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Departamento de 
Ciências Econômicas 
 
Aula 29 – Inflação e Desemprego no Curto Prazo 
(Krugman – Cap. 31) 
 
 
Curva de Phillips no Curto Prazo: trade-off entre inflação e desemprego 
 
As mudanças na demanda agregada podem elevar a inflação e reduzir o 
desemprego no curto prazo - uma relação ilustrada pela curva de Phillips. 
 
Desemprego e Inflação nos EUA (1955-1968) 
 
 
Os formuladores de políticas preferem inflação baixa e desemprego baixo, mas os 
dados históricos resumidos pela curva de Phillips indicam que essa combinação é 
improvável, rara ou temporária. 
 
Como comentado anteriormente, é difícil manter uma economia capitalista no Éden 
Econômico: baixa inflação, elevado emprego e crescimento com distribuição de 
renda. 
 
A curva de Phillips oferece aos formuladores de políticas um menu de resultados 
econômicos possíveis. Ao alterar a política monetária e fiscal para influenciar a 
demanda agregada. 
 
Os formuladores de políticas poderiam escolher qualquer ponto dessa curva, mas 
ocorrerá, um trade-off com custos e ganhos políticos. 
 
O ponto A oferece alto desemprego e baixa inflação. 
O ponto B oferece baixo desemprego e alta inflação. 
 
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Demanda e Oferta Agregada 
 
O modelo de demanda agregada e oferta agregada fornece uma explicação para o 
menu de resultados possíveis descritos pela curva de Phillips. 
 
A curva de Phillips mostra as combinações de inflação e desemprego que surgem 
no curto prazo, à medida que mudanças na curva da demanda agregada movem a 
economia ao longo da curva da oferta agregada de curto prazo. 
 
Um aumento na demanda agregada de bens e serviços leva, no curto prazo, a uma 
maior produção de bens e serviços e a um nível de preços mais alto, em particular 
quando a economia está próxima ao pleno emprego. Maior produção significa maior 
emprego ou menor taxa de desemprego. 
 
Uma redução na demanda agregada de bens e serviços leva a uma reduçãona 
produção de bens e serviços, eleva os estoques e induz uma redução de preços; 
quando a economia está longe do pleno emprego, esta redução pode ser menor. 
Obviamente, menor produção significa menor emprego e maior capacidade ociosa. 
 
Quando a política monetária e/ou a política fiscal são expansionistas, ocorre um 
deslocamento a curva de demanda agregada para a direita de AD1 para AD2, o 
equilíbrio se move do ponto E1 para o ponto E2. 
 
No pleno emprego, os salários e preços nominais se ajustam para cima e empurram 
a curva SRAS1 para a esquerda para SRAS2. O aumento percentual total no nível de 
preços de P1 a P2 e a P3 reduzem a demanda agregada real via inflação. O nível de 
preços sobe de P1 para P3, a curva de oferta agregada é vertical e a produção 
permanece a mesma. 
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Repetindo... Aumentos na disponibilidade de crédito, reduções nas taxas de juros, 
aumento do gasto público, do consumo das famílias, das exportações ou do 
investimento deslocam a demanda agregada para a direita, conforme mostrado pelo 
movimento de AD1 para AD2. Há um novo equilíbrio macroeconômico de curto prazo 
em E2 e um nível de preço mais alto em P2. 
 
Com elevado nível de ociosidade (desemprego), é possível ter até manutenção de 
preços com aumento da produção e demanda. O aumento de preços será modesto e 
podem ocorrer aumentos significativos de emprego e produção. 
 
Neste caso, políticas expansionistas (fiscais, monetárias e de financiamento) 
tendem a ter um efeito mais significativo no nível de atividade. 
 
Caso a economia esteja próxima ao pleno emprego, será observado forte aumento 
de preço generalizado (inflação) com nível de emprego e produção constantes. 
 
Neste caso, políticas expansionistas (fiscais, monetárias e de financiamento) 
tendem a ter um efeito mais significativo no nível de preços. 
 
Quando a economia é aberta (importação e exportação), demanda além do pleno 
emprego tende a criar déficits na balança comercial. Déficits na balança comercial 
induz a desvalorização da moeda. e, assim, aumento de preços dos produtos 
tradables, em outras palavras, surgem pressões inflacionárias em parte significativa 
da oferta agregada. 
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Mudanças na curva de Phillips 
 
Choque de demanda: um aumento da curva de demanda induzido por políticas 
expansionistas (monetárias e fiscais) podem gerar inflação, em particular quando a 
economia está próxima ao pleno emprego. 
 
Choque de oferta, um evento que altera diretamente os custos e preços das 
empresas, mudando a curva de oferta agregada da economia e, portanto, a curva de 
Phillips. Esses choques podem ser internos ou externos, mas são choques de 
custos. 
 
