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ESTÉTICA 
APLICADA À 
CIRURGIA 
PLÁSTICA
Patrícia Viana da Rosa
Atuação do esteticista 
na cirurgia plástica
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Identificar o papel do esteticista nas diversas cirurgias plásticas.
 � Descrever as atribuições do esteticista no pré-operatório de cirurgias 
plásticas.
 � Detalhar as atribuições do esteticista no pós-operatório de cirurgias 
plásticas.
Introdução
A procura por cirurgias plásticas vem crescendo e novos profissionais da 
área da estética estão sendo atraídos para atuar no pré e no pós-operatório 
desses procedimentos. 
A crescente integração do esteticista com outros profissionais da 
saúde, em consultórios e em clínicas de cirurgia plástica, nos cuidados pré-
-cirúrgicos e, principalmente, nos pós-cirúrgicos, tornou-se mais efetiva. 
O esteticista atua de diversas formas e utiliza variados recursos terapêuti-
cos envolvidos nos cuidados do paciente que passou por cirurgia plástica.
Por sua formação específica, o profissional da área da estética deve 
estar apto para atender diversas situações típicas do cuidado pré e pós-
-cirúrgico. Assim, o conhecimento adquirido permite a intervenção segura 
e eficiente nesses cuidados. 
Neste capítulo, você vai identificar o papel do profissional esteticista 
nas diversas cirurgias plásticas e descrever suas atribuições no pré e no 
pós-operatório dessas cirurgias.
Papel do esteticista nas cirurgias plásticas
A estética é uma área que estuda o belo e o sentimento que ela desperta nas 
pessoas é, geralmente, tido como sinônimo de beleza (SCHMITZ; LAUREN-
TINO; MACHADO, 2010).
No Brasil, o mercado de beleza e estética é considerado um dos mais 
promissores, pois os clientes estão modificando seus hábitos e tornando esse 
tipo de serviço algo necessário.
A área da estética e cosmetologia se destaca com um aumento na procura 
por serviços específicos — entre eles, as cirurgias plásticas — destinados à 
promoção, à recuperação e à manutenção da saúde da pele, do corpo, da face, 
do couro cabeludo e anexos.
Para Vigarello (2006), o ramo da beleza, no Brasil, está em forte crescimento 
e é associado não só a elementos de estética e beleza, mas também à saúde. A 
Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal Perfumaria e Cosmética 
(ABHIPEC) também destaca a expansão do mercado da beleza nos últimos anos.
Muitos clientes procuram os centros de estética não somente para te-
rem acesso aos serviços de saúde e de beleza, mas para vivenciarem boas 
experiências de bem-estar e de relaxamento. A valorização social do belo 
está interligada com o bem-estar do indivíduo e com a elevada autoestima, 
e a imagem pessoal pode resumir todos os benefícios que o compreendem, 
pois envolve vários trabalhos estéticos, alguns associados à realização de 
procedimentos de cirurgia plástica, como: embelezamento corporal e facial, 
maquiagem, criação e execução de estilos de cabelo, preocupação com vestuário 
e acessórios (VIGARELLO, 2006).
Os procedimentos realizados são destinados à promoção, à recuperação 
e à manutenção da saúde da pele, valorizam, dessa forma, a imagem pessoal 
como um todo e se tornam fatores de elevação da autoestima, da saúde integral 
e da qualidade de vida.
Nos últimos 5 anos, o mercado de estética cresceu 567% no Brasil, passou de 72 mil para 
482 mil profissionais em janeiro de 2015, e se tornou uma das áreas mais promissoras 
da economia do País. O crescimento estimado para o ano de 2018, segundo dados 
da revista Exame, deve movimentar mais de 50 bilhões de reais no Brasil, com uma 
expectativa de crescimento entre 8% a 12% (MERCADO..., 2018, documento on-line).
