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378 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Italo Trigueiro) trabalho garantido apenas entre dezembro e maio, e a imensa maioria não sabia ler. Foi nesse cenário marcado por intensa desigualdade social que um grupo de revolucionários, liderado por um jovem advogado, iniciou uma luta sem tréguas contra o ditador. Depois de uma tentativa fracassada de chegar ao poder, os revolucionários embrenharam-se nas matas e, apoiados pelos camponeses, partiram para a guerra de guerrilhas. Em janeiro de 1959, quase dois anos depois de iniciada a guerrilha, os revolucionários conseguiram conquistar o poder. Trata-se da: a) Revolução Mexicana. d) Revolução Bolivariana. b) Revolução Cubana. e) Revolução Panamenha. c) Revolução Nicaraguense. Questão 06 A tensão política, conhecida por Guerra Fria, entre os EUA, liderando o bloco Capitalista, e a então URSS, à frente do bloco socialista, refletiu-se em outros países. No Brasil, o movimento militar de 1964 deveu-se, entre outras questões: a) ao descontentamento das elites políticas de direita com as reformas de base propostas por João Goulart. b) à marcha da Família com Deus pela liberdade realizada em defesa das reformas pela universalização da educação. c) ao rompimento do Brasil com os EUA, em razão dos interesses da classe média de nacionalização dos bens privados. d) a um levante popular, ocorrido, em Recife, na madrugada de 31 de março, com apoio do governador Miguel Arraes. e) à insatisfação geral de toda a sociedade com o governo eleito, incluindo-se o grupo estudantil ligado à UNE. Questão 07 A estrutura psicológica do ser humano não suporta que a dor e a angústia se mantenham tão vivas na memória como no momento em que ocorreram. [...] Por isso, agora, ao sairmos desses 20 anos difíceis e doloridos de nossa história, a lembrança de que houve irmãos nossos, nesse período, que perseguiam sem piedade, torturaram e mesmo mataram pessoas pelo simples fato de elas se oporem ao governo que se impôs ao país em 1964, parece mais pesadelo do que realidade. E, no entanto, esse absurdo ocorreu, aqui em nossa terra, como se um vendaval frio de loucura tivesse gelado esses corações. [...] Que objetivos justificam tudo isso? D. Paulo Evaristo Arns Identifique a alternativa relacionada ao contexto histórico citado. a) O Brasil, liderado pelos Estados Unidos, vivia guerra aberta contra o narcotráfico que, aliado às FARC, assolava a América do Sul, sobretudo a região de fronteira amazônica. b) A chamada “guerra das civilizações” entre Ocidente e Oriente ameaçava a hegemonia americana; apoiando ditaduras militares, os EUA procuravam deter o avanço do fanatismo islâmico na América. c) O mundo encontrava-se em sua ordem bipolar e os Estados Unidos procuravam, por meio do apoio a golpes e a regimes ditatoriais na América Latina, deter o avanço do Comunismo. d) O avanço da ideologia nazista pelo mundo e as pretensões imperialistas alemãs justificam as práticas autoritárias citadas, que garantiriam o sucesso da Doutrina de Segurança Nacional. e) O crescimento do Positivismo entre os líderes populistas ameaçava os ideais neoliberais das Forças Armadas, que tomaram o poder e implantaram um verdadeiro “terror de estado” no país. Questão 08 Em 25 de junho de 1950, tropas da Coreia do Norte ultrapassaram o Paralelo 38, que delimitava a fronteira com a Coreia do Sul. Com a aprovação do Conselho de Segurança da ONU, quinze países enviaram tropas em defesa da Coreia do Sul, comandadas pelo general norte-americano Douglas MacArthur. Após três anos de combate, foi assinado um armistício em 27 de julho de 1953, mantendo a divisão entre as Coreias. Adaptado de cpdoc.fgv.br. O governo norte-coreano anunciou recentemente que não mais reconheceria o armistício assinado em 1953, o que trouxe novamente ao debate o episódio da Guerra da Coreia. O fator que explica a dimensão assumida por essa guerra na década de 1950 está apresentado em: a) mundialização do acesso a fontes de energia b) bipolaridade das relações políticas internacionais c) hegemonia soviética em países do Terceiro Mundo d) criação de multinacionais japonesas no extremo Oriente Questão 09 As mudanças no panorama internacional representadas pela