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F R E N T E 2 151 2 UEPG 2019 Sobre os principais conceitos geográficos, assinale o que for correto. 01 A região refere-se a um espaço contíguo, com ca- racterísticas semelhantes, o qual pode ser cultural ou natural. 02 O espaço geográfico é onde ocorrem, por excelência, as transformações empreendidas pelo ser humano. 04 As paisagens podem ser naturais ou humanas e podem ser compreendidas com a utilização de sentidos como, por exemplo, a visão. 08 Um espaço com relações de posse ou poder, como um país ou um estado, enquadra-se no conceito de território. 16 Os espaços de convivência que podem evidenciar relações humanas afetivas estão diretamente rela- cionados ao conceito de lugar. Soma:JJ 3 UEPB 2013 [...] Inté mesmo asa branca Bateu asa do sertão Entonce eu disse adeus Rosinha Guarda contigo meu coração Hoje longe muitas légua Numa triste solidão Espero a chuva caí de novo Prá mim vortá pro meu sertão. [...] “Asa Branca” – composição de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. O sertão, na forma como os compositores utilizam nas estrofes transcritas, pode ser denido como: A paisagem, pois nos remete a cenários distintos: o cinza e a desolação da estação seca que afugenta a asa branca e o verde e vivaz do período chuvoso das plantações e que traz de volta o migrante. b território, pois remete a um espaço de controle das elites políticas e econômicas que se utilizam do discurso da seca para tirar proveito em bene- fício dos seus interesses e continuar a exercer o poder sobre este espaço. região, delimitada pelo critério exclusivamente eco- nômico, que tem na divisão territorial do trabalho o papel de fornecedora de mão de obra desqualifica- da para o Centro-Sul do país. d região, pois se refere à área delimitada pelo clima semiárido de ocorrência da caatinga e sujeita às secas periódicas, mas também tem o sentido de Lugar, pois, ao se referir ao “meu sertão”, o autor demonstra o sentimento de pertencimento e de identidade para com esta parcela do espaço. E espaço, pois a dinâmica populacional está pre- sente através da migração do sertanejo que vai para outras regiões produzir bens e transformar as paisagens distantes, mas também se reproduzir en- quanto força de trabalho. 4 Uece 2015 Atente para os excertos a seguir. (1) Seus defensores afirmam que as condições naturais especialmente as climáticas interferem na sua capacidade de progredir. Estabeleceu-se uma relação causal entre o comportamento humano e a natureza na qual tiveram esteio as teorias darwinistas sobre a sobrevivência e a adaptação dos indivíduos ao meio circundante. CORREA, R. L. Região e organização espacial. São Paulo: Ática, 2007. (2) Neste processo de trocas mútuas com a natureza, o homem transforma a matéria natural, cria formas sobre a superfície terrestre. Nesta concepção o homem é um ser ativo que sofre a influência do meio, porém que atua sobre este transformando-o. MORAES, A. C. R. Geografia: pequena história crítica. São Paulo: HUCITEC, 1986. Os excertos apresentados estão relacionados às cor- rentes do pensamento geográco. Assim, pode-se armar corretamente que os excertos 1 e 2 represen- tam respectivamente: A a Geografia crítica e o possibilismo. b o determinismo e a Geografia teorético-quantitativa. o determinismo e o possibilismo. d o determinismo e a Geografia humanista. 5 UPE 2013 Considere o texto a seguir: O espaço geográfico, ao contrário do espaço natural, é um produto da ação do homem. O homem, sendo um animal social, naturalmente atua em conjunto, em grupo, daí ser o espaço geográfico eminentemente social. [...] A ação do homem não ocorre de forma uniforme no espaço e no tempo. Ela se faz de forma mais intensa em determinados momentos e nas áreas onde se pode empregar uma tecnologia mais avançada ou em que se dispõe de ca- pitais mais do que naquelas em que se dispõe de menores recursos e conhecimentos. Daí a necessidade de uma visão do processo histórico, levando-se em conta tanto o processo evolutivo linear como os desafios que se contrapõem a este processo e que barram ou desviam da linha por ele seguida. Para melhor compreender o processo de produção do es- paço geográfico, é indispensável a utilização de conceitos hoje largamente aceitos nas ciências sociais, como os de