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Isadora Pedreira- Módulo XXII. Problema 2
Os distúrbios papuloescamosos constituem um grupo de
dermatoses com características morfológicas distintas. A
lesão primária característica desses distúrbios é uma
pápula, em geral eritematosa, que apresenta escamação
na superfície. Placas ou manchas são formadas a partir
da coalescência das lesões primárias. Algumas
dermatoses papuloescamosas comuns são pitiríases
róseas, líquen plano, dermatite seborreica, tinha do
corpo, pitiríase rubra pilosa, psoríase e parapsoríase.
Erupções farmacológicas, tinha do corpo e sífilis
secundária também podem apresentar morfologia
papuloescamosa. Alguns distúrbios papuloescamosos
podem ser uma manifestação cutânea da Aids.
• ESCAMA: Corresponde a lamínulas
epidérmicas, de dimensões variáveis,
desprendendo-se fácil e continuamente. Essas
lamínulas podem ser pequeníssimas, recebendo
então o adjetivo de pitiriásicas, ou em grandes
retalhos (escamas laminares) . O processo
patológico que conduz à formação das escamas é
um distúrbio de ceratinização cujo epílogo é a
permanência de núcleos achatados
(paraceratose) ao nível da camada córnea
(lamínulas de citoqueratina, normalmente
sem núcleo)
• PÁPULA: Eflorescência de consistência
aumentada, superficial, que mede, em geral,
menos de 5 mm. Provoca certa elevação e, ao
involuir, não deixa cicatriz; à palpação, não
tem representação dérmica significativa, pois
as alterações estão limitadas à derme papilar,
ao contrário do tubérculo. As pápulas podem
ser:
o epidérmicas: ocorrem pelo aumento de
células de uma ou das várias camadas da
epiderme
o dérmicas: consequentes ao aumento de
células mesenquimais ao nível da derme
papilar
o mistas: decorrem da concomitância das
duas anteriores.
A placa é uma lesão elevada, em platô, que surge como
consequência da confluência de numerosas pápulas.
A psoríase é uma doença crônica hiperproliferativa
inflamatória da pele, relativamente comum,
caracterizada pelo surgimento de pápulas
eritematoescamosas que confluem formando placas,
de aspecto tão característico que geralmente não causa
problemas para o diagnóstico. Em alguns casos, está
associada a uma doença articular soronegativa, a artrite
psoriásica. A sua etiopatogenia é desconhecida, embora
seja uma doença imunomediada.
Epidemiologia
A prevalência da psoríase varia em torno de 2% da
população. A doença acomete igualmente ambos os
sexos e aparece em qualquer idade (inclusive
crianças), embora o principal pico de incidência seja
entre 20-30 anos, com um segundo pico entre 50-60
anos.
Aceita-se uma predisposição genética, com herança
multigênica, mas que requer fatores ambientais para
sua expressão. Se um dos progenitores tem psoríase, a
chance de aparecer a doença no descendente é de 8%; se
os dois pais têm psoríase, a chance eleva-se para 40%.
Existe uma correlação da forma cutânea vulgar (mais
comum) com os antígenos HLA-Cw6, B13 e B17, enquanto
as formas artropática e pustulosa estão mais
relacionadas ao HLA-B27 (um importante marcador
genético das espondiloartropatias soronegativas.).
Existem fatores desencadeantes que podem exacerbar a
psoríase:
(1) estresse emocional;
(2) alguns medicamentos, como betabloqueadores,
antimaláricos, sais de lítio, indometacina e
inibidores da ECA;
(3) infecções, como a estreptococcia por S.
pyogenes (psoríase gutata) e a infecção pelo HIV
(forma generalizada de psoríase); e
(4) fatores físicos, como trauma cutâneo (de
qualquer tipo) e outras dermatites, provocando o
fenômeno de Koebner.
Por outro lado, a exposição solar parece ter efeito de
melhora das lesões, um benefício que pode ser explorado
na terapia da doença.
Patogenia e Patologia
A psoríase é uma doença que cursa com atividade
inflamatória da derme papilar (justificando o eritema)
e hiperproliferação da epiderme (justificando
espessamento e descamação). Na epiderme, o ciclo
celular dos queratinócitos está bastante encurtado. A
interação entre os queratinócitos, células de Langhans e
linfócitos T parece ser fundamental para o
desenvolvimento da doença. A expressão de adesinas e a
liberação de mediadores pelas células da epiderme
serdermatites eritematodescamativas e papulares vem
como importante fator de quimiotaxia para neutrófilos e
monócitos. Entre eles, destacam-se os leucotrienos
(explicando a exacerbação pelo uso de indometacina, um
inibidor da ciclo-oxigenase). A doença é mediada pelo
linfócito T, sendo o TNF-alfa uma das principais
citoquinas implicadas na patogênese da doença. A
histopatologia é característica, tendo os seguintes
achados:
(1) paraceratose (aparecimento de núcleo nas
células da camada córnea);
(2) ausência da camada granulosa;
(3) acantose (espessamento da camada espinhosa);
(4) atrofia das áreas suprapapilares;
(5) papilomatose (projeção das papilas dérmicas
sobre a epiderme);
(6) infiltrado inflamatório misto na derme papilar;
(7) acúmulo de neutrófilos dentro do estrato córneo
(microabscesso de Munro) e formando coleções
na epiderme (pústula espongiforme de Kogoj),
esta última envolvida na psoríase pustulosa.
A etiopatogenia da psoríase ainda não é totalmente
compreendida, o que se sabe é que existe a presença de
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base hereditária sendo provavelmente de herança
poligênica e com requisito de fatores ambientais para sua
expressão classificando-a como multifatorial.
A infiltração inflamatória de células T e células
dendríticas é um dos principais pontos da sua
patogênese, as respostas inflamatórias são
principalmente mediadas por Th1 e Th17. Na derme e na
membrana sinovial existe grande quantidade linfócitos
TCD4 que são responsáveis pela secreção de interferon
gama (IFN-γ), fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), fator
transformador de crescimento alfa (TGFα) e
interleucina-8 (IL-8), assim acredita-se que o TNF-α seja
uma das principais citocinas implicadas na patogênese
da doença, já que essa citocina é responsável pelo
estimulo de proliferação de queratinócitos e sinoviócitos
(que estão aumentados na psoríase) e promove a
angiogênese.
Já foi observado em alguns estudos alteração do nível de
AMP cíclico o que acarreta no desequilíbrio na relação
GMPc/AMPc, substâncias responsáveis pela regulação
de crescimento e diferenciação de células. As proteases
responsáveis pela proliferação celular e que tem
capacidade produção de mediadores inflamatórios (via
cascata inflamatória) também podem estar aumentados
na psoríase. Os outros eventos imunológicos que também
estão relacionados com sua patogênese incluem depósito
de imunoglobulina, presença de anticorpos contra a
camada córnea e partes do complemento na epiderme
comprometida.
Logo, em síntese: na placa
psoriásica, há ativação de
células T (CD4) que
secretam linfocinas,
células apresentadoras de
antígenos que quando
ativadas apresentam-se
como células de
Langerhans, macrófagos e
outras células dendríticas,
polimorfonucleares
aumentados e
queratinócitos
hiperproliferados. No caso
da psoríase existe um ciclo
evolutivo das células
epidérmicas mais rápido
do que na pele normal
levando à um maior número de células imaturas
causando então larga produção de escamas
(paraceratose).
Manifestações Clínicas
As lesões típicas são placas eritematoescamosas, bem
delimitadas (envoltas por pele normal), de tamanhos
variados. As escamas são grandes e de tonalidade
prateada (escamas psoriasiformes). Em relação à
distribuição, tamanho e morfologia das lesões, podemos
definir a psoríase vulgar (forma mais comum, com as
lesões típicas supracitadas) e as formas variantes de
psoríase: numular, girata, anular, pustulosa entre
outras. Na maioria das vezes, as lesões são
assintomáticas, embora uma minoria de pacientes
refiraprurido e sensação de queimação,
especialmente nas lesões palmoplantares e
intertriginosas. Algumas lesões de psoríase apresentam
um halo hipocrômico ao
redor das lesões conhecido
como halo de Woronoff.
