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Curso: Engenharia de Produção
Disciplina: Introdução à Engenharia de Produção
Autor: Eliane da Silva Christo
Aula 4 – O Engenheiro
Meta
Apresentar quais os deveres e os poderes na sociedade e no mercado que formam as
responsabilidades atribuídas a um Engenheiro.
Objetivos
Após esta aula você será capaz de:
1. reconhecer as responsabilidades do Engenheiro na sociedade e no mercado de
trabalho;
2. reconhecer a diferença entre as funções do Engenheiro e do técnico;
3. saber as qualidades do Engenheiro.
1. Introdução: O Engenheiro
Ser um profissional de Engenharia, ou seja, um ENGENHEIRO é ter a responsabilidade
com a aplicação do conhecimento cientifico e usar a criatividade para desenvolver
soluções para problemas técnicos. A formação cientifica de um Engenheiro o torna capaz
de resolver problemas práticos, muitas vezes complexos, ligados à concepção, realização
e implementação de produtos, sistemas ou serviços.
Início de verbete
A palavra Engenheiro possui raízes no latim e é derivada deingeniare ("inventar")
e ingenium ("inteligência").
Fim de verbete
2. Engenheiro e a Sociedade
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A sociedade moderna vem demonstrando uma dependência cada vez mais evidente aos
produtos tecnológicos. As evoluções da ciência e da tecnologia têm proporcionado uma
facilidade para nossas vidas. Estas evoluções são decorrentes ao desenvolvimento da
Engenharia nos sistemas de transporte, de comunicação, de produção, de distribuição de
água e energia, no processamento de estocagem de alimentos, nos equipamentos
bélicos, ferramentas, equipamentos médicos....
A capacidade de raciocínio analítico dos Engenheiros faz com que eles tenham uma
facilidade em identificar e solucionar problemas não só os eminentemente técnicos. O fato
é que sua competência também se estende a questões sociais e pessoais decorrentes de
suas ações. Ao criarmos instrumentos, informações, dispositivos ou processos, por um
lado, contribuímos para proporcionar ao ser humano um trabalho menos árduo e uma vida
mais digna, mas, por outro lado, estas criações também trazem consigo questões
consideradas problemáticas para sociedade, como poluição ambiental, aquecimento
global, devastação de florestas, destruição da camada de ozônio. Todas essas questões
também são de responsabilidade deste profissional, pois somos nós engenheiros que
ajudamos a criar as condições técnicas para que estes problemas aconteçam. Contudo,
sabemos a enorme dificuldade que a humanidade tem para fazer com que suas
gratificações sejam estendidas a todos os indivíduos. Talvez residam nestas
preocupações algumas das mais fortes necessidades de reflexão.
O engenheiro adquire durante a sua formação uma ideia integrada de seu trabalho com o
ambiente que o cerca. Ele adquiri, durante o curso, uma visão sistêmica que lhe confere
um bom domínio da realidade física; e, por extensão, das atividades social e econômica.
Talvez por isso ele se sai bem, na maioria das vezes, em diversas atividades, mesmo
aquelas não ligadas diretamente à sua área de formação técnica específica, como
administração, vendas, análise de sistemas etc. Isto nos leva a entender que, um diploma
hoje funciona como um recurso para se ter mobilidade destacada num mercado de
trabalho competitivo. A antiga ideia que um diploma funcionava como um passaporte para
ter acesso a um ramo profissional preestabelecido está cada vez mais enfraquecida. Tudo
isso permite o Engenheiro atuar na sociedade com competência e seriedade.
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A Figura 1 mostra um exemplo da operação de uma turbina onde exige a colaboração de
engenheiros de diversas áreas.
Figura 1 - Projeto e operação de uma turbina.
Fonte:
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/79/Dampfturbine_Montage01.jpg/
250px-Dampfturbine_Montage01.jpg
Um Engenheiro, no seu processo de formação, tem como dever dominar minuciosamente
os tópicos de sua área de trabalho. Porém, não é só isso que preenche sua formação, é
importante ter consciência do papel que desempenhará futuramente como cidadãos.