modo de produção e de formação econômico-sociais. Ao analisarmos a evolução da humanidade e da conquista da natureza pelo homem, temos que admitir que este começou a produzir o espaço geográfico na ocasião em que pôde abandonar as atividades de caça, pesca e coleta como prin- cipais e passou a realizar trabalhos agrícolas e de criação de animais. Claro que a passagem foi feita lentamente e que o homem, transformado em agricultor e criador de ani- mais, continuou a caçar e a pescar, como o faz até os dias atuais, mas essas atividades, antes exclusivas, tornaram-se complementares. ANDRADE, Manuel Correia de. Geografia Econômica. São Paulo: Editora Atlas, 1987. (Adapt.). É correto armar que o autor, no texto que você aca- bou de ler, A opõe-se à posição filosófica assumida pelos geó- grafos que defendem a Geografia crítica. b estabelece os mais importantes princípios que norteiam o determinismo geográfico, uma das GEOGRAFIA Capítulo 1 Espaço geográfico152 correntes fundamentais da Geografia clássica que explica a produção do espaço geográfico. defende que o espaço natural, por suas caracterís- ticas particulares, assemelha-se ao espaço social e que deve ser estudado pela História e pela Geografia. d advoga que a produção do espaço geográfico é uma função dos níveis técnico e econômico em que se encontra a sociedade. E propõe que, para o equilíbrio do Sistema Terra, é necessário os seres humanos retornarem às ativi- dades extrativas, especialmente à caça e à pesca, e também à agricultura tradicional. 6 Enem O homem construiu sua história por meio do cons- tante processo de ocupação e transformação do espaço natural. Na verdade, o que variou, nos diversos momentos da experiência humana, foi a intensidade dessa exploração. Disponível em: <http://simposioreformaagraria.propp.ufu.br>. Acesso em: 09 jul. 2009. (Adapt.). Uma das consequências que pode ser atribuída à crescente intensicação da exploração de recursos naturais, facilitada pelo desenvolvimento tecnológico ao longo da história, é: A a diminuição do comércio entre países e regiões, que se tornaram autossuficientes na produção de bens e serviços. b a ocorrência de desastres ambientais de grandes proporções, como no caso de derramamento de óleo por navios petroleiros. a melhora generalizada das condições de vida da população mundial, a partir da eliminação das desi- gualdades econômicas na atualidade. d o desmatamento, que eliminou grandes extensões de diversos biomas improdutivos, cujas áreas passa- ram a ser ocupadas por centros industriais modernos. E o aumento demográfico mundial, sobretudo nos países mais desenvolvidos, que apresentam altas taxas de crescimento vegetativo. 7 Uece 2016 Atente ao excerto a seguir: Assim, não dis- tinguimos natureza e fenômenos naturais, uma vez que concebemos a natureza decalcando nosso conceito nos corpos da percepção sensível. Vemos a natureza vendo o relevo, as rochas, os climas, a vegetação, os rios etc. [...] Dito de outro modo, a natureza que concebemos é a da experiência sensível, cujo conhecimento organizamos numa linguagem geométrico-matemática. Moreira, Ruy. Para onde vai o pensamento geográfico? Por uma epistemologia crítica. São Paulo: Contexto. 2006. p. 47. Ao ler o trecho, pode-se concluir acertadamente que a categoria da Geograa que mais se aproxima do pensamento do autor é o(a): A lugar. b região. território. d paisagem. 8 Enem 2a aplicaão 2015 Dubai é uma cidade-Estado planejada para estarrecer os visitantes. São tamanhos e formatos grandiosos, em hotéis e centros comerciais reluzentes, numa colagem de estilos e atrações que parece testar diariamente os limites da arquitetura voltada para o lazer. O maior shopping do tórrido Oriente Médio abriga uma pista de esqui, a orlado Golfo Pérsico ganha milioná- rias ilhas artificiais, o centro financeiro anuncia para breve a torre mais alta do mundo (a Burj Dubai) e tem ainda o projeto de um campo de golfe coberto! Coberto e refrige- rado, para usar com sol e chuva, inverno e verão. Disponível em: <http://viagem.uol.com.br>. Acesso em: 30 jul. 2012. (Adapt.). No texto, são descritas algumas características da paisagem de uma cidade do Oriente Médio. Essas ca- racterísticas descritas são resultado do(a): A criação de territórios políticos estratégicos. b preocupação ambiental pautada em decisões governamentais. utilização de tecnologia para transformação do espaço. d demanda advinda da extração local de combustí- veis fósseis. E emprego de recursos públicos na redução de desi- gualdades sociais. 