O sinal de Auspitz (sinal do
orvalho sanguíneo) é
característico e utilizado
como auxílio no diagnóstico
clínico da psoríase: após
curetagem e remoção
mecânica das escamas,
brotam depois de alguns
segundos gotas de sangue da
lesão. Este processo é
denominado curetagem
metódica de Brocq; numa
primeira etapa há o destacamento da escama (sinal da
vela) e posteriormente vamos observar o aparecimento
de uma membrana opaca translúcida chamada
(membrana de Duncan).
O fenômeno de Koebner é característico da psoríase e do
líquen plano. É o surgimento de uma lesão típica da
doença em áreas de trauma cutâneo (cicatrizes) de
vários tipos (abrasões, incisões, queimaduras,
contusões, escoriações, raspagem, depilação, tatuagens,
fricção, fita adesiva etc.), irritantes químicos e outras
dermatites.
É a forma mais comum e uma das mais benignas. Os locais
mais frequentes são, por ordem decrescente: couro
cabeludo, com placas bem delimitadas e seus bordos
aparecem nos limites do escalpo e na região
retroauricular, face extensora dos cotovelos e flexora
dos joelhos, região lombossacral e periumbilical no
tronco, pavilhão auricular e dorso das mãos.
Uma vez instaladas, as lesões tendem a seguir um curso
crônico e flutuante, ocorrendo períodos de remissão em
cerca de 30% dos casos, seguidos por períodos de
exacerbação, de intervalo variável e imprevisível.
Subtipos da psoríase vulgar:
• Psoríase vulgar generalizada: as placas são de
tamanho maior e acometem diversas áreas do
corpo, (FIGURA 5) incluindo couro cabeludo,
tronco e membros.
• Psoríase girata e anular: na psoríase girata, as
placas são confluentes e circinadas; na psoríase
anular, as placas apresentam clareamento
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central e parecem mapas geográficos (FIGURA
6).
Placas eritematosas crônicas com pouca ou nenhuma
descamação, localizadas nas regiões intertriginosas
(axilas, região inguinal, genitália, pescoço). Costumam
ser algo pruriginosas.
As unhas estão
comprometidas em 35-
50% dos casos, sendo
uma importante
característica da
doença. Geralmente, o
paciente também possui
lesões cutâneas da
psoríase, embora existam casos de envolvimento ungueal
isolado. As principais alterações ungueais da psoríase
são: (1) depressões puntiformes (pitting); (2) manchas
amarelas abaixo da lâmina ungueal; (3) descolamento
da lâmina ungueal; (4) fissuras longitudinais; (5)
ceratose subungueal; (6) onicodistrofia grave. Há casos
também de perda ungueal (anoníquia), especialmente
nas formas pustulosas. O comprometimento pode ser de
uma, poucas ou todas as unhas.
Também chamada de psoríase pustulosa de von
Zumbusch, é uma forma de evolução hiperaguda e
episódica, associada a sinais e sintomas sistêmicos. O
principal fator desencadeante é a suspensão abrupta
de corticosteroides sistêmicos, usados (erradamente)
para tratar outras formas de psoríase ou qualquer outra
doença. Pode também ocorrer seguindo uma
farmacodermia exantematosa. Tem o início súbito, com
febre alta, mal-estar, fraqueza, leucocitose
neutrofílica, aumento do VHS e hipocalcemia. A
erupção pustulosa aparece logo após a febre e vem em
surtos que duram vários dias. Há casos registrados de
fatalidade. A psoríase pustulosa disseminada na gravidez
e conhecida como impetigo herpetiforme.
As pústulas são múltiplas, pequenas (2-3 mm),
apresentando halo eritematoso e que se distribuem
simetricamente pelo tronco e extremidades proximais.
As placas eritematosas tendem à confluência, gerando
grandes áreas de eritema contendo as pústulas.
Existem duas formas: (1) psoríase pustulosa
palmoplantar; e (2) acrodermatite contínua de Hallopeau
(pústulas nos quirodáctilos e artelhos).
Psoríase eritrodérmica
É uma forma generalizada de psoríase que se manifesta
com eritema e descamação por quase todo o tegumento
corporal, com alterações na termorregulação,
hemodinâmica e no equilíbrio hidrossalino. Faz
diagnóstico diferencial com outras causas de
eritrodermia difusa, como farmacodermias, dermatite
atópica e micose fungoide com síndrome de Sézary.
É uma forma benigna de início abrupto, com lesões
arredondadas pequenas (0,5-1,5 cm) esparsas,
predominando no tronco superior e extremidades
proximais. Frequentemente acomete crianças ou adultos
jovens dias após uma estreptococcia do trato respiratório
superior.
A lesão articular ocorre em 5-20% dos pacientes com
psoríase, sendo caracterizada por uma artropatia
crônica inflamatória soronegativa (fator reumatoide
negativo), relacionada ao HLA-B27 (espondilite e
sacroileíte) e HLA-B37 e B38 (artrite periférica). As cinco
formas foram devidamente descritas no bloco de
Reumatologia, bem como o diagnóstico e tratamento.
Diagnóstico
Na maioria das vezes é clínico, pelo aspecto e
distribuição das lesões e pela presença do sinal de
Auspitz. Na dúvida, podemos confirmá-lo com a biópsia.
É dermatose inflamatória exantemática, autolimitada,
associada possivelmente a uma reativação endógena
dos herpes-vírus (HHV)-6 e -7.
Epidemiologia
É mais comum entre pessoas jovens, do sexo feminino. A
doença ocorre com mais frequência em certas épocas do
ano, como na primavera ou no outono.
Etiopatogenia
A causa exata da pitiríase rósea permanece indefinida, e
com frequência propõe-se uma etiologia viral. Mais
recentemente, o foco foi posto no herpes-vírus humano 7
(HHV-7) e, em menor grau, no HHV-6. Contudo, alguns
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estudos não mostraram diferença na prevalência do DNA
do HHV-6 e HHV-7 nas células mononucleares do sangue
periférico de pacientes com pitiríase rósea; tentativas de
identificar o DNA do HHV-7 nas lesões cutâneas não
foram bem-sucedidas. Os defensores de uma etiologia
viral 47 apontam para os pródromos sentidos pelos
pacientes, o agrupamento de casos e a quase ausência da
recorrência de episódios, sugerindo resposta imune
contra um agente infeccioso.
Clínica
Inicia-se por uma lesão
chamada placa
mensageira (lesão-
mãe ou medalhão),
caracterizada por uma
lesão
eritematoescamosa
ovalada ou
arredondada, de
crescimento
centrífugo,
alcançando, em média,
2 a 8 cm de diâmetro,
localizada em geral
nos membros ou no
tronco. Depois de 1 a 2
semanas, surge uma
erupção generalizada
de lesões ovalares
menores,
eritematoescamosas. É
típica a localização com
predominância no
tronco, muitas vezes
com distribuição que lembra árvore de Natal; a face
raramente está comprometida. Apresentações atípicas
ocorrem em até 20% dos casos, sendo descritas as formas
liquenoide, urticariana, eczematosa, purpúrica,
pigmentada, eritrodérmica, vesiculosa, eritema
multiforme-símile, pustulosa, gigantea, localizada,
inversa e unilateral. O prurido quase sempre discreto e
não há sintomatologia geral; a involução ocorre dentro
de 1 ou 2 meses; raramente ocorre recidiva é quase
sempre discreto e não há sintomatologia geral; a
involução ocorre dentro de 1 ou 2 meses; raramente
ocorre recidiva.
Gestantes, em especial com formas atípicas de PR que
surjam antes de 15 semanas de gestação, devem ser
acompanhadas mais de perto, pois há maior incidência
de abortamento, prematuros ou mesmo morte fetal.
Diagnóstico
É clínico. O principal diagnóstico diferencial é feito com
sífilis secundária, embora seja excepcional a
necessidade do VDRL para diferenciá-las, já que os
critérios clínicos e de história pessoal são mais que
suficientes. O medalhão lembra tinea. Reações alérgicas,
psoríase e eczema entram no diagnóstico diferencial.
