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Ted Bundy Durante os primeiros três anos de vida, Theodore Robert Cowell, mais conhecido como Ted Bundy, viveu como os avós maternos e cresceu a acreditar que os seus avós maternos, eram os seus pais, e que a sua mãe era afinal a sua irmã mais velha. O ambiente em casa era descrito por alguns familiares como abusivo e violento e a avó materna de Ted, Eleanor Cowell esposa submissa de Samuel, frágil, tímida e obediente era periodicamente submetida a terapia eletroconvulsiva para tratamento da depressão. Enquanto criança, Ted presenciou episódios de violência perpetrados por Samuel contra a sua esposa. Em 1951, Louise casa-se com Johnie e Ted adquire o sobrenome do padrasto – Bundy. Teve uma adolescência mais solitária, era muito inseguro. Porém, tudo mudou quando ele começou a faculdade, era um académico brilhante, espirituoso, saudável e bonito, Ted desenvolveu um ar confiante de si próprio, ar este que as mulheres não conseguiam resistir. Bundy conheceu Richard, ladrão de ocasião e consumidor de droga, cuja vida, á margem da sociedade, o fascinou. Roubar, nomeadamente de artigos em lojas, tornou-se numa actividade normal para Ted, todavia nunca fora apanhado, facto relevante na extensa lista de roubos que fez, e como os fez. Foi nesta altura que Ted se voluntariou para trabalhar na campanha de Art Fletcher, um Vereador de uma cidade pequena, que na altura pretendia tornar-se o Republicano escolhido para Vice-Governador. Esta apresentou-se a Ted como a oportunidade perfeita de retomar uma vida social, que há muito não desenvolvia. A próxima meta, seria carreira na área de Direito. Candidata-se a várias Escolas de Direito com o intuito de perseguir o seu objectivo, mas não é aceite em nenhuma delas. Este é o ano de novas eleições e Ted começa a trabalhar na campanha de reeleição do Governador Dan Evans. As mulheres que trabalharam com Ted estavam cativadas com as suas características atraentes, e alguns veteranos impressionados com as suas capacidades no mundo da política. Depois da eleição de 1972, Ted tentou uma vez mais ser admitido na Faculdade de Direito da Universidade do Utah. Desta vez, apetrechado de materiais para suportar a sua candidatura, onde se incluía uma carta do Governador Evans, Bundy é finalmente bem sucedido, e começa um novo ciclo de estudos no outono de 1973. CRIMES Pouco depois da meia-noite de 4 de Janeiro de 1974, mesma altura em que Bundy terminou o namoro com Stephanie, Ted entra no quarto de Mary Adams, onde depois de atacar repetitivamente na cabeça com um pesado objecto de metal, agride-a sexualmente com um espéculo ou sonda vaginal, causando extensas lesões internas, deixando-a com danos cerebrais permanentes. Um mês depois, na noite de 31 de Janeiro de 1974, também durante a noite, Bundy entra no quarto de Lynda Healy, uma estudante da Universidade de Washington que trabalhava numa estação de rádio local, transmitindo as condições para prática de ski. Bundy agride-a violentamente, faz a cama dela, veste-a e leva o corpo inconsciente de Lynda consigo. A 12 de Março fora Donna Manson, de 19 anos de idade, aproximadamente a 100 km a sul de Seattle, vista a última vez a dirigir-se para o Campus da Universidade de Evergreen para assistir a um concerto de Jazz. Na noite de 17 de Abril Susan Elaine Rancourt caloura do Mestrado de Biologia, desapareceu enquanto se retirava para o seu dormitório para assistir um filme. Susan 20 tinha comparecido a uma reunião para futuros conselheiros de dormitórios na Universidade de Washington e nunca mais foi vista com vida. Na mesma altura do desaparecimento de Rancourt, a polícia recebeu informações de um sujeito de braço engessado que estava pedindo ajuda para transportar vários livros para o seu Volkswagen Beetle, estacionado num local ermo e escuro. Na noite de 6 de Maio, Roberta Katheleen Parks saiu do seu dormitório, na Universidade do Estado de Oregon, em Crovallis, sendo vista com vida pela última vez a caminho do edifício dos estudantes. No dia 1 de Junho de 1974, Brenda Ball, de vinte e dois anos de idade, fora vista a última vez a sair de um bar chamado Flame, em Burien, Washington perto de Seattle (Aeroporto Internacional de Tacoma) Testemunhas reportaram terem visto Brenda no parque de estacionamento do Flame a