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124 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
Tenho medo de ti!... Sim, tenho medo 
Porque pressinto as garras da loucura, 
E me arrefeço aos gelos do ateísmo, 
Soberba criatura! 
 
Oh! eu te adoro como a noite 
Por alto mar, sem luz, sem claridade, 
Entre as refegas do tufão bravio 
Vingando a imensidade! 
 
Como adoro as florestas primitivas, 
Que aos céus levantam perenais folhagens, 
Onde se embalam nos coqueiros presas 
 
Como adoro os desertos e as tormentas, 
O mistério do abismo e a paz dos ermos, 
E a poeira de mundos que prateia 
A abóbada sem termos! ... 
 
Como tudo o que é vasto, eterno e belo; 
Tudo o que traz de Deus o nome escrito! 
Como a vida sem fim que além me espera 
No seio do infinito. 
 
Visões da noite 
Passai, tristes fantasmas! O que é feito 
Das mulheres que amei, gentis e puras? 
Umas devoram negras amarguras, 
Repousam outras em marmóreo leito! 
 
Outras no encalço de fatal proveito 
Buscam à noite as saturnais escuras, 
Onde, empenhando as murchas formosuras, 
Ao demônio do ouro rendem preito! 
 
Todas sem mais amor! sem mais paixões! 
Mais uma fibra trêmula e sentida! 
Mais um leve calor nos corações! 
 
Pálidas sombras de ilusão perdida, 
Minh’alma está deserta de emoções, 
Passai, passai, não me poupeis a vida! 
- Fagundes Varela, em "Cantos do Ermo e da Cidade", 1869. 
 
A cidade 
 
A cidade ali está com seus enganos, 
Seu cortejo de vícios e traições, 
Seus vastos templos, seus bazares amplos, 
Seus ricos paços, seus bordéis salões. 
 
A cidade ali está: sobre seus tetos 
Paira dos arsenais o fumo espesso, 
Rolam nas ruas da vaidade os coches 
E ri-se o crime à sombra do progresso. 
 
A cidade ali está: sob os alpendres 
Dorme o mendigo ao sol do meio-dia, 
Chora a viúva em úmido tugúrio, 
Canta na catedral a hipocrisia. 
 
A cidade ali está: com ela o erro, 
A perfídia, a mentira, a desventura... 
Como é suave o aroma das florestas! 
Como é doce das serras a frescura! 
 
A cidade ali está: cada passante 
Que se envolve das turbas no bulício 
Tem a maldade sobre a fronte escrita, 
Tem na língua o veneno e nalma o vício. 
 
Não, não é na cidade que se formam 
Os fortes corações, as crenças grandes, 
Como também nos charcos das planícies 
Não é que gera-se o condor dos Andes! 
 
Não, não é na cidade que as virtudes, 
As vocações eleitas resplandecem, 
Flores de ar livre, à sombra das muralhas 
Pendem cedo a cabeça e amarelecem. 
 
Quanta cena infernal sob essas telhas! 
Quanto infantil vagido de agonia! 
Quanto adultério! Quanto escuro incesto! 
Quanta infâmia escondida à luz do dia! 
 
Quanta atroz injustiça e quantos prantos! 
Quanto drama fatal! Quantos pesares! 
Quanta fronte celeste profanada! 
Quanta virgem vendida aos lupanares! 
(…) 
 
Fagundes Varela, "Cantos meridionais", 1869. 
 
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM 
 
Questão 01 - (Unifesp 2010) 
 Leia os versos de Fagundes Varela. 
 
Roem-me atrozes ideias, 
A febre me queima as veias, 
A vertigem me tortura!... 
Oh! por Deus! quero dormir, 
Deixem-me os braços abrir 
Ao sono da sepultura! 
Despem-se as matas frondosas, 
Caem as flores mimosas 
Da morte na palidez: 
Tudo, tudo vai passando, 
Mas eu pergunto chorando 
— Quando virá minha vez? 
 
