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1.2. A GUERRA DOS PALMARES (1644-1695) USP - FFLCH - DH FLH 242 - HISTÓRIA DO BRASIL COLONIAL II - 2023 PEDRO PUNTONI 1904 Raimundo NINA RODRIGUES, "A Troya Negra: erros e lacunas da História de Palmares", Revista do Instituto Arqueológico e Geográfico Pernambucano, 63;645-672,1904. 1938 Ernesto ENNES, Os Palmares (subsídios para a sua história). Lisboa, 1o. Congresso de História da Expansão Portuguesa no Mundo, 1938. 1939 Arthur RAMOS, The Negro in Brazil. Washington, The Associated Publishers, 1939. 1946 Edison CARNEIRO, O quilombo dos Palmares. São Paulo, Editora Nacional, 1988. [a primeira edição brasileira é de 1947, publicada por Caio Prado Júnior; há uma edição da Martins Fontes de 2011] 1954 Mário Martins de FREITAS, O reino negro dos Palmares. Rio de Janeiro, Cia. Editora Americana, 1954, 2 vols. 1956 Benjamin Péret, “O que foi o quilombo dos Palmares?”, Anhembi. São Paulo, 65;230-249; 66;467-486, 1956. [republicado em 2002, com estudos de Robert Ponge e Mario Maestri, em Porto Alegre pela editora da UFRGS] 1958 Duvitiliano RAMOS, “A posse útil da terra entre os quilombolas”, Estudos Sociais. Rio de Janeiro, 3/4, 1958. 1959 Clóvis MOURA, Rebeliões na Senzala. São Paulo, Ciências Humanas, 1981. 1965 Raymond K. KENT, “Palmares: na African State in Brazil”, Journal of African History, VI,2, 1965. 1973 Décio FREITAS, Palmares, A guerra dos escravos, Porto Alegre, Movimento, 1973. [a segunda edição de 1978 (Rio de Janeiro, Graal, 1978) foi enriquecida com documentação do AHU] 1981 MOURA, Clóvis, “Sociologia da República de Palmares”, in: idem, Sociologia do Negro Brasileiro. São Paulo, Ática, 1988, pp.159-186. [o texto é de 1981 e fora incluído no seu livro Brasil: as raízes do protesto negro (São Paulo, Global, 1983)] 1987 Stuart SCHWARTZ, “Mocambos, Quilombos e Palmares: a resistência escrava no Brasil colonial”, Estudos Econômicos, 17;61-88, 1987. 1988 Ivan ALVES FILHO, Memorial dos Palmares. 1988. [originalmente tese defendida na EHESS, 1978] 1996 João José REIS e Flávio dos Santos GOMES, Liberdade por um fio: história dos quilombos no Brasil. São Paulo, Cia. das Letras, 1996. 2003 Gérard Police, Quilombo dos Palmares: lectures sur un marronage brésilien. Paris, Ibis Rouge Editions, 2003. 2004 Décio FREITAS, República de Palmares: pesquisa e comentários em documentos históricos do século XVII. Maceió, UFAL, 2004. 2005 Flávio GOMES, Palmares: escravidão e liberdade no Atlântico Sul. São Paulo, Contexto, 2005. 2005 Maria Lêda OLIVEIRA: “A primeira Rellação do último assalto a Palmares”, Afro-Ásia, 33;251-324, 2005 2010 Flávio GOMES (org.), Mocambos de Palmares. História e fontes (séculos XVI-XIX). Rio de Janeiro, 7Letras, 2010. 2012 Jean Marcel C. FRANÇA; Ricardo Alexandre FERREIRA. Três vezes Zumbi: a construção de um herói brasileiro. São Paulo: Três Estrelas, 2012. 2013 Laura Peraza MENDES, O serviço de armas nas guerras contra Palmares: expedições, soldados e mercês (Pernambuco, segunda metade do século XVII). Campinas, dissertação de mestrado, Unicamp, 2013. 2014 Romulo Xavier NASCIMENTO, Palmares: os escravos contra o poder colonial. São Paulo, Terceiro Nome, 2014. 2014 Glenn Alan CHENEY, Quilombo dos Palmares: Brazil's Lost Nation of Fugitive Slaves. Londres, New London Librarium, 2014. 2017 Marcelo D’SALETE, Angola Janga: uma história de Palmares. São Paulo, Veneta, 2017. 2018 Felipe Aguiar DAMASCENO, A ocupação das terras dos Palmares de Pernambuco (séculos XVII e XVIII). Rio de Janeiro, tese de doutoramento, UFRJ, 2018. 