Cursos complementares, palestras, seminários e outras atividades não-curriculares,
estudos no campo político, social e econômico, compreendendo o funcionamento geral da
sociedade, são complementos importantes para adquirir uma maturidade profissional.
Para se tornar um Engenheiro ativo, isto é, contribuir de forma substancial na resolução
de problemas, são necessários além dos anos de faculdade, alguns anos de experiência
profissional. Uma boa formação tecnológica associada a um bom embasamento cientifico,
faz com que o Engenheiro seja capaz de acompanhar as mudanças na saciedade tais
como atualizações técnicas e novas áreas profissionais.
O Trabalho do Engenheiro só fica significativo para o avanço da tecnologia e para o bem-
estar social, se for feito com uma dose de ousadia. O excesso de cautela em usar apenas
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materiais, processos e sistemas consagrados, levaria a Engenharia a ficar estagnada, e
todos continuariam a fazer as mesmas coisas que outros já fizeram. O que não significa
depreciar a importância de realizações passadas, que serão sempre referência. Significa
sim, arriscar na profissão, procurar novas experiências para assim alcançar soluções
revolucionárias.
A Figura 2 ilustra um exemplo de ousadia da Engenharia em prol do benefício e da
evolução da sociedade.
Figura 2 - Simulação computacional do lançamento de uma nave espacial.
Fonte:
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e4/SSLV_ascent.jpg/250px-
SSLV_ascent.jpg
Contudo, a escolha da profissão certa é uma decisão muito importante, mas também
muito difícil. Devemos fazer uma pesquisa criteriosa antes de optar por alguma
especialização, consultar especialistas, ler publicações a respeito das áreas que nos
interessam visitar escolas que oferecem os cursos pretendidos, participarem de palestras.
Uma área que esteja em destaque num ano poderá estar em declínio alguns anos depois,
o mercado de trabalho sofre muita volatilidade, ora favorável para determinada profissão
ora desfavorável.
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Todavia, mesmo com todos os cuidados que devemos tomar para a escolha ideal da
profissão ou de uma especialização, as dúvidas podem ainda persistir. Mesmo que estas
dúvidas persistam durante toda a vida acadêmica, com uma formação consistente, a
própria dinâmica do mercado de trabalho acabará apontando uma oportunidade para a
utilização das novas capacidades desenvolvidas.
A interdisciplinaridade na solução dos problemas é uma característica cada vez mais
importante para um Engenheiro. As soluções dos problemas não se restringem apenas às
questões técnicas, mas são dependentes também de questões políticas, sociais,
ambientais, de vontades individuais dos usuários e fabricantes Por isso, a atuação do
Engenheiro pode acontecer em várias áreas da sociedade, praticamente hoje todos os
ramos da sociedade mostram a participação de Engenheiro direta ou indiretamente. Na
Figura 3 podemos ver um exemplo disso.
Figura 3 - Coração artificial, resultante da cooperação entre a medicina e a engenharia.
Fonte:
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/88/JARVIK_7_artificial_heart.jpg/
250px-JARVIK_7_artificial_heart.jpg
O objetivo desta análise é abordar alguns aspectos desta fascinante profissão e
apresentar características e qualidades consideradas desejáveis para atingir uma meta.
3. Engenheiro no Mercado de Trabalho
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No mercado de trabalho, o Engenheiro pode desempenhar
inúmeras funções. Quanto a sua atuação, ele pode trabalhar
como ENGENHEIRO AUTÔNOMO, ENGENHEIRO
EMPREGADO ou ENGENHEIRO EMPRESÁRIO.
Inicio de Verbete
“Engenheiro autônomo é aquele profissional que atua com
maior independência de decisão sobre sua profissão,
estabelecendo seus honorários e condições de trabalho,atuando geralmente em escritório próprio. ”
“Engenheiro que trabalha empregado atua diretamente para uma empresa, com a qual
mantém um contrato de trabalho, prestando serviços técnicos permanentes ou
trabalhando por empreitada, desenvolvendo serviços específicos. O trabalho com vínculo
empregatício — é bom não perdermos de vista - representa grande parte dos profissionais
atuantes na área. ”
“Engenheiro empresário é aquele que é responsável por alguma empresa e que
contrata outros profissionais, com vínculo trabalhista, para operá-la. ”
Fonte: Bazzo e Pereira (2006).
