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378 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Italo Trigueiro) 
trabalho garantido apenas entre dezembro e maio, e a imensa 
maioria não sabia ler. Foi nesse cenário marcado por intensa 
desigualdade social que um grupo de revolucionários, liderado por 
um jovem advogado, iniciou uma luta sem tréguas contra o ditador. 
Depois de uma tentativa fracassada de chegar ao poder, os 
revolucionários embrenharam-se nas matas e, apoiados pelos 
camponeses, partiram para a guerra de guerrilhas. Em janeiro de 
1959, quase dois anos depois de iniciada a guerrilha, os 
revolucionários conseguiram conquistar o poder. 
 
Trata-se da: 
a) Revolução Mexicana. d) Revolução Bolivariana. 
b) Revolução Cubana. e) Revolução Panamenha. 
c) Revolução Nicaraguense. 
 
Questão 06 
A tensão política, conhecida por Guerra Fria, entre os EUA, 
liderando o bloco Capitalista, e a então URSS, à frente do bloco 
socialista, refletiu-se em outros países. No Brasil, o movimento 
militar de 1964 deveu-se, entre outras questões: 
a) ao descontentamento das elites políticas de direita com as 
reformas de base propostas por João Goulart. 
b) à marcha da Família com Deus pela liberdade realizada em 
defesa das reformas pela universalização da educação. 
c) ao rompimento do Brasil com os EUA, em razão dos interesses 
da classe média de nacionalização dos bens privados. 
d) a um levante popular, ocorrido, em Recife, na madrugada de 31 
de março, com apoio do governador Miguel Arraes. 
e) à insatisfação geral de toda a sociedade com o governo eleito, 
incluindo-se o grupo estudantil ligado à UNE. 
 
Questão 07 
A estrutura psicológica do ser humano não suporta que a dor e a 
angústia se mantenham tão vivas na memória como no momento 
em que ocorreram. [...] Por isso, agora, ao sairmos desses 20 anos 
difíceis e doloridos de nossa história, a lembrança de que houve 
irmãos nossos, nesse período, que perseguiam sem piedade, 
torturaram e mesmo mataram pessoas pelo simples fato de elas se 
oporem ao governo que se impôs ao país em 1964, parece mais 
pesadelo do que realidade. E, no entanto, esse absurdo ocorreu, 
aqui em nossa terra, como se um vendaval frio de loucura tivesse 
gelado esses corações. [...] Que objetivos justificam tudo isso? 
D. Paulo Evaristo Arns 
 
Identifique a alternativa relacionada ao contexto histórico citado. 
a) O Brasil, liderado pelos Estados Unidos, vivia guerra aberta 
contra o narcotráfico que, aliado às FARC, assolava a América do 
Sul, sobretudo a região de fronteira amazônica. 
b) A chamada “guerra das civilizações” entre Ocidente e Oriente 
ameaçava a hegemonia americana; apoiando ditaduras militares, 
os EUA procuravam deter o avanço do fanatismo islâmico na 
América. 
c) O mundo encontrava-se em sua ordem bipolar e os Estados 
Unidos procuravam, por meio do apoio a golpes e a regimes 
ditatoriais na América Latina, deter o avanço do Comunismo. 
d) O avanço da ideologia nazista pelo mundo e as pretensões 
imperialistas alemãs justificam as práticas autoritárias citadas, que 
garantiriam o sucesso da Doutrina de Segurança Nacional. 
e) O crescimento do Positivismo entre os líderes populistas 
ameaçava os ideais neoliberais das Forças Armadas, que tomaram 
o poder e implantaram um verdadeiro “terror de estado” no país. 
 
Questão 08 
Em 25 de junho de 1950, tropas da Coreia do Norte ultrapassaram 
o Paralelo 38, que delimitava a fronteira com a Coreia do Sul. Com 
a aprovação do Conselho de Segurança da ONU, quinze países 
enviaram tropas em defesa da Coreia do Sul, comandadas pelo 
general norte-americano Douglas MacArthur. Após três anos de 
combate, foi assinado um armistício em 27 de julho de 1953, 
mantendo a divisão entre as Coreias. 
Adaptado de cpdoc.fgv.br. 
 
