Logo Passei Direto
Buscar

02 LIBRAS II - R2 LIBRAS

Apostila da disciplina Libras II (Prof. Elizete Pinto Cruz Sbrissia Pitarch Forcadell). Aborda aquisição da linguagem em crianças surdas, estrutura, linguística e gramática de Libras. Inclui 4 unidades, plano de estudo (cultura surda, literatura visual, ensino de Português para surdos) e objetivos.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

LIBRAS II 
APRESENTAÇÃO 
 
Professora Me. Elizete Pinto Cruz Sbrissia Pitarch Forcadell 
● Mestre em Ensino Formação Docente Interdisciplinar (UNESPAR). 
● Especialista em Educação Especial: Área da Surdez – Libras (ESAP). 
● Especialista em Psicopedagogia Institucional e Clínica (ESAP). 
● Especialista em Atendimento Educacional Especializado – AEE (UEM). 
● Graduada em Pedagogia (UEM). 
● Graduada em Letras com Habilitação em Libras (EFICAZ). 
● Proficiência em Tradução/Interpretação de Libras (FENEIS). 
● Proficiência em Tradução/Interpretação de Libras (PROLIBRAS). 
● Técnica em Tradução/Interpretação de Libras (IFPR). 
● Docente Universitária da Disciplina de Libras. 
● Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Especial e 
Inclusiva – GEPEEIN (IFPR) 
Currículo Lates: http://lattes.cnpq.br/4629794516295407 
 
 
 
APRESENTAÇÃO DA APOSTILA 
 
Prezado(a) acadêmico(a)! 
 
Seja bem-vindo(a) à Disciplina de Libras II. Para que você alcance um 
nível razoável em seu desempenho comunicativo, precisará ter o desejo e 
oportunidade de se comunicar em Libras. Por isso, os tópicos que passaremos 
a conhecer neste material didático servirão para direcionar seus estudos, 
sabendo que para efetivar o processo de ensino e aprendizagem, você deverá ir 
além, colocar em prática com os usuários dessa língua o que você aprenderá 
em cada Unidade. 
Queremos, que ao decorrer dos estudos, você compreenda que a Língua 
Brasileira de Sinais não é um conjunto de gestos soltos e isolados, mas uma 
língua que possui suas características próprias como qualquer outra língua oral. 
 Sabemos que não esgotaremos o assunto a ser estudado aqui, mas 
esperamos poder contribuir na construção, divulgação e compreensão desta 
língua enquanto alicerce para o desenvolvimento integral do educando surdo e 
enquanto língua adicional a ser apreendida por você, acadêmico(a). 
Para que o processo de aprendizagem dessa língua adicional seja aos 
poucos assimilada, compreendida e utilizada por você, dividimos esse material 
em 4 Unidades a saber: 
 
Unidade I - AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM POR CRIANÇAS SURDAS, você vai 
adquirir noções básicas sobre o artefato cultural, literatura visual surda, o ensino 
da Língua Portuguesa e métodos didáticos para o ensino dessa língua para 
surdos, além dos recursos didáticos para o ensino de Libras na formação 
acadêmica como segunda língua. 
 
Unidade II - ESTRUTURA, EXPRESSÃO, CONCEITOS 
DÊITICOS/ANAFÓRICOS E FIGURAS DE LINGUAGEM NA LÍNGUA DE 
SINAIS, passaremos a conhecer a estrutura de frases em Libras, as dimensões 
evolutivas dessa língua em suas expressões metafóricas e descritivas, bem 
como o uso de espaços nas suas enunciações compreendendo a dêixis 
enquanto processo de descrição. 
 
Unidade III - A LINGUÍSTICA DAS LÍNGUAS DE SINAIS, aprofundaremos os 
conhecimentos sobre a linguística da Língua Brasileira de Sinais, em seus 
aspectos fonológicos, morfológicos, sintáticos, semânticos e pragmáticos. 
 
Unidade IV - GRAMÁTICA DE LIBRAS apresenta-se o léxico da Libras, o uso 
de verbos, o sistema pronominal e as limitações na formação dos sinais. 
 
Vamos lá? 
Bons estudos e abraços sinalizados! 
 
 
 
 
 
 
 
 
UNIDADE I 
AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM POR CRIANÇAS SURDAS 
Professora Mestre Elizete Pinto Cruz Sbrissia Pitarch Forcadell 
 
 
Plano de Estudo: 
A seguir apresenta-se os tópicos que você estudará nesta unidade 
 
● Cultura surda; 
● Literatura visual; 
● Literatura visual surda, Libras e o ensino; 
● Desenvolvimento das etapas do ensino de Língua Portuguesa para Surdos; 
● Produção didática para o aprendizado de Libras como segunda língua na 
formação dos acadêmicos. 
 
 
Objetivos de Aprendizagem: 
● Pensar na cultura da comunidade surda, para descrever elementos identitários e 
artefatos da literatura brasileira surda; 
● Compreender como trabalhar com as crianças surdas; 
● Perceber as estratégias docentes no ensino de surdos nos espaços educacionais. 
 
INTRODUÇÃO 
 
Caro(a) acadêmico(a), nesta Unidade conversaremos sobre a comunidade surda, 
para compreendermos sua cultura, a construção da sua identidade, e a importância da sua 
experiência visual, além de visualizarmos como trabalhar com as crianças surdas e 
apresentá-las aos artefatos culturais como a literatura surda em Libras. 
É preciso fazer as crianças surdas construírem sua identidade e sua cultura. Por 
acaso, você já conhece as produções literárias em Libras para trabalhar com seus futuros 
alunos surdos? Caso não, fique atento, pois essa Unidade de Estudos está repleta de 
sugestões para serem trabalhadas em sala de aula e incentivar as crianças surdas a 
aceitarem-se surdas, e as crianças ouvintes a interagirem com literaturas que lhes 
apresentem o mundo surdo. Além desses, existem outros clássicos infantis que foram 
traduzidos para a língua de sinais, e com isso estimular a inserção das crianças surdas 
nas práticas sociais de leitura. 
O(a) professor(a) pode valorizar os aspectos culturais da criança surda, se isso 
acontecer, ficará mais fácil alcançar bons níveis de qualidade no ensino e na 
aprendizagem, num trabalho educacional bilíngue ou inclusivo que respeite os direitos 
fundamentais dos surdos e o ambiente em que esses sujeitos precisam estar inseridos. 
Um espaço de educação que priorize a Língua de Sinais, que o surdo tenha 
representatividade e que também seja protagonista de um sistema formativo, requer a 
articulação de todos os envolvidos nesse no espaço educacional, seja esse espaço 
público ou privado, de caráter linguístico e cultural. 
Para isso, precisamos refletir e perguntar a nós mesmos o que é currículo para 
surdos? A resposta pode variar muito e pode depender da visão de mundo que se tem, 
mas é importante perguntar a opinião dos professores surdos, o que pensam desse 
currículo adequado à cultura surda e o que pensam que deve ser inserido na grade 
curricular? Devemos pensar sobre como situar o papel do professor surdo nas escolas 
de surdos e a visão dos ouvintes sobre ele, bem como o currículo na Educação de 
Surdos. 
 
 
 
1 CULTURA SURDA 
Figura - Charge humorística que explica a cultura surda e o uso da Libras por seus usuários 
 
Fonte: 
disponível em: https://docplayer.com.br/43089685-Universidade-de-sao-paulo-instituto-de-psicologia-
alessandra-giacomet.html. Acesso em: 20 out. 2021. 
 
A pesquisadora Karin Strobel em sua publicação “As imagens do outro sobre a 
cultura surda” (2008), antes de iniciar a discussão propriamente dita sobre a cultura 
surda, apresentou dois principais questionamentos que servem para refletirmos sobre 
essa temática: Existe uma cultura surda? Os surdos produzem cultura? 
Abrimos nossa Unidade de Estudos com esses questionamentos para 
compreendemos alguns artefatos que estão diretamente ligados à cultura surda, 
abordados por Strobel. 
Bom, antes porém, é necessário saber que o marco da definição de cultura surda 
é feito por Carol Padden, também uma acadêmica surda, no início dos anos 1980, como 
um: 
 
“[...] conjunto de comportamento aprendido de um grupo de pessoas que têm 
sua própria língua, valores, regras de comportamento e tradição, [...] membros 
da cultura surda se comportam como surdos, usam a língua dos surdos e 
compartilham as crenças das pessoas surdas em relação a si mesmas e outras 
pessoas que não são surdas.” (PADDEN, 1980, p. 92-93). 
 
 
Assim, até o final da década de 1980, os Estudos Surdos se baseavam 
principalmente na dicotomia entre cultura surda/mundo surdo e mundo/cultura ouvinte. 
Essa distinção foi reforçada por aqueles estudiosos – surdos principalmente – líderes no 
ensino da ASL, já que essas aulas começaram a aumentar significativamente nos EUA, 
visto que os ouvintes se matricularam em grande número para aprender o idioma. Por 
exemplo, Carol Padden e Tom Humphries publicaram o curso para a aprendizagem de 
ASL como segunda língua (L2), intitulado“Um curso básico da Língua de Sinais 
Americana" (HUMPHRIES; PADDEN; O'ROURKE, 1980, p.1), no qual a Língua de sinais 
foi vista como o idioma nativo e/ou principal dos surdos, incorporando seus valores e 
experiências. 
Assim, Pimenta (2001, p.24), ator surdo brasiliense, declara que ‘a surdez deve 
ser reconhecida como apenas mais um aspecto das infinitas possibilidades da 
diversidade humana, pois ser surdo não é melhor ou pior do que ser ouvinte, é apenas 
diferente’. Se consideramos que os surdos não são ‘ouvintes com defeito’, mas pessoas 
diferentes, estaremos aptos a entender que a diferença física entre pessoas surdas e 
pessoas ouvintes gera uma visão não-limitada, não determinística de uma pessoa ou de 
outra, mas uma visão diferente de mundo, um ‘jeito Ouvinte de ser’ e um ‘jeito Surdo de 
ser’, que nos permite falar em uma cultura da visão e outra da audição. 
Os questionamentos trazidos acima por Strobel (2008), ocorrem pelo fato das 
pessoas não conhecerem ou não saberem como é a cultura surda/mundo surdo, 
Magnani (2007) argumenta que “[...] experiência com surdos era como a da maioria das 
pessoas, a de alguma vez ter visto duas pessoas conversando por meio de sinais, sem 
prestar maior atenção – o olhar não treinado não vai além do que o senso comum 
registra.” 
 
Cultura surda é o jeito de o sujeito surdo entender o mundo e de modificá-lo, a fim 
de se torná-lo acessível e habitável ajustando-os com suas percepções visuais, que 
contribuem para a definição das identidades surdas e das “almas” das comunidades 
surdas. Isso significa que abrange a língua, as ideias, as crenças, os costumes e os 
hábitos do povo surdo. Sobre essas identidades, Perlin (2004) descreve que: 
 
 
“[...] As identidades surdas são construídas dentro das representações possíveis 
da cultura surda, elas moldam-se de acordo com a maior ou menor receptividade 
cultural assumida pelo sujeito. E dentro dessa receptividade cultural, também 
surge aquela luta política ou consciência oposicional pela qual o indivíduo 
representa a si mesmo, se defende da homogeneização, dos aspectos que o 
tornam corpo menos habitável, da sensação de invalidez, de inclusão entre os 
deficientes, de menos valia social.” (PERLIN, 2004, p.77-78) 
 
É essencial entendermos que a cultura surda é a identidade do povo surdo, povo 
esse que tem uma comunidade, que compartilham em comum as normas, os valores e 
os comportamentos. 
Perlin (1998) em seus estudos sobre a questão identitária do surdo, diz que 
identificar essa identidade dependerá de como esse sujeito se assume dentro da 
sociedade, ela apresenta como pode ser definida essas identidades: 
● Identidade flutuante: na qual o surdo se espelha na representação hegemônica 
do ouvinte, vivendo e se manifestando de acordo com o mundo ouvinte; 
● Identidade inconformada: na qual o surdo não consegue captar a representação 
da identidade ouvinte, hegemônica, e se sente numa identidade subalterna; 
● Identidade de transição: na qual o contato dos surdos com a comunidade surda 
é tardio, o que os faz passar da comunidade visual-oral (na maioria das vezes 
truncada) para a comunicação visual sinalizada – o surdo passa por um conflito 
cultural; 
● Identidade híbrida: reconhecida nos surdos que nasceram ouvintes e se 
ensurdeceram e terão presentes as duas línguas numa dependência dos sinais e 
do pensamento na língua oral; 
● Identidade surda: na qual o ser surdo é estar no mundo visual e desenvolver sua 
experiência na língua de sinais. Os surdos que assumem a identidade surda são 
representados por discursos que os veem capazes como sujeitos culturais, uma 
formação de identidade que só ocorre entre os espaços culturais surdos. 
Mas, existe uma cultura surda? Sim, se compreendermos que a cultura não está 
apenas relacionada às etnias, ou nacionalidades, quase sempre vinculadas a 
concepções biológicas (raciais) ou geográficas (de localização no espaço), mas como 
elementos materiais e simbólicos que não apenas expressam, mas, sobretudo, 
constituem os vínculos identitários que definem a organização de grupos sociais. 
 
Os surdos, por exemplo, não possuem nenhuma marca “física” racial que os 
identifique e, tampouco, habitam um mesmo território geográfico. No entanto, é inegável 
nossa percepção de que os surdos compartilham experiências pautadas em referências 
diferenciadas dos não surdos, que os identificam como parte de uma cultura minoritária, 
cujo maior símbolo identitário é a língua de sinais. Ainda que a comunicação visual seja 
a principal marca linguística que aproxima os membros dessa comunidade, existem 
outros traços que se somam a essa experiência, dependentes das relações que os 
surdos vivenciam em meio a outras referências culturais religiosas, étnico-raciais, 
econômicas e assim por diante. 
Sobre os artefatos culturais que a pesquisadora Karin Strobel (2008), surda da 
Universidade Federal de Santa Catarina menciona em sua publicação, trago uma síntese 
de cada um deles: 
● Artefato cultural: linguístico – a língua de sinais é uma das principais marcas 
da identidade de um povo surdo, por ser uma forma de comunicação que capta 
as experiências visuais dos sujeitos surdos e possibilita a apropriação e 
transmissão do conhecimento universal. Decorrente de sua modalidade visual-
espacial, a língua de sinais possui um sistema de escrita de base ideográfica, 
denominado SignWriting (SW), contribuindo para superar o mito de seu caráter 
ágrafo; 
● Artefato cultural: familiar – a experiência de mais de 90% dos surdos 
pertencerem a famílias ouvintes criarem uma forma de integração típica, marcada 
pela carência de diálogo e entendimento da questão da cultura surda e da língua 
de sinais. Em contrapartida, famílias surdas apresentam modos interativos muito 
singulares em relação à questão da surdez de seus filhos. Na comunidade surda 
é comum o casamento entre surdos e o debate sobre a identidade cultural dos 
filhos de pais surdos, fazendo com que muitos casais almejem ter filhos surdos, 
como decorrência natural da vida comunitária; 
● Artefato cultural: literatura surda – a literatura surda traduz a memória das 
vivências através das várias gerações dos povos surdos e se materializa em 
diferentes gêneros: poesia, história de surdos, piadas, literatura infantil, clássicos, 
fábulas, contos, romances, lendas e outras manifestações culturais. Essa 
 
produção é transmitida de geração em geração pela língua de sinais, a maioria 
delas parte de experiências das comunidades surdas que transmitem seus valores 
e orgulho da cultura surda que reforça os vínculos que une as gerações surdas 
mais jovens. A literatura surda faz referência às ações de grandes líderes e 
militantes surdos e a valorização de suas identidades na luta contra a opressão 
de uma sociedade majoritariamente ouvinte; 
● Artefato cultural: vida social esportiva – a vida social esportiva do povo surdo 
é marcada por acontecimentos culturais, como casamentos entre os surdos, 
festas, lazeres e atividades nas associações de surdos, eventos esportivos e 
outros. As associações de surdos funcionaram, historicamente, como espaços de 
recreação e lazer e, mais recentemente, como espaço de organização de suas 
lutas políticas. A Confederação Brasileira de Desportos de Surdos (CBDS), o 
Comitê Internacional de Esportes dos Surdos (CISS), o Pan Americano de 
Deportes de Surdos (Panamdes), a Confederação Sudamericana Deportiva de 
Surdos (Consudes), são entidades que buscam a difusão das atividades culturais 
e esportivas dos surdos; 
● Artefato cultural: artes visuais – as artes visuais são um meio para criações 
artísticas que sintetizam emoções, histórias, subjetividades e cultura do povo 
surdo. O artista surdo cria a arte para explorar novas formas de “olhar” e 
interpretar a cultura surda, além da denúncia de cenas de opressões ouvintistas; 
● Artefato cultural: política – outro artefato cultural influentedas comunidades 
surdas são as lutas políticas organizadas pelos movimentos e lutas em favor de 
seus direitos. Os movimentos surdos são organizados politicamente no mundo 
todo, como, por exemplo, a Federação Nacional de Educação e Integração dos 
Surdos (Feneis), a principal entidade representativa no Brasil, filiada à Federation 
of The Deaf (WFD), com sede na Finlândia; 
● Artefato cultural: materiais – o TDD (Telephone Device for the Deaf) um pouco 
maior que um telefone convencional, na parte de cima existe um encaixe de fone 
e, embaixo, um visor onde aparece escrito o que foi digitado e, mais embaixo, as 
teclas para digitar; instrumentos luminosos como a campainha em casas e escolas 
 
de surdos; despertadores com vibradores; legendas closed caption; babá-
sinalizadores, são exemplos de artefatos materiais da comunidade surda. 
 
SAIBA MAIS 
 
Para finalizarmos este tópico sobre a criança surda e a construção da sua 
identidade, convido-lhe a assistir o documentário “Sou surdo e não sabia.” 
Esse documentário conta a história de Sandrine, uma menina surda de nascença 
que é filha de pais ouvintes. Ao frequentar a escola, a menina começa a questionar como 
os demais colegas compreendem o que a professora estava ensinando. A partir disso 
vamos compreender junto com Sandrine, como uma criança surda descobre que as 
crianças de sua sala se comunicam através de sons, e que esses sons são produzidos 
pelo movimento dos lábios através das palavras. 
Esse documentário olha para a questão a partir de dentro, pela perspectiva de 
Sandrine e sua história verídica. Paralelamente ao relato da autonomia conquistada com 
a Língua de Sinais, o filme levanta a discussão sobre a conveniência do implante coclear 
e da oralização de crianças surdas. 
Depois de assistir a esse filme, podemos fazer uma relação entre ele, seu título e 
o texto que estudamos a respeito da identidade surda. Já sabemos que é muito 
importante refletir sobre as crianças surdas nos espaços educacionais onde devem 
construir a sua identidade. Vamos assistir a esse filme inédito!! 
 
Filme: “Sou Surdo e Não Sabia” https://www.youtube.com/watch?v=Vw364_Oi4xc 
 
 
Fonte: UNIASSELVI. A Experiência visual: educação infantil e ensino fundamental. Caderno de Estudos, 
capítulo 3, Indaial-SC, 2012. 
 
#SAIBA MAIS# 
 
 
 
 
 
 
2 LITERATURA VISUAL 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/preschool-teacher-reading-story-children-
kindergarten-1203485464 Acesso em: 20 out. 2021. 
 
A maioria de nós quando indagados sobre o que é literatura, trazemos à memória 
algo que é escrito ou oral, histórias que nossos pais, avós, tios ou tias nos contavam, 
quando éramos crianças e que ficaram guardados na nossa memória. Ouvir histórias 
pelo prazer de conhecer histórias, imaginar cenários e personagens, acompanhar as 
aventuras dos heróis ao fugir de bruxas, ao esconder-se de madrastas más, encontrar 
príncipes, acordar princesas, vencer dragões, enfim esperar e torcer pelo final feliz, tudo 
isso criava em nós as expectativas de mergulhar nesse mundo de fantasias e 
imaginações, causando em nós uma atitude leitora, mesmo sem, nem ao menos ter o 
contato com o significado das palavras grafadas nos mais diversos livros de histórias 
infantis. 
A literatura infantil, portanto, tem a criança como principal representante, pois a 
representa sempre em busca de uma explicação que, mesmo quando mais lógica, é 
 
ainda mágica. Por isso, o gosto pelo mundo sobrenatural com fadas, ogros e bruxas 
serve para ‘dar asas à imaginação’. 
 
Essas são as maravilhas sem precedentes da leitura: o poder dos livros em criar 
mundos e a fácil absorção do leitor, a qual permite que o frágil mundo do livro, 
todo ar e pensamento mantenha-se por um instante, uma casa de bambu e papel 
entre terremotos; dentro dele os leitores adquirem paz, tornam-se mais 
poderosos, sentem-se mais bravos e mais sábios pelos caminhos do mundo. 
(NELL, 2001, p. 53). 
 
Pensar que a literatura escrita vem de aproximadamente 5000 anos atrás, 
registrada em tábuas de argila com escrita cuneiforme na antiga Babilônia, com a 
epopeia de Gilgamesh. Registros literários da Grécia e da Roma Antigas têm sido 
preservados de forma que até os dias de hoje podemos realizar sua leitura – seja no 
idioma original, seja em suas traduções. Nós também podemos pensar nos clássicos da 
literatura ao redor do mundo, como “Fausto”, de Goethe, “Anna Karenina”, de Tolstoy, 
ou as peças e poesias de William Shakespeare. Na língua portuguesa, talvez nos 
recordemos das obras de Camões no caso da Europa, enquanto no Brasil podemos 
considerar grandes clássicos como “Grande Sertão Veredas”, de João Guimarães Rosa, 
ou as obras de Jorge Amado. Também podemos pensar na literatura infantil, como “O 
Menino Maluquinho”, de Ziraldo. Todos esses são livros impressos, mas se pensarmos 
na literatura oral, temos a Literatura de Cordel que parece ter sido disseminada pelo 
Brasil por meio da reprodução impressa, porém a tradição da declamação e do canto 
persiste até os dias de hoje. 
Acadêmico(a), não é surpreendente, então, pensarmos que a Libras, uma língua 
que visual-gestual, também deve possuir uma literatura? 
Neste tópico queremos apresentar a você, acadêmico(a) quatro tipos de 
literaturas destacados por Rachel Sutton-Spence (2021), para cada literatura ela 
apresenta critérios nas suas produções, mas ressalta que essas produções não precisam 
contemplar simultaneamente esses quatro tipos de literaturas com seus critérios. 
 
1. Literatura feita por surdos: pode ser criada e apresentada por surdos ou 
elaborada originalmente por não surdos, mas adaptada e apresentada por pessoas 
surdas. A narrativa Golf Ball, por Stefan Goldschmidt, é um exemplo desse tipo de 
 
literatura, pois é feita por um ator surdo e destinada (principalmente) aos surdos, porém 
não fala da experiência surda e não usa Libras, porque usa a técnica Vernáculo Visual 
(é a técnica de contar histórias de uma forma muito visual sem utilizar o vocabulário de 
sinais). 
 
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=Gl3vqLeOyEE 
 
2. Literatura que atingir um público surdo: os ouvintes também podem apreciar 
essa literatura, por exemplo os pais de crianças surdas ou professores que trabalham 
com alunos surdos, semelhante à literatura infantojuvenil, que espera ter como leitores 
crianças e jovens, sabendo, porém, que os adultos podem ser os seus leitores também. 
A maior parte da literatura surda em que o destinatário imaginado é o público surdo é 
criada por surdos, mas não é preciso ser assim. Autores ouvintes, ou autores surdos e 
ouvintes em parceria, também criam literatura surda destinada aos surdos e que trata da 
experiência ou do conhecimento dos surdos. Podemos ver um exemplo na narrativa O 
Negrinho do Pastoreio, de Roger Prestes, foi apresentada em Libras por um autor 
surdo e é destinada principalmente ao público surdo, mas tem origem não surda e não 
fala da experiência dos surdos. 
 
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=ZZnxEAVkMaU 
 
 
3. Literatura com assuntos que tratam da experiência de ser surdo: existem 
muitos exemplos de literatura surda com a temática do “sujeito surdo”. Um autor surdo 
pode escrever sobre a experiência surda para atingir um público ouvinte. Por outro lado, 
alguns livros infantis têm autores ouvintes, mas desde que fale de uma pessoa surda e 
esteja destinado ao público surdo, digamos que é um tipo de literatura surda. Como 
exemplo podemos citar o Livro A Verdadeira Beleza, de Vanessa Lima Vidal, foi escrito por 
uma autora surda e fala da experiência de uma pessoa surda. Não está apresentado em Libras, 
mas em português, e o público esperado é tanto de ouvintes quanto de surdos. 
 
Fonte: https://www.libras.com.br/surdos-famosos-vanessa-lima-vidal 
 
4. Literatura surda produzida em Libras: pessoas surdas, convivendo com 
ouvintes, em seu ambiente de trabalho oucom a família, se apropriam de meios visuais 
para entender o mundo e se relacionar com as pessoas ouvintes. Essa experiência 
visual, além do uso da língua de sinais, implica dividir a comunicação, o desejo de 
estarem juntos é a força da vida em comunidade e a força de sua língua, de sua diferença 
e isso também caracteriza a cultura surda. Alguns materiais existentes em Libras 
traduzem os textos clássicos da literatura brasileira para a Libras, ou seja, literatura 
adaptada de uma língua oral para uma língua sinalizada. A editora “Arara Azul” 
disponibiliza a coleção “Clássicos da Literatura em CD-R em Libras/Português, 
traduzidos por intérpretes de Libras como: Alice no País das Maravilhas de Lewis Carrol; 
As Aventuras de Pinóquio de Carlo Collodi; A História de Aladim e a Lâmpada 
Maravilhosa (autor desconhecido); Iracema de José de Alencar; O Velho da Horta de Gil 
Vicente; O Alienista; O Caso da Vara; A Missa do Galo; A Cartomante; O Relógio de 
Ouro, contos de Machado de Assis. Outro exemplo de literatura surda produzida em 
Libras é história A Rainha das Abelhas, contada por Mariá de Rezende Araújo, foi 
 
apresentada por uma tradutora ouvinte e tem origem não surda (por ser um conto de 
fadas dos irmãos Grimm), então não fala da experiência dos surdos. Porém, está contada 
em Libras e é destinada ao público surdo. 
 
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=nXI4aO2_G3E 
 
A partir do ano 2000 a Literatura surda produzida em Libras, passou a contar com 
a análise de livros infantis impressos contendo personagens surdos como: 
 
Figura 1 - Literatura Surda 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
✔ Rapunzel Surda: é um livro de literatura infantil do Brasil escrito em língua de 
sinais. O livro Rapunzel Surda é uma versão do tradicional conto que insere 
elementos da cultura e identidade surda. Essa releitura inédita da história é 
acompanhada da escrita dos sinais (SW), ilustrações e uma versão em português. 
Voltada para o público surdo infantil, a obra é o resultado da pesquisa 
desenvolvida por Lodenir Becker Karnopp, Caroline Hessel e Fabiano Rosa. 
 
✔ Patinho Surdo: conta o nascimento de uma ave pertencente a outra 
espécie em um ninho de cisnes ouvintes e a dificuldade em estabelecer-se uma 
comunicação entre eles são contados em ‘Patinho surdo’. No livro, o protagonista 
reencontra a sua família e aprende a linguagem de sinais usada pelos bichinhos 
da lagoa. 
✔ Tibi e Joca: este livro pode ser facilmente compreendido por crianças 
surdas e ouvintes. Esta é a história de Joca, um menino especial, e seu amigo 
Tibi. Joca é surdo. Juntos, eles fazem uma descoberta que mudará as vidas de 
Joca e sua família. Uma descoberta que pode ser importante para você também. 
✔ Adão e Eva: os autores contam a origem da língua de sinais através da 
criação do casal feita por Deus. Na história, os dois ficam sem roupa após 
comerem a maçã e veem-se obrigados a usar a fala, já que as mãos estão 
ocupadas em esconder a nudez dos corpos. A versão dessa história é recorrente 
de encontro entre os autores e a comunidade de surdos, no qual são contados e 
recontados vários clássicos da literatura. 
✔ Cinderela Surda: a estrutura da narrativa é a mesma do conto tradicional, 
apenas com a inserção de elementos significativos na comunidade surda. 
Cinderela é uma jovem surda que convive com a madrasta e as irmãs. Que 
desconhecem a língua de sinais e se comunicam por poucos gestos, por isso, 
sente-se sozinha e abandonada. O conto destaca elementos importantes da 
cultura surda, como sua história, sua língua e a valorização desses aspectos, ao 
final do livro, invertendo a lógica de opressão em relação às diferenças culturais 
relativas aos surdos. Tal como no conto tradicional, Cinderela surda conquista a 
felicidade depois de superar muitas dificuldades difíceis obstáculos relativos à 
discriminação e enfrentar duras tribulações. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 LITERATURA VISUAL SURDA, LIBRAS E O ENSINO 
 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/beautiful-cute-caucasian-baby-girl-2-2009420486 
Acesso em: 20 out. 2021. 
 
A literatura desempenha um importante papel no desenvolvimento de todas as 
crianças. Andrews e Baker (2019, p. 7) explicam que histórias e outras formas de jogos 
de linguagem em língua de sinais são importantes para aspectos como: 
 
“[...] desenvolvimento motor, comunicação, habilidades socioemocionais, 
conhecimento do mundo, cognição, linguagem e alfabetização.” O ensino de 
literatura infantil deve incluir histórias e jogos que “[...] manipulam a estrutura 
abstrata, sublexical ou fonológica dos sinais para fornecer às crianças 
experiências de linguagem lúdicas.” (ANDREWS; BAKER, 2019, p. 5). 
 
Essa literatura surge simultaneamente para instruir, divertir e educar, trazendo a 
criança ao mundo com o qual ela se identifica e no qual ela se sente livre para formar 
suas capacidades intelectuais, pessoais e sociais, visto que ela ainda está em um 
processo de formação de experiências reais. 
 
A literatura nada mais é do que uma fonte saudável de alimentação para a 
imaginação infantil. A palavra tem sua beleza própria, mas só reconhece quem sabe usá-
la: 
“(...) já aos dois anos e meio as crianças constroem monólogos nos quais inter-
relacionam a reflexão sobre sua experiência com a contemplação da linguagem, 
como um jogo de repetições e variações. Muito rapidamente estes monólogos e 
cadências se integram no quadro proporcionado pelas convenções culturais das 
narrativas, canções ou poemas (...) a inclusão de várias fórmulas de início e fim, 
o uso de imperfeito, a intenção de estabelecer relações causais entre os 
acontecimentos, etc., supõem indícios que mostram que as crianças 
aprenderam, que as histórias requerem o uso diferenciado da linguagem.” 
(COLOMER, 2003, p.90). 
 