Medicamentossão capazes de produzir quadro clínico
semelhante: metronidazol, captopril, isotretinoína, ouro,
omeprazol, dentre outros. Nesses casos, a lesão em
medalhão pode não estar presente.
Dermatite crônica de caráter constitucional, associando
elementos fisiopatológicos de hiperproliferação
epidérmica a eventual participação do Malassezia spp.
Ocorre em, pelo menos, 5% da população geral, tendo
altíssima incidência nos portadores de infecção pelo
HIV.
Etiopatogenia
Foram demonstradas amplamente alterações na
dinâmica epidérmica (aumento do índice de mitoses e do
trânsito transepidérmico), semelhantes às da psoríase,
porém de menor intensidade. Atualmente, o papel
etiopatogenético da Malassezia spp. é o principal motivo
de disputa. Apesar da distribuição preferencial das
lesões em áreas de grande número e atividade de
glândulas sebáceas e da coincidência da época de
ocorrência da doença com as suas fases de atividade
(recémnatos e pós-puberais), estando ausente durante a
infância, ocorrem discretas alterações na composição do
sebo com aumento de triglicerídios e colesterol e redução
do esqualeno e ácidos graxos livres, de interpretação
duvidosa. Embora a maturação das glândulas sebáceas
possa ser um fator permissivo, o papel da seborreia é
controverso, pois está ausente em alguns casos e pode
ocorrer sem manifestação da DS.
A sua incidência está aumentada na AIDS, doença de
Parkinson (seborreia é frequente), outras doenças
neurológicas (epilepsia, siringomielia e paralisia facial
ou do gânglio trigeminal), uso de medicamentos
(cimetidina, metildopa e neurolépticos), infarto agudo do
miocárdio, má absorção, epilepsia, obesidade e
alcoolismo. A simetria das lesões é a regra;
excepcionalmente, por lesão em troncos nervosos, a
doença é unilateral.
Clínica
As lesões são
maculopapulosas,
eritematosas ou
amareladas, sem brilho,
delimitadas e recobertas
por escamas de aspecto
gorduroso, que se
distribuem pelas áreas
seborreicas (couro
cabeludo, face, regiões pré-
esternal, interescapular,
flexuras axilares e
anogenitais). O prurido,
quando presente, é discreto,
à exceção das lesões no
couro cabeludo. O couro cabeludo está quase sempre
comprometido, muitas vezes isoladamente. A pitiríase
capitis (caspa), caracterizada por descamação
pulvurulenta e difusa, parece ser a fase inicial da DS
nessa região, podendo progredir gradualmente com
surgimento de eritema, aumento da quantidade e
espessura das escamas até um quadro franco de DS.
Frequentemente, há transgressão da orla do couro
cabeludo, com comprometimento da pele adjacente,
formando a chamada coroa seborreica. Nos casos
crônicos, pode haver aumento reversível na queda de
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cabelos. Uma apresentação
muito gordurosa e espessa das
escamas que aderem ao pelo,
denominada pseudotínea
amiantácea, é de ocorrência
eventual.
Escamas aderentes,
principalmente no vértice do
couro cabeludo de recém-natos,
são denominadas crosta láctea.
Muitas vezes, os pacientes se
queixam de pontos dolorosos e
de curta duração decorrentes de
verdadeiras biopsias feitas com
as unhas, inadvertidamente,
pelos próprios.
Eritema, descamação e fissuras
retroauriculares e do ouvido externo são comuns. Na
face, há envolvimento característico da parte interna dos
supercílios, glabela, sulco nasolabial, asas do nariz e
região paranasal, sendo comum a blefarite marginal
(eritema e descamação ciliar), fazendo diagnóstico
diferencial com rosácea.
A manifestação mais comum no tronco ocorre como
lesões, quando bem desenvolvidas, ditas petaloides
(aspecto de pétala), frequentemente vistas nas regiões
interescapular e pré-esternal.
São pápulas eritematodescamativas, inicialmente
foliculares, que, por confluência, originam lesões de
aspecto figurado, com descamação fina central e bordas
mais elevadas e eritematosas que lembram
dermatofitose. Podem ocorrer lesões semelhantes às da
pitiríase rósea e psoríase.
As regiões flexurais mais envolvidas são as axilares,
anogenitais e inframamárias, além da região umbilical,
com aspecto intertriginoso, eritematodescamativo, mais
acentuado no centro, no qual às vezes ocorrem fissuras.
Nessas áreas, a infecção secundária por cândida e
bactérias é a regra.
A doença tende a cronicidade e recorrência, podendo,
eventualmente, evoluir para eritrodermia esfoliativa. É
frequente o seu agravamento ou desencadeamento por
estresse emocional ou físico e pelo frio. A exposição ao
sol, em geral, diminui sua intensidade. Os casos limítrofes
com a psoríase, especialmente o tipo invertido, têm sido
denominados seboríase.
Diagnóstico
O diagnóstico é clínico. Deve-se considerar a
possibilidade de infecção pelo HIV nos casos mais
intensos e abruptos ou não responsivos ao tratamento.
Neles, devemos solicitar sorologia inclusive para HTLV-
1.
Manifestações clínicas
Duração das lesões. Início gradual. Variações sazonais.
Alguns pacientes pioram no inverno em ambientes
fechados e secos. A exposição à luz solar causa
exacerbação da DS em alguns pacientes, enquanto
promove melhora das lesões em outros.
Sintomas cutâneos
O prurido é variável e frequentemente aumenta com a
transpiração.
Lesões cutâneas:
Pele vermelho-alaranjada ou
branco-acinzentada,
frequentemente com máculas
descamativas secas brancas ou
"gordurosas': pápulas de dimensões
variáveis (5 a 20 mm) ou placas
maculosas, nitidamente
demarcadas.
No couro cabeludo, ocorre
principalmente descamação
acentuada ("caspa"), com
acometimento difuso. Lesões
isoladas e dispersas na face. Lesões
numulares, policíclicas e até mesmo anulares no tronco.
Distribuição e principais tipos de lesões (com base na
localização e na idade). Áreas pilosas da cabeça. Couro
cabeludo, supercílios, cílios (blefarite), barba (orifícios
foliculares); crosta láctea: eritema e descamação e
crostas amarelo-alaranjadas de couro cabeludo de
lactentes.
Conceito
Também conhecida como lues, é doença
infectocontagiosa causada pelo Treponema pallidum,
cuja transmissão se faz, na maioria das vezes, pelo
contato sexual. Trata-se de doença sistêmica desde o seu
início e, caso não tratada, pode evoluir cronicamente
com períodos de atividade e de latência, seguindo com
grande precisão determinada cronologia. Pode acometer
praticamente todos os órgãos.
Epidemiologia
Doença pandêmica que ocorre com mais frequência nas
cidades, independentemente da raça ou do sexo, e é mais
comum entre os jovens. A relação é de 1,5 homem para
cada mulher. No Brasil são diagnosticados mais de
1.000.000 casos/ano, número que aumentou de modo
nítido e assustador nos últimos anos. No Brasil, entre
profissionais do sexo e homens que fazem sexo com
homens (HSH), a prevalência fica em torno de 13%, e em
usuários de drogas, 7,2%.
Cronologia e clínica
O conhecimento da história natural da sífilis facilita
muito o diagnóstico correto, os exames laboratoriais a
serem solicitados, o tratamento a ser instituído e o
acompanhamento posterior, os quais variam de acordo
com o estágio da doença.
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Clínica
A sífilis adquirida é
subclassificada em dois períodos:
SÍFILIS RECENTE: apresenta
menos de 1 ano de duração,
abrangendo sífilis primária e
secundária
SÍFILIS TARDIA: apresenta mais
de 1 ano de duração, abrangendo
sífilis terciária. Entre essas fases
podem ocorrer períodos de
silêncio clínico, apenas com
reações sorológicas positivas,
formas essas chamadas sífilis
latente. Dependendo do tempo de
evolução, serãosubclassificadas
como sífilis latente recente (menos de 1 ano) ou tardia
(mais de 1 ano).
SÍFILIS SECUNDÁRIA: Caracteristicamente, surge, em
média, 2 meses após o cancro, como erupçãocutânea
generalizada, simétrica, com aspecto variável, de acordo
com certa cronologia.
