, CNN, Associated Press e Forbes, no francês Le Monde, no argentino Clarín, no espanhol El País, no português Público e no alemão Der Spiegel.
O presidente da França, Emmanuel Macron,ofereceu a ajuda de especialistas franceses em arte para contribuir com a reconstrução do museu. A ministra da Cultura da França, Françoise Nyssen, explicou em comunicado que ofereceu ao embaixador brasileiro na França "todo o conhecimento dos agentes do Ministério da Cultura" em aspectos de museografia, conservação e gestão de coleções e arquivos".
O governo de Portugal afirmou em nota oficial "profunda tristeza pela perda de um acervo histórico e científico insubstituível" e afirmou estar "inteiramente disponível para, no que for útil e possível, colaborar na procura da reconstituição deste importante patrimônio identitário, não apenas do Brasil, mas de toda a América Latina e do mundo".
O diretor nacional de Cultura do Uruguai, Sérgio Mautone, e o coordenador de Museus do país, Javier Royer, expressaram profundo pesar e destacaram que o incêndio arrasou "coleções de imensurável valor patrimonial e um edifício, que foi testemunha e protagonista na história do Brasil e da região, que tinha 200 anos de história material da instituição e milhões de anos de história universal". No texto, afirmam que enviam aos trabalhadores dos museus brasileiros um "fraterno e solidário abraço" e se colocam à disposição para "colaborar no que considerarem oportuno".
O Instituto Real de Antropologia, do Reino Unido, afirmou que pretende organizar dois dias de eventos em 2019 para celebrar a antropologia brasileira e apoiar o museu, além de fazer pressão junto ao governo britânico para que alguma doação seja feita à instituição brasileira. No dia seguinte ao incêndio, a Alemanha também disponibilizou uma ajuda emergencial no valor de até um milhão de euros, por meio do ministério das Relações Exteriores. Um grupo foi montado para determinar formas de ajudar no resgate do acervo e também no restauro de peças e documentos. Com esse valor fornecido pelo Ministério Federal das Relações Externas do Governo da Alemanha a equipe do Museu comprou, entre outros equipamentos, câmeras digitais de alta qualidade; telêmetros, para localização do material soterrado e centenas de caixas de plástico para o transporte do material. Um segundo repasse no valor de 145,300 euros foi utilizado na modernização da rede elétrica do museu.
O diretor executivo da National Geographic Society, Gary Knell, ofereceu ajuda na reconstrução do museu durante um evento com o embaixador brasileiro em Washington, Sérgio Amaral, na terça-feira, Knell disse que a NatGeo poderá ajudar com parte de seu acervo e com apoio financeiro, bem como mobilizar colaboradores e pesquisadores no Brasil para auxiliar no processo de reconstrução da instituição.
Ex-ministro de Antiguidades do Egito, o arqueólogo Zahi Hawass diz que a tragédia legitima o movimento pela repatriação de objetos egípcios em museus espalhados pelo mundo e que se museus não forem capazes de garantir a segurança e conservação dos objetos, o arqueólogo defende que sejam devolvidos à terra natal. Embora a coleção do Museu Nacional não estivesse na mira dos arqueólogos egípcios, Hawass diz que a destruição do acervo reforça o movimento pela repatriação de objetos e que a Unesco observe países com coleções no exterior, e museus no exterior, em controlar sobre essas coleções, para que garanta que os objetos sejam protegidos e restaurados adequadamente.
A equipe, que passou a focar no resgate do acervo, reuniu-se no dia 9 de setembro de 2018. Eram onze servidores que, entre outros procedimentos, elaboraram o protocolo preliminar de ações com apoio de diversas instituições como o IBRAM, IPHAM, ICOM, UNESCO e outras.
Uma das envolvidas, Silvia Reis, disse que o processo foi "pautado por uma perspectiva forense", onde buscavam entender o que encontravam e com cuidado, coletavam tudo de forma contextualizada.