vitória socialista de Mao-Tsé-tung na China, pela eclosão da Guerra da Coréia e pelas crescentes dificuldades no relacionamento com a URSS, repercutiram na forma de tratamento dispensada pelos Estados Unidos ao Japão. Este, de "inimigo vencido", passou a a) Atuar como o mais forte aliado da URSS naquela região. b) Ser a principal base de operações norte-americanas na Ásia. c) Competir com as forças econômicas alemãs e inglesas. d) Buscar o seu nível econômico de antes da Primeira Guerra Mundial. e) Menosprezar o "consenso" - política de participação de pessoal, que visa à integração do trabalhador no esquema da empresa capitalista. Questão 10 Sobre a Guerra da Coréia (1950-1953), é correto afirmar, EXCETO: a) O teatro de operações estendeu-se pelo território chinês, ficando a população submetida a um clima de "fogo cruzado" entre os norte-americanos e russos. b) O início do conflito está relacionado com a invasão da Coréia do sul por tropas da Coréia do Norte sob a influência dos russos e chineses. c) O sul da Coréia, área de influência norte-americana, tendia para o regime democrático e a Coréia do Norte, para o regime socialista, sendo que as duas partes não conseguiram chegar a um acordo político. d) A Coréia era uma antiga possessão japonesa que fora ocupada durante a Segunda Guerra Mundial e, após o conflito, com a vitória dos aliados, transformou-se em cenário da Guerra Fria. e) As tropas da ONU, comandadas pelo general Mac Arthur, conseguiram rechaçar os nortecoreanos, sendo, posteriormente, fixadas as fronteiras entre os dois países na altura do paralelo 38°. Questão 11 Entre junho de 1950 e julho de 1953, transcorreu a chamada Guerra da Coreia, sobre a qual é correto afirmar: a) O conflito foi provocado pelos interesses expansionistas do governo sul-coreano, que procurava estabelecer sua hegemonia político-militar na região. Aula 14 – Do Mundo Bipolar ao Mundo Multipolar II 379 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência b) O conflito foi provocado pela negativa japonesa em aceitar a desmilitarização imposta após a Segunda Guerra Mundial. c) A ameaça de uma revolução socialista levou o governo da Coreia do Sul a solicitar ajuda norte-americana, o que provocou a reação do governo da Coreia do Norte. d) Tratou-se de uma guerra civil que resultou na divisão da Coréia em dois Estados independentes. e) O conflito teve início com a tentativa de unificação da Coreia sob iniciativa do regime comunista da Coreia do Norte, com apoio da China. Questão 12 O episódio conhecido como “a crise dos mísseis”, de 1962, que pôs em grande risco a paz mundial, resultou da a) invasão do território sul-coreano pelo exército da Coréia do Norte, então apoiada pela União Soviética e pela China. b) intervenção militar realizada pela URSS na Hungria, com a ocupação de Budapeste e a deposição de I. Nagy. c) descoberta, pelos EUA, dos trabalhos de instalação de armas nucleares soviéticas em Cuba. d) ereção de um muro em Berlim, pelo governo comunista, dividindo fisicamente a cidade e a República Democrática Alemã. e) ruptura das relações diplomáticas entre a China e a URSS, em razão das acusações de “revisionismo” feitas pelo PCC a dirigentes soviéticos. Questão 13 Em janeiro de 1959, tropas revolucionárias comandadas por Fidel Castro tomaram o poder em Cuba. A luta revolucionária: a) foi dirigida por uma guerrilha comunista que pôde derrotar o exército de Fulgêncio Batista, graças ao apoio militar oferecido pela União Soviética. b) foi dirigida pelo Partido Comunistade Cuba, que conseguiu mobilizar camponeses e trabalhadores urbanos contra a ditadura de Fulgêncio Batista. c) foi dirigida por dissidentes do governo de Fulgêncio Batista, com apoio inicial do governo dos Estados Unidos, interessado em democratizar a região do Caribe. d) foi dirigida por uma guerrilha nacionalista e antiimperialista, que angariou apoios da oposição burguesa e de setores da esquerda cubana. e) foi dirigida por um movimento camponês espontâneo que, gradativamente, foi controlado pelos comunistas liderados por Fidel Castro Questão 14 A política externa dos Estados Unidos com relação à América Latina, na segunda metade do século XX, se pautou a) pelo modelo criado pela Política de Boa Vizinhança (PBV), em particular