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ESTÉTICA APLICADA À CIRURGIA PLÁSTICA Patrícia Viana da Rosa Atuação do esteticista na cirurgia plástica Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Identificar o papel do esteticista nas diversas cirurgias plásticas. � Descrever as atribuições do esteticista no pré-operatório de cirurgias plásticas. � Detalhar as atribuições do esteticista no pós-operatório de cirurgias plásticas. Introdução A procura por cirurgias plásticas vem crescendo e novos profissionais da área da estética estão sendo atraídos para atuar no pré e no pós-operatório desses procedimentos. A crescente integração do esteticista com outros profissionais da saúde, em consultórios e em clínicas de cirurgia plástica, nos cuidados pré- -cirúrgicos e, principalmente, nos pós-cirúrgicos, tornou-se mais efetiva. O esteticista atua de diversas formas e utiliza variados recursos terapêuti- cos envolvidos nos cuidados do paciente que passou por cirurgia plástica. Por sua formação específica, o profissional da área da estética deve estar apto para atender diversas situações típicas do cuidado pré e pós- -cirúrgico. Assim, o conhecimento adquirido permite a intervenção segura e eficiente nesses cuidados. Neste capítulo, você vai identificar o papel do profissional esteticista nas diversas cirurgias plásticas e descrever suas atribuições no pré e no pós-operatório dessas cirurgias. Papel do esteticista nas cirurgias plásticas A estética é uma área que estuda o belo e o sentimento que ela desperta nas pessoas é, geralmente, tido como sinônimo de beleza (SCHMITZ; LAUREN- TINO; MACHADO, 2010). No Brasil, o mercado de beleza e estética é considerado um dos mais promissores, pois os clientes estão modificando seus hábitos e tornando esse tipo de serviço algo necessário. A área da estética e cosmetologia se destaca com um aumento na procura por serviços específicos — entre eles, as cirurgias plásticas — destinados à promoção, à recuperação e à manutenção da saúde da pele, do corpo, da face, do couro cabeludo e anexos. Para Vigarello (2006), o ramo da beleza, no Brasil, está em forte crescimento e é associado não só a elementos de estética e beleza, mas também à saúde. A Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal Perfumaria e Cosmética (ABHIPEC) também destaca a expansão do mercado da beleza nos últimos anos. Muitos clientes procuram os centros de estética não somente para te- rem acesso aos serviços de saúde e de beleza, mas para vivenciarem boas experiências de bem-estar e de relaxamento. A valorização social do belo está interligada com o bem-estar do indivíduo e com a elevada autoestima, e a imagem pessoal pode resumir todos os benefícios que o compreendem, pois envolve vários trabalhos estéticos, alguns associados à realização de procedimentos de cirurgia plástica, como: embelezamento corporal e facial, maquiagem, criação e execução de estilos de cabelo, preocupação com vestuário e acessórios (VIGARELLO, 2006). Os procedimentos realizados são destinados à promoção, à recuperação e à manutenção da saúde da pele, valorizam, dessa forma, a imagem pessoal como um todo e se tornam fatores de elevação da autoestima, da saúde integral e da qualidade de vida. Nos últimos 5 anos, o mercado de estética cresceu 567% no Brasil, passou de 72 mil para 482 mil profissionais em janeiro de 2015, e se tornou uma das áreas mais promissoras da economia do País. O crescimento estimado para o ano de 2018, segundo dados da revista Exame, deve movimentar mais de 50 bilhões de reais no Brasil, com uma expectativa de crescimento entre 8% a 12% (MERCADO..., 2018, documento on-line). Atuação do esteticista na cirurgia plástica2 Esse conjunto de serviços no ramo envolve serviços de beleza, serviços de estética, de bem-estar, de saúde, de imagem pessoal, entre outros. Os diversos profissionais relacionados com o desenvolvimento de procedimentos de cirurgias plásticas encontram um campo de atuação em grande expansão. Contudo, o sucesso no desenvolvimento desse tipo de atividade profissional está vinculado a questões como: � oferta de serviços diferenciados; � excelência do desempenho dos serviços oferecidos; � capacitação da equipe de trabalho; � atenção às tendências; � uso de produtos sustentáveis; � investimento em tecnologia e atendimento de serviço; � oferta de produtos destinados ao público masculino. No ano de 2013, o Brasil atingiu