Atuação do esteticista na cirurgia plástica2
Esse conjunto de serviços no ramo envolve serviços de beleza, serviços 
de estética, de bem-estar, de saúde, de imagem pessoal, entre outros. Os 
diversos profissionais relacionados com o desenvolvimento de procedimentos 
de cirurgias plásticas encontram um campo de atuação em grande expansão.
Contudo, o sucesso no desenvolvimento desse tipo de atividade profissional 
está vinculado a questões como:
 � oferta de serviços diferenciados;
 � excelência do desempenho dos serviços oferecidos;
 � capacitação da equipe de trabalho;
 � atenção às tendências;
 � uso de produtos sustentáveis;
 � investimento em tecnologia e atendimento de serviço;
 � oferta de produtos destinados ao público masculino.
No ano de 2013, o Brasil atingiu a marca de líder mundial em cirurgias 
plásticas, ultrapassou o México e os EUA, e isso gerou uma necessidade de 
profissionais capacitados em pré e pós-operatório, entre outras habilidades.
São destacados como fatores associados à procura por esses procedimentos, 
o aumento da expectativa de vida, o desenvolvimento de novas tecnologias, 
a valorização da melhor aparência e da estética como cartão de visita na 
disputa por emprego e a busca crescente de cuidados com a estética por parte 
dos homens.
Esse cenário torna o mercado mais competitivo, ressalta a necessidade de 
os serviços e os profissionais se adequarem e qualificarem para atender de 
forma diferenciada e com excelência os seus clientes. O desenvolvimento de 
novas tecnologias relacionadas com os procedimentos cirúrgicos e os cuidados 
de pré e de pós-operatório, com opções diversas de intervenções, auxiliam a 
boa recuperação dos pacientes.
Contudo, ressaltamos que essa atuação profissional deverá ser mediada 
pelos aspectos de disciplinam a ética profissional, associada aos atributos 
que a definem: percepção dos conflitos, ação de acordo com a consciência; 
autonomia, posicionamento entre razão e emoção, em que a escolha é autô-
noma; e coerência.
A Federação Brasileira dos Profissionais Esteticistas (Febrape) dispõe 
de forma específica para os esteticistas a regulamentação das profissões de 
técnico em estética e de terapeuta esteticista.
3Atuação do esteticista na cirurgia plástica
No artigo intitulado Código de Ética dos Esteticistas, você irá encontrar informações 
relacionadas à discussão sobre o agir ético na atuação do profissional da área de estética.
https://goo.gl/PKmkRD
Segundo Souza e Araújo (2015), a discussão da ética no contexto da atuação 
do tecnólogo em estética acontece por meio da autonomia, em se decide o que 
deve ou não ser realizado, pela avaliação, pela comunicação, pelo histórico do 
cliente, e sobretudo, pelo atendimento à legislação vigente. Quando o tratamento 
é feito de forma correta, o resultado é satisfatório e os usuários dos serviços 
prestados não hesitarão em procurar o mesmo profissional quando tiver ne-
cessidade. Cabe ao profissional fornecer aos usuários dos serviços todo tipo 
de informação referente ao tratamento estabelecido, aos possíveis resultados 
e riscos, ao tempo aproximado de tratamento e o esclarecimento de dúvidas.
Essa demanda influencia na necessidade de formação de profissionais 
qualificados, por intermédio de cursos específicos relacionados com a atividade 
de estética e cosmetologia.
Associado a esse campo de atuação, diversos profissionais contribuem 
com suas habilidades e capacidades no cuidado, como o educador físico, 
a nutricionista, o médico, o fisioterapeuta, o esteticista e cosmetólogo, o 
biomédico, o farmacêutico, o enfermeiro, etc.
Na condução de um procedimento cirúrgico, o trabalho do profissional 
médico irá nortear as ações a serem desenvolvidas por outros profissionais, 
no que tange o cuidado tanto no pré quanto no pós-operatório.