Fim de Verbete
Fonte: https://encrypted-tbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQW62332qhsGxorR-
IXROvlxpeb6vTHNfz46PfWK45u_nfj4TCm
Os locais de atuação de Engenheiro são diversos como: empresas privadas, órgãos
públicos, estabelecimentos financeiros, institutos de pesquisa e desenvolvimento etc.
Dentre os setores de atuação dos Engenheiros podemos destacar alguns:
Indústrias
Bancos de investimento e desenvolvimento
Construções
Escritórios de profissionais liberais
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Instituições públicas e privadas
Pesquisa básica
Estabelecimentos de ensino
Escritórios de consultoria
Empresas de assessoramento
Institutos de pesquisa
Na maioria das vezes, os Engenheiros recém-formados trabalham mais nas áreas de
operação, manutenção ou construção. Com o tempo, e principalmente com a experiência
e suas habilidades, costumam passar a atuar em áreas mais expressivas, como a
administração ou de desenvolvimento. De qualquer maneira, há campo de trabalho
suficientemente importante e promissor em qualquer área, tanto para o novato na
profissão quanto para o engenheiro mais experiente, desde que ele tenha formação
consistente e boa motivação para perseguir com êxito suas metas.
Como o Engenheiro, em seu trabalho cotidiano, pode desempenhar de tarefas cientifica a
tarefas administrativas, ele deve desenvolver ao longo de sua formação e de seus anos
de experiência competências e habilidades tais como:
Elaborar, planejar, supervisionar e coordenar projetos e serviços técnicos;
Elaborar e coordenar experimentos e interpretar resultados;
Utilizar novas ferramentas e técnicas;
Criar novas ferramentas;
Analisar e coordenar de forma crítica a operação de sistemas;
Analisar e coordenar de forma crítica a manutenção de sistemas;
Medir os impactos sociais e ambientais de suas atividades;
Trabalhar em equipes multidisciplinares;
Utilizar de seus conhecimentos científicos, matemáticos, tecnológicos e
instrumentais para identificar, formular e resolver problemas;
Estar sempre em melhoria continua, ou seja, em permanente atualização
profissional;
Saber se comunicar de forma eficiente nas maneiras escrita, oral e gráfica;
Medir a viabilidade econômica de projetos;
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Trabalhar sempre respeitando a ética e responsabilidade profissional.
Boxe Multimídia
Se você quiser fazer um “raio x” das funções
exercidas por um Engenheiro de Produção,
acesse esse endereço
https://www.youtube.com/watch?v=Q2qghr46M_M.
Fim do boxe multimídia
4. O Engenheiro e o Técnico
Uma preocupação cada vez mais frequente nos profissionais recém-formados é a
competitividade entre os Engenheiros e os técnicos experientes. É normal que os
técnicos, que já trabalham há muitos anos, dominem com segurança vários detalhes dos
processos de fabricação, dos sistemas e dos produtos de uma empresa. Porém, este fato
não deveria amedrontar os jovens engenheiros e estagiários, porque os conhecimentos
adquiridos durante um curso universitário de Engenharia dizem respeito muito mais à
formação teórica do que à prática, ou seja, prepara para uma atuação direta para um
campo profissional específico. Os embasamentos teóricos e conceituais adquiridos num
curso superior de Engenharia faz com que o Engenheiro, em poucos anos, tenha plenas
condições de dominar grande parte dos conhecimentos técnicos do dia-a-dia de seu
campo de atuação e, além disso, ampliar os seus conhecimentos teóricos.
Um Engenheiro recém-formado é natural ainda não possuir experiência suficiente para
conhecer detalhes técnicos de sistemas de produção e outros aspectos do cotidiano da
engenharia, como nomenclaturas, fornecedores, normas específicas... Isto é comum, pois
a função da escola não é apenas informativa ou de treinamento, é, principalmente,
formativa.