a marca de líder mundial em cirurgias plásticas, ultrapassou o México e os EUA, e isso gerou uma necessidade de profissionais capacitados em pré e pós-operatório, entre outras habilidades. São destacados como fatores associados à procura por esses procedimentos, o aumento da expectativa de vida, o desenvolvimento de novas tecnologias, a valorização da melhor aparência e da estética como cartão de visita na disputa por emprego e a busca crescente de cuidados com a estética por parte dos homens. Esse cenário torna o mercado mais competitivo, ressalta a necessidade de os serviços e os profissionais se adequarem e qualificarem para atender de forma diferenciada e com excelência os seus clientes. O desenvolvimento de novas tecnologias relacionadas com os procedimentos cirúrgicos e os cuidados de pré e de pós-operatório, com opções diversas de intervenções, auxiliam a boa recuperação dos pacientes. Contudo, ressaltamos que essa atuação profissional deverá ser mediada pelos aspectos de disciplinam a ética profissional, associada aos atributos que a definem: percepção dos conflitos, ação de acordo com a consciência; autonomia, posicionamento entre razão e emoção, em que a escolha é autô- noma; e coerência. A Federação Brasileira dos Profissionais Esteticistas (Febrape) dispõe de forma específica para os esteticistas a regulamentação das profissões de técnico em estética e de terapeuta esteticista. 3Atuação do esteticista na cirurgia plástica No artigo intitulado Código de Ética dos Esteticistas, você irá encontrar informações relacionadas à discussão sobre o agir ético na atuação do profissional da área de estética. https://goo.gl/PKmkRD Segundo Souza e Araújo (2015), a discussão da ética no contexto da atuação do tecnólogo em estética acontece por meio da autonomia, em se decide o que deve ou não ser realizado, pela avaliação, pela comunicação, pelo histórico do cliente, e sobretudo, pelo atendimento à legislação vigente. Quando o tratamento é feito de forma correta, o resultado é satisfatório e os usuários dos serviços prestados não hesitarão em procurar o mesmo profissional quando tiver ne- cessidade. Cabe ao profissional fornecer aos usuários dos serviços todo tipo de informação referente ao tratamento estabelecido, aos possíveis resultados e riscos, ao tempo aproximado de tratamento e o esclarecimento de dúvidas. Essa demanda influencia na necessidade de formação de profissionais qualificados, por intermédio de cursos específicos relacionados com a atividade de estética e cosmetologia. Associado a esse campo de atuação, diversos profissionais contribuem com suas habilidades e capacidades no cuidado, como o educador físico, a nutricionista, o médico, o fisioterapeuta, o esteticista e cosmetólogo, o biomédico, o farmacêutico, o enfermeiro, etc. Na condução de um procedimento cirúrgico, o trabalho do profissional médico irá nortear as ações a serem desenvolvidas por outros profissionais, no que tange o cuidado tanto no pré quanto no pós-operatório. Segundo Valdameri (2010), um aspecto importante nesse trabalho de cui- dado, é a capacidade de estabelecer relações e interações entre os diversos profissionais, na busca de um cuidado multidisciplinar. Essa condição só se faz possível a partir de ações que estimulem, inicialmente, o conhecimento do papel de cada profissional, o respeito de seus saberes e práticas de atuação e a construção de mecanismos de interação, sejam por meio de reuniões, de discussões de caso, de interação por diferentes modalidadesde informação, etc. Esse cenário reforça a demanda por profissionalização e qualificação do esteticista. De forma específica, com relação à formação do profissional da área de estética, esse processo busca preparar o profissional possibilitando uma formação ampla, em que ele atue de forma primordial na área da saúde Atuação do esteticista na cirurgia plástica4 preventiva, conceda um desempenho com conhecimentos técnico-científicos, capacidade crítica, reflexiva e intelectual, e torne possível a inserção do tec- nólogo em estética nos campos profissionais da área da saúde (CARVALHO, 2006). Intervenção do esteticista no pré-operatório de cirurgias plásticas A atuação do profissional esteticista no pré-operatório de cirurgias plásticas está associada a um conjunto de cuidados que podem ser desenvolvidos na busca por uma recuperação mais rápida e adequada. O tratamento pré-operatório colabora