HORA: 19:30
DURAÇÃO: 6 HORAS
DATA: 02 DE SETEMBRO DE 2018
LOCAL: RIO DE JANEIRO, RJ, BRASIL
LOCALIZAÇÃO: QUINTA DA BOA VISTA, SÃO CRISTÓVÃO
COORDENADAS: 22º54’20,35’’S 43º13’34,38’’O
CAUSA: SOBREAQUECIMENTO DE AR CONDICIONADO CAUSADO POR CURTO CIRCUITO
RESULTADO: APROXIMADAMENTE 18,5 MILHÕES (92,5%) DOS 20 MILHÕES DE ITENS DO MUSEU FORAM DESTRUÍDOS
MORTES: 0
LESÕES NÃO-FATAIS: 1, UM BOMBEIRO SOFREU QUEIMADURA NOS DEDOS AO TENTAR SALVAR O CRÂNIO DE LUZIA 
-Alojamento do Flamengo (2019)
O incêndio no alojamento das categorias de base do Flamengo, clube poliesportivo brasileiro, foi uma fatalidade que resultou na morte de 10 pessoas e deixou 3 feridos. Ocorreu nas primeiras horas do dia 8 de fevereiro de 2019, no Centro de Treinamento George Helal, também conhecido como "Ninho do Urubu", no bairro carioca de Vargem Grande, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro.
O incêndio iniciou-se por volta das 5h da manhã da sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019, no centro de treinamento do Flamengo, no bairro carioca de Vargem Grande. De acordo com informações do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, a central recebeu comunicação do incêndio por volta das 5h30min, quando as primeiras viaturas foram direcionadas ao local da tragédia.
Logo no início da sexta-feira, 8 de fevereiro, horas após o incêndio, o governador do Estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel decretou luto oficial de três dias no estado em virtude da tragédia.
Apesar de inestimada a quantidade de presentes durante o incêndio, foram resgatados três atletas da base do Flamengo, sendo eles:
	Cauan Emanuel Gomes Nunes, 14 anos, cearense, jogava futsal e passou pelo Santa Cruz. Estava no Flamengo desde 2018. Seu estado de saúde é considerado estável.
	Francisco Diogo Bento Alves, 15 anos, cearense, e se encontra no clube carioca desde 2018. Seu estado de saúde é considerado estável.
	Jhonatan Cruz Ventura, 15 anos, capixaba e atuava como zagueiro no clube. Dentre os sobreviventes, é a vítima mais grave com cerca de 35% do corpo queimado.
Durante a remoção dos primeiros corpos, acreditou-se na possibilidade de funcionários do local estarem entre as vítimas. No entanto, na tarde de 8 de fevereiro, a polícia, com auxilio do Flamengo, informou que havia identificado todos os corpos e, em seguida, divulgou a lista com o nome das vítimas fatais. Dentre os mortos, estão:
	Athila Souza Paixão, 14 anos, natural de Lagarto,Sergipe.
	Arthur Vinícius de Barros Silva Freitas, 15 anos, natural de Volta Redonda, Rio de Janeiro.
	Bernardo Pisetta, 14 anos, natural de Indaial, Santa Catarina.
	Christian Esmério, 15 anos, natural de Madureira, Rio de Janeiro.
	Gedson Santos, 14 anos, natural de Itararé, São Paulo.
	Jorge Eduardo Santos, 15 anos, natural de Além Paraíba, Minas Gerais.
	Pablo Henrique da Silva, 14 anos, natural de Oliveira, Minas Gerais.
	Rykelmo de Souza Viana, 17 anos, Limeira, interior de São Paulo.
	Samuel Thomas Rosa, 15 anos, natural de São João do Meriti, Rio de Janeiro.
	Vitor Isaías, 15 anos, natural de Florianópolis, Santa Catarina.
Durante as perícias iniciais, os investigadores levantaram a possibilidade de um curto-circuito no ar condicionado de um dos quartos do Centro de Treinamento ter provocado o incêndio que ceifou a vida de dez jovens. No entanto, a hipótese será melhor identificada.
