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Dedicatória Aos meus pais, que insistiram que a mesa de jantar era para leitura. Capítulo 1 Este foi, oficialmente, o pior dia da vida de Harper. O que ela viu naquele idiota? Abaixou o quebra-sol do carro, apertando os olhos contra o sol poente da primavera que, pelo menos, significava que esse dia infernal estava quase acabando. Mesmo que ela ainda não tivesse ideia de para onde estava indo. O que era simplesmente perfeito. Ela automaticamente foi pegar sua bolsa antes de se lembrar que a tinha esquecido, junto com a carteira e telefone, contendo o GPS que diria se estava indo na direção certa. Hannah morava duas horas a sudoeste da cidade, e Harper não tinha certeza de como sua colega de quarto se sentiria em relação a uma hóspede inesperada, mas ela era sua única esperança no momento. A luz laranja do painel, que indicava pouco combustível, escolheu aquele momento para acender. — Droga. Ela tinha se esquecido de parar para abastecer no caminho para casa, e certamente não tinha pensado nisso depois de sair correndo. Avistou a próxima saída – uma cidade chamada Benevolence, Maryland – e sinalizou. Teria que encontrar um telefone público. Eles ainda existiam? Ela, pelo menos, sabia o número de alguém? Harper gemeu. Talvez pudesse pegar emprestado o telefone de alguém, entrar no Facebook e implorar por uma carona a amigos próximos. Assim que adentrou nos limites da cidade, ela parou no estacionamento de cascalho do que parecia ser um bar se preparando para uma agitada noite de sexta-feira. Era uma espécie de cabana de madeira de aparência rústica. Nenhuma luz néon nas janelas, apenas uma simples placa pintada a mão, pendurada no beiral da estreita varanda da frente: Remo’s Havia um pátio lateral decorado com luzes e toldos, e alguns clientes estavam agrupados em torno de aquecedores e uma lareira externa. Parecia amigável. E ela poderia usufruir de um amigo naquele momento. Harper desceu de seu velho Fusca Volkswagen, e as dobradiças rangeram quando fechou a porta. Encostada no para-lama desbotado, ela deixou seu olhar vagar, procurando por um estranho amigável com um smartphone. — Como consigo me colocar nessas situações? — ela suspirou, colocando uma mecha de cabelo loiro atrás da orelha. — Eu te avisei! O grito gutural veio de uma , duas fileiras atrás, onde um homem se erguia sobre uma pequena morena. Ele segurava a mulher pelos ombros e estava sacudindo-a com força suficiente para bater os dentes. — Porra, eu disse a você, não disse? — Ele a sacudiu novamente, ainda mais forte desta vez. Harper avançou rapidamente. — Ei! O gigante gritando mal a olhou por cima do ombro. — Cuide da sua vida, puta intrometida. — Harper podia ouvir a repreensão em suas palavras. A morena começou a chorar. — Glenn... — Estou farto de ouvir isso! Ele fechou um punho enorme em volta do pescoço dela e a empurrou contra a picape, levantando-a do chão. A mulher agarrou, impotente, a mão que apertava a sua garganta. Vendo vermelho, Harper se lançou em suas costas. Com o impacto, ela colocou os braços em volta do pescoço dele. Ele gritou, agudo demais para um homem de seu tamanho, e soltou a mulher. Balançando os braços, ele bateu as costas na picape, tentando tirar Harper de cima dele. Ela segurou com mais força quando o peso dele esmagou seu torso. — Não é tão fácil quando lutamos, não é, idiota? — ela soltou. — Você está morta, sua vadia! — ele gritou. Ela brevemente pensou em morder sua orelha, mas em vez disso, usou as pernas para empurrá-los para longe da picape e apertou os braços com mais força em volta do pescoço dele. Seu rosto estava ficando vermelho com a pressão. Glenn agarrou os braços dela e deu um empurrão para frente, jogando Harper no chão em frente à mulher que chorava. Ela caiu de lado com força e se levantou cambaleando. Ele deu um murro de raspão em seu ombro, que doeu muito, e ela o acertou na lateral da cabeça — Glenn! — Uma voz profunda e cheia de autoridade saiu de trás deles. Harper aproveitou a distração e disparou um soco em seu rosto, pegando- o desprevenido, mas apenas por um momento. O gigante bêbado se virou para ela, e o estacionamento explodiu em estrelas. *** — Ei. — Lá estava aquela voz novamente, desta vez flutuando em sua direção através da névoa. Profunda e um pouco áspera. Harper estava deitada de costas no cascalho. A lateral de seu rosto parecia estar em chamas. Mas o que prendeu sua atenção foi o homem pairando sobre ela. Cabelo escuro, curto e bagunçado, e a sombra do sol poente emoldurando os olhos castanhos mais profundos que já tinha visto. Um pôr do sol espetacular estava acontecendo atrás de sua cabeça. Era uma imagem linda. — Uau — ela sussurrou. — Eu estou morta? Ele sorriu, e ela viu uma covinha aparecer ao lado de sua boca. Santa gostosura. Ela estava, definitivamente, morta. — Você não está morta, mas poderia estar, depois de enfrentar um grande filho da puta como aquele. Harper gemeu, se lembrando. — Onde está o filho da puta? A garota está bem? — Ele está com a cara no asfalto, debaixo de um policial, e Gloria está bem. Graças a você. — Ele tocou seu rosto suavemente, sondando o machucado do tamanho de um punho. — Você levou um golpe como uma campeã. Ela estremeceu. — Obrigada. Posso me sentar? Sem dizer nada, ele a ajudou a se sentar e a segurou pelos ombros. — Como você está se sentindo? A preocupação coloriu aqueles olhos profundos. Ela levou as pontas dos dedos à bochecha e sentiu o calor do que devia ser um machucado bem feio. — Já me senti pior. Ele tinha uma cicatriz em uma das sobrancelhas e as mais leves rugas ao redor dos olhos. Seu antebraço direito estava completamente coberto por uma tatuagem. — Enfrentar um cara daquele tamanho foi uma coisa muito corajosa e estúpida. — Ele sorriu novamente. — Não é a coisa mais estúpida que fiz hoje. — Vocês estão bem, Luke? Harper parou de olhar para ele por tempo suficiente para notar a multidão que os cercava. — Estamos bem. — Ele se voltou para Harper. — Acha que consegue se levantar? Ela assentiu, moderadamente satisfeita quando sua cabeça não caiu do pescoço com o movimento. Ele deslizou as mãos por baixo dos braços dela e gentilmente a levantou. A multidão explodiu em aplausos. — Já era hora de alguém colocar aquele idiota em seu lugar — alguém gargalhou, e o resto da multidão riu. — Jesus, Luke, o que você fez agora? Uma beldade de cabelos negros, em uma saia jeans e uma polo com a palavra Remo’s bordada, abriu caminho entre os espectadores. — Não fique irritada com ele, Soph. — Um policial deu um passo à frente. — Ele não começou, mas um deles quebrou o nariz de Glenn. Harper olhou para baixo e notou os nós dos dedos machucados na mão direita de seu herói. — Há testemunhas suficientes para ele passar algumas noites na prisão, mesmo que Gloria não dê queixa desta vez — continuou ele. A mulher gritou e agarrou Luke para um beijo estalado. — Mamãe vai ficar muito orgulhosa. Luke revirou os olhos, as mãos ainda firmando Harper. A morena se virou para Harper. — E você foi o quê, dano colateral? — Você está de brincadeira? — O policial riu. — Eu estava parando quando a vi pular nas costas dele com sangue nos olhos. Ela virou a Princesa Guerreira Xena antes que ele conseguisse dar esse golpe de sorte nela e Luke o derrubasse — O policial disse. — Então está resolvido — ela apontou para Luke e Harper. — Vocês dois irão beber de graça esta noite. A multidão explodiu em aplausos. — Ei, e eu? — O policial fingiu fazer beicinho. — Eu o algemei. — Ty, você receberá a recompensa após o seu turno. — Ela o puxou para um beijo forte na boca e sorriu. — Não se esqueça de pegar ovos no caminho de casa. — Sim, sim — ele suspirou. — Eu vou cobrar essa recompensa. Bem, vou levar esse idiota até o pronto-socorro, a caminho da prisão. — Ele piscou e voltou para a viatura. Glenn estava caído no banco de trás e Ty sentou-se ao volante. — Vejo vocês mais tarde. Ele acionou as luzes enquanto saía do estacionamento, para o deleite da multidão. Ela balançou seuscachos escuros e revirou os olhos para o céu. — Esse é meu marido — ela suspirou. — Então, garota durona. Tem um nome? — Harper. — Eu sou Sophie. Bem-vinda a Benevolence, Harper. Que tal um pouco de gelo para esse rosto? Capítulo 2 Sophie arranjou gelo e ibuprofeno para Harper, além de uma visita improvisada de uma médica no banheiro feminino. — Tudo bem, Harper, estou pensando que você pode ter escapado de uma concussão. Você tem muita sorte — disse Trish Dunnigan, inclinando-se para examinar as pupilas de Harper mais uma vez. — Eu gostaria de ver você amanhã de manhã. Não acho que seu braço esteja quebrado, mas pode ter uma fratura. O mesmo acontece com as costelas. Você precisa de um raio-X. — Oh, eu não estarei aqui amanhã. Estou apenas de passagem. — Tudo bem, então certifique-se de ver o seu médico o mais rápido possível. Harper acenou com a cabeça, sabendo que isso não iria acontecer. — Obrigada pela consulta, doutora — disse Sophie, encostando-se na pia. — Sem problemas. Eu estava na vizinhança, pegando comida. Fico feliz em ajudar. — Ela acenou ao sair pela porta. — Desculpe te dar tantos problemas — disse Harper, segurando a bolsa de gelo. — Você está de brincadeira? Você é uma heroína. Glenn tem tratado a pobre Gloria dessa maneira desde o colégio. Harper suspirou. — Que idiota. — Com certeza. — Sophie se inclinou em direção ao espelho, para aplicar uma nova camada de brilho labial. — Então, qual é a sua história? Eu sei que você não é daqui. Harper suspirou. — É uma longa história. Vamos apenas dizer que hoje peguei meu namorado, e chefe, em uma posição comprometedora com uma entregadora e saí correndo com nada além das chaves do carro. — E então acabou levando um soco de um bêbado idiota em um estacionamento? — Sim. — Uau. Que dia ruim. — Sophie a estudou por um minuto. — Então, sem carteira, sem telefone, sem dinheiro? — Nada. Além disso, fiquei sem gasolina no seu estacionamento. Sophie jogou a cabeça para trás e riu. — Garota, não poderia ter acontecido em um lugar melhor. Eu vou cuidar de tudo. — Ela enfiou o gloss no bolso da frente. — Meu turno está começando, então me encontre no bar. Terei uma cerveja e alguns nachos com o seu nome neles. Harper observou Sophie sair pela porta em estilo de celeiro. O que ela não daria por esse tipo de confiança na vida. Ela largou o saco de gelo e se olhou no espelho. O hematoma estava bem feio. Ia da têmpora à maçã do rosto em um roxo mosqueado. E se Luke ainda estivesse lá? Harper soltou o cabelo do rabo de cavalo e escovou a franja lateralmente na testa, para cobrir um pouco do hematoma. Ela deixou o resto do cabelo cair de forma despenteada ao redor do rosto. Nada bom. Mas teria que servir. Ela empurrou a porta e entrou em uma noite de sexta-feira muito animada. O tema de cabana rústica continuava no bar principal, com vigas de madeira e uma enorme lareira de pedra. Mesas de bilhar atraíam uma multidão em uma alcova elevada com vista para o pátio externo. E lá estava Luke, de pé no longo e rústico bar, com uma cerveja, esperando. Ele empurrou com o pé um banquinho vazio em sua direção. O gesto percorria a linha tênue entre um convite e um pedido. Ele estava muito sexy. Vestido com jeans e uma camiseta cinza simples, ele tinha um corpo e tanto. Como aqueles mocinhos bem definidos de capa de romance. E os olhos. Verde, cinza e marrom. Não me admirava que tudo o que eu conseguira dizer fora uau. Ela deslizou cautelosamente no banquinho, enquanto seus músculos protestavam. Eles se encararam por um minuto. O silêncio pairava densamente, cortando o volume dos ruídos do bar. — Oi — disse Harper finalmente. — Oi. — Eu sou Harper. — Ela estendeu a mão para uma apresentação atrasada. — Luke. — Ele pegou a mão dela com força e a segurou. — Vem sempre aqui? Ele sorriu, e a covinha apareceu novamente. Harper sentiu seu coração pular uma batida. Oh, bom Deus. Agora não. Este era o pior momento possível para ter uma paixonite. Ela havia renunciado aos homens há menos de duas horas, depois de levar um chute na bunda de um deles. Ela se ordenou a se recompor. — Primeira vez. Ouvi dizer que o estacionamento fica muito turbulento nas noites de sexta-feira. Ele se endireitou e levou os dedos ao rosto dela, puxando suavemente a franja para trás. — Como está seu rosto, Harper? — Vai ficar tudo bem, Luke. — Ela corou ao dizer o nome dele. Não era uma situação normal estar tão familiarizada com um estranho. — Como está a sua mão? Ele ainda estava segurando seu rosto, correndo o polegar levemente sobre sua bochecha machucada. Alguém próximo pigarreou. Sophie estava atrás do bar, sorrindo como uma idiota para eles. — Desculpe interromper, crianças, mas isto é para você — ela disse, jogando um saco de gelo em Luke. — E isto é para você — Ela deslizou uma garrafa de cerveja para Harper. — Os nachos estão a caminho. Por conta da casa. Sente. — Obrigado, mana — Luke disse, mal dando uma olhada em Sophie enquanto afundava no banquinho vazio ao lado de Harper. Harper corou sob seu olhar e agarrou a cerveja como uma tábua de salvação. — Obrigada. Sophie piscou para ela antes de sair correndo. — Bom trabalho lá fora, Luke. — Um homem magro, com um boné de beisebol vermelho, deu-lhe um tapa nas costas. — Foi um soco e tanto que você deu no Glenn. Eles ensinam isso no exército? — Obrigado, Carl. — Derrubado e nocauteado — Carl gritou, imitando um gancho de direita. — Lembre-me de não te irritar. — Basta lembrar disso da próxima vez que não me der um desconto na madeireira — Luke disse secamente. Carl riu de novo e se virou para Harper. — É bom ver Luke aqui, em uma companhia tão bonita. Não sei seu nome, Loira. Luke fez a apresentação superficial. — Carl, esta é Harper. Harper, este é Carl. — Bem, Harper, se precisar de alguma coisa enquanto estiver na cidade, não hesite em me pedir. Ficarei feliz em fazer qualquer coisa, qualquer coisa por você. — Sim, aposto que sim — disse Luke. — Como está a sua esposa? — Grande como uma casa. O bebê número três deve nascer na próxima semana. — Ele estufou o peito de orgulho. — Tem que ser um menino. Um homem não pode ter três filhas. — Ele pode, se está recebendo o troco pela época de escola — Luke disse. — Talvez você devesse ir para casa e esfregar os pés de Carol Ann para tentar compensar. — Oh, estou me saindo melhor do que isso. Estou levando um sanduíche cheesesteak para ela. Bem na hora, Sophie reapareceu com um grande saco de papel. — Três sanduíches, todos os acompanhamentos. — Ela o deslizou pelo bar para Carl. — Mande lembranças a Carol Ann — Luke disse a ele. — Claro. Claro. Foi um prazer conhecê-la, Harper. Se você ficar cansada de sair com este soldado, é só me ligar. — Eu irei, Carl. — Harper riu. — Não o incentive — disse Luke, enquanto Carl passava por eles. — Então, soldado? — Harper se voltou para Luke. — Capitão da Guarda Nacional do Exército — disse Sophie, servindo um prato transbordando de nachos e uma pilha de guardanapos. Luke olhou para a irmã e não disse nada. Hum. Militar. São classificados exatamente com os bombeiros e cowboys na categoria de profissão nobre e sexy. Havia sobre esse homem algo que não fosse quente? Harper olhou ao redor do bar, que estava ficando mais lotado a cada minuto. Parecia que todo mundo estava falando com todo mundo ao mesmo tempo. Ninguém estava sozinho, mesmo que tivessem chegado agora. Saudações e mãos se erguiam de todos os cantos do lugar. — Estou tendo a sensação de que esta é uma cidade muito pequena e sou a única estranha aqui — arriscou Harper. — Não se preocupe em se sentir uma estranha. Não vai durar — Luke avisou. — Está vendo aquela mulher ali, com o moletom do Coelhinho da Páscoa? Harper a viu tagarelando perto da jukebox. — Esta é Georgia Rae. Ela provavelmente já está planejando como encurralá-la para extrair a história de sua vida. Harper riu e provou um nacho de queijo. — E aquele — Luke disse, apontando para um homem de bigode cinza, perto da mesa de sinuca — É meu tio Stu. Garanto que ele jáligou para o meu pai e disse que estou no bar com a garota que derrubou Glenn Diller. E vê como Sophie fica checando o telefone? É minha mãe mandando mensagem para ela, para descobrir como você é. — Uau. Eu provavelmente deveria sair daqui antes que me convidem para o jantar de domingo — Harper riu. O telefone de Luke tocou. Ele olhou para a tela e fez uma careta. — Muito tarde. — Muito engraçado. — Harper revirou os olhos e tomou um gole de cerveja. Ele ergueu o telefone para ela ver. Mãe de Luke: Pergunte à sua amiga se ela pode trazer uma torta para o jantar no domingo. Ela se engasgou, tapando a boca com a mão. — Isso não pode ser real. Ainda estou inconsciente no estacionamento, não estou? Luke riu e colocou uma mão sólida e quente nas costas dela. — Como desejar. Clique. Harper olhou para cima para ver Sophie apontando o telefone para a direção deles. — Soph. — A voz de Luke tinha um tom agudo de aviso. Sophie sorriu inocentemente. — O quê? Opa, preciso ir, entregar os pedidos. — Ela acabou de tirar uma foto nossa? Luke pegou a cerveja. O ponto em suas costas, onde ele a tocou, ainda parecia formigar. Ela levantou as mãos para cobrir o rosto, mas parou quando tocou a bochecha e se lembrou do hematoma. — Eu sinto que estou em uma realidade alternativa. Eu nem deveria estar aqui. — Onde você deveria estar? — Fremont. — Você está muito longe de Fremont. — Você está brincando comigo? — Harper, Fremont fica quatro horas a oeste daqui. — Caralho. Eu estava indo para o lado errado. — Ela se inclinou para frente e cobriu os olhos com as mãos. — Tudo bem aqui? — Sophie reapareceu. — O que você fez agora, Luke? — Não é ele, sou eu. — A voz de Harper foi abafada por suas mãos. — Ela deveria estar em Fremont esta noite — Luke respondeu. — Bem, isso não vai acontecer, Harp. Fremont fica a quatro horas de distância. — Eu sei disso agora — Harper gemeu em suas mãos. Sophie começou a rir, e Harper baixou as mãos. — Estou feliz por você achar minha vida tão divertida. Isso só a fez rir ainda mais. — Isto é ridículo. Coisas assim acontecem com você o tempo todo? — Coisas como o quê? — Luke perguntou. Harper abaixou a cabeça para o bar, enquanto Sophie dava a Luke os breves detalhes de sua situação, misericordiosamente deixando de fora qualquer menção à entregadora. — Você saiu de casa com nada além das chaves do carro e dirigiu por horas na direção errada? — Foi a vez de Luke passar a mão no rosto e suspirar. — Então, onde você vai ficar esta noite? Harper se sentou e deu um gole triste na cerveja. — Eu não sei. O plano era mandar uma mensagem para Hannah no Facebook, pedindo uma carona. Mas foi quando pensei que estava a apenas dez minutos dela. — Talvez alguém aqui esta noite esteja indo nessa direção e possa levá-la até lá — Sophie sugeriu. Luke balançou a cabeça. — Não vamos colocá-la em um carro com um estranho meio bêbado. — O que você acha de um táxi para Fremont, muito caro? — Soph, seja realista. Além disso, por que simplesmente não dar o dinheiro para a gasolina? — Vou dormir no meu carro — decidiu Harper. Não seria a primeira vez que faria isso. — Ok, você dorme no seu carro. Então o quê? — Luke perguntou. — Vou mandar uma mensagem para Hannah e implorar para ela me pegar de manhã. — Aqui — Sophie deslizou seu telefone para Harper. — Faça login e envie uma mensagem para ela. — Ela correu para pegar um refil para um cliente. Sentindo como se fosse a sua salvação, Harper se lançou ao telefone. Ela digitou seu login e foi para a página de Hannah. — Merda! O marido de Hannah a surpreendeu com uma viagem de fim de semana, para uma maldita cabana em West Virginia. — Então, dar a você o dinheiro da gasolina para chegar lá é um ponto discutível. Hummm, se você pudesse passar a noite com alguém. Hummm. — Sophie arqueou uma sobrancelha para Luke. Harper recostou-se no banquinho e inclinou a cabeça para cima. — Eu vou resolver isso. Eu vou resolver. Sophie se inclinou sobre o bar. — Ei, e o Mickey? — Pelo amor de Deus. — Luke bateu com força sua cerveja. — Ele tem uma casa vazia, agora que sua namorada se mudou. Tenho certeza de que ele não se importaria com um convidado por uma noite — Sophie gorjeou. Harper estreitou os olhos. — A namorada dele se mudou porque ele foi preso por furto na loja de bebidas — Luke rosnou. — Eu pensei que era porque ele está transando com Sherri do banco — Sophie interrompeu. — Então por que você o sugeriria? — Luke pressionou os dedos na têmpora. — Eu deixaria você ficar na minha casa, Harp, mas você teria que dormir em uma poltrona irregular e provavelmente acordar com uma criança de três anos, gritando e com dedos pegajosos — disse Sophie, servindo uma cerveja. — O que aconteceu com o seu sofá? — Josh derramou uma caixa de suco nele, e então Bitsy decidiu comer a almofada inteira. Ela poderia dormir em meio sofá. Mas com suco. Harper esperava que “Bitsy” fosse um cachorro. Luke balançou a cabeça, e Harper pôde ver sua mandíbula tensionar. — Então, seu plano é dormir no carro, e o seu plano é mandá-la dormir com um ladrão de loja de bebidas e traidor? — Ei, pelo menos estamos fazendo um brainstorming aqui. Você está apenas eliminando ideias. Eu odeio quando você brinca de advogado do diabo — Sophie fez beicinho. Luke suspirou novamente e olhou para o bar. — Você pode ficar comigo esta noite e amanhã eu vou levá-la de volta à sua casa, para pegar suas coisas. Sophie se virou, mas não antes de Harper ver o sorriso de gato que comeu o canário em seu rosto. — Ah, não. Eu não posso aceitar. Não quero incomodar ninguém — Harper deixou escapar, com os olhos arregalados de repente. Luke olhou para ela. — Eu ficarei mais incomodado se você dormir no maldito estacionamento. Além disso, prometi à doutora que traria você de manhã para que ela pudesse tirar algumas radiografias rápidas, se ainda estivesse na cidade. — Bem, por que você simplesmente não disse isso? — Sophie perguntou em uma exasperação fingida. Luke olhou para ela, e ela se calou. — Obrigada, Luke. Você realmente não precisa fazer isso. Eu deveria sofrer as consequências de ser uma idiota. E então, talvez eu aprendesse. Ele baixou o olhar para o bar e sorriu, e ela viu a covinha surgir. — Acho que você já teve um dia difícil o suficiente. — Ele se voltou para ela novamente. — Tudo bem se ficarmos até fechar? — Claro. — Ela assentiu. O que havia com aqueles olhos? Talvez fosse a sombra neles. Harper sentia uma atração cada vez que o fitava. Ele estava quieto, claramente nada inclinado a falar sobre si mesmo. Definitivamente, não era como Ted, o Idiota. Mas a maneira como ele observava o que estava acontecendo ao seu redor a fazia pensar que não havia muito que ele deixasse de perceber. — Então, qual é a sua história, Luke? Quer dizer, sinto que devo saber mais sobre você, se vamos ter uma festa do pijama. — Sem história. — Ele coçou a nuca. — Uh-huh. Sim. Certo. — Ela ergueu as sobrancelhas e bebeu profundamente de sua cerveja. Ele riu novamente. — Meu nome é Luke. Eu moro aqui minha vida inteira. Estou no ramo da construção e na Guarda Nacional. E Sophie é minha irmã. — Isso é tudo que você tem? — Harper deu uma cotovelada nele. — O que mais você precisa? — Que tal mandados de prisão? Corpos enterrados no quintal? Fetiches incomuns? Ele se inclinou. Perto. Ela podia sentir o cheiro de seu sabonete. Algo um pouco picante. Sentiu sua respiração em seu rosto. Harper separou os lábios. Ficou sem fôlego. — Defina “incomum”. Capítulo 3 A noite passou como um borrão de saudações de todos, cerveja e comida de bar. Georgia Rae realmente veio falar com ela. Harper se sentiu um pouco tonta e incrivelmente exausta enquanto esperava Luke, que observava Sophie trancar as portas da frente. Ela reprimiu um bocejo. Eram 2 da manhã, muito depois de sua hora de dormir. E seu rosto estava começando a latejar novamente. — Obrigada novamente por esperar — disse Sophie, enquanto eles cruzavam o estacionamento. — Tenha uma boa-noite, Soph — Luke disse, abrindo a porta do carropara ela. — Você também, irmão mais velho. Boa noite, Harper! Espero vê-la novamente. Harper acenou com o braço bom e bocejou, se despedindo. — Obrigada por tudo, Sophie. — É melhor levá-la para casa antes que ela adormeça em pé, Luke. Ele bateu no teto do carro dela e acenou enquanto ela saía. — Pronta para ir? — ele perguntou a Harper. Ela assentiu, cruzando os braços contra o frio da noite de primavera. Eles estavam sozinhos. E assim ficariam pelas próximas horas. Harper se perguntou se ficaria acordada a noite toda em seu sofá, pensando sobre ele estar tão perto... e provavelmente nu. Homens como Luke não dormiam de pijama. — Está bem ali — disse ele, apontando para uma picape cinza-escuro nos fundos do estacionamento. — Precisa de alguma coisa do seu carro? — Não, eu estou bem. — A única coisa que tinha em seu carro era o café velho da manhã. Eles começaram a andar juntos, e Harper esfregou os braços. — Frio? — ele perguntou. Ela assentiu e sentiu um formigamento que estava exatamente entre o conforto e a luxúria, quando Luke passou o braço por cima do ombro dela e a puxou. O calor saindo de seu corpo instantaneamente aqueceu sua pele nua, e ela não resistiu ao desejo de se aconchegar um pouco mais perto. Ele abriu a porta do passageiro para ela, que se ergueu no assento, tentando não estremecer quando seu corpo dolorido deslizou pelo couro. Luke se sentou no banco do motorista e ligou a picape. Apertou um botão, e Harper instantaneamente sentiu o calor sob sua bunda. Aquecedores de assento! Ele virou à esquerda, para fora do estacionamento, e em apenas alguns minutos, estavam entrando na garagem de uma casa de tijolos de três andares, com uma ampla varanda. Harper piscou os olhos cansados. — Você mora aqui? Ele olhou pelo para-brisa para a casa. — Sim. — Eu esperava algo diferente. Como um apartamento de solteiro. Você tem colegas de quarto? — Uma namorada? Mulher e quatro filhos? — Não. Apenas eu. — Ele sorriu, um sorriso rápido de fazer cócegas no coração. — Vamos. A ampla varanda de madeira era enorme, envolvia até o outro lado da casa. Não havia móveis, mas Harper podia imaginar um balanço de varanda e cestos pendurados com flores coloridas. Luke destrancou a porta da frente e segurou-a aberta para ela. Ela ultrapassou a soleira e esperou enquanto ele acendia as luzes. O saguão se abria diretamente para uma ampla escadaria com corrimão. Um par de portas se espelhava em paredes opostas que conduziam a salas escuras. Acima dos lambris escuros, as paredes eram cobertas com papel de parede ornamentado com rosas e beija-flores. — Você realmente não mora aqui, não é? Luke jogou as chaves em uma mesa estreita logo após a porta. A única peça de mobília visível para Harper. Ele ergueu uma sobrancelha. — O que te faz dizer isso? Ela arrastou um dedo sobre uma rosa de papel. — Nenhum motivo. Harper enfiou a cabeça na sala à direita. Pelas luzes da rua lá fora, ela só conseguia ver um sofá ornamentado com braços de madeira, em frente a uma tela plana em cavaletes. O resto da sala estava vazio. — Você acabou de se mudar? — Na verdade, não. — Ele parecia envergonhado. — Estou aqui há alguns anos. — Sério? — Eu estive ocupado. — Onde você conseguiu esse sofá? — Ela gesticulou para a monstruosidade esculpida em madeira, com suas almofadas irregulares de veludo vermelho. — Foi da minha avó. — Oh! Graças a Deus. Achei que você tivesse ido a uma feira de usados um dia e achado que esse era o lugar perfeito para assistir a evangelistas na TV. Ele esboçou um sorriso. — Esta era a casa da minha avó. Comprei quando ela faleceu. — Vocês eram próximos? — O mais próximo que você pode ser de uma avó italiana maluca, que te persegue com uma colher de pau. A maior parte da mobília que está aqui era dela. — Não parece haver muito disso — observou Harper. — Eu sempre penso em comprar mais coisas, mas eu estive... — Ocupado — ela terminou para ele. — De qualquer forma, só há uma cama, então você pode ficar com ela, e eu fico com o sofá. Horrorizada, Harper olhou para as linhas inóspitas do sofá. — Absolutamente não. Eu não vou colocar você para fora de sua própria cama. — Bem, você não vai dormir no sofá. — Nem você — insistiu Harper. — O que você sugere? Ela fez uma pausa, pensando nas opções. — Somos dois adultos exaustos que provavelmente têm uma quantidade razoável de autocontrole. Podemos ambos dormir na cama? — Não acho que seja uma boa ideia. Suas mãos estavam fora dos bolsos agora e cruzadas atrás da cabeça. Ele estava nervoso, e Harper achava adorável. — Por que não? — Nós não nos conhecemos e... — ele parou, e Harper farejou vitória. — Eu acho que posso confiar que você pode controlar seus hormônios e que não pulará em mim no meio da noite — ela brincou. — Não são com meus hormônios que estou preocupado. Ela deu um tapa no peito dele. Um peito muito sólido e quente. Talvez ele tivesse razão. *** A única mobília do segundo andar estava no quarto principal. Uma cama queen size com dossel dominava uma parede, oposta a uma cômoda esculpida. — Vovó? — Harper segurou levemente uma das colunas de mogno ao pé da cama. Luke acenou com a cabeça, as mãos nos bolsos. — É legal. Encarar a cama, de repente, estava deixando Harper um pouco tímida. — Ainda posso dormir no sofá, se você se sentir mais confortável. — Ele apontou o polegar em direção ao corredor. — Não seja ridículo. Aquela coisa iria deixar sua bunda dormente, se você se sentasse por tempo suficiente para amarrar os sapatos. Somos adultos. Isso não precisa ser estranho, certo? Em vez de responder, ele se virou e abriu uma das gavetas da cômoda. — Aqui. — Luke estendeu uma camiseta branca, lisa. — Você pode dormir com isso. Era macio ao toque e obviamente bem gasto. Por ele. — Obrigada. — Ela a pegou, com cuidado de tocar apenas na camisa. — Você pode se trocar lá. — Ele gesticulou em direção ao banheiro conectado. — Eu vou trancar. — Ok, obrigada. Eles se encararam por mais um minuto. — Isso é estranho, não é? — Harper deixou escapar. Luke sorriu. — Um pouco. — É só por uma noite. Ela não tinha certeza se estava tentando tranquilizá-lo. — Certo. — E nós somos adultos. — Parece que sim. — Estamos apenas sendo tolos — argumentou Harper. — É só dormir. Ela podia ver sua covinha novamente. Pelo menos, ele estava se divertindo. Ela finalmente acenou com a cabeça. — Ok, vou me trocar. No banheiro, ela jogou água fria no rosto e secou com cuidado o lado machucado. Nem mesmo olhou para o resto de seu corpo. Julgando por quão dolorido tudo estava, provavelmente estava tão roxo quanto o rosto. Ainda bem que não era uma “Primeira vez” com alguém como Luke. Ela não estava no seu melhor, talvez até pairasse perto do pior. E se ia ter uma primeira vez com alguém como ele, gostaria que fosse perfeito. Ela revirou os olhos e tirou a camiseta. Era ridículo ficar sem teto, sem emprego e mais preocupada se aconteceria sexo imaginário com o capitão gostosão. Imaginou como ele seria de farda. — Controle-se — ela murmurou. — É apenas uma noite platônica de sono. Ela passou a mão no algodão da camisa e parou um momento para agradecer por se lembrar de usar calcinha hoje. Harper puxou a gola da camisa até o nariz e respirou fundo. Cheirava a ele. E estava prestes a rastejar para uma cama que cheirava a ele... com ele. Esperava que pudesse se controlar durante o sono. Ela estava parada ao pé da cama, inquieta, quando ele voltou para cima. — Tudo certo? — ele perguntou, abrindo uma gaveta da cômoda. — Oh, sim. Só não sabia se você tinha um lado — disse ela, brincando com a bainha da camisa. De repente, ele pareceu muito interessado no conteúdo da gaveta. — Um lado? — Da cama. Você dorme em qual lado? Ele olhou para cima. — Eu geralmente durmo no meio. Então você pode escolher. — Oh, obrigada. Luke pegou uma calça de pijama. — Eu já volto. Assim que a porta do banheiro se fechou, uma Harper agradecida se jogou na cama e se escondeu sob as cobertas. Ela ficaria bem na borda, e ele nem saberia que ela estava ali. Nenhum inconveniente.Ela esperava não roncar. A porta do banheiro se abriu. Ele estava na porta, com nada além de calças de flanela desamarradas bem abaixo dos quadris. Harper molhou os lábios e tentou não olhar para seu abdômen definido. Cada centímetro visível de seu torso era esculpido, musculoso e terrivelmente sexy. Havia outra tatuagem, uma fênix, sobre seu coração. Oh, meu Deus. Ela iria dormir com isso. Não! Ela não iria cair na toca do coelho das escolhas ruins da vida novamente. Ela havia prometido a si mesma que viraria uma nova página. Começaria de novo, focando em si mesma. Harper estava falhando em não se concentrar no peito nu de Luke. Seus dedos coçavam para contornar a tatuagem em seu peito e todo o seu abdômen, até o cós indecentemente baixo. Ela cerrou as mãos malcriadas na colcha. De jeito nenhum ela iria pregar o olho. Não próximo a esse corpo perfeito. Ele estava olhando para ela também, mas seus olhos não estavam saltando das órbitas como os dela. Harper pensou tê-lo ouvido suspirar. Mas ele se moveu em direção à porta do quarto e silenciosamente apagou a luz. No escuro, Harper ficou aliviada por não ter nada para olhar. Até que sentiu seu peso do outro lado da cama. Ele parecia ter a mesma ideia que ela, se manter na borda. — Boa noite — ela sussurrou na escuridão. — Noite. — Luke? — Hum? — Obrigada por me deixar ficar aqui. Ele suspirou. — De nada. — Eu realmente agradeço muito. — Harper? — Sim? — Cale a boca e vá dormir. Capítulo 4 Luke acordou de repente, no meio da noite, se sentindo aquecido. Ele nem se lembrava de ter adormecido. Ouviu uma respiração e se lembrou que não estava sozinho. A cabeça de Harper estava apoiada em seu ombro, a mão dela espalmada em seu peito. A coxa dela estava puxada para cima e sobre as pernas dele. Já fazia muito tempo desde que acordara com uma mulher deitada sobre ele. Automaticamente, ele esmagou a memória. Era bom nisso, em focar no presente. Era assim que vivia todos os dias. Harper fez um pequeno som, como um suspiro, e se aninhou mais perto. A mulher era um desastre. Invadira sua noite e agora sua cama. Foi preciso um ato de força de vontade suprema para não rolar e acordá-la da maneira que seu corpo exigia. Harper. Era um nome antiquado para um espírito tão livre. Ele já estava indo na direção de Glenn, quando viu o borrão loiro lançar-se sobre ele. Foi incrivelmente estúpido da parte dela se envolver assim. Qualquer pessoa com bom senso teria ido pedir ajuda. Mas não Harper, ela entrou com tudo. Se esta noite era qualquer indicação de como ela vivia sua vida, era um milagre que ainda estivesse viva. Não havia dúvida de que ela era linda. Aqueles grandes olhos cinzas não deixavam nada passar, e sua boca carnuda parecia estar sempre sorrindo. E a julgar pela sensação de seu corpo colado ao dele, ela tinha curvas suaves que provocavam a mão de um homem a percorrê-las. Tinha uma energia que parecia estar tentando explodir dela a cada segundo. Ela não era uma pessoa sossegada e cuidadosa. A conhecia há apenas algumas horas e já estava preocupado com a sua segurança. Sem emprego. Nenhum lar. Sem dinheiro. De acordo com Soph, Harper estava ferrada. E provavelmente nem tinha um plano. Alguém que saiu de sua própria casa com nada além das chaves do carro não parecia ser muito planejador. Ele falaria com ela pela manhã. Descobriria o que ela iria fazer e depois conversaria sobre qualquer esquema ridículo que ela possa ter inventado. E a ajudaria, quer ela quisesse ou não. Luke apertou a mandíbula no escuro, enquanto Harper deslizava a perna mais para cima em suas coxas e murmurava algo em seu pescoço. *** Harper acordou com a luz do sol, que entrava pela janela, em seu rosto. Ela tentou se esticar, mas descobriu que seus braços estavam presos. Luke. Quente e duro contra ela, ele a estava acariciando. A respiração dele estava quente em seu cabelo. Um braço tatuado estava possessivamente sobre ela, a mão segurando seu seio através da camiseta que agora estava enrolada em sua cintura. Sua bunda estava pressionada contra uma impressionante ereção matinal. Que maneira de acordar. Quente, segura e envolta em braços fortes. Ela apertou os lábios para parar a risada que borbulhou por dentro. Ela estava preocupada em não se controlar. Ele se contraiu em seu sono, apertando seu seio. Harper mordeu o lábio. Ela não conhecia Luke bem, mas tinha quase certeza de que ele não gostaria de acordar em uma... posição vulnerável. Ela teria que escapar. Depois de curtir isso por mais trinta segundos. Ela se aninhou e inalou seu perfume. Seu peito subia ritmicamente contra suas costas, suas coxas duras embalando-a. Ela merecia uma medalha por deixar esta cama. Prendeu a respiração e gentilmente tirou a mão dele de seu peito. Segurando o braço de Luke, ela se afastou de seu corpo perfeito. E se amaldiçoou ao fazê-lo. Manobrando para a beira da cama, ela se acomodou em uma posição sentada. Mesmo dormindo, Luke era sexy. Cílios longos e pretos como tinta roçavam suas maçãs do rosto esculpidas. Exceto por aqueles cílios, não havia nada de delicado sobre ele. Ele tinha um corpo poderoso e forte. Ela deixou seu olhar permanecer nas linhas de seu braço. O músculo forte de seu bíceps dava lugar à tinta sensual em seu antebraço. Teria que perguntar a ele o que isso significava. Uma pequena conversa durante a viagem ajudaria a manter sua mente longe da memória de acordar com ele pressionado contra ela. Sentindo-se como se tivesse sido atropelada por um pequeno carro, Harper se esgueirou cautelosamente até a cozinha, onde começou a preparar um bule de café antes de abrir a geladeira. Considerando o estado do resto da casa – não havia nada além de uma pilha de caixas na sala de jantar – ela não tinha grandes esperanças de suprimentos na cozinha de um solteiro, mas ficou feliz em encontrar ovos no prazo de validade, leite, queijo e os restos de um pão. Sanduíches de ovo mexido daria início ao seu dia de folga. O inchaço em seu rosto havia diminuído, felizmente. Mas os hematomas tinham ficado mais feios. Todo o resto doía. Ela até descobriu um hematoma do tamanho de uma bola de beisebol em sua nádega. Esperançosamente, aquele idiota presunçoso estaria chorando como um bebê em uma cela em algum lugar, e Gloria teve sua primeira boa noite de sono em anos. Harper encontrou o laptop de Luke no balcão e, enquanto os ovos cozinhavam, verificou a lista de empregos nos Classificados de Fremont. Havia alguns que serviriam, pelo menos temporariamente. Era quase uma pena que ela não conhecesse alguém aqui em Benevolence. A cidade adormecida e seus residentes intrometidos emitiam uma boa vibração. Ninguém nunca poderia se sentir sozinho aqui. Mas o mercado de trabalho provavelmente não existia. Além disso, Harper pensou enquanto procurava açúcar, se ficasse faria papel de boba, por causa de Luke. E quem não faria? Ele era sexy, protetor... e aqueles olhos. — Definitivamente, uma má ideia — ela murmurou para si mesma. — Você sempre fala sozinha enquanto cozinha? — A cozinha ficou mais quente e o ar mais crepitante quando Luke entrou. Ela ergueu os olhos da frigideira para onde ele estava, perto da geladeira, estudando-o. Ele ainda usava a calça do pijama, mas acrescentou uma camiseta. Droga. — Bom dia — ela disse alegremente, tentando tirar os pensamentos carnais de sua cabeça. — Dia. O que é tudo isso? — Ele acenou com a cabeça em direção ao fogão. Ele parecia cauteloso. Harper entregou-lhe uma caneca vazia. — Café da manhã. É um agradecimento por me deixar ficar aqui. Ele pegou a caneca e, após um segundo de hesitação, foi até o café. Ela o observou com o canto do olho enquanto ele servia café e ela montava os pratos. Como seria ter essa vista todas as manhãs? *** — Eu realmente agradeço muito — disse Harper, entrando na picape de Luke. Ele esperou até que ela colocasse o cinto de segurança para ligar o motor. — Você já disse isso. — Bem, eu não queria que você pensasse que fiquei menos grata desde o café da manhã. Ela olhou pela janela enquanto desciama calçada e saíam para a rua. A cidade passava, agradável e arrumada. Casas bem mantidas ocupavam a rua principal e edifícios históricos de tijolos abrigavam empresas com nomes bonitos, como Common Grounds e Sparkle Shop. Enquanto crescia, ela sonhava com uma cidade como esta. Um lugar para pertencer. Eles passaram pela escola, com seu amplo gramado verde e estádio de futebol. Ela se perguntou como as coisas teriam sido diferentes para ela, se a vida tivesse começado aqui. — Você está quieta — Luke observou, olhando para ela. — Só pensando. Você jogou futebol americano? No colégio, quero dizer. Luke parou no sinal vermelho. — Sim. E corrida. — Muito atlético — comentou Harper. — Você? — Não, nunca joguei futebol. — Espertinha. — Luke disse isso suavemente, e Harper teve um vislumbre de uma covinha. Harper sorriu. — Nenhum outro esporte também. — Por que, por acaso sua escola não tinha boxe? — Engraçado. — Ela torceu o nariz para ele. — Foi principalmente por causa das circunstâncias. Eu me mudava muito. — Escapando de mandados de prisão? — Estou começando a achar que você tem uma percepção um pouco distorcida de mim, Luke. — Você pode me culpar? — Ei, você é quem me pegou em um bar. — Eu peguei você no estacionamento. — Detalhes, detalhes — Harper acenou com a mão. Luke entrou em um pequeno estacionamento, ao lado de um escritório vermelho. Dunnigan & Associados. — Droga, Luke. Eu disse a ela que veria meu médico quando pudesse. — Aceite, querida. É o preço de uma carona para a cidade. Harper fez beicinho. — Eu me sinto bem. — Besteira. Você mal consegue se mover. Agora seja uma garota crescida e saia. Ela demorou a segui-lo até a rampa de entrada. — Se você está com tanta dor, ficaria feliz em carregá-la — ele ameaçou. Harper apressou o passo e esgueirou-se pela porta atrás dele. — Eles nem estão abertos ainda — ela sibilou em suas costas. — A doutora abriu mais cedo apenas para suas lindas costelas. A Dra. Dunnigan entrou apressada na sala de espera vazia, segurando um café. — Bem na hora, Luke. Ai — ela disse, olhando para o rosto de Harper. — Como você está se sentindo hoje? — Simplesmente ótima — disse ela. — Na verdade, acho que estamos perdendo seu tempo... Luke estendeu a mão e cutucou-a bem na nádega machucada. Harper gritou. Ele tinha um espetacular radar para contusão ou teve um vislumbre de sua bunda quando ela escapou da cama esta manhã. — Sim, acho que ainda precisamos fazer uma checagem. Vamos lá para trás. Luke, você também pode vir. Enquanto Harper se troca, vou mostrar onde estou pensando em fazer a adição. Sem sutiã, sem calcinha — disse ela por cima do ombro, para Harper. Harper vestiu tristemente a bata de TNT descartável e a prendeu embaixo dela com o máximo de modéstia possível. Ela não era a maior fã de consultórios médicos. O tempo era o que proporcionava a melhor cura. Ela estava um pouco machucada, mas isso sequer entrava em sua lista dos cinco principais ferimentos. Para ela, todos estavam exagerando. Uma batida na porta foi seguida pelos cachos crespos da Dra. Dunnigan. — Decente? Tudo bem se Luke entrar? Harper encolheu os ombros. — Claro, por que não? Ela olhou para os pés descalços enquanto eles entravam. Luke se sentou na cadeira de visitantes, enquanto a Dra. Dunnigan apontava a lanterna para os olhos de Harper. — Eu não tive uma concussão — Harper suspirou. — Falando por experiência própria? — a médica perguntou, movendo-se para o outro olho. — Uma ou duas vezes. Você não esquece como elas te fazem sentir. — Então, sem náuseas, vômitos? — Não. E sem visão turva também. Dunnigan riu. — Bem, neste caso vou concordar com o seu autodiagnóstico. Acho que você está sem concussão. O que a torna muito sortuda ou muito habilidosa em levar um soco. Glenn tem punhos de concreto. Harper permaneceu em silêncio e evitou o olhar de Luke. — Ok, vamos dar uma olhada nessas costelas. — Ela puxou a bata de TNT para verificar a lateral de Harper. — Uau, está uma bagunça. Definitivamente, vamos fazer um raio-X. Harper estremeceu com a sondagem suave dos hematomas. A Dra. Dunnigan abriu um pouco mais o vestido, e Harper viu a mandíbula de Luke apertar. Sem palavras, ele se levantou da cadeira para andar. Ignorando-o, a Dra. Dunnigan passou para o braço de Harper. — Ok, Rainha da Contusão, vamos tirar algumas fotos para o relatório policial e alguns raios-X, e você pode ir embora. Vou pegar a câmera. Harper suspirou e se deitou cautelosamente de volta na mesa. O relatório da polícia. Uma parte muito forte dela queria recusar, mas pensou no rosto aterrorizado de Gloria quando aquele punho se fechou em torno da sua garganta. Ela continuaria nessa situação. Além disso, se fosse chamada para voltar à cidade para testemunhar, poderia ver Luke novamente. Harper fechou os olhos e tentou fingir que estava em uma praia em algum lugar, usando um boné e biquíni, em vez de um TNT amassado. — Harper. — Luke estava parado ao lado dela. Ele falou suavemente, mas sua expressão era dura. — Posso ver? — Ele segurou a ponta da bata entre os dedos. Ela assentiu. Por que diabos não? Isso era o mais perto de ficar nua com ele. Ele puxou o material sobre ela, com cuidado para manter sua frente coberta. — Querida. — Ele arrastou os dedos sobre o lado de sua caixa torácica até logo abaixo do seio. Harper sentiu sua frequência cardíaca aumentar. Um Luke acordado, tocando-a, era ainda mais quente do que ser apalpada pelo adormecido. Ele gentilmente espalmou a palma da mão quente sobre o hematoma, as pontas dos dedos apenas roçando a curva de seu seio. Harper olhou em seus olhos e se perguntou como podia tanto raiva quanto ternura neles. — Tudo bem — Dra. Dunnigan disse, abrindo a porta. — Vamos colocar esse show na estrada. Luke, você pode ajudar Harper a se levantar? Vamos tirar de pé, contra a parede. As mãos de Luke envolveram seus braços e a colocaram em uma posição sentada. Harper cerrou os dentes o mais forte que pôde para evitar estremecer. Ela segurou nos antebraços dele para se firmar, enquanto descia para o piso de madeira. Quando esticou o pescoço para olhar para ele, viu uma guerra de emoções emaranhadas em seu olhar. Ele roçou os nós dos dedos suavemente em sua bochecha. — Isso não vai acontecer de novo. — A promessa sussurrada foi tecida com aço. Ele recuou e deixou a médica tirar várias fotos das costelas, braço e rosto de Harper. — Ok, isso deve ser suficiente. Vamos fazer algumas radiografias no corredor — disse Dunnigan, colocando a câmera na mesa. Luke segurou as costas da bata de Harper enquanto caminhavam para o quarto. Ela tentou imaginar uma centena de cenários diferentes, onde a mão dele estaria roçando a pele nua de suas costas, o que não envolvia tratá-la como uma idosa inválida. Às vezes, a vida era uma droga. E se ela tivesse entrado na cidade com um lindo vestido de verão e sua maldita carteira? Poderia ter comprado uma bebida para ele, em vez de exigir um salvamento e caridade. Se isso não era um alerta sobre quando era hora de começar a se comportar como uma adulta, ela não sabia o que era. Dunnigan os conduziu a uma pequena sala sem janelas e a fez se deitar na mesa. Ela ajustou a posição da câmera sobre as costelas de Harper e cobriu- a com uma pesada capa de chumbo. — Apenas fique quieta aí, e isso vai acabar em um minuto. A médica fez Luke recuar com ela para trás da proteção, e Harper ouviu o zumbido da máquina. A Dra. Dunnigan a fez mudar de posição e tirou mais algumas imagens das costelas e uma de seu braço antes de deixá-la sentar-se novamente. Ela trouxe um laptop para Harper. — OK. Vamos verificar isso. Luke se juntou a eles, encostado na mesa. Seu braço descansando contra o de Harper. Dunnigan ampliou uma imagem. — Hum. — O que “hum” significa? — Luke exigiu. — Este ponto bem aqui — ela bateu na tela — É uma fratura curada. Então, ou você tem poderes de cura sobre-humanos ou você quebrou suas costelas antes. — Acho que tive uma fratura, anos atrás — disse Harper, cruzando os braços sobre o peito. Era constrangedorreviver seu histórico médico com dois estranhos. A Dra. Dunnigan olhou para Harper por cima dos óculos de leitura e esperou. — Hum. Harper a ignorou. Ela podia sentir o olhar de Luke pesando sobre ela. Olhou para a tela com os olhos semicerrados. — Sem novas fraturas? — ela perguntou alegremente. Dunnigan passou por uma série de imagens. — Parece que você está bem. Desta vez. — Eu te disse — Harper sorriu para Luke. — Você é terrivelmente arrogante, para alguém coberto da cabeça aos pés de hematomas — ele a lembrou. — A mesma história com o seu braço — Dr. Dunnigan disse, batendo na tela. — Fratura antiga. Este parece que sarou melhor do que sua costela. — Ela olhou diretamente para Harper. Harper encolheu os ombros e não respondeu. O tempo curou essas feridas físicas há muito tempo e, com elas, as mentais também. — Alguma nova? — Não. — A médica girou em seu banquinho e colocou o laptop de volta no balcão. — Um pouco de inchaço, muitos hematomas. Mas, no geral, não é tão ruim quanto poderia ter sido. Vou prescrever alguns analgésicos para ajudá-la a dormir, e estou dizendo que o descanso é o melhor remédio. Capítulo 5 Eles dirigiram em silêncio depois de deixar a Dra. Dunnigan. Cada um perdido em pensamentos. Harper foi finalmente quem quebrou o silêncio. — Então, suas tatuagens significam alguma coisa? Ele manteve os olhos na estrada. — Por quê? — Você não quer me dizer o que elas significam? — O que te faz pensar isso? — Você está respondendo as perguntas com perguntas. É como um truque de terapeuta. — É? Ela suspirou alto. — Eu sinto que estou jogando um quiz quando falo com você. Luke sorriu e não disse nada. Harper deixou para lá. Observou os sinais de trânsito passando rapidamente, voltando para a cidade que chamara de lar nos últimos dois anos. Ela chamou muitos lugares de casa, mas era por falta de uma palavra melhor. Nunca se sentiu realmente em casa em qualquer lugar. Não desde que era uma