O governo norte-coreano anunciou recentemente que não mais 
reconheceria o armistício assinado em 1953, o que trouxe 
novamente ao debate o episódio da Guerra da Coreia. 
O fator que explica a dimensão assumida por essa guerra na 
década de 1950 está apresentado em: 
a) mundialização do acesso a fontes de energia 
b) bipolaridade das relações políticas internacionais 
c) hegemonia soviética em países do Terceiro Mundo 
d) criação de multinacionais japonesas no extremo Oriente 
 
Questão 09 
As mudanças no panorama internacional representadas pela vitória 
socialista de Mao-Tsé-tung na China, pela eclosão da Guerra da 
Coréia e pelas crescentes dificuldades no relacionamento com a 
URSS, repercutiram na forma de tratamento dispensada pelos 
Estados Unidos ao Japão. 
Este, de "inimigo vencido", passou a 
a) Atuar como o mais forte aliado da URSS naquela região. 
b) Ser a principal base de operações norte-americanas na Ásia. 
c) Competir com as forças econômicas alemãs e inglesas. 
d) Buscar o seu nível econômico de antes da Primeira Guerra 
Mundial. 
e) Menosprezar o "consenso" - política de participação de pessoal, 
que visa à integração do trabalhador no esquema da empresa 
capitalista. 
 
Questão 10 
Sobre a Guerra da Coréia (1950-1953), é correto afirmar, EXCETO: 
a) O teatro de operações estendeu-se pelo território chinês, ficando 
a população submetida a um clima de "fogo cruzado" entre os 
norte-americanos e russos. 
b) O início do conflito está relacionado com a invasão da Coréia do 
sul por tropas da Coréia do Norte sob a influência dos russos e 
chineses. 
c) O sul da Coréia, área de influência norte-americana, tendia para 
o regime democrático e a Coréia do Norte, para o regime socialista, 
sendo que as duas partes não conseguiram chegar a um acordo 
político. 
d) A Coréia era uma antiga possessão japonesa que fora ocupada 
durante a Segunda Guerra Mundial e, após o conflito, com a vitória 
dos aliados, transformou-se em cenário da Guerra Fria. 
e) As tropas da ONU, comandadas pelo general Mac Arthur, 
conseguiram rechaçar os nortecoreanos, sendo, posteriormente, 
fixadas as fronteiras entre os dois países na altura do paralelo 38°. 
 
Questão 11 
Entre junho de 1950 e julho de 1953, transcorreu a chamada 
Guerra da Coreia, sobre a qual é correto afirmar: 
a) O conflito foi provocado pelos interesses expansionistas do 
governo sul-coreano, que procurava estabelecer sua hegemonia 
político-militar na região. 
Aula 14 – Do Mundo Bipolar ao Mundo Multipolar II 
 
 
 
 
 
379 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
b) O conflito foi provocado pela negativa japonesa em aceitar a 
desmilitarização imposta após a Segunda Guerra Mundial. 
c) A ameaça de uma revolução socialista levou o governo da 
Coreia do Sul a solicitar ajuda norte-americana, o que provocou a 
reação do governo da Coreia do Norte. 
d) Tratou-se de uma guerra civil que resultou na divisão da Coréia 
em dois Estados independentes. 
e) O conflito teve início com a tentativa de unificação da Coreia sob 
iniciativa do regime comunista da Coreia do Norte, com apoio da 
China. 
 
Questão 12 
O episódio conhecido como “a crise dos mísseis”, de 1962, que 
pôs em grande risco a paz mundial, resultou da 
a) invasão do território sul-coreano pelo exército da Coréia do 
Norte, então apoiada pela União Soviética e pela China. 
b) intervenção militar realizada pela URSS na Hungria, com a 
ocupação de Budapeste e a deposição de I. Nagy. 
c) descoberta, pelos EUA, dos trabalhos de instalação de armas 
nucleares soviéticas em Cuba. 
d) ereção de um muro em Berlim, pelo governo comunista, 
dividindo fisicamente a cidade e a República Democrática Alemã. 
e) ruptura das relações diplomáticas entre a China e a URSS, em 
razão das acusações de “revisionismo” feitas pelo PCC a dirigentes 
soviéticos. 
 