para diminuir o risco de intercor- rências no pós-operatório de cirurgias plásticas. Embora alguns cirurgiões julguem desnecessária a intervenção do esteticista nessa fase, ela é muito importante para uma boa recuperação do paciente (BORGES, 2010). Um dos primeiros aspectos a ser considerado no cuidado pré-operatório é a realização de uma avaliação prévia do paciente. A avaliação pré-operatória deverá compreender aspectos sobre: � condição geral de saúde; � realização de algum tipo de tratamento prévio ou atual; � utilização de medicação (especial atenção para o uso de cosméticos); � experiência prévia com cirurgia; � tabagismo; � uso de bebidas alcoólicas; � hábitos de vida (lazer, trabalho, etc.); � alimentação; � outras informações adicionais. Em uma consulta pré-operatória, o profissional da área da estética precisa avaliar fatores que possam estar relacionados a disfunções estéticas como, retrações musculares, deformidades articulares, desvios posturais, que podem levar a alterações estéticas e funcionais. Outro aspecto importante de ser abordado no pré-operatório é a avaliação de cirurgias plásticas realizadas anteriormente, pois a presença de fibroses e aderências podem permanecer no tecido por anos. Pacientes com a presença de fibroses antigas, submetidos à nova intervenção, estão sujeitos a desenvolver irregularidades do tecido cicatricial com maior probabilidade. 5Atuação do esteticista na cirurgia plástica É importante também avaliar as condições circulatórias (sanguíneas e linfáticas) do paciente, pois a presença de edema, de linfedema e de alterações secundárias ao fibroedema geloide (FEG), poderão impactar de forma negativa na fase de recuperação pós-operatória. No caso de FEG, o paciente deverá ser advertido que, ao realizar uma cirurgia de lipoaspiração, por exemplo, essa condição provavelmente não será solucionada e poderá até mesmo, em alguns casos, ser piorada (BORGES, 2010). Essas condições deverão ser avaliadas e tratadas, de preferência antes do procedimento cirúrgico. Uma maneira de conduzir esse processo de avaliação é fazer uso de um che- cklist no pré-operatório. De maneira geral, o pré-operatório deverá funcionar como uma possibilidade de preparo do paciente, pois, nessa fase, várias dúvidas surgem com relação aos cuidados, tanto no próprio pré-operatório quanto no pós-operatório (ANGER et al., 2011). Alves et al. (2007) relatam que a presença de ansiedade é muito comum durante a realização de um procedimento cirúrgico. Alguns fatores relacionados a esse comportamento envolvem: � preocupação com lesões que possam ocorrer durante o procedimento cirúrgico; � receio de dor no período pós-operatório; � separação da família; � perda da independência; � medo de ficar incapacitado; � medo de não acordar mais; � medo de acordar no meio de uma anestesia; � medo do diagnóstico e das complicações. Os autores salientam, ainda, que a presença de elevados níveis de ansie- dade pré-operatória está relacionada a experiências prévias de histórico de câncer, de tabagismo, de desordens psiquiátricas, de percepção negativa do futuro, de sintomas depressivos moderados a intensos e de presença de dor moderada ou intensa. O paciente deve ter a possibilidade de indagar sobre suas dúvidas e medos, além disso, questões como anestesia, duração do procedimento, alterações possíveis de serem observadas, período de recuperação, tempo de internação, entre outras, costumam ser objeto de dúvida. Isso reforça a necessidade de se realizar esclarecimentos e orientações aos pacientes no pré-operatório, para orientar e desmistificar conceitos equivocados que possam existir. Atuação do esteticista na cirurgia plástica6 Complementar a avaliação pré-operatória à orientação busca preparar o pa- ciente para executar métodos e técnicas, desenvolver hábitos e comportamentos que serão objeto do cuidado pós-operatório. A definição dessas orientações estará relacionada com o paciente e com o tipo de procedimento a ser executado. As dúvidas que forem esclarecidas poderão auxiliar no sucesso da cirurgia e evitar o surgimento de possíveis complicações. Por isso é importante que o esteticista esteja bem alinhado com a equipe multidisciplinar que irá dar suporte ao paciente nas diversas fases do tratamento. Segundo Gozzo et al. (2012), a utilização de manual educativo poderá ser uma estratégia a ser adotada no cuidado pré-operatório. O objetivo é o desenvolvimento