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Projeto corporativo de escritórios
Apresentação
Uma informação importante no momento de projetar edificações e espaços arquitetônicos diz 
respeito ao tipo de edificação que se pretende elaborar, bem como ao seu uso. Ao considerar os 
usos específicos da futura edificação, diferentes estratégias são criadas para que ela funcione da 
melhor maneira possível e de acordo com essas necessidades. Portanto, o uso da edificação 
influencia diretamente a forma como ela é pensada.
Assim, ao pensar em projetos específicos para escritórios, fatores singulares devem ser 
considerados, como, por exemplo, flexibilidade de alterações de divisórias, sistemas e leiautes, 
possibilidade de atender a variados programas de necessidade em um mesmo espaço, locais 
específicos de acordo com a cultura da empresa, entre outros.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar questões relacionadas ao projeto corporativo de 
escritórios, percebendo as diferentes características desse tipo de edificação. Você também verá 
exemplos de edifícios de escritórios projetados para distintas necessidades por meio de diagrama e 
de desenhos. Por fim, vai entender quais são os principais condicionantes para esse tipo de projeto.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Identificar as características dos prédios corporativos.•
Diferenciar os programas de acordo com a natureza das empresas.•
Reconhecer as condicionantes dos projetos corporativos em geral.•
Infográfico
Ao elaborar um projeto corporativo para escritórios, o profissional arquiteto deve considerar vários 
aspectos que influenciarão diretamente o funcionamento da edificação. Entre eles, podem-se citar 
o bem-estar do usuário, questões mercadológicas e de meio ambiente.
Existem outros elementos que devem ser considerados no momento da projetação, como as 
tecnologias, os mobiliários, a setorização, entre outros.
Neste Infográfico, veja um pouco mais sobre o que se deve considerar no momento de projetar 
edificações corporativas para escritórios.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/3c5be6d5-fa42-4c0d-ab34-a813f19cdc9f/66314036-98dc-422a-9276-855e8a630b3d.jpg
Conteúdo do livro
O leiaute adotado por algumas empresas depende de determinadas questões, como proximidade e 
instalações dos equipamentos.
No trecho da obra Manual do arquiteto: planejamento, dimensionamento e projeto, base teórica 
desta Unidade de Aprendizagem, você vai saber mais sobre a compartimentação e o leiaute de 
mobiliários.
Boa leitura.
TERCEIRA EDIÇÃO
MANUAL 
DO 
ARQUITETO
PLANEJAMENTO, 
DIMENSIONAMENTO 
E PROJETO
DAVID LITTLEFIELD
M
ANUAL DO ARQUITETO
PLANEJAM
ENTO, DIM
ENSIONAM
ENTO E PROJETO
TERCEIRA EDIÇÃO
ARQUITETURA/CONSTRUÇÃO
Fruto de um trabalho considerável por parte de um grande número de arquitetos, engenheiros 
e acadêmicos, Manual do Arquiteto apresenta os princípios e dados dimensionais para o 
projeto de arquitetura das mais variadas tipologias de edifi cação. Esta terceira edição está 
completamente atualizada e inclui mudanças recentes em regulamentação e prática, como a 
crescente ênfase nas questões ambientais, de forma a atender às necessidades de estudantes 
e profi ssionais de arquitetura, urbanismo, engenharia civil e construção.
Um guia completo, Manual do Arquiteto aborda os principais tipos de edifi cações, como 
aeroportos, hospitais, escolas, equipamentos industriais e esportivos, templos religiosos, 
bibliotecas, museus, hotéis e restaurantes. Para todos os casos, são fornecidos os requisitos 
básicos para os estudos preliminares do projeto de arquitetura, além de informações sobre 
planejamento e projetos complementares. Também são tratados aspectos como materiais, 
acústica, iluminação e espaços necessários para circulação e equipamentos.
Entre os diferenciais que fazem desta uma obra única no mercado brasileiro estão capítulos 
que tratam dos seguintes temas:
• A administração do escritório de arquitetura
• Custo de capital e custo de vida útil das edifi cações
• Planejamento e desenho urbano
• Acessibilidade e inclusão
• Terminais de transporte e pontos de conexão
• Estúdios de gravação de som e imagem
• Projeto de arquitetura em zonas tropicais
• Instalações prediais
• Materiais de construção
DAVID LITTLEFIELD
TERCEIRA EDIÇÃO
95379 Manual do Arquiteto.indd 1 28/3/2011 10:45:58
L778m Littlefield, David. 
 Manual do arquiteto [recurso eletrônico]: planejamento, 
 dimensionamento e projeto / David Littlefield ; tradução: 
 Alexandre Salvaterra ; revisão técnica: James Miyamoto, 
 Silvio Dias, José Barki. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : 
 Bookman, 2011.
 Editado também como livro impresso em 2011
 ISBN 978-85-7780-558-7
 1. Arquitetura. 2. Arquitetura – manual. I. Título.
CDU 72(035)
Catalogação na publicação: Ana Paula M. Magnus – CRB 10/2052
184 Manual do Arquiteto: Planejamento, Dimensionamento e Projeto
7 COMPARTIMENTAÇÃO E LEIAUTE DE MOBILIÁRIO
7.01
O leiaute adotado por uma organização depende de questões de 
proximidade e localização de equipamentos – algumas áreas, por 
exemplo, não devem ficar muito perto do conjunto de salas dos di-
retores. Em 12.15 há um quadro de relações utilizado para projetar 
a distribuição de espaço.
7.02
A compartimentação e o leiaute de mobiliário de uma área de tra-
balho devem ser extremamente flexíveis (12.16 a 12.22). Além dis-
so, elas são as áreas com maior facilidade de aquisição e com maior 
rotatividade. O mobiliário é uma ferramenta muito acessível, que 
pode valorizar o desempenho, ou seja, transformar o mínimo em 
máximo.
7.03 Características fundamentais
• Redução das mesas de trabalho para uso individual em tempo
integral
• Mobiliário, recursos e espaço para grupos ou equipes de proje-
to devem ser compartilhados o tempo todo
• Móveis devem suportar o uso intensivo e variado de tecnologia 
da informação
• Capacidade de apoio a diferentes usuários ao longo do tempo
7.04
Os leiautes devem equilibrar a busca pela compartimentação (co-
mum em escritórios alemães e escandinavos) e a necessidade de se 
economizar e aumentar o valor, utilizando padrões de trabalho in-
terativos em locais de planta livre. As áreas livres devem ser proje-
tadas e administradas de forma a permitir um ambiente de trabalho 
silencioso e tranquilo, além do uso flexível de espaço em diferentes 
momentos. O uso da tecnologia da informação para possibilitar a 
mobilidade dentro do escritório sugere novas maneiras de se plane-
jar um espaço.
Deve-se buscar o equilíbrio entre:
Dinamizar a comunicação e
A necessidade de trabalho em 
grupo / equipe / projeto e
A disponibilização de áreas 
abertas e para trabalho 
em grupo
Proporcionar um ambiente 
silencioso e tranquilo
Confidencialidade e
trabalho individual e o
Acesso à iluminação, orienta-
ção solar e ventilação naturais
7.05
Em 12.23 a 12.38 encontram-se dimensões relevantes de esta-
ções de trabalho típicas para funcionários de escritório. Dimen-
sões padronizadas para espaços onde há uso de computadores 
podem ser encontradas no Capítulo 2. Atualmente, os escritórios 
de projeto consistem, em sua maioria, em estações de trabalho 
CAD (projeto assistido por computador), mas mesas de desenho 
ainda são utilizadas. 12.39 a 12.42 indicam as dimensões neces-
sárias.
7.06 Salas e espaços de reunião
São as áreas principais em qualquer organização. 12.43 a 12.45 
apresentam diferentes configurações. Às vezes, é preciso equipa-
mento para comunicação televisual com áreas remotas.
7.07 Sistema de instalações
Há três maneiras de levar instalações elétricas e de comunicação a 
cada estação de trabalho e espaços de reunião:
• Em pisos elevados (12.46)
Esse arranjo é bastante popular entre os empreendedores – o
que é surpreendente, pois se trata do mais caro. Exceto se um
teto absurdamente baixo for construído, o pé-direito será obri-
gatoriamenteaumentado pela profundidade do piso elevado.
As tomadas de energia elétrica e telecomunicação ficam em
caixas de tomadas embutidas no piso, com tampas com dobra-
diças. A capacidade dessas caixas é limitada pelo tamanho, e
geralmente só tem espaço para três tomadas elétricas e uma
valor
1
2
3
4
5
6
7
8
9
1
2
3
4
5
6
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20
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3
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12
13
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15
16
17
18
19
20
indesejável
indiferente
a média satisfaz
importante
particularmente importante
absolutamente necessário
proximidade
importância
contatos pessoais
tarefas feitas em conjunto
barulho
número de visitantes
conveniência
supervisão
movimento de papéis
uso de produtos
recursos compartilhados
código razão
razão
ra
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es
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et
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o
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d
e 
p
ro
xi
m
id
ad
e
presidente
diretor sênior
diretor 
financeiro
diretor de 
vendas
diretor de 
produção
compras
vendas gerais e 
escritório administrativo
contabilidade
planejamento 
de produção
processamento de 
dados
correspondência 
e almoxarifado
recepção
banheiro 
masculino
banheiro 
feminino
porta frontal
porta dos fundos
20
 
19
 
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 4
 
 3
 
 2
 
 1
 
A
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5
O
5
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4
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5
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6
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1
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1
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1
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1
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1
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1
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U
O
5
A
E
I
O
U
X
12.15 Quadro de relações para uma empresa pequena.
Littlefield_12.indd 184 12/01/11 14:24
12 Escritórios 185
planta livre divisórias acústicas
divisórias 
e móveis
estrutura
linhas fixas compartimentos
12.16 Comparação de diferentes leiautes, que variam com: grau de fechamento, densidade de pessoas, distribuição de espaço.
3,7
22,5
3
.7
0
0
3.700
12.17 Planta livre.
tomada dupla para telefone. Colocar mais caixas ou mudar a 
posição das existentes é difícil e sai caro. Assim, os leiautes de 
móveis e divisórias costumam ser fixos em relação a elas. Às 
vezes, as caixas são colocadas em rotas de circulação intensa, 
onde causam acidentes.
• Em tetos falsos (12.47)
Em geral, os tetos falsos ficam apenas parcialmente preenchi-
dos com dutos de condicionamento de ar ou ventilação; logo, 
o aumento da altura necessário para a acomodação dos cabos 
é mínima. As tomadas de energia elétrica e telecomunicação 
podem ser acomodadas em barras com instalações, que tem 
capacidade de acomodar até 20 tomadas diversas. Eles podem 
ser colocados em praticamente qualquer posição e são fáceis 
de mover, pois o que os mantêm no lugar é o fato de estarem 
simplesmente pendurados entre o forro e a face inferior da laje 
do pavimento de cima. Há, porém, uma desvantagem: várias 
barras com instalações, localizadas de maneira aparentemente 
aleatória, podem ter má aparência.
Littlefield_12.indd 185 12/01/11 14:24
186 Manual do Arquiteto: Planejamento, Dimensionamento e Projeto
7,5
22,5
4.700
4
.2
0
0
4,2
12.18 Planta livre estruturada.
5,5
1,5
1,5
5,4
12.19 Espaços agrupados.
4,5
7,5
7,5
22,5
12.20 Sistema híbrido com compartimentação central.
Littlefield_12.indd 186 12/01/11 14:24
12 Escritórios 187
2,9 m
4
 m
14
12.21 Sistema híbrido com compartimentação lateral.
5,5
1,5
4,5
5,4 2,7
4
.5
0
0
2.700
12.22 Compartimentado.
1.000
6
0
0
12.25 Com espaço para papéis na lateral.
1.200
6
0
0
12.26 Com espaço para papéis em ambos os lados.
12.23 Alcance médio de pessoa sentada à mesa de trabalho. Para alcançar 
mais longe, usuário tem de se curvar, mas não levantar.
12.24 Espaço básico para escrever e digitar.
Littlefield_12.indd 187 12/01/11 14:24
188 Manual do Arquiteto: Planejamento, Dimensionamento e Projeto
1.200
7
5
0
12.27 Espaço para papéis, canetas e telefone.
1.200
8
5
0
12.28 Espaço generoso para papéis.
1.500
8
5
0
12.29 Espaço para papéis e área para se abrir pastas e livros.
corredor 1.000
gaveta 
aberta
1.600
5
0
0
600550450
12.30 Espaço necessário para arquivo com gavetas.
corredor
750 a 
900
9
0
0
 –
 1
.0
0
0
1.200
750 450
450450
12.31 Dimensões necessárias para arquivos alinhados.
1.300 a 1.500
1
.0
0
0
1.500 1.200 1.500 mínimo
1.500
1.100 2.000
2
.0
0
0
1
.4
0
0
1
.5
0
0
1
.0
0
0
600 750 450 700 400
450 900 600700 600 600
12.32 Dimensões recomendadas para arquivos e outros equipamentos de escritório e circulação.
Littlefield_12.indd 188 12/01/11 14:24
12 Escritórios 189
mesa 
1.500 × 750 corredor
mesa 
1.200 × 750
a
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u
iv
o
 
7
0
0
 ×
 4
5
0
a
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u
iv
o
 
7
0
0
 ×
 4
5
0
1
.6
5
0
2.400
2.850
2.100
2.550
1
.6
5
0
900
9
0
0
900
9
0
0
12.33 Espaços e leiaute para mesa e arquivo.
a
rq
u
iv
o
 
7
0
0
 ×
 4
5
0
a
rq
u
iv
o
 
7
0
0
 ×
 4
5
0
corredor
escrivaninha
1.500 × 750
escrivaninha
1.500 × 750
escrivaninha
1.200 × 750
escrivaninha
1.200 × 750
mesa
1.200 × 750
mesa
1.200 × 750
mesa
1.500 × 750
mesa
1.500 × 750
corredor
corredorcorredor
2100 2.550
2.400 2.850
2
.4
0
0
.2
.4
0
900900
900900
12.34 Escrivaninha com mesa, arquivo e cadeira, espaço e leiaute.
corredor corredor
mesa
1.500 
× 750
mesa
1.200 
× 750
a
rq
u
iv
o
7
0
0
 ×
 4
5
0
a
rq
u
iv
o
escrivaninha
1.500 × 750
escrivaninha
1.200 × 750
3.3003.600
1
.6
5
0
1
.6
5
0
900900
9
0
0
9
0
0
12.37 Escrivaninha, mesa e arquivo, espaços livres e leiaute.
corredor
corredor
escrivaninha
1.500 × 750
escrivaninha
1.200 × 750
mesa
1.500 
× 750
mesa
1.200 
× 750
1
.6
5
0
3150
1
.6
5
0
2.850
900
9
0
0
900
9
0
0
12.35 Escrivaninha com mesa adjacente, espaços livres e leiaute.
corredor
corredor
escrivaninha
1.500 × 750
escrivaninha
1.200 × 750
m
e
s
a
 d
e
 u
s
o
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m
u
m
 
1
.5
0
0
 ×
 7
5
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m
e
s
a
 d
e
 u
s
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c
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m
u
m
 
1
.2
0
0
 ×
 7
5
0
2.475
2.775
1
.6
5
0
1
.6
5
0
900
9
0
0
6
0
0
900
12.36 Escrivaninha com mesa de uso comum, espaços livres e leiaute.
Littlefield_12.indd 189 12/01/11 14:24
190 Manual do Arquiteto: Planejamento, Dimensionamento e Projeto
escrivaninha
1.200 × 750
m
e
s
a
 d
e
 u
s
o
 
c
o
m
u
m
1
.2
0
0
 ×
 7
5
0
a
rq
u
iv
o
a
rq
u
iv
o
a
rq
u
iv
o
a
rq
u
iv
o
m
e
s
a
 d
e
 u
s
o
 