9 ESPM 2015 Uma importante contribuição do geógrafo Milton Santos na análise do espaço geográfico foi: A a teoria sobre a tectônica de placa que auxiliou a esclarecer a ocorrência dos grandes terremotos e tsunamis no planeta. b a elaboração da “teoria dos mundos”, que regionaliza o mundo em Primeiro, Segundo e Terceiro mundo. a introdução do conceito de meio técnico-científi- co-informacional na análise do espaço geográfico. d a elaboração da teoria dos domínios morfoclimáti- cos sobre a combinação dos elementos naturais na composição do relevo. E a difusão da máxima de que a “Geografia serve an- tes de mais nada para fazer a guerra”. 10 UPE/SSA 2017 Analise o texto a seguir: O espaço se globaliza, mas não é mundial como um todo, senão como metáfora. Todos os lugares são mundiais, mas não há um espaço mundial... SANTOS, Milton. 1993. Ele caracteriza a globalização como: A possibilidade de transformar suas virtudes locacio- nais, de modo a evitar a interação com as ações solidárias hierárquicas. b diminuição do poder das empresas transnacionais mediante práticas, como a formação de cartéis, trustes e holdings. fenômeno revelador de lugares que são, ao mes- mo tempo, objetos de uma razão global e de uma razão local, convivendo dialeticamente. d aumento do poder dos Estados nacionais em rela- ção aos conglomerados transnacionais. E conjunto dissociável de sistemas de objetos natu- rais ou fabricados e de sistemas de ações. F R E N T E 2 153 A nuvem da informação Como se fosse um fluido vital, a informação digital está presente em todos os lugares de nossa sociedade: circula nas redes, é exibida nas telas e ouvida nos telefones celulares. Os artefatos materiais, outrora intimamente ligados às nossas práticas de acesso à informação – livros, jornais, discos, cartazes, quadros, álbuns de fotografias –, se tornaram ultrapassados diante dessas maravilhosas ferramentas eletrônicas. As empresas também se converteram ao digital. Encomendas, notas fiscais, rastreamento de entregas, arquivamento contábil e jurídico e documentação de produtos formam agora um grande circuito informático. Fala-se de “desmaterialização” para designar essa separação entre o suporte físico e o conteúdo, mas a expressão é ilusória: todas as informações estão armazena- das em algum lugar. A grande questão é quem fará a gestão desses dados e irá divulgá-los para o mundo nesse momento de transformação do suporte material. A era digital não se importará em localizar esses arquivos onde quer que eles estejam. Na verdade, isso já acontece: nin- guém pode dizer em que disco rígido estão armazenados uma fotografia do site de imagens Flickr ou um vídeo do YouTube. Cada vez mais, esses dados deixam os personal computers (PCs) e são encaminhados para centros distantes, aos quais os usuários têm acesso pela internet banda larga. Essa arquitetura leva o nome de “informática em nuvens”, cloud computing. Os dados são distribuídos em uma nuvem de máquinas, formada por milhares de computadores dos gigantes da Web. Como as informações estão copiadas várias vezes na “nuvem”, é possível evitar os congestionamentos informáticos. Graças à cloud computing, cada profissional da área dispõe de uma capacidade de processamento muito superior à de sua própria máquina, até mesmo às de empresas e instituições. É por isso que a transcodificação de imagens do YouTube é tão rápida e o site é capaz de oferecer vários bilhões de vídeos por mês. É também por causa dessa nuvem de servidores que o correio eletrônico pode ser lido e arquivado a distância. Com isso em mente, IBM e Google aliaram-se para oferecer uma nuvem de servidores às universidades americanas, em troca do desenvolvimento de um know-how de programação paralela. Essa parceria atemorizou a Hewlwtt-Packard, rival da IBM, que decidiu comprar uma empresa de serviço e engenharia em informática, a EDS, por US$ 13,9 bilhões. Um negócio arriscado, tendo em vista os custos elevados de integração dos funcionários: são 140 mil assalariados na EDS e 172 mil na HP. Pouco importa. Para os partidários dessa fusão, o futuro pertence aos serviços