de um processo educativo que busca compartilhar saberes que colaboram na mudança de comportamento e no reforço de aspectos po- sitivos no cuidado. Outra estratégia adotada no tratamento pré-operatório é a realização de procedimentos que busquem estimular a microcirculação, favorecer as trocas metabólicas e diminuir a espessura dos tecidos. Esses objetivos são alcançados, principalmente, com a utilização da técnica de drenagem linfática manual, a qual permite potencializar os efeitos da drenagem linfática na remoção de líquidos e de catabólitos, melhorando a nutrição tecidual e diminuindo edemas residuais que possam permanecer. A drenagem linfática manual é uma técnica que tem como objetivo drenar os líquidos intersticiais por meio da captação e da evacuação da linfa. Essa prática é essencial no pré-operatório, pois facilita o processo de cicatrização (SCHIMMELPFENG; TOKARS, 2011). A adoção da drenagem linfática poderá estar associada ao uso da pressote- rapia. Kede e Sabatovich (2015), sugerem que essa técnica deve ser realizada associada a uma drenagem manual, pois a mobilização da água pode levar a um acúmulo de proteínas. A técnica consiste na massagem pneumática por meio do uso de artefatos pneumáticos (botas, luvas, cintas), formados por um sistema independente entre si, que infla e desinfla de forma sequencial, ou não, com a ajuda de um compressor. Schimmelpfeng e Tokars (2011) também salientam a importância do uso da pressoterapia e da hidratação corporal por meio de massagens com princípios ativos que proporcionem hidratação e emoliência do tecido, além da esfoliação, com o intuito de diminuir a espessura do tecido. O uso da drenagem linfática manual pode colaborar na recuperação e nos resultados finais de procedimentos cirúrgicos como a lipoaspiração, a mamoplastia (aumento ou redução), a abdominoplastia, a blefaroplastia, a ritidoplastia, a rinoplastia, entre outros. 7Atuação do esteticista na cirurgia plástica Neste link, você verá algumas informações sobre cuidados pré-operatórios de abdominoplastias. https://goo.gl/8hnyzA Outra conduta importante no pré-operatório é o preparo da pele, que poderá envolver principalmente o uso de técnicas de limpeza de pele, de esfoliação e de hidratação. A limpeza de pele poderá ser realizada com a utilização de substâncias emolientes e de vacuoterapia. Esses procedimentos permitem uma boa higie- nização da pele e evitam infecções e reações alérgicas. A esfoliação permite a retirada de resíduos da camada córnea da pele e, assim, melhora a sua permeabilidade. Já a hidratação poderá envolver o usode microcorrentes, de ionização, de alta frequência e de eletroestimulação. E recomendada pela melhora da saúde geral da pele e, ainda, por aumentar a elasticidade do tecido (BORGES, 2010). A massoterapia é um recurso benéfico no pré-operatório, pois colabora para a melhora da circulação sanguínea e linfática, além de favorecer a pe- netração de substâncias nutritivas e hidratantes que irão preparar a pele para a cirurgia. Permite, ainda, conscientizar o paciente por meio de estímulos táteis e produzir relaxamento físico, aliviando, assim, a ansiedade e a tensão. Essa técnica, utilizada no período pré-operatório, pode atuar na melhora da consciência de posturas adequadas (GUIRRO; GUIRRO, 2010). Papel do esteticista no pós-operatório de cirurgias plásticas O pós-operatório nada mais é do que os cuidados que devem ser tomados após a cirurgia. Normalmente, são cuidados estéticos que aceleram a recuperação do organismo. O período do pós-operatório tem início quando o médico termina de fazer os pontos ou de fechar a sutura; porém, cada caso é um caso e o profissional deverá saber quando é a hora de iniciar o tratamento. Atuação do esteticista na cirurgia plástica8 Todo procedimento cirúrgico provoca uma agressão ao tecido, e é frequente que, no início do pós-operatório, a sensibilidade tátil e dolorosa esteja alterada. Em algumas situações, por lesões em terminações nervosas periféricas ou por alterações vasculares, a sensibilidade poderá estar abolida no local. Outra alteração esperada é a presença de edema na região, decorrente de alterações circulatórias. Poderá, ainda, haver hematomas decorrentes dos danos no sistema vascular (KEDE; SABATOVICH, 2015). Outras complicações podem também estar presentes, como infecções, alterações vasculares como trombose venosa profunda, alteração cicatricial com