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Os cursos técnicos de nível médio ou de nível superior formam profissionais para atuarem
nas atividades que irão implementar as novas tecnologias, operar as máquinas, executar
planos de manutenção, promover ensaios em laboratórios, eles trabalham em conjunto
com engenheiros, administradores e operários, em prol do funcionamento da uma
empresa.
Em várias atividades um técnico trabalha sob a supervisão de um engenheiro, pois os
técnicos não podem assumir a responsabilidade de alguns projetos mais complexos, em
alguns casos, isto acontece devido à legislação, não é por competência profissional.
Atividade 1 (Atende ao objetivo 2)
Pesquise o que dizem as resoluções nas entidades da classe de Engenharia sobre as
competências dos Engenheiros, dos técnicos de nível superior e dos técnicos de nível
médio. Destaque as diferenças.
Resposta Comentada
A entidade da classe de Engenharia responsável pela regulamentação profissional e
técnica no Brasil dos profissionais da Engenharia, Agronomia e os da Geografia,
Geologia, Meteorologia, os tecnólogos dessas modalidades, técnicos industriais e
agrícolas e suas especializações, é o CONFEA (Resolução nº 218, de 29 jun 1973.
Disponível em:
http://www.confea.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1561&pai=8&sid=19
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Fim de Atividade
5. Qualidades do Profissional
As qualidades principais para um bom desempenho do Engenheiro são sua formação
básica, o seu raciocínio analítico e um senso crítico acentuado para lidar com as
complexas questões atuais que envolvem diversos campos disciplinares. Estas
qualidades devem sofrer um aperfeiçoamento continuo, pois são muito procuradas no
mercado de trabalho.
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Box
A seguir será apresentado a qualificação necessária ao um Engenheiro recém formado
segundo o Conselho Nacional de Engenharia:
“O novo Engenheiro deve ser capaz de propor soluções que sejam não apenas
tecnicamente corretas, ele deve ter a ambição de considerar os problemas em sua
totalidade, em sua inserção numa cadeia de causas e efeitos de múltiplas dimensões. ”
Fonte: CNE/CES 1.362/2001
Fim do Box
Devido às mudanças aceleradas da tecnologia, um bom Engenheiro deve estar sempre
atualizado das novidades. Ele tem que usar de sua curiosidade para correr atrás de novas
técnicas que se adaptam ao seu trabalho. A agilidade para resolver problemas no prazo
também é uma qualidade importante para o Engenheiro. Os prazos de finalização das
etapas o pressionam constantemente. Este fato o leva a precisar de flexibilidade e
principalmente criatividade para harmonizar os meios concretos de realização às
necessidades atuais.
Nos dias de hoje, o Engenheiro deve aplicar novas ideias reunindo as ciências básicas na
busca de novas soluções. Um bom Engenheiro deve expandir seus conhecimentos no
âmbito da Ciência, da Tecnologia e da Sociedade. O caráter interdisciplinar, abrangendo
disciplinas das ciências sociais das humanidades - como a filosofia e a história da ciência
e da tecnologia, a sociologia do conhecimento científico, as teorias da educação e a
economia da mudança tecnológica permanente – levam os Engenheiros a uma boa
compreensão da ciência e da tecnologia, associada ao juízo crítico e à análise reflexiva
das suas relações sociais.
Os estudos sociais da ciência e da tecnologia - Ciência, da Tecnologiae da Sociedade
(CTS) - constituem hoje uma área de trabalho direcionada para a investigação acadêmica,
da educação e das políticas públicas. O objetivo é entender os aspectos sociais dos
fenômenos científico-tecnológico, quais são suas causas e consequências tanto no
âmbito social como de sustentabilidade. Várias sociedades modernas já utilizam destes
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estudos. O objetivo principal da utilização de conhecimentos gerais é conduzir o
profissional, de qualquer área da Engenharia, a desenvolver uma consciência de
cidadania. Com o mínimo de entendimento sobre vários assuntos, o Engenheiro é capaz
de fazer uma formulação completa de vários problemas e de procurar soluções que
possam ter repercussões sociais positivas.