As histórias infantis podem, assim, trabalhar na formação moral, social e literária 
da criança, acompanhando-a em seus momentos particulares e provendo, por intermédio 
da transposição do real, a melhor compreensão do mundo. 
Quando a criança surda é inserida no mundo da escrita, tornando-se parte em 
atividades em que a leitura é feita para que se conheça mais sobre um tema de interesse, 
quando ela mesma com esse texto internalizado sinaliza as histórias infantis lidas, 
despertando nelas o prazer em conhecer essas histórias, quando o professor prioriza 
esse envolvimento com a literatura, atribuindo sentido à leitura, torna-se uma 
possibilidade de tornar possível a formação de uma atitude positiva da criança surda em 
relação à escrita. Com isso, cria-se nessa criança uma atitude em relação à leitura que 
favorece sua aprendizagem e seu desenvolvimento. 
Nos tópicos anteriores vimos várias possibilidades de trabalharmos a literatura 
com as crianças surdas, porém o desafio está em formar nessa criança surda um motivo 
para a leitura de um texto escrito por ela ou para ela, e que esse traga à tona a sua 
cultura, sua comunidade e sua identidade, ou seja, temos que despertar na criança surda 
uma atitude de leitura, motivada pela compreensão da informação e do sentimento 
expresso no texto. 
Na formação das crianças ouvintes frente ao sentido para a leitura e da escrita 
adequada ao seu significado social, podemos observar duas situações distintas: uma em 
que a criança inicia o contato com a cultura escrita na escola; e outra em que a criança 
chega à escola, tendo já formado para si um sentido para a escrita alheio a sua função 
social, porém, tanto em um como em outro, a literatura infantil pode contribuir fortemente 
 
para formar nessas crianças uma atitude leitora e produtora de textos e aí, é claro que 
precisamos levar em consideração que essas crianças vêm de um ambiente familiar 
onde circulam com mais facilidades o contato com a leitura, a escrita e a comunicação 
em sua língua natural. 
Mas, e nas crianças surdas? Como podemosformar nelas essa atitude leitora e 
produtora de textos, como elas vão criar um sentido para a cultura escrita e tornar esse 
momento prazeroso, visto que a maioria está inserida em um espaço familiar e escolar 
onde não existe uma circulação e, muitas vezes, aceitação para essas produções 
literárias adaptadas ou mesmo com personagens que as representem, que sirvam de 
referência para a sua comunidade? 
Sabemos que as marcas históricas de uma proibição do uso da língua de sinais, 
perduram até hoje, as consequências desse longo período, resultaram num ensino que 
prioriza a aprendizagem da fala e da Língua Portuguesa, no reconhecimento de uma 
cultura surda e na produção de literatura surda, tardiamente. 
O registro da literatura surda começou a ser possível principalmente a partir do 
reconhecimento da Libras aprovada na Lei Federal nº10436/02 e regulamentada no 
Decreto Federal 5626/05, com o desenvolvimento tecnológico, que possibilitaram formas 
visuais de registro dos sinais. 
Nesse sentido, precisamos trazer a cultura surda e a Literatura Surda para as 
salas de aula bilíngues (STROBEL, 2008; MOURÃO, 2011) e também para as salas de 
aulas inclusivas, possibilitando que surdos e ouvintes conheçam esse tipo de literatura. 
Para fazer isso de maneira mais eficaz, precisamos pedir a opinião dos professores 
surdos na literatura (ROSA; KLEIN, 2011). A Pedagogia Visual é um elemento importante 
da educação (CAMPELLO, 2007) e a literatura mostra a Libras na sua forma mais criativa 
e visual. 
Lembramos também que, mesmo o ensino e a aprendizagem de Literatura Surda 
sendo fundamentais para as crianças surdas, também são importantes para os adultos 
surdos e os adultos ouvintes aprendizes da Libras como segunda língua – por exemplo, 
os pais de filhos surdos, professores bilíngues e outros profissionais que trabalham com 
surdos. Da mesma forma, os alunos ouvintes que têm colegas surdos na mesma sala de 
aula devem aprender Libras como segunda língua nas escolas para que haja uma real 
 
inclusão escolar naquele espaço. Nesse contexto, a Literatura Surda se mostra como 
uma maneira de ensinar a Libras por meio da ludicidade. 
Com certeza, o ensino de literatura em Libras tem um caráter de entretenimento 
e diversão, um dos principais motivos para que ela seja inserida nas aulas. Além disso, 
pode ser utilizada no ensino de diferentes áreas do conhecimento – nas aulas de História, 
Geografia, Ciências e até Matemática, as quais podem contar com histórias e jogos de 
linguagem. Para os alunos surdos, a literatura tem um papel de aculturação e auxílio na 
exploração e desenvolvimento da língua, analisando seus limites e dando ao 
autor/narrador uma oportunidade de mostrar suas habilidades linguísticas. 
Os professores precisam chamar a atenção dos alunos para a linguagem 
(SUTTON-SPENCE; RAMSEY, 2010). É importante que os alunos surdos entendam o 
objetivo de estudar a Literatura Surda (SCOTT, 2010). Idealmente, eles devem ver seus 
professores apresentando a literatura, mas se o professor não tiver as habilidades 
necessárias para a produção, eles podem assistir outras obras em vídeo e o professor 
pode enfatizar os elementos literários ali presentes. 
Mas como o aluno aprende a contar histórias? Primeiramente, pela observação 
enquanto o professor conta histórias ou as apresenta em vídeo; em seguida, no momento 
em que o aluno copia essa história do professor. Num ato coletivo, o professor pode 
incentivar a história de um aluno enquanto os outros assistem, apoiam e comentam, ou 
os alunos podem criar histórias coletivamente. Porém, nada disso deve acontecer sem 
que o professor ensine explicitamente quais são as técnicas de contação de história. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 DESENVOLVIMENTO DAS ETAPAS DO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA 
PARA SURDOS 
 
Figura - Muro da Escola Municipal Noêmia Ribeiro do Amaral em Paranavaí – PR 
 
Fonte: disponível em: https://www.folhadelondrina.com.br/cidades/giro-pelo-parana---libras-enfeitam-
muro-de-escola-de-paranavai-2956092e.html. Acesso em: 20 out. 2021. 
 
Focamos até agora na literatura visual, principalmente na Literatura em Libras, 
porém sabemos que o letramento em Libras adianta o desenvolvimento do letramento 
em português. Assim, o ensino da Literatura Surda em Libras pode apoiar o estudo da 
Literatura na Língua Portuguesa, ajudando os alunos a apreciar a literatura escrita e 
mantendo o “bi” em bilíngue. 
 O ensino da Língua Portuguesa para alunos surdos é um processo complexo 
tanto para o aluno quanto para o professor, um procedimento que deve ser regido por 
metodologias que valorizem e respeitem a experiência visual e linguística do surdo. 
Dessa forma, é necessário pensar em metodologias e concepções que assegurem aos 
alunos surdos bom desempenho na aprendizagem, assim como na avaliação. 
 
Muitos surdos não gostam de literatura escrita, seja porque é difícil de entender 
as referências linguísticas ou culturais, seja porque não conhecem as convenções da 
língua em questão (SUTTON-SPENCE, 2020; SPOONER, 2016). Nesse viés, as 
traduções de literatura escrita para formas literárias em Libras, pautadas nas normas 
surdas de literatura, auxiliam muito no estudo do texto original. Além disso, é sabido que 
discutir sobre a literatura escrita pela língua de sinais permite que os alunos 
compreendam melhor as ideias nela inseridas (LANG, 2007). 
O livro “Ensino de Língua Portuguesa para Surdos: caminhos para a prática 
pedagógica” volume II, publicado em 2007 pela autora Heloisa Maria Moreira Lima 
Salles, nos faz compreender a relação entre a leitura em português (L2) e Libras, 
segundo a autora, a leitura deve ser uma das principais preocupações no ensino de 
português como segunda língua para surdos, tendo em vista que constitui uma etapa 
fundamental para a aprendizagem da escrita. 
Nesse processo, o professor deve considerar, sempre que possível, a importância 
da língua de sinais como um instrumento no ensino do português. Recomenda-se que, 
ao conduzir o aprendiz à língua de ouvintes, deve-se situá-lo dentro do contexto, 
valendo-se da sua língua materna (L1), que, no caso em discussão, é a Libras. 
É nessa língua que deve ser dada uma visão apriorística do assunto, mesmo que 
geral. É por meio dela que se faz a leitura do mundo para depois se passar à leitura da 
palavra em Língua Portuguesa. A língua de sinais deverá ser sempre contemplada como 
língua por excelência de instrução em qualquer disciplina, especialmente na Língua 
Portuguesa, o que coloca o processo ensino e aprendizagem numa perspectiva bilíngue. 
Considerando que o aluno surdo tem a Libras como língua materna, na escola ele 
aprenderá uma Língua Adicional, no caso, a Língua Portuguesa na modalidade escrita. 
A língua adicional é construída a partir da língua que o aluno já conhece. O sistema 
linguístico envolvendo a semântica, o léxico e a sintaxe, é construído sobre a língua já 
conhecida, muitas vezes constituindo contrastes, como, por exemplo, na estrutura da 
língua. 
A autora Heloisa Salles (2007), ainda sugere uma série de procedimentos 
importantes nesse processo. 
 
Segundo Garcez (2001 p. 24), reconhecer e entender a organização sintática, o 
léxico, identificar o gênero e o tipo de texto, bem como perceber os implícitos, as ironias, 
as relações estabelecidas intra, inter e extratexto, é o que “torna a leitura produtiva”. No 
caso do surdo, alguns dos procedimentos são imprescindíveis, e o professor deve 
sempre estar atento para conduzir o seu aprendiz a cumprir etapas, que envolvem 
aspectos macroestruturais: gênero, tipologia, pragmática e semântica (textuais e 
discursivos) e microestruturais: gramaticais/lexicais, morfossintáticos e semânticos 
(lexicais e sentenciais). 
Aspectos macroestruturais: 
● Analisar e compreender todas as pistas que acompanhem o texto escrito: figuras, 
desenhos, pinturas, enfim, todas as ilustrações; 
● Identificar,sempre que possível, nome do autor, lugares, referência temporais e 
espaciais internas ao texto; 
● Situar o texto, sempre que possível, temporal e espacialmente; 
● Observar, relacionando com o texto, título e subtítulo; 
● Explorar exaustivamente a capa de um livro, inclusive as personagens, antes 
mesmo da leitura; 
● Elaborar, sempre que possível, uma sinopse antes da leitura do texto; 
● Reconhecer elementos paratextuais importantes tais como: parágrafos, negritos, 
sublinhados, travessões, legendas, maiúsculas e minúsculas, bem como outros 
que concorram para o entendimento do que está sendo lido; 
● Estabelecer correlações com outras leituras, outros conhecimentos que venham 
auxiliar na compreensão; 
● Construir paráfrases em Libras ou em português (caso já tenha um certo domínio); 
● Identificar o gênero textual; 
● Observar a importância social e discursiva, portanto pragmática, do gênero 
textual; 
● Identificar a tipologia textual; 
● Ativar e utilizar conhecimentos prévios; 
● Tomar notas de acordo com os objetivos. 
 
 
Aspectos microestruturais: 
● Reconhecer e substituir palavras-chave; 
● Tentar entender, se for o caso, cada parte do texto, correlacionando-as entre si: 
expressões, frases, períodos, parágrafos, versos, estrofes; 
● Identificar e sublinhar ou marcar na margem fragmentos significativos; 
● Relacionar, quando possível, esses fragmentos a outros; 
● Observar a importância do uso do dicionário; 
● Decidir se deve consultar o dicionário imediatamente ou tentar entender o 
significado de certas palavras e expressões observando o contexto, 
estabelecendo relações com outras palavras, expressões ou construções 
maiores; 
● Substituir itens lexicais complexos por outros familiares; 
● Observar a lógica das relações lexicais, morfológicas e sintáticas; 
● Detectar erros no processo de decodificação e interpretação; 
● Recuperar a ideia geral de forma resumida. 
 
Em suma, segundo a autora, é importante ressaltar que, para cada texto, existe 
um conjunto de procedimentos adequados à compreensão, e, portanto, é impraticável a 
aplicação de todos os procedimentos listados à leitura de um único texto. 
No cenário da educação de alunos surdos, frequentemente nos deparamos com 
professores afirmando que alunos surdos não usam adequadamente a Língua 
Portuguesa escrita. A limitação auditiva, certamente, é apontada como a responsável por 
essa inaptidão quanto a essa modalidade da língua, transferindo a responsabilidade da 
não aprendizagem para o aluno surdo. O processo de aprendizagem envolve 
professores, alunos e práticas utilizadas para o ensino de Língua Portuguesa, 
necessitando, portanto, de reflexão. 
Em relação à aprendizagem de Língua Portuguesa, o aluno ouvinte tem uma 
vantagem notória sobre o aluno surdo, pois apreende a língua e suas facetas no convívio 
diário, o que favorece sua compreensão e sua formulação de hipóteses, durante o 
processo de construção do conhecimento linguístico. O sujeito surdo, por sua vez, não 
aprende a Língua Portuguesa de forma natural, uma vez que ela é um registro escrito de 
 
uma língua oral-auditiva, e a surdez impede que sua aprendizagem aconteça de forma 
completa, já que não possui acesso ao input necessário a essa aquisição. 
Segundo a teoria sociointeracionista, o desenvolvimento cognitivo se dá através 
da interação em situações sociais concretas, e é facilitado quando o aprendiz recebe 
suporte de um interlocutor mais experiente, seja professor ou colega de aula. No caso 
do aluno surdo, é necessário um mediador que possa orientá-lo durante a interação, 
permitindo a ele relacionar os conhecimentos linguísticos da Libras e os conhecimentos 
linguísticos da Língua Portuguesa escrita, sendo esse o princípio para pensar ou 
repensar metodologias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 PRODUÇÃO DIDÁTICA PARA O APRENDIZADO DE LIBRAS COMO SEGUNDA 
LÍNGUA NA FORMAÇÃO DOS ACADÊMICOS 
 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/young-couple-making-hearts-paper-valentine-
1017701308 Acesso em: 20 out. 2021. 
 
O compartilhamento dos materiais expostos, a partir de agora, foram pensados, 
elaborados e produzidos pelos acadêmicos ouvintes dos cursos de Pedagogia, Letras, 
Ciências Biológicas, História, Geografia, Matemática, Serviço Social, Educação Física e 
Enfermagem da Universidade Estadual do Paraná, campus Paranavaí durante os anos 
de 2015 e 2016 sob a orientação da professora autora dessa Unidade de Estudos em 
conjunto com o professor surdo Murilo Sbrissia Pitarch Forcadell. Em todas as produções 
foi ressaltada a importância do professor surdo avaliar e contribuir no sentido de que 
esses materiais fossem preparados e adaptados para atender especificamente aos 
alunos surdos. A visão e as orientações de um educador, também surdo, e com ampla 
experiência na área educacional dos surdos, fez com que o trabalho acadêmico fosse 
além de simplesmente construir um material para receber uma nota bimestral; mas, 
passou a ser elaborado e produzido pelos acadêmicos, valorizando a diferença que 
 
esses materiais poderiam fazer na vida educacional dos alunos surdos e na ação 
docente dos professores, enquanto educadores de alunos surdos. 
Toda produção deste material pode ser encontrada na Dissertação de Mestrado 
da professora Elizete Pinto Cruz Sbrissia Pitarch Forcadell (2017). 
 
● Literatura Surda: produção de histórias infantis com personagens surdos 
 
Por meio da produção dessa literatura os acadêmicos ouvintes puderam 
conhecer, produzir e interagir com obras criadas ou adaptadas para o público surdo, uma 
vez que a elaboração e a produção dessas literaturas traziam como personagens 
principais da história, surdos que se comunicavam com outros personagens utilizando-
se da língua de sinais. Nessa perspectiva, apresentamos, a seguir, uma mostra das 
literaturas de histórias infantis com personagens surdos, produzidas pelos acadêmicos 
ouvintes da Universidade em parceria com surdos de diferentes ambientes sociais e 
educacionais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2 - Produção Acadêmica de Literaturas com Personagens Surdos 
 
 
Fonte: Forcadell, Elizete (2017). Dissertação de Mestrado 
 
● Lúdico em Libras: produção de jogos e brincadeiras para educação de 
surdos e ouvintes em Língua de Sinais 
 
Apresenta-se como um material para surdos e ouvintes, o professor, mesmo não 
tendo amplo conhecimento da Língua de Sinais, poderá introduzir no ambiente 
educacional os primeiros contatos com a língua, em sala de aula regular, priorizando a 
prática lúdica da aprendizagem da Libras. Ao trabalhar como docente da disciplina de 
Libras na Universidade, pudemos perceber que, na medida em que os conteúdos 
teóricos ensinados aos acadêmicos eram expostos, havia a necessidade de transformar 
essa teoria em prática para que eles pudessem, por meio da atividade lúdica, 
compreender esses conteúdos. 
 
 
 
 
 
Figura 3 - Produção Acadêmica de Jogos Adaptados para Surdos 
 
 
Fonte: Forcadell, Elizete (2017). Dissertação de Mestrado 
 
● Literatura em Libras: produção de histórias infantis adaptadas para a Língua 
Brasileira de Sinais 
 
Atualmente, já existem várias literaturas clássicas infantis traduzidas da Língua 
Portuguesa para a Língua Brasileira de Sinais. Essas adaptações literárias estão sendo 
utilizadas pelas escolas bilíngues para surdos, mas, também, têm sido usadas, inclusive, 
por escolas regulares inclusivas para surdos. A representação desse tipo de literatura 
tem permitido que alunos ouvintes se interessem e aprendam a língua de sinais e acima 
de tudo, reconheçam, valorizem e respeitem a comunidade surda ou o povo surdo. A 
produção que ora apresentamos foi feita em equipes, e cada equipe escolheu uma 
história infantil já existente em Língua Portuguesa para adaptá-la para a Língua Brasileira 
de Sinais. Além disso, a escolha também sedeu pelo fato de que, os trabalhos realizados 
demonstraram muito envolvimento com a atividade proposta. Um exemplo claro desse 
fato é que eles reconheceram a importância da literatura, que propicia sentimentos, 
emoção e reflexão, considerando o valor da cultura surda. Os produtores dessas 
literaturas, não são Tradutores/Intérpretes de Libras, não são professores da língua de 
sinais, também não são fluentes em língua de sinais, muitos nunca tiveram contato com 
 
surdos ou com a Libras em seu dia a dia, são apenas acadêmicos aprendizes da língua 
de sinais. 
 
Figura 4 - Produção Acadêmica de Literatura Adaptada para Surdos 
 
Fonte: Forcadell, Elizete (2017). Dissertação de Mestrado 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SAIBA MAIS 
 
 
 A pesquisadora surda Karin Strobel procura desconstruir o conceito de várias 
culturas surdas em que ela diz: “A cultura surda, ao analisarmos a sua história, vê-se 
que ela foi marcada por muitos estereótipos, seja através da imposição da cultura 
dominante, ou das representações sociais que narram o povo surdo como seres 
deficientes. 
 Existem muitos autores que escrevem bonitos livros sobre oralismo, bilingüismo, 
comunicação total, ou sobre os sujeitos surdos... Mas eles realmente conhecem-nos? 
Sabem sobre a cultura surda? Eles sentiram na própria pele como é ser surdo? 
 Essa é uma reflexão importante a ser feita atualmente, porque essas 
metodologias citadas não foram criadas pelo povo surdo e sim pelos ouvintes, não digo 
que seja errado, o que quero dizer é que essas metodologias não seguem a cultura 
surda... o que o povo surdo almeja realmente é a pedagogia surda. Para a comunidade 
ouvinte que está mais próxima de povo surdo - os parentes, amigos, intérpretes, 
professores de surdos – para os mesmos, reconhecer a existência da cultura surda não 
é fácil, porque no seu pensamento habitual acolhem o conceito unitário da cultura e, ao 
aceitarem a cultura surda, eles têm de mudar as suas visões usuais para reconhecerem 
a existência de várias culturas, de compreenderem os diferentes espaços culturais 
obtidos pelos povos diferentes. Mas não se trata somente de reconhecerem a diferença 
cultural do povo surdo, e sim, além disso, de perceberem a cultura surda através do 
reconhecimento de suas diferentes identidades, suas histórias, suas subjetividades, suas 
línguas, valorização de suas formas de viver e de se relacionar. 
 Acadêmico(a), essa foi uma parte da entrevista concedida pela pesquisadora em 
2 de março de 2008 ao blog Vendo Vozes, que você pode saber mais através deste link: 
http://www.blogvendovozes.com/search/label/Karin%20Strobel 
 
Fonte: Strobel (2008). Disponível em: http://www.blogvendovozes.com/search/label/Karin%20Strobel 
Acesso em: 27 de out. 2021. 
 
 
#SAIBA MAIS# 
 
REFLITA 
 
VOCÊ PRECISA SER SURDO PARA ENTENDER 
Como é "ouvir" uma mão? 
Você precisa ser surdo para entender! 
O que é ser uma pequena criança 
na escola, numa sala sem som 
com um professor que fala, fala e fala 
e, então 
quando ele vem perto de você 
ele espera que você saiba o que ele disse? 
 
Você precisa ser surdo para entender! 
Ou o professor que pensa 
que para torná-lo inteligente 
você deve, primeiro, aprender 
como falar com sua voz 
assim 
colocando as mãos no seu rosto 
por horas e horas 
sem paciência ou fim 
até sair algo indistinto 
assemelhado ao som? 
 
Você precisa ser surdo para entender! 
Como é ser curioso 
na ânsia por conhecimento próprio 
com um desejo interno 
que está em chamas 
e você pede a um irmão, irmã e amigo 
que respondendo lhe diz: 
"Não importa"? 
 
 
Você precisa ser surdo para entender! 
Como é estar de castigo num canto 
embora não tenha feio 
realmente nada de errado 
a não ser tentar fazer uso das mãos 
para comunicar a um colega silencioso 
um pensamento que vem, de repente, a sua mente? 
 
Você precisa ser surdo para entender! 
Como é ter alguém a gritar 
pensando que irá ajudá-lo a ouvir 
ou não entender as palavras 
de um amigo que está tentando 
tornar a piada mais clara 
e você não pega o fio da meada 
porque ele falhou? 
 
Você precisa ser surdo para entender! 
Como é quando riem na sua face 
quando você tenta repetir o que foi dito 
somente para estar seguro que você entendeu 
você descobre que as palavras foram mal entendidas? 
E você quer gritar alto: 
"Por favor, me ajude, amigo! 
 
Você precisa ser surdo para entender! 
Como é ter que depender de alguém 
que pode ouvir 
para telefonar a um amigo 
ou marcar um encontro de negócios 
 
e ser forçado a repetir o que é pessoal 
e, então, descobrir que seu recado 
não foi bem transmitido? 
 
Você precisa ser surdo para entender! 
Como é ser surdo e sozinho 
em companhia dos que podem ouvir 
e você somente tenta adivinhar 
pois não há ninguém lá com uma mão ajudadora 
enquanto você tenta acompanhar 
as palavras e a música? 
 
Você precisa ser surdo para entender! 
Como é estar na estrada da vida 
encontrar com um estranho que abre a sua boca 
e fala alto uma frase a passos rápidos 
e você não pode entendê-lo e olhar seu rosto 
porque é difícil 
e você não o acompanha? 
 
Você precisa ser surdo para entender! 
Como é compreender alguns dados ligeiros 
que descrevem a cena 
e fazem você sorrir 
e sentir-se sereno com 
a "palavra falada' de mão em movimento 
que torna você parte deste mundo tão amplo? 
 
Autores:Willerd e Madsen 
 
#REFLITA# 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Nesta Unidade foram enfocados três principais assuntos: a Cultura Surda, 
abordando as identidades dos surdos e os artefatos culturais desse povo; a Literatura 
Surda em Libras, que cria uma experiência prazerosa e visual no público surdo e a 
importância de ensinar essa literatura nas escolas para alunos surdos e ouvintes. É 
preciso não esquecer que a língua de sinais brasileira é o produto da própria cultura 
Surda que de modo subjetivo e objetivo criou a própria identidade, devido à “experiência 
visual” que constitui todo o seu ser como sujeito, apesar de as identidades serem 
fragmentadas, produzindo várias identidades. E, com o efeito do multiculturalismo e as 
transformações às quais os Surdos foram submetidos pelos colonizadores, criaram uma 
resistência, no pós-modernismo, transformando-se em sujeito atuante e participativo 
dentro da sociedade não-surda. 
Vimos que o letramento dos alunos surdos vai além dos livros, por isso qualquer 
professor – seja ele surdo ou ouvinte, com o dom de contar histórias ou não – pode 
mostrar aos seus alunos surdos a riqueza da Literatura Surda em Libras. Juntos, os 
professores e alunos podem assistir à literatura, explorar e conhecer a riqueza da 
linguagem estética, estimulando ainda mais a produção artística e criativa da Libras. 
A “experiência visual” também é um “espaço de produção” (QUADROS, 2007), 
igualmente na teoria cultural e de Estudos Surdos, que provêm da constituição dos 
Surdos apresentando seus diversos artefatos, como: língua de sinais, história cultural, 
identidade, pedagogia, literatura, artes, trabalho, tecnologia, teatro, pintura, e outros. E 
destes cria-se um pertencimento cultural que, por meio da visualidade, se apropria, se 
medeia e transmite a cultura, proporcionando vários significados capazes de promover 
a sociabilidade e a identidade através da visualidade e da “experiência visual” como 
protagonistas dos processos culturais da comunidade Surda. A língua de sinais é um dos 
artefatos de comunicação e de instrução. 
 
 
 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
Recomendo a leitura do artigo “Existe uma cultura surda?” de Nídia Limeira de 
Sá, mãe de surda, psicóloga, mestre e doutora em Educação, professora da Faculdade 
de Educação da Universidade Federal da Bahia, coordenadora do Espaço Universitário 
de Estudos Surdos. A autora expõe argumentos em favor de os surdos apresentarem 
processos culturais específicos, em oposição a serem tratadosapenas como um grupo 
de deficientes ou incapacitados. Você pode encontrar esse artigo acessando o link: 
www.feneis.org.br/arquivos/identidade_surdas.pdf 
 
 
LIVRO 
 
Título: As imagens do outro sobre a cultura surda 
Autor: Karin Strobel 
Editora: UFSC - Florianópolis (2008) 
Sinopse: O livro narra a experiência visual dos surdos e os diferentes artefatos culturais 
que corroboram a existência de uma cultura surda, buscando inverter a lógica da visão 
patológica que vê os surdos apenas como um grupo de deficientes para a compreensão 
deles como um povo que, organizados em comunidades, produzem uma cultura própria. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LIVRO 
 
 
Título: Literatura em Libras 
Autor: Rachel Sutton-Spence 
Editora: Arara Azul - Petrópolis - RJ (2021) 
Sinopse: “Literatura em Libras”, celebra a riqueza, a criatividade e a genialidade da 
Libras. Apresenta alguns conceitos fundamentais da literatura em Libras, detalhando a 
produção de narrativas, os elementos da linguagem estética de Libras e a inter-relação 
entre a sociedade e esta literatura. Tenta entender melhor como ela é enquanto é 
possível conhecer as obras literárias de Libras, analisar os exemplos e comentar sobre 
eles. No livro há uma sequência de obras literárias que é possível assistir, ler/ver, além 
de atividades que ajudam na compreensão do leitor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
LIVRO 
 
 
Título: Ensino de Língua Portuguesa para Surdos: caminhos para a prática pedagógica 
Autor: Heloisa Maria Moreira Lima Salles 
Editora: MEC, SEESP - Brasília (2007) 
Sinopse: Os livros têm como objetivo, apoiar e incentivar a formação profissional de 
professores proporcionando acesso a materiais que tratam do ensino da Língua 
Portuguesa a alunos surdos usuários de Libras.
 
 
FILME/VÍDEO 
 
Na internet, vemos uma quantidade significativa de traduções em Libras de livros 
escritos por autores ouvintes, originalmente em português. Essas traduções não têm um 
conteúdo surdo, porém esses livros traduzidos oferecem uma boa oportunidade para que 
alunos surdos leiam e compreendam as mesmas histórias que seus colegas ouvintes. A 
coleção “Mãos Aventureiras”, de Carolina Hessel Silveira, disponível no link: 
https://www.ufrgs.br/maosaventureiras/ é uma das plataformas com muitos recursos, 
traduzidos por artistas surdos brasileiros que trago como sugestão. Mesmo não sendo 
histórias que envolvem personagens surdos, as traduções permitem que pelo menos os 
elementos estéticos da Libras entrem na sala de aula. Nas boas traduções, as crianças 
surdas vão identificar exemplos da utilização criativa e imaginativa da Libras, sentindo 
orgulho de sua língua visual. 
 
 
Título: Mãos Aventureiras 
Ano: 2017 
Sinopse: O blog apresenta uma série de livros publicados por autores brasileiros ou 
estrangeiros, para crianças. As aventuras são narradas em Libras para a comunidade 
surda, com o objetivo principal de unir a Língua Brasileira de Sinais com a literatura 
 
infantil. São apresentadas variadas histórias com diversos assuntos, ilustrações 
diferentes. 
 
REFERÊNCIAS 
 
ANDREWS, J.; BAKER S. ASL nursery rhymes: exploring a support for signing deaf 
children: early language and emergent literacy skills. Sign Language Studies, Washington 
DC, n. 20, 2019. 
 
BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Secretaria de Educação Especial. 
Legislação específica. Lei de Libras (Lei 10.436). Brasília: MEC/SEESP, 2002. 
Disponível em: <http://www.mec.gov.br/seesp/legislação.shtm>. Acesso em: 03 ago 
2021. 
 
BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Secretaria de Educação Especial. 
Legislação específica. Decreto 5626 que regulamenta a Lei de Libras (Lei 10.436). 
Brasília: MEC/SEESP, 2005. Disponível em: < 
http://www.mec.gov.br/seesp/legislação.shtm>. Acesso em: 03 ago 2021. 
 
CAMPELLO, A. R. S. Pedagogia Visual / Sinal na Educação dos Surdos. In: QUADROS, 
R. M.; PERLIN, G. (Org.). Estudos Surdos II. Petrópolis: Arara Azul, 2007. 
 
LANG, H. Teaching from the heart and soul: the Robert F. Panara story. Washington 
DC: Gallaudet University Press, 2007. 
 
COLOMER, Teresa. A formação do leitor literário: narrativa infantil e juvenil atual. 
Tradução de Laura Sandroni. São Paulo: Global, 2003. 
 
FORCADELL, Elizete P. C. S. P. O Ensino de Libras na Universidade: políticas, 
formação docente e práticas educativas. Dissertação de Mestrado defendida na 
Universidade Estadual do Paraná, 2017.180 f. 
 
GARCEZ, L. H. do C. Técnica de redação: o que é preciso saber para bem escrever. 
São Paulo, Martins Fontes, 2001. 
 
HUMPHRIES, T., C. PADDEN, and T.J. O’ROUEKE. A basic course in American Sign 
Language. Silver Spring, Md.: T. J. Publisher, 1980. 
 
MAGNANI, J. G.; MANTESE, B. Jovens na metrópole: etnografias de circuitos de lazer, 
encontro e sociabilidade. São Paulo: Terceiro Nome, 2007. 
 
MOURÃO, C. H. N. Literatura Surda: produções culturais de surdos em língua de sinais. 
In: KARNOPP, L. B.; KLEIN, M.; LUNARDI-LAZZARIN, M. L. (Org.). Cultura Surda na 
contemporaneidade: negociações, intercorrências e provocações. Canoas: Editora da 
ULBRA, 2011. 
 
 
NELL, Vitor. O apetite insaciável. In: CRAMER, Eugene H.; CASTLE, Marietta. 
Incentivando o amor pela leitura. Tradução de Maria Cristina Monteiro. Porto Alegre: 
Armed, 2001. 
 
PADDEN, C. The deaf community and the culture of deaf people. In C. Baker, & R. 
Pattison (Eds.) Sign language and the deaf community. Silver Spring: National 
Association of the Deaf, 1980. 
 
PERLIN, Gladis. Identidades surdas. In. SKLIAR, Carlos (Org.). A Surdez, um olhar 
sobre as diferenças. Porto Alegre: Editora Mediação, 1998. 
 
PERLIN, Gladis. O lugar da cultura surda, in THOMA, A. S. e LOPES, L. C. (orgs.). A 
invenção da surdez: cultura, alteridade, identidade e diferença no campo da educação, 
Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2004. 
 
PIMENTA, N. Oficina-palestra de cultura e diversidade. Anais do Seminário do INES, 
19 a 21 de setembro, 2001. 
 