2019 Pedro PUNTONI, 1694 (uma história de Palmares) [volume 12 da coleção “Portugal: uma retrospectiva”]. Lisboa, Tinta da China / Público, 2019. 2021 Silvia Hunold LARA e Phablo Roberto Marchis FACHIN, Guerra Contra Palmares: o Manuscrito de 1678. São Paulo, Editora Chão, 2021. 2021 Silvia Hunold LARA, Palmares & Cucaú: o aprendizado da dominação. São Paulo, Edusp, 2021 (tese de 2008). mares. LIVRO OITAVO. 471 muy caro a fazenda Real, e de immenfa fadiga aos condudores, (nao fendo a copia capaz de re- c ^ i S Í S compenfar com ventagem adefpeza, nem aínda S ^ Í M 5 ^ de a fatisfazer) fe colheo o defengano da inutili-car* dadp dellas, para fe nao fabricarem ; refolucaó, que, foy férvido mandar EIRey, vendo? o falitre, queto Governador Ihe enviou , e pelos avifos, q,ue>lhe fez, 24 Governava a Provincia de Pernambuco Caetano de Mello deCaftro, e fendo quafi irre- mediavel o damno, que aquelles moradoras expe- rimenta vaó dos negros dos Palmares, (cuja extin-1 Guena dos piU cao era empreza já reputada por taó difficil, que muitos dos feus anteceflbres no pofto a nao in- tentaraó) elle a emprehendeo com valor, e a con- feguio com fortuna. He precifo darmos noticia dar condicaó, e principio daquelles inimigos, da origem do Povo, ou República, que eftabelece- raó, das Leys com que fe governaraó, e dos dañi- nos , que pelo curfo de mais de feflenta annos nos fizeraó ñas Villas do Porto do Calvo , das Ala- goas, de S. Francifco doPenedo, e em todas as fuas Povoacóes, e deftridos, e até em outros me- nos diftantes da Cidade de Olinda, Cabeca dá- quella Provincia, e dos males, que caufaraó aos feus habitadores, fendo'ainda mayores naexecu- $aó, que 110 temor continuo, em que viviaó de ferem inopinada , e repentinamente acometidos com frequentes aflaltos, e perda das vidas, fa- zendas , e lavouras. 2 5 Quando a Provincia de Pernambuco ef- tava 472 AMERICA PORTUGUEZA. tava tyrannizada , e pofluida dos Hollandezes, origem daqueiia fe coiígregaraó, e uniraó quafi quarenta nebros PO^Ó de negros fe Gentio fe Guin^ ¿e v a r ¡ o s Engenhos da Villa do Porto do Calvo, diípondo fugirem aosSenho- res, de quem eraó efcravos, nao por tyrannias, que nelles experimentaflem, mas por apetecerem viver ifentos de qualquer dominio. Com fegredo (entre eftaNacaó, e tanto numero de peflbas, poucas vezes vifto) difpuzeraó a fuga, e a execu- taraó, levando comfigo algumas efcravas, efpo- fas, econcubinas, tambem cumplices no delicio da aufencia, muitas armas differentes, humas, que adquiriaó, e outras, que roubaraó a feus donos na occafiaó em que fugiraó. Foraó rompendo o vaf- tiflimo Certaó dáquella Villa, que acharaó def- occupado do Gentío, e fó afíiftido dos brutos, que lhes ferviraó de alimento , e companhia, com a qual fe julgaraó ditofos , eftimando mais a li- berdade entre as feras , que a fogeicaó entre os homens. 2 6 Nos primeiros annos efte fogo, que fe hia fuftentando em pequeñas brazas, para depois crefcer a grande incendio, nao caufou damno pu- plico, mas fó o particular da perda dos efcravos, que feus donos nao poderaó defcobrir, por nao faberem a parte emque fe alojavaó daquelles ef- peffbs , e dilatados matos, onde ainda entaó os fugitivos fó attendiaó a fuftentarfe das cacas, e frutas fylveftres do terreno inculto, e nao fahiaó delle mais, que a levar a furto de algumas fazen- das menos apartadas as plantas de mandioca, c outras mares. LIVRO OITAVO. 