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G R A D U A Ç Ã O ME. ANDRÉIA GONÇALVES DARICE Projeto Arquitetônico Híbrido GRADUAÇÃO Projeto Arquitetônico Me. Andréia Gonçalves Darice C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; DARICE, Andréia. Projeto Arquitetônico. Andréia Gonçalves Darice. Maringá-PR.: Unicesumar, 2020. 264 p. “Graduação - Híbridos”. 1. Projeto. 2. Arquitetura. 3. Planejamento. 4. EaD. ISBN 978-65-5615-140-3 CDD - 22 ed. 720 CIP - NBR 12899 - AACR/2 NEAD - Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jardim Aclimação CEP 87050-900 - Maringá - Paraná unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 Impresso por: Coordenador de Conteúdo Fábio Augusto Gentilin. Designer Educacional Janaina de Souza Pontes. Revisão Textual Cintia Prezoto Ferreira e Erica Fernanda Ortega. Editoração André Morais de Freitas. Ilustração Welington Vainer Satin de Oliveira. Realidade Aumentada Matheus Alexander de Oliveira Guandalini, Maicon Douglas Curriel e Cesar Henrique Seidel. DIREÇÃO UNICESUMAR Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor e Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva, Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin, Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi. NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes e Tiago Stachon; Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho; Diretoria de Permanên- cia Leonardo Spaine; Diretoria de Design Educacional Débora Leite; Diretoria de Pós-Graduação EAD Bruno do Val Jorge; Head de Metodologias Ativas Thuinie Daros; Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie Fukushima; Gerência de Projetos Especiais Daniel F. Hey; Gerência de Produção de Conteúdos Diogo Ribeiro Garcia; Gerência de Curadoria Carolina Abdalla Normann de Freitas; Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila de Almeida Toledo; Supervisão de Projetos Especiais Yasminn Talyta Tavares Zagonel; Projeto Gráfico José Jhonny Coelho e Thayla Guimarães Cripaldi; Fotos Shutterstock PALAVRA DO REITOR Em um mundo global e dinâmico, nós trabalha- mos com princípios éticos e profissionalismo, não somente para oferecer uma educação de qualida- de, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo- -nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emo- cional e espiritual. Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Produzimos e revi- samos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos educadores soluções inteligentes para as ne- cessidades de todos. Para continuar relevante, a instituição de educação precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, coragem e compromisso com a qualidade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. Vamos juntos! BOAS-VINDAS Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à Co- munidade do Conhecimento. Essa é a característica principal pela qual a Unicesumar tem sido conhecida pelos nossos alu- nos, professores e pela nossa sociedade. Porém, é importante destacar aqui que não estamos falando mais daquele conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas de um conhecimento dinâ- mico, renovável em minutos, atemporal, global, democratizado, transformado pelas tecnologias digitais e virtuais. De fato, as tecnologias de informação e comu- nicação têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, informações, da educação por meio da conectividade via internet, do acesso wireless em diferentes lugares e da mobilidade dos celulares. As redes sociais, os sites, blogs e os tablets ace- leraram a informação e a produção do conheci- mento, que não reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em segundos. A apropriação dessa nova forma de conhecer transformou-se hoje em um dos principais fatores de agregação de valor, de superação das desigualdades, propagação de trabalho qualificado e de bem-estar. Logo, como agente social, convido você a saber cada vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a tecnologia que temos e que está disponível. Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg modificou toda uma cultura e forma de conhecer, as tecnologias atuais e suas novas ferramentas, equipamentos e aplicações estão mudando a nossa cultura e transformando a todos nós. Então, prio- rizar o conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância (EAD), significa possibilitar o contato com ambientes cativantes, ricos em informações e interatividade. É um processo desafiador, que ao mesmo tempo abrirá as portas para melhores oportunidades. Como já disse Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”. É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer. Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quando investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, consequentemente, transformamos também a so- ciedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportunidades e/ou estabe- lecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompa- nhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontram-se integrados à proposta pedagógica, contribuindo no processo educa- cional, complementando sua formação profis- sional, desenvolvendo competências e habilida- des, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessários para a sua formação pessoal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Stu- deo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendiza- gem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das discussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de apren- dizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranquili- dade e segurança sua trajetória acadêmica. APRESENTAÇÃO Caro(a) aluno(a) e futuro(a) Engenheiro(a) Civil, este livro tem como obje- tivo orientar seus estudos e o desenvolvimento de projetos arquitetônicos. Contém temas que abordam desde a definição de projeto arquitetônico até suas etapas e aplicações, promovendo reflexões sobre o tema e a importância deste para a vida profissional. Cabe ressaltar que a atividade projetual é de grande responsabilidade; no caso do projeto arquitetônico, devemos lembrar que o profissional estará criando os espaços em que vão se desenvolver a maior parte das atividades da sociedade.As edificações são os espaços onde habitamos, trabalhamos, consumimos, realizamos atividades de lazer etc. Isto é, a arquitetura está em todos os lugares e atividades, daí vem a importância do projeto e a responsabilidade do projetista. Este livro busca evidenciar tais aspectos. A Unidade 1 tratará do entendimento da arquitetura e do projeto arqui- tetônico, apresentando conceitos que definem e introduzem a compreensão do tema. Nesta unidade, apresentam-se as principais tipologias de projeto arquitetônico, como a residencial e comercial, além de abordar o programa de necessidades, sua definição e importância no processo de projeto arqui- tetônico. A unidade se encerra discorrendo sobre o partido arquitetônico, um termo bastante utilizado no meio da arquitetura e fundamental no desenvolvimento de projetos. A Unidade 2 se dedica a apresentar os elementos que compõem a repre- sentação do projeto arquitetônico, desde os elementos gráficos, como plantas, cortes e detalhamentos, até os elementos textuais e representações volu- métricas digitais, como ferramentas de expressão das ideias do projetista. A Unidade 3 abordará as etapas do projeto arquitetônico, apresentando as fases em que é dividido um projeto, desde o início dos estudos, passan- do pelas etapas de desenvolvimento de projeto, etapas necessárias para aprovação do projeto arquitetônico pelos órgãos públicos, até a etapa de execução do projeto arquitetônico, expondo os requisitos necessários a cada etapa de projeto. A Unidade 4 abordará as condicionantes do projeto arquitetônico, discor- rendo sobre as condicionantes de implantação, topográficas, as ambientais e as condicionantes relacionadas às diretrizes urbanas, normas e legislações. A Unidade 5 tratará da circulação e acessibilidade nas edificações, abor- dando desde conceitos de acessibilidade, normativas e princípios que orien- tam a implantação de acessibilidade universal em projetos arquitetônicos, até a apresentação de parâmetros para o projeto de escadas e rampas. Na Unidade 6, será tratado o tema de coberturas dos edifícios. Apre- sentação dos principais tipos de coberturas e características construtivas, assim como os elementos que as compõem, seu dimensionamento e re- presentação gráfica. A Unidade 7 trata especificamente do projeto arquitetônico residen- cial, enfatizando suas características e peculiaridades. Apresenta requisi- tos necessários ao projeto residencial, além de recomendações quanto ao dimensionamento e organização dos espaços. Nesta unidade ainda são apresentados, como estudo de caso, projetos de arquitetura residencial. A Unidade 8, por sua vez, apresenta os requisitos e características do projeto de edifícios verticais, destacando as normas e recomendações para o dimensionamento e elaboração de escadas e elevadores em edifícios verticais, saídas de emergência e reservatórios de água, além de outras especificidades deste tipo de edificação. Por fim, a Unidade 9 fecha a discussão acerca do projeto arquitetônico, destacando estratégias para se projetar e realizar edificações mais ecoe- ficientes, abordando os conceitos de sustentabilidade e ecoeficiência e apresentando estratégias de projeto no que tange o melhor aproveitamento da iluminação e ventilação natural na edificação, economia de energia e redução do consumo e reaproveitamento de água. A unidade é finalizada com apresentação de edificações, como estudo de caso. Dessa forma, este livro busca contemplar os conteúdos necessários à formação de um profissional capacitado e atento às questões técnicas e criativas relacionadas à atividade de concepção de projetos arquitetônicos com qualidade estética e funcional, atendendo às demandas do mercado de trabalho e expectativas da sociedade, cumprindo, assim, seu papel social. CURRÍCULO DOS PROFESSORES Me. Andréia Gonçalves Darice Mestre em Engenharia Urbana pela Universidade Estadual de Maringá (2014), especialista em Conservação e Restauração do Patrimônio pela PUCPR (2016), graduada em Arquitetura e Urbanismo, pela Universidade Estadual de Maringá (2009). Atua desde 2013 na docência nos cursos de graduação e pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Civil e Design de Interiores, atuando nas áreas de Urbanismo, Projeto Arquitetônico e Paisagismo. Concomitante à docência, atua desde 2010 na concepção e execução de projetos de arqui- tetura e interiores. Currículo Lattes disponível em: http://lattes.cnpq.br/1142136172729134 http://lattes.cnpq.br/1142136172729134 Entendendo o Projeto Arquitetônico 13 Elementos do Projeto Arquitetônico 33 Etapas do Projeto Arquitetônico 55 Condicionantes do Projeto Arquitetônico Circulação e Acessibilidade 79 103 Coberturas 129 Projeto Arquitetônico Residencial Projeto de Edifícios Verticais 197 Ecoeficiência nas Edificações 227 159 92 Coeficiente de aproveitamento 117 Elementos de uma escada 149 Desenho de um telhado 181 Ambientes Residenciais Utilize o aplicativo Unicesumar Experience para visualizar a Realidade Aumentada. PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Me. Andréia Gonçalves • Apresentar os principais conceitos da arquitetura. • Introduzir a compreensão de projeto arquitetônico. • Expor as principais tipologias de um projeto arquitetônico e suas características. • Apresentar o significado de programa de necessidades e sua importância no processo de projeto. • Compreender o significado do termo partido na produção de projeto. O que é Arquitetura? O Projeto Arquitetônico Programa de Necessidades Partido ArquitetônicoTipologias de Projeto Arquitetônico Entendendo o Projeto Arquitetônico O que é Arquitetura? Para entender o projeto arquitetônico, é preciso compreender o que é Arquitetura e como ela faz parte do nosso dia a dia. Para Roth (2017), a Arquitetura é a arte inevi- tável. Se pensarmos que estamos a todo momento em edifícios ou perto deles, entenderemos que a arquitetura nos toca constantemente, afeta nosso comportamento e condiciona nosso humor psico- lógico. Mais do que um mero abrigo ou proteção contra intempéries, a arquitetura é também re- gistro físico das atividades e aspirações humanas. Ainda segundo o autor (p. 45), “a arquitetura é a arte por meio da qual nos deslocamos, a arte que nos envolve”. Para Ching (2014, p. 2), “a arquitetura é uma disciplina muito complexa”. A maioria das pessoas passa toda a sua vida em contato constante com a arquitetura. Ela nos proporciona um lugar para morarmos, trabalharmos e nos divertirmos. Se- gundo o autor, “a arquitetura é tanto arte quanto ciência”, pois o projeto de arquitetura envolve tan- to aspectos estéticos e culturais quanto aspectos técnicos. Assim, segundo ele, a arquitetura “é uma disciplina artística que busca inventar por meio do projeto” (CHING, 2014, p. 2). 15UNIDADE 1 O arquiteto romano Marcos Vitrúvio escreveu, por volta de 25 a.C., que a arquitetura deve fornecer utilidade, firmeza e beleza. A utilidade significava o arranjo dos ambientes e dos espaços, sem criar dificuldades ao seu uso. A firmeza significava ter fundações sólidas e materiais construtivos escolhi- dos com propriedade. A firmeza é a parte mais aparente do edifício, que o faz “parar em pé”. Por sua vez, a beleza significava ter aparência agradável e de bom gosto, com partes em devida proporção, de acordo com os princípios de simetria. A tríade vitruviana, como foi chamado o conjunto desses três princípios, ainda permanece atualmente como a síntese primordial dos elementos da boa arquitetura (ROTH, 2017). Para Farelly (2014), a arquitetura é um tema complexo e fascinante. Os prédios estão ao nosso redor e compõem nosso mundo físico, assim sendo, fazer uma edificação exige vários níveis de pensamento e análise. “ A arquitetura define o mundo físico que nos cerca – por exemplo, um cômodo e os objetos que fazem parte dele. Ela pode ser uma casa, um arranha-céu, um conjunto de prédios [...] Seja qual for a escala da edificação,a arquitetura é desenvolvida aos poucos, do croqui do conceito ou do desenho técnico ao espaço ou prédio ocupado (FARELLY, 2014, p. 6-7). Por outro lado, a construção seria a concretização da arquitetura, que demonstra a sua dimensão física e sua materialidade. Nesse sentido, um edifício seria como uma máquina, em que uma série de partes e sistemas interdependentes trabalham de forma conjunta para que o todo seja eficaz e habitável. Assim, a edificação deve ser analisada tanto como uma estrutura macro, com cobertura, paredes e pisos, como também deve ser entendida como uma série de detalhes que demonstram como os componentes se encaixam e se complementam, contando com sistemas como as instalações de ventilação e refrigera- ção, as de calefação e iluminação, e proporcionar ambientes internos confortáveis (FARELLY, 2014). Uma definição bastante completa e clara do que é a arquitetura é a dada por Carlos Lemos (2003, p. 40-41), em seu livro “O que é Arquitetura”, em que ele afirma que a “arquitetura seria, então, toda e qualquer intervenção no meio ambiente criando novos espaços, quase sempre com determinada intenção plástica, para atender a necessidades imediatas ou a expectativas programadas”. Pode-se concluir, diante do que foi exposto, que a arquitetura é uma ciência bastante ampla e gene- ralista, que visa aliar conhecimentos artísticos e culturais, históricos e sociais, técnicos e ambientais, de modo a modificar o meio e criar espaços de qualidade e que atendam às necessidades da sociedade. 16 Entendendo o Projeto Arquitetônico O Projeto Arquitetônico O projeto arquitetônico, por sua vez, é a repre- sentação da arquitetura criada, idealizada para um determinado fim. Assim, cada projeto é um problema a ser resolvido. Para Montenegro (2016), o Projeto arquite- tônico é um plano, planejamento ou esquema, com finalidade definida, em que existe unidade formada por espaço, forma, volume, ritmo, cor e textura. Assim sendo, o autor afirma que o ato de projetar não é um processo racional, nem se- quencial, mas sim um processo intuitivo, livre, que não obedece a regras. Isso reforça a ideia de que a criatividade é fundamental no processo de projeto arquitetônico. Segundo Pahl et al. (2005), o engenheiro pro- jetista tem como missão encontrar soluções para problemas técnicos. Para isso, ele deve levar em consideração os conhecimentos de engenharia e condicionantes materiais, econômicas, tecno- lógicas, assim como restrições legais, ambientais e aquelas impostas pelo ser humano, tudo isso visando atender o objetivo prefixado. 17UNIDADE 1 O autor afirma, ainda, que as ideias, conhecimento e talento do engenheiro projetista irão determinar características técnicas, econômicas e ecológicas do produto desenvolvido. “ projetar é uma atividade intelectual, criativa, que requer uma base segura de conhecimentos nas áreas de matemática, física, química, mecânica, termodinâmica, mecânica dos fluidos, eletrotécnica, assim como de tecnologia de produção, ciência dos materiais e ciência do projeto, como também conhecimentos e experiências no campo a ser trabalhado. Concomitantemente, força de vontade, prazer em decidir, senso econômico, perseverança, otimismo e disposição em fazer parte de equipes são qualidades úteis, porém imprescindíveis para projetistas em postos de responsabilidade (PAHL et al., 2005, p. 1-2). Muitas vezes temos a tendência de confundir o projeto arquitetônico com o desenho arquitetônico, mas segundo Montenegro (2016), o desenho não é o mesmo que projeto, pois o processo de projeto ocorre na mente, na imaginação do projetista, enquanto o desenho é a sua representação, podendo ser técnica ou artística. O desenho é a forma de comunicar a ideia, tanto para os clientes como para os profissionais parceiros, executores e público em geral, enquanto o projeto é o processo de criar, idealizar o objeto, com base em critérios técnicos, ambientais, culturais, entre outros. Assim sendo, veremos, no decorrer deste livro, o processo de projeto e as condicionantes que interferem e determinam as decisões de projeto pelo projetista. 18 Entendendo o Projeto Arquitetônico As tipologias de projeto arquitetônico se tratam da classificação das edificações por tipos, de acor- do com o uso que elas devem abrigar. Algumas edificações são projetadas para atender a um tipo único de uso e algumas para usos multifuncionais. As tipologias de projeto são inúmeras e podem se modificar de acordo com a sociedade, seus costumes, aspectos culturais, econômicos, entre outros fatores. Abordaremos, nesta unidade, as principais tipologias arquitetônicas e suas características, sendo elas a residencial, comercial, hospitalar, es- colar, religiosa e cultural. Tipologias de Projeto Arquitetônico 19UNIDADE 1 • Arquitetura residencial: a mais conhecida por todos, pois estamos diariamente em contato com esse tipo de arquitetura. Ela tem a função primordial de nos fornecer abrigo, habitação. Uma edificação residencial (Figuras 1 e 2) pode ter dimensões bastante diferentes entre si, no entanto, devido ao uso exclusivamente residencial, o programa de necessidades será sempre, basicamente, o mesmo. Os ambientes e sua disposição em uma edificação residencial podem variar bastante de acordo com a cultura de cada lugar e os costumes dos moradores. Figura 1 - Exemplo de Edificação de tipologia residencial Figura 2 - Exemplo de Edificação de tipologia residencial As edificações para o uso residencial podem ser casas urbanas, ca- sas de campo ou veraneio, habitação de interesse social e também edifícios verticais (Figura 3), chamados de habitação multifamiliar, ou seja, onde habitam mais de uma família. Figura 3 - Exemplo de Edificação de tipologia residencial multifamiliar - edifício vertical 20 Entendendo o Projeto Arquitetônico As edificações residenciais também vão possuir características estéticas e plásticas distintas em cada região ou país, pois estes condicionantes são determinados, principalmente, por aspectos cul- turais e características ambientais de cada lugar. Assim, as soluções adotadas para o uso de deter- minado material, ou volumetria da edificação, depende dos costumes e padrões da região. • Arquitetura comercial ou corporativa: nes- sa tipologia se enquadram edificações que visam atender usos distintos dentro da te- mática comercial. Podem ser edifícios com lojas e espaços comerciais (Figura 4) que visam atender diferentes tipos de empre- sas e prestação de serviços ou edificações construídas para uma empresa específica ou um ramo de comércio específico. Des- tacam-se os edifícios verticais comerciais. • Arquitetura escolar: esta tipologia trata das edificações de uso escolar, públicas ou priva- das, do ensino infantil até as universidades. É uma tipologia com características e critérios bastante específicos e, juntamente com a re- sidência, o ambiente escolar é onde passamos boa parte do nosso tempo ao longo da vida. Enquadram-se os centros de educação infantil, escolas de ensino fundamental e médio, escolas de ensino técnico e profissionalizante, escola de idiomas, faculdades, centros universitários e universidades (Figura 6). Essa tipologia tem como característica que, normal- mente, não se tem um cliente específico, já que os espaços serão sublocados ou vendidos, mas sim uma tendência de mercado ou um perfil específico de em- preendedor que o projetista deve atender. Os shop- ping centers (Figura 5) são um exemplo deste tipo. Figura 4 - Edifícios corporativos na Marginal Pinheiros, São Paulo Figura 5 - Eastland shopping cen- tre, Melbourne, Australia Figura 6 - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, São Paulo Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. 21UNIDADE 1 Outro fator que torna o projeto deste tipo de edificação bastante complexo é que ela é espaço de pro- dução de conhecimento, em que o processo criativo deve ser explorado e a arquiteturapode e deve incentivar e fortalecer essas funções. Ela é, também, local de interação social, de trocas e promoção cultural. Assim sendo, o projetista deve estar atento às demandas dos espaços e sua simbologia, visando sempre a produção de espaços de qualidade e que atendam sua função primordial. • Arquitetura hospitalar ou de saúde: esta tipo- logia é composta por edificações voltadas ao atendimento dos usos da saúde. Composta princi- palmente por hospitais (Figura 7), mas também por todo estabeleci- mento de atendimento à saúde, como unidades básicas de saúde – os co- nhecidos postos de saú- de –, Unidades de Pron- to Atendimento, clínicas médicas e laboratórios. Figura 7 - Exemplo de edificação de tipologia hospitalar É uma tipologia de projeto arquitetônico complexo que envolve uma infinidade de condicionantes e de normativas e legislações que devem ser consideradas no projeto. Sem dúvida um grande desafio ao projetista. No Brasil e no mundo, existem especializações em arquitetura hospitalar, dada a sua complexidade. • Arquitetura cultural: este tipo de arquitetura abrange uma infinidade de subtipos, como exem- plo temos museus, bi- bliotecas, galerias de arte, ateliês, centros culturais (Figura 8), teatros, cine- mas, museus (Figura 9) entre outros, que tenham como função principal abrigar usos culturais. Figura 8 - Centro cultural Georges Pompidou - Paris, França 22 Entendendo o Projeto Arquitetônico Uma edificação de uso cultural pode ter um dos usos citados ou todos eles agrupados, o que de- finirá seu porte e complexida- de de projeto. Quanto maior o número de atividades culturais previstas, maior também será o programa de necessidades do edifício. Estes podem ser tanto de uso público quanto privado, com exploração comercial. • Arquitetura religiosa: a arquitetura religiosa é uma tipologia muito importante que teve muito destaque principalmente no período clássico, em que as catedrais e templos eram as principais edificações de destaque nas cidades. Esta tipologia é tomada por muita simbologia e pode va- riar bastante sua característica de acordo com a religião. Além das catedrais cristãs (Figura 10), outros edifícios se destacam, como os templos budistas e as mesquitas muçulmanas (Figura 11). O programa de necessidades e a disposição dos espaços também se alteram de acordo com a crença de cada religião. Figura 9 - Museu do amanhã - Rio de Janeiro Figura 10 - Catedral de Brasília, arquiteto Oscar Niemeyer Figura 11 - Mesquita em Abu Dhabi Esta tipologia de edificação é muito rica em detalhes arquitetônicos e formas, tendo, na maioria das vezes, a monumentalidade como principal característica. 23UNIDADE 1 Programa de Necessidades O programa de necessidades ou programa ar- quitetônico “é a relação de todos os cômodos, ambientes, ou elementos arquitetônicos previs- tos para o edifício” (NEVES, 2012, p. 30). Assim sendo, ele é construído juntamente com o clien- te, levando em consideração suas características, cultura, preferências, costumes e o modo de usar um espaço ou desempenhar determinada função. Assim, o programa traduz os espaços onde serão desenvolvidas as funções e atividade pre- vistas para a edificação (NEVES, 2012). Portanto, o programa se caracteriza em uma listagem ou quadro, com todos os ambientes/funções neces- sários na edificação. O programa de necessidades não visa apenas listar ambientes, mas funções necessárias ou exi- gidas para a tipologia arquitetônica. Neves (2012) cita o exemplo de uma residência, em que inúme- ras funções devem ser desenvolvidas: desde fazer as refeições, preparo e cozimento de alimentos, lavagem de utensílios e roupas, repouso, lazer e recreação, guarda de veículos e materiais domés- ticos, serviços domésticos, contemplação e lei- 24 Entendendo o Projeto Arquitetônico tura, entre outros. Assim, cada função pode ser representada no programa por um ambiente ou serem conjugadas várias funções em um mesmo ambiente. Isso ocorre, também, com as demais tipologias de projeto. Segundo Ching (2014), o programa de necessi- dades deve considerar as dimensões espaciais exi- gidas pelas atividades, ou seja, o tamanho de cada ambiente, assim como as relações de proximidade e adjacência entre as funções, as relações entre espaços servidos e de serviço e o zoneamento de usos públicos e privados, de acordo com cada ti- pologia arquitetônica (CHING, 2014). Vejamos, no Quadro 1, alguns exemplos de programa de necessidades, de acordo com a ti- pologia de projeto: Quadro 1 - Programa de necessidades: casa de veraneio x escola de 1º grau PROGRAMA DE NECESSIDADES Casa de veraneio Escola de 1° grau • Varanda • Sala de estar • Bar • Suíte do casal • Suíte dos filhos • Quarto de visitas • Banheiro social • Copa e cozinha • Área de serviço • Quarto e banheiro de empregada • Garagem • Entrada • Sala de espera • Secretaria • Diretoria • Sala de administração • Arquivo • Sala de professores • Sala de reuniões • Coordenação pedagógica • Pátio coberto • Cantina • Depósito • Sanitário de alunos • Sanitário de professores • Salas de aula • Entrada de funcionários • Vestiário de alunos • Sanitário e vestiário de funcionários • Auditório • Biblioteca • Quadra poliesportiva Fonte: adaptado de Neves (2012). Pode-se observar que o programa de necessidades é bastante distinto nos dois exemplos, pois se tra- tam de edificações que têm por objetivo atender funções diferentes. Assim, quanto maior o número de funções ou atividades a serem desenvolvidas na edificação, mais complexo será desenvolver o programa de necessidades. Uma orientação importante para a construção de um programa de necessidades, principalmente quando se trata de um tema arquitetônico novo para o projetista, é estudar projetos semelhantes, buscando entender melhor as funções do edifício, os ambientes necessários e suas relações espaciais. A essa pesquisa damos o nome de estudo correlato. 25UNIDADE 1 O programa é, então, uma forma de registrar, em forma de documento, as necessidades que a edificação tem de satisfazer. É um meio importante de transmitir informações entre os envolvidos no projeto, entre projetista e clientes, assessores, usuários etc. Constitui-se como a base do projeto arquitetônico, sendo uma fonte de inspiração para o projetista, principalmente se este programa contiver, além de anotações, esboços gráficos. O programa contribui também para se verificar a viabilidade do projeto e determinar o orçamento da construção (VOORDT, 2013). Segundo Voordt (2013, p. 77), “elaborar o programa de necessidades, projetar e construir são as três atividades principais envolvidas no processo construtivo”. Estudo correlato é a pesquisa realizada em arquitetura para estudo e análise de obras semelhantes (correlatas) ao tema que se deve projetar. Esta análise tem por objetivo dar referências ao projetista de como trabalhar com o tema. Neste estudo, são analisados aspectos funcionais, estéticos, espaciais, técnicos, tais como: local de inserção, soluções topográficas, programa de necessidades, composição estética, sistema construtivo, materiais utilizados, entre outros. 26 Entendendo o Projeto Arquitetônico Partido Arquitetônico Neste tópico, será abordado o termo partido ar- quitetônico, específico da área de arquitetura e projeto arquitetônico. Contudo, o que seria o par- tido arquitetônico? Para Neves (2012, p. 7), o partido é “a ideia preliminar do edifício projetado”. Definição se- melhante a dada por Oliveira (2015, p. 35) de que “o partido é, por hipótese, uma prefiguração do objeto, que o projetista elege como ponto de par- tida e fio condutor”. Outra definição para o partido arquitetônico é que ele seria o esboço conceitual, uma conse- quência formal derivada da escolha de uma série de condicionantes ou de determinantes que de- terminarão a concepção do projeto. São exemplos de condicionantes a localização; condições físicas e topográficas do sítio; clima, ventos, insolação, chuvas; atécnica construtiva; programa de ne- cessidades; legislação, normas e códigos de obra; recursos financeiros; financiamento; tempo de construção; tecnologia disponível etc. (LEMOS, 2003; MONTENEGRO, 2016). 27UNIDADE 1 Desta forma, pode-se entender que partido é a ideia primária de organização de um projeto de arquitetura (CHING, 2014). Uma vez que projetar é idealizar algo a ser feito, no caso da arquitetura, é idealizar o edifício a ser construído (NEVES, 2012). Para que você compreenda melhor o termo, vamos explorar o texto de Neves (2012, p. 15), em que o autor defende que “ Idealizar um projeto requer, pelo menos, dois procedimentos: um em que o projetista toma a reso- lução de escolha dentre inúmeras alternativas, de uma ideia que deverá servir de base ao projeto do edifício do tema proposto; e outro em que a ideia escolhida é desenvolvida para resultar no projeto. É do primeiro procedimento, o da escolha da ideia, que resulta o partido, a concepção inicial do projeto do edifício, a feitura do seu esboço. Segundo o autor, é justamente no processo de escolha da ideia que servirá de base para o desenvol- vimento do projeto que resulta o partido arquitetônico do projeto arquitetônico. Outro aspecto a se destacar é que o partido seria uma criação autoral e inventiva, ou seja, é particular de cada projetista e deriva de um processo criativo e inventivo dele. Montenegro (2007) tem uma definição semelhante para o partido: segundo ele, é a etapa de projeto onde as primeiras ideias afloram e são esboçadas pelo projetista, já que, como vimos, o projeto surge na mente e o desenho é a forma de transpor esse projeto para o papel. Assim, pode-se entender o partido como a ideia inicial do projeto, determinada por condicionantes do projeto que conduz o desenvolvimento do edifício. Outro termo muito utilizado no processo de criação e desenvolvimento de projeto, neste caso, não só nas áreas de arquitetura e engenharia civil, mas também em áreas de design, moda e publicidade, é o conceito. Segundo Ching (2014, p. 220), “o conceito é uma ideia ou uma imagem mental capaz de gerar e guiar o desenvolvimento de um projeto”. 28 Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 1. Baseado nos conceitos trabalhados nesta unidade e com as referências da sua casa, monte um programa de necessidades para uma residência. 2. A imagem a seguir ilustra o Centro Internacional de Negócios de Moscou, um complexo de edifícios comerciais na Rússia. O complexo se enquadra em qual tipologia arquitetônica? a) Residencial. b) Corporativa. c) Cultural. d) Religiosa. e) Residencial multifamiliar 3. Diferencie projeto arquitetônico de desenho arquitetônico. 29 Introdução à Arquitetura Autor: Francis Ching Editora: Bookman Sinopse: esta é uma das obras de introdução à arquitetura mais completas. Apresenta de forma extremamente gráfica os principais aspectos da arquitetu- ra, incluindo arquitetura de interiores e urbanismo. É um verdadeiro guia para aqueles que estão iniciando a carreira ou para os apaixonados por desenho e projeto de arquitetura. LIVRO Teoria e prática do partido arquitetônico O texto aborda a questão da adoção do partido no projeto arquitetônico, dis- cutindo, por meio da citação de diversos autores, definições e explicações para o tema. WEB https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/2834 30 CHING, F. D. K. Introdução à arquitetura. Tradução Alexandre Salvaterra. Porto Alegre: Bookman, 2014. FARELLY, L. Fundamentos de arquitetura. Tradução Alexandre Salvaterra. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2014. LEMOS, C. O que é arquitetura. São Paulo: Brasiliense, 2003. MONTENEGRO, G. A. Desenho de projetos. 1. ed. São Paulo: Blucher, 2007. MONTENEGRO, G. A. O traço dá ideia: bases para o projeto de arquitetura. São Paulo: Blucher, 2016. NEVES, L. P. Adoção do partido na arquitetura. 3. ed. Salvador: EDUFBA, 2012. OLIVEIRA, R. C. de. Construção, composição, proposição: o projeto como campo de investigação epistemológica. In: CANEZ, A. P.; SILVA, C. A. (org). Composição, partido e programa: uma revisão crítica de conceitos em mutação. Porto Alegre: Editora UniRitter, 2015. PAHL, G.; BEITZ, W.; FELDHUSEN, J.; GROTE, K-H. Projeto na engenharia: fundamentos do desenvolvi- mento eficaz de produtos, métodos e aplicações. Tradução Hans Andreas Werner; revisão Nazem Nascimento. São Paulo: Blucher, 2005. ROTH, L. M. Entender a arquitetura: seus elementos, história e significado. Tradução Joana Canêdo. São Paulo: Gustavo Gili, 2017. VOORDT, T. J. M. van der. Arquitetura sob o olhar do usuário. Tradução Maria Beatriz de Medina. São Paulo: Oficina de Textos, 2013. 31 1. Como foi dito no decorrer da unidade, o programa de necessidades pode variar bastante de acordo com o perfil dos clientes e suas preferências, mas, de modo geral, o programa de necessidades de uma residência possui elementos semelhantes. Exemplo: 3 quartos, sendo 1 suíte Banheiro social Sala Cozinha Área de serviço/lavanderia Garagem Churrasqueira/área de lazer 2. B. Como pudemos ver ao longo desta unidade, os edifícios que abrigam funções comerciais se enquadram na tipologia comercial ou corporativa. 3. Enquanto o projeto é o processo de criar, idealizar algo, que nasce na mente do projetista, sendo um processo intuitivo e criativo, um processo autoral, o desenho arquitetônico é a forma de representar o projeto idealizado pelo projetista. 32 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Reconhecer os elementos que compõem a representação do projeto arquitetônico. • Apresentar os elementos gráficos de projeto que com- põem os planos horizontais. • Apresentar os elementos gráficos de projeto que com- põem os planos verticais. • Expor os elementos gráficos complementares do projeto arquitetônico. • Apresentar os elementos textuais como legendas e tabe- las, que compõem o projeto arquitetônico. Os Elementos Gráficos do Projeto Planos Horizontais Perspectivas e Modelos Físicos Elementos TextuaisPlanos Verticais Me. Andréia Gonçalves Elementos do Projeto Arquitetônico Os Elementos Gráficos do Projeto Esta unidade abordará a representação gráfica do projeto Arquitetônico. Como abordado na Uni- dade 1, desenho arquitetônico e projeto arquite- tônico são coisas distintas, enquanto o desenho é a representação da ideia que está na mente do projetista, tornando visível o que foi imaginado, permitindo a comunicação das ideias do proje- to e o registro da evolução do processo criativo (MONTENEGRO, 2007), o projeto é o objeto que foi idealizado pelo projetista, sendo representado graficamente pelo desenho. Enquanto o projeto é um documento demonstrativo do algo idealizado, documento explicativo do edifício projetado, o desenho é a linguagem própria para explicar o projeto arquitetônico (NEVES, 2012). O desenho é uma ferramenta fundamental para comunicar as ideias de projeto, é por meio dele que os projetistas – arquitetos, engenheiros, designers – transmitem suas ideias para o papel, para que possam ser vistas e discutidas com ou- tros profissionais e clientes e para que possam ser executadas. Farelly (2014) lembra que a arquite- tura é uma linguagem visual, e os arquitetos se comunicam por meio de desenhos, maquetes e dos espaços e lugares que constroem. 