ROSA, F. S.; KLEIN, M. O que sinalizam os professores surdos sobre literatura surda em 
livros digitais. In: KARNOPP, L. B.; KLEIN, M.; LUNARDI-LAZZARIN, M. L. (Org.). 
Cultura surda na contemporaneidade: negociações, intercorrências e provocações. 
Canoas: Editora da ULBRA, 2011. 
 
SALLES, Heloisa M. M. L. Ensino de língua portuguesa para surdos: caminhos para 
a prática pedagógica. Brasília: MEC, SEESP, 2007. 
 
SCOTT, P. Do deaf children eat deaf carrots? In: MATHUR, G.; NAPOLI, D. J. (Org.). 
Deaf around the World: the impact of language. Oxford: Oxford University Press, 2010. 
 
SPOONER, R. A. Languages, literacies, and translations: examining deaf students’ 
language ideologies through english-to-ASL translations of literature. 2016. Tese 
(Doutorado em Inglês e Educação) – University of Michigan, Ann Arbor, 2016. 
 
STROBEL, K. As imagens do outro sobre a cultura surda. Florianópolis: Editora da 
UFSC, 2008. 
 
SUTTON-SPENCE, R.; RAMSEY C. What we should teach deaf children: deaf 
teachers’ folk models in Britain, the U.S. and Mexico. Deafness and Education 
International, [s.l.], v. 12, n. 3, 2010. 
 
SUTTON-SPENCE, R. Literatura de língua de sinais, educação surda e suas 
interfaces com as políticas linguísticas. Educação Unisinos, São Leopoldo, 2020. 
 
SUTTON-SPENCE, Rachel. Literatura em Libras [livro eletrônico]; [tradução Gustavo 
Gusmão] 1. ed. Petrópolis, RJ : Editora Arara Azul, 2021. 
 
UNIDADE II 
ESTRUTURA, EXPRESSÃO, CONCEITOS DÊITICOS/ANAFÓRICOS E FIGURAS DE 
LINGUAGEM NA LÍNGUA DE SINAIS 
Professora Mestre Elizete Pinto Cruz Sbrissia Pitarch Forcadell 
 
 
Plano de Estudo: 
A seguir apresenta-se os tópicos que você estudará nesta unidade: 
 
● A estrutura de frases em Libras; 
● Expressão e conceitos em Libras: dimensões evolutivas em Libras metafóricas e 
descritivas; 
● Uso de espaços na enunciação em Libras dêixis em processos de descrição; 
● Figuras de linguagem na língua de sinais e suas diferentes formas de 
manifestação. 
 
 
Objetivos de Aprendizagem:● Expressões da Libras; 
● Descrição e uso do espaço; 
● Referentes locais: aspectos sintáticos da Libras e figuras de linguagens; 
● Uso dêitico e processos anafóricos. 
 
INTRODUÇÃO 
 
É com satisfação que iniciamos e lhes entregamos mais uma Unidade de Estudos, 
um material instrucional de Língua Brasileira de Sinais, que traz em sua composição um 
ensino sistemático dessa língua, para que você, acadêmico(a) aprenda a se comunicar 
com os surdos e oferecer um melhor atendimento docente para essa comunidade. 
Para começar, vamos explorar as expressões da modalidade visual da Libras, 
pensaremos também como a iconicidade e a incorporação afetam a linguagem figurativa 
da Libras. 
Conhecer uma língua requer conhecer bem como se podem dizer as coisas nessa 
língua. Nem sempre uma palavra isolada tem o mesmo significado quando ela está em 
uma frase, pois os sinais assim como as palavras vão estabelecendo uma rede de 
relações. Isso quer dizer que unidades linguísticas não são totalmente autônomas do 
ponto de vista conceitual. 
Com a inserção da gramática da Língua Brasileira de Sinais, é necessário 
entender também as propriedades dessa língua de acordo com sua modalidade viso-
gestual. 
Para ter a “imersão” da Língua Brasileira de Sinais, é fundamental ter na mente a 
ampliação de conhecimento sobre o uso dessas propriedades da Língua de Sinais 
utilizada pela comunidade Surda, e, a partir desses estudos e práticas, por você 
aprendiz. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 A ESTRUTURA DE FRASES EM LIBRAS 
 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/cute-little-girl-speech-therapist-office-
596748269 Acesso em: 27 out. 2021 
 
 
Uma breve revisão da literatura permite-nos contemplar e apresentar diferentes 
definições de língua. Tais definições fornecem subsídios para a indicação de 
propriedades consideradas pela linguística essenciais às línguas naturais. 
Segundo Saussure (1995, p.17), 
 
[...] língua não se confunde com linguagem: é um conjunto de convenções 
necessárias, adotadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa 
faculdade nos indivíduos, é, portanto, um produto social da faculdade de 
linguagem. 
 
Chomsky (apud Quadros & Karnopp, 2004, p. 25), considera que uma língua “é 
um conjunto (finito ou infinito) de sentenças, cada uma finita em comprimento e 
construída a partir de um conjunto finito de elementos”, considera ainda duas 
perspectivas: a língua externa e a língua interna. 
● Língua Externa: associa o som à palavra ao seu significado. 
● Língua Interna: define a “noção de estrutura” como parte estável, livre das 
expressões que podem variar de falante para falante. 
 
Fernandes (2002, p.16) traz a definição de Linguagem e Língua, vejamos: 
 
Imagem 1 - Definição de Linguagem 
 
Fonte: Fernandes (2002), adaptado pela autora 
 
Linguagem: tudo que envolve significação, que pode ser humano (pintura, música, 
cinema), animal (abelhas, golfinhos, baleias) ou artificial (linguagem de computador, 
código Morse, código internacional de bandeiras). Ou seja, “sistema de comunicação 
natural ou artificial, humana ou não”. 
 
Imagem 2 - Definição de Língua 
 
Fonte: Fernandes (2002), adaptado pela autora 
 
Língua: um conjunto de palavras, sinais e expressões organizados a partir de regras, 
sendo utilizado por um povo para sua interação. Sendo assim, a língua seria uma forma 
de linguagem: a linguagem verbal. As línguas estariam em uma posição de destaque 
entre todas as linguagens, ou seja, podemos falar de todas as outras linguagens 
utilizando as palavras ou os sinais. 
 
 
Entendemos por propriedades das línguas os traços comuns, características 
presentes em todas as línguas naturais humanas em relação aos outros sistemas de 
línguas (animais, matemática, tecnológicos). 
No quadro a seguir, junto às propriedades das línguas naturais orais 
apresentamos como essas propriedades se expressam nas línguas de sinais, 
comprovando que as línguas de sinais são línguas naturais. A coluna à esquerda 
apresenta as propriedades nas línguas – elaboradas com base na publicação de 
Quadros & Karnopp (2004) e a coluna à direita reproduz o trabalho de Ronice M. 
Quadros, Aline L. Pizzio e Patrícia F. Rezende (2009): 
 
Quadro 1 - Propriedade das Línguas Humanas e nas Língua de Sinais 
FLEXIBILIDADE E VERSATILIDADE 
 
Segundo Lyons (1981), nenhum outro 
sistema de comunicação parece ter o 
mesmo grau de flexibilidade e 
versatilidade que o humano, pode-se usar 
a língua para dar vazão às emoções e 
sentimentos; para solicitar a cooperação 
de companheiros; para ameaçar ou 
prometer; para dar ordens, fazer 
perguntas ou afirmações. É possível fazer 
referência ao passado, presente e futuro; 
a realidades remotas em relação à 
situação de enunciação e até mesmo a 
coisas que não existem. 
As línguas de sinais são usadas para 
pensar, são usadas para desempenhar 
diferentes funções. Você pode 
argumentar em sinais, pode fazer poesia 
em sinais, pode simplesmente informar, 
pode persuadir, pode dar ordens, fazer 
perguntas em sinais. 
 
Glosas em LIBRAS: 
 
VOCÊ GOSTAR MAÇÃ. VOCÊ 
<GOSTAR MAÇÃ>sn 
IX CASA DEFEITO EU PRECISO ARRUMAR 
< PROJETO> to AULA EU APRESENTAR 
 
ARBITRARIEDADE 
 
As palavras e os sinais são arbitrários 
entre a forma e o significado, visto que, 
dada a forma, é impossível prever o 
significado, e dado o significado é 
impossível prever a forma. 
As línguas de sinais apresentam palavras 
em que não há relação direta entre a 
forma e o significado. 
 
Glosas em LIBRAS: 
 
CONHECER AMIGO 
TRABALHO 
 
DESCONTINUIDADE 
 
 
As palavras que diferem de maneira 
mínima na forma, normalmente 
apresentam uma considerável diferença 
no significado. Por exemplo, a palavra 
fada e faca diferem minimamente na 
forma, tanto na língua escrita como na 
falada. Esse fato tem por efeito mostrar o 
caráter descontínuo da diferença formal 
entre forma e significado. 
 
Na língua de sinais verificamos o caráter 
descontínuo da diferença formal entre a 
forma e o significado. Há vários exemplos: 
o sinal de MORENO e de SURDO são 
realizados na mesma locação, com a 
mesma configuração de mão, mas com 
uma pequena mudança no movimento, 
mesmo assim nunca são confundidos ao 
serem produzidos em um enunciado. Tais 
sinais apresentam uma distribuição 
semântica que não permite a confusão 
entre os significados apresentados dentro 
de um determinado contexto. 
 
Glosas em LIBRAS: 
 
TRABALHO 
VIDEOCASSETE 
TV 
MORENO-SURDO 
 
CRIATIVIDADE/PRODUTIVIDADE 
 
Todos os sistemas linguísticos 
possibilitam a seus usuários construir e 
compreender um número indefinido de 
enunciados. A estrutura gramatical na 
produtividade é extremamente complexa 
e heterogênea seguindo os princípios que 
as mantêm e constituem. Chomsky coloca 
ainda, que tanto a complexidade como a 
heterogeneidade é regida por regras, 
dentro dos limites estabelecidos pela 
regra da gramática. 
As línguas de sinais são produtivas assim 
como quaisquer outras línguas. 
 
Glosas em LIBRAS: 
 
EU AMAR GISELE PORQUE ELA BONITA, 
LEGAL, ESPECIAL, 1AJUDAR2, GOSTAR 
TRABALHAR, INTELIGENTE .... 
DUPLA ARTICULAÇÃO 
 
A organização da língua em duas 
camadas – a camada dos sons que se 
combinam em uma segunda camada de 
unidades maiores é conhecida como 
dualidade ou dupla articulação. Por 
exemplo, os sons f, g, d, o, a - nada 
significam separadamente, já quando 
combinados eles adquirem um 
significado, como em fogo, gado, dado, 
fado etc. As línguas humanas têm em 
As línguas de sinais também 
apresentam o nível da forma e o nível do 
significado. Por exemplo, as 
configurações por si só não apresentam 
significado, mas ao serem combinadas 
formam sinais que significam alguma 
coisa. 
 
Exemplos em LIBRAS: 
CM sem significado 
 
torno de trinta a quarenta fonemas ou 
unidades. 
L sem significado 
M sem significado 
CM+L+M=significado (L + bochecha + 
semicírculo para trás) 
 
PADRÃO 
 
Cada item lexicalapresenta um padrão de 
combinação ou substituição por outros 
itens, conforme ilustram os exemplos 
abaixo: 
O rapaz caminhou rapidamente; 
Rapidamente, caminhou i rapaz; 
O rapaz rapidamente caminhou. 
As outras combinações são agramaticais. 
Na palavra sal, por exemplo, a vogal ‘a’ 
poderia ser substituída por ‘o’ ou ‘u’, mas 
não por ‘z’ ou 'h'. Em síntese o português 
apresenta restrições na maneira em que 
itens podem em que eles aparecem. 
As línguas de sinais são altamente 
restringidas por regras. Você não pode 
produzir os sinais de qualquer jeito ao 
usar a Língua de Sinais Brasileira, por 
exemplo. Você deve observar suas 
regras. 
 
Exemplo em LIBRAS: 
 
Obedecer às regras de formação de sinais 
e de sentenças. 
(ajudar com CM S mostrar exemplos de 
sinais com CM errada, ou L errada, ou M 
errada). 
 
DEPENDÊNCIA ESTRUTURAL 
 
Uma língua contém estruturas 
dependentes que possibilitam 
entendimento da estrutura interna de uma 
sentença, independente do número de 
elementos linguísticos envolvidos. 
Também é observada uma dependência 
estrutural entre os termos produzidos nas 
línguas de sinais. 
 
Glosas em LIBRAS: 
 
PAULO TRABALHAR+asp 
*TRABALHAR+asp PAULO 
SINAL BRASIL 
*BRASIL SINAL 
 
Fonte: Quadros & Karnopp (2004) Quadros, Pizzio e Rezende (2009) 
 
ESTRUTURA DE FRASES 
 
As línguas de sinais utilizam as expressões faciais e corporais para estabelecer 
tipos de frases, como as entonações na língua portuguesa, por isso para perceber se 
uma frase em LIBRAS está na forma afirmativa, exclamativa, interrogativa, negativa ou 
 
imperativa, precisa-se estar atento às expressões facial e corporal que são feitas 
simultaneamente com certos sinais ou com toda a frase, exemplos: 
● FORMA AFIRMATIVA: a expressão facial é neutra 
 
Imagem 3 - Meu nome M-A-R-I-A 
 
Fonte: Felipe (1998), adaptado pela autora 
 
● FORMA INTERROGATIVA: A forma interrogativa em Libras também pode 
acontecer a partir da mudança da “expressão não manual”. Segundo Felipe (1998), há a 
necessidade de franzir a sobrancelha e inclinar a cabeça para cima, essa expressão 
deve ser feita simultaneamente ao sinal. 
 
Imagem 4 - NOME - NOME QUAL? 
 
Fonte: Felipe (1998), adaptado pela autora 
 
● FORMA EXCLAMATIVA: Felipe (1998), explica que, para a construção da forma 
exclamativa em Libras, se modifica a expressão facial, as sobrancelhas são levantadas 
e há um ligeiro movimento da cabeça, inclinando-se para cima e para baixo. A boca 
retraída com movimento para baixo pode compor a exclamação apresentada na 
sinalização abaixo, intensificando a expressão de admiração. 
 
 
Imagem 5 - EU VIAJAR RIO DE JANEIRO, BOM! BONIT@ LÁ! 
 
Fonte: Felipe (1998), adaptado pela autora 
 
● FORMA NEGATIVA: Além das formas de negação preestabelecida na Libras, um 
mesmo sinal da testa também pode assumir a forma negativa a partir do uso simultâneo 
de uma expressão não manual determinada. No exemplo a seguir, observe que as 
sobrancelhas franzidas e o movimento do corpo para trás indicam desconfiança, 
descrédito, mudando o significado do sinal, do afirmativo para o negativo. 
 
Imagem 6 - ACREDITAR - NÃO ACREDITAR 
 
Fonte: Felipe (1998), adaptado pela autora 
 
A negação então, pode ser feita através de três processos: 
a) com o acréscimo do sinal NÃO à frase afirmativa: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem 7 - BLUSA FEI@ COMPRAR NÃO (negação) 
 
Fonte: Felipe (1998), adaptado pela autora 
 
b) com a incorporação de um movimento contrário ao do sinal negado: 
 
Imagem 8 - GOSTAR-NÃO (negação) CARNE, PREFERIR PEIXE 
 
Fonte: Felipe (1998), adaptado pela autora 
 
c) com um aceno de cabeça que pode ser feito simultaneamente com a ação que 
está sendo negada ou juntamente com os processos acima: 
 
Imagem 9 - EU VIAJAR PODER (não) 
 
Fonte: Felipe (1998), adaptado pela autora 
 
 
Em todas as línguas humanas existem, pelo menos, três elementos sintáticos 
principais, que podem se ordenar na frase de diferentes maneiras. Esses elementos são: 
sujeito – é o termo que expressa o agente da ação (que pratica ou sofre); verbo – é o 
termo que expressa a ação; objeto – é o termo que qualifica ou detalha o verbo. 
Quadros e Karnopp (2004) apontam que a ordem dos elementos na sentença da 
Libras é, geralmente, SVO (sujeito – verbo – objeto). Elas dizem que, além dessa ordem, 
são possíveis também as seguintes: OSV, SOV e VOS, sendo estas derivadas da ordem 
canônica e construídas a partir de operações sintáticas, tais como topicalização ou 
focalização, conforme pesquisa de Pizzio (2006). A seguir, exemplificamos algumas 
sentenças com a ordem básica da Libras: 
 
Imagem 10 - (SVO) EU GOSTAR LARANJA 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004), adaptado pela autora 
 
Imagem 11 - (SVO) VOCÊ TER DINHEIRO 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004), adaptado pela autora 
 
Imagem 12 - (SVO) EL@ SABER LIBRAS 
 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004), adaptado pela autora 
 
Essa é a ordem chamada canônica, básica, e dela derivam as outras ordens – 
apontadas anteriormente – exemplificadas a seguir: 
 
Imagem 13 - (OSV) LARANJA EL@ AMAR 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004), adaptado pela autora 
 
Imagem 14 - (OSV) BOLO EU FAZER 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004), adaptado pela autora 
 
Imagem 15 - (OSV) TELEVISÃO VOCÊ VER 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004), adaptado pela autora 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem 16 - (VOS) GOSTAR LARANJA EL@? 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004), adaptado pela autora 
 
Imagem 17 - (VOS) PASSEAR PRAIA VOCÊ 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004), adaptado pela autora 
 
Imagem 18 - (VOS) COMPRAR CASA EU 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004), adaptado pela autora 
 
Deve-se ressaltar, ainda, que alguns elementos apontados na frase podem ser 
apagados, pois na Libras, assim como em outras línguas, é possível que ocorra o 
 
apagamento, não apenas do sujeito, mas também do objeto. Na frase gostar laranja, o 
interlocutor identifica que há o sujeito eu oculto. 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem 19 - GOSTAR LARANJA 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004), adaptado pela autora 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 EXPRESSÃO E CONCEITOS EM LIBRAS: DIMENSÕES EVOLUTIVAS EM LIBRAS 
METAFÓRICAS E DESCRITIVAS 
 
Figura - Sinais em Libras: COMPARAÇÃO, METÁFORA e METONÍMIA 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
A Língua de Sinais, também faz uso das figuras de linguagem como a 
Comparação, Metáfora e Metonímia. Existe uma pequena diferença entre esses três 
processos. Na comparação se estabelece a aproximação de dois seres (objetos, ideias, 
realidades), por se perceber entre eles uma característica em comum ou distinta; 
gramaticalmente, a comparação é caracterizada pela presença de conectivos e/ou 
advérbios de intensidade. Já na metáfora a depreensão de uma característica comum 
entre um ser e outro, pode determinar o emprego de uma palavra no lugar de outra. No 
 
caso de metonímias há substituição de um elemento pela citação de outro que lhe está 
relacionado, ou seja, que lhe é próximo (ALBRES, 2006). 
 
 
 
Imagem 20 - Comparação - Sinal de DIFERENTES 
 
Fonte: Feneis (2008), adaptado pela autora 
 
 
Existe necessidade do uso de termos de comparação (IGUAL, PARECE) e 
estabelecimento de dois pontos no espaço Exemplo: 
 
Imagem 21 - Metáfora - CAIR-CARA 
 
Fonte: Feneis (2008), adaptado pela autora 
 
Um termo substitui o outro, como, por exemplo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem 22 - Metonímia - CABELOS-GRISALHOS Significando idade avançada 
 
Fonte: Feneis (2008), adaptado pela autora 
 
No Brasil, a metáfora na Libras foi tema de dissertação defendida por Faria (2003), 
onde teceu delineamentos teóricos acerca desse tipo de figura de linguagem, buscando 
alicerces nos estudos metafóricos na ASL (Língua de Sinais Americana). 
Lembrando que a metáfora tem seu fundamento, sua construção, sua inteligência 
e entendimento alicerçado na cultura de cada falante ou sinalizantede um país, nota-se 
que os surdos acham estranhas as palavras ditas em português em que existe certa 
peculiaridade nos significados atribuídos pelos ouvintes na sua interação social. Isso 
acontece com o significado real da expressão dada pelos ouvintes, em que se constrói 
com base nas relações e ressignificações de cada grupo social, cultural. A seguir 
apresentaremos o trecho de Faria (2003) a que refere esse fenômeno: 
Os vocábulos das línguas, ao serem concatenados, produzem uma infinidade de 
trocadilhos cujos significados flutuam dos mais transparentes aos mais opacos; dos mais 
simples aos mais inusitados; dos mais grotescos aos mais poéticos. Essa recursividade 
encontra-se carregada da cultura vivenciada pelos indivíduos, na comunidade a que 
pertence. Por isso, muitas vezes, o que se diz é somente entendido por falantes nativos 
de dada língua ou por quem se encontra imerso nessa comunidade, por anos trocando, 
 
tropeçando e descortinando construções e interpretações as mais variadas, originadas 
no arcabouço linguístico e criativo das trocas comunicativas. Exemplo disso está o fato 
de que questões culturais incorporadas à Língua Portuguesa não têm sido transmitidas 
naturalmente aos surdos brasileiros, como acontece com os ouvintes que, quando 
crianças, ouvem expressões ‘estranhas’, mas, aos poucos, vão descobrindo o que 
realmente elas significam e as naturalizam. 
O objetivo deste tópico é conhecer as metáforas na Libras, porém, sabemos que 
os aprendizes dessa língua podem achar difícil compreender, por estarem iniciando seus 
conhecimentos e aproximação com essa nova língua, pois, como já dissemos esse 
assunto não trataremos apenas dos significados dos sinais, mas, da interpretação 
cultural. O campo de metáforas em Libras é imenso e necessita ser desbravado em todas 
as regiões brasileiras. Vamos conhecer apenas alguns exemplos para introduzir seus 
primeiros contatos com essa figura de linguagem. 
É comum a Libras recorrer a empréstimos linguísticos para complementar algo 
ou, ainda, os surdos naturalmente captam a ideia, as significações próprias da Língua 
Portuguesa e convencionam o sinal semelhante na forma e no sentido, como, por 
exemplo, o fraseologismo “segurar a vela”. Tal exemplo significa que a pessoa não quer 
ficar “sozinha” com casais ou casal. E os surdos quando souberam da gíria proveniente 
do universo ouvinte, passaram a adotar a referida gíria na língua de sinais utilizando o 
sinal “vela”. 
Assim, estabelece, conforme Faria (2003), uma metáfora na forma (“segurar vela”) 
e no sentido (“não ficar sozinho...”) para ambas as línguas. Da mesma forma, há metáfora 
semelhante em que é equivalente no sentido, mas diferente na forma. E, existem ainda 
sinais em que não há equivalência na Língua Portuguesa e são originários do universo 
linguístico criados pelos próprios surdos. 
 
● Metáfora Equivalente: (equivalente na forma e no sentido), nesse caso, quando 
contrastam as duas línguas, verifica-se uma igualdade na forma escrita e na sinalizada, 
como é o caso de “cabeça dura”, cuja escrita é esta e que na sinalizada também remete 
à sinalização envolvendo a cabeça + o sinal de duro. Com relação ao significado, os dois 
parâmetros (forma e sentido) coincidem nas duas línguas: ser teimoso. Outros exemplos: 
 
 
 
 
Imagem 23 - TER/SER-CABEÇA-DURA, SER-IGNORANTE, SER-INFANTIL 
 
 
Imagem 24 - CAIR-O-QUEIXO, FICAR-BOQUIABERTA! FICAR-ADMIRADO! FICAR-
HORRORIZADO! ESTAR-PASMO 
 
 
Imagem 25 - ENTRAR-POR-UM-OUVIDO-E-SAIR-PELO-OUTRO, NÃO-DAR-OUVIDOS, 
FAZER-OUVIDO-DE-MERCADOR! NÃO-ATENDER! FINGIR-NÃO-OUVIR 
 
 
 
 
 
 
Imagem 26 - ESTICAR-CONVERSA, FALAR-DEMAIS, CONVERSA-LONGA 
 
Fonte: Faria (2003), adaptado pela autora 
 
 
Imagem 27 - TER-LÍNGUA-GRANDE, LINGUARUDO 
 
 
Imagem 28 - ARREPIAR-OS-CABELOS, FICAR-COM-OS-CABELOS-EM-PÉ, ASSUSTAR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem 29 - (ESTAR-CARA-A-CARA, ENCARAR) (QUEBRAR-A-CARA) (CARECA-DE-SABER) 
 
Fonte: Faria (2003), adaptado pela autora 
 
Imagem 30 - (FALAR-PELAS-COSTAS, NÃO-ESTAR-PRESENTE) (QUE-LERDEZA! SER-
VAGAROSO-DEMAIS! SER-UMA-LESMA!) 
 
 
Imagem 31 - (DAR-COM-A-CARA-NA-PORTA) (SEGURAR-VELA) 
 
Fonte: Faria (2003), adaptado pela autora 
 
● Metáfora Semelhante: (equivalente no sentido, mas diferente na forma), ambas 
as línguas possuem formas equivalentes, como, por exemplo, existe a mímica de uma 
 
mão tocando no cotovelo, entretanto o seu significado varia: para a Libras, tal sinal 
significa ciúme, para Língua Portuguesa, é uma mímica representativa de dor de 
cotovelo. Outros exemplos: 
 
Imagem 32 - (FINGIR-NÃO-VER, ENTRAR-NUM-OLHO-E-SAIR-NO-OUTRO) (ESTAR-COM-
CIÚME, ESTAR-COM-DOR-DE-COTOVELO) 
 
 
Imagem 33 - NÃO-QUERO-SABER-MAIS-DISSO! NUNCA-MAIS! CRUZ-CREDO! DEUS-ME-LIVRE! 
 
Fonte: Faria (2003), adaptado pela autora 
 
Imagem 34 - DAR/LEVAR-O-BOLO, DAR/LEVAR-O-CANO, FALHAR-COM-ALGUÉM, PISAR-
NA-BOLA, DEIXAR-NA-MÃO, FICAR/ESTAR-DECEPCIONADO 
 
Imagem 35 - ESTAR-APERTADO-PARA-IR-AO-BANHEIRO, ESTAR-COM-DOR-DE-BARRIGA 
 
 
 
Imagem 36 - MORRER-DE-RIR, CHORAR-DE-RIR 
 
Fonte: Faria (2003), adaptado pela autora 
 
● Metáfora Diferente: (diferente no sentido e na forma), comumente oriundo do 
universo linguístico dos surdos, não tendo correspondência na Língua Portuguesa. Na 
Língua Portuguesa encontra-se apenas tradução dos sinais. 
 
Imagem 37 - (TER-OUVIDO-BARATO) (TER-OUVIDO-CARO) 
 
 
Imagem 38 - (QUE-OBSERVADOR-AGUÇADO! QUE-VISÃO-PRECIOSA! QUE OLHOS-DE-ÁGUIA! QUE-
VISTA-CARA! QUE-VISTA-AGUÇADA!) (QUE-OBSERVADOR-DISTRAÍDO!) 
 
 
Fonte: Faria (2003), adaptado pela autora 
 
 
Imagem 39 - (TER-MÃOS-DURAS, QUE-INTÉRPRETE-SEM-FLUÊNCIA-EM-LS!) (TER-
MÃOS-LEVES, QUE-INTÉRPRETE-FLUENTE-EM-LS! 
 
Fonte: Faria (2003), adaptado pela autora 
 
A pesquisa desenvolvida por Faria (2003), traz outros exemplos metafóricos que 
fazem parte das enunciações dos surdos brasileiros, e, queremos que você aprendiz de 
Libras conheça exemplos dessas enunciações em sua forma sinalizada. Os exemplos a 
seguir, se referem a “bases experienciais”, principalmente, por experiências corpóreas. 
Todavia, Lakoff e Johnson (2002 [1980]) destacam que a cognição experiencialista inclui 
experiências sociais, emocionais e sensório-motoras, ampliando seu sentido inicial. 
 
 
Imagem 40 - ABRIR A MENTE 
 
Fonte: Faria (2003), adaptado pela autora 
 
Essa expressão significa ‘ter a mente aberta’, ser uma pessoa que permite 
inovações, mudanças de paradigmas, novos aprendizados etc. (Faria, 2003). 
 
Imagem 41 - CABEÇA-DURA 
 
Fonte: Faria (2003), adaptado pela autora 
 
Já o domínio alvo contrapondo-se à metáfora anterior de mente flexível, que pode 
mudar se refere a uma pessoa inflexível que dificilmente muda de pensamento ou de 
opinião (Faria, 2003). 
 
 
 
Imagem 42 - CABEÇA PESADA 
 
 
Fonte: Faria (2003), adaptado pela autora 
 
Quando se está nervoso e preocupado o corpo responde com uma reação física: 
o sangue sobe à cabeça e tem-se a impressão de que a cabeça aumenta e fica pesada, 
podendo ser interpretado como estar arrasado, nervoso, ‘o sangue sobe à cabeça". 
Imagem 43 - PÁLPEBRA CAIR-FECHAR 
 
Fonte: Faria (2003), adaptado pela autora 
 
O domínio fonte está na ação de fechar os olhos, as pálpebras se fecham. ‘Cair 
no sono’ traduz a ideia de um sono profundo que realmente faz jus à metáfora cair. 
 
 
 
 
 
Imagem 44 - ARREPIAR O CABELO-DA-CABEÇA 
 
 
Fonte: Faria (2003), adaptado pela autora 
 
A metáfora associa esse arrepio a qualquer dado surpreendente, escandaloso que 
possa ocorrer com a pessoa ou que ela possa presenciar ou ainda que seja a ela relatado 
Imagem 45 - ARREPIAR PÊLOS-BRAÇO 
 
Fonte: Faria (2003), adaptado pela autora 
 
‘Emocionante’, ‘encantador’, ‘comovente’ e ‘surpreendente’ 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem 46 - CONTRAÇÃO-ESFÍNCTER-ANAL 
 
 
Fonte: Faria (2003), adaptado pela autoraEm situações de embaraçamento, a sensação física é de contração dos músculos 
do corpo, inclusive do anel muscular à volta do ânus (esfíncter anal) ‘situação de perigo’, 
‘situação de constrangimento’ ou mesmo personificando a condição de ‘covardia’ por um 
sujeito que não encara situações difíceis no dia a dia, algo tão corporal tem a capacidade 
de ser conceitualizado em um domínio abstrato. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 USO DE ESPAÇOS NA ENUNCIAÇÃO EM LIBRAS DÊIXIS EM PROCESSOS DE 
DESCRIÇÃO 
 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
A descrição pode ser de uma ação, de um espaço físico ou objeto. Na criação de 
discursos, os surdos fazem a sobreposição de várias situações de fala, especialmente 
com a criação daquilo que tem sido chamado de “espaço sub-rogado”. Esse espaço é 
aquele em que o surdo incorpora o personagem de uma história que ele está contando 
(VIOTTI, 2007). No uso do espaço de sinalização mapeamos os referentes nesse 
espaço. 
Na língua espaço-visual mesclam-se momentos de contar a história e de 
representar, ou seja, encenar a história. 
A “incorporação” é considerada um mecanismo produtivo usado, por exemplo, 
para expressar localização, número, pessoa (QUADROS, 1997). 
“As ‘transferências de pessoas' envolvem um papel (agente ou paciente) e um 
processo. O sinalizador ‘se transforma’ na entidade a que ele se refere ao reproduzir, em 
seu enunciado, uma ou mais ações realizadas pela entidade. Em geral, as entidades a 
que o sinalizador se refere são seres humanos ou animais, mas também podem ser 
seres inanimados.” (PIZZUTTO, ROSSINI, SALLANDRE e WILKINSON, 2008, p. 144). 
 