nos momentos de rejeição às intervenções armadas. b) por tratados de comércio nos quais os participantes recebem tratamento simétrico em nome dos princípios do pan- americanismo. c) pelo papel decisivo dos EUA nas diretrizes da Organização dos Estados Americanos (OEA), em especial no tocante a Cuba. d) pela defesa constante da democracia no continente, inclusive no período das ditaduras militares no Cone Sul. e) pela escolha da América Latina, como principal alvo político e mercado de investimentos, escalonada depois da Europa e Ásia. Questão 15 No primeiro pôster, lê-se: “Vida longa a Stálin”. O cartaz estampa a felicidade do povo com seu líder. Os soldados sorrindo, as moças desfilando, uma grande alegria. E Stálin sempre imponente, o “comandante ideal”. No segundo, está a imagem do líder cubano Fidel Castro. É um cartaz comemorativo do assalto ao quartel de Moncada, ocorrido em 26 de julho de 1953, quando um grupo de jovens nacionalistas tentou o ataque para iniciar uma rebelião popular contra a ditadura de Fulgêncio Batista. Esses dois personagens da História Contemporânea apresentam em comum: a) as perseguições a que foram submetidos pelo MI-5. b) a Nova Política Econômica. c) o acordo Antikomintern. d) o uso do culto à personalidade. EXERCÍCIOS DISCURSIVOS RESOLVIDOS Questão 01 No dia 14 de dezembro de 1968, os leitores mais atentos do Jornal do Brasil puderam perceber que o jornal apresentava mudanças. Apesar do sol de dezembro, por exemplo, a previsão meteorológica anunciava no alto da primeira página, à esquerda: “Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos”. Pela primeira vez, no lugar dos editoriais, eram publicadas fotos: na maior, um lutador de judô, gigante, dominando um garoto. O título da foto: “Força hercúlea”. (Adaptado de Zuenir Ventura,1968: o ano que não terminou. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988, p. 288-289.) a) Por que o Jornal do Brasil apresentava alterações no dia seguinte à edição do Ato Institucional 5 (AI-5), de 13/12/1968? b) Que relação o jornal quis estabelecer entre o contexto político e a foto do lutador e o garoto? Respostas: a) As alterações na edição do jornal eram uma forma codificada de comunicar aos leitores a situação política instaurada a partir do AI- 5, marcada pelo endurecimento do regime militar, o estabelecimento da censura, a suspensão de direitos políticos, dentre outros. b) A principal relação estabelecida é a disparidade de forças entre o lutador e a criança, representando, respectivamente, o regime instaurado (forte) e a sociedade civil (frágil). CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA II Prof. Italo Trigueiro VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência DO MUNDO BIPOLAR AO MUNDO MULTIPOLAR: SURGIMENTO E CRISE DO MUNDO BIPOLAR – AS SUPERPOTÊNCIAS, O MOVIMENTO DOS PAÍSES NÃO-ALINHADOS, A CORRIDA ARMAMENTISTA E A GUERRA FRIA II A bipolarização ocorrida após a Segunda Guerra Mundial e a posterior imposição do socialismo no Leste Europeu, que, na realidade, promoveu mudanças políticas e sociais que desagradaram a maioria da população, levaram alguns países a se questionar o domínio soviético. Em 1956, a Hungria foi o primeiro país a buscar a liberalização, em uma rebelião que durou 12 dias e ficou conhecida como Insurreição Húngara. A cúpula dirigente do Partido Comunista local incentivou a sociedade húngara a fazer severas críticas ao stalinismo e a se opor à ex-URSS, principalmente entre os trabalhadores, estudantes e esportistas, criando expectativas de importantes reformas que deveriam ocorrer no interior do sistema socialista. Aproveitando-se do clima instaurado, o governo húngaro propôs uma série de mudanças liberalizantes, as quais foram apoiadas por grande parte da população. Entre outras propostas, destacaram-se a retirada do país do Pacto de Varsóvia e a formação de um governo de coalizão que representasse todas as forças políticas internas. Os húngaros lutavam por maiores liberdades individuais, pelos Direitos Humanos e pela independência política do país, mas foram duramente reprimidos pelas tropas do Pacto de Varsóvia e pela própria polícia de Estado húngara, provocando milhares de mortes e exílios. O resultado, ao contrário do que era esperado pela