Choque de oferta internos. Nível de utilização elevado ou restrição de oferta. Preços 
de insumos e serviços domésticos se elevam sem aumento da oferta. Aumento de 
custos e pressão nos preços. Por exemplo, restrição na oferta de trabalho, energia, 
combustíveis, transporte etc. 
 
Choque de preços internacionais. Os preços de produtos exportados em US$ 
aumenta, assim como os preços dos produtos importados em US$. 
 
Choque da taxa de câmbio. Desvalorizações cambiais tendem a encarecer os 
produtos exportados, assim como produtos importados, mesmo que os preços 
internacionais não mudem. Valorizações cambiais tem efeito inverso. 
 
Choque de juros internacionais. Aumento de juros nos mercados internacionais 
tendem atrair capitais e produzir uma saída de US$ e, portanto, uma desvalorização 
da moeda nacional. A desvalorização induz aumento de preços nos produtos 
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tradables. 
 
O painel (a) mostra o modelo de demanda agregada e oferta agregada. Quando o a 
curva de oferta agregada tem um choque de custos, ocorre um deslocamento para a 
esquerda de AS1 para AS2, o equilíbrio se move do ponto A para o ponto B. A 
produção cai de Y1 para Y2 e o nível de preços aumenta de P1 para P2. 
 
 
 
Por exemplo, em uma economia aberta, aumento de preços internacionais são 
transmitidos a economia nacional. É possível ter deslocamentos de AS1 para AS2 
mesmo que a economia tenha elevados níveis de ociosidade (desemprego). Este 
parece ser o caso pós-pandemia: aumento de preços com elevado desemprego. 
 
Por exemplo, uma crise energética, hídrica ou qualquer outro restrição de oferta 
pode elevar preços de AS1 para AS2, mesmo que a economia tenha elevados níveis 
de ociosidade (desemprego). Este parece ser o caso brasileiro em 2021, caso a 
estiagem se prolongue durante o próximo semestre. 
 
Por exemplo, um choque cambial (desvalorização da taxa de câmbio) pode elevar 
preços de AS1 para AS2, mesmo que a economia tenha elevados níveis de 
ociosidade (desemprego). Este parece ser o caso brasileiro em 2020-21. 
 
O painel abaixo mostra o trade-off de curto prazo entre inflação e desemprego. A 
mudança adversa na oferta agregada move a economia de um ponto com menor 
desemprego e menor inflação (ponto A) para um ponto com maior desemprego e 
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maior inflação (ponto B). 
 
A curva de Phillips de curto prazo muda para a direita de PC1 para PC2. Os 
formuladores de políticas agora enfrentam um conjunto pior de opções para a 
inflação e o desemprego. 
 
 
 
Política Monetária Deflacionária no Curto e Longo Prazo 
 
Razão de sacrifício - o número de pontos percentuais da produção anual e do 
emprego perdidos no processo de redução da inflação em relação a 1 ponto 
percentual de redução da inflação. 
 
Quando o FED/BACEN segue uma política monetária contracionista para reduzir a 
inflação, a economia se move ao longo de uma curva de Phillips de curto prazo em 
direção a um menor nível de emprego e para um esperado nível de inflação. 
 
Qual o desafio para a política monetária? Outros efeitos não podem anularos 
impactos contracionistas da política monetária, por exemplo, desvalorizações 
cambiais, aumento de preços de produtos tradables, choques de oferta, indexações 
que perpetuam efeitos passados nos ajustes futuros etc. 
 
Vejamos o caso do Brasil obervando as afirmações do BACEN na primeira reunião de 
2022 para ilustrar a variedade de efeitos que podem afetar a inflação, além do 
desemprego. 
 
 
 
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Brasília, 11 de janeiro de 2022 
Ao Senhor 
Paulo Roberto Nunes Guedes 
Ministro de Estado da Economia 
Presidente do Conselho Monetário Nacional 
 
Assunto: Carta Aberta explicando a inflação acima do limite superior do intervalo de 
tolerância da meta em 2021 
“... 
I. Causas de a inflação ter ficado acima do limite superior do intervalo de tolerância 
da meta em 2021. 
Os principais fatores que levaram a inflação em 2021 a ultrapassar o limite superior 
de tolerância foram os seguintes: i. forte elevação dos preços de bens 
transacionáveis em moeda local, em especial os preços de commodities; ii. 
Bandeira de energia elétrica de escassez hídrica; e iii. desequilíbrios entre demanda 
e oferta de insumos, e gargalos nas cadeias produtivas globais. 
As pressões sobre os preços de commodities e nas cadeias produtivas globais 
refletem as mudanças no padrão de consumo causadas pela pandemia, com parcela 
proporcionalmente maior da demanda direcionada para bens e impulsionada por 
políticas expansionistas. 
Esses desenvolvimentos, que ocorreram em nível global, geraram excesso de 
demanda em relação à oferta de curto prazo de diversos bens, causando um 
desequilíbrio que, em diversos países e setores, foi exacerbado por falta de mão-de-
obra, problemas logísticos e gargalos de produção. 
De fato, a aceleração significativa da inflação em 2021 para níveis superiores às 
metas foi um fenômeno global, atingindo a maioria dos países. 
 