Na literatura específica tem-se usado para esse mecanismo o nome de troca de 
papéis ou incorporação do personagem. Contar uma história e incorporar ações dos 
personagens é como se você estivesse fazendo a ação naquele momento. 
Nos poemas em Libras também tem-se o uso do espaço, que não é apenas 
estético, mas pode gerar outros sentidos metafóricos. A teoria da metáfora cognitiva, 
com base no trabalho de Lakoff e Johnson (1980) fala da metáfora orientacional, na qual 
podemos entender que o espaço real e concreto tem sentido metafórico nos conceitos 
abstratos. Por exemplo, o que está mais alto significa metaforicamente uma coisa mais 
positiva ou poderosa e o que está mais baixo significa algo mais negativo ou sem poder. 
De frente para trás, o espaço mais perto e mais longe do corpo pode significar, numa 
escala metafórica, futuro ou passado, valorizado ou não, ou algo que está visível (e assim 
mais perto do espectador) ou escondido (portanto, mais próximo ao corpo). 
Na Libras, há a utilização dos espaços mentais, onde o espaço real deve ser 
conceitualizado igualmente entre os interlocutores. Assim, os nominais são 
estabelecidos a priori, com um ponto espacial no espaço de sinalização. A direção do 
verbo é importante para identificar o sujeito e o objeto (QUADROS, 1997). Deve-se 
respeitar os pontos espaciais estabelecidos na continuidade da história. Os pontos 
podem mudar, mas isso deve ser apresentado no decorrer da história, introduzindo 
outros personagens. 
Veja como isso acontece em Libras: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem 47 - Uso do espaço mental 
 
 
Fonte: Feneis (2008), adaptado pela autora 
 
Isso é como se dissesse: nesse PONTO A está o professor, Nesse PONTO B está 
o aluno. Logo em seguida DAR, com a direção do movimento do verbo dar indicando de 
B para A, portanto, foi do PONTO B que surgiu a ação de dar. Com essa característica 
linguística particularmente espacial o interlocutor compreende que foi o aluno que deu 
(alguma coisa pequena) para o professor, sendo ele o executor da ação. 
O uso do espaço é um componente gramatical muito importante nas línguas de 
sinais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem 48 - Uso do espaço na Libras 
 
 
Fonte: UFSC (2008) 
 
Sobre os espaços mentais nos discursos em Libras, uma versão mais recente de 
Liddell (2000) apresenta três tipos de usos do espaço nas línguas de sinais: 
 
● Espaço mental real: “é um mapeamento cognitivo do espaço físico que rodeia o 
sinalizador, são representações mentais das pessoas que estão presentes fisicamente 
no local e no tempo em que ocorre a sinalização (MOREIRA, 2007, p. 46). O espaço 
mental real de um tempo atrás pode permanecer na mente dos interlocutores. 
Nas imagens a seguir, a própria localização do referente determina o local 
estabelecido para um determinado referente, a apontação pode ser usada para referir a 
objetos e lugares no espaço. A referência anafórica requer que o sinalizante aponte (olhe 
ou gire o corpo).: 
 
Imagem 49 - Espaço mental real 
 
Fonte: UFSC (2008) 
 
 
Imagem 50 - Espaço mental real 
 
Fonte: UFSC (2008) 
 
● Espaço mental token: “é um espaço integrado, em que as entidades ou coisas 
das quais se quer falar são representadas sob a forma de um ponto fixo no espaço físico, 
geralmente se faz a representação da 3ª pessoa (MOREIRA, 2007, p. 47). Esse ponto 
fixo no espaço pode ser usado para qualquer conceito.” 
Observe-se na imagem abaixo que a direção do verbo é importante para identificar 
o sujeito e o objeto, identificar as relações entre os referentes no discurso estabelecidas 
espacialmente. Verbos que podem indicar uma ação feita por duas pessoas ou dois 
objetos ao mesmo tempo usando as duas mãos. 
 
Imagem 51 - Espaço mental token (Verbo: OLHAR) 
“eles se olharam” “nós nos olhamos”
 
Fonte: UFSC (2008) 
 
 
Esses verbos também utilizam os pontos espaciais e são estabelecidos utilizando 
espaços reais e tokens. 
 
● Espaço mental sub-rogado: como já dissemos anteriormente, acontece quando 
o sinalizador assume o papel de qualquer participante da situação narrada e sinalizada 
como se fosse ele. São representações mentais em tamanho natural, que assumem 
posições realistas, como uma incorporação. 
Padden (1983, p.15) apresenta as formas de concordância pessoal direcionais da 
seguinte maneira: 
a) 1ª pessoa: próximo ao corpo do sinalizante; 
b) 2ª pessoa: na direção do receptor determinado pelo contato do olhar com o receptor 
real ou marcado discursivamente; 
c) 3ª pessoa: o marcador de concordância terá o mesmo ponto no espaço neutro 
assinalado à 3ª pessoa. 
 
Imagem 52 - Espaço mental sub-rogado (Verbo ENTREGAR na LIBRAS) 
 
 eu- ENTREGAR-você eu- ENTREGAR–ele(a) ele (a)- ENTREGAR -eu 
 
Fonte: UFSC (2008) 
 
O verbo ENTREGAR na LIBRAS apresenta o mesmo comportamento e pode ser 
usado como exemplo dessa classe verbal. Para reconhecer um verbo direcional (com 
concordância) é necessário ter claro que a localização do sinalizante é identificada como 
a de primeira pessoa, a localização do seu interlocutor como a de segunda pessoa, e as 
 
outras localizações podem identificar as terceiras pessoas do discurso. Todo esse 
processo se utiliza de relações espaciais. Padden diz que a 1ª pessoa é fixa e as 2ª e 3ª 
pessoas apresentam infinitas possibilidades de localizações no espaço. A concordância, 
da mesma forma que o sistema pronominal, apresenta essas variações. 
 
DÊIXIS E ANÁFORA 
 
“A dêixis e anáfora na Libras são recursos que permitem o falante introduzir 
referentes no discurso (dêixis) e, subsequentemente, referir-se a eles em momentos 
posteriores (anáfora).” (PIZZUTTO, ROSSINI, SALLANDRE e WILKINSON, 2008, p. 
140). 
Dêixis é a propriedade que têm alguns elementos linguísticos, tais como 
pronomes pessoais e demonstrativos, de fazer referência ao contexto situacional ou ao 
próprio discurso, em vez de serem interpretados semanticamente por si sós; referência. 
Já a anáfora significa termo que se relaciona ao referido anteriormente, como no exemplo 
a seguir: 
 
Imagem 53 - Uso da dêixis e anáfora em sentença 
João era empreendedor. Ele (anáfora de João) não mora mais aqui. (dêixis de 
sentido) 
 
Fonte: Arquivosda autora (2021) 
 
SAIBA MAIS 
 
 
Referência dêitica e anafórica na Língua Brasileira de Sinais (Síntese de 
Berenz, 1996) 
 
● Dêixis - Propriedade de alguns elementos linguísticos, como os pronomes 
pessoais e demonstrativos, de aparecerem como ponto de referência de um 
contexto situacional, ou de um discurso, no lugar de serem interpretados 
semanticamente por si mesmos (Dicionário Aulete Digital). 
Propriedade que tem alguns elementos linguísticos, tais como pronomes pessoais 
e demonstrativos, de fazer referência ao contexto situacional ou o próprio 
discurso, em vez de serem interpretados semanticamente por si sós; referência 
(Dicionário Novo Aurélio Século XXI, Editora Nova Fronteira, 1999). 
● Anáfora - Processo sintático pelo qual uma palavra (p. ex., um pr. pess.) remete 
a outras anteriormente referida(s). 
Ex.: João e José são meus amigos. Eles também me consideram seu amigo. 
Elemento linguístico cuja referência não é independente, mas ligada a de um 
termo antecedente. Em João barbeou-se, p. ex., o reflexivo se só pode ser 
interpretado com referência a João. (Dicionário Novo Aurélio Século XXI, Editora 
Nova Fronteira, 1999). 
 
#SAIBA MAIS# 
 
A contextualização feita a seguir pode ser encontrada de forma detalhada nos 
estudos realizados por Berenz (1996), a Universidade Federal de Santa Catarina traz 
uma síntese desses estudos pelas autoras Pizzio, Rezende e Quadros (2009) que 
preferimos manter o texto na íntegra. 
De acordo com Lyons (1981), existem três classes principais de expressões 
referenciais: nomes próprios, substantivos comuns (núcleo de sintagma nominal) e 
pronomes. Tradicionalmente, os pronomes têm sido tratados como substitutos dos 
substantivos, mas sua função mais básica é a função dêitica ou indexical. Isto é, 
pronomes são, para serem definidos como dêixis, primeira e principalmente um local 
 
espaço-temporal no contexto do enunciado. Alternativamente, eles podem ser vistos em 
termos de egocentricidade do contexto dêitico, no qual está sua mais subjetiva natureza. 
Assim, o contexto dêitico está centrado sob o ‘aqui e agora’ do falante. Por exemplo, o 
pronome de primeira pessoa ‘I’ do inglês refere-se normalmente ao próprio falante. Como 
o papel de falante passa de uma pessoa para outra no curso de uma conversação, então, 
o ponto-zero do contexto dêitico será alternado entre os participantes, junto com a 
referência de ‘I’ e “here’. 
Lyons coloca, também, que o termo dêixis e ‘index’ são ambos originados na 
noção de referência gestual, ou seja, na identificação do referente pelo significado de 
algum gesto corporal por parte do falante. Qualquer expressão referencial que apresente 
as mesmas propriedades lógicas dos gestos corporais é, em virtude disso, dêitica. Além 
disso, muitas expressões dêiticas são normalmente utilizadas em associação com algum 
tipo de referência gestual. O autor diz ainda que os pronomes ‘I’ e ‘you’ são dêixis pura, 
enquanto os pronomes de terceira pessoa são dêixis impuras, visto que trazem 
informações adicionais (tal como gênero) com a referência espaço-temporal. 
Fillmore (1982) diz que os pronomes são prototipicamente dêiticos, embora eles 
possam ter usos não-dêiticos (sentido expressivo ou social). Desse modo, alguns 
sistemas pronominais são encontrados em elementos dêiticos básicos, enquanto outros 
são encontrados em elementos dêiticos não básicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 FIGURAS DE LINGUAGEM NA LÍNGUA DE SINAIS E SUAS DIFERENTES 
FORMAS DE MANIFESTAÇÃO 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/emotional-intelligence-side-view-sequence-man-
642768262 Acesso em: 27 out. 2021. 
 
 
Assim como na Língua Portuguesa, temos palavras diferentes para nos referir ao 
mesmo objeto, chamadas de ambiguidade, que é a característica das expressões 
linguísticas que apresentam mais de um sentido/significado para aquela palavra. 
Normalmente quando isso acontece, precisa de um contexto para ser compreendida, isto 
é, possui ambiguidade. Estamos diante de um dos seguintes fenômenos: homonímia e 
polissemia. 
Para Câmara Junior (1986) e Ilari (1990): 
 
A ambiguidade lexical se caracteriza por comportamentos homonímicos 
(palavras que possuem a mesma pronúncia com significados diferentes) e 
polissêmicos, do grego “poly”, significa diversidade, palavra ou expressão 
que possui mais de um significado”. Britto (2005) nos esclarece que a Libras 
apresenta menos casos de ambiguidade do que o português. 
(Disponível em: http://www.ileel.ufu.br/anaisdosielp/wp-
content/uploads/2014/07/volume_2_artigo_154.pdf Acesso em: 14 ago. 2021. 
 
● Sinais Homônimos 
Ocorrem quando os sentidos da palavra ambígua não são relacionados, ou seja, 
os sinais que, embora apresentem parâmetros idênticos em Libras, não estabelecem 
qualquer tipo de relação semântica entre si. Veja exemplos, na Língua Portuguesa: Cela 
(substantivo) – Sela (verbo). Agora reflita no exemplo em Libras com palavras diferentes. 
 
Imagem 54 - (BAHIA) e (JEITO/MANEIRA) 
 
Fonte: Capovilla e Raphael (2001), adaptado pela autora 
 
Como vimos no exemplo, em Libras a palavra/sinal Bahia pode referir-se a uma 
pessoa, a uma loja, a um time de futebol ou à cidade, pois existe uma relação homônima 
entre o sinal/palavra Bahia (substantivo simples, próprio, primitivo) e o sinal/palavra 
Jeito/maneira da pessoa (substantivo e advérbio de modo). 
 
● Sinais Polissêmicos 
Estão relacionados à ambiguidade semântica, possuem dois ou mais significados, 
de acordo com o contexto. Um exemplo é a palavra “sinal”, que pode se aplicar de várias 
formas, tanto na Língua Portuguesa como na Língua Brasileira de Sinais - Libras. No 
caso da Língua Portuguesa ao referir-se a elementos representacionais (como sinais de 
trânsito): 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem 55 - Sinais polissêmicos: elementos representacionais 
 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/traffic-signs-vector-design-1897033447 
 
Na Libras, existem sinais que assumem vários significados, apesar de 
apresentarem uma única forma; a isso, damos o nome de polissemia. A polissemia, 
entendendo a língua como um sistema abstrato, infere a um signo, um universo de 
possibilidades de significação. Bakhtin (2009, p. 95), afirma que “o sentido da palavra é 
totalmente determinado por seu contexto. De fato, há tantas significações possíveis 
quanto contextos possíveis.” 
Segundo Albres e Vilhalva (2004), o campo de significação está inteiramente 
relacionado com o intercurso de sentido. E a Libras, como todas as línguas, apresenta 
polissemia, o fato de um sinal ter muitas significações dependendo do contexto. 
Capovilla e Raphael (1997), em seu Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue, 
apresentam uma série de sinais polissêmicos, dos quais traremos a representação dos 
sinais para melhor compreensão: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem 56 - Sinais polissêmicos na Libras 
 
 
Capovilla e Raphael (1997), adaptado pela autora 
 
 
 
Imagem 57 - Sinais polissêmicos na Libras 
 
Capovilla e Raphael (1997), adaptado pela autora 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem 58 - Sinais polissêmicos na Libras 
 
 
Capovilla e Raphael (1997), adaptado pela autora 
 
Imagem 59 - Sinais polissêmicos na Libras 
 
Capovilla e Raphael (1997), adaptado pela autora 
 
 
Imagem 60 - Sinais polissêmicos na Libras 
 
Capovilla e Raphael (1997), adaptado pela autora 
 
 
Imagem 61 - Sinais polissêmicos na Libras 
 
 
Capovilla e Raphael (1997), adaptado pela autora 
 
Imagem 62 - Sinais polissêmicos na Libras 
 
Capovilla e Raphael (1997), adaptado pela autora 
 
 
Imagem 63 - Sinais polissêmicos na Libras 
 
Capovilla e Raphael (1997), adaptado pela autora 
 
 
 
Imagem 64 - Sinais polissêmicos na Libras 
 
 
Capovilla e Raphael (1997), adaptado pela autora 
 
Além da polissemia, existemoutros fatores que influenciam na atribuição de 
sentido dos enunciados. Nas línguas orais, a linguagem corporal que acontece pelo 
movimento do corpo e de expressões faciais é parte significativa da comunicação. 
Certamente você já ouviu a frase “um gesto vale mais do que mil palavras”. Pois, então, 
podemos considerar esta uma verdade, entretanto uma posição, ou movimento do corpo, 
não tem por si só um significado preciso e incontestável. Sua significação vai depender 
de vários elementos envolvidos no contexto da comunicação discursiva. 
Vejamos alguns exemplos clássicos de mensagens enviadas através da 
linguagem corporal e das expressões faciais nas línguas orais: 
⮚ Franzir de sobrancelhas – dificuldade ou preocupação; 
⮚ Apertar os olhos ou erguer uma das sobrancelhas -sinal de descrédito, 
desconfiança; 
⮚ Tamborilar os dedos – impaciência; 
⮚ Bater na testa – esquecimento; 
⮚ Levantar os ombros – indiferença; 
⮚ Esconder a boca – mentira; 
⮚ Olhar frequentemente para o relógio – pressa ou impaciência. 
 
● Sinais Tautológicos 
A Tautologia na Língua Portuguesa funciona como marcadores conversacionais. 
Exemplo: né, então, tipo assim. Em Libras, são sinais que apresentam variantes 
 
regionais, com dois ou mais sinais que representam o mesmo significado, assim, o 
contexto expressa a mesma ideia, mas com sinais diferentes. 
 
Imagem 65 - Sinais tautológicos na Libras 
 
Fonte: Capovilla e Raphael (2001), adaptado pela autora 
 
Em todos os exemplos, notamos a versatilidade da Língua Brasileira de Sinais e 
como associar os contextos se faz necessário para uma boa comunicação entre surdos 
e ouvintes. Mais uma vez constatamos o dinamismo e a flexibilidade da qual se perfaz a 
língua de sinais, já que uma mesma palavra pode revelar diferentes sentidos, bastando, 
para isso, estar inserida em uma circunstância linguística, como as referidas. 
 
REFLITA 
 
 O domínio que o professor precisa ter das semelhanças e diferenças da Libras 
e do Português contribui para que ele possa construir estratégias explicativas que 
favoreçam a aprendizagem dos seus alunos. Acadêmico(a), reflita, discuta com seus 
colegas, quais seriam as melhores estratégias para o ensino das figuras de linguagens 
para alunos surdos? 
 
 
 
 
Fonte: Exemplo de atividade extraído de Lima e Iunes (1999, p. 272-273). 
 
#REFLITA# 
 
 
 
 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Enfim, chegamos ao final desta Unidade, nela foram apresentados os aspectos, 
as propriedades e a formação dos léxicos na morfologia que podem mudar o significado 
e o sentido. O texto apresentou a formação de sinais e sua descrição imagética, pois 
elas podem descrever cada objeto, animais e pessoas, com o objetivo maior de treinar 
as captações e a inserção de alguns elementos na gramática da Língua Brasileira de 
Sinais. 
Vimos que a metáfora é uma maneira pela qual a pessoa fala uma coisa, mas 
tem a intenção de ser entendida de outra forma. Em Libras, assim como em português, 
muitas vezes, falamos de ideias abstratas por meio de coisas concretas. Todavia, a 
Libras usa essa figura muito mais do que a língua portuguesa por ser uma língua visual 
em que o vocabulário é baseado na forma de imagens concretas de coisas que são 
abstratas. 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
ALBRES, Neiva de Aquino. “Tenha “OLHO CARO”: a interpretação de expressões 
idiomáticas da Língua de Sinais Brasileira Campo Grande – MS: EPILMS 17 e 18 de 
novembro, 2006. Disponível em: 
http://portal.sme.prefeitura.sp.gov.br/Portals/1/Files/19395.pdf Acesso em: 15 de ago. 
2021. 
 
FARIA, Sandra Patrícia. “A metáfora na LSB e a construção dos sentidos no 
desenvolvimento da competência comunicativa de alunos surdos.” Dissertação de 
Mestrado, Universidade de Brasília, 2003. Disponível em: 
file:///C:/Users/Acer/Downloads/2003_SandraPatriciadeFaria.pdf Acesso em: 15 de ago. 
2021. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LIVRO 
 
Título: Estudos Surdos II 
Autor: Ronice Muller de Quadros e Gladis Perlin 
Editora: Arara Azul (2007) 
Sinopse: Coleção que apresenta pesquisas que estão sendo produzidas no campo dos 
Estudos Surdos. São pesquisadores surdos, pesquisadores bilíngues e intérpretes da 
língua de sinais desconstruindo e construindo saberes. 
 
 
LIVRO 02 
 
Título: Tenho um aluno surdo, e agora? Introdução à Libras e educação de surdos 
Autor: Cristina Broglia Feitosa de Lacerda e Lara Ferreira dos Santos (Organizadoras) 
Editora: EdUfscar (2014) 
Sinopse: Este livro reúne textos de diversos autores, surdos e ouvintes, que atuam na 
área da surdez, visando possibilitar uma visão ampla de aspectos relacionados à Língua 
Brasileira de Sinais - LIBRAS e à educação de surdos. 
 
 
 
FILME/VÍDEO 
 
Título: Bolinha de ping-pong 
Autor: Rimar R. Segala 
Ano: 2009 
Sinopse: A narrativa explora as múltiplas perspectivas de ação e reação, no momento 
da sinalização, o autor incorpora pessoas jogando com uma bola, enquanto a bola pula 
e é rebatida. Pode-se perceber claramente o afastamento e a aproximação, o sinal da 
bola pulando, visto de maneira afastada, utilizando um classificador que expressa objetos 
pequenos; quando a bola é rebatida e se aproxima, ela se torna maior e acaba sendo 
representada pela cabeça do artista. 
Link: Bolinha de ping-pong - Rimar R. Segala - YouTube 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FILME/VÍDEO 02 
 
 
Título: Como veio a alimentação 
Autor: Fernanda de Araújo Machado 
Ano: 2011 
Sinopse: Os sinais da narrativa descrevem o lavrador rural, pobre e oprimido estão 
sempre colocados do lado esquerdo, enquanto os sinais para o morador urbano, rico e 
contente ficam no lado direito. Porém, adicionalmente, os sinais de lavrador são 
articulados mais baixos do que os do morador urbano. Assim, o uso de espaço para 
articular os sinais mostram a metáfora de que “o mais alto tem poder”. 
Link: como veio alimentação - YouTube 
 
 
FILME/VÍDEO 03 
 
Título: Doll 
Autor: Paul Scott 
Ano: 2010 
Sinopse: O poema narrado pelo poeta surdo em BSL (Língua de Sinais Britânica), 
apresentado no Festival em Bristol, mostra uma criança infligindo uma série de 
indignidades em sua boneca antes de arrancar sua cabeça. O poema é uma metáfora 
para o tratamento da comunidade surda pela sociedade ouvinte. 
Link: BSL poem "Doll" by Paul Scott - YouTube 
 
 
FILME/VÍDEO 04 
 
Título: Poesia Farol da Barra em Libras (DEAF) 
Autor: João Ricardo Bispo de Jesus 
Ano: 2019 
Sinopse: Neste poema, a luz brilhante da graça de Deus é mostrada pela configuração 
de mão aberta virada de lado e movimentando-se em direção ao rosto do poeta. A 
mesma configuração de mão muda de orientação e o seu movimento passa a ser o de 
flutuar para baixo para se tornar o mar. Desse modo, os sinais graça-divina ou luz-divina-
no-rosto e mar-em-movimento unem as duas ideias ao se metamorfosearem 
um no outro. A configuração de mão em “O”, representando a rocha no oceano, muda 
de orientação e começa a se erguer, tornando-se a lua crescente. O poema fala do 
naufrágio que aconteceu durante a noite depois do barco bater na rocha, então os sinais 
estão conectados por suas formas visuais quando um se funde no outro. 
Link: poesia Farol da Barra em Libras (DEAF) - YouTube 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FILME/VÍDEO 05 
 
Título: Fazenda: Vaca 
Autor: Rimar R. Segala e Sueli Ramalho 
Ano: 2011 
Sinopse: A história contada por Rimar Segala, é uma parábola. Nela, assim como em 
muitas outras, o assunto da narrativa é concreto, mas a ideia contada é mais abstrata. 
Narra que um mestre e um discípulo seguem por uma estrada com fome. Uma família 
pobre, com apenas uma vaca, os recebe e dá leite e queijo para eles com toda a sua 
generosidade, apesar de serem muito pobres. O pai da família explica que graças a sua 
vaca continuam pobres, mas têm as necessidades mais básicas supridas. O mestre 
manda seu discípulo empurrar a vacade um precipício e matá-la. Muitos anos depois, o 
discípulo se arrepende de matar o único apoio que a família tinha e resolve voltar para 
pedir desculpas. Lá ele encontra uma fazenda rica e a família confortável com toda a 
comida que quisesse ter. O pai explica que, um dia, a única vaca morreu por acidente e 
a família teve que se esforçar para sobreviver. Tentaram novos negócios, até que criaram 
uma fazenda produtiva - o que nunca teria acontecido se a vaca continuasse a fornecer 
somente o básico. No final dessa parábola, Sueli Ramalho explica que a história mostra 
para o surdo que não é bom sempre se fazer a mesma coisa de maneira limitada, mas 
que se deve abrir a mente, se arriscar a fazer novas coisas, se desenvolver e tentar ter 
mais sucesso. 
Link: Fazenda: Vaca - Rimar R. Segala e Sueli Ramalho - YouTube 
 
 
 
 
FILME/VÍDEO 06 
 
Título: Homenagem Santa Maria/RS 
Autor: Alan Henry Godinho 
Ano: 2013 
Sinopse: É um poema elegíaco que descreve o luto. Este é normalmente visto como 
um subgênero dos poemas líricos. É um lamento em homenagem aos jovens da cidade 
de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, que morreram em um trágico incêndio em uma 
festa de formatura em 2013. Nesse poema, o artista fala dos jovens como se fossem 
muitas flores ou estrelas. Sobre as flores, sabemos que são lindas, mas que vivem pouco 
tempo. Compara as flores com a vida dos jovens. Depois, fala deles como se fossem 
estrelas. As estrelas também são lindas, mas elas duram muito tempo. Então compara 
as estrelas com a memória dos jovens. Sabemos que eles não são flores nem 
estrelas, tampouco pássaros que voam para o céu (o que o poeta também menciona), 
mas as ideias dentro do poema são metáforas concretas (flores, estrelas, pássaros) que 
mostram conceitos abstratos (vida, memória e paz). 
Link: Poesia de LIBRAS Homenagem Santa Maria/RS - YouTube 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FILME/VÍDEO 07 
 
Título: Lutas Surdas 
Autor: Alan Henry Godinho 
Ano: 2011 
Sinopse: Descreve de forma poética o movimento de luta dos surdos contra o 
fechamento do Instituto Nacional de Educação de Surdos, o INES. O poema tem muitas 
metáforas visuais. Ao falar da marcha de protesto dos surdos em Brasília, mostra 
visualmente a estrutura do Congresso Nacional tremendo com as vibrações da 
manifestação. Os prédios não tremeram de verdade, mas o poema os mostra de uma 
forma criativa, como se tremessem. Alan Henry não usou o sinal tremer, mas adicionou 
um movimento de tremer dentro dos sinais classificadores que mostram as edificações. 
Os prédios de Brasília são uma figura metonímica para significar o governo. Um prédio 
não pode respeitar a Libras, mas as pessoas poderosas dentro deles podem. Em outra 
metáfora, os surdos no protesto fazem uma construção de pedras, representando a 
FENEIS (a federação nacional dos surdos), as associações de surdos estaduais, a 
cultura surda, as associações esportivas dos surdos e a sociedade que apoia os surdos. 
Na verdade, todas as pedras da construção são coisas abstratas – sabemos que 
associações, culturas e sociedades não têm forma –,mas por metáfora são 
transformadas para serem concretas e mostrarem que os conceitos abstratos também 
apoiaram a luta. Quando os surdos no poema fazem essa construção referência, eles 
erguem uma bandeira enorme em cima dela, que tremula com o orgulho da Libras. A 
bandeira é um objeto concreto, mas a importância da língua de sinais é abstrata. A 
criação do sinal da bandeira feita por mãos que sinalizam mostra a importância da Libras 
 
para a comunidade surda. A bandeira não é de fato feita por uma língua nem pode fazer 
um prédio tremer, mas através da metáfora Alan Henry cria a ideia de que isso é possível. 
Link: LUTAS SURDAS... - YouTube 
 
 
FILME/VÍDEO 08 
 
Título: O passarinho diferente 
Autor: Nelson Pimenta 
Ano: 2004 
Sinopse: A história é baseada numa versão em ASL do artista e pesquisador surdo Ben 
Bahan. Nelson fez a sua tradução para Libras com adaptação à cultura brasileira. O 
passarinho nasce dentro de uma família de águias, mas com o bico pequeno e reto. A 
família percebe que ele é diferente e tenta achar uma cura para que ele se torne uma 
águia com o bico grande e curvado, ou, pelo menos, que ele aprenda a viver como elas, 
caçando coelhos e voando alto. O passarinho vai a uma escola especial para pássaros 
com bicos defeituosos como o dele para tentar remediar o problema. Conhece um grupo 
de passarinhos como ele, vivendo de outra maneira, comendo uvas 
e cantando; fica muito contente com eles, mas acaba voltando para a sua família. Ele 
aceita então uma cirurgia para que seu bico fique curvado e parecido com o de uma 
águia, mas fica zangado porque parece mais um papagaio. Ele volta aos amigos 
passarinhos, mas com a nova forma de seu bico ele não consegue mais comer uvas nem 
cantar. No final, ele voa sozinho até o pôr do sol no horizonte. A narrativa fala das aves, 
mas entendemos que é uma metáfora da sociedade humana. Para os surdos, fica claro 
que a narrativa é uma metáfora para a experiência dos surdos numa sociedade de 
ouvintes. O passarinho é o filho surdo e a família de águias (que ama muito o seu filho) 
é a família ouvinte. As tentativas de curar o bico têm paralelo com as tentativas de curar 
a surdez, e a escola para remediar o passarinho tem professores, objetivos e falhas bem 
conhecidos pela comunidade surda em sua educação. Os passarinhos que cantam e 
comem uvas são uma metáfora para a comunidade surda, vivendo do jeito natural deles. 
A cirurgia para curvatura do bico remete à cirurgia do implante coclear e o resultado de 
 
criar um bicho nem de águia nem de passarinho é o surdo que não se encaixa nem no 
mundo dos surdos tampouco no dos ouvintes. 
Link: 2004_RJ_Literatura_Fábula_O-passarinho-Diferente_NelsonPimenta (ufsc.br) 
 
 
FILME/VÍDEO 09 
 
Título: O sapo e o boi 
Autor: Nelson Pimenta 
Ano: 2004 
Sinopse: A fábula contada por Nelson Pimenta é exagerada para atrair as crianças. Na 
fábula “O Sapo e o Boi”, um sapinho cheio de inveja de um boi imponente tenta ficar 
inchado até ficar do tamanho do boi. Apesar de os amigos pedirem para que ele desista, 
continua inchando até estourar. Nelson Pimenta conta essa fábula com muitas figuras 
estéticas, seguindo as regras de criação de histórias visuais em Libras e, por isso, são 
contos que podemos valorizar como arte literária e divertida. A história tem um sentido 
metafórico e traz um ensinamento no final, que é melhor se aceitar como se é e não 
tentar ser o que não se pode ser (um sapo nunca pode atingir o tamanho de um boi). 
Link: 20040314_RJ_Literatura_Fábula_O-sapo-e-o-boi_NelsonPimenta (ufsc.br) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
 
ALBRES, Neiva de Aquino. “Tenha “OLHO CARO”: a interpretação de expressões 
idiomáticas da Língua de Sinais Brasileira Campo Grande – MS: EPILMS 17 e 18 de 
novembro, 2006. 
 
ALBRES, N. A.; VILHALVA, S. Língua de sinais: processo de aprendizagem como 
segunda língua. Petrópolis: Arara Azul, 2004. 
 
BAKHTIN, M. Marxismo e filosofia da linguagem. 13. Ed. Tradução de Michel Lahud 
e Yara Frateschi Vieira. São Paulo: Hucitec, 2009. 
 
BERENZ, N. Person and Dêixis in Brazilian Sign Language. Ph.D. Dissertation. 
University of California, 1996). 
 
CÂMARA JR, Joaquim Matoso. Estrutura da língua portuguesa. Petrópolis: Vozes, 
1986. Disponível em: http://www.ileel.ufu.br/anaisdosielp/wp-
content/uploads/2014/07/volume_2_artigo_154.pdf Acesso em: 14 ago. 2021. 
 
CAPOVILLA, F. C.; RAPHAEL, W. D. Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue – 
Língua de Sinais Brasileira. São Paulo: EDUSP, 2001. 
 
CAPOVILLA, F. C.; RAPHAEL, W. D. Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue. 3 
ed. São Paulo: EDUSP, 1997. 
 