criança em uma casa minúscula, com uma mãe e um pai que agora eram mais fantasmas do que memórias. — Então, qual é o seu plano quando você pegar suas coisas? Harper apertou os lábios e suspirou. — Abastecer meu carro e ir para a casa de Hannah. — Você está colocando muita fé na generosidade de uma amiga. Ela percebeu o julgamento em seu tom. — É apenas temporário. Já verifiquei alguns empregos e apartamentos nos classificados. Eu estarei fora do sofá dela em pouco tempo. — Que tipo de empregos? — Há algumas vagas de garçonete/gerente, uma posição de balconista de estoque e, na pior das hipóteses, uma daquelas pessoas que se sentam em banquinhos no meio do shopping e tentam lhe vender uma banheira nova. — Trabalho dos sonhos, heim? — Qualquer trabalho que pague as contas é um trabalho dos sonhos nos dias de hoje. Ele mudou de assunto. — Então, você quer falar sobre por que saiu correndo de sua casa sem nada ontem? — Na verdade, não — disse Harper, olhando pela janela. Ela suspirou. — Apenas um erro da minha parte. Mau julgamento seguido por uma surpresa desagradável, quando voltei para casa mais cedo. — Namorado? — Ex, a partir de ontem. — Traindo? — Com uma daquelas entregadoras de bicicleta. Ela tinha pernas lindas, pelo que pude ver. — Meu Deus, Harper. Você é uma bagunça. Ela soltou um suspiro. — Parece que sim. Uma hora depois, Luke parou na frente da casa bege que Harper apontou. — Você quer que eu entre com você? Não quero que carregue nada pesado. — Não, ele deve estar no trabalho. E não tenho muito para embalar. Não vai demorar muito. — Harper abriu a porta e saiu. — Apenas saia quando estiver pronta, e eu trarei as coisas para a picape. Ela correu até a porta da frente e entrou. O carpete bege e as paredes brancas nunca gritaram “Casa” para ela. E certamente não a faziam sentir saudades. Era a hora de ir. Ela pegou sua bolsa do armário do corredor, checando se sua carteira e telefone estavam lá antes de correr escada acima para o quarto. Os lençóis ainda estavam desarrumados, e ela podia ver duas marcas de cabeça nos travesseiros. A entregadora deve ter passado a noite. Ou talvez ele tenha pedido pizza, depois de terminar com ela. Ela virou as costas para a cama, com nojo, e pegou sua mala e mochila do armário. Esvaziou as gavetas da cômoda na mochila e depois foi para o armário. Em menos de dez minutos, ela tinha as duas malas prontas. No banheiro, rapidamente cobriu o olho com um pouco de base e jogou os cosméticos em uma bolsa Ziploc. Empurrou suas malas escada abaixo, uma de cada vez, até a porta da frente. Luke estava esperando por ela na varanda. — Eu disse que carregaria tudo. — Ele pegou as malas dela e as puxou escada abaixo. Harper revirou os olhos. — Eu posso lidar com uma mala. — Quantas malas mais? — ele perguntou por cima do ombro, enquanto descia a calçada. — Só essas, para as roupas. Só quero dar uma olhada e ver se estou esquecendo alguma coisa importante. — Todas as suas roupas cabem em duas malas? — Ele parou de andar e olhou para ela, como se tivesse acabado de tirar um braço da testa e pedisse um high five. — Perdi muito no incêndio e não tive realmente a chance de substituir tudo. — Incêndio? — Luke piscou rapidamente. — Sim, seis meses atrás. Meu prédio em South Side pegou fogo. Uma das minhas vizinhas estava fazendo queijo grelhado em uma chapa quente ao lado das cortinas. — Ela tropeçou sozinha. — Você estava em casa? — Ele estava cobrindo os olhos com a mão agora. — Sim. — Ela voltou a olhar para a casa. — Foi assim que você quebrou o braço e as costelas? — Não. Só vou pegar alguns papéis e já vou sair. — Uh, sim. Eu vou contigo. Conhecendo você, pode haver um vazamento de gás ou um urso de circo escondido lá. — Você não é um fofo quando age todo protetor? — Harper brincou. Luke balançou a cabeça e abriu a porta para ela. — Eu não posso acreditar que você ainda está viva — ele murmurou. Depois de três caixas de documentos e bugigangas já embaladas, Harper estava pronta para partir. — Tem certeza de que é isso? — Luke perguntou, colocando as caixas no banco de trás de sua picape. — Isso é tudo — disse Harper, tirando a chave do chaveiro. — Eu só vou deixar isso lá dentro. Volto já. Luke voltou para a picape e ligou o motor. Um minuto se transformou em cinco antes de Harper voltar, tropeçando sob o peso de um peixe gigante empalhado. Luke saltou da picape e puxou-o para fora de suas mãos. — Droga! Pare de carregar essas merdas! — Você pode simplesmente jogá-lo lá. — Ela apontou para a carroceria da picape. Ele o jogou pelas costas antes de subir no banco do motorista. — O que há com o peixe? — Luke perguntou casualmente. Harper deu de ombros, prendendo o cinto de segurança. — Ele o comprou em uma liquidação de garagem e disse às pessoas que ele mesmo o pegou. “Levei quatro horas para conseguir pegar aquele peixe- espada” — ela imitou em uma voz grave. — Tenho certeza de que é um marlim. Harper olhou para ele por um momento. — Um marlim? Luke acenou com a cabeça. Ela começou a rir, deixando cair a cabeça contra o encosto. — Que idiota. *** Harper insistiu em pagar o almoço para Luke, no meio do caminho de volta para Benevolence. Eles pararam em um pequeno restaurante familiar que tinha uma excelente torta de frango e batatas fritas recém-feitas. Ela parou de mastigar por tempo suficiente para enviar uma mensagem para Hannah. Harper: O pau do Ted escapou das calças. Estou me mudando. Sofá disponível? Hannah respondeu em minutos. Hannah: Sempre odiei o cavanhaque estúpido. Volto na segunda à noite. O sofá é seu. — Excelente — Harper suspirou de alívio e voltou a comer sua torta. — Tudo certo? — Luke perguntou, pegando uma batata frita. — Sim. Hannah e Flynn estarão de volta na segunda à noite, e então posso ficar com eles. — O que você vai fazer, entre agora e então? — Provavelmente, vou conseguir um quarto de motel para o fim de semana. Oh! Talvez um hotel com piscina coberta! Será como férias. Depois do almoço, Harper fez Luke estacionar a picape perto da lixeira atrás do restaurante. Ele ergueu umasobrancelha, mas não fez perguntas. Ele permaneceu em silêncio quando ela pulou na caçamba da picape e, depois de uma breve luta, ergueu o marlim sobre a cabeça e jogou-o na lixeira. Nenhum deles disse uma palavra quando ela subiu de volta na picape e colocou o cinto. *** Eles voltaram para a casa de Luke, onde ele descarregou as caixas e malas, empilhando tudo no foyer. Harper assistia inutilmente do sofá, onde Luke ordenou que ela ficasse. Quando terminou, ele se juntou a ela na antiguidade irregular chamada de sofá. — Vamos conversar sobre o que você fará esta noite… — Luke foi interrompido por um yoo-hoo de Sophie na porta da frente. Harper teve certeza de que ela ouviu Luke xingar baixinho. — Oh, aí está você — disse Sophie animadamente. — Como você está se sentindo hoje? Seu rosto não parece tão ruim. — Obrigada, nem o seu — disse Harper secamente. — Espertinha. Vou buscar uma bebida, alguém quer uma? — Ela voltou para a cozinha. Harper deu de ombros para Luke e eles se levantaram para segui-la. — Entããão, como foi a coleta das coisas? — Sophie se serviu de um refrigerante da geladeira e se juntou a Harper na ilha, enquanto Luke pegava uma cerveja. Os olhos de Luke encontraram os de Harper. — Sem intercorrências, você não diria, Luke? — Harper sorriu inocentemente. Ele se encostou no balcão e assentiu. — Muito monótono. Mas estou com vontade de comer espetinhos de peixe. Sophie observou enquanto eles sorriam um para o outro. — Então, Harp, qual é o plano? O que você vai fazer agora? — ela perguntou, brincando com a lata. — Por enquanto, o plano ainda é chegar à casa de Hannah e encontrar um emprego temporário lá. — Eu estava pensando... — Soph. — Luke cruzou os braços. — Me escute! — O quê? O que está havendo? O que está acontecendo? — Harper olhou de um irmão para o outro. — Bem, tive uma ideia e acho que poderia ser vantajoso para ambas as partes. — Vantajoso para nós ou para você? — Luke bufou. — Se você fechar sua boca por dez segundos, Cabeção, vou explicar. — Crianças. Não me façam atravessar esta cozinha — Harper suspirou. — Olha. Vou apenas falar de uma vez, e vocês dois podem decidir se funcionaria ou não. Harper, você não tem dinheiro, emprego e casa própria. — Quando você coloca dessa forma, não soa nada bem. — Harper torceu o nariz. — Luke, você acabou de me fazer esboçar um anúncio de emprego para gerente, e se você não aparecer na casa da mamãe e do papai com Harper amanhã, mamãe tem June Tyler de prontidão. Luke bateu sua cerveja. — A June Tyler que eu levei para o baile na sétima série? Que está recém- divorciada e com quatro filhos? Sophie assentiu. — A mesma. Mamãe acha que se você já a namorou uma vez, sairia com ela de novo. — Cristo — Luke murmurou e pegou a cerveja novamente. — Ei, eu disse a você que se não começasse a pelo menos fingir que namora, mamãe iria resolver o problema por conta própria. Ela só quer que você seja feliz. Luke balançou a cabeça e olhou pela janela. — Harper, me ajude aqui — implorou Sophie. — Meu irmão idiota pode não ver o sentido disso, mas você vê, não é? — Você está falando sobre eu fingir ser a namorada do Luke? — Em troca de um emprego temporário e um lugar para morar. — Quão temporário? — Harper considerou. Luke estava olhando para ela com uma sobrancelha levantada. — Não me diga que você está considerando isso. — Estou começando a ficar ofendida com sua reação a mim como uma namorada falsa. Ele revirou os olhos. — Não é você, Harper. É a ideia desse ato só porque minha família não consegue lidar com a maneira como vivo minha vida. — Uma novidade para você, irmão. Na semana passada, tive que impedir a tia Syl de te inscrever em um site de namoro online. Ela até colocou um nome de perfil que era algo como Dedos Mágicos. — Merda. Harper tentou abafar uma risada, mas só conseguiu tossir. Sophie ergueu as mãos. — Luke, eu os segurei o máximo que pude. Agora é com você. — Quanto tempo exatamente se passou desde que você namorou, Luke? — Harper interrompeu. Luke olhou longamente para Sophie. — Um tempo — disse ele. Harper ficou quieta. Havia algo naquele olhar que a fez pensar que era mais do que apenas uma mãe intrometida tentando casar um solteirão convicto. — Eu só pensei que essa situação poderia funcionar para vocês dois. — Sophie caminhou até ele. — O que poderia dar errado, certo? E seria apenas por um mês. — O que acontece em um mês? — Harper perguntou. — A unidade de Luke será reenviada. Eles têm uma missão de seis meses no Afeganistão. Harper sentiu seu estômago revirar. Ele seria convocado? — Então, o que Harper faria no final do mês? Sophie encolheu os ombros. — Eu não sei. Vocês podem encenar uma briga épica de rompimento, ou algo assim. — Ela se voltou para Harper. — Se você tivesse um mês para fazer planos, estaria muito melhor do que dormir no sofá da sua amiga, certo? Harper encolheu os ombros evasivamente. — Suponho que mais tempo signifique um plano melhor. E mais tempo com Luke. Fingindo ser namorada dele. Isso significa que teria a oportunidade de beijá-lo? Ela mordeu o lábio. Um lugar para ficar, um emprego e um namorado falso incrivelmente gostoso por um mês? O que poderia dar errado? Luke passou a mão pelo rosto e depois pelos cabelos curtos. — Tem alguma experiência em administração de escritório, Harper? Capítulo 6 Faltam Quatro semanas… — Você não tem que fazer isso, você sabe. — Luke agarrou o volante de sua picape como se fosse o pescoço de alguém. Cinco minutos antes, eles haviam parado na garagem de seus pais, uma faixa sinuosa de asfalto que levava a uma charmosa casa de fazenda de dois andares com uma varanda que envolvia os dois lados. Harper mordeu o lábio para não sorrir. — Luke, eles são sua família. Não podem ser tão ruins. — Você vai ver. Ela deu um tapinha em seu ombro. — Vai ficar tudo bem, namorado. Ou devo começar a chamá-lo de algo nojento, como docinho? Ele fez uma careta. — Pobre bebê, tudo vai acabar logo. Vamos entrar lá e acabar com isso. A menos que você queira ficar por aqui e dar uns amassos. — Você não sabe como eles são. — Eles são maldosos? Ele balançou sua cabeça. — Mais como bem-intencionados. Obsessivos. — Existem problemas piores do que uma família que te ama e quer que você seja feliz — disse ela, arqueando uma sobrancelha. — Eu sei disso. Só estou tendo problemas para pensar em algum agora. Ela o beliscou. — Achei que você fosse um cara grande, durão e viril. E aqui está você, encolhido na entrada da garagem porque está com medo de uma pequena reunião familiar. — Eu não estou com medo. — Me enganei. — Harper olhou pela janela e fez um barulho de galinha. Ele suspirou e estendeu a mão para bagunçar o cabelo dela. — Vamos, amor. Vamos acabar com essa festa. — Amor? Sério? Isso é o melhor que você pode fazer? Eles se aproximaram da casa por meio de uma passarela sinuosa. Ele passou o braço em volta do ombro dela e a puxou para mais perto. Ele cheirava a especiarias e serragem. Harper tentou reprimir a acelerada de seu pulso. Era apenas um relacionamento falso. Nada para ficar fisicamente animada. Eles estavam fazendo um favor um ao outro, não transando de verdade. — Pronta? — Ele sussurrou no ouvido dela. Harper estava repentinamente nervosa. — E se eles não gostarem de mim? — ela sussurrou de volta. — Agora quem está com medo? Acredite em mim, você pode ter duas cabeças e um registro criminal, e eles ainda gostarão de você. — Por que eu sou incrível? — Porque estou fingindo estar namorando você. Harper bufou. — Na verdade, isso me dá uma ideia — disse ele. — Se importa se nos divertirmos um pouco com isso? — Oh, já pensei nisso. Nós nos conhecemos online há duas semanas, na internet — disse ela. — Eu simplesmente não consegui dizer não para a sua foto de perfil de topless. — Ele a guiou pela calçada. — Não seja modesto. Aquela foto sua, com apenas um cinto de ferramentas, foi espetacular. Eles subiram para a ampla varanda da frente e Harper viu a cortina de renda se mexer. — Acho que eles estão nos observando —disse ela sem mover os lábios. — Uh-huh — ele respondeu com um sorriso falso de forçar a mandíbula. Luke empurrou a porta vermelha no estilo craftsman, sem bater, e encontrou a família inteira, todos os oito, parados desajeitadamente no saguão arejado. — Oi, pessoal. — Olá, querido. — Uma mulher, com um corte pixie e um suéter rosa suave, se adiantou para beijar Luke na bochecha. — Estávamos apenas verificando um rangido no chão. — Aquele que está aqui há vinte anos? A mulher o ignorou e estendeu as mãos para Harper. — Você deve ser a Harper. Já que as maneiras de meu filho parecem tê-lo abandonado, sou sua mãe, Claire. Este é o pai de Luke, Charlie — ela disse, gesticulando para o homem alto de cabelos prateados na parte de trás do bando. Charlie levantou a mão em uma saudação silenciosa. — Nosso filho mais novo, James — Claire continuou, apontando para uma versão um pouco mais jovem e mais magra de Luke, que estava comendo uma maçã. Ele piscou para ela. — Sophie, você conhece — Claire colocou as mãos nos ombros da filha, e Harper ficou impressionada com a semelhança. Os cabelos escuros e tons azeitonados. — E este é o marido dela, Ty Adler, e o filho deles, Josh. — É bom ver você de novo, lutadora — Ty, em um moletom com capuz e jeans, em vez de seu uniforme de policial, disse enquanto fazia cócegas em seu pequeno filho que estava em seus ombros. — Estes são o tio Stu e a tia Syl — Claire disse, acenando para o homem bigodudo que Luke havia apontado no Remo’s na noite anterior e sua esposa sorridente e esguia. — E eu acho que isso termina as apresentações. — Oi, hum... todo mundo — disse Harper, acenando sem jeito. — Eu sou Harper. — Oi, Harper — eles responderam em uníssono. Luke suspirou e pegou a mão de Harper, conduzindo-a através da multidão. O chão, de fato, rangeu sob seus pés. — Cheira bem aqui, mãe. O que temos para o almoço? A multidão entrou na cozinha espaçosa atrás deles. Algo borbulhava na extensão da ilha de granito. Claire deu um tapa na mão de Luke para longe do prato de doce. — Assado com vegetais e purê de batata. Estaremos prontos em cerca de meia hora, então por que você não dá a Harper um grande tour e sai do meu caminho? Harper, posso pegar para você uma taça de vinho? — Estou bem, Sra. Garrison. Mas eu realmente gostaria dessa turnê. — É Claire, por favor. E vocês dois vão em frente. Chamaremos quando o almoço estiver pronto. — Você finalmente vai me deixar levar uma garota para o meu quarto? Já estava na hora. — Luke colocou as mãos nos ombros de Harper e a empurrou de volta para o corredor. — Desculpe — ele sussurrou em seu ouvido. Ela gostou das cócegas provocadas pela respiração dele contra sua pele. — Isso foi um pouco estranho. — Estranho e sufocante. — Ele a guiou em direção às escadas. A casa de fazenda era disposta em uma formação simples de quatro quadrados no primeiro andar, com as duas salas à direita se abrindo uma para a outra, para criar uma grande sala de reunião. Quadros cobriam as paredes e superfícies planas, e havia uma mistura de antiguidades e amenidades modernas. Era acolhedor. Suas mãos deslizaram para os quadris dela quando ela começou a subir as escadas. Ela se recostou no peito dele enquanto subiam. — Se isso for demais, diga-me — disse ele. — Soph disse para convencê- los. — Eu não me importo — disse ela, com o pulso acelerado. A escada se abria para uma espécie de corredor amplo, com um assento na janela construído sobre pequenas estantes. — Que ótima maneira de usar este espaço! Harper se inclinou para olhar mais de perto. As prateleiras estavam cheias de brochuras e álbuns de fotos, cada um cuidadosamente etiquetado com um nome ou intervalo de ano. Luke enfiou as mãos nos bolsos. — Meu pai e eu construímos isso anos atrás, depois que mamãe ficou sem espaço na sala. — Posso olhar o Luke 01? — Harper tocou a lombada de um álbum de linho azul marinho. — Uh. Claro — Ele disse sem entusiasmo. Harper não esperou que ele mudasse de ideia. Ela se sentou na almofada grossa do assento da janela e começou a folhear. — Você era muito adorável quando criança. — Ela olhou para uma foto de Luke de três anos, tentando colocar o cinto de ferramentas do pai, sorrindo de orgulho. Ele se sentou ao lado dela e fez uma careta. — Por que não olhamos o álbum da Soph... — Nem pense nisso, Dedos Mágicos. — Repita esse nome de novo e vou ter que matar você. — Entendido, docinho — ela disse, sem se incomodar com a ameaça. — Oh, olhe para o seu primeiro dia de jardim de infância! Essa mochila é maior do que você. Luke suspirou pesadamente e escondeu o rosto com as mãos. Harper folheou a infância de Luke, parando para admirar suas habilidades com madeira em uma casa de pássaros, quando era escoteiro. Nas páginas do álbum, ele se transformou de um pré-adolescente desajeitado para um adolescente atraente. Foi capturado cruzando triunfantemente a linha de chegada em uma competição de corrida e sorrindo enquanto levava seu time de futebol para fora do campo. — Uau. Você deve ter quebrado muitos corações de garotas adolescentes. — Tenho certeza de que você fez sua parte em impressionar os meninos. — Eu era torta e desengonçada até os dezessete anos. Não foi impressionante, foi deprimente. — Eu gostaria de ver evidências fotográficas disso — ele brincou. — Felizmente, não há evidências fotográficas da minha estranha adolescência. — Como isso é possível? Seu sorriso desapareceu quando ela virou a página. — Olhe para você no baile! Harper puxou o álbum para mais perto e estudou Luke em um terno, estoicamente olhando para a câmera em um fundo salpicado de cinza, uma coroa espalhafatosa empoleirada em sua cabeça. Ele estava com o braço em volta de uma morena esguia em um vestido prata cintilante, que combinava perfeitamente com a tiara. — Rei e rainha do baile? Você realmente teve uma vida de conto de fadas, não é? Luke puxou o álbum de suas mãos e fechou-o com força. — Estamos atrasados na turnê. Deixe-me mostrar o andar de cima e, em seguida, apresentarei as galinhas da mamãe. — Hum, está bem. Harper ficou confusa com a mudança repentina de humor. Ele meio que a arrastou para longe do assento da janela em direção à primeira porta. O rápido passeio pelo andar de cima revelou quartos espaçosos com muita pouca desordem. O principal era um espaço ensolarado com uma banheira com pés no banheiro. O quarto de Luke foi convertido em uma sala de costura para sua mãe, e os outros dois quartos foram transformados em quartos de hóspedes. Era uma casa arrumada, projetada em torno de uma vida familiar agitada. As galinhas caipiras no quintal eram o orgulho e a alegria de Claire. O galinheiro que Charlie construiu era melhor do que a maioria dos apartamentos de Harper. Parecia um conto de fadas para Harper e a deixou se perguntando o que fez Luke se distanciar de tudo isso. *** Luke aceitou a cesta de pãezinhos de Harper e a passou para James à sua direita. Ele geralmente não se importava tanto assim com as refeições mensais de domingo de sua família, mas ter Harper com ele acrescentava outra proporção. Ele observou enquanto ela conversava com seu pai sobre jardinagem, enquanto fazia caretas para seu sobrinho, que se recusava a comer seus nabos. Ela parecia relaxada, mas ele sabia que ela não podia deixar de notar os longos olhares de seus parentes. Sob o microscópio. Ele estava acostumado à análise minuciosa de sua família, já que ele próprio estava sob ela há algum tempo. Mas imaginou que era mais estranho para alguém não acostumado a isso. Soph piscou para ele do outro lado da mesa e acenou sutilmente para Harper. Luke entendeu a mensagem em alto e bom som. Era a primeira refeição em família, em muito tempo, que ele não teve que sofrer com arranjos de encontros mal disfarçados e tentativas casuais de discernir seu estado mental. Ele poderia estar ganhando tanto com esse acordo quanto Harper, ou pelo menos mais do que esperava. *** A família foi ao deck para comer fatias da torta de pêssego que Harper trouxe do supermercadoe sorvete de baunilha caseiro. — Vá devagar com essa torta, mano — James provocou Luke. — Eu quero que você dê algum tipo de trabalho no futebol, antes que eu destrua você. — Ooooooh — Sophie e Ty arrulharam provocativamente. Harper deu uma risadinha. — Não comece, Harper. Você é o árbitro — Luke avisou, tomando um gole de cerveja. — Eu quero jogar! — Não. — Seu tom não deixou espaço para discussão. — Não do jeito que você está. Harper ficou amuada e deu outra mordida na torta. Eles separaram os times, com Sophie e James para enfrentar Ty e Luke. A ação do jogo rapidamente escalou de diversão casual para guerra total. A competição, definitivamente, corria no sangue dos Garrison, Harper notou, quando Luke fez James tropeçar depois que seu irmão “acidentalmente” o chutou na canela. Ela ficou de lado e apreciou o caos. Os jogadores tomaram cuidado perto de Josh quando o menino perseguiu uma galinha pelo campo de jogo, e ninguém piscou quando Sophie deu uma chave de braço em Ty para que James pudesse correr pelo campo. Distraída por Claire, perguntando se ela gostaria de um café, Harper não viu o trem descarrilhado que eram Luke e James vindo em sua direção, após uma longa bomba lançada por Ty, até que fosse tarde demais. Luke pegou a bola no ar, e ela viu o segundo exato em que registrou que ele estava prestes a esmagá-la. Ele se virou no ar e a envolveu com um braço enquanto amortecia a queda com o outro. Eles pousaram no meio da calçada, em um dos canteiros de flores de Claire. Cercados por azaleias, Harper parou de se mover sob o peso de Luke. Com seus quadris pressionando os dele, ela se esqueceu de tudo sobre hematomas e o chão embaixo dela. — Eu continuo encontrando você assim — ele brincou, seu hálito quente em seu rosto. — É bom não estar inconsciente desta vez. Ela viu a mudança sutil em seus olhos e prendeu a respiração quando ele baixou a boca para mais perto da dela. Harper separou os lábios. — Touchdown, tio Luke! — Josh se jogou nas costas de Luke. *** Naquela noite, Harper olhou para o reflexo do espelho enquanto escovava os dentes. Ela se perguntou se Luke mencionaria o “momento” deles, mas ele simplesmente ficou de pé e voltou ao jogo, até que pararam por causa da escuridão e eles se despediram para ir embora. Claire envolveu Harper em um abraço gentil e disse que ela seria bem- vinda a qualquer momento. Foi um ótimo dia com sua família. Luke bateu na porta. — Você está decente? Harper cuspiu e enxaguou a boca. — Sim. — Ela pegou a escova de cabelo enquanto Luke se juntava a ela na pia. — Gostei muito da sua família — disse ela, puxando o elástico do cabelo. Luke deu de ombros, colocando pasta de dente na escova. — Sim, eles não são ruins em pequenas doses. — Não são ruins? — Ela passou a escova no cabelo. — Todo mundo se dá bem. Sua mãe é uma cozinheira incrível. Não houve derramamento de sangue na mesa. Estou começando a achar que você me enganou para entrar nessa farsa, com uma história falsa sobre como eles são loucos. — Não há nada falso sobre sua loucura. Eles apenas não mostraram para você ainda — ele disse, começando a escovar. — Talvez você apenas seja sensível demais e não consiga mais distinguir o normal do louco — Harper ofereceu. Luke olhou para ela pelo espelho, e ela riu. — De qualquer forma, eu me diverti muito. Foi divertido passar um tempo com todos; conversar, comer e importunar uns aos outros. Eu gostei muito deles. Luke enxaguou a boca e colocou a escova de dentes de volta no suporte. — Eles gostaram de você. — Ele ficou quieto por um momento, observando-a escovar seus longos cabelos diante do espelho, antes de contorná-la para ir até a porta. Ele fez uma pausa. — Obrigado por fazer isso. — Não me agradeça ainda. Posso ser um desastre no escritório amanhã. — Ela piscou. Ele deu um suspiro e saiu do banheiro. Capítulo 7 Luke deu um gole no café que Harper preparou, enquanto estava lá fora se preparando para correr, e olhou pela janela traseira. Ele acordou se sentindo inquieto e culpou o fato de que fora a primeira vez que levara uma garota para casa para conhecer seus pais, desde... nunca. Era apenas um mês, ele lembrou a si mesmo. Então tudo voltaria ao normal. Se outra missão contasse como normal. Depois daquele momento com Harper sob ele, nas flores, tinha sido uma noite sem dormir. Olhar para ela, ver a surpresa, a admiração em seus olhos, parecia uma visão do que estava por vir. Coisas que não podiam acontecer. Ele pensou em comprar um colchão inflável e dormir em um dos quartos extras no andar de cima. Mas gostava de acordar com Harper grudada nele e gostava de saber que ela estava segura. Sentir aquelas curvas suaves contra ele estava trazendo de volta à vida sentimentos que ele pensava que estavam mortos há muito tempo. Estava brincando com fogo, mas em algum lugar dentro de si, ele não se importava. Ele ouviu o rangido do balanço da varanda dos fundos e a avistou, com os ombros curvados, balançando no silêncio do amanhecer. Luke saiu para a varanda dos fundos. Harper ouviu sua aproximação e se endireitou, passando a mão pelo rosto. — Bom dia — disse ele, testando as águas. — Dia — ela disse isso animadamente, mas não olhou para ele. — Só estou começando cedo o meu primeiro dia de trabalho. Ele não disse nada. Reconhecia uma mulher chorando quando via uma, e se você contasse com Sophie, acontecia com frequência. Ela saltou do balanço e tentou contorná-lo. Ele a bloqueou e colocou o café no corrimão. Harper deu um passo para o outro lado, e ele novamente a bloqueou facilmente. — Harper. Ele colocou as mãos nos ombros dela, e quando ela ainda se recusou a olhar para cima, ele cutucou seu queixo com os dedos. As lágrimas em seus olhos cinzentos transbordaram, descendo por suas bochechas assim que ela encontrou seu olhar. — Merda. — Ele a puxou e apoiou o queixo em sua cabeça. — Estou bem — ela murmurou contra seu peito nu. — Uh-huh. — Ele a segurou um pouco mais apertado. — Não é nada. Pelo menos foi o que ele pensou que ela disse. Sua voz estava abafada. Mas ela colocou os braços em volta da cintura dele. — OK. Ele a segurou assim, esfregando círculos suaves em suas costas, até que sentiu sua respiração ficar mais profunda. — Sabe, Harper, se você realmente não quer trabalhar para mim, não precisa. A provocação ajudou. Ela se inclinou para trás, olhando para ele com um pequeno sorriso. — Não é o trabalho. Pelo menos, ainda não. Quem sabe que tipo de ambiente de trabalho você proporcionará? Eu estava apenas tendo um momento, e agora acabou. — Um momento? Ela assentiu. — E agora acabou? Simples assim? Harper assentiu novamente. — Você não precisa falar sobre algo... ou alguma coisa? — Não. — Ela deu a ele outro sorriso triste. — Como seu namorado falso, eu provavelmente deveria saber por que está chateada. Harper riu. — Você é muito doce, e eu estou bem. Que tal um café da manhã? Ela fez um movimento para passar por ele, mas ele a parou e agarrou seus pulsos. Ela estava segurando uma foto na mão. — O que é isso? — Ele pegou a foto dela e a estudou. — Meus pais e eu. Um querubim em miniatura, ela usava um vestido florido, empoleirada em um banco entre um homem magro, cujo sorriso estava quase escondido atrás do bigode, e uma loira deslumbrante em um vestido azul. Eles estavam todos rindo. — Você era uma criança muito fofa. Onde eles estão agora? — Eles morreram há muito tempo. Harper tirou a foto dele. — Eu sinto muito. Há quanto tempo? — Dezenove anos. — Jesus, Harper. Eu sinto muito. O que aconteceu? — Acidente de carro. Às vezes, eu ainda sinto muita falta deles. Especialmente depois de passar um tempo com as famílias de outras pessoas. — Muitas pessoas choram depois de passar um tempo com minha família. Ela o cutucou. — Engraçadinho. — Então, quem te criou? — Muitas pessoas diferentes. Eu estive em um orfanato até ficar velha. — Ficar velha? — Quando você atinge os dezoito anos, se não foi adotado, está oficialmente por conta própria. — Você não tem família? — Eu faço minha própria família.— Harper disse isso de forma brilhante e sincera. — Agora, que tal eu fazer o café da manhã? Hoje é um grande dia. Ela colocou a mão em seu peito. — Obrigado por ser legal comigo, Luke. — Harper ficou na ponta dos pés, deu um beijo em sua bochecha e foi para a cozinha. *** Luke desligou o tablet e jogou-o no assento ao lado. Ele deveria se concentrar na tarefa em mãos. Mas, em vez de revisar o prazo para o quarto extra dos Riggs, ele não conseguia parar de pensar em Harper. Ele deu a ela um tour rápido pelo escritório e a deixou organizar seu espaço de trabalho. Ele tinha uma lista de tarefas de escritório que planejava dar a ela no dia seguinte, assim que ela se acomodasse. Depois da conversa daquela manhã, queria aliviá-la no trabalho, não queria sobrecarregá-la. Harper tinha se recuperado, tagarelando alegremente sobre seus planos para um almoço no Common Grounds enquanto preparava omeletes e torradas. Ele a deixou falar, interpondo respostas apropriadas, mas sua mente estava fervilhando. Ela não tinha ninguém. Não tinha ninguém desde os seis anos, o que explicava muita coisa. Não admira que fosse um desastre ambulante. Ela nunca teve uma família para mantê-la longe de problemas. Ela deve ter estado no carro com seus pais. Deve ter sido aí que ela conseguiu o braço e as costelas quebradas. Ela se lembrava disso? Por quantos lares adotivos já havia passado? Com quem ela passava o Natal? Luke baixou a cabeça contra o encosto de cabeça. Sua própria família poderia deixá-lo louco, mas não houve um dia em que não fosse grato por eles. Talvez fosse a hora de ele começar a agir assim novamente. Ele olhou no relógio, tinha tempo suficiente antes da reunião da tarde para fazer algumas paradas não programadas. *** Luke empurrou a porta de tela da casa de seus pais. — Mãe? — Na cozinha. — A voz dela flutuou para ele com o cheiro de chocolate recém assado. — Eu não tinha certeza se você trabalhava hoje — disse ele, seguindo o aroma pelo corredor. Claire trabalhava meio período para o florista da cidade e frequentemente era chamada para turnos extras. Sua mãe se virou do forno, segurando um prato de vidro. — Aquele maldito Pinterest. Eu vi uma receita de brownie cremoso e não consegui me conter. Oh! — Ela olhou para as flores que ele segurava. — De onde são essas? Ele estendeu os lírios para ela. — Mercado? — Você me trouxe flores? — Ela colocou os brownies no balcão e pegou o buquê. — Qual é a ocasião? O choque e a alegria de sua mãe foram suficientes para fazê-lo se sentir um pouco culpado, por não ter pensado em fazer isso antes. — Nenhuma ocasião. Só as vi e pensei em você. Claire enterrou o rosto nelas. — Elas são lindas, Luke! Ele coçou a nuca, envergonhado. — Você quer ficar para o almoço? — Claire convidou. — Não posso. — Luke checou seu relógio. — Vou buscar papai em quinze minutos para o almoço, mas vou levar dois brownies. — Contanto que um deles seja para Harper. Luke sorriu. — Vamos ver se ela ainda não correu gritando para as colinas, depois de dar uma olhada nos últimos seis meses de papelada não preenchida. — Nesse caso, vou embalar quatro brownies, e Harper pode decidir se você vai receber algum. Ela é uma garota adorável, Luke. Eu realmente gostei dela. — Eu também. E ele estava falando sério. *** Charlie Garrison era um homem de ombros largos, que usava o cabelo grisalho no mesmo estilo desde os anos 60. Em homenagem às altas temperaturas da primavera, ele trocou seu pesado Carhartt por uma blusa de flanela mais leve. Ele deslizou para a mesa em frente a Luke e empurrou o menu para a beira da mesa, já que sempre pedia a mesma coisa. Ambos pediam. Luke aceitou da garçonete a xícara não pedida de café e sorriu enquanto ela colocava uma Coca nas mãos de seu pai. Claire tinha para seu marido pré-diabético uma regra estrita de proibição de refrigerante, que só era quebrada na lanchonete. — O de sempre, meninos? — Sandra perguntou, sem se preocupar em puxar seu bloco de notas. — Sim, senhora. — Charlie entregou-lhe os menus e ela piscou enquanto se afastava. Professora de música aposentada do ensino fundamental, Sandra era dona da lanchonete e trabalhava no turno do almoço quatro dias por semana. Luke se recostou, apoiando o braço na parte de trás da cabine. — Eu me pergunto o que ela faria se nós pedíssemos algo diferente. — Provavelmente nos traria o de sempre, de qualquer maneira. — Ele tirou o canudo do copo e colocou-o sobre a mesa, antes de tomar um longo gole. — Então, qual é a ocasião? — Para o almoço? — Faz algum tempo. Luke acenou com a cabeça, brincando com sua caneca. — Sim. Tinha sido. O que anos atrás fora uma tradição semanal permanente, se transformou em uma ocasião esporádica. Sandra, misericordiosamente, chegou com a comida. Um sanduíche de atum com batatas fritas para Charlie e um cheeseburger com bacon para Luke. — Posso trazer mais alguma coisa para vocês, meninos? Charlie balançou a cabeça e pegou o ketchup. — Não, senhora. — Obrigado, Sandra — Luke disse, levantando o hambúrguer. — Tudo bem, tente não causar muitos problemas — disse ela antes de ir apressada para a próxima mesa. Luke deu uma grande mordida no hambúrguer e observou seu pai comer seu sanduíche. — Como vai a renovação do porão? Embora tecnicamente aposentado, seu pai ainda gostava de supervisionar um punhado de projetos todos os anos. Seus vizinhos, os Nicklebees, os contrataram para terminar o porão. Charlie tomou um gole de Coca e pegou uma batata frita. — Está indo bem. A fiação está terminada e o encanamento está quase pronto. — Eu vi sua anotação sobre eles adicionarem um balcão com pia — Luke disse entre mordidas. — Sim, dei uma cópia a Harper esta manhã, para que ela pudesse atualizar a ordem de serviço e o orçamento. Luke acenou com a cabeça e se perguntou quanto tempo levaria para seu pai trazer Harper ao assunto. — Então, o que você acha? — Uma pia sempre é uma boa ideia. — Muito engraçado. Quero dizer da Harper. Seu pai seguia o credo de empresário das antigas, de manter suas opiniões sob sigilo para não ofender os clientes. Mas ele era um homem justo e Luke valorizava sua opinião. Luke pegou uma batata frita do prato de Charlie. — Garota legal. — Sim, ela é. Você não acha que ela se mudou rápido demais? — Filho, você poderia ir morar com o Frank irritadinho e eu ficaria feliz. Você tem um timming perfeito. Sua mãe estava se preparando para começar a ligar para suas primas e armar encontros para você. Luke ficou pálido. — Isso não é ilegal? — Elas são, em sua maioria, de segundo e terceiro grau — Charlie brincou. Ele sorriu, mostrando uma covinha igual a de Luke. — Cristo. — Luke pegou seu café e se recostou. — O amor de mãe é uma bênção e uma maldição — disse Charlie, filosoficamente. — Ela só estava preocupada. Luke passou a mão pela cabeça. — Eu sei, e agradeço isso. Mas não há nada com que se preocupar. Estou bem. Tudo está bem. — Vou repassar isso para sua mãe. Ela gostou da Harper. Acha que ela é exatamente o que você precisa. — O quê? Caos mal controlado? — Os lábios de Luke se curvaram. — “Uma lufada de ar fresco”, acredito que foi isso que ela disse. — Ela é mais como um furacão. — Ela, definitivamente, não é Karen. Luke sentiu a pontada familiar com a menção do nome dela. Com o passar dos anos, isso havia diminuído, mas a ferida ainda estava lá e nunca iria embora. — Não, ela não é. — Isso não é uma coisa ruim. Karen nunca teria enfrentado Glenn. Luke sorriu contra a vontade, lembrando-se da surpresa naqueles grandes olhos cinzentos quando se abriram para encontrá-lo acima dela. — Não, ela não teria. — Você conseguiu os números da proposta da renovação da Broad Street? Luke sabia que seu pai estava mudando de assunto de propósito, e ficou grato. — Eu juntei alguns números preliminares, mas nada sólido ainda. — Bem, temos até segunda-feira para entregar a licitação. Talvez Harper possa ajudá-lo no fim de semana. Era estranho pensar que agora ele compartilhava seus fins de semana com alguém, pelo menos temporariamente.Ele passou a valorizar sua solidão, mas havia algo atraente em acordá-la pela manhã. Ainda se surpreendia ao encontrá-la na cozinha, vasculhando a geladeira ou curvada sobre seu laptop na sala da frente. Ela trouxe vida para a casa. Ele só não tinha certeza se estava pronto para isso. — Ela tem bastante trabalho no escritório. Tenho que ver se está preparada para eu despejar outro projeto em cima dela. Capítulo 8 Harper passou as mãos pelos cabelos, puxando-os apressadamente em um nó bagunçado. Os arquivos de Luke estavam um desastre. Nada havia sido atualizado no sistema nas últimas oito semanas. Havia pilhas de papelada desorganizada por toda parte e o banco de dados era uma piada. Mas ela amava um desafio. O escritório ficava no segundo andar de um dos prédios de tijolos no centro de Benevolence. Tinha tetos altos e enormes janelas em semicírculo que filtravam a luz do sol sobre os pisos de madeira de tábuas largas e marcadas. Ela se encolheu sobre uma velha mesa de desenho que havia reaproveitado como uma escrivaninha. Ela a colocou em um canto e a inclinou para ter uma linha de visão do escritório de Luke. Não que ele estivesse lá agora. E pela aparência das pilhas de papelada cobrindo todas as superfícies planas, incluindo o chão, ele provavelmente não passava muito tempo lá. Harper moveu a pilha de arquivos, agora bem-organizada, para a borda da mesa e pegou uma nova pilha. Ela gostava de estar aqui. Gostava de estar cercada pelo trabalho de Luke. Quando ele disse que trabalhava em construção, omitiu que dirigia uma empreiteira e construtora ridiculamente bem-sucedida. Vasculhando os arquivos, ela descobriu que tanto o banco na Second Street quanto a extensa casa de fazenda nos arredores da cidade, que ela admirava, eram projetos da Garrison. Onde alguns homens não conseguiam parar de se gabar sobre todas as pequenas realizações de seus dias, Luke era um cofre. Ele poderia impedir um assalto a banco e fazer o parto de um bebê na hora do almoço, e a única coisa que falaria era que tinha comido um sanduíche. Isso só a fez querer arrancar informações dele. Harper deu um pulo quando um saco de papel marrom pousou no teclado à sua frente. — Mamãe mandou lembranças — Luke disse atrás dela. Harper saltou sobre a bolsa. — O. Que. É. Isto? Não importa, não me diga. — Ela desembrulhou um brownie e deu uma mordida. — Hum. Paraíso! — Ela disse que você poderia compartilhar, se quisesse — ele insinuou. Ela olhou para ele por cima do brownie. — Vamos ver se você merece. Você salvou alguma velhinha do perigo? — Não, mas também não coloquei nenhuma em perigo. — Bom o suficiente para mim. — Ela entregou a ele um brownie. Ela o observou desembrulhar e dar uma mordida. — Como está o seu dia até agora, chefe? — Não tão ruim. Só estou checando minha nova funcionária, certificando- me de que ela não está pintando as unhas e cochilando às custas da empresa. Harper torceu o nariz para ele. — Falando em trabalho, você deveria conhecer meu chefe. Estalador de chicote. Hum, Luke com um chicote. Isso era muito quente. Mais quente ainda se ele estivesse sem camisa. Alheio à sua fantasia, Luke olhou para a organização da mesa dela. — Tem tudo o que você precisa aqui? Ela se recostou na cadeira e deu outra mordida no brownie. — Eu acho que posso sobreviver pelo próximo mês. E quando eu for embora, você vai sentir minha falta. — Veremos. — Ele disse isso com um sorriso. Um tilintar estridente os interrompeu. Harper pegou seu celular da mesa e gemeu. Ela apertou “aceitar” com um golpe violento. — Pare de me ligar — gritou ela ao telefone e desligou. — Problema? Harper revirou os olhos. — É o “Não consigo manter o pau dentro das calças”. Luke franziu a testa. — Quantas vezes ele ligou para você? Ela percorreu seu histórico de chamadas. — Apenas vinte e três, desde sexta à noite. — Ele está deixando mensagens de voz? Harper adaptou um barítono ligeiramente arrastado. — Oh, baby, eu quero você de volta. Tiffany não significa nada para mim. Você sabe onde está minha camisa do Batman? Seu telefone tocou novamente, e Luke o arrancou de suas mãos. — Você quer que ele pare de ligar para você? — Uh, sim! Como você vai fazer isso acontecer? — Eu sou seu namorado de mentira. Eu tenho muitos poderes. — Luke se afastou da mesa e atendeu o telefone. Ele se afastou alguns passos, e Harper se esforçou para ouvir. Ele parou em uma postura reta, a mão no quadril, olhando pela janela. Ele sempre era muito intenso. Poder e controle eram as forças motrizes por trás de tudo o que ele fazia. Luke raramente dividia sua atenção, fazendo parecer que estava totalmente focado na tarefa em mãos. Era esse foco que Harper sentia cada vez que ele olhava para ela. Ela se sentia importante. Digna. Interessante. E agora, o homem que a fazia se sentir importante, digna e interessante, estava conversando com o homem que a tratara como substituível. Luke desligou, voltou para perto de Harper e jogou o telefone para ela. — Então? — ela perguntou. — Ele não vai mais ligar para você, e vai mandar o seu último pagamento aqui para o escritório. Harper saltou da cadeira e gritou. Ela jogou os braços em volta do pescoço dele e deu um beijo estalado em sua bochecha, saboreando a sensação de sua barba por fazer sob seus lábios. — Vou te levar para jantar com esse pagamento. Suas mãos se acomodaram e seguraram em sua cintura. — Você não acha que eu deveria pagar pelo nosso primeiro encontro? — Um relacionamento não convencional exige comportamento não convencional. Além disso, já dormimos juntos e você me trouxe brownies, que sua mãe fez para mim. Estamos praticamente noivos. Ele parecia nervoso novamente. Ela percebeu que ele queria recuar e ter algum espaço entre eles. Harper gostava do fato de que era capaz de deixá- lo um pouco desconfortável. Isso compensava parcialmente as borboletas que se agitavam no seu estômago quando ele olhava para ela com aqueles olhos cheios de alma. — Veremos — disse ele, recuando. — Vou resolver um pouco da papelada e sair de novo. Precisa de alguma coisa? — Não. Eu estou bem. E ela foi sincera. Observou Luke entrar em seu escritório e sorriu. Esta era a vida dela agora, pelo menos pelo próximo mês. Um bom trabalho em um ótimo escritório, com um chefe e colega de quarto tão bonito que não conseguia parar de encará-lo. Ela tentou se concentrar no trabalho, mas sentiu sua atenção ser atraída para o escritório no canto. Ela tinha uma linha direta de visão para Luke em sua mesa, franzindo a testa para a tela do computador, recostando-se na cadeira para fazer uma ligação. A cada olhar ou dois, ela o encontrava já olhando para ela. Talvez ele estivesse tão desconcertado com ela quanto ela com ele? Cada vez que um deles pegava o outro olhando, a carranca de Luke se aprofundava. Depois de quase meia hora de rápidos olhares dissimulados mútuos, Luke se afastou da mesa e pegou uma pilha de papéis e seu tablet. — Estou saindo para uma reunião. Provavelmente não voltarei depois disso. — Ok, chefe, tenha um bom-dia — Harper sorriu. Ela tentou manter os olhos no monitor, em vez de na bunda dele enquanto ele saía. Não foi fácil. Harper teve quase mais uma hora de trabalho antes de ser interrompida novamente. Um homem, baixo e magro, com blusa de flanela azul entrou, com suspensórios segurando suas calças de carpinteiro. Olhos azuis envelhecidos a fitavam acima de uma barba crespa que era mais cinza do que vermelha. — Então, você é a garota que irritou a cidade inteira — disse ele, cruzando os braços. Harper ergueu as sobrancelhas. — É uma cidade pequena. Tenho a sensação de que não é preciso muito para irritá-la. Ele semicerrou os olhos para ela. — Pelo que ouvi, você deveria ter um metro e noventa. E deveria ser ruiva. — Desculpe desapontar. — Eu gosto de ruivas. — Ele balançou a cabeça, claramente desapontado. Harper não sabia como responder a isso. — Não consigo decidir se você é estúpida ou maluca — disse ele, inclinando-se contra os armários na parede. — Existe um departamento de RH aqui, ondeeu poderia reclamar de você? Ele bufou. — Não seja tão sensível. — Espere um minuto. Você ao menos trabalha aqui? Ele bufou novamente. — Eu trabalho aqui? Estou nesta empresa desde que Luke a iniciou, e antes disso, trabalhei para Charlie. — Tem um nome? — Frank. — Frank, eu sou Harper. — Você se mudou com uma rapidez terrível, não acha? — Para a casa dele ou para o escritório? Porcaria. Três dias com Luke, e ela já estava respondendo perguntas com perguntas. — O que estou dizendo é que o chefe tinha seus motivos para aceitá-la, dando-lhe um emprego. Não estou aqui para questionar seu julgamento, por mais questionável que seja. Estou aqui para te avisar que se mexer com esta empresa ou com aquela família, responderá a mim. Todos já passaram o suficiente nos últimos anos, e não precisam de uma esquentadinha louca chegando e bagunçando as coisas. — Você acha que eu sou uma esquentadinha louca? — Você abordou um homem com o dobro do seu tamanho, gritando como uma banshee, não foi? Você tem um olho roxo do tamanho de um punho. Além de fazer parte do time dos sem-teto da cidade. — Talvez eu só tenha tido um dia ruim. — Sim, bem, talvez sim. Só não pegue aquele dia ruim e desconte em todo mundo por aqui. Esta é uma cidade legal, com pessoas legais. Então, se você não estiver nessa para ficar, vá em frente. — Você deve se preocupar muito com os Garrisons, para sentir que precisa defendê-los de uma ameaça potencial como eu. — Eles são decentes. Talvez você também seja decente. Mas eu não te conheço. Eu conheço Luke e o resto deles. Então, se você for boa para eles e ficar fora do meu caminho no trabalho, ficaremos bem. — Muito justo, Frank. Vou manter isso em mente. E só para você saber, se é bom no seu trabalho, não irrita os clientes ou vem até aqui para gritar comigo todos os dias, ficaremos bem. Ele acenou com a cabeça rapidamente. — Justo. Estou de olho em você. Ele fez uma pequena saudação e saiu pela porta. Esta cidade era muito pequena. Capítulo 9 Como combinado, o último pagamento de Harper chegou ao escritório. O que quer que Luke tenha dito a Ted, deve tê-lo assustado o suficiente para parar de ligar também, porque o telefone dela estava felizmente silencioso. E como prometido, ela levou Luke para jantar. Ela pesquisou restaurantes além das fronteiras de Benevolence, antes de se decidir por uma churrascaria aconchegante a 24 quilômetros a leste. Não haveria jantar tranquilo na cidade com a atenção que ela e Luke despertavam. Não era um encontro “de verdade”, lembrou a si mesma, mas isso não significava que não pudesse fazer um pequeno esforço para estar apresentável. Harper manteve sua roupa casual com calça capri e blusa de gola V com linhas em verde esmeralda. Ela acrescentou um pouco mais de cachos ao cabelo, deixando-o solto sobre os ombros. Um olho levemente esfumaçado e uma camada de brilho labial, e ela estava pronta para ir. Ela checou seu reflexo no lavabo lá embaixo e percebeu que havia esquecido de colocar os brincos. Voltou escada acima para o quarto, e estava remexendo na gaveta quando Luke saiu do banheiro. Vestindo apenas uma toalha. Gotículas de água grudavam em seu peito. A tatuagem em seu braço, como sempre, atraía a sua atenção. A toalha, pendurada indecentemente baixa em seus quadris, mostrando seu abdômen esculpido. O aro de prata que ela segurava escorregou por entre seus dedos e caiu no chão. — Eu... uh... — Ela se abaixou e pegou o brinco. — Hum. Desculpe. Com as bochechas em chamas, ela saiu correndo do quarto, deixando Luke sorrindo atrás dela. Harper correu para a cozinha e enfiou o rosto no freezer para esfriar o rubor, até ouvi-lo descer a escada. Ela fingiu encher e beber um copo d’água e evitou o contato visual quando ele entrou na cozinha. — Pronta para ir? — ele perguntou, deslizando as mãos nos bolsos da calça jeans. Ele estava vestindo jeans e uma camisa de botão cinza listrada, com as mangas arregaçadas. Harper se perguntou se ele tinha