a formação de queloides, fibrose, aderência, entre outras. Uma estratégia para evitar essas complicações, além da correta indicação cirúrgica, é a adequada intervenção do esteticista e do restante da equipe que acompanha o paciente (SILVA; SANTOS, 2015). Um conceito importante e amplamente utilizado no cuidado do pós- -operatório de cirurgia plástica está relacionado com o processo de reparo cicatricial. Esse processo é dividido em três fases: � fase inflamatória; � fase de proliferação; � fase de remodelação. Em cada uma dessas etapas ocorrem alterações histológicas, vasculares e bioquímicas que influenciam no reparo tecidual. A fase inflamatória representa a resposta inicial associada à lesão traumática produzida pelo bisturi cirúrgico, e tem duração de 72 horas. Já a fase de proliferação envolve a formação de um tecido cicatricial imaturo, e tem duração de 3 a 24 dias. E, por fim, a fase de remodelação envolve a formação de uma cicatriz definitiva e pode durar meses (BORGES, 2010). Os procedimentos no pós-operatório, então, serão orientados a partir das alterações que ocorrem em cada fase de reparo do tecido. Dessa forma, a escolha entre as opções das técnicas devem respeitar esses períodos, salientando que o número de dias de cada fase é algo aproximado e pode apresentar variações de pessoa para pessoa. Uma das primeiras ações que deve ser desenvolvida pelo profissional esteticista no cuidado a esse paciente é a avaliação. Essa avaliação deverá identificar a história do sujeito, de forma a garantir a construção de um cuidado que respeite a sua individualidade. Deve ser dada especial atenção para os aspectos da cicatriz cirúrgica, as condições do tecido, as retrações, a coloração, os edemas, entre outros (SILVA; SANTOS, 2015). 9Atuação do esteticista na cirurgia plástica Borges (2010) salienta que os pacientes, em geral, apresentam grande ansiedade no pós-operatório associada a um aspecto desagradável dos tecidos após intervenção, à presença de dor, ao edema e à inflamação. O profissional esteticista deve atuar para facilitar o processo de cicatrização e prevenir aderências que alteram o processo de nutrição tecidual. Para Guirro e Guirro (2010), os procedimentos na fase pós-cirúrgica envol- vem um conjunto de técnicas com objetivos distintos, relacionadas a cada caso, adequadas à fase de cicatrização do paciente e relacionadas com a capacidade de domínio do uso da técnica pelo profissional. A analgesia pode ser buscada com a utilização de eletroterapia. A eficácia de aplicação desse procedimento irá depender dos parâmetros de aplicação da corrente, como frequência, intensidade, tempo de aplicação e colocação dos eletrodos. Na fase inflamatória, a crioterapia poderá ser utilizada para a redução do edema e diminuição da dor. Essa técnica pode ser utilizada já nas primeiras 24 horas após a cirurgia. A utilização da crioterapia se torna mais efetiva quando associada ao correto posicionamento corporal, normalmente com elevação da região afetada para favorecer retorno vascular e linfático, e ao posicionamento com repouso relativo, para que não provoque tensão anormal sobre a cicatriz cirúrgica, o que poderá acarretar formação de cicatriz hipertrófica. Outro procedimento que colabora com o processo de alívio da dor, de redução do edema e de melhora da cicatrização é a compressão, a qual poderá ocorrer de diferentes formas, conforme o local e o tipo de cirurgia. Cintas de compressão, ataduras compressivas, adesivos compressivos, modeladores, entre outros podem ser utilizados (BORGES, 2010). Em alguns casos, como na abdominoplastia, o uso da cinta compressiva é indicado por até 45 dias (SILVA; SANTOS, 2015). Nas mamoplatias, a compressão com o uso de suspensórios também pode ser utilizada com benefícios ao processo de reparo do tecido. A técnica compressiva colabora para a redução do edema, princi- palmente quando utilizada já a partir das primeiras 24 horas do procedimento (GUIRRO; GUIRRO, 2010). A drenagem linfática manual é uma das técnicas mais utilizadas no pós- -operatório de cirurgias plásticas. O uso da técnica permite colaborar com a redução do edema; porém os movimentos não devem produzir tensões exces- sivas sobre a cicatriz, pois podem gerar alterações no processo de cicatrização por tensão anormal. A técnica é utilizada em diversos tipos de cirurgias como em abdominoplastia, em cirurgias da face, entre outras. Atuação do