FARIA, Sandra Patrícia. “A metáfora na LSB e a construção dos sentidos no 
desenvolvimento da competência comunicativa de alunos surdos.” Dissertação de 
Mestrado, Universidade de Brasília,2003. 
 
FELIPE, T. A. A relação sintático-semântica dos verbos e seus argumentos na 
Libras. Tese de Doutorado. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 
1998. 
 
FERNANDES, E., Linguagem e Surdez. Porto Alegre, Artmed, 2002. 
 
FILLMORE, C. J.; Frame semantics. In: LINGUISTIC SOCIETY OF KOREA (ed.). 
Linguistics in the Morning Calm. Seoul: Hanshin Publishing, 1982. 
 
ILARI, Rodolf. Semântica. São Paulo: Bomlivro, 1990. Disponível em: 
http://www.ileel.ufu.br/anaisdosielp/wp-
content/uploads/2014/07/volume_2_artigo_154.pdf Acesso em: 14 ago. 2021. 
 
 
 
LAKOFF, George e MARK, Johnson. Metáforas da Vida Cotidiana. São Paulo: 
Mercado das letras, 2002. 
 
 
LAKOFF, G. & JOHNSON, M. Metaphors we live by, The University of Chicago, 
Chicago, 1980. 
 
LIDDELL, S. K. Indicating verbs and pronouns: pointing away from agreement. In: An 
anthology to honor Ursula Bellugi and Edward Klima, eds. Karen Emmorey and Harlan 
Lane, 303-320. Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum Associates, 2000. 
 
LYONS, J. Linguagem e linguística. Rio de Janeiro: Guanabara, 1981. 
 
MOREIRA, Renata Lucia. Uma descrição de dêixis de pessoa na Língua de Sinais 
Brasileira: pronomes pessoais e verbos indicadores. Dissertação de Mestrado em 
Linguística. Faculdade de filosofia, Letras e ciências Humanas (FFLCH) – USP, 2007. 
 
PADDEN, C. Interaction of morphology and syntax in ASL. 1983. Dissertation (Doctoral) - 
University of California, San Diego, 1983. 
 
PIZZIO, A. L. A variabilidade da ordem das palavras na aquisição da língua de 
sinais brasileira: construção com tópico e foco. Dissertação (Mestrado) – 
Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2006. 
 
PIZZUTTO, Elena; ROSSINI, Paolo; SALLANDRE, Marie-Anne; WILKINSON, Erin. 
Dêixis, anáfora e estrutura altamente icônicas: Evidências Interlinguísticas nas Língua 
de Sinais Americana, Francesa e Italiana. IN: QUADROS, Ronice; VASCONSELLOS, 
Maria Lucia Barbosa (orgs.). Questões teóricas das pesquisas em língua de sinais. 
Tisrls 9. Santa Catarina: 2008. 
 
QUADROS, R. M. de. Educação de Surdos: a aquisição da linguagem. Porto Alegre: 
Artmed, 1997. 
 
QUADROS, R. M.; KARNOPP, L. Língua de sinais brasileira: estudos linguísticos. 
Porto Alegre: ArtMed, 2004. 
 
QUADROS, R.; PIZZIO, A.; REZENDE, P. Língua Brasileira de Sinais V. Florianópolis: UFSC, 
2009. 
 
SAUSSURE, Ferdinand. Curso de Linguística Geral. São Paulo: Cultrix, 1995. 
 
VIOTTI, Evani. Curso de Licenciatura em Letras-Libras-UFSC (USP) Introdução aos 
Estudos Linguísticos, 2007. 
 
 
UNIDADE III 
A LINGUÍSTICA DAS LÍNGUAS DE SINAIS 
Professora Mestre Elizete Pinto Cruz Sbrissia Pitarch Forcadell 
 
 
Plano de Estudo: 
A seguir apresenta-se os tópicos que você estudará nesta unidade: 
 
● Sobre Linguística; 
● A Linguística e as Línguas de Sinais; 
● Fonologia da Língua de Sinais; 
● Morfologia da Língua de Sinais; 
● Sintaxe da Língua de Sinais; 
● Semântica e Pragmática da Língua de Sinais. 
 
 
Objetivos de Aprendizagem: 
● Introduzir conceitos referentes à linguística e às línguas de sinais; 
● Constatar os processos fonológicos, morfológicos, sintáticos, semânticos e 
pragmáticos da Língua Brasileira de Sinais; 
● Aprofundar os conceitos sobre os parâmetros da Libras: configuração de mão, 
ponto de articulação, movimento, orientação da mão e expressão facial/corporal; 
● Identificar os processos de formação dos sinais e das frases em Libras; 
● Reconhecer a diferença dos significados e sentidos. 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
A Libras é dotada de uma gramática composta por itens lexicais, que se 
estruturam a partir de níveis fonológicos, que analisam como os sinais são produzidos, 
ou seja, as unidades mínimas ou os parâmetros que compõem o sinal. No nível 
morfológico, indicam e registram-se as classes dos sinais produzidos, além de ser 
observada a flexão verbal, essa flexão pode acontecer em quaisquer verbos sempre que 
for apropriado, inclusive nos classificadores que são analisados no nível sintático. A 
sintaxe analisa, então, a estrutura das sentenças e a estrutura discursiva, e o nível 
semântico registra-se o significado do vocabulário e das sentenças produzidas está de 
acordo com a narração assistida. Em relação a esse nível de análise, o foco está na 
coerência, ou seja, nas unidades de sentido produzidas. Esses níveis são usados na 
geração de estruturas linguísticas de forma produtiva, possibilitando um número infinito 
de construções, a partir de um número finito de regras. 
Existe, também, componentes pragmáticos convencionais, codificados no léxico 
e na estrutura da Libras que permitem a geração de implícitos, sentidos metafóricos, 
ironias e outros significados não literais. Esses princípios regem também o uso adequado 
das estruturas linguísticas da Libras, isto é, permitem aos seus usuários usar estruturas 
nos diferentes contextos que se lhes apresentam, de forma a corresponder às diversas 
funções linguísticas que emergem da interação no dia-a-dia, bem como dos outros tipos 
de uso da língua. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 SOBRE A LINGUÍSTICA 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/examine-study-linguistics-showed-magnify-
glass-1856072773 Acesso em: 30 out. 2021 
 
A Linguística é considerada uma ciência da linguagem humana que tem como 
objeto de estudo a língua natural humana. Analisa e descreve as línguas como se 
apresentam, não tendo a preocupação em emitir juízos de valor, não determina se é 
correta ou incorreta, não privilegia as formas mais cultas em detrimento das formas mais 
populares. A Linguística procura explicar a capacidade que as pessoas possuem 
para compreender uma língua, formar palavras, frases, textos, produzir sons, 
gestos, sinais. 
Para compreendermos melhor sobre os aspectos da linguística, nos apoiamos 
nos estudos de Ferdinand Saussure e de Noam Chomsky, com suas teorias importantes 
para entendermos o funcionamento da língua. 
 
Para Ferdinand Saussure (1995) existe uma distinção entre a linguagem e a 
língua. 
 
● Linguagem: Capacidade humana natural, que nasce com o ser humano. Ou seja, 
é mais ampla que a língua, permite que o homem produza e compreenda todas as 
 
manifestações simbólicas como a pintura, a música, a dança, sendo a língua uma 
dessas manifestações. 
 
● Língua: Lı́nguas são aprendidas, convencionais, surgem pela necessidade de 
comunicação entre as pessoas e se desenvolvem conforme o contexto cultural, 
geográfico, econômico, tecnológico, de um povo. Ou seja, é parte essencial da 
linguagem, constitui-se num sistema de signos, um conjunto de unidades que se 
relacionam de forma organizada dentro de um todo. 
 Destaco ainda, sobre a definição de língua, que Saussure (1969, p. 17) afirma que 
a língua é um produto social, isso significa dizer que a língua é produzida e usada por 
toda uma comunidade, não sendo propriedade de ninguém individualmente. Uma língua 
não existe individualmente, ela se constitui no meio social e é no meio social que ela se 
realiza, se transforma e evolui. Por isso, ela é social e convencional, isto é, as palavras, 
os signos, devem ser conhecidos e compreendidos por todos os seus usuários. 
Saussure (1969) apresenta-nos ainda, quatro pares conceituais que formam as 
dicotomias, esses conceitos se opõem, um só pode ser compreendido se comparado ao 
outro, e juntando os dois formam um conceito maior, fundamental para entendermos o 
que é a língua. Vejamos: 
 
1. Língua e Fala 
 
A língua é social, um sistema de signos convencionais, não pode ser mudado. A 
fala é individual, é a manifestação oral, é o sujeito falante usando o código da língua. A 
fala traz muitas marcas da cultura, do modo de viver do falante, de tal forma que uma 
mesma língua pode ser falada de diferentes maneiras, dependendo do lugar, das 
influências a que o falante está exposto. Enfim, a fala é a expressão individual, própria 
de cada pessoa. Porém, independente do jeito decada indivíduo falar, a língua é a 
mesma: no nosso caso o português. 
 
2. Significado e Significante 
Para compreendermos a dicotomia “significante e significado”, precisamos 
entender melhor sobre o signo linguístico. 
 
 
Signos linguísticos: são unidades linguísticas que significam alguma coisa. Por 
exemplo: livro é um signo em português. Se eu usar esse signo, todas as pessoas que 
conhecem a língua portuguesa sabem a que eu me refiro. A palavra livraria também é 
um signo, porém é composta por dois signos menores que têm significação: livr (livro) + 
aria (indica um estabelecimento comercial que vende livros) forma o novo signo livraria. 
Frases ou textos também são signos porque significam alguma coisa. Por exemplo: o 
livro A Moreninha, de José de Alencar, é um signo. 
Assim, tudo que é existente e conhecido é representado por um signo. O signo é 
a associação indissolúvel de um significante e de um significado. 
 
 Imagem 1 - Desenho de árvore 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/illustration-tree-roots-1195516093 
 
Árvore: o significado corresponde não ao objeto, a coisa em si, mas a ideia, o 
conceito que temos de árvore (galhos, tronco, raiz). O significante de árvore é a imagem 
acústica, que é a representação psíquica do som /a/r/v/o/r/e. 
O significante é a imagem acústica, ou seja, quando se pensa em algo 
conhecido, é como se o som ressoasse no cérebro, é um som não articulado. 
 
 
Imagem 2 - Significante ou imagem acústica 
 
 
Fonte: Imagem disponível em: https://letransfert.wordpress.com/2013/05/15/sintoma-e-desejo-
psicanalitico-uma-perspectiva-linguistica/ 
 
 
Imagem 3 - Conceito de imagem acústica 
 
Fonte: Imagem disponível em: http://comunicacionparaadultos.blogspot.com.br/ 
 
Imagem 4 - Conceito da imagem representada no visual 
 
Fonte: Imagem disponível em: http://trabalhandocomsurdos.blogspot.com.br/2014/04/meios-de-
transporte-em-libras.html 
 
 
Para resumir: signo linguístico compreende dois termos psíquicos unidos em 
nosso cérebro = significado (ideia, conceito) + significante (representação psíquica do 
som). 
3. Sincronia e Diacronia 
 
 
Para Saussure (1969), o estudo Sincrônico da lı́ngua é a observação da lı́ngua 
num momento delimitado, num determinado ponto do tempo, num perıódo, não 
interessando o que aconteceu antes, nem o que poderá acontecer depois. Essa forma 
de analisar a língua se chama de sincronia, não se atém às transformações históricas da 
língua e nem a sua possível evolução. Já o estudo Diacrônico são as observações das 
ocorrências que aconteceram com a língua através do tempo, engloba as mudanças e 
transformações. Para exemplificar uma observação diacrônica podemos observar as 
transformações históricas: “vossa mercê”; “vosmicê”; “você”. 
 
4. Sintagma e Paradigma 
 
● Sintagma: São as combinações que acontecem dentro do contexto discursivo, 
uma palavra, um grupo de palavras ou uma frase. O sintagma acontece a partir do 
princípio da linearidade: são combinações consecutivas, se alinham uma após a outra, 
como acontece na fala. O sintagma tem duas ou mais unidades, como, por exemplo: 
pato = pa-to; Paulo chegou; Se fizer tempo bom, sairemos. Vimos que num sintagma 
cada termo linguı́stico tem um valor porque se opõe ao termo que vem antes e ao que 
vem após. 
● Paraddigma ou Relações Assosiativas: São associações que acontecem em 
nossa memória com as palavras que têm alguma coisa em comum: ou o significado, ou 
a imagem acústica, a sonorização. Por exemplo: quando lemos ou ouvimos a palavra 
“livraria”, a essa palavra se associam muitas outras que estão na nossa memória, como 
livro, papel, arquivos, cadernos, lápis, enfim, um universo de palavras que poderão estar 
associadas ao significado de livraria. Outras palavras poderão ser associadas à 
sonorização de livraria: portaria, papelaria, pescaria. O eixo paradigmático ou eixo 
vertical é o eixo das relações associativas. 
 
O que dizem os estudos de Chomsky? 
 
Para Chomsky (1996), na Gramática Gerativa: 
 
 
● Língua: É um objeto mental. Ou seja, a mente é o local onde a língua (um sistema 
de princípios) está radicada. É esse sistema de princípios mentais que é o objeto de 
estudo da Gramática Gerativa (VIOTTI, 2008). 
● Linguagem: É uma capacidade inata, transmitida geneticamente e própria da 
espécie humana. Segundo Viotti (2008), a faculdade da linguagem já está formada 
quando a criança nasce, é comum a toda a espécie humana, é igual para todas as 
crianças, sejam surdas ou ouvintes. A faculdade da linguagem é um estado inicial a toda 
a pessoa quando nasce, é inata, faz parte da genética humana, chama-se gramática 
universal. A língua, “é o resultado da interação de dois fatores: o estado inicial e o curso 
da experiência” (CHOMSKY, 1996, p. 74). 
Assim sendo, se uma criança, ao nascer, passar a conviver com pessoas que 
falam português, o seu estado inicial da faculdade da linguagem, em interação com as 
informações linguísticas, vai se modificando e ela passará a falar português e não outra 
língua. Da mesma forma, se a criança for surda e os seus pais ou cuidadores usam a 
língua de sinais, a criança vai desenvolver a língua de sinais. 
Ao referir-se à faculdade da linguagem, Chomsky a considera como um “órgão 
linguístico”, como outros órgãos do corpo tais como o sistema visual, o sistema 
circulatório, dado o seu caráter fundamental em todos os aspectos da vida e da interação 
humana. 
 
SAIBA MAIS 
GERATIVISMO 
 
 Segundo a teoria de Chomsky, todas as pessoas têm os mesmos mecanismos 
mentais destinados à produção e compreensão da linguagem. A faculdade da linguagem 
é parte da dotação genética humana, esse módulo especial, associado especificamente 
à língua e não às outras linguagens como a dança, a música, que se constitui o centro 
dos estudos da sua teoria, é chamada de GRAMÁTICA UNIVERSAL. 
 Gramática Universal é o estado inicial, uma competência que toda a criança já traz 
quando nasce e está presente em todas as pessoas, sejam ouvintes ou surdas. 
Todas as pessoas são portadoras da faculdade da linguagem. Logo, todas possuem uma 
Gramática Universal. Porém, esse estado inicial da faculdade da linguagem, à medida 
 
que a criança passa a conviver num ambiente linguístico, com qualquer língua humana 
verbal ou a língua de sinais, a Gramática Universal vai se desenvolver e se tornar uma 
gramática constante, como a espanhol, o português, a LIBRAS. 
 A preocupação da Gramática Universal são os mecanismos mentais dedicados à 
produção e compreensão da linguagem, em que os falantes de uma língua têm intuições 
sobre como devem ser as formas das sentenças. O conhecimento intuitivo era 
inicialmente chamado de Competência linguística, que representa o conhecimento que 
o falante possui sobre a sua própria língua, é o conhecimento interiorizado. Já o 
Desempenho linguístico representa o uso do conhecimento intuitivo, chamado de 
conhecimento exteriorizado. 
 
DICA DE FILME: Indicamos dois filmes importantíssimos para que você possa escolher 
pelo menos um deles. A primeira indicação é o filme do Menino Lobo, que evidencia a 
questão da aquisição de linguagem. 
 
Título: Mogli: O menino Lobo 
Autor: Jungle Book 
Ano: 2016 
Sinopse: Mogli é um menino que foi criado por lobos em uma floresta indiana. Mesmo 
convivendo em harmonia com os animais ele é visto como uma ameaça pelo tigre Shere 
Kan. Temendo pela sua segurança e a do seu bando, ele decide se afastar da floresta. 
 
A segunda indicação é a do filme NELL: 
 
 
Título: NELL 
Autor: Michael Apted 
Ano: 1994 
Sinopse: Relata a história fictícia de uma garota que é encontrada numa casa afastada 
da cidade. Apesar de não poder ser considerada uma criança selvagem, ela não 
aprendeu a falar, pois a mãe foi encontradamorta e tudo indicava que sofria algum tipo 
de distúrbio neurológico, mas descobriu-se que fora efeito da criação isolada (após a 
morte de sua mãe e irmã) e aprendizado de uma linguagem afásica de sua mãe, possível 
vítima de um AVC. 
 
#SAIBA MAIS# 
 
 
 
 
 
 
 
2 A LINGUÍSTICA E AS LÍNGUAS DE SINAIS 
 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
A Libras, por ser uma lı́ngua natural, possui os mesmos fenômenos linguı́sticos 
comuns a todas as lı́nguas orais, podendo ser analisada nos nı́veis fonológico, 
morfológico, sintático, semântico e paradigmático. Por sua característica espacial, os 
níveis fonológico, morfológico e sintático se realizam espacialmente, uma vez que o 
espaço é um importante canal de constituição da língua de sinais. 
Assim, os estudos linguísticos das línguas de sinais partem dos mesmos 
pressupostos básicos, válidos tanto para as línguas orais como para as línguas 
visuoespaciais: as línguas são constituídas por um conjunto de princípios que fazem 
parte do conhecimento humano e determinam a produção oral ou viso-espacial, 
dependendo da modalidade das línguas, se faladas ou sinalizadas, da formação das 
palavras, da construção das sentenças e da construção dos textos. 
 
 
 
SAIBA MAIS 
 
 
Os estudos linguísticos das Línguas de Sinais iniciaram com o pesquisador 
linguista William Stokoe (1960) numa escola para surdos, chamada de Gallaudet College, 
hoje conhecida como Gallaudet University, importante centro acadêmico de pesquisas e 
ensino para surdos. Ele era ouvinte e desconhecia o mundo das pessoas surdas. Na 
escola empregava-se a oralização, a leitura labial. Através das suas observações 
sistemáticas, percebeu que nas situações informais, no pátio e nos corredores, os alunos 
usavam um conjunto de sinais para se comunicarem entre si, bem diferentes dos sinais 
de instrução usados nas aulas. Procurou aproximar-se dos alunos para conhecer os 
sinais que tinham maior força comunicativa, pois, na época, nem a língua de sinais 
americana era ensinada na escola. A partir das suas observações, passou a constatar 
que a sinalização usada pelos surdos era uma língua autônoma, com uma 
gramática própria. Apresentou uma análise descritiva da Língua de Sinais Americana, 
revolucionando a linguística da época, período em que todos os linguistas se dedicavam 
aos estudos da língua oral. Pela primeira vez um linguista estava apresentando 
elementos linguísticos de uma língua de sinais. Hoje, ainda temos poucos linguistas 
surdos pesquisando as línguas de sinais. 
 
VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS: A língua é social e se realiza num determinado 
momento histórico e geográfico. Assim como a sociedade muda, a língua que usamos 
também sofre transformações. É muito comum, num mesmo país, as pessoas falarem a 
mesma língua de formas diversas, múltiplas. As variações são ocasionadas por 
diferentes fatores tais como a época, as condições econômicas, os ambientes sociais, a 
região geográfica, o uso das tecnologias e das redes sociais. Essas diversidades 
linguísticas normalmente se iniciam na fala, aparecendo depois na escrita. 
As línguas naturais nascem espontaneamente da necessidade de comunicação 
e interação entre as pessoas, são dinâmicas e estão sempre se modificando. Essa 
capacidade de transformação da língua chama-se variação linguística. As variações 
linguísticas refletem as diferentes formas das pessoas se comunicarem, muitas vezes o 
uso de gírias e regionalismos cumprem muito bem a função de comunicar, outras vezes 
há a necessidade de optar pela norma padrão da língua. 
 
As línguas de sinais também apresentam as mesmas variações que a Língua 
Portuguesa e as demais línguas orais. A seguir, veremos alguns tipos de variações que 
a língua sofre no decorrer do seu uso: 
 
● Variação Histórica – São as modificações da língua no decorrer do tempo, por 
exemplo: as palavras antes escritas com ph como pharmacia - farmácia; as reduções: 
vosmicê – você; etc. Essas modificações também vão aparecer na língua de sinais, com 
o passar do tempo, um sinal pode sofrer alterações decorrentes dos costumes da 
geração que o utiliza. Como no exemplo do sinal AZUL 
 
Imagem 5 - Variação histórica do sinal AZUL 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
● Variação Regional - São as variações ocorridas de acordo com a cultura 
de uma determinada região, diferentes Estados e diferentes áreas geográficas dentro de 
um mesmo Estado, (os chamados dialetos), como, por exemplo, a palavra mandioca, 
que em certas regiões é tratada por macaxeira ou aipim. Outro fator importante para a 
variação linguística é a origem rural ou urbana da pessoa usuária da língua oral, mas, 
também encontrada na língua de sinais como mostra o exemplo a seguir: 
 
Imagem 6 - Variação regional do sinal VERDE 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
 
● Variação Social - É aquela pertencente a um grupo específico de pessoas. Neste 
caso, destacam-se as gírias, originadas em grupos de surfistas, ou adolescentes. Os 
jargões, que pertencem a uma classe profissional mais específica, como é o caso dos 
médicos, profissionais da informática, dentre outros. O grau de escolarização: o acesso 
maior ou menor à educação formal e, com ele, à cultura letrada, à prática da leitura e aos 
usos da escrita, é um fator muito importante na configuração dos usos linguísticos dos 
diferentes indivíduos. Na língua de sinais existem variações na configuração da mão e/ou 
no movimento, o que não modifica o sentido do sinal, apenas se adequa ao uso de 
determinado grupo. Por exemplo, o sinal de AVIÃO. 
 
Imagem 7 - Variação social do sinal AVIÃO 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
 
Caro(a) acadêmico(a)! A partir de agora passaremos aos estudos da fonologia, 
morfologia, sintaxe, semântica e pragmática da Língua Brasileira de Sinais. Os estudos 
de Quadros e Karnopp (2004), serão fundamentais para que possamos compreender 
esses conceitos enquanto áreas linguísticas que organizam e estruturam também as 
línguas de sinais. 
 
REFLITA 
 
● Primeira reflexão: 
 
A língua de sinais é uma potência para as pessoas surdas, principalmente, no 
caso de crianças surdas que têm a língua de sinais como sua primeira língua. Temos 
alguns bons exemplos de sucesso de crianças surdas em famílias surdas. Destacamos 
a experiência vivida pela menina Fiorella, atualmente com cinco anos de idade. Os seus 
pais criaram o blog, “O Diário de Fiorella”, para acompanhar o desenvolvimento 
linguístico da menina. Com a chegada da bebê Florence, atualmente, os pais postam 
vídeos sobre as interações e o desenvolvimento linguístico em língua de sinais das duas 
filhas surdas, e ainda, acompanham o processo de alfabetização na língua portuguesa 
na modalidade escrita da menina Fiorella. As experiências positivas vivenciadas na 
prática por esta família de pessoas surdas, comprova as evidências de diversas 
pesquisas como as de (KING; MACKEY, 2007; KARNOPP, 1994), que apontam as 
línguas de sinais como possibilidade complexa que acompanha o desenvolvimento da 
comunicação e da cognição das crianças surdas. Você pode acompanhar todas as 
postagens desse diário através do link: 
https://www.youtube.com/channel/UC9g1xELVb53CLrS53UF4kuw/videos 
 
● Segunda reflexão: 
 
Com a recente conquista materializada na Lei nº 14.191, de 3 de agosto de 2021 
(BRASIL, 2021), a educação bilíngue de surdos passa a ser modalidade de educação 
 
na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDBEN. A língua de sinais está 
presente na educação bilíngue, como direito das pessoas surdas, mediante a aprovação 
dessa Lei, passa a ser aplicada em escolas bilíngues de surdos, classes bilíngues de 
surdos, escolas comuns ou em polos de educação bilíngue de surdos. O público a ser 
atendido será de educandos surdos, surdocegos, com deficiência auditiva sinalizantes, 
surdos com altas habilidades/superdotação ou com deficiências. A consolidaçãodessa 
conquista se deu através da rede das lutas e militâncias entre os surdos e a comunidade 
surda e na concretização de consistente marco teórico e legal. Dessa forma, 
comprovando a evidência do sucesso do acesso à língua de sinais e a comunicação em 
língua de sinais como um direito humano básico inegável. 
 
Fonte: BRASIL. Lei nº 14.191, de 3 de agosto de 2021. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14191.htm. Acesso em: 5 
ago. 2021. 
 
#SAIBA MAIS# 
 
 
 
 
 
3 FONOLOGIA DA LÍNGUA DE SINAIS 
 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
Quadros e Karnopp (2004), nos chamam a atenção para a fonologia enquanto 
ramo da linguística, sendo necessário compreender dois pontos fundamentais: o primeiro 
ponto se refere às unidades mínimas que formarão os sinais, e o segundo ponto é 
combinar essas unidades mínimas, levando em conta as suas variações possíveis. 
Salientam que o estudo da fonologia tem sido usado para conhecermos os elementos 
básicos das línguas de sinais, compreendendo a diferença entre as línguas orais, no que 
concerne à percepção e produção 
As autoras apontam para os estudos do pesquisador da Língua de Sinais 
Americana Stokoe (1960), o linguista propôs dois termos que marcam a diferença entre 
esses dois tipos de sistemas linguísticos: 
❖ Quirema: para Stokoe, são as unidades formacionais dos sinais (configuração de 
mão, locação e movimento) 
❖ Quirologia: que se refere ao estudo das combinações dessas unidades mínimas. 
A partir de 1978, Stokoe e outros pesquisadores passaram a utilizar os termos 
‘fonema’ e ‘fonologia’ estendendo seus significados de modo a abarcar a realização 
linguística visual-espacial, compreendendo que as línguas de sinais são línguas naturais, 
 
que compartilham princípios linguísticos subjacentes com as línguas orais, apesar das 
diferenças de superfície entre fala e sinal (KLIMA e BELLUGI, 1979; WILBUR, 1976; 
HULST, 1993). 
As línguas de sinais apresentam: 
❖ Léxico: conjunto de símbolos convencionais. 
❖ Gramática: sistema de regras que regem o uso dos símbolos convencionais. 
E apresenta também a hipótese de que a forma das línguas de sinais é 
determinada pela gramática universal inata e pela interação entre percepção visual e 
produção gestual. 
Análises das unidades formacionais dos sinais, posteriores a de Stokoe, 
sugeriram a adição de informações referentes à (orientação de mão e expressões 
faciais/corporais), Battison, 1974, 1978. Esses dois parâmetros foram, então, 
adicionados aos estudos da fonologia. 
A organização fonológica da língua de sinais está dividida em: 
❖ Parâmetros Primários: são as mãos (configuração de mãos), que se 
movimentam no espaço em frente ao corpo do interlocutor (movimentos) e o espaço 
onde se articulam os sinais em determinados pontos (locações). 
❖ Parâmetros Secundários: as mãos se posicionam de acordo com o movimento 
(orientação de mãos) e o interlocutor usa várias expressões corporais e faciais como 
elementos extralinguísticos. 
 
SAIBA MAIS 
 
A fonética e a fonologia das línguas de sinais são áreas da linguística que estudam 
as unidades mínimas dos sinais que não apresentam significado isoladamente. Por 
terem o mesmo objeto de estudo, são áreas relacionadas. Portanto: 
 
 
● A fonética se preocupa em descrever as unidades mínimas dos sinais, descreve 
as propriedades físicas, articulatórias e perceptivas de configuração e orientação 
de mão, movimento, ponto de articulação e expressão facial/corporal. Ou seja, é 
 
a área que investiga o aspecto material das unidades mínimas das línguas de 
sinais, as bases visuais relacionadas com a percepção e as bases fisiológicas 
relacionadas com a produção, suas unidades básicas são transcritas entre 
colchetes [ ]. 
 
● A fonologia das línguas de sinais é um ramo da linguística que objetiva identificar 
a estrutura e a organização dos constituintes fonológicos, propondo modelos 
descritivos e explanatórios. A primeira tarefa da fonologia é determinar quais são 
as unidades mínimas que formam os sinais. A segunda tarefa é estabelecer quais 
são os padrões possíveis de combinação entre essas unidades e as variações 
permitidas/possíveis no ambiente fonológico. A fonologia estuda as diferenças 
percebidas e produzidas relacionadas com as diferenças de significado. 
 
#SAIBA MAIS# 
 
Com base nessas informações introdutórias, é hora de apresentar 
detalhadamente as propriedades de cada Parâmetro em Língua Brasileira de Sinais, 
isso significa conhecermos as propriedades de Configuração de Mão, Ponto de 
Articulação (Locação), Movimento, Orientação da Mão e Expressão Facial/Corporal. 
 
1. Configuração de Mão (CM) 
 
São formas das mãos, que podem ser da datilologia (alfabeto manual) ou outras 
formas feitas pela mão predominante (mão direita para os destros), ou pelas duas mãos 
do emissor ou sinalizador. As configurações de mão não se restringem às configurações 
do alfabeto manual, e hoje são descritas mais de 60 diferentes configurações que 
permitem a comunicação em Libras. A seguir, mostra-se a figura com 61 configurações 
de mão. 
 
Imagem 8 - Configurações de Mão 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
● Leoa Guerreira 
Link: https://www.youtube.com/watch?v=rfnKoCXmSg4 Acesso em: 30 out. 2021. 
 
O vídeo acima mostra a história Leoa Guerreira, de Vanessa Lima, que apresenta 
a narrativa usando a mesma configuração de mão em forma de garra da leoa, como 
podemos observar nos sinais: LUTAR, DESISTIR, NÃO, CANSAR, FLORESTA, SOL, 
CALOR, LIMPAR-O-SUOR-DA-TESTA, OLHAR-A-DISTÂNCIA, TRABALHAR, DIFÍCIL, 
VAMOS e GRUPO. 
 
2. Ponto de Articulação 
 
Stokoe (1960) define Locação ou Ponto de Articulação como um dos três 
principais aspectos formacionais da Língua Americana de Sinais (ASL). Friedman (1977, 
p.4) afirma que locação “é aquela área no corpo, ou no espaço de articulação definido 
pelo corpo em que ou perto da qual o sinal é articulado.” Na Língua Brasileira de Sinais 
(Libras) até o momento investigadas, o espaço de enunciação é uma área que contém 
todos os pontos dentro do raio de alcance das mãos em que os sinais são articulados. 
 
Ferreira-Brito e Langevin (1995) adaptaram para a Libras as locações, dividindo-as em 
quatro regiões principais: cabeça (topo da cabeça, testa, rosto, parte superior e inferior 
do rosto, orelha, olhos, nariz, boca, bochechas e queixo); mão (palma, dorso da mão, 
lado indicador, lado do dedo mínimo, dedos, pontas dos dedos, anelar, dedo médio, 
indicador e polegar); tronco (pescoço, ombro, busto, estômago, cintura, braço, 
antebraço, cotovelo e pulso) e espaço neutro. Vamos ver como esses pontos de 
articulações ou locações podem ser visualizadas no poema a seguir. 
 
