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Prévia do material em texto

G R A D U A Ç Ã O
ME. ANDRÉIA GONÇALVES DARICE
Projeto 
Arquitetônico
Híbrido
GRADUAÇÃO
Projeto 
Arquitetônico
Me. Andréia Gonçalves Darice
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a 
Distância; DARICE, Andréia. 
 
 Projeto Arquitetônico. Andréia Gonçalves Darice. 
 Maringá-PR.: Unicesumar, 2020. 
 264 p.
“Graduação - Híbridos”.
 
 1. Projeto. 2. Arquitetura. 3. Planejamento. 4. EaD.
ISBN 978-65-5615-140-3
CDD - 22 ed. 720
CIP - NBR 12899 - AACR/2
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jardim Aclimação
CEP 87050-900 - Maringá - Paraná
unicesumar.edu.br | 0800 600 6360
Impresso por:
Coordenador de Conteúdo Fábio Augusto Gentilin.
Designer Educacional Janaina de Souza Pontes.
Revisão Textual Cintia Prezoto Ferreira e Erica 
Fernanda Ortega.
Editoração André Morais de Freitas.
Ilustração Welington Vainer Satin de Oliveira.
Realidade Aumentada Matheus Alexander de 
Oliveira Guandalini, Maicon Douglas Curriel e 
Cesar Henrique Seidel.
DIREÇÃO UNICESUMAR
Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor e 
Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos 
Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD William 
Victor Kendrick de Matos Silva, Pró-Reitor de
Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin, Presidente
da Mantenedora Cláudio Ferdinandi. 
NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes e 
Tiago Stachon; Diretoria de Graduação
e Pós-graduação Kátia Coelho; Diretoria de Permanên-
cia Leonardo Spaine; Diretoria de Design Educacional 
Débora Leite; Diretoria de Pós-Graduação EAD Bruno 
do Val Jorge; Head de Metodologias Ativas Thuinie 
Daros; Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane 
Yoshie Fukushima; Gerência de Projetos Especiais 
Daniel F. Hey; Gerência de Produção de Conteúdos 
Diogo Ribeiro Garcia; Gerência de Curadoria Carolina 
Abdalla Normann de Freitas; Supervisão do Núcleo de 
Produção de Materiais Nádila de Almeida Toledo; 
Supervisão de Projetos Especiais Yasminn Talyta 
Tavares Zagonel; Projeto Gráfico José Jhonny Coelho e 
Thayla Guimarães Cripaldi; Fotos Shutterstock 
PALAVRA DO REITOR
Em um mundo global e dinâmico, nós trabalha-
mos com princípios éticos e profissionalismo, não 
somente para oferecer uma educação de qualida-
de, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão 
integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-
-nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emo-
cional e espiritual.
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois 
cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos 
mais de 100 mil estudantes espalhados em todo 
o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, 
Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 
300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de 
graduação e pós-graduação. Produzimos e revi-
samos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil 
exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo 
MEC como uma instituição de excelência, com 
IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 
10 maiores grupos educacionais do Brasil.
A rapidez do mundo moderno exige dos 
educadores soluções inteligentes para as ne-
cessidades de todos. Para continuar relevante, a 
instituição de educação precisa ter pelo menos 
três virtudes: inovação, coragem e compromisso 
com a qualidade. Por isso, desenvolvemos, para 
os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as 
quais visam reunir o melhor do ensino presencial 
e a distância.
Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é 
promover a educação de qualidade nas diferentes 
áreas do conhecimento, formando profissionais 
cidadãos que contribuam para o desenvolvimento 
de uma sociedade justa e solidária.
Vamos juntos!
BOAS-VINDAS
Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à Co-
munidade do Conhecimento. 
Essa é a característica principal pela qual a 
Unicesumar tem sido conhecida pelos nossos alu-
nos, professores e pela nossa sociedade. Porém, é 
importante destacar aqui que não estamos falando 
mais daquele conhecimento estático, repetitivo, 
local e elitizado, mas de um conhecimento dinâ-
mico, renovável em minutos, atemporal, global, 
democratizado, transformado pelas tecnologias 
digitais e virtuais.
De fato, as tecnologias de informação e comu-
nicação têm nos aproximado cada vez mais de 
pessoas, lugares, informações, da educação por 
meio da conectividade via internet, do acesso 
wireless em diferentes lugares e da mobilidade 
dos celulares. 
As redes sociais, os sites, blogs e os tablets ace-
leraram a informação e a produção do conheci-
mento, que não reconhece mais fuso horário e 
atravessa oceanos em segundos.
A apropriação dessa nova forma de conhecer 
transformou-se hoje em um dos principais fatores de 
agregação de valor, de superação das desigualdades, 
propagação de trabalho qualificado e de bem-estar. 
Logo, como agente social, convido você a saber 
cada vez mais, a conhecer, entender, selecionar e 
usar a tecnologia que temos e que está disponível. 
Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg 
modificou toda uma cultura e forma de conhecer, 
as tecnologias atuais e suas novas ferramentas, 
equipamentos e aplicações estão mudando a nossa 
cultura e transformando a todos nós. Então, prio-
rizar o conhecimento hoje, por meio da Educação 
a Distância (EAD), significa possibilitar o contato 
com ambientes cativantes, ricos em informações 
e interatividade. É um processo desafiador, que 
ao mesmo tempo abrirá as portas para melhores 
oportunidades. Como já disse Sócrates, “a vida 
sem desafios não vale a pena ser vivida”. É isso que 
a EAD da Unicesumar se propõe a fazer.
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você 
está iniciando um processo de transformação, 
pois quando investimos em nossa formação, seja 
ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, 
consequentemente, transformamos também a so-
ciedade na qual estamos inseridos. De que forma 
o fazemos? Criando oportunidades e/ou estabe-
lecendo mudanças capazes de alcançar um nível 
de desenvolvimento compatível com os desafios 
que surgem no mundo contemporâneo. 
O Centro Universitário Cesumar mediante o 
Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompa-
nhará durante todo este processo, pois conforme 
Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na 
transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem 
dialógica e encontram-se integrados à proposta 
pedagógica, contribuindo no processo educa-
cional, complementando sua formação profis-
sional, desenvolvendo competências e habilida-
des, e aplicando conceitos teóricos em situação 
de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado 
de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como 
principal objetivo “provocar uma aproximação 
entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita 
o desenvolvimento da autonomia em busca dos 
conhecimentos necessários para a sua formação 
pessoal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de 
crescimento e construção do conhecimento deve 
ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos 
pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar 
lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Stu-
deo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendiza-
gem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas 
ao vivo e participe das discussões. Além disso, 
lembre-se que existe uma equipe de professores e 
tutores que se encontra disponível para sanar suas 
dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de apren-
dizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranquili-
dade e segurança sua trajetória acadêmica.
APRESENTAÇÃO
Caro(a) aluno(a) e futuro(a) Engenheiro(a) Civil, este livro tem como obje-
tivo orientar seus estudos e o desenvolvimento de projetos arquitetônicos. 
Contém temas que abordam desde a definição de projeto arquitetônico até 
suas etapas e aplicações, promovendo reflexões sobre o tema e a importância 
deste para a vida profissional. 
Cabe ressaltar que a atividade projetual é de grande responsabilidade; no 
caso do projeto arquitetônico, devemos lembrar que o profissional estará 
criando os espaços em que vão se desenvolver a maior parte das atividades 
da sociedade.As edificações são os espaços onde habitamos, trabalhamos, 
consumimos, realizamos atividades de lazer etc. Isto é, a arquitetura está 
em todos os lugares e atividades, daí vem a importância do projeto e a 
responsabilidade do projetista. Este livro busca evidenciar tais aspectos.
A Unidade 1 tratará do entendimento da arquitetura e do projeto arqui-
tetônico, apresentando conceitos que definem e introduzem a compreensão 
do tema. Nesta unidade, apresentam-se as principais tipologias de projeto 
arquitetônico, como a residencial e comercial, além de abordar o programa 
de necessidades, sua definição e importância no processo de projeto arqui-
tetônico. A unidade se encerra discorrendo sobre o partido arquitetônico, 
um termo bastante utilizado no meio da arquitetura e fundamental no 
desenvolvimento de projetos.
A Unidade 2 se dedica a apresentar os elementos que compõem a repre-
sentação do projeto arquitetônico, desde os elementos gráficos, como plantas, 
cortes e detalhamentos, até os elementos textuais e representações volu-
métricas digitais, como ferramentas de expressão das ideias do projetista. 
A Unidade 3 abordará as etapas do projeto arquitetônico, apresentando 
as fases em que é dividido um projeto, desde o início dos estudos, passan-
do pelas etapas de desenvolvimento de projeto, etapas necessárias para 
aprovação do projeto arquitetônico pelos órgãos públicos, até a etapa de 
execução do projeto arquitetônico, expondo os requisitos necessários a 
cada etapa de projeto.
A Unidade 4 abordará as condicionantes do projeto arquitetônico, discor-
rendo sobre as condicionantes de implantação, topográficas, as ambientais e 
as condicionantes relacionadas às diretrizes urbanas, normas e legislações.
A Unidade 5 tratará da circulação e acessibilidade nas edificações, abor-
dando desde conceitos de acessibilidade, normativas e princípios que orien-
tam a implantação de acessibilidade universal em projetos arquitetônicos, 
até a apresentação de parâmetros para o projeto de escadas e rampas.
Na Unidade 6, será tratado o tema de coberturas dos edifícios. Apre-
sentação dos principais tipos de coberturas e características construtivas, 
assim como os elementos que as compõem, seu dimensionamento e re-
presentação gráfica.
A Unidade 7 trata especificamente do projeto arquitetônico residen-
cial, enfatizando suas características e peculiaridades. Apresenta requisi-
tos necessários ao projeto residencial, além de recomendações quanto ao 
dimensionamento e organização dos espaços. Nesta unidade ainda são 
apresentados, como estudo de caso, projetos de arquitetura residencial.
A Unidade 8, por sua vez, apresenta os requisitos e características do 
projeto de edifícios verticais, destacando as normas e recomendações para 
o dimensionamento e elaboração de escadas e elevadores em edifícios 
verticais, saídas de emergência e reservatórios de água, além de outras 
especificidades deste tipo de edificação.
Por fim, a Unidade 9 fecha a discussão acerca do projeto arquitetônico, 
destacando estratégias para se projetar e realizar edificações mais ecoe-
ficientes, abordando os conceitos de sustentabilidade e ecoeficiência e 
apresentando estratégias de projeto no que tange o melhor aproveitamento 
da iluminação e ventilação natural na edificação, economia de energia e 
redução do consumo e reaproveitamento de água. A unidade é finalizada 
com apresentação de edificações, como estudo de caso.
Dessa forma, este livro busca contemplar os conteúdos necessários à 
formação de um profissional capacitado e atento às questões técnicas e 
criativas relacionadas à atividade de concepção de projetos arquitetônicos 
com qualidade estética e funcional, atendendo às demandas do mercado de 
trabalho e expectativas da sociedade, cumprindo, assim, seu papel social.
CURRÍCULO DOS PROFESSORES
Me. Andréia Gonçalves Darice
Mestre em Engenharia Urbana pela Universidade Estadual de Maringá (2014), especialista 
em Conservação e Restauração do Patrimônio pela PUCPR (2016), graduada em Arquitetura 
e Urbanismo, pela Universidade Estadual de Maringá (2009). Atua desde 2013 na docência 
nos cursos de graduação e pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Civil e 
Design de Interiores, atuando nas áreas de Urbanismo, Projeto Arquitetônico e Paisagismo. 
Concomitante à docência, atua desde 2010 na concepção e execução de projetos de arqui-
tetura e interiores.
Currículo Lattes disponível em: http://lattes.cnpq.br/1142136172729134
http://lattes.cnpq.br/1142136172729134
Entendendo 
o Projeto 
Arquitetônico
13
Elementos 
do Projeto 
Arquitetônico
33
Etapas do Projeto 
Arquitetônico
55
Condicionantes 
do Projeto 
Arquitetônico
Circulação e 
Acessibilidade
79
103
Coberturas
129
Projeto 
Arquitetônico 
Residencial
Projeto de Edifícios 
Verticais
197
Ecoeficiência 
nas Edificações
227
159
92 Coeficiente de aproveitamento
117 Elementos de uma escada
149 Desenho de um telhado
181 Ambientes Residenciais
Utilize o aplicativo 
Unicesumar Experience 
para visualizar a 
Realidade Aumentada.
PLANO DE ESTUDOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Me. Andréia Gonçalves
• Apresentar os principais conceitos da arquitetura.
• Introduzir a compreensão de projeto arquitetônico.
• Expor as principais tipologias de um projeto arquitetônico 
e suas características.
• Apresentar o significado de programa de necessidades e 
sua importância no processo de projeto.
• Compreender o significado do termo partido na produção 
de projeto.
O que é Arquitetura?
O Projeto Arquitetônico Programa de Necessidades
Partido ArquitetônicoTipologias de Projeto 
Arquitetônico
Entendendo o 
Projeto Arquitetônico
O que é 
Arquitetura?
Para entender o projeto arquitetônico, é preciso 
compreender o que é Arquitetura e como ela faz 
parte do nosso dia a dia.
Para Roth (2017), a Arquitetura é a arte inevi-
tável. Se pensarmos que estamos a todo momento 
em edifícios ou perto deles, entenderemos que a 
arquitetura nos toca constantemente, afeta nosso 
comportamento e condiciona nosso humor psico-
lógico. Mais do que um mero abrigo ou proteção 
contra intempéries, a arquitetura é também re-
gistro físico das atividades e aspirações humanas. 
Ainda segundo o autor (p. 45), “a arquitetura é a 
arte por meio da qual nos deslocamos, a arte que 
nos envolve”. 
Para Ching (2014, p. 2), “a arquitetura é uma 
disciplina muito complexa”. A maioria das pessoas 
passa toda a sua vida em contato constante com 
a arquitetura. Ela nos proporciona um lugar para 
morarmos, trabalharmos e nos divertirmos. Se-
gundo o autor, “a arquitetura é tanto arte quanto 
ciência”, pois o projeto de arquitetura envolve tan-
to aspectos estéticos e culturais quanto aspectos 
técnicos. Assim, segundo ele, a arquitetura “é uma 
disciplina artística que busca inventar por meio 
do projeto” (CHING, 2014, p. 2).
15UNIDADE 1
O arquiteto romano Marcos Vitrúvio escreveu, por volta de 25 a.C., que a arquitetura deve fornecer 
utilidade, firmeza e beleza. A utilidade significava o arranjo dos ambientes e dos espaços, sem criar 
dificuldades ao seu uso. A firmeza significava ter fundações sólidas e materiais construtivos escolhi-
dos com propriedade. A firmeza é a parte mais aparente do edifício, que o faz “parar em pé”. Por sua 
vez, a beleza significava ter aparência agradável e de bom gosto, com partes em devida proporção, de 
acordo com os princípios de simetria. A tríade vitruviana, como foi chamado o conjunto desses três 
princípios, ainda permanece atualmente como a síntese primordial dos elementos da boa arquitetura 
(ROTH, 2017).
Para Farelly (2014), a arquitetura é um tema complexo e fascinante. Os prédios estão ao nosso redor 
e compõem nosso mundo físico, assim sendo, fazer uma edificação exige vários níveis de pensamento 
e análise.
 “
A arquitetura define o mundo físico que nos cerca – por exemplo, um cômodo e os objetos que fazem 
parte dele. Ela pode ser uma casa, um arranha-céu, um conjunto de prédios [...] Seja qual for a escala 
da edificação,a arquitetura é desenvolvida aos poucos, do croqui do conceito ou do desenho técnico 
ao espaço ou prédio ocupado (FARELLY, 2014, p. 6-7).
Por outro lado, a construção seria a concretização da arquitetura, que demonstra a sua dimensão física 
e sua materialidade. Nesse sentido, um edifício seria como uma máquina, em que uma série de partes e 
sistemas interdependentes trabalham de forma conjunta para que o todo seja eficaz e habitável. Assim, 
a edificação deve ser analisada tanto como uma estrutura macro, com cobertura, paredes e pisos, como 
também deve ser entendida como uma série de detalhes que demonstram como os componentes se 
encaixam e se complementam, contando com sistemas como as instalações de ventilação e refrigera-
ção, as de calefação e iluminação, e proporcionar ambientes internos confortáveis (FARELLY, 2014).
Uma definição bastante completa e clara do que é a arquitetura é a dada por Carlos Lemos (2003, 
p. 40-41), em seu livro “O que é Arquitetura”, em que ele afirma que a “arquitetura seria, então, toda 
e qualquer intervenção no meio ambiente criando novos espaços, quase sempre com determinada 
intenção plástica, para atender a necessidades imediatas ou a expectativas programadas”.
Pode-se concluir, diante do que foi exposto, que a arquitetura é uma ciência bastante ampla e gene-
ralista, que visa aliar conhecimentos artísticos e culturais, históricos e sociais, técnicos e ambientais, de 
modo a modificar o meio e criar espaços de qualidade e que atendam às necessidades da sociedade.
16 Entendendo o Projeto Arquitetônico
O Projeto 
Arquitetônico
O projeto arquitetônico, por sua vez, é a repre-
sentação da arquitetura criada, idealizada para 
um determinado fim. Assim, cada projeto é um 
problema a ser resolvido.
Para Montenegro (2016), o Projeto arquite-
tônico é um plano, planejamento ou esquema, 
com finalidade definida, em que existe unidade 
formada por espaço, forma, volume, ritmo, cor 
e textura. Assim sendo, o autor afirma que o ato 
de projetar não é um processo racional, nem se-
quencial, mas sim um processo intuitivo, livre, 
que não obedece a regras. Isso reforça a ideia de 
que a criatividade é fundamental no processo de 
projeto arquitetônico.
Segundo Pahl et al. (2005), o engenheiro pro-
jetista tem como missão encontrar soluções para 
problemas técnicos. Para isso, ele deve levar em 
consideração os conhecimentos de engenharia 
e condicionantes materiais, econômicas, tecno-
lógicas, assim como restrições legais, ambientais 
e aquelas impostas pelo ser humano, tudo isso 
visando atender o objetivo prefixado.
17UNIDADE 1
O autor afirma, ainda, que as ideias, conhecimento e talento do engenheiro projetista irão determinar 
características técnicas, econômicas e ecológicas do produto desenvolvido.
 “
projetar é uma atividade intelectual, criativa, que requer uma base segura de conhecimentos nas 
áreas de matemática, física, química, mecânica, termodinâmica, mecânica dos fluidos, eletrotécnica, 
assim como de tecnologia de produção, ciência dos materiais e ciência do projeto, como também 
conhecimentos e experiências no campo a ser trabalhado. Concomitantemente, força de vontade, 
prazer em decidir, senso econômico, perseverança, otimismo e disposição em fazer parte de equipes 
são qualidades úteis, porém imprescindíveis para projetistas em postos de responsabilidade (PAHL 
et al., 2005, p. 1-2).
Muitas vezes temos a tendência de confundir o projeto arquitetônico com o desenho arquitetônico, 
mas segundo Montenegro (2016), o desenho não é o mesmo que projeto, pois o processo de projeto 
ocorre na mente, na imaginação do projetista, enquanto o desenho é a sua representação, podendo 
ser técnica ou artística. O desenho é a forma de comunicar a ideia, tanto para os clientes como para os 
profissionais parceiros, executores e público em geral, enquanto o projeto é o processo de criar, idealizar 
o objeto, com base em critérios técnicos, ambientais, culturais, entre outros. Assim sendo, veremos, no 
decorrer deste livro, o processo de projeto e as condicionantes que interferem e determinam as decisões 
de projeto pelo projetista.
18 Entendendo o Projeto Arquitetônico
As tipologias de projeto arquitetônico se tratam 
da classificação das edificações por tipos, de acor-
do com o uso que elas devem abrigar. Algumas 
edificações são projetadas para atender a um tipo 
único de uso e algumas para usos multifuncionais. 
As tipologias de projeto são inúmeras e podem 
se modificar de acordo com a sociedade, seus 
costumes, aspectos culturais, econômicos, entre 
outros fatores.
Abordaremos, nesta unidade, as principais 
tipologias arquitetônicas e suas características, 
sendo elas a residencial, comercial, hospitalar, es-
colar, religiosa e cultural.
Tipologias de 
Projeto Arquitetônico
19UNIDADE 1
• Arquitetura residencial: a mais conhecida por todos, pois estamos diariamente em contato com 
esse tipo de arquitetura. Ela tem a função primordial de nos fornecer abrigo, habitação. Uma 
edificação residencial (Figuras 1 e 2) pode ter dimensões bastante diferentes entre si, no entanto, 
devido ao uso exclusivamente residencial, o programa de necessidades será sempre, basicamente, 
o mesmo. Os ambientes e sua disposição em uma edificação residencial podem variar bastante 
de acordo com a cultura de cada lugar e os costumes dos moradores. 
Figura 1 - Exemplo de Edificação de tipologia residencial Figura 2 - Exemplo de Edificação de tipologia residencial
As edificações para o uso residencial podem ser casas urbanas, ca-
sas de campo ou veraneio, habitação de interesse social e também 
edifícios verticais (Figura 3), chamados de habitação multifamiliar, 
ou seja, onde habitam mais de uma família.
Figura 3 - Exemplo de Edificação de tipologia 
residencial multifamiliar - edifício vertical
20 Entendendo o Projeto Arquitetônico
As edificações residenciais também vão possuir 
características estéticas e plásticas distintas em 
cada região ou país, pois estes condicionantes são 
determinados, principalmente, por aspectos cul-
turais e características ambientais de cada lugar. 
Assim, as soluções adotadas para o uso de deter-
minado material, ou volumetria da edificação, 
depende dos costumes e padrões da região.
• Arquitetura comercial ou corporativa: nes-
sa tipologia se enquadram edificações que 
visam atender usos distintos dentro da te-
mática comercial. Podem ser edifícios com 
lojas e espaços comerciais (Figura 4) que 
visam atender diferentes tipos de empre-
sas e prestação de serviços ou edificações 
construídas para uma empresa específica 
ou um ramo de comércio específico. Des-
tacam-se os edifícios verticais comerciais.
• Arquitetura escolar: esta tipologia trata das 
edificações de uso escolar, públicas ou priva-
das, do ensino infantil até as universidades. É 
uma tipologia com características e critérios 
bastante específicos e, juntamente com a re-
sidência, o ambiente escolar é onde passamos 
boa parte do nosso tempo ao longo da vida. 
Enquadram-se os centros de educação infantil, 
escolas de ensino fundamental e médio, escolas 
de ensino técnico e profissionalizante, escola 
de idiomas, faculdades, centros universitários 
e universidades (Figura 6). 
Essa tipologia tem como característica que, normal-
mente, não se tem um cliente específico, já que os 
espaços serão sublocados ou vendidos, mas sim uma 
tendência de mercado ou um perfil específico de em-
preendedor que o projetista deve atender. Os shop- 
ping centers (Figura 5) são um exemplo deste tipo.
Figura 4 - Edifícios corporativos 
na Marginal Pinheiros, São Paulo
Figura 5 - Eastland shopping cen-
tre, Melbourne, Australia
Figura 6 - Faculdade de Arquitetura 
e Urbanismo da USP, São Paulo
Tenha sua dose extra de 
conhecimento assistindo ao 
vídeo. Para acessar, use seu 
leitor de QR Code.
21UNIDADE 1
Outro fator que torna o projeto deste tipo de edificação bastante complexo é que ela é espaço de pro-
dução de conhecimento, em que o processo criativo deve ser explorado e a arquiteturapode e deve 
incentivar e fortalecer essas funções. Ela é, também, local de interação social, de trocas e promoção 
cultural. Assim sendo, o projetista deve estar atento às demandas dos espaços e sua simbologia, visando 
sempre a produção de espaços de qualidade e que atendam sua função primordial.
• Arquitetura hospitalar 
ou de saúde: esta tipo-
logia é composta por 
edificações voltadas ao 
atendimento dos usos da 
saúde. Composta princi-
palmente por hospitais 
(Figura 7), mas também 
por todo estabeleci-
mento de atendimento 
à saúde, como unidades 
básicas de saúde – os co-
nhecidos postos de saú-
de –, Unidades de Pron-
to Atendimento, clínicas 
médicas e laboratórios.
Figura 7 - Exemplo de edificação 
de tipologia hospitalar
É uma tipologia de projeto arquitetônico complexo que envolve uma infinidade de condicionantes e 
de normativas e legislações que devem ser consideradas no projeto. Sem dúvida um grande desafio 
ao projetista. No Brasil e no mundo, existem especializações em arquitetura hospitalar, dada a sua 
complexidade.
• Arquitetura cultural: 
este tipo de arquitetura 
abrange uma infinidade 
de subtipos, como exem-
plo temos museus, bi-
bliotecas, galerias de arte, 
ateliês, centros culturais 
(Figura 8), teatros, cine-
mas, museus (Figura 9) 
entre outros, que tenham 
como função principal 
abrigar usos culturais. 
Figura 8 - Centro cultural Georges 
Pompidou - Paris, França
22 Entendendo o Projeto Arquitetônico
Uma edificação de uso cultural 
pode ter um dos usos citados ou 
todos eles agrupados, o que de-
finirá seu porte e complexida-
de de projeto. Quanto maior o 
número de atividades culturais 
previstas, maior também será o 
programa de necessidades do 
edifício. Estes podem ser tanto 
de uso público quanto privado, 
com exploração comercial.
• Arquitetura religiosa: a arquitetura religiosa é uma tipologia muito importante que teve muito 
destaque principalmente no período clássico, em que as catedrais e templos eram as principais 
edificações de destaque nas cidades. Esta tipologia é tomada por muita simbologia e pode va-
riar bastante sua característica de acordo com a religião. Além das catedrais cristãs (Figura 10), 
outros edifícios se destacam, como os templos budistas e as mesquitas muçulmanas (Figura 11). 
O programa de necessidades e a disposição dos espaços também se alteram de acordo com a 
crença de cada religião.
Figura 9 - Museu do amanhã - Rio de Janeiro
Figura 10 - Catedral de Brasília, arquiteto Oscar Niemeyer Figura 11 - Mesquita em Abu Dhabi
Esta tipologia de edificação é muito rica em detalhes arquitetônicos e formas, tendo, na maioria das 
vezes, a monumentalidade como principal característica.
23UNIDADE 1
Programa de
Necessidades
O programa de necessidades ou programa ar-
quitetônico “é a relação de todos os cômodos, 
ambientes, ou elementos arquitetônicos previs-
tos para o edifício” (NEVES, 2012, p. 30). Assim 
sendo, ele é construído juntamente com o clien-
te, levando em consideração suas características, 
cultura, preferências, costumes e o modo de usar 
um espaço ou desempenhar determinada função.
Assim, o programa traduz os espaços onde 
serão desenvolvidas as funções e atividade pre-
vistas para a edificação (NEVES, 2012). Portanto, 
o programa se caracteriza em uma listagem ou 
quadro, com todos os ambientes/funções neces-
sários na edificação.
O programa de necessidades não visa apenas 
listar ambientes, mas funções necessárias ou exi-
gidas para a tipologia arquitetônica. Neves (2012) 
cita o exemplo de uma residência, em que inúme-
ras funções devem ser desenvolvidas: desde fazer 
as refeições, preparo e cozimento de alimentos, 
lavagem de utensílios e roupas, repouso, lazer e 
recreação, guarda de veículos e materiais domés-
ticos, serviços domésticos, contemplação e lei-
24 Entendendo o Projeto Arquitetônico
tura, entre outros. Assim, cada função pode ser 
representada no programa por um ambiente ou 
serem conjugadas várias funções em um mesmo 
ambiente. Isso ocorre, também, com as demais 
tipologias de projeto.
Segundo Ching (2014), o programa de necessi-
dades deve considerar as dimensões espaciais exi-
gidas pelas atividades, ou seja, o tamanho de cada 
ambiente, assim como as relações de proximidade 
e adjacência entre as funções, as relações entre 
espaços servidos e de serviço e o zoneamento de 
usos públicos e privados, de acordo com cada ti-
pologia arquitetônica (CHING, 2014).
Vejamos, no Quadro 1, alguns exemplos de 
programa de necessidades, de acordo com a ti-
pologia de projeto:
Quadro 1 - Programa de necessidades: casa de veraneio x escola de 1º grau
PROGRAMA DE NECESSIDADES
Casa de veraneio Escola de 1° grau
• Varanda
• Sala de estar
• Bar
• Suíte do casal
• Suíte dos filhos
• Quarto de visitas
• Banheiro social
• Copa e cozinha
• Área de serviço
• Quarto e banheiro de empregada
• Garagem
• Entrada
• Sala de espera
• Secretaria
• Diretoria
• Sala de administração
• Arquivo
• Sala de professores
• Sala de reuniões
• Coordenação pedagógica
• Pátio coberto
• Cantina
• Depósito
• Sanitário de alunos
• Sanitário de professores
• Salas de aula
• Entrada de funcionários
• Vestiário de alunos
• Sanitário e vestiário de funcionários
• Auditório
• Biblioteca
• Quadra poliesportiva
Fonte: adaptado de Neves (2012).
Pode-se observar que o programa de necessidades é bastante distinto nos dois exemplos, pois se tra-
tam de edificações que têm por objetivo atender funções diferentes. Assim, quanto maior o número 
de funções ou atividades a serem desenvolvidas na edificação, mais complexo será desenvolver o 
programa de necessidades.
Uma orientação importante para a construção de um programa de necessidades, principalmente 
quando se trata de um tema arquitetônico novo para o projetista, é estudar projetos semelhantes, 
buscando entender melhor as funções do edifício, os ambientes necessários e suas relações espaciais. 
A essa pesquisa damos o nome de estudo correlato.
25UNIDADE 1
O programa é, então, uma forma de registrar, em forma de documento, as necessidades que a edificação 
tem de satisfazer. É um meio importante de transmitir informações entre os envolvidos no projeto, 
entre projetista e clientes, assessores, usuários etc. Constitui-se como a base do projeto arquitetônico, 
sendo uma fonte de inspiração para o projetista, principalmente se este programa contiver, além de 
anotações, esboços gráficos. O programa contribui também para se verificar a viabilidade do projeto 
e determinar o orçamento da construção (VOORDT, 2013).
Segundo Voordt (2013, p. 77), “elaborar o programa de necessidades, projetar e construir são as três 
atividades principais envolvidas no processo construtivo”.
Estudo correlato é a pesquisa realizada em arquitetura para estudo e análise de obras semelhantes 
(correlatas) ao tema que se deve projetar. Esta análise tem por objetivo dar referências ao projetista 
de como trabalhar com o tema. Neste estudo, são analisados aspectos funcionais, estéticos, espaciais, 
técnicos, tais como: local de inserção, soluções topográficas, programa de necessidades, composição 
estética, sistema construtivo, materiais utilizados, entre outros.
26 Entendendo o Projeto Arquitetônico
Partido 
Arquitetônico
Neste tópico, será abordado o termo partido ar-
quitetônico, específico da área de arquitetura e 
projeto arquitetônico. Contudo, o que seria o par-
tido arquitetônico?
Para Neves (2012, p. 7), o partido é “a ideia 
preliminar do edifício projetado”. Definição se-
melhante a dada por Oliveira (2015, p. 35) de que 
“o partido é, por hipótese, uma prefiguração do 
objeto, que o projetista elege como ponto de par-
tida e fio condutor”.
Outra definição para o partido arquitetônico 
é que ele seria o esboço conceitual, uma conse-
quência formal derivada da escolha de uma série 
de condicionantes ou de determinantes que de-
terminarão a concepção do projeto. São exemplos 
de condicionantes a localização; condições físicas 
e topográficas do sítio; clima, ventos, insolação, 
chuvas; atécnica construtiva; programa de ne-
cessidades; legislação, normas e códigos de obra; 
recursos financeiros; financiamento; tempo de 
construção; tecnologia disponível etc. (LEMOS, 
2003; MONTENEGRO, 2016).
27UNIDADE 1
Desta forma, pode-se entender que partido é a ideia primária de organização de um projeto de 
arquitetura (CHING, 2014). Uma vez que projetar é idealizar algo a ser feito, no caso da arquitetura, é 
idealizar o edifício a ser construído (NEVES, 2012).
Para que você compreenda melhor o termo, vamos explorar o texto de Neves (2012, p. 15), em que 
o autor defende que
 “
Idealizar um projeto requer, pelo menos, dois procedimentos: um em que o projetista toma a reso-
lução de escolha dentre inúmeras alternativas, de uma ideia que deverá servir de base ao projeto do 
edifício do tema proposto; e outro em que a ideia escolhida é desenvolvida para resultar no projeto. É 
do primeiro procedimento, o da escolha da ideia, que resulta o partido, a concepção inicial do projeto 
do edifício, a feitura do seu esboço.
Segundo o autor, é justamente no processo de escolha da ideia que servirá de base para o desenvol-
vimento do projeto que resulta o partido arquitetônico do projeto arquitetônico. Outro aspecto a se 
destacar é que o partido seria uma criação autoral e inventiva, ou seja, é particular de cada projetista 
e deriva de um processo criativo e inventivo dele.
Montenegro (2007) tem uma definição semelhante para o partido: segundo ele, é a etapa de projeto 
onde as primeiras ideias afloram e são esboçadas pelo projetista, já que, como vimos, o projeto surge 
na mente e o desenho é a forma de transpor esse projeto para o papel.
Assim, pode-se entender o partido como a ideia inicial do projeto, determinada por condicionantes 
do projeto que conduz o desenvolvimento do edifício.
Outro termo muito utilizado no processo de criação e desenvolvimento de projeto, neste caso, não 
só nas áreas de arquitetura e engenharia civil, mas também em áreas de design, moda e publicidade, 
é o conceito. Segundo Ching (2014, p. 220), “o conceito é uma ideia ou uma imagem mental capaz 
de gerar e guiar o desenvolvimento de um projeto”.
28
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.
1. Baseado nos conceitos trabalhados nesta unidade e com as referências da sua 
casa, monte um programa de necessidades para uma residência.
2. A imagem a seguir ilustra o Centro Internacional de Negócios de Moscou, um 
complexo de edifícios comerciais na Rússia. O complexo se enquadra em qual 
tipologia arquitetônica? 
a) Residencial.
b) Corporativa.
c) Cultural.
d) Religiosa.
e) Residencial multifamiliar
3. Diferencie projeto arquitetônico de desenho arquitetônico.
29
Introdução à Arquitetura
Autor: Francis Ching
Editora: Bookman
Sinopse: esta é uma das obras de introdução à arquitetura mais completas. 
Apresenta de forma extremamente gráfica os principais aspectos da arquitetu-
ra, incluindo arquitetura de interiores e urbanismo. É um verdadeiro guia para 
aqueles que estão iniciando a carreira ou para os apaixonados por desenho e 
projeto de arquitetura.
LIVRO
Teoria e prática do partido arquitetônico
O texto aborda a questão da adoção do partido no projeto arquitetônico, dis-
cutindo, por meio da citação de diversos autores, definições e explicações para 
o tema.
WEB
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/2834
30
CHING, F. D. K. Introdução à arquitetura. Tradução Alexandre Salvaterra. Porto Alegre: Bookman, 2014.
FARELLY, L. Fundamentos de arquitetura. Tradução Alexandre Salvaterra. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2014.
LEMOS, C. O que é arquitetura. São Paulo: Brasiliense, 2003.
MONTENEGRO, G. A. Desenho de projetos. 1. ed. São Paulo: Blucher, 2007.
MONTENEGRO, G. A. O traço dá ideia: bases para o projeto de arquitetura. São Paulo: Blucher, 2016.
NEVES, L. P. Adoção do partido na arquitetura. 3. ed. Salvador: EDUFBA, 2012.
OLIVEIRA, R. C. de. Construção, composição, proposição: o projeto como campo de investigação epistemológica. 
In: CANEZ, A. P.; SILVA, C. A. (org). Composição, partido e programa: uma revisão crítica de conceitos em 
mutação. Porto Alegre: Editora UniRitter, 2015.
PAHL, G.; BEITZ, W.; FELDHUSEN, J.; GROTE, K-H. Projeto na engenharia: fundamentos do desenvolvi-
mento eficaz de produtos, métodos e aplicações. Tradução Hans Andreas Werner; revisão Nazem Nascimento. 
São Paulo: Blucher, 2005.
ROTH, L. M. Entender a arquitetura: seus elementos, história e significado. Tradução Joana Canêdo. São 
Paulo: Gustavo Gili, 2017.
VOORDT, T. J. M. van der. Arquitetura sob o olhar do usuário. Tradução Maria Beatriz de Medina. São Paulo: 
Oficina de Textos, 2013.
31
1. Como foi dito no decorrer da unidade, o programa de necessidades pode variar bastante de acordo com o 
perfil dos clientes e suas preferências, mas, de modo geral, o programa de necessidades de uma residência 
possui elementos semelhantes.
Exemplo:
3 quartos, sendo 1 suíte
Banheiro social
Sala
Cozinha
Área de serviço/lavanderia
Garagem
Churrasqueira/área de lazer
2. B. Como pudemos ver ao longo desta unidade, os edifícios que abrigam funções comerciais se enquadram 
na tipologia comercial ou corporativa.
3. Enquanto o projeto é o processo de criar, idealizar algo, que nasce na mente do projetista, sendo um 
processo intuitivo e criativo, um processo autoral, o desenho arquitetônico é a forma de representar o 
projeto idealizado pelo projetista.
32
PLANO DE ESTUDOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
• Reconhecer os elementos que compõem a representação 
do projeto arquitetônico.
• Apresentar os elementos gráficos de projeto que com-
põem os planos horizontais.
• Apresentar os elementos gráficos de projeto que com-
põem os planos verticais.
• Expor os elementos gráficos complementares do projeto 
arquitetônico.
• Apresentar os elementos textuais como legendas e tabe-
las, que compõem o projeto arquitetônico.
Os Elementos 
Gráficos do Projeto
Planos Horizontais
Perspectivas e 
Modelos Físicos
Elementos TextuaisPlanos Verticais
Me. Andréia Gonçalves
Elementos do 
Projeto Arquitetônico
Os Elementos 
Gráficos do Projeto
Esta unidade abordará a representação gráfica do 
projeto Arquitetônico. Como abordado na Uni-
dade 1, desenho arquitetônico e projeto arquite-
tônico são coisas distintas, enquanto o desenho 
é a representação da ideia que está na mente do 
projetista, tornando visível o que foi imaginado, 
permitindo a comunicação das ideias do proje-
to e o registro da evolução do processo criativo 
(MONTENEGRO, 2007), o projeto é o objeto que 
foi idealizado pelo projetista, sendo representado 
graficamente pelo desenho. Enquanto o projeto é 
um documento demonstrativo do algo idealizado, 
documento explicativo do edifício projetado, o 
desenho é a linguagem própria para explicar o 
projeto arquitetônico (NEVES, 2012).
O desenho é uma ferramenta fundamental 
para comunicar as ideias de projeto, é por meio 
dele que os projetistas – arquitetos, engenheiros, 
designers – transmitem suas ideias para o papel, 
para que possam ser vistas e discutidas com ou-
tros profissionais e clientes e para que possam ser 
executadas. Farelly (2014) lembra que a arquite-
tura é uma linguagem visual, e os arquitetos se 
comunicam por meio de desenhos, maquetes e 
dos espaços e lugares que constroem.
35UNIDADE 2
Os desenhos de projeto podem ser esboços, croquis, desenho 
técnico feito por instrumento, desenhos auxiliados pelo computa-
dor, podendo ser em 2 ou 3 dimensões.
Os desenhos finais de projeto devem seguir normas, permitindo 
que ele seja compreendido em qualquer país. No Brasil, a ABNT 
(Associação Brasileira de Normas Técnicas) é a responsável por ela-
borar e atualizar as normas de desenho e representação de projetos.
Segundo a NBR 13532 (ABNT, 1995), as informações técnicas 
que são produzidas durante as etapas de elaboração do projeto 
de arquitetura devem ser apresentadas em documentos técnicos, 
podendo ser de tipos distintos como: desenhos, textos, planilhas e 
tabelas, fluxogramase cronogramas, fotografias, maquetes, entre 
outros. Os desenhos se dividem em representações dos planos ho-
rizontais e verticais da edificação, além de representações em três 
dimensões. Nos tópicos seguintes, conheceremos melhor cada tipo 
de desenho e quais suas funções na representação do projeto.
Croqui é o nome dado a desenhos de estudos, feitos a mão livre, 
portanto sem escala precisa, porém estes mantêm as proporções 
do objeto.
São muito comuns na etapa de desenvolvimento inicial do pro-
jeto, como no estudo de possibilidades e para definir o partido 
arquitetônico.
36 Elementos do Projeto Arquitetônico
Os elementos do plano horizontal são caracteri-
zados pelas plantas: planta de situação, planta de 
locação, planta de cobertura, planta baixa, planta 
layout, entre outras (MONTENEGRO, 2017).
A planta de situação compreende o partido 
arquitetônico em seus múltiplos aspectos, con-
tendo informações de acordo com o tipo, porte e 
função da edificação (NBR 6492) (ABNT, 1994). 
A normativa citada reforça que, para a aprovação 
em órgãos oficiais, a planta deve conter as infor-
mações completas do terreno.
Planos Horizontais
37UNIDADE 2
Figura 1 - Planta de situação
Fonte: Montenegro (2017, p. 53).
NORTE
QUADRA G
QUADRA F
Q
UA
D
RA
 CQUADRA B
Q
U
A
D
RA
 H
RU
A
 D
O
 M
A
N
D
AC
A
RU
Q
U
A
D
RA
 E
IGREJA
BECO DO PIRULITO
1
10
9 8 7 6
5
432
20
,0
0
10,00
RU
A 
D
O
 C
AL
U
N
G
A
RUA DE HORTAS
Sentido da
descida
Contorno
da parede
Ela tem a função de não mos-
trar apenas a edificação ou o 
terreno, mas tudo que está em 
seu entorno imediato e que seja 
relevante para o entendimento 
e execução do projeto.
A Planta de cobertura tem 
por objetivo mostrar a cobertura 
(telhado) da edificação, enquan-
to a planta de locação objetiva 
mostrar a construção dentro do 
terreno. As plantas de locação e 
cobertura podem ser represen-
tadas em um desenho único 
(MONTENEGRO, 2017), neste 
caso, ela é mais comumente co-
nhecida como Implantação.
A implantação ou planta de 
locação não mostra apenas o 
terreno, mas elementos como 
árvores, construções existentes, 
postes, calçada, pontos de refe-
rência e construções vizinhas, 
além das informações necessá-
rias dos projetos complementa-
res, como o movimento de terra, 
arruamento, redes hidráulica, 
elétrica e de drenagem, entre 
outros. A planta de locação, 
como o próprio nome destaca, 
permite a locação da constru-
ção no terreno (ABNT 1994; 
MONTENEGRO, 2017).
Figura 2 - Planta de Cobertura
Fonte: Montenegro (2017, p. 49).
38 Elementos do Projeto Arquitetônico
Figura 3 - Planta de Locação ou 
Implantação
Fonte: Montenegro (2017, p. 50).
20
,0
0
12,00
2,00
NORTE
MEIO FIO
RUA
CALÇADA
5,
00
A Planta baixa se trata da plan-
ta de edificação, sendo carac-
terizada pela vista superior de 
um plano secante horizontal, 
localizado a 1,50 m do piso de 
referência. De acordo com o que 
estabelece a NBR 6492 (ABNT, 
1994), esta altura pode variar, 
visando todos os elementos ne-
cessários ao entendimento do 
projeto. De acordo com a quan-
tidade de pavimentos da edifi-
cação, as plantas da edificação 
podem ser do térreo, subsolo, 
pavimento-tipo, sótão, cobertu-
ra, entre outros (ABNT, 1994).
39UNIDADE 2
Figura 5 - Exemplo de planta baixa
Por meio da planta baixa, pode-se compreender como a edificação funciona, o programa de necessi-
dades, dimensões dos ambientes, conexão entre os espaços, localização das aberturas, revestimentos 
de piso e, até mesmo, o layout interno. Ele é um dos principais desenhos na apresentação de projeto, 
sendo também o mais comum.
Outras plantas podem ser construídas de acordo com a necessidade do projeto, como planta espe-
cífica do layout interno, plantas de gesso/forro, plantas de iluminação e também as plantas dos projetos 
complementares, como instalações hidráulicas e elétricas.
Figura 4 - Exemplo de planta baixa residencial
40 Elementos do Projeto Arquitetônico
Os planos verticais do projeto arquitetônico são 
compostos pelos cortes, fachadas e elevações.
Os cortes são planos secantes verticais que 
dividem a edificação em duas partes. Os cortes 
podem ser no sentido longitudinal ou transversal 
da edificação, devendo ser posicionados no dese-
nho de modo que mostrem o maior número de 
informações e detalhes construtivos do edifício. 
Os cortes ainda podem ser deslocados, visando 
mostrar algum detalhe construtivo importante 
(ABNT, 1994).
Segundo Montenegro (2017), os cortes devem 
mostrar detalhes da edificação, como altura das 
portas e das janelas, altura do forro ou do pé-di-
reito dos ambientes, inclinação da cobertura, en-
tre outros detalhes. Recomenda-se que os cortes 
passem por escadas e banheiros, demonstrando 
altura e detalhes dos degraus, detalhes da altura 
dos revestimentos do banheiro, etc.
Planos Verticais
41UNIDADE 2
Figura 6 - Exemplo de corte de edifício vertical
Figura 7 - Exemplo de corte em edificação residencial
42 Elementos do Projeto Arquitetônico
Figura 8 - Exemplo de cortes em diferentes posições da edificação
Os cortes não são elementos apenas da etapa de projeto final, ao contrário, estes desenhos aparecem 
normalmente desde a etapa de estudo, pois auxiliam ao projetista entender e analisar as soluções de 
sistema construtivo, adaptação à topografia do lote, definir altura de pé-direito e alturas totais da 
edificação, entre outros.
Outro elemento do plano vertical do projeto são as fachadas. Estas se caracterizam como a represen-
tação gráfica de planos externos da edificação (ABNT, 1994). As fachadas são os desenhos responsáveis 
por mostrar como a edificação ficará quando finalizada, demonstrando materiais de acabamento, cores 
e detalhes plásticos da edificação.
Figura 9 - Exemplo de fachadas frontal e lateral 
Elas são representadas no proje-
to final, tanto por desenhos téc-
nicos, como por desenhos mais 
humanizados, coloridos, visan-
do, por exemplo, a apresentação 
do projeto para o cliente ou em-
preendedor, pois, com a huma-
nização, o desenho se aproxima 
mais da realidade e ajuda na sua 
interpretação por leigos.
43UNIDADE 2
Figura 10 - Exemplo de fachada humanizada
As elevações são parecidas com as fachadas, mas são chamadas assim porque se tratam da represen-
tação gráfica de planos internos do edifício ou de elementos específicos. Elas são muito utilizadas no 
projeto de interiores. As elevações, assim como as fachadas, apresentam informações de materiais de 
acabamento, cores e detalhes do edifício.
Figura 11 - Exemplo de fachada e elevação humanizadas
44 Elementos do Projeto Arquitetônico
Perspectivas e 
Modelos Físicos
Estes elementos são compostos por desenhos em 
3 dimensões, como as perspectivas feitas à mão 
livre ou com auxílio de instrumento, ou pelos ele-
mentos construídos com auxílio do computador, 
as chamadas maquetes eletrônicas. Os modelos 
físicos são as chamadas maquetes, construídas 
por diversos materiais e em diversas escalas para 
representar a edificação, o terreno ou algum de-
talhe construtivo específico.
45UNIDADE 2
Figura 12 - Exemplo de perspectiva
Estes elementos são importantes, pois dão tridimensionalidade ao projeto, o que permite mais fácil 
compreensão de sua volumetria; para o cliente, sem dúvida é um ótimo recurso, para que as ideias do 
projetista sejam compreendidas. 
Figura 13 - Exemplo de maquete física
São ferramentas importantes tanto para demons-
trar o projeto finalizado como para o estudo de 
formas e volumes do próprio projetista durante 
o processo de projeto.
Figura 14 - Exemplo de maquete física de estudo
As perspectivas ou maquetes podem mostrar o edi-
fício como um todo ou partes mais relevantes. São 
usadas também de forma explodida para mostrar 
detalhes internos e detalhes do sistema construtivo.
46 Elementos do Projeto Arquitetônico
