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ELETRÔNICA DE POTÊNCIA Julia Beust da Silva DIAC Objetivos de aprendizagem Ao final deste capítulo, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Diferenciar o DIAC do TRIAC. � Interpretar a curva característica de um DIAC. � Analisar a operação do DIAC. Introdução Neste capítulo, você vai estudar o DIAC, um tiristor bidirecional acionado por tensão. A invenção dos tiristores foi responsável por um salto de evolução tecnológica, proporcionando a implantação da eletrônica de potência em escala industrial. A importância dos tiristores reside em sua capacidade de controlar uma grande quantidade de energia, permitindo sua aplicação no controle de potência e conversão de energia. Geralmente dispositivos de três terminais controláveis, os tiristores são formados por camadas alternadas de materiais tipo P e tipo N, responsáveis por conduzir a corrente principal entre os terminais quando o componente está em condução. Reconhecendo o DIAC e o TRIAC Os DIACs e TRIACs são dispositivos utilizados em circuitos de chaveamento, capazes de conduzir elevadas correntes e suportar grandes tensões aplicadas entre seus terminais. O DIAC, abreviação para Diode for Alternating Current, é um tiristor de apenas dois terminais, não controlável, conhecido também como chave bidirecional de silício (MALVINO; BATES, 2016). Como o termo bidirecional sugere, o DIAC é capaz de conduzir em ambos os sentidos. Sendo um dis- positivo de dois terminais (MT1 e MT2), sem o terminal de gate geralmente presente nos tiristores, o DIAC é um dispositivo sem controle. Com uma alta impedância em seu estado de bloqueio, a condução do DIAC ocorre a partir de uma tensão de disparo VBO fixa, estabelecida por sua construção e fornecida por seu fabricante na folha de especificações. As tensões de disparo para DIACs variam entre 20V e 40V, com valor típico de 30 V (RÊGO SEGUNDO; RODRIGUES, 2015). O símbolo para o DIAC e sua estrutura interna podem ser vistos na Figura 1. Figura 1. Símbolo e estrutura interna do DIAC. Fonte: Rashid (2017, p. 73). O símbolo do DIAC reproduz dois diodos de quatro camadas posicionados em antiparalelo, com dois terminais (MT1 e MT2). Externamente, os DIACs possuem um encapsulamento muito semelhante ao dos diodos. A estrutura interna do DIAC é composta por quatro junções PN. Como pode ser observado na Figura 1, a primeira junção é dada por p1n1, a segunda por p2n1, a terceira por p2n2 e a quarta por p1n3. O DIAC permanece em corte enquanto a tensão aplicada sobre ele é inferior à tensão de disparo em qualquer sentido. Os DIACs são, basicamente, dispositivos sem polaridade utilizados em circuitos de corrente alternada, que conduzem em ambas as direções a partir de uma tensão de disparo pré-determinada . Uma aplicação muito comum dos DIACs é seu uso em circuitos de acionamento para TRIACs. DIAC2 O TRIAC, do inglês Triode for Alternating Current, é um tiristor de três terminais (MT1, MT2 e gate) conhecido também como tríodo para corrente alternada. A Figura 2 apresenta o símbolo e a estrutura interna do componente. Figura 2. Símbolo e estrutura interna do TRIAC. Fonte: Adaptada de Rashid (2017, p. 74). Enquanto o DIAC reproduz um comportamento similar ao de um diodo, porém com condução bidirecional, o TRIAC é uma chave eletrônica bidirecional com disparo controlado. Externamente, os DIACs possuem um encapsula- mento muito semelhante ao do diodo controlado de silício (SCR), um outro componente da família dos tiristores. O circuito equivalente de um TRIAC consiste em dois tiristores SCR conectados em antiparalelo. Seu símbolo é muito similar à representação do DIAC, com a adição do terminal de gate (G), através do qual se pode controlar a condução do dispositivo. Devido à conexão em antiparalelo, o TRIAC se comporta como um tiristor SCR bidirecional. 