● Árvore 
Link: https://vimeo.com/267272296/e685ec89f9 Acesso em: 30 out. 2021 
 
O poema Árvore, de André Luiz Conceição, traz a narrativa poética toda contada 
usando o antebraço na horizontal como Ponto de Articulação ou Locação se referindo a 
terra, e com o uso de classificadores e de incorporação, tem-se a plantação da árvore, a 
passagem do tempo através do movimento circular do sol. 
 
3. Movimento 
 
Os movimentos identificados na Língua Brasileira de Sinais por Ferreira-Brito 
(1995) apresentam traços referentes ao tipo, direcionalidade, maneira e frequência do 
movimento. Assim, a autora menciona que o movimento pode estar nas mãos, pulsos e 
antebraço; os movimentos direcionais podem ser unidirecionais, bidirecionais ou 
multidirecionais; a maneira é a categoria que descreve a qualidade, a tensão e a 
velocidade do movimento; a frequência refere-se ao número de repetições de um 
movimento. Strobel e Fernandes (1998) apresentam os tipos de movimentos: retilíneo, 
circular, semicircular, angular, sinuoso, helicoidal e movimento estático. No link a seguir 
podemos contemplar no poema alguns tipos de movimentosem Libras. 
 
● Homenagem Santa Maria/RS 
Link: https://www.youtube.com/watch?v=9LtOP-LLx0Y Acesso em: 30 out. 2021. 
 
 
O poema Homenagem Santa Maria/RS, de Alan Henry Godinho, é um lamento 
em homenagem aos jovens da cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, que 
morreram em um trágico incêndio em uma festa de formatura em 2013. Nesse poema, o 
artista fala dos jovens como se fossem muitas flores ou estrelas. Sobre as flores, 
sabemos que são lindas, mas, que vivem pouco tempo. Compara as flores com a vida 
dos jovens. Depois, fala deles como se fossem estrelas. As estrelas também são lindas, 
mas elas duram muito tempo. Então, compara as estrelas com a memória dos jovens. 
Sabemos que eles não são flores nem estrelas, tampouco pássaros que voam para o 
céu (o que o poeta também menciona), mas as ideias dentro do poema são metáforas 
concretas (flores, estrelas, pássaros) que mostram conceitos abstratos (vida, memória e 
paz). Nesse poema encontramos vários tipos de movimentos utilizados na narrativa para 
execução dos sinais como: SOFRER (movimento retilíneo); FAMÍLIA (movimento 
circular); sinal: SANTA MARIA (movimento semicircular); PAZ (movimento angular); 
BRASIL (movimento sinuoso); ABRAÇO (movimento estático). 
 
4. Orientação da Mão 
 
Battiston (1974) e outros pesquisadores argumentaram em favor da inclusão do 
parâmetro orientação da mão na fonologia das línguas de sinais com base na existência 
de pares mínimos em sinais que apresentam mudança de significado apenas na 
produção de distintas orientações da palma da mão (BATTISTON, 1974; BELLUGI, 
KLIMA e SIPLE, 1975). Por definição, a orientação é a direção para a qual a palma da 
mão aponta na produção do sinal. Ferreira-Brito (1995, p. 41), “na Libras”, e Marentette 
(1995, p. 204), “na ASL, enumeram seis tipos de orientações da palma da mão na Libras: 
palma para cima, para baixo, para o corpo, para frente, para o lado direito ou esquerdo.” 
Entenda como as mãos usam as direções para executar os sinais no poema a seguir. 
● Peixe 
Link: https://www.youtube.com/watch?v=LEDC479z_vo Acesso em: 30 out. 2021 
No poema Peixe, de Renato Nunes, pode ser observado a direcionalidade das 
mãos no uso da narrativa poética sobre a natureza, com apenas a mão aberta como 
configuração de mão, o narrador fala da água (palma da mão para baixo); de um peixe 
(palma da mão para o corpo); fala do sol (palma da mão para baixo), sugerindo o 
 
verão. O desfecho inesperado da narrativa acontece quando o peixe bate no vidro do 
aquário (palma da mão para o lado) e entendemos que ele não está livre na natureza. 
 
5. Expressões Faciais e Corporais 
 
As expressões não-manuais (movimentos da face, dos olhos, da cabeça ou do 
tronco) prestam-se a dois papéis nas línguas de sinais: marcação sintática e 
diferenciação de itens lexicais. As expressões não-manuais que têm função sintática 
marcam sentenças interrogativas sim-não, interrogativas, orações relativas, 
topicalização, concordância e foco. As expressões não-manuais que constituem 
componentes lexicais marcam referência específica, referência pronominal, partícula 
negativa, advérbio, grau ou aspecto. Ferreira-Brito e Langevin (1995), baseados no 
trabalho de Baker (1983), identificam as expressões não-manuais da Libras, as quais 
são encontradas no rosto, na cabeça e no tronco. É necessário salientar que duas 
expressões não-manuais podem ocorrer simultaneamente, por exemplo, as marcas de 
interrogação e negação. Assista o vídeo a seguir e comprove como esses articuladores 
não-manuais estão presentes nas construções sintáticas da Libras. 
 
● Golf Ball 
Link: https://www.youtube.com/watch?v=Gl3vqLeOyEE Acesso em: 30 out. 2021 
 
Às vezes os articuladores não-manuais são os principais articuladores ou, até 
mesmo, os únicos. Em Golf Ball, a narrativa apresentada por Stefan Goldschmidt é 
sinalizada totalmente com os olhos, a boca e a cabeça, mostrando como a bola de golf 
se sente e se move sem nenhum sinal manual. 
 
4 MORFOLOGIA DA LÍNGUA DE SINAIS 
 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
Quadros e Karnopp (2004, p. 86) definem que: Morfologia é o estudo da estrutura 
interna das palavras ou dos sinais, assim como das regras que determinam a formação 
das palavras. A palavra morfema deriva do grego morphé, que significa forma. Os 
morfemas são as unidades mínimas de significado. 
Alguns morfemas por si só constituem palavras, outros nunca formam palavras, 
apenas constituindo partes de palavras. Dessa forma, têm-se os morfemas presos que, 
em geral são sufixos e os prefixos, uma vez que não podem ocorrer isoladamente, e os 
morfemas livres que constituem palavras. 
Mas, na medida em que se pode formar palavras a partir de outras palavras, é 
importante reconhecer que as palavras podem ser unidades complexas, construídas de 
mais de um elemento. 
Nas línguas de sinais há descrições que se referem aos processos derivacionais 
e flexionais. É importante dizer que, existe um consenso no sentido de se entender os 
processos envolvendo a combinação de aglutinação e incorporação. 
❖ Derivação nas línguas de sinais 
- Derivação de verbos 
 
 
Imagem 9 - CADEIRA (substantivo com movimento repetitivo) SENTAR (movimento do verbo 
se faz em uma vez só) 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
- Formação de compostos 
Imagem 10 - Sinal composto 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
- Incorporação de numeral (a incorporação de números é, no máximo, de quatro). 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem 11 - Sinal: 2 DIAS - Sinal: 2 MESES 
 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
- Incorporação da negação 
 
Imagem 12 - NÃO-QUERER (movimento da cabeça de um lado para o outro junto com o sinal) 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
❖ Flexão nas línguas de sinais 
 
Existem vários processos de flexão descritos na Língua de Sinais Americana – 
ASL. Os primeiros estudos realizados por Klima e Bellugi (1979) apresentam oito 
diferentes processos: 
 
1) Pessoa (dêixis): flexão que muda as referências pessoais no verbo. 
 
 
 
Imagem 13 - Pronomes (dêixis) 
 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
2) Número: flexão que indica o singular, o dual, o trial, e o múltiplo. 
 
Imagem 14 - EU ENTREGAR VOCÊ - VOCÊ ENTREGAR EU - EL@ ENTREGAR EL@ 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004), adaptado pela autora 
 
3) Grau: apresenta distinções para ‘menor’, ‘mais próximo’, ‘muito’ etc. 
 
4) Modo: apresenta distinções, tais como os graus de facilidade. 
 
 
Imagem 15 - CASA PEQUENA - CASA GRANDE - GORD@ muito - ALT@ muito 
 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
5) Reciprocidade: indica relação ou ação mútua. 
 
Imagem 16 - OLHAR (recíproco) 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004), adaptado pela autora 
 
6) Foco temporal: indica aspectos temporais, tais como ‘início’, ‘aumento’, 
‘graduação’, ‘progresso’, ‘consequência’ etc. 
 
7) Aspecto temporal: indica distinções de tempo, tais como ‘há muito tempo’, ‘por 
muito tempo’, ‘regularmente’, ‘continuamente’, ‘incessantemente’, 
‘repetidamente’, ‘caracteristicamente', etc. 
As flexões de foco e aspecto temporal são diferentes das flexões aspecto 
distributivo, uma vez que se referem exclusivamente à distribuição temporal 
sem incluir a flexão de número. 
 
Imagem 17 - ONTEM - ANTEONTEM - ANO-PASSADO 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
 
Imagem 18 - CUIDAR (incessante) 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004), adaptado pela autora 
 
8) Aspecto distributivo: indica distinções, tais como ‘cada’, ‘alguns especificados’, 
‘alguns não-especificados’, ‘para todos’ etc. 
 
 
 
 
Imagem 19 - AVISAR-TOD@ 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004), adaptado pela autora 
 
SAIBA MAIS 
 
DÊIXIS: palavra grega que significa ‘apontar’ ou ‘indicar’ - descreve uma forma particular 
de estabelecer nominais no espaço que são utilizados pelos verbos com concordância 
como parte de sua flexão. A função dêitica em língua de sinais, como na Libras, émarcada através da apontação propriamente dita. Os referentes são introduzidos no 
espaço à frente do sinalizador, através da apontação em diferentes locais. As formas 
verbais para pessoa são estabelecidas através do início e fim do movimento e da direção 
do verbo, incorporando estes pontos previamente indicados no espaço para 
determinados referentes. 
 
#SAIBA MAIS# 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 SINTAXE DA LÍNGUA DE SINAIS 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
Quadros e Karnopp (2004, p.127) introduzem os estudos sobre a sintaxe da língua 
de sinais, com base na organização espacial. Segundo as autoras, “a Libras, espalhada 
por todas as regiões brasileiras, é organizada espacialmente de forma tão complexa 
quanto às línguas orais. Analisar alguns aspectos da sintaxe de uma língua de sinais 
requer ‘enxergar’ esse sistema que é visuo-espacial.” 
No espaço em que são realizados os sinais, o estabelecimento nominal e o uso 
do sistema pronominal são fundamentais para as relações sintáticas. 
De acordo com Baker e Cokely (1980, p.227), “o local no espaço de sinalização 
(espaço definido na frente do corpo do sinalizador) pode ser referido através de vários 
mecanismos espaciais”, como nos exemplos a seguir: 
 
a) Fazer o sinal em um local particular 
 
 
 
 
 
Imagem 20 - CASA (do João) - CASA (do Pedro) 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004), adaptado pela autora 
 
b) Direcionar a cabeça e os olhos (e talvez o corpo) em direção a uma localização 
particular simultaneamente com o sinal de um substantivo ou com a apontação 
para o substantivo. 
Imagem 21 - CASA - XI (casa) 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004), adaptado pela autora 
 
c) Usar a apontação ostensiva antes do sinal de um referente específico (por 
exemplo, apontar para o ponto ‘a’ associando esta apontação com o sinal CASA; 
assim o ponto ‘a’ passa a referir CASA). 
 
Imagem 22 - XI CASA 
 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004), adaptado pela autora 
 
d) Usar um pronome (apontação ostensiva) numa localização particular quando a 
referência for óbvia. 
 
Imagem 23 - IX (casa) NOVA 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004), adaptado pela autora 
 
e) Usar um classificador (que representa aquele referente) em uma localização 
particular. 
 
 
 
 
 
 
Imagem 24 - CARRO CL (carro passou um pelo outro) 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004), adaptado pela autora 
 
f) Usar um verbo direcional (com concordância) incorporando os referentes 
previamente introduzidos no espaço. 
 
Imagem 25 - (eu) IR (casa) 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004), adaptado pela autora 
 
Quadros e Karnopp (2004, p. 20-21) Sintaxe é o estudo da estrutura da frase, ou 
seja, da combinação das unidades significativas da frase. A sintaxe trata das funções, 
das formas e das partes do discurso. É parte da linguística que estuda a estrutura interna 
das sentenças e a relação interna entre suas partes. Nesse sentido, a sintaxe combina 
palavras de forma recursiva observando restrições impostas por princípios que a 
determinam. 
 
 
❖ Formação de Frase 
 
Em primeiro lugar, vamos entender que o sistema pronominal e de concordância 
verbal são espaciais e depois trataremos dos mecanismos espaciais elaborados por 
Siple (1984 apud QUADROS; PIZZIO; REZENDE, 2009). 
Na literatura americana, os linguistas Bellugi e Klima (1982 apud QUADROS; 
PIZZIO; REZENDE, 2009) já deixaram claro que a formação de frase sintática com 
referência pronominal, concordância verbal e relações gramaticais na Língua Brasileira 
de Sinais também é “apontada”, assim como na Língua de Sinais Americana. 
O tipo de apontação mencionada acima é produzida tanto com referentes 
presentes como com referentes não presentes e referente anafórico no contexto do 
discurso. 
 
SAIBA MAIS 
 
● Referente presente: Referente presente é o elemento envolvido no discurso (a 
primeira, a segunda e a terceira pessoa) e, para apontar determinado referente, 
utiliza-se o dedo indicador apontando para quem o sinalizante se refere. 
 
● Referente ausente: apontação é direcionada a um local espacial já 
convencionado (arbitrário mesmo que seja invisível), ao longo do plano horizontal 
ou frontal, em frente ao corpo ou ao lado do sinalizador. Pode ser usada para 
referir-se a objetos, pessoas e lugares no espaço. 
 
● Referente anafórico: é a referência nominal, chamada de correferente, que 
requer que o sinalizante aponte (olhe ou gire o corpo) para um local estabelecido 
uma vez e depois volte a apontar duas ou três vezes, depois de outro local 
estabelecido, referindo àquele nominal, dependendo do discurso e do contexto 
introduzido. 
 
 
● Símbolo IX: é o índice da marcação do co-referente pronominal. Os números que 
acompanham os índices XI1, XI2, XI3, etc., são as sequências nas quais o 
sinalizador quer referir o espaço em que o referente está presente, mesmo 
ausente. 
 
#SAIBA MAIS# 
 
Na frase sintática em Língua de Sinais Brasileira há formação de frases 
interrogativas. É muito comum usar a expressão facial quando se quer fazer pergunta: 
 
Imagem 26 - Frases interrogativas nas Libras: COMO? O QUÊ? QUERER? PODE? 
POR QUÊ? ONDE? 
 
Fonte: Arquivo da autora (2021) 
 
As expressões faciais requerem muitos exercícios faciais, compreendendo as 
seguintes feições: 
• sobrancelhas levantadas; 
• sobrancelhas abaixadas e cabeça levantada; 
• sobrancelhas franzidas; 
• movimento lateral da cabeça com a boca para baixo; 
• assentimento; 
 
• assentimento rápido; 
• sobrancelhas levantadas e boca aberta; 
• sobrancelhas franzidas e boca torta para baixo. 
 
❖ Formação de verbos 
 
Padden (1983 apud QUADROS; PIZZIO; REZENDE, 2008) mostra as formas de 
verbos da Língua de Sinais Americana que podem ser utilizadas na formação de frases 
sintáticas em Libras. São elas: 
 
a) Verbos simples 
 
Os verbos simples não se flexionam em pessoa e número e não aceitam afixos 
locativos, por exemplo, os verbos: 
 
Imagem 27 - CONHECER - ANDAR - CHEGAR 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
b) Verbos classificadores 
 
Outra característica da língua de sinais diz respeito à iconicidade, com a utilização 
de Configuração de Mãos. As línguas de sinais apresentam sinais que são icônicos, ou 
seja, que representam nitidamente o referente, como, por exemplo, o sinal de casa, 
tornando o sinal transparente e permitindo que a compreensão do significado seja mais 
facilmente apreendida. 
 
 
Imagem 28 - ANDAR 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
 
c) Verbos manuais 
 
Representam ações em que uma pessoa está segurando ou fazendo alguma 
coisa com os instrumentos “invisíveis”. 
 
Imagem 29 - PASSAR-BATOM 
 
 Fonte: Quadros e Karnopp (2004), adaptado pela autora 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 SEMÂNTICA E PRAGMÁTICA DA LÍNGUA DE SINAIS 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
❖ Semântica 
 
Para Quadros e Karnopp 
 
A semântica estuda o significado da palavra e da sentença. A semântica trata da 
natureza, da função e do uso dos significados determinados ou pressupostos. É 
a parte da linguística que estuda a natureza do significado individual das palavras 
e do agrupamento das palavras nas sentenças, que pode apresentar variações 
regionais e sociais nos diferentes dialetos de uma língua. Para além desse tipo 
de significado, há aquele do utente da língua que pode incluir o literal e o não-
literal das expressões (casos de ironias e metáforas, por exemplo). (2004, p. 21-
22) 
 
Apesar dessas variações, existem limites nos significados de cada expressão, ou 
seja, os utentes não podem usar expressões para significar o que bem entendem. Se 
fizerem isso, provavelmente serão mal-interpretados ou não-compreendidos. Portanto, o 
“significado” ou “significados” de uma expressão linguística apresentam características 
comuns compartilhadas entre os utentes de uma língua. 
 
Uma descrição semântica poderá ser feita ao nível da palavra, da frase e, ainda,do discurso. “Ambiguidade” no significado pode ser descrita em todos os níveis. Por 
exemplo, no nível lexical, a palavra ‘manga’ pode significar uma parte do vestuário ou 
uma fruta. 
No nível da frase, há ambiguidade estrutural, em que uma sentença do tipo ‘O 
João disse a Pedro que sua mulher foi para o hospital’, apresenta dois significados 
possíveis: ‘sua mulher’ refere à mulher de Pedro ou à mulher de João. 
No nível do discurso os termos referenciais como ‘ele’, ‘essa’, ‘seu’ podem ser 
ambíguos. A habilidade dos seres humanos de identificar e evitar a ambiguidade é uma 
das questões que a semântica investiga. 
No nível da palavra, existem a antonímia e a sinonímia, entre outros aspectos 
analisados pela semântica. Assim, as oposições observadas entre pares de palavras 
como ‘bonito’ e ‘feio’, ‘quente’ e frio’, bem como as similaridades que aproximam o 
significado de diferentes palavras, tais como ‘belo’ e ‘bonito’, são exemplos de antonímia 
e sinonímia, respectivamente. 
Os traços que identificam cada palavra parecem coincidir ou não, provocando tais 
aproximações e oposições entre os significados de diferentes palavras. A semântica 
busca conhecer e definir tais traços. As sentenças também podem ser consideradas 
sinônimas. Por exemplo: ‘O assaltante atacou o João’ e ‘O João foi atacado pelo 
assaltante’, apresentam significados equivalentes. Enfim, a semântica busca desvendar 
as propriedades dos significados nos diferentes níveis de expressão. 
 
❖ Pragmática 
 
É o estudo da linguagem em uso (contexto) e dos princípios de comunicação. 
Essa definição citada por Quadros e Karnopp (2004, p. 22-23), “é considerada 
tradicional; no entanto, vale registrar que há várias tendências ao definir-se a área da 
pragmática.” 
A Pragmática envolve as relações entre linguagem e o contexto. É uma área que 
inclui os estudos da dêixis (utilização de elementos da linguagem através da 
demonstração – indicação -, que envolve basicamente os pronomes), das 
 
pressuposições (inferências e antecipações com base no que foi dito), dos atos de fala 
(como se organizam os atos de fala e quais as condições que observam), das 
implicaturas (as coisas que estão subentendidas nas entrelinhas, incluindo o significado 
que não foi dito explicitamente) e dos aspectos da estrutura conversacional (a estrutura 
das conversas entre duas ou mais pessoas e a organização da tomada de turnos durante 
a conversação). Um exemplo de implicatura seria: 
a) - Você tem horas? 
 - Nove e trinta. 
Ninguém responde a pergunta em (a) com um ‘sim’, mas com a hora. Isso 
acontece porque os falantes implicam que ao ser realizada tal pergunta quer-se obter a 
informação referente à hora e não ao fato de ter ou não o relógio. Esse é um exemplo de 
como o significado ultrapassa as fronteiras do que realmente foi dito. 
Um exemplo de pressuposição seria: 
‘João morreu num acidente de carro’. 
Essa informação pressupõe que ‘João um dia estava vivo’, apesar de isso não ser 
dito explicitamente. 
A pragmática busca desvendar as estratégias, as formas, as intuições e as 
estruturas que são acionadas pelos utentes ao usarem a língua. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
A presente Unidade de Estudos esteve ancorada nas pesquisas de Quadros e 
Karnopp (2004), autoras referência nos assuntos linguísticos da Língua Brasileira de 
Sinais. Sendo assim, foi possível abordar no tópico 1 os aspectos da fonologia dos sinais 
na Língua Brasileira de Sinais. Vimos a organização fonológica dos sinais, dando 
destaque aos termos, aos conceitos da área de articulação, às unidades formacionais 
dos sinais e apresentamos vários exemplos para elucidar as teorias da literatura sobre a 
fonologia da Libras na descrição dos parâmetros fonológicos: configurações de mão 
(CM), movimento (M), locações (L) ou ponto de articulação (PA), orientação da mão (Or) 
e expressões faciais e corporais ou não-manuais (ENM). 
No tópico 2 enfatizamos a morfologia como estrutura complexa da Língua 
Brasileira de Sinais, apresentamos os aspectos, as propriedades e a formação dos 
léxicos na morfologia que podem mudar o significado e o sentido. O texto apresentou 
cada processo morfológico da língua de sinais, o que nos permitiu ‘exercitar os olhos’ e 
refletir sobre cada formação de sinais e sua descrição imagética, pois elas podem 
descrever cada objeto, animais e pessoas. 
O tópico 3 trouxe as definições dos processos sintáticos de língua de sinais e a 
forma de identificar a formação de frases. Vimos que para formar uma frase, é necessário 
nomear as marcas da formação de interrogativa, de acordo com o contexto. Sem falar 
da inserção dos verbos e a concordância da língua de sinais. As construções sintáticas 
dão mais significado e sentido nas captações visuais e mentais, reconhecendo cada 
elemento na gramática da Libras. 
Por fim, mas não no fim, porque acreditamos que a partir desses estudos 
introdutórios, você acadêmico(a), poderá continuar ampliando seus estudos e 
conhecimentos, o tópico 4, ainda seguindo as pesquisas de Quadros e Karnopp (2004), 
compreendemos que na Língua Brasileira de Sinais é possível criar um novo sinal 
utilizando um significado já existente, porém um contexto que requer uma classe 
gramatical diferente. Os níveis semântico e pragmático são os estudos dos significados 
 
individuais de um sinal, do agrupamento de frases, e descrevem a significação dos sinais 
no contexto e no discurso. 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
Caro(a) Acadêmico(a)! 
Ao longo deste material didático apresentamos inúmeros profissionais surdos e 
ouvintes, grandes inventores, que se debruçaram a estudar, pesquisar e divulgar a 
Língua Brasileira de Sinais, trazendo-nos importantes bases teóricas e práticas que hoje 
são destaques para nossos futuros estudos e pesquisas. 
Não teríamos condições de apresentar todos os pesquisadores que 
mencionamos, porém, fica aqui uma dica para que você a partir dos seus estudos busque 
complementar suas leituras, conhecendo esses e outros autores, com suas histórias, 
pesquisas, invenções, experiências, militâncias e engajamentos. 
 
Bem, vamos conhecer alguns desses pesquisadores? 
 
● GLÁDIS PERLIN 
 
Reconhecida como uma das maiores especialistas brasileiras na temática da surdez. 
Constata-se também que 90% dos trabalhos de pesquisa na área da surdez ou que 
tenham relação com estudos de linguística voltados para a Libras fazem referência a 
algum de seus artigos ou à sua famosa tese de Doutorado, intitulada "O ser e o estar 
sendo surdo: alteridade, diferença e identidade”. Possui graduação em Licenciatura em 
Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1987), mestrado 
(1998) e doutorado em educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul 
 
(2003). Foi a primeira surda a obter o título de doutora no Brasil. Atualmente, é professora 
adjunta da Universidade Federal de Santa Catarina. Tem experiência na área de 
educação, com ênfase em educação de surdo, atuando, principalmente, nos seguintes 
temas: surdo, identidade, alteridade, diferença, cultura, educação. 
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/9965241502111110 
 
● ANA REGINA CAMPELLO 
 
Possui graduação em Pedagogia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1996), 
graduação em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade Santa Úrsula (1981) 
e Doutorado em educação pela Universidade Federal de Santa Catarina (2008). Tem 
experiência na área de educação e Linguística, com ênfase em educação Bilíngue, 
Inclusiva e Sociolinguística, atuando principalmente nos seguintes temas: língua de 
sinais, educação dos surdos-mudos, educação inclusiva, intérprete de língua de sinais, 
comunidade surda-muda e defesa dos direitos dos surdos-mudos. Proficiência em 
PROLIBRAS e da Língua Portuguesa (CELPE). Atualmente, é professora adjunta do 
INES – InstitutoNacional de Educação de Surdos na disciplina: Estudos Surdos e Prática 
Pedagógica. Também ministra Ensino de Línguas: LSB e professora colaboradora de 
uma das Disciplinas de Estudos da Tradução na UFSC – Santa Catarina e do CMPDI – 
Curso de Mestrado Profissional Diversidade e Inclusão da UFF – Universidade Federal 
Fluminense, nas disciplinas Libras II e III, e ASL. Participa como vice-coordenadora do 
NPDIS desde 2013 e coordenadora do Projeto de Pesquisa do DESU/INES: Instrução 
em Libras como L1 e L2 desde 2015. Coordenadora do GT da ANPOLL. 
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/6945261731062194 
 
 
● KARIN STROBEL 
 
Durante quase 25 anos trabalhou como professora de surdos em escolas de surdos na 
cidade de Curitiba-PR e por 10 anos fez parte da equipe pedagógica da DEE/SEED 
(Secretaria de Educação do Paraná). Doutora na área de educação na Universidade 
Federal de Santa Catarina UFSC (bolsista CNPq), formada em pedagogia da UTP 
(Universidade Tuiuti do Paraná) e com especialização em área de surdez. Autora do livro 
“As imagens do outro sobre a cultura surda". Atualmente, faz parte da equipe de 
Letras/Libras da UFSC como professora das disciplinas "Fundamentos de educação dos 
surdos", "História de educação dos surdos", "Metodologia de ensino de Libras como 
Língua 1", "Metodologia de ensino de Literatura surda" e outras disciplinas afins. Assumiu 
a coordenação geral de Letras-Libras em 2013. Tem experiência com ênfase em 
educação, atuando principalmente nos seguintes temas: língua de sinais, educação, 
surdos, linguística e metodologia de língua de sinais. 
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/6652911914719737 
 
● NELSON PIMENTA 
 
Primeiro ator surdo a se profissionalizar no Brasil, estudou na New York National Theatre 
of the Deaf (NTD), é mestre e doutor em Estudos da Tradução pela Universidade Federal 
 
de Santa Catarina (UFSC) e se formou em Letras-Libras na UFSC e em cinema na 
Universidade Estácio de Sá.Tem certificação PROLIBRAS-MEC-UFSC como professor 
de nível superior e é autor/coautor de 15 livros em Libras. Tem experiência na área de 
Linguagem, com ênfase em Língua Brasileira de Sinais. É professor titular do 
Departamento de Educação Básica no INES. De 1999 a 2013 atuou na empresa de 
educação LSB Vídeo, com a missão de contribuir para o fortalecimento da identidade e 
da cultura surda através da difusão da língua de sinais brasileira, que além de produzir 
material de ensino-aprendizagem em Libras, participou em importantes eventos 
artísticos, culturais e científicos, como o Programa de Planetário do Rio de Janeiro em 
Libras, o 1º Encontro Internacional de Arte e Cultura Surda em São Paulo e o espetáculo 
teatral "Nelson 6 ao Vivo", que cobriu mais de vinte cidades do Brasil por mais de uma 
década. Participou na fundação da FENEIS na década de 1980 e vários grupos de 
pesquisa linguística no INES e UFRJ. Atualmente participa do grupo de pesquisa Método 
Eletrônico. 
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/5120615815365350 
 
● RIMAR SEGALLA 
 
Doutorando em Linguística pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" 
(UNESP) e Mestre em Estudos da Tradução pela Universidade Federal de Santa 
Catarina (UFSC - 2010). Possui graduação em Letras Libras (Licenciatura) pela 
Universidade Federal de Santa Catarina (2012) e em Matemática pelo Centro 
Universitário Assunção (2004). Atualmente é Professor Assistente II do Departamento 
de Psicologia no Curso de Bacharelado em Tradução e Interpretação em Libras e Língua 
Portuguesa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Tem experiência na área 
 
de Letras, tradução, educação, arte e literatura com ênfase em Língua Brasileira de 
Sinais (LIBRAS). 
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/4770939741538780 
 
● SUELI RAMALHO SEGALA 
 
Surda de familiares de três gerações surdas, bilíngue nativa de duas línguas , LIBRAS e 
Português, Especialista em Libras e Inclusão de pessoas surdas nas áreas educacionais 
e empresariais, ATRIZ com DRT sob Número 224909/SP, formação no Galpão de Folias 
CLOWN, possui Lato Sensu nível de especialização em Gestão Estratégica de pessoas, 
Graduada em Letras Português/Espanhol pelo Centro Universitário Sant'Anna, também 
graduada em Letras LIBRAS pela UFSC no polo da USP, Autodidata, Especialista em 
Língua de Sinais, ministra aulas como Professora de Pós-Graduação e Graduação na 
Universidade Nove de Julho em São Paulo, e professora convidada para outros centros 
universitários Fênix,Faccamp, Uníntese/RS e em outras Universidades, Orientadora de 
TCC, monografias a nível de Pós Graduação em Libras e Educação Inclusiva, foi 
Coordenadora de Inclusão/LIBRAS no Centro Universitário Sant'Anna, docente em 
LIBRAS no curso da área de Saúde, Humanas, Exatas, presta Consultoria em Inclusão 
e Libras promovendo acessibilidade em Teatros e espaços culturais, formação para 
Tradutores e Intérpretes de língua de Sinais, Docentes, e comunicação para pessoas em 
geral. Palestrante acerca da LIBRAS, PESSOA SURDA e Inclusão, Coautora de várias 
obras em língua de sinais, Editora Panda, Escala Educacional,Ed. Mucédola roteirista 
pela companhia Cia. Arte e Silêncio acerca da área de Libras e surdez. 
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/2633237655107969 
● MARIANNE STUMPF 
 
 
Possui graduação em tecnologia de informática pela Universidade Luterana do Brasil 
(2000), graduação em Educação de Surdos pela Universidade de Santa Cruz do Sul 
(2004) e doutorado em Informática na Educação pela Universidade Federal do Rio 
Grande do Sul, com estágio na Universidade de Paul Sabatier e Universidade de Paris 
8 (2001-2005). Pós-doutorado na Universidade Católica Portuguesa (2013-2014). 
Atualmente é professor associado da Universidade Federal de Santa Catarina, 
professora de pós graduação em linguística da USFC. Vice-diretora do Centro de 
Comunicação e Expressão CCE. Líder do Grupo de Pesquisa de Estudos sobre o 
SignWriting registrado no CNPq. Líder do Grupo de Pesquisa Léxico e terminologia em 
Libras: tradução, validação e tecnologia registrado no CNPq 
(www.glossário.libras.ufsc.br). Tem experiência de 20 anos na área de Educação, com 
ênfase em Educação de Surdos, atuando principalmente nos seguintes temas: formação 
de professores de libras, escrita de sinais pelo sistema SignWriting, traduções, 
terminologia de libras, sinais internacionais e formação de intérpretes de libras. Membro 
da comissão de assessoramento técnico-pedagógico em Libras da DAEB/INEP e as 
traduções de Enem 2017, 2018, 2019 e 2020 em Libras. 
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/4624844037162346 
 
 
 
 
 
 
● RONICE QUADROS 
 
 
Ronice Müller de Quadros é professora e pesquisadora da Universidade Federal de 
Santa Catarina desde 2002 e pesquisadora do CNPQ - PQ1C, com pesquisas 
relacionadas ao estudo das línguas de sinais, desde 2006. Pedagoga (1992), Mestre 
(1995) e Doutora (1999) em Linguística pela Pontifícia Universidade Católica do Rio 
Grande do Sul, com estágio por 18 meses na University of Connecticut (1997-1998) com 
pesquisas voltadas para a gramática da Libras e a aquisição da Libras. Pós-doutora pela 
Gallaudet University e University of Connecticut (2009-2010) com pesquisas 
relacionadas ao desenvolvimento bilíngue bimodal (crianças usuárias de Libras e 
Português e crianças usuárias de ASL e Inglês), com financiamento da NIH e do CNPQ 
(2009-2014) e pós-doutora na Harvard University com pesquisas com as línguas de 
bilíngues bimodais (Libras e Português e ASL e Inglês), com financiamento do CNPQ 
(2015-2016). A Prof. Quadros consolidou o Núcleo de Aquisição de Línguas de Sinais 
(NALS) na Universidade Federal de Santa Catarina com dados longitudinais e 
experimentais de crianças surdas e crianças ouvintes bilíngues bimodais (2002-atual) e 
o Grupo de Pesquisa Corpus de Libras(2014-atual), integrante do Diretório de Grupos 
de Pesquisa do CNPQ, que está vinculado aos projetos de pesquisas envolvendo a 
documentação de Libras. A Prof. Quadros está coordenando a consolidação do 
Inventário Nacional de Libras que inclui vários subprojetos para composição da 
documentação da Libras, contando com financiamento do CNPQ e do Ministério da 
Cultura. Estes projetos já estão sendo disponibilizados no atual Portal de Libras 
www.libras.ufsc.br, em especial, na página do www.corpuslibras.ufsc.br. Também faz 
parte do Projeto de Sobreposição de Línguas em Bilíngues Bimodais, que conta com 
financiamento parcial da NSF, em parceria com a University of Connecticut, relacionado 
com o projeto em crianças bilíngues bimodais http://bibibi.uconn.edu/index.html. Tem 
 
experiência na área de Lingüística, com ênfase em Psicolinguística e Linguística 
Aplicada, atuando principalmente nos seguintes temas: língua de sinais brasileira, 
aquisição da língua de sinais, bilinguismo bimodal, línguas de herança, educação de 
surdos e tradução e interpretação de língua de sinais. 
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/7307577422387099 
 
● LUCINDA FERREIRA BRITO 
 
Possui graduação em Letras-Portugues pela Pontifícia Universidade Católica de São 
Paulo (1971), mestrado em Lingüística pela Universidade de São Paulo (1974) e 
doutorado - Université de Paris IV (1977). Atualmente é professor titular da Universidade 
Federal do Rio de Janeiro. Trabalha desde 1977 nas áreas Semântica e Pragmática da 
Lingüística, com ênfase em Teoria e Análise Lingüística, focalizando, principalmente, os 
seguintes temas: significado, cognição, espaço, dêixis, pressuposição, atos de fala e 
categorização gramatical do contexto. Desde 1979, vem trabalhando com as línguas de 
sinais do Brasil, a LIBRAS e a LSKB (língua de sinais dos índios Urubus-Kaapor da 
Floresta Amazônica). No estágio de pós-doutorado em Berkeley, trabalhou, na 
Faculdade de Filosofia, com teoria dos atos de fala, junto a J. Searle e, no Departamento 
de Lingüística, no segundo ano, com semântica e pragmática, bem como aquisição, junto 
aos professores C. Fillmore, G. Lakoff, S. Ervin-Tripp, Gumperz, P. Kay, Slobin e outros. 
No estágio de pós-doutorado em Nijmegen, seu trabalho junto a S. Levinson e G. Senft, 
centralizou-se mais na área de Pragmática e em questões de espaço e cognição. 
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/1695994704730655 
A partir de agora você pode continuar as buscas para saber mais sobre outros 
pesquisadores... Boa pesquisa! 
 
