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Efeitos da competição na dinâmica de populações Ecologia de Populações Prof. Dr. Leonardo F. França Ecologia de Populações Introdução Grande parte dos temas desta aula estão baseados em modelos matemáticos teóricos. Estes são a base para o desenvolvimento de teorias sobre competição intra e interespecífica do ponto de vista de campo e aplicado. Relembrando o modelo de crescimento populacional com competição intraespecífica. Introdução Na interação do tipo competição intraespecífica a capacidade suporte da população é o único fator que limita o crescimento populacional. dN = rN 1 - N Nt = K . dt K 1 + [(k – N0)/N0] e-rt Nt = N0 . λt Nt = N0 + λN0 1 – N0 k A criação do modelo de Lotka-Volterra Na interação do tipo competição interespecífica uma espécie exerce efeito negativo sobre o tamanho populacional da outra espécie. Isto pode ser expresso através do modelo logístico da competição interespecífica, conhecido como “Modelo Lotka-Volterra”. A criação do modelo de Lotka-Volterra O primeiro experimento efetivo para determinar a existência e os caminhos da competição interespecífica foi feito pelo Russo GAUSE, 1930). A criação do modelo de Lotka-Volterra Podemos projetar os resultados de um experimento desta forma, prevendo o que iremos encontrar? Como explicar matematicamente e biologicamente a exclusão e a coexistência de pares de espécies? Os modelos matemáticos nos permitem explicar e prever quando ocorrerá a coexistência e a exclusão. Os conceitos ecológicos nos ajudam a entender o porquê dos resultados matemáticos. A criação do modelo de Lotka-Volterra Trabalhando de forma independente um do outro LOTKA (1932) e VOLTERRA (1926) propuseram o primeiro modelo de competição interespecífica. 𝑑𝑑1 𝑑𝑑 = 𝑟 𝑁1 𝐾1−𝑑1 𝐾1 competição intraespecífica. 𝑑𝑑1 𝑑𝑑 = 𝑟 𝑁1 𝐾1−𝑑1−α𝑑2 𝐾1 competição intra + inter. Termo que acrescenta a competição entre espécies. A criação do modelo de Lotka-Volterra Principal problema: Como expressar o efeito da competição de uma espécie sobre a população da outra espécie? (interespecífica) Para isso foi proposto o Coeficiente de competição. Este coeficiente expressa o quanto o acréscimo de 1Δ da espécie-2 afeta o tamanho populacional da espécie-1. O Coeficiente de Competição é uma medida relativa dos efeitos da espécie-2 sobre a espécie-1. O coeficiente expressa o efeito competitivo da espéice-2 sobre a espécie-1 ou vice versa. A criação do modelo de Lotka-Volterra Dado que queremos entender os efeitos da competição interespecífica sobre a espécie-1, temos: Se o coeficiente de competição de sp-2 sobre sp-1 for α = 1, quer dizer que 1Δ da espécie-2 exerce um efeito competitivo igual a 1Δ da espéice-1. Se o coeficiente de competição de sp-2 sobre sp-1 for α = 3, quer dizer que 1Δ da espécie-2 exerce um efeito competitivo igual a 3Δ da espéice-1, ou seja, cada 1Δ de sp-2 equivalem a 3Δ de sp-1. Se o coeficiente de competição de sp-2 sobre sp-1 for α = 0.5, quer dizer que 1Δ da espécie-2 exerce um efeito competitivo igual a 0.5Δ da espéice-1, ou seja, cada 2Δ de sp-2 equivalem a 1Δ de sp-1. A criação do modelo de Lotka-Volterra População 1 Onde: N1 é o tamanho da população-1, K1 é a capacidade suporte da população-1, r1 é a taxa de crescimento. 𝛼 é o coeficiente de competição: descreve o efeito populacional que cada espécie-2 exerce sobre a espécie-1. 𝑑𝑑1 𝑑𝑑 = 𝑟1𝑁1 𝐾1−𝑑1 𝐾1 𝑑𝑑1 𝑑𝑑 = 𝑟1𝑁1 𝐾1−𝑑1−α𝑑2 𝐾1 A criação do modelo de Lotka-Volterra População 2 Onde: N2 é o tamanho da população-2, K2 é a capacidade suporte da população-2, r2 é a taxa de crescimento. β é o coeficiente de competição: descreve o efeito populacional que cada espécie-1 exerce sobre a espécie-2. 𝑑𝑑2 𝑑𝑑 = 𝑟2𝑁2 𝐾2−𝑑2 𝐾2 𝑑𝑑2 𝑑𝑑 = 𝑟2𝑁2 𝐾2−𝑑2−𝛽𝑑1 𝐾2 A criação do modelo de Lotka-Volterra As expressões matemáticas mostram que a taxa de crescimento populacional é afetada: Pela adição de indivíduos da própria espécie (fator -N1). Pela adição de indivíduos da espécie competidora (fator - 𝛼𝑁2). 