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2015 Direito Público Profª Carla Moser Profª Sonia Adriana Weege Copyright © UNIASSELVI 2015 Elaboração: Profª Carla Moser Profª Sonia Adriana Weege Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. 340.0202 M899d Moser, Carla Direito Público/ Carla Moser, Sonia Adriana Weege Indaial : Uniasselvi, 2015. 198 p. : il ISBN 978-85-7830-867-4 1. Direito Público. 2. Serviço Público (Direito). I. Centro Universitário Leonardo da Vinci. Impresso por: III APresentAção Olá Acadêmico (a)! A disciplina de Direito Público tem como um de seus objetivos dotar você acadêmico de conhecimentos básicos, indispensáveis, acerca da concepção do Estado brasileiro, de modo que o auxilie a compreender o papel e os fins do Estado eis que, sua conformação e própria atuação permeia toda construção individual do cidadão brasileiro e a concepção da coletividade representada pela sociedade brasileira. Trazemos para seus estudos na Unidade 1, conceitos e características da formação do Estado contemporâneo. As diretrizes, princípios, objetivos e fundamentos descritos nesta unidade de estudos estão centrados no contexto da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, em vigor. Dispomos acerca da forma de Estado, forma de governo, sistema de governo e registros das competências constitucionais conferidas aos entes federados, sendo estes: a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios. Da mesma forma são abordados os direitos sociais, os direitos políticos e as questões relacionados ao direito da nacionalidade que encerra esta unidade. Na Unidade 2, são objeto de estudo, como complementariedade da divisão dos poderes estudados na Unidade 1, as funções exercidas pelo poder executivo, legislativo e judiciário em nosso país, com a indicação da composição da estrutura destes, que têm em seus atos a gestão da vida em sociedade no território brasileiro. Encerrando o conteúdo deste caderno de estudos, na unidade 3, estaremos analisando os atos administrativos, estes que definem o exercício da função administrativa do Estado. Você poderá reconhecer como este ato administrativo é disposto para a população, seus conceitos, requisitos, características, espécies, a sua condição de validade ou até mesmo de invalidação e seus efeitos no mundo administrativo e jurídico. Importante reafirmar que o Estado e o Poder Público, representados pela Administração Pública, têm sua razão de existir no povo e todos os atos exarados pela Administração pública devem atender ao interesse da coletividade. Seja bem-vindo(a) ao estudo desta disciplina, reconheça sua própria história, de seu país e de sua cidade e construa um novo saber. Bons estudos, até breve! Profª Carla Moser Profª Sonia Adriana Weege IV Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 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Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE. Bons estudos! NOTA Olá acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você e dinamizar ainda mais os seus estudos, a Uniasselvi disponibiliza materiais que possuem o código QR Code, que é um código que permite que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar mais essa facilidade para aprimorar seus estudos! UNI V VI VII sumário UNIDADE 1 – A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO ....................................... 1 TÓPICO 1 – O ESTADO BRASILEIRO ............................................................................................ 3 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 3 2 BRASIL: UMA REPÚBLICA FEDERATIVA ................................................................................. 3 2.1 FORMA DE GOVERNO: A REPÚBLICA......................................................................... 5 2.2 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO ............................................................. 6 2.3 OBJETIVOS FUNDAMENTAIS DO ESTADO BRASILEIRO .................................. 8 3 O PODER E A DIVISÃO DOS PODERES .................................................................................... 10 4 O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO ............................................................................... 13 RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 15 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 16 TÓPICO 2 – COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS DOS ENTES FEDERADOS .............. 19 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 19 2 PRINCÍPIOS GERAIS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL .................................. 19 3 NATUREZA E COMPETÊNCIAS DA UNIÃO ............................................................................ 20 3.1 COMPETÊNCIAS DA UNIÃO ............................................................................................ 21 3.1.1 Competência administrativa .............................................................................................. 21 3.1.2 Competência social ............................................................................................................. 23 3.1.3 Competência financeira e monetária ................................................................................ 23 3.1.4 Competência econômica ..................................................................................................... 23 3.1.5 Competência na área de prestação de serviços ............................................................... 25 3.1.6 Competência urbanística .................................................................................................... 25 3.1.7 Competência legislativa ...................................................................................................... 26 4 COMPETÊNCIAS DO ESTADO .................................................................................................... 28 5 COMPETÊNCIAS DOS MUNICÍPIOS .........................................................................................30 RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 32 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 33 TÓPICO 3 – DIREITOS SOCIAIS E POLÍTICOS .......................................................................... 35 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 35 2 CONCEITOS E DIREITOS SOCIAIS ............................................................................................ 35 3 DIREITOS DOS TRABALHADORES COMO DIREITO SOCIAL ......................................... 39 4 DIREITOS POLÍTICOS .................................................................................................................... 44 4.1 CARACTERÍSTICAS DO VOTO ........................................................................................ 44 4.2 PLEBISCITO E REFERENDO .............................................................................................. 45 4.3 ELEGIBILIDADE ..................................................................................................................... 46 5 NACIONALIDADE ........................................................................................................................... 49 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................ 52 RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 56 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 57 VIII UNIDADE 2 – CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO.................................................................................. 59 TÓPICO 1 – CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO PODER LEGISLATIVO .......... 61 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 61 2 A FUNÇÃO LEGISLATIVA E SEUS PRESSUPOSTOS ............................................................. 61 3 CONGRESSO NACIONAL ............................................................................................................. 63 4 SENADO FEDERAL .......................................................................................................................... 65 5 CÂMARA DOS DEPUTADOS FEDERAIS .................................................................................. 66 6 ATRIBUIÇÕES DO CONGRESSO NACIONAL ........................................................................ 67 7 ATRIBUIÇÕES PRIVATIVAS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS FEDERAIS .................... 69 8 ATRIBUIÇÕES PRIVATIVAS DO SENADO FEDERAL ........................................................... 70 9 CÂMARA DOS DEPUTADOS ESTADUAIS............................................................................... 72 10 PODER LEGISLATIVO MUNICIPAL ......................................................................................... 73 RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 77 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 78 TÓPICO 2 – PROCESSO LEGISLATIVO ........................................................................................ 79 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 79 2 CONCEITO E OBJETO DO PROCESSO LEGISLATIVO ......................................................... 79 3 ATOS DO PROCESSO LEGISLATIVO......................................................................................... 80 4 PROCEDIMENTOS LEGISLATIVOS ........................................................................................... 83 RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 88 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 89 TÓPICO 3 – CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO PODER EXECUTIVO .............. 91 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 91 2 FUNÇÃO EXECUTIVA E ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO................................................. 91 3 ADMINISTRAÇÃO DIRETA E INDIRETA ................................................................................. 94 4 COMPOSIÇÃO DOS ÓRGÃOS DE ADMINISTRAÇÃO DIRETA FEDERAL ................... 95 5 PRESIDÊNCIA E VICE-PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA ....................................................... 96 6 CASA CIVIL ....................................................................................................................................... 98 7 ÓRGÃOS DE ASSESSORIA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA ....................................... 98 8 MINISTÉRIOS ................................................................................................................................... 99 9 ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO DIRETA ESTADUAL........................................................ 100 10 GOVERNADOR E VICE-GOVERNADOR ................................................................................ 101 11 SECRETARIAS DE GOVERNO ESTADUAIS ........................................................................... 102 12 ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO DIRETA MUNICIPAL .................................................... 103 13 PREFEITO E VICE-PREFEITO ...................................................................................................... 104 RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 106 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 107 TÓPICO 4 – CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO PODER JUDICIÁRIO ............. 109 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 109 2 A FUNÇÃO JURISDICIONAL E O ACESSO À JUSTIÇA ........................................................ 109 3 ORGANIZAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO .............................................................................. 110 4 O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ............................................................................................ 111 5 CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA ....................................................................................... 113 6 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA ........................................................................................... 115 7 TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL E TRIBUNAIS REGIONAIS ELEITORAIS ............. 117 8 TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO E TRIBUNAIS REGIONAIS DO TRABALHO 118 9 SUPERIOR TRIBUNAL MILITAR ................................................................................................. 119 IX 10 JUSTIÇA FEDERAL ........................................................................................................................ 120 11 JUSTIÇA ESTADUAL ..................................................................................................................... 121 RESUMO DO TÓPICO 4..................................................................................................................... 123 AUTOATIVIDADE ..............................................................................................................................124 TÓPICO 5 – ÓRGÃOS AUXILIARES DO PODER JUDICIÁRIO .............................................. 125 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 125 2 MINISTÉRIO PÚBLICO .................................................................................................................. 125 3 ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO ............................................................................................... 127 4 DEFENSORIA PÚBLICA ................................................................................................................. 128 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................ 129 RESUMO DO TÓPICO 5..................................................................................................................... 135 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 136 UNIDADE 3 – ATOS ADMINISTRATIVOS ................................................................................... 137 TÓPICO 1 – CONCEITOS, ELEMENTOS E ATRIBUTOS DO ATO ADMINISTRATIVO ..... 139 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 139 2 CONCEITOS VINCULADOS AO ATO ADMINISTRATIVO ................................................. 140 3 ELEMENTOS DO ATO ADMINISTRATIVO .............................................................................. 141 4 ATRIBUTOS DO ATO ADMINISTRATIVO ............................................................................... 145 RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 149 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 150 TÓPICO 2 – CLASSIFICAÇÃO E ESPÉCIES DE ATOS ADMINISTRATIVOS ..................... 153 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 153 2 CLASSIFICAÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS .............................................................. 153 3 MÉRITO DO ATO ADMINISTRATIVO ...................................................................................... 158 4 ESPÉCIES DE ATOS ADMINISTRATIVOS ................................................................................ 160 RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 165 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 166 TÓPICO 3 – EXTINÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS...................................................... 169 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 169 2 FORMAS DE EXTINÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS ................................................ 169 3 VÍCIOS DOS ATOS ADMINISTRATIVOS ................................................................................. 175 4 CONVALIDAÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS ............................................................. 178 5 CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA........................................................................ 180 5.1 CLASSIFICAÇÃO DAS FORMAS DE CONTROLE .................................................... 181 5.1.1 Conforme a Origem ............................................................................................................. 181 5.2 CONFORME O MOMENTO DE EXERCÍCIO ............................................................... 182 5.3 QUANTO AO ASPECTO CONTROLADO ..................................................................... 183 5.4 QUANTO À AMPLITUDE .................................................................................................... 184 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................ 187 RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 192 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 193 REFERÊNCIAS ...................................................................................................................................... 195 X 1 UNIDADE 1 A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS Esta unidade tem por objetivo apresentar ao acadêmico(a): • como se organiza o Estado no território brasileiro, a forma de governo, fundamentos e objetivos do Estado brasileiro, além de distinguir os pode- res a ele inerentes; • as competências instituídas pela Constituição de 1988 à União, Estados e Municípios; • os direitos sociais e políticos descritos na constituição brasileira e suas es- pecificidades; • os conceitos e características aplicáveis à nacionalidade. Esta unidade está dividida em três tópicos, sendo que, no final de cada um deles, você encontrará atividades que o(a) auxiliarão a fixar os conhecimentos desenvolvidos. TÓPICO 1 – O ESTADO BRASILEIRO TÓPICO 2 – COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS DOS ENTES FEDERADOS TÓPICO 3 – DIREITOS SOCIAIS E POLÍTICOS 2 3 TÓPICO 1 UNIDADE 1 O ESTADO BRASILEIRO 1 INTRODUÇÃO A Constituição de 1988 em seu artigo 3º consagrou o território brasileiro como unidade indissolúvel, identificando igualmente seu regime de governo como “República”. Art. 3º A República Federativa do Brasil, formada pela União indissolúvel dos Estados e Municípios e do distrito Federal, constitui- se em Estado democrático de Direito e tem como fundamentos: I – a soberania; II – a cidadania; III – a dignidade da pessoa humana; IV – os valores sociais do trabalho e da livre-iniciativa; V – o pluralismo político. Parágrafo único: Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta constituição. (BRASIL, 2015). A descrição contida neste texto constitucional torna impossível qualquer pretensão de separação de um município, do Distrito Federal ou de qualquer Estado-membro. Nosso ordenamento pátrio é rígido, atos e ações dos indivíduos e do próprio Estado devem estrita obediência ao descrito na Constituição em vigor (CRFB/88). O Estado brasileiro possui uma composição e conjuntura que lhe são próprias. Nada mais adequado, enquanto cidadãos que habitam este país, buscar conhecer e reconhecer alguns dos aspectos que norteiam sua organização. É o que passaremos a fazer a partir de agora. Seja bem-vindo(a), iniciamos nossa caminhada! 2 BRASIL: UMA REPÚBLICA FEDERATIVA O território brasileiro enquanto Estado está organizado sob a forma federativa. É a forma de Estado do Brasil a peça-chave das políticas públicas, sendo a descentralização, as relações intergovernamentais e a articulação entre os níveis de governo de suma importância para a gestão deste território. UNIDADE 1 | A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO 4 O Brasil traz a contextualização da repartição de poderes, a soberania e a autonomia como elementos caracterizadores de sua composição enquanto território. Nosso território tem como forma de Estado a Federação. Na concepção de Carvalho (2011, p. 2) “em nosso regime federativo [...] todos os componentes da federação materializam o Estado, cada um deles atuando dentro de seus limites de competência traçados pela Constituição”. Entre os vários conceitos de Estado, trazemos de Alexandrino e Paulo (2011, p. 13): O Estado é pessoa jurídica territorial soberana, formada pelos elementos povo, território, e governo soberano.Esses três elementos são indissociáveis e indispensáveis para a noção de um estado independente: o povo, em um determinado território, organizado segundo sua livre e soberana vontade. Corrobora com este conceito Silva (2010, p. 97): Estado é uma ordenação que tem por fim específico e essencial a regulamentação global das relações sociais entre os membros de uma dada população sobre um dado território, na qual a palavra ordenação expressa a ideia de poder soberano institucionalizado. Elencamos as principais características da Federação segundo LENZA (2011, p. 5-6). Observe e busque encontrá-las no território brasileiro: a) Descentralização política: a própria constituição prevê núcleos de poder político, concedendo autonomia para os referidos entes. b) Repartição de competência: garante a autonomia entre os entes federativos e, assim, o equilíbrio da federação. c) Constituição rígida como base jurídica: fundamental a existência de uma constituição rígida no sentido de garantir a distribuição de competências entre os entes autônomos, surgindo, então, uma verdadeira estabilidade institucional. d) Inexistência do direito de secessão: não se permite, uma vez criado o pacto federativo, o direito de separação, temos então, o princípio da indissolubilidade do vínculo federativo. e) Soberania do Estado federal: a partir do momento que os Estados ingressam na Federação perdem a soberania e passam a ser autônomos. Os entes federativos, são, portanto, autônomos entre si, de acordo com as regras gerais constitucionais; a soberania, é característica do todo, do país. f) Intervenção: diante das situações de crise, o processo interventivo surge como instrumento para assegurar o equilíbrio federativo, e, assim, a manutenção da federação. g) Auto-organização dos Estados-membros: através da elaboração das constituições estaduais. h) Órgão representativo dos Estados-membros: no Brasil dá-se através do Senado Federal. TÓPICO 1 | O ESTADO BRASILEIRO 5 i) Guardião da Constituição: no Brasil, na figura do Supremo Tribunal Federal. j) Repartição de receitas: assegura o equilíbrio entre os entes federativos. Estas características dão origem à autonomia e compartilhamento da legitimidade e do processo decisório aos estados-membros, Distrito Federal e municípios. No território brasileiro, temos esferas políticas autônomas e distintas representadas pela União, Estados, Distrito Federal e municípios, que são os entes da Federação. No Estado federado, o poder é compartilhado entre vários entes: a União e estados-membros, no caso brasileiro, também entre os municípios. Cada ente tem competências próprias e autonomia em relação aos outros, sendo que a intervenção do Poder Central (União) nos demais entes só pode ocorrer em situações permitidas pela Constituição. Para Marçal Justen Filho (2005), a organização federativa brasileira diferencia-se dos modelos do resto do mundo, tendo em vista a consagração de três órbitas de governo. Há a União (órbita federal), os estados-membros (órbita estadual) e os municípios (órbita municipal). Outra peculiaridade reside no reconhecimento do Distrito Federal como ente federativo (acumulando as competências reservadas aos estados-membros e aos municípios). Não existe subordinação, isto é, não há hierarquia entre os diversos entes federados no Brasil. Temos, portanto, uma administração pública federal, uma administração pública distrital, administrações estaduais e administrações municipais. (ALEXANDRINO; PAULO, 2011). Este é o nosso país, um Estado federado que tem uma constituição legitimada. Diante desta premissa, passaremos ao estudo da forma de governo do território brasileiro. 2.1 FORMA DE GOVERNO: A REPÚBLICA A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 traz em seu artigo 1º o pressuposto da República para o território brasileiro, que já é trazida nos textos constitucionais desde a Constituição de 1891. Vejamos: “Art. 1º A Nação brasileira adota como forma de Governo, sob o regime representativo, a República Federativa, proclamada a 15 de novembro de 1889, e constitui-se, por união perpétua e indissolúvel das suas antigas Províncias, em Estados Unidos do Brasil” (BRASIL, 2015). UNIDADE 1 | A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO 6 Alexandrino e Paulo (2011, p. 17), descrevem que “a República é uma forma de governo caracterizada pela eletividade e pela temporalidade dos mandatos do Chefe do Poder Executivo, com o dever de prestar contas (responsabilidade do governante)”. Temos, portanto, a República como forma de governo do território brasileiro. Importante registrar, que em razão principalmente da separação de poderes adotada em nosso país o sistema de governo adotado é presidencialista ou presidencialismo. FIGURA 1 – CARACTERÍSTICAS DO ESTADO BRASILEIRO FONTE: A Autora ESTADO BRASILEIRO FEDERAÇÃO FORMA DE ESTADO FORMA DE GOVERNO SISTEMA DE GOVERNO PRESIDENCIALISMOREPÚBLICA 2.2 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO Retomando o descrito na introdução deste capítulo, a Constituição de 1988 retrata em seu artigo 1º os fundamentos da República Federativa do Brasil: ᵒ Soberania: fundamento da República Federativa do Brasil, e não da União enquanto ente federativo. ᵒ Cidadania. ᵒ Dignidade da pessoa humana. ᵒ Valores sociais do trabalho e da livre-iniciativa. ᵒ Pluralismo político. O sentido democrático previsto no art.1º da Constituição Federal, ao se proclamar que todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente nos termos da Constituição de 1988, nos traz a interpretação de que a titularidade dos mandatos no executivo e legislativo somente será legítima quando relacionada ao ato concreto de expressão popular, ou seja, dos mandatos que resultam de eleição popular. TÓPICO 1 | O ESTADO BRASILEIRO 7 2.2 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO Distingue-se a soberania como um poder político, que, sob este aspecto, tem a característica de um poder de fato, incontrastável, absoluto, de uma concepção jurídica, consubstanciada está em um poder de decidir sobre a regra jurídica aplicável por determinado Estado (BAALBAKI, 2012). O artigo 170 da Constituição de 1988 traz a soberania como princípio do poder econômico: “A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre-iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: I - soberania nacional” (BRASIL, 2015). Princípio vinculado à soberania está igualmente o da independência nacional, que determina que o estado nacional não necessita acatar ordens de ninguém que se encontra no mesmo patamar que outros povos. Quando falamos em relações internacionais, temos na Carta Magna de 1988: “Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: I - independência nacional” (BRASIL, 2015). Podemos observar que o Brasil enquanto Estado nacional não está subjugado a nenhum outro país ou mandamento jurídico. É independente na condução de suas regras internas. A cidadania, segundo Silva (2010), qualifica aos participantes do Estado o reconhecimento do indivíduo como pessoa integrada na sociedade estatal. Significa aí também que o funcionamento do Estado estará submetido à vontade popular. O artigo 5º, inciso III da Constituição de 1988 traz o princípio que enuncia a dignidade da pessoa humana: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] III - ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante (BRASIL, 2015). Para José Afonso da Silva (2010, p. 105), "a dignidade da pessoa humana é um valor supremo que atrai o conteúdo de todos os direitos fundamentais do homem, desde o direito à vida”. O direito àvida, à intimidade, à honra, à imagem, entre outros, aparece em consequência imediata da consagração da dignidade da pessoa humana como fundamento da República Federativa do Brasil. UNIDADE 1 | A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO 8 Moraes (2007) afirma que o princípio consagrado pela Constituição Federal da dignidade da pessoa humana apresenta-se em uma dupla concepção. Primeiramente, prevê um direito individual protetivo, seja em relação ao próprio Estado, seja em relação aos demais indivíduos. Em segundo lugar, estabelece dever fundamental de tratamento igualitário entre os próprios semelhantes. Configura-se este dever na exigência do indivíduo respeitar a dignidade de seu semelhante como a Constituição Federal exige que respeitem a própria. Parafraseando Silva (2010), a ordem econômica deve ter por finalidade assegurar a todos: existência digna, a ordem social visará à justiça social, à educação, ao desenvolvimento da pessoa e seu preparo para o exercício da cidadania, como norma eficaz para o alcance da dignidade humana. Todos os dispositivos legais do território brasileiro devem estar compatíveis com o princípio da dignidade humana. O Estado a serviço do bem comum deve articular institutos de proteção a este princípio como essência de todo indivíduo. Os valores sociais do trabalho e da livre-iniciativa privada são tratados como fundamentos da ordem econômica. O ilustre José Afonso da Silva (2010, p. 493), nesse sentido, ensina que a livre-iniciativa, num contexto de uma Constituição preocupada com a realização da justiça social (o fim condiciona os meios), não pode significar mais do que ‘liberdade de desenvolvimento da empresa no quadro estabelecido pelo poder público, e, portanto, possibilidade de gozar das facilidades e necessidade de submeter-se às limitações postas pelo mesmo’. É legítima, enquanto exercida no interesse da justiça social. Será ilegítima, quando exercida com objetivo de puro lucro e realização pessoal do empresário. A ideia do pluralismo político concebido pelos legisladores demonstra uma afirmação do desejo de que haja a ampla e livre participação popular nos destinos políticos do país, garantindo a liberdade de convicção filosófica e política e, também, a possibilidade de organização e participação em partidos políticos. Fizemos uma breve menção aos fundamentos do Estado. Passaremos a estudar os objetivos fundamentais do Estado Brasileiro. 2.3 OBJETIVOS FUNDAMENTAIS DO ESTADO BRASILEIRO A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 em seu artigo 3º denota os objetivos primordiais do Estado brasileiro: TÓPICO 1 | O ESTADO BRASILEIRO 9 2.3 OBJETIVOS FUNDAMENTAIS DO ESTADO BRASILEIRO Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (BRASIL, 2015). O rol dos objetivos elencados no artigo 3º da Constituição de 1988 não é taxativo. Trata-se somente da previsão de algumas finalidades primordiais a serem perseguidas pela República Federativa do Brasil. Os poderes públicos devem buscar os meios e instrumentos para promover as condições de igualdade real e efetiva, não somente contentar-se com a igualdade formal e respeito a um dos objetivos fundamentais da República: construção de uma sociedade justa. O Brasil é um país heterogêneo, de grande extensão territorial e diversidade cultural, com diversos grupos étnicos, linguísticos, repleto de desigualdades sociais, econômicas, políticas, sendo o Estado Federado um grande desafio. Ainda temos a considerar neste contexto da República Federativa do Brasil, a relação de nosso país nos aspectos internacionais relembrando para tanto os princípios que regem as relações internacionais que estão descritos no artigo 4º da Constituição da República Federativa do Brasil que seguem relacionados a seguir: ᵒ Independência nacional ᵒ Prevalência dos direitos humanos ᵒ Autodeterminação dos povos ᵒ Não intervenção ᵒ Igualdade entre os Estados ᵒ Defesa da paz ᵒ Solução pacífica dos conflitos ᵒ Repúdio ao terrorismo e racismo ᵒ Cooperação entre os povos para o progresso da humanidade. O idioma oficial da República Federativa do Brasil é a língua portuguesa, portanto, o ensino fundamental regular será ministrado na língua portuguesa, entretanto, está assegurado às comunidades indígenas, a possibilidade de utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem (art.13, caput, c/c art.210, parágrafo 2º da Constituição Federal de 1988). Precisamos indicar também que encontramos na constituição algumas vedações/proibições impostas à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: UNIDADE 1 | A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO 10 • Estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou com seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada na forma da lei, a colaboração de interesse público. O Brasil é um país laico, não adota qualquer religião oficial. • Recusar fé aos documentos públicos, ou seja, os documentos públicos presumem-se idôneos. • Criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si, inegável desdobramento do princípio da isonomia. Referenciados os aspectos relacionados à República Federativa do Brasil, iniciaremos nova etapa com o estudo dos poderes do Estado. 3 O PODER E A DIVISÃO DOS PODERES “Integram a organização política do Estado os denominados ‘Poderes’, que representam uma divisão estrutural interna, visando ao mesmo tempo à especialização no exercício das funções estatais e a impedir a concentração de todo o poder do Estado nas mãos de uma única pessoa ou órgão.” (ALEXANDRINO; PAULO, 2011). Temos no Brasil uma divisão institucionalizada como princípio fundamental estabelecido na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, em seu artigo 2º: São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Seguindo a concepção de Montesquieu a divisão dos poderes do Estado brasileiro é tripartida entre o: ᵒ Executivo ᵒ Legislativo ᵒ Judiciário Estes poderes serão objeto de estudo na unidade 2 deste caderno, atente- se ao conteúdo que lá estiver descrito e procure saber mais. O Estado como grupo social máximo e total, tem também o seu poder, que é o poder político ou estatal. A sociedade estatal, chamada também de sociedade civil compreende uma multiplicidade de grupos sociais diferenciados de indivíduos, aos quais o poder político tem que coordenar, impor regras e limites em função dos fins globais que ao Estado cumpre realizar. (SILVA, 2010). A noção de governo está relacionada com a função política de comando, de coordenação, de direção e de fixação de planos e diretrizes de atuação dos estados (as denominadas políticas públicas). (ALEXANDRINO; PAULO, 2011). TÓPICO 1 | O ESTADO BRASILEIRO 11 3 O PODER E A DIVISÃO DOS PODERES Para Meirelles (2008, p. 65) “o governo, em sentido formal, é o conjunto de poderes e órgãos constitucionais; em sentido material, é o complexo de funções estatais básicas; em sentido operacional, é a condição política nos negócios públicos”. FIGURA 2 – ÓRGÃOS E FUNÇÕES TÍPICAS ÓRGÃO FUNÇÃO TÍPICA LEGISLATIVO • Legislar. • Fiscalização contábil, financeira, orçamentária e patrimonial do Executivo. EXECUTIVO • Prática de atos de chefia de Estado, chefia de governo e atos de administração. JUDICIÁRIO • Julgar (função jurisdicional), dizendo o direito no caso concreto e dirimindo os conflitos que lhe são levados, quando da aplicação da lei. FONTE: Adaptado de: Lenza (2011, p. 435) O Estado através do governo composto por órgãos ou instituições externaliza suas vontades. As funções do Estadoidentificadas seguem a regra da divisão dos poderes e são de modo primário a função executiva, legislativa e jurisdicional como encontramos no quadro acima. Silva (2010) preceitua com relação à divisão de poderes, como aquela que consiste em confiar cada uma das funções governamentais a órgãos diferentes, que tomam os nomes de respectivas funções, menos o judiciário. Se estas situações não forem evidentes, teremos uma concentração de poderes em um só órgão, com as funções sendo exercidas somente por aquele. Esta divisão que reconhecemos é funcional é a inferida separação de poderes, que consiste em distinguir três funções estatais, quais sejam, legislação, administração e jurisdição, que devem ser atribuídas a três órgãos autônomos entre si, que as exercerão com exclusividade. Justen (2005) alerta que cada poder não é titular exclusivo do exercício de uma função, mas é investido de uma função principal e, acessoriamente, do desempenho de outras. Ressalta Silva (2010) que a ampliação das atividades do Estado contemporâneo impôs nova visão da teoria da separação de poderes e novas formas de relacionamento entre os órgãos legislativo e executivo e destes com o judiciário. Atualmente se prefere falar em colaboração de poderes, que é característica do parlamentarismo, em que o governo depende da confiança do Parlamento UNIDADE 1 | A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO 12 (Câmara dos Deputados), enquanto no presidencialismo, desenvolveram-se técnicas de independência orgânica e harmonia de poderes. Podemos perceber que a evolução da sociedade faz com que o próprio Estado tenha que se adaptar a novas circunstâncias para que sua ação seja efetiva no controle de seu território. O artigo 2º da Constituição da República Federativa do Brasil, como vimos acima, manteve a descrição dos poderes independentes e harmônicos entre si, característica vinculada ao presidencialismo, consoante ensinamentos de Silva (2010). Algumas situações permanecerão específicas como a função executiva, legislativa e judiciária. Cabe ressaltar que o judiciário é um dos poderes com maior independência, possuindo inclusive orçamento próprio regulando seu funcionamento e sua estrutura. Algumas interferências se fazem possíveis, visando ao próprio equilíbrio das funções, chamado de sistema de freios e contrapesos podemos exemplificar: o presidente da República não interfere na função jurisdicional. Em compensação, os ministros dos tribunais superiores são por ele nomeados, sob o controle do Senado Federal, a que cabe aprovar o nome escolhido. Este formato de troca de responsabilidades entre os poderes ordena em sua medida as situações originadas entre os poderes, lhe trazendo a harmonia necessária para o consenso na condução do Estado. Existem algumas exceções à independência dos poderes, que consistem, por exemplo, em permitir que deputados e senadores exerçam funções de Ministro de Estado, regra esta contida no artigo 56 da CRFB/88: “Art. 56 Não perderá o mandato o Deputado ou Senador: I - investido no cargo de Ministro de Estado, Governador de Território, Secretário de Estado, do Distrito Federal, de Território, de Prefeitura de Capital ou chefe de missão diplomática temporária.” (BRASIL, 2015). O artigo 50 da Carta Magna de 1988 também apresenta uma exceção à regra: Art. 50. A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ou qualquer de suas Comissões, poderão convocar Ministro de Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados à Presidência da República para prestarem, pessoalmente, informações sobre assunto previamente determinado, importando crime de responsabilidade à ausência sem justificação adequada. (Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 2, de 1994) (BRASIL, 2015). TÓPICO 1 | O ESTADO BRASILEIRO 13 Este artigo prevê a autorização para que Ministros de Estado se apresentem no plenário das Casas do Congresso, convocados ou por livre vontade, para tratarem de assunto relevante sobre o Ministério que coordenam. Na concepção de Silva (2010), as exceções mais marcantes, se acham na posição de adoção pelo Presidente da República de medidas provisórias por força de lei, artigo 62 da CRFB/88: “Art. 62 Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional”. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001). E noutra sendo a autorização de delegação de atribuições legislativas ao Presidente da República: “Art. 68 As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional” (BRASIL, 2015). Oportunizamos o entendimento do respeito às formas de atuação de cada poder inerente ao Estado e da conjugação dos esforços para um trabalho harmonioso, respeitadas as exceções contidas na constituição. Abordaremos itens que fazem referência ao Estado Democrático de Direito enquanto instrumental de organização de um Estado-nação. 4 O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO A democracia é um conceito muito amplo que nas palavras de Silva (2010) envolve a realização de valores (igualdade, liberdade e dignidade da pessoa humana) de convivência humana. “O Estado Democrático de Direito está vinculado, não mais à visão única do direito da prestação de serviços do Estado, mas deve exercer uma ação constante por meio da legislação e da administração que realize a ideia de social de Direito” de acordo com Garcia-Pelayo (apud STECK; MORAIS, 2001, p. 91). A presença do Estado, a observância da Constituição e dos direitos individuais e coletivos, a busca pela igualdade, a legitimação dos poderes, são alguns dos elementos que consolidam o status de Estado Democrático de Direito. Os princípios do Estado Democrático de Direito, para Steck e Morais (2001, p. 93) são: A. Constitucionalidade: vinculação do Estado Democrático de Direito a uma Constituição como instrumento básico de garantia jurídica. B. Organização Democrática da Sociedade. C. Sistema de direitos fundamentais individuais e coletivos, seja como Estado de distância, porque os direitos fundamentais asseguram ao homem uma autonomia perante os poderes públicos, seja como UNIDADE 1 | A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO 14 Estado antropologicamente amigo, pois respeita a dignidade da pessoa humana e empenha-se na defesa e garantia da liberdade, da justiça e da solidariedade. D. Justiça Social: como mecanismos corretivos de desigualdade. E. Igualdade: não apenas como possibilidade formal, mas também, como articulação de uma sociedade justa. F. Divisão de Poderes ou de funções. G. Legalidade que aparece como medida de direito, isto é, através de um meio de ordenação racional, vinculativamente prescritivo de regras, formas e procedimentos que excluem o arbítrio e a prepotência. H. Segurança e Certeza jurídicas. Em se falando de Estado Democrático de Direito, este tem como objetivo maior a busca pela igualdade, e, para a administração pública a meta principal do interesse público em razão do conteúdo das normas mutantes e variações sociopolíticas, respaldados obviamente na certeza e segurança jurídicas. 15 Neste tópico você: • Reconheceu os princípios constitucionais do Estado brasileiro, entre eles a República como forma de governo. • Conheceu os fundamentos que regem o Estado brasileiro: a soberania, a cidadania, o pluralismo político, os valores sociais do trabalho e da livre- iniciativa. • Identificou os objetivos fundamentais do Estado brasileiro. • Distinguiu os poderes instituídos para o Estado. • Apontou os pressupostos do Estado Democrático de Direito. RESUMO DO TÓPICO 1 16 Prezado(a) acadêmico(a)! Para que possamos avaliar a compreensão dos conceitos que tivemos acesso até o momento, convido-o(a) a responder aos questionamentos dispostos a seguir: 1 O Estado Federado possui prerrogativas e pressupostos em sua constituição, atribuindo-lhe particularidades. Quanto aos pressupostosde Estado Federado, avalie as afirmativas e assinale a alternativa CORRETA. a) ( ) O Estado Federado tem o poder compartilhado entre seus diversos entes. b) ( ) O Estado Federado é caracterizado por ser unitário. c) ( ) O Estado Federado tem seu poder centralizado. d) ( ) O Estado Federado não está legitimado constitucionalmente. 2 Os territórios das nações, de acordo com sua organização, possuem concepções alternadas ou diferentes. Assinale a alternativa CORRETA identificando o território brasileiro. a) ( ) Pode dissociar seus estados-membros, Distrito Federal e municípios por livre ação do poder central. b) ( ) É um território homogêneo o que significa não possuir desigualdades culturais, econômicas e sociais. c) ( ) É um Estado Federativo, que tem em sua base uma Constituição. d) ( ) Não tem constituído em seu território as funções tripartidas pertinentes aos estados federados. 3 O Estado Federado traz situações específicas quanto à divisão do poder, constituição do território, delimitação de funções. Quanto ao Estado Federado e suas características, assinale a alternativa CORRETA. a) ( ) O Brasil tem representatividade Legislativa Unicameral, junto ao poder central. b) ( ) A base jurídica do Estado Federal é uma Constituição. c) ( ) Não existe a divisão do poder no Estado Federado Brasileiro, ele está centrado na União. d) ( ) O grande desafio do Estado Federado Brasileiro é regular a situação homogênea de seu território. 4 A Federação dota seus membros de tríplice capacidade, a saber: a) Auto-organização, autonormatização e autogoverno. b) Autogoverno, autoadministração e autofinanciamento. c) Auto-organização, autogoverno e autoadministração. d) Auto-organização, autonormatização e automanutenção. e) Autoarrecadação, autogoverno e autogerenciamento. AUTOATIVIDADE 17 5 A República, Federação e Presidencialismo são, para a Constituição de 1988, respectivamente: a) Forma de Estado, Sistema de Governo, Regime de Governo. b) Sistema de Governo, Regime de Governo, Forma de Estado. c) Forma de Governo, Forma de Estado, Sistema de Governo. d) Forma de Estado, Regime de Governo, Sistema de Governo. e) Sistema de Governo, Forma de Estado, Sistema de Estado. 6 A República Federativa do Brasil se constitui em: a) Estado Republicano de Direito. b) Estado Federativo de Direito. c) Nação Democrática de Direito. d) Estado Democrático de Direito. e) Estado Popular de Direito. 7 São fundamentos da República Federativa do Brasil. a) A soberania, a autodeterminação dos povos, a cidadania, a igualdade entre os Estados. b) A cidadania, a dignidade da pessoa humana, a solução pacífica dos conflitos, a soberania. c) A soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e a livre-iniciativa e o pluralismo político. d) A soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e a livre-iniciativa e o pluripartidarismo. 18 19 TÓPICO 2 COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS DOS ENTES FEDERADOS UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO A Constituição como base de todos os textos legislativos brasileiros trouxe em seu arcabouço legal os ditames que regram a vida dos cidadãos brasileiros. Entre as prerrogativas ditadas, encontramos as que dizem respeito às competências estabelecidas para os entes federados brasileiros e estas serão tema de estudo deste tópico. Nesta perspectiva, convidamos você, caro(a) acadêmico(a), a nos acompanhar nesta dinâmica, levando-nos a construir um novo caminho! 