c
o
m
u
m
1
.5
0
0
 ×
 7
5
0
escrivaninha
1.500 × 750
corredor
1
.6
5
0
3.225
1
.6
5
0
2.925
900
9
0
0
900
9
0
0
12.38 Escrivaninha, mesa de uso comum e arquivo, espaços livres e leiaute.
mesa de 
desenho
mesa de apoio
metade 
do 
corredor
1.500 1.500
1
.8
0
0
3.900
900
12.39 Mesa de desenho com mesa de apoio contígua: área 7,0 m².
mesa de 
desenho
mesa de apoio
metade do 
corredor
1.500
2.400
2
.7
5
0
900
12.40 Mesa de desenho com mesa de apoio por trás: área 6,6 m².
mesa de 
desenho
mesa de 
apoio
metade 
do 
corredor
1.500
3.300
2
.1
5
0
900900
12.41 Mesa de desenho com mesa de apoio lateral: área 7,1 m².
mesa de 
desenho
mesa de 
desenho 
de apoio
meio-
corredor
mesa se move para 
permitir entrada
unidade para 
armazenamento
próxima mesa 
de desenho
1.100
1
.8
0
0
3.350
900750
150150
300
12.42 Mesa de desenho de apoio com rodízios: área 6,0 m² (projeto Building 
Design Partnership).
2.700 2.200 3.000 3.000
3
.0
0
0
3.000
2
.5
0
0
1
.5
5
0
2.450
3
.1
5
0
3.500 3.100
3
.6
0
0
3
.6
0
03.150
3.650
3100
4.000
5
.2
5
0
3.100
8
.1
0
0
3.100
3.1006
.1
0
0
3.100
3.100
5
.1
0
0
3.100
4
.1
0
0
7
.1
0
0
4.500
3
.3
0
0
12.43 Necessidades espaciais para reuniões informais.
Littlefield_12.indd 190 12/01/11 14:24
12Escritórios 191
• Dutos perimetrais conectados a sistema de cabeamento dentro 
de móveis e divisórias (12.48)
Esse sistema é particularmente adequado para escritórios com
ventilação natural, sem tetos falsos. No entanto, ele dificulta o
deslocamento de móveis e divisórias, e pode inibir a movimen-
tação entre áreas de trabalho.
Dois outros métodos eram utilizados no passado, mas deixa-
ram de ser recomendáveis. Dutos embutidos na laje de piso exigem 
tomadas logo acima do nível do piso, sempre adjacentes ao posicio-
namento dos dutos. Esse método limita totalmente a distribuição de 
móveis e as rotas de circulação. Um sistema pior ainda consiste na 
colocação de cabos no teto falso abaixo do pavimento em questão. 
Isso significa que, se mudanças tiverem de ser feitas, as obras ocor-
rerão em um pavimento diferente – que pode estar sendo ocupado 
por outra organização!
4.200 4.800 6.300
7
.2
0
0
5
.7
0
0
4
.8
0
0
12.44 Necessidades espaciais para reuniões formais.
12.45 Móveis modulados projetados para permitir configurações alter-
nativas.
laje de piso de concreto
duto do condicionamento de ar
teto falso
piso elevado
cabos caixa de tomadas no piso
laje de piso de concreto
12.46 Instalações elétricas e de telecomunicações sob pisos elevados.
laje de piso 
de concreto
duto do condicionamento de ar
teto falso
eletroduto
barra com instalações
laje de piso 
de concreto
12.47 Instalações elétricas e de telecomunicações através de teto falso.
Littlefield_12.indd 191 12/01/11 14:24
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
Dica do professor
Um projeto corporativo está voltado para atividades de administração e deve acompanhar as 
mudanças e o desenvolvimento das tecnologias relacionadas a essa área para ser capaz de garantir 
espaços bem aproveitados, funcionais e confortáveis.
Nesta Dica do Professor, veja um pouco mais sobre as características dos edifícios de escritórios e 
as regras atuais para esses espaços.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/9c864cb70539d3b586c8218d3abcdf70
Na prática
Os edifícios corporativos contemplam aspectos que devem ser pensados de forma individual e, 
portanto, divididos de acordo com a sua vida útil e a sua necessidade de alteração/transformação 
ao longo do tempo a fim de permitir que essas edificações sejam funcionais, considerando as 
mudanças do mercado.
Neste Na Prática, conheça um pouco mais sobre esses aspectos. 
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Ambientes de trabalho compartilhados: o desafio de projetar 
espaços de coworking
Uma tendência que vem se destacando no cenário corporativo diz respeito à utilização 
compartilhada de espaços de trabalho. Neste artigo, saiba mais sobre o projeto desse tipo de 
espaço de trabalho.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Arquitetura e qualidade de vida no ambiente de trabalho: 
estudo preliminar de um coworking em Maceió
Os locais de trabalho influenciam de forma direta a produtividade e a qualidade de vida dos 
funcionários. Veja mais sobre o assunto neste estudo de caso.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Evolução dos espaços de trabalho ao longo dos anos
Os espaços de arquitetura se desenvolvem e sofrem alterações conforme os acontecimentos e as 
tendências da sociedade. É também assim com os espaços corporativos. Leia este artigo e saiba 
mais sobre a evolução desses espaços.
https://periodicos.ifsul.edu.br/index.php/poliedro/article/view/1065/1007
https://periodicos.set.edu.br/fitshumanas/article/view/9244/4560
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://cic.unifio.edu.br/anaisCIC/anais2019/pdf/03.24.pdf
Projeto de interiores e acabamentos 
construtivos
Apresentação
Parte significativa do trabalho do profissional que trabalha com arquitetura de interiores é 
selecionar os materiais mais adequados para a sua proposta. Além do efeito estético, da aparência 
do material, critérios como manutenção, resistência ao fogo e acessibilidade pesam na seleção e 
combinação de opções. Além dos materiais em si, a relação deles com os outros que vão compor a 
proposta deve ser pensada, tendo em mente a harmonia entre os elementos e os encontros e 
encaixes entre eles.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai reconhecer os principais materiais utilizados em projetos 
de arquitetura de interiores e as suas características. Além disso, você vai ver alguns cuidados que 
devem ser tomados na sua indicação e instalação. Por fim, você vai perceber como o projeto é a 
ferramenta de compatibilização por excelência e quais são os caminhos que o profissional pode 
adotar para garantir o sucesso de sua proposta.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Descrever os principais elementos de acabamentos em interiores.•
Explicar os cuidados necessários na aplicação de tais acabamentos.•
Aplicar a compatibilização dos elementos de acabamentos em interiores.•
Infográfico
O uso ao qual um ambiente se destina é um dos fatores que mais influenciam a escolha dos 
materiais de acabamento. As áreas molhadas necessitam de atenção especial, uma vez que os 
revestimentos devem ser resistentes à umidade e pouco escorregadios. Atualmente, é bastante 
ampla a gama de opções oferecidas pelo mercado.
Neste Infográfico, você vai conhecer os principais materiais de acabamento que podem ser 
utilizados em pisos de áreas molhadas, como cozinhas, lavanderias e banheiros. Você vai verificar as 
principais vantagens e desvantagens de cada um.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/2ee75b1a-2803-451a-9987-209affb614bb/666b382b-bc21-41dc-a4ee-019e344e5498.jpg
Conteúdo do livro
As pessoas passam boa parte de suas vidas dentro de edifícios. Casa, trabalho, instituições de 
ensino, comércio, salas de eventos são o pano de fundo sobre o qual decorre a vida humana. Isso, 
por si só, constitui um motivo significativo para a preocupação com a qualidade desses espaços. 
Sabendo disso, é fundamental reconhecer como diferentes materiais alteram a percepção desses 
espaços e a necessidade de o projetista conhecer suas características e limitações.
No capítulo Projeto de interiores e acabamentos construtivos, base teórica desta Unidade de 
Aprendizagem, você vai estudar as principais opções de materiais que arquitetos, designers e 
demais projetistas podem utilizar na hora de compor e combinar os elementos constituintes de suas 
criações. Você também vai aprender as propriedades e os cuidados necessários no emprego desses 
materiais. Além disso, você vai verificar o papel do projeto como instrumento de compatibilização 
por excelência, a ferramenta que torna possível a realização de propostas complexas, integrando o 
trabalho de profissionais de diversas áreas.
Boa leitura. 
ARQUITETURA DE 
INTERIORES
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Descrever os principais elementos de acabamentos em interiores.
 > Explicar os cuidados necessários na aplicação de acabamentos em interiores.
 > Aplicar a compatibilização dos elementos de acabamentos em interiores.
Introdução
A maneira como percebemos os espaços internos está intimamente relacionada 
com os revestimentos e acabamentos de suas superfícies. A escolha entre um 
material e outro pode alterar significativamente um espaço; além disso, a falta de 
planejamento na especificação desses materiais pode extrapolar orçamentos e 
comprometer a utilizaçãodos ambientes no longo prazo. Um projetista, portanto, 
deve conhecer as características, vantagens e desvantagens das principais opções 
a sua disposição. 
Neste capítulo, vamos apresentar as principais opções disponíveis para ma-
teriais de revestimento, os cuidados que devemos ter quando de sua utilização e 
as ferramentas utilizadas na combinação desses materiais.
Projeto de interiores 
e acabamentos 
construtivos
Gabriel Lima Giambastiani
Acabamentos em projetos de arquitetura 
de interiores
A principal função das edifi cações é servir de abrigo e de suporte para as ati-
vidades humanas. A sensação de proteção que temos quando ingressamos 
em uma construção depende da delimitação resultante das relações entre os 
planos de pisos, paredes e tetos, pois são esses os elementos que defi nem os 
limites físicos dos recintos (CHING; BINGGELI, 2019). Também é verdade que os 
materiais utilizados nos revestimentos desses elementos podem alterar signi-
fi cativamente a percepção do espaço. Podemos validar essa hipótese com um 
simples exercício de pensamento. 
Imagine que você ingressa em um quarto de hotel onde todas as superfícies 
são homogêneas e pintadas com branco. Mobiliário, cortinas, louças e metais 
seguem um padrão. Agora, imagine que você deixa o primeiro quarto e ingressa 
em outro, com iguais geometria e configuração. Esse segundo ambiente tem forro 
e piso em madeira, paredes revestidas com pedra, mobiliário variado, cortinas 
de linho, metais cromados. Dificilmente poderíamos sustentar que estamos 
falando de ambientes iguais. Essa diferença de percepção que a materialidade 
e o aspecto físico de algo provocam no usuário corresponde ao conceito de 
caráter imediato (MAHFUZ, 1995). Considerando dimensões e volumetria iguais, a 
percepção do usuário será diferente se a materialidade do objeto for diferente.
Sabendo disso, o projetista pode promover certas sensações e percepções 
variando os materiais de revestimento de suas propostas. Observe, na Figura 1, 
como essa variação influencia a percepção dos espaços internos.
Figura 1. Estudo de materiais em sala de estar.
Projeto de interiores e acabamentos construtivos2
O par de imagens da Figura 1 faz parte de uma apresentação cujo objetivo 
era validar, junto ao cliente, algumas alternativas de materiais. A imagem da 
esquerda mostra a laje em concreto aparente, ou seja, sem forro, e o piso 
em réguas de madeira; a imagem à direita mostra o piso com forro pintado 
de branco e o piso Silestone em placas. Utilizar o mesmo ponto de vista, 
variando apenas os materiais, é uma técnica interessante para demonstrar 
a diferença de percepção provocada por essas variações. 
Agora que você sabe como a variação dos materiais de revestimento pode 
alterar a percepção de um espaço, vamos estudar as principais categorias de 
revestimentos utilizados em projetos de arquitetura de interiores. Também 
veremos como o mesmo material pode ser utilizado tanto em superfícies 
horizontais quanto em superfícies verticais, e vamos estudá-las de acordo 
com a natureza do material.
Madeira
A madeira foi um dos primeiros materiais empregados na construção de 
abrigos humanos e, curiosamente, chega aos tempos atuais como uma das 
tecnologias construtivas mais promissoras e versáteis — prova de que, apesar 
de ser antigo, o potencial de uso desse material está longe de ser esgotado. 
Proveniente da extração de árvores, trata-se de um material resistente e 
flexível. O desenvolvimento da indústria da construção civil, somado a pre-
ocupações ambientais, estimulou o desenvolvimento de subprodutos desse 
material, que acabam, assim, sendo mais comuns nas construções atuais.
Alguns subprodutos da madeira incluem o MDF (medium density 
fiberboard), ou placa de fibra de média densidade, uma placa aglo-
merada derivada da madeira; o MDP (medium density particleboard), ou painel 
de partícula de média densidade, que, diferentemente do MDF (feito com fibras), 
é feito com partículas de madeira; e o CLT (cross-laminated timber), ou madeira 
laminada cruzada, um material estrutural de madeira composto de várias cama-
das orientadas perpendicularmente umas as outras (essa alternância entre a 
orientação das chapas resulta em um componente que resiste melhor à tração 
e à compressão).
Nos projetos de arquitetura de interiores, a forma mais comum de utilizar a 
madeira é no revestimento de pisos, na fabricação de painéis e na marcenaria. 
Entre as opções de piso, existem:
Projeto de interiores e acabamentos construtivos 3
  os de madeira maciça, compostos por réguas inteiras de madeira natural;
  os multistratos, compostos de lamelas de 5 mm de espessura de ma-
deiras de alta densidade, com base composta por recortes de madeira 
maciça cruzados de modo a formar uma espécie de mosaico; 
  os multiestruturados, com base composta de lâminas de madeira de 
reflorestamento e com uma lamela superior de 3 a 4 mm de madeira 
nobre, que determina o aspecto do produto final; 
  os multilaminados, semelhantes aos multiestruturados, mas com uma 
camada de acabamento mais fina, o que determina a impossibilidade 
de restaurar esse tipo de piso; 
  os do tipo deck, piso de madeira maciça normalmente utilizado para 
ambientes expostos ao tempo. 
Para a marcenaria, o tipo de madeira mais comum é o MDF com revesti-
mento melamínico, que consiste na colagem de uma placa na superfície do 
material para dar acabamento, ou com lâminas de madeira natural, quando 
o revestimento dessas placas é composto por uma camada muito fina de 
madeira. Observe, na Figura 2, um exemplo do uso de madeira em um projeto 
de arquitetura de interiores em que o MDF com lâminas de madeira natural 
foi utilizado para fazer o acabamento de um painel de divisória.
Figura 2. MDF revestido com lâmina de madeira natural em painel de divisória.
Projeto de interiores e acabamentos construtivos4
Alvenaria
A palavra alvenaria deriva do árabe alvaner (ou alvanel) e diz respeito àquele 
que trabalha com pedra, cimento ou cal: ou seja, o pedreiro. Chamamos de 
alvenaria o tipo de construção composto por unidades unidas ou não por ar-
gamassa. Esse tipo de sistema de vedação constitui a maioria das construções 
do dia a dia, sejam paredes de tijolos de barro, blocos cerâmicos, blocos de 
concreto, pedra. Além dos blocos, é comum a aplicação de uma camada de 
revestimento de argamassa (mistura homogênea composta, basicamente, por 
agregados miúdos, cimento e água). A esse revestimento, normalmente são 
aplicados outros, como a pintura e o revestimento cerâmico, por exemplo. 
Veja a Figura 3.
Figura 3. Casas rebocadas e caiadas na ilha de Santorini, Grécia.
Fonte: Greece Moments ([20--], documento on-line).
Popularmente, o revestimento das paredes de alvenaria é chamado 
de reboco. No entanto, esse tipo de revestimento é composto por 
várias camadas, que desempenham diferentes funções. O chapisco, por exemplo, 
é a camada inicial de argamassa, que serve para aumentar a aderência das 
demais camadas à parede. Já o emboço é a camada aplicada após o chapisco 
e ajuda a corrigir as irregularidades da superfície na qual o revestimento é 
aplicado. Por fim, o reboco, propriamente dito, é a camada final e serve para 
dar acabamento ao revestimento.
Projeto de interiores e acabamentos construtivos 5
Gesso
O gesso também é um material amplamente utilizado na arquitetura de 
interiores, seja na forma de divisórias (portanto, contrapondo-se à alvenaria 
como alternativa mais ágil para a construção de paredes), seja na construção 
de forros (isto é, como acabamento para as superfícies do teto de um recinto). 
Podemos distinguir entre dois tipos principais de soluções em gesso: o gesso 
em placas e o gesso acartonado. 
O gesso em placas, como o nome sugere, é composto por placas do mate-
rial (normalmente medindo 60 × 60 cm), que são instaladas por meio de um 
sistema de encaixe conhecido como macho-fêmea. Sua sustentação ocorre 
por meio de arames ou pinos entre as placas e a laje ou o elemento de fixaçãosuperior. O acabamento desse material é feito lixando a superfície acabada, 
processo que gera quantidade considerável de pó e cuja viabilidade, portanto, 
deve ser bem avaliada, principalmente em áreas já ocupadas. Como vantagem 
desse tipo de acabamento, pode-se citar a flexibilidade na proposição de 
soluções. O projetista pode propor desenhos que vão de soluções minimalistas 
a superfícies bastante rebuscadas.
O gesso acartonado, por sua vez, refere-se a um sistema de construção 
a seco composto por placas de gesso revestidas por papel acartonado, que 
são fixadas a uma estrutura reticulada geralmente metálica. Em relação 
ao gesso em placas, a execução do gesso acartonado é mais rápida e mais 
limpa, além de ter menor quantidade de resíduos; para tanto, exige mão de 
obra mais qualificada.
Como vantagem adicional, existem, no mercado, diferentes tipos de placas 
de gesso acartonado. Além das placas convencionadas (standard ST), existem 
as placas resistentes à umidade RU (verde) e as resistentes à fogo RF (rosa). 
Antes de especificar, é importante consultar o catálogo do fornecedor para 
escolher o tipo de placa mais adequado.
Quando esse sistema é utilizado para a construção de divisórias, é chamado 
de drywall. Observe, na Figura 4, a utilização do sistema de gesso acartonado 
tanto na construção do forro quanto nas paredes de um espaço interno.
Projeto de interiores e acabamentos construtivos6
Figura 4. Gesso acartonado aplicado em forro e em paredes divisórias.
Fonte: Bannafarsai_Stock/Shutterstock.com.
Cerâmicas e porcelanatos
Por cerâmicas, entendemos pequenas unidades modulares de argila ou de 
porcelana (CHING; BINGGELI, 2019). O azulejo é um tipo de cerâmica, uma 
peça de pouca espessura em que uma das faces é vidrada, resultado da 
aplicação de uma camada denominada esmalte. O porcelanato, classificado 
como produto cerâmico pela NBR ISO 10545-3 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE 
NORMAS TÉCNICAS, 2020), diferencia-se de cerâmicas como o azulejo porque 
não há a divisão entre a massa de cerâmica queimada (também conhecida 
como “biscoito”) e a camada superficial, esmalte. 
A aparência do porcelanato pode depender da aplicação de uma camada 
superficial, porcelanato esmaltado, ou ser simplesmente o resultado da 
mistura que o compõe, porcelanato técnico. Essa diferenciação também 
tem consequências para outras propriedades desse revestimento, como a 
absorção de água. Rosso, Cunha e Rojas-Ramírez (2005, documento on-line) 
apresenta a seguinte distinção: “O porcelanato é classificado como esmal-
tado ou técnico (polido ou não), sendo que para o esmaltado admite-se uma 
absorção de água até 0,5%. Porém, para o porcelanato técnico, esta absorção 
deve ser menor ou igual a 0,1%”.
Projeto de interiores e acabamentos construtivos 7
Atualmente, o porcelanato é um dos materiais mais comuns para o revesti-
mento de áreas molhadas (cozinhas, banheiros, etc.). Uma vantagem adicional 
do material é a ampla gama de opções no que diz respeito a tonalidades e 
texturas, que o tornam uma opção bastante versátil. Na Figura 5, você pode 
observar a aplicação de um piso de porcelanato em uma sala de estar.
Figura 5. Piso de porcelanato em uma sala de estar.
Pinturas
Vimos que o reboco é uma das formas de revestir paredes de alvenaria. 
Difi cilmente superfícies rebocadas ou, até mesmo, compostas por placas, 
como as de gesso, são deixadas cruas. A pintura é um dos revestimentos 
mais comuns nesses casos, que pode ser do tipo cal, esmalte, acrílico ou PVA 
(acetato de polivinila), os dois últimos os tipos mais comuns. A diferença entre 
a tinta acrílica e a PVA é o tipo de resina utilizada, sendo a primeira indicada 
para ambientes externos e, a segunda, para os internos.
Com relação à aparência, as tintas se classificam em foscas, acetinadas e 
semibrilho. Pense nessa classificação como uma escala que vai da ausência 
total de brilho (tinta fosca) até a mais brilhosa delas (semibrilho). As tintas 
acetinadas são uma alternativa intermediária entre as outras duas categorias.
Não se pretende, com essas categorias, fornecer um rol exaustivo de 
opções de revestimentos para projetos de arquitetura de interiores. Como 
você viu no caso da madeira, até mesmo materiais muito antigos podem ser 
transformados e melhorados para atender a necessidades atuais. Além disso, o 
Projeto de interiores e acabamentos construtivos8
uso de materiais em contextos diferentes pode resultar em experiências inte-
ressantes. Observe, na Figura 6, uma imagem da exposição “Onion Skin”, como 
o uso de superfícies iluminadas pode criar espaço ricos em espacialidade.
Figura 6. Exposição “Onion Skin”, de Olivier Ratsi, em Oaxaca, México.
Fonte: Ratsi (2013, documento on-line).
De modo geral, fique atento aos tipos de revestimentos utilizados nos 
projetos que lhe chamam a atenção e observe a maneira como são empregados 
e o efeito que causam. Depois, tente aplicar o que aprendeu em seus projetos. 
Agora que já vimos os principais tipos de revestimento, vamos ver os 
principais cuidados necessários ao emprego desses materiais.
Cuidados necessários na aplicação 
de materiais de revestimento
Antes de estudarmos os principais cuidados relacionados com as categorias 
de materiais apresentadas, é importante ressaltar que o processo de seleção 
de um revestimento deve levar em conta várias propriedades, além do efeito 
estético esperado. Um dos critérios mais cobrados dos projetistas diz respeito 
à manutenção, que vai de preocupações relativas à facilidade de limpeza e de 
restauro a preocupações com a vida útil do material. Pense no exemplo de uma 
casa de veraneio. Como esse tipo de imóvel é usado com menos frequência, 
Projeto de interiores e acabamentos construtivos 9
é compreensível que seu cliente opte por materiais que demandem menos 
reparos. A facilidade de montagem também é uma questão importante. Na 
maioria das vezes, projetistas não dispõem de prazos indeterminados para 
entregarem suas obras. Em função disso, algumas alternativas são preferíveis 
a outras em função da facilidade ou da rapidez de montagem. As divisórias 
de gesso acartonado são um bom exemplo: sua execução é bem mais rápida 
que a construção de uma parede em alvenaria convencional. 
Seguindo o exemplo das paredes, as preocupações quanto ao isolamento 
acústico são comuns, sobretudo em ambientes residenciais. O mesmo se aplica 
à resistência ao fogo. Como já vimos, existem materiais (como as placas de 
gesso resistentes a fogo) que buscam responder a esse tipo de preocupação. 
Por sua vez, a acessibilidade é um desdobramento do critério da manutenção 
e está relacionada à facilidade de acesso aos demais sistemas do projeto 
de arquitetura de interiores. Como exemplo, podemos citar a presença de 
alçapões em forros para facilitar a manutenção em fios, instalações elétricas 
ou sanitárias.
Tente se informar, portanto, a respeito das principais características 
dos revestimentos propostos para seus projetos. Consulte as informações 
disponíveis nos catálogo dos fabricantes, muitos deles disponíveis on-line. 
Além disso, converse com vendedores e colegas sobre experiências que 
tiveram no emprego dos revestimentos. Esse tipo de cuidado pode lhe aju-
dar a especificar materiais que, além de proporcionarem um efeito estético 
agradável, facilitem a vida dos usuários de seus projetos. 
Vamos, agora, examinar alguns cuidados que devemos ter com os principais 
tipos de revestimentos.
Madeira
Os principais cuidados em relação a revestimentos de madeira estão rela-
cionados à sensibilidade do material. Sobretudo quando estamos lidando 
com lâminas naturais, esses revestimentos costumam ser muito sensíveis à 
exposição à luz natural e à abrasão. Logo, os elementos de madeira, como o 
mobiliário sob medida, são um dos últimos itens a serem instalados. Quanto 
àqueles que devem ser instalados antes ou mantidos, como é o caso de pisos 
existentes, devem ser protegidos com outros materiais. Observe, na Figura 7, 
como uma camada de papelão protegeum piso de parquet preexistente.
Projeto de interiores e acabamentos construtivos10
Figura 7. Piso de madeira protegido com papelão.
Além da fragilidade, o projetista deve ficar atento a variações de tonali-
dade nas lâminas de madeira. Suponha que você tenha projetado um móvel 
para uma sala de estar há três anos. É bem provável que, caso você queira 
fazer um complemento para o móvel original, não consiga produzir uma 
peça que fique com a mesma tonalidade que o anterior, mesmo utilizando a 
mesma lâmina. Isso ocorre em função da exposição da lâmina original à luz 
do Sol. Uma alternativa, nesse caso, seria variar o material, estudando uma 
composição cromática alternativa, ou relaminar todo o móvel.
Gesso
Dependendo do tipo de revestimento de gesso escolhido, devemos tomar 
algumas precauções. Tratando-se do gesso convencional, é preciso fi car 
atento à quantidade de pó produzida nas etapas fi nais da instalação, quando 
a superfície é lixada para receber a tinta de cobertura. Quando trabalhamos 
com reformas, é necessário cobrir ou isolar outros ambientes para que esses 
resíduos não impregnem móveis e equipamentos. 
Projeto de interiores e acabamentos construtivos 11
Quando usamos gesso acartonado, o sistema em que placas de gesso são 
presas a montantes metálicos, a atenção do projetista deve se voltar para 
a integração entre esse sistema e outras demandas da obra. As placas de 
gesso não são tão resistentes quanto as paredes de alvenaria, então é preciso 
prever reforços em paredes em que se pretende instalar equipamentos, como 
televisores, ou móveis, como prateleiras. No forro, é necessário paginar os 
montantes para que não entrem em conflito com pontos de iluminação ou 
sistemas de automação. Observe. na Figura 8, a quantidade de pontos que 
ficará escondida sobre o forro. Para evitar conflitos, foi necessário, além 
mapear os pontos de iluminação e de sistemas de som, prever a posição dos 
montantes do forro de gesso acartonado. Lembre-se do critério da acessibili-
dade: independentemente da escolha por gesso acartonado ou convencional, 
é necessário prever alçapões para eventuais reparos.
Figura 8. Teto de imóvel residencial com sistemas de automação: necessidade de paginar os 
pontos e os montantes do forro de gesso acartonado.
Alvenaria 
A construção de divisórias em alvenaria é uma das técnicas construtivas mais 
antigas da humanidade. Por ser um revestimento resistente e confi ável, boa 
parte das construções que compõem nosso ambiente construído fazem uso de 
paredes de tijolos, blocos cerâmicos ou de concreto. Também é verdade que 
boa parte das instalações das edifi cações está embutida nessas divisórias. 
Quando lidamos com preexistências antigas, isto é, que foram projetadas e 
Projeto de interiores e acabamentos construtivos12
executadas antes do advento do desenho em computador e da consequente 
documentação em arquivos digitais, nem sempre temos o projeto disponível 
para consulta. Antigos proprietários, arquivos municipais, quando muito, têm 
os documentos de aprovação, mas raramente a documentação completa. 
Essa ausência de documentação cria um problema para o projetista, que 
deve inferir o posicionamento de tubulações, fi ações e demais instalações. 
Sabendo disso, uma boa prática, quando usamos paredes de alvenaria, é 
fotografá-las após a execução das instalações e antes do fechamento com outro 
revestimento, como o reboco (Figura 9). Esse material pode ser arquivado e 
entregue aos proprietários, de modo que, em uma eventual reforma ou reparo, 
seja possível estimar, com maior precisão, o local dessas instalações e evitar 
danos. Essa preocupação não dispensa, porém, a existência de um projeto 
detalhado ou, ainda, um projeto as built, que serve para documentar o projeto 
pós-execução, com intuito de contemplar eventuais desvios do projeto original.
Figura 9. Reboco de parede de banheiro: fotografia feita para documentar a posição da 
tubulação de água.
Cerâmica
Revestimentos cerâmicos são amplamente utilizados em áreas externas e inter-
nas, pisos, paredes, cozinhas, áreas de serviço, salas de estar, enfi m, em quase 
todos os ambientes residenciais e comerciais. A popularidade desse tipo de 
Projeto de interiores e acabamentos construtivos 13
revestimento faz com que existam inúmeras opções de tamanhos, tonalidades 
e texturas no mercado. Quando trabalhamos com esse tipo de revestimento, 
precisamos ter cuidados tanto na etapa de projeto quanto na de execução.
Durante a fase final do projeto, o projeto executivo, é fundamental que o 
projetista faça a paginação do revestimento, prevendo o ponto a partir do qual o 
operário deve começar a instalação e onde e como deve fazer o recorte nas peças.
Paginar um revestimento significa representá-lo com as dimensões 
reais nas superfícies na qual ele será instalada. Isso é feito dese-
nhando a peça com seu tamanho real e justapondo outras a seu redor. Com 
esse método, é possível prever os cortes que a mão de obra precisará realizar 
para adequar as peças à geometria do recinto na qual serão instaladas. Isso 
deve ser feito para paredes, pisos e qualquer outra superfície para a qual esteja 
previsto revestimento cerâmico.
Durante esse processo de recorte, algumas peças acabam se perdendo. 
Chamamos isso de “quebra”. Portanto, a quantidade de revestimento comprada 
deve ser superior à àrea de superfície a ser revestida. Revestimentos em formatos 
maiores (acima de 90 cm) têm quebras maiores que revestimentos em formato 
menor (abaixo de 60 cm), porque, uma vez inviabilizado o uso da peça, a área 
perdida é maior. Imagine que, em função de um recorte, um operário perca uma 
peça quadrada de um metro de lado. Nessa operação, perdeu-se 1 m²; se a peça 
tivesse 30 cm, o prejuízo seria de 0,09 m².
Além dos cuidados relacionados ao projeto, é preciso ficar atento a ca-
racterísticas relativas à natureza do material. Revestimentos cerâmicos são 
agrupados por classes de acordo com sua resistência à abrasão, sua absorção 
de água e suas variações dimensionais. Os revestimentos Classe A apresentam 
variações dimensionais mínimas, de modo que podemos contar que suas dimen-
sões sejam regulares. De qualquer forma, é necessário o uso de espaçadores, 
normalmente peças plásticas, para garantir um afastamento uniforme entre 
as peças. No que diz respeito à tonalidade, mesmo materiais com a mesma 
especificação costumam apresentar pequenas variações se forem de lotes 
diferentes. Por isso, é comum indicar a compra de algumas caixas excedentes 
para armazenar peças que foram produzidas dentro de um mesmo lote. Desse 
modo, garantimos a possibilidade de substituir alguma peça no futuro.
Pintura
Com relação ao uso de tintas e cores, existe uma preocupação muito impor-
tante, que diz respeito à maneira como percebemos as cores. Geralmente, 
quando especificamos uma cor para um projeto de arquitetura de interiores, 
Projeto de interiores e acabamentos construtivos14
a escolhemos a partir de um catálogo de algum fornecedor. Porém, é preciso 
lembrar que a iluminação e os outros elementos presentes nos ambientes 
alteram nossa percepção da cor. Dito de outra maneira, uma coisa é ver uma 
cor impressa em um catálogo de papel, outra é vê-la aplicada diretamente 
na superfície real. Em função disso, é comum comprar amostras das opções 
escolhidas e pintar pequenos trechos de parede para possibilitar uma tomada 
de decisão mais bem informada (Figura 10). Além disso, é uma boa prática 
levar outros revestimentos, como as lâminas escolhidas para os móveis, para 
conferir se a harmonia imaginada durante o projeto se confi rma na realidade.
Figura 10. Teste de cores em parede de apartamento: verificação das tonalidades escolhidas.
Um segundo cuidado relativo ao uso de pintura como revestimento está 
relacionado à manutenção. É mais fácil retocar superfícies nas quais foram 
aplicadas tintas foscas. Isto é, caso seja necessário repintar uma parte dessa 
superfície, as emendas serão imperceptíveis. Do contrário,será necessário 
pintar toda a superfície para que não seja possível identificar o que é a pintura 
original e o que é intervenção posterior.
Perceba como vários fatores influenciam a escolha de revestimentos. Um 
bom projetista deve ser capaz de especificar o revestimento mais adequado 
para cada situação, contemplando todos eles. Para tanto, é preciso se manter 
informado e estudar as principais diferenças entre eles. Agora que você já 
conhece algumas delas, vamos falar de alguns cuidados que devemos ter nos 
encontros e nas interações entre diferentes tipos de revestimentos.
Projeto de interiores e acabamentos construtivos 15
Compatibilização entre acabamentos
Parte signifi cativa do sucesso de um projeto de arquitetura de interiores é 
atribuída à atenção ao encontro entre diferentes materiais. Forros e tetos se 
encontram com paredes, que se encontram com pisos, que têm desníveis ou 
perfurações para aberturas, circulações verticais etc. Enfi m, uma infi nidade 
de encontros e encaixes que o projetista deve prever e solucionar já na etapa 
de projeto, minimizando a necessidade de pensar nessas soluções durante a 
execução, quando o tempo para tomar decisões é mais escasso. 
Observe, na Figura 11, a foto de uma cozinha integrada com a sala de estar. 
Nesse exemplo, temos muitos dos revestimentos estudados antes: forro em 
gesso, painéis de madeira, piso e bancada em porcelanato e pedra. Além disso, 
há equipamentos como pias, metais, luminárias, coifa e fogão. Agora, imagine 
que cada um desses serviços foi executado por um profissional diferente. Isso 
torna evidente o papel integrador que o profissional da arquitetura tem na 
execução de um projeto: é ele que tem a visão do todo e que deve garantir, 
portanto, que a concepção original seja executada de maneira satisfatória.
Figura 11. Integração entre sala de estar e cozinha, encontro entre diferentes tipos de 
revestimentos.
Projeto de interiores e acabamentos construtivos16
A principal ferramenta para garantir a integração entre todos os elementos 
que compõem a construção é o projeto. Para Vittorio Gregotti (2010, p. 12), 
o projeto é “[...] o modo através do qual vêm organizados e fixados arquite-
tonicamente os elementos de um determinado problema”. Isso significa que 
ele serve tanto como instrumento de validação da proposta apresentada 
quanto documentação do que deve ser executado. O mesmo autor adverte 
(GREGOTTI, 2010) que o projeto ainda não é arquitetura, mas um conjunto de 
símbolos (plantas, elevações, detalhes) por meio dos quais o projetista tenta 
comunicar sua intenção. 
Veja, na Figura 12, uma planta da cozinha apresentada na Figura 11. Nessa 
imagem, podemos perceber o dimensionamento dos nichos de marcenaria 
para o refrigerador, armários embaixo da bancada, poltronas, portas de 
armário, etc. Os símbolos com letras indicam seções, que mostram cortes 
do conjunto. Essa documentação é enviada para os fornecedores, de modo 
que cada um saiba o que é esperado de si e conheça a interferência que seu 
trabalho terá no dos outros fornecedores.
Figura 12. Planta com detalhamento da cozinha da Figura 11.
Projeto de interiores e acabamentos construtivos 17
Com o desenvolvimento das ferramentas de desenho assistido por com-
putador (CAD) e de modelagem da informação da construção (BIM) é possível 
simular com bastante fidelidade tanto o dimensionamento quanto a aparên-
cia dos materiais. Uma das técnicas utilizadas para antecipar o resultado 
da construção é a produção de imagens renderizadas, que consistem em 
simulações fotorrealistas do projeto e dos materiais. A Figura 13 ilustra essa 
técnica com o projeto de um estúdio de fotografia. A imagem à esquerda é 
uma imagem renderizada que ilustra a cor da pintura na parede, o uso de 
fotografias como elementos decorativos, o revestimento dos móveis, a cor 
do piso e a iluminação. À direita, o resultado. Como você pode perceber, 
embora os elementos não sejam exatamente os mesmos, como as cadeiras, 
o resultado não se afasta muito daquilo que foi proposto. Podemos afirmar 
que esse tipo de representação cumpre um duplo papel: informar o cliente, 
que nem sempre tem a habilidade de ler a documentação do projeto, e servir 
como documentação para validar, com todos os envolvidos (cliente, demais 
projetistas e mão de obra), o resultado esperado com o projeto.
Figura 13. Estúdio de fotografia: à esquerda, simulação feita por computador; à direita, foto 
do local.
Como lembra Gregotti (2010), cada um dos desenhos produzidos são abs-
trações parciais, isto é, representam uma parte de um todo. Para dar conta 
da execução de um projeto de arquitetura de interiores, é necessária uma 
vasta documentação, que contemple a especificação dos materiais escolhidos, 
a paginação e os recortes de peças modulares, os encontros com demais 
componentes, como louças e metais, os detalhes e os encontros e encaixes 
Projeto de interiores e acabamentos construtivos18
entre os elementos. A produção dessa documentação é, normalmente, feita 
nas últimas etapas de projeto, projeto executivo e detalhamento, mas a cons-
ciência construtiva, ou seja, propor soluções que sejam viáveis econômica e 
tecnicamente, deve pautar a produção de um projetista comprometido com 
o resultado de seu trabalho. 
A Figura 14 ilustra a documentação de um banheiro. Além da planta, com 
indicação dos materiais usados no revestimento das superfícies, a prancha 
compreende uma série de elevações, vistas frontais das paredes, com ano-
tações sobre o posicionamento dos equipamentos, louças, metais, além de 
anotações e instruções sobre essas instalações.
Figura 14. Detalhamento de banheiro.
Como você pode perceber, existe uma série de opções de revestimentos que 
pode ser utilizada na composição de seus projetos de interiores. Além do efeito 
estético, é necessário conhecer as propriedades desses materiais no que diz 
respeito a outras categorias, como o nível de manutenção exigido. Em projetos 
de arquitetura de interiores, o mais comum é que exista uma série de materiais e 
de soluções de acabamentos a serem integrados e compatibilizados, e a principal 
ferramenta para isso é o projeto. De posse dessas informações, tente aprimorar 
seus conhecimentos sobre as soluções que mais lhe agradam sem deixar de 
investigar novas técnicas e materiais. Uma das características que torna interes-
sante a profissão do arquiteto é a ausência de fórmulas para se chegar a um bom 
resultado. Curiosidade e dedicação são apostas mais seguras.
Projeto de interiores e acabamentos construtivos 19
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR ISO 10545: placas cerâ-
micas –parte 3: determinação da absorção de água, porosidade aparente, densidade 
relativa aparente e densidade aparente. Rio de Janeiro: ABNT, 2020.
CHING, F. D. K.; BINGGELI, C. Arquitetura de interiores ilustrada. 4. ed. Porto Alegre: 
Bookman, 2019.
GREECE MOMENTS. 11 wichtige Infos für deinen Santorini Urlaub. [Santorini], [20--]. 
Disponível em: https://greece-moments.com/santorini-urlaub/. Acesso em: 7 fev. 2021.
GREGOTTI, V. Território da arquitetura. São Paulo: Perspectiva, 2010.
MAHFUZ, E. C. De la actualidad de los conceptos de composición y caracter. Summa +, 
Buenos Aires, n. 15, p. 65-73, 1995.
RATSI, O. Temporary installations, lighting. Oxaca, 2013. Disponível em: https://www.
archdaily.com/445102/onion-skin-olivier-ratsi/527695c2e8e44ef4c20007eb-onion-
skin-olivier-ratsi-photo. Acesso em: 7 fev. 2021.
ROSSO, J.; CUNHA, E. S.; ROJAS-RAMÍREZ, R. A. Características técnicas e polimento de 
porcellanatos. Cerâmica Industrial, São Paulo, v. 10, n. 4, 2005. Disponível em: https://
www.ceramicaindustrial.org.br/article/587657247f8c9d6e028b46d7. Acesso em: 7 fev. 
2021.
Leituras recomendadas
COLES, J.; HOUSE, N. Fundamentos de arquitectura de interiores. Barcelona: Promopress, 
2008.
KARLEN, M. Planejamento de espaços internos. Porto Alegre: Bookman, 2010.
NEFF, L.; NEUFERT, P. Casa. Apartamento. Jardim: projetar com conhecimento,construir 
corretamente. Barcelona: Gustavo Gili, 2007.
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos 
testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da 
publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas 
páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores 
declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou 
integralidade das informações referidas em tais links.
Projeto de interiores e acabamentos construtivos20
Dica do professor
Você sabe o que é um projeto de paginação? Tão importante quanto especificar corretamente os 
materiais de um projeto de interiores é representar de forma adequada a sua instalação. O 
assentamento de revestimentos em superfícies horizontais, como os pisos e forros, e verticais, 
como as paredes, deve ser planejado de antemão. 
Nesta Dica do Professor, você vai conhecer as principais formas de paginar uma superfície, as 
características de cada tipo de paginação e os cuidados que devem ser tomados em projeto para 
evitar erros de execução e perdas de material.
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Na prática
Em projetos de reforma de interiores, os encontros e acabamentos devem ser planejados em 
conjunto com a obra civil, já que muitos detalhes necessitam de esperas e encaixes previamente 
executados. Compatibilizar o projeto de interiores com o projeto de obra civil é fundamental para 
garantir a fiel execução do projeto tal qual ele foi planejado, desenhado e aprovado pelo cliente.
Neste Na Prática, você vai conhecer como o arquiteto Mauro abordou uma das principais premissas 
de um projeto de ampliação: a integração total de ambientes internos e externos.
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código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/b9a4d412-72a3-4923-a92b-35aed2038d42/eb5d9f01-15f2-45d9-8a94-1de2a3f12d6b.jpg
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Madeira laminada cruzada
Aprenda um pouco mais sobre esse material, que tem ótimas propriedades estruturais.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Como é feito o porcelanato?
Neste vídeo, você vai poder conhecer o processo de fabricação de um dos materiais mais utilizados 
para revestimento de pisos.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Um mestre dos acabamentos
Mies Van der Rohe utilizava diversos tipos de acabamentos com refino de detalhes. Neste vídeo, 
você poderá conferir alguns deles.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://www.archdaily.com.br/br/922665/a-madeira-laminada-cruzada-clt-e-o-concreto-do-futuro?ad_source=search&ad_medium=search_result_all
https://www.youtube.com/embed/DngLAWj7iws
https://www.archdaily.com.br/br/782312/mies-van-der-rohe-arquitetura-como-linguagem?ad_medium=widget&ad_name=recommendation
Projeto de interiores e projeto 
estrutural
Apresentação
Um projeto de interiores se refere à composição global de um espaço interno, incluindo toda a 
volumetria que define o ambiente, os materiais, a organização, os fluxos, o melhor aproveitamento, 
a estrutura, entre outros elementos. Ao realizar o projeto de um espaço interno, é imprescindível 
realizar análises completas para que a proposta final esteja de acordo com o objetivo do projeto e 
as necessidades do cliente. Nesse sentido, os elementos da estrutura devem ser considerados em 
todo o processo, podendo ser incluídos na proposta como itens importantes ou disfarçados. 
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai compreender como o projeto estrutural se relaciona e 
influencia um projeto de interiores. Por meio desse entendimento, você vai conseguir identificar 
algumas maneiras de intervenção no sistema estrutural de edifícios existentes e alternativas para 
adequações estruturais em projetos de novas edificações.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Descrever a relação entre projeto de interiores e sistema estrutural.•
Identificar as formas de intervenção no sistema estrutural de edifícios existentes.•
Reconhecer as adequações estruturais necessárias em projetos de interiores de edifícios 
novos.
•
Infográfico
Os elementos estruturais de uma edificação são os responsáveis por delimitar o ambiente interno. 
Quando estão alinhados com os planos verticais, eles acabam sendo disfarçados, mas são 
fundamentais para a execução de uma edificação.
Neste Infográfico, você vai ver alguns dos principais elementos estruturais que influenciam um 
projeto de interiores.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/63b9c46f-c0e4-4a8b-afb0-c20cbb93dc46/14a9c56e-1ba0-408d-9bb0-25314f2529c5.jpg
 