população, foi a instauração de um governo pró-soviético ainda mais repressor e ditatorial. PRIMAVERA DE PRAGA – 1968 Em 1968, na Tchecoslováquia, ocorreu uma grande manifestação popular, que tinha como objetivo apoiar ideias de abertura política que visavam à socialdemocracia e a um socialismo com uma face humana. A cúpula do governo tcheco tentou implantar um sistema liberal, com autonomia sindical e garantia de liberdades individuais. O movimento começou a promover transformações internas e incentivou as críticas abertas à URSS. Foi um movimento, até certo ponto, semelhante ao ocorrido na Hungria, pois também reivindicava maiores liberdades individuais, Direitos Humanos e a independência política do país. A população theca também passou a exigir que as reformas se aprofundassem, ao mesmo tempo em que as críticas à URSS se tornavam cada vez mais fortes. O movimento atingiu o resultado esperado, tanto que a censura foi abolida e os direitos civis começaram a ser restabelecidos. Entretanto, temendo o clima de liberdade política que se iniciava no país, Leonid Brejnev, então líder da URSS, ordenou a invasão de Praga pelas tropas do Pacto de Varsóvia, reprimindo o movimento popular e colocando um fim à experiência liberalizante da Primavera de Praga, com o massacre de dezenas de civis. POLÔNIA E O SINDICATO SOLIDARIEDADE O movimento polonês é um pouco diferente dos dois anteriores, pois não foi proposto a partir da elite dirigente do Partido Comunista do país. O movimento surgiu da base popular, com os trabalhadores, e não “de cima”, como nos casos húngaro e tcheco. Em agosto de 1980, surgiu o sindicato independente Solidariedade, criado no estaleiro de Gdansk, cidade polonesa às margens do Mar Báltico, sob a liderança do metalúrgico Lech Walesa. Walesa era anticomunista e contava com a simpatia do Vaticano, na figura do Papa João Paulo II, o também polonês Karol Wojtyla. Os trabalhadores exigiam que as autoridades reconhecessem uma central de trabalhadores desvinculada das estruturas governamentais. Com o desenrolar dos acontecimentos, cresceu o apoio popular e a pressão sobre o governo pelo reconhecimento do sindicato Solidariedade e pela negociação de uma saída política para a crise. O movimento ganhou força rapidamente, o que obrigou o governo a legalizar o sindicato. No entanto, sua influência se espalhou para outros segmentos trabalhistas e outros países socialistas, obrigando o governo polonês a tomar medidas para controlar a situação interna, sob risco de intervenção das forças do Pacto de Varsóvia, o que nunca aconteceu. O movimento polonês se fortaleceu ao longo dos anos 1980, enquanto que a ex-URSS se enfraqueceu. Por esse motivo, em dezembro de 1981, o governo polonês pôs tanques de guerra nas ruas e decretoua ilegalidade do Solidariedade, detendo os líderes desse sindicato. No início de 1982 a situação estava controlada, mas as sementes lançadas pelo Solidariedade permitiram que ele continuasse atuando na clandestinidade. Em 2009, quando ocorreu a comemoração dos 20 anos da queda do Muro de Berlim, coube ao ex-presidente da Polônia e Prêmio Nobel da Paz, Lech Walesa, representante do país onde começou o desmoronamento da Guerra Fria, empurrar a primeira peça de um dominó gigante. Este continha cerca de mil peças e se estendia ao longo de 1,5 quilômetro pelo centro da capital alemã, simbolizando o fim da Cortina de Ferro. Lech Walesa no porto de Gdansk Aula 15 – Fragmentação da URSS 381 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência IUGOSLÁVIA Até a Primeira Guerra Mundial, a região da península balcânica era dividida entre dois impérios. De um lado, encontrava-se o Império Austro-Húngaro, e, do outro, o Turco-Otomano, cujo esfacelamento foi um dos estopins para o grande conflito, conforme evolução dos mapas apresentados a seguir. Fonte: Le Monde DIplomatique Após a guerra, é formado o reino dos sérvios, croatas e eslovenos, composto também de montenegrinos, macedônios, eslavos islamizados da Bósnia-Herzegovina (grupo chamado de bósnio muçulmano), albaneses de Kosovo, além de outras minorias. Em 1929, o reino passa a se chamar Iugoslávia, que significa “eslavos do sul”, sendo controlado pela ditadura do Rei Alexandre I. A sua criação efetiva deriva da