Os versos filiam-se ao estilo 
a) árcade, flagrado pela alusão à natureza como forma de fugir dos 
problemas. 
b) ultrarromântico, influenciado pelo Mal do Século, e presentificam 
o pessimismo e a morte. 
c) condoreiro, distanciado da visão egocêntrica, pois estão voltados 
aos problemas sociais. 
d) neoclássico, cuja busca de perfeição formal é mais relevante 
que a expressão da emoção. 
e) barroco, em que o pessimismo e a dor existencial levam o eu 
lírico à transcendência. 
Aula 13 - Romantismo No Brasil – Segunda Geração 
 
 
 
 
 
125 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
Questão 02 - (UFG 2013) 
 Leia o poema a seguir. 
 
A CANTIGA DO SERTANEJO 
 
[...] 
Pobre amor! o sertanejo 
Tem apenas seu desejo 
E as noites belas do val! 
Só – o ponche adamascado, 
O trabuco prateado 
E o ferro de seu punhal! 
[...] 
Se tu viesses, donzela, 
Verias que a vida é bela 
No deserto do sertão! 
Lá têm mais aroma as flores 
E mais amor os amores 
Que falam no coração! 
AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. In: Obra completa. 
Organização de Alexei Bueno. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000. 
p. 131. 
 
Álvares de Azevedo é um importante representante do 
Romantismo brasileiro oitocentista. No trecho da obra citada, o 
autor constrói uma imagem do sertão, decorrente 
 
a) do compromisso dos artistas com o projeto de centralização do 
Império, que buscava integrar as províncias do interior ao Estado 
nacional. 
b) do contato com as artes europeias, que favorecia a avaliação 
dos elementos individualizadores da identidade nacional 
emergente com a Independência. 
c) da crítica aos problemas sociais das cidades litorâneas, que 
reforçava o saudosismo diante do declínio da economia cafeeira. 
d) da elaboração de personagens caricatos, que marcava a 
geração de poetas influenciados pelos trabalhos da missão 
francesa. 
e) da inspiração da literatura descritiva de jesuítas, que relatava o 
interior do Brasil, destacando o desenvolvimento da economia 
agropastoril. 
 
QUESTÃO 03 - (UFG 2013) 
Leia o fragmento do poema apresentado a seguir. 
 
SPLEEN E CHARUTOS 
 
I 
SOLIDÃO 
 
[…] 
 
As árvores prateiam-se na praia, 
Qual de uma fada os mágicos retiros... 
Ó lua, as doces brisas que sussurram 
Coam dos lábios teus como suspiros! 
 
Falando ao coração que nota aérea 
Deste céu, destas águas se desata? 
Canta assim algum gênio adormecido 
Das ondas moças no lençol de prata? 
 
Minh’alma tenebrosa se entristece, 
É muda como sala mortuária... 
Deito-me só e triste, sem ter fome 
Vejo na mesa a ceia solitária. 
 
Ó lua, ó lua bela dos amores, 
Se tu és moça e tens um peito amigo, 
Não me deixes assim dormir solteiro, 
À meia-noite vem cear comigo! 
AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. In: Obra completa. 
Organização de Alexei Bueno. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000. 
p. 232. 
 
Fenômeno recorrente na estética romântica, o processo de 
adjetivação permite ao eu lírico, no poema transcrito, 
a) intensificar sua tristeza, ressaltando uma perspectiva pessimista 
da vida. 
b) demarcar sua individualidade, expressando seu estado de 
espírito. 
c) detalhar suas intenções amorosas, nomeando seus sentimentos. 
d) descrever as coisas circundantes, apresentando uma visão 
objetiva da realidade. 
e) revelar um sentimento platônico, enumerando as qualidades da 
amada. 
 
Questão 04 (UPF 2015) 
É ELA! É ELA! 
 
É ela! é ela! — murmurei tremendo, 
E o eco ao longe murmurou — é ela!... 
Eu a vi... minha fada aérea e pura, 
A minha lavadeira na janela! 
 