acabado de enfiar a mão no armário e as pegado, ou se ele, como ela, tinha passado por várias opções. De qualquer maneira, ele parecia bom o suficiente para arrancar a roupa bem aqui na cozinha. — Claro, vamos. Ela o levou para fora, para seu carro na garagem. Luke parou ao lado do Beetle. — Você quer que eu entre nisto? — Eu o convidei para sair. Portanto, vou dirigir. — OK. — Ele se acomodou no banco do passageiro com um sorriso irônico. — Vamos começar esse encontro. Harper sentiu uma vibração nervosa na barriga. Quando seu corpo iria se lembrar que este não era um relacionamento real? Deveria parar de reagir exageradamente aos estímulos de Luke Garrison. Ela suspirou e subiu atrás do volante, tentando ignorar o quão perto estavam e o quão bem ele cheirava. Ela deveria tê-lo deixado dirigir. O console central da picape de Luke fornecia uma barreira melhor. O Fusca começou com um tremor de tosse que fez Luke levantar as sobrancelhas. Uma correia guinchou sob o capô por alguns segundos, antes de Harper mudar de marcha. — Jesus, o que há de errado com essa coisa? — Não dê ouvidos a ele. — Harper deu um tapinha no volante. — Você é perfeito do jeito que é. — Querida, este carro é mais velho que você. Você não acha que é hora de colocá-lo para descansar? Talvez conseguir algo menos parecido com uma lata velha? — Eu amo este carro. Só precisa de um pouco de manutenção, para a qual estou economizando, e ele ficará como novo. — Quantas vezes ele deixou você sentada na beira da estrada? Harper aumentou o volume do rádio e sorriu. — O quê? Eu não consigo ouvir você. O rádio está muito alto. Ele balançou a cabeça e se mexeu no banco. O joelho dele roçou a mão dela enquanto descansava na marcha. Nenhum dos dois fez esforço para se mover. Luke finalmente se inclinou e apertou o botão, desligando a música. — Então, como vão as coisas no escritório? Em apenas alguns dias, Harper causou um impacto significativo no trabalho burocrático, mas havia muito mais a ser feito. — Bom, até agora. — Alguma área que você acha que precisamos melhorar ainda? Harper olhou para ele, para ver se estava brincando. — Você quer minha opinião? — Você parece surpresa. Ela tentou se lembrar da última vez que um cara havia pedido sua opinião. Ted certamente nunca se interessou por ela, não no trabalho ou em casa. Quando tentara falar com ele sobre a mudança de seu software de contabilidade, ele disse a ela para não preocupar sua cabecinha bonita com isso. — Só estou lá há dois dias. — Você é uma garota esperta. — Luke cutucou a perna dela, e Harper rezou para ele não ver os arrepios que surgiam em todos os lugares com seu toque. — Não se contenha. Você não vai machucar meus sentimentos. Harper olhou para ele com desconfiança. — Ok. — Ela pigarreou. — Existem algumas áreas que merecem alguma atenção. — Continue. — Bem, seu software é bastante antigo. Acho que poderíamos encontrar algum tipo de pacote integrado que substituiria seus sistemas de cálculo de custos e faturamento de trabalho, além de seu banco de dados, por algo que faça tudo. Portanto, você só precisaria inserir as alterações uma vez, em vez de em dois ou três lugares diferentes. Não deve custar muito mais do que está gastando agora, e você poderia realmente desenvolver um GRC. — GRC? — Sistema de gestão de relacionamento com o cliente. Digamos que Frank está no local de trabalho e um cliente menciona que está pensando em fazer um upgrade para granito nos banheiros. Frank pode pegar seu iPad ou laptop e conectá-lo ao sistema para que avise ao escritório para definir o preço da atualização. No dia seguinte, o preço e as opções estarão no GRC e Frank poderá analisar isso com o cliente. Luke acenou com a cabeça. — Não é uma má ideia. — É melhor do que Frank se esquecer de tudo e o cliente mudar de ideia e ficar com a bancada normal. — O que mais um GRC pode fazer? Harper respirou fundo e passou pelo básico. Ela poderia dizer que ele estava confuso, quando sua carranca se aprofundou. — Pense nisso como um robô assistente — disse ela. Lukeacenou com a cabeça. — Eu gosto de robôs. — Então me fale sobre Frank. Qual é o problema dele? Ela ajustou o visor contra o sol. — Você quer dizer sobre ele estar tão irritado o tempo todo? — Luke sorriu por trás dos óculos de sol. — É apenas parte de seu charme. Ele está te dando problemas? — Na verdade, não. Eu meio que gosto dele. Eu só estava curiosa. Ele parece… — Insubordinado? — ele forneceu. — Bem, sim. Luke suspirou. — Frank e eu estamos juntos há muito tempo. Eu o conheço desde criança. É um bom trabalhador, um dos melhores. Ele sabe mais sobre os meandros deste negócio do que qualquer pessoa. Só que é um pé no saco. Harper bufou. — Como é trabalhar com seu pai? Luke encolheu os ombros. — É bom. — Harper olhou para ele incisivamente, esperando que ele continuasse. — Ele dirigiu uma empreiteira por anos, e eu sempre soube que queria construir. Então, cerca de dez anos atrás, decidimos tentar e abrimos a empresa. — Você é extremamente indiferente sobre isso. Luke sorriu. — Sobre o quê? — Eu dei só uma olhada em sua contabilidade e alguns cheques recebidos, e me parece que você é um construtor próspero, amigo — ela brincou. — Nós estamos bem. — Ele sorriu. Harper revirou os olhos. Desde quando ela achava esse sorriso malicioso sexy? Desde agora, aparentemente. — Do jeito que você está tão ocupado, como ainda não tinha um funcionário de administração no escritório em tempo integral? Luke encolheu os ombros. — Nós realmente começamos a crescer há cerca de três anos. E Beth, você a encontrará amanhã, costumava ser ajudante de escritório em tempo integral, até ter os gêmeos. Agora, ela está em tempo parcial e apenas faz a contabilidade. Harper diminuiu a velocidade e entrou em um estacionamento de cascalho. Luke observou o celeiro reformado que dava para campos gramados. O cheiro de bife pairava forte no ar. — Lugar legal. O que te fez escolher? Foi a vez de Harper sorrir. — Achei que chamaríamos menos atenção aqui do que em Benevolence. — Boa decisão. — Você é algum tipo de solteiro famoso ou herói de sua cidade natal? Todos parecem estar incrivelmente interessados em você. Seu olhar se nivelou com o dela, mas em vez da risada que ela esperava, viu uma frieza. — As pessoas têm falado? Harper inclinou a cabeça. — Falado sobre o quê? — Nada. — Seu comportamento mudou, e ele estendeu a mão para apertar sua perna. — Vamos lá, vou deixar você me pagar o jantar. A anfitriã, uma minúscula moça com óculos de armação escura e mechas roxas no cabelo, os conduziu a uma mesa aconchegante de canto, ao lado de uma janela com vista para o pasto e o lago. O sol estava começando a se pôr atrás das árvores. Luke olhou ao redor, para as paredes texturizadas de pedra e gesso e as vigas grossas do teto. — Lugar legal. — Achei que você gostaria — disse Harper, pegando a lista de cervejas. — Carne e um prédio bacana pareciam a maneira certa de dizer obrigada por tudo. — Você nunca vai parar de me agradecer? — Você nunca vai parar de fazer coisas que merecem gratidão? — Ela piscou os cílios. — Espertinha — Luke sorriu. Eles pediram cervejas e bifes, enquanto uma pequena banda se montava na sala ao lado. — Então me fale sobre você, Harper — disse Luke, esticando o braço no encosto da cabine. — Você está levando essa coisa de encontro muito a sério. O que você quer saber? A garçonete voltou com as cervejas, e Harper tomou um gole. — Bem, nós estamos em um namoro falso, então eu deveria saber algumas coisas sobre você. Tipo, quando é seu aniversário? Onde você estudou? Como foi crescer sem pais? Por que você é do jeito que é? Harper riu. — São muitas perguntas. Ela pegou a cerveja e a provou antes de colocá-la de volta na mesa. Luke girou o copo antes de pegá-lo, degustando. Harper se perguntou se ele bebeu propositalmente do mesmo lugar que ela. — Eu acho você interessante. — Parece que isso não é realmente um elogio. — Eu também acho você inteligente, bonita, engraçada e corajosa. Mas não consigo entender você. Como alguém, que passa por tudo o que você passou, anda por aí com um constante sorriso no rosto? — Você quer dizer por causa dos meus pais? — Seus pais, o fogo, seu ex idiota. Sua resiliência é impressionante. Como isso acontece? — Não é muito impressionante, quando não há outra opção. O que eu deveria fazer, ser toda “coitada de mim” pelo resto da vida? Eu ainda tenho acesso ao mesmo nascer do sol que todo mundo tem, as mesmas 24 horas por dia. E se não tirar vantagem dessas coisas, a culpa é minha, mesmo. — Então o mundo é muito grande e bonito para ficar triste? — Ele estava brincando com ela. — Eu ainda posso estar triste, mas não tenho que chafurdar ou ignorar completamente o bem que ainda está a minha espera. Isso é negligência e um desperdício. Luke ficou em silêncio por um momento, girando o copo na mesa. — Além disso, já que você perguntou, meu aniversário é em três de março. Fui para a Universidade de Maryland e me formei em Administração. Estou na metade do meu MBA online. E crescer sem meus pais foi difícil. A cada feriado, aniversário, formatura, estou sempre ciente de que sinto falta de alguma coisa. De alguém. Luke acenou com a cabeça. — Cor favorita? — Vermelho. Mas não um vermelho marrom ou rosado. Vermelho sangue. Posso te fazer perguntas? Luke balançou a cabeça. — Vamos nos concentrar em você. — Boa tentativa. Como foi crescer com os pais? E ter um irmão e uma irmã? — Caos. Você foi ao jantar de domingo. Harper jogou o guardanapo nele. — Estou falando sério! — Eu também. — Mas ele cedeu. — Eu não sei. Às vezes, desejava estar apenas sozinho, e outras vezes era grato por tê-los todos sobre mim. Somos próximos. Às vezes, próximos demais. Mas cresci com meu pai em todos os jogos de futebol. Assisti a todos os recitais de dança de Sophie. James e eu passamos todo verão descalços e brincando no riacho, do amanhecer ao anoitecer. Mamãe nos obrigava a sentar à mesa todas as noites. Às vezes, era 16h30, e às vezes, não comíamos antes das 21h, mas estávamos todos lá juntos. Harper sorriu. — Isso soa como eu sempre imaginei. — Você nunca viveu com outras crianças? — Claro, mas é diferente. Eu estava lá apenas temporariamente. Algumas das casas tinham muitos filhos, então não havia tempo suficiente para prestar atenção em todos nós. Outros tinham filhos biológicos ou adotivos que seguiam rotinas e atividades estabelecidas, e isso prevalecia. Na maioria das vezes, eu ficava perdida na confusão. — E você queria mais. Harper assentiu. Ela queria desesperadamente mais. Ainda queria. — Você não? — Às vezes. Ela riu. — Você gosta da sua vida tranquila e agradável. Luke esboçou um sorriso. — Não está muito quieto atualmente. — Você está nervoso com a convocação? Ele cortou um pãozinho e passou manteiga nele. — Não. — Você já esteve no Afeganistão antes? — Sim. — Temos um falante aqui. — O que você viu naquele cara, o Ted? Ele mudou de assunto sem nenhuma tentativa de sutileza, e Harper decidiu dar-lhe um tempo. Mas precisava de um grande gole de cerveja. — Ugh. Eu tenho me perguntado isso. Minha amiga Hannah me avisou. Eu era nova no trabalho. O achei fofo, exceto pelo cavanhaque. Parecia ser um bom chefe. E então ele começou a me trazer café pela manhã. Enviar e-mails engraçados... — Você é uma garota de corações e flores. — Se por “corações e flores” você quer dizer uma romântica, então sim. Eu ainda acredito que existe um cara lá fora que vai me surpreender e viver feliz para sempre comigo. Luke sorriu. — O cavaleiro de armadura brilhante que cavalga para salvar o dia. — Eu não sei sobre isso. Às vezes, você precisa salvar a si mesmo ou a outra pessoa. Mas não me importaria de cavalgar para o pôr do sol com alguém. — Vocês, mulheres, e seu desejo por grandes gestos românticos. Harper riu. — Por favor, a única vez que uma mulher precisa de um grande gesto romântico é quando ela não sabe que é amada. — Eu não acredito nisso. E as garotas que escolhem seu próprio anel de noivado de R$50.000 e exigem um casamento para 400 convidados? — Sãocoisas diferentes. Há uma diferença entre receber um grande gesto romântico e exigir algo caro para ser o centro das atenções. Por um lado, você tem alguém que quer ter certeza de que você sabe, sem sombra de dúvida, o que ele sente por você. Por outro lado, algum pobre idiota está apenas comprando uma periguete com presentes brilhantes e muita atenção. — Uma periguete? Agora isso explica tudo. — Luke riu, e Harper se animou ao ver sua covinha. A garçonete voltou com a comida, e o assunto foi abandonado enquanto comiam. Eles saborearam a refeição e conversaram um pouco sobre trabalho, comida e Benevolence. Ela se sentiu relaxada, notavelmente, considerando que a maior parte de seu tempo com Luke era gasto oscilando entre extremos de nervosismo e luxúria. Uma batalha constante que ela esperava que logo terminasse. Era constrangedor que cada vez que o via sem camisa, tinha de se conter para não lamber os lábios. A banda no outro espaço mudou para uma melodia mais lenta. Harper se engasgou quando os primeiros acordes de “Angel Eyes”, da Jeff Healey Band, ecoaram pela sala. — Eu amo essa música, Luke! Esta é minha canção de fantasia romântica favorita de todos os tempos. Dança comigo? — Fantasia romântica? — Existem todos os tipos de fantasias, Luke. Romântica, orgástica... — Ninguém está dançando. — Quem se importa? Não conhecemos ninguém aqui. Qual é a pior coisa que poderia acontecer? — É assim que você toma decisões? “Qual é a pior coisa que poderia acontecer?” — Ele imitou, atirando no ar um cabelo comprido imaginário. Harper ignorou sua pergunta e puxou-o para fora da cabine em direção ao chão na frente da banda. Ele estava certo. Ninguém mais estava dançando, mas alguém sempre tinha que ser o primeiro. O aperto de Luke a parou onde estava, e ele a puxou de volta aos seus braços. Seus seios se apertando contra seu peito quente e sólido, suas bocas a uma polegada de distância. As mãos de Luke espalharam-se em suas costas, segurando-a contra ele. — Você não está dançando — ele sussurrou. Ela quase podia saborear suas palavras. Harper mordeu o lábio para não morder o dele e passou os braços em seu pescoço. Ela não teve que puxá-lo para mais perto. Ele veio de boa vontade. Ele liderou, e ela o seguiu. Sua atenção estava em cada sensação que tocá- lo acendia. Uma mão deslizou mais alto, para descansar suavemente sobre suas costelas machucadas. A palma e o polegar dele abraçando intimamente a curva de seu seio. Ela sabia que ele podia sentir seu coração batendo forte, sabia que podia ouvir sua respiração rápida. Eles balançaram juntos, alheios a qualquer coisa, exceto à música e um ao outro. Luke a puxou para mais perto. Ela podia sentir o comprimento dele endurecendo contra ela. — Pare de olhar para mim assim — ele rosnou. — Assim como? — Sua voz estava sem fôlego. — Como se você quisesse que eu tirasse sua roupa e provasse cada centímetro do seu corpo. Ela sentiu a dor ardente em seu íntimo aumentar para um latejar constante. Ele era um louco leitor de mentes. — Eu não estava pensando nisso — ela mentiu. — Eu estava pensando em... sobremesa. — Mentirosa. Sua mão roçou seu seio no caminho para afastar suavemente o cabelo de seu rosto. Ele sorriu quando ela deu um suspiro ofegante. Sua ereção se contraiu contra ela, e ela sabia que não era a única pensando em... sobremesa. Ela não percebeu quando a música terminou, mas Luke, sim. Com as mãos nos ombros dela, ele a empurrou um passo para trás, quebrando o feitiço. As bochechas de Harper coraram. Ela tinha perdido completamente a noção de seus arredores. Nem percebeu que outros casais se juntaram a eles. Luke manteve a mão na dela e a levou de volta para a mesa. — Bem, isso foi uma fantasia — ela suspirou, voltando depressa para a cabine, seu rosto ainda vermelho. — Nós provavelmente deveríamos voltar. Começo o dia cedo, amanhã. Seu tom era calmo, mas sua voz estava áspera. Havia algo acontecendo sob a superfície, mas Harper não sabia o que era. A conta estava esperando por eles, e quando Harper estendeu a mão para pegá-la, Luke a arrancou de suas mãos. — Isso não vai acontecer, querida. — Eu te convidei para jantar. O prazer de pagar a conta é meu — disse Harper, estendendo o braço sobre a mesa. — Não. — Era uma recusa mais sólida do que as paredes de pedra que os rodeavam. — Luke... — ela tentou novamente. — Harper. Não. Agora termine sua cerveja. Ela franziu a testa para ele. Uma pequena reação física, e ele se transformou em uma estátua. *** Luke manteve a mão de Harper na sua e meio que a arrastou para o estacionamento, onde o som dos grilos se propagava no ar frio. Ele a puxou em direção à porta do passageiro do Beetle. — Eu vou dirigir. — Ele a parou antes que ela abrisse a porta, colocando a mão sobre a dela. — Olha, eu tenho que definir algo bem aqui. Harper recostou-se no carro, e Luke enfiou as mãos nos bolsos. — Isso não pode acontecer. — O que exatamente não pode acontecer? — Ela parecia divertida. Ele olhou para ela e constatou que ela o faria dizer isso. — Não podemos complicar as coisas com sexo. — O que há de tão complicado sobre sexo? — Harper — ele rosnou. — Desculpe. Por favor, continue. — Ela sorriu, e ele queria estrangulá-la. — Não quero que você tenha a ideia errada e pense que vamos começar um caso romântico... Seus olhos se arregalaram. — Quem disse alguma coisa sobre um caso ou relacionamento, que tenho certeza de que é a sua maior preocupação? Você está indo embora. Eu estou indo embora. Isso não significa que não goste de como me sinto quando você me toca. Porque eu realmente gosto, e isso me faz pensar em como seria. — Como seria o quê? Ele sabia que estava pisando em terreno muito instável. Ele já estava muito perto dela, parecia nunca conseguir colocar distância entre eles. Harper colocou os braços em volta do pescoço dele, puxando-o para mais perto, até que seus seios se esfregassem contra ele. — Eu me pergunto como seria se nós nos beijássemos. — Sua voz era um sussurro suave, lábios carnudos separados. Convidando-o para entrar. Ele parou de respirar. Poderia tê-la empurrado para trás, dito a ela para parar com isso. Ele devia ter feito isso, mas se manteve firme e a deixou ficar na ponta dos pés para trazer aqueles lábios macios aos dele. Porque não havia nada naquele momento que ele quisesse mais. Seus olhos se fecharam, e ela deu um pequeno suspiro sexy. Isso foi o suficiente para ele parar de lutar contra isso. Ele levou a mão ao cabelo dela e puxou-o para trás para obter melhor acesso à sua doce boca. Sua língua, corajosamente, acariciou seus lábios entreabertos, encontrando a dela ansiosa por ele. Prová-la não fez nada para suavizar o beijo. Sua boca esmagou a dela, e ele usou a língua para impulsionar uma e outra vez, imitando os movimentos com seus quadris. Os braços de Harper se apertaram ao redor de seu pescoço, e ele rosnou. Suas mãos percorreram suas laterais sob o suéter apertado, e as pontas dos dedos sentiram renda. Ele sentiu antes de ver. O ligeiro estremecimento quando sua mão cruzou sobre suas costelas doloridas. Ele se afastou imediatamente. Amaldiçoando a si mesmo e talvez a ela também, ele abriu a porta do passageiro e empurrou-a para o assento. Dez minutos na estrada, seu pau ainda estava dolorosamente duro. Ele quase a atacou no estacionamento. Se não tivesse visto aquele estremecimento de dor quando pressionou muito forte contra seu lado, teria encontrado uma maneira de transar com ela ali mesmo no estacionamento. Sua falta de controle era humilhante. Ele esqueceu que ela estava ferida. Esqueceu as regras que havia cuidadosamente traçado, o plano que vinha seguindo há anos. Tudo isso foi pela janela, porque ele não conseguia parar de tocá-la. Ele não deveria estar tendo essa reação física a ela. Mas aqui estava ele, andando com uma ereção nas calças cada vez que a via. Inclinada sobre o balcão da cozinha em seu shortinho? Duro. Andando por aí com sua camiseta branca com a qual ela ainda dormia? A camiseta branca que não fazia nada paraesconder seus seios perfeitos que imploravam por suas mãos? E cada par de calcinhas sexy que ela usava por baixo? Muito duro. Ele estava com medo de que ela alguma vez começasse a dormir com algo que não fosse transparente, ou pior, que ela o fizesse. Se ele estava a menos de um metro dela, estava duro pra caralho. Como iria sobreviver a uma ereção de um mês? Talvez devesse consultar um médico. Ele era uma bomba-relógio. Se transasse com ela, havia uma boa chance de matá-la. Ele queria acreditar que sua reação a ela era porque fazia muito tempo. Mas ele sabia que era mentira. Havia algo em Harper que o atraía e o mantinha fixado nela. — Você está bravo? — Harper, com os lábios ainda carnudos e corados por causa do seu ataque, perguntou do banco do passageiro. Ele não respondeu, mas segurou o câmbio com um pouco mais de força. — Eu sinto muito por ter te pressionado, Luke. Eu não queria te chatear. Eu só queria saber como seria beijar você. Eu prometo ser mais respeitosa com seus sentimentos. Ela estava prometendo ser mais respeitosa com os sentimentos dele? Foi ele quem a atacou como um adolescente raivoso. — Harper... — Eu realmente sinto muito. Aqueles grandes olhos cinzentos estavam olhando para ele com arrependimento. — Do que exatamente você está arrependida? — Por fazer você me beijar, quando você não queria. Achei que você se sentia atraído por mim, como sou por você. Não me ocorreu que você não era, e então eu praticamente comi seu rosto com minha língua. Normalmente não tento devorar homens assim. — Você acha que eu não estou atraído por você? — Não é por isso que você me deu toda aquela conversa de “sem sexo”? Luke conduziu o Beetle abruptamente e parou na beira da estrada. — Harper, não é possível que eu me sinta mais fisicamente atraído por você do que estou. É uma batalha constante de autocontrole para não arrancar suas roupas e enterrar meu pau em você, apenas para senti-la gozar em mim. O queixo de Harper caiu. — Vê? Esses são os tipos de pensamentos que passam pela minha cabeça quando estou perto de você. Você me deixa duro e estúpido, e eu não gosto disso. — Mas se você me quer, e eu quero você, então por que... — Querida, eu simplesmente não posso. Eu não estou... preparado. E quando eu estiver, você será a primeira a saber. Mas simplesmente não posso tirar meu foco do trabalho e da missão. Eu sei que se eu estivesse dentro de você, perderia a porra do controle por completo, e isso não pode acontecer. Eu simplesmente não tenho espaço na minha vida para você. Harper finalmente fechou a boca e olhou para as mãos cruzadas no colo. Luke se aproximou e pegou uma de suas mãos. — Você é uma garota linda, doce e sexy, e alguém terá muita sorte de ser fisgado por você. Simplesmente não pode ser eu. Então, eu apreciaria se você começasse a usar parcas e essas merdas perto de mim, para que eu não continue fantasiando sobre seu corpo sexy. — Então você me quer, e estou me oferecendo sem compromisso, mas você quer mais sua ordem e concentração? Ele apertou a mão dela. — Quando você coloca dessa forma, parece muito estúpido. — Você é um homem complicado, Luke. Capítulo 10 Faltam três semanas… Luke mantinha distância dela no trabalho, e isso estava bom para Harper. Ela se sentiu culpada por pressioná-lo e desapontada por Luke não estar disposto a explorar a atração que ambos sentiam. Ela ficou surpresa ao ver a picape dele na garagem, quando chegou em casa. Se sentia como se o estivesse expulsando sem querer de sua própria casa, então talvez isso fosse um bom sinal. Harper entrou e levou as sacolas de compras do corredor até a cozinha. Não havia sinal de Luke na casa, mas ela ouviu vozes vindo de algum lugar. Ela saiu pela porta dos fundos para a varanda e avistou Luke no final do quintal. Ele estava com dois meninos, e todos tinham luvas de beisebol. — Você tem que aumentar esse aperto quando joga, Robbie — Luke instruiu o garoto mais alto, com cabelo castanho claro e desgrenhado. — Aqui, deixa eu te mostrar. Ela o observou demonstrar o controle e entregar a bola. — Tente. — Luke correu de volta para seu lugar. — Vamos lá. O garoto se aprontou e lançou uma curva perfeita, que acertou a luva de Luke. — Sim, cara! Você viu aquilo? — O menino gritou e correu para Luke. — Agora, isso é uma curva — Luke riu. Eles bateram os punhos e Luke jogou a bola de volta para ele. — Tente de novo. Vamos ver se não foi um golpe de sorte. Robbie voltou ao seu lugar e ajustou o controle da bola. Ele disparou outro arremesso na luva de Luke. — Eu, agora! Eu, agora! — O menino menor jogou a luva para o alto. — Sr. Luke, eu quero jogar. Luke repetiu o processo com o irmão mais novo. Ele não entendeu muito bem, mas parecia orgulhoso de seu esforço. — Sr. Luke, há uma senhora na sua varanda — disse Robbie, apontando para Harper. Harper acenou e desceu as escadas para o pátio. Luke a encontrou com os meninos, Robbie ao seu lado e o mais jovem jogado por cima do ombro. Deus, ele estava um gato. Estava vestindo jeans surrados, uma camiseta branca justa e um boné de beisebol. Mas nada era mais sexy do que o sorriso em seu rosto. — Ei — ele disse, deixando o menino cair aos pés dela. — Ei — ela riu quando ele se levantou em um ataque de risos. — Harper, estes são meus amigos, Robbie e Henry. Eles são irmãos e moram duas casas abaixo, com a Sra. Agosta. A Sra. Agosta era dominicana e tinha quase setenta anos. Harper tinha certeza de que ela não era a mãe dos meninos. — Garotos, esta é minha amiga, Harper. — Oi — Robbie disse, estendendo a mão. Ele tinha olhos verdes sérios e um punhado de sardas no nariz. — Muito prazer em conhecê-lo, Robbie. — Harper segurou sua mão. — Oi, Henry. Henry, uma versão em miniatura de seu irmão, acenou alegremente, e seu sorriso mostrava que estava faltando um dente na frente. — Robbie e Henry vão ficar aqui, enquanto a Sra. Agosta leva a irmã deles ao médico. — A meleca dela é verde. É nojento — Henry anunciou, jogando sua luva no ar. — Uau, isso é nojento — Harper concordou. — Vocês querem ficar para o jantar? — O que você irá comer? — Robbie perguntou. Luke deu um tapinha na nuca dele. — O quê? — Robbie perguntou. — Eu não quero ficar se for, tipo, fígado e sobras. Luke o envolveu em uma chave de braço. — Você é um pequeno idiota — disse ele, despenteando o cabelo de Robbie. — Hambúrgueres, batata assada e salada. — Harper assinalou em seus dedos. — Isso é melhor do que fígado e sobras? — Bem, os hambúrgueres e a batata assada são — Robbie concordou. — Eu amo batata assada — Henry gritou. Ele se lançou nas pernas de Harper para um abraço rápido, antes de girar e apontar para o seu irmão. — Está com você — ele gritou. Os meninos partiram em um jogo de pega-pega intenso, deixando Harper e Luke sozinhos no pátio. — Me desculpe por isso. Eu deveria ter mandado uma mensagem para avisá-la sobre a testosterona extra. — É uma bela surpresa. Além disso, duas bocas extras vão mais longe no pacote de oito hambúrgueres que eu trouxe para casa. — Vou acender a grelha — ele sorriu. — Boa sorte para fazê-los comer salada. *** Harper convenceu-os a comer a salada, mas teve que prometer que cada um escolheria um ingrediente, antes de concordarem. Harper escolheu tomates. Robbie queria bacon. Henry decidiu por Cheetos. — Podemos realmente fazer isso? — Robbie sussurrou sobre o balcão, com preocupação. Harper encolheu os ombros. — Talvez eles tenham gosto de croutons? Ela encarregou Henry de colocar os bolinhos de batata na assadeira e Robbie de enxaguar a alface, enquanto ela fritava o bacon e cortava os tomates. — Você mora aqui com o Sr. Luke? — Henry perguntou, ajustando o último bolinho. — Eu moro. — Você é casada? — Não. Você é? Henry franziu a testa. — Não. Meninas são nojentas. — Robbie, você acha que as meninas são nojentas? — Harper perguntou, enquanto trazia a alface de volta para o balcão e a despejava em uma tigela grande. Ele encolheu os ombros. — Algumas são ok, eu acho. Harper pôs os bolinhos de batata no forno e ajustouo cronômetro. — Então, a Sra. Agosta é sua avó? — ela perguntou aos meninos. — Huh-uh. — Robbie balançou a cabeça. — Não somos nem parentes. — Nós somos adotivos — Henry saltou, cuidadosamente colocando Cheetos na alface. — Eu também — disse Harper, adicionando os tomates e o bacon à salada. — Você é uma criança adotiva? — O interesse de Robbie foi despertado. — Sim. — O Sr. Luke é seu pai adotivo? — Henry perguntou. Robbie revirou os olhos. — Não, idiota, eles são namorado-namorada. Harper não se incomodou em corrigi-lo. A verdade só iria confundi-los... e a ela. — Você conseguiu pais de verdade? — Henry se perguntou. Harper balançou a cabeça. — Não, eu não fui adotada, mas eu conheci muitas famílias legais. — Sra. Agosta é legal. Ela está nos ensinando espanhol. Você acha que seremos adotados? Harper fez uma pausa no meio da salada. Luke, segurando um prato de hambúrgueres, entrou pela porta dos fundos bem a tempo de ouvir a pergunta de Henry. Os meninos a observavam de perto, e ela sabia o que eles queriam. Ela queria isso também. Às vezes, ainda queria. Esperança. — Bem, você não é excessivamente fedorento — ela cutucou Henry na barriga até que ele deu uma risadinha. — E é meio fofo. Você parece agradável e não destruiu a casa do Sr. Luke ainda. Então, sim, você terá uma família. E enquanto isso, ficará com a simpática Sra. Agosta, aprendendo espanhol. — Eu posso contar! — Henry anunciou. — Uno, dos, tres... — Ele contou cada Cheeto ao colocá-los na salada. — Os hambúrgueres estão prontos — Luke disse, finalmente se aventurando além da porta. — Maravilha — disse Robbie, farejando o ar. — Eu amo hambúrgueres. Você tem ketchup e mostarda? Tem queijo? Harper demorou a contar quatro pratos enquanto os meninos conversavam com Luke. Ela esperava, para o bem deles, que houvesse uma família à procura de três filhos. *** Eles comeram no balcão de café da manhã, com os meninos sentados em banquinhos e Harper e Luke de pé. Harper e as crianças trocaram histórias engraçadas sobre um orfanato. A salada de Cheetos acabou por ser um sucesso. Até Robbie limpou sua tigela. Harper e Luke se deixaram convencer a ir tomar sorvete, antes de levar os meninos para casa. A irmã deles, Ava, uma versão minúscula de cabelos escuros de seus irmãos, estava dormindo profundamente no sofá quando eles chegaram à casa da Sra. Agosta. Diagnosticada com uma sinusite, ela ficaria boa em alguns dias. A Sra. Agosta agradeceu profusamente pela ajuda e os mandou para casa com muffins de mirtilo frescos. Eles caminharam para casa em silêncio, com o pôr do sol brilhando no céu do oeste. Foi bom receber os meninos, Harper pensou, enquanto subia os degraus da varanda. Sua conversa e energia encobriram a baixa vibração de conflito que constantemente pairava entre ela e Luke. Algo teria que mudar, e rápido. — Você é muito boa com eles — Luke disse, sentando-se no degrau mais alto. Harper fez uma pausa e encostou-se à grade. Ela sabia o que ele estava fazendo, mesmo que não soubesse. A atração entre eles só se fortalecia a portas fechadas. Aqui fora era mais seguro. — Você também. Bom treinamento com a bola curva. Luke sorriu. — Eles são crianças muito boas. — Ele tirou o boné e brincou com ele. — Você estava sendo sincera? Que você acha que eles vão encontrar uma família? Harper se sentou ao lado dele e suspirou. — São três crianças, e nenhuma delas é bebê. Vai ser difícil, mas sim. Acho que aparecerá uma família que se apaixonará muito por eles. Como não o fariam? — Por que você acha que nunca foi adotada? — Ele estava olhando para ela agora, e Harper manteve sua expressão neutra. — Eu tinha sete anos quando fui para um orfanato. A maioria das adoções é para bebês e crianças pequenas. As crianças mais velhas simplesmente não conseguem competir com isso. Acho que algumas pessoas se preocupam que os mais velhos estejam muito danificados. Luke colocou o braço em volta dela. — Você não está danificada. Harper sorriu. — Não, não estou agora. Mas eu estava naquela época. Você tem que ser alguém muito especial para querer fazer algo como adoção. Mas eu, como todas as crianças, somos resilientes. Algum dia, terei minha própria família e tudo valerá a pena. Luke apertou seu ombro. — Você já pensou em ter filhos? — Harper perguntou. Ele ficou em silêncio por um longo momento. — Eu costumava pensar. — Você sempre está sozinho? Luke suspirou. — Sim. — Eu também. Ele se inclinou e a beijou na bochecha. — Você vai ter tudo o que deseja algum dia. Ela baixou a cabeça em seu ombro. — Até então, isso não é tão ruim. Capítulo 11 Harper acordou cedo na manhã seguinte. Ela tinha dormido como uma pedra, mais uma vez terminando nos braços de Luke em algum momento durante a noite. E a ajudante de escritório, de meio período de Luke, voltaria ao trabalho hoje. Harper estava animada com a perspectiva de ter alguma companhia no escritório e um par extra de mãos para ajudar a realizar o trabalho. Pronta para um banho, Harper puxou a camiseta pela cabeça e a deixou cair no chão ao lado de seu short. Luke saiu para uma corrida, uma das suas longas. Ninguém iria testemunhar sua descida quase nua escada abaixo, para pegar o novo sabonete líquido que ela havia deixado na sacola na cozinha. Ela sussurrou junto com Bruno Mars, cantando através de seus fones de ouvido, e deu alguns passos escada abaixo. Ela pegou o sabonete líquido e, já que estava na cozinha, decidiu se servir de um copo de suco para desfrutar depois do banho. Ela encontrou o suco atrás de um saco de salada mista e os bifes que Luke iria grelhar para o jantar naquela noite. Em sua opinião, o conteúdo da geladeira havia melhorado muito desde que se mudara. Harper ficou na ponta dos pés para pegar um copo de plástico do armário. Droga. Não conseguia alcançar. Ela se colocou de joelhos no balcão e agarrou o copo. Assim que ela se moveu para descer, alguém a agarrou. Ela gritou alto o suficiente para que pudesse ouvir por cima da música trovejando em seus ouvidos e deu uma cotovelada. Ela se debateu e chutou ao ser arrancada da bancada. Seu calcanhar fez contato com uma perna e, juntos, eles caíram em uma pilha. Ela se arrastou para frente, lutando freneticamente. Uma mão agarrou seu quadril e puxou um punhado do cós de sua calcinha. Ela gritou antes de uma mão tapar sua boca. Seus fones de ouvido foram arrancados. — Jesus Cristo, Harper! Pare de chutar! — Luke? — Harper tentou olhar por cima do ombro, e encontrou seu rosto pairando sobre ela. — Oh, meu Deus! Você me assustou pra caralho! Achei que você fosse um estuprador maluco. — O que diabos você estava fazendo? Eu entro e você está sacudindo sua bunda no balcão. — Ele estava gritando. — Eu estava pegando um copo de suco — Harper gritou de volta. — Eu pensei que você estava correndo. — Eu estava — ele disse entredentes. — Eu tenho uma reunião cedo. — Oh. — Por que você não está de roupa? Harper percebeu que seus seios nus estavam esmagados no chão da cozinha e sua calcinha estava na metade das coxas. — Oh, meu Deus! — Harper tentou se desvencilhar. — Pelo amor de Deus, Harper, pare de se mexer. — Apenas me deixe... Oh. — Ele estava duro. Ela o sentiu através do short de ginástica incrivelmente fino, aninhado contra a junção de suas coxas. — Luke? — Só me dê um minuto — ele murmurou. — Você parece bravo — ela sussurrou. — Harper! — ele gritou o nome dela, e ela o sentiu se contorcer contra ela. Ele suspirou. Sua respiração era uma brisa quente em seu pescoço. — OK. Levante-se. Ele se levantou do chão e a puxou pelo cotovelo. Harper começou a puxar a calcinha de volta ao lugar com uma das mãos, enquanto tentava cobrir os seios com a outra. — Qual é o ponto, Harp? Já vi tudo. — Ele parecia irritado. — Bem. — Ela deixou cair o braço e colocou as mãos na cintura. — Você está bravo porque eu subi no balcão? Seu olhar se moveu até o rosto dela e desceu novamente. Harper apertou a mandíbula. — Olhos aqui em cima, amigo. — Sim, isso não vai acontecer. — Por que você está tão chateado? — Porra. Ele aagarrou novamente pelo cós de sua calcinha e a puxou contra ele. Eles ficaram assim, bocas separadas, por um segundo e depois outro. Harper se moveu primeiro. Ela levou as mãos aos ombros dele. Quando ele não se moveu, ela ficou na ponta dos pés e lentamente levou seus lábios até os dele. Sua boca, como o resto dele, estava tensa. Suas mãos se moveram, espalhando-se por suas costas e puxando-a com mais força enquanto sua boca se movia mais fundo. A cabeça de Harper se inclinou para trás, para acomodar o ataque. Sua língua forçou sua boca a se abrir mais, e ela se rendeu. Ele apreciou, e ela cravou os dedos em seus ombros. Ele a empurrou contra a geladeira, seus lábios nunca interrompendo o contato. Harper deixou as mãos dela deslizarem sob sua blusa. Ele a ajudou a puxá-la pela cabeça. Seus mamilos endureceram contra sua pele quente. Ela podia sentir seu coração batendo forte sob a tatuagem de fênix. O dela batia em um ritmo correspondente ao dele. Ela mordiscou seu lábio inferior, e ele inalou profundamente. Luke deslizou as mãos pelas laterais dela para cobrir a parte inferior de seus seios. Ela suspirou contra ele, e seus polegares roçaram seus bicos sensíveis. A delicada tortura a fez arder por ele. Ela deslizou a mão no cós do short de malha e envolveu os dedos em torno de seu comprimento. — Harper. — Foi meio gemido e meio aviso. Ela acariciou sua ereção até a base espessa e de volta à ponta. Ele baixou a testa na dela, tentando recuperar o fôlego. Suas mãos pararam em seus seios. Corajosamente, ela o acariciou novamente. Seus dedos se apertaram ao redor de seus mamilos, puxando e provocando. Harper sentiu a umidade pingar na ponta de seu pênis. Ela o esfregou contra o estômago, espalhando a umidade em sua pele. Luke abandonou um seio e trouxe as pontas dos dedos para o centro dela, forçando suas coxas a se separarem com um joelho. Ele correu dois dedos sobre o tecido úmido de sua calcinha, e Harper sentiu seu mundo ficar cinza. Ela ansiava por aqueles dedos profundamente dentro dela, levando-a ao êxtase. Ele roçou pelo tecido, para frente e para trás, no ritmo das carícias de Harper. Quando seu polegar roçou seu mamilo novamente, Harper pensou que iria desmoronar. Com um rosnado, Luke puxou o algodão para o lado e a segurou. Seus dedos quentes pressionaram contra seu centro úmido. Ele puxou a perna dela sobre o quadril, para lhe dar melhor acesso. Espalhada para ele, ela deu boas-vindas à pressão de sua mão áspera. Ele dobrou os joelhos, abaixando a boca para o seio. Com o novo ângulo, Harper esfregou a ponta de seu pau contra seu centro. Ele sugou com uma intensidade que fez os joelhos de Harper tremerem. Suas carícias se tornaram mais curtas e mais fortes, pressionando-o contra seu sexo. Tão perto. Apenas um centímetro abaixo e.... A campainha rompeu sua névoa. As mãos de Luke congelaram em sua carne e então desapareceram quando ele deu um passo para trás apressadamente. Ele praguejou, reajustando o cós da bermuda para esconder a ereção. — É o Frank. Ele vai comigo para a reunião. — Luke passou a mão no rosto. — Merda. Harper caiu contra o metal frio da geladeira, seu peito arfando enquanto ela tentava recuperar o fôlego. Ele a agarrou pelos ombros e encostou a testa na dela. — Eu preciso que você vá lá para cima. Agora. Harper assentiu, mas não se moveu. Ele suspirou e pegou sua blusa do chão. — Vamos, vamos cobrir você. — Colocando-a pela sua cabeça, ele a desceu sobre seu torso. As cavas profundas pouco faziam para cobrir seus seios, mas pelo menos seus mamilos estavam escondidos de vista. Luke puxou sua calcinha de volta no lugar, e Harper estremeceu quando seus dedos roçaram sua carne sensível. Ele a agarrou pela nuca e a puxou para si. Ele parecia querer dizer algo, mas em vez disso, deu-lhe um beijo forte na boca. — Agora suba, antes que eu abra para Frank entrar. Harper acenou com a cabeça e correu para as escadas na frente da casa, tomando cuidado para não olhar para as luzes laterais, para ver se Frank estava testemunhando sua caminhada da vergonha. Luke esperou até que ela entrasse no quarto, antes de abrir a porta. Ela ouviu Frank rir. — Estou interrompendo, chefe? *** O que diabos havia de errado com ele? Ele não tinha sido nada além de claro com ela – e consigo mesmo – e era assim que se comportava: arrancando-a do balcão da cozinha e praticamente jogando-a contra a geladeira. Ótimo, e agora ele estava duro novamente, como tinha estado a maior parte do dia. Ele estava evitando o escritório como uma praga, porque sabia que, assim que a visse, iria querer fazer tudo de novo e mais. Frank estava tagarelando ao lado dele sobre o trabalho, e ele não tinha ouvido uma palavra a respeito. Agora ele iria ficar de pau duro toda vez que fosse na cozinha pegar uma cerveja? Era para ser um arranjo simples e descomplicado. Ele deu a ela um emprego e um lugar para ficar, e ela desempenharia um papel. Mas obviamente esse papel estava se complicando para os dois. Ele teria que consertar as coisas. Definir limites. Como deveria dormir ao lado dela esta noite, sem rasgar a camiseta branca que ela vestia e enfiar o pau nela, agora que ele a provou? — Você está me ouvindo? — Frank estava olhando para ele com expectativa. Luke rangeu os dentes. — Basta lidar com isso, Frank. Eu tenho que ir. — As mulheres te deixam estúpido — Frank avisou enquanto ele subia em sua picape. — Não é verdade — Luke murmurou baixinho, enquanto dava ré na picape. Agora, aonde diabos ele deveria ir? De jeito nenhum iria para o escritório. Um olhar para ela, com aquelas curvas suaves e lábios doces, e ele iria dobrá-la sobre sua mesa e... — Puta que pariu. Ele socou o volante. Frank estava certo. Harper estava deixando-o estúpido. Ele nunca deveria tê-la deixado ficar. Deveria tê-la ajudado a encontrar um pequeno apartamento agradável do outro lado da cidade, onde ele nunca a veria dançando nua no balcão da cozinha. E se Frank não tivesse interrompido esta manhã? E se tivesse apenas rasgado sua calcinha e entrado em sua apertada, quente... Suas mãos apertaram o volante enquanto seu pau ficava ainda mais duro. Seu cérebro estava cheio de razões pelas quais era uma má ideia. Mas seu corpo não estava interessado em ouvir nenhuma delas. E se ele simplesmente parasse de pensar nisso? Deixasse acontecer? A atração era obviamente mútua. Ele se lembrou do calor naqueles profundos olhos cinza quando a tocou. A garota não poderia esconder nada se quisesse. Esses olhos sempre a denunciariam. Se ele cedesse, sabia que seria uma loucura do caralho. Apenas a maneira como ela respondeu ao toque dele, como se ela o desejasse mais do que o próprio oxigênio. Harper poderia lidar com isso, se fosse apenas sexo? Seria apenas sexo? Ele balançou a cabeça. Ela merecia algo melhor do que uma foda rápida e casual. E ele sabia, com uma certeza sombria, que quando estivesse dentro dela, seria qualquer coisa, menos apenas sexo. Seria uma experiência intensa do caralho, e ele não estava pronto para isso. Mesmo que fosse apenas temporário. Ele estava indo embora logo, e isso deveria ser motivo suficiente para manter o pau nas calças. Então, por que diabos parecia uma razão ainda melhor não fazê-lo? Ele nem era estúpido o suficiente para fingir que não a queria mais do que sua própria respiração. Se ela morasse naquela casa com ele, dormisse na cama ao lado dele, seria apenas uma questão de tempo antes que perdesse o controle. Mas, por enquanto, precisava de distância. E o banho mais longo e frio da história da humanidade. Capítulo 12 Harper tinha suas suspeitas de que Sophie era vidente. A mulher ligou para ela segundos depois de ela entrar no escritório, para convidá-la para almoçar. — Eu só queria me atualizar e ver como as coisas estão indo com você... e Luke. Ela era nova na dinâmica familiar, mas tinha quase certeza de que Luke ficaria chateado se contasse os detalhes de sua manhã para Sophie. Ela sentiu seus mamilos endurecerem novamente ao pensar na boca de Luke sobre ela, suasmãos percorrendo sua pele. Ela soltou um suspiro lento. Se não se distraísse das imagens desta manhã, que estavam permanentemente gravadas em seu cérebro, ela teria que pular o almoço e ir para casa e colocar uma nova calcinha. A porta do escritório se abriu. Harper mordeu o lábio e fez uma rápida oração para que não fosse Luke. Ela não estava pronta para ver aquele rosto perfeito ainda. — Você deve ser Harper — gritou uma voz alegre. Harper girou em sua cadeira. Uma ruiva curvilínea com um minúsculo piercing no nariz entrou, segurando um gigantesco ramo de flores. — Beth? — Esta sou eu! — Ela colocou o vaso na mesa de Harper e estendeu a mão. — Eu quero te abraçar, mas não queria que minha gratidão parecesse excessiva e assustasse você. Harper riu enquanto pegava a mão com unhas roxas de Beth. — Tão ruim assim, hein? Beth sacudiu sua massa de cachos ruivos e revirou os olhos. — Você não tem ideia. Falo para Luke há um ano sobre a contratação de um administrador em tempo integral. Ele só fica dizendo: “Vou fazer isso”. E nunca faz. — Deixe-me adivinhar, ele está... — Ocupado — Beth terminou por ela. — Sim, esse é o Luke. Estou tão feliz por você estar aqui, e já posso dizer que você é um ser humano normal e bom, então não vou nem me preocupar sobre como isso vai funcionar com você. — Você estava esperando alguém com duas cabeças? — Eu não tinha certeza do que esperar da mulher que finalmente conquistou Luke Garrison. — Beth largou sua bolsa gigante no chão ao lado de sua mesa e se jogou na cadeira. — Com esses solteirões, você nunca pode dizer se eles serão surpreendidos por lindas e normais, como você, ou se finalmente enlouquecerão de solidão e agarrarão a primeira louca que vier em seu caminho. — Eu poderia ser totalmente a louca e apenas estar escondendo isso para atrair você a um sentimento de complacência — advertiu Harper. — Isso é verdade — Beth disse, ligando o computador. — Talvez eu deva devolver estas flores, até que você realmente as tenha merecido. — Oh, antes que eu esqueça. Luke me disse que você é viciada em cafeína, então fiz café extra e tem creme de baunilha francês na geladeira. — Você ganhou as flores de volta — disse Beth, levantando-se e indo direto para a cafeteira. — Eu não me importo se você é louca ou não. Você é atenciosa e compreende meu amor profundo e duradouro pela cafeína. Este é o início de uma bela amizade. Harper riu e voltou para o computador. Beth seria uma boa distração dos pensamentos que ela não precisava estar pensando agora. Como a sensação do pau duro de Luke contra ela. Droga. *** Harper chegou ao café alguns minutos antes de Sophie, então se acomodou com o menu e um chá gelado. Sophie quase desabou na cadeira em frente a ela. — Ai meu Deus, obrigada por almoçar comigo hoje. Josh está me deixando louca — Ela disse, torcendo as mãos no ar. — Ele cortou o cabelo com uma maldita tesoura de poda. Eu nem percebi, até que o peguei tentando colocar as aparas de cabelo no prato do cachorro. — E aqui eu pensei que a maternidade era feita apenas de momentos etéreos de hora das historinhas e do cochilo. — E raspando espaguete seco das pernas da mesa de jantar e tapando as orelhas, porque seu filho está praticando para uma carreira na ópera — acrescentou Sophie. Harper sorriu em direção à sua bebida. — Dia difícil, hein? — Eu deveria ter pedido que você me encontrasse na loja de bebidas, para que pudéssemos beber no almoço. Mas chega de falar de mim. Como está o trabalho? Como é morar com Luke? — É bom. Ainda estou trabalhando no acúmulo de papelada e na atualização de tudo, mas gosto disso. — Uh-huh. E como vai a vida em casa? — É, uh, bom, também. É muito fácil conviver com Luke. — Ouvi dizer que vocês dois foram pegos praticamente nus na cozinha, esta manhã. Harper se engasgou com o chá. — Como você ouviu isso? — ela perguntou através do guardanapo de papel. Sophie sorriu. — O Frank irritadinho tem uma boca maior do que Georgia Rae. — Oh, meu Deus — Harper enterrou o rosto nas mãos. — Você gosta dele? — Frank? Não muito agora! — Não! Ninguém gosta do Frank. Você gosta do Luke? — Sophie, você é irmã dele. O que eu devo falar? Sophie se recostou na cadeira e deu um sorriso de gato-que-comeu-um- ninho-de-canário inteiro. O garçom interrompeu para pegar os pedidos, e Harper aproveitou o tempo para tentar forçar o rubor de suas bochechas a desaparecer. — Você gosta dele — disse Sophie simplesmente. — Claro que gosto dele, Soph. Como não gostar? Ele é inteligente, atencioso, além de lindo, é bom para a sua família. Mas gostar um do outro não faz parte do acordo. Só estarei aqui por um mês. Não quero complicar nada. — O que é complicado em gostar um do outro? — Sophie perguntou, aceitando o refrigerante diet do garçom e bebendo profundamente. — Oh, meu Deus, cafeína, eu te amo. — Eu só não quero me apegar — Harper suspirou. — Isso não é real. É por conveniência. Ele vai partir em breve, e eu irei seguir em frente. — Então não haja razão para não aproveitar o que você tem agora — Sophie insistiu. — Vocês dois são adultos com consentimento. — Eu acho que sou um pouco mais consentida do que Luke. Sophie riu. — Meu irmão pode ser muito teimoso, em querer manter um plano para tudo. Mas tenho fé em você. Você vai arrastá-lo para longe disso, e ele vai ficar feliz. No último domingo, foi o mais relaxado que o vi em muito tempo. Harper animou-se. — Sério? — Você é exatamente o que ele precisa. — E você é o diabólico ventríloquo que está fazendo tudo acontecer? Sophie acenou para afastar as palavras. — Tudo o que fiz foi colocar dois adultos saudáveis juntos em uma casa, em um arranjo mutuamente benéfico. Eu tinha uma forte convicção de que a natureza seguiria seu curso e, a julgar pelos olhos de Frank esta manhã, a natureza está vencendo. — Ei, eu sou totalmente a favor da natureza neste caso, mas não acho que Luke seja tão receptivo. Não acho que ele queira... gostar de mim. Eu simplesmente não consigo entendê-lo. O garçom