471 muy caro a fazenda Real, e de immenfa fadiga aos condudores, (nao fendo a copia capaz de re- c ^ i S Í S compenfar com ventagem adefpeza, nem aínda S ^ Í M 5 ^ de a fatisfazer) fe colheo o defengano da inutili-car* dadp dellas, para fe nao fabricarem ; refolucaó, que, foy férvido mandar EIRey, vendo? o falitre, queto Governador Ihe enviou , e pelos avifos, q,ue>lhe fez, 24 Governava a Provincia de Pernambuco Caetano de Mello deCaftro, e fendo quafi irre- mediavel o damno, que aquelles moradoras expe- rimenta vaó dos negros dos Palmares, (cuja extin-1 Guena dos piU cao era empreza já reputada por taó difficil, que muitos dos feus anteceflbres no pofto a nao in- tentaraó) elle a emprehendeo com valor, e a con- feguio com fortuna. He precifo darmos noticia dar condicaó, e principio daquelles inimigos, da origem do Povo, ou República, que eftabelece- raó, das Leys com que fe governaraó, e dos dañi- nos , que pelo curfo de mais de feflentaannos nos fizeraó ñas Villas do Porto do Calvo , das Ala- goas, de S. Francifco doPenedo, e em todas as fuas Povoacóes, e deftridos, e até em outros me- nos diftantes da Cidade de Olinda, Cabeca dá- quella Provincia, e dos males, que caufaraó aos feus habitadores, fendo'ainda mayores naexecu- $aó, que 110 temor continuo, em que viviaó de ferem inopinada , e repentinamente acometidos com frequentes aflaltos, e perda das vidas, fa- zendas , e lavouras. 2 5 Quando a Provincia de Pernambuco ef- tava 472 AMERICA PORTUGUEZA. tava tyrannizada , e pofluida dos Hollandezes, origem daqueiia fe coiígregaraó, e uniraó quafi quarenta nebros PO^Ó de negros fe Gentio fe Guin^ ¿e v a r ¡ o s Engenhos da Villa do Porto do Calvo, diípondo fugirem aosSenho- res, de quem eraó efcravos, nao por tyrannias, que nelles experimentaflem, mas por apetecerem viver ifentos de qualquer dominio. Com fegredo (entre eftaNacaó, e tanto numero de peflbas, poucas vezes vifto) difpuzeraó a fuga, e a execu- taraó, levando comfigo algumas efcravas, efpo- fas, econcubinas, tambem cumplices no delicio da aufencia, muitas armas differentes, humas, que adquiriaó, e outras, que roubaraó a feus donos na occafiaó em que fugiraó. Foraó rompendo o vaf- tiflimo Certaó dáquella Villa, que acharaó def- occupado do Gentío, e fó afíiftido dos brutos, que lhes ferviraó de alimento , e companhia, com a qual fe julgaraó ditofos , eftimando mais a li- berdade entre as feras , que a fogeicaó entre os homens. 2 6 Nos primeiros annos efte fogo, que fe hia fuftentando em pequeñas brazas, para depois crefcer a grande incendio, nao caufou damno pu- plico, mas fó o particular da perda dos efcravos, que feus donos nao poderaó defcobrir, por nao faberem a parte emque fe alojavaó daquelles ef- peffbs , e dilatados matos, onde ainda entaó os fugitivos fó attendiaó a fuftentarfe das cacas, e frutas fylveftres do terreno inculto, e nao fahiaó delle mais, que a levar a furto de algumas fazen- das menos apartadas as plantas de mandioca, c outras LIVRO OITAVO. 473 outras fementeiras, para darem principio ás fuas lavouras, tomando-as com forca, fe achavaó re- fiftencia , e fem ella, fenaó encontravaó oppofi- caó; porém era já notorio efte receptáculo por todas aquellas partes, de donde o hiaó bufcar ou- tros muitos negros, e alguns mulatos cumplices juntaófeihesaiguns i 1 • n i n • 1 1 - r • J delinquentes tambem em dehdos domelticos, e-publicos, rugindo ao efcravos. caftigo dos Senhores, e dajuítija, e os recebiaó os negros dos Palmares, pondo-os no feu domi- nio. 27 Crefcia o poder dos negros com eftes Guerra M dos p i r * ' * n 11 1 • -* • J efcravos em Roma. íoccorros dos fugitivos, que íe lhes hiao juntando, para fazerem aos Povos de