Dessas águas-furtadas onde eu moro 
Eu a vejo estendendo no telhado 
Os vestidos de chita, as saias brancas... 
Eu a vejo e suspiro enamorado! 
 
Esta noite eu ousei mais atrevido 
Nas telhas que estalavam nos meus passos 
Ir espiar seu venturoso sono, 
Vê-la mais bela de Morfeu nos braços! 
 
Como dormia! que profundo sono!... 
Tinha na mão o ferro do engomado... 
Como roncava maviosa e pura!... 
Quase caí na rua desmaiado! 
ÁLVARES DE AZEVEDO – É ela! É ela! 
 
Nas estrofes iniciais de “É ela! É ela!”, de Álvares de Azevedo, o 
sujeito lírico mostra-se atordoado diante das facetas discrepantes 
de sua amada, que ora lhe aparece como “fada aérea e pura”, ora 
como simples “lavadeira”. O autor explora essa duplicidade da 
figura da amada com o propósito evidente de _______ uma das 
características centrais da estética ultrarromântica, qual seja, 
____________. 
 
Assinale a alternativa cujas informações preenchem corretamente 
as lacunas do enunciado. 
a) ridicularizar / a representação das classes operárias. 
b) ilustrar / a religiosidade. 
 
 
 
 
 126 VestCursos – Especialista em Preparaçãopara Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
c) ironizar / o uso do poema-piada. 
d) ilustrar / a preocupação com a atividade econômica. 
e) ironizar / a idealização da figura feminina. 
 
Questão 05 (Enem PPL 2014) 
Soneto 
 
Oh! Páginas da vida que eu amava, 
Rompei-vos! nunca mais! tão desgraçado!... 
Ardei, lembranças doces do passado! 
Quero rir-me de tudo que eu amava! 
 
E que doido que eu fui! como eu pensava 
Em mãe, amor de irmã! em sossegado 
Adormecer na vida acalentado 
Pelos lábios que eu tímido beijava! 
 
Embora – é meu destino. Em treva densa 
Dentro do peito a existência finda 
Pressinto a morte na fatal doença! 
 
A mim a solidão da noite infinda! 
Possa dormir o trovador sem crença. 
Perdoa minha mãe – eu te amo ainda! 
AZEVEDO, A. Lira dos vinte anos. São Paulo: Martins Fontes, 
1996. 
 
A produção de Álvares de Azevedo situa-se na década de 1850, 
período conhecido na literatura brasileira como Ultrarromantismo. 
Nesse poema, a força expressiva da exacerbação romântica 
identifica-se com o(a) 
a) amor materno, que surge como possibilidade de salvação para o 
eu lírico. 
b) saudosismo da infância, indicado pela menção às figuras da 
mãe e da irmã. 
c) construção de versos irônicos e sarcásticos, apenas com 
aparência melancólica. 
d) presença do tédio sentido pelo eu lírico, indicado pelo seu 
desejo de dormir. 
e) fixação do eu lírico pela ideia da morte, o que o leva a sentir um 
tormento constante. 
 
Questão 06 (UPE 2015) 
 Amor 
 
Quand la mort est si belle, Il est doux de mourir. 
V. Hugo 
 
Amemos! Quero de amor 
Viver no teu coração! 
2Sofrer e amar essa dor 
Que desmaia de paixão! 
Na tu'alma, em teus encantos 
E na tua palidez 
E nos teus ardentes prantos 
Suspirar de languidez! 
Quero em teus lábios beber 
Os teus amores do céu, 
Quero em teu seio morrer 
No enlevo do seio teu! 
Quero viver d'esperança, 
Quero tremer e sentir! 
Na tua cheirosa trança 
Quero sonhar e dormir! 
Vem, anjo, minha donzela, 
Minha'alma, meu coração! 
Que noite, que noite bela! 
Como é doce a viração! 
E entre os suspiros do vento 
Da noite ao mole frescor, 
Quero viver um momento, 
1Morrer contigo de amor! 
AZEVEDO, Álvares de. Disponível em: 
http://www.revista.agulha.nom.br/avz.html#amor. Consultado em 
junho de 2014. 
 
