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REDES DE COMPUTADORES AULA 2 Prof. Luis José Rohling 2 CONVERSA INICIAL Atualmente, como temos uma grande dependência das redes de dados quando utilizamos a internet, a intranet ou a extranet, cujas características vimos anteriormente, é necessário que essas redes sejam efetivamente confiáveis. Assim, para garantir essa confiabilidade, temos alguns requisitos que devem ser atendidos pelas redes de dados: a escalabilidade, a tolerância a falhas, a boa qualidade de serviço e a segurança, que serão vistos em detalhes nesta aula. Portanto, de acordo com o nível de confiabilidade esperado e, principalmente, de acordo com o tipo de serviço contratado do provedor de serviço, teremos a implementação de certos mecanismos de confiabilidade. Inclusive, esse é mais um dos aspectos que diferenciam a internet da intranet, pois, em uma rede que atenderá às necessidades de comunicação de uma empresa, deveremos ter um nível de confiabilidade muito maior. Dessa forma, uma intranet apresentará uma confiabilidade maior do que a internet, mas, certamente, com um maior custo do serviço. Sendo a rede formada pelos três componentes básicos vistos em momento anterior de nossos estudos, que são os dispositivos terminais de usuário, os dispositivos intermediários e os meios físicos, outro aspecto relacionado ao processo de comunicação nas redes é o modelo de conexão entre esses dispositivos, utilizando os meios físicos. Dessa forma, o modo como os terminais de usuário e os dispositivos intermediários estarão interconectados irá impactar os mecanismos necessários para estabelecer o processo de comunicação. Portanto, os recursos a serem providos pelos protocolos de comunicação dependerão do arranjo da conexão entre os dispositivos, que é a chamada topologia da rede. Assim, para entendermos os mecanismos de operação dos protocolos, necessários para se garantir o processo de comunicação em cada cenário de rede, carece conhecermos as características das topologias empregadas nas redes de dados, sendo que, nesta aula, estudaremos as principais topologias empregadas nas redes de área local (LAN) e nas redes de longa distância (WAN). Também conforme vimos anteriormente, quando utilizamos as redes de dados, temos muitas tecnologias e protocolos envolvidos nesse processo de comunicação, aplicadas nas diversas etapas do processo. Assim, para que a comunicação ocorra de maneira eficiente através das redes de dados, é 3 necessário que todos esses componentes operem de maneira integrada, com base em uma definição clara de qual será o papel de cada um deles, ou seja, de suas atribuições no processo de comunicação. E, para a definição dessas atribuições, cujos processos serão realizados por meio dos protocolos de rede, temos os modelos de classificação dos protocolos e as instituições de publicação de padrões, que serão estudados nesta aula. Os padrões e normas empregadas na área de redes são publicados por diversas organizações internacionais, das quais as principais são: • International Organization for Standardization (ISO); • Internet Engineering Task Force (IETF); • Institute of Electrical and Electronic Engineers (IEEE); • Telecommunications Industries Association (TIA); • International Telecommunications Union-Telecommunication (ITU-T). Figura 1 – As organizações responsáveis por padrões e normas aplicadas na área de redes A ISO é uma organização internacional que publica normas voltadas para os mais diversos segmentos, não se restringindo à área de redes e tecnologia da informação. A ISO publicou um modelo de referência, chamado de modelo OSI, que é utilizado por todos os profissionais da área de redes como um modelo de referência para os diversos protocolos e tecnologias empregados nas redes de dados. O IETF é a organização que publica todas as normas pertinentes ao funcionamento da internet. O protocolo que é a base de toda essa rede, que é o 4 internet protocol (IP), é um padrão do IETF. E, para caracterizar os processos e protocolos na rede de dados, o IETF publicou um modelo mais resumido, focado no funcionamento da internet, que é chamado de modelo do protocolo de controle de transmissão (TCP)/IP. Assim, muitos dos protocolos que estudaremos são publicações do IETF. O IEEE é uma organização profissional que, além da publicação de normas técnicas, também mantém o IEEE Xplore, que é uma biblioteca digital contendo as publicações que são referência para a área de pesquisa e tecnologia (estado da arte). Para a área de redes, os padrões definidos pelo IEEE são os que dominam as tecnologias de LAN, que são o protocolo ethernet e o protocolo Wi-Fi. A TIA é uma organização que publica as normas pertinentes às tecnologias associadas aos meios físicos, sendo a referência para a implementação do chamado cabeamento estruturado. As normas TIA definem o desempenho dos cabos de redes e fibras ópticas, garantindo que os equipamentos intermediários e os equipamentos terminais consigam se comunicar, independentemente do fabricante do meio físico utilizado, sejam cabos metálicos, sejam fibras ópticas. O ITU-T é uma organização focada nas tecnologias empregadas em telecomunicações, publicando as normas e padrões para transmissão de vídeo, dados e voz empregados nas redes de transmissão de longa distância pelas operadoras de telecomunicações e pelos provedores de acesso à internet. Assim, nesta nossa aula, estudaremos os dois modelos usados para a classificação dos protocolos em redes, que são o modelo OSI e o modelo TCP/IP, bem como os componentes de um processo de comunicação e a tarefa básica dos protocolos nesse processo de comunicação. TEMA 1 – A CONFIABILIDADE DA REDE Como as redes atuais devem suportar diversas aplicações e protocolos distintos, conforme vimos anteriormente, é necessário que elas sejam confiáveis, de modo que os usuários possam utilizá-las quando delas necessitarem. E, além disso, elas precisam apresentar nível de desempenho satisfatório para que as aplicações do usuário sejam executadas adequadamente. Certamente você já teve a experiência de acessar a internet para assistir a um filme, por exemplo, e a reprodução do vídeo apresentou congelamentos da 5 imagem, gerando uma experiência desagradável, muito diferente da esperada. Assim, por mais que a rede estivesse disponível, permitindo o acesso ao servidor, a qualidade do processo de comunicação não propiciou a experiência desejada. Portanto, considerando o conceito mais amplo de confiabilidade, teremos quatro características básicas para que uma rede seja realmente considerada confiável: 1. escalabilidade; 2. tolerância a falhas; 3. qualidade de serviço (QoS); 4. segurança. Figura 2 – A rede confiável Crédito: Luis Jose Rohling. 1.1 Implementando uma rede confiável Para implementarmos a capacidade de tolerância a falhas, em uma rede, a solução mais efetiva é a utilização de sistemas redundantes. Assim, nas redes WAN, existem diversos caminhos entre os equipamentos intermediários de redes (roteadores), bem como diversos equipamentos interligados. Desse modo, ESCALABILIDADE TOLERÂNCIA A FALHAS QUALIDADE DE SERVIÇO (QoS) SEGURANÇA REDE DE DADOS 6 em caso de falha de um link ou de um equipamento, sempre haverá um caminho ou equipamento alternativo para garantir a disponibilidade da rede. Por exemplo, para que você tenha alta disponibilidade de acesso à internet, a alternativa seria a contratação de dois provedores de acesso, de modo que, em caso de falha de um deles, você possa fazer o seu acesso à rede através do outro provedor. Obviamente, a capacidade de tolerância a falhas está diretamente ligada à questão de custos, pois a duplicação dos acessos ou equipamentos implicará a duplicação dos custos. Figura 3 – Rede tolerante a falhasOutra característica de uma rede confiável é a escalabilidade, que, em termos práticos, permite o crescimento de uma rede sem a necessidade de se trocar a tecnologia que era utilizada quando a rede tinha uma dimensão menor. Por exemplo, o equipamento de acesso que você usa em uma rede residencial para implementar uma rede sem fio poderá não atender à demanda de conexões em uma rede corporativa, com muitos usuários. No entanto, o protocolo utilizado na rede Wi-Fi será o mesmo. Nesse caso, o protocolo é escalável, porém o equipamento não, pois terá que ser substituído caso necessite atender a uma quantidade muito maior de usuários. Inclusive, uma das outras características da rede confiável, que é a segurança, também deverá atender a esse requisito, ou seja, as soluções de segurança também deverão ser escaláveis. E uma tecnologia de segurança é dita escalável caso consiga atender à demanda desde um único usuário até milhares de usuários. Porém, obviamente, uma solução que consiga suportar o tráfego gerado por milhares de usuários demandará um recurso de hardware muito maior, e com um custo maior. Portanto, a escalabilidade deverá garantir a aplicação das soluções e protocolos para qualquer tamanho de rede, sendo 7 necessária apenas a ampliação dos recursos de hardware para comportar o crescimento da demanda. Como as redes atuais são utilizadas para a transmissão de diferentes tipos de dados e aplicações, para que a rede apresente a confiabilidade desejada em relação às necessidades de cada aplicação, são necessários os mecanismos de QoS. Esses mecanismos de QoS deverão identificar os diferentes tipos de tráfego e conhecer as necessidades específicas de cada um deles. Normalmente, tais mecanismos estão baseados em um conceito de classes de tráfego, em que cada classe terá a sua QoS. Quando você está assistindo a um vídeo pela internet, ele pode sofrer atrasos, congelamentos, perdas de qualidade da imagem, conforme visto anteriormente, pois você está utilizando uma rede em que não existem mecanismos de QoS. Porém, quando uma empresa contrata os serviços de rede WAN de uma operadora, ela necessita dessa garantia de qualidade para as suas aplicações. Portanto, essas redes serão implementadas com tecnologias que possam garantir a QoS contratada pelos clientes. E a quarta característica de uma rede confiável é a segurança, pois os dados que estão sendo transmitidos pela rede devem se preservar seguros. A segurança dos dados em uma rede é obtida com a implementação de mecanismos que garantam os três principais requisitos: confidencialidade, integridade e autenticidade. E, quando tratamos da segurança dos dados em si, é acrescentado outro requisito a ser atendido pelos sistemas de segurança, que é a disponibilidade. 1.2 Implementando a segurança A segurança é parte fundamental das redes atuais, pois é um dos elementos que garantem a confiabilidade das redes. E a segurança deverá ser garantida tanto nas redes LAN e WAN quanto nas redes de pequeno ou de grande portes, ou seja, as técnicas e mecanismos de segurança de rede também deverão ser escaláveis. No entanto, contra essa necessidade existem diversos tipos de ameaças, classificadas em internas e externas, com medidas de segurança adequadas a cada tipo. 8 Figura 4 – Ameaças externas Créditos: Andrea Danti/Shutterstock. A proteção básica para as ameaças externas às redes é obtida com o uso de um firewall, que irá isolar a rede interna da rede externa. Para as ameaças internas, são necessários outros mecanismos de segurança, pois uma ameaça interna pode ser originada de um programa aberto por um usuário, tal como um vírus, e assim não ser detectada pelo firewall. Para tentar prevenir a entrada desses mecanismos na rede interna, os firewalls têm se tornado cada vez mais eficientes, mas, mesmo assim, são apenas uma possibilidade entre os diversos componentes utilizados para implementação de segurança nas redes. Além da implementação do firewall em um equipamento dedicado a essa função, a versão mais atual do sistema operacional Windows já incorpora um mecanismo de firewall a ser executado nos terminais dos usuários. Se você utiliza essa versão de sistema operacional em seu computador, já deve ter recebido uma mensagem de que o firewall do Windows bloqueou a execução de um algum programa que foi considerado perigoso. 9 Figura 5 – Firewall em atuação em um computador Créditos: Koya979/Shutterstock. Além do firewall, outra medida de segurança do terminal do usuário é a utilização de um antivírus e um antispyware, que irão examinar a sequência de códigos dos programas, buscando identificar padrões sequenciais que caracterizem malwares. Inclusive, essas ferramentas, atualmente, já são acessíveis nos dispositivos móveis com outros sistemas operacionais, como tablets e smartphones. Portanto, para que você tenha um mínimo de segurança ao acessar a internet, é necessário utilizar um software antivírus e buscar uma rede de acesso que esteja protegida por um firewall. E, caso use um computador com Windows, não deverá desativar o firewall do sistema operacional, pois se o fizer as ameaças internas não serão bloqueadas pelo firewall da rede, que se trata de um fundamental elemento de segurança de seu computador. 10 TEMA 2 – TOPOLOGIAS DE REDES Para a representação das interconexões dos equipamentos de rede, temos a elaboração de um diagrama chamado de topologia de rede, que indica como ocorre a comunicação entre os diversos dispositivos presentes em uma rede. Porém, você pode utilizar dois diagramas distintos para isso, sendo um o diagrama da topologia física, com o qual você irá identificar os parâmetros associados à instalação e conexão física dos equipamentos; e o outro o diagrama referente à topologia lógica, com que serão identificados os parâmetros associados ao processo de comunicação em si, por exemplo, os endereços das redes. Para a elaboração do diagrama de topologia física, devemos usar, então, os ícones que representam os equipamentos de rede, indicando sua interligação e sua localização. Por exemplo, se tivermos uma rede com uma sala de equipamentos principal e mais dois armários de telecomunicações instalados nos outros andares da empresa, com um switch em cada um deles, teremos o diagrama de topologia física mostrado na Figura 6. Figura 6 – Exemplo de diagrama de topologia física Crédito: Luis Jose Rohling. RACK1 RACK2 Sala de Equipamentos AT - Armário de Telecomunicações AT - 1 R1 SW1 SW2 SW3 RACK3 AT - 2 SW4 11 Para a elaboração do diagrama de topologia lógica, deveremos incluir os dados referentes aos esquemas de endereçamento, identificando os endereços das sub-redes e redes de área local virtual (Vlans), bem como as interfaces, utilizando a mesma simbologia do diagrama da topologia física. Assim, poderemos ter, por exemplo, o diagrama mostrado na Figura 7, em que temos três Vlans, cujos endereços de rede são 192.168.10.0 (Vlan 1), 192.168.20.0 (Vlan 2) e 192.168.30.0 (Vlan 3). Figura 7 – Exemplo de diagrama de topologia lógica Crédito: Luis Jose Rohling. Podemos observar que existe uma correlação entre o identificador da Vlan e o endereço da rede, no terceiro octeto do endereço, fazendo com que a Vlan 1 tenha a rede 10, a Vlan 2 a rede 20 e a Vlan a rede 30. Essa é uma das boas práticas recomendadas, pois essa correlação facilitará o processo de análise e resolução de problemas, permitindo uma identificação mais rápida em caso de haver falha de configuração de endereçamento. E, como podemos ter esses dois tipos de topologias distintos utilizados para representar as redes LAN e WAN, que são a topologia física e a topologia lógica. Na sequência, estudaremos as principais características das topologias de redes LAN e WAN. F0/0 192.168.10.1VLAN1 – 192.168.10.0/24 R1 SW2 VLAN2 – 192.168.20.0/24 SW3 VLAN3 – 192.168.30.0/24 SW1 F0/1 192.168.30.1 F1/0 192.168.20.1 12 2.1 Topologias das redes WAN As topologias encontradas nas conexões de rede WAN são: ponto a ponto, estrela e malha (mesh). A topologia ponto a ponto é a mais simples e mais empregada nas conexões de WAN. Esse tipo de conexão é implementado quando temos um link permanente entre dois dispositivos de rede. Figura 8 – Topologia ponto a ponto Crédito: Luis Jose Rohling. A topologia em estrela, que nas conexões de WAN também é chamada de hub and spoke e consiste na conexão dos diversos dispositivos de rede a um dispositivo central, que é conectado por meio de links, ponto a ponto, com os demais dispositivos. Assim, teremos um elemento posicionado como o centro de uma topologia em estrela, de modo que todo o tráfego entre os dispositivos que estão nas pontas da estrela deverá passar pelo elemento central, não havendo um canal físico de comunicação direta entre eles, conforme mostrado na Figura 9. Figura 9 – Topologia em estrela (hub and spoke) Crédito: Luis Jose Rohling. 13 A topologia em malha (mesh) provê uma alta disponibilidade da rede, mas requer que todos os elementos da rede estejam interligados entre si, porém, isso aumenta a complexidade da rede, bem como o processo de gerenciamento, gerando também um aumento significativo de custos. E, nessa topologia, cada conexão entre os diversos dispositivos da rede também será implementada por um link do tipo ponto a ponto. Figura 10 – Topologia em malha (mesh) Crédito: Luis Jose Rohling. A topologia em malha é a que possui maior disponibilidade de comunicação pois, em caso de falha de uma das conexões ponto a ponto entre dois elementos da rede, sempre existirá nela um caminho alternativo, através de outro elemento da rede. Na prática, as redes com topologia em malha utilizam uma topologia mista, em que em algumas partes da rede temos arranjos em estrela e, em outras, temos caminhos redundantes, numa malha parcial, sendo que todas as conexões entre os elementos são ponto a ponto. Nas conexões físicas ponto a ponto, que conectam diretamente dois nós, temos a utilização do protocolo ponto a ponto (point-to-point protocol – PPP), que foi desenvolvido para as conexões seriais, em que um elemento da rede não precisa determinar se um quadro é destinado a ele ou a outro dispositivo. Portanto, os protocolos lógicos desse tipo de conexão podem ser muito simples, pois todos os quadros colocados no meio físico só podem ter como destino o dispositivo conectado na outra extremidade do circuito ponto a ponto. 14 Figura 11 – Topologia WAN ponto a ponto Crédito: Luis Jose Rohling. O dispositivo de origem e o dispositivo de destino podem estar indiretamente conectados entre si, estando localizados até mesmo com uma grande distância geográfica, utilizando vários dispositivos intermediários, conforme mostrado na Figura 12. Figura 12 – Dispositivos da rede WAN Crédito: Luis Jose Rohling. E como a implantação da rede WAN envolve a utilização de diversos dispositivos físicos, a instalação desses dispositivos na rede não afeta a topologia lógica, pois os pacotes de dados continuam sendo trafegados, sem alterações, entre os dois dispositivos na extremidade da rede ponto a ponto. 2.2 Topologias das redes LAN Nas redes LANs que utilizam o modo chamado de multiacesso, os dispositivos finais são interligados usando a topologia em estrela ou estrela estendida, conforme as recomendações das normas de infraestrutura de rede. Nesse tipo de topologia, os dispositivos finais são conectados a um dispositivo intermediário central, que, no caso da maioria das redes atuais, será um switch ethernet. Uma topologia em estrela estendida estende essa topologia, WAN WAN 15 interconectando os demais switches ethernet, que farão a conexão dos equipamentos terminais de usuários. As topologias em estrela ou estrela estendida são fáceis de instalar e altamente escaláveis, pois facilitam a adição e remoção dos dispositivos finais, além do processo de manutenção. E as topologias físicas para conexão dos dispositivos em redes locais, além da topologia em estrela, podem ainda ser dos tipos barramento e anel. Figura 13 – Topologias de rede LAN Crédito: Luis Jose Rohling. Historicamente, as topologias iniciais de implementação das redes LAN utilizavam dois modelos, que eram o barramento e a topologia em anel. Na topologia em barramento, todos os dispositivos finais de usuário eram interconectados diretamente entre si, através de um cabo coaxial, com uma terminação em cada extremidade desse cabo. Nesse modelo de rede, os equipamentos intermediários, tais como os switches, não eram usados. Já nas ESTRELA ANEL ESTRELA ESTENDIDA 16 topologias em anel, cada dispositivo era conectado a um dispositivo adjacente, formando um anel. A rede em anel não necessita de terminação física como a topologia em barramento. Algumas das tecnologias legadas que utilizavam a topologia em anel eram o fiber distributed data interface (FDDI) e o token ring. Nas redes atuais, a topologia em anel é utilizada apenas para a interconexão entre os elementos do cabeamento estruturado, que serão vistos no final desta aula. Além dessas topologias, também podemos ter apenas dois dispositivos conectados diretamente em uma rede LAN ethernet, por exemplo, dois roteadores interconectados por meio de suas interfaces ethernet. Esse seria um exemplo de como o protocolo ethernet pode ser utilizado em uma topologia ponto a ponto, mas é uma topologia não tão usual. TEMA 3 – O MODELO OSI A principal contribuição da ISO para a nossa área de redes de comunicação é o modelo OSI, amplamente empregado na classificação dos diversos protocolos usuais no processo de comunicação das redes de dados. O modelo OSI define sete camadas envolvidas no processo de comunicação, sendo que cada protocolo é associado a uma das camadas do modelo OSI, em função do processo realizado por cada uma delas. A utilização de um modelo em camadas para descrever protocolos e operações de rede apresenta diversos benefícios, que são: • suportar o desenvolvimento dos protocolos, pois assim os protocolos que operam em uma determinada camada terão as informações detalhadas sobre as suas atribuições em relação à interface e sobre as camadas que se encontram acima e abaixo daquela; • permitir a concorrência de mercado, pois os produtos e soluções de diferentes fornecedores poderão operar em conjunto, sem problemas de compatibilidade; • impedir que uma mudança de tecnologia, ou de capacidade, em uma determinada camada afete as outras camadas acima e abaixo da camada que sofreu a modificação; • fornecer uma linguagem comum, de referência, para descrever as funções e capacidades de rede. 17 Por exemplo, os dois protocolos que foram referenciados anteriormente, que são o protocolo ethernet e o protocolo IP, operam em conjunto e, de acordo com a classificação do modelo OSI, eles estão definidos nas camadas 2 e 3, respectivamente. Assim, as atribuições de cada um deles, bem como a interface entre eles estão muito bem definidas, permitindo que haja a comunicação através da rede. 3.1 As camadas do modelo OSI As sete camadas descritas no modelo OSI são mostradas na Figura 14 e referenciadas por seu número ou sua referência (nome). Também encontramos a referência ao modelo OSI com a sigla que inclui o termo em inglês, que é layer. Assim, por exemplo, um switch que possui as funcionalidades de operação na camada 3, do modelo OSI, é chamado de switch layer 3 ou switch L3. Figura 14 – O modelo OSI Crédito: Luis Jose Rohling. O modelo de referência OSI fornece uma extensa lista de funções e serviços que podem ocorrer em cada uma das sete camadas,garantindo a consistência entre os diversos protocolos e serviços de rede, descrevendo o que deve ser realizado em cada uma das camadas, mas não definindo como isso deve ser realizado. E o modelo OSI também descreve a interação de cada camada com as camadas que se localizam diretamente acima e abaixo daquela. APRESENTAÇÃO APLICAÇÃO SESSÃO REDE TRANSPORTE ENLACE DE DADOS FÍSICA 6 7 5 3 4 2 1 18 3.2 As camadas de aplicação e de apresentação Na camada 7 do modelo OSI, que é a camada de aplicação, temos a interação com o usuário e os aplicativos utilizados pelo usuário para o envio de mensagens, tal como um programa de e-mail ou um programa de conversa on- line, também chamado de chat. E, quando navegamos na internet, usamos um navegador, chamado de browser. Assim, podemos ter a utilização de diversos softwares diferentes, sendo que todos eles farão a interface com o usuário e com a camada inferior, que poderá ser a camada de apresentação. No entanto, alguns aplicativos poderão incluir mais camadas, fazendo a comunicação diretamente com uma camada ainda mais abaixo, no modelo OSI. Portanto, um software poderá implementar a camada 7 e algumas outras camadas abaixo. Na camada de apresentação, que é a camada 6 do modelo OSI, temos os protocolos que farão a codificação dos dados, quando necessário, para que eles sejam preparados para o transporte pela rede. Nessa camada, o usuário já não tem uma visibilidade tão clara do que está acontecendo no processo de comunicação e é nela que acontecerá o processo de codificação da informação. Quando você acessa um determinado site que contém imagens, normalmente essas imagens foram digitalizadas e codificadas utilizando um determinado padrão, que é o chamado codificador/decodificador (Codec). Assim, talvez você já tenha tido a experiência de não conseguir abrir determinado arquivo ou conteúdo, recebendo a mensagem de que o Codec desse arquivo ou conteúdo não foi localizado. Isso irá acontecer quando o método utilizado para codificar os dados pelo transmissor não for reconhecido pelo receptor. 3.3 As camadas de sessão e de transporte Muitas vezes, quando você está navegando na internet, acessa vários conteúdos (sites) simultaneamente, abrindo várias abas em seu navegador (browser). Para que isso seja possível, cada nova aba que você abre necessitará estabelecer uma nova comunicação com um site diferente, ou seja, novas sessões. Portanto, como o próprio nome já indica, a camada de sessão, que é a camada 5 do modelo OSI, será responsável por abrir essas novas conexões, permitindo a comunicação com vários destinatários diferentes. Além de abrir várias sessões utilizando a mesma aplicação, como no exemplo anterior, podem ser abertas diversas sessões, com aplicativos diferentes. Isso acontece quando 19 você abre diversas aplicações, tais como o e-mail, o browser e um aplicativo de chat. Cada uma delas abrirá uma nova sessão de comunicação, mas envolvendo protocolos diferentes, na camada de aplicação. Na camada 4 do modelo OSI, temos a camada de transporte, que terá a responsabilidade de controlar o tráfego das diversas sessões, de modo que possam ser tratadas pela camada de rede. Como podemos ter diversas sessões abertas simultaneamente, a camada de transporte terá que identificar cada uma delas, de modo que, quando as respostas retornarem, ela possa entregar os dados para a aplicação correta. E essa identificação é feita com o uso do chamado número de porta. Nesse processo de comunicação, teremos um número de porta tanto do lado do emissor quanto do receptor dos dados. Assim, quando você abre diversas abas em seu navegador, criando várias sessões, a camada de transporte atribuirá um número de porta a cada uma delas. Figura 15 – As portas na camada de transporte Crédito: Luis Jose Rohling. Além da identificação das sessões, por meio do número de porta, a camada de transporte também deverá adequar os dados a serem transmitidos à capacidade de transmissão da rede. Esse processo exige duas tarefas adicionais para os protocolos de transporte, que são a segmentação e o controle de fluxo. A segmentação consiste na divisão dos dados recebidos da aplicação de acordo com a capacidade de transmissão do protocolo utilizado na camada inferior, ou seja, do protocolo da camada de rede. Essa estrutura criada na camada de transporte é chamada de segmento. Desse modo, quando você envia Browser Aba 1 Browser Aba 2 E-mail Camada de Transporte Porta 1 Porta 3 Porta 2 20 um e-mail, por exemplo, esse e-mail poderá ser dividido em diversos segmentos, de acordo com seu tamanho, para que seja possível enviá-lo pela rede. Para implementar o controle de fluxo, os protocolos de transporte normalmente usam mecanismos de confirmação do recebimento pelo destinatário. Assim, caso os segmentos enviados não sejam recebidos corretamente pelo destinatário, o protocolo de transporte adequará a taxa de envio, buscando obter o melhor desempenho possível da rede. Figura 16 – Processo de segmentação Crédito: Luis Jose Rohling. 3.4 As camadas de redes: enlace e física Na camada de rede, que é a camada 3 do modelo OSI, é que temos o processo de encaminhamento do tráfego entre os terminais. Assim como no processo de comunicação por meio da rede telefônica, cada terminal deverá ter o seu identificador único e exclusivo, para que possa ser localizado na rede. Desse modo, quando você deseja estabelecer uma chamada telefônica, deve conhecer o identificador do seu interlocutor. E quando você deseja acessar o conteúdo ou serviço de algum servidor na internet, também deve conhecer o identificador desse servidor. Os dispositivos intermediários de rede, que fazem o encaminhamento do tráfego, operando na camada 3, são os roteadores. E outra função dos roteadores é fazer a interligação entre as redes, bem como a interligação entre a rede LAN e a WAN. Por exemplo, na conexão da sua rede residencial, ou da E-mail Camada de Transporte Segmento 1 Segmento 2 Segmento 3 21 empresa onde você trabalha, certamente existirá um roteador que conecta essa rede à rede do seu provedor de acesso à internet. Na camada 2 do modelo OSI, que é a camada de enlace de dados, também chamada de link de dados, teremos os protocolos que farão o controle de acesso ao meio físico. Muitos protocolos de rede acabam contemplando também a camada 1, pois o controle de acesso ao meio deverá estar integrado ao meio físico utilizado. Assim, poderá ser necessária uma troca do protocolo de camada 2, em função da mudança de meio físico no processo de comunicação entre dois dispositivos intermediários de rede. Na camada física, que é a camada 1 do modelo OSI, teremos a codificação dos sinais para que esses sejam transmitidos adequadamente pelo meio físico utilizado. E assim o protocolo a ser utilizado dependerá do meio físico empregado para a conexão dos dispositivos de rede, sejam os dispositivos terminais de usuários, que poderão se conectar à rede através de cabos de rede, wireless ou até mesmo fibra óptica; sejam os dispositivos intermediários de rede, tais como switches e roteadores, que também poderão utilizar um dos três tipos de meio físico para sua interconexão. TEMA 4 – O MODELO TCP/IP Sendo a principal rede de comunicação, a internet também necessita de diversas especificações para garantir a sua operação. Várias organizações, com diferentes responsabilidades, estão envolvidas nesse processo, promovendo e criando padrões para a internet e, especificamente, para o protocolo TCP/IP, como: • Internet Society (Isoc) – responsável por promover o desenvolvimento aberto e a evolução do uso da internet em todo o mundo. • Internet Architecture Board (IAB) – responsável pela gestão geral e desenvolvimento de padrões de internet. • IETF – desenvolve, atualizae mantém as tecnologias de internet e o protocolo TCP/IP. Isso inclui o processo e a documentação para o desenvolvimento de novos protocolos e a atualização dos protocolos existentes, conhecidos como requests for comments (RFCs). • Internet Research Task Force (IRTF) – focado nas pesquisas de longo prazo relacionadas à internet e aos protocolos TCP/IP, tais como o Anti- 22 Spam Research Group (ASRG), o Crypto Forum Research Group (CFRG) e o Peer-to-Peer Research Group (P2PRG). Além dessas organizações, temos as instituições envolvidas com o gerenciamento do endereçamento e dos domínios da internet: • Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (Icann): com sede nos Estados Unidos, coordena a alocação de endereços IP, o gerenciamento de nomes de domínio e a atribuição de outras informações usadas nos protocolos TCP/IP. • Internet Assigned Numbers Authority (Iana): responsável por supervisionar e gerenciar a alocação de endereços IP, nomes de domínio e identificadores de protocolo para a Icann. 4.1 O modelo em camadas TCP/IP O modelo de protocolo TCP/IP para comunicações de redes foi criado no início da década de 1970 e, às vezes, é referenciado como sendo o modelo da própria internet. Esse tipo de modelo combina de maneira resumida a estrutura de um determinado conjunto de protocolos envolvidos no processo de comunicação nas redes da dados. O modelo TCP/IP também é chamado de modelo de referência de protocolos porque descreve as funções que devem ocorrer em cada uma das camadas do conjunto de protocolos TCP/IP. Figura 18 – O modelo TCP/IP Crédito: Luis Jose Rohling. ACESSO AO MEIO INTERNET TRANSPORTE APLICAÇÃO 23 O modelo TCP/IP é um modelo mais reduzido, organizado em apenas quatro camadas: 1. Camada de aplicação: faz a apresentação dos dados para o usuário e pode incluir o controle da comunicação e a codificação dos dados. 2. Camada de transporte: faz o controle da comunicação entre os diversos dispositivos, através das diversas redes. 3. Camada de internet: determina o melhor caminho através da rede. 4. Camada de acesso ao meio: faz o controle da utilização do meio físico e dos dispositivos de hardware de conexão à rede. 4.2 Os protocolos IETF Os protocolos definidos pelo IETF para o modelo TCP/IP estão disponíveis nas camadas de aplicação, transporte e internet, porém não definem nenhum protocolo TCP/IP para a camada de acesso à rede. Os protocolos para a rede LAN, para a camada de acesso de rede mais comuns são os protocolos ethernet e rede local sem fio (Wlan), que são responsáveis pela entrega do pacote IP para transmissão através do meio físico. Na Figura 19, temos um exemplo do processo de comunicação baseado no modelo TCP/IP, para uma mensagem enviada através da rede, que requer o uso de vários protocolos, sendo que cada protocolo terá suas próprias funções e formato. No exemplo, podemos ainda identificar os protocolos de rede utilizados quando um dispositivo envia uma solicitação a um servidor web, fazendo a requisição de uma página web. Figura 19 – O modelo TCP/IP Crédito: Luis Jose Rohling. Ethernet IP TCP HTTP 24 Na Figura 19, temos o emprego de quatro protocolos: 1. Na camada de aplicação: hypertext transfer protocol (HTTP). Esse protocolo determina a forma como um servidor web e um cliente da web interagem. O protocolo HTTP define o conteúdo e a formatação das solicitações e respostas que são trocadas entre o cliente e o servidor e utiliza outros protocolos para definir como as mensagens são transportadas entre o cliente e o servidor. 2. Na camada de transporte: TCP. Esse protocolo gerencia as conversas individuais, sendo responsável por garantir a entrega confiável das informações e gerenciar o controle de fluxo entre os dispositivos finais. 3. Na camada de internet: IP. Esse protocolo é responsável por entregar mensagens do remetente ao receptor, fazendo a sua identificação na rede. O protocolo IP também é utilizado pelos roteadores para encaminhar as mensagens através das redes existentes. 4. Na camada de acesso ao meio: ethernet. Esse protocolo é responsável pela entrega de mensagens de uma interface de rede para outra, na mesma rede LAN. Figura 20 – Os protocolos e o modelo OSI Crédito: Luis Jose Rohling. APRESENTAÇÃO APLICAÇÃO SESSÃO REDE TRANSPORTE ENLACE DE DADOS FÍSICA 6 7 5 3 4 2 1 ACESSO AO MEIO INTERNET TRANSPORTE APLICAÇÃO 25 Atualmente, o conjunto de protocolos TCP/IP inclui muitos protocolos e continua a evoluir para suportar novos serviços, sendo que alguns dos protocolos mais utilizados nas redes são: • Domain name system (DNS); • Dynamic host configuration protocol, versões 4 (DHCPv4) e 6 (DHCPv6); • Simple mail transfer protocol (SMTP); • Post office protocol version 3 (POP3); • Internet message access protocol (Imap); • File transfer protocol (FTP); • SSH file transfer protocol (SFTP); • Trivial file transfer protocol (TFTP); • HTTP; • HTTP secure (HTTPS). Esses protocolos e sua aplicação nas redes serão vistos em detalhes em nossas próximas aulas. TEMA 5 – O CABEAMENTO ESTRUTURADO Outra organização que publica normas para a área de redes é a Telecommunications Industry Association/Electronic Industries Association (TIA/EIA), que estabelece os padrões que devem ser utilizados para a elaboração de projetos de infraestrutura de redes, o que é chamado de cabeamento estruturado. Assim, a TIA/EIA publica uma série de normas que definem os padrões de instalação bem como os componentes para se implementar uma infraestrutura de redes. E a série de normas que especifica as regras a serem empregadas na elaboração dos projetos de cabeamento estruturado é a TIA-568, que é composta de cinco documentos: 1. TIA-568.0 – Generic Telecommunications Cabling for Customer Premises 2. TIA-568.1 – Commercial Building Telecommunications Infrastructure Standard 3. TIA-568.2 – Balanced Twisted-pair Telecommunications Cabling and Components Standard 4. TIA-568.3 – Optical Fiber Cabling and Components Standard 5. TIA-568.4 – Broadband Coaxial Cabling and Components Standard 26 Para a elaboração de um projeto de cabeamento estruturado de um edifício comercial, deveremos, então, utilizar a norma TIA-568.0, que estabelece as premissas básicas de um sistema de cabeamento estruturado, em conjunto com a TIA-568.1, que define os elementos específicos para a implementação da infraestrutura da rede lógica em um edifício de uso comercial. A principal finalidade da utilização dos padrões definidos em norma é garantir que o projeto seja elaborado de forma que os componentes apresentem o desempenho deles esperado. Assim, por exemplo, serão definidas as distâncias máximas entre os pontos de conexão dos equipamentos de rede, garantindo-se que, independentemente do fabricante dos equipamentos, o processo de comunicação através da rede funcione adequadamente e os sinais recebidos tenham um nível adequado a sua correta interpretação. E essas normas também orientarão os fabricantes dos componentes da infraestrutura, tais como cabos e conectores, assegurando que, no seu processo de fabricação, sejam atendidas as especificações das normas, de forma que os equipamentos atinjam o desempenho requerido para a rede. Assim, podemos ter a certeza de que, independentemente do fabricante do cabo, do conector, do switch e do computador, o processo de comunicação ocorrerá da maneira esperada. E, além de servir como base para a elaboração do projeto de infraestrutura, a adoção das normas de cabeamento estruturado permitirá uma operação e manutenção mais eficientes da rede, pois o modelo de interconexão dos componentes em uma estrutura hierárquica permitirá um processo de análise e diagnóstico de falhas da rede de maneira muito mais rápida e eficiente. 5.1O padrão de hierarquia da rede A norma TIA-568.0 define que um sistema de cabeamento estruturado deve ser implementado em uma topologia hierárquica em que temos diversos elementos de manobra, que são chamados de cross-connect e se interligam formando uma topologia em estrela. No ponto central da estrela, teremos o elemento de manobra principal, que é chamado de main cross-connect. Nesse elemento central da topologia hierárquica, serão feitas as conexões da rede com os serviços externos e a distribuição das conexões para a rede interna. Assim, no main cross-connect, será realizada a conexão do equipamento de conexão principal, que é o switch core, com a infraestrutura de cabeamento estruturado. 27 Figura 21 – A hierarquia do cabeamento estruturado Crédito: Luis Jose Rohling. A partir do elemento principal de manobra, que é o main cross-connect, teremos o cabeamento que seguirá para as demais áreas da empresa, sendo que ele poderá ser do tipo metálico ou fibra óptica, o que dependerá da distância e da largura de banda necessárias para a conexão entre o switch core e os switches de distribuição ou de acesso. Na topologia do cabeamento estruturado, a partir do elemento principal, teremos a conexão do segundo nível de manobra, que poderá ser o horizontal cross-connect ou o intermediate cross-connect. O intermediate cross-connect é um componente opcional, que poderá ser utilizado em uma infraestrutura com mais de um prédio, em que teremos um intermediate cross-connect, em cada um dos prédios secundários, para realizar a conexão desse intermediate cross- connect com os horizontal cross-connect daquele edifício. O componente também pode ser usado quando temos diversos horizontal cross-connects em um mesmo andar, quando será necessária a instalação de um ponto de Intermediate Cross-Connect Main Cross-Connect Horizontal Cross-Connect Horizontal Cross-Connect T T T T T T TO – Telecomm 28 concentração nesse andar, o que será implementado com o intermediate cross- connect. Caso contrário, seria necessário realizar a conexão de todos os horizontal cross-connects até o main cross-connect, não sendo permitida uma interligação entre os horizontal cross-connects, em cascata, pois a topologia deve ser necessariamente em estrela. E a norma TIA define que devemos ter pelo menos um horizontal cross- connect por andar, a partir do qual teremos a interligação com os pontos de conexão dos equipamentos do usuário, que são chamados de telecomm outlet (TO). A norma ainda define que, para cada área de trabalho onde tivermos a conexão do usuário, deverão ser disponibilizados dois pontos de conexão. Assim, por exemplo, em um sistema de cabeamento estruturado que vise atender a uma empresa com 100 funcionários, teremos 200 TOs. 5.2 Os espaços normatizados Além dos elementos de manobra, que devem estar dispostos em uma topologia hierárquica em estrela, as normas de cabeamento estruturado também definem os espaços onde serão instalados esses elementos de manobra, definindo as funções de cada um deles, bem como os requisitos para sua implantação em um projeto de infraestrutura de cabeamento estruturado. E esses componentes incluem o cabeamento de interconexão entre os elementos de manobra e também os espaços físicos que devem ser previstos para a instalação dos equipamentos e conexões. Assim, em um sistema de cabeamento estruturado de um edifício comercial, deveremos ter os seguintes componentes: • Entrada de facilidades; • Sala de equipamentos; • Armário (ou sala) de telecomunicações; • Área de trabalho; • Cabeamento de backbone; • Cabeamento horizontal. 29 Figura 22 – Os componentes do cabeamento estruturado Crédito: Luis Jose Rohling. Assim, para garantir que a infraestrutura de camada física atenda aos requisitos dos equipamentos de comunicação em redes de dados, é necessária a aplicação das normas de cabeamento estruturado na elaboração do projeto, para que a infraestrutura da rede disponha dos padrões mínimos para o seu correto funcionamento, bem como da hierarquia estabelecida nessas normas. FINALIZANDO Para que as redes sejam confiáveis, conforme vimos no início desta aula, devemos, basicamente, preencher os seguintes requisitos: a escalabilidade, a tolerância a falhas e a segurança. E, para atender a esses requisitos, diversas medidas deverão ser adotadas já na etapa da elaboração do projeto de infraestrutura da rede. Dessa forma, a adoção das normas de cabeamento Entrada de Facilidades Sala de Equipamentos Armário de Telecom Área de Trabalho Cabeamento Horizontal Cabeamento de Backbone Área de Trabalho Armário de Telecom Área de Trabalho Área de Trabalho Térreo 1º Andar 2º Andar 30 estruturado contribuirá para garantir os requisitos de escalabilidade, de tolerância a falhas e de segurança, conforme descrito a seguir. Ao utilizarmos os padrões descritos nas normas TIA-568 temos a garantia da escalabilidade, pois os padrões descritos nessa norma são aplicáveis em uma rede com poucos pontos ou em uma rede com milhares de pontos. Assim, ao adotarmos essa norma na elaboração do projeto de infraestrutura da rede desde o início, mesmo que a rede contenha poucos terminais conectados, certamente poderemos adotar os mesmos padrões quando for necessário expandirmos a rede, para o atendimento de mais pontos de conexão à rede. Por exemplo, podemos implementar uma rede que contenha poucos computadores, utilizando apenas um switch, conectado a um roteador, mas já adotando os padrões de instalação do cabeamento estruturado. Assim, deverá ser feita a interligação das áreas de trabalho à sala de equipamentos, onde estarão instalados os equipamentos intermediários de rede, sendo que o cabeamento deverá ser terminado no equipamento de manobra, que é o horizontal cross-connect. Quando for necessária a ampliação da rede, caso os novos pontos sejam instalados no mesmo andar, poderemos apenas instalar mais um equipamento de manobra, ou seja, mais um horizontal cross-connect, e instalarmos mais um switch na sala de equipamentos. No entanto, nessa expansão dos equipamentos de rede, o ideal é também adotarmos a topologia em estrela, com um switch core conectado aos dois switches de acesso. Com instalação de um switch core, poderemos expandir a rede com a instalação de novos switches de acesso conectados a esse switch core, até a ocupação de todas as suas portas, mantendo a topologia hierárquica. Com a adoção de uma topologia em estrela hierárquica, temos também uma maior garantia de segurança da rede, pois todas as conexões poderão ser devidamente identificadas e ser nelas aplicadas as regras de segurança do acesso de cada um dos terminais de usuário. Ou seja, com a adoção das normas de cabeamento estruturado, poderemos identificar corretamente a que porta de switch cada usuário está conectado, aplicando-se, assim, as configurações de segurança de acordo com o perfil do usuário, asseverando a segurança da rede. Além dos requisitos de segurança, para que a comunicação de dados ocorra de maneira eficiente, teremos a aplicação dos protocolos, que deverão atender aos requisitos do processo de comunicação, o que também dependerá do tipo de aplicação utilizada pelo usuário. Assim, em nossas próximas aulas, 31 estudaremos em detalhes os diversos protocolos usados nas redes, tendo como base o modelo em camadas, para que possamos identificar quais são as funcionalidades de cada um dos protocolos e como eles complementam os recursos providos pelos protocolos das demais camadas para garantir o cumprimento total dos requisitos de cada processo de comunicação. Conversa inicial FINALIZANDO