Seria difícil abordar detalhadamente todas as qualidades que devem compor a ação de
um Engenheiro. Aqui, vamos colocar de maneira mais especifica, apenas algumas
qualidades e habilidades:
a) Conhecimentos específicos
b) Relações Interpessoais
c) Experimentação
d) Comunicação Oral e Escrita
e) Trabalho em equipe
f) Aperfeiçoamento contínuo
g) Ética profissional
a) Conhecimentos Específicos
Todo engenheiro deve saber identificar, interpretar, modelar e solucionar problemas,
utilizando-se dos seguintes conhecimentos objetivos:
- Fundamentos das leis da mecânica;
- Fundamentos das leis da estrutura da matéria;
- Fundamentos das leis do comportamento dos fluidos;
- Fundamentos das leis das ligações químicas;
- Fundamentos das leis da eletricidade;
- Informática: linguagem de programação;
- Outros.
Os conhecimentos objetivos são essenciais para o bom desempenho profissional do
Engenheiro. No dia-a-dia dos trabalhos de Engenharia, saber projetar, construir e operar
dispositivos complexos, estruturas e processos, são características indispensáveis. Além
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dos conhecimentos do funcionamento e da lógica da tecnologia, é importante conhecer
também os impactos e as consequências da utilização das tecnologias na sociedade.
Contudo, destaca-se a importância dos estudos sociais da ciência e da tecnologia -
Ciência, da Tecnologia e da Sociedade (CTS), que visa estudos interdisciplinares em prol
da preservação da espécie humana com qualidade de vida.
b) Relações Interpessoais
Saber se relacionar bem com as pessoas é uma característica imprescindível para o
Engenheiro, pois sua principal função é gerenciar pessoas. Isto o leva a lidar com todos
os tipos de pessoas das mais variadas formações educacionais e perfis socioeconômicos,
tais como operários, clientes, diretoria da empresa, políticos, colegas de trabalho e
pessoas da comunidade, etc. A habilidade para interagir, argumentar, convencer,
retroceder, discutir, mantendo sempre um bom nível de diálogo em várias áreas de
conhecimento é o diferencial para o Engenheiro julgar os problemas ou os benefícios
sociais que poderá realizar para o desenvolvimento sustentável, político e econômico da
sociedade.
A Figura 4 mostra um exemplo que evidencia a inter-relação entre uma grande obra e as
pessoas que dela farão uso.
Figura 4 – Edifício em construção na cidade de São Paulo.
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Fonte:
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/95/Edif%C3%ADcio_em_constru
%C3%A7%C3%A3o.jpg/300px-Edif%C3%ADcio_em_constru%C3%A7%C3%A3o.jpg
c) Experimentação
Todo Engenheiro deve ter a habilidade de testar, medir, realizar experiências, quando
necessárias, a fim de melhorar o seu trabalho.
A experimentação e a medição
são usadas na verificação de
algum resultado teórico, para
obtenção de dados e para a
análise do comportamento de
sistemas, métodos, programas,
etc, atividades típicas da
Engenharia. Um Engenheiro
deve saber reconhecer e
reverter possíveis erros
oriundos de aparelhos
medições, de impossibilidade de repetição de ensaios, de falta de tempo ou fatores
econômicos que impossibilitam extração de amostras maiores.
Para ajudar na solução destes problemas, um exemplo é a utilização das técnicas
estatísticas onde os resultados obtidos em experimentos e medição são processados e
interpretados por meio de ferramentas estatísticas. Assim, estas ferramentas carregam
uma importância fundamental pois são um meio de processar e interpretar os resultados
colhidos nos ensaios.
Fonte:
http://www.nre.seed.pr.gov.br/goioere/arquivos/Image/CIENCIAS/cursodecienciasdivulgac
ao2013.jpg
d) Comunicação Oral e Escrita
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É um comum ouvirmos dizer que um Engenheiro não precisa saber falar ou escrever bem,
basta ter habilidades matemáticas. Com isso, as qualidades de falar e escrever bem
sempre ficaram em segundo plano para alguns profissionais. Há alguns anos,
provavelmente, isto não era problema, pois representava a realidade, um Engenheiro não
interagia diretamente com sociedade. Mas, nos dias de hoje, esta interação faz parte do
dia-a-dia do profissional da área, com isso são estritamente necessárias as habilidades de
uma boa comunicação e uma boa escrita para qualquer profissional de Engenharia.