Figura 15 - Exemplos de maquetes eletrônicas explodidas mostrando o interior da edificação
Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use 
seu leitor deQR Code.
47UNIDADE 2
Os elementos textuais são todos os elementos de 
texto, tabelas, planilhas, dados que visam comple-
mentar as informações de projeto que não apare-
cem em sua totalidade no desenho arquitetônico.
Segundo a NBR 6492 (ABNT, 1994), os ele-
mentos textuais são o programa de necessidades, 
o memorial justificativo do projeto, discrimina-
ção técnica, especificações, listas de materiais e 
orçamento. Podem ser inseridos como elementos 
textuais complementares os estudos de viabilida-
de técnica do projeto.
O programa de necessidades, como já foi tra-
tado na unidade anterior, é um documento pre-
liminar do projeto que contém o levantamento 
das informações necessárias para a elaboração do 
projeto, no que se refere aos ambientes e funções, 
assim como as necessidades do contratante que a 
edificação deve atender. Ele pode ser expresso por 
meio de uma listagem ou planilhas que incluam o 
pré-dimensionamento de áreas de cada ambiente/
função (ABNT, 1994; ABNT, 2017).
Elementos Textuais
48 Elementos do Projeto Arquitetônico
O memorial justificativo se trata de um texto em que se evidencia o atendimento às condições 
estabelecidas no programa de necessidades. Ele também é responsável por apresentar o partido ar-
quitetônico adotado pelo projetista (ABNT, 1994; ABNT, 2017), assim como as principais estratégias 
e soluções adotadas, principalmente as que se referem às questões plásticas e volumétricas.
A discriminação técnica é um documento que tem por objetivo descrever, de forma completa e 
precisa, os materiais de construção utilizados, indicando onde estes materiais serão aplicados e quais 
as técnicas necessárias para sua execução (ABNT, 1994).
Por outro lado, as especificações são recomendações anexadas ao projeto destinada a fixar caracte-
rísticas e requisitos exigíveis para matérias-primas, produtos semifabricados, elementos de construção, 
materiais ou produtos industriais semiacabados que serão utilizados na execução do projeto, visando 
garantir a qualidade dos serviços (ABNT, 1994).
A lista de materiais trata-se de um levantamento quantitativo de todos os materiais que foram 
especificados no projeto, devendo conter todas as informações necessárias para a sua aquisição.
O orçamento, por sua vez, é um documento que demonstra a avaliação de custos, tais como serviços, 
materiais, mão de obra e taxas relacionadas à execução do projeto proposto.
O estudo de viabilidade técnica de arquitetura é um documento que visa identificar a viabilidade 
de se desenvolver e executar determinado projeto que se planeja. Além de possuir elementos como 
desenhos (esquemas gráficos, diagramas e histogramas), o estudo de viabilidade também se apresenta 
em forma de texto, em forma de relatórios técnicos (ABNT, 2017).
49
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.
1. Descreva quais as diferenças entre a Implantação e a Planta de Cobertura.
2. Os cortes são planos secantes verticais que dividem a edificação em duas partes. 
Eles devem mostrar o maior número de informações e detalhes construtivos do 
edifício. Quais os elementos e informações que um corte deve mostrar? Cite ao 
menos 3 elementos.
3. A planta baixa de uma edificação é um dos principais desenhos na apresentação de 
projeto, sendo também o mais comum, pois nela encontramos diversas informações 
importantes do projeto. Cite 4 informações demonstradas na planta baixa. 
50
Desenho Arquitetônico
Autor: Gildo Montenegro
Editora: Blucher
Sinopse: este é um livro de consulta para desenhistas, técnicos de edificações, 
arquitetos e engenheiros. Ele mostra o uso dos instrumentos de desenho, con-
venções gráficas, normas técnicas, detalhes construtivos e vocabulário técnico, 
além de apresentar as medidas dos equipamentos usuais de uma habitação. É 
fartamente ilustrado e demonstra que um livro técnico não tem que ser chato: 
nele cabe também o humor, se o leitor tiver isto e imaginação.
Comentário: o livro aborda o passo a passo do desenho arquitetônico, assim 
como os elementos gráficos que compõem um projeto arquitetônico, elementos 
construtivos e principais elementos construtivos de uma edificação.
LIVRO
51
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6492:1994. Representação de projetos de arquitetura. 
Rio de Janeiro, 1994.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13532:1995. Elaboração de projetos de edificações – 
Arquitetura. Rio de Janeiro, 1995.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 16636-1:2017. Elaboração e desenvolvimento de 
serviços técnicos especializados de projetos arquitetônicos e urbanísticos – Parte 1: Diretrizes e terminologia. 
Rio de Janeiro, 2017.
FARELLY, L. Fundamentos de arquitetura. Tradução: Alexandre Salvaterra. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2014.
MONTENEGRO, G. A. Desenho de projetos. 1. ed. São Paulo: Blucher, 2007.
MONTENEGRO, G. A. Desenho arquitetônico. 5. ed. rev. ampl. São Paulo: Edgard Blucher, 2017. 
NEVES, L. P. Adoção do partido na arquitetura. 3. ed. Salvador: EDUFBA, 2012.
52
1. A implantação de uma edificação é um desenho que deve mostrar todo o terreno e a localização da 
edificação dentro dele. Aparecem nela elementos presentes no terreno, tais como árvores, construções 
existentes, postes, calçada etc., enquanto a Planta de Cobertura tem como objetivo demonstrar como 
será a cobertura da edificação, número de águas, inclinação, tipo de telha e outros detalhes necessários 
à compreensão do projeto.
2. Os cortes devem demonstrar detalhes como:
• Altura das portas e das janelas.
• Altura do forro ou do pé-direito dos ambientes.
• Inclinação da cobertura.
• Altura e detalhes dos degraus em escadas.
• Altura dos revestimentos do banheiro.
3. A Planta baixa deve demonstrar informações como:
• O atendimento ao programa de necessidades.
• Dimensões dos ambientes.
• Conexão entre os espaços.
• Localização das aberturas.
• Tipos de revestimentos de piso.
• Layout interno (mobiliário).
53
54
PLANO DE ESTUDOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
• Compreender em quais etapas é dividido um projeto e 
qual a importância de cada etapa no processo de projeto.
• Apresentar as etapas que compõem o início do estudo e 
desenvolvimento do projeto.
• Apresentar as etapas que se consolidam como desenvol-
vimento de projeto, suas características e especificidades.
• Conhecer as etapas necessárias para que um projeto ar-
quitetônico seja aprovado e liberado pelos órgãos públicos.
• Expor os requisitos necessários à etapa de execução de 
um projeto arquitetônico.
As Etapas de um 
Projeto Arquitetônico
Etapas do Pré-Projeto Etapas para Aprovação 
Legal do Projeto
Etapa de Execução e 
Posteriores
Etapas de 
Desenvolvimento
Me. Andréia Gonçalves Darice
Etapas do Projeto 
Arquitetônico
As Etapas de um 
Projeto Arquitetônico
Esta unidade abordará as etapas do projeto ar-
quitetônico, destacando o processo de projeto e 
as fases pelas quais ele passa até se tornar uma 
obra edificada.
57UNIDADE 3
De acordo com Montenegro (2007), um pro-
jeto arquitetônico passa por diversas etapas, que 
são definidas por ele como: primeiramente o de-
sejo do cliente ou do próprio arquiteto (projetista) 
em realizar o projeto; a partir daí vem a etapa de 
coleta de dados, definição do programa de neces-
sidades e dos usos, assim como o levantamento 
de dados de projetos anteriores, que possam ser 
úteis ao projeto em questão. A partir de então, as 
primeiras ideias são esboçadas pelo projetista e 
os esboços são refinados para se chegar em um 
projeto definido, em que um esboço é escolhido 
e aperfeiçoado. A próxima etapa, segundo o autor, 
seria os primeiros traços do anteprojeto, seguidos 
de correções, chegando ao projeto definitivo. Com 
o projeto definitivo em mãos, vem o processo de 
especificações e acabamentos. A etapa seguinte é 
a aprovação do projeto pelo cliente e pelos órgãos 
públicos, permitindo, assim, a etapa de execução. 
Muitos poderiam pensar que se findam nesse mo-
mento as etapas do projeto, mas, de acordo com 
Montenegro(2007), deve-se considerar, ainda, 
uma etapa, a de exame do projeto construído vi-
sando identificar erros e acertos.
 “
O projeto arquitetônico é parte central do 
projeto completo de edificação, conjunto de 
projetos das diversas especialidades neces-
sárias para a execução de uma edificação. 
Estes projetos são desenvolvidos por meio 
de uma abordagem evolutiva, caracterizada 
por etapas e fases, e também consideran-
do-se tempos simultâneos para atividades 
complementares de diversas especialidades 
que têm que ser coordenadas e integradas 
(ABNT, 2017b, p. 5).
Segundo Montenegro (2016), o processo de pro-
jeto passa por etapas de formulação de alterna-
tivas possíveis, e a representação técnica é parte 
do processo.
De acordo com Neves (2012), projetar um 
edifício é um ato de criação, sendo fruto da ima-
ginação criadora, da sensibilidade do projetista, 
sua intuição e percepção. Assim, segundo o au-
tor, o ato de projetar se divide em três principais 
etapas: a primeira se trata da coleta e análise das 
informações básicas; a segunda se caracteriza pela 
adoção do partido arquitetônico, transpondo para 
o papel a formulação conceitual do projeto; e a ter-
ceira é a da solução final, o projeto arquitetônico, 
produzindo o projeto executivo (NEVES, 2012).
Por outro lado, para Lawson (2005 apud KO-
WALTOWSKI et al., 2011), a sequência essencial 
no processo de projeto é a análise, a síntese e a 
avaliação (Figura 1). Essa sequência de processo 
de projeto contém as etapas de projeto. 
Figura 1 - Ciclo de uma sequência de decisões de projeto 
proposto por Lawson 
Fonte: Lawson (2005 apud KOWALTOWSKI et al., 2011, p. 88).
Se analisarmos o modelo de processo de projeto 
proposto por Markus (1971 apud KOWALTO-
WSKI et al., 2011), veremos que cada etapa do 
processo de projeto é composta por uma sequên-
cia de análise, síntese e avaliação, para se chegar 
na melhor alternativa (Figura 2).
Análise
SínteseAvaliação
58 Etapas do Projeto Arquitetônico
Figura 2 - Modelo de processo de projeto e sequência de decisões proposto por Markus 
Fonte: Markus (1971 apud KOWALTOWSKI et al., 2011, p. 86).
Saída
Esboço
Desenvolvimento
DetalhamentoDecisão
Análise Síntese Avaliação
Análise Síntese Avaliação
Análise Síntese Avaliação
Entrada
Decisão
Decisão
Na visão de Farrelly (2014), independentemente da complexida-
de, o projeto tem uma linha do tempo que demonstra cinco etapas 
fundamentais do projeto e sua execução, sendo elas o conceito, a 
análise do terreno, o desenvolvimento do projeto, o detalhamento e 
a construção e resultado.
Além dos vários autores que abordam as etapas de projeto arquite-
tônico, a ABNT, por meio da NBR 16636-2 (2017b, p. 8-9), de maneira 
mais pragmática, estabelece duas fases principais para o desenvolvi-
mento do projeto de arquitetura, sendo elas a fase de preparação e a 
fase de elaboração e desenvolvimento de projetos técnicos. Cada fase 
é subdividida em uma série de etapas de projeto. A primeira fase se 
divide nas etapas de:
59UNIDADE 3
• Levantamento de informações preliminares.
• Programa geral de necessidades.
• Estudo de viabilidade do empreendimento.
• Levantamento das informações técnicas específicas, as quais, 
segundo a NBR, devem ser levantadas junto ao empreendedor 
ou contratadas no projeto.
Por sua vez, a segunda fase, a de elaboração e desenvolvimento dos 
projetos, divide-se nas seguintes etapas:
• Levantamento de dados para arquitetura, em que se levantam 
informações técnicas específicas.
• Programa de necessidades para arquitetura.
• Estudo de viabilidade de arquitetura.
• Estudo preliminar arquitetônico.
• Anteprojeto arquitetônico.
• Projeto para licenciamentos.
• Estudo preliminar dos projetos complementares.
• Anteprojetos complementares.
• Projeto executivo arquitetônico.
• Projetos executivos complementares.
• Projeto completo de edificação.
• Documentação conforme construído, o chamado “as built”.
O infográfico a seguir ilustra as duas fases e suas respectivas etapas.
Tenha sua dose extra de conhecimento 
assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu 
leitor de QR Code.
60 Etapas do Projeto Arquitetônico
FASES DOS PROJETOS 
ARQUITETÔNICOS E 
COMPLEMENTARES 
DA EDIFICAÇÃO
FASE 1
ATIVIDADES
PREPARATÓRIAS
FASE 2
ETAPAS DE ELABORAÇÃO
E DESENVOLVIMENTO DE
PROJETOS TÉCNICOS
Estudo preliminar
arquitetônico (EP-ARQ)
Estudo de viabilidade de
arquitetura (EV-ARQ)
Anteprojeto arquitetônico
(AP-ARQ)
Projeto para
licenciamento (PL)
Levantamento de informações
preliminares (LV-PRE)
Programa geral de
necessidades (PGN)
Estudo de viabilidade do
empreendimento (EVE)
Levantamentos de informações
técnicas específicas (LVIT-ARQ)
Estudo preliminar dos projetos
complementares (EP-COMP)
Projetos executivos completos
de edi�cações (PECE)
OBRA
Anteprojetos complementares
(AP-COMP)
Projetos executivos
arquitetônicos (PE-ARQ)
Projetos executivos
complementares (PE-ARQ)
Pr
oc
es
so
s 
de
co
m
pa
ti
bi
liz
aç
ão
DUCUMENTAÇÃO
CONFORME COSTRUÍDO
(AS BUILT)
Figura 3 - Fases dos projetos arquitetônicos
Fonte: adaptada de ABNT (2017b).
Nos próximos tópicos, serão abordadas as etapas de projeto e suas especificidades.
61UNIDADE 3
Etapas do 
Pré-Projeto
Neste tópico, serão abordadas as etapas e proces-
sos de projeto que fazem parte do pré-projeto ou 
etapa inicial de preparação para o desenvolvi-
mento dos projetos técnicos, atividades estas que 
serão base para a formulação das ideias de projeto 
e seu desenvolvimento, culminando na etapa de 
execução da obra.
Fazem parte desta etapa as atividades de desen-
volvimento de pesquisas sobre o terreno em que a 
edificação será implantada, organogramas, orça-
mentos, levantamento de regulamentos oficiais e 
estimativas de custos do projeto. Estas pesquisas 
terão como resultado a criação de relatórios téc-
nicos, esboços preliminares, diagramas, plantas, 
cortes, perspectivas, fotografias e até maquetes 
(ABNT, 2017b; MONTENEGRO, 2016).
Segundo a NBR 16636-2 (ABNT, 2017b), nesta 
etapa, deve-se levantar as informações a respeito 
da legislação (municipais, estaduais ou federais) 
que incida sobre o lote onde a edificação será 
construída, assim como as características do ter-
reno, como a topografia, orientação solar, ventos 
predominantes, edificações existentes, caracterís-
ticas do entorno, entre outros. Estas informações 
serão fundamentais ao projetista para desenvolver 
62 Etapas do Projeto Arquitetônico
as ideias de projeto. Segundo Farrelly (2014), entender o terreno, seu 
entorno imediato e o contexto urbano maior permite que o projeto 
tenha uma conexão mais adequada com ele.
De acordo com a NBR 16636-2 (ABNT, 2017b), as etapas ini-
ciais incluem, também, a formulação do programa de necessida-
des, devendo apresentar as informações necessárias à concepção 
arquitetônica da edificação, como: os ambientes previstos, caracte-
rísticas, exigências, número, idade e permanência dos usuários em 
cada ambiente; características funcionais ou das atividades a serem 
desempenhadas em cada ambiente; características, dimensões e 
serviços dos equipamentos e mobiliário; exigências ambientais, 
níveis de desempenho; e instalações especiais (elétricas, mecânicas, 
hidráulicas e sanitárias).
O programa de necessidades pode ser expresso, segundo a NBR 
VARANDA
SALA DE ESTAR
BAR
SALA DE JANTAR
SANITÁRIO SOCIAL
SUÍTE SOCIAL
SUÍTE DOS FILHOS
QUARTO DE HÓSPEDES
COPA - COZINHA
ÁREA DE SERVIÇO
GARAGEM
QUARTO DE EMPREGADA
SANITÁRIO DE EMPREGADA
TIPOS DE LIGAÇÕES
ELEMENTOS DO PROGRAMA
— 1º GRAU (LIGAÇÃO DIRETA)
— 2º GRAU (LIGAÇÃO INDIRETA)
— 3º OU + GRAUS (LIGAÇÃO REMOTA)
16636-2 (ABNT, 2017b), por 
meio de organograma funcio-
nal e esquemas básicos, memo-
rial com as recomendações ge-
rais, assim como planilhas que 
descrevam os ambientes e suas 
relações com usuários, ativida-
des, exigências, suas dimensões 
e quantidades.
A Figura 4 ilustra um orga-
nograma funcional, descreven-
do um programa de necessi-
dades do projeto, assim como 
a relação de ligaçãoentre os 
ambientes/espaços.
Figura 4 - Exemplo de organograma funcional
Fonte: Neves (2012, p. 52).
Outra etapa desta fase é o es-
tudo de viabilidade, importan-
te para identificar se é viável 
ou não o desenvolvimento do 
projeto arquitetônico e sua exe-
cução. Segundo a NBR 16636-
2, o estudo de viabilidade deve 
considerar os estudos anterio-
res, assim como dados de outras 
áreas técnicas relacionadas ao 
projeto, visando estabelecer so-
luções alternativas e as conclu-
sões e recomendações. O estudo 
de viabilidade pode ser expresso 
por meio de esquemas gráficos, 
diagramas e histogramas ou re-
latórios (ABNT, 2017b).
Essas são as etapas iniciais 
do projeto; na sequência, ve-
remos as etapas de desenvolvi-
mento do projeto arquitetônico.
63UNIDADE 3
Nas etapas de desenvolvimento, trataremos das 
atividades de estudo preliminar e anteprojeto que, 
segundo Montenegro (2016), escolha do modelo, 
definição dos sistemas básicos do edifício, os ma-
teriais e o dimensionamento.
Os primeiros traços dão ideia de onde ficará 
cada espaço, as ligações entre eles, definição de 
acessos, assim como o aproveitamento da ventila-
ção natural e da insolação. Esses traços iniciais se 
tratam de uma síntese que servirá de base para o 
projeto (MONTENEGRO, 2016). A figura ilustra 
os primeiros traços de desenvolvimento da ideia 
de zoneamento de funções de uma residência.
Etapas de 
Desenvolvimento
64 Etapas do Projeto Arquitetônico
Figura 5 - Estudo de uma residência: zoneamento de funções
Fonte: Montenegro (2016, p. 87).
À medida que a ideia de projeto é desenvolvida, é necessário fazer 
considerações e tomar decisões que envolvem os usos dos espaços, 
os materiais, estratégias de conforto ambiental, entre outros. Essas 
decisões precisam reforçar o conceito inicial em vez de negá-lo, ou 
seja, “é essencial que o conceito principal seja preservado durante o 
projeto – e que o processo de tomada de decisões não comprome-
ta a integridade da ideia” (FAR-
RELLY, 2014, p. 176).
O estudo preliminar é defi-
nido pela NBR 16636-2 (ABNT, 
2017b, p. 8) como a etapa de 
projeto em que as informações 
técnicas são apresentadas de 
forma sucinta, porém suficien-
te para a caracterização geral da 
concepção adotada. Isso inclui 
a definição inicial das “funções, 
dos usos, das formas, das di-
mensões, das localizações dos 
ambientes da edificação”. Nesta 
etapa, também se faz a caracte-
rização dos elementos constru-
tivos e tecnologias construtivas 
recomendadas. O estudo preli-
minar traz soluções alternativas, 
suas vantagens e desvantagens, 
visando facilitar as escolhas se-
guintes. A Figura 6 ilustra o es-
tudo preliminar de uma fachada 
residencial.
Figura 6 - Estudo preliminar: concepção da fachada de edificação residencial
Fonte: Montenegro (2016, p. 89).
65UNIDADE 3
De acordo com a ABNT (2017a, p. 7), o estudo preliminar arquitetônico é a “etapa destinada ao di-
mensionamento preliminar dos conceitos do projeto arquitetônico da edificação e anexos necessários 
à compreensão da configuração da edificação, podendo incluir alternativas de projetos”.
O estudo preliminar é composto por plantas, cortes, elevações, detalhes construtivos, memorial 
justificativo, perspectivas, maquetes, fotografias e até recursos audiovisuais (ABNT, 2017b), que de-
monstrem a ideia geral do projeto. O estudo preliminar deve ser aprovado pelo cliente para que, a partir 
de então, siga para a próxima etapa de projeto. A Figura 7 ilustra a planta baixa de uma residência em 
nível de estudo preliminar. Esta representação gráfica pode ser levada ao cliente para sua apreciação 
e aprovação.
Figura 7 - Estudo preliminar: planta baixa de edificação residencial
Fonte: Montenegro (2016, p. 93).
A etapa seguinte ao estudo preliminar é o anteprojeto, etapa em que a ideia principal é aprimorada. É a 
etapa “destinada à concepção e à representação das informações técnicas provisórias de detalhamento 
do projeto arquitetônico da edificação, instalações e componentes” (ABNT, 2017a, p. 2).
Para ser desenvolvido, o anteprojeto deve levar em consideração o estudo preliminar, devendo 
apresentar as informações técnicas relativas à edificação, seus elementos e componentes construtivos 
relevantes. O anteprojeto deve apresentar, basicamente, os mesmos desenhos do estudo preliminar, 
no entanto, eles detêm maior detalhamento e maiores especificações, dentre eles está o “memorial 
descritivo dos elementos da edificação, dos componentes construtivos e dos materiais de construção” 
(ABNT, 2017b, p. 9). 
66 Etapas do Projeto Arquitetônico
A B
Figura 8 - Planta baixa de uma residência – Anteprojeto
Fonte: Montenegro (2016, p. 83).
O Anteprojeto é o aprimoramento da ideia desenvolvida nas etapas 
anteriores; trata-se da configuração final da solução arquitetônica 
adotada para a obra e, assim como o estudo preliminar, deve receber 
a aprovação do cliente. 
A partir de então, o projeto passa a ser preparado para aprovação 
em órgãos específicos e para execução da obra.
67UNIDADE 3
Esta etapa pode ser simples e rápida ou bastante 
complexa, de acordo com a tipologia da edifica-
ção e a quantidade de órgãos e requisitos técnicos 
que o projeto deva atender para ser aprovado por 
todos os órgãos. Nesta etapa, obtém-se o projeto 
de aprovação ou de licenciamento, pois permite 
que o projeto arquitetônico tenha aprovação além 
do cliente.
O projeto legal ou projeto para licenciamento, 
como é chamado, trata-se do projeto arquitetô-
nico preparado para aprovação nos órgãos com-
petentes, como as prefeituras, concessionárias de 
serviços públicos, corpo de bombeiros, vigilân-
cia sanitária, órgãos ambientais, conselhos dos 
patrimônios artísticos e históricos, entre outros, 
que seja necessário de acordo com a tipologia e 
dimensão do projeto.
Etapas para Aprovação 
Legal do Projeto
68 Etapas do Projeto Arquitetônico
Assim, o projeto para aprovação é a configuração técnico-ju-
rídica da solução arquitetônica e deve ser produzido seguindo as 
normas técnicas de apresentação e representação gráfica exigidas 
pelos órgãos avaliadores.
Vale lembrar que, de acordo com a localização do projeto/obra, 
os critérios podem mudar. Os órgãos municipais e estaduais podem 
ter critérios diferentes de região para região, assim, cabe ao projetista 
responsável estar atento aos critérios de cada região ou município 
onde irá atuar. Um exemplo disso são as leis de uso e ocupação do 
solo que possuem características particulares em cada município.
Para se produzir este tipo de projeto, deve-se levar em consi-
deração o anteprojeto de arquitetura e de outras áreas técnicas, a 
legislação vigente e normas técnicas específicas, produzindo, assim, 
informações necessárias e suficientes ao atendimento dos requisitos 
legais para os procedimentos de análise e de aprovação do projeto 
para a sua construção (ABNT, 2017b).
O projeto para licenciamento é composto por desenhos, textos 
e memoriais requeridos em leis, devendo atender aos requisitos 
estabelecidos pelos órgãos onde o projeto será submetido para 
análise e aprovação (ABNT, 2017b).
Caso o projeto não necessite da aprovação por nenhum órgão, 
esta etapa pode ser dispensada.
69UNIDADE 3
A etapa de execução e posteriores é composta pela 
elaboração do projeto arquitetônico executivo, 
projeto completo da edificação e também pelo 
projeto as built.
O projeto executivo se trata da etapa 
 “
destinada à concepção e à representação fi-
nal das informações técnicas dos projetos 
arquitetônicos e de seus elementos, insta-
lações e componentes, completas, definiti-
vas, necessárias e suficientes à execução dos 
serviços e de obras correspondentes (ABNT, 
2017a, p. 12). 
Etapa de Execução 
e Posteriores
70 Etapas do Projeto Arquitetônico
Assim, o Projeto da Execução é composto por um conjunto de documentos técnicos: textos, memoriais, 
peças gráficas e especificações – necessárias ao processo de licitação ou à execução da obra, ou seja, 
é a etapa de detalhamento da solução de projeto adotadae aprovada pelo cliente e órgãos técnicos 
competentes, permitindo informações suficientes para a execução da obra. Dessa forma, para que o 
projeto executivo seja elaborado, deve levar em consideração o anteprojeto aprovado pelo cliente.
Segundo Farrelly (2014), nesta etapa são feitos os desenhos que permitem que a obra seja construída. 
A quantidade de desenhos e sua escala irá depender da complexidade do projeto, pois elementos espe-
ciais necessitam de mais detalhes, enquanto outros, mais padronizados, exigem menos detalhamentos.
No desenvolvimento do projeto executivo, o projetista deve considerar, além do anteprojeto de 
arquitetura, os anteprojetos produzidos por outras atividades técnicas (ABNT, 2017b).
A parte gráfica do projeto executivo é composta por plantas, sendo elas: de implantação geral, plan-
tas e detalhes da cobertura, cortes longitudinais e transversais, elevações frontais, laterais e posterior; 
detalhes de ambientes especiais, como banheiros, cozinhas e lavatórios que contenham as especificações 
técnicas de seus componentes e quantificação; detalhes de elementos e componentes (ABNT, 2017b).
Por outro lado, a parte textual é composta pelo memorial descritivo dos elementos e componentes 
arquitetônicos da edificação, memorial descritivo que aborde as instalações prediais, os componentes 
construtivos e materiais, o quantitativo dos componentes construtivos e dos materiais de construção e 
orçamento. Podem ainda apresentar, de forma opcional e complementar ao entendimento do projeto, 
elementos como as perspectivas, maquetes físicas ou eletrônicas, fotografias e montagens, além de 
recursos audiovisuais (ABNT, 2017b).
Tão importante quanto o projeto executivo arquitetônico é o projeto completo. Esta etapa é destinada 
à conclusão da “compatibilização dos projetos executivos, e ao detalhamento das definições construtivas 
que envolve o conjunto de desenhos, memoriais, memórias de cálculo e demais informações técnicas das 
especialidades” (ABNT, 2017a, p. 12). Estas informações devem ser compatibilizadas e aprovadas pelo 
cliente de modo que possam servir à completa execução da edificação projetada. O projeto completo 
não contempla apenas o projeto executivo arquitetônico, mas também os projetos complementares 
da edificação: instalações elétricas, hidrossanitárias, estrutural, prevenção de incêndio, entre outros.
Após a execução das obras, caso haja alterações no projeto que tenham ocorrido durante a exe-
cução, o projeto executivo completo deve receber a atualização. A essa nova documentação se dá o 
nome de projeto conforme construído (as built). A NBR 16636-2 (ABNT, 2017b) ressalta que essas 
alterações devem ocorrer com anuência dos autores, construtores e cliente. Essa documentação se 
torna importante para as ações de uso, manutenção e operação da edificação, devendo ser arquivada 
pelos responsáveis pela edificação. 
71UNIDADE 3
Assim, encerramos esta unidade que tratou das etapas de projeto. Na próxima unidade, abordaremos 
as principais condicionantes que determinam o projeto arquitetônico.
O termo “as built” vem do inglês e sua tradução ao pé da letra significa “como construído”, ou seja, 
tem como objetivo registrar exatamente como a edificação foi construída, caso tenham ocorrido 
mudanças no projeto durante a obra. O projeto “as built” evita que, futuramente, durante o uso da 
edificação ou manutenção, problemas surjam por haver incompatibilidade entre o projeto e a edifi-
cação. Um exemplo bem simples seria o morador desejar furar uma parede para instalar um móvel 
e precisar saber se nesta posição passa alguma tubulação hidráulica, para tanto ele poderá consultar 
o projeto, porém, se ocorreram modificações na posição da tubulação e isso não foi informado no 
projeto “as built”, poderá ser gerado um grande inconveniente.
72
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.
1. Desenvolva um organograma das etapas de projeto arquitetônico.
2. Desenvolva um organograma funcional, parte da etapa de pré-projeto, com base 
no seguinte programa de necessidades:
Escritório, recepção, sanitário público, sanitário privativo e hall de entrada.
3. Edifícios residenciais multifamiliares são desafiadores não apenas no processo 
de projeto, mas também no processo de pós-ocupação e administração, haja 
visto que, nestas edificações, ao longo de sua vida útil, habitaram diversas fa-
mílias, com diferentes valores e expectativas e que adaptarão suas unidades de 
acordo com seu modo de vida. Há também um desafio para síndicos e adminis-
tradoras, que devem gerir e garantir a manutenção adequada às estruturas e 
sistemas do edifício. Neste cenário, qual a relevância do projeto as built no uso 
e manutenção do edifício?
73
O traço dá ideia: bases para o projeto arquitetônico
Autor: Gildo Montenegro
Editora: Blucher
Sinopse: este livro estuda aspectos práticos do ambiente construído ou a se 
construir, sem deixar de lado os sonhos e a criatividade do projetista. Esta obra 
pode orientar tanto o profissional calejado como o estudante e o estagiário, 
incentivando-os a valorizarem o esboço visto como ponto de partida para o 
projeto – não somente aqui, mas também nos escritórios modernos –, antes 
de ele seguir para a representação digital. A obra começa com o ABC do dese-
nho à mão livre, aponta alternativas concretas de adaptação da construção ao 
ambiente e discute o papel do arquiteto na sociedade atual e naquela com que 
todos sonhamos. Há, ainda, um capítulo em que se exemplifica a concepção 
inicial de vários projetos, desde seus primeiros rascunhos e ideias até suas fases 
finais de desenvolvimento.
LIVRO
74
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 16636-1:2017. Elaboração e desenvolvimento de 
serviços técnicos especializados de projetos arquitetônicos e urbanísticos - Parte 1: Diretrizes e terminologia. 
Rio de Janeiro, 2017a.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 16636-2:2017. Elaboração e desenvolvimento de 
serviços técnicos especializados de projetos arquitetônicos e urbanísticos - Parte 2: Projeto arquitetônico. Rio 
de Janeiro, 2017b.
FARRELLY, L. Fundamentos de arquitetura. Tradução de Alexandre Salvaterra. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 
2014.
KOWALTOWSKI, D. C. C. K.; MOREIRA, D. de C.; PETRECHE, J. R. D.; FABRICIO, M. M. (orgs.). O processo 
de Projeto em Arquitetura. São Paulo: Oficina de Textos, 2011.
MONTENEGRO, G. A. Desenho de projetos. 1. ed. São Paulo: Blucher, 2007.
MONTENEGRO, G. A. O traço dá ideia: bases para o projeto de arquitetura. São Paulo: Blucher, 2016.
NEVES, L. P. Adoção do partido na arquitetura. 3. ed. Salvador: EDUFBA, 2012.
75
1. Organograma com as etapas de projeto arquitetônico:
Etapas de preparação Etapas de desenvolvimento
Estudo preliminar
Anteprojeto
Projeto para aprovação
Projeto Executivo
Projeto Completo
Projeto “as built”
Levantamento de
informações
Programa de
necessidades
Estudo de viabilidade
Execução da obra
Hall de entrada
RecepçãoSanitário público
Escritório Sanitário privativo
2. Organograma com o programa de necessidades: 
3. O projeto “as built” tem por finalidade registrar as mudanças ocorridas no projeto durante a obra, assim 
ele evita que, futuramente, durante o uso da edificação ou manutenção, problemas surjam por haver in-
compatibilidade entre o projeto e a edificação. No caso de edifícios residenciais multifamiliares, onde são 
muito comuns reformas internas nas unidades habitacionais ao longo do tempo, o projeto as built permite 
que essas reformas sejam adequadamente planejadas e compatíveis com os sistemas do edifício, evitando, 
por exemplo, perfuração de tubulação hidráulica ou de gás, assim como retirada de elementos estruturais 
do edifício. No que tange à administração e manutenção do edifício, o projeto as built pode garantir que 
problemas nos sistemas do edifício e sua manutenção sejam identificados de forma mais rápida e precisa, 
uma vez que ele registra exatamente como o edifício se consolidou após a construção, registrandomu-
danças do projeto inicial. Pode parecer óbvio, mas infelizmente muitas edificações não contêm projeto as 
built e há muita incompatibilidade entre projeto e execução.
76
77
78
PLANO DE ESTUDOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
• Reconhecer quais são as condicionantes, relacionadas ao 
local de implantação, que podem interferir no processo 
de projeto.
• Apresentar as influências das condições topográficas de 
um terreno na formulação do projeto arquitetônico.
• Compreender como condicionantes ambientais direcio-
nam as ações de projeto.
• Apresentar as principais diretrizes urbanas as quais um 
projeto arquitetônico deve atender para ser aprovado 
pelos órgãos públicos.
• Conhecer as principais normas e legislações brasileiras 
que se aplicam no processo de projeto de edificações.
As Condicionantes do Local 
de Implantação
As Condicionantes 
Topográficas
Condicionantes As 
Urbanísticas
Normas e Legislações 
Aplicadas ao Projeto 
Arquitetônico
As Condicionantes 
Ambientais
Me. Andréia Gonçalves Darice
Condicionantes do 
Projeto Arquitetônico
As Condicionantes do 
Local de Implantação
Faz parte da essência humana ordenar e modifi-
car o ambiente buscando atender às suas neces-
sidades. Por meio da arquitetura, o homem cria 
espaços que servem de abrigo, para a realização 
das atividades produtivas do dia a dia, assim como 
para o lazer e atividades sociais.
Ao longo da história, o homem sempre buscou 
construir espaços protegidos e adaptados à topo-
grafia, à vegetação, à temperatura e às intempéries, 
visando promover conforto aos usuários. Assim, 
estudar e compreender as condicionantes locais 
era fundamental.
De acordo com Baron e Francisco (2015, p. 
132), pensar um projeto é uma atividade comple-
xa, que consiste em “articular os vários elementos 
que o compõem: sociais, ambientais, tecnológicos, 
funcionais e estéticos”.
81UNIDADE 4
O projeto arquitetônico depende de diversas condicionantes 
e sua solução deve ser uma resposta direta a elas. Como defende 
Odebrecht (2006, p. 9),
 “
A arquitetura tem como intuito criar espaços (internos e exter-
nos), adaptados às necessidades dos indivíduos que os ocupam. 
Para tanto, deve se propor a resolver problemas de ordem fun-
cional e de ordem estética, observando o contexto em que se 
inserem, tanto o físico, como o cultural, o socioeconômico e o 
tecnológico. Todos estes aspectos devem ser trabalhados em 
conjunto, com igual importância, para que a arquitetura possa 
produzir edificações de significativa qualidade.
As condicionantes fazem parte do processo de desenvolvimento do 
projeto arquitetônico. Elas determinam critérios a serem adotados 
no projeto, como: o entendimento das determinantes climáticas; o 
bom uso dos recursos materiais disponíveis; a aplicação de critérios 
econômicos e o entendimento dos fatores culturais.
O ato de projetar é estabelecer relações entre partes de um todo. 
Um projeto de qualidade nunca deve ser indiferente ao seu entorno, 
pois a arquitetura pertence a um lugar, repousa sobre um terreno ou 
sítio (FARRELLY, 2014), ou seja, a arquitetura não existe sem um lugar.
Cada terreno tem características distintas em termos de topo-
grafia, localização e definições históricas, assim, Farrelly (2014) 
destaca que a análise do terreno permite que aspectos e caracte-
rísticas específicas possam influenciar na ideia de projeto, como 
as características históricas com relação à tipologia arquitetônica 
das edificações ou materiais construtivos, assim como as variáveis 
climáticas. Desta forma, entender o terreno, seu entorno imediato e 
o contexto urbano maior permite que o projeto tenha uma conexão 
mais adequada com ele. Segundo Baron e Franscisco (2015, p. 135) 
“a leitura do lugar oferece, primeiramente, a compreensão sobre o 
contexto e as condições do terreno onde será implementada a obra”.
Desta forma, é essencial que o projetista compreenda o terreno 
onde a edificação será implantada, pois ele sugere uma série de 
parâmetros que afetam o projeto de arquitetura, como a orientação 
solar, os acessos ao terreno e sua ligação com outras partes da cidade 
(FARRELLY, 2014).
Da mesma forma como o 
terreno pode condicionar o 
projeto, ele também pode ofe-
recer oportunidades incríveis. 
Segundo Farrelly (2014, p. 12), 
é justamente isso que torna a 
arquitetura “específica e única”, 
pois não existem terrenos exa-
tamente iguais.
De acordo com Ching 
(2014), na análise do local de 
implantação, o projetista deve 
considerar aspectos como as 
condicionantes e oportunidades 
do contexto, as influências his-
tóricas e culturais, as condicio-
nantes ambientais – sol, ventos 
e precipitações –, as caracterís-
ticas da topografia, da paisagem 
e dos recursos hídricos, assim 
como os modos de aproxima-
ção, acesso e caminhos dentro 
de um terreno.
A análise do terreno ou sítio 
é crucial para a arquitetura, vis-
to que oferece os critérios com 
os quais o arquiteto deve traba-
lhar (FARRELLY, 2014). Sem-
pre que o projetista for iniciar 
um novo projeto, é preciso co-
nhecer o local de implantação, 
levantar suas características, 
analisar o entorno imediato de 
modo a compreender como se 
dará a inserção do projeto, qual 
a interferência poderá sofrer do 
lote e também do entorno.
82 Condicionantes do Projeto Arquitetônico
As condicionantes topográficas são aquelas rela-
cionadas ao relevo do terreno/local de implan-
tação. Essas condicionantes podem ser decisivas 
para a adoção da solução de projeto.
Ao analisar as condicionantes topográficas, 
deve-se levar em consideração as condições do 
sítio e do terreno, a proteção contra águas de chu-
va, desestabilização do solo, custos gerados por 
grandes movimentações de terra, além da estética 
e harmonia com a paisagem do entorno imediato. 
Um bom projetista tira proveito das condicionan-
tes topográficas, de modo a acomodar melhor a 
edificação no lote e reduzir movimentações de 
solo desnecessárias, que podem também elevar 
o custo da obra.
As Condicionantes 
Topográficas
83UNIDADE 4
Um lote pode ser plano, possuir aclive ou declive, como demonstra a imagem a seguir. Dificilmen-
te um terreno natural, ou seja, sem movimentações de terra, será totalmente plano. Um terreno em 
aclive é o lote onde o nível da rua ou testada de acesso ao lote está abaixo do nível nos fundos do lote, 
ou seja, a altura vai aumentando à medida que a extensão do lote é percorrida (Figura 1a). Por outro 
lado, em um lote em declive, o nível da rua está acima do nível nos fundos do lote, ou seja, a altura vai 
diminuindo à medida que a extensão do lote é percorrida (Figura 1c), enquanto o lote plano possui o 
mesmo nível em toda a sua extensão (Figura 1b).
A
B
C
TERRENO EM ACLIVE
TERRENO PLANO
TERRENO EM DECLIVE
Figura 1 - Exemplos de lotes com aclive, plano e declive
Fonte: adaptada de Espaço D Arquitetura ([2020], on-line)1. 
A Casa Carmem Portinho, projeto do arquiteto Afonso Reidy, é um exemplo de obra desenvolvida em 
um terreno com declive. Como podemos observar na Figura 2, que apresenta o Corte longitudinal da 
edificação, o arquiteto tirou partido da declividade do terreno para acomodar a edificação, criando 
um bloco suspenso sobre pilotis, criando vistas para a paisagem do entorno, tornando-se um mirante 
para o vale, as colinas e a vegetação existente. 
84 Condicionantes do Projeto Arquitetônico
Figura 2 - Corte da Casa Carmem Portinho
Fonte: Reidy (1951 apud Casas Brasileiras, 2011, on-line)2.
A Figura 3, que ilustra a maquete da obra, dá-nos mais conhecimento de como era o terreno e como 
a obra se insere nele, sem fazer movimentação de terra, fazendo mínima intervenção.
Figura 3 - Perfil do terreno - maquete
Fonte: Casas Brasileiras ([2020], on-line)3.
O acesso está localizado no nível da rua, onde também está a garagem e dependências de serviços. No 
bloco suspenso sobre os pilotis, está a parte principal da residência: quartos, cozinha, jantar/estar e 
varanda, abertos para a vista da paisagem.
85UNIDADE 4
No cenário arquitetônico,temos 
diversos exemplos de profissio-
nais que tiraram partido jus-
tamente da topografia do lote 
para criar seus projetos. A casa 
da Cascata, projeto do arquiteto 
Norte americano Frank Lloyd 
Wrigth, é um bom exemplo de 
edificação adaptada à paisagem 
e ao relevo natural do terreno 
(Figura 5). A edificação se abriga 
em meio à vegetação e repousa 
sobre as pedras naturais do sítio, 
que adentram o espaço interno 
da edificação. O arquiteto res-
peita as condicionantes do lote e 
integra a edificação a ele, tirando 
proveito dessas condicionantes.
Figura 4 - Planta baixa da Casa Carmem Portinho
Fonte: Reidy (1951 apud Casas Brasileiras, 2011, on-line)2.
Figura 5 - Fallingwater (Casa da cascata), Arquiteto Frank Lloyd Wrigth
86 Condicionantes do Projeto Arquitetônico
Outro bom exemplo de adaptação ao relevo é a Residência Helio Olga, projeto do arquiteto brasileiro 
Marcos Acayaba. O projeto da edificação é uma parceria entre o arquiteto e o engenheiro e proprietário 
Helio Olga. O terreno possuía alta declividade, assim a solução estrutural foi criar uma estrutura com 
poucos pontos de apoio, reduzindo a interferência no terreno (Figura 6). 
Figura 6 - Residência Helio Olga, arquiteto Marcos Acayaba
Fonte: Kon ([2020], on-line)4.
A solução adotada levou em consideração também outras condi-
cionantes, como aproveitamento da iluminação natural e das vistas 
para a paisagem do entorno. 
87UNIDADE 4
Outro aspecto fundamental para o desenvolvimen-
to do projeto arquitetônico é a atenção às condi-
cionantes ambientais do local de inserção da obra.
Segundo Odebrecht (2006), a questão am-
biental deve ser introduzida logo no início da 
concepção do projeto arquitetônico, pois implica 
condicionantes fundamentais que interferem nas 
soluções adotadas pelo projetista. São as relações 
ambientais em escala local que influem direta-
mente na qualidade da concepção do projeto 
arquitetônico por meio de: uma boa ventilação 
natural (definição do tipo, forma e orientação 
das aberturas); da utilização de dispositivos não 
poluentes do ar, da água ou do solo; de sistema 
de esgoto; do uso adequado do relevo, respeitan-
do as curvas de níveis, evitando cortes ou aterros 
desnecessários; da conservação da vegetação sig-
nificativa; do conforto termoacústico; da valori-
zação da insolação e da proteção de seu excesso 
(ODEBRECHT, 2006, p. 13).
As Condicionantes 
Ambientais
88 Condicionantes do Projeto Arquitetônico
O projetista deve conhecer o clima da região e as variáveis climáticas que envolvem o projeto: sol, 
ventos, chuva. Um bom projeto arquitetônico visa atenuar os aspectos negativos e fazer o melhor 
aproveitamento dos aspectos positivos com relação à localização. Segundo Lamberts, Dutra e Pereira 
(2014), é fundamental o conhecimento das variáveis climáticas para o desenvolvimento do projeto 
arquitetônico, para se alcançar edificações mais adequadas ao conforto dos usuários e mais eficientes 
com relação ao consumo de energia.
A radiação solar é a principal fonte de energia do planeta, sendo fonte de calor, de luz, além de 
possuir efeitos esterilizantes, que garantem a salubridade nos espaços. Entender a orientação solar é 
um dos requisitos principais para determinar a implantação da edificação no lote e como ela receberá 
a luz do sol. Segundo Lamberts, Dutra e Pereira (2014), é possível tirar partido ou mesmo evitar a luz 
e o calor solar, sendo a melhor opção ter como premissa o conforto térmico e visual do usuário e a 
economia de energia.
Nesse sentido, cabe ao projetista avaliar a orientação solar no local de implantação, assim como 
adotar critérios e estratégias para maximizar os ganhos e minimizar os prejuízos advindos da radiação 
solar, conciliando os ganhos de carga térmica com a iluminação natural, fundamental para a saúde 
humana e para a redução do consumo energético. É importante lembrar que o sol traz iluminação e 
calor, assim, fazer bom uso da orientação solar é fundamental para se obter bons resultados de projeto. 
Figura 7 - Esquema de planta com “orientação ideal” em termos de iluminação natural
Fonte: Lamberts, Dutra e Pereira (2014, p. 158).
89UNIDADE 4
Recomenda-se que os ambientes de permanência estejam orientados para o sol da manhã, enquanto 
áreas de serviço, lavanderias e banheiros para o sol da tarde (Figura 7).
A vegetação é outra aliada do projeto, pois auxilia na diminuição da temperatura do ar, produz som-
breamento e ainda é um elemento de melhoria estética da paisagem, ou seja, traz mais beleza aos espaços.
A vegetação pode ser utilizada como estratégia para modificar a velocidade dos ventos, bloquear a 
poeira e a poluição sonora, como demonstra a Figura 8.
Figura 8 - Influência da vegetação na ventilação natural
Fonte: Lamberts, Dutra e Pereira (2014, p. 182).
Segundo Odebrecht (2006), as condicionantes ambientais acompanham todo o processo de projeto, uma 
vez que interferem desde a implantação do projeto no terreno, passando pela escolha dos elementos 
construtivos que implicam em aspectos estéticos, até detalhamentos técnico funcional e construtivos. 
90 Condicionantes do Projeto Arquitetônico
No desenvolvimento do projeto arquitetônico, o 
projetista deve estar atento também às condicio-
nantes urbanísticas, relacionadas ao uso e ocupa-
ção do solo. Essas condicionantes são específicas 
de cada município e são expressas em forma de lei.
A legislação de uso e ocupação do solo de um 
município tem por objetivo disciplinar o adensa-
mento urbano, criando uma relação entre áreas 
edificadas e áreas livres, preservando áreas de 
ventilação e iluminação natural nos lotes e nos 
logradouros públicos. Normalmente, a lei de uso 
e ocupação divide a cidade em diversos zonea-
mentos, ou seja, áreas com critérios específicos 
de ocupação. A Figura 9 traz o exemplo de zonea-
mento urbano de uma região de Brasília, em que 
cada cor representa uma zona diferente, ou seja, 
de acordo com cada cor, mudam-se os critérios 
de uso e ocupação do solo.
As Condicionantes 
Urbanísticas
91UNIDADE 4
Figura 9 - Exemplo de mapeamento de uso e ocupação do solo
Fonte: DISTRITO FEDERAL (2017, on-line).
Exemplo: se um lote tem 1.000 m2 e sua taxa de ocupação é 60%, isso significa que a projeção da 
edificação deve ser de, no máximo, 600 m2.
10% 20% 30% 40% 50% 60%
Projeção da construção no terrenoTaxa de ocupação (TO)
18%
18%
Não muda
a T.O.
23%
Muda
a T.O.
A TO mede apenas a projeção 
da edi�cação sobre o terreno.
Parâmetros de referência para a TO.
Dentre as diretrizes urbanís-
ticas tratadas na Lei de uso e 
ocupação do solo, estão a taxa 
de ocupação, coeficiente de 
aproveitamento, recuos, taxa 
de permeabilidade e gabarito 
(altura) das edificações.
Taxa de ocupação: área má-
xima que a projeção horizontal 
da edificação pode ocupar no 
lote. É expressa em porcenta-
gem, por exemplo: 60%, signi-
fica que a projeção horizontal 
da edificação pode ocupar 60% 
da área total do lote.
Figura 10 - Representação da taxa de ocupação 
Fonte: adaptada de Urbanidades (2007, on-line)5.
92 Condicionantes do Projeto Arquitetônico
A taxa de ocupação não consi-
dera a projeção vertical da edi-
ficação, somente a horizontal, 
assim, não importa a altura do 
edifício. No entanto, em alguns 
zoneamentos, pode haver taxas 
de ocupação diferentes entre os 
pavimentos. É o que ocorre no 
exemplo dado na Tabela 1, em 
É a existência de leis de uso e ocupação do solo e do zoneamento 
urbano que permite que nossas cidades sejam heterogêneas, ten-
do áreas com edificações térreas e outras com edifícios verticais. 
O zoneamento ordena os usos, garantindo, por exemplo, que 
não haja uma indústria geradora de ruídos do lado de edificações 
residenciais ou escolares ou que todas as vias sejam comerciais. 
Se observarmos nossas cidades, perceberemos que as atividades 
comerciais ocupam espaços específicos e que algumas áreas são 
somente residenciais. Isso acontece porque se tem o zoneamento.
Tabela 1 - Parâmetros de ocupação do solo
Zo
na
Al
tu
ram
áx
im
a 
da
 