Questão 13 
Em janeiro de 1959, tropas revolucionárias comandadas por Fidel 
Castro tomaram o poder em Cuba. A luta revolucionária: 
a) foi dirigida por uma guerrilha comunista que pôde derrotar o 
exército de Fulgêncio Batista, graças ao apoio militar oferecido pela 
União Soviética. 
b) foi dirigida pelo Partido Comunistade Cuba, que conseguiu 
mobilizar camponeses e trabalhadores urbanos contra a ditadura 
de Fulgêncio Batista. 
c) foi dirigida por dissidentes do governo de Fulgêncio Batista, com 
apoio inicial do governo dos Estados Unidos, interessado em 
democratizar a região do Caribe. 
d) foi dirigida por uma guerrilha nacionalista e antiimperialista, que 
angariou apoios da oposição burguesa e de setores da esquerda 
cubana. 
e) foi dirigida por um movimento camponês espontâneo que, 
gradativamente, foi controlado pelos comunistas liderados por Fidel 
Castro 
 
Questão 14 
A política externa dos Estados Unidos com relação à América 
Latina, na segunda metade do século XX, se pautou 
a) pelo modelo criado pela Política de Boa Vizinhança (PBV), em 
particular nos momentos de rejeição às intervenções armadas. 
b) por tratados de comércio nos quais os participantes recebem 
tratamento simétrico em nome dos princípios do pan-
americanismo. 
c) pelo papel decisivo dos EUA nas diretrizes da Organização dos 
Estados Americanos (OEA), em especial no tocante a Cuba. 
d) pela defesa constante da democracia no continente, inclusive no 
período das ditaduras militares no Cone Sul. 
e) pela escolha da América Latina, como principal alvo político e 
mercado de investimentos, escalonada depois da Europa e Ásia. 
Questão 15 
 
 
No primeiro pôster, lê-se: “Vida longa a Stálin”. O cartaz estampa a 
felicidade do povo com seu líder. Os soldados sorrindo, as moças 
desfilando, uma grande alegria. E Stálin sempre imponente, o 
“comandante ideal”. No segundo, está a imagem do líder cubano 
Fidel Castro. É um cartaz comemorativo do assalto ao quartel de 
Moncada, ocorrido em 26 de julho de 1953, quando um grupo de 
jovens nacionalistas tentou o ataque para iniciar uma rebelião 
popular contra a ditadura de Fulgêncio Batista. 
Esses dois personagens da História Contemporânea apresentam 
em comum: 
a) as perseguições a que foram submetidos pelo MI-5. 
b) a Nova Política Econômica. 
c) o acordo Antikomintern. 
d) o uso do culto à personalidade. 
 
 
EXERCÍCIOS DISCURSIVOS RESOLVIDOS 
 
Questão 01 
No dia 14 de dezembro de 1968, os leitores mais atentos do Jornal 
do Brasil puderam perceber que o jornal apresentava mudanças. 
Apesar do sol de dezembro, por exemplo, a previsão meteorológica 
anunciava no alto da primeira página, à esquerda: “Tempo negro. 
Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo 
varrido por fortes ventos”. Pela primeira vez, no lugar dos editoriais, 
eram publicadas fotos: na maior, um lutador de judô, gigante, 
dominando um garoto. O título da foto: “Força hercúlea”. 
 (Adaptado de Zuenir Ventura,1968: o ano que não terminou. 
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988, p. 288-289.) 
 
a) Por que o Jornal do Brasil apresentava alterações no dia 
seguinte à edição do Ato Institucional 5 (AI-5), de 13/12/1968? 
b) Que relação o jornal quis estabelecer entre o contexto político e 
a foto do lutador e o garoto? 
 