Assim, a princípio, as lesões são maculosas (roséolas
sifilíticas). Após semanas, aparecem as sifílides
papulosas ou papuloescamosas (psoriasiformes) e,
raramente, pustulosas. O quadro clínico é
essencialmente monomórfico. A descamação periférica
em algumas lesões é chamada colarete de Biett.
O acometimento da região
palmoplantar é de grande valor
diagnóstico, embora não
patognomônico. Lesões em
corimbo são eventualmente
vistas (lesão maior circundada
por lesões satélites; lembra a
explosão). A ausência de prurido
é característica frequente e
importante no diagnóstico
diferencial, embora,
ocasionalmente, alguns
pacientes relatem esse sintoma.
As lesões na mucosa oral são
denominadas placas mucosas; são múltiplas, erosivas,
assintomáticas, medem cerca de 1cm, são arredondadas
ou ovais.
Na mucosa oral pode apresentar-se outro tipo de lesão,
como a língua despapilada, conhecida como sinal de
Cornill. Nas zonas de atrito (sulco interglúteo, região
inguinofemoral), bem como ao redor do ânus e da vulva,
ocorrem as sifílides papuloerosivas ou, menos
frequentemente, tuberoerosivas, mais conhecidas como
condiloma
plano. Seu
caráter
vegetante
devese às
condições
de umidade
e fricção
próprias
dessas
áreas. São
as lesões
mais
contagiosas dessa fase. Nos indivíduos da raça negra, as
lesões podem apresentar configuração anular e
circinada muito peculiar: são as sifílides elegantes, mais
comuns ao redor dos orifícios naturais (boca, ânus).
O colar de Vênus é representado por lesões hipocrômicas
em torno do pescoço. Sua ocorrência é excepcional,
surgindo tardiamente no secundarismo, com maior
incidência no sexo feminino. Tem evolução prolongada e,
mesmo após tratamento, podem persistir máculas
hipocrômicas limitadas por pele hiperpigmentada.
Os fâneros podem estar
acometidos: alopecia,
madarose, paroníquia e
anoníquia. A alopecia do
couro cabeludo surge
sobretudo nas regiões
temporoparietal e occipital.
Áreas de formatos
irregulares e com cabelos de
comprimentos variados
conferem aspecto de
clareiras na floresta, daí a
denominação de alopecia em
clareira.
A alopecia, entretanto, pode ser difusa, por vezes a única
manifestação da doença. É temporária e reversível após
o controle da infecção. Além do couro cabeludo, os
supercílios (causa de madarose), os cílios, o bigode e a
barba são eventualmente atingidos.
Manifestações gerais incluem micropoliadenopatia
generalizada, mialgias, artralgias, cefaleia, meningite,
febre, emagrecimento, astenia, além de iridociclite,
hepatite, esplenomegalia, gastrite e periostite. Após
poucos meses haverá regressão espontânea das lesões
quando, então, a doença entrará em latência.
Manifestações clínicas
Surge em dois a seis meses após a infecção primária; duas
a 10 semanas após o aparecimento do cancro primário;
seis a oito semanas apos , a regressão do cancro. O cancro
ainda pode estar presente quando surgem lesões
secundárias (15% dos casos). A infecção concomitante
pelo HIV pode alterar a evolução da sífilis secundária.
Febre, faringite, perda de peso, mal-estar, anorexia,
cefaleia, meningismo. As lesões mucocutâ neas são
assintomáticas. Lesões cutâneas da sífilis secundária.
Máculas e pápulas de 0,5 a 1 cm, redondas a ovais; rosadas
ou vermelho-acastanhadas.
O exantema inicial é sempre maculoso e pálido. As
erupções subsequentes podem ser papuloescamosas,
pustulosas ou acneiformes. As lesões vesicobolhosas só
ocorrem na sífilis congênita neonatal (palmas das mãos e
plantas dos pés). As pápulas são de consistência firme à
palpação; os condilomas planos são macios. As lesões
podem ser anulares ou policíclicas, particularmente na
face de indivíduos de pele escura. Na sífilis secundária
recidivante, as lesões são arciformes.
São sempre nitidamente demarcadas, exceto o exantema
maculoso. As lesões são dispersas, tendem a permanecer
distintas e geralmente são simétricas. Condilomaplano:
ocorre mais comumente na região anogenital e na boca;
Isadora Pedreira- Módulo XXII. Problema 2
pode ser
observado em
qualquer
superfície
corporal onde
pode haver
acúmulo de
umidade entre
superfícies
intertriginosas,
isto é, axilas ou
espaços
interdigitais dos
pés.
Conceito e etiologia
Correspondem a
qualquer infecção da
unha causada por fungos.
Os principais agentes
etiológicos são os
dermatófitos. Leveduras
como Candida spp. têm
seu papel bem
estabelecido como
agentes causadores de
onicomicoses juntamente
com outras leveduras bem
menos frequentes, como
Trichosporon spp.
Quando Candida spp.
constituem o agente
etiológico, deve-se levar
em conta a investigação clínica do quadro de candidíase
mucocutânea crônica. A levedura T. beigelii é causa
importante de onicomicose na Coreia. Existe a
possibilidade de coinfecção por esses agentes. Candida
spp. são a principal causa de paroníquia crônica.
Epidemiologia
São raras na infância, embora tenha sido verificado um
aumento recente na prevalência nesta faixa etária. A
incidência é de cerca de 5% em adultos com 55 anos, com
tendência a aumentar com a idade. Como fatores
predisponentes podem ser mencionados: tinea pedis,
hiperidrose, uso de chuveiros públicos, sapatos, meias
sintéticas, unhas morfologicamente alteradas e com
crescimento lento (o que explica a maior prevalência nos
idosos), diabetes, má circulação e deficiência
imunológica, inclusive por terapia imunossupressora.
Clínica
As onicomicoses são classificadas clinicamente em:
subungueais distais e/ou laterais (representam a maioria
dos casos), subungueais proximais, superficiais brancas e
raramente por FFND e onicomicose por Candida. Todas,
com o tempo, evoluem com distrofia, que pode ser parcial
ou total. Em quaisquer das onicomicoses, exceto as por
Candida, é mais prevalente o envolvimento das unhas
dos pododáctilos, provavelmente em função de
traumatismo local associado a crescimento mais lento da
unha.
Dermatofitoses das unhas
As onicomicoses por dermatófitos, que têm como
sinonímia tinea unguium, são a principal causa de
alteração ungueal vista nos consultórios. Em geral,
acometem mais de uma unha, sobretudo dos
pododáctilos.
O acometimento exclusivo de unha do quirodáctilo é
extremamente raro. Por serem crônicas e recalcitrantes à
terapia, as onicomicoses por dermatófitos representam
uma fonte endógena para o acometimento de outras
áreas. Os principais dermatófitos causadores são: T.
rubrum (71%), T. mentagrophytes var. interdigitale
(20%), E. floccosum e T. tonsurans. É absolutamente
incomum ser causada por dermatófitos do gênero
Microsporum. O T. rubrum é quase sempre o agente das
onicomicoses dos quirodáctilos.
A apresentação clínica mais comum é a subungueal distal
e/ou lateral. Estas têm início pela camada córnea do
hiponíquio e do leito ungueal distal que leva a uma
opacidade amarelada e ceratósica. Com a progressão da
infecção para o interior da unha, esta vai se tornando
cada vez mais espessada e distrófica.
A apresentação superficial branca é decorrente da
invasão direta da superfície dorsal da lâmina ungueal
que gera uma coloração esbranquiçada bem demarcada.
É geralmente causada pelo T. mentagrophytes var.
interdigitale e raramente por FFND (Fusarium,
Aspergillus, Acremonium, Scytalidium hialinum). Em
pacientes HIV-positivos, o acometimento das unhas se dá
em aproximadamente 25% dos casos. É múltiplo e mais
frequentemente do tipo subungueal proximal e
superficial branca (T. rubrum e raramente pelo T.
megninii), sendo considerado um marcador para
imunodeficiência.