 
LIVRO 
 
Título: Língua de Sinais Brasileira: Estudos linguísticos 
Autor: Ronice Muller de Quadros e Lodenir Becker Karnopp 
Editora: Artmed (2004) 
Sinopse: Neste livro, as autoras descrevem e analisam a Língua Brasileira de Sinais, 
apontando, de modo competente, seus aspectos fonológicos, morfológicos e sintáticos. 
 
 
LIVRO 02 
 
Título: Língua de Sinais: Instrumentos de avaliação 
Autor: Ronice Muller de Quadros e Carina Rebele Cruz 
Editora: Artmed ( 2011) 
Sinopse: O livro auxilia os profissionais a identificar o nível de desenvolvimento 
linguístico nos sujeitos surdos. Contribui também para reconhecer padrões linguísticos 
alterados e selecionar as estratégias adequadas para a estimulação e o desenvolvimento 
da língua. 
 
 
FILME/VÍDEO 
 
Título: Coleção Educação de Surdos 
Autor: Instituto Nacional de Educação de Surdos - INES (organização) 
Ano: 2015 
Sinopse: A COLEÇÃO EDUCAÇÃO DE SURDOS é composta de dez volumes sendo 
esse o conjunto das primeiras publicações que o Instituto Nacional de Educação de 
Surdos fez em Língua Brasileira de Sinais. Ela é composta de pequenos Documentários 
sobre o serviço e funcionamento do Instituto assim como de uma série de Contações de 
Histórias em LIBRAS (algumas com dublagem e legendagem). Fábulas, mitos e contos 
folclóricos protagonizados por pessoas surdas (funcionários, instrutores e ex-alunos do 
Instituto). Aqui você encontrará toda essa videografia disponível para download gratuito 
Link: https://www.ines.gov.br/publicacoes 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
BAKER, C.; COKELY, D. American sign language: a teacher’s resource texto 
grammar and culture [s., n.] 1980. 
 
BATTISON, R. Phonological deletion in american sign language. Sign Language 
Studies, v5, p.1-19, 1974. 
 
BATTISON, R. Lexical borrowing in American Sign Language. Silver Spring, MD: 
Linstok, 1978. 
 
BELLUGI, U; KLIMA, E.S; SIMPLE, P. Remembering in signs. Cognition, 1975. 
 
BRASIL. Lei nº 14.191, de 3 de agosto de 2021. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de 
dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), para dispor 
sobre a modalidade de educação bilíngue de surdos. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14191.htm. Acesso em: 5 
ago. 2021. 
 
BRITO, Lucinda Ferreira. Por uma gramática de Línguas de Sinais. Rio de Janeiro: 
Tempo Brasileiro: UFRJ, Departamento de Lingüística e Filosofia, 1995. 
 
CHOMSKY, Noam. Linguagem e mente: pensamentos atuais sobre antigos 
problemas. Trad. Lúcia Lobato. Brasília. Editora UnB, 1996. 
 
FERREIRA-BRITO, L.; LANGEVIN, R. Sistema Ferreira-Brito-Langevin de Transcrição 
de Sinais. In: FERREIRA-BRITO, L. Por uma gramática de língua de sinais. Rio de 
Janeiro: Tempo Brasileiro, 1995. 
 
FRIEDMAN, L. A. On the Other hand. New York: Academic, 1977. 
 
HULST, H. Units in the analysis of signs. In: Phonology 10. Cambridge: Cambridge 
University, 1993. 
 
KARNOPP, L. B. Aquisição do parâmetro configuração de mão na língua brasileira 
de sinais (LIBRAS): estudo sobre quatro crianças surdas, filhas de pais surdos. 1994. 
Dissertação (Mestrado em Letras) - Programa de Pós-graduação em Letras, Pontifícia 
Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 1994. 
 
KING, K.; MACKEY, A. The bilingual edge: why, when, and how to teach your child a 
second language. New York: Collins, 2007. 
 
KLIMA, E.; BELLUGI, U. The signs of language. Cambridge, MA: Harvard University, 
1979. 
 
 
MARENTETTE, P. F. It’s in her hands: A case study of the emergence of phonology in 
American Sign Language. 1995. Dissertation (PHD) - Department of Psychology, McGill 
University, Montreal, 1995. 
 
QUADROS, R. M.; KARNOPP, L. Língua de sinais brasileira: estudos linguísticos. 
Porto Alegre: ArtMed, 2004. 
 
QUADROS, R.; PIZZIO, A.; REZENDE, P. Língua Brasileira de Sinais V. 
Florianópolis: UFSC, 2009. 
 
QUADROS, R. M. de; PIZZIO, A. L.; REZENDE, P. Libras – IV. Texto Base da Letras – 
Libras - Ensino a Distância. UFSC: Florianópolis, 2008. 
 
SAUSSURE, Ferdinand. Curso de Linguística Geral. São Paulo: Cultrix, 1995. 
 
SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de Lingüística geral. São Paulo: Cultrix/Edusp, 
1969. 
 
STOKOE, W. C. Sign Language Structure: An Outline of the Visual Communication 
System of the American Deaf. New York: Buffalo University, 1960. 
 
STROBEL, K.; FERNANDES. S. Aspectos linguísticos da língua brasileira de 
sinais/ Secretaria de Estado da Educação. Superintendência de educação. 
Departamento de Educação Especial. Curitiba: SEED/SUED/DEE, 1998. 
 
VIOTTI, Evani de C. Introdução aos estudos linguísticos. Universidade Federal de 
Santa Catarina, Florianópolis, 2008 
 
WILBUR, R. American sign language: linguistic and Applied dimensions. San Diego, 
California: College Hill Press, 1976. 
 
 
UNIDADE IV 
GRAMÁTICA DE LIBRAS 
Professora Mestre Elizete Pinto Cruz Sbrissia Pitarch Forcadell 
 
 
Plano de Estudo: 
A seguir apresenta-se os tópicos que você estudará nesta Unidade 
 
● O Léxico da Libras; 
● Regência Verbal da Língua de Sinais; 
● Sistema Pronominal; 
● Restrições na Formação dos Sinais. 
 
 
Objetivos de Aprendizagem: 
● Conceituar lexicologia e lexicografia para esclarecer a formação do léxico na 
Libras; 
● Reconhecer os verbos, os pronomes e a concordância da língua de sinais; 
● Identificar as limitações na formação e execução dos sinais.INTRODUÇÃO 
 
Ao usar um sistema linguístico, em qualquer língua ou modalidade de linguagem, 
os indivíduos dispõem de uma gama muito variável de opções para organizar seus 
enunciados. A forma escolhida depende de aspectos sintáticos, semânticos e 
pragmáticos e, geralmente, implica uma visão específica de uma situação e do que é 
importante nela. 
Sacks (1990 p. 22) afirma que “as língua de sinais são completas em si mesmas: 
possuem sintaxe, gramática e semântica própria, têm, porém, um caráter diferente do de 
qualquer língua falada ou escrita.” Segundo o autor, “não é possível transliterar uma 
língua falada para língua de sinais, palavra por palavra ou frase por frase”, isso porque 
as “suas estruturas são essencialmente diferentes”. 
Os surdos internalizam os sinais e suas possibilidades de uso na relação dialógica 
com outros surdos ou ouvintes usuários de Libras. Não se sabe bem o porquê da 
delimitação de um sinal, pois, exatamente, determina certos conceitos ou de onde 
especificamente foram derivados, a não ser os sinais icônicos e os que são produzidos 
pela inicialização da primeira letra da escrita; não se sabe por que alguns sinais “morrem” 
aos poucos, mesmo quando as funções e experiências na vida concreta da comunidade 
ainda fazem uso, e por que vinculam esse conceito a outro sinal. Os usuários da língua 
usam os sinais que lhes parecem naturais, pois desde cedo aprendem a ver o mundo 
através da lente desses sinais/conceitos. 
Nesta Unidade de estudos destacamos o léxico da Libras, é importante saber que 
uma pessoa que desconhece a linguagem em funcionamento pode supor que o 
dicionário seja a chave de uma língua, e estando de posse desse dicionário poderá 
decifrar e dominar a língua. Na realidade, temos que ter em mente, quando a intenção é 
o uso de uma língua, que aprender essa língua, utilizando o dicionário é uma estratégia 
equivocada, porque os sentidos são construídos em estruturas, na interação social, não 
em fragmentos lexicais isolados. No caso da Libras em que vemos os estudos da sua 
forma de grafia ainda se estruturando, enquanto escrita, podemos dizer que o aprendiz 
se beneficia muito de um dicionário de língua de sinais, para consultar palavras isoladas 
 
e ampliar seu vocabulário. Mas, vale lembrar sempre que a língua de sinais é viva e 
dinâmica, necessitando ser construída a partir da interação entre os usuários. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 O LÉXICO DA LIBRAS 
 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/portrait-her-she-attractive-focused-knowledgeable-
1777955267 Acesso em: 30 out.2021 
 
O léxico em uma língua é o dicionário, o conjunto do vocabulário da língua. “Em 
Libras, os itens lexicais são os sinais. É totalmente errado pensar que a datilologia 
(soletração utilizando o alfabeto manual) é a simulação de um sinal. As letras do alfabeto 
digital representam as letras do alfabeto da língua oral de um idioma, e cada letra não 
significa um sinal” (HONORA, 2010, p. 16). 
Assim como as línguas orais possuem um léxico, as línguas de sinais também 
possuem um conjunto de palavras (sinais) que formam a língua. 
Neste tópico, cremos que é importante pensarmos juntos sobre o estudo básico 
do léxico da Libras, entendendo essa língua como uma atividade constitutiva e em 
construção entre seus usuários. 
Para compreender melhor o conceito de léxico, vamos esclarecer dois termos 
importantes: 
❖ Lexicologia: é o estudo voltado ao léxico da língua, estudo diacrônico, analisa os 
neologismos e mudanças da língua, vocabulários técnico-científicos. Isso significa dizer 
que a lexicologia da língua de sinais, atua no sentido de analisar a realidade dessa 
língua, buscando entendê-la em sua estrutura própria e histórica. Podemos compreender 
então, que os usuários de uma língua oral e visual-gestual, assim como a Libras, não a 
conhecerão completamente, visto que a língua é viva e novas palavras e novos sinais 
vão surgir com o passar do tempo, vocabulários podem aparecer ou desaparecer. 
 
❖ Lexicografia: é quando analisamos a produção de dicionários ou glossários de 
língua de sinais, agrupando em classes gramaticais, como uma lista de palavras para 
auxiliar os aprendizes, e compreender como estes dicionários interferiram no registro do 
léxico da língua em questão. 
O registro de dicionário mais antigo no Brasil foi produzido no INES, no Rio de 
Janeiro, intitulado Iconographia dos signaes dos surdos-mudos, produzido pelo aluno 
surdo Flausino José da Gamaem em 1875. Desde então, foram produzidos vários 
materiais dessa natureza no país como o de Oates e Fernandes & Strobel (1998), e mais 
recentemente o dicionário trilíngue de Capovilla & Raphael (2001), distribuído pelo MEC 
para as escolas públicas. 
 
SAIBA MAIS 
 
Acadêmico(a) você poderá conhecer mais sobre o dicionário mais antigo do Brasil 
Iconographia dos signaes dos surdos-mudos de Flausino José da Gamaem em 1875, 
numa série histórica produzida pelo Instituto Nacional de Educação de Surdos (2011) 
volume 1 através do link:https://www.ines.gov.br/publicacoes Acesso em: 09 set. 2021. 
 
#SAIBA MAIS# 
 
Já vimos ao longo dos nossos estudos que as línguas de sinais possuem um 
sistema de criação de sinais, e estes sinais possuem unidades mínimas com significado, 
conhecidas também como morfemas, passíveis de combinações. 
O Léxico da Libras engloba muitos significados dependendo de como o sinal é 
usado no contexto dessa língua. Nesse caso, perceberemos que a língua de sinais 
possui estrutura complexa, com incorporações de palavras estrangeiras (empréstimos 
linguísticos), inclui as soletrações, utilizadas como estratégias de esclarecimento dos 
sinais e não como meio principal de comunicação, além dos classificadores, que podem 
constituir e significar melhor e mais claramente a comunicação (também considerados 
como léxico nativo). 
 
Quadros e Karnopp (2004) utilizaram a proposta de Brentari & Padden (2001) 
como possibilidade para representar o léxico da Libras. Assim como, nas línguas orais 
há empréstimos linguísticos, nas línguas de sinais isso também ocorre, via soletração 
manual, muitas vezes derivada em transformação em um próprio sinal como no exemplo 
no sinal de S-O-L, que pode ser S-L. Quadros e Karnopp (2004) também explicam que, 
quando não existe sinal a ser utilizado, a soletração é uma estratégia para contextualizar 
a palavra em um discurso realizado em língua de sinais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 REGÊNCIA VERBAL DA LÍNGUA DE SINAIS 
 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/smiling-indian-latin-deaf-disabled-child-1814238713 
Acesso em: 30 out. 2021 
 
Cada língua, a partir de uma Gramática Universal, possui a sua gramática 
particular. As estruturas fono-morfo-sintáticas são, portanto, indiossincrasias linguísticas 
específicas a cada língua, assim cada língua tem seu sistema de flexão formado por 
morfemas presos ou livres que são relevantes para a sua sintaxe e suas regras 
transformacionais. 
Neste tópico, veremos como os verbos são divididos em Libras. Focalizamos em 
exemplos que o orientarão a aumentar seu aprendizado e ter um entendimento 
satisfatório nessa classe gramatical tão importante. 
Apresentamos, as definições dos processos sintáticos de língua de sinais e a 
forma de identificar a formação de frases. Para formar uma frase, é necessário nomear 
as marcas da formação de interrogativa, de acordo com o contexto. Sem falar da inserção 
dos verbos e a concordância da língua de sinais. As construções sintáticas dão mais 
significado e sentido nas captações visuais e mentais, reconhecendo cada elemento na 
gramática da Língua Brasileira de Sinais. 
A sintaxe é a área da gramática que trata da estrutura da sentença. Analisar 
alguns aspectos da Libras requer “enxergar” ou “ler” esse sistema que é viso-espacial e 
NÃO oral-auditivo. 
Os verbosrepresentam as ações. Em Libras alguns verbos apresentam variação 
de acordo com o contexto, por exemplo, não existe sinal para o verbo “ABRIR”, o sinal 
 
para esse verbo vai depender do contexto, ou seja, o sinal para “abrir a porta” será 
diferente do sinal de “abrir os olhos’, “abrir o pote” entre outros. Veja na figura a diferença: 
 
Imagem 1 - Variações do verbo ABRIR de acordo com o contexto 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
❖ Verbos Simples 
São os verbos que não se flexionam em pessoa e número e não incorporam afixos 
locativos, porém alguns desses verbos apresentam flexões de aspecto, como vimos nos 
itens acima. A maioria dos verbos que estão nos pontos de locações no corpo são verbos 
simples. Também há alguns que são feitos no espaço neutro ou espacial. 
Vamos ver nas figuras abaixo exemplos de verbos simples: 
 
 
 
 
 
 
Imagem 2 – Verbos simples 
 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
Felipe (1988) apresentou verbos da Libras que possuem concordância como os 
direcionais. Seus estudos apontam para a Flexão número-pessoa. 
Nesse sistema de flexão verbal da Libras há o parâmetro direcionalidade, por 
exemplo, “eu pergunto pra você”, “eu aviso você” e “eu protejo você”, podemos perceber 
a direção do movimento em que esses sinais são realizados, do emissor para o receptor. 
Já nos exemplos “você pergunta pra mim”, “você me avisa” e “você me protege”, a 
direção do movimento acontece de forma contrária, sendo do receptor para o emissor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem 3 – Flexão verbal: direcionalidade 
 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
Cabe destacar ainda, que pode acontecer desses ou outros sinais serem 
direcionados para uma terceira pessoa do discurso, conforme exemplificado nas 
imagens a seguir: 
 
Imagem 4 – Flexão verbal: direcionalidade 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
Destaca-se ainda o uso dos Verbos direcionais que incorporam o objeto, por 
exemplo: TROCAR 
 
Imagem 5 – Verbos direcionais que incorporam o objeto - TROCAR 
 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
 
Para Campello (2008) os verbos com concordância apresentam a direcionalidade 
(em inglês é chamado de blackward) e a orientação de mãos. A direcionalidade é muito 
importante porque está associada às relações semânticas, já que existem dois pontos 
distintos no espaço da Língua Brasileira de Sinais: fonte e alvo e vice-versa. Quando a 
orientação da mão volta para o objeto da frase sinalizada é associada na sintaxe como, 
por exemplo, da glosa em sinais: 
 
Imagem 6 – Verbos direcionais 
 
 
 
Fonte: Campello (2008) adaptado pela autora 
 
Nos Verbos não-direcionais: que são os verbos que possuem marca de 
concordância, quando se faz uma frase é como se eles ficassem no infinitivo. Os verbos 
não-direcionais podem aparecer. 
✔ Ancorados no corpo: por serem verbos realizados em contato ou muito 
próximos do corpo. Podem ser verbos de estados cognitivos, emotivos ou 
experiências, como: 
 
Imagem 7 – Verbos não-direcionais ancorado ao corpo 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
Sobre a Flexão para locativo, Felipe (1988) ressalta que o ponto de articulação 
também é um tipo de flexão verbal, ou seja, são verbos que começam ou terminam em 
 
um determinado lugar que se refere ao lugar de uma uma, coisa, animal ou veículo, que 
está sendo colocado, carregado etc. Assim, o ponto de articulação marca a localização, 
podemos ver também, nesses verbos, os classificadores, como você pode observar no 
exemplo: 
 
Imagem 8 – Verbo classificador ATIRAR no ponto de articulação ‘cabeça’ 
 
CABEÇA ATIRAR (eu atiro na minha cabeça) 
Fonte: Felipe (1988) adaptado pela autora 
 
❖ Verbos espaciais (junto com o ponto de locação no espaço + loc) 
São os verbos que têm afixos locativos. Observe os exemplos na figura abaixo: 
 
Imagem 9 – Verbos espaciais com afixos locativos 
 
 Fonte: Felipe (1988) adaptado pela autora 
 
Felipe (1998) apresenta também a Flexão para gênero, assim na Libras os 
classificadores são formas que, substituindo o nome as precedem, pode vir junto ao 
verbo para classificar o sujeito ou o objeto que está ligado à ação do verbo. Os 
classificadores na Libras então, são marcadores de concordância de gênero: PESSOA, 
 
ANIMAL, COISA, podem ter plural, que é marcado ao se representar duas pessoas ou 
animais simultaneamente com as duas mãos ou fazendo um movimento repetido em 
relação ao número, como demonstram os exemplos: 
 
Imagem 10 - Verbo classificador para pessoa, animal, coisa e veículo 
 
Fonte: Felipe (1988) adaptado pela autora 
 
REFLITA 
 
✔ Assista ao vídeo editado pelo Instituto Nacional de Educação dos Surdos – 
INES, que conta a história de Chapeuzinho Vermelho em libras. Observe o uso 
de classificadores do verbo andar. 
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=JuCVU9rGUa8>. Acesso 
em 13 set. 2021. 
✔ Assista também ao vídeo do INES, onde o professor destaca os classificadores 
enquanto marcadores de flexão de gênero. Veja como ele descreve o corpo 
de pessoas e animais em cada abordagem, preste atenção aos detalhes de 
cada sinal classificador. Disponível em: 
<https://www.youtube.com/watch?v=Nk1Xz0NEQFM>. Acesso em 13 set. 
2021. 
 
Fonte: Disponível em: http://tvines.org.br/ Acesso em: 30 out.2021 
 
#REFLITA# 
 
 
 
 
 
 
3 SISTEMA PRONOMINAL 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/this-me-portrait-happy-preschool-curly-1632611956 
Acesso em: 30 out. 2021 
 
⮚ Pronomes Interrogativos 
 
 Os pronomes interrogativos QUE e QUEM geralmente são usados no início da 
frase, mas o pronome interrogativo ONDE e o pronome QUEM, quando está sendo 
usado com o sentido de “quem é” ou “de quem é” são mais usados no final. Todos os 
três sinais têm uma expressão facial interrogativa feita simultaneamente com eles. 
 Na variante do Rio de Janeiro, o pronome interrogativo QUEM, dependendo do 
contexto, pode ter duas formas diferentes, os sinais QUEM e o sinal soletrado QUM. Se 
se quer perguntar “quem está tocando a campainha”, usa-se o sinal o sinal QUEM; se 
quer perguntar “quem faltou hoje” ou “quem está falando” ou ainda “quem fez isso”, usa-
se o sinal soletrado QUM, como nos exemplos abaixo: 
 
Interrogativa 
 
1 – QUEM 
 
 
 
 
Imagem 11 - Pronome interrogativo QUEM 
 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Interrogativa 
 
 
2 – Q-U-M 
 
Imagem 12 - Pronome interrogativo Q-U-M 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
 
⮚ Pronomes Pessoais 
 
 A Libras possui um sistema pronominal para representar as pessoas no discurso 
 
● Primeira Pessoa (singular, dual, trial, quatrial e plural): EU; NÓS-2, NÓS-3, NÓS-
4, NÓS-GRUPO, NÓS/NÓS-TOD@. 
Felipe (2001) pontua como acontece a sinalização. Note que a direção da mão e 
do olhar é determinante para a significância do sinal. 
 
● Primeira pessoa do singular: EU 
Apontar para o peito do enunciador (a pessoa que fala) 
 
 
 
Imagem 13 - Pronome pessoal primeira pessoa do singular - EU 
 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
● Primeira pessoa do plural: NÓS-2, NÓS-3, NÓS-4, NÓS-GRUPO, NÓS/NÓS-
TOD@S 
 
Imagem 14 - Pronome pessoal primeira pessoa do plural - NÓS 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
● Segunda pessoa (singular, dual, trial, quatrial e plural): VOCÊ, VOCÊ-2, VOCÊ-
3, VOCÊ-4, VOCÊ-GRUPO, VOCÊS/VOCÊS-TOD@S 
● Segunda pessoa do singular: VOCÊ 
Apontar para o interlocutor (a pessoa com quem se fala) 
 
 
 
Imagem 15 - Pronome pessoal segunda pessoa do singular - VOCÊ 
 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
● Segunda pessoa do plural: VOCÊS-2, VOCÊS-3, VOCÊS-4, VOCÊS-GRUPO, 
VOCÊS/VOCÊS-TOD@S 
 
Imagem 16 - Pronome pessoal segunda pessoa do plural - VOCÊS 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
● Terceira pessoa (singular, dual, trial, quatrial e plural): El@, El@-2, El@-3, El@-
4, El@-GRUPO, El@/El@TOD@) 
 
● Terceira pessoa do singular: EL@ 
Apontar para uma pessoaque não está na conversa ou para um lugar 
convencionado para uma pessoa. 
 
Imagem 17 - Pronome pessoal terceira pessoa do singular – EL@ 
 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
● Terceira pessoa do plural: El@, El@-2, El@-3, El@-4, El@S-GRUPO, 
El@S/El@S-TOD@S) 
 
Imagem 18 - Pronome pessoal terceira pessoa do plural – EL@ 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
 No singular, o sinal para todas as pessoas é o mesmo, o que difere uma das 
outras é a orientação da mão: o sinal para “eu” é um apontar para o peito do emissor (a 
pessoa que está falando), o sinal para “você” é um apontar para o receptor (a pessoa 
com quem se fala) e o sinal para “ele/ela” é um apontar para uma pessoa que não está 
na conversa ou para um lugar convencionado para uma terceira pessoa que está sendo 
mencionada. 
No dual, a mão ficará com o formato do numeral dois (quantidade), no trial o 
formato será do numeral três (quantidade), no quatrial, o formato será do numeral quatro 
(quantidade). Para o plural existem dois sinais: um sinal composto, formado pelo sinal 
para a respectiva pessoa do discurso (1ª, 2ª 3ª), mais o sinal GRUPO; e outro sinal para 
 
plural que é feito pela mão predominante com a configuração em “d”, fazendo um 
semicírculo à frente do sinalizador, apontando para as duas pessoas ou três pessoas do 
discurso. 
 Como na Língua Portuguesa, na Libras, quando uma pessoa surda está 
conversando, ela pode omitir a primeira pessoa porque, pelo contexto, as pessoas que 
estão interagindo sabem a qual das duas o contexto está relacionado, por isso, quando 
esta pessoa está sendo utilizada pode ser para dar ênfase à frase. 
 Quando se quer falar sobre uma terceira pessoa que está presente, mas deseja-
se uma certa reserva, por educação, não se aponta para esta pessoa diretamente. Nessa 
situação, o enunciador faz um sinal com os olhos e um leve movimento de cabeça para 
a direção da pessoa que está sendo mencionada, ou aponta para a palma da mão 
encostando o dedo indicador da mão esquerda na mão direita um pouco à frente do peito 
do emissor, estando o dorso da mão direita voltada para a direção onde se encontra a 
pessoa referida (FELIPE, 2007, p. 142-143). 
 Diferentemente do Português, os pronomes pessoais na terceira pessoa não 
possuem marca para gênero (masculino e feminino) 
 
⮚ Pronomes Demonstrativos e Advérbios de Lugar 
 
Os pronomes demonstrativos e os advérbios de lugar têm o mesmo sinal, 
somente o contexto os diferencia pelo sentido da frase acompanhada de 
expressão facial. Estes tipos de pronomes e de advérbios estão relacionados às 
pessoas do discurso e representam, na perspectiva do emissor, o que está bem 
próximo, perto e distante. Estes pronomes ou advérbios têm a mesma 
configuração de mãos dos pronomes pessoais (mão em d), mas os pontos de 
articulação e as orientações do olhar são diferentes (FELIPE, 2007, p. 41). 
 
 Na Libras, como no Português, os pronomes demonstrativos e os advérbios de 
lugar estão relacionados às pessoas no discurso e representam, na perspectiva do 
emissor, o que está bem próximo, perto ou distante. Eles têm a mesma configuração de 
mãos dos pronomes pessoais, mas os pontos de articulação e as orientações do olhar 
são diferentes. 
 Os pronomes demonstrativos e os advérbios de lugar relacionados à 1ª pessoa, 
EST@/AQUI, são representados por um apontar para o lugar perto e em frente do 
 
emissor, acompanhado de um olhar para este ponto. EST@ também pode ser sinalizado 
ao lado do emissor apontando para a pessoa/coisa mencionada. 
 ESS@/AI é um apontamento para o lugar perto e em frente do receptor, acrescido 
de um olhar direcionado não para o receptor, mas para o ponto sinalizado com relação 
à coisa/pessoa que está perto da segunda pessoa do discurso. 
 AQUEL@/LÁ é um apontar para um lugar mais distante, o lugar da terceira 
pessoa, mas diferentemente do pronome pessoal, ao apontar para este ponto há um 
olhar direcionado para a coisa/pessoa ou lugar. 
 Como os pronomes pessoais, os pronomes demonstrativos também não possuem 
marca para gênero: masculino e feminino. 
 
● Pronomes pessoais 
EU (olhando para o receptor: 2ª pessoa) 
VOCÊ (olhando para o receptor: 2ª pessoa) 
EL@ (olhando para o receptor: 2ª pessoa) 
 
● Pronomes demonstrativos ou advérbios de lugar 
EST@/AQUI (olhando para coisa/lugar apontando, perto da 1ª pessoa) 
EST@/AI (olhando para a coisa/lugar apontando, perto da 2ª pessoa) 
AQUEL@/LÁ (olhando para a coisa/lugar distante apontado) 
 
 
 
 
Imagem 19 - Pronomes demonstrativos ou advérbios de lugar 
 
 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
 
⮚ Pronomes Possessivos 
 
 Os pronomes possessivos, como os pessoais e demonstrativos, também não 
possuem marca para gênero e estão relacionados às pessoas do discurso e não à coisa 
possuída, como acontece em Português. 
 