Sobre o texto, analise as afirmativas a seguir: 
I. O eu lírico, nos versos do poema, expressa seus sentimentos de 
forma polida, cuidadosa, ponderada e sem quaisquer extremismos, 
razão pela qual a poesia de Álvares de Azevedo não pode ser 
entendida como exemplo claro de um texto dito romântico. 
II. Há, no poema em análise, versos que apontam a necessidade 
de o eu lírico amar profundamente. Esse amor é tomado por uma 
subjetividade também profunda, afastando-se, quase por completo, 
das raias da racionalidade. 
III. Os versos “Morrer contigo de amor” (ref. 1) e “Sofrer e amar 
essa dor” (ref. 2) explicitam a intensidade que o eu lírico pretende 
dar vida a essa relação. Temas como amor e morte são 
recorrentes nos textos de Álvares de Azevedo, exímio 
representante da poesia romântica. 
IV. Não apenas no texto em análise, mas também nos textos de 
Álvares de Azevedo, de modo geral, há uma exacerbação da 
objetividade dos sentimentos, espécie de refutação ao que é 
demasiadamente onírico e evasivo, taciturno e escapista. 
V. O verso “Que noite, que noite bela!” remete o leitor a perceber 
que o amor do eu lírico será vivenciado na sua forma mais 
completa e qualitativa sob a regência da Lua. Nos poemas de 
Álvares de Azevedo, a noite é o tempo privilegiado para o amor. 
 
Está CORRETO, apenas, o que se afirma em 
a) I, II e III. 
b) I, III e IV. 
c) II, III e V. 
d) II, IV e V. 
e) III, IV e V. 
 
Questão 07 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
 
"Quando eu te fujo e me desvio cauto 
Da luz de fogo que te cerca, oh! bela, 
Contigo dizes, suspirando amores: 
'- Meu Deus! Que gelo, que frieza aquela!' 
Como te enganas! Meu amor é chama 
Que se alimenta no voraz segredo, 
E se te fujo é que te adoro louco... 
És bela - eu moço; tens amor - eu medo!..." 
(Casimiro de Abreu, Amor e medo) 
 
(Pucpr 2005) Assinale o sentimento dos artistas românticos do 
século XIX expresso nos versos citados: 
a) sentimento de desencontro amoroso devido à frieza de um dos 
amantes; 
Aula 13 - Romantismo No Brasil – Segunda Geração 
 
 
 
 
 
127 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
b) receio de declarar-se devido à oposição da sociedade; 
c) trata do sentimento amoroso enquanto um paradoxo, pois se 
mostra indefinível e confuso; 
d) a impossibilidade de amar tem como justificativa o temor de 
assumir o sentimento; 
e) o amor existe entre os dois namorados, mas o rapaz teme que o 
prazer sensual destrua o sentimento amoroso. 
 
Questão 08 
 SONETO 
Ao sol do meio-dia eu vi dormindo 
Na calçada da rua um marinheiro, 
Roncava a todo o pano o tal brejeiro 
Do vinho nos vapores se expandindo! 
 
Além um Espanhol eu vi sorrindo 
Saboreando um cigarro feiticeiro, 
Enchia de fumaça o quarto inteiro. 
Parecia de gosto se esvaindo! 
 
Mais longe estava um pobretão careca 
De uma esquina lodosa no retiro 
Enlevado tocando uma rabeca! 
 
Venturosa indolência! não deliro 
Se morro de preguiça... o mais é seca! 
Desta vida o que mais vale um suspiro? 
AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. São Paulo: FTD, 1994. 
p. 183. 
 