Segundo Valdameri (2010), um aspecto importante nesse trabalho de cui-
dado, é a capacidade de estabelecer relações e interações entre os diversos 
profissionais, na busca de um cuidado multidisciplinar. Essa condição só se 
faz possível a partir de ações que estimulem, inicialmente, o conhecimento 
do papel de cada profissional, o respeito de seus saberes e práticas de atuação 
e a construção de mecanismos de interação, sejam por meio de reuniões, de 
discussões de caso, de interação por diferentes modalidadesde informação, etc.
Esse cenário reforça a demanda por profissionalização e qualificação do 
esteticista. De forma específica, com relação à formação do profissional da 
área de estética, esse processo busca preparar o profissional possibilitando 
uma formação ampla, em que ele atue de forma primordial na área da saúde 
Atuação do esteticista na cirurgia plástica4
preventiva, conceda um desempenho com conhecimentos técnico-científicos, 
capacidade crítica, reflexiva e intelectual, e torne possível a inserção do tec-
nólogo em estética nos campos profissionais da área da saúde (CARVALHO, 
2006).
Intervenção do esteticista no 
pré-operatório de cirurgias plásticas
A atuação do profissional esteticista no pré-operatório de cirurgias plásticas 
está associada a um conjunto de cuidados que podem ser desenvolvidos na 
busca por uma recuperação mais rápida e adequada. 
O tratamento pré-operatório colabora para diminuir o risco de intercor-
rências no pós-operatório de cirurgias plásticas. Embora alguns cirurgiões 
julguem desnecessária a intervenção do esteticista nessa fase, ela é muito 
importante para uma boa recuperação do paciente (BORGES, 2010).
Um dos primeiros aspectos a ser considerado no cuidado pré-operatório 
é a realização de uma avaliação prévia do paciente.
A avaliação pré-operatória deverá compreender aspectos sobre:
 � condição geral de saúde;
 � realização de algum tipo de tratamento prévio ou atual;
 � utilização de medicação (especial atenção para o uso de cosméticos);
 � experiência prévia com cirurgia;
 � tabagismo;
 � uso de bebidas alcoólicas;
 � hábitos de vida (lazer, trabalho, etc.);
 � alimentação;
 � outras informações adicionais.
Em uma consulta pré-operatória, o profissional da área da estética precisa 
avaliar fatores que possam estar relacionados a disfunções estéticas como, 
retrações musculares, deformidades articulares, desvios posturais, que podem 
levar a alterações estéticas e funcionais.
Outro aspecto importante de ser abordado no pré-operatório é a avaliação 
de cirurgias plásticas realizadas anteriormente, pois a presença de fibroses e 
aderências podem permanecer no tecido por anos. Pacientes com a presença de 
fibroses antigas, submetidos à nova intervenção, estão sujeitos a desenvolver 
irregularidades do tecido cicatricial com maior probabilidade. 
5Atuação do esteticista na cirurgia plástica
É importante também avaliar as condições circulatórias (sanguíneas e 
linfáticas) do paciente, pois a presença de edema, de linfedema e de alterações 
secundárias ao fibroedema geloide (FEG), poderão impactar de forma negativa 
na fase de recuperação pós-operatória. No caso de FEG, o paciente deverá ser 
advertido que, ao realizar uma cirurgia de lipoaspiração, por exemplo, essa 
condição provavelmente não será solucionada e poderá até mesmo, em alguns 
casos, ser piorada (BORGES, 2010). Essas condições deverão ser avaliadas e 
tratadas, de preferência antes do procedimento cirúrgico.
Uma maneira de conduzir esse processo de avaliação é fazer uso de um che-
cklist no pré-operatório. De maneira geral, o pré-operatório deverá funcionar 
como uma possibilidade de preparo do paciente, pois, nessa fase, várias dúvidas 
surgem com relação aos cuidados, tanto no próprio pré-operatório quanto no 
pós-operatório (ANGER et al., 2011). 