O acometimento inicia-se na dobra subungueal proximal
que se manifesta pela opacidade esbranquiçada/begeque vai progredindo até surgir ceratose subungueal,
leuconíquia e onicólise proximal. O tratamento tem que
ser sistêmico e mais prolongado nos casos em que haja
imunossupressão.
Dermatofitoma é a manifestação microscópica de uma
infecção fúngica na unha observada pelo exame
micológico direto. Caracterizase pela grande quantidade
filamentos fúngicos, esporos grandes ou ambos, que
chegam a formar uma “bola” de fungos.
Isadora Pedreira- Módulo XXII. Problema 2
Este é um
mecanismo
que o fungo
utiliza para
proteger-se do
hospedeiro,
formando uma
barreira, ou
seja, um
enovelado
fúngico de
difícil
penetração das medicações tópicas e sistêmicas.
O dermatofitoma é uma das causas mais frequentes de
falha terapêutica no tratamento das onicomicoses dos
pododáctilos. O exame direto, quando positivo, revela
micélios septados ramificados e artrósporos. A cultura
promove a diferenciação entre as espécies, além de
viabilizar o rastreamento. Eventualmente, a fonte de
contágio torna possível uma melhor avaliação
prognóstica.
Onicomicose por fungos filamentosos não dermatófitos:
Os agentes das denominadas dermatomicoses são fungos
geofílicos, filamentosos, hialinos (Scytalidium hyalinum,
Scopulariopsis brevicaulis, Aspergillus spp., Fusarium
spp., Penicillium spp. etc.) ou demáceos (Scytalidium
dimidiatum), e causam infecção ungueal mais
frequentemente do que se suspeita.
O diagnóstico de onicomicoses por FFND vem crescendo
nos grandes centros em função do aperfeiçoamento do
diagnóstico desses cogumelos. Esses fungos, em geral, são
contaminantes, porém também podem produzir infecção
ativa, muitas vezes em imunodeprimidos. Já está
comprovado que esses cogumelos invadem a queratina
danificada, causando onicomicose, e, no caso de
Scytalidium spp., podem invadir a queratina sã.
Atualmente, os FFND têm sido valorizados como agentes
causais, e não meramente contaminantes ou
colonizadores secundários.
Mesmo com etiologia variada, a apresentação clínica é
semelhante, a não ser quando o FFND for um fungo
demáceo, ou seja, de paredes escuras e que produzem
lesões igualmente escuras nas unhas. A apresentação
mais característica é semelhante à distal/lateral por
dermatófito, porém, muitas vezes, acompanhada de
paroníquia. Alguns FFND também são capazes de causar
a apresentação superficial branca. Assim como os
dermatófitos, a localização mais frequente é a do 1º
pododáctilo.
Diagnóstico
O exame micológico direto, ainda que corretamente
realizado, frequentemente é negativo (há índices que
chegam a 60% de falso-negatividade) e, quando positivo,
a cultura muitas vezes é negativa, requerendo repetição
por até três vezes se a suspeita for forte para considerá-
lo, de fato, negativo.
São infecções causadas por fungos adaptados à invasão
da camada córnea da pele, pelo e unha, utilizando a
queratina como meio de subsistência, e são chamados
de dermatófitos. Embora não invadam diretamente a
epiderme e a derme, seus antígenos são reconhecidos
pelas células de Langhans e estimulam uma resposta
imunoinflamatória (hipersensibilidade) que atinge a
epiderme e eventualmente a derme superficial.
São conhecidas cerca de 42 espécies de dermatófitos,
abrangendo três gêneros: Microsporum (16 espécies),
Trichophyton (24 espécies) e Epidermophyton (2
espécies). Eles provêm do solo (geofílicos), dos animais
(zoofílicos) e do homem (antropofílicos). Os fungos
antropofílicos estão mais bem adaptados à pele do ser
humano, sendo os responsáveis pela maioria das
infecções; as outras espécies podem desencadear uma
reação inflamatória mais proeminente, devido a sua
pouca adaptação.
Sua distribuição varia por influência de fatores
populacionais, como sexo (mais comum no sexo
masculino); idade (tinha de couro cabeludo é mais
comum em crianças, e tinha do pé e inguinocrural são
mais comuns em adultos); imunidade (maior incidência
no imunocomprometido); hábitos (sociais, culturais,
religiosos e econômicos); populações fechadas
(tripulações de navios e creches têm maior incidência de
dermatofitoses).
O contágio pode ser feito por contato direto com seres
humanos, animais ou solo contaminado, ou
indiretamente, por exposição a fômites contaminados ou
banhos públicos. A colonização começa na camada
córnea da pele, no pelo ou na unha, e a sua progressão
depende da interação dos fatores patogênicos do fungo e
da imunidade do hospedeiro.
A transmissão ocorre pelos esporos assexuados dos
fungos (artrosporos, conídios) liberados de suas hifas
que, após aderirem aos queratinócitos, começam a
germinar, formando um novo micélio.
O diagnóstico pode ser feito com a raspagem das lesões
e demonstrando as hifas na preparação de KOH 10%
(exame micológico direto). O gênero é determinado pela
morfologia de seus conidióforos, e a espécie determinada
pela cultura nos meios ágar de Sabouraud (ágar glicose)
ou ágar de Mycosel (cloranfenicol e cicloeximida).
A palavra tinea (verme) foi utilizada pela primeira vez no
século V por Felix Caesius. Foi empregada no passado
para designar as lesões fúngicas do couro cabeludo,
unhas e pele provocados por dermatófitos. Os
Isadora Pedreira- Módulo XXII. Problema 2
dermatologistas do
passado, ao
verificarem lesões
cutâneas na pele, com
contorno geográfico,
irregular e circinado,
pensaram ser as
micoses de origem
helmíntica, como se
fossem vermes adultos
sobre uma superfície
lisa. Até hoje é adotado
este termo “tinea”,
como exemplos: Tinea
pedis (acomete pé),
Tinea capitis (acomete
couro cabeludo), Tinea
cruris (região inguinal)
etc. Neste momento, tratamos da tínea do couro cabeludo,
causada por dermatófitos do gênero Microsporum ou
Trichophyton.
O cabelo é invadido pelo fungo, quebrando-o perto da
base e deixando uma área tonsurada (alopecia focal).
Existem dois tipos: (1) tínea tonsurante; e (2) tínea
favosa ou favo. O parasitismo pode ser do tipo ectotrix
(acometimento da cutícula capilar) ou endotrix
(acometimento da haste capilar). É mais comum em
crianças entre 4-14 anos (a partir da puberdade, o
aumento das glândulas sebáceas, com produção de
ácidos graxos inibitórios, dificulta a proliferação do
fungo e é por isso que na adolescência há uma tendência
de involução espontânea da Tinea capitis).
Tinea capitis tonsurante-
Agentes etiológicos principais: Microsporum canis (mais
comum); Trichophyton tonsurans. Outros: Trichophyton
rubrum; Microsporum adouinii.
O contágio inter-humano se dá por contato direto ou
através de máquinas de cortar cabelo, pentes ou
escovas. O período de incubação é entre 10-14 dias.
Clinicamente, surge alopecia focal, descamativa,
associada ou não a eritema. Os cabelos são fraturados
próximos à pele, deixando pequenos cotos nas áreas de
tonsura. A tínea microspórica produz uma área única e
grande, enquanto a tínea tricofítica se apresenta com
várias áreas pequenas. O quadro é de evolução crônica.
Na tínea causada pelo M. canis há uma forma aguda com
intensa reação inflamatória, denominada quérion
(Kerion Celsi), caracterizada pela formação de placa
elevada, bem delimitada, dolorosa, com eritema e
formação de pústulas e microabscessos que drenam pus
à expressão manual. O exame da luz de Wood pode
ajudar no diagnóstico da tínea microspórica, ao revelar
fluorescência esverdeada. A confirmação necessita do
exame micológico direto.
Tinea capitis favosa (favo)
Agentes etiológicos: Trichophyton schoenleinii
(principal); Microsporum gypseum (raro).
O T. schoenleinii é um dermatófito antropofílico.