𝑑𝑑1 𝑑𝑑 = 𝑟 𝑁1 𝐾1−𝑑1−α𝑑2 𝐾1 Efeitos sobre a população 1 Descrição do gráfico de fase para a população de sp-1 Primeiro vamos nos concentrar na sp-1 (populção-1) e entender como as mudanças na sua densidade são determinadas pela: Competição com indivíduos da própria espécie (intra). Competição com indivíduos de outra espécie (inter). Ou seja, pelo nº combinado de indivíduos de N1 e N2. Descrição do gráfico de fase para a população de sp-1 Os modelos de Lotka-Volterra podem ser representados em gráficos conhecidos como espaço de fase. No eixo horizontal está representada a capacidade suporte de N1 (K1). No eixo vertical está representada a capacidade suporte de N2, porém em equivalentes de N1 𝐾1 𝛼 . Descrição do gráfico de fase para a população de sp-1 No espaço de fase não há variável dependente e independente. Cada ponto no gráfico representa o número combinado de indivíduos das duas espécies competidoras no ambiente. Porém os indivíduos de N2 são convertidos em equivalentes de N1 para que haja apenas a representação da espécie-1 no gráfico. Descrição do gráfico de fase para a população de sp-1 A linha é chamada isolinha de crescimento e é formada pela combinação de todos os pontos que resultam em crescimento ZERO para a população da espécie-1. Em qualquer ponto desta linha a capacidade suporte da sp-1 está inteiramente preenchida por indivíduos das duas espécies. Descrição do gráfico de fase para a população de sp-1 α No local em que a isolinha cruza o eixo ‘Y’ a esp-1 está extinta e sua capacidade suporte está inteiramente preenchida por indivíduos de sp-2. 𝑁1 = 𝐾1 − α𝑁2 𝑁2 = 𝐾1 α O local em que a reta cruza o eixo ‘X’ coincide com o valor K1. Neste ponto a população de sp-2 está extinta e sp-1 cresceu até sua capacidade suporte. 𝑁1 = 𝐾1 − α𝑁2 𝑁1 = 𝐾1 Descrição do gráfico de fase para a população de sp-1 Este gráfico responde a questão: como varia a abundância de N1 em função da quantidade combinada de indivíduos de N1 e N2 ? Isolinha de N1 – a densidade de indivíduos de N1 não muda nos pontos desta reta. N1a Um exemplo: nesta densidade de indivíduos de N2 + N1a a densidade da espécie 1 não muda. No entanto, no ponto ‘B’ a densidade combinada de N2 + N1b é maior que a capacidade suporte de sp-1 e a população diminui. A N1b α B Descrição do gráfico de fase para a população de sp-1 α Os gráficos de fase para as duas espécies competidoras Até agora descrevemos como varia a abundância de sp-1 em função da combinação de N1 e N2, ou seja, em função da competição intra e inter específica. Podemos ver o mesmo gráfico de fase, porém, tentando entender como varia a abundância de sp-2 em função da combinação de N2 e N1. Os gráficos de fase para as duas espécies competidoras Os eixos X e Y não mudam. No 2º gráfico, a intenção é avaliar os efeitos sofridos por sp-2, por isso, as setas mudam de direção. α β Soluções gráficas para o modelo de competição de Lotka-Volterra Representando as duas isolinhas juntas no mesmo “espaço de fase” podemos entender a dinâmica da competição entre as duas espécies. Soluções gráficas para o modelo de competição de Lotka-Volterra 1º CENÁRIO: a espécie 1 vence a competição. A seta verde combina informações das populações das duas espécies. É uma resultante que indica o que ocorrerá com o tamanho das duas populações.Soluções gráficas para o modelo de competição de Lotka-Volterra 1º CENÁRIO : a espécie 1 vence a competição. Abaixo das duas isolinhas: as populações das duas espécies estão abaixo de K. Ambas crescem. Soluções gráficas para o modelo de competição de Lotka-Volterra 1º CENÁRIO : a espécie 1 vence a competição. Acima das duas isolinhas, as populações de cada espécie estão acima de sua capacidade de suporte. Ambas decrescem. Soluções gráficas para o modelo de competição de Lotka-Volterra 1º CENÁRIO : a espécie 1 vence a competição. Entre as isolinhas, estamos abaixo da isolinha da sp-1 e acima da isolinha da sp-2. A população de sp-1 cresce e a população de sp-2 decresce. Soluções gráficas para o modelo de competição de Lotka-Volterra 2º CENÁRIO: a espécie 2 vence a competição. O resultado final da competição, resulta em toda a capacidade suporte (K) preenchida por indivíduos da sp-2 (K2). 