No caso da comunicação, o Engenheiro, na sua função de gerenciar pessoas, ele tem
que se expressar de maneira clara e objetiva para liderar seus subordinados. Estes têm
que entender as orientações para cumprir corretamente o trabalho. O Engenheiro também
tem que saber explicar suas ideias para seu chefe ou supervisor só assim ele alcançará
ascensão profissional. O trabalho em equipe exigirá do Engenheiro um bom diálogo para
discutir projetos. A relação com a sociedade também vai obrigar o profissional de
Engenharia se comunicar bem sobre assuntos técnicos, políticos, ambientais e
econômicos.
Em qualquer área da Engenharia, um bom profissional terá que preparar relatórios
técnicos contendo equações, gráficos, tabelas, resultados e conclusões para mostrar o
desempenho de algum sistema ou projeto. Em muitos momentos de seu trabalho, ele
usará de uma boa escrita para convencer as pessoas (equipes, chefes, subordinados,
políticos, sociedade em geral) de que sua ideia é viável. Frequentemente, um Engenheiro
vale-se da escrita e das representações matemática e gráfica, além da comunicação
técnica. Há vários anos que a escrita é uma maneira eficaz de comunicação.
São várias as oportunidades em que a capacidade de comunicação, tanto oral quanto
escrita, é indispensável. Os profissionais, na necessidade de se manterem atualizados,
tem sempre que participar de seminários, congressos, mesas-redondas, concursos
públicos, palestras, entrevistas etc. tudo isso servem de amostras para confirmar esta
afirmação.
Em todo processo seletivo, ultimamente, é exigido, além de recursos técnicos, a
apresentação de um relatório com uma proposta de projeto. Nesta situação, se este for o
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critério de desempate entre dois candidatos, seguramente aquele que apresentar
oralmente, se for o caso, um trabalho de forma clara e segura e esteticamente melhor
elaborado, dentro das normas e com boa redação, será o vencedor.
Contudo, destaca-se a importância do habito da leitura de jornais, revistas e livros (Figura
5) - ou qualquer outro material escrito - que possam ajudar na lógica do processamento
de textos e enriquecer a biblioteca de bons vocabulários. Isto aumenta a compreensão
sobre uma infinidade de assuntos diariamente inovados na literatura mundial.
Figura 5 – Livros
Fonte:
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/6e/Latin_dictionary.jpg/300px-
Latin_dictionary.jpg
Não só a importância da boa comunicação e escrita na língua nativa vem crescendo, mas
o diferencial para os Engenheiros reside hoje na fluência numa segunda língua. A
comunicação em língua estrangeira (Inglês, Espanhol, Frances, etc...), fluência na leitura,
escrita e fala dessa língua, atualmente, é considerada uma qualidade básicae essencial a
todo e qualquer profissional.
e) Trabalho em Equipe
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Em várias situações da profissão de um Engenheiro, ele vai se deparar com a
necessidade de formar equipes para pensar projetos. Isto é comum em todas as
profissões, na Engenharia não poderia ser diferente.
O trabalho em equipe é cada vez mais frequente em grandes e pequenas empresas. Os
problemas que os empreendimentos enfrentam hoje envolvem muitas áreas de
conhecimento e, com isso, inúmeras pessoas tem que trabalhar juntas para buscar
soluções.
Um projeto que é desenvolvido por vários profissionais de uma área ou mesmo de áreas
diferentes, exige trabalho conjunto. Saber trabalhar com outras pessoas, ou seja, em
equipe, requer respeito com as opiniões alheia, entusiasmo em colaborar com os demais
e, em algumas situações, renunciar de algumas ideias. Nem sempre suas ideias
representam a melhor forma de resolver um problema, então, neste caso, é necessário
ser humilde e reconhecer, pois qualquer prepotência pode levar a conflitos pessoais
desagradáveis e prejudiciais a empresa.
Hoje em dia, qualquer processo de seleção faz dinâmica de trabalhos em equipe para
avaliar a capacidade do candidato, Engenheiro ou não, de desenvolver práticas em grupo.