3DIAC Corrente alternada: A corrente alternada CA, também conhecida como AC, do inglês alternating current, é uma corrente elétrica cujo sentido varia ao longo do tempo. Apesar de existirem diferentes formas de onda, a forma usual da corrente CA em um circuito de potência é a senoidal. Entenda melhor a corrente alternada com o vídeo: https://goo.gl/DyVVm2 De maneira geral, tanto o DIAC como o TRIAC são dispositivos feitos para trabalhar com corrente alternada, dadas suas características de condu- ção bidirecional. Enquanto a tensão de disparo do DIAC não é controlada, o disparo do TRIAC é controlado através do terminal de gate. Uma aplicação usual consiste em conectar um DIAC ao gate de um TRIAC para gerar seus pulsos de disparo. Os TRIACs, por sua vez, são encontrados no controle de ventiladores e dimmers, dispositivos de controle de intensidade para iluminação. Os DIACs são componentes de dois terminais com encapsulamento similar ao utilizado em diodos. Os TRIACs possuem um encapsulamento de três terminais, típico de tirístores e de alguns transistores. Figura 3. DIAC e TRIAC. Fonte: Adaptada de a_v_d/Shutterstock.com e Digi Key (2018). DIAC4 https://goo.gl/DyVVm2 Interpretando a curva característica do DIAC Para compreender a curva característica do DIAC é importante conhecer o circuito equivalente do dispositivo. Um DIAC corresponde a dois diodos de quatro camadas em sentidos opostos conectados em paralelo, como mostrado na Figura 4(a). Dessa maneira, o DIAC é uma chave para circuitos de corrente alternada que pode manter-se em condução em ambos os sentidos (BOYLES- TAD; NASHELSKY, 2013). Figura 4. Circuito equivalente do DIAC. Fonte: Malvino e Bates (2016, p. 545). + - v (a) (b) (c) Enquanto a tensão V aplicada sobre os terminais do DIAC não excede o valor da tensão de disparo VBO, o dispositivo se comporta como um circuito de duas chaves abertas, Figura 4 (b). Nesse momento, o DIAC está em corte. Quando |V| > |VBO|, ou seja, a magnitude da tensão aplicada sobre os terminais é maior que a tensão de disparo, o DIAC passa a conduzir e assim permanece até que a tensão sobre o dispositivo seja igual zero. Se tomarmos como referência a polaridade de V indicada na Figura 4, quando V for maior que a tensão de disparo, o diodo da esquerda vai conduzir enquanto o da direita permanece em corte. Caso a tensão aplicada fosse de mesma magnitude, mas sinal contrário, o diodo da esquerda entraria em corte e o da direita passaria, então, para o estado de condução. Agora, podemos aplicar estes conhecimentos para analisar a curva VI de tensão por corrente entre os terminais do DIAC apresentada na Figura 5. 5DIAC Figura 5. Curva VI característica do DIAC. Fonte: Adaptado de Boylestad e Nashelsky (2013, p. 720). I V V I V I BO BO BO BO A Figura 5 mostra claramente que há uma tensão de disparo VBO em am- bas as direções. Analisando qualquer um dos quadrantes da curva podemos observar que enquanto o valor de V é inferior a tensão de disparo VBO, a corrente do dispositivo é muito pequena, inferior à corrente de disparo IBO especificada pelo fabricante. Essa pequena corrente que circula no dispositivo bloqueado é análoga à corrente de polarização reversa de um diodo. Para ambas as direções, o DIAC permanece bloqueado até que a tensão atinja a tensão de disparo VBO; no momento em que passa a conduzir, a tensão sobre os terminais do dispositivo cai para um valor próximo de zero, devido à característica quase ideal de baixa resistência interna do dispositivo, e uma corrente passa a circular entre os terminais. No primeiro quadrante temos que a tensão de referência é positiva em relação ao terminal MT1 e negativa em relação a MT2, conforme a polaridade indicada na Figura 5. Para o terceiro quadrante, temos que a tensão aplicada é positiva em relação ao terminal MT2 e negativa em relação a MT1. DIAC6 Operação do DIAC Quando conectado a uma fonte de tensão contínua, um DIAC se comporta exatamente da mesma