1º e 2º Cenários = exclusão competitiva ou Princípio de Gause Estas são típicas situações em que o competidor mais forte exclui o competidor mais fraco. Recordando: Competição entre espécies de Paramecium em meio líquido em tubos de ensaio (Exclusão competitiva - Gause 1934). 1º e 2º Cenários = exclusão competitiva ou Princípio de Gause Princípio da exclusão competitiva: duas espécies que utilizam um recurso mesma maneira não podem coexistir. Princípio da exclusão competitiva: duas espécies com nichos muito semelhantes não podem coexistir. Quando cultivadas juntas, uma espécie excluiu a outra. 1º e 2º Cenários = exclusão competitiva ou Princípio de Gause Estas espécies tiveram sua coexistência impedida pois ambas se alimentam de bactérias flutuantes no meio líquido, levando a alta sobreposição das necessidades alimentares. Quando cultivadas juntas, uma espécie excluiu a outra. 1º e 2º Cenários = exclusão competitiva ou Princípio de Gause Porque uma espécie exclui a outra? Vamos usar outro exemplo: competição entre algas Diatomáceas pelo recurso silicato. Observar diferenças no limiar de consumo de silicato. Tempo (dias) A bu nd ân ci a 1º e 2º Cenários = exclusão competitiva ou Princípio de Gause Quando colocadas juntas com o mesmo número inicial de indivíduos Asterionela exclui Synedra. Asterionella foi mais apta em esgotar o “alimento”. Tempo (dias) A bu nd ân ci a C on ce nt ra çã o de S ili ca to 3º Cenário: coexistência com partição de recursos 3º CENÁRIO: Coexistência das espécies em equilíbrio estável. Neste cenário as espécies exercem um efeito competitivo interno (intraespecífico) maior do que o efeito da competição de uma espécie sobre a outra (intraespecífico). As espécies exercem um efeito competitivo maior sobre elas mesmas do que sobre a outra espécie competidora. 3º Cenário: coexistência com partição de recursos 3º CENÁRIO: Coexistência das espécies em equilíbrio estável. Isto ocorre porque cada espécie irá crescer sua população independente de estar abaixo ou acima da capacidade suporte da outra espécie. Soluções gráficas para o modelo de competição de Lotka-Volterra 3º CENÁRIO: Coexistência das espécies em equilíbrio estável. Situações em que sp-2 está abaixo de sua isolinha de crescimento: aumento populacional. Soluções gráficas para o modelo de competição de Lotka-Volterra 3º CENÁRIO: Coexistência das espécies em equilíbrio estável. Situação em que sp-2 está acima de sua capacidade suporte: declínio populacional. Soluções gráficas para o modelo de competição de Lotka-Volterra 3º CENÁRIO: Coexistência das espécies em equilíbrio estável. Situações em que sp-1 esta abaixo de sua isolinha (preto): crescimento populacional. Soluções gráficas para o modelo de competição de Lotka-Volterra 3º CENÁRIO: Coexistência das espécies em equilíbrio estável. Situação em que sp1 está acima de sua isolinha (preto): declínio populacional. 3º Cenário: coexistência das espécies em equilíbrio Nesta situação as espécies coexistem com algum grau de competição, mas com diferenças no nicho suficientes para que não haja a exclusão. Recordando: Competição entre espécies de Paramecium em meio líquido em tubos de ensaio (Coexistência - Gause 1934). Cultivados em tubos separados Cultivados em um único tubo Apesar da coexistência as duas espécies mantem uma abundância menor quando coexistindo do que a abundância que manteriam na ausência de seu competidor. 3º Cenário: coexistência das espécies em equilíbrio Partição de recursos ou equilíbrio estável: nesta situação as espécies diferem quanto a forma de utilizar os recursos limitantes. Enquanto P. caudatum preferia consumir bactérias flutuantes P. bursaria preferia leveduras depositadas no fundo do recipiente. Cultivados em tubos separados Cultivados em um único tubo Apesar da coexistência as duas espécies mantem uma abundância menor quando coexistindo do que a abundância que manteriam na ausência de seu competidor. 4º Cenário: exclusão dependente da abundância 4º CENÁRIO: a espécie que vence a competição é aquela que consegue primeiro ultrapassar a capacidade suporte da outra. 