2 PRINCÍPIOS GERAIS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL Todas as esferas da administração pública possuem formas de organização em suas estruturas administrativas ditadas por alguns princípios básicos que estão evidenciados no Decreto-lei nº 200/67, que Marinela (2010) assim identificou: a) Princípio do planejamento: introduz para a administração o dever de elaborar planos e programas, visando promover o desenvolvimento econômico-social do país, assegurando aos cidadãos o direito à prosperidade (art. 7º). b) Princípio da coordenação: visa harmonizar as ações administrativas, mantendo-se nos limites do planejamento, objetivando evitar duplicidade de atuação, soluções divergentes e desperdício de recursos financeiros (art. 8º e 9º). c) Princípio da descentralização administrativa: consiste em atribuir à pessoa distinta daquela do Estado poderes suficientes para que, atuando por sua conta e risco, mas sob o ordenamento e controle estatal, desempenhe atividade pública ou de utilidade pública. (art. 10). d) Princípio da delegação de competência: subentende a transmissão de poderes decisórios atribuídos originalmente à autoridade superior para a autoridade subordinada, caracterizando-se pelo caráter transitório e facultativo, processando-se segundo o ordenamento jurídico e mediante ato próprio (art. 11 e 12). UNIDADE 1 | A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO 20 e) Princípio do controle: exige o acompanhamento sistemático da execução dos planos e programas governamentais pelos órgãos e chefias competentes, balizando-se pela observância do ordenamento legal de regência. Baseia-se no princípio administrativo da hierarquia. (art.13). Estes princípios estão estabelecidos para a Administração Federal, mas são seguidos pelas outras instâncias: estadual e municipal. Realizaremos no item a seguir discussões referenciando as características da União. 3 NATUREZA E COMPETÊNCIAS DA UNIÃO A União integra o conjunto que compõe o Estado Federado agregado aos estados-membros e aos municípios, na situação do território brasileiro se junta a estes o Distrito Federal. Silva (2010, p. 492) dispõe que “a União se constitui pela congregação das comunidades regionais autônomas que vem a ser os estados-membros”. E, continua, a União é a entidade federal formada pela reunião das partes componentes, constituindo pessoa jurídica de Direito Público interno autônomo em relação a unidades federadas e a que cabe exercer a soberania do Estado brasileiro. Esta organização determinada como político-administrativa é encontrada no artigo 18 da Constituição da República Federativa do Brasil. DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição. (BRASIL, 2015). Parafraseando Silva (2010), o Estado federado é caracterizado por duas tendências: a unitária representada pela União e a disjuntiva (federativa) representada pelos Estados federados. (grifo no original). O artigo 41 do Código Civil Brasileiro identifica a União como pessoa jurídica de direito interno sendo, portanto, detentora de direitos e podendo lhe ser aplicadas obrigações, estando sujeita à responsabilidade pelos atos praticados por seus órgãos e agentes, podendo ser levada aos tribunais. Conhecemos a natureza jurídica da União que é de direito público interno. Iniciaremos os estudos acerca de suas competências. TÓPICO 2 | COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS DOS 21 3 NATUREZA E COMPETÊNCIAS DA UNIÃO UNI Caro(a) acadêmico(a)! Ao final desse tópico realize as autoatividades. A fixação do conteúdo se fará com maior facilidade e seu aprendizado se tornará eficaz. 3.1 COMPETÊNCIAS DA UNIÃO Da mesma forma que temos a tripartição de poderes e funções encontramos a divisão tripartida das competências onde a União é detentora de algumas, de forma privativa ou exclusiva, noutras é comum e ainda podemos encontrar as de natureza concorrente. Silva (2010) indica que a competência internacional e política da União está estabelecida no artigo 21 da Constituição da República Federativa do Brasil, quais sejam (grifo nosso): Competência internacional: Art. 21. Compete à União: I - manter relações com Estados estrangeiros e participar de organizações internacionais; II - declarar a guerra e celebrar a paz; III - assegurar a defesa nacional; IV - permitir, nos casos previstos em lei complementar,que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneça temporariamente. (BRASIL, 2015). Competência política: V - decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a intervenção federal; [...] XVII - conceder anistia; (art. 21 – CRFB/88) Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: I - direito (...), eleitoral, [...]. (BRASIL, 2014). 3.1.1 Competência administrativa A União possui competências administrativas exclusivas, que estão instituídas igualmente na Carta Magna de 1988, que foram descritas na interpretação de Silva (2010, p. 9) da seguinte forma: UNIDADE 1 | A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO 22 a) Autorizar e fiscalizar a produção e o comércio bélico. b) Administrar as reservas cambiais do país e fiscalizar as operações de natureza financeira, especialmente as de crédito, câmbio e capitalização, bem como, as de seguros e previdência privada (administrativo-financeiro-monetário). c) Organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público e a Defensoria Pública do Distrito Federal e dos Territórios. Complementa: Art. 21 Compete à União: [...] XIV - organizar e manter a polícia civil, a polícia militar e o corpo de bombeiros militar do Distrito Federal, bem como prestar assistência financeira ao Distrito Federal para a execução de serviços públicos, por meio de fundo próprio; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998). [...] Art. 144 A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: § 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina- se a:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998). [...] § 2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998). § 3º A polícia ferroviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das ferrovias federais. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998). (BRASIL, 2015). E ainda: a) Prestar assistência financeira ao Distrito Federal para execução de serviços públicos, por meio de fundos próprios. b) Organizar e manter os serviços oficiais de estatística, geografia, geologia e cartografia de âmbito nacional. c) Exercer a classificação, para efeito indicativo, de diversões públicas e de programas de rádio e televisão. d) Planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades públicas especialmente as secas e as inundações. e) Instituir sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos e definir critérios de outorga de direitos de seu uso. f) Organizar, manter e executar inspeções do trabalho. (BRASIL, 2015). Estão classificadas ainda como de competência administrativa da União as que decorrem do correto funcionamento de seus serviços, órgãos e instituições subordinadas. TÓPICO 2 | COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS DOS 23 3.1.3 Competência financeira e monetária A organização e controle da integralidade da administração das finanças permanecem na Constituição de 1988 na responsabilidade da União. O texto constitucional lhe atribuiu a competência para legislar sobre normas gerais de direito tributário e financeiro e sobre o orçamento. Aos demais entes federados couberam à legislação complementar. Compete, portanto, à União na questão financeira e monetária: a) Emitir moeda e legislar sobre sistema monetário. b) Administrar reservas cambiais e fiscalizar as operações de natureza financeira, de crédito, de câmbio e capitalização. c) Instituir os tributos previstos nos artigos 145,153 e 154 da Carta Magna de 1988. d) Estabelecer plano plurianual, diretrizes orçamentárias e orçamentos anuais. (SILVA, 2010, p. 501). 3.1.4 Competência econômica A economia certamente é mola propulsora de várias diretrizes que são utilizadas pela sociedade civil organizada para alcance e direcionamento de objetivos em seu cotidiano. A União tem papel inconteste nesta lógica. Silva (2010, p. 33-34) ensina que cabe à União: 3.1.2 Competência social Os segmentos sociais, além do econômico, que produz reflexo imediato nestes, têm a conotação de espelhar as condicionantes da vida de uma população. A seguir pontuamos as áreas de competência da União no quesito social. a) Elaborar e executar planos nacionais e regionais de desenvolvimento social. b) Planejar e promover a defesa permanente contra calamidades públicas, especialmente as secas e as inundações. c) Organizar a seguridade social. d) Estabelecer políticas sociais e econômicas visando proteger e recuperar a saúde do povo. e) Regulamentar, fiscalizar e controlar as ações e serviços de saúde. f) Estabelecer o sistema único de saúde. g) Estabelecer e executar plano de previdência social. h) Manter serviços de assistência social aos necessitados. i) Estabelecer, por lei, o plano de educação. (SILVA, 2010, p. 500-501). UNIDADE 1 | A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO 24 NOTA Caro(a) acadêmico(a), para sua compreensão: Lei ordinária: Quando acompanhada do adjetivo “ordinária”, significa que a lei é comum, habitual. Distingue-se, entre outras, da “lei complementar”, que regula dispositivo da Constituição Federal (que, por sua vez, é a “lei básica” ou “lei maior”). DICAS DICAS DE LEITURA Dispositivo legal destinado a regulamentar norma prevista na Constituição Federal. FONTE: JURISWAY. Disponível em:<http://www.jurisway.org.br/v2/pergunta. asp?idmodelo=8482>. a) Elaborar e executar planos nacionais e regionais de desenvolvimento econômico. b) Estabelecer áreas e as condições para o exercício da atividade de garimpagem de forma associativa. c) Intervir (sem exclusividade) no domínio econômico, explorar (sem exclusividade) atividade econômica e reprimir abusos do poder econômico. d) Explorar direta ou indiretamente a pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos potenciais de energia hidráulica. e) O monopólio da pesquisa e a lavra das jazidas e refinação de petróleo, assim como o da importação e exportação dos produtos e derivados básicos resultantes daquelas atividades monopolizadas. f) O monopólio da pesquisa e lavra de gás natural e outros hidrocarbonetos. g) O monopólio do transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional ou de derivados básicos de petróleo produzidos no país, bem assim o transporte, por meio de conduto, de petróleo bruto, seus derivados e gás de qualquer origem. h) O monopólio da pesquisa lavra enriquecimento, reprocessamento, industrialização e comércio de minérios e minerais nucleares e seus derivados. i) A desapropriação por interesse social de imóvel rural para fins de reforma agrária nos atermos dos art. 184 a 186 da CRFB/88. j) Planejar e executar, na forma da lei, a política agrícola. k) Legislar (sem exclusividade) sobre produção e consumo. TÓPICO 2 | COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS DOS 25 3.1.5 Competência na área de prestação de serviços A própria natureza da administração pública está vinculada à prestação de serviços. Entretanto, o texto constitucional destinou à União a exploração de serviços públicos de forma exclusiva, estando atrelada à sua competência, dentre elas na avaliação de Silva (2010): a) Manter o serviço postal e o correio aéreo nacional. b) Explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, os serviços de telecomunicações, nos termos da lei, que disporá sobre a organização dos serviços, e a criação de um órgão regulador e outros aspectos constitucionais. c) Explorar, igualmente mediante autorização, concessão ou permissão: • Os serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens. • Os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energéticodos cursos de água, em articulação com os estados onde se situam os potenciais hidroenergéticos. • A navegação aérea, aeroespacial e infraestrutura aeroportuária. • Os serviços de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros. • Os portos marítimos, fluviais e lacustres. d) Explorar os serviços de instalações nucleares de qualquer natureza e exercer o monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra, o enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios nucleares e de seus derivados, atendidos os seguintes princípios: • Toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos e mediante aprovação do Congresso Nacional. • Sob regime de permissão, são autorizadas a produção, comercialização e utilização de radioisótopos de meia-vida ou inferior a duas horas. • Responsabilidade civil por danos nucleares independe da existência de culpa (EC-49/2006). Você observará que as descrições de algumas competências se repetem pela peculiaridade de sua classificação que pode estar contida em mais de uma relação de competências atribuídas para a União. 3.1.6 Competência urbanística O desenvolvimento das cidades, o surgimento de metrópoles de polos de atuação industrial, regiões de atuação de segmentos de comércio, instalação de áreas residenciais, as situações de uso e ocupação de solo urbano e rural precisam ser ordenadas. Nesta área, a União possui as competências para: UNIDADE 1 | A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO 26 a) Elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordenação do território. b) Instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento básico e transportes urbanos. c) Estabelecer diretrizes para o sistema nacional de viação. (SILVA, 2010, p. 499). As competências da União não exclusivas na área urbanística estão apontadas como: proteger obras e bens de valor histórico e cultural (de natureza urbanística, se imóveis), paisagens notáveis e os sítios arqueológicos, bem como o meio ambiente, e combater a poluição. Vejamos o caput dos artigos 215, 216 e 225 da Carta Magna de 1988: Art. 215 O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais. [...] Art. 216 Constitui patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: [...] Art. 225 Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (BRASIL, 2015). A competência da União para legislar matéria dos artigos dispostos acima é concorrente com os estados e Distrito Federal. 3.1.7 Competência legislativa A Constituição de 1988 prevê que as matérias de competência da União são reguladas mediante lei. Silva (2010) estabelece dois grupos de competências para legislar da União: COMPETÊNCIA LEGISLATIVA PRIVATIVA SOBRE: • Direito Administrativo: a) Desapropriação. b) Requisições civis e militares, em caso de iminente perigo e em tempo de guerra. c) Água, energia, informática, telecomunicações e radiodifusão. d) Serviço postal. e) Sistema monetário (administrativo-monetário) e de medidas, títulos e garantias dos metais. TÓPICO 2 | COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS DOS 27 3.1.7 Competência legislativa f) Política de crédito, câmbio, seguros e transferências de valores (administrativo-monetário). g) Diretrizes da política nacional de transportes (administrativo- urbanístico). h) Jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia (administrativo-minerário). i) Regime dos portos, navegação lacustre, fluvial, marítima, aérea e aeroespacial. j) Trânsito e transporte. k) Emigração e imigração, entrada, extradição e expulsão de estrangeiros. l) Organização do sistema nacional de emprego (administrativo- social). m) Organização judiciária, do Ministério Público e da Defensoria Pública do Distrito Federal e dos Territórios, bem como a organização administrativa destes. n) Sistema estatístico, sistema cartográfico e de geologia nacionais. o) Sistemas de poupança, captação de recursos e garantia da poupança popular (administrativo-monetário). p) Sistema de consórcios e sorteios (administrativo-monetário). q) Competência da polícia federal e das polícias rodoviária e ferroviária federal. r) Registros públicos. s) Atividade nucleares de qualquer natureza. t) Defesa territorial, defesa aeroespacial, defesa marítima, defesa civil e mobilização nacional. (SILVA, 2010, p. 502). • Direito material não administrativo: comercial, penal, político-eleitoral, incluindo nacionalidade, cidadania e naturalização, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho; populações indígenas, condições para o exercício das profissões, seguridade social. • Direito processual: civil, penal, trabalhista etc. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA CONCORRENTE COM ESTADOS E DISTRITO FEDERAL, ESTÁ DISPOSTA NA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 EM SEU ARTIGO 24: Art. 24 Compete à União, aos estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico; II - orçamento; III - juntas comerciais; IV - custas dos serviços forenses; V - produção e consumo; VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição; VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico; VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico; UNIDADE 1 | A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO 28 4 COMPETÊNCIAS DO ESTADO Os estados federados têm assegurada sua autonomia (art. 18, 25-28), capacidade de auto-organização, autoadministração (art.25, parágrafo 1º) e de autolegislação (art. 25) e autogoverno (art. 27, 28 e 125) que se encontram instituídas em alguns artigos do texto constitucional, a saber: Art. 18 A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição. [...] Art. 25 Os estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem, observados os princípios desta Constituição. § 1º - São reservadas aos estados as competências que não lhes sejam vedadas por esta Constituição. [...] Art. 26 Incluem-se entre os bens dos estados: [...] Art. 27 O número de Deputados à Assembleia Legislativa corresponderá ao triplo da representação do estado na Câmara dos Deputados e, atingido o número de trinta e seis, será acrescido de tantos quantos forem os Deputados Federais acima de doze. [...] Art. 28 A eleição do governador e do vice-governador de estado, para mandato de quatro anos, realizar-se-á no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato de seus antecessores, e a posse ocorrerá em primeiro de janeiro do IX - educação, cultura, ensino e desporto; X - criação, funcionamento e processo do juizado de pequenas causas; XI - procedimentos em matéria processual; XII - previdência social, proteção e defesa da saúde; XIII - assistência jurídica e Defensoria pública; XIV - proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência; XV - proteção à infância e à juventude; XVI - organização, garantias, direitos e deveres das polícias civis. (BRASIL, 2012). Parafraseando Silva (2010), a competência concorrente do artigo 24, acima descrito, está limitada aestabelecer normas gerais. Ratificando o conteúdo já estudado, os poderes da União estão distribuídos entre o Poder Executivo, Poder Legislativo e Poder Judiciário, acordada com sua organização política. Concluindo a contextualização sobre as competências atribuídas à União contidas no Texto Constitucional de 1988, iniciaremos a exposição das competências estaduais. TÓPICO 2 | COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS DOS 29 4 COMPETÊNCIAS DO ESTADO ano subsequente, observado, quanto ao mais, o disposto no art. 77. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16, de1997). [...] Art. 125 Os estados organizarão sua Justiça, observados os princípios estabelecidos nesta Constituição (BRASIL, 2015). As delimitações de competência estadual estão instituídas na Constituição Federal de 1988 e nela encontram-se vedadas (proibidas) para o Estado na expressão de Silva (2010) explicitamente as competências de: a) Estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou com seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada a colaboração de interesse público. b) Recusar a fé aos documentos públicos. c) Criar distinções entre brasileiros ou preferência em favor de qualquer das pessoas jurídicas de direito público interno. d) Suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, salvo motivo de força maior. e) Deixar de entregar aos municípios receitas tributárias fixadas na Constituição, dentro dos prazos estabelecidos em lei. f) As vedações administrativas art.37, XIII, XVI e XVII. g) As vedações tributárias art. 150 e 152. h) Vedações financeiras art. 167. Alerta Silva (2010), que implicitamente está vedado para os estados tudo o que tenha sido enumerado para a União e para os municípios. A Constituição denotou algumas competências exclusivas para o Estado: a) A criação, incorporação, fusão e desmembramento de municípios, por lei estadual, segundo requisitos estabelecidos em lei complementar também estadual (art. 18, parágrafo 4º). b) A exploração diretamente, ou mediante concessão, dos serviços locais de gás canalizado na forma da lei (art. 25, parágrafo 2º). c) A faculdade de instituir, mediante lei complementar estadual, regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamento, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum (art. 25, parágrafo 3º). A competência econômica para os estados é incipiente lhes destinando a Constituição à exploração de atividades econômicas de relevante interesse coletivo, conforme definido em lei. Essa exploração só pode ser feita por empresas públicas especialmente por empresas de economia mista, e outras entidades (limites art. 37, XIX, XX e 173 da CRFB/88). Competência comum com União, Distrito Federal e municípios para fomentar a produção agropecuária e organizar o abastecimento alimentar e para legislar sobre produção e consumo. (SILVA, 2010). UNIDADE 1 | A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO 30 Os estados federados, parafraseando Silva (2010), têm uma competência estendida na área social lhe cabendo prestar serviços: de saúde, assistência e previdência social (limitada a seus servidores), desportos, educação cultura por seus sistemas de ensino, proteção do meio ambiente, dos bens culturais, promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico, combater as causas de pobreza e os fatores de marginalização, promovendo a integração social dos setores desfavorecidos. A competência administrativa do Estado lhe é pertinente de acordo com a autonomia concedida pela Constituição relacionada à autoadministração na observância do disposto no art. 37 da Constituição da República Federativa do Brasil – CRFB/88. O Estado precisa prover as necessidades no âmbito coletivo na eminência de sua prestação de serviços públicos. Silva (2010) informa que o Estado tem competência financeira exclusiva para instituir os tributos que lhe forem discriminados (art.145 e 155 da CRFB/88) e legislar sobre direito financeiro. Estabelecer normas orçamentárias desde que respeitem as normas gerais expedidas pela União. A competência legislativa do estado está imputada na questão financeira, social, estabelecida nessas a competência comum. Possuem competência ainda de administração gestão de bens, elaborar e votar leis complementares à Constituição Estadual: - votar o orçamento e planos plurianuais; legislar sobre seus tributos, arrecadação e aplicação de rendas; - dispor sobre a dívida pública estadual e autorizar abertura de crédito; - criar e extinguir cargos públicos, fixando-lhes vencimentos e vantagens; - dispor sobre a divisão administrativa e judiciária de seu território; - dispor sobre a organização do Ministério Público, da defensoria Pública e da Procuradoria ou Advocacia Geral do estado; legislar plenamente ou suplementarmente sobre matérias relacionadas no art. 24 da CRFB/88 (SILVA, 2010). Evidenciamos as competências estabelecidas na Carta Magna de 1988 para os estados. Demonstraremos sequencialmente as competências municipais. 5 COMPETÊNCIAS DOS MUNICÍPIOS Sendo o município o ente federado mais próximo à nossa vivência real, nos será mais fácil identificar as competências destinadas a este. Nos termos da Constituição, o município brasileiro é entidade estatal integrante da Federação, como entidade político-administrativa, dotada de autonomia política, administrativa e financeira, sendo esta uma peculiaridade do município brasileiro. (SILVA, 2010). TÓPICO 2 | COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS DOS 31 5 COMPETÊNCIAS DOS MUNICÍPIOS Ainda, segundo o autor, a autonomia municipal se assenta em quatro capacidades: a) Capacidade de auto-organização, mediante a elaboração de lei orgânica própria. b) Capacidade de autogoverno, pela eletividade do prefeito e dos vereadores às respectivas câmaras municipais. c) Capacidade normativa própria, ou capacidade de autolegislação, mediante a competência de elaboração de leis municipais sobre áreas que são reservadas à sua competência exclusiva e suplementar. d) Capacidade de autoadministração (administração própria, para manter e prestar serviços de interesse local). Podemos observar no artigo 30 da CRFB/88 as competências municipais, assim descritas: Art. 30 Compete aos municípios: I - legislar sobre assuntos de interesse local; II - suplementar a legislação federal e a estadual no que couber; III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, bem como aplicar suas rendas, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes nos prazos fixados em lei; IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual; V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial; VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do estado, programas de educação infantil e de ensino fundamental; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006); VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do estado, serviços de atendimento à saúde da população; VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano; IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual (BRASIL, 2012). Dispondo sobre as competências do município que acabamos de elencar, relembramos que a competência concorrente para algumas matérias permite que o município legisle sobre outras situações juntamente com a União e estado. 32 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você pôde: • Identificar os princípios gerais da Administração Pública Federal: planejamento, coordenação, descentralização administrativa,delegação de competência e controle. • Conhecer a natureza e competências constitucionais da União. • Reconhecer as competências constitucionais do Estado. • Distinguir as competências dos municípios. 33 1 A Constituição Federal de 88 inovou na história constitucional brasileira, ao reconhecer o Município como ente da federação, ao lado da União, Estados e Distrito Federal. Descreva o significado da capacidade de autogoverno do município. 2 Onde encontramos a determinação da organização político-administrativa da União e como ela é formada? 3 Compete privativamente à União legislar sobre: a) ( ) Águas. b) ( ) Orçamento. c) ( ) Cultura. d) ( ) Responsabilidade por dano a bens e direitos de valor artístico. e) ( ) Proteção e defesa da saúde. 4 João, dono de embarcação, tem por hábito navegar em lagos, estando submetido à legislação do regime de navegação lacustre que é de competência: a) Privativa dos Estados. b) Privativa da União. c) Concorrente dos Municípios e dos Estados. d) Apenas privativa dos Municípios. e) Concorrente dos Municípios, dos Estados e da União. 5 Compete ao Município organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial. ( ) Certo. ( ) Errado. 6 Serão constitucionais leis estaduais que disponham sobre direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico, matérias que se inserem no âmbito da competência concorrente da União, dos estados e do DF. ( ) Certo. ( ) Errado. 7 No tocante à organização do Estado brasileiro, a CF atribuiu à União a competência privativa para legislar sobre consórcios e sorteios, razão pela qual é inconstitucional a lei ou ato normativo estadual que institua loteria no âmbito do estado. ( ) Certo. ( ) Errado. AUTOATIVIDADE 34 35 TÓPICO 3 DIREITOS SOCIAIS E POLÍTICOS UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Em um contexto geral os direitos sociais possuem conteúdo econômico- social, que tem por finalidade melhorar as condições de vida e de trabalho para todos os cidadãos. O objetivo principal dos direitos sociais é o de garantir aos indivíduos condições materiais ditas imprescindíveis para pleno gozo dos seus direitos. Nesta situação, a atuação estatal é necessária. O Estado precisa intervir buscando diminuir as desigualdades sociais, normalmente se realizam a longo prazo e possuem alto custo. A primeira Constituição Brasileira a incorporar em seu texto os direitos sociais foi a de 1934, em 1988 estes estão inseridos em um capítulo dedicado à ordem econômica e social. Atualmente, na Constituição de 1988 em vigor, os direitos sociais são expressamente assegurados, entre eles, a saúde, trabalho, lazer, seguridade social, previdência social, proteção à maternidade e à infância etc., referenciados como direitos sociais e coletivos. Nossa Constituição se propõe a garantir aos cidadãos brasileiros valores de uma sociedade fraterna, pluralista, a redução das desigualdades sociais e regionais e a garantir os direitos sociais como direitos e garantias fundamentais. Muito se tem dito de que os direitos sociais foram conquistados ao longo dos séculos através de movimentos. Diante da magnitude e da importância deste contexto vamos ao estudo destes direitos enunciados! 2 CONCEITOS E DIREITOS SOCIAIS Moraes (2013, p. 201) define que Direitos Sociais são direitos fundamentais do homem, caracterizando- se como verdadeiras liberdades positivas, de observância obrigatória em um Estado Social de Direito, tendo por finalidade a melhoria de condições de vida aos hipossuficientes, visando à concretização da igualdade social, e são consagrados como fundamentos do estado Democrático, pelo art. 1º da Constituição Federal. 36 UNIDADE 1 | A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO FIGURA 3 – DIREITOS SOCIAIS FONTE: Adaptado de: Lenza, 2011, p. 973 Previdência Social Proteção a Maternidade e à Infância Assistência aos desamparados Segurança Lazer Moradia Trabalho Alimentação Saúde Educação DIREITOS SOCIAIS A Constituição Federal de 1988 proclama serem direitos sociais aqueles elencados em seu artigo 6º, e dispostos na figura acima, quais sejam, a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma estabelecida por esta própria Constituição. A educação será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho, sendo direito de todos e dever do Estado e da família. Temos no artigo 196 e 197 da Constituição de 1988, além de outros, e das legislações infraconstitucionais as diretrizes e princípios esculpidos para a saúde enquanto direito social: TÓPICO 3 | DIREITOS SOCIAIS E POLÍTICOS 37 Art. 196 A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Art. 197 São de relevância pública as ações e serviços de saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, devendo sua execução ser feita diretamente ou através de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de direito privado. Relembramos que o acesso ao sistema público de saúde brasileiro é destinado a todos sem qualquer imposição de condições e/ou restrições, sendo o acesso caracterizado como universal, equânime e igualitário. O direito à alimentação foi reconhecido pela Comissão de Direitos Humanos da ONU, em 1993, em reunião realizada na cidade de Viena. Nesta reunião que contava com 52 países, e com o voto favorável do Brasil, contando apenas com o voto contrário dos Estados Unidos, a mencionada Comissão da ONU enriqueceu a Carta de Direitos Humanos de 1948, colocando em primeiro lugar entre os direitos do cidadão a alimentação. A Lei nº 11.346/2006, criou o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – SISAN, que tem por objetivo assegurar o direito humano à alimentação adequada, definindo em seu artigo 2º: A alimentação adequada é direito fundamental do ser humano, inerente à dignidade da pessoa humana e indispensável à realização dos direitos consagrados na Constituição Federal, devendo o poder público adotar as políticas e ações que se façam necessárias para promover e garantir a segurança alimentar e nutricional da população. O artigo 170 da Constituição de nosso país, estabelece as condicionantes para assegurar o direito ao trabalho buscando implementar e assegurar a todos uma existência digna. Para tanto o Estado deve fomentar uma política econômica não recessiva, tanto que, dentre os princípios da ordem econômica, destaca-se a busca do pleno emprego (art. 170, caput, III). Da mesma forma, encontramos como fundamento da República (art.1º, IV), a ordem econômica, conforme os ditames da justiça social, funda-se na valorização do trabalho humano e na livre-iniciativa. Partindo da ideia de que dignidade da pessoa humana, direito à intimidade e à privacidade e de ser a casa asilo inviolável não há dúvida de que o direito à moradia busca consagrar o direito à habitação digna e adequada. Temos no artigo 23, inciso X, que é atribuição de todos os entes federativos combater as causas da pobreza e os fatores de marginalização, promovendo a integração social dos setores desfavorecidos. 38 UNIDADE 1 | A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO Quando falamos do lazer, encontramos no art. 217, parágrafo 3º que é dever do Poder Público incentivar o lazer como forma de promoção social. O direito à segurança previsto no artigo 6º trata o tema como proposição de segurança pública, este como dever do Estado, igualmente compreendido comodireito e responsabilidade de todos, sendo como previsto no artigo 144, da Constituição de 1988, para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A previdência social é reconhecida por Lenza (2011, p. 977) como “um conjunto de direitos relativos à seguridade social”. A Previdência Social, hodiernamente, possui previsão constitucional, Artigos 201 e 202 do referido diploma (CRFB/88), possuindo ainda duas leis específicas e um regulamento da matéria: Lei de Benefícios Previdenciários – Lei nº 8.213/91, Lei do Custeio da Previdência – Lei nº 8.212/91 e o Regulamento da Previdência Social – Decreto nº 3.048/99. A Previdência Social nada mais é do que um seguro para cobertura de eventos, como doença, velhice, maternidade etc., conforme preceitua o Art. 201 da CRFB/88, que segue: Art. 201. A Previdência Social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: I - cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada; II - proteção à maternidade, especialmente à gestante; III - proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário; IV - salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda; V - pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiro e dependentes, observado o disposto no § 2º. Precisamos prever que, no futuro, algum destes eventos poderá se efetivar, portanto, o pagamento à Previdência Social é para uma garantia de que teremos direito e acesso aos benefícios estipulados nesta legislação. Acrescentamos que a previdência tem caráter contributivo, ou seja, somente poderá receber qualquer dos benefícios o segurado que contribuir. Garantido, por força do Art. 201 § 2º da CRFB/88, que nenhum benefício que substitua o salário de contribuição ou o rendimento do trabalho do segurado terá valor mensal inferior ao salário mínimo. A proteção à maternidade aparece tanto com natureza de direito previdenciário (art. 201, II), como de direito assistencial (art.203, I). A maternidade deverá ser atendida pela previdência social, sendo um dos objetivos da assistência social. O artigo 7º, XVIII e XIX estabeleceu a licença-gestante como um dos direitos dos trabalhadores, assim como a licença-paternidade. TÓPICO 3 | DIREITOS SOCIAIS E POLÍTICOS 39 A expressa previsão de proteção à infância que tem natureza assistencial está contida no artigo 203, incisos I e II, destacando ainda o artigo 227 na proteção à criança e ao adolescente, e a Emenda Constitucional nº 65/2010 que estabeleceu a previsão do Estatuto da Juventude. A assistência aos desamparados, como direito social, está contida no artigo 203 da Constituição de 1988, que estabelece que a assistência social será prestada a quem dela necessitar independentemente de contribuição à seguridade social. 3 DIREITOS DOS TRABALHADORES COMO DIREITO SOCIAL A legislação trabalhista brasileira provisiona diversas garantias e direitos aos trabalhadores/empregados que são a força de trabalho e que movimentam a economia no território brasileiro. O trabalho é reconhecido em nossa sociedade e como pertencente ao cotidiano na lógica de força produtiva, produção de riquezas, estabelecimento de relações interpessoais, dentre outras que organizam a situação espacial e social daqueles que habitam um território. O Estado tem como objetivos a manutenção da paz social e a organização das relações estabelecidas entre os que compõem uma sociedade, não poderiam ser afastadas de sua proteção aquelas relações decorrentes do trabalho estabelecidas como obrigações e deveres no desenvolvimento de tarefas. Os direitos sociais elencados no artigo 7º da Constituição de 1988, não esgotam os direitos fundamentais dos trabalhadores, podendo ser ainda estes classificados em individuais e coletivos. 40 UNIDADE 1 | A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO FIGURA 4 – DIREITOS TRABALHISTAS INDIVIDUAIS E COLETIVOS FONTE: Adaptado de: Lenza (2011, p. 980) Direito de greve Direito de substituição processual Direito de associação profissional ou sindical Relações Individuais de Trabalho – art.7o Relações Coletivas dos trabalhadores – art.8o e 11 DIREITOS RELATIVOS AOS TRABALHADORES Direito de participação Direito de representação classista Em análise ao artigo 7º da Constituição de 1988, a seguir faremos a descrição sucinta dos direitos sociais individuais, relembrando que é rol exemplificativo, vamos a eles: • Relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa. • Seguro-desemprego em caso de desemprego involuntário. • Fundo de garantia do tempo de serviço. • Salário mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo. • Piso salarial proporcional à extensão e a complexidade do trabalho. • Irredutibilidade de salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo. • Garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração variável. TÓPICO 3 | DIREITOS SOCIAIS E POLÍTICOS 41 FIGURA 4 – DIREITOS TRABALHISTAS INDIVIDUAIS E COLETIVOS • Décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria. • Remuneração do trabalho noturno superior ao do diurno. • Proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa. • Participação nos lucros ou resultados desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa. • Salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda. • Duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro horas semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada mediante acordo ou convenção coletiva. • Jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva. • Repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos. • Remuneração do serviço extraordinário superior no mínimo em cinquenta por cento ao do normal. • Gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal. • Licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias. • Licença-paternidade, nos termos fixados em lei. • Proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei. • Aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei. • Redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança. • Adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei. • Aposentadoria. • Assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006). • Reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho. • Proteção em face da automação, na forma da lei. • Seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa. • Ação, quanto a créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de: trabalho com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato. • Proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil. • Proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência. • Proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos. 42 UNIDADE 1 |A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO • Proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre aos menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de quatorze anos, salvo na condição de aprendiz. • Igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e ao trabalhador avulso. • São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos IV, VI, VIII, XV, XVII, XVIII, XIX, XXI e XXIV, bem como a sua integração à previdência social. Os direitos sociais e coletivos são aqueles exercidos pelos trabalhadores, coletivamente ou no interesse de uma coletividade, e são classificados como: a) Direito de associação profissional ou sindical, previsto no artigo 8º da Constituição de 1988: Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte: I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical; II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa de categoria profissional ou econômica, na mesma base territorial, que será definida pelos trabalhadores ou empregadores interessados, não podendo ser inferior à área de um Município; III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas; IV - a assembleia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será descontada em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva, independentemente da contribuição prevista em lei; V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato; VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho; VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais; VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei. Cabe lembrar que o artigo 8º, parágrafo único, estabelece que disposições deste artigo aplicam-se à organização de sindicatos rurais e de colônias de pescadores, atendidas as condições que a lei estabelecer. b) Direito de Greve: temos no artigo 9º da CRFB/88, é assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo sobre os interesses que devam por meio dele defender. A lei de greve nº 7.786/89 disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade, sendo que os abusos cometidos sujeitam às penas da lei. TÓPICO 3 | DIREITOS SOCIAIS E POLÍTICOS 43 c) Direito de substituição processual: como indicado no inciso III, do artigo 8º, ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais e administrativa. d) Direito de participação: é assegurada a participação dos trabalhadores e empregados nos colegiados dos órgãos públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e deliberação. e) Direito de representação classista: encontramos no artigo 11 da CRFB/88 que nas empresas com mais de 200 empregados é assegurada a eleição de um representante destes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empregados. Faz-se necessário que possamos igualmente compreender os direitos e garantias fundamentais do ser humano, estes que tem por finalidade básica o respeito e a sua dignidade, por meio da proteção contra o arbítrio do poder estatal o estabelecimento de condições mínimas de vida e de desenvolvimento da personalidade humana (MORAES, 2007). Os direitos humanos fundamentais relacionam-se com a garantia do Estado não atuar na esfera individual e da consagração da dignidade humana, sendo que, estes direitos, são reconhecidos pela maioria dos Estados em nível constitucional, infraconstitucional, ou mesmo por tratados e convenções. Estes direitos humanos fundamentais também são revestidos de características que são elencadas a seguir e trazidas nos estudos de Moraes (2007): • Imprescritibilidade: os direitos humanos fundamentais não se perdem pelo decurso de prazo. • Inalienabilidade: não há possibilidade de transferência dos direitos humanos fundamentais seja a título gratuito, seja a título oneroso. • Irrenunciabilidade: os direitos humanos fundamentais não podem ser objeto de renúncia. • Inviolabilidade: impossibilidade de desrespeito por determinações infraconstitucionais ou por atos das autoridades públicas, sob pena de responsabilização civil, administrativa e criminal. • Universalidade: a abrangência desses direitos engloba todos os indivíduos, independentemente de sua nacionalidade, sexo, raça, credo ou convicção político-filosófica. • Efetividade: a atuação do Poder Público deve ser no sentido de garantir a efetividade dos direitos e garantias previstos, com mecanismos coercitivos para tanto, uma vez que a Constituição Federal não se satisfaz com o simples reconhecimento abstrato. • Interdependência: as várias previsões constitucionais, apesar de autônomas, possuem diversas intersecções para atingirem suas finalidades. Assim, por exemplo, a liberdade de locomoção está intimamente ligada à garantia do habeas corpus, bem como a previsão de prisão somente por flagrante delito ou por ordem da autoridade judicial. 44 UNIDADE 1 | A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO • Complementariedade: os direitos humanos fundamentais não devem ser interpretados isoladamente, mas de forma conjunta, com a finalidade de alcance dos objetivos previstos pelo legislador constituinte. Acadêmico(a)! Observamos alguns conceitos e características dos direitos sociais e dos direitos e garantias fundamentais, vamos continuar nossos estudos com os Direitos Políticos. 4 DIREITOS POLÍTICOS Nas palavras de Moraes (2013, p. 234-235) “os direitos políticos representam um conjunto de regras que determinam a atuação da soberania popular que será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, nos termos da lei mediante: plebiscito, referendo e iniciativa popular”. Estão inclusos ainda nestes preceitos como forma de exercício da cidadania e dos direitos políticos do cidadão: ajuizamento de ação popular e organização e participação de partidos políticos. Assim são reconhecidos como direitos políticos: • Direito de sufrágio. • Alistabilidade (direito de votar em eleições, plebiscitos e referendos). • Elegibilidade. • Iniciativa popular de lei. • Ação popular. • Organização e participação dos partidos políticos. O direito de sufrágio é a essência do direito político, que é expressado pela capacidade de eleger e ser eleito, sendo apresentado em dois aspectos: • Capacidade eleitoral ativa – direito de votar = alistabilidade. • Capacidade eleitoral passiva – direito de ser votado = elegibilidade. O direito de votar (capacidade eleitoral ativa) é o ato fundamental para o exercício do direito de sufrágio e manifesta-se tanto em eleições quanto em plebiscitos e referendos. Relembramos que para os maiores de 18 anos e menores de 70 anos é um dever, portanto, obrigatório. 