Respostas: 
a) As alterações na edição do jornal eram uma forma codificada de 
comunicar aos leitores a situação política instaurada a partir do AI-
5, marcada pelo endurecimento do regime militar, o 
estabelecimento da censura, a suspensão de direitos políticos, 
dentre outros. 
b) A principal relação estabelecida é a disparidade de forças entre 
o lutador e a criança, representando, respectivamente, o regime 
instaurado (forte) e a sociedade civil (frágil). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA II 
Prof. Italo Trigueiro 
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
DO MUNDO BIPOLAR AO MUNDO MULTIPOLAR: 
SURGIMENTO E CRISE DO MUNDO BIPOLAR – AS 
SUPERPOTÊNCIAS, O MOVIMENTO DOS PAÍSES 
NÃO-ALINHADOS, A CORRIDA ARMAMENTISTA E A 
GUERRA FRIA II 
 
A bipolarização ocorrida após a Segunda Guerra Mundial e a 
posterior imposição do socialismo no Leste Europeu, que, na 
realidade, promoveu mudanças políticas e sociais que 
desagradaram a maioria da população, levaram alguns países a se 
questionar o domínio soviético. 
 
Em 1956, a Hungria foi o primeiro país a buscar a liberalização, em 
uma rebelião que durou 12 dias e ficou conhecida como 
Insurreição Húngara. A cúpula dirigente do Partido Comunista 
local incentivou a sociedade húngara a fazer severas críticas ao 
stalinismo e a se opor à ex-URSS, principalmente entre os 
trabalhadores, estudantes e esportistas, criando expectativas de 
importantes reformas que deveriam ocorrer no interior do sistema 
socialista. 
 
Aproveitando-se do clima instaurado, o governo húngaro propôs 
uma série de mudanças liberalizantes, as quais foram apoiadas por 
grande parte da população. Entre outras propostas, destacaram-se 
a retirada do país do Pacto de Varsóvia e a formação de um 
governo de coalizão que representasse todas as forças políticas 
internas. 
 
Os húngaros lutavam por maiores liberdades individuais, pelos 
Direitos Humanos e pela independência política do país, mas foram 
duramente reprimidos pelas tropas do Pacto de Varsóvia e pela 
própria polícia de Estado húngara, provocando milhares de mortes 
e exílios. 
 
O resultado, ao contrário do que era esperado pela população, foi a 
instauração de um governo pró-soviético ainda mais repressor e 
ditatorial. 
 
PRIMAVERA DE PRAGA – 1968 
Em 1968, na Tchecoslováquia, ocorreu uma grande manifestação 
popular, que tinha como objetivo apoiar ideias de abertura política 
que visavam à socialdemocracia e a um socialismo com uma face 
humana. 
 
A cúpula do governo tcheco tentou implantar um sistema liberal, 
com autonomia sindical e garantia de liberdades individuais. O 
movimento começou a promover transformações internas e 
incentivou as críticas abertas à URSS. Foi um movimento, até certo 
ponto, semelhante ao ocorrido na Hungria, pois também 
reivindicava maiores liberdades individuais, Direitos Humanos e a 
independência política do país. A população theca também passou 
a exigir que as reformas se aprofundassem, ao mesmo tempo em 
que as críticas à URSS se tornavam cada vez mais fortes. O 
movimento atingiu o resultado esperado, tanto que a censura foi 
abolida e os direitos civis começaram a ser restabelecidos. 
 
Entretanto, temendo o clima de liberdade política que se iniciava no 
país, Leonid Brejnev, então líder da URSS, ordenou a invasão de 
Praga pelas tropas do Pacto de Varsóvia, reprimindo o movimento 
popular e colocando um fim à experiência liberalizante da 
Primavera de Praga, com o massacre de dezenas de civis. 
 
POLÔNIA E O SINDICATO SOLIDARIEDADE 
O movimento polonês é um pouco diferente dos dois anteriores, 
pois não foi proposto a partir da elite dirigente do Partido 
Comunista do país. O movimento surgiu da base popular, com os 
trabalhadores, e não “de cima”, como nos casos húngaro e tcheco. 
Em agosto de 1980, surgiu o sindicato independente Solidariedade, 
criado no estaleiro de Gdansk, cidade polonesa às margens do Mar 
Báltico, sob a liderança do metalúrgico Lech Walesa. Walesa era 
anticomunista e contava com a simpatia do Vaticano, na figura do 
Papa João Paulo II, o também polonês Karol Wojtyla. 
 