4º Cenário: exclusão dependente da abundância Antagonismo mútuo ou equilíbrio instável: ocorre quando a competição interespecífica é, para ambas as espécies, uma força mais poderosa do que a competição intraespecífica. Exemplo: competição entre besouros da farinha Tribolium castaneum Tribolium confusum 4º Cenário: exclusão dependente da abundância Os besouros foram criados em potes e consumiam a farinha, mas também uns aos outros. Adultos consumiam ovos e pulpas da sua espécie (canibalismo) e da outra espécie (predação). T castaneum T confusum 4º Cenário: exclusão dependente da abundância De maneira geral os besouros tenderam a comer mais larvas da outra espécie do que da sua própria. Isto torna a competição entre espécies, pelo consumo da larvas adversária, mais forte que a competição intraespecífica, pelo consumo de suas próprias larvas. 4º Cenário: exclusão dependente da abundância O resultado final é dependente da abundância relativa das espécies. Quando T. castaneum coloniza primeiro a área e é mais abundante tende a excluir T. confusum. T castaneum T confusum 4º Cenário: exclusão dependente da abundância O resultado final é dependente da abundância relativa das espécies. Quando ocorre o contrário é T. castaneum quem é excluído. T castaneum T confusum 4º Cenário: exclusão dependente da abundância O resultado da competição será sempre imprevisível, qualquer espécie pode excluir a outra. Por outro lado será determinado, a espécie relativamente mais abundante tenderá a excluir a outra. Referencial bibliográfico Gotelli N. J. Ecologia – Capítulo 5, pag. 101 – 117. Cain et al. Ecologia - Capítulo 11, pag. 260 – 265. Begon et al. - Ecologia - Capítulo 8, pag. 236 – 237. Efeitos da competição na dinâmica de populações Introdução Introdução A criação do modelo de Lotka-Volterra A criação do modelo de Lotka-Volterra A criação do modelo de Lotka-Volterra A criação do modelo de Lotka-Volterra A criação do modelo de Lotka-Volterra A criação do modelo de Lotka-Volterra A criação do modelo de Lotka-Volterra A criação do modelo de Lotka-Volterra A criação do modelo de Lotka-Volterra Descrição do gráfico de fase para a população de sp-1 Descrição do gráfico de fase para a população de sp-1 Descrição do gráfico de fase para a população de sp-1 Descrição do gráfico de fase para a população de sp-1 Descrição do gráfico de fase para a população de sp-1 Descrição do gráfico de fase para a população de sp-1 Descrição do gráfico de fase para a população de sp-1 Os gráficos de fase para as duas espécies competidoras Os gráficos de fase para asduas espécies competidoras Soluções gráficas para o modelo de competição de Lotka-Volterra Soluções gráficas para o modelo de competição de Lotka-Volterra Soluções gráficas para o modelo de competição de Lotka-Volterra Soluções gráficas para o modelo de competição de Lotka-Volterra Soluções gráficas para o modelo de competição de Lotka-Volterra Soluções gráficas para o modelo de competição de Lotka-Volterra 1º e 2º Cenários = exclusão competitiva ou Princípio de Gause 1º e 2º Cenários = exclusão competitiva ou Princípio de Gause 1º e 2º Cenários = exclusão competitiva ou Princípio de Gause 1º e 2º Cenários = exclusão competitiva ou Princípio de Gause 1º e 2º Cenários = exclusão competitiva ou Princípio de Gause 3º Cenário: coexistência com partição de recursos 3º Cenário: coexistência com partição de recursos Soluções gráficas para o modelo de competição de Lotka-Volterra Soluções gráficas para o modelo de competição de Lotka-Volterra Soluções gráficas para o modelo de competição de Lotka-Volterra Soluções gráficas para o modelo de competição de Lotka-Volterra 3º Cenário: coexistência das espécies em equilíbrio 3º Cenário: coexistência das espécies em equilíbrio 4º Cenário: exclusão dependente da abundância 4º Cenário: exclusão dependente da abundância 4º Cenário: exclusão dependente da abundância 4º Cenário: exclusão dependente da abundância 4º Cenário: exclusão dependente da abundância 4º Cenário: exclusão dependente da abundância 4º Cenário: exclusão dependente da abundância Referencial bibliográfico