Exemplar da segunda parte de Lira dos vinte anos, o poema 
transcrito encarna o lado Caliban do poeta, que se manifesta ao 
empregar a ironia como recurso para expressar 
 
a) uma distinção da imagem do artista, presente nos versos “De 
uma esquina lodosa no retiro / Enlevado tocando uma rabeca!”. 
b) uma visão pejorativa do homem, que se evidencia nos 
vocábulos do verso “Mais longe estava um pobretão careca”. 
c) um rebaixamento da condição humana, o que se confirma na 
descrição depreciativa dos espaços, na terceira estrofe. 
d) uma perspectiva escandalizada da sociedade, comprovada pela 
representação depravada dos sujeitos, na primeira estrofe. 
e) um deboche da moralidade, visível nos versos “Venturosa 
indolência! não deliro / Se morro de preguiça... o mais é seca!”. 
 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 01 
Canção do Exílio (Casimiro de Abreu) 
 
Se eu tenho de morrer na flor dos anos, 
Meu Deus! não seja já; 
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde, 
Cantar o sabiá! 
(...) 
 
O país estrangeiro mais belezas 
Do que a pátria, não tem; 
E este mundo não vale um só dos beijos 
Tão doces duma mãe! 
(...) 
 
Quero ver esse céu da minha terra 
Tão lindo e tão azul! 
E a nuvem cor de rosa que passava 
Correndo lá do sul! 
(...) 
 
As cachoeiras chorarão sentidas 
Porque cedo morri, 
E eu sonho no sepulcro os meus amores 
Na terra onde nasci! 
 
Se eu tenho de morrer na flor dos anos, 
Meu Deus! não seja já 
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde, 
Cantar o sabiá! 
 
Lisboa — 1857 
 
Tendo em vista os procedimentos de construção do texto literário e 
as concepções artísticas românticas, conclui-se que o poema 
acima 
a) é ufanista, pois expressa orgulho excessivo da pátria a partir da 
natureza idealizada. 
b) é condoreiro, porque valoriza a paisagem tropical realçada pela 
imagem do sabiá. 
c) é nativista, pois idealiza a natureza a partir de uma visão mais 
objetiva e racional. 
d) é crítico, pois, por meio de um discurso irônico, a infância é 
descaracterizada. 
e) é histórico, porque faz referência ao exílio e à pátria por meio da 
natureza de ambos. 
 
Questão 02 (Insper 2014) 
Oh! nos meus sonhos, pelas noites minhas 
Passam tantas visões sobre meu peito! 
Palor de febre meu semblante cobre, 
Bate meu coração com tanto fogo! 
Um doce nome os lábios meus suspiram (...). 
(Álvares de Azevedo, Lira dos vinte anos) 
 
Nessa passagem, há marcas textuais típicas da função emotiva da 
linguagem. Essas marcas estão associadas a uma característica 
fundamentalda poesia byroniana brasileira, que é o 
a) egocentrismo. 
b) indianismo. 
c) medievalismo. 
d) nacionalismo. 
e) nativismo. 
 
Questão 03 (Imed 2016) 
 Leia os poemas a seguir, de Casimiro de Abreu e Carlos 
Drummond de Andrade, respectivamente: 
 
MEUS OITO ANOS 
 
Oh! que saudades que tenho 
Da aurora da minha vida, 
Da minha infância querida 
- Que os anos não trazem mais! 
 
 
 
 
 
 128 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
Que amor, que sonhos, que flores, 
Naquelas tardes fagueiras 
À sombra das bananeiras, 
Debaixo dos laranjais! […] 
 
Rezava às Ave-Marias, 
Achava o céu sempre lindo, 
Adormecia sorrindo 
E despertava a cantar! 
 
Que doce a vida não era 
Em vez das mágoas de agora. 
 
CONSOLO NA PRAIA 
 
Vamos, não chores... 
A infância está perdida. 
A mocidade está perdida. 
Mas a vida não se perdeu. 
 
O primeiro amor passou. 
O segundo amor passou. 
O terceiro amor passou. 
Mas o coração continua. 
 
Perdeste o melhor amigo. 
Não tentaste qualquer viagem. 
Não possuis casa, navio, terra. 
Mas tens um cão. 
 