Os trabalhadores exigiam que as autoridades reconhecessem uma 
central de trabalhadores desvinculada das estruturas 
governamentais. Com o desenrolar dos acontecimentos, cresceu o 
apoio popular e a pressão sobre o governo pelo reconhecimento do 
sindicato Solidariedade e pela negociação de uma saída política 
para a crise. 
 
O movimento ganhou força rapidamente, o que obrigou o governo 
a legalizar o sindicato. No entanto, sua influência se espalhou para 
outros segmentos trabalhistas e outros países socialistas, 
obrigando o governo polonês a tomar medidas para controlar a 
situação interna, sob risco de intervenção das forças do Pacto de 
Varsóvia, o que nunca aconteceu. 
 
O movimento polonês se fortaleceu ao longo dos anos 1980, 
enquanto que a ex-URSS se enfraqueceu. Por esse motivo, em 
dezembro de 1981, o governo polonês pôs tanques de guerra nas 
ruas e decretoua ilegalidade do Solidariedade, detendo os líderes 
desse sindicato. No início de 1982 a situação estava controlada, 
mas as sementes lançadas pelo Solidariedade permitiram que ele 
continuasse atuando na clandestinidade. 
 
Em 2009, quando ocorreu a comemoração dos 20 anos da queda 
do Muro de Berlim, coube ao ex-presidente da Polônia e Prêmio 
Nobel da Paz, Lech Walesa, representante do país onde começou 
o desmoronamento da Guerra Fria, empurrar a primeira peça de 
um dominó gigante. Este continha cerca de mil peças e se estendia 
ao longo de 1,5 quilômetro pelo centro da capital alemã, 
simbolizando o fim da Cortina de Ferro. 
 
Lech Walesa no porto de Gdansk 
Aula 15 – Fragmentação da URSS 
 
 
 
 
 
381 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
IUGOSLÁVIA 
Até a Primeira Guerra Mundial, a região da península balcânica era 
dividida entre dois impérios. De um lado, encontrava-se o Império 
Austro-Húngaro, e, do outro, o Turco-Otomano, cujo esfacelamento 
foi um dos estopins para o grande conflito, conforme evolução dos 
mapas apresentados a seguir. 
 
 
Fonte: Le Monde DIplomatique 
 
Após a guerra, é formado o reino dos sérvios, croatas e eslovenos, 
composto também de montenegrinos, macedônios, eslavos 
islamizados da Bósnia-Herzegovina (grupo chamado de bósnio 
muçulmano), albaneses de Kosovo, além de outras minorias. 
Em 1929, o reino passa a se chamar Iugoslávia, que significa 
“eslavos do sul”, sendo controlado pela ditadura do Rei Alexandre 
I. A sua criação efetiva deriva da ideologia do pan-eslavismo, que 
visa a reunir todos os povos eslavos numa só nação, conforme o 
mapa seguinte. 
Durante a Segunda Guerra, após a invasão de seu território pelos 
nazistas, os iugoslavos resistem e obtêm a libertação do país sob o 
comando do Marechal croata Josip Broz Tito, que liderou os 
partisans, guerrilheiros civis e militares, e reorganizam o Estado 
sob orientação socialista, pregando a igualdade entre as várias 
etnias. 
Em 1980, morre o Marechal Tito, enfraquecendo a coesão do país 
e encorajando lutas separatistas. A população já vinha sendo 
influenciada por países da Europa Ocidental, através de 
transmissões de rádio clandestinas feitas por satélites, e pelo 
fracasso do socialismo, tanto interno como externo, que se 
manifestou também nas crises do Leste Europeu. Em 
contrapartida, existia o projeto para formar a “Grande Sérvia” e a 
necessidade da Sérvia de conseguir uma saída para o 
Mediterrâneo, pois o interior de seu território é montanhoso, mais 
atrasado e isolado, e a concentração das principais atividades 
econômicas (petróleo, turismo, agricultura e indústria) encontra-se 
no litoral. 
Em 1990, o governo instalou o pluripartidarismo e convocou 
eleições gerais e livres em uma tentativa de democratizar e manter 
a Federação lugoslava. A Eslovênia e a Croácia elegem 
presidentes não socialistas e contrários à manutenção da 
Federação. Na Bósnia-Herzegovina, é eleito um presidente 
muçulmano contra a maioria eleita no Parlamento. A Sérvia elege o 
presidente e a maioria socialista é favorável à manutenção do 
regime. A consequente separação ocorre por meio de lutas 
internas de caráter nacionalista e de conflitos étnico-religiosos. 
FRAGMENTAÇÃO DA IUGOSLÁVIA 
 