ideologia do pan-eslavismo, que visa a reunir todos os povos eslavos numa só nação, conforme o mapa seguinte. Durante a Segunda Guerra, após a invasão de seu território pelos nazistas, os iugoslavos resistem e obtêm a libertação do país sob o comando do Marechal croata Josip Broz Tito, que liderou os partisans, guerrilheiros civis e militares, e reorganizam o Estado sob orientação socialista, pregando a igualdade entre as várias etnias. Em 1980, morre o Marechal Tito, enfraquecendo a coesão do país e encorajando lutas separatistas. A população já vinha sendo influenciada por países da Europa Ocidental, através de transmissões de rádio clandestinas feitas por satélites, e pelo fracasso do socialismo, tanto interno como externo, que se manifestou também nas crises do Leste Europeu. Em contrapartida, existia o projeto para formar a “Grande Sérvia” e a necessidade da Sérvia de conseguir uma saída para o Mediterrâneo, pois o interior de seu território é montanhoso, mais atrasado e isolado, e a concentração das principais atividades econômicas (petróleo, turismo, agricultura e indústria) encontra-se no litoral. Em 1990, o governo instalou o pluripartidarismo e convocou eleições gerais e livres em uma tentativa de democratizar e manter a Federação lugoslava. A Eslovênia e a Croácia elegem presidentes não socialistas e contrários à manutenção da Federação. Na Bósnia-Herzegovina, é eleito um presidente muçulmano contra a maioria eleita no Parlamento. A Sérvia elege o presidente e a maioria socialista é favorável à manutenção do regime. A consequente separação ocorre por meio de lutas internas de caráter nacionalista e de conflitos étnico-religiosos. FRAGMENTAÇÃO DA IUGOSLÁVIA A Bósnia é invadida pela Sérvia, que monta forte cerco a Sarajevo, sua capital, pois a Sérvia precisa do território da Bósnia para ter acesso ao Porto de Dubrovinik, no Mediterrâneo. Os sérvios praticam a limpeza étnica como estratégia de guerra: expulsam grupos rivais das áreas sob sua ocupação, chacinam civis e estabelecem campos de concentração. Croatas e bósnios- muçulmanos também cometem massacres, mas em menor escala. O país pede intervenção externa, mas recebe apenas ajuda humanitária. Em 1993, a Croácia entra na guerra e reivindica parte do território bósnio, depois se volta contra a Sérvia. Com o agravamento do conflito, a Organização das Nações Unidas (ONU) envia uma força de paz. Em 1993, os sérvios passam a dominar 70% do território bósnio. O que há de comum entre os bósnios é a religião, que é predominantemente muçulmana. Todas as tentativas de dividir a Bósnia em três partes ou territórios fracassaram, uma vez que a população encontra-se totalmente misturada. A Bósnia é, por si só, um espaço altamente dividido: • 14,3% da população é de etnia croata; • 37,1% é de origem sérvia; • 48% é bosníaca; • 0,6%, outras etnias. Em agosto de 1995, ocorrem derrotas militares sérvias em Krajina (Croácia) e no território bósnio, o que torna a relação de forças mais equilibrada, facilitando a proposta de paz dos EUA. Em 1995, o acordo de Dayton, mediado pelos EUA, estabelece na Bósnia uma Federação muçulmano-croata (51% da Bósnia) e um Estado sérvio (49% do país). O Plano de Paz cria uma linha de separação desmilitarizada de 4 km de largura e 1 000 km de extensão entre sérvios e croatas muçulmanos, cortando todo o país. GUERRA DE KOSOVO A tensão provocada pelos separatistas em Kosovo, habitado por 90% de albaneses, cresce em 1998 e evolui também para o conflito armado em 1999. Os massacres de albaneses prosseguem mesmo após o cessar-fogo, culminando em bombardeios da OTAN, em 1999, em sua primeira operação militar, 50 anos depois de sua criação. O conflito culmina com a derrota eleitoral de Milosevic, em 2000, confirmada por uma revolução pacífica em Belgrado. 