35UNIDADE 2 Os desenhos de projeto podem ser esboços, croquis, desenho técnico feito por instrumento, desenhos auxiliados pelo computa- dor, podendo ser em 2 ou 3 dimensões. Os desenhos finais de projeto devem seguir normas, permitindo que ele seja compreendido em qualquer país. No Brasil, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) é a responsável por ela- borar e atualizar as normas de desenho e representação de projetos. Segundo a NBR 13532 (ABNT, 1995), as informações técnicas que são produzidas durante as etapas de elaboração do projeto de arquitetura devem ser apresentadas em documentos técnicos, podendo ser de tipos distintos como: desenhos, textos, planilhas e tabelas, fluxogramase cronogramas, fotografias, maquetes, entre outros. Os desenhos se dividem em representações dos planos ho- rizontais e verticais da edificação, além de representações em três dimensões. Nos tópicos seguintes, conheceremos melhor cada tipo de desenho e quais suas funções na representação do projeto. Croqui é o nome dado a desenhos de estudos, feitos a mão livre, portanto sem escala precisa, porém estes mantêm as proporções do objeto. São muito comuns na etapa de desenvolvimento inicial do pro- jeto, como no estudo de possibilidades e para definir o partido arquitetônico. 36 Elementos do Projeto Arquitetônico Os elementos do plano horizontal são caracteri- zados pelas plantas: planta de situação, planta de locação, planta de cobertura, planta baixa, planta layout, entre outras (MONTENEGRO, 2017). A planta de situação compreende o partido arquitetônico em seus múltiplos aspectos, con- tendo informações de acordo com o tipo, porte e função da edificação (NBR 6492) (ABNT, 1994). A normativa citada reforça que, para a aprovação em órgãos oficiais, a planta deve conter as infor- mações completas do terreno. Planos Horizontais 37UNIDADE 2 Figura 1 - Planta de situação Fonte: Montenegro (2017, p. 53). NORTE QUADRA G QUADRA F Q UA D RA CQUADRA B Q U A D RA H RU A D O M A N D AC A RU Q U A D RA E IGREJA BECO DO PIRULITO 1 10 9 8 7 6 5 432 20 ,0 0 10,00 RU A D O C AL U N G A RUA DE HORTAS Sentido da descida Contorno da parede Ela tem a função de não mos- trar apenas a edificação ou o terreno, mas tudo que está em seu entorno imediato e que seja relevante para o entendimento e execução do projeto. A Planta de cobertura tem por objetivo mostrar a cobertura (telhado) da edificação, enquan- to a planta de locação objetiva mostrar a construção dentro do terreno. As plantas de locação e cobertura podem ser represen- tadas em um desenho único (MONTENEGRO, 2017), neste caso, ela é mais comumente co- nhecida como Implantação. A implantação ou planta de locação não mostra apenas o terreno, mas elementos como árvores, construções existentes, postes, calçada, pontos de refe- rência e construções vizinhas, além das informações necessá- rias dos projetos complementa- res, como o movimento de terra, arruamento, redes hidráulica, elétrica e de drenagem, entre outros. A planta de locação, como o próprio nome destaca, permite a locação da constru- ção no terreno (ABNT 1994; MONTENEGRO, 2017). Figura 2 - Planta de Cobertura Fonte: Montenegro (2017, p. 49). 38 Elementos do Projeto Arquitetônico Figura 3 - Planta de Locação ou Implantação Fonte: Montenegro (2017, p. 50). 20 ,0 0 12,00 2,00 NORTE MEIO FIO RUA CALÇADA 5, 00 A Planta baixa se trata da plan- ta de edificação, sendo carac- terizada pela vista superior de um plano secante horizontal, localizado a 1,50 m do piso de referência. De acordo com o que estabelece a NBR 6492 (ABNT, 1994), esta altura pode variar, visando todos os elementos ne- cessários ao entendimento do projeto. De acordo com a quan- tidade de pavimentos da edifi- cação, as plantas da edificação podem ser do térreo, subsolo, pavimento-tipo, sótão, cobertu- ra, entre outros (ABNT, 1994). 39UNIDADE 2 Figura 5 - Exemplo de planta baixa Por meio da planta baixa, pode-se compreender como a edificação funciona, o programa de necessi- dades, dimensões dos ambientes, conexão entre os espaços, localização das aberturas, revestimentos de piso e, até mesmo, o layout interno. Ele é um dos principais desenhos na apresentação de projeto, sendo também o mais comum. Outras plantas podem ser construídas de acordo com a necessidade do projeto, como planta espe- cífica do layout interno, plantas de gesso/forro, plantas de iluminação e também as plantas dos projetos complementares, como instalações hidráulicas e elétricas. Figura 4 - Exemplo de planta baixa residencial 40 Elementos do Projeto Arquitetônico Os planos verticais do projeto arquitetônico são compostos pelos cortes, fachadas e elevações. Os cortes são planos secantes verticais que dividem a edificação em duas partes. Os cortes podem ser no sentido longitudinal ou transversal da edificação, devendo ser posicionados no dese- nho de modo que mostrem o maior número de informações e detalhes construtivos do edifício. Os cortes ainda podem ser deslocados, visando mostrar algum detalhe construtivo importante (ABNT, 1994). Segundo Montenegro (2017), os cortes devem mostrar detalhes da edificação, como altura das portas e das janelas, altura do forro ou do pé-di- reito dos ambientes, inclinação da cobertura, en- tre outros detalhes. Recomenda-se que os cortes passem por escadas e banheiros, demonstrando altura e detalhes dos degraus, detalhes da altura dos revestimentos do banheiro, etc. Planos Verticais 41UNIDADE 2 Figura 6 - Exemplo de corte de edifício vertical Figura 7 - Exemplo de corte em edificação residencial 42 Elementos do Projeto Arquitetônico Figura 8 - Exemplo de cortes em diferentes posições da edificação Os cortes não são elementos apenas da etapa de projeto final, ao contrário, estes desenhos aparecem normalmente desde a etapa de estudo, pois auxiliam ao projetista entender e analisar as soluções de sistema construtivo, adaptação à topografia do lote, definir altura de pé-direito e alturas totais da edificação, entre outros. Outro elemento do plano vertical do projeto são as fachadas. Estas se caracterizam como a represen- tação gráfica de planos externos da edificação (ABNT, 1994). As fachadas são os desenhos responsáveis por mostrar como a edificação ficará quando finalizada, demonstrando materiais de acabamento, cores e detalhes plásticos da edificação. Figura 9 - Exemplo de fachadas frontal e lateral Elas são representadas no proje- to final, tanto por desenhos téc- nicos, como por desenhos mais humanizados, coloridos, visan- do, por exemplo, a apresentação do projeto para o cliente ou em- preendedor, pois, com a huma- nização, o desenho se aproxima mais da realidade e ajuda na sua interpretação por leigos. 43UNIDADE 2 Figura 10 - Exemplo de fachada humanizada As elevações são parecidas com as fachadas, mas são chamadas assim porque se tratam da represen- tação gráfica de planos internos do edifício ou de elementos específicos. Elas são muito utilizadas no projeto de interiores. As elevações, assim como as fachadas, apresentam informações de materiais de acabamento, cores e detalhes do edifício. Figura 11 - Exemplo de fachada e elevação humanizadas 44 Elementos do Projeto Arquitetônico Perspectivas e Modelos Físicos Estes elementos são compostos por desenhos em 3 dimensões, como as perspectivas feitas à mão livre ou com auxílio de instrumento, ou pelos ele- mentos construídos com auxílio do computador, as chamadas maquetes eletrônicas. Os modelos físicos são as chamadas maquetes, construídas por diversos materiais e em diversas escalas para representar a edificação, o terreno ou algum de- talhe construtivo específico. 45UNIDADE 2 Figura 12 - Exemplo de perspectiva Estes elementos são importantes, pois dão tridimensionalidade ao projeto, o que permite mais fácil compreensão de sua volumetria; para o cliente, sem dúvida é um ótimo recurso, para que as ideias do projetista sejam compreendidas. Figura 13 - Exemplo de maquete física São ferramentas importantes tanto para demons- trar o projeto finalizado como para o estudo de formas e volumes do próprio projetista durante o processo de projeto. Figura 14 - Exemplo de maquete física de estudo As perspectivas ou maquetes podem mostrar o edi- fício como um todo ou partes mais relevantes. São usadas também de forma explodida para mostrar detalhes internos e detalhes do sistema construtivo. 46 Elementos do Projeto Arquitetônico Figura 15 - Exemplos de maquetes eletrônicas explodidas mostrando o interior da edificação Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor deQR Code. 47UNIDADE 2 Os elementos textuais são todos os elementos de texto, tabelas, planilhas, dados que visam comple- mentar as informações de projeto que não apare- cem em sua totalidade no desenho arquitetônico. Segundo a NBR 6492 (ABNT, 1994), os ele- mentos textuais são o programa de necessidades, o memorial justificativo do projeto, discrimina- ção técnica, especificações, listas de materiais e orçamento. Podem ser inseridos como elementos textuais complementares os estudos de viabilida- de técnica do projeto. O programa de necessidades, como já foi tra- tado na unidade anterior, é um documento pre- liminar do projeto que contém o levantamento das informações necessárias para a elaboração do projeto, no que se refere aos ambientes e funções, assim como as necessidades do contratante que a edificação deve atender. Ele pode ser expresso por meio de uma listagem ou planilhas que incluam o pré-dimensionamento de áreas de cada ambiente/ função (ABNT, 1994; ABNT, 2017). Elementos Textuais 48 Elementos do Projeto Arquitetônico O memorial justificativo se trata de um texto em que se evidencia o atendimento às condições estabelecidas no programa de necessidades. Ele também é responsável por apresentar o partido ar- quitetônico adotado pelo projetista (ABNT, 1994; ABNT, 2017), assim como as principais estratégias e soluções adotadas, principalmente as que se referem às questões plásticas e volumétricas. A discriminação técnica é um documento que tem por objetivo descrever, de forma completa e precisa, os materiais de construção utilizados, indicando onde estes materiais serão aplicados e quais as técnicas necessárias para sua execução (ABNT, 1994). Por outro lado, as especificações são recomendações anexadas ao projeto destinada a fixar caracte- rísticas e requisitos exigíveis para matérias-primas, produtos semifabricados, elementos de construção, materiais ou produtos industriais semiacabados que serão utilizados na execução do projeto, visando garantir a qualidade dos serviços (ABNT, 1994). A lista de materiais trata-se de um levantamento quantitativo de todos os materiais que foram especificados no projeto, devendo conter todas as informações necessárias para a sua aquisição. O orçamento, por sua vez, é um documento que demonstra a avaliação de custos, tais como serviços, materiais, mão de obra e taxas relacionadas à execução do projeto proposto. O estudo de viabilidade técnica de arquitetura é um documento que visa identificar a viabilidade de se desenvolver e executar determinado projeto que se planeja. Além de possuir elementos como desenhos (esquemas gráficos, diagramas e histogramas), o estudo de viabilidade também se apresenta em forma de texto, em forma de relatórios técnicos (ABNT, 2017). 49 Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 1. Descreva quais as diferenças entre a Implantação e a Planta de Cobertura. 2. Os cortes são planos secantes verticais que dividem a edificação em duas partes. Eles devem mostrar o maior número de informações e detalhes construtivos do edifício. Quais os elementos e informações que um corte deve mostrar? Cite ao menos 3 elementos. 3. A planta baixa de uma edificação é um dos principais desenhos na apresentação de projeto, sendo também o mais comum, pois nela encontramos diversas informações importantes do projeto. Cite 4 informações demonstradas na planta baixa. 50 Desenho Arquitetônico Autor: Gildo Montenegro Editora: Blucher Sinopse: este é um livro de consulta para desenhistas, técnicos de edificações, arquitetos e engenheiros. Ele mostra o uso dos instrumentos de desenho, con- venções gráficas, normas técnicas, detalhes construtivos e vocabulário técnico, além de apresentar as medidas dos equipamentos usuais de uma habitação. É fartamente ilustrado e demonstra que um livro técnico não tem que ser chato: nele cabe também o humor, se o leitor tiver isto e imaginação. Comentário: o livro aborda o passo a passo do desenho arquitetônico, assim como os elementos gráficos que compõem um projeto arquitetônico, elementos construtivos e principais elementos construtivos de uma edificação. LIVRO 51 ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6492:1994. Representação de projetos de arquitetura. Rio de Janeiro, 1994. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13532:1995. Elaboração de projetos de edificações – Arquitetura. Rio de Janeiro, 1995. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 16636-1:2017. Elaboração e desenvolvimento de serviços técnicos especializados de projetos arquitetônicos e urbanísticos – Parte 1: Diretrizes e terminologia. Rio de Janeiro, 2017. FARELLY, L. Fundamentos de arquitetura. Tradução: Alexandre Salvaterra. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2014. MONTENEGRO, G. A. Desenho de projetos. 1. ed. São Paulo: Blucher, 2007. MONTENEGRO, G. A. Desenho arquitetônico. 5. ed. rev. ampl. São Paulo: Edgard Blucher, 2017. NEVES, L. P. Adoção do partido na arquitetura. 3. ed. Salvador: EDUFBA, 2012. 52 1. A implantação de uma edificação é um desenho que deve mostrar todo o terreno e a localização da edificação dentro dele. Aparecem nela elementos presentes no terreno, tais como árvores, construções existentes, postes, calçada etc., enquanto a Planta de Cobertura tem como objetivo demonstrar como será a cobertura da edificação, número de águas, inclinação, tipo de telha e outros detalhes necessários à compreensão do projeto. 2. Os cortes devem demonstrar detalhes como: • Altura das portas e das janelas. • Altura do forro ou do pé-direito dos ambientes. • Inclinação da cobertura. • Altura e detalhes dos degraus em escadas. • Altura dos revestimentos do banheiro. 3. A Planta baixa deve demonstrar informações como: • O atendimento ao programa de necessidades. • Dimensões dos ambientes. • Conexão entre os espaços. • Localização das aberturas. • Tipos de revestimentos de piso. • Layout interno (mobiliário). 53 54 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Compreender em quais etapas é dividido um projeto e qual a importância de cada etapa no processo de projeto. • Apresentar as etapas que compõem o início do estudo e desenvolvimento do projeto. • Apresentar as etapas que se consolidam como desenvol- vimento de projeto, suas características e especificidades. • Conhecer as etapas necessárias para que um projeto ar- quitetônico seja aprovado e liberado pelos órgãos públicos. • Expor os requisitos necessários à etapa de execução de um projeto arquitetônico. As Etapas de um Projeto Arquitetônico Etapas do Pré-Projeto Etapas para Aprovação Legal do Projeto Etapa de Execução e Posteriores Etapas de Desenvolvimento Me. Andréia Gonçalves Darice Etapas do Projeto Arquitetônico As Etapas de um Projeto Arquitetônico Esta unidade abordará as etapas do projeto ar- quitetônico, destacando o processo de projeto e as fases pelas quais ele passa até se tornar uma obra edificada. 57UNIDADE 3 De acordo com Montenegro (2007), um pro- jeto arquitetônico passa por diversas etapas, que são definidas por ele como: primeiramente o de- sejo do cliente ou do próprio arquiteto (projetista) em realizar o projeto; a partir daí vem a etapa de coleta de dados, definição do programa de neces- sidades e dos usos, assim como o levantamento de dados de projetos anteriores, que possam ser úteis ao projeto em questão. A partir de então, as primeiras ideias são esboçadas pelo projetista e os esboços são refinados para se chegar em um projeto definido, em que um esboço é escolhido e aperfeiçoado. A próxima etapa, segundo o autor, seria os primeiros traços do anteprojeto, seguidos de correções, chegando ao projeto definitivo. Com o projeto definitivo em mãos, vem o processo de especificações e acabamentos. A etapa seguinte é a aprovação do projeto pelo cliente e pelos órgãos públicos, permitindo, assim, a etapa de execução. Muitos poderiam pensar que se findam nesse mo- mento as etapas do projeto, mas, de acordo com Montenegro(2007), deve-se considerar, ainda, uma etapa, a de exame do projeto construído vi- sando identificar erros e acertos. “ O projeto arquitetônico é parte central do projeto completo de edificação, conjunto de projetos das diversas especialidades neces- sárias para a execução de uma edificação. Estes projetos são desenvolvidos por meio de uma abordagem evolutiva, caracterizada por etapas e fases, e também consideran- do-se tempos simultâneos para atividades complementares de diversas especialidades que têm que ser coordenadas e integradas (ABNT, 2017b, p. 5). Segundo Montenegro (2016), o processo de pro- jeto passa por etapas de formulação de alterna- tivas possíveis, e a representação técnica é parte do processo. De acordo com Neves (2012), projetar um edifício é um ato de criação, sendo fruto da ima- ginação criadora, da sensibilidade do projetista, sua intuição e percepção. Assim, segundo o au- tor, o ato de projetar se divide em três principais etapas: a primeira se trata da coleta e análise das informações básicas; a segunda se caracteriza pela adoção do partido arquitetônico, transpondo para o papel a formulação conceitual do projeto; e a ter- ceira é a da solução final, o projeto arquitetônico, produzindo o projeto executivo (NEVES, 2012). Por outro lado, para Lawson (2005 apud KO- WALTOWSKI et al., 2011), a sequência essencial no processo de projeto é a análise, a síntese e a avaliação (Figura 1). Essa sequência de processo de projeto contém as etapas de projeto. Figura 1 - Ciclo de uma sequência de decisões de projeto proposto por Lawson Fonte: Lawson (2005 apud KOWALTOWSKI et al., 2011, p. 88). Se analisarmos o modelo de processo de projeto proposto por Markus (1971 apud KOWALTO- WSKI et al., 2011), veremos que cada etapa do processo de projeto é composta por uma sequên- cia de análise, síntese e avaliação, para se chegar na melhor alternativa (Figura 2). Análise SínteseAvaliação 58 Etapas do Projeto Arquitetônico Figura 2 - Modelo de processo de projeto e sequência de decisões proposto por Markus Fonte: Markus (1971 apud KOWALTOWSKI et al., 2011, p. 86). Saída Esboço Desenvolvimento DetalhamentoDecisão Análise Síntese Avaliação Análise Síntese Avaliação Análise Síntese Avaliação Entrada Decisão Decisão Na visão de Farrelly (2014), independentemente da complexida- de, o projeto tem uma linha do tempo que demonstra cinco etapas fundamentais do projeto e sua execução, sendo elas o conceito, a análise do terreno, o desenvolvimento do projeto, o detalhamento e a construção e resultado. Além dos vários autores que abordam as etapas de projeto arquite- tônico, a ABNT, por meio da NBR 16636-2 (2017b, p. 8-9), de maneira mais pragmática, estabelece duas fases principais para o desenvolvi- mento do projeto de arquitetura, sendo elas a fase de preparação e a fase de elaboração e desenvolvimento de projetos técnicos. Cada fase é subdividida em uma série de etapas de projeto. A primeira fase se divide nas etapas de: 59UNIDADE 3 • Levantamento de informações preliminares. • Programa geral de necessidades. • Estudo de viabilidade do empreendimento. • Levantamento das informações técnicas específicas, as quais, segundo a NBR, devem ser levantadas junto ao empreendedor ou contratadas no projeto. Por sua vez, a segunda fase, a de elaboração e desenvolvimento dos projetos, divide-se nas seguintes etapas: • Levantamento de dados para arquitetura, em que se levantam informações técnicas específicas. • Programa de necessidades para arquitetura. • Estudo de viabilidade de arquitetura. • Estudo preliminar arquitetônico. • Anteprojeto arquitetônico. • Projeto para licenciamentos. • Estudo preliminar dos projetos complementares. • Anteprojetos complementares. • Projeto executivo arquitetônico. • Projetos executivos complementares. • Projeto completo de edificação. • Documentação conforme construído, o chamado “as built”. O infográfico a seguir ilustra as duas fases e suas respectivas etapas. Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. 60 Etapas do Projeto Arquitetônico FASES DOS PROJETOS ARQUITETÔNICOS E COMPLEMENTARES DA EDIFICAÇÃO FASE 1 ATIVIDADES PREPARATÓRIAS FASE 2 ETAPAS DE ELABORAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS TÉCNICOS Estudo preliminar arquitetônico (EP-ARQ) Estudo de viabilidade de arquitetura (EV-ARQ) Anteprojeto arquitetônico (AP-ARQ) Projeto para licenciamento (PL) Levantamento de informações preliminares (LV-PRE) Programa geral de necessidades (PGN) Estudo de viabilidade do empreendimento (EVE) Levantamentos de informações técnicas específicas (LVIT-ARQ) Estudo preliminar dos projetos complementares (EP-COMP) Projetos executivos completos de edi�cações (PECE) OBRA Anteprojetos complementares (AP-COMP) Projetos executivos arquitetônicos (PE-ARQ) Projetos executivos complementares (PE-ARQ) Pr oc es so s de co m pa ti bi liz aç ão DUCUMENTAÇÃO CONFORME COSTRUÍDO (AS BUILT) Figura 3 - Fases dos projetos arquitetônicos Fonte: adaptada de ABNT (2017b). Nos próximos tópicos, serão abordadas as etapas de projeto e suas especificidades. 61UNIDADE 3 Etapas do Pré-Projeto Neste tópico, serão abordadas as etapas e proces- sos de projeto que fazem parte do pré-projeto ou etapa inicial de preparação para o desenvolvi- mento dos projetos técnicos, atividades estas que serão base para a formulação das ideias de projeto e seu desenvolvimento, culminando na etapa de execução da obra. Fazem parte desta etapa as atividades de desen- volvimento de pesquisas sobre o terreno em que a edificação será implantada, organogramas, orça- mentos, levantamento de regulamentos oficiais e estimativas de custos do projeto. Estas pesquisas terão como resultado a criação de relatórios téc- nicos, esboços preliminares, diagramas, plantas, cortes, perspectivas, fotografias e até maquetes (ABNT, 2017b; MONTENEGRO, 2016). Segundo a NBR 16636-2 (ABNT, 2017b), nesta etapa, deve-se levantar as informações a respeito da legislação (municipais, estaduais ou federais) que incida sobre o lote onde a edificação será construída, assim como as características do ter- reno, como a topografia, orientação solar, ventos predominantes, edificações existentes, caracterís- ticas do entorno, entre outros. Estas informações serão fundamentais ao projetista para desenvolver 62 Etapas do Projeto Arquitetônico as ideias de projeto. Segundo Farrelly (2014), entender o terreno, seu entorno imediato e o contexto urbano maior permite que o projeto tenha uma conexão mais adequada com ele. De acordo com a NBR 16636-2 (ABNT, 2017b), as etapas ini- ciais incluem, também, a formulação do programa de necessida- des, devendo apresentar as informações necessárias à concepção arquitetônica da edificação, como: os ambientes previstos, caracte- rísticas, exigências, número, idade e permanência dos usuários em cada ambiente; características funcionais ou das atividades a serem desempenhadas em cada ambiente; características, dimensões e serviços dos equipamentos e mobiliário; exigências ambientais, níveis de desempenho; e instalações especiais (elétricas, mecânicas, hidráulicas e sanitárias). O programa de necessidades pode ser expresso, segundo a NBR VARANDA SALA DE ESTAR BAR SALA DE JANTAR SANITÁRIO SOCIAL SUÍTE SOCIAL SUÍTE DOS FILHOS QUARTO DE HÓSPEDES COPA - COZINHA ÁREA DE SERVIÇO GARAGEM QUARTO DE EMPREGADA SANITÁRIO DE EMPREGADA TIPOS DE LIGAÇÕES ELEMENTOS DO PROGRAMA — 1º GRAU (LIGAÇÃO DIRETA) — 2º GRAU (LIGAÇÃO INDIRETA) — 3º OU + GRAUS (LIGAÇÃO REMOTA) 16636-2 (ABNT, 2017b), por meio de organograma funcio- nal e esquemas básicos, memo- rial com as recomendações ge- rais, assim como planilhas que descrevam os ambientes e suas relações com usuários, ativida- des, exigências, suas dimensões e quantidades. A Figura 4 ilustra um orga- nograma funcional, descreven- do um programa de necessi- dades do projeto, assim como a relação de ligaçãoentre os ambientes/espaços. Figura 4 - Exemplo de organograma funcional Fonte: Neves (2012, p. 52). Outra etapa desta fase é o es- tudo de viabilidade, importan- te para identificar se é viável ou não o desenvolvimento do projeto arquitetônico e sua exe- cução. Segundo a NBR 16636- 2, o estudo de viabilidade deve considerar os estudos anterio- res, assim como dados de outras áreas técnicas relacionadas ao projeto, visando estabelecer so- luções alternativas e as conclu- sões e recomendações. O estudo de viabilidade pode ser expresso por meio de esquemas gráficos, diagramas e histogramas ou re- latórios (ABNT, 2017b). Essas são as etapas iniciais do projeto; na sequência, ve- remos as etapas de desenvolvi- mento do projeto arquitetônico. 63UNIDADE 3 Nas etapas de desenvolvimento, trataremos das atividades de estudo preliminar e anteprojeto que, segundo Montenegro (2016), escolha do modelo, definição dos sistemas básicos do edifício, os ma- teriais e o dimensionamento. Os primeiros traços dão ideia de onde ficará cada espaço, as ligações entre eles, definição de acessos, assim como o aproveitamento da ventila- ção natural e da insolação. Esses traços iniciais se tratam de uma síntese que servirá de base para o projeto (MONTENEGRO, 2016). A figura ilustra os primeiros traços de desenvolvimento da ideia de zoneamento de funções de uma residência. Etapas de Desenvolvimento 64 Etapas do Projeto Arquitetônico Figura 5 - Estudo de uma residência: zoneamento de funções Fonte: Montenegro (2016, p. 87). À medida que a ideia de projeto é desenvolvida, é necessário fazer considerações e tomar decisões que envolvem os usos dos espaços, os materiais, estratégias de conforto ambiental, entre outros. Essas decisões precisam reforçar o conceito inicial em vez de negá-lo, ou seja, “é essencial que o conceito principal seja preservado durante o projeto – e que o processo de tomada de decisões não comprome- ta a integridade da ideia” (FAR- RELLY, 2014, p. 176). O estudo preliminar é defi- nido pela NBR 16636-2 (ABNT, 2017b, p. 8) como a etapa de projeto em que as informações técnicas são apresentadas de forma sucinta, porém suficien- te para a caracterização geral da concepção adotada. Isso inclui a definição inicial das “funções, dos usos, das formas, das di- mensões, das localizações dos ambientes da edificação”. Nesta etapa, também se faz a caracte- rização dos elementos constru- tivos e tecnologias construtivas recomendadas. O estudo preli- minar traz soluções alternativas, suas vantagens e desvantagens, visando facilitar as escolhas se- guintes. A Figura 6 ilustra o es- tudo preliminar de uma fachada residencial. Figura 6 - Estudo preliminar: concepção da fachada de edificação residencial Fonte: Montenegro (2016, p. 89). 65UNIDADE 3 De acordo com a ABNT (2017a, p. 7), o estudo preliminar arquitetônico é a “etapa destinada ao di- mensionamento preliminar dos conceitos do projeto arquitetônico da edificação e anexos necessários à compreensão da configuração da edificação, podendo incluir alternativas de projetos”. O estudo preliminar é composto por plantas, cortes, elevações, detalhes construtivos, memorial justificativo, perspectivas, maquetes, fotografias e até recursos audiovisuais (ABNT, 2017b), que de- monstrem a ideia geral do projeto. O estudo preliminar deve ser aprovado pelo cliente para que, a partir de então, siga para a próxima etapa de projeto. A Figura 7 ilustra a planta baixa de uma residência em nível de estudo preliminar. Esta representação gráfica pode ser levada ao cliente para sua apreciação e aprovação. Figura 7 - Estudo preliminar: planta baixa de edificação residencial Fonte: Montenegro (2016, p. 93). A etapa seguinte ao estudo preliminar é o anteprojeto, etapa em que a ideia principal é aprimorada. É a etapa “destinada à concepção e à representação das informações técnicas provisórias de detalhamento do projeto arquitetônico da edificação, instalações e componentes” (ABNT, 2017a, p. 2). Para ser desenvolvido, o anteprojeto deve levar em consideração o estudo preliminar, devendo apresentar as informações técnicas relativas à edificação, seus elementos e componentes construtivos relevantes. O anteprojeto deve apresentar, basicamente, os mesmos desenhos do estudo preliminar, no entanto, eles detêm maior detalhamento e maiores especificações, dentre eles está o “memorial descritivo dos elementos da edificação, dos componentes construtivos e dos materiais de construção” (ABNT, 2017b, p. 9). 66 Etapas do Projeto Arquitetônico A B Figura 8 - Planta baixa de uma residência – Anteprojeto Fonte: Montenegro (2016, p. 83). O Anteprojeto é o aprimoramento da ideia desenvolvida nas etapas anteriores; trata-se da configuração final da solução arquitetônica adotada para a obra e, assim como o estudo preliminar, deve receber a aprovação do cliente. A partir de então, o projeto passa a ser preparado para aprovação em órgãos específicos e para execução da obra. 67UNIDADE 3 Esta etapa pode ser simples e rápida ou bastante complexa, de acordo com a tipologia da edifica- ção e a quantidade de órgãos e requisitos técnicos que o projeto deva atender para ser aprovado por todos os órgãos. Nesta etapa, obtém-se o projeto de aprovação ou de licenciamento, pois permite que o projeto arquitetônico tenha aprovação além do cliente. O projeto legal ou projeto para licenciamento, como é chamado, trata-se do projeto arquitetô- nico preparado para aprovação nos órgãos com- petentes, como as prefeituras, concessionárias de serviços públicos, corpo de bombeiros, vigilân- cia sanitária, órgãos ambientais, conselhos dos patrimônios artísticos e históricos, entre outros, que seja necessário de acordo com a tipologia e dimensão do projeto. Etapas para Aprovação Legal do Projeto 68 Etapas do Projeto Arquitetônico Assim, o projeto para aprovação é a configuração técnico-ju- rídica da solução arquitetônica e deve ser produzido seguindo as normas técnicas de apresentação e representação gráfica exigidas pelos órgãos avaliadores. Vale lembrar que, de acordo com a localização do projeto/obra, os critérios podem mudar. Os órgãos municipais e estaduais podem ter critérios diferentes de região para região, assim, cabe ao projetista responsável estar atento aos critérios de cada região ou município onde irá atuar. Um exemplo disso são as leis de uso e ocupação do solo que possuem características particulares em cada município. Para se produzir este tipo de projeto, deve-se levar em consi- deração o anteprojeto de arquitetura e de outras áreas técnicas, a legislação vigente e normas técnicas específicas, produzindo, assim, informações necessárias e suficientes ao atendimento dos requisitos legais para os procedimentos de análise e de aprovação do projeto para a sua construção (ABNT, 2017b). O projeto para licenciamento é composto por desenhos, textos e memoriais requeridos em leis, devendo atender aos requisitos estabelecidos pelos órgãos onde o projeto será submetido para análise e aprovação (ABNT, 2017b). Caso o projeto não necessite da aprovação por nenhum órgão, esta etapa pode ser dispensada. 69UNIDADE 3 A etapa de execução e posteriores é composta pela elaboração do projeto arquitetônico executivo, projeto completo da edificação e também pelo projeto as built. O projeto executivo se trata da etapa “ destinada à concepção e à representação fi- nal das informações técnicas dos projetos arquitetônicos e de seus elementos, insta- lações e componentes, completas, definiti- vas, necessárias e suficientes à execução dos serviços e de obras correspondentes (ABNT, 2017a, p. 12). Etapa de Execução e Posteriores 70 Etapas do Projeto Arquitetônico Assim, o Projeto da Execução é composto por um conjunto de documentos técnicos: textos, memoriais, peças gráficas e especificações – necessárias ao processo de licitação ou à execução da obra, ou seja, é a etapa de detalhamento da solução de projeto adotadae aprovada pelo cliente e órgãos técnicos competentes, permitindo informações suficientes para a execução da obra. Dessa forma, para que o projeto executivo seja elaborado, deve levar em consideração o anteprojeto aprovado pelo cliente. Segundo Farrelly (2014), nesta etapa são feitos os desenhos que permitem que a obra seja construída. A quantidade de desenhos e sua escala irá depender da complexidade do projeto, pois elementos espe- ciais necessitam de mais detalhes, enquanto outros, mais padronizados, exigem menos detalhamentos. No desenvolvimento do projeto executivo, o projetista deve considerar, além do anteprojeto de arquitetura, os anteprojetos produzidos por outras atividades técnicas (ABNT, 2017b). A parte gráfica do projeto executivo é composta por plantas, sendo elas: de implantação geral, plan- tas e detalhes da cobertura, cortes longitudinais e transversais, elevações frontais, laterais e posterior; detalhes de ambientes especiais, como banheiros, cozinhas e lavatórios que contenham as especificações técnicas de seus componentes e quantificação; detalhes de elementos e componentes (ABNT, 2017b). Por outro lado, a parte textual é composta pelo memorial descritivo dos elementos e componentes arquitetônicos da edificação, memorial descritivo que aborde as instalações prediais, os componentes construtivos e materiais, o quantitativo dos componentes construtivos e dos materiais de construção e orçamento. Podem ainda apresentar, de forma opcional e complementar ao entendimento do projeto, elementos como as perspectivas, maquetes físicas ou eletrônicas, fotografias e montagens, além de recursos audiovisuais (ABNT, 2017b). Tão importante quanto o projeto executivo arquitetônico é o projeto completo. Esta etapa é destinada à conclusão da “compatibilização dos projetos executivos, e ao detalhamento das definições construtivas que envolve o conjunto de desenhos, memoriais, memórias de cálculo e demais informações técnicas das especialidades” (ABNT, 2017a, p. 12). Estas informações devem ser compatibilizadas e aprovadas pelo cliente de modo que possam servir à completa execução da edificação projetada. O projeto completo não contempla apenas o projeto executivo arquitetônico, mas também os projetos complementares da edificação: instalações elétricas, hidrossanitárias, estrutural, prevenção de incêndio, entre outros. Após a execução das obras, caso haja alterações no projeto que tenham ocorrido durante a exe- cução, o projeto executivo completo deve receber a atualização. A essa nova documentação se dá o nome de projeto conforme construído (as built). A NBR 16636-2 (ABNT, 2017b) ressalta que essas alterações devem ocorrer com anuência dos autores, construtores e cliente. Essa documentação se torna importante para as ações de uso, manutenção e operação da edificação, devendo ser arquivada pelos responsáveis pela edificação. 71UNIDADE 3 Assim, encerramos esta unidade que tratou das etapas de projeto. Na próxima unidade, abordaremos as principais condicionantes que determinam o projeto arquitetônico. O termo “as built” vem do inglês e sua tradução ao pé da letra significa “como construído”, ou seja, tem como objetivo registrar exatamente como a edificação foi construída, caso tenham ocorrido mudanças no projeto durante a obra. O projeto “as built” evita que, futuramente, durante o uso da edificação ou manutenção, problemas surjam por haver incompatibilidade entre o projeto e a edifi- cação. Um exemplo bem simples seria o morador desejar furar uma parede para instalar um móvel e precisar saber se nesta posição passa alguma tubulação hidráulica, para tanto ele poderá consultar o projeto, porém, se ocorreram modificações na posição da tubulação e isso não foi informado no projeto “as built”, poderá ser gerado um grande inconveniente. 72 Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 1. Desenvolva um organograma das etapas de projeto arquitetônico. 2. Desenvolva um organograma funcional, parte da etapa de pré-projeto, com base no seguinte programa de necessidades: Escritório, recepção, sanitário público, sanitário privativo e hall de entrada. 