 
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Brasília, 10 de janeiro de 2023 
Ao Senhor 
Fernando Haddad 
Ministro de Estado da Fazenda 
Presidente do Conselho Monetário Nacional 
 
Assunto: Carta Aberta explicando a inflação acima do limite superior do intervalo de 
tolerância da meta em 2022 
.... 
 
I. Causas de a inflação ter ficado acima do limite superior do intervalo de 
tolerância da meta em 2022. 
 
Os principais fatores que levaram a inflação em 2022 a ultrapassar o limite superior 
de tolerância foram os seguintes: 
i. inércia da inflação do ano anterior; 
ii. elevação dos preços de commodities, em especial do petróleo; 
iii. desequilíbrios entre demanda e oferta de insumos e gargalos nas cadeias 
produtivas globais; 
iv. choques em preços de alimentação, resultantes de questões climáticas; e 
v. retomada na demanda de serviços e no emprego, impulsionada pelo acentuado 
declínio da quantidade de casos de Covid-19 e consequente aumento da mobilidade. 
Por outro lado, vários fatores agiram no sentido contrário, reduzindo o desvio da 
inflação em relação à meta: 
i. redução na tributação sobre combustíveis, energia elétrica e telecomunicações; 
ii. comportamento da bandeira de energia elétrica, que passou de escassez hídrica 
para bandeira verde; 
iii. apreciação cambial; e 
iv. hiato do produto no campo negativo. Nesse sentido, ressalta-se o papel do aperto 
da política monetária para a contenção da inflação. 
A política monetária, que, em 2021 já havia passado do estímulo extraordinariamente 
elevado para o território contracionista, avançou substancialmente no terreno 
contracionista em 2022. 
 
 
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A curva de Phillips com Abertura Econômica 
 
Durante a década de 1970, a curva de Phillips de curto prazo que parecia se manter 
durante os anos 1950 e 1960, “quebrou” nos EUA e experimentou uma combinação 
de alto desemprego e alta inflação. 
 
Economistas acreditam que isso foi o resultado de choques negativos de oferta e 
do efeito cumulativo de vários anos superior a inflação esperada. 
 
A inflação caiu durante o 1980 e 1990 foram uma época de baixa desemprego e 
baixa inflação. 
 
 
 
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Deflação 
 
Por que a deflação é um problema? E por que é difícil terminar? 
 
Ciclo vicioso: deflação com recessão 
 
Os consumidores postergam gastos para comprar mais barato. 
Sem demanda hoje, a produção é reduzida e induz os preços para baixo. 
Menor produção, maior desemprego, maior pressão deflacionária. 
Devido à queda do nível de preços, um $ no futuro vale mais que $ hoje. 
 
Os credores ganham com a deflação, pois o valor real dos pagamentos aumenta. 
Os devedores perdem porque o peso real de sua dívida aumenta. 
O risco é uma crise financeira, então, ambos perdem. 
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Os efeitos da deflação sobre devedores e credores podem piorar a crise econômica. 
Ampliam os efeitos da postergação do consumo decorrente da expectativa de 
preços menores. 
 
Armadilha da Liquidez 
 
A economia está em uma armadilha de liquidez quando a política monetária 
convencional é ineficaz, porque o juro nominal as taxas estão acima do limite zero. 
 
Em uma economia deprimida, o banco central pode responder cortando taxas de 
juros para aumentar a demanda agregada. 
 
Porém, existe um limite zero na taxa de juros nominal: não pode ir abaixo de zero. 
Esse limite zero pode limitar a eficácia da política monetária. 
 
Se a taxa de juros nominal for já zero, o banco central não pode empurrá-lo ainda 
mais para baixo. 
 
Bancos se recusam a emprestar e os consumidores e empresas se recusam a 
gastar porque, com uma deflação e uma taxa de juros nominal de 0%, manter o 
dinheiro produz um retorno positivo: com a queda dos preços, uma determinada 
quantidade de dinheiro compra mais com o tempo. 
 
Em tal situação, a política fiscal deve ser utilizada para ampliar o nível de demanda 
agregada, nível de produção e, consequentemente, o nível de emprego. 
 
É uma situação rara em que a política monetária convencional não pode ser usada 
porque as taxas de juros nominais estão próximas a zero. Este é o caso da armadilha 
de liquidez.

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