 
 
 
Imagem 20 - Pronomes possessivos 
 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
 Para a primeira pessoa: ME@, pode haver duas configurações de mão: uma é a 
mão aberta com os dedos juntos, que bate levemente no peito do emissor, a outra é a 
configuração da mão em P com o dedo médio batendo no peito – MEU-PRÓPRIO. Para 
as segunda e terceira pessoas, a mão tem esta segunda configuração em P, mas o 
movimento é em direção à pessoa com que se fala (segunda pessoa) ou está sendo 
mencionada (terceira pessoa), Capovilla e Raphael (2001). 
 Não há sinal específico para os pronomes possessivo no dual, trial, quatrial e 
plural (grupo), nestas situações são usados os pronomes pessoais correspondentes. 
Exemplo: NÓS FILH@ “nossos(a) filhos(a).” 
 Os adjetivos são sinais que formam uma classe específica na Libras. Figueira 
(2011) expõe essa relação apresentando-os sempre na forma neutra, não havendo, 
portanto, nem marca para gênero (masculino e feminino), nem para número (singular e 
plural). Muitos adjetivos, por serem descritivos e classificadores, apresentam 
iconicamente uma qualidade do objeto, desenhando-a no ar ou mostrando-a a partir do 
objeto ou do corpo do emissor. 
 
Em português, quando uma pessoa se refere a um objeto como sendo 
arredondado, quadrado, listrado, está também descrevendo e classificando, mas 
na Libras esse processo é mais 'transparente', porque o formato ou textura são 
traçados no espaço ou no corpo do emissor, em uma tridimensionalidade 
permitida pela modalidade da língua. Em relação à colocação dos adjetivos na 
 
frase, eles geralmente vêm após o substantivo que o qualifica (FELIPE, 2007, p. 
121). 
 
Assim, o gênero não se apresenta em Libras para substantivos e adjetivos, mas 
sim quando quer explicitar alguns substantivos dentro de determinados contextos. O 
sinal utilizado para essa distinção é o sinal de homem e o sinal de mulher em conjunto 
com sinais de pessoas ou animais. 
 
Imagem 21 - Gênero (feminino/masculino) 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
⮚ Pronomes Indefinidos 
 
Imagem 22 - Pronomes indefinidos 
 
 
Fonte: Capovilla e Raphael (2001), adaptado pela autora 
 
 
Exemplos: 
 
NINGUÉM (acabar) 
 
 
 
Imagem 23 - Pronome indefinido – NINGUÉM – na sentença 
 
 
Fonte: Arquivo da autora (2021) 
 
NENHUM (não) 
 
Imagem 24 - Pronome indefinido – NENHUM (não) – na sentença 
 
Fonte: Arquivo da autora (2021) 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem 25 - Pronome indefinido – NENHUM (não) – na sentença 
 
 
Fonte: Arquivo da autora (2021) 
 
NENHUM-POUQUINHO 
 
Imagem 26 - Pronome indefinido – NENHUM-POUQUINHO – na sentença 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 RESTRIÇÕES NA FORMAÇÃO DOS SINAIS 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/isolated-red-x-green-tick-black-789694312 
Acesso em: 30 out. 2021 
 
Para Quadros e Karnopp (2004, p. 52) conversar em qualquer língua não basta 
conhecer as palavras, é preciso aprender as regras de combinação das palavras em 
frases. As palavras, ou itens lexicais, são os sinais. Partindodo pressuposto que cada 
língua tem um número determinado de unidades mínimas cuja função é determinar a 
diferença de um sinal em relação a outro sinal, 
Essa união de regras lexicais possibilita a transmissão de qualquer pensamento 
visual não verbal e que se fundamenta através da cultura e identidade das comunidades 
surdas. Consideramos aqui, a importância de que o sinal ao ser produzido nunca deve 
ficar em frente aos olhos, e sim em frente ao tronco, facilitando a comunicação e 
compreensão dos sinais. 
Ressaltamos ainda que essa orientação é de suma importância para não se criar 
sinais com movimentos sem sentido ou de difícil execução, já que a tendência das 
línguas é a economia e redução de palavras para agilidade na compreensão do receptor. 
Já analisamos a importância da criação correta dos sinais, mas será que é 
imposta alguma restrição ou podemos executar os sinais de qualquer maneira? Siple 
(1978) mostrou que propriedades do sistema de percepção visual restringem a produção 
de sinais. A acuidade visual é maior na área da face, pois é onde o interlocutor fixa o 
olhar e específica possíveis combinações entre as unidades mínimas (configuração de 
 
mão, movimento, ponto de articulação e orientação de mão), na formação dos sinais. 
Observe a figura a seguir: 
 
Imagem 27 - Área central do espaço de sinalização 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004, p. 78) 
 
Dessa forma, quando executamos o sinal, devemos prestar atenção se está sendo 
realizado de forma correta e em uma área que o receptor consiga ver e interpretar. 
Podemos citar, como exemplo, se a pessoa usa barba/bigode e vai fazer um sinal na 
face, certifique-se que o sinal está sendo realizado limpo/sem impedimento/barreiras. 
Por isso, pense nessas restrições físicas e linguísticas, como forma de nos 
capacitar para fazermos os sinais corretamente. Como já compreendemos ao longo dos 
nossos estudos, Libras não são gestos ou palavras soltas no ar, e nem é um sistema de 
comunicação superficial, muito pelo contrário, o sinal foi criado com um objetivo a ser 
cumprido. 
Battison (1978) demonstra que na região facial existe um grande número de 
diferentes locações, comparada à região do tronco. Além disso, CM mais complexas 
(marcadas) ocorrem com maior frequência na região da face do que na região do tronco. 
Essas observações relacionam-se perfeitamente com as colocações de Siple (1978), que 
anteriormente apresentamos. 
O sistema articulatório (fisiologia das mãos) é importante na produção de sinais, 
pois a comunidade ouvinte tem pouca percepção visual e acaba errando ou distorcendo 
o uso das CM. Por exemplo, o sinal correto para designar “língua de sinais”. 
 
Imagem 28 - sinal: LÍNGUA DE SINAIS 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
Outro erro ou distorção visual nos aspectos de locação é fazer os sinais na frente 
do rosto. Os sinais produzidos nunca devem ficar em frente dos olhos, e sim em frente 
do tronco, conforme os exemplos abaixo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem 29 - Sinal: NOME 
 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
Quadros e Karnopp dizem que 
 
As restrições fonológicas requeridas para a boa formação de sinais podem ser 
exemplificadas em sinais produzidos pelas mãos. De um modo geral, pode-se 
fazer a seguinte classificação: a) sinais produzidos com uma mão; b) sinais 
produzidos com duas mãos em que ambas são ativas, e c) sinais de duas mãos 
em que a mão dominante é ativa e a mão não-dominante serve de locação. 
(2004, p. 78). 
 
Na classificação proposta por Battison (1978), existem duas restrições fonológicas 
na produção de diferentes tipos de sinais envolvendo as duas mãos: a condição de 
simetria e a condição de dominância. A primeira restrição estabelece: 
 
a) Condição de simetria: caso as duas mãos se movam na produção de um 
sinal, então determinadas restrições aparecem, a saber: a CM deve ser a mesma para 
as duas mãos, a locação ou ponto de articulação deve ser a mesma ou simétrica, e o 
movimento deve ser simultâneo ou alternado. 
 
 
 
 
 
 
Imagem 30 - Sinais que apresentam simetria na CM e P.A., mas se diferem no Movimento 
 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004) adaptado pela autora 
 
b) Condição de dominância: se as mãos apresentam distintas CM, então a 
mão ativa produz o movimento, e a mão passiva serve de apoio, apresentando um 
conjunto restrito de CM (não-marcadas). 
 
Imagem 31 - sinais que apresentam dominância de uma das mãos para executar o sinal, 
enquanto a outra mão atua como apoio 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004) adaptado pela autora 
 
As restrições na formação de sinais, derivadas do sistema de percepção visual e 
da capacidade de produção manual, restringem a complexidade dos sinais para que eles 
sejam mais facilmente produzidos e percebidos. O resultado disso é uma maior 
previsibilidade na formação de sinais e um sistema com complexidade controlada. 
 
SAIBA MAIS 
 
 
Existem algumas questões que podem ser pensadas na pesquisa de língua de 
sinais e sua tradução, por exemplo: Como vamos traduzir de modo fidedigno a língua de 
sinais através dos sinalizantes? Somos capazes de captar todos os sinais e sua 
expressividade através de expressões faciais? Existem tantas questões que podem ser 
resolvidas com uma ferramenta: transcrição de dados de língua de sinais. A transcrição 
de língua de sinais é muito importante para a pesquisa de qualquer língua de sinais do 
mundo. Através dela, podemos estudar, analisar, perceber, pesquisar, descrever, em 
todos os níveis de análise, uma língua (fonológico, morfológico e sintático). Essa 
ferramenta é recente nos estudos linguísticos de língua de sinais. Stokoe (1960) foi quem 
realizou o primeiro trabalho com a Língua de Sinais Americana (ASL). A partir de então, 
as línguas de sinais foram reconhecidas como língua, graças às pesquisas analíticas e 
científicas. 
Aqui no Brasil, a introdução da transcrição de língua de sinais foi realizada pela 
linguista Brito (1982). O processo de transcrição de dados, desde então, vem sofrendo 
adaptações de metodologias porque a língua de sinais, através da modalidade gesto-
visual e trimendisional, dificulta a captação de cada detalhe e do espaço de sinais. Os 
avanços tecnológicos propiciaram uma melhor descrição das línguas de sinais, conforme 
apresentam, Quadros; Pizzio (2007). Outros autores, McCleary e Viotti (2007), 
mostraram a grande dificuldade nos sistemas de notação, ou seja, nas formas de 
representar os sinais nos sistemas de transcrição de dados porque cada grupo de 
pesquisa utiliza uma notação diferente ou adaptações de um mesmo sistema de notação, 
de acordo com seu objeto de estudo, dificultando, assim, a padronização e propõem, no 
futuro, o armazenamento dos trabalhos coletados em um único banco de dados, 
acessível a qualquer pesquisador. 
As línguas de sinais têm características próprias e existem sistemas de 
convenções. Antigamente, usavam-se estas convenções (veja tabela a seguir) para 
escrevê-las, utilizando vídeo para reproduzir a distância. Este sistema, conforme Felipe 
(1988,1991,1993), é um “Sistema de notação em palavras” porque as palavras de uma 
língua oral-auditiva são utilizadas para representar aproximadamente os sinais. Essas 
convenções vêm sendo utilizadas para poder representar, linearmente, uma língua 
 
espaço-visual, que é tridimensional. Veja abaixo a tabela comparando os estudos de 
Brito (1982) e Felipe (1988,1991,1993). 
 
Quadro 1 - Comparação dos estudos de Brito (1995) e Felipe (1988, 1991, 1993). 
CATEGORIAS 
 
BRITO (1984) FELIPE (1988,1991,1993) 
 
 
 
GLOSA 
 
Letra maiúscula em português para 
conceitos da LIBRAS: 
HOMEM TRABALHAR MUITO. 
O verbo vem sempre na forma 
infinitiva, posto que não há flexão para 
modo e tempo verbal em LIBRAS. 
Os sinais da LIBRAS, para efeito de 
simplificação, serão representados por 
itenslexicais da Língua Portuguesa (LP) 
em letras maiúsculas. 
Exemplos: CASA, ESTUDAR, 
CRIANÇA, etc. 
 
 
 
 
PALAVRA 
COM HÍFEN 
Quando duas ou mais palavras em 
português são necessárias para 
traduzir o conceito que é representado 
por um único sinal em LIBRAS, eles 
devem ser ligados por hífen. 
NÃO-QUERER, BEBER-PINGA, 
COMER-MAÇÃ. 
Um sinal, que é traduzido por duas ou 
mais palavras em língua portuguesa, 
será representado pelas palavras 
correspondentes, separadas por hífen, 
por exemplo: 
CORTAR-COM-FACA, QUERER-NÃO 
“não querer”, MEIO-DIA, AINDA-NÃO, 
etc. 
 
 
SINAL 
COMPOSTO 
 
 Um sinal composto, formado por dois ou 
mais sinais, que será representado por 
duas ou mais palavras, mas com a ideia 
de uma única coisa, serão separados 
pelo símbolo ^, por exemplo: 
CAVALO^LISTRA (zebra). 
 
 
 
 
DATILOLOGIA 
 
Usamos letras separadas pelo hífen 
quando se trata de soletração digital: 
#J-O-Ã-O#R-I-O 
Este tipo de soletração é usado 
quando se trata de nome próprio de 
pessoa e de lugar ou, então, quando 
não há sinal para o conceito expresso 
na palavra da Língua Portuguesa. É o 
caso dos empréstimos, marcados por 
#. 
A datilologia (alfabeto manual), que é 
usada para expressar nome de pessoas, 
de localidades e outras palavras que não 
possuem um sinal, está representada 
pela palavra separada, letra por letra, por 
hífen, por exemplo: 
J-O-Ã-O, A-N-E-S-T-E-S-I-A. 
 
 
 
 
 
SINAL 
SOLETRADO 
 
 O sinal soletrado, ou seja, uma palavra 
da língua portuguesa que, por 
empréstimo, passou a pertencer à 
LIBRAS por ser expressa pelo alfabeto 
manual com uma incorporação de 
movimento próprio desta língua, está 
sendo representado pela datilologia do 
sinal em itálico, por exemplos: 
R-S “reais”, A-C-H-O, QUM “quem”, 
N-U-N-C-A, etc. 
 
 
 
 
 
DESINÊNCIAS 
Como se pode observar em Verbo- 
Direcional e Pronomes (tabela a 
seguir), não há marcação de gênero 
nem nos verbos com flexão ou 
direcionais e nem nos pronomes. 
Na LIBRAS não há desinências para 
gêneros (masculino e feminino) e 
número (plural), o sinal, representado 
por palavra da Língua Portuguesa que 
possui estas marcas, está terminado 
 
 Assim, se a pessoa é do sexo 
feminino, esta informação deverá ser 
inferida através do contexto. No caso 
de ambiguidade, o enunciador pode se 
servir do sinal feminino (sinal que 
aparece nas expressões menina em 
oposição a menino) após o pronome 
ou antes dele. 
 
com o símbolo @ para reforçar a ideia de 
ausência e não haver confusão, por 
exemplo: AMIG@ “amiga(s) e amigo(s)” 
, FRI@ “fria(s) e frio(s)”, MUIT@ 
“muita(s) e muito(s)”, TOD@, “toda(s) e 
todo(s)”, EL@ “ela(s), ele(s)”, ME@ 
“minha (s) e meu(s)” etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TRAÇOS NÃO 
MANUAIS 
 
As expressões faciais e corporais 
podem expressar interrogação (____), 
exclamação (__!___), topicalização 
(__t___), negação (___ñ___), 
intensidade (___int___), força 
ilocucionária (___EFp____), no caso 
de um pedido, (___EFo___), no caso 
de uma ordem, etc., e serão 
representadas, respectivamente, 
pelos símbolos abaixo, entre os 
pontilhados acima da porção do 
enunciado onde elas aparecem: 
__t___ 
CARRO, EU COMPRAR NOVO (Eu 
comprei um carro novo) 
__ ___ 
NOME, pro2 (Qual é o seu nome) 
___!____ 
BONITO Loc1 (Que bonito isto aí!) 
___ñ____ 
ACREDITAR VOCÊ (Não acredito em 
você) 
Os traços não-manuais: expressões 
facial e corporal, que são feitos 
simultaneamente com um sinal, estão 
representados acima do sinal ao qual 
está acrescentando alguma ideia, que 
pode ser em relação ao: 
a) tipo de frase ou advérbio de modo: 
interrogativa ou ... i ... negativa ou ... neg 
... etc. 
Para simplificação, serão utilizados, para 
a representação de frases nas formas 
exclamativas e interrogativas, os sinais 
de pontuação utilizados na escrita das 
línguas orais-auditivas, ou seja: !, ? e ?! 
b) advérbio de modo ou um 
intensificador: muito rapidamente exp. f 
“espantado” etc. 
Exemplos: 
exclamativo 
NOME 
 
TRAÇOS NÃO 
MANUAIS 
VERBOS COM 
CONCORDÂNCIA DE 
GÊNERO ATRAVÉS 
DE 
CLASSIFICADORES 
 Os verbos que possuem concordância 
de gênero (pessoa, coisa, animal), 
através de classificadores, estão 
representados por um tipo de 
classificador em subscrito. Exemplos: 
pessoaANDAR, 
veículoANDAR, 
coisa-arredondada COLOCAR, etc. 
VERBOS COM 
CONCORDÂNCIA DE 
LUGAR OU NÚMERO-
PESSOAL 
 
 Os verbos que possuem concordância 
de lugar ou número-pessoal, através do 
movimento direcionado, estão 
representados pela palavra 
correspondente com uma letra em 
subscrito que indicará: 
a) a variável para o lugar: 
i = ponto próximo à 1a pessoa, 
j = ponto próximo à 2a pessoa, 
e k’ = pontos próximos à 3a pessoas, e = 
esquerda, d = direita; 
b) as pessoas gramaticais: 
1s, 2s, 3s = 1a, 2a e 3a pessoas do 
singular; 
1d, 2d, 3d = 1a, 2a e 3a pessoas do 
plural; 
1p, 2p, 3p = 1a, 2a 
 
e 3a pessoas do plural; 
Exemplos: 
1s DAR2S “eu dou para “você”, 
2sPERGUNTAR3P “você pergunta para 
eles/elas”, 
kdANDARk,e “andar da direita (d) para à 
esquerda (e) 
PLURAL 
 
 Às vezes, há uma marca de plural pela 
repetição do sinal. Esta marca será 
representada por uma cruz no lado 
direto, acima do sinal que está sendo 
repetido: 
Exemplo: GAROTA + 
SINAL COM DUAS 
MÃOS 
 
Quando um único enunciado é 
realizado com ambas as mãos ao 
mesmo tempo, colocam-se os sinais 
simultâneos um acima do outro, isto é, 
em linhas diferentes, vindo na primeira 
linha o(s) sinal(is) realizado(s) com a 
mão dominante (mão direita para os 
destros). 
Outras estratégias podem ser 
utilizadas na transcrição de 
enunciados e textos, porém, estas são 
as mais básicas e nos limitaremos a 
elas, que constam no livro da autora 
Lucinda Brito. 
Quando um sinal, que geralmente é feito 
somente com uma das mãos, ou dois 
sinais estão sendo feitos pelas duas 
mãos simultaneamente, serão 
representados um traço abaixo do outro 
com indicação das mãos: direita (md) e 
esquerda (me). 
Exemplos: 
IGUAL (md) PESSO@-MUIT@ ANDAR 
(me) 
IGUAL (me) PESSOAEM-PÉ (md). 
VERBO 
DIRECIONAL 
 
Quando o verbo é direcional, isto é, 
apresenta flexão, marcando sujeito e 
objeto, usamos números de 1 a 3 para 
marcar as pessoas no singular ou 1p, 
2p e 3p para as pessoas do plural. 
1DAR2 LIVRO (Eu dei o livro para 
você) 
3pTELEFONAR1 ONTEM (Elas/eles 
me telefonaram ontem) 
3PERGUNTAR1p VERDADE (Ele/Ela 
nos disse a verdade). 
 
PRONOMES 
 
Os pronomes em LIBRAS são 
representados da seguinte forma: 
pro3 NÂO-GOSTAR pro1 (Ela/ele não 
gosta de mim) 
 
PRONOME 
DEMONSTRATIVO OU 
ADVÉRBIO DE 
LUGAR 
 
Os pronomes demonstrativos e os 
advérbios de lugar são representados 
por 
Loc i - este/aqui 
Loc j – esse/aí 
Loc k – aquele/a, ali/lá 
Loc é o símbolo para locativo. 
 
CLASSIFICADORES 
 
Os classificadores são representados 
pelas iniciais CL: acompanhadas de 
símbolos de configuração de mãos 
que são utilizadas para representar a 
classe semântica que representam. 
CARRO CL: V BATER CL: G1 POSTE 
(O carro bateu no poste) 
 
 
Fonte: Brito (1995) e Felipe (1988, 1991, 1993). 
 
#SAIBA MAIS# 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Nesta Unidade, observamos que, ultimamente, no processo de ampliação do 
léxico da língua de sinais, os novos sinais têm uma produção mais arbitrárias e menos 
icônica, ou seja, cada vez mais diminui a criação de sinais por intenção icônica e passa 
a usar recursos como a inicialização, um “empréstimo” da língua portuguesa, 
consideramos esse fato importante, pois revela a ação das línguas em contato, 
principalmente pelo desenvolvimento acadêmico dos surdos. 
Cabe pensarmos profundamente na Língua de Sinais, por ser de modalidade 
espaço-visual tem uma produção de um caráter do léxico icônico ou mesmo de sinais 
indicativos, direcionais como as formas pronominais usadas com referentes presentes 
ou pronomes demonstrativos. Constatamos que esses traços icônicos têm diminuído 
passando a convenção de traços arbitrários ou de grande influênciada Língua 
Portuguesa pela inicialização. A inicialização, de acordo com Brito (1995), ocorre quando 
se faz uso da letra inicial da palavra em português para produzir o sinal, uma 
configuração de mão que corresponde à letra do alfabeto manual associada a um 
movimento. 
Muitos sinais têm forte motivação icônica, permitindo a representação de traços 
semânticos do significado, mas Quadros (1995) considera que 
 
Os sinais, em si mesmos, normalmente não expressam o significado completo 
do discurso. Este significado é determinado por aspectos que envolvem a 
interação dos elementos expressivos da linguagem. No ato da conversação, o 
receptor deve determinar a atitude do emissor em relação ao que ele produz [...]. 
QUADROS (1995, p. 1) 
 
Esperamos que a partir das experiências comunicativas em Libras exemplificadas 
nesta Unidade de estudos você, acadêmico(a) venha construir um repertório interessante 
para compreender, envolver-se e comunicar-se em Libras, entendendo que no uso da 
palavra/sinal, requer que a busca de interação social com os usuários dessa língua. 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
 
 A tese de doutoramento em linguística da pesquisadora Tanya Amara Felipe de 
Souza (1998), intitulada: A RELAÇÃO SINTÁTICO-SEMÂNTICA DOS VERBOS E 
SEUS ARGUMENTOS NA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) VOLUME I é 
um excelente material complementar de pesquisas e estudos que teve como principal 
objetivo estudar o verbo em uma língua de modalidade gestual-visual e estabelecer uma 
classificação para os verbos da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Para se fazer este 
estudo foi necessário repensar sobre tipologia de línguas, categorias gramaticais e fazer 
uma pesquisa de campo para, através de dados elicitados, propor uma classificação para 
os verbos dessa língua. A constituição do verbo, enquanto item lexical, possuidor de uma 
raiz onde se agregam outros elementos que ou são marcas de concordância ou são 
satélites, foi o foco de estudo. Através de uma abordagem morfológica, sintática e 
semântica, o verbo foi apresentado como uma rede que, devido a regras de seleção 
restritiva, seleciona seus argumentos, suas regras temáticas e suas alterações diátesis. 
Existe, portanto, um frame verbal que induz a um frame temático que induz a uma frame 
proposicional. Assim, os verbos da LIBRAS foram divididos em classes a partir do seu 
sistema de flexão: gênero, número-pessoal e locativo. Os resultados obtidos neste 
estudo trarão uma contribuição que ultrapassa o entendimento das línguas de sinais, 
oferecendo subsídios à teoria geral da linguagem, demonstrando a aplicação àquelas de 
princípios que vêm sendo propostos para a análise de línguas orais-auditivas. 
Link: https://pantheon.ufrj.br/bitstream/11422/4401/4/476265%20vol.I.pdf Acesso em: 09 
set. 2021. 
 
 
 
 
 
LIVRO 
 
 
Título: Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue Língua de Sinais Brasileira - LIBRAS 
– Volume I e II 
Autores: Fernando César Capovilla e Walquíria Duarte Raphael. 
Ano: 2001. 
Sinopse: o Dicionário da Língua de Sinais Brasileira (Libras) é resultado de vários anos 
de pesquisa realizada pelos autores junto a professores especializados em educação de 
surdos e informantes surdos, com o objetivo de fornecer um instrumento para a educação 
bilíngue no Brasil. O dicionário documenta, em três línguas (português, inglês e libras) 
cerca de 9500 verbetes, fornecendo com exatidão descrições da forma e articulação dos 
sinais. Traz também ilustrações com o significado dessas convenções, permitindo à 
criança pré-alfabetizada compreender o significado de cada sinal, sem a mediação da 
escrita. 
 
 
FILME/VÍDEO 
 
Título: Glossário Libras 
Ano: 2006. 
Sinopse: Glossário é uma lista de unidades lexicais específicas de um domínio de uma 
língua e geralmente surge como apêndice de uma obra temática. Em 2006 a UFSC em 
parceria com 8 instituições de ensino superior ofertou pela primeira vez o curso de 
graduação em Letras-Libras na modalidade à distância. Foi desenvolvido um ambiente 
virtual específico para disponibilizar os materiais do curso em Libras e Língua Portuguesa 
aos estudantes surdos. A tradução dos textos-base das disciplinas para Libras ficou a 
cargo de uma equipe de tradutores surdos, que identificaram a necessidade de pesquisar 
e/ou propor sinais correspondentes para termos das áreas de especialidades estudadas 
no curso. Além dos filtros: Configuração de mão e Localização do sinal estão disponíveis 
também a busca pela digitação da palavra em português e a opção de busca do termo 
em inglês, ampliando ainda mais as possibilidades de divulgação do léxico de Libras e 
de interação com outros pesquisadores. 
Link: https://glossario.libras.ufsc.br/ 
 
 
 
 
 
 
FILME/VÍDEO 02 
 
 
Título: Manuário 
Ano: 2011. 
Sinopse: Manuário é um programa que apresenta novos itens lexicais em Libras. É um 
dicionário acadêmico bilíngue: Língua Brasileira de Sinais e Português. A pesquisa é 
desenvolvida pela equipe do DESU- Departamento de Ensino Superior do INES/ Instituto 
Nacional de Educação de Surdos. A cada episódio são apresentadas curiosidades, 
cultura e história sobre a vida de filósofos, pensadores e personalidades marcantes. O 
programa auxilia estudantes surdos, ouvintes e intérpretes, na leitura e aprendizado dos 
sinais de cada personagem. 
Link: http://tvines.org.br/?page_id=333 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
BATTISON, R. Lexical borrowing in american sign language. Silver Spring. MD: 
Linstok, 1978. 
 
BRENTARI, D.; PADDEN. C. A. Native and foreign vocabulary in American Sign 
Language: A lexicon with multiple origins. In. D. Brentari (ed.), Foreign vocabulary: A 
cross-linguistic investigation of word formation, p. 87-119, Mahwah, NJ: Lawrence 
Erlbaum Associates, 2001. 
 
BRITO, L.F. Por uma gramática da Língua de Sinais. Rio de Janeiro: Tempo 
Brasileiro, UFRJ – Departamento de Linguística e Filosofia, 1995. 
 
BRITO, Lucinda Ferreira. Por uma gramática de Línguas de Sinais. Rio de Janeiro: 
Tempo Brasileiro: UFRJ, Departamento de Lingüística e Filosofia, 1982. 
 
CAMPELLO, Ana Regina. Aspectos da Visualidade da Educação de Sujeitos 
Surdos. Tese de Doutorado. Florianópolis: UFSC, 2008. 
CAPOVILLA, F. C.; RAPHAEL, W. D. Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue 
– Língua de Sinais Brasileira. São Paulo: EDUSP, 2001. 
 
FELIPE, T. A; Libras em contexto: curso básico, livro do professor instrutor. 8. ed. 
Brasília: Programa Nacional de Apoio à Educação dos Surdos, MEC: SEESP, 2007. 
 
FELIPE, T. A; O Signo Gestual-Visual e sua Estrutura Frasal na Língua dos Sinais 
dos Centros Urbanos Brasileiros. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de 
Pernambuco, Recife, 1988. 
 
FELIPE, T. A; Coesão Textual em Narrativas Pessoais na LSCB. Monografia de 
conclusão da disciplina História da Análise do Discurso, (Doutorado em Lingüística) – 
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1991. 
 
FELIPE, T. A; Por uma tipologia dos verbos da LSCB. In: ENCONTRO NACIONAL 
DA ANPOLL, 7, 1993 Goiânia, Anais... Goiânia: Lingüística, 1993. 
 
FIGUEIRA, A. dos S. Material de apoio para aprendizagem de LIBRAS. São Paulo: 
Phorte, 2011. 
 
GAMA, Flausino. J. Iconographia dos Signaes dos Surdos-Mudos. Rio de Janeiro, 
Typographia Universal de E. & H. Laemmert, 1875. 
 
HONORA, Márcia e FRIZANCO, Mary Lopes Esteves. Livro ilustrado de língua de 
sinais. São Paulo: Ciranda Cultural, 2010. 
 
 
MCCLEARY, L.; VIOTTI, E. Transcrição de dados de uma língua sinalizada. In H. 
SALLES (Org.), Bilinguismo dos surdos: questões linguísticas e educacionais. 
Goiânia, GO: Cânone Editorial, 2007. 
 
QUADROS, Ronice Muller. A expressividade na Língua de sinais. In: STROBEL, K. 
(org.) Surdez: abordagem geral. Curitiba, APTQ, FENEIS, 1995. 
 
QUADROS, R. M; KARNOPP, L. B. Língua de Sinais Brasileira: estudo linguísticos 
Porto Alegre: Artmed. 2004. 
 
QUADROS, Ronice; PIZZIO, Aline. Aquisição da língua de sinais brasileira:constituição e transcrição dos corpora. Em prelo. 2007. 
 
SACKS, Oliver. Vendo vozes. Uma jornada pelo mundo dos surdos. Trad Alfredo 
Barcellos Pinheiro Lemos, Rio de Janeiro: Imago, 1990. 
 
SIPLE, P. Visual constraints for sign language communication. Sign Language 
Studies. Chicago: University of Chicago Press, 1978. 
 
STOKOE, William C. Sign language structure. Studies in Linguistics – Occasional 
Papers 8. Buffalo, NY: Department of Anthropology and Linguistics, University of 
Buffalo. MD: Linstock Press, 1960. 
 
CONCLUSÃO GERAL 
 
Prezado(a) acadêmico(a)! 
Durante os estudos da disciplina foi possível pensar na cultura da 
comunidade surda, para descrever elementos identitários dos surdos, artefatos 
da literatura surda brasileira e como podemos trabalhar com as crianças surdas. 
Vimos sobre as expressões da Libras, a descrição e uso do espaço, os 
aspectos linguísticos e figuras de linguagens com o uso dêitico e processos 
anafóricos. 
Dialogamos sobre as estratégias dos professores no ensino de surdos, 
identificamos os processos de formação da lexicografia dos sinais e das frases 
em Libras, reconhecendo a diferença dos significados e sentidos e as restrições 
na formação e execução dos sinais. 
Enfim, finalizamos a disciplina. A partir de agora desejo que você volte às 
Unidades de Estudo sempre que precisar colocar em prática os conhecimentos 
apreendidos e treine a sinalização no seu dia a dia, oportunizando um 
aprendizado básico que possibilite desenvolver uma comunicação com os 
surdos brasileiros. 
 Até uma próxima oportunidade, abraços sinalizados!

Mais conteúdos dessa disciplina