3. Edifícios residenciais multifamiliares são desafiadores não apenas no processo de projeto, mas também no processo de pós-ocupação e administração, haja visto que, nestas edificações, ao longo de sua vida útil, habitaram diversas fa- mílias, com diferentes valores e expectativas e que adaptarão suas unidades de acordo com seu modo de vida. Há também um desafio para síndicos e adminis- tradoras, que devem gerir e garantir a manutenção adequada às estruturas e sistemas do edifício. Neste cenário, qual a relevância do projeto as built no uso e manutenção do edifício? 73 O traço dá ideia: bases para o projeto arquitetônico Autor: Gildo Montenegro Editora: Blucher Sinopse: este livro estuda aspectos práticos do ambiente construído ou a se construir, sem deixar de lado os sonhos e a criatividade do projetista. Esta obra pode orientar tanto o profissional calejado como o estudante e o estagiário, incentivando-os a valorizarem o esboço visto como ponto de partida para o projeto – não somente aqui, mas também nos escritórios modernos –, antes de ele seguir para a representação digital. A obra começa com o ABC do dese- nho à mão livre, aponta alternativas concretas de adaptação da construção ao ambiente e discute o papel do arquiteto na sociedade atual e naquela com que todos sonhamos. Há, ainda, um capítulo em que se exemplifica a concepção inicial de vários projetos, desde seus primeiros rascunhos e ideias até suas fases finais de desenvolvimento. LIVRO 74 ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 16636-1:2017. Elaboração e desenvolvimento de serviços técnicos especializados de projetos arquitetônicos e urbanísticos - Parte 1: Diretrizes e terminologia. Rio de Janeiro, 2017a. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 16636-2:2017. Elaboração e desenvolvimento de serviços técnicos especializados de projetos arquitetônicos e urbanísticos - Parte 2: Projeto arquitetônico. Rio de Janeiro, 2017b. FARRELLY, L. Fundamentos de arquitetura. Tradução de Alexandre Salvaterra. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2014. KOWALTOWSKI, D. C. C. K.; MOREIRA, D. de C.; PETRECHE, J. R. D.; FABRICIO, M. M. (orgs.). O processo de Projeto em Arquitetura. São Paulo: Oficina de Textos, 2011. MONTENEGRO, G. A. Desenho de projetos. 1. ed. São Paulo: Blucher, 2007. MONTENEGRO, G. A. O traço dá ideia: bases para o projeto de arquitetura. São Paulo: Blucher, 2016. NEVES, L. P. Adoção do partido na arquitetura. 3. ed. Salvador: EDUFBA, 2012. 75 1. Organograma com as etapas de projeto arquitetônico: Etapas de preparação Etapas de desenvolvimento Estudo preliminar Anteprojeto Projeto para aprovação Projeto Executivo Projeto Completo Projeto “as built” Levantamento de informações Programa de necessidades Estudo de viabilidade Execução da obra Hall de entrada RecepçãoSanitário público Escritório Sanitário privativo 2. Organograma com o programa de necessidades: 3. O projeto “as built” tem por finalidade registrar as mudanças ocorridas no projeto durante a obra, assim ele evita que, futuramente, durante o uso da edificação ou manutenção, problemas surjam por haver in- compatibilidade entre o projeto e a edificação. No caso de edifícios residenciais multifamiliares, onde são muito comuns reformas internas nas unidades habitacionais ao longo do tempo, o projeto as built permite que essas reformas sejam adequadamente planejadas e compatíveis com os sistemas do edifício, evitando, por exemplo, perfuração de tubulação hidráulica ou de gás, assim como retirada de elementos estruturais do edifício. No que tange à administração e manutenção do edifício, o projeto as built pode garantir que problemas nos sistemas do edifício e sua manutenção sejam identificados de forma mais rápida e precisa, uma vez que ele registra exatamente como o edifício se consolidou após a construção, registrandomu- danças do projeto inicial. Pode parecer óbvio, mas infelizmente muitas edificações não contêm projeto as built e há muita incompatibilidade entre projeto e execução. 76 77 78 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Reconhecer quais são as condicionantes, relacionadas ao local de implantação, que podem interferir no processo de projeto. • Apresentar as influências das condições topográficas de um terreno na formulação do projeto arquitetônico. • Compreender como condicionantes ambientais direcio- nam as ações de projeto. • Apresentar as principais diretrizes urbanas as quais um projeto arquitetônico deve atender para ser aprovado pelos órgãos públicos. • Conhecer as principais normas e legislações brasileiras que se aplicam no processo de projeto de edificações. As Condicionantes do Local de Implantação As Condicionantes Topográficas Condicionantes As Urbanísticas Normas e Legislações Aplicadas ao Projeto Arquitetônico As Condicionantes Ambientais Me. Andréia Gonçalves Darice Condicionantes do Projeto Arquitetônico As Condicionantes do Local de Implantação Faz parte da essência humana ordenar e modifi- car o ambiente buscando atender às suas neces- sidades. Por meio da arquitetura, o homem cria espaços que servem de abrigo, para a realização das atividades produtivas do dia a dia, assim como para o lazer e atividades sociais. Ao longo da história, o homem sempre buscou construir espaços protegidos e adaptados à topo- grafia, à vegetação, à temperatura e às intempéries, visando promover conforto aos usuários. Assim, estudar e compreender as condicionantes locais era fundamental. De acordo com Baron e Francisco (2015, p. 132), pensar um projeto é uma atividade comple- xa, que consiste em “articular os vários elementos que o compõem: sociais, ambientais, tecnológicos, funcionais e estéticos”. 81UNIDADE 4 O projeto arquitetônico depende de diversas condicionantes e sua solução deve ser uma resposta direta a elas. Como defende Odebrecht (2006, p. 9), “ A arquitetura tem como intuito criar espaços (internos e exter- nos), adaptados às necessidades dos indivíduos que os ocupam. Para tanto, deve se propor a resolver problemas de ordem fun- cional e de ordem estética, observando o contexto em que se inserem, tanto o físico, como o cultural, o socioeconômico e o tecnológico. Todos estes aspectos devem ser trabalhados em conjunto, com igual importância, para que a arquitetura possa produzir edificações de significativa qualidade. As condicionantes fazem parte do processo de desenvolvimento do projeto arquitetônico. Elas determinam critérios a serem adotados no projeto, como: o entendimento das determinantes climáticas; o bom uso dos recursos materiais disponíveis; a aplicação de critérios econômicos e o entendimento dos fatores culturais. O ato de projetar é estabelecer relações entre partes de um todo. Um projeto de qualidade nunca deve ser indiferente ao seu entorno, pois a arquitetura pertence a um lugar, repousa sobre um terreno ou sítio (FARRELLY, 2014), ou seja, a arquitetura não existe sem um lugar. Cada terreno tem características distintas em termos de topo- grafia, localização e definições históricas, assim, Farrelly (2014) destaca que a análise do terreno permite que aspectos e caracte- rísticas específicas possam influenciar na ideia de projeto, como as características históricas com relação à tipologia arquitetônica das edificações ou materiais construtivos, assim como as variáveis climáticas. Desta forma, entender o terreno, seu entorno imediato e o contexto urbano maior permite que o projeto tenha uma conexão mais adequada com ele. Segundo Baron e Franscisco (2015, p. 135) “a leitura do lugar oferece, primeiramente, a compreensão sobre o contexto e as condições do terreno onde será implementada a obra”. Desta forma, é essencial que o projetista compreenda o terreno onde a edificação será implantada, pois ele sugere uma série de parâmetros que afetam o projeto de arquitetura, como a orientação solar, os acessos ao terreno e sua ligação com outras partes da cidade (FARRELLY, 2014). Da mesma forma como o terreno pode condicionar o projeto, ele também pode ofe- recer oportunidades incríveis. Segundo Farrelly (2014, p. 12), é justamente isso que torna a arquitetura “específica e única”, pois não existem terrenos exa- tamente iguais. De acordo com Ching (2014), na análise do local de implantação, o projetista deve considerar aspectos como as condicionantes e oportunidades do contexto, as influências his- tóricas e culturais, as condicio- nantes ambientais – sol, ventos e precipitações –, as caracterís- ticas da topografia, da paisagem e dos recursos hídricos, assim como os modos de aproxima- ção, acesso e caminhos dentro de um terreno. A análise do terreno ou sítio é crucial para a arquitetura, vis- to que oferece os critérios com os quais o arquiteto deve traba- lhar (FARRELLY, 2014). Sem- pre que o projetista for iniciar um novo projeto, é preciso co- nhecer o local de implantação, levantar suas características, analisar o entorno imediato de modo a compreender como se dará a inserção do projeto, qual a interferência poderá sofrer do lote e também do entorno. 82 Condicionantes do Projeto Arquitetônico As condicionantes topográficas são aquelas rela- cionadas ao relevo do terreno/local de implan- tação. Essas condicionantes podem ser decisivas para a adoção da solução de projeto. Ao analisar as condicionantes topográficas, deve-se levar em consideração as condições do sítio e do terreno, a proteção contra águas de chu- va, desestabilização do solo, custos gerados por grandes movimentações de terra, além da estética e harmonia com a paisagem do entorno imediato. Um bom projetista tira proveito das condicionan- tes topográficas, de modo a acomodar melhor a edificação no lote e reduzir movimentações de solo desnecessárias, que podem também elevar o custo da obra. As Condicionantes Topográficas 83UNIDADE 4 Um lote pode ser plano, possuir aclive ou declive, como demonstra a imagem a seguir. Dificilmen- te um terreno natural, ou seja, sem movimentações de terra, será totalmente plano. Um terreno em aclive é o lote onde o nível da rua ou testada de acesso ao lote está abaixo do nível nos fundos do lote, ou seja, a altura vai aumentando à medida que a extensão do lote é percorrida (Figura 1a). Por outro lado, em um lote em declive, o nível da rua está acima do nível nos fundos do lote, ou seja, a altura vai diminuindo à medida que a extensão do lote é percorrida (Figura 1c), enquanto o lote plano possui o mesmo nível em toda a sua extensão (Figura 1b). A B C TERRENO EM ACLIVE TERRENO PLANO TERRENO EM DECLIVE Figura 1 - Exemplos de lotes com aclive, plano e declive Fonte: adaptada de Espaço D Arquitetura ([2020], on-line)1. A Casa Carmem Portinho, projeto do arquiteto Afonso Reidy, é um exemplo de obra desenvolvida em um terreno com declive. Como podemos observar na Figura 2, que apresenta o Corte longitudinal da edificação, o arquiteto tirou partido da declividade do terreno para acomodar a edificação, criando um bloco suspenso sobre pilotis, criando vistas para a paisagem do entorno, tornando-se um mirante para o vale, as colinas e a vegetação existente. 84 Condicionantes do Projeto Arquitetônico Figura 2 - Corte da Casa Carmem Portinho Fonte: Reidy (1951 apud Casas Brasileiras, 2011, on-line)2. A Figura 3, que ilustra a maquete da obra, dá-nos mais conhecimento de como era o terreno e como a obra se insere nele, sem fazer movimentação de terra, fazendo mínima intervenção. Figura 3 - Perfil do terreno - maquete Fonte: Casas Brasileiras ([2020], on-line)3. O acesso está localizado no nível da rua, onde também está a garagem e dependências de serviços. No bloco suspenso sobre os pilotis, está a parte principal da residência: quartos, cozinha, jantar/estar e varanda, abertos para a vista da paisagem. 85UNIDADE 4 No cenário arquitetônico,temos diversos exemplos de profissio- nais que tiraram partido jus- tamente da topografia do lote para criar seus projetos. A casa da Cascata, projeto do arquiteto Norte americano Frank Lloyd Wrigth, é um bom exemplo de edificação adaptada à paisagem e ao relevo natural do terreno (Figura 5). A edificação se abriga em meio à vegetação e repousa sobre as pedras naturais do sítio, que adentram o espaço interno da edificação. O arquiteto res- peita as condicionantes do lote e integra a edificação a ele, tirando proveito dessas condicionantes. Figura 4 - Planta baixa da Casa Carmem Portinho Fonte: Reidy (1951 apud Casas Brasileiras, 2011, on-line)2. Figura 5 - Fallingwater (Casa da cascata), Arquiteto Frank Lloyd Wrigth 86 Condicionantes do Projeto Arquitetônico Outro bom exemplo de adaptação ao relevo é a Residência Helio Olga, projeto do arquiteto brasileiro Marcos Acayaba. O projeto da edificação é uma parceria entre o arquiteto e o engenheiro e proprietário Helio Olga. O terreno possuía alta declividade, assim a solução estrutural foi criar uma estrutura com poucos pontos de apoio, reduzindo a interferência no terreno (Figura 6). Figura 6 - Residência Helio Olga, arquiteto Marcos Acayaba Fonte: Kon ([2020], on-line)4. A solução adotada levou em consideração também outras condi- cionantes, como aproveitamento da iluminação natural e das vistas para a paisagem do entorno. 87UNIDADE 4 Outro aspecto fundamental para o desenvolvimen- to do projeto arquitetônico é a atenção às condi- cionantes ambientais do local de inserção da obra. Segundo Odebrecht (2006), a questão am- biental deve ser introduzida logo no início da concepção do projeto arquitetônico, pois implica condicionantes fundamentais que interferem nas soluções adotadas pelo projetista. São as relações ambientais em escala local que influem direta- mente na qualidade da concepção do projeto arquitetônico por meio de: uma boa ventilação natural (definição do tipo, forma e orientação das aberturas); da utilização de dispositivos não poluentes do ar, da água ou do solo; de sistema de esgoto; do uso adequado do relevo, respeitan- do as curvas de níveis, evitando cortes ou aterros desnecessários; da conservação da vegetação sig- nificativa; do conforto termoacústico; da valori- zação da insolação e da proteção de seu excesso (ODEBRECHT, 2006, p. 13). As Condicionantes Ambientais 88 Condicionantes do Projeto Arquitetônico O projetista deve conhecer o clima da região e as variáveis climáticas que envolvem o projeto: sol, ventos, chuva. Um bom projeto arquitetônico visa atenuar os aspectos negativos e fazer o melhor aproveitamento dos aspectos positivos com relação à localização. Segundo Lamberts, Dutra e Pereira (2014), é fundamental o conhecimento das variáveis climáticas para o desenvolvimento do projeto arquitetônico, para se alcançar edificações mais adequadas ao conforto dos usuários e mais eficientes com relação ao consumo de energia. A radiação solar é a principal fonte de energia do planeta, sendo fonte de calor, de luz, além de possuir efeitos esterilizantes, que garantem a salubridade nos espaços. Entender a orientação solar é um dos requisitos principais para determinar a implantação da edificação no lote e como ela receberá a luz do sol. Segundo Lamberts, Dutra e Pereira (2014), é possível tirar partido ou mesmo evitar a luz e o calor solar, sendo a melhor opção ter como premissa o conforto térmico e visual do usuário e a economia de energia. Nesse sentido, cabe ao projetista avaliar a orientação solar no local de implantação, assim como adotar critérios e estratégias para maximizar os ganhos e minimizar os prejuízos advindos da radiação solar, conciliando os ganhos de carga térmica com a iluminação natural, fundamental para a saúde humana e para a redução do consumo energético. É importante lembrar que o sol traz iluminação e calor, assim, fazer bom uso da orientação solar é fundamental para se obter bons resultados de projeto. Figura 7 - Esquema de planta com “orientação ideal” em termos de iluminação natural Fonte: Lamberts, Dutra e Pereira (2014, p. 158). 89UNIDADE 4 Recomenda-se que os ambientes de permanência estejam orientados para o sol da manhã, enquanto áreas de serviço, lavanderias e banheiros para o sol da tarde (Figura 7). A vegetação é outra aliada do projeto, pois auxilia na diminuição da temperatura do ar, produz som- breamento e ainda é um elemento de melhoria estética da paisagem, ou seja, traz mais beleza aos espaços. A vegetação pode ser utilizada como estratégia para modificar a velocidade dos ventos, bloquear a poeira e a poluição sonora, como demonstra a Figura 8. Figura 8 - Influência da vegetação na ventilação natural Fonte: Lamberts, Dutra e Pereira (2014, p. 182). Segundo Odebrecht (2006), as condicionantes ambientais acompanham todo o processo de projeto, uma vez que interferem desde a implantação do projeto no terreno, passando pela escolha dos elementos construtivos que implicam em aspectos estéticos, até detalhamentos técnico funcional e construtivos. 90 Condicionantes do Projeto Arquitetônico No desenvolvimento do projeto arquitetônico, o projetista deve estar atento também às condicio- nantes urbanísticas, relacionadas ao uso e ocupa- ção do solo. Essas condicionantes são específicas de cada município e são expressas em forma de lei. A legislação de uso e ocupação do solo de um município tem por objetivo disciplinar o adensa- mento urbano, criando uma relação entre áreas edificadas e áreas livres, preservando áreas de ventilação e iluminação natural nos lotes e nos logradouros públicos. Normalmente, a lei de uso e ocupação divide a cidade em diversos zonea- mentos, ou seja, áreas com critérios específicos de ocupação. A Figura 9 traz o exemplo de zonea- mento urbano de uma região de Brasília, em que cada cor representa uma zona diferente, ou seja, de acordo com cada cor, mudam-se os critérios de uso e ocupação do solo. As Condicionantes Urbanísticas 91UNIDADE 4 Figura 9 - Exemplo de mapeamento de uso e ocupação do solo Fonte: DISTRITO FEDERAL (2017, on-line). Exemplo: se um lote tem 1.000 m2 e sua taxa de ocupação é 60%, isso significa que a projeção da edificação deve ser de, no máximo, 600 m2. 10% 20% 30% 40% 50% 60% Projeção da construção no terrenoTaxa de ocupação (TO) 18% 18% Não muda a T.O. 23% Muda a T.O. A TO mede apenas a projeção da edi�cação sobre o terreno. Parâmetros de referência para a TO. Dentre as diretrizes urbanís- ticas tratadas na Lei de uso e ocupação do solo, estão a taxa de ocupação, coeficiente de aproveitamento, recuos, taxa de permeabilidade e gabarito (altura) das edificações. Taxa de ocupação: área má- xima que a projeção horizontal da edificação pode ocupar no lote. É expressa em porcenta- gem, por exemplo: 60%, signi- fica que a projeção horizontal da edificação pode ocupar 60% da área total do lote. Figura 10 - Representação da taxa de ocupação Fonte: adaptada de Urbanidades (2007, on-line)5. 92 Condicionantes do Projeto Arquitetônico A taxa de ocupação não consi- dera a projeção vertical da edi- ficação, somente a horizontal, assim, não importa a altura do edifício. No entanto, em alguns zoneamentos, pode haver taxas de ocupação diferentes entre os pavimentos. É o que ocorre no exemplo dado na Tabela 1, em É a existência de leis de uso e ocupação do solo e do zoneamento urbano que permite que nossas cidades sejam heterogêneas, ten- do áreas com edificações térreas e outras com edifícios verticais. O zoneamento ordena os usos, garantindo, por exemplo, que não haja uma indústria geradora de ruídos do lado de edificações residenciais ou escolares ou que todas as vias sejam comerciais. Se observarmos nossas cidades, perceberemos que as atividades comerciais ocupam espaços específicos e que algumas áreas são somente residenciais. Isso acontece porque se tem o zoneamento. Tabela 1 - Parâmetros de ocupação do solo Zo na Al tu ram áx im a da ed ifi ca çã o Co ef ic ie nt e m áx im o de ap ro ve it am en to Ta xa m áx im a de oc up aç ão d o lo te Afastamento mínimo das divisas Fr on ta l Laterais Fundos < 2 pav Sem abert. Com abert. < 8 pav < 2 pav > 2 pav ZR3 Térreo + 7 2,5 Térreo e 2º pav. 70 Demais 50 3 Sem=Dispen- sável Com=1,5 2,5 Sem=Dis- pensável Com=1,5 Até 20 pav=5 + 20 pav=7 Fonte: adaptada de Maringá (2011). que a taxa de ocupação é de 70% para o térreo e segundo pavimento, e de 50% para os demais, ou seja, os outros seis pavimentos poderão ocupar, no máximo, 50% da área total do lote. Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. Coeficiente de aproveitamento 93UNIDADE 4 Figura 11 - Exemplificação de recuos Fonte: Prefeitura de São Paulo (2014, on-line)6. Todos os recuos Sem recuo Recuo de fundo Recuo lateral Recuo lateral Recuo frontal Alinhamento predial: linha divisória legal entre o lote e o logradouro público. Fonte: Maringá (2016, on-line). São chamados de Logradouro público os espaços livres da cidade destinados ao uso dos cidadãos e à circulação de veículos, como ruas e avenidas, praças, largos, calçadões, jardins, entre outros. Outra diretriz urbanística é o Coeficiente de aproveitamento, o qual trata da área máxima a ser cons- truída em um determinado lote. O coeficiente é expresso por um numeral, ex.: 1, 2, 3, 5 etc. Assim como a taxa de ocupação, o coeficiente pode variar de acordo com o zoneamento da cidade. O coeficiente determinará o potencial construtivo do lote em metros quadrados. Os recuos tratam do afastamento mínimo que a edificação deve ter dos limites do lote. São divi- didos em recuo frontal, laterais e fundos. Os recuos também variam de acordo com o zoneamento, normalmente em áreas residenciais os recuos, principalmente o frontal, são maiores que em áreas comerciais, onde, na maioria dos casos, o recuo frontal é dispensado e as edificações são construídas no alinhamento predial. A Taxa de permeabilidade é a área mínima do lote que deve ficar livre de edificação e pavimentação, permitindo a permeabilidade do solo e percolação das águas pluviais. A figura demonstra taxas dife- rentes de permeabilidade para um mesmo terreno, considerando soluções de projeto diferentes. 94 Condicionantes do Projeto Arquitetônico 15% do terreno permite a infiltração de água no solo Taxa de Permeabilidade = 0,3 Taxa de Permeabilidade = 0 Taxa de Permeabilidade = 0,15 30% do terreno permite a infiltração de água no solo Neste caso, não há possibilidade de infiltração de água no solo, pois o subsolo está edificado. Figura 12 - Exemplos de diferentes taxas de permeabilidade Fonte: Prefeitura de São Paulo (2014, on-line)6. O gabarito das edificações determina a altura máxima que as edificações podem ter em determinado zoneamento. Essa altura é normalmente expressa em metros ou em pavimentos. Alguns zoneamentos indicam a altura por meio de cota (ex: cota 650); essa cota é medida com relação ao nível do mar. Exemplo: se a cidade para onde se irá desenvolver o projeto está na cota 550 m em relação ao nível do mar e o gabarito máximo permitido é a cota 650, isso significa que a edificação terá, no máximo, 100 m de altura. A) Coeficiente de aproveitamento B) Taxa de Ocupação C) Taxa de Permeabilidade D) Lote Mínimo e Área Mínima E) Gabarito de Altura Máxima F) Recuos Figura 13 - Resumo dos parâmetros urbanísticos Fonte: Prefeitura de São Paulo (2014, on-line)6. 95UNIDADE 4 Além dos parâmetros de uso e ocupação, o projeto arquitetônico deve estar em conformidade com outras legislações e normas. Dentre elas está o código de obras do município. Este se trata de uma lei municipal em que são estabelecidos os critérios e exigências para a construção de edifi- cações no município. Essa lei estabelece critérios como a classificação dos ambientes de acordo com sua utilização, assim como as áreas mínimas que devem ter, requisitos quanto à iluminação e venti- lação natural da edificação, dentre outros parâme- tros. A lei pode indicar, ainda, o número de vagas de garagem de acordo com o uso da edificação, altura do pé direito dos ambientes, dimensão dos acessos, entre outros. Assim, o projeto arquitetônico só é aprova- do pela prefeitura local se atender aos requisitos estabelecidos nessa lei. Os códigos de obras são leis com estruturas semelhantes, no entanto, cada município tem seus requisitos e especificidades, cabendo ao projetista sempre consultar o código de obras da cidade onde pretende atuar. Normas e Legislações Aplicadas ao Projeto Arquitetônico 96 Condicionantes do Projeto Arquitetônico O código de obras municipal complementa ou é complemen- tado pelas normativas nacionais, como a NBR 9050:2015, que dis- põe sobre a acessibilidade em edificações e espaços urbanos, e a NBR 15575:2013, conhecida como Norma de desempenho, trata do desempenho de edificações habitacionais, prevendo requisitos mínimos para o bom desempenho das edificações, ficando a cargo do projetista o atendimento aos critérios previstos nesta normativa. Além das leis municipais, há as normas federais que devem ser atendidas. Dentre elas estão as normas de proteção contra incêndio, que determinam os critérios a serem implantados nas edificações de acordo com seu uso, visando prevenir as edificações contra incêndio, assim como a previsão de rotas de fuga em caso de sinistros. Estas normas classificam as edificações de acordo com o risco que elas apresentam, assim como determinam as dimensões de acessos e cir- culações de acordo com o uso e população de uma edificação. O aten- dimento a essas normativas é fiscalizado pelo Corpo de Bombeiros. Existem ainda as leis específicas, que se relacionam com o tema do projeto, por exemplo, projeto hospitalar, escolar, hospedagem etc. Edificações hospitalares devem atender ao código sanitário municipal, que tem como referência as normas do Ministério da Saúde e é fiscalizado pela Vigilância Sanitária. Por outro lado, uma edificação escolar deve atender aos requisitos da Secretaria Esta- dual de Educação, baseado nas Normas do Ministério da Educa- ção (ODEBRECHT, 2006). Edificações que interfiram ou esteja, localizadas em espaços de projeção ambiental ou próximo deles devem ainda atender a requisitos dos órgãos ambientais, como as secretarias do meio ambiente, institutos ambientais estaduais e Ibama. Vale lembrar que estes projetos devem atender também todos os critérios estabelecidos pelo código de obras municipal e pelo Corpo de Bombeiros, de acordo com a necessidade. Nesta unidade, pudemos conhecer as principais condicionantes no processo de desenvolvimento do projeto arquitetônico e como o projetista, engenheiro civil, deve lidar com essas condicionantes, a fim de obter uma edificação mais adequada ao conforto dos usuá- rios, ecoeficiência e menores custos finais. 97 Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 1. Calcule a área máxima a ser construída em cada pavimento, considerando a taxa de ocupação e o coeficiente do terreno dado: Área do terreno: 900 m2 Taxa de ocupação: 60% Coeficiente de aproveitamento: 2 Altura máxima da edificação: Térreo + 2 2. Discorra sobre a diferença entre um terreno em aclive e um em declive. Faça um croqui ilustrando a diferença. 3. Explique por que é importante para o projetista respeitar e aproveitar as con- dicionantes topográficas do terreno. 98 Projeto Arquitetônico: conteúdos técnicos básicos Autor: Silvia Odebrecht Editora: EDIFURB Sinopse: esta publicação se destina a dar uma ideia geral de aspectos a serem observados quando se realiza o ato de projetar, ou seja, quando se elabora um projeto arquitetônico, que apresenta uma série de problemas a serem solucio- nados em conjunto, de forma integrada, o que determina a complexidade do exercício arquitetônico. Entretanto, não tem o objetivo de inovar métodos e/ou técnicas, mas sim o de facilitaraos projetistas o acesso ao material necessário para a iniciação ao projeto arquitetônico, encontrado, de forma dispersa, em publicações técnicas como as referenciadas na bibliografia. LIVRO 99 ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 15575:2013. Desempenho de edificações habitacionais. Rio de Janeiro: ABNT, 2013. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9050:2015. Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro: ABNT, 2015. BARON, C. M. P.; FRANCISCO, A. M. O processo projetual e os desafios de ensinar a criar espaços. In: FIORIN, E.; LANDIM, P. C.; LEOTE, R. S. (orgs.). Arte-ciência: processos criativos [online]. São Paulo: Editora UNESP; São Paulo: Cultura Acadêmica, p. 131-153, 2015. Disponível em: http:// books.scielo.org/id/jhfsj/pdf/fiorin-9788579836244-08.pdf Acesso: 29 maio 2020. CHING, F. D. K. Introdução à arquitetura. Tradução: Alexandre Salvaterra. Porto Alegre: Bookman, 2014. DISTRITO FEDERAL. SEDUH. SECRETARIA DE ESTADO DE DESENVOLVIMEN- TO URBANO E HABITAÇÃO. Lei Complementar de Uso e Ocupação do Solo do Distrito Federal: Região administrativa de Águas Claras. 2017. Disponível em: http://www.seduh.df.gov.br/wp-conteudo/uploads/2017/10/audiencia_aguas_claras_ra20.jpg. Acesso em: 01 jun. 2020. FARRELLY, L. Fundamentos de arquitetura. Tradução: Alexandre Salvaterra. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2014. LAMBERTS, R.; DUTRA, L.; PEREIRA, F. O. R. Eficiência energética na arquitetura. 3. ed. Rio de Janeiro, 2014. Disponível em: http://labeee.ufsc.br/sites/default/files/apostilas/eficiencia_ener- getica_na_arquitetura.pdf. Acesso em: 29 maio 2020. MARINGÁ. Lei Complementar nº 1.045/2016. Institui o Código de Edificações e Postu- ras Básicas para projeto, implantação e licenciamento de edificações no Município de Ma- ringá e dá outras providências. Prefeitura do Município de Maringá, 2016. Disponível em: http://sisweb.maringa.pr.gov.br:81/acessocidadao/arquivos/Lei%20Complementar%201045-2016.pdf. Acesso em: 29 maio 2020 MARINGÁ. Lei Complementar nº 888/2011. Dispõe sobre o uso e ocupação do solo no municí- pio de Maringá e dá outras providências. Prefeitura do Município de Maringá, 2011. Disponível em: http://www2.maringa.pr.gov.br/sistema/arquivos/geo/leis/lc_888_2011_uso_ocupacao_solo_ lei_consolidada.pdf. Acesso em: 29 maio 2020 http://books.scielo.org/id/jhfsj/pdf/fiorin-9788579836244-08.pdf http://books.scielo.org/id/jhfsj/pdf/fiorin-9788579836244-08.pdf 100 ODEBRECHT, S. Projeto Arquitetônico: Conteúdos Técnicos Básicos. Blumenau: EDIFURB, 2006. REFERÊNCIAS ON-LINE 1Em: https://www.espacodarq.com.br/blog/artigo/dica-construcao. Acesso em: 29 maio 2020. 2Em: https://casasbrasileiras.wordpress.com/2011/12/03/redidencia-em-jacarepagua/. Acesso em: 29 maio 2020. 3Em: http://www.casasbrasileiras.arq.br/csaportinho.html. Acesso em: 29 maio 2020. 4Em: http://www.nelsonkon.com.br/casa-helio-olga-2/. Acesso em: 29 maio 2020. 5Em: https://urbanidades.arq.br/2007/12/10/taxa-de-ocupacao-e-coeficiente-de-aproveitamento/. Acesso em: 29 maio 2020. 6Em: https://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads/2014/10/236926557-Caderno-1-Revisao- -da-Lei-de-Parcelamento-Uso-e-Ocupacao-do-Solo.pdf. Acesso em: 29 maio 2020. 101 1. Lote 900 m2, logo sua taxa de 60% equivale a 540 m2 por pavimento. Seu coeficiente de 2 equivale a 1800 m2 total. Dividindo 1800 em 3 pavimentos, teremos 600 m2, no entanto, a área máxima é 540m2 x 3 pav= 1620m2. 2. Um terreno em aclive se trata de um lote onde o nível da rua ou testada de acesso está abaixo do nível nos fundos do lote, ou seja, a altura vai aumentando à medida que a extensão do lote é percorrida. Por outro lado, em um lote em declive, o nível da rua está acima do nível nos fundos do lote, ou seja, a altura vai diminuindo à medida que a extensão do lote é percorrida. 3. Respeitando as condicionantes topográficas, o projetista acomodará melhor a edificação no lote e reduzirá movimentações de solo desnecessárias, que além de interferir na paisagem natural, ainda eleva o custo da obra. 102 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Conhecer os conceitos de acessibilidade, as normativas e os princípios que orientam a implantação de acessibilidade universal em projetos arquitetônicos. • Expor os conceitos e princípios para o projeto de circula- ção e acessos em edificações. • Apresentar os conceitos e parâmetros para o dimensio- namento e representação gráfica de rampas em projetos arquitetônicos. • Apresentar os conceitos e parâmetros para o dimensiona- mento e representação gráfica de escadas que garantam a acessibilidade aos espaços edificados. • Apresentar os conceitos e parâmetros para o projeto e dimensionamento de sanitários acessíveis em projetos arquitetônicos. Conceitos e Normas de Circulação e Acessibilidade no Brasil Circulação Horizontal Circulação Vertical: Escadas Instalações Sanitárias Acessíveis Circulação Vertical: Rampas Me. Andréia Gonçalves Darice Circulação e Acessibilidade Conceitos e Normas de Circulação e Acessibilidade no Brasil Caro(a) aluno(a), a circulação e o deslocamento são essenciais para que as pessoas desenvolvam suas atividades cotidianas. Nesta unidade, fare- mos uma reflexão sobre os espaços de circulação e acessibilidade nas edificações, e como estes devem ser pensados durante o projeto arquitetônico. Se a circulação é fundamental, no espaço edi- ficado não é diferente, os espaços de circulação são fundamentais para garantir a livre circula- ção e conexão entre os ambientes, proporcionar acessibilidade a todos os usuários e também ser- vir como rotas de fuga em caso de situações de emergência. Apesar de não se tratar de espaços de permanência prolongada, os espaços de circula- ção são fundamentais para o bom desempenho da edificação e, para tanto, devem obedecer a normas e critérios técnicos. A circulação em uma edificação se divide em dois tipos: a circulação horizontal, dada, princi- palmente, por meio de corredores, passarelas; e a circulação vertical, por meio de escadas, rampas, elevadores e plataformas elevatórias. Segundo Montenegro (2017), a necessidade de aproveitamento dos terrenos nos espaços ur- banos fez com que surgissem as construções de pavimentos superpostos, gerando, assim, a neces- 105UNIDADE 5 sidade de construção de elementos de circulação vertical, como as escadas, rampas, elevadores, plata- formas elevatórias etc. Entretanto, não é somente os edifícios de diversos pavimentos que necessitam dos elementos de circulação vertical: terrenos em desnível ou mudanças de nível entre ambientes, por menores que sejam, vão necessitar desses elementos para promover a acessibilidade e continuidade entre os espaços. Nos dias atuais, a acessibilidade universal é uma das grandes metas da arquitetura. Vamos, então, entender o termo acessibilidade. Segundo a ABNT NBR 9050 (2015, p. 2), acessibilidade é a “ possibilidade e condição de alcance, percepção e entendimento para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou privado de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida. Desta forma, a acessibilidade significa permitir a todas as pessoas a possibilidade de acesso às edificações, ao espaço urbano, aos transportes e às tecnologias de informação e comunicação, de forma autônoma. “ [...]acessibilidade é a característica de um meio físico ou de um objeto que permite a interação de todas as pessoas com esse meio físico ou objeto e a utilização destes de uma forma equilibrada/ami- gável, respeitadora e segura. Isto significa igualdade de oportunidades para todos os utilizadores ou utentes, quaisquer que sejam as suas capacidades, antecedentes culturais ou lugar de residênciano âmbito do exercício de todas as atividades que integram o seu desenvolvimento social ou individual (PORTUGAL, 2003, p. 23). Assim, garantir a acessibilidade é possibilitar o exercício da cidadania e autonomia a todos os usuários. No que tange ao projeto arquitetônico, as edificações devem ser projetadas e construídas de modo que promovam a inclusão e seu usufruto por todos os cidadãos de maneira segura e autônoma. Nesse contexto, se insere o conceito de desenho universal que trata da “ concepção de espaços, artefatos e produtos que visam atender simultaneamente todas as pessoas, com diferentes características antropométricas e sensoriais, de forma autônoma, segura e confortável, constituindo-se nos elementos ou soluções que compõem a acessibilidade (CREA-MG, 2006, p. 9). A NBR 9050 (ABNT, 2015, p. 7) ressalta que os elementos oriundos do desenho universal devem ser utilizados por todas as pessoas, sem que seja necessário adaptação ou projeto específico, pois o conceito de desenho urbano tem como pressuposto a “ equiparação das possibilidades de uso, flexibilidade no uso, uso simples e intuitivo, captação da in- formação, tolerância ao erro, mínimo esforço físico, dimensionamento de espaços para acesso, uso e interação de todos os usuários. 106 Circulação e Acessibilidade O desenho universal é constituído por sete princípios, são eles (ABNT, 2015; CREA-MG, 2006): 1. Uso equitativo: o ambiente ou elemento pode ser usado por diversas pessoas, com idade e habilidades distintas. Esse prin- cípio prevê eliminar a segregação, pro- mover o uso com privacidade, segurança, conforto, sem que deixe de ser atrativo ao usuário. 2. Uso flexível: o design atende a uma ampla gama de indivíduos, preferências e habi- lidades. Esse princípio prevê diferentes maneiras de uso como para destros e ca- nhotos, e pessoas com diferentes tempos de reação a estímulos. 3. Uso simples e intuitivo: o uso deve ser de fácil compreensão, dispensando experiên- cia, nível de formação elevado, conheci- mento do idioma ou alta capacidade de concentração do usuário. 