Alves et al. (2007) relatam que a presença de ansiedade é muito comum 
durante a realização de um procedimento cirúrgico. Alguns fatores relacionados 
a esse comportamento envolvem: 
 � preocupação com lesões que possam ocorrer durante o procedimento 
cirúrgico;
 � receio de dor no período pós-operatório;
 � separação da família;
 � perda da independência;
 � medo de ficar incapacitado;
 � medo de não acordar mais;
 � medo de acordar no meio de uma anestesia;
 � medo do diagnóstico e das complicações. 
Os autores salientam, ainda, que a presença de elevados níveis de ansie-
dade pré-operatória está relacionada a experiências prévias de histórico de 
câncer, de tabagismo, de desordens psiquiátricas, de percepção negativa do 
futuro, de sintomas depressivos moderados a intensos e de presença de dor 
moderada ou intensa.
O paciente deve ter a possibilidade de indagar sobre suas dúvidas e medos, 
além disso, questões como anestesia, duração do procedimento, alterações 
possíveis de serem observadas, período de recuperação, tempo de internação, 
entre outras, costumam ser objeto de dúvida. Isso reforça a necessidade de se 
realizar esclarecimentos e orientações aos pacientes no pré-operatório, para 
orientar e desmistificar conceitos equivocados que possam existir.
Atuação do esteticista na cirurgia plástica6
Complementar a avaliação pré-operatória à orientação busca preparar o pa-
ciente para executar métodos e técnicas, desenvolver hábitos e comportamentos 
que serão objeto do cuidado pós-operatório. A definição dessas orientações 
estará relacionada com o paciente e com o tipo de procedimento a ser executado. 
As dúvidas que forem esclarecidas poderão auxiliar no sucesso da cirurgia 
e evitar o surgimento de possíveis complicações. Por isso é importante que 
o esteticista esteja bem alinhado com a equipe multidisciplinar que irá dar 
suporte ao paciente nas diversas fases do tratamento.
Segundo Gozzo et al. (2012), a utilização de manual educativo poderá 
ser uma estratégia a ser adotada no cuidado pré-operatório. O objetivo é o 
desenvolvimento de um processo educativo que busca compartilhar saberes 
que colaboram na mudança de comportamento e no reforço de aspectos po-
sitivos no cuidado.
Outra estratégia adotada no tratamento pré-operatório é a realização de 
procedimentos que busquem estimular a microcirculação, favorecer as trocas 
metabólicas e diminuir a espessura dos tecidos. Esses objetivos são alcançados, 
principalmente, com a utilização da técnica de drenagem linfática manual, 
a qual permite potencializar os efeitos da drenagem linfática na remoção de 
líquidos e de catabólitos, melhorando a nutrição tecidual e diminuindo edemas 
residuais que possam permanecer.
A drenagem linfática manual é uma técnica que tem como objetivo drenar 
os líquidos intersticiais por meio da captação e da evacuação da linfa. Essa 
prática é essencial no pré-operatório, pois facilita o processo de cicatrização 
(SCHIMMELPFENG; TOKARS, 2011).
A adoção da drenagem linfática poderá estar associada ao uso da pressote-
rapia. Kede e Sabatovich (2015), sugerem que essa técnica deve ser realizada 
associada a uma drenagem manual, pois a mobilização da água pode levar a 
um acúmulo de proteínas. A técnica consiste na massagem pneumática por 
meio do uso de artefatos pneumáticos (botas, luvas, cintas), formados por um 
sistema independente entre si, que infla e desinfla de forma sequencial, ou 
não, com a ajuda de um compressor.
Schimmelpfeng e Tokars (2011) também salientam a importância do uso da 
pressoterapia e da hidratação corporal por meio de massagens com princípios 
ativos que proporcionem hidratação e emoliência do tecido, além da esfoliação, 
com o intuito de diminuir a espessura do tecido.
O uso da drenagem linfática manual pode colaborar na recuperação e 
nos resultados finais de procedimentos cirúrgicos como a lipoaspiração, a 
mamoplastia (aumento ou redução), a abdominoplastia, a blefaroplastia, a 
ritidoplastia, a rinoplastia, entre outros.