ed
ifi
ca
çã
o
Co
ef
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ie
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e 
m
áx
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de
 
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en
to
Ta
xa
 m
áx
im
a 
de
 
oc
up
aç
ão
 d
o 
lo
te
Afastamento mínimo das divisas
Fr
on
ta
l
Laterais Fundos
< 2 pav
Sem abert.
Com abert.
< 8 pav < 2 pav > 2 pav
ZR3 Térreo + 7 2,5
Térreo e 
2º pav. 70 
Demais 
50
3
Sem=Dispen-
sável
Com=1,5
2,5
Sem=Dis-
pensável
Com=1,5
Até 20 
pav=5 + 20 
pav=7
Fonte: adaptada de Maringá (2011).
que a taxa de ocupação é de 70% para o térreo e segundo pavimento, 
e de 50% para os demais, ou seja, os outros seis pavimentos poderão 
ocupar, no máximo, 50% da área total do lote.
Tenha sua dose extra de conhecimento 
assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu 
leitor de QR Code.
Coeficiente de aproveitamento
93UNIDADE 4
Figura 11 - Exemplificação de recuos
Fonte: Prefeitura de São Paulo (2014, on-line)6. 
Todos os recuos Sem recuo
Recuo
de fundo 
Recuo
lateral
Recuo
lateral
Recuo
frontal
Alinhamento predial: linha divisória legal entre o lote e o logradouro público. 
Fonte: Maringá (2016, on-line).
 
São chamados de Logradouro público os espaços livres da cidade destinados ao uso dos cidadãos 
e à circulação de veículos, como ruas e avenidas, praças, largos, calçadões, jardins, entre outros.
Outra diretriz urbanística é o Coeficiente de aproveitamento, o qual trata da área máxima a ser cons-
truída em um determinado lote. O coeficiente é expresso por um numeral, ex.: 1, 2, 3, 5 etc. Assim como 
a taxa de ocupação, o coeficiente pode variar de acordo com o zoneamento da cidade. O coeficiente 
determinará o potencial construtivo do lote em metros quadrados.
Os recuos tratam do afastamento mínimo que a edificação deve ter dos limites do lote. São divi-
didos em recuo frontal, laterais e fundos. Os recuos também variam de acordo com o zoneamento, 
normalmente em áreas residenciais os recuos, principalmente o frontal, são maiores que em áreas 
comerciais, onde, na maioria dos casos, o recuo frontal é dispensado e as edificações são construídas 
no alinhamento predial.
A Taxa de permeabilidade é a área mínima do lote que deve ficar livre de edificação e pavimentação, 
permitindo a permeabilidade do solo e percolação das águas pluviais. A figura demonstra taxas dife-
rentes de permeabilidade para um mesmo terreno, considerando soluções de projeto diferentes.
94 Condicionantes do Projeto Arquitetônico
15% do terreno permite a
infiltração de água no solo
Taxa de Permeabilidade = 0,3 Taxa de Permeabilidade = 0 Taxa de Permeabilidade = 0,15
30% do terreno permite a
infiltração de água no solo
Neste caso, não há possibilidade
de infiltração de água no solo,
pois o subsolo está edificado.
Figura 12 - Exemplos de diferentes taxas de permeabilidade
Fonte: Prefeitura de São Paulo (2014, on-line)6.
O gabarito das edificações determina a altura máxima que as edificações podem ter em determinado 
zoneamento. Essa altura é normalmente expressa em metros ou em pavimentos. Alguns zoneamentos 
indicam a altura por meio de cota (ex: cota 650); essa cota é medida com relação ao nível do mar.
Exemplo: se a cidade para onde se irá desenvolver o projeto está na cota 550 m em relação ao nível 
do mar e o gabarito máximo permitido é a cota 650, isso significa que a edificação terá, no máximo, 
100 m de altura.
A) Coeficiente de aproveitamento B) Taxa de Ocupação C) Taxa de Permeabilidade
D) Lote Mínimo e Área Mínima E) Gabarito de Altura Máxima F) Recuos
Figura 13 - Resumo dos parâmetros urbanísticos
Fonte: Prefeitura de São Paulo (2014, on-line)6.
95UNIDADE 4
Além dos parâmetros de uso e ocupação, o projeto 
arquitetônico deve estar em conformidade com 
outras legislações e normas. Dentre elas está o 
código de obras do município. Este se trata de 
uma lei municipal em que são estabelecidos os 
critérios e exigências para a construção de edifi-
cações no município. Essa lei estabelece critérios 
como a classificação dos ambientes de acordo com 
sua utilização, assim como as áreas mínimas que 
devem ter, requisitos quanto à iluminação e venti-
lação natural da edificação, dentre outros parâme-
tros. A lei pode indicar, ainda, o número de vagas 
de garagem de acordo com o uso da edificação, 
altura do pé direito dos ambientes, dimensão dos 
acessos, entre outros.
Assim, o projeto arquitetônico só é aprova-
do pela prefeitura local se atender aos requisitos 
estabelecidos nessa lei. Os códigos de obras são 
leis com estruturas semelhantes, no entanto, cada 
município tem seus requisitos e especificidades, 
cabendo ao projetista sempre consultar o código 
de obras da cidade onde pretende atuar.
Normas e Legislações 
Aplicadas ao Projeto 
Arquitetônico
96 Condicionantes do Projeto Arquitetônico
O código de obras municipal complementa ou é complemen-
tado pelas normativas nacionais, como a NBR 9050:2015, que dis-
põe sobre a acessibilidade em edificações e espaços urbanos, e a 
NBR 15575:2013, conhecida como Norma de desempenho, trata 
do desempenho de edificações habitacionais, prevendo requisitos 
mínimos para o bom desempenho das edificações, ficando a cargo 
do projetista o atendimento aos critérios previstos nesta normativa.
Além das leis municipais, há as normas federais que devem ser 
atendidas. Dentre elas estão as normas de proteção contra incêndio, 
que determinam os critérios a serem implantados nas edificações de 
acordo com seu uso, visando prevenir as edificações contra incêndio, 
assim como a previsão de rotas de fuga em caso de sinistros. Estas 
normas classificam as edificações de acordo com o risco que elas 
apresentam, assim como determinam as dimensões de acessos e cir-
culações de acordo com o uso e população de uma edificação. O aten-
dimento a essas normativas é fiscalizado pelo Corpo de Bombeiros.
Existem ainda as leis específicas, que se relacionam com o tema 
do projeto, por exemplo, projeto hospitalar, escolar, hospedagem 
etc. Edificações hospitalares devem atender ao código sanitário 
municipal, que tem como referência as normas do Ministério da 
Saúde e é fiscalizado pela Vigilância Sanitária. Por outro lado, uma 
edificação escolar deve atender aos requisitos da Secretaria Esta-
dual de Educação, baseado nas Normas do Ministério da Educa-
ção (ODEBRECHT, 2006). Edificações que interfiram ou esteja, 
localizadas em espaços de projeção ambiental ou próximo deles 
devem ainda atender a requisitos dos órgãos ambientais, como 
as secretarias do meio ambiente, institutos ambientais estaduais 
e Ibama. Vale lembrar que estes projetos devem atender também 
todos os critérios estabelecidos pelo código de obras municipal e 
pelo Corpo de Bombeiros, de acordo com a necessidade.
Nesta unidade, pudemos conhecer as principais condicionantes 
no processo de desenvolvimento do projeto arquitetônico e como o 
projetista, engenheiro civil, deve lidar com essas condicionantes, a 
fim de obter uma edificação mais adequada ao conforto dos usuá-
rios, ecoeficiência e menores custos finais.
97
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.
1. Calcule a área máxima a ser construída em cada pavimento, considerando a 
taxa de ocupação e o coeficiente do terreno dado:
Área do terreno: 900 m2
Taxa de ocupação: 60%
Coeficiente de aproveitamento: 2
Altura máxima da edificação: Térreo + 2
2. Discorra sobre a diferença entre um terreno em aclive e um em declive. Faça 
um croqui ilustrando a diferença.
3. Explique por que é importante para o projetista respeitar e aproveitar as con-
dicionantes topográficas do terreno.
98
Projeto Arquitetônico: conteúdos técnicos básicos
Autor: Silvia Odebrecht
Editora: EDIFURB
Sinopse: esta publicação se destina a dar uma ideia geral de aspectos a serem 
observados quando se realiza o ato de projetar, ou seja, quando se elabora um 
projeto arquitetônico, que apresenta uma série de problemas a serem solucio-
nados em conjunto, de forma integrada, o que determina a complexidade do 
exercício arquitetônico. Entretanto, não tem o objetivo de inovar métodos e/ou 
técnicas, mas sim o de facilitaraos projetistas o acesso ao material necessário 
para a iniciação ao projeto arquitetônico, encontrado, de forma dispersa, em 
publicações técnicas como as referenciadas na bibliografia.
LIVRO
99
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 15575:2013. Desempenho de edificações 
habitacionais. Rio de Janeiro: ABNT, 2013.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9050:2015. Acessibilidade a edificações, 
mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro: ABNT, 2015.
BARON, C. M. P.; FRANCISCO, A. M. O processo projetual e os desafios de ensinar a criar espaços. 
In: FIORIN, E.; LANDIM, P. C.; LEOTE, R. S. (orgs.). Arte-ciência: processos criativos [online]. 
São Paulo: Editora UNESP; São Paulo: Cultura Acadêmica, p. 131-153, 2015. Disponível em: http://
books.scielo.org/id/jhfsj/pdf/fiorin-9788579836244-08.pdf Acesso: 29 maio 2020.
CHING, F. D. K. Introdução à arquitetura. Tradução: Alexandre Salvaterra. Porto Alegre: 
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DISTRITO FEDERAL. SEDUH. SECRETARIA DE ESTADO DE DESENVOLVIMEN-
TO URBANO E HABITAÇÃO. Lei Complementar de Uso e Ocupação do Solo 
do Distrito Federal: Região administrativa de Águas Claras. 2017. Disponível em: 
http://www.seduh.df.gov.br/wp-conteudo/uploads/2017/10/audiencia_aguas_claras_ra20.jpg. 
Acesso em: 01 jun. 2020.
FARRELLY, L. Fundamentos de arquitetura. Tradução: Alexandre Salvaterra. 2. ed. Porto Alegre: 
Bookman, 2014.
LAMBERTS, R.; DUTRA, L.; PEREIRA, F. O. R. Eficiência energética na arquitetura. 3. ed. Rio 
de Janeiro, 2014. Disponível em: http://labeee.ufsc.br/sites/default/files/apostilas/eficiencia_ener-
getica_na_arquitetura.pdf. Acesso em: 29 maio 2020.
MARINGÁ. Lei Complementar nº 1.045/2016. Institui o Código de Edificações e Postu-
ras Básicas para projeto, implantação e licenciamento de edificações no Município de Ma-
ringá e dá outras providências. Prefeitura do Município de Maringá, 2016. Disponível em: 
http://sisweb.maringa.pr.gov.br:81/acessocidadao/arquivos/Lei%20Complementar%201045-2016.pdf. 
Acesso em: 29 maio 2020
MARINGÁ. Lei Complementar nº 888/2011. Dispõe sobre o uso e ocupação do solo no municí-
pio de Maringá e dá outras providências. Prefeitura do Município de Maringá, 2011. Disponível em: 
http://www2.maringa.pr.gov.br/sistema/arquivos/geo/leis/lc_888_2011_uso_ocupacao_solo_
lei_consolidada.pdf. Acesso em: 29 maio 2020
http://books.scielo.org/id/jhfsj/pdf/fiorin-9788579836244-08.pdf
http://books.scielo.org/id/jhfsj/pdf/fiorin-9788579836244-08.pdf
100
ODEBRECHT, S. Projeto Arquitetônico: Conteúdos Técnicos Básicos. Blumenau: EDIFURB, 2006.
REFERÊNCIAS ON-LINE
1Em: https://www.espacodarq.com.br/blog/artigo/dica-construcao. Acesso em: 29 maio 2020.
2Em: https://casasbrasileiras.wordpress.com/2011/12/03/redidencia-em-jacarepagua/. Acesso em: 29 maio 2020.
3Em: http://www.casasbrasileiras.arq.br/csaportinho.html. Acesso em: 29 maio 2020.
4Em: http://www.nelsonkon.com.br/casa-helio-olga-2/. Acesso em: 29 maio 2020.
5Em: https://urbanidades.arq.br/2007/12/10/taxa-de-ocupacao-e-coeficiente-de-aproveitamento/. Acesso em: 
29 maio 2020.
6Em: https://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads/2014/10/236926557-Caderno-1-Revisao-
-da-Lei-de-Parcelamento-Uso-e-Ocupacao-do-Solo.pdf. Acesso em: 29 maio 2020.
101
1. Lote 900 m2, logo sua taxa de 60% equivale a 540 m2 por pavimento. Seu coeficiente de 2 equivale a 1800 
m2 total. Dividindo 1800 em 3 pavimentos, teremos 600 m2, no entanto, a área máxima é 540m2 x 3 pav= 
1620m2.
2. Um terreno em aclive se trata de um lote onde o nível da rua ou testada de acesso está abaixo do nível 
nos fundos do lote, ou seja, a altura vai aumentando à medida que a extensão do lote é percorrida. Por 
outro lado, em um lote em declive, o nível da rua está acima do nível nos fundos do lote, ou seja, a altura 
vai diminuindo à medida que a extensão do lote é percorrida.
3. Respeitando as condicionantes topográficas, o projetista acomodará melhor a edificação no lote e reduzirá 
movimentações de solo desnecessárias, que além de interferir na paisagem natural, ainda eleva o custo 
da obra.
102
PLANO DE ESTUDOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
• Conhecer os conceitos de acessibilidade, as normativas e 
os princípios que orientam a implantação de acessibilidade 
universal em projetos arquitetônicos.
• Expor os conceitos e princípios para o projeto de circula-
ção e acessos em edificações.
• Apresentar os conceitos e parâmetros para o dimensio-
namento e representação gráfica de rampas em projetos 
arquitetônicos.
• Apresentar os conceitos e parâmetros para o dimensiona-
mento e representação gráfica de escadas que garantam 
a acessibilidade aos espaços edificados.
• Apresentar os conceitos e parâmetros para o projeto e 
dimensionamento de sanitários acessíveis em projetos 
arquitetônicos.
Conceitos e Normas de 
Circulação e Acessibilidade 
no Brasil
Circulação Horizontal
Circulação Vertical: 
Escadas
Instalações Sanitárias 
Acessíveis
Circulação Vertical: 
Rampas
Me. Andréia Gonçalves Darice
Circulação e 
Acessibilidade
Conceitos e Normas 
de Circulação e 
Acessibilidade no Brasil
Caro(a) aluno(a), a circulação e o deslocamento 
são essenciais para que as pessoas desenvolvam 
suas atividades cotidianas. Nesta unidade, fare-
mos uma reflexão sobre os espaços de circulação e 
acessibilidade nas edificações, e como estes devem 
ser pensados durante o projeto arquitetônico.
Se a circulação é fundamental, no espaço edi-
ficado não é diferente, os espaços de circulação 
são fundamentais para garantir a livre circula-
ção e conexão entre os ambientes, proporcionar 
acessibilidade a todos os usuários e também ser-
vir como rotas de fuga em caso de situações de 
emergência. Apesar de não se tratar de espaços de 
permanência prolongada, os espaços de circula-
ção são fundamentais para o bom desempenho da 
edificação e, para tanto, devem obedecer a normas 
e critérios técnicos.
A circulação em uma edificação se divide em 
dois tipos: a circulação horizontal, dada, princi-
palmente, por meio de corredores, passarelas; e a 
circulação vertical, por meio de escadas, rampas, 
elevadores e plataformas elevatórias.
Segundo Montenegro (2017), a necessidade 
de aproveitamento dos terrenos nos espaços ur-
banos fez com que surgissem as construções de 
pavimentos superpostos, gerando, assim, a neces-
105UNIDADE 5
sidade de construção de elementos de circulação vertical, como as escadas, rampas, elevadores, plata-
formas elevatórias etc. Entretanto, não é somente os edifícios de diversos pavimentos que necessitam 
dos elementos de circulação vertical: terrenos em desnível ou mudanças de nível entre ambientes, por 
menores que sejam, vão necessitar desses elementos para promover a acessibilidade e continuidade 
entre os espaços. 
Nos dias atuais, a acessibilidade universal é uma das grandes metas da arquitetura. Vamos, então, 
entender o termo acessibilidade.
Segundo a ABNT NBR 9050 (2015, p. 2), acessibilidade é a 
 “
possibilidade e condição de alcance, percepção e entendimento para utilização, com segurança e 
autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e 
comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como outros serviços e instalações abertos 
ao público, de uso público ou privado de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa 
com deficiência ou mobilidade reduzida.
Desta forma, a acessibilidade significa permitir a todas as pessoas a possibilidade de acesso às edificações, 
ao espaço urbano, aos transportes e às tecnologias de informação e comunicação, de forma autônoma. 
 “
[...]acessibilidade é a característica de um meio físico ou de um objeto que permite a interação de 
todas as pessoas com esse meio físico ou objeto e a utilização destes de uma forma equilibrada/ami-
gável, respeitadora e segura. Isto significa igualdade de oportunidades para todos os utilizadores ou 
utentes, quaisquer que sejam as suas capacidades, antecedentes culturais ou lugar de residênciano 
âmbito do exercício de todas as atividades que integram o seu desenvolvimento social ou individual 
(PORTUGAL, 2003, p. 23).
Assim, garantir a acessibilidade é possibilitar o exercício da cidadania e autonomia a todos os usuários. 
No que tange ao projeto arquitetônico, as edificações devem ser projetadas e construídas de modo que 
promovam a inclusão e seu usufruto por todos os cidadãos de maneira segura e autônoma.
Nesse contexto, se insere o conceito de desenho universal que trata da
 “
concepção de espaços, artefatos e produtos que visam atender simultaneamente todas as pessoas, 
com diferentes características antropométricas e sensoriais, de forma autônoma, segura e confortável, 
constituindo-se nos elementos ou soluções que compõem a acessibilidade (CREA-MG, 2006, p. 9).
A NBR 9050 (ABNT, 2015, p. 7) ressalta que os elementos oriundos do desenho universal devem ser 
utilizados por todas as pessoas, sem que seja necessário adaptação ou projeto específico, pois o conceito 
de desenho urbano tem como pressuposto a 
 “
equiparação das possibilidades de uso, flexibilidade no uso, uso simples e intuitivo, captação da in-
formação, tolerância ao erro, mínimo esforço físico, dimensionamento de espaços para acesso, uso e 
interação de todos os usuários.
106 Circulação e Acessibilidade
O desenho universal é constituído por sete princípios, são eles (ABNT, 2015; CREA-MG, 2006):
1. Uso equitativo: o ambiente ou elemento 
pode ser usado por diversas pessoas, com 
idade e habilidades distintas. Esse prin-
cípio prevê eliminar a segregação, pro-
mover o uso com privacidade, segurança, 
conforto, sem que deixe de ser atrativo ao 
usuário.
2. Uso flexível: o design atende a uma ampla 
gama de indivíduos, preferências e habi-
lidades. Esse princípio prevê diferentes 
maneiras de uso como para destros e ca-
nhotos, e pessoas com diferentes tempos 
de reação a estímulos.
3. Uso simples e intuitivo: o uso deve ser de 
fácil compreensão, dispensando experiên-
cia, nível de formação elevado, conheci-
mento do idioma ou alta capacidade de 
concentração do usuário.
4. Informação de fácil percepção: o elemento 
ou espaço comunica eficazmente ao usuá-
rio as informações necessárias, sendo elas 
percebidas por pessoas com diferentes ha-
bilidades, como usuários cegos, surdos, 
analfabetos, entre outros.
5. Tolerância ao erro: o elemento ou espaço 
minimiza o risco e as consequências ad-
versas de ações involuntárias ou imprevis-
tas. Esse princípio prevê o agrupamento 
de elementos que apresentam risco, iso-
lando-os ou eliminando-os, assim como 
o emprego de avisos de risco ou erro.
6. Baixo esforço físico: o uso deve ocorrer 
com um mínimo de esforço, de forma 
eficiente e confortável, evitando fadiga 
muscular do usuário. Esse princípio pre-
vê que os usuários mantenham o corpo 
em posição neutra, minimizando ações 
repetidas e a sustentação do esforço físico.
7. Dimensão e espaço para aproximação e 
uso: o elemento ou ambiente deve ter es-
paços e dimensões apropriados para in-
teração, alcance, manipulação e uso, para 
usuários com características distintas. Esse 
princípio prevê a sinalização em elemen-
tos importantes e deve permitir alcance 
confortável aos componentes, assim como 
prever implantação de espaços adequados 
para uso de tecnologias assistivas.
Assim, o conceito de desenho universal prevê uma arquitetura e um design com maior foco no ser 
humano e na sua diversidade.
No Brasil, a NBR 9050 (ABNT, 2015) é a normativa que trata especificamente da acessibilidade em 
edificações, no mobiliário e nos espaços e equipamentos urbanos. Contudo, outras normativas devem 
ser consideradas nos projetos arquitetônicos, dentre elas a NBR 9077 (ABNT, 2001), que estabelece os 
critérios para as saídas de emergência em edifícios. Estas normas auxiliam e orientam os projetistas 
quanto aos critérios necessários para que as edificações promovam a acessibilidade e segurança aos 
seus usuários, independentemente de sua condição.
Vale lembrar que o espaço construído, enquanto projeto planejado, pode contribuir tanto para 
integrar as pessoas como pode segregá-las. Assim, destaca-se a importância do projetista, seja ele ar-
quiteto, urbanista ou engenheiro, já que são estes profissionais que irão planejar e projetar os espaços 
edificados, determinando como estes serão utilizados pelos usuários.
Desta forma, cabe ao engenheiro civil, enquanto projetista, estar atento às normas e leis que abordem 
a acessibilidade e circulação em edificações.
107UNIDADE 5
Circulação 
Horizontal
Neste tópico, trataremos dos meios de acesso e 
circulação em uma edificação e de que forma esta 
deve ser pensada pelo projetista para que garanta 
a segurança e acessibilidade a qualquer usuário. 
Para tanto, abordaremos os critérios da ABNT 
NBR 9050/2015 e NBR 9077/2001.
A circulação horizontal nas edificações é rea-
lizada por meio de corredores, passarelas e pas-
sagens. Estas, por sua vez, devem promover livre 
circulação, conectando os espaços e garantindo 
o ir e vir dos usuários; para isso, elas devem estar 
livres de barreiras arquitetônicas. Isto é, os espaços 
de circulação, principalmente as rotas de fuga, 
devem estar permanentemente livres de qualquer 
obstáculo que impeça ou dificulte a circulação 
das pessoas.
108 Circulação e Acessibilidade
No Brasil, as normas ABNT NBR 9077/2001 e NBR 9050/2015 estabelecem critérios para o dimensio-
namento dessas circulações, com base no tipo de edificação, seu uso e número de ocupantes (população 
do edifício).
As áreas de circulação e acessos das edificações devem ser dimensionadas de acordo com o fluxo 
de pessoas, conforme critérios estabelecidos pela NBR 9077/2001.
Entende-se por “Barreira Arquitetônica, Urbanística ou Ambiental, qualquer elemento natural, insta-
lado ou edificado que impeça a aproximação, transferência ou circulação no espaço, mobiliário ou 
equipamento urbano”, impedindo a acessibilidade.
Fonte: CREA-MG (2006, p. 7).
 