4. Informação de fácil percepção: o elemento ou espaço comunica eficazmente ao usuá- rio as informações necessárias, sendo elas percebidas por pessoas com diferentes ha- bilidades, como usuários cegos, surdos, analfabetos, entre outros. 5. Tolerância ao erro: o elemento ou espaço minimiza o risco e as consequências ad- versas de ações involuntárias ou imprevis- tas. Esse princípio prevê o agrupamento de elementos que apresentam risco, iso- lando-os ou eliminando-os, assim como o emprego de avisos de risco ou erro. 6. Baixo esforço físico: o uso deve ocorrer com um mínimo de esforço, de forma eficiente e confortável, evitando fadiga muscular do usuário. Esse princípio pre- vê que os usuários mantenham o corpo em posição neutra, minimizando ações repetidas e a sustentação do esforço físico. 7. Dimensão e espaço para aproximação e uso: o elemento ou ambiente deve ter es- paços e dimensões apropriados para in- teração, alcance, manipulação e uso, para usuários com características distintas. Esse princípio prevê a sinalização em elemen- tos importantes e deve permitir alcance confortável aos componentes, assim como prever implantação de espaços adequados para uso de tecnologias assistivas. Assim, o conceito de desenho universal prevê uma arquitetura e um design com maior foco no ser humano e na sua diversidade. No Brasil, a NBR 9050 (ABNT, 2015) é a normativa que trata especificamente da acessibilidade em edificações, no mobiliário e nos espaços e equipamentos urbanos. Contudo, outras normativas devem ser consideradas nos projetos arquitetônicos, dentre elas a NBR 9077 (ABNT, 2001), que estabelece os critérios para as saídas de emergência em edifícios. Estas normas auxiliam e orientam os projetistas quanto aos critérios necessários para que as edificações promovam a acessibilidade e segurança aos seus usuários, independentemente de sua condição. Vale lembrar que o espaço construído, enquanto projeto planejado, pode contribuir tanto para integrar as pessoas como pode segregá-las. Assim, destaca-se a importância do projetista, seja ele ar- quiteto, urbanista ou engenheiro, já que são estes profissionais que irão planejar e projetar os espaços edificados, determinando como estes serão utilizados pelos usuários. Desta forma, cabe ao engenheiro civil, enquanto projetista, estar atento às normas e leis que abordem a acessibilidade e circulação em edificações. 107UNIDADE 5 Circulação Horizontal Neste tópico, trataremos dos meios de acesso e circulação em uma edificação e de que forma esta deve ser pensada pelo projetista para que garanta a segurança e acessibilidade a qualquer usuário. Para tanto, abordaremos os critérios da ABNT NBR 9050/2015 e NBR 9077/2001. A circulação horizontal nas edificações é rea- lizada por meio de corredores, passarelas e pas- sagens. Estas, por sua vez, devem promover livre circulação, conectando os espaços e garantindo o ir e vir dos usuários; para isso, elas devem estar livres de barreiras arquitetônicas. Isto é, os espaços de circulação, principalmente as rotas de fuga, devem estar permanentemente livres de qualquer obstáculo que impeça ou dificulte a circulação das pessoas. 108 Circulação e Acessibilidade No Brasil, as normas ABNT NBR 9077/2001 e NBR 9050/2015 estabelecem critérios para o dimensio- namento dessas circulações, com base no tipo de edificação, seu uso e número de ocupantes (população do edifício). As áreas de circulação e acessos das edificações devem ser dimensionadas de acordo com o fluxo de pessoas, conforme critérios estabelecidos pela NBR 9077/2001. Entende-se por “Barreira Arquitetônica, Urbanística ou Ambiental, qualquer elemento natural, insta- lado ou edificado que impeça a aproximação, transferência ou circulação no espaço, mobiliário ou equipamento urbano”, impedindo a acessibilidade. Fonte: CREA-MG (2006, p. 7). A rota de fuga se trata do trajeto a ser percorrido pelo usuário da edificação, de qualquer ponto, em caso de sinistro (incêndio), até chegar a uma área segura. Fonte: adaptada de ABNT (2015). Além dos critérios estabelecidos pela ABNT, o profissional deve estar atento também às legislações estaduais e municipais. O código do Corpo de Bombeiros de cada Estado é o documento técnico que trata dos critérios de projeto para atender situações de emergência e garantir acessibilidade. O acesso de uma edificação se trata do “caminho a ser percorrido pelos usuários do pavimento, consti- tuindo a rota de saída horizontal, para alcançar a escada ou rampa, área de refúgio ou descarga” (ABNT, 2001, p. 2). Os acessos são constituídos de elementos como os corredores, as passagens, os vestíbulos, os balcões, varandas ou terraços. É fundamental que os acessos permitam fácil escoamento dos usuários do prédio; para tanto, devem manter-se desobstruídos em todos os pavimentos, possuir altura livre de dois metros e serem sinalizados e iluminados com indicação clara do sentido da saída. Vale ressaltar que os acessos devem permanecer livres de quaisquer obstáculos, não só arquitetônicos, mas também móveis, divisórias móveis, expositores de mercadorias, entre outros (ABNT, 2001; ABNT, 2015), que possam dificultar ou impedir a livre circulação das pessoas. 109UNIDADE 5 Para que as edificações de uso público e coletivo promovam acessibilidade de segurança aos ocu- pantes, elas devem possuir rotas acessíveis. “ A rota acessível é um trajeto contínuo, desobstruído e sinalizado, que conecta os ambientes externos e internos de espaços e edificações, e que pode ser utilizada de forma autônoma e segura por todas as pessoas. A rota acessível interna incorpora corredores, pisos, rampas, escadas, elevadores e outros elementos da circulação (ABNT, 2015, p. 5). Nas edificações, a circulação interna feita com corredores deve considerar dimensionamento de acordo com o fluxo de pessoas, assegurando faixa livre de barreiras ou obstáculos.A NBR 9050 (ABNT, 2015, p. 68) estabelece larguras mínimas para corredores de acordo com seu uso e extensão, sendo: • 0,90 m para corredores de uso comum com extensão até 4,00 m. • 1,20 m para corredores de uso comum com extensão até 10,00 m. • 1,50 m para corredores com extensão superior a 10,00 m. • 1,50 m para corredores de uso público. • Maior que 1,50 m para grandes fluxos de pessoas. Estas dimensões estão referenciadas nas dimensões necessárias para a circulação de pessoas, incluindo pessoas em cadeira de rodas, conforme ilustra a Figura 1. 0,90 Uma pessoa em cadeira de rodas 1,20 a 1,50 VISTA FRONTAL VISTA SUPERIOR A Um pedestre e uma pessoa em cadeira de rodas B 1,20 a 1,50 Duas pessoas em cadeira de rodas C Figura 1 - Dimensões necessárias para a circulação Fonte: ABNT (2015, p. 68). 110 Circulação e Acessibilidade Como podemos observar na figura, para a circulação de uma pessoa em cadeira de rodas, é necessária uma largura de 0,90 m; para o deslocamento de uma pessoa em pé e uma em cadeira de rodas, é necessário espaçamento entre 1,20 m e 150 m. Por outro lado, para que duas pessoas em cadeiras de rodas se locomovam, é necessária uma circulação de largura entre 1,50 m e 1,80 m. As medidas apresentadas na Figura 2 estão relacionadas ao mó- dulo de referência estabelecido por essa NBR. 1,20 0, 80 Figura 2 - Módulo de referência Fonte: ABNT (2015, p. 8). O módulo de referência ou M.R. nada mais é que o espaço ocupado por uma pessoa utilizando cadeira de rodas motorizada ou não, ou seja, uma projeção de 0,80 m por 1,20 m no piso. Fonte: adaptada de ABNT (2015). A NBR 9050 (ABNT, 2015) estabelece que, para grandes fluxos, os corredores tenham largura superiores a 1,50 metros. Para tanto, deve-se adotar os critérios e parâmetros estabelecido na NBR 9077 (ABNT, 2001), levando em consideração a população do edifício, que é estabelecida com base no tipo de uso da edificação, e a partir de então, determinar a largura mínima necessária para que as cir- culações sejam projetadas de forma segura e acessível. 111UNIDADE 5 Para promover a acessibilidade universal, as ram- pas são elementos fundamentais para vencer os desníveis entre os ambientes de uma edificação e dos espaços urbanos. Elas permitem, por exem- plo, que um cadeirante se desloque com indepen- dência, assim como uma pessoa com carrinho de bebê, ou uma pessoa idosa ou com mobilidade reduzida que tenha dificuldade permanente ou provisória de subir escadas. Elas facilitam o des- locamento, mas para que isso realmente aconteça, as rampas devem ser projetadas e executadas de forma adequada, com os critérios estabelecidos em norma. No Brasil, a NBR 9050 (ABNT, 2015) é a normativa que trata dos requisitos técnicos para elaboração de escadas e rampas. A rampa se trata de um plano inclinado, po- dendo ser utilizado para circulação de pessoas, veículos, cargas, devendo sempre prever patamar de descanso. O que irá definir a inclinação da ram- pa é sua extensão (MONTENEGRO, 2017). São consideradas rampas as superfícies com declivi- dade igual ou superior a 5% (ABNT, 2015). Circulação Vertical: Rampas 112 Circulação e Acessibilidade Patamar Corrimão Lance Uma rampa é composta pelas seguintes partes: • Segmento ou lance: superfície inclinada da rampa. • Patamar: superfície plana, destinada ao descanso ou mudança de direção entre os segmentos da rampa. • Corrimão: barra arredondada e contínua, localizada junto às paredes ou guardas para promover apoio no deslocamento dos usuários. Figura 3 - Partes que compõem uma rampa Para garantir que uma rampa seja acessível, a NBR 9050/2015 define alguns critérios, como os limites máximos de inclinação, os desníveis a serem vencidos e o número máximo de segmentos, conforme demonstra a Tabela 1. Tabela 1 - Dimensionamento de rampas Desníveis máximos de cada segmento de rampa (h) - m Inclinação admissível em cada segmento de rampa (i) - % Número máximo de segmentos de rampa 1,50 5,00 (1:20) Sem limite 1,00 5,00 (1:20) < i ≤ 6,25 (1:16) sem limite 0,80 6,25 (1:16) < i ≤ 8,33 (1:12) 15 Fonte: ABNT (2015, p. 59). O dimensionamento das rampas é feito com base na seguinte equação: i = h x 100c Sendo i: a inclinação, expressa em porcentagem (%). h: a altura do desnível. c: o comprimento da projeção horizontal. Exemplo 1: Para se dimensionar o comprimento de uma rampa com inclinação (i) igual a 5% e desnível (h) de 3 metros, temos: 3 × 100 c 300 c5 = c = = 60 m Isto é, o comprimento total dos segmentos de rampa será igual a 60 metros. Ao comprimento da rampa deve-se acrescentar a dimensão dos patamares, que deve ter a mesma largura da rampa. 113UNIDADE 5 Exemplo 2: Caso tenha-se uma rampa e deseja-se identificar a inclinação, usando a mesma regra, substitui-se os valores. Para uma altura (h) de 3 metros, vencidos por uma rampa de comprimento (c) 40 metros, tem-se 3 × 100 40i = 300 40i = i = 7,5 Isto é, esta rampa possui inclinação de 7,5%. Tipos de Rampa Segundo Montenegro (2017), as rampas são pouco utilizadas em residências, porém largamente utili- zadas em edifícios públicos e de uso coletivo, como as escolas, hospitais, edifícios esportivos, mercados, onde a circulação intensa de pessoas justifica seu uso. As rampas podem possuir desenhos e formatos diferentes; neste sentido, elas podem ser de lance reto, podendo ser apenas um lance ou vários, interligados por patamares e área de descanso, ou podem ser curvas como no projeto do arquiteto Oscar Niemeyer para o Museu de Curitiba e para o Museu de arte contemporânea de Niterói - RJ. Aliás, o uso de rampas curvas em seus projetos é uma marca do arquiteto. Figura 4 - Rampa de lance reto Figura 5 - Rampa de lance reto - Palácio do Planalto, Brasília 114 Circulação e Acessibilidade As rampas em curva devem seguir critérios específicos, de modo a garantir o dimensionamento adequado para a acessibilidade dos usuários. Para tanto, no seu dimensionamento deve ser considerada a inclinação máxima admissível de 8,33% e um raio mínimo de 3,00 m, medido no perímetro interno à curva, conforme Figura 8. Figura 8 - Rampa em curva Fonte: ABNT (2015, p. 59). C CC R = 3, 00 mí nimo Pat am ar Patamar 1,20 mín.1,50 recomendado 1,2 0 m ín. 1,5 0 rec om end ado L Figura 6 - Rampa de lance curvo - MON, Curitiba Figura 7 - Rampa de lance curvo - MAC, Niterói A largura das rampas, sejam elas de lance reto ou curvo, deve ser estabelecida de acordo com o fluxo de pessoas, para tanto, usa-se os critérios estabelecidos pela NBR 9077 (ABNT, 2001). No entanto, a NBR 9050 recomenda como largura livre para as rampas em rotas acessíveis 1,50 m, sendo admissível o mínimo de 1,20 m. Outro requisito para segurança e acessibilidade é a exigência de que toda rampa tenha corrimão de duas alturas em cada lado (ABNT, 2015), ele irá garantir o apoio para o deslocamen- to do usuário. O corrimão deve ser contínuo em toda a extensão da rampa, incluindo os patamares. 115UNIDADE 5 Para edificações onde não seja possível fazer a inserção de rampas para promover a acessibilidade, é possível adotar outras soluções, como as plataformas elevatórias e as cadeiras elevatórias adaptadas em escadas existentes, como demonstram as Figuras 10 e 11. Os patamares presentes no início e no término das rampas, assim como os intermediários, entre os segmentos da rampa, devem ter dimensão longitudinal mínima de 1,20 m. Por sua vez, aqueles patamares situados em mudanças de direção da rampa devem possuir a mesma largura da rampa (ABNT, 2015). A Figura 9 ilustra a representação gráfica de uma rampa de lances múltiplos e retos. Os segmentos das rampas devem indicar o sentido de fluxo e a inclinação, assim como o comprimento. i i i i 1,20 1,20 1,20c c Figura 9 - Patamares em rampas Fonte: ABNT (2015, p. 59). Figura 10 - Plataforma elevatória Figura 11 - Cadeira elevatória 116 Circulação e Acessibilidade As escadas são elementos arquitetônicos de cir- culação verticalque tem como função promover a ligação entre planos de níveis diferentes. Primeiramente, vamos entender melhor quais os elementos que compõem uma escada. • Degrau: corresponde a cada mudança de nível. • Espelho: altura do degrau, segundo a NBR 9050 deve ter entre 16-18 cm de altura. • Pisada: largura do degrau, deve ter entre 28-32 cm. Segundo Montenegro (2017), se a pisada for menor não promoverá bom apoio aos pés, o que pode acarretar que- das e acidentes. • Lance: sequência de degraus sem inter- rupção. • Patamar: superfície plana para descanso ou mudança de direção entre lances da escada. • Guarda-corpo: proteção lateral da escada, para evitar a queda. • Corrimão: barra contínua de apoio para deslocamento da escada. • Largura útil: Dimensão medida entre os guarda-corpos. Circulação Vertical: Escadas 117UNIDADE 5 Figura 12 - Partes de uma escada Fonte: Montenegro (2017, p. 107). Para o dimensionamento de uma escada, deve-se sempre prever dimensões dos pisos, e espelhos devem ser constantes em toda a escada, pois isso garante maior conforto aos usuários e pode evi- tar acidentes, decorrentes de inconstâncias nas dimensões dos degraus. Para o dimensionamento da escada, deve-se usar a fórmula a seguir: 0,63m ≤ p + 2e ≤ 0,65m Em que, p: pisada e: espelho Exemplo: para dimensionar uma escada para vencer um desnível de 2,80 m, faremos: Usando espelho entre 16 e 18 cm e pisada entre 28 e 32 cm, estabeleça uma altura para o degrau. Usaremos 17,5 cm, assim, divide-se a altura total 2,80 m pela altura do espelho, dessa forma encontraremos o número de degraus necessários para essa escada. Lembrando que o número de degraus é sempre um número inteiro. Pode-se fazer o processo contrário também, estabelecendo o número de degraus e depois determinando a altura do espelho. Elementos de uma escada Corrimão Balaustre Espelho (e) Piso (p) Degrau 1º lance 2º lance Comprimento (c) Altura (h) Pavimento superiorLargura Patamar h eNe = 2,80 0,175Ne = Ne = 16 A escada terá 16 degraus. 118 Circulação e Acessibilidade 28 + 2 × 0,175 = 0,63 m 29 + 2 x 0,175 = 0,64 m 30 + 2 × 0,175 = 0,65 m A largura das escadas, assim como no caso de rampas, deve ser estabelecida de acordo com o fluxo de pessoas, seguindo os critérios da ABNT NBR 9077 (2001). No entanto, a NBR 9050 (ABNT, 2015) estabelece como largura mínima para escadas em rotas acessíveis 1,20 m. Os patamares são necessários a cada 3,20 m de desnível ou quando houver mudança de direção na escada. A dimensão longitudinal mínima dos patamares deve ser de 1,20 m e, em caso dos patamares situados em mudanças de direção, devem ter dimensões iguais à largura da escada (ABNT, 2015). As escadas com lances curvos ou mistos devem atender critérios de dimensionamento específicos, como ilustra a Figura 13. Isto é, “à distância de 0,55 m da borda interna da escada, correspondente à linha imaginária sobre a qual sobe ou desce uma pessoa que segura o corrimão, os pisos e espelhos” devem ter entre 15 e 20 cm de largura (ABNT, 2015, p. 62). Linha imaginária ≥0,15 0,5 5 As escadas podem ser projeta- das de formas e materiais varia- dos, podendo ter lance único, 2 lances, ter formato de “L”, forma- to de “U”, helicoidal, curva. Com relação aos materiais, pode ser de estrutura metálica, de con- creto, de madeira ou mista. O projetista deve estar atento aos critérios da NBR 9050, para que possa projetar o melhor tipo de escada para cada situação, aten- dendo aos critérios de seguran- ça e acessibilidade, porém sem esquecer o aspecto estético. Figura 13 - Escada com lances curvos Fonte: ABNT (2015, p. 62). Na sequência, apresenta-se diferentes tipos de escadas, executadas em formas e materiais diferentes. Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. Agora, determina-se a largura da pisada aten- dendo a fórmula 0,63m ≤ p + 2e ≤ 0,65m 0,63m ≤ p + 2 x 0,175 ≤ 0,65m Neste caso, a pisada pode ter 28, 29 ou 30 cm, pois 119UNIDADE 5 A Figura 14 ilustra uma escada de lance reto com degraus vazados, ou seja, apenas a pisada da escada é fechada, sendo o espelho vazado. Os degraus são revestidos de madeira e estação an- corados na estrutura da parede. Este tipo de esca- da não é recomendado para espaços públicos de grande circulação de pessoas, no entanto, podem ser utilizadas em espaços privativos. Por outro lado, a Figura 16 ilustra uma escada de dois lances retos, seus degraus (pisada e espelho) são totalmente fechados e a escada é apoiada em estrutura de alvenaria/concreto. Seus degraus também são revestidos de madeira. Figura 14 - Escada de lance único e reto A Figura 15 ilustra uma escada em formato de L, possui degrau vazado de madeira e estrutura de sustentação metálica. Figura 15 - Escada com 2 lances em “L” Figura 16 - Escada com 2 lances retos A Figura 17 ilustra uma escada helicoidal; este tipo de escada normalmente é executada em estrutura metálica, sendo mais utilizada para dar acesso a espaços restritos, como depósitos, mezaninos, áreas de manutenção, porém podem ser encon- tradas em algumas edificações de uso privativo. Figura 17 - Escadas helicoidais 120 Circulação e Acessibilidade A escada da Figura 18 se assemelha à Figura 14, porém, neste caso, os degraus não são vazados. Figura 18 - Escada aparente Por sua vez, a Figura 19 ilustra uma escada circular ou caracol. Este tipo de escada é bastante comum em edifícios históricos, pois simboliza imponência e grandiosidade. Figura 19 - Escada caracol 121UNIDADE 5 Como vimos nos tópicos anteriores, a acessibili- dade é um item imprescindível, principalmente em edificações públicas, onde é fundamental que os espaços sejam projetados de forma a permitir o acesso de todos os usuários com autonomia, independentemente de suas dificuldades motoras. Os sanitários, em edificações de uso comum, são ambientes que requerem atenção específica com relação à acessibilidade. Para desenvolver o projeto de banheiros aces- síveis, o projetista deve considerar aspectos im- portantes, como a localização dos acessos, as di- mensões dos sanitários, assim como os acessórios de segurança. Com relação à localização e acessos, estes devem ser previstos em rotas acessíveis, estan- do próximos à circulação principal e de maneira integrada ou, no mínimo, perto das instalações sanitárias comuns, evitando locais isolados que dificultem o auxílio em situações de emergência. Os sanitários acessíveis devem também pos- suir entrada independente, possibilitando que o usuário com deficiência possa utilizar o sanitário acompanhado de uma pessoa do sexo oposto. Instalações Sanitárias Acessíveis 122 Circulação e Acessibilidade Aspecto fundamental para garantir a acessibilidade é o di- mensionamento das instalações sanitárias. A NBR 9050 deter- mina que o espaço interno do box sanitário permita a mano- bra da cadeira de rodas, assim deve possuir diâmetro de 1,50 m, permitindo um giro de 360°. Com relação aos acessórios de apoio e segurança, a NBR 9050 estabelece a instalação de bar- ras ao lado da bacia sanitária, de modo a garantir a transferência lateral, perpendicular e diago- nal do usuário. Outro requisito é que todos os itens que exijam acionamento estejam em altura adequada que possibilite o al- cance manual, como no caso da válvula sanitária, torneira, das barras, puxadores e trincos, pa- peleira, entre outros acessórios. 0,40 0,80 mín. Co m pr im en to d a ba ci a co m tu bo d e lig aç ão La rg ur a do la va tó rio Ø 1,50 0,10 máx. 0,30 máx. Vista superior Figura 20 - Dimensões mínimas de um sanitário acessível Fonte: ABNT (2015, p. 88). 0,30 M .R . 0,50 mín. 0, 78 a 0 ,8 0 0, 65 ≥ 0, 30 0,30 0,12 Figura 21 - Dimensões necessárias para aproximação Fonte: ABNT (2015, p. 88). Por outro lado, os lavatórios devem permitir aproximação da cadeira de rodas, conforme ilustra a Figura 21. 123UNIDADE 5 Ospisos devem ser antiderrapantes, não possuindo desníveis na entrada ou soleira, assim como os ralos e grelhas devem estar fora das áreas de manobra e de transferência do cadeirante. Figura 22 - Bacia em sanitário acessível Desta forma, encerramos esta unidade destacando a importância da acessibilidade nas edificações, não apenas para os portadores de alguma necessidade especial, mas sim para todos os usuários. Ao desenvolver um projeto arquitetônico, o projetista deve ter esses requisitos como premissas de projeto. 124 Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 1. Em uma edificação, a escada para ligar os pavimentos deve vencer um desnível de 3,00 metros. Faça o dimensionamento dessa escada, seguindo o que se pede: a) Estabeleça o número de degraus da escada. b) Encontre a altura do espelho dos degraus. c) Determine a largura da pisada dos degraus. Obs.: utilize a equação 0,63 m ≤ p + 2e ≤ 0,65 m 2. Desenhe a planta baixa da escada dimensionada no exercício 1. Considere a largura da escada igual a 1,00 m. 3. Determine o comprimento e o número de segmentos para uma rampa com desnível total de 1,00 m e inclinação de 8,33%. 125 NBR 9050: Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos Autor: Associação Brasileira de Normas Técnicas Editora: ABNT Sinopse: a norma brasileira define conceitos, definições e os parâmetros para o desenvolvimento de projetos e elementos que garantam a acessibilidade uni- versal. Os requisitos tratados nesta norma se aplicam a elementos de mobiliário, aos espaços edificados, sejam eles novos ou com necessidade de adaptação, e aos equipamentos e espaços urbanos. A Norma tem como objetivo garantir a todas as pessoas o direito à livre circulação e utilização dos espaços de maneira autônoma. LIVRO Revisão da NBR 9050/2015 de Banheiros Acessíveis O vídeo apresenta de forma breve e bastante ilustrativa os requisitos da NBR 9050/2015 para um banheiro acessível residencial. O vídeo destaca as dimen- sões e os elementos necessários à acessibilidade para a área de banho, bacia sanitária e lavatório. WEB https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/2835 126 ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9050:2015. Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro: ABNT, 2015. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9077:2001. Saídas de emergência em edifícios. Rio de Janeiro: ABNT, 2001. CREA-MG. Guia de acessibilidade em edificações: fácil acesso para todos. – 2. ed. atual. / elaborado por Fla- via P. T. Torres. Belo Horizonte: CREA-MG, 2006. Disponível em: http://www.crea-mg.org.br/images/cartilhas/ Guia-de-acessibilidade-em-edificacoes.pdf. Acesso em: 03 jun. 2020. MONTENEGRO, G. A. Desenho arquitetônico. 5. ed. rev. ampl. São Paulo: Edgard Blucher, 2017. PORTUGAL. Secretariado Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência. Conceito Europeu de Acessibilidade. Edição portuguesa. Tradução: Stella Pamplona Chaves (SNRIPD). Lisboa: Secre- tariado Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência, 2005. 127 1. Dimensionamento da escada. a. Se a escada precisa vencer um desnível de 3 metros, vamos iniciar seu dimensionamento determi- nando o número de degraus, lembrando que este deve ser um valor inteiro. Vamos determinar que seja 18 degraus. b. Para encontrar o valor do espelho, dividimos o desnível (3,00) pelo número de degraus (18), lembrando das alturas máximas e mínimas permitidas para os degraus. 3,00 ÷ 18 = 0,166 m. Para encontrar a pisada, usamos os valores já encontrados (número de degraus e espelho) na equação a seguir, lembrando as medidas mínimas e máximas para a pisada. Assim, 0,63 m ≤ 30 + 2 x 0,166 ≤ 0,65 m 0,63 m ≤ 30 + 0,332 ≤ 0,65 m 0,63 m ≤ 0,632 ≤ 0,65 m Neste caso, a pisada pode ser de 30 ou 31 cm, ambos os valores ficam dentro da regra. 2. Como a escada tem o desnível total menor que 3,20 m, ela pode ter apenas um lance, mas isso dependerá de outros fatores, inclusive estéticos. A seguir algumas opções de como essa escada poderia ser dividida. 3. Como o desnível a ser vencido é maior que 0,80 m, a rampa deve ter, no mínimo, 2 lances. h×100 ci = 1×100 c0,0833 = c = 100 × 0,0833 c = 8,33 m 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 1 2 3 4 5 6 7 8 9 18 17 16 15 14 13 12 11 10 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 128 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Apresentar os principais tipos de coberturas e suas características construtivas. • Conhecer os principais tipos de telhados e suas características. • Reconhecer os elementos que compõem um telhado, sua estrutura, cobertura e captação de água pluvial. • Expor os conceitos e exercitar o dimensionamento de superfícies de telhado. • Apresentar o conceito e as características das coberturas verdes. Tipos de Coberturas Tipos de Telhados Dimensionamento e Representação de Telhados Coberturas VerdesElementos de um Telhado Me. Andréia Gonçalves Darice Coberturas Tipos de Coberturas Caro(a) aluno(a), nesta unidade, trataremos da cobertura das edificações e suas características. Para tanto, vamos entender o que é cobertura e quais os seus tipos. A cobertura se trata da parte superior do edifício, projetada para protegê-lo das intempéries (sol, chuva, ventos, neve etc.), além de proporcionar conforto térmico e acústico para a edificação. As coberturas se dividem em estruturas pla- nas e curvas. As planas incluem as lajes, sejam elas planas ou inclinadas, e os telhados (planos ou inclinados). Por outro lado, as superfícies curvas incluem as cúpulas, abóbodas e cascas (MONTE- NEGRO, 2017). 131UNIDADE 6 Figura 1 - Tipos de coberturas Fonte: adaptada de Montenegro (2017). COBERTURAS Superfícies planas Lajes Horizontal Inclinada Telhas de barro Concreto Alumínio / Zinco Plástico / Policarbonato Cimento-amianto Telhado Abóbadas Cúpulas Cascas Superfícies curvas As superfícies curvas são bas- tante exploradas na arquitetu- ra de edifícios, desde o período clássico, principalmente pelo seu aspecto estético e sensação de monumentalidade. O uso de estruturas, como as cúpulas e as abóbodas, foram e ainda são recorrentes no projeto das cate- drais. Um belo exemplo é a cú- pula da Basílica de Santa Maria del Fiore, em Florença, na Itália (Figura 2), projeto do arquiteto Filippo Brunelleschi. A cúpula foi construída em alvenaria e até os dias atuais sua forma de execução ainda é um enigma, sendo objeto de diversos estu- dos e investigações, já que não se tem registros de desenhos ou esboços do projeto. Telhado e cobertura não são a mesma coisa, na verdade o telhado é um tipo de cobertura, pois, como podemos ver, existem vários tipos de cobertura para uma edificação. Telhado é um tipo de cobertura de planos inclinados, em que cada plano é chamado de água. O plano inclinado é recoberto pelas telhas e é responsável pelo escoamento das águas pluviais. Figura 2 - Basílica de Santa Maria del Fiore, Florença, Itália 132 Coberturas As coberturas em cascas fo- ram bastante exploradas pelo arquiteto brasileiro Oscar Nie- meyer em toda sua vida profis- sional, como podemos ver na obra da Igreja de São Francisco de Assis, no conjunto da Pampu- lha, em Belo Horizonte (Figura 3) ou no espaço de exposições (Oca) no Parque do Ibirapuera, em São Paulo (Figura 4). Figura 3 - Igreja de São Francisco de Assis, Pampulha, Belo Horizonte Em ambos os projetos, Nieme- yer fez uso do concreto como material principal para alcançar as formas curvas. Os edifícios são referências do movimento moderno brasileiro. Arquitetos e engenheiros contemporâneos também têm explorado as coberturas curvas em seus projetos. Com o avanço da tecnologia, novos materiais são utilizados para se alcançar a forma desejada. No projeto do Templo Bahá’í, em Santiago, no Chile, os arquitetos do escritó- rio Hariri Pontarini desenvol- veram a cobertura do edifício com uma estruturade formas curvilíneas feita de vidro e már- more transparente (Figura 5). Figura 4 - Oca, Parque Ibirapuera, São Paulo Figura 5 - Templo Bahá’í, Santiago, Chile 133UNIDADE 6 No projeto do Terminal de transportes World Trade Center (Figura 6), em Nova Iorque, do renomado arquiteto Santiago Calatrava, a estrutura e cober- tura são feitas em aço e vidro. A forma escultórica do edifício remete a um pássaro de asas abertas. Este é mais um exemplo de edificação com coberturas curvas ou de formas irregulares. Figura 6 - Terminal de transportes World Trade Center, Nova Iorque, EUA As superfícies planas são as mais comumente uti- lizadas nas construções civis, principalmente nas edificações residenciais, dentre elas, a cobertura do tipo telhado é a mais popular. As lajes são o outro tipo de coberturas planas. Elas podem ser horizontais ou inclinadas e caracterizam-se por não possuir recobrimento de telhas, sendo assim, exigem camadas de impermeabilização para evi- tar que as águas pluviais adentrem na edificação e prejudiquem sua estrutura. A cobertura do tipo telhado é composta por planos inclinados recobertos por telhas que fazem a captação e distribuição das águas pluviais. Neste caso, cada plano é chamado de água, assim, um telhado pode ter uma, duas ou diversas águas. Eles podem ter formatos diversos e ser recobertos por Figura 7 - Cobertura verde Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. diversos tipos de telhas. As coberturas verdes ou telhados verdes se tratam de superfícies horizontais ou inclinadas recobertas com substrato e vegetação (Figura 7). As coberturas verdes são um tipo bem específico de cobertura que têm ganhado muito destaque nas edificações contemporâneas, assim, teremos um tópico exclusivo para tratar deste tipo de estrutura. 134 Coberturas Antes de tratarmos especificamente sobre cada parte do telhado, faz-se importante entender que ele pode ter diversos formatos e diversas águas (superfícies de escoamento). O telhado pode ser composto por apenas uma superfície de escoamento; a este chamamos de telhado de uma água (Figura 8). Ou pode ter duas, três, quatro águas e assim sucessivamente (Figuras 9 e 10). Quanto maior o número de águas de um telhado, maior será sua complexidade. Tipos de Telhados 135UNIDADE 6 Figura 8 - Telhado de uma água Fonte: Azeredo (1997, p. 154). a b Figura 9 - Telhado de duas águas Fonte: Azeredo (1997, p. 154). c Figura 10 - Telhado de três águas Fonte: Azeredo (1997, p. 154). 136 Coberturas Figura 11 - Telhado de quatro águas Fonte: Azeredo (1997, p. 155). d Figura 12 - Telhado várias águas Fonte: Azeredo (1997, p. 155). Figura 13 - Telhado em formato de L e quatro águas 137UNIDADE 6 Figura 14 - Telhado em formato de L e seis águas Figura 15 - Telhado de formato irregular e várias águas Cada parte de um telhado possui sua nomenclatura específica. No que corresponde às superfícies de recobrimento, elas são nomeadas conforme ilustra a Figura 16. Figura 16 - Partes da cobertura do telhado Fonte: Montenegro (2017, p. 100). A Figura 16 ilustra um telhado com formato em “L” e diversas águas. A parte mais alta do telhado é chamada de cumeeira (Figura 17), ou seja, é o encontro de um divisor de duas águas no ponto mais elevado do plano. Por sua vez, o espigão é um divisor de duas águas em plano inclinado. O rincão ou calha é o encontro de captação de duas águas (AZEREDO, 1997). Calha Cumeeira Espigão 138 Coberturas CUMEEIRA Parte mais elevada de uma cobertura ou encontro das águas de um telhado. Na figura: 3,50 m ÁGUA Porção plana e inclinada de uma cobertura. BEIRAL Parte saliente de um telhado. Proteje contra a chuva e o sol. Figura 17 - Estrutura de um telhado em corte Fonte: Montenegro (2017, p. 57). 139UNIDADE 6 Um telhado é dividido em três partes principais, são elas: a estrutura, a cobertura e a captação de águas pluviais (AZEREDO, 1997), como podemos observar na figura a seguir. Elementos de um Telhado 140 Coberturas Figura 18 - Partes do telhado Cobertura Estrutura Captação de águas pluviais A Estrutura A estrutura é composta pelos elementos que irão suportar a cobertura, assim ela pode ser composta por tesouras, arcos, terças, caibros, ripas, contraventamentos e mão-francesa. No Brasil, o modelo de tesoura mais utilizado é o do tipo Howe, conforme ilustram as Figuras 19 e 20, principalmente nos telhados em estrutura de madeira, dada sua montagem ser simples (KRUGER, 2016). Cumeeira Pendural Montante Terça Banzo superior Banzo inferior Estribo Diagonal Contra frechal Figura 19 - Tesoura tipo Howe Fonte: Kruger (2016, p. 241). 141UNIDADE 6 Figura 21 - Tipos de treliças usadas em estruturas de telhado Fonte: Kruger (2016, p. 238). Segundo Kruger (2016), as tesouras de madeira que são aplicadas em projetos residenciais são utilizadas para vencer vãos entre 3 e 7 metros, sendo viáveis até 10 metros. Analisando o exemplo de tesoura dado na Figura 19, as peças diagonais e o banzo superior trabalham por compressão, enquanto os pendurais e o banzo inferior trabalham por tração. O espaçamento entre as tesouras varia de 3 a 6 metros, as terças são dispostas a cada 1,6 metros (situação para telhas cerâmicas), os caibros com espaçamento de 0,50 metro e as ripas em torno de 0,30 metro (KRUGER, 2016). A distância entre as ripas será determinada pelo tipo de telha (AZEREDO, 1997), já que telhas cerâmicas são menores que telhas planas de zinco ou fibrocimento, por exemplo. Cumeeira Terça Frechal Perna, empena, asa Linha ou tirante Escora Suspensório Figura 20 - Tesoura tipo Howe Fonte: Azeredo (1997, p. 144). No entanto, existem outros ti- pos de tesouras que podem ser utilizadas em estruturas de te- lhados, principalmente nos de estruturas metálicas. O termo tesoura é comumente utilizado para designar a estrutura em madeira, sendo chamada de treliça quando adquire outros formatos e uso de outros mate- riais. A Figura 21 ilustra alguns dos principais tipos de treliças. TRELIÇA FINK OU W TRELIÇA FINK MODIFICADA TRELIÇA DE HOWE TRELIÇA DE PRATT TRELIÇA ESPIGÃO TRELIÇA WARREN TRELIÇA ÁTICO TRELIÇA EM TESOURAS 142 Coberturas A figura de Montenegro (2017) ilustra melhor os componentes de uma estrutura de telhado em madeira. Capote Telha Ripa Caibro Cumeeira Terça Calço Frechal Figura 22 - Peças da estrutura do telhado Fonte: Azeredo (1997, p. 145). Ripas Frechal Terça Terça Cumeeira Caibro Figura 23 - Estrutura de um telhado Fonte: Montenegro (2017, p. 101). No caso de estruturas metálicas para telhado, estas possibilitam vencer grandes vãos, com telhas planas, eliminando parte da mão de obra exigida para um telhado com telhas cerâmicas, além de permitir a elaboração de tesouras mais leves, acarretando, assim, fundações mais leves também. Outras opções de estrutura para telhados no Brasil são a madeira laminada colada (MLC) e os perfis metálicos leves (Light Steel Frame). 