Algumas palavras duras, 
em voz mansa, te golpearam. 
Nunca, nunca cicatrizam. 
Mas, e o humour? 
 
A injustiça não se resolve. 
À sombra do mundo errado 
murmuraste um protesto tímido. 
Mas virão outros. 
 
Tudo somado, devias 
precipitar-te, de vez, nas águas. 
Estás nu na areia, no vento... 
Dorme, meu filho. 
 
Analise as seguintes afirmações a partir dos poemas: 
I. Embora Casimiro de Abreu integre o período literário romântico, e 
Carlos Drummond de Andrade, o modernismo, ambos os poemas 
abordam a passagem do tempo e a ideia de perda de momentos 
da vida humana: infância e juventude. 
II. No primeiro poema, o eu lírico apresenta a infância com certo 
escapismo, fugindo, assim, do momento presente, o qual é 
resgatado no último verso. 
III. Identifica-se que, em ambos os poemas, o eu lírico mostra-se 
pesaroso e inconformado com a passagem do tempo e da vida. 
 
Quais estão corretas? 
a) Apenas I. 
b) Apenas III. 
c) Apenas I e II. 
d) Apenas II e III. 
e) I, II e III. 
 
Questão 04 (Unesp 2016) 
Outro traço importante da poesia de Álvares de Azevedo é o gosto 
pelo prosaísmo e o humor, que formam a vertente para nós mais 
moderna do Romantismo. A sua obra é a mais variada e complexa 
no quadro da nossa poesia romântica; mas a imagem tradicional 
de poeta sofredor e desesperado atrapalhou a reconhecer a 
importância de sua veia humorística. 
 
(Antonio Candido. “Prefácio”. In: Álvares de Azevedo. Melhores 
poemas, 2003. Adaptado.) 
 
A veia humorística ressaltada pelo crítico Antonio Candido na 
poesia de Álvares de Azevedo está bem exemplificada em: 
a) Cavaleiro das armas escuras, 
Onde vais pelas trevas impuras 
Com a espada sanguenta na mão? 
Por que brilham teus olhos ardentes 
E gemidos nos lábios frementes 
Vertem fogo do teu coração? 
b) Ontem tinha chovido... Que desgraça! 
Eu ia a trote inglês ardendo em chama, 
Mas lá vai senão quando uma carroça 
Minhas roupas tafuis encheu de lama... 
c) Pálida, à luz da lâmpada sombria, 
Sobre o leito de flores reclinada, 
Como a lua por noite embalsamada, 
Entre as nuvens do amor ela dormia! 
d) Se eu morresse amanhã, viria ao menos 
Fechar meus olhos minha triste irmã; 
Minha mãe de saudades morreria 
Se eu morresse amanhã! 
e) Quando em meu peito rebentar-se a fibra, 
Que o espírito enlaça à dor vivente, 
Não derramem por mim nem uma lágrima 
Em pálpebra demente. 
 
Questão 05 (Ufsm 2015) 
Por que mentias? Por que mentias leviana e bela? 
Se minha face pálida sentias 
Queimada pela febre, e se minha vida 
Tu vias desmaiar, por que mentias? 
Acordei da ilusão, a sós morrendo 
Sinto na mocidade as agonias. 
Por tua causa desespero e morro... 
Leviana sem dó, por que mentias? 
[...] 
Vê minha palidez ‒ a febre lenta 
Esse fogo das pálpebras sombrias... 
Pousa a mão no meu peito! Eu morro! eu morro! 
Leviana sem dó, por que mentias? 
Fonte: ÁLVARES DE AZEVEDO, 1994. p. 87. 
 
Ainda uma vez ‒ adeus! ‒ [XVIII] 
Lerás porém algum dia 
Meus versos, d'alma arrancados, 
D'amargo pranto banhados, 
Com sangue escritos; ‒ e então 
Confio que te comovas, 
Que a minha dor te apiade, 
Que chores, não de saudade,

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