Segundo a Prefeitura do Rio de Janeiro, a área onde ficava o alojamento estava previsto que seria transformada em um estacionamento. A Prefeitura apontou que a documentação do Centro de Treinamento informava a existência de um estacionamento no local onde os dormitórios foram construídos, portanto, não havia um alvará para esses quartos nessa região.
O time alegou que com a construção do novo e moderno módulo profissional, os garotos do Ninho estavam de férias e se mudariam uma semana depois para a estrutura que abrigou o time profissional nas temporadas anteriores. Os meninos que ali estavam, haviam retornado antes dos demais para participarem de um jogo comemorativo no Maracanã.
O Ministério Público indiciou oito pessoas, incluindo o então presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, por "incêndio culposo". O clube havia sido alertado meses antes de falhas graves na instalação elétrica; a Defensoria Pública afirmou se trata de "provainconteste da responsabilidade do clube".
A tragédia no Rio de Janeiro repercutiu em inúmeros veículos de comunicação nacionais e internacionais, incluindo a BBC, CNN, El País, Clarin. Mesmo sob protestos e revoltas dos fãs nas redes sociais, a Riot Games, organizadora do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL), manteve a rodada da semana 5 com os jogos do Flamengo para o sábado.
Além do Presidente da República Jair Bolsonaro, artistas e ex-jogadores como Zico, Júnior, Pelé, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo expuseram pesar pelo ocorrido nas redes sociais. Vários clubes brasileiros, incluindo os rivais Botafogo, Vasco e Fluminense, publicaram uma mensagem de solidariedade. O Fluminense, chegou a cancelar o treino de sexta-feira devido à tragédia. O clássico Fla-Flu que seria disputado no sábado, 9 de fevereiro, pelas semifinais da Taça Guanabara no Campeonato Carioca de Futebol de 2019, foi adiado.
Depois da tragédia, o Flamengo adotou a faixa de luto em seu uniforme durante todo o ano de 2019. Além disso, a torcida criou uma música para homenagear os jovens atletas falecidos.
DATA: 8 DE FEVEREIRO DE 2019
LOCAL: VARGEM GRANDE, RIO DE JANEIRO
TIPO: INCÊNDIO EM CENTRO DE TREINAMENTOS
CAUSA: CURTO CIRCUITO EM AR CONDICIONADO 
MORTES: 10 MORTOS
LESÕES NÃO-FATAIS: 3 FERIDOS, 1 EM ESTADO GRAVE 
- Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul (2021)
O incêndio na Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP-RS) ocorreu na cidade de Porto Alegre (RS) durante os dias 14, 15 e 16 de julho de 2021. Ele teve como consequência o desmoronamento da parte superior do prédio, o qual posteriormente foi implodido.
A causa exata do incêndio nunca foi determinada. No entanto, um laudo do inquérito divulgado pela Polícia Civil, em 14 de fevereiro de 2022, aponta uma sobrecarga ou um curto circuito como as causas prováveis. O documento também indica a sala onde operava a Divisão de Inteligência Penitenciária (Dipen) com provável foco inicial das chamas, mas considera o cômodo do Departamento de Segurança e Execução Penal (DSEP) como outra possibilidade.
Segundo o Instituto geral de Perícias (IGP), o trabalho de apuração dos fatos foi dificultado pelos riscos envolvidos e pela destruição causada pelo fogo no local de início das chamas.
Durante o incêndio, estavam trabalhando no prédio 50 servidores, na unidade do estado trabalham em caráter administrativo servidores da Brigada Militar, Policia Civil, Bombeiros Militares e Guardas Penitenciários. Além do mais na unidade eram recebidas as ligações dos números de emergência: da Brigada Militar (190), da Policia Civil (197) e dos bombeiros (193), também eram atendidas denuncias feitas através do disque denuncia da policia civil (181).
No local também eram monitoradas parte das câmeras da cidade de Porto Alegre e região metropolitana através do Departamento de Comando e Controle Integrado (DCCI) e o monitoramento remoto dos presidiários com tornozeleira eletrônica através da central da Superintendência dos Serviços Penitenciários (SUSEPE).