143UNIDADE 6 Quadro 1 - Vantagens e desvantagens das estruturas usadas em coberturas no Brasil Tipo de estrutura Aplicações recomendadas Vantagens Desvantagens Madeira serrada Residências ou comércio com pequenos vãos Leveza das peças, mon- tagem manual Fácil adequação na obra Conhecimento popular e facilidade de aceitação Mão de obra qualificada Habilidade do executor Inexistência de projeto Ataque de fungos e cupins Estrutura em MLC Edificações comerciais e industriais com peque- nos e grandes vãos Maior qualidade Versatilidade de projeto Maior resistência ao fogo Beleza arquitetônica Execução conforme pro- jeto Adequações muito res- tritas Equipamento para ele- vação Maior custo Necessita de área para estoque Estruturas metálicas Residências, comércios e indústrias com peque- nos e grandes vãos Baixo peso próprio Disponibilidade Alcança grandes vãos Projeto prévio Rapidez na execução Equipamentos para ele- vação Corrosão Custo maior Steel FrameResidências ou comércio com pequenos vãos Baixo peso próprio Projeto prévio Resistente a fungos e insetos Pouco conhecido Corrosão Maior custo Poucos fornecedores Fonte: Kruger (2016, p. 242). A Cobertura Em um telhado, as telhas são os elementos principais, pois é o con- junto de telhas que formará a cobertura do telhado. As telhas devem garantir a proteção da edificação, evitando a infiltração de água e também resistir às demais intempéries. Elas possuem diversos tipos e materiais, assim, cabe ao projetista definir qual o melhor tipo para cada projeto, levando em conside- ração as características climáticas da região, a disponibilidade de materiais e mão de obra, as características tipológicas da edificação, custo-benefício, entre outros fatores. 144 Coberturas As telhas podem ser dos seguintes materiais e tipos (AZEREDO, 1997; KRUGER, 2016): dobradas; zinco – placa ondulada. • Telhas de plástico ou PVC. • Telhas de vidro: Marselha; paulista. • Telhas de madeira • Telhas de pedra natural: ardósia • Telhas de concreto • Telhas de borracha • Telhas de barro cozido: dentre os tipos, tem-se a telha francesa; colonial; paulista; paulistinha. • Telhas de fibro-cimento: onduladas; ca- nalete; meia-cana. • Telhas metálicas: alumínio – placa on- dulada; cobre – placas lisas; ferro – placas Figura 24 - Telha de madeira Figura 25 - Telhas cerâmicas Figura 26 - Telhas metálicas 145UNIDADE 6 Figura 27 - Telhas de concreto Figura 28 - Telhas de fibrocimento As telhas foram inicialmente produzidas apenas em barro, no entanto, atualmente são produzidas em outros materiais, como o concreto. Tanto as telhas de barro quanto as de concreto são muito duráveis e, apesar de consumirem quantidade significativa de energia na sua produção, sua longa durabilida- de e capacidade de reutilização ainda as tornam uma boa opção. As telhas podem ser removidas ou substituídas inúmeras vezes, sem que seja necessário a troca de toda a cobertura (KRUGER, 2016). As telhas metálicas podem ser produzidas em aço galvanizado, aço inox, cobre e alumínio, seja em lâminas ou em chapas. Essas telhas podem durar cerca de 50 anos e requerem pouca manutenção, além disso, os resíduos gerados são recicláveis, o que as tornam uma opção adequada para a construção (KRUGER, 2016). As telhas de madeira podem ser produzidas de várias espécies em forma de placas, ripas e sarrafos. A madeira pode ser reciclada, porém, segundo Kruger (2016), o maior desafio no uso desse material é a disponibilidade limitada do material certificado. Segundo o autor, uma alternativa sustentável é a utilização de material local não extraído de florestas de crescimento antigo. As telhas de ardósia estão entre as mais resistentes e duradouras, podendo durar por mais de cem anos. Assim como as telhas de concreto e barro, elas podem ser removidas individualmente, recoloca- das e/ou substituídas. Além disso, no fim de sua vida útil, elas podem ser trituradas e recicladas, sendo reutilizadas em pisos, por exemplo (KRUGER, 2016). As telhas de fibrocimento são produzidas com materiais como cimento, areia, argila e fibra de madeira; no Brasil, o principal formato utilizado é o de placas onduladas. Cada telha tem uma especificação quanto à inclinação que deve ser aplicada. De modo geral, as te- lhas de cerâmica e concreto exigem uma inclinação entre 30 e 40%, enquanto as telhas de fibrocimento requerem inclinação em torno de 15%, e as telhas de alumínio, inclinação de 6% (KRUGER, 2016). 146 Coberturas A Captação de Águas Pluviais O sistema de captação de águas pluviais de um telhado é o conjunto de elementos responsáveis pela coleta e condução das águas. Fazem parte desse sistema o beiral, as calhas, os dutos coletores e os rufos. Calhas são uma espécie de canaleta utilizada na extremidade dos telhados ou no encontro de águas para escoar a água pluvial e, se for o caso, a neve derretida. As calhas podem ser de mate- rial metálico (alumínio, aço galvanizado, cobre), vinil, madeira ou plástico. Os dutos, por sua vez, são condutores verticais responsáveis por cole- tar e conduzir as águas pluviais ao solo ou até a cisterna de armazenamento (Figura 29). Dutos e calhas evitam que a água que escoa diretamente do telhado sature o solo e possa causar problemas com infiltrações ou que ela respingue nas paredes da edificação (KRUGER, 2016). Ralo hemisférico Duto líder de 5 cm x 7,6 cm Cotovelos Condutor ou tubo de queda Tubo de drenagem de 10 cm Figura 29 - Sistema de captação de água pluvial na cobertura Fonte: Kruger (2016, p. 264). É importante que as calhas passem por manu- tenção regular para a retirada de materiais acu- mulados, como folhas e galhos, evitando, assim, o entupimento e transbordamento, o que pode causar maiores problemas de infiltração na edi- ficação e em sua estrutura. Os rufos são o outro elemento que compõem o sistema de captação de águas em um telhado. Esses elementos fazem a função de proteger e desviar a água da chuva de possíveis pontos de entrada, como as paredes laterais da edificação, claraboias, chaminés, entre outros. Como na maioria dos ca- sos, os rufos ficam expostos no telhado, por isso é mais comum o uso de materiais duráveis, como o alumínio, cobre ou aço galvanizado (AZEREDO, 1997; KRUGER, 2016). Rufo com pingadeira Platibanda Rufo simples Calha Figura 30 - Rufos Fonte: Azeredo (1997, p. 174). 147UNIDADE 6 Um fator importante para o desenho e volumetria final do telhado é a inclinação das águas. A incli- nação de um telhado é determinada de acordo com as necessidades climáticas da região onde está situada a edificação. Em regiões onde se tem neve, por exemplo, utiliza-se telhados com maior inclinação para que a neve não se acumule sobre a cobertura, acarretando sobrepeso na edificação. Assim, os elementos estruturais do telhado podem ser mais esbeltos e ter seções menores do que se tivessem baixa inclinação (KRUGER, 2016). Por outro lado, em lugares quentes, é indicado o uso de beirais para proteger a edificação do sol. Outros fatores que interferem na determina- ção da inclinação das águas de um telhado é o tipo de telha utilizada. Cada telha tem uma especifi- cação técnica quanto à inclinação a ser utilizada. Além disso, outro fator a ser considerado é a vo- lumetria e o caráter estético que o projetista quer imprimir à edificação. Dimensionamento e Representação de Telhados 148 Coberturas Quanto maior a inclinação do telhado, mais rápido será o escoamento da água e, assim, o acabamento do telhado terá maior durabilidade. No entanto, telhados mais íngremes requerem maior volume de material de cobertura que telhados menos inclinados (KRUGER, 2016). A inclinação de um telhado é expressa em porcentagem (%) e determinada por i = hv Em que, h= altura do telhado v= vão h Vão Exemplo: para um telhado de duas águas, com vão total de 8 metros e 2 metros de altura, qual será a inclinação das águas? 2 m 8 m Tem-se que i = hv Logo, i = i = 0,5 2 4 Como a inclinação é expressa em porcentagem, multiplicamos o valor encontrado por 100%, assim temos que i = 0,5 x 100% i = 50% Este telhado possui 50% de inclinação. 149UNIDADE 6 Perceba que, no valor correspondente ao vão, usamos 4 metros e não 8, isso porque se o telhado foi dividido em 2 águas, cada água ocupará metade do vão, como demonstra a figura. Independentemente da complexidade de um telhado, segundo Azeredo (1997) e Montenegro (2017), ele sempre seguirá algumas regras. A primeira delas é subdividir o telhado em figuras simples, como retângulos, quadriláteros e triângulos, caso ele tenha um formato complexo. Traçar a cumeeira a partir do lado de menor vão. Logo após, deve-se traçar a bissetriz dos ângulos reentrantes e salientes. Todas as águas terão a mesma inclinação. Figura 31 - Processo de desenho das águas de um telhado Fonte: a autora. Desenho de um telhado 150 Coberturas Neste tópico, abordaremos as coberturas verdes ou telhados verdes, uma soluçãoalternativa e sus- tentável para a cobertura de edificações. “ Telhado verde – cobertura verde, telhado vivo ou jardim suspenso – é um sistema construtivo que consiste em uma cobertu- ra vegetal feita com grama ou plantas e que pode ser instalado em lajes ou sobre telha- dos convencionais (RANGEL; ARANHA; SILVA, 2015, p. 399). Apesar dos telhados e coberturas verdes serem elementos muito discutidos atualmente, aborda- dos como uma solução mais ecológica para as construções, seu uso já tem ocorrido a mais de 3000 anos (AHMED; ALIBABA, 2016). As pri- meiras coberturas verdes estão associadas à cons- trução das primeiras edificações; elas cobriam as casas de agricultores em diversos locais do mun- do e tinham como função melhorar o conforto térmico das moradias, deixando-as mais quentes ou mais frescas. As coberturas eram feitas com plantas do entorno e aproveitavam a declividade do próprio terreno (REBOLLAR et al., 2017). Coberturas Verdes 151UNIDADE 6 Figura 32 - Cobertura verde em casas históricas (Casas de turvas), Islândia As estruturas verdes mais famo- sas são os jardins suspensos da Babilônia, cidade da Mesopotâ- mia. Esse jardim teria sido cons- truído em um Zigurate – edifi- cação piramidal que tinha como função o abrigo de cerimônias, observatórios astronômicos e eram símbolo do poder das eli- tes – com a inserção de vegeta- ção nos terraços formados pelos degraus das pirâmides escalona- das. A vegetação utilizada eram espécies arbóreas e arbustivas di- versas (REBOLLAR et al., 2017). Por sua vez, o telhado verde mo- derno foi criado na Alemanha e na Suíça na década de 60, após a realização de diversas pesqui- sas sobre tecnologias de terra- ço com telhado verde por anos (AHMED; ALIBABA, 2016). Os telhados verdes podem proporcionar maior conforto térmico e acústico nos ambien- tes internos, pois fornecem iso- lamento adicional, reduzindo a transmissão de som, assim como a vegetação ajuda a re- duzir a temperatura do telhado. Este, este tipo de cobertura tem como função principal aumen- tar as áreas verdes, diminuindo as ilhas de calor e melhorando a qualidade do meio ambiente. Os telhados verdes contribuem, ainda, para a redução do es- coamento superficial de águas pluviais (RANGEL; ARANHA; SILVA, 2015; KRUGER, 2016). Figura 33 - Ilustração dos jardins suspensos da Babilônia 152 Coberturas Os telhados verdes são compostos por várias camadas de mate- riais (KRUGER, 2016; AHMED; ALIBABA, 2016): • Vegetação. • Cobertura contra ação erosiva do sol e dos ventos. • Camada de solo/substrato. • Camada de drenagem. • Membrana impermeabilizante. • Laje estrutural ou estrutura do teto. Figura 34 - Camadas do telhado verde Fonte: Green Roofs (apud AHMED; ALIBABA, 2016). Deck estrutural Vegetação Meio de crescimento Irrigação Barreira radicular Membrana de impermeabilização Camada de drenagem e tela de filtro Os telhados ou coberturas verdes são classificados como intensivos ou extensivos. Os intensivos são aqueles que pos- suem camadas mais profundas de solo, podendo suportar vege- tação de maior porte, tais como arbustos e pequenas árvores, as- sim como tráfego de transeun- tes, podendo abrigar espaços de lazer. Este tipo de cobertura exi- ge manutenção constante e sua estrutura deve conter reforço adicional para suportar a carga do substrato, da vegetação e dos usuários. Por outro lado, as co- berturas do tipo extensivas são aquelas que possuem camadas finas de solo para a implantação de plantas de pequeno porte e não são projetados para a cir- culação de pessoas. Estes são desenvolvidos, na maioria das vezes, por motivos estéticos e ecológicos, exigem pouca manutenção e possuem peso estrutural menor que os intensivos (RANGEL; ARANHA; SILVA, 2015; KRUGER, 2016). Figura 35 - Cobertura verde intensiva Figura 36 - Cobertura verde extensiva em superfície inclinada 153UNIDADE 6 Figura 37 - Cobertura verde extensiva em superfície plana Em ambos os tipos de telhado verde, as plantas devem ser escolhidas de modo que suportem a expo- sição solar e se adequem ao clima e condições ambientais do local. Ao longo da história, as coberturas verdes extensivas foram mais utilizadas pela população de extrato social mais baixo, com o objetivo de melhorar as condições de isolamento térmico com a aplicação de vegetação na cobertura das habitações, enquanto as coberturas verdes intensivas foram utilizadas pela camada mais alta da sociedade, em que, além de melhorar as condições de conforto térmico, essas coberturas simbolizavam o poder da elite, uma vez que promoviam o embelezamento das edificações (REBOLLAR et al., 2017). As coberturas são estruturas essenciais em uma edificação e pode ser uma estratégia do projetista para explorar a volumetria da edificação. Futuro engenheiro, exercite sua criatividade no projeto, não esquecendo, é claro, dos aspectos técnicos dos telhados. 154 Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 1. Considerando que a figura a seguir seja a superfície de um telhado, desenhe-o com quatro águas. 15 m 9 m 2. Quais as principais diferenças entre uma cobertura verde do tipo extensiva e intensiva? 3. Calcule a altura (h) de um telhado com apenas uma água, vão de 4,5 metros e com cobertura em telhas cerâmicas de i = 35%. 155 O Monge e o Executivo Autor: Antonio Moliterno Editora: Blucher Sinopse: trata-se de um texto prático que objetiva auxiliar o engenheiro ou arquiteto, bem como os estudantes dessas áreas, no projeto e cálculo de tais estruturas. Para tanto, além da linguagem e apresentação didáticas, incluiu-se um grande número de figuras que detalham os copiosos exemplos dados. Comentário: o livro apresenta, de forma bastante didática e ilustrativa, as estru- turas de telhado, desde a definição dos elementos que compõem o telhado, sua nomenclatura, até apresentação e cálculo para dimensionamento de estruturas em madeira. LIVRO Evolução da arquitetura e dos materiais para cobertura de edificações O artigo faz um percurso pela história da arquitetura, demonstrando a evolução das coberturas e destacando os diferentes materiais utilizados nas coberturas e telhados ao longo do tempo. WEB https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/2836 156 AHMED, R. M.; ALIBABA, H. Z. An evaluation of green roofing in buildings. International Journal of Scien- tific and Research Publications, v. 6, n. 1, p. 366-373, 2016. Disponível em: http://www.ijsrp.org/research-pa- per-0116/ijsrp-p4957.pdf. Acesso em: 04 jun. 2020. AZEREDO, H. A. de. O edifício até sua cobertura. 2. ed. São Paulo: Blucher, 1997. KRUGER, A. Construção verde: princípios e práticas em construção residencial / Abe Kruger, Carl Seville; adaptação Sasquia Hizuru Obata: revisão técnica Isamar Marchini Magalhães. Tradução de Noveritis do Brasil. São Paulo: Cengage Learning, 2016. MONTENEGRO, G. A. Desenho arquitetônico. 5. ed. rev. ampl. São Paulo: Edgard Blucher, 2017. RANGEL, A. C. L. da C.; ARANHA, K. C.; SILVA, M. C. B. C. da. Os telhados verdes nas políticas ambientais como medida indutora para a sustentabilidade. Desenvolvimento e Meio Ambiente, v. 35, p. 397-409, dez. 2015. REBOLLAR, N. A. P. et al. (Org). Telhados verdes: uma abordagem multidisciplinar. Florianópolis: Ledix, 2017. 157 1. Como visto no decorrer desta unidade, a representação do telhado se inicia com a determinação da cumeei- ra. Para isso, divide-se o lado menor do telhado (retângulo) ao meio, assim temos demarcada a linha de cumeeira. O segundo passo é a demarcação dos espigões e definição das águas. Neste caso, temos um telhado de 4 águas, assim teremos 4 espigões. Para isso, achamos a bissetriz dos ângulos das 4 vértices; como trata-se de uma figura regular em ângulos de 90º, usando o ângulo de 45° (bissetriz de 90°), traçamos as linhas dos espigões, ligando os vértices do retângulo à linha de cumeeira. Pronto, encontramos as 4 águas, agora é só reforçar as linhas do desenho. 45° 2. As coberturas intensivas têm camadas maisprofundas de solo, assim pode ser plantada vegetação de maior porte, permite também o uso para lazer e circulação de pessoas, exigindo maior manutenção e estrutura reforçada. As extensivas têm camadas mais finas de solo, são plantadas plantas de pequeno porte e não são projetadas para a circulação de pessoas, exigindo pouca manutenção e possuindo peso estrutural menor. 3. A altura do telhado é dada pela equação: i = hv 0,35 = h 4,5 h = 0,35 x 4,5 h = 1,575 m 158 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Reconhecer as características inerentes ao projeto de edificações para uso residencial. • Apresentar os principais requisitos necessários para a elaboração de projetos arquitetônicos residenciais. • Identificar os setores em que uma edificação residencial se divide, as características e necessidades de cada setor. • Apresentar as normas e recomendações para o dimensionamento e elaboração de ambientes residenciais que promovam conforto e qualidade de vida aos usuários. • Apresentar exemplos de projetos residenciais de destaque na arquitetura nacional. Especificidades do Projeto Residencial O Programa de Necessidades Residencial e a Organização dos Setores Dimensões para os Ambientes Residenciais Estudos de Caso: Edificações Residenciais Fluxos e Circulação nos Ambientes Me. Andréia Gonçalves Darice Projeto Arquitetônico Residencial Especificidades do Projeto Residencial O projeto arquitetônico de edificações residen- ciais é sempre um desafio aos projetistas e um tema recorrente na arquitetura e engenharia civil. A complexidade do tema é reforçada pelo fato de que as formas de habitar um espaço variam de acordo com fatores, tais como o contexto onde o edifício está inserido, os aspectos culturais e históricos, questões climáticas etc. A edificação tem como função principal abrigar. Abrigar alguém, algo, servir de abrigo para a reali- zação de atividades. De acordo com sua tipologia, a edificação pode ter uma infinidade de funções. No caso da edificação para uso residencial, ela se torna o espaço para moradia, para desenvolver atividade de lazer e ócio, receber outras pessoas, além de, em muitos casos, ser também espaço para o estudo e o trabalho. Isto é, os espaços estão tor- nando-se cada vez mais multifuncionais. Assim, o projetista deve estar atento às ne- cessidades dos usuários, seu modo de viver, sua cultura e costumes, rotina, para então estar apto a desenvolver um projeto adequado àquele perfil de cliente. Características como conforto, praticidade e a funcionalidade são essenciais no projeto de uma residência. 161UNIDADE 7 Com as mudanças da sociedade contemporânea e a disputa cada vez maior dos espaços, principalmente nos grandes centros urbanos, o que eleva o valor dos imóveis, novos espaços têm se integrado aos mais tradicionais da residência. São espaços como closets, acade- mias, home-office, cozinhas e áreas gourmet, que têm se tornado opções de espaço para receber familiares e amigos, inclusive em edifícios verticais. Um dos primeiros passos do projeto arquitetônico, não sendo diferente quando se trata da tipologia residencial, é a coleta de informações junto aos usuários e o desenvolvimento do programa de necessidades. Como foi abordado na Unidade 1, o programa de necessidades não se trata apenas de uma listagem de ambientes, mas sim uma reunião de informações sobre as funções e necessidades da edificação. Devemos levar em consideração que a habitação é o espaço onde o ser humano, de modo geral, passa a maior parte do seu tempo. Tanto no seu período de descanso da jornada de trabalho, quanto nos finais de semana, férias e demais momentos livres. Assim, ela deve ser projetada da forma mais adequada possível às necessidades e anseios de seus usuários. Além disso, a maioria das pessoas vai viver nela a maior parte da sua vida. No projeto residencial, mais do que qualquer outro projeto, o projetista lida com o sonho de vida das pessoas e famílias, o que nos dá uma noção da responsabilidade que temos em mão. Projetar é uma tarefa desafiadora! Segundo Venâncio (2010, p. 21), “a realização do sonho de cons- truir uma casa é uma experiência única”, em que, de modo geral, as pessoas buscam saudosismo (da infância), status e qualidade de vida. Assim, o projeto é o primeiro passo para se alcançar a qualidade de vida desejada, já que uma residência adequada pode nos propor- cionar diariamente pequenas experiências, tornando a vida mais feliz e prazerosa (VENÂNCIO, 2010). Isso torna a edificação “um objeto cultural, um objeto com im- portância e significado social e simbólico” (VOORDT, 2013, p. 10). 162 Projeto Arquitetônico Residencial Na edificação unifamiliar, as funções se organi- zam em setores, podendo destacar-se 3 princi- pais: setor social, setor íntimo e setor de serviços. O número de ambientes e espaço de cada setor dependerá de outros fatores do programa de ne- cessidades, requisitos dos usuários, orçamento etc. Além da divisão em setores, os ambientes de uma residência podem ser divididos de acordo com sua utilização da seguinte forma: • Compartimentos de permanência prolon- gada: dormitórios, salas e escritórios. • Compartimentos de permanência transi- tória: circulação, hall de entrada, cozinha, banheiro, área de serviço e depósito. O Programa de Necessidades Residencial e a Organização dos Setores 163UNIDADE 7 Um dos primeiros passos para a elaboração do programa de necessidades é analisar as atividades a serem abrigadas, ou seja, identificar a natureza das atividades e as condições espaciais necessárias para satisfazê-las: área útil, distâncias ou profundidades mínimas, temperatura, iluminação e acústica. É possível, inclusive, analisar programas de necessidades de uma edificação semelhante, junto ao cliente, fazendo os ajustes necessários para atender suas demandas (VOORDT, 2013). Venâncio (2010) destaca o programa de necessidades básicas de uma residência e características as quais o profissional projetista deve estar atento. • Garagem: é importante o projetista identificar quantos carros serão abrigados, para assim dimensionar o espaço. O espaço de acesso, frente à garagem, pode servir para vagas adicionais descobertas, para receber visitantes, por exemplo. • Sala: verificar se os usuários recebem visitas frequentes, gostam ou necessitam de espaços compartimentados (sala de estar, jantar, TV, hall de entrada) ou integrados. • Espaços de uso múltiplo: são tendência nas residências atuais e do futuro e se tratam de espaços multifuncionais, que agregam diversas funções ou que permitem flexibilidade para mudança de função. Podem servir como home theater, escritório, biblioteca, quarto de hóspedes, atelier etc. • Lavabo: espaço pequeno, posicionado normalmente próximo à sala, de maneira que possa ser facilmente acessado. • Cozinha: a cozinha é um dos espaços que passou por maior transformação ao longo dos tempos. De espaço de serviço, separado do restante da casa, para ambiente de encontro e convivência. No desenvolvimento do programa de necessidades, é importante identificar se os clientes preferem um ambiente mais isolado ou aberto e integrado à sala. • Área de serviço: este espaço necessita ser bastante funcional, pois deve conter a máquina de lavar e secar, tanque e armários. Deve-se prever, ainda, espaço externo para secagem da roupa. A ventilação é um fator importante para este ambiente. • Quartos: é preciso saber a quantidade e a necessidade desses ambientes, se é necessário closet, TV, banheiro integrado. A acústica e a iluminação externa são fatores fundamentais para tornar esses ambientes confortáveis. • Banheiros: não se recomenda exagerar nas dimensões deste ambiente, mas é importante atentar-se às necessidades dos clientes para definir se será incluso banheira, a quantidade de cubas e chuveiros. Vale destacar que pode haver diferenças entre o banheiro social e o da suíte. • Área de lazer: quais itens englobarão essa área:piscina, churrasqueira, sauna, lavabo etc. Quanto maior a área, maior também será a manutenção. Novamente, saber se a família recebe visitantes com frequência é um fator determinante para a escolha das dimensões. 164 Projeto Arquitetônico Residencial Figura 1 - Residência padrão médio Fonte: Venâncio (2010, p. 62). SETOR DE SERVIÇOS SETOR SOCIAL SETOR ÍNTIMO 0 1 2 4 8 SALA SUÍTE 1 SUÍTE 2 SUÍTE 3 SUÍTE 4 COZINHA ESPAÇO GOURMET A. SERV. VARANDA VARANDA Nesse programa de necessidades, outros elementos podem ser incluídos, como áreas de jardim e va- randas. Obviamente, isso dependerá, principalmente, da disponibilidade de espaço no lote. Se analisarmos esse programa, veremos que os ambientes descritos se enquadram nos 3 setores citados anteriormente: social, íntimo e serviços. 165UNIDADE 7 A quantidade de ambientes e as dimensões finais da casa irão depender do padrão da resi- dência e das demandas de seus usuários. No exemplo de uma casa popular a seguir, o progra- ma de necessidades é resolvido com apenas 5 ambientes e 38 m2 de área útil, sendo cozinha e sala ambientes integrados. SETOR DE SERVIÇOS SETOR SOCIAL SETOR ÍNTIMO QUARTO QUARTO JANTAR/SALA COZINHA Banheiro Figura 2 - Modelo habitacional COHAPAR Fonte: adaptada de COHAPAR ([2020]). O próximo exemplo ilustra a proposta para apartamentos de habitação de interesse social. Com área semelhante, os exemplos demonstram dois modelos de disposição dos ambientes. Novamente, podemos perceber o agrupamento dos ambientes de cada setor: íntimo, social e serviços. Figura 3 - Exemplos de setorização em apartamentos Fonte: adaptada de Siqueira (2014). Os apartamentos fazem parte do projeto do Conjunto habitacional Heliópolis, localizado na cidade de São Paulo, projeto dos arquitetos Artur Katchborian e Mário Biselli. O conjunto conta, ainda, com outras tipologias de apartamentos, contando, também, com unidades adaptadas para portadores de necessidade especial. SETOR DE SERVIÇOS SETOR SOCIAL SETOR ÍNTIMO 166 Projeto Arquitetônico Residencial Figura 4 - Vista do Conjunto habitacional Heliópolis Fonte: Siqueira (2014, p. 57). Se analisarmos outros tantos projetos, perceberemos que, na maioria deles, esse agrupamento de ambientes por funções ou a setoriza- ção ocorre de acordo com a função. Isso porque a setorização cria melhores condições para o fluxo dentro da residência, organiza funções, cria espaços de privacidade, otimiza a infraestrutura e pode ser explorado na própria forma e volumetria da edificação. Área Construída Total: a área construída total de uma edificação corresponde ao perímetro externo da edificação, somando áreas de pisos e paredes, de todos os pavimentos. Área Útil: a área útil trata-se do espaço interno de cada ambiente, a área útil não considera as paredes. Chama-se assim, porque corresponde à área da edificação que efetivamente será utilizada pelos usuários. 167UNIDADE 7 O projeto arquitetônico de residências deve le- var em consideração espaços para a utilização do mobiliário, eletrodomésticos e outros, ou seja, áreas livres que permitam seu uso e manuseio de forma segura e confortável, assim como áreas de circulação para deslocamentos dos usuários, acesso e interligação dos ambientes da casa. Em alguns momentos, os espaços de circulação e de manuseio de equipamentos podem ser compar- tilhados (ODEBRECHT, 2006). O projeto e planejamento dos ambientes de- vem levar em consideração a ergonomia e antro- pometria, proporcionando conforto e fácil acesso aos espaços e dimensões suficientes para a realiza- ção de movimentos e utilização dos equipamentos e realização das atividades cotidianas. Fluxos e Circulação nos Ambientes 168 Projeto Arquitetônico Residencial Espaço Social Os espaços sociais podem ter várias funções agregadas em um mesmo ambiente (estar, jantar, TV), estando eles interligados visualmente ou estando em ambientes distintos e conectados por uma cir- culação. No caso de funções integradas, o espaço para circulação não deve comprometer os espaços de uso do ambiente (ODEBRECHT, 2006). A figura a seguir demonstra uma solução de ambientes integrados e interligados pela circulação que também leva a outros ambientes da edificação. O planejamento deve primar pela funcionalida- de, pois espaços mais bem resolvidos se tornam mais funcionais, por isso, planejar é tão importan- te. Exemplo: espaços com circulações reduzidas são espaços mais práticos e confortáveis (ODE- BRECHT, 2006). Segundo Voordt (2013), a edificação precisa dar apoio de forma otimizada às atividades que nela irão se realizar de maneira adequada ao es- paço disponível, dispondo de atividades que se relacionam, permitindo comunicação e separando aquelas atividades que poderão entrar em conflito. Na sequência, será apresentada uma listagem de espaços residenciais e suas necessidades quanto à circulação e fluxos. A ergonomia trata das relações do ser humano, o meio e equipamentos, de modo a promover segurança e eficiência na interação. A ergonomia, enquanto ciência, estuda as formas de otimizar o bem-estar humano no desempenho de suas atividades. A antropometria é a parte da ciência que trata das medidas do corpo humano e suas partes. A partir das medidas antropométricas, podemos projetar espaços e equipamentos que atendam as atividades e funções de maneira adequada e ergonômica. Fonte: adaptado de Odebrecht (2006). Figura 5 - Exemplo de disposição jantar/estar integrados Fonte: Odebrecht (2006, p. 38). 169UNIDADE 7 A Figura 6 ilustra bem um am- biente social integrado. Pode- mos observar que o espaço e as funções se integram visualmen- te, pois não há paredes dividin- do os ambientes, no entanto, a organização do mobiliário cria os limites de cada função de for- ma bastante clara. Figura 6 - Espaço social integrado Cozinha Para projeto da cozinha e melhor racionamento dos espaços e circulação, deve-se considerar que este ambiente se organiza em 3 principais setores, relacionados ao alimento: área de armazenamento ou conservação (armários, geladeira, freezer); área de preparo e limpeza (bancada, pia); área de cocção (fogão, forno, micro-ondas). Assim, o fluxo de alimentos é que determina o fluxo de pessoas, e evitar cruzamentos garante um espaço mais funcional (ODEBRECHT, 2006). Veja o exemplo a seguir. Figura 7 - Exemplo de disposição da cozinha Fonte: Odebrecht (2006, p. 39). 170 Projeto Arquitetônico Residencial Na Figura 8, pode-se observar essa organização, em que a pia e bancada de preparo das refei- ções estão localizadas no centro da cozinha, no que chamamos de “ilha”, desta forma, esse equi- pamento se conecta aos demais: armazenamento (geladeira), cocção (fogão e forno) e refei- ções, sem que haja cruzamento dos fluxos, permitindo, ainda, que mais de uma pessoa traba- lhe no espaço. Figura 8 - Disposição dos equipamentos na cozinha Outro exemplo é colocar os equipamentos de forma linear, no sentido do fluxo de uso, como ilustra a Figura 9. Este modelo é muito utilizado em apartamentos (Figura 10). Figura 9 - Cozinha com disposição de equipamentos de forma linear Fonte: Odebrecht (2006, p. 40). Figura 10 - Cozinha com disposição linear em um apartamento Fonte: a autora. 171UNIDADE 7 Quarto Casal O quarto divide-se basicamente em 3 funções: a de descanso, a de se vestir e o banheiro. Recomenda-se que as duas últimas funções sejam locadas próximas ou contíguas, já que estas funções estão direta- mente relacionadas. Deve-se evitar o cruzamento da área de descanso para se deslocar do banheiro para a área de se vestir (closet, armários). A área de descanso deve ser mais reservada; a ela ainda po- dem ser associados outros espaços e funções, como leitura, TV etc. (ODEBRECHT, 2006). A Figura 11 demonstra bem essa situação: temos os 3 ambientes compartimentados, separando as funções de forma clara. O espaço de descanso está mais restrito, enquanto espaço de banho e o de vestir estão diretamente conectados.Figura 11 - Exemplo de disposição de suíte Fonte: Odebrecht (2006, p. 42). No entanto, não é necessário que sempre as funções sejam compartimentadas, elas podem dividir o mesmo ambiente, mas serem organizadas de acordo com o fluxo de uso. A Figura 12 ilustra um ambiente com área de descanso e vestir integradas, porém claramente separadas. Figura 12 - Setorização de funções no quarto 172 Projeto Arquitetônico Residencial Ambientes com Funções Variadas Alguns ambientes da casa podem ter funções variadas e compartilhadas, como quartos de hóspedes e escritório, estúdio; quarto de solteiro com área de estudo; biblioteca com sala de TV; escritório com estar etc. Assim, a circulação e os espaços devem ser dimensionados de acordo com cada situação de uso. Se for um quarto de hóspedes com uso para estudos ou TV, por exemplo, o espaço de descanso pode ser um sofá-cama ou uma peça retrátil. Deve-se prever espaço adequado para cada uso, podendo ser usados de forma contígua sem que um prejudique o outro. A circulação, neste caso, pode ajudar a definir o espaço de cada atividade (ODEBRECHT, 2006). A Figura 13 ilustra um ambiente com usos integrados de forma flexível. Na opção 1, tem-se um quarto/suíte, na opção 2 um home theater/sala de TV e, na opção 3, um home office/escritório. Figura 13 - Exemplo de espaço flexível a novos usos distintos Fonte: Venâncio (2010, p. 59). A Figura 14 ilustra um ambiente com funções integradas, espaço para descanso (cama) e espaço de trabalho (escritório). Figura 14 - Espaço multifuncional SALA QUARTO/SUÍTE BANHO SALA BANHOLAVABO SALA HOME OFFICE BANHOLAVABO OPÇÃO 1 OPÇÃO 2 OPÇÃO 3 173UNIDADE 7 Banheiro Um banheiro se divide em 3 áreas distintas, são elas a área seca, espaço onde fica a ban- cada/lavatório; a área interme- diária, composta pelo vaso sa- nitário e bidê; e a área molhada, composta pelo box do chuveiro e/ou banheira. Estas áreas po- dem ser organizadas no banhei- ro de forma conjunta, em que todos esses elementos dividem o mesmo espaço, ou podem ser organizadas de forma compar- timentada, como na Figura 15, em que cada área é separada da outra por divisórias ou paredes (ODEBRECHT, 2006). Figura 15 - Banheiro compartimentado Fonte: Venâncio (2010, p. 59). A Figura 16, porém, demonstra um exemplo de banheiro em que as funções são integradas em um único ambiente. Figura 16 - Banheiro integrado DUCHA SANITÁRIO LAVABO 174 Projeto Arquitetônico Residencial Áreas de Serviço/Lavanderia Neste ambiente, o fluxo de circulação é definido pelo fluxo da roupa, sendo o espaço dividido em espaço de armazenamento de roupa suja, área de lavagem e limpeza (máquina de lavar, tanque), área de secagem (varal ou secadora) e área de armazenagem da roupa limpa. Nesta última, além do espaço para armazenar a roupa, deve-se prever espaço para tábua de passar roupa e cabideiro para as roupas passadas. Deve-se considerar a circulação seguindo o fluxo dos equipamentos, evitando cruzamento dos fluxos e tornando o ambiente mais prático e confortável (ODEBRECHT, 2006). Figura 17 - Fluxo na lavanderia Fonte: Odebrecht (2006, p. 39). Recomenda-se que as lavande- rias tenham 2 acessos: um para a cozinha e outro para a área externa da residência, jardim, garagem ou hall de serviço. Figura 18 - Área de serviços com disposição linear A Figura 18 ilustra um exemplo de lavanderia/área de serviços. Este exemplo tem espaço para arma- zenamento, máquina de lavar e tanque. 