Conteúdo do livro
Os sistemas estruturais de uma edificação são compostos, basicamente, por pilares, vigas e lajes. 
São esses elementos que definem um espaço interno e devem ser analisados na realização de um 
projeto de interiores, para que permaneçam seguros, a fim de garantir a sustentação da edificação.
Muitas vezes, quando esses sistemas estão aparentes, parece que a proposta de interiores não vai 
ficar adequada. Mas, com conhecimento, referências e empenho, é possível utilizar esses elementos 
como partes importantes para a composição de cada proposta.
No capítulo Projeto de interiores e projeto estrutural, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, 
você vai conseguir entender como esses elementos se comportam e qual é a sua relação com o 
ambiente interno. Você também vai verificar algumas ideias para destacar ou disfarçar esses 
elementos, entendendo como avaliar qual é a melhor alternativa para cada projeto.
Boa leitura.
ARQUITETURA DE 
INTERIORES 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Descrever a relação entre projeto de interiores e sistema estrutural.
 > Identificar as formas de intervenção no sistema estrutural de edifícios exis-
tentes.
 > Reconhecer as adequações estruturais necessárias em projetos de interiores 
de edifícios novos.
Introdução
Ao pensar em um projeto de interiores, é fundamental que o profissional arquiteto 
analise todos os aspectos, dentre eles o objetivo do projeto, o programa de neces-
sidades, o estilo e o gosto do cliente, bem como o contexto, as especificidades do 
ambiente, suas características e também todo o seu sistema estrutural. Quando 
pensamos no sistema estrutural, na maioria das vezes achamos que ele causa um 
grande empecilho no projeto de interiores. De fato, se houver a possibilidade de 
deixá-lo menos evidente, sem que prejudique a funcionalidade e o leiaute do espaço, 
melhor. No entanto, nem sempre podemos disfarçá-lo, portando, ter referências e 
saber tirar partido desses elementos permite a criação de boas propostas.
Independentemente de os elementos estruturais ficarem evidentes ou disfar-
çados, o profissional arquiteto de interiores deve ter embasamento para justificar 
essas alternativas e criar projetos adequados a cada necessidade e contexto. 
Projeto de interiores 
e projeto estrutural
Vanessa Scopel
Neste capítulo, você vai ver qual é a relação entre o projeto de interiores e 
todo o sistema estrutural, a fim de entender sua importância para a definição dos 
espaços. Você vai identificar como os elementos da estrutura podem compor os 
projetos de interiores e conferir algumas alternativas para trabalhar com esses 
elementos de acordo com cada estilo e necessidade. 
Relação entre projeto de interiores 
e sistema estrutural 
Quando se fala em projeto de interiores, uma das primeiras coisas queas 
pessoas pensam é na decoração, nos móveis, nas cores e nas luminárias. 
A grande maioria das pessoas não tem o conhecimento da abrangência e 
complexidade de um projeto de interiores, tendo a ideia, muitas vezes, de 
que este tipo de projeto se refere apenas a um embelezamento de um espaço, 
com alternativas superficiais e simples, voltadas única e exclusivamente 
para a estética. 
Brandão (2000, p. 2) expõe que “[...] a atividade mental de conceber é 
metáfora da atividade agrícola de colher algo que é oferecido pelo mundo 
e apropriado pelo espírito ou pela nossa vida prática [...]”. Isso significa que 
um projeto de interiores é uma criação que requer um conhecimento de 
diversos aspectos, é uma concepção que deve analisar o ambiente como um 
todo, percebendo seus detalhes, sua estrutura, seus acabamentos e suas 
possibilidades de intervenção.
Diante dessa explanação, é importante compreender que ao pensar em 
um projeto de interiores, é inevitável considerar todos os planos e linhas, 
verticais e horizontais, os quais dão forma a esse espaço. Ching e Binggeli 
(2019) denominam esses elementos como geométricos, que, segundo o autor, 
podem ser dispostos de modo a definirem os espaços. Os elementos lineares 
são os pilares e as vigas, e os elementos planos são as paredes, o piso e o forro 
ou cobertura. Caracterizamos esses elementos como o sistema estrutural, 
que é composto por (Figura 1):
 � paredes, em algumas vezes com a função apenas de vedação, as quais 
não são consideradas elementos estruturais, e, em outras, com função 
estrutural;
 � lajes de piso e de cobertura;
 � vigas e pilares, que, em alguns casos estão escondidos nos planos e, 
em outros, estão aparentes.
Projeto de interiores e projeto estrutural2
Um pilar marca um ponto no espaço e o torna visível em três dimensões. Dois pilares 
definem uma membrana espacial através da qual podemos passar. Apoiando uma 
viga, os pilares delineiam as bordas de um plano transparente. Uma parede, um 
plano opaco, marca uma porção de espaço amorfo e separa o “aqui” e o “ali”. Um 
piso define um campo espacial com limites territoriais. Uma cobertura abriga o 
volume espacial sob ela (CHING; BINGGELI, 2019, p. 3).
Figura 1. Elementos estruturais.
Fonte: Ching e Binggeli (2019, p. 3).
Compreendendo que esses elementos são os formadores do espaço, ao 
projetar um ambiente interno, é fundamental que a proposta os considere, e 
não os ignore, afinal, eles são os formadores da arquitetura e, conforme des-
taca Ching e Binggeli (2019), são definidores dos espaços. Além de considerá-
-los, é importante interpretá-los, para que essa estrutura esteja condizente 
com o estilo e a funcionalidade do futuro projeto. 
Sobre o sistema estrutural de uma edificação, o qual é responsável 
por delimitar os espaços, Ching e Binggeli (2019) expõe algumas 
considerações, listadas a seguir.
 � A superestrutura é a extensão vertical do sistema de fundação e consiste 
em pilares, vigas e paredes portantes que sustentam as estruturas de piso 
e cobertura.
Projeto de interiores e projeto estrutural 3
 � O sistema de fundação é a subestrutura que forma a base de uma edificação, 
ancora-a firmemente ao solo e sustenta os elementos construtivos e os es-
paços acima. Esses sistemas devem trabalhar em conjunto para sustentar 
os seguintes tipos de cargas (Figura 2), que podem ser denominadas cargas 
mortas, cargas vivas e cargas dinâmicas.
 � O modo como uma edificação é construída determina sua carga morta, que é 
carga vertical estática que abrange o peso de seus componentes estruturais e não 
estruturais, incluindo todos os equipamentos permanentemente fixos à estrutura. 
 � O modo como uma edificação é utilizada determina sua carga viva, a qual é carga 
móvel ou que pode ser removida e que compreende o peso de seus usuários 
e de equipamentos e acessórios móveis. Em climas frios ou úmidos, a água e 
a neve acumuladas representam uma carga viva adicional a uma edificação.
 � O local onde uma edificação se localiza determina sua capacidade de resis-
tência a uma carga dinâmica. Esse tipo de solicitação pode mudar repenti-
namente em razão da ação do vento ou de um terremoto.
Figura 2. O sistema estrutural e as cargas da edificação.
Fonte: Ching e Binggeli (2019, p. 8).
Projeto de interiores e projeto estrutural4
Ching e Binggeli (2019, p. 6) acrescenta que “[...] pisos, paredes e tetos 
fazem mais do que delimitar uma simples quantidade de espaço. Suas formas, 
configurações e padrões de aberturas de janelas e portas também imprimem 
no recinto certas características arquitetônicas e espaciais [...]”.
Essas características podem ser percebidas por meio da análise desses 
elementos; por exemplo: uma cobertura arredondada traz uma ideia de uma 
arquitetura mais clássica, um plano vertical envidraçado está relacionado ao 
conceito moderno e a uma arquitetura mais leve. Além disso, uma janela é 
capaz de emoldurar uma vista e é um elemento que influencia diretamente na 
organização do ambiente interno, assim como as escalas de pilares e vigas, 
por exemplo, que geram diferentes sensações no espaço (Figura 3).
Figura 3. Exemplos de elementos estruturais que influenciam o projeto interno.
Fonte: Ching e Binggeli (2019, p. 6).
Ao realizar essas análises e entender de fato todos esses elementos estru-
turais que compõem o ambiente, o profissional arquiteto tem a capacidade, 
por meio do conceito do espaço, dos objetivos da proposta e do programa de 
necessidades, de avaliar de que forma esses elementos vão compor o projeto 
de interiores, se eles farão parte de mobiliários, se eles serão destacados 
ou disfarçados. 
Ao planejar o leiaute, o mobiliário e o enriquecimento do espaço, o arquiteto de 
interiores deve estar muito consciente de seu caráter na arquitetura, assim como 
de seu potencial de modificação e melhoria. O projeto de espaços internos requer, 
portanto, uma compreensão de como eles são formados por meio dos sistemas 
construtivos da estrutura e das vedações. Com tal entendimento, o arquiteto de 
interiores pode efetivamente escolher entre desenvolver, continuar ou mesmo 
apresentar um contraponto às características essenciais de um espaço na arqui-
tetura (CHING; BINGGELI, 2019, p. 7).
Projeto de interiores e projeto estrutural 5
Pode-se dizer que, ao considerar todos esses elementos, o profissional que 
desenvolve o projeto de interiores consegue humanizar o espaço (Figura 4), 
potencializando-o, por meio das estratégias mais adequadas que gerem 
conforto, funcionalidade e harmonia. 
Figura 4. Fases de melhoramento de um ambiente interno.
Fonte: Ching e Binggeli (2019, p. 7).
Nesse sentido, um projeto de interiores não existe se não houver um 
sistema estrutural, o qual definirá o espaço a ser trabalhado. Da mesma 
forma, a proposta para esse espaço interno só será completa se considerar 
esses elementos e souber tirar vantagem deles para agregá-los nas ideias, 
tornando o projeto mais completo e condizente com cada contexto específico.
Formas de intervenção no sistema 
estrutural de edifícios existentes 
Ao pensar em projetos de interiores para edifi cações existentes, é sempre 
fundamental ter muito claros o uso de cada espaço, o perfi l do usuário e o 
objetivo principal do projeto. Ao realizar o levantamento do local, deve-se 
analisar profundamente todas as questões de estrutura existentes (Figura 5), 
a fi m de que o projeto não prejudique esses elementos ou proponha alguma 
intervenção que resulte em problemas futuros.
Segundo Cury, Delgado e Pimenta (2016), é necessário identificar todas as 
limitações em relação às vedações, aos fechamentos e às aberturas, conside-
rando a ventilação e a iluminação natural do espaço e a existência de pilares, 
vigas e desníveis que poderão interferir na organização, no funcionamento e 
no aproveitamento do ambiente. “Essas análises indicarão as principais defi-
ciências e as principais qualidades estruturais do espaço que será trabalhado, 
exigindo decisões que podem ser de ordem funcional,de ordem compositiva 
e plástica, ou de ordem técnica [...]” (CURY; DELGADO; PIMENTA, 2016, p. 135).
Projeto de interiores e projeto estrutural6
Figura 5. Elementos estruturais aparentes no ambiente interno.
Fonte: Dezeen (2020, documento on-line).
Quando se trabalha com edificações muito antigas, inicialmente é impor-
tante analisar se a estrutura existente é suficiente e se está em bom estado de 
conservação. É preciso garantir que essa estrutura se mantenha conservada 
ao longo do tempo ou então avaliar se será melhor executar um reforço. Caso 
essa estrutura existente precisar de reforço pelo seu estado atual, uma boa 
alternativa é o uso de estruturas metálicas, as quais são leves, de menores 
dimensões e resolvem de forma positiva essas questões. 
Considerando que a estrutura existente esteja em boas condições, pode-se 
tirar partido da estrutura, utilizando esses elementos aparentes no projeto, 
caso essa solução tenha a ver com o estilo do projeto, ou tentar escondê-la, 
evitando a realização de alterações estruturais. 
No exemplo da Figura 6, a estrutura que suporta o telhado está aparente. 
Nesse espaço, poderia ser utilizado um forro de gesso, por exemplo, caso o 
estilo do projeto exigisse. Mas considerando que o estilo da proposta era 
algo mais confortável e natural, o profissional optou por manter a estrutura 
aparente, a qual compõe perfeitamente com o todo do ambiente. A utilização 
de cores claras e tons de bege e marron nos mobiliários e tapete fazem portas 
e a estrutura amadeirada do forro se destacarem. Esse é um exemplo no qual 
aproveitou-se o elemento estrutural, mantendo-o aparente.
Projeto de interiores e projeto estrutural 7
Figura 6. Tesouras que estruturam a cobertura aparentes no projeto.
Fonte: Renner Sayerlack S.A. (2020, documento on-line).
Na Figura 7, é possível identificar perfis amadeirados usados para susten-
tação do telhado. Nesse caso, considerando que foi necessário incluir um pilar 
no meio do ambiente, o profissional arquiteto optou por deixá-lo aparente. 
No exemplo, a parte estrutural ficou evidente e destacada, sendo considerada 
um ponto importante também de composição do projeto. Em muitos casos, 
quando é muito difícil de esconder a estrutura, o mais interessante é usar 
esse elemento e deixá-lo compor com a proposta, não negá-lo ou disfarçá-lo. 
Figura 7. Elementos estruturais inseridos no ambiente, mantidos em destaque. 
Fonte: Oliveira (2020, documento on-line).
Projeto de interiores e projeto estrutural8
Outro exemplo é quando há vigas de concreto aparentes no ambiente 
(Figura 8). Em muitos casos, executar um forro, seja de gesso, de madeira ou 
até mesmo de PVC, para esconder as vigas se torna inviável porque acaba 
prejudicando a altura livre do ambiente, muitas vezes causando até um efeito 
de achatamento. Nesse sentido, por meio de análises, é possível entender 
qual é a melhor solução para cada caso especifico. No exemplo da Figura 7 
pode-se perceber que o profissional utilizou as vigas aparentes como um 
elemento de destaque no projeto, tendo, ainda, realizado sua composição 
com uma parede, dando o aspecto do concreto também nesse plano vertical. 
Nesse caso, essa ideia mais despojada tem a ver com o conceito da proposta 
e também com o estilo do cliente, que é muito importante. Mesmo assim, se 
o cliente tivesse um perfil mais tradicional, as vigas poderiam ser pintadas 
de cores claras, revestidas com madeira, ou pintadas da mesma cor do teto.
Figura 8. Vigas de concreto e o uso do concreto no plano da parede.
Fonte: Arkpad (2020, documento on-line).
Neste cenário de edificações existentes, há ainda a intenção de integrar 
ambientes. Nesses casos, deve-se verificar se as paredes da edificação têm 
função estrutural ou se são apenas paredes de vedação. Se elas são estru-
turais, ou seja, colaboram para a edificação ficar em pé, pode-se abrir vãos, 
mas deve-se prever reforços estruturais (Figura 9). Caso a função seja apenas 
de vedação, é possível retirar os planos, cuidando sempre para não prejudicar 
as vigas e os possíveis pilares embutidos nessas paredes.
Projeto de interiores e projeto estrutural 9
Figura 9. Exemplo de reforço estrutural na abertura de vãos de edificações existentes.
Fonte: Elisabeth (2020, documento on-line).
Por meio desses exemplos pode-se perceber que a parte estrutural nunca 
deve ser vista como um problema do ambiente. Por meio de exemplos, re-
ferências, estudos de caso e ideias criativas é muito possível utilizar esses 
elementos como partes da composição da proposta, destacando e integrand-
-os na ideia, quando essa alternativa for viável e estiver de acordo com todos 
os objetivos determinados inicialmente. 
Adequações estruturais necessárias em 
projetos de interiores de edifícios novos
Ao projetar espaços de interiores para edifícios novos, é possível propor 
alterações estruturais a fi m de que o projeto se torne mais adequado a cada 
necessidade. Em um projeto de interiores é imprescindível entender que “[...] 
ao contratar um arquiteto, o cliente busca um projeto personalizado e único. 
Neste caso os detalhes fazem a diferença. Graças a essa singularidade, cada 
projeto demanda muita atenção tanto do projetista quanto do executor, e um 
processo de execução quase artesanal [...]” (CUNHA, 2017, p. 17).
Projeto de interiores e projeto estrutural10
Nesse sentido, pensar na altura do pé-direito, propor uma posição de 
pilar que não prejudique o fluxo do ambiente e indicar elementos estruturais 
que permitam maior flexibilidade são alternativas para que os projetos de 
interiores dessas edificações se tornem singulares, sem tanta interferência 
do aspecto estrutural.
Quando a edificação ainda está em fase de projeto, ou no início da execu-
ção, é muito mais fácil propor essas alterações, garantindo que a execução 
continue segura, adequada e dentro dos valores pré-estabelecidos. Quando 
se realiza a análise estrutural dessas novas edificações, é sempre muito 
importante atentar-se para que os pilares sejam da mesma espessura das 
paredes de vedação, dessa forma evita-se cantos desnecessários que futura-
mente podem impactar no projeto de interiores e também no aproveitamento 
dos espaços.
Da mesma forma, pés direitos mais altos possibilitam esconder as vigas e 
trabalhar um forro com mais detalhes, sem prejudicar a altura do ambiente 
ou deixá-lo achatado. Ainda, nesse quesito, é possível trabalhar com vigas 
deitadas ou uma estrutura metálica que permite vãos livres maiores. Em 
projetos de interiores atuais, em razão de uma diminuição de área, com ten-
dência para espaços mais compactos, quanto mais amplos eles parecerem, 
mais bem aproveitados serão. Para isso, evitar pilares soltos nos espaços 
facilita e colabora para o resultado do projeto de interiores (Figura 10).
Figura 10. Espaços amplos e livres.
Fonte: Viva Decora (2019, documento on-line).
Projeto de interiores e projeto estrutural 11
Em situações em que não é possível retirar os pilares e deixar um vão 
livre maior, é muito importante que eles estejam locados em partes onde 
seja possível sua utilização junto ao projeto de interiores. Dessa forma, esses 
elementos estruturais podem servir como um apoio aos mobiliários, como é 
o caso do exemplo da Figura 11, em que o pilar é uma parte das prateleiras 
propostas para o projeto, fazendo composição com o projeto, sem destaque 
e com uma função.
Figura 11. Pilar incorporado ao mobiliário.
Fonte: Parattus Arquitetura (2020, documento on-line).
Quando não for possível realizar pilares nas espessuras das paredes 
ou retirá-los do centro dos ambientes, no momento da compatibilização é 
possível prever mobiliários que possam disfarçar essas saliências (Figura 12). 
Nas etapas inicias, por meio da análise dos elementos estruturais e de uma 
proposição prévia do projeto de interiores, caso esta seja a alternativa mais 
Projeto de interiores e projeto estrutural12
interessante, pode-se prever sistemas elétricos para esses locais a fim de 
que futuramenteos mobiliários atendam às necessidades funcionais que 
foram propostas.
Figura 12. Mobiliário no meio escondendo o pilar.
Fonte: Living (2020, documento on-line).
No exemplo da Figura 13, seria possível cobrir toda a laje com o forro de 
gesso, mas o profissional optou por compor essa laje de concreto aparente 
com o gesso, criando um ambiente muito personalizado e com o estilo 
do cliente. Nesse sentido, pode-se perceber que ao tratar os elementos 
estruturais de um novo projeto, busca-se evitar que este tenha que perma-
necer em evidência, dando alternativas para que o profissional e o cliente 
busquem o que for mais adequado a cada proposta, podendo evidenciar 
esses elementos ou disfarçá-los com mais facilidade, sem a necessidade 
de reforços ou mais gastos.
Projeto de interiores e projeto estrutural 13
Figura 13. Forro de gesso combinado com laje maciça aparente.
Fonte: ZAP (2020, documento on-line).
Independente da alternativa utilizada, seja manter o elemento existente 
e destacá-lo, seja buscar alternativas para disfarçá-lo ou deixá-lo menos 
evidente, a busca pela solução mais interessante deve sempre estar pautada 
nos objetivos e prioridades do cliente. É preciso atentar-se para o que ele 
está disposto, se a alternativa proposta está de acordo com o seu orçamento 
e estilo, se ela vai de fato resolver os aspectos levantados ou se vai ser uma 
solução muito complexa que pode gerar outros problemas. Existem diversas 
alternativas e todas elas podem funcionar em um projeto de interiores, mas 
o mais importante é que a opção escolhida esteja muito bem justificada e 
embasada, de acordo com cada contexto, necessidade e estilo.
Referências
ARKPAD. Paredes com textura: +90 projetos e passo a passo 2021. 2020. Disponível em: 
https://br.pinterest.com/pin/422281204815858/. Acesso em: 8 fev. 2021.
BRANDÃO, C. A. L. Linguagem e arquitetura: o problema do conceito. Revista de Teoria 
e História da Arquitetura e do Urbanismo, Belo Horizonte, v. 1, n. 1, 2000.
CHING, F. D. K.; BINGGELI, C. Arquitetura de interiores ilustrada. 4. ed. Porto Alegre: 
Bookman, 2019.
Projeto de interiores e projeto estrutural14
CUNHA, H. M. N. Projeto simultâneo: a concepção integrada de projetos aplicada 
na arquitetura de interiores. 2017. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização 
em Engenharia) – Escola de Engenharia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo 
Horizonte, 2017.
CURY, M. D. A.; DELGADO, D. P. N.; PIMENTA, A. B. Conceitos e atmosferas na arquitetura 
de interiores: subsídios para debate sobre atuação do profissional. CES REVISTA, Juiz 
de Fora, v. 30, n. 1. p. 130–144, 2016.
DEZEEN. Apartment in föhr by Karin Matz and Francesco Di Gregorio. [2020]. Disponível 
em: https://br.pinterest.com/pin/51017408251298293/. Acesso em: 8 fev. 2021.
ELISABETH, I. Vigas. [2020]. Disponível em: https://br.pinterest.com/
pin/799600108837065524/. Acesso em: 8 fev. 2021.
LIVING, D. Reforma y diseño de una vivienda en calle Casanova de Barcelona. [2020]. 
Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/480266747767194130/. Acesso em: 8 fev. 2021.
OLIVEIRA, J. M. S. Decoração e ideias para sótão para se inspirar. [2020]. Disponível em: 
https://br.pinterest.com/pin/323344448231868359/. Acesso em: 8 fev. 2021.
PARATTUS ARQUITETURA. [Foto]. [2020]. Disponível em: https://br.pinterest.com/
pin/622693085975082489/. Acesso em: 8 fev. 2020.
RENNER SAYERLACK S.A. Projeto para sala de família. [2020]. Disponível em: https://
br.pinterest.com/pin/646759196464885195/. Acesso em: 8 fev. 2021.
VIVA DECORA. Piso flutuante: o que é? Onde usar? 2019. Disponível em: https://
br.pinterest.com/pin/811773901582299516/. Acesso em: 8 fev. 2021.
ZAP. Saiba como evitar erros na decoração da sala. [2020]. Disponível em: https://
br.pinterest.com/pin/576038608581090698/. Acesso em: 8 fev. 2021.
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos 
testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da 
publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas 
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declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou 
integralidade das informações referidas em tais links.
Projeto de interiores e projeto estrutural 15
Dica do professor
Cada edificação tem suas características e sua complexidade, e essas especificidades devem ser 
analisadas profundamente quando o arquiteto pensar em um projeto de interiores para um 
ambiente. Para cada caso, seja em edificações novas, existentes, pequenas ou de muitos 
pavimentos, existem alternativas e sugestões que podem amenizar a interferência dos elementos 
estruturais no projeto de interiores.
Nesta Dica do Professor, você vai ver algumas sugestões para trabalhar esses elementos em 
edificações novas.
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https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/9d976d0c736df4bd97760d166c82a066
Na prática
Quando uma proposta de interiores for pensada para um ambiente de uma edificação existente, é 
fundamental analisar as condições estruturais do espaço, para entender quais são as melhores 
alternativas para trabalhar com os elementos existentes. Muitas vezes, uma solução que parece 
estranha pode se tornar uma ótima aliada para o projeto de interiores. 
Neste Na Prática, você vai verificar a solução utilizada em um projeto de interiores de uma 
edificação antiga. A solução deu destaque para o elemento estrutural, tornando-o o ponto central 
do projeto. 
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
10 projetos com vigas expostas para se inspirar
Veja nesta matéria da revista Casa e Jardim algumas alternativas para relacionar o projeto de 
interiores a uma estrutura, deixando-a exposta.
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Práticas projetuais: sobre a importância da relação entre 
arquitetura e engenharia
Neste site, você vai compreender por que os elementos estruturais são partes fundamentais da 
arquitetura e por que a relação entre essas duas áreas é importante para o sucesso das propostas.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Projeto de arquitetura de interiores que incorpora pilares no 
mobiliário
Neste site, você vai verificar como os pilares, quando estão locados no meio dos ambientes, 
também podem ser incorporados nos mobiliários.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://revistacasaejardim.globo.com/Casa-e-Jardim/Arquitetura/noticia/2019/04/10-projetos-com-vigas-expostas-para-se-inspirar.html
https://www.archdaily.com.br/br/925611/praticas-projetuais-sobre-a-importancia-da-relacao-entre-arquitetura-e-engenharia
http://revistaarea.com.br/projeto-de-arquitetura-de-interiores-incorpora-pilares-no-mobiliario/
Projeto de interiores e projetos 
elétricos e hidrossanitários
Apresentação
Todo espaço interno é formado por diversos elementos, como o sistema estrutural integral, que 
delimita e dá forma ao ambiente, e os sistemas de instalações prediais, dos quais se pode destacar 
as entradas de água, as saídas de esgoto, a climatização, os pontos de energia, entre outros. Além 
desses itens que fazem parte de uma estrutura do ambiente, há todos os elementos sugeridos pelo 
projeto de interiores para humanizar esses espaços, dando a eles singularidade. Diante disso, um 
projeto de interiores somente pode ter um bom resultado se contar, além da estrutura física, com 
os sistemas de água, esgoto e eletricidade.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você estudará a relação entre os projetos elétrico e 
hidrossanitário e o projeto de interiores, entendendo a importância desses itens para a proposta de 
um espaço interno. Ainda, verá como essasinstalações podem ser alteradas ou, quando não, 
adaptadas, limitando a proposta de interiores.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Descrever a relação entre projeto de interiores e os projetos elétrico e hidrossanitário.•
Reconhecer possíveis alterações elétricas e hidráulicas em edificações de diferentes portes.•
Identificar as limitações impostas ao projeto de interiores em grandes edificações.•
Infográfico
Todo projeto de interiores somente pode funcionar ou estar adequado a cada necessidade e 
contexto se contar com os sistemas elétricos e hidrossanitários, que possibilitam a instalação de 
luminárias, eletrodomésticos e vários outros elementos.
Neste Infográfico, você verá a relação entre os projetos elétrico e hidrossanitário, o que 
contemplam e como influenciam o projeto de interiores.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/ddcf8517-f4cc-44ac-b805-db2f93e024cb/2c154d88-4a54-40e8-aec1-1ef700f25d13.png
Conteúdo do livro
Toda proposta de interiores é pensada para atender a funções específicas e promover conforto e 
bem-estar aos seus usuários, por meio de espaços funcionais e harmônicos. Para que as propostas 
contemples esses objetivos, devem contar com alguns elementos, como pontos de água, luz e 
esgoto. E, como esses sistemas são aqueles que permitem a higiene do espaço e o conforto térmico 
e lumínico, devem ser pensados de forma completa e integrada.
No Capítulo Projeto de interiores e projetos elétricos e hidrossanitários, base teórica desta Unidade 
de Aprendizagem, você compreenderá como os projetos elétrico e hidrossanitário se relacionam 
com o projeto de interiores, entendendo a importância desses sistemas para o funcionamento do 
espaço. Ainda, reconhecerá algumas alternativas para adaptação ou inclusão de mais pontos em 
edificações novas e antigas, compreendendo como alguns contextos acabam limitando as 
propostas de interiores.
Boa leitura. 
ARQUITETURA DE 
INTERIORES
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Descrever a relação entre projeto de interiores e os projetos elétrico e 
hidrossanitário.
 > Reconhecer possíveis alterações elétricas e hidráulicas em edificações de 
diferentes portes.
 > Identificar as limitações impostas ao projeto de interiores em grandes 
edificações.
Introdução
Todo projeto de um espaço interno é composto por diversos elementos, defini-
dos de acordo com cada caso específico, o espaço que vai ser trabalhado, seu 
contexto, suas especificidades, as necessidades de cada proposta, gosto, estilo, 
entre outros tantos fatores. Além disso, quando se pensa em um ambiente que já 
está definido fisicamente, é necessário analisar sua estrutura física e tudo o que 
ele oferece para a elaboração da proposta. Nesse contexto, entram os sistemas 
prediais, entendidos também como os pontos de luz, água e esgoto, fundamentais 
para uma proposta funcional e adequada aos anseios dos clientes.
Projeto de interiores 
e projetos elétricos 
e hidrossanitários
Vanessa Guerini Scopel
Neste capítulo, será apresentada a relação entre o projeto de interiores e os 
projetos elétricos e hidrossanitários. Além disso, você vai conhecer formas de 
intervir nesses sistemas para que eles estejam mais adequados à proposta de 
interiores, vendo, também, quais situações acabam limitando um projeto interno 
a partir dos pontos elétricos e hidrossanitários existentes. 
Os projetos elétrico e hidrossanitário 
no projeto de interiores
O projeto é a representação de uma ideia que ainda não foi implementada 
e, segundo Oliveira e Mont’Alvão (2018), refere-se à criação de propostas 
bidimensionais e tridimensionais que têm grande importância e influência 
na vida dos usuários. O projeto de interiores se refere a uma proposta 
pensada para um ambiente interno que faz parte de uma edificação. Essa 
proposta inclui a ideia de organização dos mobiliários, tipos, tamanhos, 
cores, texturas, acabamentos, iluminação, forro e diversos outros elemen-
tos. Ou seja, elaborar um projeto de interiores é uma atividade bastante 
complexa, e cada decisão tomada terá impactos no resultado final dessa 
proposta.
Ao trabalhar com um ambiente, conforme expõe Salvador (2007), o projeto 
de interiores deve considerá-lo como um todo, entendendo seu contexto, 
suas relações com o espaço externo, sua privacidade, assim como sua 
estrutura física. No contexto dos aspectos físicos, entram os elementos 
estruturais, responsáveis por definir espacialmente o ambiente que será 
trabalhado, e os sistemas de funcionamento da edificação, como, por exem-
plo, as instalações elétricas e também hidrossanitárias (Figura 1). São esses 
sistemas que vão garantir um bom funcionamento do espaço e o conforto 
dos usuários. 
Projeto de interiores e projetos elétricos e hidrossanitários2
Figura 1. Representação de (a) projeto eletrico e (b) hidrossanitário.
Fonte: (a) Moya (2015, documento on-line); (b) Faz Facil (2016, documento on-line).
Projeto de interiores e projetos elétricos e hidrossanitários 3
Segundo a NBR 15575-6 (ABNT, 2013, p. ix), que se refere às edificações 
habitacionais:
[...] as instalações hidrossanitárias são responsáveis diretas pelas condições de 
saúde e higiene requeridas para a habitação, além de apoiarem todas as funções 
humanas nela desenvolvidas (cocção de alimentos, higiene pessoal, condução de 
esgotos e águas servidas, etc.). 
Isso significa que todo ambiente que precisar de banheiro, pia, torneira ou 
qualquer ponto de fornecimento de água ou saída de esgoto contará com uma 
ou mais instalações hidrossanitárias. De forma mais específica, dentro desse 
sistema, conforme a NBR 15575-6 (ABNT, 2013), estão os sistemas de água fria 
e água quente, de esgoto sanitário e ventilação e também os de água pluvial.
Já as instalações elétricas, segundo Salvador (2007), são todas aquelas que 
levam energia a pontos específicos do projeto, como tomadas, luminárias, inter-
ruptores, entre outros. Todo projeto de interiores, para atender suas funções e as 
necessidades do cliente, deve contar com sistemas elétricos e hidrossanitários 
bem pensados e articulados no ambiente. Ching e Binggeli (2019) denominam 
esses sistemas instalações prediais (Figura 2). Segundo os autores, eles são 
responsáveis por permitir o fornecimento de serviços essenciais às edificações 
de uma forma geral e, consequentemente, aos espaços de interiores, incluindo 
aquecimento, ventilação e climatização: “O sistema hidrossanitário fornece 
água própria para consumo humano e combate a incêndio e elimina o esgoto. 
Os sistemas elétricos controlam e distribuem” (CHING; BINGGELI, 2019, p. 9).
Figura 2. Exemplos de sistemas de instalações prediais.
Fonte: Ching e Binggeli (2019, p. 9).
Projeto de interiores e projetos elétricos e hidrossanitários4
Conforme Ching e Binggeli (2019), esses sistemas são essenciais para toda e 
qualquer edificação ou espaço, já que são responsáveis por fornecer as condições 
auditivas, sanitárias e visuais que são imprescindíveis para o conforto e também 
para a convivência e para a funcionalidade de cada espaço. Nesse sentido, 
esses sistemas devem ser locados de maneira que funcionem adequadamente. 
A relação do projeto de interiores com o projeto elétrico e hidrossanitário 
é direta, pois uma proposta interna precisa desses sistemas para alcançar 
seus resultados. Assim, Ching e Binggeli (2019) destacam a importância de 
pensá-los de forma conectada, considerando, também, o futuro desses es-
paços e seu funcionamento. 
A necessidade de criação de espaços que funcionarão com as mudanças da atu-
alidade e permanecerão relevantes amanhã torna cada vez mais importante uma 
abordagem interdisciplinar que inclua os vários projetistas, arquitetos, engenheiros 
e gerentes operacionais. Devemos olhar para uma edificação como um todo inter-
conectado, interativo, e não como um conjunto de componentes separadosque 
pertencem a uma única profissão. Os complexos desafios exigem conhecimentos 
técnicos de uma variedade de disciplinas, incluindo a arquitetura em geral e a de 
interiores, o paisagismo, o design gráfico, as diversas engenharias (estrutural, in-
dustrial, mecânica, acústica, elétrica, hidrossanitária), bem como outras disciplinas, 
que incluem a psicologia, sociologia e antropologia (CHING; BINGGELI, 2019, p. 40).
Todos esses sistemas, quando são locados no projeto da edificação e 
posteriormente executados, tornam-se condicionantes da proposta de in-
teriores. Isso se deve ao fato de que, na maioria das vezes, a fim de facilitar 
toda a execução do projeto de interiores e diminuir os valores investidos, 
acaba-se adaptando o projeto conforme os pontos elétricos e hidrossanitários 
disponíveis, conferindo aproveitamento e sustentabilidade a essa proposta.
Todos esses sistemas ficam, na sua maior parte, escondidos, e, nesse 
sentido, Ching e Binggeli (2019) destacam a necessidade de saber onde eles 
estão locados para que o projeto de interiores os considere no momento de 
prever furos nas paredes ou até mesmo quebras em porções de alguns planos 
do espaço que está sendo trabalhado. 
Os projetos elétricos e hidrossanitários são pensados a partir da consi-
deração de sua durabilidade ao longo do tempo, mas, em edificações muito 
antigas, esses sistemas precisam ser revisados e atualizados, e essa questão 
também se relaciona com o projeto de interiores. Na medida em que essa 
proposta está sendo pensada para muitos anos, é imprescindível revisar as 
instalações e realizar as adequações ou manutenções necessárias antes da 
execução dos acabamentos de interiores, evitando quebras futuras e gasto 
de tempo, dinheiro e material. 
Projeto de interiores e projetos elétricos e hidrossanitários 5
Diante de todas essas considerações, é clara a relação entre um projeto 
de interiores e os projetos elétricos e hidrossanitários. É importante res-
saltar que o profissional arquiteto de interiores deve analisar cada caso, 
considerando, com base no tempo da edificação, se ela é nova ou antiga, 
quais sãos as condições dos sistemas, se eles atendem funcionalmente a 
proposta, entre outros aspectos, para que possa tomar a melhor decisão 
diante dessas instalações, de modo que estejam ou fiquem condizentes com 
os objetivos da proposta. 
Alterações elétricas e hidráulicas em 
edificações de diferentes portes
Os sistemas elétrico e hidrossanitário de um ambiente têm infl uência direta 
na proposta de interiores que um arquiteto elabora. A maior parte desses 
sistemas não fi ca aparente, estando dentro dos planos de parede, da laje 
de piso, da laje de teto ou entre a laje de teto e o forro rebaixado. O que fi ca 
aparente é apenas o ponto de cada um desses sistemas (Figura 3) a partir 
do qual ligamos os equipamentos, cada um com uma função adequada para 
o uso do ambiente. 
Figura 3. Demonstração dos sistemas prediais.
Fonte: Ching e Binggeli (2019, p. 229).
Projeto de interiores e projetos elétricos e hidrossanitários6
Considerando que esses sistemas funcionam por meio de dutos, Ching e 
Binggeli (2019) ressaltam que é importante ter um completo entendimento 
dessas ligações e passagens, não considerando apenas o que está visível em 
um ambiente interno. Existem algumas situações em que é possível entender 
melhor como esses pontos são locados e suas possíveis alterações, de maneira 
a beneficiar o projeto de interiores.
Ao adaptar pontos elétricos e hidrossanitários para um projeto de 
interiores, o primeiro passo é definir o layout e a organização do 
ambiente, considerando os fluxos, as circulações e os mobiliários necessários 
à proposta e localizados nas porções mais adequadas. Somente a partir dessas 
definições é que se realiza a marcação dos pontos elétricos e hidrossanitários 
que são necessários para a viabilização da ideia. 
O primeiro exemplo de situação que podemos considerar é quando o 
profissional propõe ou está pensando em um projeto de interiores para uma 
edificação nova que ainda está em fase de projeto ou cuja execução está 
sendo iniciada. Nesse caso, é fundamental que haja uma compatibilização 
dos projetos, de modo que eles estejam o mais adequados possível ao apro-
veitamento da edificação como um todo. 
Ao realizar um projeto, o arquiteto define uma organização de layout, 
considerando os fluxos, as esquadrias e outros elementos. Além disso, define 
o local de cada ambiente e suas interligações, bem como faz uma locação 
prévia das pias, dos vasos sanitários, dentre outros elementos. Esse projeto 
inicial, ao chegar ao profissional contratado para a realização do projeto 
de interiores, pode ser alterado, de forma pontual, quando se considera a 
organização dos espaços. Contudo, nessa fase, é possível que o arquiteto 
de interiores realize pequenas modificações, como, por exemplo, na posição 
do vaso sanitário dentro do banheiro, na posição e na dimensão das portas 
internas para um melhor aproveitamento do espaço, na locação de uma cuba 
em ilha, entre outras diversas opções. Com isso, esses sistemas podem ser 
adaptados e já serão executados de forma que toda a edificação ou o am-
biente em questão já esteja totalmente adequado para receber a proposta 
de interiores determinada. Essa é a situação ideal, pois diminui os custos de 
execução em função de os sistemas já estarem definidos exatamente como 
precisam para o aproveitamento de cada espaço.
Em outro exemplo de situação, a procura pelo projeto de interiores 
ocorre mais ao final da obra, no momento dos acabamentos. Nesse caso, 
é importante compreender que, quanto mais avançada estiver a execução 
Projeto de interiores e projetos elétricos e hidrossanitários 7
da edificação ou do espaço, menos alterações serão possíveis e maior 
investimento, em tempo e recursos, será necessário para as adequações 
desses sistemas. Nesse exemplo, ainda é possível adaptar pontos para que 
estejam de acordo com a proposta interna, mas o cliente terá que selecionar 
quais itens manter ou se prefere que a proposta de interiores se adeque 
ao que já existe. 
Essa avaliação de decisões ocorre, também, quando se trabalha o projeto 
de interiores em uma edificação existente. O profissional arquiteto deve 
mostrar as opções de layout e as intervenções necessárias, sempre expondo 
ao cliente os pontos positivos e negativos de cada opção. É importante en-
tender o que existe e pensar em ideias que de fato possam ser executadas 
no ambiente com nenhuma, pouca ou muita intervenção. A decisão final deve 
ser do cliente, que deve compreender o investimento de cada ideia e se está, 
ou não, apto e aberto a adequações.
É sempre muito importante que o profissional arquiteto que está tra-
balhando com uma edificação existente compreenda os objetivos do 
cliente, tanto em estética como em prazo e investimento financeiro, a 
fim de que a proposta esteja condizente com a realidade. Em casos nos 
quais o cliente está disposto a realizar adequações nos sistemas elétrico e 
hidrossanitário para viabilizar uma proposta de interiores mais adequada 
a sua necessidade, existem algumas alternativas que possibilitam essas 
alterações.
Diante de uma situação em que as adaptações são aprovadas, cada caso 
deve ser analisado de forma especifica, mas existem algumas soluções que 
podem ser utilizadas na adequação de pontos de uma forma geral. Nesse 
contexto, é importante considerar que, quanto menor for a edificação e 
menos pavimentos ela tiver, mais fácil e menos custosa será a adaptação 
desses sistemas, considerando, claro, que eles estejam em boas condições.
A seguir, confira alguns exemplos de adaptações.
 � Pontos de iluminação: para puxar mais pontos de iluminação no teto 
em edificações existentes, há algumas alternativas. Em ambientes nos 
quais há laje e um forro rebaixado, essa alteração é mais fácil, já que 
todos os eletrodutos ficam escondidos entre esses dois elementos; 
assim, é possível puxar diversos pontos no forro de todo o ambiente,Projeto de interiores e projetos elétricos e hidrossanitários8
realizando os cortes das luminárias para cada ponto novo, fechando os 
buracos de luminárias antigas ou os locais onde foi necessário realizar 
aberturas para passar os novos eletrodutos. Quando há apenas laje, 
sem um forro rebaixado, a sugestão é deixar esses eletrodutos e novos 
pontos aparentes, já que não há como embutir as caixas em uma laje já 
concretada. Em alguns casos nos quais não há forro, mas o pé-direito 
permite esse elemento, é possível realizar todas as passagens abaixo 
da laje e executar um forro, seja de gesso, PVC ou madeira, locando 
os pontos e puxando-os no novo teto.
 � Pontos de tomada: para a alteração de pontos de tomada, deve-se 
realizar a marcação dos novos pontos e quebrar os planos de pare-
des para a ligação dos eletrodutos. Nesses casos, puxam-se esses 
novos pontos de tomadas já existentes, mas também existe a opção 
de deixar esses pontos aparentes ou, onde há móveis encostados 
nesses planos, é possível realizar essas ligações por dentro da 
marcenaria. Quando o número de tomadas ou luminárias exceder 
a carga dos circuitos ou quadros existentes, deve-se inserir novos 
dispositivos que suportem esses novos pontos, a fim de evitar que 
o sistema se sobrecarregue. 
 � Pontos de água e esgoto: para a alteração desses pontos, é muito 
importante analisar o local da caixa d’água e dos barriletes, ou seja, 
por onde a água chega até esses pontos finais. Para facilitar a adequa-
ção, é interessante que os novos pontos de agua esteja próximos aos 
existentes. Para essas adaptações, também é necessário quebrar as 
paredes e lajes, fazendo essas novas ligações (Figura 4). Para a saída do 
esgoto, também se deve realizar quebras no piso e ligar essas saídas 
às novas caixas, as quais se ligarão às caixas de inspeção existentes, 
que levarão esse esgoto para o sistema de tratamento que já existe. 
Nesse exemplo, é pouco comum deixar as ligações de água aparentes, 
mas é uma opção caso tenha a ver com o projeto. Para o esgoto de 
banheiras e spas, por exemplo, às vezes, é possível executar um piso 
ou deck elevado para não quebrar o piso existente, mas é preciso 
analisar o ambiente atentamente para entender se essa solução pode 
ser aplicada no caso em questão. 
Projeto de interiores e projetos elétricos e hidrossanitários 9
Figura 4. Exemplo de ligações hidrossanitárias.
Fonte: Ching e Binggeli (2019, p. 241).
Diante destes exemplos, é possível perceber que, quando o profissional 
arquiteto de interiores tem que trabalhar com edificações existentes, é fun-
damental realizar análises completas e apresentar soluções que tenham um 
custo-benefício favorável, sempre visando às necessidades do cliente para 
que a solução seja o mais adequada possível. Ao mexer em sistemas muito 
antigos, apesar de ser possível prever alguns aspectos, nunca se tem certeza 
de como o sistema está antes de começar a reformá-lo; por isso, é preciso 
ter muito cuidado com o que se propõe para que, ao invés de resolver um 
problema, acabe-se criando outro ainda maior. 
Limitações ao projeto de interiores 
em grandes edificações
Ao projetar interiores para edifi cações de grandes áreas e também de muitos 
pavimentos, a análise deve ser mais rigorosa e a relação entre os sistemas 
elétrico e hidrossanitário com o projeto de interiores é muito mais direta. 
Isso ocorre porque, quanto maior e mais pavimentos tem a edifi cação, mais 
complexa será a adaptação dos pontos. Como os sistemas envolvem muitas 
Projeto de interiores e projetos elétricos e hidrossanitários10
redes, a alteração de pontos interfere diretamente nas edificações. Imagine 
mudar o local de um vaso sanitário de um prédio multifamiliar no décimo 
andar: esse esgoto terá que descer 10 pavimentos até chegar ao sistema de 
tratamento e, para isso, deverá, obrigatoriamente, passar em todos esses 
andares.
Nesse sentido, esse tipo de edificação, principalmente de caráter resi-
dencial, traz algumas limitações para o projeto de interiores. Com relação 
aos pontos hidrossanitários, citando especificamente os de água e esgoto 
dos banheiros, na maioria das vezes, é inviável e dificultoso fazer alterações. 
O que se pode fazer é incluir algum ponto de ducha (Figura 5), por exemplo, 
realizando as ligações em pontos já existentes. Pontos de água em cubas 
podem ser deslocados minimamente a partir de pequenas adaptações, porque 
os pontos de esgoto devem atender essa adaptação da entrada de água e 
não podem ser alterados nesse tipo de edificação.
Figura 5. Locação de ducha em banheiro existente.
Fonte: Correta (2020, documento on-line).
Você sabe o que é um shaft? Um shaft pode ser entendido como 
uma caixa, na vertical, dentro da qual passam os dutos de água, 
esgoto, ventilação, entre outros, de uma edificação de muitos pavimentos — o 
shaft , portanto, serve para esconder esses dutos. Como uma edificação de 
mais pavimentos tem sistemas mais complexos, se todos os dutos estiverem 
descendo nos mesmos lugares, a execução e a manutenção desses sistemas 
são mais fáceis.
Projeto de interiores e projetos elétricos e hidrossanitários 11
Normalmente, os shafts estão locados em cozinhas, banheiros e áreas de 
serviço e são fechados por meio de placas de gesso resistentes a água, mas que 
podem ser retiradas facilmente se necessário (CARDOSO, 2015). 
Figura 6. Exemplo de shaft em banheiro.
Fonte: Cardoso (2015, documento on-line).
Nesse caso, é importante que o profissional arquiteto tenha soluções 
que aproveitem ao máximo as instalações que já existem. Ao propor novos 
pontos elétricos, é fundamental saber quanto de carga o quadro existente 
suporta. Uma solução para evitar quebras nesses casos é deixar essas novas 
ligações aparentes (Figura 7).
Figura 7. Eletrodutos aparentes.
Fonte: Hometeka (2014, documento on-line). 
Projeto de interiores e projetos elétricos e hidrossanitários12
Em grandes edificações de caráter corporativo ou comercial, o projeto de 
interiores tem algumas limitações, mas muito menos que em edificações residen-
ciais, casos em que a necessidade de banheiros e copas ou cozinhas é bem mais 
pontual e para funções mais provisórias. Essas edificações, em sua maioria, contam 
com forros rebaixados e é mais fácil adaptar pontos de iluminação por exemplo.
Outra opção, caso haja necessidade, é construir um piso elevado (Figura 8) 
para passar pontos de tomada no chão ou esconder alguma ligação de esgoto.
Figura 8. Exemplo de piso elevado.
Fonte: Construindo Decor (c2021, documento on-line).
Além disso, as salas normalmente não têm espaços divididos, o que pode 
ser proposto por meio do projeto de interiores. Se essas divisórias forem 
de gesso, os pontos elétricos podem ser passados por dentro das placas. 
Diante dessa explanação sobre a relação entre os projetos de interiores e os 
sistemas prediais, é possível ter uma noção geral de como eles funcionam e algu-
mas alternativas para trabalhá-los nos projetos de interiores. O mais importante 
a considerar é que eles devem ser pensados de forma conjunta com a proposta, 
pois são essenciais para um bom resultado do ambiente interno projetado. 
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 15575-6: edificações ha-
bitacionais - desempenho: parte 6 - requisitos para os sistemas hidrossanitários. Rio 
de Janeiro: ABNT, 2013.
CARDOSO, A. C. M. Como funcionam os shafts. EW7, 2015. Disponível em: http://ew7.
com.br/projeto-arquitetonico-com-autocad/index.php/tutoriais-e-dicas/140-como-
-funcionam-os-shafts.html. Acesso em: 22 fev. 2021.
Projeto de interiores e projetos elétricos e hidrossanitários 13
CHING, F. D. K.; BINGGELI, C. Arquitetura de interiores ilustrada. 4. ed. Porto Alegre: 
Bookman, 2019. E-book.
CONSTRUINDO DECOR. Piso elevado: preços, marcas e dicas de piso elevado. c2021. 
Disponível em: https://construindodecor.com.br/piso-elevado/. Acesso em: 22 fev. 2021.
CORRETA. Como escolher a ducha higiênica ideal para o seu banheiro. 2020. Disponí-
vel em:http://www.corretanet.com.br/site/conteudos/58-fique-ligado/1618-como-
-escolher-a-ducha-higienica.html. Acesso em: 22 fev. 2021.
FAZ FÁCIL. Projeto hidráulico: como entender. 2016. Disponível em: https://www.fazfacil.
com.br/reforma-construcao/projeto-hidraulico-como-entender/. Acesso em: 22 fev. 
2021.
HOMETEKA. Tubulação elétrica aparente: dicas e benefícios do estilo industrial. 2014. 
Disponível em: https://www.hometeka.com.br/inspire-se/tubulacao-eletrica-aparente-
-dicas-e-beneficios-do-estilo-industrial/. Acesso em: 22 fev. 2021.
MOYA, A. Passo a passo entendendo um projeto de instalação elétrica residencial. 
Saber Elétrica, 2015. Disponível em: https://www.sabereletrica.com.br/projeto-de-
-instalacao-eletrica-residencial/. Acesso em: 22 fev. 2021.
OLIVEIRA, G. R.; MONT´ALVÃO, C. Método de projeto de interiores no Brasil. Ergodesign 
& HCI, v. 6, n. 6, p. 29-44, 2018. Disponível em: http://periodicos.puc-rio.br/index.php/
revistaergodesign-hci/article/view/526/448. Acesso em: 22 fev. 2021.
SALVADOR, D. S. Os sistemas prediais como um dos princípios estruturadores do projeto 
arquitetônico: as determinantes no aspecto morfológico através das relações funcio-
nais de um edifício. 2007. 128 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) 
- Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2007. Disponível em: http://tede.
mackenzie.br/jspui/bitstream/tede/2609/1/Douglas%20Santos%20Salvador1.pdf. 
Acesso em: 22 fev. 2021.
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos 
testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da 
publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas 
páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores 
declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou 
integralidade das informações referidas em tais links.
Projeto de interiores e projetos elétricos e hidrossanitários14
Dica do professor
Ao alterar ou acrescentar pontos elétricos e hidráulicos em edificações existentes, é possível deixá-
los escondidos ou aparentes. O uso dessas ligações aparentes é uma tendência da arquitetura atual, 
mas nem sempre foi assim. Essa ideia surgiu nos Estados Unidos e demorou um tempo até se 
consolidar no Brasil.
Na Dica do Professor, veja um pouco mais sobre essa tendência, suas vantagens e os cuidados no 
momento de sua execução.
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Na prática
Todo projeto de interiores deve considerar as instalações elétricas e hidrossanitárias na sua 
proposta, a fim de analisar se serão necessárias adaptações, se elas são possíveis e se há um custo-
benefício nas sugestões. Mesmo com algumas limitações relacionadas a esses sistemas, sempre 
existem alternativas para tornar a proposta mais adequada à necessidade.
Neste Na Prática, veja uma situação na qual existe um limitador para o projeto e uma das soluções 
sugeridas pelo profissional arquiteto.
Aponte a câmera para o 
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https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/9d152d28-9ac7-4e0f-ad9c-a1c7face9009/4970ba2f-9ee6-435b-aa8e-e7a39f27e9b4.png
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Instalações elétricas aparentes
Utilizar ligações elétricas aparentes nos projetos de interiores é uma tendência que veio para ficar. 
Confira as vantagens e desvantagens dessa alternativa nesta matéria.
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Eletrofita
Uma novidade para puxar novas tomadas sem quebrar as paredes é a eletrofita. Veja mais sobre 
essa alternativa neste vídeo.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Tubulações em evidência
Na parte hidráulica, também é possível trabalhar com os tubos aparentes, facilitando modificações 
e instalações. Leia mais sobre o assunto neste link.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://www.aecweb.com.br/revista/materias/instalacoes-eletricas-aparentes-conheca-vantagens-e-tecnicas/10425
https://www.youtube.com/embed/G5w9QcIa6Iw
https://www.amigoconstrutor.com.br/amigo-ensina/decoracao-com-tubulacao-aparente-como-explorar-esse-estilo/
Acompanhamento de obra de 
arquitetura de interiores
Apresentação
O papel do arquiteto na execução da obra é muito importante, pois é ele quem deverá fazer todo o 
acompanhamento do que está sendo executado, assim como deverá acompanhar os materiais que 
estão sendo utilizados e os serviços prestados. Todo esse processo que o arquiteto faz durante a 
obra tem a finalidade de identificar determinados problemas que podem ser evitados, atribuindo 
um plano de ação para a correção destes. Existem diversas formas para que o profissional possa 
fiscalizar a obra, sendo uma delas a partir de relatórios fotográficos, projeto as built, entre outros.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer a importância do profissional de arquitetura 
durante a execução de uma obra de arquitetura de interiores. Além disso, vai conferir a diferença 
entre acompanhar uma determinada obra e fiscalizar uma obra de interiores. Por fim, você 
vai conhecer os métodos mais utilizados pelos arquitetos para fazer o controle fiscal da obra de 
interiores.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer o papel do arquiteto durante a execução da obra de arquitetura de interiores.•
Comparar o acompanhamento de obra com a fiscalização de obra de interiores.•
Elaborar métodos de controle da fiscalização de obra de interiores.•
Infográfico
A contratação de um arquiteto para desenvolver um projeto de arquitetura de interiores pode ou 
não contemplar a etapa de fiscalização de obra. Se o arquiteto for responsável pelo projeto e pela 
fiscalização, ele precisa acompanhar o processo de execução, verificando se ele está conforme as 
especificações e os detalhamentos. Para essa função, é indicado que o profissional faça uso de 
metodologias de controle e fiscalização.
Neste Infográfico, confira alguns dos métodos de controle que podem ser utilizados para fiscalizar 
uma obra de interiores.
Aponte a câmera para o 
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Conteúdo do livro
Durante a execução da obra, o arquiteto é o responsável técnico que deverá gerenciar a obra. Para 
isso, ele deverá escolher as melhores técnicas, além de estar presente ativamente na obra para 
poder resolver dúvidas que venham a surgir no que envolver o projeto. Desse modo, ao 
compreender as etapas necessárias de acompanhamento da obra, o arquiteto conseguirá executar 
um bom projeto de interiores com base nas necessidades do seu cliente, buscando apresentar as 
melhores soluções para garantir a melhoria do espaço que será criado ou transformado.
No capítulo Acompanhamento de obra de arquitetura de interiores, base teórica desta Unidade de 
Aprendizagem, você vai conhecer as atribuições do arquiteto durante a execução de obras com 
foco na área de interiores. Além disso, vai conferir a diferença entre acompanhar e fiscalizar uma 
obra. Por fim, você vai analisar exemplos sobre como manter o controle de fiscalização da obra.
Boa leitura. 
ARQUITETURA DE 
INTERIORES
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Reconhecer o papel do arquiteto durante a execução da obra de arquitetura 
de interiores.
 > Comparar o acompanhamento de obra com a fiscalização de obra de inte-
riores.
 > Elaborar métodos de controle da fiscalização de obra de interiores.
Introdução 
Neste capítulo, vocêvai identificar as atribuições do arquiteto durante a etapa 
de execução da obra de arquitetura de interiores. O arquiteto é o profissional 
que projeta, gerencia e acompanha a execução da construção de casas, prédios, 
edificações privadas, etc., seguindo as diretrizes estabelecidas pelas normas 
técnicas para que se tenha estética, conforto e funcionalidade. No contrato que 
será feito pelo arquiteto junto com o seu cliente, ele poderá especificar se irá 
fazer o acompanhamento da obra ou se irá fiscalizar a obra de interiores. Todo 
esse processo será visto neste capítulo. Caso seja acordado pela fiscalização da 
obra de interiores, há alguns métodos específicos que podem ser utilizados para 
realizar essa tarefa em sua obra.
Acompanhamento 
de obra de 
arquitetura 
de interiores
Marina Silva Paravidino de Abreu
Você deve saber que muito mais do que projetar, o arquiteto também define 
e especifica os materiais e acabamentos que irão compor todos os cômodos de 
determinada edificação, onde deverá se atentar para a organização dos móveis, 
a iluminação do ambiente, tentando aproveitar ao máximo a luz natural. Além 
disso, deverá avaliar a ventilação para que não precise a todo momento do uso 
do ventilador e ar-condicionado. São ações como estas que fazem o arquiteto 
ser um bom professional. 
Papel do arquiteto durante a obra
Para que se consiga fazer um planejamento da obra, se faz necessário ter em 
mãos o projeto arquitetônico. Visto isso, pensamos logo que o papel do arqui-
teto é muito importante desde o início do processo de projeto. Ao dominar os 
processos construtivos, o profissional conseguirá tornar cada vez mais viável 
determinada construção e com custo dentro do que o cliente está disposto 
a pagar, podendo, nesse caso, especificar materiais de maior qualidade, que 
são mais caros, ou materiais que sejam bons, porém mais em conta.
Quando não há o planejamento da obra, existem muitas chances de os 
prazos e custos solicitados pelo cliente não serem cumpridos. A área de 
arquitetura possui vários leques para atuação, como perícia, construção de 
obras, docência, consultorias, entre outros. Muito mais do que somente fazer 
projeto de arquitetura, o profissional da área está preparado para fazer e 
gerenciar os projetos de elétrica, água, esgoto, paisagismo e interiores. 
Vale ressaltar que mesmo estando apto, não se exclui a necessidade de 
ter profissionais da engenharia civil para compor a equipe. Entendendo essa 
questão sobre os processos da obra, o profissional de arquitetura verá que 
é da sua responsabilidade cumprir as exigências legais, assim como garantir 
o correto funcionamento de todas as instalações e a garantia de que em um 
período de até cinco anos a obra estará em perfeito estado.
Pensar no papel do arquiteto é ir muito além de apenas assuntos rela-
cionados a estética e ao design. O arquiteto, além de criar todo o projeto, 
deverá atuar como um facilitador durante a obra, de forma que contribua 
para que tudo saia conforme o planejado. O arquiteto contratado é que será o 
responsável por traçar o planejamento de uma determinada obra, partindo do 
desenho inicial e caminhando para o desenvolvimento dos espaços externos e 
internos, além de verificar se tudo que foi criado será funcional para o cliente 
que irá utilizar, buscando garantir que se tenha acessibilidade, sustentabi-
lidade, conforto, segurança e beleza. Tudo isso é para termos um futuro e 
uma sociedade mais organizados e que pensem de forma mais sustentável.
Acompanhamento de obra de arquitetura de interiores2
Função principal do arquiteto na sociedade
Segundo Lopes (2019), o arquiteto é o responsável por realizar todo o planeja-
mento de um edifício, partindo desde o desenho e a criação dos espaços até a 
verificação se todos são funcionais. Além desses pontos, ele também se preocupa 
com o impacto que a obra trará ao meio ambiente e ao local que será construído. 
A profissão de arquitetura é dividida em alguns setores, como descrito a seguir.
Urbanismo
O profissional urbanista atua na área do planejamento urbano, buscando 
orientar e planejar o ordenamento e o crescimento da cidade. Um exemplo se-
ria quando ele executa projetos de saneamento para uma cidade. O urbanista 
tem papel fundamental em uma sociedade, pois sua ação está direcionada 
para que a população tenha uma melhor qualidade de vida. 
Além disso, ele cria projetos de edifícios e espaços públicos, como projetos 
de ruas, de bairros, parques, praças, etc., e, em sua maioria, busca expressar 
em suas obras as características do lugar. 
Paisagismo
O paisagista elabora projetos para espaços abertos, em macro ou microescala, 
considerando diversos elementos vegetais e não vegetais. Além disso, elabora 
projetos sem se direcionar somente para a estética e a beleza da edificação; 
o paisagista busca unir a sustentabilidade com todo o meio ambiente.
Arquitetura de interiores
O profissional que atua na área de interiores busca sempre fazer o planeja-
mento do espaço físico, trazendo funcionalidade e estética e proporcionando 
a praticidade do uso dos espaços. Esse profissional poderá projetar espaços 
comerciais, residenciais e institucionais.
Ele é o profissional responsável por trabalhar com a decoração de in-
teriores dos espaços, sejam residenciais ou comerciais, buscando deixar o 
ambiente agradável e equilibrado.
Restauração
O profissional que opta por esse setor trabalha com questões de preserva-
ção e restauração dos bens históricos arquitetônicos e artísticos, buscando 
deixá-los o mais fiel possível da obra original.
Acompanhamento de obra de arquitetura de interiores 3
O arquiteto é quem transforma os sonhos dos clientes em realidade. Ele 
é o profissional que organiza os processos e adapta os desejos a planos 
concretos e que sejam factíveis. Ele vem a ser um dos principais responsáveis 
pelo planejamento dos espaços urbanos quando desenvolve projetos que 
envolvem a disposição dos bairros e das ruas. Um exemplo é a cidade de 
Brasília, onde a maior parte das construções foi projetada por Oscar Niemeyer.
A função do arquiteto envolve planejar espaços seguros e, para que isso 
aconteça, se faz necessário ter um conhecimento da parte de estruturas dos 
materiais, da área de topografia, de geometria, de desenho. 
Indo mais além do que somente criar espaços diferentes e funcionais, 
o profissional de arquitetura também é responsável por pensar e 
colocar em prática o projeto no custo que foi estabelecido junto com o cliente, 
assim como por manter a organização e uma sequência de atividades que serão 
executadas para que o resultado final saia conforme o esperado.
O arquiteto é o responsável por todo o acompanhamento da obra, e quando 
acordado em contrato, será também o responsável em fiscalizar a obra. 
Acompanhamento de obras e fiscalização 
de obra de interiores
Entender o que é fiscalização e acompanhamento de obras é primordial para 
quando o arquiteto for firmar o contrato com o seu cliente, assim como o que 
estará presente no contrato em cada uma dessas etapas. A pergunta que 
faço é a seguinte: existe diferença entre fiscalizar e acompanhar? A resposta 
é que existe muita diferença.
De acordo com a Lei nº 4.591/64, nos contratos de construção por em-
preitada, a Comissão de representantes fiscalizará o andamento da obra e a 
obediência ao projeto e às especificações, exercendo as demais obrigações 
inerentes à função representativa dos contratantes e fiscalizadora da cons-
trução (BRASIL, 1964).
Segundo Machado (2013), o acompanhamento de obras vem a ser um tipo 
de serviço que é prestado pelo arquiteto, no qual ele fará visitas sem muita 
frequência, com o intuito de verificar se tudo está sendo feito conforme as 
normas e conforme os projetos que foram aprovados pela prefeitura; caso o 
mestre de obra ou algum funcionário tenha alguma dúvida sobre o projeto ou 
sua execução, é na visita de acompanhamento que poderão obter as respostas. 
Acompanhamento de obra de arquitetura de interiores4Nos casos em que o cliente opte for fechar somente o acompanhamento 
de obra com o arquiteto, ele economizará mais dinheiro, porém não terá o 
amparo por completo, como, por exemplo, a entrega de relatórios fotográficos, 
o suporte para a arquitetura de interiores, entre outros. Assim, se você tiver 
um cliente que quer qualidade e está atrás de um trabalho mais completo 
e detalhado para a obra, é sugerido que contrate o serviço da fiscalização.
Quando falamos em fiscalização, é possível que imaginemos logo que 
haverá um profissional que aparecerá no local da obra com um relatório 
apontando todos os defeitos que verificou. O real objetivo do trabalho que 
é feito é identificar as não conformidades, assim como o que deverá ser 
melhorado ou refeito. Neste ponto, o intuito é que o profissional realize um 
número maior de visitas na obra, com o objetivo de apresentar relatórios 
com todo o andamento.
A Lei nº 4.591/64 dispõe na seção II que a comissão de representantes 
fiscalizará o andamento da obra e a obediência ao projeto e às especificações, 
exercendo as demais obrigações inerentes à sua função representativa dos 
contratantes e fiscalizadora da construção. O fiscal da obra terá poderes 
para fiscalizar a arrecadação da construção, os valores gastos nas compras 
dos materiais, a qualidade da execução dos serviços, etc. (BRASIL, 1964). 
Na lista a seguir, será possível entender melhor a diferença entre acom-
panhamento de obras e fiscalização de obra de interiores.
 � O acompanhamento de obras é um trabalho que exige menos gasto 
pelo cliente, e por ser mais barato em relação à fiscalização, acaba 
por ser o mais escolhido, visto que alguns clientes não compreendem 
a importância de ter um profissional mais perto de tudo que está 
sendo feito.
 � O acompanhamento de obras possui um escopo limitado e por isso o 
trabalho é mais simples.
 � O objetivo do acompanhamento de obras é avaliar se a obra está em 
acordo com as normas e com o projeto aprovado.
 � O objetivo da fiscalização de obra de interiores é validar se tudo está 
sendo feito conforme acordado e se os profissionais estão seguindo 
os detalhamentos apresentados no projeto, assim como a forma de 
execução e a colocação dos revestimentos e acabamentos em geral. 
Além disso, são feitos relatórios de vistorias com fotos e alguns com 
vídeos que servirão para orientar os profissionais caso tenham feito 
algo diferente do que estava em projeto.
Acompanhamento de obra de arquitetura de interiores 5
 � Tanto o contrato que inclui o serviço de acompanhamento de obras 
como o contrato que inclui o serviço de fiscalização de obra de inte-
riores deverá conter a anotação de responsabilidade técnica.
 � Nos dois contratos, o profissional que foi contratado deverá se res-
ponsabilizar pela execução da obra, o que poderá variar conforme foi 
combinado com o contratante.
 � Em relação aos valores impostos no contrato, estes costumam variar 
conforme a hora técnica do profissional. No contrato para fins de 
acompanhamento de obra, geralmente é estabelecido que o pagamento 
seja todo mês; já nos contratos de fiscalização, varia um pouco mais, 
pois dependerá das atividades que serão feitas, e os pagamentos 
poderão ser feitos por visita, pela hora trabalhada ou de acordo como 
o profissional e o cliente definirem.
De acordo com a Lei nº 4.591/64, é muito importante que o acompanha-
mento de obra garanta que os serviços sejam executados de acordo com 
as condições que foram determinadas no escopo do projeto, de forma que 
os retrabalhos sejam minimizados (BRASIL, 1964). Contudo, é necessário 
administrar todas as atividades, que por sua vez podem ser realizadas por 
profissionais diferentes. Por isso, é preciso criar rotinas para o acompanha-
mento da obra, buscando identificar desvios para providências das correções.
O relatório de acompanhamento de obras é um documento que 
possui grande valor técnico e estratégico para a gestão da obra. Esse 
documento é obrigatório e regulamentado em resolução do Conselho Federal de 
Engenharia e Agronomia (Confea). Nesse relatório, devem constar os principais 
eventos que de algum modo comprometeram a execução da obra, assim como 
os riscos que podem acarretar se continuar da forma como foi feito. 
Métodos para fiscalizar obra de interiores
De acordo com o Manual de fiscalização do exercício da arquitetura e ur-
banismo (CONSELHO DE ARQUITETURA E URBANISMO DO BRASIL, 2012), a 
arquitetura de interiores é o campo de trabalho no qual o profissional de 
arquitetura trabalha com atividades técnicas direcionadas para a reordenação 
do espaço interno da edificação, com o intuito de otimizar e adequar os usos 
que envolvem: modificações na parte interna, tendo a retirada de paredes 
Acompanhamento de obra de arquitetura de interiores6
ou a colocação de mais paredes, assim como inserção de janelas e portas; 
alterações na parte estrutural; troca de materiais de acabamentos, como 
piso; execução de forros de gesso; disposição dos mobiliários, sendo estes 
fixos ou de outro material. 
A arquitetura de interiores visa disciplinar a relação existente entre cheios 
e vazios em ambientes por dentro da edificação, podendo ser as vedações, 
os vãos de janelas e portas, os volumes de forma geral, os tratamentos das 
áreas das superfícies, os revestimentos, forros, os mobiliários e as instalações 
de telefonia, elétrica, hidráulica e lógica.
Após ser iniciada a obra, o fiscal da prefeitura do município verificará se 
existe um responsável técnico pela autoria e execução a partir da conferência 
do registro de responsabilidade técnica (RRT). Caso o fiscal note que existe 
irregularidade, ele deverá elaborar um relatório de fiscalização e lavrar 
notificação por ausência de RRT, estabelecendo um prazo de 10 dias ao 
arquiteto para que ele possa efetuar o registro do RRT ou abrir o processo. 
Se o arquiteto exercer sua profissão de forma ilegal, o fiscal irá conceder 
um prazo de 10 dias ao dono do imóvel para que este possa regularizar os 
serviços por meio de RRT de um profissional habilitado.
Ao ser contratado para fiscalizar a obra de interiores, o arquiteto poderá 
fazer o uso de alguns métodos apresentados no Quadro 1.
Quadro 1. Instrumentos para fiscalização de obra de interiores
Instrumentos 
de fiscalização Objetivo
Relatório de 
fiscalização
Tem como objetivo descrever de forma mais ordenada 
e detalhada tudo o que foi visto e observado durante a 
vistoria na obra. Esse documento é destinado à coleta de 
informações das tarefas que foram executadas apontando 
onde/o que precisa ser modificado ou corrigido.
Relatório 
fotográfico
Busca facilitar o entendimento do mestre de obras 
para que ele possa identificar exatamente onde está o 
problema que foi apontado, além de garantir que o que 
o profissional registrou por meio da foto é fato que foi 
levantado.
As built Por meio do projeto as built, será possível definir 
exatamente o que deverá ser feito caso tenha algo que 
precisa ser modificado do projeto que foi aprovado. 
Logo que concluído o novo projeto, este deverá ir para 
a obra para que as modificações sejam feitas dentro do 
esperado.
Acompanhamento de obra de arquitetura de interiores 7
O método “as built” pode ser definido/traduzido como “como construído”. 
É um projeto com representações técnicas, contendo plantas baixas, cortes, 
fachadas, bem como as modificações que foram sendo feitas ao longo da 
construção ou de uma reforma.
Na área da arquitetura, o “as built” é de grande importância. É muito 
comum durante a etapa de construção surgirem alterações que afetam o 
projeto inicial. Isso ocorre também depois que a obra já tem anos de cons-
truída, quando surge a necessidade de adaptações e mudanças. Contudo, 
é já pensado que o desenho inicial sofra alterações ao longo do tempo.
É muito importante que o registro seja feito de forma fidedigna, sem 
omissão de nenhum ponto. Isso facilitará possíveis reformas e manutenções 
no futuro, que poderão ser feitas sem comprometera estrutura. 
O as built trata exatamente de relacionar tudo que foi alterado em 
uma obra civil durante o processo de construção. Quando se faz 
o registro técnico das eventuais alterações não documentadas, facilita-se a 
prevenção de problemas que poderiam acontecer em imóveis mais velhos. Com 
o as built em mãos, ficará mais fácil verificar a situação atual do imóvel e se 
está dentro das normas vigentes.
Em relação ao relatório fotográfico, este é uma forma mais simplificada 
e confiável para que possa ser feito o acompanhamento dos serviços já 
executados. Por meio dele, consegue-se obter um acompanhamento de 
determinada atividade que foi planejada e é possível fazer uma compara-
ção dos locais que estão com obra e os que já finalizaram, por exemplo.
Já existem programas específicos para fazer relatório fotográfico, como 
o Produttivo (Figura 1). Esses programas são uma alternativa para automa-
tizar os serviços em campo e um meio de comprovar tudo que está sendo 
feito de uma maneira mais fácil e segura. O arquiteto pode, pelo celular, 
programar as atividades da sua equipe, como execução de colocação de 
piso ou inspeções, tudo em um único painel.
O pessoal de campo deverá utilizar um smartphone para realizar o tra-
balho, no qual deverão preencher as informações necessárias, e ao longo do 
dia deverão adicionar as fotos com a descrição do serviço, sendo esta uma 
forma de comprovar as atividades feitas no dia. Esse programa busca trazer 
maior facilidade para o preenchimento no local, e as fotos a serem tiradas 
poderão ser feitas diretamente do aplicativo, que já apresenta, juntamente, 
as coordenadas geográficas, aumentando a credibilidade do documento. 
Depois de finalizado, é só exportar em PDF ou Excel.
Acompanhamento de obra de arquitetura de interiores8
Figura 1. Modelo de relatório fotográfico fornecido pelo programa Produttivo.
Fonte: Produttivo (2020, documento on-line).
As vantagens do relatório pelo aplicativo são as seguintes: aumenta 
a confiabilidade dos serviços prestados; diminui o retrabalho de ter que 
repassar as informações e fotos para o computador para montar o relatório; 
economiza tempo do profissional, pois o relatório é gerado automatica-
mente; entrega os relatórios padronizados e com boa aparência para os 
clientes.
Veja no Quadro 2 um modelo de como fazer um relatório fotográfico de 
visita técnica caso opte por fazer de forma manual.
Quadro 2. Relatório fotográfico de visita técnica
Relatório fotográfico
Visita técnica
Projeto: Cozinha residencial Data:
28/01/2021
Cliente: 00020
Local: Obra xxxxx Página: 1/1
(Continua)
Acompanhamento de obra de arquitetura de interiores 9
Relatório fotográfico
Visita técnica
Descrição/laudo:
 � Medição correta para recorte do revestimento da cozinha. OK
 � Nivelamento do revestimento na parede para fixação. OK
 � Materiais adequados para a realização do serviço. OK
 � Falta de revestimento no local para conclusão do fechamento da cozinha. 
FAZER PEDIDO
 � Ambiente organizado e limpo dentro do possível. OK
 � Será providenciada uma cópia extra do projeto executivo para o construtor.
Realizado por: 
Arquiteto xxxxx
Valor: xxxxx
Referências
BRASIL. Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964. Dispõe sôbre o condomínio em edifica-
ções e as incorporações imobiliárias. Brasília: Presidência da República, 1964. Disponível 
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4591.htm. Acesso em: 23 fev. 2021.
CONSELHO DE ARQUITETURA E URBANISMO DO BRASIL. Manual de fiscalização do 
exercício da arquitetura e urbanismo. Brasília: CAU/BR, 2012. Disponível em: https://
www.causc.gov.br/wp-content/uploads/2017/06/MANUALFISCALIZACAO.pdf. Acesso 
em: 23 fev. 2021.
LOPES, J. Qual é o papel dos arquitetos em uma sociedade? Jundiaí: Grupo Anchieta, 
2019. Disponível em: https://www.anchieta.br/blog/qual-e-o-papel-dos-arquitetos-
-em-uma-sociedade. Acesso em: 23 fev. 2021.
MACHADO, C. A. Fiscalização x acompanhamento de obras. Londrina: Grupo AE, 2013. Dis-
ponível em: https://www.aegrupo.com.br/single-post/fiscalizacao-x-acompanhamento. 
Acesso em: 23 fev. 2021.
PRODUTTIVO. Relatório fotográfico de serviço. [2020]. Disponível em: https://www.
produttivo.com.br/templates/relatorio-fotografico-de-servico. Acesso em: 23 fev. 2021.
Leituras recomendadas
BRASIL. Lei nº 12.378, de 31 de dezembro de 2010. Regulamenta o exercício da Arquite-
tura e Urbanismo; cria o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil - CAU/BR e os 
Conselhos de Arquitetura e Urbanismo dos Estados e do Distrito Federal - CAUs; e dá 
outras providências. Brasília: Presidência da República, 2010. Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12378.htm. Acesso em: 23 fev. 2021.
CONSELHO DE ARQUITETURA E URBANISMO DO BRASIL. Entenda como é feita a fiscali-
zação de obra e projetos pelo CAU/SP. Brasília: CAU/BR, 2016. Disponível em: https://
www.caubr.gov.br/entenda-como-e-feita-a-fiscalizacao-de-obras-e-projetos-pelo-
-causp/. Acesso em: 23 fev. 2021.
(Continuação)
Acompanhamento de obra de arquitetura de interiores10
FERREIRA, C. L.; FLÓRIO, W. A formação de um arquiteto social e ético: dilemas das uni-
versidades brasileiras. Avaliação, Campinas, v. 23, n. 3, p. 754–775, 2018. Disponível em: 
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-40772018000300754&ln
g=pt&tlng=pt. Acesso em: 23 fev. 2021
LAZZARINI, S.; HIPPERT, M. A. S. Diretrizes para controle de informação documentada 
gerada pela implantação da NBR 15.575: edificações habitacionais: desempenho em 
empresas construtoras. Ambiente Construído, Porto Alegre, v. 21, n. 1, p. 181–196, 
2021. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-
-86212021000100181&tlng=pt. Acesso em: 23 fev. 2021.
PORTAL 44 ARQUITETURA. A grande importância da função social dos arquitetos. 2016. 
Disponível em: http://44arquitetura.com.br/2016/06/a-funcao-social-dos-arquitetos-
-importancia/. Acesso em: 23 fev. 2021.
SILVA JUNIOR, D. C.; CAMBRAIA, F. B. Modelo do processo de ação fiscal de segurança e 
saúde do trabalho na construção de edificações. Ambiente Construído, Porto Alegre, 
v. 13, n. 3, p. 29–4, 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S1678-86212013000300003&lng=pt&tlng=pt. Acesso em: 23 fev. 2021.
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Acompanhamento de obra de arquitetura de interiores 11
Dica do professor
O arquiteto é o profissional ideal para colocar em execução os desejos e necessidades dos seus 
clientes, trabalhando da melhor forma as soluções para cada espaço. Ao contratar o serviço de um 
arquiteto para a sua obra, você terá uma maior garantia de segurança para a edificação, além de 
agregar mais valor ao imóvel, visto que todo o serviço foi feito dentro das normas e teve um 
acompanhamento de um profissional qualificado.
Nesta Dica do Professor, confira algumas das atribuições do arquiteto ao executar um projeto de 
interiores, bem como a importância da correta execução de todas as etapas que compõem a fase 
final da obra.
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Na prática
Como você já deve ter percebido, existe uma diferença entre a fiscalização e o acompanhamento 
de obra. Na fiscalização, existe um trabalho mais detalhado das atividades diárias que 
são executadas, por meio do envio de relatório fotográfico ou relatório diário de obra. Já no 
acompanhamento de obra, o profissional contratado irá comparecer na obra uma vez porsemana, 
para verificar se as atividades estão sendo feitas conforme o projeto. Contudo, o profissional não 
estará presente a todo momento para tirar dúvidas de projeto ou execução de algum serviço.
O contrato é o instrumento por meio do qual tudo será definido e é onde deverão estar listadas as 
atividades que compreenderão cada um dos escopos de trabalho. Para atuar tanto no 
acompanhamento de obra como na fiscalização, o arquiteto deverá estar munido do seu RRT 
(Registro de Responsabilidade Técnica).
Neste Na Prática, confira como um arquiteto pode ajudar o seu cliente tanto na execução do 
projeto de interiores e como no acompanhamento da obra.
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https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/0fbceddf-c492-4638-b962-f8684f927949/6ad27f31-0562-4cb9-bfc0-3d2a22f402a8.jpg
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja a seguir as sugestões do professor:
Metodologia Kaizen Events aplicada a casos práticos de 
fiscalização de obras
No artigo a seguir, confira a apresentação da metodologia Kaizen Events, cujo objetivo é propor 
melhorias no processo de fiscalização de obras.
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Cinco razões para contratar um arquiteto e urbanista: 
planejamento
No vídeo a seguir, confira os cinco pontos que são relevantes para que todos contratem um 
arquiteto, bem como a importância de elaborar um projeto antes de iniciar a obra.
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A fiscalização no controle de qualidade, custos e prazos da obra 
FairJourney Biologics
Nesta dissertação, confira as atividades desenvolvidas pela equipe de fiscalização no âmbito de 
controle de custos, prazos e qualidade durante a execução do empreendimento FairJourney 
Biologics.
https://recipp.ipp.pt/bitstream/10400.22/16321/1/DM_JoaoLanca_2020_MEC.pdf
https://www.youtube.com/embed/dVcmup3n6to
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Mais de 80% dos brasileiros fazem obra sem arquiteto ou 
engenheiro
Neste vídeo, confira uma entrevista feita pelo Fantástico, da TV Globo, com dados inéditos da 
pesquisa CAU/BR-Datafolha sobre como o brasileiro constrói, ressaltando o papel técnico e social 
dos arquitetos.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
http://hdl.handle.net/10400.22/16555
https://www.youtube.com/embed/LaVQUNNRHKY
As etapas do projeto de arquitetura 
de interiores
Apresentação
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a arquitetura de interiores é uma área repleta de 
desafios, podendo ser muito complexa. O envolvimento do arquiteto com o projeto de interiores é 
intenso durante todas as etapas, que vão do contato com o cliente à execução das intervenções 
espaciais. A qualidade do resultado está relacionada à qualidade do processo do projeto e ao 
cumprimento das etapas necessárias.
Do alto grau de abstração inicial ao detalhamento minucioso da execução, o projeto de arquitetura 
de interiores passa por diversas etapas. Faz parte do escopo de trabalho do arquiteto conhecê-las e 
utilizá-las de maneira adequada, produzindo o material necessário.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você conhecerá as etapas iniciais, intermediárias e de finalização 
de um projeto.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Identificar a importância das etapas iniciais do projeto de interiores. •
Descrever o estudo preliminar e o anteprojeto de interiores. •
Reconhecer o detalhamento necessário ao projeto executivo de interiores.•
Infográfico
A planta baixa é um dos tipos de desenho mais conhecidos e com mais variações. No projeto 
executivo, podem ser elaborados diferentes tipos de plantas, cada uma transmitindo uma 
informação diferente sobre a execução do projeto.
Neste Infográfico, você vai ver os principais tipos de planta baixa que podem compor um projeto 
executivo. 
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
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https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/fb927b58-e80e-41bb-a6c2-692b62a9e0f3/9c95e9fd-a15f-48d8-b01c-8641ea77d8b7.png
Conteúdo do livro
O relacionamento do profissional com o projeto de arquitetura de interiores é muito intenso, desde 
o primeiro contato com o cliente até a execução da obra. Embora possa parecer simples, um 
projeto de interiores, por menor que seja, carrega consigo um considerável grau de complexidade. 
Os desafios projetuais só podem ser vencidos caso o processo de projeto passe pelas etapas de 
desenvolvimento necessárias, que vão de um elevado grau de abstração até um meticuloso 
detalhamento.
No capítulo As etapas do projeto de arquitetura de interiores, base teórica desta Unidade de 
Aprendizagem, você vai ver as etapas que fazem parte do processo de projeto da arquitetura de 
interiores. Além disso, vai identificar as etapas iniciais, intermediárias e de finalização que precisam 
ser respeitadas para que a obra possa ser executada.
Boa leitura.
ARQUITETURA DE 
INTERIORES
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Identificar a importância das etapas iniciais do projeto de interiores.
 > Descrever o estudo preliminar e o anteprojeto de interiores.
 > Reconhecer o detalhamento necessário ao projeto executivo de interiores.
Introdução
O projeto de arquitetura de interiores tem o objetivo de transformar um espaço 
de forma planejada. Para que o resultado final tenha qualidade e previsibilidade, 
é preciso passar pelo processo de projetação, que parte de ideias abstratas e, a 
cada iteração, ganha mais informação.
Neste capítulo, você vai estudar as etapas do projeto de arquitetura de inte-
riores, partindo das etapas iniciais, como briefing e programa de necessidades, 
passando pelo estudo preliminar, em que o cliente é apresentado às ideias do 
arquiteto, pelo refinamento do anteprojeto e, por fim, o projeto executivo e a obra 
em si, que é a finalização do processo. 
As etapas do projeto 
de arquitetura 
de interiores 
Anna Carolina Manfroi Galinatti
Etapas iniciais do projeto de interiores
O projeto de arquitetura compreende o desenvolvimento de uma ideia por 
meio da descrição de um objeto ainda inexistente (MARTINEZ, 2000), e essa 
descrição se dá em uma documentação gráfica, na forma de desenhos orto-
gráficos, modelos digitais ou croquis ou, como é mais comum, pela combinação 
de diferentes técnicas, para que um terceiro possa compreender e reconstruir 
o artefato imaginado pelo projetista.
Mesmo que não exista uma fórmula única de projetar um edifício, na 
maioria dos casos, há aproximações sucessivas a uma ideia, realizada pela 
representação gráfica. Alfonso Corona Martinez (2000) explica que o pro-
cesso do projeto leva ao refinamento de uma ideia pela sua representação, 
interpretação e nova representação.
Essa breve descrição do processo de projeto arquitetônico é resultado 
da observação de uma prática de trabalho que os profissionais empregam 
há bastante tempo. É comum ouvirmos profissionais falarem sobre avançar 
etapas de projeto ou clientes que, a fim de agilizar o processo, solicitam que 
sejam puladas etapas desse processo. No entanto, sabendo que o projeto 
arquitetônico trata da criação de um objeto por meio de outro, pode-se afirmar 
que cada etapa do projeto é importante para o desenvolvimento da próxima.
Contudo, para que o projeto de interiores possa ser realizado, não basta 
ter apenas o desenho e a documentação das ideias do arquiteto. Antes mesmo 
de começar a desenhar, o profissional precisa levantar uma série de informa-
ções sobre os desejos objetivos e subjetivos de seu cliente para o espaço, as 
expectativas quanto ao seu trabalho e as dimensões e atributos do espaço a 
ser projetado. Veja a seguir as tarefas iniciais do projeto de interiores.Briefing
A palavra brief tem origem na expressão latina brevis, que significa "breve". 
Esse termo passou a ser utilizado no século XIV para se referir a mensa-
gens curtas emitidas especialmente pelo Papa. Ao longo dos anos, o uso 
da expressão brief na língua inglesa como sinônimo de carta concisa foi se 
popularizando, e briefing passou ao vocabulário popular na Segunda Guerra 
Mundial, ao ser bastante utilizado em conferências para informar sobre os 
planos de voo. Desde então, a expressão briefing denomina o conjunto de 
informações sobre um determinado assunto. 
As etapas do projeto de arquitetura de interiores 2
Na arquitetura de interiores, o briefing reúne as informações a respeito 
dos desejos do cliente para o espaço a ser projetado, ou seja, as razões pelas 
quais o projeto está sendo contratado. Nesta etapa, cabe ao projetista extrair 
o máximo de informações possível do cliente, sempre registrando o que e 
em que contexto foi dito para que na próxima etapa essa informação seja 
transformada em dados objetivos.
Programa de necessidades
Após o cliente ter passado o briefing, pode ser iniciada a elaboração do 
programa de necessidades, um primeiro exemplo de documentação a partir 
de um documento anterior. Se no briefing a função do arquiteto era registrar 
tudo o que o cliente gostaria no seu projeto, no programa de necessidades, 
é preciso agir criticamente sobre o que foi pedido, verificando se é possível 
atender às expectativas dele e justificar as impossibilidades. Para Ching, essa 
etapa trata do alinhamento de expectativas:
Uma análise do problema exige que este seja decomposto, que as questões levan-
tadas sejam esclarecidas e que sejam determinados valores aos vários aspectos do 
problema [...]. Qualquer condicionante – o que pode ser mudado e o que não pode 
ser alterado – deve ser identificado. Devem ser observados impedimentos finan-
ceiros, legais ou técnicos que irão afetar a solução de projeto (CHING, 2019, p. 42).
O objeto final do programa de necessidades deve ser um documento 
que descreve detalhadamente as intervenções a serem realizadas no local, 
sabendo que a solução para os problemas de projeto surgirá apenas durante 
o processo projetual. Portanto, o programa de necessidades deve apontar 
para o que será explorado nas etapas posteriores, e não solucionar os pro-
blemas do cliente.
Revisão do escopo de projeto
Uma vez delimitado o programa de necessidades, é possível estabelecer 
o escopo do projeto, eventualmente revisando os honorários pagos pelo 
cliente, caso as intervenções possíveis sejam maiores ou menores do que o 
solicitado no briefing. Nesta etapa, é responsabilidade do arquiteto apontar 
se as demandas iniciais poderão, ou não, serem levadas adiante.
As etapas do projeto de arquitetura de interiores 3
A revisão do escopo é uma etapa opcional que surge quando uma discre-
pância importante entre os desejos do cliente e as possibilidades financeiras 
ou espaciais é grande demais para ser resolvida durante as etapas posteriores 
do projeto.
Levantamento
O projeto de interiores é uma atividade técnica que demanda precisão. Por 
isso, é essencial que o trabalho seja realizado sobre uma base condizente 
com a realidade do local onde se está intervindo. Para garantir tal precisão, 
é recomendado que os profissionais façam a medição detalhada de todo o 
espaço antes de projetar, e esse processo é chamado levantamento.
Antes de iniciar a medição in loco, é recomendável que o profissional 
tenha disponíveis as plantas baixas do espaço. Isso facilitará o tra-
balho, mas não é obrigatório. Muitas vezes, será preciso desenhar cada espaço 
em uma folha para poder fazer a medição. 
A medição deve iniciar pelas paredes e aberturas, registrando as distâncias 
entre as arestas, sem esquecer de medir a altura e o peitoril, no caso das 
janelas; e a altura, no caso das portas e o pé-direito do espaço. Em um segundo 
desenho do mesmo espaço, devem ser identificados os pontos elétricos e 
hidráulicos, identificando os tipos (tomada, interruptor, ponto de água fria 
ou quente, etc.), alturas e distância ao ponto de referência mais próximo, que 
pode ser um canto de parede ou uma porta, por exemplo.
Observe na Figura 1 como esse desenho carrega uma grande quantidade 
de informações dimensionais e descritivas, como os tipos de acabamento, os 
elementos estruturais ou outras informações que poderão facilitar o trabalho 
na hora de digitalizar esse desenho.
As etapas do projeto de arquitetura de interiores 4
Figura 1. Levantamento de cozinha.
No caso de cozinhas ou outros espaços em que existam muitos pontos 
hidráulicos e elétricos, é interessante realizar medições sobre fotos, utilizando 
equipamentos eletrônicos, como o celular, por exemplo, para anotar as medidas, 
como você pode ver na Figura 2, referente à parede da cozinha da Figura 1.
Figura 2. Levantamento de pontos.
As etapas do projeto de arquitetura de interiores 5
A partir desses desenhos, pode ser elaborado o modelo inicial do projeto, 
caso se esteja trabalhando em BIM, ou o desenho das plantas e cortes, caso 
o trabalho seja realizado em CAD. Lembre-se que a precisão do trabalho de-
penderá da qualidade das informações obtidas nessas etapas. A seguir, você 
verá as primeiras entregas realizadas para o cliente no projeto arquitetônico.
Estudo preliminar e anteprojeto 
de interiores
Com o programa de necessidades e o levantamento do espaço, o projetista 
pode iniciar o lançamento das primeiras ideias no projeto, na etapa do estudo 
preliminar (EP), que define as intervenções ainda com um grau de abstração 
relativamente grande, e depois avança para o anteprojeto (AP), que define 
materiais e detalha as propostas apresentadas no EP.
Estudo preliminar (EP)
É nesta etapa que o cliente entra em contato com as suas propostas para o 
espaço. Por isso, é preciso que os documentos apresentados no EP tenham 
menor grau de definição, deixando espaço para tomadas de decisão em 
função de comentários de seu cliente.
O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU) define o EP como 
o ponto de partida do projeto de arquitetura de interiores, sendo a "Etapa 
destinada à concepção e à representação do conjunto de informações téc-
nicas iniciais e aproximadas, necessárias à compreensão da configuração 
da edificação (ou ambiente ou espaço projetado), podendo incluir soluções 
alternativas" (CONSELHO DE ARQUITETURA E URBANISMO DO BRASIL, 2016, p. 2).
Na NBR 13532, que trata da elaboração de projetos de arquitetura, o EP é 
interpretado como a etapa em que as informações apresentadas aos clientes 
devem ser sucintas o suficiente para "[...] a caracterização geral da concepção 
adotada" (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1995, p. 4), devendo 
trazer informações sobre o uso, as formas e as dimensões dos ambientes. Caso 
exista mais de uma versão do EP, a NBR 13532 recomenda que os documentos 
devam facilitar a escolha subsequente.
Observe na Figura 3 duas versões apresentadas no EP da cozinha já ilus-
trada nas figuras anteriores. Nesse projeto, foram apresentadas duas versões, 
com variação da orientação da ilha e do posicionamento da geladeira. Note 
que em ambas as plantas existem cotas de dimensionamento para facilitar 
a escolha dos clientes.
As etapas do projeto de arquitetura de interiores 6
Figura 3. Alternativas de leiaute para uma cozinha.
Após apresentadas as alternativas de EP, o cliente pode optar por uma 
delas ou, ainda, buscar alternativas que combinem soluções de cada uma das 
etapas. A seguir, você verá como o anteprojeto dessa cozinha foi baseado em 
uma combinação das duas alternativas apresentadas na Figura 3.
Anteprojeto (AP)
Depois de decidir por um caminho projetual com o EP, o projeto avança para a 
etapa do AP, quando é realizado o estudo da materialidade do espaço. Se no 
EP a exploração se baseava nas intenções do projeto, no AP serão analisados 
os aspectos plásticos e escolhidos os materiais a serem utilizados.
As etapas do projeto de arquiteturade interiores 7
Muitas vezes, o cliente opta por combinar aspectos de mais de uma alter-
nativa de EP para desenvolver no AP. Nesses casos, o projetista deve fazer uma 
análise crítica do pedido para avaliar se tal combinação não levará à perda 
de qualidade. Na Figura 4, é ilustrada uma planta resultante da combinação 
das duas alternativas apresentadas na Figura 3.
Figura 4. Planta de AP.
É no AP que são definidos os materiais utilizados na obra, como aca-
bamentos, revestimentos e mobiliário. Na NBR 13532/1995, essa etapa é 
caracterizada pela produção de "informações técnicas relativas à edificação 
(ambientes interiores e exteriores), a todos elementos da edificação e a seus 
componentes construtivos considerados relevantes" (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA 
DE NORMAS TÉCNICAS, 1995, p. 6). Portanto, é necessária a representação dos 
materiais que serão investidos na obra.
O uso de ferramentas de computação gráfica pode ajudar bastante os 
arquitetos e seus clientes. Na última década, com o aumento da capacidade 
de processamento dos computadores e desenvolvimento de softwares espe-
cializados, os arquitetos têm à sua disposição ferramentas que possibilitam a 
criação de imagens fotorrealistas para que seus clientes possam pré-visualizar 
o projeto finalizado. Na Figura 5, está ilustrado o anteprojeto da cozinha que 
você está acompanhando neste capítulo.
As etapas do projeto de arquitetura de interiores 8
Figura 5. Imagens renderizadas.
Observe na Figura 5 que já estão definidos alguns elementos, como o 
mobiliário, o tipo de pedra utilizado e os equipamentos hidráulicos, pois 
nessa etapa será realizado o primeiro orçamento para executar a obra. O 
Guia de Orientação Profissional da Associação de Arquitetos de Interiores 
do Rio Grande do Sul coloca a "[...] elaboração de orçamento estimativo e/
ou de orçamento definitivo" (SAIBRO, 2018, p. 81) como um dos elementos do 
AP, em consonância com orientações do CAU e da ABNT.
Finalizado o AP com a aprovação da espacialidade, da funcionalidade e 
do orçamento, é possível avançar para a etapa seguinte, o projeto executivo, 
onde o AP será detalhado para, depois, ser executado.
Projeto executivo de interiores
Como visto anteriormente, no AP o trabalho é focado na escolha dos materiais 
e instalações para tornar o espaço mais harmônico e funcional. Já no projeto 
executivo, o objetivo é produzir a documentação que permitirá que a mão-
-de-obra contratada execute a visão aprovada no AP. Portanto, conforme 
explica o CAU/BR, nessa etapa, em que os desenhos são mais técnicos, ocorre 
a concepção e a representação fi nal das informações técnicas do projeto e 
de todos os seus elementos (CONSELHO DE ARQUITETURA E URBANISMO DO 
BRASIL, 2016).
As etapas do projeto de arquitetura de interiores 9
Por menor que a obra seja, a sua execução demanda equipes complemen-
tares, em que cada uma é especializada em uma parte do trabalho. Seguindo 
o exemplo da cozinha já vista anteriormente neste capítulo, você vai ver que, 
mesmo em um espaço pequeno, são necessárias ao menos três equipes: a 
mão-de-obra civil, que executa toda obra, desde as instalações elétricas e 
hidráulicas até os acabamentos das paredes; a marcenaria, que produz todos 
os móveis; e a empresa de pedras, que produz os tampos.
Obra civil
A mão-de-obra civil pode ser contratada de maneira individual por disciplina 
(forro, elétrica, hidráulica, etc.) ou por meio de uma empresa empreiteira que 
gerencia todos os envolvidos. Em obras de porte médio, é recomendado que 
seja feita a contratação de empreiteiras, visto que podem existir conflitos 
entre os envolvidos. De todo modo, é preciso produzir uma grande quantidade 
de desenhos para que esses profissionais possam executar a obra. 
Uma das primeiras etapas de qualquer obra é a demolição e, posterior-
mente, a construção de novas paredes. Para que a equipe saiba quais paredes 
sairão destruídas e quais serão levantadas, recomenda-se a produção de 
plantas "a demolir" e "a construir", nas quais esses elementos são marcados 
com cores específicas. Na Figura 6, foi utilizado amarelo para demolição e 
vermelho para construção.
Figura 6. Plantas de a demolir e a construir.
As etapas do projeto de arquitetura de interiores 10
Em alguns projetos (como é o caso da cozinha que estamos estudando), 
existem alguns elementos não usuais que precisam ser bem detalhados. 
Nesse projeto, o cliente solicitou uma churrasqueira a gás, demandando a 
construção de um nicho com dimensões específicas. Para isso, foram criados 
cortes, elevações e uma perspectiva axonométrica que garantiram a compre-
ensão por parte da mão de obra. Veja esses elementos ilustrados na Figura 7.
Figura 7. Detalhes da churrasqueira embutida.
Após as demolições e construções, são realizadas as instalações pre-
diais, ou seja, a tubulação de elétrica e hidráulica, que passa por dentro das 
paredes, e a instalação das caixas para tomadas e interruptores, além de 
misturadores, registros e demais elementos hidráulicos embutidos. A posição 
desses elementos é especificada em plantas baixas com o uso de símbolos 
padronizados que sempre devem acompanhar os desenhos, como apresenta 
a Figura 8, com os pontos elétricos.
As etapas do projeto de arquitetura de interiores 11
Figura 8. Planta de pontos elétricos.
Veja na Figura 9 a planta com os pontos hidráulicos e as suas respectivas 
legendas.
Figura 9. Planta de pontos hidráulicos.
Após a especificação dos pontos, é preciso definir os acabamentos da obra, 
sejam pinturas de parede, pisos ou forros. Para isso, são elaboradas plantas 
específicas de revestimentos, em que aparecem as cores e os materiais das 
paredes, o tipo de piso e suas áreas e as plantas específicas de forro, em que 
são especificados alturas e acabamentos desses elementos. Veja na Figura 10 
uma planta de revestimentos com a legenda especificando os acabamentos. 
Observe como o piso em pedra original foi restaurado nesse trabalho.
As etapas do projeto de arquitetura de interiores 12
Figura 10. Planta de revestimentos.
Marcenaria
Em projetos de interiores, principalmente em cozinhas, os elementos de 
marcenaria têm grande importância, pois são responsáveis por uma parcela 
significativa do orçamento e do trabalho do projetista. O primeiro passo 
para um projeto executivo de marcenaria é garantir que o cliente tenha 
compreendido as suas ideias para o projeto. Para isso, é recomendada a 
elaboração de desenhos que ilustrem de forma clara os armários fechados 
e abertos, demonstrando os equipamentos possíveis de utilizar (Figura 11).
Figura 11. Perspectiva com portas fechadas e abertas.
As etapas do projeto de arquitetura de interiores 13
Observe que na Figura 11 alguns elementos como coifas, cubas e cooktops 
aparecem embutidos dentro do armário, demandando espaço interno. Há 
uma legenda especificando os modelos escolhidos pelo cliente para guiar a 
marcenaria na execução.
Nos projetos de interiores, é preciso prever espaços para equipa-
mentos. Geralmente, os fabricantes disponibilizam um manual de 
instalação que contempla as especificações de instalação, com afastamentos 
mínimos e a potência elétrica necessária. Siga sempre essas recomendações 
e forneça os manuais para a marcenaria. Dessa maneira, você garantirá o fun-
cionamento correto desses equipamentos. 
Os desenhos de marcenaria se assemelham àqueles produzidos para edifi-
cações de grande porte, com plantas em diferentes níveis e cortes nos pontos 
mais críticos. Não existe uma regra para a quantidade de desenhos necessários, 
o que importa é mostrar todos os detalhes relevantes para a correta execução. 
Veja na Figura 12 algumas plantas e cortes do móvel da cozinha.
Figura 12. Plantas e cortes de móvel.
Tampos
Assim como é o caso das marcenarias, para os tampos é preciso especificar 
os tipos de acabamento, as dimensões e os eventuais equipamentos que 
influenciarão nesses elementos, como cubas e cooktops. Por se tratar de um 
elemento de acabamento, geralmente executado por últimonas obras, os 
desenhos dos tampos devem destacar os elementos em pedra, como mostra 
a Figura 13, com o tampo desenhado em azul.
As etapas do projeto de arquitetura de interiores 14
Figura 13. Planta e elevação de tampo.
A exemplo da mão-de-obra civil e da marcenaria, existem casos em que 
os desenhos usuais não são suficientes para a compreensão completa do 
elemento. Nesses casos, devem ser elaborados tantos desenhos quanto forem 
necessários para sanar qualquer dúvida por parte da empresa que executará 
a obra. Veja na Figura 14 o detalhamento do tampo da ilha da cozinha, com 
duas plantas baixas e quatro elevações.
As etapas do projeto de arquitetura de interiores 15
Figura 14. Planta e elevação de tampo.
Em casos que demandem bastante atenção, é recomendada a inclusão 
de uma perspectiva que facilite o entendimento por parte da mão-de-obra. 
No caso da ilha da Figura 14, foi incluída uma nova perspectiva, apresentada 
na Figura 15.
Figura 15. Perspectiva do tampo.
Execução
Depois de fi nalizada todo o processo de documentação do projeto executivo, 
tem-se a etapa da obra, quando o objeto fi nal de seu trabalho será mostrado. 
Mesmo com a grande quantidade de trabalho empenhado no detalhamento, 
é essencial a presença do projetista durante a execução dos trabalhos, para 
solucionar confl itos de modo a evitar perda de qualidade do projeto.
As etapas do projeto de arquitetura de interiores 16
Para essa etapa, a Associação de Arquitetos de Interiores do Rio Grande 
do Sul (SAIBRO, 2018) recomenda que sejam realizadas visitas periódicas à 
obra, devidamente combinadas em contrato, para garantir a fiel execução 
dos serviços. Nessas ocasiões, o profissional deve fazer, segundo o Guia de 
Orientação Profissional da entidade, um "Levantamento fotográfico para 
registro da execução e/ou para publicação; Orientação aos clientes e auto-
rização para os pagamentos de terceiros; Prestações de contas periódicas 
com documentação fiscal correspondente [...]." (SAIBRO, 2018, p. 82).
Assim, é recomendada que sejam combinadas uma periodicidade 
e uma forma de envio de relatórios de obra contendo fotos, serviços 
executados e expectativas para as próximas semanas, tanto financei-
ras (fornecedores a serem pagos) como relativas aos serviços a serem 
iniciados e concluídos.
É importante que esses relatórios sejam acompanhados de registro foto-
gráfico que mostre a evolução da obra e a aproximação do resultado final. 
Veja na Figura 16 a cozinha que você vem acompanhando desde o início desse 
capítulo, semelhante à imagem esperada pelos clientes desde o AP.
Figura 16. Foto de execução da obra.
As etapas do projeto de arquitetura de interiores 17
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13532:1995: Elaboração de Projetos 
de Edificações: arquitetura. Rio de Janeiro: ABNT, 1995.
CONSELHO DE ARQUITETURA E URBANISMO DO BRASIL. Guia de orientações para a 
contratação de serviços de arquitetura de interiores. Brasília: CAUBR, 2016.
CHING, F. D. K. Arquitetura de interiores ilustrada. Porto Alegre: Bookman, 2019.
MARTINEZ, A. C. Ensaio sobre o projeto. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2000.
SAIBRO, G. Guia de orientação profissional AAI Brasil/RS. Porto Alegre: Santa Editora; 
AAI Brasil/RS, 2018. 
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos 
testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da 
publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas 
páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores 
declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou 
integralidade das informações referidas em tais links.
As etapas do projeto de arquitetura de interiores 18
 
Dica do professor
Em um projeto de arquitetura, mais importante do que produzir desenhos bonitos é produzir 
desenhos compreensíveis. Para “sair do papel” e virar realidade, ou seja, para ser executado, um 
projeto precisa da cooperação e do trabalho de uma grande e variada equipe de pessoas. O projeto 
é um só, mas precisa ser compreendido por pessoas distintas.
Nesta Dica do Professor, você vai compreender de que forma é possível tornar o projeto legível 
para todas as pessoas envolvidas, sejam elas leigas, como os clientes; ou especialistas em uma 
atividade específica, como profissionais colaboradores e prestadores de serviço. Além disso, vai 
compreender quais desenhos são mais apropriados para cada etapa do processo de projeto.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/478c012bd0d0da2c37f0f2f7e4cc7893
Na prática
Cada etapa do projeto de arquitetura de interiores tem um objetivo a ser alcançado. Por exemplo, o 
estudo preliminar objetiva definir as intervenções gerais, assim como as principais diretrizes do 
projeto; já o anteprojeto precisa, ao seu final, ir um pouco mais além, apresentando soluções para 
viabilizar o estudo preliminar. Nessa etapa, são definidos os materiais, as técnicas construtivas e a 
estética do projeto.
Neste Na Prática, você vai ver um exemplo de material apresentado ao cliente em relação ao 
anteprojeto. Ao final dessa etapa, é esperado que o projeto esteja apto para ser orçado, a fim de 
mostrar uma ideia geral do custo e do tempo da obra. Esse orçamento, contudo, deverá ser 
revisado ao final do projeto executivo.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
 
 
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Guia de orientação profissional AAI BRASIL/RS – GOP
A Associação de Arquitetos de Interiores (AAI) do Rio Grande do Sul, é a primeira e única entidade 
de arquitetos que atuam em interiores no Brasil. Uma das suas maiores contribuições para os 
profissionais é o Guia de orientação profissional AAI BRASIL/RS – GOP, que você pode conferir no link 
a seguir.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
A importância do corte na representação e prática arquitetônica
Os cortes são desenhos que representam fatias verticais do projeto, sendo essenciais para a 
compreensão das relações de alturas dos elementos. Leia o texto a seguir para entender um pouco 
mais sobre a importância desses elementos gráficos.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
O que é o BIM e por que ele é fundamental nos projetos 
arquitetônicos atualmente?
Os softwares de BIM (Building Information Modeling) estão sendo cada vez mais utilizados na 
arquitetura de interiores devido ao seu grande potencial de controle do projeto. Saiba um pouco 
mais sobre essa metodologia e a sua importância no link a seguir.
http://www.aairs.com.br/site/gop-temp.php
https://www.archdaily.com.br/br/895844/a-importancia-do-corte-na-representacao-e-pratica-arquitetonica
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://www.archdaily.com.br/br/888814/o-que-e-o-bim-e-por-que-ele-e-fundamental-nos-projetos-arquitetonicos-atualmente
História da arquitetura de interiores
Apresentação
Uma vez que o espaço interno de uma construção é delimitado pelas suas paredes externas, não 
parece muito lógico dissociar a arquitetura de interiores da arquitetura de exteriores. As grandes 
obras de arquitetura, ao longo do tempo, apresentavam uma preocupação global com a construção 
e, com o planejamento dos ambientes internos, buscavam uma relação mais íntima entre o usuário 
e o edifício. Das cavernas da Pré-História, passando pelos templos romanos até os apartamentos 
contemporâneos, existe uma necessidade humana de tornar os espaços agradáveis e adequados ao 
cotidiano.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer uma linha do tempo da arquitetura de 
interiores e seus principais representantes. Vai conhecer a evolução dos espaços internos das 
construções pelaanálise de momentos importantes na história e de exemplares relevantes na 
arquitetura.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer a evolução histórica da arquitetura de interiores. •
Identificar projetos relevantes de interiores ao longo do tempo. •
Descrever a contribuição de importantes arquitetos de interiores.•
Infográfico
As cinco ordens clássicas são, talvez, os elementos mais conhecidos das arquiteturas grega e 
romana. Ainda que não sejam mais usadas diretamente, sua importância se encontra nas relações 
entre seus elementos e na proporção de suas dimensões. Cada coluna tinha características únicas e 
era utilizada para fins específicos.
Neste Infográfico, conheça as colunas dórica, jônica e coríntia, criadas pelos gregos, e as colunas 
toscana e compósita, de origem romana. Identifique também as características únicas de cada 
ordem.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
 
Conteúdo do livro
Ao longo da história, a humanidade utilizou diversas estratégias para transformar os espaços 
internos das construções em ambientes agradáveis. Embora as soluções utilizadas tenham sido 
muito distintas a depender do momento histórico, do local e da cultura, o objetivo final sempre foi 
o mesmo: adequar os ambientes para exercer de forma confortável as atividades do cotidiano. 
Obras de grandes arquitetos, de distintas gerações, apontam preocupações com o uso dos edifícios 
pelos indivíduos.
No capítulo História da arquitetura de interiores, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, 
conheça o panorama da evolução da arquitetura de interiores no mundo, da Antiguidade até os 
tempos contemporâneos.
Por meio de projetos emblemáticos e relevantes, conheça os momentos-chave na história da 
arquitetura de interiores e os principais arquitetos representantes.
Boa leitura.
ARQUITETURA DE 
INTERIORES 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Reconhecer a evolução histórica da arquitetura de interiores.
 > Identificar projetos relevantes de interiores ao longo do tempo.
 > Descrever a contribuição de importantes arquitetos de interiores.
Introdução
A arquitetura de interiores trata da relação entre o usuário e o edifício e é o ponto 
de contato entre as pessoas e as obras. Por isso, desde a época das cavernas até 
os apartamentos de hoje, a humanidade empregou diferentes estratégias para 
tornar os espaços interiores mais agradáveis.
Neste capítulo, você vai conhecer a evolução da arquitetura de interiores, da 
origem na antiguidade até as expressões contemporâneas. Ainda, vai ver alguns 
dos exemplos paradigmáticos que definiram momentos-chave nessa história. Por 
fim, vai estudar como alguns personagens importantes da arquitetura dos séculos 
XX e XXI trabalharam a arquitetura de interiores.
História 
da arquitetura 
de interiores
Anna Carolina Manfroi Galinatti
Evolução histórica da arquitetura 
de interiores
Muitas vezes, ouvimos que a arquitetura é responsável pela relação entre a 
cidade e a vida humana, protegendo e abrigando seus usuários da realidade 
exterior. Se aceitarmos essa afirmação como verdadeira, seremos capazes 
de ampliar esse sentido ao afirmar que a arquitetura de interiores tem como 
papel fundamental possibilitar a relação das pessoas com o espaço em que 
habitam.
A noção de interior e exterior está ligada a duas ideias complementares: 
de um lado, a busca da privacidade e do isolamento de outros seres humanos; 
de outro, a segurança de separar os habitantes de perigos externos, como 
animais e intempéries. Essa ideia esteve presente na vida das pessoas em 
diferentes níveis ao longo da história, e a necessidade humana de adaptar os 
espaços interiores para melhor atender ao seu cotidiano sempre foi constante. 
A descrição das casas da cidade de Catal Hüyük, que prosperou no atual 
Iraque entre os milênios oitavo e quarto AEC, demonstra a preocupação com 
a atribuição de símbolos que vão além do meramente utilitário.
A moradia típica possuía um grande cômodo conectado a outros recintos menores, 
para armazenamento. O cômodo principal era equipado por bancos longos, fornos 
e recipientes, e suas dimensões eram generosas: 5 por 6 metros. As paredes eram 
rebocadas e muitas também eram decoradas com cenas de caça, padrões geomé-
tricos ou paisagens. Chifres de animais, especialmente de gado, eram pendurados 
nas paredes (CHING; JARZOMBEK; PRAKASH, 2019, p. 12).
O desenvolvimento das técnicas construtivas nos milênios que se aproxi-
mavam do início da Era Comum permitiu a criação de construções de diferentes 
usos, cada uma com seu nível de complexidade e importância simbólica. 
Nas construções no Novo Império Egípcio, que datam do segundo milênio 
AEC, é possível identificar elementos decorativos que trazem significados 
e símbolos para as construções. Veja, por exemplo, a Figura 1, que mostra a 
Câmara da Barca, em Karnak.
História da arquitetura de interiores2
Figura 1. Câmara da Barca.
Fonte: Ching, Jarzombek e Prakash (2019, p. 65).
Na arquitetura clássica — a praticada na Grécia e em Roma por volta do 
século I —, as técnicas construtivas já estavam bem desenvolvidas. Elas 
levavam a decoração para a geometria dos elementos construtivos, estabe-
lecendo as ordens arquitetônicas, um sistema de relações proporcionais e 
de estilo que foi adaptado e utilizado durante os próximos séculos. A Figura 
2 apresenta um detalhe do capitel coríntio, com suas alusões à vegetação.
Figura 2. Capitel coríntio e seus elementos.
Fonte: Ching, Jarzombek e Prakash (2019, p. 169).
História da arquitetura de interiores 3
Somente no Renascimento a retomada do conhecimento clássico sobre 
a construção permitiu a exploração de novas tipologias construtivas e, con-
sequentemente, novos modos de habitar. Nessa época, a privacidade nos 
espaços habitacionais ganhou importância, e o uso de mobiliário definia os 
domínios de cada pessoa.
Durante o Renascimento, a noção de apartamento como célula parte de um 
todo ganhou importância. Nas pinturas renascentistas, é possível identificar 
o aparecimento de elementos de mobiliário fixo, que definiam os espaços ao 
atribuírem usos e zonas. Veja, na Figura 3, uma pintura de Carpaccio, de 1502, 
que representa Santo Agostinho em seu escritório. Perceba que há uma grande 
quantidade de móveis, como mesas, estantes, cadeiras, altares, prateleiras, 
entre outros. Isso aponta a importância desse tipo de artefato nesse período.
Figura 3. Visão de Santo Agostinho, de Carpaccio.
Fonte: Wikimedia Commons (2020d, documento on-line).
Nos séculos que sucederam o Renascimento, a opulência dos edifícios 
dedicados à Igreja e à realeza atingiu níveis antes inimagináveis. O exemplo 
canônico desse período é o Palácio de Versalhes, na França, construído durante 
o período da monarquia absolutista no século XVII. Os interiores de Versalhes 
são marcados pela presença massiva de elementos decorativos, geralmente 
concentrados na periferia do espaço, deixando o centro dos aposentos livre.
Em Versalhes, a noção do apartamento como unidade independente do 
resto do conjunto é bastante explorada, com aposentos com mobiliário que 
pode ser utilizado para trabalho, descanso e lazer (Figura 4). Note como as 
peças de mobiliário se concentram junto às paredes.
História da arquitetura de interiores4
Figura 4. Aposento no Palácio de Versalhes.
Fonte: Elite Blog (2017, documento on-line).
Lorraine Farrelly (2014, p. 141) aponta que em Versalhes os espaços internos 
são conectados entre si, sem um corredor. Trata-se da enfilade, um termo 
francês que significa "[...] uma série de compartimentos conectados por um 
eixo." Isso significa que, para chegar em um cômodo em um extremo do 
palácio, é preciso passar por dentro de outros (Figura 5).
Figura 5. Enfilade no Palácio de Versalhes.
Fonte: Farrelly (2014, p. 141).
Com o fim das monarquias absolutistas e a ascensão de uma burguesia 
urbana, a arquitetura de interiores tornou-se cada vez mais importante. 
No século XIX,o crescimento das cidades exigiu a adaptação dos modos de 
viver, transformando os espaços interiores nos definidores simbólicos da 
construção. Nesse período, edifícios de apartamentos com vários andares se 
espalharam pelas cidades. Essas construções eram, muitas vezes, compar-
tilhadas por famílias de diferentes classes sociais. Os mais nobres ficavam 
nos andares inferiores e os apartamentos mais baratos, nas coberturas. Veja, 
História da arquitetura de interiores 5
na Figura 6, o corte de um edifício típico de Paris no século XIX que mostra a 
diferença nos interiores dos apartamentos de diferentes andares.
A lógica dos nobres nos andares inferiores foi invertida a partir do uso 
do elevador. Apesar de ter sido inventado em meados do século XIX, ele só 
passou a ser amplamente utilizado nos edifícios residenciais no início do 
século XX. A facilidade de acesso aos pavimentos mais altos trouxe uma 
valorização desses andares, tornando-os mais interessantes e, consequen-
temente, mais valorizados.
Figura 6. Corte de edifício parisiense.
Fonte: Texier (1845, p. 65).
No século XX, o desenvolvimento da arquitetura moderna levou à adoção 
de novos valores para os projetos de interiores, despindo-os dos elemen-
tos decorativos em favor de superfícies lisas e funcionais. Mesmo assim, a 
definição dos usos dos espaços por meio do posicionamento do mobiliário 
História da arquitetura de interiores6
continuou com enorme importância, tornando os espaços cada vez mais 
especializados. A Casa Farnsworth, projeto de Mies Van der Rohe, de 1945, é 
um exemplo de espaço moderno (Figura 7).
Figura 7. Casa Farnsworth.
Fonte: Wikimedia Commons (2020b, documento on-line).
Projetos relevantes de interiores ao longo 
do tempo
Como você viu anteriormente, a arquitetura de interiores se transforma ao 
longo dos séculos para abrigar novas formas de utilizar as construções. Por 
ser responsável pela relação entre os usuários e o edifício, a maneira de 
produzir interiores tende a se modificar com mais rapidez que os edifícios 
em si. A seguir, você conhecerá alguns exemplos de projetos que apontam 
para mudanças nos usos dos espaços.
História da arquitetura de interiores 7
Casa da Cascata, de Frank Lloyd Wright
A Casa da Cascata (Figura 8a) foi projetada pelo americano Frank Lloyd Wri-
ght, em 1939, como uma residência de fi m de semana para uma família na 
Pensilvânia, Estados Unidos. Essa casa está localizada sobre uma queda 
d’água de um riacho, em meio à vegetação abundante. O projeto de Wright 
busca integrar a casa ao entorno, utilizando as rochas e a água como partes 
de sua composição.
Os interiores da casa de Wright refletem a estratégia compositiva da vo-
lumetria, que distribui os espaços ao redor do volume da lareira. O mobiliário 
é voltado para o interior do aposento e apoiado, geralmente, nas grandes 
aberturas da fachada. Veja, na Figura 8b, como os sofás dão as costas para 
a fachada, o que remonta à distribuição espacial barroca voltada ao interior.
Figura 8. Casa da Cascata, de Frank Lloyd Wright: visão (a) exterior e (b) interior.
Fonte: (a) Wright (2012, documento on-line); (b) Wikimedia Commons (2020a, documento on-line).
História da arquitetura de interiores8
Casa Schroeder, de Gerrit Rietveld
Essa casa, construída por Gerrit Rietveld, é considerada por Peixoto (2006, p. 112) 
uma das mais importantes casas da arquitetura moderna e "[...] uma possível 
tradução arquitetônica das ideias neoplasticistas." A casa, de aproximadamente 
120 m2 , foi construída no fim de um quarteirão em Utrecht, Holanda.
Neoplasticismo é um movimento artístico que surgiu na Holanda em 
1917 e se popularizou pela publicação da revista De stijl. Seu obje-
tivo principal era purificar a arte de elementos considerados não necessários, 
chegando até composições elementares. Os principais artistas do movimento 
são Theo van Doesburg e Piet Mondriaan.
Na Casa Schroeder, Rietveld adaptou os princípios neoplásticos para 
a arquitetura, criando espaços reconfiguráveis e sem decorações. A maior 
novidade do projeto é um sistema de paredes móveis capazes de reconfi-
gurar os espaços internos de acordo com o uso da casa ao longo do tempo. 
O segundo andar (Figura 9), por exemplo, pode ser totalmente modificado, 
como descreve Peixoto (2006, p. 112):
Este andar é um espaço aberto; as duas únicas áreas fechadas são a área do banho 
e outra, com o vaso e um pequeno lavatório. Mas, todo ele pode ser subdividido 
por painéis móveis, de correr. Transforma-se, de uma sala ampla, em um espaço 
compartimentado, com três dormitórios, banheiro, sala de estar e sala de jantar.
Figura 9. Casa Schroeder, de Gerrit Rietveld.
Fonte: Rietveld (2012, documento on-line).
História da arquitetura de interiores 9
Café do Veludo e da Seda, de Lilly Reich 
e Mies van der Rohe
O Café do Veludo e da Seda (Figura 10) foi projetado por Lilly Reich e Mies 
van der Rohe para uma feira de moda, em 1927. Trata-se de um grande salão 
dividido por cortinas arranjadas, de modo a criar recintos distintos, onde os 
clientes podem consumir cafés em peças de mobiliário em aço desenhadas 
pela dupla. A divisão do espaço com tecido foge da concepção tradicional de 
espaço, como destaca o catálogo da exposição de 2016 “Como devemos morar? 
Propostas para o interior moderno", do Museu de Arte Moderna de Nova York 
(2017, documento on-line): "Você não está entrando em uma caixa retangular, 
mas experienciando um espaço de fluxo livre, que é definido por tecidos."
Figura 10: Café do Veludo e da Seda, de Lilly Reich e Mies van der Rohe.
Fonte: Hidden Architecture (2016, documento on-line).
Casa de Vidro, de Lina Bo Bardi
No Brasil, um dos exemplos mais importantes de integração entre interiores 
e arquitetura moderna é a casa que Lina Bo Bardi projetou para si no bairro 
do Morumbi, em São Paulo. Na Casa de Vidro, como ficou conhecida sua 
residência, Lina preencheu espaços modernos com objetos de diferentes 
épocas, fazendo uma colagem de estilos e escalas. Peixoto (2006, p. 171) 
descreve esse contraste:
Os móveis alternam-se entre peças antigas de valor, móveis comuns da época 
e outros, de desenho contemporâneo, de diferentes autores e da própria Lina. 
[...] Estes objetos, de tão diferentes procedências, convivem, naturalmente, sem 
nenhum tipo de separação por ambientes, como nas ensemblages tradicionais.
História da arquitetura de interiores10
Veja, na Figura 11, uma foto da sala de estar da Casa de Vidro que mostra 
a espacialidade moderna. Note os diferentes estilos de móveis e objetos de 
arte convivendo em um espaço sem divisões.
Figura 11. Casa de Vidro, de Lina Bo Bardi.
Fonte: Bo Bardi (2011, documento on-line).
Biblioteca Exeter, de Louis Kahn
A Biblioteca Exeter, projetada por Louis Kahn em uma escola nos Estados 
Unidos, demonstra algumas estratégias de projeto presentes na segunda 
metade do século XX. Para esse projeto, Kahn desenhou todo o mobiliário a 
fim de tornar a experiência dos estudantes o mais confortável possível. Veja, 
na Figura 12, como as bancadas de estudo, junto às janelas, permitem que os 
usuários trabalhem concentrados, com iluminação e conforto.
Figura 12. Biblioteca Exeter, de Louis Kahn.
Fonte: Wikimedia Commons (2020c, documento on-line).
História da arquitetura de interiores 11
O projeto de Kahn demonstra um descolamento do ideário modernista do 
espaço livre que pode ser modificado pelo mobiliário. Em sua biblioteca, os 
espaços são desenhados para abrigarem da melhor forma possível a função 
para a qual foram projetados.
Contribuições de importantes arquitetos 
para a arquitetura de interiores
Os interiores de um edifício são o momento em que os usuários podem 
interagir e usufruir da qualidade espacial projetada para aquela constru-
ção. Por isso, muitos dos mais importantes arquitetos se dedicam também 
a criar espaços interiores em suas obras, garantindo, assim, o controle da 
experiência dos visitantes.
A seguir, você vai ver arquitetos de diferentes gerações que criaramedi-
fícios e seus interiores, com exemplos tirados de suas obras, para ilustrar os 
atributos arquitetônicos buscados por eles.
Le Corbusier
O arquiteto franco-suíço Le Corbusier é considerado um dos mais impor-
tantes pensadores e realizadores da arquitetura do século XX. Ao mesmo 
tempo em que seus livros estabeleceram as bases para o desenvolvimento 
intelectual das primeiras gerações modernas, seus edifícios servem até hoje 
de inspiração para profissionais de todo o planeta e são referenciados em 
diversas produções.
Uma das obras residenciais mais importantes de Le Corbusier é a Villa 
Savoye, uma residência em uma cidade nos arredores de Paris, construída 
em um amplo terreno gramado. O volume principal da casa é elevado do chão 
por pilotis, concentrando a vida doméstica na altura e liberando o térreo 
para o jardim. A experiência espacial nesse projeto é centrada na circulação 
por meio de uma rampa (Figura 13a) que vai do térreo até o terraço-jardim, 
na cobertura, como descreve Peixoto (2006, p. 107‒108):
A rampa de dois lances é o elemento central da casa, geométrica e conceitual-
mente, e dá uma atmosfera cerimonial ao percurso. Ela sobe ao lado do terraço, 
que é contíguo à sala de estar. Este é um lugar ambíguo, um terraço descoberto, 
tratado como espaço interno, delimitado pelas paredes da fachada.
História da arquitetura de interiores12
Nesse projeto, Le Corbusier explorou a policromia, um conceito de har-
monia de cores desenvolvido em sua fase purista no qual o arquiteto pode 
escolher tons seguindo uma lógica de combinações. Na Villa Savoye, é 
possível observar paredes coloridas contrastando com os panos brancos 
das lajes (Figura 13b).
Figura 13. (a) Rampa da Villa Savoye. (b) Sala de estar da Villa Savoye.
Fonte: (a) Wikimedia Commons (2020e, documento on-line); (b) Wikipedia (2018, documento on-line).
OMA
O Escritório para Arquitetura Metropolitana (OMA, do inglês Office for Me-
tropolitan Architecture) é uma empresa de arquitetura fundada em 1975 na 
cidade holandesa de Rotterdam por Rem Koolhaas, Elia Zenghelis, Madelon 
História da arquitetura de interiores 13
Vriesendorp e Zoe Zenghelis. Seus projetos de grande escala receberam 
destaque internacional da crítica por reimaginarem as dinâmicas da vida 
urbana no século XXI.
Uma das obras residenciais do OMA de maior destaque é uma casa na 
cidade de Bordeaux, na França, para um cliente com mobilidade reduzida. O 
espaço residencial é centrado em uma plataforma elevatória que percorre 
todos os pavimentos, permitindo a livre movimentação do morador pelos 
diferentes andares (Figura 14).
Figura 14. Casa do OMA em Bordeaux.
Fonte: OMA (2011, documento on-line).
Na obra não residencial, um projeto que se tornou muito importante foi a 
Biblioteca Pública de Seattle, construída em 2004 na cidade do noroeste dos 
Estados Unidos. Nesse projeto, o OMA explorou as dinâmicas sociais e culturais 
das bibliotecas, consideradas por eles como os últimos espaços públicos 
não comerciais (KUBO; PRAT, 2005). Veja, na Figura 15a, como a distribuição 
do mobiliário favorece os encontros entre os usuários.
Nesse projeto, o OMA tentou utilizar os materiais da construção de maneira 
bruta. Com isso, trouxeram a atmosfera de espaço público e melhoraram 
a relação com a manutenção, facilitada pela ausência de revestimentos 
sofisticados. A Figura 15b, da área infantil da biblioteca, mostra um pouco 
desse resultado formal.
História da arquitetura de interiores14
Figura 15. (a) Sala de encontro da Biblioteca Pública de Seattle. (b) Área infantil da Biblioteca 
Pública de Seattle.
Fonte: OMA (2014, documento on-line).
Paulo Mendes da Rocha
A obra de Paulo Mendes da Rocha abrange diferentes escalas, desde resi-
dências até projetos de cidades. Em sua obra doméstica, o arquiteto realizou 
interiores de qualidade indiscutível, sempre em consonância com a obra 
em que estavam inseridos. Um exemplo importante é a casa que ele cons-
truiu nos anos 1960 para si, no bairro do Butantã, em São Paulo. É uma "[...] 
casa-apartamento organizada em um pavimento sobre pilotis com acesso 
por escada externa", conforme definido por Zein e Bastos (2019, p. 176). Nos 
interiores, o mobiliário é construído do mesmo concreto que a estrutura 
portante da casa (Figura 16).
História da arquitetura de interiores 15
Figura 16. Casa no Butantã, de Paulo Mendes da Rocha.
Fonte: Rocha e Gennaro (2014, documento on-line).
Nos anos 1990, Mendes da Rocha projetou uma casa que seguia a lógica de 
sua residência ao liberar o térreo e concentrar as funções domésticas em um 
segundo pavimento. Ao contrário do exemplo anterior, neste a construção foi 
feita inteiramente com elementos pré-fabricados de concreto. Nos interiores, 
é possível observar como os grandes vãos liberam o leiaute dos ambientes, 
organizados ao redor de uma abertura para iluminação zenital (Figura 17).
Figura 17. Casa Gerassi, de Paulo Mendes da Rocha.
Fonte: Rocha (2013, documento on-line).
História da arquitetura de interiores16
Referências
BO BARDI, Li. Clássicos da arquitetura: Casa de Vidro. ArchDaily, 2011. Disponível em: 
https://www.archdaily.com.br/br/01-12802/classicos-da-arquitetura-casa-de-vidro-
-lina-bo-bardi. Acesso em: 4 fev. 2021.
CHING, F. D. K.; JARZOMBEK, M. M.; PRAKASH, V. História global da arquitetura. Porto 
Alegre: Bookman, 2019.
ELITE BLOG. Um olhar por dentro do luxuoso Palácio de Versalhes. Elite Turismo, 2017. 
Disponível em: https://www.eliteturismo.com/41/dentro-do-palacio-versalhes. Acesso 
em: 4 fev. 2021.
FARRELLY, L. Fundamentos de arquitetura. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2014.
HIDDEN ARCHITECTURE. Velvet and Silk Cafe. Hidden Architecture, 2016. Disponível em: 
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História da arquitetura de interiores 17
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paccio,_visione_di_sant%27agostino_01.jpg. Acesso em: 4 fev. 2021.
WIKIMEDIA COMMONS. Villa savoye terasse from livingroom. Wikimedia Commons, 
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-from-livingroom.jpg. Acesso em: 4 fev. 2021.
WIKIPEDIA. Villa savoye-livingroom. Wikipedia: the free encyclopedia, 2018. Disponível 
em: https://en.wikipedia.org/wiki/File:Villa_savoye-livingroom.jpg#filehistory. Acesso 
em: 4 fev. 2021.
WRIGHT, F. L. Clássicos da Arquitetura: Casa da Cascata. ArchDaily, 2012. Disponível em: 
https://www.archdaily.com.br/br/01-53156/classicos-da-arquitetura-casa-da-cascata-
-frank-lloyd-wright. Acesso em: 4 fev. 2021.
ZEIN, R. V.; BASTOS, M. A. J. Brasil: arquiteturas após 1950. São Paulo: Perspectiva, 2019.
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos 
testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da 
publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas 
páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores 
declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou 
integralidade das informações referidas em tais links.
História da arquitetura de interiores18
Dica do professor
Existem grandes nomes da arquitetura de interiores de diferentes épocas e estilos. Uma arquiteta 
que marcou o período moderno, por exemplo, foi Charlotte Perriand. Conhecida por desenvolver 
trabalhos junto a Le Corbusier, seu trabalho transcendeu a parceria com esse importante arquiteto.
Nesta Dica do Professor, conheça um pouco do trabalho de Charlotte Perriand e as razões pelas 
quais ela é um ícone da arquitetura de interiores do período moderno.
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Na prática
Os ambientes que compõem uma residência se repetem, com maior ou menor relevância, no 
cotidiano dos usuários, ao longo dos períodos históricos. É unanimidade que uma casa deva abrigar 
ambientes como dormitório, sala, cozinha e banheiro.
Na Prática, observe as diferenças de um mesmo ambiente — a cozinha — em três épocas muito 
distintas — colonial, moderna e contemporânea — e veja como ela reflete as relações cotidianas das 
pessoas que habitam a casa.
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Saiba +
Para ampliar seu conhecimento no assunto, veja a seguir as sugestões do professor:
Acesse os interiores de casas projetadas por Gaudí, Wright, 
Niemeyer e Le Corbusier
Conheça grandes obras da arquitetura de interiores icônicos.
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Charlotte Perriand (1903-1999): a mulher na história do design
Leia neste artigo um pouco da história da arquiteta Charlotte Perriand.
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Museu da Casa Brasileira
Você conhece o Museu da Casa Brasileira, em São Paulo? Que tal navegar pelo seu acervo, que traz 
ícones que marcaram o mobiliário das casas típicas brasileiras ao longo da história?
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https://www.archdaily.com.br/br/936384/acesse-os-interiores-de-casas-projetadas-por-gaudi-wright-niemeyer-e-le-corbusier
https://vitruvius.com.br/index.php/revistas/read/drops/20.147/7547
https://mcb.org.br/pt/acervo_mcb/museologico/
Orçamentação do projeto de 
arquitetura de interiores
Apresentação
A educação de arquitetos e designers de interiores enfatiza a concepção e o desenvolvimento de 
projetos — os custos relativos à construção da proposta raramente são discutidos em exercícios 
acadêmicos. É preciso ter em mente, no entanto, que o projeto é um meio para a realização de 
algo e que o comprometimento com a viabilidade e a execução do objeto fazem parte do escopo de 
trabalho desses profissionais.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai reconhecer a dupla natureza do orçamento, 
compreendendo como ele pode ser utilizado tanto como ferramenta projetual quanto como etapa 
que antecede a construção. Você vai verificar quais são as principais equipes envolvidas na 
construção de um projeto dessa natureza e quais são os cuidados necessários no envio das 
informações para a realização de um orçamento consistente.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Identificar os elementos a serem orçados nos projetos de interiores. •
Reconhecer as etapas de orçamentação para projetos de interiores. •
Demonstrar uma planilha de orçamento para projetos de interiores. •
Infográfico
Geralmente, a primeira pergunta que um cliente faz ao arquiteto é sobre o preço total de sua obra. 
Porém, como você pode saber o custo da execução de uma obra para a qual ainda não existe 
projeto? É para isso que serve o custo unitário básico, ou CUB, como é mais conhecido. Trata-se 
de um índice de preços da construção atualizado mensalmente.
Neste Infográfico, você vai saber quais elementos são considerados no CUB, como os tipos de 
material e o seu percentual no valor total da obra. Você também vai verificar as categorias que se 
pode utilizar para simular com alguma segurança o valor total da obra do seu cliente.
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Conteúdo do livro
A orçamentação é uma etapa fundamental em um projeto de arquitetura e interiores. É nela que se 
confere a viabilidade da solução proposta. O projetista deve formatar as informações contidas no 
projeto e encaminhá-las para diferentes grupos de profissionais, cada um responsável pela 
execução de uma parte do projeto.
No capítulo Orçamento do projeto de arquitetura de interiores, base teórica desta Unidade de 
Aprendizagem, você vai reconhecer as principais categorias de profissionais envolvidas na 
construção de projetos de arquitetura de interiores e alguns cuidados que se deve ter ao formatar e 
enviar as informações contidas no projeto. Você também vai identificar os conceitos estudados em 
exemplos de documentações produzidas para a etapa de orçamentação em projetos dessa 
natureza.
Boa leitura. 
ARQUITETURA DE 
INTERIORES
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Identificar os elementos a serem orçados nos projetos de interiores.
 > Reconhecer as etapas de orçamentação para projetos de interiores.
 > Demonstrar uma planilha de orçamento para projetos de interiores.
Introdução
Boa parte do treinamento de arquitetos, designers de interiores e demais projetis-
tas é focada na concepção e no desenvolvimento de projetos, isto é, um conjunto 
de desenhos, tabelas e textos que representam um objeto. Porém, quando um 
cliente procura um desses profissionais, geralmente está interessado no objeto 
e não no projeto. Este é apenas um meio para se chegar até o resultado. 
Além da capacidade técnica para desenvolver um projeto completo e coerente, 
a preocupação com a viabilidade e a execução do objeto é essencial para um 
profissional da área. A orçamentação, que é a estimativa dos custos antes do início 
da execução, é uma ferramenta poderosa para corrigir eventuais desvios de rota 
e dar mais segurança para quem empreende seus recursos na construção de algo.
Orçamentação 
do projeto de 
arquitetura de 
interiores
Gabriel Lima Giambastiani
Neste capítulo, você vai estudar os principais serviços a serem orçados e os 
cuidados para enviar a documentação a cada um dos profissionaisenvolvidos. 
Além disso, ao final, vai acompanhar o exemplo de orçamentação de um projeto 
de arquitetura de interiores.
Elementos para orçamentação
A essência do trabalho do arquiteto é antecipar formas destinadas a satisfa-
zer necessidades humanas (MONTANER, 2017). A ferramenta com a qual essa 
previsão é feita é o projeto arquitetônico, “[…] modo através do qual vêm 
organizados e fixados arquitetonicamente os elementos de um determinado 
problema” (GREGOTTI, 2010, p. 12). Com esse conjunto de notações represen-
tando o objeto que será construído, o arquiteto consegue informar o modo 
como os elementos de construção devem ser postos em conjunto para se 
obter o resultado almejado, tanto para quem o contratou quanto para os 
responsáveis pela execução da obra. Há, contudo, um fator extremamente 
importante na realização desse plano: o custo da construção.
Dois princípios básicos da economia são relevantes para entender a im-
portância de um orçamento para o projeto. O primeiro deles é o da escassez 
de recursos. A ideia principal por trás desse princípio é a de que os recursos 
existem numa quantidade finita. Imagine, por exemplo, uma jazida de pedra. 
Por maior que ela seja, se periodicamente retirarmos dela matéria-prima, um 
dia ela se esgota. O segundo princípio, que guarda relação com o primeiro, é 
o de escolha (trade-off), referindo que a opção por algo implica, necessaria-
mente, na renúncia de outra coisa (MANKIW, 2013). Imagine que você dispõe de 
R$ 100 para substituir o piso do seu quarto. Se você escolher um material de 
R$ 90, sobra somente R$ 10 para pagar a mão de obra. Uma alternativa seria 
ter escolhido um material de R$ 50 e reservado mais dinheiro para a execução 
do serviço. Em ambos os casos, você enfrentou uma escolha: no primeiro, 
você tinha um piso que talvez lhe agradasse mais, mas pouco dinheiro para 
pagar pela execução do serviço; no segundo, conseguiria executar o serviço, 
mas não com o piso que realmente queria. Dificilmente você sairá desse tipo 
de escolha completamente satisfeito em função do primeiro princípio: os 
recursos são escassos.
Orçamentação do projeto de arquitetura de interiores2
Mesmo aqueles recursos categorizados como renováveis, como água 
e energia solar, têm custos associados à sua implementação. A água, 
por exemplo, envolve custos relativos ao seu tratamento e disponibilização. 
Isso é relevante uma vez que a construção civil consome 12% da água potável 
(KEELER; VAIDYA, 2018), sem contar os custos ambientais relacionados ao uso 
desse recurso. Fontes de energia renováveis, como a solar, são alternativas 
que devem ser observadas com interesse por parte dos projetistas, apesar de 
contarem com alto custo de implementação e não serem utilizáveis em todas 
as situações de projeto.
Compreender a relevância do orçamento é fundamental para quem tra-
balha com projetos de arquitetura de interiores, porque parte significativa 
do trabalho do profissional da área é estudar maneiras de viabilizar e exe-
cutar as soluções que propõe. Projetistas em início de carreira, acostumados 
com projetos acadêmicos em que o custo da construção raramente é uma 
preocupação, costumam deixar a orçamentação para as últimas etapas do 
projeto, gerando revisões e alterações em um momento crítico do processo 
projetual. Por isso, é preciso saber o quê e quando deve ser orçado, de modo 
a otimizar o projeto e propor soluções viáveis e que atendam às solicitações 
que lhe foram feitas.
Já vimos que o projeto é um conjunto de notações simbólicas que informa 
algo a alguém. Uma planta, por exemplo, pode informar a distribuição do mo-
biliário em um ambiente, o leiaute daquele espaço, e também pode informar 
a distribuição das luminárias no ambiente. No primeiro caso, o projetista 
pode usar o leiaute para validar a proposta com seu cliente; no segundo, o 
instalador de luminárias pode usar o desenho para conferir quantos pontos 
de luminária e quantos acionamentos deverá instalar. O vendedor da loja 
de luminárias, por sua vez, irá contabilizar quantas luminárias, tomadas, 
lâmpadas e fiação precisará fornecer para realizar o serviço. Perceba que 
podemos ampliar o conceito original e dizer que o projeto informa algo a 
alguém. Essa noção será de grande ajuda na hora que você estiver forma-
tando as informações de seu projeto: O que devo informar? Quem deve ter 
essa informação? É  apropriado, portanto, agrupar as informações do seu 
projeto tendo em mente o destinatário da informação. Em termos práticos, 
isso significa que você irá agrupar as informações do projeto de acordo com 
o prestador de serviço que será responsável pela execução daquela parte 
do projeto. Vamos ver a seguir algumas categorias de serviços e algumas das 
informações relevantes para cada uma delas.
Orçamentação do projeto de arquitetura de interiores 3
Obra civil
Essa categoria contempla um grande número de profissionais: pedreiros, 
pintores, azulejistas, eletricistas, encanadores. Geralmente, trabalham subor-
dinados a um profissional que gerencia a equipe de mão de obra. Como são 
responsáveis por um vasto número de serviços, é importante que recebam a 
totalidade do projeto para que sejam capazes de estimá-los. O projetista pode 
ajudar a equipe de obra civil especificando e quantificando os itens do projeto. 
Retomando o nosso exemplo da planta de luminárias, além da planta indi-
cando a posição e o acionamento das luminárias, o projeto pode contemplar 
uma tabela que indica a quantidade de cada modelo de luminária, assim como 
a especificação do material. Desse modo, é mais fácil estimar a quantidade 
de pessoal e as horas de trabalho necessárias para a execução do serviço. O 
mesmo acontece com serviços que são executados em superfícies: além de 
uma planta indicando as alturas dos forros, um quadro-resumo contendo a 
área de forro que deve ser executada é de grande valia na hora de calcular 
um orçamento. Lembre-se de que o seu projeto não é um desenho com valor 
em si mesmo, e sim um conjunto de informações. 
O orçamento de obra civil costuma ser um dos mais altos no preço total 
de uma obra. Logo, é provável que seu cliente queira comparar mais de um 
orçamento. Nesse processo, tome cuidado para saber se está comparando 
coisas semelhantes. Alguns prestadores de serviço incluem o valor do material 
de construção em seus orçamentos, outros não. Tenha certeza de que os 
orçamentos contemplam os mesmos itens e estão no mesmo nível de deta-
lhamento antes de compará-los, assim você garante uma conferência justa.
Marcenaria
Outro serviço importante em projetos de interiores é a marcenaria. A exe-
cução de mobiliário sob medida pode consumir semanas de serviço entre 
execução e montagem e quantias significativas de dinheiro. Isso se explica por 
dois fatores principais: o custo da mão de obra, por se tratar de um serviço 
artesanal que consome muitas horas; e o valor do material. 
No que diz respeito ao segundo item, o projetista tem uma gama de opções 
para calibrar o custo da sua proposta. Ao escolher entre um revestimento e 
outro durante a etapa de especificação de materiais, o projetista pode reduzir 
significativamente o valor de sua proposta. Imagine, por exemplo, que você está 
desenvolvendo o projeto de um consultório e resolveu revestir as paredes com 
painéis de lâmina natural de madeira. Uma atitude sensata é consultar com um 
marceneiro se existem alternativas com custo menor e aspecto semelhante.
Orçamentação do projeto de arquitetura de interiores4
Procure guardar em seu escritório alguns conjuntos de amostras de 
lâminas de madeira, melamínicos, etc. Esse tipo de material auxilia 
durante o processo, para cotejar alternativas, e em apresentações para os 
clientes. É possível obter amostras entrando em contato direto com fornecedores 
ou com empresas de marcenaria.
Além do detalhamento da marcenaria, com indicação de subdivisões, 
gavetas, detalhes, etc., é importante que você envie para a mão de obra 
desenhos que possam interferir na execução dos móveis,como pontos de 
tomada, por exemplo. Assim, o profissional pode prever a realização de furos 
e prever interferências. Além disso, é uma boa prática pedir para o prestador 
de serviço separar o orçamento por ambientes, porque, dessa forma, seu  
cliente pode ter uma noção mais precisa de quanto custa mobiliar um quarto, 
uma cozinha, etc.
Pedras
Assim como a marcenaria, o fornecedor de pedras executa o seu serviço 
após o término do trabalho da equipe de obra civil. O projeto de bancadas, 
tampos de cozinha, pias de banheiro, pingadeiras para janelas e soleiras para 
pisos deve contemplar o dimensionamento (para cálculo da quantidade de 
material) das peças, especificação do material e, se possível, a indicação dos 
eventuais cortes, pois é muito comum ter que emendar peças em função da 
dimensão de um móvel. Nesse caso, um profissional criterioso deve escolher 
onde a mão de obra deve executar o corte — algo semelhante à paginação 
de peças de cerâmica para instalação de pisos.
Na escolha do tipo de pedra influenciam o projeto as preferências do 
cliente e o custo do material. É comum o projetista pensar em um material e 
visitar um fornecedor com o cliente para ver o material em formatos maiores 
(nem sempre é fácil ter noção da aparência do material por uma amostra 
de 10 x 10 cm). Nessa ocasião, podem-se elencar alternativas aceitáveis, ou 
seja, compatíveis com a visão inicial do projeto, que tenham um valor menor 
ou outra propriedade que justifique um preço mais alto, como durabilidade.
Subsistemas
Subsistemas como ar-condicionado, automação e projeto complementar de 
iluminação devem ser incluídos em etapas preliminares de projeto para que 
a solução seja pensada em conjunto com a proposta global. Além disso, é 
Orçamentação do projeto de arquitetura de interiores 5
preciso incluir os profissionais dessas áreas no grupo de responsáveis para 
que compreendam como o seu trabalho influencia no dos outros. Observe na 
Figura 1 um projeto residencial em que foi distribuída a tubulação do projeto 
de automação. Como garantir que a distribuição dessas caixas não interfira 
na distribuição dos pontos de luminárias, por exemplo? 
A ferramenta para que isso não aconteça se chama compatibilização de 
projetos, e é a tarefa de sobrepor os projetos de dois profissionais, buscando 
por eventuais interferências. Normalmente, isso fica a cargo do escritório de 
arquitetura e é cobrado como serviço à parte; contudo, é possível encontrar 
profissionais especializados nessa tarefa, e seu trabalho agrega bastante 
valor ao contribuir para uma execução mais tranquila do projeto.
Figura 1. Tubulações de automação.
Portanto, além de incluir os projetistas de sistemas complementares nas 
primeiras etapas do projeto para ter noção do impacto econômico e logístico, 
é necessário fornecer o conjunto completo do projeto para que verifiquem 
a possibilidade técnica de execução de algumas soluções. A ausência de 
rebaixo no forro, por exemplo, pode limitar a instalação de alguns sistemas 
de ar-condicionado. O ideal é você marcar reuniões com esses profissionais 
para discutir soluções que se coadunem com a proposta geral do projeto e 
que sejam viáveis dentro do orçamento disponível para execução.
Orçamentação do projeto de arquitetura de interiores6
Varejo
Durante a execução de um projeto, você entrará em contato com vendedores de 
diversos tipos de lojas: material de construção, material elétrico e luminárias, 
revestimentos, móveis, além de fornecedores de materiais menos usuais. É 
importante você ter em mente a importância de construir um bom relaciona-
mento com esses profissionais. Eles podem orientá-lo sobre custo-benefício 
de equipamentos de marcas diferentes, prazos de entrega e substituições.
Para ajudá-los na hora do orçamento, pense que esses profissionais tra-
balham com bancos de dados e têm mais familiaridade com tabelas do que 
com projetos de arquitetura. Elabore um quantitativo detalhado (contendo 
a especificação precisa dos itens listados) e envie para empresas diferentes. 
Assim, você terá uma quantidade maior de informação para ajudá-lo a tomar 
decisões, assim como em eventuais negociações com fornecedores.
Perceba a quantidade de prestadores de serviços, equipes, empresas e 
interessados com que você terá que interagir para viabilizar a execução de 
um projeto de arquitetura. Fica evidente o papel integrador que o projetista 
tem nesse processo. É ele que mantém a visão do todo, necessária para que 
se chegue a um resultado satisfatório. No entanto, como foi visto no início, 
é muito arriscado deixar para fazer tudo isso nas etapas finais do projeto. 
Vamos ver agora as etapas de orçamentação e o momento adequado para 
implementar cada uma delas.
Etapas de orçamentação
Vimos que o projeto é a ferramenta com a qual o projetista informa a todos 
os envolvidos no processo construtivo os passos necessários para a materia-
lização de algo. Uma definição alternativa diz que o projeto é uma empreitada 
temporária levada a cabo para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo 
(LARSON; GRAY, 2016), e que um dos fatos determinantes para se chegar a esse 
resultado é a adequação do projeto ao orçamento disponível.
A NBR 6492 (ABNT, 1994), que trata sobre representação de projetos de 
arquitetura, define orçamento como a avaliação dos custos dos serviços, 
materiais, mão de obra e taxas relativas à obra. Qual seria, então, o momento 
para inserir o orçamento no fluxo de trabalho do projetista? Segundo o roteiro 
para desenvolvimento do projeto de arquitetura da edificação, elaborado 
pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB, 2007), o orçamento deve estar 
presente em duas etapas. 
Orçamentação do projeto de arquitetura de interiores 7
A primeira delas é o orçamento estimativo, que ocorre durante o an-
teprojeto e é o momento em que se pré-dimensionam as quantidades e 
os custos de materiais e serviços necessários para a realização da obra. O 
segundo momento ocorre durante o projeto executivo, o orçamento final 
define detalhadamente a quantidade e os custos de todos os materiais e 
serviços necessários para a execução da obra. Perceba que a inclusão de 
um pré-orçamento antes do orçamento final é uma estratégia que permite 
corrigir eventuais desvios de rota e antecipar mudanças que, de outro modo, 
só ocorreriam no final do processo.
O verbo orçar tem origem no italiano orzare. No vocabulário náutico, 
orçar significa voltar a proa da embarcação para a linha do vento. Das 
tentativas para essa operação teria vindo o sentido de “calcular por alto”, no 
sentido de otimizar os esforços para determinado fim. É com esse sentido que 
o termo “orçamento” chega até os dias de hoje, como uma tentativa de calcular, 
aproximar, estimar o custo de determinado empreendimento. O orçamento 
pode ser visto de duas maneiras: como uma etapa necessária antes do início da 
obra e como ferramenta de projeto, uma vez que o custo de execução costuma 
determinar mudanças nos rumos de um projeto antes da sua conclusão.
Podemos entender o orçamento, portanto, tanto como uma ferramenta 
quanto como uma etapa de projeto. Servirá como uma ferramenta para validar 
hipóteses e apontar alternativas durante o processo de projeto. Será uma 
etapa quando anteceder a realização de algo, como momento indispensável 
antes da contratação dos serviços. Na prática, você verá que essas duas 
naturezas do orçamento acabam se confundindo. Essa separação indica 
predominância e não exclusividade do fim almejado e serve apenas para 
você compreender essa dupla função que a orçamentação tem num projeto 
de arquitetura. Veja a seguir essa separação de orçamento como ferramenta 
e orçamento como etapa.
 � Orçamento como ferramenta: orçamento preliminar, feito durante o 
anteprojeto para investigar a viabilidade de diferentes soluções.
 � Orçamento como etapa: orçamento de execução, feito antes do início 
da obra para estimar a necessidade de recursos financeiros e humanos, 
obtenção de financiamento, etc.
Orçamentaçãodo projeto de arquitetura de interiores8
Em projetos mais complexos ou em que o atendimento a um limite orça-
mentário seja determinante para a realização da obra, é comum dispor da 
ajuda de um profissional especializado na realização desse tipo de estimativa. 
Segundo Farrelly (2014, p. 168):
O orçamentista avalia os materiais usados na construção e, ao arrolá-los e precificá-
los, prepara um orçamento dos custos do projeto. […] essas projeções ajudam a 
elaborar o contrato de construção ou os memoriais descritivos, que indicam como 
a edificação deve ser construída.
Normalmente, esses profissionais se guiam por indicadores de preço 
desenvolvidos pelo mercado, como a tabela SINAPI.
SINAPI significa Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da 
Construção Civil. Mantida pelo IBGE e pela Caixa Econômica Federal, 
é muito utilizada para orçamento de obras, sendo de uso obrigatório para orça-
mento de obras públicas. Além dela, existem outras tabelas populares, como a 
TCPO (Tabela de Composição de Preços para Orçamentos), iniciativa da editora 
Pini, que ganhou muitos adeptos no Brasil. Ainda assim, existem profissionais 
que usam de sua própria experiência e conhecimento do mercado local para 
comporem seus preços, sem recorrer a tabelas elaboradas por terceiros.
Não importa o quão preciso seja o orçamento, lembre-se de que se trata 
de uma estimativa. Logo, é impossível prever o custo exato de execução de 
algo. Imagine a seguinte situação. Você especifica em um projeto um piso que 
é fabricado no exterior. O custo desse material está sujeito à variação cambial 
entre o momento em que você o especificou e o momento em que é efetivada 
a sua compra. Suponha que, por motivos econômicos totalmente alheios a 
você e ao seu projeto, a moeda nacional sofra uma grande desvalorização 
em relação à moeda estrangeira, tornando o material especificado muito 
oneroso. Nesse caso, apesar da sua previsão, é provável que você tenha que 
investigar alternativas já com a obra em andamento. Um orçamento bem feito 
não irá livrá-lo desse tipo de situação, mas trata-se de um caso atípico. Na 
maioria das vezes, você evitará dores de cabeça e terá uma execução muito 
mais tranquila. Vamos agora ver exemplos práticos de como fazer orçamentos 
para projetos de arquitetura de interiores.
Orçamentação do projeto de arquitetura de interiores 9
Planilha de orçamentos
O trabalho do projetista trata da proposição de soluções para problemas 
enfrentados por seus clientes. Na arquitetura de interiores, esses problemas 
podem ser de natureza estética, prática ou legal, ficando a cabo do profis-
sional de arquitetura encontrar as melhores alternativas para sua solução. 
No entanto, deve ficar claro que o trabalho só chega ao fim com a execução 
daquilo que foi projetado no espaço disponível pelo cliente.
Para que seja possível essa transposição do campo das ideias (projeto) 
para a realidade (execução), é necessário o equilíbrio entre as possibilidades 
financeiras e disponibilidade de tempo por parte do cliente. É justamente 
para antever tais atributos que a criação de uma planilha de orçamentos 
torna-se parte essencial do projeto de arquitetura.
Se, para compreender o espaço que você projetou, o seu cliente precisa ver 
plantas e perspectivas, para assegurar-se de que tais intervenções poderão 
ser executadas, o contratante deve ter acesso a uma planilha resumindo 
todos os agentes que estarão envolvidos na execução, seus custos e datas 
esperadas para o pagamento de cada um.
Podemos separar as planilhas de orçamento em dois tipos básicos: as 
planilhas simplificadas, que resumem em poucas páginas os custos e as 
empresas envolvidas na obra, e os cronogramas físico-financeiros, que dis-
tribuem os custos ao longo do tempo em razão da realização dos serviços 
pelos terceiros.
Planilhas simplificadas
Em muitos projetos de interiores, em especial naqueles de pequeno ou médio 
porte, uma planilha simplificada, que resuma para o cliente os custos por 
área do projeto, pode ajudar na tomada de decisão sobre a execução. Nesse 
caso, a alternativa mais usual é a divisão da obra por grupos de fornecedores, 
como você viu anteriormente.
O objetivo desse documento é que o seu cliente tenha a seu dispor um 
resumo de todos os custos para as intervenções necessárias no espaço 
e possa compreender quais grupos de elementos estão pesando mais no 
preço final da obra. Algumas vezes, essa análise pode levar a modificações 
no projeto ou à procura por fornecedores alternativos que maximizem o 
impacto no orçamento.
Orçamentação do projeto de arquitetura de interiores10
Nas Figuras 2, 3, 4 e 5 você pode ver exemplos de orçamentação para 
reforma da área social de um apartamento de 80 m². A planilha contempla 
a orçamentação de até três fornecedores para cada serviço. O fornecedor 
escolhido pelo cliente, após a análise, recebe o destaque em verde, e seu 
subtotal é contabilizado na coluna H. O total da obra é visto da primeira linha 
da coluna H. Observe como a mão de obra civil, responsável pelas demoli-
ções, construções e acabamentos, corresponde a uma fatia considerável do 
orçamento total, ou seja, uma alteração no orçamento nesse grupo pode 
acarretar mudanças significativas. Repare que a planilha não contempla a 
marcenaria sob medida, que também é uma etapa significativa.
Figura 2. Orçamentação: versão completa.
Orçamentação do projeto de arquitetura de interiores 11
Figura 3. Orçamentação: versão sala.
Figura 4. Orçamentação: versão sala 2.
Orçamentação do projeto de arquitetura de interiores12
Figura 5. Orçamentação: sala-projeto executivo.
Uma das funções da planilha de orçamento simplificada é ajudar na es-
colha de fornecedores e acabamentos, em função de seu preço. Uma boa 
prática nessa etapa é apresentar orçamentos de mais de uma empresa para 
cada material sempre que possível e, além disso, buscar orçamentos para 
elementos alternativos, deixando-os explícitos na planilha. A área em que essa 
alternativa é mais comum é a de revestimentos — há no mercado inúmeras 
opções de acabamentos e marcas com grande variedade de preço.
Cronograma físico-financeiro
Segundo o Guia do Instituto de Gerentes de Projeto (PMI, 2017), o cronograma 
físico-financeiro é uma ferramenta disponível para os projetistas e admi-
nistradores que reúne, em um mesmo gráfico, o planejamento financeiro 
associado ao pagamentos dos agentes envolvidos e o planejamento temporal 
da obra, demonstrando o início e o fim de cada um dos serviços necessários 
naquela empreitada.
Orçamentação do projeto de arquitetura de interiores 13
Nesse documento, devem estar presentes os serviços que serão exe-
cutados, com discriminação das datas de início e de fim do trabalho e os 
custos envolvidos em sua realização, relativos tanto à mão de obra quanto 
aos materiais. Somam-se a essas informações os pré-requisitos necessários 
para a realização de cada atividade, ou seja, quais serviços precisam estar 
prontos para que uma outra atividade possa iniciar.
Para compreender as dependências, basta pensar em uma obra sim-
ples: o tampo só pode ser instalado depois que o balcão da cozinha 
estiver pronto. A instalação do balcão, por sua vez, demanda que as paredes 
estejam pintadas. Para a pintura das paredes, é preciso que a superfície esteja 
preparada. Para tudo isso acontecer, é preciso construir as paredes.
Na Figura 6, você pode ver um exemplo de cronograma físico-financeiro 
referente à obra de um apartamento de 200 m². Observe como a camada do 
tempo demonstra o andamento da obra e que certos serviços levam muito mais 
tempo do que outros. Observe também que a execução de alguns serviços de-
pende da conclusão de serviços anteriores, como a instalação de revestimentos 
que só pode ocorrer depois que as impermeabilizações estiverem prontas.
Figura 6. Cronograma físico-financeiro.
Orçamentação do projeto de arquitetura de interiores14
Como vimos, o orçamento serve tanto para saber o custo final de uma 
obraquanto para amparar decisões de projeto ao longo do seu desenvolvi-
mento. Por isso, é essencial que os projetistas conheçam as ferramentas que 
estão a seu dispor para tornar mais transparente a relação entre desenho 
e custos. Lembre-se de que uma obra bem planejada é menos traumática 
para clientes e arquitetos.
Referências
ABNT. NBR 6492:1994: representação de projetos de arquitetura. Rio de Janeiro: ABNT, 
1994.
FARRELLY, L. Fundamentos de arquitetura. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2014.
GREGOTTI, V. Território da arquitetura. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 2010. 
IAB. Roteiro para desenvolvimento do projeto de arquitetura da edificação. Salvador: 
IAB, 2007. Disponível em: http://www.iab.org.br/sites/default/files/documentos/roteiro-
-arquitetonico.pdf. Acesso em: 5 fev. 2021.
KEELER, M.; VAIDYA, P. Fundamentos de projeto de edificações sustentáveis. 2. ed. Porto 
Alegre: Bookman, 2018.
LARSON, E. W.; GRAY, C. F. Gerenciamento de projetos: o processo gerencial. 6. ed. Porto 
Alegre: AMGH, 2016.
MANKIW, N. G. Introdução à economia. 6. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2013. 
MONTANER, J. M. Do diagrama às experiências, rumo a uma arquitetura de ação. São 
Paulo: Gustavo Gili, 2017. 
PMI. Guia PMBOK: um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos. 6. ed. 
Newtown Square: PMI, 2017.
Leituras recomendadas
CHING, F. D. K.; BINGGELI, C. Arquitetura de interiores ilustrada. 4. ed. Porto Alegre: 
Bookman, 2019.
GILI, G. Atlas de interiores contemporâneos. Barcelona: Loft, 2008.
KARLEN, M. Planejamento de espaços internos. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2010.
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos 
testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da 
publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas 
páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores 
declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou 
integralidade das informações referidas em tais links.
Orçamentação do projeto de arquitetura de interiores 15
Dica do professor
Ao elaborar uma planilha orçamentária, é muito fácil se ater aos itens de maior relevância no 
projeto e esquecer dos pequenos detalhes que, somados, podem ocasionar uma grande diferença 
no montante final dos custos de execução. Para que o orçamento de uma obra não extrapole o 
valor de investimento pretendido pelo cliente, é preciso ter alguns cuidados.
Na Dica do Professor, você vai identificar alguns dos custos invisíveis da execução de um projeto 
de arquitetura de interiores. Serão apresentadas algumas situações que podem elevar os custos de 
um projeto e que podem facilmente passar despercebidas.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/4cdaeff3fa020bdd692a7154f85a8380
Na prática
O orçamento não serve apenas para guiar os pagamentos durante a execução da obra. Essa 
ferramenta pode e deve ser utilizada durante o processo de projeto para guiar decisões financeiras 
que tenham consequências na arquitetura, como modificação de materiais, revestimentos e móveis.
Neste Na Prática, você vai acompanhar as modificações que a arquiteta Anna fez no projeto de um 
apartamento para adequá-lo ao orçamento do cliente. Esse exemplo mostra a importância de trazer 
essa discussão para as etapas intermediárias de projeto, sem deixá-la para a última hora.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/0a000d0f-afaf-4fb4-893c-8eeca2cbddae/56bfbd8a-dbc0-45c1-a46b-436120d51a90.jpg
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
A importância do orçamento para qualquer obra
A atenção aos aspectos econômicos da construção, apesar de ser uma noção intuitiva, costuma ser 
negligenciada. Neste vídeo, o engenheiro Fabrício Rossi apresenta cinco fatores comumente 
negligenciados durante a obra.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Práticas que podem ajudar no orçamento do seu projeto
Os arquitetos Suyene Arakaki e Igor Campos, do canal In Residence, compartilham dicas que 
podem ajudá-lo a ter sucesso na orçamentação da obra.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Guia de Orientação Profissional AAI
A AAI, Associação de Arquitetos de Interiores, publicou em formato de e-book a 11° edição de seu 
Guia de Orientação Profissional. Esse documento contém informações importantes para ajudar a 
entender o fluxo de trabalho em projetos de arquitetura de interiores e em quais momentos a 
orçamentação deve ser inserida.
https://www.youtube.com/embed/gSmusmtOR4Q
https://www.youtube.com/embed/NIZ917L5pdk
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
http://aairs.com.br/site/GOP-AAI_EBOOK_2018.pdf

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