conversar com um homem cujo braço estava engessado. Duas jovens foram raptadas do Lago Sammammish em Issaquah, a 32 km a Este de Seattle. Várias testemunhas reportaram terem visto um homem jovem atraente, com o braço engessado, a apresentar-se para as jovens como “Ted” e a pedir ajuda destas a colocar o seu barco à vela no seu VW Beetle. Outras testemunhas referiram à Policia terem-no visto a abordar da mesma forma Janice Ott, vinte e três anos, que se vestiu, levantou e o acompanhou para o ajudar. Finalmente com uma descrição do suspeito e do carro, a Policia de King County imprimiu um esboço da cara do suspeito que mais tarde foi distribuído por vários jornais e passou em vários canais de televisão. Elizabeth Kendall reconheceu o esboço, o carro e o nome de “Ted”, pelo qual o suspeito se identificava, e ligou à polícia a reportar Ted Bundy como um possível suspeito. Todavia, com uma média de 200 pistas diárias, Ted Bundy, o aluno de Direito não foi relacionado aos desaparecimentos. No dia 6 de Setembro, dois caçadores encontraram os restos mortais de Janice Ott e Denise Naslund a aproximadamente a 3.2km do Lago Sammammish. Seis meses mais tarde os restos mortais de Georgann Hawkins. Healy, Rancourt Parks, e Ball foram encontrados em Taylor Mountain, onde Bundy executava caminhadas frequentemente. Todos eles revelaram lesões realizadas por um instrumento contundente. Em Agosto de 1974, Ted muda-se para Salt Lake City, devido a sua Faculdade de Direito, deixando Elizabeth Kendall em Seattle e lá continuou fazendo novas vítimas. Algumas das vítimas encontradas estavam com a maquiagem em perfeito estado e o cabelo com aparência de ter sido lavado recentemente. Anos depois, Ted 22 confessou a prática de alguns rituais pós-morte como a aplicação de maquilhagem e lavagem de cabelo de algumas das suas vitimas. A 160km a Nordeste de Snowmass, no dia 15 de Março, a instrutora de Ski, Julie Cunningham desapareceu de Vail, no Colorado e cujo corpo nunca fora recuperado. Anos mais tarde, Bundy confessou aos investigadores ter abordado Julie com muletas e lhe ter solicitado ajuda no transporte das suas botas de Ski para o carro, onde ele a agrediu e algemou. Depois, Bundy levou-a para um local remoto, aproximadamente a 140km de Vail no Colorado, onde acabou por a agredir sexualmente e a estrangular. Semanas após o crime, Ted fez uma viagem de 6h para visitar os restos mortais de Julie. A 6 de Abril de 1975, Denise Oliverson, de vinte e cinco anos de idade, desaparecera enquanto fazia o percurso de casa do seu namorado de bicicleta. As suas sandálias e bicicleta foram encontradas dias depois debaixo de um viaduto, catorze anos antes de Ted confessar a sua culpa no homicídio. No dia 28 de Junho de 1975, Susan Curtis desapareceu do Campus da Universidade de Bringham Young, em Provo, cerca de 72km a Sul de Salt Lake City. O assassinato de Curtis constituiu a ultima confissão de Bundy gravada momentos antes de entrar para a câmara de execução. Os corpos de Wilcox, Kent, Cunningham, Oliverson, e Curtis nunca foram recuperados. Detenção e Primeiro Julgamento Bundy foi preso em agosto de 1975 pelo agente da Robert Hayward, da Polícia Rodoviária de Utah em Granger, um subúrbio de Salt Lake City, perto de Murray, depois de se ter recusado a parar o carro ao sinal da polícia Após uma rápida busca ao VW de Bundy, o agente reparou que faltava o banco do passageiro da frente e encontrou itens inicialmente assumidos como ferramentas indicadas para a realização de assaltos. As horas e circunstâncias da captura de Ted, o fraco alibi dado por ele, as ferramentas, encontradas no seu carro e que pareciam tudo menos inocentes, tornaram Bundy ainda mais suspeito. O que não estava de acordo com toda a situação duvidosa era a maneiraeducada, amigável e o discurso bem articulado do aluno de Direito agora detido. Na semana seguinte à detenção, os investigadores reuniram-se com departamentos de outras esquadras onde os casos eram apresentados, discutidos e se possível interligados. A apresentação do caso “Ted Bundy” despertou a atenção do detetive de Lake City que estava presente na sala. Remetia a mente do investigador para o caso Carol DaRonch. O Volkswagen, as algemas, eram coincidências demasiado fortes para serem deixadas passar despercebidas. Uma busca ao apartamento de Bundy