175UNIDADE 7 Os ambientes residenciais precisam ter dimensões mínimas para acomodar as funções devidas. As medidas mínimas para os ambientes estão basea- das em fatores como as funções que eles devem atender, o mobiliário necessário para atender à determinada função, com base nas medidas an- tropométricas. Além das dimensões mínimas, os ambientes também devem atender aos níveis de iluminação e ventilação natural exigidos pelas normativas. Odebrecht (2006) traz, em seu livro sobre o projeto arquitetônico, alguns valores de referência para dimensões de ambientes e circulações. Dimensões para os Ambientes Residenciais 176 Projeto Arquitetônico Residencial Tabela 1 - Dimensões de referência para ambientes residenciais Área mínima dos ambientes 1º dormitório e salas 9 m2 Outros dormitórios 6 m2 Cozinhas 2,50 m2 Instalações sanitárias 1,50 m2 Largura mínima dos ambientes Dormitórios e salas 2,00 m Cozinhas e áreas de serviço 1,50 m Circulações 1,00 m Instalações sanitárias 0,80 m Largura mínima do acesso Dormitórios, salas e cozinhas 0,80 m Áreas de serviço e banheiros 0,70 m Pé-direito mínimo Ambientes de permanência prolongada 2,60 m Circulações 2,60 m Cozinhas e áreas de serviço 2,50 m Banheiros 2,30 m Fonte: adaptada de Odebrecht (2006). O projetista deve estar atento à legislação de cada município em que irá atuar, pois muitas legislações especificam parâmetros para as dimensões dos ambientes, a exemplo da Tabela 1. Assim, essas dimen- sões podem variar de um local para o outro. Outra referência para o projeto de edificações de uso residencial é a NBR 15575-1 (ABNT, 2013). Esta, também chamada de Norma de desempenho, estabelece critérios para o projeto e desempenho das edificações residenciais. Dentre os critérios estabelecidos pela Norma, estão os equipamentos mínimos e suas dimensões, o que dá dimensões mínimas para ambientes em uma edificação residencial. No que se refere ao pé-direito dos ambientes, a NBR 15575-1 (ABNT, 2013) estabelece que a altura mínima não deve ser inferior a 2,50 m; apenas em ambientes como vestíbulos, halls, corredores, ins- talações sanitárias e despensas admite-se que a altura se reduza ao mínimo de 2,30 m. 177UNIDADE 7 Em casos especiais, em que ambientes tenham tetos com vigas, inclinados, abobadados ou que possuam superfícies salientes, o pé-direito mínimo deve contemplar, pelo menos, 80% da superfície do teto, admitindo-se no restante que o pé-direito livre tenha o mínimo de 2,30 m (ABNT, 2013). Com relação ao mobiliário, a NBR 15575-1 (ABNT, 2013) estabelece as atividades essenciais que devem ocorrer em cada cômodo e o respectivo mobiliário necessário para que as funções ocorram. O quadro a seguir descreve essas funções e o mobiliário padrão. Quadro 1 - Funções e mobiliário mínimo para ambientes residenciais Atividades essenciais por cômodo Móveis e equipamentos - padrão Dormir/dormitório casal Cama de casal, guarda-roupa e criado-mudo (mí-nimo de 1) Dormir/ dormitório para 2 pessoas 2º dormitório Duas camas de solteiro, guarda-roupa, criado-mu- do ou mesa de estudo Dormir/ dormitório para uma pessoa 3° dormitório Cama de solteiro, guarda-roupa e criado-mudo Estar Sofá 2 ou 3 lugares, armário ou estante e poltrona Cozinhar Fogão, geladeira, pia de cozinha, armário sobre a pia, gabinete e apoio para refeições (2 pessoas) Alimentar/tomar refeições Mesa e 4 cadeiras Fazer higiene pessoal Lavatório, chuveiro com box e vaso sanitário Lavar, secar e passar roupas Tanque e máquina de lavar roupa Estudar, ler, escrever, costurar, reparar e guardar objetos diversos Escrivaninha ou mesa com cadeira Fonte: adaptado de ABNT (2013). Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. 178 Projeto Arquitetônico Residencial A Tabela 2 estabelece o mobiliário mínimo para cada ambiente e suas dimensões, estabelecendo tam- bém a largura mínima para a circulação entre móveis e divisões dos ambientes (paredes) e largura mínima dos ambientes. Tabela 2 - Mobiliário mínimo para cada ambiente A m bi en te Mobiliário Circulação m Observações Móvel ou equipamento Dimensões m L P Sa la d e es ta r Sofá 3 lugares com braço 1,70 0,70 Espaço de 0,50 m frente ao assento Largura mínima do ambiente de 2,40m. Os assentos devem ser determinados pela quantidade de pessoas na casa (nº de leitos) Sofá 2 lugares com braço 1,20 0,70 Poltrona com braço 0,80 0,70 Sofá 3 lugares sem braço 1,50 0,70 Sofá 2 lugaressem braço 1,00 0,70 Poltrona sem braço 0,50 0,70 Estante para TV 0,80 0,50 0,50 Obrigatório Mesa de centro ou cadeira - - - Opcional Sa la d e ja nt ar / C op a Co pa / C oz in ha Mesa redonda para 4 lugares d:0,95 Mínimo de 0,75 a partir da bor- da da mesa Largura mínima de 2,40 m Mínimo de uma mesa para 4 pes- soas Mesa redonda para 6 lugares d:1,20 Mesa quadrada para 4 lugares 1,00 1,00 Mesa quadrada para 6 lugares 1,20 1,20 Mesa retangular para 4 lugares 1,20 0,80 Mesa retangular para 6 lugares 1,50 0,80 Co zi nh a Pia 1,20 0,50 Mínimo de 0,85 m frontal à pia, fogão e gela- deira Largura mínima de 1,50 m Mínimo de fogão, pia, geladeira e armário Fogão 0,55 0,60 Geladeira 0,70 0,70 Armário sob a pia - - - Espaço obrigatório Apoio para refeições (2 pessoas) - - - Móvel opcional D or m itó rio ca sa l Cama de casal 1,40 1,90 Mínima entre o mobiliário de 0,50 m Mínimo de 1 cama, 2 criados-mudos e 1 guarda-roupa Criado-mudo 0,50 0,50 Guarda-roupa 1,60 0,50 179UNIDADE 7 D or m itó rio pa ra 2 p es so as Camas de solteiro 0,80 1,90 Mínima entre as camas 0,60 m Demais 0,50 m Mínimo de 2 camas, 1 criado-mudo e 1 guarda-roupa Criado-mudo 0,50 0,50 Guarda-roupa 1,50 0,50 Mesa de estudo 0,80 0,60 Opcional D or m itó rio p ar a 1 pe ss oa Cama de solteiro 0,80 1,90 Mínima entre o mobiliário de 0,50 m Mínimo de 2 camas, 1 criado-mudo e 1 guarda-roupa Criado-mudo 0,50 0,50 Armário 1,20 0,50 Mesa de estudo 0,80 0,60 Opcional Ba nh ei ro Lavatório 0,39 0,29 Mínima de 0,4 m frente ao lavatório, vaso e bidê Largura mínima de 1,10 m Mínimo de 1 lavató- rio, 1 vaso e 1 box Lavatório com bancada 0,80 0,55 Vaso sanitário (caixa acoplada) 0,60 0,70 Vaso sanitário 0,60 0,60 Box quadrado 0,80 0,80 Box retangular 0,70 0,90 Bidê 0,60 0,60 Opcional Ár ea d e se rv iç o Tanque 0,52 0,53 Mínima de 0,50 frente ao tan- que e máquina de lavar Mínimo: 1 tanque (20 L) e 1 máquina de lavarMáquina de lavar roupa 0,60 0,65 Fonte: adaptada de ABNT (2013). É importante ressaltar que as dimensões expostas na Tabela 2 são mínimas, portanto, elas podem ser ampliadas de acordo com as necessidades e anseios dos clientes, assim como de acordo com o padrão da edificação; obviamente uma edificação de alto padrão exigirá mais ambientes e dimensões maiores para atender às mesmas funções. 180 Projeto Arquitetônico Residencial Estudos de Caso: Edificações Residenciais Neste tópico, serão apresentados projetos arqui- tetônicos de residências nacionais que obtiveram destaque. Nele serão destacados o programa de necessidades, partido arquitetônico, fluxos e cir- culações internas, características no lote, materiais e técnicas utilizadas na edificação. 181UNIDADE 7 Residência 1: Casa das Canoas Arquiteto Oscar Niemeyer Data: 1951-1954 Figura 19 - Vista da área social da residência Fonte: Fundação Oscar Niemeyer ([2020], on-line). Ambientes Residenciais A residência construída para si próprio é consi- derada um dos mais significativos exemplares da arquitetura moderna brasileira, tendo sido esco- lhida para ser discutida nesta unidade por sua solução de implantação no lote. A edificação se adapta à paisagem local, integrando os elementos existentes no sítio e propondo a menor interven- ção no espaço, assim, a casa se insere de forma harmoniosa na paisagem. Segundo Dunster (2003), a casa está claramen- te dividida em duas partes: uma que se incorpora ao terreno, em que estão os dormitórios, e sobre este está um pavilhão destinado à área social da casa. Ainda segundo o autor, a penetração do ex- terior no interior da residência é absoluta. A área de estar representa a expressão da pro- posta de planta livre por dois aspectos: um no sentido de que todas as atividades se desenvolvem em um espaço único e também no sentido de que não há obstáculos para a circulação entre espaço interior e exterior (DUNSTER, 2003). Segundo Barnabé (2008), o acesso à casa se dá pela parte mais baixa do terreno e a casa pro- priamente dita não é totalmente visível da en- trada, sendo camuflada pela vegetação densa e pela diferença de nível entre a locação da obra e a estrada de acesso. A cobertura da residência é feita por uma laje sinuosa, em que se abrigam o acesso e espaços so- ciais. No nível inferior, está o setor íntimo da casa. Ambos são privilegiados pela vista, iluminação e ventilação natural. “ A casa não tem frente ou fundos, nela o que predomina é a fluidez espacial, um movi- mento contínuo que não permite que os olhos se fixem por muito tempo em uma forma específica (BARNABÉ, 2008, on-line). 182 Projeto Arquitetônico Residencial Um elemento de destaque na obra é a presença de uma rocha que se integra à edificação, fazendo, assim, parte da composição do projeto. O arquiteto, além de respeitar os elementos naturais existentes no lote, integrou-os no edifício. “ Suas curvas são organicamente submissas ao terreno, acomodando-se entre a vegetação e as pedras, contornando obstáculos naturais, a ponto de confundir o observador sobre o que está dentro e o que está fora, sobre rupturas e continuidade (SANTOS, 2003, on-line). Ao analisarmos as plantas do projeto, percebemos a clara distinção entre os setores social, íntimo e serviços. O setor social é um espaço amplo e flexível, tendo uma configuração mais livre, contrabalan- çada por planos retos, conecta-se com a paisagem do entorno por meio dos fechamentos em vidro. O setor de serviços fica em um bloco mais fechado. Figura 20 - Planta pavimento Térreo – área social Fonte: Dunster (2003, p. 108). O setor íntimo está localizado no nível inferior e do lado oposto ao acesso, o volume tem formas mais contidas, menos irregulares, enfatizando a opacidade e garantindo maior privacidade, além de propiciar o convívio da família. 44 3 2 2 3 4 SALA DE ESTAR COZINHA BANHEIRO 183UNIDADE 7 Figura 21 - Planta pavimento inferior – área íntima Fonte: Dunster (2003, p. 109). O fechamento da edificação é caracterizado por um jogo equilibrado de transparências e opacidades no pavimento térreo, enquanto no pavimento inferior a opacidade predomina (BARNABÉ, 2008). “ Minha preocupação foi projetar minha re- sidência com inteira liberdade, adaptando-a aos desníveis do terreno, sem o modificar, fa- zendo-a em curvas, de forma a permitir que a vegetação nela penetrasse, sem a separação ostensiva da linha reta. E criei para as salas de estar uma zona em sombra, para que a parte envidraçada evitasse cortinas e a casa ficasse transparente como preferia (NIEMEYER, 1958 apud SANTOS, 2003, on-line). O uso da luz e da sombra foram diretrizes pri- mordiais do projeto, além da preocupação do arquiteto em valorizar e harmonizar a residência com a paisagem do entorno (BARNABÉ, 2008). Residência 2: Residência Castor Delgado Perez Arquiteto Rino Levi Data: 1958 Local: São Paulo, SP Área: 508 m2 Figura 22 - Fachada da residência Fonte: Luciana Brito Galeria ([2020], on-line). A Residência, localizada em São Paulo, está in- serida em um lote de meio de quadra estreito e alongado. A disposição do lote influencia a im- plantação da edificação. Ao observar a planta, destaca-se a relação entre cheios e vazios (áreas edificadas e áreas livres), pois a casa conta com dois pátios internos que promovem iluminação e ventilação natural para os ambientes. O espaço social é a parte central da casa, cercada pelos dois pátios, e a partir dela se tem acesso ao setor íntimo e ao setor de serviços. 1 4 5 6 ENTRADA BANHEIRO DORMITÓRIO ESTÚDIO 5 5 5 4 4 6 1 184 Projeto Arquitetônico Residencial Por sua vez, a garagem está localizada na parte frontal do lote, assim como as dependências de empre- gada, localizada no pavimento superior, acima da garagem. O setor de serviços (copa, cozinha, área de serviços) está localizado em uma das laterais da casa. A outra lateral é ocupada pelo hall de entrada, lavabo e circu- laçãode acesso à ala dos dormi- tórios. No fundo do lote, junto à divisa, foi implantado um bloco que abriga um quarto de hóspe- des e espaço de lazer. Junto à garagem, na parte frontal da edificação, está alo- cado o primeiro pátio; esse se conecta, por meio de elemen- tos vazados, ao pátio central. O Pátio central se divide em 2, estando entre eles a área social Figura 24 - Vista da sala de estar e pátios internos Fonte: Luciana Brito Galeria ([2020], on-line). Figura 23 - Setorização da residência Fonte: adaptada de Costa (2011). A edificação se fecha para fora e se abre para dentro. O parti- do retangular é empregado em lotes compactos em meio de quadra, ficando a ala de dor- mitórios e estar paralela à rua, com pátios centrais. Parte dos setores se organiza de forma perpendicular à rua, unindo os blocos e conformando os pátios internos. A casa se estrutura por meio do pátio central que se funde com o ambiente de estar. O es- tar e jantar ocupam o centro da casa e a área íntima ocupa a parte posterior do lote, dando privacidade aos dormitórios. da casa, sendo seus fechamentos em amplas portas de vidro. Os pátios têm fechamento de pergolados reticulado, o que permite a entrada da luz natural até o ambiente de estar, além de funcionarem como jardins internos (COSTA, 2011). SETOR DE SERVIÇOS SETOR SOCIAL SETOR ÍNTIMO 185UNIDADE 7 Figura 25 - Vista do pátio interno e seu fechamento em pergolados Fonte: Luciana Brito Galeria ([2020], on-line). Hoje, a residência tem um novo uso, funciona como galeria de arte e abriga a Galeria Luciana Brito. Para tanto, a obra passou por uma readequação arquitetônica para abrigar a nova função. Residência 3: Residência em Tijucopava Arquiteto: Marcos Acayaba Data: 1997 Local: Tijucopava, Guarujá, SP Área: 251 m2 Figura 26 - Vista da residência Fonte: Nelson Kon (apud MARCOS ACA- YABA ARQUITETOS [2020], on-line)1. O arquiteto Marcos Acayaba é reconhecido por trabalhar em seus projetos o uso da madeira. Nesta residência no litoral de São Paulo, ele tira partido da modulação e do uso do material para integra- ção da edificação à vegetação nativa existente. 186 Projeto Arquitetônico Residencial O lote está localizado a 150 metros da praia e imerso na mata atlântica a 80 metros de altitude (MARCOS ACAYABA ARQUITETOS, [2020], onli- ne)1. A inserção da edificação no lote sem interferir no solo e na vegetação e a integração en- tre interior e exterior foram as premissas do projeto. Para tanto, o arquiteto usou uma modula- ção triangular e apoio no terre- no em apenas 3 pontos. Figura 27 - Vista da residência junto à vegetação nativa Fonte: Nelson Kon (apud MARCOS ACAYABA ARQUITETOS, [2020], on-line)1. Figura 28 - Corte Longitudinal com setorização Fonte: adaptada de Marcos Acayaba Arquitetos ([2020], on-line)1. A casa possui 4 pavimentos: o acesso se dá pelo pavimento social (sala/cozinha) que se liga à parte mais alta do lote por meio de uma passarela. Acima deste, está o terraço, o qual fica na altura da copa das árvores, dando vista para o mar e para a serra, sendo um espaço para lazer. Abaixo do pavimento de acesso, está o piso íntimo, onde ficam os dormitórios. No pavimento inferior, está a área de serviço, com acesso para o lote na parte mais baixa. SETOR DE SERVIÇOS SETOR SOCIAL SETOR ÍNTIMO 0 1 2 3 4 5m05 CORTE A A B C D 187UNIDADE 7 Figura 29 - Planta baixa Terraço Fonte: adaptada de Marcos Acayaba Arquitetos ([2020], on-line)1. Figura 30 - Planta baixa Área social/ acesso Fonte: adaptada de Marcos Acayaba Arquitetos ([2020], on-line)1. Figura 31 - Planta baixa Dormitórios Fonte: adaptada de Marcos Acayaba Arquitetos ([2020], on-line)1. 0 1 2 3 4 5m05 PLANTA COBERTURA 1. 2. Terraço Coberto Terraço Descoberto 0 1 2 3 4 5m05 PLANTA SALA / COZINHA 1. 2. 3. 4. 5. Sala de Estar Sala de Jantar Cozinha Terraço Coberto Ponte 0 1 2 3 4 5m05 PLANTA DORMITÓRIOS 1. 2. 3. Dormitório Banheiro Terraço Coberto 188 Projeto Arquitetônico Residencial Figura 32 - Planta baixa Área de serviços Fonte: adaptada de Marcos Acayaba Arquitetos ([2020], on-line)1. A estrutura foi montada com pilares e vigas de madeira e conexões e tirantes em aço, tudo pré-fabricado. A cobertura foi feita em placas de concreto leves pré-fabricadas para facilitar a manutenção. Por outro lado, as paredes são de painéis industrializados de madeira compensada. As janelas são em vidro comum. O fato de as peças serem leves e de pequena dimensão possibilitou a montagem da casa sem a ne- cessidade de grandes equipamentos, causando assim menor interferência na paisagem, com o mínimo de impacto ambiental. Residência 4: Casa das Saíras Arquiteto: Samuel Kruchin Data: 2005 Local: Ubatuba, SP Área: 370 m2 Figura 33 - Vista da residência Fonte: Kruchin (2007, p. 45). A residência foi resolvida em um único pavimen- to, apenas a garagem fica em nível inferior. A modulação dada pela estrutura (pórticos) faz a demarcação das funções internas. A setori- zação das funções é feita de maneira bem clara, como podemos ver na Planta baixa (Figura 34). O acesso está localizado mais ao centro do volume 0 1 2 3 4 5m05 PLANTA SERVIÇOS 1. 2. 3. 4. Lavanderia Dormitório Empregada Banheiro Empregada Ponte 189UNIDADE 7 edificado, de um lado está a área íntima (quartos e banheiros) e do outro o setor de serviços (cozinha, área de serviço, dormitório da empregada) e setor social (sala e pátio). O pátio descoberto cria um vazio no volume que amplia a divisão entre o setor íntimo e o restante da casa. Figura 34 - Setorização da residência Fonte: adaptada de Kruchin (2007, p. 49). O setor social é todo envidra- çado, criando uma relação e, ao mesmo tempo, proteção com a paisagem natural do entor- no, permitindo visibilidade da praia e das montanhas. Os dormitórios são mais opacos, no entanto, possuem portas deslizantes que os conectam à paisagem externa. Figura 35 - Vista da área social Fonte: Kruchin (2007, p. 47). 0 N 1 5 102,5 SETOR DE SERVIÇOS SETOR SOCIAL SETOR ÍNTIMO 190 Projeto Arquitetônico Residencial Figura 36 - Vista para o setor íntimo, detalhe das portas deslizantes Fonte: Kruchin (2007, p. 46). Segundo o arquiteto, a intenção do projeto era “construir uma múltipla interação entre arquitetura e paisagem: entre horizonte e lugar; entre imponência e intimidade; entre opacidade e transparência” (KRUCHIN, 2007, p. 48). Caro(a) aluno(a), estes são alguns bons exemplos de projetos arquitetônicos residenciais para você analisar e se inspirar. Lembre-se que, sempre ao iniciar um novo projeto, devemos fazer o estudo cor- relato, buscar projetos semelhantes em busca de soluções e inspiração. 191 1. Na planta a seguir, identi- fique, por meio de cores e legenda, os setores social, íntimo e serviços. 2. Monte um programa de necessidades para uma residência destinado a uma família com o seguinte perfil: 3. Monte o mobiliário para um quarto de casal no ambiente a seguir. Utilize as medidas mínimas de referência da Tabela 2. • Casal. • 3 filhos: 2 meninos e 1 menina. • Gostam de receber amigos nos fins de semana. • O pai faz home office. .15 .15 3.00 .1 5 .1 5 3. 00 Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 192 100 Casas Unifamiliares de Arquitectura del Siglo XX Autor: David Dunster Editora: Gustavo Gili Sinopse: não é uma tarefa fácil explicar o que realmente era a arquitetura moderna no início. Os arquitetos viam na planta uma maneira de descrever os estilos de vida diferentes e mutáveis. Esse é um excelente meio de obter conhecimento com o trabalho de arquitetura, pois contém um conteúdo mais profundo do que aparente. Dado que o plano é a medida mais precisa que temos para avaliar as mudanças no pensamento arquitetônico desde a era das Belas Artes, aqui são oferecidos cem exemplos de casas divididas em dois períodos: 1900-1944 e 1945-1990. Os trabalhos vêm de países tão díspares como Espanha, Brasil, Rússia, Tchecoslováquia ou Grã-Bretanha e de renomadosprofessores talentosos e outros um pouco mais anônimos. Comentário: o livro apresenta projetos residenciais de diferentes e renoma- dos arquitetos de diferentes países. Por meio dele, o aluno pode mergulhar na infinidade de possibilidades criativas que o projeto residencial nos permite. LIVRO As casas mais extraordinárias do mundo (The world’s most extraordinary homes) Ano: 2019 Sinopse: o arquiteto Piers Taylor e a atriz Caroline Quentin rodam o mundo visitando residências que se destacam. Na primeira temporada, a dupla busca casas em 4 diferentes regiões: Montanha, Floresta, Litoral e Subterrâneo. Por outro lado, na segunda temporada, os episódios são nomeados pelos países em que as casas estão localizadas: Estados Unidos, Portugal, Suíça, Espanha, Índia, Noruega, Israel e Japão. | Disponível na Netflix. Comentário: a série mostra uma infinidade de casas em diferentes lugares do mundo e em diferentes contextos. FILME As casas brasileiras mais inspiradoras de 2019 A publicação apresenta um compilado de projetos residenciais brasileiros que obtiveram destaque em 2019. São projetos de diferentes dimensões, programas e contextos culturais, espalhados por todo o Brasil. Vale a pena conhecer um pouco melhor os projetos arquitetônicos residenciais contemporâneos. WEB https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/2837 193 ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 15575-1:2013. Edificações Habitacionais - Desempenho Parte 1: Requisitos gerais. Rio de Janeiro: ABNT, 2013. BARNABÉ, P. M. M. A luz natural na Casa das Canoas. Arquitextos. 103.02, ano 09, dez. 2008. Disponível em: https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/09.103/89. Acesso: 10 fev. 2020. COHAPAR. Companhia de Habitação do Paraná. Conjunto Habitacional Menino Deus II, Ampére, Paraná. [2020]. Disponível em: https://www.sistemas.cohapar.pr.gov.br/portalDeEmpreendimentos/empreendimento. php?p=8WXCcRV=m9XvICw3NpTLIAYMLQTv6qndHCFjIAm. Acesso em: 04 fev. 2020. COSTA, A. E. da. O gosto pelo sutil: confluências entre as casas-pátio de Daniele Calabi e Rino Levi. Tese (doutorado) em Arquitetura, Universidade Federal do rio Grande do Sul, 2011. DUNSTER, D. 100 casas unifamiliares: de la arquitectura del siglo XX. 1. ed. México: Ediciones Gustavo Gili, 2003. FUNDAÇÃO OSCAR NIEMEYER. Casa das Canoas. Rio de Janeiro, [2020]. Disponível em: http://www. niemeyer.org.br/fundacao/locais/casa-das-canoas Acesso: 18 mar. 2020. KRUCHIN, S. Residência em Ubatuba. Revista Projeto Design, São Paulo, n. 330, ago. 2007. LUCIANA BRITO GALERIA. Residência Moderna. São Paulo, [2020]. Disponível em: http://www.luciana- britogaleria.com.br/exhibitions/109. Acesso: 18 mar. 2020. ODEBRECHT, S. Projeto Arquitetônico: Conteúdos Técnicos Básicos. Blumenau: Edifurb, 2006. SANTOS, C. R. dos. Casa das Canoas de Oscar Niemeyer: fazendo a alma cantar. Arquitextos, v. 40, n. 5, ano 04, set. 2003. Disponível em: https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/04.040/654. Acesso: 10 fev. 2020. SIQUEIRA, M. Nova concepção de quadra. Revista Arquitetura e Urbanismo, Ano 29, n. 244, jul. 2014. VENÂNCIO, H. Minha casa sustentável: guia para uma construção responsável. 2. ed. Vila Velha: Edição do autor, 2010. VOORDT, T. J. M. van der. Arquitetura sob o olhar do usuário. Tradução de Maria Beatriz de Medina. São Paulo: Oficina de Textos, 2013. Referência On-line 1Em: http://www.marcosacayaba.arq.br/lista.projeto.chain?id=26. Acesso: 18 mar. 2020. https://www.sistemas.cohapar.pr.gov.br/portalDeEmpreendimentos/empreendimento.php?p=8WXCcRV=m9XvICw3NpTLIAYMLQTv6qndHCFjIAm http://www.niemeyer.org.br/fundacao/locais/casa-das-canoas http://www.lucianabritogaleria.com.br/exhibitions/109 https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/04.040/654 194 1. SETOR DE SERVIÇOS SETOR SOCIAL SETOR ÍNTIMO 2. Suíte casal, 2 quartos, banheiro social, escritório, lavabo, sala de estar e TV, sala de jantar, cozinha, lavan- deria, espaço gourmet/churrasqueira. Pode-se acrescentar: piscina, sala de jogos, biblioteca etc. 3. 195 196 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Reconhecer as especificidades do processo de projeto de edifícios verticais de acordo com o tipo de uso. • Apresentar os principais elementos que compõe o pro- jeto de um edifício vertical, o programa de necessidades de acordo com o uso e os requisitos de cada pavimento. • Apresentar as normas e recomendações para o dimen- sionamento e elaboração de escadas e elevadores em edifícios verticais. • Expor as normas e recomendações para o dimensiona- mento e elaboração das rotas de fuga e saídas de emer- gência em edificações. • Apresentar as normas e recomendações para o dimensio- namento de consumo de água em edifícios e o dimensio- namento de cisternas e reservatórios elevados. Especificidades do Projeto de Edifícios Verticais Programa de Necessidades e Pavimentos Saídas de Emergência em Edifícios Verticais Reservatórios de Água em Edifícios Verticais Circulação Vertical: Escadas de Emergência e Elevadores Me. Andréia Gonçalves Projeto de Edifícios Verticais Especificidades do Projeto de Edifícios Verticais Um edifício vertical é aquele que possui vários pavimentos, normalmente acima de 2 já é con- siderado vertical. Ele possui uma configuração comum de subsolo, térreo, pavimento tipo e co- bertura. Essa estrutura pode variar de acordo com a tipologia do edifício, seu padrão ou de acordo com outros requisitos. O pavimento tipo ou pavimento padrão ou planta tipo é o termo usado para um ou mais pavimen- tos iguais e que se repetem em planta em um edifício. Um edifício pode ter um único pavimen- to tipo que se repete ao longo de toda a torre ou 2 ou mais pavimentos tipos que se repetem em sequência ou alternadamente. Um edifício de uso misto (residencial e comer- cial), por exemplo, poderá ter um pavimento tipo residencial, com apartamentos, e um pavimento tipo de uso comercial, com salas ou escritórios. 199UNIDADE 8 A tipologia de uso do edifício será fundamental na definição de seus requisitos, no programa de necessidades, definição de pavimentos, áreas comuns e privativas, estacionamentos, serviços, entre outros. Os edifícios podem ser concebidos de formas diversas com re- lação ao uso. Eles podem ser exclusivamente de uso residencial, e assim são chamados de edifícios multifamiliares, pois agregam diversas habitações. Podem ser predominantemente residenciais, com torre residencial e térreo, mezanino e/ou sobreloja comercial e prestação de serviços. Podem ser mistos, com torre parte comercial e parte residencial. Podem ser, também, exclusivamente comerciais ou, ainda, ter funções cultural, institucional, hospitalar, entre outros. Figura 1 - Edifício Residencial WoZoCo, Amsterdã Figura 2 - Edifício comercial Gherkin building (30 St Mary Axe), Londres 200 Projeto de Edifícios Verticais Figura 3 - Edifício de uso institucional/cultural - Praça das Artes, São Paulo Nesta unidade, daremos ênfase aos edifícios de tipologia residencial e comercial, por se tratarem das tipologias mais comuns. Arranha-céu é o nome dado a um edifício muito alto, de diversos pavimentos. O termo foi usado, primeiramente, para definir os edifícios construídos em Chicago, com cerca de dez andares. Nos dias atuais, os arranha-céus já possuem mais de cem pavimentos. O que possibilitou a expansão dos edifícios ar- ranha-céus foi o desenvolvimento da tecnologia, do aço principalmente, sendo possível construir edifícios cada vez mais altos. Outro elemento fundamental foi o elevador. São exemplos atuais de arranha-céus os edifí- cios Burj Khalifa, em Dubai, Emirados Árabes; Shanghai Tower, em Xangai, China; Lotte World Tower, em Seul, Coreia do Sul; Empire State Buil- ding, em Nova York, EUA, este aliás foi o edifício mais alto do mundo por muitos anos. No Brasil, o arranha-céu mais alto atualmente é o Millennium Palace, em Balneário Camboriú, Santa Catarina. O edifício localizado na orla marítima tem 177 metrose 46 andares. Figura 4 - Empire State Building, Nova York 201UNIDADE 8 Programa de Necessidades e Pavimentos Um edifício residencial terá um programa de ne- cessidades voltado, exclusivamente, a este uso, as- sim, ele também terá um público mais restrito, ou seja, circularão pelo edifício predominantemente os moradores, no dia a dia e, esporadicamente, outros usuários previamente autorizados. 202 Projeto de Edifícios Verticais Assim, o edifício residencial terá funções claras a abrigar: A forma como essas funções vão ser implantadas dependerá da proposta arquitetônica do projetista. • Habitações: apartamentos. Pode haver apenas um tipo de apartamento padrão ou vários. • Vagas de estacionamento: o número de va- gas pode variar de acordo com a legislação de cada município, o padrão da edificação e sua proposta arquitetônica. • Áreas de lazer e recreação comuns: este espaço agrega salão de festas, playground, áreas gourmets, churrasqueiras, piscina, academia ou sala de ginástica, home offi- ce, brinquedoteca etc. As áreas comuns são as mais variáveis em um edifício residen- cial; de acordo com o padrão e a proposta arquitetônica, o edifício pode apresentar somente a área mínima exigida pela legis- lação ou possuir diversos outros ambien- tes, visando atrair um público específico. • Acesso: entrada de pedestres e veículos, portaria/guarita, hall de acesso, elevadores e escadas, corredores de circulação. • Serviços: central de gás, armazenamento de resíduos, zeladoria, reservatórios de abastecimento de água (cisterna e reser- vatório elevado), casa de máquinas etc. Na Figura 5, o pavimento tipo possui 3 tipologias de apartamento diferentes. A circulação horizontal (corredores) e a circulação vertical (escadas e elevadores) ficam concentradas na parte central do edifício. Essa solução é bastante comum, pois minimiza as dimensões das circulações horizontais e privilegia que as fachadas do edifício sejam ocupadas pelas unidades habitacionais, que necessitam de maior índice de iluminação e ventilação natural, ao contrário dos corredores, além do projetista poder tirar partido das vistas do entorno. Figura 5 - Exemplo de planta baixa do pavimento tipo 203UNIDADE 8 O Edifício Maxhaus Campo Belo (Figura 6), localizado na cidade de São Paulo, trata-se de um prédio residencial com apartamentos de 70 m2 e planta livre, ou seja, há divisões com paredes apenas no banheiro, o restante do espaço é integrado. Isso permite a organização de diferentes layouts internos, de acordo com as necessidades dos moradores. As áreas comuns do edifício, normalmente, são locadas no térreo (Figura 7), pois facilitam o acesso do público externo e garantem mais privacidade aos Figura 6 - Pavimento tipo do Edifício Maxhaus Campo Belo Fonte: adaptada de Sayech (2014). apartamentos, ficando estes isolados da circulação de usuários estranhos. No entanto, o projetista pode optar por inserir as áreas comuns no pavimento de cobertura do edifício, nesse caso, recomenda-se que haja um acesso direto para esta área, evitando que os usuários externos circulem nos pavimentos tipo, junto aos apartamentos. 2, 5 0 AA TÉ RR EO Figura 7 - Pavimento térreo do Edifício Maxhaus Campo Belo Fonte: adaptada de Sayech (2014). Os estacionamentos, por sua vez, podem ser resolvidos no pavimento térreo, com acesso em nível para a via pública, ou no subsolo, casos mais comuns. Também existem soluções em que os estacionamentos são locados na sobreloja ou par- cialmente no térreo e parte no subsolo. De acordo com a ne- cessidade de vagas, pode haver vários pavimentos de garagem. 204 Projeto de Edifícios Verticais As áreas de serviço são áreas mais restritas, normalmente locadas no térreo ou subsolo. Estas devem garantir mais privacidade, sendo acessadas somente por funcionários. Áreas como central de gases e armazenamento de resíduos devem ter acesso fácil e independente para a via pública, possibilitando o acesso de serviço para abastecimento de gás, retirada dos resíduos, manutenção etc. Os reservató- rios de água, porém, devem estar no térreo ou subsolo, de forma protegida, e na cobertura do edifício. Trataremos dos reservatórios em um tópico específico. O programa de necessidades dos apartamentos segue a mesma régua das edificações residenciais tratadas na Unidade 7. O edifício de uso comercial terá algumas diferenças, principalmente com relação à quantidade e tipo de usuários. Enquanto o edifício de uso residencial possuirá um público usuário mais restrito, o comercial poderá receber usuários diversos e em quantidades muito maiores, que podem variar de acordo com o tipo de atividade que abrigar. Em um edifício de salas comerciais, por exemplo, elas podem ser locadas para lojas de diversos segmentos, escritórios de contabilidade, advocacia, consul- tórios médicos e odontológicos, call centers e profissionais liberais de modo geral. Assim, seu público será bastante variado. O programa de necessidades de um edifício comercial pode ser mais ou menos restrito de acordo com a proposta arquitetônica. Um modelo comum é área de estacionamento, acesso, setores de ser- viço e espaços comerciais (salas). Ao contrário dos edifícios residenciais, os comerciais não precisam, necessariamente, de espaços comuns de lazer, no entanto, isso pode ser um diferencial. Os edifícios comerciais podem ser bastante distintos de acordo com o tipo de serviços que se preten- dem abrigar. Os mais simples, normalmente, possuem no pavimento térreo o acesso e salas comerciais voltadas para a via pública, estacionamento, que pode ser resolvido no térreo, subsolo ou sobreloja, como no caso dos residenciais, e pavimentos tipo com salas, normalmente de tamanho padrão para abrigar serviços diversos. Essas salas devem ser flexíveis e obter o maior espaço livre para acomodar funções diversas e serem adaptadas internamente para tal. Recomenda-se que cada sala tenha banheiro privativo; isso irá depender de cada legislação, no entanto, recomenda-se que, ao menos por pavimento, haja um bloco de sanitários. Figura 8 - Garagem de edifício 205UNIDADE 8 Figura 9 - Pavimento tipo edifício comercial Fonte: a autora. SALA 02 SALA 01 SALA 04 SALA 03 É importante que você entenda a diferença entre área computável e não computável. A área construída é a considerada no cálculo do coeficiente de aproveitamento e a área não compu- tável é a construída que não é considerada no cálculo do coeficiente de aproveitamento. Fonte: adaptado de Prefeitura Municipal de Maringá (2011). Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. 206 Projeto de Edifícios Verticais Circulação Vertical: Escadas de Emergência e Elevadores Como dito anteriormente, os elevadores de pas- sageiros foram uma invenção fundamental para o projeto e construção de edifícios cada vez mais altos. Eles garantem o deslocamento de forma mais rápida e sem desgaste físico ao longo dos pavimentos. Sem eles, seria impossível que as pessoas se deslocassem em edifícios com muitos pavimentos. Hoje, de modo geral, as legislações permitem a construção de edifícios verticais de, em média, 4 pavimentos sem o uso de elevadores, acima disso, eles se tornam obrigatórios. 207UNIDADE 8 Os elevadores são considerados elementos de deslocamento eficientemente seguros, para tanto, necessitam de correta execução e manutenção. No que tange o projeto arquitetônico, o proje- tista deve prever o espaço que será ocupado pelo elevador, assim como a forma de acesso a este. No plano horizontal, o projetista deve prever o espaço para locar o elevador; esse espaço depen- derá da capacidade do elevador. Um elevador para deslocar mais pessoas, será maior e ocupará mais espaço. Também deve estar atento ao hall ou circulação de acesso ao elevador, garantindo a entrada e saída dos usuários. No plano verti- cal, tem-se o fosso do elevador, espaço ocupado para fazer o deslocamento vertical. O fosso,ao contrário do que vemos em um edifício quando nos deslocamos nos elevadores, não ocupa ape- nas o espaço dos pavimentos: para que o sistema do elevador funcione, ele precisa que o fosso se prolongue abaixo do primeiro pavimento servido pelo elevador, que pode ser o térreo ou o subsolo, e um espaço acima do último pavimento servido, espaço chamado de casa de máquinas, área onde é feita a manutenção técnica do elevador. A Figura 10 ilustra o fosso de elevador em corte. Casa de máquinas 3º pavto 2º pavto 1º pavtoFosso do elevador Térreo Figura 10 - Fosso do elevador (corte) Fonte: a autora. O elevador, apesar de seguro, não é considerado como saída de emergência de um edifício. Em caso de emergência, o usuário deve utilizar as escadas para sair da edificação em segurança, são as chama- das escadas de emergência. De acordo com o tipo de edifício, seu uso e risco a incêndios, é necessário um tipo específico de escada. A NBR 9077 (ABNT, 2001) estabelece critérios e os tipos de escada a ser implantada nos edifícios de acordo com suas características. • Escada não enclausurada - Escada comum: é uma escada simples e não possui separação ou barreira que a isole da circulação comum do edifício, ou seja, é uma escada aberta. • Escada enclausurada protegida: é uma escada separada fisicamente da circulação comum do edifício, sendo fechada por meio de uma porta resistente ao fogo, que seja resistente por 30 minutos. A porta deve abrir sempre no sentido da rota de fuga. A NBR 9077 (ABNT, 2001) estabelece, ainda, que a caixa da escada deve ser isolada por paredes resistentes a, no mínimo, 2 horas de fogo. Em todos os pavimentos, devem existir janelas abrindo para o espaço livre exterior. 208 Projeto de Edifícios Verticais • Escada enclausurada à prova de fumaça: este é o tipo mais restrito de escada: além de ser iso- lada da circulação comum do edifício e conter porta corta fogo, ela também deve possuir uma antecâmara e dutos de ventilação. Figura 11 - Escada enclausurada protegida Fonte: ABNT (2001, p. 13). Figura 12 - Exemplo de escada enclausurada protegida Apartamento ou escritório PRF 209UNIDADE 8 As escadas devem ter suas caixas enclausuradas por paredes resis- tentes a 4 horas de fogo e seu ingresso deve ser feito por meio de antecâmaras ventiladas, terraços ou balcões. As provas devem ter portas estanques à fumaça e resistentes a 30 minutos de fogo em sua comunicação com a antecâmara. Estas, por sua vez, devem possuir porta corta-fogo na entrada. As antecâmaras devem ser ventiladas por dutos de entrada e saída de ar (ABNT, 2001). ESCADA ANTE CÂMARA Figura 13 - Exemplo de escada enclausurada à prova de fumaça Fonte: ABNT (2001, p. 15). Caso haja elevador de emergência no edifício, este deve abrir para a antecâmara. 