7Atuação do esteticista na cirurgia plástica
Neste link, você verá algumas informações sobre cuidados pré-operatórios de 
abdominoplastias.
https://goo.gl/8hnyzA
Outra conduta importante no pré-operatório é o preparo da pele, que poderá 
envolver principalmente o uso de técnicas de limpeza de pele, de esfoliação 
e de hidratação.
A limpeza de pele poderá ser realizada com a utilização de substâncias 
emolientes e de vacuoterapia. Esses procedimentos permitem uma boa higie-
nização da pele e evitam infecções e reações alérgicas. A esfoliação permite 
a retirada de resíduos da camada córnea da pele e, assim, melhora a sua 
permeabilidade. Já a hidratação poderá envolver o usode microcorrentes, 
de ionização, de alta frequência e de eletroestimulação. E recomendada pela 
melhora da saúde geral da pele e, ainda, por aumentar a elasticidade do tecido 
(BORGES, 2010).
A massoterapia é um recurso benéfico no pré-operatório, pois colabora 
para a melhora da circulação sanguínea e linfática, além de favorecer a pe-
netração de substâncias nutritivas e hidratantes que irão preparar a pele para 
a cirurgia. Permite, ainda, conscientizar o paciente por meio de estímulos 
táteis e produzir relaxamento físico, aliviando, assim, a ansiedade e a tensão. 
Essa técnica, utilizada no período pré-operatório, pode atuar na melhora da 
consciência de posturas adequadas (GUIRRO; GUIRRO, 2010).
Papel do esteticista no pós-operatório 
de cirurgias plásticas
O pós-operatório nada mais é do que os cuidados que devem ser tomados após 
a cirurgia. Normalmente, são cuidados estéticos que aceleram a recuperação 
do organismo. O período do pós-operatório tem início quando o médico 
termina de fazer os pontos ou de fechar a sutura; porém, cada caso é um caso 
e o profissional deverá saber quando é a hora de iniciar o tratamento.
Atuação do esteticista na cirurgia plástica8
Todo procedimento cirúrgico provoca uma agressão ao tecido, e é frequente 
que, no início do pós-operatório, a sensibilidade tátil e dolorosa esteja alterada. 
Em algumas situações, por lesões em terminações nervosas periféricas ou 
por alterações vasculares, a sensibilidade poderá estar abolida no local. Outra 
alteração esperada é a presença de edema na região, decorrente de alterações 
circulatórias. Poderá, ainda, haver hematomas decorrentes dos danos no 
sistema vascular (KEDE; SABATOVICH, 2015).
Outras complicações podem também estar presentes, como infecções, 
alterações vasculares como trombose venosa profunda, alteração cicatricial com 
a formação de queloides, fibrose, aderência, entre outras. Uma estratégia para 
evitar essas complicações, além da correta indicação cirúrgica, é a adequada 
intervenção do esteticista e do restante da equipe que acompanha o paciente 
(SILVA; SANTOS, 2015).
Um conceito importante e amplamente utilizado no cuidado do pós-
-operatório de cirurgia plástica está relacionado com o processo de reparo 
cicatricial. Esse processo é dividido em três fases:
 � fase inflamatória;
 � fase de proliferação;
 � fase de remodelação. 
Em cada uma dessas etapas ocorrem alterações histológicas, vasculares e 
bioquímicas que influenciam no reparo tecidual. A fase inflamatória representa 
a resposta inicial associada à lesão traumática produzida pelo bisturi cirúrgico, 
e tem duração de 72 horas. Já a fase de proliferação envolve a formação de 
um tecido cicatricial imaturo, e tem duração de 3 a 24 dias. E, por fim, a fase 
de remodelação envolve a formação de uma cicatriz definitiva e pode durar 
meses (BORGES, 2010).
Os procedimentos no pós-operatório, então, serão orientados a partir das 
alterações que ocorrem em cada fase de reparo do tecido. Dessa forma, a escolha 
entre as opções das técnicas devem respeitar esses períodos, salientando que 
o número de dias de cada fase é algo aproximado e pode apresentar variações 
de pessoa para pessoa.