Os números de emergência foram brevemente inutilizados pelo incêndio, assim deixando de atender diversas ocorrências de Porto Alegre e região metropolitana (área de onde eram direcionadas as ligações) que poderiam estar acontecendo na madrugada do dia 15, assim foram divulgados números das delegacias da Brigada Militar para ocorrências de grau mais severo. Porem após algumas horas, o centro de atendimento de ocorrências dos bombeiros e da brigada militar foram normalizados e transferidos para a nona delegacia de policia de porto alegre.
Já o disque denuncia da policia civil, permanece sem funcionamento, e é recomendado que as denuncias que existam flagrante sejam feitas através da brigada militar pelo numero 190, ainda é possível utilizar a central de denuncias anônimas online da policia civil.
Com a evacuação do Departamento de Comando e Controle Integrado (DCCI), cerca de 80 câmeras de Porto Alegre e região metropolitana estão inoperantes, as demais câmeras espalhadas pelas cidades estão sendo monitoradas através de centros de "backup". Estas 80 câmeras (cujas localizações não foram divulgadas), deverão ser monitoradas nos próximos dias através de centrais móveis da brigada militar. A SUSEPE informou que nas penitenciarias haviam seu próprio "backup" e os presídios seguem sendo fiscalizados normalmente.
O prédio ficou condenado após o incêndio, mas apenas foi implodido no dia 9 de março de 2022, após o fim das investigações. Até o momento, os servidores estão realocados em uma sede provisória, mas o governo do estado anunciou, em 19 de dezembro de 2022, o antigo prédio do Foro Regional do 4° Distrito como base para as forças gaúchas.
O Detran-RS (Departamento de Transito do Rio Grande do Sul) que também tinha servidores que trabalhavam no prédio da SSP, registrou a perda de 95 mil processos que estavam em andamento e/ou arquivados em computadores e arquivos dentro do prédio, no qual os mesmos não poderão ser facilmente revitalizados tendo em vista a falta de um "backup".
Dois bombeiros militares seguem desaparecidos, e devido ao risco de mais desabamentos, as buscas estão sendo feitas de maneira cautelosa para evitar mais acidentes. Os bombeiros estavam equipados e podem estar vivos presos em algum escombro, ou perdidos dentro da construção aguardando socorro. As demais 50 pessoas que estavam trabalhando na hora do incêndio foram prontamente evacuadas e ninguém ficou ferido.
O prédio estava com o Plano de Prevenção contra Incêndios (PPCI) em dia assim facilitando a evacuação do prédio, porem também estava em fase de aperfeiçoamento do seu sistema de prevenção a incêndios, de forma que não havia sprinklers, porém possuindo um sistema de detecção de calor e abrindo assim automaticamente os chuveiros e pias do prédio, gerando uma vazão continua de água assim evitando que partes do prédio sejam atingidas pelo incêndio. Já que a água não foi cortada, é possível que os bombeiros desaparecidos estejam presos em algum ponto de segurança do prédio (próximos ou dentro de banheiros).
Os bombeiros que faleceram são:
	Tenente Deroci de Almeida da Costa, 22 anos de corporação, estava aguardando sua aposentadoria e estava comandando o primeiro esquadrão de combate que chegou no local quando acabou desaparecendo.
	Sargento Lúcio Ubirajara Munhoz, 31 anos de corporação, o mesmo estava em sua folga porem ao ver a noticia do grande incêndio, se apresentou para combater as chamas de maneira voluntaria.
HORA: 21H30
DATA: 14,15 E 16 DE JUNHO DE 2021
LOCAL: SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA DO RIO GRANDE DO SUL
LOCALIZAÇÃO: PORTO ALEGRE, RIO GRANDE DO SUL, BRASIL
TIPO: INCÊNDIO
CAUSA: SOB INVESTIGAÇÃO
MORTES: 2
LESÕES NÃO-FATAIS: 0
DESAPARECIMENTOS: 0

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