382 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Italo Trigueiro) REPÚBLICA DA SÉRVIA E MONTENEGRO A Federação lugoslava passa a ser composta apenas pelas Repúblicas da Sérvia e de Montenegro, mais os territórios autônomos de Kosovo e Voivodina. Tal Federação é aprovada em um plebiscito (96% da população foi favorável) ainda em 1992, ano em que Milosevic é eleito presidente. Em dezembro de 2002, as repúblicas da Sérvia e de Montenegro assinaram um acordo no que se referia a cooperação dentro da federação. A separação entre Sérvia e Montenegro ocorreu em 2006. Em 2001, Milosevic foi enviado para o tribunal de Haia (Holanda) para ser julgado sob acusação de crimes, como a limpeza étnica, genocídio e crimes contra a humanidade durante as guerras da Croácia (1991-1992), da Bósnia (1992-1995) e de Kosovo (1999). Em março de 2006, Milosevic foi encontrado morto em sua cela, supostamente vítima de um ataque cardíaco. INDEPENDÊNCIA DO KOSOVO Em 17 de fevereiro de 2008, Kosovo declarou sua independência com relação à Sérvia, após um processo de afastamento iniciado com a fragmentação da Iugoslávia em 1991. Essa decisão foi unilateral e anunciada pelo então premiê kosovar Hashin Thaci. O país sérvio, no entanto, não aceitou a perda da sua província e não reconheceu a sua independência. Entre os sérvios, a notícia foi recebida com revolta. Horas após o anúncio da independência, mais de mil manifestantes lançaram pedras contra a embaixada americana na capital sérvia, Belgrado. Os governos da Sérvia e da Rússia já haviam afirmado que não reconheceriam a independência de Kosovo. A Rússia alega que a independência de Kosovo abrirá caminho para pretensões de independência de muitas outras áreas, tanto na região do Cáucaso (Abkhazia, Ossétia do Sul, Nagorno, Karabakh e Transnitria) quanto na Espanha, na França, na Irlanda e na Itália. Assim como a Rússia, vários países (Grécia, Espanha, Bulgária, Chipre, Romênia, Eslováquia, Macedônia e a Bósnia) mostraram- se preocupados com o eventual efeito multiplicador da independência de uma região com forte nacionalismo. A Suíça, a Albânia e a Eslovênia foram alguns dos primeiros países a declarar apoio à independência de Kosovo. Os Estados Unidos também apoiaram a independência, o que provocou a manifestação da Rússia, a qual alega que os que apoiam separatismos devem entender as consequências perigosas de suas ações, pois essa atitude pode comprometer a ordem, a estabilidade e a autoridade queo Conselho de Segurança da ONU demorou décadas para construir. O processo de independência da província foi longo e conflituoso e trouxe consequências para todos os países da região dos Bálcãs. Na época, os cerca de 16 mil soldados da OTAN na região aumentaram o nível de alerta, especialmente em áreas onde existe convívio entre as etnias. A maior dificuldade que esses militares encontraram foi o controle dos pontos nos quais viviam sérvios, como a principal cidade do norte, Mitrovica, ou áreas ao sul, nas quais vivem membros da etnia albanesa e poucos sérvios. Aula 15 – Fragmentação da URSS 383 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM TODOS RESOLVIDOS EM VÍDEO Questão 01 O diálogo a seguir circunscreve-se à realidade política do mapa abaixo, cujo país deixou de existir: “Foram os sérvios que fizeram isso, pai?” pergunta o garoto de 7 anos. A tensão aumenta, e é prontamente repreendido. “Não fale essa palavra aqui, em voz alta,” aconselha Milomir, visivelmente perturbado. A tensão retratada no texto refere-se à: a) herança deixada pela hegemonia política croata, à época da existência da Iugoslávia e que hoje prossegue na Eslovênia. b) convivência entre sérvios muçulmanos e bósnios cristãos na atual Bósnia-Herzegovina. c) convivência entre bósnios-croatas e bósnios-muçulmanos no novo país erigido após a dissolução iugoslava e hoje formado por duas entidades na Bósnia Herzegovina. d) realidade na atual Sérvia-Montenegro, formada por dois povos rivais, os cristãos ortodoxos e os bósnios muçulmanos. Questão 02 A charge apresentada: I. caracteriza os problemas de ordem étnico-territorial na Europa dos Bálcãs, que refletem as seculares disputas numa região dominada pelos sérvios, no último século; II. representa o conflito entre as identidades nacionais na Europa, reforçado pelo desmonte dos Estados socialistas no Leste europeu, na última década do século XX; III. exemplifica a causa típica dos conflitos que assolaram os Bálcãs, principalmente após a Guerra Fria, quando os sérvios espalhados por outros territórios da antiga Iugoslávia lutavam pela manutenção da sua hegemonia na região. Das afirmações acima, está(ão) correta(s): a) apenas a I. Anotações SEMANA 15 - GEOGRAFIA II - FRAGMENTAÇÃO DA URSS - TRIGUEIRO