Uma das primeiras ações que deve ser desenvolvida pelo profissional 
esteticista no cuidado a esse paciente é a avaliação. Essa avaliação deverá 
identificar a história do sujeito, de forma a garantir a construção de um cuidado 
que respeite a sua individualidade. Deve ser dada especial atenção para os 
aspectos da cicatriz cirúrgica, as condições do tecido, as retrações, a coloração, 
os edemas, entre outros (SILVA; SANTOS, 2015).
9Atuação do esteticista na cirurgia plástica
Borges (2010) salienta que os pacientes, em geral, apresentam grande 
ansiedade no pós-operatório associada a um aspecto desagradável dos tecidos 
após intervenção, à presença de dor, ao edema e à inflamação. O profissional 
esteticista deve atuar para facilitar o processo de cicatrização e prevenir 
aderências que alteram o processo de nutrição tecidual.
Para Guirro e Guirro (2010), os procedimentos na fase pós-cirúrgica envol-
vem um conjunto de técnicas com objetivos distintos, relacionadas a cada caso, 
adequadas à fase de cicatrização do paciente e relacionadas com a capacidade 
de domínio do uso da técnica pelo profissional.
A analgesia pode ser buscada com a utilização de eletroterapia. A eficácia 
de aplicação desse procedimento irá depender dos parâmetros de aplicação 
da corrente, como frequência, intensidade, tempo de aplicação e colocação 
dos eletrodos.
Na fase inflamatória, a crioterapia poderá ser utilizada para a redução do 
edema e diminuição da dor. Essa técnica pode ser utilizada já nas primeiras 24 
horas após a cirurgia. A utilização da crioterapia se torna mais efetiva quando 
associada ao correto posicionamento corporal, normalmente com elevação da 
região afetada para favorecer retorno vascular e linfático, e ao posicionamento 
com repouso relativo, para que não provoque tensão anormal sobre a cicatriz 
cirúrgica, o que poderá acarretar formação de cicatriz hipertrófica.
Outro procedimento que colabora com o processo de alívio da dor, de 
redução do edema e de melhora da cicatrização é a compressão, a qual poderá 
ocorrer de diferentes formas, conforme o local e o tipo de cirurgia. Cintas de 
compressão, ataduras compressivas, adesivos compressivos, modeladores, 
entre outros podem ser utilizados (BORGES, 2010). Em alguns casos, como 
na abdominoplastia, o uso da cinta compressiva é indicado por até 45 dias 
(SILVA; SANTOS, 2015). Nas mamoplatias, a compressão com o uso de 
suspensórios também pode ser utilizada com benefícios ao processo de reparo 
do tecido. A técnica compressiva colabora para a redução do edema, princi-
palmente quando utilizada já a partir das primeiras 24 horas do procedimento 
(GUIRRO; GUIRRO, 2010).
A drenagem linfática manual é uma das técnicas mais utilizadas no pós-
-operatório de cirurgias plásticas. O uso da técnica permite colaborar com a 
redução do edema; porém os movimentos não devem produzir tensões exces-
sivas sobre a cicatriz, pois podem gerar alterações no processo de cicatrização 
por tensão anormal. A técnica é utilizada em diversos tipos de cirurgias como 
em abdominoplastia, em cirurgias da face, entre outras. 
Atuação do esteticista na cirurgia plástica10
Guirro e Guirro (2010) salientam que alguns princípios devem ser obser-
vados para o uso adequado da drenagem linfática manual:
 � evitar tensão excessiva;
 � evitar deslizamentos para não produzir tensões na cicatriz cirúrgica;
 � conhecer a anatomia do sistema linfático e seguir o trajeto que não foi 
interrompido pelo ato cirúrgico;
 � posicionar o segmento elevado para beneficiar-se das forças da gravidade 
no retorno vascular e linfático;
 � usar uma das mãos como fixação de modo a não provocar maior ten-
sionamento na cicatriz cirúrgica.