A rota de fuga se trata do trajeto a ser percorrido pelo usuário da edificação, de qualquer ponto, em 
caso de sinistro (incêndio), até chegar a uma área segura.
Fonte: adaptada de ABNT (2015).
Além dos critérios estabelecidos pela ABNT, o profissional deve estar atento também às legislações 
estaduais e municipais. O código do Corpo de Bombeiros de cada Estado é o documento técnico 
que trata dos critérios de projeto para atender situações de emergência e garantir acessibilidade.
O acesso de uma edificação se trata do “caminho a ser percorrido pelos usuários do pavimento, consti-
tuindo a rota de saída horizontal, para alcançar a escada ou rampa, área de refúgio ou descarga” (ABNT, 
2001, p. 2). Os acessos são constituídos de elementos como os corredores, as passagens, os vestíbulos, 
os balcões, varandas ou terraços.
É fundamental que os acessos permitam fácil escoamento dos usuários do prédio; para tanto, 
devem manter-se desobstruídos em todos os pavimentos, possuir altura livre de dois metros e serem 
sinalizados e iluminados com indicação clara do sentido da saída. Vale ressaltar que os acessos devem 
permanecer livres de quaisquer obstáculos, não só arquitetônicos, mas também móveis, divisórias 
móveis, expositores de mercadorias, entre outros (ABNT, 2001; ABNT, 2015), que possam dificultar 
ou impedir a livre circulação das pessoas.
109UNIDADE 5
Para que as edificações de uso público e coletivo promovam acessibilidade de segurança aos ocu-
pantes, elas devem possuir rotas acessíveis.
 “
A rota acessível é um trajeto contínuo, desobstruído e sinalizado, que conecta os ambientes externos 
e internos de espaços e edificações, e que pode ser utilizada de forma autônoma e segura por todas 
as pessoas. A rota acessível interna incorpora corredores, pisos, rampas, escadas, elevadores e outros 
elementos da circulação (ABNT, 2015, p. 5).
Nas edificações, a circulação interna feita com corredores deve considerar dimensionamento de acordo 
com o fluxo de pessoas, assegurando faixa livre de barreiras ou obstáculos.A NBR 9050 (ABNT, 2015, 
p. 68) estabelece larguras mínimas para corredores de acordo com seu uso e extensão, sendo:
• 0,90 m para corredores de uso comum com extensão até 4,00 m.
• 1,20 m para corredores de uso comum com extensão até 10,00 m.
• 1,50 m para corredores com extensão superior a 10,00 m. 
• 1,50 m para corredores de uso público.
• Maior que 1,50 m para grandes fluxos de pessoas.
Estas dimensões estão referenciadas nas dimensões necessárias para a circulação de pessoas, incluindo 
pessoas em cadeira de rodas, conforme ilustra a Figura 1.
0,90
Uma pessoa em 
cadeira de rodas
1,20 a 1,50
VISTA 
FRONTAL
VISTA
SUPERIOR
A
Um pedestre e uma pessoa 
em cadeira de rodas
B
1,20 a 1,50
Duas pessoas em 
cadeira de rodas
C
Figura 1 - Dimensões necessárias para a circulação
Fonte: ABNT (2015, p. 68).
110 Circulação e Acessibilidade
Como podemos observar na figura, para a circulação de uma pessoa 
em cadeira de rodas, é necessária uma largura de 0,90 m; para o 
deslocamento de uma pessoa em pé e uma em cadeira de rodas, é 
necessário espaçamento entre 1,20 m e 150 m. Por outro lado, para 
que duas pessoas em cadeiras de rodas se locomovam, é necessária 
uma circulação de largura entre 1,50 m e 1,80 m. 
As medidas apresentadas na Figura 2 estão relacionadas ao mó-
dulo de referência estabelecido por essa NBR. 
1,20
0,
80
Figura 2 - Módulo de referência
Fonte: ABNT (2015, p. 8).
O módulo de referência ou M.R. nada mais é que o espaço ocupado 
por uma pessoa utilizando cadeira de rodas motorizada ou não, 
ou seja, uma projeção de 0,80 m por 1,20 m no piso.
Fonte: adaptada de ABNT (2015).
A NBR 9050 (ABNT, 2015) estabelece que, para grandes fluxos, os 
corredores tenham largura superiores a 1,50 metros. Para tanto, 
deve-se adotar os critérios e parâmetros estabelecido na NBR 9077 
(ABNT, 2001), levando em consideração a população do edifício, 
que é estabelecida com base no tipo de uso da edificação, e a partir 
de então, determinar a largura mínima necessária para que as cir-
culações sejam projetadas de forma segura e acessível. 
111UNIDADE 5
Para promover a acessibilidade universal, as ram-
pas são elementos fundamentais para vencer os 
desníveis entre os ambientes de uma edificação e 
dos espaços urbanos. Elas permitem, por exem-
plo, que um cadeirante se desloque com indepen-
dência, assim como uma pessoa com carrinho de 
bebê, ou uma pessoa idosa ou com mobilidade 
reduzida que tenha dificuldade permanente ou 
provisória de subir escadas. Elas facilitam o des-
locamento, mas para que isso realmente aconteça, 
as rampas devem ser projetadas e executadas de 
forma adequada, com os critérios estabelecidos 
em norma. No Brasil, a NBR 9050 (ABNT, 2015) 
é a normativa que trata dos requisitos técnicos 
para elaboração de escadas e rampas.
A rampa se trata de um plano inclinado, po-
dendo ser utilizado para circulação de pessoas, 
veículos, cargas, devendo sempre prever patamar 
de descanso. O que irá definir a inclinação da ram-
pa é sua extensão (MONTENEGRO, 2017). São 
consideradas rampas as superfícies com declivi-
dade igual ou superior a 5% (ABNT, 2015).
Circulação Vertical: 
Rampas
112 Circulação e Acessibilidade
Patamar
Corrimão
Lance
Uma rampa é composta pelas seguintes partes:
• Segmento ou lance: superfície inclinada 
da rampa.
• Patamar: superfície plana, destinada ao 
descanso ou mudança de direção entre os 
segmentos da rampa.
• Corrimão: barra arredondada e contínua, 
localizada junto às paredes ou guardas 
para promover apoio no deslocamento 
dos usuários.
Figura 3 - Partes que compõem uma rampa
Para garantir que uma rampa seja acessível, a NBR 9050/2015 define alguns critérios, como os limites 
máximos de inclinação, os desníveis a serem vencidos e o número máximo de segmentos, conforme 
demonstra a Tabela 1.
Tabela 1 - Dimensionamento de rampas
Desníveis máximos de cada 
segmento de rampa (h) - m
Inclinação admissível em cada 
segmento de rampa (i) - %
Número máximo de 
segmentos de rampa
1,50 5,00 (1:20) Sem limite
1,00 5,00 (1:20) < i ≤ 6,25 (1:16) sem limite
0,80 6,25 (1:16) < i ≤ 8,33 (1:12) 15
Fonte: ABNT (2015, p. 59).
O dimensionamento das rampas é feito com base na seguinte equação:
i = h x 100c
Sendo i: a inclinação, expressa em porcentagem (%).
h: a altura do desnível.
c: o comprimento da projeção horizontal.
Exemplo 1: Para se dimensionar o comprimento de uma rampa 
com inclinação (i) igual a 5% e desnível (h) de 3 metros, temos:
3 × 100
c
300
c5 = c = = 60 m
Isto é, o comprimento total dos 
segmentos de rampa será igual 
a 60 metros.
Ao comprimento da rampa 
deve-se acrescentar a dimensão 
dos patamares, que deve ter a 
mesma largura da rampa.
113UNIDADE 5
Exemplo 2: Caso tenha-se uma rampa e deseja-se identificar a inclinação, usando a mesma regra, 
substitui-se os valores.
Para uma altura (h) de 3 metros, vencidos por uma rampa de comprimento (c) 40 metros, tem-se
3 × 100
40i =
300
40i =
i = 7,5
Isto é, esta rampa possui inclinação de 7,5%.
Tipos de Rampa
Segundo Montenegro (2017), as rampas são pouco utilizadas em residências, porém largamente utili-
zadas em edifícios públicos e de uso coletivo, como as escolas, hospitais, edifícios esportivos, mercados, 
onde a circulação intensa de pessoas justifica seu uso.
As rampas podem possuir desenhos e formatos diferentes; neste sentido, elas podem ser de lance 
reto, podendo ser apenas um lance ou vários, interligados por patamares e área de descanso, ou podem 
ser curvas como no projeto do arquiteto Oscar Niemeyer para o Museu de Curitiba e para o Museu 
de arte contemporânea de Niterói - RJ. Aliás, o uso de rampas curvas em seus projetos é uma marca 
do arquiteto.
Figura 4 - Rampa de lance reto Figura 5 - Rampa de lance reto - Palácio do Planalto, Brasília
114 Circulação e Acessibilidade
As rampas em curva devem seguir critérios específicos, de modo 
a garantir o dimensionamento adequado para a acessibilidade dos 
usuários. Para tanto, no seu dimensionamento deve ser considerada 
a inclinação máxima admissível de 8,33% e um raio mínimo de 
3,00 m, medido no perímetro interno à curva, conforme Figura 8.
Figura 8 - Rampa em curva
Fonte: ABNT (2015, p. 59).
C
CC
R = 3,
00 mí
nimo
Pat
am
ar Patamar
1,20 mín.1,50
recomendado
1,2
0 m
ín.
1,5
0
rec
om
end
ado
L
Figura 6 - Rampa de lance curvo - MON, Curitiba Figura 7 - Rampa de lance curvo - MAC, Niterói
A largura das rampas, sejam elas de lance reto ou curvo, deve ser estabelecida de acordo com o fluxo 
de pessoas, para tanto, usa-se os critérios estabelecidos pela NBR 9077 (ABNT, 2001). No entanto, a 
NBR 9050 recomenda como largura livre para as rampas em rotas acessíveis 1,50 m, sendo admissível 
o mínimo de 1,20 m. Outro requisito para segurança e acessibilidade é a exigência de que toda rampa 
tenha corrimão de duas alturas em cada lado (ABNT, 2015), ele irá garantir o apoio para o deslocamen-
to do usuário. O corrimão deve ser contínuo em toda a extensão da rampa, incluindo os patamares.
115UNIDADE 5
Para edificações onde não seja possível fazer a inserção de rampas para promover a acessibilidade, é 
possível adotar outras soluções, como as plataformas elevatórias e as cadeiras elevatórias adaptadas 
em escadas existentes, como demonstram as Figuras 10 e 11.
Os patamares presentes no início e no término das rampas, assim como os intermediários, entre 
os segmentos da rampa, devem ter dimensão longitudinal mínima de 1,20 m. Por sua vez, aqueles 
patamares situados em mudanças de direção da rampa devem possuir a mesma largura da rampa 
(ABNT, 2015).
A Figura 9 ilustra a representação gráfica de uma rampa de lances múltiplos e retos. Os segmentos 
das rampas devem indicar o sentido de fluxo e a inclinação, assim como o comprimento.
i
i
i
i
1,20 1,20 1,20c c
Figura 9 - Patamares em rampas
Fonte: ABNT (2015, p. 59).
Figura 10 - Plataforma elevatória Figura 11 - Cadeira elevatória
116 Circulação e Acessibilidade
As escadas são elementos arquitetônicos de cir-
culação verticalque tem como função promover 
a ligação entre planos de níveis diferentes.
Primeiramente, vamos entender melhor quais 
os elementos que compõem uma escada.
• Degrau: corresponde a cada mudança de 
nível.
• Espelho: altura do degrau, segundo a NBR 
9050 deve ter entre 16-18 cm de altura.
• Pisada: largura do degrau, deve ter entre 
28-32 cm. Segundo Montenegro (2017), 
se a pisada for menor não promoverá bom 
apoio aos pés, o que pode acarretar que-
das e acidentes.
• Lance: sequência de degraus sem inter-
rupção.
• Patamar: superfície plana para descanso 
ou mudança de direção entre lances da 
escada.
• Guarda-corpo: proteção lateral da escada, 
para evitar a queda.
• Corrimão: barra contínua de apoio para 
deslocamento da escada.
• Largura útil: Dimensão medida entre os 
guarda-corpos.
Circulação Vertical: 
Escadas
117UNIDADE 5
Figura 12 - Partes de uma escada
Fonte: Montenegro (2017, p. 107).
Para o dimensionamento de uma escada, deve-se 
sempre prever dimensões dos pisos, e espelhos 
devem ser constantes em toda a escada, pois isso 
garante maior conforto aos usuários e pode evi-
tar acidentes, decorrentes de inconstâncias nas 
dimensões dos degraus. Para o dimensionamento 
da escada, deve-se usar a fórmula a seguir:
0,63m ≤ p + 2e ≤ 0,65m
Em que,
p: pisada
e: espelho
Exemplo: para dimensionar uma escada para 
vencer um desnível de 2,80 m, faremos:
Usando espelho entre 16 e 18 cm e pisada entre 
28 e 32 cm, estabeleça uma altura para o degrau.
Usaremos 17,5 cm, assim, divide-se a altura 
total 2,80 m pela altura do espelho, dessa forma 
encontraremos o número de degraus necessários 
para essa escada. Lembrando que o número de 
degraus é sempre um número inteiro. Pode-se 
fazer o processo contrário também, estabelecendo 
o número de degraus e depois determinando a 
altura do espelho.
Elementos de uma escada
Corrimão
Balaustre
Espelho (e) Piso (p)
Degrau
1º lance
2º lance
Comprimento (c)
Altura (h)
Pavimento
superiorLargura
Patamar
h
eNe =
2,80
0,175Ne =
Ne = 16
A escada terá 16 degraus.
118 Circulação e Acessibilidade
28 + 2 × 0,175 = 0,63 m 29 + 2 x 0,175 = 0,64 m 30 + 2 × 0,175 = 0,65 m
A largura das escadas, assim como no caso de rampas, deve ser estabelecida de acordo com o fluxo 
de pessoas, seguindo os critérios da ABNT NBR 9077 (2001). No entanto, a NBR 9050 (ABNT, 2015) 
estabelece como largura mínima para escadas em rotas acessíveis 1,20 m.
Os patamares são necessários a cada 3,20 m de desnível ou quando houver mudança de direção na 
escada. A dimensão longitudinal mínima dos patamares deve ser de 1,20 m e, em caso dos patamares 
situados em mudanças de direção, devem ter dimensões iguais à largura da escada (ABNT, 2015).
As escadas com lances curvos ou mistos devem atender critérios de dimensionamento específicos, 
como ilustra a Figura 13. Isto é, “à distância de 0,55 m da borda interna da escada, correspondente à 
linha imaginária sobre a qual sobe ou desce uma pessoa que segura o corrimão, os pisos e espelhos” 
devem ter entre 15 e 20 cm de largura (ABNT, 2015, p. 62).
Linha
imaginária
≥0,15
0,5
5
As escadas podem ser projeta-
das de formas e materiais varia-
dos, podendo ter lance único, 2 
lances, ter formato de “L”, forma-
to de “U”, helicoidal, curva. Com 
relação aos materiais, pode ser 
de estrutura metálica, de con-
creto, de madeira ou mista. O 
projetista deve estar atento aos 
critérios da NBR 9050, para que 
possa projetar o melhor tipo de 
escada para cada situação, aten-
dendo aos critérios de seguran-
ça e acessibilidade, porém sem 
esquecer o aspecto estético.
Figura 13 - Escada com lances curvos
Fonte: ABNT (2015, p. 62).
Na sequência, apresenta-se diferentes tipos de escadas, executadas em formas e materiais diferentes.
Tenha sua dose extra de 
conhecimento assistindo ao 
vídeo. Para acessar, use seu 
leitor de QR Code.
Agora, determina-se a largura da pisada aten-
dendo a fórmula
0,63m ≤ p + 2e ≤ 0,65m
0,63m ≤ p + 2 x 0,175 ≤ 0,65m
Neste caso, a pisada pode ter 28, 29 ou 30 cm, pois
119UNIDADE 5
A Figura 14 ilustra uma escada de lance reto 
com degraus vazados, ou seja, apenas a pisada 
da escada é fechada, sendo o espelho vazado. Os 
degraus são revestidos de madeira e estação an-
corados na estrutura da parede. Este tipo de esca-
da não é recomendado para espaços públicos de 
grande circulação de pessoas, no entanto, podem 
ser utilizadas em espaços privativos.
Por outro lado, a Figura 16 ilustra uma escada de 
dois lances retos, seus degraus (pisada e espelho) 
são totalmente fechados e a escada é apoiada em 
estrutura de alvenaria/concreto. Seus degraus 
também são revestidos de madeira.
Figura 14 - Escada de lance único e reto
A Figura 15 ilustra uma escada em formato de L, 
possui degrau vazado de madeira e estrutura de 
sustentação metálica.
Figura 15 - Escada com 2 lances em “L”
Figura 16 - Escada com 2 lances retos
A Figura 17 ilustra uma escada helicoidal; este tipo 
de escada normalmente é executada em estrutura 
metálica, sendo mais utilizada para dar acesso 
a espaços restritos, como depósitos, mezaninos, 
áreas de manutenção, porém podem ser encon-
tradas em algumas edificações de uso privativo.
Figura 17 - Escadas helicoidais
120 Circulação e Acessibilidade
A escada da Figura 18 se assemelha à Figura 14, porém, neste caso, 
os degraus não são vazados.
Figura 18 - Escada aparente
Por sua vez, a Figura 19 ilustra uma escada circular ou caracol. 
Este tipo de escada é bastante comum em edifícios históricos, pois 
simboliza imponência e grandiosidade.
Figura 19 - Escada caracol
121UNIDADE 5
Como vimos nos tópicos anteriores, a acessibili-
dade é um item imprescindível, principalmente 
em edificações públicas, onde é fundamental que 
os espaços sejam projetados de forma a permitir 
o acesso de todos os usuários com autonomia, 
independentemente de suas dificuldades motoras.
Os sanitários, em edificações de uso comum, 
são ambientes que requerem atenção específica 
com relação à acessibilidade.
Para desenvolver o projeto de banheiros aces-
síveis, o projetista deve considerar aspectos im-
portantes, como a localização dos acessos, as di-
mensões dos sanitários, assim como os acessórios 
de segurança.
Com relação à localização e acessos, estes 
devem ser previstos em rotas acessíveis, estan-
do próximos à circulação principal e de maneira 
integrada ou, no mínimo, perto das instalações 
sanitárias comuns, evitando locais isolados que 
dificultem o auxílio em situações de emergência.
Os sanitários acessíveis devem também pos-
suir entrada independente, possibilitando que o 
usuário com deficiência possa utilizar o sanitário 
acompanhado de uma pessoa do sexo oposto.
Instalações Sanitárias 
Acessíveis
122 Circulação e Acessibilidade
Aspecto fundamental para 
garantir a acessibilidade é o di-
mensionamento das instalações 
sanitárias. A NBR 9050 deter-
mina que o espaço interno do 
box sanitário permita a mano-
bra da cadeira de rodas, assim 
deve possuir diâmetro de 1,50 
m, permitindo um giro de 360°. 
Com relação aos acessórios de 
apoio e segurança, a NBR 9050 
estabelece a instalação de bar-
ras ao lado da bacia sanitária, de 
modo a garantir a transferência 
lateral, perpendicular e diago-
nal do usuário. Outro requisito 
é que todos os itens que exijam 
acionamento estejam em altura 
adequada que possibilite o al-
cance manual, como no caso da 
válvula sanitária, torneira, das 
barras, puxadores e trincos, pa-
peleira, entre outros acessórios.
0,40 0,80 mín.
Co
m
pr
im
en
to
 d
a 
ba
ci
a
co
m
 tu
bo
 d
e 
lig
aç
ão
La
rg
ur
a
do
 la
va
tó
rio
Ø 1,50
0,10 máx.
0,30 máx.
Vista superior
Figura 20 - Dimensões mínimas de um sanitário acessível
Fonte: ABNT (2015, p. 88).
0,30
M
.R
.
0,50
mín.
0,
78
 a
 0
,8
0
0,
65
≥ 
0,
30
0,30
0,12
Figura 21 - Dimensões necessárias para aproximação
Fonte: ABNT (2015, p. 88).
Por outro lado, os lavatórios 
devem permitir aproximação 
da cadeira de rodas, conforme 
ilustra a Figura 21.
123UNIDADE 5
Ospisos devem ser antiderrapantes, não possuindo desníveis na entrada ou soleira, assim como os 
ralos e grelhas devem estar fora das áreas de manobra e de transferência do cadeirante.
Figura 22 - Bacia em sanitário acessível
Desta forma, encerramos esta unidade destacando a importância da acessibilidade nas edificações, 
não apenas para os portadores de alguma necessidade especial, mas sim para todos os usuários. Ao 
desenvolver um projeto arquitetônico, o projetista deve ter esses requisitos como premissas de projeto.
124
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.
1. Em uma edificação, a escada para ligar os pavimentos deve vencer um desnível 
de 3,00 metros. Faça o dimensionamento dessa escada, seguindo o que se pede: 
a) Estabeleça o número de degraus da escada.
b) Encontre a altura do espelho dos degraus.
c) Determine a largura da pisada dos degraus.
Obs.: utilize a equação
0,63 m ≤ p + 2e ≤ 0,65 m 
2. Desenhe a planta baixa da escada dimensionada no exercício 1. Considere a 
largura da escada igual a 1,00 m.
3. Determine o comprimento e o número de segmentos para uma rampa com 
desnível total de 1,00 m e inclinação de 8,33%.
125
NBR 9050: Acessibilidade a edificações, mobiliário, 
espaços e equipamentos urbanos
Autor: Associação Brasileira de Normas Técnicas
Editora: ABNT
Sinopse: a norma brasileira define conceitos, definições e os parâmetros para 
o desenvolvimento de projetos e elementos que garantam a acessibilidade uni-
versal. Os requisitos tratados nesta norma se aplicam a elementos de mobiliário, 
aos espaços edificados, sejam eles novos ou com necessidade de adaptação, e 
aos equipamentos e espaços urbanos. A Norma tem como objetivo garantir a 
todas as pessoas o direito à livre circulação e utilização dos espaços de maneira 
autônoma.
LIVRO
Revisão da NBR 9050/2015 de Banheiros Acessíveis
O vídeo apresenta de forma breve e bastante ilustrativa os requisitos da NBR 
9050/2015 para um banheiro acessível residencial. O vídeo destaca as dimen-
sões e os elementos necessários à acessibilidade para a área de banho, bacia 
sanitária e lavatório.
WEB
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/2835
126
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9050:2015. Acessibilidade a edificações, mobiliário, 
espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro: ABNT, 2015.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9077:2001. Saídas de emergência em edifícios. Rio de 
Janeiro: ABNT, 2001.
CREA-MG. Guia de acessibilidade em edificações: fácil acesso para todos. – 2. ed. atual. / elaborado por Fla-
via P. T. Torres. Belo Horizonte: CREA-MG, 2006. Disponível em: http://www.crea-mg.org.br/images/cartilhas/
Guia-de-acessibilidade-em-edificacoes.pdf. Acesso em: 03 jun. 2020.
MONTENEGRO, G. A. Desenho arquitetônico. 5. ed. rev. ampl. São Paulo: Edgard Blucher, 2017.
PORTUGAL. Secretariado Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência. Conceito 
Europeu de Acessibilidade. Edição portuguesa. Tradução: Stella Pamplona Chaves (SNRIPD). Lisboa: Secre-
tariado Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência, 2005.
127
1. Dimensionamento da escada. 
a. Se a escada precisa vencer um desnível de 3 metros, vamos iniciar seu dimensionamento determi-
nando o número de degraus, lembrando que este deve ser um valor inteiro. Vamos determinar que 
seja 18 degraus.
b. Para encontrar o valor do espelho, dividimos o desnível (3,00) pelo número de degraus (18), lembrando 
das alturas máximas e mínimas permitidas para os degraus. 3,00 ÷ 18 = 0,166 m. 
Para encontrar a pisada, usamos os valores já encontrados (número de degraus e espelho) na equação a seguir, 
lembrando as medidas mínimas e máximas para a pisada. Assim,
0,63 m ≤ 30 + 2 x 0,166 ≤ 0,65 m 0,63 m ≤ 30 + 0,332 ≤ 0,65 m 0,63 m ≤ 0,632 ≤ 0,65 m
Neste caso, a pisada pode ser de 30 ou 31 cm, ambos os valores ficam dentro da regra.
2. Como a escada tem o desnível total menor que 3,20 m, ela pode ter apenas um lance, mas isso dependerá 
de outros fatores, inclusive estéticos. A seguir algumas opções de como essa escada poderia ser dividida.
3. Como o desnível a ser vencido é maior que 0,80 m, a rampa deve ter, no mínimo, 2 lances.
h×100
ci = 
1×100
c0,0833 = c = 100 × 0,0833 c = 8,33 m
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
1 2 3 4 5 6 7 8 9
18 17 16 15 14 13 12 11 10
1 2 3 4 5 6 7 8 9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
128
PLANO DE ESTUDOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
• Apresentar os principais tipos de coberturas e suas 
características construtivas.
• Conhecer os principais tipos de telhados e suas 
características.
• Reconhecer os elementos que compõem um telhado, sua 
estrutura, cobertura e captação de água pluvial.
• Expor os conceitos e exercitar o dimensionamento de 
superfícies de telhado.
• Apresentar o conceito e as características das coberturas 
verdes.
Tipos de Coberturas
Tipos de Telhados
Dimensionamento e 
Representação de Telhados
Coberturas VerdesElementos de 
um Telhado
Me. Andréia Gonçalves Darice
Coberturas
Tipos de 
Coberturas
Caro(a) aluno(a), nesta unidade, trataremos da 
cobertura das edificações e suas características. 
Para tanto, vamos entender o que é cobertura e 
quais os seus tipos. A cobertura se trata da parte 
superior do edifício, projetada para protegê-lo das 
intempéries (sol, chuva, ventos, neve etc.), além de 
proporcionar conforto térmico e acústico para a 
edificação.
As coberturas se dividem em estruturas pla-
nas e curvas. As planas incluem as lajes, sejam 
elas planas ou inclinadas, e os telhados (planos ou 
inclinados). Por outro lado, as superfícies curvas 
incluem as cúpulas, abóbodas e cascas (MONTE-
NEGRO, 2017).
131UNIDADE 6
Figura 1 - Tipos de coberturas
Fonte: adaptada de Montenegro (2017).
COBERTURAS Superfícies planas
Lajes Horizontal
Inclinada
Telhas de barro
Concreto
Alumínio / Zinco
Plástico / Policarbonato
Cimento-amianto
Telhado
Abóbadas
Cúpulas
Cascas
Superfícies curvas
As superfícies curvas são bas-
tante exploradas na arquitetu-
ra de edifícios, desde o período 
clássico, principalmente pelo 
seu aspecto estético e sensação 
de monumentalidade. O uso 
de estruturas, como as cúpulas 
e as abóbodas, foram e ainda são 
recorrentes no projeto das cate-
drais. Um belo exemplo é a cú-
pula da Basílica de Santa Maria 
del Fiore, em Florença, na Itália 
(Figura 2), projeto do arquiteto 
Filippo Brunelleschi. A cúpula 
foi construída em alvenaria e 
até os dias atuais sua forma de 
execução ainda é um enigma, 
sendo objeto de diversos estu-
dos e investigações, já que não 
se tem registros de desenhos ou 
esboços do projeto.
Telhado e cobertura não são a mesma coisa, na verdade o telhado 
é um tipo de cobertura, pois, como podemos ver, existem vários 
tipos de cobertura para uma edificação.
Telhado é um tipo de cobertura de planos inclinados, em que 
cada plano é chamado de água. O plano inclinado é recoberto 
pelas telhas e é responsável pelo escoamento das águas pluviais.
Figura 2 - Basílica de Santa Maria del Fiore, Florença, Itália
132 Coberturas
As coberturas em cascas fo-
ram bastante exploradas pelo 
arquiteto brasileiro Oscar Nie-
meyer em toda sua vida profis-
sional, como podemos ver na 
obra da Igreja de São Francisco 
de Assis, no conjunto da Pampu-
lha, em Belo Horizonte (Figura 
3) ou no espaço de exposições 
(Oca) no Parque do Ibirapuera, 
em São Paulo (Figura 4).
Figura 3 - Igreja de São Francisco 
de Assis, Pampulha, Belo Horizonte
Em ambos os projetos, Nieme-
yer fez uso do concreto como 
material principal para alcançar 
as formas curvas. Os edifícios 
são referências do movimento 
moderno brasileiro.
Arquitetos e engenheiros 
contemporâneos também têm 
explorado as coberturas curvas 
em seus projetos. Com o avanço 
da tecnologia, novos materiais 
são utilizados para se alcançar 
a forma desejada. No projeto do 
Templo Bahá’í, em Santiago, no 
Chile, os arquitetos do escritó-
rio Hariri Pontarini desenvol-
veram a cobertura do edifício 
com uma estruturade formas 
curvilíneas feita de vidro e már-
more transparente (Figura 5).
Figura 4 - Oca, Parque 
Ibirapuera, São Paulo
Figura 5 - Templo Bahá’í, 
Santiago, Chile
133UNIDADE 6
No projeto do Terminal de 
transportes World Trade Center 
(Figura 6), em Nova Iorque, do 
renomado arquiteto Santiago 
Calatrava, a estrutura e cober-
tura são feitas em aço e vidro. 
A forma escultórica do edifício 
remete a um pássaro de asas 
abertas. Este é mais um exemplo 
de edificação com coberturas 
curvas ou de formas irregulares.
Figura 6 - Terminal de transportes 
World Trade Center, Nova Iorque, EUA
As superfícies planas são as mais comumente uti-
lizadas nas construções civis, principalmente nas 
edificações residenciais, dentre elas, a cobertura 
do tipo telhado é a mais popular. As lajes são o 
outro tipo de coberturas planas. Elas podem ser 
horizontais ou inclinadas e caracterizam-se por 
não possuir recobrimento de telhas, sendo assim, 
exigem camadas de impermeabilização para evi-
tar que as águas pluviais adentrem na edificação 
e prejudiquem sua estrutura.
A cobertura do tipo telhado é composta por 
planos inclinados recobertos por telhas que fazem 
a captação e distribuição das águas pluviais. Neste 
caso, cada plano é chamado de água, assim, um 
telhado pode ter uma, duas ou diversas águas. Eles 
podem ter formatos diversos e ser recobertos por 
Figura 7 - Cobertura verde
Tenha sua dose extra de 
conhecimento assistindo ao 
vídeo. Para acessar, use seu 
leitor de QR Code.
diversos tipos de telhas.
As coberturas verdes ou telhados verdes se 
tratam de superfícies horizontais ou inclinadas 
recobertas com substrato e vegetação (Figura 7). 
As coberturas verdes são um tipo bem específico 
de cobertura que têm ganhado muito destaque nas 
edificações contemporâneas, assim, teremos um 
tópico exclusivo para tratar deste tipo de estrutura.
134 Coberturas
Antes de tratarmos especificamente sobre cada 
parte do telhado, faz-se importante entender que 
ele pode ter diversos formatos e diversas águas 
(superfícies de escoamento).
O telhado pode ser composto por apenas uma 
superfície de escoamento; a este chamamos de 
telhado de uma água (Figura 8). Ou pode ter duas, 
três, quatro águas e assim sucessivamente (Figuras 
9 e 10). Quanto maior o número de águas de um 
telhado, maior será sua complexidade.
Tipos de 
Telhados
135UNIDADE 6
Figura 8 - Telhado de uma água
Fonte: Azeredo (1997, p. 154).
a
b
Figura 9 - Telhado de duas águas
Fonte: Azeredo (1997, p. 154).
c
Figura 10 - Telhado de três águas
Fonte: Azeredo (1997, p. 154).
136 Coberturas
Figura 11 - Telhado de quatro águas
Fonte: Azeredo (1997, p. 155).
d
Figura 12 - Telhado várias águas
Fonte: Azeredo (1997, p. 155).
Figura 13 - Telhado em formato de L e quatro águas
137UNIDADE 6
Figura 14 - Telhado em formato de L e seis águas
Figura 15 - Telhado de formato irregular e várias águas
Cada parte de um telhado possui sua nomenclatura específica. No que corresponde às superfícies de 
recobrimento, elas são nomeadas conforme ilustra a Figura 16.
Figura 16 - Partes da cobertura do telhado
Fonte: Montenegro (2017, p. 100).
A Figura 16 ilustra um telhado com formato em “L” e diversas águas. A parte mais alta do telhado é 
chamada de cumeeira (Figura 17), ou seja, é o encontro de um divisor de duas águas no ponto mais 
elevado do plano. Por sua vez, o espigão é um divisor de duas águas em plano inclinado. O rincão ou 
calha é o encontro de captação de duas águas (AZEREDO, 1997).
Calha
Cumeeira
Espigão
138 Coberturas
CUMEEIRA
Parte mais elevada de uma 
cobertura ou encontro das 
águas de um telhado.
Na figura: 3,50 m
ÁGUA
Porção plana e 
inclinada de 
uma cobertura.
BEIRAL
Parte saliente 
de um telhado. 
Proteje contra 
a chuva e o sol.
Figura 17 - Estrutura de um telhado em corte
Fonte: Montenegro (2017, p. 57).
139UNIDADE 6
Um telhado é dividido em três partes principais, 
são elas: a estrutura, a cobertura e a captação de 
águas pluviais (AZEREDO, 1997), como podemos 
observar na figura a seguir.
Elementos de 
um Telhado
140 Coberturas
Figura 18 - Partes do telhado
Cobertura
Estrutura
Captação de
águas pluviais
A Estrutura
A estrutura é composta pelos elementos que irão suportar a cobertura, assim ela pode ser composta 
por tesouras, arcos, terças, caibros, ripas, contraventamentos e mão-francesa.
No Brasil, o modelo de tesoura mais utilizado é o do tipo Howe, conforme ilustram as Figuras 19 e 20, 
principalmente nos telhados em estrutura de madeira, dada sua montagem ser simples (KRUGER, 2016). 
Cumeeira
Pendural
Montante
Terça
Banzo
superior
Banzo inferior Estribo
Diagonal
Contra
frechal
Figura 19 - Tesoura tipo Howe
Fonte: Kruger (2016, p. 241).
141UNIDADE 6
Figura 21 - Tipos de treliças usadas em estruturas de telhado
Fonte: Kruger (2016, p. 238).
Segundo Kruger (2016), as tesouras de madeira que são aplicadas em projetos residenciais são utilizadas 
para vencer vãos entre 3 e 7 metros, sendo viáveis até 10 metros. Analisando o exemplo de tesoura dado 
na Figura 19, as peças diagonais e o banzo superior trabalham por compressão, enquanto os pendurais 
e o banzo inferior trabalham por tração.
O espaçamento entre as tesouras varia de 3 a 6 metros, as terças são dispostas a cada 1,6 metros 
(situação para telhas cerâmicas), os caibros com espaçamento de 0,50 metro e as ripas em torno de 0,30 
metro (KRUGER, 2016). A distância entre as ripas será determinada pelo tipo de telha (AZEREDO, 
1997), já que telhas cerâmicas são menores que telhas planas de zinco ou fibrocimento, por exemplo.
Cumeeira
Terça
Frechal
Perna, empena, asa
Linha ou tirante Escora Suspensório
Figura 20 - Tesoura tipo Howe
Fonte: Azeredo (1997, p. 144).
No entanto, existem outros ti-
pos de tesouras que podem ser 
utilizadas em estruturas de te-
lhados, principalmente nos de 
estruturas metálicas. O termo 
tesoura é comumente utilizado 
para designar a estrutura em 
madeira, sendo chamada de 
treliça quando adquire outros 
formatos e uso de outros mate-
riais. A Figura 21 ilustra alguns 
dos principais tipos de treliças. 
TRELIÇA FINK OU W TRELIÇA FINK MODIFICADA TRELIÇA DE HOWE
TRELIÇA DE PRATT
TRELIÇA ESPIGÃO TRELIÇA WARREN
TRELIÇA ÁTICO TRELIÇA EM TESOURAS
142 Coberturas
A figura de Montenegro (2017) ilustra melhor os componentes de uma estrutura de telhado em madeira.
Capote
Telha
Ripa
Caibro
Cumeeira Terça
Calço
Frechal
Figura 22 - Peças da estrutura do telhado
Fonte: Azeredo (1997, p. 145).
Ripas
Frechal
Terça
Terça
Cumeeira
Caibro
Figura 23 - Estrutura de um telhado
Fonte: Montenegro (2017, p. 101).
No caso de estruturas metálicas para telhado, estas possibilitam vencer grandes vãos, com telhas planas, 
eliminando parte da mão de obra exigida para um telhado com telhas cerâmicas, além de permitir a 
elaboração de tesouras mais leves, acarretando, assim, fundações mais leves também. Outras opções 
de estrutura para telhados no Brasil são a madeira laminada colada (MLC) e os perfis metálicos leves 
(Light Steel Frame).
143UNIDADE 6
Quadro 1 - Vantagens e desvantagens das estruturas usadas em coberturas no Brasil
Tipo de estrutura Aplicações recomendadas Vantagens Desvantagens
Madeira serrada Residências ou comércio com pequenos vãos
Leveza das peças, mon-
tagem manual
Fácil adequação na obra
Conhecimento popular 
e facilidade de aceitação
Mão de obra qualificada
Habilidade do executor
Inexistência de projeto
Ataque de fungos e 
cupins
Estrutura em MLC
Edificações comerciais e 
industriais com peque-
nos e grandes vãos
Maior qualidade
Versatilidade de projeto
Maior resistência ao 
fogo
Beleza arquitetônica
Execução conforme pro-
jeto
Adequações muito res-
tritas
Equipamento para ele-
vação
Maior custo
Necessita de área para 
estoque
Estruturas metálicas
Residências, comércios 
e indústrias com peque-
nos e grandes vãos
Baixo peso próprio
Disponibilidade
Alcança grandes vãos
Projeto prévio
Rapidez na execução
Equipamentos para ele-
vação
Corrosão
Custo maior
Steel FrameResidências ou comércio com pequenos vãos
Baixo peso próprio
Projeto prévio
Resistente a fungos e 
insetos
Pouco conhecido
Corrosão
Maior custo
Poucos fornecedores
Fonte: Kruger (2016, p. 242).
A Cobertura
Em um telhado, as telhas são os elementos principais, pois é o con-
junto de telhas que formará a cobertura do telhado. As telhas devem 
garantir a proteção da edificação, evitando a infiltração de água e 
também resistir às demais intempéries.
Elas possuem diversos tipos e materiais, assim, cabe ao projetista 
definir qual o melhor tipo para cada projeto, levando em conside-
ração as características climáticas da região, a disponibilidade de 
materiais e mão de obra, as características tipológicas da edificação, 
custo-benefício, entre outros fatores.
144 Coberturas
As telhas podem ser dos seguintes materiais e tipos (AZEREDO, 1997; KRUGER, 2016):
dobradas; zinco – placa ondulada.
• Telhas de plástico ou PVC.
• Telhas de vidro: Marselha; paulista.
• Telhas de madeira
• Telhas de pedra natural: ardósia
• Telhas de concreto
• Telhas de borracha
• Telhas de barro cozido: dentre os tipos, 
tem-se a telha francesa; colonial; paulista; 
paulistinha.
• Telhas de fibro-cimento: onduladas; ca-
nalete; meia-cana.
• Telhas metálicas: alumínio – placa on-
dulada; cobre – placas lisas; ferro – placas 
Figura 24 - Telha de madeira
Figura 25 - Telhas cerâmicas
Figura 26 - Telhas metálicas
145UNIDADE 6
Figura 27 - Telhas de concreto
Figura 28 - Telhas de fibrocimento
As telhas foram inicialmente produzidas apenas em barro, no entanto, atualmente são produzidas em 
outros materiais, como o concreto. Tanto as telhas de barro quanto as de concreto são muito duráveis 
e, apesar de consumirem quantidade significativa de energia na sua produção, sua longa durabilida-
de e capacidade de reutilização ainda as tornam uma boa opção. As telhas podem ser removidas ou 
substituídas inúmeras vezes, sem que seja necessário a troca de toda a cobertura (KRUGER, 2016).
As telhas metálicas podem ser produzidas em aço galvanizado, aço inox, cobre e alumínio, seja em 
lâminas ou em chapas. Essas telhas podem durar cerca de 50 anos e requerem pouca manutenção, além 
disso, os resíduos gerados são recicláveis, o que as tornam uma opção adequada para a construção 
(KRUGER, 2016).
As telhas de madeira podem ser produzidas de várias espécies em forma de placas, ripas e sarrafos. 
A madeira pode ser reciclada, porém, segundo Kruger (2016), o maior desafio no uso desse material 
é a disponibilidade limitada do material certificado. Segundo o autor, uma alternativa sustentável é a 
utilização de material local não extraído de florestas de crescimento antigo.
As telhas de ardósia estão entre as mais resistentes e duradouras, podendo durar por mais de cem 
anos. Assim como as telhas de concreto e barro, elas podem ser removidas individualmente, recoloca-
das e/ou substituídas. Além disso, no fim de sua vida útil, elas podem ser trituradas e recicladas, sendo 
reutilizadas em pisos, por exemplo (KRUGER, 2016).
As telhas de fibrocimento são produzidas com materiais como cimento, areia, argila e fibra de 
madeira; no Brasil, o principal formato utilizado é o de placas onduladas.
Cada telha tem uma especificação quanto à inclinação que deve ser aplicada. De modo geral, as te-
lhas de cerâmica e concreto exigem uma inclinação entre 30 e 40%, enquanto as telhas de fibrocimento 
requerem inclinação em torno de 15%, e as telhas de alumínio, inclinação de 6% (KRUGER, 2016).
146 Coberturas
A Captação de 
Águas Pluviais
O sistema de captação de águas pluviais de um 
telhado é o conjunto de elementos responsáveis 
pela coleta e condução das águas. Fazem parte 
desse sistema o beiral, as calhas, os dutos coletores 
e os rufos.
Calhas são uma espécie de canaleta utilizada 
na extremidade dos telhados ou no encontro de 
águas para escoar a água pluvial e, se for o caso, 
a neve derretida. As calhas podem ser de mate-
rial metálico (alumínio, aço galvanizado, cobre), 
vinil, madeira ou plástico. Os dutos, por sua vez, 
são condutores verticais responsáveis por cole-
tar e conduzir as águas pluviais ao solo ou até a 
cisterna de armazenamento (Figura 29). Dutos e 
calhas evitam que a água que escoa diretamente 
do telhado sature o solo e possa causar problemas 
com infiltrações ou que ela respingue nas paredes 
da edificação (KRUGER, 2016).
Ralo hemisférico
Duto líder de
5 cm x 7,6 cm
Cotovelos
Condutor ou
tubo de queda
Tubo de drenagem de 10 cm
Figura 29 - Sistema de captação de água pluvial na cobertura
Fonte: Kruger (2016, p. 264).
É importante que as calhas passem por manu-
tenção regular para a retirada de materiais acu-
mulados, como folhas e galhos, evitando, assim, 
o entupimento e transbordamento, o que pode 
causar maiores problemas de infiltração na edi-
ficação e em sua estrutura.
Os rufos são o outro elemento que compõem o 
sistema de captação de águas em um telhado. Esses 
elementos fazem a função de proteger e desviar 
a água da chuva de possíveis pontos de entrada, 
como as paredes laterais da edificação, claraboias, 
chaminés, entre outros. Como na maioria dos ca-
sos, os rufos ficam expostos no telhado, por isso é 
mais comum o uso de materiais duráveis, como o 
alumínio, cobre ou aço galvanizado (AZEREDO, 
1997; KRUGER, 2016).
Rufo com pingadeira
Platibanda
Rufo simples
Calha
Figura 30 - Rufos
Fonte: Azeredo (1997, p. 174).
147UNIDADE 6
Um fator importante para o desenho e volumetria 
final do telhado é a inclinação das águas. A incli-
nação de um telhado é determinada de acordo 
com as necessidades climáticas da região onde 
está situada a edificação. Em regiões onde se tem 
neve, por exemplo, utiliza-se telhados com maior 
inclinação para que a neve não se acumule sobre 
a cobertura, acarretando sobrepeso na edificação. 
Assim, os elementos estruturais do telhado podem 
ser mais esbeltos e ter seções menores do que se 
tivessem baixa inclinação (KRUGER, 2016). Por 
outro lado, em lugares quentes, é indicado o uso 
de beirais para proteger a edificação do sol.
Outros fatores que interferem na determina-
ção da inclinação das águas de um telhado é o tipo 
de telha utilizada. Cada telha tem uma especifi-
cação técnica quanto à inclinação a ser utilizada. 
Além disso, outro fator a ser considerado é a vo-
lumetria e o caráter estético que o projetista quer 
imprimir à edificação.
Dimensionamento e 
Representação de Telhados
148 Coberturas
Quanto maior a inclinação do telhado, mais rápido será o escoamento da água e, assim, o acabamento 
do telhado terá maior durabilidade. No entanto, telhados mais íngremes requerem maior volume de 
material de cobertura que telhados menos inclinados (KRUGER, 2016).
A inclinação de um telhado é expressa em porcentagem (%) e determinada por
i = hv
Em que,
h= altura do telhado
v= vão
h
Vão
Exemplo: para um telhado de duas águas, com vão total de 8 metros e 2 metros de altura, qual será a 
inclinação das águas?
2 m
8 m
Tem-se que
i = hv
Logo,
i =
i = 0,5
2
4
Como a inclinação é expressa em porcentagem, multiplicamos o valor encontrado por 100%, assim 
temos que
i = 0,5 x 100%
i = 50%
Este telhado possui 50% de inclinação.
149UNIDADE 6
Perceba que, no valor correspondente ao vão, usamos 4 metros 
e não 8, isso porque se o telhado foi dividido em 2 águas, cada água 
ocupará metade do vão, como demonstra a figura.
Independentemente da complexidade de um telhado, segundo 
Azeredo (1997) e Montenegro (2017), ele sempre seguirá algumas 
regras. A primeira delas é subdividir o telhado em figuras simples, 
como retângulos, quadriláteros e triângulos, caso ele tenha um 
formato complexo. Traçar a cumeeira a partir do lado de menor 
vão. Logo após, deve-se traçar a bissetriz dos ângulos reentrantes e 
salientes. Todas as águas terão a mesma inclinação.
Figura 31 - Processo de desenho das águas de um telhado
Fonte: a autora.
Desenho de um telhado
150 Coberturas
Neste tópico, abordaremos as coberturas verdes 
ou telhados verdes, uma soluçãoalternativa e sus-
tentável para a cobertura de edificações.
 “
Telhado verde – cobertura verde, telhado 
vivo ou jardim suspenso – é um sistema 
construtivo que consiste em uma cobertu-
ra vegetal feita com grama ou plantas e que 
pode ser instalado em lajes ou sobre telha-
dos convencionais (RANGEL; ARANHA; 
SILVA, 2015, p. 399).
Apesar dos telhados e coberturas verdes serem 
elementos muito discutidos atualmente, aborda-
dos como uma solução mais ecológica para as 
construções, seu uso já tem ocorrido a mais de 
3000 anos (AHMED; ALIBABA, 2016). As pri-
meiras coberturas verdes estão associadas à cons-
trução das primeiras edificações; elas cobriam as 
casas de agricultores em diversos locais do mun-
do e tinham como função melhorar o conforto 
térmico das moradias, deixando-as mais quentes 
ou mais frescas. As coberturas eram feitas com 
plantas do entorno e aproveitavam a declividade 
do próprio terreno (REBOLLAR et al., 2017).
Coberturas 
Verdes
151UNIDADE 6
Figura 32 - Cobertura verde em casas históricas (Casas de turvas), Islândia
As estruturas verdes mais famo-
sas são os jardins suspensos da 
Babilônia, cidade da Mesopotâ-
mia. Esse jardim teria sido cons-
truído em um Zigurate – edifi-
cação piramidal que tinha como 
função o abrigo de cerimônias, 
observatórios astronômicos e 
eram símbolo do poder das eli-
tes – com a inserção de vegeta-
ção nos terraços formados pelos 
degraus das pirâmides escalona-
das. A vegetação utilizada eram 
espécies arbóreas e arbustivas di-
versas (REBOLLAR et al., 2017).
Por sua vez, o telhado verde mo-
derno foi criado na Alemanha e 
na Suíça na década de 60, após 
a realização de diversas pesqui-
sas sobre tecnologias de terra-
ço com telhado verde por anos 
(AHMED; ALIBABA, 2016).
Os telhados verdes podem 
proporcionar maior conforto 
térmico e acústico nos ambien-
tes internos, pois fornecem iso-
lamento adicional, reduzindo 
a transmissão de som, assim 
como a vegetação ajuda a re-
duzir a temperatura do telhado. 
Este, este tipo de cobertura tem 
como função principal aumen-
tar as áreas verdes, diminuindo 
as ilhas de calor e melhorando 
a qualidade do meio ambiente. 
Os telhados verdes contribuem, 
ainda, para a redução do es-
coamento superficial de águas 
pluviais (RANGEL; ARANHA; 
SILVA, 2015; KRUGER, 2016).
Figura 33 - Ilustração dos jardins suspensos da Babilônia
152 Coberturas
Os telhados verdes são compostos por várias camadas de mate-
riais (KRUGER, 2016; AHMED; ALIBABA, 2016):
• Vegetação.
• Cobertura contra ação erosiva do sol e dos ventos.
• Camada de solo/substrato.
• Camada de drenagem.
• Membrana impermeabilizante.
• Laje estrutural ou estrutura do teto.
Figura 34 - Camadas do telhado verde
Fonte: Green Roofs (apud AHMED; ALIBABA, 2016).
Deck estrutural
Vegetação
Meio de crescimento
Irrigação
Barreira radicular
Membrana de 
impermeabilização
Camada de drenagem
e tela de filtro
Os telhados ou coberturas 
verdes são classificados como 
intensivos ou extensivos. Os 
intensivos são aqueles que pos-
suem camadas mais profundas 
de solo, podendo suportar vege-
tação de maior porte, tais como 
arbustos e pequenas árvores, as-
sim como tráfego de transeun-
tes, podendo abrigar espaços de 
lazer. Este tipo de cobertura exi-
ge manutenção constante e sua 
estrutura deve conter reforço 
adicional para suportar a carga 
do substrato, da vegetação e dos 
usuários. Por outro lado, as co-
berturas do tipo extensivas são 
aquelas que possuem camadas 
finas de solo para a implantação 
de plantas de pequeno porte e 
não são projetados para a cir-
culação de pessoas. Estes são desenvolvidos, na maioria das vezes, por motivos estéticos e ecológicos, 
exigem pouca manutenção e possuem peso estrutural menor que os intensivos (RANGEL; ARANHA; 
SILVA, 2015; KRUGER, 2016).
Figura 35 - Cobertura verde intensiva Figura 36 - Cobertura verde extensiva em superfície inclinada
153UNIDADE 6
Figura 37 - Cobertura verde extensiva em superfície plana
Em ambos os tipos de telhado verde, as plantas devem ser escolhidas de modo que suportem a expo-
sição solar e se adequem ao clima e condições ambientais do local.
Ao longo da história, as coberturas verdes extensivas foram mais utilizadas pela população de extrato 
social mais baixo, com o objetivo de melhorar as condições de isolamento térmico com a aplicação 
de vegetação na cobertura das habitações, enquanto as coberturas verdes intensivas foram utilizadas 
pela camada mais alta da sociedade, em que, além de melhorar as condições de conforto térmico, essas 
coberturas simbolizavam o poder da elite, uma vez que promoviam o embelezamento das edificações 
(REBOLLAR et al., 2017).
As coberturas são estruturas essenciais em uma edificação e pode ser uma estratégia do projetista 
para explorar a volumetria da edificação. Futuro engenheiro, exercite sua criatividade no projeto, não 
esquecendo, é claro, dos aspectos técnicos dos telhados.
154
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.
1. Considerando que a figura a seguir seja a superfície de um telhado, desenhe-o 
com quatro águas.
15 m
9 m
2. Quais as principais diferenças entre uma cobertura verde do tipo extensiva e 
intensiva?
3. Calcule a altura (h) de um telhado com apenas uma água, vão de 4,5 metros e 
com cobertura em telhas cerâmicas de i = 35%.
155
O Monge e o Executivo
Autor: Antonio Moliterno
Editora: Blucher
Sinopse: trata-se de um texto prático que objetiva auxiliar o engenheiro ou 
arquiteto, bem como os estudantes dessas áreas, no projeto e cálculo de tais 
estruturas. Para tanto, além da linguagem e apresentação didáticas, incluiu-se 
um grande número de figuras que detalham os copiosos exemplos dados. 
Comentário: o livro apresenta, de forma bastante didática e ilustrativa, as estru-
turas de telhado, desde a definição dos elementos que compõem o telhado, sua 
nomenclatura, até apresentação e cálculo para dimensionamento de estruturas 
em madeira.
LIVRO
Evolução da arquitetura e dos materiais para cobertura de edificações
O artigo faz um percurso pela história da arquitetura, demonstrando a evolução 
das coberturas e destacando os diferentes materiais utilizados nas coberturas 
e telhados ao longo do tempo.
WEB
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/2836
156
AHMED, R. M.; ALIBABA, H. Z. An evaluation of green roofing in buildings. International Journal of Scien-
tific and Research Publications, v. 6, n. 1, p. 366-373, 2016. Disponível em: http://www.ijsrp.org/research-pa-
per-0116/ijsrp-p4957.pdf. Acesso em: 04 jun. 2020.
AZEREDO, H. A. de. O edifício até sua cobertura. 2. ed. São Paulo: Blucher, 1997.
KRUGER, A. Construção verde: princípios e práticas em construção residencial / Abe Kruger, Carl Seville; 
adaptação Sasquia Hizuru Obata: revisão técnica Isamar Marchini Magalhães. Tradução de Noveritis do Brasil. 
São Paulo: Cengage Learning, 2016.
MONTENEGRO, G. A. Desenho arquitetônico. 5. ed. rev. ampl. São Paulo: Edgard Blucher, 2017. 
RANGEL, A. C. L. da C.; ARANHA, K. C.; SILVA, M. C. B. C. da. Os telhados verdes nas políticas ambientais 
como medida indutora para a sustentabilidade. Desenvolvimento e Meio Ambiente, v. 35, p. 397-409, dez. 2015.
REBOLLAR, N. A. P. et al. (Org). Telhados verdes: uma abordagem multidisciplinar. Florianópolis: Ledix, 2017. 
157
1. Como visto no decorrer desta unidade, a representação do telhado se inicia com a determinação da cumeei-
ra. Para isso, divide-se o lado menor do telhado (retângulo) ao meio, assim temos demarcada a linha de 
cumeeira. O segundo passo é a demarcação dos espigões e definição das águas. Neste caso, temos um 
telhado de 4 águas, assim teremos 4 espigões. Para isso, achamos a bissetriz dos ângulos das 4 vértices; 
como trata-se de uma figura regular em ângulos de 90º, usando o ângulo de 45° (bissetriz de 90°), traçamos 
as linhas dos espigões, ligando os vértices do retângulo à linha de cumeeira. Pronto, encontramos as 4 
águas, agora é só reforçar as linhas do desenho.
45°
2. As coberturas intensivas têm camadas maisprofundas de solo, assim pode ser plantada vegetação de maior 
porte, permite também o uso para lazer e circulação de pessoas, exigindo maior manutenção e estrutura 
reforçada. As extensivas têm camadas mais finas de solo, são plantadas plantas de pequeno porte e não são 
projetadas para a circulação de pessoas, exigindo pouca manutenção e possuindo peso estrutural menor.
3. A altura do telhado é dada pela equação:
i = hv 0,35 =
h
4,5 h = 0,35 x 4,5 h = 1,575 m
158
PLANO DE ESTUDOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
• Reconhecer as características inerentes ao projeto de 
edificações para uso residencial.
• Apresentar os principais requisitos necessários para a 
elaboração de projetos arquitetônicos residenciais.
• Identificar os setores em que uma edificação residencial 
se divide, as características e necessidades de cada setor.
• Apresentar as normas e recomendações para o 
dimensionamento e elaboração de ambientes residenciais 
que promovam conforto e qualidade de vida aos usuários.
• Apresentar exemplos de projetos residenciais de destaque 
na arquitetura nacional.
Especificidades do 
Projeto Residencial
O Programa de Necessidades 
Residencial e a Organização 
dos Setores
Dimensões para os 
Ambientes Residenciais
Estudos de Caso: 
Edificações Residenciais
Fluxos e Circulação nos 
Ambientes
Me. Andréia Gonçalves Darice
Projeto Arquitetônico 
Residencial
Especificidades do 
Projeto Residencial
O projeto arquitetônico de edificações residen-
ciais é sempre um desafio aos projetistas e um 
tema recorrente na arquitetura e engenharia civil. 
A complexidade do tema é reforçada pelo fato de 
que as formas de habitar um espaço variam de 
acordo com fatores, tais como o contexto onde 
o edifício está inserido, os aspectos culturais e 
históricos, questões climáticas etc.
A edificação tem como função principal abrigar. 
Abrigar alguém, algo, servir de abrigo para a reali-
zação de atividades. De acordo com sua tipologia, 
a edificação pode ter uma infinidade de funções.
No caso da edificação para uso residencial, ela 
se torna o espaço para moradia, para desenvolver 
atividade de lazer e ócio, receber outras pessoas, 
além de, em muitos casos, ser também espaço para 
o estudo e o trabalho. Isto é, os espaços estão tor-
nando-se cada vez mais multifuncionais.
Assim, o projetista deve estar atento às ne-
cessidades dos usuários, seu modo de viver, sua 
cultura e costumes, rotina, para então estar apto a 
desenvolver um projeto adequado àquele perfil de 
cliente. Características como conforto, praticidade 
e a funcionalidade são essenciais no projeto de 
uma residência.
161UNIDADE 7
Com as mudanças da sociedade contemporânea e a disputa cada 
vez maior dos espaços, principalmente nos grandes centros urbanos, 
o que eleva o valor dos imóveis, novos espaços têm se integrado aos 
mais tradicionais da residência. São espaços como closets, acade-
mias, home-office, cozinhas e áreas gourmet, que têm se tornado 
opções de espaço para receber familiares e amigos, inclusive em 
edifícios verticais.
Um dos primeiros passos do projeto arquitetônico, não sendo 
diferente quando se trata da tipologia residencial, é a coleta de 
informações junto aos usuários e o desenvolvimento do programa 
de necessidades. Como foi abordado na Unidade 1, o programa de 
necessidades não se trata apenas de uma listagem de ambientes, mas 
sim uma reunião de informações sobre as funções e necessidades 
da edificação.
Devemos levar em consideração que a habitação é o espaço onde 
o ser humano, de modo geral, passa a maior parte do seu tempo. 
Tanto no seu período de descanso da jornada de trabalho, quanto 
nos finais de semana, férias e demais momentos livres. Assim, ela 
deve ser projetada da forma mais adequada possível às necessidades 
e anseios de seus usuários. Além disso, a maioria das pessoas vai 
viver nela a maior parte da sua vida. No projeto residencial, mais do 
que qualquer outro projeto, o projetista lida com o sonho de vida 
das pessoas e famílias, o que nos dá uma noção da responsabilidade 
que temos em mão. Projetar é uma tarefa desafiadora!
Segundo Venâncio (2010, p. 21), “a realização do sonho de cons-
truir uma casa é uma experiência única”, em que, de modo geral, as 
pessoas buscam saudosismo (da infância), status e qualidade de vida.
Assim, o projeto é o primeiro passo para se alcançar a qualidade 
de vida desejada, já que uma residência adequada pode nos propor-
cionar diariamente pequenas experiências, tornando a vida mais 
feliz e prazerosa (VENÂNCIO, 2010).
Isso torna a edificação “um objeto cultural, um objeto com im-
portância e significado social e simbólico” (VOORDT, 2013, p. 10).
162 Projeto Arquitetônico Residencial
Na edificação unifamiliar, as funções se organi-
zam em setores, podendo destacar-se 3 princi-
pais: setor social, setor íntimo e setor de serviços. 
O número de ambientes e espaço de cada setor 
dependerá de outros fatores do programa de ne-
cessidades, requisitos dos usuários, orçamento etc.
Além da divisão em setores, os ambientes de 
uma residência podem ser divididos de acordo 
com sua utilização da seguinte forma:
• Compartimentos de permanência prolon-
gada: dormitórios, salas e escritórios.
• Compartimentos de permanência transi-
tória: circulação, hall de entrada, cozinha, 
banheiro, área de serviço e depósito.
O Programa de 
Necessidades Residencial e 
a Organização dos Setores
163UNIDADE 7
Um dos primeiros passos para a elaboração do programa de necessidades é analisar as atividades a 
serem abrigadas, ou seja, identificar a natureza das atividades e as condições espaciais necessárias para 
satisfazê-las: área útil, distâncias ou profundidades mínimas, temperatura, iluminação e acústica. É 
possível, inclusive, analisar programas de necessidades de uma edificação semelhante, junto ao cliente, 
fazendo os ajustes necessários para atender suas demandas (VOORDT, 2013).
Venâncio (2010) destaca o programa de necessidades básicas de uma residência e características 
as quais o profissional projetista deve estar atento.
• Garagem: é importante o projetista identificar quantos carros serão abrigados, para assim 
dimensionar o espaço. O espaço de acesso, frente à garagem, pode servir para vagas adicionais 
descobertas, para receber visitantes, por exemplo.
• Sala: verificar se os usuários recebem visitas frequentes, gostam ou necessitam de espaços 
compartimentados (sala de estar, jantar, TV, hall de entrada) ou integrados.
• Espaços de uso múltiplo: são tendência nas residências atuais e do futuro e se tratam de espaços 
multifuncionais, que agregam diversas funções ou que permitem flexibilidade para mudança de 
função. Podem servir como home theater, escritório, biblioteca, quarto de hóspedes, atelier etc.
• Lavabo: espaço pequeno, posicionado normalmente próximo à sala, de maneira que possa ser 
facilmente acessado.
• Cozinha: a cozinha é um dos espaços que passou por maior transformação ao longo dos tempos. 
De espaço de serviço, separado do restante da casa, para ambiente de encontro e convivência. No 
desenvolvimento do programa de necessidades, é importante identificar se os clientes preferem 
um ambiente mais isolado ou aberto e integrado à sala.
• Área de serviço: este espaço necessita ser bastante funcional, pois deve conter a máquina de 
lavar e secar, tanque e armários. Deve-se prever, ainda, espaço externo para secagem da roupa. 
A ventilação é um fator importante para este ambiente.
• Quartos: é preciso saber a quantidade e a necessidade desses ambientes, se é necessário closet, 
TV, banheiro integrado. A acústica e a iluminação externa são fatores fundamentais para tornar 
esses ambientes confortáveis.
• Banheiros: não se recomenda exagerar nas dimensões deste ambiente, mas é importante 
atentar-se às necessidades dos clientes para definir se será incluso banheira, a quantidade de 
cubas e chuveiros. Vale destacar que pode haver diferenças entre o banheiro social e o da suíte.
• Área de lazer: quais itens englobarão essa área:piscina, churrasqueira, sauna, lavabo etc. Quanto 
maior a área, maior também será a manutenção. Novamente, saber se a família recebe visitantes 
com frequência é um fator determinante para a escolha das dimensões.
164 Projeto Arquitetônico Residencial
Figura 1 - Residência padrão médio
Fonte: Venâncio (2010, p. 62).
SETOR DE SERVIÇOS
SETOR SOCIAL
SETOR ÍNTIMO
0 1 2 4 8
SALA
SUÍTE 1
SUÍTE 2
SUÍTE 3 SUÍTE 4
COZINHA
ESPAÇO
GOURMET
A. SERV.
VARANDA
VARANDA
Nesse programa de necessidades, outros elementos podem ser incluídos, como áreas de jardim e va-
randas. Obviamente, isso dependerá, principalmente, da disponibilidade de espaço no lote.
Se analisarmos esse programa, veremos que os ambientes descritos se enquadram nos 3 setores 
citados anteriormente: social, íntimo e serviços.
165UNIDADE 7
A quantidade de ambientes e as 
dimensões finais da casa irão 
depender do padrão da resi-
dência e das demandas de seus 
usuários. No exemplo de uma 
casa popular a seguir, o progra-
ma de necessidades é resolvido 
com apenas 5 ambientes e 38 m2 
de área útil, sendo cozinha e sala 
ambientes integrados.
SETOR DE SERVIÇOS
SETOR SOCIAL
SETOR ÍNTIMO
QUARTO
QUARTO
JANTAR/SALA
COZINHA
Banheiro
Figura 2 - Modelo habitacional 
COHAPAR
Fonte: adaptada de COHAPAR 
([2020]).
O próximo exemplo ilustra a proposta para apartamentos de habitação de interesse social. Com área 
semelhante, os exemplos demonstram dois modelos de disposição dos ambientes. Novamente, podemos 
perceber o agrupamento dos ambientes de cada setor: íntimo, social e serviços.
Figura 3 - Exemplos de setorização em apartamentos
Fonte: adaptada de Siqueira (2014).
Os apartamentos fazem parte do projeto do Conjunto habitacional Heliópolis, localizado na cidade 
de São Paulo, projeto dos arquitetos Artur Katchborian e Mário Biselli. O conjunto conta, ainda, com 
outras tipologias de apartamentos, contando, também, com unidades adaptadas para portadores de 
necessidade especial.
SETOR DE SERVIÇOS SETOR SOCIAL SETOR ÍNTIMO
166 Projeto Arquitetônico Residencial
Figura 4 - Vista do Conjunto habitacional Heliópolis
Fonte: Siqueira (2014, p. 57).
Se analisarmos outros tantos projetos, perceberemos que, na maioria 
deles, esse agrupamento de ambientes por funções ou a setoriza-
ção ocorre de acordo com a função. Isso porque a setorização cria 
melhores condições para o fluxo dentro da residência, organiza 
funções, cria espaços de privacidade, otimiza a infraestrutura e 
pode ser explorado na própria forma e volumetria da edificação.
Área Construída Total: a área construída total de uma edificação 
corresponde ao perímetro externo da edificação, somando áreas 
de pisos e paredes, de todos os pavimentos.
Área Útil: a área útil trata-se do espaço interno de cada ambiente, 
a área útil não considera as paredes. Chama-se assim, porque 
corresponde à área da edificação que efetivamente será utilizada 
pelos usuários.
167UNIDADE 7
O projeto arquitetônico de residências deve le-
var em consideração espaços para a utilização 
do mobiliário, eletrodomésticos e outros, ou seja, 
áreas livres que permitam seu uso e manuseio 
de forma segura e confortável, assim como áreas 
de circulação para deslocamentos dos usuários, 
acesso e interligação dos ambientes da casa. Em 
alguns momentos, os espaços de circulação e de 
manuseio de equipamentos podem ser compar-
tilhados (ODEBRECHT, 2006).
O projeto e planejamento dos ambientes de-
vem levar em consideração a ergonomia e antro-
pometria, proporcionando conforto e fácil acesso 
aos espaços e dimensões suficientes para a realiza-
ção de movimentos e utilização dos equipamentos 
e realização das atividades cotidianas.
Fluxos e Circulação 
nos Ambientes
168 Projeto Arquitetônico Residencial
Espaço Social
Os espaços sociais podem ter várias funções agregadas em um mesmo ambiente (estar, jantar, TV), 
estando eles interligados visualmente ou estando em ambientes distintos e conectados por uma cir-
culação. No caso de funções integradas, o espaço para circulação não deve comprometer os espaços 
de uso do ambiente (ODEBRECHT, 2006).
A figura a seguir demonstra uma solução de ambientes integrados e interligados pela circulação 
que também leva a outros ambientes da edificação.
O planejamento deve primar pela funcionalida-
de, pois espaços mais bem resolvidos se tornam 
mais funcionais, por isso, planejar é tão importan-
te. Exemplo: espaços com circulações reduzidas 
são espaços mais práticos e confortáveis (ODE-
BRECHT, 2006).
Segundo Voordt (2013), a edificação precisa 
dar apoio de forma otimizada às atividades que 
nela irão se realizar de maneira adequada ao es-
paço disponível, dispondo de atividades que se 
relacionam, permitindo comunicação e separando 
aquelas atividades que poderão entrar em conflito.
Na sequência, será apresentada uma listagem 
de espaços residenciais e suas necessidades quanto 
à circulação e fluxos.
A ergonomia trata das relações do ser humano, 
o meio e equipamentos, de modo a promover 
segurança e eficiência na interação. A ergonomia, 
enquanto ciência, estuda as formas de otimizar 
o bem-estar humano no desempenho de suas 
atividades.
A antropometria é a parte da ciência que trata 
das medidas do corpo humano e suas partes. A 
partir das medidas antropométricas, podemos 
projetar espaços e equipamentos que atendam 
as atividades e funções de maneira adequada e 
ergonômica.
Fonte: adaptado de Odebrecht (2006).
Figura 5 - Exemplo de disposição jantar/estar integrados
Fonte: Odebrecht (2006, p. 38).
169UNIDADE 7
A Figura 6 ilustra bem um am-
biente social integrado. Pode-
mos observar que o espaço e as 
funções se integram visualmen-
te, pois não há paredes dividin-
do os ambientes, no entanto, a 
organização do mobiliário cria 
os limites de cada função de for-
ma bastante clara.
Figura 6 - Espaço social integrado
Cozinha
Para projeto da cozinha e melhor racionamento dos espaços e circulação, deve-se considerar que este 
ambiente se organiza em 3 principais setores, relacionados ao alimento: área de armazenamento ou 
conservação (armários, geladeira, freezer); área de preparo e limpeza (bancada, pia); área de cocção 
(fogão, forno, micro-ondas). Assim, o fluxo de alimentos é que determina o fluxo de pessoas, e evitar 
cruzamentos garante um espaço mais funcional (ODEBRECHT, 2006).
Veja o exemplo a seguir.
Figura 7 - Exemplo de disposição da cozinha
Fonte: Odebrecht (2006, p. 39).
170 Projeto Arquitetônico Residencial
Na Figura 8, pode-se observar 
essa organização, em que a pia 
e bancada de preparo das refei-
ções estão localizadas no centro 
da cozinha, no que chamamos 
de “ilha”, desta forma, esse equi-
pamento se conecta aos demais: 
armazenamento (geladeira), 
cocção (fogão e forno) e refei-
ções, sem que haja cruzamento 
dos fluxos, permitindo, ainda, 
que mais de uma pessoa traba-
lhe no espaço. Figura 8 - Disposição dos equipamentos na cozinha
Outro exemplo é colocar os 
equipamentos de forma linear, 
no sentido do fluxo de uso, 
como ilustra a Figura 9. Este 
modelo é muito utilizado em 
apartamentos (Figura 10). 
Figura 9 - Cozinha com disposição de 
equipamentos de forma linear
Fonte: Odebrecht (2006, p. 40).
Figura 10 - Cozinha com disposição linear em um apartamento
Fonte: a autora.
171UNIDADE 7
Quarto Casal
O quarto divide-se basicamente em 3 funções: a de descanso, a de se vestir e o banheiro. Recomenda-se 
que as duas últimas funções sejam locadas próximas ou contíguas, já que estas funções estão direta-
mente relacionadas. Deve-se evitar o cruzamento da área de descanso para se deslocar do banheiro 
para a área de se vestir (closet, armários). A área de descanso deve ser mais reservada; a ela ainda po-
dem ser associados outros espaços e funções, como leitura, TV etc. (ODEBRECHT, 2006). A Figura 
11 demonstra bem essa situação: temos os 3 ambientes compartimentados, separando as funções de 
forma clara. O espaço de descanso está mais restrito, enquanto espaço de banho e o de vestir estão 
diretamente conectados.Figura 11 - Exemplo de disposição de suíte
Fonte: Odebrecht (2006, p. 42).
No entanto, não é necessário 
que sempre as funções sejam 
compartimentadas, elas podem 
dividir o mesmo ambiente, mas 
serem organizadas de acordo 
com o fluxo de uso. A Figura 12 
ilustra um ambiente com área 
de descanso e vestir integradas, 
porém claramente separadas.
Figura 12 - Setorização 
de funções no quarto
172 Projeto Arquitetônico Residencial
Ambientes com Funções Variadas
Alguns ambientes da casa podem ter funções variadas e compartilhadas, como quartos de hóspedes 
e escritório, estúdio; quarto de solteiro com área de estudo; biblioteca com sala de TV; escritório com 
estar etc. Assim, a circulação e os espaços devem ser dimensionados de acordo com cada situação de 
uso. Se for um quarto de hóspedes com uso para estudos ou TV, por exemplo, o espaço de descanso 
pode ser um sofá-cama ou uma peça retrátil. Deve-se prever espaço adequado para cada uso, podendo 
ser usados de forma contígua sem que um prejudique o outro. A circulação, neste caso, pode ajudar a 
definir o espaço de cada atividade (ODEBRECHT, 2006). A Figura 13 ilustra um ambiente com usos 
integrados de forma flexível. Na opção 1, tem-se um quarto/suíte, na opção 2 um home theater/sala 
de TV e, na opção 3, um home office/escritório.
Figura 13 - Exemplo de espaço flexível a novos usos distintos
Fonte: Venâncio (2010, p. 59).
A Figura 14 ilustra um ambiente 
com funções integradas, espaço 
para descanso (cama) e espaço 
de trabalho (escritório).
Figura 14 - Espaço multifuncional
SALA QUARTO/SUÍTE
BANHO
SALA
BANHOLAVABO
SALA
HOME OFFICE
BANHOLAVABO
OPÇÃO 1 OPÇÃO 2 OPÇÃO 3
173UNIDADE 7
Banheiro
Um banheiro se divide em 3 
áreas distintas, são elas a área 
seca, espaço onde fica a ban-
cada/lavatório; a área interme-
diária, composta pelo vaso sa-
nitário e bidê; e a área molhada, 
composta pelo box do chuveiro 
e/ou banheira. Estas áreas po-
dem ser organizadas no banhei-
ro de forma conjunta, em que 
todos esses elementos dividem 
o mesmo espaço, ou podem ser 
organizadas de forma compar-
timentada, como na Figura 15, 
em que cada área é separada da 
outra por divisórias ou paredes 
(ODEBRECHT, 2006).
Figura 15 - Banheiro compartimentado
Fonte: Venâncio (2010, p. 59).
A Figura 16, porém, demonstra um exemplo de banheiro em que 
as funções são integradas em um único ambiente.
Figura 16 - Banheiro integrado
DUCHA SANITÁRIO
LAVABO
174 Projeto Arquitetônico Residencial
Áreas de Serviço/Lavanderia
Neste ambiente, o fluxo de circulação é definido pelo fluxo da roupa, sendo o espaço dividido em 
espaço de armazenamento de roupa suja, área de lavagem e limpeza (máquina de lavar, tanque), área 
de secagem (varal ou secadora) e área de armazenagem da roupa limpa. Nesta última, além do espaço 
para armazenar a roupa, deve-se prever espaço para tábua de passar roupa e cabideiro para as roupas 
passadas. Deve-se considerar a circulação seguindo o fluxo dos equipamentos, evitando cruzamento 
dos fluxos e tornando o ambiente mais prático e confortável (ODEBRECHT, 2006).
Figura 17 - Fluxo na lavanderia
Fonte: Odebrecht (2006, p. 39).
Recomenda-se que as lavande-
rias tenham 2 acessos: um para 
a cozinha e outro para a área 
externa da residência, jardim, 
garagem ou hall de serviço.
Figura 18 - Área de serviços com disposição linear
A Figura 18 ilustra um exemplo de lavanderia/área de serviços. Este exemplo tem espaço para arma-
zenamento, máquina de lavar e tanque.
175UNIDADE 7
Os ambientes residenciais precisam ter dimensões 
mínimas para acomodar as funções devidas. As 
medidas mínimas para os ambientes estão basea-
das em fatores como as funções que eles devem 
atender, o mobiliário necessário para atender à 
determinada função, com base nas medidas an-
tropométricas.
Além das dimensões mínimas, os ambientes 
também devem atender aos níveis de iluminação 
e ventilação natural exigidos pelas normativas.
Odebrecht (2006) traz, em seu livro sobre o 
projeto arquitetônico, alguns valores de referência 
para dimensões de ambientes e circulações.
Dimensões para os 
Ambientes Residenciais
176 Projeto Arquitetônico Residencial
Tabela 1 - Dimensões de referência para ambientes residenciais
Área mínima dos ambientes
1º dormitório e salas 9 m2
Outros dormitórios 6 m2
Cozinhas 2,50 m2
Instalações sanitárias 1,50 m2
 
Largura mínima dos ambientes
Dormitórios e salas 2,00 m
Cozinhas e áreas de serviço 1,50 m
Circulações 1,00 m
Instalações sanitárias 0,80 m
 
Largura mínima do acesso
Dormitórios, salas e cozinhas 0,80 m
Áreas de serviço e banheiros 0,70 m
 
Pé-direito mínimo
Ambientes de permanência prolongada 2,60 m
Circulações 2,60 m
Cozinhas e áreas de serviço 2,50 m
Banheiros 2,30 m
Fonte: adaptada de Odebrecht (2006).
O projetista deve estar atento à legislação de cada município em que irá atuar, pois muitas legislações 
especificam parâmetros para as dimensões dos ambientes, a exemplo da Tabela 1. Assim, essas dimen-
sões podem variar de um local para o outro.
Outra referência para o projeto de edificações de uso residencial é a NBR 15575-1 (ABNT, 2013). 
Esta, também chamada de Norma de desempenho, estabelece critérios para o projeto e desempenho 
das edificações residenciais.
Dentre os critérios estabelecidos pela Norma, estão os equipamentos mínimos e suas dimensões, 
o que dá dimensões mínimas para ambientes em uma edificação residencial.
No que se refere ao pé-direito dos ambientes, a NBR 15575-1 (ABNT, 2013) estabelece que a altura 
mínima não deve ser inferior a 2,50 m; apenas em ambientes como vestíbulos, halls, corredores, ins-
talações sanitárias e despensas admite-se que a altura se reduza ao mínimo de 2,30 m.
177UNIDADE 7
Em casos especiais, em que ambientes tenham tetos com vigas, inclinados, abobadados ou que 
possuam superfícies salientes, o pé-direito mínimo deve contemplar, pelo menos, 80% da superfície 
do teto, admitindo-se no restante que o pé-direito livre tenha o mínimo de 2,30 m (ABNT, 2013).
Com relação ao mobiliário, a NBR 15575-1 (ABNT, 2013) estabelece as atividades essenciais que 
devem ocorrer em cada cômodo e o respectivo mobiliário necessário para que as funções ocorram.
O quadro a seguir descreve essas funções e o mobiliário padrão.
Quadro 1 - Funções e mobiliário mínimo para ambientes residenciais
Atividades essenciais por cômodo Móveis e equipamentos - padrão
Dormir/dormitório casal Cama de casal, guarda-roupa e criado-mudo (mí-nimo de 1)
Dormir/ dormitório para 2 pessoas
2º dormitório
Duas camas de solteiro, guarda-roupa, criado-mu-
do ou mesa de estudo
Dormir/ dormitório para uma pessoa
3° dormitório
Cama de solteiro, guarda-roupa e criado-mudo
Estar Sofá 2 ou 3 lugares, armário ou estante e poltrona
Cozinhar Fogão, geladeira, pia de cozinha, armário sobre a pia, gabinete e apoio para refeições (2 pessoas)
Alimentar/tomar refeições Mesa e 4 cadeiras
Fazer higiene pessoal Lavatório, chuveiro com box e vaso sanitário
Lavar, secar e passar roupas Tanque e máquina de lavar roupa
Estudar, ler, escrever, costurar, reparar e guardar 
objetos diversos Escrivaninha ou mesa com cadeira
Fonte: adaptado de ABNT (2013).
Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use 
seu leitor de QR Code.
178 Projeto Arquitetônico Residencial
A Tabela 2 estabelece o mobiliário mínimo para cada ambiente e suas dimensões, estabelecendo tam-
bém a largura mínima para a circulação entre móveis e divisões dos ambientes (paredes) e largura 
mínima dos ambientes.
Tabela 2 - Mobiliário mínimo para cada ambiente
A
m
bi
en
te Mobiliário
Circulação m Observações
Móvel ou equipamento
Dimensões m
L P
Sa
la
 d
e 
es
ta
r
Sofá 3 lugares com braço 1,70 0,70
Espaço de 0,50 
m frente ao 
assento
Largura mínima do 
ambiente de 2,40m.
Os assentos devem 
ser determinados 
pela quantidade de 
pessoas na casa (nº 
de leitos)
Sofá 2 lugares com braço 1,20 0,70
Poltrona com braço 0,80 0,70
Sofá 3 lugares sem braço 1,50 0,70
Sofá 2 lugaressem braço 1,00 0,70
Poltrona sem braço 0,50 0,70 
Estante para TV 0,80 0,50 0,50 Obrigatório
Mesa de centro ou cadeira - - - Opcional
Sa
la
 d
e 
ja
nt
ar
/ C
op
a 
Co
pa
/ C
oz
in
ha
Mesa redonda para 4 lugares d:0,95 
Mínimo de 0,75 
a partir da bor-
da da mesa
Largura mínima de 
2,40 m
 
Mínimo de uma 
mesa para 4 pes-
soas
Mesa redonda para 6 lugares d:1,20 
Mesa quadrada para 4 lugares 1,00 1,00
Mesa quadrada para 6 lugares 1,20 1,20
Mesa retangular para 4 lugares 1,20 0,80
Mesa retangular para 6 lugares 1,50 0,80
Co
zi
nh
a
Pia 1,20 0,50
Mínimo de 0,85 
m frontal à pia, 
fogão e gela-
deira
Largura mínima de 
1,50 m
Mínimo de fogão, 
pia, geladeira e 
armário
Fogão 0,55 0,60
Geladeira 0,70 0,70
Armário sob a pia - - - Espaço obrigatório
Apoio para refeições (2 pessoas) - - - Móvel opcional
D
or
m
itó
rio
 
ca
sa
l Cama de casal 1,40 1,90 Mínima entre 
o mobiliário de 
0,50 m
Mínimo de 1 cama, 
2 criados-mudos e 
1 guarda-roupa
Criado-mudo 0,50 0,50 
Guarda-roupa 1,60 0,50 
179UNIDADE 7
D
or
m
itó
rio
 
pa
ra
 2
 p
es
so
as Camas de solteiro 0,80 1,90 Mínima entre as 
camas 0,60 m
Demais 0,50 m
Mínimo de 2 camas, 
1 criado-mudo e 1 
guarda-roupa
Criado-mudo 0,50 0,50
Guarda-roupa 1,50 0,50
Mesa de estudo 0,80 0,60 Opcional
D
or
m
itó
rio
 p
ar
a 
1 
pe
ss
oa
Cama de solteiro 0,80 1,90
Mínima entre 
o mobiliário de 
0,50 m
Mínimo de 2 camas, 
1 criado-mudo e 1 
guarda-roupa
Criado-mudo 0,50 0,50
Armário 1,20 0,50
Mesa de estudo 0,80 0,60 Opcional
Ba
nh
ei
ro
Lavatório 0,39 0,29
Mínima de 0,4 
m frente ao 
lavatório, vaso 
e bidê
Largura mínima de 
1,10 m
Mínimo de 1 lavató-
rio, 1 vaso e 1 box
Lavatório com bancada 0,80 0,55
Vaso sanitário (caixa acoplada) 0,60 0,70
Vaso sanitário 0,60 0,60
Box quadrado 0,80 0,80
Box retangular 0,70 0,90
Bidê 0,60 0,60 Opcional
Ár
ea
 d
e 
se
rv
iç
o Tanque 0,52 0,53 Mínima de 0,50 
frente ao tan-
que e máquina 
de lavar
Mínimo: 1 tanque 
(20 L) e 1 máquina 
de lavarMáquina de lavar roupa 0,60 0,65
Fonte: adaptada de ABNT (2013).
É importante ressaltar que as dimensões expostas na Tabela 2 são mínimas, portanto, elas podem ser 
ampliadas de acordo com as necessidades e anseios dos clientes, assim como de acordo com o padrão 
da edificação; obviamente uma edificação de alto padrão exigirá mais ambientes e dimensões maiores 
para atender às mesmas funções.
180 Projeto Arquitetônico Residencial
Estudos de Caso: 
Edificações Residenciais
Neste tópico, serão apresentados projetos arqui-
tetônicos de residências nacionais que obtiveram 
destaque. Nele serão destacados o programa de 
necessidades, partido arquitetônico, fluxos e cir-
culações internas, características no lote, materiais 
e técnicas utilizadas na edificação.
181UNIDADE 7
Residência 1: 
Casa das Canoas
Arquiteto Oscar Niemeyer
Data: 1951-1954
Figura 19 - Vista da área social da residência
Fonte: Fundação Oscar Niemeyer ([2020], on-line).
Ambientes Residenciais
A residência construída para si próprio é consi-
derada um dos mais significativos exemplares da 
arquitetura moderna brasileira, tendo sido esco-
lhida para ser discutida nesta unidade por sua 
solução de implantação no lote. A edificação se 
adapta à paisagem local, integrando os elementos 
existentes no sítio e propondo a menor interven-
ção no espaço, assim, a casa se insere de forma 
harmoniosa na paisagem.
Segundo Dunster (2003), a casa está claramen-
te dividida em duas partes: uma que se incorpora 
ao terreno, em que estão os dormitórios, e sobre 
este está um pavilhão destinado à área social da 
casa. Ainda segundo o autor, a penetração do ex-
terior no interior da residência é absoluta.
A área de estar representa a expressão da pro-
posta de planta livre por dois aspectos: um no 
sentido de que todas as atividades se desenvolvem 
em um espaço único e também no sentido de que 
não há obstáculos para a circulação entre espaço 
interior e exterior (DUNSTER, 2003).
Segundo Barnabé (2008), o acesso à casa se 
dá pela parte mais baixa do terreno e a casa pro-
priamente dita não é totalmente visível da en-
trada, sendo camuflada pela vegetação densa e 
pela diferença de nível entre a locação da obra e 
a estrada de acesso.
A cobertura da residência é feita por uma laje 
sinuosa, em que se abrigam o acesso e espaços so-
ciais. No nível inferior, está o setor íntimo da casa. 
Ambos são privilegiados pela vista, iluminação e 
ventilação natural.
 “
A casa não tem frente ou fundos, nela o que 
predomina é a fluidez espacial, um movi-
mento contínuo que não permite que os 
olhos se fixem por muito tempo em uma 
forma específica (BARNABÉ, 2008, on-line).
182 Projeto Arquitetônico Residencial
Um elemento de destaque na obra é a presença de uma rocha que se integra à edificação, fazendo, 
assim, parte da composição do projeto. O arquiteto, além de respeitar os elementos naturais existentes 
no lote, integrou-os no edifício.
 “
Suas curvas são organicamente submissas ao terreno, acomodando-se entre a vegetação e as pedras, 
contornando obstáculos naturais, a ponto de confundir o observador sobre o que está dentro e o que 
está fora, sobre rupturas e continuidade (SANTOS, 2003, on-line).
Ao analisarmos as plantas do projeto, percebemos a clara distinção entre os setores social, íntimo e 
serviços. O setor social é um espaço amplo e flexível, tendo uma configuração mais livre, contrabalan-
çada por planos retos, conecta-se com a paisagem do entorno por meio dos fechamentos em vidro. O 
setor de serviços fica em um bloco mais fechado.
Figura 20 - Planta pavimento Térreo – área social
Fonte: Dunster (2003, p. 108).
O setor íntimo está localizado no nível inferior e do lado oposto ao acesso, o volume tem formas mais 
contidas, menos irregulares, enfatizando a opacidade e garantindo maior privacidade, além de propiciar 
o convívio da família.
44
3
2
2
3
4
SALA DE ESTAR
COZINHA
BANHEIRO
183UNIDADE 7
Figura 21 - Planta pavimento inferior – área íntima
Fonte: Dunster (2003, p. 109).
O fechamento da edificação é caracterizado por um 
jogo equilibrado de transparências e opacidades no 
pavimento térreo, enquanto no pavimento inferior 
a opacidade predomina (BARNABÉ, 2008).
 “
Minha preocupação foi projetar minha re-
sidência com inteira liberdade, adaptando-a 
aos desníveis do terreno, sem o modificar, fa-
zendo-a em curvas, de forma a permitir que 
a vegetação nela penetrasse, sem a separação 
ostensiva da linha reta. E criei para as salas de 
estar uma zona em sombra, para que a parte 
envidraçada evitasse cortinas e a casa ficasse 
transparente como preferia (NIEMEYER, 
1958 apud SANTOS, 2003, on-line).
O uso da luz e da sombra foram diretrizes pri-
mordiais do projeto, além da preocupação do 
arquiteto em valorizar e harmonizar a residência 
com a paisagem do entorno (BARNABÉ, 2008).
Residência 2: 
Residência Castor Delgado Perez
Arquiteto Rino Levi
Data: 1958
Local: São Paulo, SP
Área: 508 m2
Figura 22 - Fachada da residência
Fonte: Luciana Brito Galeria ([2020], on-line).
A Residência, localizada em São Paulo, está in-
serida em um lote de meio de quadra estreito e 
alongado. A disposição do lote influencia a im-
plantação da edificação.
Ao observar a planta, destaca-se a relação entre 
cheios e vazios (áreas edificadas e áreas livres), 
pois a casa conta com dois pátios internos que 
promovem iluminação e ventilação natural para 
os ambientes. O espaço social é a parte central da 
casa, cercada pelos dois pátios, e a partir dela se 
tem acesso ao setor íntimo e ao setor de serviços.
1
4
5
6
ENTRADA
BANHEIRO
DORMITÓRIO
ESTÚDIO
5 5 5
4
4
6
1
184 Projeto Arquitetônico Residencial
Por sua vez, a garagem está localizada na parte frontal do lote, assim como as dependências de empre-
gada, localizada no pavimento superior, acima da garagem. O setor de serviços (copa, cozinha, área de 
serviços) está localizado em uma das laterais da casa.
A outra lateral é ocupada pelo 
hall de entrada, lavabo e circu-
laçãode acesso à ala dos dormi-
tórios. No fundo do lote, junto à 
divisa, foi implantado um bloco 
que abriga um quarto de hóspe-
des e espaço de lazer.
Junto à garagem, na parte 
frontal da edificação, está alo-
cado o primeiro pátio; esse se 
conecta, por meio de elemen-
tos vazados, ao pátio central. 
O Pátio central se divide em 2, 
estando entre eles a área social 
Figura 24 - Vista da sala de estar e pátios internos
Fonte: Luciana Brito Galeria ([2020], on-line).
Figura 23 - Setorização da residência
Fonte: adaptada de Costa (2011).
A edificação se fecha para fora 
e se abre para dentro. O parti-
do retangular é empregado em 
lotes compactos em meio de 
quadra, ficando a ala de dor-
mitórios e estar paralela à rua, 
com pátios centrais. Parte dos 
setores se organiza de forma 
perpendicular à rua, unindo os 
blocos e conformando os pátios 
internos.
A casa se estrutura por meio 
do pátio central que se funde 
com o ambiente de estar. O es-
tar e jantar ocupam o centro 
da casa e a área íntima ocupa a 
parte posterior do lote, dando 
privacidade aos dormitórios. 
da casa, sendo seus fechamentos em amplas portas de vidro. Os pátios têm fechamento de pergolados 
reticulado, o que permite a entrada da luz natural até o ambiente de estar, além de funcionarem como 
jardins internos (COSTA, 2011).
SETOR DE SERVIÇOS
SETOR SOCIAL
SETOR ÍNTIMO
185UNIDADE 7
Figura 25 - Vista do pátio interno e seu fechamento em pergolados
Fonte: Luciana Brito Galeria ([2020], on-line).
Hoje, a residência tem um novo uso, funciona como galeria de arte e abriga a Galeria Luciana Brito. 
Para tanto, a obra passou por uma readequação arquitetônica para abrigar a nova função.
Residência 3: 
Residência em Tijucopava
Arquiteto: Marcos Acayaba
Data: 1997
Local: Tijucopava, Guarujá, SP
Área: 251 m2
Figura 26 - Vista da residência
Fonte: Nelson Kon (apud MARCOS ACA-
YABA ARQUITETOS [2020], on-line)1.
O arquiteto Marcos Acayaba é reconhecido por 
trabalhar em seus projetos o uso da madeira. Nesta 
residência no litoral de São Paulo, ele tira partido 
da modulação e do uso do material para integra-
ção da edificação à vegetação nativa existente.
186 Projeto Arquitetônico Residencial
O lote está localizado a 150 
metros da praia e imerso na 
mata atlântica a 80 metros de 
altitude (MARCOS ACAYABA 
ARQUITETOS, [2020], onli-
ne)1. A inserção da edificação 
no lote sem interferir no solo e 
na vegetação e a integração en-
tre interior e exterior foram as 
premissas do projeto. Para tanto, 
o arquiteto usou uma modula-
ção triangular e apoio no terre-
no em apenas 3 pontos. 
Figura 27 - Vista da residência junto à vegetação nativa
Fonte: Nelson Kon (apud MARCOS ACAYABA ARQUITETOS, [2020], on-line)1.
Figura 28 - Corte Longitudinal com setorização
Fonte: adaptada de Marcos Acayaba Arquitetos ([2020], on-line)1.
A casa possui 4 pavimentos: o acesso se dá pelo pavimento social 
(sala/cozinha) que se liga à parte mais alta do lote por meio de uma 
passarela. Acima deste, está o terraço, o qual fica na altura da copa 
das árvores, dando vista para o mar e para a serra, sendo um espaço 
para lazer. Abaixo do pavimento de acesso, está o piso íntimo, onde 
ficam os dormitórios. No pavimento inferior, está a área de serviço, 
com acesso para o lote na parte mais baixa.
SETOR DE SERVIÇOS
SETOR SOCIAL
SETOR ÍNTIMO
0 1 2 3 4 5m05
CORTE A
A
B
C
D
187UNIDADE 7
 
Figura 29 - Planta baixa Terraço
Fonte: adaptada de Marcos Acayaba 
Arquitetos ([2020], on-line)1.
Figura 30 - Planta baixa Área social/
acesso
Fonte: adaptada de Marcos Acayaba 
Arquitetos ([2020], on-line)1.
Figura 31 - Planta baixa Dormitórios
Fonte: adaptada de Marcos Acayaba 
Arquitetos ([2020], on-line)1.
0 1 2 3 4 5m05
PLANTA COBERTURA
1.
2.
Terraço Coberto
Terraço Descoberto
0 1 2 3 4 5m05
PLANTA SALA / COZINHA
1.
2.
3.
4.
5.
Sala de Estar
Sala de Jantar
Cozinha
Terraço Coberto
Ponte
0 1 2 3 4 5m05
PLANTA DORMITÓRIOS
1.
2.
3.
Dormitório
Banheiro
Terraço Coberto
188 Projeto Arquitetônico Residencial
Figura 32 - Planta baixa Área de serviços
Fonte: adaptada de Marcos Acayaba Arquitetos ([2020], on-line)1.
A estrutura foi montada com pilares e vigas de madeira e conexões e tirantes em aço, tudo pré-fabricado. 
A cobertura foi feita em placas de concreto leves pré-fabricadas para facilitar a manutenção. Por outro 
lado, as paredes são de painéis industrializados de madeira compensada. As janelas são em vidro comum.
O fato de as peças serem leves e de pequena dimensão possibilitou a montagem da casa sem a ne-
cessidade de grandes equipamentos, causando assim menor interferência na paisagem, com o mínimo 
de impacto ambiental.
Residência 4: 
Casa das Saíras
Arquiteto: Samuel Kruchin
Data: 2005
Local: Ubatuba, SP
Área: 370 m2
Figura 33 - Vista da residência
Fonte: Kruchin (2007, p. 45).
A residência foi resolvida em um único pavimen-
to, apenas a garagem fica em nível inferior.
A modulação dada pela estrutura (pórticos) 
faz a demarcação das funções internas. A setori-
zação das funções é feita de maneira bem clara, 
como podemos ver na Planta baixa (Figura 34). O 
acesso está localizado mais ao centro do volume 
0 1 2 3 4 5m05
PLANTA SERVIÇOS
1.
2.
3.
4.
Lavanderia
Dormitório Empregada
Banheiro Empregada
Ponte
189UNIDADE 7
edificado, de um lado está a área íntima (quartos e banheiros) e do outro o setor de serviços (cozinha, 
área de serviço, dormitório da empregada) e setor social (sala e pátio). O pátio descoberto cria um 
vazio no volume que amplia a divisão entre o setor íntimo e o restante da casa. 
Figura 34 - Setorização da residência
Fonte: adaptada de Kruchin (2007, p. 49).
O setor social é todo envidra-
çado, criando uma relação e, ao 
mesmo tempo, proteção com 
a paisagem natural do entor-
no, permitindo visibilidade 
da praia e das montanhas. Os 
dormitórios são mais opacos, 
no entanto, possuem portas 
deslizantes que os conectam à 
paisagem externa. 
Figura 35 - Vista da área social
Fonte: Kruchin (2007, p. 47).
0
N
1 5 102,5
SETOR DE SERVIÇOS SETOR SOCIAL SETOR ÍNTIMO
190 Projeto Arquitetônico Residencial
Figura 36 - Vista para o setor íntimo, detalhe das portas deslizantes
Fonte: Kruchin (2007, p. 46).
Segundo o arquiteto, a intenção do projeto era “construir uma múltipla interação entre arquitetura e 
paisagem: entre horizonte e lugar; entre imponência e intimidade; entre opacidade e transparência” 
(KRUCHIN, 2007, p. 48).
Caro(a) aluno(a), estes são alguns bons exemplos de projetos arquitetônicos residenciais para você 
analisar e se inspirar. Lembre-se que, sempre ao iniciar um novo projeto, devemos fazer o estudo cor-
relato, buscar projetos semelhantes em busca de soluções e inspiração.
191
1. Na planta a seguir, identi-
fique, por meio de cores e 
legenda, os setores social, 
íntimo e serviços.
2. Monte um programa de necessidades para uma residência destinado a uma 
família com o seguinte perfil:
3. Monte o mobiliário para um 
quarto de casal no ambiente 
a seguir. Utilize as medidas 
mínimas de referência da 
Tabela 2.
• Casal.
• 3 filhos: 2 meninos e 1 menina.
• Gostam de receber amigos nos 
fins de semana.
• O pai faz home office.
.15 .15
3.00
.1
5
.1
5
3.
00
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.
192
100 Casas Unifamiliares de Arquitectura del Siglo XX
Autor: David Dunster
Editora: Gustavo Gili
Sinopse: não é uma tarefa fácil explicar o que realmente era a arquitetura 
moderna no início. Os arquitetos viam na planta uma maneira de descrever 
os estilos de vida diferentes e mutáveis. Esse é um excelente meio de obter 
conhecimento com o trabalho de arquitetura, pois contém um conteúdo mais 
profundo do que aparente. Dado que o plano é a medida mais precisa que temos 
para avaliar as mudanças no pensamento arquitetônico desde a era das Belas 
Artes, aqui são oferecidos cem exemplos de casas divididas em dois períodos: 
1900-1944 e 1945-1990. Os trabalhos vêm de países tão díspares como Espanha, 
Brasil, Rússia, Tchecoslováquia ou Grã-Bretanha e de renomadosprofessores 
talentosos e outros um pouco mais anônimos.
Comentário: o livro apresenta projetos residenciais de diferentes e renoma-
dos arquitetos de diferentes países. Por meio dele, o aluno pode mergulhar 
na infinidade de possibilidades criativas que o projeto residencial nos permite.
LIVRO
As casas mais extraordinárias do mundo (The world’s most extraordinary 
homes)
Ano: 2019
Sinopse: o arquiteto Piers Taylor e a atriz Caroline Quentin rodam o mundo 
visitando residências que se destacam. Na primeira temporada, a dupla busca 
casas em 4 diferentes regiões: Montanha, Floresta, Litoral e Subterrâneo. Por 
outro lado, na segunda temporada, os episódios são nomeados pelos países 
em que as casas estão localizadas: Estados Unidos, Portugal, Suíça, Espanha, 
Índia, Noruega, Israel e Japão. | Disponível na Netflix.
Comentário: a série mostra uma infinidade de casas em diferentes lugares do 
mundo e em diferentes contextos.
FILME
As casas brasileiras mais inspiradoras de 2019
A publicação apresenta um compilado de projetos residenciais brasileiros que 
obtiveram destaque em 2019. São projetos de diferentes dimensões, programas 
e contextos culturais, espalhados por todo o Brasil. Vale a pena conhecer um 
pouco melhor os projetos arquitetônicos residenciais contemporâneos.
WEB
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/2837
193
ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 15575-1:2013. Edificações Habitacionais - Desempenho 
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https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/04.040/654
194
1. 
SETOR DE SERVIÇOS
SETOR SOCIAL
SETOR ÍNTIMO
 