Pernambuco os dañi- nos , que experimentara©; os de Roma na guer- ra fervil, quando juntando-fe poucos efcravos gladiatores, e aggregando a fi muitos homens fa- cinorofos, caufaraó tantos éftragbs na propria Ca- bera dáquella nobiliílíma República. Além dos vay prodnzindo, filhos, que lhes nafciaó, entendendo os negros, maísatmuiherefcU<caí que para mayor propagado, e augmento do Po- vo, que fundavaó , lhes eraó precifas mais mu- flieres, trataraó de ashaver fem a induílria, com que os Romanos as tomaraó aos Sabinos, mas fó com a for^a, entrando pelas fazendas, e cafas dos moradores daquellas Villas, Povoacóes, e deftri- dos , e levando negras, e mulatas do fervico do- meftico, e das lavouras. Roubavaó aos Senhores Hoftiidades, qw dellas os vellidos, roupas, e armas, que lhes acha- azera' vaó, ameacando violarlhes asmulheres, efilhas, fe as nao remiaó a dinheiro, ou outras dadivas, que fe lhes offertavaó promptamente , defipre- Ooo zando [Relação das guerras feitas aos Palmares de Pernambuco no tempo do governador D. Pedro de Almeida], Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Manuscritos da Livraria, cód. 1185, fls. 149-155v “Relação do que se passou na guerra com os negros dos Palmares nos sertões de Pernambuco. É escrita em 1678, e está incompleta”, Biblioteca Pública de Évora, cód. CXVI-2-13- n. 9, fls. 51-58v. “Relação das guerras feitas aos Palmares de Pernambuco no tempo do governador D. Pedro de Almeida (1674-78), de 1675 a 1678”, Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Rio de Janeiro, 22;303-329, 1859. “Relação da ruína dos Palmares”, Silvia Hunold Lara e Phablo Roberto Marchis Fachin, Guerra Contra Palmares: o Manuscrito de 1678. São Paulo, Editora Chão, 2021. OS MOCAMBOS 1) cerca real do Macaco ou o “Grande Palmares” (Barleus); 2) quilombo de Zumbi [Zambi] (sobrinho do rei); 3) mocambo de Acotirene [Aca Inene]; 4) mocambo de Dambrabanga; 5) cerca de Subupira; 7) mocambo de Osenga; 8) cerca de Amaro; 9) palmar de Andalaquituche [Andalaquituxe] (irmão de Zumbi); 11) mocambo de Aqualtune (mãe do rei); 12 e 13) mocambos (dois) das Tabocas; 14) “e entre todos estes, que são os maiores e mais defensáveis, há outros de menos conta e de menor gente”. Edison Carneiro , O Quilombo dos Palmares (1630-1695), 1947 Décio Freitas, Palmares: a guerra dos escravos. 4a. edição, 1982 Compartimentação megageomorfológica do Planalto da Borborema Antonio Carlos de Barros Correa et eli, “Gemorfologia e morfoestrutura do Planalto da Borborema”, Revista do Instituto Geológico, São Paulo, 31 (1/2), 35-52, 2010. Planalto da Borborema tupi ybymbore’yma = terra sem habitantes [yby, «terra» mais mbora, «povo» mais e'yma, «sem»] https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_tupi Felipe Aguiar Damasceno, “Revendo um mapa histórico: o caso do mapa dos mocambos de Palmares, de Décio Freitas (1971-1984)”, Anais da XII Jornada de Estudos Históricos Professor Manoel Salgado. Rio de Janeiro, PPGHIS-UFRJ, 2017. Gaspar Barleus, História dos feitos recentemente praticados..., (1647), Belo Horizonte/São Paulo, 1974, pp.304-305) Gaspar Barleus, História dos feitos recentemente praticados..., (1647), Belo Horizonte/São Paulo, 1974, pp.304-305) “Relação das guerras feitas aos Palmares de Pernambuco no tempo do governador [de Pernambuco] D. Pedro de Almeida (1674-78), de 1675 a 1678”, RIHGB, 22;303-329, 1859 “[...] reconhecem-se todos obedientes a um que se chama Ganga Zumba, que quer dizer Senhor Grande; a este tem por se rei e senhor todos os mais, assim os naturais dos Palmares