esteticista na cirurgia plástica10 Guirro e Guirro (2010) salientam que alguns princípios devem ser obser- vados para o uso adequado da drenagem linfática manual: � evitar tensão excessiva; � evitar deslizamentos para não produzir tensões na cicatriz cirúrgica; � conhecer a anatomia do sistema linfático e seguir o trajeto que não foi interrompido pelo ato cirúrgico; � posicionar o segmento elevado para beneficiar-se das forças da gravidade no retorno vascular e linfático; � usar uma das mãos como fixação de modo a não provocar maior ten- sionamento na cicatriz cirúrgica. Os agentes eletroterapêuticos podem ser usados para melhorar a perfusão vascular periférica, melhorando a cicatrização. Com esses objetivos, Borges (2010) cita o uso das microcorrentes e da iontoforese. As microcorrentes são empregadas para a melhora do reparo tecidual; já as correntes contínuas podem ser usadas também pelos seus efeitos polares, associados à dispersão de agentes farmacológicos e à redução de edemas. O ultrassom também é utilizado no pós-operatório de cirurgias plásticas. Sua utilização, em uma frequência de 3 MHz, na fase inflamatória, permite auxiliar na reabsorção de hematomas, diminuindo as chances de formações fibróticas e, ainda, melhorando a nutrição celular e reduzindo o edema e a dor. Guirro e Guirro (2010) destacam também a neovascularização como efeito do ultrassom. Ela gera aumento da circulação, rearranjo e aumento da extensibi- lidade das fibras colágenas e melhora das propriedades mecânicas do tecido. Como agentes auxiliares na melhora da drenagem linfática, a vacuotera- pia é indicada. O efeito da pressão negativa sobre os tecidos colabora com a drenagem linfática,contudo, devido ao seu mecanismo de pressão sobre os tecidos, deve ser usada com cautela na fase inflamatória, pois pode favore- cer a formação de fibroses. Geralmente ,se utilizam pressões de 40 mmHg (BORGES, 2010). Já a massagem pneumática da pressoterapia poderá ser usada associada à drenagem linfática manual, como uma estratégia de melhora do retorno linfático e venoso. Seu uso é recomendado, principalmente, em casos de edemas persistentes, em grandes regiões de abdome e em membros inferiores. O uso de agentes fototerápicos também faze parte do arsenal de opções de procedimentos no pós-operatório. A utilização do laser de baixa intensidade, na fase inflamatória, permite auxiliar no reparo do tecido e no estimulo à for- mação da cicatriz inicial. O mecanismo do laser poderá, ainda, criar um efeito 11Atuação do esteticista na cirurgia plástica quimiotáxico, atraindo neutrófilos e macrófagos para a região, que são células responsáveis pelo processo de crescimento da nova cicatriz (BORGES, 2010). No pós-operatório facial, a intervenção estará baseada em três fases asso- ciadas ao processo de reparo: � Primeira fase — aparecimento de inchaço e de hematomas. O trata- mento, então, consiste em diminuir esses edemas com a ativação da circulação sanguínea e com a oxigenação do tecido operado. � Segunda fase — indicação de combate à instalação de fibrose. � Terceira fase — indicação do uso de recursos para prevenção ou di- minuição da flacidez. Já no pós-operatório de cirurgia plástica corporal, observando as mesmas três fases, teremos, inicialmente, o objetivo de analgesia e de redução do edema, com destaque para a drenagem linfática como opção de cuidado. Em um segundo momento, estimulação da fase de reparo com a formação do tecido de granulação e, na terceira fase, estimulação do tônus e a formação da cicatriz definitiva. No vídeo, a seguir, você verá informações e orientações sobre os cuidados de pós- -operatório na cirurgia plástica. https://goo.gl/FhkJGD É importante ressaltar que esses procedimentos podem ser realizados logo após o procedimento cirúrgico, contudo, o profissional esteticista deverá buscar informações com o médico para compreender de forma ampla os detalhes do procedimento realizado e, com a avaliação do paciente, estabelecer um programa de cuidados adequado ao seu cliente. Atuação do esteticista na cirurgia plástica12 ALVES, M. L. M. et al. Ansiedade no período pré-operatório de cirurgias de mama: estudo comparativo entre pacientes com suspeita de câncer e a serem submeti- das a procedimentos cirúrgicos estéticos. Revista Brasileira de Anestesiologia, Rio de Janeiro, v. 57, n. 2, p. 147-156, mar.-abr. 2007. 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