voltou com as refeições, e Sophie deu uma mordida no sanduíche. Ela apontou para Harper. — Você sabe a razão pela qual Luke estava no Remo’s, na semana passada? Harper balançou a cabeça. Não havia nada em Luke Garrison que dissesse “sociável” na sexta à noite. — Porque duas sextas-feiras atrás, eu tive alguns problemas com um cliente que não queria ir embora. Felizmente, Ty foi me pegar depois do meu turno e cuidou disso. Mas Luke apareceu na sexta-feira passada e se plantou em uma banqueta a noite toda, só para ter certeza de que sua irmã estava bem. Esse é o tipo de cara que ele é — Sophie disse, batendo a mão no coração. — Eu amo tanto aquele menino que dói. Quero vê-lo feliz novamente. E eu acho que você é o bilhete premiado. — Por que ele está infeliz? — Harper perguntou, comendo sua salada. Ela tinha visto, naqueles olhos castanhos, flashes de tristeza, de dor. — Algumas coisas demoram mais para se superar do que outras, mas chega um momento em que você ultrapassa a linha e nunca mais se recupera. Acho que Luke está muito perto da linha. — Superar o quê? — Acho que seria melhor se ele mesmo contasse a você. — Ela mordeu uma batata frita. — Então, como você acabou pelada na cozinha? *** Harper tentou aproveitar o resto de seu almoço com Sophie, mas não conseguiu se livrar da curiosidade. Mesmo quando voltou ao escritório, sua cabeça estava cheia de perguntas. Qual era o segredo de Luke? O que ele perdeu? Era por isso que morava em uma casa vazia? E o que esta manhã significava? Ela nunca quis algo assim antes. Desejou. Pensar nas mãos de Luke sobre ela a deixou arrepiada, mesmo sob o sol brilhante da primavera que entrava pelas janelas em arco do escritório. Ela tentou se concentrar no que Beth estava dizendo sobre as contas a receber, quando o ruído das botas de trabalho no piso de madeira roubou a atenção de Harper. — É bom ver você com algumas roupas, para variar. — Frank bufou e passou por elas em direção ao escritório de Luke. — Engraçadinho, Frank. — Ela lançou um olhar feio paraas costas dele. Beth riu. — Ei. Harper girou em sua cadeira. Luke, com as mãos enfiadas nos bolsos, estava atrás dela. — Ei. — Ela sentiu suas bochechas corarem. A última vez que ela o tinha visto, sua mão estava envolvida em torno de seu latejante, duro... — Oi, chefe — Beth falou. — Beth. — Ele assentiu sem tirar os olhos de Harper. — Dê-nos um minuto, sim? — Agora mesmo. Tenho que ligar para minha sogra, de qualquer maneira, e me certificar de que os gêmeos ainda não destruíram a casa. — Ela saiu apressada do escritório e desceu as escadas. Luke entrou e se encostou na mesa de Harper. Ela sentiu seus mamilos enrijecerem e cruzou os braços apressadamente sobre o peito. Controle-se, Harper, ela se advertiu. — Como foi sua reunião esta manhã? — Não foi uma distração suficiente — disse ele, encostando-se na mesa dela. Harper corou. — Provavelmente teremos que conversar sobre isso. Falar sobre isso? Ela preferia fazer algo sobre isso. — Você só quer me dizer todos os motivos pelos quais isso é uma má ideia. — Não quero que você se machuque, Harper. Isso não vai a lugar nenhum. Estou indo embora. Isso tudo é temporário. — Você nunca tomou uma má decisão temporária antes? — ela perguntou levemente. Ele balançou sua cabeça. — Eu nunca fui tentado antes. — Que tal agora? — Agora? — Ele estendeu a mão e passou o polegar sobre seu lábio inferior. Ela abriu os lábios ao toque e o provou. — Estou muito tentado. Ele se inclinou para ela, apoiando as mãos nos braços da cadeira. Seu vestido de verão branco subiu mais alto em suas coxas. O olhar de Luke travou com o dela, e ele correu a palma da mão calejada por dentro de sua coxa. Harper respirou fundo, trêmula, as mãos em um aperto mortal nos braços da cadeira. — Você entende por que isso é uma má ideia, Harper? — ele disse calmamente. Seus dedos roçaram a borda de sua calcinha de algodão branco. Ela jurou que seu coração parou. — Uma olhada para você, e tudo em que consigo pensar é estar dentro de você. — As pontas dos dedos dele circularam vagarosamente suas dobras sensíveis através da fina camada de tecido. — De como cheguei perto de fazer você gozar hoje. De como seria te levar ao limite e sentir você gozar no meu pau. — Qualquer dia agora, chefe — Frank chamou do escritório de Luke. Luke fechou as pernas de Harper e deu um beijo forte em sua boca. — Conversamos depois. Ele se virou e foi para seu escritório, deixando uma Harper mole e trêmula atrás dele. *** Harper ainda estava sentindo os tremores do que Luke havia dito a ela. Ela passou boa parte do resto da tarde olhando fixamente para a tela. Quando Luke saiu para ir para outro local de trabalho, o olhar ardente que ele lançou a deixou sem fôlego. De repente, ela não tinha tanta certeza de que poderia sobreviver ao sexo com um homem como Luke. Se apenas o olhar dele tinha esse efeito sobre ela, e se o resto de seu corpo fosse tão hábil quanto seus dedos, ela poderia literalmente morrer em seus braços. Era um risco que ela estava disposta a correr. Beth assobiou quando Luke fechou a porta atrás dele. — Que química. Achei que ele fosse comer você viva com os olhos. Harper se abanou para disfarçar o rubor em suas bochechas. — Ele é sempre assim? Beth balançou a cabeça. — De jeito nenhum. Esta é a primeira vez que vejo o vulcão Luke prestes a entrar em erupção. Isso colocou algumas visões quentes na cabeça de Harper. Luke estava prestes a explodir. Oh, Deus. Ela ia ter danos cerebrais só de pensar. Ele mandou uma mensagem assim que ela estava arrumando suas coisas para ir para casa. Luke: Trabalharei até tarde. Não espere acordada. Harper sentiu uma mistura de decepção e alívio. Algum tempo para si mesma provavelmente não faria mal. Ela foi para casa e ficou olhando para a TV por vários minutos, antes de perceber que havia esquecido de ligá-la. Agitada, ela se levantou e vagou pela casa. Era uma experiência nova, ter tempo para passar como queria. O que ela queria? Uma imagem de Luke flexionando a mandíbula, enquanto enfiava os dedos nela, respondeu imediatamente a essa pergunta. — Eu preciso conseguir um maldito hobby — Harper murmurou, tentando ignorar a dor entre suas pernas. Um hobby que não envolvesse ficar apenas pensando em Luke. No final, ela fez uma lista de compras e um menu de jantar para o resto da semana e foi ao supermercado. Ela guardou todos os mantimentos, fez um sanduíche de pasta de amendoim com geleia e foi ler o livro que comprou. Era um mistério de assassinato. Uma escolha melhor do que o romance que escolhera inicialmente. Com qualquer estímulo adicional, ela provavelmente montaria em Luke durante o sono. Ela finalmente adormeceu segurando o livro contra o peito e sonhando com maníacos empunhando facas. *** Quando ela acordou de manhã, a cama parecia vazia. O lado de Luke não fora mexido. Ela desceu correndo as escadas, ainda com a camiseta de Luke, e parou abruptamente na porta da sala. Seu corpo, de um metro e noventa, estava espremido no sofá, um braço jogado sobre a cabeça e o outro pendurado sobre o braço de madeira. Ele ainda estava com suas roupas. — Luke? Ele acordou imediatamente e tentou se sentar. Ele gemeu e esticou a cãibra no pescoço. — Você dormiu aqui? Ele teve que virar todo o corpo para olhar para ela, porque sua cabeça não girava em seu pescoço. — Ai. Sim. — Super confortável, hein? — Dormi como uma pedra — ele mentiu. — Devo realmente assustar você — Harper retrucou por cima do ombro, enquanto ia para a cozinha. Ela ignorou seu resmungo da sala de estar e se serviu de um pouco de suco de laranja. Luke se levantou do sofá e cambaleou pelo corredor, esticando os músculos. Ela serviu uma xícara de café e o entregou a ele. — Não me venha com essa cara — ele disse, sua voz rouca de sono. — Oh, você merece essa cara. Você não pode nem dormir na cama comigo agora? Eu não vou te atacar. Ele suspirou pesadamente e Harper revirou os olhos. — Apenas beba seu café. — Tenho que ir à base neste fim de semana, para algumas reuniões e treinamentos. Você ficará bem aqui sozinha? — Você não vai voltar esta noite? Ele balançou a cabeça e deu um gole no café. — Não. Estarei em casa amanhã à noite. Tarde da noite. — OK. — Harper olhou para ele, esperando. — OK. — Ele olhou para ela, ainda sexy como o inferno com o rosto amassado do sono, e então assentiu. — Eu vou fazer uma mala. Harper o observou sair e suspirou. Capítulo 13 Ele estava sendo um grande covarde. Luke acelerou para a rodovia, sua boca franzida. Quando seu comandante ligou ontem à tarde, sobre o treinamento básico de atualização de combate, Luke sugeriu que sua equipe de pré-mobilização se reunisse no sábado, para se preparar para o treinamento de domingo. Ele não conseguiria enfrentar um fim de semana sozinho com Harper. Poderia morrer com o fornecimento de sangue sendo cortado de seu cérebro. Ele pensou em dar um beijo de adeus nela, mas recuperou o juízo e casualmente desejou a ela um bom fim de semana, em segurança, do outro lado da ilha da cozinha. Ele estava fazendo isso para o bem dela, disse a si mesmo. Ela não era o tipo de garota que teria apenas uma aventura e depois seguiria em frente. Harper merecia mais do que isso. Portanto, apenas manteria distância dela pelo resto do mês, e eles se separariam como amigos. Amigos que poderiam ter se beneficiado muito. Ele bateu com as mãos no volante da picape. — Controle-se, cara. Concentre-se no trabalho e tudo mais ficará bem. *** Harper decidiu, pelo menos, fingir ser produtiva e lavar a roupa primeiro. Então, juntou todas as roupas sujas, toalhas e lençóis que encontrou e desceu para o porão. Não foi tão assustador quanto esperava. Pequenas janelas no nível do teto circundavam o perímetro e permitiam que a luz da manhã se filtrasse. Como prometido, uma lavadora e uma secadora ficavam no canto, ao lado de uma pia de lavar roupa suja e uma bancada de serviço. Harper largou o cesto cheio de roupa suja no chão e começou a primeira leva. A modesta instalação não tinha a desordem usual de uma área delavanderia bem usada. Não havia meias sem par ou camisetas encolhidas e esquecidas. Apenas detergente, água sanitária e lençóis secos. Enquanto a lavadora ganhava vida, Harper inspecionava o resto do porão. Como o resto da casa, estava vazio, exceto por algumas caixas e sacolas de plástico. Havia uma pequena sala com uma porta, provavelmente algum tipo de armário de armazenamento, do outro lado da escada. Ela se perguntou se estava cheio de anuários do colégio de Luke e lembranças da infância. Harper tentou a maçaneta e descobriu que estava trancada. A maçaneta era nova e com chave. Talvez seja onde ele guardava armas de fogo. Ela não tinha notado nenhuma arma pela casa. Era mais do que provável que ele as guardasse em segurança, trancadas a chave. Harper passou o resto da manhã movimentando-se pela casa. Abriu as janelas para deixar entrar a brisa fresca da primavera, enquanto varria o piso de madeira e espanava a madeira. Ela dobrou e guardou duas levas de roupa suja e refez a cama. Estava varrendo as folhas acumuladas da frente da varanda de Luke, fantasiando sobre o sanduíche de rosbife frio que ela iria fazer para o almoço, quando alguém a chamou pelo nome. Uma pequena morena estava parada no meio do caminho entre a calçada e a varanda. Suas mãos estavam entrelaçadas com força na frente dela. Um lenço floral colorido estava amarrado no pescoço. — Lamento incomodá-la, mas Ty me disse onde poderia encontrar você. Harper encostou a vassoura na grade. — Gloria, certo? A mulher acenou com a cabeça. — Eu não tinha certeza de que você me reconheceria. Nós não fomos... — Apresentadas formalmente? — Harper completou. Gloria deu um pequeno sorriso. — Exatamente. Espero que não se importe que eu passe por aqui. — Claro que não! Você está me dando a desculpa perfeita para parar de limpar. — Harper saiu da varanda. — Você tem tempo para entrar? — Hum, claro. Tem certeza de que não se importa? — Eu adoraria alguma companhia. Especialmente se você me disser que ainda não almoçou, porque estou morrendo de fome. — Oh, hum. Eu não sei se eu deveria... — Por favor? Adoraria ter companhia — repetiu ela. Harper já tinha visto isso antes. Quando o direito de uma pessoa de tomar decisões é sistematicamente retirado dela por tanto tempo, era difícil começar a fazer escolhas quando a liberdade de fazê-lo era devolvida. Ela se virou e foi para a varanda. — Entre. Harper liderou o caminho de volta para a cozinha. Ela pegou dois pratos do armário e os colocou na ilha. — Você pode pegar o pão para mim? — Harper apontou para o pão no balcão e se ocupou, desempacotando os ingredientes do sanduíche da geladeira. Ela entregou a Glória uma tábua de cortar e tomate maduro. — Você se importaria de cortar isso? Enquanto Gloria cortava com cuidado, Harper começou a fazer os sanduíches. — Rosbife está bom para você? — Sim, mas você realmente não precisa ter todo esse trabalho. Harper cobriu fatias de pão com maionese. — Bem, você está ajudando. Então, o que a traz à residência sem mobília de Luke? A risada suave de Gloria flutuou pela cozinha — É um pouco espartano. — Não sei se ele é minimalista ou o quê. — Fobia de se comprometer com algo? — Mesmo quando se trata de móveis, ao que parece — Harper concordou. Ela entregou a Gloria um prato com um sanduíche e um pouco de picles. — Água ou refrigerante? — Água, por favor. Harper encheu dois copos de água gelada e juntou-se a Gloria na ilha. Elas comeram lado a lado, em um silêncio amigável, por alguns minutos. — Harper, só queria agradecer a você — disse Gloria de repente. — De nada, mas é apenas um sanduíche. — Não só pelo sanduíche, que está muito bom, aliás. Por me ajudar com Glenn no Remo’s. Estava acontecendo há tanto tempo, ou pelo menos, deixei passar tanto tempo, que senti como se todos tivessem parado de me ver. Demorei a ver a situação que ajudei a criar, mas ferir outra pessoa me fez perceber que tinha que parar. E eu sinto muito por isso. Harper traçou um dedo sobre os hematomas desbotados em seu rosto. — Valeu a pena, se a ajudar a construir a vida que você deseja. Como você está? — Estou bem — Gloria empurrou seu picles em torno do prato. — Eu vou ficar com minha mãe por enquanto. E prestei queixa. Ela pegou seu sanduíche e deu outra mordida. — Isso é muito corajoso da sua parte. — Teria sido mais corajosa, se tivesse feito isso anos atrás. — A vida passa muito rápido. Não há muito espaço para os poderia, deveria — Harper disse, dando tapinhas em sua mão. — Às vezes, só consigo pensar nisso. Como minha vida seria diferente se eu tivesse feito faculdade ou nunca tivesse começado a namorar com ele. Harper assentiu. — Talvez agora você tenha essa chance. Ver como seria sua vida sem ele. — É difícil. Eu realmente não tenho mais amigos. Acho que não é fácil ser amigo de alguém que está sempre tomando decisões erradas. Eventualmente, todos terão que decidir se vale ou não a pena continuar tentando. — Então, o que você vai fazer agora? — Vou arrumar um emprego, encontrar um lugar para morar e fazer valer a pena. — Soa como um bom plano para mim. Posso fazer algo para ajudar? — Quer ser minha amiga? Vou entender se a sua resposta for não, considerando que levou um soco na cara por mim. — Eu levei um soco no rosto, e isso me fez acordar olhando nos lindos olhos de Luke Garrison. Acho que devo a você uma vida inteira de amizade. Gloria riu. — Eu estudei com Sophie e Luke. Ele é um bom homem. — Sim, ele é — Harper assentiu. Depois do almoço, ela acompanhou Gloria até a porta. — Foi muito bom conhecê-la oficialmente — disse Gloria. — E mais uma vez, para registro, obrigada e sinto muito. — E, novamente, nenhum agradecimento ou desculpas são necessárias. Eu planejo totalmente que sejamos melhores amigas, e devemos jantar em breve — ela disse, abrindo a porta da frente. — Alguém disse jantar? — uma voz masculina perguntou da varanda. Um homem de peito largo, short e tênis de corrida deu um salto na frente. Seu cabelo escuro e espesso, enrolado nas pontas, e um sorriso de dentes brancos iluminando seu rosto. Harper notou um tom rosado nas bochechas de Gloria. — Oi, Aldo — ela disse timidamente. Ele tirou os óculos de sol. — Oi, Gloria. Como vai? Ela corou ainda mais. — Você deve ser Aldo, porque Gloria o chamou assim — disse Harper, estendendo a mão. — E você deve ser a famosa Harper. — Ele tinha um aperto forte e quente. — Pensei em passar por aqui enquanto meu melhor amigo está fora da cidade, para ver por que ele se esqueceu de dizer que tem uma namorada que mora com ele. — E ter certeza de que não sou algum tipo de psicopata? — Você conhece o ditado. Irmãos não permitem que outros caras saiam com psicopatas. — Na verdade, não estou familiarizada com isso. Há algum tipo de teste que preciso fazer? — Por que não faço o teste no jantar? Segunda-feira. Aqui. Vou grelhar hambúrgueres e cachorro-quente. — Gloria, sinto que devo confirmar se este cavalheiro é realmente um amigo de Luke, antes de concordar em deixá-lo cozinhar o jantar na casa dele. Gloria acenou com a cabeça. — Ele é. — Desde o ensino fundamental — Aldo acrescentou. — Bom o suficiente para mim. 19 horas aqui, tudo bem para você, Gloria? Ela viu a hesitação no rosto de Gloria. — Por favor, diga que você vai trazer sua torta de maçã. Serei seu escravo para o resto da vida — Aldo implorou, pegando sua mão esguia. Gloria mordeu o lábio. — Vou trazer torta de maçã. — Ela se voltou para Harper. — Vejo você na segunda, Harper. — Até mais, Gloria — disse Aldo, encostando-se no batente da porta. Ela passou apressada por ele, desceu a calçada, mas sorriu o caminho todo. — É bom ver o sorriso dela — disse ele. — Então, Harper, se esse é o seu nome verdadeiro, fale-me sobre você. — Quer entrar? — Normalmente, não até eu saber se você é confiável. Mas estou a seis quilômetros dos meus doze e preciso de um pouco de água. Aldo era, de fato, o melhor amigo de Luke na escola primária, Harper soube. Os dois passavam o verão juntos, jogavam futebol e, no último ano do ensinomédio, se inscreveram na Guarda juntos. — Então, você conhece Gloria? — Na verdade, acabei de conhecê-la oficialmente, quando ela passou por aqui. — Há rumores de que ela se mudou e está prestando queixa. — Ele brincou com a garrafa de água que Harper lhe deu. — Há rumores — Harper concordou, sorrindo inocentemente. — Há quanto tempo você conhece Gloria? — Desde sempre. Ela estava no segundo ano quando éramos veteranos. Glenn já não era boa coisa na época. — Sim, os anos não parecem tê-lo amadurecido. — Ouvi dizer que você ganhou um olho roxo. — Por favor. Você deveria ter visto o outro cara — Ela bufou. — Gostaria de ter estado lá. Harper ficou em silêncio e o deixou amuado. — Então, há quanto tempo você está a fim da Gloria? — Desde que a ouvi cantar no musical da escola. Harper sorriu enquanto olhava para a água. — Como o belo astro do futebol Aldo não conquistou a garota? Ele balançou a cabeça. — Eu nunca fiz a jogada. — Talvez agora você possa fazer. Aldo nivelou seu olhar no dela. — Gosto da maneira como você pensa, Harper. — Traga o seu melhor jogo para jantar na segunda-feira, Sport. — “Sport”? Você está falando sério? — Que comece o concurso de péssimos apelidos. *** Naquela noite, depois de um jantar de sopa enlatada e um sanduíche, seguido por fingir que assistia à TV, Harper se enrolou no travesseiro de Luke na cama. Ela escolheu uma camisa que Luke estava usando, que propositalmente não lavou com o resto da roupa, para que ainda pudesse sentir seu cheiro. Tinha ido para a cama há uma hora e ainda estava olhando para o teto. Pensando. Nele. Na maneira como podia olhar para ela com aqueles olhos que não deixavam nada escapar. Sua mandíbula, geralmente definida em uma linha firme, estava perpetuamente coberta por uma sombra de barba. E aquele corpo, músculos rígidos sob tatuagens, implorando a suas mãos para... Seu telefone sinalizou uma mensagem, da mesa de cabeceira, tirando-a de sua fantasia. Seu pulso disparou quando viu o nome de Luke na tela. Luke: Teve um bom dia? Ela iria com calma, decidiu. Harper: Muito bom. Você? Alguns segundos depois, ele respondeu. Luke: Nada mal. Me preparando para dormir agora. Harper: Espero que seja mais confortável do que seu sofá. Ela incluiu um rosto piscando. Isso ainda era ir devagar, certo? Luke: Engraçadinha. O que você ainda está fazendo acordada? Harper: Pensando em você. Um minuto se passou, e depois dois, antes de seu telefone tocar. Luke: O mesmo aqui. Para uma namorada falsa, não consigo tirar você da minha cabeça. Harper fez sua melhor versão de uma dança feliz horizontal, e então contou até trinta antes de responder. Harper: O que você acha que isso significa? Ela mordiscou a unha do polegar desde o momento em que clicou em enviar, até que ele respondeu. Luke: Significa que passei mais tempo lamentando minha decisão de ficar longe de você, do que me convencendo a segui-la. Harper: Então, não fique longe. Venha para o lado negro. Luke: Fofo. Eu só não quero que você se machuque. Harper: Nós dois sabemos que não há futuro. Qual é o problema de aproveitar o presente? A tela dela escureceu e depois desligou. Um minuto se passou no relógio de cabeceira antes que, finalmente, outra mensagem chegasse. Luke: Durma um pouco, querida. A vejo amanhã à noite. Capítulo 14 Foi uma noite de sono agitada, com sonhos com Luke. No dia seguinte, ela teve que arrastar seus pensamentos de volta ao presente, longe de todas as coisas sobre Luke, a cada trinta segundos ou mais, enquanto vagava pela casa. Ela ainda não tinha tido notícias dele, quando espanou cada canto e fenda do corrimão, limpou o interior das janelas do primeiro andar e terminou seu livro de mistério e assassinato. Estava debatendo se deveria mandar uma mensagem para ele, quando seu telefone tocou em sua mão. — Diga-me que você não está ocupada, ficando nua com meu irmão hoje — Sophie exigiu. — Seu irmão está atualmente fora da cidade, me evitando, provavelmente para se proteger do meu magnetismo incrível que derruba shorts esportivos com um único olhar. Então, não. Sophie bufou. — Perfeito! Então você pode vir comigo. — Aonde vamos? — Harper perguntou, abrindo a porta de trás e pisando na varanda. — É o Mergulho Anual Não Tão Polar de Benevolence no lago. — Essas coisas não costumam ser no inverno? — Eu vou te informar no caminho. Você vai participar, certo? Um pouco de água fria provavelmente faria bem ao seu sangue quente, decidiu Harper. — Certo. — Ótimo! Use o seu pior maiô. Harper tinha apenas um, e ela não o usava há alguns anos. Esperava que ainda servisse. — Vou levar seu traje e buscá-la em meia hora. — Traje? — Mas Sophie já tinha desligado. Harper jogou o telefone no balcão e correu escada acima para encontrar seu biquíni. *** — Ok, então, quarenta e cinco anos atrás, alguns alunos do ensino médio decidiram que seria divertido organizar um mergulho de água fria no Natal, para beneficiar uma causa local. — Sophie começou sua explicação enquanto saía da garagem. — Acho que foi uma família cuja casa pegou fogo. De qualquer forma, eles estavam prontos para fazer isso quando o lago congelou. Então, decidiram adiar até que a água descongelasse. “Agora, todo ano, os moradores da cidade se reúnem em abril, se vestem como se fosse Natal e pulam no lago. A causa deste ano é uma organização sem fins lucrativos de leucemia e linfoma.” — Isso é incrível — Harper riu. — Então, qual é a nossa fantasia? Sophie estendeu o braço para o banco de trás e jogou um suéter em seu colo. Harper o ergueu e riu. Garrison, Natal de 1987. Tinha renas deformadas voando sobre colinas cobertas de neve. — São da fase de tricô da mamãe. Ainda fazemos camisetas todos os anos, mas agora as encomendamos online. — Já estou me sentindo natalina. Então, quão fria está a água? Sophie sorriu. — Bem, não é dezembro, mas com certeza não está quente! Eles não chamam o lago de Inferno Ártico à toa. As pessoas não entram de bom grado na água até agosto. Eu trouxe um monte de toalhas velhas, no entanto, eles distribuem doses depois e fazem uma fogueira. É muito divertido. Quando pararam no estacionamento, Harper ficou boquiaberta com o número de carros que já estava lá. — Parece que toda a cidade está aqui. Sophie assentiu. — Mais ou menos. James e Ty já deveriam estar aqui. Ty está de plantão como salva-vidas policial. James fará o mergulho conosco. — E quanto ao Luke? Sophie balançou a cabeça. — Ele nunca fez isso. Mesmo no colégio. Esse menino nasceu adulto. Não sei se ele já teve um dia de diversão frívola em toda a sua vida. Harper gritou quando um rosto se colou à janela. — E então há meu irmão idiota, James aqui, que é o oposto — disse Sophie, apontando para sua janela. James abriu a porta de Harper. — Vamos senhoras! O lago não espera por ninguém. — Ele estava vestindo calção de banho e uma camiseta Garrison Christmas 1993 com um Papai Noel lunático nela. Obviamente, ele era muito menor em 1993, porque agora era mais um top. Ele tinha chifres de rena de plástico acesos empoleirados em sua cabeça. — Você está adorável, James — brincou Harper, saindo do carro. James baixou os óculos escuros e piscou. — Claro que estou. — Ele jogou um chapéu de Papai Noel na cabeça dela e jogou um para Sophie. — Vista-se, mana. Harper e Sophie tiraram os shorts e as camisetas e os jogaram no banco de trás, antes de vestir os suéteres. Harper ignorou o assobio baixo de James, quando teve um vislumbre de seu biquíni branco. Mas Sophie deu um soco na nuca dele. — Sem xavecar. Eu não quero ver Luke te derrubando no chão. — Luke não está aqui para me bater — James sorriu. Harper absorveu a loucura agitada. Realmente parecia que toda a cidade de Benevolence tinha comparecido ao evento. Havia papais Noéis gordos e elfos de orelhas pontudas misturando-se com pessoas vestidas com meias e árvores de Natal. Havia até um grupo de homens de meia-idade, usando sungas vermelhas e verdes. Ela também teve um vislumbre de Georgia Rae em um moletom “Eu sou a Sra. Noel”. James abriu caminho atravésda multidão, em direção ao lago. — Com licença, senhora. Parece que você precisa de boca a boca. — Ty, em uma camiseta regata de salva-vidas, shorts vermelhos e nariz pintado de amarelo com protetor solar, se aproximou para dar um beijo fumegante em Sophie. — Senhora, parece que você precisa de um pouco de oxigênio. Posso ajudar? — Um cara louro e musculoso, vestido como Ty e carregando uma boia de resgate, caminhou até Harper. Ty parou de beijar Sophie por tempo suficiente para socá-lo no braço. — Boa tentativa, Linc. Esta é Harper, a namorada de Luke. Harper, este é Lincoln Reed. Ele é o chefe dos bombeiros e o inimigo de colégio de Luke. — Namorada, hein? Prazer em conhecê-la, Harper. — Linc estendeu sua mão grande e Harper a pegou. Ele a puxou um passo mais perto. — Com Luke ou não, me avise se precisar de ajuda. Harper puxou a mão dela e riu. — Prazer em conhecê-lo também, Linc. Mas estou respirando bem. Vocês estão impressionantes — disse ela, apontando para suas fantasias. — Levamos esse evento muito a sério, por isso vou ter que insistir que você tome uma dose, antes de entrar na água — disse Linc, adotando uma expressão séria. — É puramente uma medida de precaução — concordou Ty solenemente. — É melhor fazermos o que os salva-vidas dizem. — Sophie piscou para Harper. — Mostre o caminho, rapazes. Ty pegou Sophie e a jogou por cima do ombro e começou a abrir caminho no meio da multidão, em direção a um bar improvisado de compensado com um banner do Remo’s pendurado acima. — Precisamos de doses pra já, bartender! — Ty disse, deixando Sophie de pé na frente do bar. Linc ofereceu o braço a Harper. — Melhor corrermos, Raio de sol. Harper revirou os olhos e segurou seu braço. — Lidere o caminho. O barman era Sheila, do Remo’s. — Bem-vindas ao Lago Remo, senhoras. — Ela colocou uma garrafa de uísque e uma garrafa de tequila no balcão. — O que vai ser? — Oh, tequila, minha amiga malvada — Sophie suspirou. Harper decidiu pelo uísque e Sheila serviu as doses em copos plásticos. — Ok, as regras são que cada participante receba duas doses de aquecimento. Não mais. Não haverá repetições do Puke Fest 2010. Você pode as duas agora ou uma agora e uma mais tarde. — Eu guardaria uma para mais tarde, Raio de Sol. — Linc encostou-se no bar ao lado de Harper. — Você precisará de outra para reiniciar seu coração do Inferno Ártico. Ou eu poderia fazer isso por você. — Ele flexionou seus peitorais sob a blusa. Harper bufou. — Isso funciona com as senhoras de Benevolence? — Como um encanto. Estou pensando em ampliar minha área de cobertura. De onde você é? — Você é ridículo — ela riu. — Eu acho que você gosta de ridículo. — Ele empurrou seus óculos de sol fluorescentes de plástico pelo nariz. Na verdade, ela gostava de ser séria e taciturna. Mas um pouco de inofensivo flerte com um toque ridículo não doía. — Cavalheiros, vocês não irão tomar uma dose com a gente? — Desculpe, Raio de Sol, estamos de plantão. Tenho que garantir que ninguém se afogue ou tenha câimbra e precise ser levado e massageado perto do fogo. Como estão suas panturrilhas? Alguma câimbra? Aqui estava um homem lindo de sangue vermelho, parado na frente dela, flertando descaradamente, e seu pulso ainda não tinha acelerado. Mas faça Luke passar por sua mesa e entrar em seu escritório sem lhe dar uma olhada, e ela se sentiria como se tivesse um martelo no peito. Não era justo. Ela balançou a cabeça. — Desculpe, sem câimbra aqui. — Droga. Eu sou totalmente ótimo em massagem. — Linc se encostou no bar e flexionou um bíceps. Harper olhou para o músculo protuberante. Sim, nem uma vibração. — Um brinde, Harp — anunciou Sophie, agarrando seu braço. — Para o seu primeiro Mergulho Não Tão Polar de Benevolence. — Tintin! Elas bateram os copos de plástico e beberam suas doses. Harper se engasgou com o calor que se espalhou por seu peito. James reapareceu e colocou a mão no ombro dela. — Vamos lá, quero estar na frente da multidão para que possamos ser os primeiros a entrar, e os primeiros a sair. Sophie deu um beijo estalado na bochecha de Ty. — Mantenha todos seguros, Delegado Sexy. — É isso aí, querida — disse ele, dando um tapa na bunda dela. — Boa sorte, Raio de Sol — Linc disse com um sorriso. — Estarei por perto, se precisar de ajuda. James as agarrou pela mão e liderou o caminho através da multidão até o lago arenoso. Uma fogueira crepitante já estava queimando forte com voluntários dos bombeiros desempacotando grandes quantidades de s’mores. Um Papai Noel, com snorkel e nadadeiras, ocupou seu lugar ao lado de Harper. Ele piscou para ela através de sua máscara. — Prepare-se para um pouco de diversão glacial — disse ele ao redor do bocal do snorkel. — O quão frio está? — Harper perguntou a Sophie, estendendo o pé em direção à água. — Confie em mim, você não quer fazer isso. O segredo é entrar, dar meia- volta e sair correndo o mais rápido que puder. Não pare por nada, ou você pode realmente precisar do sexy salva vidas para trazê-la de volta à vida. — Tão frio, hein? A resposta de Sophie foi interrompida por um assobio estridente. — Senhoras e senhores! Bem-vindos ao Quadragésimo Quinto Mergulho Anual Não Tão Polar de Benevolence — Ty anunciou por meio de um megafone de sua posição, em um posto de salva-vidas de madeira em frente ao bar. — Linc e eu estamos aqui para garantir que nenhum de vocês se afogue e/ou congele até a morte. A multidão aplaudiu. Linc ergueu sua boia vermelha do posto de salva-vidas perto do fogo. — Lembrem-se das regras — gritou ele. — Entrem, saiam e não afundem. Tentem não atropelar seus vizinhos — gritou ele. — Em suas marcas, preparem-se, vão! Linc e Ty sopraram seus apitos e a multidão avançou. Harper gritou quando adagas de água gelada picaram suas pernas, mas ela continuou se movendo. Ela correu até a água chegar no nível da barriga e gritou. Sophie estava ao lado dela, agitando os braços. — Oh, meu Deus! Oh, meu Deus! Ok, fora, fora, fora! Elas se viraram e se esquivaram do caminho de pessoas que entravam, em direção à praia arenosa. Elas estavam quase chegando, quando o Papai Noel com snorkel à sua esquerda tropeçou em uma nadadeira. Ela estendeu a mão para segurá-lo, mas os dois afundaram. O frio roubou o fôlego de seu corpo. Seus músculos congelaram instantaneamente, impedindo-a de alcançar a superfície. Ela se sentiu como um cubo de gelo flutuando em um mar de água gelada. Mãos fortes agarraram-na por baixo dos braços e puxaram-na para cima. Harper voltou à superfície e passou a mão congelada no rosto. O Papai Noel Snorkel estava de pé e puxando o seu traseiro para fora da água. Linc apareceu ao lado dela, sorrindo de orelha a orelha. — Vamos embora, Raio de Sol, antes que seus pés congelem no leito do lago. — Ele a pegou e a tirou da água. Harper estava com muito frio para se envergonhar e colocou os braços em volta do pescoço dele, aninhando-se no calor de sua parte superior do corpo até que ele a depositou ao lado do fogo. Os arrepios de Harper começaram imediatamente. Uma Sophie de lábios azuis apareceu com uma fofa e gigante toalha. — Oh, meu Deus, você afundou — disse ela, examinando o cabelo molhado de Harper. — Papai Noel com snorkel me derrubou — disse Harper, com os dentes batendo. — Ela vai ficar bem, só precisa se aquecer — Linc anunciou. — Tudo bem, tire seu suéter. Harper apertou os braços contra o peito, espremendo a água gelada do tecido. — O quê? Não! — Eu não estou tentando deixar você nua. Ainda — Linc riu. — Você não vai se aquecer com isso. Então, tire. — Ele apontou para o varal atrás deles, que já estava cedendo com o peso das roupas molhadas de todos os outros. Ainda não convencida, Harper balançou a cabeça, até que Linc assumiu e com suas próprias mãos agarrou a bainha de seu suéter, puxando-o sobre sua cabeça. — Droga, Raio de Sol. Alguém deu um pontapé em você. — Ele a virou de lado e passou a mão pelos hematomas que se desbotavam em suas costelas e nas costas. — Tire as mãos. — A ordem estalou como um chicote, e Harper enraizouno lugar. Ela não precisava se virar para saber quem disse isso. Linc tomou seu doce tempo removendo as mãos de sua pele. Harper deu um passo culpado para trás. — Garrison — Linc assentiu. — Não achei que você estivesse aqui. — Obviamente. — Luke puxou Harper para o seu lado. Seu calor a fez abraçar mais forte. Ela estremeceu contra ele, e ele aumentou o seu aperto. — Agora vá embora, chefe. Linc sorriu. — Eu iria, mas estou aqui para fazer cumprir as regras e, infelizmente, você está quebrando uma agora. Estou certo, delegado? Ty, com o braço em volta de Sophie, se colocou entre eles. — Infelizmente, Luke, ele está certo. Você conhece a regra. — Ele ergueu o megafone. — Sem espectadores, apenas mergulhadores — ele anunciou na cara de Luke. Luke olhou feio para o cunhado, mas era tarde demais. James e Sophie sorriram quando a multidão começou a cantar. — No lago! No lago! Luke parecia que estava pronto para socar Linc e Ty no rosto. Em vez disso, ele praguejou e soltou Harper. — Acho que é melhor do que um banho frio — ele murmurou alto o suficiente para Harper entender as palavras. Ela apertou os lábios congelados para não rir. *** Luke tirou as botas de trabalho, e a multidão aplaudiu. Ele tirou a camiseta e a desceu pela cabeça de Harper, para cobri-la. Seus seios pareciam que estavam prontos para sair dos pequenos triângulos brancos de tecido. E se ele estava tendo esses pensamentos, então aquele idiota do Linc também estava. Ele desabotoou a calça jeans, e as mulheres na multidão enlouqueceram. Harper ficou boquiaberta, enquanto Sophie e James riam como duas hienas. Ele se despiu e ficou apenas com a cueca boxer, grato por estar usado uma. Desde que Harper se mudou, ele passou mais tempo tentando domar seu pau duro do que desde o início da puberdade. Ele puxou Harper para si pela frente da camiseta e deu um beijo forte em sua boca. — Ele não tocará em você de novo — ele ordenou antes de seguir para a água. Eles o seguiram, aplaudindo e cantando enquanto ele marchava para a beira da água. Ele fez uma pausa longa o suficiente para levantar o dedo médio sobre o ombro, antes de mergulhar direto. A multidão aplaudiu, e Harper juntou-se a eles. Luke saiu da água, gotas de gelo escorrendo por seu corpo. Ele veio direto para ela e, sem diminuir o ritmo, levantou-a, prendendo as pernas dela em sua cintura. — As regras foram mantidas! — Ty anunciou no megafone. — Agora alguém me faça um s’more. Harper colocou os braços em volta do pescoço de Luke e deixou que ele a carregasse para o bar lotado. Ele apertou sua bunda sob a camiseta, e seu pênis ganhou vida contra ela. — Como você pode ficar duro, depois de estar na água assim? — ela sussurrou em seu ouvido. — Querida, vai ser preciso mais do que um lago congelante para não me deixar duro. Ele a soltou e a deixou deslizar por seu corpo, antes de virá-la para ficar de frente para o bar. Era verdade. Ele havia tentado a segurança da distância, mas isso só o fez desejá-la mais. Sabia que estava ferrado. Pronto ou não, ele não conseguia parar o que estava acontecendo entre eles. Ele sinalizou para Sheila servir duas doses e pressionou-se contra Harper. Ela sentiu sua ereção contra ela e pressionou de volta. Ele se inclinou sobre ela, até que seus lábios encontraram seu ouvido. — Você vai ter que me pegar uma toalha, ou então a cidade inteira verá o quanto você me deixa duro. — Ele deslizou a mão sobre seu seio, pegando seu mamilo duro. Harper estremeceu. — Você parou de me evitar? — ela sussurrou. Sheila deixou duas doses na frente deles e piscou para Harper antes de passar a distribuir mais para a multidão. — Querida, se eu achasse que havia a menor possibilidade de escaparmos impunes, colocaria meu pau em você aqui e agora. — Ele empurrou seus quadris contra ela para enfatizar. — Eu quase me convenci a manter minhas mãos longe de você. E então, eu a vejo naquele biquíni, com as mãos daquele idiota em você. — A mão dele deslizou para o outro seio. — Não significou nada, Luke — sussurrou Harper. — Quando eu tocar em você, vai significar alguma coisa. — Ele apertou seu seio até que sentiu seu mamilo endurecer contra sua palma. — Agora tome sua dose para que eu possa te levar para casa e desamarrar cada fio desse biquíni. Capítulo 15 Quando eles chegaram em casa, uma tempestade de primavera estava se formando. Nuvens escuras rugiam no céu e uma forte chuva caiu, encharcando-os novamente da picape para a casa. Luke empurrou a porta e puxou Harper para dentro. Ela ainda usava a camiseta dele enquanto ele usava apenas jeans. O resto de suas roupas molhadas estava enrolado no saco plástico que ele carregava. Ela não conseguia parar de olhar para ele no caminho para casa. Os músculos de seu peito, as tatuagens. Ela estava a minutos de ter rédea solta para tocar cada centímetro dele. Cada centímetro duro, sólido e esculpido dele seria dela para tocar e saborear. Sua mão permaneceu em seu quadril, seu toque queimando-a através do algodão fino. — Vou pegar algumas toalhas para nós, ok? Harper assentiu. Talvez alguns segundos de intervalo a ajudassem a se recompor. Ela nunca tinha ficado tão nervosa ou tão animada por estar com alguém. Provavelmente era um erro. Ela cometera muitos, mas nunca quis tanto cometer um antes. Se ela não se acalmasse, teria um ataque cardíaco antes que ele a tocasse. Água. Era disso que ela precisava. Um bom copo de água fria. Ela correu para a cozinha escura e encheu um copo com água da torneira. Talvez Luke quisesse uma cerveja. Ela abriu a geladeira e perdeu a linha de pensamento quando ele entrou na cozinha. A única iluminação do ambiente vinha da geladeira aberta. Luke a fechou com um chute e foi em sua direção. Encurralada contra o L dos armários, Harper não tinha para onde ir. Ele a prendeu, apoiando as mãos na bancada de cada lado dela. A chuva batia na janela acima da pia. Era o único som na casa. Ele se aproximou. Um centímetro de seu rosto. Ela podia sentir a respiração dele em seu cabelo, seu coração batendo de forma desigual. Isso iria acontecer. Não havia nada que ela quisesse mais. E isso a assustava. O e se voou para fora de sua cabeça quando Luke levou as mãos ao rosto dela. Ele gentilmente empurrou o cabelo dela para trás, sobre os ombros. Ele pousou a ponta dos dedos na nuca dela. Seus polegares traçaram suavemente a linha de sua mandíbula, erguendo seu rosto em direção ao dele. — Eu não tenho camisinha — ele sussurrou. — Estou tomando pílula — disse Harper, mudando de posição sob seu toque. Ela estava se afogando em seus olhos castanhos. Via necessidade, desejo e algo mais profundo, como dor, neles. E isso a atingiu direto no coração. Harper separou os lábios. Era um convite a satisfazer e ser saciada. Suavemente, com reverência, Luke baixou a boca para a dela. O trovão retumbou lá fora, na escuridão, e Harper o sentiu viajar através dela. Seus lábios eram quentes e macios enquanto se moviam contra os dela. Ela suspirou e abriu a boca para ele. Ele moveu as mãos para segurar o rosto dela, mudando o ângulo do beijo. A língua dele encontrou a dela, e toda a gentileza se foi. Ele tomou posse de sua boca de novo e de novo, até Harper perder o fôlego. Suas mãos mergulharam em seu cabelo, tentando puxá-lo para mais perto. Luke começou fazendo carícias com as mãos até suas coxas e subiu de volta sob a camiseta até os quadris. Ele a ergueu sem esforço, e ela se viu empoleirada na beira da bancada, a camisa amontoada em volta dos quadris. Luke abriu as pernas dela e se colocou entre elas, nunca quebrando o contato com sua boca. Ela envolveu as pernas sobre os quadris dele e o puxou para mais perto. — O que mudou? — ela sussurrou contra sua boca. — Nada. — Sua voz estava rouca no silêncio da cozinha. — Eu só quero você mais do que quero ficar longe de você. Harper sentiu o comprimento duro de seu pau através da calça jeans. Sua língua percorreu sua boca novamente, enquanto suas mãos subiam pelas laterais do seu corpo e sob a camisa. Ela se sentiu estremecer quandoa exploração dele parou sob seus seios. Ela gemeu de novo e moveu os quadris para esfregar seu pau duro contra o tecido úmido da parte de baixo do biquíni. Suas palmas ásperas deslizaram para cobrir ambos os seios, e Harper respirou fundo. Ela queria mais. Tudo o que ele poderia dar a ela. — Luke, por favor. Seus polegares roçaram seus mamilos já doloridos, e a cabeça de Harper caiu para trás contra o armário, quebrando o contato com sua boca. Ele puxou a camisa até seus ombros, depois sobre a cabeça. Seus olhares se detiveram enquanto ele puxava as tiras de seu pescoço. As tiras caíram livres, mas as taças triangulares mantiveram sua posição por um momento. O arfar de seus seios foi o suficiente para desalojar o tecido, e enquanto o tecido se separava de sua pele, Harper ouviu algo próximo a um rosnado subir da garganta de Luke. Ele estava tentando ser gentil, mas podia sentir a besta pronta para se libertar. Ela o queria livre. Queria-o selvagem. Ela se apoiou em um braço e segurou o seio com a outra mão. — Tome. Ainda controlado, ele abaixou a cabeça lentamente, os olhos fixos em seu rosto. Ela sabia que ele a estava questionando, sabia o quão importante o controle era para ele. — Tome tudo. — Ela o apertou com mais força com as coxas e se inclinou para trás, para lhe dar acesso. Aqueles lábios macios e habilidosos se fecharam sobre seu mamilo, e Harper sentiu sua respiração sumir. Pequenos músculos delicados pulsavam, exigindo serem acariciados. Ele gemeu enquanto a chupava. Puxões fortes que davam tanto prazer quanto um toque de dor. Sua mão se moveu para segurar seu outro seio. Ela podia sentir sua ereção contra ela. Ele a queria. Ele precisava dela. Harper estendeu a mão entre eles, para o cós da calça jeans. Usando os calcanhares, ela empurrou suas calças e cueca por suas coxas, libertando seu pau duro. Ela o agarrou com firmeza, e ele gemeu contra seu seio. Olhos fechados, ele chupou seu mamilo com mais força, sua língua açoitando-o em um ritmo feroz. Harper sentiu seu outro seio ansiar por sua boca. Ela o acariciou com força, da base à ponta e de volta. Ele mordeu o mamilo abusado. Um gemido escapou dela, e Luke soltou seu seio. Seu mamilo estava rosado, vermelho e enrugado. A ponta se esticava em sua direção como uma flor seguindo o sol. Ele moveu a boca para o outro pico e recomeçou o ataque. Sua língua começou a lamber, endurecendo seu mamilo instantaneamente. Luke fechou a boca sobre ela e puxou profundamente. Chupando. Ela nunca tinha sido tocada assim antes. Nunca me sentira tão necessitada. Harper sentiu a dor profunda entre suas coxas aumentar. Ela o acariciou novamente, com mais força desta vez. Movendo a cabeça de seu pau para que ficasse aninhado entre suas coxas. Era demais, mas ela não conseguia parar. O calor contundente entre suas pernas e os puxões de sua boca estavam construindo um orgasmo que ela temia. Isso iria despedaçá-la em seus braços. — Luke! Eu não consigo parar. Foi um sussurro e um apelo. Seu braço apertou ao redor de sua cintura e ele puxou seu mamilo com os dentes. No segundo que ele começou a chupar novamente, ela esteve vagamente ciente de um raio de luz através da janela, e se quebrou em milhões de pedaços. Ela acariciou com força o seu pau, pressionando-o contra seu centro enquanto gozava e gozava e gozava. Ele gemeu contra seu seio, ainda chupando, até que a pulsação entre suas pernas diminuiu. Harper sentiu uma lágrima escapar. Devastada. Desesperada. Havia muito poder nesta tempestade. Ela não seria capaz de sobreviver a isso. Luke se separou de seu seio e voltou para a sua boca. Suas mãos agarraram seus quadris, e ele a ergueu do balcão. Harper colocou os braços ao redor de seu pescoço e segurou-o como se sua vida dependesse disso, enquanto sua língua entrava em sua boca em estocadas rápidas. Suas mãos apertaram sua bunda, puxando-a contra seu pau, criando uma fricção úmida que os fez suspirar um contra o outro. Ele era enorme e estava latejante, e tudo o que Harper queria era ser preenchida por ele. Seu coração estava batendo forte em seu peito, e ela lutou para respirar enquanto mergulhava em seu beijo. Sentiu-se sendo abaixada, e sabia que não iriam para a cama. Os azulejos frios serviriam. Ela abriu bem as coxas para ele. Luke se afastou de sua boca e se ajoelhou entre suas pernas. Ele desamarrou um lado da parte inferior do biquíni, deixando seu pau grosso balançar contra os lábios de seu sexo. Ela elevou mais os joelhos. Desnudando-se para ele. Aqueles olhos castanhos estavam olhando para ela, e ela o viu tentando recuperar o controle. Quando ele não fez nenhum movimento, ela colocou a mão sobre seu coração. — Por favor, Luke. Seu peito arfou uma vez sob o toque dela e sua mandíbula se apertou. Ele agarrou seus joelhos, puxando-a para ele. A penetrou com uma força quase violenta. Harper gritou de dor, de prazer. Ela estava cheia. Finalmente cheia. Luke grunhiu e fechou os olhos com força. Puxou e entrou de volta nela. Ela sentiu seu saco pesado bater contra ela. Uma e outra vez, ele entrou nela. Os rejuntes do azulejo raspavam suas costas. Ela sentiu um latejar ao ser alargada cada vez que ele se embainhava nela. Mas não ligou. Queria mais. Cada impulso, cada centímetro. Ele a penetrou novamente, com violência mal controlada. — Estou machucando você? — Ele murmurou as palavras com os dentes cerrados. Preocupação guerreando com o desejo. Ela sabia do que ele precisava. — Sim. Eu quero mais. Seus olhos escureceram. — Eu não vou conseguir parar, se eu me soltar. — Solte. Ela deu-lhe um pequeno aperto ganancioso ao dizer isso. Seus olhos ficaram instantaneamente vidrados, e ela soube que ganhara. Ele entrou nela novamente e novamente, a velocidade acelerando para um ritmo frenético. Harper sentiu seus seios tremerem a cada impulso. Ele era impulsionado pela necessidade, e ela estava com ele no percurso. O ritmo era tão furioso que ela só poderia aguentar o que ele lhe dava. Só podia se agarrar e aproveitar. Outro orgasmo estava se construindo dentro dela. — Luke! — gritou seu nome. Ele mergulhou sobre ela, pressionando-a contra o chão com seu peso, e continuou a entrar nela, grunhindo com cada impulso feroz. Isso a atingiu como um raio. Seu corpo inteiro se eletrizou quando o orgasmo explodiu ao redor de seu grosso pau. Ele entrou nela, compassando cada onda com um ritmo violento. Harper enterrou o rosto em seu ombro nu. Não conseguia nem gritar enquanto as sensações brutais a destruíam. Ele grunhiu novamente, um som primitivo. Ela sentiu a primeira onda quente de seu sêmen entrar profundamente dentro dela. As últimas ondas de seu orgasmo apertaram seu pau no próximo impulso. Ele ficou totalmente afundado nela, empurrando ao máximo, enquanto gozava uma e outra vez. E era o nome dela em seus lábios. Capítulo 16 Eles finalmente conseguiram subir as escadas. Luke a carregou por cima do ombro escada acima, mas o sono não estava em sua mente. Quando ele a jogou nos lençóis amarrotados, já estava duro novamente. Sob qual feitiço ela o prendeu? Estava quebrando as leis da biologia que ele a quisesse tão ferozmente e tão cedo. Ela ainda estava cheia da prova do orgasmo que o havia esvaziado de corpo e alma, e tudo o que queria fazer era preenchê-la novamente. E de novo. Ele sabia que a tinha machucado. Tinha sido muito rude com ela. Onde estava seu controle? Enojou-o por ter se deixado levar daquele jeito. Harper não tinha ideia de que era isso que se escondia sob a superfície. Ele não tinha o direito de tomá-la assim. — Eu posso sentir você me encarando — ela murmurou, olhos fechados, esparramada sobre os lençóis. Ele beliscou seu quadril. — Eu não estou encarando. Só estou pensando. Harper abriu um daqueles olhos cinzas, tempestuosos. — Você é muito mais divertido quando não está pensando. — Harper... Ela tapou lhe a boca com a mão. — Cale-se. Não estrague este momento para mim, com seu discurso idiota de “Não podemos fazer isso”. Ele puxou a mão dela para baixo. — Para