como vindos de fora; tem palácio, casas da sua família, é assistido de guardas e oficiais que costumam ter as casas reais. É tratado com todos os respeitos de rei e com todas as honras de senhor. Os que chegam à sua presença põem os joelhos no chão e batem as palmas das mãos em sinal de reconhecimento e protestação de sua excelência; falam-lhe por Majestade, obedecem-lhe por admiração”. A CERCA REAL DO MACACO “Relação das guerras feitas aos Palmares de Pernambuco no tempo do governador [de Pernambuco] D. Pedro de Almeida (1674-78), de 1675 a 1678”, RIHGB, 22;303-329, 1859 “Esta é a metrópole entre as mais cidades e povoações; está fortificada toda em uma cerca de pau a pique com trincheiras abertas para ofenderem a sua salvo os combatentes; e pela parte de fora toda se semeia de estrepes e de fojos tão cavilosos que perigava neles a maior vigilância; ocupa esta cidade dilatado espaço, forma-se de mais de 1500 casas. Há entre eles ministros de justiça, para suas execuções necessárias e todos os arremedos de qualquer república se acham entre eles”. 1644-45 expedições holandesas 1667-1675 primeiras entradas luso-brasileiras 1675-1678 as entradas do governo de Pedro de Almeida e a paz com Ganga Zumba 1679-1686 a recusa de Zumbi e o recrudescimento da guerra 1687-1694 o assalto final: a intervenção do governo geral 1695 a morte de Zumbi A G U ER R A Benedito Calixto, Domingos Jorge Velho e o locotenente Antônio Fernandes de Abreu, 1903. Óleo sobre tela. 140 x 100 cm. Acervo do Museu Paulista-USP “Relação verdadeira da guerra que se fez aos negros levantados do Palmar, governandoestas capitanias de Pernambuco o senhor governador e capitão-geral Caetano de Melo de Castro, no ano de 1694, da feliz vitória que contra o dito inimigo se alcançou” Biblioteca Nacional em Lisboa, na Secção dos Reservados, códice 11358//37, ff. 75-101 publicado por Maria Lêda Oliveira: “A primeira rellação do último assalto a Palmares”, Afro- Ásia, 33;251-324, 2005. tropa do… local total lusos indígenas africanos capitão-mor Bernardo Vieira de Mello (+ Antonio Vieira de Mello, irmão) ordenança Igarassu 75 30 20 (Miguel Pereira e Jorge Pires) 25 (escravos seus) tenente do Camarão 50 30 (Camarão) 20 tapuias da aldeia do Capibaribe capitão Manuel de Melo Bezerra (irmão de BVM) ordenança Ipojuca 10 10 mestre de campo Domingos Jorge Velho contrato Paulista 400 capitão Antonio Pinto Pereira Domingo Marques regular 124 100 24 (tomados em Alagoas) sargento Sebastião Dias Maneli ordenança Alagoas 60 60 tropas no São Francisco ordenança Alagoas capitão Francisco Fernandes Anjo ordenança Serinhaem 90 90 Cristóvão da Rocha ordenança Porto Calvo 20 20 André da Rocha ordenança Porto Calvo 20 20 José de Barros contrato Paulista 14 14 TOTAL 863 344 70 49 74% 15% 11% 6 de fevereiro 1694 Homem negro, Albert van der Eckhout (1610 - 1666) Zumbi (1927), pintura de Antonio Parreiras (1860 – 1937) Acervo do Museu Antonio Parreiras, Niterói MORTE DO ZUMBI Erica Cristina Camarotto de Souza, Apontamentos diplomáticos sobre Consultas do Conselho Ultramarino referentes à Capitania de São Paulo. São Paulo, dissertação demostrado USP. 2007. Senhor. O governador de Pernambuco, Caetano de Mello de Castro, em carta de 14 de março deste ano dá conta de Vossa Majestade de se haver conseguido a morte do Zumbi, ao qual descobrira um mulato de seu maior valimento que os moradores do rio São Francisco aprisionaram e, remetendo-se-lhe, topara com uma das tropas que dedicara àqueles distritos que acertou ser de paulistas em que ia por cabo o