revelou um guia de resorts de Ski do Colorado, com Wildwood Inn assinalado e uma brochura do Liceu de Viewmont, em Bountiful (onde Debra Kent tinha desaparecido), mas não foi encontrado nada suficientemente incriminatório para o manter detido e por isso, Bundy foi libertado pouco tempo depois. Bundy foi colocado sob vigilância total, em Setembro Bundy vendeu o seu carro e mais tarde a polícia do Utah apreende o veículo e efectuam uma busca minuciosa onde acabam por encontrar amostras de cabelos correspondentes aos obtidos de Caryn Campbell. Posteriormente fora também identificado por eles fios de cabelo "microscopicamente semelhantes" aos de Carol DaRonch e Melissa Smith. O especialista de laboratório do FBI Robert Neill concluiu que a presença de fios de cabelo num carro, combinando três vítimas diferentes e desconhecidas entre si, seria uma coincidência de incompreensível raridade. No dia de 2 de Outubro de 1975, detetives colocaram Bundy num alinhamento de suspeitos perante DaRonch, Raylenee Shepard (professora de Drama do Liceu de Viewmont), e uma outra estudante que também viu o estranho a rondar o auditório. Nem vinte minutos depois e Carol DaRonch já o tinha identificado como "Agente Roseland”, e as outras testemunhas como o estranho presente no Liceu na noite do desaparecimento de Kent. A identificação não era suficiente para o relacionar com Kent (o corpo da jovem não fora encontrado) mas era certamente o necessário para o acusar de rapto agravado e tentativa de agressão a DaRonch. As sete semanas seguintes foram passadas na Cadeia de Salt Lake City, até a sua fiança ser reduzida para $15.000, e poder ser paga pelos seus pais. O tempo entre a acusação e julgamento fora passado em casa de Liz. Em Novembro, os três principais investigadores do Utah, Washington, e Colorado encontraram-se e trocaram informações com 30 detectives de cinco Estados diferentes em Aspen, Colorado e todos abandonaram o encontro convencidos de que Bundy era o assassino que procuravam. Era, contudo, necessário encontrar evidências mais incriminatórias para que Bundy pudesse ser acusado de qualquer um dos homicídios. No dia 23 de Fevereiro de 1976 Bundy foi julgado pelo rapto DaRonch, abdicando do seu direito a um júri sob conselho do seu advogado, John O'Connell, devido à grande e negativa publicidade existente em torno do caso. Foi considerado culpado de rapto e tentativa de agressão e condenado a uma pena que ia de um a quinze anos na Prisão Estatal do Utah. Já na prisão, aproximadamente um mês antes da situação em cima mencionada, Ted terá sido alertado para o perigo que corria, já que em breve seria acusado de homicídio no caso Campbell. O plano de fuga que fizera fora descoberto e ainda no mês de Outubro, as autoridades do Colorado acusaram-no do assassinato de Caryn Campbell sendo transferido para Aspen em Janeiro de 1977. No dia 7 de Junho de 1977, Bundy fora transferido da prisão do condado de Garfield, em Glenwood Springs para Pitkin County Courthouse em Aspen para uma audiência preliminar. Ted reparou que, durante a Primavera, a janela da biblioteca no segundo andar do tribunal era deixada aberta. Durante um intervalo da audiência, Bundy esgueirou-se para perto da janela e quando ninguém estava a olhar, saltou acabando por lesionar o tornozelo aquando da aterragem. A 13 de Junho de 1977 Ted roubou um carro e, privado de sono, e em constante sofrimento com a dor do seu tornozelo torcido, dirigiu-se novamente para Aspen, onde dois agentes da polícia ao repararem na sua condução perigosa o mandaram encostar. Bundy tinha sido um foragido por seis dias, e depois de quase 80 km percorridos, aproximadamente 13 kg perdidos, Bundy estava novamente na prisão. Esta fuga não só iria depositar mais crédito psicológico nas acusações contra Bundy, como certamente significaria mais tempo de inclusão, independentemente daquele que fosse o veredito. Bundy adquiriu uma faca de serra de outro recluso e acumulou $500 em dinheiro, contrabandeados por um período de seis meses. Durante a noite, enquanto outros presos dormiam, Ted serrava um buraco num canto do tecto da sua cela onde, depois de perder aproximadamente 16 kg, foi capaz de se contorcer e se introduzir no pequeno orifício. Nas semanas que se seguiram ele explorou os perímetros do buraco. A 30 de Dezembro, com a