sua informação, não é idiota.Tenho trabalhado isso em um PowerPoint. Harper deu uma risadinha e rolou até que estava em cima dele. Seus seios pressionados contra seu peito, suas coxas acariciando seu pau. Ele instantaneamente ficou mais duro. Ela inclinou a cabeça para o lado e passou os dedos preguiçosamente pelos ombros e peito dele. — Antes de você me dar qualquer discurso, vou viver a fantasia que tenho tido desde que acordei e vi seu rosto. As mãos de Luke deslizaram e seguraram sua bunda. Ele disse a si mesmo que deveria parar de tocá-la agora, mas seu corpo não estava disposto a acolher a ideia. — Que fantasia é essa? — Eu quero provar cada centímetro do seu corpo perfeito. Ele ficou duro como pedra, e suas mãos se flexionaram em sua carne. Ela silenciou qualquer discussão que ele pudesse iniciar com um beijo. A língua dela deslizou em sua boca, uma provocação gentil. Ele a deixou assumir o controle. Ela se libertou de sua boca e trilhou um caminho delicado de beijos em sua mandíbula e garganta. Ela mordiscou a pele de seu ombro e foi ainda mais para baixo. Os lábios dela pararam sobre o coração dele. Harper deslizou mais para baixo, sua língua saboreando seu estômago, apreciando a sensação de seus músculos tensos tremendo sob seu ataque. Ela descansou o rosto em sua coxa e passou a mão por sua outra perna, parando logo abaixo de seu saco pesado. Ele podia sentir a respiração dela sobre ele, e seu pau se contraiu com a necessidade. Ele não queria que o gemido escapasse de sua garganta, mas escapou. E assim que Harper ouviu, ela deu a ele um sorriso malicioso e o tomou em sua boca. Era o paraíso e uma tortura ao mesmo tempo. A forma como a boca quente dela envolvia a cabeça de seu pau foi o suficiente para enviá-lo ao limite. Ele lutou para se controlar quando ela o levou ao fundo da garganta, acariciando-o com sua doce boca. Ele sentiu que estava lutando uma batalha perdida. — Calma, querida — ele sussurrou. Ela não ouviu; o agarrou com firmeza e massageou seu comprimento com a boca e a mão, bombeando-o cada vez mais forte. Ele estava perigosamente perto, e quando ela usou a outra mão para segurar suas bolas, ele quase gozou em sua boca bem ali. — Já chega. — Puxando-a pelos cabelos, ele rolou o corpo para que fosse Harper quem estivesse presa. — É a minha vez. Ele demorou-se em seus seios, sugando e saboreando, até que Harper estava se esfregando contra ele. Ele queria entrar nela, enchê-la e sentir aquele calor escorregadio envolvendo seu pênis. Mas, primeiro, ele queria prová-la. Ele deslizou por seu corpo e separou seus joelhos. — Querida. — Foi tudo o que ele conseguiu dizer enquanto ela estava deitada embaixo dele, aberta. Pronta para dar a ele tudo o que quisesse. Mas era ele quem daria. Ela gemeu no segundo que sua língua sondou suas dobras suaves. Ele a lambeu e sentiu seu corpo ficar tenso como um arco. Ele acariciou sua protuberância sensível com a língua e deslizou dois dedos dentro dela. Ela já estava, ou ainda, molhada, e isso o deixou louco. A maneira como ela respondia a ele era incrível. Como se tivesse esperado sua vida inteira para ter suas mãos sobre ela. Seus dedos empurraram em seu canal apertado, mais rápido. Ele não conseguia o suficiente. Enterrou a língua em sua carne doce e quente e flexionou os dedos profundamente dentro dela. — Luke! — Foi um suspiro. Ele podia sentir seus pequenos músculos gananciosos se contraírem em torno de seus dedos. — Isso mesmo, querida — ele sussurrou contra suas dobras escorregadias. — Goze nos meus dedos. Sua língua acariciou a parte mais sensível dela, e os quadris de Harper balançaram contra sua boca. Ele sentiu os primeiros tremores de sua liberação apertarem seus dedos. — Linda. Ela ainda estava gozando, quando ele substituiu seus dedos por seu pênis. Ele se afundou nela em uma tentativa desesperada de sentir tudo de novo. Ela estava tão apertada que precisou se conter para não gozar. Teve que desacelerar. Ficar sob controle. Harper ergueu os joelhos mais alto, mudando o ângulo para que pudesse tomar cada centímetro dolorido dele. Ele a encheu com um impulso calculado, e ela deu um pequeno gemido sexy. — Querida, se você continuar fazendo barulhos assim, isso vai acabar muito cedo — ele a advertiu, entredentes. Ela não ouviu seu aviso ou não prestou atenção nele, porque um doce gemido escapou de seus lábios, e isso o fez perder o controle. Ele se libertou nela. Atingindo o fundo. — Harper. — O nome dela foi quase um grito quando sentiu o clímax agitando suas bolas. Seus olhos se abriram, e eles se olharam. Seus olhos, vidrados de luxúria, se arregalaram assim que ele a sentiu apertar ao redor dele. — Luke — ela choramingou seu nome. Ele aproveitou ao máximo e gozou violentamente dentro dela. *** — Você está com sono? — ela sussurrou enquanto traçava as linhas em seu braço e peito. — Hum — Luke respondeu sem abrir os olhos. — Você se sente como eu? — Como você se sente, meu bem? — Ele rolou, puxando-a de volta contra ele e acariciando seu cabelo. — Eu não sei. — Ela suspirou, feliz, e se aconchegou mais. — Como se fosse manhã de Natal e tudo o que eu sempre quis estivesse debaixo da árvore. — Eh, foi ok. Talvez mais como uma cesta de Páscoa ou um belo piquenique no Dia do Trabalho. Seu suspiro indignado foi seguido por uma cotovelada no estômago. Ele passou os braços ao redor dela com mais força, sua risada suave contra o ouvido. Aquecia seu coração ouvi-lo rir. Ela não ouvia o som com frequência. — Não houve nada de ok nisso! Nem finja que não sentiu a terra tremer, idiota. Ele riu novamente, um estrondo silencioso em seu peito. — Eu quero ouvir você dizer isso, Luke. Ele a colocou de costas, presa embaixo dele em menos de um segundo. Ele emoldurou o rosto dela com as mãos. — Querida, você e eu sabemos que foi algo especial. Mas não estou surpreso. Soube, desde o segundo que te vi, no momento em que você abriu esses lindos olhos cinzentos e olhou para mim, que eu precisava estar dentro de você. Ele puxou a mão dela até sua boca e deu um beijo em sua palma. — Eu não sei o que está acontecendo aqui, mas você está na minha cabeça e no meu sangue. Não tinha como não acontecer. — Então por que você lutou contra isso? Ele suspirou. — Você não faz parte do plano. Você, seu corpo perfeito e esse sorriso doce. Aqueles pequenos gemidos sensuais que você faz e me deixam tão duro. Você é uma linda e caótica distração. Eu não gosto de me distrair. Harper não tinha certeza se deveria se sentir lisonjeada ou ofendida, mas o calor que inundou seu peito a fez se decidir. — Você foi muito bom também — disse ela com um sorriso satisfeito. Ele a beliscou, e ela gritou. — Então, só para ficar claro, como vamos passar o resto do nosso mês? — ela perguntou. Ele se abaixou até ela, os lábios pairando sobre os dela. — Passar o máximo de tempo possível exatamente assim. *** Como o que parecia ser seu novo hábito, Harper acordou envolta nos braços de Luke. Mas, desta vez, ela não fez nenhum movimento para se libertar. Em vez disso, se aconchegou mais profundamente, enterrando seu sorriso sonolento na curva de seu braço. Ela podia dizer, pela luz que filtrava através das janelas, que ainda era muito cedo para pensar em se levantar. Seria necessário algo como um alerta vermelho para tirá-la dos braços de Luke. Ele se mexeu, acariciando seu cabelo. — O sol está nascendo. — Hum, bom dia. Luke afastou o cabelo dela para trás e deu um beijo suave em seu pescoço. — Esta deve ser a melhor maneira já inventada de acordar — Harper suspirou. Sua risada foi suave. — Odeio sair desta cama, mas tenho uma reunião mais cedo e quero correr primeiro. —Você é um adulto — Harper suspirou. — Eu provavelmente deveria me levantar e pagar impostos ou limpar as calhas ou algo assim. — Você fica aqui. Eu preciso que você descanse, para quando eu voltar para casa esta tarde. — Eu gosto de como isso soa. Luke deu um beijo em seu ombro e deslizou para fora da cama. — Durma um pouco mais, Raio de Sol. Ela rolou e enterrou o rosto em seu travesseiro.Harper não soube quanto tempo dormiu, antes de ser acordada por algo que caiu em sua bunda com um baque sólido. — Hummm. — Ela se virou e olhou para Luke com os olhos apertados. Ele deixou cair um jornal na frente dela. — Por que você está jogando notícias para mim? — Porque você está nelas. — Ele ficou parado, com as mãos na cintura, ao lado da cama. Harper se sentou e abriu o jornal. Era a cobertura de primeira página do Mergulho Não Tão Polar. Ela começava com uma imagem muito grande dela sendo carregada para fora da água nos braços de Linc. — Oh, droga. — Sim. Isso não acontecerá novamente. — Quase me afogar? Ou eu sendo carregada por um bombeiro forte? Luke não riu. Ele cruzou os braços sobre o peito coberto por uma camiseta suada. — Você realmente não gosta dele, não é? — Ele é um idiota. E não gosto das mãos de nenhum homem em você. — Você está ficando territorial? Não vai fazer xixi em mim, vai? Porque eu não iria gostar disso. — Quando você está dormindo comigo, está dormindo apenas comigo. Ela estendeu o braço e agarrou um punhado de sua camisa, puxando-o para ela. — Acontece que tenho a mesma regra. Então, digo o mesmo, Capitão. Ele puxou o lençol para baixo e espalmou seu seio. — Só para estarmos na mesma página. — Sua boca se fechou sobre a dela, forçando sua cabeça para trás. Quando ela gemeu, ele praguejou e se afastou. — Droga, Harper. Você está tornando muito difícil eu ir para o trabalho. Ela estendeu a mão para segurá-lo através do short. — Sim, sim, eu estou. Capítulo 17 Ela se esqueceu dos convidados do jantar, até que Gloria mandou uma mensagem na segunda de manhã, perguntando se poderia levar mais alguma coisa, além da torta de maçã. Harper entrou furtivamente no escritório de Luke para dar a notícia. — Ei. Quer almoçar? — ele perguntou, olhando por cima do monitor. — Uh, sim, claro. Mas esqueci de dizer que vamos receber Gloria e Aldo para jantar, esta noite. Ele a olhou por um momento. — Quando isso aconteceu? — ele perguntou. — Sábado. Os dois passaram por lá, e esqueci de mencionar porque você estava todo nu e me distraía, acabei de lembrar. De qualquer forma, vai ser divertido, e Aldo disse que traria hambúrgueres e cachorros-quentes, e Gloria vai trazer torta de maçã, então tudo que temos que fazer são alguns acompanhamentos. Luke suspirou e esfregou as mãos no rosto. — Olha, eu não te conheço bem o suficiente para saber se está bravo ou não. Então, se está bravo e não me diz, a culpa é sua, e provavelmente vou continuar fazendo isso várias vezes, e irritando você todos os dias, sem saber — Harper disse, torcendo as mãos. — Eu não estou bravo. Estou… incomodado. — A maneira como você falou, me faz pensar que não há diferença. — Onde eles vão se sentar? Não tem móveis! — Os dois já estiveram na sua casa antes, então não acho que estão esperando que alguma mobília apareça magicamente. Ele praguejou baixinho e se levantou da cadeira. — Pegue sua bolsa e entre na picape. — Para onde vamos? — Comprar a porra dos móveis. *** Seu humor não havia melhorado muito quando chegaram à loja. Ele havia planejado persuadir Harper a sair mais cedo do trabalho, para passar a noite inteira na cama. Em vez disso, ele foi emboscado em um jantar estúpido. Estava tentando ficar com raiva dela, mas sabia que era sua própria culpa. Foi ele quem concordou em deixá-la morar lá. E era ele que tinha amigos intrometidos e que nunca se preocupou em comprar um maldito sofá ou a porra de uma mesa. Odiava fazer compras, mas era hora de pagar o preço. — Oi, Luke! — Uma ruiva alegre, vestida com um terno azul royal, cruzou o piso de ladrilhos brilhantes da loja de móveis. — Você deve ser Harper — disse ela, acenando alegremente. Luke revirou os olhos e enfiou os óculos de sol na gola da camiseta. Só uma vez, seria bom ser anônimo nessa cidade. — Harper, esta é Becky. Estudamos juntos no ensino médio. Becky, esta é minha namorada, Harper. Ele sabia que as últimas palavras saíram meio estranguladas, mas era o menor dos problemas. A mãe dele tentou armar um encontro para ele e Becky dois anos atrás, e ela aceitou de bom humor a sua rejeição, mas ele se sentiu um pouco culpado. Felizmente, ela se casou com Bob, da Bob’s Fine Furnishings. — O que posso mostrar a vocês dois hoje? Harper olhou para Luke e sorriu. Ele suspirou. — Precisamos de móveis para sala de estar e uma mesa de jantar. Para hoje. — Ótimo! Vamos começar. — Becky se virou e começou a abrir caminho pelas mesinhas e poltronas reclináveis de couro. Ele agarrou a mão de Harper e arrastou-a atrás de Becky. Luke escolheu um sofá, uma namoradeira, duas poltronas, uma mesa de centro e mesinhas de cabeceira combinando; um rack, quatro estantes feitas à mão, que ficariam muito bem na segunda sala, que ele planejou transformar em escritório, e uma mesa de jantar com oito malditas cadeiras. A única diversão que teve com a viagem foi ver Harper ficar pálida a cada vez que ele dizia a Becky para acrescentar algo à conta. — Luke, você tem certeza de que precisamos de tudo isso? — ela sussurrou enquanto Becky discutia os benefícios da impermeabilização dos estofados. — Foi você que convidou as pessoas sem termos lugar para nos sentar. É melhor acabar com isso logo. — Ele passou um braço em volta do ombro dela. — Você não queria móveis? — É muito dinheiro — ela sibilou. — Você viu as contas. Eu estou bem. — Ainda não li tudo, e parece um grande investimento para apenas um churrasco. — Churrasco? — Luke praguejou. — Agora precisamos de uma maldita mesa de piquenique. Enquanto Becky fazia a nota da maior venda de sua carreira, Luke esfregava os ombros de Harper. Ele sorriu com a tensão que sentiu ali. Talvez fosse a hora de ter pena dela. — Eu não estou bravo com você… não mais — ele murmurou em seu ouvido. Ela se recostou nele e ergueu os olhos. — Eu ainda sinto muito. Não foi muito gentil da minha parte convidar pessoas para sua casa sem falar com você. — Talvez não seja tão horrível. Harper sorriu. — Vai ter cerveja, hambúrguer e salada de batata, se pudermos parar no supermercado a caminho de casa. — Mais compras? Sem comentários. — Eu estava pensando. Agora que terá um sofá em casa, você poderia ficar com a sua cama só para você, se quisesse. Luke a beliscou. — Querida, depois de ontem à noite, você tem sorte se eu deixar você sair do quarto pelo resto do mês. Ele podia ver o rubor descendo pelo pescoço dela. Harper se virou e colocou os braços em volta do pescoço dele. — Sabe, Gloria vai trazer torta de maçã caseira. Podemos comprar sorvete de baunilha e calda de caramelo para acompanhar… ou para depois. — Ela sorriu maliciosamente. Talvez não fosse tão horrível, afinal. Ele escondeu o sorriso com um suspiro. — Você também pode encontrar algum tipo de mesa para o café da manhã enquanto estivermos aqui, porque nunca mais voltaremos — sussurrou ele para Harper. Ela gentilmente saiu correndo com Becky a reboque, enquanto o próprio Bob se apresentava para finalizar a compra. — Você está pronto para voltar, filho? Bob era vinte anos mais velho e se aposentou de uma carreira de trinta anos na Guarda Nacional, antes de enfrentar o mundo da decoração. — Sim, senhor. — Dizem que você é um líder forte — disse ele, olhando por cima dos óculos de leitura. — Obrigado, senhor. — Obrigado pelo seu serviço, filho. Esta é a primeira missão dela? — Ele acenou com a cabeça para Harper e Becky, que estavam conversando, olhando uma mesa da altura de um bar. — É. — Acha que ela vai aguentar? — Aquela garota pode sobreviver a qualquer coisa. — Ela já sobreviveu e iria lidar com a sua partida. E lidaria com o começo de uma nova vida, mais uma vez. *** O fogo na fogueira crepitava, lançando um brilho quente e bruxuleante ao redor do quintal. Luke mudou de posição na nova cadeira Adirondack de madeira. Bob tinha adicionado quatro cadeiras com a compra da mesa de piquenique e o resto da mobília. Assim que o cartão de crédito de Luke foi liberado, Bob carregou tudo em uma picape e o entregou. Eles só tiveram tempode colocar tudo em ordem, cortar as etiquetas e colocar a salada de batata e a macarrão nas tigelas antes que Aldo e Glória chegassem. Aldo, o espertinho, acusou Luke de montar um ninho, agora que finalmente convenceu uma mulher a tolerá-lo. Luke não achou graça da piada, mas Harper deu uma boa risada. Ela riu bastante, e era um som que o aquecia e que o fez perceber o quão quieta sua vida havia se tornado. E que também o fez se perguntar por que valorizava tanto o silêncio. Tomou um gole de cerveja e a observou através das chamas, enquanto ela e Gloria tentavam torrar marshmallows. A luz do fogo dourado dançava em seu cabelo. Ela era linda e aquele sorriso, sua risada contagiante, apertava algo bem lá fundo. Algo que se enraizava e tomava posse. — Ei, garoto apaixonado, se você já cansou de olhar com essa cara sonhadora para sua garota, minha garrafa está vazia. — Aldo balançou a garrafa de cerveja. — É a sua vez de bancar o anfitrião. Luke se levantou e pegou a garrafa de Aldo, antes de inclinar a cadeira de seu amigo para o lado e jogá-lo no chão. — Claro, sem problemas. Senhoras, querem que eu pegue alguma coisa? Harper deu um pulo. — Vou te ajudar — ela disse. — Eu acho que consigo carregar algumas cervejas sozinho — Luke brincou, segurando a porta de trás para ela. — Ou você está apenas tentando me pegar sozinho? Harper roçou nele quando passou. — Sou multitarefa. Ele fechou a porta com um pouco mais de força do que pretendia, na pressa de colocar as mãos nela. Harper passou o dedo pelo peito dele até o estômago. Ele estava duro antes mesmo que ela deslizasse para o topo de sua calça jeans. — Vou ajudar você a carregar cervejas, aproveitar um momento sozinhos, e deixar Gloria e Aldo conversarem. — Ela afundou os dedos em sua cintura. — Não comece algo que você não pode terminar agora, querida — ele avisou. Harper deixou que ele a encostasse na geladeira. Viu a ansiedade nos olhos dela e se perguntou se o mesmo estava refletido nos dele. Suas mãos deslizaram sob seu moletom, os dedos correndo sobre a pele impossivelmente macia. Sua boca pairou sobre a dela. — As luzes estão acesas. Eles podem nos ver — sussurrou Harper. Os olhos dela se fecharam, e ele sabia que ela o deixaria fazer qualquer coisa, independente da audiência. Sem dizer nada, ele a arrastou para a sala de jantar escura e quase tropeçou na mesa que se esquecera de ter comprado. Ele a prendeu entre os braços, contra a mesa. — Acho que ganhei um beijo por esta noite. Ele leu a luxúria quente em seu olhar. — Acho que podemos começar com um beijo — disse ela, em um sussurro ofegante. Luke ficou onde estava e a deixou agir. Ela colocou os braços em volta do seu pescoço e apertou-se contra ele, os seios esfregando suavemente contra seu peito. Ela lentamente fechou a distância entre seus lábios. Ele estava determinado a manter isso divertido, suave. Mas assim que ela mordeu seu lábio inferior, toda gentileza foi esquecida. Ele rosnou quando ela chupou sua boca. Luke agarrou a mão dela e a pressionou contra sua ereção. — Livre-se deles, meu bem. Ela riu contra sua boca, e ele quase a tomou na mesa. A maneira como ela respondia a ele o deixava cada vez mais perto do limite. Depois de outro beijo ardente, ele tirou as mãos dela de cima dele e deu um passo para trás. Ele suspirou. — É melhor voltarmos para lá. Harper lambeu seu lábio e suspirou. — De quem foi a ideia de receber pessoas esta noite? Ele deu um tapa na bunda dela e colocou as mãos em seus ombros. Ela cheirava a luz do sol e fogo. Ele a guiou de volta para a cozinha. — Se você terminou de me atacar, vou pegar as cervejas. — Não pretendo terminar de atacá-lo tão cedo, Capitão. — Ela piscou antes de espiar pela janela. Aldo ocupava a cadeira que ela desocupou e estava sentado ao lado de Glória. Harper sorriu. — Por que você está parecendo tão presunçosa? — Luke exigiu, vindo por trás dela. — Só estou espionando Aldo, para ver se ele teve coragem de dizer a Gloria o quanto gosta dela. — Aldo e Gloria? — Luke bufou. — Querida, o dia em que Aldo sossegar é o dia em que o inferno congelará, os porcos voarão e eu me tornarei vegetariano. Não tenha muitas esperanças. — Vou aceitar essa aposta. Luke deu um beijo em seu pescoço. — Combinado. Quando Aldo e Glória se casarem, vou virar vegetariano. Capítulo 18 Os convidados saíram tarde naquela noite, com Luke praticamente os empurrando porta afora. Aldo estava na varanda da frente, oferecendo uma carona para Glória, quando Luke fechou e trancou a porta da frente. Harper estremeceu com o pensamento de que ele queria tanto tê-la sozinha. Luke a empurrou contra a porta e a beijou com um calor que a queimou. — Vamos limpar a cozinha amanhã — ele decidiu. Harper assentiu. — Definitivamente. — Chuveiro? — Sim, por favor. Ele a arrastou, rindo, escada acima até o banheiro, e abriu a torneira. Luke puxou a camisa pela cabeça enquanto Harper fingia não assistir. Quando ele deslizou a calça jeans por suas coxas musculosas, ela umedeceu os lábios. Sua cueca agarrava-se à protuberância entre as pernas. — O quê? — Ele demandou. — Eu só estava me perguntando como é fisicamente possível para um ser humano ser tão perfeitamente esculpido. — Ela deu um passo à frente, para arrastar os dedos sobre o peito dele. Luke sorriu e interrompeu o movimento da mão dela em sua pele. — Eu estava me perguntando como é fisicamente possível você ainda estar com todas as suas roupas. Harper tirou o moletom e o jogou para ele. Seu short veio a seguir. No segundo em que seu sutiã caiu no chão, Luke a estava arrastando para a água fumegante. Eles se acariciaram e brincaram, espalhando beijos molhados na pele escorregadia. Luke se moveu para trás dela e colocou o shampoo em sua mão. Harper o deixou passar seus dedos fortes por seu cabelo, sob o jato de água. Ele ergueu as mechas molhadas de suas costas, os lábios roçando sua nuca. Arrepios surgiram mesmo com o calor da água. Ela se virou em seus braços, deixando a cascata de água descer por suas costas. — Minha vez — ela disse, mordendo seu lábio inferior com os dentes. Ele a deixou ensaboá-lo com o sabonete líquido. Harper demorou, passando as mãos em seu peito e estômago. Seu pau se contraiu quanto mais perto suas mãos chegavam. Ele baixou a testa para a dela. — Meu bem, você me deixa louco. Harper agarrou seu comprimento com a mão ensaboada. — Vire. Coloque as mãos na parede — sussurrou ela. Ele hesitou, e ela deslizou as mãos para baixo, para segurar seu pesado saco. — Por favor, Luke? Quando ele finalmente fez o que ela pediu, ela caiu de joelhos sob o jato do chuveiro. — Harper. Ela não se incomodou em esconder seu sorriso triunfante, antes de tomá- lo na boca. Luke praguejou e Harper deslizou os lábios ainda mais para baixo em seu pau. Descansando as mãos em suas coxas, ela podia sentir a tensão percorrendo seu corpo. Ela gemeu e o sentiu ficar mais duro instantaneamente. Seus quadris flexionaram, forçando-o mais fundo em sua boca. De novo e de novo. Ela ansiosamente encontrou suas estocadas curtas e rápidas. — Meu Deus, Harper. Ele a agarrou pelos braços e a puxou para fora do chuveiro. — Eu não quero gozar agora. Pulando a parte da toalha, ele a pressionou contra a pia e usou o joelho para abrir mais as pernas dela. Ele estendeu a mão e limpou o vapor de uma parte do espelho. — Eu quero ver você — disse ele, movendo os lábios contra a orelha dela, os olhos nunca saindo dos dela no reflexo. Ela estremeceu contra ele. — Confie em mim. Harper assentiu. Ela confiava. Algo bem dentro dela o reconhecia. O conhecia. Luke deslizou a mão lentamente por sua espinha, seguindo o rastro de água de seu cabelo molhado, até a fenda entre sua bunda. Seus dedos traçaram levemente o caminho da água, deslizando sobre seu ânus. Ela ficou tensa. — Eu nunca... — Coloque as mãos no balcão. — Ele estendeu a mão e tirou mais água de seu cabelo, e ela o sentiu escorrer pelas costas e pelas nádegas. Harper fechou os olhos enquanto sua mão mais uma vez seguia a água. —Abra seus olhos, querida — ele disse isso tão suavemente, tão docemente, que Harper não conseguiu desobedecer. Luke estendeu a mão para a frente, e ele segurou seu sexo, os dedos pressionando seus lábios. — Eu posso sentir o quanto está molhada para mim. Seus dedos a abriram e encontraram o clitóris. Ele esfregou suavemente com as pontas dos dedos. Um movimento circular suave. Harper sentiu o calor se acumular entre suas pernas, o peso familiar no seu ventre. Ela não tinha controle quando estava com ele. Sempre estava molhada. O olhar de Luke seguiu as trilhas de água de seu cabelo, enquanto faziam um caminho preguiçoso para seu mamilo antes de pingar e pingar. Com a outra mão, ele pegou uma das mãos dela e levou-a ao seio. Harper apertou, e ela o ouviu exalar. Seus dedos ocupados pressionaram contra ela em aprovação. Harper segurou seu seio e tentou se concentrar nos olhos de Luke no espelho. Ele estava ferozmente no controle, mas ainda explorando. Ela se perguntou o quão longe ele iria. Até onde ela o deixaria ir. Observando-a, Luke enfiou um dedo dentro dela. Harper sentiu seus joelhos cederem, e ela se chocou contra ele. Seu pênis esfregava em seu traseiro. Ele agarrou seu comprimento e bateu levemente contra suas costas. Harper gemeu e moveu os dedos para puxar suavemente o mamilo. Luke retirou o dedo e o substituiu por dois. Ele se inclinou sobre ela, pressionando-a para frente, e ela teve que levar as duas mãos ao balcão para firmá-los. Luke alcançou seu outro seio, esfregando o polegar sobre seu mamilo tenso. Tudo o que ele fazia com ela parecia, ao mesmo tempo, o paraíso e uma tortura. Colocando os dedos totalmente dentro dela, ele os dobrou em seguida. — Eu vou assistir você gozar. — Ele sussurrou contra o cabelo dela. Como se ela estivesse sob um feitiço, seu corpo obedeceu. Ele enfiou os dedos nela novamente, e ela estremeceu, já no limite. Ele apertou seu seio e pressionou seu pau contra sua fenda. Ela se sentiu apertar em torno de seus dedos, enquanto a outra mão puxava seu mamilo. Harper caiu para a frente, na pia, e deixou que as doces ondas a levassem. Os olhos de Luke nunca deixaram os dela, e neles estava a posse. Ela sentiu o último orgasmo deslizar por ela e se preparou, recuperando o fôlego. — Jesus, Luke — ela sussurrou sobre seu pulso acelerado. Seu corpo parecia ter sido projetado para ele. Ele retirou os dedos e os ergueu para ela. Ela podia ver a umidade neles, e corou. Era um prazer sombrio. Luke se recostou, ainda segurando seu seio, e moveu a mão para a parte inferior das costas dela. Ela sentiu seu polegar pressionar contra o topo de sua fenda, antes que seus dedos molhados viajassem ainda mais para baixo. Ela respirou fundo quando os dedos dele encontraram seu ânus. Nunca tinha sido tocada assim antes. Nunca esteve tão vulnerável. Luke fez uma pausa, aplicando uma leve pressão com o dedo. Harper sentiu uma necessidade, que nunca tinha conhecido, começar a crescer. Ela pressionou suas costas contra ele, testando a sensação. Ele sorriu sombriamente para o espelho e puxou seu mamilo novamente. Rolando entre o indicador e o polegar, ele imitou os puxões de sua boca sobre ele. Os lábios de Harper se separaram, e ela o sentiu deslocar o peso do corpo. Seus dedos, muito lentamente, violaram sua abertura, e ela arfou. Parecia errado. Parecia bom. Ela podia ver a tensão em sua mandíbula, pelo espelho, e sabia que ele estava lutando para se conter. Harper se moveu contra ele, incitando-o a ir mais fundo. Lentamente, ele entrou em seu buraco, enchendo-a. Ele estendeu a mão para o outro seio, esfregando a palma preguiçosamente sobre o mamilo. Seus dedos se retiraram e enfiaram uma e outra vez. Um ritmo lento e intenso. Ela se sentia flexionar em direção a ele cada vez que ele se retirava. Ela podia sentir a umidade se acumulando entre suas coxas e se misturando com a água em sua pele. Isso não era saudável, ter seu corpo precisando dele dessa forma. Ele retirou os dedos, e ela o sentiu agarrar seu pau. Luke deslizou a cabeça arredondada de seu pênis entre as pernas dela, sondando suavemente. Ela encontrou seu olhar no espelho. Sua respiração estava superficial. Ela engoliu em seco, desesperada para ser preenchida. Ela sentiu a pressão quando sua larga cabeça violou seu sexo. Sentiu o suspiro escapar de seus pulmões quando ele a invadiu. A cabeça de Harper pendeu, mas ela nunca tirou os olhos dos dele no espelho. Esses olhos avelã fixos nela, vendo cada canto de sua alma sombria. Ela estava exposta, possuída. — Luke — ela sussurrou. Tentou pressionar contra ele. Fazê-lo se mover. Ele segurou seus quadris com as mãos ásperas. E permaneceram assim pelo que pareceu uma eternidade. Ele puxou levemente, e Harper gemeu. Foi todo o encorajamento que ele precisava para se enterrar nela. Ela gritou em triunfo. Luke trouxe uma mão para provocar os lábios de seu sexo separados. Ele a preencheu de uma forma que nenhum homem jamais fez. Ela não conseguiu recuperar o fôlego quando ele começou a se mover. Seus dedos provocaram um ponto doce, e seu pau a esticava ao máximo. Algo estava crescendo dentro dela. Era um prazer tão imponente, ela sabia que não poderia sobreviver a isso. Harper podia ver o suor se formando em sua testa, seu olhar ainda ardente sobre ela. As estocadas estavam mais rápidas agora, e ele dava um gemido baixo em cada uma. Ele gozaria. O simples fato de saber isso abriu uma rachadura em sua parede. Luke segurou seu seio novamente, puxando seu mamilo duro. Aconteceu em um instante. A parede quebrou dentro dela no momento em que Harper sentiu o primeiro estremecimento de liberação de Luke. Ele se soltou dentro dela. Ela apertou seu pau e implodiu em um orgasmo poderoso. Luke largou seu seio e agarrou seu queixo com a mão, observando-a enquanto os dois desmoronavam. *** — Onde você conseguiu isso? — Luke perguntou, preguiçosamente correndo os dedos sobre as cicatrizes gêmeas no alto de seu quadril. Harper estava deitada sobre ele, os dois nus na cama, em um coma pós- orgástico. Ela encolheu os ombros e enterrou o rosto no peito dele. Ele a colocou no colchão e se sentou. Harper se aninhou com o rosto no travesseiro e o ignorou enquanto ele estudava sua pele. — Harper. — Ele cutucou sua nádega. — Hum. — Harper Sue Ellen Wilde. Ela rolou para o lado. — Esse, definitivamente, não é meu nome do meio. — Não sei seu nome do meio, então tive que inventar um. — Então você escolheu Sue Ellen? — Pareceu se encaixar bem. — É Lee, na verdade. — Pais fãs de O Sol é Para Todos? — Muito bem. — Ela arqueou uma sobrancelha. — Não sou apenas um rosto bonito. O olhar de Harper percorreu seu corpo nu. — Oh, isso eu percebi. — Ei, eu não sou um pedaço de carne, e fiz uma pergunta a você. Harper suspirou e se apoiou no cotovelo. — Por que você quer saber? — Porque se parecem com queimaduras de cigarro. — Bom olho. Seu sangue congelou em um piscar de olhos. — Quem fez isso? Foi aquele idiota do Ted? Ela revirou os olhos. — Não, não foi Ted. Foi há muito tempo. Não importa quem foi. — O inferno que não. Alguém te queimou com a porra de um cigarro e você está me dizendo que isso não importa? Harper se sentou. — Eu realmente não gosto de falar sobre isso. — E eu não me importo. Diga quem fez isso. Ele viu o tique no pequeno músculo da sua mandíbula e tentou relaxar. Gritar com ela não era exatamente uma maneira inteligente de fazer uma mulher se abrir. Ele estendeu a mão e apertou seu ombro. — Querida, você pode confiar em mim. — Por que isso importa tanto? Porque você é importante. Ele parou o pensamento antes que se transformasse em palavras. Palavras que não podiam ser retiradas. Merda. — Não gosto de sentir que você está escondendo algo de mim. — Ele era um hipócrita. — Não estou escondendo nada, Luke. É apenas algo que nunca disse a ninguém. — Diga-me o que aconteceu. Ela suspirou, e ele sabia que tinha vencido. — Quando estava em um lar adotivo, eu morava com uma família muito legal. Uma mãe, um pai, dois irmãos. Achei que eles poderiam meadotar. Foi ótimo, até que engravidaram novamente e receberam uma oferta de trabalho do outro lado do país. Fui transferida para outra casa. Essa nova família não era tão boa. Luke deitou-se na cama e puxou-a para o seu lado. Ele acariciou a pele lisa de suas costas enquanto ela falava. — Era um casal mais velho e tinha muitas crianças na casa. Alguns adotivos, outros não. Eles estavam sempre gritando, as crianças sujas, nunca havia comida suficiente. Luke podia sentir sua frequência cardíaca aumentar e se forçou a manter o toque suave. — Depois de passar uma semana lá, a mãe foi embora e as coisas ficaram feias rápido. O homem tinha um temperamento desagradável, especialmente quando bebia. Em todos os dias de pagamento, todos nós fazíamos tudo que pudéssemos para ficar fora do caminho dele. Mas alguém sempre era notado. E uma ou duas vezes, fui eu. Luke se sentiu mal do estômago. — Quantos anos você tinha? — Eu tinha doze anos. Era a mais velha da casa. — Ele alguma vez fez alguma coisa... — Luke não conseguia pronunciar as palavras sem se engasgar com elas. — Sexual? Não, apenas abuso físico comum. — O que aconteceu com ele? — Cadeia. — Ele ainda está lá? É algum tipo de ameaça para você? — Ele ainda está lá. Ele beijou o topo de sua cabeça e a abraçou, forçando-se a ser gentil, quando a raiva pulsando em suas veias queria destruir algo. — Obrigado por me contar, Harper. Quando ela não respondeu, ele ergueu seu queixo. — Eu sinto muito. Odeio que tenha acontecido isso com você. — Eu também. Vamos falar sobre algo menos deprimente. Tipo, talvez outro banho? Capítulo 19 Faltam duas semanas… Harper temia que sua confissão a Luke o fizesse vê-la como uma mercadoria danificada ou, pior, que sentisse pena dela. No entanto, nada diminuiu a necessidade um do outro. Eles passavam mais tempo na cama do que fora dela. Ela esperava que a intensidade diminuísse, que não sofresse tanto com a necessidade de tê-lo dentro dela. Que se acostumasse com a visão de seu corpo nu. Não sentisse aquele aperto no peito quando ele dizia seu nome. Talvez fosse o fato de o seu tempo juntos estar acabando que alimentava a intensidade. Seja lá o que fosse, sempre a deixava sem fôlego. Ela observou Luke enquanto ele arrumava perfeitamente os preparativos para sua partida. No trabalho, Frank e Charlie assumiriam tudo na ausência de Luke. Eles já tinham feito isso antes, e Luke confiava nos dois. Em casa, Luke contaria com James para manutenção e check-ins da propriedade. Seu irmão também tinha acesso às contas de Luke e se certificaria de que tudo seria pago. Enquanto Luke checava as contas no débito automático, trocava o óleo da picape e do carro dela, e verificava o nível do tanque de propano, Harper começou uma lista de coisas que precisava fazer antes de partir. Ela e Beth trabalharam longas horas, tentando colocar tudo no escritório em dia e organizando a papelada. — Graças a Deus você está aqui — Beth bufou enquanto puxava uma enorme pilha de papéis para o triturador. — Caso contrário, eu teria ficado arquivando toda essa porcaria. Harper cambaleou atrás dela sob o peso de sua própria carga. — Scanners. — Ela arquejou. — Melhor invenção de todos os tempos. Com as duas trabalhando, conseguiram digitalizar os últimos oito meses de papelada e faturas em um sistema online, cujo backup era diário. Daqui para frente, toda a papelada seria feita eletronicamente e armazenada no sistema. Mas isso ainda deixava todos os registros antigos da Garrison em papel. — Acho que deveríamos contratar um estagiário neste verão, para fazer toda a digitalização e trituração. — Sem cerimônia, Beth soltou os papéis em uma pilha, ao lado do triturador. — E para lavar nossos carros e pegar nossos almoços. Harper sentiu uma pequena pontada ao perceber que não estaria realmente aqui neste verão. Quem saberia onde iria parar? Já havia passado da hora de abordar o assunto com Luke. Com apenas duas semanas até ele partir em serviço, ela precisava traçar uma estratégia para uma saída elegante. Tinha toda a intenção de usar este mês para arrumar o currículo e procurar emprego, mas passara a maior parte do tempo trabalhando ou ficando nua. Não sentia muito remorso por suas prioridades. No entanto, ela estava perigosamente perto de se deixar levar por seu falso romance. Uma pequena dose de realidade, por mais dolorosa que fosse, era um lembrete saudável de onde precisava se concentrar. Culpada, Harper pensou sobre o punhado de e-mails que sua amiga Hannah lhe enviara, com ofertas de emprego em Fremont, que ela ainda não tinha aberto. Graças ao generoso salário que Luke estava lhe pagando e ao fato de ele se recusar a deixá-la pagar o aluguel ou qualquer coisa da casa, sua poupança estava sendo reconstruída e ela teria bastante para um depósito de segurança e aluguel de um novo apartamento. E ainda teria um pouco de sobra para alguns móveis. Um pequeno lugar só dela seria uma boa coisa para se concentrar, quando se tratava de superar Luke. Harper suspirou e jogou seus arquivos no chão. — Vamos almoçar antes de começarmos a triturar. Por minha conta. *** Quando Luke voltou para casa, naquela tarde, ele encontrou Harper empoleirada em uma banqueta, olhando para seu laptop. Harper ergueu o rosto para um beijo, e ele teve um vislumbre da tela. — Procurando um novo emprego no computador do seu chefe? Que classe. Harper torceu o nariz para ele e puxou-o para outro beijo. — Muito engraçado. E, sim. — Ela voltou sua atenção para a tela. — Também estou tentando descobrir como fazer com que esse cargo, que estarei por apenas um mês, não pareça estranho em meu currículo. Luke foi até a pia para servir dois copos d’água. — Chame isso de um cargo de contrato de curto prazo. — Deus. Você é um gênio. Não admira que eu queira entrar em suas calças o tempo todo. Ele imediatamente sentiu que estava ficando duro. Mantendo a ilha entre eles, ele deslizou um copo para ela. — Posso escrever uma carta de recomendação, se isso ajudar. — De onde diabos tinha vindo isso? Aqueles grandes olhos cinzentos se arregalaram de esperança. Sempre um soco em seu estômago. — Você está falando sério? Isso seria incrível! Ótimo. Agora ele tinha que fazer isso, ou pareceria um idiota. Escrever um e-mail era difícil para ele. Como iria colocar uma brilhante recomendação no papel? Não que Harper não merecesse. Ela havia tomado conta da bagunça que era o seu escritório e começado a empurrá-lo no caminho do que seria uma operação eficiente em apenas duas semanas. Talvez ele pudesse fazer Sophie escrever. — Então, onde você está procurando emprego? — ele perguntou. Harper tomou um gole d’água. — Estou me concentrando no meu plano original de ir para Fremont. Não é Benevolence, mas acho que estar perto de Hannah novamente seria bom. — Você já pensou em ficar por aqui? O que diabos havia de errado com ele? Nem sabia que estava pensando nisso, antes de sair disparado de sua boca. Harper se mexeu na cadeira e desviou o olhar dele para os armários. — Uh, sim. Por cerca de um minuto, mas não acho que funcionaria. Agora ele tinha que perguntar. — Por quê? — Ele fingiu folhear a correspondência no balcão. Ela pigarreou. — Não quero dizer, porque você vai interpretar mal e entraria em pânico. Luke decidiu apenas encará-la, até que ela cedesse. Levou cerca de trinta segundos dela se contorcendo antes que ele ganhasse. — Pensei em ficar, até perceber como seria topar com você e sua futura namorada, e depois esposa, no supermercado, todas as semanas. Cada vez que o visse, pensaria em como era estar com você, sabendo que agora outra pessoa estaria com você dessa forma... — Ela estremeceu e balançou a cabeça. — Não é assim que quero passar o resto da minha vida. Seu interior se agitou com a ideia. Não dele com outra pessoa. Isso não iria acontecer. Mas Harper seguiria em frente. Ela merecia seguir em frente. Ele a veria pela cidade com um cara que a pediria em casamento. Ele a veria com crianças em eventos esportivos. Eles se encontrariam no lago, no verão, eseriam as mãos de outro idiota sortudo naquelas curvas perfeitas. Luke pousou o copo no granito com um estrondo. Harper deu um pulo. — Viu? Eu disse que você não iria gostar. Não estou dizendo que estou apaixonada por você, Luke. Eu só não gosto da ideia de você seguir em frente. Digo o mesmo, querida. — Bom ponto. Ei, sua primeira correspondência. — Ele jogou o envelope, com o nome dela escrito a mão, para ela. Harper olhou para ele e franziu a testa. — Apenas propaganda — disse ela, empurrando-o sob o laptop. — Então, já que estamos no assunto de qualquer maneira, o que vamos contar à sua família sobre minha partida? — Eu realmente não tinha pensado nisso ainda. Harper suspirou. — Nem eu. Deixei você me distrair com esse seu corpo quente e nu. — Oh, você quer dizer este corpo quente e nu? Luke tirou a camisa, e estava puxando a dela pela cabeça antes que pudesse dar uma gargalhada. *** Na noite de quarta-feira, Harper foi para casa sem Luke. Ele estava em um local de trabalho em algum lugar, resolvendo uma crise, tranquilizando um cliente. Ela apreciava sua ética de trabalho. Nenhum problema era pequeno demais para ele resolver, quando se tratava de fazer clientes e funcionários se sentirem valorizados. Naquela mesma manhã, Luke chamou seu mais novo funcionário para uma reunião. John tinha dezoito anos, recém-saído do ensino médio, e era muito promissor como um futuro carpinteiro de acabamento. — Ouça, John, você precisa entender que só porque você tem um pouco de dinheiro no bolso, isso não significa que pode fazer um monte de merda. Você não precisa comprar uma picape de 90 mil, e com certeza não precisa de uma TV de 60 polegadas para o porão dos seus pais. Quero que você tenha sucesso, e estou aqui para ajudá-lo a chegar lá... Harper sorriu para si mesma enquanto fazia cópias e ouvia do lado de fora do escritório de Luke. Ele realmente se importava com seu pessoal, fossem eles familiares, amigos ou funcionários. Ele era o tipo de homem em quem se podia confiar. Não apenas para ajudá-lo a sair de algum problema, mas para protegê-lo de um, se ele pudesse. Ela carregou a bolsa de volta para a cozinha e a jogou no balcão. Era uma bela noite de primavera, e ela decidiu abrir todas as janelas da casa para receber a brisa. Correu para o quarto, para vestir um short e uma camiseta, e estava na escada, quando ouviu a batida na porta da frente. — Claire! Oi! Entre. — Harper deu um passo para trás e acenou para a mãe de Luke entrar. Claire ergueu um recipiente de plástico com mini cheesecakes. — Eu estava na vizinhança com isso e pensei em parar. — Oh, meu Deus. Por eles, você pode até se mudar — Harper riu. — Entre. Posso pegar algo para você beber? Água? Chá gelado? — Chá gelado seria ótimo, obrigada. — Claire atravessou o corredor, atrás de Harper, e chegou até a sala de jantar. — Oh, ele finalmente comprou móveis! Harper juntou-se a ela na porta. — Foi esta semana. Eu acidentalmente convidei alguns amigos para jantar, sem saber que Luke ficaria terrivelmente sensível por não ter lugares para as pessoas se sentarem. — Por tanto tempo estive esperando que o garoto transformasse esta casa em um lar— Claire se virou para Harper. — Você, minha querida, merece mais que meia dúzia de cheesecakes. Depois de um rápido passeio para ver o resto da mobília nova, elas tomaram o chá gelado na varanda dos fundos, para aproveitar a noite de primavera. Claire impulsionou os pés nas tábuas da varanda, e o balanço começou um movimento suave. — Eu tenho uma confissão a fazer. Não estava apenas na vizinhança com as tortinhas. — Não diga nada — disse Harper por cima da borda do copo. — Luke chama isso de intromissão. Eu chamo de ser maternal — Ela suspirou, passando a mão pelo curto cabelo escuro, com fios prateados. Era também um gesto comum de Luke, o que fez Harper sorrir. — Ele pensa que por ser um homem adulto, que seus assuntos são só seus. Mas ele não entende o que é educar alguém para ser adulto. Você não para simplesmente... — De se preocupar? Claire acenou com a cabeça. — Exatamente. Ele tem trinta anos, e ainda sinto a necessidade de ter certeza de que ele está bem. Aposto que seus pais também são assim. Harper inclinou a cabeça. — Eu imagino que seriam. Eles faleceram quando eu era muito jovem, mas gosto de pensar que teriam um grande interesse em minha vida, se ainda estivessem aqui. — Oh, sinto muito ouvir isso, Harper. Eu não sabia! Por favor, me desculpe por abrir minha boca gigante. Harper riu. — Está tudo bem. Foi há muito tempo. — O tempo nem sempre cura todas as feridas — Claire disse, um pouco tristemente. — Alguns nunca se recuperam da perda. — Acho que alguns de nós simplesmente não reconhecem o quão valioso é nosso tempo aqui. Como não deveríamos gastá-lo, lamentando nossa perda, mas agradecendo nossas estrelas da sorte por termos alguém maravilhoso em nossas vidas, não importando por quanto tempo. — Então, Luke disse a você... Claire foi interrompida pela porta de tela que se abriu. Harper sentiu sua pulsação acelerar ao ver Luke. Seu jeans gasto estava coberto de sujeira, e a camiseta, moldada em seu peito, tinha uma boa quantidade de suor misturado com a sujeira. Até seu boné de beisebol tinha manchas de suor. Ele parecia ter saído direto das páginas de um calendário sexy de um trabalhador da construção civil. — Senhoras. — Luke deu um beijo na testa de Harper e foi até a grade da varanda, onde se inclinou. — Eu estava na vizinhança e pensei em dar uma passada — Claire disse inocentemente. — Claro que estava, mãe. Você não está interrogando a pobre Harper, está? — Não, mas troquei os pés pelas mãos, já que você se esqueceu de me dizer que os pais dela faleceram. Essas coisas não aconteceriam se você se comunicasse. — Os enfeites prateados, pendurados em suas orelhas, tilintavam com cada sílaba. — Sim, mãe. — Luke revirou os olhos. — Então, você não estava interrogando Harper? — Eu não tinha feito isso, ainda. Sou uma interrogadora educada. Estava apenas facilitando para Harper. — Claire piscou. — Como anda o trabalho? — Luke perguntou. — Recebemos um telefonema de Della hoje. Diz que querem fazer uma expansão. Claire acenou com a cabeça. — O negócio de flores está crescendo. Eu deveria ficar lá apenas dois dias por semana, mas tenho sido chamada quase todas as sextas-feiras e alguns sábados, para ajudar com os pedidos de casamento. Della e Fred estão querendo contratar alguém em tempo integral, para eventualmente assumir o cargo de gerente. — Eles têm candidatos? — Harper perguntou. — Você não está querendo desistir já, está? — Luke brincou. Harper riu. — Não, mas Gloria está procurando por algo. — Gloria Parker? Bom para ela! — Claire acenou com a cabeça rapidamente. — Já era hora de ela abrir as asas. Faça com que ela ligue para a loja, e eu marcarei uma entrevista com Della. — Isso seria bom! Muito obrigada. — Ei, eu devo à garota que inspirou meu filho a arrumar uma namorada, a contratar alguém para administrar o escritório e a comprar móveis mais do que alguns mini cheesecakes. — Cheesecakes? — Luke se animou. *** Luke acompanhou a mãe até o carro, principalmente para se certificar de que ela não encurralasse Harper e tentasse arrancar mais informações dela. — Eu gosto da mobília nova — ela disse, tirando as chaves da bolsa. — Está começando a parecer um lar. — Mãe. — Luke não tentou esconder a exasperação de sua voz. — Não me diga “Mãe”. Tenho permissão para verificar meus filhos. Quarenta e sete horas de trabalho de parto dão às mães certos privilégios. — Pelo amor de... — Eu realmente gosto dela, Luke. Você está sorrindo de novo. — Ela levou a mão ao rosto dele. — Já faz muito tempo. Ele resmungou, mas pegou a mão de sua mãe e beijou sua palma. — Ela é uma boa garota, mãe. Eu gosto dela também. Agora podemos parar de falar sobre minha vida amorosa? Ela deu um beijo na bochecha dele. — Bem. Agora vá levar sua garota para jantar. Ela merece isso. Luke esperou até que sua mãe saísse da garagem, antes de pegar o telefonecelular. Seus pais gostavam de sua namorada, e isso era um problema. — Eu preciso de um conselho sorrateiro e dissimulado, então estou ligando para você. — Luke caminhou pela calçada. — É estranho que eu esteja lisonjeada? — perguntou Sophie. — O que eu digo à mamãe e ao papai sobre a partida de Harper? Josh gritou ao fundo. — Está tudo bem por aí? — Luke perguntou. — O quê? Oh, sim. Esse foi um grito feliz. Espere, deixe-me trancá-lo no porão. — Sophie! — Estou brincando. Eu entrei na despensa. Preciso de silêncio para que possa me concentrar nas mentiras que você contará aos nossos pais. — Preciso lembrar a você que tudo isso foi ideia sua? — Precisa que eu a lembre que você está desfrutando de toda esta coisa que foi minha ideia? — Touché. Agora me diga o que fazer. — Bem, quando ela vai embora? Antes ou depois de você ir? — Eu não sei. Depois? — Você tem um cronograma? — Nós realmente não conversamos sobre isso. — Provavelmente faria mais sentido tê-la por perto um pouco, depois de você ir embora, e então você não precisaria que James cuidasse da casa imediatamente. Estou assumindo que você não quer que ambos pareçam idiotas, certo? — Você presume corretamente. — Bem, então isso deve ser uma notícia boa, mas tão boa que tornará menos triste dar a notícia. — Não estou entendendo nada. — Claro, você é um homem. Algo maravilhoso acontecendo com Harper e ela precisando deixar a cidade. Como se ela tivesse conseguido um papel em um filme ou conhecesse o homem dos seus sonhos. — Eu deveria ser o homem dos seus sonhos. — Estou apenas divagando aqui — disse Sophie com um suspiro. — Mas, já que você disse isso, por que não pedir a ela para ficar? — Esse não é o plano, Soph. E não é justo pedir a Harper que coloque sua vida em espera por seis meses, para ver se isso pode se transformar em um relacionamento. — Está bem, está bem. Apenas descartando opções. Capítulo 20 No dia seguinte, Luke e Aldo foram chamados na base, para o exame médico padrão de pré-missão e algumas instruções. Antes de partir, Luke deu um beijo de despedida em Harper e se empolgou. Quando parou na frente da casa de Aldo, estava vinte minutos atrasado, e seu amigo estava esperando na varanda da frente. Quando Aldo escolheu a ampla casa estilo craftsman, em vez de uma das novas casas na periferia da cidade, Luke não piscou. Uma casa de família em um condomínio para um solteiro? Não era o que ele esperava de seu amigo de batalha, mas havia muitas coisas que eles nunca discutiam. Não era preciso. — Estava na hora. — Aldo entrou no banco do passageiro e colocou o cinto. — Não estou tão atrasado. — Não são necessárias explicações. Eu posso ver, pelo olhar estúpido em seu rosto, por que você está atrasado. — Você está falando merda. Ele não estava. Luke sabia que estava andando por aí com uma expressão estúpida no rosto, atualmente. E só esperava que ninguém mais notasse. — Eu te conheço desde que salvei sua pele daquela surra, na primeira série. Conheço a sua cara estúpida. — Ainda defendo que poderia ter enfrentado aqueles caras sozinho. — Luke se afastou do meio-fio. — Havia três deles, e eram da quarta série. — Bem, se você me auxiliou nessa situação, salvei sua bunda de se afogar no lago quando tínhamos doze anos. — Achei que o gelo aguentaria. — Aldo encolheu os ombros com um sorriso de dentes brancos. — Ficamos de castigo durante todo o mês de janeiro por causa disso. — Nossas mães estavam tão irritadas. Então, o que Claire acha de Harper? Luke reprimiu um suspiro. Ele sabia que seu amigo não esperaria muito para bisbilhotar. Às vezes, precisava se lembrar de não excluir a todos. — Ela a ama. Acha que é exatamente o que eu preciso. — E ela é? — O que eu preciso é de paz e sossego. Harper é tudo, menos isso. Aldo riu. — Então, por que ela está aqui? Luke deu de ombros ao pegar a via de acesso à rodovia. — Começou como um favor. A garota não tinha para onde ir e nem como chegar lá. — E depois? Luke pigarreou. — Bem, você a conheceu. — Sim. Acha que ela vai ficar? Luke balançou a cabeça. — Não. Ela tem coisas para fazer, lugares para ir. Seis meses é muito tempo para pedir a alguém, que você acabou de conhecer, que espere. — É muito tempo para pedir a alguém que espere, mas ela iria, você sabe. — Eu não sei se eu gostaria que ela o fizesse. — Porra nenhuma. — Você beija sua mãe com essa boca? — Onde você acha que eu aprendi? Era verdade. Apesar de a Sra. Moretta ir à igreja todos os domingos, ela tinha a boca de um marinheiro que se aposentou e começou uma nova carreira de caminhoneiro. Ela nunca se esquivava de uma vigorosa palavra de cinco letras quando a situação exigia. — Por falar em mulheres, Harper parece pensar que você tem uma queda por Gloria. — Ela não está errada. — Você tem uma queda por qualquer coisa com um belo par de pernas e grandes olhos castanhos. — Onde você acha que consegui meu tipo? — Então, se você carrega isso desde o colégio, como Glenn ainda está vivo? — Eu me pergunto isso todos os dias. As missões tornaram mais fácil pensar em outra coisa. Me deu algo em que me concentrar. Luke sabia exatamente o que Aldo queria dizer. Seu amigo se mexeu no assento. — Eu tenho que dizer. Estou pensando em me aposentar. Esta é a número quatro, e quero torná-la a última. — Sério? — Fazemos isso desde o colégio. São doze anos fazendo as malas, indo embora e torcendo para voltarmos depois que o trabalho termina. Estou pronto para parar. Quero dedicar mais tempo a alguns projetos de engenharia. E então eu quero fazer de uma garota legal a próxima Sra. Moretta. — Jesus, Aldo. — Só de pensar nisso, Luke começou a suar. — Quando diabos você decidiu tudo isso? — Cerca de dez segundos depois que descobri que Gloria havia se separado. Não me diga que você não está pronto para parar. — É tudo o que eu tenho. A Guarda e minha empresa. Aldo bufou. — Você tem sua família e pode ficar com Harper também, se quiser. Voltar para casa, para aquele rosto doce todos os dias e descobrir em que problemas ela se meteu? Há algo pelo qual ansiar. — Ela é um problema. Estou preocupado em soltá-la na natureza. — Ela precisa de você. — Ela precisa da porra dos pais dela, mas eles estão mortos. Ela não tem família, apenas cicatrizes de todos aqueles anos em um orfanato. Aldo praguejou baixinho. — E você faria qualquer coisa para tornar isso melhor, mas simplesmente não sabe como ajudar. — Exatamente. — Luke suspirou. Claro que Aldo entendia. — O fato é que eu simplesmente não tenho espaço na minha vida para ela. — Você tem espaço; você só é cagão demais para fazer isso. Luke se irritou. Embora Aldo, sua família e todos os outros estivessem mais do que felizes em enfiar o nariz em seus assuntos, nenhum deles sabia o que era ter tudo e depois perder. Ele sabia. E mal tinha sobrevivido. Não haveria uma segunda chance. *** Os exames foram bons, as instruções tediosas. Mas voltaram para casa em um tempo decente, com uma imagem mais clara do que fariam no Afeganistão. Normalmente, Luke sentia a vibração, uma vibração de empolgação com a próxima missão, um novo projeto. Mas, desta vez, ele apenas se sentiu desligando. Tinha coisas para fazer em casa e no escritório. Mas estava cansado. Ele estava acostumado a dormir pouco e muita cafeína ou adrenalina pura. Mas as noites com Harper, sob e sobre ele, e enroscada nele, cobraram seu preço. Luke não era do tipo que dormia muito. Talvez só precisasse relaxar com a TV por uma hora, e então poderia voltar para a papelada e fazer as malas. Ele acordou uma hora depois, com algo quente e pesado no colo. Um grande cachorro cinza descansava a cabeça e pata robusta na perna de Luke. — Harper! Ela apareceu na porta em segundos, o que significava que ela estava pairando por perto. — Antes que você fique bravo... — Harper, por que há a porra de um cachorro no meu colo? — Nós não temos que ficar com ela. Ela só precisa de um bom lugar para ficar. — Harper, por que há a porra de um cachorro no meu colo? O cachorro resmungou em seu sono e se espreguiçou. —Que raio de cachorro é esse? — Ela é algum tipo de pit-bull-labrador-alguma coisa. Ela foi retirada do dono por negligência, e só porque ela tem esse problema de pele e precisa de remédios para o coração, o abrigo iria sacrificá-la. — Isso ainda não responde por que há um cachorro no meu colo. Sua voz foi alta o suficiente para acordar a besta desta vez. Um olho injetado de sangue se abriu preguiçosamente e olhou para ele. — Eu parei no supermercado, e uma mulher estava saindo da loja de animais com ela. A propósito, o nome dela é Lola. — Da mulher? — Não! Da cachorra. Ouvindo seu nome, a cadela virou sua enorme cabeça para Harper. Sua cauda balançou duas vezes. — De qualquer forma, o abrigo da cidade a aceitou, mas precisavam de um lugar para ela ficar até que possam encontrar um lar adotivo, uma semana no máximo, e ela olhou para mim com esses grandes olhos melosos. E antes que percebesse, eu a estava colocando no carro. E eu sinto muito. Por favor, não me odeie. Ou a Lola. O rabo da cachorra balançou novamente. — Harper, você não pode simplesmente trazer um cachorro para casa. — Eu sei! Acho que ela me hipnotizou. Eu sinto muito. Lola voltou a cabeça para Luke. — Por que os olhos dela estão engraçados? — É só uma pequena infecção. Pingaremos umas gotas três vezes ao dia. A língua de Lola pendeu para fora de sua boca. — Harper. Ela é enorme. Ela poderia engolir você inteira. — Ela é um amor. Não há um único pingo de maldade em seu corpo. Harper estava torcendo as mãos. Lola rolou no colo de Luke, expondo a barriga. — Uma semana? — Sim. *** Lola os treinou em questão de dias. Ela gentilmente os lembrava quando era hora da refeição e do xixi. A casa sem cachorros de Luke logo incluiu um grande estoque de brinquedos estridentes e ossos que Lola examinava de hora em hora. E todas as noites, ela roncava ao pé da cama, com sua enorme cabeça apoiada nos pés de Harper. Harper fez o possível para garantir que ela mesma assumisse a maior parte dos cuidados com a cachorra. Passeios, refeições, remédios. Ela até cortou as unhas crescidas da pobrezinha. Ela tentou minimizar a inconveniência de Luke, mas ainda se sentia afrontada com seus suspiros sempre que Lola aparecia. Todos os dias, ela se lembrava do quão generoso Luke tinha sido ao abrir sua casa para ela e agora para Lola. A culpa e a gratidão a fizeram encher a geladeira com todas as coisas favoritas dele e a tentar ser útil o tempo todo. Ela tentava chegar em casa antes de Luke, à noite, para que pudesse deixar Lola sair, mas ele sempre estava lá primeiro. Uma noite, ela voltou para casa e encontrou Luke e os meninos tentando ensinar Lola a buscar a bolinha. Lola não gostou, mas Henry era bom em perseguir todas as bolas que Robbie jogava. Mais tarde, quando acompanharam os meninos para casa, Lola nem mesmo vacilou quando a pequena Ava se aproximou e sentou-se sobre ela. Ela apenas bocejou e se permitiu ser esmagada e acariciada por dedos pegajosos. Nas primeiras manhãs, após Lola chegar, Luke perguntava sempre a Harper se ela já tinha ouvido alguma resposta do abrigo sobre um lar adotivo permanente. Quando ele parou de perguntar e Lola começou a desaparecer escada abaixo com Luke pela manhã, Harper suspeitou. Na manhã seguinte, ela esperou na cama até Luke descer com Lola. Quando ela ouviu a porta da frente fechar atrás dele, Harper afastou as cobertas e desceu correndo. Havia comida em sua tigela, mas nenhum sinal de Lola na cozinha. Harper bisbilhotou o resto do primeiro andar e verificou o quintal. Nada de Lola. Ela pegou uma xícara de café e sentou-se na varanda da frente para esperar. Sua paciência foi recompensada dez minutos depois, ao ver Luke e Lola dobrando a esquina, lado a lado. As pernas musculosas de Lola ocupavam a calçada, enquanto sua língua pendia para o lado. O sorriso largo de Luke combinava com o da sua companheira de corrida. Eles eram a felicidade em movimento. Ela viu a leve oscilação em seu passo no segundo em que a notou. Ele cuidadosamente reorganizou suas feições para uma expressão impassível quando chegaram à casa. Harper tentou esconder seu sorriso por trás do café. — Bom dia. — Bom dia — Luke disse, exalando indiferença. Ele entregou a coleira de Lola. — Ela, uh, tinha que sair, então eu a levei. — Pelo quarteirão? — Harper perguntou inocentemente, acariciando as laterais de Lola. Ela foi recompensada com uma grande lambida. — Uh, sim. Pelo quarteirão. Lola se sentou ao lado de Harper no degrau e se apoiou em seu braço. — Você é muito mentiroso! Luke ergueu as mãos. — Ei, nós demos a volta no quarteirão. Mais ou menos. — Você a tem levado para correr, e é por isso que ela está totalmente exausta quando eu a levo para uma caminhada uma hora depois! Ela poderia dizer que ele estava pesando suas opções por trás dos óculos de sol. Ele ergueu os braços. — Pelo amor de Deus, olhe para ela! É enorme. Eu estava preocupado que ela arrastasse você pelo quarteirão e derrubasse todo mundo. — Então você saiu com ela primeiro, para ver se ela faria isso? — Bem, sim. E para cansá-la, assim, se ela não se comportasse na coleira, estaria, no mínimo, menos malcomportada. — Isso é estranhamente doce e atencioso da sua parte. — É difícil ficar com raiva de mim, não é? — A covinha voltou a aparecer. — Bem, sim, exceto pelo fato de que você está me fazendo sentir tão culpada por trazê-la para sua casa, quando claramente ama tê-la por perto! — Eu não diria que amo... — Lucas Norbert Garrison! — Charles, na verdade. — Você a ama! Olhe para ela, com esses olhos grandes e estúpidos, e diga que não. — Harper apertou o rosto de Lola nas mãos. — Olhe para o papai. Faça-o se sentir um lixo por brincar com a mamãe. Você poderia ter me contado, sabe. Deveria ter me contado. — Me recuso a responder isso. Agora, se vocês, amáveis senhoras, não se importam, vou terminar minha corrida, porque Lola só consegue aguentar por uns dois quilômetros e meio. Ele se inclinou, beijou Harper e se moveu para dar um beijo na cabeça de Lola, mas ela se contorceu e enfiou a língua em sua boca. — Neste segundo, posso dizer, honestamente, que não amo isso — disse ele, enxugando o rosto com as costas da mão. — Bem-feito para você, Norbert! — Podemos ainda comer bife esta noite? — ele perguntou, recuando para a calçada. — Você sabia que eu tentaria te agradar! Você é tão... — Os vizinhos não precisam que você termine essa frase — gritou ele, ao virar para a calçada. — Tudo bem, mas Lola fica com a metade do seu! — Harper esperou até que ele estivesse fora de vista, antes de rir. *** Luke evitou o escritório o dia todo, comunicando-se principalmente por mensagem de texto e e-mail, mesmo depois que Harper o chamou de covarde. Ela foi para casa e levou Lola para uma caminhada rápida, antes de começar o jantar. Harper estava ocupada, preparando os bifes, quando ouviu a porta da frente. Ela atravessou o corredor para cumprimentar Luke, com Lola andando devagar atrás dela. — Olha quem decidiu enfrentar as consequências — Harper brincou. Luke largou as chaves na mesa ao lado da porta e mudou de lado o estranho pacote que estava segurando. O pacote latiu. — Nenhuma palavra. Ne-nhu-ma palavra — Luke murmurou. Ele estava carregando um terrier desalinhado debaixo do braço, como uma bola de futebol. Harper mordeu o lábio para não rir. Luke colocou o cachorro no chão. Ele tinha três pernas. — Espere um segundo. Não deveríamos apresentá-los ou algo assim primeiro? — Harper foi na direção de Lola. — Bem. Lola, conheça o Max. Max, conheça Lola. Max correu até Lola e a cheirou. Lola piscou, se virou e caminhou pelo corredor. Max correu atrás dela em seus calcanhares. — Eu só fui pegar os remédios de Lola, e tinha esse maldito cachorro. Uma senhora estava tentando dá-lo, e eles não tinham lares adotivos disponíveis, e se o levassem para o abrigo, ele provavelmente seria sacrificado. — Ele tem três pernas. — E eles usariam isso contra ele. Ele não pode se defender. Harper cobriu a boca para ele não ver seu sorriso, enquanto ele caminhavapelo corredor em direção à cozinha. — É apenas temporário — ele falou por cima do ombro. — Estamos apenas ajudando. — É apenas temporário — ela sussurrou, mesmo enquanto sentia seu coração pular uma batida. Capítulo 21 Eles descobriram que era mais fácil se acostumar com dois cães do que com um. Max entrou sem problemas em suas vidas domésticas. Ele seguia Luke como uma sombra e latia como um cachorro três vezes o seu tamanho. De manhã, Luke corria com Lola enquanto Harper levava Max para dar algumas voltas no quarteirão. À noite, ele dormia enrolado em uma bola apertada contra Lola. E cada vez que Harper entrava pela porta, os dois a cumprimentavam como se tivesse passado décadas desde a última vez que a viram. Lola corria pelo corredor com seu profundo latido enquanto Max saltava e latia ao redor dela. No segundo em que a porta da frente se abria, eles dedicavam a Harper – ou a Luke, ou ao carteiro – uma atenção entusiasmada. Era bom ser recebida em casa por fãs que a adoravam. Apenas algumas semanas atrás, ela não poderia imaginar sua vida mudando tão drasticamente. Ela tinha um homem que adorava, uma casa confortável, ótimos amigos e dois cachorros que a achavam melhor do que bacon. Mesmo que fosse tudo temporário. Ela tentou não pensar no que aconteceria em questão de dias. Luke teria partido da vida dela, ela teria partido de Benevolence e outra pessoa abriria as enormes pilhas de correspondência da Garrison Construções. Harper abriu o envelope com um golpe eficiente do abridor de cartas. Só Luke deixaria a correspondência do escritório fechada por semanas. Ela chegou até o fim da pilha que ele havia escondido descuidadamente na prateleira de seu escritório. Ela encontrou um punhado de cheques de clientes enterrados na pilha. Depois de um sermão dela sobre a importância de uma resposta rápida, Luke concordou em deixá-la lidar com toda a correspondência a partir de agora. Assim que terminasse com essa pilha, ela iria correr para o banco e fazer os depósitos. Um cheque flutuou para fora do envelope aberto em sua mesa. Ela o pegou e olhou para ele. Este foi feito diretamente para Luke, no valor de... Um suspiro estrangulado passou por seus lábios. Os joelhos de Harper se dobraram e ela se deixou cair na cadeira. Ela nunca tinha visto uma quantia tão alta em um cheque antes, e havia mais três envelopes como este. Ela abriu todos e alinhou os cheques. Pago a Lucas Garrison. Ela sabia que estava encarando, boquiaberta, a superfície da mesa, mas não podia evitar. Havia pouco mais de meio milhão de dólares nela. Sobre o que era isso? Era legal? Harper olhou para o escritório de Luke, onde ele estava em uma teleconferência com um fornecedor. Ele estava jogado para trás em sua cadeira, as botas de trabalho apoiadas na mesa. Nenhuma preocupação no mundo. Ele não estava preocupado por ter quase a forçado a se apaixonar por ele, apenas para chutá-la depois com o lembrete de que ele não poderia nem mesmo ser honesto com ela sobre qualquer coisa. Aquele bastardo sexy e contido era um milionário. Ela pensou em sua reação carregada de culpa por sua compra de móveis. Ele poderia ter mobiliado uma dúzia de casas com os cheques que tinha em mãos. Qual diabos era o problema dele? Por que esperava que ela revelasse seus segredos, há muito enterrados, quando ele nem conseguia dizer: “A propósito, eu sou rico”. Aproveitando a onda de raiva, ela agarrou os cheques e correu para a porta fechada. Bateu com a palma da mão, segurando os cheques contra o vidro. — O que diabos é isso? — ela murmurou. Luke tirou os pés da mesa e teve a boa graça de parecer envergonhado. Ele deu de ombros e ergueu um dedo, sinalizando para ela esperar. Mas ela estava cansada de esperar. Harper largou os cheques no balcão do lado de fora do escritório e agarrou a bolsa. Almoçaria cedo e demoraria, e ele teria que lidar com isso. Ela não lhe devia uma explicação. *** Luke a encontrou no balcão da lanchonete, olhando para o fundo de sua caneca de café. Ele sentou-se no banquinho ao lado dela e girou para encará-la. Percebeu que poderia acalmá-la em alguns minutos e talvez até mesmo comer um lanche rápido. O tempo estava se tornando mais precioso à medida que os dias finais para a missão passavam. — Por que você está tão chateada por conta de alguns cheques? Harper se virou para ele e lançou-lhe um olhar. — É sobre isso que você pensa que é? Você bateu com a cabeça hoje? — Parece que você está questionando minha inteligência — arriscou-se, sinalizando para a garçonete lhe trazer um café. — Parece que você está tentando bancar o idiota — rebateu Harper. — Isso não é sobre os cheques. É sobre o que representam. — Dinheiro? — Vou arrancar seu traseiro perfeito desse banquinho. Ela poderia realmente tentar. — Porque eu não estou te contando sobre o dinheiro que você encontrou, mexendo na minha correspondência? — Sério? É assim que você quer lidar com isso? Me acusando de bisbilhotar quando abri uma pilha de correspondência que você me deu para abrir? Tente novamente. Ela o pegou. Ele suspirou. — Harper, não há nada em nosso acordo que diga que temos que contar tudo um ao outro. — Por que você é assim? O que há de errado com você? Por que não pode simplesmente compartilhar coisas? Não é mais misterioso e sexy. É doloroso. — Por que é doloroso? Não escondi nada de você de propósito. O dinheiro vem de uma patente que Aldo e eu temos sobre um sistema de vigas projetadas. Não é grande coisa. — O que é importante para mim é que eu me abro para você com todos os detalhes sórdidos do meu passado, e você não pode nem compartilhar coisas boas comigo. Por que diabos isso? — Eu já disse, não sou o tipo de cara que gosta de corações e flores. — Não estamos falando de corações e flores. Estamos falando sobre intimidade. E você não pode simplesmente esperar que eu compartilhe coisas com você, quando não tem intenção de se abrir comigo. — Não sou assim, Harper. — Luke deu de ombros. — Olha, eu não sei o que te dizer. Essas preocupações nem estão no meu radar. Não quando tenho menos de duas semanas, antes de deixar minha casa e minha família por seis meses. — Essa é outra coisa sobre a qual você não vai falar. — O quê? A missão? O que há para conversar? — Ele deixou que um pouco de sua frustração transparecesse em seu tom. — Estou indo embora. Fim da história. — Não é o “fim da história”, e você sabe disso. Ele a girou de lado no banquinho, para ficar de frente para ele, e manteve as mãos em suas coxas. — Veja. Você quer algo que eu não posso te dar. Acho que você está entrando muito fundo em tudo isso. Você está tentando estabelecer um relacionamento onde não pode haver um. Eu não compartilho. Não me abro e falo sobre meus sentimentos ou o que estou pensando. E mesmo se o fizesse, estou indo embora. Por seis meses. Não vai haver um “nós” quando eu voltar. E estou começando a pensar que talvez não devesse haver um nós agora. — Você quer que eu vá embora? — Ela nivelou o olhar com o dele, desafiando-o a dizer o que não disse em voz alta. Ele suspirou. — Não, eu não quero que você vá. — Ai. De onde veio tanta honestidade? — Eu gosto de ter você por perto. Até gosto de ter os cachorros por perto. Acho que nossa relação de trabalho é ótima. Mas talvez seja hora de recuarmos na área mais... íntima. — Sexo? A garçonete fez uma pausa, com os olhos arregalados, enquanto colocava a caneca de café na frente dele. Luke esperou até que ela vagasse pelo balcão até o próximo cliente. — Sim. Sexo — Ele disse calmamente. — Está começando a confundir a situação. Vamos voltar a como as coisas estavam, pelo resto do mês. Continue com o plano. Você está economizando dinheiro e procurando emprego. Graças a você, estou conseguindo colocar o escritório em dia e organizando as coisas para quando eu for embora. Podemos fazer isso funcionar, Harper. Mas não complicando as coisas. — Então, eu explico a você que me dói quando você esconde coisas de mim, e sua solução é reduzir ainda mais nosso relacionamento para chefe- empregada?Por que as mulheres sempre tornam as coisas tão difíceis? Ele a estava protegendo. Por que ela não conseguia ver isso? — Harper, isso é para seu próprio bem. — Então você está dizendo que está me protegendo dos meus próprios sentimentos, tirando o sexo da questão. Ela não parecia impressionada, mas Luke estava decidido. Talvez não fossem apenas os sentimentos dela que ele queria proteger. Havia algo sobre a naturalidade entre eles que o assustava pra caralho. Ele não queria ir mais longe. Mais fundo. — Estou dizendo que estamos complicando uma situação que não precisa ser complicada. Vamos voltar ao plano. — Ok. Ele segurou suas pernas. — Ok? — Ele esperava mais discussão. — É a sua vida. Sua decisão. Luke teve a nítida sensação de que estava sendo enganado. — Você está bem em voltar ao plano? — Sim. — Ela olhou fixamente para as mãos dele em suas pernas, até que ele as removeu. Harper voltou sua atenção para o menu. — Vejo você de volta ao trabalho. — Que tal eu pagar um almoço para você? — Ele ofereceu. O especial do dia parecia muito bom. — Não, obrigada. Prefiro comer sozinha. — Ela fechou o menu. — Mas vou colocar o seu café na minha conta. Você pode ir. E assim, Luke foi dispensado. *** Ele levou o combinado a sério e dormiu no sofá por duas noites, grato por ser um milhão de vezes mais confortável que o de sua avó. No entanto, ainda empalidecia em comparação com sua cama e Harper. O que ele pensava que iria simplificar as coisas, acabou se tornando uma complicação. Uma rocha dura. O fim de semana se transformou em uma ereção de dois dias. Agora que seu corpo estava fora dos limites, ele a queria ainda mais. Essas curvas doces o chamavam, exigindo sua atenção, suas mãos. Ele começou a evitá-la como o tio bêbado com quem ninguém quer falar em uma reunião, depois que ele a encontrou curvada sobre a ilha da cozinha, lendo uma revista, vestindo malditos shorts e um top. Ele se virou tão rápido que bateu direto na geladeira. E dane-se se ele não viu o sorriso em seu rosto antes de sair correndo da sala. Ela tinha que estar brincando com ele. Parecia que suas saias estavam ficando mais curtas, suas camisas mais apertadas e seu pau mais duro. Ele estava puto o tempo todo. Um fato que Frank estava apontando no momento. — O que diabos está enfiado na sua bunda hoje? — Só não estou com vontade de ouvir como outro cliente irritou você. Frank bufou e jogou um pedaço de madeira na traseira de sua picape. — Eu ia te dizer que a doutora ligou hoje, sobre aquela ampliação que ela tem falado. Ela está pronta para a expansão. Mas já que você está sendo uma vadia chorona, acho que vou pedir a Harper para colocar a visita no calendário. Luke bateu a tampa da caixa de ferramentas de sua picape. Quando alguém como Frank o criticava, ele sabia que devia estar agindo como um idiota. — Desculpe, Frank. Eu só... — ele estava o quê? Duro, frustrado, agitado, distraído inacreditavelmente por uma certa loira curvilínea que olhou através dele, em vez de para ele, na cozinha esta manhã. — Estressado — ele terminou, sem jeito. — Estressado? Com o que diabos? Você já fez isso antes. Seu pai e eu temos tudo sob controle. — Não é o trabalho. — Luke usou um pouco de água de sua garrafa térmica para limpar a poeira do drywall de suas mãos. — Isso teria algo a ver com uma certa administradora de escritório, que parece querer pular em você em um minuto e estrangulá-lo no próximo? — Então não é só minha imaginação? Frank suspirou e se encostou na picape. — Filho, deixe-me lhe contar algo sobre as mulheres. Não as irrite em nenhuma circunstância. Não vale a pena. Em primeiro lugar, você está arriscando a vida por algo que provavelmente não importa. Meu conselho? Se você a irritou, peça desculpas antes que ela transforme sua vida em um inferno. Foi a vez de Luke suspirar. — Devo realmente seguir o conselho de um homem que nunca foi casado? — Não precisa pular do penhasco para saber que você morre quando chegar no chão. Capítulo 22 Falta uma semana… Harper decidiu deixar Luke fazer o que queria e dar-lhe algum espaço para ser estúpido, mas o idiota estava ficando muito tempo fora de sua própria casa e tornando infelizes seus últimos dias em casa. Quando ele mandou uma mensagem para ela, perguntando se poderia voltar ao trabalho por uma hora ou mais naquela noite, para ajudar com uma proposta, Harper decidiu acabar com a loucura. Ela se vestiu para a guerra. A saia lápis, justa, terminava alguns centímetros antes de ser modesta, e abotoou uma blusa de mangas curtas, de um vermelho de arregalar os olhos. Ela desistiu do sutiã e colocou uma calcinha preta simples. Sandálias altas de tiras completavam o pacote. Secou o cabelo com um pouco mais de volume e pintou os olhos com um esfumado e os lábios carnudos. Harper deu a seu reflexo no espelho um aceno de cabeça e colocou seus óculos de sol. Ela iria ganhar essa parada. Fez questão de voltar ao escritório antes de Luke, e já estava digitando os números com eficiência no sistema de contabilidade, quando o ouviu voltar. Ela não se virou quando ele entrou, apenas continuou digitando. Ele parou na mesa dela e colocou um saco de papel engordurado sobre ela. — Eu trouxe o jantar para você. Harper se virou em sua cadeira, na direção dele. — Obrigada, chefe. Muito gentil da sua parte. Ele estava vestido com seu uniforme padrão, de jeans surrados e camiseta. Ela se perguntou se seu coração sempre batia forte com a forma como o algodão se agarrava ao peito e ombros dele. Seus olhos imediatamente rastrearam a pele dela exposta abaixo do pescoço. Ela soube o segundo que ele percebeu que ela não estava usando sutiã. Um músculo da mandíbula flexionou. Harper reprimiu um sorriso. Ela virou a cadeira para a mesa, para retomar a digitação. Luke ficou parado, limpou a garganta. — Você está bonita. — Oh, obrigada — Harper disse, animada. — Eu ia ver se Gloria queria sair hoje à noite, depois que eu terminasse aqui. — Sair — ele repetiu, calmamente. — Sim, desestressar. Harper apertou o botão de impressão na tela e se afastou da mesa. — Com licença — ela disse enquanto passava por Luke. — Pode sair daqui muito tarde — ele arriscou. De costas para ele, Harper sorriu. Quem diria que a tortura poderia ser tão divertida? — Eu não me importo. Fico feliz em ajudá-lo a finalizar a proposta. Droga, sem papel de novo. Harper se curvou para verificar se havia papel embaixo do balcão. — Luke? Você sabe onde está o papel? Sem palavras, ele apareceu ao lado dela. Ele abriu o armário ao lado e se ajoelhou. Harper se moveu, colocando deliberadamente seus seios em sua linha direta de visão. — Que bom, há outro pacote. — Ela passou por ele, roçando o seio em seu braço. Seus mamilos endureceram instantaneamente, e Luke saltou para trás como se tivesse se queimado. Harper se abaixou, sentindo sua saia subir na parte de trás, e pegou o papel. — Obrigada — disse ela, levantando-se novamente. — Vou colocar papel da impressora na lista de materiais de escritório. Luke estava passando a mão na nuca. Harper viu a protuberância familiar entre suas pernas e mordeu o interior da bochecha. Ela desfilou de volta para a mesa, apreciando a provocação do tecido sobre seus mamilos. — Hum, por que você não me envia um e-mail com o rascunho que você fez até agora, e eu lerei enquanto você come? — Luke fez a sugestão sem olhar para ela. — Parece bom. Ela mordiscou o cheesesteak que ele trouxe, mas estava mais interessada na maneira como o olhar dele a seguia, através do vidro do escritório. Ela levou um minuto para verificar seu e-mail e viu que a entrevista de emprego em Fremont havia sido confirmada para a semana seguinte. O familiar burburinho de empolgação com um potencial novo começo não apareceu desta vez. Na verdade, tudo o que ela realmente sentiu foi uma bola de gelo se formando em seu estômago. Pela primeira vez na vida, o apelo de um novo começo não estava lá. Harper levou as mãos ao rosto e fechou os olhos. Não havia maneira de contornar isto. Nenhuma maneira de suavida atual continuar. Luke estava indo embora e, mesmo que não estivesse, não havia espaço para ela em sua vida. — O que há de errado? Harper saltou da cadeira ao ouvir a voz de Luke. Ele estava de pé do lado de sua mesa, olhando para ela. — Você me assustou! É isso que está errado. Jesus. Ela colocou a mão sobre o coração, sabendo muito bem o verdadeiro motivo de estar batendo forte. Porque ele estava muito perto dela. — Mentirosa. O que há de errado? — Eu estava pensando se seria difícil encontrar um apartamento que permitisse cães. Não era. Hannah já tinha marcado um encontro, para ver uma pequena casa ao lado de um parque para cães. — Você vai levar os cachorros? — Bem, sim. Não acho que sua unidade permitiria que você os levasse. Enfim, você quer alguma coisa? — Ela descruzou e cruzou as pernas e sorriu quando ele deu um passo para trás. — Uh. — Luke passou a mão na nuca. — Sim. Você pode dar uma olhada em algumas palavras? Por favor. — Claro — disse ela, levantando-se para segui-lo ao seu escritório. Ela esperou até que ele se sentasse e então se inclinou sobre ele para olhar o monitor. Ela o ouviu parar de respirar. — Este texto aqui? Luke acenou com a cabeça, mas permaneceu em silêncio. — Você está preocupado por não estar claro o suficiente que a geotérmica está incluída? — Sim. Você realmente aprendeu muito em um período muito curto de tempo. — É fácil quando é interessante. E há muita coisa aqui que acho interessante. — Harper. Seu tom de aviso imediatamente a fez recuar. — Luke. — Já conversamos sobre isso... Ela se afastou dele. — Conversamos sobre o quê? A: Eu estava falando sobre meu trabalho aqui no escritório, capitão presunçoso. B: Nós não conversamos. Eu tentei, e você se fechou e começou a dormir no sofá porque é totalmente maduro. — E totalmente maduro é brincar comigo quando peço sua ajuda. Eu sei que você está se vestindo assim de propósito. — Nunca afirmei ser madura e, pelo menos, sou honesta sobre o que quero. — Você acha que não estou sendo honesto com você? Ela nivelou seu olhar com o dele. — É você quem está jogando aqui. Você faz parecer que está me protegendo, quando é você que está tentando se proteger. Ele começou a discutir, e então fechou a boca. — Não dá para discutir com a verdade. Você é o único preocupado com o quão intenso isso é. Você é quem está ficando com medo. Porque sente algo e acha que tirar o sexo da questão vai fazer isso ir embora. — Você entende por que não podemos fazer isso. — Eu entendo que você não quer fazer isso — ela corrigiu. — Harper. — Ele parecia exasperado. — Eu quero você. Estou duro desde o segundo em que entrei aqui esta noite. Não há cenário que envolva eu não querer você. — Ele passou a mão pelo braço dela, seu polegar roçando a curva suave de seu seio. — Eu quero você mais do que deveria. Harper encostou-se à mesa. — Por que isso significa que temos que parar? Temos mais uma semana. Não deveríamos estar aproveitando ao máximo? — É difícil explicar logicamente o porque, quando você não está usando a porra de um sutiã! — Ele estava gritando agora. Ela levou as mãos aos quadris, e o tecido se abriu entre os dois botões superiores. — Você está pensando demais nisso. — Não quero que nenhum de nós se apegue mais. E, sim, estou apegado também. Harper revirou os olhos e se afastou da mesa. — Temos dez dias, e então você vai embora e eu vou embora. Não há perigo de apego. Isso é tudo o que nos resta, e você está decidido a gastar isso me punindo. Ela se virou para sair do escritório, mas ele a segurou pelo braço antes que desse um passo. Ele a fez girar e se inclinar sobre a mesa em um piscar de olhos. — Você me deixa louco — ele rosnou em seu ouvido. — E você me irrita — ela argumentou, balançando os quadris contra os dele, tentando conseguir algum espaço. Sua ereção, dura como pedra, pressionou contra ela, empurrando-a contra a mesa. — Eu não posso lutar com você por mais tempo — ele avisou. — Já estava na hora — ela o cortou. Luke prendeu suas mãos atrás dela e empurrou sua saia até os quadris. Quando ela ouviu o som de seu zíper, ficou instantaneamente molhada. Não podia evitar. Com seu joelho, ele forçou suas pernas a se abrirem mais e puxou sua calcinha para baixo, por suas coxas. Aberta e pronta, ela gemeu. Com o barulho, ela sentiu a pele lisa de seu pau balançar contra a parte de trás de suas coxas. Segurando o membro grosso, ele guiou a ponta entre suas pernas, esfregando-o contra suas dobras lisas. — Você já está encharcada, querida. Ele libertou seus braços apenas para agarrar a abertura de sua blusa e puxar. Os primeiros três botões pularam na mesa e no chão. Seus seios saíram para fora da camisa e em suas palmas à espera. — É isso que você quer? — Ele apertou, esfregando as palmas das mãos calejadas sobre as pontas sensíveis. — Eu te tocando? Eu dentro de você? Eu fazendo você gozar uma e outra vez? As pernas de Harper tremeram. Ele levou a mão ao cabelo dela e o agarrou. Puxando-o para trás, ele agarrou seu pescoço com a outra mão. — Isso é o que eu quero. Eu quero que você pegue toda a escuridão, toda a dor, e transforme em algo lindo. Eu quero te preencher, te machucar, te agradar. Dar tudo a você. Eu quero tanto que não consigo pensar em mais nada. Pensar em nunca mais te tocar... Ele passou a mão pelo pescoço dela para capturar um seio e puxou o mamilo. Harper ofegou, o pulso vibrando sob seus dedos. — É isso que você quer? Seus dedos puxaram o bico como uma boca. Ela gemeu novamente. — Sim, Luke. Eu quero você. Eu quero tudo isso. — Foi um sussurro. A mão dele deixou o cabelo dela abruptamente, e ela desabou sobre a mesa. — Cuidado com o que deseja, Harper. O tecido úmido de sua calcinha se rasgou em dois, com um puxão violento, e caiu no chão entre suas pernas. Sem barreiras, ela estava completamente exposta. Luke guiou a cabeça grossa de seu pau até a junção de suas coxas. — Basta lembrar que você me pediu isso, eu só queria te proteger. Encontre algo em que se apoiar. Sem mais avisos, ele a penetrou com uma violência que ela nunca experimentou. Não houve tempo para se ajustar ao seu tamanho. Seu comprimento grosso entrou em seu corpo, penetrando-a. Ele mudou o ângulo, e o último centímetro dele deslizou para seu interior. Ela o sentiu bem fundo quando ele entrou completamente. Com força bruta, ele começou a entrar nela. Suas mãos a envolveram, agarrando seus seios. Elas trabalharam para acariciá-los, esticando e puxando os mamilos, oferecendo intenso prazer com um pouco de dor. Presa entre seus impulsos e a mesa, ela não podia fazer nada além de aguentar. Tudo. Suas bolas pesadas batiam contra ela. Ele era muito grande, o ritmo muito furioso. Ele grunhia baixinho a cada estocada, e Harper sabia que ele estava perdido nela. Não havia como pará-lo. Ela só poderia se submeter. Seus pequenos músculos o apertavam em cada impulso. Um desejo tão intenso, que alcançava seu coração, agarrava-se a ela. Ela queria tirar tudo dele. As sombras, a escuridão, a dor. Liberando seus seios, Luke segurou suas pernas. Uma mão escorregou entre as coxas de Harper, separando suas dobras escorregadias para acariciar onde ela precisava. Sua outra mão desceu por suas costas e ainda mais abaixo, logo acima de onde seu pau a devastava. Ele sondou e pressionou, e com um impulso rápido, entrou em seu canal apertado. Completa em todos os sentidos. Harper gritou quando se apertou ao redor dele, que liberou o primeiro jorro de sêmen quente profundamente em seu útero. Seus dedos acariciaram seu clitóris, e ela se desfez. Ela o ouviu gritar seu nome por cima do latejar em seus ouvidos. Ele o falou de novo, mais suave agora, enquanto seu corpo ficava rígido e seu pênis sacudia dentro dela. Ela podia sentir o calor fluido de seu orgasmo enquanto continuava no clímax. Seu corpo, molhado de suor, colapsou contra o dela na mesa. Ambos estavam ofegando. Destruída, Harper sentiu a umidade em suas bochechas. Que demônios ele escondia sob a superfície que doía tanto? Ela podia sentir a sombra sobreo coração dele, e isso quebrou o dela. *** — Harp, sinto muito, estou tentando me levantar, mas minhas pernas não parecem estar firmes — ele murmurou contra a pele quente de suas costas. Pela primeira vez, ele estava vazio. Sem sombras à espreita, sem pensamentos para afastar. Apenas silencioso e quente. Ele finalmente se forçou a se levantar e, acariciando as costas de Harper, puxou-se lentamente. Ele observou enquanto uma umidade pegajosa descia pela parte interna de suas coxas, evidência do quão forte ele gozou. Nunca em sua vida fora assim. Ela afugentou a escuridão e o trouxe para a luz. Ele sentiu algo se soltar em seu peito. Ela ainda estava em silêncio. Ele nunca tinha visto Harper ficar tão quieta por tanto tempo. Nem mesmo em seu sono. — Harper. — Luke a puxou e lentamente a virou para encará-lo. Seus joelhos se dobraram, e ele a segurou. Então ele viu as lágrimas. — Oh, meu bem. Sinto muito. Eu sinto muito, porra. Eu te machuquei? Ele a abraçou e a acariciou. Ela balançou a cabeça contra ele. — Eu não te machuquei? Ela balançou a cabeça novamente e se aconchegou mais perto dele. Ele a ergueu e a carregou para o sofá de couro gasto, no canto. — Eu assustei você? Ela balançou a cabeça e colocou os braços ao redor dele. Ele se sentou, embalando-a em seu colo. — Me diga, querida. O que há de errado? Harper ergueu a cabeça e segurou o rosto dele com as mãos. — Eu acho que te amo — ela suspirou, em um lamento. — E não se atreva a me dizer que é por isso que você não queria fazer sexo. As mãos dele pararam em sua pele por um breve momento, antes de retomar suas lentas carícias. Foi a vez dele de ficar em silêncio. — Eu assustei você? — ela sussurrou contra seu pescoço. Luke a apertou levemente. — Talvez um pouco. Harper sentou-se em seu colo. — Isso é novo para mim. Não sei se gosto. — Ela parecia tão desamparada, que Luke não pôde deixar de sorrir. — Suponho que haja coisas piores. — Realmente? Porque não consigo pensar em nenhuma neste exato momento. Isso é realmente inconveniente. — Ela respirou fundo e sentou- se novamente. — Oh, meu Deus! E se eu passar o resto da minha vida sofrendo por um cara que conheci em Benevolence? Luke a apertou novamente. — Olha, Harper... — ele começou. — Eu não disse as palavras para ouvir você dizê-las de volta. Sei que não é algo que você sente por mim e não preciso ouvir os motivos. Eu só queria que você soubesse. — Harper, provavelmente deveríamos conversar. Mas, primeiro, vamos encontrar algumas roupas para você, já que destruí a sua. Eles comeram sanduíches, de pernas cruzadas no chão do escritório de Luke. Ele havia arranjado uma camiseta da Garrison Construções e um short de ginástica muito grande para Harper. Ela esperou até que ele tivesse dado a última mordida no sanduíche de peru com queijo. — Então, vamos conversar. Luke demorou a amassar o guardanapo e colocar o lixo de volta na sacola de papel. Ele respirou fundo. — Há alguns anos, passei por uma fase difícil. Perdi algumas pessoas próximas a mim e levei muito tempo para me recuperar. — Pessoas em sua unidade? Ele assentiu. — E alguém em casa, logo depois. — Alguém de quem você era próximo? — Sim. — Eu sinto muito, Luke. — Ela colocou a mão em seu joelho. — Nunca é fácil perder alguém de quem você gosta, e é ainda pior quando é mais de um. Ele pensou em uma garotinha de sete anos, assustada, sem os pais, e apertou sua mão. — Foi uma época sombria. — E é por isso que sua família... — Me tortura com essa atenção bem-intencionada, mas autoritária? — Como você se sente em relação a voltar em missão? — Eu fui enviado para missões depois disso. Nunca é fácil. Mas é necessário, e ajuda a superar os tempos difíceis. — Você se sentiu responsável? Ele respondeu sem hesitação. — Sim. E eu ainda me sinto. — Mesmo sabendo que não é sua culpa? — Falha e responsabilidade não precisam estar relacionadas. — E quanto à pessoa que você perdeu aqui? — Perdê-la mudou as coisas para mim. Não vou passar por isso de novo. Harper assentiu. — OK. — OK? — Isso provavelmente não faz com que eu não ame você. — Harper... Ela tapou sua boca com a mão. — Eu não preciso que você esclareça o assunto. Você não pode me amar de volta. Você não quer estar em um relacionamento. Entendi. — Sinto muito, Harper. — Não sinta. Meus sentimentos por você não dependem dos seus por mim. Eu gosto de você. Provavelmente te amo. Eu te acho um cara incrível. Fim da história. — Então, onde isso nos deixa? — Aproveitando o resto da semana. — Por que você iria querer, se não há esperanças a longo prazo? — Você me conhece? O que na minha vida já foi a longo prazo? A vida é muito curta para não se agarrar aos bons momentos enquanto eles duram. — Você é uma mulher incrível, Harper Wilde. Capítulo 23 Harper estava atrasada. Max se soltou da coleira, depois de avistar o beagle correndo solto, três casas abaixo. Ela passou meia hora perseguindo- os, devolveu o beagle a um Sr. e Sra. Scotts muito gratos e depois carregou Max em um aperto mortal para casa. Luke havia convocado uma reunião matinal com a equipe, e Harper queria receber os últimos números com antecedência. Seu cabelo ainda estava úmido do banho muito rápido, e ela tinha certeza de que havia perdido um botão de sua blusa. Não foi até que estava correndo para fora da porta da frente, procurando suas chaves, que ela percebeu que elas e seu carro não estavam lá. Luke fechou a porta, lutando para equilibrar uma caneca térmica e uma pilha de papéis. — Você vai comigo hoje. — Onde está meu carro? Luke começou a descer os degraus da varanda da frente. — Está no conserto. — Por que diabos meu carro está no conserto? — Ela o seguiu. Ele suspirou e se virou para encará-la, então eles ficaram cara a cara. — Pedi a Shorty para fazer alguns ajustes. — Tudo estava funcionando bem — disse Harper, com um olhar desconfiado. — Besteira. Ele falou tão calmamente, que não foi registrado por um segundo inteiro. — Eu não vou deixar você com um carro que quase não funciona. — Luke, isso não é problema seu. Ele suspirou. — Você é minha preocupação, e isso se estende a qualquer contêiner de metal que você entra e dirige em alta velocidade. Ela ficou igualmente comovida e irritada com seu gesto. Valia a pena lutar, com apenas 72 horas restantes juntos? Ela suspirou. — Quando estará pronto? — Provavelmente amanhã, no final do dia. — Dois dias? O que eles estão fazendo? — Tudo o que for necessário. — Ele cortou sua resposta indignada com um beijo forte na boca. — Agora entre na picape. — Tudo bem, mas nem mesmo pense por um segundo que você pagará por isso — ela gritou às suas costas. — Picape, Harper — gritou ele por cima do ombro. Ela subiu, bufando. — Escute — Luke disse, deslizando a chave na ignição. — Quero você a salvo quando eu não estiver aqui para ficar de olho. Eu me apeguei a você estar viva e inteira. — Você não acha que está sendo um pouco superprotetor? Especialmente para alguém que basicamente terminará comigo em questão de horas. — Eles voltaram para a rua. — Podemos conversar sobre outra coisa por um minuto, e então você pode voltar a reclamar? Ela revirou os olhos e suspirou. — Certamente. — Eu a vi começar a fazer as malas na noite passada. Ela começou mesmo. Eram apenas algumas roupas enfiadas em uma bolsa e algumas caixas de bugigangas. — Não queria deixar tudo para sexta-feira. Muito deprimente. — Eu sei que você está planejando ir embora, e eu estava pensando que, talvez, você pudesse ficar mais alguns dias. Depois que eu for embora. Harper o encarou, mas o olhar dele estava fixo na estrada. — Por quê? — Pode ser um pouco difícil para minha família, se nós dois partirmos no mesmo dia. — Você ainda não disse a eles? Ele balançou a cabeça. — Eu não consegui pensar na maneira certa de fazer isso. Papai está sempre querendo me contar sobre algo ótimo que você está fazendo no escritório. Mamãe está sempre me empurrando assados para levar para você. — Isso é meio fofo. — Sim, e vamos esmagar seus sonhos com a verdade. — Então o que nós vamosfazer? Preciso desaparecer um dia, certo? — Ela observou o limpo bairro passar pela janela e forçou o nó em sua garganta a se soltar. — Eu fiz algo que nunca faço e pedi o conselho de Sophie. — De repente, estou intrigada. — Eu disse a ela que não queria que nenhum de nós dois parecesse idiotas. — Boa decisão. — Portanto, a solução dela é anunciar que você acabou de conseguir o emprego dos seus sonhos em outro lugar e que estamos nos separando como amigos. Harper refletiu sobre isso. — Quando vamos contar a eles? — Eu estava pensando em fazer isso no jantar. — Antes de partir? — É isso, ou você conta a eles depois que eu entrar no ônibus. — Isso não vai acontecer. — Jantar, então. Com seu futuro decidido, Harper se reclinou no encosto de cabeça e tentou não pensar. *** Harper tirou as ondas douradas de seu rosto e as prendeu com um grampo, deixando o resto solto em seus ombros. Ela respirou fundo para se acalmar, antes de começar a fazer a maquiagem. Queria parecer perfeita. Até comprou um vestido novo. O vestido de verão, branco, tinha um corpete justo com um decote redondo e uma saia bufante que flutuava acima de suas pernas. Era muito chique para o jantar, mas ela queria ser memorável. — Harper. — A voz de Luke subiu as escadas. — Temos que ir, querida. — Estou pronta — ela respondeu. Uma última olhada no espelho e outra respiração profunda e disse a si mesma que estava pronta. Uma última noite. Ela desceu as escadas e se chocou com Luke quando ele virou a esquina da sala de estar. Ele a segurou, as mãos em sua cintura. — Olá, linda. Sua voz era uma carícia. Uma que ela sentiria falta por muito tempo. Ele estava vestido com calças cor de carvão e um suéter preto fino, que caía como se tivesse sido derramado sobre ele. Perfeição. Harper passou as mãos no peito dele, provocando um grunhido. — Querida, se começarmos, vamos nos atrasar. — Ele passou a mão por baixo do vestido, para acariciar suavemente a barreira de sua calcinha de seda. — Muito. — Eu não posso acreditar que este é o fim — ela sussurrou, traçando seu peito levemente com os dedos, até os ombros. Luke a encarou por um longo momento, levantando os polegares para traçar um caminho suave ao longo de sua mandíbula e pescoço. — Você está linda — disse ele finalmente. — Eu queria ser memorável. — Querida, demoraria mais do que todo o tempo do mundo para eu te esquecer. — Eu te amo, Luke. Tanto que ela pensou que iria explodir dela. Amor e orgulho corriam por suas veias, alimentando seu coração. Ele era o homem com quem ela sempre sonhou. Ele a puxou com força, apoiando o queixo no topo de sua cabeça. — Vou sentir sua falta. — Havia uma ferocidade em sua voz que fez Harper fechar os olhos para conter as lágrimas. Ela respirou fundo, estremecendo. — Tudo bem, Capitão. Vamos levá-lo para sua festa — Ela disse, dando um passo para trás. — Vamos com o seu carro. — Ele ergueu as chaves e as balançou na sua frente. — Está de volta? Yay! — Ela agarrou as chaves, que Luke segurava fora de seu alcance. — Está de volta — afirmou. — Mas você só pode tê-lo com uma condição. — Eu não vou ficar pelada. Já estamos atrasados. Ele sorriu. — Não essa condição. Você tem que prometer que vai cuidar dele. Trocar o óleo regularmente. Não ignorar a luz de verificar o motor. Verificar os fluidos e a pressão dos pneus. — Sim, senhor. — Harper fez uma continência brusca. — Agora me dê! Ele entregou-lhe as chaves e a seguiu para fora. Seu grito de alegria fez Max atacar a janela da frente para latir ferozmente. — Está tão limpo! E olhe! Eles consertaram o rasgo no teto. — A pintura, trazida de volta à vida por uma cera profissional, brilhava com um azul brilhante sob sol do final da tarde. Harper sentou-se atrás do volante e acariciou amorosamente o painel. — Esses medidores são novos? Luke se inclinou na janela aberta do passageiro. — Por que você não liga? Harper obedeceu e bateu palmas quando o motor pegou na primeira tentativa. — Oh, meu Deus! Não há barulho algum. Shorty é um gênio! Luke abriu a porta e sentou no banco do passageiro. — Vou dizer a ele que você disse isso. — Muito obrigada por consertá-lo, Luke! Isso vai me custar uma grande quantidade do dinheiro para o meu apartamento e do fundo do sofá confortável, mas eu nem me importo. Nunca esteve melhor que isso! — Seu fundo está intacto. Isso é por minha conta. Considere um presente de despedida. Harper abriu a boca para discutir, mas Luke fechou a mão sobre ela. — Antes de você começar a gritar, o último mês foi o melhor que tive em... nem sei por quanto tempo. Você fez da minha casa um lar, arrumou o caos no trabalho e me deu o que eu não sabia que precisava. Você. Portanto, esta é minha maneira, muito pequena, de agradecer por me trazer de volta à vida. Se eu pensasse por um segundo que me deixaria comprar um carro novo, eu o teria feito. Mas eu conheço você. Ele tirou a mão de sua boca. — OK. Você pode gritar agora. — Droga, Luke. Não consigo gritar agora. — Você também não pode insistir em me pagar sem parecer uma idiota — ele sorriu. Maldita covinha sexy. A imagem perfeita. Ele sorrindo para ela, óculos de aviador, aquele suéter macio que se agarrava a cada músculo. E o sol se pondo atrás dele. Era assim que ela sempre se lembraria dele. Harper suspirou. Ela iria para o túmulo amando Luke Garrison sem arrependimentos. Ele deu um tapinha no painel. — Agora que ganhei o concurso de presentes, vamos lá. Estou com fome. Harper deu ré na garagem e engatou a primeira. — É um motor novo? *** O próprio Sr. Romanos os conduziu pelo restaurante até a salinha dos fundos, reservada para ocasiões especiais. Harper parou com Luke na porta e observou a cena caótica. Josh se arrastou para baixo de uma mesa e Ty estava tentando convencê-lo a sair. Sophie estava enchendo as taças de vinho. Charlie estava em uma profunda discussão com Aldo e James, enquanto Claire e uma mulher baixa e rechonchuda, com cabelos crespos grisalhos, estavam conversando. — Essa é a mãe de Aldo, Sra. Moretta — Luke sussurrou em seu ouvido, acenando na direção da mulher. Ela jogou a cabeça para trás em uma gargalhada estrondosa. — Ela é agressiva, então tente não entrar em uma discussão com ela. Stu e Syl estavam tendo um desentendimento sobre a cesta de pãezinhos, enquanto a garçonete de aparência cansada prometia trazer outra. Frank sentou-se sozinho, tomando uma cerveja. — Vou sentir falta disso — Luke suspirou, puxando-a para seu lado. — Eu também — Harper assentiu. — Bem, podemos também aproveitar ao máximo a nossa última noite. Ele apertou sua cintura e piscou. — Tio Stu, coloque o pão na mesa — ele ordenou quando entraram na sala. Os aplausos aumentaram, e eles foram cercados por abraços, apertos de mão e tapas nas costas. Todo mundo estava falando ao mesmo tempo. Josh colocou a cabeça para fora da mesa. — Tio Luke! — A criança correu para seu tio, e Luke o pegou, jogando seu sobrinho no ar. — Tio Luke! Camu! — Josh apontou para a camiseta camuflada que estava vestindo. — Igual você? — Quando você voltar, ele terá o dobro do tamanho — provocou Ty. — O garoto come sete quilos de macarrão com queijo por dia. — Eu não duvido — Luke riu. Harper contornou a multidão até Sophie, que lhe entregou uma taça de vinho. — Aguentando firme? Harper assentiu. — Sim. — Ela observou Luke fazer malabarismos com Josh, para que ele pudesse abraçar tia Syl. — Ele te contou o que fez com o meu carro? Sophie revirou os olhos. — Meu irmão já contou alguma coisa de bom grado a alguém? — Bom ponto. — Harper riu e a informou. — O grande molenga. — Sophie suspirou e piscou os olhos lacrimejantes. — Ele te ama, você sabe. Ele protege você como se fosse da família. — Eu sei que ele se importa comigo, mas não acho que ele está pronto para a palavra com A. Eu, por outro lado... — Harper parou de falar e tomou um gole de vinho. — Eu sabia que você era exatamente o que ele precisava, e agora você está indo embora também — Sophie fungou. — Oh, meu Deus, não comece, ou isso vai me irritar, e entãoLuke vai ficar puto com nós duas — Harper disse, piscando os olhos para lutar contra as lágrimas que turvavam sua visão. — Por favor, me diga algo engraçado! — No ano passado, mamãe levou Josh para dormir lá, para que Ty e eu pudéssemos sair à noite. Em vez disso, ficamos em casa e bebemos uma garrafa inteira de Kraken. Então pedimos uma pizza e apostei que ele não atenderia a porta usando minhas calças de pijama rosa com gatinhos nelas. Eu perdi. Harper tapou a boca com a mão, mas era tarde demais. A risada já estava explodindo. Ambas se dobraram de rir com histeria. — Calças de gatinho rosa? — ela se engasgou. Sophie, perdida em uma risada silenciosa, só conseguiu assentir. — Senhoras, vou ter que prendê-las por perturbação pública? — Ty disse, se aproximando. Isso as fez explodir novamente, e Harper agarrou-se a Sophie para ficar de pé. — O que você fez com a minha garota, Ty? — Luke apareceu ao lado dela, uma garrafa de cerveja na mão. Harper enxugou as lágrimas de suas bochechas, grata por ter usado rímel à prova d’água esta noite. — Desculpe. Sophie estava apenas contando a história mais engraçada. — Se você recuperou seu suprimento de oxigênio, vou apresentá-la à Sra. Moretta. Harper acenou com a cabeça e endireitou os ombros. — Todos recuperados. Com licença, Soph, Sr. Gatinho. — Ela arranhou o ar na frente de Ty enquanto passava. Sophie começou a rir novamente. — Droga, Soph. Por que você está revelando segredos? — Ty suspirou atrás deles. *** Eles finalmente conseguiram que todos se sentassem, por tempo suficiente para a garçonete anotar o pedido do grupo. Quando as bebidas de todos foram recarregadas, Charlie se levantou, o copo na mão. Luke apertou a coxa de Harper por baixo da mesa. — É tradição da família Garrison enviar nossos meninos com algumas palavras de sabedoria. Luke, Aldo — Ele acenou com a cabeça para ambos —, eu testemunhei vocês crescerem de crianças encrenqueiras para adolescentes criadores de problemas. Agora vocês são homens adultos e ocasionalmente ainda causam problemas. Harper sorriu com a risada que se alastrou pela mesa. — Mas eu não poderia estar mais orgulhoso de vocês dois. Vocês são bons homens que lideram com o coração. Acreditam em lealdade, amizade, família. Obrigado pelo seu serviço e voltem para casa em segurança. — Charlie ergueu seu copo. — Saúde. — Saúde — todos ecoaram, erguendo os copos. Luke apertou a perna dela novamente e se levantou. — Obrigado, pai. Gostaria apenas de salientar que aprendemos com você a criar problemas. Não costumo fazer esse negócio de discursos, mas gostaria de agradecer a todos pelo apoio. Para nós, ir nunca é fácil. Mas acalma nossas mentes saber que todos terão uma folga de nós em casa. Posso não dizer isso com frequência suficiente, mas agradeço a todos vocês por tudo. Luke colocou a mão no ombro de Harper. — Muitos de vocês sabem que Harper tornou o período antes da missão muito mais fácil para mim, no trabalho. Em casa, ela adotou cachorros e comprou móveis e normalmente trazia muito caos. — O grupo riu. — Nós conversamos muito sobre o que fazer com a minha partida e decidimos que é melhor para nós dois se seguirmos caminhos separados. Harper olhou para o colo dela e fingiu não ouvir os suspiros. Sophie, à sua esquerda, cutucou-a por baixo da mesa com o pé. — Harper estava a caminho de Fremont quando nos conhecemos. E é para lá que ela vai, em uma ou duas semanas. Ela terá algumas oportunidades com as quais está muito animada, e estou feliz por ela. Ela é uma ótima garota. Luke parou, sem jeito, e Harper deu uma espiada em volta da mesa. Choque, decepção, confusão. — Nossa, quando você se levantou, pensei que você fosse pedir a garota em casamento — anunciou a sra. Moretta. Ninguém riu. Capítulo 24 — Bem, isso foi terrivelmente doloroso — Luke disse enquanto fechava a porta do motorista. O jantar acabou. Felizmente, a maior parte do sentimento festivo havia retornado no momento em que a sobremesa foi servida, após a bomba que Luke soltou, mas tinha sido difícil por um momento. Harper deu um tapinha em seu joelho. — Você fez o que precisava ser feito. — Você viu o rosto da minha mãe? Eu sinto como se tivesse chutado uma ninhada de cachorrinhos — Ele gemeu. Harper riu. — Pobre bebê. Está tudo bem. Acabou, e você nunca mais terá que fazer isso. Todos entendem que estamos bem com a decisão. Claro, talvez pensem que somos covardes por não tentarmos mais, por Max e Lola. Luke saiu do estacionamento do restaurante e foi para casa. — Todos pensaram que eu iria pedi-la em casamento, e então tive que destruir seus sonhos. — Ele suspirou, passando a mão pela cabeça. — Eu me sinto um idiota. — Se isso faz você se sentir melhor, pensei que você fosse pedir também. — Muito engraçado, pestinha. Harper riu e deu um tapinha em sua perna. — Então, como se sente? — Luke perguntou, mudando de assunto. — Sobre tudo isso? Ele assentiu. Harper suspirou. — Culpada, triste, preocupada. Você nomeia, e eu o sinto. E quanto a você? Luke encolheu os ombros. — Não sei. Eu me preocupo em empurrá-la porta afora e deixá-la aí sozinha. — Eu sou uma garota crescida, Luke. — Eu sei que você é, mas isso não me impede de me preocupar com você. Sempre há uma mistura de entusiasmo e ansiedade envolvida na missão. Já fiz isso antes, então não se trata tanto do “desconhecido”, mas do “conhecido”. — Como? — Harper perguntou. — Como crianças que nunca têm o suficiente para comer. Algumas das pessoas nunca confiarão em nós. As tempestades de areia. A monotonia. O perigo. Mas também há coisas boas. Minha unidade tem um forte vínculo que vem de uma espécie de intenso sofrimento compartilhado. — E você está no comando? Luke acenou com a cabeça. — Sim, sou o oficial comandante de nossa unidade de infantaria. — Isso é muita pressão? — Não quando todos nós trabalhamos juntos e fazemos o que devemos fazer. Tenho um grande grupo de homens e mulheres que, na sua maioria, tornam tudo mais fácil. Harper assentiu. — Como é voltar para casa? Parece que você está vivendo duas vidas diferentes? — Às vezes, parece mais fácil ir para a missão do que voltar para casa. Lá acontecem coisas como levar um tiro e enfrentar decisões de vida ou morte todos os dias, e aqui o mais difícil parece tentar decidir qual hambúrguer pedir do menu. Sempre leva um pouco de tempo para lembrar que só porque nossas famílias e amigos não estiveram na guerra, isso não significa que a maneira como eles vivem suas vidas seja menos importante. — Então, quando você chega em casa e alguém está pirando por ter levado uma multa por excesso de velocidade... — Exatamente — ele assentiu. — Até que você tenha enfrentado situações extremas, é muito fácil dar tudo como certo e se preocupar com essas coisas pequenas. — Quando você chega em casa, como passa suas primeiras vinte e quatro horas? Luke sorriu. — Eu durmo, na maior parte. Harper riu. — Então, você gostaria de passar suas últimas horas aqui? A mão de Luke em seu joelho subiu mais alto, arrastando o tecido de seu vestido com ele. — Isso é uma dica? Disposta a jogar, Harper afastou os joelhos. Seu vestido subiu alto o suficiente para revelar sua calcinha de algodão branco. — Você está tentando me distrair? — Luke brincou. Seu dedo arrastando preguiçosamente sobre a borda do material. Ele podia não a amar, mas a queria com uma intensidade que assustava os dois. E isso era alguma coisa. Harper enganchou as pernas de cada lado do assento. Era um convite. — Você não sabe que é perigoso distrair o motorista? — Enquanto ele falava, as pontas de seus dedos circundavam sua intimidade através do algodão. — Hum — murmurou Harper. Luke puxou o tecido para o lado, desnudando-a para ele. Desta vez, seus dedos encontraram a carne. — Jesus, querida, você já está molhada. Luke entrou na garagem, pneus cantando. — Eu quero você lá dentro — ele ordenou. Harper agarrou sua bolsa e saltou do carro, apressando-se na caminhada. Quando se atrapalhou com as chaves na porta da frente, ele se apertou contra ela. Harperse moveu para trás, para se esfregar nele. Luke puxou a alça de seu vestido e deixou seus seios caírem livremente em suas mãos. Harper empurrou a porta da frente e o arrastou pela soleira, puxando a fivela do cinto. Ele a girou para encará-lo e chutou a porta, fechando-a atrás dele. Eles foram interrompidos por Lola e Max correndo pelo corredor, para cumprimentá-los. — Vou colocá-los no quintal. Me encontre lá em cima — ele sussurrou. — Mas deixe o vestido. Eu vou despir você. Com a pulsação descontrolada, Harper subiu as escadas de dois em dois. Ela só teve tempo de tirar a presilha do cabelo e as sandálias, antes de ouvir Luke subindo. Quando ele apareceu na porta, seu coração deu um pulo no peito. Luke se aproximou dela, puxando o suéter pela cabeça. — Droga, você está duro — Harper suspirou. — Meu bem, eu estava prestes a dizer a mesma coisa. — Suas mãos estavam sobre ela agora, roçando os lados de seus seios nus. — Tenho pensado em tirar este vestido de você desde que desceu com ele. Seus dedos voaram para abrirem o cinto dele. Luke interrompeu o movimento de suas mãos e desafivelou o cinto. Depois levou as mãos ao rosto dela. — Vou demorar com você esta noite. Sem fôlego, Harper assentiu. — Você é tão linda, Harper. Seus dedos se arrastaram ao longo de sua mandíbula até a nuca. Luke baixou a boca até a dela, e ela se entregou ao lento arder do fogo, derretendo-se em seus braços. Seus dedos queimaram caminhos ardentes por sua pele nua, acendendo os nervos a cada carícia. Ele parou na cintura dela e lentamente começou a baixar o vestido sobre os quadris, pelas coxas, até formar uma pilha de tecido a seus pés. Vestida apenas com sua calcinha, Harper se ajoelhou diante dele e deslizou as calças por suas pernas musculosas. De pé, apenas em cuecas boxer, ele era seu herói esculpido. Ela alcançou o cós e pegou seu comprimento grosso em sua mão. A cabeça já estava molhada. Harper puxou a cueca até as coxas. Inclinando-se para ele, ela levou seus lábios à larga cabeça de seu pênis. Seus dedos se cravaram em seu braço. — Harper. — Ele não a impediu, mas seu corpo ficou tenso. Ela abriu os lábios e lentamente o tomou em sua boca, centímetro a centímetro. Ele fez um ruído semelhante a um gemido, e Harper soube que o afetava da maneira como ele a afetava. Testando, ela passou a língua em torno da cabeça, sacudindo-a sobre a pequena fenda. Sua recompensa foi uma gota de umidade salgada. Ela lambeu a ponta. — Meu Deus, Harper. Foi todo o incentivo que precisava. Ela inclinou a boca sobre ele e para baixo. Todo o caminho até o fundo de sua garganta. Seus quadris flexionaram, levando-o mais longe em sua boca, e ela ofegou para respirar. Ela envolveu a mão ao redor da base de seu pênis, e com a boca e os dedos, começou um movimento agressivo. Luke ergueu os quadris e colocou a mão no cabelo dela. Harper chupou uma e outra vez. — Querida. — Ela ouviu a necessidade, o medo em sua voz rouca. Com a mão livre, Harper espalmou seu saco. Ela puxou e o acariciou em um ritmo que combinava com sua boca. O aperto dele em seu cabelo aumentou, e ela sabia que ele não tinha ideia de que a estava machucando. Isso a fez se sentir poderosa, levando-o ao limite assim. Ele deu um passo para trás, seu pau saindo da boca de Harper. — Estou muito perto — ele sussurrou. Luke a puxou para cima e a afastou dele. Enquanto uma mão trabalhava no mamilo, a outra mão mergulhou no cós de sua calcinha. Harper gemeu, balançando os quadris contra os dele. Ele respondeu a seu apelo silencioso penetrando-a lentamente com um dedo. Harper recostou-se no peito dele e fechou os olhos. As estocadas lentas e superficiais e os dedos ásperos puxando seu mamilo a desfizeram. — Ponha as mãos na cama — ele ordenou baixinho. Ela se curvou e se apoiou no colchão com as mãos. Seus seios caíram pesadamente, os mamilos roçando a colcha macia. A mão dele brevemente deixou seu seio para puxar sua calcinha e expô- la. Ela sentiu os lábios dele e os dentes arranhando sua pele bem no alto de sua bunda. Ainda acariciando-a pela frente, Luke deslizou outro dedo dentro dela. Sua ereção estava dura contra sua bunda, e ela podia sentir uma umidade pegajosa se transferindo para sua pele. — Luke — ela sussurrou. Ele respondeu com outro golpe de seus dedos. Harper gritou ao atingir o ponto mais sensível. Ele se retirou e levou as duas mãos aos seios dela. Lá seus dedos rolaram e puxaram os mamilos. Harper moveu seus quadris para trás e para cima, e suspirou quando sua ereção se aninhou entre suas coxas. — Por favor, Luke — ela implorou. Ele a empurrou para a frente, na cama, e a rolou de costas. Harper dobrou os joelhos e plantou os pés na beira do colchão para dar-lhe acesso total. — Você me deixa louco. — Ele se ajoelhou no chão e puxou os quadris dela em sua direção. Quando ele pressionou a boca em sua calcinha, Harper ofegou e ergueu seus quadris. — Eu amo a maneira que você responde a mim. — Luke puxou o algodão para o lado e plantou uma trilha de beijos do joelho até a parte interna da coxa. Ela sentiu sua respiração e estremeceu. Usando sua língua, Luke sondou suavemente entre os lábios de seu sexo. — Oh, meu Deus — ela sussurrou. Sua língua acariciou sua protuberância sensível, e suas pernas tremeram. As mãos de Harper fecharam-se ao lado do corpo. Sua língua mágica lambeu o caminho para sua abertura e pressionou dentro dela. Ela se arqueou contra sua boca. — Lucas. Ele substituiu sua língua pelos dedos e entrou nela enquanto sua boca se movia de volta para suas dobras. Ele brincou e sondou enquanto seus dedos entravam nela sem parar. Sua língua entrou em um ritmo constante e intenso que a levou ao limite. Harper lutou contra a urgência. Ela tentou se desvencilhar de seu aperto, mas sua mão forçou seus quadris a ficarem imóveis. A necessidade a esvaziou. Não havia mais nada dentro dela, exceto o desejo de ser preenchida. Os dedos de Luke a penetraram novamente, e ela imediatamente se fechou ao redor deles. Sua língua abria suas dobras e acariciava seu clitóris. Ela se chocou contra ele, apertando seus dedos e arqueando contra sua boca enquanto o orgasmo florescia em uma explosão controlada. Luke gemeu contra ela, seu desejo crescendo mais alto. Ele se abaixou para acariciar seu pau contra sua abertura. — Querida, eu preciso estar dentro de você. — Sua voz era áspera. — Deixe-me montar você — ela sussurrou. Ele subiu na cama e deitou-se de costas, ainda se acariciando. Harper tirou-lhe a cueca pelas pernas. Luke a ajudou a descartar sua calcinha, antes de levantá-la para se sentar escarranchada em sua grossa ereção. Ela fez uma pausa, com sua entrada molhada circundando a cabeça de seu pau. — Eu te amo, Luke — ela sussurrou, observando seus olhos ficarem vidrados enquanto lentamente se abaixava sobre ele. Centímetro por centímetro, ela o acolheu em seu interior. Completamente preenchida, ela se inclinou para frente, seus seios balançando logo acima da linha dura de seus lábios. Ele levou o bico de um seio à boca, e Harper começou a cavalgar com movimentos lentos e profundos. Luke colocou as mãos nos quadris dela para controlar o ritmo. Seu comprimento grosso a esticou a um ponto que era quase doloroso. Seus quadris se ergueram, e ele penetrou fundo. Harper gemeu contra as sucções suaves de sua boca em seu seio. As chupadas ecoaram nos músculos que delicadamente apertaram seu pau tenso. Ela empinou e montou nele, deliberadamente devagar. Seus olhares se encontraram quando Harper definiu o ritmo. — Sim — ele prolongou a palavra em uma longa expiração. — Deus, sim. Cada movimento, cada golpe era uma expressão de amor. Ele impulsionou os quadris mais uma vez e explodiu em um grito. Ela o seguiu até o esquecimento. Harper estava se afogando na escuridão entre eles, mas não tinha nenhum desejo de se salvar. Este era um relacionamento que poderia destruir uma alma. E tinha chegado ao fim. Capítulo 25 A luz cinza da janela disse a Harper que ela ainda tinha tempo antes do despertador, mas voltar a dormirnão era uma opção. O dia que ela temia estava aqui. Nunca mais iria acordar e se encontrar envolta nos braços de Luke. Muitas coisas terminariam hoje. Ela não estava pronta para deixar tudo para trás, mas não era sua escolha. Ela o estudou em seu sono, como fez em sua primeira manhã juntos. Traçou com seus dedos a fênix sobre seu coração, silenciosamente desejando que ele ficasse seguro, enquanto memorizava cada linha de seu corpo. Como ela deveria voltar para uma vida normal depois disso? Os olhos de Luke se abriram. Olhos avelãs sonolentos olharam para ela. Harper suspirou e colocou a mão em concha em seu rosto. Luke beijou sua palma. — Você está pronta? — Não. — Ainda estamos bem, certo? Harper sorriu. — Sim, estamos bem. Só vou sentir sua falta pelos próximos dez anos ou mais. Ele a puxou para si e colocou a cabeça dela sob seu queixo. Luke deu um beijo doce no topo de sua cabeça e a abraçou até que seu alarme soasse. *** Eles encontraram a família de Luke na base. O estacionamento estava lotado de familiares se despedindo. Harper tentou não olhar para o ônibus na frente deles. O ônibus que tiraria Luke Garrison de sua vida para sempre. Não havia tempo a perder, a programação tinha que ser mantida. Luke, vestido em seu uniforme, guardou sua mochila no ônibus e voltou para eles. Harper o observou caminhar pela fila, abraçando e apertando as mãos. Claire o puxou para um longo abraço. — Volte para casa em segurança — ela ordenou. — Não é sempre assim, mãe? Ele apertou a mão de Charlie e deu um tapa nas costas de James. — Não se esqueça de cortar minha grama, lacaio — lembrou ao irmão. — Não se esqueça de voltar para casa, para me irritar pra caralho. — Rapazes! — Claire os censurou. Luke passou para Sophie e Josh, envolvendo os dois em um abraço de urso. — Se cuida, Soph — disse ele à irmã. — Você também, tio Luke. Sentiremos sua falta. — Ela fungou, e Josh deu um tapinha em seu rosto. E então Luke estava parado na frente de Harper. Ele segurou o rosto dela com as mãos e olhou em seus olhos. — Obrigada, Harper. Por tudo. Uma única lágrima escorreu por sua bochecha. Ela balançou a cabeça. — Eu deveria estar agradecendo a você. Este foi o melhor mês da minha vida. — Diga-me mais uma vez. — Eu te amo, Lucas Garrison, e é melhor você voltar para casa em segurança para sua família, ou eu voltarei e chutarei sua bunda. Ele sorriu. — Essa é minha garota. Ele colou os lábios nos dela e os manteve lá, suavemente, ternamente. Ela podia sentir o gosto salgado de suas lágrimas nos lábios dele. Luke se afastou lentamente e enxugou as lágrimas dela com os polegares. Quando os lábios de Harper tremeram, ele a puxou com força. — Pensarei em você — ele murmurou em seu ouvido. — Seja boazinha e fique a salvo. — O mesmo para você, Capitão. Ele correu o polegar pelo lábio inferior dela e sorriu. Quando ele se virou, Harper quase o agarrou. Ela não estava pronta para isso, precisava de um pouco mais de tempo. Ela o observou cruzar o estacionamento, onde o resto da unidade estava formando uma fila para o ônibus. Estava orgulhosa, assustada e triste, tudo ao mesmo tempo. O braço de Sophie envolveu seu ombro, prendendo Harper no local. — Vai ficar tudo bem, Harp — Mas sua voz vacilou também. Claire deu um passo para o outro lado de Harper e colocou o braço em volta da sua cintura. — Todos nós vamos ficar bem. Juntos. Harper acenou com a cabeça, os olhos nunca deixando a silhueta de Luke indo embora. Ela sabia que não havia “juntos” em seu futuro. Ela era uma estranha, não era da família. Luke parou no degrau mais baixo do ônibus e se virou. Ele ergueu o braço em um aceno. Harper mandou um beijo para ele. Ela viu seus dedos se fecharem no ar e sorriu. *** Harper subiu no banco do motorista, onde Luke estivera sentado há apenas uma hora, e fechou a porta. Escondeu por trás dos óculos de sol as lágrimas que surgiam e acenou para a família de Luke, enquanto guiava a picape para fora do estacionamento e de volta para a estrada. Ele se fora. O homem que tinha seu coração estava para sempre fora de sua vida, e se esperava que ela seguisse a vida como se tudo estivesse normal. Como as pessoas que têm relacionamentos reais com crianças e responsabilidades fazem isso? Acenar estoicamente enquanto seus parceiros, suas rochas, seus corações os deixavam para viver outra vida. Uma que nunca poderia ser totalmente compartilhada ou compreendida. Um soluço escapou dela, e ela parou no acostamento, sua visão nublada com lágrimas que escaldavam seus olhos. A dor em seu peito se espalhou para sua garganta. Seu coração se partiu pelos homens e mulheres separados pela guerra e pelo dever. O medo que se apoderava do coração de quem ficava em casa nunca se dissipava totalmente. Pelo menos no caso deles, os que ficaram para trás poderiam trabalhar para construir suas vidas e as vidas de suas famílias, para que o homem ou a mulher que eles amavam pudessem voltar para casa. A vida de Harper, como ela havia se acostumado tão rapidamente, se fora. Para nunca mais voltar. Mesmo depois que Luke voltasse. Ele não voltaria para ela. Benevolence não seria mais sua casa. Ela deixou que os soluços silenciosos percorressem seus ombros até que sua cabeça se poiou no volante. Ela o amava. Ela o amava agora e sabia, com certeza, que amaria Luke Garrison pelo resto de sua vida. Do console da picape, o telefone de Harper sinalizou uma mensagem. Ela queria ignorar. Preferia chafurdar e chorar na beira da estrada o tempo que fosse necessário para se sentir melhor. Não havia espaço para o mundo exterior agora. Mas se desligar do mundo não era uma opção. Nunca fora uma opção. Ela puxou o telefone do console e desbloqueou a tela. Era uma mensagem de Luke. Fique. Capítulo 26 Harper transferiu a bandeja para a mão esquerda, para poder inserir o pedido da mesa sete e fechar a mesa doze. Ela evitou um bando de risonhos de 30 e poucos anos em seu caminho para o banheiro feminino e acenou com a cabeça para o casal na mesa de sinuca, que sinalizou outra rodada. Apressando-se para o final do bar, ela começou a recarregar sua bandeja. Era uma noite de sexta-feira movimentada. O clima quente de maio tornava muito tentador passar a noite fora de casa. Parecia que uma grande parte da população da cidade havia decidido que jantar e bebidas eram a maneira de começar o fim de semana, mas Harper não se importava. Quanto mais ocupada estivesse, melhor. Se ela continuasse em movimento, sua mente ficaria quieta. Mas a dor em seu peito? Bem, isso nunca a deixava por muito tempo. Não com Luke Garrison a 11 mil quilômetros de distância, um mês após sua missão de seis meses comandando a unidade da Guarda Nacional no Afeganistão. — O dinheiro vai ser bom esta noite, Harp. — Sophie piscou de sua posição nas torneiras de chopp. — Em que tipo de tesouro gastaremos nossas suadas gorjetas? Harper enfiou as costas da camisa polo do Remo’s dentro da saia jeans, antes de levantar a bandeja. Era o jogo favorito delas no trabalho. — Tatuagens combinando, de unicórnio. — Adoro! Com a bandeja cheia de cerveja e a mente em Luke, Harper voltou à luta. Um mês depois, ela ainda estava se acostumando a ter um relacionamento muito real e à distância. Eles haviam planejado seguir caminhos distintos, como amigos. Ela estava se preparando para lamentar o fim do relacionamento enquanto forjava uma nova vida sozinha, mas uma palavra mudou tudo. Fique. A mensagem havia chegado quando a realidade de dizer adeus a atingiu, sentada em sua picape, chorando ao pensar em uma vida sem Luke. Suas mãos tremiam tanto que ela mal conseguiu responder. Harper: O quê??? Luke: Eu quero voltar para você. Fique. Não foi um “Eu te amo”, mas era o suficiente. O texto dele havia aberto caminho através de seu desespero, lhe dando esperança. Ele estava oferecendo a ela uma vida e um futuro. Com ele. Eles conversaram naquela noite, antes do voo. E a esperança floresceu em seu peito. — Entrei naquele ônibus e percebi que se você não estivesse aí quando eu voltassepara casa, voltaria para a mesma existência. E não quero mais apenas existir. Querida, eu sei que é pedir muito. Seis meses é muito tempo para esperar, mas quero você aí — disse ele. Seus olhos se encheram de lágrimas enquanto ela assentia silenciosamente. — Luke, se há alguém por quem vale a pena esperar por seis meses, é você. — Penso o mesmo sobre você, querida. Então ela ficou. Cancelou a entrevista em Fremont e desempacotou suas caixas e malas. E na primeira noite sozinha na casa dele, ela enlouqueceu completamente. Saber que levaria seis longos meses, antes que sentisse o corpo duro de Luke sobre ela, ou tivesse um rápido vislumbre daquela covinha, alimentou seu desespero para encontrar uma distração. Mas o quê? Desde que se mudou para Benevolence, todo o seu foco estivera nele. O corpo incrível de Luke, a casa de Luke, o trabalho de Luke. O corpo realmente incrível de Luke. Naquela primeira noite, ficou acordada no centro da cama, vestindo uma das camisetas dele e olhando para o teto até o amanhecer. Pela primeira vez na vida tinha estabilidade, um futuro, e simplesmente não sabia o que fazer com isso. Ela fez o possível para se manter ocupada. Harper começou a tricotar. Até que perfurou o nó do dedo com a agulha de tricô e sangrou em todo o sedoso fio de marfim que, de qualquer forma, não parecia em nada com o padrão. O álbum de recortes foi o próximo. Até que ela percebeu que não tinha nenhuma foto para montar um scrapbook. Havia tantos adesivos e imagens que você poderia colar em uma página, sem nenhuma foto real. Finalmente, Sophie ficou com pena dela e ofereceu um turno semanal no Remo’s, para tirar Harper de casa nas noites de sexta-feira. Sophie servia como barwomen enquanto Harper usava sua experiência na faculdade e servia mesas. As gorjetas eram boas e foi a maneira perfeita de conhecer os moradores de Benevolence. Cedo ou tarde, todos apareciam no Remo’s para jantar, beber ou conversar. Claro, a maioria dos clientes sabia o nome dela antes mesmo de conhecê- la. Cidade pequena. Luke não ficou entusiasmado, quando ela contou a ele em seu primeiro chat por vídeo. — Não, Harper. Absolutamente não — ele disse, seu tom cortante. — Você está usando a voz de capitão em mim agora? — ela perguntou, incrédula. O olhar que ele lançou para ela através do computador a fez sorrir. Ele respirou fundo e tentou outra abordagem. — O que eu quis dizer é que realmente não gosto da ideia de você fechando o Remo’s sozinha numa sexta à noite. É muito tarde, e se houver problemas? Quem vai te ajudar? — Ela podia ver a frustração em seu rosto. — Luke, você não precisa se preocupar com isso. — Eu odeio não estar por perto para te proteger. — Não é seu trabalho me proteger. — Sim, é. E eu levo isso muito a sério. Então, se algo acontecer com você, vou ficar puto da vida. — Eu te amo. Essa é a razão pela qual estou fazendo isso. Sinto tanto a sua falta que dói respirar. Às vezes, não consigo dormir, porque tudo que posso fazer é sentir esse buraco no meu coração. Essa mudança vai me ajudar a manter minha mente longe da saudade. Ele suspirou. — Querida, eu também sinto sua falta. Cada vez que acordo e você não está em meus braços, é como uma faca no estômago. Mas preciso que você esteja segura. Prometa-me, Harper, que tomará todas as precauções. Ela fez uma cruz no coração. — Eu prometo. Ty pediu spray de pimenta para Sophie e para mim, e pegamos uma carona com ele para o nosso turno. Além disso, Luke, todo mundo sabe a quem pertencemos. Harper deixou as cervejas e um refrigerante diet em uma mesa e correu de volta para o bar, para entregar os pedidos de Reece e Dana na mesa de sinuca. Ela deu outra volta antes de voltar ao bar e avistar um rosto familiar. Gloria estava sentada em uma banqueta, bebendo uma taça de vinho. — Ei, Gloria — Harper acenou para a amiga. — É bom ver você aqui! Um rubor delicado tingiu suas bochechas. — Estou comemorando meu primeiro pagamento da Blooms. Livre dos abusos de seu ex-namorado Glenn Diller, Gloria conseguiu um emprego na floricultura local e estava economizando para ter seu próprio apartamento. — Bom para você! Claire disse que você está fazendo um ótimo trabalho — Harper disse a ela, recarregando sua bandeja. A mãe de Luke, uma eterna amante de plantas, trabalhava meio período na Blooms e vinha elogiando Gloria. — Obrigada. Eu realmente gosto de lá. — O rubor de Gloria aumentou. — Hum, você falou com Luke? Harper não conseguiu evitar o sorriso que tomou conta de seu rosto nem se tentasse. Apenas a menção de seu nome fez a adrenalina correr no seu sangue, como um formigamento rápido e elétrico. Ela assentiu. — Recebi um e-mail dele na quarta-feira e conversei com ele na semana passada. Gloria voltou o olhar para o copo enquanto girava a haste entre os dedos. — Ele disse como está Aldo? — Oooooooooh — Sophie murmurou atrás do bar. — Alguém tem uma paixonite! Gloria ficou ainda mais vermelha. — Pare de mexer com ela! — Harper revirou os olhos. — Não ligue para Sophie — disse à Gloria. — Ela pensa que é o Cupido. — A propósito, de nada. — Sophie piscou para Harper. Harper, definitivamente, tinha uma dívida de gratidão com Soph, por colocá-la na cama de Luke naquela primeira noite. Não que ela pretendesse inflar a cabeça da cunhada mais do que já estava. — De qualquer forma — Harper olhou diretamente para Sophie —, Luke mencionou que Aldo está organizando uma competição maluca de treinamento com um grupo de pessoas da unidade. Lançamento de pneu, escalada de corda. E prometeu enviar fotos por e-mail. Gloria assentiu, mas permaneceu em silêncio. — Eu poderia lhe dar o e-mail dele, se você quiser. Isso fez Gloria erguer o olhar. — Você não acha que seria... estranho? Harper balançou a cabeça e ergueu a bandeja. — Eu acho que vocês esperaram o suficiente. Não? — Ela se dirigiu para a multidão e falou por cima do ombro. — Vou te dar o e-mail dele. *** Naquela noite, Harper desabou na cama, exausta e sozinha. Nas sextas- feiras, James, o irmão mais novo de Luke, levava Lola e Max para passar a noite, para que ela não precisasse se preocupar com eles sozinhos na casa. Ela sorriu, imaginando os cachorros espremidos entre ele e qualquer garota solteira atraente com quem estivesse na cama. Assim como o irmão, ele não gostava de compromissos. Porém, no caso de James, as garotas não precisavam ser tão persuasivas quanto Harper havia sido. Luke estava mudando? Pedir a ela para ficar parecia um grande passo. Mas havia muitas coisas não ditas entre os dois. O que ele estava escondendo? Havia paredes entre eles, e não apenas as que ele havia construído no porão. Harper não pôde deixar de se perguntar como as coisas seriam quando ele voltasse para casa. Seria o mesmo velho ciclo de chegar perto demais apenas para ser afastada? Ela virou o corpo e abraçou um travesseiro. Dúvidas e preocupações invadiam sua mente nas horas calmas da noite, especialmente quando não tinha notícias dele. Eles conseguiam um telefonema ou um bate-papo por vídeo quase todas as semanas e, naqueles preciosos minutos, tudo se tornava melhor. Apenas ouvir sua voz, a meio mundo de distância, fazia seu corpo ganhar vida. Desligar era um inferno. Harper instituiu uma regra para si mesma. Não tinha permissão para chorar ao telefone. Queria deixá-lo com um sentimento caloroso no peito que o alegraria, e não uma culpa ou solidão que o atormentaria. Depois de cada ligação, ela se permitia cinco minutos para chorar aquelas lágrimas não derramadas e abraçar a fundo seu coração. E então, seguia a vida. Ela se enroscou no travesseiro. Hoje à noite, estava vestindo uma camiseta da Garrison Construções que encontrou no escritório. Envolvida no cheiro familiar, ela caiu em um sono profundo e sem sonhos. Capítulo 27 Na manhã seguinte, Harper reservou algum tempo para trabalhar em seu novo jardim. Charlie a ajudou a cultivar o solo, e Claire tinha saído para comprar plantas com ela. Estava determinada a fazer esse hobby funcionar, e não apenas porque gostava de abobrinhae tomates frescos. Droga, ela queria acrescentar algo a esta casa que fosse só dela. Queria pertencer, sentir-se em casa. Acrescentar algo tangível para a casa dos dois. Harper levou as mãos enluvadas à parte inferior das costas e ergueu o rosto para o céu. O sol da manhã tinha um toque de umidade. Um sinal claro de que o verão estava chegando. Da grade da varanda, o telefone sinalizou uma chamada recebida. Era o toque de Luke. Correu pelo quintal como uma atleta olímpica e se lançou ao telefone. — Harper? — A voz de Luke soou através da conexão. — Luke! — Harper, você pode me ligar de volta? — Sim. Eu tenho o número aqui. Dê-me dez segundos, ok? — Rápido. Por favor. — Ele desligou. Algo estava errado. O coração de Harper batia forte no peito, enquanto ela corria para dentro para pegar o número na bolsa. Discou errado duas vezes, antes de ser capaz de acalmar os dedos o suficiente para conseguir. — Luke! Você está bem? Está machucado? — Querida, estou bem. Mas Aldo... — A voz de Luke falhou no nome de seu amigo. Harper sentiu seu coração apertar. — Aldo está muito ferido. Foi uma bomba caseira. Eles o trouxeram para Bagram. Não sei como ele está agora. Ela o ouviu respirar fundo. Ouviu a respiração presa em sua garganta. — Oh, meu Deus, Luke. Querido, sinto muito. Ele limpou a garganta, e ela sabia que ele estava guardando esse sentimento lá no fundo, para não transparecer. — Você está bem? — ele perguntou. — Estou bem. — Uma lágrima escorreu por sua bochecha, com a dor em sua voz. — Está tudo bem aqui. — Continue falando, Harp, por favor. Eu só quero ouvir sua voz. — Os cães sentem sua falta. Continuo voltando para casa e encontrando seu tênis de corrida na porta. Max e Lola vão para o armário todas as manhãs e os carregam para lá. Ela sabia que parecia que estava falando de forma entrecortada, mas continuou. Contou a ele sobre a nova viatura de Ty e como venceram a concorrência pelo restaurante grego. — Isso é ótimo, Harp. Obrigado. — Eu te amo, Luke. Ela ouviu seu suspiro, sabia que ele precisava das palavras. — Você pode me fazer um favor, querida? — Qualquer coisa. — Vá ficar com a senhora Moretta. Ela receberá uma ligação em breve. Talvez levar a minha mãe. — Absolutamente. Se eu souber de alguma coisa, envio um e-mail para você, e você faz o mesmo. OK? — Obrigado, Harper. Eu... não sei o que faria sem você. — Qualquer coisa por você, Luke. Eu te amo muito. — Sinto sua falta. — Saudades de você também. Ligue assim que puder. — Ligarei. *** Luke desligou o telefone e o deixou cair no travesseiro ao lado. A cama rangeu com o movimento. Olhou com indiferença pela janela empoeirada, para as montanhas cinzentas que surgiam logo além da base. Precisava daquele vislumbre de casa que apenas Harper poderia lhe dar. Precisava do lembrete de que havia uma vida esperando por ele, além do calor empoeirado e seco do deserto que agora estava pintado de vermelho com o sangue de seu amigo. Pegou o laptop e abriu seu e-mail. Luke achava que consertar o carro de Harper fora um bom presente de despedida. Harper o derrotou nisso. Quando ele abriu seu e-mail pela primeira vez no Afeganistão, viu que ela lhe havia enviado cerca de trinta fotos. Muitas delas, não sabia que ela tinha tirado. Havia fotos dos dois, dos cachorros, de sua família e de sua casa. Ela até incluiu alguns de seus funcionários. Ele abria os arquivos quase todos os dias. Hoje à noite, ele se demorou ao clicar em cada uma. Sua favorita era uma que o jornal online tinha publicado. O jornal publicou a foto de Harper e Linc saindo da água na primeira página, mas no álbum do fotógrafo do evento, Harper havia encontrado uma foto dos dois no bar. Os braços de Luke a envolviam por trás, puxando-a contra seu peito. Sua mão estava espalmada em sua barriga, e ela estava olhando para ele por cima do ombro. Os dois estavam rindo. Ele amava aquela expressão. Os olhos de Harper estavam brilhantes e suas bochechas coradas. Seu cabelo caía em ondas úmidas que emolduravam seu rosto. Ele podia ver a excitação entre os dois e sentiu o canto de sua boca se erguer com o feliz fato de que o fotógrafo não conseguira capturar a ereção furiosa que pressionava contra ela naquele exato momento. Foi a noite de sua primeira vez juntos. A noite em que ele parou de lutar e se deixou levar. Ele manteve a imagem aberta e clicou na próxima. O sorriso arrogante de Aldo encheu a tela. Harper deve tê-la tirado com seu telefone. Era da noite que Aldo e Glória foram jantar. Aldo estava cuidando da churrasqueira e discutindo com Luke sobre algo. Ambos estavam sorrindo. Irmãos, mesmo que não seja de sangue. Luke fechou o laptop. Apoiou as mãos nos joelhos, os dedos se fechando no sangue seco e na lama endurecida de seu uniforme. Fechou os olhos e deixou as paredes de madeira de sua sala minúscula se fecharem sobre ele. Capítulo 28 A sra. Moretta morava em um chalé de dois andares, bem-arrumada, a três quarteirões dos pais de Luke. A varanda da frente estava parcialmente obscurecida por vasos coloridos transbordando petúnias. Um bebedouro de beija-flor pendurado em uma viga. Harper soltou a respiração que estava prendendo. Claire estendeu a mão sobre o console e deu um tapinha no volante. — Você é uma boa menina, Harper. Vamos ajudar uma amiga. Elas estavam apenas na metade do caminho, quando a sra. Moretta irrompeu pela porta da frente. Ela estava usando um chapéu de sol e uma luva de jardinagem. Harper podia ver as lágrimas. Claire subiu correndo pelos degraus, até sua amiga. — Oh, Ina. As duas mulheres se abraçaram na varanda. — Muito obrigada por estarem aqui, Claire. Eles acabaram de ligar. Ele está vivo. — Graças a Deus por isso — Claire disse, abraçando-a com força. — Harper. — Sra. Moretta soltou Claire e acenou com a cabeça em sua direção. — Vamos entrar e tomar uma bebida. Elas a deixaram guiá-las pelo caminho de volta, para uma cozinha aconchegante com uma janela de estufa sobre a pia. A senhora Moretta fez uma pausa, olhando para o quintal. — Ele está em cirurgia. Eles acham que ele vai perder uma perna. Mas vai viver. Harper cobriu a boca com a mão e fechou os olhos. Aldo estava vivo, e isso era o que importava. Ela se desculpou por um momento e mandou um e-mail para Luke de seu telefone. Para: lucas.c.garrison282@us.army.mil De: harpwild@netlink.com Assunto: Vivo! Vivo e em cirurgia. Pode perder uma perna, mas espera-se que sobreviva. Estamos com a Sra. M agora. Ela se mantém firme. Avisarei você se descobrir mais alguma coisa. Eu te amo. H. Quando ela voltou para a cozinha, a Sra. Moretta e Claire estavam conversando baixinho, na mesa da sala de jantar. — A base disse que me mandarão para Dover quando Aldo chegar, e depois irei com ele para Walter Reed. Eu saberei mais quando ele for transferido para a Alemanha. — Ela suspirou e tirou a luva. — O que faríamos sem nossos meninos, Claire? — Não vamos ter que descobrir, Ina. — Claire apertou a mão de sua amiga. — Aldo vai voltar para casa e ser o pé no saco de sempre. — Lembra quando eles eram apenas meninos e brincavam no riacho, durante o verão? — Lembra quando acamparam no quintal, em uma barraca, e eu os encontrei enrolados lado a lado no sofá, na manhã seguinte? — Quando nossos meninos se transformaram em homens? — Eles diriam que muito mais cedo do que eu tenha percebido. A senhora Moretta fungou. — Posso pegar uma bebida, Sra. Moretta? — Harper ofereceu. — Um pouco de chá ou água? — Harper, há uma caixa de Chardonnay barato na geladeira. Que tal você pegar para nós três os maiores copos que encontrar, e vamos beber pelos nossos meninos? Foi na terceira viagem para abastecer os copos que Harper voltou para encontrar Claire sussurrando para a Sra. Moretta. — Ela é exatamente o que ele precisa... — Harper, Claire está me distraindo com fofocas sobre você e seu Luke. Ela parece pensar que você está fazendo a ele muito bem. Harper sentiu o rubor subir às bochechas. — Acho que é vice-versa. — Eu gostaria que Aldo sossegasse. Esse menino não consegue seconcentrar em uma mulher por mais de um mês — ela suspirou. — Talvez elas simplesmente não fossem o que ele queria? — Harper ofereceu. — Parece que você sabe de alguma coisa — Claire disse, erguendo e descendo as sobrancelhas. — Derrame — ordenou a sra. Moretta. — A fofoca, não o vinho. Harper entregou os copos, derramando apenas algumas gotas nas bordas. — Parecia haver alguma coisa entre Aldo e Gloria quando os convidamos para jantar. E Aldo deu uma carona para ela. — Hum — Claire e a Sra. Moretta disseram em uníssono. — Pequena Gloria Parker — Claire disse. — Eu nunca teria adivinhado. — Aldo também poder ter confessado que tem uma paixonite por ela desde o colégio. Mas não posso confirmar nada sem a permissão da fonte — acrescentou Harper. — Não admira que ele odiasse tanto aquele idiota do Glenn — disse a sra. Moretta, passando a mão pelo cabelo e encontrando o chapéu. — Por que diabos vocês duas não me disseram que eu ainda estava usando isso? Estava cuidando do jardim quando a base ligou. Estou uma bagunça. Ela arrancou o chapéu e jogou-o por cima do ombro, onde bateu em um vazo de bronze cheio de flores de seda. Claire e Harper riram. No final, a caixa de vinho estava vazia, a pizza que pediram quase acabada e Charlie teve que vir buscá-las. — Estou muito grata a vocês duas por estarem aqui — disse a sra. Moretta, ao envolver as duas em um abraço de urso. — Isso significa o mundo para mim. — Apenas nos mantenha atualizadas sobre o progresso de Aldo e quando você irá. Nós ajudaremos de todas as maneiras que pudermos. Harper virá amanhã para pegar seu carro, a menos que você tenha outra caixa de Chardonnay aí, e então faremos isso de novo — Claire riu. Charlie colocou a mão no ombro da sra. Moretta. — Ele é um bom menino. E estará em casa são e salvo antes que você perceba. — Obrigada, Charlie. Harper, talvez você queira avisar Gloria? — Sra. Moretta sugeriu com uma piscadela pronunciada. — Eu direi a ela amanhã, depois que soubermos mais detalhes da cirurgia — Harper prometeu. Naquela noite, Harper deitou na cama com os dois cachorros e uma das camisetas de Luke. Ela enterrou o rosto neles e deixou que todas as lágrimas reprimidas viessem. *** Na manhã seguinte, Harper, com uma ligeira ressaca, acordou com notícias de Luke. Para: harpwild@netlink.com De: lucas.c.garrison282@us.army.mil Re: Vivo! Harp, acabei de saber do Aldo. Ele passou por uma cirurgia e tiveram que cortar a perna, abaixo do joelho. Ele ainda está inconsciente e os médicos estão preocupados com infecção, mas acham que ele vai sobreviver. Ele só precisa acordar. A equipe médica entrou em contato com a Sra. Moretta, então ela já está informada. Você está bem? Harper deu um rápido suspiro de alívio. Aldo estava vivo. E ele iria acordar, porra. Não conseguia imaginar um cenário em que ele não o fizesse. Para: lucas.c.garrison282@us.army.mil De: harpwild@netlink.com Re: Vivo! Não tem como ele não acordar. Portanto, nem pense nisso como uma possibilidade. Aldo vai acordar, piscar para a enfermeira e pedir uma cerveja gelada. A Sra. Moretta é uma rocha e com uma tolerância incrível ao álcool. Ela e sua mãe me deixaram comendo poeira, relembraram os bons velhos tempos, até que seu pai teve que vir nos buscar. Quando - e quero dizer quando - Aldo for transferido, a Guarda vai levar a sra. Moretta para encontrá-lo em Dover e depois para Walter Reed. Alguém mais ficou ferido? Você está bem? Estou pirando um pouco, mas ouvir sua voz ajudou, e seu e-mail também. Estou preocupada com você. Então é melhor você se cuidar, ou então farei algo drástico. Como pintar de preto todos os acabamentos de madeira originais da casa. Sério, eu preciso ver seu rosto. Acho que você não poderia voltar para casa de licença apenas para vestir algumas roupas, para que eu tenha algo para dormir que tenha o seu cheiro? Não? Vou me contentar com uma chamada de vídeo. Eu te amo tanto que dói. H PS: Aqui está uma foto de Max e Lola, curtindo a piscina para cães no quintal, e outra do jardim. Essas coisas verdes são PLANTAS, não ERVAS. Harper clicou em enviar e respirou fundo. Ela precisava contar a Glória sobre Aldo. E, depois de ontem, os cães precisariam de uma boa e longa caminhada. Além disso, ela queria pegar o carro e ver como a Sra. Moretta estava. Assobiou para os cachorros. Com as orelhas em pé, Lola disparou pelo corredor até a cozinha, com Max logo atrás dela. Eles dançaram ao redor da banqueta de Harper, antecipando um petisco, atenção ou – ouse sonhar – a palavra com “P”. Harper desceu do banquinho e acariciou suas cabeças. — Ok, galera, vamos dar uma volta. — Ela aprendeu a soletrar a palavra depois de perceber que Max tinha a tendência de ficar tão excitado que urinava ao ouvir “Passear”. Na porta da frente, ela pegou os óculos escuros e bolsa. No segundo em que pegou as coleiras, o pandemônio de animais estourou. — Pelo amor de Deus, fiquem quietos! — Harper disse, perseguindo o pescoço de Max com a coleira. Lola se empinou até que Harper prendeu a correia ao redor dela. — Vamos ver a tia Gloria — disse Harper. Ela usaria a caminhada de seis quarteirões até a casa da mãe de Gloria para descobrir como dar a notícia à amiga. Gloria atendeu a porta da casa de tijolos com um sorriso alegre. — Harper! Esta é uma boa surpresa. — Ela se inclinou para acariciar a enorme cabeça de Lola, enquanto Max empurrava seu corpo minúsculo entre elas. — Sim, eu também vejo você, Max! — Gloria deu uma risadinha e o pegou no colo. — Você pode entrar ou está apenas de passagem? Harper empurrou os óculos de sol para o alto da cabeça. — Na verdade, tenho algumas novidades sobre Aldo. — Ela respirou fundo e falou de uma vez — Ele está ferido, Gloria. Ele passou por uma cirurgia, e os médicos estão esperançosos. Eles tiveram que tirar parte de sua perna. Ela observou o sangue sumir do rosto de Gloria. — Aldo? — ela repetiu. Harper assentiu e segurou o braço de Gloria. — Ele vai ficar bem. Luke me mandou um e-mail esta manhã e disse que a única preocupação da equipe de cirurgia no momento é uma infecção. — Ela fez uma pausa, refletindo. — Ele ainda não acordou. Gloria abraçou Max. — Mas ele irá. — Sim, ele vai. Gloria exalou um suspiro trêmulo. — Mandei um e-mail para ele na sexta à noite, depois que você me deu o e-mail dele. — Então ele terá algo para ler quando acordar — Harper sorriu. — Então, por falar em Aldo, você se importaria de dar uma carona a mim e aos meus dois cães fedorentos até a casa da Sra. Moretta? Eu deixei meu carro lá ontem à noite e queria dar uma olhada nela. Gloria olhou para seu short jeans e camiseta rosa. Harper sorriu. — Você está nervosa por conhecer a mãe dele? — É a senhora Moretta! Ela é assustadora. Quem não ficaria nervosa em conhecê-la? — Gloria disse, os olhos arregalados. — Oh, dane-se! Deixe- me escovar meu cabelo e pegar alguns dos biscoitos que fiz esta manhã. *** Foi melhor do que o esperado. A Sra. Moretta abriu a porta com o anúncio de que Aldo estava acordado e, após saber que todos os outros na unidade estavam bem, exigiu um cheeseburger. Gloria se manteve firme sob a inquisição da sra. Moretta, que abordou todas as facetas da vida dela, incluindo a fé religiosa, quantos filhos ela planejava ter e todos os ingredientes de seus biscoitos de geleia. Ao final do jogo de pergunta e resposta, Ina Moretta apenas pigarreou e assentiu. — Eu sinto que acabei de ser esmagada — disse Gloria, em estado de choque. — Acho que tudo correu bem — disse Harper, colocando os cachorros no carro. — Não sei dizer. Não tenho certeza. — Gloria se encostou na lateral do carro. — Ela guardou os biscoitos. Isso é definitivamente um bom sinal — Harper ofereceu. — O que foi aquele “huh” ali no final? — Eu acho que é o selo de aprovação dela. Ela está reconhecendo que você é mais do que boa o suficiente para o filho dela. Gloria balançou a cabeça. — Acho que vou para casa tirar uma soneca. Capítulo 29 Harper pegou o telefone da mesa de centro ao primeiro toque do alerta da chamadade vídeo. Ela se atrapalhou com os ícones, mas em segundos, viu o rosto que estava sentindo falta. — Oi, querida — Luke parecia exausto. Fazia duas longas semanas desde que Aldo se machucou, e a relutância de Luke em fazer uma videochamada dizia a Harper que ele não estava lidando bem com isso. Ver seu rosto confirmou sua suspeita, e seu coração doeu por ele. — Olá, lindo. Como você está? — Harper se recostou no sofá, abraçando um travesseiro. — Estou bem. Como está minha garota? — Eu sinto sua falta. — Ela lutou contra as lágrimas que brotaram. Vê-lo intensificava tudo. — Estou preocupada com você. Ele suspirou como quem leva o mundo nas costas. — Querida, estou bem. Está tudo bem. — Olha, eu sei que você não é muito falador. Mas não posso deixá-lo pisar em falso e foder as coisas a meio mundo de distância, porque está distraído por um senso equivocado de responsabilidade e culpa. Ele piscou, sua boca abriu e fechou. — Vejo que tenho sua atenção — disse Harper afetadamente. — Eu diria que sim. — Luke, você acha que há alguma maneira de Aldo culpar você pelo que aconteceu? Ele suspirou. — Não. — Na verdade, ele provavelmente já disse que você não é o culpado. Luke desviou o olhar. — Bem. Sim. Era como tentar obter respostas de uma parede de tijolos... ou de pedras. — Ótimo. Então você colocou a bomba caseira lá? Ele revirou os olhos para ela. — Não. — Você disse a Aldo para passar por cima dela? — Não. — Você sabia que estava lá e não contou a ele? — Não. Harper... — Ainda não terminei. Então, logicamente, você pode concordar com o resto do mundo que você não é o culpado. Ele sentou-se ereto, sem se mover por alguns segundos. — Isso não foi retórico? — Luke, me dói ver você machucado assim. Não sei como te ajudar. — Harper, meu bem, você não pode melhorar isso. Eu entendo o que você está dizendo. Eu sei que não sou culpado. Mas me sinto responsável pelo meu amigo. Sua vida e a vida de todos nesta unidade estão em minhas mãos. Se eu não liderar com responsabilidade, pessoas podem se machucar. Pessoas morrem. — Aldo não morreu. — Não, mas outros sim. Os homens que ele perdera antes, Harper se lembrou. — Perdi bons homens porque tínhamos informações ruins. Em última análise, essa responsabilidade recai sobre meus ombros. — Isso é besteira. — Eu sou o culpado? Não. Mas sou o líder desta unidade, e isso me torna responsável por tudo o que acontece dentro dela. Foi a vez de Harper ficar em silêncio. Seu suspiro foi pesado. — Tudo que sei é que não consigo tirar o sangue da minha cabeça. Eu vi acontecer e começamos a correr em direção à picape. Ele estava deitado na porra de um rio de sangue. Luke olhou para suas mãos como se visse a cena novamente. Harper estremeceu. — Eu pensei que ele estava morto. Achei que tivesse perdido meu melhor amigo bem na minha frente. E isso me fez pensar em todos os outros que eu perdi. Tudo o que tenho a perder e como isso pode ser levado em um piscar de olhos. — Ele olhou-a. Harper enxugou as lágrimas silenciosas que corriam por seu rosto e desejou poder tocá-lo. — Eu me senti impotente. — Ele vai ficar bem. — Ele teve muita sorte, Harper. Muitas vezes não é assim. — Eu preciso saber que carregar esse peso sobre os ombros não vai te fazer cometer algo estúpido. — Como o quê? — Eu sou nova nessa coisa militar, mas suponho que você tenha muitas opções de escolha ruins, como se afastar de todo mundo, desenvolver um problema com a bebida, ser descuidado. Ele suspirou e sorriu um pouco. — Não vou fazer nenhuma dessas coisas. — Eu sei que você não vai. Só preciso ter certeza de que vai cuidar de si mesmo. Eu preciso que volte para casa são e salvo. — Farei tudo ao meu alcance para garantir que isso aconteça — Luke disse a ela. — Isso é tudo que eu peço. — Ela passou a mão sob os olhos. — Não está no meio da noite aí? Luke sorriu. — É a única maneira de conseguir esse lugar só para mim. — Ele virou o laptop, dando a ela uma visão de seu minúsculo quarto. Foi a vez de Harper sorrir. Extremamente privado, em casa e na guerra. — Bom, isso significa que você pode tirar a camisa para que eu possa lamber minha tela. Isso fez com que ele sorrisse de verdade, e até mesmo uma sugestão de covinha apareceu. — Querida, se um de nós vai tirar a camisa, será você. — Bem, se você insiste. — Harper levantou a blusa e mostrou a ele. Ela viu aqueles olhos castanhos escurecerem quando ele apertou a mandíbula. Ela se perguntou se ele tinha alguma ideia de como era sexy. — Você sabe que é tortura ser capaz de ver você e não te tocar? — Sua voz era rouca, baixa. Ela sentiu seu rubor aumentar. — Eu sinto falta de suas mãos em mim. Eu me sinto tão vazia sem você me tocando. Nós tínhamos pouco tempo antes. Mas quando você estava dentro de mim, eu sentia como se todos os pedaços de mim estivessem juntos novamente. Ele rosnou. — Querida, você não pode falar assim quando estou a 11 mil quilômetros de distância. — Ele cruzou as mãos na nuca. — Deus, você me deixa duro, mesmo através de uma merda de ligação de vídeo. Eu sinto muito a sua falta. Harper fechou os olhos e assentiu. — O mesmo aqui, capitão. — Toda vez que penso em foder você, vou para a academia. Vou precisar aumentar o tamanho das camisas em breve. Meus pesos já subiram 6 quilos. — Isso é sexy — Harper brincou. — Você vai dar a Aldo uma ótima competição quando os dois chegarem em casa. — Você soube quando ele voltará para casa? Harper balançou a cabeça. — Trocamos vários e-mails. Ele acha que será mais cedo do que esperam. Ele mencionou Gloria para você? — Eu só falei com ele duas vezes. Uma para garantir a mim que estava vivo e que é melhor eu não ficar lamentando sobre isso, e a outra para me mostrar uma foto de seu cirurgião na Alemanha, que se parecia com o Wolverine do X-Men. — Gloria mandou um e-mail para ele duas vezes e não teve resposta. Eu perguntei a ele se tinha recebido, e ele me ignorou. Luke encolheu os ombros. — Tenho certeza de que ele tem muito em que pensar. Harper tinha certeza também. E era isso que a preocupava. — Mostre-me de novo — Luke ordenou. — Mostrar o quê? — Seus seios perfeitos. Ela se perguntou se algum dia pararia de corar quando ele falava assim com ela. — Você tem certeza de que está sozinho? — O sinal do wi-fi está forte o suficiente para chegar até os alojamentos. Estou sozinho, querida. Mostre-me. Sua voz estava tensa, mas ainda parecia cetim em sua pele. Harper mordeu o lábio e puxou a regata para cima, sobre a cabeça, expondo os seios para a tela. — Nós vamos... — Quieta — ele ordenou. — Eu quero que você faça exatamente o que eu disser. Harper assentiu, sem fôlego. Mesmo a milhares de quilômetros de distância, ele poderia deixá-la molhada o suficiente para encharcar a calcinha. Ela inclinou o telefone para que ele pudesse ver mais dela. — Boa menina. Agora tire o short. Ela encostou o telefone em uma das almofadas do sofá e se levantou, tirando o short. — Porra, querida — Luke suspirou, seu olhar colado na tela. Harper passou o dedo pela borda da calcinha de algodão azul claro. — Fique de joelhos no sofá. De frente para mim. Ela voltou para a almofada, apoiando o peso nas mãos. Seus seios penderam, e ela ansiava por sua boca em seus bicos sensíveis. — Luke, eu quero ver você. — Foi um sussurro, mas se propagou por quilômetros. Ele parou por um momento e então Harper ouviu o som do velcro. Um segundo depois, Luke tirou a camisa e inclinou a tela para baixo, e ela pôde ver o que estava sentindo falta há semanas. Mesmo agarrado pelo grande punho de Luke, seu pau parecia enorme. Harper sentiu a dor bem no fundo de seu âmago começar a pulsar de necessidade. Ela queria sentir sua ereção a penetrando, esticando suas paredes enquanto a invadia. — Eu daria qualquer coisa para estar dentro de você agora, Harper. — Ele acariciou seu pau duro. — Eu quero que você se toque. Ela hesitou. — Vá em frente, querida. Finja que são minhas mãos em você. Ela respirou fundo e levou a palma da mão aos seios. O rosnado vindo de seu telefone disse a ela que Lukegostava do que via. Ela pegou o mamilo entre o polegar e o indicador e puxou-o para baixo em um ritmo vagaroso que combinava com as carícias de Luke. — Querida... — O áudio estalou e ficou em silêncio, mas a transmissão de vídeo permaneceu. Harper apontou para a orelha dela. — Não consigo ouvir você. Você pode me ouvir? Luke apontou para sua orelha e balançou a cabeça. Mas sua outra mão continuou segurando sua ereção. Compreendendo, Harper deslizou a mão de volta para o seio. Ela acariciou e puxou o mamilo, fingindo que era a boca de Luke brincando com ela. Ela o viu aumentar o ritmo ligeiramente, perguntando-se se havia a gota de umidade que tantas vezes aparecia na fenda da cabeça larga de seu pau. Ela lambeu os lábios e deslizou a mão para dentro da calcinha. Ela deveria estar se sentindo envergonhada. Não era uma exibicionista. Mas naquele momento, tudo o que queria fazer era ver Luke atingir o clímax em seu abdômen e peito esculpidos. Seus lábios se separaram quando seus dedos encontraram a umidade escorregadia entre suas dobras. Seu clitóris já estava doendo para ser tocado. Harper mudou seu peso para trás e levou a mão livre ao outro seio. Ela o apertou e viu os olhos de Luke se estreitarem. Seu punho acariciava toda a extensão de seu pau enquanto ele se masturbava. Os dedos de Harper circundaram seu clitóris em um ritmo frenético, uma corrida até o fim. Ela sentiu a necessidade de liberação dentro dela. E aumentou enquanto enfiava seus dedos em seu canal úmido. Ela abriu a boca para dizer o nome dele, e viu que ele estava com ela. O primeiro jato de esperma foi liberado em seu estômago. Era o nome dela em seus lábios, quando um segundo e um terceiro jato explodiram dele. Ela se sentiu apertar em torno de seus dedos quando se juntou a ele. Capítulo 30 Aldo Moretta estava voltando para casa. Depois de quatro longas semanas em hospitais e clínicas, ele – e sua nova perna protética sofisticada – estavam voltando para Benevolence. De acordo com sua equipe de fisioterapia, ele iria ficar com sua mãe por algumas semanas, antes que ela o soltasse na selva. Harper esperou um dia inteiro e meio, antes de bater na porta da casa da sra. Moretta, na hora do almoço. Ver Aldo em carne e osso acabaria com os pesadelos que a atormentavam no último mês. Ela transferiu a sacola de guloseimas para a outra mão e bateu na porta de tela. Mas o som foi abafado por gritos. — Pelo amor de Deus, mãe. Passei as últimas duas semanas com você. Você está me deixando maluco. — Essa é uma ótima maneira de falar com a mulher que largou tudo para cuidar de você, porque não dava para evitar uma bomba — gritou Ina Moretta. — Você só jogou Candy Crush e gritava comigo se eu não ligasse a TV em “The Price is Right” todos os dias — rugiu Aldo. — Você não vai dirigir sozinho para a fisioterapia. Não me importa o quão grande e durão você pensa que é. Então, pode ir andando. Vá em frente e pegue uma carona. Veja se me importo. Eu não o criei para ser um homem que grita com a própria mãe. — Isso é exatamente quem você me criou para ser! Harper desistiu de bater e entrou. Jogou a bolsa no chão e cobriu a boca com as mãos. — Ei! Aldo entrou no foyer, vindo da sala de estar, e a sra. Moretta enfiou a cabeça para fora da cozinha. — Entre, já que invadiu a minha casa. Seus pais não lhe ensinaram boas maneiras? — Sra. Moretta gritou. — Eles morreram muito cedo, eu acho — disse Harper em um decibel ou dois acima de seu tom de conversa habitual. A gritaria era contagiante. Aldo a pegou de surpresa com um abraço de urso, deixando cair suas muletas no chão. Harper o agarrou e o segurou para salvar sua vida. Ele estava em casa, seguro e gritando com sua mãe. Era mais um passo na direção do normal. — Pegue suas malditas muletas! Você sabe que os médicos ainda não querem que você ande sem ajuda! — A sra. Moretta continuou falando com um sotaque italiano. — Estou feliz que você esteja em casa. E vivo — Harper disse, seu rosto esmagado no peito de Aldo. — Eu vou me casar com você e te dar filhos, se você me tirar desta casa. Tenho hora marcada com o fisioterapeuta em trinta minutos — disse ele, dando um passo para trás. Harper o olhou de cima a baixo. Ele estava vestido com shorts de ginástica e uma camiseta. Sua nova perna protética esquerda, reluzente, começava alguns centímetros abaixo do joelho e terminava em um tênis. — Luke pode ter um problema com o primeiro, mas eu pagaria para ver o segundo, então está combinado. Além disso, quero ver o que você pode fazer com esse equipamento. — Eu não posso fazer nada. Eles simplesmente não me deixam — Aldo murmurou. — Se você não fizer o que os médicos mandam, vai acabar bagunçando mais a perna ou quebrando essa coisa — alertou a mãe, apontando para a prótese. Harper viu o vermelho nos olhos de Aldo e decidiu forçar uma trégua. — Sra. Moretta, vou levar Aldo à consulta hoje. Precisa de alguma coisa enquanto estamos fora? A Sra. Moretta resmungou por um momento. — Bem, acho que poderia aproveitar outra caixa de Chardonnay. No carro, Aldo jogou as muletas no banco de trás e se sentou no banco do passageiro. Ele baixou a cabeça contra o encosto e suspirou. — Eu amo aquela mulher, mas juro por Deus, um dia desses um de nós vai matar o outro. Harper riu e mudou de marcha. — Aquilo lá foi a Terceira Guerra Mundial. — Isso é o que acontece quando você passa duas semanas seguidas de merda com Ina Moretta. Acho que o objetivo dela é me deixar louco. — Ouvi dizer que é para isso que servem as mães — disse Harper, dando ré na entrada da garagem. — Aonde estamos indo? Aldo a conduziu para fora da cidade, para o norte. — A propósito, há um saco de guloseimas ali, atrás para você — ela disse a ele. Aldo girou em seu assento e agarrou a sacola de presente. — Onde está o doce? — Ele demandou. — Está no fundo. Eu pedi a opinião de Luke, então você pode agradecê-lo muito por isso. Ele puxou um pacote transparente. — Novos fones de ouvido e um MP3 player? — Está cheio de playlists para fisioterapia, e você também pode usar para abafar a voz da sua mãe. — Tampões de ouvido — disse ele, puxando o pequeno plug de plástico. — Luke disse que sua mãe ronca. — Como uma porra de uma empresa de lenhadores em uma convenção de motosserras. O que é isso? Um bracelete? — Sim, eu pensei que você pudesse começar a usar acessórios — Harper brincou. — Não, é um daqueles monitores de frequência cardíaca com contador de passos. É o que pessoas normais, que não correm meia maratona nos fins de semana, usam para medir o condicionamento físico. E já que, nas próximas duas semanas, você provavelmente não atingirá os 10km, achei que poderia usá-lo na fisioterapia. Também vai sincronizar com o seu telefone. — Isso é legal, Harpoon. Obrigado. Ele parecia cansado, vazio. Mas estava em casa. — Sério? Harpoon é o melhor que você pode fazer? — Veremos onde o dia nos levará. — Aldo desembrulhou uma mini barra de chocolate e colocou-a na boca. *** A clínica ficava a vinte minutos de carro, ao norte da cidade. Aldo comeu doces e olhou pensativo para fora da janela enquanto Harper ligava para Beth, no escritório, para avisá-la que voltaria no final da tarde. — Beth quer que eu te abrace por ela — disse Harper, desligando. — Tenho a sensação de que vou receber muito disso. — Aldo não parecia entusiasmado com a ideia. — Eu sei que há uma certa morena linda que estaria disposta a entrar na fila para te abraçar. Aldo grunhiu. — Você já conversou com a Gloria? — Não. — Importa-se de elaborar mais? Eu sinto que estou falando com Luke aqui — Harper suspirou. — Vire aqui — disse Aldo, apontando para um edifício de pedra branca, à direita. Harper entrou no estacionamento e parou na frente da entrada de vidro de dois andares. — Vou pegar suas muletas — disse ela a Aldo, puxando o freio de mão. — Vou caminhar pelo estacionamento — disse ele, cruzando os braços sobre o peito. Harper encolheu os ombros. — Ok. Dois poderiam bancar o espertinho. Ela estacionou na última vaga no final do estacionamentoe desligou o carro. Ela tirou as muletas do banco de trás e esperou até que Aldo se colocasse de pé. — Coloque sua bunda aqui. — Ela entregou-lhe as muletas. Ela viu o tique em sua mandíbula e esperou. — Você pode entrar, se quiser — ele disse, finalmente, antes de contorná- la e ir em direção à entrada da frente. Harper pegou a bolsa do banco de trás e o seguiu. Seu rosto não mostrava nenhum esforço quando chegaram à área de recepção, mas havia pequenas gotas de suor se acumulando em seu rosto e pescoço. Os nós dos seus dedos estavam brancos. Zangado e se esforçando demais. Bem, ele era filho da Sra. Moretta. Era de se esperar. Eles esperaram em silêncio por alguns minutos, até que uma enfermeira, com um uniforme floral alegre, os chamou de volta. — Tenente Moretta, bem-vindo à fisioterapia. — Ela sorriu para ele. — Eu sou Annalise. — Ela estendeu a mão para ele. Depois de juntar as muletas, Aldo a apertou. — Aldo. Annalise voltou sua atenção para Harper. — Eu sou Harper — ela disse, pegando a mão estendida. — Obrigada por ter vindo — disse Annalize, liderando o caminho através de mesas e máquinas de cardio. — É importante que a família se envolva na recuperação. — Somos apenas amigos — Aldo murmurou. — Bem, sempre ajuda ter outro par de olhos e mãos — disse Annalise, impassível. Ela apontou para uma cadeira ao lado de um conjunto de barras paralelas. — Deixe-me ajustá-las para a sua altura, e o médico estará aqui em breve. Aldo olhou furioso para as barras, enquanto Harper tentava não pensar no homem simpático e engraçado que deixou Benevolence não fazia muito tempo. — Tenente. — Um homem magro, de jaleco branco e óculos, se aproximou. — Eu sou o Dr. Steers. Ouvi muito sobre você. Aldo apertou a mão dele, mas não disse nada. — Harper — ela se apresentou. — Prazer em conhecê-la, Harper. Vamos começar? Tenente, Walter Reed me deu seu arquivo, e você já impressionou nossa equipe. Estar onde você está agora, um mês depois da lesão, é quase sobre-humano. Harper viu o canto da boca de Aldo se erguer. Então, ele ainda estava ali em algum lugar. — Ele é incrível, não é? — Ela sorriu. Dr. Steers sorriu para ela. — Podemos entender a frustração do tenente com o ritmo da fisioterapia e faremos o possível para criar um programa que o desafie em seu nível. Só precisamos ter certeza de não estar exigindo muito do seu corpo, enquanto você ainda está no início do processo de recuperação. Ok? Aldo acenou com a cabeça. — Então, vamos te levantar. Você sabe o que fazer. — O médico apontou para as barras. Aldo se levantou e entregou a Annalise suas muletas. Ele agarrou as barras e caminhou, um pé na frente do outro, em direção ao Dr. Steers, que o seguia em um banquinho com rodas. — Parece bom — disse o médico, fazendo anotações. — Vá em frente e volte. Eles fizeram Aldo andar segurando as barras várias vezes, fazendo uma breve pausa para fazer pequenos ajustes na prótese. — Tenente, vamos tentar sem as barras. Aldo deixou cair as mãos ao lado do corpo e caminhou em direção a Annalise. — Perfeito — disse Steers. — Seu andar parece ótimo. Novamente, eles colocaram Aldo sem ajudantes para caminhar. Seu rosto impassível não deu nenhum indício de esforço, mas sua camiseta estava encharcada de suor. — Vamos fazer uma pausa rápida para beber água e depois passar para alguns dos exercícios de equilíbrio — sugeriu o Dr. Steers. Aldo encolheu os ombros, mas deixou-se cair na cadeira ao lado de Harper. — Harper, há algumas garrafas de água no refrigerador, na parede oposta. Você pode pegar para vocês dois? — Certo. — Feliz por poder fazer algo, Harper correu até a geladeira e pegou duas garrafas. — Aqui — disse ela, estendendo uma para Aldo. — Obrigado — disse ele, girando a tampa e tomando metade. Ela resistiu ao desejo de esfregar seu ombro. — Eu sei que o gasto de energia é frustrante. Normalmente, a mobilidade com uma amputação abaixo do joelho consome até quarenta por cento mais energia do que você está acostumado. É por isso que você sente que acabou de terminar uma maratona. Pode parecer apenas alguns passos para você, mas para o seu corpo, parece quase o dobro disso. — Estou bem. E posso fazer mais — Aldo deu de ombros. — Tenente, você está à altura do que falam — Annalise disse, reajustando a altura da barra. — Você é uma fera. — Quando posso começar a correr? Dr. Steers olhou para ele por cima dos óculos. — Vou fazer uma promessa que, na maioria dos casos, não consigo cumprir. Em breve. Na verdade, acho que você seria um ótimo candidato para uma prótese de corrida de fibra de carbono. O aceno de Aldo foi rápido, mas Harper viu o brilho em seus olhos. — Vamos prosseguir para um trabalho de equilíbrio. Depois de mais uma hora de exercícios de equilíbrio e fortalecimento, seguidos de estimulação elétrica e massagem, Aldo foi colocado em cima da maca. Annalise entregou a Harper uma pilha de papéis. — Esses são exercícios para casa que realmente manterão o ritmo de sua terapia. O tenente vai ter três consultas ambulatoriais por semana aqui, mas se você puder ajudá-lo nos dias de folga e trabalhar com isso, ele verá mais resultados e mais rapidamente. Harper pegou os papéis. — Com certeza. — Ótimo! Então nos vemos na sexta-feira. *** — Você não precisa ser minha nova companheira de fisioterapia — disse Aldo, de volta ao carro. — Eu não me importo. Mas vou entender se preferir que sua mãe leve você. Ele sorriu. — Muito engraçado. Quer almoçar? O estômago de Harper roncou. — Mais do que tudo no mundo. Eles passaram por um drive-thru, baixaram a capota do carro e estacionaram em um parque ensolarado à beira-mar. Harper devorou seu hambúrguer enquanto Aldo comia suas batatas fritas. — Você conversou com Luke? — ela finalmente perguntou. — Algumas vezes, mas não desde que cheguei em casa. Harper esperou, ansiosa. — Parece que ele está bem — disse Aldo. — Ele está? — Ele não me deixa agradecê-lo. — Pelo quê? Aldo se virou para olhar para ela. — Ele não disse a você que arrastou minha bunda para fora de lá sob disparos, enquanto ordenava a todos os outros que recuassem? Harper deixou cair o cheeseburger em seu colo. — Ele o quê? Aldo praguejou. — É tudo uma espécie de borrão vermelho para mim. Num segundo, estava dirigindo por este trecho da estrada, e no próximo, estava caindo da picape. Eu não conseguia ouvir ou sentir nada. Tudo o que eu sabia era que não conseguia me mover. Pensei que estava morto. — Ele respirou fundo. — Então, Luke estava sobre mim. Parecia gritar. Ele me arrastou para trás de uma picape e usou meu cinto como torniquete. Eu desmaiei, mas eles me disseram que ele me carregou sob o fogo cruzado, enquanto o resto dos caras se protegiam. — Por que diabos ele não me contou? — Harper disse, pegando o refrigerante com violência desnecessária. — Por que diabos ele não me deixa dizer obrigado? Ela nivelou o olhar com o dele, e ele balançou a cabeça. — Porque é o Luke — eles disseram em uníssono. Pelo menos, Luke detinha as informações de forma igualitária. — Vou escrever um e-mail em letras maiúsculas para ele, quando chegar em casa esta noite — anunciou Harper. — Enviarei a ele um cartão de agradecimento em letras maiúsculas. — Então, por que você está evitando Gloria? — Alguém já te disse que você é tenaz, Harpoon? — Oh, não, você não disse. Eu moro com o Luke “Escorregadio” Garrison. Não vou desanimar se você tentar transformar esse quiz de perguntas e respostas em um jogo de apenas perguntas. Você não está mais interessado nela? Seus sentimentos mudaram? — Harper, olhe para mim. — Aldo apontou para a prótese. — Eu mal consigo andar. Como vou tirá-la do chão, como ela merece? — Ok, eu nem sei por onde começar com essa estupidez. — Nenhuma palavra. — Com certeza, algumas palavras. Em primeiro lugar, você acha que é menos homem porque está com uma perna nova? É a coisa mais idiota que já ouvi. E já ouvi muita merda estúpida. Sua perna não tem nada a ver com o homem que você é. Sua atitude, por outro lado — ela o cutucou no peito —, tem tudo a vercom isso. Essa porcaria de “coitadinho de mim, um deficiente” não está te ajudando em nada. Cresça e seja a estrela do rock que sempre foi. — E em segundo lugar, Gloria não é uma flor frágil. Ela é engraçada e inteligente, e está criando uma vida totalmente nova para si mesma. Uma da qual você poderia fazer parte. Sabe o que seria incrível para ela? Um cara que está disposto a ser vulnerável na frente dela. Alguém que precisa dela. Você sabe o que isso faria para a confiança dela? Finalmente estar em posição de ajudar outra pessoa? Harper pegou um punhado de batatas fritas da caixa e entregou a ele. — Ela cora toda vez que alguém diz seu nome e sobreviveu à Inquisição da Sra. Moretta. — Inquisição? Ah, merda. — No final, sua mãe estava pedindo a receita de biscoito de geleia. Aldo encostou a cabeça no assento. — Isso é demais para aceitar. — Coma seu hambúrguer. Você está fraco pela fome e estupidez. Ele enfiou a mão na sacola, desembrulhou o hambúrguer e deu uma mordida enorme. Capítulo 31 Para: lucas.c.garrison282@us.army.mil De: harpwild@netlink.com Assunto: VOCÊ ESTÁ DE BRINCADEIRA COMIGO? CARO LUKE, VOCÊ VAI PERCEBER QUE ESTOU ESCREVENDO EM MAIÚSCULAS PARA DEMONSTRAR O FATO DE QUE ESTOU GRITANDO COM VOCÊ. COMO VOCÊ POSSIVELMENTE PODERIA ESQUECER DE ME DIZER QUE SALVOU A VIDA DE ALDO, ENQUANTO ESTAVA EM UM GRANDE PERIGO? VOCÊ PRECISARÁ LUTAR POR SUA VIDA QUANDO CHEGAR EM CASA. RESPEITOSAMENTE E COM RAIVA, HARPER *** Para: harpwild@netlink.com De: lucas.c.garrison282@us.army.mil Assunto: Filhotes e coisas fofas Cara Harper, Aceite as fotos de cachorros e gatinhos em anexo como uma tentativa de distraí-la de sua raiva. Você não pode ficar com raiva de cachorrinhos brincando. É contra o seu código genético. Você fica linda quando está brava. Luke *** Para: lucas.c.garrison282@us.army.mil De: harpwild@netlink.com Re: Filhotes e coisas fofas Fui hipnotizada pela fofura. Estou me sentindo muito menos assassina. Talvez você deseje aproveitar esta oportunidade para explicar por que não sentiu que eu precisava saber os detalhes do “incidente?” Deixe-me dar alguns exemplos de maneiras que você poderia ter abordado o assunto. Você se vangloriando: Então, querida, eu totalmente arrasei salvando vidas hoje e arrastei a bunda de Aldo para fora de um tiroteio depois que ele foi parcialmente explodido. O que você fez hoje? Você sendo sutil: Eu adoraria fazer uma chamada de vídeo com você esta noite, mas estou realmente exausto. Desgastado de carregar meu melhor amigo para fora de um campo de batalha com armas sendo disparadas. Realmente, não foi grande coisa. Conte-me mais sobre seu tricô. Você normalmente: Aldo foi (insira a terminologia militar apropriada aqui) por uma bomba caseira. Eu consegui chegar até ele e arrastá-lo para fora do tiroteio, mas foi assustador. Estou com saudades e acho que você é a mulher mais linda, incrível, gentil, inteligente e engraçada do universo. Com amor, Harper *** Para: harpwild@netlink.com De: lucas.c.garrison282@us.army.mil Re: Filhotes e coisas fofas Graças a Deus pelos cachorrinhos. A seguir, um pedido de desculpas oficial. Eu, Lucas Charles Norbert Garrison, lamento solenemente por não ter fornecido fatos pertinentes a Harper Lee Sue Ellen Wilde, também conhecida como “Namorada Gostosa”. O termo técnico e médico para o meu estado mental era “surtando” e eu não tinha ideia de como colocar em palavras o que aconteceu para não enlouquecer minha namorada gostosa. O imediatismo da situação exigiu que eu colocasse mais energia para descobrir se Aldo Moretta, daqui em diante conhecido como “Inútil Quando Está Inconsciente”, estava vivo e continuaria assim, do que relatar os detalhes vagos do acontecido. No entanto, eu juro fazer um trabalho melhor de comunicar todas as coisas, incluindo aquelas importantes de vida e morte, já que eu ficaria muito chateado se você não me contasse algo assim. Sinto falta do seu sorriso. Luke *** Para: lucas.c.garrison282@us.army.mil De: harpwild@netlink.com Re: Filhotes e coisas fofas Desculpas aceitas. Considero esta briga por e-mail encerrada. Em anexo, aceite uma foto dos meus seios como uma oferta de paz. Capítulo 32 Harper suspirou e bufou até o terceiro andar, sob o peso de um pufe. Chegando ao topo da escada, ela deu os passos finais para o novo quarto de Gloria e desabou em cima do pufe no meio da sala de estar. — Você vai estar em uma forma incrível, só de trazer compras para casa — Harper arquejou. — Eu não posso acreditar que conseguimos trazer o sofá até aqui nós mesmas. Gloria riu da minúscula cozinha onde estava desempacotando um jogo de jantar novinho em folha. — Eu não posso acreditar que é meu — ela disse, com um suspiro feliz. — Posso colocar algo no balcão, e ainda estará lá quando eu voltar. Posso assistir o que quiser na TV. Posso ficar nua o dia todo se quiser! Harper sentou-se e examinou o apartamento. Pisos de madeira com riscos, um punhado de rachaduras no gesso. Mas a vista da rua principal de Benevolence parecia saída direto de uma pintura. Gloria estava três andares acima da Dawson’s Pizza, e a enorme janela em arco da sala dava para a delegacia de polícia e o Common Grounds Café. Ela estava a poucos passos do trabalho e do supermercado. — Isso é muito perfeito — concordou Harper. — Quer uma bebida? — Gloria ofereceu. — Pelo amor de Deus, sim! Por favor! — A voz de Sophie foi abafada pela caixa de itens de cozinha que estava levantando. Ela a jogou sem cerimônia no meio do chão da cozinha e desabou em uma cadeira de jantar. — Essa é literalmente a última. Tudo está aqui. Harper deu um pulo e enfiou a mão na bolsa. — Espere, Gloria! Largue a lata. Não podemos permitir que a primeira bebida em sua própria casa seja um refrigerante diet. — Ela pegou a garrafa gelada de champanhe que comprou na última viagem de carro entre a mãe de Gloria e o novo apartamento. — Nada é mais feliz do que o som do champanhe sendo aberto — disse Sophie, batendo palmas. Harper despejou as bolhas em canecas de café e serviu a elas. — Eu gostaria de fazer um brinde — anunciou Gloria. — Muito obrigada a vocês duas. Ser independente significa muito para mim, mas é ainda melhor ter vocês como amigas com quem posso contar, se precisar. — Own! Saúde — Harper disse, batendo sua caneca na de Gloria. Sophie saiu logo depois, para resgatar Ty de Josh, que decidiu que era um cachorro como Bitsy e só iria ao banheiro do lado de fora. Harper ficou por perto para ajudar a desfazer as caixas. — Eu realmente agradeço a ajuda — disse Gloria, empilhando os copos cuidadosamente no armário ao lado da pia. — Estou feliz em ajudar — disse Harper, tomando outro gole de champanhe enquanto desenrolava os cabos do aparelho de DVD. — Tenho certeza de que posso descobrir como instalar isso, para que você possa pelo menos assistir a algum filme esta noite. Ela correu para dar uma espiada atrás da TV. Gloria saiu da cozinha e se sentou no sofá. — Então, como está Aldo, desde que voltou para casa? — Ela abraçou uma almofada amarela contra o peito. Os dedos de Harper se atrapalharam com uma entrada. — Ele está, uh, indo bem. Acho que a fisioterapia está ajudando mentalmente. Fisicamente, ele é uma fera. — Ele sempre foi — Gloria disse, um pouco triste. Harper parou de mexer. — Escute, Gloria, não sei exatamente qual é o problema dele, mas espero que você saiba que é isso. Problema dele. Não tem nada a ver com você. — Eu acho que tive minhas esperanças um pouco altas demais, de que poderíamos ser algo juntos. Que eu poderia ser algo para ele. —Opa! Vamos voltar essa fita agora mesmo. — Harper pegou a caneca e sentou-se ao lado de Gloria. — Você não pode colocar seu valor nas mãos de outra pessoa assim, mesmo se essas mãos estão te acariciando ou machucando. Não importa. Seu valor vem de dentro. Se você significa algo para ele ou não, não tem nada a ver com o quão valiosa você é. Gloria suspirou e caiu para trás contra a almofada. — Entendi. E acho que estou começando a acreditar. Sei que vou ficar bem sem Aldo Moretta,mas, ainda assim, gostaria de pelo menos tentar. — Agora você está falando minha língua. — É assim que você se sentia sobre Luke? — É assim que eu ainda sinto sobre Luke. Sei que ficaria bem sem ele, depois de um período de luto excepcionalmente longo, é claro. Mas eu quero ser ótima com ele. — Agora que posso riscar “conseguir apartamento” da minha lista, meu próximo objetivo é ser ótima, não importa quem esteja na minha vida. — É isso aí — Harper assentiu. — Homens — disse Gloria, com sua caneca de champanhe. — Nem me fale — Harper suspirou. — Vamos pedir pizza. — Essa é a melhor ideia que você já teve neste apartamento. *** Nos três dias seguintes, Harper estava dolorida pelo resto de uma vida. Duas dúzias de viagens por três lances de escada, carregando objetos de peso variável, foram uma experiência reveladora. Ela estava totalmente fora de forma. Harper gemeu quando se curvou para pegar uma nova resma de papel para a impressora. — Você quer um pouco de ibuprofeno? — Beth ofereceu. — Ugh. Não. Preciso sofrer as consequências do meu sedentarismo. — Eu frequento a academia da Baker Street. É barata, limpa e tem muitos equipamentos que não sei usar. — Eu preciso fazer alguma coisa — Harper suspirou, arrastando os pés pelo escritório. — Posso praticamente ouvir minhas artérias entupidas. — Minha avó tem uma bengala que você pode pegar emprestada — disse Frank, entrando no escritório. Harper revirou os olhos para a risada de Beth. — Obrigada por sua preocupação, Frank. Ele balançou sua cabeça. — Só estou tentando ser acolhedor. — O que você está fazendo aqui? — Harper resmungou. — Estou esperando você rastejar de volta para sua mesa, para que eu possa revisar algumas das especificações da reforma da doutora. Afundando-se na cadeira, ela gemeu, apenas parcialmente irritada. Frank analisou os números da ampliação da Dra. Dunnigan à sua clínica, que incluía uma nova sala de exames para diagnósticos por imagem, uma cozinha e sala ampliadas. — Nós examinamos a cerâmica — ele apontou para uma figura na planilha. — O preço subiu um pouco, mas corresponde ao que ela já tem. Portanto, estou propondo absorver o custo em vez de repassá-lo a ela. Todo o resto está dentro ou abaixo do orçamento, então acho que podemos ser um pouco generosos. Além disso, ela e seu parceiro estão pensando em construir uma casa no próximo ano, e adivinhe qual nome está no topo da lista? — Ora, Garrison Construções, é claro. — Harper piscou. Frank balançou a cabeça e enfiou as mãos nos bolsos. — O que você precisa de mim? — Sim ou não para absorver o custo. Harper piscou. Frank estava pedindo sua permissão. Ela limpou a garganta e pegou a calculadora. — Sim — ela disse, olhando para o total. — É uma boa ideia, Frank. Ele acenou com a cabeça rapidamente e juntou os papéis, antes de sair pisando duro sem dizer uma palavra. — Sobre o que foi tudo isso? — Harper perguntou, girando em sua cadeira para que não tivesse que virar a cabeça para ver Beth. — Eu não faço ideia. Nunca vi nada igual — disse ela, balançando a cabeça. Harper girou de volta para a tela. Talvez estivesse cansando Frank com seu charme. Ou talvez Luke disse a ele para lidar com ela diretamente. Ou talvez ela finalmente estivesse começando a se encaixar. Se estava começando a se encaixar, não havia tempo para relaxar. Ela continuaria a mostrar a Frank e a todos como levava a sério esse trabalho, não importando como o tinha conseguido. Ela voltou ao trabalho com energia renovada. Poucos minutos antes do meio-dia, Charlie entrou. — Eu estava procurando duas lindas damas para almoçar. — Ele estava vestido com jeans e uma camisa polo da Garrison, o que significava que tinha acabado de chegar de uma reunião com possíveis clientes. — Acho que posso arranjar duas para você — Harper brincou. — Eu só talvez precise ser carregada escada abaixo. Beth, você está dentro? Beth já estava esperando na porta, segurando a bolsa. — O quê? — ela encolheu os ombros. — Estou faminta. Harper deu uma risadinha. — Eu mesmo dirigirei. Vou levar Aldo para a fisioterapia, depois do almoço. Charlie as conduziu pela lanchonete, onde o cheiro de pão quente e café pairavam em uma nuvem deliciosa. Harper caminhou cautelosamente para a mesa, ao lado de Beth. — Então, qual é a ocasião, Charlie? — É terça-feira — disse ele, piscando para Sandra quando ela chegou com seu refrigerante. — E eu estou com vontade de atum derretido. — Parece que você tem dois encontros — disse Sandra. — Você deve ser a infame Harper. Tenho pensado em ir ao Remo’s para ver você na sexta- feira. Só não consegui ainda. Harper riu. — Eu deveria ter apenas convocado uma reunião municipal para me apresentar. — Da próxima vez você faz isso e nos poupará todo o trabalho de persegui-la. Bem-vinda a Benevolence. O que posso trazer para vocês, senhoras? Eles pediram, e Harper se perguntou se ela algum dia se acostumaria com as expectativas de uma cidade pequena. — Você tem falado com Luke? — Charlie perguntou, tirando o canudo de seu refrigerante. — Gritei com ele por não nos contar sobre o resgate de Aldo. Ele disse que vai tentar ligar para vocês esta semana. — Meu filho, o herói silencioso. — Eu me pergunto de onde ele puxou isso. — Harper ergueu as sobrancelhas. — Provavelmente de Claire — Charlie brincou. — Mas agora que estamos falando sobre conversar, eu queria contar algo a você. Acabei de voltar de uma reunião não oficial com possíveis clientes. É um jovem casal com um terreno fora da cidade, perto da floresta. Eles estão procurando por algo... único. — Algo único no estilo de um abrigo militar, ou algo fofinho e diferente de seus cinquenta vizinhos? — Beth perguntou. — Mais ou menos. Vocês já ouviram falar de casas minúsculas? Harper e Beth trocaram um olhar. Ambas estavam obcecadas com os novos programas de TV sobre o assunto. — Estamos familiarizadas — disse Harper casualmente. — Bem, eles estão pensando em algo pequeno, e não minúsculo. Um chalé com cerca de quarenta e sete metros quadrados, com geotérmica, energia solar, todo o projeto ecológico, e mais todo esse armazenamento embutido. Acho que seria um projeto muito interessante de se conseguir. Mas não quero fazer isso, se o que eles procuram for uma caixa com rodas de aparência ridícula. Harper ergueu o dedo e pegou o telefone. Ela abriu o painel do Pinterest de “Casas pequenas, mas adoráveis” e passou o telefone para Charlie. — Algo como isto, talvez? — Ela deslizou a tela para ele, sabendo que ele mal conseguia mexer no telefone. — Ou, que tal algo moderno como esta? Dependendo do terreno, você pode construi-la de forma que toda a frente fique exposta ao sul. Bom para a conta do aquecimento no inverno. — Hã. Existe alguma maneira de você enviar essas fotos para mim por e- mail ou algo assim? Harper sorriu. — Claro, sem problemas, Charlie. — Então você acha que vale a pena tentar fechar esse projeto? Harper e Beth assentiram vigorosamente. — Casas como essas estão ficando cada vez mais populares. Não são para todos, mas muitas pessoas estão realmente procurando por um luxo reduzido. Ela fez uma anotação mental para dizer a Claire para gravar alguns dos episódios do programa de casas pequenas para Charlie. Ele devolveu o telefone para Harper. — Tudo bem, então. Vou levar isso em consideração e ver se consigo fazer alguns esboços. Capítulo 33 — Eu quero aprender a correr — Harper anunciou, saltando na ponta dos pés. Aldo semicerrou os olhos no meio do alongamento. — Por quê? — Você e Luke correm. Eu o via sair de casa com o cérebro cheio de merda e voltar de uma corrida sorrindo. Eu quero também. Além disso, tenho comido muita pizza ultimamente, ajudei Gloria a se mudar e não conseguia andar direito por três dias. Aldo encolheu os ombros. — Ok. Então corra até aquela árvore ali e volte. — Isso não é muito longe. Eu quero correr quilômetros. — Você não está pronta para correr quilômetros ainda, espertinha. Vou verificar seu desempenho e dizer como melhorar. Além disso, para alguém que se senta em uma mesae come pizza o dia todo, essa árvore é longe o suficiente. Harper bufou. — Você está sem uma parte da perna e já está trabalhando em corridas lentas na esteira. Acho que consigo correr até a árvore e voltar com duas pernas normais. Aldo sorriu para ela. — Pare de enrolar. Corra. Vou assistir e julgar sem piedade. Harper mostrou a língua para ele e começou a correr em direção à árvore na margem do lago. O parque era um de seus lugares favoritos em Benevolence. Ela e Aldo vinham usando as trilhas quase todos os dias, como um treinamento extra para ele e um pouco de exercício para ela. Observar sua recuperação constante a fez avaliar sua própria saúde. Especialmente depois de perceber que estava mais sem fôlego no topo de uma colina do que Aldo com sua maldita perna biônica. Ela, com certeza, era capaz de fazer isso. Ser saudável e ser forte. Agora havia tempo para se concentrar no que seu futuro poderia ser. Mais saladas, algumas corridas, talvez até um pouco de levantamento de peso, e quando Luke voltasse para casa, ele encontraria uma mulher magricela com objetivos e planos. A árvore estava um pouco mais perto agora, embora ela se sentisse como se tivesse corrido para sempre. Devia ser uma ilusão de ótica. Sua respiração estava saindo em rajadas mais curtas agora, e suas pernas pareciam mais pesadas. Oh, meu Deus. Ela estava correndo ladeira abaixo. Teria que correr morro acima no caminho de volta. Finalmente, a árvore apareceu na frente dela. Ela parou a poucos metros de seu tronco e se abaixou, fingindo amarrar o sapato enquanto tentava desesperadamente recuperar o fôlego. — Vamos, Harp! — O grito de Aldo desceu a colina até ela. — Por favor, não vomite. Por favor, não vomite — Ela cantou enquanto subia em um ritmo muito mais lento. Ela gritou quando uma dor aguda atingiu seu flanco. Agarrando as costelas, finalmente cambaleou de volta ao início e desabou ao lado de Aldo. — Isso não foi tão ruim — ela arquejou. Ele deu uma risadinha. — Você parece um fumante de um maço por dia, Harp. — Eu acho que tenho apendicite. Dói como uma cadela. — Bem-vindo à sua primeira câimbra lateral. — Câimbra lateral? — Vamos. Ajude-me a levantar e direi todas as coisas que você fez de errado. — Como dizer que queria aprender a correr? Eles trabalharam nos exercícios de Aldo e terminaram com uma caminhada tranquila até a margem do lago. — Então... como você está? — Bem o suficiente para voltar para minha casa neste fim de semana. O médico liberou. — Você não vai sentir falta da sua mãe? — Harper brincou. — Voltar para a minha casa é a única maneira de nós dois vivermos. — Você está dormindo melhor? A dor ainda o mantém acordado? Ele deu de ombros, e a pausa foi tão longa que Harper achou que não iria responder. — Às vezes, é como se minha mente não pudesse dizer a diferença entre o que está acontecendo e o que aconteceu. É como um borrão entre o passado e o presente e, às vezes, a única coisa que clareia minha cabeça é a dor — disse Aldo. — Talvez seja por isso que você força a fisioterapia além do limite? — Talvez seja por isso que eu forço tudo além do limite. *** O verão estava a todo vapor em Benevolence. Os fins de semana de Harper eram cheios de churrascos, passeios com cães e corridas, o que estava ficando um pouco menos doloroso. Depois que atingiu seu primeiro quilômetro completo, Aldo comprou uma braçadeira para seu telefone celular e baixou um programa de treinamento de 5 km para ela. Ela ainda não estava atingindo o negócio de cérebro feliz depois da corrida, mas o alívio que sentia quando cada corrida acabava era o suficiente para mantê-la calçando os tênis quase todos os dias. Seu último projeto foi arrumar a parte externa da casa de Luke. Ela havia repintado o balaústre e o corrimão da varanda, e lentamente acrescentou flores ao redor da vegetação existente. Hoje ela iria enfrentar as plantas do lado da casa, que estavam começando a subir pelo muro. Ela vestiu shorts de ginástica e uma das velhas camisetas respingadas de tinta de Luke, pegou um boné de beisebol e foi trabalhar. As plantas provaram ser oponentes formidáveis, com raízes profundas e longas, mas Harper gostava do trabalho físico. O sol de verão provocou uma gota de suor em suas costas, e Harper sentou-se sobre os calcanhares para fazer uma pausa para tomar água. Ela já havia limpado mais da metade. Se conseguisse manter o ritmo, poderia adubar no dia seguinte. Ela se perguntou se Luke ficaria orgulhoso do cuidado que estava tendo com sua casa. Queria que ele voltasse para um escritório e uma casa em bom funcionamento. No trabalho, ela terminou de converter todos os dados de clientes e empregados para um novo sistema que se integrava ao software de contabilidade, reduzindo a papelada para todos. Também convenceu Frank e Charlie a realizar uma reunião mensal da equipe, onde todos, desde supervisores a estagiários do ensino médio, participavam da discussão de atualizações e bloqueios de projetos. Em casa, a varanda foi pintada e decorada com vasos coloridos transbordando de flores de verão. Com a ajuda de Claire e Sophie, a horta no quintal estava realmente tomando forma. Lá dentro, havia mudado a aparência suja da escada, e agora ela brilhava como nova. Na semana passada, ela havia limpado todas as janelas por dentro e por fora. Quase causou um ataque cardíaco em James quando ele veio cortar a grama e a pegou ocupada, na escada que encontrou na garagem, limpando a sujeira do vidro do segundo andar. Ele começou a mostrar a ela que as janelas abriam por dentro, para facilitar a limpeza sem escadas, e então enterrou a escada nos fundos da garagem sob uma canoa e vários sacos de terra. — Você não é uma desastrada — Luke disse uma vez. — Mas você atrai problemas. — Ele deve ter transmitido essa mensagem a seu irmão. As únicas janelas que restaram para limpar eram as do subsolo. Harper passou os dedos pela sujeira do vidro mais próximo a ela. Parecia uma sujeira de vários anos. Do outro lado do vidro, havia uma sacola de plástico no nível da janela que mal conseguia ver. Harper franziu a testa. Não se lembrava de nenhuma estante tão alta na parede do porão. A menos que… Ela encontrara uma janela para o quarto secreto de Luke. Rapidamente limpou mais sujeira e olhou através do vidro. A sala estava vazia, exceto por um conjunto de prateleiras de metal com caixas e malas. Harper sentou-se sobre os calcanhares. O que quer que Luke tivesse naquele quarto trancado a chave era importante. Talvez uma mulher melhor tivesse deixado para lá e respeitado seu espaço e segredos, mas uma mulher melhor não estava lá. Harper estava. A janela do porão não abria pelo lado de fora, então ela correu para dentro para examinar a fechadura da porta. Onde Luke guardaria a chave? Harper andou de um lado para o outro. Ela voltou para cima, para a mesa da sala de estar, e pegou os dois chaveiros da gaveta. Havia cerca de uma dúzia de chaves, da sua picape, as chaves de casa e a do trabalho. Nenhuma estava rotulada como Sala Secreta do Porão. De volta ao andar de baixo, ela se demorou encaixando cada uma na fechadura. Mas nenhuma abriu a porta. Na ponta dos pés, ela apalpou o topo do batente da porta, mas não encontrou nada. Verificou a picape, no console e no porta-luvas, e não encontrou nada. Ela voltou para a cozinha, girando o chaveiro no dedo. Onde ele guardaria a chave de algo que não queria acesso fácil? Deus, ela esperava que ele não o tivesse enterrado em algum lugar. Precisava de um segundo cérebro para ajudá-la. Harper pegou o telefone celular e discou o número de Hannah. — Ei, H! E aí? — A voz alegre de sua amiga sempre fazia Harper sorrir. — Estou prestes a ficar totalmente louca aqui, e preciso falar, ou vou fazer algo sobre isso. — Ok, fale. Qual é o problema? Harper rapidamente contou a Hannah sobre a situação. — Então, em primeiro lugar, estou louca por precisar desesperadamente saber o que há dentro? E em segundo lugar, até onde posso ir para conseguir entrar sem agir como uma louca completa? Hannah