capitão André Furtado de Mendonça, e temendo-se o dito mulato de ser punido por seus graves crimes oferecera que, segurando-se- lhe a vida em nome dele governador, se obrigava a entregar o dito Zumbi e, aceitando- se-lhe a oferta, desempenhara a palavra, guiando a tropa ao mocambo do negro que tinha já lançado fora a pouca família que o acompanhava, ficando somente com vinte negros, dos quais mandara quatorze para os postos das emboscadas, que esta gente usa, no seu modo de guerra, e indo os mais que lhe restaram a se ocultar no sumidouro que artificiosamente havia fabricado; achando tomada a passagem, pelejara valorosa ou desesperadamente, matando um homem, ferindo alguns, e não querendo render-se nem os companheiros, fora preciso matá-los, apanhando só um vivo; que enviando-se-lhe a cabeça de Zumbi, determinara se pusesse num pau, no lugar mais público daquela praça a satisfazer os ofendidos e justamente queixosos e [a] atemorizar os negros que supersticiosamente julgavam este imortal; pelo que se entendia que nesta empresa se acaba de todo com os Palmares; que estimaria ele governador que em tudo se experimentem sucessos felizes para que Vossa Majestade se satisfaça do zelo com que procura desempenhar as obrigações de leal vassalo. Ao Conselho parece fazer presente a Vossa Majestade o que escreve o governador de Pernambuco Caetano de Mello, de se haver conseguido a morte do negro Zumbi, entendendo que por esse meio se poderão reduzir os mais de Palmares por ser este a cabeça principal de todas as inquietações e movimentos da guerra, que tão sensivelmente padeciam os moradores daquelas capitanias, com tanta perda de suas fazendas e morte de muitos e que é Vossa Majestade já sabido, e que o perdão que se deu a este mulato se deve aprovar na consideração da importância deste negro e de se poder por termo às hostilidades tão repetidas quantas os vassalos de Vossa Majestade sentiram na exortação e violência deste negro Zumbi. Lisboa, 18 de agosto de 1696. João de Sepúlveda e Matos, José de F.as Serrão, o Conde de Alvor. DE MUCAMBO A QUILOMBO Mocambo = do mu’kambu, ‘cumeeira' / couto de escravos fugidos na floresta Quilombo = do kilombo , ’capital, povoação, união' 1741 alvará de 3 de março ordena que sejam marcados os quilombolas capturados com ferro quente com um F no ombro,e a orelha cortada se reincidente provisão régia de 6 de março especifica que um reduto de cinco escravos foragidos já constituía um quilombo PARQUE MEMORIAL QUILOMBO DOS PALMARES PARQUE MEMORIAL QUILOMBO DOS PALMARES / (2007) Fundação Cultural Palmares REMANESCENTES QUILOMBOLAS Ato das Disposições Constitucionais Transitórias Art. 68. Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos. Decreto presidencial 4.887/2003 Regulamenta o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades de quilombos. Art. 2o Consideram-se remanescentes das comunidades dos quilombos, para os fins deste Decreto, os grupos étnico-raciais, segundo critérios de auto-atribuição, com trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida. Censo Demográfico 2022 Quilombolas: Primeiros resultados do universo 16 Cartograma 1 – Territórios Quilombolas oficialmente delimitados, por status fundiário - 2022 Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022, com informações do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra e dos órgãos estaduais e municipais com competências relacionadas à identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação de Territórios Quilombolas, termos do Decreto nº 4.887, de 2003.