2. Suíte casal, 2 quartos, banheiro social, escritório, lavabo, sala de estar e TV, sala de jantar, cozinha, lavan-
deria, espaço gourmet/churrasqueira. Pode-se acrescentar: piscina, sala de jogos, biblioteca etc.
3. 
195
196
PLANO DE ESTUDOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
• Reconhecer as especificidades do processo de projeto de 
edifícios verticais de acordo com o tipo de uso.
• Apresentar os principais elementos que compõe o pro-
jeto de um edifício vertical, o programa de necessidades 
de acordo com o uso e os requisitos de cada pavimento.
• Apresentar as normas e recomendações para o dimen-
sionamento e elaboração de escadas e elevadores em 
edifícios verticais.
• Expor as normas e recomendações para o dimensiona-
mento e elaboração das rotas de fuga e saídas de emer-
gência em edificações.
• Apresentar as normas e recomendações para o dimensio-
namento de consumo de água em edifícios e o dimensio-
namento de cisternas e reservatórios elevados.
Especificidades do Projeto 
de Edifícios Verticais
Programa de Necessidades 
e Pavimentos
Saídas de Emergência em 
Edifícios Verticais
Reservatórios de Água 
em Edifícios Verticais
Circulação Vertical: Escadas 
de Emergência e Elevadores
Me. Andréia Gonçalves
Projeto de 
Edifícios Verticais
Especificidades 
do Projeto de 
Edifícios Verticais
Um edifício vertical é aquele que possui vários 
pavimentos, normalmente acima de 2 já é con-
siderado vertical. Ele possui uma configuração 
comum de subsolo, térreo, pavimento tipo e co-
bertura. Essa estrutura pode variar de acordo com 
a tipologia do edifício, seu padrão ou de acordo 
com outros requisitos.
O pavimento tipo ou pavimento padrão ou planta 
tipo é o termo usado para um ou mais pavimen-
tos iguais e que se repetem em planta em um 
edifício. Um edifício pode ter um único pavimen-
to tipo que se repete ao longo de toda a torre ou 
2 ou mais pavimentos tipos que se repetem em 
sequência ou alternadamente.
Um edifício de uso misto (residencial e comer-
cial), por exemplo, poderá ter um pavimento tipo 
residencial, com apartamentos, e um pavimento 
tipo de uso comercial, com salas ou escritórios.
199UNIDADE 8
A tipologia de uso do edifício será fundamental na definição de seus 
requisitos, no programa de necessidades, definição de pavimentos, 
áreas comuns e privativas, estacionamentos, serviços, entre outros.
Os edifícios podem ser concebidos de formas diversas com re-
lação ao uso. Eles podem ser exclusivamente de uso residencial, 
e assim são chamados de edifícios multifamiliares, pois agregam 
diversas habitações. Podem ser predominantemente residenciais, 
com torre residencial e térreo, mezanino e/ou sobreloja comercial e 
prestação de serviços. Podem ser mistos, com torre parte comercial 
e parte residencial. Podem ser, também, exclusivamente comerciais 
ou, ainda, ter funções cultural, institucional, hospitalar, entre outros.
Figura 1 - Edifício Residencial WoZoCo, Amsterdã Figura 2 - Edifício comercial Gherkin 
building (30 St Mary Axe), Londres
200 Projeto de Edifícios Verticais
Figura 3 - Edifício de uso institucional/cultural - Praça das Artes, São Paulo
Nesta unidade, daremos ênfase aos edifícios de 
tipologia residencial e comercial, por se tratarem 
das tipologias mais comuns.
Arranha-céu é o nome dado a um edifício muito 
alto, de diversos pavimentos.
O termo foi usado, primeiramente, para definir 
os edifícios construídos em Chicago, com cerca 
de dez andares. Nos dias atuais, os arranha-céus 
já possuem mais de cem pavimentos.
O que possibilitou a expansão dos edifícios ar-
ranha-céus foi o desenvolvimento da tecnologia, 
do aço principalmente, sendo possível construir 
edifícios cada vez mais altos. Outro elemento 
fundamental foi o elevador.
São exemplos atuais de arranha-céus os edifí-
cios Burj Khalifa, em Dubai, Emirados Árabes; 
Shanghai Tower, em Xangai, China; Lotte World 
Tower, em Seul, Coreia do Sul; Empire State Buil-
ding, em Nova York, EUA, este aliás foi o edifício 
mais alto do mundo por muitos anos. No Brasil, o 
arranha-céu mais alto atualmente é o Millennium 
Palace, em Balneário Camboriú, Santa Catarina. 
O edifício localizado na orla marítima tem 177 
metrose 46 andares.
Figura 4 - Empire State Building, Nova York
201UNIDADE 8
Programa de 
Necessidades 
e Pavimentos
Um edifício residencial terá um programa de ne-
cessidades voltado, exclusivamente, a este uso, as-
sim, ele também terá um público mais restrito, ou 
seja, circularão pelo edifício predominantemente 
os moradores, no dia a dia e, esporadicamente, 
outros usuários previamente autorizados.
202 Projeto de Edifícios Verticais
Assim, o edifício residencial terá funções claras a abrigar:
A forma como essas funções vão ser implantadas dependerá da proposta arquitetônica do projetista.
• Habitações: apartamentos. Pode haver 
apenas um tipo de apartamento padrão 
ou vários.
• Vagas de estacionamento: o número de va-
gas pode variar de acordo com a legislação 
de cada município, o padrão da edificação 
e sua proposta arquitetônica.
• Áreas de lazer e recreação comuns: este 
espaço agrega salão de festas, playground, 
áreas gourmets, churrasqueiras, piscina, 
academia ou sala de ginástica, home offi-
ce, brinquedoteca etc. As áreas comuns são 
as mais variáveis em um edifício residen-
cial; de acordo com o padrão e a proposta 
arquitetônica, o edifício pode apresentar 
somente a área mínima exigida pela legis-
lação ou possuir diversos outros ambien-
tes, visando atrair um público específico.
• Acesso: entrada de pedestres e veículos, 
portaria/guarita, hall de acesso, elevadores 
e escadas, corredores de circulação.
• Serviços: central de gás, armazenamento 
de resíduos, zeladoria, reservatórios de 
abastecimento de água (cisterna e reser-
vatório elevado), casa de máquinas etc.
Na Figura 5, o pavimento tipo possui 3 tipologias de apartamento diferentes. A circulação horizontal 
(corredores) e a circulação vertical (escadas e elevadores) ficam concentradas na parte central do 
edifício. Essa solução é bastante comum, pois minimiza as dimensões das circulações horizontais e 
privilegia que as fachadas do edifício sejam ocupadas pelas unidades habitacionais, que necessitam de 
maior índice de iluminação e ventilação natural, ao contrário dos corredores, além do projetista poder 
tirar partido das vistas do entorno.
Figura 5 - Exemplo de planta baixa do pavimento tipo
203UNIDADE 8
O Edifício Maxhaus Campo 
Belo (Figura 6), localizado na 
cidade de São Paulo, trata-se 
de um prédio residencial com 
apartamentos de 70 m2 e planta 
livre, ou seja, há divisões com 
paredes apenas no banheiro, o 
restante do espaço é integrado. 
Isso permite a organização de 
diferentes layouts internos, de 
acordo com as necessidades dos 
moradores.
As áreas comuns do edifício, 
normalmente, são locadas no 
térreo (Figura 7), pois facilitam 
o acesso do público externo e 
garantem mais privacidade aos 
Figura 6 - Pavimento tipo do Edifício Maxhaus Campo Belo
Fonte: adaptada de Sayech (2014).
apartamentos, ficando estes isolados da circulação de usuários estranhos. No entanto, o projetista pode 
optar por inserir as áreas comuns no pavimento de cobertura do edifício, nesse caso, recomenda-se 
que haja um acesso direto para esta área, evitando que os usuários externos circulem nos pavimentos 
tipo, junto aos apartamentos.
2,
5
0
AA
TÉ
RR
EO
Figura 7 - Pavimento térreo do Edifício Maxhaus Campo Belo
Fonte: adaptada de Sayech (2014).
Os estacionamentos, por sua 
vez, podem ser resolvidos no 
pavimento térreo, com acesso 
em nível para a via pública, ou 
no subsolo, casos mais comuns. 
Também existem soluções em 
que os estacionamentos são 
locados na sobreloja ou par-
cialmente no térreo e parte no 
subsolo. De acordo com a ne-
cessidade de vagas, pode haver 
vários pavimentos de garagem.
204 Projeto de Edifícios Verticais
As áreas de serviço são áreas mais restritas, normalmente locadas no térreo ou subsolo. Estas devem 
garantir mais privacidade, sendo acessadas somente por funcionários. Áreas como central de gases e 
armazenamento de resíduos devem ter acesso fácil e independente para a via pública, possibilitando 
o acesso de serviço para abastecimento de gás, retirada dos resíduos, manutenção etc. Os reservató-
rios de água, porém, devem estar no térreo ou subsolo, de forma protegida, e na cobertura do edifício. 
Trataremos dos reservatórios em um tópico específico. O programa de necessidades dos apartamentos 
segue a mesma régua das edificações residenciais tratadas na Unidade 7.
O edifício de uso comercial terá algumas diferenças, principalmente com relação à quantidade e 
tipo de usuários. Enquanto o edifício de uso residencial possuirá um público usuário mais restrito, o 
comercial poderá receber usuários diversos e em quantidades muito maiores, que podem variar de 
acordo com o tipo de atividade que abrigar. Em um edifício de salas comerciais, por exemplo, elas 
podem ser locadas para lojas de diversos segmentos, escritórios de contabilidade, advocacia, consul-
tórios médicos e odontológicos, call centers e profissionais liberais de modo geral. Assim, seu público 
será bastante variado.
O programa de necessidades de um edifício comercial pode ser mais ou menos restrito de acordo 
com a proposta arquitetônica. Um modelo comum é área de estacionamento, acesso, setores de ser-
viço e espaços comerciais (salas). Ao contrário dos edifícios residenciais, os comerciais não precisam, 
necessariamente, de espaços comuns de lazer, no entanto, isso pode ser um diferencial.
Os edifícios comerciais podem ser bastante distintos de acordo com o tipo de serviços que se preten-
dem abrigar. Os mais simples, normalmente, possuem no pavimento térreo o acesso e salas comerciais 
voltadas para a via pública, estacionamento, que pode ser resolvido no térreo, subsolo ou sobreloja, 
como no caso dos residenciais, e pavimentos tipo com salas, normalmente de tamanho padrão para 
abrigar serviços diversos. Essas salas devem ser flexíveis e obter o maior espaço livre para acomodar 
funções diversas e serem adaptadas internamente para tal. Recomenda-se que cada sala tenha banheiro 
privativo; isso irá depender de cada legislação, no entanto, recomenda-se que, ao menos por pavimento, 
haja um bloco de sanitários.
Figura 8 - Garagem de edifício
205UNIDADE 8
Figura 9 - Pavimento tipo edifício comercial
Fonte: a autora.
SALA 02
SALA 01
SALA 04
SALA 03
É importante que você entenda a diferença entre área computável e não computável.
A área construída é a considerada no cálculo do coeficiente de aproveitamento e a área não compu-
tável é a construída que não é considerada no cálculo do coeficiente de aproveitamento.
Fonte: adaptado de Prefeitura Municipal de Maringá (2011).
Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use 
seu leitor de QR Code.
206 Projeto de Edifícios Verticais
Circulação Vertical: 
Escadas de Emergência 
e Elevadores
Como dito anteriormente, os elevadores de pas-
sageiros foram uma invenção fundamental para 
o projeto e construção de edifícios cada vez mais 
altos. Eles garantem o deslocamento de forma 
mais rápida e sem desgaste físico ao longo dos 
pavimentos. Sem eles, seria impossível que as 
pessoas se deslocassem em edifícios com muitos 
pavimentos. Hoje, de modo geral, as legislações 
permitem a construção de edifícios verticais de, 
em média, 4 pavimentos sem o uso de elevadores, 
acima disso, eles se tornam obrigatórios.
207UNIDADE 8
Os elevadores são considerados elementos de 
deslocamento eficientemente seguros, para tanto, 
necessitam de correta execução e manutenção.
No que tange o projeto arquitetônico, o proje-
tista deve prever o espaço que será ocupado pelo 
elevador, assim como a forma de acesso a este. 
No plano horizontal, o projetista deve prever o 
espaço para locar o elevador; esse espaço depen-
derá da capacidade do elevador. Um elevador 
para deslocar mais pessoas, será maior e ocupará 
mais espaço. Também deve estar atento ao hall 
ou circulação de acesso ao elevador, garantindo 
a entrada e saída dos usuários. No plano verti-
cal, tem-se o fosso do elevador, espaço ocupado 
para fazer o deslocamento vertical. O fosso,ao 
contrário do que vemos em um edifício quando 
nos deslocamos nos elevadores, não ocupa ape-
nas o espaço dos pavimentos: para que o sistema 
do elevador funcione, ele precisa que o fosso se 
prolongue abaixo do primeiro pavimento servido 
pelo elevador, que pode ser o térreo ou o subsolo, 
e um espaço acima do último pavimento servido, 
espaço chamado de casa de máquinas, área onde é 
feita a manutenção técnica do elevador. A Figura 
10 ilustra o fosso de elevador em corte.
Casa de
máquinas
3º pavto
2º pavto
1º pavtoFosso do
elevador
Térreo
Figura 10 - Fosso do elevador (corte)
Fonte: a autora.
O elevador, apesar de seguro, não é considerado como saída de emergência de um edifício. Em caso 
de emergência, o usuário deve utilizar as escadas para sair da edificação em segurança, são as chama-
das escadas de emergência. De acordo com o tipo de edifício, seu uso e risco a incêndios, é necessário 
um tipo específico de escada. A NBR 9077 (ABNT, 2001) estabelece critérios e os tipos de escada a ser 
implantada nos edifícios de acordo com suas características.
• Escada não enclausurada - Escada comum: é uma escada simples e não possui separação ou 
barreira que a isole da circulação comum do edifício, ou seja, é uma escada aberta.
• Escada enclausurada protegida: é uma escada separada fisicamente da circulação comum do 
edifício, sendo fechada por meio de uma porta resistente ao fogo, que seja resistente por 30 
minutos. A porta deve abrir sempre no sentido da rota de fuga. A NBR 9077 (ABNT, 2001) 
estabelece, ainda, que a caixa da escada deve ser isolada por paredes resistentes a, no mínimo, 2 
horas de fogo. Em todos os pavimentos, devem existir janelas abrindo para o espaço livre exterior.
208 Projeto de Edifícios Verticais
• Escada enclausurada à prova de fumaça: este é o tipo mais restrito de escada: além de ser iso-
lada da circulação comum do edifício e conter porta corta fogo, ela também deve possuir uma 
antecâmara e dutos de ventilação.
Figura 11 - Escada enclausurada protegida
Fonte: ABNT (2001, p. 13).
Figura 12 - Exemplo de escada enclausurada protegida
Apartamento ou escritório
PRF
209UNIDADE 8
As escadas devem ter suas caixas enclausuradas por paredes resis-
tentes a 4 horas de fogo e seu ingresso deve ser feito por meio de 
antecâmaras ventiladas, terraços ou balcões. As provas devem ter 
portas estanques à fumaça e resistentes a 30 minutos de fogo em sua 
comunicação com a antecâmara. Estas, por sua vez, devem possuir 
porta corta-fogo na entrada. As antecâmaras devem ser ventiladas 
por dutos de entrada e saída de ar (ABNT, 2001).
ESCADA
ANTE
CÂMARA
Figura 13 - Exemplo de escada enclausurada à prova de fumaça
Fonte: ABNT (2001, p. 15).
Caso haja elevador de emergência no edifício, este deve abrir para 
a antecâmara.
210 Projeto de Edifícios Verticais
Os edifícios de uso coletivo ou público devem ter 
atenção especial às saídas de emergência e rotas de 
fuga, para garantir segurança aos seus usuários em 
caso de situações de incêndio. Além de garantir 
as rotas de fuga em situações críticas, as saídas 
de emergência também garantem acessibilidade 
ao edifício.
É determinada saída de emergência o
 “
Caminho contínuo, devidamente protegi-
do, proporcionado por portas, corredores, 
halls, passagens externas, balcões, vestíbulos, 
escadas, rampas ou outros dispositivos de 
saída ou combinações destes, a ser percor-
rido pelo usuário, em caso de um incêndio, 
de qualquer ponto da edificação até atingir 
a via pública ou espaço aberto, protegido do 
incêndio, em comunicação com o logradou-
ro (ABNT, 2001, p. 4).
Saídas de Emergência 
em Edifícios Verticais
211UNIDADE 8
As dimensões das saídas de emergência de um edifício são calculadas de acordo com a população que 
irá ocupar a edificação. A população, por sua vez, é estimada em função do uso da edificação.
Os acessos devem ser dimensionados em função dos pavimentos que servirem à população, e as 
escadas, rampas e descargas em função do pavimento com maior população. Assim, a largura das 
saídas é dada pela fórmula: 
N =
 p
c
Sendo,
N = número de unidades de passagem, arredondado
para número inteiro
p = população*
c = capacidade da unidade de passagem**
* Os valores de referência são apresentados na NBR 9077 (ABNT, 2001).
** Uma unidade de passagem corresponde a 55 cm.
Qual será a largura do corredor de circulação no pavimento tipo de um 
edifício residencial com 4 apartamentos de 3 quartos?
De acordo com os parâmetros da NBR 9077/2001 (ABNT, 2001), a 
edificação é classificada como de Tipo A2, considera-se duas pessoas 
por dormitório, assim a população do pavimento tipo é igual a popula-
ção de cada apartamento, multiplicada pelo número de apartamentos, 
assim, neste caso, temos: 6 pessoas por apto x 4 aptos = 24 pessoas por 
pavimento tipo.
Para dimensionarmos a largura da circulação, aplicamos a fórmula. 
A capacidade da unidade de passagem também é dada pela NBR 9077 
(ABNT, 2001). Neste caso, para acessos, a circulação é de 60.
N =
 p
c
N =
N = 0,4
 24
60
O número de passagens deve ser arredondado para número inteiro, 
assim 0,4 corresponde a 1 unidade de passagem. Se cada unidade de 
passagem corresponde a 55 cm, nesta edificação o corredor de acesso 
teria, no mínimo, 55 cm de largura.
1 EXEMPLO
No entanto, independentemente dos valores encontrados usando a fórmula, devem ser respeitadas as 
larguras mínimas estabelecidas pela NBR 9077 (ABNT, 2001), ou seja, as saídas de emergência não 
devem ter largura mínima inferior a 1,10 m para ocupações em geral e 2,20 m para edificações hos-
212 Projeto de Edifícios Verticais
pitalares, para permitir a passa-
gem de macas. Essas dimensões 
devem ser livres de qualquer in-
terferência, como pilares, mobi-
liário ou outros elementos que 
possam comprometer o livre 
escoamento dos usuários.
Os acessos devem permitir 
o escoamento dos usuários da 
edificação, manter-se sempre 
desobstruídos, iluminados e 
sinalizados com indicação da 
saída.
As portas localizadas nas 
rotas de fuga devem abrir no 
sentido da rota de fuga, pois 
isso garante que o fluxo de saída 
seja mantido em uma situação 
de emergência.
Todos os requisitos estabe-
lecidos para as saídas de emer-
gência pela NBR 9077 (ABNT, 
2001) são dados em função das 
características construtivas e de 
ocupação da edificação.
Além da NBR 9077 (ABNT, 
2001), o projetista deve estar 
atento a outras legislações re-
gionais que estabeleça outros 
critérios de acordo com o lo-
cal onde a obra será inserida, 
como o Código de Bombeiros 
estadual, o código de obras mu-
nicipais, decretos, entre outros.
213UNIDADE 8
Neste tópico, trataremos do pré-dimensiona-
mento do volume dos reservatórios em uma 
edificação, pois estes elementos irão interferir 
no projeto arquitetônico e na volumetria final 
da edificação. No entanto, o dimensionamento 
do sistema de instalações hidráulicas não será 
tratado neste livro.
Em edifícios verticais, no sistema indireto por 
gravidade, existe um reservatório inferior (cister-
na) e um superior, que recebe a água bombeada 
do inferior e distribui aos aparelhos (MACYN-
TIRE, 1990).
Reservatórios de Água 
em Edifícios Verticais
214 Projeto de Edifícios Verticais
A NBR 5626 (ABNT, 1998) estabelece parâmetros para os reserva-
tórios de água potável. Assim, eles devem manter o padrão de pota-
bilidade, não transmitindo gosto, cor, odor ou toxicidade à água nem 
promovendo o crescimento de micro-organismos. Desta forma, o 
reservatório deve ser um recipiente estanque, cuja vedação deve 
impedir a entrada de líquidos, poeiras, insetos e outros animais no 
seu interior. Da mesma forma, o reservatório deve ser construído de 
maneira que permita de modo facilitado a sua inspeção e limpeza.
O volume de água reservado para uso doméstico deve ser, no 
mínimo, o necessário para 24h de consumo do edifício; a este deve 
ser acrescido o volume de água para combate a incêndio. No caso 
de residência de pequeno tamanho, recomenda-se que a reserva 
mínima sejade 500 litros (ABNT, 1998).
“Reservatório inferior: reservatório intercalado entre o alimenta-
dor predial e a instalação elevatória, destinado a reservar água e 
funcionar como poço de sucção da instalação elevatória.
Reservatório superior: reservatório ligado ao alimentador predial 
ou à tubulação de recalque, destinado a alimentar a rede predial 
de distribuição.”
Fonte: ABNT (1998, p. 5).
Consumo diário é o valor médio de água consumida em um pe-
ríodo de 24 horas em decorrência de todos os usos do edifício.
Fonte: adaptado de Creder (2006).
Os reservatórios de maior ca-
pacidade devem ser divididos 
em dois ou mais compartimen-
tos para permitir operações de 
manutenção sem que haja inter-
rupção na distribuição de água 
(ABNT, 1998). Recomenda-se 
que reservatórios com volume 
superior a 4.000 litros sejam di-
vididos em dois compartimen-
tos (MACYNTIRE, 1990). São 
liberadas desta exigência as re-
sidências unifamiliares isoladas.
O dimensionamento dos re-
servatórios de água é feito em 
função do consumo da edifica-
ção, que, por sua vez, é resulta-
do da ocupação do edifício. A 
reserva total dos reservatórios 
não deve ser inferior ao consu-
mo diário da edificação, porém 
recomenda-se que não ultra-
passe a três vezes o consumo 
(ABNT, 1998).
A literatura traz alguns va-
lores de referência para a deter-
minação da população da edifi-
cação e do consumo de água. O 
Quadro 1 apresenta os referen-
ciais com relação à ocupação.
215UNIDADE 8
Quadro 1 - Estimativa de população por tipo de ocupação
Local Taxa de Ocupação
Residências Duas pessoas por dormitório
Bancos Uma pessoa por 5 m2 de área
Escritórios Uma pessoa por 6 m2 de área
Lojas Uma pessoa por 5 m2 de área
Museus e bibliotecas Uma pessoa por 5,50 m2 de área
Restaurantes Uma pessoa por 1,50 m2 de área
Sala de operação - Hospital Oito pessoas
Teatros, cinemas e auditórios Uma cadeira para cada 0,70 m2 de área
Fonte: adaptado de Macyntire (1990) e Creder (2006).
Os autores apresentam, ainda, valores de referência de consumo diário de acordo com o uso de cada 
edificação.
Tabela 1 - Consumo médio diário por tipo de uso
PRÉDIO CONSUMO (LITROS)
Alojamentos provisó-
rios 80 per capita
Casas populares ou 
rurais 120 a 150 per capita
Residências 150 per capita
Apartamentos 200 a 250 per capita
Hoteis 120 per capita
Hospitais 250 por leito
PRÉDIO CONSUMO (LITROS)
Escolas 50 per capita
Edifícios públicos e co-
merciais 50 per capita
Escritórios 50 per capita
Cinemas e teatros 2 por lugar
Templos 2 por lugar
Mercados 5 por m2 de área
Fonte: adaptada de Macyntire (1990) e Creder (2006).
As concessionárias que prestam os serviços de abastecimento de água costumam ter seus parâmetros 
de consumo próprios; assim, o projetista deve sempre consultar esses dados junto à concessionária 
que atende a região onde o projeto será implantado.
216 Projeto de Edifícios Verticais
A Tabela 2 compara os valores de referência utilizados pela Sanepar – Companhia de abastecimento 
do Paraná – e a Sabesp – Companhia de abastecimento de São Paulo.
Tabela 2 - Valores referência para consumo diário de água
IMÓVEL
CONSUMO DIÁRIO
SANEPAR SABESP
Residência padrão popular 100 l/hab. -
Residência padrão médio 150 l/hab. 70 a 120 per capita
Residência padrão alto 250 l/hab. 120 a 210 per capita
Escolas (externatos) 50 l/per capita 35 a 55 per capita
Quarteis 150 l/per capita 70 a 120 per capita
Creches 50 l/per capita 40 a 50 per capita
Edifícios públicos/comerciais 80 l/per capita 30 a 50 per capita
Supermercados l/ m2 de área 3 a 5 por m2 de área
Restaurantes 25 l/refeição 15 a 40 por pessoa
Escritórios 50 l/per capita 30 a 50 per capita
Lavanderias 30 l/kg roupa seca 30 por kg de roupa
Lava car 300 l/veículo 200 a 250 por veículo
Asilos 150 l/per capita 70 a 120 per capita
Igrejas/templos 2 l/assento 0,5 a 1 por lugar
Jardins(rega) 1,5 l/m2 1,0 a 2,0 por m2
Fonte: adaptada de SANEPAR (2010) e SABESP (2017).
Os reservatórios devem ter capacidade para armazenar o volume para dois dias de consumo. Creder 
(2006) recomenda que 3/5 do volume seja armazenado no reservatório inferior e 2/5 no superior. 
Deve-se prever, ainda, a reserva de incêndio: o autor recomenda que ela seja equivalente de 15 a 20% 
do consumo diário. Deve-se consultar, também, o Código do Corpo de Bombeiros local para verificar 
qual o percentual exigido para a reserva de incêndio.
Em um edifício de apartamentos com 10 pavimentos, com 4 aparta-
mentos cada pavimento tipo, tendo cada apartamento 3 quartos, qual 
o volume de água a ser armazenada e qual será a capacidade de cada 
reservatório?
1 EXEMPLO
217UNIDADE 8
Cada apartamento – 6 pessoas
Cada pavimento – 24 pessoas
População total do prédio – 240 pessoas
Se considerarmos a Tabela 1, o consumo diário per capita será de 200 
litros por pessoa
Consumo diário: 200 x 240 = 48.000 litros
Reserva de incêndio: 20% = 9.600 litros
Consumo total diário: 57.600
Reserva para 2 dias: 115.200 litros
Capacidade do reservatório inferior: 3/5 = 69.120 litros
Capacidade do reservatório superior: 2/5 = 46.080 litros
Como ambos os reservatórios possuem volume maior que 4.000 litros, 
recomenda-se que o volume seja dividido em duas células.
Reservatório inferior:
Célula 1: 34.560 litros
Célula 2: 34.560 litros
Reservatório superior:
Célula 1: 23.040 litros
Célula 2: 23.040 litros
Reservatórios no projeto arquitetônico:
Normalmente, recomenda-se que, em edifícios verticais, o reservatório 
elevado seja disposto acima da caixa de escadas, utilizando, assim, sua 
estrutura.
As Figuras 14 e 15 ilustram o projeto arquitetônico dos reservatórios.
C1 C2
CASA DE BOMBAS
Figura 14 - Planta do reservatório inferior
Fonte: a autora.
Figura 15 - Planta do reservatório superior
Fonte: a autora.
CÉLULA 01
CÉLULA 02
218 Projeto de Edifícios Verticais
Nesta unidade, você pôde conhecer um pouco melhor as particu-
laridades e a infinidade de parâmetros aos quais o engenheiro civil 
deve estar atento ao desenvolver o projeto de um edifício vertical. 
Lembre-se sempre de conhecer as normativas de âmbito nacional, 
como as normas da ABNT, mas também as normas e legislações 
do seu estado e município ou do local onde a obra será implantada. 
“Barrilete: tubulação que se origina no reservatório e da qual de-
rivam as colunas de distribuição, quando o tipo de abastecimento 
é indireto.”
Fonte: ABNT (1998, p. 4).
219
1. Calcule o volume de água a ser armazenado e a capacidade de cada reservatório 
(inferior e superior) para um edifício de apartamentos com 4 pavimentos, com 
6 apartamentos cada pavimento tipo, tendo cada apartamento 3 quartos. 
2. Calcule a largura de uma escada de emergência para um edifício comercial 
com população, no pavimento mais populoso, de 200 pessoas. Capacidade de 
unidades de passagem para escadas: 60 – segundo a NBR 9077 (ABNT, 2001). 
3. Faça uma proposta em croqui para um pavimento tipo de um edifício residencial 
com 4 apartamentos. Não é necessário fazer a divisão interna dos apartamen-
tos. O croqui deve conter a disposição dos apartamentos, circulação, escada e 
elevador.
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.
220
Edifícios Comerciais e Espaços Corporativos
Autor: Jackie Carol
Editora: J. J. Carol
Sinopse: o livro traz projetos de edifícios e ambientes de trabalho em acordo 
com diferentes demandas operacionais, mas sempre valorizando eficiência 
energética, bem-estar e produtividade. As propostas são assinadas por arqui-
tetos reconhecidos e com décadas de experiência à frente de projetos que se 
destacam por oferecer soluções capazes de conciliar técnica, funcionalidade e 
estética.
Comentário: o livro é rico em detalhes, apresentando o projeto de forma ilus-
trativa, por meio de perspectivas, plantas e detalhes construtivos.
LIVRO
Os 10 edifícios mais altos do mundo jamais concluídos
O artigo apresenta dez projetos de edifícios verticais dentre os mais altos do 
mundo que não foram construídos. A lista conta com projetos mirabolantes ao 
redor detodo o mundo.
WEB
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/2838
221
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 5626:1998. Instalação predial de água fria. Rio de 
Janeiro: ABNT, 1998.
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9077:2001. Saídas de emergência em edifícios. Rio de 
Janeiro: ABNT, 2001.
CREDER, H. Instalações hidráulicas e sanitárias. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2006.
MACYNTIRE, A. J. Manual de instalações hidráulicas e sanitárias. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1990.
PREFEITURA MUNICIPAL DE MARINGÁ. Lei Complementar Nº 888. Dispõe sobre o uso e ocupação do 
solo no Município de Maringá e dá outras providências. Maringá, 2011.
SABESP. Norma Técnica Sabesp NTS 181: Dimensionamento do ramal predial de água, cavalete e hidrômetro 
– Primeira ligação. Revisão 4. São Paulo, nov. 2017. Disponível em: https://www3.sabesp.com.br/normastecnicas/
nts/NTS181.pdf. Acesso em: 15 jun. 2020.
SANEPAR. Tabela de Consumos Potenciais. 2010. Disponível em: http://site.sanepar.com.br/sites/site.sanepar.
com.br/files/informacoes-tecnicas/projeto-hidrossanitario/tabela_consumos_potenciais_2010.pdf. Acesso em: 
17 fev. 2020.
SAYECH, S. Edifício Maxhaus Campo Belo. Revista Arquitetura e Urbanismo. Ano 29, n. 240, mar. 2014.
http://site.sanepar.com.br/sites/site.sanepar.com.br/files/informacoes-tecnicas/projeto-hidrossanitario/tabela_consumos_potenciais_2010.pdf
222
1. Cada apartamento – 6 pessoas
Cada pavimento – 36 pessoas x 4 pavtos
População total do prédio – 144 pessoas
Consumo diário per capita será de 200 litros por pessoa
Consumo diário: 200 x 144 = 28.800 litros
Reserva de incêndio: 20% = 5.760 litros
Consumo total diário: 33.760
Reserva para 2 dias: 67.520 litros
Capacidade do reservatório inferior: 3/5 = 40.512 litros
Capacidade do reservatório superior: 2/5 = 27.008 litros
2. 
N = Pc
N = 3,33 
N = 20060
A escada deve ter 3,3 unidades de passagem, o que deve ser arredondado para número inteiro, logo, 4 
unidades. Como cada unidade de passagem equivale a 0,55 m, a escada terá largura igual a 2,20 m.
223
3. Proposta 1
APTO 3
APTO 4
APTO 1
APTO 2
 
Proposta 2
APTO 3
APTO 4
APTO 1
APTO 2
 
224
225
226
PLANO DE ESTUDOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Me. Andréia Gonçalves
• Apresentar os principais conceitos de sustentabilidade e 
ecoeficiência e sua aplicação no projeto de edificações.
• Apresentar os princípios de uma edificação ecoeficiente.
• Descrever estratégias de projeto para melhor aproveita-
mento da iluminação e ventilação natural na edificação.
• Apresentar materiais e sistemas aplicáveis a projetos que 
podem ampliar a eficiência energética das edificações.
• Apresentar estudo de caso de edificações ecoeficientes 
e suas características.
Conceitos de 
sustentabilidade e 
ecoeficiência em edificações
Princípios de uma 
edificação ecoeficiente
Sistemas alternativos 
de ecoeficiência
Estudo de Caso: 
edificações ecoeficientes
Estratégias de ecoeficiência: 
iluminação e ventilação
Ecoeficiência 
nas Edificações
Conceitos de 
Sustentabilidade e 
Ecoeficiência em Edificações
A sustentabilidade tem sido uma questão muito 
discutida nos últimos anos. Com o aumento da 
população urbana e dos resíduos sólidos gerados, 
ela tem se tornado cada vez mais necessária. A 
construção civil está entre os setores que mais 
gera resíduos e consome energia, assim, falar de 
sustentabilidade no projeto e na construção e 
pensar materiais e tecnologias que se adequem 
melhor aos aspectos ambientais têm sido um 
grande desafio.
A falta de conhecimentos sobre o impacto am-
biental produzido pela construção civil no meio 
ambiente tem formado profissionais com pouca 
consciência do problema e da importância do se-
tor para o meio ambiente global (GONÇALVES; 
BODE, 2015).
229UNIDADE 9
O termo sustentável implica equilíbrio com o 
entorno. O equilíbrio ecológico implica a disposi-
ção dos usuários em economizar e realizar ações 
para restaurar o sistema ambiental (HERNÁN-
DEZ-MINGUILLÓN; IRULEGI; ARANJUELO 
FERNÁNDEZ-MIRANDA, 2012).
O termo arquitetura sustentável surgiu nos 
anos 90 com o reconhecimento da construção 
como uma das principais degradações dos recur-
sos ambientais e, ao mesmo tempo, uma potencial 
fonte de renovação destes recursos (LAMBERTS; 
DUTRA; PEREIRA, 2014).
A descoberta de que a arquitetura que produzi-
mos atualmente – sua construção, as técnicas uti-
lizadas – não corresponde com as necessidades de 
equilíbrio ambiental gerou, nas últimas décadas, a 
discussão sobre as características que a arquitetura 
deve ter para ser considerada ecológica e susten-
tável (HERNÁNDEZ-MINGUILLÓN; IRULEGI; 
ARANJUELO FERNÁNDEZ-MIRANDA, 2012).
Os materiais que usamos para construir, refor-
mar e manter uma edificação causam impacto no 
meio ambiente, assim como a energia que é gasta 
para aquecimento, resfriamento, iluminação, fun-
cionamento de equipamentos e a quantidade de 
água utilizada ao longo de sua vida útil. Da mesma 
forma, a implantação da edificação interfere na 
movimentação de terra, nos deslocamentos das 
pessoas por automóveis, poluição das águas pelo 
escoamento sobre pavimentos, rodovias, telhados 
e irrigação de jardins. Desta forma, a construção 
verde visa minimizar esses impactos negativos 
(KRUGER, 2016). Entende-se 
 “
a construção verde como um conjunto 
de técnicas e práticas de projeto, constru-
ção e manutenção que minimizam o im-
pacto ambiental total de uma edificação 
(KRUGER, 2016, p. 3).
Um edifício sustentável deve ser pensado neste 
conceito em todas as suas fases, desde o projeto, 
passando pela construção até a sua demolição, 
sendo a sua exploração uma das fases cruciais. 
Em qualquer uma das fases, a sustentabilidade na 
construção deve considerar aspectos econômicos, 
energéticos e ambientais (ANTUNES, 2011). De 
acordo com o autor, as edificações devem ser ana-
lisadas como um sistema que consome recursos e 
emite resíduos, que, por sua vez, causam impactos 
ambientais. Isto é, as edificações são grandes con-
sumidoras de matérias-primas e recursos naturais, 
da mesma forma, os resíduos gerados provocam 
grandes impactos.
Segundo Lamberts, Dutra e Pereira (2014), um 
edifício se torna mais eficiente que outro quando 
garante as mesmas condições ambientais com me-
nor consumo de energia. A ecoeficiência é uma 
condição inerente à edificação, representando sua 
capacidade de proporcionar conforto térmico, 
visual e acústico com baixo consumo de energia.
No entanto, o conceito de construção ecoefi-
ciente não está associado somente à diminuição 
dos consumos energéticos nos edifícios, o concei-
to é mais abrangente e inclui as preocupações com 
a redução da exploração dos recursos naturais, da 
produção de resíduos, emissão de gases poluentes 
nocivos e conservação da biodiversidade (AN-
TUNES, 2011).
Edifícios verdes são aqueles responsáveis am-
bientalmente e que preservam a eficiência da uti-
lização dos recursos durante todo o seu ciclo de 
vida, ou seja, desde as fases de projeto, construção, 
operação, manutenção, reabilitação e demolição. Ele 
deve considerar as preocupações com economia, 
utilização, durabilidade e conforto. Assim, os edifí-
cios verdes são projetados para minimizar o impac-
to provocado pelo ambiente construído na saúde 
humana e ambiente natural, tendo três princípios: a
230 Ecoeficiência nas Edificações
 “
eficiência no uso da energia, água e outros 
recursos; o conforto e proteção da saúde 
dos ocupantes; a redução do desperdício, 
da poluição e da degradação ambiental 
(ANTUNES, 2011, p. 4).
Nesse sentido, as técnicas construtivas vernacu-
lares têm muito a nos ensinar. Dentre estes ensi-
namentos está o trato com as questões climáticas, 
tirando proveito das características desejáveis do 
clima e evitando as indesejáveis. Temos os exem-
plos das construções subterrâneas, para amenizar 
os extremos de temperatura e proteger as edifica-
ções dos ventos; construções abrigadas do sol nas 
encostas dos relevos; o sistema de aquecimento 
Romano,formado por túneis subterrâneos, em 
que uma fornalha aquecia o ar e este, os ambientes 
(LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 2014); e tantos 
outros exemplos.
As decisões de projeto influenciam diretamen-
te o desempenho da edificação, assim, o projetista 
deve adequar o projeto ao clima local utilizando 
estratégias, tais como o uso da iluminação na-
tural, resfriamento e aquecimento passivo dos 
ambientes, entre outros (LAMBERTS; DUTRA; 
PEREIRA, 2014).
231UNIDADE 9
Os edifícios ambientalmente sustentáveis estão 
inseridos em uma visão de mundo onde o con-
ceito de desenvolvimento humano contempla, de 
forma equilibrada, questões econômicas, ecológi-
cas, sociais, culturais e políticas, além dos valores 
econômicos (GONÇALVES; BODE, 2015).
De acordo com Venâncio (2010), em um futu-
ro próximo, morar em uma residência sustentável 
será status, uma edificação em que dimensões 
ou revestimentos são menos importantes que as 
qualidades sustentáveis, o que a torna diferenciada 
em relação às demais.
Como as pessoas passam a maior parte da 
vida em suas casas, locais de trabalho, entre ou-
tros edifícios, isso influencia o estabelecimento 
de padrões de conforto e eficiência energética dos 
edifícios (GONÇALVES; BODE, 2015).
Princípios de uma 
Edificação Ecoeficiente
232 Ecoeficiência nas Edificações
 “
O processo de projeto é marcado por dilemas que são apre-
sentados e pela escolha de critérios que precisam ser estabe-
lecidos, considerando os vários aspectos que embasarão a de-
cisão final, ou seja, o contexto mais amplo do projeto. Nesse 
sentido, aspectos econômicos, como custo de oportunidade, 
durabilidade, valor agregado em razão do design, relação custo/
benefício, etc., também são considerados como condicionantes 
importantes. Além dos aspectos práticos, diversos outros de 
natureza subjetiva estão presentes nessa escolha, mesmo que 
inconscientemente. Entre eles encontram-se valores estéticos, 
culturais, ideológicos, bem como valores filosóficos e éticos 
(GONÇALVES; BODE, 2015, p. 38).
Isso porque as edificações devem abrigar não somente no sentido das necessidades físico-ambientais, 
mas também no que se refere aos aspectos imaginários e simbólicos (GONÇALVES; BODE, 2015).
Segundo Gonçalves e Bode (2015), os indicadores de sustentabilidade em edificações se dividem 
em três áreas:
 1. Indicadores Ambientais e Ecológicos
Energia embutida nos materiais de construção.
Produção e tratamentos de dejetos.
Gerenciamento do uso da água e da energia.
Energia renovável.
Emissão de CO2.
Uso de produtos à base de biomassa.
Consumo de materiais tóxicos.
 2. Indicadores Econômicos
Custos de operação e manutenção.
Retorno do investimento.
Investimento em energia renovável.
 3. Indicadores Sociais
Geração de emprego.
Bem-estar da mão de obra envolvida.
Custo de degradação.
Tecnologia apropriada.
233UNIDADE 9
Isso nos mostra que, quando abordamos a sustentabilidade em um edifício ou projeto arquitetônico, 
não devemos levar em consideração apenas aspectos ambientais, mas também os impactos de âmbito 
social e econômico. As escolhas feitas no projeto arquitetônico podem gerar impactos nas três esferas.
No caso das questões ambientais, estas se apresentam com maior intensidade na etapa de estudo 
preliminar, em que o partido arquitetônico é concebido. Como destaca Gonçalves e Bode (2015, p. 43): 
 “
A definição do partido arquitetônico para um edifício ambiental depende do domínio de uma 
consistente base teórica que aborde as principais questões referentes ao controle exercido pela edifi-
cação sobre as diversas variáveis ambientais, minimizando seus efeitos negativos e potencializando 
os aspectos positivos.
No que se refere diretamente ao projeto arquitetônico, Kruger (2016) destaca oito princípios da cons-
trução verde que, segundo ele, sempre devem ser considerados nos projetos.
1. Eficiência Energética: redução da energia, 
por meio da redução no consumo e au-
mento da eficiência com a utilização de 
equipamentos apropriados e métodos de 
alta qualidade na construção.
2. Eficiência de recursos: reduzir a quanti-
dade total de material nas obras, reutilizar 
materiais; escolher materiais com menor 
impacto ambiental e uso de energia.
3. Durabilidade: utilizar materiais e métodos 
que exigem menor manutenção e que au-
mentem a vida útil.
4. Uso eficiente da água: reduzir a quanti-
dade de água usada por meio de maior 
eficácia e redução de situações de maior 
consumo.
5. Qualidade do ambiente interno: melho-
rar a saúde dos usuários controlando a 
umidade, materiais tóxicos e poluentes na 
edificação.
6. Impacto reduzido na comunidade: limitar 
os efeitos econômicos negativos na comu-
nidade local com desenvolvimento res-
ponsável, considerando como as técnicas 
e materiais escolhidos podem influenciar 
na comunidade global.
7. Educação e manutenção para o proprietá-
rio: educar os usuários para a manutenção 
periódica para garantir a eficiência, saúde 
e durabilidade.
8. Desenvolvimento local sustentável: evitar 
o desenvolvimento em áreas de proteção 
ambiental; fazer aproveitamento da luz na-
tural nos projetos; edificar em áreas com 
infraestrutura de transporte, minimizan-
do o uso do carro; gerenciar obras visando 
evitar o escoamento de sedimentos e reti-
rada da vegetação nativa; gerenciar água 
pluvial reduzindo o escoamento de con-
taminantes da obra para cursos hídricos.
É importante que o profissional projetista tenha os princípios de sustentabilidade e arquitetura bio-
climática em mente desde o início da concepção de projeto, eles devem fazer parte do processo de 
projeto desde o início. Assim, devem ser analisados fatores que serão fundamentais para a eficiência do 
edifício, como o local de implantação, o clima local, quem são os usuários e horários de uso, programa 
de necessidades e a função.
234 Ecoeficiência nas Edificações
No processo de projeto, medidas passivas de economia de energia podem ser implementadas, 
visando melhorar a distribuição de espaços, a forma e sistemas de construção do edifício. Segundo 
Antunes (2011), essas medidas se dividem em três grandes grupos, sendo que, quando pensadas de 
maneira conjunta, promovem a melhoria do conforto e redução do consumo energético nas edificações. 
O primeiro grupo de medidas corresponde ao desenho formal e funcional do edifício; o segundo 
corresponde à escolha dos materiais para sua execução, considerando sua produção e tradição de uso, a 
durabilidade e facilidade de manutenção e a facilidade de tratamento dos resíduos de demolição e sua 
reciclagem; por fim, o terceiro grupo corresponde aos elementos relacionados à arquitetura vernacular 
da região, relacionada ao clima e aos materiais locais.
Lamberts, Dutra e Pereira (2014) destacam que a forma do edifício, por exemplo, tem grande in-
fluência no conforto ambiental e consumo de energia, pois interfere nos fluxos de ar, na quantidade 
de luz e calor recebidos pela edificação, uma vez que a eficiência energética de um edifício não está 
relacionada apenas à eficiência dos sistemas e aparelhos que consomem energia, mas também à cons-
trução do envolvente exterior do edifício, a sua configuração e local de implantação (ANTUNES, 2011).
O modo como um edifício é construído também contribui para a sua sustentabilidade. A recicla-
gem dos detritos de demolição, assim como a utilização de procedimentos de construção limpos e 
organizados, por exemplo, pode contribuir para a redução da pegada ambiental (ANTUNES, 2011).
Para que uma edificação seja considerada efetivamente eficiente, ela deve atender diversos crité-
rios e princípios descritos, desde seu processo de concepção até seu uso e destinação final. Para tanto, 
existem os sistemas de certificação de ecoeficiência e sustentabilidade para edificações, com requisitos 
próprios. Dentre os principais estão:
• AQUA – Alta Qualidade Ambiental: certificação brasileira adaptada do sistema de certificação 
francês HQE.
Trata-se de um processo de gestão total do projeto, visando obter alta qualidade ambientalem empreendimentos novos. A certificação exige a implantação de um sistema de gestão do 
empreendimento (SGE) e o atendimento às 14 categorias de qualidade ambiental do empreen-
dimento (QAE). Podem solicitar a certificação edifícios habitacionais, de escritórios, de hospe-
dagem, bem-estar, lazer, eventos e cultura, escolas, hotéis, bairros e loteamentos.
• LEED – Leadership in Energy and Environmental Design: certificação criada pelo United States 
Green Building Council.
Trata-se de um sistema de certificação que avalia a sustentabilidade do projeto, construção e 
manutenção de edifícios. No Brasil, podem solicitar a certificação as novas construções e grandes 
reformas, edifícios existentes, interiores comerciais, sistemas básicos e envoltória, edifícios de 
saúde, escolas, comércio/lojas e bairros/loteamentos.
235UNIDADE 9
A correta adequação do projeto ao clima é um 
elemento fundamental para a produção de edi-
ficações com consumo de energia reduzido que 
promovam resultados ambientais e sociais be-
néficos para a sociedade sem, por isso, perder o 
conforto dos usuários (KRUGER, 2016).
 “
Em vez de se isolar do clima externo, o edi-
fício ambiental se benefica da relação com 
o meio exterior por meio dos espaços de 
transição, nos mais diferentes e difíceis con-
textos climáticos. Dessa forma, acesso ao sol, 
aproveitamento da luz natural, comunica-
ção visual entre interior e exterior e ar fresco 
são alguns dos parâmetros ambientais com 
o potencial de transcender os limites quan-
titativos do desempenho e dar qualidade e 
autenticidade à arquitetura (GONÇALVES; 
BODE, 2015, p. 20).
A economia de energia passa a ser uma conse-
quência do ambiente de boa qualidade, e não o 
contrário (GONÇALVES; BODE, 2015).
Estratégias de Ecoeficiência: 
Iluminação e Ventilação
236 Ecoeficiência nas Edificações
O conforto térmico contribui para o bem-estar, 
pois está associado ao equilíbrio termofisiológico 
do corpo humano. Assim, as condições de confor-
to variam de pessoa para pessoa, de acordo com 
suas experiências e preferências ambientais. Assim 
sendo, “avaliar o nível de conforto térmico é fun-
damental para o estabelecimento de padrões de 
desempenho ambiental e energético de edifícios” 
(GONÇALVES; BODE, 2015, p. 27).
Arquitetura ecológica é a arte de construir habita-
ções aproveitando, na luta contra o desconforto 
criado pelo meio, apenas os recursos imediatos 
propiciados pela própria natureza, sem alterar 
seu equilíbrio ecológico.
Fonte: adaptado de Costa (1982).
Uma melhoria significativa do conforto térmico do interior das edificações pode ser obtida de forma 
econômica, com o uso de técnicas construtivas simples e racionais, visando o melhor aproveitamento 
das condições naturais favoráveis para o condicionamento ambiental (COSTA, 1982).
Dentre as estratégias, o autor cita:
No verão
• Proteger a edificação contra a insolação.
• Amortecer as variações de temperatura externa usando 
materiais de grande capacidade calorífica.
• Ventilação para eliminação do calor interno, adotando 
entrada de ar na face sombreada, à sombra de árvores 
ou refrigerada pelo solo.
No inverno
• Aproveitamento da insolação.
• Amortecer as variações de temperatura externa usando 
materiais de grande capacidade calorífica.
• Isolamento do exterior protegendo o calor interno.
De acordo com Costa (1982), a principal causa de desconforto térmico nas edificações no verão é a 
insolação, fazendo recomendações quanto às características arquitetônicas. Para paredes, recomenda-
-se pintar de cores claras, sombreá-las com vegetação ou outra barreira solar; usar materiais isolantes, 
adotar paredes com grande capacidade calorífica. Segundo o autor, para superfícies transparentes, a 
melhor solução é o sombreamento com vegetação ou barreira solar (brise, marquise etc) verticais nas 
orientações leste e oeste, e horizontais no Norte. Para as coberturas, recomenda-se o uso de forro, telhas 
claras, isolantes térmicos e materiais de grande inércia térmica.
237UNIDADE 9
Além da forma do edifício, outros diversos 
elementos e componentes arquitetônicos podem 
ser usados para adaptar a edificação ao clima. A 
varanda, por exemplo, é uma estratégia muito 
utilizada em regiões de clima quente e úmido, 
pois permite o sombreamento e ventilação. Outro 
exemplo são as barreiras solares, como os brises 
e marquises. Estes elementos, além de desempe-
nharem um papel importante para os aspectos 
ambientais da edificação, também ajudam a com-
por a forma, a volumetria do edifício.
O arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, tra-
balhou muito bem essas questões, unindo estra-
tégias bioclimáticas com a volumetria do edifício. 
Veremos exemplos de seus projetos ainda nesta 
unidade.
O clima influencia diretamente na tipologia 
da edificação, assim a boa arquitetura 
 “
deve ser bioclimática e adequada aos demais 
aspectos ambientais, num plano de equilíbrio 
com os demais condicionantes socioeconô-
micos e também, urbanos do contexto do 
projeto (GONÇALVES; BODE, 2015, p. 46).
Outro fator fundamental para a adequação das 
edificações aos aspectos ambientais é a ventilação. 
Ela é o processo de renovação de ar de um am-
biente, tendo como função primordial o controle 
da pureza e o deslocamento do ar em ambientes 
fechados. Por meio da renovação do ar, a ventilação 
é capaz de controlar a temperatura e a umidade 
dos ambientes. A renovação do ar pode acontecer 
de forma espontânea ou por mecanismos artifi-
ciais - ventilação forçada (COSTA, 1982).
Segundo Lamberts, Dutra e Pereira (2014), para 
o Brasil, a ventilação é a estratégia bioclimática 
mais importante depois do sombreamento. A ven-
tilação nos ambientes é indissociável da implan-
tação e orientação da edificação. Assim, os ventos 
predominantes do verão podem ser aproveitados 
para resfriar os ambientes e os ventos do inverno 
podem ser evitados, se assim for necessário. No 
segundo caso, a vegetação é um bom elemento 
para ser usado como barreira.
A ventilação natural é obtida pela ação dos 
ventos ou pelas diferenças de temperatura. A ven-
tilação natural dada pela ação dos ventos pode ser 
intensificada por meio de aberturas na edificação 
dispostas de forma adequada. Portas e janelas 
implantadas em paredes opostas e no sentido 
dos ventos predominantes são uma forma de me-
lhorar a ventilação nos ambientes. A isso damos 
o nome de ventilação cruzada (COSTA, 1982).
A Figura 1 demonstra diferentes posicionamen-
tos das aberturas e a ação dos ventos no ambiente.
Figura 1 – Exemplos de ambientes com ventilação cruzada
Fonte: Lamberts, Dutra e Pereira (2014, p. 270).
238 Ecoeficiência nas Edificações
As diferenças de temperatura 
provocam variação de densi-
dade do ar na porção interna 
dos ambientes que, por efeito 
de tiragem, causam diferenças 
de pressão que se escalonam no 
sentido vertical. Esta ventilação 
pode ser intensificada com a in-
serção de aberturas em níveis 
diferentes. Um exemplo é a ado-
ção de aberturas nas cobertu-
ras, que, além de acrescerem na 
ventilação natural, auxiliam na 
eliminação do ar quente. Dessa 
forma, o ar quente que chega 
ao topo do ambiente é enviado 
para fora por meio de aberturas 
à medida que o ar fresco entra 
no edifício por aberturas na 
parte baixa (Figura 2). As aber-
turas superiores podem se dar 
Figura 2 – Ventilação vertical – efeito chaminé
Fonte: Lamberts, Dutra e Pereira (2014, p. 270).
por meio de lanternins, aberturas no telhado, exaustores eólicos ou aberturas zenitais. Estes elementos 
podem ser utilizados também para obter iluminação natural (COSTA, 1982; HERNÁNDEZ-MIN-
GUILLÓN; IRULEGI; ARANJUELO FERNÁNDEZ-MIRANDA, 2012; LAMBERTS; DUTRA; PE-
REIRA, 2014).
A altura do pé-direito e sua relação com a profundidade do ambiente são parâmetros que geram 
grande impacto no desempenho da ventilação natural. Pés-direito mais altos favorecem o conforto 
térmico nos ambientes, pois afastam a camada de ar quente da altura útil do espaço e também possi-
bilitam aberturas em diferentes alturasdas fachadas, incrementando o fluxo de renovação do ar por 
meio do efeito chaminé (GONÇALVES; BODE, 2015).
239UNIDADE 9
Quando se deseja eliminar o calor proveniente da insolação nas coberturas usando a ventilação 
natural, é necessário proteger o ambiente com forro; sobre ele é canalizado o ar que se desloca pelo 
aquecimento, arrastando o calor para fora. Para tanto, é necessário prever aberturas na parte de baixo 
da cobertura para a entrada de ar e aberturas na parte superior para a saída do ar (COSTA, 1982). No 
caso de ambientes grandes, em que o aquecimento é proveniente do próprio ambiente e não da inso-
lação, pode-se usar a solução dispensando o forro e adotando elementos como o shed e o lanternim.
A ventilação natural é um recurso importante no projeto arquitetônico para um melhor desempe-
nho ambiental dos edifícios, mas ela não funciona sozinha, ela deve ser associada ao sombreamento e 
iluminação. O sombreamento é uma estratégia complementar à ventilação, tendo como função reduzir 
os ganhos de calor solar nos ambientes internos, por exemplo. Uma série de soluções arquitetônicas 
podem ser adotadas para o sombreamento nos edifícios e até incrementar a ventilação, como a orien-
tação do elemento de sombreamento, o afastamento deste do plano da fachada, inserção de perfis 
aerodinâmicos, uso de estruturas perfuradas etc. (GONÇALVES; BODE, 2015).
Como no Brasil tanto o sombreamento quanto a ventilação são estratégias bioclimáticas importantes, 
uma boa solução é utilizar a vegetação para garantir o sombreamento e direcionar a ventilação. Neste 
caso, recomenda-se o uso de árvores de copas altas, pois são eficientes para promover sombra sem 
bloquear a ventilação, que atinge a edificação passando sob a copa das árvores, como ilustra a Figura 3.
VENTO
Figura 3 – Circulação do vento sob copas altas
Fonte: Lamberts, Dutra e Pereira (2014, p. 182).
Efeito chaminé é o nome dado ao fluxo de ar gerado por meio da inserção de aberturas em dife-
rentes níveis. Estas podem gerar um fluxo de ar ascendente retirando o ar mais quente através das 
aberturas superiores que podem ser lanternins, exaustores eólicos e aberturas zenitais.
Fonte: Projeteee ([2020], on-line)1.
http://projeteee.mma.gov.br/glossario/exaustor-de-ar/
http://projeteee.mma.gov.br/glossario/abertura-zenital/
240 Ecoeficiência nas Edificações
Segundo o Conselho Brasileiro de Construção 
Sustentável – CBCS (2014), o setor de edificações 
é o maior consumidor final de energia no mun-
do. No Brasil, esse setor é responsável por 48,5% 
do consumo de energia elétrica. Sendo assim, a 
eficiência de edificações tem grande relevância, 
sendo considerada como prioridade do setor.
O consumo de energia no setor do ambien-
te construído e da construção ocorre em quatro 
principais áreas (CBCS, 2014):
1. Na extração, fabricação, produção e trans-
porte de materiais de construção.
2. Na construção, energia no canteiro de 
obras.
3. Na operação de edificações e o ambiente 
urbano.
4. Na demolição e fim de vida.
Sistemas Alternativos 
de Ecoeficiência
241UNIDADE 9
Nas residências, o consumo energético sofre aumento devido ao crescimento da população, à redução de 
número de pessoas por domicílio e ao aumento no consumo energético de cada domicílio (CBCS, 2014).
Assim sendo, pensar em estratégias que minimizam o consumo, aumentem a eficiência dos sistemas 
e se utilize de novas tecnologias e sistemas para criar novas fontes geradores de energia para o setor 
das edificações é crucial. Também cabe ao projetista, no processo de projeto arquitetônico, estabelecer 
e definir as estratégias para maior eficiência energética das edificações.
O projeto arquitetônico deve buscar o uso de energias alternativas, visando o menor consumo de 
energia e maior sustentabilidade. Algumas opções são a forma eólica, fotovoltaica, biomassa e solar. 
A energia solar pode ser útil de diversas maneiras, por exemplo, o calor que adentra os ambientes por 
meio das aberturas do edifício; ou o aquecimento de forma indireta por meio do aquecimento dos 
elementos construtivos expostos ao sol; por meio dos painéis de aquecimento solar que aquece a água 
para consumo na edificação; a energia solar, por meio dos painéis fotovoltaicos, pode ser convertida 
em energia elétrica etc. (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 2014).
O projetista pode optar pela especificação de aparelhos e sistemas mais eficientes, como o sistema de 
iluminação em LED, sistemas de sensores e dimerizadores, sistemas com painéis fotovoltaicos, além de 
materiais que consumam menos energia em todo o seu ciclo, desde a sua produção até a destinação final.
Aquecimento Solar
O aproveitamento da energia solar para aque-
cimento já é utilizado há muitos anos. Nos dias 
atuais, usa-se o aquecimento solar para o aque-
cimento de água para consumo; aquecimento 
de piscinas; de habitações; secagem de produtos 
agrícolas; pré-aquecimento industrial; fusão de 
metais em forros etc. (COSTA, 1982).
O sistema de aquecimento solar de água, ape-
sar de oneroso para a instalação, apresenta cus-
to zero para o aquecimento, o que se torna uma 
grande vantagem. Segundo Lamberts, Dutra e 
Pereira (2014), o custo de instalação do sistema 
dá retorno em economia de energia em cerca de 
dois anos e meio de uso para famílias, podendo 
até ser recuperado em menos tempo em grandes 
edifícios, como os residenciais e hotéis.
O sistema é constituído de dois principais itens: 
o reservatório térmico, chamado de boiler, e o co-
letor solar, formado pelas placas de aquecimento 
solar (COSTA, 1982; LAMBERTS; DUTRA; PE-
REIRA, 2014). No que se refere ao projeto, as placas 
devem ser devidamente orientadas para garantir 
o funcionamento do sistema. No caso do Brasil, as 
placas devem ser orientadas para o norte geográ-
fico do local de implantação, com uma inclinação 
de dez graus a mais que a latitude da cidade, pois 
isso irá maximizar a exposição das placas ao sol do 
inverno (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 2014). 
Figura 4 - Placas solares para aquecimento de água
242 Ecoeficiência nas Edificações
Energia Solar
A energia solar pode também 
ser convertida em energia elé-
trica, por meio de painéis foto-
voltaicos, podendo esta energia 
ser utilizada como alternativa 
fornecida pela concessionária. 
A energia captada durante o 
dia pode ser armazenada em 
baterias para a utilização em 
lâmpadas eficientes durante a 
noite (Figura 5) (LAMBERTS; 
DUTRA; PEREIRA, 2014).
Corrente
alternada
CÉLULA SOLAR
DIAGRAMA DO SISTEMA 
Painel solar
Painel solar
Rede de serviço
Conversor
Quadro
elétrico
Medidor/
Relógio
Corrente contínua
Figura 5 – Sistema de captação de energia solar
O sistema de captação de energia solar tem sido cada vez mais difundido e utilizado na construção 
civil, em edificações residenciais e comerciais e também no espaço urbano. São exemplos o uso de 
painéis solares em bairros sustentáveis (Figura 6), a implantação de usinas solares em áreas urbanas e 
de elementos mais simples, como luminárias urbanas com placas fotovoltaicas adaptadas (Figura 7).
Figura 6 - Placas fotovoltaicas na cobertura das edificações 
no Bairro sustentável Vauban, Frieburg – Alemanha
Figura 7 - Luminária urbana com painel fotovoltaico solar
243UNIDADE 9
Reaproveitamento da Água Pluvial
O uso racional ou eficiente da água é entendido como um conjunto de ações que otimizam a operação 
do sistema predial de maneira que geram a redução da quantidade de água necessária para a realização 
das atividades mantendo os níveis de desempenho dos serviços.
 “
A conservação de água é definida como o conjunto de ações que, além de otimizar a operação do 
sistema predial de modo a reduzir a quantidade de água consumida, promovem a oferta de água pro-
duzida no próprio edifício, proveniente de fontes alternativas à água potável fornecida pelo sistema 
público (CBCS, 2014, p. 33).
A utilização de água de fontes alternativas visando 
o atendimento de demandas menos restritivas 
contribui para a redução do consumo de água 
potável, alémde permitir que as águas de melhor 
qualidade sejam utilizadas nas atividades mais 
nobres. Entre as possibilidades estão o aprovei-
tamento de águas pluviais, os poços artesianos e 
o reuso de águas cinzas (CBCS, 2014).
Segundo Bertolo (2006), dentre as princi-
pais vantagens do sistema de aproveitamento 
das águas pluviais estão a redução do consumo 
de água potável e do custo de fornecimento e a 
melhor distribuição da carga de água pluvial no 
sistema de drenagem urbana, o que auxilia no 
controle das cheias. Como desvantagem, tem-se o 
custo de instalação do sistema e a diminuição do 
volume de água recolhida em períodos de seca. O 
autor destaca a necessidade de fazer manutenções 
regulares no sistema, para evitar riscos sanitários.
O sistema é composto pelos seguintes elemen-
tos e etapas: superfície de recolhimento, elementos 
de condução, dispositivos de primeira lavagem, 
reservatório para armazenamento e tratamento.
A superfície de recolhimento nos sistemas do-
mésticos é o telhado da habitação. Assim, a quali-
dade da água recolhida no telhado irá depender 
dos materiais utilizados na sua construção, dos 
materiais que nele se depositam e da sua manu-
tenção. Os telhados podem ser constituídos de 
vários materiais, como telha de cimento ou argila, 
chapas de zinco/alumínio e de aço galvanizado, 
fibrocimento, chapas de policarbonatos ou de fi-
bra de vidro (BERTOLO, 2006).
A água da chuva que escoa sobre o telhado é 
recolhida nas calhas e conduzida por meio dos tu-
bos de queda ao reservatório de armazenamento. 
As calhas recolhem, além da água, os sedimentos, 
as fezes de animais, folhas e detritos. Assim, reco-
menda-se que a primeira chuva seja descartada, 
pois admite-se que ela lava a superfície do telha-
do, a qual pode conter grandes quantidades de 
pó acumulado e outros detritos, como descrito 
(BERTOLO, 2006).
Outro componente do sistema é o reservató-
rio de armazenamento da água da chuva, sendo 
o investimento mais significativo no sistema de 
aproveitamento de água pluvial. Para maximizar 
a eficiência do sistema, o projeto do reservatório 
deve estabelecer a melhor localização, capacidade 
e seleção do material construtivo. Quanto à loca-
lização, ele pode ficar acima ou abaixo do solo. As 
instalações acima do solo evitam custos associa-
dos com a escavação; os reservatórios abaixo do 
solo são favoráveis em relação às temperaturas 
mais frescas. Recomenda-se que os reservató-
rios sejam localizados o mais próximos possível 
dos pontos de fornecimento e de consumo. Para 
utilizar a água da chuva por gravidade, os reser-
vatórios devem localizar-se no ponto mais alto 
(BERTOLO, 2006).
244 Ecoeficiência nas Edificações
A Figura 8 ilustra o sistema de coleta, tratamento e uso da água 
pluvial. A água coletada no telhado passa pelo sistema de filtragem e 
depois é depositada no reservatório, podendo ser utilizada para diver-
sos fins. O volume excedente é desviado para o sistema de drenagem.
Chuva
Rega de
jardim
Lavagem
de carros
Descarga dos
banheiros
Lavagem
de roupas
Escoamento
da água
Calha
Tubo coletor
COLETA DE ÁGUA DA CHUVA
Filtro
Cisterna Ladrão/
Transbordador
Bomba de água
In�ltração para
águas subterrâneas
Figura 8 - Sistema de coleta e aproveitamento da água pluvial
Segundo Lamberts, Dutra e Pereira (2014), a captação e uso da água 
da chuva é viável em quase todo o território brasileiro, sendo um 
potencial para a economia dos recursos naturais. A água captada 
pode ser reutilizada nas descargas sanitárias, lavagem de carros 
e jardins e, dependendo da filtragem e purificação, até para fins 
potáveis, como demonstra a Figura 8.
245UNIDADE 9
Materiais de Construção
Segundo Lamberts, Dutra e Pereira (2014), os materiais de construção influenciam diretamente as 
condições de conforto dos ambientes internos das edificações. Desta forma, a correta especificação dos 
materiais exige conhecimento de suas propriedades e sua adequação às características plásticas que se 
deseja no projeto. Os autores destacam que a escolha do uso de isolamento térmico ou proteção solar 
nas paredes, janelas e telhados, tipo de telha ou vidros especificados devem ser estudados de modo a 
evitar ganhos térmicos excessivos e obter melhores condições de conforto no interior das edificações.
Com relação ao desenvolvimento de novas tecnologias, no campo dos materiais de construção, novos 
biomateriais têm sido empregados, como o uso de algas e de fungos na produção de materiais isolantes 
térmicos, de absorção acústica e até estruturais. Outra novidade é a incorporação de funções adicionais 
às tradicionais presentes nas soluções construtivas, por exemplo, vidros e concretos autolimpantes, 
a integração de células para geração de energia fotovoltaica em telhas e vidros, no desenvolvimento 
de superfícies frias duráveis, que podem tanto economizar energia como auxiliar no resfriamento 
do planeta, entre outros. A busca por eficiência energética tem sido um importante incentivador de 
inovações em materiais (CBCS, 2014).
Além dos materiais tecnológicos, o engenheiro civil tem disponível no mercado diversos materiais 
de construção alternativos aos tradicionais, que podem trazer diversos benefícios ambientais para a 
construção civil. 
Uma opção são as telhas ecológicas, fabricadas com resíduos sólidos. Elas têm em sua composição 
papel, plástico e metal, dando uso a resíduos que seriam descartados no meio ambiente. Para tinta, 
tem-se a opção por tintas mineiras, que não possuem derivados de petróleo e, assim, não agridem o 
meio ambiente.
Bioconstrução
Ao contrário do que se possa pensar, a construção de edificações ecoeficientes não é feita somente com 
alta tecnologia. A bioconstrução, por exemplo, caracteriza-se pela construção de ambientes sustentá-
veis com a utilização de materiais de baixo impacto ambiental, além de técnicas para a adequação da 
arquitetura ao clima local e tratamento de resíduos (BRASIL, 2008). 
Na bioconstrução, construir com princípios sustentáveis não significa, necessariamente, utilizar 
materiais sustentáveis, com tecnologia aplicada, processos de pré-fabricação, mas sim fazer uso de 
materiais, técnicas construtivas e mão de obra locais, como na construção vernacular. 
A bioconstrução consiste em sistemas construtivos que respeitam o meio ambiente, durante todas 
as suas fases: no processo de projeto e construção com a escolha dos materiais e técnicas construtivas 
adequadas e, ao longo do uso da edificação, por meio da eficiência energética e tratamento adequado 
dos resíduos (BRASIL, 2008).
246 Ecoeficiência nas Edificações
Algumas das técnicas construtivas da bioconstrução são:
• Adobe: a técnica utiliza tijolos compostos por areia, barro e 
palha secados naturalmente. Algumas composições podem 
incluir estrume animal. Esses tijolos são utilizados para a 
construção das paredes da edificação. O uso da palha garante 
melhor desempenho no conforto térmico.
Figura 9 – Edificação com paredes em adobe
• Superadobe: é uma técnica semelhante ao adobe, porém, 
neste sistema, o solo é ensacado e apiloado com o uso de 
pilões. Essa técnica garante maior resistências à construção.
• Pau a pique ou Taipa de mão: esse sistema é feito a partir de 
um sistema de painéis de madeira (galhos ou bambus) en-
trelaçados e preenchidos por terra, em um processo manual.
Tenha sua dose extra de conhecimento 
assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu 
leitor de QR Code.
247UNIDADE 9
• Taipa de pilão: semelhante à técnica anterior, porém na taipa 
de pilão a terra é socada com um pilão dentro de uma forma 
de madeira (taipa). Essa forma de madeira dá a forma das 
paredes.
• Solo-cimento: trata-se de um tijolo prensado feito de areia, 
argila e cimento. Este material é considerado alternativo, pois 
sua produção não exige menor consumo de energia; como 
os tijolos não precisam ir aos fornos, deixam de emitir gases 
que provocam o efeito estufa.
Figura 10 – Tijolos de solo-cimento
• Ferrocimento: essa técnica utiliza argamassa de cimentoe 
areia armada em uma trama de vergalhões finos coberta por 
tela de galinheiro de fios galvanizados. Essa técnica é reco-
mendada para a construção de reservatórios de água, pois 
permite construir grandes estruturas com pouco material.
248 Ecoeficiência nas Edificações
• Bambu: um material nada novo, mas que é considerado sus-
tentável é o bambu. Trata-se de matéria-prima renovável, pois 
seu ciclo de renovação é rápido e não causa danos ao meio 
ambiente. Ele tem sido uma alternativa para a construção de 
edificações (Figura 11), pois é um material bastante resistente 
e capaz de garantir bom aspecto estético à obra.
Figura 11 – Ponte de bambu na Indonésia
249UNIDADE 9
Neste tópico, serão discutidos alguns projetos ar-
quitetônicos que tiveram como diretrizes as estra-
tégias de ecoeficiência e arquitetura bioclimática. 
São projetos nacionais e internacionais, que serão 
apresentados aqui em ordem cronológica.
O primeiro projeto trata-se dos Hospitais da 
Rede Sarah Kubitschek, projetos do arquiteto bra-
sileiro João Filgueiras Lima, mais conhecido como 
Lelé. O segundo projeto é o Museu Academy of 
Science California, nos Estados Unidos, projeto 
do arquiteto italiano Renzo Piano, e o terceiro 
projeto é o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, 
projeto do engenheiro-arquiteto espanhol Santia-
go Calatrava.
Estudo de Caso: 
Edificações Ecoeficientes
250 Ecoeficiência nas Edificações
Rede de Hospitais Sarah Kubitschek
As soluções de projeto adotadas por Lelé, desde a implantação e volumetria do edifício até os detalhes 
construtivos e de fechamento, buscavam a interação entre princípios de iluminação e ventilação natural 
e proteção da radiação solar direta, buscando promover conforto ambiental e eficiência energética ao 
edifício. Outra característica do arquiteto era a busca constante pela otimização do projeto e das técnicas 
construtivas (PÉREN, 2014).
 “
A relação das variáveis de conforto térmico, iluminação e ventilação naturais, conforto acústico e a 
interação da infraestrutura com o sistema de ventilação natural ou artificial são presentes em todas as 
obras do arquiteto. [...] todas as variáveis de conforto ambiental podem ser consideradas em qualquer 
tipo de programa, independentemente da sua complexidade (PÉREN, 2014, p. 72).
Nos projetos dos hospitais da Rede Sarah Kubitschek, por exemplo, Lelé faz uso da ventilação natural, 
entre outras estratégias, para melhorar a temperatura interna dos ambientes. Nos projetos, Lelé faz uso 
de sheds, estruturas na cobertura da edificação que auxiliam no processo de ventilação natural por 
meio da ventilação ascendente, ou seja, o ar é captado pelas partes inferiores da edificação e é extraído 
pela parte superior (sheds), gerando o fluxo ascendente. Outra estratégia também utilizada nos projetos 
de Lelé foi a implantação de jardins, áreas verdes e com presença de água para amenizar o ganho de 
calor por radiação dos materiais do envoltório da edificação (PÉREN, 2014).
Figura 12 – Hospital Sarah Kubitschek Salvador, Bahia
Fonte: Nelson Kon (FRACALOSSI, 2012, on-line)2.
251UNIDADE 9
Ainda com relação à ventilação da edificação, nos projetos dos hospitais, Lelé usou como estratégia 
galerias de ventilação, que tinham como função captar os ventos dominantes e enviar para o interior 
da edificação. Como solução para a ausência de ventos fortes que possibilitassem o fluxo ascendente, 
eram utilizados equipamentos mecânicos, como exaustores e ventiladores. Desta forma, o ar entra pelas 
galerias, passa pelos difusores nos ambientes do hospital e sai pelo nível superior dos sheds (PÉREN, 
2014). Esse sistema é descrito nas ilustrações a seguir.
O shed é um tipo de cobertura amplamente explorada por Lelé e, provavelmente, a característica mais 
marcante em suas obras. Este elemento, além de contribuir no processo de ventilação, permite a en-
trada de luz natural de maneira mais intensa e uniforme, vindo de cima, do que a iluminação obtida 
por janelas laterais (PÉREN, 2014). 
Segundo Marques (2014, p. 68) “os sheds agregam valores estéticos e funcionais, permitem o uso da 
iluminação e ventilação naturais nos edifícios de grandes plantas e sua eficiência aumenta com uso de 
pátios abertos ao longo da edificação”. Os sheds resumem uma preocupação construtiva do arquiteto 
em desenvolver elementos modulares que permitissem a extensibilidade e flexibilidade dos edifícios, 
ou seja, apesar de uma marca do arquiteto, os sheds não eram usados de modo padrão, mas adaptando 
o desenho e dimensões de acordo com as necessidades de cada edifício (Figura 14).
Figura 13 – Evolução dos sistemas de ventilação nos hospitais Sarah Kubitschek
Fonte: Perén (2014, p. 77).
PISO TÉCNICO GALERIAS E PISO TÉCNICO
HOSPITAL SARAH SALVADOR
• SHED
• GALERIA COM EXAUSTORES
• NEBULIZADORES DENTRO DAS GALERIAS
• DUAS BOCAS (SAÍDAS) DE AR
HOSPITAL SARAH FORTALEZA
• SHED
• GALERIA COM EXAUSTORES
• NEBULIZADORES DENTRO DAS GALERIAS
• UM BOCA (SAÍDA) DE AR
• ESPELHO D'ÁGUA
HOSPITAL SARAH RIO DE JANEIRO
• COBERTURA INDEPENDENTE EM FORMATO DE SHED
• PISO TÉCNICO
• ESPELHO D'ÁGUA SEM NEBULIZADORES (CLIMA QUENTE-ÚMIDO)
• UMA BOCA (SAÍDA) DE AR
HOSPITAL ESCOLA DE SÃO CARLOS
• COBERTURA INDEPENDENTE EM FORMATO DE SHED
• NEBULIZADORES FORA DAS GALERIAS
• ESPELHO D'ÁGUA
• GALERIAS + PISO TÉCNICO
• DUAS BOCAS (SAÍDAS) DE AR
GALERIAS
INTRODUÇÃO ALTERAÇÃO
252 Ecoeficiência nas Edificações
Ao longo das obras, os sheds 
foram evoluindo, ganhando 
novos detalhes, adequando-se 
às necessidades de cada edifí-
cio e sendo integrados a novas 
estratégias. O Hospital Sarah, 
do Rio de Janeiro, 2001-2008 
(Figura 15), por exemplo, de-
monstra uma evolução nas 
estratégias adotadas por Lelé. 
Neste projeto, ele implantou um 
sistema de ventilação híbrido – 
iluminação natural, mecânica 
e artificial – com uma grande 
cobertura em formato de shed e 
um forro de painéis basculantes 
que controla a ventilação dos 
ambientes internos.
Figura 14 – Evolução nas formas dos sheds
Fonte: Marques (2014, p. 68-69).
Figura 15 – Hospital Sarah Kubitschek, Rio de Janeiro, RJ
Fonte: Grunow (2009, on-line)3.
Outra característica dos pro-
jetos de Lelé é a utilização 
de sistemas industrializados. 
Segundo Guerra e Marques 
(2015, on-line)4, os projetos de 
Lelé idealizados com base em 
um sistema estrutural misto 
– metal e argamassa armada – 
demonstram a adoção de uma 
industrialização de componen-
tes leves, que permitiu liberdade 
plástica às obras.
Por meio da racionalização 
das peças construtivas, foi pos-
sível reduzir a necessidade de 
grandes máquinas para a mon-
tagem das estruturas (MAR-
QUES, 2014).
0 2,5
0 2,5
0 2,5
REDE SARAH - SALVADOR, BA
REDE SARAH - RIO DE JANEIRO, RJ
REDE SARAH - FORTALEZA, CE
253UNIDADE 9
Museu California Academy of Sciences 
São Francisco, EUA, 2008
O projeto trata-se de um espaço de trabalho, feito com as mais avançadas tecnologias no que diz res-
peito ao projeto sustentável. O edifício abriga funções expositivas, educativas e de pesquisa. O museu 
foi construído em estrutura mista de aço e concreto, enquanto a fachada do edifício é revestida de 
forma contínua por vidro, sendo protegida por sistemas de sombreamento reguláveis, além de um 
pórtico (Figura 17) em que foram instaladas células fotovoltaicas que permitem fornecer mais de 5% 
da energia elétrica do museu (AGNOLETTO, 2011).
Figura 16 – Fachada do Museu
A cobertura do edifício foi feita 
com teto verde, este adquire for-
mas onduladas, sendo pontuada 
pela implantação de claraboias 
circulares de vidro (Figura 18), 
levando luz para o espaço in-
terno. A cobertura verde se co-
necta à natureza que circunda o 
edifício (AGNOLETTO, 2011).
Figura 17 – Pórtico com células fotovoltaicas
254 Ecoeficiência nas Edificações
Internamente, os espaços ex-
positivos e de pesquisa estão 
organizados na praça pública 
central, esta é iluminada natu-
ralmente pelas claraboias. Para 
esta praça, voltam-se dois am-
bientes em formato hemisférico, 
um correspondente ao planetá-
rioe o outro à floresta tropical, 
como demonstra a planta baixa 
do museu (Figura 19) (AGNO-
LETTO, 2011). Figura 18 – Cobertura verde com claraboias circulares
Figura 19 – Planta baixa do Museu
Fonte: Agnoletto (2011, p. 61).
Neste projeto foram utilizadas 
tecnologias sofisticadas como o 
uso de materiais de reciclagem, 
o controle e uso das correntes 
oceânicas em substituição ao ar 
condicionado na climatização 
do edifício, o emprego de ener-
gia solar, de modo a reduzir o 
consumo interno e diminuir a 
produção mecânica de energia, 
além de estratégias como a re-
cuperação de águas da chuva. 
Assim, a obra se destaca quando 
se trata de economia energética 
(AGNOLETTO, 2011).
Figura 20 – Vista do ambiente floresta tropical
255UNIDADE 9
Museu do Amanhã 
Rio de Janeiro, 2015
O Museu do Amanhã está loca-
lizado no Píer Mauá, na região 
portuária do Rio de Janeiro. Ele 
faz parte de um projeto de re-
qualificação urbana chamado 
de Porto Maravilha.
O edifício foi projetado para 
se inserir na paisagem existente, 
respeitando aspectos paisagís-
ticos e históricos, como as edi-
ficações históricas existentes 
na área portuária. O edifício 
funciona utilizando os recur-
sos naturais do local, a água da 
baía de Guanabara foi utilizada Figura 21 – Museu do amanhã com Baia de Guanabara ao fundo
para condicionar a temperatura interna do ar, e painéis fotovoltaicos ajustáveis fazem a captação da 
energia solar. Os recursos utilizados por Calatrava aumentam a abordagem sustentável do projeto e 
fornecem valores educacionais. O projeto recebeu o prêmio MIPIM de Melhor Edifício Verde Inovador 
(CALATRAVA, [2020], on-line)5.
Figura 22 – Vista do espelho d’água e fachada voltada para a baía
256 Ecoeficiência nas Edificações
Um dos grandes destaques da obra está na cobertura que, além de se tornar um elemento escultórico, é 
formada por perfis metálicos que se movimentam de acordo com a incidência solar, permitindo maior 
penetração da luz natural no interior do edifício e a captação pelas placas fotovoltaicas instaladas no 
topo (GELINSKI, 2014, on-line)6.
O sistema de resfriamento no interior do museu faz uso da água da baía de Guanabara, como fonte 
de rejeição de calor no condicionamento do ar. Para tanto, o edifício prevê um sistema de captação 
e tratamento da água do mar para o sistema de condicionamento de ar e para abastecer o espelho 
d’água (Figura 22). A utilização da água do mar permite a eliminação de equipamentos de rejeição 
de calor externos, promove o aumento da eficiência energética do sistema de resfriamento e elimina 
o consumo de água potável em torres de resfriamento de água (GELINSKI, 2014, on-line)6. O Museu 
também conta com sistemas para redução do consumo de água, reaproveitando a água pluvial para 
irrigação e descarga nos vasos sanitários.
Outro aspecto importante do projeto é que a seleção de materiais foi feita com base em critérios 
ambientais, priorizando a escolha de materiais que continham componentes reciclados, baixa toxici-
dade, alta durabilidade e que fossem produzidos próximo do local da obra, minimizando a emissão de 
gases de efeito estufa. No espaço interno (Figura 23), foram especificados pisos permeáveis com cores 
claras, buscando reduzir o efeito das ilhas de calor, que tendem a aumentar a temperatura interna dos 
ambientes (GELINSKI, 2014, on-line)6.
Figura 23 – Vista interna do Museu
Projetos como este e tantos outros são importantes referências para o desenvolvimento de projetos 
arquitetônicos que atendam as demandas de sustentabilidade impostas pela realidade atual.
257
1. Discorra sobre o conceito de construção verde, descrevendo qual o seu signi-
ficado e seu objetivo.
2. Faça o croqui de uma edificação (em corte) demonstrando como funciona a 
ventilação ascendente – efeito chaminé.
3. Cite três formas de se utilizar a energia e luz solar nas edificações e quais as 
vantagens.
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.
258
Ecohouse
Autor: Sue Roaf, Manuel Fuentes e Stephanie Thomas
Editora: Bookmam
Sinopse: o livro apresenta materiais e tecnologias de baixo impacto aplicados 
na construção civil, além de apresentar estudos de caso internacionais. Esta 
edição traz conselhos sobre como abastecer ecohouses com energias de fontes 
renováveis - incluindo aerogeradores, microusinas hidrelétricas e bombas de 
calor geotérmico - além de uma introdução a materiais de construção de baixo 
impacto ecológico, como a cal, o adobe e o cânhamo.
LIVRO
Curso de Bioconstrução
O manual de bioconstrução se trata de uma cartilha elaborada pelo Ministério 
do Meio Ambiente brasileiro para orientar a construção com técnicas de bio-
construção e utilização de materiais e mão de obra locais. São apresentadas 
técnicas como a taipa de mão e taipa de pilão, adobe, superabode, construção 
com tijolos de solocimento, sistema de ferrocimento entre outros.
WEB
Construções Ecológica - Projetos Ecológica
O vídeo apresenta exemplos de projetos realizados por meio da bioconstrução, 
fazendo uso de materiais e técnicas de menor impacto ambiental e reduzindo 
a geração de resíduos de construção.
WEB
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/2863
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/2862
259
AGNOLETTO, M. Renzo Piano. Tradução: Gustavo Hitzschky]. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2011. (Coleção 
Folha grandes arquitetos) Volume 2.
ANTUNES, N. Edifícios Verdes – Práticas Projetuais Orientadas para a Sustentabilidade. CD do 2º Fórum 
Internacional de Gestão da Construção – GESCON 2011: Sistemas de Informação na Construção. Editadas 
pela Secção de Construções Civis. Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, 27 e 28 de outubro, 2011.
BERTOLO, E. de J. P. Aproveitamento da água da chuva em edificações. Dissertação (Mestrado) em Enge-
nharia do Ambiente, Universidade do Porto. 2006.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável. De-
partamento de Desenvolvimento Rural Sustentável. Curso de Bioconstrução. Texto elaborado por: Cecília 
Prompt - Brasília: MMA, 2008.
CBCS. Conselho Brasileiro de Construção Sustentável. Aspectos da Construção Sustentável no Brasil e 
Promoção de Políticas Públicas: Subsídios para a promoção da Construção Civil Sustentável. Versão 1, 
novembro, 2014.
COSTA, E. C. da. Arquitetura Ecológica: condicionamento térmico natural. São Paulo: Blucher, 1982.
GONÇALVES, J. C. S.; BODE, K. (org.). Edifício Ambiental. São Paulo: Oficina de Textos, 2015.
HERNÁNDEZ-MINGUILLÓN, R.; IRULEGI, O.; ARANJUELO FERNÁNDEZ-MIRANDA, M. (Eds.). Ar-
quitectura Ecoeficiente. San Sebastián, España. Servicio Editorial de la UPV/ EHU, 2012.
KRUGER, A. Construção verde: princípios e práticas em construção residencial. Tradução Noveritis do Brasil. 
São Paulo: Cengage Learning, 2016.
LAMBERTS, R.; DUTRA, L.; PEREIRA, F. O. R. Eficiência energética na arquitetura. 3.ed. Rio de Janeiro: 
ELETROBRAS/PROCEL, 2014.
MARQUES, A. F. R. A recorrência do processo projetual na obra de Lelé. Arquitetura e Urbanismo, Ano 29, 
n° 244, julho de 2014.
PERÉN, J. I. Iluminação e ventilação naturais na arquitetura de Lelé. Arquitetura e Urbanismo, Ano 29, n° 
244, julho de 2014.
VENÂNCIO, H. Minha casa sustentável: Guia Para uma Construção Residencial Responsável. 2. ed. Heliomar 
Venâncio, 2010.
260
REFERÊNCIAS ON-LINE
1Em: http://projeteee.mma.gov.br/implementacao/efeito-chamine/. Acesso em: 22 jun. 2020.
2Em: https://www.archdaily.com.br/36653/classicos-da-arquitetura-hospital-sarah-kubitschek-salvador-joao-
-filgueiras-lima-lele. Acesso em: 22 jun. 2020.
3Em: https://www.arcoweb.com.br/projetodesign/arquitetura/arquiteto-joao-filgueiras-lima-lele-hospital-re-
de-sarah-27-10-2009. Acesso em: 22 jun. 2020.
4Em: https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/16.181/5592. Acesso em: 22 jun. 2020.
5Em: https://calatrava.com/projects/museu-do-amanha-rio-de-janeiro.html. Acesso em: 22 jun. 2020.
6Em: https://www.arcoweb.com.br/finestra/arquitetura/santiago-calatrava-museu-amanha-rio-janeiro-2014.Acesso em: 22 jun. 2020.
7Em: http://projeteee.mma.gov.br/estrategia/ventilacao-natural/. Acesso em: 22 jun. 2020.
http://projeteee.mma.gov.br/implementacao/efeito-chamine/
https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/16.181/5592
https://www.arcoweb.com.br/finestra/arquitetura/santiago-calatrava-museu-amanha-rio-janeiro-2014
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1. A construção verde é entendida como um conjunto de técnicas e práticas de projeto, construção e ma-
nutenção que minimizam o impacto ambiental total de uma edificação. Assim, os edifícios verdes devem 
ser responsáveis do ponto de vista ambiental, preservando a eficiência da utilização dos recursos naturais 
durante todo o seu ciclo de vida, desde o início do projeto, passando pela construção, operação, manu-
tenção, reabilitação e demolição, ou seja, ele deve minimizar o impacto ambiental em todas as etapas, do 
início ao fim da vida útil do edifício.
2. Exemplos de ventilação por efeito chaminé
Fonte: Projeteee ([2020], on-line)7.
3. A energia solar pode ser usada de forma passiva para aquecer os ambientes. A luz solar pode ser utilizada 
para iluminar naturalmente os ambientes, minimizando o uso da iluminação artificial e consumo de energia 
elétrica. A energia solar pode ser utilizada para sistemas de aquecimento de água, piscinas e também para 
gerar energia, transformada em energia elétrica para consumo nas edificações como alternativa à energia 
fornecida pelas concessionárias, reduzindo o consumo e o gasto.
262
263
CONCLUSÃO
Caro(a) aluno(a), neste livro, tivemos a oportunidade de refletir sobre o 
universo do projeto arquitetônico, suas características e desafios, podendo 
conhecer melhor o universo de atuação e atribuições do engenheiro civil.
Você pôde perceber que são muitos os desafios do profissional projetista, 
devendo aliar conhecimentos técnicos, estéticos, culturais, econômicos, 
tecnológicos e também sociais. Ao desenvolver projetos arquitetônicos, 
lidamos com sonhos das pessoas e com expectativas altíssimas. Temos 
como responsabilidade desenvolver espaços confortáveis, que atendam de 
forma adequada as atividades que nele serão desenvolvidas. 
O profissional projetista deve estar sempre atento às novas tecnologias 
e materiais, buscando responder às demandas com qualidade técnica, esté-
tica e sustentabilidade, fazendo uso da maneira mais racional dos recursos 
disponíveis, respeitando os recursos naturais.
Nesse sentido, este livro buscou discorrer sobre as principais temáticas 
dos projetos arquitetônico: suas definições, características, etapas de projeto, 
condicionantes ambientais, espaciais, econômicas e legislações; assim como 
uma infinidade de parâmetros e requisitos inerentes à atividade de projeto 
arquitetônico que visam garantir qualidade, acessibilidade e conforto aos 
usuários das edificações.
No decorrer das unidades, buscou-se apresentar exemplos de projetos: 
residenciais, comerciais e institucionais na forma de estudos de caso, vi-
sando ilustrar os conteúdos abordados e incentivar o estudo correlato de 
projetos, pois é analisando o que já foi desenvolvido que podemos buscar 
soluções para os problemas de projeto atuais e buscar aperfeiçoamento 
nas decisões de projeto. 
E assim nos despedimos. Espero que nossa caminhada tenha sido pro-
dutiva, proporcionando a você, aluno(a), a descoberta de novos horizontes 
e desafios profissionais.
G R A D U A Ç Ã O
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A Unicesumar apresenta uma proposta de metodologia, cujo objetivo é a 
integração do que temos de melhor: toda a qualidade da nossa educação 
a distância, mesclada com a excelência comprovada do nosso ensino pre-
sencial, utilizando tecnologias diversificadas e focando na personalização 
do ensino e da aprendizagem de maneira eficaz. Nessa metodologia, os 
encontros presenciais são roteirizados a partir de metodologias ativas de 
aprendizagem, além de práticas em laboratório, o que ajuda a criar um 
vínculo maior com o aluno. Para embasar tudo isso, os cursos contam com 
materiais didáticos com recursos exclusivos, produzidos integralmente pela 
Unicesumar e disponibilizados tanto na versão impressa como na digital.
GRADUAÇÃO
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0 251087 820207
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Projeto Arquitetônico
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Projeto Arquitetônico
	Etapas do Projeto
Arquitetônico
	Condicionantes do Projeto Arquitetônico
	Circulação e
Acessibilidade
	Coberturas
	Projeto Arquitetônico Residencial
	Projeto de
Edifícios Verticais
	Ecoeficiência
nas Edificações
	Coeficiente de aproveitamento
	Elementos de uma escada
	Desenho de um telhado
	Ambientes Residenciais
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