Ocorre em nosso meio geralmente sob a forma de
microendemias na zona rural ou em pequenas
comunidades do interior. Tem caráter crônico e se
apresenta como pequenas lesões crostosas
crateriformes em torno do óstio folicular, que recebem
a denominaçãode
escútula fávica ou
“godet”
(patognomônicas da
tínea favosa!),
acompanhada de
descamação e
supuração. Ocorre
atrofia com alopecia
definitiva devido ao acometimento do bulbo capilar pelo
dermatófito. No exame da luz de Wood, observa-se
fluorescência verde-palha. O exame micológico
confirma o diagnóstico.
Agentes etiológicos
principais:
Trichophyton rubrum;
Trichophyton
mentagrophytes;
Microsporum gypseum.
Existem três tipos
clínicos:
(1) Tipo inflamatório:
idêntico ao quérion do couro cabeludo;
(2) Tipo herpes circinado: lesões anulares circinadas
eritematopapuloescamosas, com vesículas nas bordas;
(3) Tipo sicose da barba: idêntico à foliculite bacteriana
estafilocócica.
Agentes etiológicos principais: Trichophyton rubrum;
Microsporum canis. Outros: Trichophyton
mentagrophytes; Trichophyton
verrucosum; Epidermophyton
flocossum. É a tínea da pele
glabra (pele sem cabelo),
conhecida como “impingem”.
Os três gêneros de dermatófitos
podem causar a Tinea corporis!
A transmissão é inter-humana
(contato direto, fômites,
banhos públicos) ou pelo
contato com cães e gatos.
Podem acometer qualquer
tronco, membros e face (tínea
da face).
Temos três formas clínicas:
vesiculosa, anular e em placas.
Tem caráter pruriginoso. Em
sua forma mais comum trata-se
de lesão eritematosa ou
eritematopapular, de formato
anular, descamativa, com
bordos elevados
eritematodescamativos ou
vesiculosos, únicas ou
múltiplas, e de tamanhos
variáveis. As lesões podem
coalescer dando o aspecto
circinado. O diagnóstico é
Isadora Pedreira- Módulo XXII. Problema 2
confirmado pelo exame micológico direto.
Agentes etiológicos
principais:
Trichophyton rubrum;
Epidermophyton
flocossum. Outros:
Trichophyton
mentagrophytes. É a
tínea da região
perineal ou
inguinocrural,
acometendo a partir da dobra, o períneo, a coxa proximal
e o abdome. O acometimento geralmente é bilateral e a
doença é extremamente pruriginosa. É mais comum nos
homens adultos, nos obesos e diabéticos. As lesões são
eritematoescamosas, por vezes com vesículas. Ao
contrário da candidíase inguinal, poupa a bolsa escrotal
e não apresenta lesões satélites. O diagnóstico é
semelhante ao descrito na Tinea corporis.
Agentes etiológicos
principais: Trichophyton
rubrum; Epidermophyton
flocossum; Outros:
Trichophyton
mentagrophytes. Tinea
pedis A Tinea pedis (“pé de
atleta”, “frieira”) é bastante
comum, enquanto a da mão
é rara. Os agentes são os
mesmos da Tinea cruris.
Existem três formas:
(1) intertriginosa (T.
rubrum: agente mais
comum), com descamação,
maceração e fissura dos
espaços interdigitais e
superfície inferior dos
artelhos, geralmente
comprometendo os espaços
entre o segundo e terceiro ou entre o terceiro e quarto
artelhos; algumas vezes há infecção bacteriana
secundária (presença de secreção purulenta);
(2) vesicobolhosa (aguda), que pode estar associada à
forma anterior; e a
(3) escamosa (crônica), apresentando
eritematodescamação.
A forma mais comum é a intertriginosa.
É mais comum em homens jovens, durante o verão, e
em diabéticos. É uma importante porta de entrada para
o Streptococcus pyogenes e pode ser responsável por
episódios de erisipela de repetição. Diagnóstico: exame
micológico direto e cultura.
Tinea manuum
Causada pelo T. rubrum. Bem mais
rara que a Tinea pedis. Acomete
sempre uma das mãos e geralmente
vem associada ao
comprometimento ungueal (tínea ungueal). Há
escamação dos sulcos da palma das mãos.
Agentes etiológicos
principais: Trichophyton
rubrum; Epidermophyton
flocossum. Outros:
Trichophyton
mentagrophytes. É a tínea
ungueal, lesão da lâmina
ungueal por
dermatófitos. As unhas se
tornam grossas, opacas,
de tonalidade amarelo
esverdeada, frágeis, com
sulcos e irregularidades. Quando afetadas as bordas,
deve-se suspeitar de infecção por Candida. Sua
prevalência é maior entre os idosos devido à
diminuição na taxa de crescimento da unha. Os
diagnósticos diferenciais incluem psoríase e líquen
plano. O exame micológico direto é indispensável para
instituir o tratamento. Um quadro geralmente frequente
nos imunodeprimidos é a onicomicose subungueal
proximal e a onicomicose branca superficial.
Agentes etiológicos
principais: Trichophyton
concentricum. Também
denominada tokelau ou
chimberê. É encontrada
em algumas ilhas do
pacífico e em alguns países da América Central e no
Brasil Central. São lesões escamosas que se imbricam e
têm crescimento excêntrico.
Existe uma falta de características clínicas de
dermatofitose, muitas vezes com história prévia de uso de
corticoide que mascara o quadro. O diagnóstico é
confirmado pelo exame micológico direto.
Caracteriza-se por lesões eritematoescamosas, nódulos
eritematosos com tendência à fistulização, tubérculos
e até acometimento sistêmico com lesões ósseas, lesões
tumorais e adenopatias.
As “ides” são reações de hipersensibilidade que se
manifestam em um local à distância da lesão original
onde é demonstrado o agente patogênico. Elas se devem
à disseminação hematogênica de produtos antigênicos.
Nas tubercúlides, por exemplo, o agente é o
Mycobacterium tuberculosis... Nas dermatofítides, o
agente é um dermatófito. A lesão fúngica geralmente se
localiza nos pés (Tinea pedis) ou no corpo (Tinea
Isadora Pedreira- Módulo XXII. Problema 2
corporis), e as
lesões da
dermatofítide
apresentam-se nas
mãos, como grupo
de vesículas com
base eritematosa,
pruriginosas, na
palma ou dorso das
mãos (semelhante à desidrose), geralmente com
acometimento bilateral. Outros tipos de dermatofítide
são: máculas eritematosas esparsas no tronco (reação ao
quérion) ou eritema nodoso nos membros inferiores. O
teste intradérmico da tricofitina costuma ser positivo.
Por definição, o exame micológico não demonstra o fungo
na dermatofítide, mas o tratamento da lesão fúngica
primária leva ao seu desaparecimento.
Causada pelo fungo
leveduriforme do gênero
Candida, do qual existem
pelo menos 13 espécies
capazes de infectar o ser
humano. A espécie mais
incriminada na candidíase
cutâneo -mucosa é a
Candida albicans (70-80%),
mas podemos também
encontrar C. tropicalis, C.
parapsilosis e C.
guillermondii. As espécies
de Candida pertencem ao
filo dos deuteromicetos
(fungos imperfeitos) e se
apresentam como
leveduras, pseudo-hifas
(forma filamentosa
constituída de brotamentos alongados que não se soltam)
e, dependendo da espécie, hifas verdadeiras. A Candida
albicans é um saprobiota (comensal) que habita a
superfície da pele, mucosa oral, intestino e mucosa
vaginal. Cerca de 50% das pessoas hígidas albergam este
fungo. Quando se torna patogênica, geralmente age como
agente oportunista, por alguma ruptura nas barreiras
defensivas locais ou pela queda da imunidade celular
(ex.: Aids, uso de corticoide ou imunossupressores,
doenças genéticas). A candidíase atinge com muita
frequência recém-natos, mas pode acometer adultos,
idosos e certas profissões, como lavadeiras. A umidade
local é um importante fator predisponente. Nas Tabelas a
seguir estão listados os fatores que predispõem à
candidíase superficial (cutâneo-mucosa) e as principais
formas de apresentação.
É a forma mais comum da doença cutâneo-mucosa. O
quadro é comum no período neonatal, quando os
sistemas de defesa imunológica estão pouco
desenvolvidos, e pode ser contraída da mãe durante o
parto vaginal. Pode ser contraído em crianças pelas mãos
de médicos e enfermeiras, chupetas e mamadeiras.
Também é comum nos enfermos, imunossuprimidos (ex.:
Aids), uso de corticoide
tópico para asma, pessoas
com má higiene bucal. Pode
manifestar-se por placas
branco-cremosas, às vezes
pseudomembranosas,
podendoassumir aspecto
eritematoso ou enegrecido.
As lesões são facilmente
removidas com auxílio de uma espátula.
os ângulos da boca estão
feridos, com fissuras, eritema
e descamação. Classicamente
descrito no desnutrido, porém
o quadro é mais visto nas
sociedades ocidentais, em
pacientes desdentados ou que
usam dentaduras que não estão perfeitamente
adaptadas.
Vulvovaginite
É frequente nas seguintes situações predisponentes:
gravidez, uso de anticoncepcionais, diabetes,
antibioticoterapia prolongada, irritação mecânica ou
química da mucosa vaginal (duchas vaginais). O quadro
caracteriza-se por leucorreia e pelas placas eritematosas
e/ou esbranquiçadas cremosas na vulva e mucosa
vaginal. São pruriginosas. O diagnóstico é feito pelo
exame direto (KOH 10%) e pela cultura.
Balanopostite
A candidíase balanoprepucial é
frequente em idosos, obesos, diabetes,
higiene inadequada, pacientes não
circuncisados. Pode ocorrer por
transmissão de parceira com
candidose vulvovaginal. Caracteriza-
se por lesões eritematoerosivas na
glande recobertas ou não por induto
esbranquiçado. No prepúcio há
eritema e edema, pode ter ardor e
prurido.
Ocorre nas dobras axilares, inguinais,
interglútea, submamárias,
principalmente em obesos, diabéticos e
pessoas de pobre higiene. Apresenta-se como lesões
eritematosas, úmidas, exsudativas, podendo formar
erosões ou fissuras, que são envoltas por um colarete
córneo, e com frequência há lesões satélites, uma
importante característica que diferencia a candidíase
intertriginosa da Tinea cruris e da Tinea corporis. As
lesões podem cursar com prurido e ardência. A lesão
interdigital (mão ou pé) é mais comum em indivíduos que
mantêm a umidade entre os dedos (“mão da lavadeira”).
Isadora Pedreira- Módulo XXII. Problema 2
Ocorre na área da barba como pústulas foliculares ou
erosões crostosas que se assemelham a foliculite
bacteriana ou dermatofítica. É infecção frequente nos
diabéticos e imunossuprimidos.
Ocorre pela retenção de urina e fezes, que leva à umidade
e maceração do local. Apresenta a clássica satelitose da
candidíase, diferenciando-a da dermatite de contato das
fraldas e da dermatite seborreica, lesões comuns em
recém- -nascidos na área das fraldas.
É uma infecção comum nos
diabéticos, nos desnutridos, nas
pessoas que retiram a cutícula e
nas pessoas que mantêm um
contato contínuo com água. Há
eritema e edema doloroso em
torno da matriz ungueal
(paroníquia por Candida).
Infecção crônica e recorrente da pele, das unhas e da
orofaringe. Foi descrita em pacientes com vários
defeitos genéticos, principalmente atingindo a função
leucocitária ou o sistema endócrino (timo e paratireoide);
acomete principalmente crianças (em geral antes dos
três anos). Lesões ceratósicas com tendência a formação
de cornos cutâneos ou de granulomas, localizados
principalmente no couro cabeludo, face e extremidades
podem ser encontrados. Pode ter início tardio sem
história familiar e surgir como manifestação secundária
de neoplasias e timoma.
Reação cutânea adversa a medicamentos. Qualquer
efeito indesejado na pele, mucosas, cabelos e unhas, na
sua estrutura ou função, desencadeado pelo uso de
medicamento. É muito frequente e pode ocorrer por:
excesso da dose do medicamento, efeito colateral, efeito
tóxico, reação individual diferente do efeito terapêutico
(idiosincrasia), por interação com outros medicamentos
em uso ou, ainda, por reação alérgica.
Algumas reações não requerem efeito imunológico, ou
seja, podem acontecer em qualquer pessoa e em qualquer
idade. Outro tipo mais severo de reação a medicamentos
é aquele no qual o efeito cutâneo se dá por reação
alérgica. Este não depende da dose e surge em algumas
pessoas que desenvolvem susceptibilidade a
determinados medicamentos, ou grupo deles, mesmo que
tenham tomado a medicação anteriormente e não
tenham desenvolvido efeito adverso algum.
Em média, dois dias após a pessoa ter contato com o
medicamento surgem manchas avermelhadas na pele,
acompanhadas de coceira. As manchas podem
comprometer toda a pele do corpo e a mucosa da boca e
dos olhos. Nos casos mais graves, toda a pele se descola e
há a necessidade de internação em unidade de terapia
intensiva. Os rins e o fígado também podem entrar em
falência.
As primeiras providências são: a suspensão do
medicamento em uso e a procura imediata de auxílio
médico. Antialérgicos de uso comum não são totalmente
eficazes. É necessário um tempo para a melhora
completa até a eliminação total do remédio do
organismo.
Não é possível prever qual pessoa é alérgica a tal
determinado medicamento. Porém, aquelas que já
passaram por algum evento do tipo, devem evitar a
exposição a qualquer remédio semelhante – que tenha o
mesmo princípio ativo - ao que tenha dado início ao
processo anterior. Importante: toda automedicação deve
ser evitada.
O corticosteroide tópico é considerado o produto
dermatológico mais frequentemente prescrito. Desde
sua introdução, há mais de 50 anos, tem exercido um
papel importante no tratamento de inúmeras doenças
nas quais estejam envolvidos mecanismos imunes e
inflamatórios, inibindo seus mediadores.
As principais indicações são: eczemas de qualquer
natureza (seborreico, atópico, de contato),
neurodermites, placas de psoríase, certas pruridermias,
prurigos, desidrose, intertrigos, dermatites e agentes
físicos e químicos. Os corticosteroides tópicos são
utilizados sob a forma de gel, creme, pomada, xampu e
loção; esta última tem sua indicação máxima nas zonas
pilosas, sobretudo no couro cabeludo; os cremes têm
melhor efeito cosmético, porém as pomadas e o gel, por
Isadora Pedreira- Módulo XXII. Problema 2
serem mais penetrantes, produzem efeito terapêutico
mais rápido e melhor.
A corticoterapia tópica pode provocar efeitos colaterais
sistêmicos, dependendo da absorção e da intensidade,
em casos extremos, como a síndrome de Cushing; é
preciso considerar que determinadas áreas são mais
permeáveis (p. ex., o escroto é 36 vezes mais permeável do
que a região palmoplantar); por outro lado, as lesões
erosadas, extensas e áreas de dobras possibilitam maior
absorção com efeitos sistêmicos. A variação na absorção
percutânea é discutível, e estudos in vitro têm
demonstrado que é causada pela espessura do estrato
córneo e sua composição lipídica. Por essa razão, locais
de maior absorção são mais passíveis de sofrerem
efeitos adversos do corticosteroide. Deve-se ter em
mente que as crianças estão mais sujeitas à supressão
do eixo hipotálamo-hipofisário por apresentarem pele
mais fina e, consequentemente, maior absorção. Os
tratamentos sob oclusão com película de plástico
aumentam a absorção em cerca de 10 vezes; o plástico não
deve permanecer mais de 8 a 12 h, pelo risco de provocar
miliária, infecção por cândida e bactérias.
Os corticosteroides tópicos podem ser divididos em
duas classes: fluorados, quando estão quimicamente
modificados a fim de que haja aumento na sua potência; e
não fluorados. A eficácia e a toxicidade têm relação
direta com a concentração, com a capacidade de
penetração do corticosteroide e com o veículo. Por
meio de bioensaios e experimentações clínicas foram
determinados sete níveis de potência com base na
capacidade de promover vasoconstrição, por ordem
decrescente de potência.