maneira que um diodo Shockley. Em outras palavras, quando submetido a uma tensão constante, o DIAC conduz se Vfonte > VBO, onde VBO é a tensãode disparo do dispositivo. No entanto, quando conectado a uma fonte de tensão alternada, o comportamento do DIAC é diferente do observado nos diodos. Na alimentação alternada, a corrente e a tensão são repetidamente inver- tidas de direção. Como é sabido, os diodos conduzem apenas no semiciclo positivo. A característica bidirecional do DIAC faz com que o componente conduza independente do sinal da tensão aplicada. Para compreender melhor a operação de condução do DIAC, observe a Figura 6. Figura 6. Operação de condução do DIAC. Corrente no DIAC Fonte alternada de tensão VBO VBO +127 -127 A senoide em cinza representa a fonte alternada de tensão que alimenta o dispositivo. A linha tracejada marca a tensão de disparo do DIAC. Você pode perceber que enquanto a tensão fornecida pela fonte é inferior à tensão de disparo, o DIAC está bloqueado e não existe corrente fluindo entre seus termi- nais. Quando a tensão da fonte ultrapassa VBO, o dispositivo passa a conduzir e assim permanece enquanto existir tensão aplicada. Quando a polaridade da tensão se inverte, a tensão é igual a zero e o DIAC entra novamente em seu estado de bloqueio até que a tensão de disparo, agora em sentido contrário, seja novamente atingida. 7DIAC Como já foi mencionado, um dos principais usos de DIACs dentro de circuitos é o disparo de TRIACs. Em consequência de pequenas diferenças construtivas entre as duas metades do dispositivo, TRIACs não disparam com a mesma tensão quando polarizados pelo semiciclo positivo e negativo da fonte. O disparo não simétrico e as formas de onda resultantes dão origem à geração de harmônicos indesejados nos circuitos. Para eliminar os problemas resultantes da operação não simétrica, um DIAC é fre- quentemente colocado em série com o gate do TRIAC, como mostra a Figura 7. DIAC TRIAC MT2 MT1 Figura 7. DIAC colocado em série com o gate do TRIAC. Essa prática torna a comutação do TRIAC mais uniforme para as duas metades do ciclo, resultado da característica de comutação simétrica do DIAC. Como o DIAC impede que qualquer corrente de gate flua até que a tensão de disparo seja alcançada, em qualquer direção, o ponto de disparo do TRIAC se torna uniforme em ambas as direções. 1. O DIAC é: a) um diodo. b) um transistor. c) um tiristor. d) um oscilador. e) um amplificador. 2. Quantas junções PN existem em um DIAC? a) 1. b) 2. c) 3. d) 4. e) 5. 3. O DIAC é um semicondutor: a) unidirecional. b) controlável. c) de três terminais. d) acionado por corrente. DIAC8 e) bidirecional. 4. O valor típico de disparo dos DIAC é: a) 0,7V. b) menor que 10V. c) de 20 a 35 V. d) de 50 a 100V. e) maior que 100V. 5. Os terminais do DIAC são: a) anodo e catodo. b) anodo, catodo e gate. c) MT1, MT2 e gate. d) MT1 e MT2. e) anodo e gate. BOYLESTAD, R. L.; NASHELSKY, L. Dispositivos eletrônicos e teoria de circuitos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2013. DIGI KEY. DB3-TPMSTR-ND. 2018. Disponível em: <https://www.digikey.com/product- detail/en/micro-commercial-co/DB3-TP/DB3-TPMSTR-ND/806097>. Acesso em: 22 jul. 2018. MALVINO, A.; BATES, D. J. Eletrônica. 8. ed. Porto Alegre: AMGH, 2016. v. 1. RASHID, M. H. (Ed.). Power eletronics hand book. 4. ed. Oxford: Butterworth-Heinemann, 2017. RÊGO SEGUNDO, A. K.; RODRIGUES, C. L. C. Eletrônica de potência e acionamentos elétricos. Ouro Preto, MG: IFMG, 2015. Disponível em: <https://www2.ifmg.edu.br/ ceadop3/apostilas/eletronica-de-potencia-e-acionamentos-eletricos/@@download/ file/PROF_03__eletronica_de_potencia.pdf>. Acesso em: 22 jul. 2018. Leitura recomendada HART, D. W. Eletrônica de potência: análise e projetos de circuitos. Porto Alegre: AMGH, 2011. 9DIAC https://www.digikey.com/product- https://www2.ifmg.edu.br/ Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra.