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Ordenamento territorial do Brasil 
O Estado brasileiro contribui e continua contribuindo decisivamente para a produção do espaço geográfico nacional. 
Como já foi dito anteriormente, o Brasil nasce como um território, não como um povo. 
 
O conceito de espaço na geografia 
“O espaço é um conjunto de objetos e um conjunto de ações. É ao mesmo tempo forma (como as estruturas de uma 
cidade) e função (o processo de ações humanas que constroem a paisagem). É indivisível dos seres humanos que o 
habitam e que o modificam todos os dias, através de sua tecnologia”. 
 
O conceito de território na geografia 
“Porção do espaço definida pelas relações de poder, passando assim da delimitação natural e econômica para a de 
divisa social. O grupo que se apropria de um território ou se organiza sobre ele cria relação de territorialidade, que se 
constitui em outro importante conceito da geografia. Ela se define como a relação entre os agentes sociais políticos e 
econômicos, interferindo na gestão do espaço”. Territorialidade é a ideia de domínio, de controle. 
 
O conceito de região 
Região é uma parte do espaço geográfico delimitada a partir de um critério. Os recortes regionais não são imutáveis 
(São Paulo já foi parte da região Sul do Brasil, por exemplo). 
Há uma percepção de desenvolvimento desigual nas porções do território, o que faz com que o conceito de regiao 
seja central para a produção desse espaço. É previsão constitucional a prioridade do Estado brasileiro em reduzir a 
desigualdade regional. 
 
O ordenamento territorial é a expressão da organização territorial, que se caracteriza pelas múltiplas dimensões (física, 
cultural, politica, econômica e social), nas varias escalas geográficas. Reflete as múltiplas facetas do “viver” das pessoas 
no espaço físico. Abrange todas as áreas de planejamento de que tem impacto sobre a organização do território. Pela 
Constituição brasileira, art.21,IX, é competência da União “elaborar e executar planos nacionais e regionais de 
ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social”. Determinadas políticas setoriais como proteção 
do meio ambiente, expansão do agronegócio, redução da concentração industrial, revisão das matrizes de transporte, 
energia e informação, redução das desigualdades regionais, valorização da diversidade cultural, deverão estar 
incluídas numa política de ordenamento territorial ambiciosa. Respeitar o meio ambiente; distribuir melhor as 
atividades agropecuárias, modernas, as indústrias e serviços de ponta; diversificar as fontes de energia; favorecer o 
crescimento de cidades médias, etc. contribuem para reequilibrar o território nacional. 
A posse e o controle do território tem, classicamente, sustentado a construção do Estado no Brasil, o qual antecede, 
historicamente, a própria nação. A relação clássica entre Estado e território aponta para a implantação das formas 
estruturantes deste ultimo pelo papel dirigente do poder unidimensional do Estado. No pós-30, o Estado 
desenvolvimentista consolida as principais infraestruturas estratégicas acionais e, com isso, assume o papel de 
principal artífice da construção da nação. 
 
O Brasil quebra o modelo de arquipélagos econômicos na década de 30 do século passado – até então, a produção 
voltada para o mercado externo não exigia grande integração do interior do Brasil. A construção de rodovias tem papel 
importante nesse processo de integração. 
• Marcha para o Oeste (governo Vargas) 
• SPVEA – Superintendência de Valorização Econômica da Amazônia (governo Vargas) 
• Construção de Brasilia (governo JK) 
• Projeto de avanço da agricultura para o Centro Oeste 
• Período militar e a Amazônia: o Programa de Integração Nacional 
No governo Vargas, há uma preocupação grande com a região central do Brasil sem ocupação (contexto de guerra 
mundial). Temos, nesse período, a construção de Goiânia (1933), as colônias agrícolas nacionais, etc. A construção de 
Brasilia ajuda a desenvolver e dinamizar o espaço do Brasil central. 
No período militar, a Amazônia é foco dos objetivos geopolíticos. 
Políticas de desenvolvimento regional não são exclusividade da história brasileira – diversos países, como os EUA, 
tiveram ao longo de suas histórias políticas de planejamento e desenvolvimento do território. 
 
A política de desenvolvimento regional no Brasil 
No Brasil, as ideias de Francois Perroux – somadas às da CEPAL (desenvolvimento autocentrado, industria como setor 
chave, substituição de importações) – tiveram grande repercussão, sendo importantes para a criação da SUDENE 
(1959), da SUDAM (1966) e outras (Sudeco, Sudesul, Suframa). Perroux se baseia na ideia de que o capitalismo tem 
uma tendência inicial concentradora de recursos, inclusive geograficamente; cabe ao Estado, portanto, criar polos de 
desenvolvimento em áreas mais “atrasadas”. A inspiração para a criação das superintendências era, portanto, que o 
desenvolvimento depende da ação do Estado, criando-se infraestrutura e promovendo a criação e/ou expansão de 
polos de desenvolvimento (Manaus para a Amazônia, Recife para o Nordeste, polo agroindustrial de Juazeiro/Petrolina 
para o Vale do São Francisco, etc). 
 “O crescimento não surge em toda parte ao mesmo tempo; manifesta-se com intensidades variáveis, em 
pontos ou polos de crescimento; propaga-se, segundo vias diferentes e com efeitos finais variáveis, no conjunto da 
economia […] O crescimento e o desenvolvimento dum conjunto de territórios e de populações não serão, por 
conseguinte, conseguidos senão através da organização consciente do meio de propagação dos efeitos do polo de 
desenvolvimento. São órgãos de interesse geral que transformam o crescimento duma industria ou duma atividade em 
crescimento uma nação em vias de formação e os desenvolvimentos anárquicos em desenvolvimento ordenado.” 
(Perroux, 1967) 
 
Polocentro: criado no início do Governo Geisel, em 1975, “destinava-se a construção de armazéns, ao apoio a pesquisa 
e à assistência técnica, ao sistema de transporte, à rede de energia e à exploração do calcário. Tinha como objetivo o 
desenvolvimento e modernização das atividades agropecuárias da regiao Centro-Oeste e do oeste do Estado de Minas 
Gerais, mediante a ocupação regional das áreas em características de Cerrados e seu aproveitamento em escala 
empresarial. 
 
A década de 80 é marcada por um declínio no planejamento estatal do território – justamente por conta de uma 
tentativa de participação mínima do Estado. A retomada acontece no governo FHC, na década de 90, com as PPA’s e 
os Enid’s (eixos nacionais de integração e desenvolvimento). Os planos plurianuais (PPA’s) são obrigatórios de acordo 
com a Constituição (esses planos cobrem três anos de um mandato e 1 do próximo, justamente para garantir certa 
continuidade na ação estatal); o governo FHC deu forte ênfase a esses planos, lançando os eixos nacionais de 
integração e desenvolvimento (que não são polos, são eixos – justamente como uma ideia de planejamento e 
desenvolvimento amplo). 
A própria IRSA (Iniciativa de Integração da Infraestrutura Sul-Americana) é quase uma extensão dos Enid’s para os 
países vizinhos. 
O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), criado em 2007, promoveu a retomada do planejamento e execução 
de grandes obras de infraestrutura social, urbana, logística e energética do país, contribuindo para o seu 
desenvolvimento acelerado e sustentável. Pensado como um plano estratégico de resgate do planejamento e de 
retomada dos investimentos em setores estruturantes do país, o PAC contribuiu de maneira decisiva para o aumento 
da oferta de empregos e na geração de renda, e elevou o investimento público e privado em obras fundamentais. 
É obrigatoriedade exigida pela Constituição Federal de 1988 a existência de programas de desenvolvimento regional. 
Vale ressaltar que os focos de desenvolvimento regional não se dão somente no “macro”, visto que existem também 
regiões menos desenvolvidas dentro das macrorregiões mais desenvolvidas (comoSul e Sudeste).

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