maioria da equipa da prisão de férias de Natal e os prisioneiros de crimes menores liberados para passar as férias com as suas famílias, Bundy empilhou livros e arquivos na sua cama a simular o seu corpo a dormir, deslizou para a pequena abertura que fizera no tecto da sua cela e já lá em cima rastejando em direção a uma luz, Ted entrou na sala do guarde-chefe ausente nessa noite. Após uma muda de roupa sai pela porta da frente rumo à liberdade. Após essa fuga, Ted chegou em Tallahassee. Na noite de 14 de Janeiro 1978, Bundy entra na Chi Omega, uma República feminina, por uma porta nas traseiras cuja fechadura tinha defeito. Ted entra no quarto de Margaret Bowman, 21 anos, espancando-a com um pedaço de lenha enquanto ela dormia, e estrangulando-a com uma meia de nylon. Depois dirige-se para o quarto de Lisa Levy, 20 anos, onde a agride violentamente, estrangula-a, e morde-lhe o peito quase extraindo um dos seus mamilos. Bundy deixou também uma marca profunda de dentes numa das nádegas de Lisa, e agredindo-a por fim sexualmente com uma garrafa. Depois de deixar o primeiro local de crime na Florida, Ted entra num apartamento, a aproximadamente oito quarteirões de distância, e atacou a estudante Cheryl Thomas, deslocando o ombro desta e fraturando o maxilar e crânio em cinco áreas distintas. Cheryl sobreviveu, mas com perda total de audição e danos no seu equilíbrio que arruinou a sua carreira na Dança. Na cama de Cheryl a polícia encontrou uma mancha de sémen, e umas meias adaptadas a máscara com dois pêlos, que mais tarde se confirmaram serem de Bundy. A 12 de Fevereiro, Bundy roubou um carro e fugiu de Tallahassee em direção a Crestview, perto da fronteira com Alabama. A noite de 13 de Fevereiro foi passada dentro do carro onde Ted tentou dormir. O dia seguinte, 14 de Fevereiro 1978, seria o último dia de liberdade para Ted. Por volta da 1h00 da manhã, foi mandado parar pelo agente da polícia de Pensacola, David Lee. Depois de confirmar que o carro onde Ted viajava era roubado, o agente informou o fugitivo de que teria de o prender. Neste momento Bundy pontapeia as pernas de Lee e corre. O agente dispara um tiro de advertência e, em seguida, inicia uma perseguição acabando por se envolver numa luta, que termina com o agente a dominar e algemar Ted. O desespero de Bundy era tal, que a caminho da esquadra pediu ao agente que o deixasse fugir para depois disparar contra ele. Já Lee não fazia ideia de que acabara de prender um dos dez fugitivos mais procurados do FBI. No automóvel roubado foram encontrados três cartões de identidade de estudantes universitárias e 21 cartões de crédito, e ainda uma televisão que também havia sido roubada. Após a mudança do local de julgamento para Miami, Bundy apresentou-se em Tribunal em Junho de 1979 pelos ataques e homicídios ocorridos na Chi Omega. Não obstante da presença de cinco advogados nomeados pelo Tribunal, Bundy foi, novamente, responsável por grande parte da sua defesa. Desde o início, que Ted sabotou os esforços da sua equipa de defesa. As suas atitudes eram de desconfiança, despeito e descredito nas capacidades destes aliados e uma ilusão de grandiosidadeem que perante várias acusações de homicídio, as únicas preocupações de Ted eram estar no comando e controlar tudo o que se viria a desenrolar. No julgamento, os principais depoimentos vieram de duas residentes da Chi Omega. Connie Hastings colocou Bundy nas proximidades da Républica naquela noite e Nita Neary viu Ted sair de casa transportando a arma do crime. Contudo as provas físicas mais incriminatórias e irrefutáveis da culpa de Bundy foram as impressões dos dentes deixadas na nádega esquerda de Levy. Quando comparadas com a dentição de Bundy, a correspondência não podia ser mais perfeita. A deliberação do Júri, pronunciada a 24 de Julho de 1979, durou menos de sete horas, e o veredito foi de culpado em todas as acusações de que era alvo. Duas de homicídio e três de tentativa de homicídio em primeiro grau. Os homicídios de que fora responsável condenaram-no à pena de morte. A 27 de Março de 1982, Ted começou a conceder uma série de entrevistas que se repetiram ao longo de cinco anos. Em uma das entrevistas, Bundy questiona-se “o que é que é uma pessoa a menos na face da terra?”