e não à venda de material. Afinal, todo esse investimento dará rentabilidade aos capitais investidos somente com uma condição: a migração para a rede da maior parte das atividades de informática, tanto particulares como de empresas. Até pouco tempo, para funcionar, o computador precisava de programas pesados, de uma memória de elefante e de um grande poder de cálculo. “Terceirizan- do” esses três elementos para prestadores especializados e acessíveis por internet, o PC fica mais leve, torna-se um simples terminal. Dessa forma, quando o usuário quiser trabalhar com um texto, o programa adequado não estará instalado no seu computador, mas em um servidor localizado em algum lugar na nuvem. Fala-se de “software as a service” (SaaS, programa acessível a distância) e até de “platform as a service” para designar essa redistribuição das cartas na indústria da informática. Essa abordagem permite descentralizar as atividades diárias através da rede, desde assuntos de escritório à organização de álbuns de fotografia. É a realidade da conexão permanente, por pacote e com banda larga, um conforto para o usuário. Se a cloud computing foi primeiramente testada com particulares, agora é preciso que seja adotada pelas empresas. A recompensa? A terceirização pura e simples dos serviços de informática. Sempre reticentes em confiar seus dados para pessoas de fora, as empresas ainda têm a compreensão de que a gestão, o armazenamento e a disponibilidade permanente dos servidores e dos fluxos de informação estão entre os critérios de eficácia de uma profissão muito técnica. Mas também começam a perceber que esse tipo de serviço foge ao domínio dos centros servidores de pequenas dimensões. Um problema evidente que as experiências com usuários individuais demonstraram é o risco da transformação dos acessos em um balcão de serviços, em que cada operador de nuvem tenta conservar “seus” usuários, dissuadindo-os de experimentar os serviços da concorrência. O caminho é semeado de obstáculos para quem deseja trocar de prestador de álbum fotográfico ou de correio eletrônico. Pois, para esses operadores, mais que os lucros a curto prazo oriundos da publicidade ou dos serviços pagos, é o lifetime value – o valor estimado que um usuário pode trazer para uma empresa – que representa o Santo Graal. É preciso avaliar a rentabilidade de um cliente fiel quando se multiplicam os serviços e as ofertas nos diversos aspectos de sua vida. Assim como as propostas de serviços “gratuitos”, as alianças de empresas que propõem uma diversidade de funcionalidades encobrem armadilhas: para consultar os arquivos de correio eletrônico ou atualizar o álbum de fotografias, toda vez é preciso acessar o serviço on-line. Atraídos por não terem de pagar, os clientes podem perder a autonomia. Se, por exemplo, o único editor de textos que se tem à disposição é oferecido por uma plataforma on-line, é necessário conectar-se a esse site para abrir um do- cumento ou escrever. E, portanto, ter de se servir de caneta e papel no caso de uma falha de conexão na rede! A informática das nuvens reforça incontestavelmente a influência dosprestadores. Uma situação que abranda o entusiasmo das empresas e preocupa os governos na medida em que a quase totalidade dos atores da informática em nuvens são americanos. A independência das pessoas, das empresas e até das nações não se mede mais somente pelos territórios, pela geografia e pelo espaço coletivo, mas também pelas relações que eles mantêm com essas novas usinas da produção “imaterial”. Essas empresas emergentes gerenciam ao mesmo tempo os dados, as identidades dos indivíduos e suas necessidades. Também não se privam de oferecer esses perfis aos publicitários e a outros atores da indústria do marketing, como comprova o lugar preponderante que a Google conquistou em poucos anos no mercado da publicidade. Revela-se uma nova noção de “filiação”: não há mais debates entre cidadãos formando “comunidades de destino”, mas entre “usuários”, indivíduos ou empresas, membros de “comunidades de escolha” organizadas com base em seu consumo e sua dependência informacional para com os donos das nuvens. CROSNIER, Le Hervé. Le monde diplomatique. 4 ago. 2018. Disponível em: <http://diplomatique.org.br/a-nuvem-da-informacao>. Acesso em: 01 jun. 2020. Texto complementar