Baixa e média potências geralmente são empregadas
em lesões inflamatórias agudas da face e de áreas
intertriginosas, e preferencialmente, em crianças e
idosos por causa da superfície corporal e da maior
permeabilidade da pele.
A alta potência é frequentemente usada para
tratamento de lesões crônicas, ceratóticas,
liquenificadas ou lesões na região palmoplantar; são
aplicados 2 a 3 vezes/dia. Uma maior frequência de
aplicaçãopode ser requerida para a região palmoplantar
porque o produto é facilmente removido durante
atividades normais, como caminhar e lavar as mãos, e a
penetração no estrato córneo é bem menor.
O veículo influencia a absorção e, portanto, a potência da
substância. Os cremes são usados nas dermatoses
agudas, subagudas e regiões intertriginosas. Já as
pomadas são preconizadas nas lesões liquenificadas,
infiltradas e também quando se deseja o efeito oclusivo
para aumentar a hidratação do estrato córneo. O uso de
propilenoglicol adicionado ao veículo aumenta a
solubilidade do corticosteroide.
Possíveis efeitos colaterais locais são:
o atrofia: efeito adverso mais comum da
corticoterapia tópica. Não apenas por causa da ação
supressiva nas células proliferativas, mas também
pela inibição da síntese de colágeno e
mucopolissacarídios ácidos, favorecendo o
aparecimento de púrpura
o telangiectasia: estímulo das células endoteliais e da
atrofia dérmica caracterizada por dilatação anormal
dos vasos capilares e arteríolas
o distúrbio da barreira epidérmica: diminuição da
formação dos corpos lamelares lipídicos, aumento da
perda de água transepidérmica e demora na
regeneração epidérmica
o acne: alguns autores atribuem esse efeito à degradação
do epitélio folicular, resultando em extrusão do
conteúdo folicular
o hipertricose: surgimento de pelos velus por indução
de fatores de crescimento
o hipopigmentação: provável interferência dos
corticosteroides com a síntese de melanina em
melanócitos jovens, levando a pequenas áreas de
hipopigmentação; as lesões geralmente são
reversíveis após a descontinuação do fármaco
o infecções cutâneas: são comuns as infecções
mucocutâneas durante a terapia e incluem pitiríase
versicolor, onicomicose e dermatofitose
o eczema de contato: é raro (prevalência entre 0,2 e
6%), e o risco aumenta com a exposição prolongada.
Sabe-se que os corticosteroides não fluorados
(hidrocortisona, butirato de hidrocortisona e
budesonida) resultam em aumento dessa prevalência
em comparação aos compostos fluorados. A ligação do
corticosteroide ao aminoácido arginina, que é parte de
certas proteínas, parece ser uma condição prévia para
que essa reação alérgica ocorra. A sensibilização ao
corticosteroide tópico deve ser distinguida da
desencadeada pelos demais constituintes do veículo;
por exemplo, a lanolina (usada como base de pomadas)
e os preservativos como parabenos (conservantes
necessários para se manter a integridade do
medicamento). Para essa distinção, é realizado o teste
de contato com os diversos componentes da
medicação, isoladamente. Diversas reações (eritemas,
prurido, urticária, erupções maculopapulosas
generalizadas ou localizadas) ocorrem com o emprego
de corticosteroides por qualquer das demais vias de
administração. Anafilaxia está mais associada à via
intravenosa
o outros efeitos colaterais locais: estrias, rosácea
esteroide, dermatite perioral, púrpura e estados
poiquilodérmicos. Granuloma glúteo infantil
(erupção papulonodular, vermelho-purpúrica e
granulomatosa) ocorre raramente nos glúteos, nas
coxas e na prega inguinal de crianças em que se
utilizou corticoterapia potente de modo intempestivo.
Efeitos adversos sistêmicos incluem supressão do eixo
hipotálamo-hipófise-suprarrenal após uso de
corticosteroide potente (2 g/dia de propionato de
clobetasol 0,05% creme, uso prolongado), síndrome de
Cushing, hiperglicemia, diabetes melito e efeitos
mineralocorticosteroides, assim como hipocalcemia.
Associações a outros fármacos
Com indicações precisas, podem-se associar aos
corticosteroides tópicos:
o antibióticos: ácido fucsídico, neomicina, gentamicina,
rifamicina, gramicidina, polimixina B, cloranfenicol,
terramicina e nistatina
o antissépticos: compostos quinoleicos, hexaclorofeno,
cloreto de benzalcônio, compostos quaternários de
amônio, hidrocloridrato de clorexidina
o outras substâncias: ácido salicílico, coaltar, antralina
e anabolizantes.
Isadora Pedreira- Módulo XXII. Problema 2
Algumas considerações devem ser feitas em relação a
essas associações, como procurar usar antibióticos de
efeito estritamente local ou, caso contrário, antibióticos
com pouca capacidade de sensibilização; o coaltar e a
antralina têm excelentes indicações nos eczemas
crônicos e na psoríase; a nistatina, na candidíase, e os
antibióticos, como curativos e/oupreventivos de
infecções bacterianas. Na face, estão indicados apenas os
não fluorados, como a hidrocortisona; dessa maneira,
evita-se, além dos efeitos colaterais, o desencadeamento
de dermatite perioral e, talvez, até mesmo de rosácea.
As Formas Farmacêuticas Plásticas (FFP)
compreendem um grupo de preparações de uso
dermatológico aplicadas na forma de um filme, nas
quais o veículo é capaz de interagir com a pele, tendo, ele
próprio, uma ação emoliente, hidratante, secante,
lubrificante, etc.
Em geral, não se deseja que um fármaco veiculado
numa FFP seja absorvido, sendo sua ação apenas local
e, portanto, utilizadas para o tratamento de afecções da
pele (ex.: antimicrobianos, antifúngicos, queimaduras,
assaduras, etc).
São representadas, principalmente, pelas pomadas,
cremes e loções, géis, pastas e outras preparações.
Pomadas são formas
farmacêuticas de
consistência macia e
aspecto pegajoso, que
se destinam ao uso
externo e que,
normalmente, são preparados com excipientes
gordurosos ou com polietilenoglicóis. As pomadas,
quando não são anidras, apresentam uma quantidade
muito pequena de água, funcionando como uma película
sobre a pele, apresentando, portanto, um efeito oclusivo
bastante pronunciado.
Os cremes são formas farmacêuticas constituídas por
uma emulsão e que apresentam consistência semi-sólida,
sendo empregados para uso externo. O fármaco pode
apresentar-se dissolvido ou suspenso em uma das fases
aquosa ou oleosa.
A grande maioria dos cremes utilizados na terapêutica
tratam-se de emulsões do tipo O/A, ou seja, onde há
predomínio da fase aquosa. É importante destacar que as
preparações emulsionadas são muito importantes,
sobretudo para uso dermatológico, uma vez que a mistura
água–óleo é bastante adequada para aplicação na pele
humana.
Além disso, são laváveis, podendo ser facilmente
removidas da pele ou das roupas. Os mesmos conceitos
são aplicados às loções, porém, estas são preparações
mais fluidas, ou seja, são menos viscosas e, em geral,
aplicadas a partes mais extensas do corpo.
Géis são formas farmacêuticas obtidas a partir da
hidratação de alguns compostos orgânicos
macromoleculares (geleificantes) sendo, em geral,
transparentes.
São considerados dispersões coloidais. São preparações
livres de gorduras (oil-free), cujo teor de água é bastante
elevado. Como consequência, são laváveis e mais
susceptíveis à contaminação microbiana.
Pastas são formas farmacêuticas de consistência
semissólida, firme e que apresentam quantidade
apreciável de pós, sendo destinadas ao uso externo.
O teor de pós nestas preparações é, em geral, da ordem de
20%. As pastas apresentam grande poder secativo,
podendo ser preparadas com excipientes lipofílicos ou
hidrofílicos e geralmente são constituídas pelo fármaco
(na forma de pó), excipientes e por um umectante
(glicerina).
AZULAY, R.D.; AZULAY, D.R.; AZULAY-ABULAFIA, L.
Dermatologia - 7. ed., rev. e atual - Rio de Janeiro:
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