. Segundo ele não deveria existir qualquer tipo de problema. Em Outubro de 1984 Bundy, que até então se autoproclamava especialista em serial killers, contactou Robert Keppel e ofereceu o seu contributo na busca que estava em curso, do seu sucessor. No seguimento da condenação no caso Chi O, uma data de execução já havia sido marcada no início de 1986. O dia de execução seria inicialmente no dia 4 de Março, sendo posteriormente alterada para dia 2 de Julho. Em Abril, logo após a nova data ter sido anunciada, Bundy confessou casos de necrofilia com as vítimas. No Utah fez maquiagem no rosto sem vida de Melissa Smith, e lavou repetidamente o cabelo de Laura Aime. "Se tivermos tempo", disse Bundy ", elas (vítimas) podem ser o que quisermos. Bundy decapitou aproximadamente 12 das suas vítimas, das quais guardou algumas cabeças no seu apartamento antes de se desfazer totalmente delas. Com todas as possibilidades de recurso esgotadas e sem motivação adicional para negar seus crimes, Bundy concordou em falar francamente com os investigadores. Bundy confessou todos os oito homicídios de Washington e Oregon nos quais ele era o principal suspeito. Referiu mais três vítimas, anteriormente desconhecidas em Washington, e duas em Oregon que se recusara identificar. Nesta altura tornou-se evidente o uso de uma nova estratégia da parte de Bundy, que se recusou a revelar e explicar vários detalhes fundamentais dos seus crimes na esperança de conseguir mais adiamentos da sua pena e continuava a ser o possessor final e único dos locais de repouso das suas vítimas. As famílias das vítimas haviam recusado a recolha de mais informação em troca do adiamento da morte do assassino. As vítimas já estavam mortas e a culpa de Ted já era um dado conhecido por todos. O fato de Bundy tentar negociar a sua vida com os cadáveres de pessoas inocentes era algo desprezível de fazer aos olhos de toda a gente. Ted Bundy morreu na cadeira eléctrica em Raiford ás 07h16min da manhã do dia 24 de Janeiro de 1989. Ao contrário do que a crença popular acredita, os assassinos seriais não são um grupo homogêneo, compostos por indivíduos rejeitados e socialmente deslocados, apesar de que, de fato, existem criminosos deste gênero com tais traços, contudo, indivíduos como Theodore Robert Cowell, conhecido popularmente por Ted Bundy, entre outros, foram considerados “homens de família”, com algum sucesso em sua vida no âmbito financeiro, bem visto em seu coletivo (BAUNILHA; NETA; CABRAL 2016). Ted Bundy, charmoso serial killer que matou ao menos trinta mulheres na década de 70, o assassino ganhou notoriedade na época por ter conquistado uma legião de admiradoras, que compareciam em peso aos julgamentos em que ele era réu. Além disso, Bundy tinha carisma e o dom da retórica a seu favor, tornando os tribunais um verdadeiro espetáculo para a audiência que tanto almejava. A arcada dentária de Ted Bundy teve um papel fundamental em sua condenação, ao ser considerada a prova mais incriminadora contra o assassino. Uma de suas vítimas, Lisa Levy – assassinada em 1979 – foi encontrada com uma marca de mordida em seus glúteos. Bundy possuía uma mordida peculiar, já que seus dentes inferiores eram tortos e seu incisivo superior, lascado. O dentista forense Richard Souviron, então, comparou uma fotografia dos dentes do criminoso com uma imagem da marca deixada no corpo, mostrando que eram exatamente iguais. Considerado um dos mais notórios serial killers dos Estados Unidos, Ted Bundy estuprou e matou mais de 14 vítimas nos anos 70. Depois de quase uma década de negação, assumiu responsabilidades pelos seus crimes um dia antes de ser executado na cadeira elétrica. Por estudar Direito, foi seu próprio advogado e foi elogiado pelo juiz e júri, onde disseram que “teria sido um ótimo advogado”. Durante seu julgamento dizia que se não fosse condenado, poderia ajudar as autoridades a encontrarem outros criminosos e assassinos que fossem parecidos com ele. Não se sabe ao certo quando Bundy começou a matar. Sua obsessão eram jovens de cabelo comprido e dividido no meio, como a sua primeira namorada, Leslie. As morenas eram suas vítimas preferidas. Seu método era simples; ele aproximava-se das vítimas, conversava e costumava abatê-las com instrumentos contundentes e então, as sequestravas para que pudesse desfrutar do seu sofrimento em um local reservado. Elas eram