A Bósnia é invadida pela Sérvia, que monta forte cerco a Sarajevo, 
sua capital, pois a Sérvia precisa do território da Bósnia para ter 
acesso ao Porto de Dubrovinik, no Mediterrâneo. Os sérvios 
praticam a limpeza étnica como estratégia de guerra: expulsam 
grupos rivais das áreas sob sua ocupação, chacinam civis e 
estabelecem campos de concentração. Croatas e bósnios-
muçulmanos também cometem massacres, mas em menor escala. 
O país pede intervenção externa, mas recebe apenas ajuda 
humanitária. Em 1993, a Croácia entra na guerra e reivindica parte 
do território bósnio, depois se volta contra a Sérvia. Com o 
agravamento do conflito, a Organização das Nações Unidas (ONU) 
envia uma força de paz. Em 1993, os sérvios passam a dominar 
70% do território bósnio. 
O que há de comum entre os bósnios é a religião, que é 
predominantemente muçulmana. Todas as tentativas de dividir a 
Bósnia em três partes ou territórios fracassaram, uma vez que a 
população encontra-se totalmente misturada. A Bósnia é, por si só, 
um espaço altamente dividido: 
• 14,3% da população é de etnia croata; 
• 37,1% é de origem sérvia; 
• 48% é bosníaca; 
• 0,6%, outras etnias. 
Em agosto de 1995, ocorrem derrotas militares sérvias em Krajina 
(Croácia) e no território bósnio, o que torna a relação de forças 
mais equilibrada, facilitando a proposta de paz dos EUA. Em 1995, 
o acordo de Dayton, mediado pelos EUA, estabelece na Bósnia 
uma Federação muçulmano-croata (51% da Bósnia) e um Estado 
sérvio (49% do país). O Plano de Paz cria uma linha de separação 
desmilitarizada de 4 km de largura e 1 000 km de extensão entre 
sérvios e croatas muçulmanos, cortando todo o país. 
 
GUERRA DE KOSOVO 
A tensão provocada pelos separatistas em Kosovo, habitado por 
90% de albaneses, cresce em 1998 e evolui também para o 
conflito armado em 1999. Os massacres de albaneses prosseguem 
mesmo após o cessar-fogo, culminando em bombardeios da 
OTAN, em 1999, em sua primeira operação militar, 50 anos depois 
de sua criação. O conflito culmina com a derrota eleitoral de 
Milosevic, em 2000, confirmada por uma revolução pacífica em 
Belgrado. 
 
 
 
 
 382 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Italo Trigueiro) 
REPÚBLICA DA SÉRVIA E MONTENEGRO 
A Federação lugoslava passa a ser composta apenas pelas 
Repúblicas da Sérvia e de Montenegro, mais os territórios 
autônomos de Kosovo e Voivodina. Tal Federação é aprovada em 
um plebiscito (96% da população foi favorável) ainda em 1992, ano 
em que Milosevic é eleito presidente. Em dezembro de 2002, as 
repúblicas da Sérvia e de Montenegro assinaram um acordo no 
que se referia a cooperação dentro da federação. A separação 
entre Sérvia e Montenegro ocorreu em 2006. 
Em 2001, Milosevic foi enviado para o tribunal de Haia (Holanda) 
para ser julgado sob acusação de crimes, como a limpeza étnica, 
genocídio e crimes contra a humanidade durante as guerras da 
Croácia (1991-1992), da Bósnia (1992-1995) e de Kosovo (1999). 
Em março de 2006, Milosevic foi encontrado morto em sua cela, 
supostamente vítima de um ataque cardíaco. 
 