Nestas dinâmicas, são observados também o poder de liderança com a capacidade de
decisão do concorrente, a agilidade, a flexibilidade, a criatividade, a concentração e o
raciocínio lógico do mesmo.
Portanto, quando, durante o curso de Engenharia, temos a oportunidade de realizar
trabalhos em equipe, devemos aproveitar com responsabilidade e empenho. Pois, este
aprendizado nos será de grande utilidade para nosso futuro profissional.
f) Aperfeiçoamento Contínuo
Os avanços tecnológicos vêm crescendo de forma acelerada no Brasil e no mundo. Por
causa disso, qualquer profissional atualmente tem que passar por um processo de
aperfeiçoamento continuo. Participar de seminários, congressos, simpósios, feiras, grupos
de estudo e associações da classe são ações que o profissional, principalmente o
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Engenheiro, deve sempre fazer ao longo do caminho da sua profissão. Recorre a livros,
revistas técnicas e periódicos também são recursos que se deve fazer uso
continuamente.
Todo o conteúdo que adquirimos durante o curso de Engenharia, nos seve como ponto de
partida para entrarmos no mercado de trabalho. Porém, sem o aperfeiçoamento continuo,
podemos nos tornar obsoletos como profissionais, e corrermos o risco de perder espaço
para outros Engenheiros mais atualizados.
Reconhecendo a importância do aperfeiçoamento continuo, muitos Engenheiros recorrem
a cursos de pós-graduação – STRICTO SENSU ou LATO SENSU – logo após concluírem
seu curso de graduação, ou mesmo, durante a vida profissional.
Verbete
As pós-graduações stricto sensu compreendem programas de mestrado e doutorado
abertos a candidatos diplomados em cursos superiores de graduação e que atendam às
exigências das instituições de ensino e ao edital de seleção dos alunos (art. 44, III, Lei nº
9.394/1996.). Ao final do curso o aluno obterá diploma.
Os cursos de pós-graduação stricto sensu são sujeitos às exigências de autorização,
reconhecimento e renovação de reconhecimento previstas na legislação - Resolução
CNE/CES nº 1/2001, alterada pela Resolução CNE/CES nº 24/2002.
Os cursos de especialização em nível de pós-graduação lato sensu (nos quais se
incluem os cursos designados como MBA - Master Business Administration), oferecidos
por instituições de ensino superior, independem de autorização, reconhecimento e
renovação de reconhecimento e devem atender ao disposto na Resolução CNE/CES nº 1,
de 8 de junho de 2007.
Fonte:
http://mecsrv125.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=385&Itemid
=316
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http://mecsrv125.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=387&Itemid
=352
Fim do Verbete
São através das especializações, pós-graduação, que podemos nos atualizar em
assuntos específicos e com isso melhorarmos nossa atuação profissional.
g) Ética Profissional
Já falamos aqui em vários momentos da importância da Engenharia para sociedade. O
Engenheiro, de qualquer área, pode modificar o ambiente, os hábitos e a qualidade de
vida das pessoas. Atuam também na sua forma de morar, de se locomover, enfim, pode
alterar inclusive de forma significativa o próprio comportamento da sociedade.
Consciente de sua responsabilidade, o Engenheiro deve adotar uma postura profissional
coerente e racional. Ele deve sempre seguir os preceitos éticos adquiridos na sua
formação tanto a nível pessoal quanto durante o curso de Engenharia.
O respeito ao trabalho dos outros, o respeito às opiniões dos colegas de equipe (como
visto no item e) e a postura correta na aplicação dos conhecimentos técnicos formam o
alicerce dos princípios éticos. Seguindo esta ética, o Engenheiro não pode encarar a
profissão apenas como um meio de adquirir status, ou seja, satisfação de interesses
pessoais. A sociedade acolhe o profissional de acordo com sua postura profissional e
ética. Ou seja, se você atuar fazendo da comunidade a beneficiaria dos resultados de seu
trabalho, gerará, automaticamente, um reconhecimento positivo da sua imagem de
Engenheiro.
A ética profissional, tão importante para o Engenheiro, se pratica com base em preceitos
consistentes e em consonância com um tempo histórico. Durante o curso de graduação, é
um momento ideal para aprender e aprimorar essa prática.
Toda a responsabilidade do Engenheiro recém formado é confirmada e expressa de forma
resumida no juramento da formatura. Cada Engenharia tem um modelo de discurso de
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juramento, porém todos utilizam tópicos considerados essenciais e únicos para todas as
áreas. Estes tópicos são justamente aqueles voltados para ética profissional.
Box
Vejamos a seguir o juramento feito pelos formandos em Engenharia de Produção da
Universidade Federal Fluminense:
“Com o pensamento no Brasil, e consciente da responsabilidade que me é confiada, juro
consagrar, no exercício da profissão de Engenheiro de Produção, o melhor de meu
espírito e o máximo de minhas energias ao desenvolvimento da Engenharia e ao
progresso e bem estar da sociedade. Assim prometo”
Fonte: www.uff.br/
Fim do Box
6. Conclusão
Vimos que o Engenheiro tem uma atuação de grande importância na sociedade, no
âmbito político, econômico, ambiental e social. Por isso, são exigidas dele qualidades
para ser um bom profissional. São estas habilidades que o diferem dos técnicos de nível
superior e médio. O aperfeiçoamento continuo, um bom relacionamento interpessoal,
saber se comunicar bem tanto oralmente como na escrita, saber trabalhar em equipe,
saber liderar, entre outras são exemplos destas qualidades.
A responsabilidade que um Engenheiro possui com a humanidade em geral, vem da
importância de sua profissão. Ele tem por dever agir com ética profissional e consciência
na solução de problemas.
Enfim, ele deve desenvolver um raciocínio abstrato, para conseguir imaginar um projeto e
também deve aprimorar um raciocínio espacial para verificar a sua viabilidade em lugares
pré-definidos.
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Atividade Final (Atende ao objetivo 3)
Faça uma consulta às entidades da classe para conhecer um pouco das obrigações,
deveres e princípios éticos que norteiam a atividade do profissional da Engenharia. Citar
pelo menos 3 desses princípios éticos.
Resposta Comentada
As entidades da classe de Engenharia que apresentam as obrigações, deveres e
princípios éticos dos Engenheiros são: CONFEA (Resolução nº 218, de 29 jun 1973) e
CREA . Disponível em:
http://www.confea.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1561&pai=8&sid=19
3
http://app.crea-rj.org.br/portalcreav2/CMS?idSecao=8ACFFE94-2533-C67C-9918-16CAE934FFB0
Fim de Atividade
Resumo
Nesta aula, você conheceu toda responsabilidade do Engenheiro para com a sociedade.
Viu as diversas áreas de atuação que este profissional pode exercer no mercado de
trabalho e as principais diferenças entre ele e os técnicos de nível superior e médio. Foi
visto também, algumas qualidades que um Engenheiro deve ter para ser um bom
profissional.
Informações sobre a próxima aula
Na próxima aula (Aula 5), você conhecerá exatamente o que é a Engenharia de
Produção. Sua definição, seu processo de formação e as áreas e diretrizes curriculares.
E, ainda conhecerá a associação brasileira que trabalha ativamente e exclusivamente em
prol dos Engenheiros de Produção.
Referências Bibliográficas
21
BAZZO, W. A.; PEREIRA, L. T. do V. Introdução à Engenharia. Florianópolis: Editora da
UFSC, 2006.
BOIKO, T. J. P. Introdução à Engenharia de Produção – Apostila. Disciplina de Introdução
à Engenharia de Produção. Curso de Engenharia de Produção Agroindustrial.
Departamento de Engenharia de Produção. Universidade Estadual do Paraná – Campus
de Campo Mourão. Campo Mourão. 2011.
BATISTA, O. E. O Sistema Confea/Crea. In: Congresso Nacional de Profissionais (CEP),
6º, 2007, Porto Velho/RO. Palestras. Disponível em:
< http://www.crearo.org.br/cep/Paletra_SistemaRO_otaviano.ppt>. Acesso em 01 de
Agosto de 2014.
BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares para os Cursos de Engenharia:
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