algemadas, torturadas, estupradas e mortas. Ele gostava também as mordia, multilava e cometia necrofilia. Ele costumava retornar ao local dos crimes para relembrar da experiência. Ele também matou em diferentes Estados, sendo eles: Flórida, Washington, Utah, Oregon, Idaho, Califórnia e Colorado Por causa das denúncias decorrentes por conta do retrato falado do suspeito, Bundy passou a ser investigado. Uma amiga de Elizabeth, namorada de Bundy, também viu o retrato falando e achou parecido com ele. Elizabeth tinha esse e outros motivos para acreditar que poderia realmente ser ele, como o Fusca usado – Ted possuia um na cor branca – e as ataduras, que achou nos pertences dele, mas nunca o havia visto usá-las. Elizabeth entrou em contato com a polícia, que solicitaram fotos de Ted, porém as testemunhas não o reconheceram. Ted Bundy foi deixado de lado como suspeito. Em agosto de 1975, um policial achou suspeito um motorista que rondava um bairro. Era Ted Bundy. Quando tentou abordá-lo, ele fugiu, mas acabou batendo. Quando revistou o carro, o policial notou que faltava os bancos de passageiros do carro. Além disso, ele encontrou uma barra, máscara de esqui, algemas, uma corda e picador de gelo. Bundy foi preso. Carol, a jovem que conseguiu fugir, o reconheceu. Assim como conhecidos de Debra, que o viram abordando. Ele, é claro, alegou inocência. Sua namorada Elizabeth em depoimento, disse que no último ano Ted tinha pouco interesse sexual, e quando tinha, queria praticar alguma violência leve. Também forneceu informações consideradas valiosas, como o paradeiro dele nos dias dos sumiços. Na preparação para o julgamento do caso Caryn, Ted ficou insatisfeito com o seu advogado e resolveu defender a si mesmo (atitude permitida nos Estados Unidos). Tinha autorização para ir à biblioteca da prisão e estudar para a sua defesa. Mas Bundy tinha outros planos.. Em julho, ele pulou por uma janela aberta da biblioteca. Machucou-se, mas estava livre. Aproximadamente 150 homens saíram à sua caça, mas não conseguiram achá-lo. Isso fez com que Bundy se sentisse invencível. “Nada saía errado. Se algo saía, a próxima coisa que aconteceria era tão boa que compensava. Era até melhor mesmo”, disse ele posteriormente. Bundy roubava alimentos, dormia em diferentes locais. Quando finalmente conseguiu roubar um carro para fugir da cidade, foi pego mais uma vez. Agora, quando ia à biblioteca da prisão, era algemado e com ferros nos pés. Mas ele não desistiu. Escapou da sua cela, pelo teto, e parou na sala de guarda. Depois, saiu pelaporta da frente do presídio. Quando perceberam seu desaparecimento, ele já estava a caminho de outro estado, onde se alojou usando um nome falso. Passava os dias no campus de uma faculdade, onde assistia a algumas aulas, ou ficava em casa assistindo televisão, que assim como tudo no apartamento, era roubada. Em janeiro de 1978, Bundy entrou em um alojamento feminino de estudantes e agiu desesperadamente, freneticamente, como se precisasse saciar uma longa abstinência de violência e sexo. Martha Bowman e Lisa Levy foram assassinadas por Ted Bundy. Durante as investigações foram encontradas amostras de sangue, sêmen e de impressões digitais borradas. Apesar dessas evidências terem sido inconclusivas, foram encontradas duas marcas de mordidas em um dos seios e na nádega de Lisa Levy. Após ter sido feita a impressão dental e posterior comparação, Ted foi declarado culpado e sentenciado para morrer na cadeira elétrica. Através do laudo do odontologista legal Dr. Lowell J. Levine, que Ted Bundy foi condenado pelo assassinato de Lisa Levy’s, uma estudante da Universidade do Estado da Flórida. Uma marca de mordida deixada na nádega esquerda da vítima foi analisada sob a perspectiva da odontologia legal e obteve-se 100% de compatibilidade com o padrão da mordida de Ted Bundy. Essa foi a 1º evidência física que realmente ligou Bundy com um de seus crimes. Ted atacou outra mulher, Cheryl Tomas, no apartamento dela. Os gritos acordaram os vizinhos e a polícia chegou logo e a encontraram viva. Poucas evidências foram encontradas. Fios de cabelo em uma máscara, a marca de uma mordida nas nádegas de uma das vítima. A última vítima de Bundy foi Kimberly Leach, de 12 anos. O caso aconteceu em fevereiro de 78. Ela foi raptada de sua escola secundária em Lake City, Flórida. Ela foi estuprada, assassinada e o corpo foi jogado no Suwannee River State Park, na Flórida. Seu corpo só foi achado semanas depois. Ainda no mês de fevereiro, um policial suspeitou de um Fusca desconhecido na região que patrulhava. Ted tentou fugir, mas parou e quando ia ser algemado, iniciou uma luta com o guarda, mas não obteve sucesso. Bundy seria levado a julgamento pelos crimes no Chi Omega e pelo assassinato de Kimberly. Agora ele já era um serial killer notório. Mais uma vez, Bundy assumiu sua defesa no caso e negava os fatos. O julgamento do Chi atraiu a imprensa. A testemunha ocular do Chi foi quem complicou Bundy. Mas a prova principal do caso foi a análise da mordida – a marca dos dentes na nádega da jovem batia exatamente com a dentição de Ted. Sem expressar emoção, Ted Bundy escutou o veredicto: culpado. Mas a pena seria decidida em outro julgamento. A mãe de Ted, Louise, chorou e pediu pela vida de seu filho. Bundy culpou a mídia por sua condenação e disse que seria um absurdo perdão por algo que ele não fez. Nada adiantou. Bundy foi duplamente culpado à morte, na cadeira elétrica. Foram estes julgamentos que ajudaram Bundy a se tornar um “monstro”, para a maioria das pessoas. Já outras o consideravam um ídolo – ele era bonito, bem articulado e carismático. Mas ainda havia o julgamento do caso Kimberly e desta vez, ele aceitou os advogados, que alegaram insanidade mental. No dia, Bundy aparentava estar nervoso e chegou a discutir com uma testemunha. A prova mais contundente foram as fibras de roupas da garota no veículo que Bundy estava usando na época. O julgamento durou um mês e novamente, Bundy ouviu a palavra culpado. Bundy tinha 42 anos quando sentou na cadeira elétrica que, foi ligada por uma mulher. As 7h da manhã, foi considerado morto. Seu corpo foi cremado. Antes de morrer declarou-se culpado e dizia estar arrependido e que tinha se convertido ao cristianismo, mas nunca revelou a localização dos corpos ou quantas vítimas realmente matou. MARCAS DE MORDIDAS A pele é um pobre material de impressão, afirma Bowers. Na interpretação de mordeduras nessa superfície devem ser considerados 4 fatores: dentes do agressor, ação da língua, lábios e bochecha durante a mordida, estado mental do agressor e a parte do corpo que foi atingida. Os outros pontos a serem observados são o momento da mordida, se foi antes ou depois da morte, a reação dos tecidos adjacentes a lesão, a posição do corpo quando encontrado. A marca de mordida pode corroborar ou refutar o envolvimento do provável agressor no crime. O perito odonto-legal deve observar características incomuns na marca de mordida, como espaços sugestivos de perdas dentárias, lacerações que podem ocorrer de acordo com a forma das unidades dentárias ou restaurações, largura e comprimento do arco excessivamente grande ou pequeno e mau posicionamento dos dentes. Estas injúrias são freqüentemente associadas à violência, ou seja, ao uso da força física sobre alguém na tentativa de coagi-lo a submeter-se à vontade de outrem para fazer ou deixar de fazer algo. Neste sentido é comum encontrar evidências de marcas de mordidas em casos de violência física e sexual de crianças, mulheres e idosos. Os dentes e os arcos dentários podem fornecer, em certas circunstâncias, subsídios de real valor para solução de problemas criminais, de sorte a constituir, às vezes, os únicos elementos com os quais o perito pode contar. A singularidade das mordeduras revela-se nos seus formatos (ovais, elípticos ou circulares), tamanhos e em algumas características específicas de profundidade da incisão, tipo de deslocamento de tecido, grau de rotação de unidades dentárias, fraturas, anomalias, entre outras coisas, que vão, enfim, caracterizar determinado indivíduo, já que não é possível existir duas pessoas com arcos dentários iguais (CALDAS et al., 2000) Uma vez identificada a mordida, tem-se que tomar algumas providências, como anotação, descrição detalhada da lesão e tirar fotografias. Esta deve ser criteriosa, lembrando que para evitar distorções recomenda-se: manter o paralelismo entre o filme e a marca; incluir sempre uma escala ou régua (ORTIZ, 1997). As metodologias atuais deparam-se com algumas limitações quer pelas técnicas existentes, algumas de difícil reprodução, quer pelas formas de coletas ou exigüidade da marca devido à resistência do material, pouca força aplicada na oclusão dos arcos dentais ou pelo tempo decorrido entre a mordida e a coleta de dados substanciais para a comparação. O estudo de Impressões dentárias na pele humana é um dos grandes desafios da Odontologia Legal. Quando os dentes penetram na pele, além de fotografias, deverá ser feita a moldagem da lesão, estas servirão como provas a serem demonstradas perante o tribunal. A ligação entre o agressor e a marca se baseia numa comparação dente-a-dente, e arco-a-arco, utilizando parâmetros de tamanho, forma e alinhamento. Os seis dentes anteriores (canino-canino) são os mais comumente observados nas mordeduras (PRETTY; HALL, 2002). O tamanho da marca de mordida pode indicar se uma criança ou um adulto causou a lesão. Dentre as principais medidas utilizadas no estudo de impressões dentárias, destaca-se a distância intercanina (BARROS et al., 2004). As lesões de mordeduras podem aparecer de duas formas. Uma feita vagarosamente, exibindo uma área equimótica no centro da lesão oriunda da sucção ou da pressão da língua. Este tipo ocorre comumente em ataques sexuais. Outra forma é mais semelhante à marca ocasionada pelo dente. Normalmente ocorre com intenção de ataque ou defesa e se apresentam de forma mais comum em casos de violência infantil, homicídios. O processo de reparo deixa sinais característicos tanto em nível macroscópico (visual) quanto microscópico (histológico, histoquímico). Durante o processo de cicatrização, a lesão apresenta várias mudanças de cores e podem ser uma importante informação durante o estudo das marcas de mordidas. Segundo Kenney (2000), as marcas de cores vermelho-azul-púrpura são normalmente recentes, possuem cerca de um dia. Quando elas começam a se tornar azul-preta, elas possuem cerca de um a três dias de idade. Marcas azuis e verdes possuem de três a seis dias. Quando se apresentam marrom-amarelo-verde,de seis a dez dias. Quando se apresentam amarelo-esbranquiçada possuem duas semanas, que é a idade média de uma lesão. O autor destaca que estas descrições são aproximadas e dependem de vários fatores como: localização no corpo, severidade da lesão e estado de saúde da vítima. Na análise de mordeduras o perito deve: observar se a mordida é humana ou de animal; não descartar a possibilidade de que seja uma mordida simulada; verificar a localização topográfica no corpo; observar se a lesão representa a impressão de duplo arco ou não e diagnosticar se as lesões foram produzidas em vida ou post-mortem (Moya Pueyo et al., 1994). O protocolo de análise para a comparação de marcas de mordida é feito através de duas categorias. Primeiramente, as mensurações de locais específicos como distância intercanina, chamada análise métrica, e secundariamente, o emparelhamento físico ou comparação da forma e padrão da injúria chamado associação padrão (Sweet,1997). Na análise métrica cada detalhe ou traço do dente do suspeito que é capturado na lesão deve ser medido e registrado. O comprimento, largura e profundidade das marcas de cada dente específico; a dimensão e forma do local da injúria e outras dimensões como a distância intercanina, espaço entre as marcas dos dentes, indicações de mau posicionamento ou ausência de dentes deve ser calculado. As medidas das particularidades podem ser notificadas de acordo com o escore preconizado pela ABFO. A associação padrão tem como principal instrumento a sobreposição das imagens. Diversas técnicas de sobreposição utilizam a imagem do objeto conhecido diretamente sobre a imagem do objeto em questão avaliando os pontos coincidentes e os divergentes. O peso dado para uma conclusão no tribunal é baseada no número de características observadas na impressão. O número de pontos coincidentes necessários para comprovar a ligação de um suspeito com a impressão dentária varia de caso para caso. O perito deve expressar os resultados da forma mais clara possível. Os resultados podem ser exibidos através de slides, multimídia, fitas de vídeo, modelos, impressões, álbuns de fotografias apropriados e outros recursos visuais. As conclusões da análise de marcas de mordidas podem assistir a justiça a responder questões cruciais sobre a interação de pessoas no local de crime, além de apontar possíveis criminosos (Sweet e Pretty, 2001).