INDEPENDÊNCIA DO KOSOVO 
Em 17 de fevereiro de 2008, Kosovo declarou sua independência 
com relação à Sérvia, após um processo de afastamento iniciado 
com a fragmentação da Iugoslávia em 1991. Essa decisão foi 
unilateral e anunciada pelo então premiê kosovar Hashin Thaci. O 
país sérvio, no entanto, não aceitou a perda da sua província e não 
reconheceu a sua independência. Entre os sérvios, a notícia foi 
recebida com revolta. Horas após o anúncio da independência, 
mais de mil manifestantes lançaram pedras contra a embaixada 
americana na capital sérvia, Belgrado. 
 
 
 
Os governos da Sérvia e da Rússia já haviam afirmado que não 
reconheceriam a independência de Kosovo. A Rússia alega que a 
independência de Kosovo abrirá caminho para pretensões de 
independência de muitas outras áreas, tanto na região do Cáucaso 
(Abkhazia, Ossétia do Sul, Nagorno, Karabakh e Transnitria) 
quanto na Espanha, na França, na Irlanda e na Itália. 
Assim como a Rússia, vários países (Grécia, Espanha, Bulgária, 
Chipre, Romênia, Eslováquia, Macedônia e a Bósnia) mostraram-
se preocupados com o eventual efeito multiplicador da 
independência de uma região com forte nacionalismo. 
A Suíça, a Albânia e a Eslovênia foram alguns dos primeiros 
países a declarar apoio à independência de Kosovo. Os Estados 
Unidos também apoiaram a independência, o que provocou a 
manifestação da Rússia, a qual alega que os que apoiam 
separatismos devem entender as consequências perigosas de 
suas ações, pois essa atitude pode comprometer a ordem, a 
estabilidade e a autoridade queo Conselho de Segurança da ONU 
demorou décadas para construir. 
O processo de independência da província foi longo e conflituoso e 
trouxe consequências para todos os países da região dos Bálcãs. 
Na época, os cerca de 16 mil soldados da OTAN na região 
aumentaram o nível de alerta, especialmente em áreas onde existe 
convívio entre as etnias. A maior dificuldade que esses militares 
encontraram foi o controle dos pontos nos quais viviam sérvios, 
como a principal cidade do norte, Mitrovica, ou áreas ao sul, nas 
quais vivem membros da etnia albanesa e poucos sérvios. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 15 – Fragmentação da URSS 
 
 
 
 
 
383 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM TODOS RESOLVIDOS EM VÍDEO 
 
Questão 01 
O diálogo a seguir circunscreve-se à realidade política do mapa abaixo, cujo país deixou de existir: 
 
“Foram os sérvios que fizeram isso, pai?” pergunta o garoto de 7 anos. A tensão aumenta, e é 
prontamente repreendido. “Não fale essa palavra aqui, em voz alta,” aconselha Milomir, visivelmente 
perturbado. 
 
A tensão retratada no texto refere-se à: 
a) herança deixada pela hegemonia política croata, à época da existência da Iugoslávia e que hoje 
prossegue na Eslovênia. 
b) convivência entre sérvios muçulmanos e bósnios cristãos na atual Bósnia-Herzegovina. 
c) convivência entre bósnios-croatas e bósnios-muçulmanos no novo país erigido após a dissolução 
iugoslava e hoje formado por duas entidades na Bósnia Herzegovina. 
d) realidade na atual Sérvia-Montenegro, formada por dois povos rivais, os cristãos ortodoxos e os 
bósnios muçulmanos. 
 
Questão 02 
 
 
 
A charge apresentada: 
I. caracteriza os problemas de ordem étnico-territorial na Europa dos Bálcãs, que refletem as seculares 
disputas numa região dominada pelos sérvios, no último século; 
II. representa o conflito entre as identidades nacionais na Europa, reforçado pelo desmonte dos 
Estados socialistas no Leste europeu, na última década do século XX; 
III. exemplifica a causa típica dos conflitos que assolaram os Bálcãs, principalmente após a Guerra 
Fria, quando os sérvios espalhados por outros territórios da antiga Iugoslávia lutavam pela 
manutenção da sua hegemonia na região. 
 
Das afirmações acima, está(ão) correta(s): 
a) apenas a I. 
Anotações 
 
	SEMANA 15 - GEOGRAFIA II - FRAGMENTAÇÃO DA URSS - TRIGUEIRO

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