Os agentes eletroterapêuticos podem ser usados para melhorar a perfusão 
vascular periférica, melhorando a cicatrização. Com esses objetivos, Borges 
(2010) cita o uso das microcorrentes e da iontoforese. As microcorrentes 
são empregadas para a melhora do reparo tecidual; já as correntes contínuas 
podem ser usadas também pelos seus efeitos polares, associados à dispersão 
de agentes farmacológicos e à redução de edemas.
O ultrassom também é utilizado no pós-operatório de cirurgias plásticas. 
Sua utilização, em uma frequência de 3 MHz, na fase inflamatória, permite 
auxiliar na reabsorção de hematomas, diminuindo as chances de formações 
fibróticas e, ainda, melhorando a nutrição celular e reduzindo o edema e a dor. 
Guirro e Guirro (2010) destacam também a neovascularização como efeito do 
ultrassom. Ela gera aumento da circulação, rearranjo e aumento da extensibi-
lidade das fibras colágenas e melhora das propriedades mecânicas do tecido. 
Como agentes auxiliares na melhora da drenagem linfática, a vacuotera-
pia é indicada. O efeito da pressão negativa sobre os tecidos colabora com a 
drenagem linfática,contudo, devido ao seu mecanismo de pressão sobre os 
tecidos, deve ser usada com cautela na fase inflamatória, pois pode favore-
cer a formação de fibroses. Geralmente ,se utilizam pressões de 40 mmHg 
(BORGES, 2010).
Já a massagem pneumática da pressoterapia poderá ser usada associada 
à drenagem linfática manual, como uma estratégia de melhora do retorno 
linfático e venoso. Seu uso é recomendado, principalmente, em casos de 
edemas persistentes, em grandes regiões de abdome e em membros inferiores.
O uso de agentes fototerápicos também faze parte do arsenal de opções de 
procedimentos no pós-operatório. A utilização do laser de baixa intensidade, 
na fase inflamatória, permite auxiliar no reparo do tecido e no estimulo à for-
mação da cicatriz inicial. O mecanismo do laser poderá, ainda, criar um efeito 
11Atuação do esteticista na cirurgia plástica
quimiotáxico, atraindo neutrófilos e macrófagos para a região, que são células 
responsáveis pelo processo de crescimento da nova cicatriz (BORGES, 2010).
No pós-operatório facial, a intervenção estará baseada em três fases asso-
ciadas ao processo de reparo:
 � Primeira fase — aparecimento de inchaço e de hematomas. O trata-
mento, então, consiste em diminuir esses edemas com a ativação da 
circulação sanguínea e com a oxigenação do tecido operado. 
 � Segunda fase — indicação de combate à instalação de fibrose.
 � Terceira fase — indicação do uso de recursos para prevenção ou di-
minuição da flacidez.
Já no pós-operatório de cirurgia plástica corporal, observando as mesmas 
três fases, teremos, inicialmente, o objetivo de analgesia e de redução do 
edema, com destaque para a drenagem linfática como opção de cuidado. Em 
um segundo momento, estimulação da fase de reparo com a formação do 
tecido de granulação e, na terceira fase, estimulação do tônus e a formação 
da cicatriz definitiva.
No vídeo, a seguir, você verá informações e orientações sobre os cuidados de pós-
-operatório na cirurgia plástica.
https://goo.gl/FhkJGD
É importante ressaltar que esses procedimentos podem ser realizados logo após o 
procedimento cirúrgico, contudo, o profissional esteticista deverá buscar informações 
com o médico para compreender de forma ampla os detalhes do procedimento 
realizado e, com a avaliação do paciente, estabelecer um programa de cuidados 
adequado ao seu cliente.
Atuação do esteticista na cirurgia plástica12
ALVES, M. L. M. et al. Ansiedade no período pré-operatório de cirurgias de mama: 
estudo comparativo entre pacientes com suspeita de câncer e a serem submeti-
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