4.1 CARACTERÍSTICAS DO VOTO O voto exercido de forma direta apresenta várias características constitucionais, vamos conhecê-las segundo descrição de Moraes (2013): TÓPICO 3 | DIREITOS SOCIAIS E POLÍTICOS 45 4 DIREITOS POLÍTICOS 4.1 CARACTERÍSTICAS DO VOTO a) Personalidade: o voto só pode ser exercido pessoalmente. Não há possibilidade de se outorgar procuração para votar. A identidade do eleitor é verificada pela exibição do título de leitor, ou qualquer outro documento oficial com fotografia. b) Obrigatoriedade formal do comparecimento: em regra existe a obrigatoriedade dovoto salvo os maiores de 70 anos e os menores de 18 anos. Consiste em obrigar o cidadão a votar assinando uma lista de presença e depositando seu voto na urna, havendo inclusive uma multa para quem se ausentar. c) Liberdade: manifesta-se não somente pela preferência de um candidato entre os que se apresentam, mas também pela liberdade em depositar uma cédula em branco na urna ou anular o voto. d) Sigilosidade: o código eleitoral exige cabine indevassável para garantir o sigilo do voto. O sigilo do voto deve ser garantido pelo uso de cédulas oficiais, que impossibilitam o reconhecimento do eleitor, isolamento do eleitor em cabine indevassável; verificação da cédula oficial ou hoje das urnas eletrônicas, dentre outras providências cabíveis. e) Direto: os eleitores elegerão, no exercício do sufrágio, por meio do voto, por si, sem intermediários, seus representantes e governantes. f) Periodicidade: o artigo 60, parágrafo 4º da CRFB/88 é garantia da temporariedade dos mandatos, uma vez que a democracia representativa prevê e exige existência de mandatos com prazo determinado. g) Igualdade: todos os cidadãos têm o mesmo valor no processo eleitoral, independentemente de sexo, cor, credo, idade, posição intelectual, social ou situação econômica: um homem = um voto. 4.2 PLEBISCITO E REFERENDO Uma das formas expressas na Constituição como exercício da soberania popular é de que esta será por meio da realização direta de consultas populares mediante plebiscitos e referendos (art.14, caput), estabelecendo ainda que caberá privativamente ao Congresso Nacional autorizar o referendo e convocar plebiscitos (CRFB/88, art. 49), salvo quando a própria Constituição determinar. No quadro a seguir, veremos as distinções entre o referendo e plebiscito. 46 UNIDADE 1 | A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO QUADRO 1 – DISTINÇÕES REFERENDO X PLEBISCITO FONTE: Lenza (2011, p. 1021) FORMA DE EXERCÍCIO DA SOBERANIA POPULAR CONCEITO CONGRESSO NACIONAL COMPETÊNCIA EXCLUSIVA INSTRUMENTO PARA CONVOCAR PLEBISCITO E AUTORIZAR REFERENDO PRINCIPAL DIFERENÇA MOMENTO DA CONSULTA PLEBISCITO Consulta formulada ao povo, efetivando-se em relação àqueles que tenham capacidade eleitoral ativa, para que deliberem sobre matéria de acentuada relevância, de natureza constitucional, legislativa ou administrativa. Art. 49, XV da CRFB/88 – convoca plebiscito. Decreto legislativo. Prévia – o plebiscito é convocado com anterioridade a ato legislativo ou administrativo, cabendo ao povo, pelo voto, aprovar ou denegar o que lhe tenha sido submetido. REFERENDO Consulta formulada ao povo, efetivando-se em relação àqueles que tenham capacidade eleitoral ativa, para que deliberem sobre matéria de acentuada relevância, de natureza constitucional, legislativa ou administrativa. Art. 49, XV da CRFB/88 – autoriza referendo. Decreto legislativo. Posterior – o referendo é convocado com posterioridade a ato legislativo ou administrativo, cumprindo ao povo a respectiva ratificação ou rejeição. Importante deixar claro que em se tratando de exercício da soberania, somente aqueles que detiverem capacidade eleitoral ativa serão permitidos participar de ambas as consultas. Retomando alguns conceitos vamos reafirmar que voto é o ato por meio do qual se exercita o sufrágio, ou seja, o direito de votar e ser votado; sufrágio é o direito de votar e ser votado e escrutínio é o modo, a maneira, a forma pela qual se exercita o voto (público ou secreto). 4.3 ELEGIBILIDADE Elegibilidade, segundo Moraes (2013, p. 240), “é a capacidade eleitoral passiva consistente na possibilidade de o cidadão pleitear determinados mandatos políticos, mediante eleição popular, desde que preenchidos determinados requisitos”. Nossa Constituição de 1988, em seu artigo 14, parágrafo 3º, estabelece as condições de legibilidade, conforme segue: TÓPICO 3 | DIREITOS SOCIAIS E POLÍTICOS 47 4.3 ELEGIBILIDADE • Nacionalidade brasileira ou condição de português equiparado: só o nacional e o português equiparado têm acesso ao alistamento, que é o pressuposto necessário para a capacidade eleitoral passiva. A constituição porém reservou para alguns cargos (CRFB, art.12, parágrafo 3º) a exigência de nacionalidade passiva. • Pleno exercício dos direitos políticos: aquele que teve suspenso ou perdeu seus direitos políticos não exercerá a capacidade eleitoral passiva. • Alistamento eleitoral: comprovado pela inscrição eleitoral obtida no juízo eleitoral do domicílio do alistando, e por parte do candidato, com o seu título de eleitor. • Domicílio eleitoral na circunscrição: o eleitor deve ser domiciliado no local pelo qual se candidata, por período que será estabelecido pela legislação infraconstitucional. • Filiação partidária: ninguém pode concorrer avulso, sem partido político (art. 17, CRFB). A capacidade eleitoral passiva exige prévia filiação partidária, uma vez que a democracia consagrada pela Constituição de 1988, inadmite candidaturas que não apresentem intermediação de agremiações constituídas na forma do artigo 17 da Constituição Federal. • Idade mínima de acordo com o cargo com ao qual se candidata: Com relação ao requisito da idade esta condição inicia aos 18, terminando aos 35 anos, vamos observar: o 35 anos para presidente e vice-presidente da República e senador; o 30 anos para governador e vice-governador do Estado e do Distrito Federal; o 21 anos para deputado federal, deputado estadual ou distrital, prefeito, vice-prefeito e juiz de paz; o 18 anos para vereador. 48 UNIDADE 1 | A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO FIGURA 5 – CONDIÇÕES DE ELEGIBILIDADE FONTE: Disponível em: <https://www.google.com.br>. Acesso em: 7 fev. 2015. Mencionando os partidos políticos descrevemos o conceito de Lenza (2011, p. 1037), onde partido político pode ser conceituado como “organização de pessoas reunidas em torno de um mesmo programa político com a finalidade de assumir o poder e de mantê-lo, ou ao menos, de influenciar na gestão da coisa pública através de críticas e oposição.” Em se falando das regras constitucionais temos que é livre a criação, a fusão, a incorporação e a extinção dos partidos políticos, mas não é uma liberdade partidária absoluta, devendo ser resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo e os direitos fundamentais da pessoa humana. Devem, portanto no momento da interpretação da liberdade de organização partidária serem observados os seguintes preceitos: • Caráter nacional. • Proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação destes. • Prestação de contas à Justiça Eleitoral. TÓPICO 3 | DIREITOS SOCIAIS E POLÍTICOS 49 • Funcionamento parlamentar de acordo com a lei. • Vedação de utilização e partidos políticos de organização paramilitar. Lenza (2011) ainda define que são assegurados aos partidos políticos autonomia para defender sua estrutura interna, organização e funcionamento, devendo constar em seus estatutos partidários, normas que façam referência a fidelidade e disciplina partidárias, podendo prever sanções em caso de infidelidade partidária não podendo entretanto determinar a perda de mandato, esta que tem hipóteses taxativas previstas no artigo 15 da Constituição Federal. 5 NACIONALIDADE De acordo com Lenza (2011), a “nacionalidade pode ser definida como um vínculo jurídico-político que liga um indivíduo a determinado Estado, fazendo com que esse indivíduo passe a integrar o povo daquele Estado, e por consequência desfrute de direitos e submeta-se a obrigações”. Quando se traz o estudo da nacionalidade alguns conceitos estão relacionados, vamos conhecê-los na concepção de Moraes (2013): Povo: é o conjunto de pessoas que fazem parte de um Estado, é o seu elemento humano. O povo está unido ao estado pelo vínculo jurídico da nacionalidade. População: é o conjunto de habitantes de um território, de um país, de uma região,de uma cidade. Este conceito é mais extenso que o de povo, pois engloba nacionais e estrangeiros, desde que habitantes de um mesmo território. Nação: agrupamento humano, em geral numeroso, cujos membros fixados num território, são ligados por laços históricos, culturais, econômicos e linguísticos. Cidadão: é o nacional (brasileiro nato ou naturalizado) no gozo de direitos políticos e participante da vida do Estado. Os doutrinados distinguem a nacionalidade em duas espécies, a primária ou originária (involuntária) e a secundária ou adquirida (voluntária). Segundo Lenza (2011), a nacionalidade primária é imposta de maneira unilateral, independentemente da vontade do indivíduo pelo Estado, no momento do nascimento. Denomina-se esta de involuntária, pois de maneira soberana cada país estabelece as regras ou critérios para a outorga da nacionalidade aos que nascerem sob seu governo. A nacionalidade secundária, voluntária é adquirida por vontade própria depois do nascimento, normalmente pela naturalização que poderá ser pleiteada tantos pelos estrangeiros como pelos apátridas, ou seja, aqueles indivíduos que não tem pátria alguma. 50 UNIDADE 1 | A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO O brasileiro nato é reconhecido desta forma quando preenche os requisitos contidos no artigo 12, inciso I, da Constituição federal de 1988, sendo eles: Os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país. Os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que quaisquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil. Os nascidos no estrangeiro de pais ou mãe brasileira, desde que registrados em repartição brasileira competente. Os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro, ou mãe brasileira, desde que venham a residir na República Federativa do Brasil e optem em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade pela nacionalidade brasileira. Como forma de aquisição da nacionalidade secundária a Constituição prevê o processo de naturalização, que dependerá tanto da manifestação da vontade do interessado como da anuência do estado, que através de ato de soberania de forma discricionária, poderá ou não atender à solicitação do estrangeiro ou apátrida. A Constituição de 1988 prevê a naturalização expressa que depende de requerimento do interessado, demonstrando sua manifestação de vontade em adquirir a nacionalidade brasileira. A naturalização expressa comporta duas possibilidades sendo elas: a naturalização ordinária e extraordinária. Faz-se possível a naturalização ordinária para: a) Os estrangeiros não originários de países de língua portuguesa e apátridas, desde que preenchidos os termos da lei e as regras do artigo 112 do Estatuto dos Estrangeiros (Lei nº 6.815/1980). b) Originários de países de língua portuguesa, sendo requisito, com residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral. A naturalização extraordinária prevista no artigo 12, inciso II, alínea “b” da Constituição de 1988, será possível quando os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil há mais de 15 anos ininterruptos e sem condenação penal, requisitarem a nacionalidade brasileira. TÓPICO 3 | DIREITOS SOCIAIS E POLÍTICOS 51 FIGURA 6 – BRASILEIRO NATO X BRASILEIRO NATURALIZADO FONTE: Disponível em: <https://www.google.com.br>. Acesso em: 7 fev. 2015. Como regra geral e de maneira coerente com o princípio da igualdade não haverá distinção entre brasileiros natos e naturalizados, havendo, entretanto, hipóteses taxativas de exceção à regra prevista na Constituição sendo elas quanto à: a) Extradição: o brasileiro nato nunca poderá ser extraditado, o naturalizado poderá ser extraditado em duas situações, pela prática de crime comum antes da naturalização, pela prática de tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, não importando, neste caso, o momento da prática do ato, seja antes ou depois da naturalização. b) Expulsão: o artigo 65 da Lei nº 6.815/80 descreve a possibilidade de expulsão de estrangeiro que de qualquer forma atentar contra a segurança nacional, a ordem política e social, a tranquilidade ou moralidade pública, e a economia popular ou cujo procedimento torne nocivo à conveniência e aos interesses nacionais. c) Deportação: é uma forma de devolução do estrangeiro ao exterior fundada nos casos de entrada ou estada irregular de estrangeiro, se este não se retirar voluntariamente no território nacional no prazo fixado. d) Atividade nociva ao interesse nacional: somente o brasileiro naturalizado poderá perder a nacionalidade em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. 52 UNIDADE 1 | A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO LEITURA COMPLEMENTAR FEDERAÇÃO, DEMOCRACIA E INSTITUIÇÕES POLÍTICAS Márcia Miranda Soares O ESTADO FEDERAL NO BRASIL Federação e Estado nacional O federalismo é uma resposta à constituição ou manutenção de Estados nacionais marcados por clivagens territoriais conflitivas: forças centrífugas e centrípetas atuantes no território nacional. A origem das forças centrífugas, em grande parte dos casos, remonta ao período colonial, ou seja, à vivência de ampla autonomia política das esferas territoriais que formariam o Estado nacional. O período colonial brasileiro foi marcado por uma estrutura de poder central débil. Caracterizou-se por ampla autonomia política de suas unidades territoriais (capitanias), o que levou à formação de núcleos autônomos de poder e de heterogeneidades de base territorial na colônia portuguesa, ou seja, de identidades e interesses consolidados a partir da ocupação de um determinado território. Desta forma, as heterogeneidades territoriais – que, como já mostramos, informam e justificam a implantação e manutenção de uma organização federativa – tiveram suas raízes no Brasil colonial. O período pós-independência, que compreende o primeiro remado de D. Pedro I (1822-1831) e o período regencial (1831-1840), foi marcado pelo confronto entre as forças centrípetas, que defendiam um Estado unitário absolutista, e as forças centrífugas que reivindicam autonomia às esferas subnacionais (províncias). As forças centrífugas, num contexto de restrita participação política, expressavam os interesses das oligarquias agrárias regionais de conservarem a autonomia e o poder político de que desfrutavam desde o período colonial. A democracia federal não era do interesse dessas oligarquias. Em consequência, Temos reconhecidamente duas hipóteses de perda de nacionalidade, o cancelamento de naturalização por sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao interesse nacional e a aquisição de outra nacionalidade (art.12, parágrafo 4º, I e II, da CRFB/88). Acadêmico(a)! Encerramos este tópico e esta unidade tratando de direitos inerentes àqueles que habitam este território. Leia o conteúdo por diversas vezes, busque compreender e complementar as informações trazidas aqui, busque um local de estudos adequado, disponha de tempo para estudar, forme grupo de estudos com seus colegas, acesse o AVA e enriqueça seu saber. Bons estudos, até breve! TÓPICO 3 | DIREITOS SOCIAIS E POLÍTICOS 53 quando a heterogeneidade territorial ganhou expressão de massa através dos conflitos regionais e converteu-se numa ameaça à unidade nacional e à ordem econômica e social vigente, a resposta para “acomodar” os interesses territoriais conflitantes foi o centralismo monárquico. O centralismo monárquico estabeleceu uma estrutura unitária de organização territorial legitimada pela “manutenção da ordem”. Apaziguou os conflitos regionais através da coerção física e, excluída a população da participação política, deu expressão política às oligarquias dominantes e acomodou-as no poder central. Isto propiciou uma longa estabilidade política ao segundo reinado que só foi rompida quando, estando consolidada a unidade nacional, novas oligarquias regionais emergiram como forças centrífugasreivindicando autonomia às províncias. A proclamação da república federativa, em 1889, não significou mudanças substanciais na política oligárquica brasileira. Mas mudanças importantes ocorreram em relação à distribuição territorial do poder, algo muito longe de uma organização federativa, é verdade. As oligarquias de São Paulo e de Minas Gerais, predominantemente, dominaram o governo central e o conduziram em função de seus interesses, o que levou algumas vezes à intervenção do governo central nas províncias. É incorreto dizer que houve um verdadeiro federalismo na Primeira República brasileira; no entanto, a forma como foi estruturado o poder político territorialmente neste período teve como consequência o fortalecimento das identidades subnacionais (estaduais) – o que maximizou aqueles fatores que, num contexto democrático, recomendariam uma organização federal. É exemplar, neste aspecto, que a configuração partidária desse período foi marcada pela inexistência de partidos nacionais, pela proliferação de partidos no âmbito estadual e pelo domínio de alguns deles, os que representavam as oligarquias regionais dominante, o Partido Republicano Paulista e o Partido Republicano Mineiro, na conformação do governo da União. Federação, heterogeneidades territoriais e democracia A democracia é condição para o federalismo. Consequentemente, todo Estado autoritário é também unitário. A relação entre identidade territorial, federação, autoritarismo e democracia passa a ter destaque na vida política brasileira a partir de 1930, com a entrada das massas no processo político. Os regimes autoritários que vigoraram no Brasil a partir de então não eliminaram o regionalismo, apenas ofereceram soluções mais ou menos estáveis para “acomodar” os conflitos de origem federal: recorrendo puramente ao uso da coerção física ou combinando a coerção física com a oferta de certas liberdades federais, ou ainda recorrendo a processos de liberalização política que culminaram no restabelecimento da democracia federativa. 54 UNIDADE 1 | A FORMAÇÃO DO ESTADO CONTEMPORÂNEO A ausência de democracia consolidada no Brasil foi o que impossibilitou a consolidação do sistema federalista. As oscilações entre períodos de centralização e descentralização territorial do poder político corresponderam às oscilações entre autoritarismo e democracia. Em síntese, podemos dizer que a federação não foi uma constante na história do Brasil República porque a democracia não o foi. As experiências autoritárias do Estado Novo e de 64 evidenciam como o autoritarismo é unitarista, visto que a sua natureza (centralista) é incompatível com o sistema federal. O sistema federal é a resposta democrática e mais estável ao problema de constituição e manutenção de um Estado nacional marcado por heterogeneidades de base territorial. Além do problema de acomodar, via aparato institucional democrático, os setores sociais no contexto nacional do Estado moderno capitalista, países como o Brasil, marcados por pluralidades territoriais, devem acomodar também os interesses territoriais. É nesta perspectiva que, valendo-me de um termo de Huntington, utilizo a expressão “pretorianismo territorial” para designar a forma como os interesses territoriais se colocam na cena política num contexto de precariedade institucional. Mas o ponto a ser destacado é que a dinâmica autoritária brasileira foi também uma resposta ao problema de acomodação dos interesses territoriais. Uma resposta precária, porque acomodava estes interesses silenciando-os, via coerção física, e instável, porque não eliminou as forças centrífugas que passaram a tensionar constantemente o regime autoritário reivindicando autonomia para as unidades territoriais. O pacto federativo seria, portanto, a resposta democrática para conciliar o pluralismo de interesses territoriais e representaria uma solução muito mais estável que o autoritarismo. O significado de autonomia subnacional e a importância dos partidos políticos A autonomia subnacional não é definida somente por descentralização fiscal e administrativa. É acima de tudo autonomia político-institucional, ou seja, autonomia para constituir e preservar um governo próprio e independente. A desconcentração fiscal e administrativa que teve vigência no Estado Novo e a comparação dos níveis de participação das unidades subnacionais na receita líquida do Estado no período autoritário de 64, mostrando que em todo este período a participação foi bem superior à de muitos países federalistas, ratificam a proposição acima. Se são os partidos políticos quem ocupa os principais cargos públicos nos governos subnacionais, então o governo subnacional será autônomo à medida que os partidos políticos ou lideranças partidárias sejam autônomos em relação ao nível nacional – o que pode ser caracterizado como descentralização partidária. Por sua vez, haverá descentralização partidária à medida que o sistema partidário expressa as clivagens territoriais presentes na sociedade. TÓPICO 3 | DIREITOS SOCIAIS E POLÍTICOS 55 É difícil avaliar o caso brasileiro neste aspecto, porque estou me referindo acima às condições institucionais para a sustentação do sistema federal em contextos democráticos – até porque sem democracia tal sistema não tem como se sustentar. De qualquer forma, é possível dizer que os partidos políticos brasileiros, apesar de acusarem em suas conformações reflexos nítidos da diversidade territorial e do federalismo, quando este tem vigência, não têm sido, dado o seu caráter efêmero, o principal veículo de expressão dos interesses centrífugos. A conclusão disto é que a precariedade partidária responde, no campo das relações territoriais, pelo “pretorianismo territorial” que parece caracterizar o contexto brasileiro. Texto na íntegra disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S0102-64451998000200007&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 6 fev. 2015. 56 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você pôde: • Identificar os direitos sociais previstos na Constituição de 1988, sendo estes: educação, saúde, alimentação, trabalho, moradia, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade e à infância, assistência aos desamparados. • Reconhecer os direitos trabalhistas individuais e coletivos. • Conhecer as características atribuídas aos direitos humanos fundamentais. • Distinguir os direitos políticos, determinadas características do voto, plebiscito, referendo, identificando a elegibilidade dentre outras perspectivas. • Avaliar os conceitos e definições vinculados à nacionalidade. 57 1 São direitos sociais de acordo com a Constituição Federal de 1988. a) A educação, saúde, proteção à maternidade e à infância. b) O trabalho, a previdência social, a anistia e o salário-família. c) A moradia, o lazer, a segurança e o habeas corpus. d) Salário mínimo, férias e a assistência aos desamparados. 2 A alimentação adequada é um dos direitos sociais constitucionalmente protegidos, devendo o poder público adotar as políticas e ações que se façam necessárias para promover e garantir a segurança alimentar e nutricional da população. ( ) Certo. ( ) Errado. 3 Entre os direitos sociais elencados na Constituição Federal, consta o da eleição de um representante dos empregados com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores. Esse direito social é previsto expressamente na Constituição Federal para o âmbito das empresas com mais de: a) 30 empregados. b) 50 empregados. c) 100 empregados. d) 200 empregados. e) 500 empregados. 4 A cidadania pressupõe não só o gozo de direitos civis, políticos e sociais, mas também o cumprimento de deveres do indivíduo para com o Estado. A Constituição Federal de 1988, nos artigos 5o a 17, elenca os direitos e garantias fundamentais. Assinale a alternativa que apresenta apenas direitos sociais. a) ( ) Direito à educação, à saúde e direito de resposta. b) ( ) Direito aolazer, à segurança e à liberdade de crença. c) ( ) Direito à intimidade, à vida privada e à honra. d) ( ) Direito à educação, ao lazer e proteção à maternidade e à infância. e) ( ) Direito à saúde, à segurança, a votar e ser votado. AUTOATIVIDADE 58 5 Constitui condição de elegibilidade, na forma da lei, a idade mínima de: a) Vinte um anos para vereador. b) Vinte um anos para juiz de paz. c) Vinte cinco anos para governador. d) Vinte cinco anos para Deputado distrital. 6 A capacidade eleitoral passiva é caracterizada ao direito político classificado por: a) Participação partidária. b) Alistabilidade. c) Elegibilidade. d) Plebiscito. e) Referendo. 7 Mariazinha é brasileira, funcionária da Petróleo Brasileiro S.A. Petrobras, e casada com Joãozinho, também brasileiro. Foi enviada grávida à Itália, juntamente com sua equipe de trabalho, para tratar de assuntos profissionais de interesse da Petrobras. Ao chegar em Roma, Mariazinha teve complicações na gravidez e deu a luz prematuramente a seu filho Joãozinho Junior, que sobreviveu. De acordo com o descrito na Constituição no que diz respeito a direitos de nacionalidade, esse filho de Mariazinha e Joãozinho será: a) Apátrida. b) Estrangeiro. c) Brasileiro nato. d) Brasileiro naturalizado. e) Italiano, podendo optar pela nacionalidade brasileira após a maioridade. 8 O filho nascido no Brasil de um casal de alemães que tenha vindo morar no Estado do Ceará em razão da aquisição de um estabelecimento hoteleiro, que nacionalidade tem esta criança de acordo com a Constituição de 1988? 59 UNIDADE 2 CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS Os conteúdos desta unidade ajudarão você a: • distinguir os três poderes que formam a organização do nosso Estado; • conhecer as principais características dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário; • conhecer e distinguir as principais atribuições dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário; • conhecer os principais órgãos que compõem a estrutura de cada poder; • relacionar os órgãos auxiliares do Poder Judiciário; • identificar as autoridades que representam os Poderes Legislativo, Execu- tivo e Judiciário; • conhecer o funcionamento do processo legislativo brasileiro; • reconhecer a importância da independência e do bom relacionamento en- tre os três poderes, constituídos para a organização do Estado Brasileiro. Esta unidade está dividida em cinco tópicos, sendo que, ao final de cada um deles, você encontrará atividades que o(a) auxiliarão a fixar os conhecimen- tos desenvolvidos. TÓPICO 1 – CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO PODER LEGISLATIVO TÓPICO 2 – PROCESSO LEGISLATIVO TÓPICO 3 – CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO PODER EXECUTIVO TÓPICO 4 – CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO PODER JUDICIÁRIO TÓPICO 5 – ÓRGÃOS AUXILIARES DO PODER JUDICIÁRIO 60 61 TÓPICO 1 CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO PODER LEGISLATIVO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, também conhecida como Constituição Federal ou simplesmente CF, é a base de um Estado de Direito e da democracia. Buscamos na CF os princípios que regem o Direito Público, em especial os que se referem ao conteúdo deste tópico, as características e competências do Poder Legislativo. Vamos iniciar nossos estudos conhecendo a função legislativa e as demais funções necessárias para o desempenho das atribuições e competências do Poder Legislativo, tanto na União, Estados, Municípios e Distrito Federal. Conheceremos as características e competências (privativas e comuns) do Congresso Nacional, do Senado Federal, da Câmara de Deputados Federais, da Câmara de Deputados Estaduais e da Câmara Municipal. Neste tópico, também serão apresentados o conceito e o objeto do processo legislativo, bem como, os procedimentos legislativos e os atos que compõem este processo de análise e votação das leis brasileiras. Caro(a) acadêmico(a)! Neste tópico vamos conhecer um pouco mais sobre o Poder Legislativo, suas características, estrutura e funcionamento em todas as esferas de governo. Seja bem-vindo(a)! Contamos com você a partir de agora. 2 A FUNÇÃO LEGISLATIVA E SEUS PRESSUPOSTOS A organização político-administrativa do nosso país está descrita na nossa Lei Maior, a Constituição Federal, sendo dividida em três Poderes independentes e harmônicos, conforme explica Carvalho Filho (2013, p. 452): UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO 62 Na organização Político-administrativo de República brasileira, são três os Poderes políticos instituídos pela Constituição: O Executivo, O Legislativo e O Judiciário, todos harmônicos e independentes, como apregoa o Art. 2º da Carta vigente. A tripartição de Poderes abrange também os Estados-membros, mas nos Municípios vigora a bipartição de Poderes, porque em sua estrutura orgânica se apresentam apenas o Executivo e o Legislativo. A Constituição Federal de 1988 determina, também, que estes poderes devem manter independência e harmonia conforme seu artigo 2º, são “independentes e harmônicos entre si”. Os representantes do Poder Legislativo são eleitos pelo povo para legislar ou normatizar, quanto à sua importância deste poder para a sociedade. Alkmim (2010, p. 133), salienta: O Poder legislativo é, por excelência, o poder de representação da sociedade, uma vez que ali se encontram os representantes legítima e diretamente eleitos para representar a sociedade junto ao parlamento. É, do ponto de vista da teoria democrática, a voz da sociedade perante os órgãos de poder do Estado, nada obstante o romantismo dessa afirmativa. “As funções típicas do Poder Legislativo são legislar e fiscalizar” (MORAES, 2011, p. 430). Segundo o entendimento de Alkmim (2010), a função típica de legislar ou normatizar consiste em elaborar, propor e votar leis, que são as normas para a sociedade seguir no seu dia a dia e convivência social. Carvalho Filho (2013, p. 3) esclarece que em todos os poderes existem outras funções, que não são típicas, porém são essenciais para o desempenho das suas atividades e exemplifica: O Legislativo, por exemplo, além da função normativa, exerce a função jurisdicional quando o Senado processa e julga o Presidente da República nos crimes de responsabilidade (art. 52, I, CF) ou os Ministros do Supremo Tribunal Federal pelos mesmos crimes (art. 52, II, CF). Exerce também a função administrativa quando organiza seus serviços internos (art. 51, IV, e 52, XIII, CF). Encontramos no artigo 70 da nossa Carta Magna (BRASIL, 1988) as diretrizes que dão base à função típica, de fiscalizador externo, ao Poder Legislativo: Art. 70. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder. TÓPICO 1 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO 63 Quanto ao formato da organização do legislativo no Brasil o autor Alkmim (2010, p. 133/134) ensina: Na esfera Federal, o Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, o qual possui uma composição bicameral, ou seja, é composto por duas Casas Legislativas: o Senado e a Câmara dos Deputados. [...] Nas esferas estadual, municipal e do Distrito Federal adota-se o sistema unicameral, com a existência de uma única Casa Legislativa. Nos Estados, o Poder Legislativo é exercido pela Assembleia Legislativa; no Distrito Federal, pela Câmara Legislativa; e nos Municípios, pela Câmara Municipal. Acadêmico(a)! Vamos a partir de agora, aprofundar nossos estudos na organização do Poder Legislativo Federal e descobrir como funciona o Congresso Nacional. NOTA Bicameralismo: Sistema em que o Poder Legislativo é exercidopor duas casas de câmera. FONTE: Cunha (2007, p. 35) 3 CONGRESSO NACIONAL No Brasil, o legislativo federal é exercido pelo Congresso Nacional. Assim diz Moraes (2011, p. 430): “O Poder Legislativo é bicameral e exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe pela Câmara dos deputados e do Senado Federal [...]”. Encontramos na Constituição Federal em seu TÍTULO IV, CAPÍTULO I, Seção I a normatização do Congresso Nacional. Já a estrutura bicameral e a duração da legislatura dos congressistas estão expressas no artigo 44, caput e parágrafo único, como podemos observar: “O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Parágrafo único. Cada legislatura terá a duração de quatro anos.” Dirigir os serviços deste órgão é uma tarefa que não se restringe apenas a uma pessoa. Um grupo de pessoas, as quais compõem a chamada mesa, dão os rumos do Congresso. A presidência desta mesa, sempre, fica a cargo do Presidente do Senado Federal; os demais cargos são alternados entre a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. Como descreve Alkmim (2010, p. 134): UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO 64 A direção do Congresso Nacional compete à sua Mesa, presidida pelo Presidente do Senado Federal e composta pelos cargos de primeiro vice-presidente, segundo vice-presidente, primeiro secretário, segundo secretário, terceiro secretário e quarto secretário, ocupados alternadamente por membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Para realizar os trabalhos de sua competência, suas atribuições exclusivas ou não, são realizadas reuniões e formadas as comissões de trabalho, comissões julgadoras, comissões de análise, entre outras. “O Congresso Nacional e suas Casas (Câmara e Senado) terão comissões permanentes e temporárias, constituídas na forma e com as atribuições previstas no respectivo estatuto [...]”. (AVELAR, 2008, p. 221). A Constituição Federal de 1988 autoriza as comissões do Congresso e de suas Casas a solicitar informações, a convocar a presença de pessoas que sejam necessárias para dirimir dúvidas ou acrescentar dados às investigações ou a qualquer desenvolvimento de seus trabalhos, vejamos o artigo 50, § 1º e § 2º: Art. 50. A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ou qualquer de suas Comissões, poderão convocar Ministro de Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados à Presidência da República para prestarem, pessoalmente, informações sobre assunto previamente determinado, importando crime de responsabilidade à ausência sem justificação adequada. (Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 2, de 1994) § 1º - Os Ministros de Estado poderão comparecer ao Senado Federal, à Câmara dos Deputados, ou a qualquer de suas Comissões, por sua iniciativa e mediante entendimentos com a Mesa respectiva, para expor assunto de relevância de seu Ministério. § 2º - As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal poderão encaminhar pedidos escritos de informações a Ministros de Estado ou a qualquer das pessoas referidas no caput deste artigo, importando em crime de responsabilidade a recusa, ou o não atendimento, no prazo de trinta dias, bem como a prestação de informações falsas. (Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 2, de 1994). Ensina Alkmim (2010) que, para assegurar liberdade e independência no exercício das funções parlamentares, aos congressistas (senadores e deputados federais) consiste um conjunto de prerrogativas, tanto direitos como imunidades e incompatibilidades expressas na CF dos artigos 53 ao 56. Portanto, dispondo de autonomia, para realizar seus trabalhos, o Congresso Nacional representa o nosso Poder Legislativo Federal. Necessita da parceria tanto do Senado Federal, que sempre terá o presidente da Mesa Diretora, quanto da Câmara de Deputados que, junto ao próprio Senado, vai compor os outros cargos da Mesa por uma legislatura de quatro anos. TÓPICO 1 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO 65 4 SENADO FEDERAL O Senado Federal, parafraseando Moraes (2011), possui a mesma relevância que a Câmara dos Deputados, porém com atribuições específicas e diferentes desta outra Casa Legislativa. Sua composição e legislatura encontram-se determinadas em nossa Constituição Federal no artigo 46, § 1º ao § 3º: Art. 46. O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o princípio majoritário. § 1º - Cada Estado e o Distrito Federal elegerão três Senadores, com mandato de oito anos. § 2º - A representação de cada Estado e do Distrito Federal será renovada de quatro em quatro anos, alternadamente, por um e dois terços. § 3º - Cada Senador será eleito com dois suplentes. Vejamos a interpretação, sobre a composição e mandato, de Avelar (2008, p. 220): O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o princípio majoritário de apenas um turno. Cada Estado e o Distrito Federal elegem três senadores com mandato de oito anos, renovando-se a representação de quatro em quatro anos, alternativamente, por um e dois terços (art. 46). Quanto ao número de senadores atuantes, Alkmim (2010) orienta que a soma dos representantes de 26 Estados mais o Distrito Federal, resulta na composição do Senado, em oitenta e um parlamentares. Alerta Avelar (2008) baseado na CF, que o presidente do Senado é, por excelência, o presidente do Congresso Nacional. Acadêmicos! Podemos observar que a composição do nosso Senado é por representantes eleitos pelo povo, os quais representam nossos Estados e o Distrito Federal, para desempenharem atividades privativas desta Casa Legislativa e para comporem o Congresso Nacional e para exercerem suas atividades de parlamentares. IMPORTANT E Para ampliar seus conhecimentos sobre o funcionamento, entre outros temas, do Senado Federal, basta acessar: <http://www.senado.gov.br/>. UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO 66 5 CÂMARA DOS DEPUTADOS FEDERAIS Outra Casa Legislativa que compõe o nosso Congresso é a Câmara dos Deputados Federais, que encontra a sua composição delineada pela CF no artigo 45, § 1º e § 2º, veja a sua redação: Art. 45. A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos, pelo sistema proporcional, em cada Estado, em cada Território e no Distrito Federal. § 1º - O número total de Deputados, bem como a representação por Estado e pelo Distrito Federal, será estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à população, procedendo-se aos ajustes necessários, no ano anterior às eleições, para que nenhuma daquelas unidades da Federação tenha menos de oito ou mais de setenta Deputados. § 2º - Cada Território elegerá quatro Deputados. . Notamos que para os Territórios, foi pré-estabelecido o número de deputados, já na CF, mas para os Estados e Distrito Federal, o que vale é a proporcionalidade de eleitores que deverá ser definida em Lei Complementar. O sistema é proporcional quando a distribuição dos mandatos ocorre de maneira que o número de representantes em cada circunscrição eleitoral seja dividido em relação com o número de eleitores, de sorte que resulte uma proporção. [...] O sistema proporcional consiste, portanto, no procedimento eleitoral que visa assegurar ao Parlamento uma representação proporcional ao número de votos obtido por cada uma das legendas políticas. (MORAES, 2011, p. 434, grifo do autor). A Lei Complementar nº 78/93 determina o número dos deputados Federais que comporão esta Casa Legislativa, é o que ensina Alkmim (2009, p. 627): O número total de deputados e a representação proporcional de cada Estado e do Distrito Federal são fixados por Lei Complementar, de acordo com a população de cada Estado, respeitando-se sempre o número mínimo e máximo de cada representante por Estado. Atualmente, a Lei Complementar nº 78/93estabelece o número máximo [...] O mandato dos deputados é de quatro anos, diferente dos representantes do Senado Federal. Desta forma explica Avelar (2008, p. 220): A Câmara dos Deputados – que representa o povo – é mais propensa aos alentos sociais, às paixões fulgentes da população. Os deputados, que têm mandato de prazo inferior ao dos senadores, veem-se obrigados a legislar conforme emoções e impulsos. TÓPICO 1 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO 67 5 CÂMARA DOS DEPUTADOS FEDERAIS Acadêmico(a)! Lembramos que, a Câmara dos Deputados, assim como o Senado, possui atribuições e competências tanto privativas quanto comuns, quando representam o Congresso. Logo a seguir vamos apresentar as competências que a CF determinou para estes órgãos do legislativo. IMPORTANT E Você deve complementar seus conhecimentos sobre a Câmara dos Deputados Federais acessando: <http://www2.camara.leg.br/>. 6 ATRIBUIÇÕES DO CONGRESSO NACIONAL O Poder Legislativo Federal, Congresso Federal e suas Casas (Câmara Federal e Senado), possuem atribuições privativas, exclusivas, onde apenas esses entes públicos podem desempenhar. Encontramos as referidas atribuições dispostas em nossa Carta Magna. Parafraseando Alkmim (2010), as atribuições do Congresso Federal podem ser classificadas em: legislativa, fiscalização e controle, julgamento de crimes de responsabilidade, constituinte e deliberativa. As atribuições do Congresso Nacional podem ser divididas em exclusivas e as que necessitam de sanção presidencial. Elaboramos um resumo, no Quadro 2, dos artigos 48 e 49 da Constituição Federal, onde identificamos as matérias que necessitam da análise e votação do Congresso, bem como das suas atribuições exclusivas, veja a seguir: UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO 68 QUADRO 2 – ATRIBUIÇÕES DO CONGRESSO FEDERAL 1. Dispor sobre todas as matérias de competência da União, com sanção presidencial, sobre os seguintes temas: a) Sistema tributário, arrecadação e distribuição de rendas. b) Plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamento anual, operações de crédito, dívida pública e emissões de curso forçado. c) Fixação e modificação do efetivo das Forças Armadas. d) Planos e programas nacionais, regionais e setoriais de desenvolvimento. e) Limites do território nacional, espaço aéreo e marítimo e bens do domínio da União. f) Incorporação, subdivisão ou desmembramento de áreas de Territórios ou Estados, ouvidas as respectivas Assembleias Legislativas. g) Transferência temporária da sede do Governo Federal. h) Concessão de anistia. i) Organização administrativa, judiciária, do Ministério Público e da Defensoria Pública da União e dos Territórios e organização judiciária e do Ministério Público do Distrito Federal. j) Criação, transformação e extinção de cargos, empregos e funções públicas, observado o que estabelece o art. 84, VI, b. k) Criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública. l) Telecomunicações e radiodifusão. m) Matéria financeira, cambial e monetária, instituições financeiras e suas operações. n) Moeda, seus limites de emissão, e montante da dívida mobiliária federal. o) Fixação do subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, observado o que dispõem os art. 39, § 4º; 150, II; 153, III; e 153, § 2º, I da Constituição Federal. 2. Atribuições exclusivas a) Resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. b) Autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei complementar. c) Autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do País, quando a ausência exceder a quinze dias. d) Aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o estado de sítio, ou suspender qualquer uma dessas medidas. e) Sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. f) Mudar temporariamente sua sede. g) Fixar idêntico subsídio para os Deputados Federais e os Senadores, observado o que dispõem os art. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I da Constituição Federal. h) Fixar os subsídios do Presidente e do Vice-Presidente da República e dos Ministros de Estado, observado o que dispõem os art. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I da Constituição Federal. i) Julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os relatórios sobre a execução dos planos de governo. j) Fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta. k) Zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos outros Poderes. l) Apreciar os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e televisão. m) Escolher dois terços dos membros do Tribunal de Contas da União. n) Aprovar iniciativas do Poder Executivo referentes a atividades nucleares. o) Autorizar referendo e convocar plebiscito. p) Autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais. q) Aprovar, previamente, a alienação ou concessão de terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos hectares. FONTE: Adaptado de: Constituição Federal (BRASIL, 1988) TÓPICO 1 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO 69 Outras atribuições comuns às duas Casas Legislativas (Câmara Federal e Senado) são elencadas no artigo 57 da Constituição Federal, a seguir relacionadas: Art. 57. O Congresso Nacional reunir-se-á, anualmente, na Capital Federal, de 2 de fevereiro a 17 de julho e de 1º de agosto a 22 de dezembro. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 50, de 2006) § 1º - As reuniões marcadas para essas datas serão transferidas para o primeiro dia útil subsequente, quando recaírem em sábados, domingos ou feriados. § 2º - A sessão legislativa não será interrompida sem a aprovação do projeto de lei de diretrizes orçamentárias. § 3º - Além de outros casos previstos nesta Constituição, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal reunir-se-ão em sessão conjunta para: I - inaugurar a sessão legislativa; II - elaborar o regimento comum e regular a criação de serviços comuns às duas Casas; III - receber o compromisso do Presidente e do Vice-Presidente da República; IV - conhecer do veto e sobre ele deliberar. Acadêmico(a)! Observe que o Presidente da República necessita manter um bom relacionamento com o Congresso Nacional para que possa desenvolver uma adequada gestão nacional, visto que, é necessário o apoio do congresso para implementar políticas socioeconômicas em nosso país. 7 ATRIBUIÇÕES PRIVATIVAS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS FEDERAIS As Casas Legislativas, na esfera federal, possuem atribuições comuns e privativas no desempenho do processo legislativo. Além das atribuições que são comuns às duas Casas Legislativas, como ocorre com o processo ordinário de elaboração e aprovação de leis que depende da aprovação de ambas, certas atribuições são privativas de cada Casa. (ALKMIM, 2010, p. 135). Elaboramos o Quadro 3, que resume o artigo 51 da nossa Constituição Federal para apresentar as atribuições privativas da Câmara dos Deputados Federais, como podemos observar: UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO 70 QUADRO 3 – ATRIBUIÇÕES PRIVATIVAS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS FEDERAIS 1. Dispor sobre matérias que envolvam a tomada de contas e a instauração de processo contra o Presidente e o Vice-Presidente da República, e os temas pertinentes à organização da Câmara de Deputados Federais, como segue: a) Autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente e o Vice-Presidenteda República e os Ministros de Estado. b) Proceder à tomada de contas do Presidente da República, quando não apresentadas ao Congresso Nacional dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa. c) Elaborar seu regimento interno. d) Dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias. e) Eleger membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VI da Constituição Federal, dentre os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados. FONTE: Adaptado de: Constituição Federal (BRASIL, 1988) Além das deliberações sobre seu regimento interno e sua organização, para esta Casa, ficou a incumbência de estudar as denúncias apresentadas contra o Presidente e o Vice-Presidente da República e decidir se autoriza a abertura de processo. Também deve proceder à tomada de contas do Presidente da República caso o Congresso Federal acuse o não recebimento em tempo hábil. Outra grande tarefa é eleger os membros do Conselho da República, entre os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados. 8 ATRIBUIÇÕES PRIVATIVAS DO SENADO FEDERAL A partir das normativas constitucionais do artigo 52 elaboramos o Quadro 4, destacando as matérias e atribuições privativas do Senado Federal, como podemos verificar a seguir: TÓPICO 1 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO 71 8 ATRIBUIÇÕES PRIVATIVAS DO SENADO FEDERAL QUADRO 4 – ATRIBUIÇÕES PRIVATIVAS DO SENADO FEDERAL 1. Dispor sobre matérias que envolvam o processo e julgamento do Presidente, do Vice-Presidente da República, Ministros de Estado entre outros e temas pertinentes à organização do Senado Federal, como segue: a) Processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles. b) Processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade. c) Aprovar previamente, por voto secreto, após arguição pública, a escolha de: • Magistrados, nos casos estabelecidos nesta Constituição. • Ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo Presidente da República. • Governador de Território. • Presidente e diretores do Banco Central. • Procurador-Geral da República. • Titulares de outros cargos que a lei determinar. d) Aprovar previamente, por voto secreto, após arguição em sessão secreta, a escolha dos chefes de missão diplomática de caráter permanente. e) Autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios. f) Fixar, por proposta do Presidente da República, limites globais para o montante da dívida consolidada da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. g) Dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autarquias e demais entidades controladas pelo Poder Público federal. h) Dispor sobre limites e condições para a concessão de garantia da União em operações de crédito externo e interno. i) Estabelecer limites globais e condições para o montante da dívida mobiliária dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. j) Suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. k) Aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a exoneração, de ofício, do Procurador-Geral da República antes do término de seu mandato. l) Elaborar seu regimento interno. m) Dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias. n) Eleger membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII da Constituição Federal. o) Avaliar periodicamente a funcionalidade do Sistema Tributário Nacional, em sua estrutura e seus componentes, e o desempenho das administrações tributárias da União, dos Estados e do Distrito Federal e dos Municípios. FONTE: Adaptado de: Constituição Federal (BRASIL, 1988) UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO 72 Uma particularidade do Senado Federal é a prerrogativa de processar e julgar várias autoridades brasileiras, em diferentes crimes, como: o Presidente e o Vice-Presidente da República, os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União. Ao Senado Federal, também, compete aprovar a escolha de vários cargos, como: Magistrados, Ministros do Tribunal de Contas da União, Governador de Território, Presidente e diretores do Banco Central, Procurador-Geral da República e dos chefes de missão diplomática de caráter permanente. 9 CÂMARA DOS DEPUTADOS ESTADUAIS O Poder Legislativo nos Estados Membros é constituído pela Câmara dos Deputados Estaduais, mais conhecida por Assembleia Legislativa. É o que explica Cunha (2009, p. 25): “Assembleia Legislativa – Órgão que exerce o poder legislativo estadual. [...]”. Quanto às prerrogativas dos deputados estaduais, Alkmim (2010, p. 145) interpreta a CF e ensina que são as mesmas dos deputados federais, verifique: Segundo o artigo 27, § 1º, da Constituição, aos deputados estaduais, aí compreendidos os deputados distritais (CF, art. 32, §3º), serão aplicadas as mesmas regras previstas na Constituição sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades, remuneração, perda de mandato, licença, impedimentos e incorporação às forças armadas. Segundo expresso em nossa CF, o mandato destes deputados, também, é de quatro anos. As mesmas prerrogativas servem para estender a autonomia e a independência dos trabalhos executados por esta Casa Legislativa Estadual. A Câmara dos Deputados Estaduais e os representantes do Poder Legislativo dos outros Entes da Federação são auxiliadas, na sua função de controle, e também são fiscalizadas por um órgão do executivo denominado Tribunal de Contas; veja as explicações de Alkmim (2010, p. 151): De acordo com o artigo 75 da Constituição Federal, as normas estabelecidas em relação ao Tribunal de Contas da União aplicam-se, no que couber, à organização, composição e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, bem como dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios [...]. As normas de funcionamento da Assembleia Legislativa são determinadas pela Constituição Estadual de cada Estado Membro, as quais levam em consideração as particularidades de cada região. TÓPICO 1 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO 73 9 CÂMARA DOS DEPUTADOS ESTADUAIS IMPORTANT E Para a sua melhor compreensão do Poder Legislativo Estadual, selecionamos como Leitura Complementar um resumo do funcionamento da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. É fundamental que você efetue esta leitura com atenção e procure a página oficial da Câmara dos Deputados de seu Estado para complementar seus estudos. 10 PODER LEGISLATIVO MUNICIPAL O Poder Legislativo Municipal é representado pela Câmara Municipal que também é conhecida por Câmara de Vereadores. Os vereadores exercem as atribuições legislativas, cuja relação com os elementos de uma sociedade deve ser de proximidade e acessibilidade, já que, conforme anteriormente mencionado,é o poder mais próximo do povo. Orienta Jesus (1996, p. 25) em relação à importância do Poder Legislativo Municipal “Estribadas em suas unções políticas, na defesa do bem comum e da democracia, e na fiscalização do Executivo, as Câmaras Municipais, através de seus vereadores, transformam-se em porta-vozes dos interesses locais.” O Poder Legislativo nos Municípios fica a cargo da Câmara de Vereadores. Os cidadãos municipais elegem, democraticamente, através do voto, vereadores para os representarem na Casa Legislativa. Martins (2009) explica que o Poder Legislativo Municipal é exercido, na Câmara Municipal, pelos vereadores. Para a prática dos seus atos e o pleno exercício de suas sessões e atividades legislativas, administrativas e fiscalizadoras, a Câmara Municipal deverá ter a sua sede própria ou poderá atuar no Paço Municipal (DIAS, 2005). A respeito da estrutura da Câmara de Vereadores, Jesus (1996, p. 25), explica que: “Novs dias de hoje, a estrutura constitucional brasileira garante às Câmaras Municipais a soberania para decidir sobre assuntos de peculiar interesse dos municípios, princípio básico que sustenta a autonomia municipal.” Para Dias (2005, p. 26-27), o funcionamento desta Casa Legislativa deve observar a existência, autonomia e atribuições de vários órgãos: A Câmara Municipal funciona com os seguintes órgãos: • Plenário que é soberano, decide. • Comissões que opinam, emitem parecer. • Mesa que dirige a Casa. • Bancadas de diversos partidos. • Líderes que falam pelas bancadas. Há ainda a Secretaria da Câmara que cuida da parte administrativa e pode haver a tesouraria que cuida da parte financeira. UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO 74 Com a eleição de novos vereadores, orienta Dias (2005, p. 25) que “Instalar- se-á a Câmara Municipal, no dia 1º de janeiro, do ano seguinte ao da eleição municipal, que é o início da legislatura.” No tocante às sessões, classificam-se em ordinárias, extraordinárias, solenes, especiais e de eleição e instalação de legislatura. Em sua maioria, sessões públicas e, em casos excepcionais, secretas (JESUS, 1996). De forma organizada, democrática e representativa, configura a Câmara Municipal, como fiscalizadora, controladora e alicerce da autonomia de um Município. Valendo-se da Lei Orgânica, para emitir pareceres, avaliar os atos e as contas anualmente apresentadas pela Administração Pública, discutir e deliberar temas de relevada importância à sociedade dos municípios das quais fazem parte. Para a Câmara Municipal existem três funções básicas, que são: a legislativa, a fiscalizadora e a administrativa. Apresentamos, a seguir, as funções básicas do Poder Legislativo Municipal com uma breve explanação, segundo o entendimento de Gonçalves et al. (2000): A função legislativa é a que consiste na elaboração das leis sobre materiais de competência exclusiva do Município. A Constituição Federal assegura aos Municípios plena competência para: o Legislar sobre assuntos de interesse local. o Suplementar a legislação federal e a estadual, no que couber. o Decretar e arrecadar os tributos de sua competência, bem como aplicar as suas rendas, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes nos prazos fixados em lei. o Criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual. o Organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local. o Manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de Educação pré-escolar e de ensino fundamental. o Prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, serviços de atendimento à saúde da população. o Promover, no que couber, o adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, parcelamento e ocupação do solo urbano. o Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observadas a legislação e ação fiscalizadora federal e estadual. A função é a fiscalizadora, que tem por objetivo o exercício do controle da Administração local, principalmente quanto à execução orçamentária e ao julgamento das contas apresentadas pelo Prefeito. Note-se que o controle externo da Câmara Municipal é exercido com o auxílio do Tribunal de Contas do Estado ou do Conselho ou Tribunal de Contas dos Municípios, onde houver. TÓPICO 1 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO 75 A função administrativa, a qual se restringe à sua organização interna, ou seja, à estruturação organizacional de seu quadro de pessoal, à direção de seus serviços auxiliares e, principalmente, à elaboração de seu Regimento Interno. Como demonstramos, além das funções legislativas, a Câmara Municipal possui outras de igual importância: funções fiscalizadoras e administrativas. Demais autores acrescentam as funções judiciárias e de assessoramento. A Câmara Municipal é composta por uma quantidade de representantes do povo que são chamados de vereadores. O que ocorre de igual forma em todo o país, mas com alterações quanto ao número de vereadores, fator que dependerá do número de habitantes de cada Município. Na Constituição Federal em seu Art. 29, inciso IV, encontramos os limites de vereadores para composição da Câmara de Vereadores: Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os seguintes preceitos: [...] IV - número de Vereadores proporcional à população do Município, observados os seguintes limites: a) mínimo de nove e máximo de vinte e um nos Municípios de até um milhão de habitantes; b) mínimo de trinta e três e máximo de quarenta e um nos Municípios de mais de um milhão e menos de cinco milhões de habitantes; c) mínimo de quarenta e dois e máximo de cinquenta e cinco nos Municípios de mais de cinco milhões de habitantes; [...] Em relação ao número de vereadores que formam a composição desta Casa Legislativa, sintetiza Fernandes (2010, p. 413-414): Não obstante a composição de qualquer Câmara Municipal seja uniforme em todo país, o número de vereadores é variável, consoante dispõe o artigo 29, inciso IV, da Carta Magna, oscilando entre um mínimo de 9 (nove) e um máximo de 55 (cinquenta e cinco), que deve ser proporcional ao número de habitantes. Após definir o número de vereadores, forma-se a Mesa da Câmara, que administra e organiza os serviços da Câmara Municipal, e o Plenário, cujas reuniões ou sessões são de Natureza Ordinária, Extraordinária e Solene. UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO 76 IMPORTANT E Caro(a) Acadêmico(a)! Para aprofundar seus conhecimentos sobre o Poder Legislativo Municipal é interessante visitar a Câmara de Vereadores, da sua cidade, e assistir a reuniões abertas das Comissões ou votações de leis pelo Plenário. Edilidade Poder legislativo municipal. Conjunto de Vereadores. (CUNHA, 2007, p. 113). NOTA 77 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você estudou: • As características e competências do Poder Legislativo (federal, estadual, distrital e municipal). • O Poder Legislativo tem como funções típicas a de legislar e a de fiscalizar. • Para o desempenho de suas principais funções e dar continuidade as suas atividades, o Poder Legislativo realiza outras funções como, por exemplo, a administrativa e a de processar e julgar. • A função de fiscalizador externo da gestão dos representantes do Poder Executivo é muito importante para resguardar o patrimônio público. • A função de legislar é fundamental para um país democrático, as leis impõem limites para os governantes públicos, bem como, para as relações nas diversas sociedades (convívio social). • Os representantes deste poder são eleitos pelo povo, através do voto;por este motivo representam os nossos interesses em todas as esferas de governo. • Os órgãos que representam o Poder Legislativo no Brasil, são: o Na União, por uma estrutura bicameral, pelo Congresso Federal e suas Casas Legislativas que são o Senado Federal e a Câmara dos Deputados Federais. o Nos Estados, pela Câmara dos Deputados Estaduais, também conhecida por Assembleia Legislativa. o Nos Municípios e Distrito Federal, pela Câmara Municipal, também conhecida por Câmara de Vereadores. 78 AUTOATIVIDADE Caro(a) Acadêmico(a)! Vamos avaliar a compreensão dos conceitos aos quais tivemos acesso até agora; responda aos questionamentos dispostos a seguir: 1 O Senado Federal e a Câmara de Deputados Federais, no desempenho de suas funções, possuem atribuições comuns e privativas. Avalie as afirmativas e assinale as CORRETAS, quanto às atribuições privativas da Câmara de Deputados Federais: a) ( ) Autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais. b) ( ) Autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado. c) ( ) Proceder à tomada de contas do Presidente da República, quando não apresentadas ao Congresso Nacional dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa. d) ( ) Aprovar previamente, por voto secreto, após arguição em sessão secreta, a escolha dos chefes de missão diplomática de caráter permanente. 2 Uma das atribuições do Chefe do Poder Executivo é a apresentação de projetos de lei. Avalie as afirmativas e assinale a CORRETA, quanto às Casas Legislativas que compõem o Congresso Nacional: a) ( ) Câmara Municipal e Assembleia Legislativa. b) ( ) Senado Federal e Câmara de Deputados Federais. c) ( ) Assembleia Legislativa e Câmara de Deputados Federais. d) ( ) Assembleia Legislativa e Senado Federal. 3 O Poder Legislativo possui funções básicas inerentes ao seu poder constituído. Assinale as alternativas CORRETAS e identifique quais são as principais funções da Câmara Municipal: a) ( ) Função Legislativa. b) ( ) Função Administrativa. c) ( ) Função Fiscalizadora. d) ( ) Função Executiva. 79 TÓPICO 2 PROCESSO LEGISLATIVO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO A legislação, em especial, as emendas à Constituição, leis complementares, leis ordinárias, leis delegadas, medidas provisórias, decretos legislativos e as resoluções estão diretamente ligadas ao nosso cotidiano, alterando direitos sociais, tributos, códigos, entre outros. Esta legislação, ou normas, são frutos do processo legislativo que é o trabalho do Poder Legislativo de cada Ente da Federação. Neste tópico, vamos conhecer o conceito de processo legislativo, assim como as principais regras relativas à elaboração das espécies normativas (legislação). Acompanhar o processo legislativo é muito importante porque seu resultado interfere diretamente em nosso dia a dia e em nossos planos pessoais e sociais. Acadêmicos, vamos apresentar o processo legislativo primário, que está expresso na Constituição Federal e relacionado à União, porém, tanto os Estados como os Municípios devem seguir as mesmas regras determinadas pela Constituição Federal. 2 CONCEITO E OBJETO DO PROCESSO LEGISLATIVO Os procedimentos necessários para a formação até a finalização do ato legislativo (normas, legislação) é conhecido como processo legislativo. Esses atos podem ser considerados como a função básica do Poder Legislativo. São os preceitos Alkmim (2009, p. 655): Em uma definição objetiva, o processo legislativo pode ser compreendido como o conjunto de atos realizados com a finalidade de elaboração de um ato legislativo, que constitui a função típica do Poder Legislativo. Com efeito, o processo legislativo representa o desempenho da própria atividade legislativa, compreendendo todos os atos necessários à elaboração, discussão, votação, aprovação e promulgação ou sanção de uma lei ou outro ato legislativo. É importante compreendermos que todos os procedimentos necessários para a produção do ato legislativo, a exemplo de uma lei ordinária ou lei complementar, são chamados de processo legislativo. Quando falamos em processo nos remetemos a etapas pré-estabelecidas, ou seja, que seguem regras necessárias. UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO 80 Em relação às regras básicas, necessárias, constitucionais descritas no artigo 59, para todo o processo de um ato legislativo podemos chamá-las de normativas primárias, segundo Avelar (2008, p. 281): Todas estas espécies normativas são denominadas de “primárias”, pois têm espeque diretamente na Constituição Federal. As demais normas não previstas no art. 59 da CF/88, tais como decreto presidencial, a instrução normativa, o regimento etc., são secundárias, já que derivam de outras normas, como a lei, por exemplo (grifo do autor). Por simetria, constitucional, as mesmas regras que se utilizam no processo legislativo federal devem ser utilizadas pelos Estados, Municípios e Distrito Federal, este princípio é ressaltado por Alkmim (2009, p. 655): Ressalta-se que as regras básicas do processo legislativo federal devem ser obrigatoriamente observadas pelos Estados-membros, em razão de sua correlação com o princípio da separação e harmonia entre os poderes, o qual constitui princípio constitucional sensível da Federação. O objeto, deste processo, tem a sua fundamentação na Constituição Federal, no artigo 59, que é a conhecida legislação primária porque foi a determinada pelo texto constitucional. Não esqueça que, também, existem legislações secundárias que estão classificadas em outras leis como o decreto presidencial e os regimentos internos, instruções normativas, entre outros, que nem sempre são realizados pelo Poder Legislativo. 3 ATOS DO PROCESSO LEGISLATIVO Os atos do processo legislativo são devidamente apresentados e determinados pela Constituição Federal em seu artigo 59, vamos conferir: Art. 59 O processo legislativo compreende a elaboração de: I - emendas à Constituição; II - leis complementares; III - leis ordinárias; IV - leis delegadas; V - medidas provisórias; VI - decretos legislativos; VII - resoluções. Acadêmicos! É importante conhecer o significado de cada ato, resultante do trabalho do Poder Legislativo, para podermos identificá-los com mais facilidade. Já, que são necessários os ritos diferenciados para a construção de cada espécie de norma. TÓPICO 2 | PROCESSO LEGISLATIVO 81 3 ATOS DO PROCESSO LEGISLATIVO As emendas à Constituição Federal são possíveis, muitas vezes, necessárias para que determinados temas do nosso dia a dia se mantenham atualizados à realidade brasileira. Porém, é bom lembrar, jamais poderão alterar a essência constitucional, caso que representaria uma reforma, não alteração. A alterabilidade constitucional, embora se possa traduzir na alteração de muitas disposições da constituição, sempre conservará um valor integrativo, no sentido de que deve deixar substancialmente idêntico o sistema originário da constituição. A revisão serve para alterar a constituição, mas não para mudá-la uma vez que não será uma reforma constitucional o meio propício para fazer revoluções constitucionais. (MORAES, 2011, p. 688-689). Buscamos nos ensinamentos de Alkmim (2009, p. 662) a complementação do significado das emendas à Constituição: “As emendas à constituição são os atos que visam à alteração do próprio Texto Constitucional, tratando-se da manifestação do Poder Constituinte derivado de emendas [...]”. Já, a Lei Complementar é a que complementa a CF no que não foi esclarecido ou determinado no texto constitucional. Vejamos o posicionamento de Avelar (2008, p. 283): “As leis complementares, como aponta a semântica do termo, complementam os ditames constitucionais mais importantes.” Vamos conhecer a justificativa que apresenta Moraes (2011,p. 694): Assim, a razão de existência da lei complementar consubstancia-se no fato de o legislador constituinte ter entendido que determinadas matérias, apesar da evidente importância, não deveriam ser regulamentadas na própria Constituição Federal, sob pena de engessamento de futuras alterações; mas, ao mesmo tempo, não poderiam comportar constantes alterações através de um processo legislativo ordinário. O legislador constituinte pretendeu resguardar determinadas matérias de caráter infraconstitucional contra alterações volúveis e constantes, sem, porém, lhes exigir a rigidez que impedisse a modificação de seu tratamento, assim que necessário. O legislador constituinte, para facilitar o processo de alteração de determinados temas, decidiu que sejam aprovadas leis complementares à CF, caso contrário seria necessário alterar através de emenda à Constituição que possuem um processo legislativo mais complexo ou engessado. Quando for necessária a utilização de lei complementar estará expressa na própria norma constitucional essa necessidade. A CF, no artigo 47, determina o processo das leis ordinárias, Alkmim (2009, p. 664) explica a essência delas, como: “É o ato legislativo típico. A elaboração de leis ordinárias constitui a atividade legislativa mais comum. [...].”. Por serem mais comuns representam a maioria das normas legislativas. UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO 82 As Leis Delegadas são elaboradas pelo Presidente da República para temas determinados, diferente das demais leis que são elaboradas pelo legislativo, mas necessitam de autorização do Poder Legislativo. Encontramos a possibilidade deste tipo de norma no artigo 68, § 1º ao §3º, da Constituição Federal, observe a sua redação: Art. 68 As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional. § 1º - Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional, os de competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a matéria reservada à lei complementar, nem a legislação sobre: I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais; III - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos. § 2º - A delegação ao Presidente da República terá a forma de resolução do Congresso Nacional, que especificará seu conteúdo e os termos de seu exercício. § 3º - Se a resolução determinar a apreciação do projeto pelo Congresso Nacional, este a fará em votação única, vedada qualquer emenda. Já, a Medida Provisória, “[...] é o ato normativo, com força de lei, editado pelo Presidente da República em caso de relevância e urgência, submetido de imediato ao Congresso Nacional, e cuja eficácia se extingue, desde a edição, se não for convertida em lei no prazo de 60 dias a partir da publicação.” (AVELAR, 2008, p. 289). Para determinados assuntos que estão previstos na CF em seu artigo 49 foram introduzidos os decretos legislativos. “Decretos legislativos são atos de competência exclusiva do Congresso Nacional, geralmente de efeitos externos, não sujeitos à sanção ou veto do Presidente da República.” (ALKMIM, 2009, p. 670). As resoluções servem para determinar procedimentos internos do Poder Legislativo, entretanto, existem casos previstos na CF que causam efeitos externos. Moraes (2011, p. 724) esclarece: Resolução é o ato do Congresso Nacional ou de qualquer de suas casas, tomado por procedimento diferente do previsto para a elaboração das leis, destinado a regular matéria de competência do Congresso Nacional ou de competência privativa do Senado Federal ou da Câmara dos Deputados, mas em regra com efeitos internos; excepcionalmente, porém, também prevê a constituição resolução com efeitos externos, como a que dispõe sobre a delegação legislativa. Acadêmicos! Vocês tiveram a oportunidade de conhecer os atos legislativos primários, e puderam observar que as leis delegadas e as medidas provisórias são de iniciativa do Presidente da República. Não esqueçam que, nesses casos, o Poder Legislativo também interfere, por exemplo, nas leis delegadas dá a autorização e nas medidas provisórias analisa e vota. Por este motivo os atos são considerados, também, resultado de atos do legislativo. TÓPICO 2 | PROCESSO LEGISLATIVO 83 IMPORTANT E Caro(a) acadêmico(a)! Vamos saber diferenciar Leis Complementares e Leis Ordinárias: São duas as diferenças entre lei complementar e lei ordinária. A primeira é material, uma vez que somente poderá ser objeto de lei complementar a matéria taxativamente prevista na Constituição Federal, enquanto todas as demais deverão ser objeto de lei ordinária. Assim, a Constituição Federal reserva determinadas matérias cuja regulamentação, obrigatoriamente, será realizada por meio de lei complementar. A segunda é formal e diz respeito ao processo legislativo, na fase de votação. Enquanto o quorum para aprovação da lei ordinária é de maioria simples (art. 47), o quorum para aprovação da lei complementar é de maioria absoluta (art. 69) [...]. (MORAES, 2011, p. 694-695 grifo do autor). 4 PROCEDIMENTOS LEGISLATIVOS Os procedimentos legislativos, dos atos que o Poder Legislativo dos Entes da Federação deve exercer, estão expressos na Constituição Federal entre os artigos 60 e 69 e também na Lei Complementar 95/1998. Os procedimentos legislativos dividem-se em três categorias é o que nos explica Alkmim (2009, p. 656): [...]. Podem ser: a) ordinário ou comum, que se destina à elaboração de leis ordinárias; b) sumário, destinado à elaboração de leis ordinárias em regime de urgência; c) especial, destinado à elaboração de outras espécies normativas, como emendas à Constituição, leis complementares, leis delegadas, conversão de medidas provisórias, decretos legislativos etc. (grifo do autor). As propostas de emendas à Constituição são normatizadas no artigo 60, seus incisos e parágrafos podem ser considerados como um procedimento especial. Você encontrará, nesse artigo, quem é autorizado a propô-las, os períodos em que não é permitido fazer estas alterações, quais são os procedimentos de votação, quem pode promulgá-las, quais os assuntos que não podem fazer parte das propostas de emendas a nossa CF, entre outros temas que podemos verificar a seguir: . UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO 84 Art. 60 A Constituição poderá ser emendada mediante proposta: I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; II - do Presidente da República; III - de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. § 1º - A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio. § 2º - A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros. § 3º - A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem. § 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I - a forma federativa de Estado; II - o voto direto, secreto, universal e periódico; III - a separação dos Poderes; IV - os direitos e garantias individuais. § 5º - A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa. O processo legislativo para a elaboração das leis complementares, leis ordinárias, leis delegadas e medidas provisórias estão descritos nos artigos 61 a 69, da Constituição Federal. Para que você possa distingui-las, com maior facilidade, adaptamos noQuadro 5 os principais procedimentos, veja-os a seguir: TÓPICO 2 | PROCESSO LEGISLATIVO 85 QUADRO 5 – PROCESSO LEGISLATIVO DAS LEIS E MEDIDAS PROVISÓRIAS 1. Lei Complementar a) A iniciativa cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição. b) A iniciativa é privativa do Presidente da República, quando fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas e quando disponham, sobre: • criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou aumento de sua remuneração; • organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços públicos e pessoal da administração dos Territórios; • servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria; • organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União, bem como normas gerais para a organização do Ministério Público e da Defensoria Pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios; • criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o disposto no art. 84, VI da CF; • militares das Forças Armadas, seu regime jurídico, provimento de cargos, promoções, estabilidade, remuneração, reforma e transferência para a reserva. c) A iniciativa é popular e apresentada à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles. d) As leis complementares serão aprovadas por maioria absoluta. e) A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional. f) Lei complementar disporá sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das leis. 2. Lei Ordinária a) A iniciativa cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição. b) A iniciativa é privativa do Presidente da República, quando fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas e quando disponham, sobre: • criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou aumento de sua remuneração; • organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços públicos e pessoal da administração dos Territórios; • servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria; • organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União, bem como normas gerais para a organização do Ministério Público e da Defensoria Pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios; • criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o disposto no art. 84, VI da CF; • militares das Forças Armadas, seu regime jurídico, provimento de cargos, promoções, estabilidade, remuneração, reforma e transferência para a reserva. c) A iniciativa é popular e apresentada à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles. d) A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional. UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO 86 3. Medida Provisória a) Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. b) É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: • nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral; • direito penal, processual penal e processual civil; • organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; • planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º da CF; • que vise à detenção ou sequestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro; • matérias reservadas a lei complementar; • já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do Presidente da República. c) Quando implique em instituição ou majoração de impostos, exceto os previstos na CF nos art. 153, I, II, IV, V, e 154, II da CF, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada. d) Perderão a eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável por uma vez por igual período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes e suspendendo-se os prazos durante os períodos de recesso do Congresso Nacional. e) A deliberação de cada uma das Casas do Congresso Nacional sobre o mérito das medidas provisórias dependerá de juízo prévio sobre o atendimento de seus pressupostos constitucionais. f) Quando não apreciada em até quarenta e cinco dias contados de sua publicação, entrará em regime de urgência, subsequentemente, em cada uma das Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até que se ultime a votação, todas as demais deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando. g) Terão sua votação iniciada na Câmara dos Deputados. h) Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir parecer, antes de serem apreciadas, em sessão separada, pelo plenário de cada uma das Casas do Congresso Nacional. i) É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo. j) Não editado o decreto legislativo que se refere à instituição e majoração de impostos até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservar-se-ão por ela regidas. l) Aprovado projeto de lei de conversão alterando o texto original da medida provisória, esta manter-se-á integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado o projeto. 4. Lei Delegada a) As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional. b) São vedadas as seguintes matérias: • atos de competência exclusiva do Congresso Nacional; • atos de competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; • matérias reservadas à lei complementar; • a organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; • a nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais; • os planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos. c) A delegação ao Presidente da República terá a forma de resolução do Congresso Nacional, que especificará seu conteúdo e os termos de seu exercício, caso a resolução determinar a apreciação do projeto pelo Congresso Nacional, este a fará em votação única, vedada qualquer emenda. FONTE: Adaptado de: Constituição Federal (BRASIL, 1988) TÓPICO 2 | PROCESSO LEGISLATIVO 87 FONTE: Adaptado de: Constituição Federal (BRASIL, 1988) IMPORTANT E Caro(a)acadêmico(a)! Para você compreender, integralmente, o processo legislativo das leis é necessário fazer uma leitura, com atenção, dos artigos 63 ao 66 da nossa Constituição Federal. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ constituicao.htm>. As resoluções, atos legislativos primários, são exclusivamente atos dos órgãos legislativos, com seu rito previsto em seus regimentos internos e seus efeitos são tanto internos como externos, segundo Avelar (2008, p. 298): Os atos administrativos veiculados por resoluções são, em regra, definidos pelos regimes internos das Casas Legislativas e pelo Regimento do Congresso Nacional. Não está especificada na Constituição Federal, a não ser no caso de delegação para o Presidente da República (art. 68, §3º). A votação se dá por maioria simples e dispensa também a sanção presidencial. A promulgação e a publicação são efetivadas pela Mesa da Casa respectiva ou do Senado Federal (quando se tratar de resolução do Congresso Nacional). Os Decretos Legislativos possuem um processo especial, já que não terão participação do Poder Executivo em sua sanção, e seu rito está expresso nos regimentos internos do legislativo, resume Moraes (2011, p. 719): [...] os decretos legislativos serão, obrigatoriamente, instruídos, discutidos e votados em ambas as casas legislativas, no sistema bicameral; e se aprovados, serão promulgados pelo Presidente do Senado Federal, na qualidade de Presidente do Congresso Nacional, que determinará sua publicação. Não haverá participação do Presidente da República no processo legislativo de elaboração de decretos legislativos, e, consequentemente, inexistirá veto ou sanção, por tratar-se de matérias de competência do Poder Legislativo. Para regulamentar o que o texto constitucional não esclareceu, a exemplo, da elaboração, da redação, da alteração, da consolidação e da sequência da numeração das leis, foi editada a Lei Complementar nº 95/1998. 88 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você estudou: • O processo legislativo pode ser entendido como o conjunto de atos legislativos realizados pelo Poder Legislativo, visando à formação das emendas à Constituição, leis complementares, leis ordinárias, leis delegadas, medidas provisórias, decretos legislativos e as resoluções. • Encontramos as regras para o processo legislativo na Constituição do artigo 59 até o artigo 69 e na Lei Complementar 95/1998. • Existem atos legislativos primários (que estão expressos na CF) e atos legislativos secundários (que estão expressos em outras leis), neste tópico apresentamos apenas os primários. • A diferença entre os atos legislativos normalmente se dá pela matéria, urgência e relevância, pela forma de aprovação, ou melhor, pelo quórum. • Os procedimentos legislativos podem ser classificados, dependendo da complexidade da sua elaboração, como ordinários ou comuns, sumários e especiais. 89 AUTOATIVIDADE Caro(a) acadêmico(a)! Vamos avaliar a compreensão dos conceitos que tivemos até o momento, responda aos questionamentos dispostos a seguir: 1 O Poder Legislativo na execução da sua atividade típica realiza procedimentos que resultam em atos legislativos primários e secundários. Avalie as afirmativas e assinale as CORRETAS, quanto à denominação dos atos legislativos: a) ( ) Emendas à Constituição, leis complementares e instruções normativas. b) ( ) Emendas à Constituição, leis complementares e resoluções. c) ( ) Leis ordinárias, leis delegadas e medidas provisórias. d) ( ) Leis ordinárias, leis delegadas e decretos executivos. 2 O processo legislativo está expresso na CF dos artigos 59 a 69 e na Lei Complementar 95/1988. Assinale a alternativa CORRETA que identifica os Entes da Federação que devem adotar as regras constitucionais para o processo legislativo que resultará na nossa legislação primária: a) ( ) União, Estados, Distrito Federal e os Municípios. b) ( ) Apenas a União. c) ( ) União e Estados. d) ( ) São normas meramente exemplificativas, por isso todos os Entes da Federação podem criar as suas regras individuais. 3 O processo de elaboração dos atos legislativos varia entre os mais rígidos e os menos rígidos, isto em razão da exigência do quorum de votação. Assinale a alternativa CORRETA que identifica o ato legislativo com maior rigidez no processo de aprovação. a) ( ) As emendas à constituição. b) ( ) As leis complementares. c) ( ) As medidas provisórias. d) ( ) As leis delegadas. 90 91 TÓPICO 3 CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO PODER EXECUTIVO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO A execução das políticas públicas, o bom funcionamento do atendimento ao público, enfim, o bem-estar da sociedade nas ações do dia a dia, são atividades que dependem diretamente da ação executiva, que cabe ao Poder Executivo. Para compreendermos o funcionamento do Poder Executivo, é importante entender a função executiva, os órgãos da administração e a diferença de administração pública direta e indireta. Estudaremos, a seguir, a composição dos órgãos da administração direta federal e faremos uma breve explanação sobre a presidência e vice-presidência da república e seus órgãos de assessoria, a casa civil e os ministérios. Para finalizar este tópico no âmbito Estadual, conheceremos os órgãos da administração direta estadual, o governador e vice-governador, os secretários de governo estaduais e na esfera Municipal, estudaremos os órgãos da administração direta municipal e o prefeito e vice-prefeito. Vamos juntos, estudar as características e competências do Poder Executivo, tanto na União quanto nos Estados, Distrito Federal e Municípios. 2 FUNÇÃO EXECUTIVA E ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO A função administrativa é característica do Poder Executivo, atribuída pela Constituição Federal de 1988 e disposta em seu art. 84. Podemos dizer que é a função típica (privativa, precípua), mas não exclusiva porque os outros poderes possuem, como funções secundárias e similares a de praticar atividades administrativas na sua organização funcional. É o que explica Carvalho Filho (2013, p. 3): “[...] os Poderes estatais, embora tenham suas funções normais (funções típicas), desempenham também funções que materialmente deveriam pertencer a Poder diverso (funções atípicas), sempre, é óbvio, que a Constituição autorize”. Vejamos o entendimento de Meirelles, Aleixo e Burle Filho (2013, p. 62- 63), sobre as funções principais e secundárias dos três Poderes: 92 UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO Assim, a função precípua do Poder Legislativo é a elaboração da lei (função normativa); a função precípua do Poder Executivo é a conversão da lei em ato individual e concreto (função administrativa); a função precípua do Poder Judiciário é a aplicação coativa da lei aos litigantes (função judicial). Referimo-nos à função precípua de cada Poder de Estado porque, embora o ideal fosse a privatividade de cada função para cada Poder, na realidade isso não ocorre, uma vez que todos os Poderes têm necessidade de praticar atos administrativos, ainda que restritos à sua organização e ao seu funcionamento, e, em caráter excepcional admitido pela Constituição, desempenham funções e praticam atos que, a rigor, seriam de outro Poder (grifo dos autores). A função administrativa do Poder Executivo é a de administrar o Estado, gerindo, implementando, organizando ações que lhe competem, respeitando sempre a legislação vigente. Carvalho Filho (2013, p. 4-5) salienta: “[...] pode dizer-se que função administrativa é aquela exercida pelo Estado ou por seus delegados, subjacentemente à ordem constitucional e legal, sob regime de direito público, com vistas a alcançar os fins colimados pela ordem jurídica”. Esta função típica é inerente a todas as esferas de governo com ordem constitucional expressa no art. 37. Segundo Silva (2011, p. 656, grifo nosso), em cada esfera de governo a administração do Estado é autônoma, sem dependênciahierárquica: [...] a função administrativa é institucionalmente imputada a diversas entidades governamentais autônomas, que, no caso brasileiro, estão expressamente referidas no próprio art. 37, de onde decorre a existência de várias Administrações Públicas: a federal (da União), a de cada Estado (Administração estadual), a do Distrito Federal e a de cada Município (Administração municipal ou local), cada qual submetida a um Poder político próprio, expresso por uma organização governamental autônoma. Resumimos a função administrativa ou executiva com os ensinamentos de Alkmim (2009, p. 675): “[...] o Poder Executivo tem como função típica e essencial administrar o Estado em conformidade com as leis elaboradas pelo Poder Legislativo”. TÓPICO 3 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO 93 IMPORTANT E Entenda um pouco mais sobre as funções estatais com a opinião de Avelar (2008, p. 74/75): Ora, é o Estado, através do Poder Executivo, quem encarna os interesses públicos. Ele busca alcançar a pretensão do povo através de condutas permitidas na legislação. As ações do Estado tendentes a encetar as ambições sociais são comumente denominadas de ‘decisões políticas’ e diferem das ‘decisões judiciais’ exatamente porque estas, ao invés de estatuírem as ações governamentais suplicadas pela sociedade, apenas determinam a aplicação da vontade popular antevista na lei ou nas decisões políticas. Para desempenhar a função administrativa, também conhecida como executiva, há necessidade de otimizar a estrutura da Administração Pública. Se a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios são autônomos, cada qual deverá criar, alterar e suprimir suas estruturas administrativas. A “criação e extinção” de “[...] órgãos da administração pública dependem de lei, de iniciativa privativa do Chefe do Executivo”. (MEIRELLES; ALEIXO; BURLE FILHO, 2013, p. 70). Através de leis, normalmente, complementares, exigidas pela Constituição Federal, Estadual e Leis Orgânicas Municipais, é que o Chefe do Executivo determina como devem ser organizadas suas atividades e funções. Medauar (2005, p. 57), esclarece: O amplo rol de atividades que a Administração Pública deve realizar para cumprir seu papel na vida da sociedade impede que se concentrem na atuação de uma única autoridade ou um único servidor. [...] segundo critérios de especialização do trabalho ou de divisão do trabalho o amplo rol de atividades é distribuído entre diversos setores ou unidades, denominados órgãos públicos. Observamos que a organização dos trabalhos é dividida por unidades ou setores aos quais chamamos de Órgãos Públicos. Ensina Di Pietro (2011, p. 521): “[...] pode-se definir o órgão público como uma unidade que congrega atribuições exercidas pelos agentes públicos que o integram com o objetivo de expressar a vontade do Estado”. Agora vejamos a conceituação e exemplos, sob a ótica de Medauar (2005, p. 57-58): 94 UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO Órgãos públicos ou órgãos administrativos são unidades de atuação que englobam um conjunto de pessoas e meios materiais ordenados para realizar uma atribuição predeterminada. Por exemplo: uma Secretaria Municipal de Educação é um órgão público municipal formado por um conjunto de servidores e meios materiais destinados a colocar em prática as atribuições do Município no tocante ao ensino. Já para Meirelles, Aleixo e Burle Filho (2013, p. 69) órgãos públicos possuem uma conceituação mais ampla: [...] Órgãos públicos - São centros de competência instituídos para o desempenho de funções estatais, através de seus agentes, cuja atuação é imputada à pessoa jurídica a que pertencem. São unidades de ação com atribuições específicas na organização estatal. Cada órgão, como centro de competência governamental ou administrativa, tem necessariamente funções, cargos e agentes, mas é distinto desses elementos, que podem ser modificados, substituídos ou retirados sem supressão da unidade orgânica (grifo nosso). Acadêmico(a)! Podemos verificar que quando falamos de Órgãos Públicos estamos nos referindo a um conjunto de unidades administrativas, cada qual com suas atribuições, quadro de funcionários, competências, entre outras características atribuídas por legislação própria para que o Estado possa desempenhar suas funções típicas e atípicas. 3 ADMINISTRAÇÃO DIRETA E INDIRETA O Estado pode desenvolver suas atividades administrativas de forma centralizada ou descentralizada. Há a necessidade de analisar todos os recursos disponíveis (pessoal, material, financeiro etc.) para determinar qual das formas vai ser mais eficiente para atender às demandas da população. Quando a Administração Pública (federal, estadual, distrital ou municipal) em quaisquer de seus Poderes, exerce a administração centralizada, através de órgãos diretamente subordinados ao Poder Executivo, o que chamamos de Administração Direta. (SILVA, 2011). A conceituação de Carvalho Filho (2013, p. 455) sobre a forma de desempenhar as atividades públicas compreende: “Administração Direta é o conjunto de órgãos que integram as pessoas federativas, aos quais foi atribuída a competência para o exercício, de forma centralizada, das atividades administrativas do Estado”. Ensinam os autores, Meirelles, Aleixo e Burle Filho (2013, p. 826) que, quando os órgãos são integrados na estrutura principal da União, Estado, Distrito Federal ou Município, formam a Administração Direta: TÓPICO 3 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO 95 3 ADMINISTRAÇÃO DIRETA E INDIRETA Observamos que a Administração Pública não é propriamente constituída de serviços, mas, sim, de órgãos a serviço do Estado, na gestão de bens e interesses qualificados da comunidade, o que nos permite concluir, com mais precisão, que, no âmbito federal, a Administração direta é o conjunto dos órgãos integrados na estrutura administrativa da União (grifo nosso). Comunga com os mesmos ensinamentos Silva (2008, p. 188): “A administração direta compreende a organização administrativa do Estado como pessoa administrativa”. Quando a Administração Pública transfere sua competência para outras pessoas físicas ou jurídicas está descentralizando, este é o entendimento de Di Pietro (2011, p. 420): “Descentralização é a distribuição de competências de uma para outra pessoa, física ou jurídica”. Verificamos que a criação da estrutura de Administração Indireta vem agilizar os serviços públicos, já que direciona para uma determinada pessoa jurídica o que antes era desempenhado pelos órgãos da Administração Direta. Vejamos os ensinamentos de Carvalho Filho (2013, p. 459): “Administração Indireta do Estado é o conjunto de pessoas administrativas que, vinculadas à respectiva Administração Direta, têm o objetivo de desempenhar as atividades administrativas de forma descentralizada”. Di Pietro (2011, p. 432) esclarece quais são as pessoas jurídicas que se enquadram como Administração Indireta perante a legislação brasileira: “Compõem a Administração Indireta, no direito positivo brasileiro, as autarquias, as fundações instituídas pelo Poder Público, as sociedades de economia mista, as empresas públicas e os consórcios públicos”. A escolha entre executar serviços pelos órgãos da Administração Direta ou criar, através de lei, uma estrutura de órgãos independentes, Administração Indireta, deve levar em consideração a agilidade, a qualidade e a espécie de atendimento que se quer dispensar para a sociedade. 4 COMPOSIÇÃO DOS ÓRGÃOS DE ADMINISTRAÇÃO DIRETA FEDERAL O Poder Executivo Federal, segundo o Decreto-Lei nº 200, de 25/02/1967 (BRASIL, 1967), possui estrutura para desempenhar suas atribuições e competências, com a Administração Direta e Administração Indireta. A organização do Poder Executivo na União deve respeitar o estabelecido pela nossa Constituição Federal de 1988 no Capítulo II, dos art. 76 ao 83. A composição da Administração Direta Federalé determina no art. 4º, inciso I, do Decreto-Lei nº 200/67: “[...] que se constitui dos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da República e dos Ministérios”. 96 UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO Vejamos a interpretação de Meirelles, Aleixo e Burle Filho (2013, p. 836) sobre a constituição da Administração Direta Federal: A Administração Federal é dirigida por um órgão independente, supremo e unipessoal, que é a Presidência da República, e por órgãos autônomos também unipessoal, que são os Ministérios, aos quais se subordinam ou se vinculam os demais órgãos e entidades descentralizadas (grifo nosso). Por analogia, a Administração Federal e os outros entes da federação utilizam o mesmo modelo, com adaptações, para a estrutura dos órgãos de suas administrações. Salienta Medauar (2005, p. 67): Generalizando-se essa fórmula para os demais âmbitos administrativos do País, emergirá a seguinte noção: Administração direta é o conjunto dos órgãos integrados na estrutura da chefia do Executivo e na estrutura dos órgãos auxiliares da chefia do Executivo (grifo do autor). Seguindo as delimitações do Decreto-Lei nº 200/67 (BRASIL, 1967), todos os órgãos da Administração Federal utilizarão, para desenvolver suas atividades, os seguintes princípios fundamentais: planejamento, coordenação, descentralização, delegação de competência e controle. 5 PRESIDÊNCIA E VICE-PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA A Presidência da República é, hierarquicamente falando, o órgão máximo da Administração Federal. Explicam a estrutura e direção do Poder Executivo Federal, Meirelles, Aleixo e Burle Filho (2013, p. 836): A Presidência da República, sob imediata direção do Chefe da Nação, é o órgão supremo e independente representante do Poder Executivo da União, enfeixando todas as atividades administrativas superiores de âmbito federal, de política, de planejamento, coordenação e controle do desenvolvimento socioeconômico do País e da segurança nacional. O Presidente da República tem como principal atribuição, entre muitas outras, exercer o Poder Executivo Federal sendo auxiliado pelos Ministros de Estado. Com relação à natureza e posição do Presidente da República, Silva (2011, p. 658) orienta: “[...] exerce o Poder Executivo, entre cujas atribuições se acham as de natureza administrativa, para o cumprimento de seus fins governamentais”. Já o Vice-Presidente é eleito e tomará posse juntamente com o Presidente da República. Além das atribuições específicas de seu cargo, determinadas por lei complementar, deverá substituir o chefe de Estado em caso de impedimentos e auxiliar o Presidente quando for convocado para missões especiais. TÓPICO 3 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO 97 5 PRESIDÊNCIA E VICE-PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA Observamos ao analisar a Constituição Federal, no art. 80, que o Vice- Presidente não é o único a substituir o Chefe do Poder Executivo Federal. Em relação ao processo de sucessão do Presidente da República, esclarece Alkmim (2009, p. 677): O sucessor direto e imediato do Presidente da República é o Vice- Presidente [...]. No caso de impedimento ou vacância de ambos os cargos, a Constituição estabelece a seguinte ordem de sucessão: Presidência da Câmara dos Deputados, Presidente do Senado Federal e Presidente do Supremo Tribunal Federal (CF, art. 80). O Chefe do Executivo Federal e seu Vice são escolhidos pelos cidadãos brasileiros para representarem nossos interesses nacionais. Sobre a eleição do Presidente e Vice-Presidente salienta Morais (2011, p. 489): O Presidente da República é eleito simultaneamente com um Vice- presidente, através do sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, em pleito realizado no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao término do mandato presidencial vigente. Ressaltamos anteriormente, que a Presidência da República possui uma estrutura de órgãos inferiores, para exercerem e auxiliarem em competências específicas. Toda esta estrutura e composição são delineadas pela Lei Federal nº 10.683/2003 e suas alterações (normalmente alteram-se quando há nova gestão). A composição atual desta estrutura segue o demonstrado no quadro, a seguir: QUADRO 6 – ÓRGÃOS DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA ÓRGÃOS EXECUTIVOS ÓRGÃO DE ASSESSORAMENTO E CONSULTA I - Casa Civil II – Secretaria Geral III - Secretaria de Relações Institucionais IV - Secretaria de Comunicação Social V - Gabinete Pessoal VI - Gabinete de Segurança Institucional VII - Secretaria de Assuntos Estratégicos VIII - Secretaria de Políticas para as Mulheres IX - Secretaria de Direitos Humanos X - Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial XI - Secretaria de Portos XII - Secretaria de Aviação Civil XIII - Secretaria da Micro e Pequena Empresa XIV - Controladoria-Geral da União I - Conselho de Governo II - Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social III - Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional IV - Conselho Nacional de Política Energética V - Conselho Nacional de Integração de Políticas de Transporte VI - Advogado-Geral da União VII - Assessoria Especial do Presidente da República VIII - Conselho de Aviação Civil IX – Conselho da República X – Conselho de Defesa Nacional FONTE: Adaptado de: Lei Federal nº 10.683 (BRASIL, 2003) 98 UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO Você acabou de conhecer a atual estrutura organizacional da Presidência da República e pôde constatar que o Presidente da República é o Chefe de Governo que administra o Poder Executivo Federal. Agora vamos nos aprofundar em alguns destes órgãos para ampliar o seu conhecimento. IMPORTANT E A Lei Federal nº 10.683, de 28.05.2003, dispõe sobre a organização da Presidência da República e dos Ministérios, e dá outras providências. Acadêmico! É importante que você conheça esta legislação. Disponível em: <http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/leis/2003/l10.683.htm>. 6 CASA CIVIL A competência da Casa Civil é normatizada no art. 2º, incisos I e II da Lei Federal nº 10.683/2003, como podemos observar: Art. 2º À Casa Civil da Presidência da República compete: I - assistir direta e imediatamente o Presidente da República no desempenho de suas atribuições, especialmente: a) na coordenação e na integração das ações do Governo; b) na verificação prévia da constitucionalidade e legalidade dos atos presidenciais; c) na análise do mérito, da oportunidade e da compatibilidade das propostas, inclusive das matérias em tramitação no Congresso Nacional, com as diretrizes governamentais; d) na avaliação e monitoramento da ação governamental e da gestão dos órgãos e entidades da administração pública federal; II - promover a publicação e a preservação dos atos oficiais. Já, a sua estrutura básica, os órgãos, estão delineados na mesma lei e artigo, porém no parágrafo único, que resumimos a seguir: o Conselho Deliberativo do Sistema de Proteção da Amazônia, a Imprensa Nacional, o Gabinete, a Secretaria- Executiva e até três subchefias (a serem determinadas). Todas as atribuições e competências da Casa Civil são distribuídas aos órgãos de estrutura básica mediante legislação adequada para estas determinações. 7 ÓRGÃOS DE ASSESSORIA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA Os órgãos de assessoria da Presidência da República da atual organização foram apresentados no Quadro 6. Na atual estrutura foram criados tantos órgãos quanto à necessidade de informações e análises para a tomada de decisões e gestão adequada do Poder Executivo Federal. TÓPICO 3 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO 99 6 CASA CIVIL 7 ÓRGÃOS DE ASSESSORIA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA A Constituição Federal não apresenta número máximo de órgãos para o assessoramento, mas, contudo exige no mínimo dois órgãos superiores que são os seguintes: o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional.A Constituição Federal determina a competência do Conselho da República, no art. 90: “Art. 90. Compete ao Conselho da República pronunciar-se sobre: I - intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio; II - as questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas” (BRASIL, 1988). Já a competência do Conselho de Defesa Nacional está no art. 91, §1º do mesmo ordenamento jurídico, como segue: Art. 91 [...] § 1º - Compete ao Conselho de Defesa Nacional: I - opinar nas hipóteses de declaração de guerra e de celebração da paz, nos termos desta Constituição; II - opinar sobre a decretação do estado de defesa, do estado de sítio e da intervenção federal; III - propor os critérios e condições de utilização de áreas indispensáveis à segurança do território nacional e opinar sobre seu efetivo uso, especialmente na faixa de fronteira e nas relacionadas com a preservação e a exploração dos recursos naturais de qualquer tipo; IV - estudar, propor e acompanhar o desenvolvimento de iniciativas necessárias a garantir a independência nacional e a defesa do Estado democrático (BRASIL, 1988). Tanto o Conselho da República quanto o Conselho de Defesa Nacional deverão ter sua organização e funcionamento regulados por legislação própria. Foram criadas as Leis Federais nº 8.041/90 e nº 8.183/91 para suprir esta exigência e regular os conselhos. 8 MINISTÉRIOS Os ministérios são agrupados pela ação governamental que devem desempenhar nos setores políticos, econômico, militar e social. Devem ser criados e estruturados por lei que identificará suas atribuições, competências e estrutura funcional. Esta normatização é encontrada no art. 88 da CF de 1988. Os autores Meirelles, Aleixo e Burle Filho (2013, p. 841) explicam: “Os Ministérios são órgãos autônomos da cúpula da Administração Federal, situados logo abaixo da Presidência da República” (grifo dos autores). Os ministérios são representados e dirigidos pelos ministros, que exercem cargos em comissão, que serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. (CF 1988). Para Silva (2011) os ministros estão na cúpula da organização administrativa do Poder Executivo Federal, fazendo intermediação direta entre o Poder Político (Senado e Câmara de Deputados) e a Administração Pública Federal. 100 UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO Sobre as atribuições constitucionais, expressas no art. 87, parágrafo único, dos ministros de Estado, Silva (2011, p. 659) orienta: Cada um deles dirige uma grande estrutura da administração federal, que se chama Ministério. Cabem-lhes, além de outras atribuições estabelecidas na Constituição e na lei: (1) a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da administração federal na área de sua competência e referendar os atos e decretos assinados pelo Presidente da República; (2) expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; (3) apresentar ao Presidente da República relatório anual de sua gestão no Ministério; (4) praticar os atos pertinentes às atribuições que lhes forem outorgadas ou delegadas pelo Presidente da República. Podemos observar que o Presidente da República nomeia seus ministros, utilizando o critério da confiança, para auxiliá-lo na administração do país. Isto porque desempenham atribuições de grande relevância nacional, diretamente ligadas ao desempenho dos seus planos de governo. IMPORTANT E Acadêmico(a)! Para manter-se informado sobre a estrutura, o funcionamento, a história, as atribuições, entre outras novidades é fundamental acessar, periodicamente, os sítios individuais de cada Ministério na rede mundial de computadores. 9 ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO DIRETA ESTADUAL A estrutura básica dos órgãos públicos nos Estados-membros da nossa Federação é semelhante à estrutura Federal, é o que salienta Medauar (2005, p. 70): “[...] observa o mesmo esquema da Administração Federal: o chefe do Executivo encabeça a Administração e tem como auxiliares os Secretários de Estado”. Meirelles, Aleixo e Burle Filho (2013, p. 861) também ressaltam a simetria entre a estrutura da Administração Federal e a Estadual: A administração estadual acha-se estruturada em simetria com a administração federal, atenta ao mandamento constitucional de observância, pelos Estados Federados, dos princípios estabelecidos na Constituição da República (art. 25 a 28) e às normas da Lei Complementar 20, de 1.7.74, relativamente ao atendimento dos princípios fundamentais adotados pela Reforma Administrativa (preâmbulo e art. 1º) (grifo nosso). TÓPICO 3 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO 101 9 ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO DIRETA ESTADUAL É importante destacar que a Constituição Federal, em seu art. 25 prevê a autonomia estadual em relação a sua organização e regência, desde que seguidos os princípios constitucionais. Essa autonomia é implementada pela Constituição Estadual e as leis que cada Estado-membro aprovar. As Constituições Estaduais, normalmente, apresentam a estrutura básica da administração direta estadual. Outras leis normatizam os pormenores da estrutura, das atribuições, do quadro de servidores e funcionamento de órgãos específicos. Silva (2011, p. 663-664), explica e exemplifica a autonomia dos Estados, Distrito Federal e Municípios: Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios possuem autonomia para estabelecerem os órgãos de seus governos na forma que lhes parecer mais conveniente ao desempenho dos encargos que lhes cabem na partilha de competências federativas. Podem, pois, estruturar os órgãos superiores de sua administração como quiserem, criando Secretarias, ou Departamentos, ou simples Serviços. Acadêmico(a)! Agora, você pode compreender por que nem sempre os nomes das Secretarias Estaduais ou os Órgãos de assessoramento são iguais de um Estado para outro. Usufruindo da autonomia constitucional, cada Estado se organiza levando em consideração suas necessidades. 10 GOVERNADOR E VICE-GOVERNADOR O Governador é o Chefe do Poder Executivo Estadual, cabendo a ele (juntamente com o vice) a direção da Administração Estadual. É o que ressalta Temer (2002, p. 88): “O governador e o vice-governador compõem o Poder Executivo Estadual, cujo objetivo é executar, administrar, o que formulou o legislador estadual, seja o constituinte, seja o ordinário”. Meirelles, Aleixo e Burle Filho (2013, p. 862) destacam, que: “Em todos os Estados-membros (26, atualmente) o Poder Executivo é exercido, unipessoalmente, pelo Governador, auxiliado por Secretários de Estado”. Cada Governador pode estruturar seus órgãos executivos e de assessoramento, conforme explicado anteriormente. Na visão de Medauar (2005, p. 70), normalmente, alguns órgãos são criados: “O Gabinete do Governador é integrado por órgãos de assessoramento direto, tais como Assessoria ou Consultoria Jurídica, Assessoria Parlamentar, Assessoria de Imprensa, Casa Civil”. Apenas para complementar nossos conhecimentos o Poder Executivo do Distrito Federal é, também, representado pelo Governador. É o que orienta Dantas (2014, p. 1, grifo nosso): “Governador é o cargo político que representa o poder executivo na esfera dos Estados e do Distrito Federal. [...]. O governador do Distrito Federal, por ser um caso singular (município neutro), exerce certas funções que são cabíveis ao prefeito”. 102 UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO O Governador, que é o Chefe do Poder Executivo do Estado ou do Distrito Federal, tem um cargo com muitas responsabilidades e obrigações. As atribuições dos Chefes de Poder Executivo Estadual estão elencadas nas Constituições Estaduais. Entre todas suas atribuições algumas podem ser delegadas, outras, são exclusivas ao seu cargo. Podemos citar algumas de suas atribuições exclusivas: representar o Estado, dar iniciativa a projetos de lei, expedir decretos etc. 11 SECRETARIASDE GOVERNO ESTADUAIS As Secretarias Estaduais são os órgãos que executam as atribuições não privativas do Gabinete do Governador. Para Medauar (2005) as secretarias estaduais são como os ministérios na administração direta da União e os responsáveis por elas são chamados de Secretários Estaduais, escolhidos por confiança entre brasileiros maiores de vinte e um anos com pleno exercício dos seus direitos políticos. Na esfera estadual, os Secretários de Estado exercem atribuições semelhantes as dos Ministros, no governo federal. É o que explica Silva (2011, p. 664): O Governador exerce o Poder Executivo estadual auxiliado pelos Secretários de Estado, que, assim, têm, no âmbito estadual, posição semelhante aos Ministros de Estado. As constituições estaduais, como sempre fazem, acabarão imitando o modelo federal, dizendo que ao Governador compete ‘exercer, com auxílio dos Secretários de Estado, a direção superior da administração estadual’ (grifo do autor). Sobre a competência e atribuições dos Secretários Estaduais, Meirelles, Aleixo e Burle Filho (2013, p. 862) esclarecem as semelhanças com a esfera federal: [...] Variam as Secretarias em número, denominação e atribuições, mas todas elas constituem órgãos dirigentes da administração estadual, cabendo aos respectivos Secretários funções de supervisão, através de orientação, coordenação e controle das atividades dos órgãos inferiores, como ocorre com os Ministros de Estado (grifo nosso). Concorda com esta simetria e acrescenta exemplos de estrutura das Secretarias Estaduais, a autora Medauar (2005, p. 70-71): Em geral, a Administração direta dos Estados-membros conta com Secretaria da Fazenda, Secretaria da Educação, Secretaria da Segurança Pública, variando em número e matéria as demais Secretarias. Cada Secretaria, por sua vez, é dotada de conjunto de órgãos, destinados a realizar, cada qual no seu âmbito, as atribuições da Secretaria como um todo; por exemplo: Gabinete do Secretário, Assessorias, Departamentos, Coordenadorias, Divisões, Seções, Setores, e assim por diante. TÓPICO 3 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO 103 11 SECRETARIAS DE GOVERNO ESTADUAIS Cada Estado-membro organiza suas secretarias conforme suas necessidades para desempenhar as competências e beneficiar seu público-alvo, a população. Cabe ressaltar que toda a estrutura de órgãos das Secretarias Estaduais deve ser criada, alterada ou excluída, através de legislação própria de iniciativa do Governador. 12 ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO DIRETA MUNICIPAL Encontramos na Constituição Federal a autonomia política dos Municípios expressa no art. 29. Esta independência deve ser exercida dentro dos princípios constitucionais federais e em consonância com a Constituição Estadual em que o Município se situa. Diferente do Estado e da União, o Município vai ser regido e organizado pela Lei Orgânica. Sobre a Lei Orgânica Municipal, salienta Moraes (2011, p. 296): “Os municípios reger-se-ão por leis orgânicas municipais [...]. A Lei Orgânica organizará os órgãos da Administração, a relação entre os órgãos do Executivo e Legislativo [...] observadas às particularidades locais”. A participação dos Municípios como ente da federação e com autonomia política é uma peculiaridade brasileira, segundo o que ensinam Meirelles, Aleixo e Burle Filho (2013, p. 862): O Município brasileiro é entidade estatal integrante da Federação. Essa integração é uma peculiaridade nossa, pois em nenhum outro Estado soberano se encontra o Município como peça do regime federativo constitucionalmente reconhecida. Dessa posição singular do nosso Município é que resulta sua autonomia político-administrativa, diversamente do que ocorre nas demais Federações, em que os Municípios são circunscrições territoriais meramente administrativas. A organização básica da Administração Direta Municipal encontra-se na sua Lei Orgânica. Seguindo o exemplo da União e dos Estados normalmente são editadas leis que regulamentam mais detalhadamente os órgãos públicos municipais. “A estrutura administrativa municipal reflete a extensão do próprio Município” (MEDAUAR, 2005, p. 71): [...] As Prefeituras desses Municípios, que são as estruturas administrativas do Poder Executivo municipal, podem ter organização mais simples, tais como Departamentos, Coordenadorias, Serviços, Divisões, em vez de Secretarias, que são órgãos mais complexos, com certa conotação política, que se justificam nos grandes Municípios, especialmente os da Capital. (SILVA, 2011, p. 664). Podemos observar que não é exigência constitucional a criação de Secretarias Municipais, quando tratamos de estruturas dos Municípios. Orienta a autora Medauar (2005) que em municípios de grande porte é fundamental uma 104 UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO estrutura de Secretarias e para os municípios muito pequenos a estrutura pode ser, menos complexa e dispendiosa, como órgãos, tão somente, departamentos, assessorias e setores. 13 PREFEITO E VICE-PREFEITO “O Prefeito é o chefe do Poder Executivo, cabendo-lhe a direção administrativa e política do município”. (MORAES, 2011, p. 301). Quanto à direção da prefeitura, como administração direta municipal, explicam Meirelles, Aleixo e Burle Filho (2013, p. 863): A administração municipal é dirigida pelo Prefeito, que, unipessoalmente, como Chefe do Executivo local, comanda, supervisiona e coordena os serviços de peculiar interesse do município, auxiliado por Secretários Municipais ou Diretores de Departamentos, conforme a organização da Prefeitura e a maior ou menor desconcentração de suas atividades, sendo permitida, ainda, a criação das autarquias e empresas estas, visando à descentralização administrativa. Salienta a autora Medauar (2005, p. 71): “Dentre as atribuições do Prefeito se encontram, em geral, as seguintes: nomear e exonerar auxiliares diretos; expedir decretos e regulamentos; prover cargos e funções públicas; praticar atos administrativos referentes a servidores municipais”. Assim como os chefes do Poder Executivo Estadual e Federal e demais cargos em questão, o Prefeito é um agente político e deve concorrer a eleições públicas. Explica Moraes (2011) que as eleições para Prefeito e seu Vice ocorrem no primeiro domingo de outubro do ano anterior ao término do mandato, que é de quatro anos, ressalta que a legislação eleitoral permite segundo turno para municípios com mais de duzentos mil eleitores. A respeito dos agentes políticos, Meirelles (2003, p. 75) esclarece: [...] são os componentes do Governo nos seus primeiros escalões, investidos em cargos, funções, mandatos ou comissões, por nomeação, eleição, designação ou delegação para o exercício de atribuições constitucionais. Esses agentes atuam com plena liberdade funcional, desempenhando suas atribuições com prerrogativas e responsabilidades próprias, estabelecidas na Constituição e em leis especiais. Têm normas específicas para sua escolha, investidura, conduta e processo por crimes funcionais e de responsabilidade, que lhes são privativos. A relatora Andrade (2010, p. 177) dá exemplos de agentes políticos: “[...] agentes políticos no âmbito do município são apenas o prefeito, o vice-prefeito, os secretários e os vereadores”. TÓPICO 3 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO 105 13 PREFEITO E VICE-PREFEITO Os Agentes políticos possuem um processo diferenciado de posse e sucessão ao cargo. Moraes (2011, p. 297) orienta: [...] posse do Prefeito e do Vice-prefeito no dia 1º de janeiro do ano subsequente ao da eleição. A substituição e sucessão na chefia do Poder Executivo Municipal devem ser regulamentadas pela Lei Orgânica Municipal, que deverá, em relação à vacância definitiva dos cargos de Prefeito e Vice-Prefeito, observar o princípio da simetria no tocante ao art. 81 do texto constitucional. Existem atribuições que devem ser praticadas exclusivamente pelo Prefeito, enquanto para outras não há estanecessidade, podendo o prefeito, através de decreto, delegar, o que não o exime de sua responsabilidade perante estas atribuições. Aborda Ghellere Junior (2007, p. 26): As funções administrativas são as mais importantes sendo que algumas delas são desempenhadas pessoalmente pelo Prefeito, sendo este o responsável direto por todas as atribuições a seguir delineadas. As funções administrativas são: a) administração do patrimônio municipal; b) execução do orçamento; c) abertura de créditos; d) arrecadação, guarda e aplicação da receita municipal; e) execução de obras e serviços; f) decretação de desapropriação; g) imposição de penalidades administrativas; i) execução da dívida ativa; j) organização e direção do funcionalismo; l) despacho de expediente; m) publicação dos atos administrativos; n) expedição de certidões; o) execução de atribuições delegadas; p) requisição de força policial. Verificamos que o Prefeito exerce o Poder Executivo Municipal e também a direção geral da Administração no Município (Prefeitura). A complexidade das suas atribuições deve ser considerada quando da elaboração de uma estrutura de órgãos públicos, com o intuito de auxiliá-lo nas suas tomadas de decisões. IMPORTANT E Caro(a) acadêmico(a)! Não esqueça que antes da posse é importante que o Prefeito tome algumas providências, é o que ensina Fernandes (2010, p. 62): Passada a euforia pela vitória nas urnas, após meses seguidos de ingentes trabalhos de toda uma equipe, sob sua coordenação pessoal e direta, o Prefeito eleito precisa, agora, “tomar pé da situação”, compor uma assessoria tanto quanto possível competente, proba e honesta, e traçar planos a curto, médio e longo prazos que viabilizem a consecução de metas voltadas para o bem-estar e o desenvolvimento da comunidade que o elegeu. 106 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você estudou: • As características e competências do poder executivo determinadas na nossa Constituição Federal estão no título IV, capítulo II. • Quem exerce o poder executivo na União é o presidente da república, nos Estados é o governador e nos municípios, o prefeito. • A administração pública, quando centraliza ou desconcentra seus serviços, utiliza-se da administração direta e quando cria uma estrutura para descentralizá-los, utiliza-se da administração indireta. • Cada ente da federação (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) deve criar uma estrutura administrativa, que são os órgãos, por meio de Leis Complementares à Constituição Federal, Constituição Estadual e a Lei Orgânica do município. • Os representantes do Poder Executivo não trabalham sozinhos, necessitam de uma estrutura administrativa comandada por técnicos que entendem da sua área e realizam os trabalhos com maior eficácia. 107 Acadêmico(a)! Para que possamos avaliar a compreensão dos conceitos aos quais tivemos acesso até o momento, convido-o(a) a responder aos questionamentos dispostos a seguir: 1 O Poder Executivo Federal, Estadual e Municipal é representado unipessoalmente por um Agente Político. Com referência ao Agente Político que representa a Administração Federal, Estadual e Municipal, respectivamente, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) O Presidente da República, o Governador e o Prefeito. b) ( ) O Presidente da República, o Vice-governador e o Presidente da Câmara Municipal. c) ( ) Os Senadores, os Deputados Federais e os Vereadores. d) ( ) Os Ministros, os Secretários Estaduais e os Secretários Municipais. 2 Os serviços públicos, competências e atribuições podem ser executados de forma centralizada ou descentralizada. Com referência ao tipo de administração, regulamentada no Decreto-Lei 200/67, que utiliza a execução centralizada, com ou sem desconcentração, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Administração Indireta. b) ( ) Administração Direta e Indireta. c) ( ) Órgãos Indiretos de Administração. d) ( ) Administração Direta. 3 Os municípios possuem autonomia política e organizacional, desde que respeitem aos princípios constitucionais. Quanto ao nome da lei municipal que rege os municípios, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) É a Constituição Estadual. b) ( ) É a Carta Magna Federal. c) ( ) É a Lei Orgânica Municipal. d) ( ) É a Lei Orgânica do Tribunal de Contas. AUTOATIVIDADE 108 109 TÓPICO 4 CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO PODER JUDICIÁRIO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Na organização do Estado fica determinada como função típica do Poder Judiciário, a judiciária ou jurisdicional, atribuição muito importante para redimir conflitos entre os poderes, a sociedade e facilitar o acesso de todos à justiça, entre outros. Iniciaremos nossos estudos visualizando o acesso à justiça no Brasil, continuaremos com a organização do poder judiciário e conheceremos as principais características dos seguintes órgãos: Supremo Tribunal Federal, Conselho Nacional de Justiça, Supremo Tribunal de Justiça, Supremo Tribunal Militar, Tribunal Superior e o Regional Eleitoral, Tribunal Superior e Regional do Trabalho, Justiça Federal e a Justiça Estadual. O Poder Judiciário é indispensável quando nos deparamos com conflitos de interesses, em determinadas situações pessoais ou coletivas. Aplicar a legislação para solucionar conflitos é sua finalidade. Auxiliado por alguns órgãos do Poder Executivo, nos aproxima do caminho tortuoso do acesso à justiça. Prezado(a) acadêmico(a)! A partir deste tópico, conheceremos as características e as principais competências do Poder Judiciário. Vamos aos estudos! 2 A FUNÇÃO JURISDICIONAL E O ACESSO À JUSTIÇA É poder e dever do Estado prover aos brasileiros o Poder Judiciário, expresso no art. 2º da Constituição Federal. Não existe justiça privada que desempenhe as funções deste Poder no Brasil. Todo e qualquer conflito de interesses tanto entre pessoas físicas, entre sociedades empresárias ou até mesmo entre o governo e a sociedade, devem ser resolvidos, quando não houver conciliação, por processos judiciais. De acordo com Moraes (2011, p. 520): “O Poder Judiciário é um dos três poderes clássicos previstos pela doutrina e consagrado como um poder autônomo e independente de importância crescente no Estado de Direito”. 110 UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO A função típica do Judiciário é a jurisdicional, também conhecida como judicial ou jurisdição. Consiste no dever que o Poder Judiciário tem de aplicar corretamente a legislação para solucionar conflitos sociais. Alkmim (2009, p. 687) entende como: Ao Poder Judiciário compete, como função típica, o exercício da atividade jurisdicional do Estado, que se caracteriza pela aplicação do direito aos casos concretos que lhe são submetidos, com vistas à solução dos conflitos de interesse surgidos no âmbito da sociedade. Como a jurisdição é um monopólio estatal, não sendo admitida a justiça privada, trata-se de um poder/dever do Estado. Encontramos nos ensinamentos de Silva (2011, p. 553) entendimento sobre a função jurisdicional: [...] os órgãos do Poder Judiciário têm por função compor conflitos de interesses em cada caso concreto. Isso é o que se chama função jurisdicional ou simplesmente jurisdição, que se realiza por meio de um processo judicial, dito, por isso mesmo, sistema de composição de conflitos de interesses ou sistemas de composição de lides (grifo do autor). Vejamos a opinião de Moraes (2011, p. 522) sobre a função típica do Poder Judiciário “[...] a função de julgar, ou seja, a função jurisdicional, consiste na imposição da validade do ordenamento jurídico, de forma coativa, toda vez que houver necessidade.” A nossa Constituição Federal determina que é um direito individual e coletivo a apreciação do Poder Judiciário sobre situações de lesão ou ameaça aos nossos direitos. O acesso à justiça é livre, porém, quem se sentir lesado deve acionar ou provocar o Poder Judiciário, na maioria das vezes, com a intermediação ou constituiçãode um advogado. 3 ORGANIZAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO A autonomia e a independência do Judiciário são legítimas, desde que respeitem as disposições constitucionais. A estrutura organizacional do Poder Judiciário está disposta no Capítulo III da nossa Constituição Federal. A autonomia na criação de órgãos e estrutura para desempenhar a função jurisdicional deve respeitar a organização do Poder Judiciário que encontramos no art. 92 da CF: Art. 92. São órgãos do Poder Judiciário: I - o Supremo Tribunal Federal; II- o Conselho Nacional de Justiça; [...] III - o Superior Tribunal de Justiça; IV - os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais; V - os Tribunais e Juízes do Trabalho; VI - os Tribunais e Juízes Eleitorais; VII - os Tribunais e Juízes Militares; VIII - os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios. TÓPICO 4 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO 111 3 ORGANIZAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO Alkmim (2009, p. 687) explica o funcionamento dos órgãos do Judiciário: Com efeito, o Poder Judiciário no Brasil estrutura-se basicamente a partir de uma divisão em duas esferas jurisdicionais independentes, que são as justiças dos Estados e a Justiça da União. A partir dessa divisão maior, referidas justiças se subdividem em Justiças comuns e Justiças especializadas, havendo ainda a previsão de juizados especiais tanto no âmbito das Justiças Estaduais, como da Justiça Federal. Os juízes ou magistrados integram os órgãos do Poder Judiciário, segundo o art. 93 da nossa Carta Magna, o Supremo Tribunal Federal tem a competência de elaborar projeto de lei complementar que dispõe sobre o Estatuto da Magistratura. Para haver independência e autonomia há necessidade de alocação de recursos financeiros. Orienta Moraes (2011, p. 524) sobre a autonomia funcional, administrativa e financeira que: “Os Tribunais têm autogoverno e devem elaborar suas propostas orçamentárias dentro dos limites estipulados conjuntamente com os demais Poderes na Lei de Diretrizes Orçamentárias”. Enfim, cabe às justiças federais, estadual e especializada, a elaboração das propostas contemplando suas estruturas administrativas e financeiras, para desenvolverem suas atribuições precípuas com autonomia. 4 O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL A Constituição Federal, no art. 102, estabelece as competências do Supremo Tribunal Federal – STF. Elaboramos o próximo quadro com estas competências constitucionais de julgar. 112 UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO QUADRO 7 – COMPETÊNCIAS DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL 1. Competências originárias a) A ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal. b) Nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice-Presidente, os membros do Congresso Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República. c) Nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art. 52, I, os membros dos Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente. d) O "habeas corpus", sendo paciente qualquer das pessoas referidas nas alíneas anteriores; o mandado de segurança e o "habeas data" contra atos do Presidente da República, das Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de Contas da União, do Procurador- Geral da República e do próprio Supremo Tribunal Federal. e) O litígio entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e a União, o Estado, o Distrito Federal ou o Território. f) As causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o Distrito Federal, ou entre uns e outros, inclusive as respectivas entidades da administração indireta. g) a extradição solicitada por Estado estrangeiro. i) O habeas corpus, quando o coator for Tribunal Superior ou quando o coator ou o paciente for autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à jurisdição do Supremo Tribunal Federal, ou se trate de crime sujeito à mesma jurisdição em uma única instância. j) A revisão criminal e a ação rescisória de seus julgados. l) A reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões. m) A execução de sentença nas causas de sua competência originária, facultada a delegação de atribuições para a prática de atos processuais. n) A ação em que todos os membros da magistratura sejam direta ou indiretamente interessados, e aquela em que mais da metade dos membros do tribunal de origem estejam impedidos ou sejam direta ou indiretamente interessados. o) Os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e quaisquer tribunais, entre Tribunais Superiores, ou entre estes e qualquer outro tribunal. p) O pedido de medida cautelar das ações diretas de inconstitucionalidade. q) O mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição do Presidente da República, do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das Mesas de uma dessas Casas Legislativas, do Tribunal de Contas da União, de um dos Tribunais Superiores, ou do próprio Supremo Tribunal Federal. r) As ações contra o Conselho Nacional de Justiça e contra o Conselho Nacional do Ministério Público. 2. Competências em grau de recurso ordinário a) O "habeas corpus", o mandado de segurança, o "habeas data" e o mandado de injunção decididos em única instância pelos Tribunais Superiores, se denegatória a decisão. b) O crime político. 3. Competências em grau de recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando da decisão recorrida a) Contrariar dispositivo desta Constituição. b) Declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal. c) Julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição. d) Julgar válida lei local contestada em face de lei federal. FONTE: Adaptado de: Constituição Federal (BRASIL, 1988) TÓPICO 4 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO 113 FONTE: Adaptado de: Constituição Federal (BRASIL, 1988) Gostaríamos de esclarecer que a competência originária refere-se a processos que darão início no STF, enquanto as competências em grau de recurso são as apelações ordinárias ou extraordinárias. É prerrogativa do Presidente da República a escolha dos ministros que comporão o Supremo Tribunal Federal, porém, poderá nomeá-los apenas se aprovados pelo Senado Federal. Quanto à composição e os requisitos para a escolha dos ministros do STF, Silva (2011, p. 559) orienta: A composição do STF manteve-se tal como antes, com onze Ministros, que serão nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha pelo Senado Federal, dentre cidadãos (brasileiros natos) com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada. Ressaltamos que o requisito de ser brasileiro nato é fundamental aos candidatos a Ministros do STF porque cabe ao Presidente do Supremo Tribunal Federal a sucessão do Presidente da República em determinadas situações. O STF é responsável pela emissão das chamadas Súmulas Vinculantes, que vieram para agilizar e trazer segurança jurídica aos processos judiciais em questões reiteradas (repetidas, idênticas), salienta Alkmim (2009, p. 692) sobre o tema: A súmula vinculante consiste no enunciado do Supremo Tribunal Federal, decorrente de reiteradas decisões no mesmo sentido acerca de matéria constitucional. Nesses casos, poderá o STF editar súmulas com efeito vinculante, a qual passará a obrigar a todos os demais órgãos do Poder Judiciário a decidirem naquele sentido. Além dos órgãos do Judiciário, as súmulas, a partir de sua publicação, terão efeito vinculante também em relação à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Ao Supremo TribunalFederal cabe a tarefa primordial para um Estado de Direito, que é a guarda da Constituição. Preservar e exigir a aplicação dos princípios constitucionais, traz segurança jurídica para a sociedade. 5 CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA A função precípua do Conselho Nacional de Justiça – CNJ de controlar a atuação do Poder Judiciário exige que, na composição de seus membros, participem, também, atores de outros segmentos, como: Poder Executivo e da sociedade em geral. Moraes (2011, p. 542-543) explica, resumidamente, à composição e a presidência do CNJ: 114 UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO O Conselho Nacional de Justiça é composto por 15 membros, cuja maioria (nove) é composta por membros do próprio Poder Judiciário, e pode ser dividido da seguinte forma: membros do judiciário, membros das funções essenciais à Justiça (advocacia e Ministério Público) e membros da sociedade escolhidos pelo Legislativo. [...] O Conselho será presidido pelo Ministro-Presidente do Supremo Tribunal Federal (grifo do autor) Nas ausências e impedimentos do Presidente do STF, quem assumirá a presidência do CNJ é o Vice-Presidente do STF, segundo ensinamentos de Silva (2011). As competências do Conselho Nacional de Justiça estão expressas no art. 103-B, § 4º, da Constituição Federal. Para que você possa distinguir com maior facilidade adaptamos no quadro a seguir as competências e atribuições constitucionais deste Conselho. Veja a seguir: QUADRO 8 – COMPETÊNCIAS E ATRIBUIÇÕES DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA 1. Competência Constitucional a) Controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário. b) Controle do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes. c) Cumprir atribuições que lhe forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura. 2. Atribuições Constitucionais a) Zelar pela autonomia do Poder Judiciário e pelo cumprimento do Estatuto da Magistratura, podendo expedir atos regulamentares, no âmbito de sua competência, ou recomendar providências. b) Zelar pela observância do art. 37 e apreciar, de ofício ou mediante provocação, a legalidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do Poder Judiciário, podendo desconstituí-los, revê-los ou fixar prazo para que se adotem as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, sem prejuízo da competência do Tribunal de Contas da União. c) Receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos do Poder Judiciário, inclusive contra seus serviços auxiliares, serventias e órgãos prestadores de serviços notariais e de registro que atuem por delegação do poder público ou oficializados, sem prejuízo da competência disciplinar e correcional dos tribunais, podendo avocar processos disciplinares em curso e determinar a remoção, a disponibilidade ou a aposentadoria com subsídios ou proventos proporcionais ao tempo de serviço e aplicar outras sanções administrativas, assegurada ampla defesa. d) Representar ao Ministério Público, no caso de crime contra a administração pública ou de abuso de autoridade. e) Rever, de ofício ou mediante provocação, os processos disciplinares de juízes e membros de tribunais julgados há menos de um ano. f) Elaborar semestralmente relatório estatístico sobre processos e sentenças prolatadas, por unidade da Federação, nos diferentes órgãos do Poder Judiciário. g) Elaborar relatório anual, propondo as providências que julgar necessárias, sobre a situação do Poder Judiciário no País e as atividades do Conselho, o qual deve integrar mensagem do Presidente do Supremo Tribunal Federal a ser remetida ao Congresso Nacional, por ocasião da abertura da sessão legislativa. FONTE: Adaptado de: Constituição Federal (BRASIL, 1988) TÓPICO 4 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO 115 QUADRO 8 – COMPETÊNCIAS E ATRIBUIÇÕES DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA Salienta Silva (2011) que a União, o Distrito Federal e os Territórios devem criar e implementar Ouvidorias de Justiça, que receberão denúncias relacionadas aos membros ou órgãos do Poder Judiciário e as repassarão diretamente ao Conselho Nacional de Justiça para averiguação. 6 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA O Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão do Poder Judiciário que encontra normatização constitucional nos art. 104 e 105, sofre supervisão administrativa e financeira do Conselho da Justiça Federal, ensina Silva (2011). A nossa Carta Maior, em seu art. 105, enumera as competências do Superior Tribunal de Justiça. Com a finalidade de ordenar as competências para julgar do STJ, adaptamos o quadro a seguir: QUADRO 9 – COMPETÊNCIAS DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 1- Competências originárias a) Nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal, e, nestes e nos de responsabilidade, os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, os dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do Ministério Público da União que oficiem perante tribunais. b) Os mandados de segurança e os habeas data contra ato de Ministro de Estado, dos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica ou do próprio Tribunal. c) Os habeas corpus, quando o coator ou paciente for qualquer das pessoas mencionadas na alínea "a", ou quando o coator for tribunal sujeito à sua jurisdição, Ministro de Estado ou Comandante da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral. d) Os conflitos de competência entre quaisquer tribunais, ressalvado o disposto no art. 102, I, "o", bem como entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes vinculados a tribunais diversos. e) As revisões criminais e as ações rescisórias de seus julgados. f) A reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões. g) Os conflitos de atribuições entre autoridades administrativas e judiciárias da União, ou entre autoridades judiciárias de um Estado e administrativas de outro ou do Distrito Federal, ou entre as deste e da União. h) O mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição de órgão, entidade ou autoridade federal, da administração direta ou indireta, excetuados os casos de competência do Supremo Tribunal Federal e dos órgãos da Justiça Militar, da Justiça Eleitoral, da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal. i) A homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas rogatórias. 2- Competências em grau de recurso ordinário a) Os "habeas corpus" decididos em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão for denegatória. b) Os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão. c) As causas em que forem partes Estado estrangeiro ou organismo internacional, de um lado, e, do outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no País. 116 UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO 3- Competência de julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida a) Contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência. b) Julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal. c) Dar à lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal. FONTE: Adaptado de: Constituição Federal (BRASIL, 1988) Sobre a finalidade do Superior Tribunal de Justiça, ressalta Alkmim (2009, p. 696), que foi criado para: “[...] julgar questões federais das chamadas Justiças comuns (Justiça Federal e Justiças Estaduais),assegurando a supremacia da legislação federal em todo o território nacional, bem como a uniformidade de interpretação do direito entre os tribunais nacionais”. Orienta Silva (2011) que a composição do STJ é de no mínimo 33 ministros, os quais são nomeados pelo Presidente da República quando a escolha for aprovada pelo Senado Federal, por maioria absoluta. “Existem regras pré-determinadas para a escolha de seus Ministros, aplicando-se a regra do poderíamos chamar de 1/3 constitucional.” (MORAES, 2011, p. 567). Continuando com os ensinamentos de Moraes (2011, p. 567) verificamos quais são os requisitos para concorrer ao cargo de Ministro do STJ: a. idade: 35 a 65 anos; b. ser brasileiro nato ou naturalizado; c. notável saber jurídico e reputação ilibada. O funcionamento interno, bem como a organização administrativa e orçamentária é de competência autônoma do próprio STJ, respeitando as determinações constitucionais. IMPORTANT E Para conhecer melhor o funcionamento do Conselho da Justiça Federal, leia a Lei Federal 11.798 de 29 de outubro de 2008 que dispõe sobre a composição e a competência do Conselho da Justiça Federal. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11798.htm#art11>. TÓPICO 4 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO 117 7 TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL E TRIBUNAIS REGIONAIS ELEITORAIS A organização da Justiça Eleitoral encontra-se expressa na Constituição Federal em seu art. 118 (BRASIL, 1988). Os órgãos desta justiça são: o Tribunal Superior Eleitoral, os Tribunais Regionais Eleitorais, os Juízes Eleitorais e as Juntas Eleitorais. Em relação à sua organização administrativa e funcionamento, a Justiça Eleitoral deve utilizar-se de legislação exclusiva, salienta Silva (2011, p. 581) que: “[...] serão dispostas em lei complementar (art. 121), mas a Constituição já oferece um esquema básico”. Cada Capital Estadual e o Distrito Federal terão representação de Tribunais Regionais Eleitorais – TRE. A competência do Tribunal Superior Eleitoral – TSE, é originária e recursal em relação às demandas do processo eleitoral brasileiro, Alkmim (2009, p. 699) esclarece que: “O Tribunal Superior Eleitoral tem competência originária e recursal, sendo esta, para os recursos de decisões proferidas pelos tribunais regionais”. A composição do TSE está norteada pela Constituição Federal no art. 119, orienta Silva (2011, p. 581) que: O Tribunal Superior Eleitoral compor-se-á, no mínimo, de 7 membros, escolhidos: (1) mediante eleição, pelo voto secreto: (a) 3 juízes dentre Ministros do STF; (b) 2 juízes dentre os Ministros do STJ; (2) por nomeação do Presidente da República, 2 juízes dentre 6 advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo STF (grifo do autor). A escolha do Presidente e Vice-Presidente será entre os Ministros do STF eleitos pelos seus colegas membros do Tribunal Superior Eleitoral. Os Tribunais Regionais Eleitorais são os órgãos da Justiça Eleitoral logo abaixo do TSE e elegem seu Presidente e Vice dentre os desembargadores que fazem parte de sua composição. Ensina Moraes (2011, p. 592) como funciona a composição dos TREs, os quais: [...] serão compostos, mediante eleição e voto secreto, de dois juízes entre os desembargadores do Tribunal de Justiça; dois juízes entre juízes de direito, escolhidos pelo Tribunal de Justiça; de um juiz do Tribunal Regional Federal com sede na Capital do Estado ou no Distrito Federal, ou, não havendo, de juiz federal, escolhido, em qualquer caso, pelo Tribunal Regional Federal respectivo. Além disto, por nomeação, pelo Presidente da República, de dois juízes entre seis advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo Tribunal de Justiça. 118 UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO Para resguardar os processos eleitorais e evitar a possibilidade de interferência nos Tribunais Eleitorais, compartilha Moraes (2011), que seus membros devem ser substituídos após servirem no mínimo dois anos e, no máximo, dois biênios consecutivos. 8 TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO E TRIBUNAIS REGIONAIS DO TRABALHO Os conflitos originados das relações de trabalho são matéria de competência da Justiça do Trabalho. Encontramos na Constituição Federal em seu art. 111 (BRASIL, 1988) a composição dos órgãos desta Justiça, que são: o Tribunal Superior do Trabalho, os Tribunais Regionais do Trabalho e os Juízes do Trabalho. Em relação à competência e campo de atuação da Justiça do Trabalho, Alkmim (2009, p. 698) orienta: A Justiça do trabalho constitui-se em órgão especializado do Poder Judiciário e integra a Justiça da União. Foi criada para a solução de conflitos decorrentes das relações de trabalho, tendo por competência processar e julgar todas as ações oriundas das relações de trabalho, abrangidos todos os entes da administração pública direta e indireta, além dos dissídios coletivos que são os conflitos coletivos decorrentes das relações de trabalho, envolvendo interesse de toda uma categoria de trabalhadores. Podemos observar que o órgão máximo desta justiça especializada nas relações trabalhistas é o Tribunal Superior do Trabalho – TST que tem a composição delineada pela Constituição Federal, no art. 111-A, e aqui esclarecida por Silva (2011, p. 578): [...] Compor-se-á de vinte e sete Ministros, escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos, nomeados pelo Presidente da República após aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo: I – um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício, observado o disposto no art. 94; II – os demais dentre juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho, oriundos da magistratura da carreira, indicados pelo próprio Tribunal Superior (art. 111-A). Junto ao Tribunal Superior do Trabalho funcionarão: a) a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho, que entre outras atribuições regulamenta os cursos oficiais para o ingresso e promoção da carreira; e o Conselho Superior da Justiça do Trabalho, que manterá supervisão administrativa, financeira e patrimonial da Justiça do Trabalho. TÓPICO 4 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO 119 Já, os Tribunais Regionais do Trabalho que compõem a Justiça do Trabalho são distribuídos pelos Estados-membros e Distrito Federal. “Há um tribunal regional em cada Estado federado (sede na capital e competência em todo o Estado) e um no Distrito Federal.” (ALKMIM, 2009, p. 699). Com o intuito de dar amplo acesso à Justiça do Trabalho, nossa Constituição Federal determina no art. 115, §1º e §2º, que: Art. 115 [...] § 1º Os Tribunais Regionais do Trabalho instalarão a justiça itinerante, com a realização de audiências e demais funções de atividade jurisdicional, nos limites territoriais da respectiva jurisdição, servindo- se de equipamentos públicos e comunitários. § 2º Os Tribunais Regionais do Trabalho poderão funcionar descentralizadamente, constituindo Câmaras regionais, a fim de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado à justiça em todas as fases do processo. É através de legislação infraconstitucional que será normatizado a constituição, investidura, jurisdição, competência, garantias e condições de exercício dos órgãos da Justiça do Trabalho. 9 SUPERIOR TRIBUNAL MILITAR A Justiça Militar tem sua competência constitucional disciplinada dos art. 122 ao 124, com a finalidade de redimir conflitos criminais militares. “[...] é o órgão jurisdicional destinado à solução de conflitos definidos em lei [...]. Os crimes militares são tipificados no Código Penal Militar.” (ALKMIM, 2009, p. 700). A estrutura organizacional básica da Justiça Militar está normatizada no art. 122 da Constituição Federal, que compreende os seguintes órgãos: o Superior Tribunal Militar, os Tribunaise Juízes Militares instituídos por lei. O Supremo Tribunal Militar – STM é o órgão de cúpula da Justiça Militar e tem sua composição delineada constitucionalmente, salienta Silva (2011, p. 583): [...] compõe-se de quinze Ministros vitalícios, nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a indicação pelo Senado Federal, sendo 3 dentre oficiais-generais da marinha, 4 dentre oficiais- generais do Exército, 3 dentre oficiais-generais da Aeronáutica, todos da ativa do posto mais elevado da carreira, e 5 civis (art. 123). Para compor o STM são atribuídos requisitos constitucionais para os cargos de Ministros Civis, que devem ser brasileiros maiores de 35 anos. Dos cinco civis, três serão escolhidos dentre advogados de notório saber jurídico e conduta ilibada, com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e os outros dois dentre juízes auditores e membros do Ministério Público da Justiça Militar. 120 UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO 10 JUSTIÇA FEDERAL A organização da Justiça Federal encontra-se fundamentada pela Constituição Federal, art. 106. Seus órgãos são: os Tribunais Regionais Federais e os Juízes Federais. Compete à Justiça Federal processar e julgar originalmente (primeiro grau) e em grau de recurso (segundo grau). Sobre a representação originária da Justiça Federal Alkmim (2009, p. 698) orienta os procedimentos: “A Justiça Federal de primeiro grau é representada pelos juízes federais que se localizam em todos os Estados e no Distrito Federal. Trata-se de juízos monocráticos ao lado dos quais funciona também o tribunal do júri, sendo um em cada Estado”. Aos Tribunais Regionais Federais a Constituição Federal, no art. 108, atribui competências exclusivas que são apresentadas no quadro a seguir: 1. Competências originárias a) Os juízes federais da área de sua jurisdição, incluídos os da Justiça Militar e da Justiça do Trabalho, nos crimes comuns e de responsabilidade, e os membros do Ministério Público da União, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral. b) As revisões criminais e as ações rescisórias de julgados seus ou dos juízes federais da região. c) Os mandados de segurança e os "habeas data" contra ato do próprio Tribunal ou de juiz federal. d) Os "habeas corpus", quando a autoridade coatora for juiz federal. e) Os conflitos de competência entre juízes federais vinculados ao Tribunal. 2. Competência de julgar, em grau de recurso, as causas decididas pelos juízes federais e pelos juízes estaduais no exercício da competência federal da área de sua jurisdição FONTE: Adaptado de: Constituição Federal (BRASIL, 1988) QUADRO 10 – COMPETÊNCIAS DOS TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS Já, aos Juízes Federais, compete originalmente julgar e processar as causas atribuídas pela Constituição Federal, no art. 109 apresentadas no próximo quadro: TÓPICO 4 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DO 121 10 JUSTIÇA FEDERAL QUADRO 11 – COMPETÊNCIAS DOS JUÍZES FEDERAIS 1- Compete processar e julgar a) As causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho. b) As causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e Município ou pessoa domiciliada ou residente no País. c) As causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou organismo internacional. d) Os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral. e) Os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente. f) As causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º deste artigo. g) Os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira. h) Os "habeas corpus", em matéria criminal de sua competência ou quando o constrangimento provier de autoridade cujos atos não estejam diretamente sujeitos a outra jurisdição. i) Os mandados de segurança e os "habeas data" contra ato de autoridade federal, excetuados os casos de competência dos tribunais federais. j) Os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da Justiça Militar. k) Os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a execução de carta rogatória, após o "exequatur", e de sentença estrangeira, após a homologação, as causas referentes à nacionalidade, inclusive a respectiva opção, e à naturalização. l) A disputa sobre direitos indígenas. FONTE: Adaptado de: Constituição Federal (BRASIL, 1988) Destacamos que as lides de interesse da Justiça Federal são as que se relacionam com conflitos da União, exceto os assuntos que possuem justiça especializada. Alkmim (2009, p. 698) resume: compete à Justiça Federal “[...] julgar causas em que houver interesse da União e suas autarquias e empresas públicas, com exceção das de falência, acidentes do trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho”. 11 JUSTIÇA ESTADUAL Encontramos no art. 125 da Constituição Federal a autorização dos Estados de organizarem sua justiça, respeitando os princípios constitucionais. A competência desta justiça deve ser delineada nas Constituições Estaduais e a lei de organização deve ser de iniciativa do Tribunal de Justiça de cada Estado. Os Estados federados, em razão de sua autonomia política, administrativa e jurisdicional, possuem o seu próprio Poder Judiciário, competindo a cada Unidade Federativa a organização de sua estrutura, observados os princípios estabelecidos na Constituição Federal. (ALKMIM, 2009, p. 701). 122 UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO O Órgão de cúpula da Justiça Estadual, nos Estados-membros, é o Tribunal de Justiça e cabe a este a proposição de legislação para organização funcional, administrativa e financeira, assim prescreve a nossa Constituição. Na visão de Alkmim (2009, p. 701), normalmente se utiliza da seguinte estrutura: Para fins de organização das Justiças estaduais de primeiro grau, o território dos Estados é dividido em comarcas, sendo que cada comarca abrange um ou mais municípios e distritos. Comarca é o foro em que o juiz de primeiro grau exerce a sua competência territorial, podendo em cada comarca haver um ou mais juízos, ou seja, uma ou mais varas da Justiça Estadual, especializadas ou não, além de um tribunal de júri. A Lei Federal nº 9.099/95 (BRASIL, 1995) cria a obrigação tanto para a Justiça Federal quanto para a Justiça Estadual para a criação de juizados especiais, cíveis e criminais. DICAS Acadêmico, para melhor compreender as Características e Competências do Poder Judiciário é primordial que você leia atentamente a Constituição Federal no Capítulo III, do artigo 92 ao 135. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ constituicao.htm>. 123 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico, você estudou: • As características e competências do poder judiciário estão determinadas na nossa Constituição Federal, título IV, capítulo III. • O poder judiciário, que tem a função típica jurisdicional, é independente e também é estruturado por órgãos. • Os órgãos da justiça são: Supremo Tribunal Federal, Conselho Nacional de Justiça, Superior Tribunal de Justiça, Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais, Tribunais e Juízes do Trabalho, Tribunais e Juízes Eleitorais, Tribunais e Juízes Militares, Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e territórios. • Existe a organização da Justiça Federal e da Justiça Estadual, não há “justiça municipal”. • A nossaCF determina que os estados ofereçam defensorias públicas para que as pessoas, que não possuem condições financeiras, possam ter acesso à justiça. • Determinados temas que demandam valores das causas menores ou penas inferiores a dois anos, podem ser resolvidos através de juizados especiais, cíveis e criminais, tanto na Justiça Federal quanto na Justiça Estadual. 124 Vamos avaliar seus conhecimentos adquiridos até esta fase da Unidade 2, os convido a responder aos questionamentos dispostos a seguir: 1 Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário possuem funções típicas no desempenho de suas competências. Com referência a função típica do Judiciário, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Função Administrativa. b) ( ) Função Jurisdicional. c) ( ) Função Legislativa. d) ( ) Função Executiva. 2 A organização do Poder Judiciário, quanto à estrutura básica dos seus órgãos está prescrita na Constituição Federal. Com referência ao artigo que determina a estrutura do Judiciário, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Está determinado no artigo 70. b) ( ) Está determinado no artigo 90. c) ( ) Está determinado no artigo 95. d) ( ) Está determinado no artigo 92. 3 Para otimizar o controle do Poder Judiciário pelo Conselho Nacional de Justiça deve a União, o Distrito Federal e os Territórios implementar estruturas que receberão denúncias relacionadas ao Judiciário. Com referência ao nome destes órgãos que receberão as denúncias, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Chamam-se Ouvidorias de Justiça. b) ( ) Chamam-se Ouvidorias da União. c) ( ) Chamam-se Ouvidorias de Gestão da Justiça. d) ( ) Chamam-se Ouvidorias de Controle Institucional. AUTOATIVIDADE 125 TÓPICO 5 ÓRGÃOS AUXILIARES DO PODER JUDICIÁRIO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Quando tratamos do relacionamento entre os Poderes Executivo e o Judiciário, precisamos conhecer quais são os órgãos que representam um elo entre esses poderes e entre a sociedade. Este tópico trará para você as informações acerca de alguns atores que não compõem o quadro de órgãos do Judiciário, porém auxiliam o Poder Judiciário na função jurisdicional. Você irá conhecer as características e atribuições do Ministério Público, da Advocacia Geral da União e das Defensorias Públicas; será levado a perceber como são importantes no acesso à justiça no território brasileiro. A partir deste tópico, abordaremos os assuntos relacionados às características e as principais competências dos Órgãos Auxiliares do Poder Judiciário. Seja bem-vindo(a)! Iniciemos nossa caminhada. Aos estudos! 2 MINISTÉRIO PÚBLICO O Ministério Público – MP – consoante com os ensinamentos de Moraes (2009) é o defensor dos direitos fundamentais, entre eles os indisponíveis e interesses coletivos. Também atua como fiscal dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. “Os membros do Ministério Público, em nível federal, são chamados de Procuradores da República e, em nível estadual, de Promotores e de Procuradores da Justiça.” (ALKMIM, 2009, p. 703). O MP pelo exposto na Constituição Federal de 1988, em seu art. 128, divide- se nos seguintes órgãos: a) O Ministério Público da União representado através do Ministério Público Federal, do Trabalho, Militar, do Distrito Federal e Territórios; e b) O Ministério Público dos Estados. Anteriormente comentamos que a justiça deve ser provocada para a resolução dos conflitos, já o MP tem o caráter investigativo e em determinadas situações sua presença no processo de resolução de conflitos é indispensável. Para o desempenho das funções deste órgão é necessária a completa independência, ressalta Alkmim (2009, p. 703): 126 UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO [...] para assegurar o respeito e a manutenção dos direitos individuais e coletivos garantidos pela Constituição brasileira, não basta a isenção e imparcialidade do Poder Judiciário, uma vez que este é inerte e age apenas mediante provocação. Há necessidade de um órgão independente, sem vinculação a qualquer dos poderes constituídos, que possa se movimentar e agir na defesa dos interesses coletivos e individuais indisponíveis, buscando junto ao Judiciário a garantia destes interesses. Para o desempenho das suas atribuições, que se encontram dispostas no art. 129 da Constituição Federal (BRASIL, 1988), o Ministério Público é dotado de garantias e vedações constitucionais descritas no art. 128, § 5º. Para melhor compreensão adaptamos em um quadro suas atribuições, garantias e vedações: QUADRO 12 – ATRIBUIÇÕES, GARANTIAS E VEDAÇÕES DO MINISTÉRIO PÚBLICO 1. Atribuições do Ministério Público a) Promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei. b) Zelar pelo efetivo respeito dos poderes públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados nesta constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia. c) Promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos. d) Promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção da união e dos estados, nos casos previstos nesta constituição. e) Defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas. f) Expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei complementar respectiva. g) Exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei complementar mencionada no artigo anterior. h) Requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais. i) Exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas. 2. Garantias do Ministério Público a) Vitaliciedade, após dois anos de exercício, não podendo perder o cargo senão por sentença judicial transitada em julgado. b) Inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, mediante decisão do órgão colegiado competente do Ministério Público, pelo voto da maioria absoluta de seus membros, assegurada ampla defesa. c) Irredutibilidade de subsídio, fixado na forma do art. 39, § 4º, e ressalvado o disposto nos art. 37, X e XI, 150, II, 153, III, 153, § 2º, I. 3. Vedações do Ministério Público a) Receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto, honorários, percentagens ou custas processuais. b) Exercer a advocacia. c) Participar de sociedade comercial, na forma da lei. d) Exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função pública, salvo uma de magistério. e) Exercer atividade político-partidária. f) Receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei. FONTE: Adaptado de: Constituição Federal (BRASIL, 1988) TÓPICO 5 | ÓRGÃOS AUXILIARES DO PODER JUDICIÁRIO 127 O Judiciário é controlado pelo Conselho Nacional de Justiça e o Ministério Público, que não é órgão do Poder Judiciário, tem como órgão de controle e fiscalização o Conselho Nacional do Ministério Público – CONAMP, que tem obrigatoriedade e estrutura básica descrita no art. 130-A da Constituição Federal. 3 ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO Este órgão do Poder Executivo da União vem auxiliar o Judiciário, no que tange à solicitação de informações e documentos, porque tem a função de representar os interesses federais. Salienta Alkmim (2009, p. 708): “[...] é a instituição que, diretamente ou através de órgão vinculado, representa a União, judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe, nos termos da lei complementar, as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo”. Para cumprir ao preceito constitucional no art. 131 foi editada a Lei Complementar nº 73/93 que institui a Advocacia Geralda União – AGU e determina toda a estrutura organizacional, órgão, carreira, funções, controle institucional, direitos e impedimentos, entre outros. Apresentamos o próximo Quadro com seus Órgãos e atual composição. QUADRO 13 – COMPOSIÇÃO DOS ÓRGÃOS DA ADVOCACIA-GERAL DA UNIÃO Órgãos de direção superior Órgãos de execução a) O Advogado-Geral da União. b) A Procuradoria-Geral da União e a da Fazenda Nacional. c) Consultoria-Geral da União. d) O Conselho Superior da Advocacia- Geral da União. e) A Corregedoria-Geral da Advocacia da União. a) As Procuradorias Regionais da União e as da Fazenda Nacional e as Procuradorias da União e as da Fazenda Nacional nos Estados e no Distrito Federal e as Procuradorias Seccionais destas. b) A Consultoria da União, as Consultorias Jurídicas dos Ministérios, da Secretaria Geral e das demais Secretarias da Presidência da República e do Estado-Maior das Forças Armadas. FONTE: Adaptado de: Lei Complementar nº 73 (BRASIL, 1993) A legislação esclarece como escolher a chefia e como iniciar a carreira na AGU, explica resumidamente autor Silva (2011, p. 606): Chefia. A Advocacia-Geral da União tem por chefe o Advogado-Geral da União, de livre nomeação do Presidente da República dentre cidadãos maiores de trinta e cinco anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada. Carreira. Os membros da Advocacia-Geral da União, denominados Advogados da União, Procuradores da Fazenda Nacional e Assistentes Jurídicos, são organizados em carreira, em cuja classe inicial ingressarão por concurso público e provas de títulos (grifo do autor). 128 UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO Ressaltamos que a livre nomeação da chefia pelo Presidente da República é coerente devido à responsabilidade de gerir todo o funcionamento de uma organização com responsabilidades tanto judiciais (causas judiciais) como extrajudiciais (normatizações, assessorias e pareceres). 4 DEFENSORIA PÚBLICA Você sabia que o Estado tem a responsabilidade de prestar assistência jurídica integral e gratuita a todos que comprovarem insuficiência de recursos? Este é um dos direitos individuais que podemos encontrar na Constituição Federal no art. 5º, inciso LXXIV. A fim de respeitar essa exigência constitucional e a sua função jurisdicional é que os Estados-membros devem instituir, através de lei complementar, a Defensoria Pública. A Constituição Federal, dos artigos 133 ao 135 (BRASIL, 1988), dá normas gerais sobre a obrigatoriedade e a função indispensável desta defensoria, bem como determina a criação de lei complementar para organizá-la. A Lei Complementar 80/94 (BRASIL, 1994) organiza a defensoria pública na Justiça Federal e dá diretrizes para sua organização na Justiça Estadual. Em relação às atribuições da Defensoria Pública, vejamos a contribuição de Alkmim (2009, p. 709) sobre o assunto: Tais atribuições não se confundem com as do Ministério Público, na medida em que este é responsável pela defesa da sociedade como um todo, incluindo-se aí os direitos coletivos, difusos e individuais homogêneos, e à Defensoria Pública compete à orientação e defesa do cidadão, individualmente considerado, e que não possua condições financeiras para constituir advogado particular visando à defesa de seus interesses. Verificamos que a indispensabilidade do advogado, nas causas judiciais, obriga o Estado a prover condições de orientação jurídica, defesa e acesso à justiça, gratuito, a pessoas sem condições financeiras. DICAS Acadêmico(a)! Para ampliar seus conhecimentos, sobre os serviços gratuitos da Defensoria Pública, é fundamental que você leia a Lei Complementar 80/94. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp80.htm>. TÓPICO 5 | ÓRGÃOS AUXILIARES DO PODER JUDICIÁRIO 129 4 DEFENSORIA PÚBLICA IMPORTANT E No texto a seguir vamos conhecer a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Você pode compreender o que faz a assembleia, como nasce uma lei estadual, como é o relacionamento do Legislativo paulista em relação a outros Poderes, entre outras informações interessantes. Leia com atenção, porque é importante para a sua melhor compreensão dos conteúdos apresentados na Unidade 2. LEITURA COMPLEMENTAR O que faz a Assembleia Legislativa Como nasce uma lei Berçário de Leis Ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude da lei. Desta forma, uma lei deve ser considerada uma regra a ser seguida, cumprida e respeitada por todos. Quem mostra o caminho a ser seguido no momento de criação de uma dessas regras é a Constituição. Os Deputados, o Governador e em alguns casos o Tribunal de Justiça, o Procurador Geral de Justiça e os cidadãos, podem propor um projeto de lei. No caso de ser iniciativa popular há necessidade de se reunir assinaturas de 0,5% do eleitorado do Estado que representa hoje cerca de 110 mil eleitores de um total de 22 milhões, e encaminhar o projeto à Mesa da Assembleia. Como um projeto de lei vira lei Uma vez entregue à Mesa, o projeto de lei será lido no Expediente para conhecimento dos deputados e, depois, publicado no Diário da Assembleia, que 130 UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO é; o Diário Oficial do Poder Legislativo. No prazo de dois dias, o projeto deverá ser incluído na Pauta para possível recebimento de emendas. Ao final do prazo para permanência em Pauta, o projeto será encaminhado ao exame das Comissões, por despacho do presidente da Assembleia. Com os pareceres das Comissões, os projetos serão incluídos na Ordem do Dia para discussão e votação em Plenário. Votado e aprovado na Assembleia, o projeto de lei será então remetido ao governador, que poderá sancioná-lo ou vetá-lo. Somente após sancionado e promulgado, o projeto, publicado, torna-se lei estadual. A tramitação nada mais é do que todo esse processo de encaminhamento de um projeto até que ele se torne lei. As leis do Estado dentro da Federação A Constituição Federal estabelece as atribuições da União, Estados e Municípios. As leis estaduais atuam até os limites físicos do Estado e, no caso de São Paulo, de seus 645 municípios. Uma lei estadual tem seu alcance delimitado pelas Constituições Federal e Estadual. Não é permitido ao Poder Legislativo estadual legislar sobre assuntos de competência exclusivamente federal ou municipal. Na verdade, no sistema federativo brasileiro, quando se repartiram as competências, sobraram aos Estados aquelas que não são da União nem dos Municípios (artigos 21, 22 e 30 da Constituição Federal): "São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas pela Constituição Federal". No decorrer do processo histórico, houve uma evidente restrição de competência do Legislativo, com hipertrofia do Executivo, assim como restringiram-se as matérias atribuídas às Assembleias Legislativas, fortalecendo- se o Congresso Nacional. Para se ter uma visão do que pode o Estado-membro legislar na Federação brasileira deve-se observar que, além das remanescentes, a Constituição Federal especificou algumas competências: 1) Exclusivas: • criação de regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões; • criação, incorporação, fusão e desmembramento de municípios; • exploração dos serviços de gás canalizado. 2) Concorrentes: • direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico; • orçamento; • juntas comerciais; • custas dos serviços forenses; • produção e consumo; TÓPICO 5 | ÓRGÃOS AUXILIARES DO PODER JUDICIÁRIO 131 • florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição; • proteção ao patrimônio histórico, cultural, turístico e paisagístico; • responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico; • educação, cultura, ensino e desporto;• criação, funcionamento e processo do juizado de pequenas causas; • procedimento em matéria processual; • previdência social, proteção e defesa da saúde; • assistência jurídica e defensoria pública; • proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência; • proteção à infância e à juventude; • organização, garantias, direitos e deveres das polícias civis. 3) Comuns (artigo 23 da Constituição Federal): • “Artigo 23 - é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: ᵒ I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das instituições democráticas e conservar o patrimônio público; ᵒ II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência; ᵒ III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos; ᵒ IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou cultural; ᵒ V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação e à ciência; ᵒ VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas; ᵒ VII - preservar as florestas, a fauna e a flora; ᵒ VIII - fomentar a produção agropecuária e organizar o abastecimento alimentar; ᵒ IX - promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico; ᵒ X - combater as causas da pobreza e os fatores de marginalização, promovendo a integração social dos setores desfavorecidos; ᵒ XI - registrar, acompanhar, fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e exploração de recursos hídricos e minerais em seus territórios; ᵒ XII - estabelecer e implantar política de educação para a segurança do trânsito. ᵒ Parágrafo Único - Lei complementar fixará normas para a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional." Deve-se esclarecer, ainda, que os parágrafos 1°, 2°, 3° e 4° do artigo 24 da Constituição Federal dizem que: 132 UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO • "no âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais; • a competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados; • inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena, para atender as suas peculiaridades; • a superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário." As leis na história Leis que fizeram história Polêmicas Leis polêmicas despertam maior interesse do público e da mídia no processo de discussão e votação porque interferem diretamente no dia a dia do Estado e de seus cidadãos. Aqui estão algumas das mais polêmicas que tramitaram pela Casa nos últimos tempos: Lei do rodízio. Estabeleceu o rodízio de carros na região metropolitana de São Paulo, para diminuição do nível de poluição no ar. (L. 9690/97) Privatização das energéticas (CESP, Eletropaulo e CPFL). Permitiu a desestatização de setores estratégicos para a economia do Estado. (L. 9361/96) Orçamento das universidades. Aumento orçamentário para as universidades estaduais na lei de diretrizes orçamentárias. Famosas TÓPICO 5 | ÓRGÃOS AUXILIARES DO PODER JUDICIÁRIO 133 Uma das leis de grande discussão e votação polêmica na Assembleia Legislativa foi a lei de privatização do Banespa. Ela foi proposta pelo governador Mário Covas (Executivo), em 1995, logo após a intervenção do Banco Central (governo federal) na administração do Banespa. Este projeto de lei foi discutido ampla e minuciosamente pelas Comissões de Constituição e Justiça, de Economia e Planejamento e de Finanças e Orçamento, antes de sofrer avaliação e votação em Plenário. Quando da votação, os partidos contrários à privatização do banco estadual tentaram obstruir a tramitação, e votaram contra o governo. No entanto, essa medida não foi suficiente para impedir a aprovação do texto final e, com a maioria necessária, o governo conseguiu aprovação em Plenário. Ninguém esquece... Um momento realmente marcante na história da vida legislativa da Assembleia foi o dia da votação do aumento salarial para os professores da rede estadual de ensino, em 1993. O Plenário estava lotado e os professores ocupavam as galerias para acompanhar a votação. Do lado de fora havia uma grande manifestação da APEOESP (Associação dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) e da UDEMO (União dos Diretores do Magistério Oficial). Começou a chover e alguns manifestantes resolveram se proteger no hall de entrada da Assembleia. Minutos depois, os professores começaram a subir as escadas que davam acesso ao andar intermediário da galeria do Plenário e, na efervescência de ânimos, começaram a quebrar vidros e espelhos atrás do Plenário onde estava ocorrendo a sessão. No dia 21 de outubro, o Plenário foi ocupado e os professores partiram para o confronto com os deputados que estavam discutindo se haveria ou não aumento para a categoria. A partir daí muitos deputados foram para seus gabinetes, alguns enfrentaram os manifestantes e outros aderiram à reivindicação dos professores. A votação deste dia foi suspensa e o Plenário permaneceu ocupado por quatro dias. O Legislativo e os outros poderes Relação entre os poderes 134 UNIDADE 2 | CARACTERÍSTICAS E COMPETÊNCIAS DOS PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO Existe uma relação de harmonia e independência entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Num sistema de freios e contrapesos, o princípio da separação dos poderes busca limitar as competências para garantir a democracia, impedindo que um poder se sobreponha a outro. A Constituição delimita o exercício do poder e fixa as competências dos poderes. Basicamente, ao Legislativo compete legislar e fiscalizar os atos do Executivo. Ao Executivo, praticar atos do governo e administrar a coisa pública. Ao Judiciário, com fundamento na ordem jurídica, compete solucionar conflitos de interesses. FONTE: ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE SÃO PAULO. A Assembleia. Portal da Assembleia Legis- lativa de São Paulo. Disponível em: <http://www.al.sp.gov.br/assembleia/>. Acesso em: 22 dez. 2014. 135 RESUMO DO TÓPICO 5 Neste tópico, você estudou: • A fim de viabilizar o verdadeiro acesso à justiça, existem órgãos auxiliares ao Poder Judiciário que são: o Ministério Público, a Advocacia Geral da União e as Defensorias Públicas. • O Ministério Público – MP é o defensor dos direitos fundamentais, de todas as pessoas, tanto os indisponíveis, como os de interesses coletivos e também atua como fiscal dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. • A Advocacia Geral da União é um órgão do Poder Executivo da União que vem auxiliar o Judiciário, no que tange à solicitação de informações e documentos, porque tem a função de representar os interesses federais. • O acesso à justiça é para todos, independente de ter recursos financeiros, é um dos direitos individuais que podemos encontrar na Constituição Federal no art. 5º, inciso LXXIV. 136 Prezado(a) Acadêmico(a)! Vamos avaliar a compreensão dos conceitos aos quais tivemos acesso até o momento, responda aos questionamentos dispostos a seguir: 1 A justiça brasileira deve ser provocada para que desempenhe seu papel de resolução de conflitos ou lides. Isso significa que para a defesa dos direitos fundamentais é necessário iniciar um processo judicial demonstrando a lesão do direito. Quanto à defesa dos direitos indisponíveis e interesses coletivos, fica a cargo de um Órgão que também é auxiliar do Poder Judiciário, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) O defensor dos direitos indisponíveis e interesses coletivos é o Ministério Público. b) ( ) O órgãodefensor dos direitos indisponíveis e interesses coletivos é a Defensoria Pública. c) ( ) O órgão defensor dos direitos indisponíveis e interesses coletivos é a Advocacia Geral da União. d) ( ) O defensor dos direitos indisponíveis e interesses coletivos é o Advogado Público. 2 O acesso à justiça brasileira, na maioria dos casos, se concretizará com a contratação de um advogado para intermediar o processo judicial. Quando uma pessoa necessita de orientação jurídica ou representação processual, caso comprove insuficiência financeira poderá solicitar auxílio a um órgão público especializado. Quanto ao nome deste órgão, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) É a Defensoria Pública. b) ( ) É o Ministério Público. c) ( ) É a Advocacia Geral da União. d) ( ) É o Ministro da Justiça. 3 A Advocacia Geral da União é órgão do Poder Executivo da União que vem auxiliar o Poder Judiciário à solicitação de informações e documentos, porque tem a função de representar os interesses federais. Assinale as alternativas CORRETAS quanto aos seus órgãos de direção superior. a) ( ) O Advogado-Geral da União. b) ( ) A Procuradoria-Geral da União e a da Fazenda Nacional. c) ( ) As Procuradorias Regionais da União e as da Fazenda Nacional e as Procuradorias da União e as da Fazenda Nacional nos Estados e no Distrito Federal e as Procuradorias Seccionais destas. d) ( ) A Corregedoria-Geral da Advocacia da União. AUTOATIVIDADE 137 UNIDADE 3 ATOS ADMINISTRATIVOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir desta unidade você será capaz de: • apresentar o ato administrativo como forma de execução e expressão das atividades estatais que identificam a atuação da Administração Pública; • evidenciar os conceitos vinculados ao ato administrativo os fatos adminis- trativos, os requisitos do ato administrativo que compreendem a compe- tência, finalidade, forma, motivo e objeto, além dos atributos que tratam da presunção de legitimidade e veracidade, imperatividade e autoexecu- toriedade; • apresentar a classificação dos atos, que não atende a um padrão específico em razão dos vários critérios que podem ser utilizados para delimitá-los, bem como, as espécies de atos administrativos que são enquadrados pelas características que os assemelham ou por traços individuais que os distin- guem, de acordo com o objeto que encerram ou o fim imediato a que se destinam, da mesma forma que faremos menção ao mérito administrativo; • estabelecer as modalidades ou formas de extinção dos atos administrati- vos, ou seja, as formas de retirada do ato administrativo do ordenamento jurídico. Esta unidade está dividida em três tópicos, sendo que, no final de cada um deles, você encontrará atividades que o(a) auxiliarão a fixar os conhecimen- tos desenvolvidos. TÓPICO 1 – CONCEITOS, ELEMENTOS E ATRIBUTOS DO ATO ADMINISTRATIVO TÓPICO 2 – CLASSIFICAÇÃO E ESPÉCIES DE ATOS ADMINISTRATIVOS TÓPICO 3 – EXTINÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 138 139 TÓPICO 1 CONCEITOS, ELEMENTOS E ATRIBUTOS DO ATO ADMINISTRATIVO UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Para que a Administração Pública atenda à finalidade de sua própria existência, que é a de atender por meio dos serviços públicos as necessidades e os interesses da coletividade, esta faz uso de instrumentos denominados de atos administrativos. Esta unidade possibilitará que você compreenda os conceitos vinculados aos atos administrativos, seus requisitos, seus atributos, classificação e espécies. Será possível reconhecer as formas de extinção dos atos administrativos e outras particularidades. Torna-se importante relatar que o ato administrativo tem conformação jurídica e é a forma de expressão e concretização da função administrativa exercida pelo Estado, neste sentido, resta clara a importância do estudo deste conteúdo fundamental para a compreensão da forma de ação do poder público que acaba por ser um elo de organização da vida em sociedade. Neste tópico faremos estudos acerca dos conceitos vinculados ao ato administrativo seus elementos e atributos. É importante enfatizar que o ato administrativo é praticado para o exercício concreto da função administrativa do Estado, sejam estes atos editados pelos órgãos do poder executivo, legislativo ou judiciário. Dispor para compreensão de todos as formas de externalização destes atos observados seus elementos e atributos serão a temática deste tópico. A importância das prerrogativas e pressupostos que norteiam todas as atividades estatais são reconhecidas pela edição de seus atos e nos reflexos destes para coletividade. Saber dos atos administrativos é pressuposto da gestão administrativa ordenada para o Poder Público e daqueles que exercem o controle dos atos emanados da Administração Pública, o que inclui uma sociedade. Vamos aos estudos! UNIDADE 3 | ATOS ADMINISTRATIVOS 140 2 CONCEITOS VINCULADOS AO ATO ADMINISTRATIVO Os atos administrativos são executados no exercício das atribuições públicas, e por serem desta forma são regulados e sujeitos ao regime do direito público. Trazemos para você, acadêmico, o conceito de ato administrativo atribuído por Meirelles (2013, p. 159), “[...] ato administrativo é toda manifestação unilateral de vontade da Administração Pública que, agindo nessa qualidade, tenha por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir e declarar direitos, ou impor obrigações aos administrados ou a si própria”. Segundo Alexandrino e Vicente (2011), os atos administrativos enquadram- se na categoria dos atos jurídicos, sendo igualmente reconhecidos como manifestações unilaterais de vontade. Resta claro, ainda, que o ato administrativo é uma declaração ou manifestação da Administração Pública que fala em nome do Estado, podendo ser exarado de qualquer um dos poderes (executivo, legislativo, judiciário) que podem editar atos administrativos. Da mesma forma é importante ressaltar que o ato administrativo sujeita- se à lei e ao regime jurídico administrativo, pode sofrer o controle judicial (Poder Judiciário), e produz efeitos administrativos imediatos. Alexandrino e Vicente (2011) nos trazem o conceito de fato administrativo que normalmente são reconhecidos como “atos materiais”, resultantes de um ou mais atos administrativos. Uma vez expressa a vontade da Administração Pública pela edição de um (ou mais) ato administrativo (manifestação de conteúdo jurídico), surge como consequência um fato administrativo (a implementação do ato). Exemplificando: a demolição de um prédio (fato administrativo) pode ser resultante de uma ordem de serviço da administração (ato administrativo); a edição de um decreto (ato administrativo) pode ter como consequência a desapropriação de um bem particular (fato administrativo). Ainda temos como esclarecimento de Alexandrino e Vicente (2011, p. 417), a distinção de três categorias de atos administrativos, que podem ser reconhecidas, cada qual sendo o ato típico de um dos Poderes do Estado: a) Atos legislativos (elaboração de normas primárias). b) Atos judiciais (exercício da jurisdição). c) Atos administrativos. TÓPICO 1 | CONCEITOS, ELEMENTOS E ATRIBUTOS DO ATO ADMINISTRATIVO 141 2 CONCEITOS VINCULADOS AO ATO ADMINISTRATIVO Os atos administrativos são reconhecidos como típicos do Poder Executivo que os utiliza no exercício de suas funções próprias, entretanto, o Poder Judiciário e Legislativo, como já descrevemos, também editam atos administrativos, normalmente relacionados ao exercício de suas atividades de gestão interna como atos relacionados à contratação de pessoal, à aquisição de material de consumo etc. 3 ELEMENTOS DO ATO ADMINISTRATIVO Os elementos do ato administrativo são indispensáveis e essenciais para validar o ato administrativo. O ato administrativo que não atender a estes elementos estará em desacordo com a lei e será em regra nulo. NOTA Acadêmico(a)! Alguns doutrinadores utilizam a expressão requisitos do ato administrativo e não elementos do ato administrativo,entretanto sua classificação não difere e a estudaremos no decorrer desta unidade. Vamos ao estudo destes elementos do ato administrativo! a) Competência A competência do ato administrativo está vinculada ao agente público. Os atos administrativos não podem ser praticados por qualquer pessoa. O sujeito competente deve ser necessariamente um agente público. A este agente público foi conferido o poder legal para editar os atos administrativos, relembrando que somente a lei pode estabelecer competências administrativas. Agente público competente é o que recebe da lei o devido dever-poder para o desempenho de suas funções (GASPARINI, 2012, p. 113). ATENCAO UNIDADE 3 | ATOS ADMINISTRATIVOS 142 A competência possui elencadas algumas características descritas por Alexandrino e Vicente (2011, p. 443), sendo esta, “[...] irrenunciável, intransferível, imodificável pela vontade do agente, e imprescritível”. A competência traz consigo a especificidade da possibilidade de sua delegação e avocação quando autorizadas legalmente e sobre estes aspectos solicitamos que você faça uma leitura da Lei nº 9.784/1999, em seus artigos 11 a 15 (BRASIL, 1999). NOTA Delegar: realizar uma transmissão, concessão de (poderes); conferir a (alguém) poder e representatividade para [...] (HOUAISS, 2009, p. 609). Avocar: (...) atrair para si; atribuir a si, arrogar-se (avoca a si o poder de decisão) [...] chamar para si funções originariamente atribuídas a um subordinado (HOUAISS, 2009, p. 231). a) Forma Todo ato administrativo é inicialmente formal, e a forma exigida pela lei quase sempre é a escrita. Existem entretanto, excepcionalmente, atos administrativos não escritos, exemplificando: ordens verbais do superior ao seu subordinado; gestos, apitos e sinais luminosos do trânsito; cartazes e placas que expressam uma ordem da administração pública, tais como as que proíbem estacionar, proíbem fumar etc. Estes atos administrativos que não atendem a forma escrita, tem sua execução amparada em lei, como nos exemplos acima citados. (ALEXANDRINO e PAULO, 2011) Di Pietro (2013) alerta que a obediência à forma não significa, no entanto, que a Administração esteja sujeita a formas rígidas e sacramentais; o que se exige, a rigor, é que seja adotada como regra, a forma escrita, para que tudo fique documentado e passível de verificação a todo momento. A inobservância da forma do ato administrativo pode invalidá-lo por este possuir um vício de legalidade. b) Finalidade A lei determina a finalidade do ato administrativo. Segundo Di Pietro (2013, p. 217) “[...] finalidade é o resultado que a Administração quer alcançar com a prática do ato”. TÓPICO 1 | CONCEITOS, ELEMENTOS E ATRIBUTOS DO ATO ADMINISTRATIVO 143 Tanto o motivo quanto a finalidade contribuem para a formação da vontade da Administração: diante de certa situação de fato ou de direito (motivo), a autoridade pratica certo ato (objeto) para alcançar determinado resultado (finalidade). A finalidade abrange os sentidos um em sentido amplo onde a finalidade corresponde à consecução de um resultado de interesse público; nesse sentido se diz que o ato administrativo tem que ter finalidade pública; em sentido estrito, finalidade é o resultado específico que cada ato deve produzir, conforme definido em lei; nesse sentido, se diz que a finalidade do ato administrativo é sempre a que decorre explícita ou implicitamente da lei. (GASPARINI, 2012) De uma forma simples, um decreto que nomeia um servidor público, aumentando o quadro de servidores da Administração Pública, tem por finalidade ofertar eficiência ao serviço público, atendendo, portanto, ao interesse público. Se infringida a finalidade legal de um ato administrativo, ou desatendido o seu fim que é o interesse da coletividade, este ato será ilegal, por desvio de poder. Em um exemplo de Di Pietro (2013, p. 218), tanto ocorre esse vício quando a Administração remove o funcionário a título de punição, como no caso em que ela desapropria um imóvel para perseguir o seu proprietário inimigo político. No primeiro caso, o ato foi praticado com finalidade diversa da prevista na lei; no segundo, fugiu ao interesse público e foi praticado para atender ao fim de interesse particular da autoridade. c) Motivo Nas palavras de Di Pietro (2013, p. 218), motivo é o pressuposto de fato e de direito que serve de fundamento do ato administrativo. A ausência de motivo ou indicação de motivo falso invalidam o ato administrativo. NOTA Pressuposto de direito: é o dispositivo legal em que se baseia o ato. Pressuposto de fato: como o próprio nome indica, corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato. UNIDADE 3 | ATOS ADMINISTRATIVOS 144 No ato de punição do funcionário, o motivo é a infração que ele praticou; no tombamento, é o valor cultural do bem; na licença para construir, é o conjunto de requisitos comprovados pelo proprietário; na concessão de licença paternidade, será o nascimento do filho do servidor, na demolição de um prédio, o perigo que ele representa em decorrência de sua má conservação. (ALEXANDRINO e PAULO, 2011). e) Objeto Alexandrino e Vicente (2011, p. 453) definem que “o objeto é o próprio conteúdo material do ato, sendo que, o objeto do ato administrativo identifica-se com o seu conteúdo, por meio do qual a administração manifesta sua vontade, ou atesta situações preexistentes”. O objeto do ato administrativo é a própria alteração no mundo jurídico que o ato provoca, é o efeito jurídico imediato que o ato produz. Como exemplo temos, o objeto do ato de concessão de uma licença a própria concessão da licença; o objeto do ato de exoneração a própria exoneração, o objeto do ato de suspensão do servidor a própria suspensão (MARINELA, 2010). Os requisitos de validade do ato administrativo são três, descritos a seguir: 1. Licitude: o objeto do ato administrativo precisa ser lícito. É necessário que o ato administrativo seja permitido em lei. Se o objeto não estiver previsto em lei já é ilícito para o direito público. Exemplificando, não poderíamos vender objetos furtados (objeto ilícito). 2. Possibilidade: o objeto deve ser possível, isto é, suscetível de ser realizado. Exemplificando, não se pode vender imóveis na lua (objeto impossível). 3. Determinação: o objeto deve ser definido, determinado ou ao menos, determinável (previsão do Código Civil, art.104, II) (BRASIL, 2002). Di Pietro (2013), ainda, acrescenta ao objeto, como requisito de sua validade que ele seja, moral, ou seja, o objeto do ato administrativo deve estar em consonância com os padrões comuns de comportamento, aceitos como corretos, justos e éticos. Repassamos informações importantes com relação aos possíveis vícios do objeto do ato administrativo, em que o vício do objeto insanável, invariavelmente acarreta a nulidade do ato administrativo, sendo que Alexandrino e Vicente (2011) identificam como os mais relevantes vícios em relação ao objeto: 1) Ato praticado com conteúdo não previsto em lei: Ex.: A lei nº 8.112/90 estabelece como sanção disciplinar a suspensão do servidor público por até 90 dias. Se a administração editasse um ato suspendendo um servidor por 120 dias, esse ato seria nulo por vício de objeto. TÓPICO 1 | CONCEITOS, ELEMENTOS E ATRIBUTOS DO ATO ADMINISTRATIVO 145 2) Ato praticado com objeto diferente daquele que a lei prevê para aquela situação: Ex.: Imagine-se que a lei de um município preveja que a instalação de bancas de jornais no passeio público deva ser consentida ao administrado mediante permissão de uso de bem público. Suponha-se que um particular tenha pleiteado à administração que lhe seja possibilitada a instalação de uma banca de jornais em determinada localidade do município. Caso fosse editado para esse particular um ato de “autorização de uso de bem público para o fim de instalação de banca de jornais”, esse ato padeceria de vício de objeto, serianulo, porque a lei prevê para aquela situação (instalação de banca de jornais), um ato administrativo com objeto diferente: “a permissão de uso de bem público”. Reafirmando os elementos dos atos administrativos constituem condições que devem ser observadas para que a edição destes seja válida. 4 ATRIBUTOS DO ATO ADMINISTRATIVO Os atributos são nominados pelos doutrinadores como qualidades ou características inerentes aos atos administrativos, são eles: presunção de legitimidade, imperatividade, autoexecutoriedade e tipicidade. Vamos ao estudo deles! a) Presunção de legitimidade Nas palavras de Alexandrino e Vicente (2011), a presunção de legitimidade ou presunção de legalidade é um atributo presente em todos os atos administrativos, quer imponham obrigações, quer reconheçam ou confiram direitos aos administrados. Segundo esse atributo, os atos administrativos presumem-se legais, isto é, compatíveis com a lei, legítimos, e, portanto, esta presunção permite que o ato produza todos os seus efeitos até qualquer prova em contrário. Afirma Di Pietro (2013) que a presunção de veracidade diz respeito aos fatos, presumem-se, portanto verdadeiros os fatos alegados pela Administração. Exemplos típicos estão relacionados às certidões, atestados, declarações, informações prestadas pela administração pública, pois estas são dotadas de fé pública. Um fundamento para a característica da presunção de legitimidade do ato administrativo é a necessidade de que o poder público possa exercer com agilidade suas atribuições, eis que tem como prerrogativa atender ao interesse da coletividade. UNIDADE 3 | ATOS ADMINISTRATIVOS 146 Como resultado da presunção da legitimidade, encontramos o ônus da prova da existência de vício no ato administrativo é de quem alega, ou seja, do administrado, ou ainda, estamos diante da inversão do ônus da prova. Já que a presunção é relativa admitindo prova em contrário. Exemplo, a certidão de óbito tem a presunção de validade até que se prove que o “de cujus” está vivo. Ou seja, se você, acadêmico(a), afirmar que uma certidão emitida pela prefeitura de seu município não traz informações verdadeiras, não será da prefeitura o dever de provar que elas são legítimas, você deverá provar que ela não traduz a verdade dos fatos. b) Imperatividade A imperatividade é característica que certos atos administrativos editados pela Administração Pública têm para constituir obrigações para os administrados, independentemente de sua concordância (GASPARINI, 2012). A imperatividade decorre da prerrogativa que tem o poder público de impor unilateralmente obrigações a terceiros. Esclarecemos, que a imperatividade não é um atributo presente em qualquer ato, mas apenas naqueles atos que implicam obrigação para o administrado, ou que são a ele impostos, e devem ser por ele obedecidos, sem necessidade de seu consentimento. Há imperatividade, portanto, nos atos de apreensão de alimentos, interdição de estabelecimento etc., ou ainda, a luz vermelha no farol é um ato administrativo que obriga unilateralmente o motorista a parar, mesmo que ele não concorde. (ALEXANDRINO e PAULO, 2011). Nos atos que conferem direitos solicitados pelo administrado como licença, autorização, permissão ou de ato apenas enunciativo como certidão, parecer, atestado não encontramos o atributo da imperatividade. c) Autoexecutoriedade Descreve Di Pietro (2013, p. 208) “[...] que a autoexecutoriedade é atributo pelo qual o ato administrativo pode ser posto em execução pela própria Administração Pública, sem necessidade de intervenção do Poder Judiciário”. Observe-se que a autoexecutoriedade jamais afasta a apreciação judicial do ato, apenas dispensa a administração de obter ordem judicial prévia para poder praticá-lo. Marinela (2010) informa que a autoexecutoriedade apresenta dois aspectos: TÓPICO 1 | CONCEITOS, ELEMENTOS E ATRIBUTOS DO ATO ADMINISTRATIVO 147 1. A exigibilidade, que permite que o administrador decida, sem a exigência do controle pelo Poder Judiciário representando a tomada de decisão. 2. A executoriedade, que é a possibilidade que tem o administrador de fazer cumprir as suas decisões e executá-las, independentemente da autorização de outro poder. Como exemplo para autoexecutoriedade temos a retirada da população de prédio que ameaça desabar, a demolição deste mesmo prédio; a apreensão de mercadorias entradas ou encontradas no país irregularmente, a destruição de alimentos impróprios para o consumo encontrados numa prateleira de supermercado etc. Exemplo tradicional de ato não revestido de autoexecutoriedade é a cobrança de multa, quando resistida pelo particular. A imposição de multa pela administração independe de qualquer manifestação prévia do Poder Judiciário, entretanto, a execução (cobrança forçada) da quantia correspondente, deve ser realizada judicialmente. Resumindo, se o particular se recusa a pagar, a administração somente pode haver a quantia a ela devida, por meio de uma ação judicial de cobrança, chamada de execução. Não pode, portanto, a administração obter por meios próprios, esta importância, é necessária a intervenção do Poder Judiciário, para que aquela receba o valor a ela devido. d) Tipicidade Di Pietro (2013, p. 209) descreve que: “[...] tipicidade é o atributo pelo qual o ato administrativo deve corresponder a figuras previamente definidas pela lei aptas a produzir determinados resultados. Para cada finalidade que a Administração pretende alcançar existe um ato definido em lei.” É atributo que decorre do princípio da legalidade, afastando a possibilidade da Administração de executar atos inominados. Teoricamente, para cada finalidade que a administração pretenda atingir deve existir um ato típico definido em lei. Este atributo representa um limite ao poder discricionário do administrador público e impede a execução de atos arbitrários. Não encontraremos este atributo nos contratos (ato bilateral), esta característica está vinculada apenas aos atos unilaterais. UNIDADE 3 | ATOS ADMINISTRATIVOS 148 UNI Acadêmico(a)! Analise a importância da discricionariedade que possibilita que o poder público faça “escolhas” por oportunidade e conveniência, pode tornar-se esta prerrogativa um risco para arbitrariedades? Ou a legalidade é sempre evidente no cenário que conhecemos? 149 Neste tópico você pôde: • Compreender os conceitos de fato e ato administrativo. • Reconhecer, os elementos do ato administrativo: o Competência o Forma o Objeto o Motivo o Finalidade • Identificar os atributos do ato administrativo: o Tipicidade o Autoexecutoriedade o Imperatividade o Presunção de legitimidade RESUMO DO TÓPICO 1 150 1 Analise as assertivas descritas a seguir e assinale V para verdadeira e F para falsa e ao final identifique a sequência correta: ( ) A autoexecutoriedade consiste em atributo pelo qual os atos administrativos se impõem a terceiros, independentemente de sua concordância. ( ) Como consequência do princípio da presunção de legalidade, as decisões administrativas são de execução imediata, até mesmo aquelas com possibilidade de gerar obrigações para o particular. ( ) Entre os elementos do ato administrativo, encontra-se a finalidade a qual é o pressuposto de fato e de direito que serve de fundamento ao ato administrativo. ( ) A forma é o elemento do ato administrativo que representa o resultado que a Administração quer alcançar com a prática do ato. Assinale a alternativa correta: a) ( ) V – V – F – F. b) ( ) F – F – V – F. c) ( ) F – V – F – V. d) ( ) V – F – V – V. 2 O ato administrativo está dotado de atributos, entre estes encontramos um que admite a inversão do ônus da prova, desde que, lembrando que quem o alega deve produzir prova acerca de sua alegação. De que atributo estamos falando? a) ( ) Imperatividade. b) ( ) Autoexecutoriedade. c) ( ) Presunção de legitimidade. d) ( ) Tipicidade. 3 As ações efetuadas pelo Poder Público são exteriorizadaspela edição de atos administrativos. A nomeação de um servidor público é um ato administrativo. Este ato é executado pelo Prefeito, que se utiliza de um decreto para nomear um novo servidor. O ato de nomeação busca prover um cargo, e este provimento é possível se temos uma vaga, se existe um indivíduo aprovado e a necessidade da Administração Pública. Todo este processo e procedimento, a nomeação do servidor pelo prefeito, por meio de um decreto, o provimento do cargo, a vaga, a aprovação, a demonstração da necessidade tem como objetivo atender ao interesse público e a coletividade. Diante deste contexto que encontramos em cada município brasileiro, identifique no ato de nomeação de um servidor, a competência (quem?), o objeto (o quê?), a forma (como?), o motivo (a causa, o por quê?) e a finalidade (para quê?) deste ato administrativo. AUTOATIVIDADE 151 Ainda em análise ao acima descrito podemos afirmar que este ato administrativo de nomeação do servidor público é válido e perfeito? 4 O Governador do Estado X, edita um decreto declarando um imóvel urbano de utilidade pública, para fins de desapropriação, pois pretende construir uma cadeia pública, eis que existe a necessidade de vagas no sistema prisional. Identifique os elementos desse ato, relacionando as duas colunas: (1) Governador do Estado ( ) finalidade (2) Interesse público ( ) forma (3) Decreto ( ) motivo (4) Necessidade de vagas no sistema prisional ( ) objeto (5) Declaração de utilidade pública ( ) competência Assinale a sequência CORRETA: a) ( ) 4 – 3 – 5 – 2 – 1. b) ( ) 4 – 3 – 2 – 5 – 1. c) ( ) 2 – 3 – 4 – 5 – 1. d) ( ) 5 – 3 – 2 – 4 – 1. e) ( ) 2 – 3 – 5 – 4 – 1. 5 Os atos administrativos possuem atributos que determinam sua existência e seu campo de ação. Em uma situação hipotética o órgão de um Município Y, responsável pela fiscalização de bares e restaurante, verificou em uma de suas visitas de inspeção rotineira, que um estabelecimento estava servindo a seus clientes alimentos com data de validade expirada (vencida). Em razão desta constatação, os agentes públicos confiscaram imediatamente estes produtos e os incineraram. O atributo do ato administrativo que possibilitou a apreensão dos gêneros alimentícios em questão pela Administração Pública, sem a necessidade da intervenção do Poder Judiciário, é denominado de: a) ( ) imperatividade b) ( ) autoexecutoriedade c) ( ) presunção de veracidade d) ( ) tipicidade e) ( ) moralidade 152 153 TÓPICO 2 CLASSIFICAÇÃO E ESPÉCIES DE ATOS ADMINISTRATIVOS UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO A Administração Pública tem como objetivo primordial atender à coletividade em suas necessidades e utilizará para esta tarefa agentes públicos que prestarão da mesma forma serviços públicos. A ordenação de todas estas situações é organizada e estruturada pelos atos administrativos e estes estão delimitados por classificações e espécies que os distinguem e determinam as finalidades. A partir de agora vamos conhecê-las! 2 CLASSIFICAÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS Como já enunciamos, os atos administrativos não possuem uma classificação uniforme. Entre as classificações e os doutrinadores da área administrativa reconhecidos utilizaremos a classificação adotada por Di Pietro (2013), na concepção descrita a seguir: a) Quanto aos seus destinatários, os atos podem ser gerais ou individuais. Os atos administrativos gerais são aqueles expedidos sem destinatários determinados, alcançando todos os sujeitos que se encontram na mesma situação, são atos de comando abstrato e impessoal. São atos normativos praticados pela Administração, como regulamentos, portarias, resoluções, circulares, instruções, deliberações, regimentos. Os atos administrativos individuais são aqueles que se dirigem a destinatários certos, que produzem efeitos jurídicos no caso em concreto. Exemplo: nomeação, demissão, tombamento, servidão administrativa, licença, autorização. b) Quanto ao alcance, os atos podem ser internos ou externos: Os atos administrativos internos são destinados a produzir efeitos dentro das repartições administrativas, e em razão disso, incidem normalmente sobre os órgãos ou agentes da Administração que os expediram. 154 UNIDADE 3 | ATOS ADMINISTRATIVOS Estes atos não produzem efeitos em relação a estranhos. Não dependem de publicação no órgão oficial para sua vigência, bastando a ciência aos destinatários ou a divulgação regulamentar da repartição. Estes atos podem ser gerais, especiais, normativos, ordinatórios e punitivos, de acordo com o caso em concreto, tem características operacionais, normalmente portarias e instruções de serviço. Os atos administrativos externos ou de efeitos externos, são aqueles que alcançam os administrados, os contratantes e, em certos casos, os próprios servidores, provendo sobre seus direitos, obrigações, negócios ou conduta perante a Administração. Estes atos, para que surtam seus efeitos, dependem de publicação em ordem oficial. a) Quanto às prerrogativas com que atua a Administração, os atos podem ser de império, gestão ou de expediente. Os atos administrativos de império são todos aqueles que a Administração pratica usando de sua supremacia, com todas as prerrogativas e privilégios de autoridade e impostos unilateralmente e coercitivamente ao particular independentemente de autorização judicial, são exemplos destes atos as desapropriações e interdições de atividades. Os atos administrativos de gestão são praticados pela Administração em situação de igualdade com os particulares, para a conservação e desenvolvimento do patrimônio público e para a gestão de seus serviços, não exigem coerção sobre os interessados. Um exemplo é um contrato de locação onde a Administração Pública é locatária. Os atos administrativos de expediente são aqueles que se destinam a dar andamento aos processos e papéis que tramitam pelas repartições públicas, são atos de rotina interna, sem caráter decisório, geralmente praticados por servidores subalternos que não possuem competência decisória. b) Quanto à função da vontade, os atos administrativos classificam-se em atos administrativos propriamente ditos e puros ou meros atos administrativos. Os atos administrativos propriamente ditos, encontramos uma declaração de vontade da Administração, voltada para a obtenção de determinado efeito jurídico definido em lei, como por exemplo, uma demissão, tombamento, requisição. No mero ato administrativo, há uma declaração de opinião (parecer), conhecimento (certidão) ou desejo (voto em um colegiado). TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E ESPÉCIES DE ATOS ADMINISTRATIVOS 155 c) Quanto à formação de vontade, os atos podem ser simples, complexos e compostos. Os atos administrativos simples são os que decorrem da declaração de vontade de um único órgão, seja ele singular ou colegiado. Exemplo: a nomeação pelo Presidente da República; a deliberação de um Conselho. Os atos administrativos complexos são os que resultam da manifestação de dois ou mais órgãos, sejam eles singulares ou colegiados, o essencial nesta categoria de atos é o concurso de vontades de órgãos diferentes para a formação de um único ato. Por exemplo, a nomeação feita pelo chefe do poder executivo e complementado pela posse e exercício dados pelo chefe da repartição em que vai servir o nomeado. Os atos administrativos compostos são resultantes da manifestação de dois ou mais órgãos, em que a vontade de um é instrumental em relação à de outro que edita o ato principal. Como exemplos temos uma autorização que dependa do visto de autoridade superior; a nomeação do Procurador Geral da República depende da prévia aprovação do Senado (art.128, parágrafo 1º da CRFB/88) (BRASIL, 1988). NOTA O ato administrativo composto é praticado em dois atos, um principal e outro acessório. No exemplo acima a nomeação é o ato principal, sendo a aprovação prévia o ato acessório. Em geral, os atos que dependem de autorização, aprovação,proposta, parecer, laudo técnico, homologação, visto etc. são atos administrativos compostos. d) Quanto aos efeitos, o ato administrativo pode ser constitutivo, declaratório e enunciativo. Os atos administrativos constitutivos são aqueles que a Administração cria, modifica ou extingue um direito ou uma situação do administrado. É o caso da permissão, autorização, dispensa, aplicação de penalidade, revogação. Os atos administrativos declaratórios são aqueles em que a Administração apenas reconhece um direito que já existia antes do ato. Exemplos: admissão, licença, homologação, isenção, anulação. 156 UNIDADE 3 | ATOS ADMINISTRATIVOS Os atos administrativos enunciativos são aqueles em que a Administração apenas testa ou reconhece determinada situação de fato ou de direito. Temos como exemplo: as certidões, atestados, informações, pareceres. Estes atos administrativos não representam manifestação de vontade produtora de efeitos jurídicos, contém opiniões ou conhecimentos. e) Quanto à exequibilidade, o ato administrativo pode ser perfeito, imperfeito, pendente e consumado. Quando falamos em exequibilidade falamos na capacidade do ato para produzir efeitos jurídicos. O ato administrativo perfeito é aquele que já completou todo seu ciclo de formação e está em condições de produzir efeitos jurídicos. O administrativo imperfeito é aquele que não está apto a produzir efeitos jurídicos, porque não completou o seu ciclo de formação, por exemplo, quando falta a publicação, a aprovação, a homologação, desde que exigidas por lei como requisitos para a exequibilidade do ato. O ato pendente é o que está sujeito à condição ou termo para produzir efeitos. Ele distingue-se do ato imperfeito porque já completou seu ciclo de formação, está apto a produzir seus efeitos, e estes ficam suspensos até que ocorra a condição ou termo. O ato consumado é o que já exauriu os seus efeitos. Ele se torna definitivo, não pode ser impugnado por via administrativa ou judicial. f) Quanto ao regramento do ato, este pode ser vinculado ou discricionário. Atos administrativos vinculados são os que a administração pratica sem margem alguma de liberdade de decisão, pois ali previamente determinou o único comportamento possível a ser obrigatoriamente adotado sempre que configure a situação objetiva descrita na lei. Não cabe ao agente público apreciar a oportunidade ou conveniência administrativa quanto à edição do ato; uma vez atendidas as condições legais, o ato tem que ser praticado invariavelmente. Nos atos vinculados desatendidos qualquer requisito compromete- se a eficácia do ato praticado, tornando-se passível de anulação pela própria Administração, ou pelo Judiciário, se assim requerer o interessado. Exemplificando, tomemos a concessão da licença-paternidade regulada na Lei nº 8.112/90 (BRASIL, 1990). Atendidas as condições da lei (cuja base direta é a constituição), ou seja, nascido o filho de servidor público, não cabe ao administrador público, sob nenhuma circunstância alegar que o servidor é essencial ao serviço público, que não seria conveniente o seu afastamento, ou qualquer outra tentativa de não editar o ato de concessão da licença. TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E ESPÉCIES DE ATOS ADMINISTRATIVOS 157 Configurada a hipótese legal (o nascimento do filho do servidor que lhe dá direito à licença-paternidade), somente uma atitude se admite, a edição do ato concessivo, sem espaço para juízo de oportunidade ou conveniência administrativa. Atos administrativos discricionários são aqueles em que a administração pode praticar, com certa liberdade de escolha, nos termos e nos limites da lei, quanto ao seu conteúdo, seu modo de realização, sua oportunidade e sua conveniência administrativa. Exemplificando, tome-se a licença para tratar de interesses particulares na Lei nº 8.112/90 (BRASIL, 1990). Observamos que a lei utiliza a expressão “[...] a critério da administração”, para referir-se à concessão da licença (art. 91). O ato embora previsto em lei, fica a critério da administração. IMPORTANT E Ato discricionário, não se confunde com ato arbitrário. Discrição e arbítrio são conceitos inteiramente diversos. Discrição é liberdade de ação dentro dos limites legais; arbítrio é ação contrária ou excedente da lei. Ato discricionário, portanto, quando permitido pelo direito, é legal e válido; ato arbitrário é, sempre e sempre, ilegítimo e inválido (MEIRELLES, 2013, p. 179). Ratificamos que, enquanto o agente público está rigidamente adstrito à lei quanto a todos os elementos de um ato vinculado (competência, finalidade, forma, motivo e objeto), ao praticar um ato discricionário possui ele certa liberdade (dentro dos limites da lei) quanto à valoração dos motivos e à escolha do objeto (conteúdo) segundo os seus privativos critérios de oportunidade e conveniência administrativa. g) Quanto à validade o ato administrativo pode ser válido, nulo, anulável e inexistente. O ato administrativo válido é o que está em total conformidade com o ordenamento jurídico, é o ato que não contém qualquer vício, qualquer irregularidade, qualquer ilegalidade. O ato administrativo nulo é aquele que nasce com vício insanável, normalmente resultante da ausência de um dos seus elementos constitutivos, como por exemplo, um motivo inexistente, com objeto não previsto em lei, praticado com desvio de finalidade. O ato nulo não produz efeito entre as partes, ele é um ato ilegal ou ilegítimo e seu defeito não pode ser corrigido (convalidado). Exemplo, a nomeação de um candidato que não tenha nível superior para um cargo que o exija. 158 UNIDADE 3 | ATOS ADMINISTRATIVOS O ato administrativo inexistente é aquele que possui apenas aparência de manifestação de vontade da administração pública, mas, em verdade, não se origina de um agente público, mas de alguém que se passa por tal condição, como o usurpador de função. Exemplo, a multa emitida por um falso fiscal tributário. O ato administrativo anulável é aquele que apresenta um defeito sanável, ou seja, passível de correção (convalidação) pela própria administração que o praticou desde que ele não seja lesivo ao interesse público, nem cause prejuízo a terceiros. São sanáveis os vícios de competência quanto à pessoa, exceto quando se tratar de competência exclusiva, e o vício de forma, a menos que se trate de forma exigida pela lei como condição essencial à validade do ato. (DI PIETRO, 2013) IMPORTANT E A principal diferença entre um ato nulo e um ato inexistente é que nenhum efeito que este tenha produzido pode ser validamente mantido, nem mesmo perante terceiros de boa-fé. Acadêmico(a), guarde! Ato anulável: vício que pode ser corrigido, logo pode ser convalidado. Ato nulo: vício que não pode ser corrigido, deve ser anulado; e ato inexistente não pode nada, por que nem existe. 3 MÉRITO DO ATO ADMINISTRATIVO Quando analisamos os elementos do ato administrativo, precisamos observar aqueles que são vinculados e aqueles que são discricionários. Os atos vinculados devem ser preenchidos de acordo com o descrito em lei, não pode o administrador público utilizar-se da conveniência e oportunidade. Por outro lado, nos atos discricionários, quando o elemento for discricionário, o gestor público pode realizar um juízo de valor, avaliando a conveniência e oportunidade do interesse público para realizar o ato. Para os atos vinculados todos os elementos são vinculados, portanto, a competência, a forma, o motivo, o objeto e a finalidade são elementos vinculados. No ato discricionário são elementos vinculados os sujeitos competentes, a forma e a finalidade, estes são definidos em lei e o gestor público não pode modificá-los, não tem escolha. TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E ESPÉCIES DE ATOS ADMINISTRATIVOS 159 3 MÉRITO DO ATO ADMINISTRATIVO Entretanto, nos atos administrativos discricionários, o objeto e o motivo são discricionários, o gestor público pode fazer um juízo de valor analisando a conveniência e oportunidade.Nas palavras de Marinela (2010), o MÉRITO ADMINISTRATIVO do ato administrativo, é a valoração do administrador, é a liberdade, é a análise da conveniência e da oportunidade, que estão presentes nos elementos motivo e objeto. O Poder Judiciário não exerce controle sobre o mérito administrativo, mas se provocado, o Poder Judiciário pode controlar a legalidade ou legitimidade de um ato administrativo. O Poder Judiciário pode anular atos administrativos quando confirmada a prática da ilegalidade ou ilegitimidade pelo gestor público, quando este extrapolar os limites da lei. O Poder Judiciário nunca vai adentrar ao mérito administrativo para dizer se o ato foi ou não conveniente e oportuno, isto seria controle de mérito, pelo judiciário, de atos administrativos de outro poder, o que nosso ordenamento jurídico não permite, caracterizaria ofensa ao princípio da separação dos poderes (ALEXANDRINO; VICENTE, 2011). O Judiciário deve se limitar ao controle da legalidade do exercício da discricionariedade da administração pública, não deve substituí-la no juízo de conveniência e oportunidade. IMPORTANT E Encontramos o mérito administrativo nos atos discricionários. Mérito NÃO É IGUAL a motivo e objeto, apesar de estar presente neles. Motivo é o fato e fundamento jurídico do ato administrativo, enquanto o objeto é o resultado prático do ato e o Mérito é a liberdade e a discricionariedade do gestor público. 160 UNIDADE 3 | ATOS ADMINISTRATIVOS QUADRO 14 – MÉRITO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS ELEMENTOS ATO VINCULADO ATO DISCRICIONÁRIO Sujeito competente Vinculado Vinculado Forma Vinculado Vinculado Motivo Vinculado Discricionário - (mérito) Objeto Vinculado Discricionário - (mérito) Finalidade Vinculado Vinculado FONTE: Marinela (2010, p. 257) 4 ESPÉCIES DE ATOS ADMINISTRATIVOS Os atos administrativos estão enquadrados pelas características comuns que os posiciona como semelhantes, da mesma forma que foram analisados os traços individuais que os distinguem, ou ainda pelo fim imediato que se destinam ou objeto que encerram. Utilizaremos como parâmetros a identificação dos atos administrativos agrupados em cinco espécies de acordo com a concepção de Alexandrino e Vicente (2011), disposta a seguir: a) Atos Normativos: os atos administrativos normativos contêm de terminações gerais e abstratas, não têm destinatários determinados, fazem correspondência aos atos gerais estudados no tópico das classificações dos atos administrativos. Os atos administrativos normativos têm por finalidade possibilitar a fiel execução de leis pela Administração. Temos como exemplos de atos administrativos normativos: O Decreto que é a forma de que se revestem os atos individuais ou gerais, emanados do Chefe do Poder Executivo (Presidente da República, Governador e Prefeito) e, portanto, é de competência exclusiva destes chefes do poder executivo. As Instruções Normativas são atos administrativos expedidos pelos ministros de estado para execução das leis, decretos, regulamentos etc. Os Regimentos são atos administrativos de atuação interna, destinados a reger o funcionamento de órgãos colegiados e de corporações legislativas. As Resoluções são atos normativos ou individuais, emanados de autoridades de alto escalão administrativo como ministros e secretários de estado ou município, entre outros para disciplinar matéria específica de sua competência. TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E ESPÉCIES DE ATOS ADMINISTRATIVOS 161 4 ESPÉCIES DE ATOS ADMINISTRATIVOS As Deliberações são oriundas em regra de órgãos colegiados, como conselhos, comissões, normalmente representando a vontade majoritária de seus componentes. b) Atos Ordinatórios: Os atos ordinatórios têm por finalidade disciplinar o funcionamento da Administração e a conduta funcional dos servidores públicos, são atos administrativos internos, eles representam o exercício do poder hierárquico do Estado. Os atos ordinatórios vinculam os subordinados à autoridade que os expediu. Temos como exemplos: Portarias: são atos administrativos internos pelos quais os chefes de órgãos e repartições públicas espedem determinações gerais ou individuais. Por meio das portarias abrem-se inquéritos, sindicâncias, processos administrativos etc. Instrução: é a forma utilizada para orientação interna das repartições, originadas de seus chefes, onde está descrita a forma pela qual os seus subordinados deverão dar andamento aos seus serviços. As instruções não podem contrariar a lei, o decreto, o regulamento, o regimento, pois são atos inferiores a estes. Circular: é o instrumento de que se valem as autoridades para transmitir ordens internas uniformes a seus subordinados. Despacho: é o ato administrativo que contém decisão das autoridades sobre assunto de interesse individual ou coletivo, submetido à sua apreciação. Ofício: é o ato pelo qual os agentes administrativos se comunicam. Formalmente são cartas oficiais, por meio das quais se expedem convites, agradecimentos e encaminham-se papéis e informações em geral. c) Atos Negociais: os atos administrativos negociais são editados em situações nas quais o ordenamento jurídico exige que o particular obtenha anuência prévia da administração para realizar determinada atividade de interesse dele, ou exercer determinado direito. Quando há direito do particular, a administração deve praticar o ato, sempre que o administrado demonstre cumprir todos os requisitos estabelecidos na lei como condição para o exercício daquele direito. As condições são estabelecidas e impostas previamente pela Administração Pública. Vamos descrever as principais espécies de atos negociais. Licença: é o ato unilateral e vinculado pelo qual a Administração Pública faculta àquele que preenche os requisitos legais o exercício de uma atividade. Exemplo: licença para edificar, licença para o exercício de uma profissão, licença para dirigir etc. 162 UNIDADE 3 | ATOS ADMINISTRATIVOS Autorização: é um ato administrativo unilateral, discricionário e precário pelo qual a Administração Pública possibilita ao particular a realização de alguma atividade de predominante interesse deste, ou a utilização de um bem público. Como exemplo temos a autorização para porte de arma de fogo, autorização para bloquear o trânsito de uma rua para a realização de competição esportiva, autorização para prestação de serviço de táxi etc. Permissão é um ato administrativo discricionário e precário mediante o qual é consentida ao particular alguma conduta em que exista interesse predominante da coletividade, temos como exemplo a permissão de uso de bem público para instalação de banca de jornais. Homologação é o ato unilateral e vinculado, pelo qual a Administração reconhece a legalidade de um ato jurídico. Exemplo: a homologação de um processo licitação (licitação pública). d) Atos enunciativos: os atos administrativos enunciativos são todos aqueles em que a Administração Pública se limita a certificar ou atestar um determinado fato, ou então emitir uma opinião acerca de um tema. O que caracteriza um ato enunciativo é que ele por si só, não produz qualquer efeito jurídico, dependem sempre de outro ato que tenha conteúdo decisório. Di Pietro (2013) descreve que o ato enunciativo é mero ato administrativo, onde há uma declaração de opinião (parecer), conhecimento (certidão) ou desejo (voto num órgão colegiado). Vamos conhecer alguns exemplos de atos enunciativos. Parecer: é um documento técnico, de caráter opinativo, emitido por órgão especializado na matéria de que trata. Segundo Marinela (2010) pode ser facultativo, quando dispensável para prática do ato, ficando a critério da Administração solicitá-lo ou não, e obrigatório, quando a lei exige, por exemplo, para conceder aposentadoria por invalidez, a Administração tem que ouvir o órgão médico oficial e não pode emitir decisão em desconformidade com a sua decisão. Certidão: é uma cópia de informações registradasem algum livro em poder da administração, geralmente requerida pelo administrado que tenha algum interesse. Nestes atos administrativos, o poder público não manifesta sua vontade, limita-se a transcrever para o documento a ser fornecido para quem o solicitou o que consta de seus arquivos. Atestado: é uma declaração da administração referente a uma situação de que ela toma conhecimento em decorrência de uma atuação de seus agentes. TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E ESPÉCIES DE ATOS ADMINISTRATIVOS 163 Por exemplo, um atestado emitido por junta médica oficial, de que o servidor apresenta determinada patologia, requerido para que ele possa gozar de licença para tratamento de saúde. NOTA Não podemos confundir o atestado com certidão, porque esta reproduz atos ou fatos constantes de seus arquivos, enquanto o atestado comprova um fato ou situação existente, mas não constante em livros, papéis ou documentos em poder da Administração. O atestado tem por finalidade comprovar fatos ou situações transitórias, que se modificam frequentemente. e) Atos Punitivos: os atos administrativos punitivos são os meios pelos quais a administração pode impor diretamente sanções a seus servidores ou aos administrados em geral. Os atos administrativos punitivos buscam punir ou reprimir as infrações administrativas ou os comportamentos irregulares dos servidores ou particulares, perante a administração pública, podendo a atuação ser interna ou externa. Temos como exemplos as multas, as interdições, embargos de obras. Em todos os casos os atos punitivos dependem de processo administrativo, observando-se os princípios de ampla defesa e contraditório. Segundo Alexandrino e Vicente (2011) o ato punitivo pode ter fundamento no poder disciplinar, quando, por exemplo, se tratar de infração funcional do servidor, quando se trata de irregularidade praticada por particular estamos falando do poder de polícia, como exemplo, a interdição de atividade, a destruição de coisas. QUADRO 15 – ESPÉCIES DE ATOS ADMINISTRATIVOS ESPÉCIES EXEMPLOS Normativos Decretos, resoluções, instruções normativas, deliberações. Ordinatórios Portaria, ofício, despacho, circular. Negociais Licença, autorização, permissão, homologação. Enunciativos Certidão, parecer, atestado. Punitivos Internos: penalidades disciplinares, como: advertência, suspensão, demissão. Externos: multa administrativa, interdição de atividade, destruição de coisas etc. FONTE: A autora 164 UNIDADE 3 | ATOS ADMINISTRATIVOS De forma sucinta estudamos a classificação e as espécies de atos administrativos exarados pelo poder público, encerramos o Tópico 2. Faça repetidas leituras dos conteúdos, no próximo tópico estaremos falando da extinção destes atos. UNI Analise o conteúdo disposto até o momento nesta unidade e tópico do Caderno de Estudos. É possível você perceber a importância dos atos administrativos para a consecução das atividades do Estado, imaginando a atuação dos três poderes: executivo, legislativo e judiciário? E a importância de você conhecer quais seus elementos, requisitos, classificação e espécies? Os DOS ATOS ADMINISTRATIVOS RESULTAM TODAS AS AÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, que refletem no nosso dia a dia, na educação, na saúde, no transporte, no lazer, nas condições de vida de nossa cidade. Pense sobre isso! 165 Neste tópico você pôde: • Reconhecer a classificação dos atos administrativos quanto: o Aos destinatários o Ao alcance o As prerrogativas o A função de vontade o A formação da vontade o Aos efeitos o A exequibilidade o Ao regramento o A validade • Conhecer as espécies dos atos administrativos que estão enquadrados em cinco grupos: o Ordinatórios o Normativos o Enunciativos o Negociais o Punitivos • Avaliar as considerações trazidas acerca do mérito administrativo que pressupõe a oportunidade e conveniência do gestor público praticar determinados atos administrativos possuindo a lei como limite. RESUMO DO TÓPICO 2 166 AUTOATIVIDADE 1 De acordo com o Caderno de Estudos, que trouxe os conceitos de alguns doutrinadores, o ato administrativo quando concluído seu ciclo de formação e estando adequado aos requisitos de legitimidade, ainda não se encontra disponível para consecução de seus efeitos, por depender de um termo inicial ou de uma condição suspensiva, ou autorização, aprovação ou homologação, a serem manifestados por uma autoridade controladora, pode ser classificado, de que forma com relação a sua exequibilidade? 2 A assessoria jurídica, do Município de Branca de Neve, chamada a opinar, informou ao prefeito Totonho Tonho que ele poderia praticar certo ato com integral liberdade de atuação, conforme a conveniência e oportunidade, devendo apenas observar os limites traçados pela legalidade. Entre as alternativas possíveis, o prefeito escolheu a solução que mais lhe pareceu atender às necessidades da coletividade e praticou o ato. Pelas indicações dadas, sabe-se, com certeza, que se tratava de um ato: a) ( ) De império. b) ( ) Discricionário. c) ( ) Enunciativo. d) ( ) De mero expediente. e) ( ) Homologatório. 3 Com relação ao mérito administrativo, com quais elementos do ato administrativo ele costuma estar relacionado? a) ( ) Finalidade e objeto. b) ( ) Finalidade e motivo. c) ( ) Motivo e objeto. d) ( ) Finalidade, apenas. e) ( ) Motivo, apenas. 4 Os atos administrativos conduzem as ações da Administração Pública, com relação a estes analise as afirmativas descritas a seguir: I - A licença e a autorização são espécies de atos administrativos discricionários. II - A imperatividade é o atributo pelo qual o ato administrativo pode ser posto em execução pela própria Administração, sem a necessidade de intervenção do Poder Judiciário. III - Os atos complexos são os que resultam da manifestação de dois ou mais órgãos, cuja vontade se funde para formar um ato único. IV - Os atos compostos têm como fundamento, dois atos, um ato principal e um ato acessório. 167 Analise a alternativa que contém a resposta CORRETA: a) ( ) III e IV. b) ( ) II, III e IV. c) ( ) I e III. d) ( ) I, II e IV. e) ( ) I e II. 168 169 TÓPICO 3 EXTINÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Para que um ato administrativo possa ser extinto, se faz necessária a observação de situação que produza amparo legal para sua consecução. São aceitas pelos doutrinadores como formas de extinção do ato administrativo pelo cumprimento de seus efeitos, desaparecimento do sujeito ou objeto, retirada do ato pelo Poder Público, renúncia, saberemos um pouco mais destas condições nos estudos empreendidos neste tópico. Da mesma forma que os atos administrativos são criados e acabam por existir no “mundo” da Administração Pública, em razão de circunstâncias diversas estes deixam de existir. É importante a análise destas situações visto que o reflexo dos atos administrativos é imediato, envolve a coletividade e afeta o cotidiano da sociedade. 2 FORMAS DE EXTINÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS O quadro a seguir apresenta de forma resumida as formas de extinção dos atos administrativos, vejamos: QUADRO 16 – FORMAS DE EXTINÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 1. Cumprimento de seus efeitos a) esgotamento do conteúdo jurídico; b) execução material; c) implemento de condição ou termo. 2. Desaparecimento do sujeito ou do objeto 3. Retirada do ato pelo Poder Público (ato concreto) a) revogação; b) anulação; c) cassação; d) caducidade; e) contraposição. 4. Renúncia FONTE: Marinela (2010, p. 281) UNIDADE 3 | ATOS ADMINISTRATIVOS 170 A partir deste momento vamos passar a analisá-las, bons estudos! a) Extinção por cumprimento de seus efeitos O ato administrativo eficaz pode ser extinto devido ao cumprimento de seus efeitos, em diversas circunstâncias que passam a ser analisadas, segundo entendimento de Marinela (2010, p. 284): a) A extinção do ato pelo cumprimento de seus efeitos ocorre quando esgotado o seu conteúdo jurídico. Temos como exemplo as férias de um servidor.O ato concessivo deste direito estará extinto quando gozado o período previsto na norma (ex.: gozados os 30 dias, extinto o ato concessivo), ficando dessa forma, esgotado o seu conteúdo. b) A extinção do ato administrativo também acontece quando extinta sua execução material. Este ato busca o cumprimento de uma ordem que já foi cumprida. Por exemplo, quando determinada a demolição de uma obra que já foi demolida, o ato que a determinou já está extinto. c) O implemento de condição resolutiva ou termo final, é igualmente uma forma do cumprimento dos efeitos do ato administrativo e consequentemente de sua extinção, que acontece em evento futuro e certo (termo final) podendo ser determinado (dia 20 do mês de maio) ou indeterminado (no próximo carnaval). De forma diversa, a condição resolutiva que é um evento futuro ou incerto. b) Extinção por desaparecimento do sujeito ou objeto O ato poderá ser extinto em razão do desaparecimento do sujeito ou do objeto, como ocorre na morte do beneficiário em ato personalíssimo. Por exemplo: a morte de um funcionário extingue os efeitos da nomeação. Da mesma forma, ocorre a extinção quando do desaparecimento do objeto, o que é possível verificar na tomada pelo mar de um terreno de marinha dado em aforamento. c) Extinção do ato administrativo pela retirada do ato pelo Poder Público A revogação do ato administrativo se dá por razões de oportunidade e conveniência. Pode ser sujeito ativo da revogação o agente que praticou o ato ou o superior no exercício do poder hierárquico. Não há previsão de prazo para o exercício do poder de revogar. A revogação pode ser executada somente pela própria Administração Pública, ao Poder Judiciário só cabe a anulação de ato administrativo. Toda revogação pressupõe um ato legal e perfeito, mas inconveniente ao interesse público. Se o ato for ilegal ou ilegítimo não haverá revogação, mas sim, TÓPICO 3 | EXTINÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 171 anulação (MEIRELLES, 2013). A revogação tem seu fundamento no poder discricionário de que dispõe a Administração Pública para rever sua atividade interna e encaminhá-la adequadamente à realização de seus fins específicos. Os efeitos da revogação não retroagem, porque ela atinge o ato válido, o ato legal. Os efeitos já produzidos têm que ser respeitados, da mesma forma que ela sofre algumas restrições/limitações, vejamos o que nos ensina Marinela (2010, p. 286-287): a) Os atos que a lei declare irrevogáveis. b) Não podem ser revogados os atos vinculados, porque os atos vinculados geram direitos adquiridos. Por exemplo: concedida aposentadoria para um servidor, é evidente que para sua concessão ele preencheu os requisitos, preenchidos estes requisitos é um direito dele, o de se aposentar. A Administração não pode revogar a aposentadoria. Ela pode anular, se for ilegal, mas não pode revogar. c) Não pode a Administração Pública revogar os atos que já exauriram os seus efeitos. A revogação supõe sempre um ato que ainda esteja produzindo efeitos, e o que a revogação faz é retirar do ato a possibilidade de continuar a produzir efeitos. Por exemplo: o indivíduo tem uma permissão para uso de um bem público, que é válida, o indivíduo vem utilizando aquele bem. A Administração Pública pode revogar a permissão, de tal modo que a partir de uma data futura, a permissão deixa de produzir efeitos. Mas se o ato já exauriu seus efeitos, porque a permissão foi dada por um prazo que já terminou, não cabe mais a utilização do instituto da revogação. d) Não é possível a utilização da revogação quando a autoridade já exauriu a sua competência, ou seja, o ato já saiu da competência dela, ela não responde mais pelo ato, já está na mão da autoridade de nível superior. e) Não podem ser revogados os atos enunciativos, porque eles não produzem efeitos. Você não vai revogar uma certidão, um atestado, uma informação. f) Não podem ser revogados os atos que integram um procedimento, pois a cada novo ato, ocorre a preclusão com relação ao ato anterior. Por exemplo, você tem as várias fases da licitação e não vai revogar um ato do procedimento. Quando praticou o ato subsequente, o ato anterior já ficou precluso. g) Também não podem ser revogados os atos que gerem direitos adquiridos e isto consta da parte final da Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal. h) Não podem ser revogados os atos complexos, que dependem da conjugação de vontades de diversos órgãos da Administração Pública, e, nessa medida, não podem ser revogados pela vontade de um só deles ou de uma só pessoa. UNIDADE 3 | ATOS ADMINISTRATIVOS 172 O limite ao poder da Administração Pública de revogar um ato administrativo está disposto na lei, além das acima mencionadas. Isto porque a revogação é executada quando o gestor público decide, em juízo de conveniência e oportunidade, que em dado caso concreto, um ato administrativo não satisfaz o interesse público. IMPORTANT E SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF) – SÚMULA Nº 473 A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. “A anulação é a declaração de invalidação de um ato administrativo ilegítimo ou ilegal, feita pela própria Administração Pública ou pelo Poder Judiciário” (MEIRELLES, 2013, p. 214). No momento em que a Administração Pública reconhecer que praticou um ato contrário ao descrito na lei vigente, tem como dever anulá-lo, para reestabelecer com maior brevidade possível a legalidade administrativa. Ainda, segundo Meirelles (2013), para que seja executada a anulação do ato administrativo, além da violação frontal da lei, requisitos como excesso, abuso e desvio de poder ou ainda relegação dos princípios gerais do direito público, são determinantes para a anulação do ato administrativo pela Administração Pública ou pelo Poder Judiciário. O poder de autotutela sobre seus próprios atos permite que a Administração Pública anule os seus atos como igualmente está descrito na primeira parte da Súmula 473 do STF (BRASIL, 2014), acima descrita. O prazo que possui a Administração Pública para rever seus próprios atos, ou seja, declare seus atos administrativos ilegais e, portanto, os anule, é de cinco anos a contar da data em que foram praticados, salvo a comprovação de má-fé. TÓPICO 3 | EXTINÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 173 IMPORTANT E PODER DE AUTOTUTELA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA A autotutela é o poder da administração de corrigir os seus atos, revogando os irregulares ou inoportunos e anulando os ilegais, respeitados os direitos adquiridos e indenizados os prejudicados se for o caso (MARINELA, 2010). Em regra geral, os efeitos da anulação dos atos administrativos retroagem às origens, invalidando as consequências passadas, presentes e futuras. QUADRO 17 – REVOGAÇÃO X ANULAÇÃO Formas Atuação Objeto Titular Efeitos Anulação Retirada de atos inválidos, com vício, ilegais. Incide sobre atos vinculados e discricionários, exceto sobre o mérito administrativo. Ilegalidade do ato. Administração Pública. Poder Judiciário. Retira os efeitos que foram produzidos pelo ato até o momento da invalidação e impede que continue produzindo efeitos. Revogação Retirada de atos válidos, sem qualquer vício. Só incide sobre atos discricionários. Razões de oportunidade e conveniência. Administração Pública. Não atinge os atos passados, produz efeitos a partir do presente. FONTE: Adaptado de: Marinela (2010, p. 297) Segundo Alexandrino e Vicente (2011, p. 489), “[...] a cassação é a extinção do ato administrativo quando o seu beneficiário deixa de cumprir os requisitos que deveria permanecer atendendo como exigência para manutenção do ato e de seus efeitos”. Na maioria das vezes, a cassação funciona como uma sanção (punição) para o particular que deixou de cumpriras condições exigidas para a manutenção de determinado ato. Exemplo: a retirada da licença para o funcionamento de hotel por ter o proprietário convertido a atividade em motel, que é proibido para as leis UNIDADE 3 | ATOS ADMINISTRATIVOS 174 do município; a cassação de uma licença para construir, concedida pelo poder público sob determinadas condições previstas em lei, onde o particular deixa de cumprir estas condições. Nas palavras de Marinela (2010, p. 282) “[...] a caducidade consiste na retirada do ato administrativo pelo Poder Público, em razão da superveniência de uma norma jurídica que impede sua manutenção”. Exemplo: a retirada da permissão de uso de bem público para instalação de circo, em virtude de advento de lei do Plano Diretor, que designa o mesmo local para a construção de uma rua, tornando impossível a manutenção da permissão, ou seja, uma nova legislação impede a permanência da situação anteriormente consentida pela Administração Pública. Surge uma nova regra jurídica que contraria àquela que respaldava a prática do ato. A contraposição “[...] consiste na edição de um novo ato, que em razão de seus efeitos impede que o anterior continue existindo” (MARINELA, 2010, p. 282). Por exemplo, a exoneração de um funcionário, que acaba com os efeitos do ato de nomeação deste mesmo funcionário. O ato de nomeação é extinto automaticamente pelo ato de exoneração, não é necessário praticar um terceiro ato, afirmando que ficou cancelada a nomeação do servidor exonerado. Para encerrarmos as formas de extinção dos atos administrativos temos a renúncia, que consiste na extinção dos efeitos do ato administrativo pela rejeição, pelo beneficiário de uma situação jurídica favorável que desfrutava em razão daquele ato, por exemplo, a renúncia a um cargo de Secretário de Estado. UNI O ato administrativo possui o aval da Administração Pública para fazer com que seus agentes públicos, representantes do Estado, atuem de forma que façam a vontade do Estado, exercendo sua soberania sobre a sociedade. Podendo a Administração Pública atuar com discricionariedade, nos perguntamos: o que acontece se o Estado, utilizando a prerrogativa da discricionariedade, atuar de forma ilegal, abusiva, com malícia com o objetivo de obter vantagens para os próprios gestores ou para terceiros? Quem será lesado? TÓPICO 3 | EXTINÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 175 3 VÍCIOS DOS ATOS ADMINISTRATIVOS Quando a administração reconhece que praticou um ato contrário às leis vigentes, deve anulá-lo o mais breve possível, visando restabelecer a legalidade administrativa. Caso a administração não o faça, o interessado poderá encaminhar ao Judiciário para que verifique a ilegalidade do ato e o declare inválido através da anulação. (MEIRELLES, 2006, p. 199). Para Di Pietro (2005, p. 228): Sendo o ato administrativo modalidade de ato jurídico, é evidente que muitos dos princípios do Código Civil podem ser aplicados; porém, não se pode deixar de considerar que o ato administrativo apresenta certas peculiaridades que têm que ser levadas em consideração; de um lado, com relação aos próprios elementos integrantes, que são em maior número e de natureza um pouco diversa do que o ato de direito privado; de outro lado, com relação às consequências da inobservância da lei, que são diferentes no ato administrativo. Vejamos, a seguir, algumas das principais diferenças em relação aos vícios dos atos administrativos, onde se questiona a hipótese de aplicação das nulidades previstas no Código Civil. • Os vícios dos atos privados que afetam apenas os interesses individuais, já os vícios dos atos administrativos podem atingir o interesse de terceiros, ou o interesse público. Ex.: Numa licitação, quando a adjudicação é feita a uma empresa que não seja a vencedora, por interesse da administração na melhor proposta. • Diante de determinados casos concretos, pode ocorrer que a manutenção de um ato ilegal é menos prejudicial ao interesse público do que a sua anulação. A administração decide por manter este ato, desde que não haja dolo, que não prejudique direitos de terceiros e nem incida prejuízo ao erário. Ex.: atos praticados por funcionários ‘de fato’. • Quando os vícios atingem o ato administrativo, existem situações peculiares que não existem no direito privado, são elas: excesso e abuso de poder, o exercício de fato, a usurpação de função. (DI PIETRO, 2005, p. 228-229). a) Vícios quanto ao sujeito Os vícios relativos ao sujeito podem se apresentar sob duas categorias distintas: a incompetência ou a incapacidade. Tendo em vista que a competência deve estar definida em lei, todo ato praticado por aquele que não for detentor das atribuições será ilegal. Os principais vícios relacionados à competência descritos por Di Pietro (2005, p. 229-230) são: UNIDADE 3 | ATOS ADMINISTRATIVOS 176 • Usurpação de função: ocorre quando o ato é praticado por alguém que não foi investido no cargo, função ou emprego. Essa pessoa por conta própria se apossa do exercício de atribuições próprias de agente público. Definido no art. 328 do Código Penal, como crime praticado por particular contra a administração em geral: ‘Usurpar o exercício da função pública’. • Quando o agente público excede os limites de sua competência ocorre o excesso de poder. Ex.: Autoridade policial extrapola no uso da força na prática do ato de sua função. Portanto, quando o agente público exorbita suas atribuições ocorre o excesso de poder, já quando pratica o ato com finalidade diversa daquela descrita em lei, acontece o desvio de poder. Em ambos os casos, o excesso ou o desvio de poder podem configurar como crime de abuso de autoridade, ficando o autor sujeito à responsabilidade administrativa e penal, podendo inclusive responder civilmente, se de seu ato decorrerem danos patrimoniais. A Lei nº 4.898, de 9 de dezembro de 1965, traz em seu artigo 3º o que constitui abuso de autoridade, vejamos: Art. 3º Constitui abuso de autoridade qualquer atentado: a) à liberdade de locomoção; b) à inviolabilidade do domicílio; c) ao sigilo da correspondência; d) à liberdade de consciência e de crença; e) ao livre exercício do culto religioso; f) à liberdade de associação; g) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício do voto; h) ao direito de reunião; i) à incolumidade física do indivíduo; j) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional. A função de fato, apesar da situação ter toda aparência de legalidade, ocorre quando a pessoa que pratica o ato está irregularmente investida na função, no cargo ou emprego. Ex.: não preencher os requisitos legais para investidura, como, por exemplo, inexistência de formação universitária exigida para o cargo. Além dos vícios de incompetência vistos anteriormente, existem ainda os vícios da incapacidade para a prática do ato administrativo. A Lei do Processo Administrativo Federal, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, prevê duas possibilidades de incapacidade administrativa do sujeito que pratica o ato administrativo, são elas: o impedimento e a suspeição. De acordo com a legislação citada, temos que está impedido de atuar servidor ou autoridade administrativa que: I – tenha interesse direto ou indireto na matéria; II – tenha participado ou venha a participar como perito, testemunha ou representante, ou se tais situações ocorrem quanto ao cônjuge, companheiro ou parente e afins até o terceiro grau; III – esteja litigando judicial ou administrativamente com o interessado ou respectivo cônjuge ou companheiro. TÓPICO 3 | EXTINÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 177 b) Vícios quanto ao Objeto A ilegalidade do objeto está prevista no artigo 2º, parágrafo único, c, da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, [...] ocorre quando o resultado do ato importa em violação de lei, regulamento ou outro ato normativo. De acordo com Di Pietro (2005, p. 231-232), “o objeto deverá ainda ser lícito, possível (de fato e de direito), determinado emoral”. Desta forma, poderá ocorrer vício em relação ao objeto quando qualquer desses requisitos não for observado, o que acontecerá quando: • Proibido pela lei. Ex.: o Município desapropriar um imóvel da União. • Diverso do previsto na lei para o caso sobre o qual incide. Ex.: aplicação de uma pena de suspensão, quando o cabível é a de repreensão. • Impossível, quando os efeitos pretendidos não podem ser realizados (de fato ou de direito). Ex.: nomeação para um cargo que não exista. • Imoral. Ex.: parecer emitido sob encomenda, apesar de contrário ao entendimento que o profere. • Incerto em relação aos destinatários, às coisas, ao tempo, ao lugar. Ex.: desapropriar um bem não definido com precisão. (DI PIETRO, 2005, p.231) c) Vícios quanto à forma Conforme prevê o artigo 2º, parágrafo único, b, da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965: “O vício da forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato”. Por vício de forma, um ato é considerado ilegal quando a lei claramente a exige ou quando uma finalidade específica só pode ser alcançada através de determinada forma. “Como exemplo: o decreto é a forma que deve revestir o ato do chefe do Poder Executivo; o edital é a única forma possível para convocar os interessados em participar de uma concorrência.” (DI PIETRO, 2005, p. 232). d) Vícios quanto ao Motivo Quanto aos vícios relacionados ao motivo, Di Pietro (2005) esclarece que a Lei nº 4.717/65, art. 2º, parágrafo único, d, cita apenas a inexistência dos motivos, que esse vício ocorre “quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido”. (Art. 2º, parágrafo único, d, Lei nº 4.717/65). Porém, além da inexistência, pode ocorrer a falsidade do motivo. Quando, por exemplo, a administração pune um funcionário, mas este não praticou nenhuma infração: o motivo é inexistente; se ele praticou uma infração diversa: o motivo é falso. UNIDADE 3 | ATOS ADMINISTRATIVOS 178 e) Vícios quanto à finalidade Como definido pela Lei nº 4.717/65, art. 2º, parágrafo único, e, trata-se do desvio de poder ou desvio de finalidade, como sendo aquele em que o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência. 4 CONVALIDAÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS A Administração Pública faz uso da convalidação para que possa fazer uso ou aproveitar atos administrativos que tenham vícios que possam ser superados, para que estes atos administrativos possam ser válidos ou utilizados em uma parte ou em seu todo. Segundo Alexandrino e Vicente (2011, p. 491), “convalidar um ato é corrigi-lo, regularizá-lo, de tal sorte que (a) os efeitos já produzidos passem a ser considerados válidos, não passíveis de desconstituição e (b) esse ato permaneça no mundo jurídico como ato válido apto a produzir efeitos regulares.” Os vícios superáveis são assim denominados porque são sanáveis. Reconhecemos como atos que podem ser convalidados aqueles que possuem vícios de competência, de forma e de procedimento; entretanto, os atos administrativos que possuem vícios quanto ao motivo, à finalidade e ao objeto não podem ser convalidados. Carvalho Filho (2011, p. 153) define que a Administração Pública pode utilizar-se de três formas de convalidação, sendo elas: Ratificação: a autoridade que deve ratificar pode ser a mesma que praticou o ato anterior ou um superior hierárquico, mas o importante é que a lei lhe tenha atribuído esta competência específica. A ratificação é adequada para os atos que contenham vícios de competência e forma não se aplicando àqueles que têm vícios de objeto ou finalidade. Reforma: esta forma de convalidação permite que se suprima a parte inválida do ato anterior, contudo mantendo a parte válida. Como exemplo temos, em um ato anterior foram concedidas licença e férias a um servidor; se após este ato se verifica que este servidor não tinha direito à licença, pratica-se novo ato retirando a parte da licença e se ratifica a parte relativa às férias. Conversão: A Administração Pública quando retira a parte inválida do ato anterior, faz a sua substituição por uma nova parte; deste modo o ato novo passa a conter a parte válida anterior e uma nova parte nascida com o aproveitamento. Exemplo: um ato promoveu A e B por merecimento e antiguidade respectivamente, verificando depois que não deveria ser B, mas C o promovido por antiguidade, pratica novo ato mantendo A (que não teve vício) e insere o de C, retirando a de B, por ser inválida. TÓPICO 3 | EXTINÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 179 4 CONVALIDAÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS Ainda alerta Carvalho Filho (2011, p. 153) que existem algumas barreiras à convalidação, sendo elas “a impugnação do interessado, expressamente ou por resistência ao seu cumprimento; o decurso do tempo com a ocorrência da prescrição”. Os efeitos da convalidação são “ex tunc”, ou seja, seus efeitos retroagem ao momento em que foi praticado o ato originário. Encontramos igualmente menção à possibilidade de convalidação dos atos administrativos pela Administração Pública na Lei nº 9.784/99, mais precisamente em seu art. 55, que retrata: “Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração”. Na análise de Alexandrino e Vicente (2011, p. 492), da leitura deste artigo temos o entendimento do que são condições cumulativas para que um ato administrativo possa ser convalidado: a) Defeito sanável. b) O ato não acarretar lesão ao interesse público. c) O ato não acarretar prejuízo a terceiros. d) Decisão discricionária da administração acerca da conveniência e oportunidade de convalidar o ato (em vez de anulá-lo). Importante ressaltar que o ato de convalidação pode ser praticado com atos administrativos vinculados ou discricionários, eis que se trata de controle da legalidade, que faz referência a vícios sanáveis nos elementos de competência e forma. Colaborando com as informações trazidas até este momento trazemos em um quadro a compilação feita pelos autores Alexandrino e Vicente (2011) acerca da anulação, revogação e convalidação, acrescendo a informação de Marinela, que trouxemos acima, vamos a ele. QUADRO 18 – CARACTERÍSTICAS DA ANULAÇÃO, REVOGAÇÃO E CONVALIDAÇÃO ANULAÇÃO REVOGAÇÃO CONVALIDAÇÃO Retirada de atos inválidos, com vício, ilegais. Retirada de atos válidos, sem qualquer vício. Correção de atos com vícios sanáveis, desde que tais atos não tenham acarretado lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros. Opera retroativamente, resguardados os efeitos já produzidos perante terceiros de boa-fé. Efeitos prospectivos; não é possível revogar atos que já tenham gerado direito adquirido. Opera retroativamente. Corrige o ato, tornado regulares seus efeitos, passados e futuros. UNIDADE 3 | ATOS ADMINISTRATIVOS 180 Pode ser efetuada pela administração, de ofício ou provocada, ou pelo judiciário, se provocado. Só pode ser efetuada pela própria administração que praticou o ato. Só pode ser efetuada pela própria administração pública que praticou o ato. Pode incidir sobre atos vinculados e discricionários, exceto sobre o mérito administrativo. Só incide sobre atos discricionários (não existe revogação de ato vinculado). Pode incidir sobre atos vinculados e discricionários. A anulação de ato com vício insanável é um ato vinculado. A anulação de ato com vício sanável que fosse passível de convalidação é um ato discricionário. A revogação é um ato discricionário. A convalidação é um ato discricionário. Em tese, a administração pode optar por anular o ato, o mesmo que ele fosse passível de convalidação. FONTE: Alexandrino e Vicente (2011, p. 495) Se mostra importante ressaltar a situação já contidano quadro acima que determina que a regra geral para os atos administrativos com vícios de legalidade e legitimidade é o da anulação do ato administrativo, sendo a convalidação um ato discricionário. 5 CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Encontramos nas descrições de Alexandrino e Vicente (2011, p. 790-791): O controle administrativo pode ser conceituado como o conjunto de instrumentos que o ordenamento jurídico estabelece a fim de que a própria administração pública, os Poderes Judiciários e Legislativo, e ainda, o povo, diretamente ou por meio de órgãos especializados, possam exercer o poder de fiscalização, orientação e revisão da atuação administrativa de todos os órgãos, entidades e agentes públicos, em todas as esferas de Poder. A existência destes mecanismos permite uma amplitude no controle da administração pública para averiguar-se a legalidade dos atos e a correta atuação funcional dos agentes públicos, além de possibilitar a defesa de todos os direitos dos administrados, sejam eles internos ou externos. TÓPICO 3 | EXTINÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 181 5.1 CLASSIFICAÇÃO DAS FORMAS DE CONTROLE 5.1.1 Conforme a Origem a) Controle Interno Esta forma de controle é exercida no âmbito de um mesmo poder, podendo ser realizado por órgãos especializados de controle interno ou na submissão ao padrão hierárquico, ou ainda os controles exercidos das administrações diretas sobre as administrações indiretas aqui novamente registrando que acontece dentro de um mesmo poder. Como exemplo podemos citar o controle que os chefes de um determinado órgão exercem sobre os atos de seus subordinados em um órgão público, esta situação é classificada como controle interno. Ainda exemplificando, podemos citar o controle exercido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social em relação a determinados atos administrativos praticados pelo INSS – Instituto Nacional do Seguro Social. A Constituição de 1988 determina em seu artigo 74, que os Poderes tenham e mantenham sistemas de controle interno, vejamos: Art. 74 Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de controle interno com a finalidade de: I - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de governo e dos orçamentos da União; II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado; III - exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e haveres da União; IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional. Diante de sua relevância é importante que observemos em nossos órgãos de administração pública, ou nas representações dos poderes, se encontramos nossos órgãos de controle interno atuantes, verifique aí no seu município! b) Controle Externo Esta forma de controle é reconhecida como o exercício do controle de um Poder sobre os atos administrativos praticados por outro Poder (ALEXANDRINO e VICENTE, 2011). São exemplos de atos de controle externo: 1º A sustação pelo Congresso Nacional, de atos normativos do Poder executivo que exorbitem do poder regulamentar (CF, art. 49, V). UNIDADE 3 | ATOS ADMINISTRATIVOS 182 2º A anulação de um ato dos Poder Executivo por decisão judicial. 3º O julgamento anual, pelo Congresso Nacional, das contas prestadas pelo Presidente da república e a apreciação dos relatórios, por ele apresentados, sobre a execução dos planos de governo (CF, art. 49, IX). 4º A auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União sobre despesas realizadas pelo Poder Executivo federal. c) Controle Popular A Administração Pública é regida pelo princípio da indisponibilidade do interesse público, em razão deste a Constituição contém dispositivos que permitem que os administrados diretamente ou por meio de órgão que tenham esta função possam verificar a atuação regular da administração pública viabilizando que se impeça a prática de atos ilegais, que possam trazer lesão ao indivíduo ou à coletividade ou ainda provocarem uma eventual reparação de danos decorrentes destes atos. Podemos exemplificar os textos constitucionais: Art. 31 § 3º - As contas dos Municípios ficarão, durante sessenta dias, anualmente, à disposição de qualquer contribuinte, para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhes a legitimidade, nos termos da lei. Art. 5º LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. Art. 74 § 2º - Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para, na forma da lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União. Em momentos cruciais a participação e intervenção popular são desejáveis e necessárias. A Constituição de 1988 permite que os cidadãos se manifestem. É importante que estejamos atentos e nos utilizemos dos instrumentos disponíveis para que os atos dos Poderes atinjam a finalidade a que se propõe e para qual foram concebidos. 5.2 CONFORME O MOMENTO DE EXERCÍCIO a) Controle Prévio ou Preventivo Associado ao próprio nome, este controle é efetuado antes do início da prática, ou antes do ato administrativo ser concluído, normalmente compreendido como requisito para que aqueles sejam válidos e produzam efeitos de ato controlado. TÓPICO 3 | EXTINÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 183 5.2 CONFORME O MOMENTO DE EXERCÍCIO Temos como exemplo de controle prévio a necessária autorização pelo Senado federal para que a União, Estados, Distrito Federal ou Municípios possam contrair empréstimos do exterior. Também é exemplo de controle preventivo a aprovação pelo Senado federal da escolha dos ministros dos tribunais superiores, do procurador geral da república, presidente do Banco Central, entre outros (art. 52 e art. 84, XVI, da Constituição de 1988). É também classificado como controle prévio a concessão de uma liminar em mandado de segurança preventivo, que possa impedir que a Administração Pública pratique ou conclua um ato administrativo em que o administrado tenha a compreensão de que será ferido um direito líquido e certo seu. b) Controle Concomitante A explicação deste controle está indicada pelo próprio nome. Este controle é exercido durante a realização do ato e permite que se verifique a sua regular formação. Podemos exemplificar como controle concomitante aquele realizado na fiscalização da execução de um contrato administrativo, no momento da auditoria realizada durante a execução do orçamento público, o acompanhamento de um concurso público pela corregedoria competente. c) Controle Subsequente ou Corretivo Este controle é exercido após o ato concluído. Após este momento é possível corrigir os defeitos do ato, declarar sua nulidade, revogá-lo, cassá-lo, ou mesmo conferir sua eficácia. Algumas destas situações já estudamos nesta unidade! Um controle identificado em regra como subsequente é o controle judicial. Da mesma forma, normalmente, são tipificados os controles efetuados pelos tribunais de contas. 5.3 QUANTO AO ASPECTO CONTROLADO a) Controle de legalidade e legitimidade A finalidade deste controle é a verificação de que o ato tenha sido praticado de acordo com sua previsão legal. Faz-se uma análise ou estudo comparativo para verificar se o ato praticado está correto de acordo com o que está previsto na Constituição ou em leis infraconstitucionais. A observação da legalidade dos atos permite que possam ser confirmados a validade, anulação ou a convalidação deste ato. UNIDADE 3 | ATOS ADMINISTRATIVOS 184 5.4 QUANTO À AMPLITUDEb) Controle de mérito O objetivo do controle de mérito é verificar a oportunidade e conveniência do ato administrativo sendo, portanto, um controle administrativo, que compete em regra ao próprio poder que editou o ato administrativo. O controle de mérito como já estudamos não pode ser efetuado pelo Poder Judiciário, o único controle que pode ser executado pelo Poder Judiciário sobre o Poder Executivo é o da legalidade ou legitimidade, sendo que, se o Poder Judiciário considerar um ato ilegal ou ilegítimo irá anulá-lo. Quando a administração pública, ou seja, o Poder Executivo, efetua o controle de legalidade ou legitimidade, que é o controle de mérito e são observados atos com vícios, esta administração efetua a revogação destes atos. a) Controle hierárquico Alexandrino e Vicente (2011, p. 800) descrevem que o controle hierárquico “decorre do escalonamento vertical de órgãos da administração direta ou do escalonamento vertical de órgãos integrantes de cada entidade da administração indireta”. Este controle é sempre interno, típico do poder executivo, entretanto, não existe qualquer impedimento legal de que este também ocorra no Poder Legislativo ou no Poder Judiciário. Como exemplo, podemos identificar que a administração federal direta, os ministérios exercem controle hierárquico sobre suas secretarias e estas controlam as superintendências, que exercem controle sobre suas delegacias e assim por diante. Se pensarmos em um órgão de administração indireta, por exemplo, o presidente de uma autarquia controla os atos dos superintendentes que são seus subordinados, que exercem controle hierárquico sobre os atos dos chefes de departamentos a ele subordinados e assim sequencialmente. Na figura a seguir relembramos alguns aspectos relevantes da Administração Pública, que nos permitem avaliar algumas circunstâncias no tocante ao controle hierárquico e aos órgãos da Administração Pública. TÓPICO 3 | EXTINÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 185 5.4 QUANTO À AMPLITUDE FIGURA 7 – ASPECTOS GERAIS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FONTE: Disponível em: <https://goo.gl/MjpYHu> Acesso em: 17 jan. 2015. Alexandrino e Vicente (2011, p. 800-801) ainda informam algumas características que integram o controle hierárquico. 1. Sempre que houver dentro de uma estrutura, escalonamento vertical entre órgãos ou agentes públicos, haverá controle hierárquico do superior sobre os atos praticados pelo subordinado. 2. O controle hierárquico é pleno (irrestrito), permanente e automático (não depende de norma específica que o estabeleça ou autorize. 3. Utilizando-se do controle hierárquico podem ser verificados todos os aspectos concernentes à legalidade e ao mérito de todos os atos praticados pelos agentes ou órgãos subalternos a determinado agente ou órgãos. Para que seja possível o ato do controle hierárquico é necessário que seja possível a atuação de supervisão, coordenação, orientação, fiscalização, aprovação, da mesma forma que seja possível que os agentes públicos responsáveis pela execução do controle hierárquico tenham disponíveis meios para a correção dos desvios ou irregularidades que eventualmente possam ser encontradas. UNIDADE 3 | ATOS ADMINISTRATIVOS 186 IMPORTANT E Lanço um desafio, procure conhecer o organograma da Prefeitura de seu município, reconheça a estrutura, órgãos, secretarias, departamentos, coordenações etc. e saiba que linha hierárquica vertical está construída que possibilita com que seja executado o controle hierárquico na administração municipal. Aproveite e conheça igualmente estes aspectos na câmara municipal de vereadores e no órgão representante do judiciário de sua cidade. É um aprendizado de muito valor! b) Controle finalístico Este controle é efetuado pela administração direta, sobre as pessoas jurídicas integrantes da administração indireta. Veja na figura acima quem integra estas administrações direta e indireta. Relembram Alexandrino e Vicente (2011, p. 801) que, “o controle finalístico depende de norma legal que o estabeleça, determine os meios de controle, os aspectos a serem controlados e as ocasiões de realização do controle, bem como, deve ser indicada a autoridade controladora e a finalidade objetivadas.” O controle finalístico é denominado de tutela administrativa. Caro(a) acadêmico(a)! Encerramos a Unidade 3 deste Caderno de Estudos, em que foi possível expressar a importância dos atos administrativos para a organização da Administração Pública e por conseguinte, os reflexos destes em nosso dia a dia. NOTA Sugiro que você aprofunde seus estudos com relação aos atos administrativos. Todas as decisões da Administração Pública ocorrem por meio destes, indico como bibliografia o livro de Marcelo Alexandrino e Paulo Vicente, DIREITO ADMINISTRATIVO DESCOMPLICADO da Editora Método, em seu Capítulo 8, relembrando que os doutrinadores possuem formas próprias para interpretar a Administração Pública/Poder Público, mas que não destoam daquilo que é fundamental que é reconhecer as engrenagens deste poder. Sucesso nesta caminhada e bons estudos! TÓPICO 3 | EXTINÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 187 Sucesso nesta caminhada e bons estudos! LEITURA COMPLEMENTAR IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA Danielle Peixoto Valença A Administração Pública não exerce suas atividades e direitos com a mesma autonomia e liberdade com que os particulares exercem os seus. Enquanto a atuação dos particulares funda-se no princípio da autonomia da vontade, a atuação do Poder Público é orientada por princípios como o da legalidade, da supremacia do interesse público sobre o privado e da indisponibilidade dos interesses públicos. Desta forma, nota-se que ao agente público não é permitido atuar da mesma maneira que é permitida ao particular, ou seja, de maneira pessoal, que não prevista em lei, defendendo interesses que não os públicos. Hely Lopes Meirelles leciona que, “na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na Administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza.” Isto porque a Administração Pública não dispõe dos interesses públicos, por serem estes inapropriáveis. A Administração Pública apenas aplica a lei ao caso concreto, razão pela qual possui caráter meramente instrumental. O interesse público consiste no interesse dos indivíduos enquanto membros da sociedade, não se confundindo com os interesses peculiares de cada indivíduo. Por esse motivo, o interesse público é considerado indisponível, visto que não se encontra à mercê da vontade do administrador. Ou seja, “sendo interesses qualificados como próprios da coletividade – internos ao setor público -, não se encontram à livre disposição de quem quer que seja, por inapropriáveis”. Atribuído o dever ao agente público, este não poderá deixar de exercê-lo, sob pena de responder por omissão. Neste diapasão, encontra-se o grande dilema do regime jurídico- administrativo: o binômio “prerrogativas da administração-direito dos administrados”. A fisionomia do Direito Administrativo será delineada pelo entrosamento das prerrogativas da Administração com relação aos direitos dos administrados. Não resta dúvida, portanto, a diferença da atuação do Poder Público em relação aos particulares. Em decorrência disto, é inegável a existência de privilégios dos órgãos públicos frente aos administrados em algumas situações, como por exemplo, na presunção de legitimidade dos atos administrativos. Dessa maneira, conclui-se que vigora a verticalidade e a unilateralidade nas relações entre a Administração e os particulares, manifestando a vontade do Estado. UNIDADE 3 | ATOS ADMINISTRATIVOS 188 Concernente ao tema exposto, leciona Lucia Valle Figueiredo: Ao investir a Administração de prerrogativas especiais para tutela de determinados interesses, que houve por bem entender prevalecentes, a norma, em contrapartida, qualificou- os de inalienáveis. Com efeito, a consequênciada supremacia do interesse público é a indisponibilidade. Decorre, daí, que, mesmo ao delegar o exercício de determinadas funções públicas a outrem, a Administração delas não poderá dispor. Em decorrência da indisponibilidade do interesse público até então mencionada, advém o princípio da legalidade, segundo o qual o administrador, no exercício de sua função, deve limitar-se às exigências previstas em lei. Os limites da atuação administrativa serão estabelecidos por lei, de modo que o agente público poderá somente fazer o que ela permitir-lhe. O princípio da legalidade da Administração está expressamente referido no caput do art. 37, da Constituição de 1988. Trata-se de princípio decorrente do Estado de Direito, respeitadas as nuances da construção do significado deste conceito em cada país. No entanto, diversas vezes o legislador não consegue prever a aplicação da lei a todos os casos concretos, tendo em vista seu caráter genérico. “É que a lei, inúmeras vezes, ao regular abstratamente as situações, o faz de maneira a irrogar ao administrador o encargo de o eleger, perante o caso concreto, a solução que se ajuste com perfeição às finalidades da norma, para o que terá de avaliar conveniência e oportunidade caso a caso”. Não havendo a subsunção da lei ao caso concreto, terá o administrador que apreciar as situações discricionariamente para alcançar a finalidade legal. Procurando dar concreção a esta ideia, foi editada a lei nº 8.429, em 02 de junho de 1992, a qual dispõe sobre atos de improbidade administrativa. (...) O Conceito de Moralidade Não se pode negar que a moral é um conceito indeterminado que varia no tempo e no espaço. Contudo, este fato não impede a limitação da atuação administrativa. A Constituição Federal estabeleceu no artigo 37 a moralidade como princípio aplicável à Administração Pública. O referido artigo dispõe que “a Administração Pública direta e indireta de qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (...)” Sendo assim, a relação entre o dever da Administração Pública de atuar e o fim almejado pela lei, não pode dispensar a observância da lealdade e da boa-fé, conceitos formadores do princípio da moralidade. No que diz respeito ao princípio da moralidade administrativa, vale lembrar o tratamento cauteloso dado por Odete Medauar: O princípio da moralidade é de difícil tradução verbal talvez porque seja impossível enquadrar em um ou dois vocábulos a ampla gama de condutas e práticas desvirtuadoras das verdadeiras TÓPICO 3 | EXTINÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 189 finalidades da Administração Pública. Em geral, a percepção da imoralidade administrativa ocorre no enfoque contextual; ou melhor, ao se considerar o contexto em que a decisão foi ou será tomada. A decisão, de regra, destoa do contexto, destoa do conjunto de regras de conduta extraídas da disciplina geral norteadora da Administração. A moralidade administrativa não se confunde com a moralidade comum o que, contudo, não as antagoniza, pelo contrário, são complementares. A moralidade administrativa é composta de regras de boa administração, ou seja: pelo conjunto de regras finais e disciplinares suscitadas não só pela distinção entre os valores antagônicos bem e mal; legal e ilegal; justo e injusto, mas também pela ideia geral de administração e pela ideia de função administrativa. Vislumbra-se nessa regra um caráter utilitário que é dado por sua intensa carga finalista. Na realidade, é notório que a moralidade administrativa difere das normas morais comuns. Aquela é composta por regras de boa administração, ou seja, pelo conjunto de regras finais e disciplinares suscitadas, não apenas pela distinção entre o bem e o mal, mas também pela ideia geral de administração e pela ideia de função administrativa. Os padrões a serem seguidos pela Administração são ditados pela Constituição Federal em artigos como o 1º, III; 5º, XLIX; 55, II; 73, § 1º, II; 170 caput; 226, § 7º; 230, caput e pelos “standards” padrões de comportamento. A principal finalidade deste princípio é evitar abusos por parte dos administradores públicos e ampliar o controle da legalidade. Ou seja, a moralidade administrativa tem como principal objetivo normatizar a conduta do agente público no desempenho de suas atividades. Em relação ao descumprimento da moralidade administrativa, Maria Sylvia Zanella Di Pietro ensina que: Sempre que em matéria administrativa se verificar que o comportamento da Administração ou do administrado que com ela se relaciona juridicamente, embora em consonância com a lei, ofende a moral, os bons costumes, as regras de boa administração, os princípios de justiça e de equidade, a ideia comum de honestidade, estará havendo ofensa ao princípio da moralidade administrativa. (...) O Conceito de Improbidade Administrativa “A improbidade é fenômeno que acompanha o Homem em sua trajetória no tempo. O tema, portanto, é antiquíssimo e ao mesmo tempo atual. Em toda parte não existem soluções mágicas ou acabadas para o combate à corrupção.” Trata-se da conduta de um agente público que contraria as normas morais, a lei e os costumes, indicando falta de honradez e atuação ilibada no que tange aos procedimentos esperados da administração pública, seja ela direta, indireta ou fundacional, não se limitando apenas ao Poder Executivo. UNIDADE 3 | ATOS ADMINISTRATIVOS 190 Conforme Marino Pazzaglini Filho, entende-se por improbidade: Numa primeira aproximação, improbidade administrativa é o designativo técnico para a chamada corrupção administrativa, que, sob diversas formas, promove o desvirtuamento da Administração Pública e afronta os princípios nucleares da ordem jurídica (Estado de Direito, democrático e Republicano), revelando-se pela obtenção de vantagens patrimoniais indevidas às expensas do erário, pelo exercício nocivo das funções e empregos públicos, pelo “tráfico de influência” nas esferas da Administração Pública e pelo favorecimento de poucos em detrimento dos interesses da sociedade, mediante a concessão de obséquios e privilégios ilícitos. Da mesma forma entende Léo da Silva Alves: Improbidade é desonestidade em seu sentido mais amplo. Implica na falta de zelo com dois elementos: o patrimônio público e o interesse público. Relaciona-se com a conduta do administrador e pode ser praticada não apenas pelo agente público, lato sensu, senão também por quem não é servidor e infringe a moralidade pública. (...) O ato de imoralidade, na opinião da melhor doutrina, afronta a honestidade, a boa-fé, o respeito à igualdade, as normas de conduta humana e outros postulados éticos e morais. Qualquer cidadão pode propor ação popular, com objetivo de anular ato lesivo à moralidade administrativa. Não terá que arcar com as custas judiciais nem está sujeito à sucumbência, a não ser que fique comprovada a má-fé. Trata-se, portanto, de conduta humana positiva ou negativa, ilícita, que também, poderá acarretar uma sanção civil, administrativa e penal, em virtude dos bens jurídicos atingidos pelo fato jurídico. Para estar configurada a improbidade administrativa basta que haja afronta aos princípios insculpidos no caput do artigo 37 do Texto Maior, não sendo imperiosa a necessidade de que haja prejuízo financeiro ao erário. Não adianta palmilhar a busca de um conceito preciso nessa matéria. Também não é oportuno importá-lo do regramento legal, porque este é extremamente detalhado e, por isso, capaz de produzir sensíveis confusões exegéticas. Nem adianta qualquer prospecção subjetiva, uma vez que, juridicamente, o que interessa são os atos comissivos ou omissivos que desvelam a improbidade e seus efeitos. Marcelo Figueiredo, traz à baila, em obra coordenada por Cássio Scarpinella Bueno e Pedro Vicente de Rezende Porto Filho, os exemplos mais corriqueiros de violação ao princípio da probidade administrativa ocorridos