210 Projeto de Edifícios Verticais Os edifícios de uso coletivo ou público devem ter atenção especial às saídas de emergência e rotas de fuga, para garantir segurança aos seus usuários em caso de situações de incêndio. Além de garantir as rotas de fuga em situações críticas, as saídas de emergência também garantem acessibilidade ao edifício. É determinada saída de emergência o “ Caminho contínuo, devidamente protegi- do, proporcionado por portas, corredores, halls, passagens externas, balcões, vestíbulos, escadas, rampas ou outros dispositivos de saída ou combinações destes, a ser percor- rido pelo usuário, em caso de um incêndio, de qualquer ponto da edificação até atingir a via pública ou espaço aberto, protegido do incêndio, em comunicação com o logradou- ro (ABNT, 2001, p. 4). Saídas de Emergência em Edifícios Verticais 211UNIDADE 8 As dimensões das saídas de emergência de um edifício são calculadas de acordo com a população que irá ocupar a edificação. A população, por sua vez, é estimada em função do uso da edificação. Os acessos devem ser dimensionados em função dos pavimentos que servirem à população, e as escadas, rampas e descargas em função do pavimento com maior população. Assim, a largura das saídas é dada pela fórmula: N = p c Sendo, N = número de unidades de passagem, arredondado para número inteiro p = população* c = capacidade da unidade de passagem** * Os valores de referência são apresentados na NBR 9077 (ABNT, 2001). ** Uma unidade de passagem corresponde a 55 cm. Qual será a largura do corredor de circulação no pavimento tipo de um edifício residencial com 4 apartamentos de 3 quartos? De acordo com os parâmetros da NBR 9077/2001 (ABNT, 2001), a edificação é classificada como de Tipo A2, considera-se duas pessoas por dormitório, assim a população do pavimento tipo é igual a popula- ção de cada apartamento, multiplicada pelo número de apartamentos, assim, neste caso, temos: 6 pessoas por apto x 4 aptos = 24 pessoas por pavimento tipo. Para dimensionarmos a largura da circulação, aplicamos a fórmula. A capacidade da unidade de passagem também é dada pela NBR 9077 (ABNT, 2001). Neste caso, para acessos, a circulação é de 60. N = p c N = N = 0,4 24 60 O número de passagens deve ser arredondado para número inteiro, assim 0,4 corresponde a 1 unidade de passagem. Se cada unidade de passagem corresponde a 55 cm, nesta edificação o corredor de acesso teria, no mínimo, 55 cm de largura. 1 EXEMPLO No entanto, independentemente dos valores encontrados usando a fórmula, devem ser respeitadas as larguras mínimas estabelecidas pela NBR 9077 (ABNT, 2001), ou seja, as saídas de emergência não devem ter largura mínima inferior a 1,10 m para ocupações em geral e 2,20 m para edificações hos- 212 Projeto de Edifícios Verticais pitalares, para permitir a passa- gem de macas. Essas dimensões devem ser livres de qualquer in- terferência, como pilares, mobi- liário ou outros elementos que possam comprometer o livre escoamento dos usuários. Os acessos devem permitir o escoamento dos usuários da edificação, manter-se sempre desobstruídos, iluminados e sinalizados com indicação da saída. As portas localizadas nas rotas de fuga devem abrir no sentido da rota de fuga, pois isso garante que o fluxo de saída seja mantido em uma situação de emergência. Todos os requisitos estabe- lecidos para as saídas de emer- gência pela NBR 9077 (ABNT, 2001) são dados em função das características construtivas e de ocupação da edificação. Além da NBR 9077 (ABNT, 2001), o projetista deve estar atento a outras legislações re- gionais que estabeleça outros critérios de acordo com o lo- cal onde a obra será inserida, como o Código de Bombeiros estadual, o código de obras mu- nicipais, decretos, entre outros. 213UNIDADE 8 Neste tópico, trataremos do pré-dimensiona- mento do volume dos reservatórios em uma edificação, pois estes elementos irão interferir no projeto arquitetônico e na volumetria final da edificação. No entanto, o dimensionamento do sistema de instalações hidráulicas não será tratado neste livro. Em edifícios verticais, no sistema indireto por gravidade, existe um reservatório inferior (cister- na) e um superior, que recebe a água bombeada do inferior e distribui aos aparelhos (MACYN- TIRE, 1990). Reservatórios de Água em Edifícios Verticais 214 Projeto de Edifícios Verticais A NBR 5626 (ABNT, 1998) estabelece parâmetros para os reserva- tórios de água potável. Assim, eles devem manter o padrão de pota- bilidade, não transmitindo gosto, cor, odor ou toxicidade à água nem promovendo o crescimento de micro-organismos. Desta forma, o reservatório deve ser um recipiente estanque, cuja vedação deve impedir a entrada de líquidos, poeiras, insetos e outros animais no seu interior. Da mesma forma, o reservatório deve ser construído de maneira que permita de modo facilitado a sua inspeção e limpeza. O volume de água reservado para uso doméstico deve ser, no mínimo, o necessário para 24h de consumo do edifício; a este deve ser acrescido o volume de água para combate a incêndio. No caso de residência de pequeno tamanho, recomenda-se que a reserva mínima sejade 500 litros (ABNT, 1998). “Reservatório inferior: reservatório intercalado entre o alimenta- dor predial e a instalação elevatória, destinado a reservar água e funcionar como poço de sucção da instalação elevatória. Reservatório superior: reservatório ligado ao alimentador predial ou à tubulação de recalque, destinado a alimentar a rede predial de distribuição.” Fonte: ABNT (1998, p. 5). Consumo diário é o valor médio de água consumida em um pe- ríodo de 24 horas em decorrência de todos os usos do edifício. Fonte: adaptado de Creder (2006). Os reservatórios de maior ca- pacidade devem ser divididos em dois ou mais compartimen- tos para permitir operações de manutenção sem que haja inter- rupção na distribuição de água (ABNT, 1998). Recomenda-se que reservatórios com volume superior a 4.000 litros sejam di- vididos em dois compartimen- tos (MACYNTIRE, 1990). São liberadas desta exigência as re- sidências unifamiliares isoladas. O dimensionamento dos re- servatórios de água é feito em função do consumo da edifica- ção, que, por sua vez, é resulta- do da ocupação do edifício. A reserva total dos reservatórios não deve ser inferior ao consu- mo diário da edificação, porém recomenda-se que não ultra- passe a três vezes o consumo (ABNT, 1998). A literatura traz alguns va- lores de referência para a deter- minação da população da edifi- cação e do consumo de água. O Quadro 1 apresenta os referen- ciais com relação à ocupação. 215UNIDADE 8 Quadro 1 - Estimativa de população por tipo de ocupação Local Taxa de Ocupação Residências Duas pessoas por dormitório Bancos Uma pessoa por 5 m2 de área Escritórios Uma pessoa por 6 m2 de área Lojas Uma pessoa por 5 m2 de área Museus e bibliotecas Uma pessoa por 5,50 m2 de área Restaurantes Uma pessoa por 1,50 m2 de área Sala de operação - Hospital Oito pessoas Teatros, cinemas e auditórios Uma cadeira para cada 0,70 m2 de área Fonte: adaptado de Macyntire (1990) e Creder (2006). Os autores apresentam, ainda, valores de referência de consumo diário de acordo com o uso de cada edificação. Tabela 1 - Consumo médio diário por tipo de uso PRÉDIO CONSUMO (LITROS) Alojamentos provisó- rios 80 per capita Casas populares ou rurais 120 a 150 per capita Residências 150 per capita Apartamentos 200 a 250 per capita Hoteis 120 per capita Hospitais 250 por leito PRÉDIO CONSUMO (LITROS) Escolas 50 per capita Edifícios públicos e co- merciais 50 per capita Escritórios 50 per capita Cinemas e teatros 2 por lugar Templos 2 por lugar Mercados 5 por m2 de área Fonte: adaptada de Macyntire (1990) e Creder (2006). As concessionárias que prestam os serviços de abastecimento de água costumam ter seus parâmetros de consumo próprios; assim, o projetista deve sempre consultar esses dados junto à concessionária que atende a região onde o projeto será implantado. 216 Projeto de Edifícios Verticais A Tabela 2 compara os valores de referência utilizados pela Sanepar – Companhia de abastecimento do Paraná – e a Sabesp – Companhia de abastecimento de São Paulo. Tabela 2 - Valores referência para consumo diário de água IMÓVEL CONSUMO DIÁRIO SANEPAR SABESP Residência padrão popular 100 l/hab. - Residência padrão médio 150 l/hab. 70 a 120 per capita Residência padrão alto 250 l/hab. 120 a 210 per capita Escolas (externatos) 50 l/per capita 35 a 55 per capita Quarteis 150 l/per capita 70 a 120 per capita Creches 50 l/per capita 40 a 50 per capita Edifícios públicos/comerciais 80 l/per capita 30 a 50 per capita Supermercados l/ m2 de área 3 a 5 por m2 de área Restaurantes 25 l/refeição 15 a 40 por pessoa Escritórios 50 l/per capita 30 a 50 per capita Lavanderias 30 l/kg roupa seca 30 por kg de roupa Lava car 300 l/veículo 200 a 250 por veículo Asilos 150 l/per capita 70 a 120 per capita Igrejas/templos 2 l/assento 0,5 a 1 por lugar Jardins(rega) 1,5 l/m2 1,0 a 2,0 por m2 Fonte: adaptada de SANEPAR (2010) e SABESP (2017). Os reservatórios devem ter capacidade para armazenar o volume para dois dias de consumo. Creder (2006) recomenda que 3/5 do volume seja armazenado no reservatório inferior e 2/5 no superior. Deve-se prever, ainda, a reserva de incêndio: o autor recomenda que ela seja equivalente de 15 a 20% do consumo diário. Deve-se consultar, também, o Código do Corpo de Bombeiros local para verificar qual o percentual exigido para a reserva de incêndio. Em um edifício de apartamentos com 10 pavimentos, com 4 aparta- mentos cada pavimento tipo, tendo cada apartamento 3 quartos, qual o volume de água a ser armazenada e qual será a capacidade de cada reservatório? 1 EXEMPLO 217UNIDADE 8 Cada apartamento – 6 pessoas Cada pavimento – 24 pessoas População total do prédio – 240 pessoas Se considerarmos a Tabela 1, o consumo diário per capita será de 200 litros por pessoa Consumo diário: 200 x 240 = 48.000 litros Reserva de incêndio: 20% = 9.600 litros Consumo total diário: 57.600 Reserva para 2 dias: 115.200 litros Capacidade do reservatório inferior: 3/5 = 69.120 litros Capacidade do reservatório superior: 2/5 = 46.080 litros Como ambos os reservatórios possuem volume maior que 4.000 litros, recomenda-se que o volume seja dividido em duas células. Reservatório inferior: Célula 1: 34.560 litros Célula 2: 34.560 litros Reservatório superior: Célula 1: 23.040 litros Célula 2: 23.040 litros Reservatórios no projeto arquitetônico: Normalmente, recomenda-se que, em edifícios verticais, o reservatório elevado seja disposto acima da caixa de escadas, utilizando, assim, sua estrutura. As Figuras 14 e 15 ilustram o projeto arquitetônico dos reservatórios. C1 C2 CASA DE BOMBAS Figura 14 - Planta do reservatório inferior Fonte: a autora. Figura 15 - Planta do reservatório superior Fonte: a autora. CÉLULA 01 CÉLULA 02 218 Projeto de Edifícios Verticais Nesta unidade, você pôde conhecer um pouco melhor as particu- laridades e a infinidade de parâmetros aos quais o engenheiro civil deve estar atento ao desenvolver o projeto de um edifício vertical. Lembre-se sempre de conhecer as normativas de âmbito nacional, como as normas da ABNT, mas também as normas e legislações do seu estado e município ou do local onde a obra será implantada. “Barrilete: tubulação que se origina no reservatório e da qual de- rivam as colunas de distribuição, quando o tipo de abastecimento é indireto.” Fonte: ABNT (1998, p. 4). 219 1. Calcule o volume de água a ser armazenado e a capacidade de cada reservatório (inferior e superior) para um edifício de apartamentos com 4 pavimentos, com 6 apartamentos cada pavimento tipo, tendo cada apartamento 3 quartos. 2. Calcule a largura de uma escada de emergência para um edifício comercial com população, no pavimento mais populoso, de 200 pessoas. Capacidade de unidades de passagem para escadas: 60 – segundo a NBR 9077 (ABNT, 2001). 3. Faça uma proposta em croqui para um pavimento tipo de um edifício residencial com 4 apartamentos. Não é necessário fazer a divisão interna dos apartamen- tos. O croqui deve conter a disposição dos apartamentos, circulação, escada e elevador. Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 220 Edifícios Comerciais e Espaços Corporativos Autor: Jackie Carol Editora: J. J. Carol Sinopse: o livro traz projetos de edifícios e ambientes de trabalho em acordo com diferentes demandas operacionais, mas sempre valorizando eficiência energética, bem-estar e produtividade. As propostas são assinadas por arqui- tetos reconhecidos e com décadas de experiência à frente de projetos que se destacam por oferecer soluções capazes de conciliar técnica, funcionalidade e estética. Comentário: o livro é rico em detalhes, apresentando o projeto de forma ilus- trativa, por meio de perspectivas, plantas e detalhes construtivos. LIVRO Os 10 edifícios mais altos do mundo jamais concluídos O artigo apresenta dez projetos de edifícios verticais dentre os mais altos do mundo que não foram construídos. A lista conta com projetos mirabolantes ao redor detodo o mundo. WEB https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/2838 221 ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 5626:1998. Instalação predial de água fria. Rio de Janeiro: ABNT, 1998. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9077:2001. Saídas de emergência em edifícios. Rio de Janeiro: ABNT, 2001. CREDER, H. Instalações hidráulicas e sanitárias. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2006. MACYNTIRE, A. J. Manual de instalações hidráulicas e sanitárias. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1990. PREFEITURA MUNICIPAL DE MARINGÁ. Lei Complementar Nº 888. Dispõe sobre o uso e ocupação do solo no Município de Maringá e dá outras providências. Maringá, 2011. SABESP. Norma Técnica Sabesp NTS 181: Dimensionamento do ramal predial de água, cavalete e hidrômetro – Primeira ligação. Revisão 4. São Paulo, nov. 2017. Disponível em: https://www3.sabesp.com.br/normastecnicas/ nts/NTS181.pdf. Acesso em: 15 jun. 2020. SANEPAR. Tabela de Consumos Potenciais. 2010. Disponível em: http://site.sanepar.com.br/sites/site.sanepar. com.br/files/informacoes-tecnicas/projeto-hidrossanitario/tabela_consumos_potenciais_2010.pdf. Acesso em: 17 fev. 2020. SAYECH, S. Edifício Maxhaus Campo Belo. Revista Arquitetura e Urbanismo. Ano 29, n. 240, mar. 2014. http://site.sanepar.com.br/sites/site.sanepar.com.br/files/informacoes-tecnicas/projeto-hidrossanitario/tabela_consumos_potenciais_2010.pdf 222 1. Cada apartamento – 6 pessoas Cada pavimento – 36 pessoas x 4 pavtos População total do prédio – 144 pessoas Consumo diário per capita será de 200 litros por pessoa Consumo diário: 200 x 144 = 28.800 litros Reserva de incêndio: 20% = 5.760 litros Consumo total diário: 33.760 Reserva para 2 dias: 67.520 litros Capacidade do reservatório inferior: 3/5 = 40.512 litros Capacidade do reservatório superior: 2/5 = 27.008 litros 2. N = Pc N = 3,33 N = 20060 A escada deve ter 3,3 unidades de passagem, o que deve ser arredondado para número inteiro, logo, 4 unidades. Como cada unidade de passagem equivale a 0,55 m, a escada terá largura igual a 2,20 m. 223 3. Proposta 1 APTO 3 APTO 4 APTO 1 APTO 2 Proposta 2 APTO 3 APTO 4 APTO 1 APTO 2 224 225 226 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Me. Andréia Gonçalves • Apresentar os principais conceitos de sustentabilidade e ecoeficiência e sua aplicação no projeto de edificações. • Apresentar os princípios de uma edificação ecoeficiente. • Descrever estratégias de projeto para melhor aproveita- mento da iluminação e ventilação natural na edificação. • Apresentar materiais e sistemas aplicáveis a projetos que podem ampliar a eficiência energética das edificações. • Apresentar estudo de caso de edificações ecoeficientes e suas características. Conceitos de sustentabilidade e ecoeficiência em edificações Princípios de uma edificação ecoeficiente Sistemas alternativos de ecoeficiência Estudo de Caso: edificações ecoeficientes Estratégias de ecoeficiência: iluminação e ventilação Ecoeficiência nas Edificações Conceitos de Sustentabilidade e Ecoeficiência em Edificações A sustentabilidade tem sido uma questão muito discutida nos últimos anos. Com o aumento da população urbana e dos resíduos sólidos gerados, ela tem se tornado cada vez mais necessária. A construção civil está entre os setores que mais gera resíduos e consome energia, assim, falar de sustentabilidade no projeto e na construção e pensar materiais e tecnologias que se adequem melhor aos aspectos ambientais têm sido um grande desafio. A falta de conhecimentos sobre o impacto am- biental produzido pela construção civil no meio ambiente tem formado profissionais com pouca consciência do problema e da importância do se- tor para o meio ambiente global (GONÇALVES; BODE, 2015). 229UNIDADE 9 O termo sustentável implica equilíbrio com o entorno. O equilíbrio ecológico implica a disposi- ção dos usuários em economizar e realizar ações para restaurar o sistema ambiental (HERNÁN- DEZ-MINGUILLÓN; IRULEGI; ARANJUELO FERNÁNDEZ-MIRANDA, 2012). O termo arquitetura sustentável surgiu nos anos 90 com o reconhecimento da construção como uma das principais degradações dos recur- sos ambientais e, ao mesmo tempo, uma potencial fonte de renovação destes recursos (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 2014). A descoberta de que a arquitetura que produzi- mos atualmente – sua construção, as técnicas uti- lizadas – não corresponde com as necessidades de equilíbrio ambiental gerou, nas últimas décadas, a discussão sobre as características que a arquitetura deve ter para ser considerada ecológica e susten- tável (HERNÁNDEZ-MINGUILLÓN; IRULEGI; ARANJUELO FERNÁNDEZ-MIRANDA, 2012). Os materiais que usamos para construir, refor- mar e manter uma edificação causam impacto no meio ambiente, assim como a energia que é gasta para aquecimento, resfriamento, iluminação, fun- cionamento de equipamentos e a quantidade de água utilizada ao longo de sua vida útil. Da mesma forma, a implantação da edificação interfere na movimentação de terra, nos deslocamentos das pessoas por automóveis, poluição das águas pelo escoamento sobre pavimentos, rodovias, telhados e irrigação de jardins. Desta forma, a construção verde visa minimizar esses impactos negativos (KRUGER, 2016). Entende-se “ a construção verde como um conjunto de técnicas e práticas de projeto, constru- ção e manutenção que minimizam o im- pacto ambiental total de uma edificação (KRUGER, 2016, p. 3). Um edifício sustentável deve ser pensado neste conceito em todas as suas fases, desde o projeto, passando pela construção até a sua demolição, sendo a sua exploração uma das fases cruciais. Em qualquer uma das fases, a sustentabilidade na construção deve considerar aspectos econômicos, energéticos e ambientais (ANTUNES, 2011). De acordo com o autor, as edificações devem ser ana- lisadas como um sistema que consome recursos e emite resíduos, que, por sua vez, causam impactos ambientais. Isto é, as edificações são grandes con- sumidoras de matérias-primas e recursos naturais, da mesma forma, os resíduos gerados provocam grandes impactos. Segundo Lamberts, Dutra e Pereira (2014), um edifício se torna mais eficiente que outro quando garante as mesmas condições ambientais com me- nor consumo de energia. A ecoeficiência é uma condição inerente à edificação, representando sua capacidade de proporcionar conforto térmico, visual e acústico com baixo consumo de energia. No entanto, o conceito de construção ecoefi- ciente não está associado somente à diminuição dos consumos energéticos nos edifícios, o concei- to é mais abrangente e inclui as preocupações com a redução da exploração dos recursos naturais, da produção de resíduos, emissão de gases poluentes nocivos e conservação da biodiversidade (AN- TUNES, 2011). Edifícios verdes são aqueles responsáveis am- bientalmente e que preservam a eficiência da uti- lização dos recursos durante todo o seu ciclo de vida, ou seja, desde as fases de projeto, construção, operação, manutenção, reabilitação e demolição. Ele deve considerar as preocupações com economia, utilização, durabilidade e conforto. Assim, os edifí- cios verdes são projetados para minimizar o impac- to provocado pelo ambiente construído na saúde humana e ambiente natural, tendo três princípios: a 230 Ecoeficiência nas Edificações “ eficiência no uso da energia, água e outros recursos; o conforto e proteção da saúde dos ocupantes; a redução do desperdício, da poluição e da degradação ambiental (ANTUNES, 2011, p. 4). Nesse sentido, as técnicas construtivas vernacu- lares têm muito a nos ensinar. Dentre estes ensi- namentos está o trato com as questões climáticas, tirando proveito das características desejáveis do clima e evitando as indesejáveis. Temos os exem- plos das construções subterrâneas, para amenizar os extremos de temperatura e proteger as edifica- ções dos ventos; construções abrigadas do sol nas encostas dos relevos; o sistema de aquecimento Romano,formado por túneis subterrâneos, em que uma fornalha aquecia o ar e este, os ambientes (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 2014); e tantos outros exemplos. As decisões de projeto influenciam diretamen- te o desempenho da edificação, assim, o projetista deve adequar o projeto ao clima local utilizando estratégias, tais como o uso da iluminação na- tural, resfriamento e aquecimento passivo dos ambientes, entre outros (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 2014). 231UNIDADE 9 Os edifícios ambientalmente sustentáveis estão inseridos em uma visão de mundo onde o con- ceito de desenvolvimento humano contempla, de forma equilibrada, questões econômicas, ecológi- cas, sociais, culturais e políticas, além dos valores econômicos (GONÇALVES; BODE, 2015). De acordo com Venâncio (2010), em um futu- ro próximo, morar em uma residência sustentável será status, uma edificação em que dimensões ou revestimentos são menos importantes que as qualidades sustentáveis, o que a torna diferenciada em relação às demais. Como as pessoas passam a maior parte da vida em suas casas, locais de trabalho, entre ou- tros edifícios, isso influencia o estabelecimento de padrões de conforto e eficiência energética dos edifícios (GONÇALVES; BODE, 2015). Princípios de uma Edificação Ecoeficiente 232 Ecoeficiência nas Edificações “ O processo de projeto é marcado por dilemas que são apre- sentados e pela escolha de critérios que precisam ser estabe- lecidos, considerando os vários aspectos que embasarão a de- cisão final, ou seja, o contexto mais amplo do projeto. Nesse sentido, aspectos econômicos, como custo de oportunidade, durabilidade, valor agregado em razão do design, relação custo/ benefício, etc., também são considerados como condicionantes importantes. Além dos aspectos práticos, diversos outros de natureza subjetiva estão presentes nessa escolha, mesmo que inconscientemente. Entre eles encontram-se valores estéticos, culturais, ideológicos, bem como valores filosóficos e éticos (GONÇALVES; BODE, 2015, p. 38). Isso porque as edificações devem abrigar não somente no sentido das necessidades físico-ambientais, mas também no que se refere aos aspectos imaginários e simbólicos (GONÇALVES; BODE, 2015). Segundo Gonçalves e Bode (2015), os indicadores de sustentabilidade em edificações se dividem em três áreas: 1. Indicadores Ambientais e Ecológicos Energia embutida nos materiais de construção. Produção e tratamentos de dejetos. Gerenciamento do uso da água e da energia. Energia renovável. Emissão de CO2. Uso de produtos à base de biomassa. Consumo de materiais tóxicos. 2. Indicadores Econômicos Custos de operação e manutenção. Retorno do investimento. Investimento em energia renovável. 3. Indicadores Sociais Geração de emprego. Bem-estar da mão de obra envolvida. Custo de degradação. Tecnologia apropriada. 233UNIDADE 9 Isso nos mostra que, quando abordamos a sustentabilidade em um edifício ou projeto arquitetônico, não devemos levar em consideração apenas aspectos ambientais, mas também os impactos de âmbito social e econômico. As escolhas feitas no projeto arquitetônico podem gerar impactos nas três esferas. No caso das questões ambientais, estas se apresentam com maior intensidade na etapa de estudo preliminar, em que o partido arquitetônico é concebido. Como destaca Gonçalves e Bode (2015, p. 43): “ A definição do partido arquitetônico para um edifício ambiental depende do domínio de uma consistente base teórica que aborde as principais questões referentes ao controle exercido pela edifi- cação sobre as diversas variáveis ambientais, minimizando seus efeitos negativos e potencializando os aspectos positivos. No que se refere diretamente ao projeto arquitetônico, Kruger (2016) destaca oito princípios da cons- trução verde que, segundo ele, sempre devem ser considerados nos projetos. 1. Eficiência Energética: redução da energia, por meio da redução no consumo e au- mento da eficiência com a utilização de equipamentos apropriados e métodos de alta qualidade na construção. 2. Eficiência de recursos: reduzir a quanti- dade total de material nas obras, reutilizar materiais; escolher materiais com menor impacto ambiental e uso de energia. 3. Durabilidade: utilizar materiais e métodos que exigem menor manutenção e que au- mentem a vida útil. 4. Uso eficiente da água: reduzir a quanti- dade de água usada por meio de maior eficácia e redução de situações de maior consumo. 5. Qualidade do ambiente interno: melho- rar a saúde dos usuários controlando a umidade, materiais tóxicos e poluentes na edificação. 6. Impacto reduzido na comunidade: limitar os efeitos econômicos negativos na comu- nidade local com desenvolvimento res- ponsável, considerando como as técnicas e materiais escolhidos podem influenciar na comunidade global. 7. Educação e manutenção para o proprietá- rio: educar os usuários para a manutenção periódica para garantir a eficiência, saúde e durabilidade. 8. Desenvolvimento local sustentável: evitar o desenvolvimento em áreas de proteção ambiental; fazer aproveitamento da luz na- tural nos projetos; edificar em áreas com infraestrutura de transporte, minimizan- do o uso do carro; gerenciar obras visando evitar o escoamento de sedimentos e reti- rada da vegetação nativa; gerenciar água pluvial reduzindo o escoamento de con- taminantes da obra para cursos hídricos. É importante que o profissional projetista tenha os princípios de sustentabilidade e arquitetura bio- climática em mente desde o início da concepção de projeto, eles devem fazer parte do processo de projeto desde o início. Assim, devem ser analisados fatores que serão fundamentais para a eficiência do edifício, como o local de implantação, o clima local, quem são os usuários e horários de uso, programa de necessidades e a função. 234 Ecoeficiência nas Edificações No processo de projeto, medidas passivas de economia de energia podem ser implementadas, visando melhorar a distribuição de espaços, a forma e sistemas de construção do edifício. Segundo Antunes (2011), essas medidas se dividem em três grandes grupos, sendo que, quando pensadas de maneira conjunta, promovem a melhoria do conforto e redução do consumo energético nas edificações. O primeiro grupo de medidas corresponde ao desenho formal e funcional do edifício; o segundo corresponde à escolha dos materiais para sua execução, considerando sua produção e tradição de uso, a durabilidade e facilidade de manutenção e a facilidade de tratamento dos resíduos de demolição e sua reciclagem; por fim, o terceiro grupo corresponde aos elementos relacionados à arquitetura vernacular da região, relacionada ao clima e aos materiais locais. Lamberts, Dutra e Pereira (2014) destacam que a forma do edifício, por exemplo, tem grande in- fluência no conforto ambiental e consumo de energia, pois interfere nos fluxos de ar, na quantidade de luz e calor recebidos pela edificação, uma vez que a eficiência energética de um edifício não está relacionada apenas à eficiência dos sistemas e aparelhos que consomem energia, mas também à cons- trução do envolvente exterior do edifício, a sua configuração e local de implantação (ANTUNES, 2011). O modo como um edifício é construído também contribui para a sua sustentabilidade. A recicla- gem dos detritos de demolição, assim como a utilização de procedimentos de construção limpos e organizados, por exemplo, pode contribuir para a redução da pegada ambiental (ANTUNES, 2011). Para que uma edificação seja considerada efetivamente eficiente, ela deve atender diversos crité- rios e princípios descritos, desde seu processo de concepção até seu uso e destinação final. Para tanto, existem os sistemas de certificação de ecoeficiência e sustentabilidade para edificações, com requisitos próprios. Dentre os principais estão: • AQUA – Alta Qualidade Ambiental: certificação brasileira adaptada do sistema de certificação francês HQE. Trata-se de um processo de gestão total do projeto, visando obter alta qualidade ambientalem empreendimentos novos. A certificação exige a implantação de um sistema de gestão do empreendimento (SGE) e o atendimento às 14 categorias de qualidade ambiental do empreen- dimento (QAE). Podem solicitar a certificação edifícios habitacionais, de escritórios, de hospe- dagem, bem-estar, lazer, eventos e cultura, escolas, hotéis, bairros e loteamentos. • LEED – Leadership in Energy and Environmental Design: certificação criada pelo United States Green Building Council. Trata-se de um sistema de certificação que avalia a sustentabilidade do projeto, construção e manutenção de edifícios. No Brasil, podem solicitar a certificação as novas construções e grandes reformas, edifícios existentes, interiores comerciais, sistemas básicos e envoltória, edifícios de saúde, escolas, comércio/lojas e bairros/loteamentos. 235UNIDADE 9 A correta adequação do projeto ao clima é um elemento fundamental para a produção de edi- ficações com consumo de energia reduzido que promovam resultados ambientais e sociais be- néficos para a sociedade sem, por isso, perder o conforto dos usuários (KRUGER, 2016). “ Em vez de se isolar do clima externo, o edi- fício ambiental se benefica da relação com o meio exterior por meio dos espaços de transição, nos mais diferentes e difíceis con- textos climáticos. Dessa forma, acesso ao sol, aproveitamento da luz natural, comunica- ção visual entre interior e exterior e ar fresco são alguns dos parâmetros ambientais com o potencial de transcender os limites quan- titativos do desempenho e dar qualidade e autenticidade à arquitetura (GONÇALVES; BODE, 2015, p. 20). A economia de energia passa a ser uma conse- quência do ambiente de boa qualidade, e não o contrário (GONÇALVES; BODE, 2015). Estratégias de Ecoeficiência: Iluminação e Ventilação 236 Ecoeficiência nas Edificações O conforto térmico contribui para o bem-estar, pois está associado ao equilíbrio termofisiológico do corpo humano. Assim, as condições de confor- to variam de pessoa para pessoa, de acordo com suas experiências e preferências ambientais. Assim sendo, “avaliar o nível de conforto térmico é fun- damental para o estabelecimento de padrões de desempenho ambiental e energético de edifícios” (GONÇALVES; BODE, 2015, p. 27). Arquitetura ecológica é a arte de construir habita- ções aproveitando, na luta contra o desconforto criado pelo meio, apenas os recursos imediatos propiciados pela própria natureza, sem alterar seu equilíbrio ecológico. Fonte: adaptado de Costa (1982). Uma melhoria significativa do conforto térmico do interior das edificações pode ser obtida de forma econômica, com o uso de técnicas construtivas simples e racionais, visando o melhor aproveitamento das condições naturais favoráveis para o condicionamento ambiental (COSTA, 1982). Dentre as estratégias, o autor cita: No verão • Proteger a edificação contra a insolação. • Amortecer as variações de temperatura externa usando materiais de grande capacidade calorífica. • Ventilação para eliminação do calor interno, adotando entrada de ar na face sombreada, à sombra de árvores ou refrigerada pelo solo. No inverno • Aproveitamento da insolação. • Amortecer as variações de temperatura externa usando materiais de grande capacidade calorífica. • Isolamento do exterior protegendo o calor interno. De acordo com Costa (1982), a principal causa de desconforto térmico nas edificações no verão é a insolação, fazendo recomendações quanto às características arquitetônicas. Para paredes, recomenda- -se pintar de cores claras, sombreá-las com vegetação ou outra barreira solar; usar materiais isolantes, adotar paredes com grande capacidade calorífica. Segundo o autor, para superfícies transparentes, a melhor solução é o sombreamento com vegetação ou barreira solar (brise, marquise etc) verticais nas orientações leste e oeste, e horizontais no Norte. Para as coberturas, recomenda-se o uso de forro, telhas claras, isolantes térmicos e materiais de grande inércia térmica. 237UNIDADE 9 Além da forma do edifício, outros diversos elementos e componentes arquitetônicos podem ser usados para adaptar a edificação ao clima. A varanda, por exemplo, é uma estratégia muito utilizada em regiões de clima quente e úmido, pois permite o sombreamento e ventilação. Outro exemplo são as barreiras solares, como os brises e marquises. Estes elementos, além de desempe- nharem um papel importante para os aspectos ambientais da edificação, também ajudam a com- por a forma, a volumetria do edifício. O arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, tra- balhou muito bem essas questões, unindo estra- tégias bioclimáticas com a volumetria do edifício. Veremos exemplos de seus projetos ainda nesta unidade. O clima influencia diretamente na tipologia da edificação, assim a boa arquitetura “ deve ser bioclimática e adequada aos demais aspectos ambientais, num plano de equilíbrio com os demais condicionantes socioeconô- micos e também, urbanos do contexto do projeto (GONÇALVES; BODE, 2015, p. 46). Outro fator fundamental para a adequação das edificações aos aspectos ambientais é a ventilação. Ela é o processo de renovação de ar de um am- biente, tendo como função primordial o controle da pureza e o deslocamento do ar em ambientes fechados. Por meio da renovação do ar, a ventilação é capaz de controlar a temperatura e a umidade dos ambientes. A renovação do ar pode acontecer de forma espontânea ou por mecanismos artifi- ciais - ventilação forçada (COSTA, 1982). Segundo Lamberts, Dutra e Pereira (2014), para o Brasil, a ventilação é a estratégia bioclimática mais importante depois do sombreamento. A ven- tilação nos ambientes é indissociável da implan- tação e orientação da edificação. Assim, os ventos predominantes do verão podem ser aproveitados para resfriar os ambientes e os ventos do inverno podem ser evitados, se assim for necessário. No segundo caso, a vegetação é um bom elemento para ser usado como barreira. A ventilação natural é obtida pela ação dos ventos ou pelas diferenças de temperatura. A ven- tilação natural dada pela ação dos ventos pode ser intensificada por meio de aberturas na edificação dispostas de forma adequada. Portas e janelas implantadas em paredes opostas e no sentido dos ventos predominantes são uma forma de me- lhorar a ventilação nos ambientes. A isso damos o nome de ventilação cruzada (COSTA, 1982). A Figura 1 demonstra diferentes posicionamen- tos das aberturas e a ação dos ventos no ambiente. Figura 1 – Exemplos de ambientes com ventilação cruzada Fonte: Lamberts, Dutra e Pereira (2014, p. 270). 238 Ecoeficiência nas Edificações As diferenças de temperatura provocam variação de densi- dade do ar na porção interna dos ambientes que, por efeito de tiragem, causam diferenças de pressão que se escalonam no sentido vertical. Esta ventilação pode ser intensificada com a in- serção de aberturas em níveis diferentes. Um exemplo é a ado- ção de aberturas nas cobertu- ras, que, além de acrescerem na ventilação natural, auxiliam na eliminação do ar quente. Dessa forma, o ar quente que chega ao topo do ambiente é enviado para fora por meio de aberturas à medida que o ar fresco entra no edifício por aberturas na parte baixa (Figura 2). As aber- turas superiores podem se dar Figura 2 – Ventilação vertical – efeito chaminé Fonte: Lamberts, Dutra e Pereira (2014, p. 270). por meio de lanternins, aberturas no telhado, exaustores eólicos ou aberturas zenitais. Estes elementos podem ser utilizados também para obter iluminação natural (COSTA, 1982; HERNÁNDEZ-MIN- GUILLÓN; IRULEGI; ARANJUELO FERNÁNDEZ-MIRANDA, 2012; LAMBERTS; DUTRA; PE- REIRA, 2014). A altura do pé-direito e sua relação com a profundidade do ambiente são parâmetros que geram grande impacto no desempenho da ventilação natural. Pés-direito mais altos favorecem o conforto térmico nos ambientes, pois afastam a camada de ar quente da altura útil do espaço e também possi- bilitam aberturas em diferentes alturasdas fachadas, incrementando o fluxo de renovação do ar por meio do efeito chaminé (GONÇALVES; BODE, 2015). 239UNIDADE 9 Quando se deseja eliminar o calor proveniente da insolação nas coberturas usando a ventilação natural, é necessário proteger o ambiente com forro; sobre ele é canalizado o ar que se desloca pelo aquecimento, arrastando o calor para fora. Para tanto, é necessário prever aberturas na parte de baixo da cobertura para a entrada de ar e aberturas na parte superior para a saída do ar (COSTA, 1982). No caso de ambientes grandes, em que o aquecimento é proveniente do próprio ambiente e não da inso- lação, pode-se usar a solução dispensando o forro e adotando elementos como o shed e o lanternim. A ventilação natural é um recurso importante no projeto arquitetônico para um melhor desempe- nho ambiental dos edifícios, mas ela não funciona sozinha, ela deve ser associada ao sombreamento e iluminação. O sombreamento é uma estratégia complementar à ventilação, tendo como função reduzir os ganhos de calor solar nos ambientes internos, por exemplo. Uma série de soluções arquitetônicas podem ser adotadas para o sombreamento nos edifícios e até incrementar a ventilação, como a orien- tação do elemento de sombreamento, o afastamento deste do plano da fachada, inserção de perfis aerodinâmicos, uso de estruturas perfuradas etc. (GONÇALVES; BODE, 2015). Como no Brasil tanto o sombreamento quanto a ventilação são estratégias bioclimáticas importantes, uma boa solução é utilizar a vegetação para garantir o sombreamento e direcionar a ventilação. Neste caso, recomenda-se o uso de árvores de copas altas, pois são eficientes para promover sombra sem bloquear a ventilação, que atinge a edificação passando sob a copa das árvores, como ilustra a Figura 3. VENTO Figura 3 – Circulação do vento sob copas altas Fonte: Lamberts, Dutra e Pereira (2014, p. 182). Efeito chaminé é o nome dado ao fluxo de ar gerado por meio da inserção de aberturas em dife- rentes níveis. Estas podem gerar um fluxo de ar ascendente retirando o ar mais quente através das aberturas superiores que podem ser lanternins, exaustores eólicos e aberturas zenitais. Fonte: Projeteee ([2020], on-line)1. http://projeteee.mma.gov.br/glossario/exaustor-de-ar/ http://projeteee.mma.gov.br/glossario/abertura-zenital/ 240 Ecoeficiência nas Edificações Segundo o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável – CBCS (2014), o setor de edificações é o maior consumidor final de energia no mun- do. No Brasil, esse setor é responsável por 48,5% do consumo de energia elétrica. Sendo assim, a eficiência de edificações tem grande relevância, sendo considerada como prioridade do setor. O consumo de energia no setor do ambien- te construído e da construção ocorre em quatro principais áreas (CBCS, 2014): 1. Na extração, fabricação, produção e trans- porte de materiais de construção. 2. Na construção, energia no canteiro de obras. 3. Na operação de edificações e o ambiente urbano. 4. Na demolição e fim de vida. Sistemas Alternativos de Ecoeficiência 241UNIDADE 9 Nas residências, o consumo energético sofre aumento devido ao crescimento da população, à redução de número de pessoas por domicílio e ao aumento no consumo energético de cada domicílio (CBCS, 2014). Assim sendo, pensar em estratégias que minimizam o consumo, aumentem a eficiência dos sistemas e se utilize de novas tecnologias e sistemas para criar novas fontes geradores de energia para o setor das edificações é crucial. Também cabe ao projetista, no processo de projeto arquitetônico, estabelecer e definir as estratégias para maior eficiência energética das edificações. O projeto arquitetônico deve buscar o uso de energias alternativas, visando o menor consumo de energia e maior sustentabilidade. Algumas opções são a forma eólica, fotovoltaica, biomassa e solar. A energia solar pode ser útil de diversas maneiras, por exemplo, o calor que adentra os ambientes por meio das aberturas do edifício; ou o aquecimento de forma indireta por meio do aquecimento dos elementos construtivos expostos ao sol; por meio dos painéis de aquecimento solar que aquece a água para consumo na edificação; a energia solar, por meio dos painéis fotovoltaicos, pode ser convertida em energia elétrica etc. (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 2014). O projetista pode optar pela especificação de aparelhos e sistemas mais eficientes, como o sistema de iluminação em LED, sistemas de sensores e dimerizadores, sistemas com painéis fotovoltaicos, além de materiais que consumam menos energia em todo o seu ciclo, desde a sua produção até a destinação final. Aquecimento Solar O aproveitamento da energia solar para aque- cimento já é utilizado há muitos anos. Nos dias atuais, usa-se o aquecimento solar para o aque- cimento de água para consumo; aquecimento de piscinas; de habitações; secagem de produtos agrícolas; pré-aquecimento industrial; fusão de metais em forros etc. (COSTA, 1982). O sistema de aquecimento solar de água, ape- sar de oneroso para a instalação, apresenta cus- to zero para o aquecimento, o que se torna uma grande vantagem. Segundo Lamberts, Dutra e Pereira (2014), o custo de instalação do sistema dá retorno em economia de energia em cerca de dois anos e meio de uso para famílias, podendo até ser recuperado em menos tempo em grandes edifícios, como os residenciais e hotéis. O sistema é constituído de dois principais itens: o reservatório térmico, chamado de boiler, e o co- letor solar, formado pelas placas de aquecimento solar (COSTA, 1982; LAMBERTS; DUTRA; PE- REIRA, 2014). No que se refere ao projeto, as placas devem ser devidamente orientadas para garantir o funcionamento do sistema. No caso do Brasil, as placas devem ser orientadas para o norte geográ- fico do local de implantação, com uma inclinação de dez graus a mais que a latitude da cidade, pois isso irá maximizar a exposição das placas ao sol do inverno (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 2014). Figura 4 - Placas solares para aquecimento de água 242 Ecoeficiência nas Edificações Energia Solar A energia solar pode também ser convertida em energia elé- trica, por meio de painéis foto- voltaicos, podendo esta energia ser utilizada como alternativa fornecida pela concessionária. A energia captada durante o dia pode ser armazenada em baterias para a utilização em lâmpadas eficientes durante a noite (Figura 5) (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 2014). Corrente alternada CÉLULA SOLAR DIAGRAMA DO SISTEMA Painel solar Painel solar Rede de serviço Conversor Quadro elétrico Medidor/ Relógio Corrente contínua Figura 5 – Sistema de captação de energia solar O sistema de captação de energia solar tem sido cada vez mais difundido e utilizado na construção civil, em edificações residenciais e comerciais e também no espaço urbano. São exemplos o uso de painéis solares em bairros sustentáveis (Figura 6), a implantação de usinas solares em áreas urbanas e de elementos mais simples, como luminárias urbanas com placas fotovoltaicas adaptadas (Figura 7). Figura 6 - Placas fotovoltaicas na cobertura das edificações no Bairro sustentável Vauban, Frieburg – Alemanha Figura 7 - Luminária urbana com painel fotovoltaico solar 243UNIDADE 9 Reaproveitamento da Água Pluvial O uso racional ou eficiente da água é entendido como um conjunto de ações que otimizam a operação do sistema predial de maneira que geram a redução da quantidade de água necessária para a realização das atividades mantendo os níveis de desempenho dos serviços. “ A conservação de água é definida como o conjunto de ações que, além de otimizar a operação do sistema predial de modo a reduzir a quantidade de água consumida, promovem a oferta de água pro- duzida no próprio edifício, proveniente de fontes alternativas à água potável fornecida pelo sistema público (CBCS, 2014, p. 33). A utilização de água de fontes alternativas visando o atendimento de demandas menos restritivas contribui para a redução do consumo de água potável, alémde permitir que as águas de melhor qualidade sejam utilizadas nas atividades mais nobres. Entre as possibilidades estão o aprovei- tamento de águas pluviais, os poços artesianos e o reuso de águas cinzas (CBCS, 2014). Segundo Bertolo (2006), dentre as princi- pais vantagens do sistema de aproveitamento das águas pluviais estão a redução do consumo de água potável e do custo de fornecimento e a melhor distribuição da carga de água pluvial no sistema de drenagem urbana, o que auxilia no controle das cheias. Como desvantagem, tem-se o custo de instalação do sistema e a diminuição do volume de água recolhida em períodos de seca. O autor destaca a necessidade de fazer manutenções regulares no sistema, para evitar riscos sanitários. O sistema é composto pelos seguintes elemen- tos e etapas: superfície de recolhimento, elementos de condução, dispositivos de primeira lavagem, reservatório para armazenamento e tratamento. A superfície de recolhimento nos sistemas do- mésticos é o telhado da habitação. Assim, a quali- dade da água recolhida no telhado irá depender dos materiais utilizados na sua construção, dos materiais que nele se depositam e da sua manu- tenção. Os telhados podem ser constituídos de vários materiais, como telha de cimento ou argila, chapas de zinco/alumínio e de aço galvanizado, fibrocimento, chapas de policarbonatos ou de fi- bra de vidro (BERTOLO, 2006). A água da chuva que escoa sobre o telhado é recolhida nas calhas e conduzida por meio dos tu- bos de queda ao reservatório de armazenamento. As calhas recolhem, além da água, os sedimentos, as fezes de animais, folhas e detritos. Assim, reco- menda-se que a primeira chuva seja descartada, pois admite-se que ela lava a superfície do telha- do, a qual pode conter grandes quantidades de pó acumulado e outros detritos, como descrito (BERTOLO, 2006). Outro componente do sistema é o reservató- rio de armazenamento da água da chuva, sendo o investimento mais significativo no sistema de aproveitamento de água pluvial. Para maximizar a eficiência do sistema, o projeto do reservatório deve estabelecer a melhor localização, capacidade e seleção do material construtivo. Quanto à loca- lização, ele pode ficar acima ou abaixo do solo. As instalações acima do solo evitam custos associa- dos com a escavação; os reservatórios abaixo do solo são favoráveis em relação às temperaturas mais frescas. Recomenda-se que os reservató- rios sejam localizados o mais próximos possível dos pontos de fornecimento e de consumo. Para utilizar a água da chuva por gravidade, os reser- vatórios devem localizar-se no ponto mais alto (BERTOLO, 2006). 244 Ecoeficiência nas Edificações A Figura 8 ilustra o sistema de coleta, tratamento e uso da água pluvial. A água coletada no telhado passa pelo sistema de filtragem e depois é depositada no reservatório, podendo ser utilizada para diver- sos fins. O volume excedente é desviado para o sistema de drenagem. Chuva Rega de jardim Lavagem de carros Descarga dos banheiros Lavagem de roupas Escoamento da água Calha Tubo coletor COLETA DE ÁGUA DA CHUVA Filtro Cisterna Ladrão/ Transbordador Bomba de água In�ltração para águas subterrâneas Figura 8 - Sistema de coleta e aproveitamento da água pluvial Segundo Lamberts, Dutra e Pereira (2014), a captação e uso da água da chuva é viável em quase todo o território brasileiro, sendo um potencial para a economia dos recursos naturais. A água captada pode ser reutilizada nas descargas sanitárias, lavagem de carros e jardins e, dependendo da filtragem e purificação, até para fins potáveis, como demonstra a Figura 8. 245UNIDADE 9 Materiais de Construção Segundo Lamberts, Dutra e Pereira (2014), os materiais de construção influenciam diretamente as condições de conforto dos ambientes internos das edificações. Desta forma, a correta especificação dos materiais exige conhecimento de suas propriedades e sua adequação às características plásticas que se deseja no projeto. Os autores destacam que a escolha do uso de isolamento térmico ou proteção solar nas paredes, janelas e telhados, tipo de telha ou vidros especificados devem ser estudados de modo a evitar ganhos térmicos excessivos e obter melhores condições de conforto no interior das edificações. Com relação ao desenvolvimento de novas tecnologias, no campo dos materiais de construção, novos biomateriais têm sido empregados, como o uso de algas e de fungos na produção de materiais isolantes térmicos, de absorção acústica e até estruturais. Outra novidade é a incorporação de funções adicionais às tradicionais presentes nas soluções construtivas, por exemplo, vidros e concretos autolimpantes, a integração de células para geração de energia fotovoltaica em telhas e vidros, no desenvolvimento de superfícies frias duráveis, que podem tanto economizar energia como auxiliar no resfriamento do planeta, entre outros. A busca por eficiência energética tem sido um importante incentivador de inovações em materiais (CBCS, 2014). Além dos materiais tecnológicos, o engenheiro civil tem disponível no mercado diversos materiais de construção alternativos aos tradicionais, que podem trazer diversos benefícios ambientais para a construção civil. Uma opção são as telhas ecológicas, fabricadas com resíduos sólidos. Elas têm em sua composição papel, plástico e metal, dando uso a resíduos que seriam descartados no meio ambiente. Para tinta, tem-se a opção por tintas mineiras, que não possuem derivados de petróleo e, assim, não agridem o meio ambiente. Bioconstrução Ao contrário do que se possa pensar, a construção de edificações ecoeficientes não é feita somente com alta tecnologia. A bioconstrução, por exemplo, caracteriza-se pela construção de ambientes sustentá- veis com a utilização de materiais de baixo impacto ambiental, além de técnicas para a adequação da arquitetura ao clima local e tratamento de resíduos (BRASIL, 2008). Na bioconstrução, construir com princípios sustentáveis não significa, necessariamente, utilizar materiais sustentáveis, com tecnologia aplicada, processos de pré-fabricação, mas sim fazer uso de materiais, técnicas construtivas e mão de obra locais, como na construção vernacular. A bioconstrução consiste em sistemas construtivos que respeitam o meio ambiente, durante todas as suas fases: no processo de projeto e construção com a escolha dos materiais e técnicas construtivas adequadas e, ao longo do uso da edificação, por meio da eficiência energética e tratamento adequado dos resíduos (BRASIL, 2008). 246 Ecoeficiência nas Edificações Algumas das técnicas construtivas da bioconstrução são: • Adobe: a técnica utiliza tijolos compostos por areia, barro e palha secados naturalmente. Algumas composições podem incluir estrume animal. Esses tijolos são utilizados para a construção das paredes da edificação. O uso da palha garante melhor desempenho no conforto térmico. Figura 9 – Edificação com paredes em adobe • Superadobe: é uma técnica semelhante ao adobe, porém, neste sistema, o solo é ensacado e apiloado com o uso de pilões. Essa técnica garante maior resistências à construção. • Pau a pique ou Taipa de mão: esse sistema é feito a partir de um sistema de painéis de madeira (galhos ou bambus) en- trelaçados e preenchidos por terra, em um processo manual. Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. 247UNIDADE 9 • Taipa de pilão: semelhante à técnica anterior, porém na taipa de pilão a terra é socada com um pilão dentro de uma forma de madeira (taipa). Essa forma de madeira dá a forma das paredes. • Solo-cimento: trata-se de um tijolo prensado feito de areia, argila e cimento. Este material é considerado alternativo, pois sua produção não exige menor consumo de energia; como os tijolos não precisam ir aos fornos, deixam de emitir gases que provocam o efeito estufa. Figura 10 – Tijolos de solo-cimento • Ferrocimento: essa técnica utiliza argamassa de cimentoe areia armada em uma trama de vergalhões finos coberta por tela de galinheiro de fios galvanizados. Essa técnica é reco- mendada para a construção de reservatórios de água, pois permite construir grandes estruturas com pouco material. 248 Ecoeficiência nas Edificações • Bambu: um material nada novo, mas que é considerado sus- tentável é o bambu. Trata-se de matéria-prima renovável, pois seu ciclo de renovação é rápido e não causa danos ao meio ambiente. Ele tem sido uma alternativa para a construção de edificações (Figura 11), pois é um material bastante resistente e capaz de garantir bom aspecto estético à obra. Figura 11 – Ponte de bambu na Indonésia 249UNIDADE 9 Neste tópico, serão discutidos alguns projetos ar- quitetônicos que tiveram como diretrizes as estra- tégias de ecoeficiência e arquitetura bioclimática. São projetos nacionais e internacionais, que serão apresentados aqui em ordem cronológica. O primeiro projeto trata-se dos Hospitais da Rede Sarah Kubitschek, projetos do arquiteto bra- sileiro João Filgueiras Lima, mais conhecido como Lelé. O segundo projeto é o Museu Academy of Science California, nos Estados Unidos, projeto do arquiteto italiano Renzo Piano, e o terceiro projeto é o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, projeto do engenheiro-arquiteto espanhol Santia- go Calatrava. Estudo de Caso: Edificações Ecoeficientes 250 Ecoeficiência nas Edificações Rede de Hospitais Sarah Kubitschek As soluções de projeto adotadas por Lelé, desde a implantação e volumetria do edifício até os detalhes construtivos e de fechamento, buscavam a interação entre princípios de iluminação e ventilação natural e proteção da radiação solar direta, buscando promover conforto ambiental e eficiência energética ao edifício. Outra característica do arquiteto era a busca constante pela otimização do projeto e das técnicas construtivas (PÉREN, 2014). “ A relação das variáveis de conforto térmico, iluminação e ventilação naturais, conforto acústico e a interação da infraestrutura com o sistema de ventilação natural ou artificial são presentes em todas as obras do arquiteto. [...] todas as variáveis de conforto ambiental podem ser consideradas em qualquer tipo de programa, independentemente da sua complexidade (PÉREN, 2014, p. 72). Nos projetos dos hospitais da Rede Sarah Kubitschek, por exemplo, Lelé faz uso da ventilação natural, entre outras estratégias, para melhorar a temperatura interna dos ambientes. Nos projetos, Lelé faz uso de sheds, estruturas na cobertura da edificação que auxiliam no processo de ventilação natural por meio da ventilação ascendente, ou seja, o ar é captado pelas partes inferiores da edificação e é extraído pela parte superior (sheds), gerando o fluxo ascendente. Outra estratégia também utilizada nos projetos de Lelé foi a implantação de jardins, áreas verdes e com presença de água para amenizar o ganho de calor por radiação dos materiais do envoltório da edificação (PÉREN, 2014). Figura 12 – Hospital Sarah Kubitschek Salvador, Bahia Fonte: Nelson Kon (FRACALOSSI, 2012, on-line)2. 251UNIDADE 9 Ainda com relação à ventilação da edificação, nos projetos dos hospitais, Lelé usou como estratégia galerias de ventilação, que tinham como função captar os ventos dominantes e enviar para o interior da edificação. Como solução para a ausência de ventos fortes que possibilitassem o fluxo ascendente, eram utilizados equipamentos mecânicos, como exaustores e ventiladores. Desta forma, o ar entra pelas galerias, passa pelos difusores nos ambientes do hospital e sai pelo nível superior dos sheds (PÉREN, 2014). Esse sistema é descrito nas ilustrações a seguir. O shed é um tipo de cobertura amplamente explorada por Lelé e, provavelmente, a característica mais marcante em suas obras. Este elemento, além de contribuir no processo de ventilação, permite a en- trada de luz natural de maneira mais intensa e uniforme, vindo de cima, do que a iluminação obtida por janelas laterais (PÉREN, 2014). Segundo Marques (2014, p. 68) “os sheds agregam valores estéticos e funcionais, permitem o uso da iluminação e ventilação naturais nos edifícios de grandes plantas e sua eficiência aumenta com uso de pátios abertos ao longo da edificação”. Os sheds resumem uma preocupação construtiva do arquiteto em desenvolver elementos modulares que permitissem a extensibilidade e flexibilidade dos edifícios, ou seja, apesar de uma marca do arquiteto, os sheds não eram usados de modo padrão, mas adaptando o desenho e dimensões de acordo com as necessidades de cada edifício (Figura 14). Figura 13 – Evolução dos sistemas de ventilação nos hospitais Sarah Kubitschek Fonte: Perén (2014, p. 77). PISO TÉCNICO GALERIAS E PISO TÉCNICO HOSPITAL SARAH SALVADOR • SHED • GALERIA COM EXAUSTORES • NEBULIZADORES DENTRO DAS GALERIAS • DUAS BOCAS (SAÍDAS) DE AR HOSPITAL SARAH FORTALEZA • SHED • GALERIA COM EXAUSTORES • NEBULIZADORES DENTRO DAS GALERIAS • UM BOCA (SAÍDA) DE AR • ESPELHO D'ÁGUA HOSPITAL SARAH RIO DE JANEIRO • COBERTURA INDEPENDENTE EM FORMATO DE SHED • PISO TÉCNICO • ESPELHO D'ÁGUA SEM NEBULIZADORES (CLIMA QUENTE-ÚMIDO) • UMA BOCA (SAÍDA) DE AR HOSPITAL ESCOLA DE SÃO CARLOS • COBERTURA INDEPENDENTE EM FORMATO DE SHED • NEBULIZADORES FORA DAS GALERIAS • ESPELHO D'ÁGUA • GALERIAS + PISO TÉCNICO • DUAS BOCAS (SAÍDAS) DE AR GALERIAS INTRODUÇÃO ALTERAÇÃO 252 Ecoeficiência nas Edificações Ao longo das obras, os sheds foram evoluindo, ganhando novos detalhes, adequando-se às necessidades de cada edifí- cio e sendo integrados a novas estratégias. O Hospital Sarah, do Rio de Janeiro, 2001-2008 (Figura 15), por exemplo, de- monstra uma evolução nas estratégias adotadas por Lelé. Neste projeto, ele implantou um sistema de ventilação híbrido – iluminação natural, mecânica e artificial – com uma grande cobertura em formato de shed e um forro de painéis basculantes que controla a ventilação dos ambientes internos. Figura 14 – Evolução nas formas dos sheds Fonte: Marques (2014, p. 68-69). Figura 15 – Hospital Sarah Kubitschek, Rio de Janeiro, RJ Fonte: Grunow (2009, on-line)3. Outra característica dos pro- jetos de Lelé é a utilização de sistemas industrializados. Segundo Guerra e Marques (2015, on-line)4, os projetos de Lelé idealizados com base em um sistema estrutural misto – metal e argamassa armada – demonstram a adoção de uma industrialização de componen- tes leves, que permitiu liberdade plástica às obras. Por meio da racionalização das peças construtivas, foi pos- sível reduzir a necessidade de grandes máquinas para a mon- tagem das estruturas (MAR- QUES, 2014). 0 2,5 0 2,5 0 2,5 REDE SARAH - SALVADOR, BA REDE SARAH - RIO DE JANEIRO, RJ REDE SARAH - FORTALEZA, CE 253UNIDADE 9 Museu California Academy of Sciences São Francisco, EUA, 2008 O projeto trata-se de um espaço de trabalho, feito com as mais avançadas tecnologias no que diz res- peito ao projeto sustentável. O edifício abriga funções expositivas, educativas e de pesquisa. O museu foi construído em estrutura mista de aço e concreto, enquanto a fachada do edifício é revestida de forma contínua por vidro, sendo protegida por sistemas de sombreamento reguláveis, além de um pórtico (Figura 17) em que foram instaladas células fotovoltaicas que permitem fornecer mais de 5% da energia elétrica do museu (AGNOLETTO, 2011). Figura 16 – Fachada do Museu A cobertura do edifício foi feita com teto verde, este adquire for- mas onduladas, sendo pontuada pela implantação de claraboias circulares de vidro (Figura 18), levando luz para o espaço in- terno. A cobertura verde se co- necta à natureza que circunda o edifício (AGNOLETTO, 2011). Figura 17 – Pórtico com células fotovoltaicas 254 Ecoeficiência nas Edificações Internamente, os espaços ex- positivos e de pesquisa estão organizados na praça pública central, esta é iluminada natu- ralmente pelas claraboias. Para esta praça, voltam-se dois am- bientes em formato hemisférico, um correspondente ao planetá- rioe o outro à floresta tropical, como demonstra a planta baixa do museu (Figura 19) (AGNO- LETTO, 2011). Figura 18 – Cobertura verde com claraboias circulares Figura 19 – Planta baixa do Museu Fonte: Agnoletto (2011, p. 61). Neste projeto foram utilizadas tecnologias sofisticadas como o uso de materiais de reciclagem, o controle e uso das correntes oceânicas em substituição ao ar condicionado na climatização do edifício, o emprego de ener- gia solar, de modo a reduzir o consumo interno e diminuir a produção mecânica de energia, além de estratégias como a re- cuperação de águas da chuva. Assim, a obra se destaca quando se trata de economia energética (AGNOLETTO, 2011). Figura 20 – Vista do ambiente floresta tropical 255UNIDADE 9 Museu do Amanhã Rio de Janeiro, 2015 O Museu do Amanhã está loca- lizado no Píer Mauá, na região portuária do Rio de Janeiro. Ele faz parte de um projeto de re- qualificação urbana chamado de Porto Maravilha. O edifício foi projetado para se inserir na paisagem existente, respeitando aspectos paisagís- ticos e históricos, como as edi- ficações históricas existentes na área portuária. O edifício funciona utilizando os recur- sos naturais do local, a água da baía de Guanabara foi utilizada Figura 21 – Museu do amanhã com Baia de Guanabara ao fundo para condicionar a temperatura interna do ar, e painéis fotovoltaicos ajustáveis fazem a captação da energia solar. Os recursos utilizados por Calatrava aumentam a abordagem sustentável do projeto e fornecem valores educacionais. O projeto recebeu o prêmio MIPIM de Melhor Edifício Verde Inovador (CALATRAVA, [2020], on-line)5. Figura 22 – Vista do espelho d’água e fachada voltada para a baía 256 Ecoeficiência nas Edificações Um dos grandes destaques da obra está na cobertura que, além de se tornar um elemento escultórico, é formada por perfis metálicos que se movimentam de acordo com a incidência solar, permitindo maior penetração da luz natural no interior do edifício e a captação pelas placas fotovoltaicas instaladas no topo (GELINSKI, 2014, on-line)6. O sistema de resfriamento no interior do museu faz uso da água da baía de Guanabara, como fonte de rejeição de calor no condicionamento do ar. Para tanto, o edifício prevê um sistema de captação e tratamento da água do mar para o sistema de condicionamento de ar e para abastecer o espelho d’água (Figura 22). A utilização da água do mar permite a eliminação de equipamentos de rejeição de calor externos, promove o aumento da eficiência energética do sistema de resfriamento e elimina o consumo de água potável em torres de resfriamento de água (GELINSKI, 2014, on-line)6. O Museu também conta com sistemas para redução do consumo de água, reaproveitando a água pluvial para irrigação e descarga nos vasos sanitários. Outro aspecto importante do projeto é que a seleção de materiais foi feita com base em critérios ambientais, priorizando a escolha de materiais que continham componentes reciclados, baixa toxici- dade, alta durabilidade e que fossem produzidos próximo do local da obra, minimizando a emissão de gases de efeito estufa. No espaço interno (Figura 23), foram especificados pisos permeáveis com cores claras, buscando reduzir o efeito das ilhas de calor, que tendem a aumentar a temperatura interna dos ambientes (GELINSKI, 2014, on-line)6. Figura 23 – Vista interna do Museu Projetos como este e tantos outros são importantes referências para o desenvolvimento de projetos arquitetônicos que atendam as demandas de sustentabilidade impostas pela realidade atual. 257 1. Discorra sobre o conceito de construção verde, descrevendo qual o seu signi- ficado e seu objetivo. 2. Faça o croqui de uma edificação (em corte) demonstrando como funciona a ventilação ascendente – efeito chaminé. 3. Cite três formas de se utilizar a energia e luz solar nas edificações e quais as vantagens. Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 258 Ecohouse Autor: Sue Roaf, Manuel Fuentes e Stephanie Thomas Editora: Bookmam Sinopse: o livro apresenta materiais e tecnologias de baixo impacto aplicados na construção civil, além de apresentar estudos de caso internacionais. Esta edição traz conselhos sobre como abastecer ecohouses com energias de fontes renováveis - incluindo aerogeradores, microusinas hidrelétricas e bombas de calor geotérmico - além de uma introdução a materiais de construção de baixo impacto ecológico, como a cal, o adobe e o cânhamo. LIVRO Curso de Bioconstrução O manual de bioconstrução se trata de uma cartilha elaborada pelo Ministério do Meio Ambiente brasileiro para orientar a construção com técnicas de bio- construção e utilização de materiais e mão de obra locais. São apresentadas técnicas como a taipa de mão e taipa de pilão, adobe, superabode, construção com tijolos de solocimento, sistema de ferrocimento entre outros. WEB Construções Ecológica - Projetos Ecológica O vídeo apresenta exemplos de projetos realizados por meio da bioconstrução, fazendo uso de materiais e técnicas de menor impacto ambiental e reduzindo a geração de resíduos de construção. WEB https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/2863 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/2862 259 AGNOLETTO, M. Renzo Piano. Tradução: Gustavo Hitzschky]. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2011. (Coleção Folha grandes arquitetos) Volume 2. ANTUNES, N. Edifícios Verdes – Práticas Projetuais Orientadas para a Sustentabilidade. CD do 2º Fórum Internacional de Gestão da Construção – GESCON 2011: Sistemas de Informação na Construção. Editadas pela Secção de Construções Civis. Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, 27 e 28 de outubro, 2011. BERTOLO, E. de J. P. Aproveitamento da água da chuva em edificações. Dissertação (Mestrado) em Enge- nharia do Ambiente, Universidade do Porto. 2006. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável. De- partamento de Desenvolvimento Rural Sustentável. Curso de Bioconstrução. Texto elaborado por: Cecília Prompt - Brasília: MMA, 2008. CBCS. Conselho Brasileiro de Construção Sustentável. Aspectos da Construção Sustentável no Brasil e Promoção de Políticas Públicas: Subsídios para a promoção da Construção Civil Sustentável. Versão 1, novembro, 2014. COSTA, E. C. da. Arquitetura Ecológica: condicionamento térmico natural. São Paulo: Blucher, 1982. GONÇALVES, J. C. S.; BODE, K. (org.). Edifício Ambiental. São Paulo: Oficina de Textos, 2015. HERNÁNDEZ-MINGUILLÓN, R.; IRULEGI, O.; ARANJUELO FERNÁNDEZ-MIRANDA, M. (Eds.). Ar- quitectura Ecoeficiente. San Sebastián, España. Servicio Editorial de la UPV/ EHU, 2012. KRUGER, A. Construção verde: princípios e práticas em construção residencial. Tradução Noveritis do Brasil. São Paulo: Cengage Learning, 2016. LAMBERTS, R.; DUTRA, L.; PEREIRA, F. O. R. Eficiência energética na arquitetura. 3.ed. Rio de Janeiro: ELETROBRAS/PROCEL, 2014. MARQUES, A. F. R. A recorrência do processo projetual na obra de Lelé. Arquitetura e Urbanismo, Ano 29, n° 244, julho de 2014. PERÉN, J. I. Iluminação e ventilação naturais na arquitetura de Lelé. Arquitetura e Urbanismo, Ano 29, n° 244, julho de 2014. VENÂNCIO, H. Minha casa sustentável: Guia Para uma Construção Residencial Responsável. 2. ed. Heliomar Venâncio, 2010. 260 REFERÊNCIAS ON-LINE 1Em: http://projeteee.mma.gov.br/implementacao/efeito-chamine/. Acesso em: 22 jun. 2020. 2Em: https://www.archdaily.com.br/36653/classicos-da-arquitetura-hospital-sarah-kubitschek-salvador-joao- -filgueiras-lima-lele. Acesso em: 22 jun. 2020. 3Em: https://www.arcoweb.com.br/projetodesign/arquitetura/arquiteto-joao-filgueiras-lima-lele-hospital-re- de-sarah-27-10-2009. Acesso em: 22 jun. 2020. 4Em: https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/16.181/5592. Acesso em: 22 jun. 2020. 5Em: https://calatrava.com/projects/museu-do-amanha-rio-de-janeiro.html. Acesso em: 22 jun. 2020. 6Em: https://www.arcoweb.com.br/finestra/arquitetura/santiago-calatrava-museu-amanha-rio-janeiro-2014.Acesso em: 22 jun. 2020. 7Em: http://projeteee.mma.gov.br/estrategia/ventilacao-natural/. Acesso em: 22 jun. 2020. http://projeteee.mma.gov.br/implementacao/efeito-chamine/ https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/16.181/5592 https://www.arcoweb.com.br/finestra/arquitetura/santiago-calatrava-museu-amanha-rio-janeiro-2014 261 1. A construção verde é entendida como um conjunto de técnicas e práticas de projeto, construção e ma- nutenção que minimizam o impacto ambiental total de uma edificação. Assim, os edifícios verdes devem ser responsáveis do ponto de vista ambiental, preservando a eficiência da utilização dos recursos naturais durante todo o seu ciclo de vida, desde o início do projeto, passando pela construção, operação, manu- tenção, reabilitação e demolição, ou seja, ele deve minimizar o impacto ambiental em todas as etapas, do início ao fim da vida útil do edifício. 2. Exemplos de ventilação por efeito chaminé Fonte: Projeteee ([2020], on-line)7. 3. A energia solar pode ser usada de forma passiva para aquecer os ambientes. A luz solar pode ser utilizada para iluminar naturalmente os ambientes, minimizando o uso da iluminação artificial e consumo de energia elétrica. A energia solar pode ser utilizada para sistemas de aquecimento de água, piscinas e também para gerar energia, transformada em energia elétrica para consumo nas edificações como alternativa à energia fornecida pelas concessionárias, reduzindo o consumo e o gasto. 262 263 CONCLUSÃO Caro(a) aluno(a), neste livro, tivemos a oportunidade de refletir sobre o universo do projeto arquitetônico, suas características e desafios, podendo conhecer melhor o universo de atuação e atribuições do engenheiro civil. Você pôde perceber que são muitos os desafios do profissional projetista, devendo aliar conhecimentos técnicos, estéticos, culturais, econômicos, tecnológicos e também sociais. Ao desenvolver projetos arquitetônicos, lidamos com sonhos das pessoas e com expectativas altíssimas. Temos como responsabilidade desenvolver espaços confortáveis, que atendam de forma adequada as atividades que nele serão desenvolvidas. O profissional projetista deve estar sempre atento às novas tecnologias e materiais, buscando responder às demandas com qualidade técnica, esté- tica e sustentabilidade, fazendo uso da maneira mais racional dos recursos disponíveis, respeitando os recursos naturais. Nesse sentido, este livro buscou discorrer sobre as principais temáticas dos projetos arquitetônico: suas definições, características, etapas de projeto, condicionantes ambientais, espaciais, econômicas e legislações; assim como uma infinidade de parâmetros e requisitos inerentes à atividade de projeto arquitetônico que visam garantir qualidade, acessibilidade e conforto aos usuários das edificações. No decorrer das unidades, buscou-se apresentar exemplos de projetos: residenciais, comerciais e institucionais na forma de estudos de caso, vi- sando ilustrar os conteúdos abordados e incentivar o estudo correlato de projetos, pois é analisando o que já foi desenvolvido que podemos buscar soluções para os problemas de projeto atuais e buscar aperfeiçoamento nas decisões de projeto. E assim nos despedimos. Espero que nossa caminhada tenha sido pro- dutiva, proporcionando a você, aluno(a), a descoberta de novos horizontes e desafios profissionais. G R A D U A Ç Ã O G R A D U A Ç Ã O G R A D U A Ç Ã O G R A D U A Ç Ã O Quando identificar o ícone de QR-CODE, utilize o aplicativo Unicesumar Experience para ter acesso aos conteúdos digitais. O download do aplicativo está disponível nas plataformas: Google Play App Store A Unicesumar apresenta uma proposta de metodologia, cujo objetivo é a integração do que temos de melhor: toda a qualidade da nossa educação a distância, mesclada com a excelência comprovada do nosso ensino pre- sencial, utilizando tecnologias diversificadas e focando na personalização do ensino e da aprendizagem de maneira eficaz. Nessa metodologia, os encontros presenciais são roteirizados a partir de metodologias ativas de aprendizagem, além de práticas em laboratório, o que ajuda a criar um vínculo maior com o aluno. Para embasar tudo isso, os cursos contam com materiais didáticos com recursos exclusivos, produzidos integralmente pela Unicesumar e disponibilizados tanto na versão impressa como na digital. GRADUAÇÃO GRADUAÇÃO GRADUAÇÃO GRADUAÇÃO ISBN: 978-65-5615-140-3 0 251087 820207 AVA_Capa_Projeto Arquitetônico_2020 AVA_Projeto arquitetônico.pdf Entendendo o Projeto Arquitetônico Elementos do Projeto Arquitetônico Etapas do Projeto Arquitetônico Condicionantes do Projeto Arquitetônico Circulação e Acessibilidade Coberturas Projeto Arquitetônico Residencial Projeto de Edifícios Verticais Ecoeficiência nas Edificações Coeficiente de aproveitamento Elementos de uma escada Desenho de um telhado Ambientes Residenciais AVA_Capa_Projeto Arquitetônico_2020.pdf Button 15: Button 16: Botão 1: Button 14: Button 2: Button 4: Button 3: